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Numero do processo: 10783.725548/2011-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Nov 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
ADICIONAL DE UM TERÇO SOBRE FÉRIAS NORMAIS - INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO O valor referente ao adicional de um terço sobre férias normais integra o salário de contribuição por possuir natureza salarial.
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.- NÃO EXIBIÇÃO DE DOCUMENTOS À FISCALIZAÇÃO.
A empresa está obrigada a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas na lei 8212/1991 dentro do prazo estipulado pela Auditoria Fiscal (art. 33, parágrafos 2º e 3º da lei 8212/1991).
Ocorrendo a sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida, cabendo a empresa ou o segurado o ônus da prova em contrário.
Deixar a empresa de apresentar documento ou livro à auditoria fiscal é infração à legislação previdenciária.
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 2301-003.315
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: I) Por voto de qualidade: a) em negar provimento ao recurso, na questão da incidência de contribuição sobre o terço constitucional de férias, nos termos do voto da Redatora. Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Wilson Antônio de Souza Correa e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em dar provimento ao recurso nesta questão; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Redatora: Bernadete de Oliveira Barros.
(assinado digitalmente)
MARCELO OLIVEIRA - Presidente.
(assinado digitalmente)
DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES - Relator.
(assinado digitalmente)
BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS - Redatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira, Mauro Jose Silva, Wilson Antonio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Leonardo Henrique Pires Lopes.
Nome do relator: DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. NÃO EXIBIÇÃO DE DOCUMENTOS À FISCALIZAÇÃO. A empresa está obrigada a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas na lei 8212/1991 dentro do prazo estipulado pela Auditoria Fiscal (art. 33, parágrafos 2º e 3º da lei 8212/1991). Ocorrendo a sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida, cabendo a empresa ou o segurado o ônus da prova em contrário. Deixar a empresa de apresentar documento ou livro à auditoria fiscal é infração à legislação previdenciária. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: I) Por voto de qualidade: a) em negar provimento ao recurso, na questão da incidência de contribuição sobre o terço constitucional de férias, nos termos do voto da Redatora. Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Wilson Antônio de Souza Correa e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em dar provimento ao recurso nesta questão; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 72 55 48 /2 01 1- 11 Fl. 587DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 23 /07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIR A BARROS, Assinado digitalmente em 25/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA 2 Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Redatora: Bernadete de Oliveira Barros. (assinado digitalmente) MARCELO OLIVEIRA Presidente. (assinado digitalmente) DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES Relator. (assinado digitalmente) BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Redatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira, Mauro Jose Silva, Wilson Antonio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Leonardo Henrique Pires Lopes. Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pela empresa RECAUCHUTADORA JUIZ DE FORA LTDA em face da decisão que julgou improcedente a impugnação apresentada pela empresa e manteve o lançamento de débito referente ao período de 01 01 2009 a 31 12 2009. 2. De acordo com o relatório fiscal do lançamento, a fiscalização constatou que a empresa estava sem opção pelo SIMPLES NACIONAL no período fiscalizado e mesmo assim recolhia tributos à Previdência Social no código de pagamento 2003 como se do SIMPLES fosse. 3. Segue trecho do relatório fiscal do lançamento que descreve os procedimentos adotados pela fiscalização, bem como os fatos geradores da exação. Na auditoria Fiscal desenvolvia na empresa constatamos a que a mesma estava sem opção pelo SIMPLES NACIONAL no período de 01 08 a 12 09 e recolhendo para a Previdência Social no código de pagamento 2003 como se do SIMPLES fosse. A empresa foi intimada a apresentar o Termo de Opção do SIMPLES NACIONAL através do Termo de Procedimento Fiscal – TIPF datado em 28 09 2011 e com ciência em 03 10 2011, porém a empresa não apresentou o Termo de adesão àquele sistema alegando não possuir. Verificamos, que as Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIPs do período de 01 09 a 12 09, foram apresentadas com erros de informações que alteram os valores das contribuições previdenciárias. Tal fato ocorreu no momento que o contribuinte informou o código de pagamento 2003 e no campo destinado ao SIMPLES o código “2” que significa a opção pelo SIMPLES. Agindo dessa forma, as contribuições foram substituídas pelas contribuições Fl. 588DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 23 /07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIR A BARROS, Assinado digitalmente em 25/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10783.725548/201111 Acórdão n.º 2301003.315 S2C3T1 Fl. 588 3 sobre o faturamento, e consequentemente impediu que o sistema efetuasse corretamente os cálculos das contribuições previdenciárias devidas. Considerando que o sujeito passivo fez a opção sem preencher os requisitos legais para se enquadras como optante pelo SIMPLES NACIONAL no período de 01 09 a 12 09, deixou de efetuar o recolhimento das contribuições previdenciárias (parte patronal) e contribuições para outras entidades (terceiros) não embutidas nos percentuais do Simples Nacional, estão sendo cobradas as contribuições (previdenciárias e terceiros) que seriam devidas às demais empresas. Também observamos diferença significativa aos compararmos os pagamentos efetuados aos empregados e os valores declaradas em RAIS e em GFIP. Através do exame procedido nas Folhas de Pagamento, nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP e nos dados constantes dos sistemas corporativos da RFB, constatamos que o contribuinte entregou GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias no período de 01 09 a 11 09. Tal infração ocorreu no momento em que a empresa deixou de incluir em GFIPs segurados empregados conforme planilhas anexas. 4. Após a apuração de todos os fatos, a fiscalização lavrou cinco autos de infração contra a empresa: a) AI DEBCAD Nº 51.011.5284, valor original de R$ 72.287,95: contribuições devidas e descontadas dos segurados empregados, verificadas através de folhas de pagamento, recibos de pagamento, recibos de férias e rescisões de contrato de trabalho; b) AI DEBCAD Nº 51.011.5292, valor original de R$ 1.621,11: contribuições devidas, correspondentes à parte dos segurados, resultantes do confronto entre o valor devido e o que foi descontado nas folhas de pagamento e rescisões de contrato de trabalho; c) AI DEBCAD Nº 51.011.5306, valor original de R$ 238.178,20: contribuições da empresa destinadas a Seguridade Social e, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT 2%); d) AI DEBCAD Nº 51.011.5314, valor original de R$ 63.463,72: contribuições destinadas a terceiros e outras entidades; e) AI DEBCAD Nº 51.011.5276, CFL 38, valor original de R$ 15.244,40: penalidade pelo descumprimento de obrigação acessória, infração ao artigo 33, §§ 2º e 3º, da Lei nº 8.212/1991, com redação da MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, combinado com os artigos 232 e 233, parágrafo único, do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 06/05/1999. Fl. 589DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 23 /07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIR A BARROS, Assinado digitalmente em 25/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA 4 5. Após ser devidamente cientificada do lançamento fiscal em 20 12 2011, a empresa, apresentou impugnação tempestiva às fls. 397 411. Ao analisar os argumentos colacionados pelo contribuinte o Colegiado de primeira instância julgou improcedente em parte a impugnação da empresa, retificando o DEBCAD 51.011.5306 tendo em vista que considerou que o relatório fiscal não trouxe qualquer informação sobre o reenquadramento da atividade preponderante da empresa, e consequentemente manteve o enquadramento previsto nos documentos oficiais da empresa, retificando a alíquota aplicada de 2% para 1% para todas as competências. 6. O acórdão recorrido restou ementado nos termos que transcrevo abaixo: “SIMPLES NACIONAL. NÃO OPTANTE. São devidas as contribuições sociais patronais das empresas não optantes pelo SIMPLES NACIONAL. ALÍQUOTA SAT. REENQUADRAMENTO ATIVIDADE PREPONDERANTE. FUNDAMENTAÇÃO. À falta de fundamentação para o reenquadramento da atividade preponderante da empresa, há de se cobrar a contribuição destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, pela alíquota correspondente ao CNAE da atividade declarada em documentos oficiais da empresa. ERROS NO LANÇAMENTO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Não restou comprovada a cobrança de contribuições sociais sobre parcelas não integrantes do saláriodecontribuição. ADICIONAL DE FÉRIAS. INCIDÊNCIA. A remuneração adicional de férias integra o saláriodecontribuição. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Constitui infração deixar a empresa de exibir documentos e livros relacionados com as contribuições para a Seguridade Social. Os Livros Diário e Razão por conterem obrigatoriamente o lançamento dos fatos geradores das contribuições sociais, inclusive das previdenciárias devem ser apresentados à autoridade fiscal incumbida da fiscalização dessas contribuições, sob pena de autuação. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte. (ff. 543/550)” 7. Inconformada com a decisão proferida o contribuinte apresentou recurso voluntário tempestivo as fls. 565/578, no qual aduz em síntese: a) sustenta que a empresa é optante do SIMPLES e ainda que não tenha o termo de adesão ao programa, documento comprobatório (como argumento a primeira instância) a empresa recolhia os valores devidos de contribuição previdenciária como optante do SIMPLES; b) aduz que os valores devidos de contribuição previdenciária incidente sobre os valores pagos por rescisão contratual, devem ser declarados indevidos, uma vez que não fazem parte da base de cálculo da contribuição; c) no tocante a multa, sustenta que a empresa não pode ser penalizada pela não entrega de documentos não pertinentes à fiscalização realizada, pois todos os documentos necessários à fiscalização foram entregues, portanto, indevida a penalidade aplicada à empresa; Fl. 590DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 23 /07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIR A BARROS, Assinado digitalmente em 25/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10783.725548/201111 Acórdão n.º 2301003.315 S2C3T1 Fl. 589 5 d) por fim, argumenta que o abono constitucional possui natureza indenizatória, não podendo ser incluído na base de cálculo da contribuição. 8. O fisco não apresentou contrarrazões e o processo foi encaminhado para análise e julgamento por este Conselho. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que atende aos pressupostos de admissibilidade. PRELIMINARES DO ENQUADRAMENTO NO SIMPLES NACIONAL 2. A recorrente alega que a fiscalização desenquadrou a empresa como optante do SIMPLES NACIONAL sem procedimento específico. Ocorre que ao fazer tal afirmativa equivocase o contribuinte, tendo em vista que em momento algum o auditor fiscal fez qualquer juízo valorativo a respeito dos requisitos do enquadramento da recorrente. 3. Na realidade o que ocorreu foi a solicitação fiscal para que a empresa, já que estava recolhendo tributos como se do SIMPLES fosse, apresentasse o Termo de Opção do referido programa. 4. No entanto, a recorrente sequer apresentou qualquer documento que comprovasse ter aderido formalmente ao SIMPLES, assim como não o fez na impugnação, tampouco na sua peça recursal. 5. Assim, sem a devida comprovação de adesão ao programa, afasto a preliminar de nulidade por vício de legalidade na autuação suscitada pela recorrente. DOS VALORES PAGOS EM RESCISÃO CONTRATUAL 6. Insta mencionar inicialmente que no processo administrativo fiscal prepondera a sistemática da impugnação específica conforme preleciona o art. 16 do decreto 70.235 72, sendo o contribuinte obrigado a impugnar expressa e fundamentadamente a sua discordância quanto ao lançamento, in verbis: Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; 7. A recorrente pugna pela nulidade do auto de infração pois argumenta que os valores devidos de contribuição previdenciária incidente sobre os valores pagos por rescisão contratual, devem ser declarados indevidos, uma vez que não fazem parte da base de cálculo da contribuição. 8. Ocorre que não foram apontados os supostos erros pontualmente quais verbas ela considera indenizatórias e a sua fundamentação, ao contrário, a recorrente limitouse a suscitar a nulidade genericamente: “no cálculo dos valores pagos em rescisão contratual Fl. 591DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 23 /07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIR A BARROS, Assinado digitalmente em 25/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA 6 estão compreendidos verbas indenizatórias que não fazem parte da base de cálculo da contribuição, entretanto, tais valores restaram discriminados nos autos de infração lançados como devidos”. 9. Dessa forma também afasto esta preliminar de nulidade suscitada pela recorrente. DO MÉRITO DO ADICIONAL CONSTITUCIONAL DE UM TERÇO 10. Por fim, argumenta que o abono constitucional possui natureza indenizatória, não podendo ser incluído na base de cálculo da contribuição. 11. Em relação ao terço adicional de férias, essa verba tem natureza compensatória, pois é um reforço financeiro para que o trabalhador possa usufruir de forma plena o direito constitucional do descanso remunerado. 12. Nos termos do art. 201, § 11, da CF, somente as parcelas incorporáveis ao salário para fins de aposentadoria sofrem a incidência da contribuição previdenciária, verbis: “§ 11. Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e conseqüente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei”. 13. Em novembro de 2009, o STJ resolveu adequar a sua jurisprudência ao entendimento firmado pelo STF para declarar que a contribuição previdenciária não incide sobre o terço de férias. A decisão nos Embargos de Divergência 956.289 serviu para se adequar ao entendimento da Corte Suprema, concluindo pela nãoincidência da contribuição previdenciária sobre o terço constitucional de férias, verbis: “TRIBUTÁRIO E PREVIDENCIÁRIO EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS NATUREZA JURÍDICA NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO ADEQUAÇÃO DA JURISPRUDÊNCIA DO STJ AO ENTENDIMENTO FIRMADO NO PRETÓRIO EXCELSO. 1. A Primeira Seção do STJ considera legítima a incidência da contribuição previdenciária sobre o terço constitucional de férias. Precedentes. 2. Entendimento diverso foi firmado pelo STF, a partir da compreensão da natureza jurídica do terço constitucional de férias, considerado como verba compensatória e não incorporável à remuneração do servidor para fins de aposentadoria. 3. Realinhamento da jurisprudência do STJ, adequandose à posição sedimentada no Pretório Excelso. 4. Embargos de divergência providos. (EREsp 956289/RS, Rel. Ministra ELIANA CALMON, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 28/10/2009, DJe 10/11/2009)” 14. Assim, entendo que a referida verba não possui caráter remuneratório, sendo esta excluída da base de cálculo das contribuições previdenciárias DA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA Fl. 592DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 23 /07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIR A BARROS, Assinado digitalmente em 25/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10783.725548/201111 Acórdão n.º 2301003.315 S2C3T1 Fl. 590 7 15. Primeiramente, a esse colegiado insta mencionar a legislação que regulamenta as obrigações acessórias impostas pelo Fisco ao contribuinte, qual seja, a lei 8212/1991. Na disposição insculpida no artigo 33 da lei 8212/1991 prevê a seguinte obrigação acessória, cujo descumprimento resulta em aplicação de penalidade, in verbis: Art. 33 (...) § 2º – A empresa, o servidor de órgãos públicos da administração direta e indireta, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta lei. § 3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social – INSS e o Departamento da Receita Federal – DRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que refutarem devida, cabendo a empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. 16. No caso em análise, narra o relatório fiscal que a conduta que deu origem ao ato de infração foi o fato da empresa ter deixado a empresa deixou de apresentar o Livro Diário e a escrituração contábil para os exercícios de 2008/2009, quando formalmente solicitada (TIPF de fls. 84), fato esse que restou inconteste, caracterizando assim a infração ora autuada, capitulada no artigo 33, §§ 2º e 3º, da Lei nº 8.212/1991. 17. No tocante a multa, sustenta que a empresa não pode ser penalizada pela não entrega de documentos não pertinentes à fiscalização realizada, pois todos os documentos necessários à fiscalização foram entregues, portanto, indevida a penalidade aplicada à empresa. 18. Tal afirmação não merece prosperar uma vez que a escrituração contábil é documentação plenamente exigível pela fiscalização. A lei 8.212 91 prevê em seu art. 32, II, c c art. 225, e parágrafos 13 e seguintes do Decreto 3.048 99 essa obrigação, in verbis: “Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) II lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos.” (LEI 8.212/1991) Art. 225. A empresa é também obrigada a: (...) II lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; (...) Fl. 593DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 23 /07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIR A BARROS, Assinado digitalmente em 25/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA 8 §13. Os lançamentos de que trata o inciso II do caput, devidamente escriturados nos livros Diário e Razão, serão exigidos pela fiscalização após noventa dias contados da ocorrência dos fatos geradores das contribuições, devendo, obrigatoriamente: I atender ao princípio contábil do regime de competência; e II registrar, em contas individualizadas, todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias de forma a identificar, clara e precisamente, as rubricas integrantes e não integrantes do saláriode contribuição, bem como as contribuições descontadas do segurado, as da empresa e os totais recolhidos, por estabelecimento da empresa, por obra de construção civil e por tomador de serviços. §14. A empresa deverá manter à disposição da fiscalização os códigos ou abreviaturas que identifiquem as respectivas rubricas utilizadas na elaboração da folha de pagamento, bem como os utilizados na escrituração contábil. § 15. A exigência prevista no inciso II do caput não desobriga a empresa do cumprimento das demais normas legais e regulamentares referentes à escrituração contábil. 19. Ressaltese que além do prazo inicialmente estipulado pelo Fisco, o contribuinte ainda teve oportunidade de apresentar os documentos requisitados pela fiscalização juntamente com a sua impugnação, ou a comprovação de entrega desses, no entanto, assim não procedeu. Ademais após a intimação da decisão, a quo, o contribuinte ganha nova oportunidade de comprovar a entrega da documentação ou apresentála no bojo de sua peça recursal. 20. Dessa forma, não se pode sustentar que a apresentação de tais documentos era desnecessária, quando a legislação de regência prevê a hipótese de aplicação de penalidade em caso do seu descumprimento, tampouco quando não há na norma legal que desobrigue o contribuinte dessa situação. 21. Dessa forma, entendo que o agente fiscal agiu de acordo com o previsto nna Lei 8.212 91 e mantenho a multa pecuniária aplicada. REPRESENTAÇÃO PARA EFEITOS PENAIS 22. O fisco apensou ao processo em tela o processo de número 10783725549201165 que trata de Representação Fiscal para Fins Penais, sobre esse assunto entendo que tal procedimento é ato vinculado, ou seja, no momento em que o auditor fiscal verificar quaisquer situações que em tese configurem crime deverá adotar os procedimentos necessários ao devido encaminhamento às autoridades competentes sob pena de responsabilidade funcional. Evidentemente que a formalização da ação própria dependerá do trânsito em julgado do processo administrativo e consequente atuação do Ministério Público Federal que irá verificar as medidas cabíveis quanto à correta capitulação legal e o oferecimento da denúncia para posterior defesa. Cabe ressaltar que no processo administrativo fiscal a representação para efeitos penais não é possível de ser apreciada. CONCLUSÃO 23. Ante o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, nos temos acima delineados, a fim de retirar da base Fl. 594DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 23 /07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIR A BARROS, Assinado digitalmente em 25/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10783.725548/201111 Acórdão n.º 2301003.315 S2C3T1 Fl. 591 9 de cálculo da exação, os valores correspondentes ao pagamento do terço constitucional de férias. (assinado digitalmente) DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES Relator Voto Vencedor Conselheira Bernadete de Oliveira Barros Permitome divergir do Conselheiro Relator em relação à incidência de contribuição sobre o adicional de 1/3 de férias, pelas razões a seguir expostas. O Relator entende que a referida verba não possui caráter remuneratório, devendo, portanto, ser excluída da base de cálculo das contribuições previdenciárias . Contudo, entendo que o agente fiscal agiu corretamente ao lançar as contribuição previdenciária incidentes sobre o pagamento de 1/3 sobre férias normais, uma vez que o conceito de salário de contribuição expresso no art. 28, incisos I e III da Lei 8.212/91 é “...a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades...” (grifei).. A CLT discrimina as parcela que compõe a remuneração do empregado, conforme seu art. 457: Art. 457. Compreendemse na remuneração do empregado, para todos os efeitos legais, além do salário devido e pago diretamente pelo empregador como contraprestação do serviço, as gorjetas que receber. § 1º Integram o salário, não só a importância fixa estipulada, como também as comissões, percentagens, gratificações ajustadas, diárias para viagem e abonos pagos pelo empregador Assim tanto as gratificações como os abonos, que em regra são eventuais, integram a remuneração do empregado por expressa previsão legal. E a CF menciona “os ganhos habituais”, ou seja, todos os ganhos de cunho remuneratório, que aumentam o patrimônio do empregado. O Decreto 3.048/1999, cumprindo seu papel regulamentador, é claro ao estabelecer, em seu art. 214, § 4o, que a “remuneração adicional de férias de que trata o inciso XVII, do art. 7o da Constituição Federal integra o saláriodecontribuição”. E como o referido dispositivo legal está em pleno vigor, não pode ser afastado por força do estabelecido no art. 26A , do Decreto 70.235/72, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Fl. 595DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 23 /07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIR A BARROS, Assinado digitalmente em 25/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA 10 Portanto, a verba em comento integra o salário de contribuição, mesmo porque não está incluída nas hipóteses legais de isenção previdenciária, previstas no § 9º, art. 28, da Lei 8.212/91. Quanto às alegações de que a fiscalização fez incidir contribuições sobre verbas indenizatórias, a recorrente não comprova o alegado. Não aponta, nos relatórios integrantes dos Autos, quais seriam os valores incorretos, e nem traz elementos que comprovariam suas afirmações. Com relação ao pedido de que o recurso no que se refere à contribuição sobre a o terço constitucional de férias seja sobrestado até o exame da matéria pelo STF, nos termos do art. 62A, da Portaria 256/2009, cumpre esclarecer que, após estudo realizado por este CARF, concluiuse que “o Regimento Interno do STF diferencia a existência da repercussão geral – que é efetiva CONDIÇÃO para conhecimento (requisito de admissibilidade) do Recurso Extraordinário – da figura do sobrestamento, que é uma determinação do STF aos tribunais, para que não encaminhem recursos sobre um assunto enquanto ele está sendo discutido pelo STF – que não é obrigatório”. Por esse motivo, foi editada, em 03 de janeiro de 2012, a Portaria CARF n° 001/2012, que disciplinou o procedimento de sobrestamento do julgamento de recursos, previsto no art. 62A §§ 1º e 2º do Anexo II de seu Regimento Interno, aprovado pela Portaria MF n° 256/2009, e alterações posteriores. O art.1o , da referida Portaria 001/2012, estabelece que: Art. 1o, Determinar a observação dos procedimentos dispostos nesta portaria, para realização do sobrestamento do julgamento de recursos em tramitação no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, em processos referentes a matérias de sua competência em que o Supremo Tribunal Federal – STF tenha determinado o sobrestamento de Recursos Extraordinários – RE, até que tenha transitado em julgado a respectiva decisão, nos termos do art. 543B da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil. Parágrafo único. O procedimento de sobrestamento de que trata o caput somente será aplicado a casos em que tiver comprovadamente sido determinado pelo Supremo Tribunal Federal – STF o sobrestamento de processos relativos à matéria recorrida, independentemente da existência de repercussão geral reconhecida para o caso. Verificase que o STF de fato reconheceu a existência de repercussão geral da questão constitucional suscitada no Recurso Extraordinário 1.230.957RS. Contudo, conforme se observa, o STF não determinou o sobrestamento do processo, motivo pelo qual rejeito o pedido de sobrestamento do recurso formulado pela recorrente. Nesse sentido, o meu voto é por conhecer do recurso e negarlhe provimento. Fl. 596DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 23 /07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIR A BARROS, Assinado digitalmente em 25/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10783.725548/201111 Acórdão n.º 2301003.315 S2C3T1 Fl. 592 11 Fl. 597DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 23 /07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIR A BARROS, Assinado digitalmente em 25/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA
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Numero do processo: 10830.912681/2009-88
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/08/2001 a 31/08/2001
COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA.
A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN.
A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação.
Recurso a que se nega provimento.
Numero da decisão: 3802-001.929
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator
Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Paulo Sérgio Celani e Solon Sehn.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/08/2001 a 31/08/2001 COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento.
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/08/2001 a 31/08/2001 COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Paulo Sérgio Celani e Solon Sehn. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 91 26 81 /2 00 9- 88 Fl. 71DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 9a Turma da DRJ Campinas (fls. 44/50 da cópia digitalizada do processo), a qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade formalizada pela recorrente, nos termos do acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/08/2001 a 31/08/2001 DCOMP. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. PROVA. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. O reconhecimento do direito creditório aproveitado em DCOMP não homologada requer a prova de sua existência e montante. Faltando ao conjunto probatório carreado aos autos elementos que permitam a verificação da existência de pagamento indevido ou a maior frente à legislação tributária, o direito creditório não pode ser admitido. PEDIDO DE DILAÇÃO DE PRAZO PARA APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. INDEFERIMENTO. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual. O pedido de juntada de documentos após a impugnação deve ser indeferido quando não demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O crédito reclamado no presente litígio diz respeito a suposto pagamento indevido da Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS, no montante de R$ 436,58. A recorrente apresentou manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório que não homologou Declaração de Compensação eletrônica diante da não confirmação do crédito informado, “[...] tendo em vista que o pagamento apontado como origem do direito creditório estaria integralmente utilizado na quitação do débito do contribuinte”. Em sua manifestação de inconformidade, alegou a interessada que deixou de retificar a DCTF do período em que havia realizado o pagamento indevido, ato que caracteriza como mero erro de forma, o qual, segundo entende, seria incapaz de invalidar ou inutilizar o crédito da empresa. Alicerçase em doutrina e jurisprudência e proclama não ter sido evidenciado nenhum prejuízo para o Erário. Requer, finalmente, o cancelamento da exigência e a dilação de prazo (em até dez dias) para a juntada de documentos (cópia da DIPJ, da DCTF original e das memórias de apuração dos créditos aduzidos pela empresa). A ciência da decisão que manteve a exigência formalizada contra a recorrente ocorreu em 11/05/2012 (fls. 54). Inconformada, a mesma apresentou, em 11/06/2012, o recurso voluntário de fls. 57/68, onde reitera os argumentos aduzidos na primeira instância, e que, ao Fl. 72DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10830.912681/200988 Acórdão n.º 3802001.929 S3TE02 Fl. 72 3 contrário do que restou consignado no acórdão recorrido, juntara aos autos “documentação que demonstra de forma patente a existência e a suficiência do crédito utilizado pela empresa na DCOMP indevidamente nãohomologada”. Protesta pela juntada posterior de documentos e requer seja dado provimento ao seu recurso. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios A ciência da decisão recorrida se deu em 11/05/2012 (fls. 54). Por sua vez, o recurso voluntário foi apresentado em 11/06/2012, tempestivamente, portanto. Ademais, o recurso preenche aos demais requisitos formais e materiais de admissibilidade, devendo, pois, ser conhecido. A reclamante alega haver incorrido em erro quando do pagamento da contribuição devida no período, e que o débito declarado na DCTF não corresponderia à realidade fática. Aduz, ainda, que incorrera em mero erro de forma, o qual seria incapaz de invalidar o crédito da empresa. Informa haver juntado aos autos documentação comprobatória do direito e que, mesmo diante da ausência de retificação da DCTF, não houve qualquer prejuízo para o Erário, não podendo, pois, a pessoa jurídica ser compelida a responder por créditos tributários já devidamente adimplidos junto ao fisco federal. Não há como acolher as razões apresentadas pela recorrente. Nos pedidos de compensação como o presente a apresentação de DCTF retificadora pode até ser dispensada, mas desde que comprovado o erro, ou, em outras palavras o indébito declarado na DCOMP. Com efeito, os dados declarados em DCTF podem ser retificados de ofício pela autoridade administrativa, mas somente se aludida retificação estiver alicerçada em documentos que comprovem a materialidade da modificação intentada pelo contribuinte, o que não ocorreu no caso presente, como destacado na primeira instância. De fato, muito embora o sujeito passivo tenha requerido dilação de prazo para a juntada de documentos, nenhuma comprovação do reclamado direito creditório foi acostada aos autos. É do contribuinte o ônus da prova do direito creditório que aduz em seu favor. E é este que detém em seu poder toda a documentação capaz de comprovar o crédito alegado, qual seja, a escrita e os documentos inerentes à sua atividade empresarial. Sem a prova do direito impossível homologar a compensação. A Lei é clara quando ressalta que a compensação, como uma das formas de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. É desarrazoada a pretensão do sujeito passivo de buscar seja novamente perquirido para apresentar o que já tem em seu poder e sabe ser necessário para a comprovação do crédito e conseqüente liquidação do débito por compensação, principalmente diante da decisão de primeira instância. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 4 Portanto, uma vez não comprovada a certeza e a liquidez do crédito, não é possível autorizar a extinção do débito para com a Fazenda Pública mediante compensação. Finalmente, quanto à citada inexistência de prejuízo para o Erário, tal argumento, para ser considerado correto, exigiria fosse demonstrado o pagamento indevido, este, sim, o foco central em que se examinam pedidos como o presente, cujo indébito não foi minimamente demonstrado, como já ressaltado. Da Conclusão Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário interposto pela interessada. Sala de Sessões, em 20 de agosto de 2013. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 74DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A
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Numero do processo: 10920.901191/2010-81
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Sep 06 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2006
PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS A PROLAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. APRESENTAÇÃO DA PROVA DO CRÉDITO APÓS PROLAÇÃO DA DECISÃO DA DRJ. HIPÓTESE PREVISTA NO ART. 16, § 4º, C, DO DECRETO Nº 70.235/1972. POSSIBILIDADE. NATUREZA DO INDÉBITO NÃO DEMONSTRADA. PROVA INSUFICIENTE. RECURSO DESPROVIDO.
A prova do crédito tributário indébito, quando destinada a contrapor razões posteriormente trazidas aos autos, pode ser apresentada após a decisão da DRJ, por força do princípio da verdade material e do disposto no art. 16, § 4º, c, do Decreto nº 70.235/1972. Sendo insuficiente a prova apresentada, não há como se homologar a compensação
Numero da decisão: 3802-001.388
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
REGIS XAVIER HOLANDA - Presidente.
(assinado digitalmente)
CLÁUDIO AUGUSTO GONÇALVES PEREIRA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (Presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Jose´ Fernandes do Nascimento, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Declarou-se impedido o Conselheiro Solon Sehn.
Nome do relator: CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2006 PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS A PROLAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. APRESENTAÇÃO DA PROVA DO CRÉDITO APÓS PROLAÇÃO DA DECISÃO DA DRJ. HIPÓTESE PREVISTA NO ART. 16, § 4º, C, DO DECRETO Nº 70.235/1972. POSSIBILIDADE. NATUREZA DO INDÉBITO NÃO DEMONSTRADA. PROVA INSUFICIENTE. RECURSO DESPROVIDO. A prova do crédito tributário indébito, quando destinada a contrapor razões posteriormente trazidas aos autos, pode ser apresentada após a decisão da DRJ, por força do princípio da verdade material e do disposto no art. 16, § 4º, c, do Decreto nº 70.235/1972. Sendo insuficiente a prova apresentada, não há como se homologar a compensação
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) REGIS XAVIER HOLANDA - Presidente. (assinado digitalmente) CLÁUDIO AUGUSTO GONÇALVES PEREIRA - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (Presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Jose´ Fernandes do Nascimento, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Declarou-se impedido o Conselheiro Solon Sehn.
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RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS A PROLAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. APRESENTAÇÃO DA PROVA DO CRÉDITO APÓS PROLAÇÃO DA DECISÃO DA DRJ. HIPÓTESE PREVISTA NO ART. 16, § 4º, “C”, DO DECRETO Nº 70.235/1972. POSSIBILIDADE. NATUREZA DO INDÉBITO NÃO DEMONSTRADA. PROVA INSUFICIENTE. RECURSO DESPROVIDO. A prova do crédito tributário indébito, quando destinada a contrapor razões posteriormente trazidas aos autos, pode ser apresentada após a decisão da DRJ, por força do princípio da verdade material e do disposto no art. 16, § 4º, “c”, do Decreto nº 70.235/1972. Sendo insuficiente a prova apresentada, não há como se homologar a compensação Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) REGIS XAVIER HOLANDA Presidente. (assinado digitalmente) CLÁUDIO AUGUSTO GONÇALVES PEREIRA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (Presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, José Fernandes do Nascimento, Bruno AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 90 11 91 /2 01 0- 81 Fl. 76DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por REGIS X AVIER HOLANDA 2 Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Declarouse impedido o Conselheiro Solon Sehn. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Joinville/SC, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: ano calendário de 2006 COMPENSAÇÃO. INDÉBITO ASSOCIADO A ERRO EM VALOR DECLARADO EM DCTF. REQUISITO PARA A HOMOLOGAÇÃO Nos caos em que a existência do indébito incluído em declaração de compensação está associada à alegação de que o valor declarado em DCTF e recolhido é maior do que o devido, só se pode homologar tal compensação, independentemente de eventuais outras verificações, nos casos em que o contribuinte previamente à apresentação da DCOMP retifica regularmente a DCTF. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito creditório Não Reconhecido. Inconformado, o recorrente apresenta os mesmos argumentos trazidos em primeira instância, a saber: (i) a retificação da DCTF não ocorreu por conta de um erro cometido pelo responsável contábil, que era terceirizado, (ii) a retificação da DCTF é uma obrigação acessória e o seu não cumprimento enseja multa, (iii) o princípio da verdade material é um princípio básico do processo administrativo, de modo que o julgador não poderá ficar adstrito a ele. É o relatório. Voto Conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Estando presentes os requisitos de admissibilidade do Decreto no 70.235/1972, o recurso pode ser conhecido. A análise da documentação acostada aos autos mostra que a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joinville/SC decidiu pela não homologação, em razão de que o valor recolhido via Darf, indicado como fonte do crédito contra a Fazenda Nacional, já havia sido integralmente utilizado para o pagamento de débitos do contribuinte, de modo a não restar crédito disponível para a compensação informado no PER/DCOMP. E mais, a alegação da terceirização dos serviços contábeis, não é razoável para fins de direito creditório. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por REGIS X AVIER HOLANDA Processo nº 10920.901191/201081 Acórdão n.º 3802001.388 S3TE02 Fl. 77 3 Em razão disso, a compensação não foi homologada, consoante passagem seguinte do despacho decisório: “Como do relatório se viu, a contribuinte afirma que, como em diversos períodos de apuração foram calculadas as contribuições sociais em valor maior que o devido, foram realizadas compensações com tributos vincendos. Por conseguinte, requer que seja lhe fornecido abertura de prazo para a retificação das declarações — DCTF, Dacon e DIPJ — a fim de regularizar sua situação perante a RFB e demonstrar o saldo credor disponível para compensação. E, por fim, afirma que agiu de boafé. Em análise do arguido, há que se dizer que não tem a razão a contribuinte em sua contestação. Com efeito, do ponto de vista estrito das regras que disciplinam a compensação tributária, temse que a apresentação da DCOMP produz um efeito principal: extingue o crédito tributário, mesmo que sob a condição resolutória de eventual homologação expressa posterior por parte da Fazenda Nacional. Assim, ou à época da apresentação da DCOMP o crédito contra a Fazenda Nacional alegado pelo sujeito passivo tem existência devidamente evidenciada nos termos da legislação tributária, ou não há como homologála. No caso concreto que aqui se tem, a contribuinte, na data de apresentação da DCOMP, não havia retificado a DCTF, documento no qual, como é sabido, são declarados, com força de confissão de divida, os valores dos tributos devidos. Assim, não se pode dizer que, naquele momento, tivesse existência jurídica o crédito contra a Fazenda Nacional alegado pela contribuinte, motivo pelo qual a não homologação promovida pe1ki DRF/Joinville/SC foi correta. Da mesma forma, não há como autorizar a retificação da DCTF, posterior data da entrega da DCOMP, como solicita a contribuinte. A razão pela qual não se pode acatar esta retroação de efeitos está associada ao fato de que como a apresentação da DCOMP serve à extinção imediata do débito do sujeito passivo (nos mesmos termos de um pagamento), só pode ela ser efetuada com base em créditos contra a Fazenda Nacional líquidos e certos (como o comanda o artigo 170 do Código Tributário Nacional); ora, créditos relativos a valores confessados e não retificados antes de qualquer procedimento de oficio, não têm existência jurídica válida (em termos tanto • de liquidez quanto de certeza), em razão dos efeitos legais atribuídos à DCTF. Por óbvio que não se está aqui a afirmar que o crédito contra a Fazenda Nacional existe ou não existe, dado que não é isto que importa para o caso concreto que aqui se tem. 0 que se afirma, e isto sim, é que só a partir da retificação da DCTF é que a contribuinte passa a ter crédito contra a Fazenda devidamente conformado na forma da lei. Assim, a retificação somente produzirá efeitos em relação a DCOMP apresentadas Fl. 78DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por REGIS X AVIER HOLANDA 4 posteriormente a esta retificação, mas não para validar 'compensações anteriores. De se dizer que débitos anteriores, não adimplidos no prazo legal, podem ser incluídos em DCOMP, mas neste caso, por óbvio, tais débitos deverão ser declarados com a devida adição da multa e dos juros de mora legalmente previstos (aliás, está aqui Mais uma razão para a impossibilidade de validação retroativa da compensação: como só posteriormente à data de vencimento do tributo e à data de prolação do Despacho Decisório é que houve retificação da DCTF, estarseia permitindo, 'com a validação retroativa, o adimplemento a destempo da obrigação tributária, sem o acréscimo da penalidade e encargos legais previstos). Em relação à argüição da ausência de má fé, o artigo 136 do CTN esclarece que a responsabilidade por infrações tributárias independe da intenção do agente, conforme segue: Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável é da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Não há, portanto, como acatar as razões da contribuinte, devendo a não homologação da compensação ser mantida, nos termos do Despacho Decisório da DRF/Joinville/SC. Após a prolação do despacho decisório, o Recorrente não promoveu a retificação da Dctf, apresentando manifestação de inconformidade desacompanhada da prova do crédito compensado. Portanto, cabe avaliar preliminarmente a admissibilidade da prova em face das regras de preclusão previstas no art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/1972, que assim dispõe: Art. 16. [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997). Entendese que o caso em exame se subsume à hipótese prevista no o art. 16, § 4º, “c”, do Decreto nº 70.235/1972. A prova, com efeito, poderia ter sido feita e destinada a contrapor razões posteriormente trazidas aos autos, consoante destacado, a não homologação estava assentada apenas na falta de retificação da Dctf. Admitida a juntada da prova, esta deve ser apreciada e, caso demonstrada de plano a existência do direito creditório, será determinada sua compensação, uma vez que, por Fl. 79DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por REGIS X AVIER HOLANDA Processo nº 10920.901191/201081 Acórdão n.º 3802001.388 S3TE02 Fl. 78 5 força do princípio da verdade material, a Fazenda Pública tem o dever de tomar decisões com base nos fatos tais como se apresentam na realidade. Nesse sentido, dada a ausência de prova suficiente e eficiente, não há como reconhecer o direito ao crédito. Votase, assim, pelo conhecimento e pelo desprovimento do recurso. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Relator Fl. 80DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por REGIS X AVIER HOLANDA
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Numero do processo: 10280.005418/2001-57
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Nov 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/1996 a 31/12/1996
NORMAS PROCESSUAIS. EMBARGOS. CABIMENTO.
Cabem embargos de declaração para sanar omissão presente no julgado combatido e para corrigir erro presente na ementa da decisão que leve a sua obscuridade.
Embargos acolhidos
Numero da decisão: 3401-002.383
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, sem efeitos infringentes.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente e Relator
EDITADO EM: 16/10/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl, Jean Cleuter Simões Mendonça, Fenelon Moscoso de Almeida, Ângela Sartori e Júlio César Alves Ramos e Fernando Cleto Marques Duarte.
Nome do relator: JULIO CESAR ALVES RAMOS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/1996 a 31/12/1996 NORMAS PROCESSUAIS. EMBARGOS. CABIMENTO. Cabem embargos de declaração para sanar omissão presente no julgado combatido e para corrigir erro presente na ementa da decisão que leve a sua obscuridade. Embargos acolhidos
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, sem efeitos infringentes. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente e Relator EDITADO EM: 16/10/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl, Jean Cleuter Simões Mendonça, Fenelon Moscoso de Almeida, Ângela Sartori e Júlio César Alves Ramos e Fernando Cleto Marques Duarte.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1644; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 3 1 2 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10280.005418/200157 Recurso nº Embargos Acórdão nº 3401002.383 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de setembro de 2013 Matéria TEMPESTIVIDADE DE RECURSO Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado ELITE DISTRIBUIDORA DE ALIMENTOS ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1996 a 31/12/1996 NORMAS PROCESSUAIS. EMBARGOS. CABIMENTO. Cabem embargos de declaração para sanar omissão presente no julgado combatido e para corrigir erro presente na ementa da decisão que leve a sua obscuridade. Embargos acolhidos Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, sem efeitos infringentes. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS – Presidente e Relator EDITADO EM: 16/10/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl, Jean Cleuter Simões Mendonça, Fenelon Moscoso de Almeida, Ângela Sartori e Júlio César Alves Ramos e Fernando Cleto Marques Duarte. Relatório A Fazenda Nacional interpôs os presentes embargos de declaração contra a decisão proferida pela Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes que admitiu e AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 00 54 18 /2 00 1- 57 Fl. 203DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 16/10/2 013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 julgou embargos interpostos pela outra parte e que se consubstanciou no acórdão nº 204 02.134. Os embargos haviam sido interpostos contra a decisão original da Câmara, que negara provimento ao recurso voluntário (Acórdão nº 20401.265 ). Alega a Fazenda Nacional a ocorrência de omissão quanto à análise da tempestividade dos embargos admitidos. Se tal análise tivesse sido feita, como devido, se constataria a intempestividade dos embargos, que foram apresentados no dia 30 de agosto de 2006. A decisão fora cientificada ao contribuinte no dia 24 do mesmo mês, findando, pois, o prazo em 29 daquele mês. Além dessa omissão, constata a Fazenda que o acórdão integrativo incidiu em contradição porquanto em sua ementa constou que o recurso teria sido provido em parte quando, em verdade, a ele foi negado provimento na íntegra, situação que não se alterou em face do julgamento dos embargos, visto que a estes foi negado provimento. É o Relatório. Voto Conselheiro JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Admiti o recurso da Fazenda mas apenas quanto à omissão alegada. De fato, os embargos interpostos pela empresa não deveriam ter sido admitidos já que o foram sem o respeito ao prazo regimental de cinco dias. Devem, pois, ser desconsideradas as alegações expendidas quanto aos questionamentos apresentados pelo contribuinte. Ainda assim, como nenhuma delas foi admitida, não se tendo produzido qualquer efeito modificativo no julgado, não vejo a necessidade de se declarar a nulidade da decisão proferida. No que se relaciona à alegada presença de contradição, no entanto, não a reconheço. Isso porque, a contradição passível de saneamento por meio do remédio processual manejado pela Fazenda é aquela que se manifesta entre os fundamentos da decisão e a sua parte dispositiva. Assim dispunha o art. 57 da Portaria MF 147/2007 que aprovara o Regimento dos Conselhos de Contribuintes vigente à época da interposição dos embargos fazendários:: Art. 57. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a Câmara. (destaquei) O que se observa no julgado contestado pela Fazenda é, quando muito, mero erro na ementa que pode induzir à incorreta conclusão de que, em conseqüência do julgamento dos embargos, alguma parte do lançamento tivesse sido afastada. Essa conclusão, no entanto, não encontra respaldo nem no voto, nem no acórdão, de sorte que, a rigor, nem mereceria qualquer providência. De todo modo, aproveito a disposição regimental que permite a supressão de erro material (art. 58 do mesmo Regimento dos Conselhos de Contribuintes) para retificar a Fl. 204DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 16/10/2 013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10280.005418/200157 Acórdão n.º 3401002.383 S3C4T1 Fl. 4 3 expressão constante na ementa, que deve passar de RECURSO PARCIALMENTE PROVIDO para RECURSO NEGADO, como já constara no acórdão original. É como voto. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator Fl. 205DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 16/10/2 013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
score : 1.0
Numero do processo: 37280.001529/2005-74
Turma: Quinta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2003
PEDIDO DE REVISÃO.
O pedido de revisão tem natureza similar à da ação rescisória, sem efeito suspensivo, sendo medida excepcional, pois busca rescindir a coisa julgada administrativa, para possibilitar novo julgamento pela instância competente.
SERVIDOR TEMPORÁRIO REGIME GERAL DE PREVIDÊNCIA SOCIAL.
Ao servidor ocupante, exclusivamente, de cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração bem como de outro cargo temporário ou de emprego público, aplica-se o regime geral de previdência social.
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 2302-002.315
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher o pedido de revisão, rescindir Acórdão anterior e negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
LIEGE LACROIX THOMASI - Presidente Substituta
MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR - Relator.
EDITADO EM: 17/09/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, ARLINDO DA COSTA E SILVA, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, ADRIANA SATO
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher o pedido de revisão, rescindir Acórdão anterior e negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. LIEGE LACROIX THOMASI - Presidente Substituta MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR - Relator. EDITADO EM: 17/09/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, ARLINDO DA COSTA E SILVA, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, ADRIANA SATO
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O pedido de revisão tem natureza similar à da ação rescisória, sem efeito suspensivo, sendo medida excepcional, pois busca rescindir a coisa julgada administrativa, para possibilitar novo julgamento pela instância competente. SERVIDOR TEMPORÁRIO REGIME GERAL DE PREVIDÊNCIA SOCIAL. Ao servidor ocupante, exclusivamente, de cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração bem como de outro cargo temporário ou de emprego público, aplicase o regime geral de previdência social. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher o pedido de revisão, rescindir Acórdão anterior e negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. LIEGE LACROIX THOMASI Presidente Substituta MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 37 28 0. 00 15 29 /2 00 5- 74 Fl. 2DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/ 09/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNI OR 2 EDITADO EM: 17/09/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, ARLINDO DA COSTA E SILVA, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, ADRIANA SATO Relatório Adoto o relatório de fls. 476477: Trata o presente de pedido de revisão interposto pela Receita Previdenciária, conforme fls. 441 a 451; combatendo o acórdão de fls. 434 a 436, proferido pela 4ª Câmara do CRPS que anulou a NFLD por vício formal. Aquele Colegiado entendeu que deveria ser emitida nova NFLD com observância do art. 351 da Instrução Normativa n ° 100. A unidade da SRP entende, em síntese, que a falha encontrada é uma mera irregularidade e não um vício insanável e que há acórdãos divergentes da própria 4ª Câmara de Julgamento do CRPS. Cientificada do pedido de revisão, a notificada manifestouse às fls. 453 a 466. Em síntese alega que não cabe o pedido de revisão, por se tratar de rediscussão de matéria; inexistindo violação a preceito legal. Em decisão monocrática, o Conselheiro Presidente desta Câmara, fls. 468 a 469 acolheu o pedido de revisão. Por meio de Resolução n. 20500.134 [fls. 475 e ss], a então 5ª Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes [...] CONHECER do PEDIDO DE REVISÃO da Receita Previdenciária e resolvo RESCINDIR o Acórdão anterior. Em substituição àquele, voto pela CONVERSÃO do julgamento EM DILIGÊNCIA. Antes de os autos retornarem a este Colegiado, deve ser conferida ciência ao contribuinte. O objeto da diligência pode ser assim resumida: [...] Entendo que antes da apreciação de mérito há um ponto a ser esclarecido. O MPF inicial foi emitido em 26 de novembro de 2003, fl. 294; sendo cientificado o representante do contribuinte em 08 de dezembro de 2003. O TIAF foi cientificado ao contribuinte também em 8 de dezembro de 2003, fl. 299, e o TIAD também foi emitido em 8 de dezembro de 2003, fl. 301. Contudo há um outro TIAD emitido em 6 de outubro de 2003, fl. 300; portanto em data anterior ao MPF, bem como ao TIAF. Desse modo, antes de o Colegiado proferir qualquer decisão, entendo ser mais prudente a conversão do julgamento em Fl. 3DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/ 09/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNI OR Processo nº 37280.001529/200574 Acórdão n.º 2302002.315 S2C3T2 Fl. 7 3 diligência a fim de que a unidade da Receita Federal do Brasil informe o motivo de emissão do TIAD à fl. 300, e se há um MPF embasando esse TIAD, e se for o caso juntando copia aos autos. Diante da determinação, a SRF respondeu a diligência [fls. 490]: I. 0 MPF — Mandado de Procedimento Fiscal de número 09108909 foi emitido em 26 de novembro de 2003, conforme cópia em anexo. Em 18 de março de 2004 foi emitido um MPF Complementar de número 01, em 09 de julho de 2004 foi emitido o MPF Complementar de número 02 e em 28 de outubro de 2004 foi emitido o MPF Complementar de número 03. (cópias em anexo) II. 0 Termo de Inicio da Ação fiscal foi emitido em 03/12/2003 e entregue ao fiscalizado em 08/12/2003 (copia em anexo), portanto em data posterior ao Mandado de Procedimento Fiscal de número 09108909 (que se deu em 26 de novembro de 2003). 0 primeiro Termo de Intimação para apresentação de documentos foi dado ao contribuinte em 08/12/2003 (cópia As fls. 233), portanto em data posterior ao da emissão do MPF. III. Cumpre esclarecer que as datas dos MPF complementares em nada interferem no caso, porque o • inicio da ação se dá com a data do MPF originário, no caso, sua emissão foi em 26 de novembro de 4110 2003, os demais MFP são complementares. IV Cumpre esclarecer ainda que os TIADs — Termo de Intimação para apresentação de documentos entregues no curso da ação fiscal referida no parágrafo I foram datados de 08/12/2003, 29/12/2003, 06/02/2004, 30/03/2004, e 13/10/2004, isto 6, posteriores A. emissão do MPF, conforme cópias em anexo. V. Foi enviado ao Contribuinte, nesta data, Termo de Intimação para tomar ciência das diligências efetuadas. É o relatório. Voto Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior O então Conselheiro Presidente acolheu o pleito revisional, em virtude da violação a literal disposição de lei, no caso o art. 55 da Lei n. 9.784/99, bem como o art. 60 do Decreto n 70.235; e uma vez reconhecendo o vício do acórdão anterior (juízo rescindente), deve ser apreciada toda a questão devolvida a este Colegiado por meio do recurso interposto pelo notificado (juízo rescisório), incluindo as matérias cujo conhecimento deva ser realizado de ofício. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/ 09/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNI OR 4 O acórdão anterior fundamentouse na inobservância do art. 351 da Instrução Normativa n ° 100 para anular a NFLD. Contudo, tal fundamentação não corresponde a realidade, uma vez que o lançamento, ao contrário do afirmado no acórdão recorrido, observou a Instrução Normativa. O caput do art. 351 exige que os documentos de constituição sejam emitidos em nome do ente federado, sendo obrigatória a lavratura de notificações distintas por órgão público, o que foi observado pela fiscalização. Por seu turno, o parágrafo único do art. 351 exige que no campo de identificação seja consignada a designação do órgão a que se refere. A notificação fiscal de lançamento não é composta apenas pela capa, ou folha de rosto, mas possui anexos, entre os quais, a peça mais relevante que é o relatório fiscal. Desse modo, o documento de constituição do crédito a que se refere o parágrafo único do art. 351 da Instrução Normativa, não pode ser confundido com a folha de rosto da NFLD, mas sim deve ser compreendido como a NFLD em sua integralidade, compreendendo capa, discriminativos e relatório fiscal. O campo identificação do sujeito passivo está expressamente discriminado à fl. 199 do relatório fiscal, em tal campo consta o nome da Secretaria de Estado de Habitação, portanto reconheço que a fiscalização atendeu ao previsto no art. 351, parágrafo único da Instrução Normativa n ° 100. Dessa forma, conheço do pedido de revisão e resolvo rescindir o acórdão anterior. DO OBJETO DO LANÇAMENTO O presente lançamento teve como fato gerador os pagamentos efetuados aos servidores públicos estaduais ocupantes de cargo comissionado, aos servidores públicos estaduais vinculados ao regime jurídico da CLT, aos servidores públicos estaduais ocupantes de cargo temporário, aos aposentados que retornaram à atividade e aos servidores públicos estaduais ocupantes de cargo eletivo da DEFENSORIA PUBLICA GERAL DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO, todos na qualidade de segurados empregados, os quais foram informados em folhas de pagamento, em meio magnético pela Secretaria de Administração e Reforma do Estado. A recorrente se insurge contra a contribuição previdenciária incidente sobre a remuneração dos servidores ocupantes de cargo em comissão, dos estagiários considerados empregados e dos contribuintes individuais, que lhe prestarm serviço. Sobre o assunto, é de se ver que o artigo 15, inciso I, da Lei n.º 8.212/91, é taxativo ao afirmar que os órgãos da administração pública são equiparados à empresa, não havendo qualquer restrição quanto a aplicação do texto legal: Art.15. Considerase: I empresa – a firma individual ou sociedade que assume o risco da atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como os órgãos ou entidades da administração pública direta, indireta e funcional( grifei); Como já mencionado os servidores, cujas remunerações constam deste levantamento, são aqueles não detentores de cargos efetivos, mas comissionados, para os quais se aplica o Regime Geral de Previdência Social – RGPS, consoante o disposto no artigo 13 da Lei n.º 8.212/91: Fl. 5DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/ 09/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNI OR Processo nº 37280.001529/200574 Acórdão n.º 2302002.315 S2C3T2 Fl. 8 5 Art.13 O servidor civil ocupante de cargo efetivo ou o militar da união, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, bem como o das respectivas autarquias e fundações, são excluídos do Regime Geral da Previdência Social consubstanciado nesta Lei, dedes que amparados por regime próprio de previdência social Após a promulgação da Emenda Constitucional n.º 20 de 16 de dezembro de 1998, somente os servidores titulares de cargo efetivo podem integrar os regimes próprios, conforme o caput do artigo 40 da Constituição Federal: Art. 40. Aos servidores titulares de cargos efetivos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, incluídas suas autarquias e fundações, é assegurado regime de previdência de caráter contributivo, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial e o disposto neste artigo. Redação dada ao artigo pela Emenda Constitucional nº 20, de 15/12/98: A Emenda Constitucional n° 20, deu nova redação ao art. 195 da Constituição Federal, prevendo na alínea "a" do inciso I, a contribuição a cargo do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer titulo, à pessoa física que lhes preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício. Assim, a partir da Emenda Constitucional n° 20, o texto constitucional prevê a contribuição da entidade equiparada à empresa sobre a remuneração de qualquer pessoa física que lhe preste serviço. Por isso, a criação da contribuição previdenciária sobre a remuneração dos agentes políticos passou a ser matéria de lei ordinária, para o que serviu a Lei n.º 10.887 de 18/06/2004, com vigência a partir da competência 09/2004. A citada lei não foi inquinada de inconstitucionalidade, permanecendo válida e amparando o lançamento constante da presente notificação. O lançamento em questão abrange apenas período posterior à Emenda Constitucional n.º 20/98, e referese exclusivamente a servidores públicos não efetivos, que compulsoriamente estão vinculados ao Regime Geral de Previdência Social. Portanto, o levantamento relativo aos servidores públicos ocupantes de cargos, exclusivamente, em comissão e de segurados que prestaram serviço como contribuintes individuais está de acordo com a legislação vigente. CONCLUSÃO Voto por CONHECER do PEDIDO DE REVISÃO da Receita Previdenciária e resolvo RESCINDIR o Acórdão anterior. Em substituição aquele, voto pelo CONHECIMENTO do voluntário, para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Manoel Coelho Arruda Júnior Relator Fl. 6DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/ 09/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNI OR 6 Fl. 7DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/ 09/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNI OR
score : 1.0
Numero do processo: 11516.000848/2006-49
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2003
BANCÁRIOS, PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/97, a Lei n° 9.430/96, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
IRPF. OMISSÃO. DEPÓSITOS BANCÁRIOS, EXCLUSIVO DA BASE DE CÁLCULO DO VALOR DOS RENDIMENTOS DECLARADOS PELO CONTRIBUINTE.
Nos termos da jurisprudência hoje majoritária do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, devem ser considerados como origem para fins de apuração do IRPF devido nos casos em que a tributação se dá nos termos do art. 42 da Lei n° 9.430/96 o valor dos rendimentos declarados pelo contribuinte. Tal medida se justifica pelo fato de que não se pode presumir que os rendimentos recebidos e declarados (e por isso já oferecidos à tributação, quando for o caso) tenham sido utilizados de qualquer outra forma, e não tenham transitado pelas contas bancárias do contribuinte. Recurso provido em parte.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-002.515
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
(Assinado digitalmente)
Manoel Coelho Arruda Junior - Relator
EDITADO EM: 07/08/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado) e Elias Sampaio Freire. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2003 BANCÁRIOS, PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/97, a Lei n° 9.430/96, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. IRPF. OMISSÃO. DEPÓSITOS BANCÁRIOS, EXCLUSIVO DA BASE DE CÁLCULO DO VALOR DOS RENDIMENTOS DECLARADOS PELO CONTRIBUINTE. Nos termos da jurisprudência hoje majoritária do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, devem ser considerados como origem para fins de apuração do IRPF devido nos casos em que a tributação se dá nos termos do art. 42 da Lei n° 9.430/96 o valor dos rendimentos declarados pelo contribuinte. Tal medida se justifica pelo fato de que não se pode presumir que os rendimentos recebidos e declarados (e por isso já oferecidos à tributação, quando for o caso) tenham sido utilizados de qualquer outra forma, e não tenham transitado pelas contas bancárias do contribuinte. Recurso provido em parte. Recurso especial negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Junior - Relator EDITADO EM: 07/08/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado) e Elias Sampaio Freire. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
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Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/97, a Lei n° 9.430/96, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. IRPF. OMISSÃO. DEPÓSITOS BANCÁRIOS, EXCLUSIVO DA BASE DE CÁLCULO DO VALOR DOS RENDIMENTOS DECLARADOS PELO CONTRIBUINTE. Nos termos da jurisprudência hoje majoritária do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, devem ser considerados como origem para fins de apuração do IRPF devido nos casos em que a tributação se dá nos termos do art. 42 da Lei n° 9.430/96 o valor dos rendimentos declarados pelo contribuinte. Tal medida se justifica pelo fato de que não se pode presumir que os rendimentos recebidos e declarados (e por isso já oferecidos à tributação, quando for o caso) tenham sido utilizados de qualquer outra forma, e não tenham transitado pelas contas bancárias do contribuinte. Recurso provido em parte. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 08 48 /2 00 6- 49 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/09/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Junior Relator EDITADO EM: 07/08/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado) e Elias Sampaio Freire. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Relatório Tratase de recurso especial de divergência contra o Acórdão n° 210200.490, da Segunda Turma Ordinária da Primeira Camara da Segunda Seção de Julgamento, prolatado na sessão plenária de 9 de marco de 2010, que deu provimento parcial ao recurso voluntário do contribuinte, conforme ementa a seguir descrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 IRPF. DECADÊNCIA. 0 imposto de renda pessoa física tributo sujeito ao lançamento por homologação, sendo que o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos contados do fato gerador, que, em regra, ocorre em 31 de dezembro de cada anocalendário. DEPÓSITOS BANCÁRIOS, PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/97, a Lei n° 9.430/96, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. IRPF. OMISSÃO. DEPÓSITOS BANCÁRIOS, EXCLUSIVO DA BASE DE CÁLCULO DO VALOR DOS RENDIMENTOS DECLARADOS PELO CONTRIBUINTE. Nos termos da jurisprudência hoje majoritária do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, devem ser considerados como origem para fins de apuração do IRPF devido nos casos em que a tributação se dá nos termos do art. 42 da Lei n° 9.430/96 o valor dos rendimentos declarados pelo contribuinte. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/09/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 11516.000848/200649 Acórdão n.º 9202002.515 CSRFT2 Fl. 8 3 Tal medida se justifica pelo fato de que não se pode presumir que os rendimentos recebidos e declarados (e por isso já oferecidos à tributação, quando for o caso) tenham sido utilizados de qualquer outra forma, e não tenham transitado pelas contas bancárias do contribuinte. Recurso provido em parte. Formalizado o Acórdão (fls. 498 a 500v), há registro de ciência pessoal do Procurador em 3 de novembro de 2010 (fl. 501), com interposição do Recurso Especial dia seguinte (fls. 504 a 517), dentro da quinzena legal. Assim, tempestivo. Alega a PFN que o acórdão merece ser reformado, tendo em vista que a concepção aludida diverge das interpretações de outros julgados do CARF, como nos Acórdãos no 10422.510 e n° 10422.954, proferidos pela Quarta Camara do Primeiro Conselho de Contribuintes. Para o Procurador, o acórdão recorrido não deve prosperar, já que, não comprovada a origem dos depósitos bancários em nome do contribuinte por meio de provas inequívocas, a presunção legal de omissão de rendimentos, previstas no artigo 42 da lei n° 9.430/1996, não pode ser elidida. Nos acórdãos paradigmas a PFN busca apresentar a interpretação diversa. 0 primeiro acórdão apresentado, de número 10422.510, discorre: "para que a origem dos depósitos bancários possa ser justificada com os rendimentos declarados pelo contribuinte, é imperioso que ele comprove efetivamente o vinculo entre esses dois eventos". A seguir, transcreve a ementa, aqui parcialmente reproduzida: DEPÓSITOS BANCÁRIOS PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1°/01/97, a Lei n°. 9.430, de 1996, ern seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. A alegação de que os depósitos sem origem comprovada têm relação com as rendas declaradas, sem esforço de vinculação, não merece prosperar. Recurso parcialmente provido O outro acórdão paradigma, de número 10422.954, assim contém em sua ementa, parcialmente copiada: DEPÓSITOS BANCÁRIOS ORIUNDOS DE EMPRÉSTIMOS COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS RECURSOS Somente a apresentação de provas inequívocas é capaz de elidir uma presunção legal de omissão de rendimentos invocados pela autoridade lançadora. As operações declaradas, que importem em origem de recursos, devem ser comprovadas por documentos hábeis e idôneos que indiquem a natureza, o valor e a data de sua ocorrência. Assim, tendo sido juntados aos autos documentos que, analisados em conjunto, comprovam que depósitos bancários lançados como se fossem rendimentos recebidos têm, na verdade, origem em empréstimos, excluise da exigência estes valores. Preliminares rejeitadas. Recurso parcialmente provido. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/09/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 4 Por meio do Despacho n 210000.161/2011 – 1ª Câmara [fls. 518 e ss], o i. Presidente da 1ª Câmara da Segunda Seção deu seguimento ao recurso especial, motivo pelo qual entendeu que está configurada divergência jurisprudencial apontada: Os paradigmas foram proferidos por órgão julgador diferente daquele do presente processo e não foram reformados, e a matéria recorrida não é objeto de súmula do CARF. Passase a apreciar a alegada divergência jurisprudencial. Enquanto o acórdão recorrido permitiu a exclusão do valor dos rendimentos declarados pelo contribuinte da base de cálculo da omissão de rendimentos caracterizada pelos depósitos bancários de origem não comprovada sem qualquer condicionamento, o paradigma n° 10422.510 asseverou que "a alegação de que os depósitos sem origem comprovada têm relação com as rendas declaradas, sem esforço de vinculação, não merece prosperar". As interpretações do acórdão recorrido e dos paradigmas da Lei n° 9.430/96 são divergentes. Assim, a vista dos elementos apresentados pela recorrente, não há como negar a existência do dissenso jurisprudencial. Ante o exposto, na forma dos arts. 67 e 68, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF (RICARF), DOU seguimento ao Recurso Especial da Procuradoria da Fazenda, devendo ser dado ciência deste despacho ao sujeito passivo, assegurandolhe o prazo de 15 (quinze) dias para oferecer contrarrazões e, se for o caso, apresentar recurso especial relativa a parte do acórdão que lhe foi desfavorável. Devidamente intimada, o contribuinte não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior, Relator O presente recurso especial é tempestivo e demonstrada a divergência suscitada, conheço do recurso especial interposto e passo ao exame da matéria suscitada. Alega a PFN que o acórdão merece ser reformado, tendo em vista que a concepção aludida diverge das interpretações de outros julgados do CARF, como nos Acórdãos no 10422.510 e n° 10422.954, proferidos pela Quarta Camara do Primeiro Conselho de Contribuintes. Para o Procurador, o acórdão recorrido não deve prosperar, já que, não comprovada a origem dos depósitos bancários em nome do contribuinte por meio de provas inequívocas, a presunção legal de omissão de rendimentos, previstas no artigo 42 da lei n° 9.430/1996, não pode ser elidida. Não obstante os argumentos colacionados pela PGFN, entendo que o acórdão recorrido não merece reforma. Dito isso, peço vênia para colacionar ao presente excerto do voto vencedor prolatado pela i. Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira [fls. 500 e ss]: […] Para comprovar suas alegações — de que os depósitos se referiam a valores movimentados pela referida empresa Fl. 4DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/09/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 11516.000848/200649 Acórdão n.º 9202002.515 CSRFT2 Fl. 9 5 individual, o Recorrente trouxe aos autos os seguintes documentos (em sede de impugnação): Declaração de Firma Mercantil Individual (fls. 458); DIRPF 2003, apresentada em 24.04.2003 (fls. 462/465), na qual está declarada entre os bens do Recorrente a firma individual citada, bem como, entre os rendimentos recebidos, valores pagos pela referida empresa; e Comprovante de rendimentos emitido pela referida pessoa jurídica (fls. 466/467). Na análise de suas alegações e documentos, o pedido do Recorrente foi refutado pela decisão recorrida, ao entendimento de que o mesmo deixara de demonstrar o vinculo entre o exercício daquela atividade comercial e os depósitos bancários efetuados em suas contas. É o que demonstram os seguintes trechos: "0 argumento aqui apresentado é meramente retórico, eis que não foram produzidos durante o procedimento fiscal nem em sede de impugnação os elementos comprobatórios do alegado. Alegação genérica de que a firma mercantil individual seria a origem dos recursos depositados nas contas bancárias não pode ser aceita, visto que a cada depósito deve corresponder a prova de origem, constituída por documentação hábil e idônea, que não foi apresentada pelo impugnante, motivo por que o lançamento deve ser mantido. (..) Retornase, aqui, como já esclarecido acima, a falta de comprovação do que afirma o impugnante. Nenhum demonstrativo ou documento foi apresentado que permitisse a conclusão pleiteada, de que qualquer parte do lançamento aqui analisado tenha sido tributada na firma mercantil individual. A mingua de comprovação, o argumento não pode ser acolhido." Ciente da decisão recorrida e de seus fundamentos, em sede de Recurso Voluntário o Recorrente não trouxe aos autos nenhum novo documento, limitandose a reiterar aqueles argumentos anteriormente expostos. Com efeito, não há como acolher a sua pretensão. Por mais plausíveis que sejam os argumentos do Recorrente, ele não trouxe nenhum documento contábil da empresa que confirmasse qual a movimentação financeira da mesma durante aquele ano de 2002, de forma a comprovar — ainda que sem coincidência exata de datas e valores — que os depósitos efetuados em suas contas correspondessem realmente aos valores movimentados pela empresa. Esta prova seria essencial ao deferimento do seu pleito, e sua produção seria de seu interesse e somente a ele caberia, pois Fl. 5DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/09/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 6 sendo o sócio da referida empresa teria ele acesso a todos os documentos necessários para tanto. Sem estas provas, que vinculassem os depósitos A. movimentação da pessoa jurídica, não há como deferir o seu pedido. Impende ressaltar ainda que a Lei n° 9.430/96 estabeleceu esta presunção de omissão de rendimentos que, apesar de ser relativa, só pode ser derrubada contra a apresentação, pelo contribuinte, de documentação hábil e idônea que comprove a origem daqueles rendimentos. Por isso que para os fatos geradores ocorridos a partir de janeiro de 1997, cabe sempre ao contribuinte o ônus de comprovar a origem dos valores transitados por sua conta bancária. Sendo esta uma determinação legal, não cabe ao julgador administrativo avaliar sobre o seu acerto ou sua tecnicidade, mas somente aplicála, como foi feito na hipótese em exame. Ainda em sua defesa, o Recorrente pugna pelo aproveitamento dos rendimentos que já foram por ele declarados para que sejam deduzidos da base de cálculo da exigência aqui em discussão. Tal pedido foi negado através da decisão recorrida, pelos seguintes motivos: "Em relação aos rendimentos já declarados, devese ressaltar que sua exclusão do lançamento apenas poderia viabilizarse na hipótese de ser demonstrado, pelo impugnante, que tivessem sido parte dos depósitos sem origem comprovada, sobre os quais foi aplicada a presunção de omissão de rendimentos. Como tal prova não foi apresentada, forçoso é considerarse que se trata de outros rendimentos, independentes dos tributados de oficio, o que afasta a possibilidade de ocorrência de bis in idem." No entanto, neste aspecto merece ser acolhida a pretensão recursal e reformada a decisão recorrida. Este Conselho vem decidindo de forma reiterada que os rendimentos declarados pela pessoa fisica podem e devem ser considerados como origem para fins de apuração do IRPF devido nos casos em que a tributação se dá nos termos do art. 42 da Lei n° 9.430/96. Tal medida se justifica pelo fato de que não se pode presumir que os rendimentos recebidos e declarados (e por isso já oferecidos a tributação, quando for o caso) tenham sido utilizados de qualquer outra forma, e não tenham transitado pelas contas bancárias do contribuinte. No caso em exame, o Recorrente declarou ter percebido no ano de 2002 o valor de R$ 4.740,00 a titulo de rendimentos tributáveis e R$ 15.984,86 a titulo de lucros (rendimentos isentos). Assim sendo, deve ser excluído da base de cálculo deste lançamento o montante total de R$ 20.724,86. Por fim, o Recorrente alega que a tributação em exame não poderia prosperar porque não houve qualquer alteração significativa em seu patrimônio, de forma que estaria claro que ele não consumiu os valores cuja omissão lhe é imputada. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/09/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 11516.000848/200649 Acórdão n.º 9202002.515 CSRFT2 Fl. 10 7 Quanto a este particular, é importante reiterar aqui que a tributação ora em exame é aquela prevista no art. 42 da Lei n° 9.430/96, que assim está redigido: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa fisica ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (.) Desde a edição da referida norma, existe a presunção de que os valores depositados em conta são rendimentos tributáveis — quando não comprovada a sua origem. Esta hipótese é diversa de todas as outras hipóteses de tributação por presunção até então existentes. Agora, o simples depósito (sem comprovação) já configura a omissão, pouco importando se o valor depositado sera consumido em seguida ou não. Por isso, os argumentos do Recorrente neste sentido não merecem acolhida. CONCLUSÃO: Pelo exposto, estando o acórdão recorrido em sintonia com os dispositivos legais que regulam a matéria, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial da nobre Procuradoria, pelas razões de fato e de direito acima expostas. É como voto. (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Júnior Fl. 7DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/09/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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Numero do processo: 10283.003347/2009-85
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2002 a 31/10/2002
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NORMAS PROCESSUAIS. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
Nos termos do art. 65 do Anexo II do RICARF, cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a Turma. A não configuração de uma dessas hipóteses impede o acolhimento dos embargos.
Embargos rejeitados.
Numero da decisão: 3202-000.852
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração.
Irene Souza da Trindade Torres - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Octávio Carneiro Silva Corrêa.
Nome do relator: IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/2002 a 31/10/2002 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NORMAS PROCESSUAIS. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Nos termos do art. 65 do Anexo II do RICARF, cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a Turma. A não configuração de uma dessas hipóteses impede o acolhimento dos embargos. Embargos rejeitados.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração. Irene Souza da Trindade Torres - Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Octávio Carneiro Silva Corrêa.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1693; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T2 Fl. 467 1 466 S3C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10283.003347/200985 Recurso nº Embargos Acórdão nº 3202000.852 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 20 de agosto de 2013 Matéria MULTA REGULAMENTAR. Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado SONY BRASIL LTDA ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2002 a 31/10/2002 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NORMAS PROCESSUAIS. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Nos termos do art. 65 do Anexo II do RICARF, cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a Turma. A não configuração de uma dessas hipóteses impede o acolhimento dos embargos. Embargos rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração. Irene Souza da Trindade Torres Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Octávio Carneiro Silva Corrêa. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 00 33 47 /2 00 9- 85 Fl. 467DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 08/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 2 Tratase de embargos de declaração opostos tempestivamente pela Procuradoria da Fazenda Nacional (fls.460/463), em face do Acórdão nº. 3202000.580, de 24/10/2012, constante às fls.451/454, cuja ementa abaixo se transcreve: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2002 a 30/10/2002 A importação ocorrida com erro na identificação do CNPJ do sujeito passivo, na Declaração de Importação, guarda identidade com a hipótese de declaração inexata prevista no inciso III do art. 711 do RA/2009, não sendo cabível ao caso a aplicação da multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, prevista no inciso X do art. 145 do DL nº 37/66, em razão de a hipótese de incidência ali prevista não se adequar perfeitamente aos fatos ocorridos. Recurso de ofício negado Alega a embargante que o referido Acórdão incorreu em contradição ao afirmar que “pelos fatos narrados na autuação, a única irregularidade verificada foi o registro do CNPJ das empresas incorporadas nas Declarações de Importação, não sendo verificadas quaisquer irregularidades nos demais lançamentos que ampararam as importaçõesʺ(grifei). Afirma que o voto condutor do Acórdão “reconhece ter havido irregularidade na importação (no registro do CNPJ das empresas incorporadas), [o que seria prova ] de que houve sim, a necessária tipificação/subsunção do fato à norma, havendo, com isso, uma contradição no [...] voto, que diz que há irregularidade mas, ao mesmo tempo, firma que não há razão para imposição da multa prevista para os casos de importação irregular”. Por tais razões, requer sejam os embargos acolhidos e providos, para que se aclare a apontada contradição . É o Relatório. Voto Conselheira Irene Souza da Trindade Torres, Relatora Temse que o instituto dos embargos declaratórios tem por finalidade tornar clara a decisão embargada ou trazer à discussão matéria que foi omitida no julgamento, de tal sorte que a solução dada pelo órgão encarregado de resolver a controvérsia demonstre, com clareza, haver enfrentado o objeto do litígio. Neste sentido é o que prevê o art. 65 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, ao assim dispor: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. Fl. 468DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 08/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10283.003347/200985 Acórdão n.º 3202000.852 S3C2T2 Fl. 468 3 Em que pesem as alegações da embargante, não vislumbro qualquer contradição entre a decisão e seus fundamentos. O voto condutor do Acórdão foi no sentido de afastar a aplicação da multa por importação irregular em razão da existência de tipo mais específico previsto em lei, sendo a tipificação pretendida pela autoridade autuante excessivamente abrangente, não traduzindo, assim, a perfeita adequação dos fatos à norma. Vejase o que afirma o referido voto: “Acontece porém que, para a aplicação de multas, há de se observar, sempre, o Princípio da Tipicidade, pelo qual o fato concreto, tido como ocorrido, há de corresponder perfeitamente ao tipo hipoteticamente escolhido pelo legislador no texto que define a infração; há de se ter, assim, a adequação perfeita entre o fato da vida e a norma jurídica, de modo que o fato ocorrido se amolde perfeitamente ao tipo contido no núcleo da norma penalizante, cabendo ao aplicador da lei a tarefa de verificar essa correspondência. Dito isso, há que observar que o enquadramento legal em que se fundamentou a autuação não atende a tal Princípio, visto mostrarse muito abrangente em relação ao caso concreto. Dispõe o inciso X do art. 105 do Decretolei nº. 37/66: Art.105 Aplicase a pena de perda da mercadoria: ......................................................................................... X estrangeira, exposta à venda, depositada ou em circulação comercial no país, se não for feita prova de sua importação regular ......................................................................................... Pelos fatos narrados na autuação, a única irregularidade verificada foi o registro do CNPJ das empresas incorporadas nas Declarações de Importação, não sendo verificadas quaisquer irregularidades nos demais documentos que ampararam as importações (faturas comercias, conhecimento de transporte, etc). Assim, entendo que o art. 711, caput e III, c/c § 1º, I, do RA/2009 traz a hipótese legal que se adequa perfeitamente aos fatos narrados na autuação. Vejase: Art. 711 – Aplicase a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria (Medida Provisória nº. 2.158, de 2001, art. 84, caput; e Lei nº. 10.8633,de 2003, art. 69, §1º) ......................................................................................... III – quando o importador ou beneficiário de regime aduaneiro omitir ou prestar de forma inexata ou incompleta informação de natureza administrativo tributária, cambial ou comercial necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado. §1º. As informações referidas no inciso III do caput, sem prejuízo de outras que venham a ser estabelecidas Fl. 469DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 08/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 4 em ato normativo da Secretaria da Receita Federal do Brasil, compreendem a descrição detalhada da operação, incluindo (Lei nº. 10.833, de 2003, art. 69, §2º): I – identificação completa e endereço das pessoas envolvidas na transação: importador ou exportador, adquirente (comprador) ou fornecedor (vendedor), fabricante, agente de compra ou de venda e representante comercial Adequandose, portanto, os fatos à norma, tenho que a infração apurada pela Fiscalização guarda identidade com a hipótese de declaração inexata prevista no inciso III do art. 711 do RA/2009, penalizada com a aplicação de multa de 1% do valor aduaneiro, não sendo cabível ao caso a aplicação da multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, prevista no inciso X do art. 145 do DL nº 37/66, em razão de a hipótese de incidência ali prevista não se adequar perfeitamente aos fatos ocorridos.” É claro que todas as hipóteses previstas no art. 711 do RA/2009 (aplicável ao caso em razão do que dispõe a alínea “c” do inciso II do art. 106 do CTN) trazem, em sua essência, a existência de uma irregularidade na importação, visto que toda importação que apresente qualquer aspecto em desconformidade com a legislação por óbvio não será regular e assim, a contrario sensu, será irregular. Regular, segundo o Dicionário Novo Aurélio da Língua Portuguesa significa “que é ou que age conforme as regras, as normas, as leis, as praxes.”. Assim, tudo o que não estiver em conformidade com a lei não será regular e será, portanto, irregular. Não pode pretender a embargante que toda e qualquer irregularidade esteja açambarcada no tipo previsto no inciso X do art. 105 do Decretolei nº. 37/66, quando a legislação vigente à época da autuação havia definido tipo mais específico, como foi o caso e como assim deixou claro o voto condutor do Acórdão. Predito voto é cristalino: irregularidade, no sentido geral da palavra, existia, porém havia tipo mais específico previsto em lei e que melhor se identificava com os fatos ocorridos, devendo prevalecer o tipo mais específico sobre o tipo geral. Demais disso, ainda que se verificasse o erro apontado pela Fazenda Nacional, seria erro de avaliação jurídica dos elementos constantes dos autos, erro in judicando, o que não suscita enfrentamento por meio dos declaratórios. Dessa forma, entendo que o Acórdão embargado enfrentou com clareza a referida questão, não tendo havido qualquer contradição no voto condutor, razão pela qual REJEITO os embargos de declaração opostos. É como voto. Irene Souza da Trindade Torres Fl. 470DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 08/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10283.003347/200985 Acórdão n.º 3202000.852 S3C2T2 Fl. 469 5 Fl. 471DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 08/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
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Numero do processo: 10540.000898/2010-42
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Aug 23 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2006 a 31/07/2009
Ementa:
É OBRIGATÓRIO O RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO RETIDA DA REMUNERAÇÃO DO SEGURADO. APROPRIAÇÃO INDÉBITA
As empresas são obrigadas a arrecadar e recolher as contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais, estes a partir de 04/2003, a seu serviço, descontando-as da respectiva remuneração.
PARCELAS SALARIAIS INTEGRANTES DA BASE DE CÁLCULO. RECONHECIMENTO PELO CONTRIBUINTE ATRAVÉS DE FOLHAS DE PAGAMENTO E OUTROS DOCUMENTOS POR ELE PREPARADOS.
O reconhecimento através de documentos da própria empresa da natureza salarial das parcelas integrantes das remunerações aos segurados torna incontroversa a discussão sobre a correção da base de cálculo.
MULTA MORATÓRIA RETROATIVIDADE BENIGNA.
Em conformidade com o artigo 35, da Lei 8.212/91,na redação vigente à época da lavratura, a contribuição social previdenciária está sujeita à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso.
O benefício da retroatividade benigna constante da alínea c do inciso II do art. 106 do CTN é de ser observado quando uma nova lei cominar a uma determinada infração tributária uma penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração.
Nos casos de lançamento de ofício de tributo devido e não recolhido, o mecanismo de cálculo da multa de mora introduzido pela MP n° 449/08 deve operar como um limitador legal do valor máximo a que a multa poderá alcançar, eis que, até a fase anterior ao ajuizamento da execução fiscal, a metodologia de cálculo fixada pelo revogado art. 35 da Lei nº 8.212/91 se mostra mais benéfico ao contribuinte, devendo ser aplicado até a competência 11/1998.
A partir da competência 12/2008, há que ser aplicado o artigo 35-A, da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela MP n.º 449/2008, convertida na Lei n.º 11.941, multa de ofício.
JUROS/SELIC
As contribuições sociais e outras importâncias, pagas com atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SELIC, nos termos do artigo 34 da Lei 8.212/91.
Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-001.937
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade em conceder provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A multa deve ser calculada considerando as disposições do art. 35 da Lei n. 8212 de 1991 para o período anterior à entrada em vigor da Medida Provisória n. 449 de 2008.
LIEGE LACROIX THOMASI
Presidente Substituta (na data da formalização do acórdão)
MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR - Relator.
EDITADO EM: 22/08/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco André Ramos Vieira (Presidente de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vice-presidente de turma), Liége Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Arlindo da Costa e Silva e Adriano Gonzales Silverio.
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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APROPRIAÇÃO INDÉBITA As empresas são obrigadas a arrecadar e recolher as contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais, estes a partir de 04/2003, a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração. PARCELAS SALARIAIS INTEGRANTES DA BASE DE CÁLCULO. RECONHECIMENTO PELO CONTRIBUINTE ATRAVÉS DE FOLHAS DE PAGAMENTO E OUTROS DOCUMENTOS POR ELE PREPARADOS. O reconhecimento através de documentos da própria empresa da natureza salarial das parcelas integrantes das remunerações aos segurados torna incontroversa a discussão sobre a correção da base de cálculo. MULTA MORATÓRIA RETROATIVIDADE BENIGNA. Em conformidade com o artigo 35, da Lei 8.212/91,na redação vigente à época da lavratura, a contribuição social previdenciária está sujeita à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso. O benefício da retroatividade benigna constante da alínea ‘c’ do inciso II do art. 106 do CTN é de ser observado quando uma nova lei cominar a uma determinada infração tributária uma penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração. Nos casos de lançamento de ofício de tributo devido e não recolhido, o mecanismo de cálculo da multa de mora introduzido pela MP n° 449/08 deve operar como um limitador legal do valor máximo a que a multa poderá alcançar, eis que, até a fase anterior ao ajuizamento da execução fiscal, a metodologia de cálculo fixada pelo revogado art. 35 da Lei nº 8.212/91 se AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 54 0. 00 08 98 /2 01 0- 42 Fl. 165DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 2 mostra mais benéfico ao contribuinte, devendo ser aplicado até a competência 11/1998. A partir da competência 12/2008, há que ser aplicado o artigo 35A, da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela MP n.º 449/2008, convertida na Lei n.º 11.941, multa de ofício. JUROS/SELIC As contribuições sociais e outras importâncias, pagas com atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, nos termos do artigo 34 da Lei 8.212/91. Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade em conceder provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A multa deve ser calculada considerando as disposições do art. 35 da Lei n. 8212 de 1991 para o período anterior à entrada em vigor da Medida Provisória n. 449 de 2008. LIEGE LACROIX THOMASI Presidente Substituta (na data da formalização do acórdão) MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR Relator. EDITADO EM: 22/08/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco André Ramos Vieira (Presidente de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vicepresidente de turma), Liége Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Arlindo da Costa e Silva e Adriano Gonzales Silverio. Relatório Tratase ação fiscalizatória levada a eleito contra o sujeito passivo acima identificado em epígrafe, relativa à Operação Especial Órgãos Públicos, conforme se observa do Relatório Fiscal da Ação Fiscal [fls. 63/66]: [...]tem como propósito conduzir investigações atinentes a verificações da obrigatoriedade dc declarar e recolher as Contribuições Sociais devidas à Seguridade Social, previstas no Fl. 166DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 10540.000898/201042 Acórdão n.º 2302001.937 S2C3T2 Fl. 17 3 art. 11, parágrafo único, da Lei 8.212 de 27/07/1991, decorrentes da prestação dc serviços executados por segurados empregados pertencentes ao quadro de pessoal da Prefeitura Municipal sob fiscalização, não amparados por Regime Próprio de Previdência Social. O presente procedimento fiscal abrange os anoscalendários de 2006 a 2008, com execução de procedimentos de auditoria sobre dados disponíveis pela Fiscalização da Receita Federal do Brasil e sobre informações prestadas pelo fiscalizado no curso da ação fiscal. Em 19/03/2010 tiveram início as atividades fiscalizatórias com a lavratura do Termo de Início de Procedimento Fiscal com intimação para apresentação dos documentos lá discriminados, cuja ciência deuse por via postal, em 26/03/2010, mediante Aviso de Recebimento AR n° SS 72122423 2 BR, Em resposta ao Termo de Intimação, o sujeito passivo entregou em 12/04/2010 os documentos relacionados nos Termos de Recebimento. Dentre as documentações entregues constam as Listagens de Processos Pagos relativas aos anoscalendários em comento. Em 16/04/2010 foram entregues as fotocópias simples das Folhas de Pagamentos Avulsas dos meses 01/2007, 04/2007, 07/2007 e 09/2007. A partir destas novas documentações, a Fiscalização elaborou em 10/05/2010 o Termo de Constatação e de Intimação Fiscal n° 01 e planilha 01, encaminhando ao sujeito passivo juntamente com fotocópias simples das Listagens de Processos Pagos, objetivando cientificar o autuado dos novos fatos levantados, bem como, intimálo a manifestar sobre as divergências apuradas, informar a base de cálculo e a quantidade de segurados empregados relativo ao 13° salário, a apresentar os Demonstrativos Contábeis Mensais cias Contas Específicas de Despesa com Pessoal, bem como a prestar outros esclarecimentos. A resposta ao presente Termo foi encaminhada via postal, mediante Aviso de Recebimento AR n° SO 38339710 4 BR, com entrega em 04/06/2010, conforme informação extraída do sítio dos Correios. O fiscalizado justifica a impossibilidade em prestar os esclarecimentos acerca das divergências constatadas pela Fiscalização em virtude de não dispor de todos os documentos cuja guarda e arquivamento são de responsabilidade da gestão anterior. Comunica que o município não possui Regime Próprio de Previdência. Por fim, afirma que o quadro atual da Prefeitura é composto de 972 funcionários. De posse destes elementos, elaboramos o Termo de Constatação e de Intimação Fiscal n° 02 e planilhas 1, I I , I I I e IV nas quais contemplam os valores de Remuneração/Base de Cálculo e de Contribuição Previdenciária declarados em GF1P, os valores de Base de Cálculo extraídos das Listagens de Processos Pagos entregues pelo fiscalizado, os valores de Base de Cálculo constantes dos Demonstrativos disponibilizados pelo Tribunal de Contas dos Municípios do Estado da Bahia TCM c os valores Fl. 167DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 4 de Base de Cálculo e de Contribuição Previdenciária indicados nas Folhas de Pagamento Avulsas. Considerando que o fiscalizado alegou dificuldade em encaminhar os dados referentes ao 13° salário, a Fiscalização calculou a media anual da base de cálculo informados nas Listagens de Processos Pagos, nas competências janeiro a dezembro, de 2006 a 2008 e definiu estes valores para a competência 13 de cada ano calendário. O mencionado Termo e planilhas foram enviados ao fiscalizado através de Aviso de Recebimento AR n° SK 11082935 5 BR, cuja ciência deuse em 06/07/2010. Salientese que o sujeito passivo até a presente data não se manifestou acerca das considerações contidas no Termo de Constatação e de Intimação Fiscal n° 02 e nas planilhas anexas. Com efeito, para fins de quantificar os valores que deixaram de ser declarados nas GFIPs correspondentes às contribuições previdenciárias devidas sobre pagamento efetuados a segurados empregados amparados pelo Regime Geral de Previdência nos meses sob fiscalização, utilizamos os dados constantes nas Listagens de Processos Pagos, nas Folhas de Pagamentos Avulsas. Do mesmo modo, utilizouse, também, os dados constantes dos Demonstrativos disponibilizados pelo Tribunal de Contas dos Municípios do Estado da Bahia TCM, informações estas prestadas pelo sujeito passivo as quais foram auditadas e publicadas pelo citado Órgão. Foram, então, elaboradas as planilhas I a VIII as quais contemplam os dados c informações verificados no transcorrer da ação fiscal em referência. Constam abaixo a denominação e descrição dos levantamentos e lançamentos constituídos no curso deste procedimento fiscal. Os fatos geradores das obrigações principais e acessórias das contribuições previdenciárias apuradas no curso desta fiscalização foram distribuídos em levantamentos próprios, assim identificados: 1. Obrigação principal: a) GF DECLARADO EM GFIP: Constam neste levantamento os valores das remunerações pagas a segurados, das contribuições retidas de segurados e das contribuições patronais, declarados nas GFIPs arquivadas nos Sistemas Eletrônicos da Receita Federal do Brasil, inclusive a contribuição GILRAT/SAT. Este levantamento não participa da apuração dos débitos, sendo criado somente para fins de apropriação das guias de recolhimento e demais créditos. Registrese que tal levantamento retrata as GFIPs conforme declaradas pelo fiscalizado. b) LP LISTAGEM DE PAGAMENTO; Constam neste levantamento os lançamentos de valores não declarados em GFIP, decorrentes das diferenças detectadas entre as bases de cálculo pagas a segurados empregados contidas nas Listagens de Processos Pagos e valores de base de cálculo de segurados empregados declaradas nas GFIPs arquivadas nos Sistemas Eletrônicos da RFB, (código do lançamento BC), mais especificamente as contribuições patronais, incluída a GILRAT/RAT. De igual forma, integra os lançamentos Fl. 168DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 10540.000898/201042 Acórdão n.º 2302001.937 S2C3T2 Fl. 18 5 provenientes das diferenças de contribuições segurados empregados calculada a partir da aplicação da alíquota mínima de 8% sobre a base de cálculo extraída das Listagens de Processo Pagos e valores de contribuições segurados empregados declarados em GFIP (código do lançamento CS). Contemplam as competências que entraram no comparativo e está sendo cobrada a multa anterior; c) LP1 LISTAGEM DE PAGAMENTO: Constam neste levantamento os lançamentos de valores não declarados em GFIP, decorrentes das diferenças detectadas entre as bases de cálculo pagas a segurados empregados contidas nas Listagens de Processos Pagos e valores de base de cálculo de segurados empregados declaradas nas GFIPs arquivadas nos Sistemas Eletrônicos da RFB, (código do lançamento BC), mais especificamente as contribuições patronais, incluída a GILRAT/RAT. De igual forma, integra os lançamentos provenientes das diferenças de contribuições segurados empregados calculada a partir da aplicação da alíquota mínima de 8% sobre a base de cálculo extraída das Listagens de Processo Pagos e valores de contribuições segurados empregados declarados em GFIP (código do lançamento CS). Contemplam as competências que entram no comparativo da multa mais benéfica e está sendo cobrada a multa atual; d) LP2 LISTAGEM DE PAGAMENTO: Constam neste levantamento os lançamentos de valores não declarados em GFIP, decorrentes das diferenças detectadas entre as bases de cálculo pagas a segurados empregados contidas nas Listagens de Processos Pagos e valores de base de cálculo de segurados empregados declaradas nas GFIPs arquivadas nos Sistemas Eletrônicos da RFB, (código do lançamento BC), mais especificamente as contribuições patronais, incluída a GILRAT/RAT. De igual forma, integra os lançamentos provenientes das diferenças de contribuições segurados empregados calculada a partir da aplicação da alíquota mínima de 8% sobre a base de cálculo extraída das Listagens de Processo Pagos e valores de contribuições segurados empregados declarados em GFIP (código do lançamento CS). Contemplam as competências que não participaram do comparativo da multa mais benéfica, sendo cobrada a multa de ofício de 75%; e) FP1 LISTAGEM DE PAGAMENTO: Constam neste levantamento os lançamentos de valores não declarados em GFIP, decorrentes das diferenças detectadas entre as bases de cálculo pagas a segurados empregados contidas nas Folhas de Pagamentos Avulsas, dos meses de abril e junho de 2007 e valores de base de cálculo de segurados empregados declaradas nas GFIPs arquivadas nos Sistemas Eletrônicos da RFB, (código do lançamento BC), mais especificamente as contribuições patronais, incluída a GILRAT/RAT. De igual forma, integra os lançamentos provenientes das diferenças de contribuições segurados empregados indicadas nas Folhas de Pagamentos Avulsas, dos meses de abril e junho de 2007 e valores de Fl. 169DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 6 contribuições segurados empregados declarados em GFIP (código do lançamento CS). Contemplam as competências que entram no comparativo da multa mais benéfica e está sendo cobrada a multa atual; f)TC REMUNERAÇÃO DEMONSTRATIVO TCM: Constam neste levantamento os lançamentos de valores não declarados em GFIP, apuradas pelo confronto entre as bases de cálculo declaradas nas GFIPs arquivadas nos Sistemas Eletrônicos da RFB e as bases de cálculo calculada pela Fiscalização mediante diferença entre base de cálculo informada no Demonstrativo do TCMBA e entre a base de cálculo constante nas Listagens de Processos Pagos. Estão sendo cobradas as contribuições patronais, incluída a GILRAT/RAT (código do lançamento BC). De igual forma, integra os lançamentos provenientes das diferenças de contribuições segurados empregados que deixaram de ser declarados, calculadas pela aplicação da alíquota mínima de 8% sobre as bases de cálculos apuradas pela diferença entre base de cálculo informada nos Demonstrativos do TCMBA e a base de cálculo constante nas Listagens de Processos Pagos (código do lançamento CS). Contemplam as competências que entraram no comparativo e está sendo cobrada a multa anterior; g) TC1 REMUNERAÇÃO DEMONSTRATIVO TCM: Constam neste levantamento os lançamentos de valores não declarados em GFIP, apuradas pelo confronto entre as bases de cálculo declaradas nas GFIPs arquivadas nos Sistemas Eletrônicos da RFB e as bases de cálculo calculada pela Fiscalização mediante diferença entre base de cálculo informada no Demonstrativo do TCMBA e entre a base de cálculo constante nas Listagens de Processos Pagos. Estão sendo cobradas as contribuições patronais, incluída a GILRAT/RAT (código do lançamento BC). De igual forma, integra os lançamentos provenientes das diferenças de contribuições segurados empregados que deixaram de ser declarados, calculadas pela aplicação da alíquota mínima de 8% sobre as bases de cálculos apuradas pela diferença entre base de cálculo informada nos Demonstrativos do TCMBA e a base de cálculo constante nas Listagens de Processos Pagos (código do lançamento CS). Contemplam as competências que entram no comparativo da multa mais benéfica e está sendo cobrada a multa atual; h) TC2 REMUNERAÇÃO DEMONSTRATIVO TCM: Constam neste levantamento os lançamentos de valores não declarados em GFIP, apuradas pelo confronto entre as bases de cálculo declaradas nas GFIPs arquivadas nos Sistemas Eletrônicos da RFB e as bases de cálculo calculada pela Fiscalização mediante diferença entre base de cálculo informada no Demonstrativo do TCMBA e entre a base de cálculo constante nas Listagens de Processos Pagos. Estão sendo cobradas as contribuições patronais, incluída a GILRAT/RAT (código do lançamento BC). De igual forma, integra os lançamentos provenientes das diferenças de contribuições segurados empregados que deixaram de ser declarados, calculadas pela aplicação da alíquota mínima de 8% sobre as bases de cálculos apuradas pela diferença entre base de cálculo informada nos Demonstrativos do TCMBA e a base de cálculo constante nas Listagens de Processos Pagos (código do lançamento CS). Contemplam as competências que Fl. 170DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 10540.000898/201042 Acórdão n.º 2302001.937 S2C3T2 Fl. 19 7 não participaram do comparativo da multa mais benéfica, sendo cobrada a multa de ofício de 75%; i) Gl GILRAT SOBRE REMUNERAÇÃO GFIP: Constam neste levantamento os lançamentos de valores de contribuição GILRAT/SAT que deixaram de ser informadas, calculados sobre remuneração declarada em GFIP (código do lançamento SAT). Contempla as competências que entraram no comparativo e está sendo cobrada a multa anterior; j) GI1 GILRAT SOBRE REMUNERAÇÃO GFIP: Constam neste levantamento os lançamentos de valores de contribuição GILRAT/SAT que deixaram de ser informadas, calculados sobre remuneração declarada em GFIP (código do lançamento SAT). Contemplam as competências que entram no comparativo da multa mais benéfica e está sendo cobrada a multa atual; I) GI2 GILRAT SOBRE REMUNERAÇÃO GFIP: Constam neste levantamento os lançamentos de valores de contribuição GILRAT/SAT que deixaram de ser informadas, calculados sobre remuneração declarada em GFIP (código do lançamento SAT). Contemplam as competências que não participaram do comparativo da multa mais benéfica, sendo cobrada a multa de ofício de 75%; m) DAL DIFERENÇA DE ACRÉSCIMOS LEGAIS: No curso da fiscalização é feita a conferência dos acréscimos legais calculados pelo fiscalizado quando do pagamento/recolhimento efetuado após a data de vencimento, através das Guias da Previdência Social GPS. É, então, emitido um relatório denominado DAL Diferenças de Acréscimos Legais, que discrimina as diferenças decorrentes de recolhimento a menor de juros e/ou multa mora, com indicação dos valores que seriam devidos e dos recolhidos. Constam neste levantamento os valores dos acréscimos legais cobrados Ouros e multa de mora), em virtude de recolhimento a menor e após a data de vencimento. Para fins de lançamento destes acréscimos legais, embora o pagamento/recolhimento seja de contribuição previdenciária pertinentes aos anoscalendários sob fiscalização, a data da ocorrência do fato gerador é o mês em que o autuado procedeu ao pagamento/recolhimento incorreto; 2. Obrigação Acessória: a) AIOA CFL 68 Constam neste levantamento os lançamentos das multas pelo descumprimento da obrigação acessória em decorrência de o sujeito passivo não prestar as informações à Receita Federal do Brasil em conformidade com as disposições estabelecidas pela legislação regulamentadora da materia; b) AIOA CFL 78 Constam neste levantamento os lançamentos das multas pelo descumprimento da obrigação acessória em virtude de o sujeito passivo não prestar as informações à Receita Federal do Brasil em conformidade com as disposições estabelecidas pela legislação regulamentadora da materia; Fl. 171DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 8 c) AIOA CFL 77 Constam neste levantamento os lançamentos das multas pelo descumprimento da obrigação acessória em virtude de o sujeito passivo ter entregue as GFIPs após o prazo estabelecido pela legislação regulamentadora da matéria; ou seja, com atraso. O presente processo tratase de crédito lançado através do Auto de Infração (AI) DEBCAD n. 37.297.1920, por descumprimento de obrigação principal, em nome do órgão público em epígrafe, referente às competências 02/06, 12/06, 03/07, 05/07, 07/07 a 12/07, 02/08 a 07/08 e 09/08 a 12/08 recebido por meio de carta com aviso de recebimento, fls. 394. Os valores que integram a presente autuação referemse às contribuições patronais devidas pela empresa incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título aos segurados empregados, mais a contribuição destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT). Constam dos autos os seguintes levantamentos: TC, TC1 e TC2. Foi elaborado quadro comparativo de multas, com o somatório das multas aplicadas nos AIOP e AIOA. Constatado que as GFIP foram entregues após o prazo legal, lavrouse o presente auto de infração. Constatado o não cumprimento da referida obrigação acessória, lavrouse o presente auto de infração. Foi elaborado quadro comparativo de multas, com o somatório das multas aplicadas nos AIOP e AIOA. Inconformado o Sujeito Passivo apresentou impugnação tempestiva que, por meio do Acórdão da 6ª Turma da DRJ/SDR, foi julgada improcedente: Período de apuração: 01/02/2006 a 31/07/2009 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo acusado e o seu direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados. ARBITRAMENTO. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. ARGUIÇÃO. A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre a constitucionalidade ou legalidade de ato normativo em vigor. Impugnação Improcedente Fl. 172DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 10540.000898/201042 Acórdão n.º 2302001.937 S2C3T2 Fl. 20 9 Crédito Tributário Mantido Devidamente intimada do decisum, o Sujeito Passivo interpôs recurso voluntário que alegou, em síntese: (i) Em 04/06/2010, em resposta ao Termo de Constatação e de Intimação Fiscal n° 01 e planilha 01, o Município justificou a impossibilidade em prestar os esclarecimentos acerca das divergências constatadas pela fiscalização em virtude de não dispor de todos os documentos cuja guarda e arquivamento são de responsabilidade da gestão anterior. (ii) Informa ainda que não possui regime próprio de previdência. 4.3. Equivocouse o senhor AuditorFiscal, quando da tentativa de demonstração da ocorrência do fato gerador, ao deixar de esmiuçar e individualizar as bases de cálculo utilizadas para encontrar o valor atualizado demonstrado na consolidação do débito; (iii) o auto de infração é nulo, pois sua narração é confusa e dificulta o direito de defesa; (iv) Cita os arts. 2 o e 50 da Lei n° 9.784, de 29 de janeiro de 1999, e afirma que os autos de infração aplicados ao Município não possuem motivação, apenas se limitam a dar o enquadramento da conduta. Não resta sombra de dúvida que o ato administrativo vinculado em apreço está eivado de vício pela falta de motivação, devendo o mesmo ser desconstituído através da sanção de nulidade; (v) A multa cominada no AI é inconstitucional, já que se caracteriza absolutamente como confiscatória. Cita o art. 5º da Constituição Federal e diz que, para que seja aplicada uma multa, é necessário que haja um processo administrativo em que seja garantido o contraditório e a ampla defesa, para que, depois, a multa seja mensurada e aplicada; (vi) Verificase do auto de infração em epígrafe e dos demais consequ entes que o AuditorFiscal de pronto se enveredou a calcular montantes de contribuição e multas, e, ainda, notificou para pagamento em 30 dias. Diz que a multa só se torna exigível após todo o processo administrativo, onde é assegurado o contraditório e a ampla defesa, pois, caso contrário, estáse aplicando uma sanção sem o devido processo legal; (vii) Afirma que os valores de contribuições levantados e as multas aplicadas nos referidos autos de infração são nulas, por afronta aos princípios da legalidade, motivação, contraditório e ampla defesa; (viii) No mérito, afirma que o Município autuado, no decorrer da ação fiscal, procurou em todo momento cumprir as exigências demonstradas nas intimações emitidas pelo Sr. AuditorFiscal; (ix) Para apuração do crédito tributário devido, foram confrontados os valores totais da massa salarial correspondentes a segurados empregados informados nas GFIP com os valores constantes nas Listagens de Processos Pagos, nas folhas de pagamento avulsas e nos demonstrativos disponibilizados pelo TCMBA, sem proceder à individualização dos segurados empregados, resultando ainda na aplicação de multas acessórias. Como é visto, trata se de um procedimento que deixa margens a dúvidas, pois não há exatidão nas fontes de informações. Cita o art. 12 do CTN; Fl. 173DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 10 (x) Argumenta que o arbitramento tem caráter excepcionalíssimo, na medida em que deve sempre prevalecer a base de cálculo originária, regramatriz de incidência tributária. O exercício desse mecanismo encontrase ancorado nos princípios da razoabilidade, da finalidade da lei e proporcionalidade, podendo ser utilizado quando realmente mostrese impossível utilização da base de cálculo originária; e (xi) Requer que sejam acolhidas as preliminares arguidas e, em sendo estas ultrapassadas, seja julgado improcedente o lançamento realizado, em razão dos argumentos de fato e de direito preconizados, desconstituindose o crédito tributário lançado através do AI, por se tratar de medida de mais lídima Justiça e Direito. Pede o apensamento dos demais AI DEBCAD n°s 37.297.1954, 37.297.1920, 37.297.1911, 37.297.1946, 37.297.1938, 37.297.1881, 37.297.1890 e 37.297.1903, por tratarse de resultado da mesma ação fiscal e, em sendo assim, devem ser julgados no conjunto e não em separado. É o relatório. Voto Conselheira Manoel Coelho Arruda Júnior, Relator Cumprido o requisito de admissibilidade, frente à tempestividade, conheço do recurso e passo ao seu exame. 1PRELIMINAR DE NULIDADE – NÃO ACOLHIMENTO Não vislumbro a tese de nulidade da autuação, argüida pela recorrente, pois não foi observado qualquer vício no procedimento da fiscalização e formalização do lançamento. Foram cumpridos todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; Fl. 174DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 10540.000898/201042 Acórdão n.º 2302001.937 S2C3T2 Fl. 21 11 III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. A recorrente foi devidamente intimada de todos os atos processuais que trazem fatos novos, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar;(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou as alegações pertinentes do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216) Fl. 175DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 12 Portanto, em razão do exposto e nos termos das regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Superadas as questões preliminares para exame do cumprimento das exigências formais, passo à apreciação do mérito. 2MÉRITO 2.1Obrigatoriedade Do Recolhimento O lançamento teve por base as informações prestadas pela recorrente em GFIP e o confronto das mesmas com os valores constantes das folhas de pagamento e recolhidos em GPS, de forma que se tornam inócuas as alegações de que não há razão para a cobrança do tributo As folhas de pagamentos foram preparadas pelo próprio recorrente que reconheceu, através da inclusão das rubricas salariais no campo destinado à remuneração dos segurados, a incidência sobre as mesmas das contribuições sociais lançadas pela fiscalização, que foram arrecadadas dos segurados. Não pertencem ao lançamento impugnado parcelas contestadas pelo recorrente quanto à sua natureza salarial ou não. A base de cálculo considerada pela fiscalização coincide com o montante de salários informado pelo recorrente. Ademais, o lançamento foi realizado com base em documentação da própria recorrente, suas folhas de pagamento e informações prestadas pela mesma em GFIP Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social. Foram realizados os confrontos entre os valores declarados cm GFIP c os extraídos das Listagens de Processos Pagos, das Folhas de Pagamentos Avulsas e dos Demonstrativos disponibilizados pelo TCMBA correspondentes ao Regime Geral dc Previdência, entregues pelo sujeito passivo supra qualificado, conforme planilhas 1 a V I I ! , constatouse o cometimento da infração à legislação tributária, razão por que lavramos os Autos de Infração específicos, identificados no presente Relatório Fiscal, para exigir do autuado o crédito tributário correspondente. Salientese que, para fins de apuração do crédito tributário devido, as diferenças apuradas foram obtidas pelo confronto entre os valores totais da massa salarial correspondentes a segurados empregados informadas nas GFIPs com os valores constantes nas Listagens de Processos Pagos, nas Folhas de Pagamentos Avulsas e nos Demonstrativos disponibilizados pelo TCMBA, sem proceder à individualização dos segurados empregados; ou seja, são valores não oferecidos à tributação, haja vista ter o fiscalizado deixado de declarar em GFIP. Conforme dispõe o art. 225, § 1º do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999, abaixo transcrito, os dados informados em GFIP constituem termo de confissão de dívida quando não recolhidos os valores nela declarados. Art.225. A empresa é também obrigada a: (...) Fl. 176DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 10540.000898/201042 Acórdão n.º 2302001.937 S2C3T2 Fl. 22 13 IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social, por intermédio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, na forma por ele estabelecida, dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse daquele Instituto; (...) § 1º As informações prestadas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social servirão como base de cálculo das contribuições arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social, comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários, bem como constituir seão em termo de confissão de dívida, na hipótese do não recolhimento. Desse modo, caso houvesse algum erro cometido pela recorrente na elaboração, tanto das folhas de pagamento, como da GFIP, caberia à notificada a demonstração da fundamentação de seu erro. A notificada teve oportunidade de demonstrar que os valores apurados pela fiscalização, e por ela própria declarados em GFIP ou registrados nas folhas de pagamento não condizem com a realidade na fase de impugnação e agora na fase recursal, mas não o fez. O relatório fiscal traz explicitamente que a notificação se refere às contribuições previdenciárias que foram descontadas dos segurados, cujos recolhimentos totais não foram comprovados, referentes às folhas de pagamento elaboradas pela recorrente, documentos de fls. 40 a 85 e o resumo das informações constantes do arquivo SEFIP, fls. 87/98, sendo assim, tais valores incontroversos e, conseqüentemente, inafastável é sua cobrança. Por todo o exposto não merece reparo o lançamento do débito, já que por expressa determinação legal, a empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração e recolher o produto arrecadado no dia 2 do mês seguinte ao da competência (art. 30, inciso I, letras “a” e “b” da Lei n.º 8.212/91), sendo que o crédito também tem suporte no artigo 20 da Lei n.º 8.212/91, que trata da contribuição dos segurados empregados. Também, se refere o crédito à alíquota de 11%, relativa a parte do segurado contribuinte individual que deve ser arrecadada e recolhida pela empresa, nos termos da Lei n.º 10.666, de 08/05/2003, a partir da competência 04/2003: Art. 4º Fica a empresa obrigada a arrecadar a contribuição do segurado contribuinte individual a seu serviço, descontandoa da respectiva remuneração, e a recolher o valor arrecadado juntamente com a contribuição a seu cargo até o dia 10 (dez) do mês seguinte ao da competência. O valor retido da remuneração dos segurados e seu não repasse à Seguridade Social, configura, em tese, a prática de crime previsto no art. 168A do Código Penal Brasileiro, com redação da Lei n.º 9.983/2000, para as competências a partir de 10/2000. À área administrativa não discute a conduta criminosa do contribuinte, mas lhe cumpre informar Fl. 177DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 14 à autoridade competente, o Ministério Público Federal, o que não pode ser desconsiderado. Todavia, tal fato não tem influência na aplicação da multa moratória e de ofício. 2.2Da multa QUANTO À MULTA, tenho o entendimento que à luz da legislação vigente, devem ser aplicadas de forma isolada, conforme o caso, por descumprimento de obrigação principal ou de obrigação acessória, da forma mais benéfica ao contribuinte, de acordo com o disposto no artigo 106, do Código Tributário Nacional. Embora, em algumas vezes, a obrigação acessória descumprida esteja diretamente ligada à obrigação principal, isto não significa que sejam únicas para aplicação de multa conjunta. Pelo contrário, uma subsiste sem a outra e mesmo não havendo crédito a ser lançado, é obrigatória a lavratura de auto de infração se houve o descumprimento de obrigação acessória. As condutas são tipificadas em lei, com penalidades específicas e aplicação isolada. O art. 44 da Lei n º 9.430/96, traz que a multa de ofício de 75% incidirá sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento , de falta de declaração e nos de declaração inexata. Portanto, está claro que as três condutas não precisam ocorrer simultaneamente para ser aplicada a multa: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) Quando o contribuinte tiver recolhido os valores devidos antes da ação fiscal, não será aplicada a multa de 75% prevista no art. 44 da Lei n º 9.430; porém, se apesar do pagamento não tiver declarado em GFIP, é possível a aplicação da multa isolada do art. 32A da Lei n º 8.212, justamente por se tratar de condutas distintas. Se o contribuinte tiver declarado em GFIP não se aplica a multa do art. 44 da Lei n º 9.430, sendo aplicável somente a multa moratória do art. 61 da Lei n º 9430, pois os débitos já estão confessados e devidamente constituídos, sendo prescindível o lançamento. A multa do art. 44 da Lei n º 9.430 somente se aplica nos lançamentos de ofício. Desse modo, se o contribuinte tiver declarado em GFIP, mas não tiver pago, o art. 44 da Lei 9.430 não é aplicado pelo motivo de o contribuinte não ter recolhido, mas ter declarado.Neste caso, não se aplica o art. 44 em função de não haver lançamento de ofício, pois o crédito já está constituído pelo termo de confissão que é a GFIP. E nas hipóteses em que o contribuinte não tiver recolhido e não tiver declarado em GFIP, há duas condutas distintas: por não recolher o tributo e ser realizado o lançamento de ofício, aplicase a multa de 75%; e por não ter declarado em GFIP a multa prevista no art. 32A da Lei n º 8.212. Conforme já foi dito, a multa será aplicada ainda que o contribuinte tenha pago as contribuições, conforme previsto no inciso I do art. 32 A. Pelo exposto, constatase que as condutas de não recolher ou pagar o tributo e não declarar em GFIP não estão tipificadas no mesmo artigo de lei, no caso o art. 44 da Lei nº 9.430/96. A lei ao tipificar essas infrações, inclusive em dispositivos distintos, demonstra estar Fl. 178DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 10540.000898/201042 Acórdão n.º 2302001.937 S2C3T2 Fl. 23 15 tratando de obrigações, infrações e penalidades tributárias distintas, que não se confundem e tampouco são excludentes. Assim, no caso presente, há cabimento do art. 106, inciso II, alínea “c” do Código Tributário Nacional, o qual dispõe que a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: quando deixe de definilo como infração; quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. As multas por descumprimento de obrigação principal e acessória devem ser aplicadas isoladamente e da forma menos onerosa ao contribuinte. 2.3SELIC No tocante à taxa SELIC, cumpre asseverar que sobre o principal apurado e não recolhido, incidem os juros moratórios, aplicados conforme determina o artigo 34 da Lei 8.212/91: “... As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – SELIC, a que se refere o artigo 13, da Lei n.º 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável.” O art. 161 do CTN prescreve que os juros de mora serão calculados à taxa de 1% (um por cento) ao mês, se a lei não dispuser de modo diverso. No caso das contribuições em tela, há lei dispondo de modo diverso, ou seja, o aludido art. 34 da Lei 8.212/91 dispõe que sobre as contribuições em questão incide a Taxa SELIC. Portanto, está correta a aplicação da referida taxa a título de juros, perfeitamente utilizável como índice a ser aplicado às contribuições em questão, recolhidas com atraso, objetivando recompor os valores devidos. Ainda, quanto à admissibilidade da utilização da taxa SELIC, ressaltamos que o Segundo Conselho, do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, aprovou na Sessão Plenária de 18 de setembro de 2007, publicada no D.O.U. de 26/09/2007, Seção 1, pág. 28 a Súmula 3, que dita: É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia – Selic para títulos federais. Fl. 179DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 16 E, com a criação do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, tal súmula foi consolidada na Súmula CARF n.º 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. 3CONCLUSÃO Pelo exposto, Voto pelo PROVIMENTO PARCIAL do recurso, devendo a multa ser aplicada na forma do artigo 35 da Lei n.º 8.212/91, na redação vigente à época dos fatos geradores, para as competências até 11/2008. A partir da competência 12/2008, há que ser aplicado o artigo 35A, da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela MP n.º 449/2008, convertida na Lei n.º 11.941, multa de ofício. É como voto. Manoel Coelho Arruda Júnior Relator Fl. 180DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI
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Numero do processo: 10540.720358/2010-89
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Oct 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - IRREGULARIDADE NA LAVRATURA DO AIOP - INOCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA - NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO.
A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário.
Neste sentido, o art. 26-A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - MATÉRIA DE DIREITO NÃO IMPUGNADA - PRECLUSÃO DO DIREITO DO IMPUGNANTE FAZÊ-LO EM OUTRO MOMENTO PROCESSUAL
A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Considerar-se-á não impugnada a matéria de direito que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, ocorrendo a preclusão de fazê-lo em outro momento processual.
QUADRO COMPARATIVO DE MULTAS. MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI N. 11.941/2009. APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. IMPOSSIBILIDADE DE COMPARAÇÃO DE MULTAS POR INFRAÇÕES DE NATUREZAS DISTINTAS.
Para fins de aplicação do artigo 106, II, do CTN, não se deve comparar a multa de ofício atualmente prevista no art. 35-A da Lei n. 8.212/1991, com o somatório da multa de mora antes prevista no art. 35, II, alínea a da Lei nº 8.212/91 com a multa por falta de declaração dos valores apurados em GFIP prevista no revogado §5o do art. 32 da Lei n. 8.212/1991 (CFL 68), por se tratar de penalidades de naturezas distintas.
MULTA DE MORA. RETROATIVIDADE BENIGNA. NOVA REDAÇÃO DO ART. 35 DA LEI N. 8.212/1991
Em respeito ao princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, II, do CTN, a multa de mora aplicada com base no revogado inciso II, a do artigo 35 da Lei n. 8.212/1991, deve ser limitada a 20%, conforme nova redação do artigo 35 da Lei n. 8.212/1991, dada pela MP 449/2008, convertida na Lei n. 11.941/2009.
MULTA DE OFÍCIO. ART. 35-A DA LEI N. 8.212/1991. APLICAÇÃO RETROATIVA. IMPOSSIBILIDADE. CANCELAMENTO.
A multa de ofício prevista no novel artigo 35-A da Lei n. 8.212/1991 não pode ser aplicada retroatividade, por não se tratar de penalidade mais benéfica ao contribuinte. Necessidade de cancelamento da multa de ofício aplicada retroativamente, em face da impossibilidade de sua conversão em multa de mora pelo órgão julgador.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2403-001.913
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial para no período de 02/2007 a 11/2008. Exclusão da multa de ofício e determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o relator Paulo Maurício Pinheiro Monteiro e o conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari na questão das multas. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Carolina Wanderley Landim.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Paulo Maurício Pinheiro Monteiro - Relator
Conselheira Carolina Wanderley Landim - Relatora Designada
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Carolina Wanderley Landim e Maria Anselma Coscrato dos Santos.
Nome do relator: PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - IRREGULARIDADE NA LAVRATURA DO AIOP - INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA - NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26-A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - MATÉRIA DE DIREITO NÃO IMPUGNADA - PRECLUSÃO DO DIREITO DO IMPUGNANTE FAZÊ-LO EM OUTRO MOMENTO PROCESSUAL A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Considerar-se-á não impugnada a matéria de direito que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, ocorrendo a preclusão de fazê-lo em outro momento processual. QUADRO COMPARATIVO DE MULTAS. MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI N. 11.941/2009. APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. IMPOSSIBILIDADE DE COMPARAÇÃO DE MULTAS POR INFRAÇÕES DE NATUREZAS DISTINTAS. Para fins de aplicação do artigo 106, II, do CTN, não se deve comparar a multa de ofício atualmente prevista no art. 35-A da Lei n. 8.212/1991, com o somatório da multa de mora antes prevista no art. 35, II, alínea a da Lei nº 8.212/91 com a multa por falta de declaração dos valores apurados em GFIP prevista no revogado §5o do art. 32 da Lei n. 8.212/1991 (CFL 68), por se tratar de penalidades de naturezas distintas. MULTA DE MORA. RETROATIVIDADE BENIGNA. NOVA REDAÇÃO DO ART. 35 DA LEI N. 8.212/1991 Em respeito ao princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, II, do CTN, a multa de mora aplicada com base no revogado inciso II, a do artigo 35 da Lei n. 8.212/1991, deve ser limitada a 20%, conforme nova redação do artigo 35 da Lei n. 8.212/1991, dada pela MP 449/2008, convertida na Lei n. 11.941/2009. MULTA DE OFÍCIO. ART. 35-A DA LEI N. 8.212/1991. APLICAÇÃO RETROATIVA. IMPOSSIBILIDADE. CANCELAMENTO. A multa de ofício prevista no novel artigo 35-A da Lei n. 8.212/1991 não pode ser aplicada retroatividade, por não se tratar de penalidade mais benéfica ao contribuinte. Necessidade de cancelamento da multa de ofício aplicada retroativamente, em face da impossibilidade de sua conversão em multa de mora pelo órgão julgador. Recurso Voluntário Provido em Parte
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 26; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2401; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T3 Fl. 232 1 231 S2C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10540.720358/201089 Recurso nº 999.999 Voluntário Acórdão nº 2403001.913 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 21 de fevereiro de 2013 Matéria CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA Recorrente PREFEITURA MUNICIPAL DE SITIO DO MATO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO IRREGULARIDADE NA LAVRATURA DO AIOP INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO MATÉRIA DE DIREITO NÃO IMPUGNADA PRECLUSÃO DO DIREITO DO IMPUGNANTE FAZÊ LO EM OUTRO MOMENTO PROCESSUAL A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Considerarseá não impugnada a matéria de direito que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, ocorrendo a preclusão de fazêlo em outro momento processual. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 54 0. 72 03 58 /2 01 0- 89 Fl. 232DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por CAROLIN A WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 QUADRO COMPARATIVO DE MULTAS. MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI N. 11.941/2009. APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. IMPOSSIBILIDADE DE COMPARAÇÃO DE MULTAS POR INFRAÇÕES DE NATUREZAS DISTINTAS. Para fins de aplicação do artigo 106, II, do CTN, não se deve comparar a multa de ofício atualmente prevista no art. 35A da Lei n. 8.212/1991, com o somatório da multa de mora antes prevista no art. 35, II, alínea “a” da Lei nº 8.212/91 com a multa por falta de declaração dos valores apurados em GFIP prevista no revogado §5o do art. 32 da Lei n. 8.212/1991 (CFL 68), por se tratar de penalidades de naturezas distintas. MULTA DE MORA. RETROATIVIDADE BENIGNA. NOVA REDAÇÃO DO ART. 35 DA LEI N. 8.212/1991 Em respeito ao princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, II, do CTN, a multa de mora aplicada com base no revogado inciso II, ‘a’ do artigo 35 da Lei n. 8.212/1991, deve ser limitada a 20%, conforme nova redação do artigo 35 da Lei n. 8.212/1991, dada pela MP 449/2008, convertida na Lei n. 11.941/2009. MULTA DE OFÍCIO. ART. 35A DA LEI N. 8.212/1991. APLICAÇÃO RETROATIVA. IMPOSSIBILIDADE. CANCELAMENTO. A multa de ofício prevista no novel artigo 35A da Lei n. 8.212/1991 não pode ser aplicada retroatividade, por não se tratar de penalidade mais benéfica ao contribuinte. Necessidade de cancelamento da multa de ofício aplicada retroativamente, em face da impossibilidade de sua conversão em multa de mora pelo órgão julgador. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial para no período de 02/2007 a 11/2008. Exclusão da multa de ofício e determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o relator Paulo Maurício Pinheiro Monteiro e o conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari na questão das multas. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Carolina Wanderley Landim. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Conselheira Carolina Wanderley Landim Relatora Designada Fl. 233DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por CAROLIN A WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10540.720358/201089 Acórdão n.º 2403001.913 S2C4T3 Fl. 233 3 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Carolina Wanderley Landim e Maria Anselma Coscrato dos Santos. Fl. 234DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por CAROLIN A WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 Relatório Tratase de Recurso Voluntário, fls. 167 a 193, interposto pela Recorrente – PREFEITURA MUNICIPAL DE SÍTIO DO MATO contra Acórdão nº 1527.292 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Salvador BA, fls. 159 a 164, que julgou procedente a autuação por descumprimento de obrigação principal, Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP nº. 37.296.4940, às fls. 01, com valor consolidado de R$ 2.281.468,46. O crédito previdenciário se refere às contribuições previdenciárias patronais e as contribuições para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT/RAT), ambas incidentes sobre as remunerações pagas a segurados empregados (códigos de levantamento TR / TR1 / TZ), que deixaram de ser consideradas nas bases de cálculo oferecidas à tributação pelo sujeito passivo através da declaração em GFIP, no período de 01/2006 a 12/2008. O Relatório Fiscal aponta o enquadramento da entidade para fins de recolhimento das contribuições sociais previdenciárias: • Tratase de Órgão do Poder Público Municipal que não possui regime próprio de Previdência Social. • Contribuição previdenciária patronal alíquota de 20%, incidente sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados empregados. (FPAS 582 Órgãos do Poder Público). • Contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT) correspondente ao CNAE Fiscal 84.11600 (Administração Pública em Geral) alíquotas de 1 % até 05/2007 e 2% a partir de 06/2007, incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados empregados. O Relatório Fiscal, às fls. 31 a 42, mostra os fatos geradores como sendo as remunerações pagas aos segurados empregados (servidores) da Prefeitura, que deixaram de ser declaradas nas GFIP existentes antes da data de início da ação fiscal: 3.1. Os fatos geradores deste Auto de Infração são as remunerações pagas aos segurados empregados (servidores) da Prefeitura, que deixaram de ser declaradas nas GFIP existentes antes da data de início da ação fiscal: 3.2. As remunerações dos segurados empregados, assim considerados os ocupantes de cargos efetivos, agentes políticos, cargos comissionados e temporários (art. 12, inciso I, da Lei 8.212/91), foram apuradas com base nos dados fornecidos pelo Tribunal de Contas dos Municípios do Estado da Bahia TCM (período 01/2006 a 12/2008). Fl. 235DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por CAROLIN A WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10540.720358/201089 Acórdão n.º 2403001.913 S2C4T3 Fl. 234 5 3.3. Os valores declarados nas GFIP foram apurados com base nos sistemas corporativos da Receita Federal do Brasil GFIP WEB e Plenus MV2. 3.4. Foram lançadas, como bases de cálculo do auto de infração em tela, as diferenças entre o valor total da despesa da Prefeitura com pessoal (ativo, subsídio de Prefeito e Vice Prefeito, Temporários e Subsídio de Secretário), extraída dos dados do Tribunal de Contas dos Municípios da Bahia TCM e a base de cálculo informada na GFIP, uma vez que, intimada a apresentar a documentação constante dos termos de Início de Procedimento Fiscal, a Prefeitura não atendeu à intimação, respondendo que "não existe nesta prefeitura nenhum dos documentos solicitados, haja visto que o exgestor Alfredo de Oliveira Magalhães Júnior se quer fez a comissão de Transmissão (...)" vide Of. GAB. N° 240/2010 da prefeitura Municipal de Sítio do Mato anexa ao auto de infração. 3.5. Os lançamentos das diferenças apuradas na forma do item anterior foram feitos sem proceder à individualização dos segurados, conforme previsto na Norma de Execução Cofis n° 03, de 06/08/2009. As divergências foram apuradas conforme planilha de cálculo, anexa ao auto de infração e enviada ao contribuinte juntamente com o termo de intimação fiscal. 3.6. A utilização dos dados obtidos junto ao TCM está embasada no artigo 33, § 3 o , da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, uma vez que a Prefeitura não entregou os documentos solicitados pela fiscalização (com exceção dos documentos relativos ao atual Prefeito e Secretários de Administração e Finanças). 3.7. Intimada em 28/09/2010 a prestar esclarecimentos sobre as divergências entre os valores da remuneração constantes dos dados do TCM e GFIP, a Prefeitura enviou o ofício GAB. N° 274/2010 afirmando que já haviam respondido aos questionamentos no Ofício N°240/2010, no qual foi relatado que "não existe nesta prefeitura nenhum dos documentos solicitados, haja visto que o exgestor Alfredo de Oliveira Magalhães Júnior se quer fez a comissão de Transmissão (...)". 3.8. O lançamento, por rateio, das divergências entre o somatório de duas ou mais competências (vide relatório de lançamentos anexo), corrige eventuais distorções entre regimes contábeis de caixa (nos dados do TCM) e de competência (na GFIP). Além disso, o rateio foi executado de forma a aproveitar todos os recolhimentos do sujeito passivo, para que não houvesse sobra de recolhimento em uma competência e apuração de divergência na seguinte. Os valores constantes dos dados do TCM foram sempre maiores que as bases informadas em GFIP (com exceção das competências janeiro e 13° salário de 2006, 2007 e 2008). 3.9. O percentual do GILRAT dos órgãos da administração pública em geral até a competência maio de 2007 era de 1%. Foi alterado de 1 % para 2% com a publicação do Decreto Fl. 236DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por CAROLIN A WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 6.042, de 12/02/2007, que altera o Anexo V do Decreto 3.048/99 (validade a partir de 06/2007). Constatase que a Prefeitura não procedeu à mencionada alteração, continuando a informar o percentual de 1% nas GFIP de 06/2007 a 13/2008, ocasionando, portanto, o cálculo da contribuição com valor menor que o devido nesse período. Esta diferença de valor foi lançada no auto de infração debcad n°37.296.4931. O Relatório Fiscal, às fls. 31 a 42, mostra os fatos geradores das obrigações principais e acessórias: GF DECLARADO EM GFIP Para o lançamento das bases de cálculo declaradas nas GFIP que foram entregues antes do início da ação fiscal, incluindo todos os segurados categoria 01 (empregado), 12 (Demais Agentes Públicos), 20(Servidor Público ocupante, exclusivamente de cargo em comissão, Servidor Público ocupante de cargo temporário) e 21 (Servidor Público Titular efetivo, magistrado, membro do Ministério Público e do Tribunal e Conselho de Contas). Este levantamento não participa da apuração do débito apurado nesta ação fiscal e foi criado somente para realizar a apropriação dos recolhimentos (GPS) e demais créditos existentes, como as deduções e autos de infração de fiscalização anterior; TR DIFERENÇA TCM X GFIP, ATÉ NOVEMBRO DE 2008 Para o lançamento das diferenças apuradas entre a base de cálculo extraída dos dados do TCM e as bases de cálculo informadas em GFIP. A base de cálculo extraída dos dados do TCM é constituída pela soma da despesa com pessoal ativo, subsídio de Prefeito e VicePrefeito, Pessoal Temporário e Subsídio de Secretário, diminuída da despesa com salário família, estes dados foram disponibilizados pelo Tribunal de Contas dos Municípios do Estado da Bahia à Receita Federal do Brasil. Ressaltase que a Prefeitura não apresentou nenhum dos documentos solicitados pela fiscalização, com exceção dos documentos relativos ao atual Prefeito e Secretários de Administração e Finanças. TR1 DIFERENÇA TCM X GFIP, ATÉ NOVEMBRO DE 2008 Para o lançamento das diferenças apuradas entre a base de cálculo extraída dos dados do TCM e as bases de cálculo informadas em GFIP. A base de cálculo extraída dos dados do TCM é constituída pela soma da despesa com pessoal ativo, subsídio de Prefeito e VicePrefeito, Pessoal Temporário e Subsídio de Secretário, diminuída da despesa com salário família, estes dados foram disponibilizados pelo Tribunal de Contas dos Municípios do Estado da Bahia à Receita Federal do Brasil. Este levantamento é um desmembramento do levantamento TR, criado pelo sistema de auditoria fiscal (SAFIS), após seleção do critério mais benéfico de aplicação de multas. TZ DIFERENÇA TCM X GFIP. APÓS NOVEMBRO DE 2008 Para o lançamento das diferenças apuradas entre a base de cálculo extraída dos dados do TCM e as bases de cálculo informadas em GFIP. A base de cálculo extraída dos dados do TCM é constituída pela soma da despesa com pessoal ativo, subsídio de Prefeito e VicePrefeito, Pessoal Temporário e Fl. 237DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por CAROLIN A WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10540.720358/201089 Acórdão n.º 2403001.913 S2C4T3 Fl. 235 7 Subsídio de Secretário, diminuída da despesa com salário família, estes dados foram disponibilizados pelo Tribunal de Contas dos Municípios do Estado da Bahia à Receita Federal do Brasil. Este levantamento foi feito separado em função das mudanças no critério de aplicação da multa, introduzidas pela Lei n° 11.941/2009. O Relatório Fiscal, às fls. 31 a 42, informa ainda em relação às bases de cálculo para a apuração dos valores devidos as divergências resultantes da diferença entre o total de remuneração nos dados do TCM e a base de cálculo da contribuição previdenciária declarada em GFIP: Para a apuração dos valores devidos foram lançadas como bases de cálculo as divergências resultantes da diferença entre o total de remuneração nos dados do TCM e a base de cálculo da contribuição previdenciária declarada em GFIP. Sobre estas diferenças foram aplicadas as alíquotas previstas no item 1.6. Além das deduções, a crédito foram lançadas as Guias da Previdência Social GPS recolhidas pelo contribuinte (código de pagamento 2402) e os créditos previdenciários já constituídos por documento de débito apurado em fiscalização anterior NFLD n° 35.608.5694, de 14/09/2006 competências 04 e 05 de 2006 (NFLD: Notificação Fiscal de Lançamento de Débito). Quanto à aplicação dos acréscimos moratórios, a fiscalização realizou um comparativo de multas visando a aplicar a multa mais benéfica ao contribuinte, considerando se a Lei 11.941/2009, nestes termos: 5.16. Conforme demonstrado no quadro acima, no período de janeiro 2006 a janeiro/2007 o comparativo de multa restringiu se ao descumprimento da obrigação acessória, já que neste período não se aplicava multa moratória nos Órgãos da Administração Pública. 5.17. A multa por descumprimento de obrigação acessória menos gravosa para o período de janeiro de 2006 a setembro de 2007 é a prevista na legislação atual art. 32A, I, da Lei 8.212/91 (código de fundamento legal 78). Nas competências 10/2007 e 11/2007 e 03/2008 a 11/2008 a multa menos gravosa é a prevista na legislação anterior (item 5.9, "a" CFL 68). Já nas competências envolvidas no período de 12/2007, 01/2008 e 02/2008, a multa menos gravosa ao sujeito passivo é a prevista na legislação atual (multa de ofício de 75% CFL 78). As multas por descumprimento de obrigação acessória relacionadas a GFIP foram consignadas em Autos de Infração distintos. 5.18. As competências 12/2008 e o 13° Salário de 2008 não foram incluídas na comparação, uma vez que, para estes fatos geradores, aplicase diretamente o art. 35A da Lei n° 8.212/91, atualmente em vigor. Fl. 238DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por CAROLIN A WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 5.19. Para as competências do 13° salário de 2006 e 2007, cujas GFIP foram enviadas já na vigência da legislação atual (art. 32 A da lei 8.212/91), foi lançada multa por descumprimento de obrigação acessória prevista na legislação atual (item 5.6). Enquanto que, em relação à multa pelo descumprimento da obrigação principal, foi aplicada multa prevista na legislação anterior (multa moratória de 24% item 5.9 a). 5.20. A cobrança de juros de mora está prevista para todo o período, conforme prevê o art. 35 da Lei 8.212/91. Informa ainda o Relatório Fiscal que no procedimento fiscal, foram emitidas as seguintes autuações: Autos de Infração de Obrigações Principais constitutivos do crédito relativo a contribuições sociais destinadas ao financiamento da seguridade social e a outras contribuições sociais arrecadadas pela RFB, apuradas mediante procedimento fiscal e de competência privativa do auditorfiscal (Valores consolidados em 14 de outubro de 2010): AUTO DE INFRAÇÃO n° 37.296.4940 (R$ 2.281.468,46) referente às contribuições previdenciárias patronais (período de 01/2006 a 12/2008), incidentes sobre remunerações de segurados empregados (diferença entre a despesa com remuneração informada ao TCM e na GFIP); AUTO DE INFRAÇÃO n° 37.296.4958 (R$ 657.371,68) referente às contribuições previdenciárias dos segurados (período de 01/2006 a 12/2008), incidentes sobre remunerações de segurados empregados (diferença entre a despesa com remuneração informada ao TCM e na GFIP). AUTO DE INFRAÇÃO n° 37.296.4931 (R$ 28.688,32) referente à contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho GILRAT (período de 06/2007 a 12/2008) declarada a menor na GFIP, devido ao fato de a alíquota ter sido majorada de 1 % para 2% a partir de 06/2007 e a Prefeitura não ter procedido essa modificação. Autos de infração de obrigações acessórias destinados a registrar a ocorrência de infração à legislação previdenciária por descumprimento de obrigação acessória, a constituir o respectivo crédito da Previdência Social, relativo à penalidade pecuniária aplicada, e a instaurar o processo administrativo de débito: AUTO DE INFRAÇÃO n° 37.296.4915 (CFL 78) R$ 6.500,00 por apresentar a GFIP com incorreções ou omissões; AUTO DE INFRAÇÃO n° 37.296.4907 (CFL 68) R$ 157.496,90 por apresentar a GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias; Fl. 239DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por CAROLIN A WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10540.720358/201089 Acórdão n.º 2403001.913 S2C4T3 Fl. 236 9 AUTO DE INFRAÇÃO n° 37.296.4974 (CFL 38) R$ 14.317,78 por deixar de exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas na Lei 8.212/91; AUTO DE INFRAÇÃO n° 37.296.4966 (CFL 35) R$ 14.317,78 por deixar de prestar à RFB todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse da mesma, na forma por ela estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização. A Recorrente teve ciência do AIOP em 20.10.2010, conforme Aviso de Recebimento – AR às fls. 124. O período objeto do auto de infração, conforme o Relatório Discriminativo do Débito DD, às fls. 05, é de 01/2006 a 12/2008. A Recorrente apresentou Impugnação, às fls. 126 a 128: O MUNICÍPIO DE SÍTIO DO MATO, inscrito no CNPJ/MF sob o n° 16.417.792/000134, com sede administrativa na praça Nossa Senhora do Rosário, s/n, centro, na cidade de Sítio do Mato, estado da Bahia, representado pelo prefeito municipal, Danilson dos Santos Silva, brasileiro, solteiro, portador da cédula de identidade n° 0687604001 SSP/BA, inscrito no CPF/MF sob o n° 917.473.255/20, residente e domiciliado na rua Nova Lima, s/n, centro, na cidade de Sítio do Mato, O vem, respeitosamente, perante Vossa Senhoria, IMPUGNAR O AUTO DE INFRAÇÃO acima epigrafado, pelas razões a seguir aduzidas. Tratase de auto de infração em razão de supostas divergências de valores da remuneração de pessoal, onde os fatos geradores apurados não teriam sido declarados na GFIP pelo contribuinte. Ressalta, de logo, que o atual gestor do impugnante assumiu o mandato de prefeito no dia 1º (primeiro) de janeiro de 2009 e os fatos objeto do auto de infração em epígrafe teriam ocorrido antes desta data. Informa, ainda, que ao assumir o cargo de prefeito municipal de Sítio do Mato, o atual gestor não encontrou qualquer documento referente ao período de I º(primeiro) de janeiro de 2005 a 31(trinta e um) de dezembro de 2008, inclusive as folhas de pagamento de pessoal e GFIP. O exgestor, Alfredo de Oliveira Magalhães Júnior, sequer fez a transição de governo, o que, inclusive, ensejou a emissão de parecer prévio pelo TCM Tribunal de Contas dos Municípios, pela rejeição das contas do exercício financeiro de 2008, de responsabilidade do exalcaide, o qual fora mantido pela Câmara Municipal de Sítio do Mato. Portanto, o exgestor teve as suas contas do ano de 2008 rejeitadas, sendo um dos motivos Fl. 240DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por CAROLIN A WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 a não realização da transição de governo, conforme documentos anexos. O impugnante não acredita que os fatos que ensejaram o auto de infração em epígrafe tenham de fato ocorrido. Porém, necessita de documentos para comprovar o equívoco. No entanto, tais documentos não se encontram na sede da prefeitura municipal porque foram levados pelo exprefeito. O impugnante é a Fazenda Pública Municipal. O interesse público é indisponível. Os danos que poderão ser causados aos munícipes são irreparáveis. Diante disso, fazse necessária a produção de provas para demonstrar que os fatos que ensejaram o auto de infração ora impugnado não ocorreram. Fica também impugnado o auto de infração porque não há relação com os nomes das pessoas que supostamente teriam sido omitidos na declaração da GFIP. Em face do exposto, requer seja julgado improcedente o auto de infração contra o impugnante. Requer, ainda, a produção de todos os meios de prova em direito admitidos, especificamente os documentos ora anexados e a notificação do exprefeito municipal de Sítio do Mato, ALFREDO DE Q OLIVEIRA MAGALHÃES JÚNIOR, brasileiro, divorciado, empresário, residente e domiciliado na fazenda Salinas, município de Bom Jesus da Lapa, para que apresente todas as folhas de pagamento de pessoal e GFIP referentes ao período de I o (primeiro) de janeiro de 2005 a 31 ( t r i n ta e um) de dezembro de 2008. Nestes termos, pede deferimento. De Sítio do Mato para Vitória da Conquista, 18 de novembro de 2010. Danilson dos Santos Silva Prefeito Municipal A Recorrida analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente a autuação, nos termos do Acórdão nº 1527.292 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Salvador BA, fls. 159 a 164, conforme Ementa a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PARTE PATRONAL. ÓRGÃO PÚBLICO . INCIDÊNCIA . São devidas as contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados que prestem serviços à empresa, conforme prevê o art. 22, incisos I, II, da Lei n.° 8.212, de 1991. CABE LANÇAMENTO DE OFÍCIO SEMPRE QUE A EMPRESA DEIXAR DE APRESENTAR DOCUMENTOS OU Fl. 241DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por CAROLIN A WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10540.720358/201089 Acórdão n.º 2403001.913 S2C4T3 Fl. 237 11 INFORMAÇÕES OU APRESENTAR DE FORMA DEFICIENTE . CABE À EMPRESA O ÔNUS DA PROVA EM CONTRÁRIO . Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputar devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. (Art. 33, parágrafo 3 o ,da Lei n° 8.212, de 1991). PROVA DOCUMENTAL . MOMENTO DE APRESENTAÇÃO PRECLUSÃO TEMPORAL . A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual. MULTA DE MORA . ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO RETROATIVIDADE BENIGNA. MULTA MENOS SEVERA. MOMENTO DA COMPARAÇÃO . Sobre as contribuições sociais em atraso incide multa de mora de caráter irrelevável. Para o cálculo da multa de mora deve ser aplicada a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme art. 106 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional (CTN), comparandose a penalidade imposta pela legislação vigente à época da ocorrência do fato gerador e a imposta pela legislação superveniente. A comparação das multas para verificação e aplicação da mais benéfica somente poderá operacionalizarse quando o pagamento do crédito for postulado pelo contribuinte ou quando do ajuizamento de execução fiscal, conforme Portaria Conjunta PGFN/RFB n° 14, de 04/12/2009. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Acórdão Vistos, relatados e discutidos os autos do processo 10540.720358/201089, do Auto de Infração (AI), cadastrado sob número 37.296.4940, acordam os membros da 7a Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, considerar PROCEDENTE o lançamento contestado, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Intimese o sujeito passivo do inteiro teor do presente Acórdão, fornecendolhe cópia da decisão, mediante entrega ou remessa da segunda via, intimandoo ainda a recolher o débito, no prazo de 30 (trinta) dias, ressalvado o direito de interpor recurso ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, no mesmo prazo, facultado pelos artigos 25, II, e 33, ambos do Decreto 70.235, de 1972. Sala de Sessões, em 31 de maio de 2011. Fl. 242DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por CAROLIN A WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 12 Inconformada com a decisão de 1ª instância, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, fls. 167 a 193, em apertada síntese: () Inicialmente, faz um relato da autuação. (i) Da ilegalidade da cobrança da contribuição dos exercentes dos cargos públicos; (ii) Da ilegalidade da cobrança da incidente sobre os avulsos e autônomos no período anterior à vigência da lei Complementar 84/1996; (iii) da ilegalidade da cobrança da contribuição previdenciária sobre o 13o. Salário; (iv) da ilegalidade da cobrança da contribuição previdenciária sobre o SAT; (v) Da incidência de contribuição previdenciária sobre contratos nulos; (vi) Imposição indevida de acréscimos – Juros SELIC; (vii) Da indevida utilização da taxa TR/TRD como fator de correção; Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão, fls. 204. É o Relatório. Fl. 243DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por CAROLIN A WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10540.720358/201089 Acórdão n.º 2403001.913 S2C4T3 Fl. 238 13 Voto Vencido Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 204. Avaliados os pressupostos, passo para as Questões Preliminares e ao Mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES (A) Alegações diversas de inconstitucionalidade. Analisemos. Não assiste razão à Recorrente pois o previsto no ordenamento legal não pode ser anulado na instância administrativa por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, e dá outras providências: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 4o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 5o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Fl. 244DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por CAROLIN A WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 14 I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)”(gn). Ademais, há a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARFnº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (B) Da regularidade do lançamento. Analisemos. Não obstante a argumentação do Recorrente, não confiro razão ao mesmo pois, de plano, notase que o procedimento fiscal atendeu a todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por vício insanável e tampouco cerceamento de defesa. Tratase de Recurso Voluntário, fls. 167 a 193, interposto pela Recorrente – PREFEITURA MUNICIPAL DE RIO DE CONTAS contra Acórdão nº 1527.292 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Salvador BA, fls. 159 a 164, que julgou procedente a autuação por descumprimento de obrigação principal, Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP nº. 37.296.4940, às fls. 01, com valor consolidado de R$ 2.281.468,46. O crédito previdenciário se refere às contribuições previdenciárias patronais e as contribuições para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT/RAT), ambas incidentes sobre as remunerações pagas a segurados empregados (códigos de levantamento TR / TR1 / TZ), que deixaram de ser consideradas nas bases de cálculo oferecidas à tributação pelo sujeito passivo através da declaração em GFIP, no período de 01/2006 a 12/2008. Desta forma, conforme o artigo 37 da Lei n° 8.212/91, foi lavrado AIOP nº 37.296.4940 que, conforme definido no inciso IV do artigo 633 da IN MPS/SRP n° 03/2005, é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal: Fl. 245DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por CAROLIN A WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10540.720358/201089 Acórdão n.º 2403001.913 S2C4T3 Fl. 239 15 (redação à época da lavratura do AIOP nº 37.296.4940) Lei n° 8.212/91 Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de beneficio reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. IN MPS/SRP n° 03/2005 Art. 633. São documentos de constituição do crédito tributário, no âmbito da SRP: IV Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, que é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal; Podese elencar as etapas necessárias à realização do procedimento: · A autorização por meio da emissão de TIAF – Termo de Início da Ação Fiscal, o qual contém o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF F, com a competente designação do AuditorFiscal responsável pelo cumprimento do procedimento; · A intimação para a apresentação dos documentos conforme Termo de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, intimando o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária; · A autuação dentro do prazo autorizado pelo referido Mandado, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes: a. IPC Instruções para o Contribuinte (que tem a finalidade de comunicar ao contribuinte como regularizar seu débito, como apresentar defesa e outras informações); b. DD Discriminativo Analítico do Débito (Este relatório lista, em suas páginas iniciais, todas as características que compõem o levantamento, que é um agrupamento de informações que servirão para apurar o débito de contribuição previdenciária existente. Na seqüência, discrimina, por estabelecimento, competência e levantamento, as bases de cálculo, as rubricas, as alíquotas, os valores já recolhidos, confessados, autuados ou retidos, as deduções permitidas (saláriofamília, salário maternidade e compensações), as diferenças existentes e o valor dos juros SELIC, da multa e do total cobrado); Fl. 246DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por CAROLIN A WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 16 c. FLD Fundamentos Legais do Débito (que indica os dispositivos legais que autorizam o lançamento e a cobrança das contribuições exigidas, de acordo com a legislação vigente à época do respectivo fato gerador); d. VÍNCULOS Relatório de Vínculos (que lista todas as pessoas físicas ou jurídicas em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, indicando o tipo de vínculo existente e o período); e. REFISC – Relatório Fiscal. Cumprenos esclarecer ainda, que o lançamento fiscal foi elaborado nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, especialmente a verificação da efetiva ocorrência do fato gerador tributário, a matéria sujeita ao tributo, bem como o montante individualizado do tributo devido. De plano, o art. 142, CTN, estabelece que: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” Analisandose o AIOP nº 37.296.4940, temse que foi cumprido integralmente os limites legais dispostos no art. 142, CTN. Ademais, não compete ao AuditorFiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, face a ocorrência do fato gerador, cumprilhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de débito de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. Fl. 247DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por CAROLIN A WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10540.720358/201089 Acórdão n.º 2403001.913 S2C4T3 Fl. 240 17 DO MÉRITO (i) Da ilegalidade da cobrança da contribuição dos exercentes dos cargos públicos; (ii) Da ilegalidade da cobrança da incidente sobre os avulsos e autônomos no período anterior à vigência da lei Complementar 84/1996; (iii) da ilegalidade da cobrança da contribuição previdenciária sobre o 13o. Salário; (iv) da ilegalidade da cobrança da contribuição previdenciária sobre o SAT; (v) Da incidência de contribuição previdenciária sobre contratos nulos; (vi) Imposição indevida de acréscimos – Juros SELIC; (vii) Da indevida utilização da taxa TR/TRD como fator de correção; Analisemos em conjunto os itens (i) a (vii). Observemos os pontos de argumentação que a Recorrente apresentou em sede de Impugnação, às fls. 126 a 128: O MUNICÍPIO DE SÍTIO DO MATO, inscrito no CNPJ/MF sob o n° 16.417.792/000134, com sede administrativa na praça Nossa Senhora do Rosário, s/n, centro, na cidade de Sítio do Mato, estado da Bahia, representado pelo prefeito municipal, Danilson dos Santos Silva, brasileiro, solteiro, portador da cédula de identidade n° 0687604001 SSP/BA, inscrito no CPF/MF sob o n° 917.473.255/20, residente e domiciliado na rua Nova Lima, s/n, centro, na cidade de Sítio do Mato, O vem, respeitosamente, perante Vossa Senhoria, IMPUGNAR O AUTO DE INFRAÇÃO acima epigrafado, pelas razões a seguir aduzidas. Tratase de auto de infração em razão de supostas divergências de valores da remuneração de pessoal, onde os fatos geradores apurados não teriam sido declarados na GFIP pelo contribuinte. Ressalta, de logo, que o atual gestor do impugnante assumiu o mandato de prefeito no dia 1º (primeiro) de janeiro de 2009 e os fatos objeto do auto de infração em epígrafe teriam ocorrido antes desta data. Informa, ainda, que ao assumir o cargo de prefeito municipal de Sítio do Mato, o atual gestor não encontrou qualquer documento referente ao período de I º(primeiro) de janeiro de 2005 a 31(trinta e um) de dezembro de 2008, inclusive as folhas de pagamento de pessoal e GFIP. Fl. 248DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por CAROLIN A WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 18 O exgestor, Alfredo de Oliveira Magalhães Júnior, sequer fez a transição de governo, o que, inclusive, ensejou a emissão de parecer prévio pelo TCM Tribunal de Contas dos Municípios, pela rejeição das contas do exercício financeiro de 2008, de responsabilidade do exalcaide, o qual fora mantido pela Câmara Municipal de Sítio do Mato. Portanto, o exgestor teve as suas contas do ano de 2008 rejeitadas, sendo um dos motivos a não realização da transição de governo, conforme documentos anexos. O impugnante não acredita que os fatos que ensejaram o auto de infração em epígrafe tenham de fato ocorrido. Porém, necessita de documentos para comprovar o equívoco. No entanto, tais documentos não se encontram na sede da prefeitura municipal porque foram levados pelo exprefeito. O impugnante é a Fazenda Pública Municipal. O interesse público é indisponível. Os danos que poderão ser causados aos munícipes são irreparáveis. Diante disso, fazse necessária a produção de provas para demonstrar que os fatos que ensejaram o auto de infração ora impugnado não ocorreram. Fica também impugnado o auto de infração porque não há relação com os nomes das pessoas que supostamente teriam sido omitidos na declaração da GFIP. Em face do exposto, requer seja julgado improcedente o auto de infração contra o impugnante. Requer, ainda, a produção de todos os meios de prova em direito admitidos, especificamente os documentos ora anexados e a notificação do exprefeito municipal de Sítio do Mato, ALFREDO DE Q OLIVEIRA MAGALHÃES JÚNIOR, brasileiro, divorciado, empresário, residente e domiciliado na fazenda Salinas, município de Bom Jesus da Lapa, para que apresente todas as folhas de pagamento de pessoal e GFIP referentes ao período de I o (primeiro) de janeiro de 2005 a 31 ( t r i n ta e um) de dezembro de 2008. Nestes termos, pede deferimento. De Sítio do Mato para Vitória da Conquista, 18 de novembro de 2010. Danilson dos Santos Silva Prefeito Municipal Por outro lado, a Recorrente em sede de Recurso Voluntário discute matérias de direito que não foram veiculadas em sede de Impugnação: (i) Da ilegalidade da cobrança da contribuição dos exercentes dos cargos públicos; (ii) Da ilegalidade da cobrança da incidente sobre os avulsos e autônomos no período anterior à vigência da lei Complementar 84/1996; Fl. 249DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por CAROLIN A WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10540.720358/201089 Acórdão n.º 2403001.913 S2C4T3 Fl. 241 19 (iii) da ilegalidade da cobrança da contribuição previdenciária sobre o 13o. Salário; (iv) da ilegalidade da cobrança da contribuição previdenciária sobre o SAT; (v) Da incidência de contribuição previdenciária sobre contratos nulos; (vi) Imposição indevida de acréscimos – Juros SELIC; (vii) Da indevida utilização da taxa TR/TRD como fator de correção; Da instauração da fase litigiosa do procedimento Nos termos do art. 56 do Decreto 7574/2011 e dos arts. 14 e 15 do Decreto 70235/1972, a impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento além do que, deve estar instruída com os documentos em que se fundamentar e apresentada em unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil com jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo. Ademais, eventual petição, apresentada fora do prazo, não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem comporta julgamento de primeira instância, salvo se caracterizada ou suscitada a tempestividade, como preliminar. Outrossim, o art. 16 do Decreto 70.235/1972 disciplina que a Impugnação deve conter, dentre outros requisitos, os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir: Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) Fl. 250DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por CAROLIN A WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 20 § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) (gn) Evidentemente, os argumentos deduzidos pela Recorrente em sede de Recurso Voluntário não o foram em sede de Impugnação. Da preclusão para apresentação da prova documental Ainda, embora não seja a hipótese presente na argumentação deduzida pela Recorrente em sede de Recurso Voluntário, quando se trata de prova documental, o art. 16, § 4º do Decreto 70.235/1972 determina que estas provas sejam apresentadas em sede de Impugnação, admitindo, porém, que sejam apresentadas em algumas situações: § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Da matéria não impugnada Nos termos do art. 58 do Decreto 7574/2011 e dos arts. 17 do Decreto 70235/1972, considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Ou seja, para se discutir as matérias aduzidas pela autuação fiscal, o momento processual adequado é aquele da Impugnação: Fl. 251DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por CAROLIN A WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10540.720358/201089 Acórdão n.º 2403001.913 S2C4T3 Fl. 242 21 Decreto 70235/1972 Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante Decreto 7574/2011 Art.58.Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante (Decreto no 70.235, de 1972, art. 17, com a redação dada pela Lei no 9.532, de 1997, art. 67). Ora, diante do preceituado pelo art. 17, Decreto 70.235/1972, percebese que a matéria de direito argüida pela Recorrente em sede de Recurso Voluntário inova totalmente em relação ao que foi interposto em sede de Impugnação. Portanto, diante do exposto, concluo pela preclusão da discussão de matéria de direito neste momento processual do Recurso Voluntário posto que não foi contestada anteriormente pela Recorrente em sede de Impugnação. CONCLUSÃO Voto pelo CONHECIMENTO do recurso para, no MÉRITO, NEGARLHE PROVIMENTO, em função da preclusão da discussão de matéria de direito neste momento processual do Recurso Voluntário posto que tal matéria anteriormente não foi contestada pela Recorrente em sede de Impugnação. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 252DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por CAROLIN A WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 22 Voto Vencedor Conselheira Carolina Wanderley Landim, Relatora Designada. Conforme já informado no voto do eminente relator, Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, tratase de processo administrativo decorrente do AIDEBCAD de n. 37.296.4940, através do qual são exigidas as contribuições previdenciárias patronais relativas às competências de 01 a 03, 06 a 08, 10, 12 e 13/2006, 08 a 13/2007 e 01 a 12/2008. Conforme consta do Relatório Fiscal às fls. 34 a 39, o fiscal autuante, em virtude das alterações promovidas pela MP 449/2008 na Lei n. 8.212/1991, efetuou o comparativo das multas para que fosse aplicada a penalidade supostamente menos severa ao contribuinte, a teor do art. 206, II do CTN, assim procedendo da seguinte forma: Sistemática atual [(obrigação principal + multa de 75%) + multa de R$ 20,00 por grupo de 10 informações omitidas ou inexatas, com valor mínimo de R$ 500,00 por competência] em comparação com a sistemática passada [(obrigação principal + multa de 24%) + 100% do valor das contribuições que deixaram de ser declaradas, observados os limites mensais]. Inicialmente, entendo que em relação às competências de 01/2006 a 03/2006, 06/2006 a 08/2006, 12/2006 e 13/2006, ressalvado o método de comparação adotado, o fiscal autuante aplicou corretamente as normas vigentes à época desses fatos geradores, deixando de lançar a penalidade pelo recolhimento das contribuições fora do prazo, em virtude da vedação prevista no art. 239, §9º. Vejamos: Art. 239... § 9º As multas impostas calculadas como percentual do crédito por motivo de recolhimento fora do prazo das contribuições e outras importâncias, não se aplicam às pessoas jurídicas de direito público, às massas falidas e às missões diplomáticas estrangeiras no Brasil e aos membros dessas missões. Posteriormente, este dispositivo foi alterado pelo Decreto 6.042 de 12/02/2007, restando excluída tal proibição. Sendo assim, a partir da competência 02/2007, o fiscal autuante, com o intuito de identificar a penalidade aplicável ao presente processo, efetuou a comparação entre as multas previstas na legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores e as previstas após as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei n. 11.941/2009. Para tanto, efetuou quadro comparativo, através da qual somou à multa de mora prevista no art. 35, II, alínea “a” da Lei nº 8.212/91 a multa por falta de declaração dos valores apurados em GFIP prevista no art. 32, §5o da Lei n. 8.212/1991 (CFL 68), comparando o seu resultado com as penalidades previstas na legislação atual – multa de ofício de 75%, Fl. 253DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por CAROLIN A WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10540.720358/201089 Acórdão n.º 2403001.913 S2C4T3 Fl. 243 23 somada à multa por descumprimento de obrigação acessória prevista no atual art. 32A da Lei n. 8.212/1991 (CFL 78). Como resultado desse confronto, a Fiscalização concluiu ser a sistemática antiga mais benéfica nas competências de 10, 11 e 13/2007 e 03 a 11/2008, diante do que lançou a multa de mora de 24% prevista no artigo 35 da Lei n. 8.212/1991, e, quanto às competências de 08, 09 e 12/2007 e 01 e 02/2008, entendeu ser a sistemática nova mais favorável, tendo, por conseguinte, lançado a multa de 75% sobre os créditos tributários apurados nessas competências. A autoridade lançadora considerou, portanto, que a sanção progressiva prevista na redação anterior do art. 35 da Lei nº 8.212/91 tem natureza de multa de ofício, daí porque a comparou com a multa de 75% inserida no regime jurídico das contribuições previdenciárias em dezembro de 2008, pela inclusão do art. 35A na Lei nº 8.212/91, promovida pela MP 449/2008. No entanto, entendo ser equivocado o procedimento eleito pelo Autuante para quantificação das sanções, seja porque cumulou penalidades referentes a infrações distintas: multa de mora por falta de recolhimento da contribuição previdenciária somada à multa por falta de declaração em GFIP, comparando o seu resultado à soma da multa de ofício prevista no atual artigo 35A da Lei n. 8.212/1991 com a multa por omissões ou incorreções em GFIP prevista no atual art. 32A da Lei n. 8.212/1991 (CFL 78); seja porque considerou que a multa de 24% teria natureza de multa de ofício, entendimento com o qual não coaduno. Vejamos. Antes das alterações introduzidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, a multa moratória encontrava previsão no art. 35 da Lei nº 8.212/1991. Vejamos o que dispunha o referido dispositivo, com a redação vigente à época dos fatos geradores: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (...) II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) cinquenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: Fl. 254DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por CAROLIN A WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 24 a) trinta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; b) trinta e cinco por cento, se houve parcelamento; c) quarenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; d) cinquenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; b) setenta por cento, se houve parcelamento; c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. Como se infere da norma acima colacionada, a multa moratória incluída em notificação fiscal de lançamento ou Dívida Ativa era progressiva, aumentando a depender da fase em que se efetivasse o pagamento ou parcelamento do crédito tributário, podendo alcançar o patamar de 100% caso parcelada depois de ajuizada a execução fiscal. Ocorre que, atualmente, se encontra em vigor norma punitiva da mora mais benéfica, já que o art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação veiculada pela Lei nº 11.941/2009, passou a determinar a aplicação do art. 61 da Lei nº 9.430/96 aos débitos previdenciários, segundo o qual a penalidade moratória não pode ultrapassar o percentual de 20%. Ou seja, a multa de mora deve ser limitada a 20%, em observância ao quanto disposto no art. 61 da Lei n. 9.430/1996, e não mais ser elevada em função da fase em que o pagamento se efetivasse, até o patamar de 100%. Isto porque, apesar de a lei tributária de regência ser aquela em vigor à época da ocorrência do fato gerador, adotase a retroatividade benigna quando a lei posterior comine à infração penalidade da mesma natureza e menos gravosa, nos termos do art. 106, II, ‘a’ do CTN (Código Tributário Nacional). Esse é, inclusive, o posicionamento adotado pelo CARF, conforme se verifica do excerto abaixo transcrito: “A multa de mora aplicada teve por base o artigo 35 da Lei 8.212/91, que determinava aplicação de multa que progredia conforme a fase e o decorrer do tempo e que poderia atingir 50% na fase administrativa e 100% na fase de execução fiscal. Ocorre que esse artigo foi alterado pela Lei 11.941/2009, que estabeleceu que os débitos referentes a contribuições não pagas nos prazos previstos em legislação serão acrescidos de multa de mora nos termos do art. 61 da Lei n" 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. Fl. 255DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por CAROLIN A WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10540.720358/201089 Acórdão n.º 2403001.913 S2C4T3 Fl. 244 25 Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa mais benéfica” (Processo nº 35301.007211/200667, Acórdão nº 2403002.067– 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária, segunda seção de julgamento, Sessão de 15 de maio de 2013, Presidente e Relator Carlos Alberto Mees Stringari).. Com o advento da MP 449, convertida na Lei 11.941/2009, não só foi alterada a redação do art. 35 da Lei 8.212/91, que trazia as regras de aplicação das multas de mora progressiva, mas também foi acrescentado à Lei nº 8.212/91 o art. 35A, o qual passou a apenar a falta de recolhimento do tributo com a multa de ofício correspondente a 75% do crédito tributário objeto de lançamento, penalidade essa até então inexistente no ordenamento jurídico. Dessa forma, em relação à multa de ofício, aplicada no montante de 75% nas competências de 08, 09, 12/2007 e 01, 02/2008, estas devem ser canceladas, por não existir na legislação vigente à época do fato gerador multa de ofício em decorrência da falta de pagamento da contribuição previdenciária, mas tãosomente multa de mora. Vale notar que a exclusão da multa de ofício de 75% ora realizada é a única medida que pode ser efetuada por esse órgão julgador, que não tem competência para convertê la em multa de mora, pois isso demandaria um novo lançamento para constituição de crédito tributário relativo à penalidade de natureza distinta, atividade essa privativa da autoridade administrativa, nos termos do art. 142 do CTN. O CARF vem se posicionando no sentido de ser incabível a conversão de multas de naturezas distintas, a uma porque, tratandose de penalidade, não se pode adotar o princípio da fungibilidade; a duas porque, para a cobrança da multa de mora seria necessário novo lançamento, que não pode ser realizado pela autoridade julgadora. Vejamos o trecho da ementa e voto proferido em sede de Recurso Voluntário nº 160.001 nos autos do processo 10380.1007171200338 (Decisão publicada em 04.02.2009): CONVERSÃO DE MULTA DE OFÍCIO EM MULTA DE MORA NOVO LANÇAMENTO A conversão de multa de oficio isolada, exigida por meio de Auto de Infração, em multa de mora, caracteriza um novo lançamento, o que é vedado à instância de julgamento. Recurso parcialmente provido. (...) “Quanto à decisão de primeira instância, importa salientar que esta, a pretexto de mitigar a multa de oficio aplicada por meio de Auto de Infração, na verdade converteua em multa de mora, promovendo assim um novo lançamento, o que é vedado à Autoridade Julgadora. Ademais, em se tratando de penalidades, é inaplicável o principio da fungibilidade, tendo em vista a Fl. 256DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por CAROLIN A WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 26 tipicidade cerrada que cerca essa espécie de exigência tributária.” Dessa forma, a atividade do lançamento é privativa da autoridade administrativa, sendo defeso ao órgão julgador, seja ele administrativo ou judicial, a mudança de classificação ou de enquadramento ao suporte normativo estabelecido pela autoridade competente. O que pode a autoridade julgadora, com respaldo no artigo 106 do CTN, é apenas reduzir a penalidade aplicada, caso lei posterior comine a determinado fato penalidade menos severa. A mudança da natureza da multa aplicada,contudo, não é permitida. Assim, a multa de mora por descumprimento de obrigação principal da nova sistemática deve ser comparada com multa de mora por descumprimento de obrigação principal da sistemática anterior; do que resulta a necessidade de limitar a 20% a penalidade aplicada nos meses 10, 11 e 13/2007, 03 a 11/2008, e excluir a multa de 75% sobre o crédito tributário apurado em 08, 09, 12/2007 e 01 e 02/2008. CONCLUSÃO Em face do exposto, voto pelo cancelamento da multa de ofício de 75% aplicada nas competências 08, 09, 12/2007 e 01 e 02/2008 e pela redução da multa de mora para o percentual de 20% nas competências de 10, 11 e 13/2007, 03 a 11/2008. É como voto. Carolina Wanderley Landim Fl. 257DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por CAROLIN A WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 11610.000721/2002-28
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Sep 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1997
VERDADE MATERIAL. ERRO DE FATO.
Deve ser retificado o lançamento eletrônico uma vez reconhecido o erro de fato comprovado nos autos, mesmo após o procedimento eletrônico, com supedâneo no princípio da verdade material que norteia o processo administrativo fiscal.
Numero da decisão: 2201-002.197
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. O Conselheiro Gustavo Lian Haddad declarou-se impedido.
(Assinado digitalmente)
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente.
(Assinado digitalmente)
MARCIO DE LACERDA MARTINS - Relator.
EDITADO EM: 27/08/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Gustavo Lian Haddad, Eduardo Tadeu Farah, Nathália Mesquita Ceia, Marcio de Lacerda Martins e Odmir Fernandes. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Rodrigo Santos Masset Lacombe.
Matéria: DCTF_IRF - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (IRF)
Nome do relator: MARCIO DE LACERDA MARTINS
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2082; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 127 1 126 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11610.000721/200228 Recurso nº De Ofício Acórdão nº 2201002.197 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 13 de agosto de 2013 Matéria ERRO DE FATO Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado COMPANHIA BRASILEIRA DE BEBIDAS ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 1997 ERRO DE FATO. COMPROVAÇÃO. LANÇAMENTO ELETRÔNICO. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO PRÉVIA. RETIFICAÇÃO DE DCTF. PRAZO. POSSIBILIDADE. Confirmada a decisão de primeira instância que exonera crédito tributário advindo de lançamento eletrônico baseado em divergência entre os dados informados em DCTF. Comprovado o erro de fato cometido ao informar os períodos de apuração, denominado “erro de semana”, acatase a retificação tempestiva da DCTF e, demonstrado que os pagamentos foram realizados dentro do prazo legal, cancelase a exigência resultante desse equívoco. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1997 VERDADE MATERIAL. ERRO DE FATO. Deve ser retificado o lançamento eletrônico uma vez reconhecido o erro de fato comprovado nos autos, mesmo após o procedimento eletrônico, com supedâneo no princípio da verdade material que norteia o processo administrativo fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. O Conselheiro Gustavo Lian Haddad declarouse impedido. (Assinado digitalmente) MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 0. 00 07 21 /2 00 2- 28 Fl. 127DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 27/08 /2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARD OZO Processo nº 11610.000721/200228 Acórdão n.º 2201002.197 S2C2T1 Fl. 128 2 (Assinado digitalmente) MARCIO DE LACERDA MARTINS Relator. EDITADO EM: 27/08/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Gustavo Lian Haddad, Eduardo Tadeu Farah, Nathália Mesquita Ceia, Marcio de Lacerda Martins e Odmir Fernandes. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Rodrigo Santos Masset Lacombe. Relatório Trata o presente processo de lançamento de Imposto sobre a Renda Retido na Fonte — IRRF realizado em decorrência de erros ou inconsistências verificados nas Declarações de Contribuições e Tributos Federais — DCTF do 1º trimestre de 1997 (fls. 16 a 29). Do Lançamento Exigido o pagamento, não encontrado, referente ao período de apuração 1ª semana de janeiro de 1997, código 0588 – IRRF sobre trabalho não assalariado, no valor de R$6.426,76 – Anexo Ia, fl.20. Exigidos juros de mora e multa de ofício de 75% sobre débitos não pagos ou pagos a menor para os períodos de apuração informados em DCTF, fls. 21 a 24: 1. IRRF sobre trabalho assalariado (código 0561) referente ao período de apuração 4ª semana de fevereiro de 1997, vencimento em 26/02/1997 e pagamento somente em 05/03/1997 e 4ª semana de março de 1997, vencimento em 26/03/1997 e pagamento somente em 02/04/1997; 2. IRRF sobre trabalho sem vínculo empregatício (código 0588) referente ao período de apuração 4ª semana de fevereiro de 1997, vencimento em 26/02/1997 e pagamento somente em 05/03/1997 e 4ª semana de março de 1997, vencimento em 26/03/1997 e pagamento somente em 02/04/1997. Os enquadramentos legais do imposto, da multa de oficio vinculada, dos juros de mora devidos constam do Auto de Infração de fl. 19. Da Impugnação A interessada impugnou o lançamento oferecendo as informações e os argumentos a seguir resumidos. Apresentou DARF de fl.66 comprovando o pagamento referente à cobrança especificada no anexo Ia. Quanto aos pagamentos identificados no anexo IIa, fls. 21 a 24, como efetuados em atraso, informa que houve erro de preenchimento na DCTF indicando períodos Fl. 128DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 27/08 /2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARD OZO Processo nº 11610.000721/200228 Acórdão n.º 2201002.197 S2C2T1 Fl. 129 3 de apuração equivocados para o IRRF. Por meio dos formulários de fls. 67 a 70 foi solicitada a retificação dos períodos de apuração, informados na DCTF do 1º trimestre de 1997, do IRRF. O Auto de Infração, ao contrário do que obriga a legislação, não foi lavrado no local da verificação da falta, ou seja, dentro do estabelecimento comercial, como preceitua o art.10 do Decreto 70.235/1972, o que evitaria a autuação e cobrança indevidas. Quanto ao Anexos IIa, a exigência da multa não é possível, uma vez que, com a apresentação da DCTF, na época dos fatos, ocorreu a denúncia espontânea, conforme preceitua o art. 138 do CTN, sendo cabível apenas os juros de mora, caso não tivesse sido alterada a DCTF, como tratado acima. Às fls. 100 a 103, houve a revisão do lançamento com a alocação de pagamento quanto ao débito (principal) de R$6.426,76 (DARF fl. 66) referente ao código de receita 2932 e respectiva multa vinculada. Da decisão de 1ª instância A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (DRJ/SPO I), por meio do Acórdão nº 1619.029, julgou o lançamento improcedente e submeteu a decisão ao CARF, em recurso de ofício. Constatada a ocorrência do denominado “erro de semana” no preenchimento da DCTF que considerou os meses de fevereiro e março de 1997 com quatro semanas ao invés de cinco, como seria o correto. Os débitos de IRRF foram informados com período de apuração 4ª semana de fevereiro e março e os recolhimentos foram efetuados nas datas de vencimento fixadas para a 5ª semana desses meses. É o relatório. Voto Conselheiro Marcio de Lacerda Martins O recurso de ofício preenche os requisitos legais para sua admissibilidade, dele conheço. A recorrente alega a ocorrência de erro no preenchimento da DCTF desde o lançamento, fato esse realizado sem dolo. A questão, segundo informa a autoridade julgadora, acontece com freqüência com os tributos que têm períodos de apuração semanais. Esse erro, denominado sugestivamente de “erro de semana”, ocorre quando o contribuinte equivocase no preenchimento da DCTF ao informar o período de apuração do tributo que, em alguns meses, alcança a quinta semana, como no caso imposto de renda retido na fonte. A correção de períodos de apuração exige a demonstração clara das datas de ocorrência do fato gerador respaldado na escrituração. Além disso é necessário que a retificação ocorra antes de procedimento de ofício e também dentro do prazo de cinco anos, tempo definido pela legislação para garantir estabilidade nas relações Fisco – contribuinte. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 27/08 /2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARD OZO Processo nº 11610.000721/200228 Acórdão n.º 2201002.197 S2C2T1 Fl. 130 4 Tratase de conseqüência natural do princípio da segurança jurídica que também impõe ao Fisco o mesmo prazo (cinco anos) para efetuar o lançamento, sob pena de decadência do direito de fazêlo. É o que se depreende do artigo 149, parágrafo único, ao fixar o lapso temporal de 5 (cinco) anos que também se verifica nos casos em que o sujeito passivo, nos lançamentos por homologação, comete erros na constituição do crédito. Por hipótese, se constituiu crédito tributário considerando base de cálculo além da devida, lhe é assegurado o prazo de cinco anos para retificar o ato de constituição do débito, no caso a DCTF. No caso concreto, a recorrente solicita a alteração dos períodos de apuração, informados na DCTF relativa ao primeiro trimestre de 1997. Formaliza esse pedido, por meio dos formulários de fls. 67 a 70, datados de 19/12/2001 e que, de forma resumida, solicitam o ajuste dos períodos de apuração aos pagamentos realizados. São fatos geradores referentes a pagamentos pelo trabalho sem vínculo empregatício (código 0588) e pelo trabalho assalariado (código 0561), realizados na última semana dos meses de fevereiro e março de 1997. Em termos procedimentais, verificase que os lançamentos realizados de forma eletrônica, aqueles baseados nos dados brutos inseridos em bancos de dados, em que pese a responsabilidade clara do contribuinte ao informálos, não poderiam prescindir de uma intimação prévia que possibilitasse as alterações advindas de erros justificáveis. Tal procedimento aumentaria, substancialmente, a certeza dos lançamentos sem, entretanto, prescindir das sanções próprias (multas) pelas informações ou grupos de informações inexatas. Por outro lado, a recorrente somente solicitou a retificação quando recebeu o Auto de Infração eletrônico apontando a divergência. A Unidade providenciou a revisão de ofício do lançamento eletrônico quanto ao pagamento não localizado nos sistemas de arrecadação, mas comprovado pela exibição do DARF fl. 66 que esclareceu tratarse de recolhimento referente a 5ª semana de dezembro/96. Notase que o DARF apresentado foi preenchido com data de vencimento 08/01/96, erro típico em mudança de ano e que pode justificar a não alocação automática do pagamento. Não considero aplicável a súmula CARF nº 33 pois tratase de procedimento eletrônico sem a intimação prévia ao contribuinte para justificar a divergência e, se for ocaso, aplicar a penalidade própria. Há que prevalecer o princípio da verdade material que, aplicado com a prudência requerida, evita questionamentos judiciais futuros que somente redundam em prejuízo aos cofres públicos. Assim, nego provimento ao recurso de ofício. (Assinado digitalmente) Marcio de Lacerda Martins – Relator Fl. 130DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 27/08 /2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARD OZO Processo nº 11610.000721/200228 Acórdão n.º 2201002.197 S2C2T1 Fl. 131 5 INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº 2201 002.197. Brasília, 27 de agosto de 2013 (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente da 1ª TO / 2ª Câmara / 2ª Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: ______/______/_______ ______________________________ Procurador (a) da Fazenda Nacional Fl. 131DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 27/08 /2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARD OZO
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