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Numero do processo: 10980.920624/2012-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/08/2006
REPERCUSSÃO GERAL. ART. 15 DO CPC/2015. PROCESSO ADMINISTRATIVO. SOBRESTAMENTO. NÃO CABIMENTO.
Só há uma lacuna de ordem processual a ser colmatada pelo julgador no subsistema especial do processo administrativo fiscal com a aplicação por analogia de instituto do CPC, nos termos do seu art. 15, quando houver uma incompletude indesejável ou insatisfatória no referido subsistema.
Não é porque inexiste disposição normativa que determine o sobrestamento no âmbito do processo administrativo fiscal que se pode dizer que há uma lacuna a ser preenchida com o traslado de tal instituto do CPC para o processo administrativo fiscal.
A vinculação dos julgadores do CARF é unicamente às decisões definitivas de mérito referidas no art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, de forma que, enquanto ela não sobrevenha, o processo administrativo deve ser julgado normalmente em conformidade com a livre convicção do julgador e com os princípios da oficialidade e da presunção de constitucionalidade das leis.
PIS/COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. RECURSO REPETITIVO. STJ. TRÂNSITO EM JULGADO. CARF. REGIMENTO INTERNO.
Em 13.03.2017 transitou em julgado o Recurso Especial nº 1144469/PR, proferido pelo STJ sob a sistemática do art. 543-C do CPC/73, que firmou a seguinte tese: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendo-se à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", a qual deve ser reproduzida nos julgamentos do CARF a teor do seu Regimento Interno.
Em que pese o Supremo Tribunal Federal ter decidido em sentido contrário no Recurso Extraordinário nº 574.706 com repercussão geral, publicado no DJE em 02.10.2017, como ainda não se trata da decisão definitiva a que se refere o art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, não é o caso de aplicação obrigatória desse precedente ao caso concreto.
Recurso Voluntário negado
Numero da decisão: 3402-006.270
Decisão:
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em rejeitar a proposta de sobrestamento do processo até julgamento do RE 574.706. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos e Thais de Laurentiis Galkowicz. No mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Cynthia Elena de Campos.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes, Cynthia Elena de Campos e Larissa Nunes Girard (Suplente convocada em substituição ao Conselheiro Pedro de Sousa Bispo). Ausente o Conselheiro Pedro de Sousa Bispo.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ART. 15 DO CPC/2015. PROCESSO ADMINISTRATIVO. SOBRESTAMENTO. NÃO CABIMENTO. Só há uma lacuna de ordem processual a ser colmatada pelo julgador no subsistema especial do processo administrativo fiscal com a aplicação por analogia de instituto do CPC, nos termos do seu art. 15, quando houver uma incompletude indesejável ou insatisfatória no referido subsistema. Não é porque inexiste disposição normativa que determine o sobrestamento no âmbito do processo administrativo fiscal que se pode dizer que há uma lacuna a ser preenchida com o traslado de tal instituto do CPC para o processo administrativo fiscal. A vinculação dos julgadores do CARF é unicamente às decisões definitivas de mérito referidas no art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, de forma que, enquanto ela não sobrevenha, o processo administrativo deve ser julgado normalmente em conformidade com a livre convicção do julgador e com os princípios da oficialidade e da presunção de constitucionalidade das leis. PIS/COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. RECURSO REPETITIVO. STJ. TRÂNSITO EM JULGADO. CARF. REGIMENTO INTERNO. Em 13.03.2017 transitou em julgado o Recurso Especial nº 1144469/PR, proferido pelo STJ sob a sistemática do art. 543C do CPC/73, que firmou a seguinte tese: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", a qual deve ser reproduzida nos julgamentos do CARF a teor do seu Regimento Interno. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 92 06 24 /2 01 2- 54 Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10980.920624/201254 Acórdão n.º 3402006.270 S3C4T2 Fl. 3 2 Em que pese o Supremo Tribunal Federal ter decidido em sentido contrário no Recurso Extraordinário nº 574.706 com repercussão geral, publicado no DJE em 02.10.2017, como ainda não se trata da decisão definitiva a que se refere o art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, não é o caso de aplicação obrigatória desse precedente ao caso concreto. Recurso Voluntário negado Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em rejeitar a proposta de sobrestamento do processo até julgamento do RE 574.706. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos e Thais de Laurentiis Galkowicz. No mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Cynthia Elena de Campos. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes, Cynthia Elena de Campos e Larissa Nunes Girard (Suplente convocada em substituição ao Conselheiro Pedro de Sousa Bispo). Ausente o Conselheiro Pedro de Sousa Bispo. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão nº 02065.561, através do qual o colegiado a quo julgou improcedente a manifestação de inconformidade interposta, mantendo as razões contidas no Despacho Decisório que instrui os autos, indeferindo o pleito da requerente. Cientificada desta decisão, a Contribuinte interpôs o Recurso Voluntário ora em apreço, através do qual pede a reforma da decisão de primeira instância, o que fez com os seguintes argumentos: i) Pleiteou administrativamente a restituição de valores recolhidos indevidamente a título de PIS e/ou COFINS em razão da inconstitucionalidade da inclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição, o qual foi indeferido, sob alegação de inexistência de crédito; ii) O ICMS não integra o faturamento (receita bruta) da empresa, piis tratase de receita do Erário Estadual (artigo 155, inciso II da Constituição Federal), sendo, portanto, inconstitucional a inclusão do referido imosto na base de cálculo da COFINS e/ou PIS; Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10980.920624/201254 Acórdão n.º 3402006.270 S3C4T2 Fl. 4 3 iii) O Recurso Extraordinário nº 240.7852/MG, reconheceu a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS e/ou PIS; iv) O Supremo Tribunal Federal reconheceu a Repercussão Geral da matéria no julgamento do Recurso Extraordinário nº 574.706, motivo pelo qual deve o julgamento ser sobrestado até pronunciamento definitivo pela Suprema Corte. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402006.257, de 26 de fevereiro de 2019, proferido no julgamento do processo 10980.940170/201157, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3402006.257) 1: "Na sessão de julgamento, divergi do Voto da Conselheira Relatora, no que fui acompanhada por outros membros do Colegiado, restando esse posicionamento vencedor, razão pela qual apresento abaixo meus fundamentos de decidir. Preliminar de sobrestamento: Entendo que não cabe o sobrestamento do processo até aguardar decisão definitiva sob repercussão geral, pelos mesmos argumentos deduzidos em meu Voto no processo nº 16327.720780/201631, abaixo transcrito: Processo nº 16327.720780/201631 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402005.854– 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 27 de novembro de 2018 (...) Voto Vencedor Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, Redatora designada 1 Transcrito apenas o entendimento que prevaleceu no julgamento (voto vencedor). Íntegra (com voto vencido) pode ser consultada no processo paradigma nº 10980.940170/201157). Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10980.920624/201254 Acórdão n.º 3402006.270 S3C4T2 Fl. 5 4 Na sessão de julgamento do presente processo, divergi parcialmente do Voto do Ilustre Conselheiro Relator, relativamente à proposta de sobrestamento do presente processo até haja ulterior e definitiva decisão no RE nº 609.096, no que fui acompanhada por outros membros do Colegiado, restando o meu posicionamento vencedor pelo voto de qualidade, razão pela qual apresento abaixo minhas razões de decidir. Embora na doutrina e na jurisprudência já se utilizasse o direito processual civil como fonte subsidiária do processo administrativo fiscal, o Código de Processo Civil de 2015, em seu art. 15, inovando em relação ao CPC anterior, trouxe determinação expressa de que: "Na ausência de normas que regulem processos eleitorais, trabalhistas ou administrativos, as disposições deste Código lhes serão aplicadas supletiva e subsidiariamente". Esta Redatora teve a oportunidade de analisar a aplicação do CPC no processo administrativo fiscal em monografia acerca do tema2, na linha de entendimento parcialmente transcrita abaixo: (...) Há um regime jurídico aplicável especialmente ao subsistema processual administrativo fiscal federal, composto pelas normas processuais e princípios contidos, utilizandose da linguagem de James Marins3, nos seguintes quadrantes: constitucional (especialmente o art. 5º, LV e LXXVIII da CF), complementar geral (CTN), ordinário geral do processo administrativo federal (Lei nº 9.784/99) e ordinário federal (Decreto nº 70.235/72), bem como num quadrante infralegal, integrado por um regulamento (Decreto nº 7.574/2011), regimentos internos dos órgãos julgadores (especialmente o Regimento Interno do Carf) e outros atos normativos que veiculem regras processuais. (...) No subsistema processual administrativo fiscal, a Lei nº 9.784/99 tem a função de lei geral do processo administrativo fiscal federal, em cujas normas o intérprete deve se valer na ausência de normas específicas no Decreto nº 70.235/72, antes de, eventualmente, se socorrer de normas de outros subsistemas processuais. (...) 2 PAULA, Maria Aparecida Martins de. Aplicação do Código de Processo Civil no Processo Administrativo fiscal. Monografia (Especialização em Direito Processual Civil) Faculdade Damásio. São Paulo. 2018. 3 MARINS, James. Direito Processual Tributário Brasileiro: administrativo e judicial. 11. ed. rev. e atual. São Paulo, RT, 2018, p. 111. Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10980.920624/201254 Acórdão n.º 3402006.270 S3C4T2 Fl. 6 5 A determinação do conteúdo e alcance do art. 15 do CPC envolve a matéria atinente às lacunas e às antinomias, que são defeitos formais do sistema de normas, que devem ser corrigidos em face da unidade e coerência da ordem jurídica. A antinomia jurídica é o conflito entre normas, ou seja, a incompatibilidade que ocorre na aplicação de duas normas vigentes. (...) (...) A lacuna é a incompletude insatisfatória dentro do ordenamento. Sua existência é expressamente reconhecida no ordenamento brasileiro pelo art. 4º da LInDB, que também dispõe sobre a forma de sua colmatação, nestes termos: "Art. 4o Quando a lei for omissa, o juiz decidirá o caso de acordo com a analogia, os costumes e os princípios gerais de direito". Na integração por analogia, partese da solução prevista em lei para outro caso concreto, concluindose pela validade dessa regra para outro caso semelhante, para o qual inexiste previsão legal. (...) (...) Na proposição antecedente da norma do art. 15 do CPC (hipótese), assim considerada a descrição de um possível evento no mundo social, está a identificação da lacuna no caso concreto; e no consequente da norma está o prescritor de conduta ao juiz ou julgador acerca da forma que tal lacuna deverá ser colmatada. Essa descrição é coerente com o fato de que a lacuna deve ser identificada e colmatada para cada caso concreto, com a criação da norma jurídica individual pelo juiz ou pelo julgador administrativo. Portanto, o que está o art. 15 do CPC a determinar é que o método de integração a ser utilizado para colmatar a lacuna é a analogia, de forma que, a um caso concreto não regulado integral ou parcialmente no subsistema processual especial será aplicada uma norma do Código de Processo Civil, prevista para uma situação distinta mas semelhante ao caso não contemplado. Verificase, na doutrina e na jurisprudência, a tentativa de utilização de uma interpretação literal do art. 15 do CPC, de cabimento da aplicação subsidiária ou supletiva do CPC em todas as situações de ausências ou incompletudes das normas processuais especiais, o que não se coaduna com o melhor direito. Vale dizer que só haverá lacuna no subsistema processual especial quando houver uma incompletude indesejável ou insatisfatória de acordo com as diretrizes adotadas por Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10980.920624/201254 Acórdão n.º 3402006.270 S3C4T2 Fl. 7 6 esse subsistema processual. É certo que haverá omissões propositais nas normas do processo administrativo, decorrentes da própria vontade do legislador ordinário de não incorporar determinados institutos processuais civis em nome de princípios e de outras regras tutelados para o subsistema processual especial, tais como a informalidade e a celeridade. (...) Como dito, no subsistema especial do processo administrativo fiscal só haverá uma lacuna de ordem processual a ser colmatada pelo julgador pela analogia, com a aplicação do instituto do CPC, quando houver uma incompletude indesejável ou insatisfatória no referido subsistema.4 Dessa forma, no que interessa ao presente caso, não é porque inexiste disposição normativa que determine o sobrestamento no âmbito do processo administrativo fiscal que se pode dizer que há uma lacuna a ser preenchida com o traslado de tal instituto processual do CPC para o PAF. Aliás, o fato de ter sido revogada disposição anterior do Regimento Interno do Carf que determinava o sobrestamento5, está a revelar que tal omissão no atual Regimento não é indesejável ou insatisfatória para o subsistema processual especial na esfera do CARF. 4 Como esclarece Tercio Sampaio Ferraz Júnior, a lacuna é uma "incompletude insatisfatória dentro da totalidade jurídica", ou seja, é algo incompleto dentro de um limite e, além disso, é também insatisfatório, no sentido de que exprime uma falta ou insuficiência que não deveria ocorrer. FERRAZ JR., Tercio Sampaio. Introdução ao estudo do direito: técnica, decisão, dominação. 2. ed.São Paulo: Atlas, 1994, p. 218. 5 PORTARIA Nº 545, DE 18 DE NOVEMBRO DE 2013 O MINISTRO DE ESTADO DA FAZENDA, no uso das atribuições que lhe conferem os incisos I e II do parágrafo único do art. 87 da Constituição Federal e o art. 4º do Decreto nº 4.395, de 27 de setembro de 2002, resolve: Art. 1º Revogar os parágrafos primeiro e segundo do art. 62A do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, publicada no DOU de 23 de junho de 2009, página 34, Seção 1, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Art. 2º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação. GUIDO MANTEGA Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 atualmente revogada Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Incluído(a) pelo(a) Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010) § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. (Incluído(a) pelo(a) Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010) (Revogado(a) pelo(a) Portaria MF nº 545, de 18 de novembro de 2013) § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. (Incluído(a) pelo(a) Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010) (Revogado(a) pelo(a) Portaria MF nº 545, de 18 de novembro de 2013) Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10980.920624/201254 Acórdão n.º 3402006.270 S3C4T2 Fl. 8 7 Não se pode também olvidar que a vinculação com algumas modalidades de acórdãos e enunciados de súmulas judiciais dáse de forma diversa para a Administração Pública e para os juízes e tribunais. Não se pode impor ao julgador administrativo a observância de decisões que não possuem eficácia vinculante para a Administração Pública, como bem explicam Oliveira, Souza e Barbosa6: Essa norma constitucional evidencia o intuito do constituinte de atribuir eficácia vinculante para a Administração Pública apenas a algumas decisões do STF (proferidas após reiteradas decisões e mediante aprovação de no mínimo dois terços dos seus membros) e em determinadas circunstâncias (quando haja controvérsias interpretativas que acarretem grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica). Somamse à hipótese das súmulas vinculantes também (art. 103A da CF) as decisões proferidas pelo STF em controle concentrado de constitucionalidade, que, por força do art. 102, §2°, da CF, também são vinculantes para a Administração Pública. Por expressa opção do constituinte, as demais decisões proferidas pelo Poder Judiciário não irradiam qualquer eficácia vinculante para a Administração Pública.(...) (...) Contudo, não se nega a possibilidade de as leis especiais que regem os processos administrativos preverem tal vinculação. É o que se observa, por exemplo, do art. 62 do Regimento Interno do CARF, que adiciona às hipóteses constitucionais a necessidade de observância dos recursos repetitivos do STJ e do STF. (...) No entanto, diante da omissão do texto constitucional, tratase de medida que se encontra no âmbito da política legislativa de cada entre tributante, não podendo o intérprete conferir tamanha abrangência ao art. 927, a ponto de impor ao julgador administrativo a observância de decisões que não possuem eficácia vinculante para a Administração Pública. Inclusive, no âmbito da própria União, a questão de vinculação aos recursos repetitivos ou proferidos sob repercussão geral dáse de maneira diferente entre o CARF7 e a própria Receita Federal8, eis que, para o 6 OLIVEIRA, Ricardo Mariz de; SOUZA, Henrique Coutinho de; BARBOSA, Marcos Engel Vieira. O Processo Tributário e o Código de Processo Civil/2015. In: MACHADO, Hugo de Brito (Org.). O processo tributário e o Código de Processo Civil/2015. São Paulo: Malheiros, 2017, p. 352394. 7 Art. 62, §2º do Regimento Interno do Carf, aprovado pela Portaria MF nº 343/2005, na alteração dada pela Portaria MF nº 152/2016. 8 LEI No 10.522, DE 19 DE JULHO DE 2002. Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10980.920624/201254 Acórdão n.º 3402006.270 S3C4T2 Fl. 9 8 CARF, basta que a decisão judicial de mérito seja definitiva, enquanto para a Receita Federal a vinculação só existe após a manifestação da PGFN. Com efeito, no caso do CARF, se a vinculação do seu julgador só ocorre após o trânsito em julgado das decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF e pelo STJ sob a sistemática dos arts. 543B e 543C do CPC/73 ou dos arts. 1.036 a 1.041 do CPC/2015, antes disso o processo deve ter seu seguimento normal, não havendo que se falar em sobrestamento para aguardar a decisão definitiva de mérito do STF ou STJ, mesmo porque, para a Administração Pública, prevalece a constitucionalidade e a legitimidade de todas as leis vigentes enquanto tais atributos não sejam afastados pelo órgão competente. Melhor dizendo, a vinculação dos julgadores do CARF é unicamente à decisão definitiva de mérito de tais processos judiciais, de forma que, enquanto ela não sobrevenha, o processo administrativo deve ser julgado normalmente, em conformidade com a livre convicção do julgador e com os princípios da oficialidade da Administração Pública e da presunção de constitucionalidade das leis. O disposto no art. 1035, §5º do CPC, no sentido de que o relator no Supremo Tribunal Federal, após reconhecida a Art. 19. Fica a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional autorizada a não contestar, a não interpor recurso ou a desistir do que tenha sido interposto, desde que inexista outro fundamento relevante, na hipótese de a decisão versar sobre: (Redação dada pela Lei nº 11.033, de 2004) (...) II matérias que, em virtude de jurisprudência pacífica do Supremo Tribunal Federal, do Superior Tribunal de Justiça, do Tribunal Superior do Trabalho e do Tribunal Superior Eleitoral, sejam objeto de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda; (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) III (VETADO). (Incluído pela Lei nº 12.788, de 2013) IV matérias decididas de modo desfavorável à Fazenda Nacional pelo Supremo Tribunal Federal, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) V matérias decididas de modo desfavorável à Fazenda Nacional pelo Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos art. 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil, com exceção daquelas que ainda possam ser objeto de apreciação pelo Supremo Tribunal Federal. (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) (...) § 4o A Secretaria da Receita Federal do Brasil não constituirá os créditos tributários relativos às matérias de que tratam os incisos II, IV e V do caput, após manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional nos casos dos incisos IV e V do caput. (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) § 5o As unidades da Secretaria da Receita Federal do Brasil deverão reproduzir, em suas decisões sobre as matérias a que se refere o caput, o entendimento adotado nas decisões definitivas de mérito, que versem sobre essas matérias, após manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional nos casos dos incisos IV e V do caput. (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) § 6o (VETADO). (Incluído pela Lei nº 12.788, de 2013) § 7o Na hipótese de créditos tributários já constituídos, a autoridade lançadora deverá rever de ofício o lançamento, para efeito de alterar total ou parcialmente o crédito tributário, conforme o caso, após manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional nos casos dos incisos IV e V do caput. (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10980.920624/201254 Acórdão n.º 3402006.270 S3C4T2 Fl. 10 9 repercussão geral, determinará a suspensão do processamento de todos os processos pendentes que versem sobre a questão e tramitem no território nacional restringese aos processos judiciais, que têm caráter jurisdicional e para os quais há todo um procedimento específico regulado no CPC em face do sobrestamento. Em síntese, embora tenha havido a opção da Administração Pública no âmbito do CARF por vincular seus acórdãos às decisões definitivas de mérito em temas sob repercussão geral, conforme determinado em seu Regimento Interno, não há nele atualmente nenhuma determinação restringindo as condutas dos julgadores até que sobrevenha o julgamento definitivo da questão pelo STF, razão pela qual o procedimento em relação a esses processos é idêntico ao dos demais processos para os quais não há questão controversa envolvendo processos sob repercussão geral. Esse posicionamento tem prevalecido na jurisprudência do CARF, conforme demonstram as ementas abaixo: Acórdão nº 2301005.156 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 3 de outubro de 2017 Relator: João Maurício Vital (...) REPERCUSSÃO GERAL. RECONHECIMENTO. PROCESSO ADMINISTRATIVO. PRINCÍPIO DA OFICIALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE SOBRESTAMENTO. O processo administrativo é regido pelo princípio da oficialidade. Não há lei ou norma regimental que autorize o sobrestamento do julgamento em razão do reconhecimento, pelo STF, de repercussão geral de matéria ainda pendente da decisão judicial. Suspensão do julgamento indeferida. (...) Acórdão nº 3401003.636 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de abril de 2017 Relator: Rosaldo Trevisan (...) Fl. 95DF CARF MF Processo nº 10980.920624/201254 Acórdão n.º 3402006.270 S3C4T2 Fl. 11 10 REPERCUSSÃO GERAL. RECONHECIMENTO. PROCESSO ADMINISTRATIVO. SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. O reconhecimento da repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal, ainda que julgado o respectivo recurso extraordinário, porém pendente de publicação e definitividade a decisão prolatada, não importa o sobrestamento do processo administrativo que trata da mesma matéria, por ausência de previsão regimental, não se aplicando as disposições do Código de Processo Civil, por força da evolução histórica do art. 62A, §§ 1º e 2º do RICARF/09 (Portaria MF nº 256/09), incluídos pela Portaria MF 586/2010 e revogados pela Portaria MF nº 545/2013. (...) Assim, voto no sentido de rejeitar a proposta de sobrestamento do presente processo. (...) Dessa forma, também no presente processo há de ser rejeitada ao proposta de sobrestamento do feito até o julgamento definitivo do tema sob repercussão geral. ICMS na base de cálculo do PIS/Cofins: Em relação à inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições sociais, como esclarecido pelo Ilustre Conselheiro Antonio Carlos Atulim, no Acórdão 3402003.317, de 28 de setembro de 2016, que negou provimento ao recurso voluntário em votação unânime do Colegiado, "O recolhimento efetuado pelo contribuinte, incluindo o ICMS na base de cálculo da contribuição, está calcado em entendimento sedimentado desde tempos imemoriais na seara tributária. Tal entendimento tem respaldo legal no art. 12 do DecretoLei nº 1.598/779 e na Instrução Normativa nº 51, de 03/11/1978". Dessa forma, "o valor do ICMS integra o preço da mercadoria, sendo tal valor deduzido contabilmente como despesa operacional". A Lei nº 9.718/98 define a incidência das contribuições sociais sobre o faturamento, correspondente à receita bruta da pessoa jurídica, prevendo a exclusão das suas bases de cálculo somente do IPI e do ICMS, este apenas quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Também as Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, que instituíram a não cumulatividade na apuração 9 Art. 12 A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria e o preço dos serviços prestados. §1º A receita líquida de vendas e serviços será a receita bruta diminuída das vendas canceladas, dos descontos concedidos incondicionalmente e dos impostos incidentes sobre vendas. Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10980.920624/201254 Acórdão n.º 3402006.270 S3C4T2 Fl. 12 11 dessas contribuições, definem que a base dessas contribuições é a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade exercida e a classificação contábil adotada, sendo que, quanto ao ICMS, apenas preveem que as receitas decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes de créditos de ICMS originados de operações de exportação não integram a base de cálculo das contribuições. Ademais, em 13/03/2017 transitou em julgado o Recurso Especial nº 1144469/PR10, sob a sistemática do art. 543C do CPC/73, que firmou, para efeito de recurso repetitivo a seguinte tese: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", conforme ementa abaixo: RECURSO ESPECIAL DO PARTICULAR: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA OU FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. 1. A Constituição Federal de 1988 somente veda expressamente a inclusão de um imposto na base de cálculo de um outro no art. 155, § 2º, XI, ao tratar do ICMS, quanto estabelece que este tributo: "XI não compreenderá, em sua base de cálculo, o montante do imposto sobre produtos industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configure fato gerador dos dois impostos". 10 O SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA, com base nos seus registros processuais eletrônicos, acessados no dia e hora abaixo referidos CERTIFICA que, sobre o(a) RECURSO ESPECIAL nº 1144469/PR, do(a) qual é Relator o Excelentíssimo Senhor Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO e no qual figuram, como RECORRENTE, FAZENDA NACIONAL, (...) em 10 de Agosto de 2016, PROCLAMAÇÃO FINAL DE JULGAMENTO: "PROSSEGUINDO NO JULGAMENTO, A SEÇÃO, POR UNANIMIDADE, DEU PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL E, POR MAIORIA, VENCIDOS OS SRS. MINISTROS RELATOR E REGINA HELENA COSTA, NEGOU PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DA EMPRESA RECORRENTE, NOS TERMOS DO VOTO DO SR. MINISTRO MAURO CAMPBELL MARQUES, QUE LAVRARÁ O ACÓRDÃO."; em 10 de Agosto de 2016, CONHECIDO O RECURSO DE FAZENDA NACIONAL E PROVIDO,POR UNANIMIDADE, PELA PRIMEIRA SEÇÃO RELATOR PARA ACÓRDÃO: MAURO CAMPBELL MARQUES; em 01 de Dezembro de 2016, ATO ORDINATÓRIO PRATICADO ACÓRDÃO ENCAMINHADO(A) À PUBLICAÇÃO PREVISTA PARA 02/12/2016; em 01 de Dezembro de 2016, DISPONIBILIZADO NO DJ ELETRÔNICO EMENTA / ACORDÃO; em 02 de Dezembro de 2016, PUBLICADO EMENTA / ACORDÃO EM 02/12/2016; (...)TRANSITADO EM JULGADO EM 10/03/2017; em 13 de Março de 2017, BAIXA DEFINITIVA PARA TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 4ª REGIÃO; em 07 de Abril de 2017, ENTREGA DE ARQUIVO DIGITAL DOS AUTOS AO DR. WAGNER MUNDIM RIBEIRO OAB/DF 14.760. Certifica, por fim, que o assunto tratado no mencionado processo é: Base de Cálculo. Certidão gerada via internet com validade de 30 dias corridos. Esta certidão pode ser validada no site do STJ com os seguintes dados: Número da Certidão: 2015397 Código de Segurança: 6250.8B72.58DF.245E Data de geração: 17 de Outubro de 2017, às 08:48:06 Fl. 97DF CARF MF Processo nº 10980.920624/201254 Acórdão n.º 3402006.270 S3C4T2 Fl. 13 12 2. A contrario sensu é permitida a incidência de tributo sobre tributo nos casos diversos daquele estabelecido na exceção, já tendo sido reconhecida jurisprudencialmente, entre outros casos, a incidência: 2.1. Do ICMS sobre o próprio ICMS: repercussão geral no RE n. 582.461 / SP, STF, Tribunal Pleno, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 18.05.2011. 2.2. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre as próprias contribuições ao PIS/PASEP e COFINS: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 976.836 RS, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.8.2010. 2.3. Do IRPJ e da CSLL sobre a própria CSLL: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.113.159 AM, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 11.11.2009. 2.4. Do IPI sobre o ICMS: REsp. n. 675.663 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 24.08.2010; REsp. Nº 610.908 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 20.9.2005, AgRg no REsp.Nº 462.262 SC, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 20.11.2007. 2.5. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre o ISSQN: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP, Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015. 3. Desse modo, o ordenamento jurídico pátrio comporta, em regra, a incidência de tributos sobre o valor a ser pago a título de outros tributos ou do mesmo tributo. Ou seja, é legítima a incidência de tributo sobre tributo ou imposto sobre imposto, salvo determinação constitucional ou legal expressa em sentido contrário, não havendo aí qualquer violação, a priori, ao princípio da capacidade contributiva. 4. Consoante o disposto no art. 12 e § 1º, do DecretoLei n. 1.598/77, o ISSQN e o ICMS devidos pela empresa prestadora de serviços na condição de contribuinte de direito fazem parte de sua receita bruta e, quando dela excluídos, a nova rubrica que se tem é a receita líquida. 5. Situação que não pode ser confundida com aquela outra decorrente da retenção e recolhimento do ISSQN e do ICMS pela empresa a título de substituição tributária (ISSQNST e ICMSST). Nesse outro caso, a empresa não é a contribuinte, o contribuinte é o próximo na cadeia, o substituído. Quando é assim, a própria legislação tributária prevê que tais valores são meros ingressos na contabilidade da empresa que se torna apenas depositária de tributo que será entregue ao Fisco, consoante o art. 279 do RIR/99. 6. Na tributação sobre as vendas, o fato de haver ou não discriminação na fatura do valor suportado pelo vendedor a título de tributação decorre apenas da necessidade de se informar ou não ao Fisco, ou ao adquirente, o valor do tributo embutido no preço pago. Essa necessidade somente Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10980.920624/201254 Acórdão n.º 3402006.270 S3C4T2 Fl. 14 13 surgiu quando os diversos ordenamentos jurídicos passaram a adotar o lançamento por homologação (informação ao Fisco) e/ou o princípio da não cumulatividade (informação ao Fisco e ao adquirente), sob a técnica específica de dedução de imposto sobre imposto (imposto pago sobre imposto devido ou "tax on tax"). 7. Tal é o que acontece com o ICMS, onde autolançamento pelo contribuinte na nota fiscal existe apenas para permitir ao Fisco efetivar a fiscalização a posteriori, dentro da sistemática do lançamento por homologação e permitir ao contribuinte contabilizar o crédito de imposto que irá utilizar para calcular o saldo do tributo devido dentro do princípio da não cumulatividade sob a técnica de dedução de imposto sobre imposto. Não se trata em momento algum de exclusão do valor do tributo do preço da mercadoria ou serviço. 8. Desse modo, firmase para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações". 9. Tema que já foi objeto de quatro súmulas produzidas pelo extinto Tribunal Federal de Recursos TFR e por este Superior Tribunal de Justiça STJ: Súmula n. 191/TFR: "É compatível a exigência da contribuição para o PIS com o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes". Súmula n. 258/TFR: "Incluise na base de cálculo do PIS a parcela relativa ao ICM". Súmula n. 68/STJ: "A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS". Súmula n. 94/STJ: "A parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo do FINSOCIAL". 10. Tema que já foi objeto também do recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP (Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015) que decidiu matéria idêntica para o ISSQN e cujos fundamentos determinantes devem ser respeitados por esta Seção por dever de coerência na prestação jurisdicional previsto no art. 926, do CPC/2015. 11. Ante o exposto, DIVIRJO do relator para NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial do PARTICULAR e reconhecer a legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS. RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DOS VALORES COMPUTADOS COMO RECEITAS QUE TENHAM SIDO TRANSFERIDOS PARA OUTRAS Fl. 99DF CARF MF Processo nº 10980.920624/201254 Acórdão n.º 3402006.270 S3C4T2 Fl. 15 14 PESSOAS JURÍDICAS. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.718/98. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. NÃO APLICABILIDADE. 12. A Corte Especial deste STJ já firmou o entendimento de que a restrição legislativa do artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9.718/98 ao conceito de faturamento (exclusão dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico já que dependia de regulamentação administrativa e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogado pela Medida Provisória n. 2.15835, de 2001. Precedentes: (...) 13. Tese firmada para efeito de recurso representativo da controvérsia: "O artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9718/98 não teve eficácia jurídica, de modo que integram o faturamento e também o conceito maior de receita bruta, base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica". 14. Ante o exposto, ACOMPANHO o relator para DAR PROVIMENTO ao recurso especial da FAZENDA NACIONAL. (STJ REsp: 1144469 PR 2009/01124142, Redator: MINISTRO MAURO CAMPBELL MARQUES, Relator: Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, Data de Julgamento: 10/08/2016, S1 PRIMEIRA SEÇÃO, Data de Publicação: DJe 02/12/2016) Como se sabe, nos termos do art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, na redação dada pela Portaria MF nº 152/2016, "As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF". Assim, aqui deve ser obrigatoriamente adotado o entendimento acima do STJ, proferido no Recurso Especial nº 1144469/PR, transitado em julgado em 13/03/2017 sob a sistemática do art. 543C do CPC/73, rejeitandose a argumentação da recorrente em sentido contrário. Em que pese o Supremo Tribunal Federal ter decidido de forma favorável à tese da ora recorrente no Recurso Extraordinário nº 574.706 com repercussão geral, publicado no DJE em 02.10.2017, como ainda não se trata da "decisão definitiva" a que se refere o art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, não é o caso de sua reprodução no presente julgamento. Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10980.920624/201254 Acórdão n.º 3402006.270 S3C4T2 Fl. 16 15 Nesse mesmo sentido foi decidido recentemente pelo CARF nos julgados abaixo: Processo nº 19515.000094/200720 Acórdão nº 3201003.084– 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 29 de agosto de 2017 Relator: Marcelo Giovani Vieira (...) VOTO (...) Pelo contrário, o STJ, no Resp 114469/PR decidiu, no regime de recursos repetitivos, com trânsito em julgado em 13/03/2017, que o ICMS integra as bases de cálculo do Pis e da Cofins. O STF decidiu de forma diferente, no RE 574.706, em repercussão geral, porém o processo ainda não é definitivo, não sendo vinculante para os colegiados do Carf, nos termos do §2º do art. 625 do Ricarf. Com efeito, é possível que o STF module os efeitos da decisão. Pelo exposto, voto pelo desprovimento do recurso voluntário quanto aos ajustes na base de cálculo. (...) Processo nº 10980.900996/201183 Acórdão nº 3302004.500 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 25 de julho de 2017 Relatora: Lenisa Prado Redator designado: Walker Araújo (...) VOTO VENCEDOR (...) O RICARF prevê o requisito da decisão definitiva para a obrigatoriedade da aplicação do precedente, no caso em análise, o REsp 1.144.469/PR transitou em julgado em 10.03.2017 e o RE 574.706RG/PR ainda espera a modulação de seus efeitos, não havendo, portanto, trânsito Fl. 101DF CARF MF Processo nº 10980.920624/201254 Acórdão n.º 3402006.270 S3C4T2 Fl. 17 16 em julgado. Logo, devese observar a decisão, já transitada em julgado, do Superior Tribunal de Justiça. (...) Assim, pelo exposto, voto no sentido de rejeitar a proposta de sobrestamento e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por rejeitar a proposta de sobrestamento e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 102DF CARF MF
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Numero do processo: 17460.000730/2007-71
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/2005 a 30/04/2006
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL. DESATENDIMENTO DE PRESSUPOSTO. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece de Recurso Especial de Divergência quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista a ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigmas.
Numero da decisão: 9202-007.620
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (Relator), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/05/2005 a 30/04/2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL. DESATENDIMENTO DE PRESSUPOSTO. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista a ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigmas.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (Relator), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
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RECURSO ESPECIAL. DESATENDIMENTO DE PRESSUPOSTO. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista a ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigmas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (Relator), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de Auto de Infração de Obrigação Acessória, Debcad 35.820.7851, em razão de a empresa ter apresentado Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia por AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 46 0. 00 07 30 /2 00 7- 71 Fl. 382DF CARF MF 2 Tempo de Serviço e de Informações à Previdência Social – GFIP com erro de preenchimento em dados não relacionados aos fatos geradores das contribuições previdenciárias. Em sessão plenária de 28/07/2011, foi julgado o Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 230201.230 (fls. 249/254), assim ementado: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/05/2005 a 30/04/2006 DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA – APRESENTAÇÃO DE GFIP COM INFORMAÇÕES INEXATAS NOS DADOS NÃO RELACIONADOS AOS FATOS GERADORES DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. A apresentação de GFIP com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores das contribuições previdenciárias, Código FPAS, enseja infração aos artigos 32, inciso IV, § 6 º da Lei n.º 8.212/91 e 284, inciso III, do Regulamento da Previdência Social. RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. LEI 11.941/2009. REDUÇÃO DA MULTA. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, convertida na Lei n.º 11.941/2009, que beneficiam o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Recurso Voluntário Provido em Parte O processo foi encaminhado à PGFN em 21/09/2011 (Despacho de fl. 255) que, em 20/10/2011, apresentou Embargos de Declaração tempestivos. Cientificada, em 05/07/2012, do Despacho de Admissibilidade que rejeitou seus aclaratórios, a Fazenda Nacional interpôs, em 06/07/2012, o Recurso Especial de fls. 269/279 (Despacho de Encaminhamento de fl. 310), fundamentado no art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, visando rediscutir a aplicação da retroatividade benigna, em face das penalidades previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009. A Fazenda Nacional requer que seja conhecido e provido o Recurso Especial, reformandose o acórdão recorrido, adotandose a tese esposada nos acórdãos paradigmas, devendose verificar, na execução do julgado, qual norma mais benéfica: se a soma das duas multas anteriores (art. 35, II, e 32, § 5º, da norma revogada) ou a do art. 35A da Lei nº 8.212/1991, incluído pela MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o Despacho nº 2300 504/2013, de 23/08/2013 (fls. 312/315). Cientificado do Acórdão de Recurso Voluntário, do Recurso Especial da Fazenda Nacional e do despacho que lhe deu seguimento em 28/04/2015 (fl. 320), o Contribuinte, em 13/05/2015, também apresentou Recurso Especial (rejeitado pelo de Fl. 383DF CARF MF Processo nº 17460.000730/200771 Acórdão n.º 9202007.620 CSRFT2 Fl. 3 3 Despacho de fl. 370/374), além de Contrarrazões ao Recurso Especial da Fazenda Nacional (fl. 341/344). Em sede de contrarrazões o sujeito passivo aduz, em síntese, que o Recurso Especial da Fazenda Nacional não deve ser conhecido por não ter havido a demonstração analítica da divergência jurisprudencial alegada e que a situação retratada nos autos não enseja a aplicação da penalidade prevista no art. 35A da Lei nº 8.212/1991. Voto Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho Relator O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo, restando perquirir se atende aos demais pressupostos necessários à sua admissibilidade. Antes de proceder à análise dos paradigmas, importa salientar que estamos diante de Recurso Especial de Divergência, e que esta somente se caracteriza quando, perante situações fáticas similares são adotadas soluções diversas, em face do mesmo arcabouço jurídiconormativo. Feitas essa breves considerações, afigurase necessário esclarecer que, no caso do acórdão recorrido, o recurso voluntário foi parcialmente provido para que a multa mais benéfica fosse determinada considerandose o regramento estabelecido no art. 32A, inciso I, da Lei nº 8.212/1991, incluído pela MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, tendo em vista que infração objeto do lançamento foi motivada por apresentação GFIP com erro de preenchimento nos dados não relacionados a fatos geradores das contribuições previdenciárias. Contudo, ambos os acórdãos apresentados como paradigma trazem situações em que a penalidade aplicada decorreu do inadimplemento de obrigação acessória diversa, qual seja: ter a empresa apresentado GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. A esse respeito, a ementa do Acórdão paradigma nº 240100.127 é bastante clara: OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA DESCUMPRIMENTO – INFRAÇÃO Consiste em descumprimento de obrigação acessória, a empresa apresentar a GF1P Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias (Grifouse) No caso do Acórdão 20601.782, a situação é exatamente a mesma. Senão vejamos: CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 32, IV, § 50 E ARTIGO 41 DA LEI N° 8.212/91 C/C ARTIGO 284, II DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N° 3.048/99 OMISSÃO EM Fl. 384DF CARF MF 4 GFIP – CORESPONSABILIDADE DOS SÓCIOS MULTA – RETROATIVIDADE A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do autodeinfração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária. Inobservância do art. 32, IV, § 50 da Lei n° 8.212/1991, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o art. 284, II do RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999: "informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Incluído pela Lei 9.528, de 10.12.97)". A verba paga pela empresa aos segurados por intermédio de programa de incentivo, administrativo pela empresa Incentive House é fato gerador de contribuição previdenciária. Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia. A fiscalização previdenciária não atribui responsabilidade direta aos sócios, pelo contrário, apenas elencou no relatório fiscal, quais seriam os responsáveis legais da empresa para efeitos cadastrais. Se assim não o fosse, estaríamos falando de uma empresa pessoa jurídica, com capacidade de pensar e agir. (Grifouse) Com efeito, a leitura dos excertos colacionados permite concluir pela inexistência de qualquer dissídio interpretativo, uma vez que as diferentes soluções a que chegaram os acórdãos recorrido e paradigmas não decorreram de divergência jurisprudencial, mas sim do conjunto fático específico de cada processo. Nestas circunstâncias, em virtude da ausência de similitude fática, não se verificou caracterizada a divergência jurisprudencial. Em razão do exposto, não conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Fl. 385DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 36392.001992/2007-58
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1995 a 31/12/1995
LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. PRAZO. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. DOLO. FRAUDE. SIMULAÇÃO.
É de cinco anos o prazo para a Fazenda Pública efetuar o lançamento das contribuições previdenciárias, contado esse prazo do fato gerador, no caso de lançamento por homologação, quando há antecipação de pagamento e sem ocorrência de dolo, fraude ou simulação, ou do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado.
Numero da decisão: 2402-006.977
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, cancelando integralmente o crédito lançado, uma vez que atingido pela decadência.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Gregório Rechmann Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Mauricio Nogueira Righetti, Paulo Sérgio da Silva, Renata Toratti Cassini e Wilderson Botto (Suplente Convocado).
Nome do relator: DENNY MEDEIROS DA SILVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1995 a 31/12/1995 LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. PRAZO. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. DOLO. FRAUDE. SIMULAÇÃO. É de cinco anos o prazo para a Fazenda Pública efetuar o lançamento das contribuições previdenciárias, contado esse prazo do fato gerador, no caso de lançamento por homologação, quando há antecipação de pagamento e sem ocorrência de dolo, fraude ou simulação, ou do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, cancelando integralmente o crédito lançado, uma vez que atingido pela decadência. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Gregório Rechmann Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Mauricio Nogueira Righetti, Paulo Sérgio da Silva, Renata Toratti Cassini e Wilderson Botto (Suplente Convocado).
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DECADÊNCIA. PRAZO. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. DOLO. FRAUDE. SIMULAÇÃO. É de cinco anos o prazo para a Fazenda Pública efetuar o lançamento das contribuições previdenciárias, contado esse prazo do fato gerador, no caso de lançamento por homologação, quando há antecipação de pagamento e sem ocorrência de dolo, fraude ou simulação, ou do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, cancelando integralmente o crédito lançado, uma vez que atingido pela decadência. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Gregório Rechmann Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Mauricio Nogueira Righetti, Paulo Sérgio da Silva, Renata Toratti Cassini e Wilderson Botto (Suplente Convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 36 39 2. 00 19 92 /2 00 7- 58 Fl. 420DF CARF MF Processo nº 36392.001992/200758 Acórdão n.º 2402006.977 S2C4T2 Fl. 421 2 Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos até a decisão de primeira instância, transcreveremos o relatório constante do Acórdão nº 1218.493 da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) no Rio de Janeiro/RJ I, fls. 367 a 402: DA NOTIFICAÇÃO Tratase de crédito lançado contra o contribuinte acima identificado, através da Notificação Fiscal de Lançamento de DébitoNFLD DEBCAD n° 37.093.1980, no valor de R$ 420.959,46 (quatrocentos e vinte e mil novecentos e cinquenta e nove reais e quarenta e seis centavos), que acrescido de multa e juros corresponde ao valor consolidado em 11/04/2007 de R$ 1.460.040,52 (um milhão quatrocentos e sessenta mil quarenta reais e cinquenta e dois centavos), relativo ao não recolhimento, no prazo legal, das contribuições previdenciárias e destinadas aos Terceiros devidas, incidentes sobre o total das remunerações pagas aos segurados empregados, relativo às competências 01/1995 a 12/1995. O presente crédito compõese de: a) contribuições previdenciárias a cargo da empresa incidentes sobre o total das remunerações pagas aos segurados empregados; b) contribuições previdenciárias a cargo da empresa para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa, decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, sobre o total das remunerações pagas aos segurados empregados, denominadas de Seguro de Acidente de TrabalhoSAT; c) contribuições previdenciárias dos segurados empregados, não descontadas nem retidas dos mesmos, observado o limite máximo do saláriodecontribuição; d) contribuições devidas por lei aos terceiros, a cargo da empresa (Salárioeducação, Incra, Sesc e Sebrae); e) acréscimos legais devidos, compostos de juros e multa moratória, em face do não recolhimento das contribuições devidas. 2. Esclarece o agente fiscal no relatório fiscal (fls. 7189) que: 2.1. O presente lançamento objetivou a substituição da NFLD n° 35.866.1420, anulada pela 4” Câmara de Julgamento do Conselho de Recursos da Previdência Social, através do Acórdão n° 1612/2006, de 28/09/2006 (fis. 901.03), em decorrência da ausência de fundamento legal para arbitramento; 2.2. A presente ação fiscal foi desenvolvida por força do Mandado de Procedimento Fiscal n° 09369007F00. O Fl. 421DF CARF MF Processo nº 36392.001992/200758 Acórdão n.º 2402006.977 S2C4T2 Fl. 422 3 procedimento fiscal iniciouse em 2005 na sociedade empresária TV GLOBO LTDA., CNPJ 33.252.156/000119, conforme Mandado de Procedimento Fiscal n° 9233568, de 15/04/2005 e Mandado de Procedimento Fiscal Complementar 01, de 09/08/2005. Posteriormente, a citada empresa apresentou documentos, comprovando a sua incorporação pela empresa Globo Comunicações e Participações S/A, CNPJ 27.865.757/000102. Em decorrência da sucessão empresarial, com fulcro no art. 132 do Código Tributário Nacional, a auditoria fiscal foi realizada em nome da empresa incorporadora; 2.3. O procedimento fiscal foi iniciado a partir da requisição do Ministério Público do Trabalho, como resultado final do Inquérito Civil Público n° 602/00, instaurado em face da TV GLOBO LTDA, ora sucedida, que concluiu que “...a inquirida vem fraudando os contratos de trabalho de dezenas de seus empregados, com violação aos direitos sociais assegurados aos trabalhadores no art. 7° da Constituição, além de incorrer em sonegação de verbas ao FGTS, à Previdência Social e à Receita Federal. A fraude consiste em mascarar a relação de emprego mantida com muitos de seus jornalistas, radialistas e artistas através de uma falsa contratação “civil” com pessoas jurídicas constituídas por aqueles profissionais.” 2.4. A fraude à legislação trabalhista caracteriza ato nulo, nos termos do art. 9°, CLT, sem necessidade de declaração judicial; 2.5. A Lei 6.533/78 dispõe sobre a regulamentação de artista e técnico de espetáculos de diversão; 2.6. Na presente ação fiscal, a fiscalização caracterizou os sócios das empresas prestadoras de serviço, no caso os artistas, que prestaram serviço à TV GLOBO S/A à época dos fatos geradores, como sendo segurados empregados da tomadora de serviço, nos termos do art. 12, I, “a” da Lei n° 8.212/91 c/c arts. 2° e 3° da CLT; 2.7. Na análise do contrato de prestação de serviços, ficaram demonstrados os requisitos da caracterização de emprego, quais sejam: serviço prestado por pessoa física pessoalidade, não eventualidade, onerosidade e subordinação. A fiscalização citou as cláusulas dos contratos de prestação de serviço que comprovam a relação de emprego. No anexo 2 do relatório fiscal (fls. 91104), consta a transcrição de algumas 'cláusulas que demonstram a relação de emprego, de cada contrato analisado dos artistas; 2.8. O presente lançamento engloba os seguintes artistas e empresas interpostas: Fl. 422DF CARF MF Processo nº 36392.001992/200758 Acórdão n.º 2402006.977 S2C4T2 Fl. 423 4 2.9. A base de cálculo do presente lançamento, no período de 01/1995 a 12/1995, foi apurada com base nos valores registrados nas contas contábeis 5006, 5007 e 5012, constantes do arquivo magnético fornecido pela empresa. A contribuição do segurado empregado foi apurada, obedecendose ao limite máximo do saláriodecontribuição, sendo considerados os valores recolhidos por cada segurado, "conforme dados extraídos do sistema CNIS Cadastro Nacional de Informações Sociais; 3. Em face da responsabilidade solidária das empresas integrantes do grupo econômico, nos termos do art. 30, IX da Lei n° 8.212/91, as empresas GLOBOSAT PROGRAMADORA LTDA, CNPJ 00.811.990/000148 e SIGLASISTEMA GLOBO DE GRAVAÇÕES AUDIOVISUAIS LTDA, CNPJ 28.114.122/000128, devedoras solidárias do presente lançamento, foram cientificadas da presente notificação fiscal de lançamento de débito para exercerem o seu direito de defesa. 4. O Discriminativo Analítico do DébitoDAD, o Discriminativo Sintético do DébitoDSD e o Relatório de LançamentoRL demonstram as bases de cálculo, as alíquotas utilizadas, os valores devidos originários, os acréscimos moratórios e os valores finais devidos. 5. A fundamentação legal do lançamento de crédito é apresentada no Relatório Fiscal e complementada no Anexo "Fundamentos Legais do Débito FLD", onde consta toda a Fl. 423DF CARF MF Processo nº 36392.001992/200758 Acórdão n.º 2402006.977 S2C4T2 Fl. 424 5 legislação que ampara o lançamento, por rubrica e por competência. DA IMPUGNAÇÃO 6. Inconformada com o lançamento, a empresa GLOBO COMUNICAÇÃO E PARTICIPAÇÕES S/A (sucessora de TV GLOBO LTDA) contestou o lançamento, através do instrumento de fls. 151316. Os demais devedores solidários (GLOBOSATPROGRAMADORA LTDA e SIGLASISTEMA GLOBO DE GRAVAÇÕES AUDIOVISUAIS LTDA) não impugnaram o lançamento. 7. Em apertada síntese, a empresa alega: 7.1. que a autoridade fiscal desconsiderou os contratos de prestação de serviços entre as pessoas jurídicas contratadas e a impugnante, entendendo que haveria relação de emprego entre os sócios das pessoas jurídicas contratadas e a notificada; 7.2. a decadência em razão da inovação do critério jurídico da NFLD; 7.3. que ocorreu a decadência do direito de constituição do crédito tributário relativo ao período de 01 a 12/1995, pois já tinha decaído o direito ao respectivo lançamento quando da lavratura da NFLD original n° 35.866.1420, em 02/12/2005. A autoridade fiscal não efetuou o respectivo lançamento no prazo de 5 anos contados do fato gerador, nos termos do art. 150, § 4° do CTN. O art. 150, § 4° e o art. 173, I do CTN disciplinam o prazo para a autoridade administrativa constituir o crédito tributário. Cita ainda decisões do STJ que consideram o prazo para lançamento de cinco anos a contar do primeiro dia do exercício seguinte aos fatos geradores, bem como que considera o prazo de dez anos a contar do fato gerador nos casos de lançamento por homologação sem que nenhum pagamento tenha sido realizado pelo sujeito passivo. Alega ainda a inconstitucionalidade do art. 45, I, da Lei n° 8.212/91, colacionando julgados; 7.4. a possibilidade de prestação de serviços artísticos pessoais por pessoas jurídicas e aplicação ao caso concreto do art. 129 da Lei n° 11.196/05; 7.5. a autoridade fiscal invadiu a competência exclusiva da justiça do trabalho ao lavrar NFLD reconhecendo o vínculo empregatício dos sócios das empresas prestadoras de serviço com a notificada. A suposta alegação de nulidade pela autoridade fiscal, com fulcro no art. 9° da CLT, não afasta a necessidade prévia de decisão judicial, o que colide frontalmente com o art. 114, caput e IX da CRFB/88 que atribui competência exclusiva à Justiça de Trabalho para apreciar os conflitos oriundos de relação de trabalho. Esse é o entendimento dos Tribunais Regionais Federais, conforme decisões citadas; Fl. 424DF CARF MF Processo nº 36392.001992/200758 Acórdão n.º 2402006.977 S2C4T2 Fl. 425 6 7.6. o lançamento não encontra amparo legal para desconstituição dos negócios jurídicos. A autoridade fiscal desconsiderou os contratos de prestação de serviços celebrados entre a notificada e as empresas contratadas, com fundamento no art. 229, § 2°, do Decreto n° 3.048/99. Tal conduta viola o art. 150, I, CRFB/88 e nos arts. 97, 108 e 116, § único do CTN; 7.7. impossibilidade de enquadramento de pessoa jurídica como segurada da previdência social, em face do art. 12 da Lei 'n° 8.212/91; 7.8. cerceamento do direito de defesa, em face de inúmeras empresas prestadoras em uma mesma NFLD; 7.9. a impossibilidade de aplicação de penalidade. Não cabe a aplicação da multa moratória em face do art. 100, I, § único do CTN, uma vez que o contribuinte obedeceu às normas complementares das leis editadas pela Administração no que tange ao trabalho de caráter personalíssimo. A notificada, como sucessora da TV GLOBO S/A, só é responsável pelos tributos devidos pelas incorporadas e não pelas multas, nos termos do art. 132 do CTN. A impossibilidade da aplicação da multa moratória prevista no art. 135 da Lei n° 8.212/91. Ao julgar a impugnação, a 11ª Turma da DRJ do Rio de Janeiro I/RJ, por unanimidade de votos, concluiu pela sua improcedência, conforme ementa da decisão a seguir transcrita: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CARACTERIZAÇÃO SEGURADO EMPREGADO. DESCONSIDERAÇÃO DO NEGÓCIO JURÍDICO. COMPETÊNCIA DA AUTORIDADE FISCAL. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE E LEGALIDADE. DECADÊNCIA. GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. RESPONSABILIDADE POR SUCESSÃO. MULTA MORATÓRIA. São considerados segurados obrigatórios da Previdência Social, na qualidade de segurados empregados, os trabalhadores que prestam serviços à empresa, uma vez configurados os pressupostos do art. 12, inciso I, alínea “a”, da Lei n° 8.212/91. Pode o Auditor Fiscal da Previdência Social desconsiderar O vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado, quando preenchidas as condições necessárias, conforme o art. 33, caput da Lei n° 8.212/91 c/c o art. 229, § 2°, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99. O julgador não tem competência legal para apreciar e declarar ilegalidade ou inconstitucionalidade de dispositivo de Lei ou Decreto, frente ao sistema normativo. O controle da constitucionalidade é exercido, via de regra, pelo Poder Judiciário. Fl. 425DF CARF MF Processo nº 36392.001992/200758 Acórdão n.º 2402006.977 S2C4T2 Fl. 426 7 O prazo decadencial para o lançamento de contribuições previdenciárias é de 10 anos com fulcro no art. 45, I e II, da Lei n° 8.212/91. As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações previdenciárias, nos termos do art. 30, IX, da Lei n° 8.212/91. Na sucessão de empresas, a empresa sucessora por incorporação responde pelos débitos constituídos ou a serem constituídos, cujos fatos geradores ocorreram até a data do ato, “ex vi” art. 132 do CTN c/c art. 227 da Lei n° 6.404/76 c/c art. 1.116, CC/2002. As contribuições sociais arrecadadas pela Secretaria da Receita Previdenciária pagas com atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, e multa de mora, ambas de caráter irrelevável (artigos 34 e 35 da Lei n° 8.212/91). Cientificada do Acórdão nº 1218.493, em 7/7/08, conforme Histórico do Objeto (Correios) de fl. 408, a contribuinte, por meio de seus advogados (procuração de fls. 358 a 360), interpôs o recurso voluntário de fls. 850 a 897, em 9/9/09, alegando, em síntese, que, que o crédito lançado teria sido atingido pela decadência, nos termos da Súmula Vinculante nº 8 do Supremo Tribunal Federal (STF). É o relatório. Voto Conselheiro Denny Medeiros da Silveira – Relator Do conhecimento O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6/3/72. Assim, dele tomo conhecimento. Do prazo decadencial Segundo a Recorrente, o prazo para a constituição das contribuições, à luz da Súmula Vinculante nº 8, do Supremo Tribunal Federal (STF), é de 5 (cinco) anos, conforme previsto no Código Tributário Nacional (CTN), e não o prazo de 10 (dez) anos, previsto no art. 45 da Lei nº 8.212, de 24/7/91, sendo essa a única alegação trazida em seu recurso voluntário. Pois bem, vejamos, primeiramente, o que restou consignado na decisão recorrida a respeito do prazo decadencial: 40. [...], a Lei n° 8.212/91 regula inteiramente a questão do prazo decadencial da contribuição previdenciária, não cabendo aplicar o Código Tributário Nacional (Lei 5.172/66), que dispõe Fl. 426DF CARF MF Processo nº 36392.001992/200758 Acórdão n.º 2402006.977 S2C4T2 Fl. 427 8 sobre normas gerais, para suprir eventuais lacunas na legislação. 41. Não obstante a polêmica existente na doutrina e na jurisprudência sobre a constitucionalidade de tal dispositivo legal, o mesmo não teve sua vigência afastada pelo Supremo Tribunal Federal. Logo, em face dos princípios da unidade da Constituição e da presunção de constitucionalidade das leis e atos do poder público, o art. 45 da Lei n° 8.212/91 presumese constitucional, pois até o presente momento o Supremo Tribunal Federal, guardião da Carta Constitucional, não se manifestou sobre a inconstitucionalidade do citado dispositivo, “ex vi” art. 102, I, “a”, CRFB/88. [...] 48. Cumpre assim à Administração Tributária, portanto, seguir expressamente o que preceitua a legislação pertinente à matéria previdenciária, a qual determina que o referido prazo decadencial é de 10 (dez) anos, posto que o mesmo não foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. [...] 50. No caso ora em comento, o lançamento foi efetuado em 25/04/2007, relativas às contribuições previdenciárias, do período de 01/1995 a 12/2005, em substituição à NFLD 35.866.1420, em face da decisão da decisão da 4ª Câmara de Julgamento, que anulou o lançamento original. Logo, não ocorreu a decadência, “ex vi” art. 45, II, da Lei n° 8.212/91. Conforme se observa, de fato, o julgado a quo considerou o prazo decadencial de 10 (dez) anos e manteve o lançamento incólume. Acontece que nos termos do art. 45, da Lei 8.212, de 24/7/91, vigente à época dos fatos geradores, o direito da Seguridade Social de apurar e lançar seus créditos extinguiase em 10 (dez) anos1, porém, em decorrência do julgamento dos Recursos Extraordinários 556.664, 559.882, 559.943 e 560.626, o Supremo Tribunal Federal (STF) editou, em 12/6/08, a Súmula Vinculante nº 8 (DOU 20/6/2008), nos seguintes termos: São inconstitucionais o parágrafo único do art. 5º do Decreto Lei nº 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Nesta feita, ao analisar os efeitos da edição da Súmula Vinculante nº 8 do STF, assim concluiu o Parecer PGFN/CAT nº 1617, de 1/8/08: a) no caso do pagamento parcial da obrigação, independentemente de encaminhamento de documentação de 1 Contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, a constituição de crédito anteriormente efetuada. Fl. 427DF CARF MF Processo nº 36392.001992/200758 Acórdão n.º 2402006.977 S2C4T2 Fl. 428 9 confissão (DCTF, GFIP ou pedido de parcelamento), o prazo de decadência para o lançamento de ofício da diferença não paga é contado com base no § 4º, do art. 150, do Código Tributário Nacional; b) no caso de não pagamento, nas hipóteses acima elencadas (com ou sem o encaminhamento de documentação de confissão), o prazo é contado com base no inciso I, do art. 173, do CTN; A esse respeito, vejamos o que dispõe o Código Tributário Nacional (CTN), Lei 5.172, de 25/10/66: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. [...] § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. [...] Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Como se vê, o prazo para a Seguridade Social apurar e lançar seus créditos passou a ser de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador, nas hipóteses em que o tributo obedeça ao regime de lançamento por homologação e desde que haja início de pagamento (antecipação), ainda que parcial (art. 150, § 4º, do CTN), ou a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, na hipótese de inexistência de início de pagamento (art. 173, I, do CTN), ou na ocorrência de dolo, fraude ou simulação (parte final do § 4º, art. 150, do CTN). No caso em tela, tendo em vista que o lançamento substituído foi efetuado em 2/12/05 e que diz respeito às competências de 01/1995 a 12/1995, constatase que todo o Fl. 428DF CARF MF Processo nº 36392.001992/200758 Acórdão n.º 2402006.977 S2C4T2 Fl. 429 10 período abrangido pelo lançamento se encontra atingido pela decadência, tanto pela regra do art. 150, § 4º, do CTN, quanto pela regra do art. 173, inciso I, do mesmo diploma. Conclusão Isso posto, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, cancelando integralmente o crédito lançado, uma vez que atingido pela decadência. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Fl. 429DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.010034/2005-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005
RESSARCIMENTO. PIS E COFINS NÃO-CUMULAT1VA. SÚMULA CARF Nº 125.
No ressarcimento das contribuições não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003.
Numero da decisão: 3302-006.720
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente
(assinado digitalmente)
Jorge Lima Abud - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente).
Nome do relator: JORGE LIMA ABUD
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PIS E COFINS NÃOCUMULAT1VA. SELIC. Recorrente CASCAVEL COUROS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 RESSARCIMENTO. PIS E COFINS NÃOCUMULAT1VA. SÚMULA CARF Nº 125. No ressarcimento das contribuições não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente (assinado digitalmente) Jorge Lima Abud Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 01 00 34 /2 00 5- 51 Fl. 51DF CARF MF 2 Relatório Aproveitase o Relatório do Acórdão de Impugnação. Trata o presente processo de pedido de ressarcimento de créditos da Cofins Exportação (fl. 01), no valor de R$ 3.846.046,44, correspondente ao 3o trimestre de 2005, com fundamento na Lei n° 10.833/2003. Foram apensadas aos autos declarações de compensação. O Serviço de Fiscalização da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Fortaleza, por intermédio do Termo de Informação Fiscal de fls. 48/50, concluiu pelo deferimento do pleito. A unidade de origem, com base no referido Termo, decidiu, conforme informação fiscal e despacho decisório de fls. 59/61, reconhecer o direito creditório, no valor de R$ 3.846.046,44, sem incidência de juros selic, homomologando as compensações declaradas até o limite do crédito reconhecido. Inconformado com a decisão, de que tomou ciência em 07/02/2008, o sujeito passivo apresentou manifestação de inconformidade (fls. 62/71) na qual argumenta, em * síntese, que: A DRF/Fortaleza deferiu parcialmente o seu pedido de ressarcimento ao não garantir a incidência da taxa Selic. Quando o art. 6°, § Io, da Lei n° 10.833/2003 garantiu a compensação dos créditos da Cofins garantiu aos contribuintes o direito de utilizarem o benefício fiscal no montante em que foi concedido, que é equivalente ao poder econômico do crédito na data de sua geração. A correção monetária não tem o efeito de aumentar a quantia a ser aproveitada, por ser notório que o seu fim é o de somente garantir uma equivalência real entre dois valores. Como o art. 6o, § Io, da Lei n° 10.833/2003 assegura originariamente o direito de compensar, sobre o valor do crédito objeto desta compensação deverá ser aplicada a correção monetária, como estabelece o § 3o do art. 66 da Lei n° 8.383/1991, o qual não se limita às hipóteses de pagamento indevido ou a maior de tributos. Em decorrência da aplicação da correção monetária ao crédito objeto da compensação, o valor a ser ressarcido em moeda deverá suportar a mesma incidência, por ser derivado da quantia que deixou de ser compensada. Ainda se não existisse previsão legal para a incidência de correção monetária, persistiría o direito à atualização monetária. A própria Advocacia Geral da União ratifica que a correção monetária não se constitui em acréscimo de valor, nos termos do Parecer n° 01, de 11/06/1996, com a conclusão de que a correção monetária não se constitui plus a exigir expressa previsão legal. A Lei n° 9.250/1995 garante a utilização da Taxa Selic. Cita o § 4o do artigo 39, aduzindo que o mesmo aplicarseia a toda hipótese de compensação, bem como que do emprego da Fl. 52DF CARF MF Processo nº 10380.010034/200551 Acórdão n.º 3302006.720 S3C3T2 Fl. 3 3 isonomia tributária resultaria o direito à atualização pela taxa selic. Cita decisão administrativa. e) Pelo emprego da analogia, resultaria do § 4o do artigo 39 da Lei n° 9.250/1995 que, se na recuperação de valores por compensação se aplica a taxa selic, também deve ser admitido o mesmo efeito sobre o crédito da Cofins. Ademais, mesmo que não fosse admitida a aplicação da taxa Selic na condição de juros, ainda assim persistiría o direito a sua aplicação a título de atualização monetária, em substituição à UFIR. Requereu, assim, que seja garantido o seu direito ao ressarcimento dos valores com o acréscimo da taxa Selic, contada a partir da data de geração do direito ao crédito ou, ao menos, sucessivamente, contada a partir da data do protocolo do pedido. Em 28 de abril de 2009, através do Acórdão n° 0113.763, a 3a Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Belém/PA, por unanimidade de votos, considerou IMPROCEDENTE a manifestação de inconformidade. Entendeu a Turma que: ü No que diz respeito ao pedido de aplicação de juros de mora sobre os créditos a serem ressarcidos, o art. 39, § 4o, da Lei n° 9.250, de 26 de dezembro de 1995, somente se refere à atualização de pedidos de restituição, não se fazendo aplicável, pois, a pedidos de ressarcimento. ü Por sua vez, o § 5o, I, do artigo 72 da Instrução Normativa RFB n° 900, de 30 tie dezembro de 2008, prescreve expressamente que não incidirão juros compensatórios “no ressarcimento de créditos do IPI, da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, bem como na compensação de referidos créditos”, da mesma forma que previam as instruções normativas que lhe antecediam. ü Assinalese que somente seria possível afastar a aplicação de tais disposições normativas acaso fosse declarada sua ilegalidade. Ocorre, porém, que argumentos desta natureza não podem ser conhecidos pela instância julgadora administrativa, na medida em que a autoridade administrativa encontrase totalmente vinculada aos ditames legais (artigo 116, III, da Lei n.° 8.112/1990), não lhe sendo dado apreciar questões que importem a negação ’ de vigência e eficácia de preceitos normativos considerados, pelo sujeito passivo, mesmo que indiretamente, como inconstitucionais e/ou ilegais. ü Nesse sentido, a Portaria MF n° 58, de 2006, a qual disciplina a constituição das turmas e o funcionamento das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento, determina em seu artigo 7o que a autoridade julgadora administrativa deve observar o conteúdo das disposições legais, bem como o entendimento da Receita Federal do Brasil expresso em atos normativos. Fl. 53DF CARF MF 4 ü Em síntese, como os textos normativos gozam da presunção de legalidade e constitucionalidade, resta ao agente da Administração Pública aplicálos, salvo quando incluídos nas hipóteses de que trata o Decreto n° 2.346, de 1997, ou quando haja determinação judicial em sentido contrário beneficiando o contribuinte. A empresa BERMAS INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA foi intimada do Acórdão de Manifestação de Inconformidade, via Aviso de Recebimento, em 09 de junho de 2009, efolhas 27. Em 06/07/2009, a empresa CASCAVEL COUROS LTDA ingressou com Recurso Voluntário, de efolhas 28 a 40. Foi alegado que: A Legislação instituidora do Direito Creditório Atualização Monetária pela SELIC A Recorrente é titular do direito aos créditos da contribuição para o PIS/PASEP, conforme reconhecido pela autoridade emissora do r. Despacho Decisório, com fundamento no artigo 5°, §§ 1° e 2o da Lei Ordinária n° 10.627/2002. Nos termos do mencionado dispositivo, não existe nenhuma disposição vedando a incidência da atualização monetária ou de juros sobre os créditos da Contribuição para o PIS/PASEP objeto de pedidos de ressarcimento formulados pelos seus beneficiários. Tal vedação não teria sentido, porque prestigiaria a outorga de créditos em valores históricos, totalmente corroídos pela inflação do período contado da data da protocolização do pedido de ressarcimento até o seu efetivamente fornecimento ao contribuinte. Este juízo deve considerar, outrossim, que as disposições previstas nos artigos 13 e 15 da Lei n° 10.833/2003 não representam fundamentos para a não incidência da SELIC na forma pleiteada pela Recorrente. Estes dispositivos possuem uma eficácia limitada a data do protocolo do pedido de ressarcimento, somente impedindo a incidência de atualização monetária ou juros contados da data da geração dos créditos da . Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS e a data do protocolo do respectivo pedido de ressarcimento nas hipóteses previstas na legislação. A partir da data do protocolo do pedido de ressarcimento e considerando a obrigação da administração emitir uma decisão administrativa, não existe a possibilidade de ser aplicado o referido dispositivo, mormente porque os efeitos do mesmo deve ser apurado conforme o Princípio Constitucional que veda o enriquecimento ilícito às custas alheias. Sendo assim, a inexistência de tais vedações na Lei Ordinária n° 10.637/2002 é um dos fundamentos do direito da Recorrente a incidência da SELIC sobre o crédito da Contribuição para o PIS/PASEP objeto do Pedido de Ressarcimento em epígrafe, porque diferentemente do que entendeu a autoridade emissora do r. Despacho Decisório, a SELIC incide sobre tal valor na condição de índice de atualização monetária com o fim de recompor o valor real do numerário a ser ressarcido para o contribuinte; Caso seja vedada esta incidência, estarseá sendo prestigiado o enriquecimento ilícito da União Federal às custas alheias, porque os efeitos da inflação medida Fl. 54DF CARF MF Processo nº 10380.010034/200551 Acórdão n.º 3302006.720 S3C3T2 Fl. 4 5 no período terão corroído o real valor ao qual o beneficiário do ressarcimento tem direito, sem que tivesse dado causa a esta perda, por ser o tempo da emissão do Despacho Decisório e o efetivo ressarcimento algo definido exclusivamente pelos servidores e autoridades que atuaram no curso do processo administrativo de ressarcimento. Por sua vez, mesmo não existindo previsão da incidência da correção monetária na Lei Ordinária n° 10.637/2002 a mesma é totalmente aplicável, porque por não se constituir de um acréscimo de valor, mas somente a manutenção do poder econômico da moeda, independe de expressa previsão legal por ser implícita a toda legislação que trate de um direito de natureza econômica dos contribuintes. Por sua vez, a utilização do índice SELIC, como fator de correção monetária decorre do fato de ser ele usado desde 1996 como elemento para o cálculo dos tributos devidos pelos contribuintes sendo utilizado, assim, na apuração do crédito a ser ressarcido nas hipóteses analisadas nas supracitadas decisões administrativas e judiciais. Inúmeras decisões administrativas e judiciais confirmam a aplicação do índice SELIC na atualização monetária de créditos devidos aos contribuintes, passíveis de ressarcimento. Portanto, o r. Acórdão merece ser reformado porque a Recorrente possui o direito a atualização monetária pelo índice SELIC do seu crédito da Contribuição para o PIS/PASEP reconhecido administrativamente contado da data da protocolização do Pedido de Ressarcimento até o seu efetivo recebimento ou compensação tributária. As Instruções Normativas somente vedam a SELIC como Juros não afastando sua aplicação como Atualização Monetária Como demonstrado acima, a incidência da SELIC deve ser realizada com natureza de atualização monetária não submetida as regras contidas nas Instruções Normativas que trataram da matéria porque estas se limitaram e vedam a incidência dos juros compensatórios. Ora, se os supracitados dispositivos somente vedaram a incidência dos juros compensatórios é porque a atualização monetária nos pedidos de ressarcimento não está vedada uma vez que, se estivesse, certamente a mesma teria sido escrita nos supracitados parágrafos . demonstrando razões para o posicionamento do DRJ não ser acatado. Na realidade, as próprias Instruções Normativas da RFB demonstram e ratificam o direito á incidência da atualização monetária no ressarcimento, algo que merece ser considerado por este juízo sob pena de ser feita tabula rasa de disposições as quais a administração está vinculada. Entretanto, mesmo se a SELIC fosse aplicada como “juros", o que se admite apenas para considerar, a Instrução Normativa não teria efeito limitador, porque distinguiu, expressamente, as hipóteses de “juros SELIC” e “juros remuneratórios”, demonstrando que uma coisa não se confunde com a outra. Desta forma, o posicionamento adotado no r. Acórdão não merece ser adotado porque as Instruções Normativas somente vedam a incidência de juros compensatórios não sendo aplicados em relação a atualização monetária pela SELIC. Fl. 55DF CARF MF 6 O Ressarcimento é espécie do Gênero Restituição – Aplicação da Lei n° 9.250/96 Mesmo se não fosse possível a aplicação da SELIC como índice de correção monetária, o que se admite apenas para considerar, o direito da Recorrente a incidência da SELIC também seria possível em razão de ser o “ressarcimento" uma espécie do gênero “restituição”, estando assim contemplado naquele todos os efeitos da legislação aplicável a este. Entre os efeitos aplicáveis ao “ressarcimento” nas hipóteses de “restituição” está a incidência dos juros à taxa SELIC, nos termos do artigo 39, § 4o da Lei n° 9.250, de 26 de dezembro de 1995. Deve ser considerado, que o termo “ressarcimento” faz parte do gênero “restituição” para os fins de aplicação do artigo 39, §4° da Lei n° 9.250/95, como também o faz o termo “resgate” previsto no DecretoLei n° 2.288, de 23 de julho de 1986, ao tratar da recuperação do empréstimo compulsório de veículos. Ora, se “resgate" faz parte do gênero “restituição” para suportar os mesmos efeitos do artigo 39, §4° da Lei n° 9.250/95, com a mesma ' razão deve ser admitido ser o “ressarcimento" espécie do gênero “restituição”, pois tanto ela quanto o resgato objetivam o recebimento de numerário pago ao poder público. A Taxa SELIC e o emprego da Analogia Como se não bastasse tudo isto, mesmo se o “ressarcimento” não fosse uma espécie do gênero “restituição”, ainda assim persistiría à aplicação do artigo 39, §4° da Lei n° 9.250/95 sobre o crédito da Contribuição para o PIS/PASEP passível de ser ressarcido pela Recorrente com fundamento na aplicação da analogia. Não há como se negar, que tanto o ressarcimento do crédito da Contribuição para o PIS/PASEP objeto do pedido de ressarcimento, quanto à compensação tributária, são institutos que garantem ao contribuinte o recebimento de valores, o primeiro em espécie, o segundo equivalentes aos que deixaram de ser pagos em dinheiro. Com efeito, considerando que na recuperação de valores por compensação se aplicam a Taxa SELIC, por analogia também deve ser admitido o mesmo efeito sobre o crédito da Contribuição para o PIS/PASEP. A jurisprudência do Colendo Conselho de Contribuintes confirma a assertiva de serem os dois institutos afins para se aplicar ao ressarcimento os dispositivos relacionados á compensação tributária. A IN SRF n° 900/2008 O direito à incidência da SELIC, como índice de atualização monetária, não é prejudicado em razão da previsão contida no artigo 72, §5°, I da Instrução Normativa SRF n° 900, de 30 de dezembro de 2008, como defendeu á autoridade emissora do r. Dèspacho Decisório. Como restou demonstrado alhures, a incidência da SELIC deve ser realizada na condição de meio para a realização da atualização monetária do crédito da COFINS^objeto do pedido de ressarcimento, não se confundindo com “juros” devidos em outras situações e referido no mencionado dispositivo da IN.. Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10380.010034/200551 Acórdão n.º 3302006.720 S3C3T2 Fl. 5 7 Considerando; a aplicação da SELIC como índice de atualização monetária, não é aplicável o artigo 72, §5°, I da Instrução Normativa SRF n° 900/2008, por somente tratar de juros, não devendo ser considerada a determinação contida no r. Despacho Decisório para a sua observância. Entretanto, mesmo Se a SELIC fosse aplicada como “juros”, a Instrução Normativa não teria efeito limitador, porque distinguiu, expressamente, as hipóteses de “juros SELIC” e “juros remuneratórios”, demonstrando que uma coisa não se confunde com a outra. Não obstante isto, se o artigo 72, §5°, I da Instrução Normativa SRF n° 900/2005 fosse uma vedação por não ser possível a . aplicação da SELIC como atualização monetária, o que se admite apenas para argumentar, não poderia ser considerado, porque estaria em flagrante dissonância com o direito da Recorrente ao acréscimo da SELIC considerando os termos do artigo 39, §4° da Lei n° 9.250/95. O PEDIDO Por tudo o que foi exposto, o presente Recurso Voluntário merece ser provido para ser reformado o r. Acórdão para ser garantida a /incidência da SELIC sobre o valor do crédito da Contribuição para o PIS/PASEP objeto do Pedido de Ressarcimento em epígrafe como atualização monetária ou mesmo juros da seguinte forma: a) calculada sobre o valor do crédito pleiteado a partir da data da protocolização do Pedido de Ressarcimento até o seu efetivo ressarcimento; ou b) na hipótese de ter sido o crédito utilizado em compensação (ões) tributária (s), calculada a partir da data da protocolização do Pedido de Ressarcimento até a data da compensação (ões) tributária (s) e, a partir deste (s) momento (s), sobre o eventual saldo credor resultante do (s) abatimento (s) até o seu efetivo ressarcimento. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Lima Abud – Relator. Da admissibilidade. Por conter matéria desta E. Turma da 3a Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte. A empresa BERMAS INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA foi intimada do Acórdão de Manifestação de Inconformidade, via Aviso de Recebimento, em 26 de agosto de 2010, efolhas 153. Fl. 57DF CARF MF 8 Em 23/09/2010, a empresa CASCAVEL COUROS LTDA ingressou com Recurso Voluntário, de efolhas 154 a 168. O recurso voluntário é tempestivo. Da controvérsia. ü A Legislação instituidora do Direito Creditório Atualização Monetária pela SELIC; ü As Instruções Normativas somente vedam a SELIC como Juros não afastando sua aplicação como Atualização Monetária; ü O Ressarcimento é espécie do Gênero Restituição – Aplicação da Lei n° 9.250/96; ü A Taxa SELIC e o emprego da Analogia; ü A IN SRF n° 900/2008. Passase à análise. Fiome à lição do I. Conselheiro Orlando Rutigliani Berri, no Acórdão de Recurso Voluntário n° 3001000.663, da 1a Turma Extraordináriada 3a Seção de Julgamento do CARF, apoiado nos argumentos do voto da lavra do Relator Gilson Wessler Michels: Da fundamentação No caso presente, verificandose que o recorrente reitera perante este colegiado, os argumentos de defesa apresentados na manifestação de inconformidade, ao amparo no permissivo regimental acima reproduzido, por concordar, in totum, com os argumentos do voto condutor da lavra do Relator Gilson Wessler Michels, com a devida licença, adotoo, por seus próprios fundamentos, como razão de decidir no presente julgado. Razão pela qual cito trechos do Acórdão recorrido, verbis: Voto (...) Como no relatório do presente acórdão se viu, limitouse a contribuinte a contestar a não “atualização/correção” do crédito concedido pela taxa Selic, como demandaria o parágrafo 4o do artigo 39 da Lei n° 9.250/1995. Junta excertos jurisprudenciais tendentes à demonstração de que sobre os créditos objeto de ressarcimento deve obrigatoriamente incidir a taxa Selic. Em análise da alegação posta, há que se dizer, de plano, que não pode ela ser aqui acatada. É que apesar da insurgência da contribuinte, verdade é que a legislação tributária, apesar da disposição genérica constante do parágrafo 4o do artigo 39 da Lei no 9.250/ 1995, possui tratamento específico para os casos de ressarcimento de créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, da Contribuição para o Programa de Integração Social PIS e da Contribuição para o Financiamento Fl. 58DF CARF MF Processo nº 10380.010034/200551 Acórdão n.º 3302006.720 S3C3T2 Fl. 6 9 da Seguridade Social Cofins. Com efeito, assim dispõe o parágrafo 5o do artigo 52 da Instrução Normativa SRF no 600/2005, ato este vigente à época dos fatos que aqui importam: Art. 52. (...) § 5o Não incidirão juros compensatóríos no ressarcimento de créditos do IPI, da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, bem como na compensação de referidos créditos. Como se percebe, há na legislação tributária disposição legal expressa definindo tratamento específico para o ressarcimento e compensação de créditos da Cofins, o que faz com que a alegação da contribuinte, como já se disse, não possa ser aqui acatada. De outro lado, a jurisprudência administrativa e judicial juntada pela contribuinte também não serve à corroboração da referida alegação. É que como se pode inferir dos acórdãos transcritos, referemse eles a períodos anteriores à superveniência da acima transcrita norma. É de se ressaltar, por fim, que a referida superveniência legal se deu em razão da necessidade de se adequar a sistemática do ressarcimento e da compensação, especialmente da Cofins e do PIS, às então novas regras de apuração destas contribuições no regime da nãocumulatividade. É que como está exposto de forma literal na legislação tributária (artigo 13 da Lei no10.833/2003): Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 40 do art. 3o, do art. 4o e dos §§ 1o e 2o do art. 6o, bem como do § 2o e inciso II do § 4o e § 5o do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. Como se vê, a apuração escritural dos créditos da contribuição social não enseja atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores, ou seja, na confrontação que o sujeito passivo faz entre seus débitos e créditos, no âmbito da sistemática da nãocumulatividade, não há como atualizar créditos, independentemente de quando forem utilizados para a mencionada confrontação (tecnicamente chamada de “desconto”). Ora, se quando do desconto, que pode ser efetuado em períodos de apuração posteriores, não pode haver atualização monetária e nem incidência de juros, razoável que exista regra no mesmo sentido em relação às duas outras formas de aproveitamento dos créditos: o ressarcimento e a compensação. Assim não fosse, haveria uma diferença de tratamento legal entre as diferentes formas de aproveitamento dos créditos da nãocumulatividade (desconto, compensação e ressarcimento), que não encontraria justificativa nem técnica, nem jurídica, nem axiológica. Do reforço à decisão recorrida, como fundamento Fl. 59DF CARF MF 10 Em reforço ao fundamento da decisão vergastada, o qual me filio integralmente, é suficiente evidenciar minha discordância à incidência da taxa Selic, como instrumento de correção/atualização, dos valores objeto de ressarcimento. É que ressarcimento não é espécie de restituição, como entende o recorrente, que, por expressa previsão legal, somente comporta os casos de pagamento indevido ou a maior de tributo (artigo 165, inciso I, do CTN), e o artigo 39, § 4° da Lei n° 9.250, de 1995, foi expresso ao permitir a aplicação dessa taxa apenas sobre os casos de restituição e compensação de tributos; o que torna absolutamente evidente a irrazoabilidade, por inverídico, do argmmento suscitado no sentido de que a exclusão da incidência da aludida correção monetária, via aplicação da taxa Selic, está assentada em simples Instrução Normativa, mais especificamente no § 5°, art. 52 da IN/SRF n° 600, de 2005. Saliento também que o caso sob exame não é daqueles em que ocorre a oposição do ente estatal. Afinal, o próprio recorrente textualmente afirma que "requereu junto à Receita Federal do Brasil, e teve parcialmente deferido, o ressarcimento alusivo a créditos de Cofins, tendo sido sonegado à mesma o direito a correção dos créditos entre o período compreendido entre o pedido de restituição/ressarcimento e o efetivo pagamento, situação bem diversa quando, por exemplo, um ato normativo infralegal promove, ao disciplinar a lei, restrição indevida ao mesmo benefício. Conforme se verifica, essa divergência é de rápido deslinde. Como visto alhures, há expressa disposição legal sobre a matéria no artigo 13 da Lei n° 10.833, de 29.12.2003, já transcrito, que concretamente determina que não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os valores decorrentes de crédito apurado na forma do parágrafo 4° do artigo 3°, do artigo 4° e dos parágrafos 1° e 2° do artigo 6°, bem como do parágrafo 2°, inciso II do parágrafo 4° e parágrafo 5° do artigo 12, todos da citada Lei. Por oportuno, convém por fim salientar que o inciso VI do artigo 15 da mesma Lei estendeu a referida vedação de atualização monetária aos valores ressarcidos a título de PIS/Pasep. Assim, em estrita observância ao princípio da legalidade, regente da atividade administrativa, é de se ratificar a decisão recorrida, que indeferiu o pedido de atualização monetária do ressarcimento da presente contribuição. No mais, deve ser aplicada a Súmula CARF 125, que já definiu entendimento no âmbito administrativo: Súmula CARF n° 125 No ressarcimento da COFINS e da Contribuição para o PIS não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei n° 10.833, de 2003. Sendo assim, nego provimento ao recurso do contribuinte. Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10380.010034/200551 Acórdão n.º 3302006.720 S3C3T2 Fl. 7 11 É como voto. Jorge Lima Abud Relator. Fl. 61DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.008428/2001-57
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 01 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 1987
Ementa:
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL — ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA — NULIDADE
Os julgadores de primeira instância devem referir-se expressamente a todas as razões de defesa suscitadas pela impugnante contra todas as exigências. O ato administrativo ilegal não produz qualquer efeito válido entre as partes,
pela evidente razão de que não se pode adquirir direitos contra a lei. A nulidade reconhecida, seja pela Administração Pública ou pelo Poder Judiciário, opera-se ex tunc, isto é retroage às suas origens e alcança todos os seus efeitos passados, presentes e futuros em relação às partes, só se admitindo exceção para com os terceiros de boa-fé, sujeitos às suas conseqüências reflexas.
Anula-se o acórdão de primeira instância.
Numero da decisão: 2101-000.400
Decisão: ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância para que, superada a preliminar de decadência pelo Primeiro Conselho de Contribuintes, se manifeste acerca das demais matérias de mérito
Nome do relator: Ana Neyle Olimpio Holanda
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JULGAMENTO Processo n" 10980.008428/2001-57 Recurso n" 139.831 Voluntário Acórdão n" 2101-00.400 — 1" Câmara / P Turma Ordinária Sessão de 01 de fevereiro de 2010 Matéria IRPF Recorrente JOSÉ PEDRO DÓRIA NETO Recorrida 4" TURMA/DRJ-CURIT1BA/PR Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física 1RPF Exercício: 1987 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL — ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA — NULIDADE Os julgadores de primeira instância devem referir-se expressamente a todas as razões de defesa suscitadas pela impugnante contra todas as exigências. O ato administrativo ilegal não produz qualquer efeito válido entre as partes, pela evidente razão de que não se pode adquirir direitos contra a lei. A nulidade reconhecida, seja pela Administração Pública ou pelo Poder Judiciário, opera-se ex tunc, isto é retroage às suas origens e alcança todos os seus efeitos passados, presentes e futuros em relação às partes, só se admitindo exceção para com os terceiros de boa-fé, sujeitos às suas conseqüências reflexas. Anula-se o acórdão de primeira instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância para que, superada a preliminar de decadência pelo Primeiro Conselho de Contribuintes, se manifeste acercg_das-clemais matérias de mérito. REEXAME DE MÉRITO. PROLATAÇÃO DE NOVA DECISÃO DESCABIMENTO 1 2 EDITADO EM: 9 33 DEL Participaram do presente julgamento os Conselheiros Caio Marcos Cândido, Ana Neyle Olímpio Holanda, Alexandre Naoki Nishioka, José Raimundo Tosta Santos, Edgar Silva Vidal e Gonçalo Bonet Allage. Relatório Inicia o presente processo de pedido de restituição, protocolizado aos 11/01/2002, referente a imposto sobre a renda retido na fonte (IRF), incidente sobre rendimentos auferidos em face de alegada adesão a programa de desligamento voluntário (PDV), promovido pela empresa IBM BRASIL — Indústria, Máquinas e Serviços Ltda., em razão de demissão ocorrida aos 31/05/1986, conforme rescisão de contrato de trabalho (fl, 120), 2. O pedido foi indeferido pela Delegacia da Receita Federal em Curitiba (PR), pelo que, o sujeito passivo apresentou manifestação de inconformidade à Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba (PR), que não albergou as considerações apresentadas, indeferindo o pedido, sob o argumento de que houvera decaído o direito à restituição pleiteada, por terem decoriido mais que cinco anos entre o recolhimento do tributo e o pedido de repetição. 3. Com a interposição de recurso voluntário, os autos foram a julgamento na sessão plenária de 14 de abril de 2005, na Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, tendo o colegiado decidido, por unanimidade, afastar a decadência, retornando os autos à unidade de origem, para que se pronunciasse sobre o mérito do pedido. 4. Após interposição de Recurso Especial da Procuradoria da Fazenda Nacional e Agravo Regimental, contra a decisão que negou seguimento ao recurso, também rejeitado, os autos foram remetidos para análise da Delegacia da Receita Federal em Curitiba (PR), que, mediante Parecer (fls. 130 a 135), indeferiu o pleito, sob o argumento de que, à vista dos documentos aduzidos aos autos, os rendimentos em questão não possuem caráter de verbas paga em decorrência de programa de incentivo à demissão voluntária. 5. O interessado apresentou a manifestação de inconformidade de fis. 140 a 143. 6. Os membros da 4' Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (PR), por maioria, acordaram por não conhecer a impugnação, resumindo seu entendimento nos termos da ementa a seguir transcrita: ASSUNTO IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FISICA - IRPF Ano-calendário: 1986 Processo n° W980.008428/2001-57 Acórdão n° 2101-00,400 52-C11-1 Fl. 60 Incabível a expedição de novo acórdão para reexan?e de inérito e prolataçã o de nova decisão quando não cogitada a nulidade do julgamento efetuado de acordo com a legislação de regência, não se evidenciando hipótese legal que demandasse sua retificação, Impugnação não Conhecida. 7. hresignado, o interessado interpôs tempestivo recurso voluntário, no qual apresenta, em estreita síntese, as seguintes argumentações em favor do seu pleito: I — é evidente a existência do plano de incentivo ao desligamento voluntário promovido pela empresa IBM Brasil — Indústria, Máquinas e Serviços Ltda, tendo juntado aos autos documentos que demonstram a natureza da verba indenizatória; II — a declaração prestada pela empresa respalda suas argumentações, ratificando o pagamento da verba indenizatória, a título de programa de demissão voluntária, oferecido a todos os empregados, sendo que muitos já receberam o imposto indevidamente recolhido à época, o que toma evidente a ilegalidade do indeferimento do seu pleito; III— diversos ex-empregados daquela empresa, que se encontravam na mesma situação, obtiveram a restituição devida, não cabendo a diferenciação entre os beneficiários em razão de simples nomenclatura, sendo absurda a hipótese de que a empresa instituiu o incentivo para beneficiar alguns em detrimento de outros. 8. Ao final, reforça que a indenização recebida pela adesão ao PDV não está sujeita à incidência do imposto sobre a renda, por isso espera o provimento do recurso. É o Relatório. Voto Conselheira Ana Neyle Olímpio Holanda, Relatara O recurso preenche os requisitos para sua admissibilidade, dele tomo conhecimento, O objeto da controvérsia ora em análise é o pedido de restituição, protocolizado aos 11/01/2002, referente a imposto sobre a renda retido na fonte (IRF'), incidente sobre rendimentos auferidos em face de alegada adesão a programa de desligamento voluntário (PDV), promovido pela empresa IBM BRASIL — Indústria, Máquinas e Serviços Ltda., em razão de demissão ocorrida aos 31/05/1986, conforme rescisão de contrato de trabalho (fl. 120). Os autos retomam à segunda instância para nova apreciação da lide, pois que, em primeira vez, após pronunciamento da primeira instância de julgamento de que ocorrera a decadência do direito de pleitear a restituição, a Sexta Câmara do então Primeiro Conselho de Contribuintes entendeu no sentido de que o direito do sujeito não fora fulminado pela caducidade, determinando o retomo dos autos à autoridade administrativa para análise do mérito, 3 Após pronunciamento da autoridade preparadora e inconformação do sujeito passivo, a 4a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (PR), por maioria, acordaram por não conhecer a impugnação, sob o argumento de que, quando da primeira manifestação acerca da decadência do direito houvera sido apreciado o mérito do pedido. Ora, não há dúvida de que se trata a decadência de preliminar de mérito, ou seja, a sua análise deverá se dar antes que o mérito do pedido, propriamente dito, pois em se dando a sua ocorrência, por melhor que seja o direito do interessado, o tempo terá fechado todas as portas para exercê-lo, Entretanto, na espécie, quando a Sexta Câmara do então Primeiro Conselho de Contribuintes pronunciou-se sobre não ter ocorrido a caducidade do direito do sujeito passivo pleitear a restituição, determinando a apreciação do mérito, quis se referir à análise dos fatos que determinam a concessão da não tributação do imposto sobre a renda, quando se tratar de rendimentos referentes a desligamento por programa de demissão voluntária. Nesse sentido, as averiguações deveriam determinar se as circunstâncias que envolveram o pagamento da indenização alegada pelo sujeito passivo se enquadram naquelas exigidas para que o tributo não houvesse sido cobrado. Por outro lado, quando o aquela Sexta Câmara do então Primeiro Conselho de Contribuintes manifestou-se pelo afastamento da decadência, o pronunciamento anterior emitido pela 4" Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (PR) fora afastado. Assim, continuar insistindo no entendimento da caducidade do direito do interessado, sem examinar as características em que se deram os fatos por ela alegados contraria a sua ampla defesa. Tendo como norte a necessidade de garantir ao sujeito passivo o direito à sua plena defesa, faz-se por demais importante que os julgamentos sejam exarados com a análise de todas as objeções que formalmente tenham sido opostas à pretensão do fisco de constituir o crédito tributário. Os atos administrativos são assinalados pela observância de uma forma determinada, indispensável para a segurança e certeza dos administrados quanto ao processo deliberativo e ao teor da manifestação do Estado, impondo-se aos seus executores, uma completa submissão às pautas normativas, Ao Contencioso Administrativo, no direito brasileiro, é atribuída a firnção primordial de exercer o controle da legalidade dos atos da Administração Pública, através da revisão dos mesmos, cabendo às instâncias julgadoras administrativas reconhecer e declarar nulo o ato que se deu em desconformidade com as determinações legais. Máxime, quando, por efeito da interposição dos recursos administrativos, é levado ao pleno conhecimento do julgador ad quem a matéria discutida pela instância inferior, com a transferência, para o juízo superior, do ato decisório recorrido, que, reexaminando-o, profere novo julgamento, que, embora limitado ao recurso interposto, sob o ditame da máxima: lanam] devohitum, quantum appellatum, não pode olvidar a averiguação, de oficio, da validade dos atos praticados. O recurso é fórmula encontrada para o Estado efetuar o controle da legalidade do ato administrativo de julgamento, sendo, na sua essência, um remédio contra a prestação jurisdicional que contém defeito, 4 Processo n° 10980008428/2001-57 S2-C1T1 Acórdão n ° 210/-00.400 F1 161 Nas palavras de Antônio da Silva Cabral (Processo Administrativo Fiscal, Editora Saraiva, p_ 413) por força do recurso o conhecimento da questão é transferido do julgador singular para um órgão colegiada, e esta transferência envolve não só as questões de direito como também as questões de fato, Para o autor, o recurso voluntário remete à instância superior o conhecimento integral das questões suscitadas e discutidas no processo, como também a observância à forma dos atos processuais, que devem obedecer às normas que ditam corno devem proceder os agentes públicos, de modo a obter-se uma melhor prestação jurisdicional ao sujeito passivo. E, vez que a ilegalidade inconteste encontra-se entre as determinantes da nulidade dos atos administrativos, cabe às instâncias julgadoras administrativas reconhecer e declarar nulo o ato que se deu em desconformidade com as determinações legais. Posicionamento que se esteia na mais abalizada doutrina, conforme excerto de Hely Lopes Meirelles (Direito Administrativo Brasileiro, 17" edição, Malheiros Editores: 1992, p, 156), quando se refere aos atos nulos, a seguir transcrito: ( ..) é o que nasce afetado de vício insanável por ausência ou defeito substancial em seus elementos constitutivos ou no procedimento formativo. A nulidade pode ser explícita ou virtual. E explícita quando a lei a comina expressamente, indicando os vícios que lhe dão origem; é virtual quando a invalidade decorre da infi•ingência de princípios específicos do Direito Público, reconhecidos por interpretação das normas concernentes ao ato.. Em qualquer desses casos o ato é ilegítimo ou ilegal e não produz qualquer efeito válido entre as partes, pela evidente razão de que não se pode adquirir direitos contra a lei. A nulidade, todavia, deve ser reconhecida e proclamada pela Administração ou pelo Judiciário (..), mas essa declaração opera ex tune, isto é retroage às suas origens e alcança todos os seus efeitos passados, presentes e futuros em relação às partes, só se admitindo exceção para com os terceiros de boa-fé, sujeitos às suas conseqüências reflexas (destaques do original) Com essas considerações, voto no sentido de que o acórdão de primeira instância seja anulado, para que outro seja produzido com análise, efetiva, de se os rendimentos sobre os quais o sujeito passivo afirma não haver incidência tributária se enquadram na categoria de pagamento por programa de demissão voluntária. Sala das Sessões, em 01 de fevereiro de 2010 N e e -OlimpiND Hoi anota
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Numero do processo: 10480.724324/2014-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2010
DECADÊNCIA. RECÁLCULO DE SALDOS CREDORES INICIAIS.
Os prazos decadenciais e prescricionais previstos no Código Tributário Nacional se aplicam ao lançamento de ofício e à cobrança de débitos. A passagem do tempo não importa em reconhecer como hígidos créditos ilegais, de modo que a recomposição dos saldos credores iniciais é legal.
LANÇAMENTO. NULIDADE. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL.
O mandado de procedimento fiscal - MPF, atualmente denominado Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal - TDPF, é um instrumento de controle administrativo dos serviços internos da Receita Federal e de comunicação com o contribuinte, sem força para sobrepor-se às competências para lançamento definidas em Lei.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2010
REGIME ESPECIAL DE BEBIDAS FRIAS. CRÉDITO.
A apropriação de crédito no Regime Especial de Bebidas Frias, previsto no Título II do Decreto 6.707/2004, no caso de aquisições feitas empresas industriais a outras empresas industriais, é feita em conformidade com o artigo 24 do Decreto 8.442/2015, de teor interpretativo.
RECEITAS DE SUBVENÇÕES GOVERNAMENTAIS. COMPOSIÇÃO DA BASE DE CÁLCULO.
As receitas de subvenções governamentais relativas ao ICMS são consideradas como de investimento, e devem ser excluídas da base de cálculo da Cofins dos fatos geradores a partir da vigência da Lei 11.941/2009, quando não impugnados, pelo Fisco, os requisitos próprios da Lei 11.941/2009 e da Lei 12.973/2014, alterada pela Lei Complementar 160/20017.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2010
REGIME ESPECIAL DE BEBIDAS FRIAS. CRÉDITO.
A apropriação de crédito no Regime Especial de Bebidas Frias, previsto no Título II do Decreto 6.707/2004, no caso de aquisições feitas por empresas industriais a outras empresas industriais, é feita em conformidade com o artigo 24 do Decreto 8.442/2015, de teor interpretativo.
RECEITAS DE SUBVENÇÕES GOVERNAMENTAIS. COMPOSIÇÃO DA BASE DE CÁLCULO.
As receitas de subvenções governamentais relativas ao ICMS são consideradas como de investimento, e devem ser excluídas da base de cálculo da Cofins dos fatos geradores a partir da vigência da Lei 11.941/2009, quando não impugnados, pelo Fisco, os requisitos próprios da Lei 11.941/2009 e da Lei 12.973/2014, alterada pela Lei Complementar 160/20017.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3201-005.181
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para excluir da base de cálculo do PIS e da Cofins as receitas de subvenções para investimento, assim consideradas as receitas de créditos presumidos de ICMS, e para permitir o crédito na aquisição de insumos pelas alíquotas destacadas nas notas fiscais, conforme previsto no artigo 24 do Decreto nº 8.442/2015
(assinatura digital)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinatura digital)
Marcelo Giovani Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior.
Nome do relator: MARCELO GIOVANI VIEIRA
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RECÁLCULO DE SALDOS CREDORES INICIAIS. Os prazos decadenciais e prescricionais previstos no Código Tributário Nacional se aplicam ao lançamento de ofício e à cobrança de débitos. A passagem do tempo não importa em reconhecer como hígidos créditos ilegais, de modo que a recomposição dos saldos credores iniciais é legal. LANÇAMENTO. NULIDADE. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. O mandado de procedimento fiscal MPF, atualmente denominado Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal TDPF, é um instrumento de controle administrativo dos serviços internos da Receita Federal e de comunicação com o contribuinte, sem força para sobreporse às competências para lançamento definidas em Lei. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2010 REGIME ESPECIAL DE BEBIDAS FRIAS. CRÉDITO. A apropriação de crédito no Regime Especial de Bebidas Frias, previsto no Título II do Decreto 6.707/2004, no caso de aquisições feitas empresas industriais a outras empresas industriais, é feita em conformidade com o artigo 24 do Decreto 8.442/2015, de teor interpretativo. RECEITAS DE SUBVENÇÕES GOVERNAMENTAIS. COMPOSIÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. As receitas de subvenções governamentais relativas ao ICMS são consideradas como de investimento, e devem ser excluídas da base de cálculo da Cofins dos fatos geradores a partir da vigência da Lei 11.941/2009, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 43 24 /2 01 4- 49 Fl. 1802DF CARF MF 2 quando não impugnados, pelo Fisco, os requisitos próprios da Lei 11.941/2009 e da Lei 12.973/2014, alterada pela Lei Complementar 160/20017. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2010 REGIME ESPECIAL DE BEBIDAS FRIAS. CRÉDITO. A apropriação de crédito no Regime Especial de Bebidas Frias, previsto no Título II do Decreto 6.707/2004, no caso de aquisições feitas por empresas industriais a outras empresas industriais, é feita em conformidade com o artigo 24 do Decreto 8.442/2015, de teor interpretativo. RECEITAS DE SUBVENÇÕES GOVERNAMENTAIS. COMPOSIÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. As receitas de subvenções governamentais relativas ao ICMS são consideradas como de investimento, e devem ser excluídas da base de cálculo da Cofins dos fatos geradores a partir da vigência da Lei 11.941/2009, quando não impugnados, pelo Fisco, os requisitos próprios da Lei 11.941/2009 e da Lei 12.973/2014, alterada pela Lei Complementar 160/20017. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para excluir da base de cálculo do PIS e da Cofins as receitas de subvenções para investimento, assim consideradas as receitas de créditos presumidos de ICMS, e para permitir o crédito na aquisição de insumos pelas alíquotas destacadas nas notas fiscais, conforme previsto no artigo 24 do Decreto nº 8.442/2015 (assinatura digital) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinatura digital) Marcelo Giovani Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. Relatório Tratase de Autos de Infração de Pis e Cofins, referente a fatos geradores do ano de 2010, nos valores de R$ 2.414.314,49 (Pis) e R$ 11.539.005,61 (Cofins). Fl. 1803DF CARF MF Processo nº 10480.724324/201449 Acórdão n.º 3201005.181 S3C2T1 Fl. 3 3 Foram apontadas as seguintes infrações: 1 – Glosa de créditos, apropriados sobre base de cálculo fictícia. A fiscalizada utilizou, para cálculo de créditos, base de cálculo multiplicada pelos índices de tributação nas saídas, aplicados em empresas optantes pelo Regime Especial de Tributação de Bebidas Frias – Refri art. 58J da Lei 10.833/2003, índices esses previstos no Decreto 6.707/2008. Em outras palavras, a recorrente calculou os créditos por unidade de medida, utilizando a mesma sistemática de tributação nas saídas do regime REFRI; 2 – Glosa de parte do saldo credor inicial, em função da mesma infração acima descrita cometida em meses anteriores; 3 – Adição, na base de cálculo das contribuições, do crédito presumido de ICMS autorizado pelo Governo do Estado de Pernambuco. A recorrente não computou essa rubrica na base de cálculo, e o Fisco entende que tais receitas são tributadas. Na Impugnação, a empresa sustenta: que a legislação infraconstitucional não poderia restringir o crédito incidente na operação anterior, por afronta à Constituição Federal; que seu procedimento estava correto, de acordo com o artigo 35 do Decreto 6.707/20081. que o Fisco teria extrapolado os limites do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF, que refere ao ano de 2010, por glosar o saldo credor inicial, referente a créditos de 2008 e 2009; ainda, que a alteração desse saldo credor não poderia ser feita por causa do prazo decadencial, uma vez que o Auto foi lavrado em maio de 2014; que não há incidência de Pis e Cofins sobre crédito presumido de ICMS, por se tratar de subvenção para investimento, conforme doutrina que colaciona; que o crédito presumido de ICMS outorgado pelo Governo do Estado de Pernambuco, através do Programa de Desenvolvimento do Estado de Pernambuco – PRODEPE, tratase de subvenção para investimento. A 5ª Turma da DRJ/Fortaleza/CE, por meio do Acórdão 0838.130,de 16/03/2017, decidiu pela improcedência da Impugnação, mantendo integralmente o lançamento de ofício. Transcrevo a ementa: MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. DEFICIÊNCIAS. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE DO LANÇAMENTO. 1 Art. 35. A pessoa jurídica sujeita ao regime de apuração nãocumulativa da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, fabricante dos produtos de que trata o art. 1o, pode descontar créditos relativos à aquisição desses produtos de outra pessoa jurídica importadora ou fabricante, para revenda no mercado interno ou para exportação (Lei no 11.727, de 2008, art. 24). § 1o Os créditos de que trata o caput correspondem aos valores da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS devidos pelo vendedor em decorrência da operação (Lei no 11.727, de 2008, art. 24, § 1o). § 2o Não se aplica às aquisições de que trata o caput o disposto na alínea “b” do inciso I do caput do art. 3o da Lei no 10.637, de 2002, e na alínea “b” do inciso I do caput do art. 3o da Lei no 10.833, de 2003 (Lei no 11.727, de 2008, art. 24, § 2o). Fl. 1804DF CARF MF 4 O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) possibilita ao contribuinte certificarse da autenticidade do termo de início de fiscalização, mediante acesso ao sítio da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Também gera efeitos jurídicos, para fins de aplicação do instituto da denúncia espontânea (art. 138, CTN). Todavia, eventuais omissões ou vícios em sua emissão não acarretam a automática nulidade do lançamento de ofício promovido, se o contribuinte não demonstrar o prejuízo à realização da sua defesa. DECADÊNCIA. Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, contase o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, §4º, do CNT); todavia, quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação, aplicase o disposto no art. 173, I, do CTN. CRÉDITO DE PERÍODOS ANTERIORES. PAGAMENTO. Para o fim de aplicação do art. 150, §4º, do CNT, não se considera pagamento o saldo credor das contribuições deduzido em períodos posteriores. REVISÃO DO CRÉDITO DE PERÍODOS ANTERIORES. O prazo decadencial não alcança o poder de examinar o saldo credor de meses anteriores deduzido posteriormente na apuração das contribuições não atingidas pela decadência. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 INDUSTRIALIZAÇÃO. EMBALAGEM. Caracteriza industrialização qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeiçoe para consumo, tal como a que importe em alterar a apresentação do produto, pela colocação da embalagem, ainda que em substituição da original, salvo quando a embalagem colocada se destine apenas ao transporte da mercadoria. INCENTIVOS FISCAIS. SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. REDUÇÃO DE ICMS. INEXISTÊNCIA DE MECANISMOS QUE ASSEGUREM A DESTINAÇÃO LEGAL. NÃO CARACTERIZAÇÃO. A inexistência, na lei concessiva do benefício fiscal, de elementos que permitem garantir que os recursos vertidos pelo ente subvencionador, ou próprios em montante equivalente, foram efetivamente destinados à implantação ou expansão do empreendimento, impede a qualificação do incentivo como subvenção para investimento. Os incentivos concedidos pelo Estado de Pernambuco, sob a égide da Lei Estadual nº 11.675/1999 (Prodepe), devem ser qualificados como subvenção para custeio e computados na determinação do lucro operacional (art. 44, inciso IV, da Lei nº 4.506, de 1964). Fl. 1805DF CARF MF Processo nº 10480.724324/201449 Acórdão n.º 3201005.181 S3C2T1 Fl. 4 5 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 INDUSTRIALIZAÇÃO. EMBALAGEM. Caracteriza industrialização qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeiçoe para consumo, tal como a que importe em alterar a apresentação do produto, pela colocação da embalagem, ainda que em substituição da original, salvo quando a embalagem colocada se destine apenas ao transporte da mercadoria. INCENTIVOS FISCAIS. SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. REDUÇÃO DE ICMS. INEXISTÊNCIA DE MECANISMOS QUE ASSEGUREM A DESTINAÇÃO LEGAL. NÃO CARACTERIZAÇÃO. A inexistência, na lei concessiva do benefício fiscal, de elementos que permitem garantir que os recursos vertidos pelo ente subvencionador, ou próprios em montante equivalente, foram efetivamente destinados à implantação ou expansão do empreendimento, impede a qualificação do incentivo como subvenção para investimento. Os incentivos concedidos pelo Estado de Pernambuco, sob a égide da Lei Estadual nº 11.675/1999 (Prodepe), devem ser qualificados como subvenção para custeio e computados na determinação do lucro operacional (art. 44, inciso IV, da Lei nº 4.506, de 1964). No Recurso Voluntário, a empresa reitera os argumentos da Impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Marcelo Giovani Vieira, Relator O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade. 1 – Preliminar de incompetência por extrapolação do MPF A recorrente sustenta que o Auditor Fiscal teria descumprido o período do MPF, entendendo por isso a ilegalidade de todo o procedimento. Não acato tal alegação. Quaisquer eventuais inconsistências do MPF não têm o condão de alterar a validade do Auto de Infração. É posição pacífica no Carf que o MPF (atualmente chamado TDPF – Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal) é um instrumento de controle interno da Receita Federal, e informativo para os contribuintes quanto à oficialidade de procedimento fiscal. A competência para o Auditor Fiscal efetuar o Fl. 1806DF CARF MF 6 lançamento não advém do MPF, mas da Lei, em especial, o art. 142, § único do CTN2 e art. 6º da Lei 10.593/20023, dentre outros dispositivos legais. A organização interna dos serviços, dentro da Secretaria da Receita Federal, pode resultar em atribuições de funções específicas, tais como delegados e inspetores, que também são Auditores Fiscais, mas no exercício de função gerencial, escolhidos discricionariamente pela hierarquia administrativa do órgão. A vulneração dessa organização interna, tais como o respeito às Portarias internas, resultaria em sanções administrativas, porém sem macular a validade legal dos atos praticados, perante a sociedade, pelos Auditores Fiscais, no exercício de suas atribuições definidas no art. 6º transcrito. Isto porque as competências do Auditor Fiscal são conferidas por Lei, e não por hierarquia funcional, como visto. A motivação dessa estrutura jurídica – isto é, as competências serem definidas em Lei e não por hierarquia funcional é salvaguardar as competências de Estado, tais como o Fisco e Polícia, das ingerências políticas. Inúmeros precedentes do Carf nesse sentido, indico apenas alguns da CSRF, 9202003.956, 9303003.876, 9202003.900, 9303003.506. Desse modo, afasto a preliminar suscitada. 2 Decadência do direito de alteração de saldos iniciais O lançamento foi cientificado em 12/05/2014 (fl. 1.484), para fatos geradores de 2010, portanto, não houve decadência do lançamento (art. 150,§4º do CTN). 2 Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. 3 Art. 6º São atribuições dos ocupantes do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil: (Redação dada pela Lei no 11.457, de 2007) I no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil e em caráter privativo: (Redação dada pela Lei n° 11.457, de 2007) a) constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições; (Redação dada pela Lei no 11.457, de 2007) b) elaborar e proferir decisões ou delas participar em processo administrativofiscal, bem como em processos de consulta, restituição ou compensação de tributos e contribuições e de reconhecimento de benefícios fiscais; (Redação dada pela Lei n° 11.457, de 2007) c) executar procedimentos de fiscalização, praticando os atos definidos na legislação especifica, inclusive os relacionados com o controle aduaneiro, apreensão de mercadorias, livros, documentos, materiais, equipamentos e assemelhados; (Redação dada pela Lei n° 11.457, de 2007) d) examinar a contabilidade de sociedades empresariais, empresários, órgãos, entidades, fundos e demais contribuintes, não se lhes aplicando as restrições previstas nos arts. 1.190 a 1.192 do Código Civil e observado o disposto no art. 1.193 do mesmo diploma legal; (Redação dada pela Lei n° 11.457, de 2007) e) proceder á orientação do sujeito passivo no tocante à interpretação da legislação tributaria; (Redação dada pela Lei n°11.457, de 2007) f) supervisionar as demais atividades de orientação ao contribuinte; (Incluída pela Lei n° 11.457, de 2007) II em caráter geral, exercer as demais atividades inerentes à competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil. (Redação dada pela Lei n° 11.457, de 2007) Fl. 1807DF CARF MF Processo nº 10480.724324/201449 Acórdão n.º 3201005.181 S3C2T1 Fl. 5 7 Quanto à alteração dos saldos iniciais, importa assentar que não existe decadência de informações contábeis. Qualquer crédito alegado somente pode ser deferido se revestido de legalidade estrita. Em hipótese alguma um crédito ilegal poderá ser deferido pela passagem do tempo. O que se impede, pela passagem do tempo, é a constituição do crédito tributário (lançamento) ou sua cobrança, para os fins da segurança jurídica. Jamais a passagem do tempo ensejará o deferimento de crédito/indébito ilegal. Assim, os saldos credores iniciais ensejam a auditoria de sua legalidade, desde sua origem. Ocorre que, ainda que o crédito apurado em períodos anteriores seja ilegal, e ultrapassados 5 anos, não se pode mais lançar ou cobrar eventuais saldos devedores, porém, jamais se utilizara o crédito, se não tiver materialidade. Assim, é impertinente o requerimento para reconhecimento da decadência, posto que os prazos para lançamento de ofício não se aplicam para a correta apuração dos saldos iniciais. Portanto, afasto a preliminar suscitada. 3 – Crédito no Regime Especial de Tributação de Bebidas Frias REFRI Nos termos gerais do art. 49 e 50 da Lei 10.833/2003, as bebidas frias estão submetidas ao regime monofásico, no qual as alíquotas incidentes no industrial são altas, e no restante da cadeia são zeradas. Regra geral, as Pessoas Jurídicas atacadistas e comerciantes não apropriam crédito na compra do industrial, cf. alínea “b” do Inciso I do art. 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003. Não obstante, o industrial, quando compra de outro industrial ou importador, pode creditarse nessa atividade de revenda (art. 24 da Lei 11.727/2008, art. 16 do Decreto 6.707/2008), porque é tributado na saída. Na saída, incidem as alíquotas majoradas, seja no regime geral (Titulo I do Decreto 6.707/2008), seja no regime especial REFRI (Título II do mesmo Decreto). A legislação do Regime Especial de Bebidas Frias – REFRI era regulado, na época, pelo Decreto 6.707/2008.Os artigos 34 e 35 expressam: Art. 34. As disposições do regime especial relativas à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS aplicamse inclusive (Lei no 10.833, de 2003, arts. 58J, § 2o e 58M, § 1o): I à venda a consumidor final pela pessoa jurídica industrial, de produtos por ela fabricados; II às pessoas jurídicas industriais referidas no art. 2o nas operações de revenda dos produtos mencionados no art. 1o, admitido, neste caso, o crédito de que trata o art. 35. Art. 35. A pessoa jurídica sujeita ao regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, fabricante dos produtos de que trata o art. 1o, pode descontar créditos relativos à aquisição desses produtos de outra pessoa Fl. 1808DF CARF MF 8 jurídica importadora ou fabricante, para revenda no mercado interno ou para exportação (Lei no 11.727, de 2008, art. 24). § 1o Os créditos de que trata o caput correspondem aos valores da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS devidos pelo vendedor em decorrência da operação (Lei no 11.727, de 2008, art. 24, § 1o). § 2o Não se aplica às aquisições de que trata o caput o disposto na alínea “b” do inciso I do caput do art. 3o da Lei no 10.637, de 2002, e na alínea “b” do inciso I do caput do art. 3o da Lei no 10.833, de 2003 (Lei no 11.727, de 2008, art. 24, § 2o). A recorrente pretende apropriarse de créditos, na aquisição de insumos para industrialização, utilizandose de alíquotas majoradas equivalentes àquelas incidentes nas saídas. Tal crédito encontra previsão do art. 24 do Decreto 8.442/2015: Art. 24. A pessoa jurídica sujeita ao regime de apuração não cumulativa poderá descontar créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins em relação à aquisição no mercado interno ou à importação dos produtos de que trata o art. 1º. § 1º Na hipótese de aquisição no mercado interno, os créditos de que trata o caput correspondem aos valores informados na nota fiscal pelo vendedor, nos termos do art. 29. Embora o Decreto seja posterior aos fatos geradores, entendo que tem teor interpretativo, com efeito retroativo4, para preencher a lacuna da legislação que não previa a situação de compra de insumos já industria para outra indústria, como é nesse caso. O art. 24 do Decreto 8.442/2015 deixa de restringir o creditamento do art. 16 do Decreto 6.707 às revendas. Reforça o teor interpretativo do dispositivo o fato de que não houve alteração nas Leis pertinentes. Logo, o Decreto não pode inovar no sistema, somente pode explicitar, interpretar. Ressalto que os valores passíveis são aqueles destacados nas notoas fiscais de aquisição dos insumos pela recorrente. 4 –Base de Cálculo – Crédito Presumido de ICMS 4.1 – Natureza de Receitas Muito se argumenta que os créditos presumidos se caracterizariam como redutores de custos, e não como receitas. Sobreo assunto, é preciso esclarecer alguns conceitos. A discussão sobre a tributação, pelas contribuições, das subvenções econômicas confundiua, amiúde, com políticas públicas de incentivo a cadeias produtivas. Desse modo, é preciso esclarecer que o crédito presumido adquirido em subvenção econômica estatal difere em sua natureza das políticas econômicas erga omnes que definem créditos presumidos. 4 Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; Fl. 1809DF CARF MF Processo nº 10480.724324/201449 Acórdão n.º 3201005.181 S3C2T1 Fl. 6 9 As subvenções não se confundem com as políticas de redução de custos tributários. A subvenção se caracteriza como um benefício particularmente concedido, para custeio ou investimento, conforme artigos 12, 18 e 19 da Lei 4.320/64, que trata das finanças públicas: Art. 12. A despesa será classificada nas seguintes categorias econômicas: (Vide Decretolei nº 1.805, de 1980) DESPESAS CORRENTES Despesas de Custeio Transferências Correntes DESPESAS DE CAPITAL Investimentos Inversões Financeiras Transferências de Capital § 1º Classificamse como Despesas de Custeio as dotações para manutenção de serviços anteriormente criados, inclusive as destinadas a atender a obras de conservação e adaptação de bens imóveis. § 2º Classificamse como Transferências Correntes as dotações para despesas as quais não corresponda contraprestação direta em bens ou serviços, inclusive para contribuições e subvenções destinadas a atender à manifestação de outras entidades de direito público ou privado. § 3º Consideramse subvenções, para os efeitos desta lei, as transferências destinadas a cobrir despesas de custeio das entidades beneficiadas, distinguindose como: I subvenções sociais, as que se destinem a instituições públicas ou privadas de caráter assistencial ou cultural, sem finalidade lucrativa; II subvenções econômicas, as que se destinem a emprêsas públicas ou privadas de caráter industrial, comercial, agrícola ou pastoril. (...) II) Das Subvenções Econômicas Art. 18. A cobertura dos déficits de manutenção das emprêsas públicas, de natureza autárquica ou não, farseá mediante subvenções econômicas expressamente incluídas nas despesas correntes do orçamento da União, do Estado, do Município ou do Distrito Federal. Parágrafo único. Consideramse, igualmente, como subvenções econômicas: Fl. 1810DF CARF MF 10 a) as dotações destinadas a cobrir a diferença entre os preços de mercado e os preços de revenda, pelo Govêrno, de gêneros alimentícios ou outros materiais; b) as dotações destinadas ao pagamento de bonificações a produtores de determinados gêneros ou materiais. Art. 19. A Lei de Orçamento não consignará ajuda financeira, a qualquer título, a emprêsa de fins lucrativos, salvo quando se tratar de subvenções cuja concessão tenha sido expressamente autorizada em lei especial. As subvenções econômicas são dotações publicas destinadas a pessoa jurídica determinada, identificada. Segundo o clássico “Vocabulário Jurídico”, de De Placido e Silva: "Juridicamente, a subvenção não tem o caráter nem de paga nem de compensação. É mera contribuição pecuniária destinada a auxílio ou em favor de uma pessoa, ou de uma instituição, para que se mantenha, ou para que execute os serviços ou obras pertinentes a seu objeto". Nesse conceito de dotação individual, é, matematicamente, contabilmente, um evento modificativo aumentativo do patrimônio. Não importa a forma de cálculo ou o nome que se dê, tratase de espécie de doação, dotação individual do Poder Público para o particular. Inegavelmente, se contitui em um ativo financeiro do beneficiário, modificativo aumentativo do seu patrimônio. Ao contrário do que se vê em diversas decisões, a redução de custo, como por exemplo, um perdão de dívida, é fato contábil aumentativo de patrimônio. E como tal, plenamente tributável pelas contribuições, por enquandramento no conceito de receitas com a redação então vigente, já transcrita. Muito dinstinta pela sua natureza é a política de incentivo, isto é, legislação que crie redução de carga tributária, tal como a criação de um crédito presumido para todos os contribuintes. Tal evento, embora tenha efeito patrimonial aumentativo nas empresas, por redução de custo, não pode ser considerado como subvenção porque não atinge somente um beneficiário. Atingindo a todos os contribuintes enquadráveis na hipótese legal, o benefício da redução do custo se materializa em evento futuro, na ocorrência do fato gerador. Portanto, é uma redução de custo futuro, não materializado, não contabilizado, e portanto, não se caracteriza como receita. Na subvenção, ao contrário das políticas erga omnes de incentivo, o direito já se adquire, contabilmente, na sua dotação pública, ou pelo Ato Público que, nominalmente, defira o benefício, ainda que de apropriação diferida. Transcrevo trecho na NBCT 19.4, aprovada pela Resolução do Conselho Federal de Contabilidade CFC 1.143/2008: “1. Esta Norma deve ser aplicada na contabilização e na divulgação de subvenção governamental e na divulgação de outras formas de assistência governamental” “Assistência governamental é a ação de um governo destinada a fornecer benefício econômico específico a uma entidade ou a um grupo de entidades que atendam a critérios estabelecidos. Não Fl. 1811DF CARF MF Processo nº 10480.724324/201449 Acórdão n.º 3201005.181 S3C2T1 Fl. 7 11 inclui os benefícios proporcionados única e indiretamente por meio de ações que afetam as condições comerciais gerais, tais como o fornecimento de infraestruturas em áreas em desenvolvimento ou a imposição de restrições comerciais sobre concorrentes Subvenção governamental é uma assistência governamental geralmente na forma de contribuição de natureza pcuniária, mas não só restrita a ela, concedida a uma entidade normalmente em troca do cumprimento passado ou futuro de certas condições relacionadas às atividades operacionais da entidade. Não são subvenções governamentais aquelas que não podem ser razoavelmente quantificadas em dinheiro e as transações com o governo que não podem ser distinguidas das transações comerciais normais da entidade” “4. A assistência governamental toma muitas formas, variando sua natureza ou condições. O propósito da assistência pode ser o de encorajar a entidade a seguir certo rumo que ela normalmente não teria tomado se a assistência não fosse proporcionada. A contabilização deve sempre seguir a essência econômica.” “9. A forma como a subvenção é recebida não influencia no método de contabilização a ser adotado. Assim, por exemplo, a contabilização deve ser a mesma independentemente de a subvenção ser recebida em dinheiro ou como redução de passivo.” 12. Uma subvenção governamental deve ser reconhecida como receita ao longo do período confrontada com as despesas que pretende compensar, em base sistemática, desde que atendidas às condições desta Norma. A subvenção governamental não pode ser creditada diretamente no patrimônio líquido. 13. O tratamento contábil da subvenção governamental como receita deriva dos seguintes principais argumentos: (a) Uma vez que a subvenção governamental é recebida de uma fonte que não os acionistas e deriva de ato de gestão em benefício da entidade, não deve ser creditada diretamente no patrimônio líquido, mas, sim, reconhecida como receita nos períodos apropriados. (b) Subvenção governamental apenas excepcionalmente é gratuita. A entidade ganha efetivamente essa receita quando está de acordo com as regras das subvenções e cumpre determinadas obrigações. (c) Assim como os tributos são lançados no resultado, é lógico registrar a subvenção governamental, que é, em essência, uma extensão da política fiscal na demonstração do resultado.” “19. A subvenção é algumas vezes recebida como um pacote de ajuda financeira ou fiscal e sujeita ao cumprimento de certo Fl. 1812DF CARF MF 12 número de condições. Em tais casos, é necessário cuidado na identificação das condições que dão origem aos custos e às despesas que determinam os períodos durante os quais a subvenção é reconhecida. Pode ser apropriado alocar parte da subvenção numa determinada base e parte em outra.” A Lei 4.506/64 define tais rubricas como receita bruta operacional, no caso de subvenções para custeio: Art. 44. Integram a receita bruta operacional: I O produto da venda dos bens e serviços nas transações ou operações de conta própria; II O resultado auferido nas operações de conta alheia; III As recuperações ou devoluções de custos, deduções ou provisões; IV As subvenções correntes, para custeio ou operação, recebidas de pessoas jurídicas de direito público ou privado, ou de pessoas naturais. (sublinhei) As leis 10.637/2002 e 10.833/2003 também tratam as subvenções como receita, na redação dada pela Lei 12.973/2014, ao permitir a exclusão da base de cálculo das “receitas ... de subvenções para investimento”. Art. 1º (...) (...) §3º Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: (...) IX – de subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos, concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos e de doações feitas pelo poder público; Portanto, as subvenções econômicas, que são espécies de doações públicas ao particular, ainda que na forma de créditos presumidos, são receitas. 4.2 Subvenções de custeio e investimento Cabe ainda diferenciar as subvenções econômicas como de custeio ou de investimento. O parecer CST 112/79 tratou do tema: “7.1 Ante exposto, o tratamento a ser dado às SUBVENÇÕES recebidas por pessoas jurídicas, para os fins de tributação do imposto de renda, a partir do exercício financeiro de 1978, fae ao que dispõe o art. 67, item I, letra “b” do Decretolei n. 1.598/77, pode ser assim consolidado: I As SUBVENÇÕES CORRENTES PARA CUSTEIO OU OPERAÇÃO integram o resultado operacional da pessoa jurídica; as SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO o resultado nãooperacional; Fl. 1813DF CARF MF Processo nº 10480.724324/201449 Acórdão n.º 3201005.181 S3C2T1 Fl. 8 13 II SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO são as que apresentam as seguintes características: a intenção do subvencionador de destinálas para investimento; a efetiva e específica aplicação da subvenção, pelo beneficiário, nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado; e o beneficiário da subvenção ser a pessoa jurídica titular do empreendimento econômico. III As ISENÇÕES ou REDUÇÕES de impostos só se classificam como subvenções para investimentos, se presente todas as características mencionada no item anterior; IV – As SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO, se registradas como reserva de capital não serão computadas na determinação do lucro real, desde que obedecidas as restrições para utilização dessa reserva; V – As ISENÇÕES, REDUÇÕES ou deduções DO Imposto de Renda devido pelas Pessoas Jurídicas não poderão ser tidas como subvenção para investimento; VI – O §2º do artigo 38 do Decretolei número 1598/77 aplicase a todas as pessoas jurídicas sujeitas à tributação pelo impost de renda com base no lucro real;. E VII – As contas do ativo permanente e respectiva depreciação, amortização ou exaustão, que registrem bens oriundos de SUBVENÇÕES, são corrigidas monetariamente nos termos dos artigos 39 e seguintes do Decretolei n. 1598/77. Art. 3o O convênio de que trata o art. 1o desta Lei Complementar atenderá, no mínimo, às seguintes condicionantes, a serem observadas pelas unidades federadas: I publicar, em seus respectivos diários oficiais, relação com a identificação de todos os atos normativos relativos às isenções, aos incentivos e aos benefícios fiscais ou financeirofiscais abrangidos pelo art. 1o desta Lei Complementar; II efetuar o registro e o depósito, na Secretaria Executiva do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), da documentação comprobatória correspondente aos atos concessivos das isenções, dos incentivos e dos benefícios fiscais ou financeirofiscais mencionados no inciso I deste artigo, que serão publicados no Portal Nacional da Transparência Tributária, que será instituído pelo Confaz e disponibilizado em seu sítio eletrônico. § 1o O disposto no art. 1o desta Lei Complementar não se aplica aos atos relativos às isenções, aos incentivos e aos benefícios fiscais ou financeirofiscais vinculados ao Imposto sobre Fl. 1814DF CARF MF 14 Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (ICMS) cujas exigências de publicação, registro e depósito, nos termos deste artigo, não tenham sido atendidas, devendo ser revogados os respectivos atos concessivos. § 2o A unidade federada que editou o ato concessivo relativo às isenções, aos incentivos e aos benefícios fiscais ou financeiro fiscais vinculados ao ICMS de que trata o art. 1o desta Lei Complementar cujas exigências de publicação, registro e depósito, nos termos deste artigo, foram atendidas é autorizada a concedêlos e a prorrogálos, nos termos do ato vigente na data de publicação do respectivo convênio, não podendo seu prazo de fruição ultrapassar: I 31 de dezembro do décimo quinto ano posterior à produção de efeitos do respectivo convênio, quanto àqueles destinados ao fomento das atividades agropecuária e industrial, inclusive agroindustrial, e ao investimento em infraestrutura rodoviária, aquaviária, ferroviária, portuária, aeroportuária e de transporte urbano; II 31 de dezembro do oitavo ano posterior à produção de efeitos do respectivo convênio, quanto àqueles destinados à manutenção ou ao incremento das atividades portuária e aeroportuária vinculadas ao comércio internacional, incluída a operação subsequente à da importação, praticada pelo contribuinte importador; III 31 de dezembro do quinto ano posterior à produção de efeitos do respectivo convênio, quanto àqueles destinados à manutenção ou ao incremento das atividades comerciais, desde que o beneficiário seja o real remetente da mercadoria; IV 31 de dezembro do terceiro ano posterior à produção de efeitos do respectivo convênio, quanto àqueles destinados às operações e prestações interestaduais com produtos agropecuários e extrativos vegetais in natura; V 31 de dezembro do primeiro ano posterior à produção de efeitos do respectivo convênio, quanto aos demais. § 3o Os atos concessivos cujas exigências de publicação, registro e depósito, nos termos deste artigo, foram atendidas permanecerão vigentes e produzindo efeitos como normas regulamentadoras nas respectivas unidades federadas concedentes das isenções, dos incentivos e dos benefícios fiscais ou financeirofiscais vinculados ao ICMS, nos termos do § 2o deste artigo. § 4o A unidade federada concedente poderá revogar ou modificar o ato concessivo ou reduzir o seu alcance ou o montante das isenções, dos incentivos e dos benefícios fiscais ou financeirofiscais antes do termo final de fruição. § 5o O disposto no § 4o deste artigo não poderá resultar em isenções, incentivos ou benefícios fiscais ou financeirofiscais em Fl. 1815DF CARF MF Processo nº 10480.724324/201449 Acórdão n.º 3201005.181 S3C2T1 Fl. 9 15 valor superior ao que o contribuinte podia usufruir antes da modificação do ato concessivo. § 6o As unidades federadas deverão prestar informações sobre as isenções, os incentivos e os benefícios fiscais ou financeiro fiscais vinculados ao ICMS e mantêlas atualizadas no Portal Nacional da Transparência Tributária a que se refere o inciso II do caput deste artigo. § 7o As unidades federadas poderão estender a concessão das isenções, dos incentivos e dos benefícios fiscais ou financeiro fiscais referidos no § 2o deste artigo a outros contribuintes estabelecidos em seu território, sob as mesmas condições e nos prazoslimites de fruição. § 8o As unidades federadas poderão aderir às isenções, aos incentivos e aos benefícios fiscais ou financeirofiscais concedidos ou prorrogados por outra unidade federada da mesma região na forma do § 2o, enquanto vigentes. Essa distinção, para o Pis e Cofins, entretanto, somente é importante a partir da permissão da exclusão, da base de cálculo, das subvenções para investimento. Nesse sentido, citamos os seguintes dispositivos: Lei 11.941/2009: Art. 18. Para fins de aplicação do disposto nos arts. 15 a 17 desta Lei as subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos, concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, e às doações, feitas pelo Poder Público, a que se refere o art. 38 do DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, a pessoa jurídica deverá: (...) Art. 21. As opções de que tratam os arts. 15 e 20 desta Lei, referentes ao IRPJ, implicam a adoção do RTT na apuração da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS Parágrafo único. Para fins de aplicação do RTT, poderão ser excluídos da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, quando registrados em conta de resultado: I – o valor das subvenções e doações feitas pelo poder público, de que trata o art. 18 desta Lei; e Esse dispositivo entrou em vigor em 28/05/2009, data a partir da qual as subvenções para investimento devem ser excluídas da base de cálculo do Pis e da Cofins. Observo que o RTT era obrigatório no ano de 2010, cf. art.1º da IN RFB 1.023/20105. 5 Art. 1º O Regime Tributário de Transição (RTT) de que trata a Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, é optativo tãosomente nos anoscalendário de 2008 e 2009. Fl. 1816DF CARF MF 16 Tal dispositivo foi revogado pela Lei 12.973/14, que alterou o artigo 1º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, para assim tratar da questão: § 2o A base de cálculo da Cofins é o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, conforme definido no caput e no § 1o § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: (...) IX de subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos, concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos e de doações feitas pelo poder público; A Lei Complementar 160/2017 alterou o artigo 30 da Lei 12.973/2014, ainda, para definir como de investimento todas as subvenções relativas ao ICMS, desde que cumpridos os requisitos do mesmo artigo, inclusive com efeitos retroativos: Art. 30. As subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos, concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos e as doações feitas pelo poder público não serão computadas na determinação do lucro real, desde que seja registrada em reserva de lucros a que se refere o art. 195A da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976, que somente poderá ser utilizada para: (Vigência) I absorção de prejuízos, desde que anteriormente já tenham sido totalmente absorvidas as demais Reservas de Lucros, com exceção da Reserva Legal; ou II aumento do capital social. § 1o Na hipótese do inciso I do caput, a pessoa jurídica deverá recompor a reserva à medida que forem apurados lucros nos períodos subsequentes. § 2o As doações e subvenções de que trata o caput serão tributadas caso não seja observado o disposto no § 1o ou seja dada destinação diversa da que está prevista no caput, inclusive nas hipóteses de: I capitalização do valor e posterior restituição de capital aos sócios ou ao titular, mediante redução do capital social, hipótese em que a base para a incidência será o valor restituído, limitado ao valor total das exclusões decorrentes de doações ou subvenções governamentais para investimentos; II restituição de capital aos sócios ou ao titular, mediante redução do capital social, nos 5 (cinco) anos anteriores à data da doação ou da subvenção, com posterior capitalização do valor da doação ou da subvenção, hipótese em que a base para a incidência será o valor restituído, limitada ao valor total das exclusões decorrentes de doações ou de subvenções governamentais para investimentos; ou III integração à base de cálculo dos dividendos obrigatórios. Fl. 1817DF CARF MF Processo nº 10480.724324/201449 Acórdão n.º 3201005.181 S3C2T1 Fl. 10 17 § 3o Se, no período de apuração, a pessoa jurídica apurar prejuízo contábil ou lucro líquido contábil inferior à parcela decorrente de doações e de subvenções governamentais e, nesse caso, não puder ser constituída como parcela de lucros nos termos do caput, esta deverá ocorrer à medida que forem apurados lucros nos períodos subsequentes. § 4o Os incentivos e os benefícios fiscais ou financeirofiscais relativos ao imposto previsto no inciso II do caput do art. 155 da Constituição Federal, concedidos pelos Estados e pelo Distrito Federal, são considerados subvenções para investimento, vedada a exigência de outros requisitos ou condições não previstos neste artigo. (Incluído pela Lei Complementar nº 160, de 2017) § 5o O disposto no § 4o deste artigo aplicase inclusive aos processos administrativos e judiciais ainda não definitivamente julgados. (Incluído pela Lei Complementar nº 160, de 2017) Ressalto que não há, no presente procedimento fiscal, acusação do não cumprimento dos requisitos do art. 18 e 21 da Lei 11.941/2009, de modo que não há necessidade de aferição do cumprimento dos requisitos do artigo 30 da Lei 12.973/2014, alterado pela Lei Complementar 160/2017. O fundamento fiscal foi apenas de que tais receitas seriam tributáveis, o que foi afastado pela legislação posterior. Portanto, as receitas de crédito presumido de ICMS, de que trata o presente processo, devem ser consideradas como subvenções para investimento, e excluídas da base de cálculo das contribuições. Precedente no mesmo sentido, Acórdão 9101003.841. 5 – Conclusão Pelo exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso, para excluir da base de cálculo do Pis e da Cofins as receitas de subvenções para investimento, assim consideradas as receitas de créditos presumidos de ICMS, e para permitir o crédito na aquisição de insumos, pelas alíquotas destacadas nas notas fiscais, conforme o artigo 24 do Decreto 8.442/2015. (assinatura digital) Marcelo Giovani Vieira Relator Fl. 1818DF CARF MF
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Numero do processo: 16707.006594/2007-20
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1001-001.117
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os autos do presente processo.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade, suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Edgar Bragança Bazhuni- Presidente Substituto.
(assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni (presidente substituto), Andrea Machado Millan e Jose Roberto Adelino da Silva. Ausente o conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
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ANOCALENDÁRIO 2006 DENÚNCIA ESPONTÂNEA A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração, consoante a Súmula CARF nº 49. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Não devem ser considerados novos argumentos trazidos apenas em sede de Recurso Voluntário, ou seja, não tenham sido arguidos por ocasião da impugnação, consoante os artigos 16 e 17 do decreto 70.235/72: Vistos, relatados e discutidos os autos do presente processo. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade, suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Presidente Substituto. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni (presidente substituto), Andrea Machado Millan e Jose Roberto Adelino da Silva. Ausente o conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 70 7. 00 65 94 /2 00 7- 20 Fl. 67DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o acórdão n° 1124.219, da 4a Turma da DRJ/REC que negou provimento à impugnação, apresentada pela ora recorrente, contra o Auto de Infração, fl. 16 lavrado contra a contribuinte acima identificada, cientificado via Correios, com Aviso de Recebimento AR, por meio do qual é exigido o valor de R$ 10.648,83 a título de “Multa por Atraso na Entrega da Declaração de Débitos e Créditos Federais _ DCTF”, relativamente ao ano calendário de 2006. Transcrevo, a seguir, o relatório: Inconformada com a exigência, a contribuinte apresenta sua impugnação mediante a qual alega que conforme dispõe o art. 138 do Código Tributário Nacional CTN, a entrega das DCTF antes do procedimento de oficio se configura como denúncia espontânea, motivo pelo qual o auto de infração merece ser cancelado, Cita a respeito do assunto diversas ementas de acórdãos do Conselho de Contribuintes e de Tribunais judiciais. Afirma também que não foi intimada a prestar esclarecimento conforme dispõe a legislação, alega que simplesmente recebeu já o auto de infração. A recorrente foi cientificada da decisão em 05/12/2008 (fl 34) e apresentou o seu recurso voluntário em 28/12/2008 ( fl 35) Voto Conselheiro Jose Roberto Adelino da Silva Relator Inconformada, a recorrente apresentou o Recurso Voluntário, tempestivo, que apresenta os pressupostos de admissibilidade, previstos no Decreto 70.235/72, e, portanto, dele eu conheço. A recorrente alega, basicamente, as mesmas razões apresentadas em sua impugnação, quais sejam: · III DA NECESSIDADE DE PRESTAÇÃO DE ESCLARECIMENTOS (violação à À LEI 10.426/2002 c/c 11.051 /2004) · IV DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA EFETUADA PELA RECORRENTE · VI DA RECENTE DECISÃO (NOVEMBRO/2008) DO STJ EM SEDE DE DCTF e DENÚNCIA ESPONTÂNEA · O Colendo Superior Tribunal de Justiça há tempos tem se mantido firme no entendimento de que quanto aos créditos sujeitos a homologação não caberia denunciação espontânea, contudo em recente decisão, o STJ mudou o entendimento, quanto a tal assunto, nos termos da ementa do voto do relator, que transcrevemos na íntegra: ... Fl. 68DF CARF MF Processo nº 16707.006594/200720 Acórdão n.º 1001001.117 S1C0T1 Fl. 3 3 · VII DAs ATENUANTES TRIBUTÁRIAS À APLICAÇÃO DA MULTA (PRIMARIEDADE, BONS ANTECEDENTEs, BOAFÉ) · Tal como se observa na DTCF encaminhada pela empresa recorrente e pelo próprio auto de infração que se tenta anular, fácil verificar que o atraso das informações acessórias não causou nenhum dano ao estado, pois seu encaminhamento foi sanado em menos de 24 horas. · Dentro desse contexto se questiona qual o tamanho da transgressão do recorrente em face do Estado para lhe impor uma multa à ordem de mais de 10 mil reais??? · Além disso, agiu a empresa recorrente de boafé, ao achar que estava fazendo uma denúncia espontânea, tanto que o fez cercado das cautelas de praxe, tendo razões suficientes para acreditar que estava praticando um ato em conformidade com o direito, mesmo que sem saber estar em descompasso com a legislação (cita jurisprudência) Culmina alegando DO PRINCIPIO DA VEDAÇÃO AO CONFISCO, cita doutrina e jurisprudência, DA CAPACIDADE CONTRIBUTIVA, PRINCÍPIO DA RAZOABILIDADE E O DIREITO TRIBUTÁRIO e alega que A multa imposta pelo Estado no presente caso não guarda qualquer relação com o fim principal da norma, pois uma multa desta monta para uma empresa que declarou todas as obrigações principais e somente em relação a acessória atrasou menos de 24 horas, é demais. Quanto aos argumentos, mencionados no parágrafo anterior, trazidos apenas em sede de Recurso Voluntário, ou seja, não foram arguidos por ocasião da impugnação, em desacordo com os artigos 16 e 17 do decreto 70.235/72: Art. 16. A impugnação mencionará: III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Além disso, não cabe a este CARF julgar matérias quanto a legalidade ou constitucionalidade de normas, devendo aterse, única e exclusivamente, ao que demandam as leis e demais normas que regulam o PAF (Processo Administrativo Fiscal. Quanto à nulidade do lançamento e demais argumentos da ora recorrente, arguidos em sua impugnação, entendo que , a DRJ manifestouse, no meu entendimento, corretamente, ao qual peço a devida vênia para reproduzir parcialmente o seu voto: Analisando os elementos constantes do presente processo, verificase que as DCTF”s, referente ao ano calendário de 2006, foi entregue à SRF pela contribuinte em atraso, conforme descrito no Auto de Infração, à fl. 16, fato este não contestado pela impugnante. Como se depreende da peça impugnatória, a contribuinte pretende afastar sua responsabilidade pela infração, alegando ter apresentado a DCTF em atraso antes da lavratura do auto de infração, fato que, no seu entendimento, configuraria denúncia Fl. 69DF CARF MF 4 espontânea, nos termos do art. 138 do CTN. Reclama também da falta de intimação para prestar esclarecimento a fiscalização, antes da lavratura dos Autos de infração. De fato, como alega a impugnante, a entrega da DCTF ocorreu antes da formalização do auto de infração. Assim, não há que se falar em pedido de esclarecimento por parte da fiscalização, pois esta possuía todos os elementos para constituir a multa por atraso na entrega das DCTF. No tocante às alegações expendidas na peça impugnatória, equivocase a contribuinte ao alegar que a apresentação espontânea exclui a responsabilidade pela infração cometida, pois, tratandose no caso de obrigação acessória a qual estão sujeitos todos os contribuintes, é inaplicável o disposto no artigo 138 do Código Tributário Nacional. Não é demais lembrar que o artigo 113 do CTN dispõe, em seu § 2°, que a obrigação acessória, pelo simples fato de sua inobservância, convertese em obrigação principal, relativamente à penalidade pecuniária, permanecendo, portanto, a sua natureza jurídica de mero crédito tributário e não de tributo,jurídica de mero crédito tributário e não de tributo. ... Adicionalmente, quanto à alegação, a da denúncia espontânea, prevista no artigo 138, do Código Tributário Nacional CTN, esta já foi objeto de súmula por este CARF a n°49, como versa: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Assim, não assiste razão à recorrente posto que o auto de infração foi lavrado em atendimento aos preceitos legais. Portanto, rejeito a preliminar de nulidade e, quanto ao mérito, nego provimento ao presente Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Fl. 70DF CARF MF
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Numero do processo: 11020.002130/2005-88
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 22 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2005
MULTA REGULAMENTAR. OBEDIÊNCIA ÀS NORMAS CONTEMPORÂNEAS AO FATO. POSSIBILIDADE.
Mantém-se o lançamento relativo à aplicação de multa regulamentar fundado em legislação coerente com a ocorrência dos fatos geradores, sendo inaplicável norma anterior revogada por norma específica posterior.
Numero da decisão: 1401-003.285
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves- Presidente.
(assinado digitalmente)
Abel Nunes de Oliveira Neto - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira, Letícia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
Nome do relator: ABEL NUNES DE OLIVEIRA NETO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2005 MULTA REGULAMENTAR. OBEDIÊNCIA ÀS NORMAS CONTEMPORÂNEAS AO FATO. POSSIBILIDADE. Mantém-se o lançamento relativo à aplicação de multa regulamentar fundado em legislação coerente com a ocorrência dos fatos geradores, sendo inaplicável norma anterior revogada por norma específica posterior.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 MULTA REGULAMENTAR. OBEDIÊNCIA ÀS NORMAS CONTEMPORÂNEAS AO FATO. POSSIBILIDADE. Mantémse o lançamento relativo à aplicação de multa regulamentar fundado em legislação coerente com a ocorrência dos fatos geradores, sendo inaplicável norma anterior revogada por norma específica posterior. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira, Letícia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 21 30 /2 00 5- 88 Fl. 59DF CARF MF 2 Relatório Trata o presente processo de multa regulamentar lavrada contra a instituição financeira em razão do descumprimento do prazo para apresentação de RMF solicitada em sede de procedimento de fiscalização pela Receita Federal. Cientificado o contribuinte apresentou impugnação na qual alegou que informou a fiscalização do excesso de demandas a atender que estava dificultando o cumprimento dos prazos e que a multa lavrada foi excessiva pois deveria ter seguido as normas do regulamento do Imposto de Renda, arts. 918 e 977. Analisando a impugnação a Delegacia de Julgamento a considerou improcedente mantendo todos os termos da autuação. Cientificado da decisão o contribuinte apresentou recurso voluntário no qual aduziu as seguintes alegações: Que após expirado o prazo para cumprimento comunicou à RFB da dificuldade na prestação das informações; Que não cometeu nenhuma conduta dolosa; Que a aplicação da multa, caso se entenda que deva ser mantida, deve ser calculada sob a sistemática do art. 977 do RIR em razão do prazo decorrido entre a data da comunicação do banco ao fisco e a data da lavratura do auto; Apresente considerações da doutrina, alega o princípio da proporcionalidade e que a decisão de Piso passou ao largo dessas questões. É o relatório. Voto Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto O recurso é tempestivo e preenche os requisitos legais, assim dele tomo conhecimento. Em relação ao presente caso em primeiro lugar há de se constatar que não existem dúvidas quanto ao descumprimento do prazo para apresentação das informações requeridas por parte da instituição financeira. Assim, em relação à existência do fato gerador da penalidade não há reparos a fazer quando ao auto de infração. Por isso, em sua defesa, o contribuinte alega dificuldades operacionais em atender às demandas judiciais e fiscais que provocam o atraso na apresentação das informações. Que não agiu com dolo, etc. Ocorre, no entanto, que não se podem aceitar essas alegações para fins de cancelar o auto de infração. Não é admissível que uma instituição financeira do porte do Banco do Brasil, que se não me engano é a maior do pais, não consiga montar uma estrutura de pessoal e de informática para atender este tipo de demanda. Fl. 60DF CARF MF Processo nº 11020.002130/200588 Acórdão n.º 1401003.285 S1C4T1 Fl. 60 3 Notese que a obrigação de apresentar informações ao fisco foi estabelecida desde a época da instituição da CPMF, ainda nos anos 90. Assim, a mais de 10 anos a instituição já deveria adequar sua estrutura para o atendimento destas requisições, mais ainda quando, desde há muito tempo é de sabença geral que um dos métodos mais eficazes de combate aos ilícitos tributários é o de rastrear os valores movimentados em contascorrentes. Assim, neste ponto não há como se acatar o pedido do contribuinte de cancelamento da autuação posto que suas alegações mais funcionam como desculpas pelo reconhecimento do atraso do que argumentos jurídicos que possam fundamentar um possível cancelamento da autuação. Mais ainda em sede de julgamento administrativo, quando o julgador não pode evitar a aplicação de norma regularmente constituída. Com relação à base legal de aplicação da multa o contribuinte se insurge contra a multa lançada na forma do art. 31, da Lei nº 10.637/2002, para alegar que esta deveria ser lançada e calculada na forma dos arts. 918 e 977 do Regulamento do Imposto de Renda. Ocorre, no entanto, que a norma da Lei nº 10.637/2002, foi editada após a edição da Lei Complementar nº 105/2001, a fim de regulamentar a norma do art. 6º, daquele Lei Complementar que determinava a apresentação de informações quando requisitadas pelo fisco em sede de procedimento de fiscalização. Vejamos os dispositivos transcritos abaixo. Lei nº 10.637/2002 Art. 31. A falta de apresentação dos elementos a que se refere o art. 6o da Lei Complementar no 105, de 10 de janeiro de 2001, ou sua apresentação de forma inexata ou incompleta, sujeita a pessoa jurídica à multa equivalente a 2% (dois por cento) do valor das operações objeto da requisição, apurado por meio de procedimento fiscal junto à própria pessoa jurídica ou ao titular da conta de depósito ou da aplicação financeira, bem como a terceiros, por mêscalendário ou fração de atraso, limitada a 10% (dez por cento), observado o valor mínimo de R$ 50.000,00 (cinqüenta mil reais). Lei Complementar nº 105/2001 Art. 6o As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. (Regulamento) Ora, as normas estabelecidas pela Lei Complementar e a norma de imposição de multa pelo descumprimento por parte das instituições financeiras são posteriores às normas que baseiam os arts. 918 e 977 do RIR/99. Assim, tratandose de normas posteriores e, mais ainda, específicas em relação à prestação de informações pelas instituições financeiras, terminam por revogar a lei anterior que trata do mesmo assunto. Fl. 61DF CARF MF 4 Assim, correto o valor do lançamento realizado pela fiscalização. Desta forma, demonstrase que foi regular o lançamento levado a efeito pela fiscalização, não havendo motivos para sua reforma ou anulação. Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Relator Fl. 62DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.724639/2015-36
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010
Ementa:
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO HOMOLOGAÇÃO. FRAUDE. STJ. ART. 543C DO CPC/73.
O Superior Tribunal de Justiça (STJ), em julgamento realizado sob a sistemática do artigo 543C do CPC/73, decidiu que, nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para constituição do crédito tributário é de 5 anos contados da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º do CTN),
quando houver antecipação de pagamento; e do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia ter sido efetuado, no caso de ausência de antecipação de pagamento ou da ocorrência de dolo, fraude ou simulação (art. 173, I do CTN).
IPI. INCIDÊNCIA. PRODUTOS IMPORTADOS. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C DO CPC/73.
TEMA SOB REPERCUSSÃO GERAL. SEM TRÂNSITO EM JULGADO.
Os produtos importados estão sujeitos a uma nova incidência do IPI quando de sua saída do estabelecimento importador na operação de revenda, mesmo que não tenham sofrido industrialização no Brasil (ERESP 1403532/SC, art.
543C do CPC/73).
Diante de um quadro robusto caracterizador de fraude, correto o arbitramento do efetuado no valor tributável do IPI, nos termos do art. 148 do CTN e art.
197 do RIPI/2010, pelo valor real da operação.
PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. FRAUDE. LICITUDE. NÃO CONFIGURADA.
Não há que se falar em planejamento tributário lícito, quando a fiscalização apurou fraude quanto ao valor tributável do IPI, consubstanciada na intermediação por empresas interdependentes no mercado atacadista, com emissão de notas fiscais de "venda à ordem" com valor inferior ao praticado, revelado nas notas fiscais correspondentes de "remessas de mercadorias por conta e ordem de terceiro", bem como sem a comprovação dos pagamentos ou recebimentos nas operações realizadas pelas distribuidoras, as quais não possuíam recursos para negociar os volumes das operações autuadas e sequer apresentavam movimentação financeira.
RESPONSABILIDADE. ADMINISTRADORES.
A imputação de responsabilidade solidária aos sócios administradores pelas obrigações tributárias, no caso de gestão com excesso de poderes ou infração à Lei, encontra amparo e exige a invocação do artigo 135 do CTN. A sujeição passiva, nesse caso, é primariamente da pessoa jurídica, e subsidiariamente, dos sócios.
FRAUDE. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. ARBITRAMENTO DO VALOR TRIBUTÁVEL.
O art. 149, VII do CTN autoriza o lançamento de ofício quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação.
AUSÊNCIA DE INTERESSE DE RECORRER. PRECLUSÃO.
Ao passo que os sócios não apresentam Impugnação do Auto de Infração, apenas, apresentando Recurso Voluntário, preclui o interesse em apresentar defesa na esfera administrativa.
Numero da decisão: 3201-005.153
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA - Presidente.
(assinado digitalmente)
LAÉRCIO CRUZ ULIANA JUNIOR - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente)
Nome do relator: LAERCIO CRUZ ULIANA JUNIOR
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LANÇAMENTO HOMOLOGAÇÃO. FRAUDE. STJ. ART. 543C DO CPC/73. O Superior Tribunal de Justiça (STJ), em julgamento realizado sob a sistemática do artigo 543C do CPC/73, decidiu que, nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para constituição do crédito tributário é de 5 anos contados da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º do CTN), quando houver antecipação de pagamento; e do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia ter sido efetuado, no caso de ausência de antecipação de pagamento ou da ocorrência de dolo, fraude ou simulação (art. 173, I do CTN). IPI. INCIDÊNCIA. PRODUTOS IMPORTADOS. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C DO CPC/73. TEMA SOB REPERCUSSÃO GERAL. SEM TRÂNSITO EM JULGADO. Os produtos importados estão sujeitos a uma nova incidência do IPI quando de sua saída do estabelecimento importador na operação de revenda, mesmo que não tenham sofrido industrialização no Brasil (ERESP 1403532/SC, art. 543C do CPC/73). 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(assinado digitalmente) CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Presidente. (assinado digitalmente) LAÉRCIO CRUZ ULIANA JUNIOR Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente) Relatório Por bem reproduzir os fatos narrados no Processo Administrativo Fiscal, reproduzo o relatório da DRJ: Fl. 12084DF CARF MF Processo nº 10980.724639/201536 Acórdão n.º 3201005.153 S3C2T1 Fl. 12.086 3 Trata o presente processo de lançamento tributário de IPI, no valor de R$ 23.952.194,00, referente aos períodos de apuração compreendidos entre janeiro e dezembro de 2010, motivado, conforme fls. 3, pela "saída de produto tributado, mediante emissão de nota fiscal com valor diferenciado do efetivamente praticado", conforme Termo de Descrição dos Fatos e Encerramento Parcial da Ação Fiscal. Consta dos autos que a Impugnante importou pneus para revenda no mercado interno, equiparandose a industrial, e sujeitandose à incidência do IPI. Sustenta a autoridade fiscal que a Impugnante, utilizandose de esquema operacional de fraude, deixou de recolher o IPI devido. Que, "da análise das notas fiscais, sejam as apresentadas no formato do ADE, sejam as eletrônicas da empresa que divergência expressiva de valores de saída de produtos idênticos quando a autuada documentava uma venda direta a comerciais atacadista e quando registrava operações com CFOPs 5119 e 6119 (vendas à ordem) tendo como “intermediárias” diversas empresas com razão social iniciando por “Distribuidora de Pneus”, cujo administrador sempre é o Sr. Luiz Bonacin Netto, CPF nº 024. 561.86940, sócio administrador da autuada". Que a Impugnante deu saída de produto importado praticando valores absolutamente diversos quando realizou vendas diretas a comerciais atacadistas e quando operava com suas interdependentes, praticando preços muito menores. Uma diferença de praticamente 100% do valor da operação. Assim se expressa a autoridade fiscal: As mercadorias importadas davam saída do estabelecimento da autuada com destino aos estabelecimentos atacadistas, quando então a autuada emitia duas notas fiscais: 1) a primeira, de venda CFOP nº 5.119 ou 6.119 Venda de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros entregue ao destinatário por conta e ordem do adquirente originário, em venda à ordem, em cujo campo destinatário constava uma das distribuidoras de pneus listadas adiante, com incidência de IPI; 2) e a segunda, de remessa CFOP nº 5.923 ou 6.923, Remessa de mercadoria por conta e ordem de terceiros, em venda à ordem , a uma das comercias atacadistas, em sua grande maioria sem qualquer vínculo societário com a fiscalizada, sem incidência de IPI, com valor das mercadorias praticamente de 100% (cem por cento) superior ao da primeira. Acontece que tais pessoas jurídicas, as Distribuidoras de Pneus a diante listadas, com Capital Social insuficiente (R$ 50.000,00) para realizar o montante de operações comerciais que as Notas Fiscais de Saída da autuada demonstram, sequer tiveram movimentação financeira no período de janeiro de 2010 a dezembro de 2010, conforme se constatou em diligência.A autoridade fiscal aplicou penalidade qualificada por entender que o comportamento do sujeito passivo enquadrase no permissivo legal apontado no Auto de Infração. O que se constatou nesses casos é que, por meio de empresa interdependente que nem atuava realmente no mercado, mero artifício para impedir a incidência de IPI sobre o valor total das operações de saída de mercadorias importadas do estabelecimento da autuada, houve distribuição no mercado atacadista de produtos importados com incidência de IPI a Fl. 12085DF CARF MF 4 menor do que devido. Vez que, quando, em diligência, questionadas essas Distribuidoras sobre o pagamento das mercadorias adquiridas da autuada, as quais teriam revendido a comerciais atacadistas, declararam que teriam utilizado a pessoa jurídica Missipi, inscrita no CNPJ sob nº 07.093.216.000198, para realizar o envio dos recursos à autuada. Acontece que, a pessoa jurídica Mississipi Fomento de Negócios S/A, inscrita no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas sob o nº 07.093.216.000198, é também pessoa interdependente da autuada!!! Mais um indício do esquema fraudulento!!! E, mais, quando realizadas diligências perante parte das comerciais atacadistas (essas sem vínculo qualquer com a autuada, a priori), essas declararam e, por meio de documentos apresentados, demonstraram, que os recursos referentes às vendas à ordem de mercadorias importadas pela autuada jamais foram pagos às distribuidoras de pneus que nas operações de “venda à ordem” figuravam como vendedoras. Informaram ainda as comerciais atacadistas que teriam enviado todos pagamentos das compras dos produtos importados pela autuada à pessoa jurídica Mississipi Fomento de Negócios S/A, inscrita no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas sob o nº 07.093.216.000198. Frisese: O valor real de saída dos pneus importados e comercializados pelo estabelecimento fiscalizado é o constante das Notas Fiscais de Remessa emitidas ao mesmo tempo que as Notas Fiscais de Venda à Ordem E, o valor constante das Notas Fiscais de Remessa de mercadoria por conta e ordem de terceiros, em venda à ordem é praticamente de 100% (cem por cento) superior ao valor declarado na nota fiscal de venda em que há destaque do IPI. O Sr. Luiz Bonacin Netto, CPF nº 024.561.86940, sócioadministrador e responsável pelas distribuidoras de Pneus, é também sócio administrador da autuada, havendo subsunção à hipótese de relação de interdependência elencada no inciso II, do parágrafo único, do citado art. 42 da Lei n° 4.502, de 1964, pois que, pois que a figura do diretor e do sócio administrador nesse caso se confunde!!! Intimadas, as distribuidoras interdependentes não comprovaram sequer um único pagamento à Impugnante. A autuada tomou ciência do lançamento em 31/12/2015, conforme fls. 9101 e 9108, e, irresignada, apresentou sua impugnação, em 02/02/2016, deduzindo em sua defesa o seguinte: 1. Preliminar de nulidade em virtude de utilização de errônea fundamentação legal, entendendo a Impugnante que deveria enquadrar o fato no artigo 116 do CTN; (Art. 50, da Lei nº 9.784/99; 2. Preliminar de decadência, entendendo aplicável o artigo 150,§ 4º, do CTN, bem como, que a citação efetuada pelos correios no dia 31/12/2015, por não ser considerado dia útil para a Impugnante, deve ser considerada no dia 04/01/2016, primeiro dia "útil"; 3. Que a desconsideração das operações de venda por conta e ordem não deveria ter sido feita pela autoridade fiscal, pois a prática adotada pela Impugnante é normal e está de acordo com a legislação do ICMS do Paraná; 4. Que houve equívoco da Fiscalização no que tange à fundamentação do Auto de Infração; 5. Que a autoridade fiscal não comprovou a ocorrência de fraude ou dolo; 6. Que houve equívoco quanto a identificação da base de cálculo do lançamento; 7. Que as atividades da Impugnante não são alcançadas pela incidência do IPI na revenda por não haver relação jurídica válida que Fl. 12086DF CARF MF Processo nº 10980.724639/201536 Acórdão n.º 3201005.153 S3C2T1 Fl. 12.087 5 ampare a segunda cobrança; 8. Que a multa aplicada pela autoridade é confiscatória e que não estão presentes no comportamento da Impugnante circunstâncias autorizadoras da qualificação da multa de ofício; Seguindo a marcha processual normal, a DRJ profiu acórdão assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CAPITULAÇÃO LEGAL IMPERFEITA. O erro na capitulação legal ou mesmo a sua ausência não acarreta a nulidade do auto de infração quando a descrição dos fatos nele contida é exata, possibilitando ao sujeito passivo defenderse de forma ampla das imputações que lhe foram feitas. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. Os impostos lançados por homologação sujeitamse ao prazo estabelecido pelo Art. 150, § 4º do CTN, salvo ocorrência de dolo, fraude ou simulação, que transfere o termo inicial de contagem do prazo para a regra do artigo 173I. Inocorrência de decadência no caso. BASE DE CÁLCULO. VALOR DA OPERAÇÃO. Comprovado nos autos a insuficiência da base de cálculo na saída de produto do estabelecimento industrial ou equiparado a industrial, o lançamento de ofício é o meio hábil para exigir a diferença. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO. Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no artigo 44, inciso II, da Lei nº 9.430/96, restando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadrase, em tese, nas hipóteses tipificadas no art. 71, inciso I, da Lei nº 4.502/64. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignado com o respectivo julgado o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário requerendo reforma em síntese, conforme constante na conclusão do pedido de reforma: a) nulidade do julgamento da DRJ em Ribeirão Preto/SP fazendo alegações que o processo administrativo fiscal não se pautou nos princípios art. 37, da CF (a) publicidade do procedimento; b) direito de acesso aos autos; c) observância do contraditório e da ampla defesa; d) motivação e e) decisão.) b) existência de decadência; c) planejamento tributário não configura fraude; d) nulidade do auto de infração; e) inexistência de fato gerador; f) utilização de interdependentes; g) ilegitimidade passiva dos sócios; h) inexistência de multa; É o relatório Fl. 12087DF CARF MF 6 Voto Conselheiro Laércio Cruz Uliana Junior O Recurso é tempestivo. Não merece conhecimento o Recurso Voluntário dos sócios, uma vez, que deixou de impugnar o Auto de Infração, ficando preclusa tal hipótese. Assim, ausente de interesse Recursal. No entanto, conheço do Recurso Voluntário apresentado pela pessoa jurídica. O CARF já se manifestou em caso idêntico pela Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, com o seguinte fundamento: O PROCESSO ADMINISTRATIVO. NULIDADE DO JULGAMENTO REALIZADO PELA TURMA DA DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL DE JULGAMENTO EM RIBEIRÃO PRETO (SP) Resumidamente, o Contribuinte tenta atribuir que não foi observado o art. 37 da CF deixando de observar: (a) publicidade do procedimento; b) direito de acesso aos autos; c) observância do contraditório e da ampla defesa; d) motivação e e) decisão.) Nessa marcha, é de identificar que o contribuinte não conseguiu em nenhum momento desconstituir que a decisão da DRJ não observou o devido processo legal, apenas fez ilações retóricas sem demonstrar faticamente qual direito seu foi repelido e por qual motivo. Assim, rejeito a preliminar de nulidade. Ademais em caso idêntico j DA DECADÊNCIA A citação pelos correios na data de 31/12/2015 é válida e suficiente para dar origem à relação jurídico tributária com todas as suas conseqüências. A tese da Impugnante de que a citação em dia de expediente anormal não produz efeitos não encontra guarida no direito positivo. Não se pode confundir a citação, que é o ato em que se instaura a relação jurídico tributária, com o "dies a quo" para contagem de prazos processuais dela decorrentes. Os autos demonstram que a conduta adotada pela Impugnante configura dolo, e portanto, transfere o termo inicial da decadência para 01/01/2011, sendo o último dia possível para lançamento tributário o dia 31/12/2015, como fora feito. As regras dos artigos 150, § 4º e 173I, ambas do Código Tributário Nacional são claras quanto a matéria. Fl. 12088DF CARF MF Processo nº 10980.724639/201536 Acórdão n.º 3201005.153 S3C2T1 Fl. 12.088 7 A impugnante alega que houve erro de fundamentação e de que não se comprovou a ocorrência da fraude. Em suas linhas de defesa sugere que o lançamento teria se assentado em dados circunstanciais, presuntivos, indiciários e que nada provam AUTO DE INFRAÇÃO LAVRADO. ILEGALIDADE DOS PROCEDIMENTOS ADOTADOS NULIDADE Entende a recorrente que a inexistência "operacional" de fato das Distribuidoras de Pneus foi o motivo invocado pela Fiscalização para a lavratura do auto de infração, sendo que somente depois de encerrado o procedimento administrativo visando à declaração de inaptidão do CNPJ da sociedade por inexistência de fato, é que a Recei ta poderia considerar existente o motivo que foi por ela invocado. Argumenta que, ao desconsiderar atos, negócios e pessoas jurídicas, a autorid ade administrativa exorbitou de sua competência, eis que não foi editada a lei ordinária que dev e regulamentar a regra veiculada pelo parágrafo único do artigo 116 do CTN . No caso específico, não há dúvidas de que a organização da atividade do contribuinte e das pessoas ligadas atendeu a propósitos extrafiscais. Assim, requer que o lançamento seja declarado nulo. A nulidade do lançamento suscitada pela recorrente não prospera. O presente processo não trata da desconsideração de pessoas jurídicas, mas da exigência de IPI nas saídas de produtos importados do estabelecimento equiparado a industrial para o mercado interno, decorrente do arbitramento do valor tributável das operações. Apurou a fiscalização que a contribuinte emitiu notas fiscais em valor inferior ao que teria sido praticado, o que ensejou o arbitramento do valor tributável, nos termos do art. 148 do CTN e art. 197 do Regulamento do IPI/20101 , pelo valor real das operações, constante nas notas fiscais de CFOP nº 5.923 e 6.923 (Remessa de mercadoria por conta e ordem de terceiros, em venda à ordem), o qual era entre 100% e 200% sup erior ao valor declarado nas notas fiscais correspondentes das supostas "vendas a ordem" (C FOP's nºs 5.119 e 6.119) com destaque do IPI, cujos destinatários eram comerciais atacadistas não interdependentes. Como consta no Termo de Descrição dos Fatos, a fraude restou assim caracterizada: Em síntese, conclui se que o esquema fraudulento teria se iniciado já na constituição da Átila, a qual, fazendo uso da Mississipi Fomento de Negócios S/A., ocultou a origem de seus recursos, bem como, encobriuse, posteriormente, em evidente simulação, os valores percebidos em decorrência de suas atividades, impossibilitando a verificação direta do valor de cada operação de venda de pneus, e evitando a incidência de IPI no total de suas vendas no mercado, verdadeira blindagem à fiscalização. Fl. 12089DF CARF MF 8 Tal esquema fraudulento prosseguiu com o uso da pessoa jurídic a Ventura & Orion S/A, para o recebimento e ocultação dos valores recebidos não submetidos à tributação do IPI, em conjunto com as distribuidoras de pneus interdependentes, todas sem capacidade econômica financeira para realizar operações na monta em que foram registradas, nas notas fiscais emitidas pela autuada, indício de que as vendas documentadas nessas notas fiscais, para as essas distribuidoras, não ocorreram efetivamente. Isso porque tais distribuidoras não possuíam recursos para negociarem os ditos volumes de valores, não apresentaram movimentação financeira, e, como se verá, nem têm provas de pagamento ou recebimento dos valores relativos às supostas operações mercantis, como já dito, será exposto mais detalhadamente em tópico posterior. No quadro a seguir, listase as citadas pessoas jurídicas denominadas neste termo de “distribuidoras de pneus”: (...) Em suma, o que se vislumbrou foi que, ao dar saída de produtos no mercado atacadista, por meio de suas interdependentes (notas fiscais de r emessa por conta e ordem), os valores praticados pela autuada eram mais de 200% (duzentos por cento) superiores aos valores praticados em saídas diretas para essas interdependentes (notas fiscais de venda à ordem). Procedeu se, então, diversas diligências, conforme descrito no breve relató rio, perante as distribuidoras de pneus interdependentes, e perante as denominadas, no presente termo, de comerciais atacadistas não interdependentes, as quais teriam adquirido os produtos importados da autuada, supostamente por intermédio das distribuidoras de pneus interdependentes, com intuito de se averiguar o motivo de tamanha discrepância Constatouse que, ao dar saída de produtos de seu estabelecimento, com destino às denominadas comerciais atacadistas não interdependentes, a autuada, Átila Pneus Ltda. emitia duas notas fiscais: 1) a primeira, de venda CFOP nº 5.119 ou 6.119 Venda de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros entregue ao destinatário por conta e ordem do adquirente originário, em venda à ordem, em cujo campo destina tário constava uma das distribuidoras de pneus interdependentes, com incidência de IPI; 2) e a segunda, de remessa CFOP nº 5.923 ou 6.923, Remessa de mercadoria por conta e ordem de terceiros, em venda à ordem , cujo destinatário era uma das comercias atacadistas não interdependentes, isto é, sem qualque r vínculo societário com a fiscalizada, e nesse caso, sem incidência de IPI, com valor das mercadorias em torno de 100% (cem por cento) a 200 % (duzentos por cento) superior ao da primeira nota fiscal (CFOP 5.119 e CFOP 6.119). E, das diligências vinculadas, obtevese forte indício de que as operações de compra pelas distribuidoras de pneus interdependentes e a revenda correspondente não ocorriam efetivamente. Tais pessoas jurídicas, as Distribuidoras de Pneus interdependentes, com Capital Social insuficiente (em torno de R$ 50.000,00 – cinquenta mil reais) para realizar Fl. 12090DF CARF MF Processo nº 10980.724639/201536 Acórdão n.º 3201005.153 S3C2T1 Fl. 12.089 9 o montante de operações comerciais que as Notas Fiscais de Saída da autuada demonstram, no período de janeiro de 2011 a dezembro de 2012, sequer tiveram movimentação financeira, ou tiveram movimentação irrisória frente ao volume de operações de realizadas, vide documentos comprobatórios – DIMOF das distribuidoras de Pneus juntadas aos autos. Ou seja, não dispunham de capacidade econômico financeira (capital próprio) para realizar aquisições de produtos da autuada para a revenda no mercado atacadista, como se quer fazer crer por meio das notas fiscais de venda a ordem da autuada. O que de fato ocorria era tão somente venda direta da Átila Pneus Ltda. às comerciais atacadistas não interdependentes, a qual era documentada fraudulentamente como duas operações comerciais distintas, com o intuito de reduzir o valor do tributo IPI devido. (...) Difícil crer que as vendas, documentadas nas notas fiscais de emissão da autuada (Átila Pneus Ltda.) para as distribuidoras interdependentes citadas no quadro anterior, efetivamente ocorreram, vez que, repitase, tais distribuidoras não possuíam recursos para negociarem os ditos volumes de valores, não apresentaram movimentação financeira, e mais, como se verá, nem têm provas de pagamento ou recebimento dos valores relativos às supostas operações mercant is. Tomese como exemplo, a pessoa jurídica INEXISTÊNCIA DE FATO GERADOR. NÃO INCIDÊNCIA DE IPI NAS ATIVIDADES DE COMERCIALIZAÇÃO DOS PNEUS NO MERCADO INTERNO. Sem maiores digressões o Superior Tribunal de Justiça já decidiu EREsp 1403532/SC: EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM RECURSO ESPECIAL. DIREITO TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI. FATO GERADOR. INCIDÊNCIA SOBRE OS IMPORTADORES NA REVENDA DE PRODUTOS DE PROCEDÊNCIA ESTRANGEIRA. FATO GERADOR AUTORIZADO PELO ART. 46, II, C/C 51, PARÁGRAFO ÚNICO DO CTN. SUJEIÇÃO PASSIVA AUTORIZADA PELO ART. 51, II, DO CTN, C/C ART. 4º, I, DA LEI N. 4.502/64. PREVISÃO NOS ARTS. 9, I E 35, II, DO RIPI/2010 (DECRETO N. 7.212/2010). 1. Seja pela combinação dos artigos 46, II e 51, parágrafo único do CTN que compõem o fato gerador, seja pela combinação do art. 51, II, do CTN, art. 4º, I, da Lei n. 4.502/64, art. 79, da Medida Provisória n. 2.15835/2001 e art. 13, da Lei n. 11.281/2006 que definem a sujeição passiva, nenhum deles até Fl. 12091DF CARF MF 10 então afastados por inconstitucionalidade, os produtos importados estão sujeitos a uma nova incidência do IPI quando de sua saída do estabelecimento importador na operação de revenda, mesmo que não tenham sofrido industrialização no Brasil. 2. Não há qualquer ilegalidade na incidência do IPI na saída dos produtos de procedência estrangeira do estabelecimento do importador, já que equiparado a industrial pelo art. 4º, I, da Lei n. 4.502/64, com a permissão dada pelo art. 51, II, do CTN. 3. Interpretação que não ocasiona a ocorrência de bis in idem, dupla tributação ou bitributação, porque a lei elenca dois fatos geradores distintos, o desembaraço aduaneiro proveniente da operação de compra de produto industrializado do exterior e a saída do produto industrializado do estabelecimento importador equiparado a estabelecimento produtor, isto é, a primeira tributação recai sobre o preço de compra onde embutida a margem de lucro da empresa estrangeira e a segunda tributação recai sobre o preço da venda, onde já embutida a margem de lucro da empresa brasileira importadora. Além disso, não onera a cadeia além do razoável, pois o importador na primeira operação apenas acumula a condição de contribuinte de fato e de direito em razão da territorialidade, já que o estabelecimento industrial produtor estrangeiro não pode ser eleito pela lei nacional brasileira como contribuinte de direito do IPI (os limites da soberania tributária o impedem), sendo que a empresa importadora nacional brasileira acumula o crédito do imposto pago no desembaraço aduaneiro para ser utilizado como abatimento do imposto a ser pago na saída do produto como contribuinte de direito (nãocumulatividade), mantendose a tributação apenas sobre o valor agregado. 4. Precedentes: REsp. n. 1.386.686 SC, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 17.09.2013; e REsp. n. 1.385.952 SC, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 03.09.2013. Superado o entendimento contrário veiculado nos EREsp. nº 1.411749PR, Primeira Seção, Rel. Min. Sérgio Kukina, Rel. p/acórdão Min. Ari Pargendler, julgado em 11.06.2014; e no REsp. n. 841.269 BA, Primeira Turma, Rel. Min. Francisco Falcão, julgado em 28.11.2006. 5. Tese julgada para efeito do art. 543C, do CPC: "os produtos importados estão sujeitos a uma nova incidência do IPI quando de sua saída do estabelecimento importador na operação de revenda, mesmo que não tenham sofrido industrialização no Brasil". 6. Embargos de divergência em Recurso especial não providos. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. Fl. 12092DF CARF MF Processo nº 10980.724639/201536 Acórdão n.º 3201005.153 S3C2T1 Fl. 12.090 11 (EREsp 1403532/SC, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, Rel. p/ Acórdão Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 14/10/2015, DJe 18/12/2015) Nego provimento neste ponto. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO / INTERDEPENDÊNCIA UTILIZAÇÃO DE DISTRIBUIDORAS DE PNEUS Alega a recorrente que o planejamento por ela utilizado seria plenamente válido, eis que lícito e com propósito negocial, conforme teria sido demonstrado. É de trazer a baila a estrutura que a Fiscalização estruturou, vejamos: O fato de ser lícito lançar mão de distribuidoras interdependentes para intermediar as vendas de produtos importados no mercado interno, não autoriza a recorrente a utilizarse dos seguintes expedientes como subterfúgio para evitar a incidência do IPI sobre o total da operação (fraude): a) Emissão de notas fiscais com valores de mercadorias muito abaixo do mercado: nota fiscal de remessa de mercadoria à empresa interdependente (sem destaque do IPI) com valor tributável em torno de 100% a 200% maior daquele constante na nota fiscal de venda à ordem a destinatário não interdependente, na qual há o destaque de IPI, sem uma justificativa razoável. Fl. 12093DF CARF MF 12 b) Não adoção do valor tributário mínimo estipulado no caput do artigo 195 do RIPI/2010, embora tenha optado a contribuinte pelo modelo de vendas concentradas de mercadorias para distribuidores interdependentes. c) Recebimento dos recursos das operações por meio das pessoas jurídicas Mississipi Fomento de Negócios S/A. e Ventura & Orion – Gestão Empresarial S/A, ambas interdependentes da autuada e, partes também do mesmo grupo econômico, ou também diretamente pela autuada, Átila Pneus Ltda, em clara tentativa de ocultação, de suas origens, e que teriam deixado de serem oferecidos à tributação de IPI. d) Ausência de comprovação de pagamento ou recebimento de valores nas supostas operações mercantis realizadas pelas distribuidoras interdependentes. e) Distribuidoras interdependentes sem capacidade econômicofinanceira para realizar o montante de operações registradas e sem movimentação financeira. f) Utilização da relação de interdependência para estabelecimento de estratégia do grupo econômico com concentração do poder decisório, extrapolando a autonomia das pessoas jurídicas envolvidas, com intuito de redução do valor a recolher do IPI. Os Impugnantes são claramente contraditórios ao alegar que o preço de venda para o mercado interno corresponderia ao preço de custo adicionado de pequena margem de lucro, que haveria uma condição especial de preço, supostamente compatível com as práticas comerciais, e que, ao mesmo tempo, praticaria planejamento fiscal lícito. Nesse contexto, quanto à fixação da base de cálculo, a Fiscalização citou muito apropriadamente o art. 148 do CTN e, especificamente em relação ao IPI, as disposições dos arts. 196 e 197 do RIPI/2010. Assim, não restam dúvidas de que os preços praticados nas operações tributadas pelo auto de infração eram preços muito inferiores aos preços de mercado dos produtos, e de que a Interessada, além de ter pleno conhecimento dos fatos, adotava o referido procedimento para reduzir o montante do IPI apurado. Não há, entretanto, espaço para admissão de planejamento fiscal lícito no caso em questão. Como define o art. 190, § 1º, do RIPI/2010, o valor da operação compõese, essencialmente, do preço do produto. A definição de preço do produto, nesse caso, não é arbitrária, em função das disposições já citadas do CTN e do RIPI, que foram bem exploradas pela Fiscalização no TVF e pouco contestadas pelos Impugnantes. DA REGULAR CONSTITUIÇÃO DAS EMPRESAS VENTURA & ORION. GESTÃO EMPRESARIAL S/A E MISSISSIPI FOMENTO DE NEGÓCIOS S/A. ARTIGO 8º, DA LEI N.º 6.404/76 A tentativa de comprovar a regular constituição das empresas VENTURA & ORION GESTÃO EMPRESARIAL S/A. e MISSISSIPI FOMENTO DE NEGÓCIOS S/A ou a ausência de confusão patrimonial entre essas empresas não auxilia a recorrente no presente processo, no qual o que seria relevante seria eventual prova no sentido de que houve recebimento pelas distribuidoras de pneus do pagamento em razão das revendas, conforme se verifica nos trechos abaixo do Termo de Descrição dos Fatos: Fl. 12094DF CARF MF Processo nº 10980.724639/201536 Acórdão n.º 3201005.153 S3C2T1 Fl. 12.091 13 Sucedese que, a pessoa jurídica Mississipi Fomento de Negócios S/A, como já exposto no item 3.2, é também pessoa interdependente tanto da autuada, como das distribuidoras de pneus, assim como o é a pessoa jurídica Ventura & Orion – Gestão Empresarial S/A, inscrita no CNPJ sob nº 13.622.872/000133, a qual possui os mesmos administradores que a autuada. E mais, essas declarações nada comprovam24 sobre o pagamento das mercadorias à autuada, pelo contrário, corroboram para demonstrar que efetivamente nenhum recurso foi pago pelas distribuidoras interdependentes à fiscalizada, em função das supostas operações de aquisição de mercadorias, isto é, confirmam que nenhum recurso transitou da distribuidora interdependente para a Átila Pneus Ltda. Ora, temse aí, mais um indício do esquema fraudulento!!! E, quando intimadas, as distribuidoras de pneus interdependentes, a comprovar o recebimento dos recursos relativos às revendas dos pneus hipoteticamente realizadas às comercias atacadistas, nada apresentaram. Em suas respostas, resumiramse a mencionar que a pessoa jurídica Mississipi Fomento de Negócios S/A. e a pessoa jurídica Ventura & Orion – Gestão Empresarial S/A recebiam os valores que às distribuidoras supostamente seriam devidos. Apresentaram para comprovar o que alegam, controle25 de créditos e débitos perante as pessoas jurídicas Mississipi Fomento de Negócios S/A. e Ventura & Orion – Gestão Empresarial S/A, no entanto, nenhuma prova se produziu do hipotético recebimento de recursos pelas revendas às comerciais atacadistas não interdependentes, mais um indício que tais operações de revenda não teriam se realizado. Se elas eram ou não regulares, o fato é que a recorrente não conseguiu afastar a afirmação de que essas empresas atuavam para ocultar o caminho dos recursos decorrentes da venda de pneus no mercado interno. DA INEXISTÊNCIA DE MULTA OU SUA REDUÇÃO Como se sabe, no processo administrativo fiscal, por força do art. 26A do Decreto nº 70.235/72 e do caput do art. 59 do Decreto no 7.574/2011, é expressamente vedado ao julgador afastar a aplicação de lei sob fundamento de inconstitucionalidade, o que consta, inclusive, no enunciado da Súmula no 2 do Carf ("O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária"). Nessa esteira, não se toma conhecimento da alegação da recorrente de que a multa seria confiscatória, eis que verificar a eventual existência de confisco seria equivalente a reconhecer a inconstitucionalidade da norma legal que a prevê, o que é vedado a este Conselho Administrativo. Também não se verifica qualquer duplicidade ou ilegalidade em relação à exigência de multa isolada e de multa de ofício. Tal exigência encontra fundamento no art. 80, caput e §8º da Lei nº 4.502/64, o qual dispõe sobre a incidência da multa tanto por falta de destaque na nota fiscal como por falta de recolhimento do imposto, sendo que, ela deve ser exigida isoladamente quando, da reconstituição da escrita, não resultar saldo devedor no período de apuração ("Multa de IPI não lançado com cobertura de créditos" na fl. 18), nos Fl. 12095DF CARF MF 14 demais períodos, nos quais resultar saldo devedor, a multa deve ser exigida proporcional e juntamente com o imposto devido, exatamente como foi feito no lançamento. ILEGITIMIDADE DOS SÓCIOS Os Sócios Administratores são responsáveis, eis, quando evidenciada a hipótese do art. 135 do CTN: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Assim, ao passo que os Sócios praticavam os atos, são igualmente responsáveis, não existindo qualquer excludente para afastar sua responsabilidade. Diante de todo o exposto NEGO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Laércio Cruz Uliana Junior Relator Fl. 12096DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10909.001524/2005-61
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Apr 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005
CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. LEI N.º 10.925/2004. ALÍQUOTA. APURAÇÃO. PRODUTO FABRICADO.
A alíquota do crédito presumido da agroindústria, consoante previsto no §3º, do art. 8º da Lei n.º 10.925/2004, será determinada em função da natureza do produto fabricado pela Contribuinte e não da origem dos insumos adquiridos.
Numero da decisão: 9303-008.056
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Vanessa Marini Cecconello - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. LEI N.º 10.925/2004. ALÍQUOTA. APURAÇÃO. PRODUTO FABRICADO. A alíquota do crédito presumido da agroindústria, consoante previsto no §3º, do art. 8º da Lei n.º 10.925/2004, será determinada em função da natureza do produto fabricado pela Contribuinte e não da origem dos insumos adquiridos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1364; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 664 1 663 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10909.001524/200561 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303008.056 – 3ª Turma Sessão de 20 de fevereiro de 2019 Matéria COFINS Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado SEARA ALIMENTOS S/A ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. LEI N.º 10.925/2004. ALÍQUOTA. APURAÇÃO. PRODUTO FABRICADO. A alíquota do crédito presumido da agroindústria, consoante previsto no §3º, do art. 8º da Lei n.º 10.925/2004, será determinada em função da natureza do produto fabricado pela Contribuinte e não da origem dos insumos adquiridos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 00 15 24 /2 00 5- 61 Fl. 664DF CARF MF Processo nº 10909.001524/200561 Acórdão n.º 9303008.056 CSRFT3 Fl. 665 2 Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela FAZENDA NACIONAL com fulcro nos artigos 64, inciso II e 67, todos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n.º 256/2009, vigentes à época da sua interposição, buscando a reforma do Acórdão nº 330100.979, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário, com ementa nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 CRÉDITOS. DESPESAS DE FRETES. AQUISIÇÃO DE INSUMOS. OPERAÇÃO DE VENDA As despesas de fretes incorridas com outras operações que não sejam integrantes do custo de aquisições de insumos e de vendas das mercadorias produzidas e/ ou revendidas não geram créditos de Cofins nãocumulativa. GLOSAS. FRETES. RESTABELECIMENTO.PROVAS O restabelecimento de glosas de créditos da Cofins nãocumulativa apurados sobre despesas de fretes está condicionado à apresentação de provas de que tais despesas foram incorridas na aquisição de insumos e/ ou na operação de venda de mercadorias produzidas. CRÉDITOPRESUMIDO DA AGROINDOSTRIA. ALÍQUOTAS O cálculo do créditopresumido da Cofins nãocumulativa para a agroindústria deve ser calculado à alíquota de 4,56 % ou 2,66 %, dependendo da mercadoria produzida e comercializada. SERVIÇOS SUBCONTRATADOS. FRETES. CRÉDITOS. BENEFICIÁRIOS Somente as pessoas jurídicas que exerçam a atividade de transportes rodoviários de carga fazem jus aos créditos de Cofins nãocumulativa incidente sobre serviços sub contratados corn empresas do mesmo ramo. RESSARCIMENTO COMPLEMENTAR. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO Reconhecido o direito da recorrente á. parte do ressarcimento pleiteado e declarado na declaração de compensação (Dcomp), homologase a Fl. 665DF CARF MF Processo nº 10909.001524/200561 Acórdão n.º 9303008.056 CSRFT3 Fl. 666 3 compensação dos débitos fiscais declarados até o limite do crédito complementar reconhecido. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE Na sequência, não resignada com a decisão, a FAZENDA NACIONAL insurgese por meio de recurso especial alegando divergência jurisprudencial quanto à aplicação da alíquota do crédito presumido da agroindústria, prevista no §3º, do art. 8º da Lei n.º 10.925/2004, se determinada em função dos produtos fabricados ou em função dos insumos adquiridos. Para comprovar o dissenso, colacionou como paradigma o acórdão n.º 330200.790, proferido pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento. Nas suas razões recursais, a Fazenda Nacional sustenta, em síntese, que: (a) enquanto a Turma a quo entendeu que o percentual de apuração da alíquota aplicável sobre os créditos, prevista no art. 8", § 3" da Lei n" 10.925/2004, é determinado em função dos produtos fabricados (e não dos insumos adquiridos); (b) decidiu a Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF, a qual concluiu que o percentual de apuração da alíquota aplicável sobre os créditos, prevista no art. 8º, §3º, da Lei n.º 10.925/2004, é determinado em função dos insumos adquiridos (e não dos produtos fabricados); (c) a partir da interpretação do dispositivo legal referido, o percentual de apuração da alíquota aplicável sobre os créditos de PIS e COFINS a que as agroindústrias fazem jus, é determinado em função dos insumos adquiridos e não dos produtos fabricados; e (d) por fim, requer o provimento do recurso especial com a reforma do acórdão recorrido quanto a essa matéria. Foi admitido o recurso especial da Fazenda Nacional por meio do despacho nº 330000.303, de 08 de agosto de 2013 (efls. 542 a 546), proferido pelo ilustre Presidente da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por entender comprovada a divergência jurisprudencial. A Contribuinte, devidamente intimada, apresentou contrarrazões, requerendo a negativa de seguimento ao recurso especial da Fazenda Nacional e, no mérito, a sua negativa de provimento. De outro lado, a Empresa interpôs recurso especial buscando a reforma do acórdão de recurso voluntário para reconhecimento do direito ao crédito da contribuição para o PIS decorrente das despesas incorridas com fretes nas aquisições de aves vivas e no transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da própria pessoa jurídica. No entanto, foilhe negado seguimento pois a decisão indicada como paradigma foi exarada pela mesma turma do CARF, não sendo comprovada a divergência jurisprudencial, consoante despacho de admissibilidade e de reexame de admissibilidade (efls. 647 a 651). Fl. 666DF CARF MF Processo nº 10909.001524/200561 Acórdão n.º 9303008.056 CSRFT3 Fl. 667 4 O presente processo foi distribuído a essa Relatora, estando apto a ser relatado e submetido à análise desta Colenda 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o Relatório. Voto Conselheira Vanessa Marini Cecconello, Relatora Admissibilidade O recurso especial de divergência interposto pela FAZENDA NACIONAL atende aos pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67, Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, vigente à época, e reproduzido pela Portaria MF nº 343/15, devendo, portanto, ter prosseguimento. Em sede de contrarrazões, a Contribuinte sustenta a inadmissibilidade do recurso especial da Fazenda Nacional, alegando que o acórdão paradigma indicado n.º 3302 00.790 trata de matéria diversa daquela discutida nos presentes autos, conforme pesquisa realizada no site de jurisprudência do CARF. De fato, ao efetuar a busca pelo decisum paradigmático no site de jurisprudência deste Conselho, os acórdãos retornados na pesquisa com números semelhantes àquele do paradigma tratam de temas que não têm relação com a divergência suscitada quanto à determinação da alíquota aplicável ao crédito presumido da agroindústria do art. 8º da Lei n.º 10.925/2004. No entanto, ao instruir o recurso especial, a Fazenda Nacional traz a cópia do inteiro teor do acórdão n.º 330200.790 (efls. 533 a 540), entendendose suprido o requisito da comprovação da divergência jurisprudencial, uma vez que a ementa se dá nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL — COFINS Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 AGROINDÚSTRIA. INS UMOS. PERCENTUAL DE APURAÇÃO. O percentual de apuração da alíquota aplicável sobre os créditos, prevista no art. 8", § 3°, da Lei n° 10.925, de 2004, é determinado em função do produto adquirido e não do fabricado. Fl. 667DF CARF MF Processo nº 10909.001524/200561 Acórdão n.º 9303008.056 CSRFT3 Fl. 668 5 Recurso Voluntário Negado Portanto, entendese pelo conhecimento do recurso especial da Fazenda Nacional. Mérito A controvérsia de mérito gravita em torno da aplicação da alíquota do crédito presumido da agroindústria, prevista no §3º, do art. 8º da Lei n.º 10.925/2004, se determinada em função dos produtos fabricados ou em função dos insumos adquiridos. Esta 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em diversas oportunidades, debruçouse sobre a matéria, externando entendimento de que a determinação da alíquota aplicável de crédito presumido da agroindústria darseá em função do produto fabricado pela Contribuinte e não dos insumos que foram adquiridos. Os bem lançados fundamentos do Acórdão n.º 9303003.330, da sessão de 10/12/2015, de relatoria do Ilustre Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, espelham o posicionamento deste Colegiado, passando a integrar esta decisão como razões de decidir, in verbis: [...] A questão controversa nos autos referese à discussão da alíquota a ser utilizada para o cálculo do crédito presumido das atividades agroindustriais. De um lado, o Fisco alega que a alíquota aplicável sobre os insumos adquiridos para a agroindústria, prevista no art. 8º, § 3º, da Lei nº 10.925, de 2004, é determinado em função do produto adquirido, ou seja, a alíquota de 35% sobre as aquisições de bovino vivo, classificado no capítulo 1 da NCM, posição 01.02. De outro lado, a Recorrente entende que o percentual a ser aplicado é 60%, em função da natureza do produto a que a agroindústria deu saída, e não da origem do insumo que aplicou para obtêlo. No caso, a empresa deu saída a produtos do capítulo 2 da NCM. Neste caso, assiste razão à recorrente, tendo em vista recente alteração legislativa que interpretou de forma contrária ao argumento do Fisco. O art. 33 da Lei nº 12.865/2013 acresceu enunciado interpretativo ao art. 8° da Lei nº 10.925/2004, verbis: Art. 33. O art. 8º da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004, passa a vigorar com as seguintes alterações: "Art. 8º ............................................................................................ Fl. 668DF CARF MF Processo nº 10909.001524/200561 Acórdão n.º 9303008.056 CSRFT3 Fl. 669 6 § 1º ................................................................................................. I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, e 18.01, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM); ......................................................................................................... § 10. Para efeito de interpretação do inciso I do § 3º, o direito ao crédito na alíquota de 60% (sessenta por cento) abrange todos os insumos utilizados nos produtos ali referidos." (NR) O referido § 3º do art. 8º da Lei nº 10.925/2004 possui a seguinte redação: § 3º O montante do crédito a que se referem o caput e o § 1º deste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a: I 60% (sessenta por cento) daquela prevista no art. 2º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e no art. 2º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2, 3, 4, exceto leite in natura, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18; (Redação dada pela Lei nº 13.137, de 2015) II (Revogado pela Lei nº 12.865, de 2013) III 35% (trinta e cinco por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os demais produtos. (Incluído pela Lei nº 11.488, de 2007) IV 50% (cinquenta por cento) daquela prevista no caput do art. 2º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e no caput do art. 2º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para o leite in natura, adquirido por pessoa jurídica, inclusive cooperativa, regularmente habilitada, provisória ou definitivamente, perante o Poder Executivo na forma do art. 9ºA; (Incluído pela Lei nº 13.137, de 2015) V 20% (vinte por cento) daquela prevista no caput do art. 2º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e no caput do art. 2º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para o leite in natura, adquirido por pessoa jurídica, inclusive cooperativa, não habilitada perante o Poder Executivo na forma do art. 9ºA. (Incluído pela Lei nº 13.137, de 2015) O legislador expressamente consignou a natureza interpretativa do §10 do art. 8º da Lei nº 10.925/2004 incluído pela Lei nº 12.865/2013. Desta forma, Fl. 669DF CARF MF Processo nº 10909.001524/200561 Acórdão n.º 9303008.056 CSRFT3 Fl. 670 7 conforme determinação do art. 106, I, do Código Tributário Nacional, aplicase o entendimento de que o direito ao crédito na alíquota de 60% (sessenta por cento) abrange todos os insumos utilizados nos produtos referidos no inciso I do § 3º do art. 8º da Lei º 10.925/2004, de forma retroativa, alcançando os fatos geradores objeto do presente lançamento. Assim, reconhecese à Recorrente o direito à apropriação do crédito presumido na forma do art. 8°, § 3°, inciso I, da Lei nº 10.925, de 2004, ou seja, no equivalente a 60% das alíquotas básicas previstas no art. 2º da Lei nº 10.637, de 2002, e no art. 2º da Lei nº 10.833, de 2003. [...] Diante do exposto, negase provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. É o voto. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Fl. 670DF CARF MF
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