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Numero do processo: 13833.720047/2014-46
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2011
IRPF. ISENÇÃO. DOENÇA GRAVE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA, REFORMA OU PENSÃO.
Para fazer jus à isenção do IRPF, o contribuinte deve demonstrar, cumulativamente, que os proventos são oriundos de aposentadoria, reforma ou pensão e que é portador de uma das moléstias graves arroladas no art. 39, inc. XXXIII, do Regulamento do Imposto de Renda, de conformidade com laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios.
Numero da decisão: 2402-006.456
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
Nome do relator: João Victor Ribeiro Aldinucci
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2011 IRPF. ISENÇÃO. DOENÇA GRAVE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA, REFORMA OU PENSÃO. Para fazer jus à isenção do IRPF, o contribuinte deve demonstrar, cumulativamente, que os proventos são oriundos de aposentadoria, reforma ou pensão e que é portador de uma das moléstias graves arroladas no art. 39, inc. XXXIII, do Regulamento do Imposto de Renda, de conformidade com laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios.
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ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE Recorrente VISMA IVONE REDOVIC Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2011 IRPF. ISENÇÃO. DOENÇA GRAVE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA, REFORMA OU PENSÃO. Para fazer jus à isenção do IRPF, o contribuinte deve demonstrar, cumulativamente, que os proventos são oriundos de aposentadoria, reforma ou pensão e que é portador de uma das moléstias graves arroladas no art. 39, inc. XXXIII, do Regulamento do Imposto de Renda, de conformidade com laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 3. 72 00 47 /2 01 4- 46 Fl. 82DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Relatório Os presentes autos estão retornando a este Colegiado depois de cumprida a diligência solicitada por meio da Resolução de fls. 72/75, cujo relatório é o seguinte: [...] contra a contribuinte acima identificada foi emitida a notificação de lançamento de fls. 26/29, relativa ao imposto sobre a renda das pessoas físicas, anocalendário 2011, por meio da qual se apurou a omissão de rendimentos recebidos de São Paulo Transporte S.A., no valor de R$ 21.785,45. Cientificada do lançamento em 05/02/2014 (fl. 31), a contribuinte apresentou, em 25/02/2014, a impugnação de fl. 2, acompanhada dos documentos de fls. 3/5, na qual alega que os rendimentos de R$ 21.785,45 são isentos por se tratar de proventos de pensão de declarante com 65 anos ou mais. Acrescenta que esses rendimentos são proventos de benefício de pensão deixada pelo marido, conforme comprovante anexo, e não rendimentos do trabalho assalariado. A decisão da autoridade de primeira instancia julgou improcedente em 3 de junho de 2014 a impugnação da Recorrente cuja ementa se reproduz abaixo (fl. 59): OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. Os rendimentos recebidos a título de pensão sujeitamse à tributação pelo imposto de renda, só se podendo afastar sua incidência quando o contribuinte comprove que satisfaz as condições necessárias para se enquadrar em alguma hipótese de isenção prevista em lei. Impugnação Improcedente Cientificado da decisão de primeira instancia em 16/06/2014, o contribuinte apresentou tempestivamente, fls. 68/69, em 07/07/2014, o recurso voluntário aduzindo, em síntese que: Em nenhum momento foi analisado o mérito da questão que seria: rendimento de pensão recebido por contribuinte de moléstia grave. O lançamento efetuado como rendimento tributável deve ser considerado como rendimento isento, o qual referese a rendimentos de pensão recebidos por portadora de moléstia grave (neoplasia maligna). Nos termos do voto da então conselheira desta Turma, Bianca Felícia Rothschild, esta Turma resolveu converter o julgamento em diligência, para que a São Paulo Transportes S/A esclarecesse a natureza do rendimento informado à contribuinte. Fl. 83DF CARF MF Processo nº 13833.720047/201446 Acórdão n.º 2402006.456 S2C4T2 Fl. 3 3 A aludida empresa foi intimada (v. fls. 77/78), mas não apresentou resposta. Sem contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Relator 1 Conhecimento Conforme se vê na Resolução de fls. 72/75, o recurso voluntário é tempestivo e estão presentes os demais requisitos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. 2 Da omissão de rendimentos A isenção do imposto de renda pessoa física sobre os proventos de aposentadoria, reforma ou pensão recebidos por portadores de moléstia grave tem fundamento no art. 39, incs. XXXI e XXXIII, do Regulamento do Imposto de Renda RIR. Para o gozo da isenção, o § 4º do citado artigo determina que a moléstia grave deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Vejase: Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: XXXI os valores recebidos a título de pensão, quando o beneficiário desse rendimento for portador de doença relacionada no inciso XXXIII deste artigo, exceto a decorrente de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XXI, e Lei nº 8.541, de 1992, art. 47); XXXIII os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XIV, Lei nº 8.541, de 1992, art. 47, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 30, § 2º); § 4º Para o reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XXXI e XXXIII, a partir de 1º de janeiro de 1996, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido Fl. 84DF CARF MF 4 por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle (Lei nº 9.250, de 1995, art. 30 e § 1º). Portanto, para fazer jus à isenção, o contribuinte deve cumprir determinados requisitos, tais como: (i) ser portador de uma das moléstias arroladas no inc. XXXIII; (ii) receber proventos de aposentadoria, reforma ou pensão, visto que a regra isentiva não se aplica a outros rendimentos porventura tributáveis; (iii) ter laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. No caso in concreto, observase que a recorrente não comprovou que o rendimento recebido da empresa São Paulo Transportes S/A era realmente proveniente de pensão. Pelo contrário, o comprovante de rendimentos de fl. 13 informa que citado valor seria proveniente do trabalho assalariado, tanto é que foi assim informado em DIRF pela fonte pagadora. No âmbito deste Conselho, é inconteste a necessidade de comprovação da natureza do rendimento: ISENÇÃO. RENDIMENTOS PROVENIENTES DA APOSENTADORIA PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. Para gozo da isenção dos portadores de moléstia grave deve ser comprovado nos autos que os rendimentos são proventos de aposentadoria, pensão ou reforma e a existência da moléstia grave descrita no inciso XIV do art. 6º da lei 7.713/1988 deve ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estado, do Distrito Federal ou dos Municípios que identifique a data de início da doença. [...] (Número do Processo 10166.721421/201108, Recurso Voluntário, Data da Sessão 11/02/2015, Relator(a) GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Acórdão nº 2201 002.683) Em síntese, inexistindo comprovação cabal de que o rendimento se referiria a proventos de pensão, deve ser negado provimento ao recurso. 3 Conclusão Diante do exposto, votase no sentido de CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Fl. 85DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.919993/2009-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 18/10/2004
COFINS. COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. EFEITOS.
A apresentação espontânea de DCTF retificadora antes da edição do despacho decisório, nas hipóteses em que é admitida pela legislação, substitui a original em relação aos débitos e vinculações declarados, devendo por tanto ser considerada.
INTIMAÇÃO DIRIGIDA AO PATRONO DA EMPRESA NO ENDEREÇO DAQUELE. IMPOSSIBILIDADE.
É descabida a pretensão de intimações, publicações ou notificações dirigidas ao Patrono da Impugnante em endereço diverso do domicilio fiscal do contribuinte tendo em vista o § 4° do art. 23 do Decreto 70.235/72.
Numero da decisão: 3201-004.069
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso, para que os autos retornem à unidade preparadora, a fim de que reexamine o pleito do PER/DCOMP, considerando-se a DCTF retificadora como original para análise e prolação de novo despacho decisório.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Correia Lima Macedo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: LEONARDO CORREIA LIMA MACEDO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 18/10/2004 COFINS. COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. EFEITOS. A apresentação espontânea de DCTF retificadora antes da edição do despacho decisório, nas hipóteses em que é admitida pela legislação, substitui a original em relação aos débitos e vinculações declarados, devendo por tanto ser considerada. INTIMAÇÃO DIRIGIDA AO PATRONO DA EMPRESA NO ENDEREÇO DAQUELE. IMPOSSIBILIDADE. É descabida a pretensão de intimações, publicações ou notificações dirigidas ao Patrono da Impugnante em endereço diverso do domicilio fiscal do contribuinte tendo em vista o § 4° do art. 23 do Decreto 70.235/72.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso, para que os autos retornem à unidade preparadora, a fim de que reexamine o pleito do PER/DCOMP, considerando-se a DCTF retificadora como original para análise e prolação de novo despacho decisório. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Correia Lima Macedo - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
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COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. EFEITOS. A apresentação espontânea de DCTF retificadora antes da edição do despacho decisório, nas hipóteses em que é admitida pela legislação, substitui a original em relação aos débitos e vinculações declarados, devendo por tanto ser considerada. INTIMAÇÃO DIRIGIDA AO PATRONO DA EMPRESA NO ENDEREÇO DAQUELE. IMPOSSIBILIDADE. É descabida a pretensão de intimações, publicações ou notificações dirigidas ao Patrono da Impugnante em endereço diverso do domicilio fiscal do contribuinte tendo em vista o § 4° do art. 23 do Decreto 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso, para que os autos retornem à unidade preparadora, a fim de que reexamine o pleito do PER/DCOMP, considerandose a DCTF retificadora como original para análise e prolação de novo despacho decisório. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Correia Lima Macedo Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 99 93 /2 00 9- 27 Fl. 122DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório Tratase de Recurso Voluntário, efls. 89/103, contra decisão de primeira instância administrativa, Acórdão n.º 1633.726 – 14a Turma da DRJ/SP1, efls. 74/80, que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão administrativa pela não homologação da compensação declarada de créditos de COFINS. O relatório da decisão de primeira instância descreve os fatos dos autos. Nesse sentido, transcrevese a seguir o referido relatório: 1. O interessado transmitiu em 02/03/2005 o PER/DCOMP 13993.77984.020305.1.3.040877, visando compensar o valor declarado ali e, informado o Tipo de crédito: Pagamento Indevido ou a Maior; o período de apuração: 30/09/2004; data de arrecadação: 18/10/2004; código de receita: 5856, com débitos do Grupo de Tributo: IRRF; código de receita: 056101; período de apuração 1º Sem/março/2005 e 2º Sem/março/2005; data do vencimento: 09/03/2005 e 16/03/2005, respectivamente. 1.1. A DCOMP foi analisada de forma eletrônica pelo sistema de processamento da Receita Federal do Brasil RFB que emitiu Despacho Decisório, Número de Rastreamento:825124440, assinado pelo titular da unidade de jurisdição da requerente, ql. c não homologou a compensação declarada. 1.2. O Despacho Decisório atesta que: "Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 617.278,60. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada." 1.3. Abaixo, apresentamse, em ordem crescente de data de transmissão os processos de DCOMP, vinculadas ao mesmo DARF, alguns encontramse nesta Turma para julgamento que são identificados pela SITUAÇÃO: EM DISCUSSÃO ADMINISTRATIVA. 1.3.1. Os três primeiros e o último encontramse em fase distinta como mostram a SITUAÇÃO: DESPACHO EMITIDO e EM ANÁLISE AUTOMÁTICA, para as quais não foram instaurados o contencioso administrativo. Fl. 123DF CARF MF Processo nº 10880.919993/200927 Acórdão n.º 3201004.069 S3C2T1 Fl. 123 3 1.4. É de se notar que o DARF 0690118169 de VALOR ORIGINAL TOTAL de R$ 844.690,81, registra os valores: no campo 5856 = 841.912,50 e, no campo 6138 = 2.778,31. 1.4.1. Em 05/09/2011, consta do sistema que o documento de arrecadação alocou em 06/05/2009, a Débito do tributo COFINS, PA: 01/09/2004; Receita 5856; Data de Vencimento: 15/10/2004, o valor principal de R$ 25.573,50 e multa de R$ 84,39. Constam valores reservados para restituição de R$ 382.946,50 e R$ 436.086,42 para os processos 10880.959863/200927 e 10880.959860/200993, respectivamente. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE 2. No prazo regulamentar, o sujeito passivo apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 07/13, apresenta breve relato acerca da não homologação pleiteada, fazendo anexar os documentos de fls. 14/69, alegando em síntese que: 2.1. É empresa multinacional e, no terceiro trimestre de 2004 era administrada por empresa terceirizada, que cuidava de toda sua contabilidade. Por equívoco da empresa terceirizada a Requerente efetuou pagamento a maior a título de COFINS no mês de setembro/2004, em valor muito superior ao devido: Valor Pago — R$ 844.690,81; Valor Devido R$ 25.573,50. 2.2. Por equívoco no preenchimento da DCTF da Requerente foi informado o valor incorreto corno devido, o que foi objeto de declaração retificadora (doc. 03) e, que o valor correto devido a título da COFINS no período foi declarado na DACON. entregue em 29/10/2004 (doc. 04). 2.3. Assim que verificou o pagamento maior, em 2005, apresentou vários PER/DCOMP pleiteando a compensação de débitos atuais com seus créditos de COFINS, relativos ao pagamento a maior. Procedeu, ainda, à retificação de sua DCTF para constar os valores corretos e o pagamento indevido (doc. 03). 2.4. Surpreendeuse com a não homologação da compensação requerida, por se entender inexistente o crédito tributário. Transcreve a fundamentação do despacho Decisório argumentando que ao contrário do que entendeu a r. decisão proferida, o crédito indicado existe e a compensação deve ser acolhida para o fim de extinguir o crédito tributário. 2.5. Sob título: Necessidade de reforma da r. Decisão proferida. O valor devido no mês de setembro/2004 é de R$ 25.573.50 e o pagamento foi de R$ 844.690.81, alega: 2.6. Por equívoco da empresa terceirizada que "administrava" a ora Requerente, foi efetuado pagamento a título de COFINS no período no valor de R$ 844.690.81 conforme comprovante de arrecadação, (doc. 05). Neste PER/DCOMP o crédito utilizado foi justamente relativo a este pagamento a maior da COFINS, Fl. 124DF CARF MF 4 razão pela qual não há que se falar em inexistência do crédito, ao contrário do que constou da r. decisão proferida. 2.7. O pagamento está confirmado pelo comprovante de arrecadação que anexa, sendo que o valor devido está devidamente declarado na DACON entregue em 29/10/2004 (doc. 04) e na DCTF do período (doc. 03), entregue em 23/03/2009. 2.8. Sob o título: O erro na DCTF foi corrigido antes da decisão e não afasta a existência do crédito Princípio da Verdade Material, alega que: 2.9. Não se argumente o fato da empresa terceirizada ter entregue a DCTF do período com informação Incorreta, constando como devido a título de COFINS o valor de R$ 844.690,81, e não R$ 25.573,50, pois, fora este o motivo da negativa, o que não se sabe, pois não consta expressamente da r. decisão proferida. O fato é que este equívoco não pode dar ensejo à negativa do pedido de compensação: (i) porque em 23/03/2009, portanto muito antes da prolação do despacho decisório em questão, a atual contabilidade da empresa verificou o erro na DCTF e procedeu a sua retificação, para constar o valor correto como devido, como se verifica das cópias anexas (doc. 03). (ii) porque independentemente do equívoco ocorrido, o crédito de COFINS existe e é passível de compensação, sendo mais do que suficiente para extinguir o crédito tributário objeto do presente PER/DCOMP nos termos do art. 156, II do CTN, razão pela qual deve ser acolhido o pedido de compensação dos créditos. 2.10. Em homenagem ao princípio da verdade material, estando devidamente comprovado que os créditos da Requerente existem e são suficientes para a extinção do crédito tributário, por meio de compensação, não pode o Fisco desconsidera fato e equiparar a Requerente ao contribuinte que, de máfé, entrega PER/DCOMP sem direito ao crédito, só para "segurar" a cobrança. 2.11. Equiparar a Requerente a este contribuinte inadimplente é medida que viola flagrantemente os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, que devem ser observados pela administração, nos termos do art. 37 da CF/88. 2.12. Sob o título: Violação a razoabilidade e proporcionalidade, traz lições de Ângela Maria da Moita Pacheco e Caio Tácito, concluindo: 2.12.1. muito embora até tenha havido erro por parte da Requerente no preenchimento da DCTF o erro foi corrigido antes de prolação do despacho decisório, de modo que não pode ser penalizada, pois, seu crédito existe e é suficiente para extinguir o crédito tributário, tudo a ensejar o acolhimento da compensação, com a extinção do crédito tributário. Fl. 125DF CARF MF Processo nº 10880.919993/200927 Acórdão n.º 3201004.069 S3C2T1 Fl. 124 5 2.12.2. que em homenagem aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade deve ser homologada a compensação pleiteada e extinto o crédito tributário, nos termos do art. 156, II do CTN. DO PEDIDO 3. Requer o recebimento, o processamento e o acolhimento da MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE, para o fim de reformar a r. decisão proferida e, homologada a compensação efetuada, extinguindose integralmente o crédito tributário. 3.1. Requerendo que as intimações relativas ao presente feito sejam dirigidas inclusive ao advogado Pedro Miranda Roquim, inscrito na OAB/SP 173.481, com escritório na Av. Paulista, 509, 14° andar, SP — SP, Cep 01311000. É o relatório. A DRJ, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade. O Acórdão n.º 1633.726 – 14a Turma da DRJ/SP1 está assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS DATA DO FATO GERADOR: 18/10/2004 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. CERTEZA. LIQUIDEZ. COMPROVAÇÃO. A restituição e/ou compensação de indébito fiscal com créditos tributários vencidos e/ou vincendos, está condicionada à comprovação da certeza e liquidez do respectivo indébito. Somente podem ser objeto de compensação créditos líquidos e certos, cuja comprovação deve ser efetuada pelo contribuinte, sob pena de não ter seu crédito reconhecido. INEXISTÊNCIA DO CRÉDITO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. Não será homologada a compensação quando constatada a inexistência do crédito pleiteado oriundo de pagamento a maior ou indevido. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova, não é suficiente para reformar a decisão não homologatória de compensação. DCTF. ERRO DE PREENCHIMENTO. NÃO COMPROVAÇÃO EM DOCUMENTAÇÃO IDÔNEA. Considerase confissão de dívida os débitos declarados em DCTF, motivo pelo qual qualquer alegação de erro no seu preenchimento deve vir acompanhada de declaração retificadora munida de documentos idôneos para justificar as alterações realizadas no valor dos tributos devidos. Fl. 126DF CARF MF 6 Não apresentada a escrituração contábil, nem outra documentação hábil e suficiente, que justifique a alteração dos valores registrados em DCTF, demonstrando a liquidez e certeza do crédito, se mantém a decisão proferida, sem o reconhecimento de direito creditório. INTIMAÇÃO DIRIGIDA AO PATRONO DA EMPRESA NO ENDEREÇO DAQUELE. IMPOSSIBILIDADE. É descabida a pretensão de intimações, publicações ou notificações dirigidas ao Patrono da Impugnante em endereço diverso do domicilio fiscal do contribuinte tendo em vista o § 4° do art. 23 do Decreto 70.235/72. Inconformada, a ora recorrente apresentou, no prazo legal, Recurso Voluntário, por meio do qual, requer que a decisão da DRJ seja reformada, alegando, em síntese: 1. Que efetuou pagamento a maior a título de COFINS no mês de setembro/2004 A recorrente alega que realizou no mês de setembro de 2004 pagamento a maior de COFINS. Explica que à época dos fatos era administrada por empresa terceirizada, que cuidava de toda sua contabilidade. Sendo que tal empresa terceirizada, por equívoco, efetuou pagamento a maior a título de COFINS. Informa que o valor correto devido a título de COFINS havia sido declarado no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (DACON) que fora entregue em 29/10/2004. 2. Que apresentou PER/DECOMP A recorrente explica que em 2005, constatado o erro do pagamento indevido a maior, apresentou PER/DECOMP. 2. Que apresentou DCTF retificadora antes do despacho decisório A recorrente demonstra que procedeu a retificação de sua DCTF em 23/03/2009, antes da prolação do despacho decisório. Argui pela nulidade da decisão de primeira instância. Apresenta jurisprudência administrativa. 3. Que a decisão do juízo a quo violou o princípio da verdade material A recorrente alega violação ao princípio da verdade material uma vez que a autoridade fiscal não intimou a empresa para a apresentação de novos documentos. Realmente, seria possível intimar a Recorrente a apresentar os documentos contábeis, declarações, notas fiscais, enfim, quaisquer outros que a mesma julgasse necessários, o que não foi feito em momento algum do processo. (efl. 99) Nessa linha de argumentação cita doutrina e jurisprudência administrativa do CARF. 4. Da violação a razoabilidade e a proporcionalidade A recorrente cita doutrina relativa a violação da razoabilidade e proporcionalidade. Aprofundase em argumentos constitucionais. Do Pedido Fl. 127DF CARF MF Processo nº 10880.919993/200927 Acórdão n.º 3201004.069 S3C2T1 Fl. 125 7 A recorrente pede o provimento do Recurso Voluntário para anular a decisão da DRJ, uma vez que a retificação da DCTF se deu antes da emissão do despacho decisório. Caso assim não se entenda, pede pela homologação da compensação pleiteada. Pede ainda que todas as intimações sejam dirigidas também aos patronos da causa. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A seguir passo a análise do Recurso Voluntário. Em apertada síntese, a essência da lide está na apresentação da DCTF retificadora antes do despacho decisório que denegou a compensação do pagamento de COFINS. De fato, a DCTF retificadora data de 23/3/2009 (efls. 66 a 70), enquanto o despacho decisório denegando a PER/DCOMP data de 25/3/2009 (efl. 4). A fundamentação do despacho decisório denegatório seria a inexistência de crédito disponível, tendo sido o DARF discriminado na DCOMP integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte, que estavam declarados em DCTF. 3FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 617.278,60. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (efl. 4) Da leitura dos autos, percebese que, muito provavelmente, a DCTF analisada quando do despacho decisório foi a DCTF original e não a DCTF retificadora. O sistema informatizado de processamento da DCTF fez, portanto, uso de um dado desatualizado. A IN RFB nº 903/2008 dispõe em ser art. 11 e parágrafos sobre a natureza da DCTF retificadora, ensinando que a mesma substitui integralmente a declaração original, servindo para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir, os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. IN RFB nº 903/2008 Art. 11. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, Fl. 128DF CARF MF 8 elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar os débitos relativos a impostos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; II cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou III em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. (...) A substituição da DCTF original pela DCTF retificadora é vedada apenas nos casos previstos no § 2, onde há participação da PGFN para inscrição em DAU e quando a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. O presente caso enquadra se, portanto, na hipótese geral, onde a DCTF retificadora substitui integralmente a DCTF original. O julgamento da manifestação de inconformidade em primeira instância se ateve a questões de certeza e liquidez, bem como a falta de elementos de prova que deveriam ser apresentados pela recorrente. Logo, acabou por julgar improcedente a manifestação do direito creditório. Ora, tendo em vista a regulamentação constante da IN RFB nº 903/2008 para que a DCTF retificadora substitua integralmente a DCTF original, ficaria dispensada a questão dos elementos de prova. Ocorre que o julgamento em primeira instância deveria ter efetuado uma análise mais detalhada assegurando a prevalência da verdade material. Sobre a importância da verdade material no julgamento em primeira instância em caso semelhante, reproduzo trecho do Acórdão 3403002.456 do relator Rosaldo Trevisan, decidido por unanimidade. Acórdão 3403002.456 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Assim, diante dos despachos decisórios eletrônicos, o julgador de primeira instância tem um papel especial, porque efetuará a primeira análise humana do processo, devendo assegurar a prevalência da verdade material. Não pode o julgador (humano) atuar como a máquina, simplesmente cotejando o valor declarado na DCTF original com o pago, ignorando a existência de retificação efetuada tempestivamente, dentro das regras estabelecidas pelo próprio Fisco. Fl. 129DF CARF MF Processo nº 10880.919993/200927 Acórdão n.º 3201004.069 S3C2T1 Fl. 126 9 A nova realidade estampada na DCTF retificadora tem de ser devidamente avaliada pela autoridade fiscal, quanto à sua liquidez e certeza. Somente após tal providência é que eventualmente poderá ser denegada a repetição e não homologada a compensação, seja pela autoridade lançadora, seja pelo julgador a quo. (efl. 193) A realidade da DCTF retificadora que passou a ser a original precisa ser avaliada pela autoridade fiscal. No presente caso, a DCTF retificadora parece ter sido ignorada no processamento eletrônico, bem como colocada em segundo plano no julgamento em primeira instância. Em casos semelhantes, o posicionamento deste CARF tem sido o de anular o processo ab ovo, ou seja, desde o princípio. Acórdão 3403002.456 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária / 25 de setembro de 2013 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA ANTES DO DESPACHO DECISÓRIO. ACEITAÇÃO. A DCTF retificadora espontaneamente apresentada antes da veiculação do despacho decisório, nos casos normativamente permitidos, substitui a DCTF original em relação aos débitos e vinculações declarados. Acórdão nº 3403002.223 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária / 22 de maio de 2013 COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. EFEITOS. A apresentação espontânea DCTF retificadora antes da edição do despacho decisório, nas hipóteses em que é admitida pela legislação, substitui a original em relação aos débitos e vinculações declarados, devendo por tanto ser nele considerada. Finalmente, quanto ao requerimento de que todas as intimações sejam enviadas inclusive ao Patrono e encaminhadas a endereço diverso do contribuinte que se encontra em litígio, cabe informar da limitação contida no comando do §4º, do art. 23 do Decreto 70.235/72 que dispõe sobre o endereço fornecido para fins cadastrais a SRF. Conclusão Por todo o exposto, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário, para que os autos retornem à unidade preparadora, a fim de que reexamine o pleito do PER/DCOMP, considerandose a DCTF retificadora como original para análise e prolação de novo despacho decisório. É como voto. (assinado digitalmente) Leonardo Correia Lima Macedo Relator. Fl. 130DF CARF MF 10 Fl. 131DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10074.720757/2014-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 06/05/2009 a 03/12/2013
MERCADORIA QUANTIFICADA INCORRETAMENTE NA UNIDADE DE MEDIDA ESTATÍSTICA. MULTA.
A multa prevista no art. 84, inciso II da Medida Provisória nº 2.158/2001-35, por mercadoria quantificada incorretamente na unidade de medida estatística estabelecida pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, aplica-se aos casos em que a norma dispõe que a informação é obrigatória e que foi incorretamente prestada.
NÃO APRESENTAÇÃO DE NOVAS RAZÕES DE DEFESA PERANTE A SEGUNDA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. CONFIRMAÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA.
Não tendo sido apresentadas novas razões de defesa perante a segunda instância administrativa, adota-se a decisão recorrida, mediante transcrição de seu inteiro teor. § 3º do art. 57 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 RICARF.
Numero da decisão: 3302-005.822
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, vencido o Conselheiro Jorge Lima Abud que lhe dava provimento e, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Deroulede - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Renato Pereira de Deus - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado), Walker Araujo, Vinicius Guimaraes (suplente convocado), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: JOSE RENATO PEREIRA DE DEUS
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MULTA. A multa prevista no art. 84, inciso II da Medida Provisória nº 2.158/200135, por mercadoria quantificada incorretamente na unidade de medida estatística estabelecida pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, aplicase aos casos em que a norma dispõe que a informação é obrigatória e que foi incorretamente prestada. NÃO APRESENTAÇÃO DE NOVAS RAZÕES DE DEFESA PERANTE A SEGUNDA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. CONFIRMAÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA. Não tendo sido apresentadas novas razões de defesa perante a segunda instância administrativa, adotase a decisão recorrida, mediante transcrição de seu inteiro teor. § 3º do art. 57 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 RICARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, vencido o Conselheiro Jorge Lima Abud que lhe dava provimento e, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Deroulede Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 4. 72 07 57 /2 01 4- 17 Fl. 3946DF CARF MF Processo nº 10074.720757/201417 Acórdão n.º 3302005.822 S3C3T2 Fl. 3 2 José Renato Pereira de Deus Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado), Walker Araujo, Vinicius Guimaraes (suplente convocado), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad. Relatório O objeto do presente processo versa sobre auto de infração lavrado em face de erro na quantificação na unidade de medida estatísticas, cometido pela contribuinte, quando do preenchimento de declarações de importações. Por bem descrever os fatos, transcrevo e adoto o relatório do acórdão nº 07 36.119, da 2ª Turma da DRJ/FNS, proferido na sessão de 01 de dezembro de 2014: " Trata o presente processo sobre o Auto de Infração lavrado (fls. 03/110) para a exigência do crédito tributário no valor de R$ 12.323.066,97, referente à multa de 1% do valor aduaneiro por erro de quantificação na unidade de medida estatística nas declarações de importação constantes das planilhas de fls. 230/243. No Termo de Constatação (fls. 225/246), a auditoria informa que, conforme a tabela de fls. 230/239, foram relacionadas as Declarações de Importação (DI) e adições (AD) cuja NCM informada determina a quantificação da mercadoria importada na unidade de medida estatística “quilograma (KG)”, informando que, nestes casos, o correto seria o peso líquido da mercadoria (PL) ser idêntico à quantidade da mercadoria na unidade de medida estatística (QTEST), visto que ambos os campos da DI trabalham com a unidade quilograma, e no caso da unidade comercializada (UNCOM) da mercadoria ter sido libras (lib), toneladas (ton) ou quilogramas (kg), a quantidade nesta unidade (QTCOM), convertida em quilogramas, deveria ser idêntica à quantidade da mercadoria na unidade de medida estatística (QTEST). Entretanto, estas condições não foram atendidas, de forma cumulativa, nas DI e adições ali relacionadas, pois a mercadoria foi quantificada incorretamente na unidade de medida estatística estabelecida pela Secretaria da Receita Federal. Já na tabela de fls 240/243, foram relacionadas as DI e adições, cuja NCM informada determina a quantificação da mercadoria importada na unidade de medida estatística “unidade (und)”. Na maioria dos casos, a unidade comercializada também foi a unidade, logo, ao preencher a DI, bastava que o declarante repetisse, no campo “quantidade da mercadoria na unidade de medida estatística” (QTEST) o mesmo valor informado no campo “quantidade na unidade comercializada” (QTCOM), o que não ocorreu. E nas DI em que o importador declarou a unidade de comercialização (UNCOM) como tendo sido o metro (m), o quilograma (KG), o conjunto (conj) ou o par, ao invés de Fl. 3947DF CARF MF Processo nº 10074.720757/201417 Acórdão n.º 3302005.822 S3C3T2 Fl. 4 3 informar a “quantidade da mercadoria na unidade de medida estatística” (QTEST) em unidades, ele apenas repetiu a quantidade na unidade comercializada. Na tabela às fls. 243/245, foram relacionadas as DI e adições cuja NCM informada determinava a quantificação da mercadoria importada na unidade de medida estatística “m3, par ou quilate”. Na maioria dos casos, o declarante preencheu o campo “quantidade da mercadoria na unidade de medida estatística” (QTEST) apenas repetindo o valor informado na “quantidade na unidade comercializada” (QTCOM), que tratava de unidade diversa. Nas outras situações, o erro é explicado nas notas de rodapé do relatório. Regularmente cientificada, conforme despacho de fl. 3793, a interessada apresentou impugnação tempestiva, às fls. 3693/3708, na qual em síntese: Alega que o fisco deve indicar o prejuízo ao controle mais eficaz de preços da mercadoria e ou efeito sobre a valoração aduaneira, como conseqüência da alteração de unidade estatística, sem o que não há como verificar o motivo determinante da autuação, devendo a penalidade ser cancelada, por nulidade do ato administrativo. Aduz que o fisco baseiase somente em dados de planilha, numa análise meramente formal, que não leva em consideração a natureza da mercadoria ou os usos e costumes arraigados no comércio internacional, conforme exemplifica. Argui que não foi feita prova desta desconformidade material e que não houve respeito à razoabilidade e à sua boafé, pois, ainda que em alguns casos tenha havido equívoco de unidade estatística, não houve fraude à importação ou lesão ao erário e a base de cálculo dos tributos aduaneiros foi corretamente apurada, tornandose descabida a exigência da multa. Alega que o valor da multa não guarda qualquer razoabilidade e proporcionalidade com a suposta falta cometida pelo contribuinte, devendo ser reduzida a patamares razoáveis. Requer o cancelamento do presente auto de infração ou a redução da multa aplicada. Protesta pela juntada posterior de documentos e produção de provas. Requer que as intimações sejam dirigidas para o endereço constante da impugnação. No acórdão do qual foi retirado o relatório acima, por unanimidade de votos, foi julgada parcialmente procedente a impugnação realizada pela contribuinte, mantendose em parte o crédito tributário apurado, sendo traduzido na seguinte emenda: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 06/05/2009 a 03/12/2013 MERCADORIA QUANTIFICADA INCORRETAMENTE NA UNIDADE DE MEDIDA ESTATÍSTICA. MULTA. Fl. 3948DF CARF MF Processo nº 10074.720757/201417 Acórdão n.º 3302005.822 S3C3T2 Fl. 5 4 A multa prevista no art. 84, inciso II da Medida Provisória nº 2.158/2001 35, por mercadoria quantificada incorretamente na unidade de medida estatística estabelecida pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, aplicase aos casos em que a norma dispõe que a informação é obrigatória e que foi incorretamente prestada. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Em razão da exoneração de parte do crédito tributário lançado no auto de infração guerreado, foi interposto recurso de ofício nos termos do art. 34 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, com as alterações introduzidas pela Lei n.º 9.532, de 10 dezembro de 1997, e art. 1º da Portaria MF n.º 03, de 03 de janeiro de 2008, por força de recurso necessário. Inconformada com a r. decisão acima transcrita a contribuinte interpôs recurso voluntário onde, repete de forma idêntica todos os argumentos trazidos na impugnação, não inovando em suas razões, muito menos trazendo argumentos ou novos documentos, requerendo ao final, novamente, a total procedência de seu apelo. É o relatório. Voto Conselheiro José Renato Pereira de Deus, Relator: I Do Recurso de Ofício Tendo em vista a exoneração de substancial parte do crédito tributário lançado no auto de infração, foi, nos termos da Lei nº 9.532/97, interposto o recurso de ofício, destinado à revisão necessária da extinção de parte do lançamento. Pois bem. Estamos diante de eventual descumprimento de norma acessória que tem por objetivo auxiliar na apuração de dados e informações veiculados na declaração de importação. Como não poderia deixar de ser, também quanto a esse assunto, em decorrência da tipicidade fechada, de observância necessária junto às normas de Direito Tributário, a exigência de tributo ou imposição de penalidade deve estar prevista de forma expressa em lei e deve subsumirse literalmente aos pressupostos de fato. No caso em análise, em que pese a previsão legal da penalidade imputada à recorrente, as incorreções apontadas no AI somente poderiam ser caracterizadas como infração, quando a informação prestada pelo contribuinte na declaração de importação se possuíssem caráter obrigatório. Vale ressaltar que, seguindo os mesmos preceitos da tipicidade fechada, se alguma exceção a regra acima mencionada fosse permitida, essa deveria ser expressamente Fl. 3949DF CARF MF Processo nº 10074.720757/201417 Acórdão n.º 3302005.822 S3C3T2 Fl. 6 5 trazida em norma, o que de fato ocorreu no presente processo, como bem pontuou o acórdão da DRJ, trazendo a superfície as determinações da Instrução Normativa SRF nº 680/2006, observese: Instrução Normativa SRF nº 680/2006: ANEXO ÚNICO INFORMAÇÕES A SEREM PRESTADAS PELO IMPORTADOR (...) 43 Informações Estatísticas Informações para fins estatísticos. 43.1 Quantidade Quantidade da mercadoria expressa na unidade estatística, exceto quando esta for quilograma. (negritamos) Desta forma levando em consideração a norma acima transcrita, que estabelece não ser obrigatória a informação no campo quantidade na medida estatistica, quando definida para a mercadoria quilograma líquido como unidade de medida estatística, possível informação equivocada quanto a esse campo na declaração preenchida pela contribuinte, não deve ser considerada infração ao inciso II do art. 84 da MP 215835/2001. Correta, portanto, a exoneração das penalidade imputadas e relacionados nas planilhas de fls. 230/239. Devemos ainda ter por corretas também as demais exonerações determinada no acórdão da DRJ referentes a DI 12/08197241/001, DI 10/07931061/001, DI 9/15634087/004, 10/08581986/004, 11/22699150/004, 13/05016469/011 e 13/1580980 1/002, seja pela inconsistente modificação utilizada pela fiscalização para a autuação, seja pelo correto preenchimento da declaração por parte da contribuinte recorrente. Por todo o acima exporto, voto por negar provimento ao recurso de ofício. II Do Recurso Voluntário O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Pois bem. No caso em tela temos o lançamento de penalidade prevista no art. 84, inc. II, da MP nº 215835/2001, tendo em vista a conduta de realizar a classificação incorreta da mercadoria importada no NCM. Vale ressaltar que para a configuração do descumprimento da norma em comento, classificar de forma incorreta, não importando o resultado, já é condição suficiente para a caracterização da infração. Em que pese as alegações feitas pela contribuinte recorrente, que podemos considerar como insuficientes, a classificação fiscal lançada nas declarações de importação, foi Fl. 3950DF CARF MF Processo nº 10074.720757/201417 Acórdão n.º 3302005.822 S3C3T2 Fl. 7 6 feita de forma incorreta, não havendo como ser permitida a exoneração da penalidade, pois somente o erro na classificação é condição suficiente para a caracterização da infração, tendo em vista estarmos diante de ato infracional de mera conduta. Não bastasse o acima alegado, é de bom alvitre ressaltar que a recorrente não inovou ou trouxe aos autos argumentos que pudessem infirmar o que fora decidido no acórdão recorrido, ao contrário, as razões do recurso voluntário são idênticas àquelas trazidas pela impugnação. Assim, considerando que a recorrente destacou diversas matérias para revisão por parte do CARF, contudo repetindo praticamente todas as mesmas disposições das impugnações não trazendo nenhuma nova razão, e em vista do disposto no § 3º do art. 57 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, não tendo sido apresentadas novas razões de defesa perante a segunda instância administrativa, adoto os fundamentos da decisão recorrida nos tópicos abaixo, mediante a transcrição do teor do voto condutor do acórdão: Voto Preenchidos os requisitos formais de admissibilidade, conheço da impugnação. Pedido de Produção de Provas – Indeferimento: É na impugnação que o sujeito passivo expõe suas razões de fato e de direito, instruindoa com os documentos comprobatórios das suas alegações, conforme o art. 15 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, disciplinador do processo administrativo fiscal. Assim, no que se refere à reserva do direito de produção posterior de provas, de acordo com o que determina a legislação processual administrativa, nos parágrafos 4.º e 5º do artigo 16 do Decreto n.º 70.235/72, somente é admissível em casos específicos e devidamente comprovados. Como se vê, a impugnante não demonstrou nos autos que tenha ocorrido uma das situações ali previstas que justifique a aceitação de provas documentais fora do prazo de impugnação. Ademais, não há neste processo qualquer dúvida ou obscuridade a respeito dos fatos ensejadores do presente lançamento, o que torna inoportuna e injustificada a produção de novas provas. Isto posto, cumpre registrar o indeferimento do pedido da impugnante para a produção de novas provas, por serem desnecessárias à formação de convicção dos julgadores administrativos, com base no que dispõe os artigos 18 e 28 Fl. 3951DF CARF MF Processo nº 10074.720757/201417 Acórdão n.º 3302005.822 S3C3T2 Fl. 8 7 do Decreto nº 70.235/1972, com a redação dada pela Lei nº 8.748/1993. Preliminares A multa de que tratam os autos está prevista no inciso II do artigo 84 da Medida Provisória nº 2.15835/2001, que assim dispõe, in verbis: Art.84. Aplicase a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria: (...) II quantificada incorretamente na unidade de medida estatística estabelecida pela Secretaria da Receita Federal. §1o O valor da multa prevista neste artigo será de R$ 500,00 (quinhentos reais), quando do seu cálculo resultar valor inferior. A penalidade em referência decorre de inobservância de obrigação acessória no tocante às informações veiculadas na Declaração de Importação, mais precisamente quanto à quantificação de mercadoria importada na unidade de medida estatística estabelecida pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). Estas informações revelamse como elementos essenciais a diversas atividades ligadas ao controle aduaneiro e à fiscalização dos tributos incidentes no comércio exterior por parte da RFB, notadamente no que se refere à valoração aduaneira e ao aprimoramento dos dados estatísticos. Destaquese que, para caracterização da infração em exame, é irrelevante a intenção do agente. O motivo da sanção consiste no descumprimento de obrigação acessória, correspondente à informações de dados veiculados na Declaração de Importação. Desse modo, basta unicamente averiguar a ocorrência de fato passível de enquadramento no citado artigo 84, inciso II, da MP 2.15835/2001, requisito necessário e suficiente para caracterizar a infração, para motivar a aplicação da multa nele prevista. Portanto, diferentemente do que argui a impugnante, não é necessário a demonstração de dano ao erário, uma vez que a responsabilidade pela infração tem natureza objetiva e independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato praticado, consoante o art. 94, § 2º, do DL 37/66 e art. 136 do CTN. Fl. 3952DF CARF MF Processo nº 10074.720757/201417 Acórdão n.º 3302005.822 S3C3T2 Fl. 9 8 Por conseguinte, ainda que a contribuinte possa ter agido de boafé, sem o intuito de prejudicar o fisco, subsiste a responsabilidade pela infração, em virtude do caráter formal na atribuição da sua responsabilidade, porquanto o fato típico fundase objetivamente na prática da ação contrária ao preceito legal. Neste sentido, não há que se dar guarida à alegação de nulidade do lançamento por ausência de motivação. Mérito: Quanto ao mérito do lançamento, cumpre ressaltar que a unidade de medida estatística correspondente a um determinado código da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) é préestabelecida no Siscomex. Dessa forma, na Declaração de Importação, ao informar o código NCM da mercadoria na “ficha 0001” da adição referente à mercadoria, automaticamente o Siscomex apresenta a “Unidade de Medida Estatística”, não sendo, portanto, facultado ao importador alterála. E uma leitura atenta do dispositivo legal antes transcrito permite ao intérprete deduzir que a penalidade estabelecida no seu inciso II restringese à informação incorreta da quantificação da mercadoria na unidade de medida estatística estabelecida pela Secretaria da Receita Federal e não na quantidade de mercadoria comercializada. Notase que, no primeiro caso levantado pela fiscalização, o qual se refere à tabela de fls. 230/239, cuja NCM informada determina a quantificação da mercadoria importada na unidade de medida estatística “quilograma líquido”, a auditoria aponta divergências entre os campos “Peso Líquido” (PL), quantidade da mercadoria na unidade de medida estatística – “QTEST” e quantidade na unidade comercializada – “QTCOM”, no caso de a unidade da mercadoria ter sido libras (lib), toneladas (ton) ou quilogramas (kg), os quais deveriam ser idênticos ou correspondentes a mesma quantidade da mercadoria conforme a conversão para quilogramas. Assim, numa primeira análise, embora existente a divergência formal, não se consegue saber qual dos três campos apontados pela auditoria traz a informação da real quantidade da mercadoria importada. Este dado é de vital importância para o lançamento posto que a infração recai sobre a quantificação da mercadoria na unidade de medida estatística estabelecida pela Secretaria da Receita Federal, como antes dito, e não na unidade comercializada. Fl. 3953DF CARF MF Processo nº 10074.720757/201417 Acórdão n.º 3302005.822 S3C3T2 Fl. 10 9 É cediço que, em decorrência da tipicidade fechada, a exigência de tributo ou penalidade há de ter manifesta previsão legal e submissão literal aos seus pressupostos de fato, o que não se configura de forma imperiosa ao caso ora tratado. Não obstante, se a divergência entre a quantidade informada pelo declarante e aquela efetivamente importada, considerando a unidade de medida estatística – quilograma líquido, restar evidenciada, fica caracterizada a infração, devendo ser aplicada a respectiva multa prevista na lei. Por outro lado, a incorreção apontada somente caracteriza a infração quando a informação tiver caráter obrigatório. Nesse aspecto, as informações a serem prestadas pelo importador na Declaração de Importação, estavam definidas na Instrução Normativa SRF nº 680, de 2 de outubro de 2006, que disciplina o despacho aduaneiro de importação, em seu Anexo Único, nos seguintes termos, in verbis: Instrução Normativa SRF nº 680/2006: ANEXO ÚNICO INFORMAÇÕES A SEREM PRESTADAS PELO IMPORTADOR (...) 43 Informações Estatísticas Informações para fins estatísticos. 43.1 Quantidade Quantidade da mercadoria expressa na unidade estatística, exceto quando esta for quilograma. (grifei) Como visto, o importador deve informar na Declaração de Importação, para fins estatísticos, a quantidade da mercadoria expressa na unidade estatística. Todavia, a norma excepciona da obrigatoriedade o caso de a unidade estatística ser “quilograma”, por ser desnecessária a repetição desta informação que já consta no campo 22 “peso líquido”, expresso em quilograma e fração de cinco casas decimais. No presente caso, ainda se observa que, na maioria das DI da planilha às fls. 230/239, as informações prestadas no campo “PL” e “QTEST” são exatamente as mesmas e, naquelas em que não o são, como dito, não foi relatado pela auditoria que o peso líquido real das mercadorias em Fl. 3954DF CARF MF Processo nº 10074.720757/201417 Acórdão n.º 3302005.822 S3C3T2 Fl. 11 10 questão seja diferente daqueles declarados. E, numa verificação, por amostragem, constatase que os pesos líquidos declarados conferem com os constantes da planilha elaborada pela auditoria, campo “PL”, tais como as DI 09/07666862, adição 6 (fl. 320), 09/08089583, adição 1 (fl. 379) e 09/17571260, adição 003 (fl.591), o que se mostra suficiente para descaracterizar a infração apontada, exceto se fosse demonstrada a inveracidade desta informação declarada. Assim, de acordo com a exceção prevista na norma antes citada, não sendo obrigatória a informação no campo “quantidade na medida estatística”, para o caso de mercadoria a qual tenha sido definido “quilograma líquido” como “unidade de medida estatística”, a informação equivocada nesse campo de preenchimento da adição da Declaração de Importação não pode ser considerada infração tipificada no inciso II do artigo 84 da Medida Provisória nº 2.15835/2001. Portanto, devem ser excluídas as penalidades aplicadas correspondentes à informação prestada nas DI da planilha às fls. 230/239, cuja medida estatística é quilograma líquido. Já no segundo caso apontado pela auditoria, correspondente à tabela de fls 240/243, foram relacionadas as DI e adições, cuja NCM informada determina a quantificação da mercadoria importada na unidade de medida estatística “unidade”. Informa a auditoria que, na maioria dos casos, a unidade comercializada também foi a unidade, logo, ao preencher a DI, bastava que o declarante repetisse, no campo “quantidade da mercadoria na unidade de medida estatística” (QTEST) o mesmo valor informado no campo “quantidade na unidade comercializada” (QTCOM), o que não ocorreu. De fato, verificase que a contribuinte informou esta quantidade equivocadamente em quilogramas, uma vez que, com algumas exceções, o campo “QTEST” de cada DI está idêntico ao “Peso Líquido”. Em algumas outras DI, apesar de a mercadoria já ter sido comercializada em unidades, indevidamente não houve a repetição da mesma quantificação no campo “QTEST”. Portanto, para esta situação está correta a autuação procedida pelo fisco, uma vez que a contribuinte errou ao quantificar a mercadoria na unidade de medida estatística estabelecida. Quanto às quantificações na medida comercial declaradas como “conjuntos”, há que se ter em mente que a NCM aceita a mesma quantificação correspondente à medida Fl. 3955DF CARF MF Processo nº 10074.720757/201417 Acórdão n.º 3302005.822 S3C3T2 Fl. 12 11 estatística “unidade”, porém, em casos bem específicos ali enumerados, os quais tem que obedecer a certos requisitos, principalmente em vista da possibilidade de sua utilização em conjunto, ou seja, são normalmente constituídos de produtos diferentes, mas que, em conjunto formam um kit ou jogo de peças ou equipamentos que se complementam. Em verificação às DI assim declaradas, tais como as de fls. 1410, 1625, 1788 e 1799, através das quais foram importados pacotes de fusíveis (5 peças cada), pacotes de velas de ignição (2 peças cada) e conjunto de válvulas de sucção (com 2 ou 4 peças cada), respectivamente, não há provas de que sejam peças diferentes, de uso complementar, para as quais a NCM tenha autorizado a mesma quantificação de “conjunto” para “unidade”. Cumpriria a impugnante trazer provas para embasar suas alegações de que algumas mercadorias que adquiriu como sendo “conjunto” preenchem os requisitos para tal, não obstante, a priori, não se vislumbrar esta possibilidade pela regras da NCM, posto que simples afirmações, tais como, de que “pelos usos e costumes do mercado, não são vendidos separadamente” ou de que “são adquiridos em conjunto para serem substituídos no maquinário em conjunto”, não são hábeis para que se considere a compra de um pacote de produtos iguais como uma única “unidade”. Quanto à pretendida correspondência da informação “par” na quantidade comercial com a medida estatística “unidade”, esclareço que a NCM prevê a utilização de “par” como medida estatística para os casos em que são assim reconhecidos no mercado, tais como luvas (para uso nas mãos), meias, sapatos, esquis e patins. Assim, verifico que esta referência foi indevidamente utilizada para as duas adições declaradas, as quais se referem a mancais radiais. Portanto, correta a autuação procedida pelo fisco. O mesmo raciocínio vale para as adições em que foi utilizado “metros”, como exemplifico com as declarações 12/03638169 / 001, correspondente a 900 metros de estrutura flutuante (fl. 1868), e 13/12896614 / 001, correspondente a 1800 metros de barreira flutuante (fl. 2701), para as quais está correta a aplicação da penalidade, visto que a informação é incompatível com a unidade de medida estatística exigida – “unidade”. Portanto, é totalmente procedente o lançamento da penalidade aplicada para as DI/Adições relacionadas na citada segunda planilha, às fls. 240/243. Fl. 3956DF CARF MF Processo nº 10074.720757/201417 Acórdão n.º 3302005.822 S3C3T2 Fl. 13 12 No terceiro e último caso, relativo às tabelas de fls. 243/245, foram relacionadas as DI e adições cuja NCM informada determinava a quantificação da mercadoria importada na unidade de medida estatística “m3”, “par” ou “quilate”. A auditoria informa a conversão que deveria ser feita da unidade comercializada “barril” para a unidade de medida estatística “m3”, através de informações coletadas no próprio site da Petrobrás, o que não foi impugnado por esta contribuinte. Também não foi impugnado o fato de a quantidade comercializada em “m3” não ter sido repetida na quantificação da mesma medida estatística e de o peso líquido não ter sido adequadamente convertido para “quilate”. Não obstante, observo que, no tocante à DI nº 12/08197241, adição 1, a auditoria relaciona na tabela, à fl. 244, a unidade comercializada (UNCOM) como sendo “barril”. No entanto, para o cálculo da conversão para “m3”, a auditoria utilizou a medida em “litros”. Verifico que, no extrato desta DI, à fl.1924, constam a quantidade de 2.032.583 barris de petróleo a granel. Sendo assim, no caso específico desta DI, há que se cancelar a penalidade aplicada, por motivação incoerente, o que prejudica a defesa da autuada, e por ausente a demonstração de que a contribuinte tenha se equivocado na conversão da medida comercializada “barril” para a unidade de medida estatística (m3) exigida pela Receita Federal. Já quanto à medida estatística “par”, em virtude dos termos da impugnação, temse a análise da DI 10/0793106 1/001, que registrou a importação de “LUVA 3931 160 MM AUMENTO INCLUIDO PN: 80019”, classificado na NCM 4015.19.00 “outras luvas de borracha vulcanizada, não endurecida”), na quantidade comercializada de 390 unidades, que a declarante registrou a mesma quantidade na medida estatística “par”, que é a exigida pela NCM. Como a comercialização desta mercadoria é em pares, e nada foi demonstrado em contrário pela fiscalização, tampouco que a identificação do produto e sua classificação fiscal estivessem equivocadas, temse que considerar correta a declaração da impugnante, cancelando a penalidade aplicada para esta situação. Neste passo, há que se analisar toda a tabela de DI, à fl. 245, cuja medida estatística é “par”. Analisandose as DI 9/15634087/004, 10/08581986/004, 11/22699150 /004, 13/05016469 / 011 e 13/15809801/002, verifico que se tratam de importação de luvas de proteção individual, botas de borracha, bota de segurança, luvas de butil e luvas anatômicas, respectivamente, motivo pelo qual, Fl. 3957DF CARF MF Processo nº 10074.720757/201417 Acórdão n.º 3302005.822 S3C3T2 Fl. 14 13 conforme explicado acima, está correta a informação prestada pelo declarante e é incabível a penalidade aplicada. Quanto à DI 10/18060385/007, à fl. 1248, a importação foi de somente 01 par de luvas de couro de segurança, e não 13 como informado, e quanto à DI 12/18522757/002, que se refere à importação de luvas de borracha, está equivocada a informação de 0,8 par no “QTEST”, pelo que é procedente as multas aplicadas para estes casos. Portanto, quanto a este terceiro caso, com exceção das relacionadas às DI 10/07931061/001, 9/15634087/004, 10/08581986/004, 11/22699150/004, 12/08197241/001, 13/05016469/011 e 13/15809801/002, todas as demais penalidades aplicadas nas tabelas de fls. 243/245 são procedentes. Por fim, assevero que não cabe o pronunciamento deste órgão colegiado quanto a qualquer insurgência contrária aos dispositivos da legislação vigente que trata do percentual da multa aplicada, com possível ofensa aos princípios da razoabilidade e proporcionalidade, pois todas as questões que se referem à ilegalidade de decretos e atos normativos federais ou inconstitucionalidade de leis têm competência atribuída, em caráter privativo, ao Poder Judiciário, de acordo com a Constituição Federal de 1988, art. 102, I, a e III, b. Assim, compete a este órgão julgador somente aplicar a legislação da forma como está posta, não tendo poderes para reduzir a multa como solicitado pela contribuinte. E, no tocante ao pedido para que as intimações sejam encaminhadas ao endereço designado na impugnação, esclareço que a Secretaria da Receita Federal do Brasil tem o direito de, em sede de processo administrativo fiscal, efetuar intimações utilizando qualquer uma das formas previstas nos incisos I, II e III, do caput do art. 23 do Decreto nº 70.235/1972, e, em caso de intimação postal, no endereço da empresa cadastrado em seu CNPJ. Conclusão: Por todo o exposto voto no sentido de considerar procedente em parte a impugnação, mantendo em parte o crédito tributário no valor de R$ 2.704.037,95, conforme a tabela a seguir: (tabela efls 3815 a 3817) Por todo o exposto, voto por conhecer e negar provimento ao recurso de ofício e ao recurso voluntário. Fl. 3958DF CARF MF Processo nº 10074.720757/201417 Acórdão n.º 3302005.822 S3C3T2 Fl. 15 14 É como voto. (assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus Relator. Fl. 3959DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10930.907885/2011-93
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Oct 26 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3402-001.451
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Ávila (suplente convocado).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência, nos termos do voto do relator. Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Ávila (suplente convocado).
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência, nos termos do voto do relator. Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Ávila (suplente convocado). Relatório Trata o presente processo de recurso voluntário contra o indeferimento de manifestação de inconformidade postulada ante o não reconhecimento de pedido de restituição de contribuição (PIS/Cofins) formulado pela recorrente. A restituição foi indeferida porque o crédito pleiteado encontravase totalmente alocado a débito declarado pelo contribuinte. Na manifestação apresentada, a interessada afirma que o § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998 teve a sua inconstitucionalidade declarada pelo STF. Salienta que a manifestação contida no despacho decisório decorre de informação prestada em DCTF nos anos de 2000 a 2004, ou seja, consoante previsão legal então vigente. Acredita que a conclusão deve ser a de procedência do pedido, afinal, nos termos das decisões existentes as receitas não RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 30 .9 07 88 5/ 20 11 -9 3 Fl. 149DF CARF MF Processo nº 10930.907885/201193 Resolução nº 3402001.451 S3C4T2 Fl. 146 2 operacionais devem ser excluídas das bases de cálculo do PIS e da Cofins. Salienta que as declarações prestadas anteriormente devem ser revistas e diz que para ocorrer o deferimento bastará à Autoridade Julgadora proceder à análise das DCTF apresentadas, tendo por base planilha anexada à manifestação. Aduz, adicionalmente, que a discussão principal contida no processo diz respeito à matéria de direito, “devendo o órgão julgador apreciar a procedência da tese”, intimando a contribuinte a provar o direito mediante prova documental. A impugnação acima aludida foi julgada parcialmente procedente pela DRJ, que não reconheceu o direito creditório face a ausência de sua comprovação. Cientificado desta decisão o contribuinte interpôs o presente recurso voluntário, onde alega que a decisão proferida pela DRJ teria alterado o critério jurídico do despacho de indeferimento atacado, o que implicaria a nulidade da decisão proferida, bem como apresenta documentos fiscais que atestariam a validade do seu crédito. É o relatório. Resolução Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3402001.422, de 26 de setembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10930.907066/201146, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402001.422): "5. Conforme se observa dos autos, em despacho eletrônico de fls. 05/06, o crédito vindicado pelo contribuinte foi indeferido ao fundamento que: (...). A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. (...). 6. Todavia, já em sede de julgamento de manifestação de inconformidade, o acórdão ora atacado entendeu por manter o indeferimento, mas agora sob o seguinte fundamento: (...). No caso, como a contribuinte nada apresentou no sentido de efetivamente comprovar que na composição da base de Fl. 150DF CARF MF Processo nº 10930.907885/201193 Resolução nº 3402001.451 S3C4T2 Fl. 147 3 cálculo da contribuição relativa ao aludido período de apuração estavam incluídas receitas compreendidas no alargamento da base de cálculo, não há como reconhecer o direito creditório buscado. Em assim sendo, dada a ausência de provas sobre a liquidez e certeza do direito creditório pleiteado, entendese que devem ser mantidos em todos os seus termos o Despacho Decisório contestado que, aliás, está fundamentado em informação prestada pela própria contribuinte em DCTF constante dos sistemas controlados pela RFB. (...) (grifos constantes no original). 7. Diante deste quadro, o contribuinte apresentou os documentos fiscais de fls. fls. 84/118, os quais compreendem guias DARF, livro razão e planilhas, que atestariam que o crédito vindicado é realmente decorrente do inconstitucional alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS veiculado pela lei n. 9.718/98 e rechaçado pelo STF no âmbito do julgamento do RE n. 585.235. 8. Percebese, portanto, que diante dos fatos aqui expostos e dos documentos acostados nos autos, é possível vislumbrar que de fato o contribuinte possui um crédito em seu favor. Logo, levando ainda em consideração que no âmbito do processo administrativo vigora o princípio da verdade material1, e, ainda, com especial respeito aos valores da eficiência e da moralidade, que devem conformar as ações da Administração Pública, é salutar que o presente caso seja convertido em julgamento para que: · a unidade preparadora, com base nos documentos acostados nos autos, bem como outros que venha a solicitar junto ao contribuinte, analise se de fato o crédito vindicado pelo contribuinte decorre do indevido pagamento de PIS e COFINS sobre receitas financeiras e, em caso positivo, detalhe analiticamente o impacto de tal crédito para o pedido formulado pelo contribuinte. 9. Elaborado o sobredito relatório fiscal, o contribuinte deverá ser intimado para, facultativamente, se manifestar a respeito em 30 (trinta) dias, exatamente como prescreve o parágrafo único do art. 35 do Decreto n. 7.574/2011. 10. É a resolução." Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos 1 "Registrese, desde já, que este importante valor normativo não se assemelha a uma ferramenta mágica, como pretendem alguns, e, por óbvio, não tem a aptidão de "validar" preclusões e atecnias, nem de transformar tais defeitos em um processo administrativo "regular". Este tipo de interpretação a respeito do princípio da verdade material só se presta a apequenar esta importante norma. Assim, quando se fala em verdade material o que se quer exprimir é a possibilidade de reconstruir a relação jurídica de direito material conflituosa por intermédio de uma metodologia jurídica mais flexível, ou seja, menos apegada à forma, o que se dá pelas características peculiares do direito material vindicado processualmente, i.e., pela sua contextualização." (RIBEIRO, Diego Diniz. O CPC/2015 e seus reflexos no processo administrativo tributário. In: Paulo de Barros Carvalho, Priscila de Souza. (Orgs.). Racionalização do sistema tributário. São Paulo: Noeses, 2017, p. 219240.). Fl. 151DF CARF MF Processo nº 10930.907885/201193 Resolução nº 3402001.451 S3C4T2 Fl. 148 4 que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que: · a unidade preparadora, com base nos documentos acostados nos autos, bem como outros que venha a solicitar junto ao contribuinte, analise se de fato o crédito vindicado pelo contribuinte decorre do indevido pagamento de PIS e COFINS sobre receitas financeiras e, em caso positivo, detalhe analiticamente o impacto de tal crédito para o pedido formulado pelo contribuinte. Elaborado o sobredito relatório fiscal, o contribuinte deverá ser intimado para, facultativamente, se manifestar a respeito em 30 (trinta) dias, exatamente como prescreve o parágrafo único do art. 35 do Decreto n. 7.574/2011. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 152DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.910734/2008-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 15/08/2000
DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. AUSÊNCIA DE PROVA.
O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado.
DILIGÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE
Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, em especial, quando o contribuinte não colaciona aos autos nenhuma prova ou indício do seu direito.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-004.105
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, (Presidente), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 15/08/2000 DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. AUSÊNCIA DE PROVA. O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado. DILIGÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, em especial, quando o contribuinte não colaciona aos autos nenhuma prova ou indício do seu direito. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, (Presidente), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/08/2000 DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. AUSÊNCIA DE PROVA. O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado. DILIGÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, em especial, quando o contribuinte não colaciona aos autos nenhuma prova ou indício do seu direito. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, (Presidente), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 07 34 /2 00 8- 50 Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10880.910734/200850 Acórdão n.º 3201004.105 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório FARGON ENGENHARIA E INDÚSTRIA LTDA. apresentou Declaração de Compensação (DCOMP) relativa a pagamento a maior da contribuição (Cofins/PIS), declaração essa que restou não homologada pela repartição de origem. Cientificado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu a anulação do despacho decisório, ou sua reforma, bem como a realização de diligência para se comprovar o direito creditório, alegando que recolhera aos cofres públicos valores superiores aos efetivamente devidos, pois desconsiderara os termos do art. 3º, inciso III, § 2º da Lei nº 9.718/1998. Arguiu, também, que o Fisco concluíra pela inexistência do crédito sem ao menos solicitar qualquer documento capaz de comprovar ou não a existência e suficiência do valor compensado. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento, por meio do acórdão nº 16 031.882, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, em razão da não comprovação da liquidez e certeza do crédito pleiteado, afastandose o pedido de realização de diligência por falta de apresentação de qualquer documento indicativo do direito alegado. Cientificado da decisão da DRJ, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário de forma hábil e tempestiva, repisando os mesmos argumentos de defesa, destacandose os seguintes argumentos: (i) a Delegacia de Julgamento invocou a ausência da prova de liquidez e certeza dos créditos para rejeitar a manifestação de inconformidade, sendo que, se tivesse ocorrido a intimação para se demonstrar o crédito, o Fisco teria tido acesso às planilhas de apuração e poderia ter verificado a regularidade do encontro de contas efetuado; (ii) enquanto não for realizada a efetiva mensuração dos créditos utilizados é precipitada qualquer consideração a respeito da existência ou não de créditos passíveis de compensação; (iii) se a autoridade responsável pelo exame da declaração de compensação tivesse cumprido o dever de fiscalizar a existência do crédito declarado e não simplesmente glosado mecanicamente o encontro de contas teria verificado que o Requerente é legitimo credor da União Federal; e (iv) não se permitiu a produção de provas necessárias e, com base nessa decisão, julgouse pela improcedência por falta de provas. É o relatório. Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10880.910734/200850 Acórdão n.º 3201004.105 S3C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201004.096, de 25/07/2018, proferido no julgamento do processo 10880.910725/200869, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.096): No caso em apreço há a imperiosa necessidade de se comprovar a existência do direito creditório de modo inconteste, o que, pela análise dos elementos probatórios não ocorreu. Da decisão recorrida temse: "No caso em apreço, o Contribuinte declarou em débito de COFINS e apontou um documento de arrecadação como origem do crédito. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte foi realizada também de forma eletrônica, tendo resultado no Despacho Decisório em discussão. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que não foi localizado o pagamento indicado no PER/DCOMP como origem do crédito. De fato, tal constatação decorre da não localização do DARF indicado pelo Contribuinte no PER/DCOMP nos sistemas da Secretaria da Receita Federal. Observase que antes do Despacho Decisório, de 12/08/2008, o Contribuinte foi informado da não localização do DARF e intimado, em 15/12/2006 conforme A.R., às fls. 07, a verificar e conferir os dados da ficha DARF informados no PER/DCOMP com os dados do DARF original, bem como a sanar as irregularidades apontadas, tendolhe sido informado na mesma oportunidade que a consequência da falta de saneamento no prazo poderia acarretar o indeferimento/não homologação do PER/DCOMP em análise. Portanto, ao contrário do alega a Manifestante, foi lhe dado a oportunidade para comprovar ou não a existência e suficiência do crédito compensado. No entanto, antes da ciência do despacho decisório, o interessado conservouse silente e inerte no tocante à integralidade das informações declaradas perante a RFB, as quais acabaram servindo de parâmetro para a continuidade da análise da matéria e respaldando a referida decisão administrativa. Pelo exposto, resta devidamente demonstrado que não procede o argumento da requerente de que recolheu aos cofres públicos tributos superiores aos efetivamente devidos por não ter considerado os termos do § 2º, do inciso III, do artigo 3º, da lei 9.718/98, quando apurou a base de Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10880.910734/200850 Acórdão n.º 3201004.105 S3C2T1 Fl. 5 4 cálculo das contribuições do PIS/COFINS, para o período de apuração constante neste PER/DCOMP, pois o contribuinte não conseguiu comprovar a existência do alegado indébito neste período, ou seja, o DARF supra mencionado que poderia demonstrar que de fato teria ocorrido "o pagamento indevido ou a maior" gerandolhe crédito, não foi localizado, e a empresa quando intimada a sanar tal irregularidade não se manifestou, e consequentemente, a compensação declarada não foi homologada. Cabe observar ainda que, mesmo se o referido DARF tivesse sido localizado, o art. 170 do CTN fixa como pressuposto para que possa ser feito o encontro de contas com a Fazenda Nacional: que os créditos estejam revestidos de liquidez e certeza comprovada pela demonstração do quantum recolhido indevidamente, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, consistente na escrituração contábil/fiscal do contribuinte, a comprovar a efetiva natureza da operação, a ocorrência do fato gerador do tributo, a base de cálculo e a alíquota aplicável, para o fim de se conferir a existência e o valor do indébito tributário. No entanto, a interessada não trouxe aos autos documentos que pudessem vir a comprovar a apuração incorreta nas bases de cálculo do COFINS, para o período em que alega o direito creditório, motivo pelo qual não se operaria, mesmo nesta hipótese, a liquidez e certeza desses pretensos créditos." Temse, então, que a decisão recorrida julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório em face de a recorrente, não ter comprovado a existência e liquidez do crédito apontado, mesmo tendo sido oportunizada a produção de prova. Não logrou êxito a recorrente em desconstituir o fundamento decisório através de prova apta para tanto. Mesmo em sede recursal não trouxe a recorrente qualquer elemento de prova válido a confirmar suas alegações. Devese levar em consideração que a necessidade de liquidez e certeza dos créditos é condição imperiosa, para que se proceda a compensação de valores. Não é devida a autorização de compensação quando os créditos estão pendentes de certeza e liquidez. Nos processos administrativos que tratam de restituição/compensação ou ressarcimento de créditos tributários, é atribuição do sujeito passivo a demonstração da efetiva existência do indébito. Nesses casos, quando a DRF nega o pedido de compensação/restituição/ressarcimento que aponta para a inexistência ou insuficiência de crédito, cabe ao manifestante, caso queira contestar a decisão a ele desfavorável, cumprir o ônus que a legislação lhe atribui, trazendo ao contraditório os elementos de prova que demonstrem a existência do crédito. Documentos comprobatórios são os que possibilitam aferir, de forma inequívoca, a origem e a quantificação do crédito, visto que, sem tal comprovação, o pedido de repetição fica prejudicado. Humberto Teodoro Júnior sobre a prova ensine que: "Não há um dever de provar, nem à parte contrária assiste o direito de exigir a prova do adversário. Há um simples ônus, de modo que o litigante assume o risco de perder a causa se não provar os fatos alegados Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10880.910734/200850 Acórdão n.º 3201004.105 S3C2T1 Fl. 6 5 dos quais depende a existência de um direito subjetivo que pretende resguardar através da tutela jurisdicional. Isto porque, segundo máxima antiga, fato alegado e não provado é o mesmo que fato inexistente.” (Humberto Teodoro Junior, in Curso de Direito Processual Civil, 41ª ed., v. I, p. 387) A própria recorrente confessa que não trouxe elementos probatórios aos autos para confirmar sua pretensão, tanto que, solicita a realização de diligências. Ocorre que, conforme já referido, sequer indícios do seu direito foram colacionados ao processo administrativo, razão pela qual não há como se converter o julgamento em diligência. Sobre a necessidade de se provar o direito creditório em pedidos de restituição ou compensação, é uníssona a jurisprudência deste Colegiado, conforme precedentes a seguir elencados: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do Fato Gerador: 20/06/2006 COFINS. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. AUSÊNCIA DE PROVA. Não se reconhece o direito à repetição do indébito quando o contribuinte, sobre quem recai o ônus probandi, não traz aos autos nenhuma prova de que teria havido pagamento a maior ou indevido, embora tenha tido mais de uma oportunidade processual para fazêlo, não se justificando, portanto, o pedido de diligência para produção de provas. COFINS IMPORTAÇÃO SERVIÇOS. PER. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. Recurso Voluntário Negado." (Processo 10930.903684/201206; Acórdão 3402003.651; Relator Conselheiro Antônio Carlos Atulim; Sessão de 13/12/2016) "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 31/01/2008 CRÉDITO NÃO RECONHECIDO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. O pagamento indevido, assim como a certeza e liquidez do crédito, precisam ser comprovados pelo contribuinte nos casos de solicitações de restituições e/ou compensações. Fundamento: Art. 170 do Código Tributário Nacional e Art. 16 do Decreto 70.235/72." (Processo 10865.905444/201269; Acórdão 3201002.880; Relator Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima; sessão de 27/06/2017) "Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 30/06/2011 Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10880.910734/200850 Acórdão n.º 3201004.105 S3C2T1 Fl. 7 6 DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado.Recurvo Voluntário Negado." (Processo 10805.900727/201318; Acórdão 3201003.103; Relator Conselheiro Marcelo Giovani Vieira; sessão de 30/08/2017) "Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2005 DIREITO CREDITÓRIO. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado. Correta decisão que julgou improcedente a manifestação de inconformidade por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito está integral e validamente alocado para a quitação de outro débito está integral e validamente alocado para a quitação de outro débito." (Processo nº 11080.930940/201160; Acórdão 3201003.499; Relator Conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade; Sessão de 01/03/2018) Ademais, a Recorrente, em casos análogos, teve seus recursos julgados improcedentes conforme decisões a seguir transcritas: "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 20/10/2005 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. Compete ao contribuinte à apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal e de documentos hábeis e idôneos à comprovação do alegado sob pena de acatamento do ato administrativo realizado, em momento processual previsto em lei. DILIGÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis." (Processo Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10880.910734/200850 Acórdão n.º 3201004.105 S3C2T1 Fl. 8 7 nº 10880.950624/200821; Acórdão 3803003.786; Relator Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira; sessão de 29/11/2012) "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 20/10/2005 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. Compete ao contribuinte à apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal e de documentos hábeis e idôneos à comprovação do alegado sob pena de acatamento do ato administrativo realizado, em momento processual previsto em lei. DILIGÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis." (Processo nº 10880.950622/200831; Acórdão 3803003.785; Relator Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira; sessão de 29/11/2012) Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário interposto. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Contribuição para o PIS. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 84DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.914518/2016-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2013
DIREITO CREDITÓRIO - COMPENSAÇÃO - PROVA
O direito creditório somente pode ser reconhecido se devidamente comprovado pelo contribuinte a origem de seu direito através de documentação hábil e suficiente.
Numero da decisão: 1401-002.802
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa e Cláudio de Andrade Camerano.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa e Cláudio de Andrade Camerano. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 91 45 18 /2 01 6- 04 Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10480.914518/201604 Acórdão n.º 1401002.802 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Adoto como relatório, aquele da decisão de primeira instância, complementando a seguir: Trata o presente processo de Declaração de Compensação de crédito de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, referente a pagamento efetuado indevidamente ou ao maior no período de apuração 30/06/2013, no valor de R$ 8.404,55, transmitida através do PER/Dcomp nº 34568.12896.290716.1.3.049765. A DRF Recife não homologou a compensação por meio do despacho decisório eletrônico [...], já que pagamento indicado no PER/Dcomp teria sido integralmente utilizado para quitar débito do contribuinte. Cientificado [...], o contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade [...]para alegar que o crédito teria origem no recolhimento a maior de CSLL, incidente em 06/2013. Juntou recibos de entrega da DCTF e DIPJ do anocalendário 2013, bem como do envio da ECD e ECF retificadas, cópia do DARF recolhido em 31/07/2013, cópia do balanço dos meses 12/2013, 12/2014 e 06/2015 e planilha de apuração do IRPJ e da CSLL. Quando do julgamento da DRJ, a decisão restou assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 30/06/2013 COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. DOCUMENTAÇÃO FISCAL. O direito creditório somente pode ser deferido se devidamente comprovado por meio de documentação contábil e fiscal. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Inconformada com a decisão da DRJ, interpôs a recorrente, o competente recurso voluntário, repetindo as mesmas razões de sua manifestação de inconformidade. É o relatório do essencial. Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10480.914518/201604 Acórdão n.º 1401002.802 S1C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.797, de 26/07/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10480.914513/2016 73, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.797): "O recurso é tempestivo e dele conheço. Tendo em vista que as razões são as mesmas expostas na impugnação, invoco o Regimento Interno desse Conselho art. 57, § 3 e transcrevo a decisão de primeira instância: O contribuinte se insurge contra a não homologação de compensação e alega que o crédito teria origem em recolhimento a maior de CSLL. Na DCTF entregue em 20/08/2013, original e ainda ativa, pois foi a única entregue no período, o débito de CSLL foi declarado no mesmo valor que o pagamento, R$ 215.547,35, motivo pelo qual não foi encontrado saldo disponível para compensação. O contribuinte não retificou a DCTF e o único documento apresentado para demonstrar a suposta existência do crédito é a planilha constante à fl. 37, a qual só teria valor probatório se acompanhada da documentação contábil e fiscal. O reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a apuração da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, verificandose a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e compará lo ao pagamento efetuado. Assim, a alegação deveria vir acompanhada da documentação comprobatória da existência do pagamento a maior, mesmo porque, nesse caso, o ônus da comprovação do direito creditório é do contribuinte, pois se trata de uma solicitação de compensação, de seu exclusivo interesse. Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10480.914518/201604 Acórdão n.º 1401002.802 S1C4T1 Fl. 5 4 No presente, o interessado limitouse a alegar que teria recolhido tributo a maior, sem apresentar documentação comprobatória que lastreasse tal argumento. Resta impedida, portanto, a análise da liquidez e certeza do crédito. Mesmo tendo sido juntado novamente documentação que teoricamente seria capaz de comprovar o alegado crédito, não restou demonstrado o direito do recorrente. Ante o exposto, por falta de comprovação do direito creditório, conduzo meu voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 84DF CARF MF
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Numero do processo: 19396.720001/2011-67
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Data do fato gerador: 23/07/2007, 08/08/2007, 09/01/2008, 01/04/2008
28/04/2008
REPETRO. MULTA. OMISSÃO DE INFORMAÇÃO.
Aplica-se a multa a que alude o art. 84 da MP 2.158-35/2001, c/c art. 69 da Lei 10.833/2003, ao beneficiário de regime aduaneiro que omitir ou prestar de forma inexata ou incompleta informação de natureza administrativo-tributária, cambial ou comercial necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado. As informações relacionadas à condição da mercadoria, se esta se enquadrar na condição de material usado, devem ser informadas pelo beneficiário do regime na respectiva declaração de importação, conforme estabelecido em ato normativo da Secretaria da Receita Federal do Brasil.
Recurso Especial do Procurador provido.
Numero da decisão: 9303-007.346
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente
(Assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente (Assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
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ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 23/07/2007, 08/08/2007, 09/01/2008, 01/04/2008 28/04/2008 REPETRO. MULTA. OMISSÃO DE INFORMAÇÃO. Aplicase a multa a que alude o art. 84 da MP 2.15835/2001, c/c art. 69 da Lei 10.833/2003, ao beneficiário de regime aduaneiro que omitir ou prestar de forma inexata ou incompleta informação de natureza administrativo tributária, cambial ou comercial necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado. As informações relacionadas à “condição da mercadoria”, se esta se enquadrar na condição de “material usado”, devem ser informadas pelo beneficiário do regime na respectiva declaração de importação, conforme estabelecido em ato normativo da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Recurso Especial do Procurador provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente (Assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 39 6. 72 00 01 /2 01 1- 67 Fl. 1258DF CARF MF Processo nº 19396.720001/201167 Acórdão n.º 9303007.346 CSRFT3 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de recurso especial da Fazenda Nacional, admitido pelo despacho de fls. 1106/1108, que se insurge contra o Acórdão 3302002.407 (fls. 1049/1071), de 29/01/2014, o qual negou provimento ao recurso de ofício e proveu o voluntário, cuja ementa foi vazada com a seguinte dicção, na parte que importa a este julgamento: REPETRO. ADMISSÃO TEMPORÁRIA. INFRAÇÃO ADMINISTRATIVA. FALTA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO.SUBSUNÇÃO DOS FATOS À NORMA. PENALIDADE. As operações de importação submetidas ao regime aduaneiro especial Repetro ou ao regime especial de admissão temporária para utilização econômica não se enquadram como importações “desembaraçadas no regime comum de importação”. A caracterização da infração depende da subsunção dos fatos à norma legal, sem o que é impossibilitada a aplicação de penalidade. REPETRO. ADMISSÃO TEMPORÁRIA. MULTA. OMISSÃO DE INFORMAÇÃO. ATIPICIDADE. O inciso III, do artigo 711, do Regulamento Aduaneiro determina multa para aquele que deixar de fornecer informações necessárias à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado. No caso de bens usados, o controle aduaneiro apropriado é a emissão prévia de LI, assim, para a importação de bens usados é necessário informar a condição de “usado” do bem. Todavia, in casu, concluiuse que a importação, ao fim, não estava sujeita à prévia emissão de LI. Desnecessária a prévia LI, desnecessária a informação de “usada” para o procedimento aduaneiro. Informa a fiscalização (fls. 10/45) que o presente lançamento, lavrado no âmbito do procedimento de revisão aduaneira, tem como objeto a cobrança das seguintes penalidades: I) multa por ausência de LI nas importações, e II) multa por omissão ou prestação inexata de informações de natureza administrativotributário pelo exportador. A Fazenda em seu recurso especial de divergência (fls. 1086/1097) insurgese apenas quanto à exclusão da multa por prestação inexata de informação necessária ao controle aduaneiro no âmbito do regime aduaneiro de admissão temporária REPETRO, a que alude o Fl. 1259DF CARF MF Processo nº 19396.720001/201167 Acórdão n.º 9303007.346 CSRFT3 Fl. 4 3 art. 84 da MP 2.15835/01, c/c art. 69 e §§ da Lei 10.833/03. Para tanto, valeuse do paradigma 3401002.059, de 27/11/2012, assim ementado: ... REPETRO. ADMISSÃO TEMPORÁRIA. MULTA. OMISSÃO DE INFORMAÇÃO. A multa aplicase ao beneficiário de regime aduaneiro que omitir ou prestar de forma inexata ou incompleta informação de natureza administrativo tributária, cambial ou comercial necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado. As informações relacionadas à “condição da mercadoria”, se esta se enquadrar na condição de “material usado”, devem ser informadas pelo beneficiário do regime na respectiva declaração de importação, conforme estabelecido em ato normativo da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Afirma a recorrente que "em ambos os casos discutese a possibilidade de imputação da multa por importação desamparada de licença de importação e da multa por prestação inexata de informação de natureza administrativotributária indispensável ao controle aduaneiro, no âmbito do REPETRO". Aduz que no acórdão apontado como paradigma, em que pese o colegiado ter entendido que deve ser excluído o crédito tributário relacionado à multa do controle administrativo das importações por falta de Licença de Importação, manteve a multa por ausência de informações, entendo ser a mesma aplicável também ao beneficiário do regime aduaneiro, nos termos do § 1º do artigo 69, da Lei n° 10.833/03. Alega, ainda, que o próprio § 2º do art. 69 da Lei 10.833/03 traz redação que as informações referidas no §1º daquele artigo, traz a ressalva, "sem prejuízo de outras informações que venham a ser estabelecidas em ato normativo da Secretaria da Receita Federal, compreendem a descrição detalhada da operação, incluindo (§2º, III) "descrição completa da mercadoria: todas as características necessárias à classificação fiscal, espécie, marca comercial, modelo, nome comercial ou científico e outros atributos estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal que confiram sua identidade comercial". E, prossegue, a IN SRF 680/2006, em seu anexo único, destacou que o importador deveria fazer constar como condição da mercadoria o fato de ela ser "material usado", quando fosse o caso. Intimado, o contribuinte contraarrazoou o Especial da Fazenda, postulando, em suma, o improvimento do recurso especial. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire Relator Conheço do recurso especial da Fazenda Nacional nos termos em que foi admitido. Fl. 1260DF CARF MF Processo nº 19396.720001/201167 Acórdão n.º 9303007.346 CSRFT3 Fl. 5 4 Esclareçase, de modo a contextualizar os fatos, que tratam os autos de mercadorias que foram submetidas ao regime aduaneiro especial de exportação e de importação de bens destinados às atividades de pesquisa e de lavra das jazidas de petróleo e de gás natural –REPETRO. Tal regime foi aplicado mediante a utilização de tratamento aduaneiro com concessão do regime especial de admissão temporária, conforme previsto no Decreto n° 4.543/02, artigo 411, § 3º (Decreto n° 6.759/09, artigo 458, § 3º), e normatizado na Instrução Normativa SRF n° 004/01 (posteriormente revogada pela Instrução Normativa RFB n° 844/08), que em seu artigo 3° esclarece: Art. 3º O Repetro será aplicado mediante utilização dos seguintes tratamentos aduaneiros: ... III concessão do regime especial de admissão temporária, quando se tratar de bens estrangeiros ou desnacionalizados que procedam diretamente do exterior. Conforme relatado, a matéria trazida ao nosso conhecimento cingese à questão acerca da multa por nãoprestação de informação necessária ao controle aduaneiro, lastreada no §1º do art. 69 da Lei 10.833/03, visto que a outra multa foi cancelada em sede de manifestação de inconformidade e mantido o cancelamento, vez que o recorrido negou provimento ao recurso de ofício e a douta PFN não revolveu tal quaestio em sede de Especial. Eis a matriz legal do lançamento no ponto a ser julgado: O artigo 84, da MP 2.158/01, assim estabeleceu: Art. 84. Aplicase a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria: De sua feita, o art. 69 da Lei 10.833/2003, dispõe: Art. 69. A multa prevista no art. 84 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, não poderá ser superior a 10% (dez por cento) do valor total das mercadorias constantes da declaração de importação. § 1º A multa a que se refere o caput aplicase também ao importador, exportador ou beneficiário de regime aduaneiro que omitir ou prestar de forma inexata ou incompleta informação de natureza administrativotributária, cambial ou comercial necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado. § 2º As informações referidas no § 1º, sem prejuízo de outras que venham a ser estabelecidas em ato normativo da Secretaria da Receita Federal, compreendem a descrição detalhada da operação, incluindo: ... Como se depreende da própria redação transcrita do art. 69 da Lei 10.833/03, a multa tem por escopo o controle das importações dentro do âmbito do poder de polícia aduaneira, de interesse estatal assaz importante. Demais disso, alem das condições impostas Fl. 1261DF CARF MF Processo nº 19396.720001/201167 Acórdão n.º 9303007.346 CSRFT3 Fl. 6 5 pela Lei, esta mesma delegou às explícitas à RFB (§2º), eis que detentora da competência fiscalizatória aduaneira no sistema jurídico nacional, que ela viesse a estabelecer outras condições de modo a restar perfeitamente detalhada a operação de comércio exterior. Vejase a redação do inciso III, do referido §2º: ... III descrição completa da mercadoria: todas as características necessárias à classificação fiscal, espécie, marca comercial, modelo, nome comercial ou científico e outros atributos estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal que confiram sua identidade comercial; De sua feita, a então SRF editou a IN SRF 680/2006, que disciplina o despacho de importação, nos seguintes termos: ... Art. 4º A Declaração de Importação (DI) será formulada pelo importador no Siscomex e consistirá na prestação das informações constantes do Anexo Único, de acordo com o tipo de declaração e a modalidade de despacho aduaneiro. Anexo Único da IN SRF 680/2006 Informações a serem prestadas pelo importador: (...)40 Indicativos da Condição da Mercadoria Assinalar o(s) indicativo(s) abaixo, se adequado(s) à condição da mercadoria objeto da adição: 1 Material usado 2 Bem sob encomenda Assim, entendo perfeitamente caracterizada a infração por omissão do importador de atender aos preceitos legais que tem como fim precípuo o poder de polícia aduaneiro. Portanto, não há que se falar na hipótese de dolo quanto ao agir da importadora, eis que a penalidade tem natureza objetiva. Nesse sentido trilharam o Acórdão 9303003.868, de 18/6/2016, de relatoria do Dr. Rodrigo Pôssas, e 9303006.663, de 11/04/2018, relatado pelo Dr. Andrada Márcio Canuto, cujas ementas abaixo transcrevo, respectivamente : "ASSUNTO:REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 01/04/2008, 20/05/2008, 20/06/2008, 18/09/2008, 30/09/2008, 21/10/2008, 22/10/2008, 19/12/2008, 22/12/2008 REPETRO. MULTA POR OMISSÃO DE INFORMAÇÃO. PRODUTO USADO. OBRIGATORIEDADE. O dano ao erário não se restringe somente a falta de pagamento dos tributos devidos, mas também a falta da prestação das informações necessárias ao perfeito controle aduaneiro. Fl. 1262DF CARF MF Processo nº 19396.720001/201167 Acórdão n.º 9303007.346 CSRFT3 Fl. 7 6 RECURSO ESPECIAL DA PGFN PROVIDO." "ASSUNTO:OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/07/2008 a 30/06/2012 CONTROLE ADUANEIRO DE MERCADORIAS. INFORMAÇÃO DE NATUREZA ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIA, CAMBIAL OU COMERCIAL. INEXATIDÃO. INCOMPLETUDE. OMISSÃO. MULTA DE UM POR CENTO DO VALOR ADUANEIRO. A inexatidão, incompletude ou omissão de informação especificada em ato normativo editado pelo Secretário da Receita Federal como sendo necessária ao procedimento de controle aduaneiro da mercadoria importada dá ensejo à aplicação da multa de um por cento do valor aduaneiro da mercadoria prevista no art. 84 da MP 2.15835/01, combinado com o art. 69 da Lei 10.833/03." Deveras, é de ser provido o Especial da Fazenda. DISPOSITIVO Ante o exposto, dou provimento ao recurso especial da Fazenda, desta forma revigorando os termos decidido pela instância de piso (DRJ/FNS fls. 992/1019 Acórdão 07 28.684). É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 1263DF CARF MF Processo nº 19396.720001/201167 Acórdão n.º 9303007.346 CSRFT3 Fl. 8 7 Fl. 1264DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.730882/2010-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. CONTABILIDADE REGULAR. CFL 34. MULTA DE OFÍCIO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. MULTA DE MORA. BIS IN IDEM. INOCORRÊNCIA.
Descabe falar em ocorrência de bis in idem por aplicação em duplicidade de multa, quando esta na verdade foi aplicada em função do descumprimento de uma obrigação acessória, quando na mesma ação fiscal tenha sido aplicada a multa de mora em função do descumprimento de obrigação principal.
Numero da decisão: 2202-004.596
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson- Presidente.
(Assinado digitalmente)
Júnia Roberta Gouveia Sampaio - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. CONTABILIDADE REGULAR. CFL 34. MULTA DE OFÍCIO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. MULTA DE MORA. BIS IN IDEM. INOCORRÊNCIA. Descabe falar em ocorrência de bis in idem por aplicação em duplicidade de multa, quando esta na verdade foi aplicada em função do descumprimento de uma obrigação acessória, quando na mesma ação fiscal tenha sido aplicada a multa de mora em função do descumprimento de obrigação principal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson- Presidente. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson
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CONTABILIDADE REGULAR. CFL 34. MULTA DE OFÍCIO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. MULTA DE MORA. BIS IN IDEM. INOCORRÊNCIA. Descabe falar em ocorrência de bis in idem por aplicação em duplicidade de multa, quando esta na verdade foi aplicada em função do descumprimento de uma obrigação acessória, quando na mesma ação fiscal tenha sido aplicada a multa de mora em função do descumprimento de obrigação principal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 73 08 82 /2 01 0- 91 Fl. 120DF CARF MF 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório elaborado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ) (fls. 114/118): Tratase de auto de infração de obrigação acessória (DEBCAD nº 37.308.9775) através do qual foi aplicada penalidade pecuniária, no valor de R$ 14.317,78, acrescido de juros, em função de a empresa ter deixado de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos, conforme previsto no art. 32, inciso II, da Lei nº 8.212/91 c/c o art. 225, inciso II e §§ 13 a 17 do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. No Relatório Fiscal (fls. 83/86), a autoridade lançadora esclarece que: A entidade fiscalizada foi intimada, através do Termo de Inicio de Procedimento Fiscal de 10/03/2010, a apresentar à fiscalização as folhas de pagamento de todos os segurados, mas informou que só elabora folha para os segurados empregados. Então, a fiscalização, ao se debruçar na contabilidade da empresa, verificou que a empresa não só declarava na conta especifica (3120601011 – serviço geral – pf) pagamentos a pessoas físicas, mas lançava em diversas contas o serviço prestado por contribuintes individuais e pessoas jurídicas, ou seja, registrava pagamentos a pessoas físicas juntamente com pessoas jurídicas. Dessa forma, foi verificado pela fiscalização que o sujeito passivo não efetuava seus lançamentos contábeis em contas individualizadas, de forma a descriminar, clara e precisamente, os fatos geradores das contribuições previdenciárias incidente sobre a remuneração de contribuintes individuais, conforme se comprovam as cópias do livro razão anexado aos autos, restando configurado que a empresa infringiu o art. 32, II, da Lei nº 8.212/91. A empresa autuada apresentou sua peça impugnatória de fls. 89/92, aduzindo, em síntese, que: O fato de ter sido aplicada na mesma ação fiscal multa isolada pelo descumprimento de obrigação acessória, cumulada com a cobrança de multa de ofício, denota a ocorrência de bis in idem, o que é proibido no nosso ordenamento constitucional. Para fundamentar sua tese, transcreve decisões do CARF. Fl. 121DF CARF MF Processo nº 10580.730882/201091 Acórdão n.º 2202004.596 S2C2T2 Fl. 121 3 Em 03 de dezembro de 2014 a Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro deu parcial provimento à Impugnação, em decisão cuja ementa é a seguinte (fls. 106): Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. CONTABILIDADE REGULAR. CFL 34. MULTA DE OFÍCIO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. MULTA DE MORA. BIS IN IDEM. INOCORRÊNCIA. Descabe falar em ocorrência de bis in idem por aplicação em duplicidade de multa, quando esta na verdade foi aplicada em função do descumprimento de uma obrigação acessória, quando na mesma ação fiscal tenha sido aplicada a multa de mora em função do descumprimento de obrigação principal, considerando que se tratam de obrigações tributárias distintas, passíveis de penalização. Cientificado da referida decisão (AR fls. 112) o contribuinte apresentou o recurso voluntário de fls. 114/118 no qual reitera as razões já suscitadas quando da impugnação. É o relatório Voto Conselheira Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora O recurso preenche os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual, dele conheço A Recorrente alega que "se prosperar a cobrança do presente Auto de Infração, estarseá inegavelmente diante de uma superposição de exigências, pois haverá punição pelo mesmo fato em duas oportunidades. Logo em seguida cita decisões do conselho sobre a impossibiliade de incidência da multa isolada por ausência das antecipações do carnê leão com a multa de ofício decorrente da apuração de rendimentos omissos. Incorreta as alegações do Recorrente. As decisões relativas à impossibilidade de incidência de multa isolada por ausência de recolhimento das antecipações do carnêleão com a multa de ofício por omissão de rendimentos decorre do fato de que elas possuíam a mesma base de cálculo, conforme se verifica pela decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais abaixo transcrita: IRPF. MULTAS ISOLADA E DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. MESMA BASE DE CÁLCULO. INAPLICABILIDADE. Improcedente a exigência de multa isolada com base na falta de recolhimento do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Fl. 122DF CARF MF 4 devido a título de carnêleão, quando cumulada com multa de ofício decorrente da apuração de omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas, uma vez possuírem base de cálculo idênticas. (Acórdão 920200.883, de 11/05/2010) Ora, no caso em questão os fatos geradores são distintos e as bases de cálculo também. Conforme descrito no relatório fiscal (fls. 83/86) a Recorrente deixou de lançar de forma discriminada em sua contabilidade as importâncias devidas à Previdência Social a cargo das empresas, as importâncias descontadas de segurados contribuintes individuais, bem como os fatos geradores de contribuições, o que caracteriza descumprimento do que determina o art. 32, inciso II, da Lei 8.212/91 e art. 225, II, § 13º, do Regulamento da Previdência Social RPS Exitem duas situações sancionadas. A primeira referese a ausência de recolhimento das contribuições devidas. Tal situação gerou o lançamento para exigência de obrigação principal com a respectiva multa de ofício. A segunda referese a obrigação de "lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos" (art. 32, II, da Lei nº 8.212/91). Na primeira temos uma obrigação de dar (pagar as contribuições devidas) e, na segunda, uma obrigação de fazer (escriturar as contribuições devidas). As bases de cálculo também são distintas. A base de cálculo utilizada para o lançamento da multa de ofício é o valor da remuneração omitida. Já a multa por ausência de escrituração tem como patamar mínimo o valor de R$ 6.361,73 (art. 283, II, "a" do RPS). Em face de todo o exposto, nego provimento ao Recurso Voluntário (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Fl. 123DF CARF MF
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Numero do processo: 12448.727931/2016-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2011
APLICAÇÃO DO ART. 57 § 3º DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. FACULDADE DO JULGADOR. Plenamente cabível a aplicação do respectivo dispositivo regimental uma vez que a Recorrente não inova nas suas razões já apresentadas em sede de impugnação, as quais foram claramente analisadas pela decisão recorrida.
PRELIMINAR DE NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO.
Colegiado a quo analisou todos os pontos da defesa e aplicou o direito aos fatos indicados pelas partes, sendo que no caso em questão trata-se de mero inconformismo da parte recorrente não havendo mácula da decisão de piso. Preliminar afastada.
AGRAVAMENTO DA MULTA DE OFÍCIO. RESPOSTA INSATISFATÓRIA À INTIMAÇÃO.
É incabível o agravamento da multa de ofício quando a pessoa física fiscalizada responde, ainda que de forma insatisfatória, à intimação da fiscalização. Recurso de Ofício negado.
GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE AÇÕES/QUOTAS NÃO NEGOCIADAS EM BOLSA DE VALORES.
O imposto de renda devido sobre o ganho de capital apurado na integralização de cotas de fundos ou clubes de investimentos por meio da entrega de títulos ou valores mobiliários deve ser pago até o último dia útil do mês subsequente à data da integralização à alíquota de 15% (quinze por cento).
Numero da decisão: 2201-004.691
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, vencidos os Conselheiros Carlos Alberto do Amaral Azeredo e Dione Jesabel Wasilewski, que deram provimento. Quanto ao recurso voluntário, por unanimidade de votos, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Milton da Silva Risso - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: MARCELO MILTON DA SILVA RISSO
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FACULDADE DO JULGADOR. Plenamente cabível a aplicação do respectivo dispositivo regimental uma vez que a Recorrente não inova nas suas razões já apresentadas em sede de impugnação, as quais foram claramente analisadas pela decisão recorrida. PRELIMINAR DE NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO. Colegiado a quo analisou todos os pontos da defesa e aplicou o direito aos fatos indicados pelas partes, sendo que no caso em questão tratase de mero inconformismo da parte recorrente não havendo mácula da decisão de piso. Preliminar afastada. AGRAVAMENTO DA MULTA DE OFÍCIO. RESPOSTA INSATISFATÓRIA À INTIMAÇÃO. É incabível o agravamento da multa de ofício quando a pessoa física fiscalizada responde, ainda que de forma insatisfatória, à intimação da fiscalização. Recurso de Ofício negado. GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE AÇÕES/QUOTAS NÃO NEGOCIADAS EM BOLSA DE VALORES. O imposto de renda devido sobre o ganho de capital apurado na integralização de cotas de fundos ou clubes de investimentos por meio da entrega de títulos ou valores mobiliários deve ser pago até o último dia útil do mês subsequente à data da integralização à alíquota de 15% (quinze por cento). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 72 79 31 /2 01 6- 54 Fl. 419DF CARF MF Processo nº 12448.727931/201654 Acórdão n.º 2201004.691 S2C2T1 Fl. 420 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, vencidos os Conselheiros Carlos Alberto do Amaral Azeredo e Dione Jesabel Wasilewski, que deram provimento. Quanto ao recurso voluntário, por unanimidade de votos, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório 1 Adoto como relatório o da decisão recorrida às fls. 270/299, por bem relatar os fatos ora questionados. DO LANÇAMENTO Versa este processo sobre a exigência de crédito tributário relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física, anocalendário 2011, conforme auto de infração de fls. 153/159. O crédito tributário lançado é assim composto: Imposto: R$ 28.481.194,50 Juros de mora (calculados até 10/2016): R$ 14.246.293,48 Multa proporcional: R$ 32.041.343,81 Valor do crédito tributário: R$ 74.768.831,79 Trata a autuação de omissão/apuração incorreta de ganhos de capital na alienação de ações/quotas não negociadas em bolsa de valores. A descrição dos fatos é apresentada no Termo de Verificação Fiscal de fls. 111/151, abaixo resumido. Em 26/05/2015 foi lavrado o Termo nº 01 – Início de Procedimento Fiscal (fls. 31/36), referente à fiscalização do Sr. Ludovico Tavares Giannattasio, que foi enviado por via postal Fl. 420DF CARF MF Processo nº 12448.727931/201654 Acórdão n.º 2201004.691 S2C2T1 Fl. 421 3 para o endereço constante no cadastro da Receita Federal do Brasil eleito como domicílio tributário. Esse termo foi recebido em 02/06/2015, conforme Aviso de Recebimento (AR) de fls. 37/38, e o intimava a apresentar os elementos/esclarecimentos descritos às fls. 31/34. Em 23/06/2015, tempestivamente, a Fiscalização recebeu pedido de prorrogação de prazo por mais 60 dias (fls. 39/41) para atendimento do Termo de Início nº 01. Em 30/06/2016, foi lavrado o Termo nº 02 – Prorrogação de Prazo (fls. 42/43), que foi enviado por via postal ao domicílio tributário eleito pelo Sr. Ludovico, cujo recebimento se deu em 07/07/2015 (cf. AR de fl. 45), e concedia 30 dias para entrega da documentação já solicitada no Termo de Início nº 01, atendendo, assim, parcialmente o pleito do contribuinte. No dia 27/07/2015, após 55 dias da ciência do Termo nº 01 – Início de Procedimento Fiscal, o qual solicitava diversos esclarecimentos, o Sr. Ludovico apresenta resposta de apenas uma página (fl. 46) com esclarecimentos superficiais e sem apresentar a documentação solicitada no TIPF – Termo de início de procedimento fiscal, caracterizando um evidente propósito de protelar ou não atender às intimações. Vejase que, em sua resposta de fl. 39, o Sr Ludovico deixa claro que as informações estariam sendo obtidas junto à contabilidade de terceiros (no caso em questão, instituições financeiras), porém não entrega nenhuma documentação solicitada, caracterizando, assim, não atendimento à intimação. Dando continuidade à ação fiscal, e em atendimento ao disposto no art. 7º, § 2º, do Decreto nº 70.235/72, a Fiscalização lavrou o Termo nº 03 – Ciência da Continuidade do Procedimento Fiscal (fl. 47), de 24/08/2015, que foi enviado, via postal, para o endereço constante no cadastro da RFB, cuja ciência se deu em 27/08/2015, conforme AR de fl. 48. Do mesmo modo, a Fiscalização lavrou o Termo nº 04 – Ciência da Continuidade do Procedimento Fiscal (fl. 50), de 20/10/2015, que foi enviado por via postal ao endereço constante no cadastro da RFB, retornando com o indicativo de que o contribuinte havia se mudado (fls. 51/53). A despeito de as correspondências retornarem como “mudou se”, não houve nenhuma ação por parte do contribuinte em alertar a Fiscalização sobre seu novo domicílio tributário, mesmo sabendo estar sobre procedimento fiscal devidamente cientificado. Tampouco houve atualização de seu cadastro na Receita Federal do Brasil; muito pelo contrário, em 18/11/2015, após todas as intimações, apresenta declaração retificadora para a DAA Declaração de Ajuste Anual 2015, referente ao AC 2014, onde afirma não haver mudança de endereço. Fl. 421DF CARF MF Processo nº 12448.727931/201654 Acórdão n.º 2201004.691 S2C2T1 Fl. 422 4 Para a DAA Declaração de Ajuste Anual 2016, referente ao AC 2015, continua afirmando não haver mudança de endereço, fato no mínimo contraditório, uma vez que as intimações retornaram com a indicação de “mudouse”. Como última tentativa de se obter a documentação através do Sr. Ludovico e em atendimento ao disposto no § 2º do art. 7º do Decreto nº 70.235/72, a Fiscalização lavrou o Termo nº 05 – Ciência da Continuidade do Procedimento Fiscal (fl. 54), datado de 11/12/2015, que foi enviado por via postal em 14/12/2015 ao endereço constante no cadastro da RFB, retornando novamente com o indicativo de que ele havia se mudado (fls. 55/56). Vale lembrar que, no item F das observações do termo de inicio de procedimento fiscal, recebido pelo sujeito passivo em 02/06/2015, a Fiscalização deixou claras quais as consequências do não atendimento do que fora pedido no referido termo. Fato, no mínimo, controverso é que, no dia 18/04/2016, a DRF Rio de Janeiro I lavrou termos de intimação, oriundos de malha fiscal, para os anos calendários 2011 a 2014, e todos os quatro termos foram enviados para o mesmo endereço constante no cadastro e recebidos pelo sujeito passivo, no dia 28/04/2016, conforme se verifica às fls. 92/103. Podese notar que todos os ARs enviados pela DRF do Rio de Janeiro I foram recebidos e assinados pelo Sr. José Humberto no dia 28/04/2016, mesma pessoa que recebeu e assinou o AR referente ao termo de inicio deste procedimento, cuja ciência ocorreu em 02/06/20015, e ao termo de nº 2, cuja ciência ocorreu em 07/07/20015 (conforme fls. 37, 45, 94, 97, 100 e 103). Pelo histórico extraído do portal IRPF – Imposto de Renda Pessoa Física (sistema interno da RFB), o contribuinte, em 06/07/2016, entregou toda documentação solicitada pela malha da DRF Rio de Janeiro I, atendendo, assim o termo de intimação emitido por aquela delegacia. Em virtude dos fatos mencionados, restou claro o propósito do sujeito passivo em atrapalhar o procedimento fiscal iniciado pela Demac Delegacia de Maiores Contribuintes PF de Belo Horizonte, não só pelo não atendimento ao que fora pedido nas sucessivas intimações, mas também pelo fato de “mudar” de domicílio sem comunicar este fato à Fiscalização ou atualizar seu cadastro perante a Receita Federal do Brasil. Como visto acima, não faltaram oportunidades para essa atualização. Mesmo assim a Fiscalização acredita que de fato não houve mudança, e sim uma tentativa de não atendimento às intimações emitidas pela Demac BH, uma vez que, com relação às intimações realizadas pela Delegacia do Rio de Janeiro, fruto de trabalho de malha fiscal (fls. 92/103), recebidas em 28/04/2016, não retornaram os ARs com a justificativa “mudou se”. Fl. 422DF CARF MF Processo nº 12448.727931/201654 Acórdão n.º 2201004.691 S2C2T1 Fl. 423 5 Para reforçar esse entendimento, pesquisando o endereço de residência do Sr. Ludovico, conforme telas copiadas às fls. 123/124, chegase à constatação de que o síndico do prédio do endereço cadastral do Sr. Ludovico Tavares Giannattasio é seu filho Ludovico Papini Giannattasio, que possui o mesmo endereço cadastral na Receita Federal do Brasil que seu pai. Dessa maneira, caberá, por determinação legal, o agravamento do percentual da multa de ofício para 112,5%, conforme se tratará mais adiante, pela conduta de não atendimento às intimações adotada pelo contribuinte durante o procedimento fiscal e comprovada nas peças processuais (art. 44, § 2º, da Lei nº 9.430/96, com a nova redação dada pelo art. 18 da MP nº 303/06, e art. 14 da MP 351/07, convertida na Lei nº 11.488/07, art. 14, art. 70, inciso I, da Lei nº 9.532/97 e art. 959, inciso I, do RIR/99). Como não houve resposta por parte do contribuinte e diante da necessidade de buscar os documentos necessários à apuração dos custos de aquisição das ações integralizadas no fundo em 20/07/2016, foi emitido ofício direcionado à Jucerja – Junta Comercial do Rio de Janeiro (fls. 57/59), solicitando os documentos ali relacionados. O ofício foi recebido em 25/07/2016, conforme AR de fl. 60. Ato contínuo, em 26/07/2016, o Fisco, em busca da verdade dos fatos e em conformidade com o disposto na Lei Complementar nº 105, de 10/01/2001, e no Decreto nº 3.724, de 10/01/2001, solicitou, ao delegado da Demac em Belo Horizonte a emissão da requisição de informação sobre movimentação financeira ao administrador do Canabrava Bioenergia Fundo de Investimentos em Participações – Controle (doravante “FIP Bioenergia”), BNY Mellon Serviços Financeiros D.T.V.M S/A, sendo expedida a RMF – Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira de nº 06.1.85.002016000226 (fls. 64/65). A referida RMF foi recebida em 29/07/2016, conforme AR de fl. 66, e intimava o destinatário, BNY Mellon, a apresentar os mesmos elementos/esclarecimentos solicitados ao sujeito passivo durante o procedimento fiscal. No dia 29/07/2016, foi recebido o Ofício Jucerja VP nº 4147/2016, contendo a documentação solicitada, conforme consta à fl. 63. Já no dia 15/08/2016, foi recebida resposta do administrador do fundo, a BNY Mellon, à RMF de Nº 06.1.85.002016000226, conforme consta à fl. 70. A Fiscalização, de posse de praticamente toda a documentação obtida, passou a analisar os fatos. Durante o anocalendário de 2011, o fiscalizado transferiu valores mobiliários para o Fundo de Investimentos em Participações “FIP Bioenergia”, CNPJ nº 12.565.053/000139, Fl. 423DF CARF MF Processo nº 12448.727931/201654 Acórdão n.º 2201004.691 S2C2T1 Fl. 424 6 administrado pela BNY Mellon e regido por norma própria, a título de integralização de cotas. Em resumo, no dia 30/11/2011, o fiscalizado integralizou 1.900,0025 cotas do fundo, sendo cada cota com valor unitário de R$ 100.000,00, totalizando assim um valor financeiro integralizado de R$ 190.000.250,00, conforme documentação entregue pelo administrador do fundo, BNY Mellon. Conforme boletim de subscrição, assinado em 28/11/2011 pelo Sr Ludovico, entregue pela BNY Mellon, é possível confirmar os valores e quantidades acima mencionados e ter a certeza de que as cotas foram subscritas através da integralização de valores mobiliários, no caso ações da Portopar Participações S.A, empresa S.A de capital fechado, CNPJ nº 07.340.609/000159, doravante “Portopar”. No item “forma de pagamento” do boletim, fica claro que o Sr Ludovico integralizou 125.620 ações da Portopar e, em virtude disso, recebeu 1.900,0025 cotas do FIP Bioenergia a um valor unitário de R$ 100.000,00, totalizando um valor financeiro de R$ 190.000.250,00. Dessa maneira podese concluir que cada ação da Portopar valia, na data, R$ 1.512,50. Pela leitura do § 6° do art. 17 do regulamento do fundo, tais valores deveriam estar confirmados por laudo de avaliação de empresa especializada. Dessa maneira foi nomeada a empresa Apsis Consultoria e Avaliações Ltda., para emissão do laudo de avaliação, confirmando o valor unitário de ações da Portopar em R$ 1.512,50. Comprovadas as quantidades transferidas, as datas de transferência, os ativos que foram transferidos, os valores de alienação/integralização, falta somente a informação dos custos das ações integralizadas da Portopar, para, assim, ser efetuado o cálculo do ganho de capital e confrontar com o que fora apresentado pelo contribuinte. Com relação aos custos de aquisição das ações da Portopar pelo contribuinte, como ele não apresentou nenhuma documentação e como o administrador do fundo não tem acesso a tais informações, a Fiscalização teve que recorrer aos documentos arquivados na Jucerja (fls. 57/59). Sua posição acionária na Portopar, conforme estatuto social, imediatamente antes da integralização é a seguinte: 199.999 ações, no valor de R$ 199.999,00, posição essa confirmada em sua declaração de ajuste anual original 2011/2010, entregue em 27/04/2011. Como o custo unitário das ações é R$ 1,00, então o custo das 125.620 ações alienadas para o fundo FIP Bionergia foi de R$ 125.620,00. Em plena consonância com o art. 153, III, e § 2°, I, da Constituição Federal e com o art. 43, II, e §1°, do Código Fl. 424DF CARF MF Processo nº 12448.727931/201654 Acórdão n.º 2201004.691 S2C2T1 Fl. 425 7 Tributário Nacional, a legislação infraconstitucional prescreve que o ganho de capital auferido por pessoa física com a alienação, a qualquer título, de bens e direitos (da qual decorra diferença positiva entre o valor da alienação e o custo do objeto alienado) é fato gerador do imposto de renda, calculado pela alíquota de 15% e devido até o último dia do mês subsequente ao da sua ocorrência (tributação definitiva). Como se pode ver, para fins tributários, na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem em alienação a qualquer título. Vale dizer que a alienação é considerada em sua acepção ampla, envolvendo toda e qualquer transmissão de bens ou direitos para outrem. E para haver ganho de capital, basta a existência de diferença positiva entre o custo de aquisição e o valor de transmissão do bem ou direito. É cristalino, pois, que o conceito de alienação também envolve a integralização de cotas em fundos de investimento, uma vez que ela, na esteira de outros contratos listados no § 3º do art. 3º da Lei nº 7.713, de 1988, também implica a transferência de um bem ou direito para o domínio de outrem. No caso concreto, o contribuinte transferiu valores mobiliários, ações da Portopar para Canabrava Bioenergia Fundo de Investimento em Participações controle, CNPJ nº 12.565.053/000139, tendo integralizado cotas do referido fundo de investimentos, conforme boletim de subscrição. O art. 3º da Lei nº 7.713/1988 assim dispõe, em seu § 3°: “Na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por compra e venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento, doação, procuração em causa própria, promessa de compra e venda, cessão de direitos ou promessa de cessão de direitos e contratos afins.” No presente caso, não há qualquer dúvida de que houve alienação de valores mobiliários, dado que o contribuinte transferiu a titularidade deles para um fundo de ações. Tais valores mobiliários, então, passaram a compor a carteira do fundo. Cabe examinar o disposto no art. 6º do regulamento do fundo em comento: Artigo 6° O Fundo é administrado pela BNY MELLON SERVIÇOS FINANCEIROS DISTRIBUIDORA DE TÍTULOS E VALORES MOBILIÁRIOS S.A., instituição financeira com sede na Cidade e Estado do Rio de Janeiro, na Av. Presidente Wilson, n° 231,11°, 13° e 17° andares (partes), inscrita no CNPJ/MF sob o n° 02.201.501/00016, a qual é autorizada pela CVM a exercer a atividade de administração de carteira de valores mobiliários por meio do Ato Declaratório N° 4.620, de 19 de dezembro de 1997 (Administrador"). Parágrafo 1o A carteira do Fundo será gerida pela ASM ADMINISTRADORA DE RECURSOS S.A., sociedade anônima, com sede na Cidade do Rio de Janeiro, Estado do Rio de Fl. 425DF CARF MF Processo nº 12448.727931/201654 Acórdão n.º 2201004.691 S2C2T1 Fl. 426 8 Janeiro, na Avenida das Américas, 700, Bloco 6. Grupo 148 (parte), Barra da Tijuca, inscrita no CNPJ/MF sob n° 04.248.117/000140, a qual é autorizada pela CVM a exercer a atividade de administração de carteira de valores mobiliários por meio do Ato Declaratório N° 6.279, de 14 de fevereiro de 2001 ("Gestor"). Constatase, então, que é a gestora do fundo, e não mais o contribuinte, quem pode negociar, em nome do fundo, os valores mobiliários. Dessa forma, fica perfeitamente caracterizada sua alienação. Aliás, tal prerrogativa está perfeitamente determinada no art. 56 da Instrução CVM nº 409 (com alterações posteriores), transcrito às fls. 140/141. Houve, assim, transmissão de propriedade de ativos onerosa e avaliada em dinheiro. E, de acordo com o disposto no art. 3º da Lei nº 7.713/88, havendo diferença positiva entre o valor da transmissão e o respectivo custo de aquisição, esta deve ser tributada como ganho de capital. As ações da Portopar foram corretamente avaliadas a preço de mercado no ato da integralização, conforme determina o art. 17, § 6º, do regulamento do fundo. Não caberia, no caso em questão, aplicação do disposto no art. 23 da Lei nº 9.249/95, transcrito à fl. 141. De acordo com o citado art. 23, uma pessoa física pode integralizar capital em uma pessoa jurídica por meio da conferência de bens ou direitos. E pode fazêlo pelo valor desses constante em sua DAA (Declaração de Ajuste Anual) ou pelo seu valor de mercado. Ocorre que Fundos de Investimentos não são pessoas jurídicas. Com efeito, o vocábulo “pessoa”, derivado do latim persona, exprime ou designa todo ser capaz ou suscetível de direitos e obrigações. Em síntese, pessoa é quem titulariza relações jurídicas. É quem pode compor os polos ativo ou passivo de relações jurídicas. Não é o caso dos Fundos de Investimentos. Eles não contratam, não se obrigam, não titularizam obrigações jurídicas. Quem o faz são os gestores, em seu nome. Dispõe o art. 2º da Instrução CVM nº 409/2004 (com as alterações posteriores) que “O fundo de investimento é uma comunhão de recursos, constituída sob a forma de condomínio, destinado à aplicação em títulos e valores mobiliários, bem como em quaisquer outros ativos disponíveis no mercado financeiro e de capitais, observadas as disposições desta Instrução.” É de se concluir que o art. 23 da Lei nº 9.249/95 não se aplica à integralização de cotas de Fundos de Investimentos. Em outras palavras, não é facultado ao contribuinte escolher entre dispor de seus valores mobiliários para integralização no fundo pelo valor do custo de aquisição ou pelo valor de mercado. Fl. 426DF CARF MF Processo nº 12448.727931/201654 Acórdão n.º 2201004.691 S2C2T1 Fl. 427 9 Aliás, um exemplo bem simplório basta para demonstrar quão ilógica seria a faculdade de se considerar o valor do custo de aquisição de valores mobiliários na integralização de cotas de fundos de investimentos. Imaginemos que três investidores qualificados (A, B e C) decidem criar um fundo de investimentos integralizando suas cotas por meio de valores mobiliários. O investidor A entregaria ações da companhia X que ele adquiriu por R$ 1.000.000,00 e hoje valem R$ 6.000.000,00; O investidor B disporia de ações da companhia Y que lhe custaram R$ 2.500.000,00 e hoje valem R$ 2.000.000,00; e o investidor C entregaria ações da companhia Z que ele comprou por R$ 500.000,00 e atualmente valem R$ 2.000.000,00. Uma hipotética integralização considerandose os custos de aquisição das ações das companhias X, Y e Z levariam a uma distribuição de cotas do fundo na seguinte proporção: 25% para o investidor A; 62,5% para o investidor B e 12,5% para o investidor C. Ocorre que a valor de mercado a distribuição de cotas do fundo seria feita da seguinte forma: 60% para o investidor A; 20% para o investidor B e 20% para o investidor C. Por óbvio, esse fundo de investimentos jamais seria criado. Pelo menos não com as ações pertencentes aos investidores A e C. De qualquer forma, na presente situação, os valores mobiliários do Sr. Ludovico foram corretamente entregues, para integralização de cotas no FIP Bionergia, a valor de mercado, conforme laudos de avaliação já citados. Em observância à sua competência legal de regulamentar as matérias expressamente previstas na Lei nº 6.385/76, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) emitiu a Instrução nº 438/2006 (alterada pela Instrução nº 465/2008) que aprovou o Plano Contábil dos Fundos de Investimentos. Tal Plano, em seu capítulo 1, seção 2 dispõe: 1. Disposições Gerais 1 Os ativos integrantes das carteiras dos fundos de investimento devem ser registrados pelo valor efetivamente contratado ou pago, e ajustados, diariamente, ao valor de mercado, reconhecendose contabilmente a valorização ou a desvalorização em contrapartida à adequada conta de receita ou despesa, no resultado do período. Assim, diante do regramento determinado pela CVM, os valores mobiliários alienados pelo contribuinte para integralização de cotas no fundo deveriam ser (como, de fato, foram) marcados a valor de mercado. Para não deixar qualquer dúvida a esse respeito, a Receita Federal do Brasil editou o Ato Declaratório Interpretativo nº 07, de 24/05/2007, abaixo transcrito: Fl. 427DF CARF MF Processo nº 12448.727931/201654 Acórdão n.º 2201004.691 S2C2T1 Fl. 428 10 O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL SUBSTITUTO, no uso da atribuição que lhe confere o inciso III do art. 224 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria MF n° 95, de 30 de abril de 2007, e tendo em vista o disposto nos arts. 3°, 16, 19 e 20 da Lei n9 7.713, de 22 de dezembro de 1988, e no art. 23 da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, e o que consta do processo n° 10168.001281/200743, declara: Artigo único. O imposto de renda devido sobre o ganho de capital apurado na integralização de cotas de fundos ou clubes de investimentos por meio da entrega de títulos ou valores mobiliários deve ser pago até o último dia útil do mês subsequente à data da integralização à alíquota de 15% (quinze por cento). § 1° Na hipótese de que trata o caput, considerase ganho de capital a diferença positiva entre o valor de mercado dos títulos ou valores mobiliários alienados, na data da integralização das cotas, e o respectivo custo de aquisição. § 2° A Secretaria da Receita Federal do Brasil, mediante processo regular, arbitrará o valor ou preço informado pelo contribuinte, sempre que não mereça fé, por notoriamente diferente do de mercado. Há, ainda, outro ponto de fundamental importância que deve ser abordado. É que a tributação da diferença positiva entre o valor da transmissão e o respectivo custo de aquisição como ganho de capital independe da existência de fluxo financeiro. De fato, a legislação tributária dispõe que o imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza incide sempre que houver aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda e de proventos de qualquer natureza. A lei, ao definir o fato gerador do imposto, não se reporta à disponibilidade financeira, mas à disponibilidade econômica ou jurídica (art. 43 do CTN). Tanto é assim que o art. 55 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, Regulamento do Imposto de Renda, RIR/1999, em seus incisos IV e XIII, traz exemplificativamente hipóteses de incidência em que não há percepção do valor em dinheiro. Aliás, um simples exemplo é suficiente para mostrar o que poderia acontecer caso a legislação tributária exigisse a ocorrência de disponibilidade financeira em vez da disponibilidade econômica ou jurídica de renda nessa situação. Imagine que o Investidor I tenha adquirido ações da companhia C em 02/01/2007 pelo valor de R$ 1.000.000,00. Em 02/01/2009, o valor de mercado das ações da companhia C era de R$ 10.000.000,00 e o investidor I decidiu integralizálas em um fundo X, tendo recebido 10.000.000 cotas de R$ 1,00 cada uma. Em 02/01/2015, o investidor I resgatou suas cotas em razão de liquidação do fundo. Na ocasião, o valor total dessas cotas era de R$ 12.000.000,00. Fl. 428DF CARF MF Processo nº 12448.727931/201654 Acórdão n.º 2201004.691 S2C2T1 Fl. 429 11 Considerandose que, no exemplo, o fundo X é idêntico ao Fundo de Investimento FIP Bionergia, vejamos o que diz o regulamento deste acerca da tributação do resgate de cotas: II Na hipótese de resgate das cotas por ocasião do encerramento do prazo de duração do FUNDO ou sua liquidação, o rendimento será constituído pela diferença positiva entre o valor de resgate e o custo de aquisição das cotas, sendo tributado na fonte na forma e alíquotas a seguir descritos: (grifamos) 1. 22,5% (vinte e dois inteiros e cinco décimos por cento) para prazo de aplicação de até 180 (cento e oitenta) dias; 2. 20% (vinte por cento) para prazo de aplicação de 181 (cento e oitenta e um) dias até 360 (trezentos e sessenta) dias; 3. 17,5% (dezessete inteiros e cinco décimos por cento) para prazo de aplicação de 361 (trezentos e sessenta e um) dias até 720 (setecentos e vinte) dias; e 4. 15% (quinze por cento) para prazo de aplicação superior a 720 (setecentos e vinte) dias. No exemplo acima, o custo de aquisição das cotas é o valor de mercado pelo qual as ações da companhia C foram entregues ao fundo na integralização dessas, ou seja, R$ 10.000.000,00. E o valor do resgate, R$ 12.000.000,00. Assim, seriam retidos na fonte a quantia de R$ 300.000,00 (15% x R$ 2.000.000,00). E quanto à valorização das ações da companhia C de R$ 1.000.000,00 para R$ 10.000.000,00? O IR sobre esse ganho de capital já não poderia mais ser lançado pela RFB porque as ações foram adquiridas pelo investidor I em 02/01/2007 e alienadas em 02/01/2009 (com a integralização das cotas do fundo X). Em outras palavras, em 02/01/2015 teria ocorrido a perda do direito de a fazenda pública constituir o crédito tributário decorrente da alienação das ações da companhia C em 02/01/2009. Então, caso a legislação tributária exigisse a existência de disponibilidade financeira para definir a ocorrência do fato gerador de ganho de capital, bastaria a qualquer investidor qualificado pessoa física (ver art. 109, IV, da Instrução CVM nº 409/2004 e alterações posteriores) constituir um fundo de investimentos com a entrega de ações na integralização das cotas do fundo e aguardar cinco anos para resgatar suas cotas que estaria livre do IR sobre a valorização das ações ocorrida entre sua aquisição e a entrega delas para a constituição do fundo. Contudo, sabiamente, o legislador, ao definir o fato gerador do imposto, não se reportou à disponibilidade financeira, e sim à disponibilidade econômica ou jurídica (art. 43 do CTN). Diante do exposto, é indubitável que o Sr. Ludovico auferiu ganho de capital decorrente da diferença positiva entre o valor Fl. 429DF CARF MF Processo nº 12448.727931/201654 Acórdão n.º 2201004.691 S2C2T1 Fl. 430 12 de mercado dos valores mobiliários alienados, conforme a seguir: Valor de Venda: R$ 190.000.250,00 (–) Custo de Aquisição: R$ 125.620,00 = Ganho de Capital: R$ 189.874.630,00 Dessa forma, a Fiscalização procedeu à lavratura do Termo de Verificação Fiscal e do Auto de Infração, no qual foram lançados os créditos tributários relativos às infrações apuradas pelo Fisco. O Auto de Infração detalha os valores lançados, a título de imposto e juros, e também consigna os pertinentes enquadramentos legais. A multa de ofício é exigível nos casos de lançamento de ofício, ou seja, quando não há espontaneidade do contribuinte, por falta de pagamento ou recolhimento de tributo ou contribuição, entre outras hipóteses, nos termos do art. 44 da Lei nº 9.430/96, com as alterações posteriores. A multa de ofício tem, atualmente, duas alíquotas, 75% (Inciso I do art. 44) e 150% (§1º do art. 44), aquela de aplicação genérica e esta última aplicada nos casos em que houver intuito de fraude. A primeira delas tem natureza material, ou seja, verificado o fato concreto, aplicase a multa, sem considerar a natureza volitiva do descumprimento da legislação. A multa de ofício aplicada ao caso teve como fato gerador a omissão de ganho de capital na integralização de valores mobiliários em fundos de investimento, não tendo qualquer relação com o intuito do contribuinte. Assim, sobre os valores de impostos a recolher encontrados pelo Fisco incidiu, primeiramente, multa de ofício no percentual de 75%; porém como não houve atendimento às intimações, e conforme disposto no § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, este percentual foi aumentado pela metade. Assim, sobre os valores de imposto a recolher encontrados pelo Fisco incidiu multa de ofício agravada no percentual de 112,5%. O contribuinte sujeitase ainda ao pagamento dos juros de mora, calculados de acordo com a variação da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais, acumulada mensalmente e aprovada pelo art. 61, § 3º, da Lei 9.430/96. DA IMPUGNAÇÃO Cientificado do lançamento em 20/10/2016 (fls. 165/166), o contribuinte apresentou, em 21/11/2016, por intermédio de mandatário (procuração à fl. 222), a impugnação de fls. 170/219, abaixo resumida. Fl. 430DF CARF MF Processo nº 12448.727931/201654 Acórdão n.º 2201004.691 S2C2T1 Fl. 431 13 Da nulidade do lançamento. Do Termo n° 01 – Início de Procedimento Fiscal (fls. 31/36) consta que o Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal (TDPF) n° 06185002015002110 foi emitido e assinado pela Senhora DelegadaAdjunta da Delegacia de Maiores Contribuintes em BH/MG, mediante utilização de certificado digital. Registrese que a Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF) de fls. 64/65 também foi lavrada pela DelegadaAdjunta da Delegacia de Maiores Contribuintes em BH/MG, como se extrai da simples leitura do documento. O procedimento de emissão do TDPF é disciplinado pelo Decreto n° 3.724/01, com as alterações do Decreto n° 8.303/14, e pela Portaria RFB n° 1.687/14. Da interpretação dos dispositivos desses diplomas transcritos às fls. 177/178, podemse extrair as seguintes constatações. 1. Regra geral: o TDPF é prérequisito para o início do procedimento fiscal (art. 2o, caput, do Decreto n° 3.724/01 c/c art. 4o, caput e §§, da Portaria RFB n° 1.687/14); 2. É atribuição do Secretário da RFB estabelecer quais autoridades são competentes para lavrar o TDPF (art. 2o, § 4°, do Decreto 3.724/01); 3. Dentre as autoridades competentes para a expedição do TDPF, o Secretário da RFB relacionou os Delegados da RFB (art. 7o, IV, da Portaria RFB n° 1.687/14); 4. Ante a multiplicidade de Delegacias da RFB no território nacional, houve por bem o Secretário concretizar o princípio da territorialidade e restringir a competência das autoridades à respectiva jurisdição (art. 7°, § 1o, da Portaria RFB n° 1.687/14); e 5. Excepcionalmente, um procedimento fiscal pode ser conduzido por uma autoridade fiscal de Região Fiscal diferente da jurisdição do contribuinte, desde que atendidos os seguintes requisitos: 5.1. Expedição de Ordem de Serviço ou documento equivalente por determinados Coordenadores da RFB (art. 7o, § 5o, parte inicial, da Portaria RFB n° 1.687/14); 5.2. Manifestação da Superintendência Fiscal que jurisdiciona o contribuinte (art. 7o, § 5o, parte final, da Portaria RFB 1.687/14); Fl. 431DF CARF MF Processo nº 12448.727931/201654 Acórdão n.º 2201004.691 S2C2T1 Fl. 432 14 5.3. Somente após a expedição da Ordem de Serviço ou de documento equivalente é que o TDPF poderá ser expedido (art. 7o, § 6o, da Portaria RFB 1.687/14); e 5.4. O TDPF tem de ser lavrado pelo Delegado da jurisdição do contribuinte (art. 7o, § 6o, da Portaria RFB 1.687/14). Entretanto, no caso em tela, embora o procedimento fiscal tenha sido conduzido por Auditor em exercício na 6a Região Fiscal (Estado de Minas Gerais) e o contribuinte submetase à 7a Região Fiscal (Estados do Rio de Janeiro e do Espírito Santo), não houve emissão de Ordem de Serviço, não houve manifestação do Superintendente da 7a RF, e o TDPF foi lavrado por autoridade de jurisdição diversa daquela do contribuinte, qual seja, o Delegado da Demac em Belo Horizonte/MG. Ou seja, nenhum dos requisitos estabelecidos na Portaria foi cumprido. Nem se diga que pode ser o caso de delegação de competência da DRF/Rio de Janeiro (ou mesmo da Superintendência da 7o RF) para a Demac/Belo Horizonte, pois o § 3º do art. 7o da Portaria 1.687/14 elenca as possibilidades de delegação da competência e lá não há hipótese alguma na qual seja possível enquadrar a presente situação concreta. Tampouco se pode cogitar a possibilidade de existência meramente eletrônica da Ordem de Serviço inexistente (§ 10 do art. 7o da Portaria n° 1.687/14). A uma porque não há nos autos qualquer elemento que sugira ter ocorrido este procedimento. A duas porque tal possibilidade não tem o condão de alterar o fato de o TDPF ter sido lavrado por autoridade de jurisdição distinta da do contribuinte. Menos ainda cabe tentar salvar o procedimento sob o argumento de se tratar de competência concorrente, pois se assim fosse, a segurança jurídica – elemento essencial para a efetividade de qualquer relação jurídica, inclusive a tributária – imporia ao Fisco o dever principiológico de, ao inaugurar o procedimento fiscal, motivar a via do feito a unidade territorial diversa daquela do contribuinte, de sorte a afastar incertezas sobre a higidez do ato administrativo. Percebase, pois, que se trata de algo bem maior do que a mera possibilidade de validação da existência formal de determinado TDPF por meio de consulta ao site da RFB. Nesse mister, vale observar que o § 6o do art. 7o da Portaria 1.687/14 – que dispunha que a autoridade competente para lavrar o TDPF em relação aos casos de fiscalização conduzida por Auditor de outra jurisdição era a autoridade da jurisdição do contribuinte – teve a sua redação alterada para passar tal atribuição à autoridade da jurisdição do Auditor, conforme o seguinte: Fl. 432DF CARF MF Processo nº 12448.727931/201654 Acórdão n.º 2201004.691 S2C2T1 Fl. 433 15 § 6o Depois da expedição da Ordem de Serviço ou ato equivalente referido no § 5o, a própria unidade solicitante emitirá o TDPF. Ocorre que a referida alteração foi promovida pela Portaria RFB n° 1718, de 8 de dezembro de 2015, e o TDPF do presente caso foi gerado em 14 de maio de 2015! Logo, deveria ter sido lavrado pelo Delegado da DRF/Rio de Janeiro ou da Demac/Rio de Janeiro, e não pelo Delegado da Demac/Belo Horizonte. Ademais, tal alteração normativa só vem demonstrar que a questão da Unidade da Fazenda habilitada para a emissão do TDPF não é algo de pequena importância ou uma formalidade menor. Se assim o fosse, não careceria envidar esforços para emendar a Portaria. Assim, à luz do § 6o (vigente à época) do art. 7o da Portaria n° 1.687/14, o TDPF foi lavrado por autoridade incompetente. Em relação à RMF também se extraem observações importantes do art. 4º do Decreto n° 3.724/01 (transcrito às fls. 182/183): 1. A RMF é o instrumento hábil para a requisição de dados de interesse da fiscalização direcionado a instituições financeiras e equiparadas (Decreto n° 3.724/01, arts. 2o, § 5°, e 4o, § 1o); 2. A autoridade competente para a lavratura da RMF é a da jurisdição do contribuinte (Decreto n° 3.724/01, arts. 2o, § 4o, e 4o, caput, c/c Portaria RFB n° 1.687/14, art. 7o, §§ 1o e 6o); e 3. A emissão da RMF possui os seguintes requisitos: 3.1. Ser precedida de intimação ao sujeito passivo para a prestação direta das mesmas informações, que serão objeto de requisição à instituição financeira (Decreto n° 3.724/01, art. 4o, § 2o); e 3.2. Ser expedida com base em relatório circunstanciado elaborado pelo Auditor responsável pela fiscalização (ou o seu Supervisor), do qual tem de constar, de forma precisa e clara, a motivação da propositura da RMF sob o prisma da proporcionalidade da medida (Decreto n° 3.724/01, art. 4o, § 2o). Do exposto, o que se extrai inicialmente é que, tendo a RMF sido lavrada por Delegado de jurisdição diversa da do contribuinte, o ato foi praticado por autoridade incompetente. Não bastasse tal fato, a Fiscalização cumpriu apenas um dos dois requisitos legais exigidos para a emissão da RMF, qual seja, a intimação prévia do contribuinte para a prestação das informações desejadas. Porém, deixou de elaborar o relatório circunstanciado, cuja existência constitui requisito básico para a validade do próprio ato, como dispõe o Decreto n° 3.724/01. Fl. 433DF CARF MF Processo nº 12448.727931/201654 Acórdão n.º 2201004.691 S2C2T1 Fl. 434 16 O lançamento é atividade administrativa plenamente vinculada à lei (art. 142, parágrafo único, do CTN), não podendo a autoridade lançadora deixar de cumprir um comando normativo claro e direto sem que disso resulte a nulidade do feito. Não há como se cogitar sorte diversa da nulidade para a RMF emitida sem a concretização de todos os seus requisitos legais. É claro que essa questão somente será enfrentada na eventualidade de não se concordar com a patente incompetência da autoridade que lavrou o TDPF e a RMF. É que tal vício é igualmente ensejador de nulidade, que contamina não só o respectivo ato, como todos os que dele resultaram, no caso, toda a continuidade do procedimento fiscal. É o que impõe o Decreto n° 70.235/72, que regulamenta o processo administrativo fiscal, em seus arts. 59 e 61, transcritos às fls. 185/186. Além desses vícios, é evidente o prejuízo à defesa do contribuinte quando fiscalizado por Auditor fora de sua jurisdição. Nesta situação, a autoridade remotamente instalada limitase a exarar comandos formais e nada triviais para o “homem médio”, sem que o sujeito passivo tenha um locus na região de seu domicílio para dialogar com aquele que poderá vir a formular contra ele uma exigência fiscal incorreta, lhe impondo, por conseguinte, um ônus pesado e injusto. O Auditor assumiu que teria ocorrido uma sucessão de ruídos de comunicação como tentativa de embaraço à fiscalização, do que resultou inadequado agravamento da multa de ofício. Houvesse a autoridade intimado presencialmente o contribuinte, certamente teria percebido o alcance das singelas, porém sinceras palavras que este lhe dirigiu na correspondência de fl. 46. Além disso, é meramente retórico sustentar que o procedimento fiscal é apenas uma fase inquisitorial do processo, de forma que, supostamente, nada que represente obstáculo para a manifestação do contribuinte no curso do procedimento deva ser considerado óbice à ampla defesa. Assim, também com fulcro na preterição do direito de defesa no curso do procedimento fiscal que instrui estes autos, pugnase pela nulidade do lançamento fundada na segunda parte do inciso II do art. 59 do Decreto n° 70.235/72. Da inocorrência de transferência da titularidade das ações Fundos de investimentos não são pessoas jurídicas, como reconhece o próprio Auditor no item 4.3.11 do Termo de Verificação Fiscal. Eles estão fora do rol de pessoas jurídicas admitido no ordenamento jurídico, consoante se depreende dos arts. 40 e 44 do Código Civil (transcritos à fl. 190). Já em seu art. 1o, o Código Civil estabelece que “Toda pessoa é capaz de direitos e deveres na ordem civil”. Fl. 434DF CARF MF Processo nº 12448.727931/201654 Acórdão n.º 2201004.691 S2C2T1 Fl. 435 17 A não caracterização de determinada entidade como pessoa jurídica de direito privado tem como consequência imediata a subtração de sua personalidade. Os Fundos de Investimentos não possuem personalidade jurídica, não podendo, por conseguinte, titularizar patrimônio. E é por esta razão que se pode afirmar, com respaldo na lei, que não houve transferência de propriedade, ou, como declara o próprio AuditorFiscal “alienação considerada em sua acepção ampla”. O que houve, na prática, foi a transferência da custódia das ações de uma sociedade anônima fechada (Portopar), de propriedade do contribuinte, para um fundo de investimentos (FIP Bioenergia), e a contratação de um serviço de administração profissional de patrimônio. Ao transferir a custódia de parte de suas ações Portopar para o FIP Bioenergia, a única consequência jurídica é a perda da posse direta desses títulos por parte do contribuinte, mas nunca da propriedade nem da posse indireta. A finalidade dessa transferência de custódia é: 1) viabilizar a gestão profissional do patrimônio; e 2) possibilitar o auferimento de rendimentos que só seriam possíveis de obter exatamente pela conjugação do patrimônio próprio com o de terceiros, todos confiados ao Fundo do Investimento. Já a contrapartida dessa transferência de custódia é a obtenção de cotas do fundo de investimento, por meio do qual o investidor será remunerado, de acordo com a performance que a gestão profissional alcançará para o seu patrimônio. Sob o ponto de vista do negócio jurídico em questão, o contribuinte teria contratado “serviços relacionados ao setor bancário ou financeiro, inclusive aqueles prestados por instituições financeiras autorizadas a funcionar pela União ou por quem de direito” (item 15 da Lista de Serviços da Lei Complementar Nacional n° 116/03). Mais especificamente, o contribuinte teria contratado a: (i) “custódia em geral inclusive de títulos e valores mobiliários” (item 15.12 da Lista de Serviços da LCP n° 116/03); e (ii) “administração de fundos quaisquer, de consórcio, de cartão de crédito ou débito e congêneres, de carteira de clientes, de cheques prédatados e congêneres” (item 15.01, da Lista de Serviços da LCP n° 116/03). Juridicamente, há uma outorga de mandato pelo investidor em favor do administrador para que este o represente em decisões de natureza de investimento e cunho empresarial, mas não a “alienação” do ativo. O próprio Auditor manifesta subliminarmente a consciência da não transferência da propriedade e sim da custódia das ações. É Fl. 435DF CARF MF Processo nº 12448.727931/201654 Acórdão n.º 2201004.691 S2C2T1 Fl. 436 18 o que se percebe quando ele afirma que o contribuinte permaneceu como “acionista indiretamente da Portopar”, bem assim quando transcreve no Termo de Verificação Fiscal inúmeros dispositivos normativos – tais como: regulamento do FIP Bioenergia e Instruções Normativas da CVM – que só fazem destacar que administradores e gestores de Fundos de Investimentos são prestadores de serviços que operam em favor da melhor performance financeira dos ativos de propriedade dos cotistas, os quais se encontram custodiados no Fundo. O Auditor sustenta estar compreendida nas atribuições da gestão do Fundo poderes para “negociar, em nome do fundo de investimento, os ativos financeiros do fundo” (Instrução CVM n° 409/04, art. 56, § 2°, inciso I). Pois bem. É preciso entender que há diferença entre a “administração” e “gestão” de um fundo de investimento. A primeira é atividade maior do que a segunda. A “administração” promove a interface entre o Fundo de investimento e os seus cotistas e “compreende o conjunto de serviços relacionados direta ou indiretamente ao funcionamento do fundo” (Instrução CVM n° 409/04, art. 56, caput). Dentre esses serviços, existe um que pode ser terceirizado, qual seja, a “gestão” da carteira. “O administrador poderá contratar, em nome do fundo, terceiros devidamente habilitados e autorizados para prestar os seguintes serviços, com a exclusão de quaisquer outros não listados: I a gestão da carteira do fundo” (Instrução CVM n° 409/04, art. 56, § 1°, inciso I). Isto explica porque a redação do inciso I do § 2o do art. 56 da Instrução CVM n° 409/04 permite ao gestor “negociar, em nome do fundo de investimentos, os ativos”. Longe de significar que os fundos de investimento são os proprietários dos ativos, apenas indica que o “gestor” pode praticar atos autorizados pela “administração” do Fundo, os quais foram antes consentidos pelo proprietário do ativo, ora cotista do Fundo. Afinal, cada Fundo possui regulamento próprio e em tal instrumento há de constar a possibilidade ou não de alienação dos ativos dos cotistas do Fundo. Compreendido isso, o receio maior do Auditor, qual seja, a negociação dos ativos (no caso, ações da Portopar) pelo fundo de investimento encobrindo o “ganho de capital” quando da transferência da custódia pelo proprietário não tem o menor fundamento jurídico. É que o fato gerador do “ganho de capital” somente se concretiza com a transferência (alienação) efetiva da propriedade, que, por sua vez, só ocorrerá no momento em que o Fl. 436DF CARF MF Processo nº 12448.727931/201654 Acórdão n.º 2201004.691 S2C2T1 Fl. 437 19 contribuinte alienar as cotas que detém do Fundo para terceiros, sem qualquer possibilidade de se falar em decadência do direito da Fazenda Pública tributar o aludido ganho. Do regime de tributação da pessoa física. O IRPF é disciplinado pelas Leis Federais n° 7.713/88, 8.023/90, 8.134/90, 8.218/91 e 9.250/95, delas se extraindo os comandos basilares do RIR/99 na parte em que compila as normas do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física IRPF. A partir da Lei n° 7.713/88, precisamente do seu art. 3o, § 4o, se obtém a regra matriz do art. 38, parágrafo único, do RIR/99, que dispõe sobre o regime de tributação das pessoas naturais: “Os rendimentos serão tributados no mês em que forem recebidos, considerado como tal o da entrega de recursos pela fonte pagadora, mesmo mediante depósito em instituição financeira em favor do beneficiário.” No mesmo sentido dispõe o parágrafo único do art. 3° da Lei n° 9.250/95: “O imposto de que trata este artigo será calculado sobre os rendimentos efetivamente recebidos em cada mês.” Assim, a legislação em vigor é suficientemente clara ao fixar, quanto ao aspecto temporal, que o IRPF deve ser balizado pelo regime de caixa. Neste ponto, duas questões podem causar desconforto: 1a) Como harmonizar o comando do ordenamento jurídico – no sentido de ser o regime de caixa o aplicável à pessoa física – com o Ato Declaratório Interpretativo da RFB n° 07/07; e 2a) Qual a extensão da aparente exceção ao regime de caixa para pessoas físicas contidas no art. 55 do RIR/99? A primeira questão começa a ser respondida com a necessária inversão de seus termos: o ADI/RFB n° 07/07, enquanto ato administrativo da RFB, deve se harmonizar com a Lei n° 7.713/88, art. 3o, § 4o (RIR/99, art. 38, parágrafo único); Lei n° 9.250/95, art. 3o, parágrafo único; e, ainda com mais evidência com o CTN, art. 43. E não o contrário. Assim, em interpretação conforme a lei, o que se conclui é que o ADI/RFB n° 07/07 cuida da apuração do ganho de capital de pessoas jurídicas – que diferentemente das pessoas físicas estão fora do regime de caixa – no processo de integralização de cotas de fundos ou clubes de investimentos por meio da entrega de títulos ou valores mobiliários. Abarcar as pessoas físicas no contexto do ADI/RFB n° 07/07, mais do que ferir a razoabilidade, é fazer preponderar ato administrativo, emanado unilateralmente e no interesse da própria Administração Pública, sobre a lei emanada do Poder Parlamentar e sancionada pelo Chefe do Pode Executivo, o que em hipótese alguma pode se aceitar. Fl. 437DF CARF MF Processo nº 12448.727931/201654 Acórdão n.º 2201004.691 S2C2T1 Fl. 438 20 Ademais, cumpre observar que o próprio ADI/RFB n° 07/07 está inserido no âmbito do processo administrativo n° 10168.001281/200743, que trata da tributação de pessoa jurídica que integralizou capital em Fundo com valores mobiliários. Não se trata de alterar o alcance de ato administrativo infralegal, mas de adequálo à legislação que lhe serve de fundamento. A segunda questão destinase a desfazer a aparente tentativa por parte do Auditor de aplicar o regime de competência às pessoas físicas, quando mencionou os incisos IV e XIII do art. 55 do RIR/99 (transcritos à fl. 202) como “hipóteses de incidência em que não há percepção do valor em dinheiro”. Essas aparentes exceções ao regime de caixa para a pessoa física, em verdade, cuidam de mera flexibilização da regra para que da justa tributação não escapem duas situações de potencial burla ao IRPF: 1. Inciso IV: a realização de pagamento em utilidades. Ocorre quando a fonte pagadora, em substituição ao pagamento da renda ou rendimento em dinheiro, realiza a entrega de bens ou direitos de equivalente expressão monetária. Tratase de situação frequente na esfera laboral, não deixando o Direito do Trabalho de equiparar o “salário utilidade” ao salário em espécie. 2. Inciso XIII: é a tributação do enriquecimento sem causa. Se a pessoa física não consegue justificar o seu incremento patrimonial com a contrapartida de qualquer espécie de remuneração recebida monetariamente, presumese que o acréscimo de patrimônio se deu com o emprego de dinheiro, que, se explicitada a sua origem, seria tributado, exigindose, de ofício, o tributo sobre o valor equivalente ao incremento patrimonial. O inciso XIII do art. 55 do RIR/99 encontra seu fundamento jurídico na regra matriz do art. 26 da Lei n° 4.506/64 (transcrito à fl. 203). Já o inciso IV do art. 55 do RIR/99 encontra seu fundamento jurídico na norma do art. 3o, § 4o, da Lei n° 7.713/88 (transcrito à fl. 203) No presente caso, não estamos diante de rendimento derivado de atividades ou transações ilícitas, e nem se consegue apontar qual benefício monetário o contribuinte teria obtido na transferência das ações. Logo, voltase à regra geral do regime de caixa. Por fim, para corroborar com todo o exposto, transcrevese à fl. 204 entendimento recente do CARF, no sentido de que pessoa física sujeitase ao regime de caixa. Fl. 438DF CARF MF Processo nº 12448.727931/201654 Acórdão n.º 2201004.691 S2C2T1 Fl. 439 21 Com tais premissas assentadas é que o contribuinte retificou a sua DIRPF para refletir o valor histórico dos ativos e somente apurar ganho de capital contra o efetivo fluxo financeiro em caso de alienação. Algo que não ocorreu até o presente momento. Isto significa dizer que o ganho de capital está diferido para o momento em que o contribuinte efetivamente alienar os seus bens (cotas do fundo de investimento). Somente nesta ocasião é que o tributo passa a ser devido pelo contribuinte em homenagem à regra geral do regime de caixa aplicável às pessoas físicas. Tratase de harmonizar a regra geral prevista em inúmeros diplomas legais (aplicação do regime de caixa para as pessoas físicas) com a implementação da faculdade outorgada pela IN SRF 84/01 (a pessoa física pode optar pela adoção do valor histórico ou qualquer outro valor distinto para fins de apuração de eventual ganho de capital). Da indevida multa de ofício (112,5%) No item 2 do Termo de Verificação Fiscal é narrada a sequência de correspondências enviadas pela RFB ao contribuinte, ora recebidas, ora recusadas, com a informação de “mudouse”. Passase, agora, a cotejar a narrativa fiscal no item 2 do TVF com a verdade dos fatos e a jurisprudência sobre o tema. A cronologia das correspondências postadas, todas para o endereço cadastral do contribuinte está descrita na tabela de fls. 207/208. A partir dela, bem como dos documentos constantes dos autos, extraise o seguinte: 1. As correspondências de 02/06/2015 a 27/08/2015 (sequenciais 1 a 3 na tabela citada) foram regularmente recebidas pelo contribuinte; e as que traziam algo além da mera informação de continuidade do procedimento fiscal foram respondidas com os esclarecimentos que o contribuinte foi capaz de prestar. 2. As correspondências de 20/10/2015 e 16/12/2015 (sequenciais 4 e 5 na tabela citada) foram devolvidas com a informação “mudouse” ao remetente. Ambas foram recebidas pela pessoa identificada como “Marcelo”, que não recebeu nenhuma outra correspondência da RFB destinada ao contribuinte. 3. As correspondências de 28/04/2016 (sequenciais 6 a 9 na tabela acima) foram recebidas pelo contribuinte e respondidas com os esclarecimentos que ele foi capaz de prestar. A partir de tais fatos, o Auditor construiu ilações. Passase a desconstruir agora, uma a uma, todas essas inverdades. A primeira e mais branda inverdade do Auditor é quando, num arranjo de palavras, faz crer ao leitor do TVF que teria concedido 30 dias de prorrogação do prazo para atendimento à Fl. 439DF CARF MF Processo nº 12448.727931/201654 Acórdão n.º 2201004.691 S2C2T1 Fl. 440 22 intimação do Termo n° 01, mas o contribuinte teria se valido de uma dilação de 55 dias. Isto não é verdade. O Termo n° 2 diz claramente que os 30 dias de prorrogação seriam contados da data da sua ciência, que se deu em 07/07/2015. Por conseguinte, a segunda resposta do contribuinte foi absolutamente tempestiva (emitida em 27/02/2015), tanto quanto a primeira (que solicitou a prorrogação), mas só esta o Auditor explicitou ter sido tempestiva. No caso da segunda resposta, a autoridade tentou induzir o entendimento de que o contribuinte teria desrespeitado o seu comando de responder em até 30 dias e teria se arvorado em utilizar quase que a totalidade do prazo que solicitou originariamente de 60 dias, respondendo em 55 dias, conforme itens 2.3 a 2.6 do TVF, transcritos à fl. 210. A segunda inverdade consistiu no fato de o Auditor, por ter achado os esclarecimentos do contribuinte “superficiais” e desacompanhados da documentação técnica solicitada, ter concluído que restou caracterizado “evidente” propósito de embaraçar a auditoria. Novamente, isto é falso! Se a resposta não veio a contento da autoridade, ela deveria ter esmiuçado as suas questões e/ou agido para que o contribuinte adicionasse informações de proveito do procedimento fiscal. O Auditor repete à exaustão no TVF que o endereço cadastral do contribuinte se manteve o mesmo durante todo o tempo, mas ignora a existência de um número de telefone válido na mesma tela de cadastro que ele exibiu mais de uma vez em seu relatório. Por esse número, com facilidade, falaria com o contribuinte. Mas, parecendo só ter percebido essa falha no encerramento da ação fiscal, o Auditor nem sequer quis preencher o campo “telefone” na identificação do sujeito passivo no TVF, como se tal informação nunca lhe tivesse estado disponível. Ora, estamos falando de um lançamento que, com encargos, supera a cifra de R$ 74 milhões (e formulado contra um sujeito passivo de patrimônio declarado pouco superior a R$ 100 mil). Será que um crédito tributário dessa monta, para que fosse corretamente constituído, não valeria o esforço de uma ligação telefônica por parte do Auditor? Ou mesmo uma diligência no Rio de Janeiro para que o contribuinte detalhasse mais sua resposta e/ou indicasse quem poderia fazêlo? Mas o Auditor preferiu o atalho de oficiar a Jucerja e emitir a RMF (viciada, digase) para o BNY Mellon (administrador do FIP) e legitimar seu salto na instrução do caso com uma fala “premonitória” segundo a qual, a medir pela primeira resposta do contribuinte, este nada informaria a contento. Fl. 440DF CARF MF Processo nº 12448.727931/201654 Acórdão n.º 2201004.691 S2C2T1 Fl. 441 23 Ademais, não é razoável que o Auditor espere que um “homem médio” – menos ainda o contribuinte que busca auxílio com familiares para elaborar as suas DIRPFs – saiba responder com proficiência questões como as formuladas no Termo n° 01. Fato é que o atendimento à intimação fiscal, ainda que de forma insuficiente para a expectativa do Auditor, descaracteriza a hipótese de agravamento da multa de ofício, mormente se a partir da dita resposta “insuficiente” a autoridade fiscal nada retornou para questionar o contribuinte. Os acórdãos do CARF, cujas ementas se transcrevem às fls. 212/213, revelam de forma inequívoca a posição dominante naquele Conselho de que não cabe o agravamento da multa de ofício quando o contribuinte apresenta resposta à intimação, mesmo que seu conteúdo não seja considerado satisfatório. Não bastasse, é assente na jurisprudência administrativa que a multa agravada só tem lugar quando a relutância do sujeito passivo é de tal ordem que importa subtrair ao Fisco informações necessárias para a apuração do crédito tributário. Não fosse assim, qualquer situação que ensejasse, por exemplo, a glosa de uma despesa ou a tributação de uma receita calcadas na falta de documentação que desconstituísse a intenção do Fisco acarretaria necessário agravamento da multa de ofício. Se assim entendesse o legislador, teria expressamente consignado que a não apresentação de documentos daria azo à majoração da penalidade. É assim que o CARF tem se posicionado: AGRAVAMENTO DA MULTA DE OFÍCIO Descabe o agravamento da multa de ofício quando a ausência de apresentação dos livros e documentos não traz prejuízo ao fisco para a quantificação da matéria tributável. (Acórdão 101 96.705, em 18/04/2008) Ainda que se cogitasse o agravamento pela não entrega dos documentos solicitados (que o contribuinte não soube identificar quais seriam), a informação pretendida pelo Auditor é, por força de lei, passível de ser obtida pela fiscalização diretamente junto às instituições financeiras. E foi exatamente isso que ocorreu no caso concreto (ainda que pela via transversa de RMFs viciadas), não havendo, por isso, que se falar em prejuízo à ação fiscal. Essa é a orientação do CARF, conforme jurisprudência transcrita à fl. 214. Assim, depreendese que o agravamento da multa de ofício pressupõe a ocorrência de embaraço à auditoria, fruto da opção do legislador no sentido de bem imputar uma reprimenda mais severa à conduta do sujeito passivo que coloca obstáculos à atividade fiscalizatória, o que, a toda evidência, não se extrai dos presentes autos. Fl. 441DF CARF MF Processo nº 12448.727931/201654 Acórdão n.º 2201004.691 S2C2T1 Fl. 442 24 Cumpre, ainda, destacar que o § 2o do art. 19 da Lei n° 3.470/58 (transcrito à fl. 214), alterado pelo art. 71 da MP n° 2.158 35/01, afasta a aplicação da multa agravada em situações como aquelas em que o sujeito passivo deixa de apresentar documentos que são de posse de terceiros, como é o caso da documentação técnicofinanceira solicitada pelo Auditor no presente processo. A terceira inverdade foi cometida quando o Auditor narrou as remessas dos Termos nos 3, 4 e 5 como “tentativas de se obter a documentação através do Sr. Ludovico”, quando, em verdade, o teor desses Termos (fls. 47, 50 e 54) era simplesmente o de um texto que dava ciência ao contribuinte da continuidade da auditoria. De tais termos, o melhor entendimento que se pode extrair é que o Auditor estava informando que continuava pesquisando e cruzando informações, e que o contribuinte deveria aguardar o encerramento do feito ou nova solicitação de informações. O Auditor lavrou cinco termos destinados ao contribuinte e apenas dois não foram recebidos, tendo ambas as correspondências devolvidas sido despachadas de volta pelo mesmo funcionário do condomínio, de nome “Marcelo”. Os ARs de fls. 51/53 e 55/56 demonstram isso. Interessante é que o Auditor percebeu que (quase) todos os ARs regularmente recebidos o foram pelo mesmo funcionário (“José Humberto”), mas não notou que os dois ARs devolvidos foram tratados assim por interpretação de apenas um único funcionário (o “Marcelo”). O que não é nada natural é o AuditorFiscal imaginar que uma correspondência fechada possa ser identificada como sendo oriunda de um procedimento especial de fiscalização – conduzido pela Demac/BH – ou de um procedimento ordinário de fiscalização (malha fiscal) – tratado pela DRF/RJ. Para o “homem médio”, todos esses envelopes são apenas “cartas da Receita Federal”, não podendo presumir que o morador fosse capaz de distinguir a correspondência de uma Delegacia em relação a outra. Ao contrário, a julgar pela aparência externa da correspondência da DRF/RJ (reproduzida à fl. 217), o mais provável seria imaginar que se tratava de continuidade do procedimento fiscal conduzido pela RFB de Belo Horizonte. Ora, em que parte do envelope está escrito que o remetente é a DRF/RJ (ou pelo menos não era a Demac/BH)? Em nenhuma! Ao contrário: o endereço de devolução é identificado como “CEE Belo Horizonte/DR/MG”; portanto, se houvesse o “claro propósito em atrapalhar o procedimento fiscal iniciado pela Demac”, por meio da “tentativa de não atendimento às intimações emitidas por esta delegacia (Demac BH)”, a conduta Fl. 442DF CARF MF Processo nº 12448.727931/201654 Acórdão n.º 2201004.691 S2C2T1 Fl. 443 25 coerente seria prestar a informação de mudança de domicílio para as quatro intimações da DRF/RJ. Da conclusão De tão eivado de vícios, há razões tanto para o veredicto de nulidade como de improcedência do lançamento. Há de se considerar, contudo, o disposto no § 3o do art. 59 do Decreto n° 70.235/72, de modo que, não obstante todas as razões para a nulidade do lançamento, o julgador está autorizado pelo ordenamento jurídico em vigor a declarar a improcedência do feito fiscal, ante todas as impropriedades aduzidas nas razões de mérito. Do pedido Em face de todo o exposto, tendose demonstrado que o lançamento ora impugnado carece de quaisquer fundamentos que o justifique, requer o impugnante seja provida a impugnação, declarandose integralmente nulo ou improcedente o lançamento fiscal. 2 – A decisão da DRJ julgou procedente em parte a Impugnação do contribuinte, conforme decisão ementada abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2011 PRELIMINAR DE NULIDADE. ALEGAÇÃO DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Somente a partir da lavratura do auto de infração é que se instaura o litígio entre o Fisco e o contribuinte, podendose, então, falar em contraditório e ampla defesa, sendo improcedente a preliminar de cerceamento do direito de defesa quando concedida, na fase de impugnação, ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos. AGRAVAMENTO DA MULTA DE OFÍCIO. RESPOSTA INSATISFATÓRIA À INTIMAÇÃO. É incabível o agravamento da multa de ofício quando a pessoa física fiscalizada responde, ainda que de forma insatisfatória, à intimação da fiscalização. GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE AÇÕES/QUOTAS NÃO NEGOCIADAS EM BOLSA DE VALORES. O imposto de renda devido sobre o ganho de capital apurado na integralização de cotas de fundos ou clubes de investimentos por Fl. 443DF CARF MF Processo nº 12448.727931/201654 Acórdão n.º 2201004.691 S2C2T1 Fl. 444 26 meio da entrega de títulos ou valores mobiliários deve ser pago até o último dia útil do mês subsequente à data da integralização à alíquota de 15% (quinze por cento). Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte 3 – Seguiuse recurso voluntário do contribuinte às fls. 309/328 e recurso de ofício em vista da desoneração de parte do crédito tributário em valor acima do patamar legal. É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso Relator 4 Os recursos preenchem os requisitos de admissibilidade. Portanto, deles conheço e inicio a análise e julgamento pelo recurso de ofício. Recurso de Ofício 5 Quanto ao recurso de ofício, é proveniente da desoneração do valor de R$ R$ 10.680.447,94 relativo ao fato da multa de ofício agravada para 112% pelo fato do contribuinte na visão da fiscalização ter dificultado a fiscalização e não ter respondido de forma efetiva a intimação enviada no domicílio do contribuinte na época. 6 A decisão de piso que exonerou tal multa foi assim fundamentada, verbis: "Do agravamento da multa de ofício Fl. 444DF CARF MF Processo nº 12448.727931/201654 Acórdão n.º 2201004.691 S2C2T1 Fl. 445 27 Acerca da multa de ofício aplicada no auto de infração em análise, convém transcrever as disposições pertinentes do art. 44 da Lei n° 9.430/1996, com redação dada pela Lei n° 11.488/2007. Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I prestar esclarecimentos; II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei n° 8.218, de 29 de agosto de 1991; III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (...) A fiscalização, tomando por base o § 2° acima transcrito, procedeu ao agravamento da multa de ofício sob o argumento de que o contribuinte não atendeu às intimações. O impugnante, no entanto, sustenta que as atendeu e que o fato de a fiscalização não considerar satisfatória a resposta não é motivo para o agravamento da multa. Compulsandose os autos, constatase que, por meio do Termo n° 01 – Início de Procedimento Fiscal (fls. 31/36), de 26/05/2015, com ciência postal em 02/06/2015 (fl. 37), a fiscalização intimou o contribuinte a apresentar, no prazo de trinta dias, uma série de documentos e esclarecimentos relacionados às 1.900,0025 cotas do Fundo de Investimento FIP Bioenergia declaradas na ficha de bens e direitos da declaração de ajuste anual do anocalendário 2011. Conforme se verifica à fl. 39, o contribuinte solicitou, em 23/06/2015, a prorrogação do prazo para atender à intimação por sessenta dias. Esse pedido foi parcialmente deferido, por meio do Termo n° 02 – Prorrogação de Prazo (fls. 42/43), de 30/06/2015, por meio do qual se autorizou a prorrogação por trinta dias. A ciência desse termo ocorreu em 07/07/2015, conforme consta à fl. 45. Fl. 445DF CARF MF Processo nº 12448.727931/201654 Acórdão n.º 2201004.691 S2C2T1 Fl. 446 28 Em 27/07/2015 (fl. 46), o contribuinte respondeu ao Termo n° 01, na qual apresenta algumas considerações sobre os valores por ele informados em sua declaração de ajuste anual, mas não entregou os documentos solicitados pela fiscalização nem abordou vários questionamentos feitos na intimação. Posteriormente, a autoridade fiscal lavrou três outros termos de intimação (fls. 47, 50 e 54), cujo objetivo era simplesmente de comunicar ao contribuinte a continuidade da fiscalização. A única intimação, portanto, passível de atendimento pelo contribuinte é a do Termo n° 01. Como visto mais acima, o contribuinte respondeu a essa intimação. Ele, no entanto, o fez de forma incompleta e insatisfatória, principalmente por não ter apresentado os documentos relacionados à transferência de valores mobiliários para o Fundo de Investimentos em Participações “FIP Bioenergia”, o que obrigou o Fisco a emitir uma requisição de informação sobre movimentação financeira ao administrador do fundo (fls. 64/65), com o fim de obter esses mesmos documentos. O § 2° do art. 44 da Lei n° 9.430/1996 apresenta como pressuposto para o agravamento da multa de ofício a falta de atendimento à intimação pelo contribuinte para atender ao disposto em seus incisos I, II, ou III. O inciso I trata da prestação de esclarecimentos pelo contribuinte. O inciso II trata da apresentação de certos arquivos descritos nos arts. 11 a 13 da Lei n° 8.218/1991, destinados exclusivamente a pessoas jurídicas. Por fim, o inciso III alude à documentação técnica de que trata o art. 38 da própria Lei n° 9.430/1996, que diz respeito unicamente ao sujeito passivo usuário de sistema de processamento de dados. Observese que, tendo em vista a natureza dos documentos solicitados no Termo n° 01, bem como o fato de terem eles sido exigidos de pessoa física, não se pode enquadrar o agravamento da multa nos incisos II e III do § 2° do art. 44 da Lei n° 9.430/1996. A consequência da não apresentação desses documentos pelo fiscalizado é que o Fisco pode solicitálos diretamente à instituição financeira, conforme minuciosamente explicado no relatório de fls. 241/249, em que se requer a emissão de RMF. Do mesmo modo, como o contribuinte prestou esclarecimentos em sua resposta à intimação, ainda que Fl. 446DF CARF MF Processo nº 12448.727931/201654 Acórdão n.º 2201004.691 S2C2T1 Fl. 447 29 insatisfatórios para a fiscalização, também não é possível efetuar o enquadramento no inciso I. Em síntese, não se pode manter o agravamento da multa de ofício para o patamar de 112,5%, devendo sua incidência se restringir ao percentual de 75% de que trata o inciso I do art. 44 da Lei n° 9.430/1996." 7 Do exposto acima entendo que deve ser mantida a decisão de piso por seus próprios fundamentos uma vez que entendo que não houve por parte do contribuinte uma máfé no sentido de não apresentar a documentação indicada, tanto que realmente, houve a resposta à intimação, que na realidade não foi satisfatória também na visão desse relator, contudo, não há previsão na legislação para o agravamento da referida multa por esse simples fato. 8 A fiscalização conseguiu através de outros meios legais obter a informação necessária para a realização do presente lançamento e por conta disso nego provimento ao recurso de ofício. Do Recurso Voluntário 9 Quanto ao recurso voluntário o contribuinte levanta a preliminar de nulidade da decisão recorrida, alegando a ausência de fundamentação com base no art. 50 da Lei 9.784/99. 10 Além de ser uma lei geral a respeito de processo administrativo, que na visão desse relator não é aplicável ao caso em questão, por conta da existência de Lei especial, no caso o DecretoLei 70.235/72, não vislumbro a teor do art. 59 desse mesmo DecretoLei qualquer mácula na decisão de piso que pudesse levar à sua nulidade por falta de fundamentação. Pelo contrário, o colegiado a quo analisou todos os pontos da defesa e aplicou o direito aos fatos indicados pelas partes, sendo que no caso em questão tratase de mero inconformismo da parte recorrente e portanto afasto a preliminar aventada. 11 Quanto ao mérito recursal, as razões expostas no voluntário estão mais sintetizadas que na impugnação, contudo a matéria de fundo é a mesma e portanto entendo Fl. 447DF CARF MF Processo nº 12448.727931/201654 Acórdão n.º 2201004.691 S2C2T1 Fl. 448 30 plenamente aplicável ao caso os termos do art. 57 § 3º do RICARF no sentido da faculdade do relator em tomar por fundamentos de decidir os termos da decisão da turma a quo e os faço nesse sentido, verbis: DAS QUESTÕES DE MÉRITO Da apuração do ganho de capital pela fiscalização O contribuinte integralizou 1.900,0025 cotas de Canabrava Bioenergia Fundo de Investimento em Participações controle, CNPJ nº 12.565.053/000139, no valor de R$ 100.000,00 cada uma, totalizando assim a importância de R$ 190.000.250,00. A integralização foi feita mediante a entrega de 125.620 ações de Portopar Participações S.A, CNPJ nº 07.340.609/000159, avaliadas a preço de mercado pelo valor unitário de R$ 1.512,50. Como o custo total de aquisição dessas ações da Portopar pelo contribuinte foi de R$ 125.620,00 (custo unitário de R$ 1,00), a fiscalização apurou o ganho de capital no valor de R$ 189.874.630,00. A fiscalização fundamenta esse procedimento especialmente no § 3° do art. 3° da Lei nº 7.713, de 22/12/1988 (“Na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por compra e venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento, doação, procuração em causa própria, promessa de compra e venda, cessão de direitos ou promessa de cessão de direitos e contratos afins”), e invoca as disposições do Ato Declaratório Interpretativo RFB n° 7, de 24/05/2007, publicado no DOU de 25/05/2007, abaixo transcrito: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL SUBSTITUTO, no uso da atribuição que lhe confere o inciso III do art. 224 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria MF nº 95, de 30 de abril de 2007, e tendo em vista o disposto nos arts. 3º, 16, 19 e 20 da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, e no art. 23 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, e o que consta do processo nº 10168.001281/200743, declara: Artigo único. O imposto de renda devido sobre o ganho de capital apurado na integralização de cotas de fundos ou clubes de investimentos por meio da entrega de títulos ou valores mobiliários deve ser pago até o último dia útil do mês subsequente à data da integralização à alíquota de 15% (quinze por cento). § 1º Na hipótese de que trata o caput, considerase ganho de capital a diferença positiva entre o valor de mercado dos títulos ou valores mobiliários alienados, na data da integralização das cotas, e o respectivo custo de aquisição. Fl. 448DF CARF MF Processo nº 12448.727931/201654 Acórdão n.º 2201004.691 S2C2T1 Fl. 449 31 § 2º A Secretaria da Receita Federal do Brasil, mediante processo regular, arbitrará o valor ou preço informado pelo contribuinte, sempre que não mereça fé, por notoriamente diferente do de mercado. Como se pode observar, esse ato normativo trata de situação idêntica à que ora se analisa, qual seja, a apuração do ganho de capital na integralização de cotas de fundos ou clubes de investimentos por meio da entrega de títulos ou valores mobiliários. Observese que, ao contrário do que defende o impugnante, esse ato expressamente considera como uma forma de alienação a entrega de títulos ou valores mobiliários para a integralização de cotas de fundos ou clubes de investimentos. Registrese ainda que não se faz ali nenhuma distinção quanto ao fato de a integralização ser feita por pessoa física ou jurídica. Nem poderia ser diferente, uma vez que não faria sentido a operação ser considerada como alienação quando se tratar de pessoa jurídica, mas ser considerada de maneira diversa quando se tratar de pessoa física. Poderseia aqui proceder a uma série de considerações sobre o substrato lógicolegal por trás desse ato declaratório interpretativo, como o fez a fiscalização de forma bastante clara e pertinente no termo de verificação fiscal resumido no relatório que precede este voto. Tais considerações, todavia, se tornam desnecessárias, uma vez que, de qualquer forma, nos termos do art. 7°, V, da Portaria MF n° 341, de 12/07/2011, que disciplina a constituição das Turmas e o funcionamento das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), o julgador administrativo de primeira instância tem o dever de observar o entendimento da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) expresso em atos normativos. Art. 7º São deveres do julgador: (...) V observar o disposto no inciso III do art. 116 da Lei nº 8.112, de 1990, bem como o entendimento da RFB expresso em atos normativos. Desse modo, tendo ficado claro que o caso em análise corresponde exatamente à situação prevista no Ato Declaratório Interpretativo RFB n° 7, de 24/05/2007, e tendo o ganho de capital e respectivo imposto de renda sido apurado em consonância com suas disposições, não há reparos a fazer no procedimento fiscal a esse respeito." 12 Pelo acima exposto, nego provimento ao recurso voluntário do contribuinte. Fl. 449DF CARF MF Processo nº 12448.727931/201654 Acórdão n.º 2201004.691 S2C2T1 Fl. 450 32 Conclusão 13 Diante do exposto, voto por conhecer de ambos os recursos e no mérito em NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, na forma da fundamentação acima. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Fl. 450DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13609.000758/2007-25
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Exercício: 2006
VARIAÇÕES CAMBIAIS. TRIBUTAÇÃO QUANDO DA LIQUIDAÇÃO.
As variações monetárias calculadas em função da taxa de câmbio serão consideradas, para efeito de determinação da base de cálculo do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, quando da liquidação da correspondente operação.
A cisão, incorporação ou fusão não importam em liquidação de contrato de obrigação assumida pelo sucessor
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL
Exercício: 2006
LANÇAMENTO DECORRENTE.
O lançamento reflexo deve observar o mesmo resultado adotado no principal, em virtude da relação de causa e efeito que os vincula.
Numero da decisão: 1302-000.786
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento ao recurso voluntário, exonerando o crédito tributário lançado.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: Marcos Rodrigues de Mello
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TRIBUTAÇÃO QUANDO DA LIQUIDAÇÃO. As variações monetárias calculadas em função da taxa de câmbio serão consideradas, para efeito de determinação da base de cálculo do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, quando da liquidação da correspondente operação. A cisão, incorporação ou fusão não importam em liquidação de contrato de obrigação assumida pelo sucessor ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 2006 LANÇAMENTO DECORRENTE. O lançamento reflexo deve observar o mesmo resultado adotado no principal, em virtude da relação de causa e efeito que os vincula. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, exonerando o crédito tributário lançado. (documento assinado digitalmente) MARCOS RODRIGUES DE MELLO Presidente. e relator. Fl. 433DF CARF MF Documento de 25 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.1018.10195.8LWY. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13609.000758/200725 Acórdão n.º 130200.786 S1C3T2 Fl. 427 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães, Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, Daniel Salgueiro da Silva, Eduardo de Andrade, Guilherme Polastri Gomes da Silva e Marcos Rodrigues de Mello. Relatório Relator Marcos Rodrigues de Mello Contra a sociedade acima identificada foi lavrado o Auto de Infração às fls. 139/143, exigindolhe o recolhimento do crédito tributário no valor de R$ 21.157.665,76 (vinte e um milhões, cento e cinqüenta e sete mil, seiscentos e sessenta e cinco reais e setenta e seis centavos), a título de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ, juros de mora, multa proporcional, relativo ao exercício de 2006, anocalendário de 2005. Referido feito deuse em virtude da constatação de que a autuada teria reduzido indevidamente o lucro real, em face de exclusão, não autorizada pela legislação tributária, de valores correspondentes aos resultados da variação cambial diferida nos anos de 2003 a 2005. Como enquadramento legal das infrações foram citados: art. 250, inciso I, do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 – RIR/1999; art. 2º e §§ da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, art. 28 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 37 da Lei nº 10.637, de 2002, e art. 30 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001. Em decorrência desse procedimento, foi lavrado o Auto de Infração de fls. 144/148, para a exigência do crédito tributário, no valor de R$ 8.581.042,39 (oito milhões, quinhentos e oitenta e um mil, quarenta e dois reais e trinta e nove centavos), a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, juros de mora, multa proporcional. Inconformada com a presente exigência fiscal, da qual teve ciência em 26/09/2007, a autuada apresentou, em 26/10/2007 (envelope de postagem à fl. 372), as peças impugnatórias de fls. 152/168, relativa à exigência da CSLL, (acompanhada dos documentos de fls. 169/264), e de fls. 263/279, relativa à exigência do IRPJ, (acompanhadas dos documentos de fls. 280/371), alegando em ambas peças impugnatórias, em síntese, que: Sua impugnação deve ser considerada por tempestiva, eis que apresentada na forma legalmente autorizada e dentro do prazo de 30 (trinta) dias estabelecido pela legislação que rege a matéria. Inicialmente, diz que o Auditor Fiscal teria concluído que – em decorrência da opção que exercera quanto ao tratamento das variações cambiais ocorridas de 2003 a 2005 e do fato de não ter incluído os respectivos valores nas demonstrações de resultados e, conseqüentemente, deixado de controlálos na parte “B” do LALUR, como deveria ter feito – “tal prática não gerou efeitos tributários imediatos, em virtude da opção de considerálas apenas quando da liquidação.” Aduz a impugnante que o procedimento de registrar essas variações cambiais diretamente em sua contabilidade, sob regime de caixa, nos anos de 2003 até final de 2005, Fl. 434DF CARF MF Documento de 25 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.1018.10195.8LWY. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13609.000758/200725 Acórdão n.º 130200.786 S1C3T2 Fl. 428 3 “foi expressamente homologado pelo Auditor Fiscal, ao considerar como fato gerador da infração que ora alega ter sido cometida, o ano de 2005 (Demonstrativo de Multa e de Juros de Mora ...)”. Destaca que mantinha no seu passivo, ao final de 2005, empréstimos externos sobre os quais, evidentemente, toda oscilação cambial gerou efeitos contábeis, os quais alega foram devidamente reconhecidos na forma da Lei. Registra que entre os períodos de 2003 a 2005 houve a liquidação de dois contratos tendo realizado parte do saldo que mantinha na conta de Resultados de Exercícios Futuros, oferecendo à tributação os valores das respectivas variações cambiais, em face da adoção do regime de caixa. Informa que em 15 de dezembro de 2005 os empréstimos externos, contraídos com a empresa Zimba Associates LCC, foram vertidos para o patrimônio de sua controladora Tração Assessoria de Transportes S. A., em virtude de uma operação de cisão parcial. Ressalta ter sido confusa a exposição de motivos apresentada pelo Autor do feito, uma vez que, se por um lado, diz que não caberia o lançamento em conta de resultados futuros, por outro, reconhece – em relação ao procedimento adotado e que diz ter o Autor do feito , chancelado como “pouco ortodoxo” – que “...tal prática não gerou efeitos tributários imediatos(...)”. Não discordando deste último posicionamento da fiscalização, a impugnante acrescenta que “a prática do regime de caixa para tratamento das variações cambiais a partir do ano de 2000 não é uma opção, é uma regra geral. Na verdade é o inverso, a opção é a adoção do regime de competência.” Diz haver informado à fiscalização, em atendimento a uma das intimações, que teria adotado o regime de caixa de 2003 a 2005, em conformidade com o previsto no caput do art. 30 da Medida Provisória 2.15835 e que, se há alguma prática pouco ortodoxa, esta foi trazida pela própria MP, eis que cria “um sistema misto de reconhecimento, uma ora o regime de caixa outra o de competência”. Acrescenta que deve ser adotada, em relação ao art. 30 da MP em referência, interpretação mais técnica e menos “fiscalista”, eis que há determinação da prática do regime de caixa como regra geral (caput) e, em seu § 1º, é oferecida a opção de se adotar o regime de competência, sem contudo determinar claramente qual o procedimento que deva ser adotado. Salienta a inexistência na legislação de regência de determinação quanto a registros no LALUR e/ou qualquer procedimento específico para controle distinto da contabilidade sobre a evolução dos valores vinculados a estas variações cambiais. Após reafirmar que adotara o regime de caixa quanto aos registros das variações cambiais, ressalta ser “a liquidação da operação a geradora da obrigação tipificada na referida MP, em seu art. 30, e que quando isto ocorreu a impugnante cumpriu com a obrigação por ela determinada, reconheceu a variação cambial dos contratos liquidados.”. Acrescenta, também, que “para os demais contratos ainda vigentes e hoje, em parte, ainda registrados no passivo da Tração Assessoria e Transportes SA, nenhum procedimento tributário ainda se tornou obrigatório adotar; não ocorreu até a presente data, quanto aos saldos existentes, qualquer liquidação”. Fl. 435DF CARF MF Documento de 25 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.1018.10195.8LWY. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13609.000758/200725 Acórdão n.º 130200.786 S1C3T2 Fl. 429 4 Alega que o objetivo da fiscalização foi tentar estabelecer uma nova imposição fiscal sobre o mesmo fato gerador quando afirma que houve a liquidação das operações de empréstimos externos, uma vez não mais existir as obrigações que constavam de seu passivo e que estavam sujeitas a variação cambial, em virtude das cessões de contratos de mútuo ocasionadas por cisão parcial. A esse respeito, afirma haver institutos, Códigos e legislações específicas que tratam a questão de forma mais ampla, eis que figuras jurídicas como a da cisão e a da liquidação de obrigações não se limitam a efeitos meramente fisco/tributários. Diz que o citado art. 30 da MP 215835, ao dispor que as variações cambiais devam ser apropriadas sob o regime de caixa, estabeleceu sua tributação quando da liquidação da operação. Diante disto, endente “que não se deve admitir sua incidência em razão da cisão, sob pena de estar criando fatos geradores não implementados, além de tributar uma realidade econômica inexistente”, pois, “apesar da MP não ter definido o que seria liquidação, não resta dúvida de que referido conceito deve ser buscado nas normas gerais do Código Civil, da legislação normativa do registro de empréstimos externos.” Ressalta que nas operações de transferência de parcelas do patrimônio em virtude de cisão parcial há sucessão dos direitos e das obrigações relacionadas no ato e nas condições em que ela ocorre, competido à empresa controladora, beneficiária das cessões, suceder a responsabilidade pelos direitos e obrigações pactuados. Transcreve excerto da doutrina a respeito da interpretação ao art. 214 da Lei das Sociedades Anônimas no sentido de que “na cisão não há liquidação de obrigações e débitos (art. 214) previamente à consumação do negócio, pois as obrigações da cindida passam às sociedades constituídas com as parcelas do patrimônio daquela no estado contratual e extracontratual em que se encontram no momento da consumação do negócio.” Para a impugnante, “a liquidação se dará sim quando do pagamento do empréstimo, o que não ocorreu quando da cisão.” Lembra, também que o Código Civil ao tratar “DO ADIMPLEMENTO E EXTINÇÃO DAS OBRIGAÇÕES” (art. 304 e seguintes), enumera taxativamente como características destes o pagamento, o pagamento em consignação, pagamento com subrogação, a imputação do pagamento, a dação em pagamento, a novação, a compensação, a confusão, sem, contudo, prever a hipótese de cisão. Desta forma, entende que “só ocorre a liquidação de uma obrigação, ou seja, o seu pagamento, quando um devedor satisfaz o direito do credor pondo fim à obrigação.” Em face da cisão, “houve apenas a transferência do patrimônio de uma sociedade para a outra, subsistindo a obrigação de pagamento dos referidos empréstimos. Não houve o exato cumprimento da obrigação” Aduz que sob a ótica da legislação que disciplina o Registro de Capitais Estrangeiros, o site do Banco Central do Brasil prevê “que o processo de extinção de obrigações está vinculado à transferência de recursos financeiros ou títulos entre dois ou mais agentes e ainda que a extinção de uma obrigação só se dá mediante transferência de valores mobiliários de maneira irrevogável e incondicional.” Segundo a impugnante, não procede a afirmativa fiscal de que reconhecera contabilmente a realização dos resultados decorrentes da variação cambial. Nesse sentido, aduz também que “a baixa do saldo da conta de resultados de exercícios futuros e simultâneo lançamento contábil no resultado do exercício e a exclusão do valor para fins de apuração do lucro real e registro na parte ‘B’ do LALUR, também nenhum efeito imediato de ordem Fl. 436DF CARF MF Documento de 25 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.1018.10195.8LWY. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13609.000758/200725 Acórdão n.º 130200.786 S1C3T2 Fl. 430 5 tributária gerou. A operação não foi liquidada, foi simples alteração do critério contábil de controle das variações cambiais decorrentes dos empréstimos em questão.” Disse que “a mudança do critério contábil e controle no LALUR decorreu de uma decisão gerencial da Diretoria que concluiu necessitar seus resultados dentro dos princípios gerais de contabilidade, pelo regime de competência, deixando de adotar o sistema misto criado pela Medida Provisória.” Enfatiza que “a alteração deste critério, passando o controle das referidas variações cambiais a ser feito na parte ‘B’ do LALUR, também não trouxe nenhum efeito tributário, muito antes pelo contrário, atende ao que o próprio Autuante dá a entender deveria ter sido a conduta adotada.” Contesta a conclusão fiscal de que a Lei das Sociedades por Ações não dá respaldo para o procedimento adotado pela impugnante, uma vez que o fato gerador que esta “Lei determina para a situação é que a operação tenha sido liquidada e isto efetivamente não ocorreu”, ou seja, “os contratos simplesmente foram transferidos para o novo devedor, com a devida concordância do credor, tendo sido adotados todos os procedimentos legais inerentes à situação, em especial registro no Banco Central. Caberá ao novo devedor cumprir as obrigações a ele inerentes, inclusive as obrigações tributárias quando ocorrer a liquidação de cada contrato, considerando as variações cambiais para os devidos efeitos tributários.” Aduz ser a variação cambial acessório da obrigação principal que, por princípio de direito, um sempre deve estar agregado ao outro. Para a impugnante, o fato de “o saldo dos valores das variações cambiais ter sido contabilizado em resultado no ano de 2005 (...), em razão de mudança de critério, passou a ser controlado na parte ‘B’ do LALUR, também não merece qualquer reparo.” Fundamenta entendimento acerca da possibilidade de se transferir parcelas de patrimônio compreendidas em contas de resultado e resultados controlados na parte “B” do LALUR, transcrevendo os itens 6 e 6.1 da Instrução Normativa SRF nº 7, de 1981, cujo teor entende contrariar a prática adotada pela fiscalização, pois cabe à “Tração Assessoria de Transporte SA, como incorporadora parte do patrimônio da impugnante, a obrigação de manter controles sobre valores cujas apropriações tiver sido diferida e que devam influenciar a determinação de lucro real de exercício futuro.” Faz a impugnante referência a outro lançamento que constituiu o processo nº 13609.000059/200785, lavrado em 25/01/2007. Neste, alega que o mesmo Auditor Fiscal teria desconsiderado a ocorrência de um erro de fato – relacionado às variações cambiais decorrentes dos empréstimos externos no ano de 2002 –. conforme detalhado e exaustivamente exposto nas correspondentes impugnações e recurso apresentado ao Conselho de Contribuintes. Segundo a contribuinte o “mesmo Auditor Fiscal leva para a parte“B” do LALUR da impugnante, como ele mesmo insiste, uma despesa cambial a realizar da ordem de R$ 186.464.241,13, saldo em 31/12/2002.” Acrescenta que, “partindo dos mesmos pressupostos defendidos pelo autuante, o valor que ele exige deva ser adicionado ao resultado tributário de 2002 geraria um crédito para a Impugnante”. Esse valor, segundo a impugnante “deveria ser considerado na medida em que as operações fossem liquidadas na forma do artigo 30 da Medida Provisória 215835, e como bem demonstra o Relatório Fiscal em 15/12/2005, após liquidações de outros contratos, o saldo existente a título de receita cambial a ser realizada seria de R$ 99.369.140,90.” Assim, conclui a defesa, “a impugnante teria, Fl. 437DF CARF MF Documento de 25 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.1018.10195.8LWY. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13609.000758/200725 Acórdão n.º 130200.786 S1C3T2 Fl. 431 6 como dito, por hipótese, um crédito a realizar de variação cambial passiva muito superior a variação cambial ativa, na ordem de R$ 87.095.100,23”. Para a impugnante, “isto representaria um saldo de despesa cambial a realizar nas futuras liquidações e não uma receita cambial.” Esclarece que reconhecera no mencionado processo nº 13609.000059/2007 85, que a inexistência do registro na parte “B” do LALUR decorreu de erro cometido em função da opção, naquele ano de 2002, pelo regime de competência. Explica que o prejuízo fiscal naquele ano era de grande monta e não se justificaria adoção do regime de caixa. Aduz que, “se por hipótese, prevalecer a anterior imposição fiscal não haverá como prevalecer o presente auto de infração, afinal inexistiria a receita de variação cambial que considerou nos seus levantamentos. De outro lado, em não prevalecendo o Auto de Infração relacionado à variação cambial de 2002, este também não deve prevalecer por total falta de sustentação legal, inexistiu a alegada liquidação dos contratos de empréstimos pelas razões já expostas.” Requer, em relação ao mencionado processo nº 13609.000059/200785, que seja aplicado o tratamento dado pelo art. 9º, § 1º do Decreto 70.235, de 1972, e alterações posteriores, eis que as infrações narradas dependem dos mesmos elementos de prova. Aduz que na hipótese de prevalecer ambas exigências importará em locupletamento ilícito vedado pelo art. 884 do Código Civil, pois teriam a mesma base de cálculo, impondo ônus tributário em cascata. Contesta a multa de ofício e os juros de mora aplicados, por considerálos indevidos e confiscatórios, uma vez entender violarem o art. 150, V da Constituição Federal de 1988. Especificamente em relação à SELIC, diz que além de tratar de juros remuneratório que nossos Tribunais estão excluindo sua incidência sobre débitos fiscais, deveria corresponder apenas a 1% (um por cento) ao mês. No que tange às multas cobradas, tece considerações acerca de seu caráter confiscatório, transcrevendo ementas proferidas pelo Supremo Tribunal Federal em relação às multas atinentes aos impostos de competência dos estados federados. Requer, por fim, protestando por todos os meios de prova em direito admitidos: a) o julgamento unificado do presente processo ao protocolizado sob o nº 13609.000059/200785; b) – se indeferido tal pedido, seja cancelado o auto de infração referenciado; c) – que a taxa SELIC seja limitada a 1% (um por cento ao mês); d) – que a multa seja reduzida a patamares suportáveis em face do princípio estabelecido no art. 150, V da CF, de 1988. A DRJ decidiu: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2006 VARIAÇÕES CAMBIAIS. TRIBUTAÇÃO QUANDO DA LIQUIDAÇÃO. As variações monetárias calculadas em função da taxa de câmbio serão consideradas, para efeito de determinação da base de cálculo do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, quando da liquidação da correspondente operação. Fl. 438DF CARF MF Documento de 25 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.1018.10195.8LWY. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13609.000758/200725 Acórdão n.º 130200.786 S1C3T2 Fl. 432 7 A liquidação importa em extinção da correspondente operação por todo e qualquer meio de cumprimento da obrigação que possa solvêla. CURSO DE PROCESSOS INDEPENDENTES Verificado nos autos que a comprovação dos ilícitos não depende dos mesmos elementos de prova que integram outro processo, as exigências relativas ao mesmo sujeito passivo devem seguir seu curso de forma independente. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 2006 LANÇAMENTO DECORRENTE. O lançamento reflexo deve observar o mesmo procedimento adotado no principal, em virtude da relação de causa e efeito que os vincula. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2006 MULTA DE OFÍCIO. A multa lançada em procedimento de ofício deve corresponder ao percentual previsto na legislação tributária. JUROS DE MORA. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante de sua falta, calculados à taxa referencial do Sistema de Liquidação e Custódia SELIC, nos termos da legislação em vigor. INCONSTITUCIONALIDADE. A argüição de inconstitucionalidade não pode ser oponível na esfera administrativa. Destacase no voto condutor do acórdão recorrido: Tratase de lançamento decorrente de glosa de exclusão não autorizada pela legislação tributária, de valor do lucro líquido, para fins de apuração do lucro real relativo ao anocalendário de 2005, relativo aos resultados da variação cambial diferida nos anos de 2003 a 2005. De acordo com o Relatório de Auditoria Fiscal, fls. 133 a 138, a autuada, no período de 2003 a até o final de 2005 registrou os valores referentes à variação cambial de empréstimos externos sistematicamente na rubrica “RESULTADO DE EXERCÍCIOS FUTUROS”, código 231102110. Segundo o Autor do feito, a adoção dessa sistemática contábil, ao invés de utilizar o registro em conta de RESULTADO DO EXERCÍCIO e conseqüente exclusão no LALUR, teria possibilitado igualmente o diferimento da tributação desses valores para o momento da liquidação das correspondentes operações. Tal diferimento, fundamenta o Autor do feito, possui amparo no caput art. 30 da Medida Provisória nº 1.85810, de 1999, posteriormente substituída pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001. Ainda salienta a fiscalização, que mencionado diferimento foi inclusive confirmado pela própria contribuinte que, em resposta ao Termo de Intimação, fl. 50, afirmou que as referidas variações cambiais foram registradas, nos anoscalendário de 2003 a 2005, segundo o regime de caixa. Diante desse contexto, conclui o Autor do feito Fl. 439DF CARF MF Documento de 25 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.1018.10195.8LWY. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13609.000758/200725 Acórdão n.º 130200.786 S1C3T2 Fl. 433 8 “que todas as variações cambiais ocorridas no período de 2003 a 2005 tiveram seus efeitos tributários postergados para o momento da liquidação da operação”. Em sua impugnação, a autuada, ao tecer longos comentários acerca do critério por ela adotado para fins do registro das variações cambiais durante o período de 2003 a 2005, ou seja, o regime de caixa, na verdade expõe razões que, de forma alguma contrariam o procedimento fiscal ora sob exame, uma vez estar ele fundamentado e coerentemente de acordo com a legislação que ela própria menciona, ou seja, a que estabelece a tributação das variações cambiais segundo o regime de caixa. Com efeito, o caput art. 30 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, ao estabelecer a sistemática de registro contábil das variações monetárias dos direitos de crédito e das obrigações do contribuinte, em função da taxa de câmbio, autoriza a adoção do regime de caixa, nos seguintes termos: Art.30. .A partir de 1o de janeiro de 2000, as variações monetárias dos direitos de crédito e das obrigações do contribuinte, em função da taxa de câmbio, serão consideradas, para efeito de determinação da base de cálculo do imposto de renda, da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, bem assim da determinação do lucro da exploração, quando da liquidação da correspondente operação. (grifos acrescentados) No caso sob exame, a fiscalização constatou que a liquidação de que trata o comando legal em referência se deu no momento da baixa contábil (por transferência para a empresa controladora da autuada – TRAÇÃO ASSESSORIA DE TRANSPORTES SA), dos empréstimos contraídos em dólares americanos com a sociedade ZIMBA ASSOCIATES LLC (que, por sua vez, controla a empresa TRAÇÃO ASSESSORIA DE TRANSPORTES SA), no valor equivalente a R$130.410.125,73. Em contrapartida, procedeuse também à baixa do valor correspondente ao saldo da rubrica contábil, integrante do ATIVO REALIZÁVEL A LONGO PRAZO, que registra os contratos de mútuo firmados entre a mesma controladora TRAÇÃO ASSESSORIA DE TRANSPORTES SA e a EMPRESA DE CIMENTOS LIZ SA, ora autuada, no montante de R$130.411.125,73. Essa transferência de crédito, de acordo com o item 3 do Relatório de Auditoria Fiscal, fl. 135 e também de acordo com a própria impugnante em sua peça de defesa, recebeu a concordância do representante da sociedade titular do crédito, ZIMBA ASSOCIATES LLC, conforme item 5.1.II, do PROTOCOLO DE INTENÇÃO E JUSTIFICAÇÃO DE CISÃO PARCIAL, fls. 67 a 77, operação essa que serviu de fundamento jurídico para o processamento da referida transferência dos empréstimos em moeda estrangeira. Como efeito dessa operação, o item 2 das NOTAS EXPLICATIVAS ÀS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS da autuada em 31/12/2005, fl. 41, apresenta a seguinte informação: Fl. 440DF CARF MF Documento de 25 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.1018.10195.8LWY. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13609.000758/200725 Acórdão n.º 130200.786 S1C3T2 Fl. 434 9 “Como resultado dessa cisão ocorreu uma diminuição no Ativo da Soeicom [antiga razão social da autuada], de valores a receber de pessoas ligadas, de R$ 130.411.125,73, com a conseqüente redução do saldo dos financiamentos externos, no montante de R$ 130.410.125,73, que passaram a ser responsabilidade da empresa Tração...” Ressaltese que essa operação de transferência de obrigações não é contestada pela impugnante. Todavia, ela discute o fato de a fiscalização considerar as baixas contábeis advindas dessa transferência como o momento em que se concretizou a hipótese de liquidação prevista no caput do art. 30 da MP nº 2.15835, de 2001. Nesse sentido, em sua peça impugnatória há o relato de que tal transferência não pode ser definida como hipótese de liquidação, uma vez que“referida cisão não gerou a liquidação dos contratos de empréstimos”. Segundo entende a defesa, esta se implementaria “quando do pagamento do empréstimo, o que não ocorreu quando da cisão.” Para tanto, se utiliza supletivamente de parte do Capítulo I, do Título III, do Código Civil brasileiro (arts. 304 e seguintes da Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002), mediante o qual diz que o pagamento está incluído dentre as hipóteses que informam o adimplemento e a extinção das obrigações. É preciso, contudo, salientar à autuada que, sendo o pagamento uma das hipóteses consideráveis de extinção de obrigações, não há como limitar o entendimento de que o fenômeno da extinção possa ser exclusivamente implementado pelo pagamento. Contrariando o entendimento da interessada, importa também ressaltar que extinção significa todo e qualquer meio de cumprimento da obrigação que possa solvêla. Nesse contexto, importa transcrever o item 5.1 do mencionado PROTOCOLO DE INTENÇÃO E JUSTIFICAÇÃO DE CISÃO PARCIAL, fls. 70/71: “A seguir, são demonstradas as contas patrimoniais da sociedade cindida, SOEICOM [antiga razão social da autuada], evidenciandose os valores antes da cisão, parcela cindida e os valores após a cisão. A parcela cindida do Ativo, corresponde ao valor de R$130.411.126,00 (...), que por sua vez corresponde ao saldo de contratos de mútuo em face da Tração havendo redução do patrimônio desta, no montante de R$1.000,00 (um mil reais), após a cisão. Contas patrimoniais, antes da cisão, parcela cindida e depois da cisão, (valores em R$1): ATIVOSALDO ANTES CISÃOPARCELA CINDIDASALDO APÓS CISÃO ATIVO SALDO ANTES CISÃO PARCELA CINDIDA SALDO APÓS CISÃO CIRCULANTE 60.977.334 60.977.334 [...] [...] [...] [...] Fl. 441DF CARF MF Documento de 25 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.1018.10195.8LWY. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13609.000758/200725 Acórdão n.º 130200.786 S1C3T2 Fl. 435 10 REALIZÁVEL A LONGO PRAZO 171.570.241 130.411.126 41.159.115 [...] [...] [...] [...] Créditos com empresas ligadas 170.075.660 130.411.126 39.664.534 [...] [...] [...] [...] PERMANENTE 626.027.187 626.027.187 [...] [...] [...] [...] TOTAL DO ATIVO R$1 858.574.762 130.411.126 728.163.636 PASSIVO SALDO ANTES CISÃO PARCELA CINDIDA SALDO APÓS CISÃO CIRCULANTE 214.151.574 130.410.126 83.741.448 [...] [...] [...] [...] Financiamentos 184.034.646 130.049.508 53.985.139 [...] [...] [...] [...] Impostos e contribuições a recolher 7.187.138 360.618 6.826.520 [...] [...] [...] [...] EXIGÍVEL A LONGO PRAZO 12.826.267 12.826.267 [...] [...] [...] [...] PATRIMÔNIO LÍQUIDO 631.596.921 1.000 631.595.921 CAPITAL SOCIAL 385.500.000 1.000 385.499.000 [...] [...] [...] [...] TOTAL DO PASSIVO R$1 858.574.762 130.411.126 728.163.636 A parcela cindida do passivo, corresponde aos empréstimos contraídos em dólares norteamericanos, pela SOEICOM [antiga razão social da autuada], junto a ZIMBA ASSOCIATES LLC, empresa com sede em [...], Estados Unidos da América: a) Empréstimo de USD 22,636,886.11 (principal ..., juros já decorridos, vincendos de ...), representado pelo saldo no Balanço de 30.11.2005 de R$49.959.607,63; b) Empréstimo de USD36,289,035 (principal ... e juros já decorridos, vincendos de ...), representado pelo saldo no Balanço R$80.089.900,25, bem como provisão para imposto de renda sobre juros decorridos no valor de R$ 360.617,84”. Conforme se vê, da operação de cisão a que se sujeitou a autuada, o patrimônio que foi incorporado pela controladora TRAÇÃO está representado, no Ativo (rubrica contábil: CRÉDITOS COM EMPRESAS LIGADAS), pelo crédito que a mesma TRAÇÃO se obrigou em face de mútuos firmados com a empresa cindida, ora autuada. No Passivo, pelos empréstimos contraídos em dólares junto a ZIMBA ASSOCIATES. Contrariando, pois, a tese apresentada pela defesa, o demonstrativo elaborado em razão da operação de cisão parcial, na verdade, demonstra claramente que, de fato, houve liquidação de ambas parcelas de patrimônio incorporadas pela TRAÇÃO, haja vista extintos, tanto o direito a receber de R$ 130.411.126,00 (que a autuada detinha contra a incorporadora Fl. 442DF CARF MF Documento de 25 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.1018.10195.8LWY. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13609.000758/200725 Acórdão n.º 130200.786 S1C3T2 Fl. 436 11 TRAÇÃO e que figurava em seu Ativo), quanto a obrigação que havia sido contraída em moeda estrangeira (que figurava em seu Passivo no montante de R$ 130.410.126). Quanto à aplicação ao presente caso da regulamentação dada pelos itens 6 e 6.1 da Instrução Normativa SRF nº 7, de 1981, observese que correspondente determinação tem por destinatária “a pessoa jurídica (...) que incorporar parcela do patrimônio de sociedade cindida”, o que não é o caso tratado nos presentes autos. Além do mais, conforme mencionado anteriormente, restou evidenciada a inexistência da pretendida parcela diferível, eis que liquidada no momento de sua baixa, em face de sua extinção do correspondente valor do patrimônio da sociedade cindida, ora autuada. A recorrente tomou ciência do acórdão DRJ em 08/02/2008 e apresentou recurso em 10/03/2008. Em seu recurso alega: Não deve prevalecer o entendimento expresso na decisão recorrida, uma vez que as baixas contábeis em função da cisão parcial não significaram liquidação da operação nos termos do exigido pelo art. 30 da MP 2.158 35. A alteração na Contabilidade da autuada se deu em razão de uma cisão parcial onde mesmo com a alteração do seu patrimônio não importou em liquidação dos empréstimos externos já que a obrigação foi transferida para outra empresa em razão da cisão. 0 fato de não mais registrar no passivo as obrigações referentes aos empréstimos contraídos pela recorrente em razão da cisão parcial não significa que referidas operações foram liquidadas, já que ainda persistem no passivo da empresa Tração Assessoria de Transportes S.A. Comprovase a ausência de liquidação da operação o fato dos contratos de empréstimos externos terem sido transferidos para o novo devedor(Tração Assessoria de Transportes S.A.), quem recebeu a parcela do patrimônio, permanecendo Integra a obrigação de liquidar os empréstimos. Está se falando ai de uma liquidação de um devedor nacional com um credor externo, que é exatamente a situação abordada no art. 30 da MP 2.15835, quando tipifica como fato gerador da obrigação de se reconhecer a receita ou despesa cambial somente quando da liquidação da operação do empréstimo externo e isto efetivamente não ocorreu. Uma simples análise dos demonstrativos contábeis (demonstração financeira) da recorrente e da Tração Assessoria de Transportes S.A., logo após a cisão evidencia que os empréstimos ainda permanecem não liquidados no passivo desta última, cabendo, se assim entender o Julgador uma diligência como forma de verificar Fl. 443DF CARF MF Documento de 25 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.1018.10195.8LWY. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13609.000758/200725 Acórdão n.º 130200.786 S1C3T2 Fl. 437 12 nas contas analíticas que resultaram na síntese das demonstrações financeiras tratarse exatamente dos mesmos contratos levados ao passivo da Tração quando da cisão parcial. Tanto nos levantamentos realizados pela fiscalização quanto nas razões de fls. 382 limitamse a analisar isoladamente a questão sob o foco da recorrente, deixando, deliberadamente, por só transcrever parte do "Protocolo de Intenção e Justificação de Cisão Parcial", de destacar o que acima argumentase, ou seja, os empréstimos objeto da cisão passaram a figurar no passivo da Tração no referido valor, denotandose tal fato pelo registro contábil que a operação ainda não encontrase liquidada, vide fls. 06, 07, item 5.2, Tração Contas Incorporadas do referido protocolo que ora se anexa. Na verdade pretende o Auditor Fiscal dar uma interpretação ampla ao significado da palavra "liquidação" e, por conseqüência, ao próprio sentido da referida MP que foi taxativa ao exigir o pagamento dos impostos quando da efetiva liquidação da operação, o que não ocorreu no caso em debate. 0 próprio regime de caixa adotado pela recorrente, seguindo inclusive determinações do art.30 da MP 2.15835, indica que as variações cambiais somente são tributadas quando forem liquidadas. A pura e simples transferência dos contratos de empréstimos externos em questão no momento da cisão não deve ser considerada como uma liquidação do passivo, mas uma sucessão do mesmo por parte da Controladora, para a a qual foi vertido parte do patrimônio da Impugnante, a quem passou a ser atribuída a responsabilidade de cumprir com o neles pactuado. Quando ao indeferimento do pedido de julgamento simultâneo com o processo n° 13609.000059/200785, merece reforma a decisão recorrida já que não se trata apenas de identidade quanto aos elementos de prova, mas, também o fato da decisão a ser proferida naquele processo ter reflexos quanto base de cálculo do imposto, já que ambos os casos tratam de variações cambiais decorrente de empréstimos externos, fato inclusive mencionado pelo auditor fiscal em seu relatório. É o relatório Voto O recurso é tempestivo e deve ser conhecido. Fl. 444DF CARF MF Documento de 25 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.1018.10195.8LWY. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13609.000758/200725 Acórdão n.º 130200.786 S1C3T2 Fl. 438 13 Quanto à alegação da necessidade de julgamento conjunto deste processo com o de nº 13609.000059/200785, adoto as razões da decisão recorrida para votar pelo indeferimento do requisitado: De acordo com a cópia dos documentos que a impugnante alega instruírem o processo nº 13609.000059/200785, fls. 194 a 262 e 305 a 371, verificase que o fato que ensejou a formalização daqueles autos referiuse à constatação de que a então autuada teria deixado de adicionar, na Declaração de Informações EconômicoFiscais das Pessoas Jurídicas – DIPJ, do ano calendário de 2002, o valor das variações cambiais passivas registradas na contabilidade da empresa e também escrituradas na parte “A” do seu Livro de Apuração do Lucro Real – LALUR. Naquele procedimento fiscal, pois, ficou caracterizado que a interessada, embora tivesse adotado o regime de caixa para a escrituração contábil/fiscal das mencionadas variações cambiais ativas, em consonância com o previsto no caput do art. 30 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, apresentou a referida DIPJ sem proceder à adição dos correspondentes valores que consignara em balancetes de suspensão e em seu livro LALUR. De acordo, ainda, com as cópias das impugnações apresentadas também naqueles autos e agora juntadas ao presente processo, a questão então defendida se resumiu na hipótese de haver incorrido em suposto erro de fato, ao argumento de que no ano de 2002 teria optado, para o efeito pretendido pelo Fisco, pelo regime de competência, autorizado pelo § 1º do art. 30, da mesma Medida Provisória 2.15835, de 2001. Concluise, pois, que o elemento de comprovação do ilícito apurado no processo a que se referiu a impugnante se encontra fundamentado nos próprios dados registrados na escrituração contábil/fiscal da empresa no ano de 2002, realizados segundo o regime de caixa, e que, por sua vez, não encontraram correspondência com os valores consignados na correspondente DIPJ.. Conforme mencionado anteriormente, o presente processo trata de lançamento de exigência baseada em exclusão indevida de variações cambiais diferidas nos anos calendário de 2003 a 2005. De acordo, ainda, com o Relatório de Auditoria Fiscal, fl. 135, estas possuem elementos de comprovação completamente distintos do processo anteriormente mencionado pela impugnante, ou seja: a) – mencionadas variações cambiais foram diferidas no período compreendido pelos anoscalendário de 2003 a 2005; b) – a discussão trazida pela impugnante no presente processo não se refere à suposto erro de fato; c) – não se questionou nos presentes autos a opção pelo regime de caixa que foi o adotado pela empresa no referido período, conforme resposta fornecida pela própria contribuinte à fiscalização à fl.51, e; d) – no presente processo ficou evidenciada a hipótese da liquidação, que constitui fato gerador da obrigação tributária atinente às mencionadas variações cambiais. Devese atentar também para a impossibilidade de o presente processo conter a mesma base de cálculo que integra o Fl. 445DF CARF MF Documento de 25 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.1018.10195.8LWY. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13609.000758/200725 Acórdão n.º 130200.786 S1C3T2 Fl. 439 14 lançamento anterior, pois, conforme informa a própria autuada na mencionada resposta apresentada à fiscalização à fl. 51, no anocalendário de 2002 a empresa teria adotado o regime de competência para o registro das variações monetárias passivas, então questionadas. Assim, integrando o resultado daquele ano calendário, descartase a possibilidade de que as mesmas também possam compor o saldo da rubrica contábil “RESULTADO DE EXERCÍCIO FUTURO”, cujo registro a crédito da conta de resultado foi objeto do lançamento no presente processo, em face de sua indevida exclusão no livro LALUR. Não há, pois, que se falar em imposição de “ônus tributário em cascata”. Em relação ao assunto, ainda, entende a impugnante que as cópias de parte do processo nº 13609.000059/200785, que juntou à sua impugnação, demonstram a existência de um saldo de despesa cambial a realizar, apurada no ano de 2002, no montante de R$186.464.241,13, o qual alega o Autor daquele feito teria levado para a parte “B” do seu LALUR. Isto lhe geraria, segundo a defesa, após realizações e liquidação de outros contratos, “um crédito a realizar de variação cambial passiva muito superior à variação cambial ativa, na ordem de R$ 87.095,100,23.”. Para a impugnante “isto representaria um saldo de despesa cambial a realizar nas futuras liquidações e não uma receita cambial.”. Contraria tal entendimento da defesa, contudo, o fato de que as peças integrantes dos presentes autos, conforme relatado anteriormente, evidenciarem a total impossibilidade de vínculo com a matéria ora submetida á tributação, em face da sistemática adotada para o registro contábil das operações correspondentes no anocalendário de 2002. Alem do mais, mencionado entendimento não deve subsistir, uma vez estar desacompanhado da correspondente comprovação documental e da regular escrituração contábil/fiscal das mutações havidas nos anoscalendário de 2003 a 2005, diante das possíveis anteriores liquidações e realizações, que a própria impugnante alega em sua peça de defesa. Também seria bom lembrar à autuada que a simples possibilidade dessas anteriores liquidações importa na não efetivação da suposta dedução do montante de R$ 186.464.241,13, que alega lhe ser favorável. Assim, por inexistir elemento comprobatório capaz de que evidenciar que a natureza do alegado saldo de despesa cambial possua vínculo com a matéria que foi objeto do presente lançamento, não há como prevalecer o argumento da impugnante Quanto ao mérito, entendo assistir razão à recorrente. Não há nos autos discordância quanto à afirmação fiscal de que a recorrente, nos anos de 2003 a 2005, utilizando da prerrogativa que lhe assistia pelo disposto no art. 30 da MP 215835, decidiu reconhecer os efeitos da variação cambial referente a empréstimos em Fl. 446DF CARF MF Documento de 25 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.1018.10195.8LWY. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13609.000758/200725 Acórdão n.º 130200.786 S1C3T2 Fl. 440 15 moeda estrangeira pelo regime de caixa, ou, nos termos da legislação citada, no momento da liquidação da operação. Afirma a fiscalização a fls.: DA LIQUIDAÇÃO DAS OPERAÇÕES De acordo com a ata da Assembléia Geral Extraordinária da fiscalizada, realizada em 15/12/05 (fls. 52 e seguintes), os acionistas da empresa aprovaram, por unanimidade e sem ressalvas, todos os termos do Protocolo de Intenção de Cisão Parcial da empresa (fls. 67 a 77),com versão da parcela cindida à Tração Assessoria de Transportes S.A (que possui mais de 99,99% das ações da fiscalizada), entre outros itens. Conforme o Protocolo de Cisão, em seu item 5.1, a parcela cindida do ativo da fiscalizada corresponde ao saldo de contratos de mútuo celebrados entre as empresas; a parcela cindida do passivo, por sua vez, corresponde aos empréstimos contraídos em dólares americanos pela fiscalizada à ZIMBA ASSOCIATES LLC (que possui mais de 99,99% das ações da empresa Tração), empresa com sede no estado de Wyoming, nos Estados Unidos da América, com valores principais de USD 22.000.000,00 e USD 36.000.000,00, mais os juros decorridos e a provisão para imposto de renda sobre estes juros, totalizando, conforme o balanço levantado em 30/11/2005, R$ 130.410.124,72. A transferência de seu crédito junto à fiscalizada para a empresa Tração recebeu a concordância do representante da sociedade ZIMBA ASSOCIATES LLC, titular do crédito, conforme o item 5.1.11. Foi ainda celebrada, através de cessões de contratos de mútuo (fls. 80 a 87) nos valores de EUR 7.428.129,60 e EUR 12.999.226,60, a cessão da posição de devedora até então ocupada pela fiscalizada à empresa Tração Assessoria de Transportes S.A, tendo tal transferência de débito recebido o aval da credora (novamente a ZIMBA ASSOCIATES LL). Em decorrência da cisão e das cessões de contratos de mútuo, em 15/12/2005 a empresa registrou em seu livro Razão, em lançamentos a débito contra a conta 212201110, de seu passivo circulante, a baixa total dos valores nela registrados (fl. 88). E em tal conta do passivo circulante, como se verifica em seu balancete do mês de 12/2005, à fl. 89, que são registrados os valores principais dos financiamentos externos obtidos pela empresa. 0 saldo remanescente da conta no valor de R$ 4.444.000,00 em 15/12/2005 referese exclusivamente a transferência do saldo da conta 222201110, o qual, por sua vez, referese a novas entradas de capital, no valor de USD 2.000.000,00 (fl. 90), ocorridas em dezembro de 2005, não guardando, portanto, nenhuma relação com os financiamentos cujo saldo se baixou integralmente em 15/12/2005. Por conseqüência, conforme o demonstrativo das contas patrimoniais constante da cláusula 5.1 do Protocolo de Intenção de Cisão Parcial (fl. 71), a partir do momento da cisão aprovada Fl. 447DF CARF MF Documento de 25 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.1018.10195.8LWY. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13609.000758/200725 Acórdão n.º 130200.786 S1C3T2 Fl. 441 16 pela AGE de 15/12/2005, a fiscalizada exclui de seu passivo o valor de R$ 130.410.126,00, referente à parcela cindida de seu passivo. Observese ainda que a empresa, conforme no item 2 de suas Notas Explicativas As Demonstrações Contábeis em 31/12/2005 (fl.41), afirma que" Como resultado dessa cisão ocorreu uma diminuição no Ativo da Soeicom, de valores a receber de pessoas ligadas, de R$ 130.411.125,73, com a conseqüente redução, do saldo dos financiamentos externos, no montante de R$ 130.410.125,73 que passaram a ser de responsabilidade da empresa Travrto...(grifo meu). Com relação às cessões de contratos de mútuo firmadas em 15/12/2005, a contrapartida dos lançamentos efetuados a débito da conta 212201110 foi registrada na conta do passivo • 224803110 — Tração Assess. de Transp. S.A (fl. 92). Como se constata do acompanhamento dos lançamentos efetuados contra esta conta nos meses seguintes (fls. 93 a 96), concluise que a obrigação que a fiscalizada tem com sua controladora, registrada nesta conta, integralmente decorrente da cessão de contratos de mútuo, não está sujeita aos efeitos da variação cambial, posto não haver alteração de valores decorrentes das variações de taxas de câmbio. Do exposto, concluise que, seja por não haver mais registro no passivo da fiscalizada de obrigações referentes aos empréstimos contraídos em dólares americanos A ZIMBA ASSOCIATES LLC, com valores principais de USD 22.000.000,00 e USD 36.000.000,00, em virtude da cisão parcial, seja por não estarem mais as obrigações constantes de seu passivo sujeitas A variação em função da taxa de câmbio, em virtude das cessões de contratos de mútuo, nos valores principais de EUR 7.428.129,60 e EUR 12.999.226,60, claro está que as referidas operações foram liquidadas. Em decorrência da liquidação destas operações de financiamento, todos os valores registrados em Resultados de Exercícios Futuros, nas contas 231102110 — Variações Cambiais Ativas a Apropriar e 232102110 — Variações Cambiais Passivas a Apropriar (fl. 91) foram levados à conta de resultados, como textualmente informa a empresa em suas Notas Explicativas As Demonstrações Contábeis em 31/12/2005 (fl. 42), compondo a base de cálculo do IRPJ e da CSLL, em consonância com sua opção pela tributação na forma prevista pela MP 2.15835. Porém, após reconhecer contabilmente a realização dos resultados decorrentes da variação cambial de suas obrigações no momento da liquidação das respectivas operações, a fiscalizada registra, na parte A de seu LALUR n° 05 (fl. 98), a exclusão destes resultados, com a seguinte discriminação: "Variação Cambial RealizadaRegime de CaixaDiferida Lei10.305". Em 15/12/2005, registra a adição de R$ Fl. 448DF CARF MF Documento de 25 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.1018.10195.8LWY. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13609.000758/200725 Acórdão n.º 130200.786 S1C3T2 Fl. 442 17 22.443.740,81, com a discriminação "Realização da Variação Cambial Diferida em 11/05 Lei 10305" (fl. 99). Na parte B de seu LALUR (fl. 100), no primeiro registro que faz na parte B dos resultados referentes às variações cambiais diferidas em todo o período, constatase que o valor adicionado de R$ 22.443.740,81 referese A realização decorrente da cessão dos contratos de mútuo de euros A empresa Tração; e que a diferença entre o valor excluído (R$ 99.369.140,92) e o adicionado (R$ 22.443.740,81), no montante de 76.925.400,11 teve este tratamento por ter sido considerado como "Valor transferido p/ Tração S.A ref. a variações cambiais a realizar quando da liquidação da correspondente operação pelo regime de caixa base bal. 30/11/2005." Tendo sido o montante de R$ 22.443.740,81, decorrente das variações cambiais sobre os empréstimos em euro, adicionadas ao lucro real, concluise, por exclusão, que a diferença "transferida" para a Tração referese aos resultados das variações cambiais 111 incidentes sobre os empréstimos com valores principais de USD 22.000.000,00 e USD 36.000.000,00, cujos saldos foram incorporados pela empresa Tração em decorrência da cisão parcial. Porém, tais empréstimos foram liquidados quando da cisão parcial, quando os valores a eles referentes foram baixados do passivo da empresa, e o resultado das variações cambiais, contabilizadas em Resultados de Exercícios Futuros, levadas A conta de resultado do exercício. Ressaltese que a fiscalizada a própria registra. em suas Notas Explicativas As Demonstrações Contábeis de 2005 (fl. 41), que a responsabilidade sobre os saldos dos financiamentos externos passa a ser, com a cisão parcial, da empresa Tração. Foi então expedida a intimação datada de 02/04/2007 (fl. 101), solicitando A fiscalizada, entre outros itens, que indicasse a base legal para a exclusão que registrou em seu LALUR. Em resposta, a empresa apresentou o documento de fl. 103, onde, sucintamente, indica como base legal os arts. 223 e seguintes da Lei 6.404/76. Nada do que dispõe a Lei 6.404/76 dá respaldo A tese de que valores referentes a variações cambiais, cujo cômputo na base de cálculo do IRPJ e da CSLL foi diferido para momento posterior pela legislação tributária, possa ser "transferido" para empresa que incorpora parte do patrimônio da empresa cindida, como quer a fiscalizada. Pelo contrário; conforme o art.229 da referida Lei, a cisão é a operação pela qual a companhia transfere parcelas do seu patrimônio para uma ou mais sociedades (grifo meu), o que por definição contábil não abrange contas de resultado, quanto mais resultados controlados na parte B do LALUR. Com base no exposto, foram lavrados os Autos de Infração para exigir os valores de IRPJ e de CSLL neles apurados, em virtude da constatação da exclusão indevida durante a apuração do Fl. 449DF CARF MF Documento de 25 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.1018.10195.8LWY. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13609.000758/200725 Acórdão n.º 130200.786 S1C3T2 Fl. 443 18 lucro real e da base de cálculo da CSLL de parte das variações cambiais ocorridas em 2003, 2004 e 2005, diferidas para quando da liquidação das respectivas operações, nos termos do art. 30 da MP 1.85810, posteriormente substituída pela MP 2.15835.. Em sede de impugnação, afirma a recorrente: Após reafirmar que adotara o regime de caixa quanto aos registros das variações cambiais, ressalta ser “a liquidação da operação a geradora da obrigação tipificada na referida MP, em seu art. 30, e que quando isto ocorreu a impugnante cumpriu com a obrigação por ela determinada, reconheceu a variação cambial dos contratos liquidados.”. Acrescenta, também, que “para os demais contratos ainda vigentes e hoje, em parte, ainda registrados no passivo da Tração Assessoria e Transportes SA, nenhum procedimento tributário ainda se tornou obrigatório adotar; não ocorreu até a presente data, quanto aos saldos existentes, qualquer liquidação”. Alega que o objetivo da fiscalização foi tentar estabelecer uma nova imposição fiscal sobre o mesmo fato gerador quando afirma que houve a liquidação das operações de empréstimos externos, uma vez não mais existir as obrigações que constavam de seu passivo e que estavam sujeitas a variação cambial, em virtude das cessões de contratos de mútuo ocasionadas por cisão parcial. A esse respeito, afirma haver institutos, Códigos e legislações específicas que tratam a questão de forma mais ampla, eis que figuras jurídicas como a da cisão e a da liquidação de obrigações não se limitam a efeitos meramente fisco/tributários. Diz que o citado art. 30 da MP 215835, ao dispor que as variações cambiais devam ser apropriadas sob o regime de caixa, estabeleceu sua tributação quando da liquidação da operação. Diante disto, endente “que não se deve admitir sua incidência em razão da cisão, sob pena de estar criando fatos geradores não implementados, além de tributar uma realidade econômica inexistente”, pois, “apesar da MP não ter definido o que seria liquidação, não resta dúvida de que referido conceito deve ser buscado nas normas gerais do Código Civil, da legislação normativa do registro de empréstimos externos.” Ressalta que nas operações de transferência de parcelas do patrimônio em virtude de cisão parcial há sucessão dos direitos e das obrigações relacionadas no ato e nas condições em que ela ocorre, competido à empresa controladora, beneficiária das cessões, suceder a responsabilidade pelos direitos e obrigações pactuados. Transcreve excerto da doutrina a respeito da interpretação ao art. 214 da Lei das Sociedades Anônimas no sentido de que “na cisão não há liquidação de obrigações e débitos (art. 214) previamente à consumação do negócio, pois as obrigações da cindida passam às sociedades constituídas com as parcelas do Fl. 450DF CARF MF Documento de 25 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.1018.10195.8LWY. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13609.000758/200725 Acórdão n.º 130200.786 S1C3T2 Fl. 444 19 patrimônio daquela no estado contratual e extracontratual em que se encontram no momento da consumação do negócio.” Para a impugnante, “a liquidação se dará sim quando do pagamento do empréstimo, o que não ocorreu quando da cisão.” Lembra, também que o Código Civil ao tratar “DO ADIMPLEMENTO E EXTINÇÃO DAS OBRIGAÇÕES” (art. 304 e seguintes), enumera taxativamente como características destes o pagamento, o pagamento em consignação, pagamento com sub rogação, a imputação do pagamento, a dação em pagamento, a novação, a compensação, a confusão, sem, contudo, prever a hipótese de cisão. Desta forma, entende que “só ocorre a liquidação de uma obrigação, ou seja, o seu pagamento, quando um devedor satisfaz o direito do credor pondo fim à obrigação.” Em face da cisão, “houve apenas a transferência do patrimônio de uma sociedade para a outra, subsistindo a obrigação de pagamento dos referidos empréstimos. Não houve o exato cumprimento da obrigação” Aduz que sob a ótica da legislação que disciplina o Registro de Capitais Estrangeiros, o site do Banco Central do Brasil prevê “que o processo de extinção de obrigações está vinculado à transferência de recursos financeiros ou títulos entre dois ou mais agentes e ainda que a extinção de uma obrigação só se dá mediante transferência de valores mobiliários de maneira irrevogável e incondicional.” Segundo a impugnante, não procede a afirmativa fiscal de que reconhecera contabilmente a realização dos resultados decorrentes da variação cambial. Nesse sentido, aduz também que “a baixa do saldo da conta de resultados de exercícios futuros e simultâneo lançamento contábil no resultado do exercício e a exclusão do valor para fins de apuração do lucro real e registro na parte ‘B’ do LALUR, também nenhum efeito imediato de ordem tributária gerou. A operação não foi liquidada, foi simples alteração do critério contábil de controle das variações cambiais decorrentes dos empréstimos em questão.” Disse que “a mudança do critério contábil e controle no LALUR decorreu de uma decisão gerencial da Diretoria que concluiu necessitar seus resultados dentro dos princípios gerais de contabilidade, pelo regime de competência, deixando de adotar o sistema misto criado pela Medida Provisória.” Enfatiza que “a alteração deste critério, passando o controle das referidas variações cambiais a ser feito na parte ‘B’ do LALUR, também não trouxe nenhum efeito tributário, muito antes pelo contrário, atende ao que o próprio Autuante dá a entender deveria ter sido a conduta adotada.” Contesta a conclusão fiscal de que a Lei das Sociedades por Ações não dá respaldo para o procedimento adotado pela impugnante, uma vez que o fato gerador que esta “Lei determina para a situação é que a operação tenha sido liquidada e isto efetivamente não ocorreu”, ou seja, “os contratos simplesmente foram transferidos para o novo devedor, com a devida Fl. 451DF CARF MF Documento de 25 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.1018.10195.8LWY. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13609.000758/200725 Acórdão n.º 130200.786 S1C3T2 Fl. 445 20 concordância do credor, tendo sido adotados todos os procedimentos legais inerentes à situação, em especial registro no Banco Central. Caberá ao novo devedor cumprir as obrigações a ele inerentes, inclusive as obrigações tributárias quando ocorrer a liquidação de cada contrato, considerando as variações cambiais para os devidos efeitos tributários.” Aduz ser a variação cambial acessório da obrigação principal que, por princípio de direito, um sempre deve estar agregado ao outro. Para a impugnante, o fato de “o saldo dos valores das variações cambiais ter sido contabilizado em resultado no ano de 2005 (...), em razão de mudança de critério, passou a ser controlado na parte ‘B’ do LALUR, também não merece qualquer reparo.” Fundamenta entendimento acerca da possibilidade de se transferir parcelas de patrimônio compreendidas em contas de resultado e resultados controlados na parte “B” do LALUR, transcrevendo os itens 6 e 6.1 da Instrução Normativa SRF nº 7, de 1981, cujo teor entende contrariar a prática adotada pela fiscalização, pois cabe à “Tração Assessoria de Transporte SA, como incorporadora parte do patrimônio da impugnante, a obrigação de manter controles sobre valores cujas apropriações tiver sido diferida e que devam influenciar a determinação de lucro real de exercício futuro.” A decisão recorrida afirma: Conforme se vê, da operação de cisão a que se sujeitou a autuada, o patrimônio que foi incorporado pela controladora TRAÇÃO está representado, no Ativo (rubrica contábil: CRÉDITOS COM EMPRESAS LIGADAS), pelo crédito que a mesma TRAÇÃO se obrigou em face de mútuos firmados com a empresa cindida, ora autuada. No Passivo, pelos empréstimos contraídos em dólares junto a ZIMBA ASSOCIATES. Contrariando, pois, a tese apresentada pela defesa, o demonstrativo elaborado em razão da operação de cisão parcial, na verdade, demonstra claramente que, de fato, houve liquidação de ambas parcelas de patrimônio incorporadas pela TRAÇÃO, haja vista extintos, tanto o direito a receber de R$ 130.411.126,00 (que a autuada detinha contra a incorporadora TRAÇÃO e que figurava em seu Ativo), quanto a obrigação que havia sido contraída em moeda estrangeira (que figurava em seu Passivo no montante de R$ 130.410.126 Em sede de recurso alega o recorrente: Claro está como se vê diante da melhor doutrina, segundo ensinamentos do Prof. Carvalhosa que na cisão, em hipótese alguma, há como se concluir que ocorra a liquidação de obrigações. Fl. 452DF CARF MF Documento de 25 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.1018.10195.8LWY. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13609.000758/200725 Acórdão n.º 130200.786 S1C3T2 Fl. 446 21 0 incorporador do patrimônio vertido, no caso dos contratos de empréstimos externos, sucedeu nos direitos e obrigações o que neles está pactuado. A liquidação se dará sim quando do pagamento do empréstimo, o que não ocorreu quando da cisão conforme demonstrado. Por outro lado se vista a questão sob a ótica do Código Civil, verificase que ao tratar "Do Adimplemento e Extinção das Obrigações" art. 304 e seguintes, estes estabelecem as formas como se dá, enumerandoas de forma taxativa como sendo: pagamento (art.304); o pagamento em consignação (art. 334); o pagamento com subrogação (art. 346); a imputação do pagamento (352); Dação em Pagamento (Art. 356); a novação (Art. 360); a compensação (Art. 368); a Confusão (Art. 381). Desta forma, s6 ocorre a liquidação de uma obrigação, ou seja, o pagamento, quando um devedor satisfaz o direito do credor pondo fim A obrigação, o que não ocorreu no caso em tela, eis que com a cisão houve apenas a transferência de patrimônio de uma sociedade para a outra, subsistindo a obrigação de pagamento dos referidos empréstimos. Não houve in casu o exato cumprimento de uma obrigação. Considerando também a questão sob a ótica da legislação que disciplina o Registro de Capitais Estrangeiros, em função de estar em discussão os efeitos das transferências de empréstimos externos, também aqui não há como se concluir que a operação foi liquidada com a cisão. Uma simples leitura nas definições disponibilizadas no glossário completo atualizado em 23/02/2007 do site do Banco Central constatase que o processo de extinção de obrigações está vinculado à transferência de recursos financeiros ou títulos entre dois ou mais aqentes e ainda que a extinção de uma obrigação só se di mediante a transferência de fundos ou a transferência de valores mobiliários de maneira irrevogável e incondicional. Lado outro incorre também em equivoco a manifestação de fls. 383 ao declarar inaplicável à questão a IN SRF n° 7 de 1981. Limitarse a dizer que referida IN aplicase à empresa incorporadora demonstra uma posição meramente fiscalista da questão, cobrar a qualquer custo. Veja que o que se discute é exatamente que referida parcela é diferivel, eis que não liquidada e, a ênfase dada a IN foi exatamente em contraponto a argumentação do Sr,. Auditor Fiscal que se baseia em uma interpretação confusa de que a cisão só se opera nas contas patrimoniais, esquecendose que a própria SRF via referida Instrução Normativa já havia se manifestado em sentido contrário, ou seja, se diferivel é a parcela da variação cambial reconhecida via regime de caixa em hipótese alguma há que se falar em liquidação da operação. Fl. 453DF CARF MF Documento de 25 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.1018.10195.8LWY. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13609.000758/200725 Acórdão n.º 130200.786 S1C3T2 Fl. 447 22 Entendo necessário também trazer aos autos o que dispõe a IN 07/1981, que não que tenha sido revogada explicita ou implicitamente: Artigo 6° A pessoa jurídica resultante de fusão ou cisão, a que incorporar outra e a que incorporar parcela de patrimônio de sociedade cindida, deverá manter registros de controle dos valores cuja apropriação tiver sido diferida e que devam influenciar a determinação do lucro real de exercício futuro, observadas as normas da Instrução Normativa SRF n. 28, de 13 de junho de 1978, e desta Instrução Normativa:1 Os valores de que trata este item serão registrados na pessoa jurídica sucessora proporcionalmente à absorção do empreendimento, bens, direitos, encargos ou obrigações de que se originarem ou a que estiverem vinculados, ou segundo a divisão do patrimônio previsto no ato de cisão, se não houver essa vinculação. Sobre a IN acima transcrita parcialmente, manifestouse a DRJ: Quanto à aplicação ao presente caso da regulamentação dada pelos itens 6 e 6.1 da Instrução Normativa SRF nº 7, de 1981, observese que correspondente determinação tem por destinatária “a pessoa jurídica (...) que incorporar parcela do patrimônio de sociedade cindida”, o que não é o caso tratado nos presentes autos. Além do mais, conforme mencionado anteriormente, restou evidenciada a inexistência da pretendida parcela diferível, eis que liquidada no momento de sua baixa, em face de sua extinção do correspondente valor do patrimônio da sociedade cindida, ora autuada. Tornase necessário, para solução da lide, em um primeiro momento, construir o sentido das normas aplicáveis ao caso. Como afirmado pela fiscalização e não infirmado pela recorrente ou pela DRJ, a norma a ser aplicada deve ser construída a partir do art. 30 da MP 215835e demais atos normativos que se refiram ao tema. Inicio pelo art. 30 da MP 2158: Art.30.A partir de 1o de janeiro de 2000, as variações monetárias dos direitos de crédito e das obrigações do contribuinte, em função da taxa de câmbio, serão consideradas, para efeito de determinação da base de cálculo do imposto de renda, da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, bem assim da determinação do lucro da exploração, quando da liquidação da correspondente operação. §1oÀ opção da pessoa jurídica, as variações monetárias poderão ser consideradas na determinação da base de cálculo de todos os tributos e contribuições referidos no caput deste artigo, segundo o regime de competência. Fl. 454DF CARF MF Documento de 25 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.1018.10195.8LWY. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13609.000758/200725 Acórdão n.º 130200.786 S1C3T2 Fl. 448 23 Me parece evidente que o legislador, no caso o Poder Executivo, tendo em vista que tal medida provisória continua vigente sem ter sido convertida em lei, buscou permitir que, por escolha do contribuinte, pudessem ser diferidos os efeitos da variação do câmbio sobre os direitos e obrigações que variassem com a citada taxa. Também é relevante observar que a MP 2158 deriva das reedições da MP 1807, mas apenas a parti da MP 185810, de 26 de outubro de 1999, é que foi acrescentado o texto prescrito no art. 30, acima referenciado. Importa esclarecer que o acréscimo deste dispositivo legal teve base econômica, tendo em vista que no início de 1999, o País teve a denominada “maxi desvalorização” do real, trazendo grandes impactos para as pessoas físicas e jurídicas que tinham obrigações em moeda estrangeira, especialmente em dólar norteamericano. O diferimento dos efeitos fiscais permitiu que o contribuinte passasse a “escolher” o momento dos reflexos da taxa de câmbio em seus resultados, trazendo exceção ao regime de competência e permitindo a aplicação do regime de caixa para contabilização da variação cambial ativa e passiva. Sobre esse ponto não há divergência, tanto do ponto de vista fiscal como pela posição exposta pela recorrente. A divergência surge quanto ao momento da liquidação da operação. Entende a fiscalização que essa liquidação se deu quando da operação de cisão parcial, tendo sido vertido para a empresa Tração Assessoria de Transportes (c0ntroladora da recorrente) o passivo referente aos citados empréstimos externos. Já a recorrente entende que os contratos de empréstimos continuaram vigentes, tendo como novo devedor a sucessora e, diante disso, permanece o diferimento dos efeitos da variação cambial para o momento da liquidação dos contratos. Me parece assistir razão à recorrente ao afirmar que a Receita Federal entende ser possível, na sucessão, a manutenção do diferimento. A IN 7/81 prescreve: Artigo 6° A pessoa jurídica resultante de fusão ou cisão, a que incorporar outra e a que incorporar parcela de patrimônio de sociedade cindida, deverá manter registros de controle dos valores cuja apropriação tiver sido diferida e que devam influenciar a determinação do lucro real de exercício futuro, observadas as normas da Instrução Normativa SRF n. 28, de 13 de junho de 1978, e desta Instrução Normativa: 1 Os valores de que trata este item serão registrados na pessoa jurídica sucessora proporcionalmente à absorção do empreendimento, bens, direitos, encargos ou obrigações de que se originarem ou a que estiverem vinculados, ou segundo a divisão do patrimônio previsto no ato de cisão, se não houver essa vinculação. Fl. 455DF CARF MF Documento de 25 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.1018.10195.8LWY. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13609.000758/200725 Acórdão n.º 130200.786 S1C3T2 Fl. 449 24 Não me parece merecer guarita a afirmação fiscal abaixo transcrita: Nada do que dispõe a Lei 6.404/76 dá respaldo à tese de que valores referentes a variações cambiais, cujo cômputo na base de cálculo do IRPJ e da CSLL foi diferido para momento posterior pela legislação tributária, possa ser "transferido" para empresa que incorpora parte do patrimônio da empresa cindida, como quer a fiscalizada. Pelo contrário; conforme o art.229 da referida Lei, a cisão é a operação pela qual a companhia transfere parcelas do seu patrimônio para uma ou mais sociedades (grifo meu), o que por definição contábil não abrange contas de resultado, quanto mais resultados controlados na parte B do LALUR.. A transcrita IN, trata do tema em sentido oposto à tese defendida pela fiscalização, pois literalmente prescreve: que a Pessoa Jurídica resultante da cisão , deverá manter registros de controle dos valores cuja apropriação tiver sido diferida e que devam influenciar a determinação do lucro real de exercício futuro, observadas as normas da Instrução Normativa SRF n. 28, de 13 de junho de 1978, e desta Instrução Normativa. A IN 28 citada trata da escrituração do LALUR. Me parece claro que a interpretação então vigente na Receita Federal era de que a pessoa jurídica resultante da cisão deveria manter os registros dos valores cuja apropriação tiver sido deferida e devam influenciar a determinação do lucro real de exercício, desde que sejam respeitadas as regras de escrituração do LALUR previstas na IN 28 de 78. Entendo que é justamente desta situação que tratam os presentes autos. A MP 2158 previu o diferimento dos efeitos da variação cambial e a recorrente optou pelo regime de caixa para tais efeitos. Quando da cisão, a recorrente mantinha registro no Lalur das variações cambias ativas e passivas referentes à empréstimos contratados no exterior e tais empréstimos foram assumidos pela sucessora através da versão de seu passivo pela cisão. Entendo que não há impeditivo legal de que a sucessora continue a usufruir dos efeitos do diferimento até o momento da liquidação dos contratos que levaram às variações cambiais. Não tendo sido provado nos autos que tenha ocorrido a liquidação das obrigações que levaram às variações cambiais e não havendo acusação fiscal de que tenha havido outra forma de liquidação voto por dar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Marcos Rodrigues de Mello relator Fl. 456DF CARF MF Documento de 25 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.1018.10195.8LWY. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13609.000758/200725 Acórdão n.º 130200.786 S1C3T2 Fl. 450 25 Fl. 457DF CARF MF Documento de 25 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.1018.10195.8LWY. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento autenticado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Corresponde à fé pública do servidor, referente à igualdade entre as imagens digitalizadas e os respectivos documentos ORIGINAIS. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por MARCOS RODRIGUES DE MELLO em 29/11/2011 16:23:31. Documento autenticado digitalmente por MARCOS RODRIGUES DE MELLO em 29/11/2011. Documento assinado digitalmente por: MARCOS RODRIGUES DE MELLO em 29/11/2011. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 08/10/2018. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP08.1018.10195.8LWY Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 7D8DCCD856808C9C2D0B72527DE819A9D0FBB20E Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 13609.000758/2007-25. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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