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Numero do processo: 10950.721394/2017-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Sep 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2012, 2013
DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS. LUCRO PRESUMIDO.
A pessoa jurídica que houver se submetido ao regime de tributação pelo lucro presumido e apurar o lucro efetivo, com base na escrituração contábil, inferior àquele, poderá distribuir, sem incidência de imposto, o valor correspondente ao lucro presumido, diminuído de todos os impostos e contribuições a que estiver sujeita. No entanto, se houver parcela de lucro excedente a este valor, esta só será isenta para o beneficiário se a empresa demonstrar, através de escrituração contábil feita com observância da lei comercial, que o lucro efetivo é maior do que o presumido.
ESCRITURAÇÃO DO LIVRO DIÁRIO. REGISTRO E AUTENTICAÇÃO.
A escrituração do livro Diário, autenticado em data posterior ao movimento das operações nele lançadas, poderá ser aceita pelos órgãos da Secretaria da Receita Federal do Brasil, desde que o registro e autenticação tenham sido promovidos até a data prevista para a entrega tempestiva da declaração de rendimentos do correspondente exercício financeiro.
REGISTROS CONTÁBEIS. PROVA. SE COMPROVADOS POR DOCUMENTOS HÁBEIS.
A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados, se comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais.
ERRO DE CONTABILIZAÇÃO. CORREÇÃO.
A mera identificação de erro de contabilização, por si só, não afasta a procedência do lançamento se todas as medidas necessárias à sua correção não foram levadas a termo.
Numero da decisão: 2401-005.769
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Matheus Soares Leite - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente). Ausente momentaneamente o conselheiro Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: MATHEUS SOARES LEITE
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LUCRO PRESUMIDO. A pessoa jurídica que houver se submetido ao regime de tributação pelo lucro presumido e apurar o lucro efetivo, com base na escrituração contábil, inferior àquele, poderá distribuir, sem incidência de imposto, o valor correspondente ao lucro presumido, diminuído de todos os impostos e contribuições a que estiver sujeita. No entanto, se houver parcela de lucro excedente a este valor, esta só será isenta para o beneficiário se a empresa demonstrar, através de escrituração contábil feita com observância da lei comercial, que o lucro efetivo é maior do que o presumido. ESCRITURAÇÃO DO LIVRO DIÁRIO. REGISTRO E AUTENTICAÇÃO. A escrituração do livro Diário, autenticado em data posterior ao movimento das operações nele lançadas, poderá ser aceita pelos órgãos da Secretaria da Receita Federal do Brasil, desde que o registro e autenticação tenham sido promovidos até a data prevista para a entrega tempestiva da declaração de rendimentos do correspondente exercício financeiro. REGISTROS CONTÁBEIS. PROVA. SE COMPROVADOS POR DOCUMENTOS HÁBEIS. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados, se comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. ERRO DE CONTABILIZAÇÃO. CORREÇÃO. A mera identificação de erro de contabilização, por si só, não afasta a procedência do lançamento se todas as medidas necessárias à sua correção não foram levadas a termo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 72 13 94 /2 01 7- 12 Fl. 659DF CARF MF Processo nº 10950.721394/201712 Acórdão n.º 2401005.769 S2C4T1 Fl. 660 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Matheus Soares Leite Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente). Ausente momentaneamente o conselheiro Rayd Santana Ferreira. Relatório A bem da celeridade, peço licença para aproveitar o relatório já elaborado em ocasião anterior, pela 3ª Turma da DRJ/SDR e que bem elucida a controvérsia posta, para, ao final, complementálo (fls. 578/583): O interessado impugna lançamento do imposto de renda dos anoscalendário 2012 e 2013, onde foi tributado o recebimento de lucros excedentes ao lucro presumido, resultando em imposto de R$ 1.003.359,51. De acordo com o relatório fiscal, o contribuinte recebera da empresa Agrocana Participações Ltda. lucros de R$ 980.397,00 em 2012 e R$ 3.362.562,62 em 2013. Em 2012, porém, a empresa, que declara pelo lucro presumido, não havia faturado qualquer receita. No início do ano registrara prejuízo acumulado de R$ 5.626.935,14. No final do ano os prejuízos acumulados se elevaram a R$ 10.417.631,86. Estes valores estavam consignados na demonstração de lucros ou prejuízos acumulados do livro Diário como a seguir: Saldo no início do Exercício (5.626.935,14) () Prejuízo do Exercício (851.778,72) () Lucro Distribuído no Exercício (3.938.918,00) () SALDO FINAL DE PREJUÍZOS ACUMULADOS (10.417.631,86) Não havia assim lucros contabilizados que justificassem a distribuição isenta em 2012. Em 2013 a empresa contabilizou um faturamento de R$ 15.010.770,14 em uma única operação, por serviços de Fl. 660DF CARF MF Processo nº 10950.721394/201712 Acórdão n.º 2401005.769 S2C4T1 Fl. 661 3 corretagem prestados à empresa Usina de Açúcar Santa Terezinha Ltda. Para este negócio a Agrocana emitira a sua primeira nota fiscal, nº 01, apesar de existir desde 2006. Os pagamentos não transitaram pela conta da empresa, mas foram pagos diretamente aos sócios, acobertados como contrato de mútuo. A DIPJ da Agrocana não informa o pagamento de lucros aos sócios em 2013. A contabilidade também se mostrou irregular e inábil para comprovar a existência de lucro superior ao lucro presumido em 2012 que pudesse ser distribuído aos sócios com isenção do imposto de renda. O livro Diário somente foi registrado na Junta Comercial em 2016, depois do início da fiscalização e depois de a empresa haver sido intimada em diligência. A distribuição de lucros aos sócios foi escriturada como tendo ocorrido em 18/10/2013, quando na verdade os sócios já haviam recebido os pagamentos da Usina de Açúcar Santa Terezinha Ltda. em 02/01/2013 e 17/06/2013. O resultado também foi irregularmente contabilizado, pois não foram integralmente consideradas as despesas com IRPJ, CSSL, COFINS e PIS, nem tampouco o imposto retido na fonte pela Usina de Açúcar Santa Terezinha Ltda. A retenção na fonte foi registrada como créditos a recuperar, inclusive após o encerramento do exercício, redundando em acréscimo indevido do Lucro Líquido contábil a integrar a conta Lucros ou Prejuízos Acumulados. O patrimônio líquido da empresa foi contabilizado com sinal invertido, como se fosse positivo, quando na verdade era de menos R$ 2.076.489,11. O saldo de prejuízos acumulados no início de 2013, como já mencionado, era de R$ 10.417.631,86. Não assim haveria lucro que pudesse ser distribuído aos sócios em 2013. O lucro presumido em 2013 que poderia ser distribuído aos sócios com isenção do imposto de renda foi calculado como a seguir: Lucro Presumido Disponível para Distribuição Faturamento 15.010.770,14 Lucro Presumido 4.803.446,44 Imposto de Renda 720.516,97 Adicional de IR 474.344,64 CSLL 432.310,18 PIS 97.570,01 COFINS 450.323,10 Lucro Disponível para Distribuição 2.628.381,55 Sócio Participação Lucro Disponível para Fl. 661DF CARF MF Processo nº 10950.721394/201712 Acórdão n.º 2401005.769 S2C4T1 Fl. 662 4 Societária (%) Distribuição (R$) Júlio Barea Neto 24,89 654.204,17 Ermeto Barea 24,89 654.204,17 Ernani José Barea 24,89 654.204,17 Edgar Luiz Barea 9,33 245.228,00 Ana Lourdes Barea 9,33 245.228,00 Bernadete Barea Aita 6,67 175.313,05 TOTAL 100,00 2.628.381,55 Sócio Distribuição de Lucros Efetiva Distribuição de Lucros Permitida pela Legislação Excesso de Lucros Distribuídos a ser Tributado Ernani José Barea 3.362.562,62 654.204,17 2.708.358,45 O impugnante argumenta preliminarmente que os documentos contábeis utilizados pela fiscalização somente lhe foram devolvidos em 20/04/2017, implicando cerceamento do direito de defesa, pois reduziu o tempo de que dispunha para analisálos no prazo de impugnação. Havia sido notificado em 04/04/2017. Apresenta a sua impugnação em 03/05/2017. No mérito argumenta em síntese que declarou os rendimentos como lucros isentos em 2012 pois assim lhe foram informados pela sua empresa no comprovante anual de rendimentos. A responsabilidade, portanto, seria da fonte pagadora. Quanto aos rendimentos de 2013, a fiscalização se baseia no fato de que os pagamentos foram feitos diretamente aos sócios, sem passar pelas contas da empresa, mas os negócios de mútuo que justificaram este procedimento são perfeitamente legais. Um simples cálculo demonstra a existência do lucro disponível para distribuição isenta: faturamento de R$ 15.010.770,14 menos tributos de R$ 2.181.064,90 resulta em um saldo a distribuir de R$ 12.829.705,24. Em 01/06/2017 apresenta nova impugnação, onde acrescenta, em síntese, que houve erro na contabilidade da empresa. Os valores recebidos somente em parte são lucros. A outra parte é devolução de investimento realizado pelos sócios em 2007. Não se trata, portanto, de fato gerador do imposto. A verdade material deve prevalecer sobre a mera forma. Apresenta balanço corrigido. Repete que são perfeitamente legítimos os pagamentos efetuados diretamente aos sócios, sem passar pela conta da empresa em 2013. Os livros Diário não foram tempestivamente registrados por falha do contador, mas garante que foram confeccionados na época certa, porém com os erros já mencionados. A exigência de registro é puramente para fins Fl. 662DF CARF MF Processo nº 10950.721394/201712 Acórdão n.º 2401005.769 S2C4T1 Fl. 663 5 comerciais e para empresas sujeitas ao lucro real, e não para estabelecer o lucro presumido. Em seguida, sobreveio julgamento proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza/CE (DRJ/SDR), por meio do Acórdão nº 1543.883 (fls. 578/583), de 26/12/2017, cujo dispositivo considerou improcedente a Impugnação, com a manutenção do crédito tributário. É ver a ementa do julgado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2012, 2013 ISENÇÃO. LUCRO DISTRIBUÍDO. LUCRO PRESUMIDO. Somente é isento do imposto de renda da pessoa física o lucro distribuído até o limite do lucro presumido, líquido de impostos e contribuições, ou quando comprovada por escrituração mantida em conformidade com as leis comerciais a disponibilidade de lucro superior ao lucro presumido. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Nesse sentido, cumpre repisar que a decisão a quo exarou os seguintes motivos e que delimitam o objeto do debate recursal: 1. Não procedem as arguições de nulidade, pois o lançamento foi correta e exaustivamente fundamentado, e contém todos os elementos necessários ao pleno exercício do direito de defesa, como demonstram os próprios argumentos de mérito desenvolvidos pelo impugnante. Ademais, os documentos contábeis que alega não lhe foram devolvidos em tempo já estavam anexados aos autos, aos quais teve pleno acesso. 2. Os lucros pagos pelas pessoas jurídicas são rendimentos, e por isso fato gerador do imposto de renda. A sua tributação estava regulamentada no art. 35 da Lei 7.713/1988. Com a Lei nº 8.383/1991, art. 75, os lucros ou dividendos recebidos a partir de 01/01/1993 passaram a ser considerados rendimentos isentos. No caso de empresas optantes pela sistemática do lucro presumido, consideramse rendimentos isentos do imposto os lucros distribuídos aos sócios até o limite do lucro apurado de acordo com esta presunção (art. 39, do Decreto n° 3.000/1999). 3. A Instrução Normativa SRF nº 11/1996, em seu artigo 51, admite que sejam considerados isentos também os rendimentos distribuídos acima deste limite, mas restringe tal benefício ao caso em que a “empresa demonstre, através de escrituração contábil feita com observância da lei comercial, que o lucro efetivo é maior que o determinado segundo as normas para apuração da base de cálculo do imposto pela qual houver optado, ou seja, o lucro presumido ou arbitrado”. O objetivo é excluir deste benefício os lucros obtidos através de eventuais receitas omitidas na apuração do lucro presumido ou pagamentos sem causa. Deve assim Fl. 663DF CARF MF Processo nº 10950.721394/201712 Acórdão n.º 2401005.769 S2C4T1 Fl. 664 6 restar demonstrado que o lucro excedente resultou de uma lucratividade real superior à lucratividade presumida, como efeito de uma maior produtividade e eficiência empresarial, e não da omissão de receita ou pagamentos injustificados. 4. É evidente que a escrituração exigida neste caso é aquela que seja hábil a demonstrar o lucro efetivo, ou seja, a mesma à qual estão obrigadas as empresas que se submetem à sistemática de apuração do imposto pelo lucro real. Para tanto é indispensável que a escrituração contábil cumpra os requisitos formais estabelecidos nas normas pertinentes, dentre as quais se insere a Instrução Normativa SRF n° 16, de 1984. 5. O impugnante se detém em demonstrar legítimo o pagamento de lucros diretamente na conta do sócio, sem passar pelas contas da empresa. Mas não está em questão aqui a legitimidade deste procedimento mas sim o seu registro irregular na contabilidade da empresa, com datas incompatíveis com as operações envolvidas. Estas e as demais irregularidades apontadas pela fiscalização o impugnante não as contesta especificamente; pelo contrário, admite agora que teria havido erro na escrita da empresa, o que apenas corrobora como imprestável a contabilidade para comprovar a existência de lucro que poderia ser distribuído com isenção acima do lucro presumido. 6. O impugnante altera a versão dos fatos que havia declarado e confirmado na fiscalização. Agora afirma que os valores recebidos da sua empresa não seriam apenas lucros, mas também devolução do capital investido pelos sócios. Não comprova, porém, este fato, pois apresenta apenas cópia de um novo balanço patrimonial. Evidente que, assim como a anterior, esta nova escrita não tem qualquer poder de prova perante terceiros. Além de desprovida das formalidades extrínsecas que lhe garantissem validade, está desacompanhada de documentação comprobatória quanto à alegada devolução de capital. Para tanto seria imprescindível comprovar a efetividade do negócio alegado. Não foi apresentada, por exemplo, a ata de assembléia que teria decidido tal devolução, muito menos o seu registro tempestivo na Junta Comercial, como seria indispensável. A contabilidade irregular e desacompanhada de documentação comprobatória não transfere o ônus da prova em contrário para a Administração, como resulta dos artigos 923 e 924 do Decreto nº 3.000/1999 (Regulamento do imposto de Renda). 7. As declarações prestadas também não poderiam ser alteradas pelo contribuinte depois de notificado o lançamento. Como dispõe o art. 147, §1º, do Código Tributário Nacional, somente se admite a alteração da declaração com o objetivo de excluir tributo regularmente notificado quando comprovado o erro cometido e antes da notificação do lançamento. 8. Argumenta que os erros detectados pela fiscalização quanto à inexistência de lucros que pudessem ser distribuídos confirmariam os seus argumentos de que se trata em parte da devolução de capital. Tais erros, porém, Fl. 664DF CARF MF Processo nº 10950.721394/201712 Acórdão n.º 2401005.769 S2C4T1 Fl. 665 7 somente foram referidos para demonstrar a invalidade da escrituração apresentada, e não para comprovar que não tenham sido distribuídos os lucros declarados. Não há qualquer contradição. Os lucros efetivamente distribuídos podem resultar de faturamento não contabilizado pela empresa, e por isso não tributado no lucro presumido. O sócio receberia assim como isentos rendimentos não submetidos à tributação na pessoa jurídica. É exatamente para impedir esta possibilidade que a lei exige a escrituração comercial regular, como já acima referido. 9. Argumenta que a responsabilidade seria da fonte pagadora, que o teria informado como isentos os lucros distribuídos. Mas para se beneficiar da isenção na pessoa física, o beneficiário deveria comprovar a contabilização regular de lucros disponíveis superiores ao lucro presumido. Como beneficiário dos rendimentos o autuado é o sujeito passivo e o responsável pela apresentação de provas da pretendida isenção. Ademais, a responsabilidade por infrações à legislação tributária se define objetivamente, abstraindose da intenção do agente ou do responsável, e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, como dispõe o art. 136 do Código Tributário Nacional O contribuinte, por sua vez, inconformado com a decisão prolatada e procurando demonstrar a improcedência do lançamento, interpôs Recurso Voluntário (fls. 589/618), reiterando os argumentos já apresentados, conforme demonstrado abaixo, em síntese: a. A escrituração contábil da AGROCANA contém um simples erro quanto às retiradas de valores relativos à venda das ações do seu ativo não circulante (investimento), que infelizmente foram lançadas como distribuição de lucros quando na verdade e de fato eram simples retorno de investimento dos sócios, por outro lado, este erro de escrituração não materializa uma receita omitida ou dinheiro novo que desse nascimento a fato gerador do Imposto sobre a Renda. Lembramos que um erro material não dá margem à incidência tributária. b. Das saídas do ano de 2010 a 2012, parte das retiradas correspondem a efetiva distribuição de lucros isentos, mas grande parte se refere a retorno de investimento pela venda de ações do seu ativo permanente que ingressaram no seu ativo mediante integralização de capital social em 2007, portanto, não se trata de dinheiro novo, mas mútuo (adiantamento) para futura redução de capital social. c. Assim, considerando a reclassificação contábil das saídas do adiantamento para futura redução de capital social, ao invés da impossível distribuição de lucros durante os anos de 2010 a 2012, concluímos que no ano de 2013 a AGROCANA possuía lucros acumulados e não prejuízos acumulados, dando margem à distribuição isenta de lucros do ano de 2013. d. O fluxo financeiro demonstra claramente que os recursos entregues aos sócios correspondem à venda das ações da USACIGA e não lucro isento decorrente de faturamento omitido como foi presumido. Fl. 665DF CARF MF Processo nº 10950.721394/201712 Acórdão n.º 2401005.769 S2C4T1 Fl. 666 8 e. Desde o início do procedimento fiscal, restou comprovado que os serviços prestados pela AGROCANA foram pagos pela SANTA TEREZINHA mediante compensação com saldo de mútuo (contraído em 02/01/2013), de adiantamento de parte do preço pago por conta e ordem da AGROCANA aos seus sócios (assunção de dívida em 17/06/2013) e saldo através de TED, e, que os lucros dessa atividade foram distribuídos para os sócios dentro dos limites de isenção. f. Ao realizar o julgamento do v. Acórdão, os ilustres julgadores valemse de dois pesos e duas medidas ao descartar os erros apontados na contabilidade, ainda que fundamentados em vasto conteúdo probante, no entanto, utilizamse da contabilidade para manter a autuação indevida. g. Conforme restou demostrado, equivocamse os ilustres julgadores ao alegar que os valores informados pelo Recorrente como devolução de capital, podem ter sido originados de valores não tributados na pessoa jurídica (AGROCANA), entendimento este mantido mesmo diante da juntada aos autos da comprovação de recolhimentos a título de tributos incidentes sobre o ganho de capital que perfazem aproximadamente mais de dois milhões de reais conforme observamos através dos extratos bancários e do contrato de venda das ações. h. Por fim, por todo o exposto ao longo do presente Recurso Voluntário, o Recorrente rogou pela análise das alegações em observância ao princípio da verdade real, vez que, notoriamente por vezes, este deixou de ser observado. i. Diante do exposto, requer seja o presente Recurso Voluntário conhecido e ao final provido, a fim de que sejam acolhidas as razões do Recorrente e assim declarado o cancelamento da exação, consubstanciada no presente Auto de Infração, a qual entendeu que houve a distribuição de lucros não declarados, de modo a afastar a cobrança de IRPF. Em seguida, os autos foram remetidos a este Conselho para apreciação e julgamento do Recurso Voluntário. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Matheus Soares Leite – Relator 1. Juízo de Admissibilidade. O Recurso Voluntário é tempestivo, conforme certidão de fls. 656, e preenche os demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n° 70.235/72. Portanto, dele tomo conhecimento. Fl. 666DF CARF MF Processo nº 10950.721394/201712 Acórdão n.º 2401005.769 S2C4T1 Fl. 667 9 2. Considerações iniciais. O julgador administrativo deve fundamentar suas decisões com a indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos que a motivam (art. 50 da Lei n° 9.784/99), observando, dentre outros, os princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência (art. 2° da Lei n° 9.784/99). O dever de motivação oportuniza a concretização dos princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório (art. 5º, LV, da CR/88), abrindo aos interessados a possibilidade de contestar a legalidade do entendimento adotado, mediante a apresentação de razões possivelmente desconsideradas pela autoridade na prolação do decisum. Para a solução do litígio tributário, deve o julgador delimitar, claramente, a controvérsia posta à sua apreciação, restringindo sua atuação apenas a um território contextualmente demarcado. Os limites são fixados, por um lado, pela pretensão do Fisco e, por outro lado, pela resistência do contribuinte, que culminam com a prolação de uma decisão de primeira instância, objeto de revisão na instância recursal. Dessa forma, se a decisão de 1ª instância apresenta motivos expressos para refutar as alegações trazidas pelo contribuinte, a lida fica adstrita a essa motivação. Para solucionar a lide posta, o julgador se vale do livre convencimento motivado, resguardado pelos artigos 29 e 31 do Decreto n° 70.235/72. Assim, não é obrigado a manifestar sobre todas as alegações das partes, nem a se ater aos fundamentos indicados por elas ou a responder, um a um, a todos os seus argumentos, quando possui motivos suficientes para fundamentar a decisão. Cabe a ele decidir a questão de acordo com o seu livre convencimento, utilizandose dos fatos, das provas, da jurisprudência, dos aspectos pertinentes ao tema e da legislação que entender aplicável ao caso concreto. Caso a recorrente discorde da decisão proferida por este Colegiado, pode, ainda: (a) opor embargos de declaração no caso de “obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma” (art. 65 do RICARF); ou (b) interpor Recurso Especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais, desde que demonstre a existência de decisão de outra Câmara, Turma de Câmara, Turma Especial ou a própria CSRF que dê a à lei tributária interpretação divergente (art. 67 do RICARF). 3. Mérito. Conforme informações contidas no Termo de Verificação Fiscal (fls. 347/370), o contribuinte, relativamente aos anoscalendários 2012 e 2013, teria declarado rendimentos isentos ou nãotributáveis recebidos a título de lucros distribuídos por pessoa jurídica da qual é sócio em valores superiores ao lucro presumido apurado por essa empresa em cada anocalendário, deduzido dos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. O mérito do recurso da recorrente, embora extenso, concentrase basicamente na defesa da existência de lucros para distribuição, não constatado pela fiscalização, em razão de erro de lançamento contábil nas saídas de recursos da AGROCANA para os sócios, inclusive para o contribuinte autuado. Fl. 667DF CARF MF Processo nº 10950.721394/201712 Acórdão n.º 2401005.769 S2C4T1 Fl. 668 10 Dessa forma, sustenta que com correção das saídas de lucros para mútuos (adiantamentos) aos sócios para futura redução de capital social, os balanços dos anos de 2009 a 2012 não apresentariam o prejuízo contábil apontado pela fiscalização, mas lucro. No seu entender, o mero erro de contabilização, apesar de desastroso, não poderia dar ensejo a fato gerador do Imposto Sobre a Renda de Pessoa Física. Sustenta, ainda, que a determinação contida no inciso II, § 2°, do art. 48, da IN 93/97, guarda relação exclusivamente com as formalidades intrínsecas da escrituração contábil e não com as formalidades extrínsecas desta. Pois bem. Antes de adentrar ao mérito da discussão posta, examinando as provas dos autos, necessário fazer uma breve explanação sobre a legislação pertinente à matéria. Nesse desiderato, cumpre pontuar que a isenção dos lucros distribuídos está prevista no art. 10, da Lei no 9.249, de 26 de dezembro de 1995: Art. 10. Os lucros ou dividendos calculados com base nos resultados apurados a partir do mês de janeiro de 1996, pagos ou creditados pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, presumido ou arbitrado, não ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte, nem integrarão a base de cálculo do imposto de renda do beneficiário, pessoa física ou jurídica, domiciliado no País ou no exterior. Parágrafo único. No caso de quotas ou ações distribuídas em decorrência de aumento de capital por incorporação de lucros apurados a partir do mês de janeiro de 1996, ou de reservas constituídas com esses lucros, o custo de aquisição será igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista. Em suma, a empresa enquadrada no regime de Lucro Presumido está autorizada a distribuir lucros excedentes, desde que demonstrados através de escrituração contábil com observância das normas legais, que o lucro efetivo é maior. O art. 48 da IN SRF nº 93/97, vigente à época dos fatos geradores, estabelecia as condições para a distribuição de lucros e dividendos isentos pelas empresas, da seguinte forma: Art. 48. Não estão sujeitos ao imposto de renda os lucros e dividendos pagos ou creditados a sócios, acionistas ou titular de empresa individual. §1º O disposto neste artigo abrange inclusive os lucros e dividendos atribuídos a sócios ou acionistas residentes ou domiciliados no exterior. §2º No caso de pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido ou arbitrado, poderá ser distribuído, sem incidência de imposto: I o valor da base de cálculo do imposto, diminuída de todos os impostos e contribuições a que estiver sujeita a pessoa jurídica; Fl. 668DF CARF MF Processo nº 10950.721394/201712 Acórdão n.º 2401005.769 S2C4T1 Fl. 669 11 II a parcela de lucros ou dividendos excedentes ao valor determinado no item I, desde que a empresa demonstre, através de escrituração contábil feita com observância da lei comercial, que o lucro efetivo é maior que o determinado segundo as normas para apuração da base de cálculo do imposto pela qual houver optado, ou seja, o lucro presumido ou arbitrado. § 3º A parcela dos rendimentos pagos ou creditados a sócio ou acionista ou ao titular da pessoa jurídica submetida ao regime de tributação com base no lucro real, presumido ou arbitrado, a título de lucros ou dividendos distribuídos, ainda que por conta de períodobase não encerrado, que exceder ao valor apurado com base na escrituração, será imputada aos lucros acumulados ou reservas de lucros de exercícios anteriores, ficando sujeita a incidência do imposto de renda calculado segundo o disposto na legislação específica, com acréscimos legais. §4º Inexistindo lucros acumulados ou reservas de lucros em montante suficiente, a parcela excedente será submetida à tributação nos termos do art. 3º, § 4º, da Lei nº 7.713, de 1988, com base na tabela progressiva a que se refere o art. 3º da Lei nº9.250, de 1995. §5º A isenção de que trata o "caput" não abrange os valores pagos a outro título, tais como "pro labore", aluguéis e serviços prestados. §6º A isenção de que trata este artigo somente se aplica em relação aos lucros e dividendos distribuídos por conta de lucros apurados no encerramento de períodobase ocorrido a partir do mês de janeiro de 1996. §7º O disposto no § 3º não abrange a distribuição do lucro presumido ou arbitrado conforme o inciso I do § 2º, após o encerramento do trimestre correspondente. §8º Ressalvado o disposto no inciso I do § 2º, a distribuição de rendimentos a título de lucros ou dividendos que não tenham sido apurados em balanço sujeitase à incidência do imposto de renda na forma prevista no § 4º. No mesmo sentido o Ato Declaratório Normativo Cosit n° 04/96: O COORDENADORGERAL DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO, no uso das atribuições que lhe confere o art. 147, inciso III, do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria do Ministro da Fazenda nº 606, de 03 de setembro de 1992, e tendo em vista o disposto no art. 10 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, e no art. 51 da Instrução Normativa nº 11, de 21 de fevereiro de 1996, DECLARA, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados que: I no caso de pessoa jurídica submetida ao regime de tributação com base no lucro presumido ou arbitrado, poderá ser Fl. 669DF CARF MF Processo nº 10950.721394/201712 Acórdão n.º 2401005.769 S2C4T1 Fl. 670 12 distribuído, a título de lucros, sem incidência do imposto, o valor correspondente à diferença entre o lucro presumido ou arbitrado e os valores corresponndentes ao imposto de renda da pessoa jurídica, inclusive adicional, quando devido, à contribuição social sobre o lucro, à contribuição para a seguridade social COFINS e às contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP. II na hipótese do § 2º do art. 51 da IN nº 11, de 1996, a parcela dos lucros e dividendos que exceder o valor da base de càlculo do imposto da pessoa jurídica, a ser distribuída também sem a incidência do imposto, será determinada deduzindose do lucro líquido do período, após o imposto de renda, o valor determinado na forma do inciso anterior. Na mesma toada, são também as disposições do art. 238 da IN RFB nº 1.700/2017, atualmente vigente. (...) II a parcela de lucros ou dividendos excedentes ao valor determinado no inciso I, desde que a empresa demonstre, com base em escrituração contábil feita com observância da lei comercial, que o lucro efetivo é maior que o determinado segundo as normas para apuração da base de cálculo do imposto pela qual houver optado. Em suma, a empresa tributada com base no lucro presumido poderá distribuir a título de lucros, com isenção do imposto de renda, o valor correspondente à diferença entre o lucro presumido e os tributos a que está sujeita. Caso deseje distribuir valores acima deste limite, deverá demonstrar por meio de escrituração contábil elaborada com observância da legislação comercial que o lucro efetivo é maior que o apurado segundo as regras do lucro presumido. Mesmo que o lucro contábil apurado no exercício não seja suficiente, a pessoa jurídica pode ainda distribuir lucros acima desse valor, com a condição de que possua saldo na conta lucros acumulados ou reserva de lucros. No entanto, para esses últimos casos a empresa deve possuir escrituração regular, baseada em registros permanentes e seguindo as estritas formalidades exigidas em relação aos livros obrigatórios. O art. 258 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, (Regulamento do Imposto de Renda), dispõe sobre essas formalidades, da seguinte forma: Art. 258. Sem prejuízo de exigências especiais da lei, é obrigatório o uso de Livro Diário, encadernado com folhas numeradas seguidamente, em que serão lançados, dia a dia, diretamente ou por reprodução, os atos ou operações da atividade, ou que modifiquem ou possam vir a modificar a situação patrimonial da pessoa jurídica (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 5º). § 1º Admitese a escrituração resumida no Diário, por totais que não excedam ao período de um mês, relativamente a contas Fl. 670DF CARF MF Processo nº 10950.721394/201712 Acórdão n.º 2401005.769 S2C4T1 Fl. 671 13 cujas operações sejam numerosas ou realizadas fora da sede do estabelecimento, desde que utilizados livros auxiliares para registro individuado e conservados os documentos que permitam sua perfeita verificação (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 5º, § 3º). § 2º Para efeito do disposto no parágrafo anterior, no transporte dos totais mensais dos livros auxiliares, para o Diário, deve ser feita referência às páginas em que as operações se encontram lançadas nos livros auxiliares devidamente registrados. § 3º A pessoa jurídica que empregar escrituração mecanizada poderá substituir o Diário e os livros facultativos ou auxiliares por fichas seguidamente numeradas, mecânica ou tipograficamente (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 5º, § 1º). § 4º Os livros ou fichas do Diário, bem como os livros auxiliares referidos no § 1º, deverão conter termos de abertura e de encerramento, e ser submetidos à autenticação no órgão competente do Registro do Comércio, e, quando se tratar de sociedade civil, no Registro Civil de Pessoas Jurídicas ou no Cartório de Registro de Títulos e Documentos (Lei nº 3.470, de 1958, art. 71, e DecretoLei nº 486, de 1969, art. 5º, § 2º). O dispositivo em referência tratase, para efeitos de apuração do imposto sobre a renda das pessoas jurídicas, das formalidades intrínsecas e extrínsecas de escrituração do Livro Diário, inclusive a sua obrigatoriedade de registro no órgão competente. A propósito, cabe destacar que o limite temporal à autenticação do Livro Diário encontrase regulamentado pela Instrução Normativa SRF nº 16, de 10 de março de 1984, que assim determina: Para fins de apuração do lucro real, poderá ser aceita, pelos Órgãos da Secretaria da Receita Federal, a escrituração do livro "Diário" autenticado em data posterior ao movimento das operações nele lançadas, desde que o registro e a autenticação tenham sido promovidos até a data prevista para a entrega tempestiva da declaração de rendimentos do correspondente exercício financeiro. A exigência de autenticação do Livro Diário também consta do Código Civil, conforme abaixo: Art. 1.181. Salvo disposição especial de lei, os livros obrigatórios e, se for o caso, as fichas, antes de postos em uso, devem ser autenticados no Registro Público de Empresas Mercantis. Parágrafo único. A autenticação não se fará sem que esteja inscrito o empresário, ou a sociedade empresária, que poderá fazer autenticar livros não obrigatórios. A escrituração comercial regular deve se basear em registros permanentes de todas as operações relevantes, o que exclui confecções e provas produzidas posteriormente aos fatos que deveriam ser registrados à medida que ocorrem. Os livros contábeis são documentos, por assim dizer, históricos, e a sua historicidade mesma é requisito formal indispensável. Fl. 671DF CARF MF Processo nº 10950.721394/201712 Acórdão n.º 2401005.769 S2C4T1 Fl. 672 14 Nesse sentido, para distribuição de lucros acima do lucro presumido, há a necessidade de existir lucro contábil que possibilite tal distribuição, que se faz conhecido a partir da sua apuração (do lucro), mediante o levantamento de demonstrativos à época própria e com observância das exigências da legislação comercial. Se há distribuição de lucro acima do montante presumido, essa parcela excedente deve ser efetivamente demonstrada e essa demonstração deve se revestir das formalidades pertinentes. As escriturações contábeis, apesar de não obrigatórias para as optantes pelo lucro presumido, são necessárias para que seja permitida a distribuição de valores superiores ao lucro presumido com isenção do imposto de renda. Portanto, verificado qualquer vício, erro ou deficiência que a torne imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira do contribuinte, tal escrituração contábil deve ser considerada inapta a demonstrar a apuração do lucro efetivo. Feitas essas considerações sobre a legislação de regência que trata da situação dos autos, passo a analisar os pontos controversos, a fim de solucionar a lide. Pois bem. De início, destacase que estamos diante de isenção1 relativa a distribuição de lucros excedentes que possui condições para sua fruição, inclusive formalidades intrínsecas e extrínsecas que devem ser observadas. Mais do que a existência das escriturações contábeis, essas devem ser regulares, além de guardarem harmonia com as informações prestadas, sob pena de se desqualificar sua força probante. Não se trata de formalismo vazio, pois a autenticidade dos livros contábeis e a confiabilidade das informações que ali constam, é condição para a fruição da isenção. No caso dos autos, a fiscalização apontou diversos vícios relativos à escrituração comercial da pessoa jurídica que promoveu a distribuição de “lucros” ao contribuinte fiscalizado nos anos de 2012 e 2013, dentre as quais: intempestividade, irregularidades formais e inconsistências materiais. Tais irregularidades convergiram para que a fiscalização efetuasse o lançamento tributário, conforme se observa dos seguintes excertos do Termo de Verificação Fiscal (fls. 347/370): (...) 3.1) Anocalendário 2012, exercício 2013. Verificamos nos Livros Diário e Razão da empresa Agrocana Participações Ltda que não houve o registro de receita/faturamento no ano de 2012 e nem a emissão de nota 1 Sobre a isenção, vale as seguintes observações: “(i) há inúmeros fenômenos que ocasionam a não incidência tributária, estando a imunidade tributária e a isenção, incluídas nesse rol; (ii) nesse sentido, o resultado da isenção, isenção heterônoma, imunidade, definição limitada de critério normativo e criação normativa reduzida é a própria não incidência tributária; (iii) isenção não é dispensa legal de pagamento de tributo devido, pois admitir isso implica em ferir o princípio da não contraditoriedade das normas jurídicas, dado que não é possível admitir certo descompasso de normas no tempo, ou seja, uma norma que tribute e uma outra que logo em seguida realiza a dispensa do pagamento do tributo; (ii) dessa forma, tanto na isenção, quanto na imunidade tributária, ocorre a não incidência; (iii) a diferença da imunidade tributária para a isenção, enquanto técnicas utilizadas pelo legislador, é eminentemente formal, pois a imunidade tributária possui assento em norma constitucional de competência, sendo que a isenção opera no plano da legislação infraconstitucional, voltada à construção da norma tributária. A isenção, portanto, decorre de enunciados que informarão a norma (de conduta) tributária. A imunidade, por sua vez, está contida, integra a norma constitucional de competência”. LEITE, Matheus Soares. Teoria das Imunidades Tributárias. São Paulo. PerSe, 2016. p. 105/106. Fl. 672DF CARF MF Processo nº 10950.721394/201712 Acórdão n.º 2401005.769 S2C4T1 Fl. 673 15 fiscal. Ressaltese que a primeira nota fiscal emitida pela empresa, a nota fiscal n° 01, ocorreu somente em 2013. E, de acordo com a “Demonstração do Resultado do Exercício em 31/12/2012”, houve a apuração de “Prejuízo Líquido Exercício” de R$851.778,72(oitocentos e cinqüenta e um mil, setecentos e setenta e oito reais e setenta e dois centavos)conforme folha 33 do Livro Diário. Se houve prejuízo, não poderia haver a distribuição de lucros, a não ser que houvesse lucros acumulados. De acordo com a “Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados em 31/12/2012”, havia um saldo de prejuízos acumulados no início do exercício de R$5.626.935,14 (cinco milhões, seiscentos e vinte e seis mil, novecentos e trinta e cinco reais e quatorze centavos), conforme folha 34 do Livro Diário de 2012, que confere com o valor registrado no Livro Diário de 2011, na folha 33 do mesmo. Portanto, a distribuição de lucros de forma isenta, no ano calendário de 2012, foi irregular e os rendimentos, no valor de R$980.397,00 (novecentos e oitenta mil e trezentos e noventa e sete reais) devem ser tributados na Declaração de Ajuste Anual de Imposto de Renda Pessoa Física. 3.2) Anocalendário 2013, exercício 2014. De acordo com a análise da DIPJDeclaração de Informações EconômicoFiscais, dos Livros Razão e Diário da empresa Agrocana Participações Ltda, as informações prestadas pela Usina de Açúcar Santa Terezinha Ltda e a DIRPFDeclaração de Ajuste Anual de Imposto de Renda Pessoa Física do contribuinte, contatamos as seguintes irregularidades quanto à distribuição dos lucros referentes ao anocalendário de 2013: 3.2.1) Recursos não transitaram pela empresa Agrocana Participações Ltda e a distribuição dos lucros não foi paga pela mesma, além de terem sido pagos antes da emissão da única nota fiscal e antes de se apurar o lucro. (...) 3.2.1.1) Em 02/01/2013 foram transferidos diretamente às pessoas físicas, sócias da Agrocana Participações LTDA, um total de R$ 6.570.643,87 a título de “Contrato de Mútuo”, os seguintes valores: (...) É evidente que o contrato de mútuo feito entre a Usina de Açúcar Santa Terezinha Ltda e os sócios da empresa Agrocana Participações LTDA estava diretamente vinculado ao pagamento dos serviços constantes da Nota Fiscal nº01, até porque os valores respeitam a proporção da participação societária de cada sócio: Fl. 673DF CARF MF Processo nº 10950.721394/201712 Acórdão n.º 2401005.769 S2C4T1 Fl. 674 16 (...) Tanto é que a Agrocana Participações LTDA assumiu depois o contrato de mútuo. Fica evidente que foi um adiantamento do pagamento da Nota Fiscal nº01 feito diretamente para as pessoas físicas dos sócios da Agrocana Participações LTDA. Ou seja, foi uma distribuição de lucros antecipada, antes da emissão da nota fiscal, que ocorreu em 01/08/2013, e muito antes de se apurar se haveria lucro ou não e ainda, com recursos que não transitaram pela empresa. 3.2.1.2) Posteriormente, em 17/06/2013, foram pagos mais R$ 6.939.049,35, também diretamente para as pessoas físicas, sócias da Agrocana Participações Ltda, nos seguintes valores parciais: (...) (...) Novamente, foi uma distribuição de lucros antecipada, antes da emissão da nota fiscal, que ocorreu em 01/08/2013, e muito antes de se apurar se haveria lucro ou não. (...) 3.2.1.3) O valor restante, R$ 577.914,54 (R$ 14.087.607,78 – R$ 6.570.643,87 – R$ 6.939.049,25), foi transferido diretamente à Agrocana Participações Ltda, em 18/10/2013. (...) Ressaltese que este registro só foi efetuado em 18/10/2013, sendo que os sócios já haviam recebido os recursos em 02/01/2013 e 17/06/2013, conforme demonstrado anteriormente. 3.2.2) A empresa Agrocana Participações LTDA fez apuração errada do resultado do anocalendário 2013. Na apuração do resultado, a empresa Agrocana Participações Ltda não considerou integralmente as despesas com IRPJ, CSLL, COFINS e PIS. (...) Conforme já citado no item 3.2.1, praticamente foi feita uma distribuição do faturamento, muito antes de se fazer uma apuração do resultado, e este artifício de inflar os lucros, após a distribuição dos mesmos, evidencia a finalidade de dar cobertura a valores indevidamente distribuídos aos sócios. 3.2.3) O Livro Diário da AGROCANA PARTICIPAÇÕES LTDA só foi registrado na Junta Comercial em 28/06/2016, após o início do procedimento fiscal do contribuinte pessoa física e após a ciência do procedimento de diligência junto à empresa. (...) Fl. 674DF CARF MF Processo nº 10950.721394/201712 Acórdão n.º 2401005.769 S2C4T1 Fl. 675 17 Constatase também pelas DIPJ’sDeclarações de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica dos anoscalendário 2012 e 2013, exercícios 2013 e 2014, que os valores do Balanço Patrimonial informados à Receita Federal, não são compatíveis com os valores registrados na contabilidade, conforme demonstrado abaixo: (...) Portanto, de acordo com a legislação acima citada, a escrituração se encontrava irregular, por questões formais, na data da efetiva distribuição dos lucros e até o início do procedimento fiscal, não podendo ser utilizada como elemento de prova para que a empresa distribua lucros acima do Lucro Presumido, deduzidos dos impostos e contribuições, o que seria uma exceção à regra. 3.2.4) Não havia lucros acumulados no início de 2013. O Balanço de Encerramento de 2012 registrou Saldo Final de Prejuízos Acumulados de R$10.417.631,86 (dez milhões, quatrocentos e dezessete mil, seiscentos e trinta e um reais e oitenta e seis centavos), conforme folha 35 do Livro Diário. (...) 3.2.5) A empresa AGROCANA PARTICIPAÇÕES LTDA não informou em sua DIPJ que tenha efetuado distribuição de lucros aos sócios, apesar de ter registrado em sua contabilidade. (...) Os fatos acima relatados, relativos à escrituração comercial da pessoa jurídica que promoveu a distribuição de "lucros" ao contribuinte fiscalizado nos anos de 2012 e 2013 (intempestividade, irregularidades formais e inconsistências materiais) convergem no sentido de comprometer a idoneidade probatória dos livros e demonstrativos com que ele pretendeu comprovar a existência, no patrimônio da empresa da qual efetivamente recebera rendimentos em valores superiores ao lucro presumido deduzido dos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal naqueles anos, de lucros contábeis em montantes suficientes para amparar o pagamento de rendimentos excedentes do lucro presumido sem incidência do Imposto de Renda de Pessoa Física. O relato fiscal demonstra, sobretudo: (i) a falta de confiabilidade dos dados em virtude da inadequação das normas contábeis; (ii) inconsistência das demonstrações contábeis; (iii) conjunto de informações contraditórias e equivocadas; (iv) ausência de retificação das declarações apresentadas; (v) a não valorização da contabilidade por parte da empresa, sobretudo tendo em vista que as informações contábeis não refletem a realidade. Ademais, não basta sustentar a existência de indícios de lucros para distribuição, sob o prisma da verdade material, devendo, ainda, comprovar a regularidade das escriturações contábeis. Entendo que a exigência de escrituração contábil regular e harmônica como condição para fins de fruição da isenção, não permite ao julgador que afaste sua obrigatoriedade, invocando o princípio da verdade material. Isso porque, muito embora o livre convencimento motivado, no âmbito do processo administrativo, esteja assegurado pelos arts. Fl. 675DF CARF MF Processo nº 10950.721394/201712 Acórdão n.º 2401005.769 S2C4T1 Fl. 676 18 29 e 31 do Decreto n° 70.235/72, entendo que existem limitações impostas e que devem ser observadas em razão do princípio da legalidade e que norteia o direito tributário. Os fatos e argumentos trazidos pelo contribuinte, para longe de afastar a acusação fiscal, corroboram o acerto do lançamento, pois demonstram que a contabilidade da empresa era defeituosa e irregular, havendo diversas inconsistências materiais e formais. Nesse sentido, a ausência de confiabilidade das informações constantes nos demonstrativos contábeis da empresa faz prova contrária aos interesses do recorrente, lembrando que a análise da prova é livre ao julgador. Para além do exposto, a mera identificação de erro de contabilização pelo recorrente, por si só, não afasta a procedência do lançamento se todas as medidas necessárias à sua correção não foram levadas a termo. Ora, vale novamente destacar que o que está regularmente registrado na contabilidade faz prova contra o contribuinte. Nesse sentido, cumpre pontuar que o contribuinte não demonstrou a retificação dos livros contábeis da AGROCANA, bem como das respectivas declarações fiscais, dos anos calendários de 2012 e 2013. Limitouse a juntar, em sede de impugnação, novo Balanço Patrimonial e Demonstração do Resultado do Exercício Analítica, mas que também não cumprem as formalidades legais, estando, inclusive, ausente a assinatura do técnico contábil e do sócio administrador. A propósito, cumpre transcrever os seguintes trechos da decisão recorrida e que endossam o entendimento aqui exposto: O impugnante se detém em demonstrar legítimo o pagamento de lucros diretamente na conta do sócio, sem passar pelas contas da empresa. Mas não está em questão aqui a legitimidade deste procedimento mas sim o seu registro irregular na contabilidade da empresa, com datas incompatíveis com as operações envolvidas. Estas e as demais irregularidades apontadas pela fiscalização o impugnante não as contesta especificamente; pelo contrário, admite agora que teria havido erro na escrita da empresa, o que apenas corrobora como imprestável a contabilidade para comprovar a existência de lucro que poderia ser distribuído com isenção acima do lucro presumido. O impugnante altera a versão dos fatos que havia declarado e confirmado na fiscalização. Agora afirma que os valores recebidos da sua empresa não seriam apenas lucros, mas também devolução do capital investido pelos sócios. Não comprova, porém, este fato, pois apresenta apenas cópia de um novo balanço patrimonial. Evidente que, assim como a anterior, esta nova escrita não tem qualquer poder de prova perante terceiros. Além de desprovida das formalidades extrínsecas que lhe garantissem validade, está desacompanhada de documentação comprobatória quanto à alegada devolução de capital. Para tanto seria imprescindível comprovar a efetividade do negócio alegado. Não foi apresentada, por exemplo, a ata de assembléia que teria decidido tal devolução, muito menos o seu registro tempestivo na Junta Comercial, como seria indispensável. A contabilidade irregular e desacompanhada de documentação comprobatória não transfere o ônus da prova em Fl. 676DF CARF MF Processo nº 10950.721394/201712 Acórdão n.º 2401005.769 S2C4T1 Fl. 677 19 contrário para a Administração, como resulta dos artigos 923 e 924 do Decreto nº 3.000/1999 (Regulamento do imposto de Renda): (...) Argumenta que os erros detectados pela fiscalização quanto à inexistência de lucros que pudessem ser distribuídos confirmariam os seus argumentos de que se trata em parte da devolução de capital. Tais erros, porém, somente foram referidos para demonstrar a invalidade da escrituração apresentada, e não para comprovar que não tenham sido distribuídos os lucros declarados. Não há qualquer contradição. Os lucros efetivamente distribuídos podem resultar de faturamento não contabilizado pela empresa, e por isso não tributado no lucro presumido. O sócio receberia assim como isentos rendimentos não submetidos à tributação na pessoa jurídica. É exatamente para impedir esta possibilidade que a lei exige a escrituração comercial regular, como já acima referido. Os documentos apresentados pelo contribuinte são insuficientes para afastar a higidez do lançamento, além de não cumprirem as formalidades legais e que são essenciais para atestar sua regularidade, a fim de que possam representar indício de prova favorável ao recorrente. Não cabe ao julgador a tarefa de reajustar os livros contábeis da recorrente, atestando os valores ali informados, sendo ônus de defesa do próprio contribuinte, mormente considerando que há diversos erros de lançamentos contábeis, inclusive confessados em sua peça de defesa. E, ainda, a recorrente juntou em sede de Recurso Voluntário diversos extratos em conta corrente, desacompanhados de um relatório analítico explicativo, ou planilhamento de somas, impedindo sua análise detalhada. Conforme esclarece Fabiana Del Padre Tomé2, “(...) provar algo não significa simplesmente juntar um documento aos autos. É preciso estabelecer relação de implicação entre esse documento e o fato que se pretende provar, fazendoo com o animus de convencimento”. Enfim, se a recorrente não comprova por meio de escrituração contábil, elaborada com observância da legislação comercial, que a existência de lucro efetivo é maior do que o apurado segundo as regras do lucro presumido, não cabe invocar a isenção relativa a distribuição de lucros excedentes, eis que ausente condição exigida para sua fruição, não cabendo suscitar, neste aspecto, o princípio da verdade material para afastar obrigatoriedade trazida pela legislação de regência. Portanto, na ausência de escrituração contábil regular, feita com observância da lei comercial, a distribuição de lucros isenta limitase ao valor da base de cálculo do imposto (lucro arbitrado), diminuída de todos os impostos e contribuições a que estiver sujeita a pessoa jurídica, nos exatos termos definidos no art. 48, § 2º, inciso I, da IN SRF nº 93, de 1997. Dessa forma, sem razão à recorrente, estando hígido o lançamento que ora se combate. 2 TOMÉ, Fabiana Del Padre. A prova no direito tributário: de acordo com o código de processo civil de 2015. 4. Ed. Rev. Atual. São Paulo: Noeses, 2016. p. 405. Fl. 677DF CARF MF Processo nº 10950.721394/201712 Acórdão n.º 2401005.769 S2C4T1 Fl. 678 20 Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário, para, no mérito, NERGARLHE PROVIMENTO, nos termos do relatório e voto. É como voto. (assinado digitalmente) Matheus Soares Leite Relator Fl. 678DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.994157/2012-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Oct 05 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3401-001.483
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para: (a) confirmar se os valores dos débitos constantes da DCTF Retificadora correspondem aos efetivos valores devidos nesta competência, valendo-se, inclusive, dos documentos fiscais trazidos aos autos com o Recurso Voluntário; (b) confrontar as informações contidas na DCTF Retificadora com o pagamento efetuado em DARF; (c) após o confronto, identificar a efetiva existência de créditos pleiteados na PER/DCOMP; e (d) elaborar relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, cientificando a recorrente para que esta, se assim lhe convier, manifeste-se no prazo de 30 dias.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Cássio Schappo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva, André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Relatório
Nome do relator: CASSIO SCHAPPO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para: (a) confirmar se os valores dos débitos constantes da DCTF Retificadora correspondem aos efetivos valores devidos nesta competência, valendose, inclusive, dos documentos fiscais trazidos aos autos com o Recurso Voluntário; (b) confrontar as informações contidas na DCTF Retificadora com o pagamento efetuado em DARF; (c) após o confronto, identificar a efetiva existência de créditos pleiteados na PER/DCOMP; e (d) elaborar relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, cientificando a recorrente para que esta, se assim lhe convier, manifestese no prazo de 30 dias. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva, André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório Tratam os autos de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 4ª Turma da DRJ/FNS, que não reconheceu o direito creditório, considerando improcedente a Manifestação de Inconformidade. Dos Fatos RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 94 15 7/ 20 12 -2 7 Fl. 234DF CARF MF Processo nº 10880.994157/201227 Resolução nº 3401001.483 S3C4T1 Fl. 3 2 A Contribuinte buscou via PER/DCOMP nº 40256.51225.300611.1.7.049576 a compensação de débito de COFINS (cód.2172) do período de apuração 01/2011 no valor de R$ 6.119,50 acrescido de multa e juros, totalizando R$ 7.924,75 com crédito de COFINS (cód.2172) por recolhimento a maior que o devido, através de DARF no valor de R$ 40.589,13 do período de apuração 12/2010, arrecadado na data de 21/01/2011. Foi utilizado na presente PER/DCOMP o valor original de R$ 7.649,37. Do Despacho Decisório A DERAT de São Paulo em apreciação ao pleito da contribuinte proferiu Despacho Decisório com data de emissão 05/12/2012, rastreamento nº 041081715 (efls.7), pela não homologação da compensação declarada, em face de inexistência de crédito. O crédito relacionado ao DARF discriminado na PER/DCOMP foi integralmente utilizado para quitação de débito da COFINS do Período de Apuração 31/12/2010. Da Manifestação de Inconformidade Não satisfeito com a resposta do fisco, o interessado apresentou Manifestação de Inconformidade (efls.12), sob os seguintes argumentos: (a) que seja revisado seu pedido porque ocorreu um erro material no preenchimento da DCTF do mês 12/2010; (b) que por ocasião do levantamento contábil para fechamento do balanço, foi constatado que o débito informado em DCTF estava equivocado e a quantia correta R$ 1.658,02 foi informado em DACON Retificadora, de acordo com os registros contábeis, livros razão e diário, podendo ainda, ser confrontado com os valores declarados em DIPJ; (c) quando constatou que a DCTF não tinha sido corrigida, imediatamente apresentou DCTF Retificadora ajustando o débito lá declarado; (d) a diferença entre o valor recolhido R$ 40.589,13 e o valor devido R$ 1.658,02 resultou em crédito a favor da contribuinte no valor de R$ 38.931,11 usado em três PER/DCOMP: 16235.83663.300611.1.7.040280 o valor de R$ 7.493,68; 20925.17360.300611.1.7.044823 o valor de R$ 23.788,06; restando o saldo de R$ 7.649,37 utilizado na PER/DCOMP do presente processo. Do Julgamento de Primeiro Grau Encaminhado os autos a 4ª Turma da DRJ/FNS, esta julgou improcedente a manifestação de inconformidade, em sessão de 11 de março de 2015, cujos fundamentos encontramse sintetizados na ementa assim elabora: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2011 COMPENSAÇÃO. INDÉBITO ASSOCIADO A ERRO EM VALOR DECLARADO EM DCTF. REQUISITO PARA HOMOLOGAÇÃO. Nos casos em que a existência do indébito incluído em declaração de compensação está associada à alegação de que o valor declarado em DCTF e recolhido é indevido, só se pode homologar tal compensação, independentemente de eventuais outras verificações, nos casos em que o contribuinte, previamente à apresentação da DCOMP, retifica regularmente a DCTF. Do Recurso Voluntário Fl. 235DF CARF MF Processo nº 10880.994157/201227 Resolução nº 3401001.483 S3C4T1 Fl. 4 3 O sujeito passivo ingressou tempestivamente com recurso voluntário (efls.89) contra a decisão de primeiro grau, pedindo sua reforma e homologação da compensação procedida, repisando todos os argumentos da inicial e fazendo destaque a alguns pontos da decisão recorrida: 1) que o próprio órgão julgador reconhece que foi entregue DCTF Retificadora, mas foi levado em consideração apenas a DCTF original; 2) que a tese desenvolvida pela autoridade julgadora contraria entendimento já pacificado no CARF, conforme acórdão nº 3403003.340, de 15/10/2014; 3) que não possibilitar a compensação após a retificação é um desrespeito a IN RFB nº 1.110 de 24/12/2010. A DCTF, embora sendo instrumento de confissão de dívida, não possui caráter absoluto, se houver erro material é permitido sua correção; 4) A IN nº 1.110/2010 dá plena validade à DCTF Retificadora, aduzindo que poderão ser retidas para análise e o contribuinte será intimado a prestar esclarecimentos ou apresentar documentos sobre inconsistências ou irregularidades (art. 9ºA), coisa que o fisco em momento algum, praticou; 5) que o Parecer Normativo Cosit nº 2 de 28/05/2015, deixou consignado que é possível retificar DCTF para homologar pedido de compensação já realizado, inclusive por dedução lógica, ao retificar uma DCTF, deve se referir a pagamento/compensação anterior. Dandose prosseguimento ao feito o presente processo foi objeto de sorteio e distribuição à minha relatoria. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Cássio Schappo O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. O direito a compensação como forma de extinção de crédito tributário tem amparo legal no art. 156, II do CTN e a IN 900/2008 da RFB e estabelece em seu art. 34 que: Art. 34. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela RFB, ressalvadas as contribuições previdenciárias, cujo procedimento está previsto nos arts. 44 a 48, e as contribuições recolhidas para outras entidades ou fundos. A contribuinte demonstrou via DCTF retificadora, suportada por seus registros contábeis, DACON e DIPJ que o débito declarado de COFINS para o mês 12/2010 estava incorreto e tratou de corrigilo, porém, o fez em data posterior a cientificação do Despacho Decisório, sendo essa a razão da não homologação da compensação pleiteada. O valor efetivo do débito de COFINS para o mês 12/2010 era de R$ 1.658,02 e não o valor pago de R$ 40.589,13 o que suporta o crédito pleiteado de R$ 7.649,37. Do voto que instruiu a decisão recorrida, ficou assentado que: Fl. 236DF CARF MF Processo nº 10880.994157/201227 Resolução nº 3401001.483 S3C4T1 Fl. 5 4 Ainda que a contribuinte, posteriormente à entrega da Dcomp, tenha tratado de retificar formalmente a DCTF, esta não tem o efeito de validar retroativamente a compensação instrumentada por Dcomp pois, como se viu, a existência do indébito só se aperfeiçoou bem depois. A razão pela qual não se pode acatar esta retroação de efeitos está associada ao fato de que como a apresentação da Dcomp serve à extinção imediata do débito do sujeito passivo (nos mesmos termos de um pagamento), só pode ela ser efetuada com base em créditos contra a Fazenda Nacional líquidos e certos (como o comanda o artigo 170 do Código Tributário Nacional); ora, créditos relativos a valores confessados e não retificados antes de qualquer procedimento de ofício, não têm existência jurídica válida (em termos tanto de liquidez quanto de certeza), em razão dos efeitos legais atribuídos à DCTF. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (INRFB nº 1.110/2010). Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da declaração de compensação, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) poderá baixar em diligência à Delegacia da Receita Federal (DRF). Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O CARF não é órgão indicado a suprir deficiência instrutória ainda que em sede de compensação, como se observa pelo texto dos artigos 10 e 11 da IN RFB nº 903/2008, bem como das IN que a sucederam: Art. 10. Os valores informados na DCTF serão objeto de procedimento de auditoria interna. ... Art. 11. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. Cabe as autoridades administrativas analisar a materialidade dos débitos e créditos em compensação, eis que do contrário comprometem a regularidade do processo administrativo de restituição e compensação de tributos, cuja implicação é a manifesta nulidade nos termos do art. 59, II do PAF (Decreto nº 70.325/1972). O fato relacionado a apresentação de DCTF retificadora em data posterior a emissão de Despacho Decisório, já tem entendimento assentado na jurisprudência deste Fl. 237DF CARF MF Processo nº 10880.994157/201227 Resolução nº 3401001.483 S3C4T1 Fl. 6 5 Conselho. Citase, como exemplo, o julgado da 3ª Turma da CSRF no acórdão nº 9303 005.396, de 25/07/2017, que analisando caso semelhante manteve decisão proferida no acórdão da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário. De onde se extrai: “que a DCTF retificadora, nas hipóteses admitidas por lei, tem os mesmos efeitos da original, podendo ser admitida para comprovação da certeza e liquidez do crédito, ainda que transmitida após a prolação do despacho decisório”. Por outro lado “O crédito tributário da Contribuinte e seu direito à restituição/compensação não nascem com a apresentação da DCTF retificadora, mas sim com o pagamento indevido ou a maior”. A administração tributária nos dá orientação sobre o tema, através do Parecer Cosit nº 02/2015,de 28 de agosto de 2015, cuja ementa se deu nos seguintes termos: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. (...) A essência dos fatos superam, nesse caso, eventuais erros de conduta formal do contribuinte, devendo prevalecer o princípio da verdade material no processo administrativo, a busca pela aproximação entre a realidade factual e sua representação formal. Fl. 238DF CARF MF Processo nº 10880.994157/201227 Resolução nº 3401001.483 S3C4T1 Fl. 7 6 Ante o exposto, resolvem os membros do Colegiado em converter o julgamento em diligência para a repartição de origem de modo que seja informado e providenciado o seguinte: (a) confirmar se os valores dos débitos constantes da DCTF Retificadora correspondem aos efetivos valores devidos nesta competência, valendose, inclusive, dos documentos fiscais trazidos aos autos com o Recurso Voluntário; (b) confrontar as informações contidas na DCTF Retificadora com o pagamento efetuado em DARF; (c) após o confronto, identificar a efetiva existência de créditos pleiteados na PER/DCOMP; e (d) elaborar relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, cientificando a recorrente para que esta, se assim lhe convier, manifestese no prazo de 30 dias. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Fl. 239DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.926607/2016-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Sep 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/01/2015
CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-004.941
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10680.926605/2016-40, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente)
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/01/2015 CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10680.926605/2016-40, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente)
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COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10680.926605/201640, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 92 66 07 /2 01 6- 39 Fl. 321DF CARF MF Processo nº 10680.926607/201639 Acórdão n.º 3301004.941 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo administrativo de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório do tributo por suposto pagamento a maior ou indevido e aproveitar esse crédito com débitos referentes a impostos e contribuições administrados pela RFB. Por meio de Despacho Decisório Eletrônico, a compensação pleiteada não foi homologada, sob o fundamento de que o pagamento indicado no PER/Dcomp teria sido efetuado pela empresa Asyst Internacional Serviços de Informática Ltda., CNPJ nº 05.805.826/000141, mas não teria sido confirmado evento de sucessão entre o declarante e o detentor do crédito. Cientificado da decisão o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade alegando, em síntese, que a empresa Asyst teria sido incorporada pela Algar Tecnologia, a qual teria sofrido cisão, passando a ser controlada pela Algar TI, de modo que o acervo incorporado da Asyst, teria sido incorporado pela Algar TI. O contribuinte argumentou que na sucessão, a empresa sucessora se torna responsável pelas obrigações tributárias e dos direitos inerentes à sucessão. Citou jurisprudência. Alegou que a finalidade da reorganização societária teria sido segregar as atividades de tecnologia da informação, juntando todo acervo em uma única empresa, a Algar TI. Defendeu que a cessão de crédito está demonstrada no Balanço Patrimonial, pela linha “Impostos a Recuperar”. Concluiu, para requerer que a manifestação de inconformidade fosse conhecida e julgada como procedente, a legitimação da sucessão dos direitos e obrigações da Asyst pela Algar TI, a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, a nulidade do despacho decisório, que fosse deferida a realização de perícia contábil e a produção de todos meios de prova admitidos em Direito. A DRJ em Ribeirão Preto (SP) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão nº 14065.523. Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, em que repetiu os argumentos contidos na manifestação de inconformidade e adicionou preliminar de nulidade da decisão de piso, por cerceamento do direito de defesa. Apesar de postulado, a DRJ não teria apreciado o pedido de produção de prova pericial, optando por decidir pela improcedência da defesa, por ausência de prova da liquidez e certeza do crédito pleiteado. É o relatório. Fl. 322DF CARF MF Processo nº 10680.926607/201639 Acórdão n.º 3301004.941 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.919, de 27 de julho de 2018, proferido no julgamento do processo 10680.926605/201640, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.919): "A DRF em Belo Horizonte (MG) não homologou a compensação de créditos da COFINS do período de apuração de novembro de 2014. O Despacho Decisório (fl. 07) informa que o crédito deriva de pagamentos indevidos, porém não o teria homologado, em razão de o detentor do crédito ser a ASYST INTERNACIONAL SERVICOS DE INFORMATICA LTDA.. Não havia registro de que a recorrente seria sucessora da ASYST, no que tange aos créditos da COFINS em questão. Na manifestação de inconformidade, a recorrente apresentou descrição detalhada da reorganização societária implementada no Grupo Algar, que resultou na transferência dos créditos da ASYST para o seu patrimônio. Carreou aos autos os atos societários correspondentes. Informou que os créditos (R$ 148.639,56) integraram o acervo líquido incorporado. E, por fim, pleiteou que fosse realizada perícia contábil, caso os documentos anexados não fossem considerados como suficientes pela DRJ. Em suma, a DRJ, apesar de reconhecer a legitimidade da sucessão, julgou improcedente o pleito, por falta de elementos que comprovassem a efetiva transferência dos créditos para a recorrente. Apontou que o fato de ter sido incorporado o grupo de contas contábeis "Impostos a Recuperar" (R$ 2.160.819,06) não significava, necessariamente, que os créditos em questão (R$ 148.639,56) naquele saldo havia sido computado. Passemos ao recurso voluntário. Inicia, contestando a conclusão da DRJ, acusandoa de cerceamento do direito de defesa, em razão de não ter convertido o julgamento em diligência, para oportunizar a juntada de documentação suplementar, sem que uma justificativa houvesse sido apresentada, conforme determina o art. 28 do Decreto n° 70.235/72. Afasto estes argumentos. Fl. 323DF CARF MF Processo nº 10680.926607/201639 Acórdão n.º 3301004.941 S3C3T1 Fl. 5 4 Primeiro, porque diligências ou perícias não se destinam à produção de provas em favor das partes. E, segundo, porque tampouco foi instruído, os termos do inciso IV do art. 16 do decreto n° 70.235/72 "IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito." No mérito, novamente apresentou detalhada descrição das operações que resultaram na transferência para o seu patrimônio dos créditos da Asyst. Em síntese, a Algar Tecnologia incorporou a Asyst International (proprietária original dos créditos) e a Rhealeza VR. Simultaneamente, a Algar Tecnologia sofreu cisão parcial, com incorporação do acervo líquido cindido na Algar TI (recorrente). Enfatizou que a parcela do patrimônio cindido correspondeu aos acervos líquidos da Asyst e Rhealeza. Com efeito, os respectivos atos societários anexados às defesas, foram assim sintetizados na decisão de piso (fl. 70): "a) Ata da Assembléia Geral Extraordinária da empresa Algar Tecnologia e Consultoria, CNPJ nº 21.246.699/000144, realizada em 2 de julho de 2015, protocolizada em 31/07/2015 na Junta Comercial do Estado de Minas Gerais, através da qual foram deliberados os termos e as condições da incorporação da Asyst Internacional Serviços de Informática Ltda. e Rhealeza Volta Redonda Informática Ltda. pela Algar Tecnologia e Consultoria S/A.; b) Protocolo de Incorporação das sociedades, no qual são firmadas as condições para a incorporação das empresas, datado de 15 de junho de 2015 e Laudo de Avaliação, datado de 02 de julho de 2015, ambos protocolizados na Junta Comercial do Estado de Minas Gerais em 31/07/2015. No Laudo de Avaliação, consta o Balanço Patrimonial em 31/05/2015. c) Ata da reunião dos sócios quotistas realizada em 02 de julho de 2015, registrada na Junta Comercial em 14/09/2015, pela empresa “Acional Serviços de Informática Ltda.” (sic), CNPJ nº 05.805.826/000141, no qual os sócios quotistas aprovaram a incorporação da empresa pela Algar, dando como extinta a sociedade. d) Protocolo de cisão parcial da sociedade Algar Tecnologia e Consultoria S/A com incorporação da parcela cindida na Algar TI Consultoria S/A, datado de 15 de junho de 2015 e protocolizado na Junta Comercial em 31/07/2015. e) Ata da Assembléia Geral Extraordinária realizada pela Algar Tecnologia e Consultoria, em 3 de julho de 2015 (protocolizada na Junta Comercial em 13/08/2015), através da qual foram aprovados o Protocolo de cisão parcial, o laudo de avaliação e a cisão parcial da sociedade. No laudo de Avaliação, consta o Balanço Patrimonial em 31/05/2015." Fl. 324DF CARF MF Processo nº 10680.926607/201639 Acórdão n.º 3301004.941 S3C3T1 Fl. 6 5 Destacou que o saldo do grupo contábil "Impostos a Recuperar", transferido da Algar Tecnologia, de R$ 2.160.819,06, era composto por R$ 282.419,93, originários da Rhealeza, e R$ 1.878.399,13, da Asyst. E concilia os montantes com os atos societários. Trouxe dispositivos legais, doutrina e julgados, fundamentando o direito de a Algar TI aproveitar créditos tributários resultantes de operações de cisão, seguida de incorporação. E, por fim, mais uma vez, pleiteia a realização de diligência, para a juntada do documentos complementares, caso esta turma não se satisfaça com os já apresentados. Restou incontroversa a possibilidade de os contribuintes utilizarem créditos tributários, resultantes das operações societárias em questão, cujo fundamento se encontra nos artigos 227 e 229 da Lei n° 6.404/76. Contudo, concordo com a DRJ. Não é suficiente para comprovar a liquidez e certeza dos créditos, informar que o montante dos créditos (R$ 148.639,56) se encontrava na rubrica "Impostos a Recuperar" (R$ 2.160.819,06), indicada nos atos societários. Relevo, naturalmente, a ausência de detalhes acerca da incorporação da Ayst pela Algar Tecnologia, pois, da leitura dos atos societários, concluise que houve realmente houve uma incorporação, operação por meio da qual extinguese uma pessoa jurídica (incorporada) por meio da transferência de seu acervo líquido (ativos e passivos) para a incorporadora. Contudo, a operação subsequente foi uma cisão parcial, seguida de incorporação, em cujos atos societários não há destaque dos créditos foram transferidos para a recorrente. A recorrente deveria ter trazido aos autos, ao menos, as seguintes informações complementares, para comprovar que era a titular dos créditos: razão contábil da rubrica em que o crédito foi originalmente registrado na escrita da Asyst, devidamente conciliada com demonstrativo da base de cálculo, DCTF e guia de recolhimento, em que ficaria evidenciada a apuração do crédito e sua contabilização; lançamentos contábeis, com os respectivos razões, evidenciando a transferência, por incorporação, dos créditos da Asyst para Algar Tecnologia; e lançamentos contábeis da cisão parcial da Algar Tecnologia e da incorporação do respectivo acervo líquido na Algar TI, evidenciando que os créditos compuseram o patrimônio cindido e em seguida incorporado. E, pelas razões anteriormente apresentadas, também nego o pedido de diligência ou perícia. Concluo, negando provimento ao recurso voluntário. É como voto." Fl. 325DF CARF MF Processo nº 10680.926607/201639 Acórdão n.º 3301004.941 S3C3T1 Fl. 7 6 Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 326DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10140.720060/2007-86
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Aug 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2004
RECURSO ESPECIAL. ART. 67 DO RICARF. COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE.
Somente deve ser conhecido o Recurso Especial da Divergência quando restar comprovado que, em face de situações equivalentes, a legislação de regência foi aplicada de forma divergente, por diferentes colegiados.
Numero da decisão: 9202-007.192
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2004 RECURSO ESPECIAL. ART. 67 DO RICARF. COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE. Somente deve ser conhecido o Recurso Especial da Divergência quando restar comprovado que, em face de situações equivalentes, a legislação de regência foi aplicada de forma divergente, por diferentes colegiados.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo.
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Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado SANDRA GOMES DA SILVA GOULART PEREIRA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2004 RECURSO ESPECIAL. ART. 67 DO RICARF. COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE. Somente deve ser conhecido o Recurso Especial da Divergência quando restar comprovado que, em face de situações equivalentes, a legislação de regência foi aplicada de forma divergente, por diferentes colegiados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 14 0. 72 00 60 /2 00 7- 86 Fl. 340DF CARF MF 2 Relatório Tratase de notificação de lançamento relativa ao ITR do exercício 2004, decorrente da glosa das áreas de preservação permanente e de reserva legal, por falta de comprovação da isenção de tais áreas, solicitada por meio de intimação (fls. 06 e 07). Também foi arbitrado o VTN, pelo fato de a Contribuinte não ter apresentado Laudo de Avaliação do Imóvel, nos termos da ABNT, comprovando o VTN declarado. Após o trâmite processual, a 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária por unanimidade de votos, rejeitou as preliminares suscitadas pela Contribuinte e, no mérito, pelo voto de qualidade, deu provimento ao recurso para restabelecer a Área de Preservação Permanente conforme declarado no ADA do exercício de 1997 e comprovado por laudo técnico apresentado junto com o recurso voluntário. O acórdão 2201002.266, nos termos do voto do Relator ad hoc, na parte que nos interessa, assim se manifestou: No presente caso, consta nos autos ADA do exercício 1997, datado de 18/09/1998 (fls. 67), que foi acatado como válido pelo órgão julgador de primeira instância (fls. 126 a 135), para fins de atendimento dos requisitos constantes nos dispositivos legais acima reproduzidos. A 1ª Turma da DRJ/Campo Grande não restabeleceu a APP informada naquele documento, por entender que o Laudo Técnico apresentado não especifica a localização da citada área. No ADA mencionado foi informado como APP o total de 1.680,0 ha. A Recorrente juntou ao Recurso Voluntário novo laudo, elaborado por engenheiro agrimensor, com anotação de responsabilidade técnica, para fins de comprovação de comprovação da existência da citada área, discriminando a sua localização (fls. 143 a 152). Assim, considerando que o art. 29 do Decreto nº 70.235, de 1972, estabelece que na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, entendo que o laudo em questão comprova a existência da APP informada no ADA. Embora o § 4º do art. 16 do Decreto n° 70.235, de 1972, estabeleça que a prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que seja comprovada a ocorrência de quaisquer das hipóteses previstas naquele parágrafo, o que não foi feito pela Recorrente, entendo que, neste caso, o princípio da verdade material deve prevalecer sobre o dispositivo legal citado, haja vista que se trata de prova da existência da APP. Por conseguinte apreciei os documentos anexados em sede recursal. Contra a decisão a Fazenda Nacional apresenta recurso especial de divergência visando rediscutir a tese da "preclusão do direito à apresentação de prova documental após a impugnação", cita como paradigma o acórdão nº 39100.028. A divergência foi assim delimitada pelo despacho de admissibilidade: "O cotejo dos trechos acima não deixa dúvidas acerca da demonstração de divergência jurisprudencial: enquanto no acórdão Fl. 341DF CARF MF Processo nº 10140.720060/200786 Acórdão n.º 9202007.192 CSRFT2 Fl. 341 3 paradigma declarouse a preclusão do direito à apresentação de prova documental após a impugnação, no acórdão recorrido a prova apresentada nessas condições foi examinada." Intimada a Contribuinte apresentou contrarrazões pugnando pelo não conhecimento do recurso por ausência de cotejo analítico, impossibilidade da identificação da divergência alega e ainda pela matéria devolvida já estar superada, haja vista ser pacífico o entendimento de predominar no processo administrativo do princípio da verdade material. No mérito requer a manutenção do acórdão recorrido por seus próprios fundamentos. Concomitantemente a Contribuinte apresentou seu próprio recurso especial ao qual foi negado seguimento por ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigmas. É o relatório. Voto Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Do conhecimento: Antes de analisarmos o mérito, necessário tecer comentários acerca do conhecimento do recurso. Conforme consta do relatório o objeto do recurso envolve aspectos relacionados à melhor interpretação a ser dada ao art. 16 do Decreto nº 70.235/75 no que tenge ao momento de apresentação das provas e eventuais efeitos de uma preclusão. Em sede de contrarrazões o Contribuinte suscita o não conhecimento do recurso por três motivos: ausência de cotejo analítico, impossibilidade da identificação da divergência alega e tese superada. Inicialmente destaco que o conceito de 'cotejamento análitico' já é discussão superada neste Colegiado tendo sido firmado entendimento no sentido de que o recurso deve apresentar elementos suficientes que comprovem a alegada divergência, sendo desnecessário a realização de comparativo ponto a ponto entre acórdão recorrido e paradigma. Entretanto, neste ponto, em que pese o esforço da Recorrente, entendo que a demonstração não pode ser realizada e não pode pelo fato de as situações enfrentadas pelos Colegiados serem distintas. O acórdão recorrido ao tratar do tema assim se manifestou: No presente caso, consta nos autos ADA do exercício 1997, datado de 18/09/1998 (fls. 67), que foi acatado como válido pelo órgão julgador de primeira instância (fls. 127 a 136), para fins de atendimento dos requisitos constantes nos dispositivos legais acima reproduzidos. A 1ª Turma da DRJ/Campo Grande não restabeleceu a APP informada naquele documento, por entender Fl. 342DF CARF MF 4 que o Laudo Técnico apresentado não especifica a localização da citada área. No ADA mencionado foi informado como APP o total de 1.680,0 ha. A Recorrente juntou ao Recurso Voluntário novo laudo, elaborado por engenheiro agrimensor, com anotação de responsabilidade técnica, para fins de comprovação de comprovação da existência da citada área, discriminando a sua localização (fls. 144 a 153). Assim, considerando que o art. 29 do Decreto nº 70.235, de 1972, estabelece que na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, entendo que o laudo em questão comprova a existência da APP informada no ADA. Observamos que no caso ora analisado o Contribuinte faz juntar com seu recurso voluntário um novo laudo para comprovar o direito alegado e o faz exclusivamente em razão do fato da decisão da DRJ ter entendido que o laudo originalmente apresentado não tinha validade, pois não demonstrava a localização da área classificada como de Preservação Permanente. Ou seja, o contribuinte aprestou antes da decisão de primeira instância laudo onde foi atestada a existência da área discutida e este somente não foi aceito pela DRJ em razão de não ter sido indicado a respectiva localização da APP. Neste cenário foi apresentada nova prova para contrapor a argumentação suscitada pela própria Delegacia de Julgamento. Já no acórdão paradigma nº 39100.028 o Contribuinte, mesmo intimado, não apresentou prova da entrega do ADA, ao contrário, tal documento só foi confeccionado e apresentado às autoridades julgadoras em data posterior ao julgamento da impugnação. O acórdão paradigma destaca: Em seu recurso, inconformado com a decisão de l8 instância administrativa que julgou procedente o lançamento, o contribuinte requer a anulação do auto de infração por considerar que a falta do Ato Declaratório Ambiental, ou sua protocolização intempestiva, e a averbação da Reserva Legal à margem da matrícula do registro do imóvel após a ocorrência do fato gerador do 1TR não podem servir de base para a glosa das áreas declaradas como sendo de^ Preservação Permanente e de Utilização Limitada. I. Preclusão Prova documental apresentada a destempo ADA Até a decisão de primeira instância administrativa, o contribuinte não havia comprovado a entrega do Ato Declaratório Ambiental (ADA) junto ao Ibama ou a órgão conveniado. Em seu recurso voluntário, o contribuinte trouxe aos autos o ADA n° 10652520020078, enviado ao Ibama por meio eletrônico em 22/11/2006, data essa posterior à da decisão da Delegacia de Julgamento de Brasília/DF ocorrida em 30 de agosto de 2006. Contudo, em razão do contido no § 4o do art. 16 do Decreto n° 70.235/1972 (Processo Administrativo Fiscal PAF), com redação incluída pela Lei n° 9.532/1997, o direito de apresentar nova prova documental na fase recursal encontrase precluso, conforme se verifica a seguir: ... Fl. 343DF CARF MF Processo nº 10140.720060/200786 Acórdão n.º 9202007.192 CSRFT2 Fl. 342 5 Diante das especificidades das situações analisadas pelos Colegiados, entendo pela impossibilidade de se estabelecer a divergência, razão pela qual deixo de conhecer Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Fl. 344DF CARF MF
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Numero do processo: 11516.720084/2011-79
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009
PRELIMINAR. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Não há que se falar em nulidade, quando demonstrado nos autos que o contribuinte compreendeu o motivo das glosas realizadas e exerceu de forma plena o seu direito de defesa.
Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009
DILIGÊNCIA FISCAL. FINALIDADE.
A diligência é ferramenta posta a disposição do julgador para dirimir dúvidas sobre fatos relacionados ao litígio no processo de formação de sua livre convicção motivada. Não visa, portanto, suprir a inércia probatória das partes. Descabe a conversão em diligência, quando já estão presentes nos autos os elementos suficientes para a realização do julgamento na avaliação do Colegiado.
CRÉDITO DE IPI. RESSARCIMENTO. MATÉRIAS-PRIMAS E PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS.
Na sistemática do IPI não cumulativo, os insumos que, mesmo não integrando o produto final, estão aptos a gerar crédito são aqueles que se desgastam de forma imediata e integral durante o processo de industrialização.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3002-000.385
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto da Silva Esteves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Carlos Alberto da Silva Esteves.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DA SILVA ESTEVES
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NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em nulidade, quando demonstrado nos autos que o contribuinte compreendeu o motivo das glosas realizadas e exerceu de forma plena o seu direito de defesa. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009 DILIGÊNCIA FISCAL. FINALIDADE. A diligência é ferramenta posta a disposição do julgador para dirimir dúvidas sobre fatos relacionados ao litígio no processo de formação de sua livre convicção motivada. Não visa, portanto, suprir a inércia probatória das partes. Descabe a conversão em diligência, quando já estão presentes nos autos os elementos suficientes para a realização do julgamento na avaliação do Colegiado. CRÉDITO DE IPI. RESSARCIMENTO. MATÉRIASPRIMAS E PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. Na sistemática do IPI não cumulativo, os insumos que, mesmo não integrando o produto final, estão aptos a gerar crédito são aqueles que se desgastam de forma imediata e integral durante o processo de industrialização. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 00 84 /2 01 1- 79 Fl. 146DF CARF MF Processo nº 11516.720084/201179 Acórdão n.º 3002000.385 S3C0T2 Fl. 147 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Carlos Alberto da Silva Esteves. Relatório Trata o presente processo do Pedido Eletrônico de Ressarcimento nº 21697.47118.300709.1.1.017725 relativo a saldo credor do IPI, apurado no 2º trimestre de 2009, decorrente de créditos de entradas de matériaprima, material intermediário e material de embalagem. A partir da verificação da legitimidade dos créditos, realizada por meio de procedimento fiscal, o qual culminou com a Informação Fiscal de fl. 96/98, foi reconhecido parcialmente o direito creditório pleiteado através do Despacho Decisório da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Florianópolis (fl. 99/100). Após tomar ciência da decisão em 15/07/2011, a ora recorrente apresentou tempestivamente Manifestação de Inconformidade em 16/08/2011 (fl. 110/117), a qual foi julgada improcedente pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto DRJ/RPO, por decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009 CRÉDITOS DO IPI.. PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS Geram direito ao crédito do IPI, além das matériasprimas e material de embalem, os produtos intermediários “strictosensu” que se integram ao produto final, ou se consumam por decorrência de contato físico com o produto industrializado, Fl. 147DF CARF MF Processo nº 11516.720084/201179 Acórdão n.º 3002000.385 S3C0T2 Fl. 148 3 desde que não contabilizados pela contribuinte em seu ativo permanente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Intimada dessa decisão, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fl. 133/142), no qual requereu a reforma do Acórdão recorrido, repisando fatos e argumentos já apresentados, em suma pedindo: a nulidade do Despacho Decisório por cerceamento do direito de defesa, a realização de diligência e o reconhecimento da adequação dos materiais utilizados como produtos intermediários e, portanto, aptos a gerar crédito nos termos da legislação do IPI. É o relatório, em síntese. Voto Conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves Relator O direito creditório envolvido no presente processo encontrase dentro do limite de alçada das Turmas Extraordinárias, conforme disposto no art. 23B do RICARF. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. A questão central posta em análise cingese às glosas efetuadas pela fiscalização por entender que parte dos materiais adquiridos pela recorrente não se enquadravam nas hipóteses geradoras de crédito básico de IPI, conforme o disposto no art. 164 do Decreto 4.544, de 26 de dezembro de 2002 (RIPI/2002), vigente a época dos fatos: Art. 164. Os estabelecimentos industriais, e os que lhes são equiparados, poderão creditarse (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25): I do imposto relativo a MP, PI e ME , adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindo se, entre as matériasprimas e produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente; II do imposto relativo a MP, PI e ME , quando remetidos a terceiros para industrialização sob encomenda, sem transitar pelo estabelecimento adquirente; Fl. 148DF CARF MF Processo nº 11516.720084/201179 Acórdão n.º 3002000.385 S3C0T2 Fl. 149 4 III do imposto relativo a MP, PI e ME , recebidos de terceiros para industrialização de produtos por encomenda, quando estiver destacado ou indicado na nota fiscal; IV do imposto destacado em nota fiscal relativa a produtos industrializados por encomenda, recebidos do estabelecimento que os industrializou, em operação que dê direito ao crédito; V do imposto pago no desembaraço aduaneiro; VI do imposto mencionado na nota fiscal que acompanhar produtos de procedência estrangeira, diretamente da repartição que os liberou, para estabelecimento, mesmo exclusivamente varejista, do próprio importador; VII do imposto relativo a bens de produção recebidos por comerciantes equiparados a industrial; VIII do imposto relativo aos produtos recebidos pelos estabelecimentos equiparados a industrial que, na saída destes, estejam sujeitos ao imposto, nos demais casos não compreendidos nos incisos V a VII; IX do imposto pago sobre produtos adquiridos com imunidade, isenção ou suspensão quando descumprida a condição, em operação que dê direito ao crédito; e X do imposto destacado nas notas fiscais relativas a entregas ou transferências simbólicas do produto, permitidas neste Regulamento. Parágrafo único. Nas remessas de produtos para armazém geral e depósito fechado, o direito ao crédito do imposto, quando admitido, é do estabelecimento depositante. (grifo nosso) Passo a análise dos argumentos trazidos pela recorrente em seu Voluntário: Preliminar 1) Cerceamento do Direito de Defesa O sujeito passivo alega que a autoridade fiscal não demonstrou de forma clara e objetiva a fundamentação e a motivação das glosas efetuadas no seu pedido de ressarcimento, apenas desconsiderando os créditos requeridos. Tal fato, segundo a recorrente, teria cerceado o seu direito de defesa, o que é repudiado pela Constituição pátria, dessa forma, ensejando a nulidade do Despacho Decisório. Em que pese as alegações da recorrente, compulsandose os autos, não se verifica falta de motivação ou de fundamentação legal tanto no Relatório Fiscal, como no Despacho Decisório. A meu sentir, restou claro que as glosas estavam sendo realizadas sobre créditos referentes a itens que não se enquadravam na definição de MP, PI e ME, em Fl. 149DF CARF MF Processo nº 11516.720084/201179 Acórdão n.º 3002000.385 S3C0T2 Fl. 150 5 conformidade com a legislação de regência, assim como foram relacionadas as notas fiscais que estavam aptas a ensejar crédito e, por exclusão, quais não eram acatadas. Por outro lado, a partir da leitura da Manifestação de Inconformidade e do Recurso Voluntário apresentados, contatase que a ora recorrente compreendeu claramente a motivação e a fundamentação do Despacho Decisório, tendo podido, por isso, discorrer longamente sobre os pontos divergentes em relação ao posicionamento adotado pela fiscalização, desta maneira, exercendo de forma plena o seu direito de defesa. Assim, não há que se falar em nulidade, quando o ato administrativo obedeceu a todos os requisitos formais e materiais necessários para a sua validade, em especial no que tange a garantia ao contraditório e à ampla defesa. Isto posto, rejeito a preliminar argüida. Mérito Quanto à possibilidade de creditamento na sistemática de apuração não cumulativa do IPI, o inciso I do art. 164 do Decreto nº 4.544/02 determina que os estabelecimentos industriais poderão se creditar do valor do imposto das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem empregados na industrialização de produtos sujeitos à tributação. Ademais, o dispositivo retrocitado estabelece, ainda, que mesmo as matérias primas e os produtos intermediários que não integrem o produto final estão aptos a gerar crédito, desde que sejam consumidos no processo de industrialização e, simultaneamente, não sejam bens ativáveis. Justamente esta última disposição legal gerou divergentes interpretações. O que levou, ao longo do tempo, a Doutrina e a Jurisprudência a desenvolveram trabalhos exegéticos a fim de determinar quais os requisitos necessários para se caracterizar o "consumo" no processo de industrialização dessas matériasprimas e produtos intermediários. Nessa toada, a Secretaria da Receita Federal do Brasil, através do Parecer Cosit nº 65/79, a seguir parcialmente reproduzido, firmou o entendimento da administração tributária sobre a matéria: "10. Resumese, portanto, o problema na determinação do que se deva entender como produtos “que, embora não se integrando no novo produto, forem consumidos, no processo de industrialização”, para efeito de reconhecimento ou não do direito ao crédito. 10.1. Como o texto fala em “incluindose entre as matérias primas e os produtos intermediários”, é evidente que tais bens hão de guardar semelhança com as matériasprimas e os produtos intermediários stricto sensu, semelhança esta que reside no fato de exercerem na operação de industrialização Fl. 150DF CARF MF Processo nº 11516.720084/201179 Acórdão n.º 3002000.385 S3C0T2 Fl. 151 6 função análoga a destes, ou seja, se consumirem em decorrência de um contato físico, ou melhor dizendo, de uma ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou por este diretamente sofrida. 10.2. A expressão “consumidos”, sobretudo levandose em conta que as restrições “imediata e integralmente”, constantes do dispositivo correspondente do Regulamento anterior, foram omitidas, há de ser entendida em sentido amplo, abrangendo, exemplificativamente, o desgaste, o desbaste, o dano e a perda de propriedades físicas ou químicas, desde que decorrentes de ação direta do insumo sobre o produto em fabricação, ou deste sobre o insumo. ......................................................................................................... 11 Em resumo, geram o direito ao crédito, além dos que se integram ao produto final (matériasprimas e produtos DF CARF MF Fl. 577 12 intermediários, “stricto senso”, material de embalagens), quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação; ou viceversa, proveniente de ação exercida diretamente pelo bem em industrialização, desde que não devam, em face dos princípios contábeis geralmente aceitos, ser incluídos no ativo permanente.” (grifo nosso) Como era de se esperar, a despeito do entendimento firmado pelo fisco, proliferaram inúmeros embates sobre a matéria, tanto na esfera judicial como na administrativa, entre os contribuintes e a administração tributária. Contudo, a partir do julgamento do Recurso Especial nº 1.075.508/SC, julgado na sistemática de recursos repetitivos do 543C do antigo CPC (atuais arts. 1.036 a 1.041), da relatoria do Ministro Luiz Fux, o Superior Tribunal de Justiça estabeleceu os contornos a serem seguidos na determinação das matériasprimas e dos produtos intermediários que fariam jus ao crédito. Extraise do voto do Excelentíssimo MinistroRelator daquele processo: "Destarte, o artigo 164, I, do Decreto 4.544/2002 (assim como o artigo 147, I, do revogado Decreto 2.637/98), determina que os estabelecimentos industriais (e os que lhes são equiparados), entre outras hipóteses, podem creditarse do imposto relativo a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose "aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente" . Fl. 151DF CARF MF Processo nº 11516.720084/201179 Acórdão n.º 3002000.385 S3C0T2 Fl. 152 7 Dessumese da norma insculpida no supracitado preceito legal que o aproveitamento do crédito de IPI dos insumos que não integram o produto pressupõe o consumo, ou seja, o desgaste de forma imediata e integral do produto intermediário durante o processo de industrialização e que o produto não esteja compreendido no ativo permanente da empresa." (grifo nosso) Assim, pautado nessas premissas, passo à análise das glosas em espécie sob litígio no presente caso. Em seu Voluntário, a recorrente, uma indústria de alimentos, informou que os créditos glosados seriam originários de produtos, gaiolas e acessórios de reposição, que sofreriam desgaste ou perda de propriedade em função da ação direta exercida sobre o produto em fabricação ou proveniente de ação exercida diretamente pelo bem em industrialização e, por isso, estariam aptos a gerar crédito. A contribuinte seguiu informando que os insumos, cujos créditos foram glosados, seriam periodicamente trocados em decorrência das exigências contidas na Instrução Normativa nº 210 do Ministério da Agricultura. Ademais, a recorrente asseverou que as gaiolas e acessórios de reposição seriam utilizados para o transporte de aves vivas do aviário até o frigorífico, que seriam utilizadas em regime constante e transportadas sobrepostas em caminhão, que sofreriam contato constante com as aves e, por isso, sujariamse com seus excrementos, que retornariam para reutilização após higienização e que deteriorariamse devido a esta sistemática. A meu sentir, quanto à IN do Ministério da Agricultura colacionada aos autos pela recorrente, verificase a efetiva necessidade do uso dos bens glosados para satisfazer os ditames do órgão regulador, entretanto, tal fato, na sistemática de creditamento do IPI não cumulativo, como assentado pelo STJ no recurso retrocitado, não é suficiente para, por si só, tornálos aptos a gerar crédito, mas indispensável o requisito do seu desgaste de forma imediata e integral durante o processo produtivo. Diante disso, não podem ser considerados como produtos intermediários os materiais glosados, uma vez que não sofrem qualquer tipo de desgaste ou fadiga pelo contato direto com os produtos em fabricação. O que se verifica da narrativa da própria recorrente sobre a sistemática de utilização desses materiais, conforme resumo acima, é um desgaste indireto, ocasionado pelo manuseio, pelo transporte e por outras atividades meramente instrumentais do processo produtivo. Dessa forma, entendo pertinentes e apropriadas as glosas dos créditos indevidos realizadas pela fiscalização. Quanto ao pedido de diligência formulado pela recorrente, cumpre esclarecer que o procedimento fiscal de diligência é ferramenta posta a disposição do julgador para dirimir dúvidas sobre fatos relacionados ao litígio no processo de formação de sua livre convicção motivada. Portanto, não visa suprir a inércia probatória de qualquer uma das partes envolvidas. Assim, descabe a conversão em diligência, quando já estão presentes nos autos os Fl. 152DF CARF MF Processo nº 11516.720084/201179 Acórdão n.º 3002000.385 S3C0T2 Fl. 153 8 elementos suficientes para a realização do julgamento na avaliação do Colegiado, como no presente caso, por isso, indefiro o pedido formulado. Assim sendo, por todo o exposto, voto no sentido de rejeitar a preliminar suscitada e negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Fl. 153DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.940863/2009-18
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRAZO LEGAL PARA A VERIFICAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DOS CRÉDITOS ENVOLVIDOS. DECADÊNCIA CONTRA O FISCO. INOCORRÊNCIA.
O §5º do art. 74 da Lei nº 9.430/1996 confere o prazo de "5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação" para a Receita Federal verificar a certeza e a liquidez do direito creditório utilizado pelo contribuinte para quitar débitos próprios, mediante compensação. O entendimento que pretende aplicar os prazos previstos no art. 150, §4º, ou no art. 173, ambos do CTN, para fins de reconhecer direito creditório e homologar compensação tributária, torna absolutamente inútil a regra estabelecida no §5º do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, fazendo letra morta do referido prazo legal. A verificação da certeza e liquidez do direito creditório reivindicado pela contribuinte, e a negativa da compensação em razão do não reconhecimento desse direito são plenamente possíveis dentro do referido prazo legal.
COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO FORMADO POR ESTIMATIVAS PAGAS DEPOIS DO ENCERRAMENTO DO PERÍODO DE APURAÇÃO ANUAL.
Para que um contribuinte postule restituição ou compensação de tributo, é necessário que seu direito seja líquido e certo, ou seja, que decorra de pagamento comprovadamente realizado em montante indevido ou a maior que o devido. A restituição/compensação de saldo negativo formado por estimativas só é admissível na medida em que essas estimativas estejam quitadas, e também na medida que o montante pago supere o valor do tributo devido, quando elas passam a convalidar o saldo negativo a ser restituído/ compensado. Se a contribuinte realiza pagamento de estimativa depois do encerramento do período de apuração anual (por execução de Per/Dcomp com débito de estimativa que não foi homologado, ou por processo de parcelamento), o procedimento correto é que a contribuinte apresente Per/Dcomp à medida que o saldo negativo vai sendo formado pelos referidos pagamentos de estimativas. Não há como admitir a ideia de a contribuinte primeiro receber a restituição (ainda que na forma de compensação), para depois pagar o tributo que daria ensejo àquela restituição
Numero da decisão: 9101-003.708
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial. No mérito, (i) em relação à preclusão do direito do Fisco em reapurar as bases de cálculo de IRPJ de 2004, por unanimidade de votos, acordam em negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto e Gerson Macedo Guerra; (ii) em relação à glosa de estimativas compensadas em outra PER/DCOMP, pelo voto de qualidade, acordam em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araujo Relator e Presidente em Exercício.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei, Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRAZO LEGAL PARA A VERIFICAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DOS CRÉDITOS ENVOLVIDOS. DECADÊNCIA CONTRA O FISCO. INOCORRÊNCIA. O §5º do art. 74 da Lei nº 9.430/1996 confere o prazo de "5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação" para a Receita Federal verificar a certeza e a liquidez do direito creditório utilizado pelo contribuinte para quitar débitos próprios, mediante compensação. O entendimento que pretende aplicar os prazos previstos no art. 150, §4º, ou no art. 173, ambos do CTN, para fins de reconhecer direito creditório e homologar compensação tributária, torna absolutamente inútil a regra estabelecida no §5º do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, fazendo letra morta do referido prazo legal. A verificação da certeza e liquidez do direito creditório reivindicado pela contribuinte, e a negativa da compensação em razão do não reconhecimento desse direito são plenamente possíveis dentro do referido prazo legal. COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO FORMADO POR ESTIMATIVAS PAGAS DEPOIS DO ENCERRAMENTO DO PERÍODO DE APURAÇÃO ANUAL. Para que um contribuinte postule restituição ou compensação de tributo, é necessário que seu direito seja líquido e certo, ou seja, que decorra de pagamento comprovadamente realizado em montante indevido ou a maior que o devido. A restituição/compensação de saldo negativo formado por estimativas só é admissível na medida em que essas estimativas estejam quitadas, e também na medida que o montante pago supere o valor do tributo devido, quando elas passam a convalidar o saldo negativo a ser restituído/ compensado. Se a contribuinte realiza pagamento de estimativa depois do encerramento do período de apuração anual (por execução de Per/Dcomp com débito de estimativa que não foi homologado, ou por processo de parcelamento), o procedimento correto é que a contribuinte apresente Per/Dcomp à medida que o saldo negativo vai sendo formado pelos referidos pagamentos de estimativas. Não há como admitir a ideia de a contribuinte primeiro receber a restituição (ainda que na forma de compensação), para depois pagar o tributo que daria ensejo àquela restituição
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PRAZO LEGAL PARA A VERIFICAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DOS CRÉDITOS ENVOLVIDOS. DECADÊNCIA CONTRA O FISCO. INOCORRÊNCIA. O §5º do art. 74 da Lei nº 9.430/1996 confere o prazo de "5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação" para a Receita Federal verificar a certeza e a liquidez do direito creditório utilizado pelo contribuinte para quitar débitos próprios, mediante compensação. O entendimento que pretende aplicar os prazos previstos no art. 150, §4º, ou no art. 173, ambos do CTN, para fins de reconhecer direito creditório e homologar compensação tributária, torna absolutamente inútil a regra estabelecida no §5º do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, fazendo letra morta do referido prazo legal. A verificação da certeza e liquidez do direito creditório reivindicado pela contribuinte, e a negativa da compensação em razão do não reconhecimento desse direito são plenamente possíveis dentro do referido prazo legal. COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO FORMADO POR ESTIMATIVAS PAGAS DEPOIS DO ENCERRAMENTO DO PERÍODO DE APURAÇÃO ANUAL. Para que um contribuinte postule restituição ou compensação de tributo, é necessário que seu direito seja líquido e certo, ou seja, que decorra de pagamento comprovadamente realizado em montante indevido ou a maior que o devido. A restituição/compensação de saldo negativo formado por estimativas só é admissível na medida em que essas estimativas estejam quitadas, e também na medida que o montante pago supere o valor do tributo devido, quando elas passam a convalidar o saldo negativo a ser restituído/ compensado. Se a contribuinte realiza pagamento de estimativa depois do encerramento do período de apuração anual (por execução de Per/Dcomp com débito de estimativa que não foi homologado, ou por processo de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 94 08 63 /2 00 9- 18 Fl. 414DF CARF MF Processo nº 10680.940863/200918 Acórdão n.º 9101003.708 CSRFT1 Fl. 3 2 parcelamento), o procedimento correto é que a contribuinte apresente Per/Dcomp à medida que o saldo negativo vai sendo formado pelos referidos pagamentos de estimativas. Não há como admitir a ideia de a contribuinte primeiro receber a restituição (ainda que na forma de compensação), para depois pagar o tributo que daria ensejo àquela restituição Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial. No mérito, (i) em relação à preclusão do direito do Fisco em reapurar as bases de cálculo de IRPJ de 2004, por unanimidade de votos, acordam em negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto e Gerson Macedo Guerra; (ii) em relação à glosa de estimativas compensadas em outra PER/DCOMP, pelo voto de qualidade, acordam em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo – Relator e Presidente em Exercício. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei, Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela contribuinte acima identificada, fundamentado atualmente no art. 67 e seguintes do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), em que se alega divergência de interpretação da legislação tributária quanto às seguintes matérias: I) preclusão do direito do Fisco em reapurar as bases de cálculo de IRPJ de 2004; II) compensação com imposto de renda pago no exterior; III) compensação de Imposto Retido na Fonte; e IV) glosa de estimativas compensadas em outra Per/Dcomp. Apenas as divergências (I) e (IV) foram admitidas no exame de admissibilidade do recurso especial. Houve negativa de seguimento do recurso em relação às Fl. 415DF CARF MF Processo nº 10680.940863/200918 Acórdão n.º 9101003.708 CSRFT1 Fl. 4 3 divergências (II) e (III), conforme o Despacho nº 263/2013, exarado em 17/12/2013 pelo Presidente da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF. E a negativa de seguimento do recurso em relação às divergências (II) e (III) foi confirmada pelo Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em caráter definitivo, conforme o despacho de reexame de admissibilidade também exarado em 17/12/2013. A recorrente insurgese contra o Acórdão nº 1301001.102, de 04/12/2012, por meio do qual a 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF decidiu, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário apresentado pela contribuinte. O acórdão recorrido contém a ementa e a parte dispositiva descritas abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2004 Ementa: NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Constatado que os elementos que impossibilitaram o reconhecimento integral do direito creditório pleiteado encontramse adequadamente descritos no ato combatido, e que o contribuinte, demonstrando ter perfeita compreensão deles, exerceu de forma plena o seu direito de defesa, não há que se falar em nulidade do despacho decisório. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. DISTINÇÃO. Descabe aplicar ao instituto da COMPENSAÇÃO normas disciplinadoras da atividade de LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO, em especial as impeditivas do direito de a autoridade administrativa competente aferir o atendimento de condição expressa pela lei. IMPOSTO PAGO NO EXTERIOR. COMPENSAÇÃO. FUNDAMENTOS PARA VEDAÇÃO. CONTESTAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Não merece prosperar a tese de defesa que, deixando de combater os fundamentos do ato recorrido que serviram de suporte para a não aceitação da dedução do imposto pago no exterior, concentra suas alegações na sustentação do direito à sua pretensão, matéria em relação a qual não houve questionamento na instância a quo. IMPOSTO DE RENDA INCIDENTE NA FONTE SOBRE RECEITAS QUE INTEGRAM A BASE DE CÁLCULO. COMPENSAÇÃO. Nos termos do disposto no artigo 55 da Lei nº 7.450, de 1985, a compensação do imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos, impõe ao contribuinte o dever de apresentar o comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos citados rendimentos. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. COMPENSAÇÃO. Fl. 416DF CARF MF Processo nº 10680.940863/200918 Acórdão n.º 9101003.708 CSRFT1 Fl. 5 4 Para que a autoridade administrativa possa reconhecer o direito creditório do contribuinte e, por via de consequência, considerar as compensações tributárias pleiteadas, é necessário que sejam aportados aos autos documentos que demonstrem a certeza e liquidez do crédito alegado, ex vi do disposto no art. 170 do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso nos termos do voto do Relator. No recurso especial, a contribuinte afirma que o acórdão recorrido deu à legislação tributária interpretação divergente da que foi dada em outros processos, relativamente às matérias acima mencionadas. Quanto às matérias admitidas do recurso, a contribuinte desenvolve os argumentos apresentados a seguir: em 10.12.2009, a empresa foi intimada do despacho decisório eletrônico que não homologou o pedido de compensação formulado pela Recorrente que buscava utilizar se de crédito de saldo negativo de IRPJ no valor original de R$ 402.857,98, decorrente de pagamento a maior de Imposto de Renda antecipado no ano de 2003 (PER/Dcomp 34570.78872.110105.1.3.028879); conforme podese depreender da DIPJ juntada aos autos, o saldo negativo de IRPJ foi constituído por um total de R$ 4.095.156,53, de pagamentos a título de estimativa, para um débito de IRPJ com base no Lucro Real de R$ 3.692.298,55. A diferença entre as estimativas pagas e o IRPJ devido corresponde exatamente ao crédito pleiteado; a fiscalização desconsiderou parcialmente os valores informados pela empresa, conforme o quadro abaixo: [...]; diante disso, o saldo negativo de R$ 402.857,98 informado na PER/Dcomp não foi considerado, o que acarretou na não homologação da compensação pleiteada. Registre se desde já, que para indeferir pedido de compensação transmitido pela Recorrente por meio de despacho recebido em 2009 a Fiscalização refez todo o saldo negativo apurado no ano de 2003; RAZÕES PARA REFORMA DO ACÓRDÃO. ANÁLISE DOS ACÓRDÃOS PARADIGMAS FAVORÁVEIS À RECORRENTE. PREVALÊNCIA DA VERDADE MATERIAL. DA PRECLUSÃO DO DIREITO DO FISCO EM REAPURAR AS BASES DE CÁLCULO DE IRPJ DE 2004 (ANOCALENDÁRIO 2003). é sabido que transcorridos mais de cinco anos do fato gerador da obrigação tributária ou da geração do saldo negativo, sem que a autoridade fiscal tenha contestado a regularidade das apurações declaradas pelo contribuinte, considerase esta homologada, ainda que tacitamente; o crédito pleiteado pela Recorrente tem como origem o saldo negativo de IRPJ gerado em 31.12.2003, que foi devidamente informado em todos os documentos fiscais Fl. 417DF CARF MF Processo nº 10680.940863/200918 Acórdão n.º 9101003.708 CSRFT1 Fl. 6 5 apresentados à época (DCTF, DIPJ, etc.), nos quais foram demonstradas todas as receitas, exclusões e deduções, que levaram à constituição do saldo negativo, bem como sua utilização conforme o caso; tais declarações foram apresentadas justamente para permitir que o Fisco tomasse conhecimento dos resultados fiscais da empresa, de forma a poder avaliar a existência de tributo em aberto e, eventualmente, no caso de recolhimento a menor, deveria o Fisco efetuar a fiscalização do contribuinte, para aferir se as informações apresentadas nas declarações estão ou não corretas; contudo, apesar de ter sido devidamente cientificada dos resultados fiscais da empresa, uma vez que esta honrou tempestivamente com a obrigação tributária que lhe é legalmente imposta apresentando declarações fiscais nas quais contavam toda a situação fiscal do período em questão (2003), a Fiscalização permaneceu inerte, não homologando a atividade exercida pelo contribuinte, deixando transcorrer mais de cinco anos da geração do saldo negativo sem qualquer manifestação a respeito; já é pacífico por este Conselho julgador que "o lançamento do IRPJ, a partir da Lei 8.383/1991, passou a se amoldar na sistemática de lançamento por homologação, seguindo a regra do artigo 150, §4º do CTN" (1º CC, 8ª Câmara. Acórdão 10808753. Processo: 10845.001678/200382. Recurso: 144354. Data da Sessão: 22/03/2006. Relatora Cons. Ivete Malaquias Pessoa Monteiro); no entanto, em que pese todos os argumentos apresentados pelo contribuinte, o acórdão recorrido acaba por permitir que após a apresentação da declaração de compensação, se renove o prazo decadencial, permitindo a reapuração do saldo negativo apurado a mais de cinco anos; com a finalidade de demonstrar de forma analítica a divergência do acórdão recorrido com demais decisões proferidas por este Conselho, transcrevese abaixo trecho do voto quanto a este tópico: [...] nesse contexto, visto ter transcorrido mais de cinco anos entre o ano calendário apurado, 2003, e o recebimento da notificação do despacho decisório, 2009, indubitável a ocorrência de preclusão do direito do Fisco de reapurar a base de cálculo do saldo negativo em discussão; em sentido oposto ao acórdão recorrido, este Conselho já decidiu, com propriedade conforme se depreende da leitura do acórdão n° 140200.601, de 30 de junho de 2011 (doe. 02). Vejamos: DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PROVA DOS VALORES RETIDOS NA FONTE. FISCALIZAÇÃO QUANTO AO OFERECIMENTO DOS RENDIMENTOS À TRIBUTAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL QUE TEM INÍCIO NA DATA DO FATO GERADOR. Apresentado o pedido de compensação, a Fazenda Nacional tem 05 (cinco) anos para homologar, sob pena de homologação tácita. Esta prazo, contudo, não desloca o inicio do prazo decadencial que, nos casos em que há pagamento, aqui compreendido, entre outros, o IRRF e as estimativas mensais, tem como marco inicial a data do fato gerador. No procedimento de compensação, para extinguir débito com crédito oriundo de saldo negativo de IRPJ decorrente de retenções de Fl. 418DF CARF MF Processo nº 10680.940863/200918 Acórdão n.º 9101003.708 CSRFT1 Fl. 7 6 Imposto de Renda Retido na Fonte ou recolhimento de estimativas em valor superior ao imposto apurado, a autoridade fiscal tem a prerrogativa de verificar, a qualquer tempo, a efetividade das retenções ou do recolhimento das estimativas que contribuem na formação do saldo negativo do IRPJ. Confirmada a existência do IRRF ou do recolhimento das estimativas, decorridos mais de cinco anos do fato gerador, não pode a autoridade fiscal glosar estes valores sob o fundamento de que os rendimentos que geraram o IRRF não foram oferecidos à tributação. Tal procedimento implicaria, por meios transversos, contornar o transcurso do prazo decadencial para rever a apuração do lucro real do contribuinte. (CARF 1ª. Seção / 2ª. Turma da 4ª. Câmara / ACÓRDÃO 140200.601 em 30/06/2011) assim é que, transcorridos mais de cinco anos do fato gerador da obrigação tributária, ou da geração do saldo negativo, tal como se verifica no caso vertente, sem que a autoridade fiscal tenha contestado a regularidade das apurações declaradas pela Recorrente, considerase homologada ainda que tacitamente; portanto, a Fiscalização somente poderia questionar os resultados apresentados nas declarações fiscais do contribuinte dentro do prazo de que dispõe para a constituição do crédito tributário. Afinal, se já não é mais permitido lançar tributo supostamente devido, tampouco poderá ser revista a declaração fiscal do contribuinte (que só existe para permitir a análise de eventual tributo em aberto); a contagem do prazo pelo envio da DCOMP não é adequada, seja porque não há sentido na renovação de um prazo de natureza decadencial, seja porque no confronto da lei ordinária com a lei complementar, por força do art. 146 da Constituição Federal, prevalece esta última; logo, como a Requerente foi notificada do presente despacho decisório em 22/12/2009, considerando que o fato gerador do IRPJ anual ocorre em 31/12 de cada ano, está decaído o direito do Fisco em reapurar o saldo negativo de 2003, cujos valores declarados devem ser mantidos; isto posto, dúvidas não restam quanto à ocorrência da preclusão do direito do Fisco em reapurar o saldo negativo em questão, devendo ser mantido os valores que o compõe em sua integralidade; ESTIMATIVAS COMPENSADAS COM SALDO NEGATIVO DE PERÍODOS ANTERIORES. GLOSA DE UM VALOR COMPENSANDO EM OUTRA PER/DCOMP. VALOR TOTALMENTE QUITADO. CONSISTÊNCIA DO CRÉDITO EM QUESTÃO. sobre esta questão, cumprenos tecer breves considerações diante da clareza dos fatos; inicialmente, transcrevese trechos do voto do acórdão recorrido, que entendeu por não reconhecer na formação do saldo negativo os valores referentes à estimativas compensadas, não homologadas, mas já quitadas por meio do parcelamento instituído pela Lei n.° 11.941/09: [...]; contudo, o despacho decisório desprezou alguns pontos fundamentais: Fl. 419DF CARF MF Processo nº 10680.940863/200918 Acórdão n.º 9101003.708 CSRFT1 Fl. 8 7 a) a própria Receita Federal não exige que a PER/DComp tenha sido homologada, bastando que as compensações tenham sido solicitadas para que sejam informadas na DCTF; b) isso ocorre porque, nos termos do art. 74 da Lei n° 9.430/96, a compensação se equipara ao pagamento, sob condição de ulterior homologação, ou seja, o Fisco dispõe do prazo de cinco anos, contado da entrega da declaração, para manifestarse sobre a compensação; c) admitir que só as compensações homologadas podem compor o crédito é o mesmo que negar ao contribuinte o direito de compensar imediatamente o saldo negativo composto por elas. a questão aqui colocada resumese em saber se as estimativas objeto de compensações, ainda que não apreciadas definitivamente ou não homologadas, são aptas a compor o saldo negativo do contribuinte. A resposta deve ser positiva, sob pena de intolerável bis in idem; a Solução de Consulta Interna n° 18, transcrita em manifestações anteriores, é clara em seus termos: "Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em DComp, e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na DIPJ". não restam dúvidas que foi consolidado no seio da administração tributária o entendimento pela impossibilidade de glosa do crédito de saldo negativo de IRPJ das antecipações mediante estimativas de IRPJ extintas por compensação e não homologadas pela RFB. Por óbvio as citadas estimativas compensadas e não homologadas serão cobradas com base nas DCOMP's e a glosa do crédito significará exigência por duas vezes do mesmo débito: a uma, no momento da redução do saldo negativo, que ensejará a não homologação das compensações que formaram o crédito, como observado nos presentes autos; e a duas, com a exigência dos débitos não compensados com o crédito formado pelos recolhimentos de estimativas não reconhecidos. É precisamente, para evitar dupla cobrança, que a Solução de Consulta determina o reconhecimento do saldo negativo, ao pressuposto de que as estimativas não extintas serão cobradas, recompondose, assim, o crédito. Nesse sentido, a solução de consulta interna, cogente em seus termos, restou não aplicada pela DRJ; mas de qualquer forma é imperioso o reconhecimento do crédito indicado no PER/DCOMP objeto do presente PTA, pois, ainda que não se considere o argumento acima exposto, no presente caso o óbice externado pela DRF com a não homologação das estimativas compensadas já restou ultrapassado. Isto porque a Recorrente optou por realizar o recolhimento das estimativas compensadas e não homologadas no bojo da anistia instituída pela Lei n.° 11.941/09, a qual já se encontra integralmente quitada; quitadas as estimativas, por óbvio deveria se reconhecer a recomposição integral do direito creditório, medida que espera ser aplicada por este órgão julgador; Fl. 420DF CARF MF Processo nº 10680.940863/200918 Acórdão n.º 9101003.708 CSRFT1 Fl. 9 8 nesse mesmo sentido, tem entendido este Conselho, conforme trechos do voto do acórdão n.° 110200.375, publicado em 21.09.2012 e utilizado como paradigma (doc. 07): "Assim, uma vez quitadas as estimativas em decorrência de procedimentos compensatórios, inafastável o cômputo para fins de apuração do saldo negativo do IRPJ, sem prejuízo de cobrança com acréscimos legais do crédito pleiteado no PER/DCOMP, na hipótese de ausência de homologação. Impedir o cômputo do saldo negativo, quando já assegurado o direito de cobrança na hipótese de ausência de homologação, significaria impor exigência em duplicidade, hipótese inadmissível diante das regras que regem o ordenamento tributário pátrio. Por outro lado, a Recorrente reconhece que não homologadas as estimativas e informa que houve a quitação dos débitos, o que apenas reforça a necessidade de observância das parcelas para composição do saldo negativo." (CARF, Acórdão n. 110200.375 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, Publicado em 21.09.2012) aqui uma questão se coloca. Como se pode verificar nos autos, em sessão realizada no dia 18.10.2011 os autos foram baixados em diligência uma vez que os conselheiros entenderam que a apreciação da glosa das estimativas compensadas com saldos negativos de períodos anteriores deveria aguardar o resultado definitivo do processo administrativo n° 10680.904.418/200633, tendo em vista que nele estão sendo analisadas tais compensações. O resultado de diligência informou a inclusão no parcelamento. Se tal fato não influencia na redução do crédito, qual o motivo da baixa em diligência? ante o exposto, verificase que a Recorrente já assumiu o débito, satisfazendo integralmente o pagamento relativo a inconsistência ocorrida na declaração de compensação apresentada, encontrandose, inclusive, o processo administrativo que consubstanciou a sua cobrança baixado e arquivado (doc. 08 COMPROT), devendo este fazer parte do saldo negativo compensado; diante disso, resta claro que a PER/Dcomp em questão deve ser considerada em sua totalidade, uma vez que o débito nela apontado representa confissão de dívida, tendo sido esta totalmente quitada, não impactando de forma alguma no saldo negativo. Como já mencionado, quando do exame de admissibilidade do recurso especial da contribuinte, o Presidente da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF deu seguimento parcial ao recurso, reconhecendo a existência de divergência apenas em relação às divergências (I) e (IV) identificadas no início deste relatório, nos seguintes termos: [...] A recorrente alega, em relação ao primeiro ponto do recurso, que o acórdão trazido como paradigma diverge do acórdão recorrido na medida em que entende que transcorrido o prazo de cinco anos do fato gerador, não pode o Fisco promover a recomposição do saldo de imposto devido apurado para fins de determinar o saldo de imposto a restituir. Indica como paradigma da divergência o Acórdão nº 140200.601, de 30/06/2011, proferido pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF. Fl. 421DF CARF MF Processo nº 10680.940863/200918 Acórdão n.º 9101003.708 CSRFT1 Fl. 10 9 Embora não tenha demonstrado o prequestionamento da matéria, verificase pela própria ementa do acórdão recorrido que a mesma foi suscitada. Para melhor apreciação da divergência, transcrevo a ementa dos acórdãos paradigma e recorrido sobre a matéria: [...] Examinando os acórdãos em sua íntegra verificase que os mesmos trazem entendimentos divergentes quanto à matéria. O acórdão paradigma traz entendimento de que, decorridos cinco anos da ocorrência do fato gerador a autoridade administrativa não pode mais revisar a base de cálculo do imposto de renda apurado para fins de verificação do saldo negativo de IRPJ. O acórdão recorrido, por seu turno, entende que as compensações são regidas por normas de compensação próprias, de sorte que a elas não se aplicam as normas relativas ao prazo decadencial para a constituição do crédito tributário. Desta feita, restando caracterizada a divergência jurisprudencial, entendo que o recurso deve seguir quanto a esse ponto. [...] Por fim, quanto ao último ponto do recurso, a recorrente alega que o acórdão recorrido diverge do Acórdão nº 1102000.375, de 27/01/2011, proferido pela 2ª. turma Ordinária da 1ª. Câmara da 1ª Seção do CARF, quanto à exigência de homologação da compensação de estimativas para fins de seu reconhecimento no cômputo do saldo negativo de IRPJ a compensar. A matéria sob exame consta da própria ementa do acórdão, pelo que resta caracterizado o seu prequestionamento. O Acórdão paradigma, tem a seguinte ementa sobre a matéria: [...]; A recorrente transcreve trecho do acórdão paradigma com vistas à demonstração da divergência: [...]; Por outro lado, o acórdão recorrido assim tratou da matéria na sua ementa: [...]; A recorrente cita ainda trecho do acórdão recorrido que examinou a questão, com vistas a demonstrar a divergência: [...]; Cotejando os acórdãos mencionados verificase que os mesmos divergem quanto à possibilidade de compensação no saldo anual do imposto das estimativas que foram objeto de pedido de compensação. O acórdão paradigma traz entendimento de que as estimativas objeto de pedidos de compensação podem compor o saldo de ajuste anual, independentemente de terem sido homologadas, pois a exigência dos valores compensados estaria garantida pela própria Per/Dcomp em caso de não homologação. Fl. 422DF CARF MF Processo nº 10680.940863/200918 Acórdão n.º 9101003.708 CSRFT1 Fl. 11 10 O acórdão recorrido, por sua vez entende que as estimativas não podem compor o saldo negativo, por não terem sido homologadas, ainda que a recorrente tenha aderido a parcelamento, uma vez que a extinção dos créditos foi iniciada e ainda não concluída. Desta feita a divergência resta caracterizada, pois enquanto o acórdão paradigma entende pelo aproveitamento das estimativas compensadas na apuração do saldo negativo anual, independente de sua homologação, pelo fato de poderem ser exigidas/cobradas por meio da execução da própria Per/Dcomp, o acórdão recorrido não aceita a inclusão das mesmas no saldo negativo pelo fato de o parcelamento ainda não ter sido integralmente extinto, ainda que as referidas estimativas possam vir a ser exigidas/ cobradas mediante a execução do parcelamento. Assim, restando caracterizada a divergência, o recurso deve prosseguir quanto ao seu último aspecto. Em 24/06/2014, o processo foi encaminhado à PGFN, para ciência do despacho que admitiu o recurso especial da contribuinte, e em 27/06/2014 o referido órgão apresentou tempestivamente suas contrarrazões, com os seguintes argumentos: DA IMPROCEDÊNCIA DAS ALEGAÇÕES DO RECORRENTE. DA PRECLUSÃO DO DIREITO DO FISCO EM REAPURAR AS BASES DE CÁLCULO DE IRPJ DE 2004. a existência de valor a restituir ou a compensar é aferida a partir do contraste entre o valor recolhido e o valor de fato devido em face da legislação tributária. É esse o comando do artigo 165, caput e incisos I e II do CTN: [...]; o direito creditório assim apurado poderá ser utilizado em compensação, nos termos do artigo 170 do CTN e do artigo 74 da Lei nº 9.430/96; a verificação do direito creditório, por meio de comparação entre o valor pago e o devido, é da essência da análise de pedidos de restituição ou declarações de compensação. Para que se determine o valor devido, o Fisco pode analisar todos os aspectos pertinentes à obrigação tributária, inclusive a base de cálculo e a alíquota, sem restrições, já que o CTN, em seus artigos 165 e 170, não impõe qualquer limite a essa análise; a compensação e a restituição submetemse a regramento próprio, dado pelo artigo 74 da Lei nº 9.430/96, que tem como fundamento os artigos 165 e 170 do CTN, não se aplicando, portanto, o artigo 9º do Decreto nº 70.235/72; com efeito, a apuração do saldo a restituir não faz parte do rol dos atos do Fisco cuja implementação exige lançamento, mencionados no art. 9° do Decreto n° 70.235, de 1972: Art. 9º A exigência do crédito tributário, a retificação de prejuízo fiscal e a aplicação de penalidade isolada serão formalizadas em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada imposto, contribuição ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis a Fl. 423DF CARF MF Processo nº 10680.940863/200918 Acórdão n.º 9101003.708 CSRFT1 Fl. 12 11 comprovação do ilícito. (Redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748/93) (originais não destacados). esse regramento específico fica claro na leitura dos parágrafos 9º, 10 e 11 do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, que determina a aplicação do rito do Decreto nº 70.235/72 apenas à manifestação de inconformidade e ao recurso voluntário, ou seja, à fase litigiosa, e não aos procedimentos que antecedem essa fase: [...]; além disso, a modificação da base de cálculo do tributo, por meio de despacho decisório, não afasta a possibilidade de o contribuinte contestar tal modificação, mediante apresentação de manifestação de inconformidade, preservando, dessa forma, o seu direito de defesa; nesse sentido, segue a jurisprudência do CARF: [...]; o exame da legislação que disciplina o instituto da compensação no âmbito tributário conduz a conclusões que demonstram de forma inequívoca que não se pode aplicar, como pretende a Recorrente, as normas relativas à constituição do crédito tributário ao instituto da compensação; para ratificar o exposto, convém transcrever parte da fundamentação apresentada no Acórdão 1301001.102: [...]; DA GLOSA DE ESTIMATIVAS COMPENSADAS EM OUTRA PER/DCOMP. nesse item, a União (Fazenda Nacional) adota como razões, a elucidativa fundamentação apresentada no Acórdão 1301001.102: [...]; nos termos do art. 170 do CTN, a compensação só é possível entre créditos líquidos e certos: [...]; a jurisprudência do CARF, seguindo essa norma, não admite a compensação com crédito oriundo de saldo negativo que traga em seu bojo estimativas confessadas em declaração de compensação não homologada, pois não o considera líquido e certo. Vejamos: [...]; DO PEDIDO. em face do exposto, a União (Fazenda Nacional) requer seja negado provimento ao recurso especial interposto pelo recorrente. É o relatório. Fl. 424DF CARF MF Processo nº 10680.940863/200918 Acórdão n.º 9101003.708 CSRFT1 Fl. 13 12 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. Conheço do recurso, pois este preenche os requisitos de admissibilidade. O presente processo traz controvérsia sobre a não homologação de Declaração de Compensação em que a contribuinte utilizou crédito decorrente de saldo negativo de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) apurado no anocalendário de 2003. O Despacho decisório exarado pela Delegacia de origem (fls. 43) indeferiu o pleito da contribuinte porque não foram confirmados os elementos formadores do saldo negativo. Vale transcrever as informações contidas no referido despacho decisório: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado e considerando que a soma das parcelas de composição do crédito informadas no PER/DCOMP deve ser suficiente para comprovar a quitação do imposto devido e a apuração do saldo negativo, verificouse: PARCELAS DE COMPOSIÇÃO DO CRÉDITO INFORMADAS NO PER/DCOMP PARC. CRED. IR RET.FONTE PAG. ESTIM.COMP. SOMA EXTERIOR PARC CRED PER/DCOMP 2.701.621,11 198.917,00 825.929,81 368.688,61 4.095.156,53 CONFIRMADAS 0 179.992,06 825.929,81 68.777,87 1.074.699,74 Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$ 402.857,98 Valor na DIPJ: R$ 402.857,98 Somatório das parcelas de composição do crédito na DIPJ: R$ 4.095.156,53 IRPJ devido: R$ 3.692.298,55 Valor do saldo negativo disponível = (Parcelas confirmadas limitado ao somatório das parcelas na DIPJ) (IRPJ devido) limitado ao menor valor entre saldo negativo DIPJ e PER/DCOMP, observado que quando este cálculo resultar negativo, o valor será zero. Valor do saldo negativo disponível: R$ 0,00 A negativa em relação à compensação foi confirmada pela decisão de primeira instância e também pela decisão de segunda instância administrativa (acórdão ora recorrido). Fl. 425DF CARF MF Processo nº 10680.940863/200918 Acórdão n.º 9101003.708 CSRFT1 Fl. 14 13 Nesta fase de recurso especial, a contribuinte suscitou divergência jurisprudencial em relação a quatro matérias, mas só duas delas foram admitidas. PRECLUSÃO DO DIREITO DO FISCO EM REAPURAR AS BASES DE CÁLCULO DE IRPJ DE 2004. Vale transcrever os fundamentos pelos quais o acórdão recorrido rejeitou a alegação da preclusão contra o Fisco: Sustenta a Recorrente que, tal qual a homologação tácita do pagamento antecipado do crédito tributário, os resultados registrados em sua declaração tornamse imutáveis com o decurso do prazo decadencial para lançamento do tributo. Cuidam os autos de DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO, em que, com o intuito de verificar o cumprimento de condição estabelecida pela lei, foram efetuadas verificações no sentido de aferir a liquidez e certeza do crédito indicado para o encontro de contas. A análise da legislação que disciplina o instituto da compensação no âmbito tributário conduz a conclusões que demonstram de forma inequívoca que não se pode aplicar, como pretende a Recorrente, as normas relativas à constituição do crédito tributário ao instituto da compensação, senão vejamos: 1. o Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a matéria, estabeleceu (art. 170, caput): a) que compete à lei autorizar a compensação; b) que a lei pode atribuir à autoridade administrativa poderes para estipular condições e garantias para que a compensação seja deferida; c) que a compensação de débitos do contribuinte envolve, necessariamente, créditos líquidos e certos desse mesmo sujeito passivo contra a Fazenda Pública; 2. a Receita Federal está autorizada pela lei a expedir instruções necessárias à efetivação da compensação (Lei nº 8.383/91, art. 66, parágrafo 4º); 3. a compensação submetese a procedimento homologatório, ainda que pela via tácita (Lei nº 9.430/96, art. 74, parágrafos 2º e 5º); 4. o procedimento de homologação da compensação se submete a prazo, e o início de sua contagem se dá a partir do momento em que a compensação é requerida nos termos e condições estabelecidos pela lei (Lei nº 9.430/96, art. 74, parágrafo 5º); 5. a não homologação da compensação pleiteada faculta ao contribuinte a apresentação de manifestação de inconformidade e eventual recurso, nos exatos termos do Decreto nº 70.235, de 1972 (Lei nº 9.430/96, art. 74, parágrafos 9º, 10 e 11); 6. a manifestação de inconformidade e o recurso eventualmente apresentados suspendem a exigibilidade do débito tido como indevidamente compensado nos termos do art. 151 do Código Tributário Nacional (Lei nº 9.430/96, art. 74, parágrafo 11, in fine); A legislação referenciada deixa fora de dúvida de que à COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA são aplicadas normas especiais no que Fl. 426DF CARF MF Processo nº 10680.940863/200918 Acórdão n.º 9101003.708 CSRFT1 Fl. 15 14 tange à competência para a apreciação dos pedidos correspondentes, à necessária homologação dos citados pedidos, ao prazo para a efetivação da homologação e ao rito processual aplicável à matéria. Aceitar a tese esposada pela Recorrente significaria, em última análise, afastar, por desnecessária, a norma estampada no parágrafo 5º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, vez que ao procedimento homologatório, segundo tal entendimento, deveria ser aplicada a regra do parágrafo 4º do art. 150 do CTN. Obviamente, tal entendimento não encontra ressonância na legislação de regência, eis que, como já disse, o instituto da compensação é regido por um conjunto próprio de normas, e, no que diz respeito a prazo para homologação, a regra não pode ser outra senão a prevista no parágrafo 5º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Recepcionada sob outra ótica, poderseia afirmar que o entendimento sob apreciação não afastaria, necessariamente, a aplicação do prazo previsto no parágrafo 5º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, sendo que este seria aplicável à homologação da compensação e o previsto no parágrafo 4º do art. 150 do CTN deveria ser observado na aferição da liquidez e certeza do crédito apontado para o encontro de contas. A meu ver, tal raciocínio revelase, da mesma forma, absolutamente equivocado, eis que não se pode admitir homologação de compensação sem que a certeza e liquidez dos créditos sejam aferidas, pois, do contrário, estarseá deixando de observar requisito imposto pela norma de regência (caput do art. 170 do Código Tributário Nacional). Em síntese: a homologação da compensação pleiteada pelo contribuinte está representada, em essência, pela verificação da certeza e liquidez dos créditos indicados no pedido. Rejeito, assim, os argumentos da Recorrente no tocante ao presente item. Há um prazo legal para que a Receita Federal faça o exame das compensações tributárias, e esse prazo está previsto especificamente no art. 74, §5º, da Lei 9.430/1996: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. [...] §2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. [...] §5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Fl. 427DF CARF MF Processo nº 10680.940863/200918 Acórdão n.º 9101003.708 CSRFT1 Fl. 16 15 É esse prazo de "5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação" que é dado à Receita Federal para que ela verifique a certeza e a liquidez do direito creditório utilizado pela contribuinte para quitar débitos próprios, mediante compensação. O entendimento que pretende aplicar os prazos previstos no art. 150, §4º, ou no art. 173, ambos do CTN, para fins de reconhecer direito creditório e homologar compensação tributária, torna absolutamente inútil a regra estabelecida no §5º do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, fazendo letra morta do referido prazo legal. No caso sob exame (em que o alegado indébito é relativo ao anocalendário de 2003), a declaração de compensação foi apresentada em 11/01/2005 (fls. 97), e o despacho decisório que negou a compensação foi cientificado à contribuinte em 22/12/2009 (fls. 46), antes portanto que findasse o prazo para que a Receita Federal examinasse a compensação pleiteada pela contribuinte. Não houve lançamento de tributo. O que ocorreu foi a verificação da certeza e liquidez do direito creditório reivindicado, e a negativa da compensação por não confirmação dos elementos que compunham o alegado saldo negativo. Aliás, cabe ainda uma observação importante para o caso em questão. É que o procedimento da Delegacia de origem não consistiu propriamente em "reapurar as bases de cálculo do IRPJ". Com efeito, não houve nenhuma adição de receita, glosa de despesa, ou algo semelhante a isso. O não reconhecimento do direito creditório, no caso sob exame, se deu principalmente em razão da não comprovação dos pagamentos que formariam o reivindicado saldo negativo (IR no exterior, IRfonte e IRestimativa), o que reforça ainda mais os motivos para se rejeitar a alegada preclusão contra o Fisco. O fato é que no plano da verificação da “existência” dos pagamentos que dariam origem ao indébito a ser restituído/compensado (correspondam eles a DARF de estimativas, retenções na fonte, etc.) menos ainda há que se falar em blindagem do direito creditório por decurso de prazo. Com efeito, a fluência do tempo pode até homologar procedimentos, tornar definitivos os critérios e as interpretações utilizados na aplicação do direito etc., mas não tem o condão de fazer existir o que não aconteceu. O acórdão recorrido, portanto, não merece nenhuma reparo. Desse modo, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial da contribuinte em relação a essa primeira divergência. Fl. 428DF CARF MF Processo nº 10680.940863/200918 Acórdão n.º 9101003.708 CSRFT1 Fl. 17 16 GLOSA DE ESTIMATIVAS COMPENSADAS EM OUTRA PER/DCOMP. A outra divergência a ser examinada diz respeito à formação de saldo negativo a partir de estimativas que foram quitadas por compensação em outro Per/Dcomp, nos casos em que não houve homologação dessa compensação, levandose ainda em conta que essas estimativas estariam sendo (ou teriam sido) quitadas posteriormente em processo de parcelamento. Essa questão não é muito simples. Primeiro, vale transcrever os fundamentos pelos quais o acórdão recorrido não incorporou os valores dessas estimativas no saldo negativo reivindicado pela contribuinte: ESTIMATIVAS COMPENSADAS COM SALDO NEGATIVO DE PERÍODOS ANTERIORES Argumenta a Recorrente que admitir que só as compensações homologadas podem compor o crédito é o mesmo que negar ao contribuinte o direito de compensar imediatamente o saldo negativo composto por elas. Diz que, aceitar o procedimento do despacho decisório, é rasgar o devido processo legal, pois a lei estabelece um modus operandi para cobrança de compensações não homologadas, não podendo, de um lado, não homologar a compensação e cobrar o débito então compensado e, ao mesmo tempo, reduzir o crédito tributário originário desta quitação (para ela, agindo dessa forma, o Fisco estaria cobrando duas vezes a mesma coisa). Com a devida permissão, não merece acolhimento a argumentação expendida pela ora Recorrente. À evidência, nada impede que o contribuinte pleiteie compensação indicando crédito em que, na sua formação, foram utilizados valores que, por sua vez, foram objeto de compensação com créditos relativos a períodos anteriores. Resta óbvio, entretanto, que a autoridade administrativa, ao apreciar o pedido de compensação, deve debruçarse sobre todos os elementos que formam o crédito apontado para o encontro de contas. O ideal, inclusive, é que, na hipótese da existência de débitos compensados que constituem parcela do crédito indicado para compensação, a análise seja feita de forma conjunta. A providência acima descrita representa tão simplesmente o cumprimento de condição estampada na norma autorizadora do procedimento, qual seja, a prevista no caput do art. 170 do Código Tributário Nacional, que impõe que os créditos cuja compensação a lei pode autorizar devem ser líquidos e certos. No caso vertente, a contribuinte indicou crédito (saldo negativo do ano calendário de 2003) em que, na sua formação, foram consideradas estimativas compensadas com saldo negativo de períodos anteriores. O montante glosado (R$ 299.910,74), derivou da constatação da não homologação da compensação pleiteada (estimativas com saldo negativo de períodos anteriores). Fl. 429DF CARF MF Processo nº 10680.940863/200918 Acórdão n.º 9101003.708 CSRFT1 Fl. 18 17 Dando efetividade ao entendimento de que, no caso em que o crédito apontado para o encontro de contas é formado por valores que também foram objeto de compensação, o julgamento, se não for realizado de forma conjunta, deve levar em conta a eventual decisão administrativa final acerca da referida compensação, a Segunda Turma Ordinária desta Terceira Câmara decidiu converter o julgamento em diligência para que fosse juntada ao presente a decisão administrativa definitiva proferida no processo administrativo nº 10680.904418/200633, feito que tratou da compensação das estimativas questionadas no presente processo. Conforme despacho de fls. 270, a Recorrente desistiu de discutir administrativamente a homologação parcial objeto do citado processo administrativo nº 10680.904418/200633 (fls. 267/268), aderindo ao parcelamento instituído pela Lei nº 11.941, de 2009. O parcelamento de débito, muito embora represente forma (indireta) de extinção do crédito tributário, não confere ao crédito que dele possa decorrer a liquidez e certeza exigidas pela lei autorizadora da compensação tributária. Aqui, não se trata de duplicidade de exigência, como quer crer a Recorrente, mas, sim, de observância de critério eleito pela lei (liquidez e certeza do crédito), impeditivo de que se possa promover a compensação por meio de valores que não foram extintos ou, como é o caso, cuja extinção se supõe iniciada mas não foi concluída. Por todo o exposto, conduzo meu voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso. O acórdão recorrido apresenta parâmetros muito consistentes para a análise da questão suscitada. Realmente, nada impede que a contribuinte pleiteie restituição/compensação de saldo negativo formado por estimativas que também foram quitadas por compensação. Mas também é bastante natural que a liquidez e certeza desse saldo negativo esteja condicionado à confirmação da quitação das estimativas (seja por pagamento, seja por compensação). Seria mesmo ideal que as compensações que estão interligadas fossem analisadas conjuntamente (num mesmo nível de instância), mas quando isso não é possível (porque os processos caminharam separados, não se desenvolveram ao mesmo tempo, etc.), a decisão tem sim que levar em conta o que restou decidido sobre as compensações anteriores, porque há aí uma evidente relação de dependência. Tudo isso é muito lógico, fácil de ser percebido. A controvérsia levantada pela contribuinte surge porque, não havendo confirmação da compensação das estimativas, elas continuariam sendo exigidas e seriam (ou teriam sido) posteriormente pagas, seja em razão do próprio Per/Dcomp a elas referente (que não foi homologado), seja pela sua inclusão em processo de parcelamento. É esse o contexto em que a contribuinte alega uma dupla cobrança. Ou seja, ela pagaria as estimativas e, mesmo assim, lhe seria negado o saldo negativo. Fl. 430DF CARF MF Processo nº 10680.940863/200918 Acórdão n.º 9101003.708 CSRFT1 Fl. 19 18 A possibilidade de quitação de estimativas após o encerramento do período de apuração já traz em si certa controvérsia. Há quem pensa ser descabido falar em estimativa devida (em aberto) após o encerramento do anocalendário. E houve época em que a Receita Federal não concedia parcelamento para estimativas que não tinham sido quitadas no momento oportuno. Mas esse tipo de posicionamento reflete apenas um lado da questão abrangendo as estimativas mensais, o lado do Fisco. Realmente, depois de encerrado o anocalendário, a atuação da Fiscalização, no que toca ao tributo propriamente dito, se dá sempre pela ótica do ajuste anual. A Fiscalização não faz lançamento para exigir estimativas mensais não recolhidas. Em relação a essas estimativas, o que se lança é a multa isolada prevista no art. 44 da Lei 9.430/1996. Contudo, na ótica dos contribuintes, detectada a falta de recolhimento de alguma estimativa mensal, há de haver a possibilidade de se pagar essa estimativa em atraso, com os devidos acréscimos legais, mesmo depois de encerrado o anocalendário. Aliás, esta é a única forma que os contribuintes tem de evitar a referida multa isolada, ao mesmo tempo em que a estimativa recolhida em atraso (com os devidos acréscimos legais) passa a contribuir adequadamente para a quitação do tributo no final do ano, ou para a formação de saldo negativo. Negar essa possibilidade aos contribuintes implicaria em mantêlos irreversivelmente em uma condição de infração, de irregularidade, o que não é razoável. E é nessa perspectiva, penso eu, que a Receita Federal não apenas admite que os contribuintes paguem estimativa depois de encerrado o período de apuração, como também concede parcelamento para isso. Mas por outro lado, também é importante lembrar que para um contribuinte postular restituição ou compensação de tributo, é necessário, de acordo com o Código Tributário Nacional CTN, que seu direito seja líquido e certo, ou seja, que decorra de pagamento comprovadamente realizado em montante indevido ou a maior que o devido. Sabese muito bem que a compensação, na forma em que vem sendo realizada desde a Lei 10.637/2002, implica em um aproveitamento imediato do reivindicado indébito, sob condição resolutória. Sendo assim, o acolhimento do pleito da contribuinte implicaria em admitir a possibilidade de restituição/compensação de algo que ainda nem mesmo foi pago, o que afronta não só o sistema jurídico, mas a própria lógica das coisas, porque só se restitui (devolve) o que foi anteriormente dado (pago). Não há como admitir essa ideia, de a contribuinte primeiro receber a restituição, para depois pagar o tributo que daria ensejo àquela restituição. Fl. 431DF CARF MF Processo nº 10680.940863/200918 Acórdão n.º 9101003.708 CSRFT1 Fl. 20 19 No caso, ainda haveria um agravante, porque a restituição/compensação do saldo negativo seria pelo seu valor cheio, com todos os acréscimos legais, enquanto que o pagamento parcelado das estimativas se daria com benefícios de anistia, previstos na Lei nº 11.941/2009 (inclusive com redução dos juros de mora). Mas mesmo que não houvesse essa questão, mesmo que o pagamento futuro da estimativa (seja pela via da execução do Per/Dcomp que contém o débito de estimativa, seja pela via de um parcelamento normal) se desse com todos os acréscimos, ainda remanesceria um problema. É que o momento para o encontro de contas continuaria sendo a data de envio do Per/Dcomp, e nós estaríamos autorizando a restituição/compensação de crédito que ainda não existia naquela data. Não há dúvida de que as estimativas pagas posteriormente devem repercutir no ajuste anual. Seria contraditório, por exemplo, exigir da contribuinte a quitação das estimativas (via execução de Per/Dcomp ou parcelamento) e também exigir o tributo no ajuste em razão da ausência destas mesmas estimativas. O fato é que o pagamento das estimativas, mesmo extemporâneo, supre o imposto no ajuste, ao mesmo tempo em que afasta o fundamento para a sua cobrança (cobrança do tributo no ajuste). Mas a restituição/compensação dessas estimativas na forma de saldo negativo implica em questões adicionais, porque elas somente se tornam aptas a embasar restituição ou compensação na medida que forem pagas, e também na medida que o montante pago supere o valor do tributo devido, quando passam a convalidar o saldo negativo a ser restituído/ compensado. Por isso, o procedimento correto é que a contribuinte apresente Per/Dcomp à medida que o saldo negativo vai se formando pelo pagamento das estimativas parceladas. Neste processo, só se poderia admitir a compensação do saldo negativo formado (existente) até a data do envio do Per/Dcomp objeto destes autos, ou seja do saldo negativo formado pelas estimativas pagas até aquela data. Ocorre que o Per/Dcomp foi apresentado em 11/01/2005, e o alegado parcelamento para quitação das estimativas foi feito muito depois disso, porque pautouse pela Lei nº 11.941/2009. A alegadas quitações de estimativas no processo de parcelamento, portanto, não dão base para utilização do alegado saldo negativo em 11/01/2005 (data do encontro de contas). E ainda cabe um último registro importante. Mesmo que se aceitasse integralmente o pleito da contribuinte em relação às estimativas, ainda assim, no momento da execução dessa hipotética decisão pela Delegacia de origem, não haveria nenhuma modificação quanto ao resultado prático do acórdão recorrido, porque o não reconhecimento dos valores indicados como "IR EXTERIOR" (matéria cuja divergência não foi admitida) seria suficiente, Fl. 432DF CARF MF Processo nº 10680.940863/200918 Acórdão n.º 9101003.708 CSRFT1 Fl. 21 20 por si só, para a reversão total do reivindicado saldo negativo e, portanto, para a negativa do Per/Dcomp objeto deste processo. Para perceber isso, basta verificar os valores contidos na tabela transcrita no início deste voto. Desse modo, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial da contribuinte também para essa segunda divergência. Resumindo, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial da contribuinte para as duas divergências apreciadas, assim identificadas: "preclusão do direito do Fisco em reapurar as bases de cálculo de IRPJ de 2004" e "glosa de estimativas compensadas em outra per/dcomp". (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 433DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15553.720638/2016-57
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2015
DESPESAS MÉDICAS. RELAÇÃO DE DEPENDÊNCIA. COMPROVAÇÃO.
São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos, clínicas e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei.
Há de ser afastada a glosa, quando o contribuinte apresenta, no processo, documentação suficiente para sua aceitação.
Numero da decisão: 2001-000.405
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Ricardo Moreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE RICARDO MOREIRA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2015 DESPESAS MÉDICAS. RELAÇÃO DE DEPENDÊNCIA. COMPROVAÇÃO. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos, clínicas e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Há de ser afastada a glosa, quando o contribuinte apresenta, no processo, documentação suficiente para sua aceitação.
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score : 1.0
Numero do processo: 11080.003346/2005-56
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2001, 2002
IRPF. CARTÓRIO DE REGISTRO. LIVRO CAIXA. DEDUÇÕES POSSIBILIDADE.
O titular de serviços notariais e de registro pode deduzir da receita decorrente do exercício da respectiva atividade as despesas de custeios pagas, necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora.
LIVRO CAIXA. DESPESAS NÃO NECESSÁRIAS. INDEDUTIBILIDADE.
O art. 75, inciso III, do Regulamento do Imposto de Renda - RIR/1999, somente contemplou as despesas de custeio pagas, indispensáveis à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. Não sendo despesas necessárias à percepção das receitas e à manutenção da fonte produtora, correta a glosa efetuada pela fiscalização.
INTIMAÇÃO ENDEREÇADA AO ADVOGADO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. SÚMULA CARF Nº 110.
No processo administrativo fiscal, é incabível a intimação dirigida ao endereço de advogado do sujeito passivo.
Numero da decisão: 2401-005.774
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para restabelecer a dedução referente às despesas com plano de saúde, médicas e com instrução. Vencidos os conselheiros Rayd Santana Ferreira (relator), Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa, que davam provimento parcial em maior extensão para restabelecer a dedução também das despesas sob o título "não necessárias". Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Matheus Soares Leite. Votaram pelas conclusões os conselheiros Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Suplente Convocada)e José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
(assinado digitalmente)
Matheus Soares Leite - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Suplente Convocada), Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Luciana Matos Pereira Barbosa e Miriam Denise Xavier.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2001, 2002 IRPF. CARTÓRIO DE REGISTRO. LIVRO CAIXA. DEDUÇÕES POSSIBILIDADE. O titular de serviços notariais e de registro pode deduzir da receita decorrente do exercício da respectiva atividade as despesas de custeios pagas, necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. LIVRO CAIXA. DESPESAS NÃO NECESSÁRIAS. INDEDUTIBILIDADE. O art. 75, inciso III, do Regulamento do Imposto de Renda - RIR/1999, somente contemplou as despesas de custeio pagas, indispensáveis à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. Não sendo despesas necessárias à percepção das receitas e à manutenção da fonte produtora, correta a glosa efetuada pela fiscalização. INTIMAÇÃO ENDEREÇADA AO ADVOGADO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. SÚMULA CARF Nº 110. No processo administrativo fiscal, é incabível a intimação dirigida ao endereço de advogado do sujeito passivo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para restabelecer a dedução referente às despesas com plano de saúde, médicas e com instrução. Vencidos os conselheiros Rayd Santana Ferreira (relator), Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa, que davam provimento parcial em maior extensão para restabelecer a dedução também das despesas sob o título "não necessárias". Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Matheus Soares Leite. Votaram pelas conclusões os conselheiros Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Suplente Convocada)e José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira - Relator (assinado digitalmente) Matheus Soares Leite - Redator Designado Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Suplente Convocada), Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Luciana Matos Pereira Barbosa e Miriam Denise Xavier.
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CARTÓRIO DE REGISTRO. LIVRO CAIXA. DEDUÇÕES POSSIBILIDADE. O titular de serviços notariais e de registro pode deduzir da receita decorrente do exercício da respectiva atividade as despesas de custeios pagas, necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. LIVRO CAIXA. DESPESAS NÃO NECESSÁRIAS. INDEDUTIBILIDADE. O art. 75, inciso III, do Regulamento do Imposto de Renda RIR/1999, somente contemplou as despesas de custeio pagas, indispensáveis à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. Não sendo despesas necessárias à percepção das receitas e à manutenção da fonte produtora, correta a glosa efetuada pela fiscalização. INTIMAÇÃO ENDEREÇADA AO ADVOGADO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. SÚMULA CARF Nº 110. No processo administrativo fiscal, é incabível a intimação dirigida ao endereço de advogado do sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para restabelecer a dedução referente às despesas com plano de saúde, médicas e com instrução. Vencidos os conselheiros Rayd Santana Ferreira (relator), Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa, que davam provimento parcial em maior extensão para restabelecer a dedução também das despesas sob o título "não necessárias". Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Matheus Soares Leite. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 33 46 /2 00 5- 56 Fl. 3295DF CARF MF 2 Votaram pelas conclusões os conselheiros Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Suplente Convocada)e José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator (assinado digitalmente) Matheus Soares Leite Redator Designado Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Suplente Convocada), Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Luciana Matos Pereira Barbosa e Miriam Denise Xavier. Fl. 3296DF CARF MF Processo nº 11080.003346/200556 Acórdão n.º 2401005.774 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório SERGIO AFONSO MANICA, contribuinte, pessoa física, já qualificado nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 4a Turma da DRJ em Porto Alegre/RS, Acórdão nº 1028.750/2010, às efls. 2.058/2.065, que julgou procedente em parte o Auto de Infração concernente ao Imposto de Renda Pessoa Física IRPF, decorrente da constatação de omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas sujeitos ao carnêleão, dedução indevida de despesas do livro caixa e multa isolada por falta de recolhimento do carnêleão, em relação aos anoscalendário 2001 e 2002, conforme peça inaugural do feito, às efls. 05/21, e demais documentos que instruem o processo. Tratase de Auto de Infração, lavrado em 11/05/2005 (AR efl. 449), nos moldes da legislação de regência, contra o contribuinte acima identificado, constituindose crédito tributário no valor consignado na folha de rosto da autuação, decorrente dos seguintes fatos geradores: a) RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS FÍSICAS SUJEITOS A CARNÊLEÃO. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE TRABALHO SEM VÍNCULO EMPREGATÍCIO RECEBIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. Omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas, decorrentes de trabalho sem vínculo empregatício, descrito no item 03 do Relatório de Ação Fiscal. b) DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO PLEITEADA INDEVIDAMENTE (AJUSTE ANUAL). DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS DE LIVRO CAIXA. Glosa de despesas escrituradas em Livro Caixa, conforme descrito no item 02 do Relatório de Ação Fiscal. (...) A infração referese à dedução indevida de despesas do Livro Caixa nos valores de R$ 719.858,16 e R$ 1.003.790,24, nas declarações de ajuste anual dos exercícios de 2002 e 2003, anoscalendário de 2001 e 2002. c) DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO PLEITEADA INDEVIDAMENTE (CARNÊLEÃO). DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS DE LIVRO CAIXA. Glosa de despesas escrituradas em Livro Caixa, conforme descrito no item 02 do Relatório de Ação Fiscal. d) MULTAS ISOLADAS. FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPF DEVIDO A TÍTULO DE CARNÊLEÃO. Falta de recolhimento do Imposto de Renda da Pessoa Física devido a título de carnêleão, conforme descrito no item 04 do Relatório de Ação Fiscal. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal a fiscalização constatou lançamento de despesas indedutiveis nos Livros Caixa do contribuinte, no que diz respeito a despesas não necessárias a percepção da receita e à manutenção da fonte produtora, ou por se relacionarem a despesas de investimento, conforme dispõem o art. 51 da IN SRF n° 15/2001 e o artigo 6° da Lei 8.134/90, cujos conceitos, definidos pelo Parecer Normativo 60/ 78. Desta forma, procedeuse a glosa de despesas não necessárias à percepção da receita e a manutenção da fonte produtora escrituradas pelo contribuinte, conforme relatado Fl. 3297DF CARF MF 4 nos itens 1 ao 18 do TVF, cujas cópias dos documentos encontramse nos Volumes I a IV do Anexo II. Quanto a omissão de rendimentos, o extrato de Livro Caixa (fls. 161 a 184) e o Livro Caixa de 2002 (fls. 253 a 295), encaminhados pelo contribuinte em resposta à Intimação 002/2005, de 07/01/2005, registram rendimentos no valor de R$ 3.800.599,22, através dos recibos emitidos. Por outro Lado, não há qualquer lançamento de estorno de receita. Na Declaração de Ajuste Anual do exercício de 2003, na linha 03 dos rendimentos tributáveis, são informados rendimentos recebidos de pessoa física no valor de R$ 3.794.599,22. Portanto, a diferença de R$ 6.000,00 (seis mil reais), correspondente a rendimentos tributáveis recebidos de pessoas físicas sem vinculo empregatício, deixou de ser tributada na declaração de ajuste anual do anocalendário de 2002. Por conseguinte, o respectivo valor é adicionado à base de cálculo do imposto de renda da pessoa física. Por fim, a aplicação da multa isolada pelo não recolhimento mensal do carnê leão é decorrente de imposição legal, conforme se depreende da leitura do art. 44, § 1°, inciso III da Lei 11° 9.430/ 1996. O contribuinte, regularmente intimado, apresentou impugnação, requerendo a decretação da improcedência do feito. Por sua vez, a Delegacia Regional de Julgamento em Porto Alegre/RS entendeu por bem julgar procedente em parte o lançamento, conforme relato acima. Regularmente intimado e inconformado com a parte mantida pela Decisão recorrida, o autuado apresentou Recurso Voluntário, às efls. 2.069/2.105, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Após breve relato das fases processuais, bem como dos fatos que permeiam o lançamento, reitera às alegações da impugnação, primeiramente explana acerca da atividade notarial e seus serviços, sobre a legislação de regência e colaciona jurisprudência. Rebate especificamente em relação à glosa referente as despesas com arrendamento, aluguel e ressarcimento IPTU. Explícita o que lhe causa maior irresignação é que o alegado beneficio tributário aduzido pelo Sr. Fiscal efetivamente não existiu: se somado o montante dos tributos federais tributados na pessoa física do recorrente e a tributação na pessoa jurídica da ALC e por conseguinte na pessoa física de seus diretores, a tributação do INSS sobre os seus prólabores, adicionado o ISS exigido pela lei municipal, temse uma tributação maior da que se teria isoladamente na sua pessoa física, caso fosse o real proprietário do imóvel e dos bens móveis utilizados, conforme hipótese levantada. Ademais, embora não seja o caso, mesmo que houvesse algum beneficio, este seria lícito, não cabendo ao fisco punir o contribuinte simplesmente por ter optado por uma situação tributária mais favorável. Para provar o efetivo pagamento das despesas lançadas solicitouse do administrador à época e do contador responsável pela escrituração da empresa locatária uma justificativa para a utilização do recibo fornecido e para ratificação da ocorrência de tais fatos e Fl. 3298DF CARF MF Processo nº 11080.003346/200556 Acórdão n.º 2401005.774 S2C4T1 Fl. 4 5 de sua contabilização, o que foi fornecido por declaração firmada e autenticada que ora se junta. Insurgese também quanto a glosa das despesas com planos de saúde e médicas, além das com instrução, alimentação, mensalidades de clube, aluguel de quadra esportiva e com materiais de projetos e não necessárias, anexando documentação probatória. Pugna que as intimações sejam endereçadas ao advogado. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar o Auto de Infração, tornandoos sem efeito e, no mérito, a sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. DELIMITAÇÃO DA LIDE Como relato encimado, o contribuinte teve contra si o crédito tributário lançado devido a constatação de quatro infrações, quais sejam: omissão de rendimentos de trabalho sem vínculo empregatício, dedução indevida de despesas do livro caixa (ajuste anula e carnêleão) e multa isolada por falta de recolhimento a título de carnêleão. Conforme observase do Recurso Voluntário o contribuinte insurgese apenas quanto às glosas das despesas do livro caixa mantidas pela turma a quo, motivo pelo qual será o tema tratado nesta oportunidade, o que fazemos a seguir. MÉRITO DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESA DO LIVRO CAIXA Conforme se depreende do exame dos elementos que instruem o processo, foram glosadas as despesas escrituradas pelo contribuinte em seu livro caixa nos anos calendário 2001 e 2002. A fiscalização constatou lançamento de despesas indedutiveis nos Livros Caixa do contribuinte, no que diz respeito a despesas não necessárias a percepção da receita e à manutenção da fonte produtora, ou por se relacionarem a despesas de investimento, conforme dispõem o art. 51 da IN SRF n° 15/2001 e o artigo 6° da Lei 8.134/90. Por sua vez o contribuinte insurgese quanto a insubsistência das glosas explanando acerca da atividade notarial e seus serviços, especificando a legislação de regência e colacionando jurisprudência. Fl. 3299DF CARF MF 6 Rebate especificamente em relação à glosa referente as despesas com arrendamento, aluguel e ressarcimento IPTU. Explícita o que lhe causa maior irresignação é que o alegado beneficio tributário aduzido pelo Sr. Fiscal efetivamente não existiu: se somado o montante dos tributos federais tributados na pessoa física do recorrente e a tributação na pessoa jurídica da ALC e por conseguinte na pessoa física de seus diretores, a tributação do INSS sobre os seus prólabores, adicionado o ISS exigido pela lei municipal, temse uma tributação maior da que se teria isoladamente na sua pessoa física, caso fosse o real proprietário do imóvel e dos bens móveis utilizados, conforme hipótese levantada. Ademais, embora não seja o caso, mesmo que houvesse algum beneficio, este seria lícito, não cabendo ao fisco punir o contribuinte simplesmente por ter optado por uma situação tributária mais favorável. Para provar o efetivo pagamento das despesas lançadas solicitouse do administrador à época e do contador responsável pela escrituração da empresa locatária uma justificativa para a utilização do recibo fornecido e para ratificação da ocorrência de tais fatos e de sua contabilização, o que foi fornecido por declaração firmada e autenticada que ora se junta. Aduz ser incabível também a glosa das despesas com planos de saúde e médicas, além das com instrução, alimentação, mensalidades de clube, aluguel de quadra esportiva e com materiais de projetos e não necessárias, anexando documentação probatória. Então, antes mesmo de se adentrar ao mérito da questão das deduções de despesas escrituradas em livro caixa, cumpre trazer à baila os dispositivos legais que regulamentam a matéria, que assim prescrevem: O Regulamento de Imposto de Renda (RIR Decreto nº 3.000/99) é claro ao delimitar os contribuintes que podem valerse da escrituração do livro caixa, bem como as despesas passíveis de dedução: Despesas Escrituradas no Livro Caixa Art. 75. O contribuinte que perceber rendimentos do trabalho nãoassalariado, inclusive os titulares dos serviços notariais e de registro, a que se refere o art. 236 da Constituição, e os leiloeiros, poderão deduzir, da receita decorrente do exercício da respectiva atividade (Lei nº 8.134, de 1990, art. 6º, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso I): I a remuneração paga a terceiros, desde que com vínculo empregatício, e os encargos trabalhistas e previdenciários; II os emolumentos pagos a terceiros; III as despesas de custeio pagas, necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. (...) Art. 76. As deduções de que trata o artigo anterior não poderão exceder à receita mensal da respectiva atividade, sendo permitido o cômputo do excesso de deduções nos meses seguintes até dezembro (Lei nº 8.134, de 1990, art. 6º, § 3º). Fl. 3300DF CARF MF Processo nº 11080.003346/200556 Acórdão n.º 2401005.774 S2C4T1 Fl. 5 7 (...) § 2º O contribuinte deverá comprovar a veracidade das receitas e das despesas, mediante documentação idônea, escrituradas em Livro Caixa, que serão mantidos em seu poder, à disposição da fiscalização, enquanto não ocorrer a prescrição ou decadência (Lei nº 8.134, de 1990, art. 6º, § 2º). Consoante se infere dos dispositivos legais acima transcritos, a escrituração em livro caixa é própria e taxativa para os casos em que o contribuinte receba rendimentos do trabalho não assalariado, casos dos profissionais liberais, inclusive os titulares dos serviços notariais e de registro, com a devida comprovação das despesas mediante documentação hábil e idônea. Dentre as despesas cuja dedução é autorizada por esses artigos, a mais abrangente e também aquela que gera maior discussão quanto ao seu alcance e conteúdo é a de custeio. Entretanto, é possível extrair dessas mesmas normas os critérios para que uma despesa possa ser assim considerada. Nesse sentido, devem ser respeitados quatro requisitos cumulativos: a) estar relacionada com a atividade exercida; b) ser efetivamente realizada no decurso do anocalendário correspondente ao exercício da declaração; c) ser necessária à percepção do rendimento e à manutenção da fonte produtora; d) estar escriturada em livro caixa e comprovada com documentação idônea. Ao estabelecer esses parâmetros, a lei diminui o grau de subjetividade, reduzindo o espaço para a discricionariedade ou arbitrariedade na eleição das despesas passíveis de dedução. Apesar disso, é possível ainda identificar um elemento normativo nessa definição, que é o conceito de "necessário". Necessário pode ser lido como indispensável, ou seja, aquilo sem o que a atividade não seria viável. Contudo, entendo que essa seria uma leitura indevidamente restritiva do termo, uma visão por demais "restritiva". Para além daquilo que é indispensável, e aplicando aqui de forma analógica os critérios que são utilizados pelo imposto de renda das pessoas jurídicas, tenho que, são também necessárias, todas aquelas despesas que, consideradas em função da atividade desenvolvida pelo contribuinte, preenchem os critérios de normalidade, usualidade e pertinência. Feita essas considerações, passemos a análise das despesas controvertidas de forma individualizada. a) Despesas com arrendamento, aluguel e ressarcimento de IPTU Parece fora de dúvida que a atividade notarial deve ser realizada em local adequado, especialmente no caso concreto que trata de um Tabelionato onde circula cerca de 600 pessoas dia. Dessa forma, não se questiona a necessidade de despesas dessa natureza. Na verdade, a celeuma se instaura em função da falta de comprovação que as despesas foram efetivamente realizadas. Sob esse aspecto, o AFRB considerou os seguintes fatos, senão vejamos o que descreve no TVF: (...) Fl. 3301DF CARF MF 8 Nos anoscalendário de 2001 e 2002, as receitas tributadas com base no lucro presumido da empresa ALC Participações e Gestão Empresarial Ltda. (nova Razão social da empresa Aline Manica & Cia. Ltda. em 04/07/2001) foram de R$ 259.320,00 e R$ 453.946,00 (fls. 02 a 53 do Anexo I). Verificouse que a empresa ALC Participações e Gestão Empresarial Ltda., cujo quadro societário é composto pelos filhos de Sergio Afonso Manica, teve como único cliente no período fiscalizado o 5° Tabelionato de Porto Alegre. No anocalendário de 2001, as receitas da empresa ALC Participações e Gestão Empresarial Ltda., correspondem exatamente ao valor dos pagamentos efetuados Sérgio Afonso Manica a titulo de arrendamento. O objeto social da empresa ALC, que era o “comércio, importação e exportação de material fotográfico, cinematográfico, máquinas e aparelhos eletrônicos e a prestação de serviços de fotocópias” somente foi modificado em 04/07/2001, com a inclusão da atividade de “locação imobiliária, de máquinas, móveis e utensílios, equipamentos, administração em geral e de participações societárias”. No anocalendário de 2002 da receita total de R$ 453.946,00, R$ 334.830,00 correspondem a receitas com arrendamento e R$ 119.116,00 referese a locação do imóvel localizado na Rua Siqueira Campos, n.° 1185 e 1 189. Devese ressaltar que os recibos de arrendamento e de aluguel emitidos por ALC Participações e Gestão Empresarial Ltda, foram todos firmados pelo diretor Sr. Enio Simonetti, sócio gerente da Mereovisâo Gestão Empresarial S /C Ltda., empresa que celebrou o Contrato de Particular de Prestação de Serviços com Sergio Afonso Manica em 01/03/2001, para prestação de serviços de consultoria que “serão realizados, pela contratada, no endereço do contratante prevendose, praticamente, a necessidade de tempo integral do Sr. Enio Simonetti, único profissional designado para as tarefas em nome da contratada.” Com referência ao arrendamento de máquinas, móveis e utensílios, a empresa ALC, domiciliada no mesmo prédio do cartório, não comprova a aquisição dos bens arrendados ao 5° Tabelionato de Porto Alegre, quando solicitada a apresentar as notas fiscais de compra através da Intimação Fiscal de Diligência n.° 003/ 2005, Outro fato que se soma às ocorrências è que o imóvel onde funciona o cartório foi adquirido pelo fiscalizado do Banco Meridional S.A. em O7 /O1 / 2000, com o pagamento do sinal de R$ 50.000,00 e lançamento da divida de R$ 800.00,00 no quadro dívidas e ônus reais, sendo informado em sua na declaração de bens e direitos da declaração de ajuste anual do exercício de 2001 pelo valor total de R$ 850.000,00. Por meio de Contrato Particular de Cessão de Direitos Contratuais de 02/01/2001, Sergio Afonso Manica cede o referido imóvel à empresa ALC Participações e Gestão Empresarial Ltda. Fl. 3302DF CARF MF Processo nº 11080.003346/200556 Acórdão n.º 2401005.774 S2C4T1 Fl. 6 9 Em 21/ 11/2001, a empresa ALC representada pelo diretor Enio Simonetti, sóciogerente da Mercovisão Gestão Empresarial S/C Ltda., firma o Contrato de Locação de Imóvel com Sérgio Afonso Manica, referente ao pavimento térreo do prédio sob n.° 1 185 e dos segundo e terceiro pavimentos (l° e 2° andares) do prédio sob n.° 1189, localizados na Rua Siqueira Campos, em Porto Alegre/ RS. A operação produz uma serie de conseqüências benéficas ao sujeito passivo, que passou a deduzir as despesas mensais de R$ 20.000,00 de aluguel em seu Livro Caixa, do imóvel que há apenas 10 (dez) meses atrás era de sua propriedade. Além disso, o valor do encargo mensal junto ao Banco do Estado do Rio Grande do Sul, referente a parcela financiada de R$ 800.000,00 e de R$ 16.601,00, inferior ao aluguel pago. A fiscalização passou então a questionar se os referidos pagamentos a título de arrendamento e aluguel foram efetivamente realizados, ou se o Contrato de Arrendamento de Maquinas, Móveis e Equipamentos e o Contrato de Locação de Imóvel, firmados com a empresa Aline Manica &. Cia. Ltda., teriam sido formalizados com a única finalidade de utilizarse das respectivas despesas no Livro Caixa. Na existência de dúvidas quanto à idoneidade dos comprovantes de deduções pleiteadas, a norma contida no § 3° do artigo 11 do DecretoLei n.° 5.844/43 (art. 73 do RIR/ 1999), deve ser interpretada em consonância com o Parecer Cosit n.° 574, de 25/06/ 1991: 'O recibo, sendo instrumento da quitação de natureza particular, é admitido como meio de prova pelo fisco, desde que corroborado por outros elementos hábeis e idôneos, capazes de assegurarlhe exatidão.” A mera exibição de recibos não comprova a efetividade das pagamentos de arrendamento e aluguel, não possuindo poder probatório taxativo. Através da Intimação Fiscal de Diligência n.° 169/2005, encaminhada a empresa ALC Participações e Gestão Empresarial Ltda., e da Intimação Fiscal n.° 170/2005, remetida ao sujeito passivo, solicitaramse elementos comprobatórios que demonstrassem a veracidade dos fatos, mediante documentos bancários que levassem ã convicção das informações constantes nos recibos e Contratos de Arrendamento e Locação apresentados. Tanto a empresa diligenciada como o contribuinte fiscalizado, declaram que os valores foram transacionados em moeda corrente, apresentando somente as cópias dos recibos que já haviam sido apresentados anteriormente. A existência de contratos e recibos acobertando as despesas com arrendamento c aluguel não tem o condão de comprovar que as despesas foram efetivamente realizadas. No caso, a essência das Fl. 3303DF CARF MF 10 transações entre Sergio Afonso Manica e a empresa ALC deve prevalecer sobre seus aspectos formais. Os elementos colhidos no curso da Ação 'Fiscal evidenciam a existência de um negócio dissimulado, que desnuda a extensão valorativa dos recibos e contratos particulares apresentados, motivo pelo qual são glosadas as despesas com arrendamento, aluguel e os ressarcimentos de I.P.T.U. efetuadas nos anos calendário de 2001 e 2002.(...)(grifo nosso) Conforme se extrai do excerto encimado, a autoridade lançadora apontou diversos fatos os quais o levaram a solicitar documentação adicional que desse lastro as referidas despesas, o que não lhe foi apresentado. Pois bem! Como é de conhecimento do Colegiado, tenho o entendimento de que, a princípio, os recibos são instrumentos particulares que dão quitação a uma dívida, sendo emitidos pelos credores e que atendam às formalidades legais são hábeis a comprovar as deduções pleiteadas, salvo comprovação/indícios de inidoneidade destes documentos. Com relação à prova do efetivo pagamento, a autoridade lançadora apenas está autorizada a exigila na hipótese de ausência dos recibos na forma determinada pela legislação ou havendo fortes indícios de que a documentação apresentada seria inidônea. O fiscal, como já mencionado, contestou e/ou apontou a inidoneidade dos documentos apresentados pelo contribuinte e os fatos, trazendo diversos argumentos que convalidasse sua presunção, solicitando a real comprovação dos pagamentos. Apesar de não corroborar com todas os argumentos utilizados pelo Sr. Fiscal, em especial no que diz respeito ao quadro societário e única fonte de renda da empresa, in casu, entendo ter a autoridade lançadora agido da melhor forma ao solicitar a comprovação do pagamento, conforme excertos grifados. Nesse aspecto, não tendo o contribuinte comprovado o dispêndio mediante documentação hábil e idônea com arrendamento, aluguel e ressarcimento de IPTU, deve ser mantida a glosa. b) Despesas com planos de saúde e despesas médicas Conforme depreendese do Relatório Fiscal, a autoridade lançadora glosou os pagamentos aos convênios de assistência médica e hospitalar, e os valores pagos através dos recibos médicos e notas fiscais de medicamentos, por entender que não configuram despesas de custeio necessária à percepção da receita, senão vejamos: Os pagamentos aos convênios de assistência medica e hospitalar, Golden Cross e MAE Medicina Assistencial de Emergência Ltda, mantidos para seus empregados, e os valores pagos através dos recibos de despesas médicas e as notas fiscais e cupons fiscais com medicamentos, pagos por liberalidade, não são dedutíveis do livro caixa, por não configurarem despesas de custeio necessárias à percepção da receita e a manutenção da fonte produtora. Pois bem! Fl. 3304DF CARF MF Processo nº 11080.003346/200556 Acórdão n.º 2401005.774 S2C4T1 Fl. 7 11 Ao meu ver, os dispêndios ligados a melhoria do atendimento, da prestação do serviço, seja nos estímulos e gastos ao quadro funcional, seja na melhoria das instalações, seja na busca da satisfação do cliente, inseremse no quadro de negócios que ocorrem em nossa sociedade. A atuação no sentido de possuir quadro funcional e clientes satisfeitos está inserida no comportamento empresarial, assim ficando caracterizada, na maior parte dos casos, a vinculação das despesas à atividade exercida. A despesa deve estar relacionada com a atividade exercida, e sob este aspecto temse que o 5° Tabelionato firmou um contrato de prestação de serviços de cobertura médica com a empresa Golden Cross e MAE para proteção de seus auxiliares. O fato dos empregados contarem com a garantia de um plano de saúde consiste num grande diferencial para se cercar de bons profissionais e reduzir a rotatividade de mãodeobra, principalmente diante do atual quadro da saúde pública no Brasil, que beira a falência. Dito isto, resta evidente que tais despesas são de custeio de operação do contribuinte. Portanto, afasto referida glosa. c) Despesas com instrução O Sr. Fiscal chegou a seguinte conclusão, in verbis: Incabível a dedução do Livro Caixa dos pagamentos de despesas com instrução dos funcionários, tendo em vista que ditos dispêndios não constituem gastos imprescindíveis ao exercício profissional. Somente podem ser consideradas despesas com instrução, dedutíveis na declaração de ajuste anual, as despesas realizadas pelo declarante com a própria educação, e/ou dos dependentes relacionados na declaração, ou as realizadas na condição de alimentante em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, limitadas ao valor individual anual determinado pela legislação tributária para cada exercício. De pronto, fica estampado o equívoco da diligente AFRB ao confundir despesas com educação do contribuinte e/ ou de seus dependentes relacionados na DIRPF, com valores pagos a seus funcionários e passíveis de lançamentos como despesas no livro caixa da atividade “empresarial” do notário. Novamente devese analisar a despesa dentro do contexto da a atividade do contribuinte que exige conhecimentos sólidos de Direito e outras áreas para o desempenho de suas atividades. Fica muito claro pela análise que o pagamento das despesas com instrução para os seus colaboradores é mais do que imprescindível para o cumprimento da operação do recorrente. Não sendo o bastante, a Lei nº 8.935/94 (Lei Notarial), em seu artigo 21, assim determina: Art. 21. O gerenciamento administrativo e financeiro dos serviços notariais e de registro é da responsabilidade exclusiva Fl. 3305DF CARF MF 12 do respectivo titular, inclusive no que diz respeito às despesas de custeio, investimento e pessoal, cabendolhe estabelecer normas, condições e obrigações relativas à atribuição de funções e de remuneração de seus prepostos de modo a obter a melhor qualidade na prestação de serviços. (grifo nosso). Senão fosse suficiente a previsão, em comparação entre as despesas dedutíveis das pessoas jurídicas com o caso em apreço. Especificamente sobre as despesas de instrução e sua dedutibilidade estabelece o regramento do art. 368 do RIR/ 99: Art. 368 Poderão ser deduzidas, como despesa operacionais, os gastos realizados com afirmação profissional de empregados. Neste diapasão, afasto a glosa debatida d) Despesas com alimentação, mensalidades de clube e aluguel de quadra esportiva. No presente ponto, acompanha o Termo de Verificação Fiscal e o Acórdão recorrido, no sentido de que o pagamento realizado à título de alimentação, mensalidades de clube e aluguel de quadra esportiva, compreendo que essas despesas caracterizaramse como alheias ao contrato de trabalho, e desvinculadas da formação da receita. Não sendo útil para a manutenção do tabelionato e/ou para o custeio de sua operação. Assim, mantenho referida glosa. f) Despesas com materiais permanentes/projetos e reformas De acordo o lançamento, caracterizamse como aplicação de capital (não se caracterizam como despesas de custeio, art. 75, III RIR/ 1999). Não são consideradas despesas dedutíveis os valores pagos na aquisição de bens ou direitos, ainda que indispensáveis ao exercício da atividade profissional, cuja vida útil ultrapasse o período de um exercício, e que não sejam consumíveis, isto é, não se extingam com sua mera utilização. Tais dispêndios, na legislação do imposto de renda são considerados aplicações de capital, devendo ser informados na declaração de bens e direitos da declaração de ajuste anual pelo preço de aquisição e, quando alienados, devese apurar o ganho de capital. Caberia ao contribuinte provar que as despesas em comento serviram para manutenção do ambiente de trabalho (limpeza, pintura, jardinagem etc), não o fazendo, incabível afastar a glosa. g) Despesas não necessárias Os gastos assinalados como serviços de jardinagem, conservação de floreiras, produtos de bazar, velas, troféus e placas, ao meu ver, são considerados como necessários à atividade desenvolvida pelo contribuinte, sendo glosadas as despesa constantes nos respectivos documentos. Todas as despesas devem ser analisadas em um contexto e não de forma isolada, ou como se estivesse analisando um profissional autônomo com uma ou duas secretárias. Como atividade empresarial que disputa no mercado seus clientes na constante busca pela excelência na prestação dos serviços, com a criação de um espírito de equipe entre seus funcionários, localização e infraestrutura adequada aos clientes e usuários, Fl. 3306DF CARF MF Processo nº 11080.003346/200556 Acórdão n.º 2401005.774 S2C4T1 Fl. 8 13 dentre outras. Não se conquista espaço num mercado fechado, sem incidir em despesas com divulgação de seu diferencial competitivo. Outro diferencial da atividade notarial que deve ser considerada é que o tipo de despesas glosadas se constituem na única forma de publicidade permitida, haja vista a vedação existente, dentre servidores notariais e registrais, da prática de propaganda, que representaria uma concorrência efetiva, fato este que os Órgãos Jurisdicionais e Correcionais não admitem. Todas as demais pequenas despesas foram necessárias ao bom funcionamento do Tabelionato, ou não seria necessário comprar flores decorativas e pagar pelos serviços de jardinagem do ambiente de trabalho (por exemplo)? Dito isto, é de se manter a ordem legal, para afastar a glosa dessas despesas. INTIMAÇÃO PARA OS ADVOGADOS Sobre a matéria o Enunciado de Súmula CARF n.º 110 assim dispõe: Súmula CARF nº 110 No processo administrativo fiscal, é incabível a intimação dirigida ao endereço de advogado do sujeito passivo. Por isso, sem razão o recorrente. Quanto às demais alegações da contribuinte, não merece aqui tecer maiores considerações, uma vez não serem capazes de ensejar a reforma da decisão recorrida, especialmente quando desprovidos de qualquer amparo legal ou fático, bem como já devidamente rechaçadas pelo julgador de primeira instância. Por todo o exposto, estando os lançamentos sub examine em consonância parcial com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO e, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO para afastar a glosa referentes às seguintes despesas com plano de saúde e médicas, com instrução e não necessárias, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Voto Vencedor Matheus Soares Leite Redator Designado Peço vênia ao Ilmo. Relator para discordar de seu voto apenas na parte em que afastou a glosa referente às despesas “não necessárias” (c.f. Item 17 do Relatório Fiscal), pois, ao meu juízo, os gastos com serviços de jardinagem, conservação de floreiras, produtos de bazar, funerária, velas, troféus, placas, colchão, show musical, coral, cartões de natal, cartões de aniversário, convites/cartazes e presentes, não se enquadram no disposto no art. 75, Fl. 3307DF CARF MF 14 inciso III, do Regulamento do Imposto de Renda – RIR/1999, que contemplou somente as despesas de custeio pagas, indispensáveis à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. Assim, não sendo despesas necessárias à atividade desenvolvida pelo recorrente, entendo que foi correta a decisão de piso que, neste ponto, manteve a glosa. Ante o exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário para, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, a fim de afastar a glosa referentes às despesas com plano de saúde e médicas, bem como as de instrução. É como voto. (assinado digitalmente) Matheus Soares Leite Fl. 3308DF CARF MF
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Numero do processo: 10907.721171/2015-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 07/07/2010
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. BIS IN IDEM.
Frustrada, por decisão do Poder Judiciário, a aplicação da pena de perdimento de mercadorias objeto de operação de importação, não configura bis in idem a posterior exigência de diferença de tributos, multas diversas e juros moratórios.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 07/07/2010
ICMS NA BASE CÁLCULO CONTRIBUIÇÕES. APLICAÇÃO DE DECISÃO STF. COFINS. BASE DE CÁLCULO. ART. 7º, I, LEI Nº 10.865/04. INCONSTITUCIONALIDADE. REPERCUSSÃO GERAL. OBSERVÂNCIA.
O Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade, em sede de repercussão geral, do art. 7º, I da Lei nº 10.865/04, que previa a inclusão do ICMS e das próprias contribuições na apuração do PIS/PASEP Importação e Cofins Importação, cuja observância neste sodalício é obrigatória, por força das disposições do art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/15.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 07/07/2010
ICMS NA BASE CÁLCULO CONTRIBUIÇÕES. APLICAÇÃO DE DECISÃO STF. PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. ART. 7º, I, LEI Nº 10.865/04. INCONSTITUCIONALIDADE. REPERCUSSÃO GERAL. OBSERVÂNCIA.
O Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade, em sede de repercussão geral, do art. 7º, I da Lei nº 10.865/04, que previa a inclusão do ICMS e das próprias contribuições na apuração do PIS/PASEP Importação e Cofins Importação, cuja observância neste sodalício é obrigatória, por força das disposições do art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/15.
Numero da decisão: 3401-005.162
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para excluir o valor do ICMS e das próprias contribuições da base de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEP-importação e da COFINS-Importação.
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Mara Cristina Sifuentes - Relatora.
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: MARA CRISTINA SIFUENTES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para excluir o valor do ICMS e das próprias contribuições da base de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEP-importação e da COFINS-Importação. Rosaldo Trevisan - Presidente. (assinado digitalmente) Mara Cristina Sifuentes - Relatora. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado.
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BIS IN IDEM. Frustrada, por decisão do Poder Judiciário, a aplicação da pena de perdimento de mercadorias objeto de operação de importação, não configura bis in idem a posterior exigência de diferença de tributos, multas diversas e juros moratórios. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 07/07/2010 ICMS NA BASE CÁLCULO CONTRIBUIÇÕES. APLICAÇÃO DE DECISÃO STF. COFINS. BASE DE CÁLCULO. ART. 7º, I, LEI Nº 10.865/04. INCONSTITUCIONALIDADE. REPERCUSSÃO GERAL. OBSERVÂNCIA. O Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade, em sede de repercussão geral, do art. 7º, I da Lei nº 10.865/04, que previa a inclusão do ICMS e das próprias contribuições na apuração do PIS/PASEP Importação e Cofins Importação, cuja observância neste sodalício é obrigatória, por força das disposições do art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/15. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 07/07/2010 ICMS NA BASE CÁLCULO CONTRIBUIÇÕES. APLICAÇÃO DE DECISÃO STF. PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. ART. 7º, I, LEI Nº 10.865/04. INCONSTITUCIONALIDADE. REPERCUSSÃO GERAL. OBSERVÂNCIA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 7. 72 11 71 /2 01 5- 19 Fl. 377DF CARF MF 2 O Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade, em sede de repercussão geral, do art. 7º, I da Lei nº 10.865/04, que previa a inclusão do ICMS e das próprias contribuições na apuração do PIS/PASEP Importação e Cofins Importação, cuja observância neste sodalício é obrigatória, por força das disposições do art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/15. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para excluir o valor do ICMS e das próprias contribuições da base de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEPimportação e da COFINSImportação. Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Mara Cristina Sifuentes Relatora. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado. Relatório O relatório que consta no acórdão recorrido e que bem reproduz os fatos consta que: Trata este processo de auto de infração lavrado para exigência de diferença de tributos (Imposto de Importação II, Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, PIS Importação e COFINSImportação), bem como de multas agravadas (150%) e juros moratórios, além de multa administrativa em razão da diferença encontrada entre o preço declarado e o arbitrado das mercadorias importadas, no valor total de R$ 134.917,04. De acordo com os autos, a fiscalização embasou a autuação nos seguintes fatos: · Em 07/07/2010, a empresa registrou a Declaração de Importação nº 10/11407495 com a finalidade de nacionalizar máquinas e suas partes, instruída pela fatura comercial nº EL 0510/10, emitida pela empresa EXTEND LIGHT MACHINERY CO. LTD., de Taiwan; · a DI, direcionada para o canal cinza de parametrização, foi incluída em procedimento especial de controle aduaneiro, Fl. 378DF CARF MF Processo nº 10907.721171/201519 Acórdão n.º 3401005.162 S3C4T1 Fl. 378 3 previsto no art. 21 da IN SRF nº 680/2006, diante de indícios de falsidade na declaração dos valores das mercadorias; · Mediante análise da lista de preços emitida pelo exportador e comparação com preços praticados em outras operações de importação do mesmo exportador e/ou produtor, restou o entendimento de que os preços declarados representavam, aproximadamente, 45% do efetivo valor das mercadorias; · foi aplicada a pena de perdimento das mercadorias, ao teor do disposto pelos incisos VI e VII, do artigo 105, do Decretolei nº 1.455/1976, processo administrativo nº 10907.001540/201031; · a interessada ingressou com o mandado de segurança nº 500096784.2010.404.7008, no qual pleiteou o desembaraço das mercadorias importadas, obtendo a decisão liminar que determinou a liberação das mercadorias apreendidas, mediante depósito em juízo da diferença do valor devido; [...] A fiscalização lavrou o auto de infração para cobrança da diferença de tributos e multa, suspendendo os efeitos até a decisão judicial final. Cientificada pessoalmente do auto de infração, a empresa apresentou impugnação e documentos, onde: 1. Solicitou a nulidade do presente auto de infração por já ter sido autuada no processo nº 10907.001540/201031, que aplicou o perdimento da mercadoria, estando aguardando decisão do mandado de segurança nº 500096784.2010.404.7008; 2. A lavratura de novo auto de infração acerca dos mesmos fatos configura bis in idem, prática vedada por nosso ordenamento jurídico; 3. Da leitura do auto de infração nº 0917800/32285/10, cujos fatos também amparam o presente auto de infração, notase que para averiguação do subfaturamento utilizou se como parâmetro o preço praticado na venda direta a consumidores, sem considerar que a ora impugnante se trata de revendedora das máquinas; 4. As mercadorias comparadas de outras importações possuem características diferenciadas, como a potência de motor, fato que interfere substancialmente nos preços praticados; 5. O art. 88 da Medida Provisória nº 2.15835/2001, estabelece a ordem e os critérios que podem e devem ser adotados pela fiscalização para averiguação do valor das mercadorias importadas. A DRJ São Paulo, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido, nos seguintes termos: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Data do fato gerador: 07/07/2010 Fl. 379DF CARF MF 4 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. BIS IN IDEM. Frustrada, por decisão do Poder Judiciário, a aplicação da pena de perdimento de mercadorias objeto de operação de importação, não configura bis in idem a posterior exigência de diferença de tributos, multas diversas e juros moratórios. PREÇO DE IMPORTAÇÃO. FRAUDE. Para exigência das diferenças de tributos que deixaram de ser recolhidas, acrescidas das multas aplicáveis e dos juros de mora, a apuração dos preços efetivamente praticados na importação deve ser realizada observandose as determinações contidas no artigo 88 da Medida Provisória nº 2.15835/2001, no caso de caracterização de fraude. A empresa apresenta Recurso Voluntário, onde, repetindo os pleitos anteriores solicita: 1) Nulidade do Auto de Infração pela vedação do Bis in Idem; 2) Não configuração do subfaturamento, pela utilização de DI´s paradigmas que não representam as mesmas circunstâncias negociais; 3) Sobrestamento da aplicação da multa qualificada até que seja decidido o recurso especial pelo STF; 4) Aplicação da decisão em recurso repetitivo do STF sobre a retirada do ICMS da base de cálculo do Pis e do Cofins. É o relatório. Voto Conselheira Mara Cristina Sifuentes, relatora. O Recurso Voluntário preenche as condições de admissibilidade e tempestividade, por isso dele tomo conhecimento. Preliminarmente a recorrente alega que os fatos descritos no presente auto de infração já foram objeto do auto nº 0917800/32285/10, lavrado em 05/10/10, que aplicou a pena de perdimento às mercadorias importadas pela DI nº 10/11407495. Contra o primeiro auto de infração a recorrente ingressou com Mandado de Segurança, obtendo a liminar que determinou o imediato desembaraço das mercadorias e depósito do valor referente à multa administrativa e aos acréscimos legais, previsto no art. 703 do Regulamento Aduaneiro e art. 88 da Medida Provisória nº 2.15835/2001. No entendimento do D. Juiz o subfaturamento é mera infração administrativa sujeita à pena de multa e lançamento suplementar dos tributos devidos, podendo eventual diferença de tributos ser objeto de lançamento de ofício. A RFB em Paranaguá apresentou a memória de cálculo dos valores devidos para que fosse efetuado o depósito judicial: Fl. 380DF CARF MF Processo nº 10907.721171/201519 Acórdão n.º 3401005.162 S3C4T1 Fl. 379 5 Em 30/03/2011 a liminar foi confirmada e concedida a segurança pleiteada. E logo em seguida, por meio de julgamento dos embargos de declaração, foi esclarecido que não houve anulação do auto de infração, mas apenas a liberação da mercadoria. Em julgamento, no dia 04/09/2013 no TRF4, o colegiado decidiu pela anulação do auto de infração e afastamento da pena de perdimento, sem prejuízo do pagamento da multa pela infração aduaneira. E que a prestação de garantia não era cabível na hipótese em que subsiste apenas a acusação de subfaturamento, sendo que a cobrança das diferenças tributárias ocorreria posteriormente mediante lançamento suplementar. A União apresentou Recurso Especial ao STJ que não foi conhecido, restando transitado em julgado o r. acórdão. Com a autorização judicial para o levantamento do depósito efetuado, a Alfândega de Paranaguá, fls. 268 a 269, se posicionou em 16/06/2015, pela necessidade de se constituir os créditos tributários referentes às diferenças de tributos e multa do art. 703 do RA, para se prevenir a decadência, considerando que o primeiro auto de infração foi anulado judicialmente e que não existiriam mais os depósitos judiciais suspendendo o crédito tributário. Em 03/07/2015 foi dado ciência do novo auto de infração (nº 09178/00104/15), por meio do qual foi constituído CT relativo à multa e diferença de tributos em operação de importação (DI nº 10/11407495), em face do contido no processo administrativo nº 10907.001540/201031. Como se conclui, a partir do relato dos fatos, a pena de perdimento foi afastada por decisão judicial e o auto de infração foi anulado. Não haveria outra maneira de garantir o crédito tributário se não por meio de novo lançamento, sendo inclusive aventada a possibilidade na decisão judicial. Não vislumbro, portanto, a ocorrência do bis in idem, conforme alegado pela recorrente, já que o novo auto de infração foi lavrado pela cobrança da diferença de tributos e multa administrativa, teor diferente do primeiro auto de infração que tratava do perdimento da mercadoria, e estava sujeito a rito de contencioso administrativo sumário. Quanto a alegação de ausência de fundamentação legal para a presunção de subfaturamento, e que existem diferenças a serem consideradas nos preços, quer seja por a empresa ser revendedora (diferentemente das outras empresas que são consumidoras finais), quer seja por se tratar de máquinas com características diferentes, peço vênia para reproduzir parte da decisão da DRJ: A defesa alegou que para averiguação do subfaturamento utilizouse como parâmetro o preço praticado na venda direta a consumidores, sem considerar que a impugnante se trata de revendedora das máquinas. Tal alegação da impugnante não se Fl. 381DF CARF MF 6 comprova pelos documentos apresentados. Não há nos autos nenhum contrato formal firmado entre a exportadora e a importadora, ora impugnante, que demonstre eventual redução do preço de venda para exportação, bem como não foram apresentadas listas de preços diferenciadas ou condições especiais de aquisição das mercadorias em razão da sua suposta condição de revendedora, de modo a justificar as grandes diferenças de preços apontadas pela fiscalização. Outra alegação da impugnante referese as diferentes características apresentadas pelas máquinas paradigmas consideradas pela fiscalização, como a potência do motor, fato que interfere substancialmente nos preços praticados mas que não foi observado. Nesse sentido, argumentou que a fiscalização comparou a máquina GY610SS, objeto da DI nº 10/06638700, do dia 26/04/2010, declarada por USD 46.310,00, com a máquina objeto da DI em questão, declarada por USD 23.000,00, sem considerar, no entanto, a menor potência do motor. Examinemos, então, as principais características das máquinas comparadas pela fiscalização. Características da máquina GY 610SS, importada pela DI nº 10/11407495, adição nº 001, registrada em 07/07/2010 (fl. 71): Descrição Detalhada da Mercadoria: MÁQUINA PLAINA DE DUAS FACES GY610SS COM ACESSÓRIOS PADRÕES INCLUÍDOS (Para trabalhar madeira), NÚMERO DE SÉRIE 610SS57, MARCA: EXTEND LIGHT MACHINERY CO. LTD., GY 610SS AUTO DOUBLÉ SURFACE PLANER WITH STANDARD ACESSORIES INCLUDED, 380V/60HZ.; Exportador/Fabricante/Produtor: EXTEND LIGHT MACHINERY CO. LTD.; País: FORMOSA (TAIWAN); VMCV: US$ 23.000,00. Características da máquina GY610SS, importada pela DI nº 10/06638700 (paradigma), adição nº 001, registrada perante à DRF de Itajaí em 26/04/2010 (fls. 44 e 45): Descrição Detalhada da Mercadoria: MÁQUINA PARA TRABALHAR MADEIRA, PLAINA DE DUAS FACES AUTOMÁTICA, DE 24” (610MM), COM OS SEGUINTES ACESSÓRIOS PADRÃO: PASTILHAS INTERCAMBIÁVEIS DE 30X12X2,5, CORREIA PARA PLAINA, MANGUEIRA DE LUBRIFICAÇÃO PARA PLAINA, MOTOR DO CABEÇOTE SUPERIOR: 50HP, MOTOR DO CABEÇOTE INFERIOR: 40HP, MOTOR DE ALIMENTAÇÃO: 7,5HP (INVERSOR 10HP), MOTOR DE ELEVAÇÃO: 2HP, LARGURA MÁXIMA DE TRABALHO 610MM, ESPESSURA MÁXIMA DE TRABALHO: 200MM, COMPRIMENTO MÍNIMO DE TRABALHO: 300MM, CABEÇOTE EM ESPIRAL: 8 LINHAS / 30X12X2,5 – DIÂMETRO 150MM, MARCA: EXTEND LIGHT MACHINERY CO. LTD., FABRICADA EM TAIWAN, NÚMERO DE SÉRIE: 610SS56, MOTOR 380V/60HZ; Exportador/Fabricante/Produtor: EXTEND LIGHT MACHINERY CO. LTD.; País: FORMOSA (TAIWAN); VMCV: US$ 46.310,00. Atendendo à solicitação da Alfândega da Receita Federal do Brasil de Paranaguá, a DRF de Itajaí encaminhou a documentação apresentada para instrução da DI paradigma nº 10/06638700, inclusive a fatura comercial e uma lista de preços expedida pela exportadora EXTEND LIGHT MACHINERY CO. LTD. (fls. 45 a 47). Mesmo entendendo que as máquinas objeto das duas DI eram iguais, inclusive com números de série sequenciais, a fiscalização Fl. 382DF CARF MF Processo nº 10907.721171/201519 Acórdão n.º 3401005.162 S3C4T1 Fl. 380 7 solicitou laudo técnico para o perfeito enquadramento da máquina objeto da adição nº 001, da DI nº 10/11407495, bem como do equipamento descrito pela adição nº 002, da mesma DI. O assistente técnico designado para o caso produziu o Laudo Técnico nº 12/12, cuja resposta apresentada em atenção ao quesito nº 3 permite entender que a máquina analisada (adição 001, da DI nº 10/11407495) tratase do modelo mais caro da citada lista de preços, ofertada por US$ 51.360,00, conforme fls. 47 e 48, abaixo reproduzidas: [...] Diante desses fatos, correta a conclusão da fiscalização de que o valor declarado (US$ 23.000,00) representa apenas 45% do valor da máquina importada (US$ 51.360,00). Adicionalmente, visando comprovar a falsidade da fatura apresentada pela interessada, a fiscalização analisou outras importações da mesma máquina, observando também o mesmo exportador e/ou fabricante. Características da máquina NT610SS, importada pela adição nº 001, da DI nº 07/12454866 (paradigma) (fl. 49): Descrição Detalhada da Mercadoria: AUTO DOUBLE SURFACE, MODEL NT610SS, UPPER MOTOR: 50 HP, BOTTOM MOTOR: 40HP, 380 V, 60 HZ, SERIAL NUMBER: NT610SS48, MÁQUINA PLAINA DE DUAS FACES, MODELO NT 610SS, MARCA: EXTEND LIGHT MACHINERY CO., NÚMERO DE SÉRIE: NT610SS45; Exportador/Fabricante/Produtor: EXTEND LIGHT MACHINERY CO. LTD.; País: FORMOSA (TAIWAN); VMCV: US$ 45.950,00. Características da máquina NT 610SS, importada pela adição nº 001, da DI nº 07/17381018 (paradigma) (fl. 49): Descrição Detalhada da Mercadoria: MÁQUINA PLAINA DE DUAS FACES, MODELO NT610SS, UPPER MOTOR: 50HP, BOTTOM MOTOR: 40 HP, 380V/6OHZ, MARCA: EXTEND LIGHT MACHINERY CO. LTD., DIMENSÕES: 3050 X 2230 X 1950 MM, SÉRIE NR: NT 610SS53 (AUTO DOUBLE SURFACE MODEL:NT610SS) COMPLETA COM TODOS OS ACESSÓRIOS NECESSÁRIOS PARA SEU FUNCIONAMENTO INICIAL; Exportador/Fabricante/Produtor: EXTEND LIGHT MACHINERY CO. LTD.; País: FORMOSA (TAIWAN); VMCV: US$ 45.950,00. Os documentos acima demonstram que o valor da máquina no ano de 2007 era de US$ 45.950,00, valor esse que era de conhecimento da impugnante (FAR EAST), que inclusive participou do negócio que redundou na importação acobertada pela DI nº 07/17381018, conforme demonstra o documento de fl. 52, apresentado pela fiscalização como prova de seus argumentos: [...] Improcede, portanto, a alegação da defesa de que as características das máquinas comparadas não foram corretamente observadas pela fiscalização. Além disso, a significativa diferença observada entre os preços declarados pela impugnante e os preços declarados por outros importadores dos mesmos produtos faz desacreditar as informações constantes da fatura comercial nº EL0510/10, diante da ausência de explicações convincentes por parte da Fl. 383DF CARF MF 8 impugnante. Diferentemente do que alegou a defesa, não há nenhuma comprovação de que a lista de preços apresentada pela fiscalização destinase exclusivamente a consumidores finais. O mesmo ocorreu quando a fiscalização efetuou a comparação do valor declarado para a máquina RS365N, objeto da adição nº 002, da DI nº 10/11407495, com a importação dessa mesma máquina por outro importador. Características da máquina RS365N, importada pela DI nº 10/11407495, adição nº 002, registrada em 07/07/2010 (fls. 71 e 72): Descrição Detalhada da Mercadoria: MÁQUINA REFILADEIRA SERRA ÚNICA (Para trabalhar Madeira) NÚMERO DE SÉRIE:4062, MARCA: CARPENTER MACHINERY CO. LTD., RS365N STRAIGHT LINE RIP SAW BRAND: CARPENTER MACHINERY CO. LTD.; Exportador: EXTEND LIGHT MACHINERY CO. LTD.; País: FORMOSA (TAIWAN); Fabricante/Produtor: CARPENTER LIGHT MACHINERY CO. LTD.; País: FORMOSA (TAIWAN); VMCV: US$ 3.200,00. Características da máquina RS365N, importada pela DI nº 09/03553036 (paradigma), adição nº 003, registrada em 23/03/2009 (fl. 53): Descrição Detalhada da Mercadoria: MÁQUINA SERRA ÚNICA CIRCULAR DE SERRAR MADEIRAS COM ACESSÓRIOS PADRÃO, MODELO: RS365N, NÚMERO DE SÉRIE: 4042, MARCA: CARPENTER MACHINERY CO. LTD., 380V/60HZ; Exportador: EXTEND LIGHT MACHINERY CO. LTD.; País: FORMOSA (TAIWAN); Fabricante/Produtor: CARPENTER LIGHT MACHINERY CO. LTD.; País: FORMOSA (TAIWAN); VMCV: US$ 6.850,00. A comparação dos valores declarados nas duas operações de importação revela que o preço declarado para a adição nº 002, da DI nº 10/11407495 (US$ 3.200,00), representa apenas 47% do real valor da máquina importada (US$ 6.850,00). Também nessa importação há registro documental da participação da impugnante (FAR EAST) no negócio realizado, conforme consta do documento de fl. 54, reproduzido a seguir: ... Tal documento, além de fazer prova contra a impugnante, evidencia a inidoneidade do conteúdo da fatura comercial nº EL0510/10, conforme concluiu a fiscalização. Não muito diferente foi a conclusão que chegou a fiscalização após efetuar a comparação do valor declarado para a máquina AF34, objeto da adição nº 003, da DI nº 10/11407495, com a importação dessa mesma máquina por outro importador. Características da máquina AF34, importada pela DI nº 10/1140749 5, adição nº 003, registrada em 07/07/2010 (fls. 72 e 73): Descrição Detalhada da Mercadoria: AVANÇO ALIMENTADOR COM SUPORTE AF34 AF34 – FEEDER WITH SUPPORT – 360V/60HZ; Exportador: EXTEND LIGHT MACHINERY CO. LTD.; País: FORMOSA (TAIWAN); Fabricante/Produtor: COMATIC MACHINERY CO.; País: FORMOSA (TAIWAN); VMCV: US$ 160,00. Características da máquina RS365N, importada pela DI nº 09/03553036 (paradigma), adição nº 003, registrada em 23/03/2009 (fl. 53): Descrição Detalhada da Mercadoria: AF34 AVANÇO ALIMENTADOR DE 3 RODAS TENSÃO 220V/60HZ; Exportador: LEADERMAC MACHINERY CO. LTD.; País: FORMOSA (TAIWAN); Fl. 384DF CARF MF Processo nº 10907.721171/201519 Acórdão n.º 3401005.162 S3C4T1 Fl. 381 9 Fabricante/Produtor: COMATIC MACHINERY CO. LTD; País: FORMOSA (TAIWAN); VMCV: US$ 600,00. Nesse caso, o preço declarado para a máquina descrita pela adição nº 003, da DI nº 10/11407495 (US$ 160,00), representa apenas 27% do preço encontrado na importação da mesma máquina por outro importador (US$ 600,00). Enfim, a impugnante não logrou demonstrar que os equipamentos comparados são diferentes, ao contrário, as provas apresentadas pela fiscalização se mostraram robustas e adequadas ao caso, a ponto de justificar o afastamento da fatura comercial nº EL 0510/10, por não refletir os preços realmente praticados na operação de importação em questão, com o claro objetivo de iludir parcialmente o pagamento dos tributos devidos. Conforme dispõe o artigo 17 do Acordo de Valoração Aduaneira – AVA/GATT, as administrações aduaneiras têm o direito de se assegurarem da veracidade e exatidão das declarações apresentadas para fins de valoração aduaneira (negritos meus): “Artigo 17 Nenhuma disposição deste Acordo poderá ser interpretada como restrição ou questionamento dos direitos que têm as administrações aduaneiras de se asseguraram de veracidade ou exatidão de qualquer afirmação, documento ou declaração apresentados para fins de valoração aduaneira.” Quando a autoridade aduaneira entender, justificadamente, que as informações prestadas não merecem fé, deverá solicitar do importador as explicações necessárias. No caso do não fornecimento destas informações ou sendo insuficientes as explicações dadas, a autoridade aduaneira poderá desconsiderar o valor de transação declarado, desde que fundamentadas suas razões. Tal questão se encontra regulamentada pelo artigo 82 do Decreto 6.759/2009 Regulamento Aduaneiro (negritos meus): “Art. 82. A autoridade aduaneira poderá decidir, com base em parecer fundamentado, pela impossibilidade da aplicação do método do valor de transação quando (Acordo de Valoração Aduaneira, Artigo 17, aprovado pelo Decreto Legislativo nº 30, de 1994, e promulgado pelo Decreto nº 1.355, de 1994): I houver motivos para duvidar da veracidade ou exatidão dos dados ou documentos apresentados como prova de uma declaração de valor; e II as explicações, documentos ou provas complementares apresentados pelo importador, para justificar o valor declarado, não forem suficientes para esclarecer a dúvida existente.” Tratandose de fraude envolvendo o valor aduaneiro declarado, a base de cálculo dos tributos e demais direitos incidentes deve ser determinada conforme o disposto pelo artigo 88 da Medida Provisória nº 2.15835/2001 (negritos meus): Art. 88. No caso de fraude, sonegação ou conluio, em que não seja possível a apuração do preço efetivamente praticado na importação, a base de cálculo dos tributos e demais direitos incidentes será determinada mediante arbitramento do preço da mercadoria, em conformidade com um dos seguintes critérios, observada a ordem seqüencial: I preço de exportação para o País, de mercadoria idêntica ou similar; Fl. 385DF CARF MF 10 II preço no mercado internacional, apurado: a) em cotação de bolsa de mercadoria ou em publicação especializada; b) de acordo com o método previsto no Artigo 7 do Acordo para Implementação do Artigo VII do GATT/1994, aprovado pelo Decreto Legislativo no 30, de 15 de dezembro de 1994, e promulgado pelo Decreto no1.355, de 30 de dezembro de 1994, observados os dados disponíveis e o princípio da razoabilidade; ou c) mediante laudo expedido por entidade ou técnico especializado. Parágrafo único. Aplicase a multa administrativa de cem por cento sobre a diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado na importação ou entre o preço declarado e o preço arbitrado, sem prejuízo da exigência dos impostos, da multa de ofício prevista no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996, e dos acréscimos legais cabíveis. A teor do disposto pelo artigo 88, caput, da MP nº 2.158 35/2001, entendeu a fiscalização que não há que se falar em arbitramento do preço das mercadorias, já que essa hipótese deve ser utilizada apenas nos casos em que não seja possível a apuração “do preço efetivamente praticado na importação”. De fato, no caso, a fiscalização teve acesso ao real valor da mercadoria descrita na adição 001, da DI nº 10/11407495, conforme lista de preços emitida pelo próprio exportador. Da mesma forma, para a mercadoria objeto da adição 002, da mesma DI, o preço declarado foi comparado com outras importações, tendo restado comprovado que o valor apontado na fatura representava 47% do seu valor real. Ao cabo de seus trabalhos, concluiu a fiscalização que os preços declarados na DI nº 10/11407495 representam apenas 45% dos preços efetivamente praticados na operação de importação, tendo sido esse o percentual utilizado no cálculo dos preços praticados na DI. De qualquer forma, todos os valores apresentados pela fiscalização como paradigmas referemse a preços de exportação para o nosso país de mercadorias idênticas/similares. Destarte, resta sem sentido o argumento apresentado pela defesa de que o referido artigo 88 da Medida Provisória nº 2.15835/2001 estabelece a ordem e os critérios que podem e devem ser adotados. Com efeito, o que se vê neste feito é que a impugnante não conseguiu infirmar as conclusões da fiscalização sobre a declaração de valores aduaneiros inverídicos na DI nº 10/11407495. (grifos nossos) Conforme esclarecido no acórdão recorrido, não restam dúvidas a respeito da metodologia aplicada para se chegar ao valor das mercadorias: restou comprovado que se tratavam das mesmas mercadorias, inclusive amparado por laudo técnico solicitado pela fiscalização; a recorrente não logrou comprovar que seus preços deveriam ser diferenciados por ser revendedora das máquinas e não consumidora final; a fiscalização demonstrou que cumpriu os critérios estabelecidos na MP nº 2.15835/2001. Pelo exposto, acompanho o posicionamento da DRJ quanto à definição do valor das mercadorias. Fl. 386DF CARF MF Processo nº 10907.721171/201519 Acórdão n.º 3401005.162 S3C4T1 Fl. 382 11 Em seguida, a recorrente solicita que seja sobrestada a aplicação da multa qualificada até que seja decidido o recurso especial pelo STF, pois foi aplicada a multa de 150%, conforme art. 44, inciso I e § 1º da Lei nº 9.430/96. Pelas alegações da recorrente: Na remota hipótese de não se acolher os argumentos anteriormente trazidos, mostrase imperioso reconhecer o caráter confiscatório das multas aplicadas na espécie. Conforme se verifica do auto de infração, pretendese a cobrança em face da ora recorrente, além de tributos complementares, de multa correspondente ao valor da diferença entre o valor declarado e o valor que foi arbitrado pelo fisco, bem como da multa qualificada de 150% (cento e cinquenta por cento) em razão do suposto intuito de fraude. Tema: 863 – Limites da multa fiscal qualificada em razão de sonegação, fraude ou conluio, tendo em vista a vedação constitucional ao efeito confiscatório. Ao reconhecer a Repercussão Geral sobre o Tema, entendeu o E. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL da seguinte forma: EMENTA: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. TRIBUTÁRIO. MULTA FISCAL QUALIFICADA. SONEGAÇÃO, FRAUDE E CONLUIO. 150% SOBRE A TOTALIDADE OU DIFERENÇA DO IMPOSTO OU CONTRIBUIÇÃO NÃO PAGA, NÃO RECOLHIDA, NÃO DECLARADA OU DECLARADA DE FORMA INEXATA (ATUAL § 1º C/C O INCISO I DO CAPUT DO ARTIGO 44 DA LEI FEDERAL Nº 9.430/1996). VEDAÇÃO AO EFEITO CONFISCATÓRIO. MATÉRIA CONSTITUCIONAL. QUESTÃO RELEVANTE DOS PONTOS DE VISTA ECONÔMICO E JURÍDICO. TRANSCENDÊNCIA DE INTERESSES. REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. (RExt no.736.090) Como sabido, a Portaria MF nº 586/2010, acrescentou o artigo 63A, parágrafo 1º, ao Regimento Interno do CARF, dispondo que "ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B", do CPC. Desta forma, diante da Repercussão Geral sobre o caráter confiscatório das multas aplicadas na espécie, imperiosa a aplicação do mencionado dispositivo, com o sobrestamento do presente recurso até decisão do E. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, adotandose, pois, o posicionamento que será deliberado pela Excelsa Corte. Ocorre que o E. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL vem reconhecendo o caráter confiscatório destas multas, temas que atualmente são objeto de repercussão geral, a saber: Fl. 387DF CARF MF 12 O sobrestamento previsto na Portaria MF nº 586/2010, artigo 63A, parágrafo 1º, foi revogado pela Portaria MF nº 545, de 18/11/2013: Art. 1º Revogar os parágrafos primeiro e segundo do art. 62A do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, publicada no DOU de 23 de junho de 2009, página 34, Seção 1, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Após foi publicada a Portaria MF nº 343/2015, com o novo regimento interno do CARF, que não reproduziu o instituto do sobrestamento, o que demonstra a opção por não acolher, nesse ponto, as determinações do Código de Processo Civil. Tratase de opção administrativa de não se adotar a providência, implicando o julgamento do processo à luz da legislação e jurisprudência vigentes. Oportuno destacar que a observância obrigatória das decisões do Supremo Tribunal Federal, em repercussão geral, conforme art. 62 do RICARF, somente são exigíveis após o trânsito em julgado, consoante o art. 1.040, caput, do CPC (Lei nº 13.105/15) e art. 28 da Lei nº 9.868/99, o que não ocorre com o RE 736.090. Como a contenda imposto cingese apenas ao pedido de sobrestamento, sem adentrar no mérito da aplicação da multa, voto por não acolher o sobrestamento proposto. Também solicita a recorrente o reconhecimento da inconstitucionalidade da exigência de PIS e Cofins sobre o valor da mercadoria, tema em repercussão geral no STF: Ainda em sede de argumentação subsidiário, necessário ressaltar que o SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, em julgamento de Repercussão Geral, reconheceu a inconstitucionalidade da norma que obrigava os importadores ao recolhimento das contribuições ao PIS e a COFINS tendo base de cálculo diversa do valor aduaneiro, o que persistiu desde o advento da Lei nº 10.865/2004 até o advento da Lei 12.865/2013, período em que ocorreu a importação ora em análise. Com efeito, a questão restou examinada pelo SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL no RE nº 559.937/RS, conforme a sistemática disposta no art. 543B do Código de Processo Civil, onde ficou reconhecida a inconstitucionalidade da expressão 'acrescido do valor do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS incidente no desembaraço aduaneiro e do valor das próprias contribuições', contida no inciso I do art. 7º da Lei nº 10.865/04, nos termos da decisão do Tribunal Pleno proferida em 20.03.2013. Sobre o assunto se pronunciou o conselheiro Robson José Bayerl, em julgamento do acórdão nº 3401004.023, de 25/10/2017, do qual participei e que foi acolhido por unanimidade de votos: Nesse sentido, O Supremo Tribunal Federal já se manifestou pela inconstitucionalidade do art. 7º, I da Lei nº 10.865/04, por intermédio do RE 559.937/RS, julgado sob a sistemática da repercussão geral, conforme ementa que ora se reproduz: Fl. 388DF CARF MF Processo nº 10907.721171/201519 Acórdão n.º 3401005.162 S3C4T1 Fl. 383 13 “Tributário. Recurso extraordinário. Repercussão geral. PIS/COFINS –importação. Lei nº 10.865/04. Vedação de bis in idem. Não ocorrência. Suporte direto da contribuição do importador (arts. 149, II, e 195, IV, da CF e art. 149, § 2º, III, da CF, acrescido pela EC 33/01). Alíquota específica ou ad valorem. Valor aduaneiro acrescido do valor do ICMS e das próprias contribuições. Inconstitucionalidade. Isonomia. Ausência de afronta. 1. Afastada a alegação de violação da vedação ao bis in idem, com invocação do art. 195, § 4º, da CF. Não há que se falar sobre invalidade da instituição originária e simultânea de contribuições idênticas com fundamento no inciso IV do art. 195, com alíquotas apartadas para fins exclusivos de destinação. 2. Contribuições cuja instituição foi previamente prevista e autorizada, de modo expresso, em um dos incisos do art. 195 da Constituição validamente instituídas por lei ordinária. Precedentes. 3. Inaplicável ao caso o art. 195, § 4º, da Constituição. Não há que se dizer que devessem as contribuições em questão ser necessariamente não cumulativas. O fato de não se admitir o crédito senão para as empresas sujeitas à apuração do PIS e da COFINS pelo regime não cumulativo não chega a implicar ofensa à isonomia, de modo a fulminar todo o tributo. A sujeição ao regime do lucro presumido, que implica submissão ao regime cumulativo, é opcional, de modo que não se vislumbra, igualmente, violação do art. 150, II, da CF. 4 Ao dizer que a contribuição ao PIS/PASEP Importação e a COFINS Importação poderão ter alíquotas ad valorem e base de cálculo o valor aduaneiro, o constituinte derivado circunscreveu a tal base a respectiva competência. 5. A referência ao valor aduaneiro no art. 149, § 2º, III, a , da CF implicou utilização de expressão com sentido técnico inequívoco, porquanto já era utilizada pela legislação tributária para indicar a base de cálculo do Imposto sobre a Importação. 6. A Lei 10.865/04, ao instituir o PIS/PASEP Importação e a COFINS Importação, não alargou propriamente o conceito de valor aduaneiro, de modo que passasse a abranger, para fins de apuração de tais contribuições, outras grandezas nele não contidas. O que fez foi desconsiderar a imposição constitucional de que as contribuições sociais sobre a importação que tenham alíquota ad valorem sejam calculadas com base no valor aduaneiro, extrapolando a norma do art. 149, § 2º, III, a, da Constituição Federal. 7. Não há como equiparar, de modo absoluto, a tributação da importação com a tributação das operações internas. O PIS/PASEP Importação e a COFINS Importação incidem sobre operação na qual o contribuinte efetuou despesas com a aquisição do produto importado, enquanto a PIS e a COFINS Fl. 389DF CARF MF 14 internas incidem sobre o faturamento ou a receita, conforme o regime. São tributos distintos. 8. O gravame das operações de importação se dá não como concretização do princípio da isonomia, mas como medida de política tributária tendente a evitar que a entrada de produtos desonerados tenha efeitos predatórios relativamente às empresas sediadas no País, visando, assim, ao equilíbrio da balança comercial. 9. Inconstitucionalidade da seguinte parte do art. 7º, inciso I, da Lei 10.865/04: “acrescido do valor do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação – ICMS incidente no desembaraço aduaneiro e do valor das próprias contribuições , por violação do art. 149, § 2º, III, a, da CF, acrescido pela EC 33/01. 10. Recurso extraordinário a que se nega provimento.” A decisão em comento transitou em julgado em 29/10/2014, de modo que sua observância neste sodalício é impositiva. Acompanhando o pronunciamento acima exposto e voto por dar parcial provimento ao recurso para que se exclua o ICMS e as próprias contribuições da apuração do PIS/PASEP Importação e Cofins Importação. (assinado digitalmente) Mara Cristina Sifuentes Relatora Fl. 390DF CARF MF
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Numero do processo: 10935.901963/2012-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2009
EMBARGOS INOMINADOS. ERRO MATERIAL.
Os Embargos Inominados são cabíveis, quando o acórdão contiver inexatidões materiais.
Numero da decisão: 1201-002.316
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração, com efeitos infringentes, nos termos do voto do relator. Ausente a conselheira Ester Marques Lins de Sousa, substituída pelo conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa; ausente o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado, substituído pelo conselheiro Leonam Rocha de Medeiros.
(assinado digitalmente)
EVA MARIA LOS - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
RAFAEL GASPARELLO LIMA - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los (presidente em exercício), José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado) e Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado). Ausente, justificadamente, Ester Marques Lins de Sousa.
Nome do relator: RAFAEL GASPARELLO LIMA
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2009 EMBARGOS INOMINADOS. ERRO MATERIAL. Os Embargos Inominados são cabíveis, quando o acórdão contiver inexatidões materiais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração, com efeitos infringentes, nos termos do voto do relator. Ausente a conselheira Ester Marques Lins de Sousa, substituída pelo conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa; ausente o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado, substituído pelo conselheiro Leonam Rocha de Medeiros. (assinado digitalmente) EVA MARIA LOS Presidente em exercício (assinado digitalmente) RAFAEL GASPARELLO LIMA Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los (presidente em exercício), José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado) e Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado). Ausente, justificadamente, Ester Marques Lins de Sousa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 19 63 /2 01 2- 87 Fl. 291DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Embargos Inominados, interpostos pelo GABIN SAORT Delegacia da Receita Federal do Brasil em Cascavel/PR, unidade de origem, ora Embargante, noticiando erro material no acórdão nº 1803002.441, a seguir ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2009 PER/DCOMP. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado. Podem ser deduzidos do IRPJ devido no encerramento do período, no caso de pessoa jurídica submetida ao regime de tributação com base no lucro real, os pagamentos efetuados a título de IRRF devidamente comprovados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento em parte ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Em despacho proferido pela unidade de origem (efl. 281), identificouse erro quanto ao crédito de saldo negativo de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), reconhecido pelo acórdão embargado: DESPACHO DE ENCAMINHAMENTO Ao tentar operacionalizar o acórdão 1803002.441 de 22 de outubro de 2014, que deu provimento ao recurso voluntário do contribuinte, constatouse que o julgamento reconheceu um direito creditório no valor de R$ 38.392,75. No entanto, o valor pleiteado pelo contribuinte é de R$ 38.429,75. 4. Assim, propõe se a devolução do processo ao CARF para verificação. (grifado) A Embargante ratificou o despacho acima, promovendo seu encaminhamento "Ao CARF, tendo em vista a informação constante do despacho anterior, para apreciação quanto a possível erro material no Acórdão." (efl. 282) Considerando a modificação da composição desta Turma, mediante novo sorteio, fui designado relator. A admissibilidade dos Embargos Inominados foi proferida em despacho nos autos, neste momento, sobrevindo a sua apreciação pelo presente colegiado. É o relatório. Fl. 292DF CARF MF Processo nº 10935.901963/201287 Acórdão n.º 1201002.316 S1C2T1 Fl. 292 3 Voto Conselheiro Rafael Gasparello Lima, Relator. Os Embargos Inominados são tempestivos, com admissibilidade reconhecida, portanto, deles tomo conhecimento. O artigo 66 do Regulamento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, prevê os Embargos Inominados para retificação de "inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão". O acórdão nº 1803002.441, ora embargado, proferido pela extinta 3ª Turma Especial, expôs que "A parcela litigiosa devolvida para reexame nessa segunda instância de julgamento corresponde ao saldo negativo de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) do terceiro trimestre do ano calendário de 2008 no valor de R$ 38.392,75 apurado pelo regime de tributação com base no lucro real" (efl. 271). O referido crédito foi deferido pelo acórdão embargado, quando evidenciada a incidência do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) sobre rendimentos de filiais da contribuinte (efls. 274 e 275): O valor do IRRF das filiais, CNPJ 77.911.261/000350, fl. 254 e CNPJ 77.911.261/000783, fl. 255, indicado nos Informes de Rendimentos dos meses de julho, agosto e setembro do ano calendário de 2008 pela fonte pagadora Banco Itaú BBA S/A ficou assim discriminado: O valor do IRRF da filial, CNPJ 77.911.261/000783, fl. 256, indicado na DIRF do mês de setembro do anocalendário de 2008 pela fonte pagadora Banco do Brasil S/A ficou assim discriminado: O referido valor total de R$38.722,42, a título de IRRF das filiais da Recorrente, CNPJ 77.911.261/000350 e CNPJ 77.911.261/000783, não foi considerado no Acórdão da 2ª TURMA/DRJ/CTA/PR nº 0642.967, de 08.08.2013, fls. 192195, por falta de comprovação para fins de apuração do saldo negativo de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) do terceiro trimestre do anocalendário de 2008. Nessa instância de julgamento a Recorrente instrui os autos com os referidos Fl. 293DF CARF MF 4 Informes de Rendimentos e com as DIRF evidenciando sua alegação, tendo em vista o princípio da verdade material. Ademais, o valor do direito creditório deve ser acrescido de juros equivalentes à taxa Selic a partir do mês subseqüente ao período de apuração em relação ao saldo negativo de IRPJ apurado e são calculados pelo critério de juros simples que pode ser expresso mediante o somatório dos índices mensais até a data da sua utilização para fins de compensação com os débitos confessados. A contestação proposta pela defendente, dessa maneira, se confirma. Todavia, a parcela litigiosa devolvida para reexame nessa segunda instância de julgamento corresponde ao saldo negativo de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) do terceiro trimestre do anocalendário de 2008 no valor de R$38.392,75 apurado pelo regime de tributação com base no lucro real. Em assim sucedendo, voto por dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório relativo ao saldo negativo de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) do terceiro trimestre do anocalendário de 2008 no valor de R$38.392,75 apurado pelo regime de tributação com base no lucro real, para compensação dos débitos ali confessados até o limite desse crédito. Entretanto, vislumbrase o erro material no direito creditório de R$ 38.392,75, concedido pelo acórdão recorrido, pois, segundo a Embargante, "o valor pleiteado pelo contribuinte é de R$ 38.429,75." A 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba/PR proferiu o acórdão nº 0642.967, dando parcial procedência à Manifestação de Inconformidade da contribuinte, esclarecendo que o crédito do pedido de restituição eletrônico (PER), inerente ao 3º trimestre/2008, totalizava R$ 85.884,09, porém, havendo comprovação efetiva somente de R$ 47.454,34: No presente PER, em que requereu R$85.884,09, referentes ao 3º trim/2008, evidenciouse que foi declarada receita financeira de R$467.642,17, porém só foram confirmados R$47.454,34 de IRRF, que é o valor que resultaria no SN IRPJ desse trimestre. Em anexo à Comunicação nº 624/2013 (efl. 213), expedida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Cascavel/PR, reiterouse que o pedido de restituição eletrônico (PER) somava o valor de R$ 85.884,09, porém, foi deferido o valor de R$ 47.454,34, conforme o acórdão nº 0642.96, prolatado pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba/PR: Fl. 294DF CARF MF Processo nº 10935.901963/201287 Acórdão n.º 1201002.316 S1C2T1 Fl. 293 5 O pedido de restituição eletrônico (PER), referente ao 3º trimestre/2008, solicitava o valor de R$ 85.884,09, limitando o respectivo direito creditório (efl. 30). Portanto, caso mantido o crédito deferido pelo acórdão embargado nº 1803 002.441, equivalente a R$ 38.392,75, somado ao valor de R$ 47.454,34, concedido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento através do acórdão nº 0642.96, resultaria no montante de R$ 85.847,09, inferior ao pedido de restituição eletrônico (PER) e devidamente comprovado. Dessa forma, retificando o aludido erro material, imprescindível a revisão do crédito deferido, modificando seu valor para R$ 38.429,75, como requerido pela Embargante, prevalecendo a integralidade do direito creditório, expresso no pedido de restituição eletrônico (PER) e comprovado de R$ 85.884,09. Isto posto, ACOLHO os Embargos Inominados, com efeitos infringentes, retificando o crédito deferido de R$ 38.392,75 para R$ 38.429,75. (assinado digitalmente) Rafael Gasparello Lima Relator Fl. 295DF CARF MF 6 Fl. 296DF CARF MF
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