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Numero do processo: 10410.005712/2006-41
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Mar 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2006
MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. FALTA DE PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES.
Tem cabimento a aplicação da multa de ofício isolada por falta de prestação de informações
RETROATIVIDADE BENIGNA.
Em matéria de penalidade, a legislação tributária adota o princípio da retroatividade benigna, ou seja, a lei aplica-se a ato ou fato pretérito tratando-se de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
Numero da decisão: 1003-000.466
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em dar provimento em parte ao recurso voluntário para reduzir o valor da multa de ofício isolada para R$1.000,00 (mil reais).
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2006 MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. FALTA DE PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. Tem cabimento a aplicação da multa de ofício isolada por falta de prestação de informações RETROATIVIDADE BENIGNA. Em matéria de penalidade, a legislação tributária adota o princípio da retroatividade benigna, ou seja, a lei aplica-se a ato ou fato pretérito tratando-se de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
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FALTA DE PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. Tem cabimento a aplicação da multa de ofício isolada por falta de prestação de informações RETROATIVIDADE BENIGNA. Em matéria de penalidade, a legislação tributária adota o princípio da retroatividade benigna, ou seja, a lei aplicase a ato ou fato pretérito tratando se de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em dar provimento em parte ao recurso voluntário para reduzir o valor da multa de ofício isolada para R$1.000,00 (mil reais). (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 00 57 12 /2 00 6- 41 Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10410.005712/200641 Acórdão n.º 1003000.466 S1C0T3 Fl. 72 2 Relatório Contra a Recorrente acima identificada foram lavrados: o Auto de Infração, fls. 0407, com a exigência do crédito tributário no valor total de R$538,93 a título de multa de ofício isolada por falta de prestação de informações em 30.11.2006, conforme art. 927, art. 928 e art. 968 do Regulamento do Imposto de Renda constante no Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR, de 1999); o Auto de Infração, fls. 0914, com a exigência do crédito tributário no valor total de R$5.000,00 a título de multa de ofício isolada por falta de prestação de informações em 28.12.2006, conforme art. 16 da Lei n° 9.779, de 19 de janeiro de 1999 e inciso I do art. 57 da Medida Provisória n° 2.15833, de 28 de junho de 2001. Cientificada, a Recorrente apresentou a impugnação. Está registrado na ementa e no excerto do voto condutor do Acórdão da 3ª Turma/DRJ/REC/PE nº 1122.901, de 30.06.2008, fls. 4448: RESPONSABILIDADE. INTENÇÃO. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. [...] NULIDADE. REQUISITOS ESSENCIAIS. Tendo sido regularmente oferecida a ampla oportunidade de defesa, com a devida ciência do auto de infração, e não provada violação das disposições previstas na legislação de regência, restam insubsistentes as alegações de nulidade do procedimento fiscal. [...] INTIMAÇÃO FISCAL. NÃOATENDIMENTO. PENALIDADE. Sujeitase a multa regulamentar o sujeito passivo que deixar de fornecer, nos prazos marcados, as informações ou esclarecimentos solicitados pelos órgãos da Secretaria da Receita Federal. Lançamento Procedente [...] 6. Convém deixar assente, desde logo, que a impugnação referese apenas ao segundo auto de infração, conforme claramente demarcado na peça de defesa. Notificada em 05.08.2008, fl. 51, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 22.08.2008, fls. 5261, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Relativamente aos fatos aduz que: II. NULIDADE FORMAL DO AUTO DE INFRAÇÃO Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10410.005712/200641 Acórdão n.º 1003000.466 S1C0T3 Fl. 73 3 A. Ofensa Ao Devido Processo Legal E À Legalidade: Ausência De Notificação Do Contribuinte Sobre O Mandado De Procedimento Fiscal E Termo De Início De Fiscalização 8. Cumpre ter presente que a dívida de natureza tributária deve ser precedida do adequado procedimento que comina com a constituição da obrigação tributária principal ou acessória, não dispensando, a fiscalização respectiva, a correta e regular aplicação das regras legais e dos princípios constitucionais. 9. Não é por outro motivo que o art. 145, § 1°, da Constituição de 1988 dispõe que é facultado à administração tributária “identificar, respeitados os direitos individuais e nos termos da lei, o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte”. 10. Durante a fiscalização que precede o lançamento, portanto, o servidor público deve observar os direitos individuais do contribuinte e os termos da lei, os quais vinculam sua atividade na forma do art. 142, parágrafo único, do CTN. 11. O mesmo Código Tributário Nacional determina, em seu art. 194, que “a legislação tributária, observado o disposto nesta Lei, regulará, em caráter geral, ou especificamente em função da natureza do tributo de que se tratar, a competências e os poderes das autoridades administrativas em matéria de fiscalização da sua aplicação”. 12. Assim, acaso não sejam respeitadas as formalidades previstas na legislação tributária nem os direitos individuais dos contribuintes que regulam e limitam a atividade fiscalizadora, o lançamento dela decorrente é nulo de pleno direito. 13. No caso dos autos. o lançamento da obrigação tributária acessória é formalmente nulo de pleno direito, tendo em vista que não foi precedido de regular procedimento fiscal. 3 pois este não respeitou as normas alusivas ao procedimento fiscal (arts. 196 e 197 do CTN. arts. 7, I, e 23 do Decreto n° 70.235/72 e art. 4° da Portaria n.° 6.087/2005) e aos direitos individuais do contribuinte (arts. 5°, LIV, e 37 da Constituição de 1988 e art. 2°, parágrafo único, I, da Lei 9784/99). 14. Efetivamente, a Recorrente não foi comunicada, nos termos do art. 23 do Decreto n.° 70.235l72 e do art. 197 do CTN, da existência de emissão de mandado de procedimento fiscal, extensivo ou não, nem de mesmo de início de fiscalização, tidos como formalidade obrigatória pela legislação tributária. [...] 15. De fato, até a presente data, a contribuinte autuada desconhece os termos do Mandado de Procedimento Fiscal n.° 0440100100480/06 que culminou com o lançamento ora impugnado. [...] 16. Eivado de nulidade o procedimento inicial, também é nula a aplicação de multa agravada, aqui, contestada. Até porque, conforme reconhece a própria DRJ, foi no primeiro auto de infração que “estabeleceuse novo prazo para o atendimento das exigências, sob pena de sujeitarse à contribuinte à multa agravada”. 17. A verdade é que a Recorrente continua desconhecendo as palavras do Termo de Intimação Fiscal n.° 01, de 22 de novembro de 2006, indicado no Contexto do Auto de infração como fundamento da aplicação da multa de R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10410.005712/200641 Acórdão n.º 1003000.466 S1C0T3 Fl. 74 4 18. Quanto ao Termo de Início de Fiscalização, a empresa só o conhece porque veio anexado (sem assinatura de recebimento pela Recorrente) ao vergastado auto de infração entregue via postal, o que é de absoluta inanidade, na medida em que o contribuinte nada pôde contribuir com a fiscalização se, acompanhado à comunicação de seu início, vem o Auto de Infração e o Termo de Encerramento Fiscal. 19. Notese que o Termo de Início de Fiscalização, enviando juntamente com o auto de infração, NÃO TRAZ A ASSINATURA DO REPRESENTANTE LEGAL DA EMPRESA, provando que a contribuinte autuada desconhecia que estava sob fiscalização da Receita Federal. Tampouco o trazem os MPF indicados pela decisão recorrida. 20. Desse modo, o desrespeito do procedimento fiscal sob exame à legislação tributária acima indicada (de uma simples portaria à Constituição de 1988) tomam ilegais os atos dele decorrentes, porquanto “nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de atuação conforme a lei e o Direito”. Tal ilegalidade implica, também, em ofensa às garantias constitucionais do contribuinte de não ter seu patrimônio violado, exceto se respeitado o devido processo legal (art. 5°, LIV) e de que a administração obedece ao princípio da legalidade (art. 37). 22. Por essas razões, é formalmente nulo o auto de infração, porque o procedimento fiscal que o precedeu viola os arts. 196 e 197 do CTN; os arts. 7, l, e 23 do Decreto n.° 70.235/72; os arts. 4° e 8° da Portaria n.° 6.087/2005; os arts. 5°, LIV, e 37 da Constituição de 1988; e o art. 2°, parágrafo único, I, da Lei 9.784/99, por não ter cientificado o representante legal da empresa Recorrente do Mandado de Procedimento Fiscal n.° 0440100/00480106, do Termo de intimação Fiscal n.° 01, de 22 de novembro de 2006, e do Termo de Início de Fiscalização. III. NÃO HOUVE DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA 23. No que diz respeito à razão de direito material que torna nulo o auto de infração ora impugnado, relacionase com o fato da empresa não ter descumprindo nenhuma obrigação tributária acessória, exigida pela fiscalização. 24. Com efeito, para que tivesse descumprido o Termo de Intimação Fiscal n.° 01, de 22 de novembro de 2006 (o que fundamentou a aplicação da multa majorada ora impugnada), é imprescindível, evidentemente, que a empresa autuada tenha sido cientificada de seu teor e, mesmo assim, não tenha prestado a informação à autoridade administrativa. 25. Como já dito, porém, a empresa não foi notificada, por nenhum meio legal, do teor do Termo de Intimação Fiscal n.° 01, de 22 de novembro de 2006, sendo, portanto, ilegal penalizála por não ter cumprido suposta obrigação tributária acessória da qual, repitase, não teve conhecimento. 26. Ademais, a fiscalização sequer se preocupou em esclarecer, no Contexto do Auto de Infração, o porquê da referida obrigação acessória ser estritamente necessária ao atendimento do interesse público, requisito essencial à legalidade do processo administrativo federal, nos termos do art. 2°, parágrafo único, VI, da Lei 9.784/99. [...] 27. Dessarte, o auto de infração vergastado não procede, também, materialmente: seja porque não houve recusa à prestação de obrigação acessória, da Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10410.005712/200641 Acórdão n.º 1003000.466 S1C0T3 Fl. 75 5 qual a empresa tenha tomado ciência por escrito, seja porque viola o art. 2°, parágrafo único, VI, da Lei 9.784/99. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Concernente ao pedido expõe que: 28. Ante o exposto, requer, respeitosamente, seja provido o presente recurso para, reformando o acórdão recorrido, anular o auto de infração ora impugnado, por violar o disposto nos arts. 196 e 197 do CTN; nos arts. 7, l, e 23 do Decreto n.° 70.235/72; nos arts. 4° e 8° da Portaria n.° 6.087/2005; nos arts. 5°, LIV, e 37 da Constituição de 1988; e no art. 2°, parágrafo único, I e VI, da Lei 9.784/99. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. O limite da lide fixase no Auto de Infração, fls. 0914, com a exigência do crédito tributário no valor total de R$5.000,00 a título de multa de ofício isolada por falta de prestação de informações em 28.12.2006, conforme art. 16 da Lei n° 9.779, de 19 de janeiro de 1999 e inciso I do art. 57 da Medida Provisória n° 2.15833, de 28 de junho de 2001. A Recorrente alega que os atos administrativos são nulos. O auto de infração foi lavrado por servidor competente e revestido das formalidades legais com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprilo ou impugnálo no prazo legal. A decisão de primeira instância está motivada de forma explícita, clara e congruente e da qual a pessoa jurídica foi regularmente cientificada. Assim, estes atos contêm todos os requisitos legais, o que lhes conferem existência, validade e eficácia. As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes foram observadas. Ademais os atos administrativos estão motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos decidam recursos administrativos. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício, que foi regularmente analisado pela autoridade de primeira instância. Ademais, a decisão administrativa não precisa enfrentar todos os argumentos trazidos na peça recursal sobre a mesma matéria, principalmente quando os fundamentos expressamente adotados são Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10410.005712/200641 Acórdão n.º 1003000.466 S1C0T3 Fl. 76 6 suficientes para afastar a pretensão da Recorrente e arrimar juridicamente o posicionamento adotado. A Recorrente foi notificada em 22.11.2006 do Mandado de Procedimento Fiscal Extensivo com código de acesso nº 69580252 emitido em 20.11.2006 com o seguinte encaminhamento, fl. 02: Nos temos da Portaria SRF n° 6.087, de 21 de novembro de 2005, o(s) Auditor(es)Fiscal(is) da Receita Federal (AFRF) abaixo identificado(s) poderá(ão) proceder a coleta de informações e documentos destinados a subsidiar o procedimento de fiscalização junto ao contribuinte/responsável GUSTAVO TOLEDO FLORENCIO, CPF 211.102.80459, conforme Mandado de Procedimento Fiscal n° 04.4.01.002006002525. Ainda em 22.11.2006, a Recorrente foi cientificada do Termo de Intimação Fiscal nº 001 de 20.11.2006, com o seguinte contexto, fl. 02: No exercício das funções de AuditorFiscal da Receita Federal e no curso da ação fiscal iniciada em 28/07/2006, de acordo com o disposto nos art. 904, 910, 911 e 927 do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR/99), INTIMAMOS o contribuinte acima identificado a apresentar os elementos abaixo especificados: 1. Escrituração contábil, Livros Razão e Diário, onde conste os lançamentos referentes ao empréstimo concedido a Gustavo Toledo Florêncio, conforme contrato de mútuo datado de 30 de junho de 2004. 2.Extrato da contacorrente n° 060008987, da Agência 00353, do Banco Rural ou de outra contacorrente, em que conste a saída dos recursos emprestados. 3. Cópias dos cheques e de outros documentos comprovantes das saídas das referidas contascorrente durante o período de 01/01/2004 a 31/12/2005. A resposta ã presente intimação deverá ser prestada por escrito, datada e assinada pelo contribuinte, ou seu representante legal, com indicação dos elementos que estão sendo apresentados. O não atendimento a esta intimação no prazo previsto ensejará a aplicação da multa agravada conforme artigo 959 do RIR/99 (Decreto n° 3.000/99) sem prejuízo de outras sanções legais que couberem. E, para constar e surtir os efeitos legais, lavramos o presente Termo, em 03 (três) vias de igual forma e teor, assinado pelo(s) Auditor(es)Fiscal(is) da Receita Federal e pelo contribuinte/preposto, que neste ato recebe uma das vias. No Mandado de Procedimento Fiscal n° 04.4.01.0020060048035 emitido em 30.11.2006 consta o código de acesso nº 44960704, fl. 01 e foi intimada a Recorrente em 15.12.2006, fl. 08, com o seguinte encaminhamento: Determino, nos temos da Portaria SRF n° 6.087, de 21 de novembro de 2005, a execução do procedimento fiscal definido pelo presente Mandado, que será realizado pelo(s) Auditor(es)Fiscal(is) da Receita Federal (AFRF) acima identificado(s), que está(ão) autorizado(s) a praticar, isolada ou conjuntamente, todos os atos necessários a sua relação. Este Mandado deverá ser executado até 30 de Março de 2007. Este instrumento poderá ser prorrogado, a critério da autoridade outorgante, em especial Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10410.005712/200641 Acórdão n.º 1003000.466 S1C0T3 Fl. 77 7 na eventualidade de qualquer ato praticado pelo contribuinte/responsável que impeça ou dificulte o andamento deste procedimento fiscal, ou a sua conclusão. Sobre a matéria, cabe indicar o entendimento emanado em algumas oportunidade pelo Supremo Tribunal Federal1: Não há falar em negativa de prestação jurisdicional quando, como ocorre na espécie vertente, "a parte teve acesso aos recursos cabíveis na espécie e a jurisdição foi prestada (...) mediante decisão suficientemente motivada, não obstante contrária à pretensão do recorrente" (AI 650.375 AgR, rel. min. Sepúlveda Pertence, DJ de 1082007), e "o órgão judicante não é obrigado a se manifestar sobre todas as teses apresentadas pela defesa, bastando que aponte fundamentadamente as razões de seu convencimento" (AI 690.504 AgR, rel. min. Joaquim Barbosa, DJE de 2352008).[AI 747.611 AgR, rel. min. Cármen Lúcia, j. 13102009,1ª T, DJE de 13112009.] =AI 811.144 AgR, rel. min. Rosa Weber, j. 2822012, 1ª T, DJE de 1532012 = AI 791.149 ED, rel. min. Ricardo Lewandowski, j. 1782010, 1ª T, DJE de 2492010 (grifos do original) As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos nos autos do processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos. As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes foram observadas2. O de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e estando a decisão motivada de forma explícita, clara e congruente, não há que se falar em nulidade dos atos em litígio. A proposição afirmada na peça recursal, desse modo, não tem cabimento. A Recorrente discorda do procedimento de ofício. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais3. I Instaurada a fase litigiosa do procedimento, cabe à Recorrente detalhar os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental préconstituída imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. Por seu turno, a autoridade julgadora, orientandose pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar 1 BRASIL. Supremo Tribunal Federal. A constituição e o supremo do art. 93. Disponível em: <http://www.stf.jus.br/portal/constituicao/artigoBd.asp#visualizar>. Acesso em: 30 mai. 2018. 2 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996, art 6º da Lei nº 10.593, de 06 de dezembro de 2001, art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999 e art. 10 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 3 Fundamentação legal : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995, art. 6º e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10410.005712/200641 Acórdão n.º 1003000.466 S1C0T3 Fl. 78 8 livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos. No que se refere à possibilidade jurídica de aplicação de penalidade pecuniária por falta de cumprimento de obrigação acessória, temse que essa obrigação é um dever de fazer ou não fazer que decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos, e pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. A obrigação tributária pode ser principal ou acessória. A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária4. As obrigações acessórias decorrem diretamente da lei, no interesse da administração tributária. É autônoma e sua observância independe da existência de obrigação principal correlata. Os deveres instrumentais previstos na legislação tributária ostentam caráter autônomo em relação à regra matriz de incidência do tributo, uma vez que vinculam inclusive as pessoas jurídicas que gozem de imunidade ou outro benefício fiscal. 5 Por essa razão o pagamento dos tributos devidos não têm força normativa de afastar a multa de ofício isolada aplicada em função de descumprimento de obrigação acessória. Feitas essas considerações normativas, tem cabimento a análise da situação fática tendo em vista os documentos já analisados pela autoridade de primeira instância de julgamento e aqueles produzidos em sede de recurso voluntário. Sobre a multa de ofício isolada por falta de prestação de informações, a Lei 9.779, de 19 de janeiro de 1999, assim determina: Art.16. Compete à Secretaria da Receita Federal dispor sobre as obrigações acessórias relativas aos impostos e contribuições por ela administrados, estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável. Por seu turno, a Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, até 27.12.2012, assim dispunha: Art. 57. O descumprimento das obrigações acessórias exigidas nos termos do art. 16 da Lei nº 9.779, de 1999, acarretará a aplicação das seguintes penalidades: I R$5.000,00 (cinco mil reais) por mêscalendário, relativamente às pessoas jurídicas que deixarem de fornecer, nos prazos estabelecidos, as informações ou esclarecimentos solicitados; 4 Fundamentação legal: art. 113 do Código Tributário Nacional. 5 Fundamentação legal: art. 175 e art. 194 do Código Tributário Nacional. Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10410.005712/200641 Acórdão n.º 1003000.466 S1C0T3 Fl. 79 9 II cinco por cento, não inferior a R$100,00 (cem reais), do valor das transações comerciais ou das operações financeiras, próprias da pessoa jurídica ou de terceiros em relação aos quais seja responsável tributário, no caso de informação omitida, inexata ou incompleta. Parágrafo único. Na hipótese de pessoa jurídica optante pelo SIMPLES, os valores e o percentual referidos neste artigo serão reduzidos em setenta por cento. (grifos acrescentados) A Recorrente foi notificada em 22.11.2006 do Mandado de Procedimento Fiscal Extensivo com código de acesso nº 69580252 emitido em 20.11.2006, fl. 02. Ainda em 22.11.2006, foi cientificada do Termo de Intimação Fiscal nº 001 de 20.11.2006, fl. 02. No Mandado de Procedimento Fiscal n° 04.4.01.0020060048035 emitido em 30.11.2006 consta o código de acesso nº 44960704, fl. 01 e foi intimada em 15.12.2006, fl. 08. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos seus membros (art. 72 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015). Nesse sentido, as seguintes Súmulas CARF devem ser aplicadas ao presente caso: Súmula CARF nº 6 É legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Súmula CARF nº 7 A ausência da indicação da data e da hora de lavratura do auto de infração não invalida o lançamento de ofício quando suprida pela data da ciência. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Súmula CARF nº 9 É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Verificase que a Recorrente permaneceu silente mesmo regularmente notificada no seu domicílio fiscal eleito (art. 23 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). Assim a autoridade administrativa constituiu o crédito tributário pelo lançamento consubstanciado no Auto de Infração, fls. 0914, notificado a Recorrente em 03.01.2007, fl. 15. Vale esclarecer que "a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional", conforme determina o art. 142 do Código Tributário Nacional. Por essa razão, foi formalizada a exigência do crédito tributário no valor total de R$5.000,00 a título de multa de ofício isolada por falta de prestação de informações em 28.12.2006, conforme art. 16 da Lei n° 9.779, de 19 de janeiro de 1999 e inciso I do art. 57 da Medida Provisória n° 2.15833, de 28 de junho de 2001. Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10410.005712/200641 Acórdão n.º 1003000.466 S1C0T3 Fl. 80 10 Com vigência a partir de 28.12.2012, a Lei nº 12.766, de 27 de dezembro de 2012, alterou os valores das penalidades pecuniárias no seguinte sentido: "Art. 8º O art. 57 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, passa a vigorar com a seguinte redação: “Art. 57. O sujeito passivo que deixar de apresentar nos prazos fixados declaração, demonstrativo ou escrituração digital exigidos nos termos do art. 16 da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999, ou que os apresentar com incorreções ou omissões será intimado para apresentálos ou para prestar esclarecimentos nos prazos estipulados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e sujeitarseá às seguintes multas: I por apresentação extemporânea: a) R$500,00 (quinhentos reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às pessoas jurídicas que, na última declaração apresentada, tenham apurado lucro presumido; b) R$1.500,00 (mil e quinhentos reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às pessoas jurídicas que, na última declaração apresentada, tenham apurado lucro real ou tenham optado pelo autoarbitramento; II por não atendimento à intimação da Secretaria da Receita Federal do Brasil, para apresentar declaração, demonstrativo ou escrituração digital ou para prestar esclarecimentos, nos prazos estipulados pela autoridade fiscal, que nunca serão inferiores a 45 (quarenta e cinco) dias: R$1.000,00 (mil reais) por mêscalendário; III por apresentar declaração, demonstrativo ou escrituração digital com informações inexatas, incompletas ou omitidas: 0,2% (dois décimos por cento), não inferior a R$100,00 (cem reais), sobre o faturamento do mês anterior ao da entrega da declaração, demonstrativo ou escrituração equivocada, assim entendido como a receita decorrente das vendas de mercadorias e serviços. § 1º Na hipótese de pessoa jurídica optante pelo Simples Nacional, os valores e o percentual referidos nos incisos II e III deste artigo serão reduzidos em 70% (setenta por cento). § 2º Para fins do disposto no inciso I, em relação às pessoas jurídicas que, na última declaração, tenham utilizado mais de uma forma de apuração do lucro, ou tenham realizado algum evento de reorganização societária, deverá ser aplicada a multa de que trata a alínea b do inciso I do caput. § 3o A multa prevista no inciso I será reduzida à metade, quando a declaração, demonstrativo ou escrituração digital for apresentado após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício.” (grifos acrescentados) Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10410.005712/200641 Acórdão n.º 1003000.466 S1C0T3 Fl. 81 11 Em matéria de penalidade, a legislação tributária adota o princípio da retroatividade benigna, ou seja, a lei aplicase a ato ou fato pretérito tratandose de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática (art. 106 do Código Tributário Nacional). Ademais, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato (art. 136 do Código Tributário Nacional). Esse é o entendimento contido no Parecer Normativo Cosit nº 3, de 10 de junho de 2013, que explicita: eProcesso nº 10166.720187/201355. Relatório [...] 2. Antes da publicação da Lei nº 12.766, de 2012, assim dispunha o art. 57 da MP nº 215835, de 2001: Art. 57. O descumprimento das obrigações acessórias exigidas nos termos do art. 16 da Lei nº 9.779, de 1999, acarretará a aplicação das seguintes penalidades: I R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por mêscalendário, relativamente às pessoas jurídicas que deixarem de fornecer, nos prazos estabelecidos, as informações ou esclarecimentos solicitados; [...] 2.1. A multa tinha um escopo genérico: quando não houvesse nenhuma específica, ela seria aplicada a quaisquer situações que decorressem do descumprimento de uma obrigação acessória. Várias situações contidas em atos normativos infralegais da RFB são sancionadas com essa multa. 2.2. A Lei nº 12.766, de 2012, alterou a redação do art. 57 da MP nº 2.15835, de 2001, que passou a ser: [...] II por não atendimento à intimação da Secretaria da Receita Federal do Brasil, para apresentar declaração, demonstrativo ou escrituração digital ou para prestar esclarecimentos, nos prazos estipulados pela autoridade fiscal, que nunca serão inferiores a 45 (quarenta e cinco) dias: R$ 1.000,00 (mil reais) por mêscalendário; [...] Fundamentos [...] 6.1.4. Nas multas anteriormente lançadas que, no caso concreto, sejam mais gravosas que a nova multa, a lei nova mais benéfica deve retroagir, tratandose de ato não definitivamente julgado, conforme art. 106, inciso II, alíneas “a” e “c”, do CTN. [...] 8. Quanto aos aspectos material e quantitativo da nova multa, esta possui hipóteses e bases de cálculo específicos nos seus três incisos. O inciso I é para apresentação extemporânea, no valor de R$ 500,00 ou R$ 1.500,00 por mês calendário, a depender da forma de apuração do lucro. O inciso II é pelo não atendimento Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10410.005712/200641 Acórdão n.º 1003000.466 S1C0T3 Fl. 82 12 à intimação para apresentar os arquivos digitais ou para prestar esclarecimentos, no valor de R$ 1.000,00 por mês calendário. O inciso III é por apresentálos com informações inexatas, incompletas ou omitidas, no valor correspondente a 0,2% (dois décimos por cento) do faturamento do mês anterior ao da entrega, não podendo ser inferior a R$ 100,00 (cem reais). [...] 8.2. O inciso II tem como escopo o não atendimento de intimação para apresentar os arquivos digitais ou a não prestação de esclarecimentos sobre eles. Pressupõe uma atividade fiscalizatória (no sentido lato, e não apenas aquele proveniente de mandado de procedimento fiscal MPF). Essa multa é devida quando o prazo da intimação se encerra sem a entrega dos documentos ou a prestação dos esclarecimentos, sem prejuízo da aplicação também da Maed do inciso I. Eventual cumprimento da intimação fora do prazo estipulado, mas antes da lavratura do auto de infração de constituição da multa, não impede a sua aplicação. A única consequência será a redução da multa à metade, a par do disposto no § 3º. A propósito, essa redução corrobora que a multa é pela intempestividade da apresentação, e não simplesmente pela sua não apresentação. [...] Conclusão 10. Em conclusão: [...] n) A multa nova mais benéfica retroage para alcançar atos não definitivamente julgados, nos termos do art. 106, inciso II, alíneas “a” e “c”, do CTN. [...] s) Basta a não apresentação dos arquivos digitais ou a não prestação dos esclarecimentos sobre eles no prazo concedido, que não poderá ser inferior a quarenta e cinco dias, para a configuração da multa do inciso II do art. 57 da MP nº 2.15835, de 2001, sem prejuízo da aplicação da multa do inciso I. (grifos acrescentados) O valor multa de ofício isolada por falta de prestação de informações deve ser reduzido para R$1.000,00, tendo em vista o art. 57 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, com a nova redação dada pela Lei nº 12.766, de 27 de dezembro de 2012. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso, nos termos do art. 100 do Código Tributário Nacional. Atinente aos princípios constitucionais, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10410.005712/200641 Acórdão n.º 1003000.466 S1C0T3 Fl. 83 13 aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade6. Temse que nos estritos termos legais o procedimento fiscal está correto, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de julho de 2015). Em assim sucedendo, voto em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em dar provimento em parte ao recurso voluntário para reduzir o valor da multa de ofício isolada para R$1.000,00 (mil reais). (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 6 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF e Súmula CARF nº 2. Fl. 83DF CARF MF
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Numero do processo: 15540.000009/2009-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2005.
MULTA DE 150%. NECESSIDADE DE FUNDAMENTAÇÃO - Para
aplicar a multa de 150% é preciso que a fiscalização fundamente
expressamente sua decisão.
Numero da decisão: 1101-000.759
Decisão: Acordam os membros do colegiado: 1) Por maioria de votos, foi AFASTADA a hipótese de sobrestamento com base no art. 62-A do Anexo II do RICARF, divergindo as Conselheiras Edeli Pereira Bessa e Nara Cristina Takeda Taga; 2) por unanimidade de votos, foi NEGADO PROVIMENTO ao recurso de oficio; e 3) relativamente à imputação de responsabilidade a Victor Leonardo Ferreira de Araújo Coutinho e Caio Marcus Ferreira de Araújo Coutinho: 3.1) por maioria de votos, foi CONHECIDA a matéria, divergindo a Conselheira Edeli Pereira Bessa; e 3.2) por unanimidade de votos, foram ANULADOS os termos de sujeição passiva solidária, votando pelas conclusões a Conselheira Edeli Pereira Bessa., nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado
Nome do relator: CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERREIRO
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Interessado FAZENDA NACIONAL Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2005. MULTA DE 150%. NECESSIDADE DE FUNDAMENTAÇÃO - Para aplicar a multa de 150% é preciso que a fiscalização fundamente expressamente sua decisão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: 1) Por maioria de votos, foi AFASTADA a hipótese de sobrestamento com base no art. 62-A do Anexo II do RICARF, divergindo as Conselheiras Edeli Pereira Bessa e Nara Cristina Takeda Taga; 2) por unanimidade de votos, foi NEGADO PROVIMENTO ao recurso de oficio; e 3) relativamente à imputação de responsabilidade a Victor Leonardo Ferreira de Araújo Coutinho e Caio Marcus Ferreira de Araújo Coutinho: 3.1) por maioria de votos, foi CONHECIDA a matéria, divergindo a Conselheira Edeli Pereira Bessa; e 3.2) por unanimidade de votos, foram ANULADOS os termos de sujeição passiva solidária, votando pelas conclusões a Conselheira Edeli Pereira Bessa., nos termos do latório e voto que integram o presente julgado. EDITADO EM: 10/08/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Benedicto Celso Benicio Júnior, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, Edeli Pereira Bessa, José Ricardo da Silva (vice-presidente), Nara Cristina Takeda Taga, e Valmar Fonseca de Menezes (presidente da turma). t" VALMAR FONSEC • DE MENEZES - Presidente )01111̀ c ARLOS EDUApri DE ALMEIDA GUERREIRO — Relator Relatório Trata-se de recurso de oficio contra decisão que considerou parcialmente improcedente impugnação. Em 09/01/2009, o contribuinte é cientificado de auto de infração na sistemática do Simples, referente ao ano de 2004 (proc. fls. 03 a 07 e 41 a 106). São apontadas duas infrações: omissão de receitas por depósitos bancários não escriturados; e insuficiência de recolhimentos. Na mesma data, é cientificado de termo de constatação e de imputação de responsabilidade tributária (proc. fls. 08 a 11). A fiscalização explica que a empresa iniciou atividade em 16/01/2001, e desde então está no Simples. Adiciona que atualmente tem como objetivo principal a exploração do ramo de atividades de assessoria em gestão empresarial. Diz que a empresa não foi localizada no endereço cadastrado na Receita federal como sendo o seu domicilio tributário, por isso as intimações foram enviadas para Girlédio dos Santos Ramos e Sylvio Gomes da Silva, indicados como sócios na última alteração do contrato social. Informa que as correspondências foram devolvidas por inexistência do endereço e que, a partir de então a empresa foi intimada por edital. Relata que, em 15/09/2008, Girlédio compareceu na Receita Federal e foi intimado pessoalmente do inicio da ação fiscal e dos documentos que a empresa deveria apresentar no prazo de 20 dias. A intimação não foi atendida e a fiscalização, embasada no art. 33 da Lei n°9.430, de 1996, solicitou a movimentação bancária às instituições financeiras que o contribuinte operou. Informa que o total dos créditos bancários são incompatíveis com os valores declarados na Declaração Simplificada, referente ao ano de 2004. Explica que foi constatado no contrato social e alterações que no ano fiscalizado (2004) a gerência da empresa foi de Victor Leonardo Ferreira de Araújo e Caio Marcus Ferreiro de Araújo. Adiciona que estas pessoas foram intimadas a esclarecer a origem dos valores creditados nas contas correntes, conforme planilhas @roc. fls. 12 a 40). Diz que em 17/12/2008, Girlédio compareceu espontaneamente na repartição fiscal e, considerando que ele é sócio nos termos da última alteração contratual, alguns esclarecimentos foram solicitados e ele afirmou que "que há mais de cinco meses que não encontra o outro, e único, sócio, Sr. Sylvio Gomes da Silva, CPF no 253.371.917-15; que antes da aquisição da sociedade trabalhava como despachante, prestador de serviços diversos, e não possuía rendimento fixo; que se encontra atualmente desempregado e sem auferir rendimentos; que se encontra a disposição para novos esclarecimentos, apenas para recebimento de correspondências, na Rua Visconde do Rio Branco, n° 1314, Niterói/RJ". Esclarece que na mesma data Girlédio foi intimado a esclarecer e justificar a origem dos créditos nas contas bancárias, conforme planilhas (proc. fls. 203 a 233). Diz que, como a empresa e ex-sócios (Victor Leonardo Ferreira de Araújo e caio Marcus Ferreiro de Araújo) não se manifestaram para esclarecer os créditos, foi efetuado o lançamento de oficio, do ano de 2004, dos valores constantes das planilhas (proc. fls. 12 a 40), totalizados por mês, diminuindo-se os valores declarados. 2 Processo n° 15540.000009/2009-27 SI-CI TI Acórdão n.° 1101-00.759 Fl. 378 Afirma que, como os atos da sociedade na época da infração lançada foram praticados por meio dos ex-sócios, eles são responsáveis pelo débito, nos termos dos arts. 121, 124, e 135 do CTN. Conforme consta do auto de infração, é aplicada a multa de 150% sobre a receita omitida. Informa que será dado ciência a empresa e responsáveis (proc. fls. 297 a 302). Em 09/01/2009, Girlédio toma ciência da autuação (proc. fl. 11). Em 09/02/2009, a empresa apresenta impugnação (proc. fls. 265 a 288). Diz que só foi intimada em 15/09/2008, e não pode ser responsabilizada pelos insucessos da fiscalização. Explica que em 20/10/2008, pediu prorrogação de prazo. Informa que em 17/12/2008, foi expedida a derradeira intimação, solicitando explicação de crédito em 8 contas bancárias, em 20 dias. Alega que não foi dado prazo suficiente e por isso o auto é nulo. Diz que a autuação foi feita sem a prévia exclusão do Simples. Argumenta que isso a prejudicou, pois impediu de optar por um regime tributário menos oneroso, como o lucro real, onde seriam considerados os custos das mercadorias. Conclui que a fiscalização deveria ter excluído a empresa em 2004 e, só depois disto, poderia fazer o lançamento relativo As receitas omitidas. Afirma que os históricos dos créditos bancários demonstram não tratar-se de receitas. Diz que "por não ter sido realizada, por parte da fiscalização, a devida e necessária depuração dos valores relacionados nos extratos bancários - visto que foram mantidos no cômputo da exigência valores que, por exemplo, dizem respeito a "DOC'S", "TED'S", "RECEB. TRANF. C/C", "LIBERACAO — FINA ME — CONTRATO 307840", "OPERACAO DESCONTO", "MOV TIT COB DISP", e "TRANSFERENCIA INTERCONTA". Enfatiza que a análise da fiscalização foi superficial e apresenta alguns exemplos que entende demonstrar tal fato. Explica que o histórico DOC pode indicar pagamento de terceiro e também transferências da própria empresa, o que confirma a falta de aprofundamento da fiscalização. Alega que não é aplicável a multa de 150%, pois o caso seria de eventual omissão de receita. Diz que a súmula n° 14 do 1° Conselho de Contribuinte, afasta a multa de 150%. Argumenta que a multa é inconstitucional, por ultrapassar o valor do principal. Insiste que a multa deve ser reduzida para 75%. Alega que não cabe juros Selic. Pede perícia. Em 12/02/2009, Caio e Victor apresentam impugnações semelhantes (proc. fls. 289 a 291 e 293 a 295). Dizem que não há prova de que á época dos fatos tributáveis tenham agido com infração de lei ou excesso de poderes. Dizem que a empresa está em atividade, o que afasta sua responsabilidade, e reportam-se integralmente As razões apresentadas na defesa da contribuinte. Em 19/05/2009, o processo 15540.000053/2009-37, referente à exclusão do Simples, é apensado ao presente processo de n° 15540.000009/2009-27 (proc. fl. 304). Em 29/10/2009, a 2a Turma da DRJ I do Rio de Janeiro dá provimento parcial A impugnação, para excluir determinado crédito do montante de receitas omitidas e para reduzir a multa a 75% (proc. fls. 314 a 333). A turma, recorre de oficio da desoneração decorrente da sua decisão. Também, considera procedente a exclusão a partir do ano-calendário de 2005 e ratifica a responsabilização. 3 O voto condutor indefere o pedido de perícia, explicando que estão presentes todos os elementos necessários ao julgamento. Diz que não há qualquer nulidade no lançamento. Diz que o prazo não foi exíguo e nem o interessado solicitou prorrogação de prazo. Alega que não há provas de que o contribuinte tenha ficado sem acesso aos autos, mas há provas de que obteve cópia integral dos autos 15 dias antes do prazo final para apresentar impugnação. Complementa dizendo que o lançamento foi feito com elementos que o contribuinte já dispunha. Afirma que o lançamento foi correto. Diz que a Lei n° 9.430, de 1996, estabeleceu que os créditos cuja origem não é comprovada correspondem a receitas omitidas, que contribuinte foi intimado a explicar a origem mas não deu qualquer informação, e que não basta alegar que parte dos créditos decorre de transferência entre contas da empresa. Informa que não basta alegar genericamente que alguns históricos poderiam não se referir a receitas. Diz que apenas o crédito, no montante de R$ 404.800,00, cujo histórico informa ser liberação de contrato do Finame deve ser afastado do lançamento. Informa que foi correta a exigência na modalidade do Simples, pois o contribuinte não foi excluído de oficio e nem fez opção de exclusão. Diz que as receitas omitidas devem ser tributadas no regime de tributação do contribuinte, que no caso é o Simples. Informa que "a exclusão do SIMPLES somente ocorreu a partir do mês de janeiro de 2005, uma vez que a fiscalização constatou que o interessado auferiu receita no ano calendário de 2004 superior a um milhão e duzentos mil reais (art.9°, II, da Lei n° 9.317/1996)". Diz que o lançamento referente a insuficiência de recolhimento é matéria incontroversa, nos termos do art. 17 do Decreto n° 70.235, de 1972. Diz que a fiscalização não fundamentou a aplicação da multa de 150% e que, a simples omissão de receitas não autoriza a aplicação da multa qualificada, sendo necessário comprovação do dolo. Reduz a multa para 75%. Quanto ao juros Selic, a turma diz que decorre de previsão legal e que o tema está sumulado no CARF. Quanto a responsabilização, diz que é caso de responsabilidade solidária passiva, pois "os ilícitos tributários mantidos foram cometidos à época em que as pessoas fisicas supracitadas faziam parte do quadro societário, na qualidade de sócios administradores, o que configura o interesse comum na situação que constitui o fato gerador dos tributos". Sobre a exclusão do Simples, diz que "comprovado nos autos que o interessado auferiu no ano calendário de 2004 receita bruta superior ao limite previsto na legislação pertinente aos optantes pelo SIMPLES, e que nos termos do art.13, II, "a", da Lei n° 9.317, de 1996, tal fato implica sua exclusão obrigatória do SIMPLES, com efeitos a partir do ano calendário subseqüente (art.15.1V, da mesma Lei), não merece qualquer reparo o Ato Declaratório Executivo n° 12, de 20 de fevereiro de 2009, que, obedecendo a todos os requisitos de validade dos atos jurídicos, levou a efeito a exclusão do interessado do SIMPLES a partir de 01/01/2005". O órgão preparador tenta cientificar o contribuinte por correio, no endereço Estrada Areia Branca, sem número, Jacuiba, Cachoeiras de Macacu, mas não logra sucesso, pois o local não foi encontrado (proc. fls. 354 e 354 v). Assim, é feita a notificação por edital, afixado em 21/01/2010, para ciência de intimação no presente processo e no processo 15540.000397/2009-46 (proc. fl. 355). 4 Processo n° 15540.000009/2009-27 S I-CIT I Acórdão n.° 1101-00.759 Fl. 379 Em 30/04/2010, parte dos créditos tributários mantidos pela decisão são transferidos para o processo n° 10730.720045/2010-93 (proc. fls. 356 a 360). Consta da capa do processo n° 15540.000053/2009, referente a exclusão do Simples, que ele foi desapensado do presente processo em 10/05/2010. Em 12/05/2010, o órgão preparador propõe o encaminhamento do presente processo para o CARF, para apreciação do recurso de oficio (proc. fl. 361). Em 23/02/2012, procurador da empresa recebe cópia completa do processo (proc. fl. 362 a 372). Consta do processo n° 15540.000053/2009 que, em 12/03/2012, ele foi encaminhado para o CARF para ser apensado ao presente processo. E importante esclarecer que o presente processo está umbilicalmente ligado ao processo n° 10730.720045/2010-93, que veicula recurso voluntário da decisão da DRJ acima mencionada no que tange ao lançamento. Por estas razões, foi solicitado e determinado a distribuição do processo no 10730.720045/2010-93, por conexão, para julgamento conjunto com o presente processo. Assim, a análise dos 2 processos deve ser feita concomitantemente. Para tanto, cabe relatar aqui também o conteúdo do processo n° 10730.720045/2010-93, onde consta recurso voluntário referente a parte do lançamento mantida pela DRJ, destacando que a menção às folhas se referem ao próprio processo n° 10730.720045/2010-93. Segue transcrição do relatório do processo n° 10730.720045/2010-93: Trata-se de recurso voluntário contra decisão que considerou parcialmente improcedente impugnação. 0 presente processo veicula o recurso voluntário referente ao auto de infração constante do processo n° 15540.000009/2009- 27. Consta do processe termo de recepção de créditos transferidos do processo n° 15540.000009/2009-27 (proc. fls. 1 a 5), termo de perempção, datado de 10/03/2010 (proc. fl. 6), cópia do cadastro no sistema CNPJ (proc. fl. 8), cópia dos autos de infrações do processo n° 15540. 000009/2009-27 (proc. fls. 9 a 13 e 18 a 110), termo de verificação fiscal e imputação de responsabilidade do processo n° 15540.000009/2009-27 (proc. fls. 14 a 17), impugnação do processo n°15540.000009/2009-27 (proc. fls. 114 a 138), impugnação de Caio e Victor (proc. fls. 139 a 144), acórdão 12-27.897 da 2a Turma de Julgamento da DRJ I no Rio de Janeiro do processo n° 15540.000009/2009-27 (proc. fls. 146 a 165). Também, consta a ciência do acórdão do processo n° 15540.000009/2009-27. Inicialmente foi enviada correspondência para o endereço Estrada das Areias Brancas, sem número, Japuiba, Cachoeiras de Macacu, que foi devolvida (proc. fl. 186). Na seqüência, foi feita a intimação por edital afixado em 21/01/2010 (proc. fl. 185). 0 edital convoca para 5 ciência de intimação nos processos 15540.000009/2009-27 e 15540.000397/2009-46. 0 presente processo foi remetido para a PGFN para inscrição em divida ativa (proc. fls. 187 a 206). Em 20/07/2010, o contribuinte solicita e recebe cópias do processo, que são entregues a Girlédio (proc. fl. 210). Em 10/08/2010, o contribuinte se manifesta alegando que não foi cientificado da decisão da turma julgadora referente ao processo n° 15540.000009/2009-27 e ao processo n° 15540.000397/2009- 46 (proc. fls. 211 e 212). Também, solicita que os autos sejam encaminhados para a Receita, afim de que seja dado ciência do acórdão para seu exercício do direito de defesa. Ainda, diz que não foi intimado no endereço especificado, conforme documentos que junta (proc. fls. 213 a 215). juntado aos autos contrato social da autuada (proc. fls. 216 a 219) e cópia do cartão CNPJ emitido em 12/08/2010 (proc. fl. 220). Victor e Caio, responsabilizados pelo crédito da autuada nos processos n°15540.000009/2009-27 e n° 15540.000397/2009-46, se manifestam no mesmo sentido (proc. fls. 222 a 225 e 237 a 241). Despacho da Agência da Receita em Friburgo explica que o presente processo (n° 10730.730045/2010-93) foi formalizado para receber os créditos originários do processo 15540.000009/2009-27, mantidos pelo acórdão 12-27.897, da 2° Turma da DRJ I no Rio de Janeiro, de 29/10/2009, que deu provimento parcial ao recurso (proc. fls. 271). Também, informa que a alegação do contribuinte, de que não foi cientificado da decisão, não procede porque a ciência foi tentada por correio, no endereço da impugnação do contribuinte (proc. fl. 114), que é o mesmo endereço do cadastro da empresa na RFB. Diz que a correspondência foi devolvida (proc. fl. 186) e a ciência foi dada por edital (proc. fl. 185). juntada manifestação do contribuinte dirigida a Receita Federal, datada de 27/10/2010 (proc. fls. 273). 0 contribuinte diz que, como o correio não consegue entregar as correspondências na sede da empresa, vem informar que o endereço no qual receberia todas comunicações da Receita Federal é Rua Sete de Setembro, 885, Gradim, São Gonçalo. Em 17/12/2010. o contribuinte junta petição direcionada à PFN (proc. fls. 537 a 539). 0 contribuinte diz que, como o correio não consegue entregar as correspondências na sede da empresa, indicou para a fiscalização qual o endereço onde receberia todas comunicações da Receita Federal. Alega que o acórdão da Turma Julgadora, no entanto, não foi enviado para o endereço indicado. Sugere que o endereço teria sido indicado pelos documentos juntados nas folhas 228 a 230. Argumenta que o sócio que subscreve tem endereço certo, mas não foi comunicado do acórdão no seu endereço, apesar de ter recebido intimações da fiscalização no seu endereço. Diz que o edital é inócuo porque chama para tomar ciência de intimação e não de decisão 6 Processo n° 15540.000009/2009-27 SI-C ITI Acórdão n.° 1101-00.759 Fl. 380 de julgamento. Diz que a cientificação foi nula. Solicita que a PFN encaminhe os autos para a Receita, afim de que seja dada a ciência pessoal no endereço constante da impugnação. Petição semelhante dirigida a PEN é apresentada por Caio e Victor (proc. fls. 542 a 546). Dizem que, apesar de serem responsabilizados pelo crédito tributário da empresa, não foram cientificados do acórdão. Em 01/03/2011, a PEN atende ao solicitado e devolve os autos para a Receita para considerações e para apresentação do comprovante de intimação (proc. fl. 547). juntada novamente petição de 27/10/2010 do contribuinte para a Receita Federal (proc. fl. 551), onde contribuinte explica que o correio não consegue encontrar o seu endereço e indica endereço de sócio para receber correspondência, localizado na Rua Sete de Setembro, 885, Gradim, São Gonçalo, R.J. juntado termo de constatação de 28/05/2009 (proc. fls. 552 e 553), onde a fiscalização registra tentou localizar a sede da empresa localizada na Estrada Areia Branca, sem número, Japuiba, Cachoeiras de Macacu, mas constatou a inexistência de estabelecimento no local. Descreve o endereço como uma estrada sem calçamento, localizada na zona rural, com poucas casas, predominando sítios e fazendas voltadas para a atividade de pecuária extensiva. Junta fotos para ilustrar o ambiente. juntada representação para inaptidão do CNPJ de 14/07/2010 (proc. fls. 554 e 555), cujo fundamento é a não localização do endereço constante como domicilio tributário, conforme termo de constatação de 28/05/2009. Em 11/03/2011, despacho da agência da Receita dirigido para PFN(proc. fl. 412), informa que: a empresa foi autuada; impugnou a autuação; a turma julgadora deu provimento parcial • impugnação, fazendo recurso de oficio da parte exonerada; a ciência do acórdão foi por edital (proc. fl. 185), após correio devolver a intimação enviada por via postal (proc. fl. 186); frente a não apresentação de recurso voluntário o processo foi apartado para cobrança da parte mantida e julgamento do recurso de oficio da parte exonerada; não houve pagamento ou parcelamento e a divida foi encaminhada para a PF1V; apenas em 27/10/2010 a empresa apresentou requerimento indicando outro endereço para receber intimações (proc. fl. 551). A agência adiciona também o termo de constatação e a representação para inaptidão (proc. fls. 552 a 555). Em 21/03/2011, despacho da PEN (proc. fl. 559 e 560) insiste que, apesar da manifestação da agência, "ad cautelam, se faz necessária manifestação especifica sobre a existência de intimações nos endereços indicados no Auto de Infração, folha 17 do presente processo, uma vez que segundo o auditor que lavrou o auto de infração, a empresa, através de depoimento de seu sócio-gerente, apresentou novo endereço para correspondencia". Também, lembra que é necessária 7 manifestação sobre a intimação dos responsáveis. Ainda, questiona o porque da ausência dos nomes dos coobrigados na CDA. Determina que a Receita esclareça sobre a intimação de todos os interessados e sobre a ausência dos nomes dos responsáveis na inscrição de divida, no prazo de 30 dias. Em 01/04/2011, o Serviço de Fiscalização de Niterói informa que (proc. fl. 564): o auto foi lavrado em 08/01/2009 e foi cientificado pessoalmente em 09/01/2009; que Girlédio informou em depoimento que estaria a disposição da Receita Federal para novos esclarecimentos, apenas para recebimento de correspondência, na Rua Visconde de Sepetiba, n° 935, sala 1314, Centro, Niterói; e que não compete a este serviço, em razão do regimento, "a execução das demais atribuições objeto do questionamento do Sr. Procurador da Fazenda Nacional ". Em 3/11/2011, despacho da PFN (proc. fls. 566 e 567) argumenta que, em vista da queixa do contribuinte de não ter sido intimado no endereço indicado para tanto, e considerando que não há perigo eminente de prescrição, "e de boa administração, por cautela, encaminhar os autos mais uma vez RF, solicitando Aquele órgão que analise as alegações do contribuinte em definitivo e avalie a possibilidade se renovar as intimações aqui efetuadas ". Também, chama a atenção para o risco de restar comprovado o cerceamento de defesa e isso implicar em decadência ou prescrição. Pede que a Receita analise "em especial o fato do contribuinte ter informado na peça de fls. Que forneceu endereço para intimação da decisão final ". Em 06/12/2011, o serviço de fiscalização informa que a competência para dar ciência de decisão de DRI é da Agência de Nova Friburgo, sendo ela o órgão competente para responder para a PFN, e determina que o processo seja encaminhado para a agencia (proc. fl. 569). Em 19/12/2011, o serviço de fiscalização faz relato da movimentação do processo e dos pedidos da PFN (proc. fls. 573 a 575). A agência encaminha o processo para a PFN (proc. fl. 576). Em 14/02/2012, despacho da PFN (proc. fls. 577 e 578) informa que, "considerando a manifestação inconclusiva apresentada pela SEFIS no que diz respeito à intimação da empresa no endereço apresentado pelo seu representante legal informado no Auto de Infração (fl. 34), bem como no Termo de Depoimento do Sr. Girlédio dos Santos Ramos, esta Seccional da Fazenda Nacional entende prudente para fins de resguardar o crédito tributário que haja nova tentativa de intimação da empresa sobre a decisão da DRJ no endereço fornecido pelo representante legal da mesma". Explica que "tal fato buscará evitar qualquer futura alegação de nulidade do processo administrativo fiscal com base na ausência de ampla defesa e contradit6rio.. , e em nada prejudicará a Fazenda Nacional ". Determina, dentre outros, a remessa para a agência "para providenciar nova intimação da empresa nos endereços constantes em fl. 564 e em fl. 551 e prosseguimento na cobrança administrativa ". Em 22/02/2012, a agencia de Nova Friburgo encaminha empresa para ciência (proc. fls. 644 e 645): cópia do despacho administrativo do procurador da Fazenda Nacional constante das 8 Processo n° 15540.000009/2009-27 SI-CITI Acórd'ao n.° 1101-00.759 Fl. 381 folhas 577 e 578, de 14/02/2012; acórdão 12-27.897 da r Turma da DRJ I RJ, de 29/10/2009, de fls 146 a 165; e intimação 748/2009 da ARF/NOVA FR1BURGO/RJ, de 09/11/2009, fls.174 a 184. As remessas são feitas para a Rua Visconde de Sep etiba, 9351, sala 1314, Niterói e para a Rua Sete de Setembro, 885, Gradim, São Gonçalo. A agência denomina o documento que indica o material remetido como Intimação 123/2012 e Intimação 124/2012. A correspondência é entregue pelo correio (proc. fls. 646 e 647). Em 30/03/2012, o contribuinte apresenta recurso voluntário, onde repete os argumentos apresentados na impugnação, salvo os relativos a multa e juros Selic (proc. fls. 655 a 688). 0 contribuinte adiciona que não houve motivação para a quebra de sigilo bancário e que o Fisco não pode quebrar o sigilo bancário, pois apenas o judiciário o pode. Conclui que o auto é nulo. 9 Voto Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, Conforme o relatório acima, o presente processo (processo n° 15540.000009/2009-27) controla os valores exonerados pela decisão da turma julgadora da DRJ e veicula o recurso de oficio. Já o processo n° 10730.720045/2010-93 controla os valores mantidos pela decisão da turma julgadora da DRJ e veicula recurso voluntário. Ambos os processos versam sobre o mesmo lançamento, referente ao ano de 2004. Não obstante, neste processo se analisa apenas o recurso de oficio constante deste processo (n° 15540.000009/2009-27). Quanto ao recurso de oficio, observando a decisão de la instância, constata-se que os seguintes pontos foram favoráveis ao contribuinte e são, portanto, alcançados pelo recurso de oficio: 1°) redução da multa de 150% para 75%; 2°) exclusão de R$ 404.800,00 das receitas omitidas. No que tange à redução da multa de oficio de 150% para 75%, vale notar que a turma julgadora reduziu a multa sob o argumento de que a fiscalização não teria fundamentado a aplicação da multa de 150% e de que a simples omissão de receita não implica em dolo. Assim, embora existam elementos nos autos para afastar o segundo argumento da turma, pois é evidente que não se trata de simples omissão, verifica-se no auto de infração e no termo de constatação que a fiscalização não explicou as razões pelas quais aplicou a multa de 150%. Nessas circunstância, agiu corretamente a turma julgadora ao afastar a multa de 150%, por falta de fundamentação. No que tange à redução do montante de receitas omitidas, no valor de R$ 404.800,00, cujo histórico informa ser liberação de contrato do Finame, também agiu corretamente a turma julgadora. De fato, o histórico constante do extrato fornece elementos suficientes para demonstrar que não se trata de receita auferida pelo contribuinte. Dessarte, a decisão da turma julgadora foi correta. Portanto, por estas razões, voto por negar provimento ao recurso de oficio. No entanto, a preocupação da PFN expressa no processo n° 10730.720045/2010-93 com a falta de intimação dos responsáveis era procedente. Não obstante, a PFN não se atém a este detalhe no seu último despacho e não sugere à agência que cientifique os responsabilizados (processo n° 10730.720045/2010-93 fls. 577 e 578). Assim, os apontados como responsáveis solidários não foram formalmente cientificados, em que pese terem comparecido ao processo n° 10730.720045/2010-93, onde constava o acórdão que manteve a responsabilização. No entanto, em razão do recurso de oficio, o presente processo com todos os seus elementos, inclusive o termo de sujeição passiva, foi trazido ao conhecimento do CARF. Assim, preliminarmente, cabe decidir sobre a possibilidade do CARF conhecer de oficio sobre a responsabilização de Victor e Caio. 10 Processo n° 15540.000009/2009-27 SI-CI Ti Acórdão n.° 1101-00.759 n.382 Neste aspecto, a possibilidade de declaração de nulidade do termo de sujeição passiva por falta de amparo legal, conforme art. 53 da Lei n° 9.784, de 1996, torna obrigatório o conhecimento de oficio dos termos de sujeição passiva. Vale a transcrição: Art. 53. A Administração deve anular seus próprios atos, quando eivados de vicio de legalidade, e pode revogá-los por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos. Por estas razões, voto por admitir a possibilidade do CARF conhecer de oficio os termos de responsabilização, para ponderar sobre sua legalidade. Entendendo-se possível que o CARF conheça a matéria, cabe analisar a base legal pela qual o fiscal pretendeu trazer o Victor e Caio para o pólo passivo (inciso I do art. 124 e art 135, ambos do CTN). Em uma primeira abordagem, apenas com base na tópica dos artigos no código, se percebe que eles alcançam situações totalmente distintas. 0 art. 124 está localizado no capitulo IV "sujeito passivo", enquanto o art. 135 está localizado no capitulo V "responsabilidade tributária". 0 art. 124 aponta pessoas que estão no pólo passivo em razão de uma conexão com o fato tributável (como propõe o capitulo IV), ao passo que o art. 135 indica pessoas que respondem por divida tributária de outrem por conexão ao devedor (como propõe o capitulo V). Isso mostra que os artigos não podem constar juntos da mesma acusação, sob pena de nulidade. Afinal, se a acusação não é clara, não é possível a defesa. A única possibilidade dos dois artigos constarem da mesma acusação seria ficar cabalmente demonstrado que o apontado como solidário atende as hipóteses de incidência de ambos os artigos. Mas, no presente caso, isso não foi feito pela fiscalização. Inclusive, não houve nenhuma preocupação do Fisco em demonstrar que os apontados atendiam aos requisitos de um e do outro artigo, quanto mais dos dois ao mesmo tempo. Ou seja, para o fiscal ter imputado solidariedade a Victor e Caio com base nos dois dispositivos deveria ter explicado como eles se relacionam com as situações alcançadas em cada artigo. Mas, isso não é observado no termo de sujeição passiva. Nesse documento se constata apenas a descrição de alguns eventos ocorridos durante a fiscalização, sem qualquer explicação sobre quais destes eventos realizam a hipótese do inciso I do art. 124 e quais eventos realizam a hipótese do art. 135. Com isso, há evidente prejuízo para a defesa que não sabe ao certo qual situação deve refutar ou esclarecer. Por oportuno, vale lembrar que, sendo a presente questão tão complexa e com tão ampla divergência doutrinária e jurisprudencial, caberia ao fiscal ter sido o mais claro o possível. Inclusive, não bastaria demonstrar como cada uma das hipótese de incidência teria sido realizada por Victor e Caio, mas seria conveniente que definisse o alcance de cada dispositivo. Só assim, ficaria evidenciada a regra aplicada e só assim seria permitida a defesa. A ausência de explicações sobre o alcance da regra e a ausência de demonstração de realização da hipótese de incidência também implica na nulidade do ato. Na seqüência desta análise, cabe agora transcrever e analisar os artigos em pauta, iniciando pelo art. 124, in verbis: II Art. 124. Sao solidariamente obrigadas: 1 - as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; - as pessoas expressamente designadas por lei. Da leitura do art. 124, percebe-se seu aspecto didático, adequado ao status de norma geral (lei nacional), bem como A. natureza de código. Conforme o inciso I, são solidárias as pessoas que se coloquem na mesma posição (tenham interesse comum), no que tange ao fato gerador. Assim, por exemplo, os co- proprietários de imóvel são devedores solidários do IPTU ou os co-adquirentes de imóvel são devedores solidários do ITBI. Ou seja, são solidários aquelas pessoas que co-realizam o fato gerador. Já o inciso II diz que são solidários aquelas pessoas apontadas na lei (da União, ou Estados, ou Municípios, no que pertine aos seus tributos respectivamente). Assim, por exemplo, se a legislação estadual estabelecer, o vendedor do imóvel será devedor solidário do ITBI com o comprador. Ou seja, mesmo não realizando conjuntamente o fato gerador, a solidariedade pode decorrer da lei Como visto, com a exegese proposta, o art. 124 de tão didático poderia ser tido como desnecessário. 0 que serviria de argumento para pretender que a expressão "interesse comum na situação que constitua o fato gerador" alcançasse outras pessoas além daquelas que estejam na mesma posição em relação ao fato gerador. Mas, mesmo com a interpretação didática propugnada, o art. 124 tem forte razão para existir, o que sustenta a interpretação defendida e afasta outras. Primeiro, ele divide e distingue os casos de solidariedade que existem em razão dos fatos tributáveis (inciso I) daqueles que existem em razão da lei e de outros fatos (inciso II). Segundo, garante que a solidariedade só decorra da lei, quer pela realização da hipótese de incidência do tributo (inciso I), quer pela realização da previsão legal de solidariedade estabelecida pelo legislador do ente tributante por razões de administração tributária (inciso II). Enfim, ao dizer "interesse comum", o CTN diz interesse idêntico. Se o interesse é idêntico, significa que as pessoas co-realizam o fato gerador. Deste modo, se percebe que é incabível pretender sustentar, como quis o fiscal, que o sócio gerente, o administrador e a pessoa jurídica estejam na mesma posição em relação aos fatos geradores de tributos da empresa. Os fatos tributáveis realizado pela empresa são delas e os sócios e administradores não têm participação nestes fatos, embora representem a empresa ou a administrem. 0 sistema jurídico e o direito tributário reconhecem a personalidade jurídica da empresa, que é distinta da dos seus sócios, gerentes e administradores. Os atos e fatos da empresa são delas e de mais ninguém. Os atos e fatos dos sócios e dos administradores são deles e não da empresa. Destarte, fica claro que o sócio-gerente ou o procurador não podem estar na mesma posição em relação ao fato tributável da empresa. De outra banda, é preciso registrar que não há o menor sentido em se pretender que "interesse comum na situação que constitua o fato gerador" signifique algo diferente que a mesma posição em relação ao fato gerador. Admitir tal possibilidade é admitir que o CTN pretendesse criar uma instabilidade nas relações jurídicas. 12 Processo n° 15540.000009/2009-27 Si -Cl Ti Acórdão n.° 1101-00.759 Fl. 383 Ou seja, não é razoável imaginar que uma norma geral, voltada a regular a produção normativa tributária dos entes da federação ou a estabelecer alguns padrões normativos de âmbito nacional, fosse deixar ao aplicador da lei (da União, dos Estados e dos Municípios) um espaço tão grande para interpretação. Pretender que o aplicador da lei pudesse definir, com toda a sua subjetividade, o que seria "interesse comum na situação que constitua o fato gerador" é o equivalente a pretender que o Código Tributário Nacional visasse a instabilidade das relações jurídicas. As pessoas têm infinitos interesses e podem comungar algum destes interesses em uma situação que seja o fato gerador de algum tributo, sem que estejam na posição do sujeito passivo. Por exemplo, o corretor de imóveis, e talvez até o tabelião que lavra a escritura, pode ter interesse na venda e nisso seu interesse coincide com o interesse do comprador e o interesse do vendedor. Mas, cada um deles é uma pessoa distinta e ocupa uma posição jurídica diferente na compra e venda do imóvel e tem motivações próprias da posição que ocupam. Não é possível confundir vontade parecida, interesse coincidente, desejo semelhante, ou qualquer outra proximidade de intenção, com interesse comum na situação que constitua o fato gerador. Por isso, não é possível atribuir ao inciso I do art. 124 do CTN o condão de estabelecer a solidariedade em razão da semelhança de vontades ou coincidência de interesses. A própria frouxidão que resultaria de tal interpretação é suficiente para refutá-la. Deste modo, não fosse pelo próprio texto, até por segurança jurídica, é preciso entender que o art. 124 ao mencionar "interesse comum" diz interesse idêntico e isso significa que para serem solidários as pessoas precisam co-realizar o fato gerador. Estabelecido o significado do inciso I do art. 124 do CTN, cabe indagar: no caso em concreto, qual seria o interesse comum (idêntico) de Victor, Caio e da empresa na realização dos fatos tributados? Ora, não há qualquer interesse em comum. A empresa realiza suas operações de venda e de prestação de serviço para realizar sua finalidade social. Os sócios-gerentes e os administradores representam e administram a empresa. 0 sistema jurídico, há muito atribui a cada um seus próprios atos. Pretender que o art. 124 tome os sócios-gerentes ou administradores solidários com os tributos da empresa é defender um retrocesso de centena de anos na definição da personalidade jurídica das pessoas. Mas, consta do termo também a afirmação de que Victor e Caio teriam, em tese, cometido crime contra a ordem tributária e violado o contrato social. Cabe a pergunta: no que isso tornaria os interesses deles comuns com os da empresa em relação aos fatos tributáveis? Também aqui não há como enquadrar a conduta de Victor e Caio no inciso I do art. 124. 0 fato de a empresa ter sonegado e da conduta do gerente poder ser tipificada penalmente, não significa que eles tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador. De outra banda, o Simples é uma sistemática de cobrança de tributos tributo, por definição, realizados por uma única pessoa. Ou seja, não há como aplicar a solidariedade 13 determinada no inciso I, do artigo 124 do CTN ao Simples, pois os tributos que eles representa pressupõem um único sujeito passivo. Assim, se constata que o inciso I do art. 124 do CTN é totalmente impróprio a estabelecer solidariedade entre a empresa e o Victor e Caio. Cabe agora analisar o art. 135, também mencionado no termo. 0 texto é o seguinte: Art.135. Sao pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I - as pessoas referidas no artigo anterior; - os mandatários, prepostos e empregados; III - os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Como se percebe, é preciso uma análise construtiva para dar significado regra, já que seu texto não permite uma compreensão imediata. Assim, antes de se falar se cabe ou não a aplicação do artigo ao caso concreto, é preciso construir e enunciar com clareza a hipótese legal da regra veiculada pelo artigo. Para tanto, dois pontos de partida são adotados: 1 0) a regra visa claramente proteger o Fisco do inadimplemento, por parte da empresa (isso decorre da interpretação sistemática do CTN, em especial dos artigos do capitulo V); 2 0) tal proteção deve se dar dentro de limites razoáveis. Então, se a finalidade da regra é a de garantir o adimplemento, parece ponderado que ela incida quando ocorre o inadimplemento absoluto. Afinal, se a regra pretende evitar que o Fisco seja prejudicado, não parece necessário que ela incida enquanto a devedora ainda pode satisfazer o débito com seus bens. Portanto, resta claro que um dos elementos da hipótese de incidência é a impossibilidade de cobrar da empresa o débito tributário. Outro elemento bastante evidente é a necessidade de alguma conduta ilícita por parte da pessoa que vai ser responsabilizada. Inclusive o art. 135 é expresso em exigir que o responsabilizado tenha agido com infração de lei. Obviamente existem diversas possibilidades das pessoas apontadas nos incisos agirem com infração de lei. Mas, considerando que a finalidade da regra é proteger o Fisco do inadimplemento absoluto de débito tributário, é razoável que a atuação da pessoa que será responsabilizada tenha a ver com este débito tributário pelo qual respondera ou com o inadimplemento absoluto. Com base nesta interpretação, uma das condutas que estariam alcançadas pelo dispositivo é a pessoa estar no comando da empresa quando a empresa sonega tributos (oculta do fisco a ocorrência de fatos tributáveis). Agora, juntando os dois elementos (esta conduta e a finalidade da regra de proteger o Fisco do inadimplemento absoluto), tem-se que para responsabilizar o gerente ou administrador é preciso que o débito tributário decorra de sonegação, que ele tenha estado na administração da empresa no momento em que ocorreu a sonegação, e que não seja possível cobrar da empresa. Outra conduta passível de responsabilizar seria a dissipação irregular de patrimônio de empresa devedora do Fisco. Nesses termos, a responsabilidade decorre, não de 14 Processo n° 15540.000009/2009-27 SI-CIT I Acórdão n.° 1101-00.759 l'1. 384 sonegação, mas de dissipação do patrimônio da devedora sem observar as regras legais de privilégio de crédito. Em termos práticos, conclui-se que a responsabilidade prevista no art. 135 é subsidiária, e não solidária, e aplica-se, dentre outras situações, quando o débito decorre de sonegação. No caso concreto, conforme o fiscal autuante, o auto de infração formaliza débito decorrente de sonegação fiscal no ano-calendário de 2004. Assim, seria possível haver a responsabilização da gerente ou do administrador no ano de 2004, mas não há qualquer demonstração no auto ou no termo de sujeição passiva solidária de que a empresa não tenha condições de pagar o débito. Portanto, não está demonstrado que os fatos correspondem ao descrito no art. 135 e não se pode falar em responsabilidade da gerente ou do administrador. Deste modo, o art. 135 não fornece base legal para o "termo de sujeição passiva solidária". Em conclusão, a responsabilização é nula por falta de base legal. Por oportuno, saliente-se que tal entendimento não impede a responsabilização das pessoas apontadas no momento em que ficar caracterizada a impossibilidade de cobrança do débito tributário da empresa. Por exemplo, vindo tal fato ficar demonstrado em uma execução frustrada, ficam perfectibilizadas as condições da responsabilização. Em resumo, por tais razões, no que tange à matéria veiculada pelo presente processo, voto por dar negar provimento ao recurso de oficio, por conhecer de oficio da imputação de responsabilidade, e por declarar a nulidade da responsabilização de terceiros. Por fim, cabe destacar a necessidade de que os processos n° 15540.000009/2009-27 e n° 10730.720045/2010-93 sejam apensados, por versarem sobre o mesmo lançamento. CARLOS EDU62-DO DE ALMEIDA GUERREIRO 15
score : 1.0
Numero do processo: 18471.001566/2006-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2012
CASO BANESTADO. BEACON HILL. PROVAS ENVIADAS LEGALMENTE PARA O BRASIL. TRANSFERÊNCIAS DE INFORMAÇÕES À RECEITA FEDERAL DO BRASIL. COMPARTILHAMENTO DE INFORMAÇÕES.
Dados enviados ao Brasil pela Promotoria Distrital de Nova Iorque, Estados Unidos da América, periciados e objeto de laudo conclusivo pela Polícia Federal, transferidos à Receita Federal do Brasil por força de decisão da 2ª Vara Criminal Federal de Curitiba/PR, constituem-se elementos de prova robustos de que o sujeito passivo manteve numerário em conta no exterior, cujas origens dos recursos que possibilitaram as transações financeiras discriminadas não restaram comprovadas durante o desenvolvimento do procedimento fiscal.
Numero da decisão: 2402-007.182
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(assinado digitalmente)
Mauricio Nogueira Righetti - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, Denny Medeiros da Silveira (Presidente), Wilderson Botto (suplemente convocado), João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Fernanda Melo Leal (suplente convocada) e Gregório Rechmann Junior e Paulo Sergio da Silva. Ausente a conselheira Renata Toratti Cassini, que foi substituída pelo conselheiro Wilderson Botto.
Nome do relator: MAURICIO NOGUEIRA RIGHETTI
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BEACON HILL. PROVAS ENVIADAS LEGALMENTE PARA O BRASIL. TRANSFERÊNCIAS DE INFORMAÇÕES À RECEITA FEDERAL DO BRASIL. COMPARTILHAMENTO DE INFORMAÇÕES. Dados enviados ao Brasil pela Promotoria Distrital de Nova Iorque, Estados Unidos da América, periciados e objeto de laudo conclusivo pela Polícia Federal, transferidos à Receita Federal do Brasil por força de decisão da 2ª Vara Criminal Federal de Curitiba/PR, constituemse elementos de prova robustos de que o sujeito passivo manteve numerário em conta no exterior, cujas origens dos recursos que possibilitaram as transações financeiras discriminadas não restaram comprovadas durante o desenvolvimento do procedimento fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 15 66 /2 00 6- 71 Fl. 157DF CARF MF Processo nº 18471.001566/200671 Acórdão n.º 2402007.182 S2C4T2 Fl. 158 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, Denny Medeiros da Silveira (Presidente), Wilderson Botto (suplemente convocado), João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Fernanda Melo Leal (suplente convocada) e Gregório Rechmann Junior e Paulo Sergio da Silva. Ausente a conselheira Renata Toratti Cassini, que foi substituída pelo conselheiro Wilderson Botto. Relatório Cuida o presente de Recurso Voluntário em face do Acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, que considerou improcedente a Impugnação apresentada contra o auto de Infração lavrado em 13.11.06. Por meio daquele ato, apurouse omissão de rendimentos da monta de R$ 119.360,00. Por bem descrever os fatos apurados, passo a transcrever excerto do relatório do acórdão de piso: Cientificado da decisão, o requerente apresentou Impugnação às fls. 123/130, aduzindo, em síntese, os seguintes argumentos: Que os documentos acostados ao procedimento investigatório não são hábeis em provar a culpa do recorrente no aludido procedimento. Analisando alguns dos documentos que foram carreados, por cópia autenticada, ao processo administrativo, deixam dúvidas quanto à autenticidade dos mesmos; Que diante da não autenticidade de alguns documentos de suma importância, em especial aquele que comprovaria a identificação irrefutável do beneficiário do credito, o acusador não logrou êxito em provar a Fl. 158DF CARF MF Processo nº 18471.001566/200671 Acórdão n.º 2402007.182 S2C4T2 Fl. 159 3 materialidade e autoria do fato constitutivo do ilícito, razão pela qual requer, preliminarmente, a nulidade do procedimento; Que todas as multas isoladas aplicadas aos contribuintes sobre o IRRF devido antes de 2001 carecem de respaldo constitucional e legal. As multas isoladas, especificamente no caso do IRRF devido sobre obrigações cujos fatos geradores tenham sido constituídos antes de 2001 são indevidas, pois só foram expressamente previstas na legislação com a edição da Medida Provisória 16/2001; Que o artigo 150, VI da CRFB/88 estabelece a vedação à utilização do tributo com efeito confiscatório; e Que o recorrente sempre foi extremamente diligente no atendimento a todas as solicitações no processo administrativo, não podendo ser autuado em auto de infração, cujo fundamento tem seus alicerces embasados em provas que não obedecem ao rigor da lei e que mais se assemelhar a ato confiscatório, em total desacordo com a nossa Carta Magna. Como já dito, A DRJ julgou improcedente o recurso (fls. 134/139), com a seguinte ementa: Fl. 159DF CARF MF Processo nº 18471.001566/200671 Acórdão n.º 2402007.182 S2C4T2 Fl. 160 4 Irresignado, apresentou Recurso Voluntário em face do referido acórdão, por meio do qual aduziu (fls. 143/149): Cerceamento do Direito de Defesa. Que teria pedido vistas do processo no dia 26/11/2009, sendo que somente no dia 01/12/2009 é que o processo estaria disponível. Portanto, após expirado o prazo para sua manifestação. Que no procedimento inexistem elementos reais que avalizem, de forma irrefutável, a sua culpabilidade, na medida em que as provas acostadas aos autos não coadunam com a verdade dos fatos. Que, não obstante a "prova documental" carreada aos autos, nos deparamos com a superficialidade das mesmas, que, apenas demonstram um fato, sem a constatação dos elementos necessários que comprovem que o próprio recorrente deu causa a remessa de valores para o exterior; Que não tem participação alguma na remessa de valores para o exterior. É o relatório. Voto Conselheiro Mauricio Nogueira Righetti, Relator Quanto à admissibilidade do presente recurso voluntário, cumpre registrar que a recorrente tomou ciência do acórdão de piso em 29.10/09, consoante se denota de fls. 141 e apresentou, tempestivamente, seu Recurso Voluntário em 30.11.09 (fls. 143). Preenchidos os demais requisitos, dele passo a conhecer. Antes de mais nada, faço registrar o aparente equívoco no tópico que chamou de "Breve Resenha dos Fatos:", quando asseverou que: Preliminar Cerceamento de Defesa. Preliminarmente, alega o recorrente cerceamento em seu direito de defesa, na medida em que teria solicitado vistas dos autos em 26.11.09, enquanto que o processo só teria sido a ele disponibilizado em 01.12.09, após o término do prazo para impugnar a exigência. Fl. 160DF CARF MF Processo nº 18471.001566/200671 Acórdão n.º 2402007.182 S2C4T2 Fl. 161 5 Cumpre destacar, de plano, que não há nos autos a comprovação de que efetivamente requerera vistas dos autos naquela data, um quintafeira, mas apenas a comprovação da data da vista (fls. 152). Confirase Ademais, a julgar pelo conteúdo de seu recurso, quando comparado com o de sua impugnação, sou levado a concluir pela plenitude de sua defesa, sobretudo ao se considerar que referido pedido de vistas, na forma como alegado, derase muito próximo do término do prazo legal, que se deu em 28.11.09, em um sábado. Sem razão o recorrente. Mérito. O sujeito passivo foi autuado em virtude de omissão de rendimentos consubstanciada pelo depósito de US$ 50.000,00, em 7.6.01, por meio da conta 310772, denominada PACIFICO, mantida no Banco Chase de Nova York e administrada pela empresa Beacon Hill Service Corporation, eis que não logrou comprovar a origem dos recursos depositados. As informações acima chegaram ao autuante por meio da Representação Fiscal nº 851/05, produzida pela Equipe Especial de Fiscalização Portaria SRF nº 463/04, constituída no âmbito da CoordenaçãoGeral de Fiscalização da então SRF. Por sua vez, o recorrente nega ser ele o destinatário/beneficiário do numerário e que não teria qualquer participação na remessa de valores para o exterior, além do quê, os documentos acostados não coadunariam com a verdade dos fatos, ao mesmo tempo em que não comprovariam que o próprio recorrente teria dado causa a remessa de valores para o exterior. Nesse aspecto, filiome à fundamentação e à conclusão das instância de piso, que após importante contextualização da operação que se denominou "Beacon Hill", bem analisou os documentos acostados aos autos. Vamos a elas: Fl. 161DF CARF MF Processo nº 18471.001566/200671 Acórdão n.º 2402007.182 S2C4T2 Fl. 162 6 Fl. 162DF CARF MF Processo nº 18471.001566/200671 Acórdão n.º 2402007.182 S2C4T2 Fl. 163 7 Fl. 163DF CARF MF Processo nº 18471.001566/200671 Acórdão n.º 2402007.182 S2C4T2 Fl. 164 8 Somadas às constatações acima, é de se notar que o recorrente, de nacionalidade espanhola (vide qualificação às fls.64) constou, naquele documento de efls 105, como beneficiário de recursos no banco/conta creditada1 "DEPARTMENTO INTERNACIONAL PASEO DE RECOLETO$ 19 5A PLTA MADRID SPAIN". Nesse sentido, pelas constatações acima, penso está satisfatoriamente demonstrado ter sido o recorrente, de fato, o beneficiário do recurso aqui tratado. Por outro lado, o que se tem aqui é a prática, registrese, adotada em vários casos análogos já julgados por este Colegiado, da negativa geral sem nenhuma outra ação ou elemento que a pudesse corroborar, como, por exemplo, o registro de ocorrência policial ou um processo judicial em face das empresas que vem operando com o seu nome sem autorização, se assim o fosse. Com efeito, sem razão o recorrente também neste ponto. No que toca à multa de ofício aplicada em seu patamar mínimo, com arrimo no artigo 44, I, da Lei 9.430/96, vale destacar que uma vez evidenciada a circunstância lá descrita, compete ao autuante de forma objetiva sua lavratura, a teor dos artigos 142 § único c/c 136, ambos do CTN. 1 CREDIT NAME: nome relacionado com o banco/conta creditada. Fl. 164DF CARF MF Processo nº 18471.001566/200671 Acórdão n.º 2402007.182 S2C4T2 Fl. 165 9 Face ao exposto, VOTO no sentido de CONHECER do recurso apresentado para REJEITAR a preliminar de cerceamento de defesa e, no mérito, NEGARLHE provimento. (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Fl. 165DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13011.000859/2010-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 14 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2007
PROVENTOS DE APOSENTADORIA POR MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇAO. CABIMENTO.
Para ser beneficiado com o Instituto da Isenção, os rendimentos devem atender a dois pré-requisitos legais: ter a natureza de proventos de aposentadoria e o contribuinte ser portador de moléstia grave, discriminada em lei, reconhecido por Laudo Médico Pericial de Órgão Médico Oficial, sendo certo que, nos termos do inciso III, do § 2º, do art. 5º da IN SRF nº 15/2001, a isenção em análise se aplica aos rendimentos recebidos a partir da data em que a doença for contraída, quando identificada no laudo pericial.
Comprovado nos autos o atendimento às exigências legais, impõe-se o reconhecimento do direito do contribuinte à isenção do imposto sobre a renda em relação aos proventos de aposentadoria.
Numero da decisão: 2402-006.999
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gregório Rechmann Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Denny Medeiros da Silveira, Luis Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sérgio da Silva, Wilderson Botto (Suplente Convocado), Maurício Nogueira Righetti, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior.
Nome do relator: GREGORIO RECHMANN JUNIOR
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ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. Recorrente SERGIO ANTONIO MURAD Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007 PROVENTOS DE APOSENTADORIA POR MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇAO. CABIMENTO. Para ser beneficiado com o Instituto da Isenção, os rendimentos devem atender a dois prérequisitos legais: ter a natureza de proventos de aposentadoria e o contribuinte ser portador de moléstia grave, discriminada em lei, reconhecido por Laudo Médico Pericial de Órgão Médico Oficial, sendo certo que, nos termos do inciso III, do § 2º, do art. 5º da IN SRF nº 15/2001, a isenção em análise se aplica aos rendimentos recebidos a partir da data em que a doença for contraída, quando identificada no laudo pericial. Comprovado nos autos o atendimento às exigências legais, impõese o reconhecimento do direito do contribuinte à isenção do imposto sobre a renda em relação aos proventos de aposentadoria. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente. (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 01 1. 00 08 59 /2 01 0- 11 Fl. 103DF CARF MF Processo nº 13011.000859/201011 Acórdão n.º 2402006.999 S2C4T2 Fl. 103 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Denny Medeiros da Silveira, Luis Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sérgio da Silva, Wilderson Botto (Suplente Convocado), Maurício Nogueira Righetti, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior. Relatório Tratase de recurso voluntário em face da decisão da 4ª Tuma da DRJ/JFA, consubstanciada no Acórdão nº 0940.015 (fls. 51), que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão de primeira instância: A notificação de lançamento de fls. 7/11 exige do interessado, já qualificado nos autos, o recolhimento do crédito tributário no valor de R$ 32.774,48. O lançamento originouse da revisão da Declaração de Ajuste Anual (DAA) – retificadora/2008 (espelho de fls. 28/34), quando foram apurados rendimentos indevidamente considerados como isentos por moléstia grave no total de R$ 289.361,84, referentes às fontes pagadoras Uniprev – Fundação Unifenas (R$ 21.477,62), TRT 15ª Região (R$ 252.068,27) e INSS (R$ 15.815,95), em face da seguinte motivação: “De acordo com a legislação do Imposto de Renda, somente são aceitos laudos periciais expedidos por instituições públicas. A simples aposição de um carimbo não caracteriza o ludo como oficial. Ademais, o laudo é datado de 19 de janeiro de 2010, e faz referência ao ano calendário de 2003 sem que nenhum exame médico (datado de 2003) fosse apresentado.” O interessado, por intermédio de procurador (instrumento de fls. 13/14), ofereceu a impugnação de fls. 2/6, na qual aduziu, em síntese, que: • o peticionário encontrase aposentado desde 21/5/1998 e foi constatado que é portador de cardiopatia grave, desde o ano de 2003, conforme laudo médico pericial, emitido pela Secretaria Municipal de Saúde de Alfenas, estando, assim, isento do imposto de renda nos termos previstos na legislação; • a lei faculta a apresentação de um laudo oficial federal, estadual ou municipal, sendo esta última a espécie apresentada, contendo todos os elementos necessários; • quanto à afirmação sobre a caracterização do laudo, formato, carimbo, isso é inerente a cada órgão, desde que sejam preenchidos os requisitos estabelecidos; Fl. 104DF CARF MF Processo nº 13011.000859/201011 Acórdão n.º 2402006.999 S2C4T2 Fl. 104 3 • a exigência estampada na descrição dos fatos acerca da apresentação de exame médico não consta da legislação, mesmo porque o responsável para analisar o citado documento seria o perito médico; • salientese que na declaração apresentada anteriormente constava todos os rendimentos ora tidos por omitidos; quando o contribuinte, ainda, pagou R$ 16.733,63 de imposto, mas mesmo assim foi notificado, havendo uma bitributação. Após a instrução dos autos, a unidade preparadora, considerado a impugnação tempestiva na forma descrita à fl. 37, encaminhouos a esta DRJ. Em análise inicial dos elementos componentes do processo e em face do que à época (8/11/2011) orientava o sítio eletrônico da Receita Federal sobre os “procedimentos para usufruir a isenção” pleiteada pelo interessado, os autos foram devolvidos à ARF em Alfenas/MG, nos termos do Despacho de fls. 38/39, para que o contribuinte providenciasse: “1) Documentação hábil e idônea para comprovar que apresentou o seu “pedido de reconhecimento da isenção do imposto de renda” perante suas fontes pagadoras Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região, Instituto Nacional do Seguro Social e Uniprevi Fundação Unifenas de Previdência Privada; 2) O deferimento ou indeferimento dos referidos pedidos, caso já tenham sido apreciados; 3) Tendo sido deferidos, apresentar laudo, certificado ou documento próprio das fontes pagadoras que expresse a data/período a partir de quando foi considerado o início da doença; 4) Se a suspensão da retenção do imposto de renda já foi procedida pelas mencionadas fontes pagadoras e a partir de quando.” Em resposta, o interessado apresentou os elementos de fls. 46/48, com o retorno dos autos a esta DRJ para análise. A DRJ julgou improcedente a impugnação do contribuinte, nos termos do Acórdão 0940.015 (fls. 51), cuja ementa reproduzse a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2008 RENDIMENTOS ISENTOS. MOLÉSTIA GRAVE. REQUISITOS. A apresentação de laudo sem o necessário vínculo entre o médico emitente e o órgão indicado no carimbo consiste em item que não assegura ao contribuinte direito à isenção pleiteada sobre os rendimentos declarados como isentos alusivos ao ano Fl. 105DF CARF MF Processo nº 13011.000859/201011 Acórdão n.º 2402006.999 S2C4T2 Fl. 105 4 calendário em análise. Outras questões acessórias foram abordadas, sendo que, no seu conjunto, formaram a convicção de que a moléstia alegada cardiopatia grave não restou demonstrada para o período. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado dessa decisão, a contribuinte interpôs recurso voluntário de fls. 61, reiterando o quanto aduzido na impugnação apresentada. É o relatório. Voto Conselheiro Gregório Rechmann Junior Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende os demais requisitos de admissibilidade. Deve, portanto, ser conhecido. Conforme exposto no relatório supra, a Fiscalização apurou Imposto de Renda Suplementar em decorrência da constatação da seguinte infração à legislação tributária: 1) Rendimentos Indevidamente Considerados como Isentos por Moléstia Grave – Não Comprovação da Moléstia ou sua Condição de Aposentado, Pensionista ou Reformado Da análise das informações e documentos apresentados pelo contribuinte, e/ou das informações constantes dos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, constatouse omissão de rendimentos tributáveis recebidos de pessoa jurídica, sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$ 289.361,84, recebidos pelo titular e/ou dependentes, das fontes pagadoras relacionadas abaixo, indevidamente declarados como isentos e/ou nãotributáveis, em razão de o contribuinte não ter comprovado ser portador de moléstia considerada grave ou sua condição de aposentado, pensionista ou reformado, nos termos da legislação em vigor, para fins de isenção do imposto de renda. A DRJ, corroborando o entendimento da Fiscalização, concluiu que a moléstia alegada – cardiopatia grave – não restou demonstrada no período. De fato, assim se manifestou aquele colegiado de piso: O laudo médico de fls. 20/21, datado de 19 de janeiro de 2010, estampa carimbo da Secretaria Municipal de Saúde de Alfenas/MG, mais especificamente da Unidade Básica de Saúde São Vicente. Está assinado por médico, clínico geral, identificado como Valério Dias dos Reis Coutinho, que firmou ser o contribuinte portador de cardiopatia grave desde o ano de 2003, sem se reportar ao mês de início. Fl. 106DF CARF MF Processo nº 13011.000859/201011 Acórdão n.º 2402006.999 S2C4T2 Fl. 106 5 Não se vislumbra, em termos expressos no documento em análise, qualquer vínculo entre o médico Valério Dias dos Reis Coutinho e a Secretaria Municipal de Saúde, porquanto o carimbo utilizado pelo esculápio não permite realizar essa necessária verificação. Somente se consideraria a oficialidade do documento se aquele que o emitiu de fato representasse o órgão que tutela a informação. O outro ponto abordado pela Fiscalização, consistente na omissão de exames que estabelecessem o início da doença em 2003, de fato não consta de exigência legal. Compreende este relator tratarse mais como uma observação; afinal, o diagnóstico é de cardiopatia grave, a qual se presume requerer acompanhamento amiúde inclusive com diversos tipos de exames, mas nada foi carreado aos autos pelo interessado, privando este relator, se necessário fosse para formar sua convicção, de encaminhálos à perícia. Ocorre que, apesar da razoabilidade dos fundamentos da decisão recorrida, uma rápida consulta ao sítio eletrônico do Munícipio de Alfenas – MG, verificase que o médico Valério Dias dos Reis Coutinho pertence, de fato, aos quadros dos servidores daquela prefeitura, conforme se infere da imagem abaixo: Fl. 107DF CARF MF Processo nº 13011.000859/201011 Acórdão n.º 2402006.999 S2C4T2 Fl. 107 6 Sobre o tema, o CARF já teve oportunidade de se manifestar em processo do mesmo contribuinte, quando do julgamento do PAF 10660.003573/200831, consubstanciado no Acórdão 2101002.227, por meio do qual, os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, deram provimento parcial ao recurso voluntário do contribuinte, tendo participado daquela assentada os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Francisco Marconi de Oliveira, Gonçalo Bonet Allage, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa (Relator), Alexandre Naoki Nishioka e Celia Maria de Souza Murphy. Neste espeque, estando o entendimento deste relator com as razões de decidir do voto objeto do susodito Acórdão 2101002.227, adotase as mesmas como fundamento do presente voto, in verbis: (...) Está demonstrado que a moléstia grave (cardiopatia grave) está listada entre as que possibilitam o benefício; que há necessidade de laudo oficial e que a isenção pode ser deferida da data em que foi contraída, desde que identificada pelo laudo oficial. Com essas conclusões, verificamos a documentação carreada aos autos, que demonstra: a) Há laudos médicos oficiais, expedidos pela Secretaria Municipal de Saúde de Alfenas e pela Diretoria de Saúde do Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região, que afirmam que o recorrente apresenta cardiopatia grave desde 2003 (fls.147/148). b) Há certidão de Tempo de Serviços expedida pela Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região, na qual consta que o recorrente teve concedida aposentadoria a partir de 21/05/98 (fls. 150). Assim, os valores recebidos já não eram rendimentos tributáveis desde o momento do seu recebimento. Poderseia objetar dizendo que a incidência tributária não pode ficar condicionada à ocorrência de fatos supervenientes; que basta o recebimento dos rendimentos, independentemente de sua denominação, para caracterizar o fato gerador do imposto. É certo que não pode a ocorrência do fato gerador ficar condicionada a evento futuro e incerto; mas não é disso que aqui se trata. O contribuinte recebeu rendimentos que entendia serem tributáveis e os submeteu à tributação, certamente por ignorar o benefício da legislação aplicável. É o fato. Relativamente à comprovação da moléstia grave, vejase o teor da ementa do Processo de Consulta Interna nº 11/12–COSIT: Processo de Consulta Interna nº 11/12 Órgão: CoordenaçãoGeral do Sistema de Tributação COSIT Assunto: Imposto Sobre a Renda de Pessoa FísicaIRPF. Fl. 108DF CARF MF Processo nº 13011.000859/201011 Acórdão n.º 2402006.999 S2C4T2 Fl. 108 7 Ementa: A comprovação da moléstia grave deverá ser realizada mediante laudo pericial, assim entendido como documento emitido por médico legalmente habilitado ao exercício da profissão de medicina, integrante de serviço médico oficial da União, dos estados, do Distrito Federal ou dos municípios, independentemente de ser emitido por médico investido ou não na função de perito, observadas a legislação e as normas internas especificas de cada ente. O laudo pericial deve conter, no mínimo, as seguintes informações: a) o órgão emissor; b) a qualificação do portador da moléstia; c) o diagnóstico da moléstia (descrição; CID10; elementos que o fundamentaram; a data em que a pessoa física é considerada portadora da moléstia grave, nos casos de constatação da existência da doença em período anterior à emissão do laudo); d) caso a moléstia seja passível de controle, o prazo de validade do laudo pericial ao fim do qual o portador de moléstia grave provavelmente esteja assintomático; e e) o nome completo, a assinatura, o nº de inscrição no Conselho Regional de Medicina (CRM), o nº de registro no órgão público e a qualificação do(s) profissional(is) do serviço médico oficial responsável(is) pela emissão do laudo pericial. Despacho de Aprovação Cosit nº 13 Para efeito do reconhecimento das isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, sem prejuízo das demais exigências legais relativas à matéria, somente podem ser aceitos laudos periciais expedidos por instituições públicas, ou seja, instituídas e mantidas pelo Poder Público, independentemente da vinculação destas ao Sistema Único de Saúde (SUS). Os laudos médicos expedidos por entidades privadas não atendem à exigência legal, não podendo ser aceitos, ainda que o atendimento decorra de convênio referente ao SUS. (Data da Decisão: 03.07.2012 03.07.2012) – 1068508. Vejase, ainda, o seguinte trecho do item 13 do relatório alusivo à citada ementa: 13. É oportuno ratificar os conceitos de serviço médico oficial, discriminados na SCI SRRF10/Disit nº 134, de 10 de outubro de 2008: 9. Serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, é o serviço médico dos órgãos integrantes da administração direta dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, da União, dos Fl. 109DF CARF MF Processo nº 13011.000859/201011 Acórdão n.º 2402006.999 S2C4T2 Fl. 109 8 Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, bem como de suas autarquias e fundações públicas. Destarte, os documento de fls. 14/15 são hábeis para o que se propõe, ou seja, comprovar a moléstia grave e a data em que o paciente é considerado portador da mesma. Contém inegavelmente todos os requisitos necessários à comprovação, restando claro, de consequência, que o contribuinte possui direito à isenção do imposto de renda no período de 2003, não havendo no presente caso, hipótese de incidência do referido imposto uma vez que, em verdade, não nasceu a obrigação tributária por força da inocorrência do fato gerador. O contribuinte não auferiu, nos termos da legislação tributária vigente, rendimentos passíveis de incidência do imposto. Neste contexto, considerando que a Notificação de Lançamento tem como único fundamento a não aceitação dos laudos apresentados, matéria analisada linhas acima, impõese o reconhecimento do direito do Recorrente à isenção do IR no caso concreto. Conclusão Ante o exposto, concluo o voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior Fl. 110DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10073.003082/2008-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006
ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. RENDIMENTOS DECORRENTES DE PREVIDÊNCIA PRIVADA COMPLEMENTAR. RESGATE. CARÁTER PREVIDENCIÁRIO. CABIMENTO.
O art. 6º, XIV, da Lei n. 7.713/88 estipula isenção de imposto de renda à pessoa física portadora de doença grave que receba proventos de aposentadoria ou reforma. O regime da previdência privada é facultativo e se baseia na constituição de reservas que garantam o benefício contratado, nos termos do art. 202 da Constituição Federal e da exegese da Lei Complementar 109 de 2001. Assim, o capital acumulado em plano de previdência privada representa patrimônio destinado à geração de aposentadoria, possuindo natureza previdenciária.
DEFESA ADMINISTRATIVA. PEDIDO DE DEVOLUÇÃO DE VALORES TIDOS COMO IDEVIDAMENTE RETIDOS E RECOLHIDOS. INADEQUAÇÃO DA VIA ELEITA.
É defeso em sede de defesa administrativa a tentativa de pugnar pela devolução de valores tidos como indevidamente retidos e recolhidos aos cofres públicos, sendo inadequada a utilização dessa via recursal.
Numero da decisão: 2402-007.134
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, reconhecendo-se a isenção do Imposto de Renda em relação aos valores recebidos pelo Contribuinte da Caixa Beneficente dos Empregados da CSN, no montante de R$ 402.524,28. Vencido o Conselheiro Denny Medeiros da Silveira, que negou provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gregório Rechmann Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Denny Medeiros da Silveira, Paulo Sérgio da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci, Maurício Nogueira Righetti, Wilderson Botto (Suplente Convocado), Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior.
Nome do relator: GREGORIO RECHMANN JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2006 ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. RENDIMENTOS DECORRENTES DE PREVIDÊNCIA PRIVADA COMPLEMENTAR. RESGATE. CARÁTER PREVIDENCIÁRIO. CABIMENTO. O art. 6º, XIV, da Lei n. 7.713/88 estipula isenção de imposto de renda à pessoa física portadora de doença grave que receba proventos de aposentadoria ou reforma. O regime da previdência privada é facultativo e se baseia na constituição de reservas que garantam o benefício contratado, nos termos do art. 202 da Constituição Federal e da exegese da Lei Complementar 109 de 2001. Assim, o capital acumulado em plano de previdência privada representa patrimônio destinado à geração de aposentadoria, possuindo natureza previdenciária. DEFESA ADMINISTRATIVA. PEDIDO DE DEVOLUÇÃO DE VALORES TIDOS COMO IDEVIDAMENTE RETIDOS E RECOLHIDOS. INADEQUAÇÃO DA VIA ELEITA. É defeso em sede de defesa administrativa a tentativa de pugnar pela devolução de valores tidos como indevidamente retidos e recolhidos aos cofres públicos, sendo inadequada a utilização dessa via recursal.
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ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. Recorrente SÉRGIO FERREIRA LIMA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006 ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. RENDIMENTOS DECORRENTES DE PREVIDÊNCIA PRIVADA COMPLEMENTAR. RESGATE. CARÁTER PREVIDENCIÁRIO. CABIMENTO. O art. 6º, XIV, da Lei n. 7.713/88 estipula isenção de imposto de renda à pessoa física portadora de doença grave que receba proventos de aposentadoria ou reforma. O regime da previdência privada é facultativo e se baseia na constituição de reservas que garantam o benefício contratado, nos termos do art. 202 da Constituição Federal e da exegese da Lei Complementar 109 de 2001. Assim, o capital acumulado em plano de previdência privada representa patrimônio destinado à geração de aposentadoria, possuindo natureza previdenciária. DEFESA ADMINISTRATIVA. PEDIDO DE DEVOLUÇÃO DE VALORES TIDOS COMO IDEVIDAMENTE RETIDOS E RECOLHIDOS. INADEQUAÇÃO DA VIA ELEITA. É defeso em sede de defesa administrativa a tentativa de pugnar pela devolução de valores tidos como indevidamente retidos e recolhidos aos cofres públicos, sendo inadequada a utilização dessa via recursal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 00 30 82 /2 00 8- 18 Fl. 175DF CARF MF Processo nº 10073.003082/200818 Acórdão n.º 2402007.134 S2C4T2 Fl. 176 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, reconhecendose a isenção do Imposto de Renda em relação aos valores recebidos pelo Contribuinte da Caixa Beneficente dos Empregados da CSN, no montante de R$ 402.524,28. Vencido o Conselheiro Denny Medeiros da Silveira, que negou provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente. (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Denny Medeiros da Silveira, Paulo Sérgio da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci, Maurício Nogueira Righetti, Wilderson Botto (Suplente Convocado), Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior. Relatório Tratase de recurso voluntário em face da decisão da 2ª Tuma da DRJ/RJ2, consubstanciada no Acórdão nº 1337.557 (fls. 99), que julgou procedente em parte a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão de primeira instância: Em procedimento de revisão interna de declaração de rendimentos correspondente ao anocalendário de 2006, foi lavrada a notificação de lançamento de fls. 15 a 17, em que foi apurada omissão de rendimentos da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), no valor de R$ 3.899,82, e rendimentos indevidamente considerados como isentos por moléstia grave oriundos da Caixa Beneficente dos Empregados da Companhia Siderúrgica Nacional, no valor de R$ 439.791,82. Em função dessas alterações, foi apurado imposto de renda suplementar de R$ 46.570,81, acrescido de multa de oficio e juros de mora regulamentares, perfazendo um crédito total de R$ 89.876,99. Após ciência da notificação de lançamento de fls. 15 a 17 em 11/11/2008 (fl. 81), o Contribuinte apresentou em 11/12/2008 a impugnação de fls. 1 a 8, valendose, em síntese, dos seguintes argumentos: 1) seriam isentos os rendimentos recebidos da Caixa Beneficente dos Empregados da CSN, em razão de o Impugnante, a partir do acidente do trabalho que sofreu, ter contraído doença grave, relacionada no inciso XXXIII do Decreto n° 3.000, de 1999; Fl. 176DF CARF MF Processo nº 10073.003082/200818 Acórdão n.º 2402007.134 S2C4T2 Fl. 177 3 2) o Interessado faria jus A devolução do imposto de renda retido na fonte sobre os rendimentos pagos pela Caixa Beneficente dos Empregados da CSN e pelo INSS; 3) teria sido juntado ao processo laudo pericial atestando ser o Interessado portador de moléstia grave prevista no art. 6° da Lei n° 7.713, de 1988; 4) não se poderia admitir que, ao receber o fruto de suas contribuições para o fundo de aposentadoria privado, devidamente tributado por ocasião de sua formação, venha o Contribuinte a ser tributado quando do resgate desses valores, constituindo tal prática bis in idem tributário e enriquecimento sem causa, haja vista sua aposentadoria por invalidez; 5) sendo a formação do fundo de pensões tributada na fonte, não há de ser novamente pago o imposto, por ocasião de seu resgate; 6) o resgate teria se baseado nas contribuições ocorridas entre 27/04/1982 e 30/11/2005, sendo que desse período, 13 anos e 8 meses estariam abarcados pela disciplina da Lei n° 7.713, de 1988, que isentava o Contribuinte do imposto de renda; 7) além do fato de o Impugnante possuir doença grave, o que o torna isento do imposto de renda, mais de 50% do período em que contribuiu para o fundo de pensão estaria sujeito à regra de isenção da Lei n° 7.713, de 1988, conforme entendimento jurisprudencial. Ao final de sua impugnação, o Interessado requer a improcedência do lançamento em questão e a devolução do imposto de renda retido na fonte pela Caixa Beneficente dos Empregados da CSN e pelo INSS. A DRJ julgou procedente em parte a impugnação do contribuinte, nos termos do Acórdão 1337.557 (fls. 99), cuja ementa reproduzse a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2007 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. Consideramse rendimentos omitidos, os rendimentos considerados como isentos pelo Contribuinte quando não for comprovado que se trata de proventos de aposentadoria ou pensão recebidos por portador de moléstia grave prevista no art. 6°, inciso XIV, da Lei n° 7.713, de 1988, devidamente comprovada por meio de laudo médico pericial emitido por serviço médico oficial da Unido, Estados, Distrito Federal ou Municípios. Fl. 177DF CARF MF Processo nº 10073.003082/200818 Acórdão n.º 2402007.134 S2C4T2 Fl. 178 4 COMPLEMENTAÇÃO DE APOSENTADORIA. MOLÉSTIA PROFISSIONAL. ISENÇÃO. São rendimentos em isentos as complementações de aposentadoria pagas por entidades de previdência privada quando restar comprovado, por meio de laudo médico pericial emitido por serviço médico oficial da União, Estados, Distrito Federal ou Municípios, que o Contribuinte era portador de moléstia profissional no anocalendário em questão. PREVIDÊNCIA PRIVADA. RESGATE DE CONTRIBUIÇÕES Á PREVIDÊNCIA PRIVADA. ISENÇÃO. A isenção do imposto sobre a complementação de aposentadoria recebida depende da comprovação de que o benefício pago pela entidade de previdência privada corresponde a contribuições efetuadas exclusivamente pelo beneficiário no período de 1° de janeiro de 1989 a 31 de dezembro de 1995, nos termos do Parecer PGFN/CRJ n°2139. IMPUGNAÇÃO. ONUS DA PROVA. A impugnação deve ser instruída com as provas em que se fundamentam as razões de defesa, cabendo ao contribuinte o ônus de comprovar o direito i isenção pleiteada. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Cientificado dessa decisão, a contribuinte interpôs recurso voluntário de fls. 148, reiterando o quanto aduzido na impugnação apresentada. É o relatório. Voto Conselheiro Gregório Rechmann Junior Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende os demais requisitos de admissibilidade. Deve, portanto, ser conhecido. Conforme exposto no relatório supra, a Fiscalização constatou a ocorrência de infrações à legislação tributária, nos seguintes termos: 1) Omissão de Rendimentos do Trabalho com Vinculo e/ou sem Vínculo Empregatício Da análise das informações e documentos apresentados pelo contribuinte, e das informações constantes dos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil constatou se omissão de rendimentos do trabalho com vinculo e/ou sem vínculo empregatício, sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$ 3.899,82, recebido(s) pelo titular e/ou dependentes, da(s) fonte(s) pagadora(s) relacionada(s) abaixo. Na apuração do imposto devido, foi compensado o Imposto Retido na Fonte (IRRF) sobre os rendimentos omitidos no valor de R$ 0,00; Fl. 178DF CARF MF Processo nº 10073.003082/200818 Acórdão n.º 2402007.134 S2C4T2 Fl. 179 5 2) Rendimentos Indevidamente Considerados como Isentos por Moléstia Grave Não Comprovação da Moléstia ou sua Condição de Aposentado, Pensionista ou Reformado Da análise das informações e documentos apresentados pelo contribuinte, e das informações constantes dos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, constatou se omissão de rendimentos tributáveis, recebidos de Pessoa Jurídica, sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$ 439.791,82 recebido(s) pelo titular e/ou dependentes, da(s) fonte(s) pagadora(s) relacionada(s), abaixo, indevidamente declarados como isentos e nãotributáveis, em razão de o contribuinte não ter comprovado ser podador de moléstia considerada grave, ou sua condição de aposentado, pensionista ou reformado nos termos da legislação em vigor, para fins de isenção do Imposto de Renda. Comprovantes de rendimentos apresentados já aparecem as parcelas isentas dos rendimentos; Aux doença/Acidente Prey Privada Aux doença/Devolução contribuições R$ 42.860,97 (Natureza dos rendimentos 3223 Resgate de Previdência Privada) e Proventos de pensão, Aposentadoria ou Reforma por moléstia grave ou por acidentes em serviço R$ 14.906,52 (natureza Trabalho Assa) No que tange à omissão de rendimentos do trabalho com vínculo e/ou sem vínculo empregatício, o Recorrente nada aduziu em sua peça recursal, não fazendo parte, portanto, a referida matéria do presente julgamento. Dos Rendimentos Indevidamente Considerados como Isentos por Moléstia Grave Não Comprovação da Moléstia ou sua Condição de Aposentado, Pensionista ou Reformado Neste ponto, aduziu o Recorrente, em síntese, a isenção dos rendimentos recebidos pela fonte pagadora, Caixa Beneficente dos Empregados da C.S.N., com base no fato de que, o Impugnante, a partir do acidente do trabalho que sofreu, ter contraído doença grave, relacionada do inciso XXXIII, do Decreto no. 3000/99. Como visto acima, a fiscalização constatou a omissão de rendimentos tributáveis, no valor total de R$ 439.791,82, indevidamente declarados como isentos e não tributáveis, em razão de o contribuinte não ter comprovado ser podador de moléstia considerada grave, ou sua condição de aposentado, pensionista ou reformado nos termos da legislação em vigor, para fins de isenção do Imposto de Renda. Fl. 179DF CARF MF Processo nº 10073.003082/200818 Acórdão n.º 2402007.134 S2C4T2 Fl. 180 6 Registrese, pela sua importância, que o total de R$ 439.791,82 apurado pela fiscalização como rendimentos indevidamente considerados como isentos, corresponde ao somatório de R$ 402.524,28 (conforme Informe de Rendimentos de fls. 54) com R$ 37.267,54 (conforme Informe de Rendimentos de fls. 56), conforme imagens abaixo: Fl. 180DF CARF MF Processo nº 10073.003082/200818 Acórdão n.º 2402007.134 S2C4T2 Fl. 181 7 Analisandose as figuras acima, verificase que o rendimento no valor de R$ 402.524,28 corresponde ao resgate de previdência privada (informação confirmada pela DIRF de fls. 97), enquanto que o montante de R$ 37.267,54 se refere a rendimentos de trabalho assalariado, tendo natureza de complementação de aposentadoria recebida no anocalendário de 2006, tendo em vista à carta de concessão de aposentadoria de fl. 30, conforme constatado pela DRJ. A DRJ, em relação à matéria em destaque, concluiu que: De acordo com o texto legal, depreendese que há dois requisitos cumulativos indispensáveis à concessão da isenção. Um reporta se à natureza dos valores recebidos, que devem ser proventos de aposentadoria ou reforma, e o outro se relaciona com a existência da moléstia tipificada no texto legal. (...) No que tange aos rendimentos pagos pela Caixa Beneficente dos Empregados da CSN, a importância de R$ 402.524,28 corresponde à resgate de previdência privada e FAPI, nos termos do comprovante de rendimentos de fl. 43 e da DIRF de fl. 83, não estando abarcada pela isenção prevista na legislação supra transcrita. Fl. 181DF CARF MF Processo nº 10073.003082/200818 Acórdão n.º 2402007.134 S2C4T2 Fl. 182 8 Já a outra parcela de R$ 37.267,54 oriunda da Caixa Beneficente dos Empregados da CSN, se enquadra na descrição legal, tendo natureza de complementação de aposentadoria recebida no anocalendário de 2006, tendo em vista à carta de concessão de aposentadoria de fl. 30. Em relação à prova da moléstia grave, o Interessado trouxe aos autos o laudo pericial de fl. 39, emitido pelo Centro Ambulatorial do Aterrado, unidade de saúde da Prefeitura Municipal de Volta Redonda, atestando ser o Contribuinte portador de moléstia profissional no anocalendário de 2006. Considerase, então, isenta a complementação de aposentadoria no valor de R$ 37.267,54 recebida da Caixa Beneficente dos Empregados da CSN, haja vista o Interessado ser portador de moléstia profissional no período em análise. Como se vê, a DRJ considerou isento o montante de R$ 37.267,54, por estarem atendidos os dois requisitos indispensáveis ao reconhecimento da isenção, a saber: comprovação da natureza dos valores recebidos, que devem ser proventos de aposentadoria ou reforma e a existência da moléstia tipificada no texto legal. Com relação, entretanto, ao valor de R$ 402.524,28, a DRJ considerou que o mesmo não está abarcado pela isenção, por se tratar de resgate de previdência privada. Pois bem!! É o entendimento deste Conselheiro de que a natureza jurídica da previdência complementar é previdenciária, não sendo desconstituída tão somente porque existente a possibilidade de resgate. Sendo assim, uma vez a previdência complementar tem natureza previdenciária, o modo pelo qual recebe os valores decorrentes das contribuições não altera sua natureza jurídica, é dizer, tanto faz receber mensalmente, resgates pontuais ou total, que continuam tendo natureza de proventos de aposentadoria, o que induz a afirmar que sendo aposentado possuidor de moléstia grave (nos termos da Lei) ou Moléstia Profissional ou ainda Aposentado por invalidez decorrente de acidente em serviço, estes resgates estarão isentos do IRPF. Sobre o tema, o STJ no julgamento REsp nº 1.507.320, de 10/02/2015, publicado no DOU de 20/02/2015, confirmou acórdão do TRF4 no qual se reconheceu a isenção do IRPF pela moléstia grave, sobre os resgates de Previdência Privada que efetuou, exatamente, sob o entendimento, que o resgate não descaracteriza a natureza jurídica previdenciária da verba e, que como há previsão para isenção sobre a previdência privada complementar na lei do imposto decorrente de moléstia grave, ela atinge os recebimentos mensais ou resgates. Observese, ainda, pela sua importância que foi publicada, pela Secretaria da Receita Federal – RFB, a Solução de Consulta COSIT nº 356, de 17 de dezembro de 2014, que tratou, dentre outros assuntos, sobre a isenção dos rendimentos de aposentaria complementar recebidos pelos portadores de moléstia grave. Pela relação do tema com a hipótese aqui tratada, oportuno reproduzir os seguintes excertos da referida solução de consulta: Fl. 182DF CARF MF Processo nº 10073.003082/200818 Acórdão n.º 2402007.134 S2C4T2 Fl. 183 9 13. Outro aspecto relevante a ser destacado para fazer jus à isenção recai sobre a condição de aposentado. Na lei, a condição de aposentado está dirigida àqueles trabalhadores que estão na inatividade e recebendo proventos pagos pela previdência oficial. Os ganhos complementares de aposentadoria garantidos por participação em planos de aposentadoria geridos por entidades de previdência complementar fechada são tributáveis até que o beneficiário adquira a condição de aposentado pela previdência oficial e comprove ser portador de doença grave prevista na lei de isenção. 14. Neste ponto, forçoso concluir que o rendimento recebido por portador de doença grave (relacionada na lei) a título de aposentadoria complementar instituída em plano de benefícios de entidade de previdência complementar somente está isento do imposto sobre a renda a partir do mês da concessão da aposentadoria pela previdência oficial. Dessa forma, impõese a retificação do acórdão da DRJ neste particular. Da Devolução do Imposto de Renda Retido na Fonte, por ocasião do recebimento dos rendimentos recolhidos aos cofres públicos pela fonte pagadora, a CBS, que reteve o valor de R$ 65.830,68, bem como a retenção procedida pelo Instituto Nacional de Seguro Social no valor de R$ 1.732,95, totalizando R$ 67.563,63. Neste ponto, pugna o Recorrente pela devolução do Imposto de Renda Retido na Fonte, em razão da sua natural incidência, por ocasião do recebimento dos rendimentos, recolhidos aos cofres públicos pela fonte pagadora, a CBS, que reteve o valor de R$ 65.830,68, bem como a retenção procedida pelo Instituto Nacional de Seguro Social no valor de R$ 1.732,95, totalizando R$ 67.563,63. Para tanto, aduz o Recorrente que, uma vez já descontado o imposto de renda sobre as contribuições que formaram o fundo de previdência, não se pode aceitar nova exigência, nova retenção, por ocasião do resgate. No que tange à tributação por ocasião do resgate de previdência privada, já ficou consignado no item precedente o entendimento deste relator no sentido de que uma vez a previdência complementar tem natureza previdenciária, o modo pelo qual recebe os valores decorrentes das contribuições não altera sua natureza jurídica, é dizer, tanto faz receber mensalmente, resgates pontuais ou total, que continuam tendo natureza de proventos de aposentadoria, o que induz a afirmar que sendo aposentado possuidor de moléstia grave (nos termos da Lei) ou Moléstia Profissional ou ainda Aposentado por invalidez decorrente de acidente em serviço, estes resgates estarão isentos do IRPF. Com relação à tributação realizada pelas fontes pagadoras, verificase que não compete a este órgão julgador deferir (ou não) a sua devolução, tal como pleiteado pelo contribuinte. De fato, considerando que a tributação realizada pela fontes pagadoras foi indevida, caberia ao contribuinte, por meio de procedimentos específicos, pleitear a restituição dos valores tidos como indevidamente retidos e recolhidos aos cofres públicos. Fl. 183DF CARF MF Processo nº 10073.003082/200818 Acórdão n.º 2402007.134 S2C4T2 Fl. 184 10 Pugnar pela devolução de valores supostamente retidos e recolhidos aos cofres públicos indevidamente em sede de defesa administrativa decorrente de acusação fiscal específica, ainda que a matéria de fundo seja a mesma, carece de amparo legal, restando configurada a inadequação da via eleita pelo contribuinte neste particular. Conclusão Ante o exposto, concluo o voto no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário, reconhecendose a isenção do IR em relação aos valores recebidos pelo Contribuinte da Caixa Beneficente dos Empregados da CSN, no montante de R$ 402.524,28 (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior Fl. 184DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10320.900207/2011-88
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005
DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA COM ALÍQUOTA ZERO NAS OPERAÇÕES DE REVENDA. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO NOS TERMOS DO ART. 17 DA LEI 11.033/2004.
Os artigos 2º, parágrafo 1º, VIII e 3º, I, b, das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003 vedam expressamente o direito ao creditamento das referidas contribuições em relação a bebidas adquiridas para revenda. O benefício contido no artigo 17 da Lei 11.033, de 2004, de que o vendedor tem direito a créditos vinculados às vendas efetuadas com alíquota zero do PIS e Cofins, não se aplica no caso de os bens adquiridos não estarem sujeitos ao pagamento das contribuições.
Numero da decisão: 3201-004.949
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, que lhe deu provimento.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2025; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10320.900207/201188 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201004.949 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de fevereiro de 2019 Matéria CONTRIBUIÇÕES. DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA COM ALÍQUOTA ZERO NA REVENDA. DIREITO DE CRÉDITO. Recorrente DIBEM DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS MARANHENSE LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA COM ALÍQUOTA ZERO NAS OPERAÇÕES DE REVENDA. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO NOS TERMOS DO ART. 17 DA LEI 11.033/2004. Os artigos 2º, parágrafo 1º, VIII e 3º, I, b, das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003 vedam expressamente o direito ao creditamento das referidas contribuições em relação a bebidas adquiridas para revenda. O benefício contido no artigo 17 da Lei 11.033, de 2004, de que o vendedor tem direito a créditos vinculados às vendas efetuadas com alíquota zero do PIS e Cofins, não se aplica no caso de os bens adquiridos não estarem sujeitos ao pagamento das contribuições. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, que lhe deu provimento. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 0. 90 02 07 /2 01 1- 88 Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10320.900207/201188 Acórdão n.º 3201004.949 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório O presente processo trata de pedido de ressarcimento de PIS/PASEP mercado interno. A DRF em São Luís, por intermédio de Despacho Decisório, indeferiu o pleito alegando impossibilidade de confirmar a existência do direito creditório, tendo em vista que a interessada, mesmo intimada, não apresentou Dacon contendo informações do período de apuração do crédito pleiteado. Adotou por fundamento legal os arts. 39 e 40 da Lei nº 9.784, de 29/01/1999, e art. 65 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 30/12/2008. Cientificado da decisão o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade argumentando que agiu de boafé quando transmitiu o Pedido de Ressarcimento de créditos de PIS e Cofins, com amparo no art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004. E que a falta de preenchimento do Dacon, à época, se deu por situações alheias a sua vontade. A DRJ/Curitiba/PR julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não homologou a compensação declarada, nos termos do Acórdão 06050.502. A decisão foi assim ementada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. OBRIGATORIEDADE DA APRESENTAÇÃO DO DACON. Cabe ao sujeito passivo o ônus de comprovar a existência do direito creditório, demonstrando a base de cálculo dos créditos aproveitados, vinculados aos respectivos elementos de prova, podendo a autoridade administrativa condicionar o reconhecimento dos créditos à apresentação de documentos, escrituração fiscal ou informações que julgar necessárias. PIS/PASEP. MERCADO INTERNO. VENDAS A VAREJO E NO ATACADO DE BEBIDAS E REFRIGERANTES. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. AQUISIÇÃO DE PRODUTOS MONOFÁSICOS PARA REVENDA. INEXISTÊNCIA DE DIREITO A CRÉDITO. O art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, não ampara o creditamento das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, com base na sistemática da não cumulatividade, realizadas por comerciantes atacadistas e varejistas de bebidas e refrigerantes, em decorrência de vedação legal expressa para o aproveitamento do crédito de aquisições, nas vendas submetidas à incidência monofásica, desde a sua definição. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10320.900207/201188 Acórdão n.º 3201004.949 S3C2T1 Fl. 4 3 Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário visando a reforma da decisão recorrida, para que lhe seja reconhecido o direito creditório e homologada a compensação declarada. Suscita que a manutenção dos créditos de PIS/Cofins na escrita fiscal tem respaldo no art. 17 da Lei 11.033/04. Aduz que o fato de as aquisições serem efetuadas com alíquota zero não impede o creditamento dessas Contribuições. Por ser tal norma posterior, que regulamenta a mesma matéria, revogou o art. 3º, I, b da Lei nº 10.833/03. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.933, de 25/02/2019, proferido no julgamento do processo 10320.900191/201111, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.933): "(...) O litígio, conforme pontuado pela decisão recorrida, versa sobre o indeferimento no despacho decisório de direito creditório (ressarcimento/compensação) em razão da impossibilidade de análise do crédito pleiteado em face da omissão da contribuinte na entrega de Dacon. Todavia, o fundamento da DRJ para negativa ao pleito, contrapondo as razões arguidas na manifestação de inconformidade, foi de que as saídas por revenda de produtos da contribuinte (bebidas e refrigerantes) inseremse no regime de tributação concentrada (na indústria) com alíquota zero em suas operações e, portanto, vedada a apropriação de crédito de PIS/Cofins a teor do art. 3º, inciso I, alínea b, das Leis nºs. 10.637/02 e 10.833/03. A recorrente insiste que o art 17 da Lei nº 11.033/04 revogou os dispositivos que vedam o crédito de que trata o referido art. 3º, mantendo, assim, os créditos apurados. A solução do litígio cingese, então, acerca da possibilidade ou não da apuração e manutenção de crédito nas aquisições de água, refrigerante, cerveja e preparações compostas, classificados nos códigos 22.01, 22.02, 22.03 e 2106.90.10 da TIPI, pela recorrente Não há controvérsia nos autos sobre a vedação do créditos ns aquisições da recorrente nos termos do art. 3º, I, b, das referidas Leis: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10320.900207/201188 Acórdão n.º 3201004.949 S3C2T1 Fl. 5 4 I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (...) b no § 1o do art. 2o desta Lei.” A divergência entre a decisão recorrida e a contribuinte é acerca da possibilidade de manutenção dos créditos nos termos do art. 17 da Lei nº 11.033/04. Destarte, a solução do litígio é decidir quanto à aplicação no caso dos autos da vedação de crédito expressa nas Leis 10.637/02 e 10.833/03 frente ao disposto no art. 17. A matéria foi tratada com acurada análise no voto condutor do Acórdão nº 3401 003.517, de lavra do Conselheiro Rosaldo Trevisan, sessão de 25/04/2017, sobre fatos ocorridos no mesmo período do presente processo, que ao final conclui pela natureza interpretativa do art. 17 da Lei nº 11.033/04, além de que se trata de uma lei geral, na trazendo nenhuma disposição nova e mais específica que as constantes nas Leis 10.637/02 e 10.833/03. Assim, adoto as razões de decidir naquele Acórdão fazendo meus fundamentos na situação dos autos, o que peço vênia para reproduzilas: " Da natureza do comando presente no artigo 17 da Lei no 11.033/2004 No próprio despacho decisório, destaca a autoridade fiscal que o artigo 17 da Lei no 11.033/2004 trata de manutenção de créditos existentes, e não de criação de créditos novos. Por outro lado, a recorrente dispõe que a Medida Provisória no 206, de 09/08/2004 (no art. 16), posteriormente convertida na Lei no 11.033, de 22/12/2004 (art. 17), alastrada à Instrução Normativa SRF no 594/2005 (art. 38), veio a corrigir situação desigual entre os diferentes elos da cadeia produtiva automobilística, que, de fato, não é monofásica, mas com um dos elos sujeitos à alíquota zero. Sobre o correto emprego do termo “monofásico”, é de se informar que a legislação aqui já transcrita não se preocupou efetivamente em definilo, precisamente, mas expressamente estabeleceu vedação ao desconto de créditos em relação a determinadas situações (sejam elas ou não “monofásicas”, na acepção restrita do termo, defendida pela recorrente) previstas em lei, entre as quais a Lei no 10.485/2002, na qual indiscutivelmente se enquadram as operações da recorrente. Assim, é irrelevante ao deslinde do presente contencioso a discordância terminológica, visto que as menções da lei não são simplesmente a operações monofásicas, mas a operações expressamente previstas em determinadas leis, entre as quais aquela na qual se enquadra a situação da operação realizada pela recorrente. Aliás, o termo “monofásica” aparece uma única vez na Lei no 10.833/2003, no artigo 12, § 7o (que trata do desconto correspondente ao estoque de abertura). E basta a leitura de tal parágrafo para que se perceba que o legislador não teve a mesma visão restritiva do termo albergada pela recorrente: “§ 7o O disposto neste artigo aplicase, também, aos estoques de produtos que não geraram crédito na aquisição, em decorrência do disposto nos §§ 7o a 9o do art. 3o desta Lei, destinados à fabricação dos produtos de que tratam as Leis nos 9.990, de 21 de julho de 2000, 10.147, de 21 de dezembro de 2000, 10.485, de 3 de julho de 2002, e 10.560, de 13 de novembro de 2002, ou quaisquer outros submetidos à incidência monofásica da contribuição.” (grifo nosso) Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10320.900207/201188 Acórdão n.º 3201004.949 S3C2T1 Fl. 6 5 Portanto, as discussões suscitadas pela recorrente em relação a monofasia, ou à sistemática de apuração das contribuições, assumem reduzida importância diante dos textos expressos dos comandos legais, que indiscutivelmente vedavam o desconto de créditos para as operações em análise, textos legais esses que não podem ser afastados pelo julgador administrativo em função de eventuais inconstitucionalidades apontadas pela empresa, como aqui já destacado. Resta, assim, à defesa, um único argumento que não esbarraria na discussão sobre a constitucionalidade das vedações existentes, de que teria a Lei no 11.033/2004, resultante da conversão da Medida Provisória no 206/2004, efetivamente criado uma nova hipótese de desconto de crédito, derrogando a existente nas leis de regência das contribuições. Sobre a alegação, cabe salientar que, em 09/08/2004 foi publicada a Medida Provisória no 206/2004 (vigente a partir de 09/08/2004), que, em seu art. 16, dispôs: “Art. 16. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou nãoincidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações.” A Exposição de Motivos da Medida Provisória (EM No 00111/2004 MF) parece não deixar dúvidas sobre o caráter declaratório (e não constitutivo) do comando: “19. As disposições do art. 16 visam esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS.”(sic) (grifo nosso) Não se cria obrigação, assim, com o art. 16, nem se derroga eventual vedação existente nas leis de regência das contribuições. Apenas se garante a “manutenção” (palavra essa que já sugere o caráter interpretativo do comando) dos créditos vinculados, já se destacando que a “manutenção” do crédito pressupõe a prévia existência do direito ao crédito. E isso decorre claramente da conclusão lógica/semântica de que é impossível “manter” aquilo que não se tem. E, com a publicação da Lei no 11.116, de 18/05/2005 (vigente a partir de 19/05/2005), também não há revogação de vedação ou alteração substancial no direito de crédito previsto nas leis de regência das contribuições. Já enfrentamos o tema em mais de uma oportunidade, chegando a entendimento consolidado no sentido de que: “Sintetizando nosso entendimento: é possível a apuração de créditos previstos nas Leis no 10.637/2002 e no 10.833/2003 em relação a insumos tributados na aquisição (ainda que a saída do produto final esteja sujeita a alíquota zero), cabendo apenas observar se tal direito de crédito não encontra óbice nas vedações estabelecidas no corpo das próprias leis (v.g. inciso II do § 2o do art. 3o). E tal situação não foi alterada pela legislação superveniente: nem pelo art. 16 da Medida Provisória no 206/2004 (atual art. 17 da Lei no 11.033/2004), que somente esclareceu que o fato de a alíquota na venda ser zero não impede a manutenção do crédito (obviamente nas hipóteses em que ele já existia), nem pelo art. 16 da Lei no 11.116, de 18/05/2005, que apenas limitou temporalmente a utilização do saldocredor acumulado no trimestre.” (grifo nosso) (Acórdão no 3403003.488, Rel. Cons. Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10320.900207/201188 Acórdão n.º 3201004.949 S3C2T1 Fl. 7 6 Rosaldo Trevisan, unânime em relação ao entendimento em apreço, sessão de 27 jan. 2015) No mesmo sentido, de que não houve revogação de vedação a direito de crédito existente nas leis de regência pela Lei no 11.033/2004, em casos de revendedora de veículos e autopeças, já decidiu unanimemente este tribunal administrativo: “COFINS. TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. REVENDEDORA DE VEÍCULOS. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. A aquisição de máquinas e veículos relacionados no art. 1º da Lei 10.485/02, para revenda, quando feita por comerciantes atacadistas ou varejistas desses produtos, não gera direito a crédito do PIS e da Cofins,, dada a expressa vedação, consoante o art. 3o , inciso I, alínea "b”” das Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03, respectivamente. A previsão contida no art. 17 da Lei n° 11.033/04 tratase de regra geral não se aplicando nos casos de tributação monofásica por força da referida vedação legal.” (grifo nosso) (Acórdãos n. 3801004.111 a 139, todos unânimes, Rel. Cons. Marcos Antonio Borges, sessão de 19 ago. 2014) “DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA COM ALÍQUOTA ZERO NAS OPERAÇÕES DE REVENDA. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO NOS TERMOS DO ART. 17 DA LEI 11.033/2004. Os artigos 2º, parágrafo 1º, VIII e 3º, I, b, das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003 vedam expressamente o direito ao creditamento das referidas contribuições em relação a bebidas adquiridas para revenda. O benefício contido no artigo 17 da Lei 11.033, de 2004, de que o vendedor tem direito a créditos vinculados às vendas efetuadas com alíquota zero do PIS e COFINS, não se aplica no caso de os bens adquiridos não estarem sujeitos ao pagamento das contribuições.” (Acórdão n. 3302002.272, unânime, Rel. Cons. Gileno Gurjão Barreto, sessão de 21 ago. 2013) Em síntese, a falta de uniformidade sobre o que se designa exatamente como “monofásico” é absolutamente marginal diante das vedações, que remetem a dispositivos legais, e não à “monofasia”, em geral. E a Lei no 11.033/2004 não afetou a vigência de tais vedações, previstas nas leis de regência das contribuições. Não socorre a recorrente, a nosso ver, então, a tese de que a Lei no 11.033/2004 teria revogado dispositivos legais que vedavam o aproveitamento de créditos, nas leis de regência das contribuições. A Lei no 11.033/2004 não traz disposição “mais específica” que as constantes nas leis de regência, mas disciplina adicional a elas, com caráter explicativo, e não derrogador de disposição legal expressa, não sendo difícil concluir que a palavra “manterão”, nem de longe, parece ter o condão de transformar vedação expressa em permissão. Derradeiramente, adicionese que as disposições constantes em medidas provisórias diversas, e que não foram convertidas em lei, relacionadas pela recorrente, não se prestam a formar conclusões a contrário senso. O complexo processo que leva à não conversão de medidas provisórias em lei (de concordância parcial, discordância, desnecessidade, irrelevância, inadequação redacional, entre outros) não pode ser simploriamente resumido à conclusão de que cada comando da MP não convertida em lei deveria ser interpretado como comando legal vigente com a redação oposta. Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10320.900207/201188 Acórdão n.º 3201004.949 S3C2T1 Fl. 8 7 Ressaltase, ainda, que o creditamento nos casos em que a saída é tributada à alíquota zero como a revenda de produtos tributados de forma concentrada implicaria verdadeira isenção (posicionamento jurisprudencial dos tribunais superiores), sendo ilógico assegurarlhe crédito, quando inexiste disposição expressa e específica em Lei. Por fim, há posicionamentos da Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça que mantém, em seus precedentes, a impossibilidade de aproveitamento dos créditos postulados, inclusive com o fundamento de que é irrelevante à solução da controvérsia decidir quanto a aplicação do art. 17 da Lei nº 11.033/04 apenas ao REPORTO. Transcrevo precedentes: EMENTA TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. AUSÊNCIA DE DIREITO A CRÉDITO PELO SUJEITO INTEGRANTE DO CICLO ECONÔMICO QUE NÃO SOFRE A INCIDÊNCIA DO TRIBUTO 1. O Superior Tribunal de Justiça possui jurisprudência no sentido de que as receitas provenientes das atividades de venda e revenda sujeitas ao pagamento das contribuições ao PIS/PASEP e à COFINS em Regime Especial de Tributação Monofásica não permitem o creditamento pelo revendedor das referidas contribuições incidentes sobre as receitas do vendedor por estarem fora do Regime de Incidência Não Cumulativo, a teor dos artigos 2º, § 1º, e incisos; e 3º, I, "b" da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003. 2. Com efeito, não se lhes aplicam, por incompatibilidade de regimes e por especialidade de suas normas, o disposto nos artigos 17, da Lei 11.033/2004, e 16, da Lei 11.116/2005, cujo âmbito de incidência se restringe ao Regime Não Cumulativo, salvo determinação legal expressa. 3. Ademais, ressalvase a impertinência para a solução da controvérsia da verificação da abrangência do Regime Tributário para Incentivo à Modernização e à Ampliação da Estrutura Portuária REPORTO. 4. Recurso Especial parcialmente conhecido e, nessa parte, não provido. (REsp 1.698.583/DF, Rel. Ministro HERMAM BENJAMIN, segunda TURMA, julgado em 16/11/2017, DJe 19/12/2017) TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. REGIME DE INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. ART. 17 DA LEI 11.033/2004. APLICAÇÃO A EMPRESAS INSERIDAS NO REGIME DE TRIBUTAÇÃO DENOMINADO REPORTO. SÚMULA 83/STJ. 1. A Segunda Turma do STJ firmou o entendimento de que a incidência monofásica não se compatibiliza com a técnica do creditamento, e que o benefício instituído no art. 17 da Lei 11.033/2004 somente é aplicável às empresas que se encontram inseridas no regime específico de tributação denominado Reporto (Precedente: REsp 1.140.723/RS, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 2.9.2010, DJe 22/9/2010). 2. Agravo Interno não provido Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10320.900207/201188 Acórdão n.º 3201004.949 S3C2T1 Fl. 9 8 (AgInt no Agravo em REsp 1.199.305/SP, Rel. Ministro HERMAM BENJAMIN, segunda TURMA, julgado em 22/05/2018, DJe 23/11/2018) Portanto, mantémse a vedação ao crédito de PIS e Cofins nas aquisições de produtos sujeitos à tributação monofásica, conforme disposições estabelecidas nas Leis nºs. 10.637/02 e 10.833/03, que não foram revogadas pelo art. 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que este não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, e não tem o alcance de manter créditos cuja aquisição a lei veda desde a sua definição. Conclusão Diante de todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." (...)1 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado negou provimento recurso voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza 1 Deixouse de transcrever a declaração de voto, apresentada no processo paradigma, por manifestar entendimento que restou vencido na votação, não se aplicando, portanto, na solução do litígio deste processo. No entanto, sua íntegra consta do acórdão do processo paradigma (9303004.933). Fl. 163DF CARF MF
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Numero do processo: 13502.902517/2011-97
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador:31/08/2005
RECURSO VOLUNTÁRIO INTERPOSTO FORA DO PRAZO LEGAL. INTEMPESTIVIDADE RECONHECIDA.
É de 30 (trinta) dias o prazo para interposição de Recurso Voluntário pelo contribuinte, conforme prevê o art. 33, caput, do Decreto-lei n. 70.235/72. O não cumprimento do aludido prazo impede o conhecimento do recuso interposto em razão da sua intempestividade.
Numero da decisão: 3402-006.252
Decisão:
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do Recurso Voluntário, por intempestivo.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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INTEMPESTIVIDADE RECONHECIDA. É de 30 (trinta) dias o prazo para interposição de Recurso Voluntário pelo contribuinte, conforme prevê o art. 33, caput, do Decretolei n. 70.235/72. O não cumprimento do aludido prazo impede o conhecimento do recuso interposto em razão da sua intempestividade. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do Recurso Voluntário, por intempestivo. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 2. 90 25 17 /2 01 1- 97 Fl. 66DF CARF MF Processo nº 13502.902517/201197 Acórdão n.º 3402006.252 S3C4T2 Fl. 0 2 Relatório Trata o presente de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição, em razão do sistema da Receita Federal apurar que o pagamento em questão foi utilizado integralmente para quitar débitos. Tempestivamente, a manifestante alegou que, na data em destaque recolheu o IPI a maior, porém, ao tomar ciência do Despacho Denegatório constatou que não mais poderia retificar a respectiva DCTF, por ter sido ultrapassado o prazo de cinco anos. Diante disso requer a retificação de ofício, o reconhecimento do direito creditório e a homologação dos débitos que declarou. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente, nos termos do Acórdão nº 14042.366, que firmou entendimento de que é ônus processual da interessada fazer prova dos fatos constitutivos de seu direito, o que não ocorreu no caso em apreço. Diante deste quadro o contribuinte interpôs o recurso voluntário, oportunidade em que repisou as alegações desenvolvidas em sede de impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402006.237, de 26 de fevereiro de 2019, proferido no julgamento do processo 13502.902501/201184, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402006.237): "I. Da intempestividade do recurso voluntário interposto 5. Como é sabido, o prazo para interposição de Recurso Voluntário no âmbito do processo administrativo federal é de 30 (trinta) dias, conforme prevê o art. 33, caput do Decretolei n. 70.235/72. 6. Não obstante, segundo o disposto no art. 5o. do sobredito Decretolei, os prazos no processo administrativo federal são contínuos e deverão ser contados excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Este também é o teor do art. 66 da lei n. 9.784/991. 1 "Art. 66. Os prazos começam a correr a partir da data da cientificação oficial, excluindose da contagem o dia do começo e incluindose o do vencimento." Fl. 67DF CARF MF Processo nº 13502.902517/201197 Acórdão n.º 3402006.252 S3C4T2 Fl. 0 3 7. Pois bem. No presente caso o Recorrente foi cientificado eletronicamente da decisão guerreada em 05 de julho de 2013 (sextafeira), o que seu deu pela ciência por decurso de prazo, já que o contribuinte não promoveu a abertura do email encaminhado em sua caixa postal. Logo, levando em consideração as disposições legais acima mencionadas, o termo inicial para a contagem do prazo recursal teve início em 08 (oito) de julho de 2013 (segundafeira), vencendo, por sua vez, no dia 06 (seis) de agosto de 2013 (terçafeira). Acontece que o recurso em apreço só foi interposto mediante postagem por correio efetuada em 07 (sete) de agosto de 2013 (quartafeira) (fl. 35), ou seja, quando já transcorrido o prazo legal. 8. Patente está, portanto, a intempestividade do recurso voluntário interposto. Dispositivo 9. Diante do exposto, em razão da intempestividade do recurso voluntário interposto, deixo de conhecêlo." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por não conhecer do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 68DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.721137/2017-86
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2014
LANÇAMENTO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Não há que se falar em nulidade quando o lançamento observa todos os requisitos previstos no artigo 142 do CTN e no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72.
COMPENSAÇÃO FRAUDULENTA. CRÉDITO ILEGAL. MULTA QUALIFICADA.
Verificado que houve sonegação, com apresentação de DCTF com valores zerados, além de conluio com a empresa detentora dos títulos da dívida pública ao persistir na compensação com estes créditos sabidamente inexistes, revelando verdadeira fraude todo o esquema perpetrado, cabendo a qualificação da multa de ofício.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DE SÓCIOS -ADMINISTRADORES
São responsáveis pelos créditos tributários lançados, com base no art. 135, III, do CTN, os sócios-administradores que comprovadamente atuaram na prática das infrações tributárias apuradas, pois tinham ciência do procedimento fraudulento de compensação com créditos inexistentes, sem que houvesse regularização da situação, em que pese intimados.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CONFISCO. SÚMULA CARF.
Este colegiado não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, ou sobre sua legalidade, conforme Súmula CARF nº 2.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. SÚMULA CARF nº 108
Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício.
DECORRÊNCIAS. CSLL. Aplica-se ao lançamento reflexo o mesmo tratamento dispensado ao lançamento matriz, em razão da relação de causa e de efeito que os vincula.
Numero da decisão: 1302-003.428
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Lucia Miceli - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Ricardo Marozzi Gregorio, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca.
Nome do relator: MARIA LUCIA MICELI
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FRAUDE Recorrente SUPERMERCADO JACARANDA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2014 LANÇAMENTO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em nulidade quando o lançamento observa todos os requisitos previstos no artigo 142 do CTN e no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72. COMPENSAÇÃO FRAUDULENTA. CRÉDITO ILEGAL. MULTA QUALIFICADA. Verificado que houve sonegação, com apresentação de DCTF com valores zerados, além de conluio com a empresa detentora dos títulos da dívida pública ao persistir na compensação com estes créditos sabidamente inexistes, revelando verdadeira fraude todo o esquema perpetrado, cabendo a qualificação da multa de ofício. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DE SÓCIOS ADMINISTRADORES São responsáveis pelos créditos tributários lançados, com base no art. 135, III, do CTN, os sóciosadministradores que comprovadamente atuaram na prática das infrações tributárias apuradas, pois tinham ciência do procedimento fraudulento de compensação com créditos inexistentes, sem que houvesse regularização da situação, em que pese intimados. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CONFISCO. SÚMULA CARF. Este colegiado não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, ou sobre sua legalidade, conforme Súmula CARF nº 2. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. SÚMULA CARF nº 108 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 11 37 /2 01 7- 86 Fl. 4694DF CARF MF 2 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. DECORRÊNCIAS. CSLL. Aplicase ao lançamento reflexo o mesmo tratamento dispensado ao lançamento matriz, em razão da relação de causa e de efeito que os vincula. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto da relatora. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Maria Lucia Miceli Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Ricardo Marozzi Gregorio, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca. Relatório Trata o processo de auto de infração para cobrança dos seguintes tributos relativos ao anocalendário de 2014, com multa de ofício qualificada em 150% e juros de mora: Tributo Valor IRPJ R$ 70.361,01 CSLL R$ 32.070,87 O lançamento decorre da constatação de procedimento de compensação fraudulenta dos tributos utilizando créditos relativos a títulos da dívida pública emitidos no início do século XX, apresentando DCTF com valores zerados. Foi imputada responsabilidade solidária aos sócios administradores Luiz Carlos Massita e Sra. Cecília Mitiko Massita. Em sessão do dia 20 de junho de 2018, a 15ª Turma da DRJ/Ribeirão Preto/SP julgou improcedente a impugnação, lavrando o Acórdão nº 1486.514, com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2014 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). Fl. 4695DF CARF MF Processo nº 19515.721137/201786 Acórdão n.º 1302003.428 S1C3T2 Fl. 4.695 3 O mandado de procedimento fiscal representa um simples procedimento da Administração Tributária na gestão das ações fiscais, o qual não repercute na validade do crédito tributário constituído de ofício. PROCEDIMENTO FISCAL. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. É inquisitório o procedimento fiscal instaurado com o objetivo de se examinar a regularidade fiscal do contribuinte e constituir eventual crédito tributário não recolhido, não se aplicando a ele os princípios do contraditório e da ampla defesa. SÓCIOS ADMINISTRADORES. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA PELO PAGAMENTO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Na hipótese de o sócio administrador praticar ato com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, será ele responsabilizado, solidariamente, pelo pagamento do crédito tributário constituído, nos termos do artigo 135, III, do Código Tributário Nacional (CTN). MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Caracterizada a sonegação, a fraude e o conluio previstos nos artigos 71 a 73 da Lei n°4.502, de 1964, impõese a multa de ofício de 150%, nos termos do artigo 44, inciso I e § 1°, da Lei n°9.430, de 1996. JUROS DE MORA. MULTA DE OFÍCIO. A legislação tributária autoriza a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, nos termos do artigo 161 do CTN bem como dos artigos 43 e 61 da Lei n° 9.430, de 1996. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Em se tratando de exigência reflexa que tem por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do imposto de renda, a decisão de mérito prolatada no principal constitui prejulgado na decisão dos lançamentos decorrentes. Transcrevo relatório da decisão recorrida por bem retratar o auto de infração: No Termo de Verificação Fiscal de fls. 4245/4257, o Auditor Fiscal autuante contextualizou o lançamento do crédito tributário, expondo as fundamentações da exação fiscal. Depois de esclarecer que a autuada já havia sido fiscalizada em relação ao ano calendário 2014, período objeto do lançamento fiscal em exame, expõe que a fiscalizada é sociedade empresarial limitada, sem filiais, que se encontra ATIVA nos cadastros do Fisco e exerce a atividade econômica de comércio varejista de mercadorias em geral, com predominância de produtos alimentícios supermercados. Fl. 4696DF CARF MF 4 Ademais, os seus sócios administradores, desde 2007 até a presente data, são Luiz Carlos Massita (com participação de 70% no Capital Social) e Cecília Mitiko Massita (com participação no Capital Social de 30%). No período fiscalizado, é optante pela tributação pelo Lucro Real Trimestral, tendo apresentado, para o anocalendário 2014: Escrituração Contábil Fiscal (ECF), EFD, DCTF zeradas e GFIP que informavam a compensação dos débitos devidos. Relata ao AuditorFiscal que encaminhou à contribuinte, por via postal, intimação para que comprovasse o pagamento dos tributos listados, apurados nas ECF, EFD e ECD por ela transmitidas. Decorrido o prazo estabelecido, o contribuinte não apresentou qualquer documento e/ou esclarecimento, o que ensejou o encaminhamento, por via postal, do Termo de ReIntimação Fiscal n° 01 (TIF n° 01), que foi devolvido pelos correios com o aviso: MUDOUSE. A Autoridade Fiscal, então, compareceu no endereço do domicílio fiscal do contribuinte, constatando que lá havia uma loja comercial de 2 pavimentos, onde estava instalado um estabelecimento da empresa de razão social Supermercado Porto Seguro Taboão Ltda. (CNPJ 19.994.642/000262). Conforme informou o subgerente desta loja, o ocupante anterior do imóvel, Supermercado Jacarandá Ltda. vendeu o estabelecimento para o ocupante atual há dois anos. Declarou, ainda, que tem recebido intimações para a empresa Supermercado Jacarandá, repassandoas para os seus responsáveis. Explicou que os sócios do Supermercado Porto Seguro Taboão são distintos dos sócios do Supermercado Jacarandá, inexistindo grau de parentesco entre eles. Em razão dos fatos expostos, não se realizou a intimação pessoal do contribuinte fiscalizada. Ato contínuo, procedeuse com a intimação por edital eletrônico. Decorridos 15 dias da publicação do edital, nenhum representante legal do contribuinte compareceu na RFB. Na sequência, foi emitido o Termo de Intimação Fiscal n° 02 (TIF n° 02) com o propósito de se intimar o contribuinte a atualizar o endereço do seu domicílio fiscal perante a RFB, sob pena de declaração de inaptidão ou baixa do seu CNPJ. A ciência do aludido termo também foi promovida por edital eletrônico. Decorridos 15 dias da publicação do edital, nenhum representante legal do contribuinte compareceu na RFB. Os TIF nos 01 e 02 também foram encaminhados, via postal, aos domicílios fiscais dos sócios administradores do contribuinte, Sr. Luiz Carlos Massita e Sra. Cecília Mitiko Massita, os quais foram recebidos em 06/10/2017, conforme AR. Expirado o prazo concedido para atendimento dos termos, os sócios do contribuinte não apresentaram nenhum documento ou esclarecimento. Fl. 4697DF CARF MF Processo nº 19515.721137/201786 Acórdão n.º 1302003.428 S1C3T2 Fl. 4.696 5 CONFRONTO DOS VALORES DE TRIBUTOS DECLARADOS X LANÇADOS NA ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL Com vistas a verificar se os tributos devidos reconhecidos na contabilidade foram devidamente declarados, a Fiscalização examinou as seguintes contas contábeis: QD 03 CONTAS CONTÁBEIS A AUDITAR Cód. Conta Conta 253.0058 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL A RECOLHER 254.0053 IRPJ A RECOLHER A análise dos lançamentos contábeis registrados permitiu à Autoridade Fiscal elaborar a seguinte tabela comparativa: QD 04 APURAÇÃO DE IRPJ E C5LL DEVIDOS A LANÇAR Tributo (A) PA (B) Valor Contabilidade (C) Valor DIPJ/ ECF CD) Valor DCTF CE) Diferenças Apuradas a Lançar (F)=Maior[(C) ou (D)HE) IRPJ 1o Trim/2014 1.087,10 1.087,10 0,00 1.087,10 IRPJ 2º Trim/2014 19.186,83 19.186,83 0,00 19.186,83 IRPJ 3o Trim/2014 31.200,03 31.200,03 0,00 31.200,03 IRPJ 4º Trim/2014 18.887,05 21.194,02 0,00 18.887,05 CSLL 1o Trim/2014 652,26 652,26 0,00 652,26 CSLL 2º Trim/2014 9.067,26 9.067,26 0,00 9.067,26 CSLL 3o Trim/2014 13.392,01 13.392,01 0,00 13.392,01 CSLL 4º Trim/2014 8.959,34 9.789,85 0,00 8.959,34 COMPENSAÇÃO EFETUADA A Autoridade Fiscal informa que o contribuinte apresentou à RFB pedidos de compensações dos débitos ora apurados, entre outros, com créditos relativos a títulos da dívida pública emitidos no início do século XX. Tal pedido de compensações também foi formalizado perante a Secretaria do Tesouro Nacional (STN), que o indeferiu. Sobre o procedimento examinado, relata o AuditorFiscal que a empresa APPEX CONSULTORIA TRIBUTÁRIA LTDA (CNPJ 15.511.847/000108), dizendose detentora de créditos relativos a títulos da dívida pública junto à Secretaria do Tesouro Nacional (STN), efetuou a cessão desses direitos a vários contribuintes, dentre eles a fiscalizada, para que fossem oferecidos ao Fisco nas compensações dos seus débitos tributários. Para tanto a empresa APPEX, representando estes contribuintes em decorrência dessa cessão de créditos, formalizou, mensalmente, processos administrativos junto à STN para solicitar emissão de DARF SIAFI com vistas a pagar os tributos devidos. Adicionalmente, a APPEX orientava os seus clientes a não declararem os débitos a compensar em DCTF, sob a alegação de que a própria STN é quem vai comunicar à RFB os débitos e a sua respectiva extinção por compensação. Caso já tenha havido a entrega da DCTF, orientam a retificála para excluir os débitos em questão. Fl. 4698DF CARF MF 6 A STN, por sua vez, indeferiu todos os pedidos formulados por falta de amparo legal, dando ciência do despacho denegatório à solicitante (APPEX), bem como, em alguns casos, para as empresas representadas. Não obstante, tais indeferimentos, a APPEX permaneceu protocolizando os pedidos, o que levou a STN a encaminhar cópias deles à RFB, a qual já vinha recebendo comunicados de quitação de tributos por meio de créditos de títulos da dívida pública (Processo n° 13811.726.457/201297, protocolizado na DERAT/SP). A Autoridade Fiscal registra que foram encaminhadas, via caixa postal, em 24/4/2015, carta aos contribuintes interessados nos requerimentos formalizados junto à STN, na qual foram fornecidas orientações sobre a impossibilidade de pagamentos de tributos pela forma pleiteada, com o objetivo de que os contribuintes promovessem a autorregularização perante o Fisco. E destaca: No caso, o contribuinte fiscalizado, não acatou as orientações da carta enviada e não retificou as DCTFs originais apresentadas, referentes ao período fiscalizado, nas quais não declarou débitos dos tributos abrangidos pela ação fiscal. RAZOES DO INDEFERIMENTO DAS COMPENSAÇÕES PLEITEADAS Explica o AuditorFiscal que o contribuinte pretendeu realizar as compensações em apreço com suporte na Lei n° 10.179, de 2001. Ocorre, no entanto, que o aludido diploma legal não lhe serve de fundamento, visto que, nos termos do artigo 6° da mencionada lei, apenas os títulos listados no artigo 2°, desde que vencidos, estariam aptos a serem oferecidos na compensação tributária. Para maior clareza, transcrevem os artigos 2° e 6° da Lei n° 10.179, de 2001: Art. 2° Os títulos de que trata o caput do artigo anterior terão as seguintes denominações: Letras do Tesouro Nacional LTN, emitidas preferencialmente para financiamento de curto e médio prazos; Letras Financeiras do Tesouro LFT, emitidas preferencialmente para financiamento de curto e médio prazos; III Notas do Tesouro Nacional NTN, emitidas preferencialmente para financiamento de médio e longo prazos. Parágrafo único. Além dos títulos referidos neste artigo, poderão ser emitidos certificados, qualificados no ato da emissão, preferencialmente para operações com finalidades específicas definidas em lei. (...) Art. 6° A partir da data de seu vencimento, os títulos da dívida pública referidos no art. 2° terão poder liberatório para pagamento de qualquer tributo federal, de responsabilidade de seus titulares ou de terceiros, pelo seu valor de resgate. Fl. 4699DF CARF MF Processo nº 19515.721137/201786 Acórdão n.º 1302003.428 S1C3T2 Fl. 4.697 7 Acrescenta: Tratase de fraude contra o Tesouro Nacional e contra a Administração Tributaria, cuja engenharia complexa consiste na apropriação indevidamente das receitas originárias os tributos que entrariam destinados aos cofres públicos, como forma de usufruir ardilosamente do reconhecimento dos valores por eles atribuídos aos títulos públicos. A Secretaria do Tesouro Nacional que é responsável pela Emissão, Controle e Resgate dos Títulos Públicos Federais e tem como atribuição o zelo pela manutenção da saúde econômicofinanceira do país, nos termos da Lei 10.179/2001 e Decreto n° 3.859/2001, tem tratado como fraude os pedidos/autorização para quitação de tributos federais com estes pretensos créditos, fundamentados indevidamente no artigo 6° da lei 10.179/2001. Por fim, informa que a STN, a RFB, a PGFN e o MPU elaboraram, conjuntamente, uma cartilha (http://www.pgfn.gov.br/noticias/Cartilha%20Fraudes.pdf) com o objetivo de explicar, de forma clara e didática, que todos os títulos emitidos na forma da Lei n° 10.179/2001 foram resgatados nos respectivos vencimentos, não havendo nenhum na condição de vencido. No que tange aos títulos emitidos no início do século passado, em outros países, em moeda estrangeira, não possuem os valores a eles atribuídos nem se prestam ao pagamento de tributos federais. APURAÇÃO E CONSTITUIÇÃO DO CREDITO TRIBUTÁRIO Ante o exposto e considerando que o contribuinte não declarou, em DCTF, os tributos devidos à União, foi realizado o lançamento fiscal com o objetivo de se exigirem os tributos provisionados pelo contribuinte em sua contabilidade, conforme tabela abaixo: QD06Valores Apurados a Lançar Tributo PA Divergências Apuradas Contábil x DCTF IRPJ 1º Trim/2014 1.087,10 IRPJ 2º Trim/2014 19.186,83 IRPJ 3º Trim/2014 31.200,03 IRPJ 4º Trim/2014 18.687,05 CSLL 1º Trim/2014 652,26 CSLL 2º Trim/2014 9.067,26 CSLL 3º Trim/2014 13.392,01 CSLL 4º Trim/2014 8.959,34 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA A Autoridade Fiscal inicia sua exposição, lembrando que o contribuinte não colaborou com a Fiscalização, posto que não prestou os esclarecimentos solicitados acerca da declaração e do pagamento dos tributos reconhecidos contabilmente. Fl. 4700DF CARF MF 8 Recorda o indeferimento, pela STN, do procedimento adotado pela APPEX, o qual consistiu em ceder seus títulos a diversos contribuintes para que eles compensassem os tributos por eles devidos. Rememora, também, a orientação da APPEX de declarar DCTF zeradas, sem a informação de que tributos devidos estariam sido compensados, e a ausência de regularização mediante a entrega de DCTF retificadora, mesmo depois de o contribuinte ter recebido comunicado da RFB informando a improcedência da compensação pretendida. Acrescenta: Adicionalmente, no decorrer desta ação fiscal, o contribuinte fiscalizado e os seus sócios administradores foram intimados e reintimados a esclarecer as divergências apuradas, sendo que até a presente data, não apresentaram qualquer documento ou esclarecimento referente a este assunto. Portanto, em vez de seguir o rito normativo estabelecido pela Receita Federal do Brasil, o contribuinte optou por não confessar em DCTF os tributos devidos, provavelmente motivados pelas supostas quitações dos mesmos através de compensações com créditos inexistentes, o que deu azo ao retardo das providências de cobrança de tributos pelo fisco, sendo necessário o lançamento de ofício para constituição do crédito tributário devido e sua respectiva cobrança. Em seguida, coteja os débitos informados nos pedidos de parcelamento (sic) com aqueles lançados nas autuações em exame, com o objetivo de demonstrar a correlação entre o procedimento fraudulento e o crédito constituído: QD07 Comparativo entre valores a lançar e pedidos de compensação efetuados na STN Tributo PA Diferenças Apuradas a Lançar Valor dos Pedidos de Compensação via STN IRPJ 1º Trim/2014 1.087.10 10.593.41 IRPJ 2º Trim/2014 19.186.63 21.398,68 IRPJ 3º Trim/2014 31.200.03 31.200.02 IRPJ 4º Trim/2014 18.887,05 18.887,06 CSLL 1º Trim/2014 652.26 4.533,63 CSLL 2º Trim/2014 9.067,26 9.157,93 CSLL 3º Trim/2014 13 392,01 13 392,01 CSLL 4º Trim/2014 8.959,34 8.959,34 Conclui, enfim, pela incidência dos artigos 71 a 73 da Lei n° 4.502, de 1964,o que conduz à imposição da multa qualificada de 150%, nos termos do § 1° e do inciso I, ambos do artigo 44 da Lei n° 9.430, de 1996. RESPONSABILIDADE SOLIDARIA Os sócios administradores da empresa, Srs Luiz Carlos Massita (CPF 768.734.47820) e Cecília Mitiko Massita (004.167.488 05), constantes na Ficha Cadastral da JUCESP e no cadastro do CNPJ, foram responsabilizados solidariamente pelos créditos tributários apurados por terem realizado compensações fraudulentas de débitos tributários mediante o oferecimento de títulos públicos emitidos no início do século XX. Fl. 4701DF CARF MF Processo nº 19515.721137/201786 Acórdão n.º 1302003.428 S1C3T2 Fl. 4.698 9 Mesmo depois de cientificados sobre o processo fraudulento de compensação que o contribuinte estava praticando e das suas possíveis consequências jurídicas, os administradores da empresa permaneceram omissos, deixando de declarar reiteradamente os débitos devidos em DCTF e de recolher os tributos devidos aos cofres públicos. Diante desta conduta, incide o disposto no artigo 135 do Código Tributário Nacional, o qual prevê que os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado tornamse responsáveis solidariamente pelo pagamento dos tributos devidos por elas. A Autoridade Fiscal também registra que o contribuinte fiscalizado foi considerado como inexistente de fato, por não ser encontrado em seu domicílio fiscal nem terem os sócios informado novo endereço, não obstante expressamente intimados para tanto. Restou, assim, caracterizada a dissolução irregular, assim tratada na Súmula 435 do Superior Tribunal de Justiça: Súmula 435 Presumese dissolvida irregularmente a empresa que deixar de funcionar no seu domicílio fiscal, sem comunicação aos órgãos competentes, legitimando o redirecionamento da execução fiscal para o sóciogerente. A ciência da decisão de primeira instância ocorreu nas seguintes datas: Sujeito Passivo Ciência Comprovante Supermercado Jacaranda LTDA 11/07/2018 Edital fls. 4537 Luiz Carlos Massita 03/07/2018 AR fls. 4629 Cecília Mitiko Massita 03/07/2018 AR fls. 4630 O recurso voluntário da autuada e dos responsáveis solidários foi apresentado em conjunto, na data de 31/07/2018, às fls. 4.548/4.605, com as seguintes alegações: Do direcionamento à pessoa física dos sócios/administradores em preliminar, acerca da responsabilização solidária imputada nas pessoas físicas de seus sócios, nos termos do artigo 135, inciso III do CTN, esclarece que estes foram vítimas de um golpe praticado pela empresa APPEX CONSULTORIA TRIBUTÁRIA, que oferecia vantagens para pagamento dos seus tributos federais com créditos de títulos da dívida pública, por meio de compensações que não foram homologadas, e são objeto de lançamento. somente nesta fiscalização os sócios tomaram conhecimento de que referidos créditos não são reconhecidos pela Secretaria do Tesouro Nacional e, consequentemente, a vedação legal para utilização desses títulos na extinção de débitos tributários. o procedimento de compensação perante a STN foi efetuado pela APPEX, assim como a ausência de declarações dos débitos de DCTF foi orientação da consultora, sob a alegação de que a própria STN iria comunicar à RFB os débitos e sua extinção por compensação. Fl. 4702DF CARF MF 10 a recorrente não agiu de máfé, pois acreditou que esse seria o procedimento correto e adequado para as operações de compensações. cita decisões judiciais que reconhecem a empresa APPEX como especializada em consultoria tributária, e que o crédito vendido era desde o início imprestável, comprovando que a empresa e os sócios foram induzidos ao erro, vítimas de um golpe praticado com diversas empresas, não podendo os sócios serem responsabilizados solidariamente pelos créditos tributários apurados pela fiscalização. os sócios e a recorrente foram enganados pela empresa APPEX, não podendo os sócios serem responsabilizados pelas compensações realizadas. a pessoa jurídica tem personalidade distinta dos sócios e administradores, e que a legislação tributária prevê que o sujeito passivo da obrigação tributária poderá ser o contribuinte, com relação direita com o fato gerador, ou o responsável, designado por lei. sem a eleição do terceiro, como expressa previsão da lei, na condição de responsável em dadas hipóteses descritas pelo legislador, não é licito ao aplicador da lei ignorar ou desconsiderar o sujeito passivo legalmente definido e imputar a responsabilidade tributária a terceiro, como ocorreu com a inclusão da pessoa física como responsável solidário no presente auto de infração. não há dispositivo legal específico no âmbito do direito tributário que contemple a desconsideração da personalidade jurídica e em consonância com os interesses tutelados e as peculiaridades desse ramo do direito. não se pode massacrar o artigo 146, inciso III da CF/88 em detrimento de argumentações trazidas e que sequer passaram pelo juízo probatório e de conhecimento da via administrativa. a inclusão dos sócios no pólo passivo da ação fiscal viola a Constituição Federal, tendo em vista a inobservância do artigo 146, inciso III. Da ausência de abertura de mandado de procedimento fiscal em face da pessoa física do sócio/administrador o mandado de procedimento fiscal abriu fiscalização em face da pessoa jurídica, afrontando o direito à ampla defesa e ao contraditório dos sócios, previsto no artigo 5º, inciso LV, assim como a obrigatoriedade de publicidade dos atos administrativos, nos termos do artigo 37 da CF/88. constatase que todas as medidas para exigir o crédito tributário não foram acompanhadas por meio do processo administrativo adequado, devendo os sócios serem excluídos do pólo passivo da presente ação fiscal. Da impossibilidade de responsabilização em face da pessoa física / responsabilidade pessoal dos sócios/administradores de acordo com o Código Tributário Nacional o julgador a quo afirmou que a situação em análise configura caso de liquidação irregular de sociedade. Fl. 4703DF CARF MF Processo nº 19515.721137/201786 Acórdão n.º 1302003.428 S1C3T2 Fl. 4.699 11 esclarece que tomou todas as providências para regularizar o CNPJ, demonstrando que não houve encerramento irregular da sociedade, conforme comprova documentação anexada aos autos. toda documentação relacionada aos procedimentos adotados estão acostados aos autos do processo administrativo nº 19515.721146/201777, que trata da cassação do CNPJ da recorrente. além dos argumentos acima, a inclusão não preenche os requisitos de responsabilização dos sócios e administradores previsto no CTN. de acordo com o artigo 135, inciso III do CTN, deve o fisco comprovar que o sócio ou administrador agiu com excesso de poder, ou infração de lei ou contrato social, sendo que a simples falta de recolhimento do tributo não implica infração da lei. não existindo atos ilícitos praticados pelos sócios, a responsabilidade é toda da empresa, nos termo do artigo 121 do CTN. não consta nos autos, em nenhum momento qualquer ato dos recorrentes, que demonstre sua solidariedade com a pessoa jurídica, sendo que apenas seu cargo de sócio não é suficiente para tal caracterização. pelo exposto, devem os sócios serem excluídos do pólo passivo. Da nulidade por cerceamento de defesa ainda em preliminar, alega nulidade, pois o auditor fiscal não foi claro acerca da metodologia utilizada para calcular os valores exigidos, ensejando o cerceamento do direito de defesa, pois foilhe imputada autuação sem a descrição clara e precisa da origem do lançamento. afirma, ainda, que é impossível a aplicação da multa de ofício de 150%, já restou demonstrado que não houve sonegação, pois a recorrente foi vítima de um golpe aplicado pela empresa APPEX. a recorrente não agiu com intuito de sonegar imposto, pois todos os procedimentos foram no sentido de realizar a compensação tributária. a não declaração dos débitos em DCTF partiu de uma orientação da APPEX, sob a alegação de que a própria Secretaria da Tesouro Nacional seria responsável por comunicar à Receita Federal os débitos e sua respectiva extinção por compensação, acreditando estar procedendo corretamente. seu intuito foi seguir as orientações da empresa APPEX para realizar as compensações dos créditos relacionados ao título da dívida pública com os débitos tributários, não podendo ser penalizada com a aplicação da multa de ofício qualificada no percentual de 150%. não há dúvidas que houve uma infração, qual seja a não declaração dos débitos a compensar em DCTF, mas isso não significa que o contribuinte agiu com dolo, pois sua intenção nunca foi burlar a fiscalização ou omitir os débitos existentes. Fl. 4704DF CARF MF 12 Da impossibilidade de aplicação da multa de 150% a aplicação da multa de 150% não possui embasamento legal e sua capitulação não guarda correlação lógica com a sua natureza jurídica, revelandose confiscatória, inadmissível perante o ordenamento jurídico. a multa punitiva deve guardar consonância com os princípios constitucionais tributários aplicados ao dever principal, sob pena de quebra da coerência da interpretação sistemática. a exigência da multa sem proporcionalidade, representa um verdadeiro excesso de exação porque pune exageradamente o contribuinte que age com evidente boafé. ainda que fosse admitida a regularidade do lançamento, de qualquer modo, a multa exigida seria ostensivamente ilegal porque o seu valor não guarda qualquer respaldo do ponto de vista infracional, uma vez que não houve prática de qualquer ato pelo contribuinte que justifique a multa neste patamar. Da impossibilidade de incidência de Taxa Selic sobre a multa de ofício. contesta, ainda, a aplicação da taxa Selic sobre a multa de ofício. Do pedido finaliza requerendo: (i) receber e processar o recurso voluntário; (ii) suspender a exigibilidade do crédito tributário; (iii) reformar o acórdão, para decretar a nulidade do auto de infração, bem como a ilegitimidade passiva dos sócios; (iv) caso mantido o lançamento, que seja afastada a multa qualificada e (v) reconhecida a inaplicabilidade dos juros moratórios sobre a multa de ofício, e que os encargos sejam computados a partir do esgotamento do prazo de 30 (trinta) dias após a decisão administrativa que eventualmente mantiver o lançamento. Os responsáveis solidários também apresentaram recurso voluntário, em 02/08/2018, fls. 4633/4690, repetindo as alegações da autuada. É o relatório. Voto Conselheira Maria Lucia Miceli Relatora O recurso voluntário é tempestivo, e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Assim, dele eu conheço. O presente lançamento decorre da constatação de compensação de débitos com suposto crédito oriundo de títulos da dívida pública junto à Secretaria do Tesouro Nacional (STN), com amparo na Lei nº 10.179/2001. Analisando os fatos narrados pelo auditor fiscal, entendo ser importante trazer aos autos que recentemente noticiouse operação conjunta da Procuradoria da Fazenda Nacional, Receita Federal e Polícia Federal, denominada Operação Fake Money, com o objetivo de identificar as pessoas envolvidas com este procedimento de compensação de tributos federais com créditos desta natureza, tratados como fraude pela STN. Fl. 4705DF CARF MF Processo nº 19515.721137/201786 Acórdão n.º 1302003.428 S1C3T2 Fl. 4.700 13 Em que pese este lançamento, cuja ação fiscal se iniciou em 31/08/2017, não estar diretamente vinculada a Operação Fake Money, de acordo com informativo publicado no site da Receita Federal em 28/09/2018, esta fraude vem sendo perpetrada desde 2012, e basicamente tem o seguinte esquema, que retrata bem os fatos narrados pelo auditor fiscal no Termo de Verificação Fiscal: Consta no site que diversas ações já foram realizadas para combater esta fraude, incluindo o lançamento da cartilha "Prevenção à Fraude Tributária com Títulos Públicos Antigos" no anocalendário de 2012. Desde então, outras ações vêm sendo tomadas para evitar esta fraude. Informa, ainda, que a RFB já teria identificado os usuários deste esquema (compradores dos tais créditos podres) e alerta que aqueles que não regularizarem espontaneamente a situação perante o Fisco serão objeto de ação fiscal ou auditoria interna. E, uma vez iniciado o procedimento fiscal, ocorrerá a perda da espontaneidade, e o sujeito passivo deverá arcar, além do valor principal devido, multa de ofício que poderá chegar a 225% do tributo. Importante destacar que a recorrente foi um dos contribuintes que, na posição de compradora destes créditos, foi avisada deste procedimento ilegal. No TVF, a autoridade fiscal registrou que foram encaminhadas, via caixa postal, em 24/4/2015, carta aos contribuintes interessados nos requerimentos formalizados junto à STN, na qual foram fornecidas orientações sobre a impossibilidade de pagamentos de tributos pela forma pleiteada, com o objetivo de que os contribuintes promovessem a autorregularização perante o Fisco. Fl. 4706DF CARF MF 14 Feita esta contextualização, passo a julgar, esclarecendo que a autuada e os responsáveis solidários apresentaram o mesmo recurso voluntário. A ordem das alegações será alterada, julgandose primeiro a preliminar de nulidade do lançamento, depois as questões de mérito, e, por fim, as questões acerca da imputação da responsabilidade tributária dos sócios. Constituição dos créditos tributários nulidade por cerceamento de defesa Os recorrentes alegaram que o lançamento seria nulo porque a Fiscalização não teria sido claro a respeito da metodologia utilizada no cálculo dos tributos exigidos. Não merece acolhida esta alegação. Está claro no Termo de Verificação Fiscal que os débitos constituídos neste lançamento são aqueles obtidos nos arquivos digitais via SPED EFD Contribuições, ECF e ECD Contábil. Os tributos de IRPJ e CSLL relativo ao anocalendário de 2014 não foram declarados na DCTF, sendo necessário a sua constituição via auto de infração. Ou seja, os valores são exatamente aqueles informados nos arquivos digitais transmitidos pela própria recorrente, não havendo que se falar em dúvida quanto à metodologia utilizada na autuação. A seguir, transcrevo parte do voto da decisão recorrida, da qual concordo e adoto como razão de decidir: Ora, se foi o próprio contribuinte que realizou todos os cálculos necessários à apuração da dívida fiscal e se a Fiscalização aceitouos, sem alterações, não é possível se aceitar a tese de que tenha havido mácula no lançamento fiscal. Neste contexto, para que os impugnantes tenham conhecimento de cada detalhe dos cálculos elaborados e da metodologia aplicada, basta revistarem os registros contábeis elaborados pela empresa. Por fim, esclareço que um auto de infração será considerado nulo se os procedimentos não estiverem dentro do previsto no artigo 142 do CTN, bem como no artigo 59 do Decreto n° 70.235/72. No presente caso, compulsando os autos, verificase que todos os requisitos estão atendidos, pois houve a verificação da ocorrência do fato gerador, determinação da matéria tributável, cálculo do montante do tributo devido, identificação do sujeito passivo e aplicação da penalidade cabível. Por todo acima exposto, afasto a preliminar de nulidade. Constituição dos créditos tributários da inaplicabilidade da multa de ofício qualificada Quanto ao mérito do lançamento, as recorrentes alegam que a multa de ofício qualificada deve ser afastada, seja em razão da sua ilegalidade e efeito confiscatório, seja em razão de não terem agido com intenção dolosa nas operações em questão. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal, a multa qualificada de ofício tem como fundamento legal o § 1º do artigo 44 da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 11.488/2007, que assim dispõe: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: Fl. 4707DF CARF MF Processo nº 19515.721137/201786 Acórdão n.º 1302003.428 S1C3T2 Fl. 4.701 15 I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (...) Já os artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64 tipificam o que seria sonegação, fraude e conluio: Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. De pronto, com relação às alegações de ilegalidade e efeito confiscatório, uma vez que os citados dispositivos legais estão vigentes, esta conselheira deve observar a Súmula CARF nº 2, que assim determina: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Continuando, verificase que, no entendimento do auditor fiscal, o procedimento adotado pelos recorrentes caracteriza sonegação, fraude e conluio, tipificados nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64. As seguir, as razões que levaram o auditor fiscal a esta conclusão: => durante a ação fiscal, os recorrentes não apresentaram qualquer esclarecimento acerca das divergências constatadas entre os tributos apurados de acordo com a escrituração digital e a ausência de declaração ou recolhimento destes valores. Fl. 4708DF CARF MF 16 => os pedidos de compensação dos débitos com os créditos relativos a títulos da dívida pública, protocolados pela empresa APPEX na Secretaria do Tesouro Nacional, foram todos indeferidos. => a recorrente, seguindo orientação da APPEX, não declarou os débitos em questão e respectivas compensações na DCTF. => a STN comunicou o procedimento irregular à Receita Federal do Brasil, que por sua vez informou aos contribuintes da impossibilidade da compensação requerida, e orientou que fosse providenciada a autorregularização, com apresentação de DCTF retificadora, declarando os tributos devidos, procedimento não acatado pela recorrente. Assim conclui o auditor fiscal: Portanto, em vez de seguir o rito normativo estabelecido pela Receita Federal do Brasil, o contribuinte optou por não confessar em DCTF os tributos devidos, provavelmente motivados pelas supostas quitações dos mesmos através de compensações com créditos inexistentes, o que deu azo ao retardo das providências de cobrança de tributos pelo fisco, sendo necessário o lançamento de ofício para constituição do crédito tributário devido e sua respectiva cobrança. (...) Isto comprova que apesar da omissão do contribuinte no esclarecimento das divergências apuradas nesta ação fiscal, os créditos tributários ora constituídos decorrem da compensação fraudulenta efetuada pelo mesmo em conivência com a empresa APPEX. A decisão recorrida acatou a tese da auditoria fiscal, nos seguintes termos: A conduta dos sócios revelou que eles agiram dolosamente por permitirem que a APPEX realizasse por diversos meses o procedimento fraudulento que tentar compensar tributos sem qualquer respaldo em lei. O complexo procedimento realizado envolveu a entrega de diversas petições junto à Secretaria do Tesouro Nacional, a transmissão de DCTF zeradas ao Fisco e a comunicação de quitação à DERAT/SP. Além disso, mesmo diante de indeferimento dos pedidos apresentados à STN, foi dado prosseguimento às condutas, como se nada tivesse acontecido, demonstrando, assim, a irrelevância do entendimento da STN. Salientese, ainda, que, mesmo depois de recebido carta da RFB comunicando a ilicitude das compensações pretendidas e da necessidade de se recolher os tributos devidos, os interessados permaneceram silentes, sem apresentar qualquer exteriorização de surpresa ou inconformismo. Estão, portanto, presentes as condições para a imposição da multa de 150%, prevista no §1° e no inciso I do artigo 44 da Lei n°9.430, de 1996 Não há reparo na decisão recorrida. A conduta dos recorrentes torna sem respaldo a tese de que foram vítimas de golpe, e que agiram de boa fé. A inércia em regularizar Fl. 4709DF CARF MF Processo nº 19515.721137/201786 Acórdão n.º 1302003.428 S1C3T2 Fl. 4.702 17 sua situação fiscal, ainda que ciente da impossibilidade de compensar os débitos com crédito sabidamente inexistente, demonstra o intuito de impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária a ocorrência do fato gerador (sonegação). A justificativa de estar sob a orientação da APPEX, demonstra a conivência, ainda que ciente da irregularidade do procedimento, caracterizando o conluio entre os envolvidos. Por fim, a fraude é demonstrada por todo o esquema de compensação de tributos com créditos relativos a títulos da dívida pública já alcançados pela prescrição, com a transmissão da DCTF, sem a declaração dos valores devidos a título de IRPJ e CSLL. Ressalto que o esquema só foi possível pois os recorrentes atuaram como cessionários destes créditos. A empresa APPEX não conseguiria, sozinha, levar a termo este procedimento se não tivesse atuando junto com os recorrentes. É preciso ressaltar que a fraude utilizando supostos créditos de títulos da dívida pública já era caso amplamente noticiado, desde 2012, com publicação de cartilha com orientações aos contribuintes. A despeito dos esforços das autoridades em evitar que este procedimento se perpetrasse, com a emissão da citada cartilha e aviso direto aos envolvidos, vários contribuintes, incluindo a recorrente, em sintonia com a APPEX, mantinham com o esquema fraudulento, formalizando vários processos administrativos junto à STN para solicitação de quitação dos tributos mediante emissão de DARF SIAFI, e também apresentando estes mesmos pedidos junto à Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária DERAT/SP, comunicando esta quitação, por meio do processo administrativo nº 13811.726.457/201297. Tanto na STN quanto no âmbito da Receita Federal do Brasil, todos os pedidos foram negados. Entretanto, os pedidos de compensação continuaram a ser apresentados, incluindo débitos da recorrente. E, dificultando ainda mais o trabalho fiscal, as DCTF continuam a ser apresentadas sem a declaração destes tributos. Ainda com relação ao processo administrativo nº 13811.726457/201297, em pesquisa aos sistemas da Receita Federal do Brasil, verificase que ele foi protocolizado pela APPEX CONSULTORIA TRIBUTÁRIA LTDA, cujo assunto seria "reconhecimento de direito de crédito". Atualmente se encontra no CARF para julgamento de Recurso Voluntário. Nestes termos, é importante esclarecer que este processo administrativo não possui o condão de confessar créditos tributários. As declarações apresentadas pelos contribuintes que comportam a confissão de créditos tributários, considerando a atual legislação tributária, seria a DCTF, DACON e, por ventura, Declaração de Compensação. Fl. 4710DF CARF MF 18 Mas não é só. A recorrente também foi autuada, pelos mesmos motivos, para cobrança de IRPJ e CSLL relativos ao anocalendário de 2013, no processo administrativo nº 10882.723592/201682. No Termo de Verificação Fiscal consta a seguinte informação: A Receita Federal do Brasil já tinha se manifestado contrária ao procedimento do contribuinte, no processo administrativo nº 10.882.723675/201248, com ciência ao sujeito passivo sobre orientações contidas na cartilha sobre fraudes com Títulos Públicos, através de intimação, em 12/09/2012 O processo administrativo nº 10882.723675/201248, trata de divergências entre débitos declarados e pagamentos a menor, foi lavrado o seguinte despacho, do qual a recorrente teve ciência em 12/09/2012: Diante destes fatos, restou cabalmente comprovado que a recorrente, incluindo os sócios, tinham ciência de todo o esquema fraudulento da empresa APPEX, atuando em conjunto com o objetivo de deixar de pagar os tributos devidos. Por todo acima exposto, concluo que deva ser mantida a multa de oficio qualificada. Constituição dos créditos tributários da incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Ainda quanto ao mérito do lançamento, os recorrentes contestam a cobrança dos juros de mora sobre a multa de ofício. Ocorre que esta matéria já se encontra sumulada pelo CARF, devendo esta conselheira observála: Fl. 4711DF CARF MF Processo nº 19515.721137/201786 Acórdão n.º 1302003.428 S1C3T2 Fl. 4.703 19 Súmula CARF nº 108 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Logo, na determinação do crédito tributário devido, os juros de mora deverão incidir sobre a multa de ofício, e calculados tendo por base a taxa SELIC. Por todo acima exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário para manter o auto de infração nos exatos termos em que foram lançados. A seguir, passo a analisar as questões acerca da imputação da responsabilidade tributária aos sócios, Luiz Carlos Massita e Cecília Mitilo Massita, com fundamento no artigo 135, inciso III do CTN. Do direcionamento à pessoa física dos sócios/administradores Em preliminar, os recorrentes alegam que não caberia o redirecionamento do lançamento à pessoa física dos sócios. Afirmam que foram vítimas de um golpe, que tomaram conhecimento da vedação legal para compensação no curso da ação fiscal, e que agiram de boa fé, seguindo as orientações da APPEX, sendo induzida ao erro. Aduzem, ainda, que a empresa, sujeito passivo da obrigação tributária, tem personalidade jurídica distinta da pessoa física dos sócios. Para dirimir esta questão, me reporto ao meu voto quanto à aplicação da multa de ofício qualificada. Não há como acatar a tese de vítima de golpe se os fatos constatados indicam uma omissão por parte dos sócios no que diz respeito à regularização da situação fiscal, em que pese cientes da ilegalidade das compensações, e antes de iniciada a ação fiscal relativa ao anocalendário de 2014. Sequer houve o atendimento das intimações, recebidas em seus endereços pessoais, lavrados pela autoridade fiscal, para que fossem esclarecidas as divergências entre os valores relativos aos tributos devidos, constantes na escrituração digital, com aqueles declarados na DCTF. A imputação da responsabilidade tem como base legal o artigo 135, inciso III do CTN, que é muito claro ao afirmar que os sócios, diretores e gerentes serão incluídos no pólo passivo da obrigação tributária que decorrem de atos praticados com excesso de poderes ou infração à lei. Logo, a alegação de que a empresa tem personalidade jurídica distinta do sócio não tem lugar quando é constatado, como no presente caso, que os sócios agiram com infração à lei, ao compensar tributos com crédito sabidamente inexistentes, e ainda deixando de declarar estes valores na DCTF, ainda que intimados para regularizar a situação fiscal. No mais, não há afronta ao artigo 146, inciso III do CTN, até mesmo porque o nosso Código Tributário Nacional foi recepcionado com status de Lei Complementar (artigo 34, § 5º do Ato das Disposições Transitórias). Da ausência de abertura de mandado de procedimento fiscal em face da pessoa física do sócio/administrador Fl. 4712DF CARF MF 20 Os recorrentes alegam que o MPF abriu fiscalização em face da pessoa jurídica, fato que cerceia o direito à defesa e ao contraditório dos sócios, bem como fere a obrigatoriedade de publicidade dos atos administrativos. Não merece acolhida as alegações dos recorrentes. O MPF Mandado de Procedimento Fiscal, é instrumento interno de planejamento, controle e gerência das atividades de fiscalização. Tem também o objetivo de informar ao contribuinte os anoscalendário e os tributos que serão fiscalizados. Ele deve ser formalizado em nome do sujeito passivo cujos créditos tributários serão auditados, procedimento este que não impede que os sócios sejam incluídos no pólo passivo quando necessário, se constatados fatos que ensejam a aplicação do artigo 135, inciso III do CTN. Cumpre ainda alertar que o Mandado de Procedimento Fiscal, por si só, não é capaz de macular o lançamento, que deve sim, obrigatoriamente, observar o rito previsto nos artigos 7º ao 10º do Decreto nº 70.235/72, ou seja, se o contribuinte tomou a devida ciência do Termo de Início da Ação Fiscal, dos Termos de Continuidade da Ação Fiscal e do Auto de Infração. Além disso, já é jurisprudência pacífica que o procedimento fiscal, que antecede a constituição do crédito tributário, é inquisitório, prescindindo, por vezes, da intimação da fiscalizada para prestar esclarecimentos. Basta constatar a irregularidade que o auditor fiscal deve proceder ao lançamento para constituição do crédito tributário. Logo, a abertura do Mandado de Procedimento Fiscal em nome da empresa não impede que os sócios sejam incluídos no pólo passivo. Com relação ao princípio da publicidade, este deve ser observado, mas sem desconsiderar o sigilo fiscal, previsto no artigo 198 do CTN, que assim dispõe: “Art. 198. Sem prejuízo do disposto na legislação criminal, é vedada a divulgação, por parte da Fazenda Pública ou de seus servidores, de qualquer informação obtida em razão do ofício sobre a situação econômica ou financeira dos sujeitos passivos ou de terceiros e sobre a natureza e o estado dos seus negócios ou atividades.” Diante dos dispositivos acima citados, é importante distinguir a publicidade do processo administrativo tributário a abertura do MPF e os Termos de Constatação Fiscal do sigilo em relação às informações. No presente caso, durante a ação fiscal, a empresa foi intimada. Diante da inexistência de resposta, e constatado que já não mais existia no endereço informado nos sistemas da Receita Federal do Brasil, os sócios foram intimados, sem qualquer resposta. Assim, no mínimo é de estranhar a alegação de inobservância da publicidade dos atos administrativos já que os sócios foram chamados ao processo durante a ação fiscal, mas preferiram ficar silente. Ademais, só se pode falar em cerceamento ao direito de defesa e ao contraditório após a constituição do crédito tributário, quando então os sujeitos passivos devem ter acesso a todo processo, fato que ocorreu no presente caso. Da impossibilidade de responsabilização em face da pessoa física Responsabilidade pessoal dos sócios/administradores de acordo com o Código Tributário Nacional. Fl. 4713DF CARF MF Processo nº 19515.721137/201786 Acórdão n.º 1302003.428 S1C3T2 Fl. 4.704 21 Alega que tomou todas as providências para regularizar o CNPJ, demonstrando que não houve encerramento irregular da sociedade. Afirma, ainda, que não houve comprovação de atos ilícitos dos sócios, condição de aplicação do artigo 135, inciso III do CTN. Mais uma vez, a inércia dos recorrentes não ajudam na defesa. Como relatado nos autos, o auditor fiscal compareceu no endereço indicado nos registros da Receita Federal, onde encontrou outra empresa em pleno funcionamento há mais de dois anos. Em que pese os sócios intimados, também não providenciaram a regularização do CNPJ. Nestes termos, tem razão o auditor fiscal quando afirma que tratase de dissolução irregular da sociedade, citando a Súmula 435 do STJ, abaixo transcrita: Súmula 435 Presumese dissolvida irregularmente a empresa que deixar de funcionar no seu domicílio fiscal, sem comunicação aos órgãos competentes, legitimando o redirecionamento da execução fiscal para o sóciogerente. (Súmula 435, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 14/04/2010, DJe 13/05/2010) E, com relação aos documentos anexados ao processo administrativo nº 19515.721146/201777, que trata da cassação do CNPJ da empresa, compulsando aqueles autos, verifiquei que foi publicado Ato Declaratório Executivo nº 003343081, em 18/10/2018, dando baixa de ofício da inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica: Quanto à alegação de que não teria sido comprovado os atos ilícitos dos sócios, condição de aplicação do artigo 135, inciso III do CTN, entendo que pelos fatos aqui relatados já ficou bem claro que esta alegação é totalmente descabida. E, apenas para concluir este voto, transcrevo parte da decisão recorrida, cujos fundamento adoto como razão de decidir: Com isso, sopesando que (i) o contribuinte, por meio de seus sócios, contratou os serviços da APPEX que lhes prometeu compensações tributárias infundadas, baseadas em procedimentos não respaldados em lei, mediante a entrega de Fl. 4714DF CARF MF 22 DCTF zeradas, sem qualquer sinal da existência de tributos devidos, pagou ou compensados; (ii) o procedimento foi todo realizado pela APPEX sem sinal de que tenha havido qualquer acompanhamento sério e criterioso dos resultados por parte da contratante e de seus sócios; (iii) os sócios, quando informados da irregularidade do procedimento, permanecerem silentes, não manifestando qualquer inconformismo ou revolta, concluise que os sócios assumiram o risco de agir com infração à lei, o que revela uma conduta reprovada pelo ordenamento jurídico apta a ensejar a responsabilização pelo pagamento do crédito tributário exigido, nos moldes do artigo 135, III, do CTN. Verificase, portanto, que os atos fraudulentos praticados para que o contribuinte não recolhesse aos cofres públicos os tributos devidos devem resultar na imposição de responsabilidade dos sócios, os quais não podem sair ilesos, como se fossem vítimas inocentes e bemintencionadas. CONCLUSÃO Por todo acima exposto, voto por afastar a preliminar de nulidade e negar provimento aos recursos voluntários. Maria Lucia Miceli Relatora Fl. 4715DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.722942/2016-26
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Mar 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Período de apuração: 01/02/2012 a 31/10/2012
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. DECISÃO. RERRATIFICAÇÃO. OMISSÃO. ACOLHIMENTO SEM EFEITOS INFRINGENTES.
Constatada a ocorrência de omissão na decisão do acórdão embargado, impõe-se o acolhimento dos embargos de declaração para o devido saneamento, rerratificando-se a decisão, sem efeitos infringentes.
Numero da decisão: 2402-007.029
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em acolher os embargos, sem efeitos infringentes, para sanar a omissão apontada. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Wilderson Botto, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior, que acolheram os embargos com efeitos infringentes, dando provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(assinado digitalmente)
Luís Henrique Dias Lima - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Paulo Sérgio da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci, Maurício Nogueira Righetti, Wilderson Botto (suplente convocado), Luís Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Junior e Denny Medeiros da Silveira.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE DIAS LIMA
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DECISÃO. RERRATIFICAÇÃO. OMISSÃO. ACOLHIMENTO SEM EFEITOS INFRINGENTES. Constatada a ocorrência de omissão na decisão do acórdão embargado, impõese o acolhimento dos embargos de declaração para o devido saneamento, rerratificandose a decisão, sem efeitos infringentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em acolher os embargos, sem efeitos infringentes, para sanar a omissão apontada. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Wilderson Botto, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior, que acolheram os embargos com efeitos infringentes, dando provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Paulo Sérgio da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci, Maurício Nogueira Righetti, Wilderson Botto (suplente convocado), Luís Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Junior e Denny Medeiros da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 29 42 /2 01 6- 26 Fl. 3587DF CARF MF Processo nº 16682.722942/201626 Acórdão n.º 2402007.029 S2C4T2 Fl. 3.588 2 Relatório Tratamse de embargos de declaração, de iniciativa do contribuinte, com fulcro no art. 65 e ss. do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF n. 343, de 09 de junho de 2015, e alterações posteriores, em face do Acórdão n. 2402006.494, proferido por esta 2ª. Turma Ordinária da 4ª. Câmara da 2ª. Seção de Julgamento (efls. 3521/3533). No essencial, o embargante aponta vício de contradição entre a decisão e seus fundamentos e omissão quanto à demonstração da efetiva utilização dos recursos no financiamento das exportações. Entretanto, conforme o despacho de admissibilidade (efls. 3564/3571), os embargos foram admitidos apenas em face de omissão, afastandose a alegação de contradição. É o relatório. Voto Conselheiro Luís Henrique Dias Lima Relator. Os embargos declaração em apreço já foram admitidos pelo CARF quanto à tempestividade e omissão alegada, restando afastada, todavia, a alegação de contradição, consoante os termos do despacho de admissibilidade (efls. 3564/3571). Muito bem. A 2ª. Turma Ordinária da 4ª. Câmara da 2ª. Seção proferiu o Acórdão n. 2402 006.494, em 6 de agosto de 2018 (efls. 3501/3511), negando provimento ao Recurso Voluntário, conforme ementa a seguir transcrita: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Período de apuração: 01/02/2012 a 31/10/2012 PRELIMINAR. NULIDADE DA DECISÃO. ELEMENTOS PROBATÓRIOS SUFICIENTES. IMPOSSIBILIDADE. Não há que se falar em nulidade da decisão por ter deixado de analisar documentos apresentados juntamente com a impugnação, quando o julgador da instância de piso fundamentou a sua decisão em outros elementos probatórios anexados aos autos e suficientes à formação de sua convicção. O julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelo impugnante, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. Na verdade, o julgador tem o Fl. 3588DF CARF MF Processo nº 16682.722942/201626 Acórdão n.º 2402007.029 S2C4T2 Fl. 3.589 3 dever de enfrentar apenas as questões capazes de infirmar a conclusão adotada. ALÍQUOTA ZERO SOBRE JUROS E COMISSÕES DE CRÉDITOS OBTIDOS NO EXTERIOR. REQUISITOS. Para incidência da alíquota zero de IRRF sobre juros e comissões relativos a créditos obtidos no exterior fazse necessária a comprovação da destinação dos recursos no financiamento de exportações. Inexistindo tal comprovação, aplicase a alíquota de 25%. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Nos aclaratórios, o embargante aduz omissão quanto à demonstração da efetiva utilização dos recursos no financiamento das exportações, nos termos a seguir transcritos no essencial: 21. A r. decisão embargada também incorreu em grave omissão ao alegar que a Embargante não teria aduzido novas razões de defesa além daquelas apresentadas em sua Impugnação, razão pela qual adotaria integralmente os fundamentos da decisão proferida pela DRJ. Confirase trecho do acórdão nesse sentido: “No caso concreto, a Recorrente não aduz novas razões de defesa perante a segunda instância, além daquelas já anotadas na impugnação de efls. 2986/3031. Assim, considerandose o minucioso, exaustivo e elucidativo relato das circunstâncias fáticas anotado no TVF (efls. 2944/2972), respaldado pelo robusto conjunto probatório acostado aos autos, entendo que não há reparo a fazer na decisão recorrida, tendo em vista o acerto das suas conclusões em negar provimento à impugnação de efls. 2986/3031 e manter o crédito tributário consignado no lançamento Auto de Infração IRRF no valor total de R$ 117.267.885,88 (efls. 2977/2982).” 22. Ao assim proceder, o acórdão embargado ignora completamente que a Embargante dedicou um tópico inteiro de seu Recurso Voluntário à demonstração do efetivo emprego de recursos no custeio de suas exportações, que não constava de sua Impugnação (Item 5.4. – Comprovação da efetiva utilização dos recursos no financiamento das exportações), além de que a Embargante trouxe em tal oportunidade uma série de novos documentos que suportam suas alegações e evidenciam a total improcedência da autuação. 23. Cumpre ressaltar que, ao analisar o caso, a decisão proferida pela DRJ manteve a autuação sob a única alegação de que a Embargante não teria comprovado a destinação dos recursos ao financiamento das exportações. Fl. 3589DF CARF MF Processo nº 16682.722942/201626 Acórdão n.º 2402007.029 S2C4T2 Fl. 3.590 4 24. Foi justamente porque a suposta ausência de comprovação da destinação dos recursos ao financiamento das exportações da Embargante tornouse o único ponto em discussão nesses autos que, em seu Recurso Voluntário, a Embargante trouxe uma série de novas evidências para refutar tal alegação e, principalmente, evidenciou o efetivo financiamento de suas operações de exportação em montante superior ao captado por meio dos Contratos de PPE/RAE. 25. Conforme indicado no Recurso Voluntário, na medida em que incorre em custos para promover as exportações de seus produtos e a consequente amortização dos Contratos, a Embargante demonstra a destinação de recursos a essa atividade, em observância à condição legal imposta para fruição da alíquota zero de IRRF sobre os Juros. 26. A Embargante anexou ao seu Recurso Voluntário planilha com indicação da demonstração dos resultados dos anos de 2007 a 2015, evidenciando as suas respectivas receitas e custos de exportação (Doc. 06 do Recurso Voluntário)6. Tal prova decorre da contabilidade da Embargante, que reflete o emprego de seu caixa e disponibilidades em sua atividade de exportação. 27. A planilha a seguir, que constou do Recurso Voluntário e que tem por base as informações contidas no seu Doc. 06, sumariza os custos incorridos pela Embargante, em cada ano, em suas operações de exportação, que suportam a amortização dos Contratos, até 2015 (informação disponível à época) (“Custo Exportação): 28. No âmbito dos Contratos PPE/RAE, a Embargante captou o total de aproximadamente R$2.135.737.600,00, conforme os contratos de câmbio juntados aos autos do processo. O montante em dólares corresponde a USD1.251.000.000,00. 29. Assim, a Embargante evidenciou em seu Recurso Voluntário, por meio da tabela comparativa reproduzida abaixo, de forma ainda mais evidente, que destinou recursos ao financiamento de suas operações de exportação em montante substancialmente superior ao captado através dos PPE/RAE: Fl. 3590DF CARF MF Processo nº 16682.722942/201626 Acórdão n.º 2402007.029 S2C4T2 Fl. 3.591 5 30. O acórdão embargado também ignora que, em sede de memoriais de julgamento, a Embargante apresentou extrato atualizado dos ROFs relativos aos Contratos de PPE/RAE, que indicam que o valor integral dos financiamentos foi liquidado pela Embargante mediante a realização de exportações próprias8. Para que não restem dúvidas, a Embargante traz novamente a esse E. CARF tais documentos (Doc. 01). Confira se abaixo: 31. Todas essas informações, que são de suma importância para a presente lide e que consistem justamente na comprovação da destinação dos recursos obtidos por meio dos Contratos pela Embargante no financiamento de suas exportações, sequer foram mencionadas pelo acórdão embargado. Dessa forma, verificase Fl. 3591DF CARF MF Processo nº 16682.722942/201626 Acórdão n.º 2402007.029 S2C4T2 Fl. 3.592 6 que o acórdão embargado foi omisso ao alegar que a Embargante “não aduz novas razões de defesa perante a segunda instância”. 32. E nem se alegue que se trata, aqui, de acórdão que, mesmo sem apreciar os principais fundamentos, resolve adequadamente a lide, no “exercício do livre arbítrio do julgador para apreciação e valoração das provas acostadas aos autos”, conforme aduz a r. decisão embargada – tratase da questão central que, nos termos da decisão proferida pela DRJ, fundamenta a manutenção do Auto de Infração. 33. Dessa forma, considerando que o cerne de toda a discussão objeto do presente caso gira em torno da suposta ausência de comprovação da destinação dos recursos no financiamento de exportações por parte da Embargante, jamais poderia o E. CARF ignorar os argumentos e as provas apresentadas especificamente com o intuito de refutar tal alegação, sustentando que a Embargante não trouxe qualquer razão nova a ser apreciada por esse E. Colegiado. 34. Caso os argumentos e documentos de prova apresentados pela Embargante tivessem sido analisados e levados em considerações pelo acórdão embargado, a conclusão a que se chegaria, inevitavelmente, seria de que houve total cumprimento da norma que dispõe sobre a aplicação da alíquota zero de IRRF e que os recursos obtidos por meio dos Contratos foram destinados ao financiamento de exportação. Do contrário, deveria haver expressa menção a tais documentos com a justificativa de sua não aceitação. 35. A omissão incorrida na apreciação desses fundamentos e documentos representa vício de motivação do acórdão embargado. É inegável que caso houvesse a apreciação destes, sobre os quais o acórdão embargado deixou de se pronunciar, haveria resultado de julgamento distinto da mera afirmação acerca da ausência de comprovação da destinação dos recursos no financiamento de exportações por parte da Embargante. Em face da matéria ora embargada, entendo oportuno transcrever o acórdão combatido em suas razões de decidir o mérito do Recurso Voluntário (efls. 3334/3381): Desta forma, com fulcro no art. 57, § 3°., do Anexo II do RICARF, com a redação dada pela Portaria MF n. 329/2017, confirmo e adoto a decisão abrigada no Acórdão n. 1287.791 2ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (RJ) DRJ/RJO (efls. 3316/3325), a seguir transcrita: "Do mérito: Equivocase a interessada ao alegar que o requisito para a incidência da alíquota zero de IRRF sobre os juros e comissões relativos a créditos obtidos no exterior seria a amortização do Fl. 3592DF CARF MF Processo nº 16682.722942/201626 Acórdão n.º 2402007.029 S2C4T2 Fl. 3.593 7 principal dos contratos mediante exportações ou, ainda pior, a simples atividade de exportação no período do contrato em montantes superiores às amortizações ou não. O requisito para a alíquota zero de IRRF sobre juros e comissões de créditos obtidos no exterior está expresso no inciso XI, do art. 1º, da Lei nº 9.481/1997 que determina a destinação dos valores a financiamento de exportações, nada falando da origem dos valores que posteriormente irão amortizar os contratos ou mesmo do volume de exportações na vigência do mesmo. O fato de inexistir norma legal ou infralegal que determine e detalhe a demonstração da aplicação dos recursos, conforme protesta a interessada, é irrelevante quando o texto legal do próprio art. 1º, XI, da Lei nº 9.481/1997, determina expressamente: Art. 1º A alíquota do imposto de renda na fonte incidente sobre os rendimentos auferidos no País, por residentes ou domiciliados no exterior, fica reduzida para zero, nas seguintes hipóteses:(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.97) XI juros e comissões relativos a créditos obtidos no exterior e destinados ao financiamento de exportações.” (G.M.) No caso em litígio, a Fiscalização concluiu que os valores obtidos no exterior nos três contratos foram integralmente utilizados para aquisições e fomento de participações societárias no exterior. Para tanto, observou que tais valores, creditados na conta corrente do Banco Real, foram direta e quase imediatamente utilizados para tais fins, e não para o financiamento de exportações. A interessada destaca que possuía valores disponíveis em outras contas correntes e de aplicação que não foram considerados pela Fiscalização e que seriam suficientes para os investimentos no exterior. É verdade que os valores não podem ser “carimbados” (como descreveu a interessada) para rastreamento de sua utilização, desta forma não havendo como determinar que os valores oriundos do exterior sejam reservados especificamente para financiamento de exportações, assim podendo ser utilizados em um primeiro momento para outros fins, contanto que montante equivalente ao obtido no exterior seja utilizado para a destinação específica determinada na Lei nº 9.481/1997, independente de sua origem. Quanto a isso, a interessada se restringiu a protestar que possuía outros valores disponíveis em montante superior aos créditos obtidos no exterior na data de entrada dos mesmos e, portanto, suficientes para os investimentos no exterior. Porém, não há como discordar que os valores creditados na conta do Banco Real, como minuciosa e exaustivamente demonstrado pela Fiscalização, foram utilizados em sua totalidade para os investimentos, não demonstrando a interessada em nenhum momento que os demais valores que possuía em outras contas Fl. 3593DF CARF MF Processo nº 16682.722942/201626 Acórdão n.º 2402007.029 S2C4T2 Fl. 3.594 8 foram, em montante igual ou superior, utilizados para financiamento das exportações, o que somente assim justificaria seus protestos quanto a possuir outros valores disponíveis que poderiam justificar os valores dos investimentos no exterior e comprovar os investimentos em exportações. O fato do BACEN nunca ter questionado a aplicação da alíquota zero de IRRF também é irrelevante, uma vez que a gestão e execução das atividades de arrecadação, lançamento, cobrança administrativa, fiscalização, pesquisa e investigação fiscal e controle da arrecadação compete a esta Secretaria da Receita Federal do Brasil, e não àquele Banco. Já a limitação da análise da destinação dos recursos captados ao dia do seu recebimento tornase procedente quando a totalidade dos mesmos foi exaurida nos investimentos no exterior, não restando valores a serem analisados em períodos posteriores, senão investimentos em exportações provenientes de outros recursos da interessada que justificassem o desvio dos valores recebidos no mesmo dia, o que não foi apresentado, como já dito. Destarte, tendo a Fiscalização demonstrado minuciosamente que os valores oriundos dos créditos no exterior, sobre os quais incidiram os juros tributados, não foram destinados ao financiamento das exportações, seja direta ou indiretamente, correto o lançamento objeto do presente processo. " (grifos originais) De fato, há de se reconhecer que houve omissão na decisão embargada quando não se manifestou acerca dos documentos relacionados à utilização dos recursos no financiamento das exportações. Todavia, é relevante destacar que o cerne da presente lide concentrase na vinculação dos créditos obtidos no exterior e destinados ao financiamento de exportações (PPE/RAE), para fins de fruição da alíquota zero de IRRF, nos termos do inciso XI, do art. 1º., da Lei n. 9.481/1997, independentemente de o beneficiado dispor ou não de outros recursos financeiros que, em tese, poderiam financiar aquelas exportações. É dizer: nunca esteve em discussão se as exportações ocorreram, se foram efetivadas ou não, nem com quais recursos, diferentes daqueles obtidos no exterior, ou até mesmo se a Embargante dispunha de outras fontes de custeio para efetivação das exportações. Nessa perspectiva, a autoridade lançadora logrou êxito em comprovar que os recursos obtidos no exterior foram integralmente aplicados na aquisição de participação societária nas sociedades Gerdau Steel North America Inc. ("GSNAI"), Gerdau Macsteel Holding Inc. e Gerdau Macsteel 2 LLC e adiantamento para futuro aumento de capital da investida Gerdau Internacional Ltda., o que, por óbvio, viola o comando do art. 1°., XI, da Lei n. 9.481/1997, vez que tais eventos não guardam vinculação, ainda que indireta, com a efetivação das exportações em apreço. Diante desse fato incontroverso, que a então Recorrente, agora Embargante, em nenhum momento ilide, entendo que os documentos trazidos aos autos que buscam comprovar a efetivação das exportações são despiciendos para o desfecho deste litígio, até porque sequer vinculamse, ainda que de forma indireta, à aquisição de participação Fl. 3594DF CARF MF Processo nº 16682.722942/201626 Acórdão n.º 2402007.029 S2C4T2 Fl. 3.595 9 societária nas sociedades Gerdau Steel North America Inc. ("GSNAI"), Gerdau Macsteel Holding Inc. e Gerdau Macsteel 2 LLC e adiantamento para futuro aumento de capital da investida Gerdau Internacional Ltda. Ou seja, em nenhum momento a Recorrente comprova, ou sequer alega, que as exportações em tela guardam qualquer relação, ainda que indireta ou reflexa, com a aquisição de participação societária e adiantamento para futuro aumento de capital, objeto dos recursos obtidos no exterior para os quais reclama pela aplicação da alíquota zero de IRRF. De se observar ainda que, considerandose que a Embargante dispunha de recursos em montante superior àqueles obtidos no exterior e suficientes a financiar as exportações, como afirma, parece lógico que destes últimos não necessitaria para o mister. Assim, a aplicação dos recursos obtidos no exterior, na forma como se procedeu, viola o mens legis do art. 1°., XI, da Lei n. 9.481/1997, que é suficientemente claro ao vincular os recursos obtidos no exterior ao fim a que se destinam: financiamento de exportações. Ante o exposto, voto por acolher os embargos, reconhecendo a omissão alegada, sem efeitos infringentes, rerratificandose a decisão embargada. (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Fl. 3595DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.000092/2006-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2001
IMPOSTO DE RENDA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. ÔNUS PROBATÓRIO DO SUJEITO PASSIVO.
O art. 42 da Lei 9.430/1996 cria um ônus em face do contribuinte, consistente em demonstrar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira. O consequente normativo resultante do descumprimento desse dever é a presunção de que tais recursos não foram oferecidos à tributação, tratando-se, pois, de receita ou rendimento omitido.
Numero da decisão: 2402-006.986
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Luis Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sergio da Silva, Wilderson Botto (Suplente Convocado), Mauricio Nogueira Righetti, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA Recorrente DENISE VINGERT FONSECA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2001 IMPOSTO DE RENDA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. ÔNUS PROBATÓRIO DO SUJEITO PASSIVO. O art. 42 da Lei 9.430/1996 cria um ônus em face do contribuinte, consistente em demonstrar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira. O consequente normativo resultante do descumprimento desse dever é a presunção de que tais recursos não foram oferecidos à tributação, tratandose, pois, de receita ou rendimento omitido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 00 00 92 /2 00 6- 13 Fl. 301DF CARF MF Processo nº 10865.000092/200613 Acórdão n.º 2402006.986 S2C4T2 Fl. 302 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Luis Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sergio da Silva, Wilderson Botto (Suplente Convocado), Mauricio Nogueira Righetti, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão que julgou parcialmente procedente a impugnação apresentada em face de lançamento suplementar de IRPF, constituído em face de alegada omissão de rendimentos, decorrente de valores creditados em conta de depósito ou investimento, cuja origem não teria sido comprovada mediante a apresentação de documentação hábil e idônea. Segue a ementa da decisão: Anocalendário: 2000, 2001 Omissão de Rendimentos. Depósitos Bancários. A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da Lei n° 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo, quando não restar devidamente comprovada a fonte dos recursos. Apresentados, no entanto, na fase impugnatória documentos comprobatórios de origem, é de se alterar o lançamento. Omissão de Rendimentos. Valores Individuais e Total do Depósitos. Para efeito de determinação dos rendimentos omitidos com base em depósitos bancários injustificados, não serão considerados os depósitos de valores individuais inferiores a doze mil reais, desde que seu montante no anocalendário não ultrapasse oitenta mil reais. A DRJ aplicou a regra do inc. II do § 3º do art. 42 da Lei 9430/96, pois, no seu entender: [...] no ano calendário 2000, nenhum dos depósitos não comprovados superou R$ 12.000,00. O montante dos depósitos não justificados do ano calendário 2000, considerando a participação de 50% no caso da conta conjunta, perfaz a quantia de R$ 45.305,62. Por ser inferior ao limite legal de R$ 80.000,00, esses depósitos devem ser desconsiderados no presente lançamento. Em sendo assim, a DRJ excluiu integralmente os rendimentos relativos ao anocalendário 2000. Intimado da decisão em 11/08/2009, através de vista correspondência com aviso de recebimento (fl. 273 do pdf), o sujeito passivo interpôs recurso voluntário em 27/08/2009 (fls. 177 e seguintes), no qual basicamente afirmou que não teria havido ganho de capital, que estaria literalmente insolvente e que toda sua tese seria de negativa do fato gerador. Fl. 302DF CARF MF Processo nº 10865.000092/200613 Acórdão n.º 2402006.986 S2C4T2 Fl. 303 3 Sem contrarrazões ou manifestação pela Procuradoria. É o relatório. Voto Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Relator 1 Conhecimento O recurso voluntário é tempestivo, visto que interposto dentro do prazo legal de trinta dias, e estão presentes os demais requisitos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. 2 Dos depósitos bancários de origem não comprovada Em seu recurso, o sujeito passivo basicamente sustenta que não teria ocorrido o fato gerador do imposto de renda, como se revela pela leitura do seguinte excerto, extraído da folha 289 do pdf: Toda a defesa é a de que não ocorreu o ganho e não ocorreu o fato gerador. A recorrente ainda faz considerações sobre o ônus da prova, sobre a inexistência de ganho de capital e sobre o fato de que estaria insolvente. Tais argumentações, contudo, não afastam o lançamento. O art. 42 da Lei 9.430/1996 cria um ônus em face do contribuinte, consistente em demonstrar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira. O consequente normativo resultante do descumprimento desse dever é a presunção de que tais recursos não foram oferecidos à tributação, tratandose, pois, de receitas ou rendimentos omitidos. Tal disposição legal é de cunho eminentemente probatório e afasta a possibilidade de acatarse afirmações genéricas e imprecisas. A comprovação da origem, portanto, deve ser feita de forma minimamente individualizada, a fim de permitir a mensuração e a análise da coincidência entre as origens e os valores creditados em conta bancária. O § 3º do citado artigo, ao prever que os créditos serão analisados individualizadamente, corrobora a afirmação acima e não estabelece, para o Fisco, a necessidade de comprovar o acréscimo de riqueza nova por parte do fiscalizado. A título ilustrativo, segue o texto da regra: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente Fl. 303DF CARF MF Processo nº 10865.000092/200613 Acórdão n.º 2402006.986 S2C4T2 Fl. 304 4 intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. §3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). (Vide Lei nº 9.481, de 19971) §4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 6o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) O art. 4º da Lei 9.481/1997 alterou os valores a que se refere o inc. II do § 3º acima para R$ 12.000,00 e R$ 80.000,00, respectivamente. Na mesma toada, a Súmula CARF nº 612. 1 Art. 4º Os valores a que se refere o inciso II do § 3º do art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passam a ser de R$ 12.000,00 (doze mil reais) e R$ 80.000,00 (oitenta mil reais), respectivamente. 2 Súmula CARF nº 61: Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no anocalendário, não podem ser considerados na presunção da Fl. 304DF CARF MF Processo nº 10865.000092/200613 Acórdão n.º 2402006.986 S2C4T2 Fl. 305 5 A não comprovação da origem dos recursos viabiliza a aplicação da norma presuntiva, caracterizando tais recursos como receitas ou rendimentos omitidos. Destarte, e de acordo com a regra legal, não é que os depósitos bancários, por si só, caracterizam disponibilidade de rendimentos, mas sim os depósitos cujas origens não foram comprovadas em processo regular de fiscalização. Expressandose de outra forma, o sujeito passivo pode comprovar que o recurso é atinente a venda de imóveis ou recebimento de prólabore e lucros, etc. Não o fazendo, aplicase o consequentemente normativo da presunção, com a consequente constituição do crédito tributário dela decorrente. O verbete sumular CARF 26 preceitua o seguinte: Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. O Superior Tribunal de Justiça reconhece a legalidade do imposto cobrado com base no art. 42, como se vê no precedente abaixo: TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. ALEGAÇÕES GENÉRICAS DE OFENSA AO ART. 535 DO CPC. SÚMULA 284/STF. IMPOSTO DE RENDA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ART. 42 DA LEI 9.430/1996. LEGALIDADE. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. INCIDÊNCIA DO ART. 173, I, DO CTN. [...] 4. A jurisprudência do STJ reconhece a legalidade do lançamento do imposto de renda com base no art. 42 da Lei 9.430/1996, tendo assentado que cabe ao contribuinte o ônus de comprovar a origem dos recursos a fim de ilidir a presunção de que se trata de renda omitida (AgRg no REsp 1.467.230/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 28.10.2014; AgRg no AREsp 81.279/MG, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 21.3.2012). [...] (AgRg no AREsp 664.675/RN, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 05/05/2015, DJe 21/05/2015) Mais ainda, aquele Tribunal Superior vem consignando a inaplicabilidade da Súmula 182/TRF, que preconizava a ilegitimidade do imposto lançado com base em extratos bancários (EDcl no AgRg no REsp 1343926/PR, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 04/12/2012, DJe 13/12/2012 e REsp 792.812/RJ, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 13/03/2007, DJ 02/04/2007, p. 242). omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física. Fl. 305DF CARF MF Processo nº 10865.000092/200613 Acórdão n.º 2402006.986 S2C4T2 Fl. 306 6 Diante do exposto, deve ser negado provimento ao recurso voluntário. 3 Conclusão Diante do exposto, votase no sentido de conhecer e negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Fl. 306DF CARF MF
score : 1.0
