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Numero do processo: 19679.006024/2003-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. DOCUMENTOS. NÃO APRESENTAÇÃO. INDEFERIMENTO.
O postulante de direito creditório deve apresentar todos os livros fiscais e contábeis e demais documentos solicitados pelo Fisco, necessários à análise do direito creditório postulado, sob pena de indeferimento do pleito.
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. PRESCINDIBILIDADE.
Irregularidades no MPF ou a sua ausência não são condições suficientes para anular despacho decisório referente a pedido de ressarcimento.
PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO.
Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia.
Numero da decisão: 3301-005.966
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. DOCUMENTOS. NÃO APRESENTAÇÃO. INDEFERIMENTO. O postulante de direito creditório deve apresentar todos os livros fiscais e contábeis e demais documentos solicitados pelo Fisco, necessários à análise do direito creditório postulado, sob pena de indeferimento do pleito. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. PRESCINDIBILIDADE. Irregularidades no MPF ou a sua ausência não são condições suficientes para anular despacho decisório referente a pedido de ressarcimento. PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia.
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DOCUMENTOS. NÃO APRESENTAÇÃO. INDEFERIMENTO. O postulante de direito creditório deve apresentar todos os livros fiscais e contábeis e demais documentos solicitados pelo Fisco, necessários à análise do direito creditório postulado, sob pena de indeferimento do pleito. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. PRESCINDIBILIDADE. Irregularidades no MPF ou a sua ausência não são condições suficientes para anular despacho decisório referente a pedido de ressarcimento. PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 67 9. 00 60 24 /2 00 3- 89 Fl. 1245DF CARF MF Processo nº 19679.006024/200389 Acórdão n.º 3301005.966 S3C3T1 Fl. 1.246 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância: "Trata o presente processo de pedido de ressarcimento do saldo credor da contribuição ao Programa de Integração Social (PIS), relativo a receita de exportações, apurado no regime de incidência nãocumulativa, no valor de R$ 5.969.090,44, referente ao primeiro trimestre de 2003, conforme pedido de fl. 1. Com relação ao crédito postulado, foram apresentadas posteriormente várias Declarações de Compensação (DCOMP) informando diversas compensações desse crédito com débitos de vários tributos, conforme processos apensos a este. Segundo os autos, o pedido foi protocolizado junto à Delegacia de Administração Tributária em São PauloSP (Derat), mas a análise do pleito foi transferida à DRF/AraçatubaSP por ordem do SuperintendenteSubstituto da Receita Federal do Brasil na 8° Região Fiscal, conforme portaria de fls. 168 a 176. Ainda segundo os autos, a interessada, em 30/10/2008, foi intimada pela fiscalização a apresentar documentos para subsidiar a análise do pleito, mas não atendeu à intimação, sendo reintimada em 18/11/2009, também não atendeu. Sendo assim, foi lavrado auto de embaraço à fiscalização e novamente reintimada a apresentar a documentação, com ciência em 01/12/2008. Em 19/12/2008, a requerente apresentou resposta às intimações, mas limitou se a afirmar que disponibilizaria a documentação na sede da empresa em São Paulo, capital. Desta forma, em 30/12/2008, foi intimada a esclarecer a que intimações pendentes a resposta apresentada se referia, também não atendeu a essa intimação. Segundo a fiscalização, a interessada obteve antecipação de tutela em Ação Declaratória no sentido de possibilitar a compensação de débitos inscritos em Dívida Ativa da União (DAU), vedada pela legislação, referentes a fatos geradores ocorridos antes de 29 de dezembro de 2003, data da publicação da Lei ng 10.833, de 2003, que criou essa vedação. Sendo assim, a DRF/AraçatubaSP, por meio do despacho decisório de fls. 804/824, indeferiu a solicitação da contribuinte, não reconhecendo o direito creditório pleiteado e não homologando em parte as compensações vinculadas ao pedido, por impossibilidade de análise do pleito em virtude da nãoapresentação da documentação requerida. As compensações referentes aos débitos constantes nas planilhas 03 e 04, a fls. 814 e 815, discutidos judicialmente, não foram analisadas pelo fato de a autoridade a quo considerar que houve concomitância entre os pedidos nas esferas judicial e administrativa, declarando que prevaleceria a decisão judicial. Fl. 1246DF CARF MF Processo nº 19679.006024/200389 Acórdão n.º 3301005.966 S3C3T1 Fl. 1.247 3 Inconformada, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade, de fls. 833 a 850, onde, primeiramente, apresenta uma descrição dos fatos ocorridos. Em sua versão, aduz que o prazo concedido pelos auditoresfiscais para apresentação dos documentos foi exíguo e que solicitou prorrogação de prazo, que foi concedida apenas parcialmente, sendo reintimada a apresentar os documentos em Araçatuba, conforme documentos que anexa. Posteriormente, em preliminar, passa a requerer a anulação do despacho decisório, porquanto o Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) original se referia somente ao período a partir de dezembro de 2002, assim restaria comprovada a impossibilidade de se fiscalizar os períodos de outubro e novembro de 2002, no âmbito do processo ng 19679.006025/200323, que se refere a todo o quarto trimestre de 2002. Também argumenta que não foi observado pela fiscalização o local indicado no MPF para realização dos trabalhos, que seria no endereço da empresa, em São Paulo, e não em Araçatuba. Assinala também a impugnante que o fato de várias intimaçoes terem sido assinadas apenas por um dos AF RFB também desobedeceria ao MPF, que não permite atuação individual de um dos auditoresfiscais nele contidos. Quanto à transferência de competência interdelegacias, alega que esta também deveria estar contemplada no MPF e que o próprio superintendente da Receita Federal deveria ter emitido o mandado, a teor do art. 6° da Portaria RFB n° 11.371, de 2007. Argumenta que o despacho decisório também seria nulo porquanto somente o Delegado da Derat teria competência para prolatar decisão relativa à requerente, conforme disposto no art. 41 da Instrução Normativa (IN) SRF ng 600, de 2005, que não autoriza a modificação da competência para emissão de despacho decisório relativo a reconhecimento de direito creditório. Alega ainda que a impossibilidade de delegação de poderes também está prevista na Lei n° 9.784, de 1999, arts. 13 e 100. Também reclama que não foi cumprida a formalidade prevista no art. 44 da citada Lei n° 9.784, de 1999, que garante à recorrente o direito de se manifestar no prazo de dez dias após o encerramento da fase de instrução do processo. Quanto à realização da diligência em São Paulo, aduz que os servidores, na ocasião, não concederam prazo para apresentação dos documentos solicitados, porquanto não realizaram qualquer intimação prévia nesse sentido, o que resultou na nãoconcessão de qualquer prazo para sua apresentação e ainda que não apresentou a documentação naquela oportunidade porque esta se encontrava temporariamente fora do estabelecimento e que se tivesse sido avisada com antecedência da diligência e tivesse sido garantido um prazo razoável teria sido possível a sua apresentação. Sendo assim, confirma sua intenção de apresentar todos os documentos fiscais, que estão à disposição da fiscalização em seu estabelecimento. Afirma ainda que houve erro e falta de motivação para o indeferimento do pleito da recorrente, pois este só seria possível caso a contribuinte não possuísse efetivamente o direito ao ressarcimento. Mas, segundo a requerente, a negativa somente ocorreu porque não foi concedido prazo para apresentação da documentação. Fl. 1247DF CARF MF Processo nº 19679.006024/200389 Acórdão n.º 3301005.966 S3C3T1 Fl. 1.248 4 Argumenta que o despacho decisório também feriu o princípio da verdade material, pois bastava a análise destes autos para a autoridade verificar que a recorrente não foi intimada para apresentar os documentos em prazo outorgado pela fiscalização. Em relação ao mérito, argúi que o despacho em análise deve ser reformado porquanto a postulante possui o direito ao ressarcimento dos créditos da contribuição ao PIS reclamados, como comprovam os documentos existentes em seu estabelecimento, mas que não os está anexando ao presente “por serem em grande quantidade”, mas junta a DIPJ relativa ao anocalendário de 2002 para demonstrar sua condição de empresa exportadora geradora de créditos de PIS nãocumulativo. Postula também a. aplicaçao da taxa do Selic como juros moratórios, a teor do art. 39, § 4°, da Lei n° 9.250, de 1995. Requer a realização de perícia e diligência para se constatar a existência do direito creditório, nomeando perito e listando os quesitos que deseja ser respondidos, à fl. 848. Haja vista a existência de grande quantidade de documentos, esclarece que a perícia deverá ser feita no estabelecimento da contribuinte. Solicita o cancelamento do despacho decisório combatido e o reconhecimento do direito creditório por esta DRJ ou, altemativamente, a prolação de nova decisão pela DeratSP ou ainda, caso se considere que a autoridade contestada seja competente para tanto, que esta prolate novo despacho decisório após novas verificações fiscais. Requer a suspensão da exigibilidade dos débitos objeto da compensação discutida. Por fim, solicita que o patrono da requerente também seja intimado de todas as decisões referentes ao presente." Em 06/11/09, a DRJ em Ribeirão Preto (SP) julgou manifestação de inconformidade improcedente e o Acórdão n° 1426.652 foi assim ementado: "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. DOCUMENTOS. NÃO APRESENTAÇAO. INDEFERIMENTO. O postulante de direito creditório deve apresentar todos os livros fiscais e contábeis e demais documentos solicitados pelo Fisco, necessários à análise do direito creditório postulado, sob pena de indeferimento do pleito. MPF. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. PRESCINDIBILIDADE. Irregularidades no MPF ou a sua ausência não são condições suficientes para anular despacho decisório referente a pedido de ressarcimento. PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Fl. 1248DF CARF MF Processo nº 19679.006024/200389 Acórdão n.º 3301005.966 S3C3T1 Fl. 1.249 5 Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido" Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, em que repetiu as alegações contidas na manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Marcelo Costa Marques d'Oliveira O recurso voluntário preenche os requisitos legais e deve ser conhecido. Com fulcro no §1° do art. 50 da Lei n° 9.784/99, adoto o voto condutor da decisão de primeira instância (Acórdão n° 1426.652), do ilustre julgador Heitor Chaud, como minha razão de decidir: "Presentes os requisitos de admissibilidade, conheço da impugnação. Preliminarmente, indeferese o pedido no sentido de que as intimações sejam efetuadas também em nome do advogado da requerente, pois na atual fase do procedimento, o Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, art. 23, II, com a redação que lhe foi dada pela Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997, art. 67, determina que elas sejam feitas por via postal, ou qualquer outra com prova de recebimento, e endereçadas ao domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo. Quanto às alegações relativas a eventuais irregularidades do MPF, primeiramente fazse necessário discorrer, de forma genérica, sobre esse documento nos procedimentos de lançamento do crédito tributário. O Mandado de Procedimento Fiscal, instituído pela Portaria SRF n° 1.265, de 22/11/1999, e atualmente regulado pela Portaria RFB n° 11.371, de 2007, consiste em documento emitido em decorrência de normas administrativas que regulam a execução da atividade fiscal, determinando que os procedimentos fiscais relativos aos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) sejam levados a efeito de conformidade com uma ordem específica, a qual pressupõe formalização mediante Mandado de Procedimento Fiscal. Portanto, o MPF deve ser analisado sob duas perspectivas, quais sejam, a do público interno e a do externo. No âmbito interno, tem por objetivo o planejamento das atividades fiscais e estabelece normas para a execução de procedimentos de fiscalização dos tributos e contribuições administradas pela RFB. É uma ordem específica emitida por autoridade competente da RFB para a instauração, pelo AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil (AFRFB), dos procedimentos fiscais (art. 2° da Portaria SRF n° 11.371, de 2007). Evidenciase nessa orientação administrativa uma proibição no Fl. 1249DF CARF MF Processo nº 19679.006024/200389 Acórdão n.º 3301005.966 S3C3T1 Fl. 1.250 6 sentido de que o AFRFB aja por vontade própria na tomada de procedimentos fiscais, além de estabelecer, de forma específica, a obrigatoriedade de executálas. No externo, assegura ao contribuinte sob fiscalização, como agora é de seu direito, conferir a autenticidade da ação fiscal contra si instaurada, possibilitando o conhecimento do tributo que será objeto de investigação, dos períodos a serem verificados, do prazo para a realização do procedimento fiscal e do AFRFB que procederá à fiscalização. Assim, o MPF, bem como suas prorrogações, são atos praticados em paralelo àqueles preparatórios ou integrantes do processo administrativo fiscal, mas somente estes se submetem à regência do Decreto n° 70.235, de 1972. Acrescentese que a Portaria SRF n° 11.371, de 2007, não teve o condão de modificar a competência atribuída ao AuditorFiscal, não o desonerando da atividade vinculada e obrigatória do lançamento, prevista no parágrafo único do art. 142 do Código Tributário Nacional (CTN). Esse dispositivo legal (art. 142) expressamente confere à autoridade administrativa a competência indelegável e privativa de formalizar o lançamento. Essa autoridade, atualmente, nos termos do art. 6° da Lei n°10.593, de 2002, com a redação da Lei n° 11.457, de 2007, é o AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil. Conseqüentemente, verificando a ocorrência do fato gerador da obrigação principal, ou o descumprimento de uma obrigação tributária acessória, tem ele o dever de promover o lançamento. As portarias da RFB sobre o MPF constituemse, assim, em atos administrativos de hierarquia inferior ao CTN, portanto, o seu descumprimento não tem o condão de provocar a nulidade de lançamento efetuado por servidor competente e com garantia do direito de defesa. Assim, o referido mandado consiste em mera ordem administrativa, emanada dos dirigentes das unidades da Receita Federal do Brasil, para que os auditores executem as atividades fiscais tendentes a verificar o cumprimento das obrigações tributárias por parte do sujeito passivo. Esse instrumento, em realidade, é um mecanismo de proteção para o contribuinte, já que sua veracidade e outras informações a ele relativas podem ser consultadas no sitio da Receita Federal na rede mundial de computadores. Cumpre assinalar que eventual descumprimento do MPF por parte do servidor encarregado de observálo, por caracterizar infração administrativa, deve ser apurado em procedimento administrativo interno da RFB, sendo que o resultado desse procedimento não interfere no lançamento legalmente formalizado. Nesse sentido vinha decidindo o extinto Conselho de Contribuintes, atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), conforme ementas a seguir transcritas: NULIDADE INEXISTÊNCIA MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL PRORROGAÇÃO O Mandado de Procedimento Fiscal, a despeito da disciplina regulada pela Portaria n” 3007/2001, não tem o condão de invalidar a expressa competência fiscalizatória da autoridade administrativa, disposta no art. 142 do CTN. TAXA SELIC As súmulas 2° e 4° deste E. Conselho já pacificaram a questão da aplicação da Taxa Selic para cálculo dos juros de mora. Fl. 1250DF CARF MF Processo nº 19679.006024/200389 Acórdão n.º 3301005.966 S3C3T1 Fl. 1.251 7 (1° CC, 1° Câmara, Rec. Voluntário n° 150723, Proc. n° 10735004911/2002 45, Rel. João Carlos de Lima Júnior, Acórdão n° 1019613 7, Sessão de 27/04/2007). (g. n.) MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. O Mandado de Procedimento Fiscal é mero instrumento de controle administrativo. Eventual falta de ciência do contribuinte na prorrogação do mesmo não implica nulidade do processo se cumpridas todas as regras pertinentes ao processo administrativo fiscal. EXIGÊNCIA FISCAL. FORMALIZAÇÃO. Não provada a violação das disposições contidas no art. 142 do CTN, nem nos arts. 7°, 10 e 59 do Decreto n° 70. 235/72, não há que se falar em nulidade, quer do lançamento, quer do procedimento fiscal que lhe deu origem. AUTO DE INFRAÇÃO. NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. À luz do regramento procedimental vigente, o crédito tributário tanto pode ser formalizado através de NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO como de AUTO DE INFRAÇÃO. A teor das disposições contidas nos arts. 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 1972, se AUTO DE INFRAÇÃO, deve ser lavrado por servidor competente; se NOTIFICAÇÃO, deve ser expedida pelo órgão que administra o tributo. TAXA REFERENCIAL. SELIC. LEGALIDADE. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais. (Súmula n° 3, do 2° CC). Recurso negado. D. O. U. de 23/05/2008, Seção 1, pág. 65. (2° CC, 2° Câmara, Rec. Voluntário n” 129192, Proc. n° 10882001679/2004 61, Rel. Antônio Lisboa Cardoso, Acórdão n° 20218738, Sessão de 13/02/2008). Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 05/10/2000, 17/10/2000, 19/10/2000, 20/10/2000, 23/10/2000, 24/10/2000, 25/10/2000, 27/10/2000 AUSÊNCIA DE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal é instrumento administrativo de planejamento e controle das atividades de fiscalização. Sua ausência não acarreta a nulidade do auto de infração lavrado por autoridade que, nos termos da Lei, possui competência para tanto. COMPENSAÇÃO. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. É competente para lançamento de tributos a autoridade fiscal do domicilio do contribuinte, forte no Regimento Interno da Receita Federal do Brasil e, ainda, no caso, com base no art. 9° do PAF. PRELIMINAR DE INCOMPATIBILIDADE DO FUNDAMENTO DO AUTO DE INFRAÇÃO COM O FATO JULGADO. INEXISTÊNCIA. Os fundamentos do auto de infração não se alteram pelo fato de não terem sido considerados extintos os créditos correspondentes a ação transitada em julgado na esfera judicial. IMPOSSIBILIDADE DE LANÇAMENTO PARA FINS DE EVITAR A DECADÊNCIA O Fisco detém não só o dever como o direito de efetuar o lançamento com fins de evitar a decadência, motivo pelo qual não há qualquer nulidade nesta situação. DECISÃO JUDICIAL. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Não se aplica o disposto no inciso X do artigo 156 do Código Tributário Nacional nos casos em que o litígio tiver sido conseqüência de ação rescisória com concessão de medida cautelar suspensiva dos efeitos da ação judicial transitada em julgado. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. (3° CC, 2° Câmara, Rec. Voluntário n° 133246, Proc. n” 12466. 003119/200488, Rel. LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Acórdão n° 302 39526, Sessão de 18/06/2008). (g.n.) Fl. 1251DF CARF MF Processo nº 19679.006024/200389 Acórdão n.º 3301005.966 S3C3T1 Fl. 1.252 8 Assim, não é lícito interpretar que irregularidades relativas ao mandado ou mesmo a ausência do MPF, instrumento instituído por norma infralegal (uma portaria), possa acarretar a nulidade de lançamento dele decorrente, sob pena de ofensa ao princípio constitucional da legalidade que rege a Administração Pública (art. 37 da Carta Magna), devidamente refletido no parágrafo único do art. 142 do Código Tributário Nacional (CTN): “A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. ”. Em relação ao caso concreto, ou seja, relativamente ao procedimento de análise de pedido de ressarcimento, a rigor não há previsão para emissão de MPF, porquanto a Portaria RFB n° 11.371, de 2007, prevê três tipos de MPF, a saber: “F” (fiscalização), “D” (diligência) e “E” (especial), este último para os casos de flagrante constatação de infração à legislação tributária. E nem poderia ser diferente, pois, via de regra, o MPF para esses casos seria emitido pela mesma autoridade que prolatará o despacho decisório, qual seja, o delegado da DRF. Assim, não faz sentido o Delegado da Receita Federal expedir MPF para ele mesmo. O fato de os trabalhos de verificação e comprovação do direito creditório estarem sendo conduzidos pela setor de fiscalização da DRF devese ao tipo de trabalho a ser efetuado e não que se trata efetivamente de um procedimento típico de fiscalização tendente a apurar irregularidades ou infrações à legislação tributária, que, em tese, deveria ser precedido da emissão de um MPFF. Desta forma, diante do exposto, eventuais irregularidades no MPF de modo algum podem levar à anulação do despacho decisório, como quer a requerente, primeiramente porquanto esse documento, criado e regulamentado por norma infra legal, constituise em mero instrumento de gerenciamento da atividade fiscal, e, em segundo lugar, porque, para o pedido de ressarcimento, não há previsão explícita para a emissão desse tipo de documento. Digase em adendo que a reclamante se equivoca ao afirmar que o presente se refere ao quarto trimestre de 2002, quando, na verdade, tratase do 1° trimestre de 2003. Também não há nas normas reguladoras do MPF a exigência de que todas as intimações sejam assinadas por todos os auditoresfiscais discriminados no mandado, como quer a interessada. Quanto a possíveis descumprimentos da Lei n° 9.784, de 1999, vale esclarecer que tal lei regula o processo administrativo no âmbito da Administração federal e se aplica apenas subsidiariamente àqueles regidos por lei própria, como o Processo Administrativo Fiscal (PAF), que é regulado pelo Decreto n° 70.235, de 1972. Assim, não procedem tais alegações, porquanto o presente foi formalizado em obediência ao PAF, não restando brechas para a aplicação subsidiária da Lei n° 9.784, de 1999, nos pontos indicados pela requerente. Em relação à transferência de competências, tal possibilidade está prevista no art. 249 do Regimento Interno da RFB, aprovado pela Portaria MF n° 95, de 2007, vigente à época, abaixo transcrito: Art. 249. Aos Superintendentes da Receita Federal do Brasil, Delegados da Receita Federal do Brasil, Delegados da Receita Federal do Brasil de Julgamento e InspetoresChefes da Receita Federal do Brasil das ALF e IRF de Classe Especial A, Especial B e Especial C incumbe ainda, no âmbito da respectiva jurisdição: Fl. 1252DF CARF MF Processo nº 19679.006024/200389 Acórdão n.º 3301005.966 S3C3T1 Fl. 1.253 9 (...) VII transferir, temporariamente, competências e atribuições entre unidades, subunidades e dirigentes subordinados, no interesse da administração. (...) (grifei) Portanto, também não se justifica a alegação da requerente de que somente o Delegado daDerat teria competência para prolatar decisão referente a seu pedido, pois o superintendente regional pode transferir as competências e atribuições entre as unidades da RFB de sua jurisdição, como aconteceu no caso em questão com a edição da Portaria ng 34, de 2008, a fls. 168 a 176. Antes de adentrar na análise das intimações recebidas pela requerente e nos prazos concedidos, há que esclarecer que, como o presente não trata de um exercício de um direito qualquer, mas sim de concessão de um beneñcio que implica renúncia fiscal por parte do ente tributante, a composição do valor do crédito pretendido deve ser devidamente comprovada por parte de quem o postula. Assim, cabe à requerente o ônus da comprovação da existência do crédito postulado. Na verdade, não se pode entender o crédito do PIS/Cofins nãocumulativo como o simples recebimento de um valor em dinheiro pela ocorrência de um fato: exportar. Ele está indissoluvelmente ligado à existência de impostos internos, o que lhe dá a natureza de efetivo benefício fiscal. Desta forma, como se trata de pedido de natureza exoneratória e de interesse da própria requerente, esta deve contribuir, sempre que solicitada, para a análise do pedido, sob pena de indeferimento do pleito. Tal raciocínio é corroborado pelo art. 4° da IN SRF n° 379, de 2003, abaixo transcrito, vigente à época da protocolização do pedido: Art. 4° A autoridade da SRF competente para decidir sobre o pedido de ressarcimento de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, bem assim determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos da pessoa jurídica a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. (ressaltei) Destarte, quando intimada a apresentar documentos e/ou esclarecimentos que levam ao deslinde do processo deve agir com celeridade e presteza e não tentar procrastinar o atendimento das intimações. A postulante alega que a fiscalização não concedeu prazos razoáveis, tampouco os prorrogou quando solicitado, e exigiu que a documentação fosse entregue em Araçatuba, conforme comprovariam os documentos anexados. Entretanto, os documentos trazidos à colação pela requerente, a fls. 871 a 885, tratam de outro processo, referente a pedido de ressarcimento relativo ao mês de dezembro de 2002, portanto imprestáveis para análise no presente. Com relação ao pedido ora analisado, a requerente foi intimada diversas vezes a apresentar documentos e prestar esclarecimentos à fiscalização para subsidiar a análise do pleito, inclusive sendo oferecida a possibilidade de os documentos serem entregues na Derat, em São Paulo, como se pode constatar nos documentos de fls. 181 a 189. Fl. 1253DF CARF MF Processo nº 19679.006024/200389 Acórdão n.º 3301005.966 S3C3T1 Fl. 1.254 10 Primeiramente, foi intimada com ciência em 31/10/2008 (fl. 179) e, posteriormente, reintimada em 18/11/2008, com ciência na mesma data (fl. 182). Ulteriormente, foi lavrado termo de embaraço à fiscalização, concomitantemente com nova reintimaçao, sendo a requerente cientificada em 01/12/2008, conforme AR de fl. 186. Somente após essa segunda reintimação, a requerente apresentou uma resposta genérica, onde se limitou a responder que a documentação estaria à disposição na sede da empresa, de acordo com documento de fl. 187. Intimada a prestar esclarecimentos sobre essa resposta (fls. 188 e 189), novamente ignorou a solicitação da DRF. Assim, entre a ciência da primeira intimação (31/10/2008) e a ciência do termo de encerramento (22/01/2009, fl. 197), transcorreram quase três meses sem que a postulante se dignasse prestar as informações e apresentar os documentos, apesar de as intimações serem reiteradas. As alegações sobre a diligência que teria sido efetuada não devem ser consideradas, pois, de acordo com a informação fiscal, de fls. 191 a 194, a diligência havida foi referente a outro processo de ressarcimento. Como dito acima, por se tratar de um pleito de natureza exoneratória e portanto onerosa para a Fazenda Pública, a unidade da RFB que o analisa tem por dever de oficio verificar os livros e documentos contábeis e fiscais da contribuinte para confirmação da existência do crédito e do seu valor. A postulante, por sua vez, haja vista que o interesse é somente dela e o processo foi por ela deflagrado, tem por obrigação atender a todas as intimações realizadas pela DRF e colaborar de todas as maneiras para a análise do crédito pleiteado. Na medida em que a requerente não atende às intimações, apenas apresenta, após a terceira intimação, uma resposta padrão dizendo que os documentos estariam à disposição em sua sede e, tampouco esclarece divergências encontradas pela fiscalização entre valores informados no Dacon e na DIPJ, podese concluir que a requerente obstou a análise, por parte da DRF, do crédito postulado. O motivo para a recusa na entrega da documentação, que seria a quantidade elevada de documentos, conforme a manifestação de inconformidade, não se justifica, visto que, de acordo com a intimação de fls. 177 e 178, foram solicitados alguns livros e balancetes (itens 1 e 2) relativos apenas ao trimestre em questão, as demais solicitações referemse a esclarecimentos (item 4) e a planilha que deveria ser apresentada em meio magnético (item 3), ou seja, não ocuparia espaço físico. Também foram solicitados arquivos contábeis digitais relativos ao ano de 2003. Ressaltese ainda que em relação aos documentos originais, tais como, notas, recibos, faturas, etc, (itens 5 e 6), que, de fato, ocupariam grande espaço físico, foi solicitado que apenas ficassem à disposição da fiscalização, para eventual posterior conferência. Desta forma, a “excessiva” quantidade de documentos contra a qual a requerente se insurge, seria formada apenas pelos balancetes e livros Diário e Razão relativos a somente um trimestre, uma planilha em meio magnético e arquivos contábeis digitais, além de esclarecimentos de diferenças entre o Dacon e a DIPJ, Fl. 1254DF CARF MF Processo nº 19679.006024/200389 Acórdão n.º 3301005.966 S3C3T1 Fl. 1.255 11 que, quando muito, ocupariam algumas folhas tamanho “A4”. Portanto, não há que se falar em grande quantidade de documentos. Nem se alegue que paralelamente havia outros pedidos de ressarcimento protocolizados em outros processos e daí a existência da “grande quantidade”, pois se a interessada protocolizou vários pedidos referentes a diversos períodos deveria ter os documentos correspondentes a eles à mão, pois, como dito, tratase de um favor fiscal e de seu exclusivo interesse. Ademais, conforme a informação fiscal, de fls. 191 a 194, os pedidos foram formalizados entre 2003 e 2005 e as intimações foram feitas em 2008, tempo suficiente para que pelo menos os livros fiscais e contábeis estivessem devidamente preenchidos e fossem apresentados imediatamente após a solicitação, e os demais documentos estivessem, pelo menos em parte, previamente separados para a já aguardada solicitação da DRF para análise, visto que os pedidos foram protocolizados há alguns anos. Ainda que, por hipótese, houvesse grande quantidade de documentos que na prática impossibilitasse a sua apresentação em repartição da RFB, a requerente, como demonstração de boa vontade e interesse em colaborar com a análise, deveria ter ao menos atendido os itens das intimações que não carecessem de muitos documentos, como a explicação de divergências encontradas entre o Dacon e a DIPJ e a apresentação de planilhas em meio magnético e dos arquivos digitais de forma célere. Também isso não foi feito, pois a resposta, além de não atender ao solicitado nas intimações, foi lacônica. O fato de a interessada afirmar, agora na manifestação de inconformidade, que os documentos estão à disposição na sede da empresa, mesmo que, de fato, estejam, não muda a conclusão contida no despacho decisório em questão, pois a contribuinte deveria ter apresentado os documentos à fiscalização quando instada para tanto, tendo em vista que cabe à autoridade fiscal determinar como será feita a análise do pedido, ou ao menos ter atendido em parte à intimação e solicitado dilação do prazo do restante, o que não foi feito, houve apenas a resposta sucinta afirmando que os documentos seriam disponibilizados na sede da empresa. Assim, nesta fase do procedimento, mesmo que a documentação fosse apresentada em sua totalidade, o que não é o caso, o direito da interessada de ter apreciado o mérito do seu pleito já precluiu, uma vez que, na fase impugnatória, cabe à instância julgadora somente a análise da manifestação de inconformidade e não do mérito do pedido, que inclui a auditoria do crédito, cuja competência, de acordo com a legislação de regência, é do Delegado da Receita Federal do Brasil. A juntada da DIPJ aos autos não altera em nada a sorte da interessada, pois tal declaração já foi entregue à RFB, mas a fiscalização necessitava de todos os documentos solicitados para apreciar o seu pleito. Ademais, a declaração é relativa ao anocalendário de 2002 e este processo, como visto, referese ao primeiro trimestre de 2003, portanto imprestável para análise também por esse motivo a declaração em questão. No que tange à alegação de falta de motivação para o indeferimento pois este somente seria possível caso a interessada não possuísse efetivamente o direito ao crédito, cumpre esclarecer que o mérito do pedido não chegou a ser analisado pelos motivos acima expostos e que quem deu causa a essa situação foi a própria requerente ao se recusar a colaborar com a análise. Fl. 1255DF CARF MF Processo nº 19679.006024/200389 Acórdão n.º 3301005.966 S3C3T1 Fl. 1.256 12 Tampouco há que se falar em não cumprimento do princípio da verdade material, pois, da análise dos autos, fica cristalina a impossibilidade de se analisar o direito creditório por falta da documentação necessária causada pela recusa da interessada em apresentála e aos esclarecimentos solicitados. Diante do exposto podese concluir que não há reparos a se fazer ao despacho decisório de fls. 804 a 824, que não reconheceu o direito creditório pleiteado e considerou não homologadas as DCOMP a ele vinculadas, por impossibilidade material de apreciação do pedido. Sendo assim, deixase de analisar a alegação referente à aplicação da taxa de juros do Selic por desnecessário. Indeferese a perícia solicitada, haja vista que o cumprimento de seus quesitos, conforme fl. 848, na verdade, equivaleria, na prática, à própria apreciação do pleito. Entretanto, tal apreciação, de acordo com a legislação de regência, deve ser realizada pela DRF, fato que a recorrente, ao se recusar a colaborar, não permitiu que a fiscalização o fizesse, e não por um perito nomeado pela própria requerente. O papel deste se limitaria a elucidar alguma pendência técnica que a postulante considerasse não devidamente apreciada pela autoridade a quo. Portanto, no caso em exame, considerase desnecessária a diligência proposta pela postulante, por entendêla dispensável para o deslinde do presente julgamento. A realização de perícia pressupõe que o fato a ser provado necessite de conhecimento técnico especializado, fora do campo de atuação do julgador, o que não é o caso dos presentes autos. Com efeito, a perícia somente se justifica quando a prova não pode ou não cabe ser produzida por uma das partes. Assim, após se recusar a colaborar com a fiscalização e não atender às intimações realizadas, não cabe nomear um perito para, na prática, demonstrar a correção do pedido. Quanto ao pedido de suspensão da exigibilidade dos débitos objeto da compensação, esclarecese que este processo, referente a pedido de ressarcimento, não é o meio adequado para tanto. Tal pleito deve ser interposto contra o ato que exigiu os tributos em questão. No entanto, vale ressaltar que, a teor do art. 17 da Lei no°10.833, de 2003, a apresentação da manifestação de inconformidade e do recurso contra decisão que deixa de homologar DCOMP suspende a exigibilidade dos débitos objeto da compensação. Por fim, cumpre esclarecer que, como o direito creditório foi indeferido in totum pela autoridade a quo, as compensações objeto de discussão judicial, mesmo que a contribuinte obtenha sucesso na ação, não serão efetivadas por ausência de crédito. Diante do exposto, voto pela IMPROCEDÊNCIA da manifestação de inconformidade, não reconhecendo o direito creditório postulado." Cumpre efetuar uma única ressalva ao voto condutor da decisão de piso. Fl. 1256DF CARF MF Processo nº 19679.006024/200389 Acórdão n.º 3301005.966 S3C3T1 Fl. 1.257 13 O relator mencionou que não é possível a apresentação de documentos na fase impugnatória, o que está em desacordo com o § 4° do art. 16 do Decreto n° 70.235/72, que assim dispõe: "Art. 16. A impugnação mencionará: (. . .) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (. . .)" (g.n.) Não obstante, tal equívoco não comprometeu sua conclusão. A recorrente não comprovou a legitimidade dos créditos cujo ressarcimento pleiteou, apesar de lhe competir tal ônus, nos termos do inciso I do art. 373 da Lei n° 13.105/15 (Código de Processo Civil). Desta forma, nego provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Fl. 1257DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13986.720247/2012-93
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2007
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CABIMENTO.
Cabíveis embargos de declaração quando o acórdão contém obscuridade ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma, devendo ser corrigido erro no voto e no texto do dispositivo.
Numero da decisão: 2001-001.084
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração para, re - ratificando o Acórdão nº 2001 - 000.609, de 25 de julho de 2018, sanar o vício apontado, devendo ser retirado do voto e do dispositivo a menção a existência de preliminar de tempestividade, mantendo inalterado o resultado do julgamento.
(assinado digitalmente)
JORGE HENRIQUE BACKES - Presidente e Relator
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária.
Nome do relator: JORGE HENRIQUE BACKES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2007 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CABIMENTO. Cabíveis embargos de declaração quando o acórdão contém obscuridade ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma, devendo ser corrigido erro no voto e no texto do dispositivo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração para, re - ratificando o Acórdão nº 2001 - 000.609, de 25 de julho de 2018, sanar o vício apontado, devendo ser retirado do voto e do dispositivo a menção a existência de preliminar de tempestividade, mantendo inalterado o resultado do julgamento. (assinado digitalmente) JORGE HENRIQUE BACKES - Presidente e Relator Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária.
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CABIMENTO. Cabíveis embargos de declaração quando o acórdão contém obscuridade ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma, devendo ser corrigido erro no voto e no texto do dispositivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração para, re ratificando o Acórdão nº 2001 000.609, de 25 de julho de 2018, sanar o vício apontado, devendo ser retirado do voto e do dispositivo a menção a existência de preliminar de tempestividade, mantendo inalterado o resultado do julgamento. (assinado digitalmente) JORGE HENRIQUE BACKES Presidente e Relator Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 6. 72 02 47 /2 01 2- 93 Fl. 73DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Embargos de Declaração (fls. 67/68) apresentados pela Fazenda Nacional contra acórdão nº 2001000.609 (fls. 62/65), proferido pela 1ª Turma Extraordinária da 2ª Seção, em sessão realizada em 25 de julho de 2018. A 1ª Turma Extraordinária proferiu o acórdão cuja ementa transcrevese: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2010 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. Poderão ser deduzidas da base de cálculo as despesas médicas comprovadas referentes ao tratamento do contribuinte ou de seus dependentes, incluídos ou não em sua declaração. A decisão restou assim consignada: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acatar a preliminar de tempestividade suscitada, vencida a conselheira Fernanda Melo Leal que a rejeitou e, no mérito, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário Consta no Despacho de Admissibilidade: Fazenda Nacional argumenta que, em que pese constar na parte dispositiva do acórdão que os membros do colegiado acordaram, por maioria de votos, em acatar a preliminar de tempestividade suscitada, vencida a conselheira Fernanda Melo Leal que a rejeitou, da leitura do voto e do que consta nos autos, não há qualquer discussão sobre tempestividade. De fato, analisandose o acórdão, verificase que a questão da tempestividade foi trazida apenas em sua parte dispositiva, não havendo qualquer menção a respeito no relatório ou voto que indique que a tempestividade foi objeto de discussão e controvérsia entre os conselheiros. Assim, temse que resta caracterizada a situação passível de correção, haja vista a contradição existente no fato de no acórdão recorrido não haver mencionado a questão da tempestividade que parece ter sido tratada pelo colegiado, nos termos da parte dispositiva. Voto Conselheiro Jorge Henrique Backes, Relator Fl. 74DF CARF MF Processo nº 13986.720247/201293 Acórdão n.º 2001001.084 S2C0T1 Fl. 3 3 O processo foi encaminhado à PGFN em 28/08/2018 (Despacho de Encaminhamento de fls. 66). De acordo com o disposto no art. 79, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, com a redação da Portaria MF nº 39, de 2016, a intimação presumida da Fazenda Nacional ocorreria em 27/09/2018. Em 11/09/2018, tempestivamente, foram opostos os Embargos de Declaração de fls. 67/68 (Despacho de Encaminhamento de fls. 69). No recurso voluntário não há discussão de uma preliminar de tempestividade. De toda forma, examinando o processo, cabe reiterarse que o recurso é tempestivo. Como se vê, por erro, foi feita menção à discussão sobre preliminar de tempestividade, que deve ser suprimida do voto e do dispositivo. Em face do exposto voto por acolher os Embargos, sanando o vício apontado no acórdão, devendo ser retirado do voto e do dispositivo a menção a existência de uma preliminar de tempestividade. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Relator Fl. 75DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.000816/2007-46
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 30/09/2003 a 21/10/2003
MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. INAPLICABILIDADE A DCOMP APRESENTADA ANTES DE 31/10/2003. A multa isolada prevista a partir da Medida Provisória n° 135, de 2003, é penalidade nova e somente pode ser aplicada a Declarações de Compensação - DCOMP apresentadas a partir de sua vigência.
Numero da decisão: 1101-000.875
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR
PROVIMENTO ao recurso, votando pelas conclusões os Conselheiros Benedicto Celso Benicio Junior, Marcelo de Assis Guerra e José Ricardo da Silva, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 30/09/2003 a 21/10/2003 MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. INAPLICABILIDADE A DCOMP APRESENTADA ANTES DE 31/10/2003. A multa isolada prevista a partir da Medida Provisória n° 135, de 2003, é penalidade nova e somente pode ser aplicada a Declarações de Compensação - DCOMP apresentadas a partir de sua vigência.
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COMPENSAÇÃO INDEVIDA. INAPLICABILIDADE A DCOMP APRESENTADA ANTES DE 31/10/2003. A multa isolada prevista a partir da Medida Provisória n° 135, de 2003, é penalidade nova e somente pode ser aplicada a Declarações de Compensação - DCOMP apresentadas a partir de sua vigência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso, votando pelas conclusões os Conselheiros Benedicto Celso Benicio Junior, Marcelo de Assis Guerra e José Ricardo da Silva, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente substituta da turma), José Ricardo da Silva (vice-presidente), José Sérgio Gomes, Benedicto Celso Benicio Junior, Mônica Sionara Schpallir Calijuri e Marcelo de Assis Guerra. Processo n° 19515.000816/2007-46 SI-CI Ti Acórdão n.° 1101-000.875 Fl. 3 Relatório EMPRESA ELÉTRICA BRAGANTINA S/A, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 5 a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo-I que, por unanimidade de votos, julgou IMPROCEDENTE a impugnação interposta contra lançamento formalizado em 11/04/2007, exigindo crédito tributário no valor total de R$ 2.075.168,42. Consta às fls. 04/11 cópias de Declarações de Compensação — DCOMP apresentadas pela contribuinte de 30/09/2003 a 21/10/2003, para extinção de débitos com crédito decorrente de decisão judicial (fl. 7) no 96.16761-3 c/c pedido de restituição/ressarcimento processo n° 19679.003676/2003-61. Na seqüência foi juntada cópia de despacho decisório proferido em 18/08/2006 nos autos do processo administrativo n° 19679.003676/2003-61, no qual consta que a contribuinte utilizou-se de crédito de terceiros adquirido através de escritura pública de cessão de créditos, com origem em ação judicial transitada em julgado promovida por terceiros em face da Unido e do IAA (fls. 12/15). Em consequência, todas as DCOMP não foram admitidas, extraindo-se cópia do processo para encaminhamento a DIFIS/DEFIC/SPO para cumprimento do disposto no §3° do art. 31 da IN SRF no 600/2005. No Termo de Constatação de fls. 18/20, diz a autoridade lançadora que restou tipificado o que disposto no art. 18, caput e §2°, da Lei n° 10.833/2003, acrescentando que: Cabe esclarecer que, mesmo antes da edição da MP 135/2003 (convertida na Lei 10.833/2003) encontrava-se vigente a MP 2158-35 que, ern seu art. 90, previa a necessidade de constituição do crédito tributário apurado em razão de compensações indevidas. Todavia, a Lei 10.833/2003, em seu art. 18, restringiu a aplicação do art. 90 da MP 2158-35 apenas ao lançamento da multa isolada nos casos em que menciona, dentre eles aquele em que o crédito pleiteado pelo contribuinte seja de natureza não tributária, ou cuja utilização do crédito seja vedada por expressa disposição legal, hipóteses em que se enquadra o caso sob análise. Dessa forma, ao presente caso aplica-se o disposto no art. 18, caput e parágrafos, da Lei 10.833/2003 diretamente para os Pedidos de Compensação apresentados após a vigência da MP 135/2003, ou através de retroação da lei nova mais benigna uma vez que este novo dispositivo legal (art. 18 da Lei 10.833/2003) limitou a aplicação do art. 90 da MP 2.158-35 e estabeleceu penalidade menos grave do que a disposta pela redação original da mencionada Medida Provisória, nos termos da alínea 'c' do inc. II do art. 106 do Código Tributário Nacional (Lei No. 5.172/1966). Ainda hoje, com o texto legal da Lei 10.833/2003 alterado pela Lei 11.196/2005 e pela MP 351/2007, permanece o cabimento de aplicação de multa isolada para o caso de compensação através da utilização de créditos relativos a títulos públicos ou que não sejam referentes a tributos e contribuições administrados pela Receita Federal, de créditos de terceiros ou de créditos decorrentes de ação judicial não transitada em julgado (art.18, §40. da Lei 10.833/2003, com redação dada pela Lei 11.051/2004, Lei 11.196/2005 e MP 351/2007). 2 Processo n° 19515.000816/2007-46 si -CITI Acórdão n.° 1101-000.875 Fl. 4 Para demonstrar o valor lançado, a autoridade fiscal relacionou o valor total dos débitos indevidamente compensados, apurados mediante consolidação dos valores informados na data de entrega das DCOMP (30/09/2003 a 21/10/2003, conforme fls. 21/26), e sobre o total assim apurado de R$ 2.766.891,23 aplicou o percentual de 75%. Impugnando a exigência, disse a contribuinte que, com a Lei n° 11.051/2004, deixou de existir a exigência de multa isolada de setenta e cinco por cento sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensações não admitidas pela SRF, subsistindo apenas a hipótese de aplicação da penalidade de 150%, quando presente evidente intuito de fraude. Invocou, assim a aplicação do principio da retroatividade benigna (CT1V, art. 106, II, "a'), e conseqüente anulação da exigência, acrescentando que a hipótese de aplicação da penalidade que justificou o presente lançamento apenas foi restabelecida com a edição da Lei n° 11.196/2005. Ressaltou, ainda, que decisões do Superior Tribunal de Justiça já assentaram que a legislação aplicável ao procedimento de compensação realizado pelo contribuinte deve ser aquela vigente na data do encontro entre débitos e créditos. A Turma julgadora rejeitou estes argumentos aduzindo que, com a edição da Lei n° 11.051/2004, subsistiu também a aplicação de multa isolada nas hipóteses em que a compensação fosse promovida com créditos de terceiros ou referente a tributos e contribuições não administrados pela SRF, como é o caso. Apenas que o percentual então definido de 150% (ou 225% no caso de não atendimento, no prazo marcado, à intimação para prestar esclarecimentos), foi reduzido a 75% (ou 112,5%) pela Lei n° 11.196/2005, ai sim justificando a aplicação do art. 106, inciso II, alínea "c" do CTN, como feito pela autoridade lançadora. Cientificada da decisão de primeira instância em 14/08/2012 (fl. 97), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 11/09/2012 (fls. 98/110), no qual reprisa os argumentos apresentados na impugnação, expressamente opondo-se ao fundamento da decisão recorrida, nos seguintes termos: 20. 0 equivoco da interpretação dada pela r. decisão recorrida aos dispositivos introduzidos pela Lei n°11.051/04 é manifesto e evidente, pois a nova redação dada pela Lei n° 11.051/04 ao caput do art. 18 da Lei n° 10.833/03 restringiu expressamente a aplicação da penalidade de 150% as "hipóteses em que ficar caracterizada a pratica das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964." 21. Ora, como se sabe, as infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, correspondem exatamente as hipóteses de sonegação, fraude ou conluio, as quais constam com tipificação especifica. 22. Assim, ao contrário do que afirma a r. decisão recorrida, a Lei n°11.051/04 não estendeu a aplicação da penalidade de 150% a todas as compensações, ficando evidenciado que tal penalidade estava limitada (como sempre esteve) aos casos de evidente intuito defraude. (grifos do original) Ademais, a multa de 150% prevista na Lei n° 11.051/2004 está temporalmente limitada as compensações formalizadas após sua edição, com a qual introduziu-se a hipótese da "nab declaração" de compensação apresentada pelos contribuintes". Dai a impossibilidade de retroatividade da referida norma as compensações formalizadas entre 30/09/2003 e 30/10/2003 (sic). 3 Processo n° 19515.000816/2007-46 S I-CI T I Acórdão n.° 1101-000.875 Fl. 5 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA Em que pese o entendimento desta Relatora no sentido de que a multa isolada por compensação indevida, na forma prevista pela Lei n° 11.051/2004, é também aplicável às compensações formalizadas antes de sua vigência, e mesmo que não sujeitas a não declaração, tais aspectos não são determinantes para solução do litígio. Como relata a Fiscalização (fls. 18/20) e consta dos documentos apresentados pela contribuinte (fls. 04/11), as compensações foram declaradas de 30/09/2003 a 21/10/2003. Por sua vez, a Medida Provisória no 135/2003 (que veio a ser posteriormente convertida na Lei no 10.833/2003), somente foi publicada em 31/10/2003, de modo que na data de apresentação das DCOMP ainda estava em vigor o art. 90 da Medida Provisória n° 2.158-35/2001 em sua redação original: Art 90. Serão objeto de lançamento de oficio as diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e ás contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Referido dispositivo legal cogitava de lançamento de oficio, e conseqüente aplicação de penalidades previstas no art. 44 da Lei n° 9.430/96, tendo por objeto débitos declarados em DCTF, única declaração existente à época para informação de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e às contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Tratava-se, portanto, da aplicação de multa proporcional ao principal devido, porque caracterizada, apenas, a falta de recolhimento daquele valor, em razão da não confirmação das vinculações informadas em DCTF. A Medida Provisória n° 135/2003, por sua vez, estabeleceu que: Art. 18. 0 lançamento de oficio de que trata o art. 90 da Medida Provisória n° 2.158-35, de 24 de agosto de 2001, limitar-se-6 a imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicar-se-6 unicamente nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964. § I° Nas hipóteses de que trata o caput, aplica-se ao débito indevidamente compensado o disposto nos §§ 6° a 11 do art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996. § 2°A multa isolada a que se refere o caput é a prevista nos incisos le lIou no § 20 do art. 44 da Lei n°9.430, de 1996, conforme o caso. § 3° Ocorrendo manifestação de inconformidade contra a não-homologação da compensação e impugnação quanto ao lançamento das multas a que se refere este artigo, as peças serão reunidas em um único processo para serem decididas simultaneamente. 4 Processo n° 19515.000816/2007-46 SI-CIT I Acórdão n.° 1101-000.875 Fl. 6 Nestes termos, a penalidade passou a ser aplicada de forma isolada, desacompanhada da exigência do tributo que deixou de ser recolhido, e em razão apenas de compensação indevida, a qual, desde a edição da Medida Provisória n° 66/2002 (convertida na Lei n° 10.637/2002), somente era possível mediante a apresentação de DCOMP. 0 débito indevidamente compensado seria exigido na forma dos §§ 6° a 11 do art. 74 da Lei n° 9.430/96, ou seja, mediante cobrança com acréscimo de multa de mora e juros se declarados, ou mediante lançamento com acréscimo de multa de oficio e juros se não declarados (especialmente quando veiculados em DCOMP que não era admitida como confissão de divida). Resta patente, assim, que a multa isolada criada com a Medida Provisória n° 135/2003 é penalidade nova, totalmente distinta da multa proporcional até então prevista no art. 90 da Medida Provisória n° 2.158-35/2001, inclusive a ensejar a dispensa dos valores até então lançados, para prosseguir-se na cobrança dos débitos não recolhidos apenas com acréscimos moratórios. Em verdade, a multa isolada criada com a Medida Provisória n° 135/2003 presta-se a coibir o abuso na utilização da DCOMP, criada para facilitar os procedimentos de compensação mas dotada de efeito extintivo do crédito tributário. Em razão disto, a incidência da penalidade verifica-se sobre o total do débito que o sujeito passivo pretendeu extinguir com a compensação, assim eventualmente reunindo os acréscimos moratórios ou de oficio indicados na DCOMP. Todavia, referida penalidade não foi criada ao mesmo tempo da DCOMP, e assim somente é aplicável as compensações declaradas a partir de sua vigência, ou seja, a partir de 31/10/2003. Na medida em que o lançamento reporta-se a compensações formalizadas até 21/10/2003, incabível é a penalidade aplicada. Por tais razões, o presente voto é no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para cancelar a exigência aqui veiculada. etWAO 4t. DELI PEREIRA BESSA — Relatora 5
score : 1.0
Numero do processo: 13896.907898/2016-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.905
Decisão:
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Relatório
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1618; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13896.907898/201629 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3201001.905 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 26 de março de 2019 Assunto SOLICITAÇÃO DE DILIGÊNCIA Recorrente CATHO ONLINE LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório Trata o processo de Recurso Voluntário contra decisão que julgou improcedente a manifestação de inconformidade em face da não homologação da compensação apresentada pela contribuinte. Segundo o despacho decisório, as compensações não foram homologadas em razão de não ter sido apurada a existência de direito creditório. Tais conclusões, ao que consta, encontram amparo no Termo de Verificação Fiscal carreado aos autos. No aludido TVF, emitido em decorrência da necessidade de análise das DCTF retificadoras apresentadas e, também, dos esclarecimentos que posteriormente foram prestados pela contribuinte, consta que “as receitas auferidas pela CATHO, decorrentes de sua atividade RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 96 .9 07 89 8/ 20 16 -2 9 Fl. 457DF CARF MF Processo nº 13896.907898/201629 Resolução nº 3201001.905 S3C2T1 Fl. 3 2 fim, não se enquadram na exceção prevista no inciso XXV do artigo 10 da Lei nº 10.833/2003, estando sujeitas, portanto, ao regime NÃO CUMULATIVO de apuração do PIS e do COFINS.” Consta, portanto, que as DCTF retificadoras não deveriam ser homologadas e que, por não existirem, os créditos não deveriam ser reconhecidos. Na manifestação de inconformidade apresentada, a contribuinte, após resumo dos fatos, esclarece que houve mudança no controle acionário da empresa e que, em razão disso, foi submetida a uma profunda revisão de políticas e procedimentos. Em decorrência, diz que teria identificado que suas atividades vinham sendo indevidamente qualificadas para fins de PIS e de Cofins, sendo necessário, portanto, a retificação das DCTF. A seguir, discorre sobre a sua atividade. Afirma que os serviços prestados não abrangem promessa de emprego ou obrigação presente ou futura de recolocação ou obtenção de emprego para seus clientes. Aduz, ainda, que o seu site na internet “é somente uma ferramenta online que permite ao assinante consultar vagas, enviar currículos e acessar demais conteúdos aí disponibilizados” sem “qualquer garantia de colocação profissional” nem “qualquer cobrança relacionada a essas atividades.” Em suma, conforme afirma, “simplesmente disponibiliza conteúdo na Internet aos Assinantes e não desenvolve qualquer atividade de intermediação.” Salienta que se qualifica como empresa de Internet, com atividade de portal ou empresa provedora de conteúdo e de informações, e que sua atividade vem descrita na Norma 004/95, aprovada pela Portaria nº 148, de 1995, item 3, letras ‘e’ e ‘f’ do Ministério das Comunicações. Objetivando o acesso às informações especializadas que são disponibilizadas, afirma que desenvolveu ferramenta própria (software), “cujo uso é liberado/cedido para seus clientes, os Assinantes.” Insiste que não promove a intermediação de contratação de mão de obra. Aduz que “sua tarefa se esgota em permitir o acesso à informação que integra seus bancos de dados: currículos e vagas.” Chama a atenção para o contido no inc. XXV do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003 e diz que conforme Solução de Consulta nº 309, de 2011, “a RFB confirmou, expressamente, que, para o contribuinte aplicar o regime cumulativo dessas contribuições sociais, basta exercer apenas uma das atividades mencionadas no inciso XXV citado anteriormente.” Na seqüência, diz que se deve destacar “que a simples não homologação das declarações retificadoras não é fato que, por si só, é capaz de fundamentar a não homologação das compensações realizadas.” Diz ser incabível a revisão de ofício da homologação pois ela não teria ocorrido por erro “mas sim pelo correto enquadramento legal da situação ora analisada”. Se houve erro, aduz, ele teria ocorrido com a revisão. Reclama, ainda, que não existe base legal para a revisão de ofício. Insiste na necessidade de cancelamento do despacho decisório. Ao final, requer a reforma do despacho decisório e a homologação das compensações. Subsidiariamente requer o cancelamento do despacho decisório em face da Fl. 458DF CARF MF Processo nº 13896.907898/201629 Resolução nº 3201001.905 S3C2T1 Fl. 4 3 impossibilidade de revisão de ofício no caso de erro de direito. Protesta pelo direito de provar o alegado por todos os meios de prova e informa que “não está questionando judicialmente a matéria discutida nestes autos.” A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba/PR julgou improcedente a manifestação de inconformidade do contribuinte e não reconheceu o direito creditório. Inconformada a contribuinte, apresentou recurso voluntário no qual repisa mesmos argumentos pleiteados em manifestação de inconformidade para o deferimento integral dos valores que constam do pedido de restituição. Suscita em seu pedido: i. Seja declarada a nulidade do v. acórdão recorrido, com o retorno dos autos à origem, para que (a) nova decisão seja proferida, com adstrição aos limites objetivos da lide fixados no Termo de Verificação Fiscal e na manifestação de inconformidade; ou (b) subsidiariamente, para que seja devolvido à recorrente o prazo para manifestação, garantindo lhe o exercício do direito de defesa em relação aos pontos novos suscitados pelo v. acórdão, tudo sob pena de contrariedade e negativa de vigência aos arts. 16, 17 e 18, parágrafo 3o, do Decreto n. 70.235, à luz do art. 5o, inciso LIV e LV, da Constituição de 1988; ii. Na eventualidade da superação da preliminar acima, seja reformado o v. acórdão, com o integral cancelamento das exigências fiscais, em razão da declaração: a. da nulidade do r. despacho decisório, por ter configurado revisão de ofício de lançamento, por erro de direito, com violação aos arts. 145 e 149 do CTN; b. da nulidade do r. despacho decisório, por carência de motivação, por ter se baseado em termo de verificação fiscal que não analisou o direito creditório discutido nestes autos, com violação ao art. 9o do Decreto n. 70,235; c. da improcedência do r. despacho decisório, tendo em vista a legitimidade da inclusão das receitas da recorrente no regime cumulativo de apuração da contribuição ao PIS e da COFINS, com a consequente homologação da declaração de compensação, sob pena de contrariedade e negativa de vigência aos arts. 10, inciso XXV e 15, inciso V, da Lei n. 10.833; d. eventualmente, caso se entenda que a requerente se encontra submetida ao regime não cumulativo das contribuições, seja reconhecida a inexistência de crédito tributário passível de cobrança, sob pena de bis in idem. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº Fl. 459DF CARF MF Processo nº 13896.907898/201629 Resolução nº 3201001.905 S3C2T1 Fl. 5 4 3201001.853, de 26 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 13896.720975/201638, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução nº 3201001.8539): "O Recurso Voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Antes de adentrar ao exame do Recurso apresentado, cumpre esclarecer que o presente processo tramita na condição de paradigma, nos termos do art. 47 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015: Art. 47. Os processos serão sorteados eletronicamente às Turmas e destas, também eletronicamente, para os conselheiros, organizados em lotes, formados, preferencialmente, por processos conexos, decorrentes ou reflexos, de mesma matéria ou concentração temática, observando se a competência e a tramitação prevista no art. 46. § 1º Quando houver multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica questão de direito, o Presidente de Turma para o qual os processos forem sorteados poderá sortear 1 (um) processo para definilo como paradigma, ficando os demais na carga da Turma. § 2º Quando o processo a que se refere o § 1º for sorteado e incluído em pauta, deverá haver indicação deste paradigma e, em nome do Presidente da Turma, dos demais processos aos quais será aplicado o mesmo resultado de julgamento. Nesse aspecto, é preciso esclarecer que cabe a este Conselheiro o relatório e voto apenas deste processo, ou seja, o entendimento a seguir externado terá por base exclusivamente a análise dos documentos, decisões e recurso anexados neste processo. Feito tal esclarecimento, passase ao exame das razões de Recurso. A pretensão da contribuinte de requalificar a natureza jurídica de seus serviço, de intermediação para atividades de internet, enquadrando as receitas auferidas no regime cumulativo foi indeferido no despacho decisório proferido com base nas conclusões do TVF que consta do dossiê nº 10010.014822/021604, formalizado para análise das DCTFs retificadoras transmitidas para espelharem o procedimento de requalificação. De fato, concluiu o procedimento fiscal que os serviços prestados pelo contribuinte não poderiam ser qualificados como serviços de internet (art. 10, XXV e art. 15, V, da Lei nº 10.833/03), mas sim de intermediação, mantendoos no regime de apuração não cumulativo. Fl. 460DF CARF MF Processo nº 13896.907898/201629 Resolução nº 3201001.905 S3C2T1 Fl. 6 5 A principal matéria em litígio envolve a rejeição pela autoridade fiscal em sede de despacho decisório da requalificação das atividades da recorrente e a mudança para o regime cumulativo de apuração da Contribuição para o PIS e para a Cofins. Os argumentos da fiscalização são no sentido de que o regime a que se submete as receitas das atividades desenvolvidas pela Catho para apuração e recolhimento continuava a ser o da não cumulatividade, pois não se tratam de serviços de informática (desenvolvimento de software ou de páginas eletrônicas) nos termos do art. 10, XXV, da Lei nº 10.833/03 uma vez que a atividade seria a prestação de serviços de intermediação ao profissional que busca se posicionar no mercado de trabalho. Nada obstante, o TVF assevera que para que a receita auferida subsumase à sistemática da apuração cumulativa devese comprovar que esta (receita) advenha da prestação de alguns dos serviços listados no referido dispositivo da Lei 10.833/03. Pois bem, compulsando os autos, em especial os termos e demais peças que constam do dossiê nº 10010.014822/021604 verificase que em momento algum a contribuinte fora intimada a comprovar a natureza de suas receitas. Ao contrário, a intimação limitouse a solicitar esclarecimentos e informações que resultaram na requalificação das receitas, como se vê: De ressaltar, contudo, que o fundamento para o indeferimento do pleito creditório é a natureza da receitas das atividades prestadas pela Catho conforme descritos nos autos, que não se qualificam como sujeitas à apuração cumulativa. O acórdão da DRJ trilha o mesmo fundamento de indeferimento e não homologação das compensações exarados no despacho decisório. Evidenciouse naquela decisão que o sítio da internet da Catho é uma mera ferramenta para quer o assinante consulte vagas de trabalho, envie currículos e acesse outros conteúdos. Poderseia concordar com os argumentos daqueles julgadores conquanto não trouxessem argumento subsidiário no qual reconhecem a possibilidade da contribuinte fazer prova de que determinadas atividades auferem receitas cuja apuração se dá no regime cumulativo. Vejase o excerto do voto condutor do acórdão recorrido: É possível concluir, portanto, que algumas de suas receitas podem estar sujeitas à apuração cumulativa das contribuições, ensejando, assim, a real possibilidade de enquadramento da empresa na modalidade de apuração mista das contribuições Fl. 461DF CARF MF Processo nº 13896.907898/201629 Resolução nº 3201001.905 S3C2T1 Fl. 7 6 (circunstância que, sendo eficazmente comprovada, pode evidenciar um possível erro no preenchimento da DCTF original). A forma como a existência de tal erro – que deve ser corrigido via DCTF retificadora – pode vir a ser acatado administrativamente irá depender da apresentação de provas (conforme estabelece o §1º do art. 147 do CTN), baseadas na escrituração contábil/fiscal do período analisado, ou seja, da apresentação de provas capazes de demonstrar, sem possibilidade de dúvida, quais receitas foram efetivamente auferidas nos períodos sob análise e a que tipo de serviço/atividade elas se vinculam. Ressaltese que, para fazer jus à apuração cumulativa, devese comprovar que as receitas advêm efetivamente da prestação de serviços, no caso, de informática (tal como listado no inc. XXV do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003, já transcrito). Evidentemente, as receitas assim enquadradas, devem ser passíveis de segregação, com vistas à correta tributação. Sem que tais comprovações existam nos autos, inviável será o deferimento do pleito. Resta claro que no mérito a decisão recorrida reconheceu a possibilidade do contribuinte fazer prova a seu favor, providência esta até então não determinada pela autoridade fiscal e se insere nas situações que o art. 16 do Decreto nº 70.235/72 PAF prevê regra de exceção para a apresentação extemporânea de conjunto probatório após a impugnação (manifestação de inconformidade): Decreto n° 70.235, de 1972: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. [...]Art. 16. A impugnação mencionará: [...]III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. [...]§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 462DF CARF MF Processo nº 13896.907898/201629 Resolução nº 3201001.905 S3C2T1 Fl. 8 7 Assim, entendo que os autos devam retornar à unidade preparadora para apreciação do Laudo Técnico apresentado pela Recorrente. Ante o exposto, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, a fim de que a autoridade preparadora analise o Laudo Técnico colacionado aos autos pela Recorrente e identifique as atividades cujas receitas inseremse no regime de apuração cumulativa nos termos do inciso XXV do art. 10 e inciso V do art. 15, ambos da Lei nº 10.833/03. Se entender necessário, deverá intimar a Recorrente para, ainda no curso da diligência, apresentar outros documentos e/ou esclarecimentos a respeito do litígio. Ao término do procedimento, deve elaborar Relatório Fiscal sobre os fatos apurados na diligência, sendolhe oportunizado manifestarse sobre a existência de outras informações e/ou observações que julgar pertinentes ao esclarecimento dos fatos. Encerrada a instrução processual, a Recorrente deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, findo o qual, sem ou com apresentação de manifestação, devem os autos serem devolvidos a este Colegiado para continuidade do julgamento. Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, a fim de que a autoridade preparadora analise o Laudo Técnico colacionado aos autos pela Recorrente e identifique as atividades cujas receitas inseremse no regime de apuração cumulativa nos termos do inciso XXV do art. 10 e inciso V do art. 15, ambos da Lei nº 10.833/03. Se entender necessário, deverá intimar a Recorrente para, ainda no curso da diligência, apresentar outros documentos e/ou esclarecimentos a respeito do litígio. Ao término do procedimento, deve elaborar Relatório Fiscal sobre os fatos apurados na diligência, sendolhe oportunizado manifestarse sobre a existência de outras informações e/ou observações que julgar pertinentes ao esclarecimento dos fatos. Encerrada a instrução processual, a Recorrente deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, findo o qual, sem ou com apresentação de manifestação, devem os autos serem devolvidos a este Colegiado para continuidade do julgamento. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 463DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11610.006128/2001-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 22 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1997
INOVAÇÃO NA LIDE ADMINISTRATIVA. INADMISSIBILIDADE. PRECLUSÃO TEMPORAL. OCORRÊNCIA.
A delimitação do litígio administrativo se dá segundo segundo os termos da impugnação ou manifestação de inconformidade apresentadas, nas quais devem ser deduzidas todas as questões controversas, sob pena de preclusão temporal, nos termos dos arts. 16, III e 17 do Decreto nº 70.235/72, ressalva feita exclusivamente às matérias supervenientemente incorporadas às decisões administrativas proferidas ao longo do procedimento contencioso, não sendo possível a inovação da lide em recursos ou petições posteriores.
PRELIMINAR. INOBSERVÁNCIA DO PRINCÍPIO DO CONTRADITORIO.
Não tem fundamento a alegação de inobservância do princípio do contraditório na medida em que o processo se caracterizou pelo cumprimento de todas as fases e prazos dispostos na lei que regula o processo administrativo fiscal e o interessado teve amplo direito ao exercício do contraditório e da ampla defesa, tendo oportunidade de carrear aos autos elementos/comprovantes no sentido de ilidir, parcial ou totalmente, a tributação em análise.
INCLUSÕES DE RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS E DA DEDUÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE.
Mantém-se as referidas inclusões efetuadas no lançamento, uma vez que a pessoa juridica, à qual O contribuinte pretende atribuir parte dos rendimentos a ele imputados no Auto de infração, foi legalmente constituída em ano-calendário posterior ao ano-calendário em análise.
MULTA PQR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇAO DE AJUSTE ANUAL.
A multa por atraso na entrega da declaração é calculada à base de 1% (um por cento) por mês de atraso ou fração sobre o valor do imposto devido nos casos de sua apresentação fora do prazo, ainda que o imposto tenha sido pago integralmente.
APLICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO DE 75%.
Em consonância com a legislação de regência, a apuração de omissão de rendimentos enseja a aplicação da multa de oficio de 75% (setenta e cinco por cento), lastreada na ocorrência de falta de declaração por parte do contribuinte.
JUROS DE MORA. TAXA REFERENCIAL SELIC.
É entendimento pacífico neste tribunal, constante do enunciado de nº 04 da súmula de sua jurisprudência, de teor vinculante, que os juros moratórios devidos sobre os débitos administrados pela Receita Federal do Brasil são corrigidos pela taxa SELIC.
Numero da decisão: 2402-007.063
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(assinado digitalmente)
Renata Toratti Cassini - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Luis Henrique Dias Lima, Mauricio Nogueira Righetti, Paulo Sergio da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci, Wilderson Botto (Suplente Convocado), Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini.
Nome do relator: RENATA TORATTI CASSINI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 1997 INOVAÇÃO NA LIDE ADMINISTRATIVA. INADMISSIBILIDADE. PRECLUSÃO TEMPORAL. OCORRÊNCIA. A delimitação do litígio administrativo se dá segundo segundo os termos da impugnação ou manifestação de inconformidade apresentadas, nas quais devem ser deduzidas todas as questões controversas, sob pena de preclusão temporal, nos termos dos arts. 16, III e 17 do Decreto nº 70.235/72, ressalva feita exclusivamente às matérias supervenientemente incorporadas às decisões administrativas proferidas ao longo do procedimento contencioso, não sendo possível a inovação da lide em recursos ou petições posteriores. PRELIMINAR. INOBSERVÁNCIA DO PRINCÍPIO DO CONTRADITORIO. Não tem fundamento a alegação de inobservância do princípio do contraditório na medida em que o processo se caracterizou pelo cumprimento de todas as fases e prazos dispostos na lei que regula o processo administrativo fiscal e o interessado teve amplo direito ao exercício do contraditório e da ampla defesa, tendo oportunidade de carrear aos autos elementos/comprovantes no sentido de ilidir, parcial ou totalmente, a tributação em análise. INCLUSÕES DE RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS E DA DEDUÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. Mantém-se as referidas inclusões efetuadas no lançamento, uma vez que a pessoa juridica, à qual O contribuinte pretende atribuir parte dos rendimentos a ele imputados no Auto de infração, foi legalmente constituída em ano-calendário posterior ao ano-calendário em análise. MULTA PQR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇAO DE AJUSTE ANUAL. A multa por atraso na entrega da declaração é calculada à base de 1% (um por cento) por mês de atraso ou fração sobre o valor do imposto devido nos casos de sua apresentação fora do prazo, ainda que o imposto tenha sido pago integralmente. APLICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO DE 75%. Em consonância com a legislação de regência, a apuração de omissão de rendimentos enseja a aplicação da multa de oficio de 75% (setenta e cinco por cento), lastreada na ocorrência de falta de declaração por parte do contribuinte. JUROS DE MORA. TAXA REFERENCIAL SELIC. É entendimento pacífico neste tribunal, constante do enunciado de nº 04 da súmula de sua jurisprudência, de teor vinculante, que os juros moratórios devidos sobre os débitos administrados pela Receita Federal do Brasil são corrigidos pela taxa SELIC.
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INADMISSIBILIDADE. PRECLUSÃO TEMPORAL. OCORRÊNCIA. A delimitação do litígio administrativo se dá segundo segundo os termos da impugnação ou manifestação de inconformidade apresentadas, nas quais devem ser deduzidas todas as questões controversas, sob pena de preclusão temporal, nos termos dos arts. 16, III e 17 do Decreto nº 70.235/72, ressalva feita exclusivamente às matérias supervenientemente incorporadas às decisões administrativas proferidas ao longo do procedimento contencioso, não sendo possível a inovação da lide em recursos ou petições posteriores. PRELIMINAR. INOBSERVÁNCIA DO PRINCÍPIO DO CONTRADITORIO. Não tem fundamento a alegação de inobservância do princípio do contraditório na medida em que o processo se caracterizou pelo cumprimento de todas as fases e prazos dispostos na lei que regula o processo administrativo fiscal e o interessado teve amplo direito ao exercício do contraditório e da ampla defesa, tendo oportunidade de carrear aos autos elementos/comprovantes no sentido de ilidir, parcial ou totalmente, a tributação em análise. INCLUSÕES DE RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS E DA DEDUÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. Mantémse as referidas inclusões efetuadas no lançamento, uma vez que a pessoa juridica, à qual O contribuinte pretende atribuir parte dos rendimentos a ele imputados no Auto de infração, foi legalmente constituída em ano calendário posterior ao anocalendário em análise. MULTA PQR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇAO DE AJUSTE ANUAL. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 0. 00 61 28 /2 00 1- 12 Fl. 182DF CARF MF Processo nº 11610.006128/200112 Acórdão n.º 2402007.063 S2C4T2 Fl. 183 2 A multa por atraso na entrega da declaração é calculada à base de 1% (um por cento) por mês de atraso ou fração sobre o valor do imposto devido nos casos de sua apresentação fora do prazo, ainda que o imposto tenha sido pago integralmente. APLICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO DE 75%. Em consonância com a legislação de regência, a apuração de omissão de rendimentos enseja a aplicação da multa de oficio de 75% (setenta e cinco por cento), lastreada na ocorrência de falta de declaração por parte do contribuinte. JUROS DE MORA. TAXA REFERENCIAL SELIC. É entendimento pacífico neste tribunal, constante do enunciado de nº 04 da súmula de sua jurisprudência, de teor vinculante, que os juros moratórios devidos sobre os débitos administrados pela Receita Federal do Brasil são corrigidos pela taxa SELIC. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente (assinado digitalmente) Renata Toratti Cassini Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Luis Henrique Dias Lima, Mauricio Nogueira Righetti, Paulo Sergio da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci, Wilderson Botto (Suplente Convocado), Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini. Fl. 183DF CARF MF Processo nº 11610.006128/200112 Acórdão n.º 2402007.063 S2C4T2 Fl. 184 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão de nº 1125.134. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório constante da decisão recorrida, abaixo reproduzido: O contribuinte acima identificado, de posse do Auto de Infração de fls. 11 a 16, correspondente ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 1.998 (anocalendário 1.997), insurgese contra o lançamento nele consubstanciado, apresentando a impugnação de fls. 1 a 10. 2. O lançamento em foco promoveu as inclusões de rendimentos tributáveis e da dedução do imposto de renda retido na fonte, nos valores de R$ 77.760,19 e R$ 4.354,99, respectivamente, apurando, ao final, imposto suplementar de R$ 9305,05, multa de ofício de R$ 6.978,78, juros de mora de R$ 6.283,70, calculados até setembro de 2.001, e multa por atraso na entrega da declaração, na quantia de R$ 2.732,00. 3. Na impugnação apresentada, o contribuinte propugna pela nulidade do Auto de Infração, alegando, em síntese, que: 3.1 dos rendimentos computados no lançamento, o valor de R$ 36.548,19, atribuído à fonte pagadora empresa Mahnke, não foi por ele recebido; 3.2 não foi observado o procedimento administrativo adequado, com a efetiva perícia por técnico especializado, nem observado o princípio do contraditório constitucional; 3.3 são absolutamente ilegais e inconstitucionais os juros moratórios com base na taxa SELIC, devendo os mesmos ser reduzidos para 1% (um por cento) ao mês, nos termos do art. 161, § 1°, do Código Tributário Nacional; 3.4 são, também, ilegais e inconstitucionais os acréscimos pretendidos, inclusive correção monetária e a indexação tributária pela UFIR; 3.5 a multa de oficio de 75% (setenta e cinco por cento) é excessiva, portanto deverá ser excluída ou reduzida para 2% (dois por cento), nos termos da Lei n° 9.298/1.996; 3.6 a multa por atraso na entrega da declaração, no valor correspondente a 20% (vinte por cento) do imposto devido, também é exorbitante, fato que impõe sua redução para o limite mínimo de R$ 165,74. 4. A fim de instruir o presente processo e propiciar as condições necessárias ao seu julgamento, a Autoridade Julgadora, por intermédio do despacho de fl. 31, encaminhou os autos à DEFIC/SP, para que diligenciasse junto à empresa Kemah Industrial Ltda, CNPJ 61.565.107/000171, sucessora da Fl. 184DF CARF MF Processo nº 11610.006128/200112 Acórdão n.º 2402007.063 S2C4T2 Fl. 185 4 empresa Mahnke Industrial S/A, CNPJ 61.565.180/000143, no sentido de esclarecer se a referida empresa pagou rendimentos ao contribuinte, no anocalendário 1.997 e, em caso afirmativo, que discriminasse a natureza dos rendimentos pagos, bem como os valores desses rendimentos e do respectivo imposto de renda retido na fonte. 5. Em função do requisitado no despacho supracitado, foram carreados aos autos os documentos de fls. 39 a 72, bem como aditamento à impugnação interposta (fls. 84 a 92), cujas razões caminham no sentido de atribuir à empresa Pereira Lima Advocacia os pagamentos realizados pela empresa Mahnke Industrial S/A, objetos de tributação no presente lançamento, invocandose, outrossim, a impossibilidade de responsabilização do contribuinte pelas obrigações tributárias da referida empresa de advocacia. Não houve contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheira Renata Toratti Cassini Relatora A delimitação do litígio administrativo se dá segundo os termos da impugnação ou manifestação de inconformidade apresentados, nas quais devem ser deduzidas todas as questões controversas, sob pena de preclusão temporal, nos termos dos arts. 16, III e 17 do Decreto nº 70.235/72, ressalva feita exclusivamente às matérias supervenientemente incorporadas nas decisões administrativas proferidas ao longo do procedimento contencioso, não sendo possível a inovação em recursos ou petições posteriores. O recurso voluntário é tempestivo, entretanto, não deve ser integralmente conhecido ante a inovação na lide, uma vez que não constavam da impugnação os argumentos sobre o que o recorrente defende acerca da responsabilidade tributária, alegações que não serão conhecidas dada a ocorrência de preclusão consumativa. Considerando que, nos demais pontos, como apontado no relatório, o recurso voluntário apenas reproduziu os argumentos de defesa apresentados pelo recorrente em sua impugnação, tendo em vista o que dispõe o art. 57, §3º do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, adoto, nessa parte, como razões de decidir, os fundamentos da decisão de primeira instância, que reproduzo abaixo, com os quais estou de pleno acordo: I DA PRELIMINAR DE INOBSERVÂNCIA DO PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO. Fl. 185DF CARF MF Processo nº 11610.006128/200112 Acórdão n.º 2402007.063 S2C4T2 Fl. 186 5 7. Alega o recorrente, como matéria que tem natureza de “Preliminar”, que não foi observado o procedimento administrativo adequado, havendo infringência ao principio do contraditório constitucional. 8. Rebatendo a alegação da ausência do contraditório constitucional, o que consubstanciaria o cerceamento do direito de defesa, é de se observar que o processo em questão, até o presente momento, caracterizouse pelo cumprimento de todas as fases e prazos processuais dispostos no Processo Administrativo Fiscal (Decreto n° 70.235/ 1.972 e alterações posteriores), ressaltandose que, ao contribuinte, foi dada ampla oportunidade, na fase impugnatória, de carrear aos autos alegações/elementos/comprovantes, no sentido de tentar ilidir a inclusão de rendimentos tributáveis efetuada no lançamento, sendolhe facultado, inclusive, aditamento à impugnação após a realização da diligência requisitada pela Autoridade Julgadora (fls. 74 a 96). 9. Repitase que a própria Autoridade Julgadora, mediante o despacho de fl. 31, solicitou a realização de diligência junto à empresa Kemah Industrial Ltda, CNPJ 61.565.107/000171, sucessora da empresa Malmke Industrial S/A, CNPJ 61.565.180/000143, no sentido de esclarecer se a referida empresa havia pago rendimentos ao contribuinte, no ano calendário 1.997, requisição essa que acarretou a juntada aos autos dos documentos de fls. 39 a 72. 10. Registrese, por oportuno, que a fase que antecede o lançamento é norteada pelo princípio inquisitório ou inquisitivo e que, somente com o advento da impugnação, ocorre a instauração do contraditório. 11. Desta forma, improcede a preliminar de inobservância do princípio do contraditório. II DO MÉRITO II.1 DAS INCLUSÕES DE RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS E DA DEDUÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE 12. O lançamento combatido efetuou as inclusões de rendimentos tributáveis e da dedução do imposto de renda retido na fonte, nos valores de RS 77.760,19 e R$ 4.354,99, respectivamente, e resultou dos valores informados nas DIRFs (Declarações de Impostos de Renda Retidos na Fonte), ano de retenção 1.997 e código de retenção 0588 (rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício), apresentadas pelas empresas BT Big Toy Brinquedos e Utilidades Ltda, CNPJ 30.280.655/000121 (Rendimentos Tributáveis de R$ 26.200,00 e IR Fonte de R$ 2.770,00 fls. 13, 112 e 115), Backer S/A, CNPJ 49.053.184/000147 (Rendimentos Tributáveis de R$ 15.012,00 e IR Fonte de R$ 1.036,80 fls. 13, 114 e 116)e Kemah Industrial Ltda, CNPJ 61.565.107/000171 (Rendimentos Tributáveis de R$ 36.548,19 e IR Fonte de R$ 548,19 fls. 13, 28 e 113). Fl. 186DF CARF MF Processo nº 11610.006128/200112 Acórdão n.º 2402007.063 S2C4T2 Fl. 187 6 13. Nos documentos de fls. 42 a 66, carreados aos autos pela DEFIC/SP, em função do requisitado no despacho de fl. 31, já mencionado, consta a informação de que a empresa Mahnke Industrial S/A, CNPJ 61.565.180/000143, incorporada pela empresa Kemah Industrial Ltda, CNPJ 61.565.107/000171 (fls. 28 e 30), teria pago, no anocalendário 1.997, honorários advocatícios a “Pereira Lima Advocacia”, no valor de R$ 36.548,19, com a retenção de imposto na fonte de R$ 548,19. 14. Contudo, a pesquisa nos Arquivos da Receita Federal, mais especificamente no “CNPJ,CONSULTA”, à fl. 98, noticia que a empresa Pereira Lima Advocacia, CNPJ 03.496.454/000193, da qual o contribuinte é sócio e responsável (fl. 99), foi constituída legalmente somente em 20/08/1.999, fulminando qualquer pretensão do impugnante em atribuir à referida pessoa jurídica rendimento, efetivamente, por ele percebido. II.2 DA MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO 15. O suplicante alega ser excessiva a multa por atraso na entrega da declaração, no percentual de 20% (vinte por cento), requerendo sua redução para o limite mínimo de RS 165,74. 16. A aplicação da multa por atraso na entrega da declaração encontra supedâneo no artigo 88 da Lei 8.981, de 20/01/1.995, abaixo transcrito: "Art. 88. A falta de apresentação da declaração de rendimentos ou a sua apresentação fora do prazo fixado, sujeitará a pessoa fisica ou jurídica: I à multa de mora de um por cento ao mês ou fiação sobre o imposto de renda devido, ainda que integralmente pagg; Il à multa de duzentas UFIR a oito mil UFIR, no caso de declaração de que não resulte imposto devido. §1º O valor mínimo a ser aplicado será: a) de duzentas UFIR para as pessoas físicas' , b) de quinhentos UFIR, para as pessoas jurídicas. " (grifos nossos) 17. Consoante disposto no art. 27 da Lei n° 9.532/1.997 e no art. 30 da Lei n° 9.249/ 1 .995, o valor da multa mínima de duzentas UFIR foi expressa em reais pelo valor da UFIR em 1° de janeiro de 1.996 (R$ 0,8287), ou seja, a multa mínima equivale a R$ 165,74, não podendo exceder a 20% (vinte por cento) do imposto devido (art. 27 da Lei n° 9.532/ 1.997), aplicandose desta forma, a multa mínima, somente nos casos em que a multa calculada com base no disposto no art. 88 da Lei n° 8.981/1.995 não exceder a R$ 165,74. 18. É de se salientar, ainda, que a base de cálculo da multa por atraso na entrega da declaração é o imposto devido, assim entendido o imposto obtido mediante a aplicação da tabela progressiva anual, antes, portanto, da dedução de eventuais antecipações e retenções efetuadas pelas fontes pagadoras, e Fl. 187DF CARF MF Processo nº 11610.006128/200112 Acórdão n.º 2402007.063 S2C4T2 Fl. 188 7 independentemente do fato do imposto a pagar ter sido integralmente quitado antes da apresentação da declaração ou do lançamento. 19. Assim sendo, deve ser mantida a multa por atraso na entrega da declaração, no valor de R$ 2.732,00, resultante da aplicação do percentual de 20% (vinte por cento), correspondente ao número de meses em atraso na entrega da declaração, sobre o imposto devido de R$ 13.660,04 (fl. 11). II.3 DA APLICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO DE 75% 20. Sob o fundamento de ser excessiva a multa de ofício de 75%, o contribuinte requer sua redução para 2% (dois por cento), nos termos da Lei n° 9.298/ 1.996. 21. Em primeiro plano, cumpre ressaltar que a Lei n° 9.298/1.996 invocada pelo impugnante faz referência a multa de mora, e não a multa de ofício, conforme reprodução abaixo do dispositivo mencionado diploma legal: “Art. 1° O § 1° do art. 52 da Lei n° 8.078, de 11 de setembro de 1990, passa a vigorar com a seguinte redação: Art. 52 ....................................................................... .. §1° As multas de mora decorrentes do indimplento de obrigações no seu termo não poderão ser superiores a dois por cento do valor da prestação. " 22. Por sua vez, a multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento), aplicada no lançamento, encontrava ressonância no art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430/ 1.996, que assim dispunha: Lei n° 9.430/1.996: “Art 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes ` multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, l definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n” 4.502, de 30 de novembro de 1.964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. 23. A Medida Provisória n° 303/2.006 e, posteriormente, a Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2.007, em seu artigo 14, alteraram os incisos I e II, do supracitado artigo 44, nos seguintes termos “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: Fl. 188DF CARF MF Processo nº 11610.006128/200112 Acórdão n.º 2402007.063 S2C4T2 Fl. 189 8 I de setenta e cinco por cento sobre a totalidade ou diferença de tributo. nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de [alta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 82 da Lei nº 7. 713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2ª desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § 1° O percentual da multa de que trata o inciso I do caput será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1.964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis." (grifos nossos) 24. Observese que, nos casos de apuração de omissão de rendimentos, a aplicação da multa de 75% encontra plena ressonância na legislação de regência, em virtude da constatação de falta de declaração, devendo, destarte, ser mantida a multa de oficio de 75%, ora contestada. (...) II.5 DA CORREÇÃO MONETÁRIA E DA 1NDEXAÇÃO TRIBUTÁRIA PELA UFIR 37. Falece razão ao recorrente, ao asseverar que, quando da apuração do crédito tributário em tela, houve ilegalidade na aplicação de correção monetária e na indexação tributária pela UFIR, na medida em que o presente lançamento já foi efetuado em reais, com a apuração do imposto suplementar e dos acréscimos legais realizada na referida moeda (fl. 11). 38. Com efeito, o procedimento adotado pela Autoridade lançadora encontra ressonância na Lei n° 8.981/1.995, art. 6°, e na Lei n° 9.249/1.995, art. 1°, que dispõem que serão apurados em reais os tributos cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1° de janeiro de 1.995. II.6 DA ALEGAÇÃO DE NÃOREALIZAÇÃO DE PERÍCIA POR TÉCNICO ESPECIALIZADO 39. Na peça impugnatória, o interessado afirma que não foi observado o procedimento administrativo adequado, uma vez que não foi realizada efetiva perícia por técnico especializado, requerendo a produção de prova pericial para a exata verificação de “valores, base de cálculos, datas e eventuais créditos”. 40. No que toca à pretensão de produção de prova pericial para complementação da instrução dos autos, o suplicante, em dissonância com o disposto no art. 16, inciso IV, do Decreto n° Fl. 189DF CARF MF Processo nº 11610.006128/200112 Acórdão n.º 2402007.063 S2C4T2 Fl. 190 9 70.235/1.972, com as modificações introduzidas pelo art. 1° da Lei n° 8.748/1.993, elaborou o pedido de perícia sem a indicação do nome, do endereço e da qualificação profissional de seu perito, e sem a formulação de quesitos referentes aos exames desejados. Assim sendo, o pedido de perícia fica prejudicado, de plano, pelo descumprimento dos requisitos legais atinentes à sua formulação. 41. No que concerne, ainda, ao tópico “produção de provas”, que o contribuinte, repitase, teve ampla oportunidade de realizar na fase impugnatória, sendolhe facultado, inclusive, aditamento à impugnação interposta, o art. 18 do Decreto n° 70.235/1.972, com as modificações introduzidas pelo art. 1° da Lei n° 8.748/1.993, reza que “a autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis..." (grifos nossos). 42. Em face do exposto, indefiro o pedido de produção de prova pericial. 43. Pelo acima exposto, voto no sentido de REJEITAR A PRELIMINAR de inobservância do princípio do contraditório e, no mérito, JULGAR PROCEDENTE O LANÇAMENTO de fls. 11 a 16. (...) DA APLIAÇÃO DA TAXA SELIC Por fim, com relação à aplicação da SELIC no cálculo dos juros de mora, questionada pelo recorrente, é entendimento pacífico neste tribunal, constante do enunciado de nº 04 da súmula de sua jurisprudência, de teor vinculante, que os juros moratórios devidos sobre os débitos administrados pela Receita Federal do Brasil são corrigidos pela taxa SELIC. DAS ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE Quanto as alegações de inconstitucionalidade, conforme enunciado nº 02 da súmula da jurisprudência deste Tribunal, "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". Conclusão Por todo o exposto, voto no sentido de conhecer e negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Renata Toratti Cassini Relatora Fl. 190DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10860.003887/2004-53
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 02 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2000, 2001, 2002
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO QUE NÃO CONTESTA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. REMISSÃO. ART. 14 DA LEI N° 11.941/2009. ATIVIDADE DA AUTORIDADE PREPARADORA
Não cabe ao CARF decidir pedido de remissão de débito tributário, devendo tal apreciação ficar a cargo da Delegacia da Receita Federal do Brasil da circunscrição do domicílio do contribuinte.
Numero da decisão: 2402-007.095
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário por falta de prequestionamento em sede de impugnação.
(documento assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira- Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Paulo Sergio da Silva - Relator.
Participaram ainda da sessão de julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Gregório Rechmann Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Maurício Nogueira Righetti, Paulo Sergio da Silva, Renata Toratti Cassini e Wilderson Botto (suplente convocado).
Nome do relator: PAULO SERGIO DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2000, 2001, 2002 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO QUE NÃO CONTESTA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. REMISSÃO. ART. 14 DA LEI N° 11.941/2009. ATIVIDADE DA AUTORIDADE PREPARADORA Não cabe ao CARF decidir pedido de remissão de débito tributário, devendo tal apreciação ficar a cargo da Delegacia da Receita Federal do Brasil da circunscrição do domicílio do contribuinte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário por falta de prequestionamento em sede de impugnação. (documento assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira- Presidente. (documento assinado digitalmente) Paulo Sergio da Silva - Relator. Participaram ainda da sessão de julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Gregório Rechmann Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Maurício Nogueira Righetti, Paulo Sergio da Silva, Renata Toratti Cassini e Wilderson Botto (suplente convocado).
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RECURSO VOLUNTÁRIO QUE NÃO CONTESTA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. REMISSÃO. ART. 14 DA LEI N° 11.941/2009. ATIVIDADE DA AUTORIDADE PREPARADORA Não cabe ao CARF decidir pedido de remissão de débito tributário, devendo tal apreciação ficar a cargo da Delegacia da Receita Federal do Brasil da circunscrição do domicílio do contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário por falta de prequestionamento em sede de impugnação. (documento assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente. (documento assinado digitalmente) Paulo Sergio da Silva Relator. Participaram ainda da sessão de julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Gregório Rechmann Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Maurício Nogueira Righetti, Paulo Sergio da Silva, Renata Toratti Cassini e Wilderson Botto (suplente convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 0. 00 38 87 /2 00 4- 53 Fl. 103DF CARF MF Processo nº 10860.003887/200453 Acórdão n.º 2402007.095 S2C4T2 Fl. 104 2 Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 99) pelo qual o recorrente se indispõe contra decisão em que a autoridade de piso considerou improcedente impugnação a lançamento de IRPF, no valor de R$ 4.709,95 (acrescidos de juros e multa), incidente sobre glosa de despesas médicas, de dedução indevida com instrução, de dedução indevida de dependentes e ganho de capital. Cientificado do Auto de Infração, o contribuinte, apresentou impugnação parcial em 26.11.2004 (fls 75), indispondose apenas quanto à glosa de despesa médica, sendo transferido para o PAF 10860004409200461 a parte confessada do crédito. Em 11.12.2008 a DRJ julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário discutivo, nos termos do voto abaixo colacionado: Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10860.003887/200453 Acórdão n.º 2402007.095 S2C4T2 Fl. 105 3 Em 05.02.2009, irresignado, o contribuinte apresentou o recurso voluntário em apreço para, com fundamento na MP 449/2007, para pedir a remissão do crédito discutido. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Sergio da Silva, Relator. Da admissibilidade O recurso é tempestivo. Do pedido de remissão Inicialmente é importante observar que o recurso voluntário no Processo Administrativo tem a função de contestar a decisão do julgador de primeiro grau administrativo que tenha mantido, no todo ou em parte, crédito tributário exigido, conforme dispõe o 73 do Decreto 79.234/72, in verbis: Art. 73. O recurso voluntário total ou parcial, que tem efeito suspensivo, poderá ser interposto contra decisão de primeira instância contrária ao sujeito passivo, no prazo de trinta dias, contados da data da ciência da decisão. No presente caso o contribuinte pede para que se reconheça a remissão dos créditos discutidos no presente processo, em função da aplicação do disposto no Art. 14, da MP 449/2008, não havendo, portanto, matéria impugnada pelo recorrente, uma vez que ao requerer o perdão de suas dívidas, o contribuinte está implicitamente reconhecendo a liquidez e certeza do crédito tributário discutido, ou seja, não há contencioso a cerca da procedência do lançamento, mas tãosomente um pedido de aplicação do favor legal da remissão. Ocorre, no entanto, que o exame dessa matéria não é da competência deste Conselho, mas sim da Delegacia da Receita Federal do Brasil da circunscrição do domicílio do contribuinte, conforme disciplina o Art. 270 do Regimento Interno da RFB (Port. MF 430/2017). Art. 270. Às Delegacias da Receita Federal do Brasil (DRF), à Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Maiores Contribuintes do Rio de Janeiro (Demac/RJO), à Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Pessoas Físicas (Derpf) e às Alfândegas da Receita Federal do Brasil (ALF) compete, no âmbito da respectiva jurisdição, no que couber, Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10860.003887/200453 Acórdão n.º 2402007.095 S2C4T2 Fl. 106 4 gerir e executar as atividades de cadastros, de arrecadação, de controle, de cobrança, de recuperação e garantia do crédito tributário, de direitos creditórios, de benefícios fiscais, de atendimento e orientação ao cidadão, de comunicação social, de fiscalização, de controle aduaneiro, de tecnologia e segurança da informação, de programação e logística, de gestão de pessoas e de planejamento, avaliação, organização e modernização. (Redação dada pelo(a) Portaria MF nº 331, de 03 de julho de 2018) Conclusão Ante o exposto, voto por não CONHECER do recurso voluntário apresentado, mantendo o crédito tributário discutido, bem como pela remessa do processo à Delegacia da Receita Federal responsável. Assinado digitalmente Paulo Sergio da Silva – Relator Fl. 106DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.920111/2009-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 14 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2004
RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE.
É intempestivo o recurso voluntário interposto após o decurso de trinta dias da ciência da decisão de primeira instância.
Numero da decisão: 2401-006.048
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade votos, não conhecer do recurso voluntário, por intempestividade. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10680.901416/2009-35, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
MIRIAM DENISE XAVIER - Presidente e Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Suplente Convocada), Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Miriam Denise Xavier. Ausente a conselheira Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 2004 RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. É intempestivo o recurso voluntário interposto após o decurso de trinta dias da ciência da decisão de primeira instância.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade votos, não conhecer do recurso voluntário, por intempestividade. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10680.901416/2009-35, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) MIRIAM DENISE XAVIER - Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Suplente Convocada), Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Miriam Denise Xavier. Ausente a conselheira Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
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INTEMPESTIVIDADE. É intempestivo o recurso voluntário interposto após o decurso de trinta dias da ciência da decisão de primeira instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade votos, não conhecer do recurso voluntário, por intempestividade. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10680.901416/200935, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) MIRIAM DENISE XAVIER Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Suplente Convocada), Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Miriam Denise Xavier. Ausente a conselheira Marialva de Castro Calabrich Schlucking. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 92 01 11 /2 00 9- 22 Fl. 58DF CARF MF Processo nº 10680.920111/200922 Acórdão n.º 2401006.048 S2C4T1 Fl. 3 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2401006.041, de 14 de fevereiro de 2019 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 10680.901416/200935, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2401006.041 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária "Tratase de Recurso Voluntário. O contribuinte apresentou Declaração de Compensação Eletrônica (DCOMP) para a compensação de crédito de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) com débito de IRRF. Segundo o despacho, foi localizado o pagamento correspondente ao crédito alegado, mas este já havia sido parcialmente usado para a quitação de outros débitos, havendo reduzido saldo disponível para a compensação analisada. Na manifestação de inconformidade, o contribuinte sustentou: a) Correta a compensação do débito efetuada, tendo havido engano no preenchimento da DCTF. b) Após o recebimento do despacho decisório, a impugnante verificou equívoco na DCTF. Esse foi solucionado mediante a entrega de DCTF retificadora. c) Como a compensação de fato ocorreu dentro do prazo legal, data da transmissão da Dcomp, bem como de sua vinculação aos débitos por meio da DCTF pertinente, resta demonstrada a procedência da compensação. Do Acórdão de piso, em síntese, extraemse os seguintes fundamentos: a) Diante do despacho decisório, a DCTF foi retificada reduzindose o débito de IRRF do código 0561 originalmente declarado de tal forma que a diferença a menor entre o novo débito informado e o original é igual ao crédito alegado na declaração de compensação em causa. b) As declarações oportunamente apresentadas presumemse verdadeiras em relação ao declarante (art. 131 do CC e art. 368 do CPC). A presunção de veracidade obriga o declarante a provar o que alega e, na falta de prova, prevalece o teor do documento original. c) Em se tratando de IRRF do código 0561, deviam ter sido trazidos aos autos elementos da escrituração contábil e/ou outros documentos fiscais, trabalhistas e previdenciários a comprovar a remuneração efetivamente paga a seus empregados e quanto de fato lhes foi retido ou não de IRRF. Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10680.920111/200922 Acórdão n.º 2401006.048 S2C4T1 Fl. 4 3 d) Não provado o erro, a retificadora não tem nenhuma força de convencimento, sobretudo porque apresentada após a ciência de despacho decisório. As normas da Receita Federal categoricamente estabelecem que a DCTF retificadora não produz efeito, tendo por objeto a alteração de débitos relativos à contribuições e a impostos, quando apresentada após a pessoa jurídica tiver sido intimada de início de procedimento fiscal (IN RFB n° 903, de 2008, art. 11, §§ 1° e 2°; em vigor na data de apresentação da DCTF retificadora). Intimada em 28/03/2011, a empresa interpôs em 04/05/2011 recurso voluntário, em síntese, alegando: a) Não se conformando com o Acórdão, apresenta, no prazo legal, sua manifestação ao CARF 1ª Seção. b) A empresa apresentou DARF e DCTF retificadora como prova por crer serem suficientes para comprovar a existência do crédito. c) Para a comprovação, anexa documentos. Acrescenta que, para fins de baixa, encerrou totalmente seu quadro de funcionários no ano de 2003, tendo em 2004/2005 acertado com seus fornecedores e paralisado suas atividades em 2006 para sanar débitos com órgãos públicos. d) Pede o acolhimento e a conclusão do processo de compensação. O órgão preparador ressaltou que o recurso interposto em 04/05/2011 e veicula preliminar de tempestividade. É o relatório." Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10680.920111/200922 Acórdão n.º 2401006.048 S2C4T1 Fl. 5 4 Voto Conselheira MIRIAM DENISE XAVIER Este processo foi julgado na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2401006.041, de 14 de fevereiro de 2019 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 10680.901416/200935, paradigma deste julgamento. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido na susodita decisão paradigma, a saber, Acórdão nº 2401006.041, de 14 de fevereiro de 2019 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária: Acórdão nº 2401006.041 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária "A empresa sustenta a apresentação do recurso voluntário no prazo legal. Considerandose a intimação postal em 28/03/2011 e a interposição em 04/05/2011, o recurso voluntário é intempestivo por extrapolar o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão de primeira instância (Decreto nº 70.235, de 1972, arts. 5° e 33). Isso posto, voto por não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Relator" Isso posto, voto por não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) MIRIAM DENISE XAVIER Presidente e Relatora Fl. 61DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.901690/2014-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Mar 18 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 24/01/2014
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 195, §7º DA CFB/88. PIS/PASEP - FOLHA DE PAGAMENTO. INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO E DE ASSISTÊNCIA SOCIAL.
Entidades Beneficentes de Assistência Social gozam da imunidade tributária desde que atendam os requisitos estabelecidos em lei. (Paradigma RE nº 636.941/RS).
Numero da decisão: 3401-005.635
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 24/01/2014 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 195, §7º DA CFB/88. PIS/PASEP - FOLHA DE PAGAMENTO. INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO E DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. Entidades Beneficentes de Assistência Social gozam da imunidade tributária desde que atendam os requisitos estabelecidos em lei. (Paradigma RE nº 636.941/RS).
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Mara Cristina Sifuentes.
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IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 195, §7º DA CFB/88. PIS/PASEP FOLHA DE PAGAMENTO. INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO E DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. Entidades Beneficentes de Assistência Social gozam da imunidade tributária desde que atendam os requisitos estabelecidos em lei. (Paradigma RE nº 636.941/RS). Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Mara Cristina Sifuentes. Relatório Tratam os autos de Pedido de Restituição de contribuição para o PIS Folha de Pagamento, referente a pagamento indevido ou a maior: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 16 90 /2 01 4- 19 Fl. 252DF CARF MF Processo nº 10830.901690/201419 Acórdão n.º 3401005.635 S3C4T1 Fl. 3 2 A DRF Campinas proferiu Despacho Decisório (eletrônico), indeferindo o Pedido de Restituição por inexistência de crédito. Tomando por base o DARF discriminado no PER/DCOMP, constatou que fora integralmente utilizado para quitação de débito declarado para o mesmo período: Não satisfeita com a resposta do fisco, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, cujos argumentos foram resumidos pelo relator do acórdão recorrido: Em sua manifestação de inconformidade a interessada argumentou, em resumo, que o pagamento indevido decorre de sua condição de imune às contribuições sociais, nos termos dos art. 150, inciso VI, alínea “c”, art. 195, § 7º, c/c art. 205, art. 6º, art. 203, inciso III, art. 145, § 1º, art. 146, II, todos da Constituição Federal, e do art. 14 do CTN. Atende aos requisitos fixados em lei para imunidade tributária das contribuições previdenciárias, conforme comprovado no pedido de emissão do CEBAS (certificado de entidade beneficente de assistência social). Discorre sobre sua condição de imune. Alegou também que a emissão do CEBAS é obrigação legal da autoridade coatora, sendo seu direito líquido e certo. Requer que os efeitos decorrentes do pedido do CEBAS sejam aplicados sobre os recolhimentos objeto deste pedido, em função de seu caráter declaratório com efeitos retroativos. Tece argumentos sobre sua natureza jurídica e suas atividades. A inscrição no CMAS de Campinas está sendo discutida na via judicial e dela depende a concessão do CEBAS. A decisão de piso proferida pela DRJ/JFA julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade e ratificou inteiramente o Despacho Decisório, nos termos do Acórdão nº 09060.077, onde quedou assentado entendimento de que "as entidades filantrópicas fazem juz à imunidade tributária sobre a contribuição destinada ao Programa de Integração Social (PIS), desde que atendidos os pressupostos legais". Retirase, ainda, da decisão de primeiro grau, que a inscrição no CMAS de Campinas/SP foi cancelada e persiste a ausência do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS), condição necessária para gozo da imunidade prevista no artigo 195, 7º, da CF/88. A Recorrente ingressou tempestivamente com Recurso Voluntário contra o acórdão da DRJ/JFA, reproduzindo os argumentos que embasaram sua Manifestação de Inconformidade. Quanto a inscrição no CMAS (municipal) e no CEBAS (federal), diz o seguinte: d. Da Inscrição no CMAS A inscrição da Recorrente no Conselho Municipal de Assistência Social – CMAS de Campinas sob o nº 132E, conforme comprovante anexado no pedido de CEBAS, foi cancelada sob o fundamento de que foi reformada pelo E. Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo – TJ/SP a r. Sentença proferida pelo MM. Juízo da 7ª Vara da Fazenda Pública nos autos do Mandado de Segurança nº 0025280 57.2013.8.26.0053 concessiva de ordem para que o CMAS/Campinas inscrevesse a Recorrente. Fl. 253DF CARF MF Processo nº 10830.901690/201419 Acórdão n.º 3401005.635 S3C4T1 Fl. 4 3 Sucede que esta decisão não é definitiva porquanto estão pendentes de julgamento os Recursos Extraordinário e Especial interpostos pela Recorrente (doc. 05). Esta situação não afeta a imunidade tributária, mas apenas a isenção, em especial o requisito de que trata o art. 19, inc. I da Lei 12.101/2009. e. Do Cadastro de Entidades de Assistência Social O cadastro nacional de entidades e organizações de assistência social, cuja inscrição é exigida no inc. II do art. 19 da Lei nº 12.101/2009, está sendo construído a partir dos cadastros dos Conselhos Municipais de Assistência Social e que já inseriu a Recorrente, conforme extrato anexo (doc. 06). Em decorrência, não é da alçada da Recorrente o atendimento desse requisito, disposto no art. 19, inc. II da Lei 12.101/2009. Segue ainda afirmando que: “Conforme documentação apresentada pela Recorrente anexa e no protocolo de expedição originária de CEBAS que apresentou ao Ministério do Desenvolvimento Social MDS, todos os requisitos exigidos pela Constituição Federal e Código Tributário Nacional estão atendidos pela Recorrente”. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401005.634, de 26 de novembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10830.901689/201486, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3401005.634): "O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. A lide no presente processo versa sobre pedido de ressarcimento da contribuição para o PIS – Folha de Pagamento do período de apuração 28/02/2009, pelo fato da Recorrente estar amparada pela imunidade prevista no art. 195, §7º da Constituição Federal, que contempla o seguinte: “§ 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei”. Essa condição contida no dispositivo constitucional citado, de que: “atendam às exigências estabelecidas em lei”, é que está Fl. 254DF CARF MF Processo nº 10830.901690/201419 Acórdão n.º 3401005.635 S3C4T1 Fl. 5 4 gerando a controvérsia neste processo. Quanto a isenção ou imunidade em si, relacionada a contribuição para o PIS – Folha de Pagamento, não há divergência entre fisco e contribuinte, todos a reconhecem. Portanto, a imunidade constitucional para ser alcançada depende do preenchimento de alguns requisitos como bem assentado no julgamento do RE nº 636.941/RS, no rito do art. 543B do CPC, onde se decidiu que são imunes à Contribuição ao PIS/Pasep, inclusive quando incidente sobre a folha de salários, as entidades beneficentes de assistência social que atendam aos requisitos legais, quais sejam, aqueles previstos nos artigos 9º e 14 do CTN, bem como no art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991 (atualmente, art. 29 da Lei nº 12.101, de 2009). Na sequência dos dispositivos legais citados, temos que o artigo 29 da Lei nº 12.101/2009, estabelece que: Art. 29. A entidade beneficente certificada na forma do Capítulo II fará jus à isenção do pagamento das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, desde que atenda, cumulativamente, aos seguintes requisitos: Já o art.19 da mesma Lei diz que: Art. 19. Constituem ainda requisitos para a certificação de uma entidade de assistência social: I estar inscrita no respectivo Conselho Municipal de Assistência Social ou no Conselho de Assistência Social do Distrito Federal, conforme o caso, nos termos do art. 9º da Lei nº 8.742, de 7 de dezembro de 1993; e II integrar o cadastro nacional de entidades e organizações de assistência social de que trata o inciso XI do art. 19 da Lei nº 8.742, de 7 de dezembro de 1993. A decisão de piso foi taxativa em sua fundamentação de que cancelada a inscrição da requerente no Conselho Municipal de Assistência Social – CMAS de Campinas/SP, não se pode cogitar da inscrição no CEBAS e ser possuidor do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social. Não há que se falar no direito para o gozo da imunidade prevista no artigo 195, §7º da CF/88. A Recorrente tem pleno conhecimento desse fato, tanto que em seu recurso voluntário repete a informação de que a inscrição no CMAS foi cancelada e que busca reverter essa decisão nos autos do Mandato de Segurança nº 0025280 57.2013.8.26.0053, da 7ª Vara da Fazenda Pública de São Paulo – TJ/SP, atualmente pendente de decisão definitiva em face de Recursos Extraordinário e Especial interpostos. Entende ainda, a Recorrente, que o texto do §7º do art. 195 da CF/88 e o CTN em seu art. 14 tratam de coisas distintas, o Fl. 255DF CARF MF Processo nº 10830.901690/201419 Acórdão n.º 3401005.635 S3C4T1 Fl. 6 5 primeiro trata de isenção e o segundo de imunidade tributária. Faz citação a Lei nº 12.101/2009 e conclui que: Ao seu turno, os arts. 18 e 19 da Lei 12.101/2009 fixaram os requisitos para o gozo de isenção tributária, desoneração fiscal criada pela legislação ordinária. A partir dessas disposições, constatase que os requisitos para gozar a imunidade são os seguintes: a) ser entidade beneficente de assistência social; b) não distribuir parcela de patrimônio ou rendas; c) aplicar integralmente, no País, os seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais; d) manter escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão. Ao passo que, para gozar a isenção tributária, além dos requisitos acima, devese atender ao seguinte: e) prestar serviços ou realizar ações sócio assistenciais para usuários ou quem deles necessitar e de forma gratuita; f) estar inscrita no respectivo Conselho Municipal de Assistência Social; e g) integrar o cadastro nacional de entidades e organizações de assistência social. Os requisitos para gozar a imunidade tributária são devidamente cumpridos pela Requerente. Quanto à isenção, a matéria está sub judice, conforme a seguir esmiuçado. Observase que a Recorrente inova em sua tese de defesa com relação ao texto do §7º do art. 195 da CF/88, que a isenção lá mencionada se divide em imunidade e isenção. Que ela, a Recorrente, preenche todos os requisitos para gozar da imunidade tributária e quanto à isenção, a matéria está sub judice. Não é essa a interpretação dada pelo STF na decisão proferida no RE nº 636.941/RS, antes apresentada, que a imunidade da contribuição ao PIS – Folha de Pagamento atinge as entidades beneficentes de assistência social que atendam aos requisitos legais e dentre eles os da Lei nº 12.101/2009. Diante dessas colocações da Recorrente perguntase: porque buscar o reconhecimento do direito da isenção à incidência do PIS – Folha de Pagamento para entidade beneficente de assistência social, com Recursos ao STJ e STF, se a entidade goza da imunidade tributária? Quem pode o mais pode o menos e juridicamente não faria o menor sentido. Uma das exigências estabelecidas em lei para atender a isenção/imunidade contida no art. 195, §7º da CFB é Fl. 256DF CARF MF Processo nº 10830.901690/201419 Acórdão n.º 3401005.635 S3C4T1 Fl. 7 6 aquela prevista no artigo 19, I e II da Lei nº 12.101/2009, integrar o cadastro nacional de entidades e organizações de assistência social, representada pela inscrição no CEBAS. A certificação do CEBAS é concedida às entidades que atuam nas áreas da assistência social, saúde ou educação, possibilitando usufruir da isenção de contribuições para a seguridade social e a celebração de parcerias com o poder público, desde que atendam aos requisitos dispostos na Lei nº 12.101/2009. Primeiro a entidade deve estar inscrita no respectivo Conselho Municipal de Assistência Social – CMAS de Campinas/SP (Inciso I do art. 19); segundo integrar o cadastro do CEBAS (Inciso II do mesmo artigo). Outro ponto colocado pela decisão de piso é com relação a possível sucesso nos recursos interpostos em Mandato de Segurança, quanto ao cancelamento da inscrição no CMAS – Campinas/SP. Se isso ocorrer, volta a empresa a ter seu direito restabelecido, nos estritos termos da sentença a ser proferida, respeitandose a autonomia das instâncias envolvidas e o cumprimento das decisões/sentenças publicadas. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 257DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11020.720907/2011-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Apr 11 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.842
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência.
(assinatura digital)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinatura digital)
Marcelo Giovani Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior.
Nome do relator: MARCELO GIOVANI VIEIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência. (assinatura digital) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente. (assinatura digital) Marcelo Giovani Vieira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência. (assinatura digital) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinatura digital) Marcelo Giovani Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. Relatório Reproduzo o relatório da primeira instância administrativa: Tratase de auto de infração de multa isolada por compensação indevida, R$ 93.115,78 (Noventa e três mil, cento e quinze reais e setenta e oito centavos), com enquadramento legal no art. 74, § 17, da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pelo art. 62 da Lei nº 12.249/2010, e art. 90 da MP nº 2.15835/2001. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 20 .7 20 90 7/ 20 11 -3 8 Fl. 86DF CARF MF Processo nº 11020.720907/201138 Resolução nº 3201001.842 S3C2T1 Fl. 3 2 No Relatório de Fiscalização, a autoridade fiscal assim se pronunciou: A compensação efetuada mediante entrega de declaração de compensação (Dcomp) EM PAPEL (fl 02), protocolada em 27/07/2010, foi analisada no processo administrativo nº 11020.002268/201044, onde restou NÃO HOMOLOGADA tendose em vista que o crédito oriundo de processo judicial utilizado pelo contribuinte encontravase prescrito, já que transitado em julgado há mais de cinco quando do protocolo da Dcomp. Cientificada em 07/04/2011, a contribuinte apresentou impugnação em 29/04/2011, na qual, pediu a nulidade da multa aplicada. Em resumo, assim se pronunciou: Diante de tais fatos: a) glosa original baseada em fundamento já vencido internamente na SRF; b) decisão judicial permitindo o pleno creditamento ao Contribuinte; c) inexistência de prescrição, uma vez que o processo administrativo ainda está em andamento, não há que se considerar a incidência de qualquer tipo de MULTA aos aproveitamentos feitos pelo Contribuinte. Por fim, fica como último e derradeiro alerta sobre a possibilidade de responsabilização do agente fiscal promotor da peça acusatória e de suas consequências nefastas ao Contribuinte. A 1ª Turma da DRJ/Juiz de Fora/MG, por meio do acórdão 0957.698, de 28/04/2015, decidiu pela improcedência da Impugnação, mantendo o lançamento. Transcrevo a ementa: MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. Consoante determinação legal expressa, será aplicada multa isolada de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor do débito objeto de declaração de compensação não homologada, salvo no caso de falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. No Recurso Voluntário, a empresa defendese quanto ao mérito da compensação, e pede a reunião do presente processo com o processo de compensação 11020.002268/201044. Voto Conselheiro Marcelo Giovani Vieira, Relator Conforme pede o contribuinte, o presente processo deve ser reunido com o processo que trata da compensação. Com efeito, o processo de compensação, 11020.002268/201044, teve o julgamento convertido em diligência, nesta mesma sessão de julgamento, e considerando que o mérito do presente processo depende da procedência ou não da compensação lá tratada, devem ambos tramitar conjuntamente, para que tenham a decisão convergente. Conforme o regimento interno do Carf, art. 6º, tratandose de processos vinculados por decorrência, devem, preferencialmente, tramitar juntos. Fl. 87DF CARF MF Processo nº 11020.720907/201138 Resolução nº 3201001.842 S3C2T1 Fl. 4 3 Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observandose a seguinte disciplina: §1º Os processos podem ser vinculados por: (...) II decorrência, constatada a partir de processos formalizados em razão de procedimento fiscal anterior ou de atos do sujeito passivo acerca de direito creditório ou de benefício fiscal, ainda que veiculem outras matérias autônomas; Assim, voto por converter o julgamento em diligência, para fins de que o presente processo acompanhe o vinculado processo de compensação. (assinatura digital) Marcelo Giovani Vieira Relator Fl. 88DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16537.000995/2011-51
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/2000 a 31/12/2000
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. SÚMULA CARF Nº 119
No caso de multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996.
Numero da decisão: 9202-007.580
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para aplicação da Súmula CARF nº 119.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Patrícia da Silva - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/05/2000 a 31/12/2000 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. SÚMULA CARF Nº 119 No caso de multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para aplicação da Súmula CARF nº 119. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1764; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 183 1 182 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 16537.000995/201151 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202007.580 – 2ª Turma Sessão de 25 de fevereiro de 2019 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CIPLA INDÚSTRIA DE MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO S/A. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/2000 a 31/12/2000 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. SÚMULA CARF Nº 119 No caso de multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para aplicação da Súmula CARF nº 119. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 53 7. 00 09 95 /2 01 1- 51 Fl. 183DF CARF MF 2 Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório Em litígio, o teor do Acórdão nº 2403002.476, prolatado pela 3a Turma Ordinária da 4a Câmara da 2a Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais na sessão plenária de 15 de maio de 2013 (efls. 106 a 112). Ali, por maioria de votos, deuse parcial provimento ao Recurso Voluntário, na forma de ementa e decisão a seguir: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/05/2000 a 31/12/2000 Ementa: AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. DADOS NÃO CORRESPONDENTES A TODOS OS FATOS GERADORES. Constitui infração a apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, conforme artigo 32, Inciso IV e §5º, da Lei nº 8.212/91. RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N º 449.REDUÇÃO DA MULTA. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, que beneficiam o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Recurso Voluntário Provido em Parte Decisão: por unanimidade de votos em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A multa deve ser calculada considerando as disposições da Medida Provisória n º 449 de 2008, mais precisamente o art. 32A, inciso II, que na conversão pela Lei n º 11.941 foi renumerado para o art. 32A, inciso I da Lei n º 8.212 de 1991. Enviados os autos à Fazenda Nacional em 11/06/2013 (efl. 113) para fins de ciência da decisão, insurgindose contra esta, sua Procuradoria apresenta, em 10/07/2013 (efl. 123), Recurso Especial, com fulcro no art. 67 do anexo II ao Regimento Interno deste Conselho Administrativo Fiscal aprovado pela Portaria MF no. 256, de 22 de julho de 2009, então em vigor quando da propositura do pleito recursal (efls. 114 a 122). Fl. 184DF CARF MF Processo nº 16537.000995/201151 Acórdão n.º 9202007.580 CSRFT2 Fl. 184 3 Alegase, no pleito, divergência em relação ao decidido, em 17/05/2012, no Acórdão 240100.127, de ementa e decisão a seguir transcritas: Acórdão 240100.127 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, contados da data da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, do Códex Tributário, ou do 173 do mesmo Diploma Legal, no caso de dolo, fraude ou simulação comprovados, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria. In casu, tratase de auto de infração por descumprimento de obrigação acessória decorrente de Notificação Fiscal, onde fora reconhecida a decadência do artigo 150, § 4º, do CTN, impondo seja levada a efeito a mesma decisão nestes autos em face da relação de causa e efeito que os vincula. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA DESCUMPRIMENTO INFRAÇÃO Consiste em descumprimento de obrigação acessória, a empresa apresentar a GFIP Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005 LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE MAIS FAVORÁVEL PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA APLICAÇÃO Na superveniência de legislação que se revele mais favorável ao contribuinte no caso da aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória, aplicase o princípio da retroatividade benigna da lei aos casos não definitivamente julgados, conforme estabelece o CTN. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE. Decisão: I) Por unanimidade de votos, em declarar a decadência das contribuições apuradas ate a competência 11/2000; II) Por Fl. 185DF CARF MF 4 maioria de votos, em declarar a decadência das contribuições apuradas até a competência 11/2001. Vencidas as Conselheiras Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Bernadete de Oliveira Barros e Ana Maria Bandeira (relatora), que votaram por declarar a decadência das contribuições apuradas até a competência 11/2000; e III) Por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para recalcular o valor da multa de acordo com o disciplinado 44, I da Lei nº 9.430, de 1996, deduzidos os valores levantados a titulo de multa nas NFLD correlatas. Designado para redigir o voto vencedor, na parte referente à decadência o Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Após defender a existência de divergência interpretativa, caracterizada pela similitude de situações fáticas e soluções diametralmente opostas, em linhas gerais, argumenta a Fazenda Nacional em sua demanda que: a) No paradigma, consignouse que havendo lançamento do tributo, juntamente com a lavratura de auto de infração por descumprimento de obrigação acessória, o dispositivo legal a ser aplicado passa a ser o art. 35A da Lei no. 8.212, de 1991, que nos remete ao art. 44, I, da Lei no. 9.430, de 1996, e não o art. 32A da Lei no. 8.212, de 1991, conforme entendeu a e. Câmara a quo, haja vista que este preceito normativo somente se aplica às situações em que somente tenha havido descumprimento de obrigação acessória relacionada à GFIP. Havendo lançamento de tributo, a multa passa a ser aplicada nos termos do art. 35A, da Lei no. 8.212, de 1991, sob pena de bis in idem; b) Quanto à obrigação acessória, constatase que antes das inovações da MP nº 449, de 2008, atualmente convertida na Lei nº 11.941, de 2009, o lançamento do principal era realizado em NFLD, incidindo a multa de mora prevista no artigo 35, II da Lei nº 8.212, de 1991. Separadamente, havia a lavratura do auto de infração, com base no artigo 32 da Lei nº 8.212, de 1991 (multa isolada). Com o advento da MP nº 449, de 2008, instituiuse uma nova sistemática de constituição dos créditos tributários, o que torna essencial a análise de pelo menos dois dispositivos: artigo 32A e artigo 35A, ambos da Lei nº 8.212, de 1991; c) o art. 44, inciso I, da Lei no. 9.430, de 1996, a que se refere o art. 35A da Lei no. 9.430, de 1996, abarca as duas condutas: tanto o descumprimento da obrigação principal (totalidade ou diferença de imposto/contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento) como também o descumprimento da obrigação acessória (falta de declaração ou declaração inexata); e) devese privilegiar a interpretação no sentido de que a lei não utiliza palavras ou expressões inúteis e, em consonância com essa sistemática, temse que a única forma de harmonizar a aplicação dos artigos citados é considerar que o lançamento da multa isolada prevista no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991 ocorrerá quando houver tão somente o descumprimento da obrigação acessória, ou seja, as contribuições destinadas a Seguridade Social foram devidamente recolhidas. Por outro lado, toda vez que houver o lançamento da obrigação principal, além do descumprimento da obrigação acessória, a multa lançada será única, qual seja, a prevista no artigo 35A da Lei 8.212/91. Requer, assim, que seja dado provimento ao recurso, para reformar o acórdão recorrido no ponto em que determinou a aplicação do art. 35, caput, da Lei nº 8.212, de 1991, em detrimento do art. 35A, também da Lei nº 8.212, de 1991, devendose verificar, na execução do julgado, qual norma mais benéfica: se a multa anterior (art. 35, II, da norma revogada) ou a do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 186DF CARF MF Processo nº 16537.000995/201151 Acórdão n.º 9202007.580 CSRFT2 Fl. 185 5 O recurso foi admitido pelo despacho de efls. 125 a 129. Cientificada em 21/09/15 (efl. 134), a contribuinte apresentou contrarrazões de efls. 138 a 143, onde defende a retroatividade benigna aplicada pelo Acórdão recorrido com fulcro no art. 106, II do CTN, a partir da autonomia entre as obrigações principal e acessória, possuidoras de diferentes naturezas. Assim, rejeita a possibilidade de aplicação da metodologia estabelecida pela Instrução Normativa RFB no. 971, de 2009. Em abril de 2017, o processo veio a julgamento e teve a seguinte apreciação pelo ilustre relator Heitor de Souza Lima Junior: Preliminarmente à análise de conhecimento e mérito recursal, verifico que se está diante de caso onde o presente auto de infração, de obrigação acessória, está intrinsecamente vinculado a eventuais autos de infração lavrados referentes à obrigação principal, sendo que, segundo entendimento de muitos membros deste Colegiado, tornase primordial saber o resultado das referidas autuações/notificações, a fim de que se possa prosseguir no presente julgamento, já que se trata de prejudicial para apreciação do Recurso Especial sob análise. Ainda, faço notar que, considerados os feitos atualmente sobre apreciação na presente sessão sob minha relatoria, para os autônomos listados à efl. 6 (cuja não informação de obrigações previdenciárias em GFIP gerou o presente auto), somente se encontrou o lançamento de obrigação principal referente à competência de 11/00 para a segurada Rosibel N.A. Maia, a partir de sua caracterização como empregada, no âmbito do Processo 16537.001004/201158 (vide efl. 18 daquele Processo). Necessário porém que se identifique, na forma acima relatada, em que feito se encontram lançadas as demais obrigações principais para os demais segurados constantes de efl. 6, bem assim o atual estágio processual de cada lançamento. Diante do exposto, voto por converter o julgamento em diligência à Unidade de Origem, para que esta identifique os processos em que são discutidas as obrigações principais relacionadas à obrigação acessória de contabilização de valores objeto deste processo, com posterior retorno dos autos ao relator, para prosseguimento. Em resposta à diligência, a DRF de Joinville tãosomente fez um termo de apensação a uma referido Processo Principal indicado sob número 10920.004766/200809, sem qualquer relatório ou prestação de informações conforme constante É o relatório. Voto Conselheira Patrícia da Silva Relatora Fl. 187DF CARF MF 6 Entendo cumpridos os requisitos de admissibilidade motivo pelo qual conheço do Recurso Especial da Fazenda Nacional, pois presentes, àquela oportunidade controvérsia relativa às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. Ressaltese, aqui, que a Instrução Normativa da RFB n.º 1784/2018, entretanto, propugna a possibilidade de desistência parcial de discussões administrativas ou judiciais, verbis: Art. 6º A inclusão de débitos no PRR, cuja procedência esteja em fase de discussão administrativa ou judicial, fica condicionada: I à desistência do sujeito passivo de impugnações ou de recursos administrativos interpostos e de ações judiciais que tenham por objeto débitos a serem incluídos no PRR II à renúncia do sujeito passivo a quaisquer alegações de direito sobre as quais se fundam as impugnações ou os recursos administrativos interpostos ou as ações judiciais; e III à protocolização de requerimento de extinção do processo com resolução do mérito, referente a ação judicial que tenha sido proposta pelo sujeito passivo, com base na alínea “c” do inciso III do caput do art. 487 da Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015 Código de Processo Civil (CPC), dispensado o pagamento dos honorários advocatícios a que se refere o art. 90 da mesma Lei. § 1º Somente será considerada desistência parcial de impugnação ou de recurso administrativo interposto ou de ação judicial proposta se o débito contra o qual o sujeito passivo se insurge for passível de distinção dos demais débitos discutidos no processo administrativo ou na ação judicial. Assim, Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) Fl. 188DF CARF MF Processo nº 16537.000995/201151 Acórdão n.º 9202007.580 CSRFT2 Fl. 186 7 De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Fl. 189DF CARF MF 8 Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: Fl. 190DF CARF MF Processo nº 16537.000995/201151 Acórdão n.º 9202007.580 CSRFT2 Fl. 187 9 I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, Fl. 191DF CARF MF 10 do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Fl. 192DF CARF MF Processo nº 16537.000995/201151 Acórdão n.º 9202007.580 CSRFT2 Fl. 188 11 Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei Fl. 193DF CARF MF 12 nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Em face ao exposto, no mérito DAR provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, conforme Súmula CARF nº 119. Patrícia da Silva Fl. 194DF CARF MF
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