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Numero do processo: 12448.737405/2011-98
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS.
Mantida a tributação dos valores lançados como omissão de rendimentos, tendo em vista que o contribuinte não logrou comprovar, mediante documentos hábeis e idôneos, a origem dos rendimentos efetivamente por ele recebidos.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS - ALUGUÉIS.
O repasse a terceiros de valores recebidos a título de aluguel, por mera liberalidade, não exime o contribuinte de declarar os rendimentos por ele recebidos.
Numero da decisão: 2402-007.049
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(assinado digitalmente)
Renata Toratti Cassini - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Luis Henrique Dias Lima, Mauricio Nogueira Righetti, Paulo Sergio da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci, Wilderson Botto (Suplente Convocado), Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini.
Nome do relator: RENATA TORATTI CASSINI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2007 OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS. Mantida a tributação dos valores lançados como omissão de rendimentos, tendo em vista que o contribuinte não logrou comprovar, mediante documentos hábeis e idôneos, a origem dos rendimentos efetivamente por ele recebidos. OMISSÃO DE RENDIMENTOS - ALUGUÉIS. O repasse a terceiros de valores recebidos a título de aluguel, por mera liberalidade, não exime o contribuinte de declarar os rendimentos por ele recebidos.
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Mantida a tributação dos valores lançados como omissão de rendimentos, tendo em vista que o contribuinte não logrou comprovar, mediante documentos hábeis e idôneos, a origem dos rendimentos efetivamente por ele recebidos. OMISSÃO DE RENDIMENTOS ALUGUÉIS. O repasse a terceiros de valores recebidos a título de aluguel, por mera liberalidade, não exime o contribuinte de declarar os rendimentos por ele recebidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente (assinado digitalmente) Renata Toratti Cassini Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Luis Henrique Dias Lima, Mauricio Nogueira Righetti, Paulo Sergio da Silva, João AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 73 74 05 /2 01 1- 98 Fl. 344DF CARF MF Processo nº 12448.737405/201198 Acórdão n.º 2402007.049 S2C4T2 Fl. 345 2 Victor Ribeiro Aldinucci, Wilderson Botto (Suplente Convocado), Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, abaixo reproduzido: Contra o contribuinte foi lavrado auto de infração (fls.248 a 257) referente a Imposto sobre a Renda de Pessoa Física do anocalendário 2006, no qual foi apurado imposto no valor de R$31.687,73 acrescido da multa de ofício e juros de mora, em decorrência da apuração de omissão de rendimentos sem vínculo empregatício auferidos do Centro Interamericano de Administração Tributária – CIAT e da omissão de rendimentos de aluguéis produzidos pelo imóvel Hadock Lobo, nº 508 – Rio de Janeiro. A descrição dos fatos e o enquadramento legal se encontram no referido auto de infração. Na impugnação (fls. 261 a 263) o contribuinte argumenta que, por ocasião da intimação, apresentou voluntariamente os extratos bancários relativos a sua movimentação bancária para fins de comprovação de rendimentos recebidos em moeda estrangeira e não oferecidos à tributação na declaração do imposto de renda. Salienta que na ocasião esclareceu que tais recebimentos foram efetuados em decorrência da indenização trabalhista, conforme sentença judicial anexada a resposta a intimação. Alega que no extrato do Banco do Brasil todos os depósitos estavam identificados (em dólares) pelo Centro de Interamericano de Administração Tributária – CIAT. Esclarece que tais depósitos foram feitos por transferências bancárias de agências do CIAT no exterior (Panamá, Miami, Nova York) as quais foram convertidas para o Real pelo câmbio na data de competência. Informa que a “indenização trabalhista foi motivada pelo fato de o CIAT não ter honrado a devolução da retenção sobre os rendimentos auferidos como consultor do mencionado organismo internacional. No que diz respeito aos rendimentos de aluguéis detectados nos extratos bancários, esclarece que se referem ao recebimento de aluguéis de apartamento do espólio de Laís de Paiva Gomes Lobianco, sendo que tais aluguéis foram repassados a Ivan de Paiva Gomes Lobianco, seu filho, com o objetivo de ajudálo a pagar a faculdade, conforme comprovam os extratos. Fl. 345DF CARF MF Processo nº 12448.737405/201198 Acórdão n.º 2402007.049 S2C4T2 Fl. 346 3 Conclui que como se trata de indenização trabalhista a mesma não está sujeita a cobrança do imposto de renda pelos seguintes motivos: 1) o pagamento visou apenas reparar o valor não pago pelos serviços prestados nas consultorias realizadas no exterior, não constituindose em acréscimo patrimonial, não havendo, portanto, a incidência do imposto de renda; 2) à época, não era residente ou domiciliado no Brasil, contrariando a base legal citada na notificação (arts. 1º, 2º e 3º e §§ da Lei nº 7.713/88). Ao final, aponta que o lançamento apresenta erros, pois não foram abatidos os valores lançados na declaração de ajuste anual. Acompanham a impugnação os documentos de fls. 264 a 286. A DRJ julgou a impugnação improcedente, mantendo o auto de infração, em decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2007 RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Tributamse os rendimentos omitidos pelo contribuinte, do trabalho com ou sem vínculo empregatício, caso o contribuinte não consiga demonstrar, mediante documentos hábeis, que tal omissão não ocorreu. OMISSÃO DE RENDIMENTOS ALUGUÉIS O repasse de valores recebidos a título de aluguel, por mera liberalidade, não exime o contribuinte de declarar os rendimentos por ele recebidos. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimado dessa decisão, o recorrente interpôs recurso voluntário, no qual reproduz as mesmas razões de defesa constantes de sua impugnação. Sem contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheira Renata Toratti Cassini Relatora Inicialmente, consta dos autos despacho registrando o extravio do AR (fls. 343). Em função disso, não é possível aferir se houve interposição tempestiva do recurso Fl. 346DF CARF MF Processo nº 12448.737405/201198 Acórdão n.º 2402007.049 S2C4T2 Fl. 347 4 voluntário. No entanto, o recorrente não pode ser prejudicado por eventual falha na guarda daquele documento. Desse modo, considerando que os demais requisitos de admissibilidade foram atendidos, o recurso voluntário deve ser considerado tempestivo, impondose o seu conhecimento. MÉRITO Em síntese, constam do recurso voluntário apenas dois argumentos de defesa, qua sejam: (i) o de que os rendimentos decorrentes de acordo trabalhista têm natureza indenizatória, não conformando hipótese de incidência do tributo lançado, e (ii) o de que os aluguéis recebidos pelo recorrente, na realidade, representam renda do seu filho, dado que provenientes de imóvel pertencente ao espólio de sua esposa. Não há controvérsia quanto aos valores objeto da autuação, mas apenas quanto à natureza dos rendimentos pagos em razão de acordo trabalhista e quanto à titularidade dos valores decorrentes de aluguéis. Pois bem. Com relação aos valores recebidos em razão de acordo trabalhista, a petição que trata da reclamação trabalhista que os teria ensejado (fls. 322 ss.), dá conta de que o recorrente estava pleiteando o seguinte: C PAGAR DIRETAMENTE, COM JUROS E CORREÇÃO MONETÁRIA, as seguintes rubricas: c.1. Aviso prévio e sua projeção; c.2. Gratificação de Natal de todo o período laborado; c.3. Férias vencidas em dobro dos períodos de 1997/1998, 1998/1999, 1999/2000, 2001/2002, 2002/2003 férias simples e férias proporcionais de 2004 todas acrescidas do terço constitucional; c.4. Multa de 40% sobre os valores devidos para o fundo de garantia por tempo de serviços corrigidos monetariamente; c.5. Pagar os salários retidos dos meses de abril de 2002 até março de 2003; junho e julho de 2003 e diferenças dos meses de maio, novembro e dezembro de 2003; de janeiro a abril de 2004 e de julho a outubro de 2004, tudo conforme for apurado em regular liquidação de sentença; c.6. Devolver as diferenças e retenções salariais sofridas pelo reclamante, que deverão ser apuradas em liquidação de Sentença; c.7. Pagar as diárias de viagens devidas ao Autor, no valor de R$ 4.745,00; c.8. Horas extras laboradas, com o adicional de 50%, todas com os consectários reflexos nos DSRs, aviso prévio, saldo salarial, 130 salários, férias acrescidos do terço constitucional, e no Fl. 347DF CARF MF Processo nº 12448.737405/201198 Acórdão n.º 2402007.049 S2C4T2 Fl. 348 5 FGTS acrescido da muita de 40%, bem como nas demais verbas decorrentes do contrato de trabalho. D. Honorários advocatícios na base de 20% (vinte por cento) sobre o valor da condenação. E. Juros e correção monetária na forma da legislação em vigor Como se percebe, muitas dessas verbas têm natureza remuneratória e não indenizatória, diferentemente do que alega o recorrente. Outrossim, apesar dos pagamentos terem por origem processo judicial no qual elas eram pleiteadas, o acordo homologado não especificou a natureza do que estava sendo pago por meio do então ajustado. Ao contrário, sugere que somente os valores relativos à remuneração por serviços prestados sem vinculo empregatício é que foram pagos. Ou seja, nenhuma verba indenizatória daquelas pleitadas naquela ação judicial estava ali sendo paga pelo reclamado por meio daquele ajuste (fls. 331). Desse modo, não há como acolher os argumentos do recorrente neste ponto. No que concerne aos aluguéis, sua alegação de que os valores seriam de propriedade de seu filho, que os receberia na condição de herdeiro da esposa do recorrente, não há prova nos autos nesse sentido. Se o espólio possuía renda, cumpria ao recorrente apresentar a Declaração de Imposto de Renda do espólio, o que não fez. Tampouco constam dos autos certidão de óbito da esposa do recorrente, ou prova de propriedade do imóvel ou outros elementos capazes de sustentar suas afirmações. O que, de fato, está demonstrado é que o recorrente recebia os valores de aluguel em suas contas correntes e não os declarou em sua Declaração de Imposto de Renda. Portanto, igualmente neste ponto, entendemos que não tem razão. Conclusão Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Renata Toratti Cassini Relatora Fl. 348DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11516.001493/2009-58
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2004 a 30/11/2007
GRUPO ECONÔMICO. CONFIGURAÇÃO.
Os grupos econômicos podem ser de direito ou de fato, sendo que estes últimos podem se configurar pela combinação de recursos ou esforços para a consecução de objetivos comuns. A partir do exame da documentação apresentada pelas empresas, bem como de outras informações constantes dos autos, foi possível à Fiscalização a caracterização de grupo econômico de fato.
GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA.
As empresas integrantes de grupo econômico respondem entre si, solidariamente, pelo cumprimento das obrigações previstas na legislação previdenciária.
Numero da decisão: 9202-007.683
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Patrícia da Silva e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2004 a 30/11/2007 GRUPO ECONÔMICO. CONFIGURAÇÃO. Os grupos econômicos podem ser de direito ou de fato, sendo que estes últimos podem se configurar pela combinação de recursos ou esforços para a consecução de objetivos comuns. A partir do exame da documentação apresentada pelas empresas, bem como de outras informações constantes dos autos, foi possível à Fiscalização a caracterização de grupo econômico de fato. GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. As empresas integrantes de grupo econômico respondem entre si, solidariamente, pelo cumprimento das obrigações previstas na legislação previdenciária.
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CONFIGURAÇÃO. Os grupos econômicos podem ser de direito ou de fato, sendo que estes últimos podem se configurar pela combinação de recursos ou esforços para a consecução de objetivos comuns. A partir do exame da documentação apresentada pelas empresas, bem como de outras informações constantes dos autos, foi possível à Fiscalização a caracterização de grupo econômico de fato. GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. As empresas integrantes de grupo econômico respondem entre si, solidariamente, pelo cumprimento das obrigações previstas na legislação previdenciária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Patrícia da Silva e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 14 93 /2 00 9- 58 Fl. 360DF CARF MF 2 Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório No presente processo, encontrase em julgamento o Debcad 37.204.6088, referente às Contribuições Previdenciárias destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos Riscos Ambientais do Trabalho RAT, incidentes nas remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos, no período de 12/2004 a 11/2007, conforme Relatório Fiscal de fls. 20 a 35. Em sessão plenária de 14/05/2014, foi julgado o Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2403002.609 (efls. 236 a 250), assim ementado: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2004 a 30/04/2007 PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial das Contribuições Previdenciárias é de 05 (cinco) anos, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, quando houver antecipação no pagamento, mesmo que parcial, por força da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal. GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza, respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações previdenciárias. Caracterizase grupo econômico quando duas ou mais empresas estão sob a direção, o controle ou a administração de outra, ou mesmo quando existe relação de coordenação entre as diversas empresas, compondo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica, ainda que cada uma delas tenha personalidade jurídica própria. Recurso Voluntário Provido em Parte." A decisão foi assim resumida: "ACORDAM os membros do Colegiado, em preliminar: Por unanimidade de votos, em reconhecer a decadência da competência 12/2004 a 11/2005, nos termos do art. 150, § 4º do CTN. No mérito: Por maioria de votos em negar provimento ao recurso entendendo caracterizado o grupo econômico. Vencido o relator Marcelo Magalhães Peixoto e o conselheiro Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas. A conselheira Daniele Souto Rodrigues votou pelas conclusões. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari." Intimada da decisão, a Fazenda Nacional não interpôs Recurso Especial (e fls. 251). Fl. 361DF CARF MF Processo nº 11516.001493/200958 Acórdão n.º 9202007.683 CSRFT2 Fl. 361 3 Cientificada do acórdão em 14/01/2015 (AR Aviso de Recebimento de e fls. 338), a Responsável Solidária Proactiva Meio Ambiente Brasil Ltda interpôs, em 29/01/2015 (carimbo de efls. 265), o Recurso Especial de efls. 265 a 336, com fundamento nos artigos 67 e 68, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, visando rediscutir a questão da caracterização do grupo econômico e, por consequência, a responsabilidade solidária. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme despacho de 14/08/2015 (efls. 342 a 347). Em seu apelo, a Responsável Solidária alega: o próprio Ministério Público do Trabalho chancela a relação havida entre Proactiva e Armiplan, ratificando que não há aqui terceirização indevida; a decisão recorrida parte de uma busca "por analogia" da definição de grupo econômico que se dá na Consolidação das Leis do Trabalho, em particular no seu artigo 2°, § 2°, os supostos elementos necessários à caracterização do que seria esse "grupo econômico"; ocorre que essa analogia jamais poderia ter sido realizada, a uma, porque há sim parâmetros normativos aos quais está adstrita a autoridade julgadora e, a duas, porque o dispositivo da CLT invocado pela decisão recorrida, por disposição expressa de seu próprio texto, somente pode ser aplicado para fins de determinação da relação de emprego e não para fins tributários; com efeito, existe sim definição de grupo econômico que deveria pautar o entendimento da autoridade julgadora que não a CLT, esta que é inaplicável à espécie; assim, devese entender por grupo econômico, para os fins de solidariedade tratados neste caso, duas ou mais empresas que estão sob direção, controle ou administração comum, conforme preceituam as Instruções Normativas INSS/DC n° 100/2003 e MPS/SRP n° 3/2005; e a prova de que a Armiplan não tem qualquer direção ou administração própria não foi, de maneira alguma, trazida pela Fiscalização ou pela decisão recorrida; por mais desorganizada que fosse a empresa Armiplan e sua contabilidade e por mais que se possa eventualmente questionar a sua lisura fiscal e mesmo trabalhista, jamais se demonstrou haver ali qualquer insurgência administrativa, diretiva ou de controle por parte da empresa Proactiva; como se demonstrou, o monitoramento da Proactiva se dava em relação à execução de alguns dos serviços em seu aterro sanitário, tratandose, portanto, de um monitoramento no nível de execução, o mais baixo possível, longe de poder ser considerado nível administrativo, diretivo ou de controle; de fato, dentro da Armiplan quem recolhia os tributos ou não os recolhia quem pagava salários, quem contratava e demitia, quem distribuía ou não lucros, quem optava ou não por prestar serviços a uma ou outra empresa (ou mesmo a manterse como uma prestadora de serviços direcionada, dada a especificidade do seu mercado de atuação) eram Fl. 362DF CARF MF 4 exclusivamente seus sócios/administradores, de sorte que não há compartilhamento de direção, administração ou coisa que o valha; essa questão, aliás, já foi superada pelas próprias instâncias competentes da Justiça do Trabalho, como já se demonstrou, assim como já foi superada anteriormente, por ocasião de outros desdobramentos do MPF que deu origem ao caso vertente; a questão do controle oferece ainda menos dificuldades, já que não há qualquer vínculo societário entre as referidas empresas; não há como sustentar que a Proacvtiva tenha tido interesse jurídico na situação que constitua o fato gerador das exações objeto deste recurso; como bem pontua o voto vencido do acórdão recorrido, assim como o acórdão paradigma e a uníssona jurisprudência do STJ, não é qualquer interesse que enseja a caracterização da solidariedade, sendo necessário um interesse qualificado, jurídico; o que se exige é que o sujeito passivo por solidariedade também tenha, concretamente, praticado o fato gerador; é simplesmente impossível vincular juridicamente a recorrente à prática do fato gerador das Contribuições em apreço, uma vez que, como se viu, esta não pagou os funcionários da empresa Armiplan; a própria Justiça do Trabalho em inúmeras vezes já decidiu, como se comprovou neste caso, que a Proactiva não é empregadora dos funcionários da empresa Armiplan; vale rememorar também que houve a celebração de Termo de Ajustamento de Conduta com o Ministério do Trabalho, pelo qual se acordou que a Proactiva contrataria alguns dos funcionários da Armiplan a partir do ano de 2008; tratase aí de um reconhecimento, pelo próprio Ministério Público do Trabalho, de que não havia relação de trabalho (subordinação, habitualidade e pessoalidade) e, portanto, de que não se tratava de um grupo econômico, nos termos do art. 2°, § 2 °, da CLT, entre os funcionários da Armiplan e a Proactiva à época dos créditos tributários exigidos; dessa forma, não se pode pretender qualquer efetivo interesse comum da Proactiva na prática do fato gerador em exame, o qual foi praticado única e exclusivamente pela Armiplan, de forma isolada. Ao final, a recorrente pede que seja conhecido e provido o recurso, cancelandose o lançamento na parte que atribui responsabilidade solidária. O processo foi encaminhado à PGFN em 12/07/2016 (Despacho de Encaminhamento de efls. 2.346 do processo principal) e, em 26/07/2016 (Despacho de Encaminhamento de efls. 2.359 do processo principal), foram oferecidas as Contrarrazões de efls. 348 a 359, contendo os seguintes argumentos: o art. 30, inciso IX, da Lei nº 8.212, de 1991, é suficiente para legitimar a responsabilização solidária das empresas de um mesmo grupo econômico pelas dívidas para com a Seguridade Social; Fl. 363DF CARF MF Processo nº 11516.001493/200958 Acórdão n.º 9202007.683 CSRFT2 Fl. 362 5 notase que o citado artigo, que cuida da responsabilidade solidária das empresas de um grupo econômico pelas dívidas para com a Seguridade Social, referese a uma solidariedade prevista em lei, logo não depende de demonstração de qualquer interesse comum; da leitura do art. 2º, §2º, da CLT, exigese, como condição elementar para existência de grupo econômico, o controle central de uma das empresas sobre as demais e esse mesmo entendimento se extrai da IN nº 03/2005, do INSS; frisase que não se exige o revestimento por determinada modalidade societária (holding, consórcio, pool, etc), bastando provas que evidenciem os elementos de integração interempresarial; já na leitura do art. 265, da Lei de Sociedades Anônimas, basta a combinação de esforços entre as empresas para que aufiram objetivos comuns, ou participem do empreendimento comum; diante disso podemos firmar o convencimento de que, para caracterizar grupo econômico, é necessário haver a conjugação dos seguintes elementos: composição de entidades estruturadas como empresas; e que, entre elas, haja um nexo relacional; no tocante a esse último requisito, uns entendem que essa relação deve ser ordem hierárquica, mas há quem entenda que, para configuração do grupo econômico, não é mister que uma empresa seja administradora da outra ou que possua grau hierárquico ascendente, sendo suficiente uma relação de simples coordenação dos entes empresariais envolvidos, que é o entendimento moderno; a situação sob análise atende a todas essas definições dadas, como se verifica nos inúmeros fatos levantados pela fiscalização; diante dos fatos relatados, verificase que essas empresas encontramse sob gestão comum e que, entre elas, existe uma relação interempresarial, pois os negócios são conduzidos tendo em vista interesses desse grupo, e não os de cada uma das diversas sociedades, o que torna essa separação societária de índole apenas formal; portanto, resta caracterizada a formação do grupo econômico de fato e a consequente responsabilização solidária de todas as empresas dele integrantes. Ao final, a Fazenda Nacional pede que seja negado provimento ao recurso. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora O Recurso Especial interposto pela Responsável Solidária é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Tratase de Auto de Infração de Obrigação Principal, Debcad 37.204.6088, referente às Contribuições Previdenciárias destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos Riscos Ambientais do Trabalho RAT, incidentes nas remunerações pagas, devidas ou creditadas a Fl. 364DF CARF MF 6 qualquer título, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos, no período de 12/2004 a 11/2007, conforme Relatório Fiscal de fls. 20 a 35. No acórdão recorrido, entendeuse que estaria caracterizado Grupo Econômico entre as empresas Armiplan (principal) e Proactiva (solidária). A Responsável Solidária, por sua vez, visa rediscutir a questão da caracterização de Grupo Econômico e, por consequência, a responsabilidade solidária. Quanto à caracterização do Grupo Econômico, a Fiscalização demonstrou à exaustão o entrelaçamento entre as empresas Armiplan e Proactiva, concluindo por tratarse efetivamente de Grupo Econômico de fato, inclusive porque, na prática, a Proactica caracterizavase como a única empregadora. Nesse sentido o voto vencedor do acórdão bem resumiu os fatos que apontam para esta conclusão: "Em atenção ao princípio da verdade material, a responsabilidade solidária recai sobre grupos de empresas constituídos formal (contrato social ou estatuto social) ou informalmente, sendo que estes últimos são identificados a partir da análise da relação entre a empresa empregadora e as demais. Isto porque nem sempre é fácil a identificação da existência de grupo econômico, porque as empresas se utilizam de diferentes expedientes para ocultar o liame existente entre elas. (...) O conjunto de provas contido no processo deixa claro a existência do grupo econômico, como por exemplo: · a declaração prestada pelo Sr. Valdecir Antônio Ramos (fls. 57 a 59 do Anexo I do presente processo 11516.001487/ 200909), formalmente sócio majoritário da ARMIPLAN, na qual aduz que aceitou emprestar o nome para criar tal empresa porque precisava de seu emprego no aterro sanitário localizado em Biguaçu/SC; que achava que a ARMIPLAN era do SIMPLES; e que nem sabia que a ARMIPLAN não estava entregando declarações como a DIPJ e a DCTF; · a declaração prestada pela Sra. Ana Paula Ramos (fl. 38 do Anexo I do processo 11516.001487/200909), na qual aduz que a partir de fevereiro de 2007 começou a emitir as notas fiscais da ARMIPLAN, mas que antes deste mês, quem emitia as notas em nome da ARMIPLAN era a própria PROACTIVA; · a declaração prestada pelo Engenheiro Ernani Luz Santa Rita (fl. 24 do Anexo I do presente processo 11516.001487/ 200909), na qual aduz que é o responsável pelo gerenciamento do aterro sanitário da PROACTIVA localizado no município de Biguaçu/SC; que, malgrado seja empregado registrado da PROACTIVA, gerencia o trabalho desempenhado tanto pelos funcionários da PROACTIVA quanto da ARMIPLAN; que até o final do ano de 2008 todos os trabalhadores formalmente registrados como empregados da ARMIPLAN seriam transferidos para a PROACTIVA; e que o pagamento de Fl. 365DF CARF MF Processo nº 11516.001493/200958 Acórdão n.º 9202007.683 CSRFT2 Fl. 363 7 funcionários e o recolhimento de impostos da ARMIPLAN são controlados pela PROACTIVA; · a declaração prestada pelo Sr. Armelindo Ramos (fls. 94/94v do Anexo I do presente processo 11516.001487/ 200909), procurador formalmente investido de poderes para administrar a gerir a ARMIPLAN (cópia de procuração de fl. 41 do Anexo I do presente processo 11516.001487/ 200909), na qual aduz que a sua função no aterro é de encarregado do pessoal; que a PROACTIVA emprestou R$ 60.000,00 a ARMIPLAN em 2005 para pagar o IRRF dos funcionário desta; e que a PROACTIVA, visando manter a ARMIPLAN em atividade, já a ajudou e quitou dividas dela. · a constatação de que a ARMIPLAN, a partir do início de 2005, prestou serviços unicamente a PROACTIVA, conforme demonstrado pelas notas fiscais reproduzidas as fls. 416 a 454 dos autos e as fls. 281 a 316 do Anexo I do presente processo (11516.001487/200909); · a constatação de que a ARMIPLAN fornece como seu próprio endereço, a localização do aterro sanitário em Biguaçu/SC de propriedade da PROACTIVA, · a constatação de que, há vários anos, todos o trabalhadores formalmente vinculados à ARMIPLAN, laboram exclusivamente no aterro sanitário de propriedade da PROACTIVA no município de Biguaçu/SC (folhas de pagamento de fls. 476 a 857); · a declaração, pelo Sr. Miguel Ramos Filho (fl. 23 do Anexo I do presente processo 11516.001487/ 200909), que figura nas folhas de pagamento elaboradas em nome da empresa ARMIPLAN como empregado na função de auxiliar administrativo, de que tem como verdadeira incumbência laboral o controle de acesso ao aterro sanitário de Biguaçu/SC de veículos e do pessoal tanto da ARMIPLAN quanto da PROACTIVA; · o capital social previsto no documento de constituição da ARMIPLAN é irrisório (R$ 5.000,00) e de que esta não detém a propriedade/posse formal de nenhum equipamento/máquina necessário à prestação de serviços de terraplanagem. CONCLUSÃO Pelas razões legais e fáticas acima expostas, entendo correta a sujeição passiva solidária da empresa Proactiva Meio Ambiente Brasil Ltda." (destaques no original) Assim, a despeito dos argumentos contidos no Recurso Especial, restou comprovado que as empresas Armiplan e Proactiva compõem Grupo Econômico de fato, já que, na prática, a primeira é dirigida e controlada pela segunda. Com efeito, é a Proactiva que Fl. 366DF CARF MF 8 assegura o suporte administrativo, patrimonial e econômico para que a Armiplan exerça suas atividades. E as atividades exercidas por ambas as empresas no aterro sanitário de propriedade da Proactiva, localizado em Biguaçu/SC, constituem na verdade um único empreendimento, como bem pontuou a decisão de Primeira Instância. Assentado que as empresas Armiplan e Proactiva constituem Grupo Econômico de fato, resta analisar as consequências desta conclusão, no que tange à responsabilidade solidária da Proactiva, que é o tema central do apelo. O art. 30, inciso IX, da Lei nº 8.212, de 1991, assim estabelece: "Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (...) IX as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei;" O CTN, por sua vez, dispõe em seu art. 124: "Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem." Assim, a conjugação dos dispositivos acima destacados conduz à conclusão no sentido de que, constatada a existência do Grupo Econômico, formal ou informal (de fato), as empresas dele integrantes respondem solidariamente pelas obrigações previdenciárias, independentemente de verificação acerca do atendimento ao inciso I, do art. 124, do CTN. Nesse sentido é a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça: "PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. INEXISTÊNCIA DE OMISSÃO, CONTRADIÇÃO OU OBSCURIDADE NO ACÓRDÃO RECORRIDO. INDEFERIMENTO DE PROVA PERICIAL E TESTEMUNHAL. CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. REVISÃO. SÚMULA N. 7 DO STJ. GRUPO ECONÔMICO. COMANDO ÚNICO. EXISTÊNCIA DE FATO. SOLIDARIEDADE. ART. 124, INC. II, DO CTN C/C ART. 30, INC. IX, DA LEI N. 8.212/91. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. AJUDA DE CUSTO. DIÁRIAS. DESCARACTERIZAÇÃO. NATUREZA SALARIAL CONFIGURADA. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. SUCUMBÊNCIA RECÍPROCA. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. SÚMULA N. 306 DO STJ. Fl. 367DF CARF MF Processo nº 11516.001493/200958 Acórdão n.º 9202007.683 CSRFT2 Fl. 364 9 1. Não havendo no acórdão omissão, contradição ou obscuridade capaz de ensejar o acolhimento da medida integrativa, tal não é servil para forçar a reforma do julgado nesta instância extraordinária. Com efeito, afigurase despicienda, nos termos da jurisprudência deste Tribunal, a refutação da totalidade dos argumentos trazidos pela parte, com a citação explícita de todos os dispositivos infraconstitucionais que aquela entender pertinentes ao desate da lide. 2. A jurisprudência desta Corte firmou o entendimento de que não constitui cerceamento de defesa o indeferimento da produção de prova testemunhal e pericial quando o magistrado julgar suficientemente instruída a demanda, esbarrando no óbice da Súmula n. 7 do STJ a revisão do contexto fáticoprobatórios dos autos para aferir se o acervo probatório é ou não satisfatório. Precedentes. 3. O Tribunal de origem declarou que "é fato incontroverso nos autos que as três embargantes compartilham instalações, funcionários e veículos. Além disso, a fiscalização previdenciária relatou diversos negócios entre as empresas como empréstimos sem o pagamento de juros e cessão gratuita de bens, que denotam que elas fazem parte de um mesmo grupo econômico. O sóciogerente da Simóveis, Sr. Écio Sebastião Back tem um procuração que o autoriza a praticar atos de gerência em relação às outras empresas, sendo irmão do sócio gerente delas. Ou seja, no plano fático não há separação entre as empresas, o que comprova a existência de um grupo econômico e justifica o reconhecimento da solidariedade entre as executadas/embargantes" (grifei). 4. Incide a regra do art. 124, inc. II, do CTN c/c art. 30, inc. IX, da Lei n. 8.212/91, nos casos em que configurada, no plano fático, a existência de grupo econômico entre empresas formalmente distintas mas que atuam sob comando único e compartilhando funcionários, justificando a responsabilidade solidária das recorrentes pelo pagamento das contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração dos trabalhadores a serviço de todas elas indistintamente. 5. "O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito" (REsp 973733/SC, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Seção, DJe 18.9.2009, submetido à sistemática do art. 543C do CPC e da Res. STJ n. 8/08). 6. A Corte a quo, soberana no delineamento das circunstâncias fáticas, observou que, apesar de denominadas como diárias e ajuda de custo, as verbas eram pagas de forma habitual, em valores fixos e expressivos, aos mesmos empregados e sem que Fl. 368DF CARF MF 10 fosse comprovada a execução dos serviços a que elas se destinavam ou a realização de viagens, "simplesmente para aumentar a sua remuneração". Correta, pois, a conclusão pela natureza salarial para fins de incidência da contribuição previdenciária. 7. "Os honorários advocatícios devem ser compensados quando houver sucumbência recíproca, assegurado o direito autônomo do advogado à execução do saldo sem excluir a legitimidade da própria parte" (Súmula n. 306 do STJ). 8. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, não provido. (REsp 1144884/SC, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 07/12/2010, DJe 03/02/2011)" (grifei) Voto "As recorrentes afirmam que, para a formação de grupo de atividade econômica, é necessário que "uma ou mais empresas, cada uma com sua personalidade jurídica própria, estejam sob a direção, controle ou administração de outra" (eSTJ fl. 412 grifo original). (...) Inicialmente, cumpre destacar que o caso em apreço versa sobre a solidariedade estipulada no inc. II do art. 124 do CTN, ou seja, quando há pessoa expressamente designada por lei. A lei invocada pela origem para a aplicação dessa regra foi o art. 30, inc. IX, da Lei n. 8.212/91, segundo o qual "as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei" (grifei). Dessarte, não se aplica no caso concreto a jurisprudência desta Corte de que inexiste solidariedade passiva em execução fiscal apenas por pertencerem as empresas ao mesmo grupo econômico, já que tal fato, por si só, não justifica a presença do “interesse comum”, tendo em vista que essa locução interesse comum é oriunda no inc. I do art. 124 do CTN e não do inc. II, sob análise (v., por todos, o REsp 1001450/RS, Rel. Min. Castro Meira, Segunda Turma, DJe 27.3.2008). Desta forma, neste caso, à luz do art. 124, inc. II, do CTN e do art. 30, inc. IX, da Lei n. 8.212/91, basta aferir se, a partir do contexto fáticoprobatório dos autos, há elementos suficientes para caracterizar a existência de "empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza", para, em caso positivo, concluir pela existência da solidariedade. (...) Diante da expressividade dos fatos apresentados no acórdão, penso que não há como rejeitarse a existência de um mesmo grupo econômico, até porque a legislação de custeio da Fl. 369DF CARF MF Processo nº 11516.001493/200958 Acórdão n.º 9202007.683 CSRFT2 Fl. 365 11 previdência social não é restritiva quanto à sua configuração, ao permitir que tal grupo seja de qualquer natureza. Apesar de ser possível, em tese, socorrerse da Lei das Sociedades Anônimas (art. 265 da Lei n. 6.404/76) para buscar algum significado para a expressão grupo econômico, é preciso ter em mente que lá se trata da regulamentação de grupo de sociedades formalmente constituído. Assim, não é adequada a restrição da aplicação do art. 30, inc. IX, da Lei n. 8.212/91 ao caso concreto, pretendida pelas recorrentes, pois o citado dispositivo referese a empresas integrantes de grupo econômico, qualquer que seja a sua natureza, ou seja, de modo amplo a abarcar situações de informalidade. (...) In casu, verificase que o sóciogerente de uma das empresas tem poderes para praticar atos de gerência em relação às demais, fato esse que demonstra, sem dúvidas, a existência de um controle único sobre as três recorrentes que atende ao escopo legal de responsabilização do grupo econômico de qualquer natureza. Ganha relevo essa tese quando se depreende que, além do comando ser centralizado na pessoa do sóciogerente de uma das empresas recorrentes, os funcionários da três eram compartilhados, de molde a justificar a existência de solidariedade quanto ao pagamento das contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração dos trabalhadores a serviço das três empresas. Nesse sentido, a doutrina se manifesta pela possibilidade da caracterização de grupo econômico, a despeito da ausência de formalidade em sua constituição, quando existir uma unidade gerencial em relação às empresas integrantes." (grifei) Ainda que a responsabilidade solidária fosse condicionada ao atendimento do art. 124, inciso I, do CTN o que se admite apenas para argumentar a situação tratada no presente processo permite concluir pela existência de interesse comum na situação que constituiu o fato gerador da obrigação principal, pelo fato de a empresa Proactiva ser, de fato, a principal empregadora, inclusive com transferência de funcionários da Armiplan, além da questão do empreendimento conjunto no aterro sanitário de Biguaçu/SC. No mesmo sentido do entendimento ora esposado, trago à colação o Acórdão nº 2401004.131, de 16/02/2016, da lavra da Ilustre Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa: Ementa "GRUPO ECONÔMICO. CONFIGURAÇÃO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Fl. 370DF CARF MF 12 Os grupos econômicos podem ser de direito e de fato, podendo estes se dar pela combinação de recursos ou esforços para a consecução de objetivos comuns. A partir do exame da documentação apresentada pelas empresas, bem como através de outras informações obtidas, é possível, à fiscalização, a caracterização de formação de grupo econômico de fato. GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA As empresas integrantes de grupo econômico respondem entre si, solidariamente, pelo cumprimento das obrigações previstas na legislação previdenciária, nos termos do inciso IX, art. 30, da Lei n° 8.212/91. (...)" Voto "Incontroverso, que para a caracterização e identificação de 'grupo econômico', importa, investigar a situação real (verificação dos vínculos entre as empresas e das circunstâncias em que se constituíram ou realizam suas atividades) e não apenas a situação meramente formal (de estarem ou não constituídas como "grupo econômico' da forma da Lei n° 6.404/76). E neste contexto constatandose a ocorrência de 'confusão patrimonial' entre empresas podese, inclusive, admitir que a responsabilidade tributária por solidariedade possa também se dar com fundamento no inciso I do artigo 124 do Código Tributário Nacional ('interesse comum no fato gerador'), já que se estaria verdadeiramente diante da circunstância em que o patrimônio poderia ser considerado como se fosse 'único' ( 'caixa único ') e, por consequência, as obrigações (inclusive tributárias), podem ser atribuídas a todos os integrantes, diretos ou indiretos, do 'grupo'. Nesse sentido, a comprovação da prática de simulação na constituição de pessoas jurídicas formalmente autônomas, mas, na realidade, sujeitas a comando único, invariavelmente se revestem das máculas do 'abuso da personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio de finalidade, ou pela confusão patrimonial' (art. 50, Código Civil) ou 'atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos" (art. 135, CTN), justifica plenamente o procedimento de considerálas como pertencentes às mesmas pessoas e, portanto, passíveis de responsabilização, independentemente dos seus quadros societários formais ou aparentes. Assim, a possibilidade da responsabilização tributária por solidariedade entre integrantes de um 'grupo econômico', seja ela 'de direito' ou 'de fato' tem fundamento nos incisos I e II do artigo 124 do Código Tributário Nacional (por expressa determinação legal), que nos leva ao inciso IX do artigo 30 da Lei 8.212/1991, nos casos em que se constata a 'confusão patrimonial' (interesse comum no fato gerador). Finalmente, vale destacar que a responsabilidade solidária de integrantes de 'grupo econômico' não representa inovação, pois Fl. 371DF CARF MF Processo nº 11516.001493/200958 Acórdão n.º 9202007.683 CSRFT2 Fl. 366 13 a própria CLT — Consolidação das Leis do Trabalho (DecretoLei 5.452/1943) a prevê, sem fazer qualquer distinção entre 'grupo econômico de fato ou de direito'. Com efeito: Art. 2 ( .. ). § 2° Sempre que uma ou mais empresas, tendo, embora, cada uma delas, personalidade jurídica própria, estiverem sob a direção, controle ou administração de outra, constituindo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica, serão, para os efeitos da relação de emprego, solidariamente responsáveis a empresa principal e cada uma das subordinadas. Feitas essas considerações, que demonstram cabalmente a viabilidade legal da existência de 'grupo econômico de fato' (além dos grupos econômicos formalmente constituídos), e a consequente possibilidade da responsabilização tributária por solidariedade entre os seus integrantes e respectivos dirigentes." Com efeito, no presente caso, o Termo de Sujeição Passiva anexo ao Relatório Fiscal ocupouse de também demonstrar a responsabilidade solidária, pelo ângulo do art. 124, inciso I. Confirase: "Realização conjunta, pela PROACTIVA MEIO AMBIENTE BRASIL LTDA e o sujeito passivo fiscalizado, das situações que configuraram os fatos geradores das contribuições previdenciárias lançadas na ação fiscal. 26. No contexto acima detalhado, ao utilizarse de uma simulação para interpor a empresa fiscalizada como braço empresarial para a contratação de trabalhadores para o aterro sanitário de sua propriedade a PROACTIVA MEIO AMBIENTE BRASIL LTDA na prática remunerou indiretamente estes trabalhadores, repassando através de depósitos bancários os valores necessários ao pagamento dos mesmos, vindo a compor com a ARMIPLAN ATERRO E TERRAPLANAGEM LTDA o mesmo pólo da relação capital x trabalho mantida com esta mãodeobra e participando, assim, da situação jurídica que deu azo à ocorrência do fato gerador das contribuições previdenciárias cuja responsabilidade solidária se está atribuindo com o presente Termo, qual seja, a de remunerar os trabalhadores em questão, segurados do Regime Geral de Previdência Social RGPS. 27. Pelo que entende a fiscalização que no caso em tela inequivocadamente ocorreu a condição do 'interesse comum na situação que constitua o fato gerador' na forma como tanto a doutrina quanto o judiciário têm dito ser necessário que se implemente para a atribuição da responsabilidade solidária com base no inciso I do art. 124 do Código Tributário Nacional CTN, ou seja, com a realização da situação configuradora do fato gerador da obrigação tributaria principal pelo sujeito passivo contribuinte em concorrência com aquele ao qual se está a atribuir a responsabilidade solidária. Fl. 372DF CARF MF 14 28. Argumento em que se embasa a fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil — RFB para, também com base no inciso I do art. 124 do Código Tributário Nacional — CTN, atribuir à empresa PROACTIVA MEIO AMBIENTE BRASIL LTDA a responsabilidade solidária pelas contribuições previdenciárias lançadas nos Autos de Infração n° 37.204.6029, 37.204.6037, 37.204.6053, 37.204.6061 e 37.204.6088 lavrados em desfavor do contribuinte ARMIPLAN — ATERRO E TERRAPLANAGEM LTDA." Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela responsável solidária Proactiva Meio Ambiente Brasil Ltda para, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 373DF CARF MF
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Numero do processo: 10530.001506/2007-86
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 10 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2003, 2004, 2005, 2006
OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - ARTIGO 42, DA LEI Nº, 9,430, de 1996.
Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
ÔNUS DA PROVA.
A presunção estabelecido no art.. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovado (Súmula CARF nº 26),
CONTRIBUINTE COM ÚNICA FONTE DE RENDIMENTOS - ATIVIDADE RURAL - COMPROVAÇÃO DA RECEITA
Pelas suas peculiaridades, os rendimentos da atividade rural gozam de tributação mais favorecida, devendo, a princípio, ser comprovados por nota fiscal de produtor. Entretanto, se o contribuinte somente declara rendimentos provenientes da atividade rural e o Fisco não prova que a omissão de rendimentos apurada tem origem em outra atividade, não procede a pretensão
de deslocar o rendimento apurado para a tributação normal. Sendo que nestes casos o valor a ser tributado deverá se limitar a vinte por cento da omissão apurada.
Recurso parcialmente provido
Numero da decisão: 2202-000.437
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para reduzir a base de cálculo da exigência, relativo ao item 02 do Auto de Infração, ao percentual de 20%, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Maria
Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, que negava provimento ao recurso.
Nome do relator: Antonio Lopo Martinez
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JULGAMENTO Processo n" 10530..001506/2007-86 Recurso n" 163A98 Voluntário Acórdão n" 2202-00.437 — 2" Câmara / 2" Turma Ordinária Sessão de 10 de março de 2010 Matéria IRPF Recorrente GLEIDIJALMA NEVES DE CARVALHO COSTA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2003, 2004, 2005, 2006 OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - ARTIGO 42, DA LEI N", 9,430, de 1996. Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ÔNUS DA PROVA. A presunção estabelecido no art.. 42 da Lei n" 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovado (Súmula CARF n" 26), CONTRIBUINTE COM ÚNICA FONTE DE RENDIMENTOS - ATIVIDADE RURAL - COMPROVAÇÃO DA RECEITA. Pelas suas peculiaridades, os rendimentos da atividade rural gozam de tributação mais favorecida, devendo, a princípio, ser comprovados por nota fiscal de produtor. Entretanto, se o contribuinte somente declara rendimentos provenientes da atividade rural e o Fisco não prova que a omissão de rendimentos apurada tem origem em outra atividade, não procede a pretensão de deslocar o rendimento apurado para a tributação normal.. Sendo que nestes casos o valor a ser tributado deverá se limitar a vinte por cento da omissão apurada. Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para reduzir a base de cálculo da exigência, relativo ao item 02 do Auto de Infração, ao percentual de 20%, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, que negava provimento ao recurso, • eis. 1 ann — Presidente -/ • • itonio Lo o Mlartin z Relator EDITADO EM: f-j 4 Go 2010 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Antonio Lopo Martinez, Pedro Anan Júnior, Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Helenilson Cunha Pontes, Gustavo Lian Haddad e Nelson Mallmann (Presidente). 2 Processo n" 10530 001506/2007-80 S2-C212 Acórdão o " 2202-00437 El. 2 Relatório Em desfavor da contribuinte, GLE1D1JALMA NEVES DE CARVALHO COSTA, lavrado para tributar rendimentos da atividade rural e rendimentos apurados com base em depósitos bancários de origem não comprovada, no período de 2002 a 2005. O imposto lançado foi R$ 1,446.505,96, Com os acréscimos legais, o total do crédito atinge R$ 3,036.030.,35, De acordo com o relatório fiscal (lis. 04/13), os rendimentos da atividade rural foram constatados através notas fiscais apresentadas pela contribuinte (lis, 251/263), com as quais procurava demonstrar, de modo genérico, que os depósitos se originariam desta fonte. Os documentos atestavam rendimentos brutos não declarados de R$ 172,000,00, quando havia sido declarado a este título apenas R$ 18,600,00, A base tributável foi arbitrada como 20% da receita omitida, ou seja R$ 34,400,00.. A interessada havia apresentado diversas declarações de pessoas da região afirmando serem feirantes que haviam comprado urna certa quantidade mensal fixa de gado bovino da contribuinte nos períodos fiscalizados (lis, 206/249), Estes documentos não foram considerados hábeis para comprovar a origem dos depósitos, por não obedecerem às formalidades legais. Cientificada do lançamento em 28/06/2007, a contribuinte, apresentou em a impugnação de folhas 305/3.31, com as argumentações a seguir sintetizadas. 1) Não Ibi obedecido o princípio da verdade material, na medida em que a receita da atividade rural foi tributada sem levar em conta os custos de produção eletivos, o que fere também o princípio da capacidade contributiva. 2) Comprovara que os seus rendimentos provinham da atividade rural. Apresentara comprovantes de vendas que fbrain indevidamente desconsiderados pela fiscalização sob a alegaçc7ro de descumprimento de formalidades legais. De acordo com os usos e costumes do interior, os turalistas não observam as exigências legais, e em especial a legislação do Estado da Bahia Por estes motivos é descabida a afirmação de que a origem dos depósitos não houvesse sido comprovada, pois a norma exige apenas que se comprove a origem dos créditos, que neste caso é atividade rural, inexistindo a exigência de comprovação individualizada dos depósitos, com a coincidência de data e valor. 3) Foram indevidamente incluídos depósitos que se originaram de operações- de crédito resultante do desconto de cheques, conforme estão identificados nos extratos, que totalizam R$ 893 16.5,46, cimfbrine demonstrativo às fls 329/33/. 4) Relaciona às fls. 319 depósitos que teriam sido incluídos indevidamente no lançamento, e indica para cada um o motivo da improcedência, tais como estornos, resgates de aplicação financeira, etc Encontra um total de R$ 265.700,42. 3 Em 20 de setembro de 2007, os membros da 3' Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Salvador, proferiram Acórdão que, por unanimidade de votos, rejeitou as preliminares, e considerou procedente em parte o lançamento, A autoridade julgadora excluiu do lançamento nos anos calendários de 2002,2003, 2004 e 2005, o valor de depósitos relativos a cheques devolvidos, depósitos estornados, bem como aqueles depósitos que não constam nos extratos. Cientificada em 26/10/2007, a contribuinte, se mostrando irresignado, apresentou, em 23/11/2007, o Recurso Voluntário, de fis, 344/352, reiterando as razões da sua impugnação, às quais já foram devidamente explicitadas, que reforçando os seguintes pontos: - Do princípio da verdade material - Da ilegalidade do lançamento baseado em depósitos bancários; - Dos cheques descontados; - Dos cheques devolvidos. É o relatório. -Â 4 Processo n" 10530 001506/2007-86 S2-C2T2 Acórdão n " 2202-00.437 Fl 3 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator - O recurso está dotado dos pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Da Presunção baseada em Depósitos Bancários O lançamento fundamenta-se em depósitos bancários. A presunção legal de omissão de rendimentos com base nos depósitos bancários está condicionada apenas à falta de comprovação da origem dos recursos que transitaram, em nome do sujeito passivo, em instituições financeiras, ou seja, pelo artigo 42 da Lei n° 9.430/1996, tem-se a autorização para considerar ocorrido o "fato gerador" quando o contribuinte não logra comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, não havendo a necessidade do fisco juntar qualquer outra prova. Via de regra, para alegar a ocorrência de "fato gerador", a autoridade deve estar munida de provas. Mas, nas situações em que a lei presume a ocorrência do "fato gerador" (as chamadas presunções legais), a produção de tais provas é dispensada. Neste caso, ao Fisco cabe provar tão-somente o fato indiciário (depósitos bancários) e não o fato jurídico tributário (obtenção de rendimentos). No texto abaixo reproduzido, extraído de "Imposto sobre a Renda - Pessoas Jurídicas" (Justec-RJ; 1979:806), José Luiz Bulhões Pedreira sintetiza com muita clareza essa questão: O efeito prático da presunção legal é inverter o ônus da prova: invocando-a, a autoridade lançadora fica dispensada de provar, no caso concreto, que ao negócio Jurídico com as características descritas na lei corresponde, efetivamente, o fato econômico que a lei presume - cabendo ao contribuinte, para afastar a presunção (se é relativa) provar que o fino presumido não existe no caso. Assim, o comando estabelecido pelo art. 42 da Lei n° 9430/1996 cuida de presunção relativa (juris tantum) que admite a prova em contrário, cabendo, pois, ao sujeito passivo a sua produção. Nesse passo, corno a natureza não-tributável dos depósitos não foi comprovada pelo contribuinte, estes foram presumidos como rendimentos. Assim, deve ser mantido o lançamento. Antes de tudo cumpre salientar que a presunção não foi estabelecida pelo Fisco e sim pelo art. 42 da Lei n° 9:.430/1996. Tal dispositivo outorgou ao Fisco o seguinte poder: se provar o fato indiciário (depósitos bancários não comprovados), restará demonstrado o fato jurídico tributário do imposto de renda (obtenção de rendimentos). Assim, não cabe ao julgador discutir se tal presunção é equivocada ou não, pois se encontra totalmente vinculado aos ditames legais (art. 116, inc, III, da Lei n." 5 8.112/1990), mormente quando do exercício do controle de legalidade do lançamento tributário (art. 142 do Código 'Tributário Nacional - CTN). Nesse passo, não é dado apreciar questões que importem a negação de vigência e eficácia do preceito legal que, de modo inequívoco, estabelece a presunção legal de omissão de receita ou de rendimento sobre os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa fisica ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações (art. 42, caput, da Lei n.° 9.430/1996), Dos Cheques Descontados Nesse ponto acompanho integralmente o arrazoado da autoridade julgadora, o qual com o perdão da repetição reproduzo aqui, por não encontrar qualquer reparo a ser feito: A demonstração de que um certo depósito resulta do desconto de um cheque pré-datado não equivale à demonstração da sua origem, assim conto não é prova deste fato a simples infOrmação de que um determinado crédito se tenha originado do depósito regular de um cheque à vista, Seria preciso comprovar quem pagou este cheque e por quê O desconto antecipado do cheque é somente a forma como a instituição financeira disponibilizou o crédito, e não a sua origem. É de se manter portanto os cheques descontados no lançamento, uma vez que ainda persiste a dúvida sobre a sua origem, Da Presunção baseada em Depósitos Bancários na Atividade Rural Nesse ponto é de se ressaltar: que independentemente do teor da peça impugnatória e da peça recursal incumbe a este colegiado, verificar o controle interno da legalidade do lançamento e, para tanto, se faz necessário proceder a uma análise mais detalhada se está correto tornar como de omissão de rendimentos o valor integral do depósito não comprovado quando o contribuinte explora unicamente a atividade rural, No caso vertente, o levantamento fiscal demonstra que o suplicante inquestionavelmente exerce a atividade rural, e que os rendimentos declarados decorrem desta. Constata-se que a mesmo também recebe rendimentos de uma prefeitura municipal, mas não há provas que os rendimentos estejam relacionado com essa entidade Da análise dos autos, principalmente do próprio termo de depoimento fiscal, se constata que as origens de recursos tributáveis do contribuinte são originárias exclusivamente da atividade rural e que todos os negócios desenvolvidos pelo suplicante tem relação direta com a atividade rural. Em assim sendo, não me parece correto tributar a totalidade dos depósitos bancários não comprovados como sendo omissão de rendimentos de uma outra atividade qualquer, quando o contribuinte, como é o caso em questão, tem rendimentos tributáveis originados, predominantemente, da atividade rural, já que as receitas da atividade rural pelas suas peculiaridades gozam de tributação mais favorecida. Aliás, diga-se de passagem, é o que rege o § 2o do artigo 42 da Lei n 9.430, de 1996: "Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, e, Processo n" 10530 00 I 506/2007-86 S2-C2T2 Acórdão n." 2202-00.437 Fl 4 submeter-se-ão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos.". Neste contexto, quando se tratar de contribuintes cuja atividade exercida é exclusivamente a rural, qualquer omissão deveria ser tributada nos termos da Lei n." 8.023, 1990, sendo certo que na hipótese presente a própria Lei n„" 7.713, 1988, art. 49, exclui os rendimentos da atividade agrícola e pastoril, já que serão tributados na forma da legislação específica. Nunca é demais ressaltar, que quando se tratar de rendimentos cuja origem é exclusiva da atividade rural, apuração de omissão de rendimentos deve ser de forma anual, como atividade rural. Esta forma de apuração, constitui, no ponto de vista deste relator, a metodologia mais apropriada a fim de ser apurada a omissão de rendimentos real, com devido amparo legal na legislação em vigor.. É, sem sobra de dúvidas, aquela mais próxima da realidade dos fatos porquanto se apura, quando for o caso, a evasão do tributo na própria atividade exercida pelo contribuinte. Trata-se, pois, de procedimento admitido pela legislação tributária. Outrossim, a verificação da ocorrência do fato gerador pressupõe a observância da legislação de regência do tributo. Dessa forma, a vinculação é uma das características essenciais do lançamento tributário, que só é eficaz se realizado nos estritos termos que a lei o admite, presidido pelo principio da legalidade e pela situação de fato preexistente, Na esteira deitas considerações a exigência de crédito tributário, mediante lançamento regularmente constituído por servidor competente da administração tributária, deve estar subordinada ao princípio da legalidade. A obediência a esse princípio é expresso nos arts, 37, caput e 150, 1, da Constituição Federal, Neste contexto, a omissão de receita/rendimentos verificada através de depósitos não comprovados em contribuintes que se dedicam, exclusiva e comprovadamente, a exploração de atividade rural, o levantamento do valor tributável deve ser realizado de forma anual e tributado como se atividade rural fosse, em obediência ao disposto nas normas legais que regem o assunto, quais sejam, Lei n" 7,713, de 1988, art. 49; e Lei n" 8,023, de 1990, com as devidas alterações posteriores. No referente a apreciação dos transações elencadas na impugnação e recurso, acompanho o arrazoado da autoridade recorrida, não o questionando. Enfatize-se que se trata de questão de provas, cabendo ao recorrente o ônus de provar o que alega. Ante ao exposto, voto no sentido de DAR provimento PARCIAL ao recurso para reduzir a base de cálculo da exigência, relativo ao item 02 do Auto de Infração, ao percentual de 20%, . li\j(`A tordo 1_, po 7 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 2° CAMARA/2" SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n": 10530.001506/2007-86 v/r Recurso n": 163.498 v" TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3" do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n" 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão n° 2202-00.437. V 2 Brasília/DF, • leo 2010 egc EVELINE COÊLHO DE ME\1,0 HOMAR Chefe da Secretaria Segunda Câmara da Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: ( ) Apenas com Ciência ( ) Com Recurso Especial ( ) Com Embargos de Declaração Data da ciência: Procurador(a) da Fazenda Nacional
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Numero do processo: 10783.902382/2013-24
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Mar 22 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-001.775
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora. Vencidos os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula, Larissa Nunes Girard (suplente convocada) e Waldir Navarro Bezerra que entendiam pela desnecessidade da diligência, uma vez que somente foram apresentados os DACON e DCTF retificadores.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Larissa Nunes Girard (suplente convocada), Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz. Ausente o Conselheiro Pedro Sousa Bispo, sendo substituído pela Conselheira Larissa Nunes Girard (suplente convocada).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Recorrente BRAZIL TRADING LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora. Vencidos os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula, Larissa Nunes Girard (suplente convocada) e Waldir Navarro Bezerra que entendiam pela desnecessidade da diligência, uma vez que somente foram apresentados os DACON e DCTF retificadores. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Larissa Nunes Girard (suplente convocada), Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz. Ausente o Conselheiro Pedro Sousa Bispo, sendo substituído pela Conselheira Larissa Nunes Girard (suplente convocada). Relatório Tratase de pedido de compensação relacionado a crédito de pagamento indevido ou a maior de PIS Não cumulativo. Após a transmissão de despacho decisório não homologando a compensação pleiteada, sob a justificava do crédito pleiteado ter sido utilizado para quitar débito de PIS Não RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 83 .9 02 38 2/ 20 13 -2 4 Fl. 119DF CARF MF Processo nº 10783.902382/201324 Resolução nº 3402001.775 S3C4T2 Fl. 3 2 cumulativo do período, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade informando que os débitos de PIS originariamente informados em DCTF foram revisados e reduzidos, ensejando em pagamento indevido ou a maior no período. Como comprovante, apresentou, dentre outros documentos, cópia da DCTF e DACON retificadores. Esta defesa foi julgada improcedente pela Delegacia de Julgamento, nos termos do Acórdão nº 06054.089 que concluiu que a retificação de declaração já apresentada à RFB somente é válida quando acompanhada dos elementos de prova que demonstrem a ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração original.: Intimada desta decisão, a empresa apresentou Recurso Voluntário tempestivo, alegando, em síntese: (i) preliminarmente, a nulidade do despacho decisório, face a ausência de motivação expressa para a não homologação da compensação pleiteada; (ii) no mérito, a necessidade de reconhecimento do crédito, devidamente respaldado pela retificação dos documentos fiscais (DCTF e DACON). Sustenta a possibilidade de retificação da DCTF para refletir os dados do DACON mesmo após a transmissão do PER/DCOMP (Parecer Normativo COSIT n.º 2/2015), indicando a possibilidade da conversão do processo em diligência para confirmar a validade das informações. Em seguida, os autos foram direcionados a este Conselho para julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3402001.773, de 26 de fevereiro de 2019, proferido no julgamento do processo 10783.902380/201335, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402001.773): "O Recurso Voluntário é tempestivo e merece ser conhecido. Entendo, contudo, pela necessidade de conversão do processo em diligência para verificar a validade do crédito pleiteado pelo sujeito passivo. Como se depreende dos presentes autos, a Recorrente entende que seria suficiente a retificação do DACON e, posteriormente, da DCTF, para confirmar a validade do seu crédito. Contudo, necessário ainda que, além deste indício da existência do crédito, sejam Fl. 120DF CARF MF Processo nº 10783.902382/201324 Resolução nº 3402001.775 S3C4T2 Fl. 4 3 analisados os documentos contábeis e fiscais necessários à confirmar a validade das informações constantes do DACON. Uma vez que o contribuinte trouxe documentos que sugerem a existência do crédito (DACON e DCTF retificadores), entendo pela necessidade da conversão do processo em diligência para que a autoridade fiscal de origem oportunize à Recorrente a apresentação de documentos e informações adicionais que podem confirmar sua validade. Diante dessas considerações, à luz do art. 29 do Decreto n.º 70.235/721, proponho a conversão do presente processo em diligência para que a autoridade fiscal de origem (Delegacia da Receita Federal do Brasil em Vitória/ES): (i) intime a Recorrente para apresentar cópia dos documentos fiscais e contábeis entendidos como necessários para que a fiscalização possa confirmar o crédito tomado pelo contribuinte informado em seu DACON retificador (notas fiscais emitidas, as escritas contábil e fiscal e outros documentos que considerar pertinentes). Importante que sejam anexados aos autos o DACON e a DCTF originais, com os esclarecimentos pela empresa de quais informações foram modificadas na apuração do PIS devido no mês (comparação entre o DACON original e o DACON retificador). (ii) elaborar relatório fiscal conclusivo considerando os documentos e esclarecimentos apresentados, informando se os dados trazidos pelo contribuinte no DACON retificador estão de acordo com sua contabilidade, veiculando análise quanto à validade do crédito informado pelo contribuinte e a possibilidade de seu reconhecimento no presente processo. Concluída a diligência e antes do retorno do processo a este CARF, intimar a Recorrente do resultado da diligência para, se for de seu interesse, se manifestar no prazo de 30 (trinta) dias." Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que a autoridade fiscal de origem: (i) intime a Recorrente para apresentar cópia dos documentos fiscais e contábeis entendidos como necessários para que a fiscalização possa confirmar o crédito tomado pelo contribuinte informado em seu DACON retificador (notas fiscais emitidas, as escritas contábil e fiscal e outros documentos que considerar pertinentes). Importante que sejam anexados aos autos o DACON e a DCTF originais, com os esclarecimentos pela empresa de quais informações foram 1 "Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias." Fl. 121DF CARF MF Processo nº 10783.902382/201324 Resolução nº 3402001.775 S3C4T2 Fl. 5 4 modificadas na apuração do PIS devido no mês (comparação entre o DACON original e o DACON retificador). (ii) elabore relatório fiscal conclusivo considerando os documentos e esclarecimentos apresentados, informando se os dados trazidos pelo contribuinte no DACON retificador estão de acordo com sua contabilidade, veiculando análise quanto à validade do crédito informado pelo contribuinte e a possibilidade de seu reconhecimento no presente processo. Concluída a diligência e antes do retorno do processo a este CARF, intimar a Recorrente do resultado da diligência para, se for de seu interesse, se manifestar no prazo de 30 (trinta) dias. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 122DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16004.000763/2010-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/2010 a 31/05/2010
OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL. RESPONSABILIDADE. INEXISTÊNCIA DE ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO.
São responsáveis pelas obrigações previdenciárias decorrentes de execução de obra de construção civil o proprietário do imóvel, o dono da obra, o incorporador, o condômino da unidade imobiliária não incorporada na forma da Lei nº 4.591, de 1964, e a empresa construtora.
REDUÇÃO DA MULTA EM 50%. REQUISITO.
A redução da multa de ofício em cinquenta por cento somente será concedida se o sujeito passivo efetuar o pagamento das contribuições no prazo de trinta dias contados da data em que notificado do lançamento.
ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
PRELIMINAR DE NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA.
A ocorrência de decadência de parte do lançamento não acarreta na nulidade total do lançamento.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2202-004.904
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Marcelo de Sousa Sateles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira e Ronnie Soares Anderson. Ausentes os conselheiros Rorildo Barbosa Correia e Andréa de Moraes Chieregatto.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/05/2010 a 31/05/2010 OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL. RESPONSABILIDADE. INEXISTÊNCIA DE ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. São responsáveis pelas obrigações previdenciárias decorrentes de execução de obra de construção civil o proprietário do imóvel, o dono da obra, o incorporador, o condômino da unidade imobiliária não incorporada na forma da Lei nº 4.591, de 1964, e a empresa construtora. REDUÇÃO DA MULTA EM 50%. REQUISITO. A redução da multa de ofício em cinquenta por cento somente será concedida se o sujeito passivo efetuar o pagamento das contribuições no prazo de trinta dias contados da data em que notificado do lançamento. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. PRELIMINAR DE NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. A ocorrência de decadência de parte do lançamento não acarreta na nulidade total do lançamento. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Marcelo de Sousa Sateles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira e Ronnie Soares Anderson. Ausentes os conselheiros Rorildo Barbosa Correia e Andréa de Moraes Chieregatto.
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RESPONSABILIDADE. INEXISTÊNCIA DE ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. São responsáveis pelas obrigações previdenciárias decorrentes de execução de obra de construção civil o proprietário do imóvel, o dono da obra, o incorporador, o condômino da unidade imobiliária não incorporada na forma da Lei nº 4.591, de 1964, e a empresa construtora. REDUÇÃO DA MULTA EM 50%. REQUISITO. A redução da multa de ofício em cinquenta por cento somente será concedida se o sujeito passivo efetuar o pagamento das contribuições no prazo de trinta dias contados da data em que notificado do lançamento. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. PRELIMINAR DE NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. A ocorrência de decadência de parte do lançamento não acarreta na nulidade total do lançamento. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 00 07 63 /2 01 0- 31 Fl. 290DF CARF MF Processo nº 16004.000763/201031 Acórdão n.º 2202004.904 S2C2T2 Fl. 291 2 Ronnie Soares Anderson Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Marcelo de Sousa Sateles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira e Ronnie Soares Anderson. Ausentes os conselheiros Rorildo Barbosa Correia e Andréa de Moraes Chieregatto. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 16004.000763/201031, em face do acórdão nº 1454.156, julgado pela 10ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (DRJ/RPO), em sessão realizada em 16 de outubro de 2014, no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar procedente em parte a impugnação apresentada. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de origem que assim os relatou: “Tratase de crédito tributário constituído pela fiscalização em nome do sujeito passivo acima identificado, por meio do Auto de Infração DEBCAD nº 37.300.1509, no valor de R$ 134.689,04, consolidado em 29/11/2010, referente às contribuições destinadas à Seguridade Social e devidas pela empresa, inclusive a destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho. Constituiu fato gerador das contribuições lançadas o valor da remuneração da mãodeobra utilizada na construção/ampliação da obra de construção civil matriculada de ofício sob o nº 70.003.36974/73, com área construída a regularizar de 3.680,85m² (referente à unidade frigorífica situada na Rodovia Vitório Prandi, s/n, km 1.6, Zona Rural, Sítio Itarumã, Jales/SP). O valor da remuneração da mãodeobra foi apurado por aferição indireta, tendo por base as informações contidas no Aviso de Regularização de Obra – ARO. O sujeito passivo apresentou impugnação ao auto de infração, na qual alega e requer, em suma, o seguinte: Ausência de Responsabilidade pela Obra. A fiscalização não comprovou ser a impugnante a proprietária do imóvel situado na Rodovia Vitório Prandi, s/n, km 1.6, Zona Rural, Sítio Itarumã, Jales/SP, ou que ela tinha a posse deste à época dos fatos, nem tampouco que ela era a responsável pela obra realizada. Fl. 291DF CARF MF Processo nº 16004.000763/201031 Acórdão n.º 2202004.904 S2C2T2 Fl. 292 3 Esse imóvel não pertence e nunca pertenceu à impugnante. E a obra de construção/ampliação da unidade frigorífica também não foi realizada por ela. Com isso, a responsabilidade pelo recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre a mãodeobra utilizada na obra não deve ser imputada à impugnante. Decadência Quando a impugnante foi notificada deste lançamento, em 06/12/2010, já se encontrava decadente o crédito previdenciário relativo ao período de 01/2005 até 12/2005 (equivalente à parte do período abrangido pela obra), nos termos do artigo 150, §4º, do CTN, segundo o qual se opera a homologação tácita após cinco anos da ocorrência do fato gerador (Transcreve ementas de decisões do STJ e do CARF). Nulidade do Lançamento Ao se exigir valores de quem não é o contribuinte, nem o responsável, além de parte desses valores já estar extinto pela decadência, o lançamento não identificou corretamente o sujeito passivo, nem o montante do tributo devido, estando assim em descordo com o que determina o artigo 142 do CTN, razão pela qual deve ser julgado nulo. Inconstitucionalidade das Multas Aplicadas A multa aplicada no percentual de 75% ofende os princípios constitucionais da vedação do confisco, da proporcionalidade e razoabilidade, do devido processo legal e da moralidade administrativa. A penalidade aplicada exorbita a sua finalidade, que é a de punir, ganhando um caráter arrecadatório, o que a invalida. Redução de 50% do valor da multa Caso o pagamento da multa fosse efetuado até trinta dias da intimação do lançamento, haveria uma redução de 50% no valor da multa. Por outro lado, se a impugnante resolvesse discutir o débito na via administrativa, como de fato ocorreu, ela perderia essa redução. Tal situação viola os princípios do devido processo legal e do direito ao contraditório e ampla defesa, uma vez que se pune o exercício de um direito assegurado constitucionalmente. Assim sendo, deve ser aplicada a redução de 50% do valor da multa, mesmo após a apresentação da impugnação. Pedido Requer que o lançamento seja julgado improcedente, em razão da ausência de responsabilidade em relação à obra de construção civil. Fl. 292DF CARF MF Processo nº 16004.000763/201031 Acórdão n.º 2202004.904 S2C2T2 Fl. 293 4 Requer o reconhecimento da decadência do crédito relativo ao período de 01/2005 a 12/2005, e, por conseguinte, a nulidade do lançamento, por ofensa ao artigo 142 do CTN. Subsidiariamente, requer a redução de 50% no valor da multa. Requer que todas as intimações e avisos sejam feitos no endereço da impugnante, bem como no endereço de seus procuradores. É o relatório.” A DRJ de origem entendeu pela procedência em parte da impugnação, reconhecendo a decadência parcial, de modo a retificar o valor lançado, sem os acréscimos legais, para R$ 60.835,28, conforme tabela abaixo, presente na fl. 266, do Acórdão: Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário, às fls. 274/286, reiterando as alegações expostas em impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. 1. Preliminares de nulidade. Alega a recorrente a nulidade do lançamento por dois fundamentos. O primeiro é de que houve erro na identificação no sujeito passivo. Já o segundo fundamento seria de que o lançamento, por conter período abrangido pela decadência, seria nulo. Em recurso voluntário, a contribuinte suscita ainda que a DRJ deixou de apreciar a nulidade quanto ao erro na identificação do sujeito passivo. 1.1 Alegação de nulidade por erro na identificação do sujeito passivo. Quanto a alegação de nulidade quanto ao erro na identificação do sujeito passivo, esta será tratada como mérito, pois mérito e preliminar se confundem neste caso, haja Fl. 293DF CARF MF Processo nº 16004.000763/201031 Acórdão n.º 2202004.904 S2C2T2 Fl. 294 5 vista que a matéria principal do presente recurso trata da responsabilidade da recorrente em responder pelo lançamento fiscal em questão. 1.2 Alegação de omissão pela DRJ quanto a apreciação de nulidade. suscitada quanto ao erro na identificação do sujeito passivo. Entendo que inexiste omissão no acórdão da DRJ por suposto não enfrentamento da matéria suscitada em preliminar, haja vista que a responsabilidade da contribuinte para responder pelo lançamento realizado foi tratado como mérito, estando fundamentado no acórdão que a contribuinte tem responsabilidade pelas obrigações previdenciárias decorrentes de execução de obra de construção civil objeto da autuação fiscal. Deste modo, deve ser rejeitada a preliminar suscitada. 1.3 Alegação de nulidade em razão da decadência parcial do lançamento. Não acarreta, em relação a parte do lançamento não objeto de reconhecimento da decadência, a sua nulidade, em razão do reconhecimento pela instância julgadora a quo de que o lançamento estaria decaído em parte. Neste caso, somente aquilo que foi reconhecido como decaído é que se afasta do lançamento, permanecendo a lide em relação a parte em que não houve reconhecimento da decadência, sem qualquer afronta ao art. 142 do CTN. Deste modo, deve ser rejeitada a preliminar suscitada. 2. Mérito. Responsabilidade pela Obra de Construção Civil. Em relação a responsabilidade pelas obrigações previdenciárias decorrentes de obra de construção civil, assim dispõe o artigo 325 da IN nº 971/2009: Art. 325. São responsáveis pelas obrigações previdenciárias decorrentes de execução de obra de construção civil o proprietário do imóvel, o dono da obra, o incorporador, o condômino da unidade imobiliária não incorporada na forma da Lei nº 4.591, de 1964, e a empresa construtora. Por sua vez, os conceitos para “proprietário do imóvel” e “dono da obra” estão previstos, respectivamente, nos incisos XXXII e XXXIII do artigo 322 da IN nº 971/2009: Art. 322. Considerase: (...) XXXII proprietário do imóvel, a pessoa física ou jurídica detentora legal da titularidade do imóvel; XXXIII dono de obra, a pessoa física ou jurídica, não proprietária do imóvel, investida na sua posse, na qualidade de promitentecomprador, cessionário ou promitentecessionário de direitos, locatário, comodatário, arrendatário, enfiteuta, usufrutuário, ou outra forma definida em lei, no qual executa obra de construção civil diretamente ou por meio de terceiros; Fl. 294DF CARF MF Processo nº 16004.000763/201031 Acórdão n.º 2202004.904 S2C2T2 Fl. 295 6 No caso em análise, a fiscalização apresentou um conjunto de indícios que comprovam que o contribuinte executou uma obra de construção civil no imóvel situado na Rodovia Vitório Prandi, s/n, km 1.6, Zona Rural, Sítio Itarumã, Jales/SP. O acórdão da DRJ de origem bem elencou o conjunto probatório que deu suporte ao lançamento, conforme trecho do acórdão abaixo reproduzido: 1 Em 10/01/2005, Emílio Carlos Altomari, à época sóciodiretor da Unidos Agroindustrial S/A, apresenta requerimento junto ao Serviço de Inspeção Federal – SIF em Fernandópolis, para que fosse vistoriado um terreno e autorizada a preparação dos documentos necessários para a construção de uma indústria de produtos não comestíveis graxaria (fl. 137). 2 Em 14/01/2005, o SIF emitiuse o Laudo de Inspeção Prévia do Terreno, no qual consta como proprietário Unidos Agroindustrial S/A e como localização o Sítio Itarumã, rodovia Vitório Prandi, JalesSP (fls. 139/140). 3 Em 23/05/2005, a Unidos Agroindustrial S/A encaminhou ao Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, para apreciação e posterior aprovação, os projetos da nova indústria, situada na rodovia Vitório Prandi, Sítio Itarumã, Zona Rural, JalesSP (fl. 131). Anexou a estes o memorial econômico sanitário, memorial de construção e cronograma das obras a serem executadas. 4 Em 15/10/2009, a Unidade Técnica Regional de Agricultura, Pecuária e Abastecimento em São José do Rio PretoSP emitiu o Laudo Técnico Final, em nome de Unidos Agroindustrial S/A, em relação à fabrica de produtos não comestíveis (fls. 155/158). 5 Na Rodovia Vitório Prandi, km 1.6, Zona Rural, Sítio Itarumã, Jales/SP, está localizado o estabelecimento da Unidos Agroindustrial S/A sob CNPJ nº 07.002.627/000473 (fl. 118). Ainda que não tenha sido apresentado a certidão da propriedade do imóvel, ou mesmo um contrato civil que assegurasse a posse do imóvel, é certo que a Unidos Agroindustrial S/A estava, no mínimo, na posse do imóvel quando a obra foi executada, situação sem a qual a obra de construção civil não teria como ser executada por ela, ou por terceiros contratados por ela. Além disso, caso essa obra de construção civil tivesse sido executada por meio de terceiros, caberia à contribuinte apresentar os contratos de empreitada de construção civil, o que também não ocorreu no caso em análise. Assim sendo, não procede a alegação de que a recorrente não é responsável pelas obrigações previdenciárias decorrentes da obra de construção civil edificada na Rodovia Vitório Prandi, s/n, km 1.6, Zona Rural, Sítio Itarumã, Jales/SP. De igual modo, rejeitase a preliminar suscitada de erro na identificação do sujeito passivo. 3. Multa Aplicada. Fl. 295DF CARF MF Processo nº 16004.000763/201031 Acórdão n.º 2202004.904 S2C2T2 Fl. 296 7 3.1 Redução da multa em 50%. Aplicouse a multa de ofício de 75%, nos termos do artigo 35A combinado com o artigo 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96, ambos com redação dada pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A redução dessa multa em cinquenta por cento somente seria cabível se o sujeito passivo tivesse efetuado o pagamento das contribuições no prazo de trinta dias contados da data em que notificado do lançamento, conforme previsto no artigo 44, §3º, da Lei nº 9.430/96 combinado com o artigo 6º da Lei nº 8.218/91, o que não ocorreu no caso em análise. Portanto, improcede a alegação da contribuinte. 3.2 Alegações de inconstitucionalidade. Nos termos da Súmula CARF nº 02, o CARF não possui competência para analisar e decidir sobre matéria constitucional, conforme súmula vigente, de utilização obrigatória, conforme Regimento Interno deste Conselho. Assim, as alegações de inconstitucionalidade suscitadas pela contribuinte, para que a multa aplicada seja afastada, ou ainda, para que a mesma seja reduzida para cinquenta por cento, não podem ser apreciadas por este Conselho. Conclusão. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Fl. 296DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.690633/2009-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 20/04/2007
ÔNUS DA PROVA.
Recai ao contribuinte o ônus de comprovar o seu direito ao crédito pleiteado, com documentos, motivos de fatos e de direito. Não realizado este procedimento nos ditames dos Art. 16 e 17 do Decreto 70.235/72 que regula o PAF, em especial, dentro do momento (impugnação) determinado no seu §4.º, o recurso não merece prosperar.
Numero da decisão: 3201-004.929
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinatura digital)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinatura digital)
Pedro Rinaldi de Oliveira Lima - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Tatiana Josefovicz Belisario, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente).
Nome do relator: PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinatura digital) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente. (assinatura digital) Pedro Rinaldi de Oliveira Lima - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Tatiana Josefovicz Belisario, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente).
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Recai ao contribuinte o ônus de comprovar o seu direito ao crédito pleiteado, com documentos, motivos de fatos e de direito. Não realizado este procedimento nos ditames dos Art. 16 e 17 do Decreto 70.235/72 que regula o PAF, em especial, dentro do momento (impugnação) determinado no seu §4.º, o recurso não merece prosperar. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinatura digital) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinatura digital) Pedro Rinaldi de Oliveira Lima Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Tatiana Josefovicz Belisario, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 69 06 33 /2 00 9- 38 Fl. 158DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls 101 em face do Acórdão de primeira instância da DRJ/SP de fls. 92 que negou provimento para a Manifestação de Inconformidade de fls. 10, mantendo em parte o Despacho Decisório de fls. 7. Como de costume, transcrevese o relatório desta decisão de primeira instância para a demonstração e acompanhamento dos fatos do presente procedimento administrativo: Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10880.690633/200938 Acórdão n.º 3201004.929 S3C2T1 Fl. 159 3 Essa decisão de primeira instância proferida pela DRJ/SC, foi publicada com a seguinte Ementa: Em resumo, o Recurso Voluntário reforçou as argumentações da Manifestação de Inconformidade. Os autos foram distribuídos e pautados nos moldes do regimento interno deste conselho. Relatório proferido. Voto Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima Relator. Conforme o Direito Tributário, a legislação, as provas, os fatos, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos Fl. 160DF CARF MF 4 trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresentase este voto. Por conter matéria preventa desta 3.º Seção de julgamento deste Conselho e presentes os requisitos de admissibilidade, o tempestivo Recurso Voluntário deve ser conhecido. O contribuinte pleiteou o reconhecimento de créditos de Pis por pagamentos indevidos, mas conforme Manifestação de Inconformidade e Recurso Voluntário, sequer é possível entender por qual razão o contribuinte considerou os pagamentos de Pis indevidos. Conforme a legislação correlata, conforme Art. 170 do CTN e conforme inúmeros precedentes deste Conselho, o ônus da prova é do contribuinte ao solicitar o reconhecimento de créditos. É igualmente importante registrar que a decisão de primeira instância abordou de forma específica a questão da necessidade da retificação da DCTF, ponto que sequer foi combatido de forma específica pelo contribuinte em seu recurso voluntário. Ou seja, a decisão de primeira instância enfrentou de forma específica diversos razões sobre as quais o crédito não poderia ter sido reconhecido e o contribuinte, em seu recurso voluntário, se limitou em fazer alegações genéricas a respeito de seu crédito. A alegação sobre a necessidade da aplicação do princípio da verdade material também não merece provimento, porque tal princípio não é absoluto e, conforme inúmeros precedentes e conforme disposto no Art. 147, §1.º do CTN, a retificação da declaração é necessária. A simples alegação de que possui o crédito e de que teria oferecido à tributação as receitas das quais teriam sido abatidos estornos e juntar o razão contábil, não é o mesmo que retificar a DCTF, que quantificar linha por linha e valor por valor o seu crédito, de forma que fique líquido e certo, conforme determinado no próprio Art. 170 do CTN. Portanto, a partir deste momento verificase que o contribuinte não cumpriu com os ditames estabelecidos nos Art. 16 e 17 do Decreto 70.235/72, que regula o PAF, em especial com o determinado no §4.º (em negrito): "Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10880.690633/200938 Acórdão n.º 3201004.929 S3C2T1 Fl. 160 5 V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito)." Diante do exposto, votase para que seja NEGADO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Voto proferido. (assinatura digital) Fl. 162DF CARF MF 6 Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Fl. 163DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16027.000086/2007-97
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 16 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Thu Dec 16 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJAno-calendário: 2001DCTF. ERRO NO PREENCHIMENTO.Não comprovado o erro no preenchimento da declaração e demonstrada a insuficiência do direito creditório a compensação não deve ser homologada.Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Numero da decisão: 1803-000.762
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: SELENE FERREIRA DE MORAES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2001 DCTF. ERRO NO PREENCHIMENTO. Não comprovado o erro no preenchimento da declaração e demonstrada a insuficiência do direito creditório a compensação não deve ser homologada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes – Presidente e Relatora. EDITADO EM: 27/12/2010 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Selene Ferreira de Moraes, Benedicto Celso Benício Júnior, Walter Adolfo Maresch, Marcelo Fonseca Vicentini, Sérgio Rodrigues Mendes, Luciano Inocêncio dos Santos. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 27/12/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/12/2010 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 27/12/2010 por SELENE FERREIRA DE MORAES 2 Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: “Trata-se de Manifestação de Inconformidade interposta em face de Despacho Decisório, em que foram apreciadas as PER/Dcomp de n° 16075.50898.281103.1.3.02-1401 e 31119.67785.300404.1.3.02-0229, fls. 02/07 e 08/11, transmitidas em 28/11/2003 e 30/04/2004, por intermédio das quais a contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com crédito decorrente de Saldo Negativo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), do ano-calendário de 2001, no valor de R$ 155.808,69 (fl. 03). A análise da liquidez e certeza do crédito pleiteado foi efetuada pela DRF Sorocaba/SP no Despacho Decisório de fls. 62/64, por intermédio do qual a autoridade competente não reconheceu qualquer direito creditório a título de saldo negativo de IRPJ, ano calendário de 2001, o que resultou na não-homologação das declarações de compensação vinculadas ao presente processo, sob o fundamento de que referido saldo negativo já havia sido utilizado em sua totalidade para compensar as estimativas mensais de janeiro, fevereiro, março e abril de 2002, conforme demonstrativos de fls. 60/61. A contribuinte foi cientificada do despacho decisório em 15/01/2008 (fl. 67), conforme Intimação DRF/SOR/SEORT n° 1407/2007. Em 11/02/2008 (fl. 77), a recorrente foi novamente cientificada do despacho decisório em epígrafe, ingressando, em 07/03/2008, com a manifestação de inconformidade de fls. 78/79, acompanhada dos documentos de fls. 80/134, na qual alega, em síntese, que as DCTFs, referentes ao 1° e 2° trimestres de 2002, foram enviadas com incorreções, pois o IRPJ devido por estimativa nos meses de janeiro/2002, fevereiro/2002, março/2002 e abril/2002 foram compensados com saldo oriundo de imposto de renda pago a maior no período de janeiro a dezembro de 2000, conforme planilhas de fls. 110/121.” A Delegacia de Julgamento julgou improcedente a manifestação, com base nos seguintes fundamentos (fls. 139/142): a) A recorrente deixou de apresentar qualquer elemento contábil-escritural que pudesse dar lastro a sua afirmação, isto é, o registro, em seus assentamentos contábeis, do saldo negativo de IRPJ do ano-calendário de 2000, que, segundo a recorrente, fora objeto de compensação com débitos do imposto de renda devido por estimativa nos meses de janeiro/2002, fevereiro/2002, março/2002 e abril/2002, bem como das referidas autocompensações. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 27/12/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/12/2010 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 27/12/2010 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 16027.000086/2007-97 Acórdão n.º 1803-00.762 S1-TE03 Fl. 294 3 b) Salvo quando a compensação se realize em Juízo, o que não foi o caso, deve a mesma encontrar-se devidamente registrada na contabilidade da empresa, cuja obrigatoriedade é imposta por lei, seja empresa sujeita à escrituração comercial completa ou simplificada (Decreto-Lei n° 486, de 1969, artigos 1°, 4° e 5°, c/c Decreto-Lei n° 1.598, de 1977, art. 7°). É dizer: a extinção de crédito tributário não se dá pela mera assertiva (Código Tributário Nacional, artigos 141 e 156). c) Dentre outras provas, destacam-se: os registros contábeis de conta no ativo do Imposto de Renda a recuperar, a expressão deste direito em Balanços ou Balancetes, a Demonstração do Resultado do Exercício, a contabilização (oferecimento à tributação) das receitas que ensejaram as retenções, os Livros Diário e Razão, etc., e ainda os registros no Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR), tudo a dar sustentação à veracidade do saldo negativo de IRPJ declarado. d) O ônus da prova do direito de repetição recai sobre o sujeito passivo, quem o invoca, e que o princípio da verdade material não vai a ponto de vincular a Administração na produção e/ou apresentação de documentos fora do universo de seus registros. Contra a decisão, interpôs a contribuinte o presente Recurso Voluntário, em que, tece as seguintes considerações (fls. 152/163): a) Ao calcular os resultados relativos ao período-base de 2000, a Recorrente verificou que as antecipações mensais efetuadas durante aquele ano superaram o valor efetivamente devido a título de IRPJ, apurado ao final daquele período-base, conforme demonstra-se pela Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica ("DIPJ") de 2001 (doc. 02), a qual tem como período de declaração de 01/01/2000 a 31/12/2000, pelo Livro Razão de 2000 (doc. 03) e pelo Livro de Apuração do Lucro Real de 2000 e 2002 ("LALUR") (doc. 04). b) Não resta qualquer dúvida de que a Recorrente compensou e recolheu, para o ano-base 2000, valor superior ao realmente devido em R$ 190.816,62 (cento e noventa mil, oitocentos e dezesseis reais e sessenta e dois centavos), o que, obviamente, lhe gerou um crédito decorrente deste Saldo Negativo de IRPJ. c) A Recorrente compensou o IRPJ apurado por estimativa para os meses de janeiro, fevereiro, março e abril do ano calendário 2002, com o crédito decorrente do Saldo Negativo do IRPJ do ano-base de 2000, conforme demonstra-se pelas DCTF`s anexas (doc. 06), transmitidas nos dias 09/05/2002 e 13/08/2002 (doc. 07). d) Por um equívoco meramente formal, ao invés de constar nas DCTFs que o crédito utilizado para as compensações era do ano-calendário 2000, constou como sendo 2001. e) Caso V. Sas. entendam que referida DIPJ não se mostra suficiente para a comprovação dos créditos utilizados, o que se admite apenas por hipótese, a Recorrente junta ainda as DARF`s devidamente recolhidas e o Livro Razão 2000 e 2002 (docs. 01, 03 e 11), que comprovam, à saciedade, a efetiva apuração e pagamento dos créditos utilizados em supracitada compensação e que não foram reconhecidos pelo v. acórdão recorrido. É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 27/12/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/12/2010 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 27/12/2010 por SELENE FERREIRA DE MORAES 4 Voto Conselheira Selene Ferreira de Moraes A contribuinte foi cientificada por via postal, tendo recebido a intimação em 03/11/2008 (AR de fls. 151). O recurso foi protocolado em 02/12/2008, logo, é tempestivo e deve ser conhecido. A questão a ser analisada no presente recurso gira em torno da prova de erro no preenchimento da DCTF, consistente na indicação equivocada do direito creditório relativo ao ano de 2001 para compensar as estimativas de janeiro a abril de 2002. Constam dos autos os seguintes elementos de prova: • Cópia das Fichas 09A, 11 e 12A da DIPJ/2002 (fls. 14/19, 50, 52); • Telas do sistema Sief (fls. 20/24, 57/59, 73/74); • Cópia da DCTF relativa ao 4° trimestre de 2001 (fls. 47/48); • Demonstrativo do IR a pagar relativo ao mês de novembro de 2001 (fls. 49, 51); • Cópia do Livro Diário relativo a maio de 2002 (fls. 55); • Cópia do Livro Razão (fls. 56, 281); • Demonstrativo de vinculação (fls. 60/61, 69/71); • Cópia das DCTF`s relativas ao ano de 2002 (fls. 104/109, 248/253); • Demonstrativo de IR pago a maior em 2000 e 2001 (fls. 110/121, 254/265); • Cópia do LALUR de 2000 e 2002 (fls. 194/198; 202/241); • Cópia da DIPJ/2003 (fls. 243/247); • Demonstrativo de IR a pagar – período jan/03 a out/03 A autoridade administrativa reconheceu direito creditório relativo ao ano calendário de 2001, no montante de R$ 115.559,05. No entanto, não homologou a compensação por ter constatado que tal crédito foi utilizado para compensar as estimativas mensaisde janeiro, fevereiro, março e abril de 2002 (DCTF de fls. 57 a 59), conforme demonstrativo abaixo: Data Tributo Valor compesado Saldo do crédito 31/12/2001 155.808,66 28/02/2002 2362 –01/2002 2.707,77 153.167,74 29/03/2002 2362-02/2002 68.606,14 87.060,45 30/04/2002 2362-03/2002 79.139,84 11.796,70 31/05/2002 2362-04/2002 12.578,81 0,00 Fl. 4DF CARF MF Emitido em 27/12/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/12/2010 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 27/12/2010 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 16027.000086/2007-97 Acórdão n.º 1803-00.762 S1-TE03 Fl. 295 5 A recorrente afirma que não utilizou o saldo negativo de 2001, mas o saldo negativo de 2000 para compensar os débitos acima discriminados. Ao analisarmos o Razão Analítico da conta n° 001.112500231.000000 – IR Federal a compensar (fls. 281), a página 339 do Diário Geral, relativo ao mês de maio, e as planilhas de fls. 110/120, podemos tecer as seguintes considerações: • No Diário constam os seguintes lançamentos na conta 112500231.000000 no mês de maio: Data PLAN. EMP. CONTA C.C. CONTRA- PART. HISTÓRICO Débito Crédito 27/05/2002 Manual 305946 27-MAY 1.112.500.231.000.000 DIVERSOS I R DE JAN/01 A NOV/01 COMPENSADO 115.559,05 • No Razão da conta n° 001.11521003.000000– IR compensado constam os seguintes lançamentos, no período de 01/11/2000 a 31/05/2003: Data PLAN. CONTRA- PART. HISTÓRICO Débito Crédito Saldo 30/04/2002 Manual 303661 08- MAY Planilha IR COMPENSADO REF JAN , FEV E MAR/02 150.447,70 0,00 150.447,70 30/04/2002 Manual 305299 23- MAY Planilha IR COMPENSADO REF JAN , FEV E MAR/02 150.447,70 0,00 300.895,50 30/04/2002 Manual 305365 23- MAY Planilha ESTORNO DA PLAN 305299 DE 30/04/02 0,00 150.447,70 150.447,70 27/05/2002 Manual 305946 27- MAY Planilha VR TRANSF P/ CONTA PROPRIA 2.622,37 0,00 153.070,12 27/05/2002 Manual 305946 27- MAY Planilha I R DE JAN/01 A NOV/01 COMPENSADO 115.559,05 0,00 268.629,17 31/05/2002 Manual 306442 31- MAY Planilha I R REF ABR/02 COMPENSADO 99.422,00 0,00 368.051,72 30/06/2002 Manual 311179 11- JUL Planilha VR TRANSFERIDO P/ CONTA PROPRIA 0,00 3.496,50 364.555,22 31/01/2003 Manual 356065 29- JUL Planilha IR ESTIMAT COMPENS C/ IR DE JAN A DEZ/02 0,00 95.785,29 268.769,93 31/01/2003 Manual 356066 29- JUL Planilha VR DA CONTINGENCIA IR-P VERAO REF JAN A DEZ/02 0,00 6.964,36 261.805,57 31/03/2003 Manual 344086 09- APR Planilha IR COMPENSADO CONF IR DE JAN A FEV/03 71.083,95 0,00 332.889,52 Fl. 5DF CARF MF Emitido em 27/12/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/12/2010 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 27/12/2010 por SELENE FERREIRA DE MORAES 6 • A contribuinte compensou a estimativa de janeiro a novembro de 2001, no valor de R$ 115.559,05, em 27/05/2002, antes portanto do vencimento dos débitos de estimativa de IRPJ e CSLL objeto da presente compensação, relativos aos meses de outubro de 2003 (fls. 7), e março de 2004 (fls. 11). • Na planilha consta a seguinte observação: “(*) Valor compensado com saldo negativo de I.Renda DIPJ 2001-AC 2000”. O único valor que está assinalado com asterisco é a diferença da estimativa relativa ao mês de abr/2002, no valor de R$ 6.718,34 (fls. 110). • Na planilha de fls. 120, relativa ao saldo negativo de 2000, apenas consta a compensação referente a abr/02, no valor de R$ 6.718,34. As provas constantes dos autos confirmam as informações constantes das DCTF`s de fls. 57/59, e não a alegação da recorrente de que houve um mero equívoco formal, em que constou nas DCTFs que o crédito utilizado para as compensações era do ano calendário de 2001, ao invés de saldo negativo relativo ao ano de 2000. Nas DCTF`s mencionadas pela recorrente, e transmitidas smitidas nos dias 09/05/2002 e 13/08/2002 (fls. 248/253), o direito creditório indicado é o saldo negativo de 2001. O fato de existir eventual direito creditório a favor do contribuinte, por si só, não demonstra a compensação. A compensação de tributos é um fato contábil, que provoca modificações no patrimônio, devendo ser objeto de contabilização através das contas de resultado ou das contas patrimoniais. Logo, para demonstrar a alegação de que houve equívoco formal na DCTF, seria necessário que a compensação registrada na escrituração contábil demonstrasse o fato alegado. Os empresários têm o dever de manter a escrituração dos negócios de que participam, nos termos do art. 1.179 do Código Civil (lei n° 10.406/2002), e do art. 10 do Código Comercial (lei n° 556/1850, revogado pela Lei n° 10.406/2002): “Art. 1.179. O empresário e a sociedade empresária são obrigados a seguir um sistema de contabilidade, mecanizado ou não, com base na escrituração uniforme de seus livros, em correspondência com a documentação respectiva, e a levantar anualmente o balanço patrimonial e o de resultado econômico. Art. 10 - Todos os comerciantes são obrigados: 1 - a seguir uma ordem uniforme de contabilidade e escrituração, e a ter os livros para esse fim necessários; 2 - a fazer registrar no Registro do Comércio todos os documentos, cujo registro for expressamente exigido por este Código, dentro de 15 (quinze) dias úteis da data dos mesmos documentos (artigo nº. 31), se maior ou menor prazo se não achar marcado neste Código; 3 - a conservar em boa guarda toda a escrituração, correspondências e mais papéis pertencentes ao giro do seu comércio, enquanto não prescreverem as ações que lhes possam ser relativas (Título. XVII); 4 - a formar anualmente um balanço geral do seu ativo e passivo, o qual deverá compreender todos os bens de raiz móveis Fl. 6DF CARF MF Emitido em 27/12/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/12/2010 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 27/12/2010 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 16027.000086/2007-97 Acórdão n.º 1803-00.762 S1-TE03 Fl. 296 7 e semoventes, mercadorias, dinheiro, papéis de crédito, e outra qualquer espécie de valores, e bem assim todas as dívidas e obrigações passivas; e será datado e assinado pelo comerciante a quem pertencer.” É oportuno citarmos um trecho da exposição de motivos do Código de Comércio Napoleônico, lembrado por Fábio Ulhoa Coelho, em sua obra “Curso de Direito Comercial”: “A consciência do comerciante está escrita nos seus livros; neles é que o comerciante registra todas as suas ações; são, para ele, uma espécie de garantia (...). Quando surgem contestações, é preciso que a consciência do juiz fique esclarecida; e é então que os livros são necessários, pois que eles são os confidentes das ações do comerciante”. Não comprovado o erro no preenchimento da DCTF, não merece reparos a decisão da autoridade administrativa, que demonstrou a insuficiência do direito creditório para compensar os valores pleiteados. Ante todo o exposto, nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Fl. 7DF CARF MF Emitido em 27/12/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/12/2010 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 27/12/2010 por SELENE FERREIRA DE MORAES
score : 1.0
Numero do processo: 35338.000379/2006-24
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 01 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Wed Dec 01 00:00:00 UTC 2010
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/03/2006
PREVIDENCIÁRIO. AUTO-DE-INFRAÇÃO. ERROS OU OMISSÃO NA
DECLARAÇÃO DE GFIP.
Apresentar a GFIP com erros ou omissões nas informações prestadas
caracteriza infração à legislação previdenciária, por descumprimento de obrigação acessória.
ALTERAÇÃO DA LEGISLAÇÃO. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA NORMA SUPERVENIENTE.
Tendo-se em conta a alteração da legislação, que instituiu sistemática de cálculo da penalidade mais benéfica ao sujeito passivo, deve-se aplicar a norma superveniente aos processos pendentes de julgamento.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-001.497
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos dar
provimento parcial ao recurso para recalcular o valor da multa, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no artigo 32-A, inciso I, da Lei n° 8.212/91.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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AUTO-DE-INFRAÇÃO. ERROS OU OMISSÃO NA DECLARAÇÃO DE GFIP. Apresentar a GFIP com erros ou omissões nas informações prestadas caracteriza infração à legislação previdenciária, por descumprimento de obrigação acessória. ALTERAÇÃO DA LEGISLAÇÃO. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA NORMA SUPERVENIENTE. Tendo-se em conta a alteração da legislação, que instituiu sistemática de cálculo da penalidade mais benéfica ao sujeito passivo, deve-se aplicar a norma superveniente aos processos pendentes de julgamento. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos dar provimento parcial ao recurso para recalcular o valor da multa, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no artigo 32-A, inciso I, da Lei n° 8.212/91. Elias Sampaio Freire - Presidente 2 Kleber Ferreira de Araújo – Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Processo nº 35338.000379/2006-24 Acórdão n.º 2401-01.497 S2-C4T1 Fl. 88 3 Relatório Trata-se do Auto de Infração – AI n.º 35.635.043-6, com lavratura em 30/06/2006, posteriormente cadastrado na RFB sob o número de processo constante no cabeçalho. A penalidade aplicada foi de R$ 3.643,92 (três mil e seiscentos e quarenta e três reais e noventa e dois centavos). De acordo com o Relatório Fiscal da Infração, fl. 14, a empresa, no período de 01/2001 a 03/2006, declarou na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social - GFIP incorretamente o código destinado a identificação das outras entidades e fundos (78 ao invés de 79), deixando de incluir, por conseguinte, a contribuição destinada ao Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação – FNDE (Salário-Educação). Afirma-se ainda que inexistia convênio que permitisse o recolhimento da contribuição omitida diretamente ao FNDE. O cálculo da penalidade encontra-se demonstrado em planilhas anexas, fls. 16/19, A empresa apresentou impugnação, fls. 21/23, na qual afirma que o fundamento fático do AI é divorciado da realidade. Sustenta que o erro apontado não ocorreu e que a empresa deu integral cumprimento à legislação aplicável. Assevera que o auditor incorreu em erro ao fazer a análise das circunstâncias atenuantes previstas no Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048, de 06/05/1999. Ao final, requer a declaração de nulidade da autuação. A Delegacia da Receita Previdenciária – DRP em Blumenau (SC) declarou procedente o AI (ver fls. 26/28). Na sua fundamentação, o julgador monocrático afirma que a autuação foi lavrada em consonância com as disposições legais de regência e que as alegações genéricas expostas na peça de defesa não são hábeis a afastar a imposição fiscal. Irresignado, o sujeito passivo apresentou recurso voluntário, fls. 31/36, no qual, em síntese, alega que, em substituição ao depósito para garantia de instância, fez o arrolamento de bens suficientes para fazer frente à exigência. No mais repete os argumentos da defesa, requestando pela declaração de nulidade do AI. O órgão de primeira instância apresentou contra-razões, fls. 79/80, pugnando pelo desprovimento do recurso. O julgamento pelo CARF foi convertido em diligência, fls. 81/83, para que fosse indicado se houve a lavratura de NFLD para exigência da obrigação principal correlata ao presente AI. O órgão preparador se manifestou positivamente, fl. 85. 4 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade, além de que a recorrente possuía decisão judicial garantindo o seguimento do recurso independentemente de depósito prévio. Embora a empresa alegue que sempre atuou em obediência às prescrições legais e que a autuação está divorciada da realidade, não é isso que nos mostra os autos. A auditoria apontou a falta verificada, qual seja a informação incorreta no campo da GFIP destinado ao código de terceiros, conduta que excluiu do montante de contribuições devido aquela destinada ao FNDE (Salário-Educação). Assim, incorreu a empresa na infração prevista no art. 32, inciso IV e § 3. , ao apresentar a guia declaratória com informações inexatas em relação aos dados não relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias. A empresa, ao se contrapor as afirmações do fisco, não apresentou qualquer elemento de prova que viesse em seu socorro, ficando apenas no campo das alegações, o que não é aceito pelas normas que regem o processo administrativo fiscal, posto que alegar sem provar, equivale a não alegar. É de se verificar, todavia, na aplicação da multa a possível ocorrência de norma mais benéfica. É que ocorreu alteração do cálculo da multa para esse tipo de infração pela Medida Provisória n.º 449/2008, convertida na Lei n.º 11.941/2009. Nessa toada, deve-se verificar se o critério atual é mais benéfico para o contribuinte, de forma a prestigiar o comando contido no art. 106, II, “c”, do CTN, verbis: Art. 106. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito: (...) II - tratando-se de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Quando da lavratura do AI a multa foi fixada, nos termos do § 6. do art. 32 da Lei n. 8.212/1991 em 5% do valor mínimo legal por competência, que correspondeu a R$ 57,84 (cinquenta e sete reais e oitenta e quatro centavos), haja vista que o erro deu-se em apenas um campo da GFIP. Considerando-se que a incorreção diz respeito ao campo “código de terceiros”, que não está relacionado aos fatos geradores de contribuição previdenciária, a multa atualmente seria calculada nos termos do art. 32-A da Lei n. 8.212/1991, que assim dispõe: Art. 32-A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será Processo nº 35338.000379/2006-24 Acórdão n.º 2401-01.497 S2-C4T1 Fl. 89 5 intimado a apresentá-la ou a prestar esclarecimentos e sujeitar- se-á às seguintes multas:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – de 2% (dois por cento) ao mês-calendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3 o deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) Verifica-se, assim, que a multa calculada nos termos da novel legislação é mais benéfica ao contribuinte, pelo que é a mesma que deve ser aplicada. Diante do exposto, voto pelo provimento parcial do recurso, para que se aplique a multa nos termos do inciso I do art. 32-A da Lei n. 8.212/1991, se mais benéfica ao contribuinte. Kleber Ferreira de Araújo
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Numero do processo: 10650.001249/2004-73
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 04 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Feb 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL.Período de apuração: 01/01/2000 a 31/03/2004RECURSO. MATÉRIA NÃO ALEGADA NA IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO.A matéria não expressamente alegada na impugnação não pode ser fundamento do recurso voluntário, por ter sido atingida pela preclusão.Recurso Voluntário de que não se ConheceVistos, relatados e discutidos os presentes autos,
Numero da decisão: 3302-000.825
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto do relator. O Conselheiro Alexandre Gomes acompanhou o relator pelas conclusões.
Matéria: Cofins - ação fiscal (todas)
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
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MATÉRIA NÃO ALEGADA NA IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO. A matéria não expressamente alegada na impugnação não pode ser fundamento do recurso voluntário, por ter sido atingida pela preclusão. Recurso Voluntário de que não se Conhece Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto do relator. O Conselheiro Alexandre Gomes acompanhou o relator pelas conclusões. (ASSINADO DIGITALMENTE) Walber José da Silva Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) José Antonio Francisco Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Alan Fialho Gandra, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Fl. 38DF CARF MF Emitido em 15/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 11/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 09/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10650.001249/200473 Acórdão n.º 330200.825 S3C3T2 Fl. 251 2 Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 245 a 248) apresentado em 10 de dezembro de 2008 contra o Acórdão no 1221.521, de 23 de outubro de 2008, da 6ª Turma da DRJ Rio de Janeiro I / RJ (fls. 217 a 222), cientificado em 20 de novembro de 2008, que, relativamente a Auto de infração de Cofins dos períodos de janeiro de 2000 a março de 2004, considerou procedente em parte o lançamento, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 MATÉRIA NÃO LITIGIOSA Cofins Faturamento Consolidase administrativamente o crédito tributário cuja constituição não é contestada. DIFERENÇA ENTRE O VALOR ESCRITURADO E O DECLARADO/PAGO Declarada a compensação de parte dos débitos objeto do lançamento, mantémse em parte a exigência configurada na diferença verificada entre os valores da Cofins declarados/pagos e os escriturados, após as devidas exclusões, quando os elementos de fato ou de direito apresentados pelo contribuinte não forem suficientes para infirmar os valores lançados pela Fiscalização. Lançamento Procedente em Parte O auto de infração foi lavrado em 10 de setembro de 2004, de acordo com o termo de fls. 148 a 150. A Primeira Instância assim resumiu o litígio: "2. Conforme relatório de fls. 148/150, intitulado “Descrição dos Fatos”, a autuação resultou na apuração da Cofins decorrente da constatação da diferença entre os valores escriturados e os declarados/pagos conforme itens do auto de infração que seguem abaixo, com enquadramento legal à fl. 150: 001 Cofins Faturamento (Diferença Apurada Entre o Valor Escriturado e o Declarado/Pago) decorrente de receitas de serviços comissões ao exterior; 002 Cofins Faturamento Incidência NãoCumulativa (Diferença Apurada Entre o Valor Escriturado e o Declarado/Pago) decorrente de diferenças encontradas nas deduções da Cofins dos meses de fevereiro e março de 2004. 3. Inconformada com o lançamento em tela, do qual tomou ciência em 10/09/2004 (fl. 147), a Interessada apresentou a Fl. 39DF CARF MF Emitido em 15/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 11/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 09/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10650.001249/200473 Acórdão n.º 330200.825 S3C3T2 Fl. 252 3 impugnação de fls. 171/172, em 11/10/2004, na qual alega, em síntese, que: 3.1 os valores apurados referentemente aos períodos de 01/2000 a 03/2004 do PIS foram parcelados; 3.2 não foi computado, pelo autuante, a compensação feita pelo PER/DCOMP em 15/04/2004 referente à Cofins. 4. Consta à fl. 201 o encaminhamento do presente processo à unidade lançadora, com vistas ao esclarecimento sobre possível equívoco na juntada da impugnação apresentada e para que fosse esclarecida a alegação da Interessada de que o autuante não levou em consideração, quando da lavratura deste auto de infração eventual compensação por ela efetuada. 5. À fl. 214 achase o despacho da Seção de Arrecadação e Cobrança da DRF/UberabaMG com a informação de que a Interessada transmitiu duas DCOMP’s em 15/04/2004, compensando o débito de Cofins, PA 03/2004, nos valores de R$ 25.672,35 e R$ 22.269,05, totalizando R$ 47.941,40. 6. Por força do disposto no art. 1º da Portaria SRF nº 296, de 20/03/2007, publicada no DOU de 22/03/2007, foi transferida para esta DRJ a competência para julgamento do presente processo." No recurso, a Interessada alegou o seguinte: 01. Em primeiro lugar, cumpre anotar que o presente processo de auto de infração relativo à COFINS, no valor de R$ 116.431,89 na qual recebemos referese a cobrança de um imposto que de forma equivocada nosso ex colaborador/contador e procurador ( documentos anexo nos autos ) calculou e considerou na base de calculo receitas financeiras e de serviços prestados ao exterior (representação comercial); Motivo que levou nossa empresa a pagar nestes anos impostos a maior, que refazendo todos os cálculos e considerando os impostos pagos, nosso saldo é credor e não devedor conforme intimação recebida. 2. Analisando o contexto, oportuno destacar que o motivo da elaboração desta impugnação é pelo fato da Stoppani estar sendo condenada e penalizada pelo equivoco do nosso ex contador por ter aceitado sem analisar corretamente os dados e a legislação a imposição da intimação na qual tomamos ciência em 10/09/2004 onde o mesmo apresentou impugnação em 11/10/2004 solicitando parcelamento de PIS no qual nos vêm ao longo dos anos causando grandes prejuízos financeiros. 3. Cumpre destacar para clarificar melhor nossos argumentos trazidos que conforme planilha anexa é notória que diante dos cálculos apresentados a COFINS apurada totaliza um total de R$ 1.836.165,64 Fl. 40DF CARF MF Emitido em 15/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 11/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 09/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10650.001249/200473 Acórdão n.º 330200.825 S3C3T2 Fl. 253 4 A COFINS compensada (pelo Regime não Cumulativo), através do PER/DCOMP e as pagas através do DARF's totalizam R$ 1.858.009,39; Sendo Assim, o SALDO É CREDOR A FAVOR DA STOPPANI DO BRASIL no valor de R$ 21.933,75 + atualização SELIC. 4. Por todo o exposto requer que seja o presente recurso, RECEBIDO, CONHECIDO e homologado a existência do crédito a nosso favor; É o relatório. Voto Conselheiro José Antonio Francisco, Relator O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. A primeira instância concluiu que a Interessada não contestou o primeiro item da autuação e que contestou parcialmente o segundo, apenas em relação às declarações de compensação apresentadas em 15 de abril de 2004. Conforme esclarecido no relatório, o recurso da Interessada não negou tais conclusões e contevese em alegar haver efetuado pagamento a maior da contribuição. De fato, além de alegar as compensações, a Interessada acrescentou haver efetuado pagamentos a maior que, no total, implicariam num saldo credor e não devedor. Entretanto, tais pagamentos a maior que não tenham sido objetos de declaração de compensação não podem ser considerados para dedução do valor apurado, primeiramente porque se trata de matéria preclusa (não foi alegada na impugnação) e, ademais, por não ser admissível, em processo administrativo fiscal, a alegação de compensação como matéria de defesa. Melhor esclarecendo, a compensação tributária é realizada apenas por meio de declaração de compensação e a existência de eventual saldo de crédito a favor do contribuinte deve ser objeto de declaração de compensação, que é incompatível com débitos impugnados. As demais alegações de que teria havido erro ou má conduta do contador não mudam os fatos apurados e a forma de resolvêlos. Quanto às compensações declaradas, conforme esclarecido pela primeira instância, os valores foram excluídos da autuação. Dessa forma, o acórdão de primeira instância considerou procedentes todas as alegações validamente apresentadas pela Interessada, que, no recurso, acrescentou outras, que não podem ser admitidas à vista da preclusão, conforme art. 17 do Decreto no 70.235, de 1972, com a redação dada pela Lei no 9.532, de 1997. Fl. 41DF CARF MF Emitido em 15/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 11/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 09/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10650.001249/200473 Acórdão n.º 330200.825 S3C3T2 Fl. 254 5 Não há, assim, conteúdo válido no recurso da Interessada. À vista do exposto, voto por não tomar conhecimento do recurso. (ASSINADO DIGITALMENTE) José Antonio Francisco Fl. 42DF CARF MF Emitido em 15/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 11/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 09/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO
score : 1.0
Numero do processo: 10218.000405/2007-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Nov 08 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Mon Nov 08 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 2002, 2003
IRPJ. OMISSÃO DE RECEITA, DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO
COMPROVADOS Caracteriza-se omissão de receita constantes de
movimentação financeira, em relação aos quais o sujeito passivo,
regularmente intimado, não comprove sua origem, mediante documentação hábil e idônea.
LUCRO PRESUMIDO. COEFICIENTE Quando não for possível a
identificação da receitas de atividades diversificadas, o coeficiente para apuração do lucro presumido deve ser aquele correspondente à atividade com maior coeficiente estipulado.
PIS E COFINS. ALÍQUOTA ZERO. A redução a zero da alíquota do PIS e da COFINS para as receitas decorrentes da venda de gasolina e álcool somente é viável quando comprovada a comercialização desses produtos.
MULTA QUALIFICADA E AGRAVADA Além de não ter sido
impugnada, não foram trazidas provas que contestassem as provas trazidas pela autoridade lançadora.
SUCESSÃO TRIBUTÁRIA Segundo
o artigo 133, I, do CTN, a cessação das atividades com criação de nova empresa no mesmo local, com a mesma atividade e mesmos administradores e controle, configura a sucessão.
LANÇAMENTOS DECORRENTES A
decisão proferida para o IRPJ no caso de omissão de receitas, aplica-se aos demais tributos pela estreita entre eles.
Numero da decisão: 1202-000.393
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR
provimento ao recurso
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas- presunção legal Dep. Bancarios
Nome do relator: Nereida de Miranda Finamore Horta
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano-calendário: 2002, 2003 IRPJ. OMISSÃO DE RECEITA, DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO COMPROVADOS Caracteriza-se omissão de receita constantes de movimentação financeira, em relação aos quais o sujeito passivo, regularmente intimado, não comprove sua origem, mediante documentação hábil e idônea. LUCRO PRESUMIDO. COEFICIENTE Quando não for possível a identificação da receitas de atividades diversificadas, o coeficiente para apuração do lucro presumido deve ser aquele correspondente à atividade com maior coeficiente estipulado. PIS E COFINS. ALÍQUOTA ZERO. A redução a zero da alíquota do PIS e da COFINS para as receitas decorrentes da venda de gasolina e álcool somente é viável quando comprovada a comercialização desses produtos. MULTA QUALIFICADA E AGRAVADA Além de não ter sido impugnada, não foram trazidas provas que contestassem as provas trazidas pela autoridade lançadora. SUCESSÃO TRIBUTÁRIA Segundo o artigo 133, I, do CTN, a cessação das atividades com criação de nova empresa no mesmo local, com a mesma atividade e mesmos administradores e controle, configura a sucessão. LANÇAMENTOS DECORRENTES A decisão proferida para o IRPJ no caso de omissão de receitas, aplica-se aos demais tributos pela estreita entre eles.
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OMISSÃO DE RECEITA, DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO COMPROVADOS Caracterizase omissão de receita constantes de movimentação financeira, em relação aos quais o sujeito passivo, regularmente intimado, não comprove sua origem, mediante documentação hábil e idônea. LUCRO PRESUMIDO. COEFICIENTE Quando não for possível a identificação da receitas de atividades diversificadas, o coeficiente para apuração do lucro presumido deve ser aquele correspondente à atividade com maior coeficiente estipulado. PIS E COFINS. ALÍQUOTA ZERO. A redução a zero da alíquota do PIS e da COFINS para as receitas decorrentes da venda de gasolina e álcool somente é viável quando comprovada a comercialização desses produtos. MULTA QUALIFICADA E AGRAVADA Além de não ter sido impugnada, não foram trazidas provas que contestassem as provas trazidas pela autoridade lançadora. SUCESSÃO TRIBUTÁRIA Segundo o artigo 133, I, do CTN, a cessação das atividades com criação de nova empresa no mesmo local, com a mesma atividade e mesmos administradores e controle, configura a sucessão. LANÇAMENTOS DECORRENTES A decisão proferida para o IRPJ no caso de omissão de receitas, aplicase aos demais tributos pela estreita entre eles. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HO, Assinado digitalmente em 28/09/2011 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMO RE HO 2 (documento assinado digitalmente) NELSON LÓSSO FILHO Presidente. (documento assinado digitalmente) NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nelson Lósso Filho, Carlos Alberto Donassolo, Valéria Cabral Géo Verçoza, Flávio Vilela Campos Nereida de Miranda Finamore Horta e Orlando José Gonçalves Bueno. a Relatório Tratase de Auto de Infração (fls 4 a 41) lavrados em 6 de julho de 2007, contra a empresa VILA DA CONCEIÇÃO & CIA LTDA, relativos ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e seus reflexos ( Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, contribuição ao PIS e COFINS), com aplicação de multa de 150 % e juros com base na taxa SELIC. O referido Auto tem como fundamento a constatação de omissão de receitas nos anos calendários de 2002 e 2003, conforme disposto no Termo de Verificação Fiscal ( fls. 43 a 61). Na mesma data, também foi lavrado, TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA (fls 42) contra a empresa AUTO POSTO DISNEY LTDA, por ficar caracterizada a continuidade à exploração da atividade por essa, que antes era exercida pela empresa fiscalizada, como sujeito passivo solidário com fulcro no disposto no artigo 133, inciso I, da Lei n.5172, de 1966 (Código Tributário Nacional). Do Procedimento de fiscalização e do auto de infração Foram realizados os lançamentos abaixo indicados, perfazendo um total de R$10.795.781,70: a) IRPJ — Omissão de Receitas — Receitas não contabilizadas — Multa de 150% Fato Gerador ocorridos nos anoscalendários de 2000 a 2002. Fundamento legal: artigo 24 da Lei nº 9249/96; artigos 249, II, 251, §único, 278, 279, 280, 283 e 288 do RIR/99. b) CSLL — Omissão de receitas — CSLL sobre receitas omitidas — Multa de 150% Fato Gerador ocorrido nos anoscalendários de 2000 a 2002. Fundamento Legal: artigo 2º e §1º da Lei nº 7689/88; artigos 17 e 24 da Lei nº 9249/1995; artigo 1º da Lei nº 9316/1996; artigo 28 da Lei nº 9430/1996; e artigo 6º da Medida Provisória nº 1858/1999 e reedições. c) Contribuição ao PIS — Omissão de receitas — Falta/insuficiência do PIS — Multa de 150% Fato Gerador ocorrido no período de novembro de 2000 a novembro de 2002. Fundamento Legal: artigos 1º e 3º da Lei Complementar nº 7/1970; artigo 24, §2º, da Lei nº 9249/1996; artigo 2º, I, 8º, I e 9º da Lei nº 9715/1998; artigos 2º e 3º da Lei nº 9718/1998 e alterações posteriores. d) COFINS — Omissão de receita — Multa de 150% Fato Gerador ocorrido no período de novembro de 2000 a novembro de 2002. Fundamento Legal: artigo 1° da Lei Fl. 2DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HO, Assinado digitalmente em 28/09/2011 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMO RE HO Processo nº 10218.000405/200731 Acórdão n.º 120200.393 S1C2T2 Fl. 2 3 Complementar n°70/91; artigos 24, §2°, da Lei n° 9249/95; artigos 2°, 3°e 8° da Lei n° 9718/98, com as alterações da Medida Provisória n° 1807/99 e sua s reedições, com as alterações da Medida Provisória n° 1858/99 e suas reedições. f) Multa qualificada de 150% e Juros cm base na taxa SELIC. Fundamento legal: artigos 44, II, e 61, §3º, da Lei nº 9430/1996. Em resumo, as infrações apuradas foram as seguintes: 1º) Depósitos Bancários não contabilizados em sua Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ, a empresa registrou um faturamento anual declarado de R$ 594.708,07, para o ano calendário de 2002, e de R$ 941.193,30, para o ano calendário de 2003, embora tenha apresentado movimentação financeira de R$ 23.175.889,15 e R$ 15.877.672,34 para os mesmos, respectivamente. 2º) CSLL, Contribuição ao PIS e COFINS foi feito lançamento como reflexo do IRPJ acima apurado. Com mais detalhes, passamos a descrever os fatos constantes no Termo de Verificação Fiscal. Consoante o referido Termo, o procedimento de fiscalização se iniciou em 26 de setembro de 2006 com o objetivo de verificar o cumprimento das obrigações tributárias referente ao IRPJ, para os anoscalendários de 2002 e 2003. A interessada atuava com nome fantasia, à época, “AUTO POSTO FLOR DA MATA”, sendo seu objeto social o comércio a varejo de combustíveis e lubrificantes para veículos automotores. Durante os anoscalendários 2002 e 2003, consoante 2ª Alteração Contratual, os sócios da empresa eram os Srs. Nélson Carlos Thomas Langer, inscrito no CPF/MF sob o n° 591.751.41000, e Divino Eterno Moraes Martins, inscrito no CPF/MF sob o n° 246.985.552 2. Na 3ª Alteração Contratual, realizada em 5 de maio de 2006, os sócios anteriores saíram e ingressaram os Srs. Irismar Araújo Lima, inscrito no CPF/MF sob o n° 575.946.60200, e Valdeci da Conceição, inscrito no CPF/MF sob o n° 985.921.81291. Nessa mesma alteração contratual, o objeto social passou a ser de construção de edifícios, sob o nome de fantasia "CONSTRUTORA CARAJÁS”. Na primeira intimação, foram solicitados a entrega dos seguintes documentos no prazo designado: Livros Diário e Razão ou Livro Caixa 5 dias úteis; Livro Registro de Entradas 5 dias úteis; Livro Registro de Saídas 5 dias úteis; Contrato/Estatuto Social e suas alterações 5 dias úteis; Recibos de Entrega das DCTF mensais e DIRF anuais 5 dias úteis; Recibos de Entrega das últimas declarações do IRPJ 5 dias úteis; Livro Registro de Inventário 5 dias úteis; Fl. 3DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HO, Assinado digitalmente em 28/09/2011 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMO RE HO 4 Relação dos 50 (cinqüenta) maiores fornecedores, constando o número do documento fiscal, sua data e o respectivo valor da compra 5 dias úteis; Relação dos 50 (cinqüenta) maiores clientes, constando o número do documento fiscal, sua data e o respectivo valor da venda. 5 dias úteis; Extratos bancários das contas de depósito ou de investimento mantidas pela empresa durante o período fiscalizado 20 dias corridos; Extratos bancários das contas poupança mantidas pela empresa durante o período fiscalizado 20 dias corridos. O Termo de Intimação foi enviado via postal e retornou com observação de “destinatário desconhecido”, motivo pelo qual foi enviada reintimação. A primeira reintimação foi entregue em 17 de outubro de 2006, no endereço do sócio Sr. Irismar Araújo Lima, a qual não foi atendida. Nova intimação foi enviada em 11 de dezembro de 2006 ao mesmo sócio já intimado, sem qualquer resposta. Com isso, em 28 de fevereiro de 2007, foi feita diligência no local da empresa e na casa dos sócios, no intuito de fazer a intimação pessoalmente, através de Termo de Cientificação, Constatação e Reintimação. Primeiramente, buscouse o sócio da empresa Sr. Valdeci da Conceição, com endereço, de acordo com os cadastros da Secretaria da Receita Federal, no Hotel Hiper Posto. No local, foram informados que o sócio não estava e também não constava o seu nome no livro de registros do hotel (fls 45). Em seguida, foram ao estabelecimento da empresa, onde não encontraram nem o sócio ou o gerente responsável pelo posto denominado "POSTO DISNEY" (único existente na cidade de Sapucaia e que funciona no mesmo endereço da fiscalizada). No local foram informados que o AUTO POSTO FLOR DA MATA não existia. Foram, assim, ao endereço do sócio Sr. Irismar Araújo Lima, inscrito no CPF/MF sob o n°575.946.60200, em Xinguara/PA. Encontraram os pais do sócio, a Sra. Nilza Araújo Lima e o Sr. Silvério Fernandes Lima, que informaram que o filho não estava. Informaram também que o filho não era sócio de nenhum posto ou empresa, e que o expatrão do filho, conhecido como “Xuxa”, havia ido na casa deles atrás do filho. Nos autos consta fotografia da casa deles (fls. 46). Como próximo passo, foram em busca do Sr. Divino Eterno Moraes Martins, sócio anterior da empresa sob fiscalização, não obtiveram informação do local onde poderia ser encontrado. Foram em busca também do Sr. “Xuxa”, quem foi encontrado e os atendeu, informando que o seu nome era Sr. Daniel Jacob Thomas langer, inscrito no CPF/MF sob o n° 388.09460006, e era irmão, Sr. Nélson Carlos Thomas Langer, quem poderia ser encontrado no “AUTO POSTO DISNEY”. Retornaram, assim, ao endereço inicial, onde encontraram o Sr. Nélson Carlos Thomas Langer, quem se apresentou como dono do posto e confirmou que o atual AUTO POSTO DISNEY é o antigo "AUTO POSTO FLOR DA MATA", nome de fantasia da empresa sob fiscalização. Sr. Nélson informou que houve um incêndio e todos os livros e documentos foram queimados. A fiscalização, então, esclareceu que ele deveria apresentar resposta à intimação juntando Boletim de Ocorrência. Em 9 de março de 2007, o sócio da empresa, Sr. Irismar Araújo Lima se dirigiu a esta Delegacia da Receita Federal em Marabá/PA, quando entregou Boletim de Ocorrência Policial, datado de 7 de março de 2007, comprovando o furto dos livros e Fl. 4DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HO, Assinado digitalmente em 28/09/2011 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMO RE HO Processo nº 10218.000405/200731 Acórdão n.º 120200.393 S1C2T2 Fl. 3 5 documentos. Nessa mesma ocasião, tomouse por Termo declarações prestadas pelo mesmo, conforme trechos a seguir transcritos: "Que trabalhou muito tempo para o Sr. “Xuxa”, Daniel Jacob Thomas Langer, o qual o chama de Xorró como frentista, e ganhava R$ 450,00, tendo recebido as verbas rescisórias, em 1994, no valor de R$ 35.000,00; Que nunca possuiu conta em bancos; que ficou afastado muito tempo e se juntou com um amigo, “Júnior”, para comprar o Posto do Sr. Nélson Carlos Thomas Langer (Auto Posto Flor da Mata) em maio de 2005 (...); Que o Posto de Combustíveis foi comprado por R$ 50.000,00; Que o Sr IRISMAR pagou R$ 25.000,00 e o Sr. Júnior pagou R$10.000,00 e parcelou os R$15.000,00 restantes; Que pagou com o cheque que tinha recebido do Sr. Xuxa no valor de R$ 35.000,00 e que Júnior lhe pagou o valor de R$ 10.000,00 de diferença em dinheiro; (..) Que o posto sempre foi Texaco; Que o combustível para comercialização era comprado na conta do Posto Vale Verde de Tucumã, não possuindo a empresa negociação direta com a Texaco; (...) Que, após, a empresa estava falida e teve que revender a empresa por R$ 60.000,00 de volta para o Sr Nélson Carlos Thomas Langer; Que, apesar de ter vendido por R$ 60.000,00, não recebeu o dinheiro, pois a empresa estava falida e o dinheiro ficou para pagar os débitos; Que, em 2006, ofereceu de volta para o Sr. Nélson porque os negócios não iam bem; Que, apesar de ter noticiado a retrovenda do posto para o Sr. Nelson, o declarante informa que ainda não formalizou tal evento na Junta Comercial, mas que lá assinou o contrato de compra e venda em 2006. mas não lembra o mês; Que em 2003, quem cuidava do Posto era o Sr Nélson; Que quando esteve a frente da empresa nunca assinou cheques; (...) Que não sabia que a empresa possuía conta no Bradesco no ano de 2005; Que não sabia que a empresa tinha movimentado, em 2005, ano que assumiu a mesma, aproximadamente R$1.000.000,00 (um milhão de reais); Fl. 5DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HO, Assinado digitalmente em 28/09/2011 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMO RE HO 6 Que não assinou procuração nenhuma para alguém movimentar as contas bancárias; (.) Que não imaginava que a empresa tinha problemas na Receita quando comprou o Posto; Que ontem quando estava vindo trazer os documentos fiscais da empresa, saiu do carro, deixando os documentos da mesma e, quando retornou os documentos não mais se encontravam no carro, haviam sido roubados; Que se dirigiu a Delegacia de Policia Civil em Xinguara para fazer um Boletim de Ocorrência, informando que foi levada uma pasta contendo vários documentos, como blocos de notas fiscais, livros fiscais de entrada e saía de mercadorias pertencentes à empresa V DA CONCEIÇÃO E CIA. LTDA.; Que reafirma que está desempregado, procurando qualquer tipo de serviço, inclusive serviço pesado “braçal”. Sr. Irismar afirmou também que não sabia onde o outro sócio, Sr. Valdeci da Conceição, poderia ser encontrado. Em relação ao Sr. Valdeci da Conceição, a fiscalização constatou que obteve inscrição no CPF/MF no ano em que ingressou na empresa sob fiscalização e nunca apresentou nenhuma declaração de imposto de renda, embora estivesse obrigado. Tais fatos deram a entender à fiscalização que o sócio sequer existia, apenas teve sua documentação forjada para que seu ingresso na empresa fiscalizada pudesse ser efetivado. Por todo o exposto, foi emitida a RMF — Requisição de Movimentação Financeira para obter os extratos bancários que foram solicitados e não foram entregues. Em 10 de abril de 2007, foi emitido e enviado novo Termo de Intimação, o qual foi devolvido, novamente, em 19 de abril de 2007, foi reemitido e enviado ao AUTO POSTO DISNEY. O Termo solicitava que fosse comprovada a origem dos valores creditados em sua(s) conta(s) corrente(s), os quais foram obtidos junto às instituições financeiras. No entanto, em 18 de abril de 2007, o Sr. Nélson Carlos Thomas Langer compareceu a esta DRF/Marabá para prestar alguns esclarecimentos a esta fiscalização. Assim, foi emitido MPF — Extensivo em seu nome. Abaixo transcrevo seus esclarecimentos: "Que efetivamente vendeu o posto de combustíveis "Auto Posto Flor da Mata" para o Sr. IRISMAR ARAÚJO LIMA, mas não lembra a data da venda nem o valor, que teria sido por "cinqüenta e poucos mil reais"; Que comprou de volta o posto de combustíveis (apenas as bombas), pois não havia estoque de combustíveis; Que não lembra a data da compra; Que, quanto às datas, prefere consultar seus documentos para averiguar quando foi a venda do posto ao Sr. IRISMAR ARAÚJO LIMA e quando comprou de volta o ativo da empresa; Que o imóvel é alugado, mas não sabe quem é o proprietário; Fl. 6DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HO, Assinado digitalmente em 28/09/2011 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMO RE HO Processo nº 10218.000405/200731 Acórdão n.º 120200.393 S1C2T2 Fl. 4 7 Que precisa localizar o contrato para poder nos informar o proprietário do imóvel em que se situa o posto de combustíveis; Que no local em que funcionava o posto de combustíveis, hoje funciona o Auto Posto Disney, que atua no mesmo local em que atuava o Posto Flor da Mata; Que abriu a empresa Auto Posto Disney Ltda. — ME, no ano de 2002, mas apenas começou a funcionar quando o Posto Flor da Mata já estava parado; Que não existe nenhuma construtora funcionando no local do posto; Questionado quanto à movimentação financeira constante em nossos sistemas, no valor de, aproximadamente R$ 23.700.00,00 e R$ 15.000.000,00, respectivamente, para os anos de 2002 e 2003, disse que não sabia informar o movimento do posto à época; Que, mesmo tendo circulado esse montante em sua conta à época, hoje não mais possui dinheiro para pagar qualquer débito, pois não possui capacidade econômica; Perguntado se em alguma época teria comprado combustíveis do Posto Vale Verde, informou que não.” Sr. Nélson também recebeu intimação solicitando: cópia do contrato de locação do imóvel em que se situa o AUTO POSTO DISNEY LTDA. — ME, cópia do contrato social de alteração em que ficou consignada sua saída da empresa V. DA CONCEIÇÃO LTDA., cópia dos recibos de pagamento pelo valor recebido pela venda da pessoa jurídica objeto do presente trabalho e dos recibos pela compra de seu ativo. Embora tenha sido intimado por diversas vezes, o Sr. Nélson nunca atendeu a nenhuma das intimações, motivo pelo qual foram lavradas contra ele multas em decorrência do descumprimento das intimações. Em 18 de abril de 2007, concomitantemente à intimação do sócio, foi enviado ofício à JUCEPA para que esta remetesse cópia do contrato social de constituição e alterações contratuais empresa fiscalizada. Tais cópias foram entregues em 15 de maio de 2007. Foram também remetidos ofícios aos DETRANs dos Estados de Goiás, Mato Grosso, Pará e Paraná e ao Cartório do Ofício Único de Xingüará com objetivo de fazer o arrolamento de bens em face do valor do lançamento. Novamente, foi enviado à empresa novo Termo de Intimação para comprovação das origens dos valores creditados em suas contas bancárias, o qual não foi recebido e constou que o "DESTINATÁRIO DESCONHECIDO". Foi também afixado no período de 30 de maio a 14 de junho de 2007, o EDITAL n° 04/2007, intimando o contribuinte para, em 20 dias corridos, justificar a origem dos valores creditados em sua(s) conta(s) corrente(s). Da Responsabilidade pelo crédito tributário Entendeu a fiscalização que o sócio da empresa AUTO POSTO DISNEY LTDA. — ME é o Sr. Nélson Carlos Thomas Langer que, ao transferir a propriedade da empresa V. DA CONCEIÇÃO E CIA. LTDA. para o Sr. Irismar Araújo Lima, deixou a Fl. 7DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HO, Assinado digitalmente em 28/09/2011 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMO RE HO 8 empresa sob fiscalização permanecer no mesmo endereço onde funciona o AUTO POSTO DISNEY, e com o mesmo objeto social. O Sr. Nélson é sócio do posto de combustíveis que deu continuidade a exploração da atividade antes exercida pela empresa fiscalizada. Além disso, o Sr. Irismar, sócio atual da fiscalizada, disse que havia vendido o posto de volta ao Sr. Nélson. O próprio Sr. Nélson confirmou que havia comprado de volta, bem como confirmou ainda que constituiu as empresas de postos de combustíveis bem antes, em 2002, quando ainda encontravase como seu sócio, isto é, nos anoscalendários de 2002 e 2003, quando funcionava no mesmo endereço os dois postos de combustíveis, o AUTO POSTO DISNEY LTDA. e a fiscalizada, à época chamada de AUTO POSTO FLOR DA MATA. . É óbvio que a empresa sob fiscalização nunca deixou de ser do Sr.Nélson e esses fatos demonstram claros indícios de fraude. O Sr. Irismar Araújo Lima sempre apresentou Declaração de Isento, com exceção do anocalendário de 2005. Ocasião em que declarou ser sócio da empresa ora fiscalizada, com ocupação principal de "Dirigente, Presidente e Diretor de empresa industrial comercial ou prestadora de serviços", com rendimentos de R$ 17.000,00, sem qualquer menção de existência de bens em seu nome. Ou seja, em 31/12/2005, não era quotista de nenhuma empresa e, também, não possuía capacidade econômica para comprar uma empresa, em 24 de julho de 2006, por R$50mil ou R$25mil. Pelo exposto, restou esclarecido que, de acordo com o artigo 133, I, do Código Tributário Nacional CTN, a sucessão de uma empresa por outra, em face da transferência de negócios e manutenção desses negócios no mesmo endereço. A empresa sob fiscalização cessou suas atividades, como confirmado pela entrega das Declarações de Imposto de Renda como empresa inativa, assim, deve a sucessora responder integralmente pelos tributos devidos até a data do ato. No próprio Termo, transcreveu ementas do julgamento do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: "TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. EMBARGOS A EXECUÇÃO FISCAL. ALIENAÇÃO DE FUNDO DE COMÉRCIO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DA EMPRESA SUCESSORA. ART. 133, I, DO CTN. 1 O art. 133. I, do CTN responsabiliza integralmente o adquirente do fundo de comércio pelos débitos tributários contraídos pela empresa até a data da sucessão, quando o alienante cessar a exploracão do comércio, indústria ou atividade. II Comprovada a alienação do fundo de comércio, a execução deverá ser dirigida primeiramente ao sucessor deste. III Recurso especial improvido." (REsp 7060161RS; RECURSO ESPECIAL 2004/01677386, Relator Ministro FRANCISCO FALCÃO, T1 PRIMEIRA TURMA, Julgamento 26/04/2005, Data da Publicação/Fonte DJ 06.06.2005 p. 214). Fl. 8DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HO, Assinado digitalmente em 28/09/2011 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMO RE HO Processo nº 10218.000405/200731 Acórdão n.º 120200.393 S1C2T2 Fl. 5 9 "DIREITO TRIBUTARIO. DÉBITOS DE ICM. SUCESSÃO DISSIMULADA DE EMPRESAS, SUSCETÍVEL DE SER DEMONSTRADA POR MEIO DE INDÍCIOS E PRESUNÇÕES. RESPONSABILIDADE DA SUCESSORA. ART 133 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. CASO EM QUE O V. ACORDÃO IMPUGNADO EVIDENCIOU CIRCUNSTÂNCIAS SUFICIENTES PARA AUTORIZAREM A PRESUNÇÃO DE QUE HOUVE, EFETIVAMENTE, A ALEGADA TRANSFERÊNCIA DO ESTABELECIMENTO COMERCIAL. ERRO DE VALORAÇÃO DA PROVA, QUE REDUNDOU EM NEGATIVA DE VIGÊNCIA DO DISPOSITIVO LEGAL ACIMA CITADO. RECURSO PROVIDO." (REsp 38281SP; RECURSO ESPECIAL 1990/00061830, Relator MIN. ILMAR GALVÃO, T2 SEGUNDA TURMA, Data do Julgamento 29/08/1990, Data da Publicação/Fonte DJ 22.10.1990 p. 11657) Esclareceu que a última ementa, de Relatoria do Exmo. Ministro Ilmar Galvão, demonstrou, claramente, situação semelhante a que ocorre nos presentes autos. Vejase transcrito trecho do Voto: "Para considerar não caracterizada a sucessão de empresas, fundouse o r. acórdão recorrido, essencialmente, no entendimento de que: "O fundo de comércio não pode ser caracterizado apenas pelos elementos corpóreos, indicados pelo Fisco. No tocante aos outros elementos, os incorpóreos, não ficou demonstrada sua integração à Premotor. O fato de a Premotor estar instalada no mesmo endereço onde atuava a Prever, além de circunstancial, pouco significa". E mais: "O documento de fl. 210, expedido pela concessionária, esclarece que não houve a transferéncia de concessão da Prevel para a Premotor uma vez que a primeira solicitou o cancelamento do contrato de concessão de vendas, tratandose, portanto, a Premotor, de nova concessão". Esses fatos, todavia, são Insuficientes para elidir a presunção de sucessão. Na verdade, soa demasiadamente Inusitado, para ser aceito como verdade, que uma empresa detentora de cobiçada concessão de revenda de veículos e pecas de reposicão de afamada marca, em região das mais prósperas do País, houvesse decidido, sem mais nem menos, encerrar suas atividades, mediante simples renúncia à preciosa concessão, seguida da restituição, pura e simples, do Imóvel até então ocupado, após a venda das Instalações, equipamentos e estoques a empresas do mesmo ramo, Que os manteve no local. E que, instantaneamente, nova empresa Justamente interligada à adquirente dos mencionados bens houvesse sido organizada e contemplada Fl. 9DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HO, Assinado digitalmente em 28/09/2011 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMO RE HO 10 com nova concessão, da mesma espécie, passando a operar no mesmo endereço e a utilizar o mesmo Instrumental que fora alienado pela primeira. Tratase de circunstâncias suficientes para uma convicção não apenas de que houve transferéncia dos negócios, mas também de que a dissimulação se deu com o propósito de afastar a responsabilidade pelos débitos fiscais da sucedida. Não se pode esquecer que, nas condições descritas, a prova da fraude dificilmente poderia ser feita por meio da exibição do instrumento de cessão, ou outro equivalente,razão pela qual pode ela assentarse em indícios e presunções (WASHINGTON DE BARROS MONTE1RO, In Curso de Direito Civil, 1° vot, ed. Saraiva, 1977, pág. 210), que, no caso, são preciosos, graves e concordantes. Estáse, pois, desenganadamente, diante de erro de valoração da prova, que resultou em ofensa ao dispositivo legal invocado pela Recorrente. Assim sendo meu voto é no sentido de dar provimento ao recurso." (grifos nossos) Resta, portanto, demonstrado que não houve apenas a ocupação do mesmo lugar para atuação no mesmo ramo de atividade, o que ocorre no presente caso, mas simplesmente a continuidade da atividade antes exercida no mesmo local e, inclusive,pelo mesmo sócio, o Sr. Nélson Carlos Thomas Langer. Mesmo que para tal continuidade não exista um contrato particular firmado entre as partes (a fiscalizada e o AUTO POSTO DISNEY LTDA. — ME) e mesmo que tenha havido a constituição de uma nova empresa, livre de qualquer eventual passivo tributário. Do agravamento da multa de 75% para 225% No caso em comento, constatase que não houve atendimento da intimação por parte do contribuinte. Não foram respondidos nenhum dos Termos de Fiscalização, nem mesmo o que solicitou a origem dos valores creditados em sua(s) conta(s) corrente(s). Ademais, há indícios de fraude por parte da fiscalizada, pois a empresa foi "vendida" a terceiros, sem que os mesmos tivessem capacidade econômica, e também constou como inativa, passando o efetivo dono a operar sob uma nova razão social a mesma atividade e no mesmo local. Tal fato demonstra o claro intuito de fraudar o fisco e objetivo de afastar a responsabilidade por débitos fiscais. Assim,é cabível a aplicação da multa prevista no inciso II do artigo 44, § 2°, da Lei n° 9.430/96. Da alíquota do imposto aplicada Nas declarações apresentadas, DIPJs e DCTFs, constatase que a mesma apresentou receita bruta, tanto no anocalendário de 2002 quanto no de 2003, sujeita ao percentual de 1,6%, que corresponde ao percentual aplicável sobre a receita bruta trimestral auferida na revenda para consumo de combustível derivado de petróleo, álcool etílico carburante e gás natural, sem qualquer menção, contudo, a receitas decorrentes de vendas de lubrificantes. Todavia, foi feita circularização e a resposta de todos os contribuintes intimados através de MPF's Extensivos foi que, para os anos de 2002 e 2003, não foi feita nenhuma venda de combustíveis à fiscalizada. Sr. Irismar confirmou isso em depoimento. Assim, como não houve confirmação de compras de combustíveis pela fiscalizada para Fl. 10DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HO, Assinado digitalmente em 28/09/2011 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMO RE HO Processo nº 10218.000405/200731 Acórdão n.º 120200.393 S1C2T2 Fl. 6 11 comercialização em seu estabelecimento, não há como identificar as receitas oriundas de venda de combustíveis para aplicação do percentual de 1,6% sobre a receita bruta. Quanto à contribuição ao PIS e à COFINS incidentes sobre a venda de combustíveis derivados de petróleo, álcool etílico carburante e gás natural, desde a edição da Lei n° 9.718/98, não mais incidem tais contribuições sobre postos de combustíveis, comércio varejista de combustíveis. No entanto, em análise das DIPJs referentes aos anos calendários de 2002 e 2003, constatase que, embora tenha sido informado que a totalidade das receitas seria de venda de combustíveis, foi informado também débitos das contribuições ao PIS e à COFINS, as quais apenas seriam devidas em caso de venda de óleo lubrificante. Isso demonstra incongruência nas informações prestadas na própria DIPJ. Com base na omissão verificada por conta da existência de depósitos bancários de origem não comprovada, foi aplicada o percentual de 8,0% em estrita observância do disposto no art. 24 da Lei n° 9.249/95, transcrito no artigo 537 do RIR/99. Da Impugnação Foram apresentadas impugnações tanto da empresa fiscalizada quanto do AUTO POSTO DISNEY, sujeito passivo solidário, ambas de igual teor ( fls. 324 a 342,) As impugnantes: a) em relação à omissão de receitas: 1) solicitam o benefício do artigo 172, II do Código Tributário Nacional CTN porque a sua escrituração não estava sendo detidamente elaborada e por isso apurou valores a menor que o declarado; 2) citam o disposto no artigo 112 do CTN quanto à interpretação da legislação de forma mais favorável à contribuinte; 3) entenderam que a fiscalização deveria exaurir todos os meios que dispunha para apurar o crédito tributário, com base no Princípio da Legalidade; 4) alegam que atuavam no ramo de combustíveis e lubrificantes, fato que impossibilita a cobrança da contribuição ao PIS e da COFINS, nos termos do disposto no artigo 42 da MP nº' 2.158/ 2001; b) em relação a livros e documentos: 1) alegam que deixaram de apresentálos por conta do furto, registrado em boletim de ocorrência policial; 2) esclarecem que o entendimento do Tribunal Regional Federal da Região é de que descabe o arbitramento no caso de destruição de livros e documentos c) em relação ao coeficiente do Lucro presumido: 1) citam que o coeficiente do lucro presumido da impugnante é de 1,6% por exercer atividade de comércio varejista de combustíveis e lubrificantes, e, não , de 8%. Fl. 11DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HO, Assinado digitalmente em 28/09/2011 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMO RE HO 12 2) ressaltam que os documentos referentes à cartafrete e ao chequetroco foram roubados, mas os valores correspondentes não podem ser incluídos na base de cálculo da CSLL, porque nem todos os valores depositados na contacorrente da impugnante representam receitas. A DRJ julgou procedente o Auto de Infração, concluindo em seu Acórdão que: em relação à OMISSÃO DE RECEITAS: a) o artigo 172, II, do CTN, trata da remissão que é estipulada em lei; portanto, o assunto é de atribuição do Congresso Nacional, não podendo ser discutido na esfera administrativa. b) o artigo 112, caput, do CTN, referese à interpretação da lei tributária, o assunto não está em discussão no presente lançamento de ofício, carecendo de objeto, portanto. c) quanto ao fato de que a fiscalização deveria exaurir todos os meios disponíveis para a materialização do lançamento de ofício, a impugnante foi intimada a apresentar livros e documentos fiscais, bem como a comprovar os depósitos bancários, o que não fez. As intimações da fiscalização foram infrutíferas porque a impugnante, em momento algum, atendeuas. Assim, rejeita o argumento de que a fiscalização não procurou por todos os meios a apuração da base tributável. Contribuição ao PIS E COFINS: a) alega que é isenta da contribuição ao PIS e da COFINS por comercializar combustíveis e lubrificantes. Mas não apresentou os livros e documentos fiscal, e as receita apuradas foram através de depósitos bancários cujas origens não foram comprovadas. Como o processo trata de receita omitida e não foram apresentados os livros e documentos fiscais e contábeis, não há como aferir se as receitas correspondem à venda de gasolina e álcool. b) os possíveis fornecedores da impugnante foram intimados e nenhum deles confirmou a venda de combustível para a impugnante nos anoscalendário de 2002 e 2003 (fl.57). em relação aos LIVROS E DOCUMENTOS: a)não foram apresentados, por caso fortuito, como registrado em boletim de ocorrência policial. Entretanto, pelos fatos apresentados: (i) no decorrer da fiscalização, informou que os livros e documentos não existiam; (ii) após, que houve um incêndio; e , (iii) por último, que houve um furto para o qual lavrouse um boletim de ocorrência datado de 7 de março de 2007, após a intimação para apresentação deles. Assim sendo, nada descarta o arbitramento do lucro. Coeficiente do Lucro Presumido: a) como já foi abordado nos parágrafos precedentes, não foi possível a identificação da origem das receitas que serviram de base para a apuração do lucro presumido. Não se confirmou que as receitas eram decorrentes da venda de combustíveis, pois os possíveis fornecedores informaram que não venderam combustíveis para a impugnante nos anos calendários de 2002 e 2003. Desse modo, aplicouse o coeficiente de 8% , parágrafo 1° do artigo 24 da Lei n°9.249, de 1995. Fl. 12DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HO, Assinado digitalmente em 28/09/2011 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMO RE HO Processo nº 10218.000405/200731 Acórdão n.º 120200.393 S1C2T2 Fl. 7 13 b) quanto ao fato dos depósitos não se corresponderem à receita tributável, a impugnante dispõe sobre a cartafrete e chequetroco que não representariam receita tributável em sua totalidade. Para tanto, foi utilizado o coeficiente de 8%. Multa de ofício e juros calculados com base na taxa SELIC a) a interessada não apresentou argumentos específicos contra a qualificação e o agravamento da multa de ofício, bem como em relação aos juros, razão pela qual os assuntos não foram apreciados. Cientificada da decisão em 9 de novembro de 2007, a interessada apresentou o Recurso Voluntário em 5 de dezembro do mesmo ano. No Recurso Voluntário argumentou o seguinte: DA VEDAÇÃO CONSTITUCIONAL AO CONFISCO – nos termos dos artigos 145, §1º, e 150 e incisos, da Constituição Federal, o arbitramento do lucro é um confisco do patrimônio das interessadas. Se prevalecer o arbitramento, toda a renda auferida durante sua existência estará sendo extraída das interessadas. IMPOSTO DE RENDA a utilização do coeficiente de 8% não é aplicável à atividade da empresa – comércio varejista de combustíveis e lubrificantes para veículos automotores, cujo coeficiente é de 1,6%. Pede, portanto, o cancelamento do auto de infração por utilizar coeficiente incorreto. MULTA AGRAVADA E QUALIFICADA – como ocorreu o caso fortuito, a interessada não tinha como apresentar escrituração comercial ou contábil, e isso não foi levado em conta. Pede, portanto, que seja revista a multa de 225% e também a base de cálculo da CSLL. DA COBRANÇA INDEVIDA DE CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS – nos termos do artigo 42 da Medida Provisória nº 215835/2001, as receitas da atividade da empresa estão sujeitas à alíquota zero. Ao final, acrescentou que, no periodo sob fiscalização, a empresa estava sob a administração de Sr. Daniel Jacob Thomas Langer, dessa maneira a ausência de pagamentos de tributos e principalmente a completa movimentação bancária, são de total responsabilidade do mesmo, o que torna isento o Sr Nélson Carlos Thomas Langer. É o relatório. Voto Conselheira Nereida de Miranda Finamore Horta O recurso voluntário foi apresentado tempestivamente e reúne os pressupostos de admissibilidade e, portanto, deve ser conhecido. Fl. 13DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HO, Assinado digitalmente em 28/09/2011 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMO RE HO 14 Foi lavrado Auto de Infração contra a empresa Vila da Conceição & Cia. Ltda e, também, Termo de Sujeição Passiva Solidária à empresa Auto Posto Disney Ltda. As matérias em litígio dizem respeito à omissão de receitas pela não comprovação dos depósitos efetuados nas contas bancárias da interessada, ao coeficiente utilizado para o cálculo dos tributos, e à tributação pela contribuição ao PIS e COFINS das receitas das atividades da empresa. O procedimento de fiscalização teve início em 26 de setembro de 2006, finalizando com a lavratura do Auto de Infração em julho de 2007. Durante toda a fiscalização, a interessada e também os seus sócios foram intimados e reintimados a apresentar seus extratos bancários, o que não foi feito, motivo pelo qual os mesmos (extratos) foram solicitados às instituições financeiras correspondentes. A autoridade fiscalizadora, com os extratos bancários em mãos, intimou e reintimou a empresa e os seus sócios, dirigentes ou administradores, para prestar esclarecimentos, suportados em documentação hábil e idônea, relativos aos depósitos bancários indicados e a interessada, nada respondeu ou mesmo nada fez. Diante desses resumidos fatos foi lavrado o auto de infração sob análise. Primeiramente, mister esclarecer que, em relação à vedação constitucional ao confisco, segundo os artigos 145, §1º, e 150 e incisos, da Constituição Federal, não cabe pronunciamento deste colegiado, haja vista que esta matéria já foi objeto de aplicação de súmula do CARF, conforme abaixo, in verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Da omissão de receitas Pelos fatos, a recorrente e os responsáveis foram intimados a dar explicação e não aproveitaram a oportunidade para explicar as diferenças, nem mesmo na impugnação ou Recurso Voluntário. Durante todo o processo de fiscalização, somente foi entregue um Boletim de Ocorrência, datado de 7 de março de 2007, registrando o furto dos livros e documentos. Ressaltese que foi entregue após o recebimento da intimação para entregálos. A movimentação financeira da empresa obtida junto às instituições financeiras foi, no ano de 2002, de R$ 23.715.889,15, e, no ano de 2003, de R$ 15.877.672,34, enquanto a recorrente registrou em sua DIPJ, um faturamento anual de R$ 593.708,07 e R$ 921.460,65, respectivamente, para os mesmos anoscalendários de 2002 e 2003. Os montantes são muito discrepantes e a autoridade lançadora tem que agir em frente a tamanha discrepância. Embasada pelo artigo 24 da Lei nº 9249/1995, in verbis: “Art. 24. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. § 1º No caso de pessoa jurídica com atividades diversificadas tributadas com base no lucro presumido ou arbitrado, não sendo possível a identificação da atividade a que se refere a receita omitida, esta será adicionada àquela a que corresponder o percentual mais elevado. Fl. 14DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HO, Assinado digitalmente em 28/09/2011 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMO RE HO Processo nº 10218.000405/200731 Acórdão n.º 120200.393 S1C2T2 Fl. 8 15 § 2º O valor da receita omitida será considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, da Contribuição para o PIS/Pasep e das contribuições previdenciárias incidentes sobre a receita.” (grifos nossos) A autoridade lançadora, assim, deixou evidenciada a omissão de receita, com base nas discrepâncias encontradas e a não explicação por parte da recorrente, e apurou o valor dos tributos com base no regime do lucro presumido, nos termos do disposto no artigo 24 acima transcrito e grifado. A diferença dos valores movimentados e a não apresentação de qualquer documentação comprovando a origem dos depósitos, indicam à autoridade fiscal que há omissão de receitas, portanto, agiu corretamente no lançamento, bem como a DRJ, na sua decisão. Do coeficiente do lucro presumido A interessada questiona que o coeficiente utilizado deveria ser de 1,6% e, não, de 8%. Ora, a fiscalização tentou comprovar a real atividade da empresa se era de fato de comércio varejista de lubrificantes e combustível para veículos automotores, solicitou várias vezes a escrituração comercial da empresa e não houve resposta. Sem a mesma, não pode comprovar. Também circularizou os possíveis fornecedores da região, enviando intimação para que respondessem o montante fornecido, mas a resposta foi negativa, confirmando que nada forneceram. Dessa forma, a autoridade fiscalizadora não tem como fundamentar o cálculo com base no coeficiente de 1,6%, bem como a alíquota zero para as contribuições ao PIS e COFINS. Ademais, a recorrente não apresentou, nem em sua impugnação ou recurso voluntário, nenhuma prova ou evidência de que sua receita correspondia ao comércio varejista de lubrificantes e combustível para veículos automotores. Novamente, concordo com o lançamento e também com a decisão da DRJ. Como consta do Termo de Fiscalização, a empresa registra que suas receitas são derivadas de venda de combustíveis derivados de petróleo, álcool etílico carburante e gás natural, todavia, informa que está sujeita às contribuições ao PIS e COFINS, as quais não mais se aplicam desde a edição da Lei nº 9718/1998. Portanto, a autoridade lançadora aplicou o percentual relativo à 8% que é de maior abrangência e se aplicaria às receitas da fiscalizadas, por não conseguir comprovar a natureza das receitas, nos termos do artigo 24 retrotranscrito. Da multa qualificada e agravada A interessada não questionou a qualificação e agravamento da multa de ofício em sua impugnação, bem como a cobrança de juros à taxa da SELIC. O pleito relativo às multas somente aconteceu em seu Recurso Voluntário, todavia, a mesma não trouxe nenhuma argumentação ou comprovação que afastasse as evidência de que não houve o intuito de fraudar. Além disso, é importante repetir que os valores não comprovados ou explicados são bem discrepantes e, em nenhum momento, houve explicação para tal, assim, ficou constatada a intenção de omitir ou retardar a obrigação tributária. Ainda, pelo Termo de Verificação, os fatos demonstram o intuito de fraude por parte Fl. 15DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HO, Assinado digitalmente em 28/09/2011 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMO RE HO 16 da recorrente: as diferenças entre a movimentação e os valores enviados à Secretaria da Receita Federal; o fato da empresa sob fiscalização ter sido desativada, e a criação de nova empresa no mesmo local, com o mesmo objeto social e sob a administração e controle da primeira tinha no momento em que foi desativada. Pelo exposto, como não trouxe argumentos na impugnação, não trouxe evidências que afastassem o intuito de fraude e também o descaso com a fiscalização, aplicase o disposto no artigo 44, I, §§ 1º e 2º, da Lei nº 9430/1996, com nova redação dada pelo artigo 14 da Lei nº 11.488/2007. Da sucessão tributária Por todos os fato já citados no item anterior, a criação de nova empresa no mesmo local, com a mesma atividade e com a mesma administração e mesmo controle que a antiga tinha no momento da cessação das atividades, conjugam para que a empresa com nome fantasia Auto Posto Disney seja sucessora e responda pelos tributos devidos pela fiscalizada. Os fatos são suficientes para demonstrar a sucessão e formar a convicção de que houve transferência dos negócios entre a fiscalizada e a nova empresa. Não é natural que não haja transferência, e, conseqüentemente, sucessão, uma vez que a empresa fiscalizada cessou suas atividades e , em seguida, surgiu uma nova empresa no mesmo local, com os mesmos equipamentos e máquinas e com os mesmos administradores e controles. . Nos termos do artigo 133, I, do Código Tributário Nacional – CTN, citado no Termo: “Art. 133. A pessoa natural ou jurídica de direito privado que adquirir de outra, por qualquer título, fundo de comércio ou estabelecimento comercial, industrial ou profissional, e continuar a respectiva exploração, sob a mesma ou outra razão social ou sob firma ou nome individual, responde pelos tributos, relativos ao fundo ou estabelecimento adquirido, devidos até à data do ato: I integralmente, se o alienante cessar a exploração do comércio, indústria ou atividade; II subsidiariamente com o alienante, se este prosseguir na exploração ou iniciar dentro de seis meses a contar da data da alienação, nova atividade no mesmo ou em outro ramo de comércio, indústria ou profissão.” (grifos nossos). Com base nesse artigo, a nova empresa é responsável pelos débitos tributários contraídos pela empresa até a data da sucessão, assim sendo, a cobrança deverá ser dirigida primeiramente ao sucessor deste. Assim, está correta a lavratura do Termo de Sujeição Passiva pertinente e a cobrança ser enviada à empresa sucessora. Por todo o acima exposto, temos que todos os elementos trazidos aos autos militam contra a contribuinte, que em nenhum momento logrou, por elementos probantes, colocar em dúvida a acusação contida no trabalho fiscal. Pelo contrário, permaneceram incólumes todas as provas coletadas pela autoridade fiscalizadora. As esparsas alegações apresentadas não conseguiram ilidir a constatação da irregularidade detectada pela fiscalização. Não junta a recorrente nenhum documento ou qualquer outro elemento que comprove os depósitos ou a atividade da empresa de comércio Fl. 16DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HO, Assinado digitalmente em 28/09/2011 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMO RE HO Processo nº 10218.000405/200731 Acórdão n.º 120200.393 S1C2T2 Fl. 9 17 varejista de combustível e lubrificantes de veículos automotores ou que justifique a diferenças encontradas entre os valores apresentados à Secretaria da Receita Federal e os valores constantes em sua movimentação financeira. Enfim, não há nada que não justifique os procedimentos adotados pela fiscalização. Portanto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. Os lançamentos do PIS, da COFINS e da CSLL em questão tiveram origem em matéria fática apurada para o lançamento do IRPJ. Tendo em vista que há estreita relação entre os tributos, devese aqui seguir os efeitos da decisão proferida para o IRPJ. (documento assinado digitalmente) Nereida de Miranda Finamore Horta Relatora Fl. 17DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HO, Assinado digitalmente em 28/09/2011 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMO RE HO
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