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Numero do processo: 10880.693415/2009-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3302-000.878
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator, vencidos os Conselheiros Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado) e Diego Weis Jr, que negavam provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente
(assinado digitalmente)
José Renato Pereira de Deus - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, Vinicius Guimaraes (suplente convocado), Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: JOSE RENATO PEREIRA DE DEUS
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(assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente (assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, Vinicius Guimaraes (suplente convocado), Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad. Relatório Tratase de verificação de direito ao crédito, requerido por meio de Declaração de Compensação transmitida pelo Sistema PER/DCOMP, que teve por base o pagamento indevido ou maior, realizado por meio de DARF. Por bem descrever os fatos, transcrevo e adoto o relatório do acórdão nº 16.36.191, da 6ª Turma da DRJ/SP1, proferido na sessão de 16 de fevereiro de 2012: " 1. Trata o presente processo de Declaração de Compensação (fls. 02/04 a numeração do processo indicada neste documento se refere a RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .6 93 41 5/ 20 09 -5 5 Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10880.693415/200955 Resolução nº 3302000.878 S3C3T2 Fl. 3 2 da versão digital), em que a interessada pretende compensar débito tributário com suposto crédito decorrente de pagamento de PIS/Pasep do período de apuração de 31/05/2000, efetuado em nome da incorporada KLABIN Export S. A., CNPJ 58.246.406/000139, em 27/02/2004. 2. De acordo com o Despacho Decisório de fl. 05, o alegado crédito já havia sido utilizado para a quitação de outro débito, não restando, portanto, valor disponível para a compensação do débito por ela indicado no Per/Dcomp. Dessa forma, não foi homologada a compensação declarada. 3. Ciente dessa decisão, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 08/22), na qual alega, em síntese, que: a manifestante não sabe qual seria, na realidade, o motivo do indeferimento do direito creditório e, consequentemente, da não homologação da compensação declarada. apenas supõe que o direito creditório tenha sido negado em virtude de não ter sido localizada a DCTF retificadora que corrigiu o valor do débito devido. entretanto, não se pode aceitar que a contribuinte seja obrigada a se defender com base em suposições, sem ter segurança quanto ao motivo que determinou a glosa, pois o Decreto n° 70.235/1972 é claro ao determinar que os atos proferidos por autoridades administrativas que prejudicam ou impossibilitam o direito de defesa do contribuinte são eivados de nulidade. há de se observar que o Despacho Decisório ora combatido não contém uma descrição precisa e congruente dos fatos que ensejaram a sua emissão. Tal omissão e imprecisão impedem o pleno conhecimento das circunstâncias que levaram ao indeferimento do seu direito creditório, implicando grandes dificuldades e embaraços ao direito da ampla defesa e do contraditório. a própria fundamentação legal utilizada como embasamento para o indeferimento do direito creditório ora pleiteado foi indicada de modo apenas genérico, não permitindo a identificação de qual o equivoco teria sido pretensamente cometido. Em síntese, não constam, no Despacho Decisório, informações precisas acerca das supostas incorreções cometidas, evidenciando a nulidade do ato administrativo em apreço. o valor do pagamento ora discutido decorre, inequivocamente, da tributação de receitas que não se enquadram no conceito de faturamento. sobre a tributação das receitas que não se enquadram no conceito de faturamento (base de cálculo prevista pela Lei 9.718/1998), é assente que tal exigência não está de acordo com o direito. Isto porque, o Supremo Tribunal Federal já declarou a sua inconstitucionalidade. Ademais, no caso ora analisado, a manifestante obteve decisão judicial definitiva que a possibilita não observar a base de cálculo prevista na Lei 9.718/1998. Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10880.693415/200955 Resolução nº 3302000.878 S3C3T2 Fl. 4 3 independentemente da decisão judicial definitiva favorável à manifestante, o direito creditório deve ser reconhecido, pois, como já mencionado, o Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade do alargamento das bases de cálculo do PIS e da COFINS. o não reconhecimento da inconstitucionalidade da lei já declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal viola princípios consagrados pelo ordenamento jurídico brasileiro, dentre os quais se destacam o "Principio da Moralidade” e o "Principio da Eficiência". muito embora a manifestante acredite que o seu direito creditório será reconhecido com consequente homologação da compensação efetuada, em função do Principio da Eventualidade, não há como se furtar em apresentar a sua discordância em relação à exigência de multa e juros, na hipótese dos julgadores entenderem que o indeferimento deva prevalecer. no caso em tela, não há que se falar em imposição de multa e juros por atraso no pagamento, já que a manifestante quitou tempestivamente, por meio da DCOMP não homologada, o débito compensado. não há que se alegar mora ao quitar o débito equivocadamente exigido, uma vez que esta apresentou DCOMP com objetivo de cumprir sua obrigação, sendo que, a não homologação da DCOMP apresentada não é, por si só, fato caracterizador de mora do contribuinte. a exoneração da multa e dos juros deverá ser reconhecida, pois a manifestante não incorreu em mora, tendo apresentado tempestivamente a DCOMP para quitação integral do débito tributário compensado. 4. Diante dessas alegações, a interessada solicita: o cancelamento total do Despacho Decisório ora combatido, com a declaração de sua nulidade, pois, em preliminar, é comprovado o cerceamento do direito de defesa. na hipótese de se entenderem que não deve ser declarada a nulidade do Despacho Decisório, a manifestante pede e espera que, no mérito, o seu direito creditório seja deferido e, consequentemente, homologada a compensação declarada. caso o indeferimento do direito creditório seja mantido, o que se admite apenas a título de argumentação, deve ser afastada a exigência de multa e juros de mora pelos motivos já expostos. 5. Por fim, a manifestante protesta provar o alegado por todos os meios de prova admitidos em Direito, sobretudo a diligência fiscal. No acórdão do qual foi retirado o relatório acima, por unanimidade de votos, foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte, em apertada síntese, por não ter havido a comprovação do direito ao crédito por parte da recorrente, sendo traduzido na seguinte emenda: Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10880.693415/200955 Resolução nº 3302000.878 S3C3T2 Fl. 5 4 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2004 ARGUIÇÃO DE NULIDADE. DESCRIÇÃO IMPRECISA DOS FATOS. IMPROCEDÊNCIA. Descabe a alegação de nulidade por descrição imprecisa dos fatos que ensejaram a não homologação da compensação quando os argumentos expostos na manifestação de inconformidade evidenciam que a interessada entendeu perfeitamente a motivação do despacho decisório. PRODUÇÃO DE PROVAS DOCUMENTAIS. As provas devem ser apresentadas juntamente com a manifestação de inconformidade, salvo nos casos previstos no § 4º do artigo 57 do Decreto 7.574/2011. DILIGÊNCIA. PERÍCIA. PEDIDO NÃO FORMULADO. Temse por não formulado o pedido de diligência ou perícia que não atenda aos requisitos previstos na legislação de processo administrativo fiscal. DCTF. RETIFICAÇÃO. PRAZO PARA APRESENTAÇÃO. A retificação da DCTF deve obedecer ao prazo e pressupostos legais firmados pela legislação aplicável. A DCTF retificadora apresentada extemporaneamente não produz efeitos legais para alterar crédito tributário que já se encontrava formalmente homologado e definitivamente extinto perante a Fazenda Nacional. COISA JULGADA. IMPOSSIBILIDADE DE BENEFICIAR TERCEIROS. A sentença faz coisa julgada entre as partes interessadas, não beneficiando e nem prejudicando terceiros. BASE DE CÁLCULO. RECEITA NÃO DECORRENTE DE VENDAS OU PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. AUSÊNCIA DE PROVAS. A alegação de que parte das receitas seria diversa daquelas oriundas do exercício das atividades empresariais deve estar lastreada por provas. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. INEXISTÊNCIA. Inexiste pagamento indevido ou a maior quando este já foi utilizado para quitar crédito tributário apurado de acordo com as normas então vigentes. DÉBITOS COMPENSADOS INDEVIDAMENTE. INCIDÊNCIA DE ACRÉSCIMOS LEGAIS. O tributo ou contribuição objeto de compensação não homologada será exigido com os respectivos acréscimos legais. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com a r. decisão acima transcrita a contribuinte interpôs recurso voluntário onde, resumidamente, insurge Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10880.693415/200955 Resolução nº 3302000.878 S3C3T2 Fl. 6 5 se contra a alegação de que não teria comprovado seu direito ao crédito, requerendo ao final a total procedência de seu apelo. É o relatório. Voto O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. O presente processo tem objeto idêntico àquele tratado no processo nº 10880.693416/200908, além de constar como parte a mesma contribuinte recorrente, destoando apenas o período de apuração e documentos que instruíram a compensação pleiteada. Desta feita, por comungar do entendimento esposado pelo I. Conselheiro Walker Araujo, relator do processo acima mencionado, tendo inclusive votado no mesmo sentido, peço vênia para adotar como minhas as razões de decidir, aquelas proferidas no mencionado processo, as quais passo a transcrever: A questão tratada nestes autos não é nova neste Conselho e, já foi analisado nos autos do Processo Administrativo nº 10880.693376/200996 (acórdão paradigma nº 3401001.361), instaurada contra a mesma empresa, de relatoria do i. Conselheiro Robson José Bayerl que, entendeu por bem converter o julgamento em diligência para verificar a origem do crédito pleiteado pela Recorrente com base nos documentos já carreados aos autos e outros que fizerem necessários. Neste caso, por concordar com os argumentos explicitados por aquela relator e, visando dar o mesmo tratando processual, adoto as razões do citado Conselheiro como causa de decidir o presente processo, a saber: Como questão preliminar, cabe examinar a exigência de retificação da DCTF correspondente, como condição para repetição do indébito, consoante acentuado pela decisão recorrida. A tese defendida pelo colegiado a quo é que o impedimento à alteração do valor declarado a título de Cofins, dezembro/1999, obstaria o direito à restituição do montante pago indevidamente, mesmo que não ocorrida a decadência desse direito, nos termos do art. 165, I do Código Tributário Nacional, por entender que o crédito tributário já se encontrava formalmente homologado e definitivamente extinto perante a Fazenda Nacional. Todavia, ainda que o art. 150, § 4º do CTN disponha que a fluência do prazo de 05 (cinco) anos corporifica homologação tácita e transmuta o lançamento e respectivo pagamento em causa de extinção do crédito tributário, não se pode olvidar que o mencionado art. 165, I do mesmo diploma legal também garante o direito, independente de prévio protesto, à restituição do tributo pago em quantia maior que a devida, Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10880.693415/200955 Resolução nº 3302000.878 S3C3T2 Fl. 7 6 desde que observada a temporalidade do requerimento próprio (art. 168), o que se verificou nesse processo. Nestes autos, o decurso do prazo veda a constituição de crédito tributário complementar àquele declarado pelo sujeito passivo (art. 150, § 4º), entretanto, não obstaculiza a devolução do indébito, ao passo que feito o pedido dentro do prazo de 05 (cinco) anos do recolhimento(arts. 165, I e 168), mormente na situação sub examine, onde a quantia indevida corresponde justamente ao pagamento feito a destempo, acrescido de multa e juros de mora. Demais disso, esquadrinhando a IN SRF 600/05, vigente por ocasião da transmissão da PERDCOMP, não se localiza qualquer imposição de retificação da DCTF como requisito para processamento do pedido de restituição aviado, salvo na hipótese de pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI (Leis nº 9.363/96 e 10.276/01), segundo o art. 16, § 5º, II do ato normativo. Portanto, mostrase improcedente a questão vestibular erigida pela decisão recorrida como fundamento à denegação do recurso. Tocante ao mérito, observase que o motivo inicial à não homologação da compensação realizada se lastreou em uma suposta utilização do direito creditório para “quitação” de outros tributos, de forma tal que não haveria saldo disponível para a compensação realizada. Notase, também, que a Administração Tributária em momento algum contestou diretamente a existência do crédito vindicado, mas sim sua utilização em outra finalidade. Em outra linha argumentativa exposta na decisão de primeira instância, o acolhimento da manifestação de inconformidade, em situações como estas, exigiria a demonstração documental das razões arroladas pelo recorrente, o que não se verificou. Nesse passo, é certo que na primeira oportunidade processual o recorrente não produziu a prova necessária, limitandose a anexar cópias de declarações, que, por si só, assim como sua ausência não serve de causa ao indeferimento de restituição, também não é suficiente ao seu deferimento. Contudo, em recurso voluntário, o contribuinte trouxe demonstrativo de apuração e balancetes, o que, a meu sentir, consubstancia um início razoável de prova a justificar o retorno dos autos à DRF de jurisdição para exame das alegações do recorrente a respeito do direito invocado (pagamento indevido de Cofins ante à inconstitucionalidade do conceito de faturamento veiculado pela Lei nº 9.718/98, decidida em repercussão geral no RE 585.235QO, de 10/09/2008). Poderseia, em princípio, indagar acerca da preclusão temporal para coleção da prova documental, à luz do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, contudo,não se nega que o despacho decisório contestado é fruto de verificações automáticas de sistema, realizadas a partir de declarações prestadas pelo contribuinte, sem qualquer participação das autoridades administrativas, que sequer assinam o despacho decisório, eis que validado por meio de chancela eletrônica. Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10880.693415/200955 Resolução nº 3302000.878 S3C3T2 Fl. 8 7 Não se deseja, aqui, ser refratário à modernidade ou às inovações tecnológicas, porém, não se pode perder de vista os princípios norteadores do processo administrativo fiscal, valendo registrar que esta Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais tem orientado sua jurisprudência no sentido que em situações como a deste processo, onde há um início razoável de prova, composto por documentos outros que não apenas declarações ou mesmo debates eminentemente retóricos, deve o julgamento ser convertido em diligência para análise da procedência do direito invocado. Demais disso, ao fato constitutivo do direito ao crédito tributário posto pela Administração tributária – vinculação do direito de crédito a outro débito de titularidade do sujeito passivo –, contrapõe o recorrente um fato modificativo desse mesmo direito – a existência de pagamento a maior e o pedido tempestivo de sua restituição, acompanhado de início de prova –, o que milita em favor da verificação de procedência dessa alegação. Assim, considerando que o processo não se encontra em condições de julgamento, proponho sua conversão em diligência para que seja informado e providenciado o seguinte: Verificação da legitimidade ativa do requerente para pleitear a restituição de quantia recolhida por outra pessoa jurídica, alegadamente incorporada, com juntada da documentação relativa à alteração societária em comento; Aferição da procedência jurídica e quantificação do direito creditório indicado pelo contribuinte, empregado sob forma de compensação; Informação se, de fato, o crédito foi utilizado para outra compensação, restituição ou forma diversa de extinção do crédito tributário, como registrado no despacho decisório; Informação se o crédito apurado é suficiente para liquidar a compensação realizada; e, · Elaboração de relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados e conclusões alcançadas. Em seguida, abrase vista ao recorrente pelo prazo de 30 (trinta) dias, para, querendo, manifestarse, findos os quais deverão os autos retornar a este Conselho Administrativo para prosseguimento. Diante do exposto, voto por converter o julgamento em diligência para que seja informado e providenciado o seguinte: Verificação da legitimidade ativa do requerente para pleitear a restituição de quantia recolhida por outra pessoa jurídica, alegadamente incorporada, com juntada da documentação relativa à alteração societária em comento; Aferição da procedência jurídica e quantificação do direito creditório indicado pelo contribuinte, empregado sob forma de compensação; Informação se, de fato, o crédito foi utilizado para outra compensação, restituição ou forma diversa de extinção do crédito tributário, como registrado no despacho decisório; Informação se o crédito apurado é suficiente para liquidar a compensação realizada; e, Elaboração de relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados e conclusões alcançadas. Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10880.693415/200955 Resolução nº 3302000.878 S3C3T2 Fl. 9 8 Em seguida, abrase vista ao recorrente pelo prazo de 30 (trinta) dias, para, querendo, manifestarse, findos os quais deverão os autos retornar a este Conselho Administrativo para prosseguimento. Assim, como já explanado anteriormente, por comungar do mesmo entendimento, é como voto. (assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus Relator Fl. 165DF CARF MF
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Numero do processo: 10768.909787/2006-52
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 03 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA
Ano-calendário: 2003
DIREITO CREDITÓRIO. CERTEZA E LIQUIDEZ.
O direito creditório deve ser líquido e certo. Não demonstrada a certeza do direito creditório, deve ser ele não reconhecido, com o conseqüente indeferimento das compensações que nele se fundam.
Numero da decisão: 1302-000.674
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Nome do relator: EDUARDO DE ANDRADE
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ementa_s : NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano-calendário: 2003 DIREITO CREDITÓRIO. CERTEZA E LIQUIDEZ. O direito creditório deve ser líquido e certo. Não demonstrada a certeza do direito creditório, deve ser ele não reconhecido, com o conseqüente indeferimento das compensações que nele se fundam.
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CERTEZA E LIQUIDEZ. O direito creditório deve ser líquido e certo. Não demonstrada a certeza do direito creditório, deve ser ele não reconhecido, com o conseqüente indeferimento das compensações que nele se fundam. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) MARCOS RODRIGUES DE MELLO Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO DE ANDRADE Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Rodrigues de Mello (presidente da turma), Irineu Bianchi (vicepresidente), Wilson Fernandes Guimarães, Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, Eduardo de Andrade e Daniel Salgueiro da Silva. Fl. 156DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 12/08/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 17/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10768.909787/200652 Acórdão n.º 130200.674 S1C3T2 Fl. 146 2 Relatório Tratase de apreciar Recurso Voluntário interposto em face de acórdão proferido nestes autos pela 5ª Turma da DRJ/RJI, no qual o colegiado decidiu, por unanimidade, considerar improcedente a manifestação de inconformidade e não homologada a Dcomp nº10929.43299.271003.1.3.031460, determinando a continuidade da cobrança do débito, conforme ementa que abaixo reproduzo: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2003 ESTIMATIVAS NÃO RECOLHIDAS. AUSÊNCIA DE DIREITO CREDITÓRIO. É requisito fundamental para a homologação da compensação, a existência de direito creditório. A sua ausência resulta na não homologação da compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Os eventos ocorridos até o julgamento na DRJ, foram assim relatados no acórdão recorrido: O presente processo tem origem na Per/Dcomp de fls. 04/11 de n.° 10929.43299.271003.1.3.031460, que tem por objetivo ver reconhecida a compensação de pagamento indevido ou a maior de IRPJ, referente ao ano calendário de 2000, no valor total de R$ 156.493,07, fl. 05, com diversos débitos relacionados na Dcomp, conforme fls. 7/9. 2. A Per/Dcomp foi analisada com a emissão do Despacho Decisório de fls. 43/47, com a não homologação da compensação declarada, pois o crédito apontado na Dcomp não era líquido e certo, uma vez que o saldo credor apurado resultava de estimativas que não tinham sido totalmente recolhidas, uma vez que haviam sido incluídas em parcelamento extraordinário Paex, processo n.° 18208.759828/2007 91. 3. Consoante documento de fl. 53, a interessada foi cientificada em 22/10/2008 do Despacho Decisório. 4. A interessada, em 14/11/2008, apresentou sua manifestação de inconformidade, fls. 60/63, argüindo, em síntese: 4.1 “procedeu à compensação parcial de débitos federais decorrentes do Regime de Estimativas, referentes aos meses de janeiro a abril de 1998 não foram apurados valores de Estimativas quanto aos dois tributos, conforme faculdade de Levantamento Mensal para redução ou não recolhimento.”; 4.2 No exercício de 1999 foram apurados saldos devedores não tendo sido compensados com estimativas de 1999, uma vez que não houve valores a compensar; Fl. 157DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 12/08/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 17/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10768.909787/200652 Acórdão n.º 130200.674 S1C3T2 Fl. 147 3 4.3 na declaração do exercício de 2000 não houve recolhimento de estimativas à vista da faculdade anterior apontada, não tendo procedido à compensação dos saldos credores; 4.4 “no exercício de 2001, com o conta corrente remanescente dos valores acima referidos, foram compensados com tributos federais sob o regime de estimativas, relativos aos meses de fevereiro e agosto, no montante de R$ 346.993,59, correspondente ao saldo devedor relativo ao IR e R$ 158.153,05, correspondente ao saldo devedor relativo a CSLL, valores estes constantes no Per/Dcomp apresentados e não reconhecidos pelo fisco federal”; 4.5 nos anoscalendário de 2001 a 2003 foi utilizada a faculdade de não recolhimento das estimativas, pelo levantamento de balancetes de suspensão e redução; 4.6 a existência do crédito se comprova pela apresentação das declarações de imposto de renda; 4.7. assim, conclui requerendo a revisão do julgamento proferido pela autoridade que expediu o Despacho Decisório que não homologou a sua compensação declarada. A recorrente, na peça recursal submetida à apreciação deste colegiado, reitera os argumentos expendidos na impugnação, especialmente o fato de não ter o fisco encontrado o pagamento de estimativas, que a seu ver foram compensadas com créditos do anocalendário de 1997, no qual existiu saldo credor que foi apenas parcialmente compensado, adicionando, em síntese, que: (a) a inclusão no Paex foi realizada indevida e arbitrariamente pela própria Receita; (b) os valores que a Receita informa não terem sido quitados somente surgiram mediante a entrega da Per/Dcomp em 27/10/2003; (c) tais ausências de recolhimentos não poderiam ser alegadas, pois os valores foram compensados com créditos remanescentes de exercícios anteriores (o que pode ser comprovado pelo levantamento das contas 1160100311 e 1160100320); (d) tais compensações foram feitas no âmbito da Lei nº 8.383/91, art. 66; (e) os créditos que detém são legítimos e oriundos de efetivos recolhimentos feitos no anocalendário de 1997. É o relatório. Fl. 158DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 12/08/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 17/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10768.909787/200652 Acórdão n.º 130200.674 S1C3T2 Fl. 148 4 Voto Conselheiro Eduardo de Andrade, Relator. O recurso é tempestivo, e portanto, dele conheço. Direito creditório não demonstrado O alegado direito creditório da recorrente resulta de saldo negativo de CSLL no valor de R$158.153,05 relativo ao anocalendário de 2000. Verificase, contudo, que as estimativas deste ano não foram quitadas. Na Per/Dcomp é informado que foram compensadas com saldo de apuração do período de 1998 (fl.6). Todavia, conforme afirmado no despacho decisório e na decisão da DRJ, referidas estimativas foram incluídas no Paex, parcelamento este que foi rescindido, tendo em vista ADE de exclusão por não pagamento de 26 parcelas (fl.121/123). Isto porque as estimativas, que foram declaradas em DCTF sob rubrica pagamento, e que não foram pagas, (levando os débitos, portanto, à cobrança) foram automaticamente incluídas no parcelamento, conforme prescrevia o §1º do art.2º, c/c art.4º, III, ambos da Portaria Conjunta PGFN/SRF nº 2/2006 (abaixo reproduzidos), fato do qual foi dado ampla divulgação no sítio da RFB (também abaixo reproduzida): Portaria Conjunta PGFN/SRF nº 2/2006 Art. 2º Os débitos de pessoas jurídicas junto à SRF e à PGFN, vencidos até 28 de fevereiro de 2003, poderão ser parcelados em até 130 prestações mensais e sucessivas, observado o disposto nesta Portaria. § 1º O parcelamento abrange a totalidade dos débitos da pessoa jurídica, constituídos ou não, inscritos ou não em Dívida Ativa da União (DAU), mesmo que discutidos judicialmente em ação proposta pelo sujeito passivo ou em fase de execução fiscal já ajuizada, inclusive os submetidos a parcelamento, sob qualquer modalidade, não integralmente quitado, ainda que cancelado por falta de pagamento. Art. 4º O pedido de parcelamento: III implicará confissão irrevogável e irretratável da totalidade dos débitos existentes em nome da pessoa jurídica na condição de contribuinte ou responsável, configurará confissão extrajudicial nos termos dos arts. 348, 353 e 354 do CPC e sujeitará a pessoa jurídica à aceitação plena e irretratável de todas as condições estabelecidas nesta Portaria; (grifos meus) Fl. 159DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 12/08/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 17/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10768.909787/200652 Acórdão n.º 130200.674 S1C3T2 Fl. 149 5 Sítio da Secretaria da Receita Federal (http://www.receita.fazenda.gov.br/automaticoSRFSinot/2007/01 /09/2007_01_09_10_40_04_637851194.html) Veja a seguir algumas das principais regras relacionadas à Declaração Paex: Os débitos já declarados à Receita Federal e em cobrança, desde que abrangidos pelo(s) parcelamento(s) solicitado(s) pelo contribuinte, serão automaticamente considerados, não sendo necessário serem informados novamente na Declaração Paex; Cumpre ressaltar, contudo, que os débitos incluídos no Paex já haviam sido constituídos por DCTF, na qual a recorrente vinculou a extinção do débito por crédito decorrente de pagamento (fls.22/28), fato este que não foi confirmado por consulta aos bancos de dados da RFB (fls.44/45). Tivesse vinculado sua extinção à compensação de indébitos, caberia análise dos eventuais saldos credores de 1997, que alega possuir. Isto porque haveria coerência nas suas afirmações. O crédito alegado, desta forma, não ostenta a certeza que deve possuir para a finalidade proposta. Por outro lado, apresentálo certo é dever a ser cumprido pelo contribuinte, que não possui direito subjetivo a que a Administração reorganize suas declarações, na busca de coerência, ou que busque em sua contabilidade informações que não conseguiu obter, mas apenas e tão somente a que ela o analise, apresentadoo certo, senão vejamos o que diz o art. 170 do CTN: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Desta forma, a compensação requerida não merece prosperar, pela inexistência de certeza quanto ao direito creditório pleiteado. Assim, voto para negar provimento ao Recurso Voluntário, devendo ser prosseguida a cobrança dos débitos não compensados. Sala das Sessões, 03 de agosto de 2011. (assinado digitalmente) Eduardo de Andrade Relator Fl. 160DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 12/08/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 17/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10768.909787/200652 Acórdão n.º 130200.674 S1C3T2 Fl. 150 6 Fl. 161DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 12/08/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 17/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO
score : 1.0
Numero do processo: 13603.724614/2011-02
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2008 a 30/04/2008
PIS E COFINS. CONCEITO DE INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE.
De acordo com artigo 3º da Lei nº 10.833/03, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, o conceito de insumos pode ser interpretado dentro do conceito da essencialidade, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade produtiva.
PIS E COFINS. CRÉDITO. FRETE NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. POSSIBILIDADE.
Cabe a constituição de crédito de PIS/Pasep e da Cofins sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, considerando sua essencialidade à atividade do sujeito passivo.
Não obstante à observância do critério da essencialidade, é de se considerar ainda tal possibilidade, invocando o art. 3º, inciso IX, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei 10.637/02 eis que a inteligência desses dispositivos considera para a r. constituição de crédito os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda quais sejam, os fretes na operação de venda. O que, por conseguinte, cabe refletir que tal entendimento se harmoniza com a intenção do legislador ao trazer o termo frete na operação de venda, e não frete de venda quando impôs dispositivo tratando da constituição de crédito das r. contribuições.
Numero da decisão: 9303-007.245
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2008 a 30/04/2008 PIS E COFINS. CONCEITO DE INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE. De acordo com artigo 3º da Lei nº 10.833/03, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, o conceito de insumos pode ser interpretado dentro do conceito da essencialidade, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade produtiva. PIS E COFINS. CRÉDITO. FRETE NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. POSSIBILIDADE. Cabe a constituição de crédito de PIS/Pasep e da Cofins sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, considerando sua essencialidade à atividade do sujeito passivo. Não obstante à observância do critério da essencialidade, é de se considerar ainda tal possibilidade, invocando o art. 3º, inciso IX, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei 10.637/02 eis que a inteligência desses dispositivos considera para a r. constituição de crédito os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda quais sejam, os fretes na operação de venda. O que, por conseguinte, cabe refletir que tal entendimento se harmoniza com a intenção do legislador ao trazer o termo frete na operação de venda, e não frete de venda quando impôs dispositivo tratando da constituição de crédito das r. contribuições.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
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DIREITO DE CRÉDITO. FRETE NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. Recorrente CNH INDUSTRIAL LATIN AMÉRICA LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2008 a 30/04/2008 PIS E COFINS. CONCEITO DE INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE. De acordo com artigo 3º da Lei nº 10.833/03, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, o conceito de insumos pode ser interpretado dentro do conceito da essencialidade, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade produtiva. PIS E COFINS. CRÉDITO. FRETE NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. POSSIBILIDADE. Cabe a constituição de crédito de PIS/Pasep e da Cofins sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, considerando sua essencialidade à atividade do sujeito passivo. Não obstante à observância do critério da essencialidade, é de se considerar ainda tal possibilidade, invocando o art. 3º, inciso IX, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei 10.637/02 eis que a inteligência desses dispositivos considera para a r. constituição de crédito os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda quais sejam, os fretes na “operação” de venda. O que, por conseguinte, cabe refletir que tal entendimento se harmoniza com a intenção do legislador ao trazer o termo “frete na operação de venda”, e não “frete de venda” quando impôs dispositivo tratando da constituição de crédito das r. contribuições. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 72 46 14 /2 01 1- 02 Fl. 3907DF CARF MF Processo nº 13603.724614/201102 Acórdão n.º 9303007.245 CSRFT3 Fl. 3 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pelo Contribuinte, ao amparo do art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, em face do Acórdão nº 3301002.807, de 29/01/2016. Na parte de interesse ao presente julgamento, o colegiado a quo negou ao contribuinte o direito de creditamento quanto às despesas com fretes na transferência de produto acabado entre estabelecimentos da interessada. A Contribuinte apresentou Recurso Especial aduzindo divergência de interpretação da legislação tributária referente a quatro matérias: 1) creditamento dos valores despendidos com o treinamento de funcionários; 2) crédito relativo a serviços terceirizados nas áreas de planejamento e gestão de sistemas de controles deve ser reconhecido; 3) crédito referente ao transporte de produtos acabados entre os estabelecimentos da Recorrente e 4) possibilidade de juntada e da análise das provas apresentadas pelo contribuinte a qualquer tempo. Para comprovar a divergência, aponta os acórdãos nºs 3401002.857, 3402 001.982, 3401002.075. O Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF, mediante despacho de admissibilidade, deu seguimento parcial ao Recurso, admitindo apenas a rediscussão referente ao transporte de produtos acabados entre os estabelecimentos. Inconformada com o seguimento parcial de seu recurso, a Contribuinte apresentou agravo no qual alega que as matérias referentes ao aproveitamento dos custos com treinamento de pessoal, com serviços terceirizados nas áreas de planejamento e gestão Fl. 3908DF CARF MF Processo nº 13603.724614/201102 Acórdão n.º 9303007.245 CSRFT3 Fl. 4 3 de sistemas de controle e com a juntada e análise de provas a qualquer tempo, foram prequestionadas e que as respectivas divergências foram devidamente demonstradas. O Presidente do CARF entendeu estar correto o despacho de admissibilidade, e não conheceu do Agravo por ausência de prequestionamento, nos termos do inciso V, do §3º, do art. 71, do RICARF. No essencial, é o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303007.068, de 11/07/2018, proferido no julgamento do processo 13603.724491/201100, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303007.068): "Os recursos foram apresentados com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, deles tomo conhecimento e passo a decidir. Primeiramente, se faz necessário relembrar e reiterar que a interposição de Recurso Especial junto à Câmara Superior de Recursos Fiscais, ao contrário do Recurso Voluntário, é de cognição restrita, limitada à demonstração de divergência jurisprudencial, além da necessidade de atendimento a diversos outros pressupostos, estabelecidos no artigo 67 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Por isso mesmo, essa modalidade de apelo é chamada de Recurso Especial de Divergência e tem como objetivo a uniformização de eventual dissídio jurisprudencial, verificado entre as diversas Turmas do CARF. Neste passo, ao julgar o Recurso Especial de Divergência, a Câmara Superior de Recursos Fiscais não constitui uma Terceira Instância, mas sim a Instância Especial, responsável pela pacificação dos conflitos interpretativos e, conseqüentemente, pela garantia da segurança jurídica dos conflitos. Passo ao julgamento. "1. Interpretação do termo "insumo" previsto na legislação do PIS e da COFINS, de que trata o artigo 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003 Com efeito, já consignei meu entendimento intermediário sobre o conceito de insumos no Sistema de Apuração NãoCumulativo das Contribuições, penso que o conceito Fl. 3909DF CARF MF Processo nº 13603.724614/201102 Acórdão n.º 9303007.245 CSRFT3 Fl. 5 4 adotado não pode ser restritivo quanto o determinado pela Fazenda, mas também não tão amplo como aquele freqüentemente defendido pelos Contribuintes. Sem embargo, a jurisprudência Administrativa e dos Tribunais Superiores vem admitindo o aproveitamento de crédito calculado com base nos gastos incorridos pela sociedade empresária e com produtos ou serviços aplicados na produção ou a ela diretamente vinculados, mesmo que, ao contrario de como alguns pretendem limitar por meio de Instruções Normativas. De fato, salvo melhor juízo, não se vê razão para que conceito de insumo seja determinado pelos mesmos critérios utilizados na apuração do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, contudo, respeito posicionamentos contrários. A legislação que introduziu o Sistema NãoCumulativo de apuração das Contribuições define sua base de cálculo como sendo o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, compreendendo a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. Feitas as exclusões expressamente relacionadas nas Leis, tudo o mais deve ser incluído na base imponível. Levandose em consideração a incumulatividade tributária traz em si a idéia de que a incidência não ocorra ao longo das diversas etapas de um determinado processo sem que o contribuinte possa reduzir de seu encargo aquilo do que foi onerado no momento anterior, ainda que considerássemos todas as particularidades e atipicidades do Sistema não cumulativo próprio das Contribuições, terminaríamos por concluir que, a um débito tributário calculado sobre o total das receitas, haveria de fazer frente um crédito calculado sobre o total das despesas. Contudo, ainda que a interpretação teleológica conduza nessa direção, o fato é que os critérios de apuração das Contribuições não foram dessa forma definidos em Lei. Tal como consta no texto legal, o direito ao crédito, em definição genérica, admite apenas que se considerem as despesas com bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, jamais referindose à integralidade dos gastos da pessoa jurídica. Prova disso é que os gastos que não se incluem nesse conceito e dão direito ao crédito são listados um a um nos itens seguintes, de forma exaustiva. Neste quadro, para corroborar com minha interpretação, invoco as lições do Prof. Lenio Streck (p.242) que bem esclarece os limites de uma correta interpretação jurídica: “Então, ao contrário do que se diz na dogmática jurídica, não interpretamos para, só depois, compreender. Na verdade, compreendemos para interpretar, sendo a interpretação a explicitação de compreendido, para usar as palavras de Gadamer, em seu Wahrheit und Method. Essa explicitação (justificação do compreendido) necessita sempre de uma estruturação no plano 1argumentativo (é o que se pode denominar de o “como apofântico”). A explicitação da resposta de cada caso deverá estar sustentada em consistente justificação, contendo a reconstrução do direito, doutrinária e jurisprudencialmente, confrontando tradições, enfim, colocando a lume a fundamentação jurídica que, ao fim e ao cabo, legitimará a decisão no plano do que se entende por responsabilidade política do interprete no paradigma do Estado Democrático de Direito2”. 1 2 STRECK, Lenio Luiz. Hermenêutica, Estado e Política: uma visão do papel da Constituição em países periféricos. In CADEMARTORI, Daniela Mesquita Leutchuk e GARCIA, Marcos Leite (org.). Reflexões sobre Política e Direito – Homenagem aos Professores Osvaldo Ferreira de Melo e Cesar Luiz Pasold. Florianópolis: Conceito Editorial, 2008; p. 242. Fl. 3910DF CARF MF Processo nº 13603.724614/201102 Acórdão n.º 9303007.245 CSRFT3 Fl. 6 5 Outrossim, se admitíssemos a tese de que insumo denota conceito amplo, abrangendo todos os gastos destinados à obtenção do resultado da pessoa jurídica, nos depararíamos com uma flagrante distorção promovida no amplo reconhecimento ao direito de crédito para o setor industrial ou prestador de serviços, em detrimento ao setor comercial, para o qual o direito teria ficado restrito apenas aos gastos com bens adquiridos para revenda. Insumos, tal como definido e para os fins a que se propõe o artigo 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, são apenas as mercadorias, bens e serviços que, assim como no comércio, estejam diretamente vinculados à operação na qual se realiza o negócio da empresa. Na atividade comercial, sendo o negócio a venda dos bens no mesmo estado em que foram comprados, o direito ao crédito restringese ao gasto na aquisição para revenda. Na indústria, uma vez que a transformação é intrínseca à atividade, o conceito abrange tudo aquilo que é diretamente essencial a produção do produto final, conceito igualmente válido para as empresas que atuam na prestação de serviços. Somente a partir desta lógica é que os créditos admitidos na indústria e na prestação de serviços observarão o mesmo nível de restrição determinado para os créditos admitidos no comércio. Em que pese esta E. Câmara Superior já ter definido o conceito de insumos, a matéria foi levada ao poder judiciário e, em recente decisão o Superior Tribunal de Justiça – STJ sob julgamento no rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), estabeleceu conceito de insumo tomando como diretrizes os critérios da essencialidade e/ou relevância. Senão vejamos: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃOCUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individualEPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade Fl. 3911DF CARF MF Processo nº 13603.724614/201102 Acórdão n.º 9303007.245 CSRFT3 Fl. 7 6 econômica desempenhada pelo Contribuinte. (Resp n.º Nº 1.221.170 PR (2010/0209115 0), Relator Ministro Napoleão Nunes Maia Filho). Como visto, a Relatora Ministra Regina Helena Costa, reiterou os conceitos do que já vínhamos decidindo, definiu como conceito a essencialidade e relevância. Vejamos: Essencialidade considerase o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço, constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço, ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência; Relevância considerada como critério definidor de insumo, é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja pelas singularidades de cada cadeia produtiva (v.g., o papel da água na fabricação de fogos de artifício difere daquele desempenhado na agroindústria), seja por imposição legal (v.g., equipamento de proteção individual EPI), distanciandose, nessa medida, da acepção de pertinência, caracterizada, nos termos propostos, pelo emprego da aquisição na produção ou na execução do serviço. Deste modo, inferese do voto da Ministra Regina Costa que o conceito de insumo deve “ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância, considerandose a imprescindibilidade ou ainda a importância de determinado item, bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte”, ou seja, caracterizase insumos, para fins das contribuições do PIS e da COFINS, todos os bens e serviços, empregados direta ou indiretamente na prestação de serviços, na produção ou fabricação de bens ou produtos e que se caracterizem como essenciais e/ou relevantes à atividade econômica da empresa. Sem embargo, restou ainda decidido ilegais as IN´s nºs 247/2002 e 404/2004, que tratam de conceito de muito restritivo de insumo para as contribuições em pauta, uma vez que somente se enquadrariam os bens e serviços “aplicados ou consumidos” diretamente no processo produtivo. Desta forma, o STJ adotou conceito intermediário de insumo para fins da apropriação de créditos de PIS e COFINS, o qual não é tão restrito como definido na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados, nem tão amplo como estabelecido no Regulamento do Imposto de Renda, mas que privilegia a essencialidade e/ou relevância de determinado bem ou serviço no contexto das especificidades da atividade empresarial de forma particularizada. Neste aspecto, observase que se trata de matéria essencialmente de prova de ônus do contribuinte. Em que pese a matéria estar parcialmente decidida pelo Poder Judiciário, pelo menos ao meu juízo, mantenho meus critérios de julgamento para análise de caso a caso, para que se possa aferir de fato se os insumos são essenciais atividade empresária. (...)3 Recurso da Contribuinte Créditos inerentes aos fretes pelo transporte na transferência de produtos acabados entre estabelecimentos 3 Deixouse de transcrever, do acórdão do paradigma (9303007.068), a parte do voto na qual foi julgado o recurso especial da Fazenda Nacional, interposto naquele processo, tendo em vista que, no presente processo, o litígio restringese ao recurso especial do contribuinte. Fl. 3912DF CARF MF Processo nº 13603.724614/201102 Acórdão n.º 9303007.245 CSRFT3 Fl. 8 7 Conforme depreendese do despacho de admissibilidade a matéria aceita como divergente diz respeito ao direito de crédito de fretes pelo transporte na transferência de produtos acabados entre estabelecimentos. Em homenagem ao princípio da Colegiabilidade, a matéria referente ao direito de crédito de PIS e COFINS em operações de frete na transferência de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma empresa, foi julgado por esta E. Câmara Superior pela sistemática dos recursos repetitivos previsto nos §§ 1º e 2º do artigo 47 do RICARF, na sessão de 17 de maio de 2017, acórdão nº 9303005.132, de Relatoria do Ilustre Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, cujo voto acompanhei, de forma que peço vênia para transcrevêlo, o qual utilizo como fundamento para minhas razões de decidir por se tratar de matéria idêntica, que passa a fazer parte integrante do presente voto: "O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303005.116, de 17/05/2017, proferido no julgamento do processo 11686.000082/200811, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão, quanto à admissibilidade do recurso e quanto ao mérito (Acórdão 9303005.116): "Eis que, pela leitura do acórdão recorrido e do indicado como paradigma, é de se constatar a divergência jurisprudencial, pois, no acórdão recorrido, entendeuse que não há previsão legal para crédito de PIS e Cofins não cumulativos sobre valores de fretes de produtos acabados realizados entre os estabelecimentos da mesma empresa, somente tendo direito de crédito o frete contratado para entrega de mercadorias aos clientes, na venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Enquanto, no acórdão indicado como paradigma, concluiuse que as despesas com fretes para transporte de produtos em elaboração e, ou produtos acabados entre estabelecimentos, pagas e/ou creditadas às pessoas jurídicas, mediante conhecimento de transporte ou de notas fiscais de prestação de serviços, geram créditos de PIS e Cofins, passiveis de dedução da contribuição devida e/ou de ressarcimento/compensação. Quanto às Contrarrazões apresentadas, não se devem ignorálas, pois foram apresentadas tempestivamente pela Fazenda Nacional. Ventiladas tais considerações, importante, a priori, discorrer sobre os critérios a serem observados para a conceituação de insumo para a constituição do crédito de PIS e de Cofins trazida pelas Leis 10.637/02 e 10.833/03, bem como para a aplicação do art. 3º, inciso IX, das referidas Leis (“IX – armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor”). Em relação ao conceito de insumo, para fins de fruição do crédito de PIS e da COFINS não cumulativos, não é demais enfatizar que se trata de matéria controvérsia. Eis que a Constituição Federal não outorgou poderes para a autoridade fazendária definir livremente o conteúdo da não cumulatividade. O que, por conseguinte, concluo que a devida observância da sistemática da não cumulatividade exige que se avalie a natureza das despesas incorridas pelo contribuinte – considerando a legislação vigente, bem como a natureza da sistemática da não cumulatividade. Fl. 3913DF CARF MF Processo nº 13603.724614/201102 Acórdão n.º 9303007.245 CSRFT3 Fl. 9 8 Sempre que estas despesas/custos se mostrarem essenciais ao exercício de sua atividade, devem implicar, a rigor, no abatimento de tais despesas como créditos descontados junto à receita bruta auferida. Importante elucidar que no IPI se tem critérios objetivos (desgaste durante o processo produtivo em contato direto com o bem produzido ou composição ao produto final), enquanto, no PIS e na COFINS essa definição sofre contornos subjetivos. Tenho que, para se estabelecer o que é o insumo gerador do crédito do PIS e da COFINS, ao meu sentir, tornase necessário analisar a essencialidade do bem ao processo produtivo da recorrente, ainda que dele não participe diretamente. Continuando, frisese tal entendimento que vincula o bem e serviço para fins de instituição do crédito do PIS e da Cofins com a essencialidade no processo produtivo o Acórdão 3403002.765 – que, por sua vez, traz em sua ementa: "O conceito de insumo, que confere o direito de crédito de PIS/Cofins não cumulativo, não se restringe aos conceitos de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, tal como traçados pela legislação do IPI. A configuração de insumo, para o efeito das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, depende da demonstração da aplicação do bem e serviço na atividade produtiva concretamente desenvolvida pelo contribuinte." Vêseque na sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS o conteúdo semântico de insumo é mais amplo do que aquele da legislação do IPI, porém mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e serviços que integram o custo de produção. Ademais, notase que, dentre todas as decisões do CARF e do STJ, é de se constatar que o entendimento predominante considera o princípio da essencialidade para fins de conceituação de insumo o que, em respeito a segurança jurídica das jurisprudências emitidas pelo Conselho e pelo Tribunal Superior, é de se atestar a observância do princípio da essencialidade para a adoção do conceito de insumo, afastando o entendimento restritivo dado pela autoridade fazendária na IN SRF 247/02. Não obstante a esses pontos, ressurgindome à questão posta, passo a discorrer sobre o tema desde a instituição da sistemática não cumulativa das r. contribuições. Em 30 de agosto de 2002, foi publicada a Medida Provisória 66/02, que dispôs sobre a sistemática não cumulativa do PIS, o que foi reproduzido pela Lei 10.637/02 (lei de conversão da MP 66/02) que, em seu art. 3º, inciso II, autorizou a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda. É a seguinte a redação do referido dispositivo: “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI;” Em relação à COFINS, temse que, em 31 de outubro de 2003, foi publicada a MP 135/03, convertida na Lei 10.833/03, que dispôs sobre a sistemática não Fl. 3914DF CARF MF Processo nº 13603.724614/201102 Acórdão n.º 9303007.245 CSRFT3 Fl. 10 9 cumulatividade dessa contribuição, destacando o aproveitamento de créditos decorrentes da aquisição de insumos em seu art. 3º, inciso II, em redação idêntica àquela já existente para o PIS/Pasep, in verbis (Grifos meus): “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)”. Posteriormente, em 31 de dezembro de 2003, foi publicada a Emenda Constitucional 42/2003, sendo inserida ao ordenamento jurídico o § 12 ao art. 195: “Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições: [...] §12 A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão não cumulativas.” Com o advento desse dispositivo, restou claro que a regulamentação da sistemática da não cumulatividade aplicável ao PIS e à COFINS ficaria sob a competência do legislador ordinário. Vêse,portanto, em consonância com o dispositivo constitucional, que não há respaldo legal para que seja adotado conceito excessivamente restritivo de "utilização na produção" (terminologia legal), tomandoo por "aplicação ou consumo direto na produção" e para que seja feito uso, na sistemática do PIS/Pasep e Cofins não cumulativos, do mesmo conceito de "insumos" adotado pela legislação própria do IPI. Nessa lei, há previsão para que sejam utilizados apenas subsidiariamente os conceitos de produção, matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem previstos na legislação do IPI. É de se lembrar ainda que o IPI é um imposto que onera efetivamente o consumo, diferentemente do PIS e da Cofins que são contribuições que incidem sobre a receita, nos termos da legislação vigente. E nessa senda, haja vista que o IPI onera efetivamente o consumo, a não cumulatividade relacionase ao conceito de insumo como sendo o de bens que são consumidos ou desgastados durante a fabricação de produtos. Enquanto a sistemática não cumulativa das contribuições ao PIS e a Cofins está diretamente relacionada às receitas auferidas com a venda desses produtos. Sendo assim, resta claro que a sistemática da não cumulatividade das contribuições é diversa daquela do IPI, visto que a previsão legal possibilita a dedução dos valores de determinados bens e serviços suportados pela pessoa jurídica dos valores a serem recolhidos a título dessas contribuições, calculados pela aplicação da alíquota correspondente sobre a totalidade das receitas por ela auferidas. Fl. 3915DF CARF MF Processo nº 13603.724614/201102 Acórdão n.º 9303007.245 CSRFT3 Fl. 11 10 Não menos importante, constatase que, para fins de creditamento do PIS e da COFINS, admitese também que a prestação de serviços seja considerada como insumo, o que já leva à conclusão de que as próprias Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 ampliaram a definição de "insumos", não se limitando apenas aos elementos físicos que compõem o produto. Nesse ponto, Marco Aurélio Grego (in "Conceito de insumo à luz da legislação de PIS/COFINS", Revista Fórum de Direito Tributário RFDT, ano1, n. 1, jan/fev.2003, Belo Horizonte: Fórum, 2003) diz que será efetivamente insumo ou serviço com direito ao crédito sempre que a atividade ou a utilidade forem necessárias à existência do processo ou do produto ou agregarem (ao processo ou ao produto) alguma qualidade que faça com que um dos dois adquira determinado padrão desejado. Sendo assim, seria insumo o serviço que contribua para o processo de produção – o que, podese concluir que o conceito de insumo efetivamente é amplo, alcançando as utilidades/necessidades disponibilizadas através de bens e serviços, desde que essencial para o processo ou para o produto finalizado, e não restritivo tal como traz a legislação do IPI. Frisese que o raciocínio do ilustre Prof. Marco Aurélio Greco traz, para tanto, os conceitos de essencialidade e necessidade ao processo produtivo. O que seria inexorável se concluir também pelo entendimento da autoridade fazendária que, por sua vez, validam o creditamento apenas quando houver efetiva incorporação do insumo ao processo produtivo de fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, adotando o conceito de insumos de forma restrita, em analogia à conceituação adotada pela legislação do IPI, ferindo os termos trazidos pelas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, que, por sua vez, não tratou, tampouco conceituou dessa forma. Resta, por conseguinte, indiscutível a ilegalidade das Instruções Normativas SRF 247/02 e 404/04 quando adotam a definição de insumos semelhante à da legislação do IPI. As Instruções Normativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil que restringem o conceito de insumos, não podem prevalecer, pois partem da premissa equivocada de que os créditos de PIS e COFINS teriam semelhança com os créditos de IPI. Isso, ao dispor: ∙ O art. 66, § 5º, inciso I, da IN SRF 247/02 o que segue (Grifos meus): “Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep nãocumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) a. Matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida Fl. 3916DF CARF MF Processo nº 13603.724614/201102 Acórdão n.º 9303007.245 CSRFT3 Fl. 12 11 sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) b. Os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) [...]” ∙ art. 8º, § 4ª, da IN SRF 404/04 (Grifos meus):“Art. 8 º Do valor apurado na forma do art. 7 º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 4 º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima,o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no país, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. [...]” Tais normas infraconstitucionais restringiram o conceito de insumo para fins de geração de crédito de PIS e COFINS, aplicandose os mesmos já trazidos pela legislação do IPI. O que entendo que a norma infraconstitucional não poderia extrapolar essa conceituação frente a intenção da instituição da sistemática da não cumulatividade das r. contribuições. A Receita Federal do Brasil extrapolou sua competência administrativa ao “legislar” limitando o direito creditório a ser apurado pelo sujeito passivo. Considerando que as Leis 10.637/02 e 10.833/03 trazem no conceito de insumo: a. Serviços utilizados na prestação de serviços; b. Serviços utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; c. Bens utilizados na prestação de serviços; d. Bens utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; e. Combustíveis e lubrificantes utilizados na prestação de serviços; f. Combustíveis e lubrificantes utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Fl. 3917DF CARF MF Processo nº 13603.724614/201102 Acórdão n.º 9303007.245 CSRFT3 Fl. 13 12 Vêse claro, portanto, que não poderseia considerar para fins de definição de insumo o trazido pela legislação do IPI, já que serviços não são efetivamente insumos, se considerássemos os termos dessa norma. Não obstante, depreendendose da análise da legislação e seu histórico, bem como intenção do legislador, entendo também não ser cabível adotar de forma ampla o conceito trazido pela legislação do IRPJ como arcabouço interpretativo, tendo em vista que nem todas as despesas operacionais consideradas para fins de dedução de IRPJ e CSLL são utilizadas no processo produtivo e simultaneamente tratados como essenciais à produção. Ora, o termo "insumo" não devem necessariamente estar contidos nos custos e despesas operacionais, isso porque a própria legislação previu que algumas despesas não operacionais fossem passíveis de creditamento, tais como Despesas Financeiras, energia elétrica utilizada nos estabelecimentos da empresa, etc. O que entendo que os itens trazidos pelas Leis 10.637/02 e 10.833/03 que geram o creditamento, são taxativos, inclusive porque demonstram claramente as despesas, e não somente os custos que deveriam ser objeto na geração do crédito dessas contribuições. Eis que, se fossem exemplificativos, nem poderiam estender a conceituação de insumos as despesas operacionais que nem compõem o produto e serviços – o que até prejudicaria a inclusão de algumas despesas que não contribuem de forma essencial na produção. Nesse ínterim, cabe trazer que a observância do critério de se aplicar o conceito de “despesa necessária” para a definição de insumo, tal como preceituado no art. 299 do RIR/99 não seria a mais condizente, pois direciona a sistemática da não cumulatividade das referidas contribuições à sistemática de dedutibilidade aplicada para o imposto incidente sobre o lucro. O que, entendo que não há como se conferir que os custos ou despesas destinadas à aferição e lucro possam ser considerados como insumos necessários para o aferimento da receita. Com efeito, por conseguinte, podese concluir que a definição de “insumos” para efeito de geração de crédito das r. contribuições, deve observar o que segue: ∙ Se o bem e o serviço são considerados essenciais na prestação de serviço ou produção; Se a produção ou prestação de serviço são dependentes efetivamente da aquisição dos bens e serviços – ou seja, sejam considerados essenciais. Tanto é assim que, em julgado recente, no REsp 1.246.317, a Segunda Turma do STJ reconheceu o direito de uma empresa do setor de alimentos a compensar créditos de PIS e Cofins resultantes da compra de produtos de limpeza e de serviços de dedetização, com base no critério da essencialidade. Para melhor transparecer esse entendimento, trago a ementa do acórdão (Grifos meus): “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃOCUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. Fl. 3918DF CARF MF Processo nº 13603.724614/201102 Acórdão n.º 9303007.245 CSRFT3 Fl. 14 13 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório ". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/ Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de não cumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido. ” Aquele colegiado entendeu que a assepsia do local, embora não esteja diretamente ligada ao processo produtivo, é medida imprescindível ao desenvolvimento das atividades em uma empresa do ramo alimentício. Em outro caso, o STJ reconheceu o direito aos créditos sobre embalagens utilizadas para a preservação das características dos produtos durante o transporte, condição essencial para a manutenção de sua qualidade (REsp 1.125.253). O que, peço vênia, para transcrever a ementa do acórdão: COFINS – NÃO CUMULATIVIDADE – INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA – POSSIBILIDADE – EMBALAGENS DE ACONDICIONAMENTO DESTINADAS A PRESERVAR AS CARACTERÍSTICAS DOS BENS DURANTE O TRANSPORTE, QUANDO O VENDEDOR ARCAR COM ESTE CUSTO – É INSUMO NOS TERMOS DO ART. 3º, II, DAS LEIS N. 10.637/2002 E 10.833/2003. Fl. 3919DF CARF MF Processo nº 13603.724614/201102 Acórdão n.º 9303007.245 CSRFT3 Fl. 15 14 1. Hipótese de aplicação de interpretação extensiva de que resulta a simples inclusão de situação fática em hipótese legalmente prevista, que não ofende a legalidade estrita. Precedentes. 2. As embalagens de acondicionamento, utilizadas para a preservação das características dos bens durante o transporte, deverão ser consideradas como insumos nos termos definidos no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003 sempre que a operação de venda incluir o transporte das mercadorias e o vendedor arque com estes custos. ” Tornase necessário se observar o princípio da essencialidade para a definição do conceito de insumos com a finalidade do reconhecimento do direito ao creditamento ao PIS/Cofins nãocumulativos. Sendo assim, entendo não ser aplicável o entendimento de que o consumo de tais bens e serviços sejam utilizados DIRETAMENTE no processo produtivo, bastando somente serem considerados como essencial à produção ou atividade da empresa. Dessa forma, para fins de se elucidar a atividade do sujeito passivo, importante recordar que é pessoa jurídica de direito privado, dos ramos de indústria, comércio, importação e exportação de alimentos, em especial, o arroz. Os fretes de produtos acabados em discussão, para sua atividade de comercialização, são essenciais para a sua atividade de “comercialização”, eis que: Sua atividade impõe a transferência de seus produtos para Centros de Distribuição de sua propriedade; caso contrário, tornarseia inviável a venda de seus produtos para compradoresdas Regiões Sudeste, Centro Oeste e Nordeste do país; Os grandes consumidores dos produtos industrializados e comercializados pelo sujeito passivo, possuem uma logística que não mais comporta grandes estoques, devido à extensa diversidade de produtos necessários para abastecer suas unidades, bem como devido ao custo que lhes geraria a manutenção de locais com o fito exclusivo de estocagem, visto a alta rotatividade dos produtos em seus estabelecimentos; O que, impõese para fins de comercialização e sobrevivência da empresa, os Centros de Distribuição; O sujeito passivo, que possui sede em Porto Alegre, se viu obrigada a manter Centros de Distribuição em pontos estratégicos do país, considerando a localidade dos maiores demandantes de seus produtos. Considerando, então, a atividade do sujeito passivo, devese considerar os fretes como essenciais e, aplicandose o critério da essencialidade, é de se dar provimento ao recurso interposto pelo sujeito passivo. Não obstante à essa fundamentação e ignorandoa, cabe trazer que, tendo em vista que: A maioria dos fretes são destinados ao Centro de Distribuição da empresa, para que se torne viável a remessa dos produtos e são realizados com a demora usual de 15 dias até a chegada do produto, para conseguir atender a sua demanda de pedidos, o sujeito passivo, devido à demora no trânsito das mercadorias, já transacionou as mercadorias, sendo que ao chegarem as mercadorias ao destino muitas já se encontram vendidas; Fl. 3920DF CARF MF Processo nº 13603.724614/201102 Acórdão n.º 9303007.245 CSRFT3 Fl. 16 15 A mercadoria já é vendida em trânsito, para quando chegar ao Centro de Distribuição já sair para a pronta entrega ao adquirente, descaracterizando, assim, um frete para mero estoque com venda posterior. É de se entender que, em verdade, se trata de frete para a venda, passível de constituição de crédito das contribuições, nos termos do art. 3º, inciso IX, das Lei 10.833/03 e Lei 10.637/02 – pois a inteligência desse dispositivo considera o frete na “operação” de venda. A venda de per si para ser efetuada envolve vários eventos. Por isso, que a norma traz o termo “operação” de venda, e não frete de venda. Inclui, portanto, nesse dispositivo os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda, dentre as quais o frete ora em discussão. Em vista de todo o exposto, voto por conhecer o Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, dandolhe provimento. "Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do recurso especial do contribuinte e, no mérito, doulhe provimento. Rodrigo da Costa Pôssas". Dispositivo Ex positis, nego provimento ao Recurso da Fazenda Nacional e dou provimento ao Recurso da Contribuinte. " No presente processo houve interposição de recurso especial apenas pelo contribuinte, de sorte que o decidido no paradigma quanto ao recurso da Fazenda Nacional em nada afeta o presente litígio. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial do contribuinte foi conhecido e, no mérito, o colegiado deulhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 3921DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12448.728153/2011-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Oct 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
DESPESAS MEDICAS. INTIMAÇÃO. EFETIVO PAGAMENTO. NÃO COMPROVAÇÃO.
Há de se comprovar, quando regularmente intimado, o efetivo pagamento das despesas com os profissionais da área médica, que pretendeu aproveitar na DIRPF
Numero da decisão: 2402-006.537
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior (Relator) que deram provimento parcial. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Mauricio Nogueira Righetti.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gregório Rechmann Junior - Relator.
(assinado digitalmente)
Mauricio Nogueira Righetti - Redator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
Nome do relator: GREGORIO RECHMANN JUNIOR
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DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO Recorrente IVAN DA CUNHA SANTOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2008 DESPESAS MEDICAS. INTIMAÇÃO. EFETIVO PAGAMENTO. NÃO COMPROVAÇÃO. Há de se comprovar, quando regularmente intimado, o efetivo pagamento das despesas com os profissionais da área médica, que pretendeu aproveitar na DIRPF Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior (Relator) que deram provimento parcial. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Mauricio Nogueira Righetti. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente. (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior Relator. (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Redator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 72 81 53 /2 01 1- 14 Fl. 128DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Relatório Tratase de recurso voluntário em face da decisão da 1ª Tuma da DRJ/FOR, consubstanciada no Acórdão nº 0828.510, que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Transcrevo, por oportuno, a ementa da decisão de primeira instância: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Exercício:2009 DESPESAS MÉDICAS. GLOSA. FALTA DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PAGAMENTO. A falta de comprovação, por documentos hábeis e idôneos, dos pagamentos por serviços médicos e odontológicos enseja a manutenção dos valores glosados, posto que todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora. Contra o sujeito passivo foi emitida Notificação de Lançamento nº 2009/131538752943040, relativa ao anocalendário 2008, decorrente de procedimento de revisão da sua Declaração de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (DIRPF), em que foi apurada pela fiscalização dedução indevida de despesas médicas, na importância de R$ 181.787,00 (fls.05/10). A Notificação de Lançamento alterou o resultado de sua Declaração de Ajuste Anual (DAA), exigindo o Fisco a diferença apurada, acrescida de juros de mora e multa de ofício. Cientificado da notificação, o contribuinte impugnou a exigência fiscal (fls.2/4), esclarecendo a natureza e origem das despesas médicas cujas deduções foram glosadas pela fiscalização, colacionando respectiva documentação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza (CE) julgou improcedente a impugnação, tendo concluindo que, no caso concreto, deixou o contribuinte de comprovar a efetividade dos pagamentos relacionados às despesas médicas questionadas. Fl. 129DF CARF MF Processo nº 12448.728153/201114 Acórdão n.º 2402006.537 S2C4T2 Fl. 3 3 Cientificado dessa decisão, o contribuinte interpôs recurso voluntário de fls. 99/110, por meio do qual reitera o quanto aduzido na impugnação apresentada, requerendo a insubsistência e improcedência da ação fiscal, para fins de que a glosa indevida das despesas médicas (...) seja revista, com consequente desconstituição do crédito tributário exigido. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Gregório Rechmann Junior Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, deve ser conhecido. A Notificação de Lançamento guerreada foi motivada em decorrência da glosa de deduções de despesas médicas. A dedução de despesas médicas e de saúde na declaração de ajuste anual tem como supedâneo legal os seguintes dispositivos do art. 8º da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, abaixo transcritos: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...) § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; Fl. 130DF CARF MF 4 IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exigese a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. Sobre a matéria, assim dispõe o art. 80 do Decreto nº 3.000/1999, in verbis: Seção I Despesas Médicas Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas FísicasCPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa JurídicaCNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exigese a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. § 2º Na hipótese de pagamentos realizados no exterior, a conversão em moeda nacional será feita mediante utilização do valor do dólar dos Estados Unidos da América, fixado para venda pelo Banco Central do Brasil para o último dia útil da primeira quinzena do mês anterior ao do pagamento. § 3º Consideramse despesas médicas os pagamentos relativos à instrução de deficiente físico ou mental, desde que a deficiência seja atestada em laudo médico e o pagamento efetuado a entidades destinadas a deficientes físicos ou mentais. § 4º As despesas de internação em estabelecimento para tratamento geriátrico só poderão ser deduzidas se o referido estabelecimento for qualificado como hospital, nos termos da legislação específica. Fl. 131DF CARF MF Processo nº 12448.728153/201114 Acórdão n.º 2402006.537 S2C4T2 Fl. 4 5 § 5º As despesas médicas dos alimentandos, quando realizadas pelo alimentante em virtude de cumprimento de decisão judicial ou de acordo homologado judicialmente, poderão ser deduzidas pelo alimentante na determinação da base de cálculo da declaração de rendimentos (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 3º). Na espécie, o contribuinte foi intimado pela fiscalização a trazer documentos comprobatórios de suas despesas médicas, só o fazendo, entretanto, quando da impugnação. Havendo sido trazida aos autos essa documentação somente após a lavratura da Notificação de Lançamento, a instância de primeiro grau, embasada no artigo 11, § 3º do Decretolei nº 5.844, de 23 de setembro de 1943, concluiu que o exame dos documentos acostados aos autos pelo litigante não transmite a convicção necessária à comprovação do efetivo pagamento das despesas médicas questionadas. Não comungo, contudo, das conclusões a que a instância a quo chegou, em decorrência do indigitado levantamento de provas. É fato, conforme a ciência processual já há muito firmou, que recibos são instrumentos particulares que comprovam a quitação do negócio jurídico, não se consubstanciando em prova inequívoca da realização de um pagamento. Apesar disso, devese reconhecer que a própria legislação tributária conferiu a esse tipo de documento o valor de prova do pagamento, consoante disposto no inciso III do § 2º do art. 8º da Lei nº 9.250/95 anotese que um documento de transferência bancária, por exemplo, não possui todos os elementos discriminados na legislação, tais como o endereço do profissional prestador do serviço, ao contrário do recibo, que possui campos de preenchimento adequados para esses fins. Desta sorte, a regra geral é a aceitação de recibos, caso atendidos os seus requisitos formais, motivo pelo qual a exigência de elementos adicionais para a comprovação das despesas médicas deve ser devidamente fundamentada, sob pena de violação do princípio da proteção da boafé e da legítima confiança que norteiam a relação fiscocontribuinte. O acórdão atacado não vislumbrou vícios de forma nos recibos trazidos. Na prática, considerando que “são elevadas as deduções a título de despesas médicas”, concluiu que “não basta, nesse contexto, a apresentação de simples recibos, ou mesmo, a apresentação de laudos, declarações e relatórios destacando os serviços prestados, sendo necessária a apresentação de documentação hábil a comprovar o efetivo pagamento destas despesas”. Fl. 132DF CARF MF 6 Vejase que o conceito de "elevadas deduções" é, por definição, bastante vago. Elevadas em relação ao rendimento declarado pelo autuado? Há recibos de valores altos e outros não? Quais seriam? Ou todos os recibos possuem valores altos neles consignados? Alguns valores são altos se considerados os serviços prestados? E, caso apenas alguns desses documentos possuíssem máculas em potencial, não seria cabível a intimação do respectivo prestador de serviços para checar as informações neles constantes? Qual seria a documentação hábil a comprovar o efetivo pagamento destas despesas? Em suma, as razões que o julgador de primeiro grau pretendeu trazer, com o devido respeito, não restaram suficientemente claras para infirmar o valor probatório dos recibos apresentados, motivo pelo qual deve ser reformada a decisão de primeira instância de modo a restabelecer a dedução de despesas médicas efetivamente comprovadas por meio dos respectivos recibos, para o período examinado. Vale observar, ainda, que o entendimento que aqui se partilha é o de que é perfeitamente possível que a autoridade julgadora busque, com respaldo nas normas acima mencionadas, elementos adicionais para a formação de sua convicção, porém a decisão que exsurge da análise dessas provas deve ser devida e coerentemente fundamentada, forte no dever geral de motivação das decisões e da proteção à boafé do contribuinte. Ante o exposto, concluo o voto no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário, para fins de restabelecer a dedução de despesas médicas comprovadas pelo contribuinte por meio dos respectivos recibos, no montante de R$ 150.575,00 (cento e cinquenta mil e quinhentos e setenta e cinco reais), conforme abaixo demonstrado: Data Paciente Serviço Beneficiário CRM CPF Valor (R$) 27/02/2008 Maristela Pinto da Cunha Santos consultas e assistência médica Roosevelt Mangia 26316 100.239.09749 13.500,00 28/05/2008 Maristela Pinto da Cunha Santos consultas e assistência médica Roosevelt Mangia 26316 100.239.09749 12.800,00 30/07/2008 Maristela Pinto da Cunha Santos consultas e assistência médica Roosevelt Mangia 26316 100.239.09749 10.900,00 24/09/2008 Maristela Pinto da Cunha Santos consultas e assistência médica Roosevelt Mangia 26316 100.239.09749 9.700,00 30/12/2008 Maristela Pinto da Cunha Santos consultas e assistência médica Roosevelt Mangia 26316 100.239.09749 11.600,00 11/06/2008 Renato Pinto da Cunha Santos consultas e assistência médica Roosevelt Mangia 26316 100.239.09749 9.500,00 27/08/2008 Renato Pinto da Cunha Santos consultas e assistência médica Roosevelt Mangia 26316 100.239.09749 10.500,00 10/12/2008 Renato Pinto da Cunha Santos consultas e assistência médica Roosevelt Mangia 26316 100.239.09749 10.000,00 23/04/2008 Bruno Pinto da Cunha Santos consultas e assistência médica Roosevelt Mangia 26316 100.239.09749 11.500,00 16/07/2008 Bruno Pinto da Cunha Santos consultas e assistência médica Roosevelt Mangia 26316 100.239.09749 9.600,00 03/09/2008 Bruno Pinto da Cunha Santos consultas e assistência médica Roosevelt Mangia 26316 100.239.09749 10.000,00 26/11/2008 Bruno Pinto da Cunha Santos consultas e assistência médica Roosevelt Mangia 26316 100.239.09749 8.900,00 128.500,00 Data Paciente Serviço Beneficiário CRM CPF Valor (R$) 07/11/2008 Maristela Pinto da Cunha Santos consulta médica Vanine Maria Baroni 516854 652.143.82634 50,00 50,00 Data Paciente Serviço Beneficiário CRM CPF Valor (R$) 27/03/2008 Bruno Pinto da Cunha Santos consultas Márcia Ribeiro Leite 515075 053.313.42779 195,00 31/05/2008 Thais Pinto da Cunha Santos consultas Márcia Ribeiro Leite 515075 053.313.42779 105,00 17/04/2008 Bruno Pinto da Cunha Santos consultas Márcia Ribeiro Leite 515075 053.313.42779 135,00 28/06/2008 Thais Pinto da Cunha Santos consultas Márcia Ribeiro Leite 515075 053.313.42779 90,00 525,00 Data Paciente Serviço Beneficiário CRM CPF Valor (R$) 12/02/2008 Maristela Pinto da Cunha Santos tratamento médico Glauco Barbieri 535774 806.628.46753 3.500,00 18/04/2008 Maristela Pinto da Cunha Santos tratamento médico Glauco Barbieri 535774 806.628.46753 3.500,00 13/06/2008 Maristela Pinto da Cunha Santos tratamento médico Glauco Barbieri 535774 806.628.46753 3.500,00 22/08/2008 Maristela Pinto da Cunha Santos tratamento médico Glauco Barbieri 535774 806.628.46753 3.500,00 17/10/2008 Maristela Pinto da Cunha Santos tratamento médico Glauco Barbieri 535774 806.628.46753 3.750,00 05/12/2008 Renato Pinto da Cunha Santos tratamento médico Glauco Barbieri 535774 806.628.46753 3.750,00 21.500,00 150.575,00 TOTAL GERAL Fl. 133DF CARF MF Processo nº 12448.728153/201114 Acórdão n.º 2402006.537 S2C4T2 Fl. 5 7 É como voto. (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior Voto Vencedor Conselheiro Mauricio Nogueira Righetti, Redator Designado. Em que pese as muito bem articuladas fundamentação e conclusão do voto condutor, delas ouso discordar. O ponto de discordância resumese, podese assim dizer, à necessidade de o contribuinte comprovar, após regularmente intimado, a transferência do numerário em função das despesas com hospital e com profissionais da área médica de que pretendeu se valer por meio de recibos apresentados à Fiscalização. Faço registrar as considerações promovidas pela autoridade julgadora de primeira instância. Confirase: A base legal para dedução de despesas dessa natureza é a alínea "a" do inciso II do artigo 8º da Lei 9.250/95, que assim estabelece: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem Fl. 134DF CARF MF 8 como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (destaquei) § 2º O disposto na alínea a do inciso II: (...) II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; Vejase, não basta que tenha havido a despesa. É imprescindível que tenha sido efetivamente PAGA pelo contribuinte. De início, a despesa reputase comprovada por meio da indicação do nome, endereço e nº do CPF de quem recebeu o pagamento, sendo que, por outro lado, a comprovação do efetivo pagamento não se dá, por óbvio e necessariamente, por meio dessa mera indicação. Da leitura do dispositivo encimado, inferese que não basta que haja um pagamento a determinada pessoa, há de se comprovar a natureza da despesas e/ou motivo que deu azo a tal pagamento; da mesma forma, não basta que haja a despesa descrita e evidenciada por meio da indicação do nome, endereço e CPF do profissional que prestou o serviço, há de se comprovar seu efetivo pagamento por parte do contribuinte. Assim, penso que há de se comprovar, quando intimado, o pagamento de despesas dessa natureza, aí entendida a transferência do numerário pelo contribuinte àquele que teria prestado o serviço cuja despesa é dedutível para fins de apuração do IR, sobretudo quando o Fisco, a seu juízo, evidencia a necessidade de que assim seja feito, em função, por exemplo, da ocupação do contribuinte (em regra, profissionais liberais), valores envolvidos (em geral, abaixo do limite de isenção por emitente dos recibos), expressividade das despesas médicas em comparação aos rendimentos tributáveis declarados, tipo das despesas médicas envolvidas (a rigor, com fisioterapeutas, fonoaudiólogos, psicólogos, dentistas, via de regra não cobertos por planos de saúde), dentre outros. Não é por outro motivo que o artigo 73 do Decreto 3.000/99 estabelece que "todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora". Assim sendo, uma vez não atendida a intimação, consoante se infere da fundamentação do lançamento às fls 8 (Despesas médicas glosadas por falta de identificação do beneficiário do serviço prestado e falta de comprovação do efetivo pagamento), no sentido de que fosse comprovado o desembolso para pagamento das despesas com aqueles profissionais, tenho que a manutenção do lançamento é um imperativo, alinhandome à conclusão da decisão de piso quando assentou que "no caso concreto, deixou o contribuinte de Fl. 135DF CARF MF Processo nº 12448.728153/201114 Acórdão n.º 2402006.537 S2C4T2 Fl. 6 9 comprovar a efetividade dos pagamentos relacionados às despesas médicas questionadas, razão pela qual deve ser mantida a glosa fiscal ". Frente ao exposto, voto por CONHECER do recurso e, no mérito, NEGAR LHE provimento. (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Fl. 136DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10950.722026/2013-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3301-000.806
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram presente julgado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS DA COSTA CAVALCANTI FILHO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente (assinado digitalmente) Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
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(assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 50 .7 22 02 6/ 20 13 -5 0 Fl. 3963DF CARF MF Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 3.964 ___________ Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão nº 1055.674, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre. Cuida o presente processo de lançamento de oficio contra a contribuinte supracitada devido a constatação de falta/insuficiência de recolhimento de Cofins não cumulativa e PIS não cumulativo, dos meses de abril de 2008 a agosto de 2011. Resultou num crédito tributário de R$ [...](fls.2.057/2062), de COFINS não cumulativa, e de R$ [...] (fls.2063/2068), de PIS não cumulativo, ambas cientificados em 05/04/2013 (A R. de fl.2.071). Há outros dois processos que guardam relação com o presente, que se encontram distribuídos a este relator e estão sendo julgados nesta mesma sessão: 1) O processo 10950.722014/201244 trata de solicitação de compensação, com a apresentação de grande número de pedidos de PER/Dcomps pela contribuinte, nos quais pleiteia a contribuinte supostos pagamentos indevidos ou a maior para as contribuições devidas ao PIS e à Cofins (ambas não cumulativas), cujos créditos estão compreendidos no período de apuração de abril de 2007 a agosto de 2011. O auto de infração constante do presente processo é fruto do lançamento de ofício realizado pela fiscalização depois de refazer a apuração da recorrente objeto da referida demanda; e 2) O processo 10950.722034/201215, “versa sobre pedido de compensação referente à COFINS do período de apuração de dezembro de 2008, estando dentro do pedido mais amplo objeto da presente demanda, que engloba o período de abril de 2007 a agosto de 2011". Por bem descrever os fatos, adoto o relatório constante do acórdão da Delegacia de Julgamento do processo 10950.722014/201244: A contribuinte reclassificou receitas que eram tributadas pela sistemática de apuração não cumulativa para a sistemática de apuração cumulativa, que seriam as relacionadas as contas de Serviço avançado de Internet (41134230) e ADSL Aluguel de Modem (41134220), tendo em vista que ela aderiu ao Convênio CONFAZ ICMS nº 81, de 05/08/2011, considerando, agora, que estas receitas, do período de abril de 2007 a agosto de 2011, fazem parte do serviço de telecomunicação. A reclassificação destas receitas teria acarretado insuficiência de recolhimento de PIS e Cofins cumulativos, mas em valor menor que o valor que o suposto pagamento a maior de PIS e Cofins não cumulativos, vindo a resultar no saldo creditório utilizado no pleitos de compensação, após as devidas retificações das DCTFs do período, conforme explicações e demonstrativos constantes dos autos. Fl. 3964DF CARF MF Processo nº 10950.722026/201350 Resolução nº 3301000.806 S3C3T1 Fl. 3.965 3 Diante disso, a Autoridade Fiscal procedeu uma criteriosa análise da legislação do Pis e da Cofins, tanto na sistemática cumulativa, quanto da não cumulativa, que afetava a contribuinte, para fins de verificação da base de cálculo das contribuições nas duas sistemáticas de apuração, conjuntamente com os conceitos da Lei 9.472/1997, em seus artigos 60 e 61, do Regulamento dos Serviços de Telecomunicações (Anexo à Resolução Anatel n° 73/98), e em seus artigo 2° e 3º, para fins de definir o que é “serviço de telecomunicações”, bem como se utilizou de intimações para esclarecimento de valores e classificações de atividades que geravam as receitas da contribuinte. Como resultado da análise acima citada, houve concordâncias e discordâncias com classificações de atividades/receitas que foram realizadas pela contribuinte para fins de apuração das contribuições de PIS e Cofins, especialmente a sistemática não cumulativa, pois nesta é que foram gerados os supostos créditos utilizados nos pleitos de compensação que deram origem à auditoria fiscal em apreço. [...] Finalmente, após toda a apreciação retrocitada, foram recalculadas as bases de cálculo do Pis e da Cofins, ambos não cumulativos, do período de abril de 2007 a agosto de 2011, já considerando as reclassificações de receitas e diminuindo dos descontos incondicionais e das devoluções de vendas, observando que a contribuinte não informou nenhum crédito das contribuições não cumulativas nas DACONs dos períodos analisados. Após o cálculo das contribuições foram deduzidos os valores recolhidos na fonte pagadora, vindo a resultar nos valores devidos em cada mês. Estes valores devidos do PIS e da Cofins, ambos não cumulativos, foram diminuídos dos pagos, vindo a resultar na inexistência de valores a serem restituídos em espécie ou utilizados em compensação, sendo que todos os cálculos se encontram nos demonstrativos de fls.2546, 2551,2556 e 2565. A análise da Autoridade Fiscal da DRF de origem também abordou os pedidos de retificações e cancelamentos de PER/Dcomps realizados pela contribuinte e aceitos pelo sistema SCC, o lançamento dos valores de insuficiência de PIS e Cofins, ambos não cumulativos, que foram constituídos no lançamento de ofício constante do processo 10950.722026/201350, e a impossibilidade do lançamento da multa de ofício isolada, prevista nos parágrafos 15 a 17 do art.74 da Lei 9.430/1996, devido à concessão de liminar no MS nº 500404244.2013/PR. Todo o relato do pleito da contribuinte, da análise dos fatos e da legislação, acima mencionados, veio a resultar no Despacho Decisório nº 357/2013, de 14 de maio de 2013, de fls.2579/2627, que indeferiu o pleito de restituição/compensação solicitado pela contribuinte diante da inexistência de direito creditório. Tendo em vista que no objeto dos pedidos estavam contidos vários processos, estes foram apensados ao presente processo (10950.722014/201244), para fins de controle e eficiência, conforme consta dos Termos de Apensação ao Processo Principal, de fls.2685/2788. Fl. 3965DF CARF MF Processo nº 10950.722026/201350 Resolução nº 3301000.806 S3C3T1 Fl. 3.966 4 Irresignada, a Contribuinte apresenta impugnação, de fls.2789/2836. Nesta, começa descrevendo o Despacho Decisório, com seu relatório e conclusões. Após, apresenta preliminar de nulidade do Despacho Decisório por vícios substanciais, decorrentes da afronta ao artigo 142 do CTN e ao artigo 10, inciso III do Decreto n° 70.235/72. Os vícios seriam os seguintes: a) Reapuração fiscal de forma incompleta e equivocada, pois teria deixado de deduzir, dos montantes supostamente devidos de PIS e Cofins não cumulativos, os valores pagos a título de PIS e Cofins na sistemática cumulativa, referente às receitas reclassificadas; [...] Em 26/03/2014, em requerimento a fls. 3040/3042 a Empresa solicitou julgamento conjunto do presente processo com o processo 10950.722026/201350, que trata das autuações fiscais resultantes, uma vez que estão intrinsecamente relacionados. Alternativamente, solicita o sobrestamento da presente análise. [...] 4) contas contábeis registradas como receitas de interconexão de redes de telefonia, em realidade, constituem receitas de terceiros. Por tal razão tais receitas não são tributáveis pelo PIS/COFINS pela contribuinte, mas sim pela empresa que teve as suas redes utilizadas (e que efetivamente prestou o serviço de telecomunicação), mediante o pagamento diferido do tributo. Tudo isso conforme o regime regulatório regido pela Lei n° 9.472/97 (Lei Geral de Telecomunicações LGT). Esta questão está sub judice , não sendo tributadas pela contribuinte devido à decisão, em pleno vigor, no mandado de segurança nº 500098438.2010.404.7033, em trâmite no Tribunal Regional Federal da 4ª Região, conforme consta de resposta à intimação nº 501/2012. [...] Por isso, diante dos fatos e visando esclarecer as dúvidas surgidas, em sessão de julgamento realizada em 16/04/2014, processo foi encaminhado em diligência para que a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Maringá/PR se manifestasse sobre os seguintes itens: [...] c) Verificar a fidedignidade dos valores pleiteados de pagamentos de Cofins e PIS cumulativos, bem como de seu rateio, para fins de imputação/compensação com os débitos de PIS e Cofins não cumulativos, tendo em vista a reclassificação de receitas de base de cálculo da sistemática cumulativa para a não cumulativa realizada no Despacho Decisório, apresentando demonstrativos mensais de valores calculados pela sistemática cumulativa que, caso seja decidido neste sentido, possam servir para imputar/compensar os valores lançados pela sistemática não cumulativa, bem como seus reflexos sobre os pleitos de PER/Dcomp. Fl. 3966DF CARF MF Processo nº 10950.722026/201350 Resolução nº 3301000.806 S3C3T1 Fl. 3.967 5 Em atendimento à solicitação da DRJ, o procedimento de fiscalização foi revisto nos pontos acima e a diligência foi concluída 27.03.2015 pela DRF em Maringá/PR, alcançando as conclusões expostas no "Relatório de Conclusão de Diligência" (fls. 3928/3946), do qual se extraem, resumidamente, os seguintes resultados: [...] Em 07/05/2015 o processo foi novamente encaminhado para esta Delegacia de Julgamento para prosseguimento. Nesse ponto, é esclarecer reproduzir trecho do acórdão da DRJ no processo 10950.722014/201244 que oferece as linhas gerais do regime de tributação das contribuições PIS/Pasep e Cofins aplicáveis ao setor de Telecomunicações: Com o advento das Leis 10.637/02 e 10.833/03, foi instituída a incidência não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, respectivamente. Majoraramse as alíquotas da Contribuição para o PIS/Pasep (de 0,65% para 1,65%) e da Cofins (de 3% para 7,6%), possibilitandose, por outro lado, o desconto de créditos calculados em relação a diversas despesas arroladas no art. 3º de ambas as leis. Destacouse, por outro lado, que a manutenção da sistemática cumulativa foi expressamente ressalvada em algumas hipóteses, dentre as quais se encontra, no que interessa à presente controvérsia, a seguinte: Lei nº 10.637/02: “Art. 8º. Permanecem sujeitas às normas da legislação da contribuição para o PIS/Pasep, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 6º: [...] VIII as receitas decorrentes de prestação de serviços de telecomunicações; [...]”. Lei nº 10.833/03: “Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 8º: [...] VIII as receitas decorrentes de prestação de serviços de telecomunicações; [...]”. (destaques lançados) Fl. 3967DF CARF MF Processo nº 10950.722026/201350 Resolução nº 3301000.806 S3C3T1 Fl. 3.968 6 As empresas de telecomunicações, assim, submetemse, em regra, a um regime híbrido/misto de tributação: de um lado, em virtude da ressalva posta nos aludidos dispositivos legais, as receitas decorrentes especificamente da prestação de serviços de telecomunicações sujeitamse ao regime cumulativo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins; de outro lado, as receitas auferidas por conta do desempenho de suas demais atividades empresariais (por exemplo, a comercialização de telefones celulares) sujeitamse à incidência dos referidos tributos no regime não cumulativo. [...] [...] é justamente na manutenção da atividade principal no regime cumulativo e na autorização para desconto de créditos na sistemática da não cumulatividade, envolvendo a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins, quanto às demais receitas não consideradas de telecomunicações que reside o cerne da presente controvérsia. O acórdão aqui recorrido decidiu pela improcedência da impugnação, ao considerar o resultado de diligência, assim ementado: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/04/2008 a 31/08/2011 Ementa: PRELIMINAR DE NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Demonstrado que os lançamentos foram formalizados de acordo com os requisitos de validade previstos em lei e que não ocorreu violação ao disposto no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, tampouco do art. 142 do CTN, não deve ser acatado o pedido de nulidade formulado. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE TELECOMUNICAÇÕES. A sistemática de apuração da contribuição pelo regime da cumulatividade abarca as receitas decorrentes da prestação de serviços de telecomunicações. Não são receitas decorrentes da prestação de serviços telefônicos as receitas de serviços que simplesmente utilizam como instrumento os serviços de telecomunicações, não se podendo admitir que essas receitas ingressem na sistemática de apuração da contribuição pelo regime da cumulatividade (Cofins cumulativa), já que devem necessariamente serem apuradas pela sistemática de apuração no regime da nãocumulatividade (Cofins nãocumulativa). SERVIÇOS DE TELECOMUNICAÇÕES. TELEFONIA FIXA. ASSINATURA BÁSICA. REGIME DE INCIDÊNCIA. A remuneração paga pelo assinante à empresa prestadora de serviço de telecomunicações, a título de assinatura básica de telefonia fixa, configura contraprestação por uma atividade que possibilita a telecomunicação, incluindose no conceito de serviço de telecomunicações e sujeitandose à incidência da contribuição pelo regime cumulativo. Entendimento respaldado por decisão judicial transitada em julgado. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Fl. 3968DF CARF MF Processo nº 10950.722026/201350 Resolução nº 3301000.806 S3C3T1 Fl. 3.969 7 Período de apuração: 01/04/2008 a 31/08/2011 Por envolver os mesmos elementos fáticos, aplicase o decidido em relação à Cofins no julgamento das questões envolvendo o litígio da contribuição para o PIS. Após a análise do relatório de diligência, conclue o dito acórdão (no capítulo final onde ocorre a consolidação dos resultados do Julgamento ao longo de diversas planilhas) (fl. 4047 e seguintes): Conforme os demonstrativos consolidados acima, que, por sua vez, refletem os valores constantes nas planilhas a fls. 3.079/3.088 da Diligência efetivada, após a aceitação de algumas reclassificações e exclusão da base de cálculo em função de medida judicial, restaram saldos a exigir, remanescentes dos lançamentos originais de Pis e Cofins pela sistemática nãocumulativa feitos na Empresa, compreendidos entre os períodos de apuração abril de 2008 a agosto de 2010. Em 30/03/2017, esta Turma emitiu Resolução 3301000.299 (fl. 3603 e seguintes) sobre a pendenga. Esta sintetiza o recurso voluntário antes protocolado, do qual reproduzo as partes que interessam ao presente relato: (i) preliminarmente, a necessidade de reconhecimento da conexão da presente demanda com o processo n. 10950.722.014/201244, no bojo da qual foram analisados os diversos pedidos de compensação transmitidos pela Recorrente utilizando os créditos decorrentes dos mesmos fatos ora analisados; (ii) informa que discorda dos cálculos efetuados pelo acórdão recorrido e que estaria providenciando laudo de empresa de auditoria independente no intuito de pontuar seus equívocos (não apresentou, contudo, qualquer laudo até a presente data); (iii) no mérito, que não poderiam ser exigidos por meio do despacho decisório impugnado os débitos anteriores a 31/05/2008, haja vista que operada a decadência nos termos do art. 150, parágrafo 4º do CTN (decadência parcial); (iv) embora a 2ª Turma da DRJ/POA tenha consignado expressamente ter havido a utilização dos valores pagos a título de PIS/COFINS cumulativos (compensação interregimes), esse procedimento não foi adotado na prática ao realizarse a liquidação do acórdão pela autoridade fiscal; A resolução em foco então decidiu pela conversão do julgamento em diligência, a fim de que: (i) a Secretaria desta Câmara registre a vinculação da presente demanda aos processos nº 10950.722.014/201244 e 10950.722034/201215, em razão da conexão entre os mesmos, para que sejam julgados necessariamente em conjunto. Fl. 3969DF CARF MF Processo nº 10950.722026/201350 Resolução nº 3301000.806 S3C3T1 Fl. 3.970 8 (ii) a autoridade fiscal competente seja devidamente intimada para que: (ii.1) analise os valores constantes da consolidação dos resultados do julgamento apresentadas tanto na presente demanda quanto nos Processos nº 10950.722.014/201244 e 10950.722034/201215, informando se em tais valores foram considerados os créditos e débitos relativos tanto ao regime cumulativo quanto ao regime não cumulativo (se foi realizada a compensação entre regimes). Em caso negativo, que realize levantamento, mês a mês, dos valores devidos no Proc. nº 10950.722.026/201350 (auto de infração), após a realização da referida compensação entre regimes, bem como informe se as compensações vinculadas ao referido auto de infração deverão ser homologadas, ainda que parcialmente. (ii.2) analise os dados constantes do laudo elaborado pela PwC (Doc. 02, anexado aos autos através da petição protocolizada em 16/02/2017 fl. 3559, arquivo não paginável), que indica supostos equívocos nos cálculos feitos pela DRF ao implementar o acórdão de parcial procedência da DRJ; elaborando relatório conclusivo relativo a cada um dos pontos ali abordados. A Procuradoria da Fazenda Nacional, de sua parte, apresentou contrarrazões. Conforme relato da mesma resolução: Ato contínuo, em 16/02/2017 (fl. 3559 arquivo não paginável), após a inclusão em pauta do presente processo para julgamento, o contribuinte protocolizou petição nos autos através da qual requereu a sua retirada de pauta, defendendo que o processo em tela não estaria apto para fins de julgamento, visto que: (a) o laudo (Doc. 02) elaborado por empresa de auditoria independente (PwC) que demonstraria os equívocos cometidos pela RFB ao liquidar o acórdão da DRJ não foi apreciado, haja vista que o mesmo não havia sido juntado aos autos, a despeito da informação, no recurso voluntário, de que esta providência estava sendo tomada; (b) existe mandado de segurança em vias de transitar favoravelmente à Recorrente, impondo a exclusão integral da base de cálculo da autuação controlada no Processo n. 10950.722026/201350 das receitas de interconexão; (c) o STF reconheceu, em repercussão geral, que a assinatura mensal de telefonia configura serviço de comunicação, atraindo a incidência das contribuições cumulativas, diferentemente da classificação adotada pela fiscalização neste caso. Entretanto, devido ao prematuro falecimento do Min. Teori Zavascki o aludido acórdão ainda não foi publicado. Em 25/10/17, a DRF/Maringá emitiu Relatório de Conclusão de Diligência (fl. 3779 e seguintes). Fl. 3970DF CARF MF Processo nº 10950.722026/201350 Resolução nº 3301000.806 S3C3T1 Fl. 3.971 9 A contribuinte (na figura da sua sucessora TELEFÔNICA BRASIL S/A), manifestase sobre o referido relatório (este relator localizou tal documento, na forma de arquivo não paginável, anexado em 28/11/17, à fl. 3812), “REQUERENDO, AO FINAL, NOVA BAIXA DOS AUTOS” (grifos do original), nos seguintes termos: Em 15/05/18, a contribuinte peticiona (fl. 3955) – em frontal contradição com o que requer na petição anterior , para: INFORMAR QUE NÃO POSSUI MAIS INTERESSE EM NOVA BAIXA DOS AUTOS EM DILIGÊNCIA FISCAL – para exclusão das receitas de interconexão no período anterior a agosto de 2010, tendo em vista o trânsito em julgado do mandado de segurança nº 5000984 38.2010.4.04.7003 –, consoante requerido na petição protocolada em 28.11.2017, haja vista que optou pela habilitação administrativa do seu crédito, nos termos do art. 100 da IN RFB nº 1.717/2017[...]. Foime distribuído o presente processo para relatar e pautar. É o relatório. Fl. 3971DF CARF MF Processo nº 10950.722026/201350 Resolução nº 3301000.806 S3C3T1 Fl. 3.972 10 Voto Conselheiro Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Relator. O recurso voluntário foi dado por tempestivo na dita resolução1. Alega a recorrente (item “iii”) a decadência dos que débitos anteriores a 31/05/2008, nos termos do art. 150, parágrafo 4º do CTN. E expõem: Não identifiquei tal tema na manifestação de inconformidade, mas em sendo matéria de ordem pública será neste voto analisada. Não assiste razão à contribuinte. Ressaltese que o presente processo cuida de homologação ou não de pedidos de compensação, cujo prazo para a a homologação tácita conta do respectivo pedido e não do pagamento, conforme jurisprudência do CARF. O argumento “(iv)” da recorrente, após verificações expostas na resolução de 2017 desta Turma, concluindo que “ao menos à primeira vista [...] não foram considerados os créditos relativos ao PIS/COFINS cumulativo, para fins de identificação do valor devido”, é que ocasionou a proposta diligência, em parte, no sentido de que se verifique se houve ou não a compensação entre regimes. A mesma resolução ainda determina que se avalie “os dados constantes do laudo elaborado pela PwC [...] o qual poderia indicaria supostos equívocos nos cálculos feitos pela DRF ao elaborar o acórdão de parcial procedência pela DRJ”. Fundamenta a resolução que, “segundo aponta o contribuinte, este laudo estaria atestando tanto que a compensação interregimes não foi implementa, quanto a adição, em sede de diligência fiscal, de novas contas à base de cálculo das contribuições não cumulativas, que não foram objeto de reclassificação reclassificação original”. 1 Ressaltese ser desnecessário responder todos as questões levantadas pelas partes, em já havendo motivo suficiente para decidir (Lei n° 13.105/15, art. 489, § 1o , IV. STJ, 1ª Seção, EDcl no MS 21.315DF, julgado de 8/6/2016, rel. Min. Diva Malerbi). Fl. 3972DF CARF MF Processo nº 10950.722026/201350 Resolução nº 3301000.806 S3C3T1 Fl. 3.973 11 A diligencia foi então realizada dando conta desses temas. Há, no entanto um tema que restou não verificado. Na manifestação da contribuinte sobre o Relatório de Conclusão de Diligência, esta informa o trânsito em julgado no mandado de segurança 50098438.2010.4.04.7003, o qual determina a exclusão das receitas de interconexão da base de cálculo das contribuições, em período posterior a agosto de 2010. Requer então a contribuinte nova diligência para “exclusão das receitas de interconexão do período anterior a agosto de 2010”. É que detalha ter havido tal exclusão para o período posterior a agosto de 2010, por força de decisão em sede de pedido liminar emitida no mesmo mandamus: Este relator verificou que as receitas de interconexão anteriores a agosto de 2010 não foram objeto de levantamento nos autos, por restarem fora do alcance da determinação judicial. Assim, e independentemente de haver pedidos de nova diligência e, depois, manifestação de falta de interesse na mesma – considerando o tratamento diferenciado que merecem essas despesas em função da decisão judicial ora transitada em julgado, fazse necessário uma apuração de tais valores. Pelo exposto, voto no sentido de converter o julgamento do recurso em diligência, a fim de que a Delegacia de Origem: 1) Determine, os valores de receitas de interconexão, mês a mês, no período abrangido pele presente processo e não abrangidas pela ação judicial em comento; 2) Conceda prazo para a contribuinte se manifestar, finda a diligência, sobre o relatório dela decorrente, retornando os autos, em seguida, ao CARF para retomada do julgamento. Fl. 3973DF CARF MF Processo nº 10950.722026/201350 Resolução nº 3301000.806 S3C3T1 Fl. 3.974 12 (assinado digitalmente) Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho Relator Fl. 3974DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.720611/2007-02
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do Fato Gerador: 09/03/2003, 10/03/2003, 08/05/2003
ATO CONCESSÓRIO DE DRAWBACK. ANULAÇÃO. COMPETÊNCIA.
A atribuição para emitir, modificar ou anular ato concessório de Drawback é da Secretaria de Comércio Exterior SECEX, não cabendo à Secretaria da Receita Federal do Brasil julgar a legalidade de atos praticados no âmbito da Secretaria de Comércio Exterior.
DRAWBACK SUSPENSÃO PARA FORNECIMENTO NO MERCADO INTERNO. ATO CONCESSÓRIO ANULADO PELA SECEX, COM EFEITOS EX-TUNC.
A anulação do Ato Concessório de Drawback modalidade Suspensão pela SECEX justifica a exigência dos tributos e contribuições que ficaram suspensos à época do despacho aduaneiro, com os devidos gravames legais. Inexiste o benefício sem o respectivo Ato Concessório.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-005.216
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte o recurso e na parte conhecida negar provimento.
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do Fato Gerador: 09/03/2003, 10/03/2003, 08/05/2003 ATO CONCESSÓRIO DE DRAWBACK. ANULAÇÃO. COMPETÊNCIA. A atribuição para emitir, modificar ou anular ato concessório de Drawback é da Secretaria de Comércio Exterior SECEX, não cabendo à Secretaria da Receita Federal do Brasil julgar a legalidade de atos praticados no âmbito da Secretaria de Comércio Exterior. DRAWBACK SUSPENSÃO PARA FORNECIMENTO NO MERCADO INTERNO. ATO CONCESSÓRIO ANULADO PELA SECEX, COM EFEITOS “EXTUNC”. A anulação do Ato Concessório de Drawback modalidade Suspensão pela SECEX justifica a exigência dos tributos e contribuições que ficaram suspensos à época do despacho aduaneiro, com os devidos gravames legais. Inexiste o benefício sem o respectivo Ato Concessório. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte o recurso e na parte conhecida negar provimento. Winderley Morais Pereira Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 06 11 /2 00 7- 02 Fl. 866DF CARF MF 2 Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto, com as devidas adições, o relatório da primeira instância que passo a transcrever. Da Autuação Cuida o presente processo de Autos de Infração – AI’s, em desfavor do sujeito passivo em epígrafe, relativos à exação do Imposto de Importação – II (fls. 0208) e do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI (fls. 0915), suspensos quando da importação ao amparo do Ato Concessório (Drawback suspensão) nº 2002/0196490, além dos correspondentes acréscimos legais, perfazendo um crédito tributário no montante de R$ 811.481,54. Em procedimento fiscal instaurado para verificar a regularidade do cumprimento das obrigações fiscais, relativas à aplicação do Regime Aduaneiro Especial de DRAWBACK, modalidade SUSPENSÃO, a fiscalização constatou, como se verifica no “Termo de Verificação Fiscal” (fls.1832), anexo ao auto de infração, que o contribuinte descumpriu exigências para concessão e fruição do benefício fiscal, além de o Ato Concessório ter sido anulado pelo DECEX. O Ato Concessório em análise foi objeto de processo de revisão administrativa pelo DECEX (Processo Administrativo nº 52500.000426/200620) que culminou com a sua anulação, conforme decisão definitiva (fl.687) exarada pelo Sr. Ministro de Estado do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, em 09/08/2007, pela qual o referido Ato Concessório foi considerado NULO com efeitos “extunc” (Decisão nº 21/SECEX de 21/07/2007, fl. 649). A simples anulação do Ato ConcessórioAC leva ao descabimento do beneficio fiscal em questão, tornando devidos os tributos que incidiram sobre as importações. No entanto, a fiscalização examinou a operacionalização do AC, tendo concluído que o contribuinte teria descumprido exigências substanciais da Lei n° 8.032/90 e legislação correlata, essencial à fruição do benefício fiscal. A fiscalização concluiu que descumprimento das condições do regime podem ser assim resumidas, conforme trechos extraídos dos autos: “Por meio da competente auditoria fiscal, concluiuse que: a) Restou comprovado que as importações, cursadas com suspensão do pagamento do imposto, não se deram contra Fl. 867DF CARF MF Processo nº 10680.720611/200702 Acórdão n.º 3301005.216 S3C3T1 Fl. 3 3 pagamento em moeda conversível, nos termos do diploma legal de regência; b) Restou comprovado que os EQUIPAMENTOS PRODUZIDOS E FORNECIDOS PELO CONTRIBUINTE NO MERCADO INTERNO foram comercializados contra pagamento em moeda nacional (Reais), quando era condição SINE QUA NON que o fornecimento se desse contra pagamento em moeda conversível proveniente de financiamento concedido por instituição financeira internacional, da qual o Brasil participe, ou por entidade governamental estrangeira ou, ainda, pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social BNDES, com recursos captados no exterior. c) Restou comprovado que tanto o Contrato de Financiamento, cuja cópia foi apresentada, quanto o documento de adjudicação, protocolado junto ao Órgão Financiador, referemse à empresa MBR e não ao Contribuinte sob Fiscalização, ou seja, não ha qualquer vinculo direto entre o financiamento obtido e o Contribuinte. d) Não obstante esse fato, restou provado nos autos, DE FORMA INEQUÍVOCA, que os Contratos celebrados entre o Contribuinte e a empresa MBR, cujas cópias foram apresentadas, determinavam que os pagamentos fossem efetivados na praça de Nova Lima, Minas Gerais, em moeda nacional, o que mais uma vez anula as pretensões do Contribuinte, em especial, no tocante a sua vinculação com qualquer financiamento internacional. e) A "licitação" que o Contribuinte teria vencido não se deu por meio de concorrência internacional, MODALIDADE DE LICITAÇÃO EXIGIDA pelo Comunicado Decex nº 21/1997, como demonstrado. A empresa MBR tão somente encaminhou cartasconvite para empresas com sede ou escritórios no país, o que, além de ferir a modalidade determinada para a licitação, prejudica o conceito de licitação internacional, como exigido pelos diplomas legais avocados; f) Restou por último, demonstrado, que foi DECLARADA A NULIDADE DO ATO CONCESSÓRIO DE DRAWBACK, objeto do presente, pelo Departamento de Operações de Comércio Exterior DECEX, o que também determina o NÃO RECONHECIMENTO dos benefícios pleiteados pelo Contribuinte. Em suma, A FISCALIZAÇÃO CONCLUI PELO NÃO RECONHECIMENTO DO BENEFICIO FISCAL PLEITEADO pelo Contribuinte, por meio do Regime Aduaneiro Especial de Drawback, objeto do Ato Concessório n° 2002/0196490, emitido em 29 de janeiro de 2003. Diante desse fato, DEVEM SER COBRADOS INTEGRALMENTE OS TRIBUTOS, cuja exigência fora suspensa no desembaraço dos insumos importados, vinculados ao referido Ato Concessório.” Fl. 868DF CARF MF 4 Da Impugnação Ciente do teor do Auto de Infração, em 13/12/2007, e inconformado com o mesmo, o impugnante apresentou sua peça impugnatória (fls. 717741), em 14/01/2008, com os seguintes argumentos: Questiona a revisão do Ato Concessório por parte do Decex e o comprometimento lógico do Auto de Infração em razão de “os fundamentos empregados para anulação do ato concessório por aquele órgão federal, e que foram acatados pelas autoridades fiscais na presente ação fiscal, são inválidos e, além disso, não podem ser aplicados de maneira retroativa às importações da Impugnante.” A reclamante apresenta argumentos pela nulidade das decisões administrativas do DECEX que anularam o ato concessório, sob o fundamento que não haveria previsão legal (notadamente no artigo 5º da Lei nº 8.032/90, com a redação dada pela Lei nº 10.184/2001, e no anexo VII do Comunicado DECEX nº 21/97) que amparasse a exigência de previsão da fruição do benefício no edital ou na cartaconvite. A partir do item II.3.3 de sua impugnação – Da modalidade de “licitação Internacional” a impugnante passa a questionar os argumentos apresentados pela autoridade fiscal. Em relação à acusação de que não atendeu ao requisito relativo à Concorrência Internacional, alega que: “De fato, a letra 'a", do item 2, do Anexo VII, do Comunicado DECEX n° 21/97, prevê que o formulário de Pedido de Drawback deveria ser acompanhado de "cópia do edital da concorrência internacional". Ocorre, porém, que tal exigência contraria a regra veiculada pelo citado artigo 5o, da Lei n° 8.032/90, o qual determinou que o benefício fiscal em tela será aplicável irrestritamente às licitações internacionais como gênero, sejam elas realizadas por entidades privadas, sejam pela administração pública, direta ou indireta, empresas públicas ou sociedades de economia mista. Mais uma vez, não cabe fazer leitura restritiva (onde o legislador não restringiu), invocando para tanto uma modalidade específica das licitações públicas, prevista na Lei n° 8.666/93, que é a licitação mediante concorrência. Cumpre registrar, ainda, que não procede a argumentação das autoridades fiscais no sentido de que a licitação promovida pela MBR não seria "internacional" pelo fato de que as citadas cartasconvite teriam sido enviadas a "empresas e escritórios, localizados no país". Os documentos anexados aos autos (fls. 436 a 451 dos autos) demonstram que a MBR convidou a participar do certame empresas nacionais e estrangeiras, sendo que, nesse último caso, as correspondências foram encaminhadas a seus destinatários, porém, por intermédio de escritórios de representação no pais, o Fl. 869DF CARF MF Processo nº 10680.720611/200702 Acórdão n.º 3301005.216 S3C3T1 Fl. 4 5 que não teve o condão de descaracterizar a licitação internacional como tal. Assim, independentemente da forma mediante a qual a empresa localizada no exterior foi convidada (se através de cartaconvite endereçada diretamente a ela ou se por intermédio de seus representantes localizados no pais), o fato é que se implementou o requisito exigido pela legislação, qual seja, a convocação de entidade estrangeira. Em relação à acusação de que tanto os insumos importados, quanto os equipamentos produzidos pela impugnante e entregues no mercado interno, não foram comercializados contra pagamento em moeda conversível, com origem em financiamento externo ou o BNDES, o que implicaria na não observação do disposto no art. 5º da Lei 8.032/90, e, conseqüentemente, no descumprimento do regime, a impugnante se defende alegando, em síntese: referidos recursos foram fornecidos à empresa licitante (MBR) por instituição financeira internacional, da qual o Brasil participa, já que a fonte de tais divisas foi o “International Finance Corporation” – IFC, componente do “World Bank Group. o Decretolei nº 857, de 11 de setembro de 1969, que determina que as obrigações passíveis de serem executadas no país devem ser pagas em moeda nacional, sendo vedada a utilização de ouro, moeda estrangeira ou qualquer outro valor. a impugnante preencheu os requisitos previstos no art. 5°, da Lei n° 8.030/90 já que ó.pagamento realizado pela MBR foi realizado feito com a utilização de recursos captados por essa empresa no exterior junto à instituição financeira da qual o Brasil é participante . como observaram também as regras veiculados pelos demais diplomas legais em vigor no país, como é o caso do Decretolei n° 857/69. Quanto à ausência da impugnante no contrato de financiamento, alega: (...) nem o art. 5°, da Lei n° 8.030/90, nem tampouco os atos infralegais aplicáveis, exigem que o contrato de financiamento firmado pela empresa licitante e a instituição financeira internacional, mencione o beneficiário desse regime aduaneiro, nem tampouco determinam a assunção por esse órgão financeiro de qualquer responsabilidade pertinente ao contrato celebrado com aquele contribuinte. Quanto à acusação de que o financiamento obtido pela empresa MBR representou menos de 5% do valor total do projeto e que não ficou demonstrado o repasse do montante, da MBR para a impugnante. Da mesma forma, a referida legislação não estabeleceu, como condição para a utilização do referido regime, que a Fl. 870DF CARF MF 6 integralidade dos custos e despesas incorridas pela empresa licitante com o projeto, inclusive com o fornecimento de bens e a prestação de serviços por terceiros que não o beneficiário do regime aduaneiro, fosse obtida através de financiamento que preenchesse as condições previstas no citado art. 5°, da Lei n° 8.030/90. Quanto à acusação de que o órgão financiador não informou que os equipamentos a serem fornecidos pela Impugnante seriam pagos com valores obtidos através do referido financiamento, a defesa apresenta trecho (fl.740) extraído da correspondência encaminhada pelo IFC à MBR através da qual aquele órgão aprovou a adjudicação Finaliza, alegando que a nova leitura do disposto no art. 5º, da lei nº 8.032/90, constitui mudança de critério jurídico, o que impede sua aplicação retroativa, conforme dispõe o art. 146, do Código Tributário Nacional. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento manteve integralmente o lançamento. A decisão da DRJ foi assim ementada. ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 09/03/2003, 10/03/2003, 08/05/2003 DRAWBACK SUSPENSÃO PARA FORNECIMENTO NO MERCADO INTERNO. ATO CONCESSÓRIO ANULADO PELA SECEX, COM EFEITOS “EXTUNC”. A anulação do Ato Concessório de Drawback modalidade Suspensão pela SECEX justifica a exigência dos tributos e contribuições que ficaram suspensos à época do despacho aduaneiro, com os devidos gravames legais. Inexiste o benefício sem o respectivo Ato Concessório. DRAWBACK SUSPENSÃO PARA FORNECIMENTO NO MERCADO INTERNO. AUSÊNCIA DE LICITAÇÃO INTERNACIONAL. INOBSERVÂNCIA A OUTROS REQUISITOS LEGAIS. DESCARACTERIZAÇÃO DO BENEFÍCIO. EXIGÊNCIA DOS TRIBUTOS INCIDENTES NA IMPORTAÇÃO. É cabível a exigência ex officio dos tributos incidentes na importação de insumos beneficiados pelo regime do drawback suspensão, para fornecimento no mercado interno, quando descaracterizado o benefício por ausência de licitação internacional, bem como pela inexistência de pagamento do fornecimento com moeda conversível. DRAWBACK SUSPENSÃO PARA FORNECIMENTO NO MERCADO INTERNO. INADIMPLEMENTO. ÔNUS DA PROVA. Em se tratando de drawback fornecimento no mercado interno, a lei atribui ao beneficiário o ônus de comprovar o adimplemento do compromisso. Para reconhecimento da isenção, cabe ao Fl. 871DF CARF MF Processo nº 10680.720611/200702 Acórdão n.º 3301005.216 S3C3T1 Fl. 5 7 beneficiário do regime, e não ao Fisco, fazer prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos exigidos em lei ou contrato. Na falta dessa comprovação, são devidos os impostos e contribuições que deixaram de ser recolhidos por ocasião da sua importação, acrescidos de juros de mora e multa e ofício. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 09/03/2003, 10/03/2003, 08/05/2003 MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. DESCABIMENTO. A mudança de critério jurídico ocorre quando o lançamento original é alterado, com base nos mesmos fatos, mas com fundamentação diversa. O ato de desembaraço aduaneiro não se confunde com o ato de lançamento, não cabendo se falar em mudança de critério jurídico que pressupõe um lançamento anterior. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado da decisão, o autuado apresentou recurso repisando as alegações apresentadas na impugnação, afirmando a ilegalidade do cancelamento do Ato concessório realizado pela SECEX, existindo uma mudança de critério jurídico na decisão adotada por aquele órgão. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O recurso é voluntário e tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isto, ser conhecido. O lançamento teve origem no descumprimento do compromisso de exportação assumido no Ato Concessório nº 20010017593 que posteriormente foi cancelado pela SECEX. A Recorrente tece em seu recurso diversos argumentos que questionam a posição adotada pela SECEX para cancelar com efeito "ex tunc" o Ato concessório anteriormente deferido. Fl. 872DF CARF MF 8 Nos termos constantes dos autos e já detalhados no Relatório, o Ato Concessório foi objeto de processo de revisão administrativo, que culminou com a anulação integral do Ato Concessório, com efeito "ex tunc". A decisão final foi exarada pelo Sr. Ministro de Estado do Desenvolvimento, Industrial e Comércio Exterior, em 09/08/2007. (Decisão nº 21/SECEX de 21/07/2007, fl. 649) A Fiscalização Aduaneira, diante do despacho exarado pelo MDIC, procedeu a auditoria das importações vinculadas ao Ato Concessório cancelado e realizou o lançamento para exigência dos tributos suspensos com as respectivas multas e juros moratórios. A Recorrente se insurgiu contra o lançamento, alegando que a decisão do Ministro MDIC não estaria correta e portanto, pede em sede administrativa, que seja revista a decisão da SECEX e considerado apto o benefício fiscal pleiteado e a exoneração do lançamento fiscal constante do presente processo. O benefício do Drawback pressupõe o acordo entre o Estado e o contribuinte, onde é concedido um benefício tributário tendo como contrapartida o cumprimento de certos requisitos. A materialização deste acordo é feito mediante o pedido e a emissão do ato concessório, fixando os benefícios e as obrigações do beneficiário do regime. A Receita Federal, responsável pela fiscalização e a Secretária de Comércio Exterior SECEX, que responde pela concessão do regime, editam normas com as regras para utilização do Drawback. O conjunto destas obrigações, tais como, informar um determinado código nos documentos de exportação e informar os dados de cumprimento dos atos nos sistemas informatizados responsáveis pelos controles do regime, dentre outros, passaram a ser complementares ao regime e são utilizados para comprovar a realização dos compromissos assumidos. O cumprimento das obrigações administrativas de nenhum forma torna impossível a revisão ou de forma definitiva o adimplemento das obrigações registradas no ato concessório. Podendo ser objeto de revisão e fiscalização por parte dos órgãos responsáveis, a SECEX e a Receita Federal do Brasil. No caso em tela, o SECEX procedeu a revisão da concessão do Ato Concessório, decidindo pelo seu cancelamento. A legislação ao definir os papeis de cada um dos órgãos determinou à SECEX, competência para a concessão do Ato Concessório e também a competência para sua alteração e cancelamento. A Receita Federal possui a competência de fiscalização das operações de DrawBack, entretanto, não possui a competência para conceder, alterar ou cancelar Atos Concessórios concedidos pela SECEX. O pleito da Recorrente esbarra em barreira intransponível de competências governamentais, que seria este órgão colegiado responsável pela julgamento de processos administrativos no âmbito do Ministério da Fazenda adentrar as competências legais e institucionais de outro Ministério para analisar a legalidade de um Ato do Ministro do MDIC que cancelou um Ato Concessório expedido pela SECEX. A simples leitura do pleito da Recorrente, por si só, já demonstra a total impropriedade deste pedido. A decisão de cancelar o Ato Concessório é de competência plena daquele Ministério, não cabendo nenhuma manifestação deste colegiado sobre este Ato Administrativo. Fl. 873DF CARF MF Processo nº 10680.720611/200702 Acórdão n.º 3301005.216 S3C3T1 Fl. 6 9 A matéria foi enfrentada no Acórdão 3302005.373, de relatoria do Conselheiro Paulo Deroulede, que descreveu em detalhes as normas aplicadas ao DrawBack quanto ao controle e competência para a concessão do Ato Concessório, confirmando a impossibilidade do CARF discutir as modificações em Atos Concessórios realizados pelo MDIC. Peço vênia, para incluir trecho do voto do citado Acórdão e fazer dele também minhas razões de decidir. É que falece à Secretaria da Receita Federal do Brasil competência para autorizar ou anular o ato de concessão do regime de drawback, inserido na competência do DECEX. De fato, a concessão do Regime Especial Aduaneiro de Drawback era regulado pela Consolidação das Normas do Regime de Drawback (CND) disposta no Comunicado DECEX nº 21/1997. Tal comunicado fora expedido no âmbito da competência prevista no inciso II do artigo 17 do Anexo I do Decreto nº 1.757/1995 (aprovava a estrutura regimental do Ministério da Indústria, do Comércio e do Turismo) e da Portaria SECEX nº 4/1997, cujos dispositivos dispunham: Decreto nº 1.757/1995: Art. 1° Ficam aprovados a Estrutura Regimental e o Quadro Demonstrativo dos Cargos em Comissão e Funções Gratificadas do Ministério da Indústria, do Comércio e do Turismo, na forma dos Anexos I e II, a este Decreto. [...] ANEXO I ESTRUTURA REGIMENTAL MINISTÉRIO DA INDÚSTRIA, DO COMÉRCIO E DO TURISMO [...] CAPÍTULO III DA COMPETÊNCIA DOS ÓRGÃOS [...] Art. 17. Ao Departamento de Operações de Comércio Exterior compete: I coletar, analisar, sistematizar e disseminar dados e informações estatísticas de comércio exterior; II autorizar operações de importação e exportação e emitir documentos especiais quando exigidos por acordos bilaterais e multilaterais assinados pelo Brasil; III elaborar, acompanhar e avaliar estudos sobre a evolução da comercialização de produtos e mercados estratégicos para o Fl. 874DF CARF MF 10 comércio exterior brasileiro, com base nos parâmetros de competitividade setorial e disponibilidades mundiais. Portaria SECEX nº 4/1997: O Secretário de Comércio Exterior, no uso de suas atribuições legais, tendo em vista o disposto no art. 16, inciso I do Decreto nº 1.757, de 22 de dezembro de 1995, resolve: I – DISPOSIÇÕES GERAIS Art. 1º A concessão do Regime Aduaneiro Especial de Drawback, nas modalidades de suspensão e isenção de tributos, conforme o disposto nos artigos 314 a 334 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto nº 91.030, de 5 de março de 1985, com alterações, seguirá o disposto nesta Portaria. Art. 2º Constitui atribuição do Departamento de Operações de Comércio Exterior (DECEX) a concessão do Regime de Drawback, compreendidos os procedimentos que tenham por finalidade sua formalização, bem como o acompanhamento e a verificação do adimplemento do compromisso de exportar. Esclareça se que a separação das competências da RFB e da SECEX (DECEX) quanto ao Regime Aduaneiro Especial de Drawback foi objeto da Súmula CARF nº 1001, cujo paradigma nº 930301.248, bem delineou as competências de cada órgão. A respeito, transcrevese excerto do voto condutor do paradigma, proferido pelo Conselheiro Henrique Pinheiro Torres: "Em relação ao conflito aparente de atribuições entre a administração tributária e a Secex, que emitira o ato concessório do drawback, entendo não haver tal desarmonia, pois o órgão 1 Súmula CARF nº 100: O AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil tem competência para fiscalizar o cumprimento dos requisitos do regime de drawback na modalidade suspensão, aí compreendidos o lançamento do crédito tributário, sua exclusão em razão do reconhecimento de beneficio, e a verificação, a qualquer tempo, da regular observação, pela importadora, das condições fixadas na legislação pertinente fazendário e o do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior exercem atribuições distintas, mas que se complementam: um aprova o plano de exportação, confere a documentação apresentada pelo exportador e emite o ato concessório da importação vinculada; o outro fiscaliza a consecução do plano para verificar se o importador atendeu as condições do incentivo fiscal que lhe foi concedido. Se por um lado Administração Tributária não é dada competência para emitir, modificar ou anular ato concessório de drawback, cabe a ela, exclusivamente a ela, verificar o cumprimento das obrigações tributárias decorrentes de importações, ainda que essas tenham sido amparadas por regimes aduaneiros especiais que suspendam ou isentem o pagamento do tributo, corno o drawback. (grifos não originais). Em outro giro, não é razoável pretenderse que a legislação tenha conferido atribuição para o Fisco aditar as importações realizadas ao amparo de drawback, c, uma vez procedida a auditoria e constatadas irregularidades na execução do regime Fl. 875DF CARF MF Processo nº 10680.720611/200702 Acórdão n.º 3301005.216 S3C3T1 Fl. 7 11 aduaneiro especial — irregularidades essas que evidenciem o descumprimento das condições do incentivo á exportação e justifiquem a perda do direito ao favor fiscal —, seja vedado aos agentes do Fisco cumprirem o dever de oficio de lançar o crédito tributário devido. Ora, o ato concessório não pode se sobrepor ao CTN, que exige da autoridade administrativa o lançamento do crédito tributário devido. Também não parece razoável atribuir á. Fiscalização o papel de mero coadjuvante da Secex, pois se atribuísse à autoridade fazendária o dever de examinar as importações vinculadas aos atos concessórios, mas sem qualquer atribuição para reprimir, por meio de autuação, as irregularidades de natureza fiscal, estarseia reduzindo a Receita Federal a mero auxiliar da Secex, e os seus agentes a simples auxiliares de conferentes de notas fiscais e de faturas comerciais." A matéria já foi abordada em outros julgados nesta turma, como o proferido no voto condutor do Acórdão nº 3302003.519, de lavra do Conselheiro José Fernandes do Nascimento, cujo excerto transcrevese abaixo: "Em relação ao regime drawback suspensão, a competência do Decex e da fiscalização do RFB são distintas e complementares, conforme claramente explicitado nos preceitos normativos da Portaria MEFP 594/1992 e da Portaria Secex 25/2008. De acordo com os referidos atos normativos, a atividade do Decex limitase à concessão do regime e ao acompanhamento e a verificação do adimplemento do compromisso de exportar, conforme expressamente estabelecido no art. 512 da Portaria Secex 25/2008. A atividade de verificação do compromisso de exportar é feita com base nas informações eletrônicas prestadas pelo próprio beneficiário do regime no módulo específico de drawback no Siscomex (“Módulo Drawback Suspensão Web”). Porém, ao assim proceder, o beneficiário do regime fica dispensado da apresentação de documentos impressos, tanto na fase de habilitação, quanto na fase de comprovação das operações amparadas pelo regime. Porém, tais documentos deverão ser mantidos em poder do beneficiário do regime, para eventual verificação por parte do Docex (art. 125 da Portaria Secex 25/2008). E se as quantidades e os valores de importação e exportação compromissados forem idênticos aos valores das importações e exportações efetivamente realizadas dentro do prazo de validade do regime, automaticamente, o sistema emite a comprovação do adimplemento do respectivo ato concessório. Dessa forma, fica demonstrado que a atividade do Decex limita se a concessão do regime e, posteriormente, a verificação do adimplemento do compromisso de exportar, com base nas informações eletrônicas prestadas pelo próprio beneficiário do regime no Siscomex. Em razão da precariedade desse controle, que se limita a mera confrontação de informações prestadas pelo próprio beneficiário do regime, há no parágrafo único do art. 152 do da Portaria Secex 25/2008, expressa ressalva que, por Fl. 876DF CARF MF 12 estar sujeita a verificação posterior por parte da fiscalização da RFB, o Decex não fornece atestado de adimplemento do regime. Nesse sentido, confira a redação do citado preceito normativo, que segue transcrito: [...] De acordo com o citado comando normativo, é da RFB a competência para fiscalizar o regular cumprimento dos requisitos e condições do regime drawback suspensão, com a finalidade de verificar o adimplemento das obrigações assumidas no ato de concessão do regime, em especial, o compromisso de exportação, bem como o cumprimento das demais condições e requisitos estabelecidos na legislação, especialmente, o requisito da vinculação física entre insumo importado e produto exportado. Em suma, com base no teor dos citados atos normativos, infere se que a atuação dos dois órgãos ocorre em momentos distintos e de forma complementar. À Secex compete a concessão, acompanhamento e verificação do compromisso de exportação. Logo, ela atua na fase anterior, durante e após a vigência do regime. Enquanto que à RFB compete a aplicação e a fiscalização do cumprimento dos requisitos e condições estabelecidos no ato concessório e na legislação. Portanto, ela atua durante o regime (na fase de despacho aduaneiro, ao reconhecer a suspensão dos tributos) e após o término do regime (normalmente, após o Decex pronunciarse sobre o adimplemento total ou parcial do compromisso de exportação), quando procede a fiscalização do cumprimento dos compromissos de importações e exportações vinculadas ao regime, quando, se confirmado o integral cumprimento, a suspensão dos tributos convertese em isenção; de outra parte, se comprovado o inadimplemento total ou parcial do regime, o procedese o lançamento dos tributos devidos, com os acréscimos legais devidos." Afastada a discussão quanto a legalidade da decisão que cancelou o Ato Concessório de DrawBack, com efeito "ex tunc", não resta outro caminho que não seja a exigência dos tributos suspensos com as penalidades pertinentes. Considerando a posição adotada neste voto da impossibilidade deste colegiado se manifestar quanto ao cancelamento do Ato Concessório, resta prejudicado os demais argumentos constantes do recurso. Diante do exposto, voto no sentido de conhecer em parte o recurso e na parte conhecida negar provimento. Winderley Morais Pereira Fl. 877DF CARF MF Processo nº 10680.720611/200702 Acórdão n.º 3301005.216 S3C3T1 Fl. 8 13 Fl. 878DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10875.002069/2005-55
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2000, 2001
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. DCTF.
A entrega extemporânea da Declaração de Débitos e Créditos Tributários (DCTF), do 4.º Trimestre de 2000 e dos respectivos trimestres do ano-calendário de 2001, isto é, após o prazo previsto pela legislação tributária, sujeita a contribuinte à incidência da multa correspondente.
FATO IMPEDITIVO. ÔNUS DA PROVA. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
Incumbe a quem alega fato impeditivo, na forma definida pela legislação, o ônus de provar a sua ocorrência. Não sendo comprovada a adesão ao SIMPLES no 4.º Trimestre de 2000, tampouco no ano-calendário 2001, há que se manter a sanção pecuniária por ausência de entrega da DCTF dos respectivos períodos. No Processo Administrativo Fiscal, em sede de litígio, é dever do contribuinte demonstrar, com documentos hábeis e idôneos, a sua efetiva situação.
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 1002-000.351
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonam Rocha de Medeiros - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: LEONAM ROCHA DE MEDEIROS
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2000, 2001 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. DCTF. A entrega extemporânea da Declaração de Débitos e Créditos Tributários (DCTF), do 4.º Trimestre de 2000 e dos respectivos trimestres do ano-calendário de 2001, isto é, após o prazo previsto pela legislação tributária, sujeita a contribuinte à incidência da multa correspondente. FATO IMPEDITIVO. ÔNUS DA PROVA. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Incumbe a quem alega fato impeditivo, na forma definida pela legislação, o ônus de provar a sua ocorrência. Não sendo comprovada a adesão ao SIMPLES no 4.º Trimestre de 2000, tampouco no ano-calendário 2001, há que se manter a sanção pecuniária por ausência de entrega da DCTF dos respectivos períodos. No Processo Administrativo Fiscal, em sede de litígio, é dever do contribuinte demonstrar, com documentos hábeis e idôneos, a sua efetiva situação. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido
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DCTF. A entrega extemporânea da Declaração de Débitos e Créditos Tributários (DCTF), do 4.º Trimestre de 2000 e dos respectivos trimestres do ano calendário de 2001, isto é, após o prazo previsto pela legislação tributária, sujeita a contribuinte à incidência da multa correspondente. FATO IMPEDITIVO. ÔNUS DA PROVA. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Incumbe a quem alega fato impeditivo, na forma definida pela legislação, o ônus de provar a sua ocorrência. Não sendo comprovada a adesão ao SIMPLES no 4.º Trimestre de 2000, tampouco no anocalendário 2001, há que se manter a sanção pecuniária por ausência de entrega da DCTF dos respectivos períodos. No Processo Administrativo Fiscal, em sede de litígio, é dever do contribuinte demonstrar, com documentos hábeis e idôneos, a sua efetiva situação. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 00 20 69 /2 00 5- 55 Fl. 142DF CARF MF Processo nº 10875.002069/200555 Acórdão n.º 1002000.351 S1C0T2 Fl. 143 2 (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros. Relatório Cuidase, o caso versando, de Recurso Voluntário (efl. 110) ― autorizado nos termos do art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, interposto com efeito suspensivo e devolutivo ―, protocolado pela recorrente, indicada no preâmbulo, devidamente qualificada nos fólios processuais, relativo ao inconformismo com a decisão de primeira instância (efls. 88/92), datada de 10/04/2007, consubstanciada no Acórdão n.º 0517.117, da 1.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas/SP (DRJ/CPS), que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte o lançamento efetivado pela fiscalização da administração fazendária decorrente da aplicação de multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) do 1.º, 2.º, 3.º e 4.º Trimestres do Ano Calendário 2000 (efl. 06) e do 1.º, 2.º, 3.º e 4.º Trimestres do Ano Calendário 2001 (efl. 32), acolhendo em parte a impugnação apresentada pela recorrente (efl. 04), tendo sido assim ementada a decisão vergastada: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS ANO CALENDÁRIO: 2000, 2001 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. APRESENTAÇÃO DA DCTF. CUMPRIMENTO EXTEMPORÂNEO. PENALIDADE. O cumprimento da obrigação acessória apresentação de DCTF fora dos prazos previstos na legislação tributária, sujeita o infrator as penalidades legais. Lançamento Procedente em Parte. Os autos de infrações em espécie foram lavrados em 10/06/2005, na DRF Guarulhos, por Auditor Fiscal da Receita Federal, sumariando o seguinte contexto e enquadramento para aduzida infração à legislação tributária e respectivo demonstrativo do crédito tributário: Descrição dos fatos: A entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) fora do prazo fixado na legislação enseja a aplicação de multa correspondente a (...). Em caso de inatividade [de débito e crédito tributário a declarar] no trimestre aplicase a multa mínima de RS 200,00. Fundamentação: Art. 113, § 3.º e 160 da Lei n.º 5.172, de 26/10/66 (CTN); art. 2.º e 6.º da Instrução Normativa SRF n.º 126, de 30/10/98 combinado com item I da Portaria MF n.º 118/84, art. 5.º do DL 2124/84 e art. 7.º da Lei n.º 10.426, de 24/04/2002. Demonstrativo: Fl. 143DF CARF MF Processo nº 10875.002069/200555 Acórdão n.º 1002000.351 S1C0T2 Fl. 144 3 1.º Trimestre/2000, Multa Mínima R$200,00 2.º Trimestre/2000, Multa Mínima R$200,00 3.º Trimestre/2000, Multa Mínima R$200,00 4.º Trimestre/2000, Multa Mínima R$200,00 1.º Trimestre/2001, Multa Mínima R$200,00 2.º Trimestre/2001, Multa Mínima R$200,00 3.º Trimestre/2001, Multa Mínima R$200,00 4.º Trimestre/2001, Multa Mínima R$200,00 A impugnação instaurou a fase litigiosa do procedimento alegando a recorrente, em síntese, que era empresa do SIMPLES e, também, por não ter sido notificada de tal ocorrência. A decisão recorrida ponderou que, conforme "Consulta Situação Optantes pelo Simples" (efl. 92), a adesão se deu a partir de 01/01/2005, portanto, sob esse ótica, estaria a recorrente obrigada a apresentar as DCTF do anocalendário 2000 e anocalendário 2001. Entretanto, ponderou que as provas de efls. 72/78 dos autos, demonstravam inexistir movimento até outubro/2000 (1.º, 2.º e 3.º trimestres de 2000), havendo inatividade nesta época, a dispensar a apresentação da DCTF, mas, quanto ao anocalendário 2001 e 4.º trimestre de 2000, não verificou a mesma situação, especialmente porque se observa receita bruta em todos os meses do anocalendário de 2001, conforme PJSimples 2002 (efls. 80/86), pelo que exigiu a DCTF dos períodos por último referidos, julgando parcialmente procedente a autuação. O recurso voluntário, inconformado com a decisão a quo, reiterou os termos da impugnação, contraargumentou que estaria reivindicando, em paralelo, sua inclusão no SIMPLES, com data retroativa à sua constituição. Os autos foram encaminhados para este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), sendo, posteriormente, distribuído para este relator. Em primeira análise, este Relator resolveu baixar o processo em diligência, conforme Resolução n.º 1002000.008, desta 2.ª Turma Extraordinária (efls. 124/127), objetivando que a Unidade de Origem informase acerca da sistemática de tributação definitivamente pacificada, referente ao anocalendário 2000 e 2001, considerando que numa análise, sem outros elementos, o extrato colacionado nos autos (efl. 46) e as razões de decidir da DRJ (alicerçada no documento de efl. 70) possuíam sentidos diametralmente opostos, gerando dúvidas para a conclusão firme do feito acerca de ser, ou não, a contribuinte do Simples, nos anos calendários 2000 e 2001. Em Relatório de Diligência (efls. 133/134) a Unidade Preparadora prestou seus esclarecimentos, após consultar os sistemas informatizados da RFB, obtendo a informação definitiva quanto ao regime daqueles anos calendário, concluindo que "o sujeito passivo não era optante do Simples Federal nos anos calendários de 2000 e 2001". Cientificado do conteúdo do relatório de diligência (efl. 135), em 03/05/2018 (efl. 138), não consta dos autos que o contribuinte tenha apresentado contrarrazões, sendo os autos despachado para encaminhamento para esta relatoria em 06/06/2018 (efls. 139). Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10875.002069/200555 Acórdão n.º 1002000.351 S1C0T2 Fl. 145 4 É o que importa relatar. Passo a devida fundamentação analisando os juízos de admissibilidade e de mérito para, posteriormente, finalizar em dispositivo. Voto Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros, Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade intrínsecos, uma vez que é cabível, há interesse recursal, a recorrente detém legitimidade e inexiste fato impeditivo, modificativo ou extintivo do poder de recorrer. Outrossim, atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos, pois há regularidade formal (efls. 110/112), inclusive estando adequada a representação processual, e apresentase tempestivo (intimação em 20/06/2007, quartafeira, efl. 108, e protocolo em 18/07/2007, efl. 110, tudo conforme efl. 116), tendo respeitado o trintídio legal, na forma exigida no art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal. Demais disto, observo a plena competência deste Colegiado, na forma do art. 23B, do Regimento Interno do CARF, com redação da Portaria MF n.º 329, de 2017. Portanto, conheço do Recurso Voluntário. Mérito Quanto ao juízo de mérito do recurso voluntário no ponto em que foi sucumbente quanto a decisão da DRJ, não assiste razão a recorrente. É que não se desincumbiu do ônus probatório de demonstrar situação apta a dispensa de apresentação da DCTF no anocalendário 2001 e no 4.º trimestre de 2000. Mantémse, no entanto, a decisão da DRJ no ponto que afastou a obrigatoriedade no 1.º, 2.º e 3.º trimestres de 2000 por inatividade, inclusive por não ser objeto do recurso, inexistindo recurso de ofício neste ponto. Realmente, para o anocalendário 2001 e 4.º trimestre do anocalendário 2000, a contribuinte não prova, nem demonstra situação de dispensa de entrega da DCTF respectiva. Demais disto, não comprova adesão ao SIMPLES para o respectivo referido período, limitase a ponderar que estaria vindicando sua inclusão retroativa ao regime especial, não comprovando qualquer adesão para a época. Além disto, em Relatório de Diligência (efls. 133/134) a Unidade Preparadora prestou os seguintes esclarecimentos após consultas aos sistemas informatizados da RFB, acerca dos quais, apesar de intimado, o contribuinte não apresentou contrarrazões: Os pedidos de inclusão na sistemática do Simples Federal com data retroativa eram controlados através de processos administrativos. Em consulta aos processos formalizados pelo contribuinte em epígrafe, não localizamos processo que trate de tal assunto. O contribuinte consta como interessado apenas nos processos 10875.002069/2005 Fl. 145DF CARF MF Processo nº 10875.002069/200555 Acórdão n.º 1002000.351 S1C0T2 Fl. 146 5 55 e 10875.002070/200580, os quais são objeto da presente diligência; O documento juntado à folha 22 [efl. 46] é uma consulta às declarações entregues pelo contribuinte no período de 1999 a 2005, no qual pode ser observado que as declarações dos exercícios de 2000 e 2001 foram entregues pela sistemática do Simples, contudo, a entrega destas declarações não caracterizava a opção pela sistemática do Simples, a qual deveria ser formalizada através do Termo de Opção pelo Simples. O documento juntado à folha 34 [efl. 70] é uma consulta da situação dos optantes pelo Simples, efetuada em 04/04/2007, na qual consta a informação de que o interessado foi optante pela sistemática do Simples Federal a partir de 01/01/2005; e Em consulta ao cadastro CNPJ, constatamos que não há eventos referentes à inclusão na sistemática do Simples por decisão administrativa, registrados através do código 319, que indicariam a inclusão com data retroativa. Há registro apenas do código 301, utilizado para registrar a inclusão no Simples Federal por opção da empresa a partir de 01/01/2005, tal como registrado na consulta anexada à folha 34 [efl. 70]. Portanto, podemos concluir que o sujeito passivo não era optante do Simples Federal nos anos calendários de 2000 e 2001, restando propor que o contribuinte seja cientificado do inteiro teor do presente relatório a fim de que, se assim o desejar, apresente suas contrarrazões, e posteriormente o processo seja encaminhado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para prosseguimento do contencioso fiscal. Importa acrescentar que a ninguém é permitido deixar de cumprir as normas legais alegando que não as conhece, consoante se extrai do art. 3.º da Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro, constante do DecretoLei n.º 4.657, de 4 de setembro de 1942. Dito isto, importa anotar que a IN SRF 126 exigia a entrega quando houvesse movimento, prevendo a dispensa apenas quando não se verificasse qualquer movimento. Pois bem, como informado, consta da prova carreada aos autos que houve movimento na escrituração da recorrente para o anocalendário 2001 e 4.º trimestre do ano calendário 2000. Neste contexto, o fundamento de validade constante do auto de infração (Art. 113, § 3.º e 160 da Lei n.º 5.172, de 26/10/66 CTN; art. 2.º e 6.º da Instrução Normativa SRF n.º 126, de 30/10/98 combinado com item I da Portaria MF n.º 118/84, art. 5.º do DL 2.124/84), para o anocalendário 2001 e 4.º trimestre do anocalendário 2000, apresentase adequado e pertinente ao caso em comento. O controle de legalidade do ato administrativo de lançamento, ora exercido por força da devolutividade recursal, aponta, em nossa análise, a correta aplicação do direito, não havendo reparos a serem efetivados, no que se refere ao anocalendário 2001 e 4.º trimestre do anocalendário 2000. Somese a isto, o enunciado do art. 7.º da Fl. 146DF CARF MF Processo nº 10875.002069/200555 Acórdão n.º 1002000.351 S1C0T2 Fl. 147 6 Medida Provisória n.º 16, de 27 de dezembro de 2001, convertido no art. 7.º da Lei n.º 10.426, de 24 de abril de 2002. Deveras, a Instrução Normativa SRF n.º 126, de 30 de outubro de 1998, com fundamento de validade no art. 34, § 5.º, do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias da Constituição da República Federativa do Brasil, de 1988, combinado com o art. 5.º, caput e § 3.º, do Decretolei n.º 2.124, de 13 de junho de 1984, e com a Portaria MF n.º 118, de 28 de junho de 1984, trouxe o seguinte conjunto de enunciados: Art. 1.º Fica instituída a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF. Art. 2.º A partir do anocalendário de 1999, as pessoas jurídicas, inclusive as equiparadas, deverão apresentar, trimestralmente, a DCTF, de forma centralizada, pela matriz. § 1.º Para efeito do disposto nesta Instrução Normativa, serão considerados os trimestres encerrados, respectivamente, em 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro de cada anocalendário. (...) Art. 3.º Estão dispensadas da apresentação da DCTF, ressalvado o disposto no parágrafo único deste artigo: (...) III as pessoas jurídicas inativas, assim consideradas as que não realizaram qualquer atividade operacional, não operacional, financeira ou patrimonial, conforme disposto no art. 4.º da Instrução Normativa SRF n.º 28, de 05 de março de 1998; (...) Art. 6.º A falta de entrega da DCTF ou a sua entrega após os prazos referidos no art. 2.º, sujeitará a pessoa jurídica ao pagamento da multa (...). (...) § 2.º As multas de que trata este artigo serão exigidas de ofício. Constróise, a partir do texto acima transcrito, a norma jurídica instituidora do dever instrumental de entregar declaração, a instituidora da regramatriz sancionadora da violação deste dever instrumental e a instituidora da regramatriz da lavratura da autuação. Estas, em conjunto, atuando sistemicamente, regulam, de modo objetivo e transpessoal, as condutas intersubjetivas, via modal deôntico Obrigatório, no sentido de que, uma vez descumprida a obrigação de dar/entregar, a qual estava obrigado a contribuinte, impõese a autoridade lançadora o dever de constituir a relação jurídica que impõe a obrigação de pagar a multa. Se havia o dever jurídico de adimplir a obrigação de entregar a DCTF, no prazo estabelecido, descumprido o comando normativo, surge para a administração tributária o direito subjetivo de exigir o adimplemento da multa, sendo, em verdade, o agente competente obrigado a proceder com o lançamento, sob pena de violar a norma enunciada no parágrafo único do art. 142 do Código Tributário Nacional (CTN). Se é verdade que a administração tributária não pode cobrar mais do que lhe é efetivamente devido, também não pode cobrar menos do que lhe é ordenado exigir em atividade vinculada e obrigatória de lançamento. No caso em comento, observo a atuação Fl. 147DF CARF MF Processo nº 10875.002069/200555 Acórdão n.º 1002000.351 S1C0T2 Fl. 148 7 dentro dos padrões delineados pelo campo da legalidade, para o anocalendário 2001 e 4.º trimestre do anocalendário 2000. Somese a isto o fato de que a análise deve seguir o critério objetivo, não sendo necessário perquirir sobre a existência de eventuais prejuízos pela não entrega da declaração. A sanção quedase alheia à vontade do contribuinte ou ao eventual prejuízo derivado da inobservância das regras de cumprimento do dever instrumental. A responsabilidade no campo tributário independe da intenção do agente ou do responsável, bem como da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, conforme estabelece expressamente o art. 136 do CTN. Destaco, outrossim, que a própria natureza da obrigação acessória representa um viés autônomo do tributo. Nessa trilha, quando se descumpre a indigitada obrigação, exsurge a possibilidade da constituição de um direito autônomo à cobrança, pois pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal, relativamente à penalidade pecuniária (art. 113, § 3°, do CTN). Isto porque, o art. 113 do CTN ao enunciar que “a obrigação tributária é principal ou acessória” estabeleceu que, para fins de cobrança, o direito de exigir o pagamento de tributo ou o direito de exigir o adimplemento em pecúnia do valor equivalente a multa imposta por descumprimento de dever instrumental devem ser tratados de igual maneira para todos os fins de exigibilidade. A importância do cumprimento do dever instrumental devese a necessidade de transportar para o mundo jurídico, via linguagem competente, elementos enriquecedores para que seja possível a instauração da pretensão tributária, principalmente facilitando o estabelecimento de “fatos jurídicos”, após o relato dos eventos em linguagem competente. Aliás, este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), analisando caso semelhante, já decidiu no mesmo sentido. Peço vênia para transcrever a ementa, verbo ad verbum: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2001 DCTF. ENTREGA EXTEMPORÂNEA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. MULTA PECUNIÁRIA. O retardamento da entrega de DCTF constitui mera infração formal. Não sendo a entrega serôdia infração de natureza tributária, e sim infração formal por descumprimento de obrigação acessória autônoma, não abarcada pelo instituto da denúncia espontânea, é legal a aplicação da multa pelo atraso de apresentação da DCTF. As denominadas obrigações acessórias autônomas são normas necessárias ao exercício da atividade administrativa fiscalizadora do tributo, sem apresentar qualquer laço com os efeitos do fato gerador do tributo. A multa aplicada decorre do exercício do poder de polícia de que dispõe a Administração Pública, pois o contribuinte desidioso compromete o desempenho do fisco na medida em que cria dificuldades na fase de homologação do tributo. Fl. 148DF CARF MF Processo nº 10875.002069/200555 Acórdão n.º 1002000.351 S1C0T2 Fl. 149 8 EMPRESA INATIVA. APRESENTAÇÃO DE DCTF. CONDIÇÃO DE DISPENSA NÃO ATENDIDA. (...) ÔNUS DA PROVA. Para elidir o fato constitutivo do direito do fisco, incumbe ao sujeito passivo o ônus probatório da existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo. (CARF, Recurso Voluntário, Acórdão 1802001.539 2ª Turma Especial, Rel. Conselheiro Nelso Kichel, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 06/02/2013) Valhome aqui, de igual modo, dos precedentes desta 2.ª Turma Extraordinária, desta Primeira Seção de Julgamentos do CARF, que nos Acórdãos ns. 1002000.006, 1002000.007, 1002000.009, 1002000.010, 1002000.011, 1002000.012, 1002000.013 e 1002000.016 seguiram a tese de que a entrega extemporânea da DCTF enseja a aplicação de multa. Neste ponto, ressalto que a recorrente não atendeu às condições para dispensa de apresentação de DCTF, para o anocalendário 2001 e 4.º trimestre do anocalendário 2000, pois manteve movimentação em sua escrita fiscal. Por conseguinte, não conseguiu se desincumbir do ônus probatório que lhe competia de demonstrar a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito da administração tributária de lhe exigir a entrega da declaração, a tempo e modo, sob pena de sanção, para o anocalendário 2001 e 4.º trimestre do anocalendário 2000. Demais disto, observo que o Superior Tribunal de Justiça possui precedente acerca da legalidade da exigibilidade da multa por descumprimento do dever instrumental de entregar declaração, vejase: TRIBUTÁRIO. MULTA PELO DESCUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. AUSÊNCIA DE ENTREGA DE DCTF. ARTIGO 11, §§ 1º e 3º, DO DECRETOLEI 1.968/82 (REDAÇÃO DADA PELO DECRETOLEI 2.065/83). 1. A multa pelo descumprimento do dever instrumental de entrega de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF regese pelo disposto no § 3º, do artigo 11, do DecretoLei 1.968/82 (redação dada pelo DecretoLei 2.065/83), verbis: "Art. 11. A pessoa física ou jurídica é obrigada a informar à Secretaria da Receita Federal os rendimentos que, por si ou como representante de terceiros, pagar ou creditar no ano anterior, bem como o Imposto de Renda que tenha retido. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.065, de 1983). § 1º A informação deve ser prestada nos prazos fixados e em formulário padronizado aprovado pela Secretaria da Receita Federal. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.065, de 1983). § 2º Será aplicada multa de valor equivalente ao de uma OTRN para cada grupo de cinco informações inexatas, incompletas ou omitidas, apuradas nos formulários entregues em cada período determinado. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.065, de 1983). § 3º Se o formulário padronizado (§ 1º) for apresentado após o período determinado, será aplicada multa de 10 Fl. 149DF CARF MF Processo nº 10875.002069/200555 Acórdão n.º 1002000.351 S1C0T2 Fl. 150 9 ORTN, ao mêscalendário ou fração, independentemente da sanção prevista no parágrafo anterior. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.065, de 1983). § 4º Apresentado o formulário, ou a informação, fora de prazo, mas antes de qualquer procedimento ex officio, ou se, após a intimação, houver a apresentação dentro do prazo nesta fixado, as multas cabíveis serão reduzidas à metade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.065, de 1983)." 2. Deveras, o artigo 11, do DecretoLei 1.968/82, instituiu o dever instrumental do contribuinte (pessoa física ou jurídica) da entrega de informações, à Secretaria da Receita Federal, sobre os rendimentos pagos ou creditados no ano anterior e o imposto de renda porventura retido (caput). 3. As aludidas informações são prestadas por meio de formulário padronizado, sendo certo que a Instrução Normativa SRF nº 126/1998 instituiu a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF a ser apresentada pelas pessoas jurídicas. 4. O inadimplemento da obrigação de entrega da DCTF, no prazo estipulado, importa na aplicação de multa de 10 ORTN's (§ 3º, do artigo 11, do DL 1.968/82), independentemente da sanção prevista no § 2º (multa de 1 ORTN para cada grupo de cinco informações inexatas, incompletas ou omitidas, apuradas em cada DCTF). 5. Conseqüentemente, revelase escorreita a penalidade aplicada para cada declaração apresentada extemporaneamente. 6. Recurso especial desprovido. (REsp 1081395/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 02/06/2009, DJe 06/08/2009) Pela oportunidade, destaco que a Doutrina se posiciona no seguinte sentido acerca das infrações às normas instrumentais enunciadas na legislação tributária, chegando a apontar a sua importância para a sistemática da administração tributária: Professor Paulo de Barros Carvalho1: O antecedente da regra sancionatória descreve fato ilícito qualificado pelo descumprimento de um dever estipulado no consequente da regramatriz de incidência. É a não prestação do objeto da relação jurídica. Essa conduta é tida como antijurídica, por transgredir o mandamento prescrito, e recebe um nome de ilícito ou infração tributária. Atrelada ao antecedente ou suposto da norma sancionadora está a relação deôntica, vinculando, abstratamente, o autor da conduta ilícita ao titular do direito violado. No caso das penalidades pecuniárias ou multas fiscais, o liame também é de natureza obrigacional, uma vez que tem substrato econômico, denominase relação jurídica sancionatória e o pagamento da quantia estabelecida é promovida a título de sanção. 1 CARVALHO, Paulo de Barros Curso de Direito Tributário, São Paulo: Saraiva, 1999, p. 465 e 466. Fl. 150DF CARF MF Processo nº 10875.002069/200555 Acórdão n.º 1002000.351 S1C0T2 Fl. 151 10 Professor Sacha Calmon Navarro2: Podemos, então, sem medo de errar, afirmar que a infração fiscal configurase pelo simples descumprimento dos deveres tributários de dar, fazer e não fazer, previstos na legislação. Esta a sua característica básica. (...) É preciso ver que a sanção, em Direito Tributário, cumpre relevante papel educativo. Noutras palavras, provoca na comunidade dos obrigados a necessidade de inteirarse dos deveres e direitos defluentes da lei fiscal, certo que o erro ou a ignorância possuem total desvalia como excludente de responsabilidade, ... Por fim, entendo que o dever instrumental é necessário ao controle das atividades estatais de arrecadação no livre mercado, perfectibilizando as exigências das leis tributárias, sendo o direito aplicado de igual modo para todos. A multa nasce a partir de uma conduta contrária à legislação tributária, conduta esta que pode ser evitada com uma boa governança tributária, logo é possível ficar livre da sanção fiscal, caso siga o caminho regulamentar, dirigindo sua atuação conforme a disciplina normativa correta e atuando com o dever de ofício que lhe impõe a lei. Vale dizer, o contribuinte só eventualmente é onerado pela multa e isto se deve as suas escolhas, a sua governança tributária, considerando que não há punição sem culpa, decorrente de um agir ou de uma omissão quando estava obrigado ao exercício de uma conduta e não a executou. Por isso, no caso em apreço, o controle de legalidade se apresenta correto. Considerando o até aqui esposado e enfrentadas todas as questões necessárias para a decisão, entendo pela manutenção do julgamento da DRJ, a qual manteve a exigência para o anocalendário 2001 e 4.º trimestre do anocalendário 2000, apenas afastando da exigência, por inatividade no período, o 1.º, 2.º e 3.º trimestre do ano calendário 2000. Dispositivo Ante o exposto, de livre convicção, relatado, analisado e por mais o que dos autos constam, o meu voto é pelo conhecimento e desprovimento do recurso voluntário, mantendo o crédito tributário na forma delineada na decisão a quo que havia julgado parcialmente procedente o lançamento para afastar a exigência relativa ao 1.º, 2.º e 3.º trimestre do anocalendário 2000 e exigir a exação para o 4.º trimestre do ano calendário 2000 e para todos os trimestres (1.º, 2.º, 3.º e 4.º) do anocalendário 2001. É como Voto. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator 2 COÊLHO, Sacha Calmon Navarro. Teoria e prática das multas tributárias. 2ª ed. Rio de Janeiro, Forense. 2001, p.29. Fl. 151DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13884.904311/2010-73
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002
RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVO. AUSÊNCIA DE JUSTIFICATIVA. NÃO CONHECIMENTO.
Nos termos do art. 33 do Decreto 70.235/72, é de 30 dias a partir da ciência da decisão recorrida o prazo para apresentação de Recurso Voluntário, não se podendo conhecer de recurso apresentado fora do prazo legal.
Numero da decisão: 3302-005.758
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, por intempestividade.
(assinado digitalmente)
Fenelon Moscoso de Almeida - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Diego Weis Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fenelon Moscoso de Almeida (Presidente substituto), Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Jorge Lima Abud, Vinícius Guimarães (Suplente Convocado), José Renato Pereira de Deus, Raphael Madeira Abad, Walker Araújo, Diego Weis Junior. Ausente justificadamente o conselheiro Paulo Guilherme Déroulède.
Nome do relator: DIEGO WEIS JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVO. AUSÊNCIA DE JUSTIFICATIVA. NÃO CONHECIMENTO. Nos termos do art. 33 do Decreto 70.235/72, é de 30 dias a partir da ciência da decisão recorrida o prazo para apresentação de Recurso Voluntário, não se podendo conhecer de recurso apresentado fora do prazo legal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, por intempestividade. (assinado digitalmente) Fenelon Moscoso de Almeida - Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Diego Weis Junior - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fenelon Moscoso de Almeida (Presidente substituto), Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Jorge Lima Abud, Vinícius Guimarães (Suplente Convocado), José Renato Pereira de Deus, Raphael Madeira Abad, Walker Araújo, Diego Weis Junior. Ausente justificadamente o conselheiro Paulo Guilherme Déroulède.
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AUSÊNCIA DE JUSTIFICATIVA. NÃO CONHECIMENTO. Nos termos do art. 33 do Decreto 70.235/72, é de 30 dias a partir da ciência da decisão recorrida o prazo para apresentação de Recurso Voluntário, não se podendo conhecer de recurso apresentado fora do prazo legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, por intempestividade. (assinado digitalmente) Fenelon Moscoso de Almeida Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Diego Weis Junior Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fenelon Moscoso de Almeida (Presidente substituto), Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Jorge Lima Abud, Vinícius Guimarães (Suplente Convocado), José Renato Pereira de Deus, Raphael Madeira Abad, Walker Araújo, Diego Weis Junior. Ausente justificadamente o conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 90 43 11 /2 01 0- 73 Fl. 98DF CARF MF Processo nº 13884.904311/201073 Acórdão n.º 3302005.758 S3C3T2 Fl. 99 2 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto contra acórdão proferido pela 2ª Turma da DRJ/RPO assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 RESSARCIMENTO. DUPLICIDADE. Despacho Decisório que nega o ressarcimento de valores já ressarcidos, não se configura como ato que afete a segurança jurídica, nem tem o condão de, implicitamente, intimar o recolhimento do que já foi pago ao contribuinte. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. Na origem o contribuinte apresentou, em 30.03.2006, Pedido Eletrônico de Ressarcimento PER de suposto crédito de IPI relativo ao quarto trimestre de 2002. Em 05.10.2010 sobreveio Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição/ressarcimento apresentado, sob o fundamento de que houve glosas de créditos considerados indevidos, constatação de que o saldo credor passível de ressarcimento é inferior ao valor pleiteado e constatação de utilização integral ou parcial, na escrita fiscal, do saldo credor passível de ressarcimento em períodos subsequentes ao trimestre em referência, até a data de apresentação do PER. Foi apresentada Manifestação de Inconformidade onde o sujeito passivo alegou, em síntese: a) Por força do disposto na Lei nº 9.779/1999 e na Portaria nº 33/1999 a impetrante faz jus ao crédito de IPI decorrente de aquisições de produtos cuja saída é isenta, não tributada ou com alíquota zero relativos aos períodos compreendidos entre o 1ª Trimestre de 2002 ao 4º Trimestre de 2005; b) Impetrou Mandado de Segurança de nº2005.61.19.0072968, obtendo liminar para que os mencionados Pedidos Eletrônicos de Ressarcimento fossem apreciados; c) Em 18.04.2006, foi proferido, pela DRF Guarulhos, Despacho Decisório deferindo o pleito, tendo sido efetivada, em 16.06.2006, Ordem Bancária no valor de R$440.275,57; d) Que o valor objeto deste processo administrativo já fora ressarcido à Requerente pela Secretaria da Receita Federal do Brasil por meio de depósito bancário, não se podendo admitir que seja modificada uma decisão proferida Fl. 99DF CARF MF Processo nº 13884.904311/201073 Acórdão n.º 3302005.758 S3C3T2 Fl. 100 3 anteriormente e que já produziu efeitos, não se mostrando legal a vedação à restituição já deferida e efetuada anteriormente (sic); Em 26.05.2011 a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) considerou improcedente a manifestação de inconformidade em razão de que não consta no despacho decisório combatido qualquer declaração de nulidade de ato anterior e tão pouco pedido ou intimação para que o contribuinte devolva os valores já ressarcidos anteriormente. Aduz ainda o acórdão combatido que o Despacho Decisório tão somente negou novo ressarcimento daquilo que já foi ressarcido, conforme atesta o próprio manifestante, e que diante disso não como adotar decisão diversa, sob pena de ressarcimento em duplicidade. Cientificado em 14.06.2011 (terçafeira), o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 18.07.2011 (segundafeira), onde repete os mesmos argumentos e alegações da Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Diego Weis Junior, Relator. Muito embora o despacho de fl. 96 informe ser tempestivo o Recurso Voluntário, o AR de fl. 87 não deixa dúvidas sobre a ciência da decisão recorrida ter ocorrido em 14.06.2011, enquanto que o Recurso Voluntário (fls. 88 a 94) foi interposto somente em 18.07.2011, depois de transcorridos 34 (trinta e quatro) dias após o recebimento da correspondência registrada. O art. 33 do Decreto nº 70.235/1972 dispõe ser de 30 (trinta) dias, a partir da ciência da decisão recorrida, o prazo para a apresentação de recurso voluntário. Não há nos autos qualquer argumento ou prova que justifique o protocolo intempestivo do Recurso Voluntário. Diante do exposto, voto pelo não conhecimento do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Diego Weis Junior Relator Fl. 100DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.900790/2008-74
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/03/2003 a 31/03/2003
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO AO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA.
O direito a compensação demanda a comprovação do crédito pelo interessado. Alegações desprovidas de provas documentais resultam insuficientes para o deferimento do ato declarado.
Numero da decisão: 3401-005.182
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Cássio Schappo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: CASSIO SCHAPPO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/03/2003 a 31/03/2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO AO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. O direito a compensação demanda a comprovação do crédito pelo interessado. Alegações desprovidas de provas documentais resultam insuficientes para o deferimento do ato declarado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente. (assinado digitalmente) Cássio Schappo - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente).
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DIREITO AO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. O direito a compensação demanda a comprovação do crédito pelo interessado. Alegações desprovidas de provas documentais resultam insuficientes para o deferimento do ato declarado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 07 90 /2 00 8- 74 Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10865.900790/200874 Acórdão n.º 3401005.182 S3C4T1 Fl. 3 2 Tratam os autos de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 1ª Turma da DRJ/RPO, que não reconheceu o direito creditório, considerando improcedente a Manifestação de Inconformidade. Dos Fatos O Contribuinte buscou via PER/DCOMP nº 32326.23965.130504.1.3.04 9090 a compensação de débito de COFINS (cód.5856) do período de apuração 04/2004 com crédito de PIS/PASEP por recolhimento a maior que o devido, via DARF, do período de apuração 03/2003, arrecadado na data de 15/04/2003. Do Despacho Decisório A DRF LIMEIRA em apreciação ao pleito da contribuinte proferiu Despacho Decisório com data de emissão 20/05/2008 (efls.9), pela não homologação da compensação pretendida, em face de inexistência de crédito disponível, pois o valor do DARF discriminado na PER/DCOMP não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. Da Manifestação de Inconformidade Não satisfeito com a resposta, o interessado apresentou Manifestação de Inconformidade, justificando que: “Em janeiro de 2.003 houve um equivoco e aconteceu que a empresa recolheu a maior os valores do pis no período de dezembro de 2002 a dezembro de 2.003 e alguns pelo código indevido também ( 8109 — antigo) mas a Receita nos orientou a fazer o Redarf se viesse alguma cobrança apenas, pois a empresa optou pelo cálculo através do regime não cumulativo sobre receita bruta auferida”; anexou cópia dos DARFs que refletem o valor do crédito indicado na PER/DCOMP e diante desses fatos, elaborou e juntou planilha a seguir transcrita, acreditando no direito que lhe é conferido, comprovado a inexistência de má fé e demonstrada a insubsistência do despacho decisório, requer o deferimento de seu pleito. STEEL LOOP INDUSTRIAL DO BRASIL LTOA Saldo em 01/12/2002 Estoque: 0,65% de RS 574.328,40.............................................................................................. RS 3.733, 1 Mês/Ano 12/2002 Vendas R$ 144.543,59 Compras RS Saldo RS 72.799,26 PIS a Recolher R$ PIS Recolhido a Recuperar RS 1.183,78 01/2003 R$ 75.284,22 RS 71.120,90 RS 4.163,32 RS 68,69 R$ 1.243,01 R$ 1.174,32 02/2003 R$ 194.327,31 RS 142.238.41 RS 52.088,90 RS 859,47 R$ 3.206,40 R$ 2.346,93 03/2003 R$ 269.805,40 R$ 140.434, 12 RS 129.371,28 RS 2.134,63 RS 4.451,78 R$ 2.317,15 04/2003 RS 247.127,33 RS 167.687,22 RS 79.440, 11 RS 1.310,76 RS 4 077,60 RS 2.766,84 05/2003 RS 183.193,65 RS 141.965,71 RS 41.227,94 RS 680,26 RS 3.022,69 R$ 2.342,43 06/2003 RS 184.542,46 RS 180.365,51 RS 4.176,95 RS 68,92 R$ 3.044,95 R$ 2.976.03 07/2003 RS 115.829,07 RS 68.235,22 RS 47.593,85 RS 785,30 R$ 1.911,18 RS 1.125,88 08/2003 RS 80.982,53 RS 28.786,83 RS 52.195, 70 RS 861,23 R$ 1.336,22 RS 474,99 09/2003 RS 81.003,70 RS 38.669,64 RS 42.334,06 RS 698,51 RS 1.336,56 R$ 638,05 10/2003 RS 141.451,95 R$ 85.044,44 RS 56.407,51 RS 930,73 RS 2.333,96 R$ 1.403,23 11/2003 R$ 126.813,12 RS 87.247,01 RS 39.566. 11 RS 652,84 RS 2.092,42 RS 1.439,58 12/2003 R$ 120.042,52 RS 82.274,05 RS 37.768,47 RS 623,18 RS 1.980,70 RS 1.357,52 Total: R$ 1.964.946,85 R$ 1.305.813,39 R$ 659. 133,46 R$ 10.875,71 R$ 32.422,44 R$ 21.546,73 Do Julgamento de Primeiro Grau Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10865.900790/200874 Acórdão n.º 3401005.182 S3C4T1 Fl. 4 3 Encaminhado os autos à 1ª Turma da DRJ/RPO, esta julgou improcedente a manifestação de inconformidade, cujos fundamentos encontramse sintetizados na ementa assim elabora: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 15/04/2003 COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. A homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo demanda a comprovação da liquidez e certeza do crédito. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/04/2003 IMPUGNAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. As alegações apresentadas na impugnação devem vir acompanhadas das provas documentais correspondentes, sob risco de impedir sua apreciação pelo julgador administrativo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Do Recurso Voluntário O sujeito passivo ingressou tempestivamente com recurso voluntário (efls. 45 a 48) contra a decisão de primeiro grau, com o intuito de ver seu pedido atendido, limitandose a repisar os fatos e argumentos da manifestação de inconformidade, sem apresentar as provas pertinentes ao caso como bem observado pela autoridade julgadora de primeiro grau. Dandose prosseguimento ao feito o presente processo foi objeto de sorteio e distribuição à minha relatoria. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Cássio Schappo O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. A questão que se discute teve início com a apresentação de PER/DCOMP declarando a compensação de débito de COFINS (cód. 5856) do período de apuração Abril/2004, com crédito por pagamento indevido ou a maior de PIS (vide efls.4): Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10865.900790/200874 Acórdão n.º 3401005.182 S3C4T1 Fl. 5 4 Pela inexistência nos Sistemas da Receita Federal dos dados do DARF indicado, a autoridade fiscal responsável emitiu Termo de Intimação (efls.7) para que o contribuinte comparecesse à Unidade da Secretaria da Receita Federal de sua jurisdição e apresentasse o(s) DARF(s) original(is) no prazo estipulado. Cientificado o contribuinte, da intimação, por “AR”, na data de 31/07/2006, não houve resposta, vindo, esse fato, ser esclarecido na manifestação de inconformidade com a juntada de cópia de dois DARFs (efls.15): P.A. Pagamento Código Valor R$ Multa Juros Total 1º 31/03/2003 15/04/2003 8109 1.753,73 ‐ ‐ 1.753,73 2º 31/03/2003 15/04/2003 6912 2.698,05 409,56 26,98 3.134,59 4.451,78 409,56 26,98 4.888,32 A Contribuinte alega com base na planilha acima reproduzida, que para o período de apuração 12/2002 a 12/2003, estaria sujeita ao recolhimento do PIS pelo regime não cumulativo na alíquota de 1,65% e por equívoco a empresa recolheu a respectiva contribuição, inclusive em alguns meses com o código 8109 (do regime cumulativo), sem levar em consideração, na apuração do valor devido, os créditos a que teria direito. Esse fato é que resultou no recolhimento indevido ou a maior, cuja diferença corresponde ao crédito que deu base à compensação realizada nas PER/DCOMP apresentadas. É de se destacar também, que o valor do PIS/PASEP apurado e declarado ao fisco é igual ao crédito vinculado, como pode ser observado pelas telas dos sistemas da Receita Federal do Brasil juntadas ao processo. O Auditor Fiscal da DRJ de Ribeirão Preto/SP, que conduziu o voto do acórdão recorrido, fez constar que: “para atestar a liquidez e certeza do crédito alegado, como a espécie demanda, deveria a interessada ter apresentado documentos contábeis/fiscais para a comprovação da ocorrência do indébito em foco. Contudo, a peça de contestação prendese em informar sobre alegado erro de apuração do tributo declarado em face da legislação regente, não trazendo qualquer documentação comprobatória sobre a efetiva base de cálculo da referida contribuição e também do indébito utilizado na declaração de compensação”. Ainda, do voto do acórdão recorrido, se extrai que a DCTF apresentada ao fisco, constante dos Sistemas da Secretaria da Receita Federal corresponde exatamente ao montante dos valores principais recolhidos por meio de DARF e o DACON – Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais, para o período de apuração 03/2003, também, reflete os mesmo valores declarados em DCTF. Portanto, foi oportunizado a contribuinte exercer o seu amplo poder de defesa, conforme direito prescrito na Lei do PAF, nº 9.430/1996 e nada foi feito na fase recursal, nenhum demonstrativo contábil/fiscal foi apresentado, como também, declarações Fl. 62DF CARF MF Processo nº 10865.900790/200874 Acórdão n.º 3401005.182 S3C4T1 Fl. 6 5 retificadoras (DACON e DCTF) ou mesmo a DIPJ, que resultasse em meio de prova a dar convencimento a uma melhor análise passível de atender a compensação requerida. Reflete, nesse caso, completo desinteresse da Recorrente de agir em favor de sua causa, quando repete em seu recurso as alegações anteriormente produzidas, sem se dar ao trabalho ou se empenhar na produção de provas básicas a dar suporte ao crédito relacionado com a compensação pretendida. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Fl. 63DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15586.000933/2008-04
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 11 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 2003, 2004, 2005, 2006
ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
Não se aprecia argüição de inconstitucionalidade de lei, no âmbito administrativo. Súmula CARF nº 02.
PROCEDIMENTO FISCAL REALIZADO E AUTO DE INFRAÇÃO LAVRADO POR AUDITOR-FISCAL DE JURISDIÇÃO ALHEIA AO DOMICÍLIO DO CONTRIBUINTE
A autoridade fiscal é competente para executar procedimento fiscal e lavrar auto de infração em contribuinte domiciliado fora de sua jurisdição, a teor do que dispõem os art. 9º, §2º do Decreto nº 70.235/72, e 1º da Lei nº 8748/93, reproduzido no art.904, §3º, do RIR/99.
CIÊNCIA POR VIA POSTAL
A ciência dos atos praticados pode ser obtida por via postal, com aviso de recebimento, nos termos do art. 23, II, do Decreto nº 70.235/72.
EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO. RECUSA EM PRESTAR INFORMAÇÕES BASEADA EM JUÍZO DE VALOR PESSOAL QUANTO AO PROCEDIMENTO FISCAL
O contribuinte tem o dever de prestar as informações requisitadas pela fiscalização, inclusive aquelas relativas à movimentação bancária, sendo somente aceita a recusa acaso devidamente justificada à autoridade requisitante, demonstrando o contribuinte que, por motivos alheios à sua vontade, não logra fornecer os documentos ordenados.
ARBITRAMENTO DO LUCRO - OFENSA AO ART. 148 DO CTN - INEXISTÊNCIA - O arbitramento do lucro não ofende o art. 148 do CTN, porquanto este dispositivo não regra o arbitramento do lucro, mas sim o
arbitramento do preço de bens, serviços ou atos jurídicos, base de cálculo do tributo, nos casos em que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações prestadas ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO JUSTIFICADA. PESSOAS
JURÍDICAS INTERPOSTAS, COM OBJETIVO DE SUPRIMIR RENDA TRIBUTÁVEL DO SUJEITO PASSIVO FISCALIZADO.
DESNECESSÁRIA CONFIGURAÇÃO DE GRUPO ECONÔMICO.
A tributação sobre os depósitos bancários de origem não comprovada de pessoas jurídicas interpostas prescinde da configuração de grupo econômico, bastando a demonstração do nexo entre o depósito e o real beneficiário.
Numero da decisão: 1302-000.406
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Matéria: IRPJ - AF - lucro arbitrado
Nome do relator: EDUARDO DE ANDRADE
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Não se aprecia argüição de inconstitucionalidade de lei, no âmbito administrativo. Súmula CARF nº 02. PROCEDIMENTO FISCAL REALIZADO E AUTO DE INFRAÇÃO LAVRADO POR AUDITOR-FISCAL DE JURISDIÇÃO ALHEIA AO DOMICÍLIO DO CONTRIBUINTE A autoridade fiscal é competente para executar procedimento fiscal e lavrar auto de infração em contribuinte domiciliado fora de sua jurisdição, a teor do que dispõem os art. 9º, §2º do Decreto nº 70.235/72, e 1º da Lei nº 8748/93, reproduzido no art.904, §3º, do RIR/99. CIÊNCIA POR VIA POSTAL A ciência dos atos praticados pode ser obtida por via postal, com aviso de recebimento, nos termos do art. 23, II, do Decreto nº 70.235/72. EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO. RECUSA EM PRESTAR INFORMAÇÕES BASEADA EM JUÍZO DE VALOR PESSOAL QUANTO AO PROCEDIMENTO FISCAL O contribuinte tem o dever de prestar as informações requisitadas pela fiscalização, inclusive aquelas relativas à movimentação bancária, sendo somente aceita a recusa acaso devidamente justificada à autoridade requisitante, demonstrando o contribuinte que, por motivos alheios à sua vontade, não logra fornecer os documentos ordenados. ARBITRAMENTO DO LUCRO - OFENSA AO ART. 148 DO CTN - INEXISTÊNCIA - O arbitramento do lucro não ofende o art. 148 do CTN, porquanto este dispositivo não regra o arbitramento do lucro, mas sim o arbitramento do preço de bens, serviços ou atos jurídicos, base de cálculo do tributo, nos casos em que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações Fl. 1DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2010 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 27/12/2010 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 30/12/2010 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 2 prestadas ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO JUSTIFICADA. PESSOAS JURÍDICAS INTERPOSTAS, COM OBJETIVO DE SUPRIMIR RENDA TRIBUTÁVEL DO SUJEITO PASSIVO FISCALIZADO. DESNECESSÁRIA CONFIGURAÇÃO DE GRUPO ECONÔMICO. A tributação sobre os depósitos bancários de origem não comprovada de pessoas jurídicas interpostas prescinde da configuração de grupo econômico, bastando a demonstração do nexo entre o depósito e o real beneficiário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) MARCOS RODRIGUES DE MELLO - Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO DE ANDRADE - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Rodrigues de Mello (presidente da turma), Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira (vice-presidente), Wilson Fernandes Guimarães, Daniel Salgueiro da Silva, Eduardo de Andrade e Guilherme Polastri Gomes da Silva. Relatório Por bem descrever os eventos ocorridos até o momento de seu relato, adoto o relatório produzido na DRJ. Questionam-se exigência de ofício do imposto de renda de pessoa jurídica, R$ 8.777.640,72, fls. 6.717; da CSLL, R$ 3.657.562,28, fls. 6774; do PIS, R$ 2.201.310,47, fls. 6740, e da COFINS, R$10.159.895,20, todos relativamente aos anos-calendário de 2003 a 2006, acrescidos de penalidade de ofício qualificada (150%) e juros moratórios SELIC; quanto ao IRPJ, a penalidade qualificada incide sobre o valor de R$ 8.223.199,77 e a multa de ofício (75%), incidente a diferença de IRPJ, R$ 544.440,95, apurada como a seguir demonstrado. 2.-Fundamentaram, materialmente, referidas exações depósitos bancários sem identificação de origem, efetuados em contas correntes das empresas WYZ, contribuinte, autuado, Comercial Cariacica de Alimentos Ltda. (CCA) e Empresa Industrial de Alimentos e EMPRAL - Empresa Fl. 2DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2010 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 27/12/2010 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 30/12/2010 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 15586.000933/2008-04 Acórdão n.º 1302-00.406 S1-C3T2 Fl. 7.437 3 Industrial de Alimentos Ltda., para os quais, intimadas, não comprovaram as origens dos créditos bancários em suas contas correntes. 2.1.-Em extenso e documentado Termo de Encerramento da Ação fiscal, de fls. 665/6716, concluiu a fiscalização tratarem-se as empresas, CCA e EMPRAL interpostas pessoas jurídicas da contribuinte autuada. 2.2.-Identificadas as contas bancárias das três empresas, fls. 6678/6679, as diferenças entre os depósitos bancários e os valores declarados como receitas pelas mesmas pessoas jurídicas foram consideradas omissão de receitas, conforme demonstrado às fls. 6687/6688. 2.3.-Esclarece a fiscalização que, por intermédio dessas contas foram realizados os pagamentos aos fornecedores da empresa autuada, liberação de crédito, liquidação de cobrança, operações de descontos e etc, assim como recebimentos de clientes, fls. 6768. 2.4-Embora a pessoa jurídica tenha optado pelo lucro real nos anos- calendário de 2003 a 2005 e pelo lucro presumido, no ano calendário de 2006, intimada e re-intimada, não apresentou quaisquer livros/documentos que respaldassem suas opções tributárias. 2.4.1.-Em conseqüência, a fiscalização arbitrou-lhe o lucro para aqueles anos calendário, considerando, como base de cálculo a receita omitida, antes reportada, fls. 6698/6701. 2.5.-Ainda em relação ao IRPJ, foram apuradas diferenças de tributo, R$ 554.440,95 (fls.6727/6728, 6730/6731 e 6733/6734), face à alteração da apuração de resultados - lucro arbitrado, promovida de ofício. Aplicada, sobre tais diferenças, a penalidade de ofício (75%). 2.6.-A receita omitida fundamentou, materialmente, a exigência reflexa da CSLL, fls. 6774/6789 e os lançamentos das contribuições relativas a COFINS, fls. 6757/6773, e ao PIS, fls. 6740/6756. 2.7.-Por fim, sobre o montante do lucro arbitrado, e dos valores da CSLL, do PIS e da COFINS, foi aplicada a penalidade de ofício qualificada (150%), aos fundamentos do artigo 71, I e II, ambos da Lei n° 4.502/64, dado o evidente intuito de fraude, utilização de interpostas pessoas, conforme resumo do Termo de Encerramento da Ação Fiscal, fls.6703/6707. 2.8.-Finalmente, com fundamento nos arts. 121, II, 128, 129 e 135, todos do CTN, a fiscalização declarou responsáveis solidários os proprietários e administradores da WYZ, JOSÉ AUGUSTO SIMÃO, JORGE LUZI SIMÃO, EDMILSON FIRME SIMÃO JÚNIOR E JOEL SIMÃO, em vista dos fatos apurados/documentados, sintetizados às fls. 6711/6712, a saber: - verdadeiros responsáveis pelos negócios efetuados em nome das empresas CCA e EMPRAL; - utilizavam os valores depositados nas contas-correntes dessas empresas de fachada para aquisição de bovinos para suas propriedades; Fl. 3DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2010 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 27/12/2010 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 30/12/2010 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 4 - em nome de interpostas pessoas movimentaram vultosas quantias da ordem de R$ 337 milhões correspondentes a operações do Frigorífico GV/PALOMA, atual WYZ. 3.-Cientificados das exigências, contribuinte e responsáveis solidários, por A.Rs. recebidos em 12.07.2008, fls. 6830/6840, em 08.08.2008 o sujeito passivo acostou aos autos a impugnação de fls. 6.843/6.893 e documentos de fls. 6975/7059, para alegar, em síntese: 1 - da incompetência da DRF Vitória para processar a fiscalização, visto o domicílio da impugnante se situar em São Paulo, não se sabendo porque a Receita Federal da 8ª. Região delegou competência à RFB em Vitória/ES para os procedimentos objetos destes autos, fls. 6846; no caso, a mudança de domicílio fez parte de estratégia para alavancar as vendas da impugnante em São Paulo e no Paraná, conforme documentos de fls.6.975/7.000; 2.- da ilegalidade e inconstitucionalidade da quebra do sigilo bancário para fins tributários, fls. 6857/6869; 3- da inexistência de solidariedade entre a autuada e as empresas CCA e EMPRAL, ante supostos responsáveis, sócios da autuada, pelos negócios daquelas empresas, inexistindo vínculos entre essas empresas, fls. 6869/6876; 4.- os abates que ocorriam nas dependências da impugnante traduziam prestação de serviços a terceiros, conforme documentos de fls. 7018/7020 e de fls, 7022/7048; 5. da inexistência de motivação fática para o arbitramento da base de cálculo; os documentos exigidos à requerente se encontravam em poder da Secretaria Estadual de Fazenda, conforme documento de fls. 7057; 6.- da impossibilidade de responsabilização dos sócios da empresa com fundamento no artigo 135 do CTN; 7.- da necessidade de impessoalidade das investigações ante a atividade vinculada do lançamento, fls. 6892/6896; 8.- da impossibilidade da realização de fiscalização sem a devida abertura de Mandado de Procedimento fiscal, fls. 6896/ 6902; 9.- da impossibilidade de depósitos bancários constituírem fato jurídico tributário; 10.- da inconstitucionalidade da Lei n° 9.718/98, mediante ampliação da base de cálculo da incidência, para efeitos da COFINS, fls.6907/6911; 11.- idem, do PIS, fls. 6911/6913; 12.- da inconstitucionalidade declarada pelo STF da aplicação de multa com efeito de confisco, fls. 6913/6920; 13- da necessidade de constituição do crédito tributário para ocorrência da ação penal. Falta de justa causa, fls.6920/6921. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2010 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 27/12/2010 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 30/12/2010 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 15586.000933/2008-04 Acórdão n.º 1302-00.406 S1-C3T2 Fl. 7.438 5 4.- Outrossim, em 08.08.2008, os sócios declarados responsáveis solidários da pessoa jurídica, exceto Joel Simão, que se manifesta através de seu inventariante, acostaram aos autos impugnação conjunta de fls. 7060/7093, protocolada, ao mesmo tempo, na DRF Vitória-ES e no CAC/Paulista/São Paulo-SP, através da qual alegam, também em síntese: 1.- da morte de Joel Simão em 2003, razão da não movimentação bancária em 2004 e 2005, conforme atestado de óbito, (Nota: não anexado aos autos); 2.- da inexistência de mandado de procedimentos fiscal contra os sócios da pessoa jurídica; 3.- da ausência de referências concretas à participação de Jorge Luiz Simão na movimentação de haveres das empresas CCA e EMPRAL; 3.- da inconstitucionalidade da investigação fiscal fundada em quebra do sigilo bancário dos investigados; 4.- da ilegalidade na investigação da movimentação financeira sob julgamento; 5.- da invalidade dos testemunhos colhidos; 6.- da existência da CCA, de seu sócios e da real natureza das operações realizados por José Augusto e Edmilson. 5.-Em 11.08.2008, as empresas EMPRAL - Empresa Industrial de alimentos Ltda. e CCA Comercial de Alimentos Ltda. protocolaram distintas, porém, idênticas impugnações ao às mesmas exigências, através das quais alegam, em síntese: 1.- das supostas omissões de receitas; 2.- da relação comercial das impugnantes com a autuada; 3.- do arbitramento do lucro; 4.- da qualificação da penalidade; 5.- da responsabilidade tributária; 6.- da suposta interposição fraudulenta; 7.- da inaplicabilidade das normas presuntivas; 8.- da suposta configuração de grupo econômico; 9- da necessidade de prova documental; 10- da violação dos limites formais e materiais para utilização das informações bancárias. 6.-Por fim, em 08.10.2008, endereçado à DRF São Paulo/SP, os responsáveis solidários se insurgem contra o Parecer SECAT DRF/VIT n° Fl. 5DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2010 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 27/12/2010 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 30/12/2010 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 6 334/22008, representação fiscal para alteração, de ofício, do domicílio fiscal da empresa autuada, bem como de seus sócios, passando-o de São Paulo para o Espírito Santo. A 2ª Turma da DRJ/RJO-I, em sessão de julgamento, decidiu, por unanimidade, julgar procedentes os autos de infração, acrescidos da penalidade de ofício qualificada (150%), e juros moratórios SELLIC, com supedâneo nos seguintes fundamentos: Preliminarmente, - examinou a essência das impugnações acostadas pela CCA e EMPRAL, embora ineptas e inaptas, porque não intimadas; - incabível o questionamento de inconstitucionalidade/ilegalidade de dispositivo legal; - a base de cálculo das exigências foi ancorada na receita omitida (art. 42 da Lei nº 9.430/96), adotando como base o art. 224 do RIR/99, e, portanto, não se justifica a alegação de inconstitucionalidade da Lei nº 9718/98; - o art. 44, II, da Lei nº 9430/96 não foi declarado inconstitucional; - nenhum dos impugnantes contestou a existência de depósitos bancários sem comprovação de origem. As considerações foram de ordem jurídica quanto aos procedimentos fiscais; - os poderes de atuação dos auditores-fiscais inclui a realização de diligências, a tomada a termo de declarações e diligências junto a terceiros, que se caracterizam como provas legais; - o início do procedimento fiscal, ao excluir a espontaneidade do sujeito passivo, atinge os demais envolvidos nas infrações, independentemente de intimações. No mérito, - o art. 128 do CTN fundamenta a responsabilidade dos terceiros. O Termo de Encerramento da Ação Fiscal evidencia serem os sócios, pessoas físicas, os verdadeiros resposáveis pelos negócios das empresas CCA e EMPRAL e WYZ (ex frigorífico GV Ltda), controlada por Cinco de Marco Participação e Negócios Ltda, de propriedade das pessoas físicas com responsabilidade solidária neste feito. Basta atentar que: a) a Sócia Joelita Gomes Ferreira é interposta pessoa na WYZ (fls. 6636/6637; 6500/6537); b) igualmente os sócios da CCA, fls. 6494/6510 e EMPRAL, fls. 6540, 6547/6550 e 6614/6618; c) os responsáveis solidários utilizavam valores depositados nas contas-correntes dessas empresas para aquisição de bovinos para suas propriedades, fls. 6526/6531; d) os proprietários da WYZ utilizaram as mesmas empresas unicamente para emitir notas fiscais de vendas dos produtos vendidos pela primeira, fls. 6513/6525; e) vultosos depósitos bancários efetuados em nome dessas empresas, sem receita declarada que os justificassem, movimentados por interpostas pessoas, fls. 6679/6687, 6656/6566, em benefício direto dos responsáveis solidários, fls. 6567/6612; f) nenhuma dessas documentadas constatações fiscais foi objeto de qualquer questionamento impugnatório. - o procedimento fiscal realizado por servidor competente e de jurisdição diversa do domicílio tributário do sujeito passivo é válido, previne a jurisdição e prorroga a competência da autoridade que dela primeiro conhecer (art. 9º, §§ 2º e 3º do Decreto Fl. 6DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2010 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 27/12/2010 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 30/12/2010 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 15586.000933/2008-04 Acórdão n.º 1302-00.406 S1-C3T2 Fl. 7.439 7 70.235/72). Além disso, a mudança de endereço para São Paulo foi demonstrada fraudulenta (fls.6646/6647). A ação fiscal iniciou-se em 09/07/2007 e a impugnante mudou o endereço em 21/08/2007, embora em 10/09/2007 a inscrição estadual, o CNPJ, as instalações industriais, administrativas e comerciais continuassem funcionando no endereço anterior. A DRF Bauru constatou existir no novo endereço social empresa distinta, com diferente ramo de atividade (fls. 6647). Não procede, também, a alegação de que a mudança se destinou a alavancar vendas em São Paulo e Paraná, pois os documentos anexados se referem ao ano-calendário de 2008 (a partir de junho), e os efeitos da mudança só teriam-se manifestado um ano após. Ressalte-se que a fiscalização obteve a devida autorização da Cofis para realizar o procedimento (fls. 6640/6641); - não há ilegalidade ou inconstitucionalidade na quebra do sigilo bancário, havendo previsão legal na Lei Complementar 105/01. Não foram quebrados os sigilos bancários dos responsáveis solidários, mas apenas das pessoas jurídicas; - Os documentos retidos pela Receita Estadual foram devolvidos ao contribuinte em 25/10/2007. Em 07/01/2008 foi pedida prorrogação do prazo para apresentação dos documentos, sendo concedido o prazo de 20 dias. Sucessivas reintimações não surtiram efeito. Além disso, os demais documentos e elementos solicitados (livros diário, razão, etc) não estavam em poder do fisco estadual, e também não foram apresentados. A alegação de abate sanitário de animais de terceiros não invalidam os fundamentos da autuação; - descabe alegação quanto à necessidade de MPF. O Termo de Início de Ação Fiscal foi encaminhado por via postal (fls. 6647); - depósitos bancários sem comprovação de origem presumem receita omitida (Lei 9430/96, art. 42); - a manipulação de pessoas, a distorção de fatos, o uso de subterfúgios no claro intuito de evadir-se do cumprimento de obrigação legal caracterizam hipótese de fraude, dolo ou simulação, autorizando a qualificação da multa; - no falecimento de um sócio, o inventariante responde pelos tributos devidos pelo espólio (art. 134, IV, CTN). No mais, não merecem acatamento as oposições à responsabilização; - a tributação, por reflexos, aplica-se à CSLL, não havendo elemento relevante; - comprovada a omissão de receita, impõe-se exigir também PIS e Cofins, autorizados pela presunção do art. 42 da Lei 9.430/96. Aplica-se, ainda, a mesma penalidade que gravou as exigências de IRPJ e CSLL, porque lastreadas nos mesmos fatos. Irresignado, o recorrente interpôs Recurso Voluntário a este Conselho, alegando, em síntese, que: Preliminarmente, - os autos são nulos porque lavrados por autoridade incompetente, a saber, pela DRF Vitória, quando o domicílio do contribuinte é São Paulo; Fl. 7DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2010 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 27/12/2010 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 30/12/2010 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 8 - a quebra de sigilo bancário é indevida, pois o contribuinte tinha o direito de não apresentar os documentos bancários. A autoridade caracterizou embaraço à fiscalização (art. 33 da Lei 9.430/96) fundado em exercício regular de direito de recusa. Quanto ao Mérito, - nunca houve controle de uma das sociedades responsabilizadas (a contribuinte YWZ, CCA e EMPRAL). Assim, não se caracteriza grupo econômico que os agentes supuseram existir. Os agentes fiscais se basearam em provas ilegais (depoimentos) e acuaram as testemunhas. Há violação aos princípios da razoabilidade e da legalidade; - Inexistiram motivos fáticos para o arbitramento do lucro. Os documentos requisitados existiam, mas estavam em poder do fisco estadual capixaba. O arbitramento não obedeceu aos requisitos do art. 148 do CTN; - a responsabilização dos sócios (art. 135, III, CTN) é indevida porque nunca foram intimados para se defender da responsabilidade, e nunca cometeram atos como excesso de poder ou falsificação documental; - a fiscalização foi iniciada sem Mandado de Procedimento Fiscal (violação ao art. 2º da Portaria SRF 4.066/2007 e art. 7º do Decreto 70.235/72), porque este foi enviado por AR. Além disso, a fiscalização decorreu de apurações anteriores na CCA e EMPRAL, daí o procedimento deveria ser realizado por MPF extensivo, havendo violação das normas internas da SRF; - as multas aplicadas são confiscatórias. Menciona a ADIN 551-1, julgada pelo STF, sobre penalidade pecuniária considerada confiscatória; - os agentes deveriam ter provado que os valores movimentados na conta da recorrente representam renda para que os pudessem tributar, preferindo utilizar presunções, caracterizando como matéria tributável a mera movimentação financeira. Não foi provada a utilização dos valores depositados como renda consumida, evidenciando sinais exteriores de riqueza; - os valores depositados não podem servir para constituição de crédito tributário relativo ao PIS e à Cofins, dada a inconstitucionalidade da Lei 9718/98; - o arrolamento de bens fere o art. 5º, LIV, da CF. José Augusto Simão, Jorge Luiz Simão, Edmilson Firme Simão Júnior, Espólio de Joel Simão, representado pelo inventariante, Edmilson Firme Simão Neto, que também interpuseram Recurso Voluntário, alegaram em síntese que: - a atribuição de responsabilidade aos recorrentes decorre de presunção da fiscalização que os considerou sócios e administradores reais da WYZ. Tal imputação não foi acompanhada das provas devidas que demonstrassem o dolo daqueles; - Joel Simões morreu em 2003, não podendo ser responsabilizado; - a fiscalização foi realizada sem Mandado de Procedimento Fiscal; - em nenhum momento do Termo de Encerramento de Ação Fiscal foi indicada a destinação direta de recursos das contas da CCA e EMPRAL para as pessoas físicas dos recorrentes Fl. 8DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2010 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 27/12/2010 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 30/12/2010 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 15586.000933/2008-04 Acórdão n.º 1302-00.406 S1-C3T2 Fl. 7.440 9 - Jorge Luiz Simão não foi mencionado nem uma única vez seja nos documentos, seja nos testemunhos, nem foi relacionado ao movimento financeiro das empresas CCA e EMPRAL; - a falta de MPF aberto para os recorrentes invalida os testemunhos utilizados para os responsabilizar. Além disso, os testemunhos são dirigidos. Afirma que haveria um acordo tácito entre os inquiridos e a fiscalização no sentido de autuar somente os recorrentes. Prova disso é que as pessoas apontadas como “laranjas” participaram da vida das empresas, autorizaram movimentações financeiras, assinaram cheques, enfim, realizaram diversos atos que os situam como participantes ativos em quaisquer fraudes eventualmente imputáveis à CCA e EMPRAL; - Edmilson e José Augusto são pecuaristas, e operam como intermediários de compra e venda de gado ou realizaram, para suas fazendas, compras de gado com cheques de terceiros, valendo frisar que tais fatos não os colocam como responsáveis pelas finanças da CCA e da EMPRAL, nem os faz figurar como responsáveis tributários pelos débitos delas; É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo de Andrade, Relator. O recurso de WYZ Comercial de Alimentos é tempestivo, e portanto, dele conheço. Conheço também o recurso de José Augusto Simão, Jorge Luiz Simão, Edmilson Firme Simão Júnior, Espólio de Joel Simão, representado pelo inventariante, Edmilson Firme Simão Neto, tempestivo, em homenagem ao art. 9º, II, da Lei nº 9784/99. Das Preliminares O recorrente se insurgiu contra parte da decisão da DRJ que não conheceu de matéria que questionava inconstitucionalidade de lei. Não lhe assiste razão neste ponto. Fl. 9DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2010 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 27/12/2010 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 30/12/2010 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 10 Ao julgador administrativo, membro de órgão de julgamento vinculado ao Poder Executivo, são impostas condições que não se aplicam aos membros do Poder Judiciário, as quais limitam sua esfera de cognição. Tal restrição não elimina a possibilidade de que, inconformado, deduza o contribuinte sua pretensão em juízo, assegurando-se da ubiqüidade constitucionalmente garantida ao Poder Judiciário pelo art. 5º, XXXV, da CF. O direito positivou tal restrição no art. 26-A da Lei nº 70.235/72, e, ademais, a matéria já se encontra sumulada, dadas as reiteradas e uniformes decisões tomadas pelo Colegiado no mesmo sentido, através da Súmula CARF nº 02, abaixo transcrita, a qual vincula todos os Conselheiros do Órgão, nos termos do art. 72 do Regimento Interno. Súmula CARFnº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. A autoridade fiscal é competente para executar procedimento fiscal e lavrar auto de infração em contribuinte domiciliado fora de sua jurisdição, a teor do que dispõem os art. 9º, §2º do Decreto nº 70.235/72, e art. 1º da Lei nº 8748/93, reproduzido no art.904, §3º, do RIR/99. No caso em tela, ressalte-se, que nem mesmo internamente há prejuízos ao controle administrativo dos atos, porquanto foi obtido a devida autorização da Cofis para a realização do procedimento. A ciência dos atos praticados pode ser obtida por via postal, com aviso de recebimento, nos termos do art. 23, II, do Decreto nº 70.235/72. O dispositivo se aplica ao envio de Mandado de Procedimento Fiscal, haja vista que é por meio deste documento que se dá conhecimento ao sujeito passivo que uma ação fiscal regular em seu desfavor foi iniciada. O contribuinte tem o dever de prestar as informações requisitadas pela fiscalização, inclusive aquelas relativas à movimentação bancária (art. 33, I, da Lei nº 9430/96, c/c art. 7º da Lei nº 2.354/54, reproduzido no parágrafo único do art. 919 do RIR/99), sendo somente aceita a recusa acaso devidamente justificada à autoridade requisitante, demonstrando o contribuinte que, por motivos alheios à sua vontade, não logra fornecer os documentos ordenados. Qualquer dúvida quanto à validade do procedimento pode ser questionada junto à autoridade ou a seus superiores hierárquicos, porém o juízo de valor referente à validade do procedimento não autoriza o contribuinte a subrogar-se no direito de não apresentar os documentos ou informações requisitados. Ao deliberadamente desobedecer a ordem fiscal, incorre na hipótese de embaraço à fiscalização. Desta forma, deve ser rechaçada a alegação de que por entender irregular o procedimento o recorrente detinha o direito de não apresentar as provas requisitadas pela fiscalização relativas à movimentação bancária. Além disso, a fiscalização demonstrou ter enviado o Mandado de Procedimento Fiscal ao contribuinte por via postal. Fl. 10DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2010 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 27/12/2010 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 30/12/2010 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 15586.000933/2008-04 Acórdão n.º 1302-00.406 S1-C3T2 Fl. 7.441 11 Desta forma, provada a ocorrência de embaraço, é de ser mantida a requisição de movimentação financeira às Instituições Financeiras, nos termos da Lei Complementar nº 105/01. Conforme bem observado no acórdão da DRJ (fls. 7274), O documento de fls. 7057 atesta que as pastas e livros em mãos da Secretaria de Estado da Fazenda se relacionavam a Notas Fiscais de entrada e de saída de mercadorias, livros de registros de entradas e de saídas, livro de apuração do ICMS e registro de inventário. Todos devolvidos ao contribuinte em 25.10.2007 Em 07.01.08 foi pedido prorrogação do prazo para apresentação dos documentos solicitados. Prorrogado o prazo por 20 dias, re- intimação nº 03-049/2007. Sucessivas re-intimações não surtiram qualquer efeito, fls. 6657/6659. No ponto, o termo de constatação de fls. 5116/5119, ao se manifestar acerca da prorrogação de prazo requerida evidencia não haver motivação à não apresentação dos demais documentos e elementos solicitados (Livros Diário, Razão, etc). Verifica-se, assim, que os alguns documentos nunca estiveram na posse da Fazenda Estadual (Livros, Diário, Razão, etc). Porém, também não foram oferecidos à fiscalização. Já aqueles que foram retidos pela Fazenda Estadual foram devolvidos no curso da ação fiscal, e mesmo sendo novamente requisitados, não restaram entregues à autoridade fiscal, autorizando o arbitramento do lucro com base nos depósitos bancários de origem não comprovada. O fundamento de validade do art. 47 da Lei 8.981/95 não reside no art. 148 do CTN, como entende o recorrente, não cabendo invocar as disposições e os procedimentos deste dispositivo para o caso vertente. Vale lembrar que o art. 148 rege os casos nos quais a autoridade arbitra valor ou preço de bem, direito, serviço ou ato jurídico, sempre que sejam omissos ou que não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado. No caso vertente, a autoridade lançadora não arbitrou valor ou preço, adotando aqueles informados pelo próprio recorrente em sua declaração prestada às autoridades fiscais estaduais. Neste sentido, já decidiu a antiga 5ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, no julgamento do recurso 162.415, com voto condutor do Conselheiro Paulo Jacinto do Nascimento, seguido à unanimidade, que abaixo parcialmente transcrevo. ARBITRAMENTO DO LUCRO - OFENSA AO ART. 148 DO CTN - INEXISTÊNCIA - O arbitramento do lucro não ofende o art. 148 do CTN, porquanto este dispositivo não regra o arbitramento do lucro, mas sim o arbitramento do preço de bens, serviços ou atos jurídicos, base de cálculo do tributo, nos casos em que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações Fl. 11DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2010 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 27/12/2010 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 30/12/2010 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 12 prestadas ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado. Com relação a adoção de dados prestados em declaração firmada pelo próprio contribuinte, e sua incompatibilidade com o conceito de arbitramento prescrito no art. 148 do CTN, destaco o voto condutor do Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, no julgamento do recurso nº 153.338, também julgado à unanimidade: VALOR DE BEM UTILIZADO EM DEMONSTRATIVO DE ACRÉSCIMO PATRIMONIAL DESCOBERTO - FLUXO DE CAIXA - VALOR CONSTANTE EM DECLARAÇÃO DE BENS E DIREITOS - DESNECESSIDADE DE ARBITRAMENTO - Quando o cálculo do tributo tome por consideração o valor de bens ou direitos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor, sempre que não mereçam fé as declarações, os esclarecimentos prestados ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo. Entretanto, não há que se falar em arbitramento, na forma do art. 148 do Código Tributário Nacional, quando o valor do bem, objeto da aplicação do recurso em fluxo de caixa, consta na declaração de bens e direitos do contribuinte. Assim, incabível ao caso a aplicação do art. 148, restam sem fundamento as alegações de cerceamento a ampla defesa decorrentes. Nos termos do art. 3º, I, da Portaria SRF 4066/2007, mencionada no recurso, verifica-se que o procedimento fiscal do qual pode resultar crédito tributário deve ser realizado com base em MPF-F, e não em MPF-Ex, este sim destinado a colheita de informações em terceiro contribuinte, para subsidiar ação fiscal em curso. A Adin 551, requerida pelo Governador do Rio de Janeiro tinha como objeto a discussão da constitucionalidade do art. 57, e seus §§ 2º e 3º do ADCT da Constituição do Estado do Rio de Janeiro, que estabeleciam multas mínimas de 200% e de 500% sobre, respectivamente, tributos estaduais não pagos, e tributos estaduais sonegados. Ressalte-se que a multa qualificada no percentual de 150% é destinada às infrações em que haja sonegação, fraude ou conluio, com caráter doloso, sendo bastante inferior ao percentual de 500% (para sonegação) declarado inconstitucional na constituição fluminense. Além disso, a decisão judicial cria norma sobre a questão sub judice, a qual não inclui as multas cobradas pela Administração Federal. A presunção feita no art. 42 da Lei nº 9430/96 estabelece que, não atacada a presunção, os depósitos em conta cuja origem não foi justificada constituem-se em receita omitida e não em renda. Somente após o arbitramento do lucro, nos termos do ar. 532 do RIR/99, com base em tal receita omitida, é que se chega ao lucro, o qual para ser objeto de tributação, independe de sua destinação posterior. Vale mencionar que, consoante fls.6677, foram excluídas as transferências entre contas de mesma titularidade, bem como os resgates de aplicações financeiras, Fl. 12DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2010 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 27/12/2010 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 30/12/2010 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 15586.000933/2008-04 Acórdão n.º 1302-00.406 S1-C3T2 Fl. 7.442 13 empréstimos tomados junto a instituições financeiras e os depósitos em cheque devolvidos identificados pela fiscalização. O STF, no julgamento do RE 346.084 decidiu pela inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei 9718/98, e não pela inconstitucionalidade integral da Lei. A tributação reflexa de contribuições ao PIS e à Cofins por omissão de receita não possui relação com o dispositivo revogado, vez que a questão ali discutida era conceitual e versava sobre a extensão do conceito de receita bruta. A questão ganha relevo quando da tributação de receitas regularmente escrituradas e declaradas, contidas no conceito de receita bruta declarado inconstitucional (ampliado) mas não contidos no conceito reduzido. No caso do arbitramento (art. 532, RIR/99) com base na receita bruta conhecida, baseada em depósitos bancários de origem não comprovada, as receitas arbitradas, por não ter o sujeito passivo infirmado a presunção e não ter indicado suas respectivas naturezas, são consideradas pela sua integralidade. A fiscalização logrou comprovar que os irmãos José Augusto Simão, Jorge Luiz Simão, Edmilson Firme Simão Junior, e Joel Simão são os verdadeiros responsáveis pelos negócios efetuados em nome das empresas de fachada CCA e EMPRAL. Segundo o relato da fiscalização, comprovou-se junto aos beneficiários dos cheques emitidos por CCA e EMPRAL que José Augusto Simão, Jorge Luiz Simão, Edmilson Firme Simão Junior, e Joel Simão utilizavam os valores depositados nas contas-correntes dessas empresas de fachada para aquisição de bovinos para suas propriedades. Comprovou-se que os proprietários de WYZ utilizaram CCA e EMPRAL unicamente para emitir notas fiscais da venda dos produtos vendidos por aquela para a prática de sonegação fiscal. Em resumo, apurou-se as seguintes condutas por parte da WYZ que caracterizam, em tese, crime contra a ordem tributária e ainda a figura da sonegação. Tal relato está fortemente documentado em extenso corpo probatório coligido pela fiscalização para comprovar suas alegações, contendo depoimentos de funcionários da empresa, representantes das instituições financeiras em que o grupo movimentava contas bancárias, um ex-contador, e uma das interpostas pessoas que decidiu contar à fiscalização tal condição. Demais disso, há inúmeras provas documentais juntadas, em abono dessa constatação. Ao agir oculta e indevidamente, manipulando várias pessoas jurídicas que serviram para confundir os órgãos fiscalizadores, praticar condutas delitivas (várias infrações à lei), conforme demonstrado, tais administradores devem ser pessoalmente responsabilizados pelos créditos tributários apurados, sendo acertada a responsabilização feita. A tributação sobre os depósitos bancários de origem não comprovada de CCA e EMPRAL, na pessoa jurídica do recorrente prescinde da configuração de grupo econômico, nos termos da legislação civil ou trabalhista, posto que esta arquitetura jurídica Fl. 13DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2010 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 27/12/2010 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 30/12/2010 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 14 pressupõe a existência de várias empresas atuando sob controle comum, cada qual exercendo seu próprio objeto social. Não é o caso dos autos. Aqui se evidencia a interposição de pessoas jurídicas com o fito de suprimir a receita bruta, e conseqüentemente, o lucro da recorrente, e embora sob controle comum (conforme demonstrado pelas provas coligidas pela fiscalização), as interpostas pessoas não cooperam para o resultado comum do grupo, explorando seu objeto social próprio, no sentido ordinário da expressão. Afinal, de fato não existem. Sua existência, que é unicamente jurídica, e não tem correspondência no mundo fático, visa a efeitos meramente tributários, com finalidade de reduzir a base de cálculo da principal empresa, objeto da blindagem. Tal situação, como bem observou a fiscalização não caracteriza grupo econômico, mas fraude, em vista da qual foi lavrada, inclusive, representação fiscal para fins penais. Evidenciada a interposição, desnuda-se a realidade ocultada, constituída por somente uma pessoa jurídica, responsável pela totalidade dos depósitos bancários. Desta forma, nos termos do art. 42, §5º, da Lei nº 9430/96, é correta a imputação da totalidade dos depósitos à recorrente. Isto posto, voto para rejeitar as preliminares, e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário. Sala das Sessões, 11 de novembro de 2010. (assinado digitalmente) Eduardo de Andrade - Relator Fl. 14DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2010 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 27/12/2010 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 30/12/2010 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO
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