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Numero do processo: 12448.736590/2011-01
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jan 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Feb 12 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006, 2009
OMISSÃO DE GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE AÇÕES. DUPLICIDADE DE CAPITALIZAÇÃO DE LUCROS E RESERVAS.
Constatada a majoração artificial do custo de aquisição da participação societária alienada, mediante a capitalização de lucros e reservas oriundos de ganhos avaliados por equivalência patrimonial nas sociedades investidoras, seguida de incorporação reversa e nova capitalização, em inobservância à correta interpretação a ser dada ao art. 135 do Decreto no 3.000, de 1999, devem ser expurgados os acréscimos indevidos, com a conseqüente tributação do novo ganho de capital apurado.
JUROS DE MORA INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. É cabível a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, com base na Taxa Selic, tendo em vista que o crédito tributário compreende o tributo e a multa de oficio proporcional.
Recurso Especial do Contribuinte negado
Recurso Especial do Procurador provido
Numero da decisão: 9202-003.701
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Especial do Contribuinte e pelo voto de qualidade, em dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Vencidos os Conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martinez Lopez que negavam provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente.
(assinado digitalmente)
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Relatora.
EDITADO EM: 11/02/2016
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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DUPLICIDADE DE CAPITALIZAÇÃO DE LUCROS E RESERVAS. Constatada a majoração artificial do custo de aquisição da participação societária alienada, mediante a capitalização de lucros e reservas oriundos de ganhos avaliados por equivalência patrimonial nas sociedades investidoras, seguida de incorporação reversa e nova capitalização, em inobservância à correta interpretação a ser dada ao art. 135 do Decreto no 3.000, de 1999, devem ser expurgados os acréscimos indevidos, com a conseqüente tributação do novo ganho de capital apurado. JUROS DE MORA INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. É cabível a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, com base na Taxa Selic, tendo em vista que o crédito tributário compreende o tributo e a multa de oficio proporcional. Recurso Especial do Contribuinte negado Recurso Especial do Procurador provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Especial do Contribuinte e pelo voto de qualidade, em dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Vencidos os Conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martinez Lopez que negavam provimento ao recurso. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 73 65 90 /2 01 1- 01 Fl. 1218DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 12/0 2/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO 2 CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente. (assinado digitalmente) MARIA HELENA COTTA CARDOZO Relatora. EDITADO EM: 11/02/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra. Relatório Tratase de Auto de Infração por meio do qual se exige Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF, relativo aos anoscalendário de 2006 e 2009, acrescido de multa de ofício qualificada e juros de mora. A infração consistiu na apuração de Ganhos de Capital na Alienação de Ações/Quotas não Negociadas em Bolsa, cujos fatos geradores ocorreram em 31/12/2006 e 30/09/2009. O objeto da autuação foi a alienação das ações do Banco Pactual S/A, de propriedade do sócio autuado, precedida de reorganização societária ocorrida entre sociedades holdings, que detinham as ações do citado banco. A operação consistiu na extinção das holdings que detinham participação societária no banco, por meio de sucessivas incorporações às avessas, culminando com a alienação das ações do Banco Pactual diretamente pelos acionistas pessoas físicas da instituição. A reorganização societária teve como consequência a majoração do custo das ações alienadas, o que gerou a redução do ganho de capital tributável, obtido pelo acionista pessoa física. As operações foi assim descritas, em síntese, pela Fiscalização (Termo de Verificação Fiscal de fls. 794 a 837): verificouse um acréscimo no custo das ações alienadas do Banco Pactual S/A, do acionista autuado, da ordem de 335%, na data da alienação em (dezembro de 2006), enquanto o aumento de patrimônio líquido do Banco Pactual S/A, entidade que concentrava toda a riqueza efetiva do grupo, no mesmo período, foi de 89%, conforme Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica DIPJ da instituição financeira relativa ao anocalendário de 2006. constatouse assim discrepância entre a evolução da riqueza da instituição financeira alienada e o acréscimo patrimonial do custo das respectivas ações pertencentes a um dos seus acionistas; as reorganizações societárias não teriam como produzir efeitos econômicos que justificassem o acréscimo patrimonial da pessoa física, tendo como objeto tãosomente a majoração irregular do custo de aquisição das ações alienadas do Banco Pactual S/A e, consequentemente, a supressão de tributos devidos pela pessoa física relativos à alienação do Banco; Fl. 1219DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 12/0 2/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO Processo nº 12448.736590/201101 Acórdão n.º 9202003.701 CSRFT2 Fl. 1.219 3 por meio de contrato firmado em 09/05/2006, entre a UBS AG, a Pactual S.A (controladora direta do Banco Pactual S.A.) e as pessoas físicas com participação indireta no patrimônio do Banco Pactual S.A., definiuse, entre outras coisas, que as holdings detentoras de todas as ações do Banco Pactual S.A seriam extintas mediante a reorganização, para que os sócios pessoas físicas assumissem a condição de proprietários diretos das ações negociadas; o pagamento das ações do Banco Pactual S.A. foi parcelado, sendo a primeira parcela paga na data de “Fechamento” da compra e venda das ações, o que correu em dezembro de 2006, e a segunda parcela em data posterior, denominada “Pagamento Diferido”; além destes pagamentos, os alienantes receberiam outros valores, denominados “Pagamentos Especiais; Usufruto”; os sócios pessoas físicas providenciaram uma reestruturação societária no anocalendário de 2006, mediante incorporações às avessas das holdings controladoras do Banco, o que permitiu que a transferência das ações do Banco Pactual S.A. ao UBS AG fosse feita diretamente pelos sócios pessoas físicas; em 28/12/2004 e 31/12/2005, foram realizados aumentos do capital social de Pactual Participações Ltda, nos valores de R$ 210.000.000,00 e R$ 130.000.000,00, respectivamente, passando de R$ 125.000.321,05 para R$ 335.000.321,71 em 28/12/2004 e R$ 465.000.320,61 em 31/12/2005, mediante capitalização de parte dos lucros retidos na conta lucros acumulados da sociedade; em 31/12/2005, a Pactual Participações Ltda foi incorporada por Pactual Participações S/A, cujo capital social passou de R$ 26.969.514,00 para R$ 70.118.786,40 (aumento de R$ 43.149.272,40), e posteriormente a Pactual Participações S/A transformouse em Nova Pactual Participações Ltda; em 13/10/2006, foi realizado o aumento do capital social da Nova Pactual Participações Ltda, no valor de R$ 686.000.000,00, passando de R$ 70.118.786,40 para R$ 756.118.786,40, mediante capitalização dos créditos detidos pelos sócios quotistas contra a sociedade; em 13/10/2006, a Pactual Holdings S/A, aumentou seu capital social em R$ 202.500.000,00, mediante a capitalização de créditos detidos contra a sociedade e a capitalização da reserva legal da Companhia; em 13/10/2006, a Pactual Holdings S/A foi incorporada por Pactual S/A, passando o capital social da incorporadora de R$ 34.498.190,25 para R$ 64.248.147,47, e também nesta data a Nova Pactual Participações Ltda foi incorporada por Pactual S/A, cujo capital social passou de R$ 64.248.147,47 para RS 97.841.295,93; em 01/11/2006, o capital social da Pactual S/A foi aumentado em R$ 3.862.542,92, passando para R$ 101.698.838,85, com a conseqüente emissão de duas ações preferenciais subscritas pelos acionistas André Santos Esteves e Gilberto Sayão da Silva, e integralizadas mediante a capitalização de créditos por eles detidos contra a sociedade; Fl. 1220DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 12/0 2/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO 4 em 03/11/2006, a Pactual S/A aumentou seu capital social em R$ 996.087.876,00, passando este para R$ 1.097.786.714,85, mediante a capitalização de créditos detidos pelos acionistas contra a Companhia; em 01/12/2006, a Pactual S/A foi incorporada pelo Banco Pactual S/A, vertendose para o incorporador o patrimônio líquido da incorporada, de R$ 1.149.597.660,18. a partir deste último evento, os acionistas pessoas físicas passaram a ter participação direta no Banco Pactual S/A, detendo as ações que, posteriormente, foram alienadas; assim, constatase um padrão nos eventos societários: após o incremento dos respectivos Patrimônios Líquidos das companhias, em decorrência dos ajustes de equivalência patrimonial originados pelo lucro do Banco Pactual S/A, todas as companhias Investidoras (Nova Pactual Participações Ltda, Pactual Holdings S/A e Pactual S/A) tiveram seus lucros e reservas capitalizados, sendo depois foram incorporadas pelas suas Investidas, operações estas inversas ao processo normal, que é o da Investidora incorporar a Investida; nos processos de incorporação reversa houve majoração irregular no custo das ações alienadas, tendo em vista que o processo de extinção das holdings Pactual Participações Ltda, Nova Pactual Participações Ltda e Pactual Holdings S/A, com a anterior capitalização de dividendos nos valores de R$ 210.000.000,00, R$ 130.000.000,00, R$ 43.149.272,40, R$ 202.500.000,00, R$ 686.000.000,00, não poderiam gerar aumento no custo das ações alienadas do Banco Pactual S/A, uma vez que, posteriormente, houve acréscimo cumulativo do custo das aludidas ações alienadas com a incorporação do acervo líquido da Pactual Holdings S/A e da Nova Pactual Participações Ltda e, mais tarde, a capitalização dos dividendos da companhia Pactual S/A, anteriormente à sua incorporação pelo Banco Pactual S/A, no valor de R$ 1.063.293.524,60, que representa a soma das parcelas R$ 29.749.957,22, RS 33.593.148,46, RS 3.862.542,92 e R$ 996.087.876,00; com a incorporação, todo o acervo líquido da Pactual S/A (PL), no valor de RS 1.149.610.206,41, foi incorporado pelo Banco Pactual S/A; as ações ou quotas recebidas pelo sócio ou acionista, em decorrência do aumento de capital subscrito pela sociedade fundida, incorporada ou cindida, continuam sendo basicamente as mesmas de antes, ainda que qualitativamente tenham sofrido alteração, da mesma forma que se aceitaria indiscutivelmente como inalterada a participação societária dos sócios ou acionistas que participavam de sociedade que tenha incorporado patrimônio de outra; assim, concluise que o custo da ação alienada por cada acionista tem como base a participação de cada um deles no capital social da Pactual S/A, em 01/12/2006, todavia o contrato firmado na compra e venda do Banco Pactual S/A determinava que, entre a data da celebração do negócio e a data de sua efetivação os lucros auferidos seriam objeto de distribuição aos antigos proprietários, de tal forma, que em 22/02/2007, os acionistas alienantes, àquela época exacionistas, receberam o valor de R$ 290.754.000,06 a título de dividendos; dito valor, portanto, referese a lucros auferidos até 01/12/2006 e, para que pudessem ser distribuídos, deveriam estar incluídos no patrimônio líquido da Pactual S/A, por isso esta parcela deve ser deduzida do custo de aquisição apurado; desta forma, apurase o custo das ações alienadas pelo Contribuinte, que é de R$ 14.962.740,96, correspondente a 1,75% do total da sociedade; Fl. 1221DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 12/0 2/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO Processo nº 12448.736590/201101 Acórdão n.º 9202003.701 CSRFT2 Fl. 1.220 5 o que evidencia a irregularidade é que o sujeito passivo recebeu novas ações em troca das extintas, por ocasião da extinção da Nova Pactual Participações Ltda, mantendo assim em sua propriedade a mesma parcela que detinha indiretamente do Banco Pactual S/A, entidade que concentrava a efetiva riqueza econômica e financeira do grupo empresarial, como também aumentou o custo de aquisição de tais ações por meio de dividendos não distribuídos; os dividendos capitalizados são os mesmos, na medida em que as Reservas e Lucros capitalizados por Nova Pactual Participações Ltda e Pactual S/A nada mais são que o Resultado da Equivalência Patrimonial do Banco Pactual S/A; as operações engendradas pelas citadas sociedades empresariais (uma autêntica cadeia de repercussões de equivalência patrimonial), no que concerne à questão da incorporação de lucros e dividendos, somente encontra lastro jurídicocontábilfinanceiro no que se refere àqueles gerados pelo Banco Pactual S/A, com repercussão na controladora Pactual S/A; eventuais ajustes promovidos pelo Banco Pactual S/A, em função de acréscimos patrimoniais ocorridos nas sociedades Pactual Participações Ltda e Nova Pactual Participações Ltda, nada mais eram que a própria riqueza gerada pelo Banco Pactual S/A, as quais já haviam sido consignadas no patrimônio de Pactual S/A; a capitalização cumulativa dos lucros de equivalência patrimonial, majorando o custo de aquisição das ações acima do cabível, não pode ser admitida, por ser ilícita; ademais, deve ser inibida, para que no futuro não reste comprometida a eficácia de toda tributação do ganho de capital sobre participações societárias, uma vez que o estratagema contábil viabilizaria a utilização de “empresas de papel” (holdings), tãosomente para evitarse o pagamento de imposto de renda sobre ganho de capital, distorcendose a percepção do Fisco acerca da capacidade contributiva dos sócios pessoas físicas; com tais procedimentos, os exacionistas informaram no Demonstrativo de Ganho de Capital de suas Declarações de Ajuste Anual o custo majorado de suas ações, inserindo, dessa forma, elementos inexatos com o fim de pagar menos imposto de renda, conduta que se insere no contexto de fraude à fiscalização tributária, sendo o tipo doloso (art.72, da Lei 4.502/64); todo o arcabouço montado foi no sentido de prejudicar o direito do Fisco, configurando, em tese, crime contra a Ordem Tributária definido no inciso I, dos artigos 1º e 2º da Lei 8.137/90; o ato praticado contraria as palavras e espírito da lei (art. 135 do RIR/99), apesar de o autuado afirmar que nela se baseou; e ainda que assim fosse, o ato preservaria a letra da lei, mas ofenderia o espírito dela, envolvendo o abuso do direito, intimamente ligado à ideia segundo a qual não há direito ilimitado; o abuso do direito pode ser definido como o exercício egoístico, normal do direito, sem motivos legítimos, com excessos intencionais ou voluntários, dolosos ou culposos, nocivos a outrem, contrários ao critério econômico e social do direito em geral; foi aplicada a multa de 150% com base no art. 957, II, do RIR/99, tendo em vista a intenção do fiscalizado de majorar o custo de suas ações e permanecer com esse valor de custo majorado, mesmo após o recebimento de dividendos previstos no contrato de compra Fl. 1222DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 12/0 2/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO 6 e venda das ações do Banco Pactual S/A em fevereiro de 2007, momento em que deveria recalcular o imposto apurado referente à primeira parcela, deduzindo tal valor do custo. Cientificado do lançamento, o Contribuinte apresentou impugnação, cujos argumentos foram assim resumidos no acórdão de Primeira Instância (fls. 927 a 954): "Do Auto de Infração Antes da reestruturação, o impugnante era titular de investimentos representativos de 2,24% da Nova Pactual Participações Ltda. (NPP), sociedade holding titular de investimentos representativos de 78,18% do capital de Pactual S.A. (PSA), também uma sociedade holding e titular de investimentos representativos de 100% do capital do Banco Pactual. Os demais 21,82% do capital social da NPP eram de propriedade de Pactual Holdings S.A., sociedade holding na qual o Impugnante não tinha qualquer participação. 2. Após a implementação da reestruturação, o Impugnante considerou que o custo de seus investimentos no Banco Pactual passou a ser de R$ 44661001,2 e esse foi o valor utilizado como base para a quantificação de seu ganho de capital. 3. O Auto de Infração indica, como enquadramento legal, uma série de dispositivos que apenas contém regras gerais relativas à apuração e à tributação dos ganhos de capital auferidos por pessoas físicas, entretanto, não há a indicação do dispositivo legal que teria sido infringido, o que nem poderia ser feito, pois os efeitos da reestruturação decorreram justamente da aplicação dos dispositivos legais em vigor. Das Operações que Precederam a Venda do Banco Pactual e do Propósito das Mesmas 4. O Grupo Pactual era composto por diversas holdings, existentes há mais de 10 anos e constituídas em uma época em que os acionistas sequer cogitavam alienar seus investimentos no Banco Pactual. Os objetivos das holdings eram exclusivamente os de organizar o exercício do controle do Banco Pactual e propiciar uma distribuição adequada de seus resultados. Dessa forma, a alienação do Banco Pactual a terceiros faria com que as holdings se tornassem totalmente desnecessárias. 5. O caminho trilhado pelos acionistas para se tornarem vendedores do Banco Pactual foi o mais lógico, rápido e econômico dentre todos disponíveis, sendo o acréscimo do custo de seus investimentos mera consequência de aplicação das normas em vigor. 6. Havia algumas opções para a realização do negócio diretamente pelos acionistas, tendo sido a opção pela incorporação reversa das holdings pelo Banco Pactual a mais conveniente do ponto de vista prático, operacional, negocial e fiscal. Desde que o art. 8º da Lei n° 9.532/1997 definiu os efeitos fiscais das incorporações inversas, as incorporações de holdings têm sido a primeira opção para a eliminação de empresas cuja existência se torna desnecessária. A rapidez com que as holdings Fl. 1223DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 12/0 2/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO Processo nº 12448.736590/201101 Acórdão n.º 9202003.701 CSRFT2 Fl. 1.221 7 foram eliminadas bem demonstra a eficiência da opção adotada pelos acionistas. 7. Assim, não procede a assertiva constante do TVF de que a Reestruturação foi realizada com o objetivo de ser utilizada pelos acionistas para aumentar indevidamente o custo de aquisição de seus investimentos no Banco Pactual. Dos Efeitos das Incorporações Inversas 8. A Lei n° 6.404/1976 (LSA) define, em seu art. 227, a incorporação como a operação pela qual uma ou mais sociedades são absorvidas por outra, que lhes sucede em todos os direitos e obrigações. Como regra, cabe à incorporadora aumentar seu capital social, sendo o aumento realizado pelo patrimônio líquido da incorporada e tocando aos acionistas desta última as ações representativas desse aumento de capital (art. 224, inciso I). 9. A incorporadora recebe um conjunto patrimonial e paga aos acionistas da incorporada pelo mesmo, em ações representativas do aumento de seu capital. Não se apuram resultados na substituição de ações da incorporada por ações da incorporadora e, por essa razão, as ações da incorporadora recebidas pelos acionistas da incorporada tem o mesmo custo de seus investimentos na incorporada, declarados extintos na incorporação. 10. O conjunto patrimonial destinado à realização do aumento de capital corresponde à diferença entre o valor dos ativos e das obrigações da incorporada, isto é, ao seu patrimônio líquido. 11. A parcela do patrimônio líquido da incorporada representada por lucros ou reservas de lucro, por exemplo, transformase em capital da incorporadora no processo de incorporação. Por essa razão, é indiferente que, antes da incorporação, os lucros da incorporada sejam ou não capitalizados. 12. Nas incorporações inversas, a capitalização de lucros das incorporadas nos processos de incorporação por vezes não é perceptível de imediato, pois pode ocorrer de o capital da incorporadora permanecer o mesmo antes e depois da operação. Com efeito, tome se, por exemplo, situação em que: (i) a incorporadora/controlada tenha sido constituída no ano I, com o capital de RS 100.000,00; (ii) sua única acionista seja a incorporada/controladora, uma empresa sem nenhum passivo cujo único ativo sejam os investimentos na incorporadora/controlada (R$ 100.000,00); (iii) a incorporadora/controlada tenha auferido lucros de R$ 50.000,00 e promovido a capitalização dos mesmos. 13. Na incorporação, caberia à incorporadora/controlada aumentar seu capital em R$ 150.000,00 (valor de patrimônio líquido da incorporada/controladora), atribuindo as ações Fl. 1224DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 12/0 2/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO 8 representativas desse aumento aos acionistas da incorporada/controladora; em contrapartida desse aumento, os ativos da incorporada/controladora seriam transferidos à incorporadora/controlada mas, como a legislação brasileira não confere às ações representativas do capital da própria emitente a natureza de um ativo, as referidas ações seriam declaradas extintas e o capital social da incorporadora/controlada permaneceria inalterado. Assim, a situação patrimonial da incorporadora/controlada seria exatamente a mesma, antes e depois da incorporação. 14. Mesmo quando o capital da incorporadora/controlada permanece inalterado após a incorporação, ocorre aumento de seu capital e desaparecem as contas que refletem os lucros e reservas da controladora/incorporada, cuja capitalização seria apta a gerar acréscimo de custo para seus acionistas. 15. Antes da incorporação, os acionistas da investidora/incorporada seriam titulares de ações de empresa apta a distribuir dividendos no valor de R$ 50.000,00, quando tivesse disponibilidades de caixa, e em condições de capitalizar seus lucros, elevando para R$ 150.000,00 o custo dos investimentos. Com a incorporação da investidora/incorporada, seus acionistas passariam a participar de empresa (a investida/incorporadora) sem lucros disponíveis e com capital social de R$ 150.000,00. Assim, se o custo dos investimentos dos acionistas da investidora/incorporada não fosse elevado para R$ 150.000,00, eles perderiam, com a incorporação, a oportunidade de receber dividendos ou mesmo bonificações que possibilitassem o aumento do custo de seus investimento até o montante do patrimônio líquido da invertida/incorporadora; ou seja, se o custo não fosse ajustado, o acionista passaria a registrar um deságio nos seus investimentos. Esse fato evidencia, por si só, a ocorrência da capitalização dos lucros das incorporadas nos processos de incorporação e justifica o ajuste do custo dos investimentos dos acionistas da incorporada, com base no § único do art. 130 ou no art. 135 do RIR. 17. Não fosse a distribuição e capitalização prévia de lucros, a incorporação faria com que as quotas da incorporadora (Pactual S.A.), destinadas aos quotistas da Nova Pactual Participações Ltda. em substituição de suas participações na mesma, fossemlhes atribuídas na proporção do capital social, fazendo com que os lucros acumulados até então fossem distribuídos também nesta proporção. 18. Os lucros de Nova Pactual foram distribuídos em bases desproporcionais e reaplicados na empresa, acertando as participações dos acionistas no patrimônio líquido antes da incorporação. 19. O capital de Participações foi aumentado em R$ 686.000.000,00, mediante a conversão de créditos detidos por seus quotistas, créditos estes decorrentes do direito ao recebimento de lucros e, como nela se observa, a capitalização Fl. 1225DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 12/0 2/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO Processo nº 12448.736590/201101 Acórdão n.º 9202003.701 CSRFT2 Fl. 1.222 9 dos referidos lucros gerou significativa alteração nos percentuais de participações dos acionistas no capital da referida empresa. 20. As capitalizações de lucros verificadas antes das incorporações não representaram mero artifício para elevação do custo dos investimentos dos acionistas, pois (i) essa elevação ocorreria independentemente da capitalização prévia dos lucros e, no caso concreto, (ii) era essencial à adequada distribuição dos lucros de Participações. Do Aumento de Custo Resultante da Reestruturação 21. Nas incorporações inversas, os acionistas da incorporada recebem ações da incorporadora por custo idêntico ao das ações da incorporada por eles detidas. Por outro lado, ocorre capitalização de lucros ou reservas eventualmente existentes na incorporada, passando o novo custo de aquisição das ações dos acionistas da incorporada a corresponder ao valor original de seu investimento, acrescido do montante dos lucros e reservas de lucros da incorporada, capitalizados no processo de incorporação. 22. O aumento do custo de aquisição dos investimentos do Impugnante no Banco Pactual se verificaria, quer houvesse deliberação expressa e específica no sentido da capitalização dos lucros das holdings como houve quer não. 23. Em se tratando da alienação de quotas ou ações e em sendo o alienante uma pessoa física, o custo de aquisição corresponde ao custo original do investimento acrescido do montante dos lucros e reservas de lucros capitalizados, nos termos do § 1º do art. 130 e do art. 135 do RIR. 24. A legislação em vigor prevê que a capitalização de lucros gera acréscimo de custo para os acionistas pessoas físicas, sem cogitar da natureza do lucro. O ajuste do custo dos investimentos do Impugnante decorre da aplicação da lei e não há como rejeitálo. 25. A Fiscalização limitase a alegar que houve uma interpretação incorreta do art. 135 do RIR, por parte do Impugnante. Isso evidencia que, na verdade, o Auto baseiase no inconformismo da Fiscalização quanto às consequências que a aplicação da lei trouxe no caso concreto. 26. As distorções apresentadas através dos quadros demonstrativos do TVF decorrem do texto da lei. De certa forma, a própria fiscalização reconhece esse fato, quando, para demonstrar a distorção, apresenta exemplos elaborados rigorosamente a partir da aplicação da lei. 27. Os ganhos de equivalência patrimonial integram o resultado do exercício da investidora e, conforme estabelece o §6° do art. 202 da LSA, os lucros do exercício devem ser integralmente Fl. 1226DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 12/0 2/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO 10 distribuídos, ressalvada a possibilidade de serem retidos, nos termos dos arts. 193 a 197 da mesma lei. 28. A opção de eliminaremse holdings mediante incorporações reversas era o caminho lógico, natural e admitido por lei para viabilizar a venda das ações do BANCO pelos ACIONISTAS e o aumento do custo das ações do IMPUGNANTE foi mera conseqüência da adoção dessa opção, legítima e essencial à realização do negócio, digase de passagem. 29. O art. 22 da Lei n° 9.249/95, admite que, nas extinções de pessoas jurídicas, os bens de sua propriedade sejam restituídos a seus sócios ou acionistas pelos correspondentes valores contábeis. 30. Não cabe à fiscalização deixar de aplicar a lei por considerar que ela gera distorções injustificáveis. O 1º Conselho de Contribuintes já decidiu que “a existência de falhas na legislação” não pode ser suprimida pelo julgador, ou, ainda, que “não cabe à autoridade fiscal ignorar o preceito representativo da vontade do legislador”. Do Equívoco quanto ao Montante do Ganho de Capital Reduzido em Razão da Reestruturação 31. O montante dos lucros capitalizados somase ao custo dos investimentos a que correspondem, ainda que eles tenham sido reconhecidos em razão da aplicação do MEP. Assim, após a capitalização dos lucros existentes em Participações, o custo dos investimentos do Impugnante atingiu R$ 27.229.548,70. Esse é, pois, o valor que deveria ter servido de ponto de partida para quantificação do ganho de capital auferido na venda das ações do BANCO, caso os efeitos da Reestruturação fossem negados. 32. Mesmo que a Reestruturação tivesse sido levada a efeito nas bases que o TVF consideraria adequada, os R$ 27.229.548,70 corresponderiam ao custo dos investimentos do Impugnante no Banco. 33. A sustentação da Fiscalização de que o custo das ações do Banco deveria ser definido com base no valor do capital de Pactual, dele expurgada uma parcela dos lucros do Banco que seria distribuída aos Acionistas, em razão de usufruto então constituído, chega a causar perplexidade, se confrontada com as normas legais que tratam da matéria, segundo as quais o custo do investimento corresponde ao preço pago por sua aquisição, acrescido dos lucros e reservas de lucros atribuídos aos mesmos, em razão da realização de aumentos de capital da investida. 34. O procedimento adotado no Auto no sentido de partir da situação patrimonial de Pactual para definir o custo dos investimentos do Impugnante no Banco carece de base legal, como também carece o usufruto sobre as ações do Banco. Da Inexistência de Fraude e Abuso de Direito Fl. 1227DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 12/0 2/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO Processo nº 12448.736590/201101 Acórdão n.º 9202003.701 CSRFT2 Fl. 1.223 11 35. Depreendese do Auto que a fraude não estaria presente em ato específico, mas sim no resultado que, com a Reestruturação, o impugnante procurou atingir, qual seja, uma injustificada redução do montante do imposto a pagar. 36. A Reestruturação não foi realizada com esse propósito específico e seria levada a efeito, independentemente da economia fiscal que dela decorreu. O Auto não nega efeitos à Reestruturação, apenas rejeita um dos efeitos fiscais, qual seja, o cômputo no custo dos investimentos dos lucros capitalizados por Participações. 37. Assim, não há que se falar em fraude à lei, abuso de forma ou ilícito semelhante, mas sim em aplicação inadequada das normas legais ajuste feito ao valor então encontrado, em razão da existência de que versam sobre a determinação do custo de investimentos, para efeitos de determinação de ganhos de capital. 38. Mesmo que os atos fossem praticados com abuso de direito, não poderiam ser classificados como fraudulentos e qualificados como ilícitos de natureza penal, pois para que haja abuso de direito os atos que sejam assim classificados devem observar a legislação em vigor. Se não observaram, o ilícito será de outra natureza. 39. Em 2001, a RFB reconheceu publicamente que a legislação em vigor não lhe oferecia armas para combater o planejamento fiscal, o que levou o Congresso a publicar a Lei Complementar 104/2001 que introduziu no CTN o parágrafo único do art. 116, que depende ainda de regulamentação. 40. O escopo das referidas normas foi atingir atos que, embora lícitos, fossem praticados com abuso de forma ou de direito. Aqueles praticados com observância da lei, mas com abuso de forma não podem ser rejeitados pela fiscalização, na medida em que a norma que lhe atribui esse poder ainda carece de regulamentação ou pelo menos não representam fraude ou simulação. 41. Não há no TVF, elemento que possa caracterizar a alegada fraude. Questiona o impugnante: onde está a informação falsa oferecida à fiscalização? Onde está a omissão quanto a fato que deveria ser obrigatoriamente declarado à fiscalização? Também não há uma única indicação de que os atos praticados foram ilógicos ou menos convenientes, em termos negociais, do que outros. 42. O único ponto suscetível de comportar discussão está na aplicação das regras do art. 130 e 135 do RIR. Se permanecer o entendimento de que o referido dispositivo legal não engloba a capitalização de lucros derivados da aplicação da MEP, o custo dos investimentos do impugnante no Banco foram superdimensionados, mas apenas por equívoco na interpretação da lei. Mas alegar que a Reestruturação foi concebida com evidente intuito de fraude é um absurdo. Fl. 1228DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 12/0 2/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO 12 43. Jamais se poderia ver fraude em procedimentos com as características da Reestruturação. Transcreve o Impugnante doutrina a respeito da matéria e destaca, por fim, que a participação do impugnante era extremamente reduzida, não tendo ele votos suficientes para fazer com que a Reestruturação ocorresse dessa ou daquela forma. 44. Não se alegue que a mera intenção do sujeito passivo de obter economia tributária caracterizaria “dolo” capaz de deflagrar a multa qualificada. 45. A participação do impugnante era extremamente reduzida, não tendo ele votos suficientes para fazer com que a Reestruturação ocorresse dessa ou daquela forma. Da Inaplicabilidade da Multa Agravada 46. A aplicação da multa de 150% só justificase quando há evidente intuito de fraude, ou seja, quando o contribuinte age de máfé e com claro propósito de violar conscientemente a lei. 47. A jurisprudência administrativa reserva a multa majorada apenas para casos em que haja tentativas de enganar, esconder, iludir a fiscalização. (Apresenta uma série de exemplos de acórdãos) 48. Por outro lado, jurisprudência administrativa é uníssona em rejeitar a qualificação da multa quando não for demonstrada pela autoridade fiscal, com precisão, a existência de falsidade ou omissões que a justifiquem. São citadas a Súmula nº 14 do Carf e diversas decisões proferidas pelo órgão administrativo. 49. Assim, tendo em vista que a fiscalização não comprovou e sequer apontou um único ato praticado pelo impugnante que pudesse configurar a fraude, fica evidente que não se verificaram no caso concreto os pressupostos para aplicação da multa qualificada. 50. Se o impugnante acreditava e acredita que a lei permitia a elevação do custo de seus investimentos, seu procedimento, ainda que equivocado, não denota consciente intuito de fraude. Dos Juros sobre a Multa 51. É descabida a incidência de juros sobre a multa porque isso implicaria numa indireta majoração da própria penalidade e não se pode falar em mora na exigência de multa. Do Pedido Requer o Impugnante, por fim, que seja julgado totalmente improcedente o Auto, com a consequente extinção do crédito tributário dele decorrente." O lançamento foi mantido em Primeira Instância, o que motivou a interposição de Recurso Voluntário. Em sessão plenária de 16/04/2013, foi julgado o Recurso Voluntário s/n, prolatandose o Acórdão nº 2202002.260 (fls. 1.049 a 1.082), assim ementado: Fl. 1229DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 12/0 2/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO Processo nº 12448.736590/201101 Acórdão n.º 9202003.701 CSRFT2 Fl. 1.224 13 “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006, 2009 OMISSÃO DO GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE AÇÕES. MAJORAÇÃO ARTIFICIAL DO CUSTO DE AQUISIÇÃO. CAPITALIZAÇÃO DE LUCROS E RESERVAS DE LUCROS REFLETIDOS NAS EMPRESAS HOLDINGS PELO MÉTODO DA EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL. É indevida a majoração do custo de aquisição na capitalização de lucros ou reservas de lucros apurados na empresa investidora pelo Método de Equivalência Patrimonial refletidos nas empresas holdings investidoras, do mesmo lucro da sociedade investida, disponível para capitalização ou retiradas. Constatada a majoração artificial do custo de aquisição da participação societário alienada, mediante a capitalização indevida de lucros e reservas refletidos da investidora, decorrentes dos ganhos avaliados pelo método da equivalência patrimonial nas sociedades investidoras, devem ser expurgados os acréscimos indevidos, ou apurado o custo de aquisição da participação societária em função do patrimônio liquido da sociedade alienada, com a conseqüente tributação do efetivo ganho de capital. MULTA QUALIFICADA. DOLO OU FRAUDE Incabível a multa qualificada quando não restar comprovado de forma firme e estreme de dúvidas o dolo especifico ou fraude do sujeito passivo no sentido de impedir ou retardar, total ou parcialmente a ocorrência do fato gerador, de excluir ou modificar as suas características essenciais. JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Incabível a incidência de juros sobre a multa de ofício por falta de previsão legal.” A decisão foi assim resumida: “Acordam os membros do colegiado, QUANTO À MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA: Por maioria de votos, desqualificar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%. Vencido o Conselheiro Márcio de Lacerda Martins que mantinha a qualificação da multa de ofício. QUANTO À EXCLUSÃO DA INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC SOBRE A MULTA DE OFÍCIO: Por maioria de votos, excluir da exigência a taxa Selic incidente sobre a multa de ofício. Vencidos os Conselheiros Antonio Lopo Martinez e Márcio de Lacerda Martins, que negaram provimento ao recurso nesta parte. QUANTO ÀS DEMAIS QUESTÕES: Por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Rafael Pandolfo e Pedro Anan Junior. Apresentarão Declaração de Voto os Conselheiros Antonio Lopo Fl. 1230DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 12/0 2/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO 14 Martinez e Rafael Pandolfo. Manifestaramse, quanto ao processo, o contribuinte por meio de seu advogado Dr. Luís Cláudio Gomes Pinto, inscrito na OAB/RJ sob nº 88704 e a Fazenda Nacional, por meio da sua representante legal, Dra. Indiara Arruda de Almeida Serra (Procuradora da Fazenda Nacional).” O processo foi encaminhado à PGFN em 02/07/2013 (Despacho de Encaminhamento de fls. 1.083). De acordo com o disposto no art. 7º, §§ 3º e 5º, da Portaria MF nº 527, de 2010, a intimação presumida da Fazenda Nacional ocorreria em 1º/08/2013. Em 16/07/2013, tempestivamente, foi interposto o Recurso Especial de fls. 1.084 a 1.101 (Despacho de Encaminhamento de fls. 1.103). O Recurso Especial foi fundamentado no art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, e visava rediscutir as seguintes matérias: desqualificação da multa de ofício; e incidência de juros sobre a multa de ofício. Ao Recurso Especial foi dado seguimento parcial, conforme Despacho de Exame de Admissibilidade de fls. 1.104 a 1.109, confirmado pelo Despacho de Reexame de fls. 1.110/1.111, admitindose à Instância Especial apenas a questão da incidência de juros sobre a multa de ofício. Em seu apelo, a Fazenda Nacional alega, em síntese, relativamente à matéria que teve seguimento: a fim de contextualizar o problema e buscar a interpretação adequada, serão transcritos os dispositivos aplicáveis à solução do caso. Em primeiro lugar, os artigos 44, I, e 61, § 3º, da Lei nº 9.430/96, com a redação anterior à dada pela Lei nº 11.488/2007: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; (...) § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: I juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; (...) Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, Fl. 1231DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 12/0 2/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO Processo nº 12448.736590/201101 Acórdão n.º 9202003.701 CSRFT2 Fl. 1.225 15 serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. a divergência sobre a aplicabilidade da SELIC sobre a multa de ofício a título de juros de mora se dá, primordialmente, acerca do que se entende por “débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal”; o art. 61, caput, e seu § 3º, da Lei nº 9.430, de 1996, utilizam, respectivamente, as expressões “débitos para com a União” e “débitos a que se refere este artigo”; assim, é importante definir a que “débitos” se referem o art. 61, caput, e seu § 3º do mencionado diploma legal; é sabido que, com a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, surge o direito subjetivo público do sujeito ativo (União) a receber o crédito tributário e o respectivo dever do sujeito passivo (devedor) de pagálo no prazo previsto na legislação específica; portanto, notase que, se não pago o tributo no prazo estipulado legalmente, o Fisco efetuará o lançamento do crédito tributário, expressão que abrange o tributo e os acréscimos legais (multa e juros). querse dizer com isso que os débitos a que se referem o art. 61, caput, e seu § 3º, da Lei nº 9.430, de 1996, são os créditos tributários devidos à União e não somente o valor do tributo; os juros incidirão sobre o principal e a multa de ofício aplicada, é o que manda o citado § 3º, portanto a Lei nº 9.430, de 1996, dispôs de modo diverso do § 1º, do art. 161, do CTN e expressamente mandou aplicar aos créditos tributários da União a “taxa a que se refere o § 3º, do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento”, que é a taxa SELIC; logo, resta correta a aplicação dos juros de mora, com base na taxa SELIC, sobre a multa de ofício. Ao final, a Fazenda Nacional pede o provimento do recurso, reformandose o acórdão recorrido, reconhecendose hígida a aplicação dos juros de mora sobre a multa de ofício. Cientificado do acórdão, do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e dos despachos que lhe deram seguimento parcial em 06/12/2013 (Termo de Vista Fl. 1232DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 12/0 2/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO 16 de fls. 1.117), o Contribuinte interpôs, em 20/12/2013 (carimbo aposto às fls. 1.124), o Recurso Especial de fls. 1.124 a 1.159, com fundamento no art. 64, inciso II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF n] 256, de 2009. Na mesma data, ofereceu as Contrarrazões de fls. 1.160 a 1.166. Em sede de Contrarrazões, o Contribuinte pede, em síntese, a manutenção da decisão do acórdão recorrido, colacionando jurisprudência. Ao Recurso Especial interposto pelo Contribuinte foi dado seguimento, conforme despacho de 14/01/2014 (fls. 1.197 a 1.200). Em seu apelo, o Contribuinte reitera as razões contidas nas peças de defesa. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Tratase de Recursos Especiais interpostos pelo Contribuinte e pela Fazenda Nacional. O Recurso Especial do Contribuinte visa rediscutir a questão de fundo do acórdão, que diz respeito ao custo de aquisição na apuração de ganho de capital na alienação de participação societária. O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, na parte em que teve seguimento, visa restabelecer a aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício. Passo a analisar o Recurso Especial interposto pelo Contribuinte O recurso Especial interposto pelo Contribuinte é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Tratase da validade do procedimento adotado na apuração do custo de aquisição das ações do Banco Pactual, alienadas à UBS Brasil. O tema já foi reiteradamente debatido na 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, que firmou o entendimento retratado no brilhante voto do Ilustre Conselheiro Eduardo Tadeu Farah, no Acórdão nº 2201002.637, de 20/01/2015, cujos fundamentos adoto como razões de decidir e a seguir reproduzo: "Cuida o presente lançamento de omissão de ganhos de capital na alienação de ações/quotas não negociadas em bolsa, relativamente a fatos ocorridos nos anoscalendário 2006 e 2009. Como visto do relatório, cingese a controvérsia na regularidade do procedimento adotado pelo recorrente para a apuração do custo de aquisição das ações do Banco Pactual que foram alienadas a UBS Brasil. Em seu apelo, defende o contribuinte a higidez da operação alegando que o Grupo Pactual era composto por diversas holdings constituídas há mais de dez anos, cujo objetivo era organizar o controle do Banco, quando sequer cogitavam alienar seus investimentos. Afirma que as incorporações de Fl. 1233DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 12/0 2/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO Processo nº 12448.736590/201101 Acórdão n.º 9202003.701 CSRFT2 Fl. 1.226 17 holdings tem sido a opção para a eliminação de empresas cuja existência se torna desnecessária, conforme dispõe o art. 8º da Lei 9.532/1997. Assegura que é inaplicável o art. 116, parágrafo único, do CTN, já que a validade do método encontra respaldo no art. 135 do RIR/1999. Por fim, assevera que “... o caminho trilhado pelos controladores para se tornarem vendedores do Banco Pactual foi o mais lógico, rápido e econômico possível e o acréscimo de custo de seus investimentos é mera consequência da aplicação das normas em vigor”. Pois bem, para o deslinde da controvérsia, cumpre reproduzir, de antemão, trecho do Termo de Verificação Fiscal (...) Do exposto, verificase que o recorrente aumentou o custo de aquisição de sua participação, por meio de artifícios contábeis que tiveram como única origem o lucro obtido pelo Banco Pactual S/A. Na verdade, a mesma riqueza representou aumento do custo de aquisição mais de uma vez, reduzindo, dessa feita, o ganho de capital e, por consequência, o pagamento do imposto de renda devido. Como bem pontuou o recorrente, não há qualquer impedimento à utilização do art. 135 do RIR/1999 para computar no custo de aquisição os lucros ou reservas de lucros oriundos do aumento de capital ou incorporação dos resultados apurados pela sociedade, contudo, uma vez utilizados os lucros e reservas de capital, não é plausível que eles possam lastrear nova operação, já que, no caso dos autos, não houve geração de lucros autônomos e independentes nas sociedades investidoras. O método de equivalência patrimonial consiste em atualizar o valor contábil do investimento ao valor equivalente à participação societária da sociedade investidora no patrimônio líquido da sociedade investida. Portanto, o contribuinte pode promover o acréscimo ao custo de aquisição de investimento por meio da capitalização de lucros ou reserva de lucros, mesmo que esses tenham sido apurados única e exclusivamente com base em resultados decorrentes da aplicação do método de equivalência patrimonial. Entretanto, in casu, houve o aumento do custo de aquisição pelo efeito multiplicativo dos resultados do Banco Pactual, evidenciando, repisese, a elevação artificial do custo de alienação das ações, conforme se infere da comparação do aumento do patrimônio líquido do Banco Pactual no período de 31/12/2005 a 31/11/2006 ao acréscimo do custo de aquisição das ações do contribuinte no mesmo período. Com efeito, não é dado ao contribuinte criar determinada situação para se encaixilhar na situação legalmente prevista, ou seja, proceder a uma interpretação jurídica da norma descasada com seu aspecto econômico. O fato de cada uma das transações isoladamente e do ponto de vista formal ostentar legalidade, não garante a legitimidade, perante o fisco, do conjunto de operações, quando fica Fl. 1234DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 12/0 2/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO 18 comprovado que os atos praticados tinham objetivo diverso daquele que lhes é próprio. O princípio da liberdade de auto organização, mitigado que foi pelos princípios constitucionais da isonomia tributária e da capacidade contributiva, não mais endossa a prática desses atos. Concluise, pois, que o recorrente majorou artificialmente o custo de aquisição da participação societária alienada, mediante a capitalização de lucros e reservas oriundos de ganhos avaliados por equivalência patrimonial nas sociedades investidoras, seguida de incorporações reversas e nova capitalização, em nítida inobservância da primazia da essência sobre a forma, já que seu propósito era de fato reduzir o montante de seu ganho de capital e consequente imposto incidente sobre essa alienação. Essa premissa fica mais evidente quando se constata que os aumentos de capital tiveram origem em um único fato econômico, o lucro obtido pelo Banco Pactual S/A, sendo que os demais aumentos de custo foram destituídos de qualquer amparo material e econômico. Em decisões semelhantes, envolvendo outros sócios/acionistas, o CARF reiteradamente posicionouse no sentido da ilegitimidade da majoração artificial do custo de aquisição, consoante se observa das ementas transcritas: OMISSÃO DE GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE AÇÕES. DUPLICIDADE DE CAPITALIZAÇÃO DE LUCROS E RESERVAS. Constatada a majoração artificial do custo de aquisição da participação societária alienada, mediante a capitalização de lucros e reservas oriundos de ganhos avaliados por equivalência patrimonial nas sociedades investidoras, seguida de incorporações reversas e nova capitalização, em nítida inobservância da primazia da essência sobre a forma, devem ser expurgados os acréscimos indevidos com a conseqüente tributação do novo ganho de capital apurado. (Acórdão nº 2202 002.165)" No mesmo sentido, o Ilustre Conselheiro Eduardo Tadeu Farah cita ainda os Acórdãos nºs 2202002.428, 2201002.196, 2202002.167 e 2202002.166. Rechaçado o procedimento utilizado pelo Contribuinte, resta esclarecer quanto ao critério de atualização do custo da participação societária, em função da capitalização de lucros pela pessoa jurídica. A distribuição de lucros deve se dar a partir da pessoa jurídica operacional, seguida de subscrição de aumento de capital nas empresas componentes de um grupo econômico (a pessoa jurídica operacional e suas holdings), tendo por efeito patrimonial o aumento de capital em toda a cadeia societária. Nesse passo, não é possível distribuir mais de uma vez o mesmo lucro (o lucro e seus reflexos por equivalência patrimonial), tampouco capitalizálo mais de uma vez. Isso porque as disponibilidades passíveis de distribuição estão no patrimônio da pessoa jurídica operacional, que somente pode distribuir o lucro para sua proprietária direta, a holding. Esta, por sua vez, somente pode distribuir o lucro aos acionistas, pessoas físicas, após o recebimento dos recursos da pessoa jurídica operacional, e os acionistas somente podem aumentar capital na holding em que possuam participação direta. Finalmente a holding, com os recursos recebidos, poderá aumentar o capital da pessoa jurídica operacional. Fl. 1235DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 12/0 2/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO Processo nº 12448.736590/201101 Acórdão n.º 9202003.701 CSRFT2 Fl. 1.227 19 Assim, somente haverá capitalização de lucros passíveis de distribuição se toda a cadeia societária (holdings e empresa operacional) realizar a capitalização. Caso ocorra apenas a capitalização dos lucros de holdings, o parágrafo único, do art. 10, da Lei n° 9.249, de 1995, não incide, devendo ser mantido o valor da participação societária pelos proprietários, porque os efetivos lucros da pessoa jurídica operacional ainda poderão ser distribuídos sem tributação (para os próprios sócios) ou para futuros adquirentes. No caso de holdings mistas, com operações próprias, a capitalização de seus lucros, sem que tenha ocorrido a correspondente capitalização dos lucros das investidas, somente poderá ter efeito parcial na atualização do custo da participação societária de seus sócios, conforme a sistemática de cálculo abaixo: ( ) Lucro Existente no Patrimônio Líquido da Holding (‐) Lucro/Reservas Existentes na Investida (*) % de participação (=) Lucro passível de distribuição pela Holding (/) Lucro Existente no Patrimônio Líquido da Holding (=) Percentual aceitável para aumento do custo da participação (*) Valor do aumento de custo considerando o total do lucro capitalizado pela Holding (=) Valor aceitável para aumento do custo A sistemática acima atende ao disposto no art. 10, da Lei n° 9.249, de 1995, tanto no caso de holdings mistas (com operações próprias), como no caso de distribuição diferenciada de lucros (em percentual diferente daquele da participação societária do acionista). Com estas considerações, em face dos questionamentos do Contribuinte quanto ao cálculo do custo de aquisição da participação societária, a sistemática acima será aplicada ao caso concreto. Analisandose o TVF Termo de Verificação Fiscal de fls. 794 a 837, constatase que efetivamente ocorreram duas capitalizações seguidas de lucros, pela aplicação do método de equivalência patrimonial, às participações societárias das holdings Nova Pactual e Pactual. Por outro lado, não houve a capitalização dos lucros auferidos pela pessoa jurídica operacional, Banco Pactual. Nesse passo, a Fiscalização não aceitou as capitalizações levadas a cabo pelo Contribuinte e arbitrou o custo de suas ações em R$ 14.962.740,96, correspondente a 1,75% do total do acervo líquido da última sociedade holding incorporada (Pactual S/A), líquido dos dividendos distribuídos (demonstrativos de fls. 31 do TVF). Assim, os dois aumentos do custo, decorrentes das capitalizações ocorridas em 2006 em Nova Pactual e Pactual S/A, nos valores de R$ 15.350.517,00 e R$ 17.431.540,00, respectivamente (fls. 13 do TVF), deveriam ter sido glosados, já que o lucro da pessoa jurídica operacional, efetivamente auferido pelo Banco Pactual, foi mantido em seu patrimônio líquido, após as incorporações reversas, e consequentemente permaneceu passível de distribuição isenta aos adquirentes ou terceiros (até mesmo os próprios alienantes), conforme acordo entre as partes. Observese que a capitalização de lucros que tem o condão de alterar o custo da participação societária é somente aquela relativa aos lucros efetivamente passíveis de distribuição isentos de tributação. Ademais, a distribuição de lucros com isenção foi efetivamente transferida (aos adquirentes do banco, ou terceiros por eles determinados). Fl. 1236DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 12/0 2/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO 20 Concluise, assim, que as capitalizações de lucros realizadas no anocalendário de 2006 não podem ter qualquer efeito no custo da participação alienada. Constatase, assim, que tomandose o valor aceito como custo pela Fiscalização (R$ 14.962.740,96), glosadas as duas capitalizações ocorridas em 2006, o valor do tributo devido seria maior que o lançado, uma vez que o custo seria reduzido a R$ 11.878.944,20. Confirase o item 2.4 do TVF: ( ) Custo considerado pelo autuado por ele informado 44.661.001,20 () Aumento de custo pela 1a capitalização 15.350.517,00 () Aumento de custo pela 2a capitalização 17.431.540,00 (=) Custo original a ser aceito conforme o critério ora aplicado 11.878.944,20 O custo acima, no valor de R$ 11.878.944,20, ainda é inferior ao de R$ 14.962.740,96, admitido pela Fiscalização, o que dispensa eventual ajuste, vedado o agravamento da exigência. No que tange ao pedido subsidiário, no sentido de dispensa de penalidade e juros de mora, mediante a aplicação do disposto no parágrafo único do art. 100, do Código Tributário Nacional, e de observância à Instrução Normativa SRF no 84, de 2001, cabe esclarecer que tais dispositivos não referendam a interpretação do art. 135 do RIR/99, abraçada pelo Contribuinte, razão pela qual tal reivindicação revelase incabível. Diante do exposto, nego provimento ao Recurso Especial interposto pelo Contribuinte. Passo a analisar o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional O Recurso Especial da Fazenda Nacional, na parte em que obteve seguimento incidência de juros de mora sobre a multa de ofício atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. A questão já é antiga no CARF, restando a esta Conselheira reiterar o posicionamento já adotado em inúmeras oportunidades. O § 3º, do art. 61, da Lei nº 9.430, de 1996, ao se referir aos juros que incidem sobre os débitos para com a União, incluiu o tributo e a multa, já que esta também constitui um débito para com a Fazenda Pública. Com efeito, o crédito tributário inclui a multa de ofício, sem previsão legal para que tal parcela seja dissociada do principal. Tal entendimento possui inúmeros precedentes no CARF, dentre eles: JUROS SOBRE MULTA — sobre a multa de oficio devem incidir juros a taxa Selic, após o seu vencimento, em razão da aplicação combinada dos artigos 43 e 61 da Lei n°9.430/96. (Acórdão 120 200.138– 1ª Seção. 2ª Câmara. 1ª. Turma Ordinária. Sessão de 30/07/2009. Relator Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes) No mesmo sentido é a posição da Câmara Superior de Recursos Fiscais: JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, Fl. 1237DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 12/0 2/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO Processo nº 12448.736590/201101 Acórdão n.º 9202003.701 CSRFT2 Fl. 1.228 21 incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. (Acórdão CSRF nº 910101.191 – Sessão de 17 de outubro de 2011) Quanto ao Poder Judiciário, o STJ Superior Tribunal de Justiça também já se manifestou sobre o tema: TRIBUTÁRIO. MULTA PECUNIÁRIA. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. LEGITIMIDADE. É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário. (STJ Segunda Turma Acórdão REsp 1.129.990/PR, Relator Min. Castro Meira DJe de 14/09/2009) Assim, é perfeitamente legal a incidência de juros Selic sobre a multa de ofício, exigida isolada ou juntamente com tributos ou contribuições. Diante do exposto, nego provimento ao Recurso Especial interposto pelo Contribuinte e dou provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, restabelecendo a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Fl. 1238DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 12/0 2/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO
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Numero do processo: 10665.001127/2002-56
Turma: Terceira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2008
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/10/1997 a 31/12/1997
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO
VOLUNTÁRIO. PRAZO IMPRORROGÁVEL DE TRINTA
DIAS. INTEMPESTIVIDADE.
O prazo legal para interposição de recurso voluntário é de trinta
dias contados da intimação da decisão recorrida.
Recurso não conhecido.
Numero da decisão: 203-13.377
Decisão: ACORDAM os Membros da TERCEIRA CÂMARA do SEGUNDO
CONSELHO DE CONTRIBUINTES por UNANIMIDADE de votos, em não conhecer do recurso, por intempestivo.
Matéria: IPI- processos NT- créd.presumido ressarc PIS e COFINS
Nome do relator: Jean Cleuter Simões Mendonça
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RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO IMPRORROGÁVEL DE TRINTA DIAS. INTEMPESTIVIDADE. O prazo legal para interposição de recurso voluntário é de trinta dias contados da intimação da decisão recorrida. Recurso não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORD • os Membros da TERCEIRA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CO PA, fiNTE por. 'nf ade de votos, em não conhecer do recurso, por intempestivo. /Atol /11.1 ILSON • C 00 ROSENBURG FILHO Presi • ente Ase JEAN CLEUTE : ENDONÇA Relator Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Eric Moraes de Castro e Silva, Odassi Guerzoni Filho, José Adão Vitorino de Morais, Fernando Marques Cleto Duarte e Dalton Cesar Cordeiro de Miranda. MF-SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COM O ORIGINAL Brama _0, // O 12 Mate C40andra Mat. Siape 1650 Processo n° 10665.001127/2002-56 MF-SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CCO21CO3 • Acórdão n.• 203-13.377 CONFERE COMO ORIGINAL Fls. 181 • Brasília, n94 /1 o g Madkés Ct de Olivena MatSe9i650 Relatório Trata o processo de pedido de ressarcimento do saldo credor do 1PI — Imposto sobre Produtos Industrializados, acumulado no período em epígrafe, a ser utilizado na compensação dos débitos declarados. • A Recorrente trabalha na industrialização do minério manganês, além de exportar os produtos derivados desse minério. Em 06 de setembro de 2002 a Contribuinte protocolou pedido de ressarcimento e compensação de crédito presumido do 1PI apurado no 4° trimestre de 1997 com atualização monetária com base na Taxa Selic (fls 01/03), que totalizava R$ 80.887,14 (oitenta mil, oitocentos e oitenta e sete reais e quatorze centavos). A SRF de Divinópolis/MG indeferiu o pedido de correção monetária por falta de legalidade, e reconheceu como crédito somente o valor de R$ 29.912,62 (vinte nove mil, novecentos e doze e sessenta e dois centavos), por ter sido excluído da planilha de ressarcimento os valores referentes a produtos que não são consideradas prima-prima ou produtos intermediários. (fl. 90) Em despacho decisório (fl. 99 frente e verso) DRF de Divinópolis/MG manteve a decisão da SRF. Quanto ao indeferimento da correção monetária apoiou-se na 114 da SRF n° 600/2005, art 52 § 5°. Quanto à diferença do valor solicitado pela contribuinte e do valor reconhecido pelo Fisco, alegou que tal diferença é em decorrência de "custos/gastos não admitidos como matéria prima ou produtos intermediárias". Em 23/05/06 a Contribuinte protocolizou Manifestação de Inconformidade na DRJ de Juiz de Fora/MG alegando erro material do fisco, pois alguns materiais usados pelo fisco para suprimir o valor do pedido (sucata de eletrodo de grafite e o sulfidrato de sódio), não foram calculados pela contribuinte na planilha do pedido de crédito presumido, portanto o despacho decisório é nulo em relação ao valor de R$ 13.211,29 suprimido. Quanto ao pedido de correção monetária, estribou-se no art.39, § 4°, da Lei n° 9.250/95, que permite o acréscimo sobre taxa Selic para restituição, para alegar que ressarcimento é uma espécie de restituição, portanto cabe a correção baseada na taxa Selic. Que os "custos/gastos não admitidos como matéria-prima" inclui, equivocadamente, os valores referentes ao consumo de energia elétrica, porém cabe ressarcimento para esse consumo. Também argumentou que a exclusão dos valores relativos às aquisições de lenha de pessoa fisica e de oxigênio é equivoca, pois esses geram direito a crédito presumido. A DRJ decidiu nos seguintes termos (fls. 130/141): Indeferimento ao pedido de nulidade do despacho decisório, uma v que o "trabalho fiscal foi claro e indicou todas as fontes de onde foram obtidos os valores lizado na apuração da autoridade fiscal". Processo n• 10665.001127/2002-56 CCO2/CO3 Acórdão ri.° 20343.377 Fls. 182 Não cabimento de correção monetária baseada na taxa Selic, pois não há legislação específica que a preveja. Não deve ser incluído como custo de produção os valores relativos à aquisição de energia elétrica, pois esses não se enquadram nos conceito de MP, PI, ME dados pela legislação do PI. A lenha é considerada combustível, portanto não se enquadra nos conceito de MP ou PI, por isso, mesmo que fosse adquirida de pessoa jurídica, não caberia ressarcimento para referente aos valores gastos com ela. Ao fim indeferiu totalmente a manifestação de inconformidade. A recorrente, apesar de ter apresentado cópia da AR assinada dia 27/07/2007 (fl. 145) como sendo a data do conhecimento da decisão da primeira instância, descuidou-se que essa data é referente ao reconhecimento da carta cobrança (fls. 143/144) e que a AR que consta a verdadeira data de que tomou conhecimento da decisão da DRJ está, na realidade, na fl. 142, cuja a data é de 31/05/2007. Assim, protocolou Recurso Voluntário em 23/08/2007 (fls. 146/157). No recurso voluntário, alegou o seguinte: Preliminarmente, alegou a anulação do despacho decisório devido a erro material, pois o fisco glosou valores que não constavam nas planilhas elaboradas pelo próprio fisco. Entrando no mérito alegou direito à correção monetária péla taxa Selic apoiando-se no art. 39, § 4°, da Lei n° 9.250/95 — que prevê juros baseado na taxa Selic para restituição - e no Decreto n°2.138/97 — que trata ressarcimento e restituição da mesma forma. Por fim, requereu "o reconhecimento integral de seu direito creditório atualizado monetariamente pela taxa Selic, assim como homologação integral das compensações feitas com base em tal direito." É o Relatório. MF-SECUNDO CONSELHO DE CONIRIBUINTES CONFERE COM O ORIGINAI. [arcana ek9d ti MOS Cursintalverra Met Siape 91850 3 Processo rt• 10665.001127/200246 CCO2/CO3 Acórdão n.° 203-11377 Fls. 182 Não cabimento de correção monetária baseada na taxa Selic, pois não há legislação especifica que a preveja. Não deve ser incluído como custo de produção os valores relativos à aquisição de energia elétrica, pois esses não se enquadram nos conceito de MP, PI, ME dados pela legislação do LPI. A lenha é considerada combustível, portanto não se enquadra nos conceito de MP ou PI, por isso, mesmo que fosse adquirida de pessoa jurídica, não caberia ressarcimento para referente aos valores gastos com ela_ Ao fim indeferiu totalmente a manifestação de inconformidade. A recorrente, apesar de ter apresentado cópia da AR assinada dia 27/07/2007 (fl. 145) como sendo a data do conhecimento da decisão da primeira instância, descuidou-se que essa data é referente ao reconhecimento da carta cobrança (fls. 143/144) e que a AR que consta a verdadeira data de que tomou conhecimento da decisão da DRJ está, na realidade, na fl. 142, cuja a data é de 31/05/2007. Assim, protocolou Recurso Voluntário em 23/08/2007 (fls. 146/157). No recurso voluntário, alegou o seguinte: Preliminarmente, alegou a anulação do despacho decisório devido a erro material, pois o fisco glosou valores que não constavam nas planilhas elaboradas pelo próprio fisco. Entrando no mérito alegou direito à correção monetária pela taxa Selic apoiando-se no art. 39, § 4°, da Lei n° 9.250/95 — que prevê juros basead. na taxa Selic para restituição - e no Decreto n°2.138/97 — que trata ressarcimento e restituição da mesma forma. Por fim, requereu 'o reconhecimento integral de seu direito creditório atualizado monetariamente pela taxa Seli ,' assim como homologação integral das compensações feitas com base em tal direito." É o Relatório. MF-SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COM O ORIGINAL Braefllit 496 madeckeS de OINeina Met Slspe 91650 3 Processo n• 10665.001127/2002-56 CCO2/CO3 Acórdão n. 203-13.377 Fls. 183 Voto CONSELHEIRO JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA, Relator A Contribuinte foi intimada da decisão em 31/05/2007 (fl. 142), apresentando o seu Recurso Voluntário somente em 23/08/2007 (fl. 146), quase três meses depois que foi intimado. Ocorre que o prazo legal de trinta dias para a interposição do Recurso Voluntário é improrrogável, de acordo com o art. 33 do Decreto no 70.235/72. Desta forma, o prazo para a protocolização do recurso esgotou-se na segunda-feira, 02/07/2007. Logo, intempestivo é o apelo, razão pela qual dele não conheço. Sala das Sessões, em 08 de outubro de 2008 JEAN CLEUTE17101Õ . Á NDONÇA MF-SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONf ERE COM O ORIGINAL emala, P4, / o9 •/4 firMarlde • • de Oliveira Mat. Sepe 91650 4 Page 1 _0029900.PDF Page 1 _0030000.PDF Page 1 _0030100.PDF Page 1 _0030200.PDF Page 1
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Numero do processo: 18471.001105/2007-80
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Mar 10 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 2102-000.113
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em SOBRESTAR o julgamento, pois se trata de debate sobre a transferência compulsória do sigilo bancário do contribuinte para o fisco, matéria em debate no Supremo Tribunal Federal no rito da repercussão geral (art. 62-A, §§, do Anexo II, do RICARF).
Assinado digitalmente
GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS - Relator e Presidente.
EDITADO EM: 26/02/2013
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Acácia Sayuri Wakasugi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho.
Nome do relator: Não se aplica
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em SOBRESTAR o julgamento, pois se trata de debate sobre a transferência compulsória do sigilo bancário do contribuinte para o fisco, matéria em debate no Supremo Tribunal Federal no rito da repercussão geral (art. 62A, §§, do Anexo II, do RICARF). Assinado digitalmente GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Relator e Presidente. EDITADO EM: 26/02/2013 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Acácia Sayuri Wakasugi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. RELATÓRIO RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 84 71 .0 01 10 5/ 20 07 -8 0 Fl. 1884DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 18471.001105/200780 Resolução nº 2102000.113 S2C1T2 Fl. 3 2 Em face da contribuinte REGINA CELIA DE OLIVEIRA FONSECA, CPF/MF nº 011.073.08798, já qualificado neste processo, foi lavrado, em 25/09/2007, auto de infração, com ciência pessoal (procurador) em 28/09/2007. À contribuinte foram imputadas as seguintes infrações: 1. omissão de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício recebidos de pessoas físicas, nos anoscalendário 2002 a 2005, conduta essa apenada com multa qualificada de 150% sobre o imposto lançado; 2. omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, nos anoscalendário 2002 a 2005, nos importes de R$ 474.123,60, R$ 455.492,31, R$ 586.388,10 e R$ 456.288,70, respectivamente, conduta essa apenada com multa de ofício de 75% sobre o imposto lançado; 3. multa isolada pela falta de recolhimento do carnêleão, no percentual 50% sobre o imposto não pago, nos anoscalendário 2002 a 2005. Os extratos bancários foram obtidos a partir de Requisição de Informações sobre Informações Financeiras – RFM, como se vê nas fls. 79, 693, 714 e 742. Inconformada com a autuação, a contribuinte apresentou impugnação ao lançamento, dirigida à Delegacia da Receita Federal de Julgamento. A 3ª Turma de Julgamento da DRJRJ2 (RJ), por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento, em decisão consubstanciada no Acórdão n° 1326.247, de 28 de agosto de 2009, que restou assim ementado: MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, nos termos do art. 17 do Decreto n° 70.235/72. RETROATIVIDADE DE LEI. AMPLIAÇÃO DE PODERES DE INVESTIGAÇÃO. Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas. MEIOS DE OBTENÇÃO DE PROVAS. DADOS DA CPMF. Os dados relativos à CPMF em poder da Receita Federal, em face da competência legal administrativa, são meios lícitos de obtenção de provas tendentes à apuração de crédito tributário na forma do art. 42 da Lei n° 9.430/96. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM VALORES CONSTANTES EM EXTRATOS BANCÁRIOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Fl. 1885DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 18471.001105/200780 Resolução nº 2102000.113 S2C1T2 Fl. 4 3 Caracteriza omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado; não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. A contribuinte foi intimada da decisão acima em 1º/10/2009. Irresignada, interpôs recurso voluntário em 03/11/2009. No voluntário, a recorrente alega, em síntese, que: I. é nulo o lançamento, a uma porque o sigilo bancário da fiscalizada foi quebrado sem que houvesse a regular instauração de procedimento fiscal, pois a autoridade fiscal aproveitou a ação fiscal instaurada em desfavor do cônjuge da fiscalizada para auditála; a duas porque os dados bancários são invioláveis, na forma do art. 5º da Consituição, somente podendo ser acessados por ordem judicial; II. era professora aposentada do Estado do Rio de Janeiro, com dois vínculos de emprego, sendo que suas contas bancárias eram utilizadas pelo seu falecido esposo, Jorge Fonseca, substituto do Tabelião do 19º Ofício de Notas, Tabelião Luis Viotriano Vieira Teixiera, sucursal Barra da Tijuca, como se comprovou com diversos cheques do Cartório depositados na conta corrente da recorrente (ag. 0463, cc. 0720549, Banco Real), esta que cuidava das contas da casa. Registre se que tais valores foram devidamente declarados na declaração de ajuste anual respectiva de seu cônjuge, como se pode ver pelo informe de rendimentos do anobase de 2003, do Sr. Jorge Fonseca, junto ao 18º Ofício de Notas, na importância de R$ 381.712,06, compatíveis com a movimentação financiera da autuada naquele ano; III. desenvolvia atividade autônoma de advogado, na área imobiliária, com entrada de recursos de terceiros em prol de seus clientes em suas contas correntes; IV. além dos rendimentos das aposentadorias, as contas correntes auditadas receberam transferências bancárias das contas de seu esposo, no importe de R$ 1.479.581,37, nos quatro anos auditados, sendo que seu falecido cônjuge tinha rendimentos para tanto, pois ofertou à tributação o montante global de R$ 1.562.198,07. É o relatório. VOTO Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, Relator Fl. 1886DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 18471.001105/200780 Resolução nº 2102000.113 S2C1T2 Fl. 5 4 O recurso voluntário é tempestivo e atende as demais formalidades legais, devendo ser conhecido. Entretanto, atualmente, deve ter seu julgamento sobrestado, como se demonstra a seguir. Na forma do art. 62A, caput e § 1º, do Anexo II, do RICARF (As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º. Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B), sempre que a controvérsia tributária seja admitida no rito da repercussão geral (art. 543B do CPC), deveriam as Turmas de Julgamento do CARF sobrestar o julgamento de matéria idêntica em recurso administrativo, aguardando a decisão definitiva da Suprema Corte. A interpretação conjunta da cabeça e do parágrafo primeiro do dispositivo regimental citado indicava que bastava o reconhecimento da repercussão geral para o sobrestamento do trâmite do recurso administrativo fiscal, não se fazendo maiores considerações sobre o procedimento de sobrestamento dos recursos extraordinários do próprio judiciário, como condicionante para o sobrestamento dos recursos da via administrativa. Essa era a interpretação das Turmas de julgamento do CARF. Daí, no âmbito das Turmas de Julgamento da Primeira e Segunda Câmaras da Segunda Seção do CARF, as controvérsias sobre a tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente e a incidente a partir da transferência compulsória do sigilo bancário dos contribuintes para o fisco (e aplicação retroativa da Lei nº 10.174/2001) vinham tendo o julgamento administrativo sobrestado, pois o STF havia reconhecido a repercussão geral em ambas as matérias, como se vê abaixo (informação extraída do site www.stf.jus.br): Tema 225 Fornecimento de informações sobre movimentações financeiras ao Fisco sem autorização judicial, nos termos do art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001; b) Aplicação retroativa da Lei nº 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. RE 601.314 – Relator o Min. Ricardo Lewandowski. Tema 228 Incidência do imposto de renda de pessoa física sobre rendimentos percebidos acumuladamente. – RE 614.406 – Relatora a Min. Ellen Grace. Com a publicação da Portaria CARF nº 001/2012, que objetiva disciplinar os procedimentos do sobrestamento no âmbito do CARF, surgiram dúvidas sobre o cabimento do sobrestamento para o Tema 225, acima, em decorrência da redação do art. 1º, parágrafo único, da referida Portaria (O procedimento de sobrestamento de que trata o caput [rito do art. 543B do CPC] somente será aplicado a casos em que tiver comprovadamente sido determinado pelo Supremo Tribunal Federal – STF o sobrestamento de processos relativos à matéria recorrida, independentemente da existência de repercussão geral reconhecida para o caso), pois o STF não teria determinado o sobrestamento dos recursos extraordinários que versavam sobre a transferência compulsória do sigilo bancário para o fisco (e retroatividade da Lei nº 10.174/2001), como se poderia ver na decisão que reconheceu a repercussão geral para o tema, no RE 601.314. Fl. 1887DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 18471.001105/200780 Resolução nº 2102000.113 S2C1T2 Fl. 6 5 Apreciando a controvérsia acima, no julgamento do processo 19647.009419/200653, sessão de 09 de fevereiro de 2012, pela Resolução 2102000.045, esta Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção entendeu que a controvérsia espelhada no Tema 225 do STF deveria continuar tendo os julgamentos administrativos sobrestados, pois “o reconhecimento da repercussão geral pelo STF, por si só, tem como consectário lógico e inafastável o sobrestamento do julgamento de todos os recursos extraordinários sobre a mesma matéria, pois não se pode imaginar que o STF reconheça a repercussão geral e os RE possam continuar a tramitar, isso sem qualquer possibilidade de julgamento no STF, pois na Suprema Corte somente se apreciará o RE leading case”. E como exemplo do entendimento que tem obstado o julgamento dos recursos extraordinários, com devolução do apelo extremo aos tribunais de origem no Tema 225, vejase despacho no Recurso Extraordinário 611.139, relator o Min. Luiz Fux, decisão de 07 de fevereiro de 2012. Ora se há o sobrestamento dos recursos extraordinários no rito da repercussão geral, aplicável o art. 62A, § 1º, do RICARF nos recursos com o Tema 225 no âmbito administrativo. Por tudo, no caso de controvérsias sobre a transferência compulsória do sigilo bancário (Lei complementar nº 105/2001) e retroatividade da Lei nº 10.174/2001, considerando que o STF também vem sobrestando o julgamento dos recursos extraordinários dessa matéria, devemse igualmente sobrestar os julgamentos administrativos nesta Turma de Julgamento, na forma do art. 62A, caput e § 1º, do Anexo II, do RICARF, aguardando que o STF resolva em definitivo a controvérsia sobre o Tema 225. No caso destes autos, os dados bancários da contribuinte foram assenhoreados compulsoriamente pela Receita Federal, como se vê pela RMFs de fls. 79, 693, 714 e 742, sendo certo também que o recorrente suscitou tal discussão em seu recurso voluntário, implicando que este julgamento deve ser sobrestado. Antes o exposto, voto no sentido de sobrestar o julgamento do presente recurso, devendo o feito ser transferido para a atividade SOBRESTAR PROCESSO do eprocesso, aguardando a decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal no tema referido acima. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Fl. 1888DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
score : 1.0
Numero do processo: 10880.915935/2008-43
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 21 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/10/2000
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. INOCORRÊNCIA
O fato de, no entender da Recorrente, o Acórdão ter sido confuso, não o torna nulo por preterição do direito de defesa. Ao contrário, ainda que breve na concepção da Recorrente, a decisão recorrida fundamentou-se em mais de um motivo.
VENDAS À ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO. NÃO CABIMENTO
Em tese, os períodos de apuração de dezembro de 2000 em diante, estão beneficiados expressamente pela exoneração fiscal de PIS e COFINS às receitas decorrentes de vendas para a Zona Franca de Manaus.
Assim, para todos os períodos posteriores a dezembro de 2000, inclusive, é de se reconhecer que há bom direito assistindo ao contribuinte; por outro lado, os períodos anteriores não podem receber a mesma validação. Como o processo em tela abrange período anterior, não há como se reconhecer o direito creditório.
Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3802-001.949
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do Recurso Voluntário pra NEGAR-LHE o provimento.
(assinado digitalmente)
Joel Miyazaki - Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015).
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Paulo Sérgio Celani, Bruno Maurício Macedo Curi (Relator) e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Fez sustentação oral pela Recorrente a Dra. Catarina Cavalcanti de Carvalho, OAB/PE nº 30.248.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 31/10/2000 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. INOCORRÊNCIA O fato de, no entender da Recorrente, o Acórdão ter sido confuso, não o torna nulo por preterição do direito de defesa. Ao contrário, ainda que breve na concepção da Recorrente, a decisão recorrida fundamentou-se em mais de um motivo. VENDAS À ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO. NÃO CABIMENTO Em tese, os períodos de apuração de dezembro de 2000 em diante, estão beneficiados expressamente pela exoneração fiscal de PIS e COFINS às receitas decorrentes de vendas para a Zona Franca de Manaus. Assim, para todos os períodos posteriores a dezembro de 2000, inclusive, é de se reconhecer que há bom direito assistindo ao contribuinte; por outro lado, os períodos anteriores não podem receber a mesma validação. Como o processo em tela abrange período anterior, não há como se reconhecer o direito creditório. Recurso Voluntário negado.
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NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. INOCORRÊNCIA O fato de, no entender da Recorrente, o Acórdão ter sido confuso, não o torna nulo por preterição do direito de defesa. Ao contrário, ainda que breve na concepção da Recorrente, a decisão recorrida fundamentouse em mais de um motivo. VENDAS À ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO. NÃO CABIMENTO Em tese, os períodos de apuração de dezembro de 2000 em diante, estão beneficiados expressamente pela exoneração fiscal de PIS e COFINS às receitas decorrentes de vendas para a Zona Franca de Manaus. Assim, para todos os períodos posteriores a dezembro de 2000, inclusive, é de se reconhecer que há bom direito assistindo ao contribuinte; por outro lado, os períodos anteriores não podem receber a mesma validação. Como o processo em tela abrange período anterior, não há como se reconhecer o direito creditório. Recurso Voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do Recurso Voluntário pra NEGARLHE o provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 59 35 /2 00 8- 43 Fl. 106DF CARF MF Impresso em 21/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 18/09/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 2 (assinado digitalmente) Joel Miyazaki Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015). Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Paulo Sérgio Celani, Bruno Maurício Macedo Curi (Relator) e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral pela Recorrente a Dra. Catarina Cavalcanti de Carvalho, OAB/PE nº 30.248. Relatório Preliminarmente, ressaltase que nos termos do artigo 17, inciso III, do anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF/2015, fui designado como redator ad hoc (fl. 105), para formalização do respectivo Acórdão, considerando o resultado do julgado, conforme o constante da ATA da respectiva sessão de julgamento. MICROLITE SOCIEDADE ANÔNIMA, insurgese no presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 1630.846, proferido pela 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo –DRJ/SP1, que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo o crédito tributário formalizado contra a referida Recorrente. Por bem descrever os fatos e atos processuais ocorridos até o momento da apresentação da manifestação de inconformidade, reproduzse aqui o relato formulado pela autoridade julgadora de 1ª instância, in verbis: Em 26/8/2008, Despacho Decisório não homologa Pedido Eletrônico de Restituição (PER)Declaração de Compensação (DComp) de fl. 1, por falta de crédito no DARF da contribuição acima citada (código de receita: 2172; fato gerador: 31/10/2000). O Valor foi todo usado para quitar débitos e não restou saldo compensável. O débito compensado nesta declaração é de: Cofins Não Cumulativa; código de receita: 5856; de fevereiro de 2004; no valor de R$ 8.744,53 (fl 9). A base da decisão são os artigos 165 e 170, do CTN, e no art. 74, da Lei 9.430/96. Foram emitidas mais 90 Decisões, cada qual formando um processo (de 10880.915886 até 10880.915976, conjunto ao qual estes autos pertencem). Em 24/9/2008, a empresa deduz sua inconformidade (fl 11 e seguintes) na qual: diz que as Declarações de Compensação tratam de créditos do mesmo tipo e prova, não fracionáveis; pede para apensar todos os autos em um, para análise conjunta da defesa e das provas; argui: nulidade, pela falta de intimação Fl. 107DF CARF MF Impresso em 21/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 18/09/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10880.915935/200843 Acórdão n.º 3802001.949 S3TE02 Fl. 107 3 prévia para prestar esclarecimentos; que devem ser apreciados os documentos ora juntados, sob pena de cerceamento; que recolheu indevidamente Pis e Cofins de abril de 1999 a fevereiro de 2004 em vendas à ZFM que não geram obrigação fiscal, pois equiparadas a exportação (DL 288/67); diz juntar as notas fiscais e demonstrativos da base de compensação, planilhas das bases de cálculo e demonstrativo contábil. Ao final, requer a emissão de novo Despacho em face da prova e/ou homologação das compensações deste e dos demais autos que pleiteia anexar. Junta documentos da representação processual e societários. Não acatando as razões aduzidas pela Recorrente na instância a quo, a 9ª Turma da DRJ/SP1, resumiu na forma da ementa abaixo os motivos pelos quais julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada. Vejase: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/10/2000 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. Se o ato administrativo obedece às suas formalidades essenciais não há nulidade. CERCEAMENTO. INOCORRÊNCIA. Não fica configurado cerceamento quando o interessado é regularmente cientificado do despacho decisório, e lhe é possível apresentar sua irresignação no prazo legal. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. NÃO COMPROVAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). IMPOSSIBILIDADE. A vinculação total de pagamento a um débito próprio expressa a inexistência do direito creditório compensável e é circunstância apta a embasar a não homologação de compensação. A alegação de existência de pagamento indevido ou a maior, desacompanhada de suficientes elementos comprobatórios, não é suficiente para reformar a decisão. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 31/10/2000 VENDAS À ZONA FRANCA DE MANAUS. DL 288/67. CONTRIBUIÇÕES SUPERVENIENTE. ISENÇÃO. DESCABIMENTO. O art. 4º do DecretoLei nº 288/67 aplica a equiparação a tributo vigente em 28/2/67 e não projeta isenções futuras. A restrição era para os tributos existentes em vigor à época e não para contribuição social superveniente. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 21/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 18/09/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 4 Irresignado com a decisão supra, o sujeito passivo interpôs o presente Recurso Voluntário (fls. 61 e seguintes) pleiteando a nulidade do Acórdão recorrido, alegando que a decisão foi construída com base em premissas confusas e obscuras, bem como enfatizando o direito que ampara seu pedido, consubstanciado na equiparação das vendas para a Zona Franca de Manaus à exportações – o que explicita ter ocorrido recolhimento indevido de PIS e COFINS sobre as receitas daí oriundas. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, redator ad hoc designado para formalizar o Acórdão (fl. 105), uma vez que o Conselheiro Relator Bruno Maurício Macedo Curi, não mais compõe este colegiado e que a respectiva Turma Especial foi extinta, retratando hipótese de que trata o artigo 17, inciso III, do Anexo II, do Regimento Interno deste CARF, aprovado pela Portaria MF no 343, de 09 de junho de 2015. Ressalvado o meu entendimento pessoal, no sentido de dar a este e a outros processos nessa mesma situação tratamento diverso. Preenchidos os pressupostos de admissibilidade e tempestivamente interposto, nos termos do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso Voluntário e passo à análise de apenas parte das razões recursais. Tratase de recurso destinado a reconhecer a validade da compensação realizada pelo sujeito passivo, que alega haver indevidamente submetido à tributação por PIS e COFINS as receitas de vendas para a Zona Franca de Manaus. Preliminar Como questão preliminar aduzse a nulidade do Acórdão recorrido, por haver sido “construído com base em premissas confusas e obscuras, que impossibilitam o pleno exercício do direito de defesa da Recorrente, no caso concreto”. O art. 59 do Decreto 70.235/72, que rege o processo tributário administrativo em âmbito federal, traz como uma das causas de nulidade a preterição do direito de defesa. No entanto não vislumbro no caso nulidade do Acórdão, especialmente porque a decisão recorrida traz um argumento escalonado para não acolher o pleito do contribuinte, a saber: a) a impossibilidade de se reconhecer o direito de crédito à Recorrente, diante da Solução de Divergência Cosit nº 07, que limitaria as isenções a apenas alguns produtos, não sendo genérica para qualquer venda realizada para a Zona Franca de Manaus, nos termos do art. 14 da MP 203725; b) ultrapassada a questão acima, a inexistência de comprovação da materialidade do crédito em termos concretos. O fato de, no entender da Recorrente, o Acórdão ter sido confuso (ou mesmo, ao seu ver, lacônico), não o torna nulo por preterição do direito de defesa. Ao contrário, ainda que breve na concepção da Recorrente, a decisão recorrida fundamentouse em mais de um motivo. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 21/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 18/09/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10880.915935/200843 Acórdão n.º 3802001.949 S3TE02 Fl. 108 5 Tanto assim que a Recorrente não só identificou os fundamentos do Acórdão, como o presente Recurso ataca o ponto que parece mais sensível ao contribuinte – a existência, ao seu ver, de exoneração de PIS e COFINS sobre as vendas realizadas para a Zona Franca de Manaus. Desse modo, não acolho o argumento de nulidade do Acórdão. Vale o aforismo jurídico: pas de nullité sans grief. Mérito Quanto ao mérito, o ponto nodal referese à existência, ou não, de exoneração de PIS e COFINS sobre as receitas decorrentes de vendas para a Zona Franca de Manaus. A celeuma tem origem no fato de o art. 40 do ADCT/88 (Atos das Disposições Constitucionais Transitórias) ter estendido para o ordenamento constitucional de 1988 o regime tributário da Zona Franca em Manaus, nos seguintes termos: Art. 40. É mantida a Zona Franca de Manaus, com suas características de área livre de comércio, de exportação e importação, e de incentivos fiscais, pelo prazo de vinte e cinco anos, a partir da promulgação da Constituição. Parágrafo único. Somente por lei federal podem ser modificados os critérios que disciplinaram ou venham a disciplinar a aprovação dos projetos na Zona Franca de Manaus. Esse regime tributário, como cediço, teve início por intermédio do Decretolei nº 288/67, porém seguramente a determinação constitucional estende toda a exoneração fiscal existente no ordenamento anterior para o Sistema Tributário atual. Esse é o comando expresso do art. 40 do ADCT, cujo prazo veio a ser prorrogado por mais 10 anos por força do art. 92 das mesmas Disposições Constitucionais. A discussão que pode ser travada é quanto à interpretação da expressão das características “de exportação” sobre a Zona Franca de Manaus, especialmente diante da imunidade constitucional que as exportações possuem sobre as contribuições especiais. De todo modo, há normas infraconstitucionais de observância irrefutável pelo CARF, que trazem regramento jurídico distinto da imunidade. E, como se sabe, a Súmula nº. 2, do CARF, impede que se avalie a constitucionalidade dessas normas, que em última análise afetam a permissibilidade de exclusão, ou não, dessas receitas da base de cálculo de PIS e da COFINS. Referidas normas estavam contidas, durante o período compreendido pelos casos trazidos à lume, pela Medida Provisória nº 2.037, a qual, em sua redação original e em vinte e quatro reedições posteriores, dispôs que não estavam abarcadas por isenção as receitas oriundas de vendas para a Zona Franca de Manaus, “a partir de 1o de fevereiro de 1999” (redação do § 2o do art. 14). Essa redação somente veio a ser modificada diante de decisão do STF na ADIMC 2348, cujo mérito terminou não sendo julgado por perda de objeto da ação direta. A decisão, que afastava com efeitos ex nunc a aplicação da norma acima sobre as receitas decorrentes de vendas para a Zona Franca de Manaus, levou o governo federal a, na vigésima Fl. 110DF CARF MF Impresso em 21/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 18/09/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 6 quinta reedição da MP nº 2.037, considerar isentas também as receitas de vendas para a Zona Franca de Manaus. E a rigor, a interpretação de que a isenção estava concedida à Zona Franca de Manaus se deu por supressão da expressão “Zona Franca de Manaus” do rol de vedações à aplicação da isenção constante do art. 14 da MP nº 2.037. Passavase, então, a reconhecer que a isenção para a ZFM estava compreendida no inciso II do art. 14, o qual dispunha sobre a exportação de mercadorias para o exterior. Esforço interpretativo conjunto com o art. 40 do ADCT, portanto (e que, frisese, remete à imunidade do art. 149 da CRFB, não a isenção). De todo modo, em termos infraconstitucionais o que se tem é: somente se isentaram as receitas de vendas para a Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS a partir de dezembro de 2000, pois o início da vigência da MP nº 2.03725 ocorreu no dia 21 daquele mês. Importante destacar que não entendo que a isenção tenha sido concedida em caráter retroativo a 1o de fevereiro de 1999, como defendem alguns diante de uma leitura fria do caput do art. 14 da MP nº 2.03725. A rigor, a alteração legislativa que suprimiu a vedação à isenção das vendas para a Zona Franca de Manaus deve ser apreciada em conjunto com a própria decisão do STF, que suspendeu a aplicação da MP n° 2.037, em reedição anterior, com efeitos ex nunc na ADIMC 2348. A disposição do caput tratando do dia 1o de fevereiro de 1999 existe desde a edição originária da MP nº 2.037. Assim, o fato de reedição posterior da MP permitir uma leitura apriorística de que, desde fevereiro de 1999, não havia vedação à isenção, não significa que ocorra uma exótica “isenção retroativa”. Afinal, tratase da mesma MP nº 2.037, que, pelas regras constitucionais vigentes à época, podia ser reeditada quantas vezes fossem necessárias. De todo modo, ao menos em tese os períodos de apuração de dezembro de 2000 em diante estão beneficiados expressamente pela exoneração fiscal de PIS e COFINS às receitas decorrentes de vendas para a Zona Franca de Manaus. Assim, para todos os períodos posteriores a dezembro de 2000, inclusive, é de se reconhecer que há bom direito assistindo ao contribuinte; por outro lado, os períodos anteriores não podem receber a mesma validação. Como o processo em tela abrange período anterior, não há como se reconhecer o direito creditório, restando prejudicada a análise de todo o remanescente – inclusive a prova dos autos. Conclusão Destarte, conheço do Recurso Voluntário para NEGARLHE provimento. Formalizado o voto em razão do disposto no artigo 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015, subscrevo o presente. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 21/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 18/09/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10880.915935/200843 Acórdão n.º 3802001.949 S3TE02 Fl. 109 7 (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Redator ad hoc. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 21/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 18/09/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Numero do processo: 12466.002280/2008-68
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Dec 17 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 07/12/2004 a 18/01/2005
AUTO DE INFRAÇÃO. ADEQUADA CAPITULAÇÃO LEGAL E DESCRIÇÃO DOS FATOS. PLENO EXERCÍCIO DO CONTRADITÓRIO E DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. IMPOSSIBILIDADE.
1. Não é passível de nulidade, por cerceamento do direito de defesa, o auto de infração que atende todos os requisitos materiais e formais, incluindo correta capitulação legal da infração e adequada descrição dos fatos.
2. Se o contribuinte revela conhecer plenamente as infrações que lhe foram imputadas, rebatendo-as, uma a uma, de forma meticulosa, mediante extensa e substanciosa impugnação, abrangendo as questões preliminares e as de mérito, não cabe a nulidade da autuação por cerceamento do direito de defesa e ofensa aos princípios do contraditório e do amplo direito de defesa.
PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA. NÃO DEMONSTRADA A IMPRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. POSSIBILIDADE.
Se nos autos há todos os elementos probatórios necessários e suficientes à formação da convicção do julgador quanto às questões de fato objeto da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de diligência e perícia formulado.
Recursos Voluntários Negado.
Numero da decisão: 3302-002.935
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Hélcio Lafetá Reis, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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E OUTROS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 07/12/2004 a 18/01/2005 INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA PRESUMIDA. INFRAÇÃO POR DANO ERÁRIO. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA PENA PERDIMENTO. APLICAÇÃO DA MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO DA MERCADORIA. CABIMENTO. A falta de comprovação da origem lícita, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na operação de importação, configura interposição fraudulenta presumida na importação, infração por dano ao erário, sancionada com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, se impossibilitada a aplicação da pena de perdimento da mercadoria. INFRAÇÃO DE DANO AO ERÁRIO. DOCUMENTO FALSIFICADO NECESSÁRIO AO DESEMBARAÇO ADUANEIRO. PENA DE PERDIMENTO. CABIMENTO. O uso de documentos falsificado ou adulterado, necessário ao desembaraço, é considerado dano ao Erário, infração punível com a pena de perdimento das mercadorias. OPERAÇÃO DE IMPORTAÇÃO. FRAUDE NO PREÇO DA MERCADORIA. ARBITRAMENTO COM BASE NO PREÇO DE COTAÇÃO EM BOLSA DE MERCADORIA. POSSIBILIDADE. No caso de fraude preço de modo que não seja possível a apuração do valor de transação efetivamente praticado na importação, a base de cálculo dos tributos e demais direitos incidentes será determinada mediante arbitramento do preço da mercadoria apurado em cotação de bolsa de mercadoria ou em publicação especializada. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 07/12/2004 a 18/01/2005 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 00 22 80 /2 00 8- 68 Fl. 896DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /12/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por RICARDO PAULO ROS A 2 AUTO DE INFRAÇÃO. ADEQUADA CAPITULAÇÃO LEGAL E DESCRIÇÃO DOS FATOS. PLENO EXERCÍCIO DO CONTRADITÓRIO E DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. IMPOSSIBILIDADE. 1. Não é passível de nulidade, por cerceamento do direito de defesa, o auto de infração que atende todos os requisitos materiais e formais, incluindo correta capitulação legal da infração e adequada descrição dos fatos. 2. Se o contribuinte revela conhecer plenamente as infrações que lhe foram imputadas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante extensa e substanciosa impugnação, abrangendo as questões preliminares e as de mérito, não cabe a nulidade da autuação por cerceamento do direito de defesa e ofensa aos princípios do contraditório e do amplo direito de defesa. PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA. NÃO DEMONSTRADA A IMPRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. POSSIBILIDADE. Se nos autos há todos os elementos probatórios necessários e suficientes à formação da convicção do julgador quanto às questões de fato objeto da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência e perícia formulado. Recursos Voluntários Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa – Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Hélcio Lafetá Reis, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Relatório Por bem descrever os fatos, adotase o relatório que integra a decisão de primeiro grau, que segue integralmente transcrito: Trata o presente processo de auto de infração lavrado para a exigência de crédito tributário no valor de R$ 9.827.681,77, referente a multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias importadas, prevista no parágrafo 3º do artigo 23 do Decretolei nº 1.455/1976, com a redação dada pelo artigo 59 da Lei nº 10.637/2002. Depreendese da descrição dos fatos e enquadramento legal do auto de infração: Fl. 897DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /12/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 12466.002280/200868 Acórdão n.º 3302002.935 S3C3T2 Fl. 897 3 Que a interessada promoveu importações de mercadorias, nos anos de 2004 e 2005, amparadas por Declarações de Importação nas quais se declarava como importadora e adquirente das mercadorias. Submetida a procedimento especial de fiscalização, previsto na Instrução Normativa SRF nº 228/2002, se constatou que a interessada foi interposta pessoa nas operações de importação, ocultando as reais adquirentes das mercadorias, as quais repassavam recursos para o pagamento dos custos das importações e figuravam como destinatárias das mercadorias nas Licenças de Importação. As mercadorias importadas se tratavam de “naftas”, classificadas na NCM 2710.11.49, sujeitas a licenciamento não automático, consideradas como “solventes” pela ANP. Da análise dos documentos da interessada se concluiu que essa não possuía capacidade financeira para realizar as operações de comércio exterior, cujas importações no período remontaram a U$ 10.449.759,00, declaradas como “em nome próprio”, ou seja, como se fosse a real adquirente das mercadorias. Alterações do capital social declaradas pela interessada, nunca foram comprovadas e sua sede foi transferida de Vitória/ES para São Paulo/SP, no curso da ação fiscal. Correspondências entre a interessada e a exportadora estrangeira deixam clara a ocultação das reais adquirentes das mercadorias. Nessas correspondências a interessada orienta a exportadora estrangeira em relação à emissão de documentos fiscais e de transporte, de forma a burlar os controles da Aduana, seja no aspecto relativo à identificação da adquirente das mercadorias, seja relativo aos preços declarados. Com relação aos preços declarados ficou comprovada a prática de subfaturamento, com a emissão de faturas com valores aproximados de 50% do valor efetivamente pago. As faturas eram emitidas por empresa situada nas Ilhas Virgens, considerada paraíso fiscal. Em diversas Declarações de Importação o modus operandi era o de declarar a diferença de valores como “frete no mercado interno”, fato que distorcia os valores pagos de tal modo que o frete interno chegava ao absurdo de ser equivalente ao valor das mercadorias mais o frete internacional. Essa prática reduziu substancialmente a base de cálculo e conseqüente recolhimento dos tributos devidos nas importações. Configurouse, assim, a utilização, na importação, de documentos ideologicamente falsos. A comparação dos preços declarados com os preços praticados nas bolsas internacionais de mercadorias, considerando que se tratava de mercadoria dita “comodity”, ou seja, negociada com base em cotações diárias de preços, revelou diferenças substanciais entre os mesmos. Da mesma forma, o confronto dos valores declarados nas importações pela interessada com os declarados nas exportações da Argentina, país exportador, Fl. 898DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /12/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por RICARDO PAULO ROS A 4 evidenciaram a prática de fraude no valor aduaneiro. Também a comparação com outras importações realizadas por outros importadores nacionais, do mesmo produto e exportador estrangeiros, demonstra as diferenças entre os preços declarados. Assim, com base no artigo 88 da Medida Provisória nº 2.158/35/2001, os valores praticados nas importações foram arbitrados. Em razão da caracterização de dano ao Erário, prevista nos incisos IV e V do artigo 23 do Decretolei nº 1.455/1976, com a redação dada pelo artigo 59 da Lei nº 10.637/2002, e considerando a não localização ou consumo das mercadorias, foi lavrado o auto de infração do presente processo para exigência de multa equivalente ao valor aduaneiro, conforme previsto nos parágrafos 1º e 3º do mesmo artigo 23 do Decreto lei nº 1.455/1976, com a redação dada pelo artigo 59 da Lei nº 10.637/2002. Registra ainda o auto de infração, a constatação das seguintes irregularidades: Triangulação comercial ilícita, com o fim de fraudar o valor praticado ou declarado, refaturando indevidamente as mercadorias por preço inferior ao real. Não apresentação de documentação comprobatória da regularidade das operações realizadas. Não comprovação da origem lícita dos recursos empregados nas operações de comércio exterior. Envolvimento da empresa “Central Petroquímica Brasileira Ltda”, identificada nas licenças de importação como distribuidora da nafta, que deveria ser utilizada para fins não energéticos, em denúncias de adulteração de combustíveis. A empresa “Braspontex Comércio Exterior Ltda” foi autuada na condição de “contribuinte” e a empresa “Central Petroquímica Brasileira Ltda” na condição de “responsável solidário”, com base no artigo 124 do Código Tributário Nacional, Lei nº 5.172/1966, e nos artigos 32 e 95 do Decretolei nº 37/1966, com a redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835/2001. A Braspontex foi cientificada pela via pessoal (ciência fl. 01) e apresentou a impugnação tempestiva de folhas 449 a 481, com os documentos de folhas 482 a 592 e 595 a 790, anexados. A impugnante alega preliminar de nulidade, por entender que no auto de infração não se cumpriu formalidade essencial, “eis que não apresenta em seu corpo a descrição dos fatos que pretendeu alcançar” e que “no campo reservado à descrição dos fatos, não há qualquer informação dos fatos alcançados, remetendo sempre aos famigerados ‘anexos’ para fugir da narrativa minuciosa dos eventos.” (sic) Alega que houve cerceamento de seu direito de defesa, pois, na forma como procedido, não sabe exatamente do que é acusada. Fl. 899DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /12/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 12466.002280/200868 Acórdão n.º 3302002.935 S3C3T2 Fl. 898 5 Defende a nulidade do auto de infração pois a fiscalização foi realizada no prazo superior a 3 anos, quando a norma, Instrução Normativa SRF nº 228/2002, determina que o procedimento deve ser encerrado em, no máximo, 180 dias do seu início. Alega irregularidades nas intimações pelo fato de a pessoa cientificada não possuir poderes de representação e porque a mudança de endereço da sede para São Paulo ocorreu em 03/11/2005, conforme cópia cartão do CNPJ anexada, e não em janeiro de 2007 como alega a fiscalização, não podendo ser responsabilizada por falta de atendimento a intimação. Defende que não houve ocultação do real importador, porque as importações foram realizadas sob sua responsabilidade e risco, pois a mercadoria em questão foi importada para revenda a encomendante predeterminado. Afirma que “depois de confirmado o pedido de compra pelo encomendante, esse pagava antecipadamente parte do valor da compra”, de forma a se garantir a venda, prática comum no comércio. Alega que não se caracterizou importação por conta e ordem de terceiros que é operação realizada com recursos do adquirente/terceiro, responsável, inclusive, pelo fechamento de câmbio. Defende que os demais requisitos para se realizar operação por conta e ordem de terceiro, conforme artigos 86 e 87 da IN SRF nº 247/2002, não foram atendidos e, portanto, não podem ser entendidas como operações desse gênero. Alega que, exemplificadamente, atendendo ao disposto no artigo 3º da IN SRF nº 634/2006, que estabelece requisitos e condições para atuação em operações procedidas para revenda a encomendante predeterminado, na DI nº 04/12508391 foi cadastrada a empresa Central Petroquímica Brasileira Ltda como adquirente final da carga – encomendante, como se vê ás fls. 268/275. Defende que as conclusões da fiscalização também foram no sentido de que as operações foram realizadas por encomenda. Discorda da conclusão da fiscalização sobre ausência de capacidade financeira baseada nas Declarações de Imposto de Renda – DIPJ, anos 2002, 2003 e 2004, com movimentação financeira igual a zero. Argumenta que o simples fato de uma empresa declarar receita zero, não quer dizer que a mesma não tenha capacidade econômica e financeira para o comércio, pois essa deve ser analisada em relação a sua movimentação bancária. Defende que utilizou recursos próprios e de financeiras, nas operações de importação, e que durante muito tempo foi considerada um dos maiores contribuintes do ICMS do Estado do Espírito Santo. Alega que, em 09/06/2005, antes do encerramento do MPF, retificou as DIPJ dos exercícios de 2003 e 2004. Alega que não há legislação que obrigue a utilização de preços cotados em bolsa de mercadoria e que os preços praticados são condizentes com os levantados pela fiscalização. Com relação a essas inconformidades de preço de que é acusada, alega que as Fl. 900DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /12/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por RICARDO PAULO ROS A 6 Declarações de Importação foram desembaraçadas, inclusive no canal amarelo, e, portanto, foram verificadas e consideradas corretas, não se podendo alegar, posteriormente, que os preços estavam subfaturados. Requer a produção de provas periciais para fins de prova dos fatos impugnados. Anexa cópias de Resoluções Ministeriais do Governo da Bolívia que autorizam a exportação de nafta ao preço de U$ 180,00 o metro cúbico, ou U$ 0,18/l ou kg. Requer diligência ao Governo da Bolívia a fim de se confirmar a veracidade de referidas Resoluções. Anexa cópia de contrato no qual o preço da nafta foi negociado ao preço de U$ 0,18/litro. Contesta a alegação da fiscalização de falta de “marcador” na mercadoria importada, argumentando que sua presença é obrigatória na nafta solvente, condição para o desembaraço ou liberação na alfândega. Alega que a fiscalização a acusa de falsificação e adulteração de documentos, baseandose em indícios e presunções. Requer a produção de prova pericial e documental. Em razão da alteração de endereço de sua sede, entende que deveria ser fiscalizada pela unidade da Receita Federal de sua jurisdição. Assim, requer que o julgamento de sua defesa seja realizado por aquela unidade. Requer a anulação do auto de infração. Em caso contrário, requer a produção de prova pericial, documental e diligencial. Requer seja declarado insubsistente o auto de infração e improcedente a ação fiscal. Requer sejam remetidos os autos para julgamento na jurisdição fiscal da impugnante. Requer ainda sejam as intimações e/ou informações de estilo realizadas em nome do patrono, que denomina e registra o endereço. A responsável solidária, Central Petroquímica Brasileira Ltda, foi cientificada por via postal em 29/08/2008 (AR fls.448v). Decorrido o prazo legal sem apresentação de impugnação foi lavrado o termo de revelia de folhas 792. Sobreveio a decisão de primeira instância (fls. 821/837), em que, por unanimidade de votos, o lançamento foi considerado procedente e o crédito tributário integralmente mantido, com base nos fundamentos resumidos nos enunciados das ementas que seguem transcritos: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 07/12/2004 a 18/01/2005 OCULTAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO OU DO RESPONSÁVEL PELA IMPORTAÇÃO. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MERCADORIA NÃO LOCALIZADA OU CONSUMIDA. MULTA IGUAL AO VALOR ADUANEIRO DA MERCADORIA. Considerase dano ao Erário a ocultação do sujeito passivo ou do responsável pela importação, infração punível com a pena de perdimento, que é convertida em multa igual ao valor aduaneiro Fl. 901DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /12/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 12466.002280/200868 Acórdão n.º 3302002.935 S3C3T2 Fl. 899 7 da mercadoria caso tenha sido entregue a consumo ou não seja localizada. USO DE DOCUMENTO FALSIFICADO NECESSÁRIO AO DESEMBARAÇO. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. O uso de documentos falsificado ou adulterado, necessário ao desembaraço, é considerado dano ao Erário, infração punível com a pena de perdimento das mercadorias. FRAUDE. SONEGAÇÃO. CONLUIO. TRIBUTOS. BASE DE CÁLCULO. ARBITRAMENTO. No caso de fraude, sonegação ou conluio, em que não seja possível a apuração do preço efetivamente praticado na importação, a base de cálculo dos tributos e demais direitos incidentes será determinada mediante arbitramento do preço da mercadoria.Em 8/4/2013 (fl. 8.139), a autuada foi cientificada da referida decisão. Em 26/4/2013, apresentou o recurso voluntário de fls. 8.141/8.202. em que reformou as razões de defesa suscitadas na peça impugnatória. A responsável solidária Central Petroquímica Brasileira Ltda. foi cientificada da referida decisão em 8/9/2009 (fls. 846/848), porém, não apresentou recurso voluntário. A autuada Braspontex Comércio Exterior Ltda. foi cientificada da decisão de primeira instância em 22/6/2009, (fls. 842/843) e a responsável solidária Central Petroquímica Brasileira Ltda. em 8/9/2009 (fls. 846/848), que não apresentou recurso voluntário perante este Conselho. Em 21/7/2009, a interessada postou o recurso voluntário de fls. 849/873, em que (i) reafirmou parte das razões de defesa suscitadas na peça impugnatória e (ii) reiterou o pedido de realização de diligência e perícia. Por sua vez, a autuada Braspontex Comércio Exterior Ltda. foi cientificada da decisão de primeira instância em 22/6/2009, (fls. 842/843). Em 21/7/2009 postou o recurso voluntário de fls. 849/873, em que (i) reafirmou parte das razões de defesa suscitadas na peça impugnatória e (ii) reiterou o pedido de realização de diligência e perícia. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. O recurso interposto é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Da preliminar de nulidade da autuação. Fl. 902DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /12/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por RICARDO PAULO ROS A 8 A recorrente alegou nulidade do auto de infração por descumprimento de formalidades essenciais e cerceamento do direito de defesa, com base no argumento de que não havia no campo reservado à descrição dos fatos qualquer informação "minuciosa dos fatos alcançados, nem das penalidades aplicadas, remetendo sempre aos famigerados 'anexos'". Sem procedência a alegação da recorrente, pois, no caso em tela, não houve a irregularidade por ela alegada, embora seja habitual e normal, no âmbito das autuações realizadas pela fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), a autoridade fiscal não apresentar a descrição dos fatos encartada no espaço próprio do formulário modelo do auto de infração, mas em relatório a parte, com referência expressa que ele integra o respectivo auto de infração. Com efeito, compulsando o auto de auto de infração de fls. 2/88, verificase que, ao contrário do alegado, a descrição dos fatos consta do campo específico do formulário padrão reservado para tal descrição. No entanto, cabe ressaltar que a referida descrição dos fatos realizada em relatório fiscal a parte consiste em procedimento geralmente adotado pela fiscalização e admitido pela jurisprudência mansa e pacífica deste Conselho, por não acarretar qualquer prejuízo ao contraditório e ao direito de defesa do autuada. A recorrente alegou ainda nulidade da autuação, com base no argumento de que o procedimento fiscal fora concluído após o prazo de validade do correspondente Mandado de Procedimento Fiscal, pois, no caso em apreço, o prazo inicial de120 (cento e vinte) dias expirarase em 21/7/2005 enquanto a sua prorrogação somente ocorrera em 19/9/2005. Mais uma vez, não procede a alegação da recorrente. A uma, porque não é verdade que o citado MPF tenha expirado a sua validade em 27/7/2005, como alegado pela recorrente, posto que, de acordo com as informações contidas no extrato de fls. 510/511, apresentado pela própria recorrente, no dia 19/9/2005, o referido documento ainda estava válido, em decorrência da primeira prorrogação. A duas, porque a prorrogação da validade do referido MPF fora feita com estrita observância ao disposto nos preceitos normativos vigentes, que disciplinavam a emissão e a prorrogação do citado documento (os arts. 12 e 13 da Portaria RFB n.º 4.328/2005, reproduzidos com pequenas alterações pela portarias subseqüentes, e nos artigos 9º, 11 e 12 da Portaria RFB 11.371/2007). Além disso, a simples perda de validade do MPF não constitui causa de nulidade da autuação, haja vista que o referido documento, quando ainda exigida a sua emissão, tinha por finalidade o controle e a transparência da atividade de fiscalização. E os pressupostos de validade do auto de infração de infração, sabidamente, tratamse de requisitos legais que se encontram estabelecidos no art. 142 do CTN, combinado com o disposto no art. 10 do Decreto 70.235/1972, os quais foram integralmente cumpridos no presente procedimento fiscal. Com base nessas considerações, rejeitase as referidas alegações de nulidade do auto de infração suscitadas pela recorrente. Do pedido de realização de diligência e perícia. A recorrente alegou que o pedido de diligencia e perícia, formulado na peça impugnatória, fora indeferido, sem qualquer fundamentação, o que afrontava o disposto no art. 28 do Decreto 70.235/1972. Não procede a alegação da recorrente. Com efeito, compulsando o voto condutor do julgado recorrido, verificase que foram apresentadas as razões para o Fl. 903DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /12/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 12466.002280/200868 Acórdão n.º 3302002.935 S3C3T2 Fl. 900 9 indeferimento do citado pedido, com base no argumento de que era desnecessária a diligência proposta pela impugnante, por entendêla dispensável para o deslinde do julgamento, pois a realização de perícia pressupunha que o fato a ser provado necessitasse de conhecimento técnico especializado, fora do campo de atuação do julgador, o que não era o caso dos presentes autos. Assim, fica demonstrada que a fundamentação exigida no citado art. 28 foi devidamente apresentada no julgado recorrido e está em consonância com natureza da lide em apreço. Além disso, extraise do caput do art. 18 do PAF que a decisão acerca do pedido de realização de perícia ou diligência depende do livre convencimento da autoridade julgadora, portanto, não cabe a este Colegiado adentrar no mérito dessa questão, sob pena de invasão indevida ao poder discricionário da autoridade julgadora de primeiro grau. No recurso em apreço, a recorrente reafirmou o referido pedido de diligência e perícia apresentado na peça impugnatória, com base no argumento de que ele era imprescindível para provar que a aplicação da multa de pena de perdimento era indevida. Para a recorrente, a referida diligencia visava intimar o Governo da Bolívia ("Ministério de Mineria e Hidrocarburos"), para confirmar a veracidade das Resoluções Ministeriais nºs 227/2004, de 14/12/2004 e 017/2005, de 25/02/2005, emitidas pelo Governo da Bolívia, que autorizavam a exportação de NAFTA ao preço de US$ 180,00 o metro cúbico, que em litros/quilos correspondia a US$ 0,18. Pelas mesmas razões aduzidas no voto condutor da decisão recorrida, este Relator também entende ser completamente dispensável para o deslinde da presente controvérsia a realização da diligência e a produção de pericial requerida pela recorrente, pois se trata de mera apresentação de prova documental que, se existente, a recorrente poderia ter colacionado aos autos na fase processual adequada. Ademais, a referida informação revelase de todo desnecessário para o deslinde da controvérsia. Não se pode olvidar que a previsão de realização de diligência ou perícia não pode ser usada indevidamente como instrumento de produção de prova em favor de qualquer das partes, assumindo a autoridade julgadora o ônus da prova que cabia à parte interessada produzir na fase processual pertinente. Se a autoridade julgadora assim proceder, certamente, por via indireta, restará violada a regra legal estabelecida no art. 16, § 4°, do Decreto n° 70.235, de 1972, segundo a qual a prova documental será apresentada na fase de impugnação, precluindo o direito de a manifestante fazêlo em outro momento processual. Enfim, diante dos robustos elementos probatórios coligidos aos pela fiscalização, a obtenção da referida informação não teria qualquer relevância para o deslinde da controvérsia. Com base nessas considerações, deve ser indeferido o pedido de diligência e perícia formulado pela recorrente. Da análise das questões de mérito. Com base na descrição dos fatos do questionado auto de infração (fls. 3/72), cabe esclarecer que o produto importado pela recorrente foi descrito nas DI como "NAFTA PARA PROCESSAMENTO INDUSTRIAL" e classificado no código NCM 2710.11.49. Tratase de um produto derivado de petróleo normalmente utilizado para fins não energéticos. Entretanto, esses derivados de petróleo não energéticos podem vir a ser utilizados para Fl. 904DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /12/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por RICARDO PAULO ROS A 10 formulação de gasolina e diesel, desde que atendidos os requisitos estabelecidos na legislação pertinente. O citado produto é uma commodity com preços cotados diariamente no mercado internacional e divulgados pela agência de notícia PLATTS. A importação do produto nafta (solvente) em geral está sujeita a Licenciamento NãoAutomático pela Agencia Nacional de Petróleo (ANP), nos termos da legislação especifica. No caso, as operações de importação realizadas pela recorrente foram acobertadas por Licenças de Importação emitidas pela ANP. Ainda segundo a referida descrição dos fatos, o motivo da imposição da multa em apreço foi a atribuição à importadora da prática de duas infrações, a interposição fraudulenta (presumida) na operação de importação e apresentação de documento falso necessário ao processamento do despacho aduaneiro de importação, consideradas dano ao Erário nos termos do art. 23, IV e V, e §§ 1º a 3º, do Decretolei nº 1.455, de 1976, com redação dada pela Lei 10.637/2002, a seguir transcritos: Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: [...] IV enquadradas nas hipóteses previstas nas alíneas " a " e " b " do parágrafo único do artigo 104 e nos incisos I a XIX do artigo 105, do Decretolei número 37, de 18 de novembro de 1966. V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. § 1o O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. § 2o Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados. § 3o A pena prevista no § 1o convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida. [...] (grifos não originais) A específica infração atribuída à recorrente, capitulada no inciso IV do referido preceito legal, encontrase definida no inciso VI do art. 105 do Decretolei 37/1966, com os seguintes termos, in verbis: Art.105 Aplicase a pena de perda da mercadoria: [...] VI estrangeira ou nacional, na importação ou na exportação, se qualquer documento necessário ao seu embarque ou desembaraço tiver sido falsificado ou adulterado; [...] (grifos não originais) Fl. 905DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /12/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 12466.002280/200868 Acórdão n.º 3302002.935 S3C3T2 Fl. 901 11 Em relação a primeira infração, a fiscalização apurou que, embora a recorrente tenha se identificado, nos respectivos despachos aduaneiros de importação, como importadora e adquirente das mercadorias importadas, inclusive na condição de distribuidora e compradora das referidas mercadorias, de fato ela atuara como interposta pessoa, ocultando os reais adquirentes das mercadorias, pois, com base na análise dos extratos bancários fora comprovada a realização de vários depósitos nas contascorrentes da recorrente sem a comprovação da origem lícita dos recursos. E instada a comprovar a origem dos citados recursos, a recorrente não atendeu as intimações da fiscalização e ainda, na parca documentação apresentada, não foram apurados negócios lícitos com quaisquer das pessoas depositantes dos valores que justificassem a origem legítima dos recursos financeiros depositados. Assim, com base nos elementos probatórios colacionados aos autos, a fiscalização firmou o entendimento de que estava devidamente comprovado que a recorrente não tinha condições financeiras para realizar as correspondentes operações de importação, uma vez que não comprovara a origem lícita dos recursos financeiros utilizados no pagamento dos encargos assumidos nas referidas operações de importação. Ante tais fatos, devidamente corroborado com documentação adequada, chegase a conclusão de que a conduta atribuída à recorrente enquadrase perfeitamente na descrição da infração por interposição fraudulenta presumida, estabelecida no inciso V, combinado com disposto no § 2º, do art. 23, anteriormente transcrito. E com vistas a contraditar as imputações que lhe foram feitas pela fiscalização quanto ao cometimento da infração por interposição fraudulenta, no recurso em apreço, a recorrente alegou que as referidas operações de importação foram realizada sob a sua inteira responsabilidade para revenda a encomendante predeterminado. Sem razão a recorrente. A operação de importação por encomenda é aquela em que o importador adquire mercadorias no exterior com recursos próprios, promove o despacho aduaneiro em seu próprio nome e em seguida revende as mercadorias desembaraçadas ao encomendante previamente determinado em contrato. Por força dessa característica, não se considera importação por encomenda a operação realizada com recursos do encomendante, ainda que parcialmente. No caso em tela, além de não comprovar, com documentação adequada, a alegada operação de importação por encomenda, a recorrente confessa na peça recursal que os valores depositados em sua contacorrente bancária, pelos supostos "encomendantes" representavam "uma parte do valor da operação (compra)", o que infirma o que alegara. Em relação a falta de capacidade econômicofinanceira para realização das operações de importação em referência, a recorrente alegou que o simples fato de uma empresa declarar receita zero na Declaração de Informação da Pessoa Jurídica (DIPJ) não era suficiente para confirmar que a mesma não tivesse capacidade econômica e financeira para participar do comércio, seja nacional ou internacional, "pois para medir a capacidade econômica e financeira de uma empresa devemos levar em conta a sua movimentação bancária, que a princípio deve ser considerável". Mais uma vez não procede a alegação da recorrente, porque a movimentação bancária que, sob ponto vista jurídicotributário, serve de meio de prova da capacidade econômicofinanceira da respectiva pessoa jurídica é somente aquela proveniente de origem Fl. 906DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /12/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por RICARDO PAULO ROS A 12 lícita, ou seja, decorrentes dos recursos financeiros da sua atividade econômica legítima, devidamente comprovada com documentação contábil e fiscal hábil e idônea. No caso em tela, se a recorrente declarou nas respectivas DIPJ que não auferira receita nos correspondentes anos, obviamente, os recursos que foram depositados em suas contascorrentes não eram de origem lícita, até prova em contrário. No entanto, para justificar a referida movimentação financeira e, desta forma, tentar comprovar que o custeamento das operações de importação foram realizadas com recursos próprios lícitos, a recorrente alegou que muitas vezes precisou recorrer às instituições financeiras, que hoje "estão atentas as altas movimentações bancárias de seus clientes e oferecem a esses elevadíssimos valores como capital de giro." Tratase de alegação sem qualquer relevância para o deslinde da controvérsia, porque desprovida de provas de que alegada parte dos recursos financeiros movimentados nas respectivas contascorrentes bancárias foram provenientes de supostos empréstimos bancários. Nesse sentido, cabe ressaltar que, durante o procedimento fiscal, a recorrente foi intimada pela fiscalização a comprovar a origem dos depósitos realizados nas referidas contas, porém, não s edignou a apresentar qualquer documento que comprovasse a origem lícita dos elevados valores depositados, o que seria facilmente feito mediante a apresentação dos correspondentes contratos de empréstimos, se existentes. Em relação à segunda infração, ou seja, utilização de documentos falsos nos respectivos despachos aduaneiros de importação, com base em fartos elementos probatórios colacionados aos autos, a fiscalização atribuiu à recorrente as seguintes condutas infracionais: a) simulação e falsidade ideológica nas Declarações de Importação (DI), ao se declarar como importadora por conta e risco próprio, omitindo os reais adquirentes e importadores de fato das mercadorias; b) simulação e falsidade ideológica nas Licenças de Importação (LI), ao se declarar como importadora por conta e risco próprio, informar a pessoa jurídica Petrosilva Indústria e Comércio de Exportacão e Importacão Ltda. como destinatária das mercadorias e declarar os valores das mercadorias muito aquém daqueles praticados nas operações de venda no mercado internacional; c) falsidade material e ideológica nas faturas comerciais (Invoices), ao se declarar como importadora por conta e risco próprio e declarar valores artificialmente reduzidos para as mercadorias, com o intuito de reduzir a base de cálculo dos direitos aduaneiros sobre elas incidentes; e d) falsidade ideológica nos conhecimentos internacionais de cargas (BL's e CRT's), ao se declarar como importadora por conta e risco próprio. Além disso, diante da constatação da prática de subfaturamento no preço da mercadoria, a fiscalização desconsiderou o valor da transação declarado nas DI e definido no art. 1º do Acordo de Valoração Aduaneira (AVA), internalizado pelo Decreto 1.355/1994, e, com respaldo no art. 881 da Medida Provisória 2.15835/2001, combinado com o disposto no § 1 "Art. 88. No caso de fraude, sonegação ou conluio, em que não seja possível a apuração do preço efetivamente praticado na importação, a base de cálculo dos tributos e demais direitos incidentes será determinada mediante arbitramento do preço da mercadoria, em conformidade com um dos seguintes critérios, observada a ordem seqüencial: I preço de exportação para o País, de mercadoria idêntica ou similar; II preço no mercado internacional, apurado: a) em cotação de bolsa de mercadoria ou em publicação especializada; Fl. 907DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /12/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 12466.002280/200868 Acórdão n.º 3302002.935 S3C3T2 Fl. 902 13 1º do art. 144 do CTN, arbitrou o preço FOB do produto, com base no valor diário da sua cotação em bolsa, na data do embarque da mercadoria no exterior, divulgado pela agência de notícias PLATTS. Segundo a fiscalização, no caso especifico das importações objeto do auto de infração em questão, a recorrente declarou nas suas importações de nafta o valor (FOB) de cerca de US$ 0,20 a 0,18 por kg, ou de US$ 170,00 por m3, o que representava uma variação de 33% a 55%, a menor, se levado em consideração os preços indicados na cotação da bolsa, nos dia 16/08/2004 e 14/10/2004, foram de US$ 0,43 o kg e US$ 0,48 o kg, respectivamente. A fiscalização informou ainda que a nafta importada pela recorrente podia ser utilizada na formulação ou adulteração de combustíveis (conforme inúmeras ocorrências noticiadas na imprensa), por essa razão, para fim de controle era obrigatória a marcação do produto, procedimento que visava impedir que o solvente fosse utilizado como combustível. No caso vertente, todas as naftas importadas pela recorrente eram classificadas na NCM 2710.11.49, sinalizando aos órgãos governamentais de controle (ANP e RFB) que o produto não seria utilizados como combustível, em decorrência, as transações foram efetuadas sem o pagamento da CIDE. Diante de tão graves acusações, a recorrente limitouse em contestar apenas o subfaturamento no preço do produto indicado pela fiscalização, sob argumento de que os preços do produto divulgados pela agência de notícia PLATTS serviam apenas como referência e não existia nenhuma legislação ou norma de comércio exterior que obrigasse a aplicação dos preços divulgados pela referida agência. Ademais, se comparar a diferença do preço de cotação do produto no mercado internacional no dia 14/2/2004 (US$ 0,30) e o preço praticado pela recorrente (US$ 0,24), praticamente no mesmo período, a diferença era insignificante, o que era perfeitamente comum no mercado nacional ou internacional. Sem razão a recorrente. Em relação a primeira alegação, cabe ressaltar que, diferentemente do alegado, há preceito legal sim no direito positivo do País, que, diante de comprovada de fraude no preço declarado, autoriza a fiscalização a arbitrar o preço da mercadoria com base em cotação do produto em bolsa de mercadoria ou em publicação especializada. Tratase do artigo 88 da Medida Provisória 2.15835/2001. No caso, se comparado os preços declarados nas DI com aqueles cotados em bolsa de mercadoria (fls. 47/52), constatase diferença superior a 50% deste em relação àquele preço. Ainda do confronto dos valores declarados nas importações realizadas pela interessada com os declarados nas exportações da Argentina, país exportador, também fica evidenciada a prática de fraude no preço declarado (fls. 56/58). Da mesma forma, chegase a mesma conclusão a partir da comparação com outras importações realizadas por outros importadores nacionais, do mesmo produto e exportador estrangeiros, o que demonstra, de forma congruente, a diferença preço apurada pela fiscalização (fls. 53/56). Logo, não procede o argumento de que a diferença de preços era insignificante, o que era perfeitamente comum no mercado nacional ou internacional do produto. b) de acordo com o método previsto no Artigo 7 do Acordo para Implementação do Artigo VII do GATT/1994, aprovado pelo Decreto Legislativo no 30, de 15 de dezembro de 1994, e promulgado pelo Decreto no 1.355, de 30 de dezembro de 1994, observados os dados disponíveis e o princípio da razoabilidade; ou c) mediante laudo expedido por entidade ou técnico especializado." Fl. 908DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /12/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por RICARDO PAULO ROS A 14 Além disso, a recorrente não trouxe aos autos qualquer elemento probatório que refutasse as robustas provas coligidas aos autos pela fiscalização, que comprovam que, no período de aquisição e embarque das mercadorias importadas, o valor FOB cotado no mercado internacional do produto estava acima de US$ 0,41 o kg, enquanto que a recorrente declarou nas DI o valor FOB de US$ 0,18 a 0,20 por kg. Além das irregularidades anteriormente mencionadas, a fiscalização ainda apurou que a recorrente praticou operação de triangulação comercial, com o fim de fraudar o valor praticado ou declarado nas DI, mediante refaturamento das mercadorias por preço inferior ao real praticado no mercado internacional do produto. Segundo a fiscalização a recorrente procedeu às importações de naftas solventes produzidos por empresa sediada na Argentina, embarcadas deste país com destino ao Brasil e faturadas por uma empresa chamada PETROIL TRADING CONPANY LTD, com sede nas Ilhas Virgens Britânicas (Paraíso Fiscal). Na operação triangular comercial, a recorrente declara adquirir nafta da citada empresa situada por valores médios (FOB) de 0,21 US$/kg, quando a mesma mercadoria estava cotada em bolsa e comercializada por outros grandes importadores brasileiros a 0,40 US$/kg. Em suma, com base nessas considerações, chegase a conclusão que a recorrente cometeu as infrações que lhe foram imputadas pela fiscalização, portanto, é devida a cobrança da multa aplicada no presente auto de infração. Da conclusão. Por todo o exposto, votase por NEGAR PROVIMENTO ao recurso, para manter na íntegra o acórdão recorrido. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 909DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /12/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por RICARDO PAULO ROS A
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Numero do processo: 10830.917876/2011-39
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jan 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004
PIS/PASEP. COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º, DA LEI Nº 9.718/98, QUE AMPLIAVA O CONCEITO DE FATURAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO ESTABELECIDO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL PREVIAMENTE À PUBLICAÇÃO DA EC Nº 20/98.
A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Inadmissível o conceito ampliado de faturamento contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, uma vez que referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal (STF).
Diante disso, não poderão integrar a base de cálculo da contribuição as receitas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, b, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional nº 20, de 1998.
PER/DCOMP. DIREITO MATERIAL DEMONSTRADO
Realidade em que o sujeito passivo, embora abrigado, em tese, pela inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, demonstrou nos autos o alegado recolhimento (parcial) indevido, requisito indispensável ao gozo do direito à restituição previsto no inciso I do artigo 165 do Código Tributário Nacional. A comprovação, mesmo que parcial, do indébito, não impede que seja reconhecido parcialmente o direito à restituição pleiteada.
Recurso Voluntário Provido em parte.
Numero da decisão: 3402-002.740
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antônio Carlos Atulim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Proferiu sustentação oral pela Recorrente, o Dr. Maurício Bellucci, OAB nº 161.891 (SP).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim - Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Proferiu sustentação oral pela Recorrente, o Dr. Maurício Bellucci, OAB nº 161.891 (SP).
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ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA ANOCALENDÁRIO: 2001, 2002, 2003, 2004 PIS/PASEP. COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º, DA LEI Nº 9.718/98, QUE AMPLIAVA O CONCEITO DE FATURAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO ESTABELECIDO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL PREVIAMENTE À PUBLICAÇÃO DA EC Nº 20/98. A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Inadmissível o conceito ampliado de faturamento contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, uma vez que referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal (STF). Diante disso, não poderão integrar a base de cálculo da contribuição as receitas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, “b”, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional nº 20, de 1998. PER/DCOMP. DIREITO MATERIAL DEMONSTRADO Realidade em que o sujeito passivo, embora abrigado, em tese, pela inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, demonstrou nos autos o alegado recolhimento (parcial) indevido, requisito indispensável ao gozo do direito à restituição previsto no inciso I do artigo 165 do Código Tributário Nacional. A comprovação, mesmo que parcial, do indébito, não impede que seja reconhecido parcialmente o direito à restituição pleiteada. Recurso Voluntário Provido em parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 91 78 76 /2 01 1- 39 Fl. 2982DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 16/12/20 15 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Proferiu sustentação oral pela Recorrente, o Dr. Maurício Bellucci, OAB nº 161.891 (SP). Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra Acórdão nº 0947.738, da 2a Turma da DRJ em Juiz de Fora MG (fls. 58/64 do processo eletrônico), a qual, por unanimidade de votos, indeferiu a manifestação de inconformidade formalizada pela Recorrente em face da não homologação de compensação declarada em PER/DCOMP nº 17861.36593.110506.1.2.042532, visando a restituição do crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior a título de COFINS. A decisão de primeira instância não reconheceu o direito creditório sob os argumentos sintetizados na Ementa a seguir reproduzida: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004 COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI Não cabe ao julgador administrativo apreciar a matéria do ponto de vista constitucional. COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DE DCTF ANTERIOR À TRANSMISSÃO DA DCOMP. A compensação pressupõe a existência de direito creditório líquido e certo, direito esse evidenciado na DCTF anterior ou, no máximo, contemporânea à Dcomp. PIS/PASEP COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF. CONTROLE DIFUSO. Fl. 2983DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 16/12/20 15 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10830.917876/201139 Acórdão n.º 3402002.740 S3C4T2 Fl. 2.983 3 A decisão exarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito de recurso extraordinário, que reconheceu a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo das contribuições, surte efeitos jurídicos apenas entre as partes envolvidas no processo, eis que proferida em sede de controle difuso de constitucionalidade, não produzindo efeitos erga omnes, não podendo beneficiar ou prejudicar terceiros. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A ciência da decisão que indeferiu o pedido da Recorrente ocorreu em 10/12/2013 (fl. 67). Inconformada, a mesma apresentou, em 20/12/2013, o Recurso Voluntário (fls. 69/89), onde se insurge contra o indeferimento de seu pleito, considerando em síntese os seguintes argumentos: a) do recolhimento a maior: alega que o direito ao montante que compõem o crédito pleiteado se referem à inclusão indevida, na base de cálculo da contribuição (§ 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98), de receitas estranhas ao conceito de faturamento, o que implicou pagamento indevido ou maior; que o STF efetivamente declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98; b) que tal entendimento deveria ser reproduzido pelos conselheiros do CARF, por força do disposto no artigo 62A, Regimento Interno deste Conselho (Portaria MF nº 256/09); c) da prescindibilidade da retificação da DCTF: em que pese não ter procedido à retificação da DCTF do período em que se pretende a restituição de contribuição paga a maior, a Recorrente, apresenta demonstrativo, documentação contábil e fiscal, valendo se do princípio da verdade material, no intuito de comprovar a liquidez e certeza de seu crédito; d) acosta aos autos, demonstrativo denominado “Planilha de Apuração do PIS e da COFINS”, cópia do “Razão Contábil do Período” e cópia do “Comprovante de Arrecadação (DARF)”. Ao final, requer que seu recurso seja conhecido e provido, reformandose o Acórdão recorrido e subsidiariamente, caso não seja esse o entendimento deste colegiado, requer seja determinado o retorno do autos a DRF de origem para que, em instancia inicial, procedase a análise de toda documentação apresentada, pugna pela juntada posterior de documentos e requer a possibilidade de conversão do julgamento em diligência. Na sequencia processual neste CARF, durante a sessão de julgamento de 27/05/2014, a 2ª Turma Especial/3ª Seção, através da Resolução nº 382000.211 (fls. 143/145), decidiu que, no caso, deve ser aplicado o disposto no art. 62A do Regimento Interno, o que implica o reconhecimento da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. Entendeuse, então, que o julgamento deveria ser convertido em diligência para que a unidade de origem verifique se as receitas contabilizadas nas contas em questão foram efetivamente incluídas na base de cálculo da contribuição, intimando o contribuinte e a Fazenda Nacional para se manifestarem. Fl. 2984DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 16/12/20 15 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 4 Satisfeito essa solicitação pela Delegacia da Receita Federal da origem, e intimados todas as partes, os autos retornaram a este CARF, para prosseguimento. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra Da admissibilidade Por conter matéria de competência deste Colegiado e presentes os demais requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte. Do direito Conforme já afirmado, quando do exame dos autos que concluiuse pela Resolução nº 382000.211 (fls. 143/145), a questão legal já ficou definida. Vejase texto extraído da Resolução (grifamos): "(...) Assim, apesar de ainda não editada a súmula vinculante, deve ser aplicado o disposto no art. 62A do Regimento Interno, o que implica o reconhecimento da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998". Desta forma, não é legítima a exigência da contribuição sobre receitas outras que não as originadas da venda de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, devendo ser excluídos da base de cálculo os montantes decorrentes das rubricas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, “b”, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional nº 20, de 1998. Logo, é indevida, em tese, a exigência do PIS e da COFINS sobre receitas financeiras auferidas pela Recorrente, que tem como atividade principal a “Fabricação de artigos de metal para uso doméstico e pessoal”, código 25.93400, conforme consta na sua ficha cadastral junto ao CNPJ, que está em sintonia com o artigo 3º de seu Estatuto Social, registrado na Junta Comercial do Estado de São Paulo sob nº 122.965/115 (cópia acostada aos autos). Do mérito Uma vez superada a matéria do direito, o recurso voluntário apresenta ainda como escopo fundamental para o deslinde da discussão, a questão atinente a comprovação da existência do direito creditório feita pela Recorrente. A Lei n° 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional – CTN), ao tratar do instituto da compensação tributária, trouxe as seguintes disposições: Fl. 2985DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 16/12/20 15 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10830.917876/201139 Acórdão n.º 3402002.740 S3C4T2 Fl. 2.984 5 Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (destaquei). Assim, compete ao contribuinte o ônus da formação da prova do alegado direito creditório, a fim de demonstrar a certeza e liquidez do indébito utilizado em compensação. No presente caso, é fato que nos pedidos de compensação, a falta de apresentação de DCTF retificadora pelo contribuinte pode até ser sanada, mas desde que comprovado de plano o erro, ou, em outras palavras, o indébito declarado na DCOMP. Com efeito, consoante inteligência do artigo 9º, §§ 2º, 3º e 5º da Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010, os dados declarados em DCTF podem até ser excepcionalmente retificados pela autoridade administrativa, mas somente se aludida retificação estiver alicerçada em documentos que comprovem de maneira inequívoca e pormenorizada a materialidade da modificação intentada pelo contribuinte. Nesse diapasão, ressaltando os argumentos da Recorrente em seu recurso e na busca da verdade material, o processo foi, por decisão da extinta 2ª Turma Especial, convertido em Diligência para análise e informações da Delegacia da RFB de origem. Vejase texto abaixo reproduzido (grifouse): "(...) Não é possível, entretanto, o exame das demais questões de mérito sem que as receitas especificadas nas contas juros recebidos, juros s/ aplicações, descontos obtidos, royalties, franquias e venda de sucata foram efetivamente incluídas na base das contribuições do PIS/Pasep e Cofins. Entendese, assim, que o julgamento deve ser convertido em diligência para que a unidade de origem verifique se as receitas contabilizadas nas contas em questão foram efetivamente incluídas na base de cálculo da contribuição, intimando o contribuinte e a Fazenda Nacional para se manifestarem. Em prosseguimento, após os exames dos documentos que se encontra acostados aos autos e das intimações efetuadas, assim o Fisco se pronunciou, conforme consta de seu Despacho de Diligência às fls. 2.927/2.928 (grifo nosso): "(...) Portanto, tendo em vista o prosseguimento do julgamento do documento de número 17861.36593.110506.1.2.042532, tratado pelo processo epigrafado, o qual requer R$ 4.502,08 referente a crédito de COFINS relativo ao período de apuração 11/2003, ao compararmos a base de cálculo declarada em DIPJ, no valor de R$ 9.822.868,11, com a calculada com base nos balancetes, no valor de R$ 9.555.818,49, concluise que integrou a base de cálculo o montante de R$ 136.035,96 a título das receitas que se pretende excluir. Fl. 2986DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 16/12/20 15 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 6 Por conseguinte, temse que as receitas as quais alega inclusão indevida para o cálculo da COFINS totalizam R$ 136.035,96. Assim, a parcela de COFINS relativa a essas receitas somam R$ 4.081,08. Em sua manifestação (fls. 2.933/2.936), a Recorrente registra a sua concordância com o trabalho elaborado pela Diligência fiscal. Vejase reprodução do trecho destacado à fl. 2.935: "(...) A Recorrente registra a sua concordância como trabalho fiscal". Neste contexto, é importante destacar que a compensação, como uma das formas de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Isto posto e com fundamentado no resultado da Diligência, penso que a realidade em exame se subsume ao direito de que trata o inciso I do artigo 165 do CTN, que possibilita a restituição de tributo recolhido (parcialmente) indevidamente, uma vez que foi demonstrado nos autos o alegado recolhimento indevido (parte), não obstante a legitimidade da tese relacionada à inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98. Conclusão Ante o exposto, voto por DAR PARCIAL PROVIMENTO ao presente recurso voluntário, reconhecendo o valor de R$ 4.081,08, referente a parcela de credito das receitas indevidas da COFINS, para este processo. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 2987DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 16/12/20 15 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10830.917876/201139 Acórdão n.º 3402002.740 S3C4T2 Fl. 2.985 7 Fl. 2988DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 16/12/20 15 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA
score : 1.0
Numero do processo: 15540.720489/2013-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Jan 07 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010
RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO.
Deixa-se de apreciar o recurso voluntário interposto fora do prazo estabelecido no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972.
Recurso não conhecido
Numero da decisão: 2401-003.948
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do relatório e voto.
Questionamento: RECURSO VOLUNTÁRIO
(Assinado digitalmente)
ANDRÉ LUÍS MARSICO LOMBARDI - Presidente
(Assinado digitalmente)
CLEBERSON ALEX FRIESS - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Luís Marsico Lombardi (Presidente), Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Henrique de Oliveira, Maria Cleci Coti Martins e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO. Deixa-se de apreciar o recurso voluntário interposto fora do prazo estabelecido no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972. Recurso não conhecido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do relatório e voto. Questionamento: RECURSO VOLUNTÁRIO (Assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MARSICO LOMBARDI - Presidente (Assinado digitalmente) CLEBERSON ALEX FRIESS - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Luís Marsico Lombardi (Presidente), Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Henrique de Oliveira, Maria Cleci Coti Martins e Rayd Santana Ferreira.
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Diferença contribuição declarada em GFIP. Recorrente PROWSHIP SERVIÇOS NAVAIS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO. Deixase de apreciar o recurso voluntário interposto fora do prazo estabelecido no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972. Recurso não conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do relatório e voto. Questionamento: RECURSO VOLUNTÁRIO (Assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MARSICO LOMBARDI Presidente (Assinado digitalmente) CLEBERSON ALEX FRIESS Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 54 0. 72 04 89 /2 01 3- 22 Fl. 1086DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 23/12/201 5 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 23/12/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 15540.720489/201322 Acórdão n.º 2401003.948 S2C4T1 Fl. 1.087 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Luís Marsico Lombardi (Presidente), Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Henrique de Oliveira, Maria Cleci Coti Martins e Rayd Santana Ferreira. Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face da decisão da 16ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (DRJ/RPO), cujo dispositivo tratou de considerar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário. Transcrevo a ementa do Acórdão nº 1450.432 (fls. 1.054/1.068): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 AVISO PRÉVIO INDENIZADO. VALOR RECEBIDO PELO EMPREGADO. NATUREZA JURÍDICA. REMUNERAÇÃO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. INCIDÊNCIA. Os valores pagos aos empregados a título de aviso prévio indenizado, têm natureza remuneratória, portanto integram o salário de contribuição para fins de incidência das contribuições. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS MEDIANTE CESSÃO DE MÃO DEOBRA. RETENÇÃO SOFRIDA PELA EMPRESA CONTRATADA. COMPENSAÇÃO. PROCEDIMENTO LEGAL. INOBSERVÂNCIA. APROPRIAÇÃO NO LANÇAMENTO DE OFÍCIO. IMPOSSIBILIDADE. A compensação, pela empresa prestadora de serviços mediante cessão de mãodeobra, de importância relativa à retenção efetuada pela contratante nos termos do art. 31 da Lei nº 8.212/91, deve operarse por meio de informação em campo próprio da GFIP, sendo, portanto, descabida a sua realização no âmbito do lançamento de ofício. PARCELAMENTO DECORRENTE DE LDCG/DCG. APROPRIAÇÃO DAS RESPECTIVAS GUIAS NO LANÇAMENTO DE OFÍCIO DE CONTRIBUIÇÕES NÃO DECLARADAS EM GFIP. IMPOSSIBILIDADE. O parcelamento decorrente de LDCG/DCG referese a contribuições declaradas em GFIP, de modo que descabe a apropriação dos respectivos recolhimentos no lançamento de ofício de contribuições que não foram inseridas pelo sujeito passivo naquele documento de informações à previdência social. Fl. 1087DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 23/12/201 5 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 23/12/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 15540.720489/201322 Acórdão n.º 2401003.948 S2C4T1 Fl. 1.088 3 2. Extraise do relatório fiscal, às fls. 42/45, que o processo administrativo é composto por 3 (três) autos de infração (AI), relativos às competências 01/2010 a 12/2010, inclusive décimo terceiro, a saber: i) AI nº 51.003.9650, referente às contribuições previdenciárias previstas nos incisos I a III do art. 22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, incidentes sobre a remuneração de segurados empregados e contribuintes individuais; ii) AI nº 51.003.9669, referente às contribuições previdenciárias dos segurados empregados e contribuintes individuais, incidentes sobre o salário de contribuição; e iii) AI nº 51.003.9677, referente às contribuições devidas a terceiros, incidentes sobre as remunerações dos segurados empregados (FPAS 515 Terceiros 0115). 2.1. De acordo com a fiscalização, os fatos geradores e as bases de cálculo foram constatados a partir do confronto mensal entre folhas/recibos de pagamento e Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP), deduzindose, para fins de constituição do crédito tributário devido, os recolhimentos efetuados espontaneamente pelo contribuinte. 3. Cientificado pessoalmente da autuação em 8/10/2013, às fls. 7, 19 e 31, o contribuinte impugnou a exigência fiscal (fls. 222/231). 3.1 Em sua peça vestibular, alegou: i) a inclusão indevida da parcela correspondente ao aviso prévio indenizado na base de cálculo das contribuições; ii) ausência de aproveitamento de créditos recolhidos para as competências 03/2010 e 11/2010; e iii) cobrança de contribuições, relativa às competências 01 a 03/2010, incluídas em parcelamento administrativo. 4. Intimada em 4/6/2014, por via postal, da decisão do colegiado de primeira instância, às fls. 1.069/1.070, a recorrente apresentou recurso voluntário no dia 7/7/2014 (fls. 1.071/1.072). 4.1 A recorrente expõe que a fiscalização não abateu do débito um crédito correspondente a R$ 416.504,83 (quatrocentos e dezesseis mil, quinhentos e quatro reais, oitenta e três centavos), recolhido por meio de Guia da Previdência Social (GPS). Nos demais pontos, reportase à impugnação, por seus próprios fundamentos. É o relatório. Fl. 1088DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 23/12/201 5 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 23/12/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 15540.720489/201322 Acórdão n.º 2401003.948 S2C4T1 Fl. 1.089 4 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess, Relator Tempestividade 5. Das decisões de primeira instância, cabe recurso voluntário. Nesse sentido, prescreve o art. 33 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, "in verbis": Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. 6. Constatase que a recorrente tomou ciência da decisão de primeira instância em 4/6/2014, quartafeira, por via postal, sendolhe conferido prazo de trinta dias para interposição de recurso. Com isso, o termo do prazo recursal iniciouse em 5/6, quintafeira, e finalizou no dia 4/7, sextafeira. 7. Todavia, protocolou seu recurso somente em 7/7/2014, ou seja, depois de transcorrido o lapso temporal previsto em lei para sua apresentação. 8. Suplantado o permissivo legal, ausente o requisito extrínseco da tempestividade. Portanto, reputo inadmissível o recurso voluntário de fls. 1.071/1.072 e dele não tomo conhecimento. Conclusão Ante o exposto, voto por NÃO CONHECER do recurso voluntário, por intempestivo. É como voto. (Assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 1089DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 23/12/201 5 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 23/12/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS
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Numero do processo: 10882.001873/2007-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Sep 18 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1998, 2000
DCTF ANTERIOR A 31/10/2003. CONFISSÃO DE DÍVIDA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO.
Antes da vigência da Medida Provisória nº 135, em 31 de outubro de 2003, somente os saldos a pagar dos débitos informados em DCTF eram considerados confessados, e poderiam ser enviados para inscrição em Dívida Ativa da União. A parte dos débitos vinculada a pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, que se mostrassem indevidos ou não comprovados, deveria ser objeto de lançamento de ofício, nos termos do art. 90 da Medida Provisória n° 2.158-35, de 2001.
Numero da decisão: 1102-001.328
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado, vencido o conselheiro Ricardo Marozzi Gregório, que negava provimento. O conselheiro Jackson Mitsui acompanhou o relator pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente
(assinado digitalmente)
João Otávio Oppermann Thomé Redator ad hoc
Participaram do julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé (Presidente à época), Ricardo Marozzi Gregório, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Jackson Mitsui, João Carlos de Figueiredo Neto e Antonio Carlos Guidoni Filho.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO
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CONFISSÃO DE DÍVIDA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Antes da vigência da Medida Provisória nº 135, em 31 de outubro de 2003, somente os saldos a pagar dos débitos informados em DCTF eram considerados confessados, e poderiam ser enviados para inscrição em Dívida Ativa da União. A parte dos débitos vinculada a pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, que se mostrassem indevidos ou não comprovados, deveria ser objeto de lançamento de ofício, nos termos do art. 90 da Medida Provisória n° 2.15835, de 2001. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado, vencido o conselheiro Ricardo Marozzi Gregório, que negava provimento. O conselheiro Jackson Mitsui acompanhou o relator pelas conclusões. (assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente (assinado digitalmente) João Otávio Oppermann Thomé – Redator ad hoc Participaram do julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé (Presidente à época), Ricardo Marozzi Gregório, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Jackson Mitsui, João Carlos de Figueiredo Neto e Antonio Carlos Guidoni Filho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 00 18 73 /2 00 7- 90 Fl. 476DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 10882.001873/200790 Acórdão n.º 1102001.328 S1C1T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão proferido pela Quinta Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Campinas (SP) assim ementado, verbis: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1998, 2000 COMPENSAÇÃO INFORMADA EM DCTF E VINCULADA A LIMINAR EM MEDIDA CAUTELAR. MANIFESTAÇAO DE INCONFORMIDADE. CABIMENTO. LIMINAR PARCIALMENTE CONCEDIDA EM MANDADO DE SEGURANÇA. Tratandose de matéria submetida ao Poder Judiciário, descabe a apreciação do cabimento da manifestação de inconformidade em julgamento, devendo ser ela conhecida em obediência à ordem judicial. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA DO PAGAMENTO EFETUADO MEDIANTE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. A extinção prevista no art. 156, VII do CTN pressupõe a apuração e o pagamento do crédito tributário pelo sujeito passivo. A compensação decorrente da eficácia de uma decisão judicial precária, informada em DCTF, não atende a tais requisitos. DÉBITO DECLARADO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. COBRANÇA. Regular é a cobrança do débito declarado cuja exigibilidade foi restabelecida, na medida em que a decisão judicial que a suspendia perdeu sua eficácia e o depósito judicial efetuado para substituila revelouse insuficiente. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DESNECESSIDADE. Com a edição da Medida Provisória n° 135, de 2003, restabeleceuse a sistemática de exigência dos débitos confessados exclusivamente com fundamento no documento que formaliza o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, sistemática essa que vinha sendo adotada, com espeque no art. 5° do Decretolei n° 2.124, de 1984, até a edição da Medida Provisória n° 2.15835, de 2001. Solicitação Indeferida” O caso foi assim relatado pela instância a quo, verbis: “O presente processo foi formalizado em razão de representação da Equipe de Ações Judiciais EQAJU do Serviço de Controle e Acompanhamento Tributário SECAT da Delegacia da Receita Federal do Brasil DRFB em Osasco, para viabilizar o devido acompanhamento dos créditos tributários de CSLL declarados como Outras Compensações, em decorrência de medida judicial (fl. 01). Às fls. 03/07 constam cópias das DCTF apresentadas em outubro/98, março/2000, abril/2000, junho/2000, nas quais parcelas dos débitos declarados foram vinculadas a compensação com amparo em liminar em medida cautelar n" 9803082576. Na seqüência, há intimação lavrada em 31/08/2007, atendida pelo contribuinte em 02/10/2007 (fls. 08/168), bem como consultas aos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal o Brasil RFB para confirmação de depósito judicial efetuado em 21/09/2004, que foi imputado aos débitos acima referidos, vinculados ã ação judicial, e mostrouse insuficiente para liquidar parte do débito de abril/2000 e a totalidade do débito de junho/2000 (fls. 172/176), motivando a proposta de cobrança nos seguintes termos contidos no despacho de fls. 177/178: Fl. 477DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 10882.001873/200790 Acórdão n.º 1102001.328 S1C1T2 Fl. 4 3 Trata este processo de representação aberta para acompanhamento de débitos suspensos em DCTF de CSLL e IRPJ, que foram declarados como 'Compensações Sem Darf' em função de processo judicial n° 98. 0308285 76, da 4º Vara Federal de Sao Paulo. Os débitos suspensos de CSLL foram alocados a este processo (fls. 03 a 07), e os débitos suspensos de IRPJ estão presentes no processo 10882.001873/200790. A fim de instruir o processo, o contribuinte foi intimado a trazer documentos que demonstrassem a situação atual destes débitos face a ação judicial (fl. 08 Intimação SECAT N’ 2664/2007, com AR de 05/09/2007). Os documentos entregues pela empresa estão acostados nas fls. 21 a 168. Com relação à lide judicial, sua origem se refere ao Mandado de Segurança Nº 97. 005 75 055 da 4’ Vara Federal de São Paulo, onde o contribuinte questiona a legalidade das disposições contidas no art. 1° e parágrafo único da Lei nº 9.316/96, e pleiteia a dedução da CSLL de sua própria base de cálculo, e da CSLL na base de cálculo do IRPJ Úls. 57 a 89). A liminar foi concedida por meio da Medida Cautelar n° 98. 03. 08285 76 no TRF da 3’ Região, que posteriormente perdeu sua eficácia em 18/08/2004, através da publicação de acórdão nos autos principais da ação 01. 53 e fl. 91 a 95). Para garantir a suspensão da exigibilidade dos créditos tributários de CSLL e IRPJ o contribuinte efetuou depósitos em juizo para ambos os tributos em 17/09/2004 Úls. 97/98). O depósito de CSLL (código 7485), no valor total de R$ 91 4. 746,38 foi localizado no sistema informatizado da Receita Federal e, como se encontrava na situação disponível, foi alocado a este processo administrativo (fls. 21 a 23 e fls. 170 a 1 71). Em 02/09/2004, a empresa entrou com duas Apelaçães Cíveis no IRF3, senda a primeira um Recurso Especial no STJ, e a segunda um Recurso Extraordinário no STF. Apenas para o STJ a tramitação desta apelação se encontra disponível para consulta em seu site na Internet (fls. 103 a 129, fls. 130 a 135, e fls. 167/168). A ação judicial, portanto, ainda não transitou em julgado. Com relação à confirmação do montante integral do depósito, utilizouse o sistema SICALC da Receita Federal. Os dados de crédito tributário e o depósito judicial foram incluídos neste sistema e o resultado encontrase presente nas fls. 172 a 177, verificandose a insuficiência do depósito. Â vista do exposto, PROPONHO o envio de Carta Cobrança ao contribuinte relativo a insuficiência do depósito com cópia anexa do Darf de fl. 177. Da Carta Cobrança, por sua vez, extraise (fl. 179): ‘EM ANÁLISE REALIZADA NO PROCESSO ACIMA IDENTIFICADO, VERIFICAMOS QUE O DEPÓSITO EM JUÍZO EFETUADO NÃO FOI SUFICIENTE PARA COBRIR O MONTANTE INTEGRAL DOS CREDITOS TRIBUTÁRIOS, REMANESCENDO UM DEBITO CONSTANTE DO DARF ANEXO COM VALOR CONSOLIDADO ATÉ O DIA 31/10/2007. FICA O CONTRIBUINTE TITULAR DO CNPJ ACIMA IDENTIFICADO, OU SEU REPRESENTANTE LEGAL, INTIMADO Fl. 478DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 10882.001873/200790 Acórdão n.º 1102001.328 S1C1T2 Fl. 5 4 NOS TERMOS DOS ARTIGOS 927, 928 E 933 DO DECRETO N’ 3.000, DE 26 DE MARÇO DE 1999, A RECOLHER AOS COFRES DA IHVIÃO O(S) SALDO(S) DEVEDOR(ES) E RESPECTIVOS ACRÉSCIMOS LEGAIS, DENTRO DO PRAZO DE 30 (TRINTA) DIAS, CONTADOS A PARTIR DO RECEBIMENTO DESTA (DATA DA ASSINATURA DO ‘AR’). RESSALTAMOS QUE, CASO O PAGAMENTO SE.IA EFETUADO APÓS A DATA DE VALIDADE INDICADA NA GUIA DARF, O MONTANTE DE JUROS DEVE SER ATUALIZADO NOS TERMOS DO ARTIGO 61, PARAGRAFO 3 DA LEI 9430/96 (TAXA SELIC). NAO PAGO NO PRAZO ESTABELECIDO, O DÉBITO SERÁ INSCRITO NA DIVIDA ATIVA DA UNIÃO, PARA EFEITO DE COBRANÇA EXECUTIVA.’ Cientificado desta cobrança em 15/10/2007 (fl. 183), o contribuinte apresentou documento intitulado manifestação de inconformidade e dirigido ao Ilmo. Sr. Chefe Substituto do Serviço de Controle e Acompanhamento Tributário SECAT, da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Osasco, em 31/10/2007 (fls. 184/195). Nele, com fundamento no art. 74 §§ da Lei n° 9.430/96 c/c § 1° do art. 18 da Lei n° 10.833/03, com a redação dada pela Lei n° 11.488/07, requer a sua remessa para a autoridade competente para que seja ela julgada inteiramente procedente para que seja reformada a decisão de fls. 177/178 e cancelada a Carta Cobrança de fls. 179, tendo em vista que os créditos dela objeto encontramse extintos pela homologação tácita da compensação informada pela Manifestante em sua DCTF de outubro de 1998 fls. 3), nos termos dos arts. 150, § 4° e 156, II e VII do CTN. Relata que nos autos da Medida Cautelar Incidental n° 98.03.0828576 efetuou o depósito judicial dos valores que haviam sido compensados no ano de 2000 e acrescenta: ‘Entretanto, conforme se depreende da decisão de fls. 177/178, o Ilmo. Sr. Chefe Substituto do Serviço de Controle e Acompanhamento Tributário deixou de homologar as compensações efetuadas pela Manifestante em 1998 e, mediante procedimento de imputação dos valores compensados em 1998 com aqueles depositados judicialmente, relativos ao ano de 2000, emitiu a ‘Carta Cobrança’ de fls. 179 contra a Manifestante, exigindo o pagamento de CSL que restou após o procedimento de imputação [...] Entretanto, a cobrança em questão não deve prevalecer, uma vez que, por se tratar de compensação efetuada em 1998, o Fisco teria o prazo de 5 (cinco) anos para não homologar o procedimento e, tendo transcorrido mais de 5 (cinco) anos desde a compensação (que ocorreu em outubro de 1998), verificase a extinção dos créditos tributários pela homologação tácita do lançamento efetuado pela Manifestante nos termos do art. 150, § 4° c/c 156, VII do Código Tributário Nacional CTN. E, ainda que pelo procedimento de imputação levado a efeito pela autoridade fiscal, se considere que a compensação não homologada refirase ao mês de novembro de 2000 (tal como consta das Guías DARF de fls. 177), ainda assim também já teria transcorrido o prazo de cinco anos para a homologação da compensação, na forma do art. 150, § 4’ do CTN, razão pela qual, também sob esse aspecto a Carta Cobrança em questão não deve prosperar, não devendo também tais créditos serem inscritos em dívida ativa.’ Fl. 479DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 10882.001873/200790 Acórdão n.º 1102001.328 S1C1T2 Fl. 6 5 Aborda o cabimento da manifestação e ínconformidade, por entender que o caso em questão não se refere a débito declarado em DCTF e não pago, mas sim a compensação informada em DCTF e não homologada, o que e' bem diferente, pois na compensação o que se confessa é PAGAMENTO (a compensação é forma de extinção do crédito tributário, conforme art. 156, II do Código Tributário Nacional) e não um DÉBITO. E, como nãohomologação de compensação, é assegurado ao contribuinte o direito de apresentar tal recurso. Menciona que o art. 90 da Medida Provisória n° 2.15835/2001 exigia o lançamento de ofício de diferenças apuradas em declaração prestada pelo sujeito passivo decorrentes de compensação de tributos federais, razão pela qual as compensações declaradas em DCTF pelo sujeito passivo e não homologados pelas autoridades fiscais deveriam ser objeto de lançamento de ofício, sendo que a partir daí seguiriam o rito estabelecido pelo Decreto n° 70. 235/72. Com a edição do art. 18 da Lei n° 10.833/2003, entende que tal lançamento tornouse desnecessário, mas como seu §1° ressalvou que aplicase ao débito indevidamente compensado o disposto nos §§ 6° a 11 do art. 74 da Lei n° 9. 430/96, que por sua vez preveem que o sujeito passivo poderá apresentar Manifestação de Inconformidade contra a decisão que não homologar a compensação, conclui que a presente manifestação de inconforrnidade deve ser recebida a julgada, inclusive com a suspensão da exigibilidade dos débitos compensados. Defende que a compensação informada pela Manifestante em outubro de 1998 em sua DCTF constituise em procedimento adotado no âmbito do lançamento por homologação, uma vez que o procedimento de apuração do imposto a pagar partiu exclusivamente da Manifestante e sujeitouse a posterior homologação pelo Fisco, que efetivamente iniciou procedimento de verificação através do presente processo, razão pela qual estaria tacitamente homologada tal providência com o decurso de 5 (cinco) anos contados a partir da data de entrega da DCTF. Reitera que não se trata de débito declarado e não pago, pois não se confessou débito, mas sim PAGAMENTO mediante COMPENSAÇÃO, o que atrai a necessidade de posterior HOMOLOGAÇÃO desse pagamento pelo Fisco no prazo de cinco anos contados desse mesmo pagamento fato gerador). Reportase a julgados do Superior Tribunal de Justiça, no sentido de que a compensação informada em DCTF é modalidade de extinção do crédito tributário e sujeita a homologação pelo Fisco, porque na compensação declarada em DCTF ainda não há crédito tributário constituído, ao contrário da confissão de débitos e o seu subseqüente não pagamento. Cita também acórdãos do Conselho de Contribuintes no sentido de que há homologação tácita após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos contados da data da entrega da respectiva declaração para reforçar seu entendimento assim consolidado: ‘Tendo o fato gerador ocorrido em 1998, seja em outubro, por conta do mês em que foi feita a compensação, seja em 31/I2/98, por conta do fato gerador da CSL, seja quando da entrega da DCTF em janeiro de 1999 ou ainda, do fato gerador indicado nas DARFs emitidas para pagamento após o procedimento de imputação (novembro de 2000) verificase que os créditos tributários objeto do presente processo encontramse extintos pela homologação tácita do lançamento efetuado pela Manifestante, uma vez que transcorridos mais de cinco anos contados sem que a Fazenda Pública tenha se pronunciado, sejam eles contados do mês em que foi feita a compensação (outubro de 1998, extinto em outubro de 2003), do fato gerador do IRPJ (31/I2/98, extinto em 31/12/03), da data da entrega da DCTF relativa ao 4’ Fl. 480DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 10882.001873/200790 Acórdão n.º 1102001.328 S1C1T2 Fl. 7 6 trimestre de 1998 janeiro de 1999, extinto em janeiro de 2004) ou da data do fato gerador indicada nas guias DARF de fls. 177 (novembro de 2000).’ Às fls. 206/227 constam informações do Mandado de Segurança n° 2007.61.00.00304525, impetrado pelo interessado com vistas ã expedição de certidão positiva de débito com efeito de negativa, no qual foi indeferida a liminar em 09/11/2007, mas em cuja decisão constou que: ‘No tocante aos processos administrativos n°s 10882001873/200790 e 10.882.001871/200709, verifico que a Impetrante apresentou, em 31/10/2007, Manifestações de Inconformidade, conforme comprovam os documentos de fls. 211/222 e 223/234, nos termos do parágrafo nono, do artigo 74, da Lei 9. 430/96, significando, pelo curso espaço de tempo que ainda não foram julgados pelo órgão competente.’ Frente a tais circunstâncias, o SECAT da DRFB/Osasco suspendeu os débitos cobrados por impugnação e enviou os autos a esta DRJ para apreciação da manifestação de inconformidade (fls. 226/227). Contudo, em triagem de entrada do processo, o Serviço de Controle de Julgamento SECOJ devolveu os autos à origem sob a seguinte justificativa: ‘Assim, ausente pedido de restituição, pedido de compensação convertidos em DCOMP ou declaração de compensação, não compete a esta DRJ apreciar questionamento apresentado pelo contribuinte contra ato que apurou a insuficiência do depósito efetuado em juízo, que resultou na emissão de cobrança de débitos declarados.’ Concluindo por sua competência para apreciar o feito, a EQAJ UD do SECAT da DRFB/Osasco firmou a improcedência dos argumentos do impugnante, na medida em que não havia porque se cogitar de homologação de compensação na presença de discussão judicial sobre a matéria, bem como porque a DCTF é elemento constitutivo do crédito tributário e era desnecessário o lançamento, além de ser incabível a suspensão da exigibilidade do crédito tributário sem a complementação do depósito judicial. Propôs, assim, a revisão da imputação dos depósitos judiciais, a reativação da exigibilidade do crédito tributário, e a ciência ao contribuinte para que recolhesse os valores apurados, ou complementasse o depósito judicial, sob pena de inscrição dos débitos em Dívida Ativa da União (fls. 233/241). Cientificado do despacho do EAQJU/SECAT/DRFB Osasco em 04/04/2008, e do despacho do SECOJ desta DRJ em 18/04/2008, o contribuinte comunicou em 15/05/2008 a decisão proferida em sede de Agravo de Instrumento n° 2007.03.00.1001181, deferindo os efeitos de antecipação de tutela recursal, a fim de que a empresa possa obter a Certidão Positiva de Débitos com Efeito de Negativa (fls. 246/303). Da decisão do TRF/3’ Região extraise: 1. A agravante sustenta que a cobrança relacionada aos processos administrativos n°s 10.882.001873/200790 e 10.882.001871/200709 não constitui impedimento à expedição da pretendida certidão, pois os débitos estariam com a exigibilidade suspensa, em virtude recurso administrativo (fls. 250/261 e 263/274), pendente de decisão definitiva. 2. De fato, há nos autos indicação de que referidos débitos encontramse com a exigibilidade suspensa, conforme sustentado pela recorrente. E o que se extrai da r. decisão agravada (fls. 361/363). Confirase: Fl. 481DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 10882.001873/200790 Acórdão n.º 1102001.328 S1C1T2 Fl. 8 7 ‘No tocante aos processos administrativos n°s l0.882.00l873/200790 e 10.882.001871/200709, verifico que a Impetrante apresentou, em 31/10/2007, Manifestações de Inconformidade, conforme comprovam os documentos de fls. 211/222 e 223/234, nos termos do parágrafo nono, do artigo 74, da Lei 9.430/96, significando, pelo curso espaço de tempo que ainda não foram julgados pelo órgão competente. Dessa forma, o crédito tributário apontado acima está com a exigibilidade suspensa, a teor do artigo 151, inciso III, do Código Tributário Nacional, combinado com o parágrafo décimo primeiro, do artigo 74, da Lei n° 9.430/96.’ 3. Portanto, ao menos este juízo preliminar, a situação da agravante autoriza a obtenção de certidão positiva de débitos com efeito de negativa CPDEM, desde que os únicos óbices sejam os débitos relacionados aos processos supra referidos. Em 21/05/2008, concluindo que não foi determinada judicialmente a suspensão da exigibilidade dos débitos remanescentes após imputação dos depósitos judiciais (fl. 304), e ante a inação do interessado após ser intimado a efetuar a devida complementação, formalizouse o processo administrativo n° 10882.001618/2008 28 para inscrição em Dívida Ativa da União dos referidos valores, remanescendo sob oontrole neste processo apenas os débitos alcançados pelos depósitos judiciais (fls. 306/310). Todavia, em razão de ordem judicial exarada nos autos do Mandado de Segurança n° 2008.61.05 .0058022, determinando a apreciação, em 60 dias, das manifestações de inconformidade anteriormente protocoladas, os autos foram solicitados por esta DRJ e assim despachados pela EQAJU/SECAT/DRFB Osasco em 21/07/2008, com seu posterior recebimento em 28/07/2008.” O acórdão recorrido (fls. 398 a 417) julgou improcedente a manifestação de inconformidade em função inexistência de homologação tácita da compensação ou decadência do direito de lançar o crédito tributário e no, mérito, por força da superioridade hierárquica e observância obrigatória das decisões do poder judiciário, manteve o entendimento exarado pelo poder judiciário ao revogar a liminar que autorizava a compensação ora analisada. Em sede de recurso voluntário (fls.432 a 459), a Contribuinte reproduz as suas alegações da manifestação de inconformidade, especialmente no que se refere à homologação tácita da compensação, com fundamento no art. 150, § 4º do CTN. É o relatório. Voto Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé Inicialmente, esclareço que fui designado pelo Presidente da 1a Câmara redator ad hoc após a extinção formal da 2a Turma Ordinária da 1a Câmara pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, tendo em vista a não formalização do acórdão pelo relator originário, conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho. Fl. 482DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 10882.001873/200790 Acórdão n.º 1102001.328 S1C1T2 Fl. 9 8 Tendo participado do julgamento em questão, observo que, na ocasião, foi disponibilizado pelo relator minuta do voto proferido. Tendo efetuado a sua revisão para fins de formalização do presente voto, verifico tratarse de reprodução fiel do quanto foi apresentado em sessão e que representa, portanto, as razões que orientaram o Colegiado a, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Nestes termos, o voto a seguir é a reprodução do mencionado voto, com mínimos ajustes de redação que se fizeram necessários. O recurso interposto atende aos pressupostos de admissibilidade, pelo que dele se toma conhecimento. Aduz a Contribuinte que teria ocorrido a homologação tácita das compensações declaradas em DCTFs relativas aos períodos 1998 e 2000, objeto da presente discussão, por força do disposto no art. 150, § 4º do CTN, não sendo, portanto, possível a cobrança de valores referentes aos débitos compensados. Confirase: “Sendo assim, ainda que se admita, apenas para fins de argumentação, que a homologação a que se refere o art. 150, § 4° do CTN diz respeito ao pagamento (e não à atividade de lançamento executada pelo contribuinte), verificase que, no caso concreto, também houve efetivo pagamento passível de ser homologado pelas autoridades fiscais, homologação essa que, conforme já demonstrado, não ocorreu dentro do prazo de 5 (cinco) anos previsto no § 4° do referido dispositivo legal, que assim dispõe: (...) E, não havendo homologação dentro do prazo de 5 (cinco) anos contados da data da compensação efetuada pela Recorrente (outubro de 1998), verificase que os créditos tributários objeto de cobrança no presente processo administrativo foram abrangidos pela DECADÊNCIA e, portanto, encontrase extintos na forma do art. 156, VII do CTN, in verbis: (...)” (grifouse) O acórdão atacado, por sua vez, sustenta a inaplicabilidade do art. 150, § 4º do CTN, sob a alegação de que o prazo de homologação somente se aplicaria aos casos de pagamento e de compensações informadas em DCTF desvinculadas de ações judiciais. Confirase: “Nestes termos, a homologação, como forma extintiva do crédito tributário, prevista no inciso VII do art. 156 do CTN, ocorre de forma expressa (art. 150, caput e §1° do CTN) ou tácita (art. 150, §4° do CTN), e deve estar acompanhada do pagamento antecipado, qual seja, aquele determinado em atividade do próprio sujeito passivo, e não do Fisco. Já a compensação, prevista no inciso II, em momento algum é cogitada no art. 150 do CTN, e nem mesmo com ele combinada no art. 156 do CTN. Fl. 483DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 10882.001873/200790 Acórdão n.º 1102001.328 S1C1T2 Fl. 10 9 Isto porque a compensação, para extinguir crédito tributário, deve observar as disposições específicas para tanto, postas no mesmo diploma legal: (...) Deduzse daí que as referências a entendimento exteriorizado pelo Superior Tribunal de Justiça, contido nas ementas de acórdãos que reproduz em sua defesa, cingese a compensações informadas em DCTF sem a dependência .de decisão judicial autorizativa. Somente estas, quando realizadas entre tributos de mesma espécie e sem pedido, nos termos do art. 66 da lei n° 8.383/91, poderiam ser cogitadas como extintivas do crédito tributário. (fls. 407)” Cingese a discussão, portanto, à possibilidade de o Fisco exigir crédito tributário decorrente de compensações realizadas pelo contribuinte por meio de DCTF nos anoscalendário de 1998 e 2000, sob a égide da Lei n. 8.383/91, após o decurso do prazo de cinco anos do fato respectivo (no caso, da compensação) independentemente de auto de infração lavrado no prazo de que trata o art. 150, § 4o do CTN. Não é adequado falarse em homologação tácita da compensação em períodos anteriores à edição da Lei n. 10.833/2003, que deu redação ao § 5o, do artigo 74 da Lei n. 9.430/96. Citada homologação tácita, por decurso do prazo qüinqüenal sem qualquer manifestação da Fazenda Nacional sobre a procedência da compensação, passou a existir no ordenamento brasileiro a partir da edição de referida legislação. Releva saber se o direito de o Fisco constituir/exigir o crédito tributário (indevidamente) compensado pela Contribuinte estaria extinto pelo decurso de prazo decadencial ou prescricional, respectivamente. A própria Contribuinte certamente não discorda de tal entendimento, já que pleiteia a aplicação ao caso do disposto no art. 150, § 4o do CTN, que estabelece prazo decadencial para constituição de créditos de tributos sujeitos a lançamento por homologação. Como se sabe, a decadência fere de morte o direito de o Fisco constituir o crédito tributário. Por decorrência lógica, só há que se falar em decadência nas hipóteses em que o crédito tributário não tenha sido previamente constituído pelo contribuinte, já que não se pode atribuir efeitos à inércia ao Fisco em relação a ato (de lançamento) que já tenha sido praticado pelo contribuinte (autolançamento), na forma da lei. Já o decurso do prazo prescricional extingue o direito da Fazenda Nacional de cobrar, em sentido estrito, crédito tributário que já tenha sido constituído previamente, por ela (Fazenda) ou pelo contribuinte. Segundo o acórdão recorrido, não haveria decadência em virtude de alegado autolançamento do crédito tributário (pelo contribuinte) por meio de DCTF, a teor do disposto no art. 5o, I do Decretolei n. 2.124/1984. Nada obstante os robustos fundamentos do acórdão recorrido, em exame ao tema, o Superior Tribunal de Justiça firmou o entendimento de que é necessário o lançamento de ofício para constituição de crédito tributário decorrente de compensação indevida praticada pelo contribuinte em data anterior a 30.10.2003, ainda que o tributo cuja compensação se pretendia estivesse informado em DCTF. Tal entendimento decorre da assertiva de que a Fl. 484DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 10882.001873/200790 Acórdão n.º 1102001.328 S1C1T2 Fl. 11 10 confissão de dívida em DCTF não alcança os todos os débitos declarados, mas apenas o saldo devedor informado pelo sujeito passivo (o que, no caso de compensação, é zero). Verbis: “TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO INDEVIDA INFORMADA EM DCTF. NECESSIDADE DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. DATA DA NOTIFICAÇÃO. PRESCRIÇÃO NÃO CARACTERIZADA. 1. Nos termos da jurisprudência do STJ, nos casos em que o contribuinte declarou os tributos via DCTF e realizou a compensação indevida nesse mesmo documento é necessário o lançamento de ofício para se cobrar a diferença apurada, caso a DCTF tenha sido apresentada antes de 31.10.2003. A partir 31.10.2003 em diante é desnecessário o lançamento de ofício, todavia os débitos decorrentes da compensação indevida só devem ser encaminhados para inscrição em dívida ativa após notificação ao sujeito passivo para pagar ou apresentar manifestação de inconformidade, cujo recurso suspende a exigibilidade do crédito tributário. 2. Hipóteses em que as DCTFs foram entregues antes de 31.10.2003, logo indispensável o lançamento de ofício e, nesses casos, inexistindo quaisquer causas de suspensão da exigibilidade do crédito ou de interrupção da prescrição, o prazo prescricional contase da data em que o contribuinte for regularmente notificado. 3. Não decorridos mais de cinco anos entre a constituição definitiva do crédito tributário e a citação do devedor, fica afastada a prescrição. Agravo regimental improvido.” (AgRg no REsp 1495435/SC, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 05/02/2015, DJe 12/02/2015) No mesmo sentido: TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO INFORMADA EM DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAIS DCTF. IMPRESCINDIBILIDADE DE LANÇAMENTO DOS DÉBITOS OBJETO DE COMPENSAÇÃO INDEVIDA DECLARADA EM DCTF ENTREGUE ANTES DE 31.10.2003. 1. Antes de 31.10.2003 havia a necessidade de lançamento de ofício para se cobrar a diferença do "débito apurado" em DCTF decorrente de compensação indevida. Interpretação do art. 5º do DecretoLei nº 2.124/84, art. 2º, da Instrução Normativa SRF n. 45, de 1998, art. 7º, da Instrução Normativa SRF n. 126, de 1998, art. 90, da Medida Provisória n. 2.15835, de 2001, art. 3º da Medida Provisória n. 75, de 2002, e art. 8º, da Instrução Normativa SRF n. 255, de 2002. 2. De 31.10.2003 em diante (eficácia do art. 18, da MP n. 135/2003, convertida na Lei n. 10.833/2003) o lançamento de ofício deixou de ser necessário para a hipótese, no entanto, o encaminhamento do "débito apurado" em DCTF decorrente de compensação indevida para inscrição em dívida ativa passou a ser precedido de notificação ao sujeito passivo para pagar ou apresentar manifestação de inconformidade, recurso este que suspende a exigibilidade do crédito tributário na forma do art. 151, III, do CTN (art. 74, §11, da Lei n. 9.430/96). 3. Desse modo, no que diz respeito à DCTF apresentada antes de 31.10.2003, onde houve compensação indevida, compreendo que havia a Fl. 485DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 10882.001873/200790 Acórdão n.º 1102001.328 S1C1T2 Fl. 12 11 necessidade de lançamento de ofício para ser cobrada a diferença do "débito apurado", a teor da jurisprudência deste STJ, o que não ocorreu. Precedentes: REsp. n. 1.240.110PR, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 2.2.2012; REsp. n. 1.205.004SC, Segunda Turma, Rel. Min. César Asfor Rocha, julgado em 22.03.2011; REsp. n.º 1.212.863 PR, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 03.05.2012. 4. Recurso especial não provido. (REsp 1332376/PR, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 06/12/2012, DJe 12/12/2012) Citado entendimento repercute também em instância administrativa. Vejase, no mesmo sentido, precedente da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, do CARF, em recurso interposto pela própria Fazenda Nacional, verbis: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/1998 a 31/03/1998, 01/07/1998 a 31/12/1998 DÉBITOS DECLARADOS EM DCTF, VINCULADOS À COMPENSAÇÃO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO POSSIBILIDADE. É lícito o lançamento de ofício para constituir o crédito tributário devido à Fazenda Nacional quando os débitos declarados em DCTF foram vinculados a compensações informadas pelo declarante, sem saldo a recolher. A confissão de dívida não alcança todos os débitos declarados, mas apenas o saldo devedor informado pelo sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido. (CSRF. Acórdão nº 9303002.324. 3ª Turma. Henrique Pinheiro Torres. Julgado em 20.06.2013) Considerada a existência de ação judicial relacionada ao direito creditório alegado pela Contribuinte, seria de rigor a lavratura de auto de infração para prevenção de decadência, a teor do art. 63 da Lei n. 9.430/1996. Ausente o lançamento no prazo qüinqüenal estabelecido em lei, estará decaído o direito do Fisco de constituir o respectivo crédito tributário. Citada constituição não pode ser realizada por meio de mera “cartacobrança” e imediata inscrição do crédito respectivo em dívida ativa, tal como ocorre no caso. Diante do exposto, orientase voto no sentido de conhecer do recurso voluntário interposto pela Contribuinte para, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) João Otávio Oppermann Thomé – Redator ad hoc Fl. 486DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO
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Numero do processo: 18088.720391/2011-96
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Jan 07 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2007
RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE.
Não se conhece de apelo à segunda instância, contra decisão de autoridade julgadora de primeira instância, quando protocolizado o Recurso Voluntário depois de decorrido o prazo regulamentar de trinta dias da ciência da decisão.
Numero da decisão: 2201-002.709
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso, por intempestividade.
(assinado digitalmente)
HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR - Presidente
(assinado digitalmente)
HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR (Presidente), EDUARDO TADEU FARAH, IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA e ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
Nome do relator: HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso, por intempestividade. (assinado digitalmente) HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR - Presidente (assinado digitalmente) HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR - Relator Participaram do julgamento os Conselheiros HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR (Presidente), EDUARDO TADEU FARAH, IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA e ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2007 RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. Não se conhece de apelo à segunda instância, contra decisão de autoridade julgadora de primeira instância, quando protocolizado o Recurso Voluntário depois de decorrido o prazo regulamentar de trinta dias da ciência da decisão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso, por intempestividade. (assinado digitalmente) HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Presidente (assinado digitalmente) HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Relator Participaram do julgamento os Conselheiros HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR (Presidente), EDUARDO TADEU FARAH, IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA e ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 08 8. 72 03 91 /2 01 1- 96 Fl. 772DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/ 01/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 18088.720391/201196 Acórdão n.º 2201002.709 S2C2T1 Fl. 773 2 Tratase de lançamento de Imposto Sobre a Renda Retido na Fonte, no valor de R$ 196.859,29 (Auto de Infração de efls. 663 a 670, e Relatório de Fiscalização de efls. 685 a 693), abrangendo principal, multa de ofício e juros de mora exigidos isoladamente, decorrentes da constatação de pagamento sem causa, realizado pela contribuinte no ano calendário de 2007. O relatório da ação fiscal até a fase impugnatória foi muito propriamente concretizado pela autoridade julgadora de 1a. instância, sendo aqui adotado, verbis: (...) Informou o Relatório Fiscal: A auditoria fiscal, teve como origem a ação fiscal procedida junto à pessoa física, Sr. Joel Marciano, (MPF 08122 2011 00021), pai da sócia da fiscalizada, Sra. Maria Sonia Marciano Furlan, sendo constatado que a movimentação financeira no Banco Bradesco, agência Agência 192, Conta 0100501 era incompatível com os rendimentos por ele declarados. Sendo a citada conta corrente conjunta com Sonia Maria Marciano Furlan, e não tendo o titular da conta atendido à intimação para entregar os extratos bancários – termo 01/21/2011 de 12.01.2011 (fl. 163), e respostas às fls. 164/165, eles foram requisitados diretamente à instituição financeira através de Requisição de Movimentação Financeira – RMF (Lei Complementar 105/2001 e Decreto n° 3.724/2011, art. 3°, VII e XI) fls. 165/168. Analisando os extratos bancários (fls. 169/212), constatouse que mais de 250 depósitos (feitos em cheques e em dinheiro) cuja soma resultou em valores totais superiores a R$ 2,2 milhões – anexo 2 do termo 02/021/2011 –fls. 228/232; mais de 600 cheques compensados e/ou pagos em dinheiro, num valor total de cerca de R$ 1,7 milhões (cabe frisar que na declaração de IRPF do ano de 2007 não consta aquisição de bens pelos titulares da conta – anexo 1 do termo – fls. 215/227); constam vinte e sete (27) débitos com a rubrica “pagamento de contas” num valor total de cerca de R$ 309 mil – anexo 4 do termo 02/021/2011 – fl. 234; seiscentos e noventa e um (691) cheques depositados e posteriormente devolvidos, num total de cerca de R$ 141 mil. O Sr. Joel Marciano foi intimado (item 5.1 do termo 02/021/2011, fls.213/214) a esclarecer se tinha cedido suas contas correntes para o uso de terceiros (pessoa física ou jurídica). Em caso positivo, deveria informar o nome, CPF/CNPJ e endereço de quem, de fato, se utilizou a conta corrente. Em resposta, o Sr. Joel Marciano informou que a conta era conjunta com Maria Sonia Marciano Furlan e ainda, textualmente: não me consta a utilização da referida conta por terceiros ou em negócios alheios aos interesses da outra titular. Também devidamente intimada – termo 01/173/2011 (fls. 125/126), a sócia Maria Sonia declarou (fls. 148/150) declarou Fl. 773DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/ 01/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 18088.720391/201196 Acórdão n.º 2201002.709 S2C2T1 Fl. 774 3 que a movimentação da conta era exclusivamente de sua responsabilidade e que: operouse para atender a negócios relacionados com meus interesses particulares, constituindo se de descontos de cheques prédatados da empresa em que participo. Declarou, ainda, que se tratava de prática informal e continuada de operações de factoring. Porém, não apresentou quaisquer documentos que corroborassem tal assertiva. Não justificou como praticou operações de factoring da ordem de mais de R$ 2,2 milhões sem recursos declarados em sua declaração de IRPF. Informou, ainda, referido relatório que a movimentação da conta corrente é totalmente incompatível com os rendimentos declarados pelos titulares da conta e que nela foram movimentados valores referentes a “pagamento a fornecedores”, típicos de pessoa jurídica. Ressaltou que a única pessoa jurídica da qual a Sra. Sonia participa é a Furlan Distribuidora de Produtos Alimentícios Ltda. A própria pessoa jurídica fiscalizada, devidamente intimada através do termo 03/407/2011 (fls. 85/86), também alegou (fls. 88/91) que a movimentação era de factoring, mas não logrou comprovar tais operações. Também mesmo tendo obrigatoriedade não as escriturou no Livro Caixa. Centenas de cheques da conta conjunta de Joel Marciano e Maria Sonia (fls. 246/531) foram emitidos para pagamento de fornecedores da empresa fiscalizada, conforme rol constante na planilha às fls. 216/228. Em procedimento de diligência junto aos fornecedores da contribuinte, os mesmos confirmaram os pagamentos e os vincularam às notas fiscais emitidas contra Furlan Distribuidora de Produtos Alimentícios Ltda, conforme informado no Relatório Fiscal. (dentre outros, exemplificando: Ponto de Dose Comercial e Distribuidora de Produtos Alimentícios – Resposta ao termo de intimação 02/428/2011 (fls. 93/94). Confirmou (fl. 107) o recebimento de 15 cheques emitidos da conta 100501 (conta corrente de Joel Marciano e Sonia), vinculandoos a 37 (trinta e sete) notas fiscais emitidas à empresa Furlan). A empresa fiscalizada, devidamente intimada, apresentou extratos relativos apenas a uma conta corrente em nome da pessoa jurídica, no Banco Bradesco, Agência 0192, conta 101966 (fls. 564/576). Nessa conta consta movimento de apenas R$ 53 mil, apesar do faturamento declarado pelo contribuinte no anocalendário de 2007 ter sido de 473 mil (1° semestre – Simples Federal (fls. 576/587) e R$ 547 mil no 2º semestre de 2007 (fls. 588/593). Diante de tais fatos, o Fisco concluiu que houve cessão da conta bancária mantida no Banco Bradesco Ag. 192, conta 0100501, de titularidade do Sr. Joel Marciano e sua filha Maria Sonia Marciano Furlan, sócia da fiscalizada, para movimentação financeira da pessoa jurídica fiscalizada (item 13 do relatório). Fl. 774DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/ 01/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 18088.720391/201196 Acórdão n.º 2201002.709 S2C2T1 Fl. 775 4 Conforme explicitado no item 12 do relatório fiscal, constam 27 cheques sacados da conta conjunta de Joel e Maria Sonia, num valor total de R$ 125.972,02 (fls.595/653). Os cheques estão nominais a Reginaldo Furlan, filho dos sócios da pessoa jurídica, o qual possui vínculo empregatício com a fiscalizada. Devidamente intimado (fls. 116/117), o destinatário dos cheques declarou (fls. 119/120) que, na qualidade de filho da Sra. Sonia e funcionário da empresa, fui encarregado de efetuar pagamentos por ela selecionados e também promover as retiradas em dinheiro mediante cheques por ela emitidos. Posteriormente, mediante o termo 02/458/2011 (fl. 121) foi intimado a esclarecer a quem se destinavam tais pagamentos e se os valores retirados pertenciam à Sra. Sonia ou à empresa. Em resposta, declarou: fui apenas encarregado de fazer pagamentos e retiradas... não mantive controles individuais ou quaisquer outros registros. A fiscalizada, mediante o termo 05/407/2011 de 24/10/2011 (fls. 537/541), foi intimada a comprovar com documentos hábeis e idôneos, o motivo pelo qual emitiu os cheques relacionados no demonstrativo de fl. 540 da intimação, cujo beneficiário foi o Sr. Reginaldo Furlan, filho dos sócios, conforme explicitado no item 13 da intimação. Constou dessa intimação que a falta de comprovação da causa dos pagamentos acarretaria a exigência de IRRF, incidentes sobre a base de cálculo reajustada, conforme art. 674 do RIR de 1999. Porém a fiscalizada não logrou fazêlo. Apenas alegou que negociou direitos da empresa com os titulares da conta. Diante disso, o Fisco entendeu que a contribuinte efetuou pagamentos sem causa, motivo pelo qual considerou aplicável o disposto no art. 674 do RIR de 1999. Conseqüentemente, foi lavrado o Auto de Infração (AI) de fls. 663/673, considerando líquido os valores pagos mediante aqueles cheques, sendo reajustada a base de cálculo. Foi exigido Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF, e respectivos acréscimos legais, totalizando o crédito tributário no montante de R$ 196.859,29,(...) (...) Foi lavrada representação fiscal para fins penais, nos termos da Portaria RFB nº 2.439, de 2010, conforme informação contida no Relatório Fiscal, (...) Inicialmente, insurgiuse o contribuinte contra o lançamento através da impugnação de efls. 698 a 715, onde, novamente, na forma muito bem sintetizada pela autoridade julgadora de 1a. instância, alegava: "(...) Nulidade do lançamento. Erro na identificação do sujeito passivo. Cerceamento do direito de defesa. Fl. 775DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/ 01/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 18088.720391/201196 Acórdão n.º 2201002.709 S2C2T1 Fl. 776 5 A atribuição da titularidade da conta bancária (Bradesco, ag. 192 c/c 0100501), à pessoa jurídica é conseqüência da injustificada recusa dos esclarecimentos prestados, tanto pelas pessoas físicas Maria Sonia Marciano Furlan e Reginaldo Furlan, como pela impugnante, em respostas às diversas e ameaçadoras intimações formalizadas. O erro na identificação do sujeito passivo macula o lançamento de vício insanável, impondose o reconhecimento de sua nulidade. Mesmo diante dos esclarecimentos prestados desde o início dos trabalhos, a ação fiscal preferiu ignorar o enquadramento da atividade exercida e a correta identificação do sujeito passivo de eventual obrigação tributária. O fato da empresa utilizar os cheques recebidos daquela pessoa física para quitar obrigações contraídas com fornecedores não descaracteriza a natureza dos negócios praticados, mas substancial economia de CPMF. O mesmo se diga em relação aos débitos autorizados por aquela titular com idêntico objetivo. A pretensão indisfarçável da ação fiscal era obter da empresa borderôs de descontos de cheque, como se aquelas operações fossem praticadas por instituições financeiras ou pessoas jurídicas regularmente constituídas para a prática de operações envolvendo a aquisição de direitos creditórios. Mas, tratandose de operações informais, materializadas em simples troca de cheques e títulos, esses documentos não são emitidos. Demonstrada a atividade econômica de fomento mercantil, aflora a nítida e determinante providência indispensável para a equiparação daquela pessoa física à pessoa jurídica, para tributação da atividade exercida segundo os contornos da legislação aplicável. Deixando de assim proceder, a fiscalização incidiu em erro na identificação do sujeito passivo, pois as operações que ensejaram os créditos bancários verificados no período auditado são de titularidade de pessoa física e não da impugnante. Deixando de promover a tributação mediante equiparação da pessoa física à jurídica, em razão do confessado e comprovado exercício da atividade empresarial que envolveu a conta bancária assinalada, a fiscalização incidiu em erro na identificação do sujeito passivo, pois as operações que ensejaram os créditos bancários verificados no período auditado são de titularidade de pessoa física e não da impugnante. Não sendo a pessoa jurídica a efetiva titular da conta bancária e emitente dos indigitados cheques, não se reveste da condição de sujeito passivo da obrigação tributária. O erro na identificação do sujeito passivo macula o lançamento de vício insanável, impondose o reconhecimento de sua nulidade. Fl. 776DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/ 01/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 18088.720391/201196 Acórdão n.º 2201002.709 S2C2T1 Fl. 777 6 Outro motivo de nulidade é o fato de a fiscalização sonegar elementos indispensáveis à defesa da impugnante, o que ofende o princípio da moralidade administrativa e também afronta o contraditório e a ampla defesa assegurados na nossa Carta Magna. Os cálculos determinantes do reajustamento da base de cálculo são inerentes e indissociáveis do auto de infração, assim como os demonstrativos de apuração do imposto e dos acréscimos legais, pois contém elementos essenciais e formadores do crédito tributário. Impor ao contribuinte constrangimentos ilegais representados por agendamentos e deslocamentos desnecessários, consumo de tempo para solicitar e aguardar prazo na obtenção de cópias e documentos pertinentes à apuração do imposto devido, que por dever administrativo deveriam ser entregues juntamente com o auto de infração, configura artifício condenável para inibir fruição do prazo legalmente concedido para o exercício da defesa. Pagamento a não identificado ou sem causa. Multa de 150%. Nos termos do art. 845, § 1º do RIR de 1999, os esclarecimentos prestados só poderão ser impugnados pelos lançadores com elemento seguro de prova ou indício veemente de falsidade ou inexatidão. Instado em duas oportunidades a informar e comprovar o motivo de ter recebido o cheques nominais da referida conta, o Sr. Reginaldo Furlan esclareceu que na condição de filho da Sra. Maria Sonia Marciano Furlan é também de funcionário da empresa, foi encarregado de efetuar pagamentos por ela selecionados e promover retiradas em dinheiro mediante cheques de sua emissão. Aduziu não ser o beneficiário direto de nenhum valor, tendo seu nome constado como favorecido nos cheques apenas por exigência da instituição financeira quando da utilização dos mesmos para pagamentos de diversos títulos e saques, não mantendo controles individuais pertinente a cada cheque e os títulos a ele vinculados. Sem opor qualquer contraprova a ação fiscal descartou sumariamente aquelas informações, mesmo considerando o vínculo empregatício de Reginaldo Furlan com a autuada. Ao renunciar qualquer investigação adicional capaz de comprovar que os recursos efetivamente se destinaram ao funcionário, não laborou para a perfeita caracterização da incidência tributária de que trata o art. 674 do RIR de 1999. Dos 27 cheques nominais ao citado funcionário relacionados pelo Fisco, cerca de 50% identificam os respectivos valores como “Diversos Recebimentos” acolhidos pela instituição financeira, como se verifica do histórico por ela utilizado no próprio extrato da conta. As demais importâncias informam “Cheque Espécie”, denotando pagamento de títulos em cobrança na própria instituição financeira, e saques de valores inferiores a R$ 5.000,00, não sujeitos a taxas bancárias, como se Fl. 777DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/ 01/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 18088.720391/201196 Acórdão n.º 2201002.709 S2C2T1 Fl. 778 7 verifica pelo histórico por ela utilizado no próprio extrato da conta. Os recebimentos assinalados correspondem a quitação de títulos/obrigações comerciais assumidos pela emitente dos cheques, não se confundindo com pagamentos efetuados ao executor dos serviços bancários. Portanto, o que se poderia admitir, apenas para argumentar, é que o suposto beneficiário dos respectivos cheques tem vínculo com a empresa a quem foi atribuída a titularidade da conta bancária. Nesse contexto, todos os rendimentos recebidos da pessoa jurídica, tais como, salários, ordenados, vencimentos, vantagens, gratificações, interesses, prêmios, mesmo que não nominalmente identificados, configuram rendimentos do trabalho assalariado e como tal, tributáveis nos termos do art. 43 do RIR de 1999. No presente caso, tratase de beneficiário identificado e vinculado à empresa, sua única fonte de rendimentos. Assim, qualquer que seja a natureza dos rendimentos devem ser tributados conforme o disposto no art. 620 do RIR de 1999. Uma vez identificado o beneficiário, e sendo pessoa com vínculo empregatício aplicase a retenção do IRRF como antecipação do devido na declaração do beneficiário e nesse caso, conforme o Parecer Normativo 01/2002, a responsabilidade pelo pagamento do imposto e a exigência do tributo é do beneficiário dos rendimentos, não a fonte pagadora, nos termos do item 16 do referido parecer. Assim, estando perfeitamente identificado o beneficiário e incerta a ocorrência de algum pagamento a essa pessoa, desaparece o suporte fático caracterizador das hipóteses de incidência previstas no art. 61 da Lei nº 8.981, de 1995. Faltou à fiscalização investigar e comprovar que o beneficiário é terceiro não vinculado à empresa como funcionário encarregado pelos serviços bancários da empresa e que direta e efetivamente recebeu em proveito próprio o pagamento sem causa. Essa tributação tem como materialidade de incidência e base de cálculo, o pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas. Mas, pagamento não é base de cálculo do imposto de renda por absoluta ausência dessa materialidade de incidência. Pagamento não traduz acréscimo patrimonial mas sim decréscimo. Por isso, não tem signo de renda como exige o art. 43 do CTN, refletindo o comando legal a instituição de uma efetiva penalidade, dissimulada como imposto de renda para punir o pagamento a beneficiário não identificado. Nesse contexto de uma efetiva penalidade, é impossível aplicar conjuntamente a multa de ofício de 75% ou de 150%, pois isso representaria um bis in idem inadmissível. Não estando presente a figura da fraude no art. 61, de forma alguma poderia ser aplicada multa no percentual de 150%. As pessoas físicas não se manifestaram sobre a responsabilidade tributária. Fl. 778DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/ 01/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 18088.720391/201196 Acórdão n.º 2201002.709 S2C2T1 Fl. 779 8 (...)" A impugnação foi julgada improcedente, conforme Acórdão DRJ/RPO 14 38.226, de efls. 719 a 730, tendo se mantido, ali, assim, o crédito lançado em sua integralidade. Insurgese, agora, a autuada contra a decisão de piso através de Recurso Voluntário de efls. 736 a 750, onde reitera as alegações anteriormente trazidas em sede de impugnação, alegando, ainda, supletivamente, em síntese: a) Quanto ao erro na identificação do sujeito passivo, reclama que a decisão aqui recorrida não fez nenhuma menção à atividade empresarial de factoring, desenvolvida pela Sra. Maria Sonia Furlan e quanto à possibilidade de equiparação da pessoa física á jurídica; b) Quanto à argumentação de cerceamento de direito de defesa, reitera a falta de entrega de elemento necessário ao cálculo do tributo devido, em seu entender ponto não devidamente enfrentado pelo decisum recorrido; c) Quanto aos pagamentos sem causa, forma de tributação e responsabilidade da fonte pagadora, retoma os argumentos já tecidos em sede de impugnação, a seu ver também não devidamente enfrentados pela decisão da autoridade julgadora de 1a. instância. Propugna pela nulidade do auto de infração ou, subsidiariamente, caso não se reconheça a nulidade do lançamento, que, com o acolhimento de suas razões, seja reconhecida sua improcedência. É o relatório. Voto Conselheiro HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Relator Verifico que o recurso em questão foi postado somente em 17/10/12 (efl. 752), de forma intempestiva, considerada a ciência presumida da decisão de 1a. instância ocorrida em 25/08/12 (conforme termo de decurso de prazo de efl. 734, lavrado em 28/08/12). Mais especificamente, considerada tal ciência, integralmente respaldada pelo teor do inciso III, alínea "a" e §§2o, inciso III, alínea "a" e 4o., ambos do art. 23 do Decreto no 70.235, de 06 de março de 1972, o prazo para interposição do Recurso Voluntário se esgotou em 26/09/12. Assim, diante do exposto, voto por não conhecer do Recurso Voluntário, considerada sua intempestividade. É como voto. (assinado digitalmente) HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Relator Fl. 779DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/ 01/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 18088.720391/201196 Acórdão n.º 2201002.709 S2C2T1 Fl. 780 9 Fl. 780DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/ 01/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 15504.726926/2013-58
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Jan 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
COOPERATIVA DE SAÚDE. CONTRIBUIÇÃO 15%. NÃO INCIDÊNCIA.
Não incide 15% de contribuições previdenciárias sobre a prestação de serviço de saúde prestado por cooperativas, por não se caracterizar cooperativa de trabalho.
Numero da decisão: 2803-004.049
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. O conselheiro Oseas Coimbra Junior votou pela conclusões.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos
PRESIDENTE DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO NA DATA DA FORMALIZAÇÃO.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira
Relator ad hoc na data da formalização.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA (Presidente), RICARDO MAGALDI MESSETTI, AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, OSEAS COIMBRA JUNIOR, GUSTAVO VETTORATO (Relator), EDUARDO DE OLIVEIRA.
Nome do relator: GUSTAVO VETTORATO
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CONTRIBUIÇÃO 15%. NÃO INCIDÊNCIA. Não incide 15% de contribuições previdenciárias sobre a prestação de serviço de saúde prestado por cooperativas, por não se caracterizar cooperativa de trabalho. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. O conselheiro Oseas Coimbra Junior votou pela conclusões. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos PRESIDENTE DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO NA DATA DA FORMALIZAÇÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 69 26 /2 01 3- 58 Fl. 472DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/12/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 15504.726926/201358 Acórdão n.º 2803004.049 S2TE03 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator ad hoc na data da formalização. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA (Presidente), RICARDO MAGALDI MESSETTI, AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, OSEAS COIMBRA JUNIOR, GUSTAVO VETTORATO (Relator), EDUARDO DE OLIVEIRA. Fl. 473DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/12/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 15504.726926/201358 Acórdão n.º 2803004.049 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Conselheiro Marcelo Oliveira Relator designado ad hoc na data da formalização Para registro e esclarecimento, pelo fato do conselheiro responsável pelo relatório ter deixado o colegiado antes de sua formalização, fui designado AD HOC para fazê lo. Esclareço que aqui reproduzo o relato deixado pelo conselheiro nos sistemas internos do CARF, com as quais não necessariamente concordo. Feito o registro. Tratase de Recurso Voluntário que manteve o Auto de Infração de Obrigação Acessória que manteve o crédito lançado referente à incidência do disposto no art. 22, IV, da Lei n.8.212/1991, com a redação da Lei 9876/1999, da contribuição previdenciária de 15% sobre o pagamento de cooperativas de serviços médicos (UNIMED). O período do lançamento do crédito engloba diversas competências de 01/2005 a 12/2007. A intimação inicial deuse em 16.07.2013. O Recurso Voluntário alega ser improcedente o lançamento em razão dos seguintes motivos: ilegalidade e inconstitucionalidade da contribuição cobrada. Vieram os autos para apreciação nesta turma especial. É o relatório. Fl. 474DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/12/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 15504.726926/201358 Acórdão n.º 2803004.049 S2TE03 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira Relator designado ad hoc na data da formalização. Para registro e esclarecimento, pelo fato do conselheiro responsável pelo voto ter deixado o CARF antes de sua formalização, fui designado AD HOC para fazêlo. Esclareço que aqui reproduzo integralmente as razões de decidir do então conselheiro, constantes dos arquivos do CARF, com as quais não necessariamente concordo. Feito o registro. I O recurso foi apresentado tempestivamente, conforme supra relatado, atendido os pressupostos de admissibilidade, assim deve o mesmo ser conhecido. II – Primeiramente, devese atentar para o entendimento inaugural de Turma Especial, que já havia reconhecido que a contribuição prevista no art. 22, IV, da Lei n.8.212/1991, com a redação da Lei 9876/1999, não incidiria sobre a contratação de cooperativas de serviços médicos. No caso presente, reforça o meu entendimento em razão de que a Recorrente comprova nos autos de que os reais beneficiários e tomadores dos serviços da Cooperativa de Serviço Médico (Unimed)são os empregados e diretores, bem com são deles integralmente os com tal prestação de serviço, como se verifica mediante comparação do boleto/fatura e os recibos de pagamento de vencimentos dos empregados. Ou seja, a empresa além de não se beneficiar de tais serviços, ela também não é a real contratante, mas seus empregados. Peço vênia e paciência aos demais conselheiros e contribuintes para transcrever o voto vista do Cons. Amílcar Teixeira, proferido e lido no dia 21.11.2013, nos autos do processo n. 10660.721971/201138, mas que ainda está em apreciação desta turma na sessão de janeiro de 2014: Solicitei vistas destes autos objetivando realizar um estudo mais aprofundado sobre a matéria, tendo em conta que o assunto, desde a sua implementação pela Lei nº 9.876/1999, que incluiu o inciso IV ao art. 22 da Lei nº 8.212/91, vem sendo motivo de calorosos debates entre o Fisco Federal, tomadores de serviços das cooperativas de trabalho e também das próprias cooperativas do referido ramo. Os debates referidos no parágrafo anterior ocorreram e ocorrem tanto no âmbito do Processo Administrativo Fiscal – PAF, como também no âmbito do contencioso judicial. Fl. 475DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/12/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 15504.726926/201358 Acórdão n.º 2803004.049 S2TE03 Fl. 6 5 A propósito, a discussão sobre a obrigatoriedade de que trata o inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, já chegou ao Supremo Tribunal Federal – STF, e é objeto de ADIN, bem como de Repercussão Geral, estando as duas situações ainda pendentes de julgamento. Em seu recurso, o contribuinte demonstra indignação em face do resultado obtido no julgamento de sua impugnação. De acordo com o relatório elaborado pelo relator originário, o Conselheiro Oseas Coimbra Júnior, “tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que manteve os autos de infração lavrados. O DEBCAD 37.286.2454 se refere às contribuições de 15% da empresa sobre o valor bruto das notas fiscais de prestação de serviços por cooperativas, no período de 05/2006 a 12/2010, compreendendo os levantamentos CT, CT1 e CT2”. Como se pode observar, a autoridade lançadora realizou seu trabalho sem qualquer investigação sobre o fenômeno da prestação de serviços por intermédio de cooperativas de trabalho, e sequer cogitou de a prestação de serviços ter sido realizada em atividade exclusiva de assistência à saúde, situação que mereceu especial atenção do próprio legislador ao elaborar a lei que dispõe sobre a organização da Seguridade Social e que instituiu o Plano de Custeio, ou seja, a Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. Do mesmo modo, entendeu o ilustre relator quando afirma em seu voto que “demonstrada a contratação com cooperativa de trabalho, para a prestação de serviços prestados por cooperados, devida a contribuição prevista no art. 22, IV da Lei 8.212/91”. Notase, pois, que a exemplo da autoridade lançadora, o relator Oseas Coimbra Júnior também dispensou qualquer analise mais acurada dos fatos e entendeu pela manutenção do lançamento, aplicando diretamente a regra do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91. No ponto, alerto mais uma vez, que a prestação de serviços em questão diz respeito exclusivamente à assistência à saúde, matéria que, como já mencionado, mereceu especial atenção do legislador. Mais adiante, cuidaremos da explicitação a respeito da tal atenção especial do legislador quando o assunto versar sobre assistência à saúde. Seguindo em frente, com a manutenção do lançamento pelo acórdão recorrido, o contribuinte alega, dentre vários argumentos, o seguinte: A Recorrente é simplesmente mandatária dos seus associados, não contratando diretamente os serviços da cooperativa de Fl. 476DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/12/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 15504.726926/201358 Acórdão n.º 2803004.049 S2TE03 Fl. 7 6 médicos, mas, sim, viabilizando a contratação dos serviços, diretamente por cada um dos seus associados, consumidores finais, e, portanto, tomadores daqueles serviços. A contribuição previdenciária de que se trata é legal sob a justificativa de que sua incidência se reporta ao rendimento pago à pessoa física que se insere numa cooperativa, mas presta serviço diretamente à empresa, a Recorrente não pode ser contribuinte da exação, pois, quem se beneficia do serviço prestado é a pessoa física associada à entidade, sendo aquela pessoa física que efetivamente paga a contraprestação financeira ao cooperado. Inexiste relação jurídico tributária entre a Recorrente e a União Federal. (grifouse e destacouse) Os argumentos do contribuinte, com se vê, estão em perfeita sintonia com a vontade do legislador, conforme se pode inferir de parte da exposição de motivos da Lei nº 9.876/1999, que incluiu o inciso IV ao art. 22 da Lei nº 8.212/91, in verbis: Proposta Propõese que a contribuição previdenciária a cargo à empresa, quando da contratação de contribuintes individuais, mesmo que por intermédio de cooperativas de trabalho, seja a mesma que aquela existente quando da contratação de segurados empregados. Notese que, no caso de autônomos com baixo valor de remuneração sujeita a contribuição, esta medida significa uma redução da carga global de contribuição (a redução da parcela do contribuinte individual mais do que compensa o aumento da parcela a cargo da empresa), estimulando a filiação do contribuinte à Previdência Social. Com isso, haverá a equalização do custo previdenciário da mão deobra para as empresas no que se refere à contratação dos contribuintes individuais e empregados, eliminandose o atual viés favorável à redução de empregos formais, exercido pela estrutura de alíquotas previdenciárias em vigor. Na proposta está prevista a majoração da alíquota patronal quando da contratação de contribuintes individuais, concomitantemente à instituição de mecanismo de compensação na contribuição do segurado. Este poderá deduzir de sua contribuição até 9 pontos percentuais da alíquota que incide sobre o seu saláriodecontribuição, de forma a neutralizar a elevação da contribuição da empresa. O referido mecanismo de compensação também inibe fraudes no sistema, pois o contribuinte individual tornase fiscal das contribuições da empresa, devido à necessidade de comproválas para obter a redução em sua própria contribuição. Além disso, há o incentivo à formalização do vínculo entre contribuinte individual e empresa, porque a prestação de serviços a empresas implica redução da carga contributiva para o contribuinte individual. Fl. 477DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/12/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 15504.726926/201358 Acórdão n.º 2803004.049 S2TE03 Fl. 8 7 No caso da intermediação das cooperativas de trabalho, a atual sistemática de contribuição, em que cabe à cooperativa a contribuição patronal de quinze por cento sobre os valores distribuídos aos cooperados, temse revelado frágil diante dos diferentes artifícios legais criados para evadir a contribuição previdenciária, tais como: a inclusão de pessoas jurídicas na condição de cooperadas ao lado de pessoas físicas, a criação de uma série de fundos estatutários como forma de diminuir a distribuição da retribuição pelos serviços prestados, o reinvestimento dessa retribuição e outras. Proposta Propõese estabelecer que a contribuição da empresa contratante dos serviços por intermédio de cooperativas de trabalho incida sobre o valor bruto da nota fiscal', ou fatura, cuja base de cálculo é de imediato conhecida. Tratase de uma sistemática de fácil operacionalização e que propiciará um controle efetivo sobre a contribuição desse segmento. A medida proposta encontra similitude naquela já adotada para outros segmentos econômicos, a exemplo do que ocorre com os clubes de futebol profissional, cuja contribuição incide sobre a receita bruta decorrente dos espetáculos desportivos e de qualquer forma de patrocínio, licenciamento de uso de marcas e símbolos, publicidade, propaganda e transmissão de espetáculos desportivos. O percentual proposto de quinze por cento decorre do fato de que o valor pago pelo tomador de serviços do cooperado, contratado mediante a interposição de cooperativa de trabalho, não é totalmente distribuído a ele. Parte do pagamento é destinada a despesas administrativas, tributárias e constituição de fundos de reserva. Assim, o valor distribuído ao cooperado corresponde ao valor bruto da nota fiscal ou fatura, deduzidas as parcelas antes referidas, diferentemente do que ocorre quando a empresa contrata um contribuinte individual que não é cooperado, onde a remuneração não sofre qualquer abatimento. Neste último caso, a contribuição pretendida é de vinte por cento sobre a totalidade da remuneração. Logo, o percentual proposto, quando há a intermediação da cooperativa de trabalho, a incidir sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura, deve ser tal que produza a mesma contribuição que o percentual de vinte por cento sobre a parcela destinada ao cooperado, em igualdade de condições a um contribuinte individual que não é cooperado. Partindo deste pressuposto, e analisando diversas planilhas de custos e distribuição de remunerações a cooperados em diferentes cooperativas, de segmentos variados, verificase que, em média, os valores correspondentes a despesas administrativas, tributárias e fundos de reservas correspondem a vinte e cinco por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, destinandose, o restante – setenta e cinco por cento – à retribuição do cooperado. Fl. 478DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/12/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 15504.726926/201358 Acórdão n.º 2803004.049 S2TE03 Fl. 9 8 Assim, buscando a isonomia de tratamento entre as diferentes formas de contratação, o percentual a incidir sobre a nota fiscal ou fatura de prestação de serviços é aquele correspondente a vinte por cento sobre os setenta e cinco por cento distribuídos ao cooperado, o que resulta em um percentual de quinze por cento, conforme proposto. Em outras palavras, é um percentual que mantém constante a contribuição previdenciária, independentemente de a empresa contratar um cooperado ou outro contribuinte individual. Não cabe aqui o argumento de que se estaria instituindo uma nova modalidade de custeio, diferente daquelas autorizadas pelo art. 195 da Constituição, para o que seria necessária a edição de Lei complementar. Mesmo havendo a intermediação da cooperativa de trabalho, com contrato Armado entre esta e o tomador, o contratado é o cooperado – contribuinte individual – e não a cooperativa. Pela própria natureza jurídica da cooperativa de trabalho, esta não presta serviço a terceiros, senão aos próprios cooperados. Diferentemente das demais empresas, a cooperativa é constituída, exclusivamente, para prestar serviços aos seus cooperados e, por isso, o tomador dos serviços da cooperativa é o próprio cooperado. O terceiro que contrata a cooperativa é, na verdade, tomador dos serviços do cooperado, em igualdade de condições com aquele que contrata qualquer outro contribuinte individual. Um trabalhador, seja ele empregado ou contribuinte individual, seja diretamente ou por intermédio de cooperativa de trabalho, de tal forma a, mais uma vez, resguardarse o caráter de neutralidade da Previdência Social diante das diversas formas e possibilidades de contratação de mãodeobra. (grifouse e destacouse) Da leitura dos argumentos apresentados pelo contribuinte, em confronto com a vontade do legislador, nomeadamente nos pontos em destaque, é possível concluir que a norma impositiva (Inciso IV do art. 22 da lei nº 8.212/91) diz respeito somente à situação em que a empresa se beneficia de forma direta dos serviços que lhes são prestados por cooperados, por intermédio de cooperativas de trabalho, o que definitivamente não é o caso dos autos. Neste contexto, numa clara evolução do julgador administrativo, considerando a similitude das situações, os membros da 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF, na sessão de 20 de janeiro de 2012, no julgamento do Processo 11444.000189/200984, Acórdão nº 240102.243, assim decidiram por unanimidade de votos: ASSUNTO: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/2004 a 31/10/2007 PRESTAÇÃO DE SERVIÇO POR COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO. CUSTO Fl. 479DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/12/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 15504.726926/201358 Acórdão n.º 2803004.049 S2TE03 Fl. 10 9 RATEADO ENTRE BENEFICIÁRIOS E EMPREGADOR. EMISSÃO DE FATURA EM NOME DE SINDICATO REPRESENTATIVO DA CATEGORIA DOS BENEFICIÁIOS PARA REPASSE DOS VALORES DESCONTADOS DOS MESMOS. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. A contribuição incidente sobre as faturas emitidas por serviços prestados para empresa por cooperados intermediados por cooperativa de trabalho médico não incidem sobre a parcela a cargo dos empregados, quando constante de fatura emitida a parte, mesmo que o valor seja faturado em nome do Sindicato representativo da categoria dos beneficiários, quando este apenas repassa o valor descontado dos seus filiados para custeio do convênio saúde. (grifouse e negritouse) Ao tratar especificamente do fato gerador e a sua previsão legal, o Relator Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo teve o seguinte posicionamento: Assim dispõe o art. 22, IV da Lei nº 8.212/1991: Art 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) IV – quinze por cento sobre o valor da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestado por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). (...) Da norma acima, podese extrair que o fato gerador da contribuição em questão é a prestação de serviços à empresa pelos cooperados, os quais tenham sido intermediados por cooperativa de trabalho. Assim, somente configurase a hipótese de incidência se: A destinatária da prestação de serviços for a empresa; Os serviços forem prestados por pessoa física; e A contratação tenha se dado por intermédio de cooperativa de trabalho (...) De acordo com a norma inserta no inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/1991, dos requisitos a justificar a exação é a prestação de serviço ao sujeito passivo, o que não se verifica para o Sindicato, uma vez que os serviços não foram prestados aos funcionários do mesmo. O que ocorreu foi a disponibilização dos serviços médicos a filiados de sua base, porém, o custeio da parcela que foi faturada em nome da entidade sindical foi o valor integral descontado dos trabalhadores. Não se vê na espécie o Sindicato custeando qualquer parcela pelos serviços executados, mas apenas figurando como intermediário no repasse da quantia de responsabilidade dos beneficiários, seus filiados. Fl. 480DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/12/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 15504.726926/201358 Acórdão n.º 2803004.049 S2TE03 Fl. 11 10 Situação diversa ocorreria se o Sindicato estivesse suportando todo o ônus do contrato, ou mesmo se as faturas tivessem sido integramente emitidas em seu nome, Verificase, no caso em tela, que deve ser aplicada a norma do art. 293 da Instrução Normativa – IN nº 03/2005 (vigente no período do lançamento), a qual prevê que, nos contratos de plano de saúde coletivo, havendo uma fatura correspondente à parte do empregador no custeio do plano e outra vinculada ao encargo dos beneficiários, apenas deve incidir contribuição sobre o valor faturado contra a empresa, verbis: Art. 293. Na celebração de contrato coletivo de plano de saúde da cooperativa médica ou odontológica com empresa, em que o pagamento do valor seja rateado entre a contratante e seus beneficiários, deverão ser consideradas, para efeito da apuração da base de cálculo da contribuição, nos termos dos arts. 291 e 292, as faturas emitidas contra a empresa. Parágrafo único. Caso sejam emitidas faturas específicas contra a empresa e faturas individuais contra os beneficiários do plano de saúde, cada qual se responsabilizando pelo pagamento da respectiva fatura, somente as faturas emitidas contra a empresa serão consideradas para efeito de contribuição. A situação que ora se analisa pode ser equiparada à hipótese tratada na norma acima, uma vez que o valor da fatura destinada ao Sindicato é exatamente o montante descontado dos beneficiários do plano de saúde. Nesse sentido, sou forçado a admitir que, na espécie, somente caberia tributação sobre o valor arcado pela SANTA CRUZ, sendo improcedentes as contribuições lançadas contra o Sindicato da categoria profissional a que pertencem os beneficiários da prestação de serviços médicos realizada pela UNIMED DE OURINHOS. (grifouse e negritouse) A parte inicial do art. 293 da então IN SRP nº 03/2005 inova ao fazer referência à cooperativa médica ou odontológica, dispondo, assim, de forma diversa da previsão legal (inciso IV do art. 22 da lei nº 8.212/91), que fala em cooperativa de trabalho. De qualquer modo, o que se deve observar, em casos como o em discussão, é a verdade material, assunto que será tratado adiante. No concernente ao correto enquadramento de que trata estes autos, é de extrema importância para o deslinde da questão, verificar, também, a evolução legislativa, notadamente o art. 1º da Lei nº 12.690, de 19 de julho de 2012, que dispõe sobre a organização e o funcionamento das Cooperativas de Trabalho; institui o Programa Nacional de Fomento às Cooperativas de Trabalho – PRONACOOP; e revoga o parágrafo único do art. 442 da Consolidação das Leis do Trabalho – CLT, aprovada pelo DecretoLei nº 5.452, de 1º de maio de 1943, in verbis: Fl. 481DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/12/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 15504.726926/201358 Acórdão n.º 2803004.049 S2TE03 Fl. 12 11 Art. 1º. A Cooperativa de Trabalho é regulada por esta Lei e, no que com ela não colidir, pelas Leis nos 5.764, de 16 de dezembro de 1971, e 10.406, de 10 de janeiro de 2002 Código Civil. Parágrafo único. Estão excluídas do âmbito desta Lei: I as cooperativas de assistência à saúde na forma da legislação de saúde suplementar; II as cooperativas que atuam no setor de transporte regulamentado pelo poder público e que detenham, por si ou por seus sócios, a qualquer título, os meios de trabalho; III as cooperativas de profissionais liberais cujos sócios exerçam as atividades em seus próprios estabelecimentos; e IV as cooperativas de médicos cujos honorários sejam pagos por procedimento. A inovação do legislador infralegal expressa na parte inicial do art. 293 da IN SRP nº 03/2005, como se pode observar, já era prenúncio de radical mudança legislativa futura. O legislador de 2012, ao cuidar especificamente da lei própria das cooperativas de trabalho, já de pronto (parágrafo único do art. 1º da Lei nº 12.690), exclui do âmbito da mencionada lei, I – as cooperativas de assistência à saúde na forma da legislação de saúde suplementar; II – as cooperativas que atuam no setor de transporte regulamentado pelo poder público e que detenham, por si ou por seus sócios, a qualquer título, os meios de trabalho; III – as cooperativas de profissionais liberais cujos sócios exerçam as atividades em seus próprios estabelecimentos; e IV – as cooperativas de médicos cujos honorários sejam pagos por procedimento. Refletindo sobre as inovações legislativas trazidas pela Lei 12.690/2012, resta totalmente evidenciado que a exclusão do âmbito da lei própria das cooperativas de trabalho abrange as cooperativas de assistência à saúde na forma da legislação de saúde suplementar. Como se pode observar, o legislador reconheceu que as cooperativas de assistência à saúde na forma da legislação de saúde complementar não são cooperativas de trabalho nos moldes previstos no inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91. Aliás, tal reconhecimento já tinha ocorrido em 1998, quando entrou em vigor a Lei nº 9.656, de 03 de junho de 1998, que dispõe sobre os planos e seguros privados de assistência à saúde. De acordo com o inciso II do art. 1º da Lei nº 9.656/98, a pessoa jurídica constituída sob a modalidade de cooperativa será uma Operadora de Plano de Assistência à Saúde, in verbis: Art.1oSubmetemse às disposições desta Lei as pessoas jurídicas de direito privado que operam planos de assistência à saúde, sem prejuízo do cumprimento da legislação específica que rege a Fl. 482DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/12/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 15504.726926/201358 Acórdão n.º 2803004.049 S2TE03 Fl. 13 12 sua atividade, adotandose, para fins de aplicação das normas aqui estabelecidas, as seguintes definições: (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.17744, de 2001) IPlano Privado de Assistência à Saúde: prestação continuada de serviços ou cobertura de custos assistenciais a preço pré ou pós estabelecido, por prazo indeterminado, com a finalidade de garantir, sem limite financeiro, a assistência à saúde, pela faculdade de acesso e atendimento por profissionais ou serviços de saúde, livremente escolhidos, integrantes ou não de rede credenciada, contratada ou referenciada, visando a assistência médica, hospitalar e odontológica, a ser paga integral ou parcialmente às expensas da operadora contratada, mediante reembolso ou pagamento direto ao prestador, por conta e ordem do consumidor; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.17744, de 2001) IIOperadora de Plano de Assistência à Saúde: pessoa jurídica constituída sob a modalidade de sociedade civil ou comercial, cooperativa, ou entidade de autogestão, que opere produto, serviço ou contrato de que trata o inciso I deste artigo; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.17744, de 2001) IIICarteira:o conjunto de contratos de cobertura de custos assistenciais ou de serviços de assistência à saúde em qualquer das modalidades de que tratam o inciso I e o §1o deste artigo, com todos os direitos e obrigações nele contidos. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.17744, de 2001) §1oEstá subordinada às normas e à fiscalização da Agência Nacional de Saúde Suplementar ANS qualquer modalidade de produto, serviço e contrato que apresente, além da garantia de cobertura financeira de riscos de assistência médica, hospitalar e odontológica, outras características que o diferencie de atividade exclusivamente financeira, tais como: (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.17744, de 2001) a)custeio de despesas; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.17744, de 2001) b)oferecimento de rede credenciada ou referenciada; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.17744, de 2001) c)reembolso de despesas; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.17744, de 2001) d)mecanismos de regulação; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.17744, de 2001) e)qualquer restrição contratual, técnica ou operacional para a cobertura de procedimentos solicitados por prestador escolhido pelo consumidor; e (Incluído pela Medida Provisória nº 2.177 44, de 2001) Fl. 483DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/12/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 15504.726926/201358 Acórdão n.º 2803004.049 S2TE03 Fl. 14 13 f)vinculação de cobertura financeira à aplicação de conceitos ou critérios médicoassistenciais. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.17744, de 2001) §2oIncluemse na abrangência desta Lei as cooperativas que operem os produtos de que tratam o inciso I e o § 1o deste artigo, bem assim as entidades ou empresas que mantêm sistemas de assistência à saúde, pela modalidade de autogestão ou de administração. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.17744, de 2001) §3oAs pessoas físicas ou jurídicas residentes ou domiciliadas no exterior podem constituir ou participar do capital, ou do aumento do capital, de pessoas jurídicas de direito privado constituídas sob as leis brasileiras para operar planos privados de assistência à saúde. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.17744, de 2001) §4oÉ vedada às pessoas físicas a operação dos produtos de que tratam o inciso I e o § 1o deste artigo. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.17744, de 2001) § 5o É vedada às pessoas físicas a operação de plano ou seguro privado de assistência à saúde. Com efeito, não há qualquer sombra de dúvida a respeito da natureza jurídica das cooperativas que atuam na área da saúde suplementar, ou seja, tais cooperativas há muito tempo já não são consideradas como cooperativas de trabalho pelo Poder Público. Nesse compasso, considerando a forma em que a fiscalização foi realizada, nomeadamente no que concerne à descrição do fato gerador da exação discutida, bem como em relação à análise do relator originário, podese afirmar com absoluta segurança que a verdade material não foi perseguida por aqueles que me antecederam. A verdade material, como é do conhecimento dos operadores do direito, constituise num dos princípios específicos do Processo Administrativo Fiscal – PAF. Dela ninguém pode imiscuirse. Sobre o assunto, Marcos Vinícius Neder e Maria Teresa Martínez López (In Processo Administrativo Fiscal Feral Comentado. – 2. Ed. – São Paulo : Dialética, 2004. p. 74) asseveram: Em decorrência do princípio da legalidade, a autoridade administrativa tem o dever de buscar a verdade material. O processo fiscal tem por finalidade garantir a legalidade da apuração da ocorrência do fato gerador e a constituição do crédito tributário, devendo o julgador pesquisar exaustivamente se, de fato, ocorreu a hipótese abstratamente prevista na norma e, em caso de impugnação do contribuinte, verificar aquilo que é realmente verdade, independente do alegado e provado. Odete Medauar preceitua que “o princípio da verdade material ou Fl. 484DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/12/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 15504.726926/201358 Acórdão n.º 2803004.049 S2TE03 Fl. 15 14 verdade real, vinculado ao princípio da oficialidade, exprime que a Administração deve tomar decisões com base nos fatos tais como se apresentam na realidade, não se satisfazendo com a versão oferecida pelos sujeitos. Para tanto, tem o direito e o dever de carrear para o expediente todos os dados, informações, documentos a respeito da matéria tratada, sem estar jungida aos aspectos considerados pelos sujeitos”. Vêse, portanto, que determinar o fato gerador sob a alegação de que se trata de cooperativa de trabalho e, por isso, devese aplicar diretamente o inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, sem buscar a verdade material exposta pelos doutrinadores acima citados, data máxima vênia, é prova cabal de que a constituição do crédito tributário não atendeu às exigências previstas no CTN, em especial aquelas descritas no art. 142 do referido diploma legal. Ademais, no caso destes autos, tanto a autoridade administrativa lançadora, os julgadores de primeira instância administrativa, com também o ilustre relator originário deixaram de observar que a prestação de serviços foi realizada em atividade exclusiva de assistência a saúde, mediante convênio saúde firmado por uma cooperativa operadora de plano de assistência à saúde com a Associação dos Aposentados, Pensionistas e Idosos de Varginha e Região. Não observando importante detalhe envolvendo a prestação de serviços na área da saúde suplementar, entendo que aqueles que me antecederam falharam em seus julgamentos, pois deixaram de observar o comando inserto no § 2º do art. 22 da Lei nº 8.212/91, que remetendo o assunto para o § 9º do art. 28 do 28 do mesmo diploma legal, criou uma regra de não incidência tributária condicionada. Os dispositivos legais citados contém a seguinte redação: Art. 22. A contribuição a cargo da empesa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) § 2º. Não integram a remuneração as parcelas de que trata o § 9º do art. 28. Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) § 9º. Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta lei, exclusivamente: (...) q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras Fl. 485DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/12/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 15504.726926/201358 Acórdão n.º 2803004.049 S2TE03 Fl. 16 15 similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa. Ora, se não integram o saláriodecontribuição os valores relativos à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, como é o caso dos autos, a única maneira para efetuar o lançamento em discussão, seria o enquadramento da relação contratual às disposições contidas na parte final da alínea “q” do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91, na hipótese de a cobertura não abranger a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa. Obviamente que os associados aposentados, pensionistas e idosos de Varginha e região não se enquadram na figura de empregados da associação. Contudo, entendo que eles se equiparam à dirigentes da empresa, tendo em vista que constituíram a associação para que ela cuide dos seus interesses associativos. Apesar de nem todos ocuparem posições diretivas ou fiscalizatórias na entidade, não existe nenhum impedimento legal para que aqueles que interessarem pela condução direta da entidade, candidate aos referidos postos. Destarte, por se tratar expressamente de regra de não incidência de tributos, concordo parcialmente com os membros da 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF, quando eles por unanimidade deram provimento ao recurso voluntário do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria de Energia de Ipauçu, de acordo com o que consta no Acórdão 240102.243, originário da Sessão de 20 de janeiro de 2012, que julgou o Processo 11444.000189/200984. A concordância parcial, explico, se dá pelo simples motivo de os membros da citada Turma não terem estendido o provimento também à empresa Santa Cruz. O fato de a empresa ter arcado às suas expensas com parte do custo com o plano de saúde firmado com a Unimed de Ourinhos, sem a estrita observância da verdade material c/c as regras da alínea “q” do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91, para mim não atendeu os regramentos dispostos na legislação de regência. Como já referido anteriormente, no processo administrativo o julgador deve sempre buscar a verdade, ainda que, para isso, tenha que se valer de outros elementos além daqueles trazidos aos autos pelos interessados. A autoridade administrativa não fica obrigada a restringir seu exame ao que foi alegado, trazido ou provado pelas partes, podendo e devendo buscar todos os elementos que possam influir no seu convencimento, situação que, objetivamente, não foi observada nestes autos. Tendo em vista que verba constante do lançamento diz respeito à assistência à saúde, disponibilizada aos membros da Associação dos Aposentados, Pensionistas e Idosos de Varginha e Região, por intermédio de convênio saúde, sou obrigado a reconhecer que se trata de matéria abrangida pelo instituto da não incidência, conforme expressamente dispõe a alínea “q” do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91. Fl. 486DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/12/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 15504.726926/201358 Acórdão n.º 2803004.049 S2TE03 Fl. 17 16 Desse modo, efetuar o enquadramento do fato à norma, sob a alegação de que a contração de serviços por cooperados por intermédio de cooperativa de trabalho determina o recolhimento de 15% (quinze por cento) sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura, ex vi do art. 22, IV, da Lei nº 8.212/91, sem considerar as disposições contidas na última linha do parágrafo anterior, data vênia, é fazer letra morta o instituto da não incidência prevista na Lei de Custeio da Previdência Social. Reconhecer a não incidência do tributo, nos convênios saúde firmados com operadoras de plano de assistência à saúde, constituídas sob a modalidade de sociedade civil ou comercial ou entidade de autogestão nos moldes estabelecidos pela Lei nº 9.656/98 e não enquadrar as cooperativas também operadoras de plano de assistência à saúde, na mesma situação, é a caracterização de odiosa discriminação contra esse tipo societário. Ao voto transcrito acima, filiome integralmente de forma a tornálo parte integrante do presente voto. Ainda, mesmo com o aprofundado estudo do Cons. Amílcar Teixeira, entendo apenas que deve ser acrescentado um ponto: a impossibilidade da legislação tributária, em especial a infralegal, alterar conteúdo e alcances das instituições e conceitos do direito privado. Ao caso ficou claro que a legislação privada que regula as atividades das cooperativas separa cooperativas de trabalho e cooperativas de serviços médicos, como plenamente já explanado. Inclusive cada um dos tipos tem especificações, conteúdos e regimes jurídicos próprios e diversos. Ou seja, não pode a legislação tributária, sem previsão legal específica, ser amalgamada para fins de incidência tributária, sob ofensa ao princípio da legalidade e de interpretação restritiva dos institutos de direito privado (art. 150, da CF/1988, arts. 97, 110 e 111 do CTN). “As empresas que operacionalizam planos de saúde repassam a remuneração do profissional médico que foi contratado pelo plano e age como substituta dos planos de saúde negociados por ela, sem qualquer outra intermediação entre cliente e serviços médicohospitalares. Nesse caso, não incide a contribuição previdenciária" (REsp 633134/PR, Rel. Min. Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 16.9.2008). Outros precedentes: EDcl nos EDcl no REsp 442829/MG, Rel. Min. Eliana Calmon, Segunda Turma, DJ 25.2.2004; EDcl nos EDcl nos EDcl no REsp 442829/MG, Rel. Min. Eliana Calmon, Segunda Turma, DJ 26.5.2004). De fato, estamos perante a mais um caso de nãoincidência, pois as cooperativas de prestação de serviços médicos não são os sujeitos passivos da regramatríz de imposição tributária obtida do inciso IV ao art. 22 da Lei nº 8.212/91. III De qualquer forma, como argumento suplementar, devese também observar que em recente julgamento do Supremo Tribunal Federal, no Recurso Extraordinário n. 595838, no dia 23.04.2013, sob os auspícios de efeitos de repercussão geral, foi declarada a inconstitucionalidade do art. 22, IV, da Lei n. 8.212/1991, justamente o fundamento principal da exação em questão: Fl. 487DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/12/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 15504.726926/201358 Acórdão n.º 2803004.049 S2TE03 Fl. 18 17 EMENTA Recurso extraordinário. Tributário. Contribuição Previdenciária. Artigo 22, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. Sujeição passiva. Empresas tomadoras de serviços. Prestação de serviços de cooperados por meio de cooperativas de Trabalho. Base de cálculo. Valor Bruto da nota fiscal ou fatura. Tributação do faturamento. Bis in idem. Nova fonte de custeio. Artigo 195, § 4º, CF. 1. O fato gerador que origina a obrigação de recolher a contribuição previdenciária, na forma do art. 22, inciso IV da Lei nº 8.212/91, na redação da Lei 9.876/99, não se origina nas remunerações pagas ou creditadas ao cooperado, mas na relação contratual estabelecida entre a pessoa jurídica da cooperativa e a do contratante de seus serviços. 2. A empresa tomadora dos serviços não opera como fonte somente para fins de retenção. A empresa ou entidade a ela equiparada é o próprio sujeito passivo da relação tributária, logo, típico “contribuinte” da contribuição. 3. Os pagamentos efetuados por terceiros às cooperativas de trabalho, em face de serviços prestados por seus cooperados, não se confundem com os valores efetivamente pagos ou creditados aos cooperados. 4. O art. 22, IV da Lei nº 8.212/91, com a redação da Lei nº 9.876/99, ao instituir contribuição previdenciária incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura, extrapolou a norma do art. 195, inciso I, a, da Constituição, descaracterizando a contribuição hipoteticamente incidente sobre os rendimentos do trabalho dos cooperados, tributando o faturamento da cooperativa, com evidente bis in idem. Representa, assim, nova fonte de custeio, a qual somente poderia ser instituída por lei complementar, com base no art. 195, § 4º com a remissão feita ao art. 154, I, da Constituição. 5. Recurso extraordinário provido para declarar a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99.(RE 595838, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, Tribunal Pleno, julgado em 23/04/2014, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe196 DIVULG 07102014 PUBLIC 0810 2014) Em recente apreciação dos embargos declaratórios apresentados pela Fazenda Nacional, em 19 de dezembro de 2015, os mesmos foram rejeitados pelo STF, mantendo integralmente a decisão supra, sem qualquer modulação de efeitos. Até a finalização do presente voto, não ocorrera a publicação da decisão de rejeição dos embargos. Entendimento esse acima, após o trânsito em julgado de tal julgamento, será cogente perante o presente Conselho (art. 62 e 62A, do Anexo II, do RICARF). IV – Isso posto, voto por conhecer o Recurso Voluntário, para, no mérito, darlhe provimento, no sentido de reformar a decisão recorrida e cancelar o crédito lançado. Fl. 488DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/12/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 15504.726926/201358 Acórdão n.º 2803004.049 S2TE03 Fl. 19 18 Foi assim que o conselheiro votou na sessão de julgamento, conforme registro. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator ad hoc na data da formalização Fl. 489DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/12/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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