Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,279)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,763)
- Primeira Turma Ordinária (16,221)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,176)
- Primeira Turma Ordinária (16,104)
- Primeira Turma Ordinária (16,039)
- Segunda Turma Ordinária d (15,797)
- Segunda Turma Ordinária d (14,451)
- Primeira Turma Ordinária (13,020)
- Primeira Turma Ordinária (12,381)
- Segunda Turma Ordinária d (12,367)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,422)
- Quarta Câmara (84,834)
- Terceira Câmara (67,389)
- Segunda Câmara (55,826)
- Primeira Câmara (20,245)
- 3ª SEÇÃO (16,176)
- 2ª SEÇÃO (11,281)
- 1ª SEÇÃO (6,836)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (125,132)
- Segunda Seção de Julgamen (114,469)
- Primeira Seção de Julgame (76,587)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,961)
- Câmara Superior de Recurs (37,889)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,615)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,487)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,754)
- HELCIO LAFETA REIS (3,725)
- ROSALDO TREVISAN (3,220)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,925)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,728)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,630)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,840)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,921)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,471)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,515)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,135)
- 2017 (16,840)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2026 (13,849)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10530.724327/2009-82
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Aug 26 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
DIFERENÇAS DE URV. NATUREZA.
As diferenças de URV incidentes sobre verbas salariais integram a remuneração mensal percebida pelo contribuinte. Compõem a renda auferida, nos termos do artigo 43 do Código Tributário Nacional, por caracterizarem rendimentos do trabalho.
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. MOMENTO DA TRIBUTAÇÃO.
As diferenças de URV incidentes sobre verbas salariais, ainda que recebidas acumuladamente pelo contribuinte, devem ser tributadas pelo imposto sobre a renda com a aplicação das tabelas progressivas vigentes à época da aquisição dos rendimentos (meses em que foram apurados os rendimentos percebidos a menor), ou seja, de acordo com o regime de competência, consoante decidido pelo STF no âmbito do RE 614.406/RS.
INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE OS JUROS RECEBIDOS.
Não são tributáveis os juros incidentes sobre verbas isentas ou não tributáveis, assim como os recebidos no contexto de perda do emprego. Na situação sob análise, não se estando diante de nenhuma destas duas hipóteses, trata-se de juros tributáveis.
Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte
Numero da decisão: 9202-004.092
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial para determinar o cálculo do tributo sobre a verba recebida , inclusive juros, de acordo com o regime de competência, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Maria Teresa Martínez López que lhe deram provimento integral.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator
EDITADO EM: 17/08/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201606
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 DIFERENÇAS DE URV. NATUREZA. As diferenças de URV incidentes sobre verbas salariais integram a remuneração mensal percebida pelo contribuinte. Compõem a renda auferida, nos termos do artigo 43 do Código Tributário Nacional, por caracterizarem rendimentos do trabalho. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. MOMENTO DA TRIBUTAÇÃO. As diferenças de URV incidentes sobre verbas salariais, ainda que recebidas acumuladamente pelo contribuinte, devem ser tributadas pelo imposto sobre a renda com a aplicação das tabelas progressivas vigentes à época da aquisição dos rendimentos (meses em que foram apurados os rendimentos percebidos a menor), ou seja, de acordo com o regime de competência, consoante decidido pelo STF no âmbito do RE 614.406/RS. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE OS JUROS RECEBIDOS. Não são tributáveis os juros incidentes sobre verbas isentas ou não tributáveis, assim como os recebidos no contexto de perda do emprego. Na situação sob análise, não se estando diante de nenhuma destas duas hipóteses, trata-se de juros tributáveis. Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Fri Aug 26 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 10530.724327/2009-82
anomes_publicacao_s : 201608
conteudo_id_s : 5626232
dt_registro_atualizacao_tdt : Sat Aug 27 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 9202-004.092
nome_arquivo_s : Decisao_10530724327200982.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
nome_arquivo_pdf_s : 10530724327200982_5626232.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial para determinar o cálculo do tributo sobre a verba recebida , inclusive juros, de acordo com o regime de competência, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Maria Teresa Martínez López que lhe deram provimento integral. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator EDITADO EM: 17/08/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
dt_sessao_tdt : Tue Jun 21 00:00:00 UTC 2016
id : 6476748
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:51:52 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048690464129024
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1943; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 322 1 321 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10530.724327/200982 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9202004.092 – 2ª Turma Sessão de 21 de junho de 2016 Matéria IRPF Recorrente ROSALINO DOS SANTOS ALMEIDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 DIFERENÇAS DE URV. NATUREZA. As diferenças de URV incidentes sobre verbas salariais integram a remuneração mensal percebida pelo contribuinte. Compõem a renda auferida, nos termos do artigo 43 do Código Tributário Nacional, por caracterizarem rendimentos do trabalho. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. MOMENTO DA TRIBUTAÇÃO. As diferenças de URV incidentes sobre verbas salariais, ainda que recebidas acumuladamente pelo contribuinte, devem ser tributadas pelo imposto sobre a renda com a aplicação das tabelas progressivas vigentes à época da aquisição dos rendimentos (meses em que foram apurados os rendimentos percebidos a menor), ou seja, de acordo com o regime de competência, consoante decidido pelo STF no âmbito do RE 614.406/RS. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE OS JUROS RECEBIDOS. Não são tributáveis os juros incidentes sobre verbas isentas ou não tributáveis, assim como os recebidos no contexto de perda do emprego. Na situação sob análise, não se estando diante de nenhuma destas duas hipóteses, tratase de juros tributáveis. Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 72 43 27 /2 00 9- 82 Fl. 295DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento parcial para determinar o cálculo do tributo sobre a verba recebida , inclusive juros, de acordo com o regime de competência, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Maria Teresa Martínez López que lhe deram provimento integral. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto – Presidente e Relator EDITADO EM: 17/08/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10530.724190/200966. Tratase de Auto de infração lavrado contra o contribuinte em epígrafe para cobrança de IRPF sobre rendimentos auferidos do Tribunal de Justiça da Bahia, a título de valores indenizatórios de URV. Tais rendimentos decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor (URV) em 1994, reconhecidas e pagas em 36 parcelas iguais no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, com base na Lei 8.730/2003, do Estado da Bahia. Importante destacar, ainda que referida Lei dispôs serem de natureza indenizatória as verbas em questão. No entendimento da autoridade fiscal, as diferenças recebidas pelo contribuinte têm natureza salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994 e, portanto, são tributáveis pelo IRPF, sendo irrelevante a denominação dada pela Lei do Estado da Bahia. Para a apuração do imposto devido foi considerado os valores das diferenças salariais, incluindo atualização e juros. Inconformado, o contribuinte apresentou impugnação, que fora julgada totalmente improcedente. Fl. 296DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10530.724327/200982 Acórdão n.º 9202004.092 CSRFT2 Fl. 323 3 Ato seguinte, tempestivamente foi apresentado Recurso Voluntário, que, por unanimidade de votos, deu provimento parcial ao recurso para excluir da exigência a multa de ofício. Inconformado com essa decisão o contribuinte, tempestivamente, apresentou Recurso Especial de divergência, alegando, em resumo: a) Sobrestamento do feito dado que o STF reconheceu repercussão geral no que se refere aos rendimentos recebidos acumuladamente; b) Os rendimentos previstos na Lei Estadual 8.730/2003 tem a mesma natureza daqueles mencionados pela Lei Federal nº 10.477/2002, que trata do pagamento de diferenças de URV a membros do Ministério Público Federal; c) É aplicável ao caso a mesma interpretação dada pelo STF através da Resolução 245/2002, que reconheceu a natureza indenizatória das diferenças de URV pagas aos membros da magistratura federal; d) Quebra da isonomia quando se dispensa tratamento tributário diverso em relação às diferenças de URV pagas aos membros da magistratura Federal e aos membros do MPF em relação aos membros do Ministério Público Estadual; e) Vicio material na formação da base de cálculo do IRPF, na medida em que não foi observado o regime de competência em relação aos rendimentos recebidos acumuladamente; f) Não incidência do IRPF sobre juros moratórios Na análise de admissibilidade, foi dado parcial seguimento ao Recurso Especial interposto pelo Contribuinte para que seja reapreciada a questão da não incidência do Imposto de Renda sobre diferenças de URV, que teriam natureza indenizatória e para que seja rediscutida a não incidência de Imposto de Renda sobre rendimentos correspondentes a juros de mora. Regularmente intimada o a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões, alegando, em síntese: a) Em consonância ainda com o art. 16 da Lei nº 4.506/64, serão classificados como rendimentos do trabalho assalariado, para fins de incidência do Imposto de Renda, todas as espécies de remuneração por trabalho ou serviços prestados no exercício de empregos, cargos ou funções. Logo, os valores recebidos a título de diferenças no cálculo da URV possuem natureza salarial e estão sujeitas ao imposto de renda. b) Não há Lei que isento do imposto de renda referidos rendimentos; Fl. 297DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 4 c) A Resolução STF nº 245/2002 é restrita ao abono variável aplicável aos membros da Magistratura da União, e, por determinação expressa do Parecer PGFN n° 923/2003, aprovado pelo Ministro da Fazenda, está fora da incidência tributária do imposto de renda também para os membros do MPF. Atribuir aos rendimentos em análise a mesma natureza do abono variável das Leis n°s 10.477/2002 e 9.655/98 seria alargar as fronteiras da nãoincidência tributária sem previsão de Lei Federal para tanto. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto, Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.091, de 21/06/2016, proferido no julgamento do processo 10530.724190/200966, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto vencedor proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.091): A solução do litígio será delineada através de itens que enfrentam de forma integral, os argumentos apresentados pela recorrente, respeitandose, ainda, a ordem dos quesitos apresentada, limitandose aqui, todavia, às matérias para as quais se deu seguimento ao pleito do contribuinte : a) Quanto à não incidência do IRPF pela natureza supostamente indenizatória das verbas recebidas, à aplicação da Lei Estadual no. 8.730, de 2003, e da Resolução STF no. 245, de 2002. Reitero aqui, inicialmente, considerações que teci quando do julgamento de feito semelhante no âmbito da 1a. Turma Ordinária 1a. Câmara da 2a. Seção deste CARF (Acórdão no. 2.101002.724), mantendo de forma integral meu posicionamento acerca do assunto, que assim se resume: a.1) Da natureza das verbas recebidas e da Lei Estadual 8.730, de 2003 Cumpre, primeiramente, salientar que os rendimentos de que trata o presente processo foram recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, a título de "Valores Indenizatórios de URV", em atendimento ao disposto pela Lei do Estado da Bahia n° 8.730, de 2003, a qual, dentre outras disposições, preceitua que a verba em questão é de natureza indenizatória. Para melhor entendimento, transcrevemos, a seguir, os artigos 4° e 5° da Lei do Estado da Bahia n° 8.730, de 2003: Fl. 298DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10530.724327/200982 Acórdão n.º 9202004.092 CSRFT2 Fl. 324 5 Art. 4º As diferenças decorrentes do erro na conversão da remuneração de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV, objeto das Ações Ordinárias n os. 613 e 614, julgadas procedentes pelo Supremo Tribunal Federal, serão apuradas, mês a mês, de 1º de abril de 1994 a 31 de julho de 2001, e o montante correspondente a cada Magistrado será dividido em 36 parcelas iguais, para pagamento nos meses de janeiro de 2004 a dezembro de 2006. Art. 5º São de natureza indenizatória as parcelas de que trata o art. 4º desta Lei. Com efeito, da leitura dos dispositivos acima reproduzidos, é possível concluir, tal como concluiu a parte recorrente, que foi atribuída, pelo Estado da Bahia, natureza indenizatória às diferenças decorrentes de erro na conversão da remuneração dos magistrados, de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV, objeto da Ação Ordinária em questão. Todavia, do exame desses dispositivos isoladamente, é impertinente inferir que se tratam de rendimentos isentos do Imposto sobre a Renda de Pessoa física. Em primeiro lugar, a competência para legislar sobre o imposto sobre a renda é da União, e a lei acima transcrita é estadual, o que restringe a aplicação da referida Lei Estadual na seara de interesse. Todavia, notese que não se trata, aqui, quando da consequente conclusão de não aplicação da referida Lei, para fins de definição da natureza tributária das verbas sob análise e da incidência ou não do IRPF, de invasão de competência do STF pela União para declarar a inconstitucionalidade a referida Lei Estadual (o que caracterizaria a violação alegada à Súmula CARF no. 02 e ao art. 62 do Regimento Interno deste CARF então em vigor quando da propositura do recurso), mas, sim, de interpretar o diploma de acordo com a competência tributária constitucionalmente estabelecida, de forma que os efeitos da referida Lei, no que tange ao caráter indenizatório das verbas recebidas, se limitem a matérias cuja competência seja do Estado da Bahia, visto que, de outra forma, se estaria a validar a possibilidade de invasão de competência tributária da União por este mesmo Estado. Não se está a afastar, aqui, a constitucionalidade do dispositivo de forma a afastar sua aplicação, mas tão somente verificase sua impossibilidade de produção de efeitos na seara tributária, em se tratando de IRPF. Assim, imprescindível a análise da natureza dessas verbas, no contexto de todo o direito positivo aplicável ao tributo em questão, para se concluir pela sua tributação ou não pelo imposto sobre a renda. A propósito, chama a atenção o fato de que as diferenças de URV pagas ao contribuinte pelo Tribunal de Justiça do Estado da Bahia não se destinam à recomposição de um prejuízo, ou dano material por ela sofrido. Diferentemente, as verbas recebidas pela contribuinte repõem a atualização monetária dos Fl. 299DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 6 salários do período considerado. Nesse sentido, observase que o artigo 4° da Lei do Estado da Bahia n° 8.730, de 2003, deixa claro que se trata de diferenças de remuneração quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV. Desta forma, é incontornável a constatação que tais diferenças integram a remuneração mensal percebida pela contribuinte, em decorrência do seu trabalho, constituindo parte integrante de seus vencimentos. As verbas assim auferidas integram, portanto, a definição de renda, nos termos do artigo 43 do Código Tributário Nacional. Por fim, de se reproduzir uma vez mais a jurisprudência do STJ, que sustenta tal posicionamento, no sentido de se rejeitar o caráter indenizatório das verbas em questão. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. IMPORTÂNCIAS PAGAS EM DECORRÊNCIA DE SENTENÇA TRABALHISTA. NATUREZA REMUNERATÓRIA. RESPONSABILIDADE PELA RETENÇÃO E RECOLHIMENTO DO IMPOSTO. FONTE PAGADORA. ALÍQUOTA APLICÁVEL. EXCLUSÃO DA MULTA. 1. O recebimento de remuneração em virtude de sentença trabalhista que determinou o pagamento da URP no período de fevereiro de 1989 a setembro de 1990 não se insere no conceito de indenização, constituindose complementação de caráter nitidamente remuneratório, ensejando, portanto, a cobrança de imposto de renda. (...) 5. Recurso especial parcialmente provido (REsp 383.309/SC, Rel. Min. João Otávio de Noronha, DJU de 07.04.06); Eram, portanto, as verbas em questão tributáveis, independentemente da denominação a elas conferida pela Lei do Estado da Bahia n° 8.730, de 2003, conclusão em perfeita consonância e respaldada pelos dispositivos legais mencionados no auto de infração. a.2) Da Resolução n.° 245 do STF A recorrente traz à baila a Resolução n.° 245 do STF, que, uma vez estendida aos membros do Ministério Público da União, por força do artigo 2° da Lei n° 10.477, de 2002, de despacho do PGR no âmbito do Processo Administrativo 1.00.000.011735/2002 e Pareceres PGFN nos. 529 e 923, de 2003, aplicarseia também aos membros do Poder Judiciário dos Estados, de forma a que se afastasse a incidência do IRPF sobre as verbas em discussão. A respeito, verifico que a questão da aplicabilidade da Resolução n° 245 do STF aos valores recebidos a título de diferenças de URV foi exaustivamente analisada pelo Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka no voto condutor da decisão proferida pela mesma 1a. Turma Ordinária da 1a Câmara da Segunda Seção de Julgamento deste Conselho, no Fl. 300DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10530.724327/200982 Acórdão n.º 9202004.092 CSRFT2 Fl. 325 7 Acórdão n° 2101002.388, de 18 de fevereiro de 2014. Por se aplicar ao caso que aqui se analisa, e por refletir o entendimento deste Relator, adotase o quanto manifestado naquele voto. Veja se: “(...) Buscando reforçar o argumento, requer a contribuinte a aplicação da Resolução n.° 245 do STF, assim como de consulta administrativa realizada pela Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, os quais disporiam acerca da remuneração dos magistrados. No entanto, mencionadas normas não se aplicam ao fim pretendido pela Recorrente. Inicialmente, cumpre salientar que a dita resolução dispôs acerca da forma de cálculo do abono salarial variável e provisório de que trata o art. 2° e parágrafos da Lei n.° 10.474/2002, considerandoo como de natureza indenizatória. Neste sentido, o inciso I do art. 1° trouxe a forma de cálculo deste abono: "I apuração, mês a mês, de janeiro/98 a maio/2002, da diferença entre os vencimentos resultantes da Lei n° 10.474, de 2002 (Resolução STF n° 235, de 2002), acrescidos das vantagens pessoais, e a remuneração mensal efetivamente percebida pelo Magistrado, a qualquer título, o que inclui, exemplificativamente, as verbas referentes a diferenças de URV, PAE, 10,87% e recálculo da representação (194%)". A própria redação da Resolução excluiu do valor integrante do abono as verbas referentes à diferença de URV, de onde se interpreta que esta não tem natureza indenizatória, mas de recomposição salarial. Tal tema inclusive já foi enfrentado Egrégio Superior Tribunal de Justiça, tendo este reconhecido as diferenças entre a abono salarial tratado pela norma e a diferença da URV, conforme se verifica de voto da Ministra Eliana Calmon: "Na jurisprudência desta Casa, colho os seguintes precedentes, que sempre distinguiram as hipóteses de percepção das diferenças remuneratórias da URV do abono identificado na Resolução 245/STF: (...)" (STJ, Recurso Especial n.° 1.187.109/MA, Segunda Turma, Ministra Relatora Eliana Calmon, julgado em 17/08/2010)" E tal também foi o entendimento do Ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, em decisão monocrática proferida nos autos do Recurso Extraordinário n.° 471.115, do qual se colaciona o seguinte excerto: "Os valores assim recebidos pelo recorrido decorrem de compensação pela falta de oportuna correção no valor nominal do salário, quando da implantação da URV e, assim, constituem parte integrante de seus vencimentos. Fl. 301DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 8 As parcelas representativas do montante que deixou de ser pago, no momento oportuno, são dotadas dessa mesma natureza jurídica e, assim, incide imposto de renda quando de seu recebimento. No que concerne à Resolução n° 245/02, deste Supremo Tribunal Federal, utilizada na fundamentação do acórdão recorrido, temse que suas normas a tanto não se aplicam, para o fim pretendido pelo recorrido (...)" (STF, Recurso Extraordinário n.° 471.115, Ministro Relator Dias Toffoli, julgado em 03/02/2010)" Adicionalmente, mesmo caso se tenha leitura diversa da Resolução STF no. 245, de 2002, entendo de se aceder, ainda, à argumentação de se cingirem os efeitos da referida Resolução e dos despachos PGR e Pareceres PGFN em questão aos membros das carreiras mencionadas no âmbito das Leis no. 10.474 e 10.477, ambas de 27 de julho de 2002 (às quais, ressaltese, não pertence, o recorrente), vedados: a) o estabelecimento de isenção por analogia a partir do disposto nos arts. 97, VI e 111, I e II do CTN e 150 §6o. da CRFB; b) o afastamento da hipótese de incidência, delineada pelos dispositivos legais constantes do auto de infração, por violação ao princípio constitucional da isonomia, uma vez que é expressamente vedado a este Conselho afastar a aplicação da lei tributária com base em argumentação de violação a preceitos constitucionais, consoante dispõe o art. 62 do Regimento já mencionado e Súmula CARF no. 02. Concluise, portanto, pelo caráter salarial dos valores recebidos acumuladamente pela Recorrente, razão pela qual deverão compor a base de cálculo do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, nos termos do art. 43 do Código Tributário Nacional e dispositivos legais que fundamentaram o auto de infração, descartado o afastamento da incidência do IRPF seja pelo disposto na Lei do Estado da Bahia no. 8.730, de 2003, seja pelo teor da Resolução STF no. 245, de 2002. a.3) Quanto aos efeitos do decidido no âmbito do RE 614.406/RS ao feito Reitero, também aqui, com a devida vênia ao posicionamento diverso de alguns Conselheiros desta casa, meu entendimento, já manifestado também na instância ordinária, de desnecessidade de observância obrigatória do decidido pelo STJ no âmbito do REsp 1.118.429/SP no caso sob análise, uma vez se estar a tratar ali, da tributação de benefícios previdenciários recebidos acumuladamente, situação fática notadamente diversa da dos presentes autos, onde não está a ser tratar de qualquer rubrica de benefício, mas sim de diferença remuneratória perceptível quando do servidor na ativa. Todavia, reconhecese aqui que a matéria sob litígio foi objeto de análise recente pelo STF, no âmbito do RE 614.406/RS, objeto de trânsito em julgado em 11/12/2014, feito que teve sua repercussão geral previamente reconhecida (em 20 de outubro Fl. 302DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10530.724327/200982 Acórdão n.º 9202004.092 CSRFT2 Fl. 326 9 de 2010), obedecida assim a sistemática prevista no art. 543B do Código de Processo Civil vigente. Obrigatória, assim, a observância, por parte dos Conselheiros deste CARF dos ditames do Acórdão prolatado por aquela Suprema Corte em 23/10/2014, a partir de previsão regimental contida no art. 62, §2o. do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF no. 343, de 09 de junho de 2015. Reportandome a este último julgado vinculante, noto que, ali, se acordou, por maioria de votos, em manter a decisão de piso do STJ acerca da inconstitucionalidade do art. 12 da Lei no. 7.713, de 1988, devendo ocorrer a "incidência mensal para o cálculo do imposto de renda correspondente à tabela progressiva vigente no período mensal em que apurado o rendimento percebido a menor regime de competência (...)", afastandose assim o regime de caixa. Todavia, de se ressaltar aqui também que em nenhum momento se cogita, no Acórdão, de eventual cancelamento integral de lançamentos cuja apuração do imposto devido tenha sido feita obedecendo o art. 12 da referida Lei no. 7.713, de 1988, notese, diploma plenamente vigente na época em que efetuado o lançamento sob análise, o qual, ainda, em meu entendimento, guarda, assim, plena observância ao disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional. A propósito, de se notar que os dispositivos legais que embasaram o lançamento, em nenhum momento foram objeto de declaração de inconstitucionalidade ou de decisão em sede de recurso repetitivo de caráter definitivo que pudesse lhes afastar a aplicação ao caso in concretu. Deflui daquela decisão da Suprema Corte, em meu entendimento, inclusive, o pleno reconhecimento do surgimento da obrigação tributária que aqui se discute o qual, repitase, obedeceu os estritos ditames da legalidade à época da ação fiscal realizada. Da leitura do inteiro teor do decisum do STF, é notório que, ainda que se tenha rejeitado o surgimento da obrigação tributária somente no momento do recebimento financeiro pela pessoa física, o que a faria eventualmente mais gravosa, entendese, ali, inequivocamente, que se mantém incólume a obrigação tributária oriunda do recebimento dos valores acumulados pela contribuinte pessoa física, mas agora a ser calculada em momento pretérito, quando a contribuinte fez jus à percepção dos rendimentos, de forma, assim, a restarem respeitados os princípios da capacidade contributiva e isonomia. Assim, com a devida vênia ao posicionamento esposado por alguns membros deste Conselho, entendo que, a esta altura, ao se defender a exoneração integral do lançamento, se estaria, inclusive, a contrariar as razões de decidir que embasam o decisum vinculante, no qual, reitero, em nenhum momento, note se, se cogita da inexistência da obrigação tributária/incidência do Imposto sobre a Renda decorrente da percepção de rendimentos tributáveis de forma acumulada. Fl. 303DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 10 Se, por um lado, manterse a tributação na forma do referido art. 12 da Lei no. 7.713, de 1988, conforme decidido de forma definitiva pelo STF, violaria a isonomia no que tange aos que receberam as verbas devidas "em dia" e ali recolheram os tributos devidos, exonerar o lançamento por completo a esta altura significaria estabelecer tratamento antiisonômico (também em relação aos que também receberam em dia e recolheram devidamente seus impostos), mas em favor daqueles que foram autuados e nada recolheram ou recolheram valores muito inferiores aos devidos, ao serem agora consideradas as tabelas/alíquotas vigentes à época, o que deve, em meu entendimento, também se rechaçar. Feita tal digressão, verifico porém, que, no caso em questão, a autoridade fiscal já optou por tributar os valores com base nas alíquotas vigentes nos períodos que apurados o rendimento percebido a menor regime de competência (os rendimentos percebidos a menor referemse aos períodos de abril de 1994 a agosto de 2001) Acerca das tabelas progressivas/alíquotas aplicáveis aos meses de referência, de se consultar o resumo que se segue, que respalda a tabela utilizada pela autoridade autuante: Todavia, ainda que se tenha utilizado as alíquotas corretas, não há como se garantir que estivesse o autuado na faixa superior de recebimentos mensais para cada um dos meses de competência, uma vez que, notese, não se retroagiu, no lançamento, o momento de incidência aos meses dos anoscalendário de 1994 a 2001, constantes do demonstrativo detalhado fornecido pelo contribuinte em resposta à intimação da autoridade fiscal. Fl. 304DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10530.724327/200982 Acórdão n.º 9202004.092 CSRFT2 Fl. 327 11 Assim, diante de tais motivos, voto no sentido de, nesta matéria, dar parcial provimento ao Recurso da Contribuinte, no sentido de determinar a retificação do montante do crédito tributário com a aplicação tanto das tabelas progressivas como das alíquotas vigentes à época da aquisição dos rendimentos (meses em que foram apurados os rendimentos percebidos a menor), ou seja, tudo de acordo com o regime de competência. b) Quanto à incidência do IRPF sobre os juros de mora Para fins de solução do litígio quanto à esta matéria, de se perquirir a extensão dos efeitos da aplicação, ao presente feito, do decidido pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça, no âmbito do REsp 1.227.133/RS, quanto à incidência de juros de mora sobre rendimentos recebidos acumuladamente. Tratase, notese, também de decisum de aplicação obrigatória neste Conselho, consoante art. 62A do Anexo II do Regimento Interno deste CARF em vigor quando da prolação da decisão recorrida, aprovado pela Portaria MF no 256, de 22 de junho de 2009 e, ainda, conforme o art. 62, §1o. do atual Regimento Interno, aprovado pela Portaria MF no 343, de 09 de junho de 2015. A propósito, creio, em linha com o argumentado pela Fazenda Nacional em sede de contrarrazões, que o melhor esclarecimento da amplitude da decisão vinculante em questão (REsp 1.227.133/RS) pode ser obtido em outro feito daquele Egrégio Tribunal, a saber, no REsp 1.089.720/RS, cujo relator foi o Ministro Mauro Campbell Marques e cuja cristalina ementa decisória, datada de 10/10/12 e publicada em 16/10/12 estabelece: REsp 1.089.720/RS PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA N. 284/STF. IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA FÍSICA IRPF. REGRA GERAL DE INCIDÊNCIA SOBRE JUROS DE MORA. PRESERVAÇÃO DA TESE JULGADA NO RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA RESP. N. 1.227.133/RS NO SENTIDO DA ISENÇÃO DO IR SOBRE OS JUROS DE MORA PAGOS NO CONTEXTO DE PERDA DO EMPREGO. ADOÇÃO DE FORMA CUMULATIVA DA TESE DO ACCESSORIUM SEQUITUR SUUM PRINCIPALE PARA ISENTAR DO IR OS JUROS DE MORA INCIDENTES SOBRE VERBA ISENTA OU FORA DO CAMPO DE INCIDÊNCIA DO IR (grifei), 1. Não merece conhecimento o recurso especial que aponta violação ao art. 535, do CPC, sem, na própria peça, individualizar o erro, a obscuridade, a contradição ou a omissão ocorridas no acórdão proferido pela Corte de Origem, bem como sua relevância para a solução da Fl. 305DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 12 controvérsia apresentada nos autos. Incidência da Súmula n. 284/STF: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". 2. Regra geral: incide o IRPF sobre os juros de mora, a teor do art. 16, caput e parágrafo único, da Lei n. 4.506/64, inclusive quando reconhecidos em reclamatórias trabalhistas, apesar de sua natureza indenizatória reconhecida pelo mesmo dispositivo legal (matéria ainda não pacificada em recurso representativo da controvérsia). 3. Primeira exceção: são isentos de IRPF os juros de mora quando pagos no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho, em reclamatórias trabalhistas ou não. Isto é, quando o trabalhador perde o emprego, os juros de mora incidentes sobre as verbas remuneratórias ou indenizatórias que lhe são pagas são isentos de imposto de renda. A isenção é circunstancial para proteger o trabalhador em uma situação sócioeconômica desfavorável (perda do emprego), daí a incidência do art. 6°, V, da Lei n. 7.713/88. Nesse sentido, quando reconhecidos em reclamatória trabalhista, não basta haver a ação trabalhista, é preciso que a reclamatória se refira também às verbas decorrentes da perda do emprego, sejam indenizatórias, sejam remuneratórias (matéria já pacificada no recurso representativo da controvérsia REsp no 1.227.133RS, Primeira Seção, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Rel .p/acórdão Min. Cesar Asfor Rocha, julgado em 28.9.2011). 4. Segunda exceção: são isentos do imposto de renda os juros de mora incidentes sobre verba principal isenta ou fora do campo de incidência do IR, mesmo quando pagos fora do contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho (circunstância em que não há perda do emprego), consoante a regra do "accessorium sequitur suum principale". (grifei) (...) 7. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, parcialmente provido." Assim, com base no posicionamento constante do julgado acima, que adoto integralmente, uma vez entender que foi esse o julgado a sedimentar e esclarecer a correta forma de aplicação do julgado vinculante aqui discutido (REsp 1.227.133/RS), é de se perquirir, em cada caso concreto: 1) se os juros de mora foram auferidos no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho e 2) se está diante de verba principal isenta ou fora do campo de incidência do IR. Somente no caso de resposta afirmativa a um dos dois questionamentos acima deve não incidir o IR sobre os juros de mora recebidos acumuladamente, de forma a que se obedeça o Fl. 306DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10530.724327/200982 Acórdão n.º 9202004.092 CSRFT2 Fl. 328 13 julgado vinculante, restando incidente a tributação sobre os juros de mora nas demais situações. Aplicandose o acima disposto ao caso em questão: 1) Conforme já anteriormente delineado, entendo que não se está a tratar, aqui, de verba indenizatória, tendose concluído, no âmbito do presente voto, pela natureza remuneratória da verba principal de diferenças quando da conversão de Cruzeiro Real para URV sob análise, caracterizada, assim, a incidência do IRPF sobre tais verbas; 2) Verifico, também, que não se está a tratar de verbas recebidas no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho; Concluo, assim, pela incidência do Imposto de Renda sobre os juros de mora em questão quando da aplicação do decisum vinculante constante do REsp 1.227.133/RS, a partir de sua interpretação detalhadamente estabelecida no âmbito do REsp 1.089.720/RS e, desta forma, nego provimento ao Recurso Especial da contribuinte também quanto a esta matéria. Destarte, diante do exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao Recurso do Contribuinte, para determinar a retificação do montante do crédito tributário com a aplicação à verba recebida (inclusive juros) tanto das tabelas progressivas como das alíquotas vigentes à época da aquisição dos rendimentos (meses em que foram apurados os rendimentos percebidos a menor), ou seja, de acordo com o regime de competência. É como voto. Em face do acima exposto, voto no sentido de conhecer o Recurso Especial do Contribuinte para, no mérito, darlhe provimento parcial, para determinar o cálculo do tributo sobre a verba recebida, inclusive juros, de acordo com o regime de competência. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 307DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 14 Fl. 308DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 11080.009099/2005-00
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/05/2001 a 31/12/2004
OBSCURIDADE NO ACÓRDÃO. EXISTÊNCIA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO ACOLHIDOS.
Acolhem-se os embargos de declaração quando caracterizada a aduzida obscuridade na decisão recorrida. Embargos acolhidos.
Numero da decisão: 3201-002.311
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração sem efeitos infringentes.
(assinado digitalmente)
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Mércia Helena Trajano DAmorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo. Ausência justificada de Charles Mayer de Castro Souza.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201608
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/05/2001 a 31/12/2004 OBSCURIDADE NO ACÓRDÃO. EXISTÊNCIA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO ACOLHIDOS. Acolhem-se os embargos de declaração quando caracterizada a aduzida obscuridade na decisão recorrida. Embargos acolhidos.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 11080.009099/2005-00
anomes_publicacao_s : 201610
conteudo_id_s : 5644518
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Oct 07 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 3201-002.311
nome_arquivo_s : Decisao_11080009099200500.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
nome_arquivo_pdf_s : 11080009099200500_5644518.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração sem efeitos infringentes. (assinado digitalmente) WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Mércia Helena Trajano DAmorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo. Ausência justificada de Charles Mayer de Castro Souza.
dt_sessao_tdt : Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2016
id : 6515905
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:53:06 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048690499780608
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1802; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 1.684 1 1.683 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.009099/200500 Recurso nº Embargos Acórdão nº 3201002.311 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 24 de agosto de 2016 Matéria EMBARGOS DE DECLARAÇÃO Embargante FAZENDA NACIONAL/DELEGACIA DA RFB DE PORTO ALEGRE/RS Interessado SBS ENGENHARIA E CONSTRUÇÕES LTDA ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/05/2001 a 31/12/2004 OBSCURIDADE NO ACÓRDÃO. EXISTÊNCIA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO ACOLHIDOS. Acolhemse os embargos de declaração quando caracterizada a aduzida obscuridade na decisão recorrida. Embargos acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração sem efeitos infringentes. (assinado digitalmente) WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente Substituto. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Mércia Helena Trajano DAmorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo. Ausência justificada de Charles Mayer de Castro Souza. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 90 99 /2 00 5- 00 Fl. 1264DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 3/09/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAI S PEREIRA 2 Em sessão transcorrida em 26 de novembro de 2013, a 1a Turma Ordinária da 2a Câmara da 3a Seção decidiu, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, interposto pelo sujeito passivo nos termos do acórdão nº 3201001.495, assim ementado: Assunto: PIS/PASEP Período de apuração: 01/05/2001 a 31/12/2004 PIS. BASE DE CÁLCULO. ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. INCONSTITUCIONALIDADE DE DECLARADA PELO STF. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO. O §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo STF no julgamento do RE nº 346.084/PR e no RE nº 585.235/RG, este último decidido em regime de repercussão geral (CPC, art. 543B). Portanto, aplicação do disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF, o que implica a obrigatoriedade do reconhecimento da inconstitucionalidade do referido dispositivo legal. NÃO HIPÓTESE DE APLICAÇÃO DO ART. 138 DO CTN. PERDA DE ESPONTANEIDADE. Omissão de receita, pagamento após início de procedimento fiscal. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Cientificado da referida decisão, O Delegado da DRF Porto Alegre/RS, com fundamento no inciso V do §1º do art. 65 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, tempestivamente, interpôs embargos de declaração, onde alega contradição e/ou obscuridade no acórdão, nos seguintes termos: Considerando que o voto da relatora, no que concerne ao PIS, inicia limitando o período de apuração cumulativa em maio/2001 até novembro/2002, e que, em seguida, refere que “Como a fiscalização procedeu a inclusão da receita financeira na base de cálculo nos períodos de apuração com incidência cumulativa, fica excluída essa parcela.”, fazse necessário esclarecer se a decisão abrange somente os períodos de apuração de maio e outubro de 2001 – os quais estão compreendidos no período limitado de maio/2001 a novembro/2002, ou se a decisão alcança, inclusive, os demais períodos em que houve apuração de PIS no regime cumulativo, quais sejam, fevereiro a dezembro de 2004.” Diante do exposto, requer seja dado provimento aos embargos de declaração. Os embargos declaratórios foram conhecidos por decisão do Presidente da Turma, na forma do art. 65, caput, Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Fl. 1265DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 3/09/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAI S PEREIRA Processo nº 11080.009099/200500 Acórdão n.º 3201002.311 S3C2T1 Fl. 1.685 3 Portaria MF n° 343, de 9 de junho de 2015. Foi determinada, assim, a inclusão do processo em pauta para julgamento pelo Colegiado. É o relatório. Voto Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM A embargante, inconformada com a decisão no julgamento em apreço, argumenta contradição e/ou obscuridade no acórdão, como relatado acima, e que deve ficar claro para fins de execução do acórdão, a fim de se determinar se devem ser excluídas as receitas financeiras em todos os períodos em que foi apurado o PIS sob o regime cumulativo, ou se somente em relação ao período de maio/2001 a novembro/2002. Para entendimento do julgamento do acórdão embargado, é salutar relembrar que versa sobre lançamento de ofício pela falta/insuficiência de recolhimento do PIS cumulativo e não cumulativo envolvendo períodos desde maio de 2001 até dezembro de 2004. Constatouse o seguinte: omissão de rendimentos recebidos por serviços prestados, falta de declaração e pagamento de valores devidos, não tributação de receitas financeiras e utilização indevida de créditos pela sistemática não cumulativa do PIS e COFINS. A DRJ acatou e anulou parte do lançamento que restou prejudicado, em relação à glosa de créditos apurados na sistemática não cumulativa. Bem como reduziu valores, referentes aos pagamentos efetuados antes da lavratura do auto de infração, no entanto, após início de procedimento fiscal, ou seja, o pagamento recolhido neste período deverá ser utilizado para amortização do débito, considerando a multa de ofício, reduzida em 50% pois o pagamento foi realizado até o final do prazo de impugnação, como bem observou a decisão de primeira instância, conforme planilha apresentada na Conclusão do Voto do Acórdão a quo. Em que pese as exclusões efetuadas já pela DRJ, os argumentos do recurso voluntário (efl 801 e ss) remetem em relação à matéria em análise sob embargos, especificamente no item b, quando a empresa invoca revisão da base de cálculo do Auto de Infração do montante auferido e contabilizado a título de receita financeira com base na Lei de n° 9.718/98, art. 3°, § 1°, cuja legislação estava devidamente afastada, bem como fora revogada pela Lei de n° 11.941/2009; o processo foi convertido em diligência, através da Resolução de n° 3201000.289. Em resposta ao solicitado, às efls. 1175 a 1177, concluiu a fiscalização que não resta nada a ser deduzido e todos os pagamentos já foram considerados na execução do procedimento fiscal, ou quando do julgamento. Além de ressaltar resposta pela empresa, nos seguintes termos: que utilizou PIS p/ sistemática Não Cumulativa de janeiro a dezembro de 2003; Fl. 1266DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 3/09/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAI S PEREIRA 4 que utilizou a sistemática Cumulativa de janeiro a dezembro de 2004 e que nos meses de fevereiro, março, abril e agosto de 2004, PIS p/ sistemática Não Cumulativa, somente sobre as receitas auferidas de serviços prestados ao Condomínio Barcelona. Constam outras informações, conforme Termo de Intimação fiscal, à e fl. 422: empresa explora o ramo de prestação de serviços de obras públicas e privadas; as receitas contabilizadas pela empresa são apropriadas pelo regime de competência, considerando a emissão das notas fiscais correspondentes e os registros de Serviços Medidos a Faturar contra órgãos públicos; ... assim sendo, a empresa tributou as receitas para fins de recolhimento das contribuições para o PIS e COFINS na data do recebimento dos serviços prestados à órgãos públicos, e pela emissão da nota fiscal quando da prestação de serviços a empresas privadas; Bem como, à efl. 582 do Relatório de Ação Fiscal: Em cada mês, consideramos para a base de cálculo do PIS e da COFINS, o valor da receita recebida pelo regime de caixa mais a receita financeira contabilizada. Desta base de cálculo aplicamos a alíquota correspondente a contribuição (0,65 % para o PIS e 3 % para a COFINS quanto a base de cálculo da receita cumulativa. 1,65 % para o PIS e 7,6 % para a COFINS quanto a base de cálculo da receita não cumulativa). No ano calendário 2004 a empresa apresentou DACON, considerando receitas proporcionalmente tributadas pela receita cumulativa e outras, pela receita não cumulativa. Da base de cálculo, descontamos os valores declarados em DCTF ou pagos, chegando as seguintes diferenças a recolher:...... Transcrevese o voto na matéria embargada: Com relação ao PIS apurado no regime cumulativo incidente sobre valores recebidos a título de receitas financeiras, referente ao período de apuração cumulativo (maio/2001 até novembro/2002). Esses valores compõem receita nãooperacional da pessoa jurídica, pois não são produto direto da alienação de um bem ou serviço relacionado à atividade fim da sociedade empresarial. PIS foi instituído pela Lei Complementar n.° 7, de 7 de setembro de 1970, passando por diversas alterações na sua base legislativa e posteriormente, na sistemática cumulativa pela Lei n.° 9.718 de 27 de novembro de 1998. Dentro da sistemática da cumulatividade, o PIS possui a seguinte regra matriz de incidência tributária nos termos do art. 2.° da Lei 9.718/98, consiste no faturamento das Pessoas Jurídicas, entendendose este, nos termos do artigo 3°, § 1° da Fl. 1267DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 3/09/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAI S PEREIRA Processo nº 11080.009099/200500 Acórdão n.º 3201002.311 S3C2T1 Fl. 1.686 5 mesma lei como a receita bruta das pessoas jurídicas, ou seja, a totalidade das receitas auferidas, sendo irrelevante o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. Logo, com a publicação da Lei n° 9.718/98, artigos 2° e 3°, a base de cálculo do tributo foi ampliada, de forma a alcançar toda e qualquer receita auferida pela pessoa jurídica, independentemente do tipo de atividade por ela exercida e da classificação contábil das receitas: Art.2°As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Art.3°.O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. §1° Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. (Revogado pela Lei n° 11.941, de 2009) Observase, portanto, que as receitas oriundas das receitas financeiras enquadramse no conceito estabelecido pelo §1° do artigo 3° da Lei n° 9.718/98, haja vista a base de cálculo do tributo atingir a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica. Tal dispositivo, contudo, foi declarado inconstitucional pelo STF no julgamento de questão de ordem no RE no 585.235/RG, decidido em regime de repercussão geral (CPC, art. 543B): EMENTA: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS Alargamento da base de cálculo. Art. 3°, § 1°, da Lei n° 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE n° 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJde 1°.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3°, § 1°, da Lei n°9.718/98. Decisão: O Tribunal, por unanimidade, resolveu questão de ordem no sentido de reconhecer a repercussão geral da questão constitucional, reafirmar a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1° do artigo 3° da Lei 9.718/98 e negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, tudo nos termos do voto do Relator. Vencido, parcialmente, o Senhor Ministro Marco Aurélio, que entendia ser necessária a inclusão do processo em pauta. Em seguida, o Tribunal, por naioria,aprovou proposta do Relator para edição de súmula vinculante sobre o tema, e cujo teor será deliberado nas próximas sessões, vencido o Senhor Ministro Marco Aurélio, que reconhecia a necessidade de encaminhamento da proposta à Comissão de Jurisprudência. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Fl. 1268DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 3/09/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAI S PEREIRA 6 Mendes. Ausentes, justificadamente, o Senhor Ministro Celso de Mello, a Senhora Ministra Ellen Gracie e, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Plenário, 10.09.2008. Esta decisão enquadrase à hipótese prevista pelo caput do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, que assim dispõe: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei n° 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Desta forma, diante da inconstitucionalidade do §1° do artigo 3° da Lei n° 9.718/98, a base de cálculo do PIS apurado no regime cumulativo compreende o faturamento mensal da pessoa jurídica, correspondendo este a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Como a fiscalização procedeu a inclusão da receita financeira na base de cálculo nos períodos de apuração com incidência cumulativa, fica excluída essa parcela. Por todo o exposto, a conclusão foi para abranger o período de maio/2001 até novembro/2002 (a lei referida,produziu efeitos a partir de 1o de dezembro de 2002, em relação aos arts. 1o a 6o e 8o a 11). Ou seja, desconsiderar, apenas, para fins de apuração na base de cálculo, do montante auferido e contabilizado a título de receita financeira, com base na Lei de n° 9.718/98, art. 3, § único que foi afastado e considerado inconstitucional que foi o embasamento/motivação do meu voto transcrito acima, tendo em vista o alargamento do conceito de faturamento e não estrito ao faturamento de natureza operacional, inclusive, traduz o enfrentamento ao recurso voluntário da empresa. Portanto, o art. 3°, § único da Lei n° 9.718/98, ao prever a tributação de receitas que não se enquadram no conceito de faturamento pelo PIS e pela Cofins, contrariou o art. 195, I, da CF/88, que somente autorizava a tributação de receitas que se enquadrassem no conceito de faturamento, isto é, somente aquelas decorrentes da venda de mercadorias ou de prestação de serviços. Desse modo, deve ser afastada a exigência relativa contida nos autos, cujo comando legal que determinava a tributação de tais parcelas foi declarado inconstitucional. Quanto à parcela do crédito tributário remanescente, deve ser exigida acrescida dos consectários legais, de vez que os mesmos encontramse expressamente estabelecidos em lei. Registrese o parágrafo (final) da conclusão do voto da decisão (do recurso voluntário) em comento: Em assim sendo, voto por excluir a receita financeira da base de cálculo no período cumulativo, bem como ratificar em parte o recálculo da primeira instância, no tocante aos pagamentos pós procedimento fiscal, que perderam a espontaneidade, os quais também devem ser excluídas parcelas das receitas financeiras. Vejamos o que consta no resultado do julgado do recurso voluntário por este Conselho consignado na folha de rosto do acórdão: Fl. 1269DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 3/09/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAI S PEREIRA Processo nº 11080.009099/200500 Acórdão n.º 3201002.311 S3C2T1 Fl. 1.687 7 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Pelo exposto, acolhemse os embargos de declaração interpostos, tendo em vista obscuridade, visto que a decisão, de fato, da maneira como posta, guardou traços obscuros que merecem maiores esclarecimentos para a execução do acórdão, a fim de se determinar que devem ser excluídas as receitas financeiras somente em relação ao período de maio/2001 a novembro/2002 e para constar no final do voto: Em assim sendo, voto por excluir a receita financeira da base de cálculo no período cumulativo, bem como ratificar em parte o recálculo da primeira instância, no tocante aos pagamentos pós procedimento fiscal, que perderam a espontaneidade, os quais também devem ser excluídas parcelas das receitas financeiras; no período de maio/2001 a novembro de 2002. Da conclusão Diante do exposto, e considerando que o acórdão recorrido encontrase com a obscuridade apontada que justifique a oposição de embargos de declaração, com fins de esclarecimentos, do período a ser considerado com vistas à execução do acórdão; voto para que seja conhecido e acolhido o recurso formulado pelo Delegado da RFB de Porto Alegre/RS, sem efeitos infringentes no julgamento, conforme aclaramento acima, pois o voto embargado foi neste sentido do período em discussão e apenas não houve referência no final da conclusão do voto. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 1270DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 3/09/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAI S PEREIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10980.728340/2013-99
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Aug 29 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 2010, 2011
IRRF. PAGAMENTO SEM CAUSA E/OU A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. SUJEITO PASSIVO.
O sujeito passivo da obrigação tributária no caso de pagamento sem causa e/ou a beneficiário não identificado (art. 61 da Lei 8.981, de 1995) é o contribuinte que efetua o pagamento.
As notas fiscais apresentadas não discriminam a quantificação das prestações de serviços nem a natureza destas prestações. A causa dos pagamentos não foi comprovada.
DOLO E FRAUDE. MULTA QUALIFICADA.
A multa qualificada não é aplicada somente quando existem nos autos documentos com fraudes materiais, como contratos e recibos falsos, notas frias etc., decorre também da análise da conduta ou dos procedimentos adotados pelo contribuinte que emergem do processo. (Acórdão 9202-003.128, CSRF, 2ª Turma, de 27 de março de 2014)
Deve ser mantida a qualificação da multa, pela demonstração da intenção de ocultar lucros e resultados, usando como expediente a contratação de terceiros e seus supostos serviços de propaganda, incluindo informações em notas fiscais e livros contábeis, com essa finalidade, existindo nos autos documentos, especialmente cheques nominais.
SOLIDARIEDADE E RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. DISTINÇÃO.
A solidariedade tributária de que tratam as situações previstas no artigo 124, I, do CTN, pressupõe a existência de dois sujeitos passivos praticando conduta lícita, descrita na regra matriz de incidência tributária. Do fato gerador, nestas situações, decorre a possibilidade do sujeito ativo exigir o pagamento de tributos de qualquer um dos sujeitos que integrou a relação jurídico-tributária.
Por sua vez, a responsabilidade tributária decorrente das situações previstas no artigo 135 do CTN, está ligada à prática de atos com excesso de poderes, infração de lei, contrato social ou estatutos, por quem não integra a relação jurídico-tributária, mas é chamado a responder pelo crédito tributário em virtude do ilícito praticado.
Numero da decisão: 2202-003.476
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, quanto ao Recurso de Ofício, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso, para restabelecer a qualificação da multa de ofício, elevando-a ao percentual de 150%, vencidos os Conselheiros Martin da Silva Gesto, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dílson Jatahy Fonseca Neto e Wilson Antônio de Souza Correa (Suplente convocado), que negaram provimento ao recurso. Os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Rosemary Figueiroa Augusto e Cecília Dutra Pillar votaram pelas conclusões. Quanto aos Recursos Voluntários: a) por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso da pessoa jurídica ITSA INDÚSTRIAS S/A; b) por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso das pessoas físicas Mario Antônio Todeschini, Sérgio Todeschini e Paulo Hilário Bonametti, para excluí-los do pólo passivo na condição de responsáveis solidários.
Assinado digitalmente
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurelio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar, Wilson Antonio de Souza Correa (Suplente Convocado) e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201607
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Exercício: 2010, 2011 IRRF. PAGAMENTO SEM CAUSA E/OU A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. SUJEITO PASSIVO. O sujeito passivo da obrigação tributária no caso de pagamento sem causa e/ou a beneficiário não identificado (art. 61 da Lei 8.981, de 1995) é o contribuinte que efetua o pagamento. As notas fiscais apresentadas não discriminam a quantificação das prestações de serviços nem a natureza destas prestações. A causa dos pagamentos não foi comprovada. DOLO E FRAUDE. MULTA QUALIFICADA. A multa qualificada não é aplicada somente quando existem nos autos documentos com fraudes materiais, como contratos e recibos falsos, notas frias etc., decorre também da análise da conduta ou dos procedimentos adotados pelo contribuinte que emergem do processo. (Acórdão 9202-003.128, CSRF, 2ª Turma, de 27 de março de 2014) Deve ser mantida a qualificação da multa, pela demonstração da intenção de ocultar lucros e resultados, usando como expediente a contratação de terceiros e seus supostos serviços de propaganda, incluindo informações em notas fiscais e livros contábeis, com essa finalidade, existindo nos autos documentos, especialmente cheques nominais. SOLIDARIEDADE E RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. DISTINÇÃO. A solidariedade tributária de que tratam as situações previstas no artigo 124, I, do CTN, pressupõe a existência de dois sujeitos passivos praticando conduta lícita, descrita na regra matriz de incidência tributária. Do fato gerador, nestas situações, decorre a possibilidade do sujeito ativo exigir o pagamento de tributos de qualquer um dos sujeitos que integrou a relação jurídico-tributária. Por sua vez, a responsabilidade tributária decorrente das situações previstas no artigo 135 do CTN, está ligada à prática de atos com excesso de poderes, infração de lei, contrato social ou estatutos, por quem não integra a relação jurídico-tributária, mas é chamado a responder pelo crédito tributário em virtude do ilícito praticado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Aug 29 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 10980.728340/2013-99
anomes_publicacao_s : 201608
conteudo_id_s : 5627120
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Aug 30 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 2202-003.476
nome_arquivo_s : Decisao_10980728340201399.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
nome_arquivo_pdf_s : 10980728340201399_5627120.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, quanto ao Recurso de Ofício, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso, para restabelecer a qualificação da multa de ofício, elevando-a ao percentual de 150%, vencidos os Conselheiros Martin da Silva Gesto, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dílson Jatahy Fonseca Neto e Wilson Antônio de Souza Correa (Suplente convocado), que negaram provimento ao recurso. Os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Rosemary Figueiroa Augusto e Cecília Dutra Pillar votaram pelas conclusões. Quanto aos Recursos Voluntários: a) por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso da pessoa jurídica ITSA INDÚSTRIAS S/A; b) por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso das pessoas físicas Mario Antônio Todeschini, Sérgio Todeschini e Paulo Hilário Bonametti, para excluí-los do pólo passivo na condição de responsáveis solidários. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurelio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar, Wilson Antonio de Souza Correa (Suplente Convocado) e Marcio Henrique Sales Parada.
dt_sessao_tdt : Tue Jul 12 00:00:00 UTC 2016
id : 6480211
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:52:01 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048690503974912
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2364; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 1.194 1 1.193 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.728340/201399 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 2202003.476 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 12 de julho de 2016 Matéria IRRF Recorrente ITSA INDÚSTRIAS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício: 2010, 2011 IRRF. PAGAMENTO SEM CAUSA E/OU A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. SUJEITO PASSIVO. O sujeito passivo da obrigação tributária no caso de pagamento sem causa e/ou a beneficiário não identificado (art. 61 da Lei 8.981, de 1995) é o contribuinte que efetua o pagamento. As notas fiscais apresentadas não discriminam a quantificação das prestações de serviços nem a natureza destas prestações. A causa dos pagamentos não foi comprovada. DOLO E FRAUDE. MULTA QUALIFICADA. A multa qualificada não é aplicada somente quando existem nos autos documentos com fraudes materiais, como contratos e recibos falsos, notas frias etc., decorre também da análise da conduta ou dos procedimentos adotados pelo contribuinte que emergem do processo. (Acórdão 9202 003.128, CSRF, 2ª Turma, de 27 de março de 2014) Deve ser mantida a qualificação da multa, pela demonstração da intenção de ocultar lucros e resultados, usando como expediente a contratação de terceiros e seus supostos serviços de propaganda, incluindo informações em notas fiscais e livros contábeis, com essa finalidade, existindo nos autos documentos, especialmente cheques nominais. SOLIDARIEDADE E RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. DISTINÇÃO. A solidariedade tributária de que tratam as situações previstas no artigo 124, I, do CTN, pressupõe a existência de dois sujeitos passivos praticando conduta lícita, descrita na regra matriz de incidência tributária. Do fato gerador, nestas situações, decorre a possibilidade do sujeito ativo exigir o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 83 40 /2 01 3- 99 Fl. 1210DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 25 /08/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 26/08/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10980.728340/201399 Acórdão n.º 2202003.476 S2C2T2 Fl. 1.195 2 pagamento de tributos de qualquer um dos sujeitos que integrou a relação jurídicotributária. Por sua vez, a responsabilidade tributária decorrente das situações previstas no artigo 135 do CTN, está ligada à prática de atos com excesso de poderes, infração de lei, contrato social ou estatutos, por quem não integra a relação jurídicotributária, mas é chamado a responder pelo crédito tributário em virtude do ilícito praticado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, quanto ao Recurso de Ofício, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso, para restabelecer a qualificação da multa de ofício, elevandoa ao percentual de 150%, vencidos os Conselheiros Martin da Silva Gesto, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dílson Jatahy Fonseca Neto e Wilson Antônio de Souza Correa (Suplente convocado), que negaram provimento ao recurso. Os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Rosemary Figueiroa Augusto e Cecília Dutra Pillar votaram pelas conclusões. Quanto aos Recursos Voluntários: a) por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso da pessoa jurídica ITSA INDÚSTRIAS S/A; b) por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso das pessoas físicas Mario Antônio Todeschini, Sérgio Todeschini e Paulo Hilário Bonametti, para excluílos do pólo passivo na condição de responsáveis solidários. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurelio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar, Wilson Antonio de Souza Correa (Suplente Convocado) e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Em desfavor do contribuinte em epígrafe foi lavrado Auto de Infração relativo ao Imposto de Renda Retido na Fonte, dos anos calendário de 2009 e 2010, no total de R$ 1.798.461,46, acrescido de multa proporcional de 150% e mais juros de mora com base na taxa Selic. A ciência foi dada pessoalmente ao contribuinte em 06 de dezembro de 2013 (fl. 910). Em resumo, narram as Autoridades Fiscais responsáveis pelo feito, em seu Termo de Verificação Fiscal de fls. 886 e seguintes, que: Fl. 1211DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 25 /08/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 26/08/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10980.728340/201399 Acórdão n.º 2202003.476 S2C2T2 Fl. 1.196 3 1 A ITSA celebrou contrato de industrialização por encomenda com a empresa AC Comercial Importadora e Exportadora Ltda. O contrato previu que a AC Comercial deveria adquirir toda a matéria prima e as embalagens, remetendoas para industrialização pela ITSA, que após o processo, remeteria de volta os produtos acabados. Segundo a Fiscalização, esse procedimento é "comum". 2 Entretanto, para remunerar os serviços, a AC Comercial pagava todos os custos operacionais da ITSA, como salários e encargos sociais, manutenção de maquinário, energia elétrica e fornecedores diversos (cláusula quinta). Para isso, ao final de cada mês a ITSA deveria apresentar uma planilha com seus custos. Na prática, durante o mês a AC Comercial ia pagando diretamente as despesas e contabilizando como "adiantamento a fornecedor" e, no fim do mês, faziase o ajuste. O valor pactuado dos serviços de industrialização por encomenda era de R$ 130.000,00/mês. 3 Segundo a Fiscalização, a ITSA simulou a utilização de parte desses R$ 130.000,00 (R$ 94.000,00 em princípio e R$ 110.000,00 posteriormente) para pagar serviços de propaganda e marketing pela empresa Nacional Propaganda Ltda. Esses serviços não foram prestados de fato, e os valores chegaram aos sócios/diretores (pessoas físicas) da própria ITSA, sem que passassem pelo caixa ou contas bancárias dessa empresa. A ITSA acabava por distribuir lucro/honorários a seus sócios/diretores sem que esse lucro houvesse sido tributado ou contabilizado. 4 A AC Comercial, ao invés de pagar a suposta despesa com propaganda e marketing, repassava cheques de pequeno valor à ITSA (documentos anexos) que os registrava como se fosse pagar as despesas com a Nacional e, enfim, os entregava aos sócios da Nacional que pertencem à mesma família dos proprietários da ITSA. 5 Concluiu a Fiscalização que não houve comprovação da operação ou sua causa que motivou os pagamentos da ITSA para a Nacional, nos anos em questão. Alguns dos cheques que deveriam ser repassados à Nacional, cuja origem era os pagamentos da AC Comercial à ITSA por serviços de industrialização "já foram emitidos diretamente nominais aos diretores da ITSA e outras pessoas físicas da família". 6 Não tendo sido comprovada a operação ou causa relativa aos serviços prestados pela Nacional para a ITSA e aos pagamentos feitos a Roberto Todeschini, enquadrouse a situação no § 1º do artigo 61 da Lei nº 8.981, de 1995. 7 Entenderam ainda os Auditores que o fato de ter havido uma simulação de negócio (prestação de serviços pela Nacional) com o objetivo de repassar recursos às pessoas físicas controladoras da ITSA, a situação se enquadrava nas hipóteses dos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964, justificando a aplicação da multa qualificada de 150%. 8 Membros da Diretoria da ITSA, segundo a ata das Assembléias Gerais, não poderiam receber honorários. Com essas operações, acima descritas, acabaram recebendo valores. Portanto, agiram para burlar o decidido em Assembléia, o que os faz "pessoalmente responsáveis" pelos créditos tributários, nos termos do artigo 135, III, do CTN. 9 São cinco os membros da Diretoria da ITSA listados, no que se refere ao item acima. Outras três pessoas, que são sócios da Nacional mas não integram a Diretoria da ITSA, foram apontados como "solidariamente obrigados", nos termos do artigo 124, do CTN. Fl. 1212DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 25 /08/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 26/08/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10980.728340/201399 Acórdão n.º 2202003.476 S2C2T2 Fl. 1.197 4 O demonstrativo de apuração do imposto está na folha 914 e seguintes. O contribuinte ITSA S/A apresentou impugnação, na folha 972. Alegou que as imputações da Autoridade Fiscal eram absurdas e que a empresa Nacional Ltda fora contratada para prestar serviços legalmente. Alegou ainda que haveria erro no cálculo da planilha pois teria sido usada "uma base de cálculo acumulada no ano de 2009". PEDIU extinção da autuação em razão de ilegalidade cometida pelos autuantes ou revisão dos cálculos das bases utilizadas. Anexou cópia do Livro razão nas folhas 1000 e seguintes. Na folha 1047 e seguintes impugnam Roberto, José Eduardo, João Neto, Pedro e Plínio Todeschini. Dizem que somente haverá responsabilização solidária pela obrigação tributária da sociedade se houver excesso de poderes ou infração à lei, contrato social ou estatutos. O ônus da prova para o redirecionamento da responsabilidade é do Fisco, que deve provar que houve atuação culposa ou dolosa dos responsáveis solidários. requer o reconhecimento da ilegitimidade passiva dos sócios, no caso. Na folha 1078 impugnam Mario Todeschini, Paulo Hilário e Sérgio Todeschini. Dizem que a solidariedade do artigo 124 do CTN, para se materializar, necessita de interesse comum. Não é suficiente que se participe de ações que acarretem na ocorrência do fato gerador. É inquestionável a ilegitimidade passiva dos impugnantes. Ao analisar a questão, a 1ª Turma da DRJ em Belém/PA, assim decidiu, em suma: a) Manter o crédito tributário principal porque se de um lado não se demonstra ilegalidade nas relações comerciais da fiscalizada, de outro lado as notas fiscais apresentadas de fato não discriminam a quantificação das prestações dos serviços, logo a causa dos pagamentos não foi comprovada. O fato gerador do IRRF ocorreu. Correta a aplicação da alíquota de 35% sobre a base de cálculo ajustada. A impugnante se restringiu a dizer que havia erro na planilha sem indicar esses eventuais erros nem sequer proválos. Não lhe assiste razão; b) Reduzir a multa para 75%, pelo voto de qualidade, por que não se identificou ilegalidade nas situações apontadas pela fiscalização e não foi provado que os expedientes usados pela impugnante se destinavam a evitar ações da Justiça do Trabalho, lastreandose em "matéria jornalística encartada no processo." Não se demonstraram as circunstâncias qualificadoras da multa de ofício, nem tão pouco atividade probatória neste sentido; não se tributa com expressões do tipo “provavelmente” ou “ não é crível”. c) Manter a responsabilidade solidária de Paulo Hilário, Mário e Sérgio Todeschini, vencido o Relator, considerando que entendeu a maioria dos julgadores que a responsabilização na forma preconizada pelo art. 124, inciso I, do CTN, deveria subsistir. Isto porque os pagamentos que eram destinados à ITSA, mas foram repassados por esta à Nacional foram recebidos diretamente pelos sócios da ITSA e da Nacional. E é o pagamento a hipótese fática que se constitui fato gerador do IRRF. d) Afastar a responsabilidade pessoal dos demais, pelo voto de qualidade, considerando que as deliberações das Assembléias Gerais Ordinárias proíbem a distribuição de lucros aos sócios; não que estes trabalhem para outras empresas que forneçam bens ou serviços à empresa contratante. Não cabe à fiscalização valorar o mérito da atividade empresarial ou individual. Não houve consulta ao juízo da recuperação judicial acerca da repercussão das Fl. 1213DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 25 /08/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 26/08/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10980.728340/201399 Acórdão n.º 2202003.476 S2C2T2 Fl. 1.198 5 atividades da impugnante e a fiscalização baseou sua conclusão em excerto de reportagem acerca da situação econômica da empresa. Foram expedidas intimações distintas para a pessoa jurídica e para os responsáveis pessoais e solidários (fls. 1150 e ss.). A ITSA S/A foi cientificada em 20/10/2014 (fl. 1158); Paulo Hilário e José Eduardo em 17/10/2014 (fl. 1159); João Neto em 17/10/2014 (fl. 1161); Pedro, Roberto e Plínio em 17/10/2014 (fl. 1162/4) e Sérgio em 21/10/2014 (fl. 1165). Mário não foi cientificado por AR (fl. 1166), fazendose Edital (fl. 1169, ciência em 18/12/2014). Mario, Paulo Hilário e Sérgio apresentaram recurso voluntário em 19 de novembro de 2014, na folha 1171, alegando ilegitimidade passiva e inaplicabilidade do artigo 124 do CTN. Disseram que a fiscalização não comprovou o "interesse comum". Pediram seu afastamento do pólo passivo. A ITSA S/A apresentou recurso voluntário também em 19 de novembro de 2014, na folha 1185, dizendo que os pagamentos considerados pela fiscalização tinham beneficiário identificado, qual seja a Nacional Propaganda e os serviços prestados eram de propaganda, conforme seu objeto social. Não cabe tributação dos valores pagos pela ITSA como rendimentos sujeitos ao IRRF, são eles "faturamento da Nacional". Existe erro na base de cálculo ajustada utilizada pela fiscalização, pois usaram uma base acumulada em 2009. Requer que seja analisado "minuciosamente o Livro razão" para comparar com a planilha de valores lançados. Em conclusão, não cabem, no caso, as hipóteses dos artigos 674 e 675 do RIR/1999 e, subsidiariamente, a base de cálculo contém "erros grosseiros a maior". É o relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. ADMISSIBILIDADE E DELIMITAÇÃO DA LIDE. Existem nestes autos recurso de ofício da Autoridade Julgadora de 1ª instância, recurso voluntário da pessoa jurídica ITSA S/A e recurso voluntário das pessoas físicas apontadas como responsáveis solidários pela fiscalização. Em relação ao recurso de ofício, destaco que deuse em razão da redução da multa aplicada, no percentual de 150%, o que reduziu o valor de R$ 2.697.692,26 pela metade, já que a multa passou a ser de 75% do valor principal. Também, entendo que se aplique à exclusão do pólo passivo das pessoas físicas apontadas como pessoalmente responsáveis pelo crédito tributário, no lançamento, já que os exonerou de toda a responsabilidade. Vejamos o que diz o artigo 34 do Decreto nº 70.235, de 1972: Art. 34. A autoridade de primeira instância recorrerá de ofício sempre que a decisão: I exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa de valor total (lançamento principal e decorrentes) a ser fixado em ato do Ministro de Estado da Fl. 1214DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 25 /08/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 26/08/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10980.728340/201399 Acórdão n.º 2202003.476 S2C2T2 Fl. 1.199 6 Fazenda. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito)(sublinhei) No caso, essas pessoas exoneradas não apresentaram recurso voluntário. No que diz respeito aos recursos voluntários, em matéria de tempestividade, a análise deve ser individualizada. O recurso apresentado por ITSA S/A em 19/11/2014 é tempestivo, uma vez que a empresa foi cientificada em 20/10/2014 (AR na folha 1158). O recurso que toca a Mário, Sérgio e Paulo Hilário, apresentado em 19/11/2014 também é tempestivo, pois Sérgio foi cientificado em 21/10/2014 (fl. 1165) e Mario, por Edital, somente 18/12/2014 (fl. 1169). Seria intempestivo apenas em relação a Paulo Hilário, que fora cientificado em 17/10/2014 (fl. 1159), mas o recurso apresentado tempestivamente por um, aproveita aos demais responsáveis solidários. Assim, atendidas as demais formalidades legais, tomo conhecimento dos recursos de ofício e voluntário. 1. RECURSO DE OFÍCIO 1.1 MULTA QUALIFICADA A lei 4.502/64, art. 72, conceituou fraude como “toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento.” Na lição de VENOSA: A fraude é vício de muitas faces. Está presente em um sem número de situações na vida social e no Direito. Sua compreensão mais acessível é a de todo artifício malicioso que uma pessoa emprega com intenção de transgredir o Direito ou prejudicar interesses de terceiros. A máfé encontra guarida não só na fraude, mas também em outros vícios, como dolo, coação e simulação. (VENOSA. Silvio de Salvo, Direito Civil, 4ª ed. Parte Geral. Atlas: 2004, p. 505/506) Vejamos o Acórdão 9202003.128 CSRF, 2ª turma, que trata especificamente da matéria: A fraude se caracteriza por uma ação ou omissão, de uma simulação ou ocultação, e pressupõe, sempre, a intenção de causar dano à fazenda pública, num propósito deliberado de se subtrair, no todo ou em parte, a uma obrigação tributária. Assim, ainda que o conceito de fraude seja amplo, deve sempre estar caracterizada a presença do dolo, um comportamento intencional, específico, onde, utilizandose de subterfúgios, escamoteia na ocorrência do fato gerador ou retarda o seu conhecimento por parte da autoridade fazendária. (...) A multa qualificada não é aplicada somente quando existem nos autos documentos com fraudes materiais, como contratos e Fl. 1215DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 25 /08/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 26/08/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10980.728340/201399 Acórdão n.º 2202003.476 S2C2T2 Fl. 1.200 7 recibos falsos, notas frias etc., decorre também da análise da conduta ou dos procedimentos adotados pelo contribuinte que emergem do processo. (Acórdão 9202003.128, CSRF, 2ª Turma, de 27 de março de 2014) A ITSA e a Nacional Propaganda têm gestão em comum e são empresas indiscutivelmente ligadas. A Nacional Propagandas teria sido criada para executar ações de propaganda e marketing da ITSA. A auditoria descreve, com testemunhas (Paulo Hilário Bonametti), que a Nacional não tinha empregados, equipamentos ou endereço de funcionamento e contratava com terceiros serviços que eram pagos diretamente pela ITSA (antes "Todeschini", fl. 891). Nas relações entre a ITSA e a AC Comercial, para industrialização por encomenda, do total pago por essa, de R$ 130.000,00/mês, R$ 94.000,00 de início e depois R$ 110.000,00 iam para a Nacional (fl. 887). Esse montante era constituído em parte por cheques de pequeno valor e não um valor total. Parte desses cheques foi emitida nominalmente a diretores/controladores da ITSA. Ou seja, a AC Comercial pagava diretamente à Nacional, por supostos serviços prestados à ITSA, com cheques nominais a controladores da própria ITSA. Quando a DRJ disse que a fiscalização não poderia interferir no mérito das relações comerciais da recorrente, entendo que esteve certa no que tange à questão da "industrialização por encomenda", baseada no contrato entre a ITSA e a AC Comercial. De fato, eles são livres para determinar suas relações comerciais. Mas observo que até aí, afirmou a fiscalização que o procedimento "era comum na atividade de industrialização por encomenda" (fl. 886). O que "não é comum", como assentaram os Fiscais, é a AC Comercial pagar diretamente os custos da ITSA e, mais, entendo que existe fraude, quando paga diretamente com cheques nominais aos sócios/diretores/controladores por despesas com serviços de propaganda que não se comprovam. Vejamos, pois, que conforme o TVF, nas notas fiscais da Nacional e nos livros contábeis, a ITSA era praticamente seu único cliente (fl. 891). Em todas as notas emitidas manualmente, consta somente "prestação de serviços" sem nenhuma explicação do que seriam, exatamente. Em 2009, conforme demonstra o TVF, a Nacional teve receita bruta de R$ 1.131.800,00 e despesas, fora os tributos, de apenas R$ 373,51. Em 2010, receita bruta de R$ 1.195.800,00 e despesas, fora os tributos, de apenas R$ 373,49. O Fiscal menciona uma "rentabilidade fantástica" (fl. 892). No curso da auditoria, não houve a comprovação da operação entre a Nacional e a ITSA. Enfim, pela descrição da conduta que aqui se fez, entendo que deva ser mantida a qualificação da multa, pela demonstração da intenção de ocultar lucros, resultados e pagamentos de honorários da ITSA, usando como expediente a Nacional e seus supostos serviços de propaganda, incluindo informações em notas fiscais e livros contábeis, com essa finalidade. Fl. 1216DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 25 /08/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 26/08/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10980.728340/201399 Acórdão n.º 2202003.476 S2C2T2 Fl. 1.201 8 O dolo é patente e está configurado pela vontade dos agentes em atingir tais resultados, como se demonstra pela emissão de cheques em nomes das pessoas físicas envolvidas, com cópias nas folhas 895 e ss. Descreveu a auditoria fiscal que: "os administradores da ITSA já solicitavam previamente ao seu cliente A C Comercial que fizesse os cheques de pagamento nominais a eles, diretores e/ou sócios da ITSA, utilizandose do esquema da Nacional para justificar a transferência desses recursos, através da distribuição de "lucros". recursos esses que na verdade nem chegavam a transitar pela Nacional, já que nem eram repassados ao administrador da empresa, Paulo Bonametti." ... Não vi nada dessa questão da qualificação da multa, dos artifícios atacados no TVF, do dolo e da fraude ser rebatida no recurso voluntário. Nesse ponto, dou provimento ao recurso de ofício, para restabelecer a multa no percentual de 150%, conforme lançado. 1.2 RESPONSABILIDADE PESSOAL DOS SÓCIOS. A doutrina apresenta divergências sobre os limites da responsabilidade estabelecida no artigo 135, do CTN. Seria essa responsabilidade pessoal exclusiva ou ela não excluiria a responsabilidade do contribuinte, no caso a ITSA? Para Hugo de Brito Machado "em se tratando de responsabilidade inerente á própria condição de contribuinte, não é razoável admitirse que desapareça sem que a lei o diga expressamente" (MACHADO, Hugo de Brito. Curso de Direito Tributário, 33ª ed. Malheiros : 2012, p. 166). No mesmo sentido Shoueri diz que "...o artigo 135 silencia acerca da responsabilidade do contribuinte. Não a exclui nem atribui em caráter supletivo ... não há como concluir pela exclusão ou subsidiariedade da responsabilidade do contribuinte". (SHOUERI, Luís Eduardo. Direito Tributário. 2ª ed. Saraiva : 2012, p. 539) Entretanto, apesar da abalizada doutrina, penso diferente. Ao se enquadrar sócios e diretores como pessoalmente responsáveis com fundamento no artigo 135 do CTN, estarseia excluindo a responsabilidade da pessoa jurídica. Não há como as duas responsabilidades, a da contribuinte e a de seus sócios/diretores/administradores coexistirem, se a exigência/execução é redirecionada para os segundos, justamente porque agiram com infração à lei ou aos estatutos em prejuízo da primeira, lesandoa. Assim, filiome ao entendimento de Becho, que diz: "... a responsabilidade pessoal significa 'somente a pessoa', excluindo qualquer outra. (...) No caso do artigo 137, a responsabilidade pessoal do responsável exclui a responsabilidade do contribuinte, como ocorre com os crimes, em que a pessoa jurídica não responde pela prática dos atos dolosos das pessoas físicas. Assim, quer nos parecer que não há distinção, em relação á forma de responsabilização das pessoas físicas, entre os artigos 135 e 137". (BECHO, Renato Lopes. A Responsabilidade Tributária dos Sócios tem Fundamento Legal? RDDT 182/107, nov/2010) Fl. 1217DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 25 /08/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 26/08/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10980.728340/201399 Acórdão n.º 2202003.476 S2C2T2 Fl. 1.202 9 Enfim, Regina Helena Costa posicionase no sentido de que: "... em verdade, o artigo 135 do CTN contempla normas de exceção, pois a regra é a responsabilidade da pessoa jurídica, e não das pessoas físicas dela gestoras. Tratase de responsabilidade exclusiva de terceiros que agem dolosamente e que, por isso, substituem o contribuinte na obrigação, nos caos em que tiverem praticado atos com excesso de poderes ou infração á lei, contrato social ou estatutos. (COSTA, Regina Helena. Curso de Direito Tributário. Saraiva : 2009, p.205) Pois bem, concluise que a responsabilidade pessoal (artigo 135 do CTN) é exclusiva, exclui a responsabilidade do contribuinte. Não é possível que convivam, como se imputou nestes autos. A "infração á lei, ao contrato social e aos estatutos" é aquela que lesa a pessoa jurídica contra a qual, no caso, os sócios/diretores/administradores agem, não podendo essa ação gerar para o contribuinte um ônus tributário que deveria ser arcado por aqueles que lhe deram, dolosamente, causa. Não é o caso destes autos e entendo que andou bem a DRJ em excluir essa responsabilização pessoal dos sócios, mantendo no pólo passivo, no caso, a pessoa jurídica, contribuinte. O fundamento da fiscalização de fato é frágil, como tratou o julgador de 1ª instância, na folha 1140, em seu voto: Neste diapasão, como acima já relatamos; não há restrição legal ao fato de os sócios de uma empresa, pessoas físicas, constituírem outra(s) empresa(s) que prestem serviços entre si; as pessoas físicas dos sócios são pessoas distintas das pessoas jurídicas de cujos quadros societários façam parte; No caso em análise: as deliberações das Assembléias Gerais Ordinárias proíbem a distribuição de lucros aos sócios; não que estes trabalhem para outras empresas que forneçam bens ou serviços à empresa contratante; a conclusão da fiscalização exposta em seu comentário: "não é crível que estas pessoas ficaram vários anos trabalhando como diretores de uma empresa sem uma motivação maior do que dizer que se tratava de uma empresa familiar esperandose que um dia voltasse a dar lucros para seus sócios poderem receber algum retorno, observandose que José Eduardo Todeschini, Roberto Elói Todeschini e Pedro Achiles Todeschini sequer eram sócios da ITSA." Não encontra amparo na legislação; não cabe à fiscalização valorar o mérito da atividade empresarial ou individual! Fl. 1218DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 25 /08/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 26/08/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10980.728340/201399 Acórdão n.º 2202003.476 S2C2T2 Fl. 1.203 10 Não é caso da aplicação do artigo 135, III do CTN. Assim, nessa parte, entendo que deva ser negado provimento ao recurso de ofício. 2. RECURSO VOLUNTÁRIO 2.1 Recurso Voluntário da ITSA O recurso da pessoa jurídica se baseia em dois pontos: inocorrência de pagamentos sem causa ou a beneficiário não identificado, não se aplicando os dispositivos 674 e 675 do RIR/1999 e, subsidiariamente, que existem "erros grosseiros" na base de cálculo. Convém citar, então, o princípio da praticabilidade tributária, na lição de Regina Helena Costa: “A praticabilidade, também conhecida como praticidade, pragmatismo ou factibilidade, pode ser traduzida, em sua acepção jurídica, no conjunto de técnicas que visam a viabilizar a adequada execução do ordenamento jurídico. (...) O princípio da praticabilidade tributária constitui limite objetivo destinado á realização de diversos valores, podendo ser apresentado com a seguinte formulação: as leis tributárias devem ser exeqüíveis, propiciando o atingimento dos fins de interesse público por elas objetivado – qual seja, o adequado cumprimento de seus comandos pelos administrados, de maneira simples e eficiente, e a devida arrecadação dos tributos. Em conseqüência, os atos estatais de aplicação de tais leis – administrativos e jurisdicionais – ficam jungidos aos ditames da praticabilidade, de modo a não frustrar a finalidade pública estampada na lei. (COSTA, Regina Helena. Praticabilidade e Justiça Tributária. Malheiros: 2007, p. 388/390) Ensina ainda a Autora que a praticabilidade manifestase como princípio difuso por meio de diversos instrumentos como as chamadas abstrações, presunções, indícios e cláusulas gerais. O artigo 674 do RIR/1999, que enfim reproduz para disciplinar o artigo 61 da Lei nº 8.981, de 1995, que foi utilizado pela fiscalização para embasar este lançamento, entendo, enseja dar praticabilidade ao devido recolhimento do imposto de renda, exatamente em casos como este, em que um repasse de terceiros serve para que sejam feitos pagamentos e distribuições a sócios e administradores, emitese notas fiscais de serviços que não se comprovam, regularmente intimado, registrandose na contabilidade da empresa Nacional Propaganda valores irreais. Que houve pagamentos efetuados pela ITSA, a partir de valores que recebeu contratualmente da AC Comercial, não se discute. Estão especificados e comprovados. A tese de que o beneficiário dos pagamentos efetuados foi a Nacional, os cheques nominais aos administradores da ITSA derrubam. Não se comprova que a causa dos pagamentos foi a prestação de serviços de propaganda, pois conforme está fartamente demonstrado, não se consegue explicar que serviços foram estes, exatamente, que representavam muito mais que os custos com a atividade fim da empresa, que era a Fl. 1219DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 25 /08/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 26/08/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10980.728340/201399 Acórdão n.º 2202003.476 S2C2T2 Fl. 1.204 11 industrialização de produtos. Ou seja, recebia da AC Comercial R$ 130.000,00 para fazer a industrialização de produtos por encomenda e R$ 110.000,00 eram gastos com propaganda. Assim, de fato houve pagamentos sem causa. Concordo com a DRJ, nesse ponto. Transcrevo (fl. 1139): As notas fiscais apresentadas não discriminam a quantificação das prestações de serviços, nem a natureza destas prestações de serviços, logo a causa dos pagamentos não foi comprovada! O fato gerador do IRRF ocorreu! Entendo que deva ser mantida a exigência do imposto, como principal. Quanto a haver erros na base de cálculo apontada, o argumento do recurso é que foi usada uma "base de cálculo acumulada do ano de 2009, ou seja, dos doze meses do ano de 2009 somados, conforme Livro razão". A autuação aqui levada a cabo decorre de pagamentos que devem ser individualizados e cujo fato gerador ocorre diariamente, no dia da ocorrência do pagamento. vejamos da Lei nº 8.981, de 1995: Art. 61. Fica sujeito à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. § 1º A incidência prevista no caput aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, bem como à hipótese de que trata o § 2º, do art. 74 da Lei nº 8.383, de 1991. § 2º Considerase vencido o Imposto de Renda na fonte no dia do pagamento da referida importância.(sublinhei) § 3º O rendimento de que trata este artigo será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto. Assim, não se pode usar "base acumulada" e por isso os Auditores fizeram o lançamento dia a dia em que foram verificados, por valores especificados. Observese a folha 914/915. O fato de haver um valor expressivo no dia 31/12/2009 espelha o Livro Razão, cuja cópia está nas folhas 1000 e seguintes, com um significativo registro de pagamentos feitos pela ITSA para a Nacional, nesse dia (fls. 1003 e seguintes). Foi o que a própria empresa registrou em sua escrita. A análise minuciosa que o contribuinte requer compete a ele, no caso, apontando onde está o "erro grosseiro" que diz haver e que não especificou nem na impugnação, nem no recurso. Correta a DRJ quando disse que (fl. 1139): Fl. 1220DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 25 /08/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 26/08/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10980.728340/201399 Acórdão n.º 2202003.476 S2C2T2 Fl. 1.205 12 Em relação aos valores a fiscalização procedeu corretamente e apresentou seus cálculos, a impugnante se restringiu a dizer que havia erro na planilha sem indicar estes eventuais erros nem sequer provas destes erros! Não lhe assiste razão! Assim, entendo que deva ser negado provimento ao recurso voluntário da ITSA. 2.2 Recurso Voluntário dos responsáveis solidários. De proêmio, citese o Acórdão nº 1402001.708 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, Sessão de 03 de junho de 2014: SOLIDARIEDADE E RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. DISTINÇÃO. A solidariedade tributária de que trata as situações previstas no artigo 124, I, do CTN, pressupõe a existência de dois sujeitos passivos praticando conduta lícita, descrita na regra matriz de incidência tributária. Do fato gerador, nestas situações, decorre a possibilidade do sujeito ativo exigir o pagamento de tributos de qualquer um dos sujeitos que integrou a relação jurídico tributária. Por sua vez, a responsabilidade tributária decorrente das situações previstas no artigo 135 do CTN, está ligada à prática de atos com excesso de poderes, infração de lei, contrato social ou estatutos, por quem não integra a relação jurídicotributária, mas é chamado a responder pelo crédito tributário em virtude do ilícito praticado. Nesse ponto também frágil a sustentação da Autoridade Lançadora, com já entendera o relator do caso na DRJ, que foi enfim vencido. Disse ele (fl. 1141): A fiscalização não comprovou o “interesse comum”, apenas informou que as pessoas citadas eram sócias e, logo, tinham interesse no lucro e, assim seriam responsáveis solidários, pois o interesse comum seria o lucro. O interesse comum está no fato de a pessoa solidária estar no mesmo pólo da relação jurídica que originou o fato gerador do tributo cobrado! Não foi comprovada a sujeição passiva solidária! Disse o relator do voto vencedor (fl. 1142): De outro modo, entendeu a maioria dos julgadores que a responsabilização na forma preconizada pelo art. 124, inciso I, do CTN, deveria subsistir. Isto porque os pagamentos que eram destinados à ITSA, mas foram repassados por esta à Nacional foram recebidos diretamente pelos sócios da ITSA e da Nacional. Fl. 1221DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 25 /08/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 26/08/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10980.728340/201399 Acórdão n.º 2202003.476 S2C2T2 Fl. 1.206 13 E é o pagamento a hipótese fática que se constitui fato gerador do IRRF. Resta claro, portanto, que os ditos sócios tinham interesse comum no fato gerador do imposto o pagamento. Devendo, os mesmos serem incluídos no pólo passivo da obrigação tributária, na forma do art. 124, inciso I, do CTN. Entretanto, apenas os sócios Paulo Hilário Bonametti, Mário Antonio Todeschinni e Sérgio Todeschinni foram responsabilizados sob este fundamento. Razão porque, sob a qualidade de responsável solidário, apenas eles remanescem no pólo passivo da obrigação tributária. A questão é que os Auditores colocaram os diretores da ITSA como "pessoalmente responsáveis" e os três acima citados, Paulo Hilário, Mário e Sérgio, por não integrarem o quadro de diretores dessa empresa, não poderiam estar enquadrados no artigo 135, que aqui já se discutiu. Então, colocouselhes como "solidariamente responsáveis", pois integravam o quadro societário da Nacional, que aqui não é contribuinte (fl. 907 e 908). Disse a auditoria que tinham interesse comum nos "lucros fabricados" da Nacional. Mas não se está tributando lucros da Nacional e sim pagamentos sem causa efetuados pela ITSA para a Nacional, por serviços que se constatou não terem sido prestados. Entendo descabida essa solidariedade. Preceitua o artigo 124, I, do CTN que são solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Diz Becho: “Que é ter interesse comum no fato gerador? Parecenos ser quando há mais de uma pessoa ocupando o mesmo pólo de uma relação jurídica....Há situações econômicas em que mais de uma pessoa ocupa uma mesma posição em relação a outras. É o que ocorre na copropriedade. Quando houver mais de um proprietário (contribuinte), haverá solidariedade entre eles. (BECHO, Renato Lopes. A Responsabilidade Tributária dos Sócios tem fundamento legal? RDDT 182/107, nov/2010) E arremata o parágrafo único do artigo 124 do CTN que “a solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem”. Na obrigação solidária, dessumese a unicidade da relação tributária em seu pólo passivo, autorizando a autoridade administrativa a direcionarse contra qualquer dos co obrigados. Nestes casos, qualquer um dos sujeitos passivos elencados na norma responde pela dívida integral. Não é o caso destes autos. CONCLUSÃO Em conclusão, VOTO por: a) negar provimento ao recurso voluntário da pessoa jurídica ITSA INDÚSTRIAS S/A, mantendo o crédito tributário exigido; Fl. 1222DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 25 /08/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 26/08/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10980.728340/201399 Acórdão n.º 2202003.476 S2C2T2 Fl. 1.207 14 b) dar provimento ao recurso voluntário das pessoas físicas Mario Antônio Todeschini, Sérgio Todeschini e Paulo Hilário Bonametti, para excluílos do pólo passivo, na condição de responsáveis solidários; e c) dar provimento parcial ao recurso de ofício para aplicar a multa de 150% sobre o tributo lançado; Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Fl. 1223DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 25 /08/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 26/08/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
score : 1.0
Numero do processo: 10820.001217/00-38
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 28 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 1801-000.061
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos converter o julgamento em realização de diligência, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: Ana Barros Fernandes
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201106
turma_s : Primeira Turma Especial da Primeira Seção
numero_processo_s : 10820.001217/00-38
conteudo_id_s : 5619570
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Aug 15 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 1801-000.061
nome_arquivo_s : Decisao_108200012170038.pdf
nome_relator_s : Ana Barros Fernandes
nome_arquivo_pdf_s : 108200012170038_5619570.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos converter o julgamento em realização de diligência, nos termos do voto da Relatora.
dt_sessao_tdt : Tue Jun 28 00:00:00 UTC 2011
id : 6465169
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:51:31 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048690510266368
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1916; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE01 Fl. 496 1 495 S1TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10820.001217/0038 Recurso nº Resolução nº 180100.061 – 1ª Turma Especial Data 28 de junho de 2011 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente FLAMINGO ARAÇA BAR E EVENTOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos converter o julgamento em realização de diligência, nos termos do voto da Relatora. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Maria de Lourdes Ramirez, Magda Azario Kanaan Polanczyk, Marcos Vinícius Barros Ottoni e Ana de Barros Fernandes. RELATÓRIO A empresa em epígrafe foi autuada a recolher IRPJ, CSLL, PIS e COFINS relativos a abril a dezembro de 1996 e aos quatro trimestres dos anoscalendários de 1997, 1998 e 1999, por omissão de receitas na atividade de bingo e na venda de mercadoria de bar/lanchonete, com cominação de multa aplicada na forma qualificada e juros moratórios, no valor total de R$ 437.097,99, nos termos do Auto de Infração de fls. 07 a 45 e Termo de Constatação Fiscal às fls. 46 a 62. Reproduzo, por oportuno, trecho do relatório do Acórdão nº 1.456/01 de fls. 355 a 367 para melhor historiar os fatos: “Conforme descrito no termo de constatação fiscal de fls. 46/62, que faz parte integrante do auto de infração, o lançamento decorreu do fato de a contribuinte, no período de 6 de abril de 1996 a 31 de dezembro de 1999, teria incorrido nas seguintes irregularidades: Fl. 1DF CARF MF Emitido em 01/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10820.001217/0038 Resolução n.º 180100.061 S1TE01 Fl. 497 2 • infringido as disposições contidas na legislação federal, conforme relatado às fls. 46/53, pelo fato de realizar jogo de bingo, sendo que essa atividade é exclusiva de entidade desportiva credenciada pela Secretaria dos Negócios da Fazenda do Estado e não tinha autorização de nenhuma dessas entidades desportivas credenciadas para administrar o evento; • ter informado à SRF atividade econômica diversa daquela que explorava predominantemente, tendo optado pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples) em 01/01/1997, indevidamente; • omissão de receita bruta relativa à exploração de bingo, em cada período mensal de abril a dezembro de 1996, conforme demonstrado nas planilhas de fls. 63/70. Tal fato, reduziu a base de cálculo do lucro presumido e o valor do imposto devido nas datas e valores discriminados no auto de infração. Mesma conduta foi mantida nos períodosbase de 1997 a 1998 (conforme demonstrativo de fls. 63/97); • no período de 01/01/1997 a 31/12/1999, insuficiência de imposto incidente sobre as receitas de vendas do bar/lanchonete, tendo em vista que estas haviam sido indevidamente declaradas de acordo com o Simples. O lançamento do imposto sobre a renda de pessoa jurídica (IRPJ) e, em decorrência, das contribuições, foi efetuado com base nas seguintes disposições legais: [...] Em conseqüência dos fatos apontados, foram formalizados, além do presente processo, o de n° 10820.001085/0007, referente à exclusão da contribuinte do Simples, e de n° 10820.001218/0009, relativo ao imposto sobre a renda retido na fonte (IRRF). Ciente do lançamento em 24/08/2000, conforme se constata do auto de infração à fl. 07, a contribuinte ingressou, em 25/09/2000, com a impugnação de fls. 220/271. Relativamente ao IRPJ e tributação das contribuições decorrentes, a impugnante apresentou, em suma, as seguintes alegações: Inicialmente, ilegitimidade passiva. Não lhe poderiam ser atribuídas as irregularidades apontadas no termo de constatação fiscal nem ter auferido as vantagens econômicas dos fatos tidos irregulares. Os recursos obtidos pertenceriam ao Município de Araçatuba SP, portanto seria esse o sujeito passivo dos lançamentos do imposto e das contribuições que foram efetuados. O empreendimento pertenceria ao município e teria sido instituído por ele em prol da previdência social de seus servidores. Dessa forma, a contribuinte não teria relação pessoal e direta com os fatos geradores da obrigação tributária principal, como conceituado no CTN, art.121, I, parágrafo único. Ressaltou que a pessoa jurídica não pode agir com dolo, só é possível que alguém aja com dolo em seu nome. Que o inciso I do citado artigo dispõe que a responsabilidade é do agente, da pessoa que praticou a infração à legislação tributária, ressalvando: "salvo quando praticadas no exercício regular de administração, mandato...". Considerou que deve responder pela multa aquele que determina a ação. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 01/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10820.001217/0038 Resolução n.º 180100.061 S1TE01 Fl. 498 3 Refutou a cominação da penalidade prevista na Lei n° 9.430, de 1996, art.44, II, multa de 150%, considerandoa igualmente ilegítima. Alegou que não poderia ser penalizada com a multa exigida, aplicável somente quando detectado o evidente intuito de fraude. Aduziu que a multa é pessoal, imputável ao agente. Que a conclusão quanto à prática de crime só poderá ser extraída contra quem represente a sociedade autuada, sob pena de se estar pretendendo que a penalidade passe da pessoa do infrator, contrariando o CTN, art. 137. Aduziu que não houve prática de infração conceituada como crime. Os atos inquinados de criminosos teriam sido praticados no exercício regular de administração, mandato de função. Uma ordem, que chamou de permissão, baixada por decreto municipal, terlheia autorizado a realização do bingo. Se o fisco considera que o Poder Legislativo do Município de Araçatuba não poderia ter aprovado a Lei n° 4.592, de 31 de dezembro de 1995, deveria ter tomado as providências quanto a declarar inconstitucional a lei ou medidas administrativas contra quem instituiu o serviço de bingo, beneficiouse dele e ficou com a correspondente renda e imposto retido na fonte, pois ambos teriam sido repassados ao município na forma do decreto municipal. Ressaltou que teve a preocupação de cumprir fielmente as normas aplicáveis, aduzindo que, no momento em que o Esporte Clube Coríntians de Araçatuba teve seu credenciamento cassado pela Secretaria da Fazenda Estadual, denunciou o contrato que mantinha com a instituição para não ficar na ilegalidade, voltando a atuar somente quando convidada pelo município, administrando os serviços de bingo por ele instituído em lei. Ainda, que a tributação não poderia prevalecer, por fundarse em pressupostos afrontosos ao direito e à legislação tributária, caracterizando confisco, dirigida contra quem não deu causa nem auferiu vantagens econômicas nos fatos imputados. Contestou o relatado no termo de constatação fiscal a respeito da natureza comercial da sociedade, alegando que a administração do jogo de bingo, se não for exercida pela própria entidade desportiva, só pode ser confiada a empresa comercial. Refutou a cobrança de juros com base na taxa referencial do sistema especial de liquidação (Selic), considerandoa inconstitucional. Alegou que a Constituição Federal (CF), art. 192, § 3°, prescreve a cobrança de doze por cento ao ano. Assim a cobrança de juros com base na Selic deveria ser substituída pela taxa de 1% (um por cento) ao mês, prevista no CTN, art. 161, § 1°. Para instrução processual, juntou os documentos de fls. 272 a 295, instrumento de mandato, alterações contratuais, tabela de código de atividade econômica, acórdão sobre Selic. Reaberto o prazo de trinta dias para manifestação após conhecimento do processo n° 108020.001085/0007 que trata da exclusão do Simples, apresentou sua manifestação, de fls. 322/324, na qual ratificou as razões da impugnação apresentada e solicitou que sejam considerados nulos os autos de infração relativos ao presente processo.” Acresço ao relatório elaborado pelo julgador a quo que a empresa somente tomou ciência do Ato Declaratório de Exclusão do Simples nº 17, expedido em 02 de agosto de 2000, com fulcro no artigo 14, inciso V, da Lei nº 9.317/96, após haver tomado ciência dos Autos de Infração objetos deste processo administrativo (24 de agosto de 2000) razão pela qual Fl. 3DF CARF MF Emitido em 01/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10820.001217/0038 Resolução n.º 180100.061 S1TE01 Fl. 499 4 foi reaberto o prazo para oferecer manifestação de inconformidade contra o ato administrativo e para aditar a impugnação aos lançamentos tributários. A Notificação nº 564/2000, fls. 317, cancelou a anterior e promoveu a ciência da contribuinte do despacho proferido no processo nº 10820.001217/0038 – referente à exclusão do Simples –, em 22 de novembro de 2000 (fls. 316), e ressaltou a conexão entre os processos. A exclusão do Simples foi mantida em primeiro grau, consoante cópia da decisão pertinente às fls. 348 a 354 – Acórdão nº 1.454/01, pelo fato de a empresa haver praticado reiterada infração tributária. O aresto proferido em primeiro grau, relativo a este processo, manteve integralmente os lançamentos tributários. A empresa recorreu da decisão de primeiro grau às fls. 392 a 431, reprisando, em suma, os argumentos da defesa inicial. Deixo de relatar em minúcias as razões contestatórias por ter que tratarse primeiramente de matéria prejudicial. Em sessão realizada em 16 de outubro de 2002 no então Primeiro Conselho de Contribuintes, a 5ª Câmara resolveu converter o julgamento em diligência (Resolução nº 105 1.157 – fls. 454 a 457) para que fossem anexados ao presente processo informações sobre o conteúdo e andamento do processo nº 10820.001085/0007, dada a íntima relação entre os dois processos. Informado que o processo se encontrava no Terceiro Conselho de Contribuintes para a apreciação, em despacho circunstanciado, fls. 464, o processo foi devolvido ao órgão de origem para que somente após a decisão proferida pelo segundo grau retornasse a este órgão colegiado. Por sua vez, em atendimento à diligência solicitada, a unidade de jurisdição da contribuinte, juntou às fls. 477 a 494 a Resolução nº 30301.145 proferida pela Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes pela qual decidiuse, de igual forma ao Primeiro Conselho, encaminhar os autos de exclusão do Simples para a unidade que jurisdiciona a recorrente e aguardar a decisão deste processo. Extraio trecho daquela Resolução, por oportuno: “Embora o presente processo trate de matéria da competência do Terceiro Conselho de Contribuintes, qual seja a exclusão de empresa do SIMPLES, ocorre que se trata aqui de processo reflexo, ou seja, a ocorrência de eventual exclusão do SIMPLES e sua análise, depende do julgamento a ser proferido em processos matrizes referentes a IRPJ e IRRF, cuja competência é do Primeiro Conselho, pendentes de julgamento. Senão vejamos: a) A medida saneadora da DRJ, de determinar nova intimação ao contribuinte para que tivesse conhecimento dos autos e tomasse ciência das infrações que lhe eram apontadas como motivadoras do ADE, reabrindo o prazo legal para impugnação, surtiu o efeito de permitir o contraditório e a ampla defesa. Ficou descaracterizado o cerceamento ao direito de defesa. b) A motivação da exclusão, exposta no ADE foi a prática reiterada de infração à legislação tributária, conforme previsto no art.14, V, da Lei 9.317/96. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 01/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10820.001217/0038 Resolução n.º 180100.061 S1TE01 Fl. 500 5 c) As infrações apontadas em representação fiscal (fls. 01/13) e acolhidas pela decisão recorrida foram: (1) informação errada à SRF quanto à atividade econômica explorada predominantemente, (2) omissão de receita relativa a exploração do bingo (o que motivou a lavratura de auto de infração relativo a IRPJ e seus reflexos), (3) falta de recolhimento do IRRF incidente sobre a distribuição de prêmios, (4) No período de abril/96 a dezembro/1999 explorou a atividade de bingo sem autorização e (5) a Lei 9.317/96, art. 90, XIII, determina a vedação de opção pelo SIMPLES a pessoa jurídica que preste serviço profissional de corretor/representante comercial, de forma que ainda que a interessada tivesse agido conforme a legislação que disciplina a atividade de bingo, com essa atividade similar a corretor/representante comercial, não poderia ter optado pelo SIMPLES. d) Ora, da causa (1) enumerada no item anterior deve ser dito que informação equivocada quanto à atividade preponderante não tem como conseqüência a exclusão do SIMPLES. Sobre as causas (2) e (3): a apontada omissão de receita, e a questão referente ao IRRF, estão pendentes de decisão administrativa do Primeiro Conselho. Há, por outro lado, a alegação da interessada de que 65% das receitas de bingo, bem como o IRRF, retido dos ganhadores, foram repassados à Prefeitura de Araçatuba, conforme determinação expressa em Decreto Municipal sob pena de multa à interessada. Neste processo haverá de se analisar, tão somente, o ato de exclusão do SIMPLES, e estando entre as infrações apontadas como motivadoras da exclusão tais omissões quanto ao IRRF, IRPJ e reflexos, de certa forma este processo tornouse, em parte dependente daqueles outros.Quanto à causa (4), entendo, em princípio, que a mera existência da Lei Municipal e, do Decreto Municipal, são suficientes para dar suporte à alegação de boafé da interessada com respeito à licitude da atividade de prestação de serviços de administração de bingo solicitada pela Prefeitura de Araçatuba, sem prejuízo quanto à apuração da responsabilidade tributária com base na lei aplicável à matéria (o que é objeto dos outros processos, matrizes). Aqui, neste processo, repitase, cumprirá apenas verificar a procedência, ou não, do Ato Declaratório de Exclusão. e) Apesar de constar na representação fiscal de fls. 01/13, como um dos motivos de exclusão, a alegação de vedação com base no art.9°,XIII, este artigo da Lei não foi evocado, isto é, não constou do ADE, e, portanto, não compõe a presente lide, sob pena de nulidade do ato de exclusão. f) As indicações de reiteradas infrações à legislação tributária se resumem, pois, à constatação de se houve, ou não, omissão de receitas resultantes da atividade de bingo; e se houve, ou não, apropriação indevida do IRRF retido dos ganhadores de bingo; fatos cuja ocorrência se encontram pendentes de julgamento. g) Faz sentido o pedido do interessado de que houvesse reunião destes autos aos dos processos n° 10820.001217/0038 e 10820.001.218/0009, formando um todo a ser apreciado. Vale dizer se forem procedentes as autuações relativas ao IRPJ (e reflexos) e quanto ao IRRF, e restar ultrapassado o limite de faturamento a que se submete a empresa optante pelo SIMPLES, a exclusão poderá ser um reflexo desta constatação. Se, por outro lado, resultarem improcedentes os autos de infração, então poderá não se confirmar o ato de exclusão. Portanto, as motivações informadas no Ato Declaratório de Exclusão (ADE), de reiteradas infrações à legislação tributária, se resumem, na verdade, à constatação de haver, ou não, omissão de receitas resultantes da atividade de bingo, e se houve, ou não, apropriação indevida do Imposto de Renda Retido na Fonte — IRRF (retido de ganhadores do jogo de bingo); fatos cuja ocorrência se encontram pendentes de Fl. 5DF CARF MF Emitido em 01/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10820.001217/0038 Resolução n.º 180100.061 S1TE01 Fl. 501 6 julgamento administrativo, nos processos n° 10820.001217/0038 e n° 10820.001.218/0009, cujas decisões constituem condição prévia ao julgamento deste processo.” É o relatório. VOTO Conselheira Ana de Barros Fernandes, Relatora. Conheço do recurso interposto, por tempestivo. Com efeito, concordo que os três processos estão intimamente conectados, sendo de bom avilte serem decididos conjuntamente. E, I) considerando que a competência atualmente para decidir sobre a exclusão do Simples Federal é desta 1ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – Carf, bem como também para dirimir conflitos que versem sobre o IRRF em procedimentos conexos referentes à exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para consubstanciar exação de IRPJ, nos termos do artigo 2º, incisos IV e V, do Anexo II do Regimento Interno do Carf (Ricarf): Art. 2º À Primeira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: I Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ); II Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL); III Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), quando se tratar de antecipação do IRPJ; IV demais tributos e o Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), quando procedimentos conexos, decorrentes ou reflexos, assim compreendidos os referentes às exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ; (Redação dada pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010) V exclusão, inclusão e exigência de tributos decorrentes da aplicação da legislação referente ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (SIMPLES) e ao tratamento diferenciado e favorecido a ser dispensado às microempresas e empresas de pequeno porte no âmbito dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, na apuração e recolhimento dos impostos e contribuições da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, mediante regime único de arrecadação (SIMPLESNacional); II) considerando as disposições contidas no artigo 1º, inciso I, alíneas “ a” e “f”, c/c o art. 3º, ambos da Portaria RFB nº 666/08: Fl. 6DF CARF MF Emitido em 01/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10820.001217/0038 Resolução n.º 180100.061 S1TE01 Fl. 502 7 Art. 1º Serão objeto de um único processo administrativo: I as exigências de crédito tributário do mesmo sujeito passivo, formalizadas com base nos mesmos elementos de prova, referentes: a) ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e aos lançamentos dele decorrentes relativos à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), ao Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), à Contribuição para o PIS/Pasep ou à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins); b) à Contribuição para o PIS/Pasep e à Cofins, que não sejam decorrentes do IRPJ; c) à Contribuição para o PIS/Pasep e à Cofins devidas na importação de bens ou serviços; d) ao IRPJ e à CSLL; ou e) às Contribuições Previdenciárias da empresa, dos segurados e para outras entidades e fundos; ou (Redação dada pela Portaria RFB nº 2.324, de 3 de dezembro de 2010) (Vide art. 2º da P RFB nº 2.324/2010) f) ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples); (Incluída pela Portaria RFB nº 2.324, de 3 de dezembro de 2010) (Vide art. 2º da P RFB nº 2.324/2010) [...] Art. 3º Os processos em andamento, que não tenham sido formalizados de acordo com o disposto no art. 1º, serão juntados por anexação na unidade da RFB em que se encontrem. Voto em converter o julgamento na realização de diligência, devendo retornar os autos à unidade de jurisdição da recorrente, com o objetivo de juntar a este, por anexação, os processos nºs 10820.001217/0038 e 10820.001.218/0009 para serem julgados concomitantemente, devendo após retornar a esta Relatora. No caso de verificarse que o processo relativo á exigência de IRRF já ter sido julgado/pago, anexar ao presente cópia da decisão ou despacho que encerrou o litígio. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Relatora Fl. 7DF CARF MF Emitido em 01/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 10920.003874/2010-71
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Fri Nov 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Feb 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 30/09/2009
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. CONHECIMENTO.
Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta caracterizada a divergência interpretativa entre os colegiados dos Acórdãos recorrido e paradigma.
Numero da decisão: 9202-004.645
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201611
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 30/09/2009 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. CONHECIMENTO. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta caracterizada a divergência interpretativa entre os colegiados dos Acórdãos recorrido e paradigma.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Fri Feb 03 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10920.003874/2010-71
anomes_publicacao_s : 201702
conteudo_id_s : 5674845
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Feb 03 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 9202-004.645
nome_arquivo_s : Decisao_10920003874201071.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 10920003874201071_5674845.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
dt_sessao_tdt : Fri Nov 25 00:00:00 UTC 2016
id : 6636846
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:55:23 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048690525995008
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1443; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 1.209 1 1.208 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10920.003874/201071 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202004.645 – 2ª Turma Sessão de 25 de novembro de 2016 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado TRANSMAGNA TRANSPORTE LTDA. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 30/09/2009 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. CONHECIMENTO. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta caracterizada a divergência interpretativa entre os colegiados dos Acórdãos recorrido e paradigma. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 38 74 /2 01 0- 71 Fl. 1209DF CARF MF Processo nº 10920.003874/201071 Acórdão n.º 9202004.645 CSRFT2 Fl. 1.210 2 Relatório Em litígio, o teor do Acórdão nº 2401002.601, prolatado pela 1a Turma Ordinária da 4a. Câmara da 2a Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais na sessão plenária de 15 de agosto de 2012 (efls. 1140 a 1171). Ali, por maioria de votos, deuse parcial provimento ao Recurso Voluntário, na forma de ementa e decisão a seguir: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 30/09/2010 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 32, IV, § 5º E ARTIGO 41 DA LEI N.º 8.212/91 C/C ARTIGO 284, II DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99 NFLD CORRELATAS A sorte de Autos de Infração relacionados a omissão em GFIP, está diretamente relacionado ao resultado das NFLD lavradas sobre os mesmos fatos geradores. AUTO DE INFRAÇÃO NULIDADE AUSÊNCIA DE EMISSÃO DE ATO DECLARATÓRIO DE EXCLUSÃO DO SIMPLES PELA SRF INOCORRÊNCIA DE DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA INAPLICABILIDADE DA EXIGÊNCIA. O ATO DECLARATÓRIO seria exigido, caso houvesse a desconsideração da opção pelo SIMPLES, devendo, apenas neste caso, ser feita a comunicação a então Secretaria da Receita Federal, para realizar a emissão do Ato Declaratório.No procedimento em questão a AUTORIDADE FISCAL EM IDENTIFICANDO a caracterização do vínculo empregatício com empresa que simulou a contratação por intermédio de empresas interpostas, procedeu a caracterização do vínculo para efeitos previdenciários na empresa notificada, que era a verdadeira empregadora de fato. LANÇAMENTO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, com esteio na legislação que disciplina a matéria, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. LANÇAMENTO. COMPETÊNCIA DO AUDITOR FISCAL. Conforme preceitua o artigo 142 do CTN, artigo 33, caput, da Lei nº 8.212/91 e artigo 8º da Lei nº 10.593/2002, c/c Súmula nº 05 do Segundo Conselho de Contribuintes, compete Fl. 1210DF CARF MF Processo nº 10920.003874/201071 Acórdão n.º 9202004.645 CSRFT2 Fl. 1.211 3 privativamente à autoridade administrativa Auditor da Receita Federal do Brasil , constatado o descumprimento de obrigações tributárias principais e/ou acessórias, promover o lançamento, mediante NFLD e/ou Auto de Infração. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO PERÍODO ATINGINDO PELA DECADÊNCIA QUINQUENAL SÚMULA VINCULANTE STF. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário””.Em se tratando de Auto de Infração por não ter a empresa a totalidade dos fatos geradores em GFIP, não há que se falar em recolhimento antecipado devendo a decadência ser avaliada a luz do art. 173, I do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte Decisão: I) Por maioria de votos, rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento pela não emissão do ato declaratório de exclusão do SIMPLES. Vencido o conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa, que argüiu de ofício a referida nulidade. II) Por unanimidade de votos: a) rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento suscitada pelo contribuinte; b) rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância; c) declarar a decadência até a competência 11/2004; e d) no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir do cálculo da multa os valores referentes ao levantamento referente a empresa PL contábil e aos levantamentos 41 ao 56 e o 62. Declarouse impedido o conselheiro Igor Araújo Soares. Enviados em 03/12/2012 os autos à Fazenda Nacional para ciência (efl. 7841 do Proc. 10920.003212/201009, ao qual este se encontrava apensado), a PGFN apresentou, em 06/12/2012 (efl. 7927 do Proc. 10920.003212/201009, ao qual este se encontrava apensado), Recurso Especial, com fulcro no art. 67 do anexo II ao Regimento Interno deste Conselho Administrativo Fiscal aprovado pela Portaria MF no. 256, de 22 de julho de 2009, então em vigor quando da propositura do pleito recursal (efls. 1172 a 1183). Alegase, no pleito, divergência passível de apreciação por esta Turma em relação ao decidido, em 18/10/2005, pela 1a. Câmara do então 3o. Conselho de Contribuintes, através do Acórdão 30130.894, bem como em relação ao decidido, em 09/11/2006, pela 3a. Câmara do referido 3o. Conselho de Contribuintes, através do Acórdão 30333.772, de ementas e decisões a seguir transcritas (A ementa do primeiro paradigma apresentado não se encontra no sítio deste CARF, tendo sido, porém, conferida através dos autos do processo 18336.000065/0010, fls. 126 a 130, em consulta ao sistema eprocesso): Acórdão 30130.894 Fl. 1211DF CARF MF Processo nº 10920.003874/201071 Acórdão n.º 9202004.645 CSRFT2 Fl. 1.212 4 NORMAS PROCESSUAIS ACÓRDÃO CONDICIONADO NULIDADE A atividade judicante não pode expressarse de forma condicionada a fato futuro e incerto, em especial de processo administrativo fiscal pendente de julgamento, sob pena de não solucionar a lide proposta ou promover solução que não pode ser açambarcada pela ocorrência futura. Na impossibilidade de ser prolatada decisão considerando a interdependência de processos ou decorrência, é cabível a suspensão do julgamento para aguardar a solução da lide principal. Embargos de Declaração Acolhidos e Providos para anular o Acórdão n.° 30130.894, de 01/12/2003, e suspender o julgamento até o trânsito em julgado do Processo Administrativo Fiscal n.° 18336.000729/200220. EMBARGO ACOLHIDO E PROVIDO Decisão: por unanimidade de votos, acolher e dar provimento aos Embargos de Declaração, para anular o acórdão, nos termos do voto do Relator. Acórdão 30333.772 INTIMAÇÃO VICIADA. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. A intimação produzida para ciência da representação fiscal para exclusão do SIMPLES pretendeu noticiar ao mesmo tempo a expedição e publicação do ADE no DOU. Esta intimação foi feita em meio ao mesmo procedimento de fiscalização que resultou na lavratura de cinco autos de infração. O procedimento se iniciou oficialmente em 10/09/2003, por iniciativa dos mesmos auditores fiscais, e somente se concluiu, em 12/11/2003, com a ciência ao interessado dos autos de infração lavrados. Resta claro que tal maneira de proceder, para o efeito de cumprir a garantia especificada nos princípios da ampla defesa e do contraditório, não poderia substituir a contento uma específica intimação da empresa passível de exclusão, quanto à ciência do texto do ADE 102/2003 exarado pela DRF/Recife. O respeito devido à ampla defesa, ao contraditório e ao duplo grau de jurisdição, impõe que o mérito sobre a exclusão do SIMPLES deve ser enfrentado em primeira instância de julgamento. LANÇAMENTO DE COFINS DECORRENTE DE EXCLUSÃO DO SIMPLES. Somente se vier a ser confirmada a exclusão da empresa do SIMPLES em decisão administrativa definitiva, a matéria reflexa relativa à COFINS, no período de 2000 a 2002, haverá de ser apresentada oportunamente ao Primeiro Conselho de Contribuintes por ser de sua competência. Decisão: Por unanimidade de votos, declarouse a nulidade da decisão recorrida por cerceamento do direito de defesa. Em linhas gerais, argumenta a contribuinte em sua demanda quanto que: Fl. 1212DF CARF MF Processo nº 10920.003874/201071 Acórdão n.º 9202004.645 CSRFT2 Fl. 1.213 5 1) Nada obstante o acórdão recorrido ter entendido que não haveria motivo para anulação do lançamento, o fato é que determinou a exclusão de plano daqueles valores excluídos nas exigências correlatas. Ocorre que as decisões exaradas nos processos administrativos correlatos foram, nessa oportunidade, objeto de insurgência pela Fazenda Nacional. Logo, diante da possibilidade de alteração dos julgados conexos, não haveria como, de plano, determinar a exclusão do cálculo da multa dos valores relativos ao levantamento referente à empresa PL contábil e aos levantamentos 41 ao 56 e o 62; 2) Sobre a questão posta em discussão, entende haver clara divergência jurisprudencial que, diante da mesma situação, qual seja, a aplicação de decisão proferida em processo vinculado, os órgãos julgadores decidiram de forma contrária. O acórdão recorrido se fundamentou exclusivamente em decisão proferida nos processos relativos à obrigação principal, desconsiderando o fato de que a referida deliberação não é definitiva e que pode vir a ser reformada por força de recurso especial interposto pela União, enquanto que a e. Primeira e a Terceira Câmaras do Terceiro Conselho de Contribuintes, acolheram a tese de que a decisão proferida em processo principal somente poderia ser aplicada aos seus decorrentes após ter se tornado definitiva; 3) Ressalta que a Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes afirma que o trânsito em julgado da decisão proferida no processo principal seria condição, futura e incerta, para o julgamento da lide decorrente, razão pela qual configuraria um empecilho à atividade judicante no processo reflexo; 4) Entende a Fazenda Nacional que existe uma diferença latente em simplesmente concordar com alguns dos fundamentos adotados em outra decisão e utilizálos também como motivação, e adotar o decidido em outro processo como único fundamento para afastar a tributação sobre valores, cuja discussão não está encerrada na esfera administrativa. Nesta última hipótese, a decisão proferida em outro processo é a própria razão de decidir daquele que está sob análise. É o que geralmente ocorre com processos ditos decorrentes, cujo único pretexto de existência é o próprio processo principal. Neste diapasão, por ser decorrente de outro processo, é de se concluir que deverá ser dada a mesma solução a ambos processos, sob pena de se estar proferindo decisões contraditórias. Daí porque, normalmente, ao se decidir o processo decorrente, costumase determinar a aplicação, in casu, do que restou deliberado no processo principal; 5) Contudo, na hipótese dos autos, entende a recorrente que não foi isso o que aconteceu. Aqui, o colegiado a quo deu parcial provimento ao recurso voluntário para excluir do cálculo da multa os valores referentes ao levantamento referente a empresa PL contábil e aos levantamentos 41 ao 56 e o 62, sob o argumento de que tais valores haviam sido afastados da incidência das contribuições previdenciárias, fato este inverídico, sem a ressalva de que fosse adotada a solução que vier a ser dada, definitivamente, no processo principal; 6) Cita, a seguir os arts. 42 a 45 do Decreto no. 70.235, de 06 de março de 1972, para defender que somente após o julgamento da insurgência nos autos de lançamento da obrigação principal é que poderá a decisão referente se tornar imutável, apta a produzir seus efeitos de forma ampla, inclusive no que tange à sua aplicabilidade ao presente processo. Antes disso, o contribuinte possui apenas uma expectativa de direito. Entende, assim, que a confirmação da decisão em sede de obrigação principal é evento futuro e incerto e, diante da impossibilidade de se efetivála na prática, não há como considerar que os valores excluídos não sofrem a incidência das contribuições previdenciárias; Fl. 1213DF CARF MF Processo nº 10920.003874/201071 Acórdão n.º 9202004.645 CSRFT2 Fl. 1.214 6 7) Ressalta que, na eventualidade de se ter reformada a decisão proferida no processo em trâmite na Câmara Superior de Recurso Fiscais, o mesmo não poderá acontecer no presente feito, tendo em vista a impossibilidade de reversão da decisão nele proferida, se não acolhido o presente recurso. 8) Finalmente, entende que os valores referentes ao levantamento referente a empresa PL contábil e aos levantamentos 41 ao 56 e o 62, portanto, não podem ser expurgados do cálculo da multa, sob o único fundamento assentado em uma assertiva equivocada de que tais valores não mais comporiam o lançamento principal. Afastada esta argumentação, constatase que o aresto proferido se tornou deficitário em expor os fundamentos que motivaram a exoneração do crédito tributário, fato este que ocasiona a nulidade do julgado. 9) Requer assim, o conhecimento do recurso e seu provimento, a fim de que seja dado total provimento ao presente recurso, para reformar o acórdão recorrido restabelecendose o lançamento em sua integralidade. Alternativamente, seja anulado o Acórdão recorrido e decretada a suspensão deste feito até que seja proferida decisão definitiva no(s) processo(s) principal(is). O recurso foi regularmente admitido, consoante despacho de efls. 1200 a 1203. Encaminhados os autos ao contribuinte para fins de ciência ocorrida em 19/04/16 (efl. 1.207), esta não apresentou, nos presentes autos, contrarrazões ou Recurso Especial de sua iniciativa. É o relatório. Voto Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Relator Pelo que consta no processo quanto à sua tempestividade, às devidas apresentação de paradigmas e indicação de divergência, o recurso atende a estes requisitos de admissibilidade. Quanto à admissibilidade porém, discordando do exame de admissibilidade de efls. 1200 a 1203, faço notar que: a) No caso em questão se está diante de auto de infração de descumprimento de obrigação acessória, com os autos apensos aos dos lançamentos de obrigação principal desde antes do julgamento do Recurso Voluntário pelo Colegiado a quo (vide efl. 607 dos presentes autos e efl. 1662 dos autos do Processo 10920.003214/201090). Assim, possibilitado, ou melhor, em meu entendimento recomendado e inevitável o julgamento conjunto dos feitos (visto que necessariamente conjuntamente pautados), tal como realizado pelo Colegiado a quo em 15 de agosto de 2012. b) Já no caso do primeiro paradigma (Acórdão 30130.894), se está diante de caso onde o julgamento dos autos estava dependente daquele a ser realizado no âmbito de outro Colegiado (3a. Cãmara do 3o. Conselho de Contribuintes), daí a suspensão do julgamento até o trânsito em julgado daquela outra decisão. Fl. 1214DF CARF MF Processo nº 10920.003874/201071 Acórdão n.º 9202004.645 CSRFT2 Fl. 1.215 7 Ou seja, no presente caso, o que se tem é uma série de julgamentos a serem realizados simultaneamente, a partir da apensação dos autos dos lançamentos de obrigação principal e acessória decorrente, situação fática completamente diferente da deste primeiro paradigma, o que é evidenciado através do teste de aderência, que resultaria, a meu ver, em total inconsistência, caso se assumisse que o Colegiado paradigmático suspenderia o julgamento do presente AI, até que o trânsito em julgado dos processos de obrigação principal (repito, estando o presente AI aos autos dos processos de obrigação principal) transitassem em julgado, retomando o julgamento deste feito somente quando daquele trânsito em julgado dos autos, apensos. Não se trata, aqui, de decisão condicionada a evento futuro e incerto, mas de lançamento decorrente do lançamento de obrigação principal, os quais são apreciados conjuntamente até seu trânsito em julgado administrativo, em prol da economia processual e com plena coerência, inclusive, com a lavratura conjunta das NFLDs e do presente AI. No caso, a razão de decidir dos autos de obrigação principal vincula as razões de decidir do auto de obrigação acessória decorrente do descumprimento daquela, sem qualquer nulidade, uma vez devidamente fundamentada a decisão devidamente no lançamento de obrigação principal, como efetivamente se verifica nos presentes autos; c) O mesmo ocorre quanto ao segundo paradigma (Acórdão no. 30333.772), onde as duas matérias interdependentes, ali, agora se encontram repartidas entre diferentes Seções deste CARF, a partir da competência regimentalmente determinada, também, notese, não havendo que se cogitar, ali, de possibilidade de julgamento simultâneo conjunto. Entendo que para fins de caracterização da divergência interpretativa, in casu, deveria a Fazenda Nacional ter trazido caso onde, possibilitado o julgamento simultâneo conjunto dos autos por apensação ou por estarem as matérias interdependentes contidas nos mesmos autos e sujeitas a competência de um mesmo Colegiado, se sobrestou (suspendeu) o julgamento da matéria dependente até o trânsito em julgado da matéria principal, o que não é o caso dos paradigmas, repito. Destarte, diante da inexistência de similitude fática entre a situação do recorrido e as dos Acórdãos paradigmas trazidos aos autos, voto por não conhecer o Recurso da Fazenda Nacional, por não caracterizada a existência de divergência interpretativa. É como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Fl. 1215DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.955954/2008-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 22 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jan 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/12/1999
COMPENSAÇÃO. NÃO-HOMOLOGAÇÃO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE INTEMPESTIVA.
A Manifestação de Inconformidade somente será conhecida se apresentada até o trigésimo dia subsequente à data da ciência do Despacho Decisório que negou a compensação.
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. RECURSO VOLUNTÁRIO. APRECIAÇÃO. PRECLUSÃO.
É preclusa a apreciação de matéria no Recurso Voluntário quando considerada intempestiva a apresentação da correspondente manifestação de inconformidade.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-003.474
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201611
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/12/1999 COMPENSAÇÃO. NÃO-HOMOLOGAÇÃO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE INTEMPESTIVA. A Manifestação de Inconformidade somente será conhecida se apresentada até o trigésimo dia subsequente à data da ciência do Despacho Decisório que negou a compensação. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. RECURSO VOLUNTÁRIO. APRECIAÇÃO. PRECLUSÃO. É preclusa a apreciação de matéria no Recurso Voluntário quando considerada intempestiva a apresentação da correspondente manifestação de inconformidade. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jan 02 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10880.955954/2008-11
anomes_publicacao_s : 201701
conteudo_id_s : 5669454
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jan 02 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3402-003.474
nome_arquivo_s : Decisao_10880955954200811.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : ANTONIO CARLOS ATULIM
nome_arquivo_pdf_s : 10880955954200811_5669454.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim - Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
dt_sessao_tdt : Tue Nov 22 00:00:00 UTC 2016
id : 6601129
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:54:54 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048690551160832
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1506; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.955954/200811 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3402003.474 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 22 de novembro de 2016 Matéria MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE INTEMPESTIVA. EFEITOS. Recorrente MB OSTEOS COM E IMP DE MATERIAL MEDICO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/12/1999 COMPENSAÇÃO. NÃOHOMOLOGAÇÃO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE INTEMPESTIVA. A Manifestação de Inconformidade somente será conhecida se apresentada até o trigésimo dia subsequente à data da ciência do Despacho Decisório que negou a compensação. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. RECURSO VOLUNTÁRIO. APRECIAÇÃO. PRECLUSÃO. É preclusa a apreciação de matéria no Recurso Voluntário quando considerada intempestiva a apresentação da correspondente manifestação de inconformidade. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 95 59 54 /2 00 8- 11 Fl. 143DF CARF MF Processo nº 10880.955954/200811 Acórdão n.º 3402003.474 S3C4T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Declaração de Compensação formulada para a compensação de crédito de PIS decorrente de pagamento indevido ou a maior com débito de COFINS. Em razão da aparente inexistência do crédito, vez que o DARF não foi localizado no sistema, foi transmitido Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação declarada, do qual a empresa foi cientificada em 02/12/2008. Em 07/10/2009 a empresa apresentou sua Manifestação de Inconformidade cumulado com pedido de revisão do lançamento, apresentando cópia de DARF que corresponderia ao pagamento indevido ou a maior. Cientificada de Comunicado do qual foi informada da intempestividade de sua defesa, a empresa apresentou novo Recurso Administrativo requerendo a revisão do lançamento em razão da existência do DARF. Em resposta a estas petições foi emitido Despacho Decisório atestando a intempestividade e o correspondente não andamento do processo. Cientificada desse despacho, a empresa apresentou nova Petição de Revisão de Lançamento, recebida com exigibilidade suspensa por ordem judicial. Esta última petição foi analisada em novo Despacho Decisório de Revisão de Ofício que manteve a conclusão do Despacho Decisório Eletrônico, vez que respaldado nas informações prestadas pelo próprio sujeito passivo na Declaração de Compensação. Fundamentando a não realização da revisão de ofício, foi ainda indicado que o crédito estaria decaído no momento do Pedido de Compensação. Em face deste último despacho, foi apresentada nova Manifestação de Inconformidade, na qual o sujeito passivo informa que o crédito objeto da compensação declarada nesse processo já teria sido objeto de pedido anterior formulado em outro processo, que ainda estaria pendente de análise. Esta defesa, apresentada dentro de trinta dias do recebimento do Despacho Decisório de Revisão de Ofício, não foi conhecida pela Delegacia de Julgamento vez que maculada pela intempestividade da primeira Manifestação de Inconformidade. Transcrevese abaixo a ementa da referida decisão, no que interessa a presente análise: MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE INTEMPESTIVA. EFEITOS. A manifestação de inconformidade apresentada fora do prazo legal não instaura a fase litigiosa do procedimento nem comporta julgamento de primeira instância quanto às alegações de mérito, porque dela não se conhece. Manifestação de Inconformidade Não Conhecida Direito Creditório Não Reconhecido." Cientificada desta decisão e inconformada, a empresa apresentou Recurso Voluntário sustentando a existência do direito creditório e a necessidade de aplicação ao presente processo do princípio da verdade real e material. É o relatório. Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10880.955954/200811 Acórdão n.º 3402003.474 S3C4T2 Fl. 4 3 Voto Antonio Carlos Atulim, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402003.438, de 22 de novembro de 2016, proferido no julgamento do processo 10880.955937/200875, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402003.438): "Conheço do Recurso Voluntário, por tempestivo, mas negolhe provimento, pelas razões a seguir expostas. Pela análise do presente processo, trazida no relatório acima, depreendese que o contencioso no presente processo não foi regularmente instaurado, vez que intempestiva a Manifestação de Inconformidade apresentada pela empresa em 07/10/2009, muitos meses após sua regular intimação do Despacho Decisório Eletrônico emitido nos presentes autos. O art. 74, § 9º da Lei n.º 9.430/96, na redação dada pela Lei n.º 10.833/2003, prevê defesa própria a ser apresentada pelo sujeito passivo na hipótese de não homologação de pedido de compensação: a Manifestação de Inconformidade. Esta defesa deve ser apresentada no prazo de 30 (trinta) dias contados da ciência do despacho denegatório, previsto no §7º daquele mesmo dispositivo legal: "Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (...) § 7º Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 9º É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7º, apresentar manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003)" (grifei) Fl. 145DF CARF MF Processo nº 10880.955954/200811 Acórdão n.º 3402003.474 S3C4T2 Fl. 5 4 No presente caso, a intempestividade é patente, vez que o sujeito passivo apresentou Manifestação de Inconformidade quase um ano após sua regular intimação do Despacho Decisório eletrônico que não homologou a compensação declarada. Com isso, evidente que as petições e manifestações apresentadas pelo sujeito passivo após o Comunicado reconhecendo a intempestividade da Manifestação de Inconformidade não instauraram a fase litigiosa do procedimento, em conformidade com o Ato Declaratório Normativo COSIT n.º 15/1996: "Declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados que, expirado o prazo para impugnação da exigência, deve ser declarada a revelia e iniciada a cobrança amigável, sendo que eventual petição, apresentada fora do prazo, não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem comporta julgamento de primeira instância, salvo se caracterizada ou suscitada a tempestividade, como preliminar." (grifei) Essa questão já foi analisada em distintas oportunidades por este CARF1, inclusive em processos semelhantes do mesmo sujeito passivo, nos Acórdãos 3202003.041, 3202003.042, 3202003.043, 3202 003.044 3802003.046, 3802003.047 e 3802003.048 publicados em 27/08/2014. Naqueles julgados, os Recursos Voluntários apresentados pela empresa não foram providos pelo Relator Cláudio Augusto Gonçalves Pereira em razão da mesma mácula no procedimento (intempestividade da Manifestação de Inconformidade originária): "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Exercício: 2000 Ementa: Manifestação de Inconformidade Intempestiva Efeitos A manifestação de inconformidade apresentada fora do prazo legal não instaura a fase litigiosa do procedimento nem comporta julgamento de primeira instância quanto às alegações de mérito, porque dela não se conhece. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do presente recurso e negarlhe provimento, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado." (grifei) Importante mencionar que o último Despacho Decisório de Revisão de Ofício apresentado foi apenas uma resposta a uma das diversas petições apresentadas pela empresa, trazendo considerações específicas para manter o Despacho Decisório eletrônico emitido e, portanto, não alterar as suas razões. 1 Vide ainda: Processo n.º 15374.902473/200919 Data da Sessão 08/12/2015 Relator Frederico Augusto Gomes de Alencar Acórdão n.º 1402001.974 Fl. 146DF CARF MF Processo nº 10880.955954/200811 Acórdão n.º 3402003.474 S3C4T2 Fl. 6 5 Neste ponto, coaduno com as considerações trazidas na decisão de primeira instância, que assim se manifestou: "12. Posteriormente ao expressado acima, a Autoridade Administrativa proferiu despacho, fls. 74/5, intitulado de “despacho decisório – revisão de ofício”, a partir do qual ratificou a propalada NÃO HOMOLOGAÇÃO da compensação requerida, agora com fundamento em questão de direito material (decadência), reabrindo prazo para manifestação da Requerente. 12.1. Entretanto, é de ser observado que, de fato, o denominado “despacho decisório – revisão de ofício” tem como substância mera resposta à petição do Sujeito Passivo que requer em sua resistência, alternativamente, a revisão do lançamento fiscal na forma do art. 149 do CTN. 12.1.1. Vaticina o § 6º, art. 74, da Lei nº 9.430/96, que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. 12.1.2. Nesse diapasão, tal Declaração de Compensação encerra confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário, sendo defeso ao Fisco, sem que o Sujeito Passivo comprove cabalmente a ocorrência de equívocos, dentro dos prazos que lhe são garantidos pelo ordenamento, alterar, ex officio, as informações prestadas pelo Contribuinte. 12.2. Em adição, cumpre ressaltar que referido ato administrativo não efetuou nenhuma alteração no conteúdo ou efeitos do DD que reconheceu a preclusão temporal, e que, portanto, continua a sobejar de definitividade no âmbito administrativo. 12.2.1. Desta sorte, o propalado “despacho decisório – revisão de ofício” apenas demonstra que, fosse superada a questão processual da preclusão temporal do DD original, o que tal ato não admite nem mesmo como hipótese, o pleito do Contribuinte, em virtude da demonstrada e fundamentada decadência constatada no caso vertente, haveria de ser considerado carecedor de fundamento de direito substantivo, o que acarretaria como resultado, sob qualquer ângulo de análise, a não homologação da compensação demandada. 13. Em adição a tudo quanto articulado, insta esclarecer, neste ponto, que o indigitado despacho não revogou nem anulou, expressa ou tacitamente, o Despacho Decisório original, não tendo, assim, o condão de infirmálo ou sobrepôlo. Traduziuse em mera resposta à petição de resistência do Contribuinte. 13.1. Cumpre observar que o DD original transmudouse, a partir da já divulgada preclusão temporal, em ato jurídico perfeito e, portanto, albergado sob o manto da imutabilidade, ao menos enquanto não revisto pela própria Administração ou infirmado em juízo. Fl. 147DF CARF MF Processo nº 10880.955954/200811 Acórdão n.º 3402003.474 S3C4T2 Fl. 7 6 13.2. Ademais, consoante preconizado no art. 53 da Lei nº 9.784/99, a Administração deve anular seus próprios atos, quando eivados de vício de legalidade, e pode revogálos por motivo de conveniência ou oportunidade. 13.3. No “despacho decisório – revisão de ofício”, não consta qualquer alegação de ilegalidade verificada no DD original de fls. 4, bem como não há descrição de motivação que esclareça eventual conveniência ou oportunidade da Administração presente no caso a justificar a revogação do indigitado ato de nãohomologação da pretendida compensação por decurso de prazo. 13.4. Em adição, deve ser pontuado que ao analisar a comprovação de pagamento trazida ao processo, defendido como indevido pela Impugnante, donde a Autoridade Administrativa pode concluir pelo equívoco do Sujeito Passivo quando informando a data de arrecadação no PER/DCOMP sob apreciação e, ainda, a ocorrência da decadência expressada no “despacho decisório – revisão de ofício”, restou amplamente observado e respeitado o princípio da verdade material, basilar do processo administrativo fiscal. 13.5. Cumpre esclarecer, ainda, que tal princípio encerra a idéia de possibilidade de comprovação inconteste do direito alegado pelo Contribuinte, emergindo do referido ato administrativo que, no caso sub examine, tal direito era inexistente vez que fulminado pela decadência. 14. Do quanto exposto, exsurge que o “despacho decisório – revisão de ofício” não expressa verdadeiro conteúdo de despacho decisório de não homologação da compensação a ser desafiado por manifestação de inconformidade, em consonância com a previsão do § 9º, art. 74, da Lei nº 9.430/96, especialmente por que, não tendo sido infirmado por este, o DD original continua válido e apto a produzir seus naturais efeitos, sendo factível extrairse do contido no processo, até o momento do presente Voto, a ocorrência da preclusão consumativa para a Administração, desnudandose como inócuo pronunciamento que intenta repisar posicionamento acerca de questão definitivamente resolvida, ainda mais intentando a reabertura de processo administrativo fiscal encerrado. 15. Por corolário do raciocínio expendido, não se tratando de efetivo despacho decisório de não homologação de compensação, não há de se cogitar haver espaço para manifestação de inconformidade nem, tampouco, instauração do contencioso administrativo." (grifei) Ora, todas as questões passíveis de análise nesta seara administrativa seriam pormenorizadas quando do julgamento da primeira Manifestação de Inconformidade. Não tendo sido conhecida esta defesa por patente intempestividade, evidente a preclusão do direito processual da Recorrente, cujas razões trazidas no Recurso Voluntário não merecem análise e provimento. Fl. 148DF CARF MF Processo nº 10880.955954/200811 Acórdão n.º 3402003.474 S3C4T2 Fl. 8 7 Diante do exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, por tempestivo, mas por negarlhe provimento em razão da preclusão, face a intempestividade da Manifestação de Inconformidade apresentada em face do primeiro Despacho Decisório emitido (Despacho Decisório Eletrônico)." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 149DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11516.721612/2012-98
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 18 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Sep 12 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO INEXISTÊNCIA DE JUSTA CAUSA. INTEMPESTIVIDADE. RECURSO NÃO CONHECIDO.
O prazo legal para interposição do recurso voluntário é de trinta dias, a contar da intimação da decisão recorrida. Apresentando-se recurso voluntário fora do prazo legal sem a prova de ocorrência de qualquer coisa impeditiva, é intempestivo o recurso e, portanto, não pode ser conhecido.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2401-004.486
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos não conhecer do recurso por intempestividade.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini- Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alexandre Tortato - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Maria Cleci Coti Martins, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto, Carlos Alexandre Tortato, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: CARLOS ALEXANDRE TORTATO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201608
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO INEXISTÊNCIA DE JUSTA CAUSA. INTEMPESTIVIDADE. RECURSO NÃO CONHECIDO. O prazo legal para interposição do recurso voluntário é de trinta dias, a contar da intimação da decisão recorrida. Apresentando-se recurso voluntário fora do prazo legal sem a prova de ocorrência de qualquer coisa impeditiva, é intempestivo o recurso e, portanto, não pode ser conhecido. Recurso Voluntário Não Conhecido.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Sep 12 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 11516.721612/2012-98
anomes_publicacao_s : 201609
conteudo_id_s : 5632983
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Sep 13 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 2401-004.486
nome_arquivo_s : Decisao_11516721612201298.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : CARLOS ALEXANDRE TORTATO
nome_arquivo_pdf_s : 11516721612201298_5632983.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos não conhecer do recurso por intempestividade. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini- Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alexandre Tortato - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Maria Cleci Coti Martins, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto, Carlos Alexandre Tortato, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess e Rayd Santana Ferreira.
dt_sessao_tdt : Thu Aug 18 00:00:00 UTC 2016
id : 6490281
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:52:14 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048690553257984
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1400; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 271 1 270 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11516.721612/201298 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401004.486 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 18 de agosto de 2016 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrente INO INOCÊNCIO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO INEXISTÊNCIA DE JUSTA CAUSA. INTEMPESTIVIDADE. RECURSO NÃO CONHECIDO. O prazo legal para interposição do recurso voluntário é de trinta dias, a contar da intimação da decisão recorrida. Apresentandose recurso voluntário fora do prazo legal sem a prova de ocorrência de qualquer coisa impeditiva, é intempestivo o recurso e, portanto, não pode ser conhecido. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 16 12 /2 01 2- 98 Fl. 271DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 09/09/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 09/09/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZA RINI 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos não conhecer do recurso por intempestividade. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alexandre Tortato Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Maria Cleci Coti Martins, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto, Carlos Alexandre Tortato, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess e Rayd Santana Ferreira. Fl. 272DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 09/09/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 09/09/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZA RINI Processo nº 11516.721612/201298 Acórdão n.º 2401004.486 S2C4T1 Fl. 272 3 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão n°. 0734.708, proferido pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (SC) (fls. 227/245), que julgou improcedente a impugnação e manteve integralmente o crédito tributário exigido, conforme acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011 DEBCAD nº 51.024.4998 CARACTERIZAÇÃO DE EMPREGADOS Constatado pela fiscalização que a contratação de segurados empregados e contribuinte individuais ocorre de forma simulada, correto o enquadramento destes como segurados empregados da verdadeira empresa contratante. SIMULAÇÃO A constatação de atos simulados, acobertando o verdadeiro sujeito passivo da obrigação tributária, enseja a autuação tendo como base a situação de fato. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA DE 150% Sempre que restar configurada uma das situações descritas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, o percentual da multa de que trata o inciso I do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996 deverá ser duplicado. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011 DEBCAD 51.024.5005 CARACTERIZAÇÃO DE EMPREGADOS Constatado pela fiscalização que a contratação de segurados empregados e contribuinte individuais ocorre de forma simulada, correto o enquadramento destes como segurados empregados da verdadeira empresa contratante. SIMULAÇÃO A constatação de atos simulados, acobertando o verdadeiro sujeito passivo da obrigação tributária, enseja a autuação tendo como base a situação de fato. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA DE 150% Fl. 273DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 09/09/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 09/09/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZA RINI 4 Sempre que restar configurada uma das situações descritas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, o percentual da multa de que trata o inciso I do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996 deverá ser duplicado. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011 DEBCAD nº 51.024.5013 INCLUIR TODOS OS SEGURADOS NA FOLHA DE PAGAMENTO CFL 30. DESCUMPRIMENTO. MULTA. Constitui infração deixar a empresa de preparar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados ao seu serviço nos padrões e normas estabelecidos pelo Instituto Nacional do Seguro Social. Tratamse de Autos de Infração AI lavrados contra o sujeito passivo em epígrafe, cujos créditos tributários são descritos a seguir. AI DEBCAD nº. 51.024.4998 , com valor consolidado em 23/07/2012, de R$ 2.858.248,41, referente à exigência de contribuições destinadas à previdência social inclusive para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho GILRAT, relativas às competências 01/2009 a 13/2011, parte da empresa. Bem como à exigência de contribuição a autônomos, avulsos e a contribuintes individuais, relativas às competências 01/2009 a 12/2009, 01/2010 a 12/2010, 01/2011 a 12/2011. AI DEBCAD nº. 51.045.5005, com valor consolidado em 23/07/2012, de R$ 713.734,83, referente à exigência de contribuições destinadas a Outras Entidades e Fundos denominados Terceiros Salário Educação (FNDE), Incra, Senai, Sesi e Sebrae incidentes sobre a remuneração de empregados, relativas às competências 01/2009 a 13/2011. AI DEBCAD nº. 51.045.5013, com valor consolidado em 23/07/2012, de R$ 1.617,12, referente à exigência acessória de preparar folhas de pagamento de todos os segurados a seu serviço. Conforme relatório elaborado pela Auditoria Fiscal da Receita Federal do Brasil (fls. 2/24), após fiscalizações realizadas na sede da recorrente, foi constatado que apesar de estarem devidamente registradas as pessoas jurídicas Ino Motores Ltda. CNPJ 06.300.244/000176 e Ino Máquinas Ltda. CNPJ 12.539.552/000151, prestadoras de serviço da Ino Inocêncio Ltda., na verdade tratase de simulação com o objetivo de elidir as contribuições previdenciárias dos empregados da verdadeira empregadora, ora recorrente, ao manter duas pessoas jurídicas no sistema de tributação simplificado. A fiscalização juntou cópia dos seguintes documentos: a) Cópia das Procurações Públicas da Ino Máquinas e Ino Motores à Pedro Alves Inocêncio e Antônio Manoel Inocêncio (fls. 32/42) Fl. 274DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 09/09/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 09/09/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZA RINI Processo nº 11516.721612/201298 Acórdão n.º 2401004.486 S2C4T1 Fl. 273 5 b) Cópia dos contratos sociais e alterações da Ino Inocêncio, Ino Motores e Ino Máquinas (fls 43/83); c) Cópia dos Contratos entre Ino Inocêncio e as empresas Ino Motores e Ino Máquinas (fls. 105/114); e d) Cópia dos Balanços Patrimoniais, Demonstrações dos Resultados e Demonstrações de Lucros/Prejuízos do exercício de 2011 da Ino Inocêncio, Ino Motores e Ino Máquinas (fls. 140/154). Quanto aos elementos fáticos e fundamentos legais, reproduzo parte do relatório redigido pela DRJ: “Ainda, conforme o citado relatório, do resultado da análise documental e dos procedimentos de auditoria fiscal, restou caracterizado que: a) a despeito da aparente distinção formal entre o sujeito passivo e as pessoas jurídicas denominadas INO Motores Ltda., CNPJ 06.300.244/000176 e INO Máquinas Ltda. EPP, CNPJ 12.539.552/000151, tratase, de fato, de uma única empresa. Exploram a mesma atividade econômica recuperação elétrica e mecânica em motores elétricos (CNAE 3313901) com quadro único de empregados, sob gestão centralizada no empregador e sujeito passivo INO Inocêncio Ltda. As existências das pessoas jurídicas INO Motores e INO Máquinas, ainda que sob a roupagem de algum tipo de terceirização, estão na verdade limitadas a mera formalidade e singeleza do papel que tudo aceita. Destinamse apenas a abrigar formalmente os vínculos trabalhistas relativos aos empregados do sujeito passivo e verdadeiro empregador INO Inocêncio Ltda., e b) o emprego de simulação, com evidente objetivo de elidir a contribuição previdenciária, retira a validade do ato formal, devendo prevalecer a real situação fática, com base no princípio da verdade material. É inconcebível que o sujeito passivo, que congrega tal quantidade de trabalhadores e volume de faturamento, tenha usufruído indevidamente do sistema de tributação simplificado e favorecido instituído pela Lei Complementar n° 123/06 que não se destina a empreendimento deste porte. Desta forma, e para fins tributários, os segurados formalmente inseridos nas folhas de pagamento das pessoas jurídicas INO Motores Ltda e INO Máquinas Ltda EPP, foram considerados empregados do sujeito passivo INO Inocêncio Ltda, que se revelou o verdadeiro empregador. A proliferação de práticas desta natureza inviabilizaria em algum tempo a atual forma de financiamento da Seguridade Social, cuja principal base é a folha de salários. A Auditoria Fiscal da Receita Federal do Brasil, ao constatar procedimentos desta natureza, cujo resultado é a evasão de contribuições devidas à Seguridade Social, tem o dever, sob pena de responsabilidade, de apurar os fatos, noticiálos às autoridades competentes e constituir os respectivos créditos. Fl. 275DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 09/09/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 09/09/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZA RINI 6 Prossegue relatando, pormenorizadamente, todo o procedimento efetuado no curso da ação fiscal, que restou por identificar a prática da simulação com o propósito do usufruto indevido do tratamento tributário simplificado e favorecido, instituído pela Lei Complementar nº 123/06 (Simples Nacional). Discorre sobre cada indício caracterizador da simulação (unicidade do sujeito passivo), tais como: outorga de poderes ao administrador e sócio (unicidade de comando); movimentação contratual; primazia da realidade material sobre a formal (idêntica atividade econômica, quadro comum de funcionários e mesmo endereço); e a atipicidade na gestão administrativa (indica como funcionários do mês os mesmos registrados nas outras pessoas jurídicas). Conclui que se trata de um só empreendimento econômico com idêntica atividade, mesma administração e quadro funcional, porquanto a distinção meramente formal com as pessoas jurídicas INO Motores e INO Máquinas foi uma estratégia utilizada, dolosa e reiteradamente, a fim de que o sujeito passivo pudesse usufruir indevidamente do tratamento tributário favorecido instituído pela Lei Complementar 123/2006 Simples Nacional, com o qual as empresas interpostas são optantes. Portanto, diante de tais condutas, procedeuse a baixa de ofício da inscrição no CNPJ das pessoas jurídicas INO Motores Ltda e INO Máquinas Ltda EPP, consoante hipótese contemplada no artigo 80, parágrafo 1º, inciso I da Lei de Ajuste Tributário nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Por fim, esclarece que as circunstâncias descritas revelam de forma inequívoca a intenção firme e consciente do contribuinte no sentido de suprimir tributo devido à fazenda pública federal, mediante sonegação, fraude e conluio praticados de forma dolosa, o que restou no agravam do valor da multa imposta, conforme disposições contidas no artigo 44, inciso I, parágrafo 1º da lei 9.430/96, combinado com os artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502 de 30 de novembro de 1964.” O contribuinte foi cientificado das autuações em 24/07/2012, terçafeira (Termo de Ciência Previdenciário fl. 160) e apresentou impugnações (fls. 196/217) aos Autos de Infração. No julgamento da peça impugnatória do contribuinte, foi mantido integralmente o lançamento, sendo proferido o Acórdão nº. 0734.708 (fls. 227/245), cuja ementa está reproduzida acima. Intimado do acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis SC em 30/05/2014 (AR fl. 247), o contribuinte apresentou o recurso voluntário de fls. 249/267 em 27/07/2014, alegando, em síntese: a) Que o que praticou foi apenas um ato de planejamento tributário, dentro dos limites da lei, e que a mera presunção de simulação não é prova suficiente para desconsiderar o ato jurídico; b) Que as multas de ofício e as taxas de juros aplicadas ao caso são confiscatórias, devendo ser aplicado o princípio da razoabilidade para reduzir o valor cobrado; Fl. 276DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 09/09/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 09/09/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZA RINI Processo nº 11516.721612/201298 Acórdão n.º 2401004.486 S2C4T1 Fl. 274 7 c) Que na base de cálculo das contribuições previdenciárias não podem ser incididas as verbas indenizatórias; d) Ao final, restando todas as alegações improcedentes, requer o seu enquadramento no REFIS. É o relatório. Fl. 277DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 09/09/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 09/09/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZA RINI 8 Voto Conselheiro Carlos Alexandre Tortato – Relator Juízo de admissibilidade Nos termos do art. 33 do Decreto 70.235/72, das decisões de primeira instância caberá a interposição de recurso voluntário, no prazo de 30 dias, a contar da ciência da decisão: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Contudo, este pressuposto de admissibilidade – tempestividade – não se faz presente e o recurso voluntário não deve ser conhecido. O contribuinte foi intimado do Acórdão nº. 0734.708 de fls. 227/245 em 30/05/2014, sextafeira, conforme Aviso de Recebimento de fls. 247/248. O prazo recursal de 30 dias iniciouse no primeiro dia útil seguinte, 02/06/2014, segundafeira, encerrandose em 01/07/2014, terçafeira, conforme determina o art. 5º do Decreto 70.235/72: Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. O recurso voluntário interposto pelo contribuinte foi protocolado na Agência da Receita Federal de Criciúma SC em 27/07/2014, conforme carimbo de recebimento à fl. 249. Ainda, o contribuinte não informa e, consequentemente, não prova a ocorrência de qualquer justa causa que o tenha impedido de recorrer no prazo legal, nos termos do § 1º do art. 183 do Código de Processo Civil: Art. 183. Decorrido o prazo, extinguese, independentemente de declaração judicial, o direito de praticar o ato, ficando salvo, porém, à parte provar que o não realizou por justa causa. § 1o Reputase justa causa o evento imprevisto, alheio à vontade da parte, e que a impediu de praticar o ato por si ou por mandatário. Portanto, considerando o não cumprimento do requisito previsto no art. 33 do Decreto 70.235/72 para interposição do recurso voluntário, tampouco apresentada qualquer Fl. 278DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 09/09/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 09/09/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZA RINI Processo nº 11516.721612/201298 Acórdão n.º 2401004.486 S2C4T1 Fl. 275 9 justa causa que demonstrasse a impossibilidade de cumprimento do prazo legal, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso voluntário, por ser intempestivo. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos Alexandre Tortato. Fl. 279DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 09/09/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 09/09/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZA RINI
score : 1.0
Numero do processo: 12259.000998/2008-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2301-000.533
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201503
camara_s : Terceira Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
numero_processo_s : 12259.000998/2008-65
conteudo_id_s : 5667114
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Dec 26 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 2301-000.533
nome_arquivo_s : Decisao_12259000998200865.pdf
nome_relator_s : MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 12259000998200865_5667114.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
id : 6598472
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:54:45 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048690580520960
conteudo_txt : Metadados => date: 2016-12-20T12:31:47Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2016-12-20T12:31:47Z; Last-Modified: 2016-12-20T12:31:47Z; dcterms:modified: 2016-12-20T12:31:47Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2016-12-20T12:31:47Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2016-12-20T12:31:47Z; meta:save-date: 2016-12-20T12:31:47Z; pdf:encrypted: true; modified: 2016-12-20T12:31:47Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2016-12-20T12:31:47Z; created: 2016-12-20T12:31:47Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2016-12-20T12:31:47Z; pdf:charsPerPage: 1074; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2016-12-20T12:31:47Z | Conteúdo => S2-C3T1 Fl. 932 1 931 S2-C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12259.000998/2008-65 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2301-000.533 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 11 de março de 2015 Assunto CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Recorrente MILLS DO BRASIL ESTRUTURAS E SERVIÇOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos relatado e analisado os autos, Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente da Terceira Câmara e da Segunda Seção de Julgamento na data da formalização. (Assinado digitalmente) JOÃO BELLINI JÚNIOR - Relator ad hoc na data da formalização. EDITADO EM: 20/12/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), ADRIANO GONZALES SILVERIO, DANIEL MELO MENDES BEZERRA, CLEBERSON ALEX FRIESS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR (Relator), THEODORO VICENTE AGOSTINHO. Fl. 931DF CARF MF Processo nº 12259.000998/2008-65 Resolução nº 2301-000.533 S2-C3T1 Fl. 933 2 Conselheiro João Bellini Júnior - Relator ad hoc na data da formalização. Para registro e esclarecimento, pelo fato de o conselheiro responsável pelo relatório ter deixado o CARF antes de sua formalização, fui designado AD HOC para fazê-lo. Esclareço que aqui busco reproduzir o relato do Conselheiro, com o qual não necessariamente concordo. Feito o registro. Trata-se de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, que engloba as contribuições a cargo da empresa incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e contribuintes individuais que lhe prestam serviços, além da incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. O período do débito é de 02/2001 a 10/2004. Os fatos geradores considerados pela fiscalização, das contribuições previdenciárias, foram os pagamentos ou créditos efetuados a cooperativas de trabalho e aos segurados empregados e contribuintes individuais em virtude dos serviços prestados à empresa. A base de calculo das contribuições previdenciárias foram às remunerações pagas, devidas, ou creditadas, aos segurados empregados e contribuintes individuais, extraídas dos resumos das folhas de pagamento e dos livros Diário e Razão. No que se refere às cooperativas de trabalho, as bases de calculo foram extraídas do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços. Consta em Relatório Fiscal que a contribuinte impetrou Ação Ordinária junto à Terceira Turma da Vara Federal do Rio de Janeiro [Ação 99.00624939] pleiteando a compensação dos créditos decorrentes da retenção de 11%dos serviços prestados mediante cessão de mão de obra. Em 31/03/2000 foi concedida a contribuinte, antecipação de tutela autorizando a contribuinte a compensar o eu pagou indevidamente a titulo de contribuição previdenciária. Essa decisão foi mantida pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região. Diante da não definitividade da decisão do TRF 2ª Região, decidiu a fiscalização por sobrestar o lançamento do crédito tributário. Cumpre ressaltar que foi prolatada sentença em 18/09/2000 que manteve o entendimento da antecipação de tutela, e esta foi confirmada pelo Tribunal, por acórdão que transitou em julgado em 02/06/2005. No dia 23/05/2006 a Fazenda Nacional manifestou-se para: “no que se refere a contribuições que deixaram de ser colhidas a titulo de compensação realizada com base nas decisões proferidas em tal processo, cabe o cancelamento do crédito”. O relatório fiscal informa que os valores da NFLD decorrem de compensações efetuadas pelos diversos estabelecimentos da empresa de créditos provenientes da retenção de 11% sobre os serviços realizados mediante cessão de mão de obra em outros estabelecimentos. Fl. 932DF CARF MF Processo nº 12259.000998/2008-65 Resolução nº 2301-000.533 S2-C3T1 Fl. 934 3 Em sede de impugnação a contribuinte alegou a impossibilidade da exigência de multa de mora, pela interpretação analógica do art. 63 da lei 9.430/96. Entretanto as alegações da contribuinte não foram acatadas, e a 15ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJI) decidiu por manter o lançamento, Acórdão nº 1223.678, proferido em 07/04/2009: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de Apuração: 01/02/2001 a 31/10/2004 CONTRIBUIÇÃO PARA A SEGURIDADE SOCIAL Incide contribuição para a Seguridade Social sobre as remunerações pagas aos segurados empregados (art. 20, art. 22, I, da Lei 8.212/91) e aos segurados contribuintes individuais (art. 22, III, da L ei 8.212/91 e art. 4º, caput da Lei 10.666/2003). Lançamento Procedente. Intimada da decisão negativa da DRJ/RJ1 em 22/09/20111, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário no dia 24/10/2011. A contribuinte requer o cancelamento da autuação, tendo em vista que esta foi lavrada apenas para prevenir a decadência. Alega ser nula a decisão da DRJ/RJ1 que manteve o lançamento por fundamento diverso da autuação existindo uma evidente mudança de critério jurídico. Segue trecho do Recurso Voluntário: De fato, o lançamento somente foi feito para prevenir a decadência e aguardar o final da ação judicial, razão por foi sobrestado. Ou seja, caso os pedidos formulados na ação fossem julgados improcedentes, a cobrança prosseguiria livremente. Se vitoriosa a Recorrente, o lançamento seria cancelado. Não há duvidas, nas palavras da própria fiscalização, que “os valores contidos nesta NFLD são decorrentes de compensações efetuadas pelos diversos estabelecimentos da empresa de créditos decorrentes da retenção de 11% sobre os serviços realizados mediante cessão de mão- de-obra (sic) em outros estabelecimentos, com base em decisão judicial em vigor”. Isto é, o auditor verificou toda a documentação referida nos termos de intimação expedidos ao longo da fiscalização e concluiu que as tais “diferenças” eram justamente os valores das retenções compensados entre estabelecimentos da Recorrente. Para assim, concluir, por evidente que o fiscal precisou confirmar a própria existência dos créditos (valores retidos), caso contrario, não teria sobrestado o lançamento, teria, sim, exigido normalmente os créditos, na medida em que faltaria à Recorrente pressuposto para que as compensações pudessem ter sido realizadas, qual seja, a existência de créditos, hipótese em que nem mesmo a decisão judicial impediria o prosseguimento da cobrança. Traz ainda, em suas alegações a informação de que mesmo diante de diligencia para analise dos documentos juntados pela recorrente, o agente autuante simplesmente ignorou tais documentos, bem como ignorou todas as informações postas nas planilhas de fls. 118 a 125. Diante disso, a recorrente pleiteia nova diligencia. Fl. 933DF CARF MF Processo nº 12259.000998/2008-65 Resolução nº 2301-000.533 S2-C3T1 Fl. 935 4 Aduz que o caminho a ser trilhado pela NFLD após o transito em julgado da decisão judicial que autorizou as compensações não poderia ser outro senão o cancelamento, como, inclusive, determinado pela Procuradoria Federal do INSS. Complementa afirmando que o caso dos autos encontra óbice no artigo 146 do CTN e nos princípios do Direito Constitucional, na medida em que a decisão da DRJ configura inequívoca mudança de critério jurídico e redunda na mais absoluta violação à coisa julgada e aos princípios do contraditório, ampla defesa e devido processo legal. Junta no Recurso Voluntário planilhas que trazem os valores compensados [fls. 335 – 347]. Por fim requer em se tratando dos pedidos: O reconhecimento da nulidade da decisão proferida pela DRJ, por violar o disposto no art. 146 do CTN, e nos incisos XXXV, LIV do artigo 5º da Carta Magna de 1988, haja vista a flagrante mudança de critério jurídico, e considerando que o lançamento foi perpetrado exclusivamente par prevenir a decadência e aguardar o resultado da ação judicial manejada pela Recorrente; Sucessivamente, requer que seja reconhecida a mais absoluta imprestabilidade do resultado da diligencia fiscal de fls. 224 a 229 para justificar a manutenção da integralidade da autuação, tendo em vista a cabal comprovação da regularidade das compensações e o fato de que a analise limitouse aos dados contidos nos sistemas de processamento de dados do INSS, ainda que, par tanto, seja necessária a realização da perícia técnico-contábil ou nova diligencia. É o relatório. Fl. 934DF CARF MF Processo nº 12259.000998/2008-65 Resolução nº 2301-000.533 S2-C3T1 Fl. 936 5 Conselheiro João Bellini Júnior - Relator ad hoc na data da formalização. Para registro e esclarecimento, pelo fato de o conselheiro responsável pelo relatório ter deixado o CARF antes de sua formalização, fui designado AD HOC para fazê-lo. Esclareço que aqui busco reproduzir o relato do Conselheiro, com o qual não necessariamente concordo. Feito o registro. Presentes os pressupostos de admissibilidade, sendo tempestivo, conheço do Recurso e passo ao exame das razões recursais. A Ação Ordinária proposta pela contribuinte junto ao Poder Judiciário, ocorreu anteriormente a NFLD. A fiscalização, sabendo da existência da ação, decidiu por efetuar a NFLD a fim de prevenir a decadência, e para aguardar o resultado da ação judicial. Não encontramos, nos autos, a petição inicial,a fim de verificar se já identidade de objetos nos litígios judicial e administrativo, o que acarretaria a obediência a súmula do CARF: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Portanto, para verificação de aplicação da súmula, proponho a conversão do julgamento em diligência, a fim de que o Fisco junte aos autos a petição inicial da ação. Após a medida, deve ser dada ciência desta resolução ao contribuinte, para, caso desejar, apresente seus argumentos. DISPOSITIVO: Diante do exposto, resolvo converter o julgamento em diligência, nos termos do voto. Foi assim que o Conselheiro votou na sessão de julgamento, conforme registro. (Assinado digitalmente) João Bellini Júnior - Relator ad hoc na data da formalização. Fl. 935DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12448.731264/2013-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 04 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Nov 01 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1302-000.449
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento na realização de diligências, nos termos do voto da Relatora..
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Wipprich Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Ana de Barros Fernandes Wipprich, Rogério Aparecido Gil, Marcelo Calheiros Soriano, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Talita Pimenta Félix e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201610
camara_s : Terceira Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Nov 01 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 12448.731264/2013-61
anomes_publicacao_s : 201611
conteudo_id_s : 5653381
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Nov 01 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 1302-000.449
nome_arquivo_s : Decisao_12448731264201361.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH
nome_arquivo_pdf_s : 12448731264201361_5653381.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento na realização de diligências, nos termos do voto da Relatora.. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Ana de Barros Fernandes Wipprich, Rogério Aparecido Gil, Marcelo Calheiros Soriano, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Talita Pimenta Félix e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
dt_sessao_tdt : Tue Oct 04 00:00:00 UTC 2016
id : 6554815
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:54:16 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048690603589632
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 21; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1689; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 2 1 1 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12448.731264/201361 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1302000.449 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 04 de outubro de 2016 Assunto Solicitação de diligências Recorrente EXXONMOBIL EXPLORAÇÃO BRASIL LTDA (atual denom de ESSO EXPLORAÇÃO SANTOS BRASILEIRA LTDA) Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento na realização de diligências, nos termos do voto da Relatora.. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich– Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Ana de Barros Fernandes Wipprich, Rogério Aparecido Gil, Marcelo Calheiros Soriano, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Talita Pimenta Félix e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). RELATÓRIO Trata de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão nº 1458.839/15, proferido pela 15ª Turma de Julgamento da DRJ em Ribeirão Preto/SP, que decidiu manter os lançamentos tributários de IRPJ e CSLL, relativos aos anoscalendários de 2009 e 2010, consubstanciados nos Autos de Infração de efls. 435 a 454, lavrados em conformidade com os fatos explicitados no Termo de Verificação Fiscal de efls. 431 a 434. As infrações tributárias detectadas pela fiscalização consistem em despesas operacionais incorridas nos anos em questão consideradas indedutíveis dadas as suas naturezas. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 24 48 .7 31 26 4/ 20 13 -6 1 Fl. 1232DF CARF MF Processo nº 12448.731264/201361 Resolução nº 1302000.449 S1C3T2 Fl. 3 2 A fiscalização constatou que a contribuinte, cuja atividade é extração de petróleo e gás natural, em consórcio com as empresas Petrobrás S/A e Amerada Hess Ltda., ganhou a concessão para a perfuração do bloco BMS22 (contrato nº 48610.010707/2001), sendo a responsável pela execução das operações relativas à exploração do referido bloco. Estando em fase préoperacional, nos anos em questão, contabilizou indevidamente a título de despesas operacionais, os valores de R$ 85.919.782,60, para 2009, e R$ 11.454.225,41, para 2010, sendo que o correto seria registrar estes valores, como despesas préoperacionais, no Ativo Diferido, pois referemse aos serviços relativos à exploração de poços e somente poderia apropriarse das despesas incorridas, a título de amortização, à medida que as receitas operacionais correlatas começassem a ser auferidas com a venda de petróleo ou gás. Também houve a glosa de 'outras despesas', nos valores de R$ 157.955.581,89, para 2009, e R$ 222.812.309,92, para 2010, em razão da empresa ter dado baixa de poços considerados secos (poços 1, 2 e 3), antes de a empresa haver enviado à ANP (Agência Nacional de Petróleo) o pedido de devolução integral da área recebida em concessão, em 03/04/2012, salientandose que a decisão da extinção somente ocorreu em 03/08/2012. As referidas infrações tributárias somaram valor tributável de R$ 243.875.364,49, para 2009, e R$ 234.266.535,33, para 2010, sendo que parte dos valores foram compensados com o saldo de prejuízo fiscal/base de cálculo negativa acumulados da empresa, remanescendo o crédito tributário total de R$ 55.351,91 a pagar, a título de IRPJ e CSLL (com multa de ofício regular e juros moratórios). A empresa impugnou o feito fiscal argumentando as razões que a seguir transcrevo do relatório do acórdão recorrido, por bem minucioso: Depois de defender a tempestividade do oferecimento da peça contestatória e descrever os fundamentos das autuações questionadas, tece “considerações sobre as fases que compreendam a produção de petróleo e de gás natural”, o qual envolve três fases: • Exploração: conjunto de operações ou atividades destinadas a avaliar áreas, objetivando a descoberta e a identificação de jazidas de petróleo ou gás natural; • Desenvolvimento: conjunto de operações e investimentos destinados a viabilizar as atividades de produção de um campo de petróleo ou gás natural; • Produção: conjunto de operações coordenadas de extração de petróleo ou gás natural de uma jazida e de preparo para a sua movimentação. Explica que, para a consecução dos seus objetivos sociais, realiza estudos e pesquisas com a finalidade de verificar a existência de jazidas de petróleo bem como a viabilidade econômica da exploração delas. É o que se denomina fase de exploração, “que têm início na obtenção, através de leilão, pela empresa concessionária, do direito à pesquisar/explorar uma determinada área (bloco)”. Sobre a fase de exploração, expõe que ela envolve a “perfuração de poços individuais tendo, cada um deles, dentro do bloco objeto da concessão, características próprias de geologia e requerimentos individuais de engenharia”. A individualidade decorre de exigência do contrato de concessão, o qual obriga o concessionário a comunicar, no prazo de 72 horas, qualquer descoberta de hidrocarbonetos naquele poço. “Da mesma forma, faculta que se faça, durante este período, devoluções parciais à Fl. 1233DF CARF MF Processo nº 12448.731264/201361 Resolução nº 1302000.449 S1C3T2 Fl. 4 3 ANP das áreas nas quais não sejam identificadas reservas, mediante comunicação formal (Cláusula 3.3)”. Informa que, “nos casos de total insucesso em todos os poços perfurados” ou de inviabilidade econômica da produção, a área adquirida no leilão é devolvida. Assim, quando forem encontrados poços cuja produção seja economicamente viável, a concessionária comunica tal fato à Agência Nacional do Petróleo (ANP) por meio da intitulada Declaração de Comercialidade e dá início à fase de produção. Explana que, no caso em tela, a exploração do Bloco BMS22 foi iniciada em 29/08/2001, “conforme contrato de concessão, com o comprometimento de perfuração de 4 poços em dois períodos distintos, sendo encerrada em 06.08.2012, com a formalização da devolução integral da área concedida e consequente extinção do contrato (docs. 06), hajavista que em nenhum dos poços perfurados foram encontradas descobertas de petróleo quejustificassem investimentos para a próxima fase (produção)”. Informa que ao longo do processo de pesquisa efetuou quatro devoluções parciais: em 05/05/2009 (poço Azulão 1), 04/09/2009 (poços Guarani 1 e Guarani 1 desviado) e 10/03/2011 (poço Sabiá 1), as quais foram realizadas na forma facultada em contrato sem que a ANP tenha oferecido qualquer questionamento a respeito. Posteriormente, em 06/08/2012, a devolução total da área foi ratificada pela ANP. Tece comentários acerca do panorama mundial de exploração de petróleo, relatando que a média mundial de poços exploratórios mal sucedidos representa de 70% a 80% do total perfurado e que, no Brasil, a média tem sido de 80%. Estes poços, normalmente, são perfurados por empresas subcontratadas, cabendo ao concessionário “somente determinar o local da perfuração e o modelo de perfuração desejado”. Diz que esta teria sido exatamente a situação ocorrida. No entanto, a Fiscalização considerou indedutíveis os custos/despesas incorridos na fase de exploração de cada poço considerado seco. E argumenta: A Fiscalização partiu de premissa equivocada, desalinhada com as práticas internacionais contábeis e com a prática local da indústria de petróleo e gás natural – e também desalinhada com o Regulamento do Imposto de Renda, como se verá adiante. Entendeu a fiscalização que os custos e despesas com “poços secos” e despesas operacionais incorridos na fase de exploração deveriam ter sido contabilizados no ativo diferido, a serem amortizados a partir do primeiro ano em que fosse auferida receita operacional na venda de petróleo e gás e não como fez corretamente a Impugnante ao leválas a resultado, enquadrandoas como custos/despesas operacionais no período em que se confirmou a inexistência de expectativa de receitas oriundas daqueles investimentos. Na continuação, traz um arrazoado sobre os padrões internacionais de contabilidade utilizados na indústria petrolífera, com o objetivo de sustentar a improcedência da conclusão da Fiscalização. Inicia salientando que o Brasil não possui uma diretriz expressa sobre as práticas contábeis e fiscais para a indústria de O&G. No entanto, a seu ver, o movimento de alinhamento com os métodos contábeis internacionais promovido pela Lei nº 11.638, de Fl. 1234DF CARF MF Processo nº 12448.731264/201361 Resolução nº 1302000.449 S1C3T2 Fl. 5 4 2007, permitiria trazer à discussão a prática internacional desta indústria, a qual estaria consolidada há décadas. Expõe: Basicamente, consolidaramse como melhores práticas da indústria os seguintes métodos contábeis para o reconhecimento e baixa de custos: método dos Esforços Bem Sucedidos Successful Efforts (SE) e o método do Custo Total Total – Full Cost (FC), previstos nas normas do Financial Accounting Standard Board (FASB) – Statement of Financial Accounting Standards (SFAS) nos. 19 e 25 (docs. 09); nas normas da Securities and Exchange Commission (SEC) Accounting Series Release (ASR) nos 257 e 258 e no Pronunciamento Técnico Contábil CPC n° 34, que muito embora não aprovado, serve de base para o entendimento do tratamento contábil dado pela Impugnante às despesas com “poços secos”. Antes de discutir as duas técnicas contábeis apresentadas, assevera que os gastos incorridos nas atividades de exploração de produção de petróleo e gás são classificados em quatro categorias, abaixo apresentadas: • Os custos de aquisição incluem os gastos incorridos para adquirir, alugar, usar ou qualquer outra forma de aquisição dos direitos de uso de determinada área e ainda abrange o bônus de assinatura, taxas de agenciamento/intermediação, taxas de registro, custos legais e outros; • Os custos de exploração envolvem os gastos incorridos na identificação de áreas potenciais e nos exames específicos de áreas com potencial de reserva de óleo e gás natural, incluindo perfuração de poços exploratórios e testes estratigráficos, bem como gastos com estudos topográficos, geológicos e geofísicos. Os gastos de exploração podem ocorrer tanto antes como depois da aquisição da área ou mesmo incorridos sem que a área nunca seja adquirida (no caso de pesquisas gerais); • Os custos de desenvolvimento são aqueles incorridos para obter acesso às reservas provadas e para prover instalações para extração, tratamento, recolhimento e estocagem do óleo e do gás natural e ainda os custos das instalações de produção, tais como linhas de escoamento, separadores, tratadores, aquecedores, tanques de estocagem, sistemas de recuperação e instalações de processamento de gás natural; • Os custos de produção são aqueles incorridos para a extração, como por exemplo os incorridos para transportar óleo e gás à superfície e coletálos, tratálos, processálos e armazenálos. De maneira geral são incorridas para a operação e manutenção de poços, equipamentos e instalações relacionados à produção. Apresentados os custos envolvidos na atividade, descreve os métodos contábeis utilizados pela indústria de O&G, os quais “podem gerar diferentes resultados temporais e efetivos nos lucros”: pelo método dos Esforços Bem Sucedidos, somente os custos e despesas resultantes da exploração de poços bem sucedidos (descoberta de reservas provadas de óleo e gás) é que são mantidos como ativos. Os custos e despesas referentes à exploração de poços que resultem em não descoberta ou aquelas inviáveis economicamente são tratados como custos/despesas, no momento em que for determinado o insucesso de cada poço perfurado. pelo método do Full Cost (Custo Total), estes custos e despesas, sejam relativos a poços com sucesso ou não, seriam totalmente capitalizados e lançados à resultado, Fl. 1235DF CARF MF Processo nº 12448.731264/201361 Resolução nº 1302000.449 S1C3T2 Fl. 6 5 via amortização a partir do Primeiro Óleo produzido ou baixados integralmente quando da Devolução total do Bloco. Acredita que a prática contábil adotada no exterior passará a ser seguida no Brasil, tendo em vista “a conhecida redação do CPC n° 34, ainda em fase de discussão, mas que expressamente avança nesta linha” e as orientações existentes no CPC 04 (intangível) e 27 (imobilizado), que expressamente excluem da sua aplicação as operações de O&G. Traduz o SFAS nº 19 da seguinte forma: Se o poço tiver reservas provadas, os respectivos custos de perfuração tornamse parte efetivados custos do poço e dos equipamentos e instalações relacionadas a ele. Se, entretanto, não forem encontradas reservas provadas mediante a perfuração deste poço, os custos e despesas capitalizados de perfuração, deduzidos todos os valores residuais, devem ser lançados no resultado. E argumenta que a US SEC acatou a recomendação e considerou que o método dos Esforços Bem Sucedidos é o mais adequado para contabilização das operações pela indústria do petróleo, principalmente para as empresas de grande porte. Registra a impugnante que esta orientação foi por ela seguida. Alega, em seguida, que, se adotasse o método de Custo Total, o qual “requer que todos os custos/despesas sejam alocados em centros de custos estabelecidos com base em empresas, países ou áreas geográficas”, haveria óbices ao seu controle interno e dificuldades de organização entre as empresas que participam de consórcios, muito comuns na exploração de petróleo no Brasil. Sintetiza em uma tabela como determinadas operações são contabilizadas pelos dois métodos: [tabela] Arremata a contribuinte: 57. Como exposto, e com base não só nas normas internacionais mas também seguindo a tendência das discussões locais sobre o tema, a Impugnante adotou como base de sua contabilização o método dos Esforços Bem Sucedidos (Successful Efforts SE), o qual considera os gastos exploratórios de “poços secos” como custos/despesas. 58. Assim a Impugnante, nos anoscalendários de 2009 e 2010, contabilizou como despesas operacionais os valores de R$ 157.955.581,89 e R$ 222.812.309,92, relativos a baixas dos “poços secos” na fase de exploração do Bloco BMS22, bem como despesas operacionais na fase de exploração os valores de R$ 85.919.782,60 (2009) e R$ 11.454.225,41 (2010), sendo uma parte baixada em junho de 2009 e outra em dezembro de 2010, ainda que a devolução total do bloco tenha sido formalizada perante a ANP em 06/08/2012, 11 anos após a obtenção de sua licença de Concessão. 59. Submetese à análise desta Turma de Julgamento o fato de que a forma de contabilização adotada parte da premissa de que, em decorrência da identificação de “poços secos”, o investimento feito em cada um dos poços perfurados não geraria qualquer receita futura, devendo os custos e despesas a eles inerentes serem imediatamente reconhecidos no resultado e deduzidos para fins de apuração do IRPJ e da CSLL. Fl. 1236DF CARF MF Processo nº 12448.731264/201361 Resolução nº 1302000.449 S1C3T2 Fl. 7 6 Prossegue com argumentações sobre a influência da prática fiscal internacional no Brasil e da importância das Leis nos 11.638, de 2007, e 11.941, de 2009, no processo de mudança de paradigmas. Além disso, adotados os procedimentos internacionais, empresas brasileiras poderiam se lançar no mercado internacional de capitais, propiciando, também, um ambiente favorável para que sociedades estrangeiras investissem no mercado brasileiro. Entende, portanto, incabível que as autoridades fiscais e julgadoras ignorem essa influência e glosem as despesas em questão, considerando indevida a dedutibilidade dos valores despendidos. Considera, portanto, imprópria a premissa em que se baseou a Fiscalização. Transcreve ementa do acórdão nº 1401000.993 proferido pela 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara de Julgamento do CARF: ATIVO DIFERIDO. O objetivo da existência do ativo diferido era a equivalência, no tempo, da amortização das despesas incorridas pela empresa na fase préoperacional, às receitas decorrentes de referida operacionalização. Assim, quando a empresa incorria em despesas relacionadas ao desenvolvimento, construção e implantação de projetos antes de estes apresentarem receitas, deveriam referidas despesas ser registradas como ativo diferido. No futuro, quando surgissem as receitas referentes a referido ativo diferido, este seria passível de amortização. Assim, o objetivo da escrituração do ativo diferido não era tornar a despesa permanentemente indedutível, mas sim permitir a dedutibilidade do dispêndio quando o projeto que lhe deu causa estiver produzindo receitas. REGISTRO NO ATIVO DIFERIDO. O registro de determinado dispêndio como ativo diferido demanda a identificação de duas condições, a saber: 1º) o dispêndio deve referir se a projetos cuja operação não tenha iniciado: 2º) deve haver razoável segurança da realização de receitas futuras. Não se trata de ativação pura e simples do gasto, mas sim a transmutação provisória de um custo ou despesa (pré)operacional em ativo (diferido), com objetivo de amortização futura. Não é concebível alocar no ativo diferido os gastos das atividades operacionais (que já estão em andamento) e que nem se sabe se vão gerar receitas futuras. Destaca que, segundo o Conselheiro Relator, para que determinadas despesas sejam ativadas é necessário que haja “razoável segurança da realização de receitas futuras com o projeto”, o que não teria acontecido no caso concreto, em face da inexistência de hidrocarbonetos ou da verificação da não comercialidade de todos os poços explorados. Transcreve parte do voto exarado pelo mencionado Conselheiro: Enfim, há diversos gastos que contribuirão para a formação de exercícios futuros. Todavia, para classificar um gasto no ativo diferido é necessário uma relação direta, identificada e documentada entre os custos e despesas incorridos e as receitas a serem obtidas em períodos futuros. Este é o posicionamento do Instituto dos Auditores Independentes do Brasil esboçado por meio da NPC VIII (Normas e Procedimentos de Contabilidade), que trata especificamente do grupo “Diferido” e somente foi revogada Fl. 1237DF CARF MF Processo nº 12448.731264/201361 Resolução nº 1302000.449 S1C3T2 Fl. 8 7 em 24/05/2011, tendo em vista a convergência da contabilidade brasileira às normas internacionais. Confirase: O conceito de “formação do resultado de diversos períodos”, que caracteriza os itens classificáveis como ativos diferidos, pode ser definido como uma relação direta, identificada e documentada, entre certos custos ou despesas incorridos em um certo momento, geralmente não identificáveis com ativos físicos, e receitas a serem obtidas em períodos futuros. (...) Neste ponto, é necessário insistir na importância da relação entre as despesas diferidas e as receitas esperadas, para cuja geração essas despesas devem contribuir de forma inequívoca. O conceito de diferimento de despesas nasce com a esperança de se obter receitas em períodos futuros que não se poderiam originar se as despesas diferidas não tivessem sido incorridas. Portanto, não poderão diferirse aqueles itens vinculados a projetos abandonados e que, consequentemente, não produzirão receitas, nem tampouco os itens ligados a projetos de viabilidade duvidosa. Neste último caso, a amortização total e imediata das despesas diferidas atende ao princípio básico de conservadorismo. Daí é que a interpretação sistemática do dispositivo permite aferir que o conteúdo das contas que integram o Ativo Diferido têm relação a projetos futuros dos quais certamente irão decorrer receitas. Frisase: é necessária a vinculação direta, identificada e documentada entre os gastos que serão diferidos e as receitas que serão auferidas no futuro. Desta forma, é interessante notar que o próprio art. 325 do RIR dá essa ideia, pois o § 1°, que dispõe quando deveria iniciar a amortização do ativo diferido, remete ao início das operações do projeto cujas despesas foram registradas sob referida conta. Tendo em vista que os poços explorados não poderiam gerar receitas futuras, acredita a interessada que o procedimento por ela adotado está em consonância com o entendimento adotado pelo CARF. Caso o órgão julgador não aceite as argumentações apresentadas, alega que o artigo 416 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99) “expressamente determina a faculdade de que custos e despesas incorridos na prospecção e extração de petróleo sejam deduzidos no período em que forem incorridos”: Art. 416. A Petróleo Brasileiro S.A. – PETROBRÁS poderá deduzir, para efeito de determinação do lucro líquido, as importâncias aplicadas, em cada período de apuração, na prospecção e extração de petróleo cru (DecretoLei nº 62, de 21 de novembro de 1966, art. 12). Sustenta que o mencionado dispositivo aplicase a todas as empresas que desenvolvem atividade de extração de petróleo e gás natural, sob pena de afronta a um dos princípios basilares do ordenamento jurídico tributário: a isonomia. Em 1966, quando foi publicado o DecretoLei nº 62, a Petrobrás, a extração de petróleo e gás natural era atividade desenvolvida em regime de monopólio pela Petrobrás. Com a Emenda Constitucional nº 9, de 1995, empresas privadas poderiam atuar na pesquisa e na lavra de jazidas de petróleo e gás natural, o que foi regulado pela Lei nº 9.478, de 1997. Fl. 1238DF CARF MF Processo nº 12448.731264/201361 Resolução nº 1302000.449 S1C3T2 Fl. 9 8 Dado este novo panorama, sustenta que a incidência do artigo 416 do RIR/99 não se restringe mais apenas à Petrobrás, devendo se aplicado a todas as empresas que exercem atividades de extração de petróleo e gás. [...] Tendo em vista as alegações aduzidas pela impugnante e os elementos trazidos aos autos, a 13ª Turma da DRJ Ribeirão Preto decidiu baixar os autos em diligência para que a Fiscalização informasse “qual o valor das despesas declaradas nas DIPJ 2010 e 2011 que correspondem a gastos atrelados aos poços 1ESSO3SPS, 3ESSO4SPS e 3ESSO4ASPS, devolvidos em 2009”. [...] Em suma, a contribuinte confirmou que as despesas informadas na linha 60 da Ficha 06A da DIPJ 2010 (R$ 157.955.581,89) e na linha 63 da Ficha 06A da DIPJ 2011 (R$ 222.812.309,92) estão relacionadas à baixa dos aludidos poços secos. O votocondutor do acórdão recorrido iniciouse apresentando uma retrospectiva sobre as mudanças ocorridas em 2007 na legislação que disciplina a escrituração contábil das empresas, no sentido de aproximar a contabilidade nacional às práticas internacionais (artigo 177, § 5º, da Lei nº 6.404/76, com redação dada pela Lei nº 11.638/07). O relator do voto destacou a importância dos artigos 15 e 16 da Lei nº 11.941/09 ao instituir o princípio da neutralidade tributária com o objetivo das mudanças na escrituração comercial das empresas não causarem insegurança jurídica na esfera tributária. Assim, as pessoas jurídicas que optassem pelo Regime de Transição Tributária RTT devem considerar para efeitos tributários os métodos e critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007. A adoção do RTT foi opcional para os anoscalendários de 2008 e 2009 e obrigatório para o anocalendário de 2010. Salienta que, embora a empresa venha a defender que a legislação fiscal brasileira não tenha norma específica aplicável ao ramo em que opera, indústria de extração/exploração gás/petróleo (O&G), e que no direito comparado há significativa evolução das normas contábeis tecendo extenso arrazoado sobre as metodologias do "Custo Total" e "Esforço Bem Sucedido" (a qual teria aderido e aplicado em sua contabilidade), na DIPJ/10, consta explícita a opção da contribuinte pelo RTT. Caso o órgão julgador não aceite as argumentações apresentadas, alega que o artigo 416 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99) “expressamente determina a faculdade de que custos e despesas incorridos na prospecção e extração de petróleo sejam deduzidos no período em que forem incorridos”: Art. 416. A Petróleo Brasileiro S.A. – PETROBRÁS poderá deduzir, para efeito de determinação do lucro líquido, as importâncias aplicadas, em cada período de apuração, na prospecção e extração de petróleo cru (DecretoLei nº 62, de 21 de novembro de 1966, art. 12). Sustenta que o mencionado dispositivo aplicase a todas as empresas que desenvolvem atividade de extração de petróleo e gás natural, sob pena de afronta a um dos princípios basilares do ordenamento jurídico tributário: a isonomia. Fl. 1239DF CARF MF Processo nº 12448.731264/201361 Resolução nº 1302000.449 S1C3T2 Fl. 10 9 Em 1966, quando foi publicado o DecretoLei nº 62, a Petrobrás, a extração de petróleo e gás natural era atividade desenvolvida em regime de monopólio pela Petrobrás. Com a Emenda Constitucional nº 9, de 1995, empresas privadas poderiam atuar na pesquisa e na lavra de jazidas de petróleo e gás natural, o que foi regulado pela Lei nº 9.478, de 1997. Dado este novo panorama, sustenta que a incidência do artigo 416 do RIR/99 não se restringe mais apenas à Petrobrás, devendo se aplicado a todas as empresas que exercem atividades de extração de petróleo e gás. [...] Tendo em vista as alegações aduzidas pela impugnante e os elementos trazidos aos autos, a 13ª Turma da DRJ Ribeirão Preto decidiu baixar os autos em diligência para que a Fiscalização informasse “qual o valor das despesas declaradas nas DIPJ 2010 e 2011 que correspondem a gastos atrelados aos poços 1ESSO3SPS, 3ESSO4SPS e 3ESSO4ASPS, devolvidos em 2009”. [...] Em suma, a contribuinte confirmou que as despesas informadas na linha 60 da Ficha 06A da DIPJ 2010 (R$ 157.955.581,89) e na linha 63 da Ficha 06A da DIPJ 2011 (R$ 222.812.309,92) estão relacionadas à baixa dos aludidos poços secos. O votocondutor do acórdão recorrido iniciouse apresentando uma retrospectiva sobre as mudanças ocorridas em 2007 na legislação que disciplina a escrituração contábil das empresas, no sentido de aproximar a contabilidade nacional às práticas internacionais (artigo 177, § 5º, da Lei nº 6.404/76, com redação dada pela Lei nº 11.638/07). O relator do voto destacou a importância dos artigos 15 e 16 da Lei nº 11.941/09 ao instituir o princípio da neutralidade tributária com o objetivo das mudanças na escrituração comercial das empresas não causarem insegurança jurídica na esfera tributária. Assim, as pessoas jurídicas que optassem pelo Regime de Transição Tributária RTT devem considerar para efeitos tributários os métodos e critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007. A adoção do RTT foi opcional para os anoscalendários de 2008 e 2009 e obrigatório para o anocalendário de 2010. Salienta que, embora a empresa venha a defender que a legislação fiscal brasileira não tenha norma específica aplicável ao ramo em que opera, indústria de extração/exploração gás/petróleo (O&G), e que no direito comparado há significativa evolução das normas contábeis tecendo extenso arrazoado sobre as metodologias do "Custo Total" e "Esforço Bem Sucedido" (a qual teria aderido e aplicado em sua contabilidade), na DIPJ/10, consta explícita a opção da contribuinte pelo RTT. Este procedimento da empresa em optar deliberadamente pelo RTT afasta a possibilidade de admitirse que, Caso o órgão julgador não aceite as argumentações apresentadas, alega que o artigo 416 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99) “expressamente determina a faculdade de que custos e despesas incorridos na prospecção e extração de petróleo sejam deduzidos no período em que forem incorridos”: Art. 416. A Petróleo Brasileiro S.A. – PETROBRÁS poderá deduzir, para efeito de determinação do lucro líquido, as importâncias Fl. 1240DF CARF MF Processo nº 12448.731264/201361 Resolução nº 1302000.449 S1C3T2 Fl. 11 10 aplicadas, em cada período de apuração, na prospecção e extração de petróleo cru (DecretoLei nº 62, de 21 de novembro de 1966, art. 12). Sustenta que o mencionado dispositivo aplicase a todas as empresas que desenvolvem atividade de extração de petróleo e gás natural, sob pena de afronta a um dos princípios basilares do ordenamento jurídico tributário: a isonomia. Em 1966, quando foi publicado o DecretoLei nº 62, a Petrobrás, a extração de petróleo e gás natural era atividade desenvolvida em regime de monopólio pela Petrobrás. Com a Emenda Constitucional nº 9, de 1995, empresas privadas poderiam atuar na pesquisa e na lavra de jazidas de petróleo e gás natural, o que foi regulado pela Lei nº 9.478, de 1997. Dado este novo panorama, sustenta que a incidência do artigo 416 do RIR/99 não se restringe mais apenas à Petrobrás, devendo se aplicado a todas as empresas que exercem atividades de extração de petróleo e gás. [...] Tendo em vista as alegações aduzidas pela impugnante e os elementos trazidos aos autos, a 13ª Turma da DRJ Ribeirão Preto decidiu baixar os autos em diligência para que a Fiscalização informasse “qual o valor das despesas declaradas nas DIPJ 2010 e 2011 que correspondem a gastos atrelados aos poços 1ESSO3SPS, 3ESSO4SPS e 3ESSO4ASPS, devolvidos em 2009”. [...] Em suma, a contribuinte confirmou que as despesas informadas na linha 60 da Ficha 06A da DIPJ 2010 (R$ 157.955.581,89) e na linha 63 da Ficha 06A da DIPJ 2011 (R$ 222.812.309,92) estão relacionadas à baixa dos aludidos poços secos. O votocondutor do acórdão recorrido iniciouse apresentando uma retrospectiva sobre as mudanças ocorridas em 2007 na legislação que disciplina a escrituração contábil das empresas, no sentido de aproximar a contabilidade nacional às práticas internacionais (artigo 177, § 5º, da Lei nº 6.404/76, com redação dada pela Lei nº 11.638/07). O relator do voto destacou a importância dos artigos 15 e 16 da Lei nº 11.941/09 ao instituir o princípio da neutralidade tributária com o objetivo das mudanças na escrituração comercial das empresas não causarem insegurança jurídica na esfera tributária. Assim, as pessoas jurídicas que optassem pelo Regime de Transição Tributária RTT devem considerar para efeitos tributários os métodos e critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007. A adoção do RTT foi opcional para os anoscalendários de 2008 e 2009 e obrigatório para o anocalendário de 2010. Salienta que, embora a empresa venha a defender que a legislação fiscal brasileira não tenha norma específica aplicável ao ramo em que opera, indústria de extração/exploração gás/petróleo (O&G), e que no direito comparado há significativa evolução das normas contábeis tecendo extenso arrazoado sobre as metodologias do "Custo Total" e "Esforço Bem Sucedido" (a qual teria aderido e aplicado em sua contabilidade), na DIPJ/10, consta explícita a opção da contribuinte pelo RTT. Este procedimento da empresa em optar deliberadamente pelo RTT afasta a possibilidade de admitirse que, contrariamente, sujeitese à qualquer outra forma de apurar Fl. 1241DF CARF MF Processo nº 12448.731264/201361 Resolução nº 1302000.449 S1C3T2 Fl. 12 11 custos e resultados que não aquelas impostas pelas normas contábeis brasileiras, aplicáveis em 31/12/2007. Partindo desta premissa, passa o votocondutor a analisar se os gastos incorridos com a perfuração e exploração de poços/baixa destes devam, ou não, ser considerados nos resultados dos exercícios, ou ativados no diferido, sujeitandose às devidas amortizações. Aproveitando o acórdão administrativo citado pela recorrente, que traz ilações sobre o Ativo Diferido, e também apresentando a doutrina de Sérgio de Iudícibus, Eliseu Martins e Ernesto Rubens Gelbeke, conclui que as despesas incorridas na fase de exploração deveriam ser contabilizadas no ativo diferido para posterior amortização, nos termos dos artigos 324 e 325 do RIR/99 (quando houver percepção das receitas futuras). Ao se concluir pelo fracasso do empreendimento, os bens ativados e gastos préoperacionais devem ser baixados na conta de resultados. Seguindo o raciocínio, conclui que, no caso dos poços secos, o procedimento da empresa demonstrariase correto em dar baixa na conta de resultados, dado restar frustrada qualquer geração de receita futura. Cita a cláusula 3.3 do contrato de concessão que prevê a devolução de parte da área adquirida em virtude da inviabilidade de produção e reproduz o artigo 43, inciso VI, da Lei nº 9.478/97, norma que rege a matéria (monopólio de exploração de petróleo e ANP). Passa a discorrer sobre a realização das diligências solicitadas para verificar as despesas relacionadas aos poços secos: Por conseguinte, qualquer poço que tenha sido perfurado em área devolvida não gerará lucros à empresa, podendo os gastos a ele relacionados ser baixados do ativo e transferidos para as despesas do período. Resta, agora, examinar quais os valores das despesas relacionadas aos poços secos, que poderiam ser deduzidas na apuração do lucro real. Para isso, é necessário se analisarem as informações requisitadas na Resolução nº 2.968, a qual expressamente solicitou à impugnante que informasse os “gastos atrelados aos poços 1ESSO3SPS, 3ESSO4SPS e 3ESSO4ASPS, devolvidos em 2009”. Notese que, na aludida resolução, não foram solicitados os gastos atinentes ao poço 3ESSO5SPS, pois, tendo em vista que a comunicação do seu abandono à ANP somente ocorreu em 04/03/2011, conforme Carta ESSO nº 017/2011/BMS22, a fls. 767, entendeu este relator, na oportunidade, que não havia, nos autos, elementos que permitissem concluir que o mencionado poço fosse tido como seco em 31/12/2010. Além de a devolução do poço ter sido comunicada à ANP em março de 2011 (fls. 767), o trecho abaixo transcrito do “Relatório Final sobre a Avaliação da Descoberta de Petróleo Poço 1ESSO3SPS Bloco BMS22 Bacia de Santos” (fls. 674) indica que, no encerramento do ano calendário 2010, ainda havia perfurações a serem realizadas, não havendo conclusão definitiva sobre a viabilidade econômica de sua exploração: A perfuração do poço 3ESSO5SPS foi iniciada em 11 de novembro de 2010 e concluída em 6 de janeiro de 2011 na PF=4536m em rochas vulcânicas da Fm. Camboriú. Uma notificação de descoberta de petróleo foi apresentada em 15 de dezembro de 2010. Depois de operações de teste de perfilagem e de teste a cabo, o poço foi tamponado e abandonado. As análises de perfis e os resultados de teste Fl. 1242DF CARF MF Processo nº 12448.731264/201361 Resolução nº 1302000.449 S1C3T2 Fl. 13 12 a cabo (MDT) indicaram volumes de petróleo nãocomerciais na acumulação. Na resposta fornecida pela interessada, juntada aos autos a fls. 992/1044, foram apresentadas diversas planilhas, as quais demonstrariam como os valores informados na linha 60 da Ficha 06A da DIPJ 2010 e na linha 63 da Ficha 06A da DIPJ 2011, “outras despesas não relacionadas nas linhas anteriores”, estariam associadas aos três poços devolvidos em 2009. No entanto, as informações prestadas pela interessada são inconsistentes. Verificase que despesas que compuseram o valor informado na linha 60 da Ficha 06A da DIPJ 2010 também contribuíram para a formação do valor informado na linha 63 da Ficha 06A da DIPJ 2011. Cito exemplos: [tabela descritiva] Acrescentase a isso que as despesas declaradas pela interessada na linha 63 da Ficha 06A da DIPJ 2011, relativamente aos três poços devolvidos em 2009, têm valor superior ao declarado na linha 60 da Ficha 06A da DIPJ 2010, ou seja, declarou a interessada que a maior parte da baixa ocorreu no ano calendário seguinte à devolução dos poços. Diante das incoerências da explicação fornecida pela contribuinte em resposta a diligência fiscal requerida pela DRJ, não há como se considerar demonstrada a legitimidade das despesas declaradas em DIPJ. Não obstante a interessada tenha convencido este relator de que as despesas relacionadas aos poços secos poderiam compor o resultado auferido ao final do ano calendário, ela não trouxe aos autos, mesmo depois de intimada em diligência fiscal, elementos que comprovassem precisamente os valores informados na linha 60 da Ficha 06A da DIPJ 2010 e na linha 63 da Ficha 06A da DIPJ 2011, ônus que lhe é atribuído por força do inciso III do artigo 16 do Decreto nº 70.235, de 1972: [...] Por não terem sido apresentadas provas robustas que afastem o crédito tributário exigido pelo Fisco, é forçosa a conclusão pela manutenção dos lançamentos fiscais. Cumpre salientar, ao final, que, quanto às despesas operacionais indicadas nas DIPJ 2010 a 2011, a interessada, em resposta à diligência fiscal, não as vinculou aos três poços secos devolvidos em 2009. A contrário senso, podemos inferir que não há despesas operacionais relacionadas aos três poços. Sem provas de que as despesas informadas na linha 38 da Ficha 06A DIPJ 2010 (R$ 85.919.782,60) e na linha 40 da Ficha 06A da DIPJ 2011 (R$ 11.454.225,41) estão relacionadas a poços considerados secos em 31/12/2010, as autuações devem remanescer nesta parte também, uma vez que a contribuinte, por não ter auferido receitas até àquele momento, deveria ter contabilizado tais gastos no ativo diferido para posterior amortização, como sói acontecer com as empresas em fase préoperacional, segundo as regras contábeis vigentes em 31/12/2007. Inviável, portanto, a dedutibilidade de tais despesas. Por fim, afasta a aplicação do artigo 416 do RIR/99 às demais empresas que desenvolvem a atividade de extração de petróleo e gás, entendendo que a ampliação do alcance da norma, para alcançar outras empresas privadas além da Petrobrás, após a Emenda Constitucional nº 9/95, é matéria de ordem constitucional e não pode ser discutida no âmbito administrativo. Fl. 1243DF CARF MF Processo nº 12448.731264/201361 Resolução nº 1302000.449 S1C3T2 Fl. 14 13 A empresa interpôs tempestivamente1 o Recurso de efls. 1128 a 1157, instruído com as planilhas de efls. 1175 a 1195, reiterando os termos da defesa exordial, e acrescentando: [...] [...] A recorrente apresenta, pois, duas novas planilhas demonstrando os gastos e baixas ao longo do tempo de cada um dos poços perfurados que influenciam no litígio, mês a mês, pretendendo afastar as argumentações do acórdão recorrido de que tais custos vinculados aos poços baixados do Ativo não foram comprovados, ou que haveria duplicidade nas despesas informadas nas DIPJ/09 e 10, em suma. Acrescenta que o documento intitulado "Relatório Final de Poço Exploratório" esclarece que o abandono definitivo do poço 3ESSO5SPS (poço Sabiá), bem como o término de operações ocorreu, na verdade, em 23 de dezembro de 2010, por ter sido declarado poço subcomercial, ou seja, cuja produção de petróleo e/ou gás natural é considerada deficitária à época da sua avaliação, em contrarresposta ao fundamento da decisão recorrida que os gastos atinentes a este poço não poderiam ser aproveitados em 2010 porque a 1 AR – 08/06/2015, efls. 1109; Recurso – 03/07/2015, efls. 1128 Fl. 1244DF CARF MF Processo nº 12448.731264/201361 Resolução nº 1302000.449 S1C3T2 Fl. 15 14 comunicação de abandono do referido poço à ANP somente ocorreu em 2011. Reportase novamente às referidas planilhas que comprovam que todos os gastos com este determinado poço incorreram no período compreendido entre fevereiro de 2009 e dezembro de 2010. Requer a aplicação do princípio da verdade material para o provimento do recurso voluntário. É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. Fl. 1245DF CARF MF Processo nº 12448.731264/201361 Resolução nº 1302000.449 S1C3T2 Fl. 16 15 VOTO Conselheira Ana de Barros Fernandes Wipprich, Relatora Conheço do Recurso Voluntário, por tempestivo. Primeiramente, haja vista o extenso recurso apresentado, reiterando todas as matérias apresentadas na defesa inicial, cumpre destacar que, de plano, adotase as razões de decidir esposadas em primeira instância de julgamento a respeito dos critérios e metodologias contábeis que deveriam ter sido aplicados pela empresa nos anoscalendários de 2009 e 2010, ao invés da metodologia da contabilidade internacional EBS (Esforços Bem Sucedidos). Acrescento aos bem colocados argumentos decisórios que, se a empresa com toda experiência no ramo em que atua (O&G), com todo o cabedal de conhecimento que vem amplamente defender a aplicação do método contábil usualmente adotado internacionalmente, fez a opção consciente pela neutralidade tributária, pelo Regime Tributário de Transição2 na DIPJ/10 (visto que no ano subsequente estava sujeita, por lei, ao RTT), não pode após exercer a escolha aventar engano ou arrependimento. Desde o anocalendário de 2008 poderia ter medido as consequências de sua livre opção e rejeitado continuar aplicando as normas contábeis brasileiras vigentes em 31 de dezembro de 2007, porém optou pelo RTT e este regime deve ser observado, por conseguinte. Correto, pois, no plano geral, que as despesas préoperacionais, ainda que pertinentes ao específico caso das atividades de prospecção e extração petrolífera e do gás natural, sejam ativadas no então "Ativo Diferido" e apropriadas à medida que as receitas esperadas advindas da exploração dos produtos venham a ser auferidas. Irreparável, neste tópico, as autuações realizadas. Todavia, ao verificarse o insucesso do projeto que ensejou os gastos pré operacionais, de forma inequívoca, mais que justo que a baixa daqueles gastos seja efetivada contra a conta de resultado do exercício financeiro, assim como os bens que não serão mais úteis (que foram ativados), sejam devidamente baixados na contabilidade da empresa e componham o resultado. Este assunto foi amplamente discorrido pela recorrente e no acórdão recorrido, tornandose incontroversas as conclusões. Entendimento que se comunga, pois os ensinamentos a respeito dos registros contábeis a serem realizados no Ativo Diferido, dado a sua natureza, foram convincentes não havendo razão para manterse despesas, a serem amortizadas, nesta conta contábil que jamais gerarão receitas. A questão devolvida a esta fase recursal, relevante, centralizase, então, no momento em que estas despesas podem compor o resultado do exercício financeiro e o momento da baixa dos bens ativados que mostraramse improducentes, no caso, os tais poços secos, especificados como poços 1,2, 3 e 4: 1Esso3SPS, 3Esso4SPS, 3Esso4ASPS, 3 Esso5SPS. 2 O Regime Tributário de Transição tem por objetivo preservar o princípio da neutralidade fiscal por conta das mudanças inseridas no padrão contábil brasileiro. Na prática, o RTT é um modo de apuração da base de cálculo dos tributos no qual as alterações que modificaram o critério de reconhecimento de receitas, custos e despesas computadas na apuração do lucro líquido do exercício não terão efeitos para apuração do lucro real da pessoa jurídica, devendo ser considerados os métodos e critérios vigentes em 31 de dezembro de 2007.(http://basewd.pactum.com.br/) Fl. 1246DF CARF MF Processo nº 12448.731264/201361 Resolução nº 1302000.449 S1C3T2 Fl. 17 16 A primeira instância de julgamento, ao confrontar a acusação fiscal com a defesa da recorrente, baixou os autos em diligência, pois verificou que, de fato, a devolução da área toda do bloco dado em concessão para ser explorado em 03/04/2012, para a ANP, e a decisão da extinção da referida concessão tomada pela ANO, em 03/08/2012, não corresponde à constatação de que os poços abertos foram declarados abandonados ou não comerciais, podendo ter ocorrido em datas anteriores. Na minuciosa Resolução nº 2.968/14, efls. 963 a 986, foi destacado, em suma: a) a necessidade de comprovarse as datas de baixas dos poços 2 (como pretensamente ocorrida em junho de 2009), 3 e 1 (em dezembro de 2010), bem como relacionar esta numeração com aquela específica tratada no contrato de concessão (já acima referida), haja vista as cartas constantes dos autos informarem que os abandonos dos poços teriam ocorrido em 05/05/09 (1Esso3SPS) e 04/09/2009 (3Esso4SPS e 3Esso4ASPS), enquanto o poço 3Esso5SPS foi abandonado em 10/03/2011; b) comprovação dos gastos glosados, de forma inequívoca, estarem atrelados aos referidos poços secos (abandonados), nos seguintes termos: Há uma divergência de datas que gera dúvidas a respeito da informação de que os valores constantes na linha “outras despesas não relacionadas nas linhas anteriores” da Ficha 06A das DIPJ 2010 e 2011 corresponderiam, exatamente, à baixa de poços secos. Ante o exposto, entendo que os autos devam ser devolvidos à Fiscalização a fim de informe qual o valor das despesas declaradas nas DIPJ 2010 e 2011 que correspondem a gastos atrelados aos poços 1ESSO3SPS, 3ESSO4SPS e 3ESSO 4ASPS, devolvidos em 2009. Para tanto, a contribuinte deve ser intimada a prestar informações detalhadas e precisas, apresentadas de forma segregada de modo a não deixar dúvidas sobre quais os valores lançados como despesas nas DIPJ que estão inequivocamente vinculados aos poços secos, justificando inclusive os valores negativos constantes na tabela abaixo: [reproduz os valores das fichas 06A das DIPJ/10 e 11 baixas de poços secos e bens do Ativo] Em resposta às diligências solicitadas, a empresa, às efls. 992, esclareceu: Fl. 1247DF CARF MF Processo nº 12448.731264/201361 Resolução nº 1302000.449 S1C3T2 Fl. 18 17 Da análise das planilhas referenciadas, a autoridade designada à realização das diligências, restringiuse a relatar: Em resposta de 241120I4, o contribuinte enviou as planilhas (seis), nas quais foram demonstrados de forma segregada, por mês e por conta, os valores declarados nas DIPJ 2010 e 2011. Para cada planilha foi enviado também uma planilha complementar, detalhando, entre outros, os totais mensais por desembolso. Verificamos que os demonstrativos enviados estão de acordo com a solicitação fiscal, inclusive com os esclarecimentos sobre os valores negativos. Em função do exposto, damos ciência ao contribuinte do presente relatório e também da resolução da DRJ/RPO, anexa, concedendolhe o direito de manifestarse pelo prazo de 30(dias). Apesar da Turma Julgadora de Primeira Instância ter admitido como realizada a intento as diligências solicitadas, embora tenha chegado à conclusão que não fora suficiente para que a recorrente comprovasse os custos, ouso divergir que assunto de tamanha complexidade possa ter sido solucionado pala autoridade fiscal diligente de tal forma. Afinal, a recorrente afirma e reafirma que da concessão do bloco BMS22, as únicas atividades da empresa nos anoscalendários de 2009 e 2010 foram as perfurações dos poços nºs 1Esso3, 3Esso4, 3Esso4A, que mostraramse improducentes e, por esta razão, foram declarados secos e abandonados (ou sem comercialidade dada a baixa qualidade do produto encontrado). Indiscutivelmente a decisão final da ANP a respeito do abandono dos poços e devolução integral da área (presumese Bloco BMS22) ocorreu em 2012, mas comprovouse por todo o estudo debruçado sobre o assunto que esta devolução integral da área e a extinção da concessão ocorrem em momentos totalmente diversos da constatação dos poços serem secos ou sem comercialidade. Também é inadmissível, frente ao esforço da recorrente em apresentar documentos, desde a fiscalização, que a prospecção dos referidos poços tenha se dado a custo zero nos anos em questão e que estes custos sejam in totum desprezados, porque não se chega à Fl. 1248DF CARF MF Processo nº 12448.731264/201361 Resolução nº 1302000.449 S1C3T2 Fl. 19 18 conclusão de estarem de fato relacionados aos declarados poços secos. E "quando" se verificou que estes poços não gerariam qualquer receita, por incontroversamente declarados 'secos'. A fiscalização em resposta à diligência simplesmente acatou a resposta da recorrente, sem sequer verificar a duplicidade de lançamentos que o relator do votocondutor reparou. Mas, observese, foi prontamente explicada, de forma plausível, no recurso voluntário, como sendo valores idênticos que se referem "(...) a serviços prestados e faturados em mesmos documentos, todavia com valores divididos igualmente para cada um dos poços que sofreram tais intervenções." A recorrente anexa nova planilha descritiva com os referidos valores na tentativa de elucidar os pontos de dúvida suscitados no acórdão recorrido. Pelo exposto, ao analisar o litígio temse por um lado, talvez, a apropriação de despesas de forma antecipada pela recorrente, pois não considerou as despesas de prospecção e perfuração de postos como ativáveis e diferíveis, mas sim despesas operacionais no ato de suas realizações. No entanto, temse de outro lado despesas relevantes que, de fato ocorreram, que não podem ser somente glosadas, porque não se consegue averiguar o momento da sua devida apropriação. As despesas não foram glosadas pela fiscalização por inexistentes, mas sim porque não poderiam ter sido consideradas incorridas naquele período fiscal. A questão é complexa e tortuosa e os valores muito significativos em torno de R$500.000.000,00 a ponto de, se os documentos apresentados pela recorrente ainda geram dúvidas, ser avaliado se a Agência Nacional de Petróleo não deva se manifestar a respeito das devoluções dos poços. Ademais, a autuação fiscal ocorreu em dezembro de 2013, quando, comprovadamente a área Bloco BMS22 já havia sido devolvida e extinta a concessão, o que justificaria a fiscalização haver realizado os ajustes necessários em razão de ter havido mera postergação do IRPJ e CSLL devidos, em se comprovando que, de fato, as despesas são pertinentes à exploração da referida área, uma vez já restar decidido que a empresa faz jus à baixa dos poços registrados no Ativo e às despesas correspondentes (inclusive às de reparação de área em momento posterior ao abandono dos poços) assim que constatado que não gerariam receita (poços secos). Em pesquisa a notícias sobre a exploração do Bloco BMS22 foi público e notório que alguns poços desta área foram constatados secos em 2009: Esclarecimento sobre BMS22 10/07/20093 Rio de Janeiro, 10 de julho de 2009 – PETRÓLEO BRASILEIRO S/A PETROBRAS, em resposta ao oficio da Comissão de Valores Mobiliários CVM/SEP/GEA2/n.204/2009 esclarece sobre notícias veiculadas nos jornais O Globo e Valor Econômico, sob o titulo “Poço no pré sal não tem petróleo” e de “Papéis da Petrobras caem com notícia sobre poço seco”. O Bloco BMS22 localizado na Bacia de Santos, é operado pelo Consórcio formado pela Exxon Mobil (40% operadora), Hess Corporation (40%) e Petrobras (20%). Segundo cláusulas dos contratos do Consórcio (como o Joint Operation Agreements) e cláusula do contrato de concessão assinado pelo Consórcio junto a Agencia Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis ANP somente o operador da área pode comunicar eventos, tais como resultado de perfuração de poços, ao ente regulador, assim como ao mercado em geral. 3 http://www.investidorpetrobras.com.br/pt/comunicadosefatosrelevantes/esclarecimentosobrebms22 Fl. 1249DF CARF MF Processo nº 12448.731264/201361 Resolução nº 1302000.449 S1C3T2 Fl. 20 19 O Consórcio comunicou a ANP, através do Operador, a conclusão da perfuração do segundo poço na área do BMS22. Porém, como não foi detectado indícios de óleo, não se torna necessário o envio de nenhuma comunicação adicional à ANP, conforme determina a legislação vigente e nem ao mercado. Além disso, a Companhia vem informando ao mercado de forma recorrente a impossibilidade de se pronunciar sobre os blocos operados por outras empresas. É importante ressaltar que, em toda atividade exploratória do petróleo, existe o risco do poço ser seco (não se encontrar hidrocarbonetos em quantidade adequada à comercialização). Um poço seco, portanto, é algo recorrente da indústria do petróleo e não fato extraordinário. Adicionalmente, o resultado de um poço seco não torna conclusiva a comercialidade do bloco. (grifos não pertencem ao original) Exxon acha óleo no BMS22 17/12/20104 A ExxonMobil, através de sua subsidiária Esso Brasil, informou novamente à ANP indícios de petróleo no bloco BM S22, no cluster do présal da Bacia de Santos. A empresa está perfurando na área o poço de extensão 3ESSO5SPS, que atingirá profundidade final de 4.574 m, em lâmina d´água de 2.272 m. Os trabalhos são conduzidos pela sonda West Polaris, da Seadrill. Esta é a terceira vez que a petroleira indica a existência de petróleo no BMS22. Nas duas primeiras vezes em janeiro e fevereiro de 2009 os trabalhos não comprovaram a existência de uma descoberta. (grifos não pertencem ao original) As duas notícias veiculadas na imprensa, citadas por exemplo (e há outras), dão indícios que existiram poços secos em trabalhos desenvolvidos pela recorrente em 2009, bem como também indicam que o poço 3ESSO 5SPS ainda não havia sido declarado improducente, ou prestes a ser declarado abandonado em dezembro de 2010, mas, é claro, que estas notícias não tem qualquer valor probatório nem em favor, nem de forma contrária às pretensões da recorrida. Constituem somente indícios que não devem ser ignorados, por públicos e notórios. Destarte, requerse da fiscalização as seguintes diligências em face de tantas dúvidas e dos documentos e esclarecimentos apresentados pela recorrente, a serem confrontados com a contabilidade, em novo procedimento: 1) Intimar a Agência Nacional de Petróleo ANP a esclarecer, com vista em seus registros, a respeito do bloco BMS22, explorado pelo consórcio "Exxon/Hess/Petrobrás", contrato de concessão nº 48610.010707/2001, quais os poços que foram declarados secos e quando foi comunicada (por carta ou operador) pela primeira vez de cada inviabilidade da extração de petróleo/gás natural de cada poço, em si considerado (especificandoos); 2) intime a recorrente a esclarecer: 2.a) quantos poços foram abertos pela recorrente na área BMS22? 4 http://www.kincaid.com.br/clipping/6743/ExxonachaleonoB.html Fl. 1250DF CARF MF Processo nº 12448.731264/201361 Resolução nº 1302000.449 S1C3T2 Fl. 21 20 2.b) quantos poços foram encontrados na condição de produzir/gerar receita? 2.b.1) em caso de resposta afirmativa, a autoridade fiscal deverá verificar se a contabilidade da recorrente permite segregar as despesas dos postos produtivos e dos declarados secos; 2.c) a autoridade fiscal deverá verificar se a contabilidade da recorrente permite distinguir se há outras atividades nos anoscalendários objeto da autuação, 2009 e 2010, que não a exploração da área BMS22; 2.c.1) em caso de resposta afirmativa, há segregação de receitas e despesas próprias de cada atividade? 2.d) a autoridade fiscal deverá se manifestar se as despesas que constaram das planilhas apresentadas às efls. 993 a 1044 devem ser admitidas como relacionadas aos poços secos "1Esso3, 3Esso4, 3Esso4A"? Há alguma vinculação destas despesas também com o poço 3Esso5? (todos os poços SPS) 3) tendo em vista que a área foi totalmente devolvida, em 2012, e no caso de haverse constatado que os poços que foram sendo abertos foram sendo declarados secos, intimar a recorrente a apresentar documentos/comunicações à ANP, relacionados a cada poço que comprove a exata data de abandono ou que foi constatada a inviabilidade comercial (consoante exigências das Resoluções ANP nºs 27/06 e 13/11); 4) intimar a contribuinte a discriminar, por poço e por mês, cada despesa incorrida com os poços secos; 4.1) a autoridade fiscal deverá conferir as informações prestadas com a contabilidade e documentos comprobatórios das despesas, a fim de afastar a utilização de mesma despesa em duplicidade, consoante aventado na decisão de primeira instância; 4.2) intimar a contribuinte a contrapor estas despesas à data efetiva das comunicações de abandono dos poços em questão; 4.3) em vista das respostas acima, a autoridade fiscal deverá proceder aos ajustes necessários para considerálas, enquanto não possível a baixa, ativadas no Ativo Diferido, e, em seguida, esclarecendo em que valores deveriam ter sido apropriadas, nos anos calendários de 2009, 2010, 2011 e 2012; 4.4) verificar a postergação do pagamento dos tributos exigidos nestes autos; 5) se a contabilidade e documentos apresentados pela recorrente inviabilizar a apuração dos fatos, prejudicando que a verdade material seja conhecida, resultando na impossibilidade da apuração das despesas incorridas com os poços secos, consoante defendido no acórdão recorrido, ou impedindo de apurarse a postergação dos tributos, a autoridade fiscal deverá esclarecer este ponto em relatório circunstanciado. A recorrente deverá tomar ciência do Relatório Conclusivo elaborado pela fiscalização e manifestarse a respeito em prazo regulamentar, se assim desejar. Após, os autos deverão retornar para julgamento. Fl. 1251DF CARF MF Processo nº 12448.731264/201361 Resolução nº 1302000.449 S1C3T2 Fl. 22 21 (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich Fl. 1252DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13975.000183/2010-78
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 2202-000.716
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar, Wilson Antonio de Souza Correa (Suplente Convocado) e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201608
camara_s : Segunda Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 13975.000183/2010-78
anomes_publicacao_s : 201609
conteudo_id_s : 5642139
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Sep 30 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 2202-000.716
nome_arquivo_s : Decisao_13975000183201078.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
nome_arquivo_pdf_s : 13975000183201078_5642139.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar, Wilson Antonio de Souza Correa (Suplente Convocado) e Marcio Henrique Sales Parada.
dt_sessao_tdt : Wed Aug 17 00:00:00 UTC 2016
id : 6507677
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:52:42 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048690611978240
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1883; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 260 1 259 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13975.000183/201078 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2202000.716 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 17 de agosto de 2016 Assunto IRPF Recorrente ESPÓLIO HELGA ANA CORDEIRO KRIECK Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada – Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar, Wilson Antonio de Souza Correa (Suplente Convocado) e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Adoto como relatório, em parte, aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ), fl. 230 e seguintes, complementandoo ao final: Tratase de Notificação de Lançamento (fl. 05/11), no qual está sendo alterado o imposto de renda a restituir declarado pelo contribuinte no valor de R$ 1.849,44, para imposto de renda suplementar de R$ 10.392,78, acrescido de multa de ofício e juros de mora, relativo ao ano calendário 2007. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 39 75 .0 00 18 3/ 20 10 -7 8 Fl. 260DF CARF MF Impresso em 29/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 22 /09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13975.000183/201078 Resolução nº 2202000.716 S2C2T2 Fl. 261 2 O lançamento fiscal é decorrente de glosa de despesas médicas, no valor de R$ 39.388,70, por não atendimento a intimação para prestar esclarecimento e consequente falta de comprovação. Consta também da exigência fiscal omissão de rendimentos, no valor de R$ 16.067,20, das seguintes fontes pagadoras: a) Drogaria e Farmacia Gemballa Ltda, CNPJ 85.778.611/000118, sendo que na Dirf apresentada pela fonte pagadora o rendimento foi de R$ 30.285,00, e a contribuinte informou em sua declaração o valor de R$ 15.142,50, o que resultou na omissão de R$ 15.142,50. b) Banco ABN AMRO REAL SA, CNPJ 33.066.408/000115, sendo que a fonte pagadora informou em Dirf o valor de R$ 28.093,72 e consta da declaração do contribuinte o valor de R$ 27.169,02, o que ensejou a omissão de R$ 924,70. (...) Com relação à omissão de rendimentos, alega que se trata de rendimentos de aluguel. Que em decorrência da ausência do competente Informe de Rendimentos, veio a ocorrer erro de fato na informação da receita auferida. Cita que computou os valores que possuía em seus controles com evidente erro de fato, motivado pelo locatário. Que a falta de fornecimento dos rendimentos pela fonte pagadora não deve resultar em exigência da multa de ofício. Com relação a despesas médicas, alega que em decorrência de seu estado precário, a contribuinte era tratada em sua residência, por profissionais de enfermagem, fisioterapeutas e médicos, alem das internações hospitalares. Cita que os comprovantes não foram apresentados oportunamente mas que são agora anexados, e que as despesas devem ser admitidas na declaração de ajuste. Apresenta, fl. 7, relação com diversos pagamentos efetuados a titulo de despesas médicas, o que, a seu ver, totaliza um montante de R$ 63.406,70 e que por erro de fato informou valores menores em sua declaração, devendo ser aproveitados os valores não considerados.... Requer o cancelamento da exigência fiscal em sua integra e a retificação das despesas medicas de R$ 39.388,70 para R$ 63.406,70, conforme comprovantes em anexo. Em decorrência da ausência de atendimento à intimação por parte do contribuinte, o qual apresentou documentos somente em sede de impugnação, o processo foi encaminhado a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Blumenau/SC, a qual emitiu Termo Circunstanciado e Despacho Decisório, fls. 192/195. (...) Informa que após revisão da documentação anexada, do total declarado a titulo de despesas médicas, R$ 39.388,70, restou comprovado o valor de R$ 20.140,70, sendo que deve permanecer a glosa do montante de R$ 19.248,00. Apresenta demonstrativo do imposto devido após a revisão, fl. 193, o qual passa para imposto suplementar de R$ 4.854,10. Fl. 261DF CARF MF Impresso em 29/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 22 /09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13975.000183/201078 Resolução nº 2202000.716 S2C2T2 Fl. 262 3 Foi procedida a retificação do lançamento, conforme extrato de processo fl. 196. A contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade ao Despacho Decisório, fls. 201/219, no qual, em síntese apresenta os seguintes argumentos, conforme segue. Informa que o contrato de locação comercial objeto do rendimento tido como omitido não foi celebrado somente com a impugnante. Cita que anexa cópia dos contratos de locação em que são partes Aurena Maria Krieck, CPF 277.324.44868 e Enaura Maria Krieck de Iasi, CPF 625.625.76853. Que as informações apresentadas pelo locatário estão equivocadas e que este deveria ter informado os pagamentos para cada locador, por seus respectivos CPFs. Que a impugnante apresentou a tributação o valor de 50% dos rendimentos, não sendo responsável pela parte das demais locadoras. Cita que o pagamento do imposto correspondente aos 50% dos demais locadores já foram oferecidos à tributação, conforme declarações apresentadas à Receita Federal. No caso das despesas médicas, cita que as despesas efetivamente ocorreram e devem ser admitidas na declaração de ajuste, posto se tratar de erro de fato no computo das mesmas. Cita que informou valores menores do que o efetivamente gasto e apresenta relação de despesas médicas, fls. 212/213, o que somam um total dedutível de R$ 67.554,40. Sustenta a tese de que no caso de erro de fato é aceitável a retificação da declaração de rendimentos e discorre sobre o tema. Por ultimo requer que seja mantido o valor do aluguel declarado e alterado o valor das despesas médicas informadas na declaração de ajuste para R$ 67.554,40. A DRJ ao analisar a impugnação da contribuinte, manteve o determinado pela revisão de ofício procedida pela Delegacia da Receita Federal, em resumo, nos seguintes termos: 1 Verificase, portanto, que deve ser mantida a glosa das deduções declaradas a título de despesas médicas, por ausência de previsão legal para a dedutibilidade, relativos à prestação de serviço de enfermagem domiciliar, ainda que seja um gasto necessário à pessoa idosa e/ou enferma. 2 Compulsando os autos, se constata que não foram apresentados para exame os citados contratos de aluguel. Não consta também qualquer elemento de comprovação de que Aurena Maria Krieck, e Enaura Maria Krieck de Iasi, sejam proprietárias do imóvel alugado para a locatária Drogaria e Farmacia Gemballa Ltda, CNPJ 85.778.611/000118. Por definitivo, se constata que a fonte pagadora não procedeu qualquer retificação com relação aos valores informados em sua Dirf. Assim, considerando as discrepâncias de informações apresentadas pela impugnante, bem como a precariedade de suas alegações, as quais se mostram desacompanhadas de elementos de provas documentais, considero que deve ser mantida a exigência com relação a este fato gerador. Cientificada dessa decisão em 20/05/2013 (AR na folha 240), a contribuinte, através de inventariante (fl. 16), apresentou recurso voluntário em 18/06/2013. Em sede de Fl. 262DF CARF MF Impresso em 29/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 22 /09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13975.000183/201078 Resolução nº 2202000.716 S2C2T2 Fl. 263 4 recurso, alega, em suma, que a contribuinte encontravase enferma e evidente que seu estado requeria cuidados médicos; que as despesas com enfermagem, no valor de R$ 19.248,00 devem ser acatadas; requer ainda que seja aumentado o valor das despesas medicas dedutíveis, apresentadas na DIRPF, em face dos comprovantes em valor superior apresentados no curso desta lide. Com relação aos rendimentos de aluguel, diz que "as declarações de imposto de renda do exercício de 2008 das proprietárias e beneficiárias" Enaura Terezinha Krieck de Biaggi e Aurena Maria Krieck de Iasi, tratam do rendimento considerado "não declarado" na notificação de lançamento aqui em discussão. Diz ser desnecessária sua juntada, uma vez que tais declarações estão "em poder do Fisco". É o relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, relator. O recurso é tempestivo, conforme relatado, e, atendidas as demais disposições legais, dele tomo conhecimento. Neste momento, antes de proferir qualquer juízo de valor sobre a questão das despesas médicas, inclusive aquelas que a recorrente pretende aditar à sua declaração, na fase litigiosa do procedimento, entendo necessário ser tratada a "omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica" (rendimentos de aluguéis), descrita na Notificação de Lançamento, na folha 42. Como já assentou a DRJ, em relação à fonte ABN AMRO REAL S/A, não houve questionamento expresso e a questão está preclusa, nos termos do artigo 17 do Decreto nº 70.235, de 1972. Porém, em relação à fonte Drogaria e Farmácia Gemballa Ltda, a contribuinte declarou um rendimento de R$ 15.142,50, quando a locatária informou em DIRF (fl. 191) um pagamento de R$ 30.285,00. Como se pode observar, a relação é de exatos 50%. Desde a impugnação, como registrado pela DRJ, a alegação da recorrente é de que o imóvel alugado não lhe pertencia integralmente e que declarou apenas a parcela que lhe coube dos rendimentos de aluguel. A alegação não foi aceita porque, primeiro, em fase preliminar a contribuinte havia alegado "erro de fato" e na impugnação estava alterando seu argumento; segundo porque não apresentava qualquer documentação que pudesse subsidiar suas alegações, sobre a existência de terceiros interessados e beneficiários da relação locatícia. A recorrente aponta, no recurso, que os outros 50% dos rendimentos de aluguel foram recebidos e declarados por Enaura Terezinha Krieck de Biaggi CPF: 625.625.76853 e por Aurena Maria Krieck de Iasi CPF: 277.324.44868. E razoável a alegação de que a DIRF tenha sido feita em nome apenas de um dos beneficiários, mesmo havendo três. Não seria a primeira vez que se veria situação como esta. Também admissível a alegação da recorrente de que não seria necessário que ela anexasse a declaração de rendimentos das outras duas beneficiárias, porque o Fisco as detém em seus arquivos. Fl. 263DF CARF MF Impresso em 29/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 22 /09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13975.000183/201078 Resolução nº 2202000.716 S2C2T2 Fl. 264 5 Assim sendo, VOTO pela conversão do julgamento em diligência para que a DRF de origem providencie o seguinte: a) anexe a DIRPF/2008 da contribuinte recorrente, Helga Ana Cordeiro Krieck, que não localizei nestes autos; b) verifique nas DIRPF/2008 de Enaura Terezinha Krieck de Biaggi CPF: 625.625.76853 e Aurena Maria Krieck de Iasi CPF: 277.324.44868 se consta a informação de rendimentos recebidos da fonte DROGARIA E FARMACIA GEMBALLA LTDA, CNPJ: 85.778.611/000118 (fl. 42), e em que valores, elaborando relatório circunstanciado sobre as informações; c) verifique a existência de Declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias – Dimob, para a contribuinte Helga Ana Krieck, relativa ao ano calendário de 2007, anexandoa a estes autos; d) dê ciência à recorrente (através da inventariante) sobre o resultado da diligência para, querendo, manifestarse no prazo legal, inclusive com a apresentação do contrato de aluguel ou registro da propriedade do imóvel locado, a fim de subsidiar suas alegações. Após, retornem os autos a este CARF para prosseguimento do julgamento. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Fl. 264DF CARF MF Impresso em 29/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 22 /09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
score : 1.0
