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Numero do processo: 19515.004394/2007-88
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon May 06 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2002, 2003
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ILEGITIMIDADE PASSIVA
Para que os depósitos bancários de origem não comprovada sejam tributados como omissão de rendimentos, é necessário que a fiscalização comprove ser ele o efetivo titular, ou seja, o verdadeiro detentor dos recursos nela movimentados, caso contrário, descabe o lançamento.
Numero da decisão: 2202-002.239
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, QUANTO AO RECURSO DE OFÍCIO: Por unanimidade de votos, negar provimento. QUANTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO: Por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Antonio Lopo Martinez, que negou provimento ao recurso
(Assinado Digitalmente)
Nelson Mallmann - Presidente.
(Assinado Digitalmente)
Pedro Anan Junior - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Antonio Lopo Martinez , Odmir Fernandes, Rafael Pandolfo, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann (Presidente).
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: PEDRO ANAN JUNIOR
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RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ILEGITIMIDADE PASSIVA Para que os depósitos bancários de origem não comprovada sejam tributados como omissão de rendimentos, é necessário que a fiscalização comprove ser ele o efetivo titular, ou seja, o verdadeiro detentor dos recursos nela movimentados, caso contrário, descabe o lançamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, QUANTO AO RECURSO DE OFÍCIO: Por unanimidade de votos, negar provimento. QUANTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO: Por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Antonio Lopo Martinez, que negou provimento ao recurso (Assinado Digitalmente) Nelson Mallmann Presidente. (Assinado Digitalmente) Pedro Anan Junior Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 43 94 /2 00 7- 88 Fl. 768DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/04/2013 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por NELSON MALLMANN 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Antonio Lopo Martinez , Odmir Fernandes, Rafael Pandolfo, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann (Presidente). Fl. 769DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/04/2013 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por NELSON MALLMANN Processo nº 19515.004394/200788 Acórdão n.º 2202002.239 S2C2T2 Fl. 769 3 Relatório Contra o contribuinte Vicente Paulo Gragnano foi lavrado auto de infração de fls. 294 a 296, acompanhado dos demonstrativos de fls. 291 a 293 e Termo de Verificação e Constatação Fiscal de fls. 255 a 259 (planilhas de fls. 260/290), relativo ao imposto sobre a renda das pessoas fisicas anoscalendário de 2002 e 2003, por meio do qual foi apurado crédito tributário no montante de R$ 25.014.216,18, dos quais, R$ 10.566.267,16 são referentes a imposto, R$ 7.924.700,36 são cobrados a título de multa proporcional e R$ 6.523.248,66 correspondem a juros de mora calculados até 30/11/2007. Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal de fls. 295/296, a exigência decorreu da omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em conta(s) de depósito ou de investimento, mantida(s) em instituição(ões) financeira(s), em relação aos quais o contribuinte regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme descrito no Termo de Verificação e Constatação Fiscal em anexo. Os valores tributáveis, data dos fatos geradores e enquadramento legal encontramse' descritos às fls. 295/296. A origem do presente lançamento foi a movimentação financeira na conta corrente 030173027, mantida no MTBCBC Hudson Bank de Nova Iorque em nome da empresa Adágio Investments Holding Ltd. que a autoridade lançadora entendeu que o real beneficiário seria o Recorrente e outros dois titulares. Sendo 1/3 do valor foi atribuído ao presente lançamento. Os valores tributáveis, data dos fatos geradores e enquadramento legal encontramse descritos às fls. 294/295. A multa de oficio foi aplicada no percentual de 75%, com base no artigo 44, inciso I, da Lei n° 9.430/1996 (fl. 293). Foi formalizada Representação Fiscal para Fins Penais que originou o processo n° 19515.004395/200722, que se encontra apenso. Cientificado do lançamento em 28/12/2007 (AR de fl. 305), o contribuinte apresentou, em 28/01/2008, a impugnação de fls. 306 a 345. A autoridade recorrida, ao examinar o pleito, decidiu, por unanimidade pela procedência parcial do lançamento através do acórdão DRJ/SPOII n° 1730.006, de 11 de fevereiro de 2009, cuja ementa está abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2002, 2003 Fl. 770DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/04/2013 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por NELSON MALLMANN 4 DECADÊNCIA. Tratandose de lançamento ex officio, a regra aplicável na contagem do prazo decadencial é a estatuída pelo art. 173, I, do Código Tributário Nacional, iniciandose o prazo decadencial no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. ILEGITIMIDADE PASSIVA. Existindo nos autos elementos que identificam o contribuinte corno sendo titular de fato da conta bancária mantida no exterior, não há como prosperar a alegação de erro na identificação do sujeito passivo. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ALEGAÇÃO DE TRIBUTAÇÃO MENSAL. Conforme disposição legal expressa, os rendimentos omitidos, de origem não comprovada, serão apurados no mês em que forem recebidos e estarão sujeitos a tributação na declaração de ajuste anual, conforme LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FATOS GERADORES A PARTIR DE 01/01/1997 A Lei n° 9430/96, que teve vigência a partir de01/01/1997, estabeleceu, em seu art. 42, uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente quando o titular da conta bancária não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores depositados em sua conta de depósito ou investimento. TAXA DE CÂMBIO APLICÁVEL NA CONVERSÃO DA MOEDA ESTRANGEIRA EM MOEDA NACIONAL. Os valores creditados em conta de depósito ou de investimento, em moeda estrangeira, constantes de extratos bancários provenientes de contascorrentes em instituição financeira no exterior, cujas origens não forem comprovadas, serão convertidos em moeda nacional com base na taxa de câmbio fixada, para compra, pelo Banco Central do Brasil, em vigor na data do depósito ou do investimento. INCORREÇÃO. NULIDADE. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo 59 do Decreto 70.235, de 1972, não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. TAXA SELIC. A utilização da taxa SELIC como juros moratórios decorre de expressas disposições legais. Fl. 771DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/04/2013 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por NELSON MALLMANN Processo nº 19515.004394/200788 Acórdão n.º 2202002.239 S2C2T2 Fl. 770 5 A apreciação e decisão de questões que versem sobre a constitucionalidade de atos legais são de competência exclusiva do Poder Judiciário, salvo se já houver decisão do Supremo Tribunal Federal declarando a inconstitucionalidade da lei ou ato normativo, hipótese em que compete à autoridade julgadora afastar a sua aplicação. DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. EXTENSÃO. As decisões judiciais, a exceção daquelas proferidas pelo STF sobre a inconstitucionalidade de normas legais, e as administrativas não têm caráter de norma geral, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência senão àquela objeto da decisão Devidamente cientificado dessa decisão o Recorrente apresenta tempestivamente recurso voluntário onde alega em síntese: (i) houve erro na identificação do sujeito passivo, tendo em vista que os recursos são de total responsabilidade do Sr. Elie Frederic Karmann, conforme declaração firmada pelo mesmo, além do mais tais recursos são de titularidade da pessoa jurídica Adágio Investiment Ltd. e não do Recorrente; (ii) desconsiderouse, de forma indevida, a personalidade da pessoa jurídica, tendo em vista que os recursos são de titularidade de uma pessoa jurídica; (iii) Um dos fundamentos da decisão da DRJ é que teria ocorrido interposição de pessoa, ocorre todavia que o lançamento não há tal fundamento legal, o que demonstra a ausência de fundamentação e motivação pela autoridade lançadora; (iv) houve erro no critério jurídico do lançamento, em razão do regime de apuração do IRPJ ser mensal e não anual (nas hipóteses de lançamento de ofício com base em depósitos bancários); (v) operouse a decadência do direito de o Fisco constituir o crédito tributário, com relação ao período de janeiro a novembro de 2002; (vi) os valores que transitaram pela conta não são do Recorrente, razão pela qual não há como se manter o lançamento; (vii) utilizouse de forma indevida de presunções; (viii) faltou liquidez e certeza, necessários à constituição do crédito tributário; (ix) não se aplicava, ao caso, a presunção de omissão de receitas sobre depósitos bancários; (x) houve vício no MPF pois o Recorrente não foi intimado das prorrogações; e Fl. 772DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/04/2013 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por NELSON MALLMANN 6 (xi) a ilegalidade da Taxa Selic. Houve interposição de recurso de ofício. É o relatório Fl. 773DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/04/2013 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por NELSON MALLMANN Processo nº 19515.004394/200788 Acórdão n.º 2202002.239 S2C2T2 Fl. 771 7 Voto Conselheiro Relator Os recursos preenchem os pressupostos de admissibilidade portanto devem ser conhecidos. Antes de mais nada devemos analisar o recurso de ofício interposto. Recurso de Ofício A DRJ/SPOII excluiu do lançamento os valores que foram relacionados pela autoridade lançadora na planilha 260 a 290 que não encontram correspondência nos documentos que compõem o anexo II do Laudo 1.552/2005 – INC de fls 374 a 700. Foram mantidas somente a operações objeto de intimação para comprovação de origem que tem correspondência com referido anexo II. Também não foram incluídas as transações que estão relacionadas no anexo II do Laudo, mas que não foram objeto de intimação para comprovação de origem pela autoridade lançadora. Entendo que não merece reparos a decisão proferida pela DRJ, uma vez que os valores objeto do lançamento devem estar devidamente lastreados em documentação idônea, que demonstrem o depósito bancário objeto da intimação, não cabendo o agravamento do lançamento por parte da autoridade julgadora. Além do mais, temos a questão da ilegitimidade passiva que reforçam os fundamentos para negar provimento ao recurso. Desta forma, conheço do recurso de ofício e no mérito nego provimento. Recurso Voluntário O presente recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. Fl. 774DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/04/2013 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por NELSON MALLMANN 8 Antes de analisar as demais questões de mérito, gostaria de analisar a preliminar suscitada pelo Recorrente no que diz respeito a ilegitimidade passiva. A preliminar de nulidade do lançamento, por ilegitimidade passiva, argüida pelo recorrente, tem como fundamento o entendimento de que teria ocorrido ofensa aos princípios constitucionais do devido processo legal em razão da aplicação dos §§ 5º da Lei nº 9.430, de 1996, alteração esta introduzida pelo artigo 58 da Lei nº 10.637, de 2002. Ou seja, quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem à terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento (ilegitimidade passiva). Nesse sentido, o recorrente, argumenta em sua defesa que não é titular da conta corrente questionada pela autoridade lançadora. Que sua única relação com a empresa Adágio Holding Investiment Inc. sediada nas Ilhas Virgens Britânicas é a de Diretor. Que não existe qualquer prova de que o fato gerador da obrigação tributária tenha sido praticado pelo impugnante. Que tal procedimento encontrase em total afronta ao art. 142 do CTN. Que o recorrente não reconhece a titularidade de suposta conta, exercendo tãosomente a condição de representante daquele identificado como titular. Diante disso, a recorrente alega erro de sujeição passiva. Além do mais que seria o titular desses rendimentos o Sr. Elie Frederic Karman assumiu toda a responsabilidade pela movimentação financeira, conforme declaração que foi apresentada desde o início da fiscalização.. Outro fato que me leva a entender nesse sentido é que todos os valores movimentados na conta bancária no exterior estão em nome da sociedade Adágio Investiments Ltd. ou do Sr. Elie Frederic Karman, portanto não há evidência alguma que tais valores beneficiaram de alguma forma o Recorrente. O auto de infração elaborado pela autoridade lançadora teve como base o artigo 42, caput e §§ 1º a 5º, da Lei nº 9.430, de 1996: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos.” §3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; Fl. 775DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/04/2013 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por NELSON MALLMANN Processo nº 19515.004394/200788 Acórdão n.º 2202002.239 S2C2T2 Fl. 772 9 II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). (Vide Lei nº 9.481, de 1997) § 4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 6o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) Nos termos da referida norma legal presumese omissão de rendimentos sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. No presente caso entendo que não foi comprovado através de documentação e provas que o Recorrente era o real beneficiário dos valores depositado na conta corrente da empresa Adagio Investiment Ltd. sediada nas Ilhas Virgens Britânicas, mas sim mero representante dessa entidade. A autoridade lançadora baseouse para fundamentar o presente lançamento em provas nada conclusivas, extratos bancários, documentos de abertura das contas correntes, onde o Recorrente figura como mero diretor, não houve a demonstração clara e efetiva que os recursos de alguma forma beneficiaram o Recorrente, entendo que nesse caso a autoridade lançadora deveria ter se aprofundado um pouco mais nas investigações de sorte a comprovar que o Recorrente era o real beneficiário dos recursos. O Recorrente pelo contrário procurou demonstrar que em realidade os valores que transitaram na conta bancária dessa sociedade não lhe pertencem, mas sim a sociedade sediada no exterior, uma vez que ele era mero diretor dessa sociedade. Além do mais há prova nos autos de que o Sr. Elie Frederic Karmann, sócio da Adágio Investiment Ltd. assumiu a titularidade de toda a movimentação financeira, e isso foi efetuado desde o início da fiscalização. Tanto isso é verdade que o laudo pericial apresentado não atestam que o Recorrente é o beneficiário da conta, mas mero representante da pessoa jurídica. Fl. 776DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/04/2013 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por NELSON MALLMANN 10 Para aplicarmos o artigo 42, § 5°, da Lei n° 9.430/96, segundo a qual “§ 5°. Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.” e, na minha visão, não houve a efetiva comprovação de que os valores que transitaram na conta bancária da sociedade Adágio Investiment Ltd. sediada nas Ilhas Virgens Britânicas, são de titularidade do Recorrente, desta forma, o lançamento não pode subsistir. Gostaria de destacar que esse entendimento já foi manifestado por esse respeitável conselho através do acórdão nº 161.215, o qual transcrevo sua ementa: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Ano calendário: 2001, 2002 Ementa: CONCOMITÂNCIA DAS INSTÂNCIAS JUDICIAL E ADMINISTRATIVA IMPOSSIBILIDADE O litigante não pode discutir a mesma matéria em processo judicial e em administrativo. Havendo coincidência de objetos nos dois processos, devese trancar a via administrativa. Em nosso sistema de direito, prevalece a solução dada ao litígio pela via judicial. Inteligência da Súmula 1ºCC nº 1: “Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial”. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA CONTA BANCÁRIA MANTIDA NO ESTRANGEIRO TITULARIZADA POR PESSOA JURÍDICA ESTRANGEIRA – AUSÊNCIA DE PROVA QUE DEMONSTRE QUE A CONSTITUIÇÃO DA EMPRESA TEVE OBJETIVOS FRAUDULENTOS, A ESCONDER OS REAIS PROPRIETÁRIOS DOS VALORES IMPOSSIBILIDADE DE SE IMPUTAR AOS PROCURADORES AS TRANSFERÊNCIAS FINANCEIRAS PARA CONTA BANCÁRIA TITULARIZADA POR PESSOA JURÍDICA NO ESTRANGEIRO – As transferências para conta bancária mantida no exterior e titularizada por pessoa jurídica estrangeira somente podem ser imputadas ao procurador de tais empresas se comprovar que o recorrente procurador tenha constituído tal empresa com propósitos simulatórios ou fraudulentos, com fito de esconder os reais detentores dos valores movimentados em tais contas, que seriam, no caso, os próprios procuradores da conta de depósito. Ausente qualquer prova que demonstre a fraude, não se pode imputar ao recorrente procurador a presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/96. CONTA DE DEPÓSITO DE TERCEIRA PESSOA – RECORRENTE ORDENANTE DE TRANSFERÊNCIA FINANCEIRA – AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE QUE O RECORRENTE SERIA O REAL TITULAR DA CONTA BANCÁRIA DE DESTINO Não há nos autos nada que comprove que o recorrente é titular da conta de depósito estrangeira que recebeu a transferência que lhe foi imputada como depósito de origem não comprovada. Assim, não houve um Fl. 777DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/04/2013 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por NELSON MALLMANN Processo nº 19515.004394/200788 Acórdão n.º 2202002.239 S2C2T2 Fl. 773 11 depósito em conta de depósito do recorrente. Pelas informações dos autos, tratouse de uma transferência ordenada pelo recorrente para uma conta bancária de terceira pessoa, no exterior. Nesta senda, não se pode considerar tal valor como um depósito de origem não comprovada, a presumir a omissão de rendimentos, na forma do art. 42 da Lei nº 9.430/96. IMPOSTO DE RENDA TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVAMENTE COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS POSSIBILIDADE A partir da vigência do art. 42 da Lei nº 9.430/96, o fisco não mais ficou obrigado a comprovar o consumo da renda representado pelos depósitos bancários de origem não comprovada, a transparecer sinais exteriores de riqueza (acréscimo patrimonial ou dispêndio), incompatíveis com os rendimentos declarados, como ocorria sob égide do revogado parágrafo 5º do art. 6º da Lei nº 8.021/90. Agora, o contribuinte tem que comprovar a8 origem dos depósitos bancários, sob pena de se presumir que esses são rendimentos omitidos, sujeitos à aplicação da tabela progressiva. Recurso voluntário parcialmente provido. Não houve demonstração por parte da autoridade lançadora através de provas hábeis, que os valores movimentados pelo Recorrente eram de sua titularidade. Desta forma verificase que os depósitos bancários que formaram a base de cálculo do auto de infração e não foram oferecidos a tributação era da sociedade sediada no exterior, não havendo nenhuma evidência de que alguma que essas importâncias eram de titularidade do Recorrente. Desta forma, não é devida a presente tributação com base em depósitos bancários de origem não comprovada, com base na interposta pessoa. Assim, por tudo o que dos autos consta, VOTO por conhecer da preliminar de ilegitimidade passiva dar PROVIMENTO AO RECURSO do contribuinte e negar provimento ao recurso de ofício. (Assinado Digitalmente) Pedro Anan Junior Relator Fl. 778DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/04/2013 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por NELSON MALLMANN 12 Fl. 779DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/04/2013 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por NELSON MALLMANN
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Numero do processo: 10730.007783/2008-27
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2801-000.126
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Sandro Machado dos Reis, Tânia Mara Paschoalin, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Luiz Claudio Farina Ventrilho. Relatório Trata o presente processo de notificação do lançamento que diz respeito a Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), por meio do qual se exige do sujeito passivo acima identificado o montante de R$ 14.340,90, referente ao exercício de 2007. A autuação decorreu de apuração de omissão de rendimentos recebidos das seguintes fontes pagadoras: Caixa Econômica Federal (R$ 20.390,70), Itaú Vida e Previdência S.A. (R$ 477,40), Light Serviços de Eletricidade s a (R$ 10.614,00) e Administradora Nacional Ltda (R$ 1.924,05). Em sua impugnação, o contribuinte alegou, em síntese, que: Fl. 105DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 26/06/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH A Processo nº 10730.007783/200827 Resolução n.º 2801000.126 S2TE01 Fl. 89 2 O valor recebido da Caixa Econômica Federal foi proveniente de indenização por dano material, sendo entendimento pacífico em nossos tribunais que tal verba indenizatória é rendimento não sujeito à tributação do imposto de renda pessoa física; O valor recebido do Itaú Vida e Previdência S/A não foi declarado pois não atingia o teto para o devido recolhimento. Caso se entenda que o imposto é devido, requer seja emitido o valor referente a este tributo para o devido pagamento; O rendimento informado pela Light Serviços de Eletricidade S/A referese ao rendimento anual recebido por seu dependente (filho). Por não exceder ao limite anual, não foi realizado o recolhimento do imposto. Da mesma forma, caso se entenda que o mesmo deve ser recolhido, requer a expedição do valor devido para o devido cumprimento; O valor informado pela empresa Administradora Nacional S/A, no montante de R$1.924,05, como pago a sua dependente Sra. Ana Lúcia Lopes dos Santos, referente a aluguéis, é inverídico, cabendo a referida empresa comprovar tal pagamento, haja vista que nunca manteve com a referida empresa relação locatícia e sim uma relação empregatícia conforme comprova documentos em anexo. A 3ª Turma da DRJ/CGE/MS julgou procedente em parte a impugnação, conforme Acórdão de fls. 49/58, para considerar improcedente a omissão de rendimentos recebidos da fonte pagadora Caixa Econômica Federal, no valor de R$ 20.390,70. Regularmente cientificado daquele acórdão em 05/01/2011 (AR, fl. 84), o interessado interpôs recurso voluntário de fls. 61/64, em 07/01/2011. Em sua defesa, alega que, desde 2008, vem tentando provar que a constituição do lançamento em relação aos rendimentos oriundos da Administradora Nacional S/A é inverídica, mas a Receita Federal não intimou a referida fonte pagadora para apresentar o Contrato de Administração entre ela e a dependente Ana Lúcia Lopes dos Santos. Diz que para comprovar o alegado, anexa os seguintes documentos: contrato de administração entre o real proprietário do imóvel situado a Rua Conde de Bonfim 80/504 alugado a Sra. Maria Lúcia Leal Santos, declaração da Administradora Nacional S/A reconhecendo seu erro e contrato de locação entre a Sra. Maria Lúcia Leal Santos e o real proprietário. No tocante ao valor recebido pelo dependente Marvin dos Santos Menezes, no valor de R$ 10.614,00, reitera que não o declarou por entender que quem recebeu foi seu dependente e não ele (contribuinte), somado ao fato de que o valor recebido não atingia o teto anual para o devido recolhimento, não sendo razoável ser penalizado com os juros exorbitantes impostos de todos esses anos, haja vista que a demasiada demora em julgar a SRL e a impugnação foi da Receita Federal e não do contribuinte. A mesma contestação é suscitada quanto ao recebimento recebido a título de resgate de contribuições à previdência privada, no valor de R$ 477,60. É o relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 26/06/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH A Processo nº 10730.007783/200827 Resolução n.º 2801000.126 S2TE01 Fl. 90 3 O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. De plano, relativamente à omissão de rendimentos das fontes pagadoras Itaú Vida e Previdência S.A. (R$ 477,40) e Light Serviços de Eletricidade s a (R$ 10.614,00), importa esclarecer que se trata de matéria preclusa da qual não se toma conhecimento, por não ter sido levada a debate em primeira instância, conforme bem observou a decisão recorrida, que assim se manifestou a respeito: “Quanto a omissão de Rendimentos Recebidos a Título de Resgate de Contribuições à Previdência Privada, PGBL e Fapi, da Itaú Vida e Previdência S A,no valor de R$ 477,40, e da Light Serviços de Eletricidade S A, no valor de R$ 10.614,00, o interessado expressamente concorda com a procedência destes lançamentos. Esta manifestação do sujeito passivo equivale à confissão, e, por conseguinte, em relação ao imposto suplementar incidente sobre aos fatos geradores admitidos, não se instaurou o contencioso administrativo.” Quanto à omissão de rendimento oriunda da fonte pagadora Administradora Nacional S/A, sustenta o recorrente que tal rendimento foi imputado equivocadamente a sua dependente Ana Lúcia Lopes dos Santos, CPF 675.770.75787. Argumenta que a decisão recorrida ignorou sua solicitação no sentido de que a Administradora Nacional S/A fosse intimada a comprovar a constituição de sua informação em DIMOB, já que de acordo com o artigo 333 do CPC: "o ônus da prova incumbe: inciso I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito”. Em razão disso, aduz que entrou em contado com a Administradora Nacional S/A, informando todo o ocorrido, tendo a referida fonte pagadora verificado seu erro nas informações da DIMOB desde o ano de 2005, conforme comprovam a declaração e o contrato de locação fornecidos pela referida empresa, acostados aos autos, às fls. 68/83. Os termos da declaração firmada pelo diretor da Administradora Nacional S/A, CNPJ n°. 33.183.427/000121, juntadas à fl. 83, seguem reproduzidos: “Declaramos a fim de comprovação junto a Secretaria da Receita Federal do Brasil que a DIMOB preenchida pela Administradora Nacional S/A, CGC n°. 33.183.427/000121, estabelecida na Av. Presidente Antonio Carlos 615, 2º Andar, Centro, Rio de Janeiro, com relação ao imóvel situado na Rua Conde de Bonfim, 80 apto. 504, locado a Sra. Maria Lúcia Leal Santos CPF N° 408.680.95753, são dos proprietários Sr. Aluísio Simioni (33,33%), CPF N° 003.987.300 59, Sr. João Mareio Simioni (33,33%), CPF N° 013.870.49020 e Sra. Maria Alice Simioni (33,34%), CPF N° 361.598.67091 e não da Sra. Ana Lúcia Lopes dos Santos CPF N° 675.770.75787 conforme informado nos DIMOBs exercícios 2005, 2006, 2007, 2008, 2009, tendo havido um erro material na digitação do CPF. Destarte, requer que seja retificado o CPF do real proprietário a fim de não imputar a Sra. Ana Lúcia Lopes dos Santos a omissão de rendimentos de aluguéis conforme lhe são imputados através de Notificação, de Lançamento n° 2008/998173831431267 e Acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento proferido em processo no. 10730.007782/200882.” Fl. 107DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 26/06/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH A Processo nº 10730.007783/200827 Resolução n.º 2801000.126 S2TE01 Fl. 91 4 Nesse contexto e com base no artigo 29 do Decreto n° 70.235/1972, é necessário converter o presente julgamento em diligência, para que a empresa Administradora Nacional S/A, CGC n°. 33.183.427/000121, seja intimada a esclarecer se celebrou contrato de locação com Ana Lúcia Lopes dos Santos, CPF 675.770.75787, relativamente ao anocalendário 2006, tendo em vista as seguintes informações prestadas na DIMOB: ADMINISTRADORA DE IMÓVEIS 33.183.427/000121 ADMINISTRADORA NACIONAL LTDA. BENEFICIÁRIO 675.770.75787 ANA LÚCIA LOPES DOS SANTOS 408.680.95753 MARIA LÚCIA LEAL SANTOS DATA DA ENTREGA RENDIMENTO COMISSÃO LÍQUIDO 27/02/2007 2.181,36 257,31 1.924,05 E, ainda, para que não fique configurado o cerceamento do direito de defesa, que seja dada ciência ao sujeito passivo do resultado da diligência, abrindo prazo para sua manifestação. Após tais providências, devem os autos retornarem a este colegiado, devidamente instruídos com as peças que confirmam as informações prestadas, para que se prossiga no julgamento do recurso voluntário. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 108DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 26/06/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH A
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Numero do processo: 13706.001989/2003-24
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Dec 02 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 1984 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL DO JULGADO. CABIMENTO. Verificando-se a existência, no acórdão embargado, de erro material, são cabíveis os embargos de declaração manejados com o fito de corrigi-lo. O contribuinte não aderiu ao “Programa de Acordos Para Rescisão de Contrato de Trabalho de Funcionários com 25 ou mais Anos de Serviço IBM”, mas sim ao PDV mencionado nos documentos de fls. 12, 91 e 95. Embargos de declaração acolhidos.
Numero da decisão: 2101-001.392
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos para rerratificar o Acórdão n o 2101-00.325, de 29 de outubro de 2009, para indicar que o contribuinte aderiu ao PDV mencionado nos documentos de fls. 12, 91 e 95, sem alteração do resultado de julgamento. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gonçalo Bonet Allage. Ausente momentaneamente, o Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka.
Nome do relator: JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO
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ERRO MATERIAL DO JULGADO. CABIMENTO. Verificandose a existência, no acórdão embargado, de erro material, são cabíveis os embargos de declaração manejados com o fito de corrigilo. O contribuinte não aderiu ao “Programa de Acordos Para Rescisão de Contrato de Trabalho de Funcionários com 25 ou mais Anos de Serviço IBM”, mas sim ao PDV mencionado nos documentos de fls. 12, 91 e 95. Embargos de declaração acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos para rerratificar o Acórdão no 210100.325, de 29 de outubro de 2009, para indicar que o contribuinte aderiu ao PDV mencionado nos documentos de fls. 12, 91 e 95, sem alteração do resultado de julgamento. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gonçalo Bonet Allage. Ausente momentaneamente, o Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka. (assinado digitalmente) _____________________________________ Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente. (assinado digitalmente) ___________________________________ José Evande Carvalho Araujo Relator. Fl. 199DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/ 12/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 13706.001989/200324 Acórdão n.º 2101001.392 S2C1T1 Fl. 194 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Gilvanci Antônio De Oliveira Sousa, Celia Maria de Souza Murphy, José Evande Carvalho Araujo. Relatório O Acórdão nº 210100.325, da 1a Turma Ordinária da 1a Câmara da 2a Seção de Julgamento (fls. 182 a 184v), julgado na sessão plenária de 29 de outubro de 2009, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário, para restituir o IRRF que incidiu sobre o valor de Cr$36.521.349,00, corrigidos pelos índices adotados pela Administração Tributária. Transcrevese a ementa do julgado: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 1984 IRPF VALORES RECEBIDOS COMO INDENIZAÇÃO PDV Os valores pagos por pessoa jurídica a seus empregados, a título de incentivo adesão a Programas de Desligamento Voluntário PDV, não se sujeitam a incidência do imposto de renda na fonte nem na declaração de ajuste anual (AD SRF n° 003, de 07/01/1999), desde que reste demonstrado que as verbas recebidas se tratam de vantagem oferecida como incentivo à demissão voluntária, decorrente de programa de fomento ao desligamento. CORREÇÃO MONETÁRIA DO INDÉBITO — Cabível apenas a aplicação dos índices admitidos pela Administração Tributária na correção monetária dos indébitos. Recurso Provido em Parte. Cientificada do acórdão em 11/08/2010 (fl. 185), a Fazenda Nacional apresentou, em 16/08/2010, embargos de declaração (fls. 187 a 191), com fulcro no artigo 64, inciso I, do anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF no 256, de 22 de junho de 2009, e alterações, onde alega: a) que a decisão atacada entendeu que os documentos colacionados aos autos demonstravam que a empresa IBM do Brasil — Indústria, Máquinas e Serviços Ltda instituíra um programa de desligamento voluntário de funcionários, ao qual o contribuinte teria aderido, utilizandose para isso da documentação de fls. 124 a 132; b) que tais documentos datam de 08/04/1985, data muito posterior à rescisão de contrato de trabalho do contribuinte, em 31/10/1983, não sendo possível que ele participasse de programa de demissão voluntária instituído após sua saída; c) que, ainda que se supusesse que no ano de 1983 a citada empresa tivesse instituído programa de desligamento idêntico, caberia destacar que, na data em que foi rescindido o contrato de trabalho do contribuinte, este não contava com 25 anos de serviços prestados à IBM; Fl. 200DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/ 12/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 13706.001989/200324 Acórdão n.º 2101001.392 S2C1T1 Fl. 195 3 d) que os documentos de fls. 124 a 132, utilizados pelo Colegiado para formar convicção, não servem para comprovar a existência de programa de demissão voluntária, por se referirem a período posterior à data de rescisão do contrato de trabalho do contribuinte, contradição que precisa ser sanada em sede de embargos; e) que outra contradição a ser enfrentada diz respeito ao documento de fl. 181, onde a IBM do Brasil informa que ofereceu aos seus funcionários, ao longo dos anos, programas de desligamento voluntário, indicando os incentivos pagos a esse título, mas que a ficha de rescisão de contrato de trabalho de fl. 180 não indica qualquer valor pago com as denominações indicadas. Assim, a verba intitulada "gratificação especial por tempo de serviço" não se refere à indenização por adesão a programa de demissão voluntária; f) que a Turma restou omissa quanto a fato de, na ficha de rescisão de contrato de trabalho de fl. 180, constar que a desvinculação da empresa foi "por dispensa, sem justa causa", e não "a pedido", conforme defendido pelo contribuinte, e que a adesão voluntária a programa de demissão constitui requisito indispensável para que a verba paga no momento da rescisão seja considerada indenizatória. Como a Conselheira relatora não possuía mais assento neste Colegiado, fui designado para apreciar os embargos de declaração (fl. 192). É o relatório. Voto Conselheiro José Evande Carvalho Araujo, Relator. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. O processo diz respeito à restituição de imposto de renda relativo a pagamentos a título de programa de demissão voluntário – PDV. O acórdão embargado considerou, com base nas provas carreadas aos autos, que o contribuinte comprovou ter aderido ao Programa de Acordos para Rescisão de Contrato de Trabalho de Funcionários com 25 ou mais anos de Serviço IBM, como demonstra o trecho abaixo transcrito (fls. 183v a 184): Entrementes, necessário se faz que reste firmemente demonstrado que as verbas recebidas se deram em decorrência de programa de demissão voluntária, com característica de indenização pela perda do emprego, como tem entendido o Poder Judiciário. O sujeito passivo trouxe aos autos (fls. 124 a 132) documento em que a empresa IBM BRASIL — Indústria, Máquinas e Serviços Ltda. veicula as regras para que os seus funcionários pudessem aderir ao plano de demissão voluntária, intitulado como Programa de Acordos para Rescisão de Contrato de Trabalho de Funcionários com 25 ou mais anos de Serviço IBM. (...) Fl. 201DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/ 12/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 13706.001989/200324 Acórdão n.º 2101001.392 S2C1T1 Fl. 196 4 Na espécie, entendo que os documentos aduzidos aos autos demonstram que a empresa IBM BRASIL Indústria, Máquinas e Serviços Ltda, instituíra um programa de desligamento voluntário de funcionários, ao qual o recorrente aderiu. Esse entendimento fica melhor explicitado em trecho da Resolução no 106 01.448, de 06 de dezembro de 2007, onde se decidiu por baixar o processo em diligência (fls. 153 e 154): Para comprovar a adesão ao plano de demissão voluntária, pretensamente instituído pela IBM do Brasil Indústria, Máquinas e Serviços Ltda, quando da rescisão do contrato de trabalho entre o recorrente e essa empresa, aos 12/04/1985, o sujeito passivo acostou aos autos a seguinte documentação: a) termo de rescisão de contrato de trabalho, datado de 31/10/1983, no qual se registra uma indenização complementar de Cr$ 36.521.349,00 (fl. 18); b) ofício enviado pela IBM do Brasil — Indústria, Máquinas e Serviços Ltda à Delegacia da Receita Federal, intitulado de Programa de Separação, datado de 18/07/2003, no qual a empresa informou que vem oferecendo a seus empregados um programa de desligamento, ao longo dos anos, que tem como objetivo um pagamento de incentivo por desligamento, porém não declarou que o recorrente tenha aderido a algum programa de desligamento voluntário, restringiuse a informar que o recorrente desligouse da empresa em 31/10/1983, tendo recebido uma indenização por tempo de serviço e uma indenização complementar (12); c) carta confidencial, datada de 08/04/1985, enviada pelo exempregador a todos os seus gerentes, comunicando que a empresa estava oferecendo um programa de acordos para rescisão de contrato de trabalho para os funcionários com 25 ou mais anos de serviço, em caráter estritamente voluntário, e que todos os funcionários elegíveis ao plano seriam comunicados por carta da existência do programa (fl. 124); d) um conjunto de perguntas e respostas esclarecendo dúvidas sobre o programa (fls. 125 a 130); e) carta enviada pelo exempregador aos funcionários elegíveis comunicando a abertura do programa (fls. 131 a 132); f) cópia de matéria jornalística da revista Veja de 08/05/985, noticiando o programa de redução de pessoal patrocinado pela IBM do Brasil (fls. 133 a 134); g) informe extraído de sítio da rede mundial de computadores, em que se registra que o primeiro PDV fora implantando pela IBM em meados dos anos 80 (fl. 135). Diante dos elementos coligidos aos autos, entendo pela comprovação da existência de programa de adequação de quadro de pessoal, estritamente voluntário, patrocinado pela IBM do Brasil Indústria, Máquinas e Serviços Ltda, na época da rescisão do contrato de trabalho, elegível para funcionários com 25 ou mais anos de serviço naquela empresa. Com efeito, assiste razão ao recorrente no tocante ao enquadramento das verbas recebidas como decorrentes de PDV, portanto, não sujeitas à incidência do imposto sobre a renda. Fl. 202DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/ 12/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 13706.001989/200324 Acórdão n.º 2101001.392 S2C1T1 Fl. 197 5 Por outro lado, a partir do termo de rescisão de contrato de trabalho (fls. 18) combinado com a documentação trazida aos autos, extraímos que o valor de Cr$ 36.521.349,00 foi pago em decorrência do PDV instituído pela IBM do Brasil Indústria, Máquinas e Serviços Ltda. A Fazenda Nacional aponta que houve contradição na análise das provas, pois: a) o Programa de Acordos para Rescisão de Contrato de Trabalho de Funcionários com 25 ou mais anos de Serviço IBM foi instituído em 08/04/1985, e que o contrato de trabalho foi rescindido em 31/10/1983, não sendo possível que o contribuinte participasse de programa de demissão voluntária instituído após sua saída; b) e que, ainda que se supusesse que no ano de 1983 a empresa tivesse instituído programa de desligamento idêntico, na data da rescisão contratual o contribuinte não contava com 25 anos de serviços prestados à IBM. Esclareçase, neste momento, que penso que a análise de embargos de declaração deve ser bem restritiva, com o objetivo de preservar a decisão soberana de colegiado. Por meio desse instrumento processual, devese abstrair a concordância ou não com o conteúdo da decisão, mas apenas verificar se existe omissão, contradição ou obscuridade passíveis de serem sanadas. É por isso que frequentemente não conheço de embargos onde se procura induzir nova análise das provas, com o objetivo de se chegar a conclusões diversas. Se a turma julgadora considerou que o conjunto probatório levava à determinada convicção, motivando satisfatoriamente, não é necessário que se esclareça porque não se adotou outro raciocínio. Para embargos opostos pela Fazenda Nacional, isso é ainda mais relevante, pois ela pode participar das sessões de julgamento com direito à voz, e poderia ter influenciado na maneira com que as provas foram consideradas. Entretanto, julgo que os embargos são cabíveis quando se demonstra que a análise das provas levou à conclusão diferente do que indica seu conteúdo. No caso, o óbice levantado pela embargante é insuperável. O ofício de fl. 124 especifica que a adesão ao “Programa de Acordos Para Rescisão de Contrato de Trabalho de Funcionários com 25 ou mais Anos de Serviço IBM” deveria se dar entre 08/04/1985 e 31/05/1985. Como a rescisão do contrato de trabalho analisada nos autos se deu em 31/10/1983 (fl. 18), é contrário a prova dos autos a conclusão de que o funcionário aderiu a esse plano. Além disso, como muito bem observado pela embargante, o funcionário foi admitido em 01/11/1959, e contava com menos de 24 anos de serviço na data da rescisão, o que o impediria de aderir a PDV para quem trabalhava há mais de 25 anos na empresa. Assim, é patente que o contribuinte não aderiu ao “Programa de Acordos Para Rescisão de Contrato de Trabalho de Funcionários com 25 ou mais Anos de Serviço IBM” não podendo ser essa a fundamentação para o provimento do recurso. Outra contradição apontada na análise das provas diz respeito ao documento de fls. 12 e 181, datado de 08/07/2003, onde a IBM do Brasil informa que ofereceu aos seus Fl. 203DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/ 12/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 13706.001989/200324 Acórdão n.º 2101001.392 S2C1T1 Fl. 198 6 funcionários, ao longo dos anos, um programa de desligamento voluntário, a título de incentivo por desligamento, que recebeu os seguintes títulos: “Indenização Espontânea Pessoal”, “Indenização Pessoal Espontânea”, “Indenização Espontânea Especial”, “Gratificação Incentivo Aposentadoria”, “Contribuição Extraordinária”. A contradição estaria no fato da verba indicada para a restituição se denominar “Gratificação Especial por Tempo de Serviço”, denominação não incluída na informação da empregadora, o que demonstraria que ela não se refere à indenização por adesão a programa de demissão voluntária. Discordo do argumento. Na verdade, o documento foi a prova originalmente apresentada para a adesão ao PDV, e consiste de ofício da IBM à Receita Federal, indicando como assunto “Programa de Separação”, onde trata de PDV e informa que o contribuinte foi “desligado em 31/10/83 e recebeu um incentivo a título de Gratificação Especial por Tempo de Serviço no valor de Cr$ 36.521.349.00.” Assim, tudo leva a crer que o objetivo da empresa era o de informar que o Sr. Washington Luiz Bastos Conceição havia aderido ao programa de demissão voluntário em 1983. É verdade que o documento tem valor probatório incompleto, pois a empresa não diz explicitamente que o funcionário aderiu ao PDV, mas também não afirma o contrário, como pretende a embargante. O fato da verba paga não estar entre aquelas listadas como de incentivo não altera o fato do ofício tratar especificamente sobre PDV, e de parecer querer incluir as verbas pagas ao contribuinte nesse título. Finalmente, a embargante indica que houve omissão do acórdão ao deixar de enfrentar o fato da ficha de rescisão de contrato de trabalho de fl. 180 apontar que a desvinculação da empresa foi "por dispensa, sem justa causa", e não "a pedido", conforme defendido pelo contribuinte, e que a adesão voluntária a programa de demissão constitui requisito indispensável para que a verba paga no momento da rescisão seja considerada indenizatória. Novamente penso que o argumento não se sustenta. Apesar de constar na rescisão que a dispensa foi sem justa causa, o ofício já analisado, bem como as provas que a seguir serão mencionadas, deixam claro que a demissão foi incentivada pela empresa em programa específico. Afinal, não de demite sem justa causa e ao mesmo tempo se paga um incentivo a título de Gratificação Especial por Tempo de Serviço, como explicitado no ofício de fl. 12. Analisadas as contradições e omissões indicadas, e excluída a fundamentação adotada pelo acórdão, passo a verificar se as provas constantes nos autos ainda permitem a conclusão de que o contribuinte aderiu a PDV. Ora, na fl. 91 consta ofício da IBM do Brasil Indústria, Máquinas e Serviços Ltda, datado de 10/10/2006, declarando que o exfuncionário Washington Luiz Bastos Conceição, CTPS n° 079532, Série 389, participou de programa de PDV (Programa de Demissão Voluntária) patrocinado pela empresa com o objetivo de incentivar o desligamento voluntário de seus empregados, e que, em função de sua participação e consequente Fl. 204DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/ 12/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 13706.001989/200324 Acórdão n.º 2101001.392 S2C1T1 Fl. 199 7 desligamento em 31 de outubro de 1983, recebeu verbas de incentivo no valor total de Cr$ 36.521.349,00 e líquido de rescisão de Cr$ 72.775.863,49. Na fl. 95, consta documento, datado de 20/10/1983, onde o Sr. Washington aceita a rescisão amigável a ele proposta. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento não admitiu o direito, por falta de comprovação da política demissional da empresa e pelo documento de fl. 95 não permitir se concluir que o programa de demissão havia sido oferecido a outros funcionários. O acórdão embargado não tratou desses documentos, pois, no recurso voluntário, o contribuinte trouxe o argumento de que teria participado do “Programa de Acordos Para Rescisão de Contrato de Trabalho de Funcionários com 25 ou mais Anos de Serviço IBM”, fundamentação abraçada pelo colegiado. Entretanto, creio que os documentos de fls. 91 e 95 são suficientes para demonstrar a instituição de plano de demissão voluntária e a adesão do contribuinte a ele. Vejase que esta Turma Julgadora analisou caso semelhante no Acórdão n° 210100.405, prolatado na sessão de 01 de fevereiro de 2010, sendo relator o Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka. Apesar de não ter acesso às provas daqueles autos, a simples leitura de sua ementa e de excertos do voto, abaixo transcritos, demonstra a semelhança dos fatos analisados. Ementa ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1984 IRPF. PDV. Comprovadas pelo Recorrente (i) a adesão ao PDV da empresa IBM; (ii) a natureza indenizatória das verbas recebidas, como incentivo à demissão voluntária, e (iii) a rescisão espontânea do contrato de trabalho, a restituição deve ser deferida. Recurso provido. Voto (...) Em consonância justamente com o referido princípio, assim coma o da legalidade, beneficiando a instrumentalidade do processo administrativo, se o contribuinte lograr comprovar (i) a adesão ao PDV da empresa IBM; (ii) a natureza indenizatória das verbas, como incentivo à demissão voluntária; e (iii) a rescisão espontânea do contrato de trabalho com qualquer meio de prova, principalmente documental, tal formalidade pode ser superada. (...) Fl. 205DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/ 12/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 13706.001989/200324 Acórdão n.º 2101001.392 S2C1T1 Fl. 200 8 A despeito disso, é plenamente comprovada a existência de PDV ofertado pela empresa em comento através da Carta enviada em 10 de dezembro de 2001 à Secretaria da Receita Federal, apresentada à fl. 07 por ocasião da solicitação do pedido de restituição, a qual fala no "Programa de Separação" oferecido a seus funcionários, dentre os quais se inclui o Sr. Ronald Pereira da Mota, ora Recorrente, programa esse "que tem como objetivo um pagamento de incentivo por desligamento." Outrossim, uma das condições para verificar o direito à restituição é a voluntariedade da rescisão do contrato de trabalho, requisito esse atendido por meio da carta de rescisão apresentada à fl. 56. Além disso, foi emitida declaração também pela IBM, juntada à fl. 55, que comprova a rescisão amigável do contrato. Por fim, devem ser discutidas as verbas pleiteadas. Tanto na carta emitida pela IBM, que comprova a adesão do Recorrente ao Programa de Separação, vigente à época do desligamento, bem como na declaração de rescisão amigável do contrato de trabalho, consta que o mesmo recebeu CR$ 28.699.152,00 a título de indenização por tempo de serviço, e CR$ 18.654.454,00 como gratificação especial em virtude de sua adesão ao Programa de Separação da época. Assim sendo, restou demonstrado que (a) o Recorrente participou de Programa de Demissão Voluntária, assim como que (b) as verbas recebidas não são trabalhistas decorrentes da rescisão do contrato de trabalho, e sim gratificação especial pela adesão ao referido programa. Em que pese a falta de apresentação de declaração retificadora, requisito meramente formal, atendidos todos os requisitos legais e probatórios, o recurso deve ser provido. (...) Observese que o caso em tudo se assemelha com o deste processo, tratando se de PDV da IBM do exercício de 1984, com o ofício da IBM falando de “Programa de Separação” e de comprovante de rescisão amigável. O sagaz relator traz à baila detalhe importante que também se repete no caso sob análise: o Termo de Rescisão informa que foram recebidas verbas a título de indenização por tempo de serviço (Cr$42.140.000,00) e, separadamente, rendimentos intitulados “Gratificação Especial por Tempo de Serviço” (Cr$36.521.349,00), e as informações da IBM deixam claro que apenas a última teve caráter indenizatório. Assim, correta a decisão embargada ao dar provimento parcial para restituir o IRRF que incidiu sobre o valor de Cr$36.521.349,00. Diante do exposto, voto por acolher os embargos de declaração opostos, para rerratificar o Acórdão no 340100.005, de 04 de março de 2009, para indicar que o contribuinte aderiu ao PDV mencionado nos documentos de fls. 12, 91 e 95, sem alteração do resultado de julgamento. (assinado digitalmente) José Evande Carvalho Araujo Fl. 206DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/ 12/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 13706.001989/200324 Acórdão n.º 2101001.392 S2C1T1 Fl. 201 9 Fl. 207DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/ 12/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS
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Numero do processo: 13971.910864/2009-42
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon May 06 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/09/2005 a 30/09/2005
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
DILAÇÃO PROBATÓRIA. DILIGÊNCIAS.
A realização de diligências destina-se a resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica.
Numero da decisão: 3403-002.096
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antônio Carlos Atulim Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Relator
Participaram do julgamento os conselheiros Antônio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/09/2005 a 30/09/2005 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido DILAÇÃO PROBATÓRIA. DILIGÊNCIAS. A realização de diligências destina-se a resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/2005 a 30/09/2005 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INDÉBITOS. DÉBITOS CONFESSADOS. ERRO. COMPROVAÇÃO. O deferimento de pedido de restituição de pagamento indevido de débito depende da prova do erro na confissão, passível de ser produzida, mesmo no curso do contencioso administrativo fiscal, até o momento processual da reclamação, prescindindo, nesse caso, de prévia retificação da DCTF. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. DILAÇÃO PROBATÓRIA. DILIGÊNCIAS. A realização de diligências destinase a resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/09/2005 a 30/09/2005 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 91 08 64 /2 00 9- 42 Fl. 103DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim – Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern Relator Participaram do julgamento os conselheiros Antônio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório INDUSTRIAL REX LTDA. formulou o Pedido de Restituição e Declaração de Compensação, por meio do qual pretendeu restituirse de indébito de Cofins (Cód. 5856), por pagamento efetuado em 14/10/2005, e compensar o direito creditório com débitos de IPI. Por Despacho Decisório Eletrônico, a DRF/BlumenauSC indeferiu o pleito e não homologou a compensação porque o pagamento indigitado foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Sobreveio reclamação, por meio da qual o contribuinte alega que o despacho decisório contestado não adentrou no mérito do crédito postulado . Pleiteia a declaração de nulidade do ato administrativo, em razão de faltarlhe motivação, fundamentação, o que feriria o direito ao contraditório e à ampla defesa. Argúi também a ausência de fundamentação , desvio de finalidade e prejuízo ao contraditório, à ampla defesa e ao devido processo legal . E argumenta no sentido da necessidade da busca pela verdade material, princípio reitor da atuação administrativa. Complementarmente, pugna pela não exigência da multa de mora em razão da necessária subordinação aos princípios da vedação ao confisco, da razoabilidade e da proporcionalidade. E contesta, por fim, a imposição dos juros de mora calculados com base na taxa Selic, chamando à colação à limitação dos juros de mora pretensamente posta no Código Tributário Nacional. Pleiteia, por fim, a decretação da nulidade do despacho decisório e a obstaculização de qualquer cobrança de valores resultantes do referido ato administrativo. A DRJ/FNS4ª Turma julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente. O Acórdão no 07029.060, de 25 de maio de 2012, fls. 59 a 63, teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 COMPENSAÇÃO. INDÉBITO ASSOCIADO A ERRO EM VALOR DECLARADO EM DCTF. REQUISITO PARA HOMOLOGAÇÃO. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13971.910864/200942 Acórdão n.º 3403002.096 S3C4T3 Fl. 104 3 Para que os recolhimentos relativos a débitos declarados em DCTF sejam tidos como indevidos e passíveis de repetição, é preciso que o sujeito passivo retifique a declaração originalmente apresentada, alterando os valores daqueles débitos para, com isso, consubstanciar juridicamente a existência do indébito. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cuidase agora de recurso interposto contra a decisão da DRJ/FNS4ª Turma. O arrazoado de fls. 61 a 83, após síntese dos fatos relacionados com a lide, retoma as arguições de nulidade já cogitadas na manifestação de continuidade. Invoca o princípio da verdade material para protestar por seu direito de provar o crédito mesmo na fase recursal. Tacha de nula a aplicação da multa de mora de 20% sobre os valores que diz serem indevidamente compensados. Da mesma forma, rechaça a incidência de juros Selic sobre o débito emergente da não homologação da compensação. Conclui, requerendo integral provimento ao Recurso Voluntário, a fim de que sejam homologadas as compensações declaradas. O processo administrativo correspondente foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração estabelecida no processo eletrônico. É o Relatório. Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 61 a 83 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJFNS4ª Turma nº 07029.060, de 25 de maio de 2012. Matéria controvertida A decisão recorrida não conheceu da reclamação quanto aos acréscimos legais incidentes sobre o valor do débito que emergiu inadimplido pela não homologação da compensação declarada. Fêlo bem. Tratandose de cobrança propriamente dita, a matéria escapa do rito instituído pelo Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Incidentalmente, saiba a recorrente que os acréscimos legais sobre os débitos não pagos na data de seu vencimento estão expressamente previstos no art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, não cabendo aos agentes da Administração deixar de aplicálos em face de argumentos de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN 4 Preliminares de nulidade do Despacho Decisório Nesse ponto, adoto os fundamentos da decisão recorrida, que, forte no § 1º do art. 50 da Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, passam a fazer parte integrante desse voto. O despacho decisório preenche todos os requisitos formais e materiais para sua validade, devendo ser refutada a argüição. Ainda que de forma sintética, o despacho decisório contém motivação, base legal e permitiu ao contribuinte total conhecimento das irregularidades imputadas a seu pleito, habilitandolhe o exercício pleno do seu direito de defesa. Também não há que se falar em desvio de finalidade do ato administrativo, até mesmo porque este está corretamente fundamentado. Mérito Afastadas as preliminares argüidas e não conhecida a insurgência contra procedimentos de cobrança, a inconformidade manifestada na reclamação ficou vazia. Nada obstante, a decisão recorrida, assentandose sobre a premissa de que a liquidez e a certeza do crédito oposto na compensação reclama a prévia retificação do valor do débito pretensamente confessado em erro em DCTF, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade sumariamente, sem qualquer menção ao “deserto” em que se transformou o presente processo no que diz respeito à prova do direito creditório aventado. Já é entendimento assentado nesta Turma o de que tal óbice deve ser afastado, em face do contido no art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 (PAF), reproduzido no art. 57 do Regulamento do Processo Administrativo Fiscal, aprovado pelo Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011, norma com aplicação autorizada aos processos da espécie pelo § 4º do art. 66 da Instrução Normativa RFB no 900, de 30 de dezembro de 2008. Na verdade, a prévia retificação da DCTF apenas viabiliza o processamento automático dos PER/Dcomp, mas jamais poderia ser tida como requisito para a verificação da liquidez e certeza de direito creditório. Se é certo que a espontaneidade da confissão do débito implica a sua irretratabilidade, também o é que o art. 214 do Código Civil – CC Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002, admite sua revogação quando produzida em erro de fato. E, conforme visto, mesmo na fase contenciosa do procedimento administrativo fiscal, que ora se desenrola, o requerente, enquanto manifestante, pode (e deve) produzir a prova necessária para a demonstração de seu direito, entre elas, a do erro no preenchimento de declaração. Tecidas essas considerações preambulares, por meio das quais se refuta a necessidade de prévia retificação da DCTF e se reafirma o direito de produção probatório do crédito postulado até o momento processual da reclamação, não se pode deixar de reconhecer que não há o menor início de prova do indébito. O recorrente, a certa altura de sua peça recursal, protestou por seu direito de provar o direito creditório. Mas a insurgência limitouse a isso. O recorrente não alega erro na declaração, não questiona legalidade ou inconstitucionalidade da norma de incidência tributária, nem qualquer outra das fantasiosas construções de indébitos freqüentes depois da edição da Medida Provisória nº 66, de 29 de agosto de 2002. Nada. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13971.910864/200942 Acórdão n.º 3403002.096 S3C4T3 Fl. 105 5 Matéria de extremada importância em sede processual é a referente à repartição do ônus da prova nas questões litigiosas. Com efeito, da delimitação do onus probandi depende a definição de grande parte das responsabilidades processuais. Assim é nas relações de direito privado e, igualmente, nas relações de direito público, dentre as quais as relacionadas à imposição tributária. Neste campo, a legislação processual administrativotributária inclui disposições que, em regra, reproduzem aquele que é, por assim dizer, o principio fundamental do direito probatório, qual seja o de que quem acusa e/ou alega deve provar. Assim é que, nos casos de lançamentos de oficio, não basta a afirmação, por parte da autoridade fiscal, de que ocorreu o ilícito tributário; pelo contrário, é fundamental que a infração seja devidamente comprovada, como se depreende da parte final do caput do artigo 9° do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que determina que os autos de infração e notificações de lançamento "deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito". De outro lado, ao contribuinte a legislação impõe o ônus de provar o que alega em face das provas carreadas pela autoridade fiscal, como expresso no inciso III do artigo 16 do mesmo Decreto nº 70.235, de 1972, que determina que a impugnação conterá "os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir". Esse, portanto, o quadro nos lançamentos de oficio: à autoridade fiscal incumbe provar, pelos meios de prova admitidos pelo direito, a ocorrência do ilícito; ao contribuinte, cabe o ônus de provar o teor das alegações que contrapõe às provas ensejadoras do lançamento. Já nos casos de repetição de indébito, como no presente processo, entretanto, o quadro resta um pouco modificado, como a seguir se verá. Quando a situação posta se refere à restituição, compensação ou ressarcimento de créditos tributários, é atribuição do contribuinte a demonstração da efetiva existência do indébito. Tanto é assim que a Instrução Normativa SRF nº 900, de 30 de dezembro de 2008, que rege atualmente os processos de restituição, compensação e ressarcimento de créditos tributários, assim expressa em vários de seus dispositivos: Art. 3° A restituição a que se refere o art. 2° poderá ser efetuada: I a requerimento do sujeito passivo ou da pessoa autorizada a requerer a quantia; ou II mediante processamento eletrônico da Declaração de Ajuste Anual do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (DIRPF). § Iº A restituição de que trata o inciso I do caput será requerida pelo sujeito passivo mediante utilização do programa Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação (PER/DCOMP). § 2º Na impossibilidade de utilização do programa PER/DCOMP, o requerimento será formalizado por meio do formulário Pedido de Restituição, constante do Anexo I, ou mediante o formulário Pedido de Restituição de Valores Indevidos Relativos a Contribuição Previdenciária, constante cio Anexo II, conforme o caso, aos quais deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN 6 [..1 § 4° Tratandose de pedido de restituição formulado por representante do sujeito passivo mediante utilização do programa PER/DCOMP, os documentos a que se refere o § 3° serão apresentados à RFB após intimação da autoridade competente para decidir sobre o pedido. [..1 Art. 65. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito. inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada. mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. Como se percebe, em qualquer dos tipos de repetição é exigida a apresentação dos documentos comprobatórios da existência do direito creditório como prerrequisito ao conhecimento do pleito. E o que se deve ter por documentos comprobatórios do crédito? Por óbvio que os documentos que atestem, de forma inequívoca, a origem e a natureza do crédito; sem tal evidenciação, o pedido repetitório fica inarredavelmente prejudicado. É certo que as normas acima transcritas prevêem a realização de diligências, por parte da autoridade fiscal, destinadas à verificação da exatidão das informações trazidas pelos contribuintes, mas é preciso ter em conta que tal previsão não existe com o fim de suprir o ônus da prova colocado às partes, mas sim de elucidar questões pontuais mantidas controversas mesmo em face dos documentos trazidos pelo contribuinte/pleiteante; em outras palavras, as diligências servem para esclarecer pontos duvidosos específicos, e não para que a autoridade fiscal, diante da falta de comprovação da existência do crédito, supra tal omissão do contribuinte. No caso específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento de créditos tributários, o contribuinte cumpre o ônus que a legislação lhe atribui, quando traz os elementos de prova que demonstrem a existência do crédito. E tal demonstração, no caso das pessoas jurídicas, está, por vezes, associada a uma conciliação entre registros contábeis e documentos que respaldem tais registros. Assim, para comprovar a existência de um crédito vinculado a um registro contábil, não basta apresentar o registro, mas também indicar, de forma específica, que documentos estão associados a que registros; ainda, é importante, quando a natureza da operação escriturada/documentada for importante para a caracterização ou não do direito creditório, que a descrição da operação constante dos registros e documentos seja clara, sem abreviaturas ou códigos que dificultem ou impossibilitem a perfeita caracterização do negócio. Não é lícito ao julgador, tanto em sede de apreciação de lançamento de oficio, quanto em sede de pleito repetitório, dispensar a autoridade lançadora ou o pleiteante, conforme o caso, do ônus que a lei impõe a cada um deles; tanto quanto não lhe é lícito valer se das diligências e perícias para, por vias indiretas, suprir o ônus probatório que cabia a cada parte. Diligências existem para resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica. Já as perícias existem para fins de que sejam dirimidas Fl. 108DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13971.910864/200942 Acórdão n.º 3403002.096 S3C4T3 Fl. 106 7 questões para as quais exigese conhecimento técnico especializado, ou seja, matéria impassível de ser resolvida a partir do conhecimento das partes e do julgador. De se ressaltar, igualmente, que o fato de o processo administrativo ser informado pelo principio da verdade material, em nada macula tudo o que foi até aqui dito. É que o referido princípio destinase a busca da verdade que está para além dos fatos alegados pelas partes, mas isto num cenário dentro do qual as partes trabalharam proativamente no sentido do cumprimento do seu ônus probandi. Em outras palavras, o principio da verdade material autoriza o julgador a ir além dos elementos de prova trazidos pelas partes, quando tais elementos de prova induzem à suspeita de que os fatos ocorreram não da forma como esta ou aquela parte afirma, mas de uma outra forma qualquer (o julgador não está vinculado às versões das partes). Mas isto, à evidência, nada tem a ver com propiciar à parte que tem o ônus de provar o que alega/pleiteia, a oportunidade de, por via de diligências, produzir algo que, do ponto de vista estritamente legal, já deveria compor, como requisito de admissibilidade, o pleito desde sua formalização inicial. Dito de outro modo: da mesma forma que não é aceitável que um lançamento seja efetuado sem provas e que se permita posteriormente, em sede de julgamento e por meio de diligências, tal instrução probatória, também não é aceitável que um pleito repetitório seja proposto sem a minudente demonstração e comprovação da existência do indébito e que posteriormente, também em sede de julgamento e por via de diligências, se oportunize tais demonstração e comprovação. Se, de um lado é certo que o DARF informado no PER/Dcomp comprova um recolhimento, de outro, inexiste nos autos qualquer prova de que o pagamento seja indevido. Há tãosomente a alegação do requerente, ora recorrente. Nada mais. E, em sede de prova, nada alegar e alegar, mas não provar o alegado se equivalem (allegare nihil et allegatum non probare paria sunt). A esse propósito, reportome à Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. De acordo com o seu art. 36, que regulamenta o sistema de distribuição da carga probatória no Processo Administrativo Federal: o ônus de provar a veracidade do que afirma é do requerente: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido o art. 330 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (CPC). A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça também corrobora esse entendimento: Allegare nihil et allegatum non probare paria sunt — nada alegar e não provar o alegado, são coisas iguais.(HABEAS CORPUS Nº 1.1710 — RJ, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 4, (39): 211276, novembro 1992, p. 217) Alegar e não provar significa, juridicamente, não dizer nada.(INTERVENÇÃO FEDERAL Nº 83 — PR, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 7, (66): 93116, fevereiro 1995. 99) RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA – APOSENTADORIA – NEGATIVA DE REGISTRO – TRIBUNAL DE CONTAS – ATOS ADMINISTRATIVOS NÃO COMPROVADOS – ART. 333, INCISO II, DO CPC – PAGAMENTO DOS PROVENTOS DE NOVEMBRO/96 E DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO DAQUELE MESMO ANO – IMPOSSIBILIDADE – SÚMULAS 269 E 271 DA SUPREMA CORTE – 1. O ônus da prova incumbe ao réu, quanto à Fl. 109DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN 8 existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (art. 333, II, do Código de Processo Civil). Incumbe às Secretarias de Educação e da Fazenda a demonstração de que a professora havia sido notificada da suspensão de sua aposentadoria. 2. Não cabe em mandado de segurança para cobrança de proventos não recebidos, a teor das súmulas 269 e 271 da Suprema Corte. 3. Recurso parcialmente provido. (STJ – ROMS 9685 – RS – 6ª T. – Rel. Min. Fernando Gonçalves – DJU 20.08.2001 – p. 00538)JCPC.333 JCPC.333.II TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – IMPOSTO DE RENDA – VERBAS INDENIZATÓRIAS – FÉRIAS E LICENÇAPRÊMIO – NÃO INCIDÊNCIA – COMPENSAÇÃO – AJUSTE ANUAL – ÔNUS DA PROVA – O ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito e ao réu quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Cabe ao contribuinte comprovar a ocorrência de retenção na fonte do imposto de renda incidente sobre verbas indenizatórias e à Fazenda Nacional incumbe a prova de eventual compensação do imposto de renda retido na fonte no ajuste anual da declaração de rendimentos. Recurso provido. (STJ – REsp 229118 – DF – 1ª T. – Rel. Min. Garcia Vieira – DJU 07.02.2000 – p. 132) PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO – EXECUÇÃO FISCAL – EMBARGOS DO DEVEDOR – NOTIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO – IMPRESCINDIBILIDADE – ÔNUS DA PROVA – 1. Imprescindível a notificação regular ao contribuinte do imposto devido. 2. Incumbe ao embargado, réu no processo incidente de embargos à execução, a prova do fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (CPC, art. 333, II). 3. Recurso especial conhecido e provido. (STJ – REsp 237.009 – (1999/00996607) – SP – 2ª T. – Rel. Min. Francisco Peçanha Martins – DJU 27.05.2002 – p. 147) TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – IRPF – REPETIÇÃO DE INDÉBITO – VERBAS INDENIZATÓRIAS – RETENÇÃO NA FONTE – ÔNUS DA PROVA – VIOLAÇÃO DE LEI FEDERAL CONFIGURADA – DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO COMPROVADA – SÚMULA 13/STJ PRECEDENTES – Cabe ao autor provar que houve a retenção do imposto de renda na fonte, por isso que é fato constitutivo do seu direito; ao réu competia a prova de eventual compensação na declaração anual de rendimentos dos recorrentes, do imposto de renda retido na fonte, fato extintivo, impeditivo ou modificativo do direito do autor – Incidência da Súmula 13 STJ – Recurso especial conhecido pela letra a e provido. (STJ – RESP 232729 – DF – 2ª T. – Rel. Min. Francisco Peçanha Martins – DJU 18.02.2002 – p. 00294) À falta da prova do erro, capaz de afastar o atributo de irretratabilidade da confissão de dívida, milita contra a alegação do requerente a presunção de que o pagamento não lhe confere qualquer direito creditório porque foi alocado a débito espontaneamente confessado em DCTF. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13971.910864/200942 Acórdão n.º 3403002.096 S3C4T3 Fl. 107 9 Conclusão Nego provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 23 de abril de 2013 Alexandre Kern Fl. 111DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN
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Numero do processo: 19515.006149/2009-77
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed May 22 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Data do fato gerador: 31/01/2004
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. HIPÓTESES DE IMPUTAÇÃO. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. A imputação de responsabilidade solidária por crédito tributário só pode ocorrer nas hipóteses e nos limites fixados na legislação, que a restringe às pessoas expressamente designadas em lei e àquelas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. A exigência de tributação exclusivamente na fonte, com base no art. 61 da Lei nº 8.981, de 1995, é incompatível com a imputação de responsabilidade solidária a terceiros por suas meras participações, como prepostos ou administradores, nos acontecimentos que caracterizaram o pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado.
IRRF. PAGAMENTO SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. REMISSÃO DE DÍVIDA. MOMENTO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. Caracteriza o pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado, sujeito à incidência do imposto de renda na fonte, na forma do art. 61, da Lei nº 8.981, de 1996, a remissão injustificada de dívida contraída mediante contrato de mútuo.
Recurso de Ofício Negado.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2201-001.836
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao Recurso de Ofício. Pelo voto de qualidade, NEGAR provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Rayana Alves de Oliveira França (Relatora), Rodrigo Santos Masset Lacombe e Gustavo Lian Haddad, que deram provimento integral ao Recurso Voluntário. Designado para redigir o voto vencedor do Recurso Voluntário o Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa. O Conselheiro Gustavo Lian Haddad fará declaração de voto quanto ao Recurso Voluntário.
(Assinado Digitalmente)
MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente.
(Assinado Digitalmente)
RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANÇA Relatora
(Assinado Digitalmente)
PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente).
Nome do relator: RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA
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HIPÓTESES DE IMPUTAÇÃO. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. A imputação de responsabilidade solidária por crédito tributário só pode ocorrer nas hipóteses e nos limites fixados na legislação, que a restringe às pessoas expressamente designadas em lei e àquelas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. A exigência de tributação exclusivamente na fonte, com base no art. 61 da Lei nº 8.981, de 1995, é incompatível com a imputação de responsabilidade solidária a terceiros por suas meras participações, como prepostos ou administradores, nos acontecimentos que caracterizaram o pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado. IRRF. PAGAMENTO SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. REMISSÃO DE DÍVIDA. MOMENTO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. Caracteriza o pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado, sujeito à incidência do imposto de renda na fonte, na forma do art. 61, da Lei nº 8.981, de 1996, a remissão injustificada de dívida contraída mediante contrato de mútuo. Recurso de Ofício Negado. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao Recurso de Ofício. Pelo voto de qualidade, NEGAR provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Rayana Alves de Oliveira França (Relatora), Rodrigo Santos Masset Lacombe e Gustavo Lian Haddad, que deram provimento integral ao Recurso Voluntário. Designado para redigir o voto vencedor do Recurso Voluntário o Conselheiro AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 61 49 /2 00 9- 77 Fl. 2657DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 05/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digit almente em 06/05/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD 2 Pedro Paulo Pereira Barbosa. O Conselheiro Gustavo Lian Haddad fará declaração de voto quanto ao Recurso Voluntário. (Assinado Digitalmente) MARIA HELENA COTTA CARDOZO – Presidente. (Assinado Digitalmente) RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANÇA – Relatora (Assinado Digitalmente) PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA – Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente). Relatório DOS PROCEDIMENTOS FISCAIS Tratase de lançamento através de Auto de Infração (fls.759/761 Vol.IV) no montante total de R$321.538.372,63, incluída multa de ofício de 150% e juros de mora, calculados até 30/11/2009, para exigir crédito tributário de IRRF incidente sobre pagamento ou entrega de recursos a terceiros sem comprovação de causa, nos termos do §10, do artigo 61 da Lei n° 8.981/95, caracterizado pela baixa contábil de provisões para perdas no recebimento de mútuos, efetuada em 31/01/2004, em virtude de as correspondentes dívidas terem sido perdoadas pela contribuinte. No entendimento da fiscalização, constatouse a incidência de IRRF sobre a entrega sem causa de recursos a terceiros, a saber CARISUL e NOVELLTECH, evidenciada pelas baixas de provisões para perdas em contratos de mútuos que foram efetuadas em sua escrituração contábil (livro diário) em 31/01/2004, bem como pelas constatações e considerações abaixo sintetizadas: CARISUL Com relação à empresa CARISUL, segundo consta nas informações prestadas e nos documentos trazidos aos autos, a Recorrente venceu processo de licitação junto ao Governo da República do Uruguai para a implantação de telefonia fixa e, para a realização de tal projeto subcontratou, com a anuência do licitante, a empresa CARISUL. Em razão do volume de investimentos necessários à execução desse contrato , a Recorrente realizou as referidas operações de mútuo para viabilizar a execução de obra pela empresa subcontratada, obras estas concluídas em 2002. Foram apresentados documentos firmados em 20/01/1997, por meio dos quais, se demonstrou o contrato de subcontratação e convênio de cessão de créditos da NEC à CARISUL, decorrentes do contrato firmado entre NEC e ANTEL Administracion Nacional de Telecomunicaciones, e a concordância da ANTEL conforme expediente nº 1893/97 de 08/10/97 para a execução do projeto. Fl. 2658DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 05/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digit almente em 06/05/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 19515.006149/200977 Acórdão n.º 2201001.836 S2C2T1 Fl. 2.658 3 Com intuito de viabilizar a execução dos serviços, foi firmado contrato de mútuo, por meio do qual a Recorrente transfere fundos para que a CARISUL pudesse dar andamento às obras. A operação apresenta o seguinte cronograma: o primeiro contrato com a CARISUL, no valor de US$ 13.500.000,00 e com vencimento em 06/05/2001, foi firmado na data de 10/10/1996 mas levado a reconhecimento de firma somente em 27/03/2006 (fl. 215); em 26/05/97 foi assinado o Aditivo n° 1 (fls. 216/217), pelo qual o mútuo inicial foi aumentado para US$ 16.550.000,00, tendo as firmas sido reconhecidas em 02/06/1997; em 08/06/97 foi feito o Aditivo n° 2 (fls. 218/219) com a finalidade de aumentar o mútuo para US$ 24.000.000,00; em 08/09/97 o Aditivo n° 3 foi assinado, aumentando o valor do mútuo para US$ 26.500.000,00, tendo sido levado a registro em 27/03/2006 (fl. 221); em 16/10/97 foi assinado o Aditivo n° 4, aumentando o mútuo para US$ 27.000.000,00, também levado a reconhecimento de firma somente em 27/03/2006 (fls. 223); em 29/10/97 foi assinado o Aditivo n° 5 (fl. 224/5) aumentando o mútuo para US$ 28.000.000,00, também levado a reconhecimento de firma somente em 27/03/2006; em 01/12/97 foi assinado o Aditivo n° 6 aumentando para US$ 29.000.000,00 (fls. 226/7). Na data de 04/03/2002 foi assinado novo Contrato de Mútuo de US$ 800.000,00 (fls. 228/230) que, entretanto, não foi levado a reconhecimento de firma e não apresenta testemunhas. Mesmo depois de concluída a obra, a Recorrente fez um novo contrato de mútuo no valor de US$ 800.000,00 com CARISUL, tendo conhecimento de que esta já se encontrava em estado de insolvência. A justificativa apresentada pela Recorrente foi a de que se viu obrigada a emprestar mais valores à CARISUL, pois seria solidariamente responsabilizada perante a ANTEL do governo uruguaio, acerca dos problemas ocorridos na execução do contrato, em função de falhas nos produtos fornecidos, produtos estes de tecnologia e fabricação da NEC. Segundo informações prestadas pela Recorrente, já em meados de 2001 a CARISUL passou a apresentar sólidos problemas financeiros, fato este que teria levado a Recorrente a crer que não conseguiria realizar as obras para as quais tinha sido subcontratada. Em razão disso, entre dezembro de 2001 e setembro de 2003, foram constituídas provisões para contingência dos mútuos concedidos à CARISUL, que somaram o montante de R$ 139.968.814,00. Posteriormente, com o objetivo de atestar o estado de insolvência da CARISUL, a Recorrente apresentou um estudo concluído em 21.12.2001 pelo Dr. Gonzalo Ramirez, do escritório de advocacia Instituto Jurídico Herbert, Ramirez, Xavier de Mello e Aval de Montevidéu, atestando a dificuldade de recuperação dos valores relativos aos mútuos. NOVELLTECH Já em relação à empresa NOVELLTECH, a Recorrente alegou que o mútuo teve por finalidade, disponibilizar recursos financeiros para investimentos no exterior no "Flutel Fund", um fundo administrado e gerido por pessoas ligadas ao Grupo Opportunity. Contudo, esses investimentos foram malsucedidos, conforme carta emitida pela própria NOVELLTECH, o que representou perdas significativas à Recorrente. Ressaltese que as operações de mútuo foram celebradas por contratos assinados em 01/11/1999 e 27/02/2000 e à NOVELLTECH teriam sido efetuadas duas TIR Transferências Internacionais de Reais, (1) uma em 04/11/1999, efetuada pelo Unibanco União Fl. 2659DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 05/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digit almente em 06/05/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD 4 de Bancos Brasileiros S/A ao Banco BBA Creditanstalt, à NEC Brasil S/A, como disponibilidade no exterior, natureza de "capital brasileiro de curto prazo"; e outra (2) em 27/07/2000, efetuada do Banco Bradesco ao Bank Ltd — Nassau Bahamas, à NOVELLTECH, informado como transferência internacional de reais a título de contrato de mútuo a longo prazo, "vic subsidiária", "capital brasileiro de longo prazo — emprestR21 câmbio" (fl. 727). Também em meados de 2001, a NOVELLTECH não apresentou o retorno desejado, amargando grandes perdas em razão dos investimentos efetuados pelo Flutel Fund não terem tido a rentabilidade esperada, razão pela qual foram realizadas provisões para contingência do mútuo concedido à NOVELLTECH, entre abril de 2001 e novembro de 2002, que somaram R$ 102.509.069,69. Os contratos dos mútuos foram informados ao Banco Central do Brasil em Declarações de Capitais Brasileiros no Exterior (DCBE). A Recorrente sustenta ainda, que as baixas também teriam sido informadas nas referidas DCBE, visto que na DCBE do ano de 2003 foram informados saldos a receber da CARISUL e da NOVELLTECH e na DCBE do ano de 2004 referidos saldos não foram informados. As remessas dos valores foram efetuadas mediante "Transferência Internacional de Reais" (TIR), tendo a Recorrente apresentado as telas do SISBACEN relativas às remessas efetuadas à CARISUL. Segundo alega a Recorrente, as provisões foram constituídas em atenção ao princípio contábil do conservadorismo, baseado no estado de insolvência das devedoras. Não havia garantias e a eventual execução dos valores inadimplidos seria extremamente difícil e, no caso da CARISUL, a assessoria jurídica da NEC a aconselhou a não tomar medidas judiciais para a execução do mútuo, o que poderia prejudicar o cumprimento do projeto desenvolvido para o governo uruguaio e resultar em responsabilização da própria NEC, por ter subcontratado a CARISUL para esse empreendimento. Ademais, as provisões tiveram apenas fins contábeis e não houve aproveitamento das perdas para fins fiscais. Em 31/01/2004, a Recorrente procedeu à baixa das provisões em razão da insolvência das mutuárias, não tomando o efeito de dedução de tais provisões da base de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica. Todavia, no entendimento da fiscalização, a Recorrente teria se valido de uma simulação para afastar a incidência do IRRF que deveria ter sido retido dado que a baixa das provisões configuraria suposto pagamento a beneficiário sem comprovação de causa. A fiscalização defende seu entendimento, com base na Instrução CVM 59/86, que determina que a provisão para contingências destinase a dar cobertura a perdas ou despesas já incorridas, mas ainda não desembolsadas e que, dentro do regime de competência, devem ser lançadas no Resultado, na constituição daquelas e a Recorrente não teria apresentado documentação hábil e idônea para comprovar a perda já incorrida que justificasse a constituição das provisões. Além disso, verificouse que a Recorrente também não entregou comprovação de seus registros contábeis sobre o assunto, postura inescusável diante da obrigatoriedade de guarda de documentos fiscais e contábeis prevista no artigo 267 c/c art. 923, do RIR/99. Outro ponto destacado pela Fiscalização foi de que a Recorrente efetuou no BACEN o registro das remessas de valores mas não o registro das operações de mútuo e de Fl. 2660DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 05/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digit almente em 06/05/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 19515.006149/200977 Acórdão n.º 2201001.836 S2C2T1 Fl. 2.659 5 seus aditivos, tampouco das respectivas baixas, conforme determinaria a legislação regente (Resolução 2337/96 e Circulares do BACEN). Assim, no seu entendimento a fiscalização alega que os fatos narrados demonstram a intenção da criação de elementos que pudessem, em determinado momento, dar guarida à efetiva transferência dos recursos sem o devido pagamento de impostos. No caso da CARISUL, a autoridade fiscal aponta as condições que evidenciariam a simulação: (1) o mútuo foi celebrado antes mesmo do subcontrato de serviços de telefonia e da cessão de créditos que o motivou; (2) os próprios administradores da NEC administravam a CARISUL; (3) houve disponibilização de recursos após a constituição da Provisão para Perdas; (4) não foram apresentados balanço da CARISUL, providências judiciais ou extrajudiciais ou qualquer medida acauteladora. Já no caso da NOVELLTECH, a autoridade fiscal ressalta que a Recorrente forneceu falsa informação ao BACEN ao informar na DCBE (Declaração de Capitais Brasileiros ao Exterior) que as remessas não foram realizadas entre "INTERCOMPANHIA" e que, no curso da fiscalização, não foram apresentados (1) comprovantes de transferência internacional de reais; (2) os contratos de mútuo; (3) escrituração da constituição da empresa e (4) os comprovantes dos investimentos em que teriam sido aplicados os valores emprestados. Com base nesses elementos que evidenciariam uma suposta simulação, a fiscalização aplicou a multa qualificada prevista no artigo 44, inciso II da Lei n° 9.430/96. Ainda segundo a fiscalização, a extinção dos contratos de mútuo ocorreu mediante REMISSÂO, uma das formas previstas pelo Novo Código Civil (arts. 385/388), sendo as demais modalidades o pagamento, a dação em pagamento, a novação, a compensação e a confusão. Assim, com a remissão teria ocorrido o acréscimo patrimonial das Mutuárias, conforme conceito definido no artigo 43 do Código Tributário Nacional, configurado no momento das baixas das provisões para perdas com os mútuos, pois somente nesse momento, houve disponibilidade econômica dos recursos às mutuárias; antes disso, no momento das remessas, houve disponibilidade meramente financeira dos recursos. No entendimento da fiscalização, as regras contábeis evidenciam que os recursos emprestados ingressaram no patrimônio das mutuárias somente no momento em que os empréstimos foram baixados, visto que as entregas antecipadas ao momento de aquisição de direitos são registradas em contas patrimoniais de ativo (para o autor do adiantamento) e de passivo (para o recebedor do adiantamento), mas não em resultado. No momento do pagamento haveria apenas disponibilização financeira em que os mutuários creditam o respectivo valor a uma conta de passivo (obrigação) e não de receita, enquanto que o mutuante debita esse mesmo valor a uma conta de ativo (direito). Os fatos contábeis são permutativos e não de acréscimo ou diminuição de patrimônio, o que impede que já se considere ocorrido o fato gerador do imposto de renda. Segundo ainda o entendimento da fiscalização, a remissão se revestiu de aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica prevista no artigo 43 do Código Tributário Nacional como determinante da ocorrência do fato gerador do IRRF, em combinação com o artigo 61 da Lei 8.981/95, o que teria ocorrido somente em 31/01/2004. Fl. 2661DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 05/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digit almente em 06/05/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD 6 Importa ainda destacar, os seguintes enxertos do Termo de Constatação IRRF (fls.716/756): I – ENTREGA SEM CAUSA – IRFONTE A – DOS FATOS O Sujeito Passivo, em 31 de janeiro de 2004 escriturou em seu Livro Diário nº000049, registrado na Jucesp n° 4910, fls. 001309 (doc.fls.655), a débito da conta 121320105 PROVISÃO PARA PERDA CONTRATO DE MUTUO – CARISUL e a crédito da conta 121320101 _MUTUO C/ 3°.S. CARISUL SOCIEDADE ANÔNIMA – histórico ENCERRAMENTO DE CONTRATO CARISUL os valores de R$101.346.519,69 e R$ 1.162.550,00. No dia 31/01/2004, levou a registro no mesmo Livro Diário, fls.001309, a débito da conta 121320106 PROVISÃO PARA PERDA CONTRATO DE MUTUO – NOVELLTECH e a crédito da conta.121320103 MUTUO C/ 3OS . NOVELLTECH INVEST INC — histórico ENCERRAMENTO DE CONTRATO NOVELLTECH os seguintes valores — R$ 90.978.169,81, R$ 19.495.322,10 e R$ 19.495.322,09. Em virtude dos fatos acima a fiscalizada foi intimada em 18/09/2009, a esclarecer vários pontos inseridos nos quesitos apresentados pela fiscalização que foram respondidos no prazo, (doc.fls.208/304), os quais transcrevemos abaixo: (...) "12 — Qual fato ocorrido determinante da provisão para contingência? Comprovar." A provisão foi realizada em atenção ao principio contábil do conservadorismo baseado no estado de Insolvência das devedoras. A NEC BRASIL esperava receber a devolução dos valores empestados, porém, não havia Garantia e, tratandose de empresas domiciliadas no exterior, a eventual execução dos valores devidos em caso de inadimplemento seria extremamente difícil. Foi o que se verificou na prática. De fato, no caso da Carisul, os assessores jurídicos consultados pela NEC BRASIL não recomendaram a tomada de ações contra a empresa uruguaia. Esta enfrentava dificuldades financeiras e a execução do mútuo poderia prejudicar o cumprimento do projeto desenvolvido para o Governo Uruguai. Em decorrência a NEC do BRASIL poderia ser responsabilizada, já que subcontratou a Carisul. A Novelltech a R$ 29.609.988,85 (vinte e nove milhões, seiscentos e nove mil, novecentos e oitenta e oito reais e oitenta e cinco centavos) no ano de 2003. Cumpre salientar, porém, que a provisão destinouse apenas a fins contábeis e visava inclusive dar maior transparência ao resultado da companhia. Não houve o aproveitamento da perda para fins fiscais. Ou seja, a provisão não interferiu com a apuração dos tributos fiscalizados.” Fl. 2662DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 05/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digit almente em 06/05/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 19515.006149/200977 Acórdão n.º 2201001.836 S2C2T1 Fl. 2.660 7 For lavrada Representação Fiscal para Fins Penais, bem como Termos de Sujeição Passiva Solidária em nome dos administradores da empresa DA IMPUGNAÇÃO DA RECORRENTE Intimada pessoalmente da lavratura do auto de infração, a contribuinte apresentou sua impugnação, fls.786/826, acompanhada dos documentos listados as fls. 827/828 e acostados aos autos as fls.829/1319 nos volumes de VI a VII, na qual apresenta as alegações a seguir sintetizadas. No período de 1996 a 1999, a impugnante efetuou empréstimos às pessoas jurídicas estrangeiras CARISUL SA ("CARISUL") e NOVELLTECH Investment Inc ("NOVELLTECH"), com o objetivo de financiálas em operações comerciais e financeiras de interesse da impugnante, realizadas no exterior e investimentos financeiros nas empresas do mercado de equipamentos produzidos ou comercializados pela impugnante. As remessas ao exterior foram realizadas em estrita conformidade com as normas cambiais brasileiras e devidamente informadas nas Declarações de Capitais Brasileiros no Exterior ("CBEs") apresentadas pela impugnante e apontadas nos balanços e declarações de renda da impugnante no Brasil. Em 2001 e 2002, diante de claros indícios de insolvência iminente das devedoras, a Impugnante reconheceu provisões exclusivamente contábeis para as contingências relacionadas aos referidos mútuos, para ajustar a situação patrimonial da empresa e dar satisfação aos acionistas da controladora da impugnante, que é empresa aberta no Japão. No Brasil, as despesas correspondentes as contrapartidas dos ajustes das provisões foram adicionadas para apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL (doc. 3), observando o artigo 9°, II, "c" e III, e artigo 28 da Lei n° 9.430/96, que impõem restrições à dedutibilidade dos créditos quando o valor excede determinado montante. Em 2003, para liquidar as posições creditícias irrecuperáveis, procedeu a acordos com uma das empresas devedoras e realizou a liquidação mediante transação que resultou em perdão parcial das dívidas. Em 31 de janeiro de 2004 a impugnante efetuou a baixa contábil dos mútuos e respectivas provisões. Em 2006, no âmbito do Mandado de Procedimento Fiscal n° 08.1.90.002005 009455, a autoridade fiscalizadora examinou os contratos de mútuo e aditivos, tendo declarado perfeitamente válidos e regulares os mencionados contratos e respectivas remessas. Contudo, em nova fiscalização, a autoridade fiscal ora recorrida alegou que as baixas dos mútuos consistiram em "pagamentos sem causa de operação não comprovada", sobre os quais seria devido o Imposto de Renda Retido na Fonte com base no art. 674, § 1°, do RIR199. Além de criar tributação do nada, foi lavrado termo de sujeição passiva solidária em nome de 13 pessoas físicas ali relacionadas, numa agressão aos mais elementares Fl. 2663DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 05/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digit almente em 06/05/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD 8 princípios assecuratórios do justo contraditório, sem indicar base legal e esclarecer a vinculação entre os fatos e as pessoas. Aduz a Recorrente que a CARISUL foi a empresa contratada pela impugnante para a execução do objeto da licitação vencida pela Impugnante no Uruguai, perante a ANTEL, para a qual foram necessários recursos, iniciados em 10 de outubro de 1996, até 4 de março de 2002 (fl. 792). Ocorre que o projeto, pautado na tecnologia Wireless Local Loop (WLL), não teve o crescimento esperado pela Recorrente, em função do crescimento do uso do celular, e chegouse a um ponto em que não fazia sentido investir mais dinheiro nesse sistema. Alega a Recorrente que buscou respaldo jurídico sobre a situação financeira da CARISUL e sobre a possibilidade de recuperação dos créditos perante a referida empresa. O parecer do Instituto Jurídico Herbert, Ramirez, Xavier de Mello e Aval, em Montevidéu, traz um resumo da situação financeira da CARISUL e conclui que a possibilidade de recuperação dos valores emprestados seriam praticamente nulas, sendo recomendável que a impugnante assumisse como perdas os recursos emprestados, principalmente porque qualquer ação judicial colocaria em risco a execução do contrato com a ANTEL. Informa que as provisões foram constituídas em 2001 e 2002, conforme demonstrativo às fls. 794, e não foram deduzidas para fins fiscais, bem como que a análise dos livros fiscais da CARISUL à época comprovaria a perda dos recursos tomados como mútuo em suas atividades operacionais e, após obter aprovação da controladora, a Recorrente resolveu baixar definitivamente o mútuo efetuado com a CARISUL. Explica ainda a Recorrente que a NOVELLTECH é uma empresa constituída nas Ilhas Virgens Britânicas, desde 10 de novembro de 1995, na qual a Recorrente, embora tenha ações, não as integralizou. A Recorrente entregou à fiscalização, em 9 de dezembro de 2006, dois contratos de mútuo celebrados em 1999 e 2000, que alega estranhamente não terem sido juntados e nem considerados pela fiscalização, mas que foram apresentados na defesa. Por tais documentos se evidencia que, em 01/09/1999, a Recorrente emprestou à NOVELLTECH US$ 52 milhões com vencimento em 30/09/2005 e em 27/07/2000, US$ 10 milhões com vencimento em 27/7/2002 (fl. 796). A Recorrente firmou o "Investment Agreement" por meio do qual manifestou a intenção de investir no Flutel, um fundo de longo prazo de investimentos em ativos de baixíssima liquidez, ligados à área de telecomunicações. Para tanto, recebeu empréstimo da Warp Investments, Inc. ("Warp") de R$ 50 milhões, que investiu no Flutel e se comprometeu a transferir o investimento a quem a Recorrente indicasse até 3/11/1999, que foi a Novelltech. Justifica a Recorrente que, com o fim da chamada "bolha do mercado de equipamentos de telecomunicações", a partir de 2001, passou a sofrer pressão de sua controladora para o resgate antecipado do investimento pela NOVELLTECH. Como a repercussão da desvalorização do investimento indicava a clara insolvência da NOVELLTECH, a impugnante constituiu provisões para a respectiva contingência (fl. 797). Porém, dado o insucesso provável do investimento, a NOVELLTECH conseguiu resgatar as cotas do Flutel em valor de cerca de apenas US$10 milhões, montante Fl. 2664DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 05/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digit almente em 06/05/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 19515.006149/200977 Acórdão n.º 2201001.836 S2C2T1 Fl. 2.661 9 que devolveu à impugnante em setembro de 2003, que à época atingiu o montante em reais de R$ 29.609.988,85, conforme comprovam os documentos juntados. Esclarece ainda a Recorrente que com a liquidação da NOVELLTECH, em 30 de outubro de 2003, não teve alternativa, a não ser baixar a provisão para perda efetuada e reconhecer a perda como definitiva em 31 de janeiro de 2004. Além de tais esclarecimentos fáticos, alega a Recorrente que o lançamento fiscal padece de vícios quanto à data da ocorrência do fato gerador. No seu entendimento, o instituto da remissão não pode ser equiparado a "pagamento", para fins de incidência de tributo previsto no §10 do artigo 61 da Lei n° 8.981/95, tal como pretendeu a autoridade autuante. A autoridade fiscal sustenta que a entrega dos recursos às mutuárias por ocasião das remessas não representou acréscimo patrimonial a estas, sendo verificada a ocorrência do fato gerador em momento posterior, quando do crédito na conta de mútuos a receber, sem o devido pagamento pelos mutuários, uma vez que a remissão que o motivou significaria pagamento. Argumentou que a "liberação graciosa, sem causa" das obrigações das mutuárias, ou seja, a remissão, é que provocou um acréscimo patrimonial das mutuárias. Contudo, na interpretação da Recorrente esse entendimento é absolutamente incompatível com o § 1° do artigo 61 da lei 8981/95, que foi utilizado para caracterização da infração, e com o artigo 109 do Código Tributário Nacional, que estabelece: "os princípios gerais do direito privado utilizamse para pesquisa da definição, do conteúdo e do alcance de seus institutos, conceitos e formas, mas não para definição dos respectivos efeitos tributários". Aduz que a cobrança de tributo sem a expressa equiparação legal dos institutos do pagamento e da remissão afronta o princípio da legalidade na seara fiscal, consagrado no artigo 97 do Código Tributário Nacional. Alega também que o Sr. Agente fiscal não demonstrou a ocorrência de pagamento, por duas razões: de fato, não houve pagamento; e ainda que tivesse havido pagamento, não teria sido efetuado pela Impugnante mas, evidentemente, pelas mutuárias, o que afastaria a aplicação do IRRF que recai sobre a fonte pagadora. Menciona ainda que, mesmo que a autoridade fiscal tenha equiparado a remissão, não ao "pagamento", mas à "entrega de recursos", a autuação não prosperaria eis que qualquer acepção atribuída ao termo "entregar" pelos mais consagrados dicionários da língua portuguesa não se confunde com o conceito de remissão. A Recorrente também aduz que o crédito tributário estaria decaído em razão da ocorrência do transcurso do prazo previsto pelo art. 150, §4º do CTN, dado ter transcorrido mais de 5 anos entre o fato gerador 31/01/2004 e o lançamento tributário ocorrido em 18/12/2009. Defende a Recorrente que os pagamentos têm beneficiários conhecidos e tem causas justificadas e comprovadas. Além disso, a remissão da dívida teria ocorrido em um contexto comprovado de insolvência das devedoras, não podendo a impugnante ser onerada fiscalmente por ter efetuado operações de empréstimo mal sucedidas. Fl. 2665DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 05/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digit almente em 06/05/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD 10 Justifica que o segundo empréstimo efetuado à CARISUL, após a constituição da provisão para perdas, ocorreu em razão de ser a Recorrente coresponsável pela execução do contrato licitado, cujo inadimplemento a sujeitaria a sanções por parte da ANTEL. Já com relação à NOVELLTECH, a Recorrente aduz que nunca negou e nem teve a intenção de ocultar a participação na NOVELLTECH (item 145, fl. 817), tanto que no contrato de câmbio para envio dos recursos foi informado que remessa estaria sendo feita em favor de subsidiária. A informação prestada à fiscalização de que as mutuárias não eram ligadas se referiam ao momento do questionamento, quando a NOVELLTECH não mais existia. Não registrou a subscrição do capital na constituição da empresa, em 1995, de acordo com o artigo 183 da Lei n°6.404/76, que traz a regra geral de contabilização de participações societárias pelo valor de custo. Além disso, na DCBE, a impugnante informou não se tratar de Intercompanhia porque a contabilização não registrou como investimento a participação societária, para evitar quaisquer questionamentos (fl. 817). Ressalta que não é verdade que não tinha conhecimento sobre os investimentos feitos pela NOVELLTECH, apenas não tinha como avaliar esses investimentos, por não ser sua área de especialidade. As cartas e documentações de dissolução da mutuária, a fls. 490/491 e 625/631, tradução a fls. 620/624, demonstrariam as pequenas chances de recuperação do empréstimo. Informa que, à época das remessas em questão, era necessário apenas o registro das remessas, inexistindo regulamentação que exigisse o registro dos respectivos contratos no Bacen. A Circular n° 32.027/01, cujos efeitos iniciaramse em 01/03/2001, antes das remessas, com exceção da última remessa CARISUL, tratam da tomada de recursos do exterior, e não de remessas de empréstimos ao exterior. No seu entendimento, a Recorrente esclareceu as constatações que segundo a fiscalização demonstrariam a ocorrência de simulação: a) o contrato de mútuo foi assinado antes da formalização da subcontratação e da cessão de créditos, mas tudo já havia sido acordado entre as partes; b) os administradores da Recorrente também administravam a CARISUL, o que é normal pois a Recorrente permaneceu responsável perante a ANTEL; e c) houve disponibilização de recursos à CARISUL mesmo após a constituição da provisão para perdas em função da coresponsabilidade da Recorrente. Já com relação à NOVELLTECH, a fiscalização entende ter ocorrido simulação por não terem sido apresentados documentos como o comprovante de transferência internacional de reais, os contratos de mútuos, a escrituração da constituição da empresa e a comprovação de em quais investimentos foram aplicados os numerários enviados por conta do mútuo. Alega que se nada foi escondido, ou seja, não houve mútuos, tampouco perdas, tal como afirmou a autoridade autuante ao caracterizar os eventos como "simulação absoluta", não há o que tributar. Os prejuízos decorrentes das baixas das provisões teriam sido verdadeiros, tanto que a controladora da Impugnante teve que remeter recursos ao Brasil sob a forma de aumento de capital desta para garantir a continuidade de suas atividades. Por fim a Recorrente ainda alega que não merece prosperar a duplicação da multa de ofício pois, não sendo caso de evidente intuito de fraude tal como definido nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64, vai de encontro à Súmula 14 do 1° CARF: "A simples apuração Fl. 2666DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 05/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digit almente em 06/05/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 19515.006149/200977 Acórdão n.º 2201001.836 S2C2T1 Fl. 2.662 11 de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de oficio, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo". DA IMPUGNAÇÃO DOS RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS. Os responsáveis solidários apresentaram individualmente suas impugnações que foram acostadas ao processo, conforme relação a seguir: 1. Himori Furumoto, fls.1320/1355, acompanhado dos documentos listados as fls. 1356 e acostados aos autos as fls.1357/1404 dos Volumes VII e VIII; 2. Paulo Gomes Castelo Branco, fls.1405/1451, acompanhado dos documentos listados as fls. 1452 e acostados aos autos as fls.1453/1495 dos Volumes VIII; 3. Yokhi Watanabe, fls.1496/1528, acompanhado dos documentos listados as fls. 1529 e acostados aos autos as fls.1530/1546 dos Volumes VIII; 4. Kazuo Ishizaki , fls.1547/1578, acompanhado dos documentos de fls.1579/1588; 5. Horácio You Mizumoto, fls.1589/1622, acompanhada dos documentos de fls.1623/1634; Volume VIII e IX; 6. Décio Camões Leal, fls.1635/1668, acompanhada dos documentos de fls.1669/1745; Volume IX; 7. Akio Sakata, fls.1746/1777, acompanhada dos documentos fls.1778/1787, Volume IX 8. Sérvio Túlio Prado, 1788/1820, acompanhada dos documentos fls.1821/1859; Volume IX 9. Edgard Maestrini, fls.1860/1895, acompanhada dos documentos fls.1896/1899; Volume IX 10. William Nolasco Barreto, fls.1900/1934, acompanhada dos documentos fls.1935/1949; Volume IX 11. Renato Ishikawa. Fls.1950/1980, acompanhada dos documentos de fls. 1981/2047 Volume X e XI; 12. Laerte Garcia Nogueira, fls.2048/2081, acompanhada dos documentos de fls.2082/2088; 13. Gilberto Geraldo Garbi, fls.2089/2122, acompanhada dos documentos de fls. 2123/2159. DA DECISÃO DA DRJ Após analisar a matéria, os Membros da 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo, acordaram, por maioria de votos, em julgar procedente em parte o lançamento, nos termos do Acórdão DRJ/SP1 n° 1625.759, de 22 de junho de Fl. 2667DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 05/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digit almente em 06/05/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD 12 2010, fls.2.164/2196 (vol.XI) para afastar a responsabilização solidária dos administradores da empresa e desqualificar a multa, em decisão assim ementada: “PAGAMENTO OU ENTREGA DE RECURSOS SEM CAUSA OU DE OPERAÇÃO NÃO COMPROVADA. A remissão de mútuos configura efetiva entrega de recursos ao mutuário, e, na ausência de causa compatível com as atividades negociais da empresa, sujeitase à incidência do imposto na fonte, nos termos do § 1° do artigo 61 da Lei n° 8981/95. IRF. DECADÊNCIA DO LANÇAMENTO. 0 prazo para a constituição de oficio do IRF iniciase no primeiro dia do ano seguinte Aquele em que poderia ser efetuado o lançamento, nos termos do inciso I do artigo 173, do Código Tributário Nacional. SIMULAÇÃO. DUPLICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO. Não configurado intuito doloso de modificar as características essenciais do fato gerador do tributo, mediante simulação de negócio jurídico, não cabe a duplicação da multa de oficio aplicada. RESPONSÁVEIS TRIBUTÁRIOS. DECADÊNCIA. REQUISITOS. O responsável tributário é sujeito passivo de uma relação jurídica tributária autônoma, de modo que os administradores são formalmente incluídos no pólo passivo da obrigação tributária com a ciência pessoal do Termo de Sujeição Passiva Solidária e do Auto de Infração. Se a ciência ocorre após exaurido o prazo decadencial para constituição do imposto, considerase decaído o lançamento em relação aos administradores. A responsabilização solidária dos administradores da empresa no próprio Auto de Infração mostrase condicionada à comprovação de ilicitude da conduta do administrador e sua participação na ocorrência do fato gerador tributário, que são requisitos necessários à constrição patrimonial dos administradores. Impugnação Procedente em Parte.” Essa decisão restou embasada nas seguintes conclusões: com relação à existência de fiscalização anterior, que analisou as operações de mútuo e que concluiu pela legalidade e lisura de tais operações, em nada alteraria ou impediria o novo lançamento tributário, dado que, naquele momento, se analisou os contratos de mútuo e não as operações de baixa das provisões, não havendo qualquer inconsistência nas conclusões; o lançamento não estaria decadente, dado que deve ser aplicado ao caso o art. 173, I do CTN, pois a Recorrente não teria feito qualquer antecipação do IRRF, elemento imprescindível para justificar a aplicação do art. 150, § 4º do CTN, conforme entendimento do STF. Nesse sentido, a fiscalização disporia até o dia 01/01/2010 para efetuar o lançamento; a ocorrência do fato gerador mediante a baixa das provisões estaria em acordo com a legislação do caso, pois na remessa dos valores do mútuo teria ocorrido apenas a Fl. 2668DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 05/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digit almente em 06/05/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 19515.006149/200977 Acórdão n.º 2201001.836 S2C2T1 Fl. 2.663 13 disponibilização financeira dos ativos, mas com a baixa dos mútuos a disponibilização se tornaria jurídica, momento então da ocorrência do acréscimo patrimonial, o que justificaria a ocorrência do fato gerador em 31/01/2004; apesar de haver motivos que dessem causa à baixa dos mútuos da CARISUL, a opção por não adoção de medidas de cobrança dos valores e a realização do término das obras desabonariam a causa da baixa; com relação à NOVELLTECH, a mera liquidação da empresa e a rentabilidade abaixo do esperado não seriam causas justificáveis à baixa dos mútuos; no entendimento da DRJ não teriam sido comprovadas as reais causas das baixas; os elementos de prova dos autos não comportam a alegação de ocorrência de simulação nas operações de baixa dos mútuos, mas sim levantam questionamentos quanto às próprias operações de remessa, as quais são objeto da autuação fiscal. Dessa forma, não haveria elementos suficientes ao agravamento da multa moratória para 150%; com relação aos responsáveis solidários conclui a decisão da DRJ pela decadência em relação a 10 dos responsabilizados e pela insuficiência de provas da ilicitude das ações e vinculação deles aos fatos geradores. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Cientificada via postal dessa decisão, em 29/07/2010 (fls.2206 (verso) – Vol.XII), e com ela não se conformando, em 20/08/2010, interpôs Recurso Voluntário Tempestivo de fls.2250/2293 Vol. XII, acompanhado dos documentos de fls.839/896, no qual em síntese alega: Em Preliminar: 1. Da nulidade de nova fiscalização sobre os mesmos fatos Os mútuos em questão já haviam sido examinados por autoridades fiscais em procedimento fiscal anterior, que analisou os mesmos documentos apresentados no presente processo e entendeu perfeitamente válidos e regulares os mencionados contratos e as respectivas remessas. 2. Da decadência do lançamento lavado em 18/12/2009 Nos casos de tributação de fonte e, portanto, no caso do §1° do artigo 674 do RIR/99 cuja base legal é o §1° do artigo 61 da Lei 8.981/95, a decadência se rege pelo artigo 150, §4o do Código Tributário Nacional ("CTN"), de maneira que, se o suposto fato gerador do IRRF ocorreu em 31 de janeiro de 2004; o lançamento, para ser considerado válido, deveria ter ocorrido em até 5 (cinco) anos contados deste fato gerador, ou seja, até 31 de janeiro de 2009. As causas do não recebimento estavam perfeitamente consubstanciadas e relacionadas a fatos ocorridos muito anteriores a baixa contábil dos saldos e respectivas provisões para perda, essas sim ocorridas em 2004, única e exclusivamente porque foi nesse Fl. 2669DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 05/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digit almente em 06/05/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD 14 ano que a administração da Recorrente no Brasil concluiu os procedimentos de governança interna para remover definitivamente de suas demonstrações financeiras os registros dessas infrutíferas atividades internacionais. Por suposição, ainda que se admita o prazo decadencial previsto no artigo 173, I; do CTN, se tivesse, ocorrido o suposto fato gerador ("remissão"), a sua ocorrência não pode ser atribuída ao dia 31/01/2004 no caso da NOVELLTECH, data do registro contábil das baixas dos mútuos, mas deve ser considerado dia 30/09/2003, data do Contrato de Encerramento de Mútuos. Como se infere do posicionamento da i. julgadora Silvia Mitsu D'Avola, vencida no v.acórdão recorrido a única hipótese em que se pode vislumbrar a ocorrência do referido IRRF é na data da remessa dos valores às mutantes, que poderia se traduzir em pagamento ou remessa. As remessas ocorreram no período compreendido entre 10/10/1996, data da primeira remessa enviada à CARISUL e 27/07/2007, última remessada efetuada a Novelltech. 3. Do erro quanto à data do fato gerador do IRRF – Remissão não configura “pagamento ou entrega de recursos” A remissão ou o perdão das dívidas não configura pagamento ou entrega de recursos fato gerador do IRRF Previsto no §1° do artigo 674 do RIR/99 (ou sua base legal, o §1o do artigo 61 da Lei 8.981/95). O §1° do artigo 674 do RIR199 se refere exclusivamente aos termos equivalentes, "pagamentos efetuados ou recursos entregues", e apenas nessa hipótese há fato gerador do IRRF em questão, o que não se verifica nas demais situações de potencial acréscimo patrimonial. 3.1. Do erro quanto à data do fato gerador do IRRF – Crédito contábil não significa remissão Ainda que se considere que o fato gerador do IRRF ocorreu quando da remissão dos mútuos — o que se cogita apenas para argumentar — a Recorrente, sustentou em sua defesa que a remissão se configura no momento em que credor e devedor concordam com o perdão da dívida, momento este, que pode ou não coincidir com a data do registro contábil da operação. Não há fundamento que sustente o entendimento de que a remissão ocorreu somente no evento da baixa contábil dos mútuos, principalmente quando há suporte documental hábil e idôneo que identifique, como o Contrato de Encerramento de Mútuos, assinado em 30/09/2003 e a extinção da NOVELLTECH na data de 31/10/2003, 3 (três) meses antes da baixa contábil. 4. No mérito, afirma que houve regularidade da baixa dos mútuos, bem como que os pagamentos indicaram os beneficiários e tem causa comprovada. Argumenta ainda que o “acórdão recorrido confunde a exigência de "causa" para o pagamento com a exigência de usualidade, normalidade e necessidade da despesa.” A despesa das baixas dos mútuos foi devidamente adicionada para efeitos de apuração do lucro real e a base de cálculo da CSLL (doc. 35 da Impugnação). Fl. 2670DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 05/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digit almente em 06/05/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 19515.006149/200977 Acórdão n.º 2201001.836 S2C2T1 Fl. 2.664 15 Por fim, requer a inaplicabilidade da multa ofício. DAS CONTRARAZÕES A Fazenda Nacional, através da PGFN, apresentou suas ContraRazões (fls.2307/2318Vol.XII), através da qual requer que seja negado provimento ao recurso voluntário, pela seguinte conclusão: “Resta patente nos autos que o contribuinte não comprovou a causa da entrega definitiva e graciosa dos recursos em questão às empresas sediadas no exterior, razão pela qual deve ser mantida a exigência constante do auto de infração.” O processo numerado até às fls.2318 (última) e dividido em XII (doze) volumes foi digitalizado e distribuído a esta Conselheira. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Rayana Alves de Oliveira França Relatora Dois são os recursos postos à análise dessa Câmara: de ofício e voluntário. Conheço de ambos, pois presentes os seus respectivos pressupostos de admissibilidade, já considerando, inclusive, o limite de alçada de R$ 1.000.000,00 (de imposto e multa), fixado pela Portaria MF nº 03, de 03.01.2008, para o recurso de ofício (valor da multa dispensada em primeira instância no montante de R$98.885.299,18). DO RECURSO DE OFÍCIO Em face da exclusão da responsabilidade imputada e da redução da multa qualificada, a autoridade julgadora de primeira instância recorreu de ofício de sua decisão por ter sido exonerado crédito tributário em valor superior ao limite de alçada. As razões de decidir da decisão recorrida podem ser depreendidas dos seguintes enxertos: Da simulação. Multa qualificada. 83. Importa esclarecer que, diferentemente da verificação sobre a incidência do IRF sobre a baixa dos mútuos, que demandou análise particularizada sobre o evento da baixa, no caso da simulação, é indispensável analisar a regularidade também dos atos negociais que foram objeto de baixa, quais sejam, os empréstimos, que não necessários para se possa extrair a real intenção da contribuinte. Fl. 2671DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 05/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digit almente em 06/05/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD 16 84. Com efeito, todos os eventos relacionados — mútuos, provisão para perdas e remissão — teriam que ser avaliados para verificar se houve discrepância entre a vontade querida pelo agente e os atos por ele praticados para exteriorização dessa vontade, o que configura o ato simulado. 85. A aplicação da multa qualificada no presente lançamento resultou da constatação fiscal de que houve a intenção da criação de elementos que pudessem, em determinado momento, dar guarida a efetiva transferência dos recursos sem o devido pagamento de impostos. 86. Segundo a autoridade fiscal, as evidências de que ocorreu simulação no caso da CARISUL foram: (1) o mútuo foi celebrado antes mesmo do subcontrato de serviços de telefonia e da cessão de créditos que o teriam motivado; (2) os próprios administradores da NEC administravam a CARISUL; (3) houve disponibilização de recursos após a constituição da Provisão para Perdas; (4) não foram apresentados balanço da CARISUL, providências judiciais ou extrajudiciais ou qualquer medida acauteladora. 87. Dos quatro aspectos que comprovariam a ocorrência de simulação, segundo a autoridade fiscal, observase que somente o último elencado, referente não adoção de providências judiciais ou extrajudiciais para recuperação dos mútuos, realmente é relevante para caracterizar a ocorrência do fato gerador do imposto de renda retido na fonte sobre entrega de recursos sem causa. Os demais aspectos apresentam relevância para eventual configuração de pagamento sem causa ocorrida no momento das remessas dos numerários, conforme esclarecido anteriormente. 88. Quanto aos eventos relacionados à remissão dos mútuos NOVELLTECH, a autoridade fiscal entendeu que a contribuinte não apresentou documentoscomprobat6rios do mútuo que revestiu as remessas de numerário efetuadas àquela empresa sediada nas Ilhas Virgens Britânicas. 89. A despeito dos indícios de que as remessas ao exterior não foram, de ato, efetuadas a titulo de empréstimo, mas por outras razões não reveladas pela contribuinte, cabe repisar que eventual constatação de que os atos negociais de mútuo apresentaram vícios de vontade, porque instrumentos de simulação, configuraria fundamentação para lançamento de oficio de imposto retido na fonte sobre as remessas de numerário. 90. Mas isso não significa que o fato de ter a autoridade fiscal nesse processo vislumbrado vicio de vontade nos atos negociais dos mútuos apontaria para ocorrência do fato gerador no momento das remessas e não no momento da remissão dos mútuos que revestiram tais remessas. 91. Conforme explanado anterior, no item destacado para análise dos efeitos da fiscalização anterior, que foi direcionada à verificação dos mútuos entre pessoas jurídicas ligadas, efetuadas até o anocalendário de 2002, a autoridade fiscal daquele feito concluiu que as remessas efetuadas a titulo de mútuo com as Fl. 2672DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 05/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digit almente em 06/05/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 19515.006149/200977 Acórdão n.º 2201001.836 S2C2T1 Fl. 2.665 17 empresas CARISUL e NOVELLTECH não apresentaram irregularidades que pudessem determinar lançamento de tributo ou contribuição até o anocalendário de 2002. 92. A distinção de campo temporal de incidência tributária entre as ações fiscais confrontadas revelaram a sua conciliação; já a avaliação dos mútuos quanto a existência de elementos de simulação nessa autuação não se compatibiliza com a verificação fiscal anterior. 93. Isso porque a verificação de que se configurou transferência de recursos as mutuárias no evento da baixa dos mútuos está condicionada à não descaracterização dos atos negociais que revestiram as disponibilizações financeiras ocorridas no momento das remessas de numerário ao exterior. 94. A constatação de que teria havido simulação no conjunto de atos negociais, que inclui os empréstimos efetuados até 2002, mostrase incompatível não somente com as verificações efetuadas pela autoridade fiscal do feito fiscal anterior, mas com a própria caracterização do fato gerador do crédito tributário constituído nos autos. 95. De tal forma, entendo que não houve simulação de atos que determine qualificação de multa de oficio na constituição do fato gerador desse lançamento, na forma do § 1° do artigo 44 da Lei n° 9.430/96, devendo a multa de oficio aplicada ser reduzida ao patamar de 75%, tal como prevista no inciso I do referido dispositivo legal. Da sujeição solidária dos administradores. Decadência. 96. Respaldou a imputação de responsabilidade solidária com base no artigo 124 do CTN a constatação da autoridade fiscal no sentido de que os eventos analisados (mútuos, remessas, provisões e baixas) evidenciariam uma verdadeira simulação, promovida pelos apontados administradores em descumprimento a seus deveres e responsabilidades legais, e que teria afetado os elementos constitutivos da obrigação tributária inadimplidas. 97. Em face dos Termos de Sujeição Passiva Solidária enviados aos dirigentes listados no Termo de Verificação Fiscal que integrou o Auto de Infração, cujas ciências ocorreram em datas variadas, de 22 de dezembro de 2009 a 07 de janeiro de 2010, foram apresentadas impugnações individuais tempestivas de cada um dos responsabilizados, para afastar a constatação de que seriam aqueles responsáveis solidários pelo pagamento do tributo exigido e, além disso, para sustentar a improcedência da constituição de oficio do crédito tributário. 98. Ao eleger no momento e por conta da constituição do crédito tributário as pessoas físicas que teriam responsabilidade solidária pelo pagamento do tributo exigido, permitese que num futuro processo de execução a pretensão fazendária se volte Fl. 2673DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 05/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digit almente em 06/05/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD 18 diretamente a essas pessoas, vez que a autoria pessoal de ato ilícito tributário, que determina a sujeição solidária do administrador, já teria sido submetida ao processo de conhecimento no âmbito administrativo. 99. Essa prévia eleição dos responsáveis também poupa a execução fiscal da típica utilização do redirecionamento, pelo qual a execução, havendo dificuldade ou impossibilidade de se alcançar o patrimônio da contribuinte pessoa jurídica, é redirecionada aos responsáveis tributários não previamente identificados no titulo executivo. 100. Independentemente da forma e oportunidade em que essa responsabilidade é invocada, se no próprio lançamento ou se no curso da execução, a lei atribui ao responsável tributário a condição de sujeito passivo da obrigação tributária, tal qual ao contribuinte, conforme previsto no artigo 121 do CTN: Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. 0 sujeito passivo da obrigação principal dizse: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. 101. Observase que a relação jurídica tributária do responsável com o tributo, nessa hipótese de sua original identificação no lançamento, apresenta autonomia em face da relação jurídica tributária observada entre o contribuinte e o tributo, e se concretiza com a ciência do termo que o indica como responsável. 102. No caso em apreço, os Termos de Sujeição Passiva foram elaborados destacadamente do Auto de Infração, cuja ciência pela empresa deuse em 18/12/2009, dentro do prazo decadencial previsto no artigo 173, I, consoante já esclarecido. Com a ciência da empresa, assinada por procurador habilitado da empresa, embora o Termo de Constatação Fiscal contivesse a identificação das pessoas incluídas no polo passivo da obrigação tributária por responsabilização solidária, a inclusão dessas pessoas como partes no processo administrativo não se configurou, ainda não se podendo cogitar do inicio do prazo para apresentação de suas defesas. 103. Destacase que a circunstância de que a justificação da sujeição tributária, ou seja, a ilicitude dos atos cometidos pelos administradores, estaria plenamente apresentada já no lançamento de que a contribuinte pessoa jurídica tomou ciência em 18/12/2009, não permite afirmar que o prazo de decadência teria sido interrompido também para os administradores Fl. 2674DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 05/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digit almente em 06/05/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 19515.006149/200977 Acórdão n.º 2201001.836 S2C2T1 Fl. 2.666 19 responsabilizados, dando inicio ao prazo prescricional a todos incluídos no pólo passivo da obrigação tributária. 104. Destarte, a interrupção do prazo decadencial para constituição do crédito tributário em face do contribuinte e dos responsáveis tributários, ambos sujeitos passivos, ocorre em momentos independentes, coincidentes em data ou não. No caso em comento, as datas não foram coincidentes. 105. As ciências dos Termos de Sujeição Passiva dos Senhores Hiromi Furumoto (fl. 664), Paulo Gomes Castelo Branco (fls. 1457), Horácio You Mizumoto (fl. 680),Décio Camões Leal (fl. 684), Sérvio Túlio Prado (fl. 692), Edgard Maestrini (fl. 2161),William Nolasco Barreto (fl. 700), Renato Ishikawa (fl. 704), Laerte Garcia Nogueira (fl. 708) e Gilberto Geraldo Garbi (fl. 712) ocorreram somente em 07/01/2010, data em que se pode considerar formalizada a relação jurídica tributária entre o Fisco (sujeito ativo) e os responsáveis tributários (sujeito passivo) e a partir da qual iniciouse o prazo processual de trinta dias que oportunizou a efetivada apresentação das impugnações desses responsabilizados. 106. Tendo o crédito tributário exigido ocorrido em 31/01/2004, o prazo decadencial para sua constituição se iniciou em 1° de janeiro de 2004 e se exauriu em 1° de janeiro de 2010, antes, portanto, da cientificação dessas dez pessoas físicas solidariamente responsabilizadas pela autoridade fiscal. 107. Logo, cumpre verificar que a responsabilização tributária dos administradores da contribuinte que tomaram ciência dos aduzidos Termos de Sujeição após exaurido o prazo decadencial não é mais possível nessa fase de conhecimento, sem prejuízo de eventual redirecionamento promovido pela Fazenda Pública em fase executiva. 108. Em relação aos Senhores Yoichi Watanabe (fl. 672), Kazuo Ishizaki (fl. 676) e Akio Sakata (fl. 688), as ciências dos Termos de Sujeição Passiva ocorreram respectivamente em 23/12/2009, 24/12/2009 e 24/12/2009 e, embora não esteja a autuação viciada pelo aspecto da decadência, observo que a responsabilização imputada não se configurou nos autos. 109. Conforme Parecer PGFN/CRJ/CAT n° 55/2009, a sujeição dos responsáveis tributários é solidária, e tem como fundamento a realização de ato ilícito por parte do responsável. Se os responsáveis tributários já estiverem indicados na Certidão da Divida Ativa, emitida após tornarse definitivo e imutável o crédito tributário constituído mediante lançamento administrativo, considerase que há liquidez e certeza em relação não somente ao contribuinte, mas em relação a esses responsáveis. Ou seja, considerase que no processo administrativo fiscal a ilicitude do ato do responsável foi definitivamente configurada. 110. Com efeito, a responsabilização solidária dos administradores da empresa no próprio Auto de Infração Fl. 2675DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 05/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digit almente em 06/05/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD 20 mostrase condicionada à comprovação de ilicitude da conduta do administrador e sua participação na ocorrência do fato gerador tributário aos requisitos necessários à constrição patrimonial dos administradores. 111. Outrossim, para que os responsáveis possam constar de Certidão da Divida Ativa original, não basta a mera identificação dos mesmos, ou mesmo o apontamento genérico das causas de sua responsabilidade, as quais devem ser individualizadas. A imputação de conduta ilícita deve ser especifica e individual, sendo inadmissível a responsabilização solidária pelo s6 fato de aqueles administradores terem exercido poderes de gerência nos períodos envolvidos. 112. No caso, os treze "Termos de Sujeição Passiva Solidária" foram enviados com contexto idêntico e sucinto, nesses exatos termos: "No exercício das funções de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, em Auditoria Fiscal realizada em obediência ao MPF eni epígrafe, que o Sujeito Passivo deixou de reter o IMPOSTO DE RENDA NA FONTE previsto na Lei n° 8.981, de 1995, art. 61 e art. 674, § 1°, do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto 3.000/99 no anocalendário de 2004. Ante o exposto, restou caracterizada a sujeição passiva solidária nos termos do art. 124 da Lei n° 5.172, de 1996 (Código Tributário Nacional). Fica o sujeito passivo solidário mencionado CIENTIFICADO da exigência tributária de que trata o Auto de Infração lavrado, em 18/dez/2009, relativamente ao tributo acima citado, contra o Sujeito Passivo — NEC DO BRASIL S/A cujas c"pias, juntamente com o presente Termo são entregues neste ato." 113. Não constou dos referidos termos de sujeição os elementos necessários à inclusão dos responsabilizados no pólo passivo da obrigação tributária, quais sejam, a especificação e a individualização de qual ato ou atos cometidos por cada um dos treze responsabilizados que teriam configurado conduta ilícita e concorrido para a ocorrência do fato gerador da exação, tal como observado no caso presente. 114. Nem se admita que todos os responsabilizados teriam cometidos atos ilícitos em todos os eventos, visto que os períodos de atuação nos negócios da contribuinte de cada um dos imputados não são coincidentes e nem todos abrangem todos os anos envolvidos. 115. Mesmo no Termo de Constatação Fiscal, no item "5.7. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDARIA", observase que a autoridade fiscal apenas noticiou que seriam lavrados os Termos de Sujeição Passiva Solidária dos responsabilizados ali identificados. 116. Com base nas verificações acima, impende concluir que o Auto de Infração é improcedente em relação a todos os sujeitos Fl. 2676DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 05/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digit almente em 06/05/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 19515.006149/200977 Acórdão n.º 2201001.836 S2C2T1 Fl. 2.667 21 que receberam Termo de Sujeição Passiva Solidária, seja por decadência, seja por falta de comprovação de ilicitude do ato do administrador e sua participação na ocorrência do fato gerador tributário, que poderiam determinar a sua constrição patrimonial.” No tocante à desqualificação da multa, da mesma forma que a decisão recorrida, entendo que os motivos apresentados, por si só, não são caracterizadores de evidente intuito de fraude, ensejador da aplicação da multa qualificada, prevista no artigo art. 44, II, da Lei n° 9.430/1996, o qual deve restar inequivocamente demonstrado e comprovado nos autos, o que não me parece ser o caso. Quanto à inclusão dos possíveis responsáveis solidários, ultrapassando a questão da decadência sustida já na decisão recorrida, cabe destacar que essa corte tem firmado entendimento de que a competência para análise da imputação de responsabilidade solidária é do órgão administrativo responsável pela execução fiscal, no caso a Procuradoria da Fazenda Nacional. Ademais, mesmo para aqueles que entendem que ela é possível quando da constituição do crédito tributário pela lavratura e tempestiva intimação do Auto de Infração, é indispensável individualizar e especificar a conduta ilícita, sendo inadmissível a responsabilização solidária pelo simples fato dos administradores terem exercido poderes de gerência nos períodos envolvidos. Ante ao todo exposto, nego provimento ao recurso de ofício. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Para deslinde da questão é imprescindível definirmos em qual momento se materializa o fato gerador do IRRF, incidente sobre as operações não comprovadas e pagamentos tidos como sem causa, com fundamento legal no artigo 61, da Lei nº 8.981/1995 e no Regulamento de Imposto de Renda – RIR/99, in verbis: “Seção II Pagamento a Beneficiário não Identificado Art. 674. Está sujeito à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61). § 1º A incidência prevista neste artigo aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, § 1º). § 2º Considerase vencido o imposto no dia do pagamento da referida importância (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, § 2º). Fl. 2677DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 05/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digit almente em 06/05/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD 22 § 3º O rendimento será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, § 3º).” São duas as opções apresentadas para definirmos o momento do fato gerador da exigência em questão: 1a) Conforme definido no auto de infração que determinou que o fato gerador ocorreu quando da remissão da divida, em janeiro de 2004.1 2a) No momento da efetiva entrega de numerários, ou seja da movimentação financeira. No entendimento da fiscalização, constatouse a incidência de IRRF sobre a entrega sem causa de recursos a terceiros, evidenciada pelas baixas de provisões para perdas em contratos de mútuos que foram efetuadas em sua escrituração contábil (livro diário) em 31/01/2004. Com base nesse entendimento, ao dar baixa na provisão para perdas, a Recorrente procedeu a uma remissão dos mútuos anteriormente contratados, e, com isso gerou um acréscimo patrimonial equivalente a um pagamento sem causa que pudesse justificar sua realização, o que geraria a incidência do disposto pelo § 1º do art., 61 da Lei nº 8.981/95 e a exigência do IRRF. A decisão de primeira instância ratificou o entendimento da autuante, no sentido de que a remissão equivale a pagamento/entrega de recursos, para fins de aplicação do artigo 61 da Lei nº 8.981/95, além de manifestar entendimento de que a “causa” prevista nesta norma corresponde a razões negociais/motivacionais, o que fez nos seguintes termos: 60. No tocante à possibilidade de se admitir o evento da remissão de obrigação, aperfeiçoada no caso pela baixa contábil dos mútuos celebrados com as empresas citadas nos autos fiscais, como espécie de “entrega de recursos” tal qual prevista no par 1º do artigo 61 da Lei 8.981/95, verificase que a hipótese concreta se subsume adequadamente à previsão legal. 61. Entender que a norma legal, ao se referir a pagamento, pretendeu restringir seu alcance à conduta de entregar numerário, é ignorar o texto contido no §1º, que prevê alternativamente, e portanto, distintamente, a conduta da “entrega de recursos”. 62. Conforme bem sustentado pela autoridade fiscal, ao perdoar uma dívida, temse configurado o efetivo acréscimo patrimonial, pois somente com esse evento o devedor desobriga se da quitação e pode dispor livremente dos recursos 1 “Assim, a liberação graciosa, sem causa, das obrigações das mutuárias foi determinante para a ocorrência do fato gerador previsto no Art. 61 da lei nº 8.981/95. O fato temporal ocorreu quando da REMISSÃO, concedida pela MUTUANTE, janeiro de 2004, provocando assim, um acréscimo patrimonial nas MUTUÁRIAS. Mais uma vez afirmamos a fiscalizada em nenhum momento comprovou a causa da REMISSÃO concedida às mutuarias. A remessa de numerários que no início só tinha o escopo financeiro, no momento da REMISSÃO se revestiu da aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica prevista no artigo 43 do CTN como determinante da ocorrência do fato gerador do imposto de renda, em combinação com o artigo 61 da Lei nº 8.981/95, EFETIVANDO A ENTREGA.”. (Termo de Constatação – IRRF, fls. 749, grifos no original). Fl. 2678DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 05/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digit almente em 06/05/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 19515.006149/200977 Acórdão n.º 2201001.836 S2C2T1 Fl. 2.668 23 financeiros recebidos. No momento em que a NEC escriturou a baixa de seu Ativo contra a Provisão anteriormente constituída nada mais fez que efetivar, naquele momento, a entrega de valor ao seu devedor. (...) 68. É a remissão, portanto, o evento cuja causa deve ser perquirida. 69. Ainda sem adentrar na questão de eventual caráter simulatório dos eventos envolvidos (mútuos, provisão para perdas e baixa dos mútuos por remissão), a remissão concedida sem motivos compatíveis com os objetivos da contribuinte não pode ser aceita, porque evidencia uma disponibilização econômica por mera liberalidade da empresa. Liberalidade esta que pode e deve ser exercida, mas, se incompatível com as atividades normais da pessoa jurídica, caracteriza uma disponibilização sujeita à incidência do imposto retido na fonte, previsto no §1º do artigo 61 da Lei nº 8.981/95 Pois bem, desde a decisão não unânime de primeira instância, foi dado legitimidade ao entendimento empossado pela recorrente de que “o fato gerador do tributo, se ilícito houve, teria ocorrido na efetiva remessa de numerário ao exterior e que, mesmo se assim não fosse, não estaria caracterizada a ausência de causa na remissão dos contratos de mútuo”, nos termos do voto vencido da auditorafiscal da RFB Silvia Mitsu D’Avola, que deu provimento integral à impugnação. Neste caso, o lançamento foi calcado na remissão de dívida equiparada pela autoridade lançadora a pagamento/entrega sem causa para fins de aplicação do artigo 61 da Lei nº 8.981/95. Cabe destacar que, no momento da baixa das provisões contábeis, não houve qualquer pagamento ou movimentação de recursos que pudesse justificar a incidência do referido dispositivo legal no qual se baseou a autuação fiscal. O art. 114 do CTN determina que “fato gerador da obrigação principal é a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência”. E a lei foi claríssima ao determinar qual era a situação necessária e suficiente à sua ocorrência, qual seja, o pagamento ou a entrega física de recursos. O pagamento e remissão são institutos de Direito Privado diversos, com disciplina específica e distinta na legislação civil, excludentes entre si e, ainda, produzindo efeitos práticos diversos. Pagamento consiste na forma mais comum de adimplemento das obrigações, mediante o qual, através do cumprimento da prestação que lhe caiba, o devedor é liberado da obrigação. Por outro lado, a remissão é o ato pelo qual o credor perdoa a dívida, liberando o devedor do cumprimento de sua obrigação. Para o Doutrinador Silvio de Salvo Venosa: “ocorre remissão de uma dívida quando o credor libera o devedor, no todo ou em parte, sem receber pagamento. (...) Aqui, na remissão, não há cumprimento da obrigação. O pagamento sempre pressupõe o adimplemento da obrigação. (...). Portanto, não há pagamento quando ocorre remissão de dívida.” Fl. 2679DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 05/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digit almente em 06/05/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD 24 (VENOSA, Silvio de Salvo. Direito Civil Teoria Geral das Obrigações e Teoria Geral dos Contratos, v.. II. 9 ed. São Paulo: Atlas, 2009; p. 293) A própria lei define que a exigência em questão trata de uma incidência exclusiva, cujo fato gerador se materializa no momento do pagamento não justificado (no sentido de saída de numerário, transferência de recursos de seu patrimônio), sendo, inclusive, o imposto considerado devido nesse mesmo momento, reforçando e confirmando assim, que o fato gerador é instantâneo e exclusivo. Ou seja, nem mesmo está sujeito ao ajuste na declaração de rendimentos anual. Pela natureza desse tributo, o que deve ser considerado é, única e exclusivamente, o seu fato gerador, que é o pagamento sem causa ou a operação não comprovada. Nesse sentido, destaquese o entendimento majoritário proferido no Acórdão nº 106138.454 de 12/06/2006, cujo Redator Designado foi o nobre Conselheiro Dr. Remis Almeida Estol: “De acordo com este dispositivo legal, surge o fato gerador do imposto de renda na fonte com relação a pagamentos a beneficiários não identificados ou sem causa comprovada, no dia dos referidos pagamentos, sendo que o tributo é devido pela fonte pagadora, de forma exclusiva e definitiva. “Logo, tratase de tributação definitiva, cujo fato gerador ocorre na data do pagamento e, conseqüentemente, para o fato gerador ocorrido entre janeiro e março de 1998, o lançamento de oficio deveria ter sido efetuado até 5 anos contados do fato gerador.” Ressalto que, no meu entendimento, a tentativa da fiscalização em conjugar as disposições do art. 43 do CTN ao artigo 61 da Lei nº 8.981/95, para justificar que a remessa não era fato gerador por se tratar de mera disponibilidade financeira, e que só com a baixa da provisão teria ocorrido a disponibilidade jurídica, não altera em nada meu entendimento. Isso porque, para a incidência do artigo 61, não se discute se há disponibilidade econômica ou jurídica no momento do pagamento ou da entrega dos recursos, e nem mesmo se há acréscimo patrimonial efetivo ou não, basta que ocorra o pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado. A lei não elegeu a propriedade definitiva do pagamento, nem mesmo condicionou a uma percepção de renda nova, pois tal artigo traz em si uma presunção de existência de tais elementos, dado que o artigo se dirige às situações excepcionais em que não se sabe quem recebeu ou se não se souber a causa do recebimento de tais valores. Assim, a aplicação desse artigo exige o mínimo elemento necessário à sua configuração, qual seja, o pagamento ou entrega de valores. E no caso em questão no momento da baixa da provisão contábil não foi entregue qualquer valor aos Mutuários, capaz de dar nascimento à incidência do art. 61 da Lei nº 8.981/95. A norma é clara, repisese, ao prever duas hipóteses autônomas que justificam a incidência do IRRF à alíquota de 35%: 1ª. Pagamentos a beneficiários não identificados; 2ª. Pagamentos sem causa ou cuja operação não for comprovada. A jurisprudência administrativa tem entendimento uníssono de que o fato gerador previsto no §1° do artigo 674 do RIR/1999, ou na sua base legal, o §1° do artigo 61 da Lei 8.981/95, ocorre no momento da entrega dos numerários ou movimentação física dos recursos, conforme ementadas dos acórdãos abaixo elencados: Fl. 2680DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 05/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digit almente em 06/05/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 19515.006149/200977 Acórdão n.º 2201001.836 S2C2T1 Fl. 2.669 25 "IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. PAGAMENTO SEM CAUSA Se, na hipótese retratada nos autos, os recursos tidos como Provenientes de omissão de receitas resultam de pagamentos feitos no exterior pelos destinatários finais dos produtos as controladas da contribuinte, não há que se falar em incidência de imposto de renda retido na fonte em razão de pagamento sem causa, vez que inexistente movimentação física de valores por parte da autuada. (...)" (Acórdão nº 10517.083 de 25/06/2008) "DECADÊNCIA. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE PAGAMENTO SEM CAUSA. Em conformidade com as disposições contidas no parágrafo segundo do art. 61 da Lei n° 8.981, de 1995, no Caso de pagamento a beneficiário não identificado ou em que não for comprovada a operação ou a sua causa, o imposto de renda na fonte é considerado vencido no dia do pagamento da importância." (Acórdão nº 10517.017 de 28.05.2008) "PAGAMENTO SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. O Art. 61 da Lei no 8.981/95 traz uma 'presunção legal da existência de rendimentos, cujo fato indicicirio a ser provado Pelo fisco é a ocorrência de efetivo pagamento, cuja causa ou o beneficiário não é identificado. Nos casos em que a pessoa jurídica identifica beneficiário e causa, mas o fisco mostra que falsa a indicação, também cabe a aplicação da tributação na fonte, mas não se pode, nessa modalidade de tributação, presumir o pagamento, sem que haja efetiva e individualizada saída de recursos das contas do disponível" (Acórdão nº 10708.770 de 18/10/2006). "PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO PAGAMENTO EFETUADO SEM COMPROVAÇÃO DA OPERAÇÃO OU CAUSA ARTIGO 61 DA LEI N° 8.981/95 CARACTERIZAÇÃO A pessoa jurídica que efetuar pagamento a beneficiário não identificado ou não comprovar a operação ou a causa do pagamento efetuado ou recurso entregue a terceiros ou sócios, acionistas ou titular contabilizados ou não, bem como não comprovar, o pagamento do preço respectivo e o recebimento , dos bens, direitos ou mercadorias ou a 'utilização de serviços, referidos em documentas idôneos, sujeitarse à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, a titulo de pagamento a beneficiário não identificado ou pagamento sem causa. É condição para a incidência do imposto a demonstração da ocorrência do pagamento." (Acórdão nº 104 21.958 de 18/10/2006). Destaque ainda que, na fundamentação legal que deu suporte ao Auto de Infração, cita expressamente o artigo 685 do Regulamento do Imposto de Renda e o seu respectivo suporte legal (artigo 100 do DecretoLei nº 5.844/43) que dispõe: Art. 685. Os rendimentos, ganhos de capital e demais proventos pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos, por fonte situada no País, a pessoa física ou jurídica residente no exterior, estão sujeitos à incidência na fonte (DecretoLei nº Fl. 2681DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 05/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digit almente em 06/05/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD 26 5.844, de 1943, art. 100, Lei nº 3.470, de 1958, art. 77, Lei nº 9.249, de 1995, art. 23, e Lei nº 9.779, de 1999, arts. 7º e 8º): Nessa situação, o legislador equiparou diversas situações ao pagamento (pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos), diferentemente da posição adotada na aplicação do art. 61 da Lei nº 8.981/95. Efetivamente quando da remissão da dívida por parte da recorrida poderia ter ensejado o lançamento redução do lucro líquido. Ocorre que no presente caso, conforme inclusive enfatizado no próprio lançamento, não houve a adição dos valores ao lucro líquido. Entretanto, a jurisprudência dessa corte tem se posicionado no entendimento de que não cabe à autoridade lançadora simplesmente abandonar essa tributação para eleger a mais gravosa contida no art. 61 em comento e, muito menos, pelos mesmos motivos, lançar as duas exações. Isto porque e, por óbvio, a Lei nº 8981/95 não revogou as normas que regem a tributação pelo lucro real. Neste sentido, se pronunciou o ilustre professor José Antônio Minatel em seu artigo intitulado “Pagamento sem causa, ou a beneficiário não identificado: impossibilidade de exigência de 35% a título de IR Fonte”2, o qual me permito reproduzir parte: “Só depois de esgotadas essas verificações elementares, será possível promover o adequado enquadramento da situação fática à hipótese normativa que lhe corresponda. Essa cautela é recomendada para que se evitem os excessos costumeiramente praticados pelos agentes do Fisco, mormente quando deparam com pagamentos registrados como custo ou despesa na escrituração contábil da empresa fiscalizada, em que os reais beneficiários não se encontram identificados a contento. Nessa específica hipótese, estando a empresa na sistemática do lucro real para tributação de seus resultados pelo Imposto de Renda, o procedimento fiscal culmina, via de regra, com a lavratura de autos de infração para exigência de IRPJ e CSLL, acrescidos de juros moratórios e multa aplicada de ofício (75% ou 150%), sob o fundamento de glosa da dedutibilidade de despesas/custos não comprovados. Concomitantemente, lavrase outro auto de infração fundamentado no art. 61 da Lei nº. 8.981/95, com exigência do malfadado IRFonte de 35%, acrescido, também, de juros e nova multa aplicada de ofício (75% ou 150%), agora sob o fundamento de que os mesmos gastos, contabilizados como custos/despesas, estão acobertando pagamentos sem causa ou a beneficiário não identificado. Evidente que há exageros e não se pode compactuar com a sobreposição de penalidades sancionando a mesma conduta. Com efeito, ante a nãocomprovação dos gastos contabilizados como custos/despesas, está legitimada a formalização de exigência do IRPJ e da CSLL indevidamente reduzidos, sendo pertinente que essa conduta que ocasionou indevida redução de tributos seja sancionada com a imposição de multa de ofício (75% ou 150%). No entanto, não cabe outra penalidade sobre a mesma constatação fática, sendo indevida a exigência de 35% a 2 MINATEL, J. A. Pagamento sem causa, ou beneficiário não identificado: Impossibilidade de exigência de 35% a título de IRFonte.. In: Ives Gandra da Silva Martins; Marcelo Magalhães Peixoto. (Org.). Imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza.. 1ed.São PAULO: MP Editora, 2006, v. 1, p. 235246. Fl. 2682DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 05/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digit almente em 06/05/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 19515.006149/200977 Acórdão n.º 2201001.836 S2C2T1 Fl. 2.670 27 título de IRFonte sob o pressuposto de falta de identificação do beneficiário do pagamento da mesma operação que teve a dedutibilidade negada, pois essa exigência tem nítido caráter de penalidade, como já demonstrado. Mais grave ainda é ver essa penalidade pecuniária de 35% travestida de tributo ser gravada com nova penalidade, uma vez que sobre o valor do IRFonte exigido no auto de infração é calculada nova multa de ofício (75% ou 150%). Lamentavelmente, lançamentos contaminados com essa grave deformação têm sido confirmados, sem mais reflexão, pelos órgãos encarregados de solucionar os conflitos entre Fisco e contribuinte, como se vê do pronunciamento da 4.ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, aqui reproduzido na parte atinente à matéria em estudo, verbis: ‘PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO PAGAMENTO EFETUADO A BENEFICIÁRIO SEM CAUSA PAGAMENTOS EFETUADO SEM COMPROVAÇÃO OU CAUSA NOTAS FISCAIS INIDÔNEAS ARTIGO 61 DA LEI nº. 8.981, DE 1995 CARACTERIZAÇÃO. A pessoa jurídica que efetuar pagamento a beneficiário não identificado ou não comprovar a operação ou a causa dos pagamentos efetuados ou recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, bem como não comprovar o pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos ou mercadorias ou a utilização dos serviços, referidos em documentos emitidos por pessoa jurídica considerada ou declarada inapta, sujeitarseá à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, a título de pagamento a beneficiário não identificado e/ou pagamento a beneficiário sem causa. O ato de realizar o pagamento é pressuposto material para a ocorrência da incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte, conforme o disposto no art. 61 da Lei nº. 8.981, de 1995’. Agride a estrutura da regra jurídica do Imposto sobre a Renda a afirmação final contida na ementa de que “o ato de realizar pagamento é pressuposto material para a ocorrência da incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte”. A afirmação estará a salvo se vista a referida incidência com caráter de penalidade, para a qual o ato de realizar pagamento a beneficiário não identificado é que lhe dá tipicidade. Portanto, é imperioso admitir que há limites e condições para a aplicação da penalidade prevista no art. 61 da Lei nº. 8.981/95, a qual, quando cabível, deve ser vista com a mesma natureza da chamada “multa isolada”, sendo certo que sua aplicação por meio de lançamento de ofício (auto de infração) não comporta novo cálculo de multa sobre multa, sendo totalmente inadequada a imposição de multa de ofício de 75% ou 150% sobre o valor da penalidade quantificada em 35% do valor do pagamento sem causa, ou a beneficiário não identificado. Fl. 2683DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 05/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digit almente em 06/05/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD 28 O grifo em quando cabível é para deixar registrado, pedindo vênia pela ênfase em discurso repetitivo, que essa penalidade de 35% do art. 61 da Lei nº. 8.981/95 somente pode ser aplicada quando não houver exigência concomitante de tributo (IRPJ e CSLL) sobre a mesma operação, pois, nessa hipótese, a formalização de exigência de cunho tributário com a imposição da penalidade correspondente, que é o objetivo primeiro da administração tributária, absorve a multa isolada prevista para idêntica conduta. Em conclusão, a imposição da multa isolada de 35% só é adequada para sancionar condutas que impeçam a identificação da causa ou do beneficiário de pagamento, praticadas por pessoas jurídicas não submetidas à tributação pelo lucro real.” Ainda sobre a questão, cumpre ressaltar que, por força do princípio da legalidade previsto no art. 5º inc. II e 150, inc. I, ambos da Constituição Federal, não se pode exigir tributo sem lei que assim o determine. Logo, se a Lei nº 8.981/95 não elegeu a remissão nem a baixa contábil como hipóteses de incidência, não pode a fiscalização, por mero exercício interpretativo, alargar a base de incidência tributária. Por essas razões, entendo que no momento da baixa contábil não há a incidência do art. 61 da Lei nº 8.981/95, o que só poderia ocorrer, na melhor das hipóteses, quando da efetiva remessa dos valores aos mutuários, fato ocorrido muito antes de 31/01/2004. Voltemos à análise das datas do caso em tela: o registro contábil das baixas dos mútuos ocorreu em 31/01/2004. O lançamento, por sua vez, foi formalizado em 18/12/2009. As remessas internacionais de recursos para CARISUL ocorrerem entre 18/10/1996 e 02/04/1998 e em 05/03/2002; e, para NOVELTECH entre 4/11/1999 e 2207/2000. Partindose para a contagem do prazo decadencial da efetiva remessa dos recursos pelos motivos acima explicitados e sendo a última data de 05/03/2002, não há dúvida de que o lançamento foi atingido pelo instituto da decadência, qualquer que seja a regra do Código Tributário Nacional adotada para a contagem do termo inicial, isto é, seja a do § 4º, do art. 150, seja a do inciso I, do art. 173. Sendo portanto, desnecessário analisar se houve ou não pagamento. Mesmo ultrapassando a questão da decadência, é certo que o lançamento relativo ao imposto de renda retido na fonte não poderia subsistir, eis que, aqui, a meu ver, não se vislumbra a própria ocorrência do fato gerador. Com efeito, a tributação do imposto de renda pessoa jurídica foi formalizada pela autoridade fiscal sob a alegação de ter havido remissão da dívida. Inclusive, essas operações haviam sido fiscalizadas em 2006 e, como bem ressaltou a autoridade recorrida, naquele momento não havia sido configurado pagamento sem causa: 29. Com efeito, a possível caracterização de pagamento sem causa no momento das remessas ao exterior, já foi descartada em fiscalização anterior, conforme apontado pela própria impugnante, o que afastaria a necessidade (e oportunidade) de a autoridade fiscal do presente feito analisar a compatibilidade dos eventos contábeis que revestiram as referidas remessas. 30. Contudo, o fato de naquela ação fiscal não ter sido detectada a exigência de Imposto de Renda Retido na Fonte incidente Fl. 2684DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 05/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digit almente em 06/05/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 19515.006149/200977 Acórdão n.º 2201001.836 S2C2T1 Fl. 2.671 29 sobre pagamento sem causa sobre as remessas efetuadas a titulo de empréstimo não inviabiliza a incidência desse imposto em função do evento da baixa dos mútuos que, embora seja dependente da existência dos mútuos, consiste em um evento contábil e fiscal autônomo. Ocorre que, conforme já explicitado, a remissão não é fato ensejador do lançamento da exação de pagamentos a beneficiários não identificados ou sem causa comprovada. Assim, continua sem fundamento o lançamento ora combatido, pois a situação fática não coincide com a hipótese referida na norma: · Houve causa: os empréstimos foram efetuados no contexto operacional da Recorrente; e; · Os beneficiários estão devidamente identificados: NOVELLTECH e CARISUL. Assim, há beneficiários conhecidos e há causa para a remessa dos pagamentos, não podendo se falar jamais na aplicação do art. 61 da Lei nº 8.981/95. Por fim, enfatizo que a aceitação das causas que levaram à baixa das provisões não é matéria que impacte na apuração do IRRF previsto pelo art. 61 da Lei nº 8.981/95, mas sim procedimento contábil que diz respeito apenas à apuração do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social Sobre o Lucro. Se tivesse havido apropriação de despesas sem a observância da legislação aplicável, a autuação deveria tratar da glosa das despesas da provisão, mas nunca tentar reabrir um fato gerador que depende apenas do pagamento a beneficiário desconhecido ou sem causa, o que não é o caso dos autos. Dessa forma, por todo o exposto e por tudo o mais que consta dos autos, voto no sentido de negar provimento ao recurso de oficio e dar provimento integral ao recurso voluntário, cancelandose a autuação fiscal. (assinado digitalmente) Rayana Alves de Oliveira França Voto Vencedor Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade. Dele conheço. Fundamentação Divergindo a i. Relatora, a Conselheira Rayana Alves de Oliveira França, nego provimento ao Recurso Voluntário. O lançamento teve por base de cálculo valores referentes a créditos que a empresa detinha em face das empresas Novelltech Investment Inc. e Carisul S/A, decorrentes Fl. 2685DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 05/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digit almente em 06/05/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD 30 de operações de mútuo da Recorrente com essas empresas, e que foram baixados da sua contabilidade, caracterizando a remissão. Entendeu a autoridade lançadora, que, pelas circunstâncias em que as baixas se deram configurouse acréscimo patrimonial das mutuarias, por um lado, e, por outro, pagamento sem causa por parte da mutuante, ensejando a incidência do imposto de renda na fonte. Para tanto, observou a autoridade lançadora, dentre outros aspectos que: 1) As empresas credoras eram ligadas à ora Recorrente (credora): a Carisul tinha diretores em comum com a ora Recorrente (Horácio You Misumoto, Edgard Maestrini, Laerte Garcia Nogueira, fls. 488/489); a Novelltech foi constituída pela NEC, em 1995 (fls. 362). 2) Não restou demonstrada a condição de insolvência das empresas credoras; 3) Houve irregularidades quanto às informações obrigatórias ao Banco Central relativas às operações. O fundamento legal da autuação foi o art. 61, § 2º da Lei nº 8.981, de 1996, a seguir reproduzido. Art. 61. Fica sujeito à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. § 1º A incidência prevista no caput aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, bem como à hipótese de que trata o § 2º, do art. 74 da Lei nº 8.383, de 1991. § 2º Considerase vencido o Imposto de Renda na fonte no dia do pagamento da referida importância. § 3º O rendimento de que trata este artigo será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto. Entendeu a Relatora, em apertada síntese, que não ocorreu o fato gerador do imposto no momento das baixas dos mútuos; que se fato gerador houve, foi quando das remessas dos recursos, na contratação inicial dos mútuos; que, segundo sua interpretação, o art. 61 da Lei nº 8.981, de 1996, prevê como hipótese de incidência do imposto o pagamento ou a entrega efetiva de recursos; que, alternativamente, o art. 685, do RIR/99 (art. 100 do Decreto nº 5.844, de 1943) prevê a incidência do imposto no caso de pagamento ou remessa de recursos a beneficiários e residentes no exterior e, neste caso, prevê formas alternativas de incidência, creditamento, entrega, remessa, etc., incidência com alíquota de 15% ou 25%;. que o Fisco não poderia simplesmente escolher a tributação mais gravosa, em detrimento da menos gravosa. A i. ConselheiraRelatora invoca como suporte de sua tese a jurisprudência do CARF. Pois bem, o deslinde da questão aqui envolve dois aspectos fundamentais: 1) se a remissão da dívida, na forma como se deu, caracteriza fato gerador do imposto de renda, e, em caso afirmativo; 2) se seria aplicável ao caso a regra do art. 61, § 2º da Lei nº 8.981, de 1995. Fl. 2686DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 05/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digit almente em 06/05/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 19515.006149/200977 Acórdão n.º 2201001.836 S2C2T1 Fl. 2.672 31 Inicialmente, é preciso deixar assentado que, embora, nestes caso, como em tantos outros, em que a lei atribui à fonte pagadora o dever de proceder à retenção do imposto de renda, o contribuinte do imposto, conforme definido no artigo 121, I do CTN, é aquele que adquire a disponibilidade econômica e jurídica da renda, o beneficiário dos rendimentos, aquele em relação ao qual se deve verificar a ocorrência ou não da hipótese de incidência do imposto. A Fonte pagadora, nestes casos, e neste em particular, figura apenas como legalmente incumbida de proceder à retenção e posterior recolhimento do imposto, sem suportar o ônus deste. Quem suporta o ônus do imposto, como não poderia deixar de ser, é o contribuinte. Sobre esta questão Paulo de Barros Carvalho, num esforço para explicar a natureza da relação jurídica tributária, faz o seguinte comentário, bastante esclarecedor, a respeito da retenção do imposto de renda pela fonte pagadora, a saber: Quando se faz referência a entregas de dinheiro ao Estado, comportamento que realiza a prestação tributária, é sumamente importante salientar que a quantia entregue deve sair do patrimônio do sujeito passivo. Do contrário não teremos tributo, mas outro tipo de relação jurídica. É o caso do chamado “imposto de renda na fonte”. Não cremos existir relação jurídica tributária entre a União e a empresa que retém, mas tãosomente uma obrigação estabelecida pelo legislador federal, com a finalidade de facilitar o cumprimento da prestação, a cargo do verdadeiro sujeito passivo (a pessoa física que teve parte de seu dinheiro retida na fonte pagadora). É por isto que é dever, de conteúdo patrimonial, há penalidades pecuniárias que garantem ao Estado o cumprimento dessa prestação por parte das pessoas jurídicas que devam promover a retenção.” 3 O que o Professor Paulo de Barros Carvalhos nos ensina aqui é que a tarefa atribuída à fonte pagadora de reter e recolher o imposto não desloca para este o peso econômico do tributo, que deve sempre ser suportado por aquele que adquiriu a disponibilidade econômica ou jurídica da renda, o Contribuinte. O que a lei atribui à fonte pagadora é uma obrigação de “fazer”, de índole instrumental e no interesse da arrecadação, que tem natureza absolutamente distinta da obrigação do Contribuinte. Ora, a afirmação contida no voto da Relatora de que para a incidência do art. 61 da lei nº 8.981, de 1995 não se discute se há disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou acréscimo patrimonial por parte do beneficiário dos pagamentos, data venia, destoa do que há de mais elementar em Direito Tributário. É que ela implica na compreensão de que a lei estaria a prescrevendo uma hipótese de incidência tributária descolada do princípio da capacidade contributiva, interpretação que é absolutamente incompatível com os princípios e normas do Direito Tributário moderno. O que ocorre de fato é que, no caso do artigo 61 da Lei nº 8.981, de 1996, como a fonte pagadora não identificou para o Fisco o beneficiário do rendimento ou a causa real do pagamento para que se pudesse verificar objetivamente a ocorrência da hipótese de incidência do imposto, o legislador assume, por presunção, a ocorrência de tal hipótese de incidência, e atribui à fonte pagadora, na condição de fonte pagadora, e apenas nessa condição, a responsabilidade pela retenção e o recolhimento do imposto. 3 BARROS CARVALHO, Paulo de. Teoria da Norma Tributária. 3 ed. São Paulo. Max Limonad, 1988. p. 89 Fl. 2687DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 05/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digit almente em 06/05/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD 32 Portanto, em regra, nos casos de imposto de renda na fonte, e mesmo no caso do art. 61 da Lei nº 8.981, de 1995, quem sofre a incidência do imposto, que suporta o ônus econômico deste é aquele que adquire a disponibilidade econômica ou jurídica da renda ou proventos, o beneficiário do pagamento/creditamento, e jamais a fonte pagadora. Alexandre Barros Castro examina detidamente esta questão e demonstra a mesma perplexidade diante da possibilidade de se transferir para a fonte pagadora o peso econômico do imposto em casos como este Vejamos: A obrigação de reter não caracteriza o instituto da sujeição passiva. Tampouco diz respeito àquele dever a eventual derivação obrigacional, para alguns denominada ‘indireta’, ou, mais especificamente, substituição tributária. A nosso ver, a obrigação de recolher, ainda que tenha aquela natureza (de dever), constituise num ato de colaboração e não de sujeição tributária. O dever, em verdade, tem cunho administrativo. Recordemos o texto do art. 45 do CTN: [...] O legislador não deixou margem de dúvidas, explicando que a lei poderá atribuir à fonte pagadora a responsabilidade pelo imposto que deva ela reter e recolher. Mas essa responsabilidade não se alarga atingindo a obrigação de pagar o tributo. O contribuinte, no caso do IR, é o empregado ou o beneficiário do rendimento, não se transladando tal sujeição a quem não tinha ligação direta e integral com o aspecto material da RegraMatriz de incidência. O comportamento que se busca atingir é o auferir renda. É o acréscimo patrimonial que se enseja alcançar via IR, e não o “reterrecolhe”. Acrescentese que a obrigação de descontar é de ‘fazer’ e não de ‘dar’ ou ‘entregar’. A relação tributária que se abre com o recebimento da renda é entre o beneficiário deste acréscimo patrimonial e a Fazenda Pública (União), e não entre este e a fonte pagadora. [...] O que se observa é que, em não havendo a retenção na fonte, outra relação passa a existir, qual seja, a que decorre da inobservância de dever instrumental, que, ao dificultar o trabalho do Fisco, condenase mediante sanção que não se confunde com a obrigação de pagar o IR. E como pacificado em nossa doutrina, não há como confundir tributo com pena. Entender que a fonte pagadora em não retendo se transmuda em contribuinte implica imporlhe uma obrigação alheia (de pagar tributo), em face do descumprimento daquele dever, o que em linear pensamento resulta em dizer que o tributo corresponderia a punição, i.e., como não se reteve no tempo e forma legal, apenarseia com o encargo, agora, de pagar IR, não mais como Fl. 2688DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 05/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digit almente em 06/05/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 19515.006149/200977 Acórdão n.º 2201001.836 S2C2T1 Fl. 2.673 33 obrigação alheia, mas própria. O que se revela absurdo e alijado de nossa sistemática legal. 4 Coerentemente com esta posição, inclusive, é que o § 3º do art. 61 da lei nº 8.981, de 1996 prevê o reajustamento da base de cálculo. Ao determinar esse reajustamento, a lei está considerando que a fonte pagadora assumiu o ônus do imposto, porém assumiu este ônus perante o beneficiário do pagamento/creditamento, ao deliberadamente deixar de informar quem é este beneficiário e ou a causa da operação, e deixar de proceder à retenção do imposto de acordo com a legislação específica. Assim, a questão da incidência ou não do imposto deve ser examinada, inicialmente, do ponto de vista do beneficiário da disponibilidade de renda. A propósito, diferentemente do que afirma a Relatora no seu voto, o art. 61 da Lei nº 8.981, de 1996 não prevê hipótese de incidência do imposto de renda; prevê, sim, a incidência de tributação na fonte. As hipóteses de incidência do imposto são aquelas definidas no art. 43 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), conforme, aliás, destacou a autoridade lançadora. Para maior clareza, reproduzo o reerido artigo 43: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1o A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) § 2o Na hipótese de receita ou de rendimento oriundos do exterior, a lei estabelecerá as condições e o momento em que se dará sua disponibilidade, para fins de incidência do imposto referido neste artigo. (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) Ora, é inquestionável o fato de que as empresas CARISUL e NOVELLTECH, aos serem graciosamente dispensadas de pagar os débitos referentes aos mútuos que cada uma contratara com a Recorrente, auferiram um acréscimo patrimonial: num instante elas tinham um passivo, correspondente aos respectivos débitos, e no instante seguinte esse passivo deixou de existir. Houve, portanto, uma mutação patrimonial, para maior. O patrimônio de cada uma das empresas foi súbita e substancialmente elevado no valor correspondente a este passivo, que desapareceu. Aliás, embora elementar, é importante ressaltar neste momento, para efeito de clarificar as idéias, que o patrimônio é formado por ativos e passivos, operandose seu acréscimo tanto pelo aumento do primeiro quanto pela redução do segundo. As afirmações de que não houve pagamento, de que não se transferiu recursos para as empresas no exterior, de que se pagamento ou transferência de recursos houve 4 CASTRO, Alexandre Barros. Sujeição Passiva no Imposto Sobre a Renda. São Paulo, Saraiva. 2004. p. 370371. Fl. 2689DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 05/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digit almente em 06/05/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD 34 foi quando da contratação dos mútuos, são meros sofismas, pois, ou distorcem os fatos ou atribuem à regra de incidência do imposto um sentido extravagante. Isto é, ou se considera que aquele que recebe o perdão de uma dívida não obteve uma acréscimo patrimonial, contrariando o próprio conceito de patrimônio; ou se assume que esse tipo específico de acréscimo patrimonial, diferentemente dos outros, não está alcançado pela norma de incidência, quando o § 1º, acima reproduzido, é claro quanto à abrangência da hipótese de incidência ao afirmar que a incidência do imposto independe da denominação da receita ou dos rendimentos e da forma de sua percepção. A afirmação de que se fato gerador houve, foi quando da contratação do mútuo também carece de um mínimo de consistência lógica. É que, quando da contratação do mútuo, as empresas que receberam os recursos não obtiveram nenhum acréscimo patrimonial. Se receberam os recursos a elas remetidos, passaram a ter, no mesmo valor, um passivo. Portanto, podem ter tido um aumento de caixa, mas não um aumento patrimonial. E notese que, em momento algum a autuação qualificou como irregulares, as operações de mútuo inicialmente contratadas, o que, aliás, foi invocado pela própria defesa. O que a Fiscalização identificou como hipótese de incidência do imposto foi o perdão da dívida que, como já referido acima, implicou em acréscimo patrimonial dos beneficiários, não por um aumento do ativo, mas por uma redução do passivo. E a remissão da dívida ocorreu em momento muito posterior à contratação dos mútuos e foi identificada, formalmente, com a baixa dos débitos da escrituração fiscal da mutuante. Para que não pairem dúvidas quanto a este ponto, reproduzo a seguir trechos do relatório fiscal em que se expõe essa questão: No caso dos mútuos, as provisões para perdas e as baixas dos mesmos em 2004, não têm nenhum elemento de convicção da sua possível ocorrência. No caso há a simulação de um ato inexistente que não encobre qualquer outro ato, portanto simulação absoluta, mas que afeta os elementos constitutivos da obrigação tributária cujo objeto é o imposto de renda. A Fiscalizada ao constituir as provisões para perdas e suas definitivas baixa teria por obrigação legal apresentar toda documentação comprobatória, o que não foi feito. [...] A REMISSÃO das dividas é a liberação graciosa do devedor pelo credor, que voluntariamente abre mão de seus direitos creditórios, com o escopo de extinguir a obrigação, mediante o consentimento expresso ou tácito do devedor, desde que não haja prejuízo a terceiro. [...] Por tudo o que já foi exposto a fiscalizada, em nenhum momento do procedimento fiscal, apesar de intimada, conseguiu comprovar a causa real da baixa do mútuo em janeiro de 2004 e nem quando das provisões para perdas. Assim, a liberação graciosa, sem causa, das obrigações das mutuarias, foi determinante para a ocorrência do fato gerador previsto no Art. 61 da Lei n° n° 8.981/95. 0 fato temporal ocorreu quando da REMISSÃO concedida pela MUTUANTE, janeiro de 2004, provocando, assim, um acréscimo Fl. 2690DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 05/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digit almente em 06/05/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 19515.006149/200977 Acórdão n.º 2201001.836 S2C2T1 Fl. 2.674 35 patrimonial nas MUTUARIAS. Mais uma vez afirmamos a fiscalizada em nenhum momento comprovou a causa da REMISSÃO concedida às mutuarias. A remessa de numerários que no inicio só tinha o escopo financeiro, no momento da REMISSÃO se revestiu de aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica prevista no artigo 43 do CTN como determinante da ocorrência do fato gerador do imposto de renda, em combinação com o artigo 61 da Lei n 8.981/95, EFETIVANDO A ENTREGA. Assim, a hipótese de incidência do imposto, no caso, decorreu da dispensa do pagamento dos débitos correspondentes aos mútuos, que, sob o aspecto temporal, se consumou com a formalização dessa dispensa, e tem como sujeitos passivos os beneficiários desse crédito, figurando o ora recorrente apenas como fonte pagadora. Concluso, assim, respondendo afirmativamente à primeira questão proposta no início deste voto; a remissão das dívidas das empresas NOVELLTECH e CARISUL caracterizam a hipótese de incidência do imposto (e não o momento da contratação do mútuo), tendo como contribuintes as referidas empresas, beneficiárias do acréscimo patrimonial decorrente das remissões. Passo a examinar a segunda questão: a aplicabilidade ao caso do art. 61 da Lei nº 8.981, de 1995. O art. 61 da Lei nº 8.981, de 1996 referese a pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado e, como se viu, a imputação, neste caso, é a do § 1º, que menciona a entrega a terceiros de recursos, sem a comprovação de sua causa, assumindo, portanto, que este terceiro, beneficiário, esteja identificado, como, no caso ora examinado, de fato, está. A questão, portanto, da aplicabilidade ou não do dispositivo se subdivide em duas: se houve a entrega de recursos, conforme referido na lei, e se essa entrega se deu sem causa. Sobre o primeiro aspecto, a Recorrente argumenta que não entregou recursos, com o quê concordou a Relatora. Mas, como já referido anteriormente, este tipo de argumento carece de um mínimo de consistência. Quando a lei menciona a entrega de recursos certamente não está se referindo ao deslocamento físico de malas de dinheiro, que é apenas uma das formas de se fazer tal entrega, pouco usual nos tempos atuais, vale ressaltar, pelo menos em operações idôneas. A entrega de recursos pode ser feita de diferentes maneiras: via transferência bancária, operações de crédito, ordem de pagamento, cessão de crédito etc. Aliás, não é por acaso que a lei se refere a “recursos”, que é um termo genérico que designa bens pecuniários, posses, condição de riqueza (Dicionário Aurélio) e não a dinheiro, a moeda. Imaginemos, por hipótese, que uma empresa sediada no Brasil tivesse cedido para uma empresa no exterior, sem declinar a causa, um crédito que detinha com uma terceira empresa, no exterior ou no Brasil. Nessa situação hipotética não teria havido transferência física de dinheiro, mas ninguém duvidaria que houve uma entrega de recursos e, eventualmente, um pagamento, se essa entrega teve alguma contrapartida. Cabe então a pergunta: qual a diferença substancial entre ceder a uma pessoa um crédito que se tem com um terceiro e ceder a uma pessoa um crédito que se tem com ela mesma? Nenhuma. Em ambos os casos há um benefício econômico, uma transferência de riqueza, um acréscimo patrimonial por parte do beneficiário. Fl. 2691DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 05/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digit almente em 06/05/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD 36 Por outro lado, como já referido anteriormente, o art. 61 não cuida de definição de hipótese de incidência, mas apenas de atribuição de responsabilidade à fonte pagadora de proceder à retenção do imposto. Ora, como vimos o art. 43 do CTN é categórico quanto à abrangência do conceito de renda e acréscimo patrimonial ao explicitar que, para a verificação da hipótese de incidência, é irrelevante a forma de percepção da renda ou a sua denominação. Portanto, parece claro que, desse ponto de vista, ocorreu a hipótese de incidência do imposto. E se assim, cabe a pergunta: porque a lei determinaria a retenção do imposto de renda apenas para algumas situações caracterizadoras da hipótese de incidência tributária (o pagamento em espécie, como quer a Recorrente) e não para outras situações, como a cessão de crédito, ou, como neste caso, a remissão de dívida? Interpretar dessa forma significa afirmar que a lei estaria, deliberadamente, renunciando à tributação, já que, tratandose de contribuinte residente no exterior, este não teria como ser alcançado de outra forma. Cumpre, por fim, analisar um dos argumentos centrais em que se baseou a Relatora, o de que a tributação poderia ser feita com base no artigo 685 do RIR/99 e que o Fisco não poderia, em detrimento deste dispositivo, escolher a forma mais gravosa de tributação. Examinemos, pois, o referido dispositivo: Art. 685. Os rendimentos, ganhos de capital e demais proventos pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos, por fonte situada no País, a pessoa física ou jurídica residente no exterior, estão sujeitos à incidência na fonte (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 100, Lei nº 3.470, de 1958, art. 77, Lei nº 9.249, de 1995, art. 23, e Lei nº 9.779, de 1999, arts. 7º e 8º): I à alíquota de quinze por cento, quando não tiverem tributação específica neste Capítulo, inclusive: a) os ganhos de capital relativos a investimentos em moeda estrangeira; b) os ganhos de capital auferidos na alienação de bens ou direitos; c) as pensões alimentícias e os pecúlios; d) os prêmios conquistados em concursos ou competições; II à alíquota de vinte e cinco por cento: a) os rendimentos do trabalho, com ou sem vínculo empregatício, e os da prestação de serviços; b) ressalvadas as hipóteses a que se referem os incisos V, VIII, IX, X e XI do art. 691, os rendimentos decorrentes de qualquer operação, em que o beneficiário seja residente ou domiciliado em país que não tribute a renda ou que a tribute à alíquota máxima inferior a vinte por cento, a que se refere o art. 245. § 1º Prevalecerá a alíquota incidente sobre rendimentos e ganhos de capital auferidos pelos residentes ou domiciliados no País, quando superior a quinze por cento (DecretoLei nº 2.308, de 1986, art. 2º, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 18). § 2º No caso do inciso II, a retenção na fonte sobre o ganho de capital deve ser efetuada no momento da alienação do bem ou direito, sendo responsável o adquirente ou o procurador, se este Fl. 2692DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 05/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digit almente em 06/05/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 19515.006149/200977 Acórdão n.º 2201001.836 S2C2T1 Fl. 2.675 37 não der conhecimento, ao adquirente, de que o alienante é residente ou domiciliado no exterior. § 3º O ganho de capital auferido por residente ou domiciliado no exterior será apurado e tributado de acordo com as regras aplicáveis aos residentes no País (Lei nº 9.249, de 1995, art. l8). Ora, de fato, o referido dispositivo cuida de incidência de imposto de renda na fonte no caso de remessa de recursos a contribuintes residentes no exterior, fato quem ninguém ignora. Mas o fato relevante, e que não pode ser ignorado, é que o art. 685 cuida da tributação nas situações regulares, em que estão identificados os beneficiários e as causas dos pagamentos. Tanto é assim que a lei é clara ao referirse à natureza das operações: ganho de capital, pagamento se pensões, etc. Assumir que a autuação poderia ter sido feita com base neste dispositivo e não no artigo 61 da Lei nº 8.981, significa simplesmente ignorar o aspecto central da autuação, para o qual a Fiscalização dedicou extensa demonstração: o de que a remessa de recursos deu se por causa desconhecida, de que a remissão da dívida foi absolutamente injustificada, de que havia relação entre a ora recorrente e as empresas credoras. Resta claro, portanto, que o caso não se subsume à hipótese do art. 685 do RIR, porém corresponde perfeitamente à hipótese do art. 61 da Lei nº 8.981, de 1996. Nada justifica, pois, a meu juízo, a interpretação restritiva pretendida pela Recorrente e acolhida pela Relatora. Conclusão Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de NEGAR provimento ao Recurso de Ofício e NEGAR provimento ao Recurso Voluntário. Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Declaração de Voto Conselheiro GUSTAVO LIAN HADDAD, Teço a seguir, de forma resumida, as principais considerações que me fizeram acompanhar as conclusões da I. Conselheira Relatora. Quadrante fático A situação objeto da autuação é bastante clara. A Recorrente era titular de direito de crédito em face de pessoa jurídica não residente do Brasil, pertencente ao mesmo grupo econômico (“Não Residente”). Referido direito de crédito decorria de empréstimo concedido à pessoa jurídica Não Residente, que resultou em saída de recursos do país. Alguns anos após a efetivação do empréstimo a Recorrente houve por bem perdoar o crédito, reconhecendo contabilmente baixa que gerou perda na apuração do resultado Fl. 2693DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 05/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digit almente em 06/05/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD 38 da Recorrente. Tal perda foi tratada pela Recorrente como não dedutível na apuração do lucro real. Entendeu a fiscalização que com a baixa contábil do crédito materializouse a hipótese de pagamento sem comprovação de causa a que se refere o comando do art.61 da Lei n 8981, de 1995, parágrafo 1º, assim redigido: “Art. 61. Fica sujeito à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. § 1º A incidência prevista no caput aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, bem como à hipótese de que trata o § 2º, do art. 74 da Lei nº 8.383, de 1991.” Em função disso houve exigência de IRRF à alíquota de 35%, com respectiva majoração da base de cálculo e exigência de multa e juros. A primeira questão a ser enfrentada é se o perdão de dívida poderia caracterizar renda paga, creditada, empregada ou entregue ao NãoResidente. Entendo que sim. O direito brasileiro, a meu ver, encampou a noção de renda como manifestação de capacidade contributiva sob a forma de acréscimo patrimonial (teoria da rendaacréscimo). O perdão de dívida claramente resultou, para o NãoResidente, em acréscimo de seu patrimônio pela redução de obrigação anteriormente existente e dele integrante, perfazendo a materialidade necessária e suficiente à incidência do imposto de renda a teor do art. 43, II do Código Tributário Nacional. Nos termos do dispositivo referido, são considerados proventos de qualquer natureza os “acréscimos patrimoniais” que não sejam produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos. Para o NãoResidente a tributação do acréscimo patrimonial consistente no perdão da dívida teria amparo no art. 685 do RIR/99, segundo o qual ficam sujeitos ao imposto de renda na fonte os rendimentos, ganhos de capital e demais proventos pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos a não residentes, aplicandose a alíquota de 15 por cento prevista no inciso I do mesmo dispositivo. Ocorre, contudo, que ao contrário da posição adotada pelo agente autuante e pela decisão de primeira instância, não vejo como tal acréscimo patrimonial possa ser colhido pela incidência do art. 61 do Lei n. 8.981, de 1995, que impõe alíquota majorada (35%, que com o reajustamento da base de cálculo chega a 53,31%) para situações dotadas de particular excepcionalidade. Vejamos. Estabelece o dispositivo: “Art. 61 . Fica sujeito à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. Fl. 2694DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 05/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digit almente em 06/05/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 19515.006149/200977 Acórdão n.º 2201001.836 S2C2T1 Fl. 2.676 39 § 1º A incidência prevista no caput aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, bem como à hipótese de que trata o § 2º, do art. 74 da Lei nº 8.383, de 1991. § 2º Considerase vencido o Imposto de Renda na fonte no dia do pagamento da referida importância. § 3º O rendimento de que trata este artigo será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto.” (original sem grifo) A hipótese do caput – pagamento a beneficiário não identificado – é de ser de pronto afastada tendo em vista ser conhecida e claramente identificada a identidade do Não Residente que teve sua dívida perdoada. Por outro lado, a fiscalização considera aplicável ao presente caso a situação prevista no parágrafo 1º, envolvendo pagamentos ou recursos entregues quando não for comprovada a operação ou causa que lhes deram origem. Vislumbro dois claros obstáculos à aplicação do referido regime jurídico à situação em exame. Ausência de pagamento ou entrega de recursos Em primeiro lugar e como bem apontou o patrono da Recorrente, a incidência prevista no dispositivo exige pagamento ou entrega de recursos, o que claramente não ocorre com a baixa do direito de crédito, que caracteriza crédito no sentido jurídico, mas não pagamento ou entrega. E nem se diga que esta interpretação é assistemática, bastando para afastar tal afirmação a constatação óbvia de que em vários outros dispositivos, inclusive no art. 685 do RIR/99, que deveria ter embasado a autuação, há a inclusão das expressões crédito e emprego no núcleo do aspecto temporal da regra matriz de incidência. Além disso, milita a favor desta leitura a ratio motivadora do art. 61 da Lei n. 8.981, de 1995. Tratase de incidência excepcional, inspirada por situações em que fica dificultada a apuração da incidência cabível tendo em vista a não identificação do beneficiário ou ausência de comprovação da causa, em que o legislador, por prudência, preferiu limitar a situações de comprovado pagamento ou entrega de recursos, não bastante para tanto o crédito contábil do acréscimo. Em apoio a esse entendimento há julgados colacionados pelo patrono do Recorrente, dentre os quais merecem menção os seguintes: “IRF. PAGAMENTO SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. Mesmo a interpretação literal do comando do art. 61 da Lei n° 8.981/95 não autoriza sua aplicação quando não restar comprovado pelo fisco o pagamento a beneficiário não identificado ou o pagamento ou entrega de recursos a sócio ou terceiro sem comprovação da operação ou da causa do dispêndio. Processo Administrativo Fiscal – A comprovação fática e nas Fl. 2695DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 05/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digit almente em 06/05/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD 40 escrituração contábil da ocorrência do negócio jurídico contratado não enseja o lançamento com base no artigo 61 da Lei 8.981/95. Recurso de ofício negado.” (Ac. 10615.140, 6ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, Relator José Carlos da Matta Rivitti, sessão de 07.12.2005) (grifouse) (...) RECURSO DE OFÍCIO IRRF PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO PROVA DO PAGAMENTO Da falta de comprovação da efetividade do pagamento referente à aquisição de bens e serviços, cujas operações se acham documentadas em notas fiscais, não se está autorizado a concluir a ocorrência do pagamento. Ao contrário, em termos de verdade processual, pagamento não comprovado é pagamento que não se realizou. Assim, não se mostra admissível que o simples registro contábil da operação comercial em tomo do aventado pagamento, ou mesmo a nota fiscal que a tenha documentado, sirvam de prova da ocorrência do pagamento. Pressuposto legal da exigência fiscal não confirmado. Recurso de ofício conhecido e improvido.” (Ac. 10515.518, 5ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, Relator José Carlos Passuello, sessão de 22.02.2006) Existência de causa Juridicamente, a causa de uma obrigação é a razão de sua existência jurídica, o fundamento jurídico relevante para sua criação, e não o motivo ou o fim mediato pelo qual os sujeitos se obrigam. Sílvio de Salvo Venosa5 chama atenção para que não se confunda a causa de uma obrigação como os motivos que levaram à sua criação. Explica que: “Deve ser entendido como “causa” do ato o fundamento, a razão jurídica da obrigação. No campo jurídico, quando uma pessoa se obriga, ela o faz por um fundamento juridicamente relevante. Não se confunde, sob o prisma jurídico, o motivo com a causa. Podemos dizer que a causa é o motivo juridicamente relevante. Em razão das dificuldades que apresenta, entre nós a causa é substituída pelo objeto, entre os requisitos essenciais dos negócios jurídicos (art. 104; antigo, art. 82). Não obstante isso, como por vezes o ordenamento civil faz referência à causa, é importante que a ela se faça referência. Um exemplo prático poderá ilustrar a matéria. Não se confunde a causa, ou o fim imediato e essência em que se baseia a obrigação, com o motivo, ou seja, o fim mediato, particular ou pessoal da mesma obrigação. Apenas a causa terá relevância para o Direito, os motivos não. Assim, suponhamos um comerciante que, tendo em mira evitar a concorrência que lhe faz outro da mesa localidade, compra o estabelecimento deste último. O fim pessoal, mediato, particular do negócio é a eliminação da concorrência, porém esse motivo não apresenta relevância jurídica. O fim imediato da obrigação, a causa, o que determinou o contraimento da obrigação, juridicamente falando, é o que se avençou no adquirente em pagar o preço e no alienante de transferir a propriedade do estabelecimento. O ordenamento não toma conhecimento dos motivos pessoais e particulares.” (grifo nosso) 5 Direito Civil, v. 2 – Teoria Geral das Obrigações e Teoria Geral dos Contratos, 4ª ed. São Paulo, Atlas, 2004, p. 44. Fl. 2696DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 05/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digit almente em 06/05/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 19515.006149/200977 Acórdão n.º 2201001.836 S2C2T1 Fl. 2.677 41 A fiscalização não lança dúvidas sobre a existência do contrato e do perdão, mas sustenta que seria operação não inerente à normalidade das operações da Recorrente. Isto indicaria o motivo e não a causa na operação que resultou no perdão da dívida do Não Residente. Neste ponto, cumpre ressaltar que a legislação tributária traz consequências distintas para o pagamento sem causa e para os pagamentos de obrigação cujo motivo é inadequado. Para os pagamentos de obrigação sem causa se aplica, com efeito, o art. 61, § 1º, da Lei 8.981/95. Os motivos – isto é, as finalidades mediatas pelas quais uma determinada entidade se obriga a um pagamento – são considerados pela legislação tributária para o fim de determinar serem dedutíveis ou não as despesas vinculadas a referida obrigação. De acordo com a legislação tributária, para as despesas decorrentes de obrigações contraídas por motivo que o legislador considera inadequado (nos termos da legislação tributária não têm motivo adequado, em regra, aquelas que não sejam necessárias, normais ou usuais), a solução prevista é a sua indedutibilidade. É o caso da perda decorrente do perdão de dívida, considerada despesa não usual, por liberalidade, portanto indedutível na base de cálculo do IRPJ. No caso dos autos, entretanto, a solução aplicada pela fiscalização foi além, considerando aplicável o art. 61, § 1º, da Lei 8.981/95 por entender não haver causa para a operação. A causa prevista no enunciado é a existência de negócio jurídico/causa que ampara o pagamento. Os motivos que levaram à concretização do negócio, se este for válido e existente, não entram em cogitação para a aplicação do dispositivo. Em outras palavras, o art. 61, parágrafo 1º não comporta juízo de valor quanto à inadequação da causa, mas sim quanto a sua existência. No caso em exame, a causa do perdão de dívida é a existência de direito de crédito anterior que o credor aceita não receber. Causa há – a vontade do credor de liberar o devedor da dívida. Podese não gostar dela, achála não usual por considerar liberalidade. Isto é consideração que pode afetar a dedução da despesa, mas não considerar ocorrido o fato gerador do art. 61, parágrafo 1º da Lei n. 8.981. Ressaltese, ainda, que a fiscalização tinha todos os elementos para promover o lançamento com base na incidência geral de imposto de renda na fonte do art. 685, não podendo (e nem devendo) recorrer à incidência gravosa do art. 61 da Lei n. 8.981, de 1995, prevista para situações de clara dificuldade de identificação dos elementos do fato gerador “normal”. Assim, considero ilegítimo o lançamento efetuado nos presentes autos, pelo que acompanho a I. Relatora na posição de dar provimento ao recurso voluntário para cancelar a exigência. Assinatura digital GUSTAVO LIAN HADDAD Fl. 2697DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 05/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digit almente em 06/05/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD 42 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência da decisão consubstanciada no acórdão supra. __________(assinado digitalmente)_____________ MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente da Segunda Câmara / Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 2698DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 05/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digit almente em 06/05/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD
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Numero do processo: 12898.000053/2010-32
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano calendário: 2005, 2006, 2007, 2008
PROVA INADEQUADA. INVESTIGAÇÃO INSUFICIENTE. Indevida a glosa de abatimentos feitos nas estimativas mensais, relativos a retenções na fonte e a estimativas anteriores, sem o exame da legitimidade das quantias abatidas.
ESTIMATIVA MENSAL. FALTA DE DECLARAÇÃO. No caso de falta de
declaração (ou de recolhimento) de estimativa mensal, o lançamento de ofício deve restringir-se à multa isolada, e o valor da estimativa deve ser glosado na apuração do imposto devido anual, para verificação de eventual débito. Não é devida a exigência de ofício da estimativa.
MULTA ISOLADA. ARQUIVOS MAGNÉTICOS. É indevida a imposição de
multa por inconsistências nos arquivos magnéticos, se o contribuinte apresenta explicações durante a ação fiscal e a fiscalização não diz por que tais explicações seriam inválidas.
Recurso de Ofício Negado.
Numero da decisão: 1402-001.062
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que passa a integrar o presente julgado.
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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TURMA DA DRJ RIO DE JANEIRO I – RJ Interessado LOSANGO PROMOCOES DE VENDAS LTDA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008 PROVA INADEQUADA. INVESTIGAÇÃO INSUFICIENTE. Indevida a glosa de abatimentos feitos nas estimativas mensais, relativos a retenções na fonte e a estimativas anteriores, sem o exame da legitimidade das quantias abatidas. ESTIMATIVA MENSAL. FALTA DE DECLARAÇÃO. No caso de falta de declaração (ou de recolhimento) de estimativa mensal, o lançamento de ofício deve restringirse à multa isolada, e o valor da estimativa deve ser glosado na apuração do imposto devido anual, para verificação de eventual débito. Não é devida a exigência de ofício da estimativa. MULTA ISOLADA. ARQUIVOS MAGNÉTICOS. É indevida a imposição de multa por inconsistências nos arquivos magnéticos, se o contribuinte apresenta explicações durante a ação fiscal e a fiscalização não diz por que tais explicações seriam inválidas. Recurso de Ofício Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que passa a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente Fl. 2933DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 12/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/06/2012 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O Processo nº 12898.000053/201032 Acórdão n.º 140201.062 S1C4T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. Relatório A 1a. TURMA DA DRJ RIO DE JANEIRO I – RJ, com fulcro no artigo 34 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF), recorre a este Conselho contra a decisão proferida primeira instância, que julgou improcedente a exigência contra a empresa LOSANGO PROMOCOES DE VENDAS LTDA. Adoto o relatório da decisão recorrida (verbis): Tem origem o presente processo no auto de infração de fls. 221/235, lavrado pela Defis Rio de Janeiro RJ, contra Losango Promoções de Vendas Ltda, relativo aos anos calendário 2005 a 2008, para exigir o Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ, apurado pela sistemática do lucro real, no valor de R$ 8.651.151,73, acrescido de multa proporcional de 75% e de juros de mora, bem como para aplicar a multa regulamentar no valor de R$ 3.257.410,41. Conforme consta do auto de infração, do Termo de Verificação Fiscal de fls. 218/220 e das 3 planilhas demonstrativas (anexas ao termo) de fls. 236/238, a fiscalização constatou as seguintes infrações: 1) O autuado não recolheu nem confessou em DCTF (DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAIS) os seguintes valores provisionados na contabilidade a título de IRPJ: período valor (R$) janeiro de 2005 388.929,83 outubro de 2005 21.781,16 novembro de 2005 169.012,30 dezembro de 2005 706.443,43 setembro de 2006 346.362,61 outubro de 2006 639.455,43 novembro de 2006 1.349.757,75 dezembro de 2006 4.791.530,14 janeiro de 2008 86.288,12 Nas planilhas demonstrativas, a fiscalização esclareceu, ainda, que não foi encontrada a contabilização dos valores de R$ 388.929,83 e R$ 1.378.598,77 Fl. 2934DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 12/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/06/2012 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O Processo nº 12898.000053/201032 Acórdão n.º 140201.062 S1C4T2 Fl. 4 3 (referentes a 2005) e R$ 3.441.772,39 (referente a 2006), que o contribuinte alega ter a título de fonte. 2) Na DCTF relativa ao mês de janeiro de 2007, entregue anteriormente ao inicio da ação fiscal (n° da declaração: 1002.007.2007.18500028285), foi declarado R$ 0,00. Já no curso da ação fiscal, foi entregue a DCTF n°1002.007.2009.1890312108, onde é confessado o valor de R$ 151.590,96 como sendo devido a título de IRPJ. Em virtude da ausência de espontaneidade, o valor é exigido por auto de infração com multa de ofício. 3) A fiscalização intimou o autuado a apresentar os arquivos em meio magnético, relativos a 2007 e 2008, nos formatos estabelecidos pela IN SRF nº 86/2001 e ADE Cofis nº 15/2001 e, após recebêlos e examinálos, detectou as seguintes inconsistências: “a Plano de Contas sem indicação de último nível, com excesso de contas sintéticas no primeiro nível do Plano de Contas, parecendo indicar que há erros nos relacionamentos entre contas; b Plano de Contas com muitas contas sintéticas de último nível, o que indica que faltam os níveis totalizadores, isto é, Ativo, Passivo, Resultado e simples movimentação o Plano de Contas não está estruturado, de forma a permitir se verifique a forma de agrupamento das contas; e c Falta a primeira folha da validação do Sinco (totais de débitos e de créditos).” Intimado a apresentar novos arquivos, o autuado afirmou, em síntese, que "os arquivos contábeis foram entregues após validação no Sistema Integrado de Coleta de Dados (Sinco). Portanto, nenhuma inconsistência nos arquivos poderia existir". Por esse motivo, a fiscalização concluiu que houve violação aos artigos 11 e 12 da Lei nº 8.218/91 e aplicou as multas (de 0,5% da receita bruta) nos valores: 2007: R$ 1.790.873,14 2008: R$ 1.466.537,27 Cientificado da autuação em 04.02.2010 (fl. 274), o autuado apresentou, em 08.03.2010, a impugnação de fls. 280/328, com as seguintes alegações, em síntese: a) A fiscalização não realizou exames suficientes que indicassem se existiam ou não incorreções na IRPJ devido, limitandose a se basear em registros contábeis de provisão; b) A fiscalização não juntou aos autos e não considerou diversas respostas apresentadas, que esclareciam as supostas divergências; c) O lançamento baseiase em indício, já que provisões contábeis representam apenas estimativa de perda de ativo e são incertas até que se concretize um fato, por isso, não exprimem necessariamente crédito tributário devido; Fl. 2935DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 12/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/06/2012 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O Processo nº 12898.000053/201032 Acórdão n.º 140201.062 S1C4T2 Fl. 5 4 d) O lançamento apurou os fatos geradores do IRPJ por períodos trimestrais, desrespeitando a forma de apuração adotada pelo autuado que fora anual; e) Ao contrário do que afirmou a fiscalização, as parcelas retidas na fonte abatidas do IRPJ devido estavam registradas nos livros Razão e Diário, juntados; f)O débito de R$ 151.590,96 referente a janeiro de 2007, ao contrário do que disse a fiscalização, já fora informado na DCTF (mensal) apresentada em 05.03.07, antes portanto, do início do procedimento fiscal. Em 03.04.09, já durante o procedimento fiscal, retificou a DCTF e, por descuido, alterou para R$ 0,00 aquele débito, mas em 11.08.09, ainda durante a ação fiscal, transmitiu nova DCTF, voltando a informar o valor original de R$ 151.590,96; g) A respeito dos arquivos magnéticos, argumentou: 1. Estava dispensada de apresentação dos arquivos em meio magnético referentes a 2008, na forma da IN SRF nº 86/2001, em virtude de ser empresa obrigada à adoção (e adotou) do ECD (Escrituração Contábil Digital), conforme, inclusive, foi ressalvado pela fiscalização na intimação em que solicitou tais arquivos, datada de 20.05.2009; 2. Os arquivos magnéticos foram apresentados em sua devida forma; 3. Após intimado a reapresentar os arquivos, em face das 3 inconsistências, enviou resposta com os seguintes esclarecimentos: todos os arquivos foram validados pelo sistema Sinco, o que implica conformidade aos requisitos do ADE 15/01; deu exemplo da existência de indicação das contas de último nível, bem como da forma de agrupamento e existência de níveis totalizadores; apresentou a folha com os valores totais de débitos e créditos e os documentos de fls. 68/78 e 97/116 (72/82 a 102/121, na numeração digital) demonstram que entregou à fiscalização as folhas de validação do Sinco com totais de débitos e créditos, de 2003 a 2008; e trouxe a primeira folha de validação do Sinco com totais de débitos e créditos 4. Traz mais um exemplo de que o plano de contas já apresentado e validado pelo Sinco contém indicação de contas de último nível (fls. 319/322); 5. A existência de muitas contas sintéticas de primeiro nível justificase pelo fato de que o plano de contas utilizado segue o padrão do Grupo HSBC, de modo que são numerosas as contas sintéticas utilizadas em todas as empresas do Grupo e muitas delas não são utilizadas pelo autuado. Por este mesmo motivo é que as contas de último nível, atreladas às referidas contas sintéticas que não têm movimentação em sua contabilidade, não são informadas no Sinco, conforme exemplo às fls. 322/324; Fl. 2936DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 12/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/06/2012 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O Processo nº 12898.000053/201032 Acórdão n.º 140201.062 S1C4T2 Fl. 6 5 6. É totalmente descabida a alegação da fiscalização de que não há níveis totalizadores de ativo, passivo e resultado, pois o plano de contas informado e validado pelo Sinco tem lógica que permite perfeitamente saber os totais de ativo, passivo e resultado, qual seja: i) Contas 01 a 24 = contas do Ativo; ii) Contas 26 a 49 e 51 a 99 = contas do Passivo, sendo que as contas do grupo 51 a 99 acomodam as contas de resultado devedora e credora; e iii) Contas 25 e 50 = correspondem aos totais das contas de compensação de ativo e passivo, respectivamente; e 7. Assim, deve ser cancelada a multa regulamentar, já que, durante o procedimento fiscal, apresentou os arquivos magnéticos na forma da IN SRF 86/01 e ADE 15/01 e esclareceu os pontos questionados pela fiscalização; e h) A taxa Selic tem natureza de juros remuneratórios de capital de forma competitiva e, por isso, não pode ser aplicada como sanção pelo atraso no cumprimento de uma obrigação. Os fundamentos da decisão recorrida estão resumidos nas seguintes ementas (verbis): PROVA INADEQUADA. INVESTIGAÇÃO INSUFICIENTE. Não é devida a glosa de abatimentos feitos nas estimativas mensais, relativos a retenções na fonte e a estimativas anteriores, sem o exame da legitimidade das quantias abatidas. ESTIMATIVA MENSAL. FALTA DE DECLARAÇÃO. No caso de falta de declaração (ou de recolhimento) de estimativa mensal, o lançamento de ofício deve restringirse à multa isolada, e o valor da estimativa deve ser glosado na apuração do imposto devido anual, para verificação de eventual débito. Não é devida a exigência de ofício da estimativa. MULTA ISOLADA. ARQUIVOS MAGNÉTICOS. É indevida a imposição de multa por inconsistências nos arquivos magnéticos, se o contribuinte apresenta explicações durante a ação fiscal e a fiscalização não diz por que tais explicações seriam inválidas. Impugnação Procedente. Crédito Tributário Exonerado Ato continuo, os autos foram encaminhados ao CARF para apreciação do recurso. É o relatório. Fl. 2937DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 12/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/06/2012 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O Processo nº 12898.000053/201032 Acórdão n.º 140201.062 S1C4T2 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator. O recurso de ofício preenche os requisitos de admissibilidade, dele conheço. O presente processo trata de Auto de Infração lavrado para a cobrança de: (i) Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (“IRPJ”) dos 1º e 4º trimestres de 2003, 3º e 4º trimestres de 2006, 1º trimestre de 2007 e 1º trimestre de 2008, acrescidos de juros de mora e multa de ofício; e (ii) multa regulamentar por suposto não fornecimento de arquivos eletrônicos nos formatos determinados em Lei. Na apreciação da peça impugnatoria, a 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro 1 (“DRJ”) julgou integralmente improcedente a exigência, por entender, em síntese, que: Não houve adequada investigação por parte da Fiscalização que motivasse a conclusão pela existência de saldos de IRPJ a pagar. Ao contrário, as provas e esclarecimentos produzidos pela contribuinte em sua Impugnação demonstraram que não houve qualquer ausência de recolhimento; Inobstante a motivação insuficiente, a autuação ainda padece de erro material insanável, ao estabelecer períodos de apuração trimestrais, enquanto a Recorrida optara pela apuração em bases anuais. Isso porque todos débitos lançados referemse a estimativas de IRPJ, inexigíveis de ofício após o término do anocalendário, quando seria cabível apenas a glosa dos abatimentos indevidos e o lançamento de eventuais diferenças (além da multa isolada no valor das estimativas). A Fiscalização, contudo, não efetuou a necessária apuração anual do imposto para verificar se a falta constatada causaria ou não falta de recolhimento do tributo, e não levou em conta que, em 2005, 2006, 2007 e 2008, a contribuinte apurou e declarou saldos negativos de IRPJ, os quais não foram refutados pela Fiscalização. É indevida a imposição de multa por inconsistências nos arquivos magnéticos, eis que a contribuinte apresentou explicações durante a ação fiscal e a Fiscalização não refutou suas alegações. Passo a reapreciar as matérias em litígio. 1ª infração – Falta de Recolhimento do IRPJ De fato, a partir da comparação dos valores lançados pela contribuinte em sua contabilidade, referentes a provisões contábeis para o pagamento do aludido imposto, com os valores declarados em DCTF, a Fiscalização lançou de oficio as diferenças existentes Todavia, quando não são recolhidas ou declaradas, as estimativas mensais do imposto de renda ou da CSLL, por não serem definitivas, não devem ser exigidas de ofício, Fl. 2938DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 12/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/06/2012 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O Processo nº 12898.000053/201032 Acórdão n.º 140201.062 S1C4T2 Fl. 8 7 mas, sim, glosadas dos abatimentos que integram o cálculo do tributo devido anual, para, se for o caso, procederse ao lançamento da eventual diferença. Conforme asseverado na decisão recorrida, na hipótese, caberia, também, a aplicação da multa isolada de 50% (à época, 75%) do valor das estimativas, conforme estabelece o artigo 44, inciso II (à época, artigo 44, parágrafo 1º) da Lei nº 9.430/96. É isto que determina a Instrução Normativa SRF nº 93/97 (art. 15 e 16). 2ª infração – Falta de Recolhimento da Estimativa A pessoa jurídica que optar pela sistemática tributária do lucro real, poderá apurálo de forma trimestral ou anual, em consonância com os artigos 220 e 221 do Regulamento do Imposto de Renda (“RIR”), e, na hipótese de lançamento de ofício do IRPJ, deverá a autoridade fiscal respeitar a forma de apuração adotada pelo contribuinte. Assim, tal qual verificado na infração anterior, tratandose de exigência de ofício de estimativa de IRPJ (janeiro de 2007), o auto de infração foi feito por período trimestral (o autuado apurou imposto anual – fl. 2.876) e a fiscalização não levou em conta o saldo negativo anual apurado de R$ 3.613.768,96 (fl. 2.878). 3ª infração – Multa isolada em virtude de inconsistências encontradas nos arquivos em meio magnético Quanto a este tópico da autuação, a Fiscalização alegou que a contribuine, ao ser intimada para a apresentação de arquivos magnéticos de sua contabilidade, teria fornecido arquivos com “inconsistências que inviabilizavam sua utilização para os fins propostos” Assim, foilhe imposta a multa regulamentar prevista no artigo 12, inciso I, da Lei nº 8.218/91, em montante equivalente a 0,5% da receita bruta do período, relativamente aos anos de 2007 e 2008. Contudo, em relação ao ano de 2008, a contribuinte nem sequer era obrigada à apresentação dos arquivos no formato estabelecido pela IN SRF nº 86/2001 e pelo ADE Cofis nº 15/2001. Nesse sentido, a própria DRJ assim decidiu: “Como o autuado adotou a sistemática de tributação pelo lucro real (fl.2873) e estava sujeito ao acompanhamento tributário diferenciado, conforme registrado no cadastro CNPJ(fl. 2.879), estava obrigado a adotar a ECD (Escrituração Contábil Digital) e, portanto, dispensado de apresentar arquivos digitais no formato estabelecido pela IN SRF nº 86/2001, para 2008. Logo, não podia ser penalizado. Aliás, tal situação já havia sido ressalvada pela fiscalização, na intimação de fls. 30/32.” (fls. 2.893) Em relação ao demais períodos, a contribuinte atendeu à Intimação da Fiscalização, apresentando as mídias digitais requeridas, todas devidamente validadas, sendo que tais arquivos atenderam aos requisitos exigidos no ADE Cofis nº 15/01. Fl. 2939DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 12/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/06/2012 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O Processo nº 12898.000053/201032 Acórdão n.º 140201.062 S1C4T2 Fl. 9 8 Após receber e examinar os arquivos magnéticos apresentados pelo autuado, a Fiscalização intimouo, em 20.08.2009 (fls. 62/63), a reapresentar os arquivos digitais, tendo em conta as 3 inconsistências verificadas nos arquivos antes entregues: “a Plano de Contas sem indicação de último nível, com excesso de contas sintéticas no primeiro nível do Plano de Contas, parecendo indicar que há erros nos relacionamentos entre contas; b Plano de Contas com muitas contas sintéticas de último nível, o que indica que faltam os níveis totalizadores, isto é, Ativo, Passivo, Resultado e simples movimentação o Plano de Contas não está estruturado, de forma a permitir se verifique a forma de agrupamento das contas; e c Falta a primeira folha da validação do Sinco (totais de débitos e de créditos).” Em 29.01.2010, foi lavrado o auto de infração, baseado no Termo de Verificação Fiscal, no qual a fiscalização, após mencionar aquelas 3 inconsistências antes detectadas, relatou: “Reintimamos, então, a apresentar novos arquivos, uma vez que os já apresentados não atendiam à forma estabelecida. Em resposta, o contribuinte respondeunos afirmando, em síntese, que "os arquivos contábeis foram entregues após validação no Sistema Integrado de Coleta de Dados (Sinco). Portanto, nenhuma inconsistência nos arquivos poderia existir".”. Na apreciação dessa parte do ligitio, os julgadores de 1a. instância posicionaramse nos seguintes termos (...) pelo que se vê nos autos, não é verdadeira a afirmativa de que a resposta do autuado pudesse ser resumida no argumento de que os arquivos não podiam ter inconsistência por terem sido validados no sistema Sinco. Ele realmente disse isso, mas não se limitou a dizer: juntou, também, a folha de validação do Sinco com totais de débitos e de créditos – que era exatamente a falta verificada pela fiscalização e tal validação está nos autos e não foi criticada pela fiscalização. Além desse argumento, ele trouxe esclarecimentos e documentos acerca das duas primeiras inconsistências apontadas pela fiscalização. Assim sendo, para concluir que os arquivos não atendiam à forma estabelecida e aplicar a multa, era necessário que a fiscalização refutasse as respostas trazidas, ou seja, que ela dissesse que os documentos e esclarecimentos eram inválidos ou insuficientes e explicasse por que. Mas não houve qualquer pronunciamento da fiscalização após a resposta recebida em 28.08.2009 e antes da lavratura do auto de infração, a não ser os especificamente relacionados a 2008, e, no Termo de Verificação que embasou o lançamento, a fiscalização limitouse a repetir aquelas 3 inconsistências e nada mais disse sobre a resposta recebida. O caso é de aplicação do artigo 845 do RIR/99, que assim determina: Art. 845. “Farseá o lançamento de ofício, inclusive: Fl. 2940DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 12/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/06/2012 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O Processo nº 12898.000053/201032 Acórdão n.º 140201.062 S1C4T2 Fl. 10 9 (..............). § 1º Os esclarecimentos prestados só poderão ser impugnados pelos lançadores com elemento seguro de prova ou indício veemente de falsidade ou inexatidão.” E, diante da dúvida sobre a prestabilidade dos arquivos disponibilizados, deixada pela fiscalização, é forçosa a aplicação, também, do artigo 112 do CTN (Lei nº 5.172/66), que estabelece: “Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: (......................) II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade;” Em suma, faltou motivação para a imposição da multa aplicada em 2007. (...) Pois bem, nesta parte entendo que a decisão recorrida também não merece reparos. Isso porque a Fiscalização desconsiderou os tempestivos esclarecimentos do contribuinte, que alias são pertinentes, sem qualquer justificativa. Conclusão Diante do exposto, oriento meu voto no sentido de negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 2941DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 12/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/06/2012 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O
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Numero do processo: 10675.906300/2009-61
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Data do fato gerador: 30/06/2001
PIS. COISA JULGADA. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI 9.718/98. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. COMPOSIÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. RECEITAS FINANCEIRAS. INCIDÊNCIA.
A declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98 não alcança as receitas operacionais das instituições financeiras. As receitas oriundas da atividade operacional (receitas financeiras) compõem o faturamento das instituições financeiras nos termos do art. 2º e do caput do art. 3º da Lei 9.718/98 e há incidência da contribuição PIS sobre este tipo de receita, pois estas receitas são decorrentes do exercício de suas atividades empresariais.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-001.078
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl (Relator), Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo. Designado o Conselheiro Flávio de Castro Pontes para redigir o voto vencedor. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Gustavo Lanna Murici, OAB/MG 87.168.
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl (Relator), Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo. Designado o Conselheiro Flávio de Castro Pontes para redigir o voto vencedor. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Gustavo Lanna Murici, OAB/MG 87.168.
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COISA JULGADA. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI 9.718/98. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. COMPOSIÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. RECEITAS FINANCEIRAS. INCIDÊNCIA. A declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98 não alcança as receitas operacionais das instituições financeiras. As receitas oriundas da atividade operacional (receitas financeiras) compõem o faturamento das instituições financeiras nos termos do art. 2º e do caput do art. 3º da Lei 9.718/98 e há incidência da contribuição PIS sobre este tipo de receita, pois estas receitas são decorrentes do exercício de suas atividades empresariais. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl (Relator), Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo. Designado o Conselheiro Flávio de Castro Pontes para redigir o voto vencedor. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Gustavo Lanna Murici, OAB/MG 87.168. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Redator Designado. (assinado digitalmente) SIDNEY EDUARDO STAHL Relator. EDITADO EM: 07/07/2012 Fl. 196DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.906300/200961 Acórdão n.º 380101.078 S3TE01 Fl. 2 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Bordignon, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Sérgio Celani e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo. Fl. 197DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.906300/200961 Acórdão n.º 380101.078 S3TE01 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário em face da nãohomologação parcial de compensação realizada com créditos de PIS decorrentes da decisão judicial transitada em julgado nos autos do Mandado de Segurança nº 2000.38.03.0007782, de autoria da Recorrente, que objetivou a declaração de inconstitucionalidade do artigo 3º, §1º da Lei nº 9.718/98 (ampliação da base de cálculo do tributo). O despacho decisório exarado pela Delegacia da Receita Federal em Uberlândia – MG que vedou parcialmente o direito ao crédito de PIS da Recorrente, baseouse em manifestação da Equipe de Ações Judiciais – EQAJ daquela DRF, exarada em processo fiscal de acompanhamento do Mandado de Segurança acima aludido (Informação Fiscal n°. 0098/2010/DRF/UBE/EGAJ PAJ 10675.000306/0097), que ao analisar o alcance da decisão judicial em questão, acabou por entender que o Recorrente se utilizou de base de cálculo menor do que a devida, pois considerou que as receitas que deverão compor a base de cálculo do PIS das instituições financeiras tais como a Recorrente serão todas aquelas relativas às atividades típicas realizadas por este gênero empresarial, quais sejam, as oriundas das “operações bancárias” em geral, o que culminou na apresentação de Manifestação de Inconformidade pelo Contribuinte. A Manifestação de Inconformidade restou indeferida através do Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora MG, que corroborou o entendimento esposado pela DRF de origem, conforme ementa abaixo transcrita, in verbis: “PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. A base de cálculo do PIS/Pasep para as instituições financeiras e assemelhadas é o faturamento, entendido como a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” A fundamentação apontada pelo acórdão da DRF que sustentou a decisão pode ser extraída dos seguintes trechos: Ao pretender ser tributada apenas em relação aos serviços prestados no seu sentido estrito, intenta a manifestante excluir da incidência da contribuição as receitas provenientes daquelas que constituem justamente as atividades principais do seu objeto, ou seja, as receitas obtidas no exercício das suas atividades empresariais, que são as mais expressivas em termos de riquezas geradas. (…) Ora, as chamadas operações bancárias (“spreads”, prêmios, deságios, juros oriundos da intermediação ou aplicação de Fl. 198DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.906300/200961 Acórdão n.º 380101.078 S3TE01 Fl. 4 4 recursos financeiros próprios ou de terceiros, empréstimos, financiamentos, colocação e negociação de títulos e valores mobiliários, aplicações e investimentos, capitalização, arrendamento mercantil, etc.), se constituem na essência do exercício das atividades empresariais das instituições financeiras. Já os chamados serviços bancários (tarifas de manutenção de conta, de abertura de crédito, de custódia, de administração, etc...), são atividades secundárias e acessórias, executadas unicamente para que a instituição possa desempenhar adequadamente a sua atividade principal. Portanto, correta a autoridade administrativa ao incluir no faturamento da manifestante as receitas relativas a empréstimos, financiamentos, etc…, que são oriundas do exercício das atividades empresariais, como definido na decisão exarada no Recurso Extraordinário 401.3487Minas Gerais. Inconformada, a Contribuinte interpõe o presente Recurso Voluntário, através do qual sustenta possuir direito ao crédito de PIS inicialmente indeferido, porquanto está devidamente amparada por decisão transitada em julgado nos autos do Mandado de Segurança n° 2000.38.03.0007782, o qual, por sua vez, está em consonância com a decisão do Órgão Plenário do Supremo Tribunal Federal que extirpou do ordenamento jurídico o artigo 3º, §1º da Lei nº 9.718/98, ao consignar que a base de cálculo do PIS está atrelada ao conceito estrito de receita bruta de venda de mercadorias e da prestação de serviços. Em suma, alega a Recorrente em suas razões recursais que a receita de prestação de serviços que configura o “faturamento” das instituições financeiras engloba todos os tipos de taxas, tarifas e comissões cobradas pelas instituições para prestar serviços bancários. Por sua vez, a movimentação financeira decorrente de operações bancárias, e não de serviços bancários, está fora do conceito de “faturamento” determinado pelo Supremo Tribunal Federal. À final, requer seja dado provimento ao recurso. É o Relatório. Fl. 199DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.906300/200961 Acórdão n.º 380101.078 S3TE01 Fl. 5 5 Voto Vencido Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, O recurso é tempestivo e reúne os demais pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele se conhece. A lide consiste em se determinar qual a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep, a partir da decisão transitada em julgado no Mandado de Segurança n° 2000.38.03.0007782, da lavra do Ministro Cezar Peluso, no Recurso Extraordinário 401.348 7, de autoria da Recorrente, a seguir transcrita: DECISÃO: 1. Tratase de recurso extraordinário interposto contra acórdão que declarou a constitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, relativo ao alargamento da base de cálculo do PIS. 2.Consistente o recurso. A tese do acórdão recorrido está em aberta divergência com a orientação da Corte, cujo Plenário, em data recente, consolidou, com nosso voto vencedor declarado, o entendimento de inconstitucionalidade apenas do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, violando assim a noção de faturamento pressuposta na redação original do artigo 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais (cf. RE nº 346.084PR, Rel. orig. Minº ILMAR GALVÃO; RE nº 357.950RS, RE nº 358.273RS e RE nº 390.840MG, Rel. Minº MARCO AURÉLIO, todos julgados em 09.11.2005. Ver Informativo STF nº 408, p. 1). 3.Diante do exposto, e com fundamento no artigo 557, § 1ºA, do CPC, conheço do recurso e doulhe provimento, para, concedendo a ordem, excluir, da base de incidência do PIS, receita estranha ao faturamento do recorrente, entendido esse nos termos já suso enunciados. Custas ex lege. Publiquese. Int.. Brasília, 28 de novembro de 2005. Ministro CEZAR PELUSO Relator O ponto fulcral, do presente processo, portanto, é determinar, conforme apontado no relatório e na decisão supra se, sobre os montantes recebidos pelas instituições financeiras a título de remuneração decorrente do pagamento de operações de empréstimos bancários, “spreads”, prêmios, deságios, juros oriundos da intermediação ou aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros, financiamentos, colocação e negociação de títulos Fl. 200DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.906300/200961 Acórdão n.º 380101.078 S3TE01 Fl. 6 6 e valores mobiliários, aplicações e investimentos, capitalização, arrendamento mercantil, etc. – as chamadas intermediações financeiras – incide ou não a contribuição para o PIS/Pasep. Isso decorre do entendimento esposado de que o significado de faturamento ao qual está obrigada a Recorrente é o de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. Além desse entendimento, apontou o Ministro Relator, ainda, que seu entendimento se substancia no que foi decidido nos Recursos Extraordinários nº 346.084PR, nº 357.950RS, RE nº 358.273RS e RE nº 390.840MG. Lembremonos que o regime legal aplicável às instituições financeiras com relação ao PIS é o da Lei 9.718/1998 por expressa disposição do inciso I, do artigo 8º da Lei nº 10.637/20021. A norma assim define a base de incidência da contribuição: Artigo 2º As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei.(Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) Artigo 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica.(Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) §1º Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) (...) O confronto da norma e da decisão do Min. Cezar Peluso supra citada serviram para a decisão da DRF de Juiz de Fora, ora atacada. Assim expressou a decisão da DRJ: Como se vê na decisão acima, o Ministro Cezar Peluso definiu que a base de cálculo da contribuição é o faturamento, assim entendido como sendo a receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação dc serviços de qualquer natureza. Logo à frente, o Exmo. Senhor Ministro esclarece que o faturamento é a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. 1 Art. 8º Permanecem sujeitas às normas da legislação da contribuição para o PIS/Pasep, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 6º: I – as pessoas jurídicas referidas nos §§ 6º, 8º e 9º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998 (parágrafos introduzidos pela Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001), e Lei nº 7.102, de 20 de junho de 1983;... Fl. 201DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.906300/200961 Acórdão n.º 380101.078 S3TE01 Fl. 7 7 Portanto, é necessário delimitar qual a composição do faturamento das instituições financeiras, ou para melhor se adequar à decisão transitada em julgado, qual é a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais desse tipo de empresa. As instituições financeiras têm tratamento jurídico diferenciado em relação às empresas que exercem outras atividades. Seu objeto social é distinto e, por consequência, o conceito de faturamento em relação a elas deve ser examinado de forma diferenciada. No Recurso Extraordinário n° 346.0846PR, citado na Decisão em questão, o mesmo Ministro Cezar Peluso manifestou, em seu voto que o faturamento deve ser entendido resultado econômico das operações empresariais típicas, enquanto representação quantitativa do fato econômico tributado”. E continuou o julgador “a quo”: Então, quais seriam as receitas operacionais típicas das instituições financeiras e assemelhadas? São elas, evidentemente, as decorrentes da intermediação de operações a da prestação de serviços de natureza financeira: empréstimos, financiamentos, colocação e negociação de títulos e valores mobiliários, aplicações e investimentos, capitalização, arrendamento mercantil, etc... Configurase, assim, uma situação sui generis devido às especificidades e particularidades desta atividade econômica, totalmente diferente da atuação das pessoas jurídicas eminentemente comerciais ou das demais prestadoras de serviços. (...) Diferentemente do que afirma a manifestante, o faturamento das instituições financeiras vai muito além do que a simples receita proveniente da cobrança de tarifas (de manutenção de conta, de abertura de crédito, de custódia, de administração, etc...), abrangendo um outro universo de receitas típicas e características da atividade financeira. Ao pretender ser tributada apenas em relação aos serviços prestados no seu sentido estrito, intenta a manifestante excluir da incidência da contribuição as receitas provenientes daquelas que constituem justamente as atividades principais do seu objeto, ou seja, as receitas obtidas no exercício das suas atividades empresariais , que são as mais expressivas em termos de riquezas geradas. Apesar do entendimento aparentemente conclusivo apresentado na decisão da DRJ, tenho que o exame da matéria merece maior cuidado especialmente para dar ampla segurança à relação fisco/contribuinte, quanto ao sentido dado pelo Ministro Peluso ao faturamento que abrange “as receitas oriundas do exercício das atividades empresariais”. Fl. 202DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.906300/200961 Acórdão n.º 380101.078 S3TE01 Fl. 8 8 O PIS (Programa de Integração Social) teve sua concepção na Constituição de 1967, que, em seu artigo 158, V, previa: “Artigo 158. A Constituição assegura aos trabalhadores os seguintes direitos, além de outros que, nos termos da lei, visem à melhoria, de sua condição social: (...) V – integração do trabalhador na vida e no desenvolvimento da empresa, com participação nos lucros e, excepcionalmente, na gestão, nos casos e condições que forem estabelecidos.” A Emenda Constitucional nº 1/69 repetiu a previsão em seu artigo 165, V, com redação quase homônima. Com esse fundamento, foi editada a Lei Complementar nº 7/70, que instituiu o Programa de Integração Social, “destinado a promover a integração do empregado na vida e no desenvolvimento das empresas”. Para alcançar esse objetivo, a Lei Complementar nº 7/70 instituiu um Fundo de Participação, a ser constituído por depósitos efetuados pelas empresas – conceituadas como pessoas jurídicas nos termos da legislação do Imposto de Renda – na Caixa Econômica Federal. Até então, a Constituição Federal não previa uma basedecálculo determinada para o PIS, limitandose a falar de “participação nos lucros” da empresa. A Lei Complementar nº 7/70 determinou que a basedecálculo seria o faturamento, mas não o definiu. Diante disso, o Banco Central editou a Resolução nº 174/71, que considerou faturamento, corretamente e conforme o sentido laico, a receita operacional das empresas. A legislação do PIS sofreu alterações nos anos seguintes, por meio das Leis Complementares nºs 17/73 – que instituiu um adicional de 0,125% à alíquota incidente sobre o faturamento em 1975 e 0,25% para os anos subsequentes – 19/73 – que determinou a aplicação unificada dos recursos do PIS e do Pasep (Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público, instituído pela Lei Complementar nº 8/70) – e 26/75 – que criou o Fundo Unificado PIS/Pasep. De acordo com a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, o PIS/PASEP tinha, até a edição da Emenda Constitucional nº 8/77, natureza tributária. Com a EC nº 8/77, contudo, perdeu essa natureza, pois a Emenda incluiu um novo inciso no artigo 43 da Carta de 1969 – que tratava das atribuições do Poder Legislativo –, separando a contribuição social ao PIS/PASEP dos tributos. Em 1988, o Decretolei nº 2.445, com algumas mudanças instituídas pelo Decretolei nº 2.449, alterou a alíquota e a base de cálculo do PIS/PASEP, que passaria a ser calculado à base de “sessenta e cinco centésimos por centro da receita operacional bruta”, conceituada, naquele instrumento como “o somatório das receitas que dão origem ao lucro operacional, na forma da legislação do imposto de renda”, admitidas algumas exclusões e deduções estabelecidas no próprio decretolei. Os dois decretoslei geraram grande polêmica e terminaram por ser repelidos pelo Supremo Tribunal Federal, sob o argumento de inconstitucionalidade perante a Carta de 1969, pois, embora esta outorgasse ao Presidente da República competência expressa para Fl. 203DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.906300/200961 Acórdão n.º 380101.078 S3TE01 Fl. 9 9 baixar decretoslei referentes às finanças públicas, inclusive matéria tributária, entendiase que o PIS/PASEP não tinha mais natureza tributária, ou mesmo de finanças públicas, não podendo ser objeto de decretolei. A questão da alteração da definição basedecálculo foi meramente tangenciada por alguns ministros, não constituindo a razão da inconstitucionalidade dos dois decretoslei. Analisando essa questão, o MinistroRelator Carlos Velloso apenas lembrou que a Constituição então vigente não havia especificado a basedecálculo do PIS e que, consoante a Resolução Bacen nº 174/71, o “faturamento” da LC 7/70 era, na realidade, a receita operacional, ou seja, quando se usava o termo receita operacional, esse estava sendo usado como sinônimo de faturamento, de modo que “nada teria sido alterado, portanto”. A nova Constituição Federal entrou em vigor logo em seguida, recepcionando o PIS/PASEP expressamente em seu artigo 239. A Constituição de 1988, além disso, arrolou, em seu artigo 195, as bases de cálculo que poderiam ser utilizadas para financiamento da seguridade social, como segue: “Artigo 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I dos empregadores, incidente sobre a folha de salários, o faturamento e o lucro; II dos trabalhadores; III sobre a receita de concursos de prognósticos.” Em 30 de outubro de 1998 foi publicada a Medida Provisória nº 1.724, posteriormente convertida na Lei nº 9.718/1998 estando as instituições Financeiras obrigadas a tributar o PIS (e a COFINS) sob a sua égide. A discussão que se travou circundou os conceitos de receita bruta e faturamento. O conceito de faturamento já havia sido examinado pelo Pleno do STF no Recurso Extraordinário nº 150.7551, gerando acirrado debate entre, de um lado, os Ministros Carlos Velloso e Marco Aurélio – que sustentavam a inconstitucionalidade do artigo 28 da Lei 7.738/89, argumentando que “faturamento” e “receita bruta” são termos distintos – e, de outro, o Ministro Sepúlveda Pertence – que alegava que, em uma interpretação conforme a Constituição, os dois termos poderiam ser considerados equivalentes. Segundo o Ministro Sepúlveda Pertence, “a substancial distinção pretendida entre receita bruta e faturamento – cuja procedência teórica não questiono –, não encontra respaldo atual no quadro do direito positivo pertinente à espécie, ao menos, em termos tão inequívocos que induzisse, sem alternativa, à inconstitucionalidade da lei”. Mesmo porque, arguia o Ministro, “antes da Constituição, precisamente para a determinação de base de cálculo do Finsocial, o DecretoLei 2.397, 21.12.87, já restringira, para esse efeito, o conceito de receita bruta a parâmetros mais limitados que o de receita Fl. 204DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.906300/200961 Acórdão n.º 380101.078 S3TE01 Fl. 10 10 líquida de vendas e serviços, do Decreto Lei 1.589/77, de modo, na verdade, a fazer artificioso, desde então, distinguilo da noção corrente de faturamento”. Diante disso, o Ministro Carlos Velloso retrucou, afirmando que “a autorização (da CF/88) é para que a incidência seja sobre faturamento e não sobre receita bruta – é o inciso I do artigo 195. Mas S. Exa. Parece que equiparou receita bruta a faturamento, o que também não me parece adequado fazer”. Ao seu auxílio, veio o Ministro Marco Aurélio, afirmando que “não posso atribuir ao legislador a inserção de expressões, a inserção de vocábulos em preceitos de lei sem o sentido vernacular, e, aqui, mais do que o sentido vernacular, temos o sentido técnico. (...) Senhor Presidente, não posso dizer que receita bruta consubstancia sinônimo de faturamento”. O Ministro Sepúlveda Pertence então reconheceu que “há um consenso: faturamento é menos que receita bruta”, mas reiterou que a lei tributária chamou “receita bruta o que é faturamento. E aí, ela se ajusta à Constituição”. Em outras palavras, que faturamento e receita bruta são diferentes, mas a legislação infraconstitucional restringiu tanto o conceito de receita bruta que terminou por equiparálo ao conceito de faturamento, não infringindo, portanto, a Constituição. A divergência persistiu, mas a maioria dos Ministros terminou optando pela posição do Ministro Sepúlveda Pertence. Assim, o acórdão foi tomado por maioria de votos, no sentido de “dar provimento ao recurso para declarar a constitucionalidade do artigo 28 da Lei nº 7.738/89, considerada a expressão “receita bruta” como correspondente a “faturamento”. Mas, o que havia naquele momento era o entendimento que se restringiu de tal forma a receita bruta que, apesar de ser nominada desse modo, tratavase, na verdade, de faturamento. É como se houvesse a determinação de incidir um tributo sobre carros de passeio e se fizesse incidilo sobre automóveis, tendo um, por sinônimo de outro. Assim dispunha o artigo: “Artigo 28. Observado o disposto no artigo 195, § 6º, da Constituição, as empresas públicas ou privadas, que realizam exclusivamente venda de serviços, calcularão a contribuição para o FINSOCIAL à alíquota de meio por cento sobre a receita bruta.” O que entendeu o Supremo é que o termo “receita bruta” constante no artigo significava faturamento, nada mais, nunca disse, portanto, que receita bruta e faturamento são a mesma coisa. Esse é o primeiro cuidado que devemos tomar. Assim, tendo o STF acatado a equiparação entre “faturamento” e “receita bruta” para os fins do artigo 28 da Lei nº 7.738/89, pretendeuse estender esse entendimento errôneo ao PIS/PASEP, por meio da edição da Lei nº 9.718/98, que alterou a base de cálculo do PIS/PASEP no seguinte sentido: “Art 2º As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão Fl. 205DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.906300/200961 Acórdão n.º 380101.078 S3TE01 Fl. 11 11 calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Art 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. § 1º Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. Tentando evitar que a polêmica entre os conceitos de “receita bruta” e “faturamento” fosse reavivada – num ato de confissão de incapacidade de planejamento – o Congresso Nacional resolveu dar maior respaldo constitucional à Lei nº 9.718/98 e fêlo por meio da Emenda Constitucional nº 20/98, que alterou o artigo 195 da Carta Maior, incluindo a “receita” expressamente entre as possíveis bases de cálculo para as contribuições sociais, como segue: Artigo 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre:(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício;(Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) b) a receita ou o faturamento;(Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) c) o lucro;(Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) Assim, a partir da Emenda Constitucional nº 20, de 1998, a Constituição Federal passou a autorizar a União a tributar a (totalidade da) receita dos contribuintes, ou seja, modificada a Constituição, não mais se discute que, a partir de 16/12/1998, o legislador federal passou a ter competência para editar uma nova lei instituindo contribuições sociais com base de cálculo composta por qualquer receita da pessoa jurídica. Após a EC 20/98, a base de cálculo das contribuições para o PIS e para a COFINS não mais estão limitadas ao faturamento das empresas. Porém, considerando que a Lei nº 9.718/98 foi publicada antes da promulgação da Emenda Constitucional nº 20/98, que modificou a redação do artigo 195 da Constituição Federal para outorgar competência à União Federal para instituição de contribuição social sobre receita, o Plenário do Supremo Tribunal Federal julgou inconstitucional aquele § 1º do artigo 3º da referida Lei nº 9.718/98, valendo transcrever o seguinte excerto da ementa do acórdão proferido no RE nº 390.485: Fl. 206DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.906300/200961 Acórdão n.º 380101.078 S3TE01 Fl. 12 12 “CONTRIBUIÇÃO SOCIAL – PIS – RECEITA BRUTA – NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvidas e da classificação contábil adotada.” (grifo nosso). Com base nesta decisão, os diversos processos pendentes de julgamento perante o Supremo Tribunal Federal passaram a ser julgados monocraticamente por seus Ministros, com fundamento no artigo 557, § 1ºA do CPC. Ocorre, porém, que nos processos de sua Relatoria, o ilustre Ministro Cezar Peluso tem proferido decisões do seguinte teor: “2. Consistente, em parte, o recurso. Uma das teses do acórdão recorrido está em aberta divergência com a orientação da Corte, cujo Plenário, em data recente, consolidou, com nosso voto vencedor declarado, o entendimento de inconstitucionalidade apenas do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, violando assim a noção de faturamento pressuposta na redação original do artigo 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais (cf. RE nº 346.084PR, Rel. orig. Minº ILMAR GALVÃO; RE nº 357.950RS, RE nº 358.273RS e RE nº 390.840MG, Rel. Minº MARCO AURÉLIO, todos julgados em 09.11.2005. Ver Informativo STF nº 408, p. 1). 3. Diante do exposto, e com fundamento no artigo 557, § 1ºA, do CPC, conheço do recurso e doulhe parcial provimento, para, concedendo, em parte, a ordem, excluir, da base de incidência do PIS e da COFINS, receita estranha ao faturamento das recorrentes, entendido esse nos termos já suso enunciados. Custas em proporção.” (grifos nossos). Do mesmo modo seguiu a decisão que baliza o presente processo, ante citada. A decisão tomou por referência o julgamento do RE nº 390.840MG com idêntico teor dos demais citados e tem por núcleo a noção de faturamento conforme a redação original do artigo 195, I, b, da Constituição Federal. No acórdão, o Supremo Tribunal Federal concluiu pela declaração de inconstitucionalidade do § 1o do artigo 3o da Lei nº 9.718/1998: “Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade Fl. 207DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.906300/200961 Acórdão n.º 380101.078 S3TE01 Fl. 13 13 por ela exercida e a classificação contábil adotada pelas receitas”, cujo caput prescreve: “O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica”. Em questão estava a constitucionalidade da correspondência estabelecida pela Lei entre faturamento e receita bruta, nos termos em que essa fora definida.” A análise daquele RE foi baseada exclusivamente na violação do princípio da supremacia da Constituição, conforme o voto do Ministro Cezar Peluso, as duas razões teriam ocorrido para a inconstitucionalidade. A uma: de ordem material, pelo conteúdo do § 1o do artigo 3o da Lei nº 9.718/98, que ampliava o conceito de receita bruta para “toda e qualquer receita”. O sentido dado ao conceito afrontaria a noção de faturamento pressuposta no artigo 195, I, b da Constituição Federal. A duas: de ordem formal, pois, pelo artigo 195, § 4º, sendo o legislador competente para “criar outras fontes” de custeio da seguridade social, não agiu em conformidade com o artigo 154, I da Constituição Federal2. Quanto à inconstitucionalidade formal, diz o Ministro Peluso, em seu voto vista, que, na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º, não houve usurpação de competência (incompetência orgânica), mas violação do disposto no artigo 154, I, c/c o disposto no artigo 195, § 4o (incompetência procedimental). Afinal, se, de um lado, à época, o artigo 195, I, da CF não previa a receita como fonte, o legislador ordinário, se quisesse prevê la, poderia terse valido do § 4º do artigo 195, mas desde que c/c o artigo 154, I, cujo preceito, porém, descumpriu. Quanto à inconstitucionalidade material, teria havido desconformidade entre a definição adotada na Lei para receita bruta, cujo sentido violava a significação adotada pela jurisprudência do STF como equivalente a de faturamento. Porém, ao final, o voto conferiu, mediante interpretação conforme a Constituição, ao termo receita bruta, (constante do caput do artigo 3º e nele equiparado a faturamento), o sentido de receita bruta de venda de mercadorias e prestação de serviços, de acordo com jurisprudência anterior do STF. A questão nuclear da inconstitucionalidade está, pois, localizada no sentido atribuído pelo legislador ao conceito de receita bruta, ao qual a expressão constitucional faturamento fora equiparada. Em seu voto, o Ministro Cezar Peluso examinou o sentido de receita bruta, primeiro, para distinguilo do de faturamento, e, assim, declarar inconstitucional o referido § 1º do artigo 3º e, ao depois, para equiparar um ao outro conforme o sentido atribuído a faturamento na jurisprudência anterior do STF, a fim de manter o caput do artigo 3º mediante interpretação conforme a Constituição. Ao fazêlo, no entanto, o Ministro Peluso estabeleceu a referida equiparação nos seguintes termos: “Quanto ao caput do artigo 3º, julgoo constitucional para lhe dar interpretação conforme a Constituição, nos termos do julgamento proferido no RE nº 150.755/PE, que tomou a locução receita bruta como sinônimo de faturamento, ou seja, no significado de ‘receita bruta de venda de mercadoria e de prestação de serviços’, adotado pela legislação anterior, e que, a 2 Art. 154. A União poderá instituir: I mediante lei complementar, impostos não previstos no artigo anterior, desde que sejam nãocumulativos e não tenham fato gerador ou base de cálculo próprios dos discriminados nesta Constituição; Fl. 208DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.906300/200961 Acórdão n.º 380101.078 S3TE01 Fl. 14 14 meu juízo, se traduz na soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais” (grifei). O posicionamento mencionado parece conduzir ao entendimento de que receita bruta e faturamento não se confundem. Nem receita bruta, em termos de faturamento, se reduz a receita, pois nem toda receita é operacional. Mas, se, sob receita operacional, para efeito de significado estrito de receita bruta, entendese receita bruta de vendas e serviços, que significa: ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais típicas. O problema suscita um prévio exame de questões referentes à determinação de um conceito. Primeiro, é preciso entender a congruência entre o sentido de receita bruta e de faturamento em termos de venda de mercadoria e de prestação de serviços, de modo a permitir a equivalência: “ou seja, a soma das receitas oriundas do exercício de atividades empresariais típicas”. “Mas o acórdão rechaçou também o argumento que aceitava uma espécie de “constitucionalidade superveniente”, por força da EC nº 20/98, que alterara o artigo 195, I da Constituição Federal. Aqui aparece também um problema de determinação do conceito. Afinal, essa nova formulação constitucional (a receita e o faturamento) conduz à necessária distinção que se há de fazer, para o futuro, entre faturamento e receita. Essa atual distinção constitucional há de ser compatível com o sentido que foi atribuído pelo acórdão para conferir, mediante interpretação conforme, constitucionalidade à expressão receita bruta constante do caput do artigo 3º da Lei nº 9.718/98.” Daí a seguinte questão: se, na formulação vigente (pós EC nº 20/98), a Constituição admite duas fontes distintas, a receita ou o faturamento, qual a diferença entre receita bruta, equiparada a faturamento pelo voto do Ministro Peluso, e a receita, conforme a nova expressão constitucional? Becker3 explica que “não existe um legislador tributário distinto e contraponível a um legislador cível ou comercial. Os vários ramos do direito não constituem compartimentos estanques, mas são partes de um único sistema jurídico, de modo que qualquer regra jurídica exprimirá sempre uma única regra (conceito ou categoria ou instituto jurídico) válida para a totalidade daquele único sistema jurídico. Essa interessante fenomenologia jurídica recebeu a denominação de cânone hermenêutico da totalidade do sistema jurídico. Com toda razão, o Professor da Universidade de Roma, Emilio Betti, especialista em hermenêutica, roga atenção para o deplorável fato de grande parte dos juristas ainda não terem demonstrado o mínimo indício de conhecer e compreender esse fundamental cânone hermenêutico da totalidade do sistema jurídico. Da fenomenologia jurídica acima indicada decorre o seguinte: uma definição, qualquer que seja a lei que a tenha enunciado, deve valer para todo o direito; salvo se o legislador expressamente limitou, estendeu ou alterou aquela definição ou excluiu sua aplicação num determinado setor do direito; mas para que tal alteração ou limitação ou exclusão aconteça é indispensável a existência de regra jurídica que tenha disciplinado tal limitação, extensão, alteração ou exclusão. Portanto, quando o legislador tributário fala de 3 Teoria Geral do Direito Tributário, p. 122/123, com itálicos do original. Fl. 209DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.906300/200961 Acórdão n.º 380101.078 S3TE01 Fl. 15 15 venda, de mútuo, de empreitada, de locação, de sociedade, de comunhão, e incorporação, de comerciante, de empréstimo, etc., devese aceitar que tais expressões têm dentro do direito tributário o mesmo significado que possuem no outro ramo do direito, onde, originariamente, entraram no mundo jurídico. Lá, por ocasião de sua entrada no mundo jurídico, é que houve uma deformação ou transfiguração de uma realidade préjurídica (exemplo: conceito de Economia Política; instituto da Ciência das Finanças públicas). Recomenda Luigi Vittorio Berliri o abandono, de uma vez para sempre, do arbitrário expediente de atribuir ao legislador tributário (como se fosse um outro legislador e, ainda por cúmulo, ignorante de direito) uma linguagem sua própria que atribuiria a palavra ou expressão que tem um bem preciso e conhecido significado jurídico, um esquisito significado novo de Direito Tributário. O “marido” de direito tributário – com razão adverte Luigi Vittorio Berliri – não pode ser outro que o marido do direito civil e canônico, isto é, aquele que é unido à mulher pelo vínculo do matrimônio. O “grau de oficial” ao qual se refere o artigo 7º da lei do imposto de renda, não pode ser outro que aquele decorrente dos regulamentos militares. Exatamente como a “maltose”, o “tártaro” e o “cróton” aos quais as normas tributárias fazem referência (a propósito do imposto de fabricação sobre glicose e sobre os óleos de sementes), não podem ser senão a maltose, o tártaro e o cróton da merceologia. Tanto não é possível pensar em um marido (“de direito tributário”), em uma enfiteuse, em uma servidão, em uma hipoteca (“de direito tributário”), em um oficial, em um domínio útil, em um débito quirografário (“de direito tributário”), quanto impossível seria pensar em uma maltose, um tártaro e um cróton (“de direito tributário”). As definições provocadas por Becker correspondem, conforme exemplifica, às significações diuturnas e técnicas do termo, dentro do sentido que lhe dá a norma. Entretanto, o genial doutrinador peca por entender que o legislador toma as normas realizando uma deformação ou transfiguração de seu sentido. Certamente não. Têm, na norma jurídica formalizada, o mesmo sentido que têm em cada um dos seus usos normais. Se o legislador viesse a criar um imposto incidente sobre o uso de cadeiras, apenas exemplificando para fins didáticos, “cadeira” seria tomada no sentido comum do termo, peça do mobiliário e nenhum outro sentido senão o comum. Quando a lei fala em comprar, vender, emprestar ou alugar não é necessário fazer qualquer outra definição senão a praticada ordinariamente, salvo se o termo por si só seja técnico. Essa prática, de se entender que todos os termos têm um significado jurídico ao serem empregados na norma, é uma prepotência da ciência, clara e compreensível, oriunda mais de uma necessidade de precisão científica do que da realidade, mas não é uma provável verdade da norma. Decerto o legislador oriundo de diversas formações não se preocupa em entender os termos técnicos empregados na norma antes de propôla. Se, por ex., o legislador tivesse que determinar o uso obrigatório de uma calça por uma categoria profissional em épocas diferentes seguramente se referiria ao termo de época, determinaria o uso de calça jeans ou blue jeans em um momento histórico, calça de brim azul em outro ou, como era conhecida antigamente, calça rancheira. Por isso, fizemos o pressuposto ligado à linguagem e ao tempo. Por outro lado, um termo técnico como enfiteuse, elisão ou evicção seria tomado no seu sentido técnico porque nenhum outro sentido poderia ser usado senão esse, mas atentemos que, em caso de existir um termo de significado corrente e um significado técnico, o termo pode ser tomado em qualquer significado – digamos que seja “transfusão”, referindose à Fl. 210DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.906300/200961 Acórdão n.º 380101.078 S3TE01 Fl. 16 16 necessidade de que se usem equipamentos descartáveis para a coleta de sangue e transfusão do mesmo, por ex., mas é importante lembrar que ninguém precisa de um conhecimento técnico para saber o que significa “transfusão”. Assim, a linguagem do legislador é meramente comum, não técnica, não havendo, portanto, qualquer necessidade de se definir o termo “tributo” na lei porque o termo já é conhecido pela linguagem comum, ou seja, todos sabemos a que se refere quando a lei fala em tributo ou, em outro giro, qual é a acepção tomada pelo legislador no uso do termo. Entretanto, no caso do conceito dado ao elemento receita para fins de incidência do PIS (e da COFINS) a questão não é tão simples. Receita é um termo plurívoco mesmo na linguagem comum. Tem diversos significados e alcances. Pode referirse à culinária aonde corresponde a indicação minuciosa sobre a quantidade dos ingredientes e a maneira de preparar um prato salgado ou doce; pode se referir à farmácia aonde compreende uma fórmula para preparação de um medicamento; à medicina, que corresponde à própria prescrição; ou, àquilo que nos interessa, ao conceito contábil. A questão da definição de faturamento em termos de receita bruta gira, pois, em torno do sentido conotativo (qualificação do conceito: atributos que lhe são próprios) e do seu sentido denotativo (delimitação do conceito: extensão de objetos abrangidos). Sob esses dois aspectos é que se deve entender o sentido conferido à significação da expressão receita bruta como equivalente a faturamento. Sobre isso, voltarei ao que foi decidido no Recurso Extraordinário nº 150.7551 aonde ficou claro que receita e faturamento são distintos e que faturamento é menos que receita bruta. Portanto, tomoos como distintos. Pela nova dicção do artigo 195, por força da referida Emenda, passou a Constituição Federal a determinar como fonte das contribuições o faturamento ou a receita. A expressão “incidentes sobre a receita ou o faturamento” aponta, agora, para diferentes hipóteses de incidência ou fatos geradores distintos. Assim, ainda que, ad argumentandum, se admitisse que a intenção do constituinte derivado pudesse ter sido “espletiva”, objetivamente, a nova redação constitucional não equiparou os conceitos. Apenas estendeu a possibilidade da base de cálculo, antes restrita ao faturamento, também para a receita. Nesse sentido, observese, inicialmente, que, no caso em tela, pela nova redação, o “ou” tem função disjuntiva e não conjuntiva, como se observa pelo uso dos demonstrativos (“a receita ou o faturamento”). Destarte, o novo dispositivo, trazido pela Emenda Constitucional, ao contrário do que se possa pensar, reforça a tese de que, na Constituição Federal, mormente para efeitos fiscais, faturamento e receita são conceitos distintos, ainda que ou um ou outro possam configurar base de cálculo de contribuição social. Faturar, conforme diapasão do próprio Supremo é a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços de qualquer natureza. Fl. 211DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.906300/200961 Acórdão n.º 380101.078 S3TE01 Fl. 17 17 O conceito de faturamento advém além do conceito contábil, da Lei nº 5.474/68, segundo a qual a fatura tem a função de documentar a efetivação de vendas mercantis ou de prestações de serviços. Nesse sentido, o termo “faturamento” referese tanto ao ato de expedição do documento que representa a venda da mercadorias ou a prestação de serviços, como à própria receita proveniente dessas operações. Fora dessas duas atividades, não há que se falar em faturamento. Conforme ante examinado, o uso da expressão faturamento, antes da EC nº 20/98, tem seu sentido conotativo determinado por venda: “vendas de mercadorias e de mercadorias e serviços, de qualquer natureza”. Nesses termos, alcança o sentido estrito de receita bruta. Ou seja, receita bruta, desde que tomada em sentido estrito, pode ser equiparada à expressão constitucional faturamento. Já com a introdução da expressão “receita”, porém, o seu conceito deve ser devidamente separado do de faturamento. A receita há de se entender esta como as quantidades de valor financeiro, originários de outro patrimônio, cuja propriedade é adquirida pela sociedade empresária ao exercer as atividades que constituem as fontes do resultado, conforme o tipo de atividade por ela exercida. Nesse sentido, a receita, constante da nova redação do art. 195, I, à diferença de o faturamento, passa a constituir um conceito “alargado”, qualquer valor auferido, que abrange a classe genérica da receita como base de cálculo. Como classe genérica, receita passa a referirse às atividades da sociedade que constituem as fontes do resultado, conforme o tipo de atividade por ela exercida. Nessa classe genérica está o conceito lato de receita bruta, que, então sim, incorpora outras modalidades de ingresso financeiro: royalties, aluguéis, rendimento de aplicações financeiras, indenizações etc. Mas não as incorpora no conceito estrito de receita bruta. E nisso se distingue de faturamento, enquanto vendas faturadas e não faturadas, isto é, todas as vendas. Pareceme, diante disso, que o entendimento da questão exige uma consideração mais detalhada do termo receita bruta, mormente quando referida a receita operacional, para adequála ao faturamento no sentido constitucional. Com efeito, o tratamento do termo faturamento como “a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza” generalizouse com o advento da LC nº 70/91, que assim o definiu em seu artigo 2º. Porém, como disse o Min. Carlos Britto (em seu voto no RE nº 346.084–6 PR): “Tudo estaria pacificado não fosse o advento da Lei Ordinária nº 9.718, de 1998 (...), que equiparou os termos ‘faturamento’ e ‘receita bruta’, não exclusivamente operacional”. Receita operacional, segundo o Ministro Carlos Britto, remete ao mencionado Decretolei nº 2.297/1987, artigo 22, § 1º, alínea “a”: “a receita bruta das vendas de mercadorias e de mercadorias e serviços, de qualquer natureza, das empresas públicas ou privadas definidas como pessoa jurídica ou a elas equiparadas pela legislação do Imposto de Renda”. Fl. 212DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.906300/200961 Acórdão n.º 380101.078 S3TE01 Fl. 18 18 E completa: “receita operacional é a receita bruta de tais vendas ou negócios, mas não incorpora outras modalidades de ingresso financeiro: royalties, aluguéis, rendimento de aplicações financeiras, indenizações etc.”. Nesse passo, é inevitável o recurso ao sentido técnico dos temos. A expressão receita está diretamente vinculada ao resultado da empresa. A formação do resultado decorre dos processos de mutação patrimonial das diversas categorias que compõem os elementos do custo e da receita4. Receita definese, segundo o autor, como a “quantidade de valor financeiro, originários de outro patrimônio, cuja propriedade é adquirida pela sociedade empresária ao exercer as atividades que constituem as fontes do resultado” 5. Mais especificadamente esclarece Bulhões Pedreira que receita “é o valor financeiro cuja propriedade é adquirida por efeito do funcionamento da sociedade empresária. As quantidades de valor financeiro que entram no patrimônio da sociedade em razão do seu financiamento e capitalização não são receitas; na transferência de capital de terceiros a sociedade adquire apenas o poder de usar o capital; na de capital próprio adquire a propriedade de capital destinado a aumentar seu capital estabelecido” 6. Nesses termos, receita e resultado não se confundem: o segundo é mais extenso (conceito denotativo) que o primeiro. Ou seja, por força dessa distinção será possível dizer que receita tem a ver com valores cuja propriedade, sendo adquirida por força do funcionamento da empresa (atividade típica, receita operacional), excluiria a receita não operacional. Já a receita bruta designa a contraprestação da venda de bens e serviços, enquanto valor financeiro cuja disponibilidade a empresa adquire com a venda de bens ou a prestação de serviços. Nesse sentido, distinguese da receita líquida, que é aquele valor, “diminuído de deduções e abatimentos e dos tributos cujo fato gerador seja a venda dos bens ou o fornecimento dos serviços” 7. Só a receita bruta nesse sentido estrito é que equivale a faturamento. Já o conceito de receita, como a nova fonte instituída pela EC nº 20/98, é que significaria quantidade de valor financeiro, originário de outro patrimônio, cuja propriedade é adquirida pela sociedade empresária ao exercer as atividades que constituem as fontes do resultado: todas as receitas operacionais. Afinal, da receita operacional se excluem os valores que constituem a receita não operacional, os que entram no patrimônio da sociedade por força de financiamento e capitalização, o capital de terceiros do qual a empresa tem apenas o uso. Desse esclarecimento técnico decorre, então, que receita bruta e receita operacional não se identificam inteiramente. 4 cf. Bulhões Pedreira: Finanças e demonstrações financeiras da companhia – conceitos fundamentais, Rio de Janeiro, Forense, 1989, passim. 5 pág. 455, grifei. 6 pág. 456, grifei. 7 Bulhões Pedreira, p. 457. Fl. 213DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.906300/200961 Acórdão n.º 380101.078 S3TE01 Fl. 19 19 O próprio Ministro Peluso ao se referir às diversas espécies de receita no seu votovista no RE 390.840MG8 apontou que distinguemse, pelo menos, quatro modalidade de receita: i) Receita bruta das vendas e serviços; ii) receita líquida das vendas e serviços; iii) receitas gerais e administrativas (operacionais); iv) receitas não operacionais. A norma do artigo 187 da Lei nº 6.404/76 (referida pelo Ministro Peluso, no RE 390.840MG), ao disciplinar a “Demonstração do Resultado do Exercício” mostra, em sede legal, a diferença. Mais precisamente, no artigo 22, § 1º, do Decretolei nº 2.397/87, determina se a incidência do FINSOCIAL sobre: alínea “a”: “a receita bruta das vendas de mercadorias e de mercadorias e serviços de qualquer natureza, das empresas públicas ou privadas definidas como pessoa jurídica ou a elas equiparadas pela legislação do Imposto de Renda;”. Seguese, alínea “b”, “as rendas e receitas operacionais das instituições financeiras e entidades a elas equiparadas”; alínea “c”, “as receitas operacionais e patrimoniais das sociedades seguradoras e entidades a elas equiparadas”. Assim, se a receita, constante da nova redação do art. 195, I, passa a constituir um conceito “alargado” correspondendo a qualquer valor auferido abrangendo a classe genérica da receita como base de cálculo e referindo às atividades da sociedade que constituem as fontes do resultado que incorporam outras modalidades de ingresso financeiro: royalties, aluguéis, rendimento de aplicações financeiras, indenizações etc., conforme o tipo de atividade por ela exercida, mas, à diferença de o faturamento, nisso dele se distingue, enquanto vendas faturadas e não faturadas, isto é, todas as vendas, é correta interpretação do Ministro Carlos Britto, quando restringe a expressão receita operacional àquela obtida mediante a receita bruta das vendas de mercadorias e de mercadorias e serviços, de qualquer natureza. Afinal, de outro modo ficaria obscura a distinção entre a receita ou o faturamento conforme a nova dicção constitucional, bem como o reconhecimento de que a nova redação não é expletiva. Como obscuro ficaria também o argumento, segundo o qual a inconstitucionalidade declarada do § 1o do artigo 3o da Lei nº 9.718/98 também decorreria de uma questão de ordem formal, posto que, pelo artigo 195, § 4º, sendo o legislador competente para “criar outras fontes” de custeio da seguridade social (receita), não teria agido em conformidade com o art. 154, I da Constituição Federal. Por óbvio, não há como se supor que em uma mesma operação a contrapartida do tomador do empréstimo fosse “despesa financeira”, sendo para o concessor “receita operacional” e não “receita financeira”, transmudandose a natureza da relação. Por todo o exposto, há de se concluir, em suma, que receitas oriundas da atividade típica da pessoa jurídica – receitas operacionais – não podem ser consideradas 8 http://redir.stf.jus.br/paginadorpub/paginador.jsp?docTP=AC&docID=261694 Fl. 214DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.906300/200961 Acórdão n.º 380101.078 S3TE01 Fl. 20 20 faturamento para efeito de incidência da contribuição para o PIS (e COFINS) sob a égide da Lei nº 9.718/98 (afastado por inconstitucional o § 1º do seu art. 3º). Esta resposta não se altera em função da empresa envolvida ser uma empresa comercial, uma prestadora de serviços, uma “holding” ou uma instituição financeira. Não é o fato de determinada receita resultar da exploração do objeto social da pessoa jurídica que, determina estarmos diante de faturamento. Receita é gênero do qual faturamento é espécie. Restaria examinar em que sentido se toma o conceito de serviço na definição de receita bruta como a receita bruta das vendas de mercadorias e de mercadorias e serviços e serviços de qualquer natureza. Serviço, em sentido vulgar, é qualquer esforço humano que tenha por objetivo propiciar a outrem um proveito, uma utilidade, um benefício, uma vantagem, até um obséquio ou favor. Em termos econômicos, tratase de fornecimento de trabalho, de locação de bens móveis, de cessão de direitos, ou seja, atividades que constituem bens incorpóreos na circulação de mercadorias. Para efeitos constitucionais e tributários (CF, art. 150, I), o termo passa pelo uso jurídico, consistindo em atividade de fazer com vistas a um resultado útil a terceiro9. Não dispensa, assim, a ideia de trabalho e, nesses termos, de um facere destinado a outrem. Por consequência, não há serviço na atividade útil em favor do próprio prestador. Na linguagem jurídica em geral, anota Maria Helena Diniz, serviço quer dizer o “exercício de qualquer atividade intelectual ou material com finalidade lucrativa ou produtiva.” 10 Com sua costumeira precisão, registra De Plácido e Silva11: SERVIÇO. Do latim servitium (condição de escravo), exprime, gramaticalmente, o estado de que é servo, encontrandose no dever de servir; ou de trabalhar para o amo. Extensivamente, porém, e expressão designa hoje o próprio trabalho a ser executado, ou que se executou, definindo a obra, o exercício do ofício, o expediente, o mister, a tarefa, a ocupação ou a função. Por essa forma, constitui serviço não somente o desempenho de atividade ou de trabalho intelectual, como a execução de trabalho ou de obra material. Aires Fernandino Barreto, em excelente monografia sobre o ISS, parte da idéia do trabalho, como um fazer, um conceito mais amplo, e doutrina com inteira propriedade: É lícito afirmar, pois, que serviço é uma espécie de trabalho. É o esforço humano que se volta para outra pessoa; é fazer desenvolvido para outrem. O serviço é, assim, um tipo de trabalho que alguém desempenha para terceiro. Não é esforço desenvolvido em favor do próprio prestador, mas de terceiros. Conceitualmente parece que são rigorosamente procedentes 9 cf. Pontes de Miranda, Tratado de Direito Privado, Rio de Janeiro, 1964, tomo XVIII, p. 9 10 Maria Helena Diniz, Dicionário Jurídico, Saraiva, São Paulo, 1998, pág. 311 11 De Plácido e Silva, Vocabulário Jurídico, Forense, Rio de Janeiro, 1987, vol. IV, pág. 215. Fl. 215DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.906300/200961 Acórdão n.º 380101.078 S3TE01 Fl. 21 21 essas observações. O conceito de serviço supõem uma relação com outra pessoa, a quem se serve. Efetivamente, se é possível dizerse que se fez um trabalho “para si mesmo”, não o é afirmarse que se prestou serviço “a si próprio”. Em outras palavras, pode haver trabalho, sem que haja relação jurídica, mas só haverá serviço no bojo de uma relação jurídica. (Aires Fernandino Barreto, ISS na Constituição e na Lei, Dialética, São Paulo, 2003, pág. 29) Como se vê, há claramente em todas as definições de serviço a idéia de atividade destinada a atender diretamente necessidades humanas. No serviço há sempre uma atividade que consiste em servir a outrem, em atender necessidades de outrem. É o próprio agir, a própria atividade ou esforço humano, que serve, que atende a necessidade de outrem. É certo que a expressão de qualquer natureza pode ser vista como indicativa de ampliação do alcance da referida norma. Mas é certo também que o ser de qualquer natureza o serviço não nos autoriza a entender como tal uma atividade que serviço não seja. Como se sabe o STF julgou inconstitucional a inclusão de “locação de bens móveis” na lista de serviços anexa ao DL nº 406/68 (RE nº 116.121). A decisão se substanciou na distinção entre præstare ou facere e dare. Nessa mesma linha podese entender que instituições financeiras também prestem serviços, como o serviço de cobrança de duplicatas, o serviço de emissão de talões de cheque e outros do mesmo gênero. Mas isso não faz das atividades financeiras um serviço. Na verdade, independentemente da questão referente à definição constitucional de serviço, o problema relativo às contribuições para o PIS ou para COFINS, seja qual for o sentido atribuído a serviço de qualquer natureza, está antes na definição de faturamento. Ou seja, é o conceito constitucional de faturamento que autoriza a inclusão nele do conceito de receita bruta em sentido estrito, e não o contrário. É no tratamento dado à receita da venda de serviços como receita bruta em sentido estrito e, por força disso, equiparável a faturamento em seu sentido constitucional que está a questão. Ou em outro giro: não se trata de saber se o conceito de serviço financeiro integra a expressão serviços de qualquer natureza, conforme a definição legal de receita bruta, mas se faz parte da definição constitucional de faturamento. Recorro de novo ao Ministro Pertence, ao esclarecer que, quando a lei ordinária chama de receita bruta (em sentido estrito) o que é faturamento, é aí que ela se ajusta à Constituição. Nesses termos, ainda conforme o mesmo Ministro, “a partir da explícita vinculação genética da contribuição social de que cuida o artigo 28 da Lei 7.738/89 ao FINSOCIAL, é na legislação desta, e não alhures, que se há de buscar a definição específica da respectiva base de cálculo, na qual receita bruta e faturamento se identificam”. E nessa legislação (DecretoLei nº 2.397/87, art. 22, § 1º), como já exposto, está disposto que receita bruta é das vendas de mercadorias e de mercadorias e serviços de qualquer natureza (alínea a), dela distinguindose as rendas e receitas operacionais das instituições financeiras e entidades a elas equiparadas (alínea b), bem como as receitas operacionais e patrimoniais das sociedades seguradoras e entidades a elas equiparadas (alínea c). Fl. 216DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.906300/200961 Acórdão n.º 380101.078 S3TE01 Fl. 22 22 Vale dizer, ainda que se entenda que o conceito constitucional de serviço possa admitir como tal os serviços efetivamente prestados pelas instituições financeiras, as demais receitas operacionais das instituições financeiras (receitas financeiras e outras) estão excluídas do conceito de receita bruta em sentido estrito para efeito de sua subsunção ao conceito constitucional de faturamento. Não há, pois, como subsumilas à expressão: serviços de qualquer natureza. Muito bem, além de todo exame supra realizado, é preciso examinar, no contexto a nós apresentado a quê corresponde a expressão receitas oriundas do exercício das atividades empresariais, usada na decisão do Recurso Extraordinário 401.3487, evitandose a superficialidade com a qual o tema foi abordado no acórdão combatido. Tomo, somente para fins didáticos, a liberdade de repetir a decisão do Ministro Peluso no Recurso Extraordinário em foco, grifando alguns pontos para destacar: DECISÃO: 1. Tratase de recurso extraordinário interposto contra acórdão que declarou a constitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, relativo ao alargamento da base de cálculo do PIS. 2.Consistente o recurso. A tese do acórdão recorrido está em aberta divergência com a orientação da Corte, cujo Plenário, em data recente, consolidou, com nosso voto vencedor declarado, o entendimento de inconstitucionalidade apenas do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, violando assim a noção de faturamento pressuposta na redação original do artigo 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais (cf. RE nº 346.084PR, Rel. orig. Minº ILMAR GALVÃO; RE nº 357.950RS, RE nº 358.273RS e RE nº 390.840MG, Rel. Minº MARCO AURÉLIO, todos julgados em 09.11.2005. Ver Informativo STF nº 408, p. 1). 3.Diante do exposto, e com fundamento no artigo 557, § 1ºA, do CPC, conheço do recurso e doulhe provimento, para, concedendo a ordem, excluir, da base de incidência do PIS, receita estranha ao faturamento do recorrente, entendido esse nos termos já suso enunciados. Custas ex lege. Publiquese. Int.. Brasília, 28 de novembro de 2005. Ministro CEZAR PELUSO Relator Obviamente, não estamos diante de um voto claro suficiente, mas estamos diante elementos suficientes para que se possa esclarecêlo. No voto do Ministro Peluso, falase, pois, de receita bruta de venda de mercadoria e da prestação de serviço, isto é, do sentido estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza; falase, assim, de soma das Fl. 217DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.906300/200961 Acórdão n.º 380101.078 S3TE01 Fl. 23 23 receitas; em alusão ao artigo 187 da Lei nº 6.604/197612, de receita como gênero abrangente de todos os valores que, recebidos da pessoa jurídica, se lhe incorporam à esfera patrimonial; por fim, dentro do gênero, das receitas operacionais; donde, receita bruta como produto do exercício de atividades empresariais típicas. Não me parece que o Ministro Peluso quis rever o conceito de faturamento, até então consagrado pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal. Nesse sentido, o conceito de “ faturamento” não mais seria a “receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços de qualquer natureza” mas “qualquer outra receita, desde que oriunda das atividades empresariais”. Primeiramente porque não foi objetivo do STF, ao declarar a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, redefinir o conceito constitucional de faturamento, mas sim o de rechaçar a definição legal de receita bruta estabelecida pelo § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, por ser esta inadequada àquela expressão constitucional. Depois porque, a mais simples interpretação sistemática do voto em foco, nos leva a entender que o que se pretende é tributar o faturamento cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza. Veja que o voto em exame utilizase da fórmula sintática “ou seja”, se utiliza de uma paráfrase que faz o desenvolvimento de um texto sem alteração do seu sentido original, nesse rumo, não pode desempenhar outro papel na frase, senão de conector para convencer o interlocutor acerca de sua validade preliminar13 – o faturamento pressuposto na redação original do artigo 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais – equivalendo (1) faturamento, (2) receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza e (3) receita das atividades empresariais. A decisão faz equiparação do conceito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, através da locução “ou seja” ao termo soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. Não substitui um pelo outro, como se fez fazer crer. 12 Art. 187. A demonstração do resultado do exercício discriminará: I a receita bruta das vendas e serviços, as deduções das vendas, os abatimentos e os impostos; II a receita líquida das vendas e serviços, o custo das mercadorias e serviços vendidos e o lucro bruto; III as despesas com as vendas, as despesas financeiras, deduzidas das receitas, as despesas gerais e administrativas, e outras despesas operacionais; IV – o lucro ou prejuízo operacional, as outras receitas e as outras despesas; (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) V o resultado do exercício antes do Imposto sobre a Renda e a provisão para o imposto; VI – as participações de debêntures, empregados, administradores e partes beneficiárias, mesmo na forma de instrumentos financeiros, e de instituições ou fundos de assistência ou previdência de empregados, que não se caracterizem como despesa; (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) VII o lucro ou prejuízo líquido do exercício e o seu montante por ação do capital social. § 1º Na determinação do resultado do exercício serão computados: a) as receitas e os rendimentos ganhos no período, independentemente da sua realização em moeda; e b) os custos, despesas, encargos e perdas, pagos ou incorridos, correspondentes a essas receitas e rendimentos. § 2º (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.638,de 2007) (Revogado pela Lei nº 11.638,de 2007) 13 FUCHS, C. La paraphrase. Paris: Presses universitaires de France, 1982, pág. 55. Fl. 218DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.906300/200961 Acórdão n.º 380101.078 S3TE01 Fl. 24 24 Repete, ainda, o voto a expressão faturamento – excluir, da base de incidência do PIS, receita estranha ao faturamento do recorrente – e quando fala em receita estranha ao faturamento não se refere a nenhuma outra, senão a receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, reforçando a idéia da definição constitucional de faturamento, senão o voto se limitaria a apontar a receita, mas ao se referirse a faturamento informa que toma a “receita” no sentido de faturamento, conforme até aqui expus. Por último, o voto do Ministro Peluso cita expressamente os Recursos Extraordinários nº 346.084PR, nº 357.950RS, nº 358.273RS e nº 390.840MG, informando que a decisão se deu conforme o seu teor, da maneira que se pode ver por meio da abreviatura “cf”. Conforme já visto anteriormente esses Recursos firmaram o entendimento que era inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvidas e da classificação contábil adotada, devendose tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. Assim, referendou o Ministro o entendimento do próprio STF de que o faturamento se cinge à receita decorrente da venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços, independentemente de sua posição pessoal, mesmo porque, julgando nos termos do artigo 557 do Código de Processo Civil não poderia têlo feito, se em sentido distinto da jurisprudência dominante do STF. Considerando isso, quer pela óptica constitucional, quer pela óptica doutrinária ou ainda, pela interpretação primária do próprio voto, tenho que não há como se tomar as intermediações financeiras sujeitas à incidência da contribuição Desse modo, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl – Relator Fl. 219DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.906300/200961 Acórdão n.º 380101.078 S3TE01 Fl. 25 25 Voto Vencedor Conselheiro Flávio de Castro Pontes Redator designado Ainda que respeitáveis as razões do ilustre relator, discordase de seu entendimento. Consignese, de imediato, que o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é o fórum adequado para se discutir a violação de coisa julgada. Ora, se a recorrente tivesse absoluta certeza dos efeitos da coisa julgada material, deveria pleitear ao órgão jurisdicional, que possui os meios necessários de tornar eficaz uma decisão judicial, o seu cumprimento. Assim sendo, não há contrariedade à coisa julgada, visto que a decisão transitada em julgado não definiu a composição da base de cálculo da contribuição PIS para as instituições financeiras. Incontestavelmente o cerne do litígio consiste em interpretar a coisa julgada na referida atividade jurisdicional. Pertinente é a colocação de Luiz Guilherme Marinoni e Sérgio Cruz Arenhart sobre a coisa julgada in Manual do processo de conhecimento. 5 ed. rev., atual. e ampl. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2006, p. 630: (...) a coisa julgada material corresponde à imutabilidade da declaração judicial sobre o direito da parte que requer alguma prestação jurisdicional. Portanto, para que possa ocorrer coisa julgada material, é necessário que a sentença seja capaz de declarar a existência ou não de um direito.(grifouse) Como bem relatado, o Excelso Supremo Tribunal Federal (STF) em decisão monocrática do Relator, Ministro Cezar Peluso, recurso extraordinário 401.348, processo originário 2000.38.03.0007782/MG, decidiu não incluir na base de cálculo do PIS, receita estranha ao faturamento do recorrente, in verbis: 1. Tratase de recurso extraordinário interposto contra acórdão que declarou a constitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, relativo ao alargamento da base de cálculo do PIS. 2. Consistente o recurso. A tese do acórdão recorrido está em aberta divergência com a orientação da Corte, cujo Plenário, em data recente, consolidou, com nosso voto vencedor declarado, o entendimento de inconstitucionalidade apenas do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, violando assim a noção de faturamento pressuposta na redação original do art. 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais (cf. RE nº 346.084PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO; RE nº 357.950RS, RE nº 358.273RS e RE nº 390.840MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, todos julgados em 09.11.2005. Ver Informativo STF nº 408, p. 1). 3. Diante do exposto, e com fundamento no art. 557, § 1ºA, do CPC, conheço do recurso e doulhe provimento, para, concedendo a ordem, Fl. 220DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.906300/200961 Acórdão n.º 380101.078 S3TE01 Fl. 26 26 excluir, da base de incidência do PIS, receita estranha ao faturamento do recorrente, entendido esse nos termos já suso enunciados.(grifouse) Outrossim, sabese que o STF no julgamento do recurso extraordinário 346.084PR declarou inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. Neste julgamento, o Ministro César Peluso esclareceu o seu ponto de vista a respeito do conceito de faturamento: “Quando me referi ao conceito construído sobretudo no RE 150.755, sob a expressão “receita bruta de venda de mercadorias e prestação de serviço”, quis significar que tal conceito está ligado a ideia de produto do exercício de atividades empresariais típicas, ou seja, que nessa expressão se inclui todo incremento patrimonial resultante do exercício de atividades empresariais típicas. A propósito, o art. 2º e o caput do art. 3º da Lei 9.718/98 mantiveramse incólumes pela decisão do STF: Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei Art. 3º "O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. § 1º Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas". (grifouse) Necessário é lembrar que a decisão judicial declarou inconstitucional o parágrafo 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, garantindose o direito da recorrente de apurar a contribuição PIS com base no faturamento, assim entendido a receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviço de qualquer natureza, isto é, a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. Destarte, resta definir o que seja a soma das receitas oriundas das atividades empresariais. Tenhase presente que o conflito de interesses referese a um ramo peculiar da atividade econômica, o do sistema financeiro. O conceito de instituição financeira está definido no art. 17 da Lei 4.595/1964: Art. 17. Consideramse instituições financeiras, para os efeitos da legislação em vigor, as pessoas jurídicas públicas ou privadas, que tenham como atividade principal ou acessória a coleta, intermediação ou aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros, em moeda nacional ou estrangeira, e a custódia de valor de propriedade de terceiros.(grifouse) Fl. 221DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.906300/200961 Acórdão n.º 380101.078 S3TE01 Fl. 27 27 Configurase que as atividades de uma instituição financeira estão relacionadas com a coleta, intermediação ou aplicação de recursos financeiros, a exemplo de operações de créditos e aplicação em títulos e valores mobiliários. Percebese que as instituições financeiras transferem recursos para os diversos agentes econômicos. Como exemplo típico de uma receita de operação financeira, citase o spread, em regra, a diferença que as instituições financeiras pagam na captação de recursos e o que elas cobram dos clientes. É certo que a natureza dessa receita é operacional e está vinculada à atividade econômica da instituição financeira. A partir destes conceitos, podese inferir que as instituições financeiras têm como atividade principal a intermediação de recursos financeiros. Neste contexto, as receitas oriundas das operações bancárias (receitas operacionais) compõem o faturamento porque estão relacionadas ao exercício do objeto social dessas instituições, nos termos do art. 2º e do caput do art. 3º da Lei 9.718/98. Como bem assentado pelo Ministro Cezar Peluso, a inclusão ou não de eventuais receitas financeiras no conceito de receita bruta tem como variável a atividade empresarial. Assim, as receitas operacionais das instituições financeiras amoldamse ao conceito de faturamento estabelecido no art. 2º e no caput do art. 3º da Lei 9.718/98, de sorte que as aludidas operações caracterizam uma peculiar prestação de serviços de qualquer natureza. Nesta esteira, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, por meio do Parecer PGFN/CAT nº 2.773/2007, também adotou o entendimento de que as receitas decorrentes das atividades financeiras integram a base de cálculo das contribuições PIS e Cofins como prestação de serviços. Por oportuno, colacionase alguns trechos do citado Parecer, inclusive a conclusão: “(...) 55. Assim, as operações bancárias consistem em prestação de serviços. Efetivamente, é possível considerar o conjunto da atividade exercida por um banco comercial, para fins tributários (definição da base de cálculo da COFINS) como prestação de serviços. (...) 60. (...) O resultado da atividade de intermediação financeira, apesar de não sujeita à ação de faturar, constituindo ato de comércio e decorrendo da própria atividade negocial da empresa, integra o seu faturamento para os efeitos fiscais de concretizar o fato gerador da COFINS/PIS. 61. O relevante para a norma é a identidade entre a receita bruta operacional e a atividade mercantil desenvolvida nos termos do objeto social da pessoa jurídica. A declaração de inconstitucionalidade, pelo STF, do §1º do art. 3º da Lei 9.718, de 1998, não alterou, nesse particular, o critério definidor da base de incidência da COFINS/PIS como o resultado econômico da atividade empresarial vinculada aos seus objetivos sociais. Ao revés, apenas firmou o entendimento de que Fl. 222DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.906300/200961 Acórdão n.º 380101.078 S3TE01 Fl. 28 28 não é qualquer receita que pode ser considerada faturamento para fins de incidência da COFINS/PIS (v.g. Receitas de Capital de locadora de veículos), mas apenas aquelas vinculadas à atividade mercantil típica da empresa, como é o caso das operações bancárias das instituições financeiras.(...) 66. Em face dos argumentos acima expendidos, concluise que: (...) d) o §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, que ampliou o conceito de receita bruta para abarcar as receitas não operacionais foi considerado inconstitucional pelo STF nos RREE n. 346.084, 357.950, 358.273, 390.840;(...) h) serviços para as instituições financeiras abarcam as receitas advindas da cobrança de tarifas (serviços bancários) e das operações bancárias (intermediação financeira); (...) 66. Têmse, então, que a natureza das receitas decorrentes das atividades do setor financeiro e de seguros pode ser classificada como serviços para fins tributários, estando sujeita à incidência das contribuições em causa, na forma dos arts. 2º, 3º, caput e nos §§5º e 6º do mesmo artigo, exceto no que diz respeito ao “plus” contido no §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, considerado inconstitucional por meio do Recurso Extraordinário 357.9509/RS e dos demais recursos que foram julgados na mesma assentada.” (grifouse) Convém ressaltar que nas demonstrações de resultado dessas instituições, as questionadas receitas são classificadas como receitas operacionais da atividade financeira, por conseguinte de prestação de serviços nos termos da tese acima esposada. E, mais, cabe acrescentar que o Tribunal Regional Federal da 3ª Região também está consolidando esse entendimento, conforme recentes decisões judiciais, a exemplo do acórdão abaixo: MANDADO DE SEGURANÇA. TRIBUTÁRIO. COFINS. BASE DE CÁLCULO. CONCEITO DE FATURAMENTO. LEI N. 9.718/1998, ART. 3º, § 1º. INCONSTITUCIONALIDADE. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. RECEITA BRUTA DECORRENTE DO EXERCÍCIO DO OBJETO SOCIAL. REFORMATIO IN PEJUS. NÃO OCORRÊNCIA. 1. (...)2. O Plenário do Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei n. 9.718/1998, por ocasião do julgamento dos Recursos Extraordinários n. 357.950/RS, n. 390.840/MG, n. 358.273/RS e n. 346.084/PR. 3. No caso concreto, a questão vai além da simples declaração de inconstitucionalidade do artigo 3º, § 1º, da Lei n. 9.718/1998. Tratase, também, de definir o alcance do termo "faturamento", base sobre a qual incide o tributo. 4. Quando do julgamento dos Recursos Extraordinários mencionados, a Suprema Corte reconheceu a sinonímia existente entre os termos faturamento e receita bruta, para fins de incidência da COFINS . Entretanto, a realidade alcançada pelos termos citados não se limita simplesmente às operações de venda de mercadorias e de Fl. 223DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.906300/200961 Acórdão n.º 380101.078 S3TE01 Fl. 29 29 prestação de serviços, notadamente nos dias atuais, em que as atividades empresariais assumem formas as mais diversas, de modo que, mediante uma interpretação teleológica, o termo faturamento, assim como a receita bruta, abrange a totalidade das receitas decorrentes do exercício do objeto social. 5. Os impetrantes são instituições financeiras, que obtém receitas mediante as atividades de "coleta, intermediação ou aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros, em moeda nacional ou estrangeira, e a custódia de valor de propriedade de terceiros" (art. 17, da Lei n. 4.595/1964). Neste caso, compõem o seu faturamento todas as receitas decorrentes do exercício das atividades às quais se dedicam, não se limitando às operações de venda de mercadoria e de prestação de serviços. 6. Deve ser reconhecida a inconstitucionalidade do artigo 3º, § 1º, da Lei n. 9.718/1998, para que a impetrante possa apurar a COFINS tendo por base de cálculo o faturamento, correspondente à receita bruta decorrente do exercício do objeto social ao qual se dedica. (...)(grifouse) (Processo: 001092848.2005.4.03.6100, eDJF3 Judicial 1 DATA:04/05/2012) Com efeito, o voto vencedor do Desembargador Federal Márcio Moraes entendeu de forma explícita que compõe o faturamento das instituições financeiras todas as receitas decorrentes do exercício das atividades às quais se dedicam, conforme excerto abaixo: É certo que, quando do julgamento dos Recursos Extraordinários n. 357.950/RS, 390.840/MG, 358.273/RS e 346.084/PR, a Suprema Corte reconheceu a sinonímia existente entre os termos faturamento e receita bruta, para fins de incidência da COFINS. Entretanto, a realidade alcançada pelos termos citados não se limita simplesmente às operações de venda de mercadorias e de prestação de serviços, notadamente nos dias atuais, em que as atividades empresariais assumem formas as mais diversas, de modo que, mediante uma interpretação teleológica, o termo faturamento, assim como a receita bruta, abrange a totalidade das receitas decorrentes do exercício do objeto social. (...) Nesse caso, compõem o seu faturamento todas as receitas decorrentes do exercício das atividades às quais se dedicam, não se limitando às operações de venda de mercadoria e de prestação de serviços.(grifouse) Não é outro o entendimento dos Tribunal Regional Federal 2ª Região, segundo se depreende do acórdão assim ementado: TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO E CONTRADIÇÃO. PIS E COFINS. ART. 3º, §1º, DA LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. COMPENSAÇÃO. I O § 1º do art. 3º da lei nº 9718/98, que Fl. 224DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.906300/200961 Acórdão n.º 380101.078 S3TE01 Fl. 30 30 alterou a base de cálculo da COFINS e do PIS, foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. II As instituições financeiras devem recolher o PIS e a Cofins incidentes sobre seu faturamento, este entendido como a receita bruta oriunda do desenvolvimento de suas atividades empresariais. Apenas a eventual incidência dessas contribuições sobre receitas nãooperacionais é que será indevida, ensejando a compensação dos valores que eventualmente tenham sido recolhidos a esse título. III – Embargos de declaração parcialmente providos. (Processo: 2005.51.01.0117643 , E DJF2R Data:04/04/2011) (grifouse) Assinalese, também, que este entendimento está em consonância com os princípios constitucionais da capacidade contributiva, que se aplica as diversas espécies tributárias, e universalidade do custeio da seguridade social. É indubitável a capacidade econômica das instituições financeiras, portanto devem suportar a incidência da contribuição PIS sobre suas receitas operacionais. De outro giro, o financiamento da seguridade social por toda a sociedade, esteado no princípio da solidariedade, não autoriza a exclusão das aludidas receitas da tributação em referência. De modo que em face das razões acima, as receitas operacionais de instituições financeiras são para fins tributários consideradas como prestação de serviços e estão sujeitas a incidência da contribuição PIS. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, não reconhecendo o direito creditório pleiteado, e, por conseguinte, não homologando a compensação. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Redator designado Fl. 225DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 16327.000607/2007-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 23 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2002
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. DCTF. RETIFICAÇÃO POSTERIOR AO PAGAMENTO. Tendo o contribuinte realizado o pagamento e posteriormente retificado a respectiva declaração antes do início de qualquer procedimento fiscal para a apuração do crédito tributário, deve ser reconhecido seu direito ao benefício previsto no artigo 138 do CTN.
Numero da decisão: 3201-000.979
Decisão: ACORDAM os membros da 2ªCâmara/1ªTurma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por maioria de votos, em conhecer do recurso voluntário para dar-lhe provimento, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. DCTF. RETIFICAÇÃO POSTERIOR AO PAGAMENTO. Tendo o contribuinte realizado o pagamento e posteriormente retificado a respectiva declaração antes do início de qualquer procedimento fiscal para a apuração do crédito tributário, deve ser reconhecido seu direito ao benefício previsto no artigo 138 do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por maioria de votos, em conhecer do recurso voluntário para darlhe provimento, nos termos do voto do relator. MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Presidente. MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA Relator. EDITADO EM: 26/06/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Judith do Amaral Marcondes Armando, Mara Cristina Sifuentes (Suplente), Daniel Mariz Gudiño e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Esteve presente a Procuradora da Fazenda Nacional. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/06/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO 2 Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância por entender que o mesmo resume bem os fatos dos autos até aquele momento processual: Em decorrência de revisão sumária da declaração de contribuições e tributos federais DCTF, correspondente ao 3 o trimestre do ano calendário de 2002, a empresa acima qualificada foi autuada e notificada por via postal a recolher a título de multa de mora não paga o crédito tributário no valor de R$ 561.989,98 (fls. 32 e 33). Segundo os demonstrativos de fls. 34 a 37, a interessada pagou o tributo devido após o vencimento legal da obrigação, sem o acréscimo da multa moratória. Inconformada com a exigência fiscal, a interessada, por meio de seu representante legal, apresenta a impugnação de fls. 01 a 18, protocolizada em 19/04/2007, na qual, alega, em apertada síntese, que o valor exigido é completamente indevido pelo fato de a impugnante ter recolhido corretamente o tributo, por meio da denúncia espontânea nos exatos termos do artigo 138, do Código Tributário Nacional. A decisão recorrida recebeu de seus julgadores a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Anocalendário: 2002 DCTF. REVISÃO INTERNA. Não há que se falar em denúncia espontânea, para os fins de aplicação dos efeitos previstos no artigo 138 do CTN, nos casos de simples pagamento em atraso de débitos confessados em DCTF. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O contribuinte, restando inconformado com a decisão de primeira instância, apresentou recurso voluntário no qual ratifica e reforça os argumentos trazidos em sua peça de impugnação. Os autos foram enviados a este Conselho e fui designado como relator do presente recurso voluntário, na forma regimental, tendo requisitado a sua inclusão em pauta para julgamento. É o Relatório. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/06/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO Processo nº 16327.000607/200721 Acórdão n.º 3201000.979 S3C2T1 Fl. 326 3 Voto Conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira O recurso é tempestivo e atende aos requisitos legais, portanto, dele tomo conhecimento. A decisão de primeira instância sofre de diversos erros materiais, quando se refere a Imposto de Renda Retido na Fonte, contudo, tal erro não afeta o direito de defesa da recorrente, que conseguiu manejar integral os argumentos de defesa, com a apresentação de recurso muito bem redigido e trazendo todos os argumentos necessários e pertinentes. A matéria de mérito já foi decidida pelo Superior Tribunal de Justiça, pela via do procedimento regulado pelo artigo 543C do CPC, de observância obrigatória a este Colegiado por força da redação emprestada ao artigo 62A do Regimento Interno deste CARF. È exemplo desta jurisprudência vinculante a notícia de voto abaixo transcrita: 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." Fl. 113DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/06/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO 4 6. Conseqüentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine. 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte.(REsp 1149022 SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 09/06/2010, DJe 24/06/2010) Assim, VOTO por conhecer do recurso para darlhe provimento, conforme o entendimento adotado pelo Superior Tribunal de Justiça na forma do disposto no artigo 62A do Regimento Interno. MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA relator Fl. 114DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/06/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO
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Numero do processo: 10315.720422/2009-51
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed May 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006
ALÍQUOTA ZERO E OUTRAS HIPÓTESES DESONERATIVAS. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO. LEI Nº 11.033, DE 2004.
A manutenção de créditos prevista na Lei no 11.033, de 2004, refere-se às hipóteses desonerativas criadas pela própria Lei e não alteram o regime de tributação monofásico previsto em legislação anterior.
REGIME NÃO CUMULATIVO. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. VENDAS EFETUADAS COM ALÍQUOTA ZERO. MANUTENÇÃO DO CRÉDITO. COMERCIANTE ATACADISTA OU VAREJISTA DE COMBUSTÍVEIS. INEXISTÊNCIA DE DIREITO DE CRÉDITO.
As receitas auferidas pelos comerciantes atacadistas e varejistas com a venda de gasolina, óleo diesel e álcool são submetidas à alíquota zero da contribuição, sendo expressamente vedado o aproveitamento de créditos em relação às aquisições desses produtos.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-001.369
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao Recurso. Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Maurício Ferreira Veloso. O Conselheiro Jacques Maurício Ferreira Veloso apresentará declaração de voto.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Luiz Bordignon - Relator.
EDITADO EM: 18/10/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio de Castro Pontes (Presidente), Jose Luiz Bordignon, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sergio Celani, Maria Ines Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo.
Nome do relator: JOSE LUIZ BORDIGNON
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 ALÍQUOTA ZERO E OUTRAS HIPÓTESES DESONERATIVAS. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO. LEI Nº 11.033, DE 2004. A manutenção de créditos prevista na Lei no 11.033, de 2004, refere-se às hipóteses desonerativas criadas pela própria Lei e não alteram o regime de tributação monofásico previsto em legislação anterior. REGIME NÃO CUMULATIVO. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. VENDAS EFETUADAS COM ALÍQUOTA ZERO. MANUTENÇÃO DO CRÉDITO. COMERCIANTE ATACADISTA OU VAREJISTA DE COMBUSTÍVEIS. INEXISTÊNCIA DE DIREITO DE CRÉDITO. As receitas auferidas pelos comerciantes atacadistas e varejistas com a venda de gasolina, óleo diesel e álcool são submetidas à alíquota zero da contribuição, sendo expressamente vedado o aproveitamento de créditos em relação às aquisições desses produtos. Recurso Voluntário Negado
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MANUTENÇÃO DE CRÉDITO. LEI Nº 11.033, DE 2004. A manutenção de créditos prevista na Lei no 11.033, de 2004, referese às hipóteses desonerativas criadas pela própria Lei e não alteram o regime de tributação monofásico previsto em legislação anterior. REGIME NÃO CUMULATIVO. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. VENDAS EFETUADAS COM ALÍQUOTA ZERO. MANUTENÇÃO DO CRÉDITO. COMERCIANTE ATACADISTA OU VAREJISTA DE COMBUSTÍVEIS. INEXISTÊNCIA DE DIREITO DE CRÉDITO. As receitas auferidas pelos comerciantes atacadistas e varejistas com a venda de gasolina, óleo diesel e álcool são submetidas à alíquota zero da contribuição, sendo expressamente vedado o aproveitamento de créditos em relação às aquisições desses produtos. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao Recurso. Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Maurício Ferreira Veloso. O Conselheiro Jacques Maurício Ferreira Veloso apresentará declaração de voto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 5. 72 04 22 /2 00 9- 51 Fl. 76DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 14/05/2013 por JACQUES MAURICIO FERREIRA VELOSO DE MELO 2 (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) José Luiz Bordignon Relator. EDITADO EM: 18/10/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio de Castro Pontes (Presidente), Jose Luiz Bordignon, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sergio Celani, Maria Ines Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 14/05/2013 por JACQUES MAURICIO FERREIRA VELOSO DE MELO Processo nº 10315.720422/200951 Acórdão n.º 3801001.369 S3TE01 Fl. 77 3 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo a seguir: Trata o presente processo de pedido de compensação apresentado pelo contribuinte, supra qualificado, no qual pretende se utilizar de créditos relativos às contribuições PIS/Pasep e Cofins, tendo por base o disposto no art. 17 da Lei n° 11.033/2004. A DRF Juazeiro do Norte/Ce emitiu Despacho Decisório, fls. 11/20, não reconhecendo o direito creditório pleiteado e, conseqüentemente, não homologando a compensação. Dentre os fundamentos do referido despacho decisório, destacamse os seguintes trechos: (...) Destarte, o contribuinte não efetua qualquer recolhimento de PIS e COFINS com relação às receitas provenientes das mercadorias em relação as quais pretendem creditar. Ora, o creditamento, nos casos em que na saída das mercadorias incide alíquota zero, traduzse em isenção, para a qual seria necessária disposição de lei expressa e específica nesse sentido como determina o art. 176 da Lei 5.172 de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). Ora, permitir que se credite pela aquisição das mercadorias sujeitas ao regime de alíquotas diferenciadas concentradas (e por isso mesmo tributadas à alíquota zero por ocasião da percepção da receita de venda), equivale a permitir que se recupere todo o montante recolhido pelo fabricante a título das contribuições em tela, desonerando completamente a circulação econômica daquelas mercadorias. Desta forma o regime de alíquotas diferenciadas concentradas transformarseia em uma desoneração total da cadeia de produção e circulação dos produtos e mercadorias por ele abrangidos. (...) Cientificado do despacho em 14/09/2009, fls. 21, o interessado apresentou manifestação de inconformidade em 14/10/2009, fls. 22/32, contrapondose ao despacho decisório, com base nos argumentos a seguir sintetizados. Inicialmente, destaca que até 31 julho do ano de 2004, os produtos sujeitos a tributação monofásica ficaram excluídos do regime nãocumulativo de incidência do PIS e da COFINS, previsto nas Leis n° 10.637/02 e 10.833/03, respectivamente, Fl. 78DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 14/05/2013 por JACQUES MAURICIO FERREIRA VELOSO DE MELO 4 permanecendo, dessa forma, sob a tributação estabelecida na Lei n° 9.718/98. Posteriormente, com o advento da Lei n° 10.865, de 30 de abril de 2004, cujos efeitos se iniciaram a partir de 10 de agosto de 2004, as vendas dos produtos ora sob enfoque foram inseridas no rol das receitas das atividades sujeitas ao regime da não cumulatividade para cálculo do PIS e da COFINS. Desse modo, em virtude da lógica tributacional da novel sistemática, restou evidenciado que as pessoas jurídicas sujeitas ao regime nãocumulativo tem direito a "constituir créditos" de PIS e da COFINS às alíquotas de 1,65% e 7,6%, respectivamente, sobre determinados custos e despesas vinculados a atividade operacional das pessoas jurídicas vinculadas ao regime da nãocumulatividade, inclusive bens adquiridos para revenda, desde que anteriormente submetidos à incidência das contribuições mencionadas, por ocasião das saídas promovidas pelo fornecedor. Alega que, até então havia expressa vedação a apuração dos créditos sobre os bens para a revenda, nos termos do art. 30,1, b, da Lei 10.833. Todavia, se por um lado, nessa época, negavase a possibilidade de crédito sobre os bens de tributação monofásica que eram adquiridos para revenda, por outro, em virtude da sistemática da nãocumulatividade, era permitido, assim como ainda o é, o desconto de créditos em relação aos demais custos, despesas e encargos relacionados a venda desses produtos, tal como, por exemplo, a energia elétrica, encargos com a locação de prédios e equipamentos. Nesse particular, afirma que a Refeita Federal do Brasil já se pronunciou sobre o tema, consoante a solução de consulta da DISIT SRRF10aRF (ementa transcrita pela defesa). Com efeito, a partir de agosto de 2004, com a edição da Lei n° 11.033/2004, entende que o direito ao crédito oriundo das aquisições de bens para a revenda foi conferido também ao regime monofásico, onde se concentra a tributação numa fase e se reduz a zero a tributação das saídas das demais fases. Ressalta que o aludido dispositivo da Lei n° 11.033/2004, não fez qualquer menção nem tampouco restringiu a possibilidade de manutenção dos créditos apenas em relação a determinados produtos ou atividades, sendo assim considerada como norma geral para o sistema, possibilitando a utilização dos créditos em quaisquer situações, desde que os mesmos estejam vinculados às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência do PIS e da COFINS. Destarte, com base no artigo mencionado, firma o entendimento da total possibilidade do creditamento sobre aquisições de veículos novos, autopeças, pneus novos e câmarasdear de borracha. Tanto é assim que, no sentido de regulamentar a utilização de tais créditos, foi editada a Lei 11.116/2005. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 14/05/2013 por JACQUES MAURICIO FERREIRA VELOSO DE MELO Processo nº 10315.720422/200951 Acórdão n.º 3801001.369 S3TE01 Fl. 78 5 Frente ao exposto, no entender da impugnante, com o advento da Medida Provisória n° 206/2004, posteriormente convertida na Lei n.° 11.033/04, a vedação ao creditamento constante nos artigos 3o , I, b, das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03 foi revogada, fato esse que possibilita a apuração de credito por parte dos contribuintes tributados sob a sistemática do monofásico. Reforçando seus argumentos a defesa transcreve o entendimento dos professores Sacha Calmon Navarro Coelho e Helenilson Cunha Pontes. Em seguida, transcreve soluções de consulta da Receita Federal, que entende serem favoráveis a sua tese. Alega, ainda, que em 03.01.2008 foi editada a Medida Provisória n° 413/2008, que proibiu expressamente o aproveitamento, por distribuidores e varejistas de produtos sujeitos à tributação monofásica de créditos relativos às suas aquisições de bens para revenda a partir de 10 de maio de 2008, acrescentando os §§ 14 e 22 aos arts. 30 da lei 10.637/02 e art. 30 da lei 10.833/03. Desse modo, entende que o Governo Federal ao vedar expressamente o creditamento a partir de 01/05/2008, tacitamente, admitiu a sua existência no período anterior compreendido entre 09/08/2004 e 30/04/2008. Por outro lado, antes da vigência dos supramencionados dispositivos da Medida Provisória, o próprio Governo Federal adiou o termo inicial de vigência, que somente passariam a vigorar "a partir do 10° dia do mês subseqüente ao dia da publicação do ato da Secretaria da Receita Federal do Brasil estabelecendo os termos, condições e prazos de que trata o art. 13”. Entretanto, em 23/06/2008, no momento da conversão da referida MP 413/08 em Lei, o Congresso Nacional não convalidou a vedação do crédito oriundo das aquisições sujeitas a tributação monofásica, haja vista que a Lei de conversão da 11.727/2008 nada versa sobre a matéria, suprimindo, dessa forma, os dispositivos da MP 413 vedavam o crédito. Desse modo, tendo em vista que os arts. 14 e 15 da Medida Provisória 413/2008 jamais entraram em vigor, conclui que não há outra conclusão a não ser a de que o direito ao crédito proveniente das aquisições dos produtos sujeitos ao regime monofásico nunca foi extinto do ordenamento jurídico. A Delegacia de Julgamento em Fortaleza proferiu a seguinte decisão, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2006 Fl. 80DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 14/05/2013 por JACQUES MAURICIO FERREIRA VELOSO DE MELO 6 REGIME NÃOCUMULATIVO. PRODUTOS SUJEITOS A TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA. COMERCIANTE VAREJISTA DE COMBUSTÍVEIS. CRÉDITOS. A receita bruta decorrente das vendas de gasolina, óleo diesel, gás liquefeito de petróleo (GLP) e álcool auferida por comerciante varejista está sujeita à incidência da Cofins à alíquota zero, estando expressamente vedada a apuração de créditos da contribuição em relação à aquisição desses produtos. Observada essa vedação, não há impedimento à manutenção de outros créditos vinculados a essas vendas, autorizados pela legislação para a atividade comercial, admitida sua compensação ou ressarcimento nos casos previstos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso de fls. 55 a 66, reproduzindo, na essência, as razões apresentadas por ocasião da impugnação. É o relatório. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 14/05/2013 por JACQUES MAURICIO FERREIRA VELOSO DE MELO Processo nº 10315.720422/200951 Acórdão n.º 3801001.369 S3TE01 Fl. 79 7 Voto Conselheiro José Luiz Bordignon, Relator O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Tratase de Pedido de Ressarcimento de COFINS NãoCumulativa, fls. 02/04, referente ao 2º Trimestre de 2006, no valor de R$ 258.125,18. Em seu recurso voluntário a recorrente embasa sua defesa, da mesma forma que procedeu quando da apresentação de sua manifestação de inconformidade, nas questões relacionadas com a interpretação e aplicação da legislação à situação em concreto. Assim, a questão central para a solução da controvérsia reside na análise da possibilidade da interessada, uma vez que se ocupa do comércio varejista de combustível, utilizar como crédito os dispêndios realizados com a compra de gasolina, óleo diesel e álcool. Desse modo, necessário se faz trazer a lume a legislação de regência. Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: I isentas ou não alcançadas pela incidência da contribuição ou sujeitas à alíquota 0 (zero); Art. 2o Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). § 1o Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) I nos incisos I a III do art. 4o da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998, e alterações posteriores, no caso de venda de gasolinas e suas correntes, exceto gasolina de aviação, óleo diesel e suas correntes e gás liquefeito de petróleo GLP derivado de petróleo e de gás natural; (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) (Vide Lei nº 10.925, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) X no art. 23 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, no caso de venda de gasolinas e suas correntes, exceto gasolina de Fl. 82DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 14/05/2013 por JACQUES MAURICIO FERREIRA VELOSO DE MELO 8 aviação, óleo diesel e suas correntes, querosene de aviação, gás liquefeito de petróleo GLP derivado de petróleo e de gás natural. (Incluído pela Lei nº 10.925, de 2004) § 1oA. Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores, importadores ou distribuidores com a venda de álcool, inclusive para fins carburantes, à qual se aplicam as alíquotas previstas no caput e no § 4º do art. 5º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998. (Incluído pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela lei nº 11.787, de 2008) Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004. Art. 4o Os arts. 2o, 5oA e 11 da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, passam a vigorar com a seguinte redação: (Vigência) "Art. 2o .............................................................. § 1o ................................................................... I nos incisos I a III do art. 4o da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998, e alterações posteriores, no caso de venda de gasolinas e suas correntes, exceto gasolina de aviação, óleo diesel e suas correntes e gás liquefeito de petróleo GLP derivado de petróleo e de gás natural; Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004. Art. 15. As pessoas jurídicas sujeitas à apuração da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, nos termos dos arts. 2o e 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, poderão descontar crédito, para fins de determinação dessas contribuições, em relação às importações sujeitas ao pagamento das contribuições de que trata o art. 1o desta Lei, nas seguintes hipóteses: (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) Art. 16. É vedada a utilização do crédito de que trata o art. 15 desta Lei nas hipóteses referidas nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o e no art. 8o da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o e no art. 10 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998. Art. 4o As contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público – PIS/PASEP e para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS devidas Fl. 83DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 14/05/2013 por JACQUES MAURICIO FERREIRA VELOSO DE MELO Processo nº 10315.720422/200951 Acórdão n.º 3801001.369 S3TE01 Fl. 80 9 pelos produtores e importadores de derivados de petróleo serão calculadas, respectivamente, com base nas seguintes alíquotas: I – 5,08% (cinco inteiros e oito centésimos por cento) e 23,44% (vinte inteiros e quarenta e quatro centésimos por cento), incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de gasolinas e suas correntes, exceto gasolina de aviação; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.051, de 2004) II – 4,21% (quatro inteiros e vinte e um centésimos por cento) e 19,42% (dezenove inteiros e quarenta e dois centésimos por cento), incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de óleo diesel e suas correntes; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.051, de 2004) Como é de conhecimento, o regime de nãocumulatividade das contribuições PIS e COFINS foi instituído pelas Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03, sendo que a Lei nº 10.865/04 introduziu alteração no citado regime (nos artigos 3º, inciso I, alínea "b", das referidas leis), vedando a possibilidade de creditamento nas operações de venda de gasolina e óleo diesel. Posteriormente foi editada a Lei nº 11.033/04, cujo artigo 17 estabeleceu que “as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações”, originando a contenda aqui presente. Argui a recorrente que essa norma teria revogado tacitamente aquelas restrições constantes dos artigos 3º, inciso I, alínea “b”, das Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03 (inseridas no regime de nãocumulatividade pela Lei nº 10.865/04). Em razão disso, entende ser de direito o crédito sobre as aquisições de combustíveis (gasolina, óleo diesel), sujeitos a tributação concentrada/monofásica. Quanto à controvérsia especificamente estabelecida nesse processo, fazse necessário tecer algumas considerações. Em linhas gerais, ressaltase, a seguir, os regimes de incidência das contribuições para o Pis/Pasep e Cofins. 1. Regime de Incidência Cumulativa. Nesse regime de apuração, a base de cálculo do Pis/Pasep e Cofins é a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza, conforme Lei nº 9.715, de 1998 e LC nº 70/91, cujas alíquotas são 0,65% e 3%, respectivamente. 2. Regime de Incidência NãoCumulativa. O regime da nãocumulatividade das Contribuições para o Pis/Pasep e Cofins, introduzido pela EC (Emenda Constitucional) nº 42, de 2003, foi instituído pela Medida Provisória nº 66/2002 (convertida na Lei nº 10.637/2002) e Medida Provisória nº 135/2003 (convertida na Lei nº 10.833/2003), respectivamente, permitindo, nos exatos termos Fl. 84DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 14/05/2013 por JACQUES MAURICIO FERREIRA VELOSO DE MELO 10 definidos em lei, o desconto de créditos apurados com base em custos, despesas e encargos da pessoa jurídica. Seu fundamento constitucional está gravado no art. 195, §12 da CF/1988: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: § 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão nãocumulativas. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003) Nesse regime, as alíquotas da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins são, respectivamente, de 1,65% e de 7,6%. 3. Regime Diferenciado. Caracterizase pela incidência especial sobre algum tipo de receita e não sobre pessoas jurídicas, devendo as mesmas calcular as contribuições sobre as demais receitas, em existindo, na sistemática cumulativa ou nãocumulativa. Tem seu fundamento constitucional no art. 149, §4º, abaixo colacionado: Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo. § 4º A lei definirá as hipóteses em que as contribuições incidirão uma única vez. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001) O regime diferenciado de apuração das contribuições para o Pis/Pasep e Cofins pode ser assim especificado, resumidamente em: (i) base de cálculo e alíquota diferenciada; (ii) base de cálculo diferenciada; (iii) alíquota reduzida; (iv) substituição tributária e (v) monofásico ou concentrado. Fazse referência, a seguir, por se tratar do caso em análise, do sistema de apuração das contribuições intitulado de regime monofásico ou de alíquota concentrada. De acordo com esse regime, o importador ou produtor/fabricante tem suas alíquotas majoradas, incidindo uma única vez na cadeia de distribuição dos produtos, ficando os demais elos da referida cadeia desonerados das referidas contribuições. Quanto ao regime de apuração das contribuições para o Pis/Pasep e Cofins na sistemática nãocumulativa do PIS e da Cofins a legislação não previa, de início, a inclusão das receitas sujeitas ao modelo monofásico. Somente a partir da edição da Lei nº 10.865, de 2004, permitiuse para o produtor e importador que o regime nãocumulativo do PIS e da Cofins abrangesse as receitas referente às vendas de produtos tributados com base em alíquotas Fl. 85DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 14/05/2013 por JACQUES MAURICIO FERREIRA VELOSO DE MELO Processo nº 10315.720422/200951 Acórdão n.º 3801001.369 S3TE01 Fl. 81 11 diferenciadas (modelo concentrado/monofásico) e, com isso, abriuse a possibilidade destes contribuintes descontar créditos em relação a certos custos e despesas previstos nos arts. 3º das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003. Podese dizer, em remate, que o regime de apuração das contribuições para o Pis/Pasep e Cofins na sistemática da nãocumulatividade é geral, enquanto que o regime de tributação diferenciado na sistemática de apuração concentrada/monofásica é específico e apurado paralelamente àquele. Feitas as considerações acima, convém retornar à análise do art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, abaixo colacionado, bem como o entendimento da recorrente no sentido de que essa norma teria revogado tacitamente aquelas restrições constantes dos artigos 3º, inciso I, alínea “b”, das Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03 (inseridas no regime de nãocumulatividade pela Lei nº 10.865/04), verdadeira razão da controvérsia submetida a esse colegiado. Art. 17 As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Relativamente a revogação tácita invocada pela recorrente, de acordo com o artigo 2º , §§ 1° e 2º, do DecretoLei nº 4.657, de 04 de setembro de 1942 Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro – “a lei posterior revoga a anterior quando expressamente o declare, quando seja com ela incompatível ou quando regule inteiramente a matéria de que tratava a lei anterior” e “a lei nova, que estabeleça disposições gerais ou especiais a par das já existentes, não revoga nem modifica a lei anterior”. Assim, como é incontroverso que não houve revogação expressa, nem tão pouco é possível se admitir que o referido artigo regulou inteiramente a matéria, resta tão somente a possibilidade do novo texto ser incompatível com o anterior. Quanto a esse aspecto, como visto na abordagem dos regimes de incidência das contribuições para o Pis/Pasep e Cofins, a sistemática de apuração nas modalidades não cumulativa e concentrada/monofásica tem fundamentos constitucionais diferentes, o que leva a concluir que são sistemas distintos, que não se misturam mesmo quando apurados paralelamente. Assim, da análise do art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, é manifesto que sua aplicação se limita a apuração das contribuições sob a sistemática da nãocumulativa. Portanto, no caso de receita sujeita a tributação concentrada, caso dos autos, referido comando legal é inaplicável. Desse modo, em razão do comando normativo expresso nos artigos 2º, § 1º, I, e 3º, I, “b”, das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003, respectivamente, com a redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004 (arts. 21 e 37), e pela Lei nº 10.925, de 2004 (arts. 4º e 5º), é expressamente vedado descontar créditos calculados em relação as aquisições de combustíveis (gasolina, óleo diesel), adquiridas para revenda, submetidas ao regime de tributação estabelecido no artigo 4º da Lei nº 9.718, de 1998. Por fim, uma vez que as regras da nãocumulatividade das contribuições sociais definidas nas Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 tem natureza específica e o art. 17 da Lei nº 11.033/04 é um dispositivo de caráter genérico, cujo comando não previu expressamente a Fl. 86DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 14/05/2013 por JACQUES MAURICIO FERREIRA VELOSO DE MELO 12 revogação dos artigos 2º, § 1º, I, e 3º, I, “b” das referidas leis, predomina o princípio da especialidade na resolução do aparente conflito das leis no tempo. Significa dizer que as Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 não foram atingidas pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/04, inexistindo o direito da recorrente ao ressarcimento buscado através do PER/DCOMP de fls. 02/04. Diante do acima exposto, encaminho meu voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário apresentado pela recorrente. É assim que voto. (assinado digitalmente) José Luiz Bordignon Fl. 87DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 14/05/2013 por JACQUES MAURICIO FERREIRA VELOSO DE MELO Processo nº 10315.720422/200951 Acórdão n.º 3801001.369 S3TE01 Fl. 82 13 Declaração de Voto Conselheiro Jacques Maurício Ferreira Veloso. A questão posta é sobre a possibilidade ou não dos contribuintes que operam com produtos sujeitos ao regime monofásico de contribuição do PIS e COFINS. Para entender o pleito, vejo como necessária uma análise da evolução legislativa sobre o tema e busca daí a melhor forma de sua aplicação, vejamos. As contribuições citadas (Pis e Cofins) foram inseridas no regime não cumulativo de apuração após a publicação das leis 10.627/02 e 10.833/03 respectivamente. Pelos referidos normativos, estava criado o regime nãocumulativo de apuração das contribuições, obrigatório para os contribuintes optantes pelo lucro real, porém fora do referido regime operações realizadas com os produtos sujeitos ao regime monofásico de apuração. Ou seja, com a edição das normas citadas, passamos a ter concomitantemente o regime cumulativo de apuração, o regime nãocumulativo e o regime monofásico. Acontece que com a edição da lei 10.865/04 houve uma significativa alteração no sistema posto, pois pela referida legislação os produtos revendidos pela Recorrente passaram a integrar também o regime nãocumulativo, ou seja, o que antes era tratado pelo legislador como dois regimes distintos, passou a ser uma operação mista, onde o contribuinte sujeito ao recolhimento concentrado (monofásico) também teria o direito de creditamento através regime nãocumulativo. Ou seja, a partir de agosto de 2004, quando entrou em vigência a lei 10.865/04, houve uma mudança no regime monofásico que passou a beneficiar os contribuintes que operam com mercadorias sujeitas a sua sistemática. Tal benefício foi corroborado posteriormente pela lei 11.033/04 que em artigo 17 reconhece o referido crédito, cito: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Não bastasse, o artigo 16 da lei 11.116/05 novamente confirma o crédito e disciplina a sua utilização, inclusive possibilitando o seu uso para compensação com outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, cito: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao Fl. 88DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 14/05/2013 por JACQUES MAURICIO FERREIRA VELOSO DE MELO 14 final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestrecalendário anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei. Vale citar que o artigo supracitado não só reconhece a existência do crédito, como a sua data de início, 09/08/2004, ou seja, início da vigência da lei 10.865/04. O referido crédito e seu aproveitamento chegou inclusive a ser regulamentado no âmbito da Receita Federal, através da IN 600/05, que em seu artigo 42 assim dispunha: Art. 42. Os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurados na forma do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, que não puderem ser utilizados no desconto de débitos das respectivas contribuições, poderão sêlo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos de que trata esta Instrução Normativa, se decorrentes de: I custos, despesas e encargos vinculados às receitas resultantes das operações de exportação de mercadorias para o exterior, prestação de serviços a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas, e vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação; II custos, despesas e encargos vinculados às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou nãoincidência; ou II aquisições de embalagens para revenda pelas pessoas jurídicas comerciais a que se referem os §§ 3º e 4º do art. 51 da Lei nº 10.833, de 2003, desde que os créditos tenham sido apurados a partir de 1º de abril de 2005. III aquisições de embalagens para revenda pelas pessoas jurídicas comerciais a que se referem os §§ 3º e 4º do art. 51 da Lei nº 10.833, de 2003, desde que os créditos tenham sido apurados a partir de 1º de abril de 2005. (Retificada no DOU de 27/01/2009, pág. 11) § 1º A compensação a que se refere este artigo será efetuada pela pessoa jurídica vendedora na forma prevista no § 1º do art. 34. (...) Fl. 89DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 14/05/2013 por JACQUES MAURICIO FERREIRA VELOSO DE MELO Processo nº 10315.720422/200951 Acórdão n.º 3801001.369 S3TE01 Fl. 83 15 § 5º O saldo credor acumulado, na forma do inciso II do caput e do § 4º, no período de 9 de agosto de 2004 até o final do 1º (primeiro) trimestrecalendário de 2005, somente poderá ser utilizado para compensação a partir de 19 de maio de 2005. § 6º A compensação dos créditos de que tratam os incisos II e III do caput e o § 4º somente poderá ser efetuada após o encerramento do trimestrecalendário. § 7º Os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a que se refere o inciso I do caput, remanescentes do desconto de débitos dessas contribuições em um mês de apuração, embora não sejam passíveis de ressarcimento antes de encerrado o trimestre do anocalendário a que se refere o crédito, podem ser utilizados na compensação de que trata o caput do art. 34. Importante ressaltar que a IN 600/05 permaneceu inalterada e reconhecendo o direito ao crédito, como posto, até a edição da IN 900/08, ou seja, durante 3 (três) anos a própria administração reconheceu e admitiu a cumulação das sistemáticas de apuração – monofásico e nãocumulatividade. Finalmente, a meu sentir para por uma pá de cal sobre o assunto, foi publicada a MP 413/08 que em seus artigos 14 e 15 alterava as leis 10.637/02 e 10.833/03 para impedir a utilização do crédito de PIS e COFINS nos produtos sujeitos ao regime monofásico de apuração, a partir da regulamentação pela Secretaria da Receita Federal, no que se refere à vedação instituída, ou seja, reconhecendo a validade dos créditos em períodos anteriores. O referido dispositivo foi derrubado no Congresso Nacional sendo convertida a MP 413 na Lei 11.727/08 sem tais disposições, ou seja, mantendo na íntegra o direito ao creditamento. A tentativa de revogação ao direito de crédito foi novamente levada a efeito pelo Poder Executivo na edição da MP 451/08 e novamente os dispositivos que vedavam a utilização do crédito não foram aprovados no processo de conversão da MP na Lei 11.945/09. Ou seja, no meu entendimento, é fato que o Congresso Nacional, Poder responsável pela edição das leis em nosso país, reiterou por diversas vezes seu entendimento de que há o direito ao crédito no caso em análise. Portanto como aplicadores das normas, entendo que não é possível o afastamento deste direito, senão mediante alteração legislativa, o que, como dito, foi buscado por duas vezes e não foi admitido pelo Poder Legislativo. Portanto, voto pelo provimento do recurso. É como voto. Fl. 90DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 14/05/2013 por JACQUES MAURICIO FERREIRA VELOSO DE MELO
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Numero do processo: 11543.003308/2004-28
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon May 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/08/1994 a 28/02/1996
DECRETOS Nº 2.445/1988 E 2.449/1988.
O Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade da semestralidade da Contribuição ao PIS estabelecidas pelos Decretos-Leis 2.445/88 e 2.449/88, Posteriormente, o Senado Federal editou a Resolução 49/95, suspendendo a execução dos referidos Decretos.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3301-001.632
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
[assinado digitalmente]
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
[assinado digitalmente]
Andréa Medrado Darzé - Relatora.
Participaram ainda da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (presidente), José Adão Vitorino de Morais, Maria Teresa Martinez Lopez, Paulo Guilherme Déroulède e Antônio Lisboa Cardoso.
Nome do relator: ANDREA MEDRADO DARZE
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/08/1994 a 28/02/1996 DECRETOS Nº 2.445/1988 E 2.449/1988. O Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade da semestralidade da Contribuição ao PIS estabelecidas pelos Decretos-Leis 2.445/88 e 2.449/88, Posteriormente, o Senado Federal editou a Resolução 49/95, suspendendo a execução dos referidos Decretos. Recurso Voluntário Provido em Parte. Recurso Voluntário Provido
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COMPENSAÇÃO Recorrente PREFEITURA MUNICIPAL DE VITÓRIA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/08/1994 a 28/02/1996 REPRODUÇÃO DAS DECISÕES DEFINITIVAS DO STF, NA SISTEMÁTICA DO ART. 543B, DO CPC. No julgamento dos recursos no âmbito do CARF devem ser reproduzidas pelos Conselheiros as decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal na sistemática prevista pelo artigo 543B da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, em conformidade com o que estabelece o art. 62A do Regimento Interno. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/08/1994 a 28/02/1996 PRAZO DE DECADÊNCIA PARA REPETIÇÃO DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO. RE 566.621 Segundo entendimento do Supremo Tribunal Federal, a aplicação plena do novo prazo de decadência para a repetição do indébito tributário, relativo aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, se aplica apenas aos casos em que o pedido de restituição ou compensação foi apresentado após 09.06.2005. Nas hipóteses em que o protocolo do pedido foi anterior a esta data, permanece o entendimento anterior, ou seja, cinco anos contados da homologação do pagamento indevido. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/08/1994 a 28/02/1996 DECRETOS Nº 2.445/1988 E 2.449/1988. O Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade da semestralidade da Contribuição ao PIS estabelecidas pelos DecretosLeis 2.445/88 e 2.449/88, Posteriormente, o Senado Federal editou a Resolução 49/95, suspendendo a execução dos referidos Decretos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 54 3. 00 33 08 /2 00 4- 28 Fl. 398DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 Recurso Voluntário Provido em Parte. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. [assinado digitalmente] Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. [assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé Relatora. Participaram ainda da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (presidente), José Adão Vitorino de Morais, Maria Teresa Martinez Lopez, Paulo Guilherme Déroulède e Antônio Lisboa Cardoso. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão da DRJ do Rio de Janeiro II que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, não reconhecendo o direito creditório e não homologando a compensação declarada, por entender que não teria sido observado o prazo decadência de cinco anos contados da data do pagamento indevido. A ora recorrente apresentou, em 17.09.2004, declarações de compensação (fls. 01 e 02) de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep no valor de R$ 171.141,22, relativos ao período de 01.08.94 a 29.02.96. O indébito seria decorrente das diferenças entre a contribuição devida com base no faturamento do sexto mês anterior ao do fato gerador, conforme Lei Complementar nº 8, de 1970, e os valores recolhidos de acordo com os DecretosLei nºs 2.445 e 2.449, de 1988. A DRF de Vitória emitiu despacho decisório não homologando as compensações declaradas, por entender que teria operado a decadência do direito à repetição pela fluência de prazo superior a cinco anos entre as datas dos recolhimentos supostamente indevidos e as datas das Declarações de Compensação, nos termos do Ato Declaratório SRF nº 96/99. Cientificada do despacho, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade, alegando, em estreita síntese, que o prazo decadencial da repetição de indébito é de dez anos, a teor da interpretação conjunta dos arts. 168 e 150, § 4º do Código Tributário Nacional – CTN. Transcreveu doutrina e jurisprudência do STJ nesse sentido. Fl. 399DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11543.003308/200428 Acórdão n.º 3301001.632 S3C3T1 Fl. 11 3 A DRJ no Rio de Janeiro II julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade nos seguintes termos: REPETIÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. O prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição de tributo pago indevidamente ou em valor maior que o devido extinguese após o transcurso do prazo de cinco anos, contados da data do pagamento. Irresignada, a contribuinte recorreu a este Conselho repetindo as razões da Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Conselheira Andréa Medrado Darzé. O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme é possível perceber do relato acima, a presente controvérsia versa, essencialmente, sobre a definição do prazo de decadência para a compensação de indébito tributário, relativo a tributo sujeito ao lançamento por homologação. O indébito seria decorrente das diferenças entre a contribuição devida com base no faturamento do sexto mês anterior ao do fato gerador, conforme Lei Complementar nº 8, de 1970, e os valores recolhidos de acordo com os DecretosLei nºs 2.445 e 2.449, de 1988. Pois bem. O Supremo Tribunal Federal, valendose da sistemática prevista no art. 543B, do CPC, pacificou, no RE 566.621, o entendimento de que é inconstitucional a atribuição de feitos retroativos ao art. 3º da Lei Complementar nº 118/05, devendo sua aplicação plena se restringir às ações ajuizadas a partir de 09.06.05: DIREITO TRIBUTÁRIO. LEI INTERPRETATIVA. APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/05. DESCABIMENTO. VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA. NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS. APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei Fl. 400DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. (RE 566621, Relator(a): Min. ELLEN GRACIE, Tribunal Pleno, julgado em 04/08/2011, DJe195 DIVULG 10102011 PUBLIC 11102011 EMENT VOL0260502 PP00273) E o caso concreto submetido à análise enquadrase perfeitamente no precedente acima transcrito. Afinal, tratase de compensação de indébito tributário, relativo a tributo sujeito ao lançamento por homologação e cujo pedido de ressarcimento fora protocolado em 17.09.2004, ou seja, em data anterior à 09.06.05. Por conta disso, devese aplicar ao presente caso o art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, o qual prescreve a necessidade de reprodução, pelos Conselheiros, das decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, na sistemática da repercussão geral: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Neste contexto, não resta dúvida de que no caso sob análise permanece prevalecendo o prazo de 10 (dez) anos contados da data dos respectivos fatos geradores para a repetição. Isso porque o acórdão foi bastante claro ao prescrever aplicação plena do novo prazo de 5 (cinco) apenas às medidas ajuizadas a partir de 09.06.05, o que não é caso. Ademais, os fatos geradores ocorreram entre 01.08.94 a 29.02.96, ou seja, exceção feita ao período de agosto de 1994, com menos de 10 anos do protocolo da medida administrativa. Fl. 401DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11543.003308/200428 Acórdão n.º 3301001.632 S3C3T1 Fl. 12 5 Pelo exposto, deve ser reconhecido o direito de pleitear a restituição de eventuais indébitos tributários no período de dez anos contados a partir dos fatos geradores indicados nos pedidos de restituição/compensação (01.09.94 a 29.02.96), excluindose, portanto, apenas os créditos relativos ao período de agosto de 1994. No que se refere propriamente ao mérito da restituição, como bem colocado pela Recorrente, o Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade da semestralidade da Contribuição ao PIS/PASEP estabelecidas pelos DecretosLeis 2.445/88 e 2.449/88, nos seguintes termos: CONSTITUCIONAL. ART. 55II DA CARTA ANTERIOR. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS. DECRETOSLEIS 2.445 E 2.449, DE 1988. INCONSTITUCIONALIDADE. I CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS: SUA ESTRANEIDADE AO DOMÍNIO DOS TRIBUTOS E MESMO AQUELE, MAIS LARGO, DAS FINANÇAS PÚBLICAS. ENTENDIMENTO, PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, DA EC Nº 8/77 (RTJ 120/1190). II TRATO POR MEIO DE DECRETOLEI: IMPOSSIBILIDADE ANTE A RESERVA QUALIFICADA DAS MATÉRIAS QUE AUTORIZAVAM A UTILIZAÇÃO DESSE INSTRUMENTO NORMATIVO (ART. 55 DA CONSTITUIÇÃO DE 1969). INCONSTITUCIONALIDADE DOS DECRETOSLEIS 2.445 E 2.449, DE 1988, QUE PRETENDERAM ALTERAR A SISTEMÁTICA DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS. (RE 148754, Rel. Min. Carlos Velloso, Relator(a) p/ Acórdão: Min. Francisco Resek, Tribunal Pleno, julgado em 24/06/1993, DJ 04031994 PP03290 EMENT VOL0173502 PP00175 RTJ VOL0015003 PP00888) Posteriormente, o Senado Federal editou a Resolução 49/95, suspendendo a execução dos Decretos supracitados. Como consequência, a base de cálculo da Contribuição ao PIS voltou a ser o faturamento do sexto mês anterior à ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 6º, da Lei Complementar nº 07/70. A exigência mantevese nesses moldes até a publicação da Medida Provisória no 1.212/95, quando a base de cálculo da Contribuição ao PIS/PASEP passou a ser o faturamento do mês anterior. Vale ressaltar que esse entendimento é pacífico neste Tribunal Administrativo, existindo, inclusive Súmula do extinto Conselho de Contribuintes sobre o tema: Súmula nº 15: A base de cálculo do PIS, prevista no artigo 6º da Lei Complementar nº 7, de 1970, é o faturamento do sexto mês anterior. Sendo este o contexto normativo e jurisprudencial no qual se insere o crédito pleiteado, entendo, com base no art. 59 do PAF, que não há necessidade de se determinar a devolução do processo para a instância inferior analisar o mérito, sendo legítimo o reconhecimento do direito da Recorrente nesta instância recursal. Pelo exposto, voto por DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário para que seja reconhecido o direito da ora Recorrente à restituição de eventuais indébitos tributários no período de dez anos contados a partir dos fatos geradores indicados nos pedidos de restituição/compensação (01.09.94 a 28.02.96), excluindose, pois, os créditos relativos ao período de agosto de 1994, tomando por base seus cálculos e considerando a semestralidade da Contribuição ao PIS/Pasep, homologando a compensação até o limite dos valores dos créditos apurados. Fl. 402DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 6 [Assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé Fl. 403DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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