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Numero do processo: 10540.720676/2012-10
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 22 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
LANÇAMENTO POR ARBITRAMENTO.
A falta de apresentação pelo contribuinte de livros e documentos fiscais e contábeis autoriza o lançamento por arbitramento das contribuições previdenciárias apuradas mediante aferição indireta.
DIFERENÇA DE RAT.
A correta avaliação do grau de risco da atividade do contribuinte, estabelecida pela Classificação Nacional de Atividades Econômicas-Fiscal, CNAE-Fiscal, não pode ser obstada no âmbito do procedimento de fiscalização.
ACRÉSCIMOS LEGAIS. INCIDÊNCIA.
É devida a multa de ofício sobre as contribuições arrecadadas em atraso, no percentual estabelecido pela legislação de regência.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2803-004.017
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Oseas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior.
Nome do relator: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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A falta de apresentação pelo contribuinte de livros e documentos fiscais e contábeis autoriza o lançamento por arbitramento das contribuições previdenciárias apuradas mediante aferição indireta. DIFERENÇA DE RAT. A correta avaliação do grau de risco da atividade do contribuinte, estabelecida pela Classificação Nacional de Atividades EconômicasFiscal, CNAEFiscal, não pode ser obstada no âmbito do procedimento de fiscalização. ACRÉSCIMOS LEGAIS. INCIDÊNCIA. É devida a multa de ofício sobre as contribuições arrecadadas em atraso, no percentual estabelecido pela legislação de regência. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Oseas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 54 0. 72 06 76 /2 01 2- 10 Fl. 823DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/ 01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10540.720676/201210 Acórdão n.º 2803004.017 S2TE03 Fl. 824 2 Fl. 824DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/ 01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10540.720676/201210 Acórdão n.º 2803004.017 S2TE03 Fl. 825 3 Relatório DO LANÇAMENTO Tratase de crédito tributário lançado contra o contribuinte acima identificado, período de 01/2008 a 12/2008 (incluindo 13° salário), compreendendo as contribuições da empresa destinadas a Seguridade Social (AI DEBCAD Nº 37.354.0094), diferença de alíquota da contribuição para o SAT/RAT (AI DEBCAD Nº 37.354.0108) e apresentação de GFIP com incorreções (AI DEBCAD Nº 37.354.0086). Constituem fatos geradores das contribuições lançadas, a prestação de serviço remunerado, realizada por segurados empregados à Prefeitura Municipal de Barra do Choça, cujas bases de cálculos foram apuradas através do cotejo entre as remunerações disponibilizada pelo Tribunal de Contas do Município TCM à Receita Federal do Brasil, e as remunerações dos segurados empregados declaradas nas GFIP, consoante planilha às fls. 58 dos autos. O ente público não atendeu às intimações fiscais para apresentação dos resumos gerais das folhas de pagamento, apesar de reiteradamente solicitado, através dos Termos de Intimação – TIF nº 02 e 03, sendo apresentado apenas as folhas de pagamento totalizadas por secretarias/departamentos, o que inviabilizou a utilização das mesmas. A aferição indireta foi realizada através das remunerações informadas pela Prefeitura ao Tribunal de Contas do Município, cujos totais mensais foram somados ano a ano, sendo o valor da soma de cada exercício dividido por 13 (competências de 01 a 13) e, desta média obtida, foram deduzidos os valores declarados nas GFIP exportadas, antes do início da ação fiscal, conforme consta no sistema GFIPWEB, obtendose desta forma as bases de cálculo do débito levantado. Os valores recolhidos e parcelados foram considerado na apuração dos lançamentos fiscais. DA CIÊNCIA DO LANÇAMENTO O contribuinte foi cientificado das autuações e apresentou impugnação. O órgão julgador de primeira instância administrativa fiscal deu provimento parcial com a improcedência do crédito tributário exigido através do DEBCAD 37.354.0086 e mantendo os créditos tributários exigidos através dos DEBCAD 37.354.0094 e 37.354.0108. DO RECURSO VOLUNTÁRIO O contribuinte foi cientificado da decisão, inconformado interpôs recurso voluntário, alegando em síntese: a nulidade do lançamento efetuado após escoado o prazo do MPF; Fl. 825DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/ 01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10540.720676/201210 Acórdão n.º 2803004.017 S2TE03 Fl. 826 4 a ausência de fundamentação nos fundamentos legais do débito – FLD. Não foi indicado no lançamento fiscal a fundamentação legal da aferição. Não foi respeitado o contraditório e ampla defesa; arbitramento com base nas informações do Tribunal de Contas do Município – TCMBA. Os dados extraídos violam o princípio da verdade material, sendo necessário o exame acurado. Estão incluídos servidores estatutários que exercem cargo comissionados. Não se pode utilizar como parâmetro o total da remuneração, pois a base de cálculo está limitada ao teto máximo do salário de contribuição. O ônus da prova é da autoridade lançadora; a alíquota aplicada referente a diferença de Sat/Rat (auto de infração nº 37.354.0108) não estão em harmonia com as normas legais. A alíquota deves ser de 1%; acumulação de correção, juros e multa além do patamar permitido. A taxa Selic não pode ser acumulada com outros encargos legais; por fim, requer a nulidade dos lançamentos fiscais. É o relatório. Fl. 826DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/ 01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10540.720676/201210 Acórdão n.º 2803004.017 S2TE03 Fl. 827 5 Voto Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche todos os requisitos de admissibilidade, razão pela qual será analisado. DO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF O Mandado de Procedimento Fiscal é mero instrumento de controle administrativo da fiscalização, sem previsão em lei ordinária, não afastando a competência legal do Auditor Fiscal para efetuar os devidos lançamentos, sendo tema já exaustivamente examinado por este Conselho e tal entendimento se aplica às contribuições previdenciárias. Nesse sentido: Acórdão 10808.693 em 25.01.2006, 8ª Câmara/1º CC, Processo 37280.001313/200347, 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, Processo 13819.001388/200182/ Acórdão 910100.428, 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Quanto ao argumento da recorrente de que o lançamento não está coberto por MPF; não lhe assiste razão. O Enunciado nº 25 do CRPS, afirma que a notificação do sujeito passivo após o prazo de validade do Mandado de Procedimento Fiscal MPF não acarreta nulidade do lançamento. Enunciado Nº 25 A notificação do sujeito passivo após o prazo de validade do Mandado de Procedimento Fiscal MPF não acarreta nulidade do lançamento. FUNDAMENTAÇÃO LEGAL DO DÉBITO O lançamento fiscal está devidamente fundamentado, com discriminativo do débito – DD, relatório de apropriação de documentos – RADA, relatório de fundamentos legais do débito – FLD, inclusive contendo os dispositivos legais que dão suporte à aferição indireta aplicada pela fiscalização (fl. 22), também constantes do relatório fiscal, e relatório de instrução para o contribuinte – IPC, fls. 3/24, fls. 25/35 e fls. 36/180. Destarte, não há que se falar em ausência de fundamentação legal do débito. Tampouco, em ausência da indicação da fundamentação legal da aferição. Todos os prazos foram respeitados pela fiscalização. O contribuinte foi cientificado de todos os atos da fiscalização e teve oportunidade de contestação. Não houve desrespeito ao contraditório e a ampla defesa. O ente público apenas apresentou as folhas de pagamento totalizadas por secretarias/departamentos, o que inviabilizou a utilização das mesmas pela fiscalização. Daí a necessidade de se utilizar as informações constantes do Tribunal de Contas do Município – TCMBA e das GFIPs declaradas pelo contribuinte. Fl. 827DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/ 01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10540.720676/201210 Acórdão n.º 2803004.017 S2TE03 Fl. 828 6 O contribuinte assevera que o arbitramento viola o princípio da verdade material, que estão incluídos servidores estatutários que exercem cargo comissionados, não podendo ser utilizado como parâmetro o total da remuneração em razão do limite do teto máximo do salário de contribuição, sendo necessário o exame acurado, considerando o ônus da prova da fiscalização. Todavia, o contribuinte não disponibilizou a documentação necessária para a correta verificação fiscal, nem provou o alegado. Em face da ausência da documentação houve o arbitramento por aferição indireta com base nas informações e documentos que dispunha a fiscalização, fundamentada no art. 33, parágrafos 3o e 6o da Lei 8.212/91 e art. 148 do CTN, sendo o ônus da prova do contribuinte. ALÍQUOTA SAT/RAT Do mesmo modo, sem poder examinar a documentação do contribuinte em razão da apresentação deficiente ou não apresentação, a fiscalização adotou o enquadramento do SAT/RAT para órgão público de 2%, com base no art. 22, II, da Lei n. 8.212/91; e art. 12, I, parágrafo único, art. 202, II e parágrafos 1o ao 6o, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n. 3.048/99. Correta o enquadramento do SAT/RAT do ente público pela fiscalização, na forma da lei, em razão da falta de apresentação de documentos pelo contribuinte. A correção monetária, juros e multa foram aplicados na forma da lei. Não há previsão legal para redução. A aplicação dos juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil é devida e legal, bem como, a aplicação da taxa SELIC, enunciada nas súmulas 4o e 5o do CARF, in verbis: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. O crédito tributário encontrase revestido das formalidades legais do art. 142 e § único, e arts. 97 e 114, todos do CTN, com período apurado, discriminação dos fatos geradores por intermédio do Relatório Fiscal, Discriminativo do Débito, Instruções para o Contribuinte – IPC, Fundamentos Legais do Débito – FLD, e demais informações constantes dos autos, consoante artigo 33 da Lei 8.212/91. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto em negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Fl. 828DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/ 01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10540.720676/201210 Acórdão n.º 2803004.017 S2TE03 Fl. 829 7 Helton Carlos Praia de Lima Fl. 829DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/ 01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 16327.908338/2009-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Apr 02 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2201-000.197
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. O Conselheiro GUSTAVO LIAN HADDAD declarou-se impedido. Fez sustentação oral pelo Contribuinte o Dr. Choi Jong Min, OAB 287.957.
Assinado Digitalmente
EDUARDO TADEU FARAH Relator
Assinado Digitalmente
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ, GUSTAVO LIAN HADDAD, FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, NATHALIA MESQUITA CEIA e EDUARDO TADEU FARAH.
Relatório
Trata o presente processo de Declaração de Compensação de fls. 40/44 (PER/DCOMP nº03171. 47307.180804.1.3.04-6145), na qual declara a compensação de pretenso crédito de pagamento indevido ou a maior de IRRF (cód. receita 0561) relativo ao período de apuração encerrado em 20/12/2003.
De acordo com o Despacho Decisório, fls. 39, foi homologada parcialmente a compensação declarada, tendo sido o interessado intimado a recolher o débito indevidamente compensado (principal: R$ 159.185,86). Entendeu a autoridade fiscal que A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas parcialmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP.
Inconformado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, fls. 02/04, alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis:
... que o seu crédito de IRRF, no valor de R$145.199,63, foi apurado por ocasião do reprocessamento da folha de pagamentos, conforme relatórios às fls. 14/31. Além disso, por ter havido erro no preenchimento da DCTF do 4º trimestre de 2003 (3ª semana de dezembro), apresentou a DCTF retificadora em 24/07/2009 com a finalidade de confirmar a existência do crédito (fls. 36/38).
A 8ª Turma da DRJ em São Paulo/SPO1 julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, conforme se observa da leitura da ementa abaixo transcrita:
COMPENSAÇÃO. RETENÇÃO INDEVIDA OU A MAIOR.
Não se reconhece o direito creditório quando o contribuinte não logra comprovar com documentos hábeis e idôneos que houve pagamento indevido ou a maior. Além disso, é necessário que a fonte pagadora comprove que assumiu o referido encargo, ou seja, que devolveu ao beneficiário do rendimento a quantia retida indevidamente ou a maior.
Manifestação de Inconformidade Improcedente
Intimado da decisão de primeira instância em 27/04/2012 (fl. 53), o Banco Itaú S/A apresenta Recurso Voluntário em 29/05/2012 (fls. 55/60), sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos defendidos em sua Impugnação, sobretudo, verbis:
II. DO MÉRITO
Em 19/12/2003 o Recorrente efetuou o pagamento da folha de salários aos seus funcionários e recolheu o IRRF correspondente por meio de DARF, no valor de R$ 21.817.487,39 (doc. 05 da manifestação de inconformidade).
Todavia, por conta de um equívoco em seu sistema, houve processamento dos registros de funcionários licenciados na folha de pagamentos, o que gerou recolhimentos indevidos de imposto de renda.
Tal equívoco acarretou na necessidade de reprocessamento da folha para acertos dos eventuais erros e, conseqüentemente, na alteração dos valores do IRRF efetivamente devidos.
Assim, conforme demonstrado na manifestação de inconformidade (doc. 02 e 03), o crédito ora pleiteado, no valor original de R$ 145.199,63, é decorrente da diferença entre os valores recolhidos a título de IRRF, no montante de R$ 149.935,24, e os valores efetivamente devidos, no montante de R$ 4.735,61.
(...)
Nesse ponto, cabe esclarecer que em razão de problemas técnicos nos sistemas de controle de processamento da folha de pagamentos do Recorrente, foram geradas informações erradas para recolhimento de imposto de renda que não era devido. Os recolhimentos foram efetuados, mas os funcionários não sofreram a retenção desse tributo.
Tal fato é facilmente constatado pela cópia da folha de pagamentos e da DIRF de alguns funcionários (doc. 03), que demonstram o pagamento de auxílio-doença ou acidente aos funcionários e a ausência de retenção do imposto de referidos funcionários.
É o relatório.
Voto
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. O Conselheiro GUSTAVO LIAN HADDAD declarou-se impedido. Fez sustentação oral pelo Contribuinte o Dr. Choi Jong Min, OAB 287.957. Assinado Digitalmente EDUARDO TADEU FARAH Relator Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente Participaram do presente julgamento os Conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ, GUSTAVO LIAN HADDAD, FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, NATHALIA MESQUITA CEIA e EDUARDO TADEU FARAH. Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação de fls. 40/44 (PER/DCOMP nº03171. 47307.180804.1.3.04-6145), na qual declara a compensação de pretenso crédito de pagamento indevido ou a maior de IRRF (cód. receita 0561) relativo ao período de apuração encerrado em 20/12/2003. De acordo com o Despacho Decisório, fls. 39, foi homologada parcialmente a compensação declarada, tendo sido o interessado intimado a recolher o débito indevidamente compensado (principal: R$ 159.185,86). Entendeu a autoridade fiscal que A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas parcialmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Inconformado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, fls. 02/04, alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis: ... que o seu crédito de IRRF, no valor de R$145.199,63, foi apurado por ocasião do reprocessamento da folha de pagamentos, conforme relatórios às fls. 14/31. Além disso, por ter havido erro no preenchimento da DCTF do 4º trimestre de 2003 (3ª semana de dezembro), apresentou a DCTF retificadora em 24/07/2009 com a finalidade de confirmar a existência do crédito (fls. 36/38). A 8ª Turma da DRJ em São Paulo/SPO1 julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, conforme se observa da leitura da ementa abaixo transcrita: COMPENSAÇÃO. RETENÇÃO INDEVIDA OU A MAIOR. Não se reconhece o direito creditório quando o contribuinte não logra comprovar com documentos hábeis e idôneos que houve pagamento indevido ou a maior. Além disso, é necessário que a fonte pagadora comprove que assumiu o referido encargo, ou seja, que devolveu ao beneficiário do rendimento a quantia retida indevidamente ou a maior. Manifestação de Inconformidade Improcedente Intimado da decisão de primeira instância em 27/04/2012 (fl. 53), o Banco Itaú S/A apresenta Recurso Voluntário em 29/05/2012 (fls. 55/60), sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos defendidos em sua Impugnação, sobretudo, verbis: II. DO MÉRITO Em 19/12/2003 o Recorrente efetuou o pagamento da folha de salários aos seus funcionários e recolheu o IRRF correspondente por meio de DARF, no valor de R$ 21.817.487,39 (doc. 05 da manifestação de inconformidade). Todavia, por conta de um equívoco em seu sistema, houve processamento dos registros de funcionários licenciados na folha de pagamentos, o que gerou recolhimentos indevidos de imposto de renda. Tal equívoco acarretou na necessidade de reprocessamento da folha para acertos dos eventuais erros e, conseqüentemente, na alteração dos valores do IRRF efetivamente devidos. Assim, conforme demonstrado na manifestação de inconformidade (doc. 02 e 03), o crédito ora pleiteado, no valor original de R$ 145.199,63, é decorrente da diferença entre os valores recolhidos a título de IRRF, no montante de R$ 149.935,24, e os valores efetivamente devidos, no montante de R$ 4.735,61. (...) Nesse ponto, cabe esclarecer que em razão de problemas técnicos nos sistemas de controle de processamento da folha de pagamentos do Recorrente, foram geradas informações erradas para recolhimento de imposto de renda que não era devido. Os recolhimentos foram efetuados, mas os funcionários não sofreram a retenção desse tributo. Tal fato é facilmente constatado pela cópia da folha de pagamentos e da DIRF de alguns funcionários (doc. 03), que demonstram o pagamento de auxílio-doença ou acidente aos funcionários e a ausência de retenção do imposto de referidos funcionários. É o relatório. Voto
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. O Conselheiro GUSTAVO LIAN HADDAD declarouse impedido. Fez sustentação oral pelo Contribuinte o Dr. Choi Jong Min, OAB 287.957. Assinado Digitalmente EDUARDO TADEU FARAH – Relator Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente Participaram do presente julgamento os Conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ, GUSTAVO LIAN HADDAD, FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, NATHALIA MESQUITA CEIA e EDUARDO TADEU FARAH. Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação de fls. 40/44 (PER/DCOMP nº03171. 47307.180804.1.3.046145), na qual declara a compensação de pretenso crédito de pagamento indevido ou a maior de IRRF (cód. receita 0561) relativo ao período de apuração encerrado em 20/12/2003. De acordo com o Despacho Decisório, fls. 39, foi homologada parcialmente a compensação declarada, tendo sido o interessado intimado a recolher o débito indevidamente RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .9 08 33 8/ 20 09 -1 3 Fl. 95DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 16327.908338/200913 Resolução nº 2201000.197 S2C2T1 Fl. 3 2 compensado (principal: R$ 159.185,86). Entendeu a autoridade fiscal que “A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas parcialmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Inconformado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, fls. 02/04, alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis: ... que o seu crédito de IRRF, no valor de R$145.199,63, foi apurado por ocasião do reprocessamento da folha de pagamentos, conforme relatórios às fls. 14/31. Além disso, por ter havido erro no preenchimento da DCTF do 4º trimestre de 2003 (3ª semana de dezembro), apresentou a DCTF retificadora em 24/07/2009 com a finalidade de confirmar a existência do crédito (fls. 36/38). A 8ª Turma da DRJ em São Paulo/SPO1 julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, conforme se observa da leitura da ementa abaixo transcrita: COMPENSAÇÃO. RETENÇÃO INDEVIDA OU A MAIOR. Não se reconhece o direito creditório quando o contribuinte não logra comprovar com documentos hábeis e idôneos que houve pagamento indevido ou a maior. Além disso, é necessário que a fonte pagadora comprove que assumiu o referido encargo, ou seja, que devolveu ao beneficiário do rendimento a quantia retida indevidamente ou a maior. Manifestação de Inconformidade Improcedente Intimado da decisão de primeira instância em 27/04/2012 (fl. 53), o Banco Itaú S/A apresenta Recurso Voluntário em 29/05/2012 (fls. 55/60), sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos defendidos em sua Impugnação, sobretudo, verbis: II. DO MÉRITO Em 19/12/2003 o Recorrente efetuou o pagamento da folha de salários aos seus funcionários e recolheu o IRRF correspondente por meio de DARF, no valor de R$ 21.817.487,39 (doc. 05 da manifestação de inconformidade). Todavia, por conta de um equívoco em seu sistema, houve processamento dos registros de funcionários licenciados na folha de pagamentos, o que gerou recolhimentos indevidos de imposto de renda. Tal equívoco acarretou na necessidade de reprocessamento da folha para acertos dos eventuais erros e, conseqüentemente, na alteração dos valores do IRRF efetivamente devidos. Assim, conforme demonstrado na manifestação de inconformidade (doc. 02 e 03), o crédito ora pleiteado, no valor original de R$ 145.199,63, é decorrente da diferença entre os valores recolhidos a título de IRRF, no montante de R$ 149.935,24, e os valores efetivamente devidos, no montante de R$ 4.735,61. (...) Fl. 96DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 16327.908338/200913 Resolução nº 2201000.197 S2C2T1 Fl. 4 3 Nesse ponto, cabe esclarecer que em razão de problemas técnicos nos sistemas de controle de processamento da folha de pagamentos do Recorrente, foram geradas informações erradas para recolhimento de imposto de renda que não era devido. Os recolhimentos foram efetuados, mas os funcionários não sofreram a retenção desse tributo. Tal fato é facilmente constatado pela cópia da folha de pagamentos e da DIRF de alguns funcionários (doc. 03), que demonstram o pagamento de auxíliodoença ou acidente aos funcionários e a ausência de retenção do imposto de referidos funcionários. É o relatório. Voto Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, Relator O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade. Alega o contribuinte que ao reprocessar a sua folha de pagamentos constatou o pagamento a maior no valor de R$ 145.199,63, código 0561. Assevera ainda que o crédito está devidamente caracterizado em sua DCTF retificadora. Por fim, requer a homologação da compensação, em razão das provas constantes dos autos, bem como em homenagem ao princípio da verdade material. Por sua vez, entendeu a autoridade recorrida que a documentação coligida não se mostrou suficiente para conferir o direito creditório ao contribuinte. Assevera ainda que “... Os documentos apresentados não demonstram, para cada funcionário relacionado, a respectiva base de cálculo, a alíquota aplicada, o valor devido, etc., de sorte a demonstrar que o recolhimento de IRRF foi efetuado em valor maior que o devido”. Pois bem, analisando detidamente os inúmeros documentos carreados, especialmente a amostra de fls. 74/82, penso que há um forte indício de que o direito pleiteado de fato existe; entretanto não é possível identificar, com certeza absoluta, a integralidade do direito creditório. Com efeito, é necessário que se identifique, para cada funcionário, a respectiva base de cálculo, a alíquota aplicada e o valor de imposto de renda devido. Assim, entendo que o julgamento deve ser convertido em diligência para que autoridade administrativa: 1 – verifique, à luz do art. 166 do CTN, se o contribuinte é parte legítima para pleitear a restituição; 2 verifique a liquidez e certeza de todo o crédito tributário pleiteado, inclusive solicitando a documentação adicional pertinente; 3 – promova relatório acerca da existência do crédito de IRRF. Concluída a diligência, deverá ser dada ciência ao interessado para se manifestar, se assim desejar. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 16327.908338/200913 Resolução nº 2201000.197 S2C2T1 Fl. 5 4 Ante a todo o exposto, voto por converter o julgamento em diligência. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 98DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH
score : 1.0
Numero do processo: 16045.000233/2005-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 1999
SIGILO BANCÁRIO. A utilização de informações de movimentação financeira obtidas regularmente não caracteriza violação de sigilo bancário, sendo desnecessária prévia autorização judicial.
CIÊNCIA DO SUJEITO PASSIVO. NULIDADE NÃO CONFIGURADA. A despeito de conter declarações fáticas de conteúdo grave, o documento colacionado é apenas uma cópia simples, sem qualquer comprovante de envio, que traz apenas uma assinatura sem autenticação em cartório ou comprovante de recebimento por parte de qualquer autoridade policial. Desse modo, à míngua de quaisquer elementos confirmadores da tese da Recorrente, parece não ser possível dar azo a tal documento ou às ilações por ela formuladas.
INTERPOSTA PESSOA. OMISSÃO DE RECEITA. RECEITA NÃO CONTABILIADA. EXCESSO DE RECEITA NA SISTEMÁTICA DO SIMPLES. EXCLUSÃO. A Fiscalização realizada bem demonstra - por meio de provas juntadas nos autos - que houve o uso de conta corrente de titularidade de interposta pessoa (Rosemary Nazario da Silva) para promover movimentação de recursos derivados de operações comerciais das empresas Speed (Speed Passa Quatro e Speed Cruzeiro) levadas a cabo pelo sujeito passivo e que não foram registradas em escrita contábil-fiscal, tendo por objetivo a irregular supressão de tributos. Somado a isto, houve a decorrente superação do limite de receita admissível na sistemática do Simples. Por isso, seguiu-se a correta exclusão do contribuinte do SIMPLES e, consequentemente, a lavratura de auto de infração que trará a exigência dos tributos compreendidos nesse modo simplificado de arrecadação tributária e que não tenham sido recolhidos em função do necessário realinhamento das correspondentes alíquotas (à conta da omissão de receita), mais a exigência daquelas mesmas espécies tributárias incidentes sobre a omissão de receita identificada (excedente à declarada), isso tudo para o ano-calendário em que se dá a exclusão (ano-calendário 1999).
DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE N° 08. PRAZO QUINQUENAL DOS ARTIGOS 173, INCISO I, E 150, §4°, DO CTN. Aplica-se o prazo do artigo 173, I, do CTN na hipótese de comprovada ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Desse modo, tendo em vista que as espécies tributárias em debate foram formalizadas em bases mensais, deve-se aplicar às demais a mesma regra que prevaleceu em relação ao IRPJ na instância a qua, de modo que as exigências dos demais tributos nas competências de Janeiro/1999 até Novembro/1999 estão decaídas.
Numero da decisão: 1101-001.270
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção de Julgamento em: 1) por maioria de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade em razão da obtenção de extratos bancários por meio de RMF, divergindo o Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso; 2) por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade do lançamento por vício na ciência; 3) por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário para reconhecer a decadência das contribuições exigidas de Janeiro/99 a Novembro/99.
(documento assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente
(documento assinado digitalmente)
BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente), Benedicto Celso Benício Júnior (relator), Maria Elisa Bruzzi Boechat (suplente), Paulo Mateus Ciccone, Antônio Lisboa Cardoso e Paulo Reynaldo Becari. Declarou-se impedida a Conselheira Edeli Pereira Bessa, substituída no Colegiado pela Conselheira Maria Elisa Bruzzi Boechat.
Nome do relator: BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR
1.0 = *:*
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camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 1999 SIGILO BANCÁRIO. A utilização de informações de movimentação financeira obtidas regularmente não caracteriza violação de sigilo bancário, sendo desnecessária prévia autorização judicial. CIÊNCIA DO SUJEITO PASSIVO. NULIDADE NÃO CONFIGURADA. A despeito de conter declarações fáticas de conteúdo grave, o documento colacionado é apenas uma cópia simples, sem qualquer comprovante de envio, que traz apenas uma assinatura sem autenticação em cartório ou comprovante de recebimento por parte de qualquer autoridade policial. Desse modo, à míngua de quaisquer elementos confirmadores da tese da Recorrente, parece não ser possível dar azo a tal documento ou às ilações por ela formuladas. INTERPOSTA PESSOA. OMISSÃO DE RECEITA. RECEITA NÃO CONTABILIADA. EXCESSO DE RECEITA NA SISTEMÁTICA DO SIMPLES. EXCLUSÃO. A Fiscalização realizada bem demonstra - por meio de provas juntadas nos autos - que houve o uso de conta corrente de titularidade de interposta pessoa (Rosemary Nazario da Silva) para promover movimentação de recursos derivados de operações comerciais das empresas Speed (Speed Passa Quatro e Speed Cruzeiro) levadas a cabo pelo sujeito passivo e que não foram registradas em escrita contábil-fiscal, tendo por objetivo a irregular supressão de tributos. Somado a isto, houve a decorrente superação do limite de receita admissível na sistemática do Simples. Por isso, seguiu-se a correta exclusão do contribuinte do SIMPLES e, consequentemente, a lavratura de auto de infração que trará a exigência dos tributos compreendidos nesse modo simplificado de arrecadação tributária e que não tenham sido recolhidos em função do necessário realinhamento das correspondentes alíquotas (à conta da omissão de receita), mais a exigência daquelas mesmas espécies tributárias incidentes sobre a omissão de receita identificada (excedente à declarada), isso tudo para o ano-calendário em que se dá a exclusão (ano-calendário 1999). DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE N° 08. PRAZO QUINQUENAL DOS ARTIGOS 173, INCISO I, E 150, §4°, DO CTN. Aplica-se o prazo do artigo 173, I, do CTN na hipótese de comprovada ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Desse modo, tendo em vista que as espécies tributárias em debate foram formalizadas em bases mensais, deve-se aplicar às demais a mesma regra que prevaleceu em relação ao IRPJ na instância a qua, de modo que as exigências dos demais tributos nas competências de Janeiro/1999 até Novembro/1999 estão decaídas.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção de Julgamento em: 1) por maioria de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade em razão da obtenção de extratos bancários por meio de RMF, divergindo o Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso; 2) por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade do lançamento por vício na ciência; 3) por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário para reconhecer a decadência das contribuições exigidas de Janeiro/99 a Novembro/99. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente (documento assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente), Benedicto Celso Benício Júnior (relator), Maria Elisa Bruzzi Boechat (suplente), Paulo Mateus Ciccone, Antônio Lisboa Cardoso e Paulo Reynaldo Becari. Declarou-se impedida a Conselheira Edeli Pereira Bessa, substituída no Colegiado pela Conselheira Maria Elisa Bruzzi Boechat.
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ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 1999 SIGILO BANCÁRIO. A utilização de informações de movimentação financeira obtidas regularmente não caracteriza violação de sigilo bancário, sendo desnecessária prévia autorização judicial. CIÊNCIA DO SUJEITO PASSIVO. NULIDADE NÃO CONFIGURADA. A despeito de conter declarações fáticas de conteúdo grave, o documento colacionado é apenas uma cópia simples, sem qualquer comprovante de envio, que traz apenas uma assinatura sem autenticação em cartório ou comprovante de recebimento por parte de qualquer autoridade policial. Desse modo, à míngua de quaisquer elementos confirmadores da tese da Recorrente, parece não ser possível dar azo a tal documento ou às ilações por ela formuladas. INTERPOSTA PESSOA. OMISSÃO DE RECEITA. RECEITA NÃO CONTABILIADA. EXCESSO DE RECEITA NA SISTEMÁTICA DO SIMPLES. EXCLUSÃO. A Fiscalização realizada bem demonstra por meio de provas juntadas nos autos que houve o uso de conta corrente de titularidade de interposta pessoa (Rosemary Nazario da Silva) para promover movimentação de recursos derivados de operações comerciais das empresas Speed (Speed Passa Quatro e Speed Cruzeiro) levadas a cabo pelo sujeito passivo e que não foram registradas em escrita contábilfiscal, tendo por objetivo a irregular supressão de tributos. Somado a isto, houve a decorrente superação do limite de receita admissível na sistemática do Simples. Por isso, seguiuse a correta exclusão do contribuinte do SIMPLES e, consequentemente, a lavratura de auto de infração que trará a exigência dos tributos compreendidos nesse modo simplificado de arrecadação tributária e que não tenham sido recolhidos em função do necessário realinhamento das correspondentes alíquotas (à conta da omissão de receita), mais a exigência AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 04 5. 00 02 33 /2 00 5- 49 Fl. 1079DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO 2 daquelas mesmas espécies tributárias incidentes sobre a omissão de receita identificada (excedente à declarada), isso tudo para o anocalendário em que se dá a exclusão (anocalendário 1999). DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE N° 08. PRAZO QUINQUENAL DOS ARTIGOS 173, INCISO I, E 150, §4°, DO CTN. Aplicase o prazo do artigo 173, I, do CTN na hipótese de comprovada ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Desse modo, tendo em vista que as espécies tributárias em debate foram formalizadas em bases mensais, devese aplicar às demais a mesma regra que prevaleceu em relação ao IRPJ na instância a qua, de modo que as exigências dos demais tributos nas competências de Janeiro/1999 até Novembro/1999 estão decaídas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção de Julgamento em: 1) por maioria de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade em razão da obtenção de extratos bancários por meio de RMF, divergindo o Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso; 2) por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade do lançamento por vício na ciência; 3) por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário para reconhecer a decadência das contribuições exigidas de Janeiro/99 a Novembro/99. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente (documento assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente), Benedicto Celso Benício Júnior (relator), Maria Elisa Bruzzi Boechat (suplente), Paulo Mateus Ciccone, Antônio Lisboa Cardoso e Paulo Reynaldo Becari. Declarouse impedida a Conselheira Edeli Pereira Bessa, substituída no Colegiado pela Conselheira Maria Elisa Bruzzi Boechat. Fl. 1080DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 16045.000233/200549 Acórdão n.º 1101001.270 S1C1T1 Fl. 3 3 Relatório Cuidase de auto de infração que “trata apenas das infrações referentes ao ano de 1999, apuradas segundo as normas aplicáveis às empresas optantes pelo SIMPLES, e decorre dos fatos apresentados no Relatório de Fiscalização protocolizado sob n° 16045.000196/200579” (fl. 54) autos que estão em apenso e discutem a exclusão do SIMPLES. Por essencial, transcrevese parcialmente o referido relatório fiscal (fls. 54/70), in verbis: “I Introdução Em trabalho de fiscalização junto ao contribuinte em epígrafe (FM n° 199900.1969) empresa fabricante de aros para bicicletas, localizada na cidade de Cruzeiro/SP , verificamos diferenças significativas entre o valor de venda de produtos de sua fabricação, indicado nas Notas Fiscais de vendas emitidas, e o constante em tabelas de preços obtidas junto à fiscalizada e junto a alguns de seus clientes. Vide documentos de fls. 12 a 21 (fls. 88 a 97). Através de diligências realizadas, pudemos constatar que a empresa fiscalizada, doravante Speed Cruzeiro, realizou vendas subfaturadas de seus produtos, de acordo com informações e documentos obtidos junto a seus clientes, conforme se verá a seguir. Essa prática também foi verificada nas vendas realizadas pela empresa Speed Ind. e Com. Ltda, CNPJ 02.256.189/000103, sediada em Passa Quatro/MG, doravante Speed Passa Quatro, em cujo quadro societário aparecem um irmão e a esposa dos sócios da Speed Cruzeiro. Ver diagrama e relação de parentesco e participação societária abaixo. (...) RELAÇÃO DE PARENTESCO E PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA (...) II Diligências realizadas junto a clientes Por meio de diligências realizadas junto a clientes da empresa Speed Cruzeiro, apuramos diversas irregularidades praticadas tanto pela Speed Cruzeiro quanto pela Speed Passa Quatro, conforme mostram os documentos de fls. 22 a 34 (fls. 98 a 110). Não se trata de coincidência, pois essas empresas apresentam diversos clientes em comum. Eis a principais irregularidades apuradas: 1 Em relação à Speed Passa Quatro, apuramos o seguinte: 1.1 Venda de produtos ao contribuinte José Carlos de Souza Taubaté ME (CNPJ 66.033.572/000185) através da Nota Fiscal n° 1335, emitida em 08/06/99, no valor de R$336,00, tendo sido essa venda paga por meio de dois boletos bancários: o primeiro, em nome da empresa vendedora, em valor idêntico ao da Nota Fiscal emitida, R$336,00, e o segundo, em nome da Sra. Rosemary Nazário da Silva, doravante Sra. Rosemary, no valor de R$340,00, importância essa depositada na contacorrente n° 341/258/312909, ficando caracterizado o subfaturamento; 1.2 Venda de produtos ao contribuinte Valdinei dos Santos ME (CNPJ 73.150.740/000188) através da Nota Fiscal n° 662, emitida Fl. 1081DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO 4 em 15/10/98, no valor de R$160,00, tendo sido essa venda paga por meio de dois boletos bancários: o primeiro, em nome da empresa vendedora, em valor idêntico ao da Nota Fiscal emitida, R$160,00, e o segundo, em nome da Sra. Rosemary, no valor de R$192,50, importância essa depositada na contacorrente n° 341/258/312909, ficando caracterizado o subfaturamento; (...) 2 Em relação à Speed Cruzeiro, verificamos que a mesma realizou venda de produtos ao contribuinte Benedito Lucio Ribeiro ME, CNPJ 00.865.392/000151, através da Nota Fiscal n° 2515, emitida em 04/12/98, no valor de R$26,88, tendo sido pago pelos produtos adquiridos o montante de R$101,88, em dinheiro, ficando caracterizado o subfaturamento; III Ação fiscal junto à Sra. Rosemary Nazário Em procedimento de fiscalização junto à Sra. Rosemary, amparado pelo MPF (Mandado de procedimento Fiscal) n° 08108002003 002365, fls. 35 e 36 (fls. 111 e 112), solicitamos dessa contribuinte, em 02/12/03 (data da ciência do Termo de Início de Fiscalização lavrado em 24/11/2003) apresentação dos extratos bancários referentes à movimentação financeira realizada no período de 1999 a 2001, nos bancos Itaú, Bradesco e Caixa Econômica Federal, conforme consta no documento de fls. 37 e 38 (fls. 113 e 114), bem como intimamos essa contribuinte a apresentar documentação hábil idônea que comprovasse a origem dos recursos depositados em suas contas correntes. Em resposta à intimação, a contribuinte apresentou, no período de 06/02/2004 a 23/03/2004, os extratos bancários anexados às fls. 47 a 171 (fls. 123 a 249), referentes às contas bancárias (banco/agência e conta) n° 237/0390/28445, 237/0390/28445 (poupança), 341/258/312909, além daqueles não anexados a esse processo, referentes às contas 341/00258/334374, 341/00258/334374 (poupança) e CEF/0300/00178801 (fls. 197 a 217). Contudo, a fiscalizada não apresentou qualquer justificativa para a origem de qualquer valor depositado em suas contas bancárias. IV Apuração dos créditos a comprovar De posse dos extratos das contas apresentados pela fiscalizada, procedemos à conciliação bancária com objetivo de excluirmos dos valores a investigar as transferências realizadas entre contas correntes da Sra. Rosemary. Após, selecionamos os créditos de valor superior a R$300,00 (trezentos reais) e intimamos a Sra. Rosemary a comprovar, mediante apresentação de documentação hábil e idônea, a origem dos créditos selecionados, conforme consta na intimação lavrada em 01/09/2004, fls. 172 a 196 (fls. 250 a 274). Em resposta, datada de 25/10/2004, a fiscalizada apresenta Demonstrativo de Conciliação Interbancária, fls. 200 a 211 (fls. 278 a 289), a fim de justificar parte dos valores creditados em suas contas bancárias. Em complemento, a Sra. Rosemary apresentou os documentos de fls. 213 a 248 (fls. 291 a 326) e 251 a 286 (fls. 329 a 364), contendo relação de vendas realizadas pelas empresas Speed Cruzeiro e Speed Passa Quatro, no período de 1999 a 2001, bem como os valores recebidos em razão dessas operações. Fl. 1082DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 16045.000233/200549 Acórdão n.º 1101001.270 S1C1T1 Fl. 4 5 Em 01/07/2005, a Sra. Rosemary foi intimada a justificar a origem dos valores creditados em suas contas bancárias, sob os históricos ‘MOVIMENT TITULO’ ou ‘MOV TIT COBRANCA’, intimação de fl. 287 (fl. 365), mas até a presente data, não apresentou qualquer resposta que justificasse tal movimentação financeira, objeto de indagações em intimações anteriores, cabendo esclarecer que tais créditos se referem a recebimentos através de boletos bancários, tais como aqueles de fls. 24, 28 e 29 (fls. 100, 104 e 105), e que tais documentos não podem ser fornecidos pelo Banco Itaú, de acordo com informações prestadas por essa instituição financeira, fls. 767 e 768 (851 e 852). Em 11/10/05 e em 21/11/05, a Sra. Rosemary foi novamente reintimada a justificar a origem dos créditos lançados em suas contas bancárias, conforme consta nos documentos de fls. 290 a 301 (fls. 368 a 379) e 304 a 309 (382 a 387), mas até a presente data não apresentou qualquer comprovante para justificar tais valores. V Obtenção de documentos bancários junto a instituições financeiras Ante a inércia da Sra. Rosemary em comprovar, mediante apresentação de documentação hábil e idônea, a origem dos valores creditados em suas contas bancárias, tendo em vista que desde 02/12/03 essa contribuinte não havia apresentado sequer um documento que justificasse tais créditos, intimamos os bancos Itaú e Bradesco a apresentar cópia de documentos bancários referentes à origem e destino dos valores que transitaram pelas contas da fiscalizada, conforme consta nas intimações de fls. 314 a 321 (fls. 392 a 399) e 324 a 332 (fls. 404 a 412). Em resposta, essas instituições apresentaram cópia de diversos documentos bancários referentes a operações de depósito e pagamento, dentre os quais selecionamos aqueles juntados às fls. 334 a 358 (fls. 414 a 438) e 759 a 763 (fls. 843 a 847) (comprovantes de depósito) e 359 e 465 (fls. 439 a 545) (comprovantes de pagamento). VI Análise dos documentos bancários Pela análise dos comprovantes de depósito fornecidos pelas instituições financeiras, levantamos os dados cadastrais dos depositantes no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), fls. 470 a 473 (fls. 550 a 553), a partir dos nomes que aparecem nos documentos bancários (comprovantes de depósito). Essa mesma sistemática foi adotada para identificar os destinatários dos valores debitados nas contascorrentes sob investigação, tendo sido identificados os contribuintes relacionados às fls. 474 a 477 (fls. 554 a 557), cabendo esclarecer que, embora alguns nomes não aparecessem legíveis nalgumas cópias de cheque, outras informações permitiram a completa identificação do destinatário do valor pago, tais como o número da contacorrente ou o CNPJ, que também apareciam noutros documentos legíveis. De posse dessas informações, elaboramos as Planilhas 1 e 2, fls. 466 a 469 (fls. 546 a 549), contendo a identificação dos depositantes ou destinatários de valores que circularam pelas contascorrentes mantidas em nome da Sra. Rosemary, cuja análise nos mostra que: (...) Fl. 1083DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO 6 VII Intimação a Fornecedores da Speed Cruzeiro e da Speed Passa Quatro A fim de comprovarmos as informações apresentadas na Planilha 1, intimamos alguns dos fornecedores relacionados nessa planilha a informar a que título haviam recebido valores provenientes das contas bancárias em nome da Sra. Rosemary, conforme consta nas intimações de fls. 480 a 540 (fls. 560 a 622). Em resposta, essas empresas informaram que tais valores se referem a pagamentos de compras de insumos realizadas pelas empresas Speed Cruzeiro ou Speed Passa Quatro, de acordo com documentos apresentados por (...), ou se referem à venda de sucata (material utilizado pela Speed Cruzeiro e pela Speed Passa Quatro), segundo informou a Nobre Metais Ltda (67.256.784/000194), conforme comprovam os documentos de fls. 483 a 561 (fls. 563 a 643). A empresa Embark de Embalagens Ltda, CNPJ 53.479.184/000180, regularmente intimada, fls. 562 (fls. 644), confirmou ser fornecedora da empresa Speed Cruzeiro, conforme mostram os documentos de fls. 565 a 567 (fls. 647 a 649). VIII Análise da conciliação bancária proposta pela Sra. Rosemary Para analisar a conciliação bancária proposta pela fiscalizada, fls. 201 a 211 (fls. 279 a 289), elaboramos a Planilha 5, fls. 568 a 587 (fls. 650 a 669), na qual apresentamos comentário sobre cada conciliação proposta. Nas colunas (A) a (G) apresentamos as informações sobre os lançamentos a crédito a comprovar; nas colunas (H) a (K), mostramos a conciliação proposta pela fiscalizada, e na coluna (L), apresentamos comentário sobre a conciliação proposta. A conciliação apresentada pela fiscalizada, em síntese, propõe que os valores creditados nas contas correntes investigadas se referem, a transferências de outras contas correntes mantidas em nome da Sra. Rosemary. A conciliação proposta pela fiscalizada, todavia, não pode prosperar pelos seguintes motivos: (...) Os fatos expostos acima permitem concluir que as conciliações propostas pela Sra. Rosemary não podem ser acatadas, com exceção daquelas referentes a estorno de depósito. IX Intimações das empresas Speed Cruzeiro e Speed Passa Quatro Os fatos apresentados acima mostram que as contascorrentes (Banco/Agência/Conta) n° 237/0390/28445 e n° 341/258/312909, e a contapoupança n° 237/0390/28445, movimentaram recursos das empresas Speed Cruzeiro e Speed Passa Quatro, ficando caracterizado que: 1 valores debitados nessas contas bancárias foram utilizados para pagamento de fornecedores dessas empresas; 2 valores creditados na contapoupança n° 237/0390/28445 foram transferidos para a contacorrente n° 237/0390/28445, e, como conseqüência, utilizados para pagamento de obrigações dessas empresas. 3 valores creditados nessas contas bancárias referemse a recebimentos de valor pagos por clientes dessas empresas; Diante de tais evidências, intimamos as empresas Speed Cruzeiro e Speed Passa Quatro a segregarem os valores correspondentes a Fl. 1084DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 16045.000233/200549 Acórdão n.º 1101001.270 S1C1T1 Fl. 5 7 operação de cada empresa, conforme consta no Termo de Constatação e Intimação lavrado em 16/11/2005, fls. 639 a 671 e 674 a 706 (fls. 721 a 753 e 756 a 788). Até a presente data, não obtivemos qualquer documento contendo informações sobre a segregação de valores depositados nessas contas bancárias. X Confronto dos depósitos com valores recebidos pela Speed Cruzeiro e Speed Passa Quatro Confrontandose as informações sobre os depósitos sob análise, mostrados na Planilha 6, fls. 709 a 738 (fls. 791 a 822), com as informações sobre valores recebidos pelas empresas Speed Cruzeiro e Speed Passa Quatro, listagem de fls. 213 a 286 (fls. 291 a 364), verificase que não há qualquer coincidência entre tais relações, o que implica dizer que os créditos (depósitos) sob investigação não se referem a valores recebidos a título de venda acobertada por Nota Fiscal emitida por aquelas empresas. XI Imputação dos depósitos às empresas Speed Cruzeiro e Speed Passa Quatro Transcorrido o prazo concedido para apresentação da resposta, e tendo sido enviados pelos intimados apenas os documentos de fls. 764 a 766 (fls. 848 a 850), que não comprovam a origem dos créditos investigados, consideramos que as contas bancárias analisadas movimentaram recursos das empresas Speed Cruzeiro e Speed Passa Quatro, de acordo os fatos elementos de prova colhidos. Com efeito, a constatação de que recursos movimentados nessas contasbancárias foram utilizados para pagamento de fornecedores e recebimento de valores pagos por clientes, é o suficiente para atribuir às empresas supra a titularidade de fato dessas contas correntes. Nesse sentido dispõe o Acórdão n° 10194196 do 1° Conselho de Contribuintes, cuja ementa reproduzimos baixo (verbis): IRPJ. LANÇAMENTO. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO CONTABILIZADOS. A conta corrente em instituição financeira, em nome de esposa do sócio e posteriormente sócia da mesma pessoa jurídica, utilizada para pagamento de compras de mercadorias e depósitos de receitas desviadas da escrituração contábil, pode ser utilizadas para arbitramento das receitas omitidas, quando regularmente intimado, o sujeito passivo não comprova a origem dos recursos depositados, mediante documentação hábil e idônea, face ao estabelecido no artigo 42 da Le n° 9.430/96. XII Rateio dos créditos sem comprovação Na planilha 6 relacionamos os créditos de origem não comprovada, e totalizamos mensalmente os depósitos por contabancária. Os totais mensais foram transferidos para as colunas (A) a (C), da Planilha 7, fl. 748 (fl. 832), cabendo esclarecer, em relação a essa planilha, o que segue: 1 Consideramos somente os créditos depositados nas contas de interesse (28445, 28445 (poupança) e 312909), colunas ((A) a (C)), Fl. 1085DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO 8 não tendo sido computado os créditos depositados nas contas 334374, 334374 (poupança) e 00178801; 2 Procedemos à exclusão das conciliações referentes a estorno de depósitos propostas pela fiscalizada (coluna (E)); 3 Excluímos, também, os rendimentos declarados pela fiscalizada em DIRPF (declarações de imposto de renda), fls. 739 a 747 (fls. 823 a 831), cabendo esclarecer que, pelo fato da Sra. Rosemary não ter prestado esclarecimento sobre os valores percebidos mensalmente a título de rendimentos, conforme consta na Intimação lavrada em 21/11/05, fls. 304 a 306 (fls. 382 a 384), rateamos o total dos rendimentos anuais auferidos igualmente entre todos os meses dos anos de 1999 a 2001, conforme mostra a coluna (F); 4 Os depósitos não comprovados, coluna (G), resultam da diferença entre o total dos depósitos, coluna (D), e os valores mostrados nas colunas (E) e (F); 5 Devido à falta de esclarecimentos por parte das empresas Speed Cruzeiro e Speed Passa Quatro, procedemos ao rateio dos valores mostrados na coluna (G) na proporção de 50% para cada empresa, nos termos do art. 845 do Regulamento do Imposto de Renda, Decreto n° 3.000/99, (verbis): (...) XIII Comentários sobre o critério de rateio Em relação a esse critério de rateio, cabe comentar que o mesmo é amplamente aceito nos casos em que uma mesma conta corrente apresenta mais de um titular. (...) XIV Vínculo existente entre os sócios das empresas No caso presente, vale sempre lembrar o vínculo existente entre a Sra. Rosemary e os sócios da empresas Speed Cruzeiro e Speed Passa Quatro, conforme mostra a tabela apresentada à fl. 01 (fl. 77) desse Relatório. Mas coincidências não param por aí, pois no mesmo endereço onde funciona a empresa Speed Cruzeiro, também funciona a administração da Speed Passa Quatro, local onde também trabalha a Sra. Rosemary. Esses fatos mostram que a investigação realizada pelo Fisco já era do conhecimento de ambas empresas desde o ano de 2003, e mesmo assim, nenhuma delas se prontificou a prestar qualquer esclarecimento sobre os recursos movimentados nas contas da Sra. Rosemary. XV Apuração da Receita Bruta Auferida A partir dos valores mostrados na coluna (G) da Planilha 7, e da receita bruta declarada nas Declarações Simplificadas apresentadas pela Speed Cruzeiro, fls. 749 a 758 (fls. 833 a 842), calculamos a receita total auferida por essa empresa nos anos de 1999 a 2001, conforme mostra a tabela abaixo: (...) XVI Proposta para exclusão da empresa Speed Cruzeiro do SIMPLES Os fatos apresentados acima apontam para prática reiterada de infração à legislação tributária conhecida como omissão de receitas, nos termos dos arts. 288 do Decreto n° 3.000/99 (RIR/99), tendo em vista que regularmente intimada a empresa não Fl. 1086DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 16045.000233/200549 Acórdão n.º 1101001.270 S1C1T1 Fl. 6 9 comprovou a origem dos depósitos efetuados em contasbancárias mantidas em nome da esposa de seu sócio, sendo certo que tais conta comprovadamente movimentaram recursos dessa empresa. Considerandose como receita os depósitos cuja origem não foi comprovada, apuramos que a receita bruta total efetivamente auferida pela empresa nos anos de 1999 e 2000 superou o limite de faturamento de R$1.200.000,00 (um milhão e duzentos mil reais), previsto para empresas de pequeno porte, nos termos do art. 9, inc. II, da Lei n° 9.317/96. Por essas razões, podemos afirmar que a fiscalizada descumpriu as prescrições estabelecidas na legislação do SIMPLES, ficando sujeita à exclusão de ofício desse sistema, relativamente aos anos de 2000 e 2001, em razão de: 1 ter auferido excesso de receita bruta nos anos de 1999 e 2000, nos termos do art. 23, inc. I da IN (SRF) n° 355/2003, e artigos 9, inc. II, 13, inc. II, alínea ‘a’ e 14, inc. I, da Lei n° 9.317/96; 2 ter praticado de forma reiterada infração à legislação tributária, nos termos do art. 23, inc. V, da IN (SRF) n° 355/2003, e artigo 14, inc. V, do mesmo diploma legal. Como consequência, propomos ao Senhor Delegado da Receita Federal em Taubaté exclusão de ofício da empresa Speed Indústria e Comércio Ltda ME, CNPJ 00.454.887/000198, do SIMPLES, relativamente aos anos de 2000 e 2001, nos termos da legislação citada e do art. 24, incisos IV e V, da IN (SRF) n° 355/2003, e do art. 15, incisos IV e V da Lei n° 9.317/96 e alterações posteriores. (...) B Omissão de Receitas Prosseguindo na descrição dos fatos, de acordo com o que consta no Relatório supra, verificamos que a fiscalizada omitiu rendimentos nos anos de 1999 a 2001, tendo em vista que regularmente intimada não comprovou a origem dos depósitos efetuados em contas bancárias que comprovadamente movimentaram recursos de sua titularidade. Em relação aos anos de 2000 e 2001, será adotada forma de tributação distinta daquela escolhida pela empresa, haja vista exclusão desse contribuinte do SIMPLES, por meio do Ato Declaratório Executivo n° 21/2005, publicado em 08 de dezembro de 2005, segundo o que consta no processo supra (fls. 853 a 855). C Tributação das Receitas Omitidas Em relação ao ano de 1999, as receitas omitidas serão tributadas segundo às normas aplicáveis às empresas optantes pelo SIMPLES, nos termos do art. 18 da Lei n° 9.317/96 e do art. 199 do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto n° 3.000/99 RIR/99). D Apuração das Receitas Omitidas Na planilha 7, fls. 68, apuramos a receita omitida pela fiscalizada no ano de 1999 (coluna (H)), a partir dos depósitos cuja origem não foi comprovada, conforme consta no Relatório supra. A partir dos valores de receita declarados pela fiscalizada (‘Receita Bruta mensal (Decl.)’) e das receitas omitidas (‘Difer. Apuradas’), obtêmse a receita bruta acumulada (‘Receita Bruta Acumulada’) em cada mês, conforme mostra o demonstrativo de fl. 04. Fl. 1087DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO 10 A omissão de receita apurada traz como consequência as seguintes infrações: a Insuficiência de recolhimento dos tributos e contribuições federais; b Omissão de receitas propriamente dita. 1 Insuficiência de recolhimento dos tributos e contribuições federais A primeira infração decorre das alíquotas superiores dos tributos e contribuições que passaram a incidir em razão do aumento da receita bruta acumulada, conforme consta nos demonstrativos de fl. 04 a 12. (...) A diferença entre o ‘Valor Calculado’ e o ‘Valor Pago’ resulta no ‘Valor Devido’ pela fiscalizada. (...) Pelo fato de a decadência já ter alcançado os fatos geradores do IPI ocorridos no ano de 1999, deixamos de constituir o crédito tributário referente a esse tributo, e excluímos a parcela desse imposto para fins de rateio do valor declarado (que inclui o IPI), conforme consta na Planilha 9. Sobre essas diferenças apuradas, houve incidência de multa não qualificada equivalente a 75%. 2 Omissão de receitas Para apuração dos tributos e contribuições incidentes sobre a receita omitida, fls. 13 a 16, basta multiplicar o valor das diferenças apuradas (‘Base de Cálculo’) pelas alíquotas dos tributos e contribuições vigentes para a receita bruta acumulada, mostrada à fl. 04. A utilização de contas bancárias em nome da esposa do sócio da Speed Cruzeiro para receber depósitos de clientes e efetuar pagamentos a fornecedores dessa empresa, caracteriza evidente intuito de fraude, nos termos do art. 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96 c/c art. 19 da Lei n° 9.317/96. (...) Em razão da presença de fraude, houve incidência de multa qualificada equivalente a 150% sobre os valores apurados (‘Valor Calculado’), conforme consta às fls. 13 a 16. E Movimentação Bancária da Speed Cruzeiro Já antevendo possíveis alegações de que os valores depositados nas contas correntes sob análise eram provenientes de vendas acobertadas por Nota Fiscal emitida pela Speed Cruzeiro ou Speed Passa Quatro, cabe esclarecer que não há correspondência entre as datas e valores referentes aos depósitos sob análise e a relação de valores recebidos pela Speed Cruzeiro ou Speed Passa Quatro, referentes às Notas Fiscais de sua emissão, conforme consta no processo supra (fls. 291 a 364). Além do mais, a própria Speed Cruzeiro apresentou movimentação financeira expressiva no ano de 1999, e, assim sendo, como justificar que os valores recebidos a título de vendas realizadas pela fiscalizada teriam sido depositados em contas bancárias da esposa do sócio dessa empresa e não em suas próprias contas (da fiscalizada)? F Resumo dos Fatos Apurados Fl. 1088DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 16045.000233/200549 Acórdão n.º 1101001.270 S1C1T1 Fl. 7 11 Os fatos apresentados acima permitem concluir que a empresa Speed Cruzeiro utilizou contas bancárias em nome da esposa de seu sócio para receber pagamentos efetuados por seus clientes, bem como para efetuar pagamentos a seus fornecedores, cabendo destacar o que segue: 1 Nas cópias de diversos comprovantes de depósito efetuados nas contas bancárias sob análise consta a expressão ‘Speed’; 2 Nas cópias de diversos comprovantes de depósitos efetuados nas contas bancárias sob análise consta o nome fantasia ou empresarial de diversos clientes da empresa Speed Cruzeiro ou Speed Passa Quatro; 3 Diversas cópias de cheques e comprovantes de pagamentos obtidos indicavam que valores debitados nas contas bancárias sob análise foram destinados a fornecedores das empresas Speed Cruzeiro ou Speed Passa Quatro. Ver cópia de folhas do Livro Registro de Entradas da fiscalizada, fls. 70 a 75; 4 Recebimento de valores através de boletos bancários indica que tal movimentação financeira se refere à cobrança de créditos, característica de atividade empresarial; 5 Alguns dos fornecedores que receberam valores provenientes dessas contas bancárias, informaram que os recursos recebidos se referiam a vendas da empresa Speed Cruzeiro ou Speed Passa Quatro; 6 Pelo fato de as contas bancárias sob análise terem movimentado recursos das empresas Speed Cruzeiro ou Speed Passa Quatro, essas empresas foram intimadas a identificar os valores que cabiam a cada uma delas e a justificar a origem das importâncias reconhecidas; 7 Pela falta de identificação dos depósitos, pela não comprovação da origem dos créditos efetuados nas contas bancárias sob análise, e tendo em vista que essas contas comprovadamente movimentaram recursos da Speed Cruzeiro ou Speed Passa Quatro, atribuímos a essas empresas os depósitos não comprovados. Por fim, cumpre informar que será formalizada representação fiscal para fins penais, nos termos da Portaria (SRF) n° 326/2005. ” (fls. 54/70) Em 06/01/2006, o sujeito passivo apresentou manifestação de inconformidade contra a exclusão do SIMPLES (P.A. n. 16045.000196/200579), afirmando tão somente que: (i) não é infratora contumaz; (ii) sempre recolheu os tributos de forma regular; (iii) não há se “falar de desenquadramento por ocorrência de excesso de receita bruta, como sugere a fiscalização”, porquanto “nos anos calendário em 1uestão 2000 e 2001 o faturamento bruto sujeito ao SIMPLES situouse na faixa de até R$1.200.000,00, mais precisamente R$1.134.536,33 e 637.141,02, respectivamente, conforme Declaração Anual Simplificada PJ , transmitida à Receita Federal nos aludidos anos e corroborada pelas notas fiscais de vendas”. Ao final, “roga, portanto, que a douta banca de julgadores dessa Superior Instância decida pela anulação do referido ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO No. 21, por não se revestir de elementos básicos que o sustente” (fls. 885/887). Outrossim, em 23/01/2006, o sujeito passivo apresentou, às fls. 910/920, impugnação contra a autuação relativa ao anocalendário 1999 (P.A. n. 16045.000233/200549). Em sessão de julgamento realizada em 24/04/2006, a 1ª Turma da DRJ/CPS julgou ambos os casos, conforme Acórdão n. 0513.030 assim ementado, litteris: Fl. 1089DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO 12 “Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/1999 Ementa: INTERPOSTA PESSOA. OMISSÃO DE RECEITA. RECEITA NÃO CONTABILIZADA. PRÁTICA REITERADA DE INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. EXCESSO DE RECEITA NA SISTEMÁTICA DO SIMPLES. EXCLUSÃO. Caracterizada a prática reiterada de infração à legislação tributária, via manutenção de receita à margem da tributação e controlada em contacorrente de interposta pessoa, somado a isto a conseqüente superação do limite de receita admissível na sistemática do Simples, seguese a exclusão do contribuinte de dita forma de tributação favorecida e, também de conseqüência, a lavratura de auto de infração que trará a exigência dos tributos compreendidos no Simples e não recolhidos, em função do necessário realinhamento das correspondentes alíquotas (à conta da omissão de receita), mais a exigência daquelas mesmas espécies tributárias incidentes sobre a omissão de receita identificada (excedente à declarada), isso tudo para o anocalendário em que se dá a exclusão. DECADÊNCIA. A exigência de IRPJ pertinente aos meses de janeiro/1999 até novembro/1999, considerado o art. 173, inciso I, do CTN, está decaída se o contribuinte foi cientificado da autuação em dezembro/2005. No caso das Contribuições (Contribuição ao PIS, Cofins, CSLL, INSS), vale o disposto no art. 45, inciso I, da lei n° 8.212/91. Lançamento Procedente em Parte” (fl. 928) Na ocasião, acordaram os d. Julgadores o seguinte, litteris: “256ª Sessão da 1ª Turma de Julgamento. Em 24 de abril de 2006. Vstos, relatados e discutidos os autos do processo n° 16045.000233/2005 49, nestes anexados, por força da Portaria SRF n° 6.129, 02 de dezembro de 2005, os autos sob n° 16045.000196/200579, ACORDAM os julgadores da 1ª Turma da DRJ em Campinas, por unanimidade de votos: a) INDEFERIR A SOLICITAÇÃO veiculada na manifestação de inconformidade processada nos autos sob n° 16045.000196/200579 (exclusão do Simples); b) JULGAR PROCEDENTE EM PARTE O LANÇAMENTO trazido nos autos sob n° 16045.000233/200549. ” (fl. 929) Ressaltese que a então Julgadora da 1ª Turma da DRJ/CPS, atual Conselheira desta d. 1ª Turma, Edeli Pereira Bessa participou desse julgamento de piso. Após ciência do r. decisum em 18/05/2006 (fl. 976), o sujeito passivo interpôs recurso voluntário em 16/06/2006 (fls. 981/991), reiterando, em síntese, seus argumentos apresentados na instância de piso, no sentido de que: · Preliminarmente, “mantém sua tese inicial de nulidade processual devido ao ato ilegal praticado pela auditoria fiscal, por ocasião da ciência do lançamento, independentemente do julgamento do mérito da questão” (fl. 984); · “as informações financeiras da contribuinte foram extraídas das informações prestadas à Secretaria da Receita Federal pelas instituições financeiras, de acordo com o art. 11, §2°. Da lei 9.311, de 24 de outubro de 1996 (Lei da CPMF), em uma autêntica invasão de privacidade. ” (fl. 986); Fl. 1090DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 16045.000233/200549 Acórdão n.º 1101001.270 S1C1T1 Fl. 8 13 · “Reconhecida a decadência do principal, automaticamente não haverá base para o cálculo de multa e outros acréscimos legais porventura existentes. Assim, a recorrente pede que seja reformada a parte da decisão de Primeira Instância que manteve a multa sobre o IRPJ” (fl. 989); · “Descarta ter ocorrido a decadência para as contribuições que considera como fontes de custeio da Seguridade Social, regidas pela Lei 8.212/91, artigo 45, como tal, sujeitas ao prazo decadencial decenal. / Contudo, essa parte final da decisão não merece prosperar (...) / Portanto, esse venerável entendimento da Superior Instância pulveriza não só a exigência fiscal, bem como sua manutenção, de parte da DRJ/CPS, no tocante a CSLL. / Quanto às demais contribuições PIS Programa de Integração Social, COFINS Contribuição para Financiamento da Seguridade e a Contribuição para o INSS, por guardarem a mesma natureza da CSLL, a elas deve ser adotado procedimento idêntico, ou seja, também estão sujeitas à decadência quinquenal, nos termos do referido artigo 150, parágrafo 4° do CTN” (fl. 989 e 990). A propósito, o contribuinte resume suas ponderações nos seguintes tópicos, verbis: “Reitera, para finalizar, que o auto de infração deve ser arquivado, como se pede, PORQUÊ! 1) Houve quebra de sigilo bancário não autorizado pela justiça; 2) A coação fiscal tornao nulo de pleno direito. 3) Houve cerceamento de defesa por abuso de poder 4) Os supostos fatos geradores ocorridos no ano de 1999, já estavam alcançados pela decadência quinquenal, conforme todo o exposto. ” (fl. 991) É o relatório. Voto O recurso voluntário preenche os requisitos de admissibilidade ciência do r. decisum em 18/05/2006 (fl. 976) e interposição de recurso voluntário em 16/06/2006 (fls. 981/991) , razão pela qual dele conheço. Inicialmente, esclareçase que, na instância de piso, houve o julgamento conjunto dos Processos Administrativos n. 16045.000233/200549 (IRPJ, CSLL, PIS, COFINS, INSS) e n. 16045.000196/200579 (Exclusão do SIMPLES), sendo certo que o contribuinte, inconformado, problematizou as questões discutidas em ambos os casos no Recurso Voluntário apresentado às fls. 981/991 (ainda que, em relação à exclusão do SIMPLES, haja brevíssima passagem na conclusão do recurso). Desse modo, tendo em vista que os autos em que se discute a exclusão do SIMPLES (16045.000196/200579) encontramse em apenso ao presente (16045.000233/2005 49), pareceme o caso de julgar ambas as demandas na mesma assentada e em conjunto, tal como promovido na instância inferior. Fl. 1091DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO 14 Firmada essa delimitação do litígio, passemos ao julgamento. Da possibilidade de manutenção de lançamentos escorados em dados de movimentação bancária obtidos por meio de emissão de RMFs Entendimento pacificado nesta Col. Turma Como visto, parte dos lançamentos feitos pelo Fisco escoramse em informações bancárias obtidas mediante emissão de RMFs e a partir da verificação de valores de depósitos/créditos bancários injustificados e não embasados documentalmente (nem declarados) pelo contribuinte, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal. Assim, é absolutamente estreme de dúvidas que o caso em vergaste envolve lançamentos de ofício lastreado em presunção legal de omissão de receitas por depósitos bancários (art. 42 da Lei n. 9.430/96), tendo esses dados sido obtidos pelo Fisco sem amparo em qualquer decisão judicial, sendo inequívoca a expedição de bastantes Requisições de Movimentação Financeira – RMFs. Nos termos de meu posicionamento já externado noutras ocasiões neste colegiado, entendo que, para obter dados por meio de RMFs, deve o Fisco ter fundamento em ordem judicial, sob pena de quebra de sigilo bancário, conforme preconiza o art. 1º, caput e §1º, da LC n. 105/2001. Esse entendimento, a propósito, já foi externado pelo Plenário do Eg. Supremo Tribunal Federal por ocasião do julgamento do RE 389.808/PR, em acórdão assim ementado: “SIGILO DE DADOS – AFASTAMENTO. Conforme disposto no inciso XII do artigo 5º da Constituição Federal, a regra é a privacidade quanto à correspondência, às comunicações telegráficas, aos dados e às comunicações, ficando a exceção – a quebra do sigilo – submetida ao crivo de órgão equidistante – o Judiciário – e, mesmo assim, para efeito de investigação criminal ou instrução processual penal. SIGILO DE DADOS BANCÁRIOS – RECEITA FEDERAL. Conflita com a Carta da República norma legal atribuindo à Receita Federal parte na relação jurídico tributária – o afastamento do sigilo de dados relativos ao contribuinte.” (RE 389808/PR, Rel. Min. Marco Aurélio, Tribunal Pleno, Julgado em 15/12/2010, Publicado em 10/05/2011) A par disso, sempre me posicionei no sentido de, em casos como tais, afastar a aplicação da sistemática estruturada pela conjugação da LC n. 105/2001, da Lei n. 10.174/2001 e pelo Decreto n. 3.724/2001 com base no art. 26A, § 6º, inc. I, do Decreto nº 70.235/72 e art. 62A, par. único, inc. I, do RICARF, os quais preveem, respectivamente, o seguinte, in verbis: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 6º O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (...)” Fl. 1092DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 16045.000233/200549 Acórdão n.º 1101001.270 S1C1T1 Fl. 9 15 “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ” Inobstante isso, em reiteradas ocasiões, essa d. 1ª Turma da 1ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento chancelou entendimento contrário, conforme se vê dos precedentes exemplificativos citados abaixo, verbis: “SIGILO BANCÁRIO. A utilização de informações de movimentação financeira obtidas regularmente não caracteriza violação de sigilo bancário, sendo desnecessária prévia autorização judicial. ” (CARF 1ªT/1ªC/1ªS P.A. n. 15586.721277/201255 Acórdão n. 1101001.164 Sessão de 26/08/2014 Rel. Cons. Edeli Pereira Bessa) “SIGILO BANCÁRIO. A utilização de informações de movimentação financeira obtidas regularmente não caracteriza violação de sigilo bancário, sendo desnecessária prévia autorização judicial. ” (CARF 1ªT/1ªC/1ªS P.A. n. 10882.722133/201258 Acórdão 1101001.117 Sessão de 03/06/2014 Rel. Cons. Benedicto Celso Benício Júnior Red. p/ acórdão Cons. Edeli Pereira Bessa) Assim sendo e curvandome ao entendimento que restou pacificado nesta d. Turma Julgadora , REJEITO essa preliminar e NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário no ponto. Da inexistência de nulidade na ciência do lançamento No ponto, o contribuinte assevera que “mantém sua tese inicial de nulidade processual devido ao ato ilegal praticado pela auditoria fiscal, por ocasião da ciência do lançamento, independentemente do julgamento do mérito da questão” (fl. 984), acostando aos autos, para embasar sua argumentação, notificação pretensamente encaminhada pela sócia cotista Alice Vilela de Barros para Delegado da Polícia Federal (fls. 925/026), na qual informa que teria havido abuso de poder, na medida em que, após ter sido localizada em seu local de trabalho (Agência da Previdência Social), teria sido coagida a tomar ciência do Auto de Infração, a despeito de ter dado conhecimento aos agentes da Receita Federal do Brasil de que “não tinha conhecimento dos fatos narrados no auto de infração, por não participar da administração da empresa, e por isso não poderia receber o documento” (fl. 984/985). Penso não ter razão o contribuinte sobre o tema. Fl. 1093DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO 16 Com efeito, a despeito de conter declarações fáticas de conteúdo grave, o documento colacionado é apenas uma cópia simples, sem qualquer comprovante de envio, que traz apenas uma assinatura sem qualquer autenticação em cartório ou comprovante de recebimento por parte de qualquer autoridade policial. Outrossim, o sujeito passivo não mencionou a necessidade de produção de provas testemunhais sendo certo que poderia, exemplificativamente, obtêla em juízo por meio do expediente nominado de ‘Justificação’ no Código de Processo Civil (arts. 861 a 866) ou sequer apresentou declaração de testemunha. Ora, por óbvio, um evento como aquele narrado pela Recorrente certamente foi testemunhado por outros cidadãos que poderiam confirmar a narrativa, mas não foi o que se passou. A bem da verdade, o Recorrente apenas passa longas páginas externando irresignação com eventual coação e abuso de poder, mas não se preocupou em provar tais acontecimentos. Desse modo, à míngua de quaisquer elementos confirmadores da tese da Recorrente, pareceme não ser possível dar azo a tal documento ou às ilações por ela formuladas, razão pela qual igualmente REJEITO essa preliminar e NEGO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário no ponto. Do mérito Ao tratar do mérito em exíguas quatro páginas (às fls. 987/990), o Recorrente apenas afirma o seguinte, verbis: “A recorrente reitera que ofereceu todos os meios de provas capazes de desfazer o diagnóstico fiscal de omissão de receitas. (...) Se mais não fez, como perseveram os autores (?), devese ao esgotamento dos meios probantes, até mesmo devido ao alcance do lapso decadencial, como se verá adiante, tornandoos irrelevantes. ” (fl. 987/988) “Reconhecida a decadência do principal, automaticamente não haverá base para o cálculo de multa e outros acréscimos legais porventura existentes. Assim, a recorrente pede que seja reformada a parte da decisão de Primeira Instância que manteve a multa sobre o IRPJ. ” (fl. 989) “Adiante, descarta ter ocorrido a decadência para as contribuições que considera como fontes de custeio da Seguridade Social, regidas pela Lei 8.212/91, artigo 45, como tal, sujeitas ao prazo decadencial decenal. (...) Portanto, esse venerável entendimento da Superior Instância pulveriza não só a exigência fiscal, bem como a sua manutenção, de parte da DRJ/CPS, no tocante a CSLL Quanto às demais contribuições PIS Programa de Integração Social, COFINS Contribuição para Financiamento da Seguridade e a Contribuição para o INSS, por guardarem a mesma natureza da CSLL, a elas deve ser adotado procedimento idêntico, ou seja, também estão sujeitas à decadência quinquenal, nos termos do referido artigo 150, parágrafo 4°, do CTN. Fl. 1094DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 16045.000233/200549 Acórdão n.º 1101001.270 S1C1T1 Fl. 10 17 III A CONCLUSÃO À vista de todo o exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer a recorrente seja acolhido o presente recurso composto de 11 (onze) folhas, numeradas manualmente de 01 a 11, para o fim de assim ser decidido, cancelandose o débito fiscal reclamado, e por extensão mantendo SUA vinculação ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições (SIMPLES). ” (fl. 989/990) A meu ver, apenas um dos argumentos apresentados pelo contribuinte é capaz de lhe conceder provimento parcial à irresignação. Com efeito, esclareçase, inicialmente, que a Fiscalização realizada bem demonstra por meio de provas juntadas nos autos que houve o uso de conta corrente de titularidade de interposta pessoa (Rosemary Nazario da Silva) para promover movimentação de recursos derivados de operações comerciais das empresas Speed (Speed Passa Quatro e Speed Cruzeiro) levadas a cabo pelo sujeito passivo e que não foram registradas em escrita contábil fiscal, tendo por objetivo a irregular supressão de tributos, o que não pode ser chancelado por este E. Conselho. Nesse sentido, leiase breve excerto exemplificativo sobre o tema extraído do Termo de Verificação Fiscal, litteris: “II Diligências realizadas junto a clientes Por meio de diligências realizadas junto a clientes da empresa Speed Cruzeiro, apuramos diversas irregularidades praticadas tanto pela Speed Cruzeiro quanto pela Speed Passa Quatro, conforme mostram os documentos de fls. 22 a 34 (fls. 98 a 110). Não se trata de coincidência, pois essas empresas apresentam diversos clientes em comum. Eis a principais irregularidades apuradas: 1 Em relação à Speed Passa Quatro, apuramos o seguinte: 1.1 Venda de produtos ao contribuinte José Carlos de Souza Taubaté ME (CNPJ 66.033.572/000185) através da Nota Fiscal n° 1335, emitida em 08/06/99, no valor de R$336,00, tendo sido essa venda paga por meio de dois boletos bancários: o primeiro, em nome da empresa vendedora, em valor idêntico ao da Nota Fiscal emitida, R$336,00, e o segundo, em nome da Sra. Rosemary Nazário da Silva, doravante Sra. Rosemary, no valor de R$340,00, importância essa depositada na contacorrente n° 341/258/312909, ficando caracterizado o subfaturamento; 1.2 Venda de produtos ao contribuinte Valdinei dos Santos ME (CNPJ 73.150.740/000188) através da Nota Fiscal n° 662, emitida em 15/10/98, no valor de R$160,00, tendo sido essa venda paga por meio de dois boletos bancários: o primeiro, em nome da empresa vendedora, em valor idêntico ao da Nota Fiscal emitida, R$160,00, e o segundo, em nome da Sra. Rosemary, no valor de R$192,50, importância essa depositada na contacorrente n° 341/258/312909, ficando caracterizado o subfaturamento; (...) 2 Em relação à Speed Cruzeiro, verificamos que a mesma realizou venda de produtos ao contribuinte Benedito Lucio Ribeiro ME, CNPJ 00.865.392/000151, através da Nota Fiscal n° 2515, emitida em 04/12/98, no valor de R$26,88, tendo sido pago pelos produtos Fl. 1095DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO 18 adquiridos o montante de R$101,88, em dinheiro, ficando caracterizado o subfaturamento; ” (fls. 55/56) Nesse quadro, a meu sentir, está provada a omissão de receitas, devendo ser chancelado o posicionamento externado na instância de piso, verbis: “9. Quanto à insurgência do contribuinte frente ao Ato Declaratório Executivo n° 21, de 6 de dezembro de 2005, que o excluiu do Simples, não merece ser acatada. 9.1 De fato, há provas suficientes nos autos a indicar, sim, a prática reiterada de infração à legislação tributária, haja vista o uso de contacorrente de titularidade de interposta pessoa para ali movimentar recursos derivados de operações mercancia levadas a cabo por este contribuinte e que, ao mesmo tempo, não encontram par com coincidência de data e valor na escrituração contábil fiscal desse mesmo contribuinte. Tudo a indicar a existência de movimentação financeira ainda que sob a titularidade de interposta pessoa à margem da escrita contábilfiscal, prova direta de omissão de receita. Por outra linha, nem sua ‘Declaração Anual Simplificada PJ’, nem as ‘notas fiscais de vendas’ são meios hábeis a lhe socorrer, certo que, ainda que haja compatibilidade entre tais elementos, muito fortemente demonstra a fiscalização que nem toda receita auferida pelo contribuinte deriva das operações estampadas em notas fiscais de venda, senão também de aporte paralelo e sem registro contábilfiscal. 9.2 Nesse sentido, correta a exclusão deste contribuinte da sistemática do Simples, tudo como anotado no procedimento fiscal encartado nos autos sob n° 16045.000196/200579, posteriormente anexado aos autos sob n° 16045.000233/200549, como já adiantado no Relatório.” (fls. 948/949) Superada essa questão, resta analisar a apontada decadência de outros períodos para além daqueles já reconhecidos na instância de piso. A propósito, leiase, inicialmente, breve excerto explicativo presente na ementa do julgamento de piso, litteris: “DECADÊNCIA. A exigência de IRPJ pertinente aos meses de janeiro/1999 até novembro/1999, considerado o art. 173, inciso I, do CTN, está decaída se o contribuinte foi cientificado da autuação em dezembro/2005. No caso das Contribuições (Contribuição ao PIS, Cofins, CSLL, INSS), vale o disposto no art. 45, inciso I, da Lei n° 8.212/91. ” (fls. 928) Lembrese, no ponto, que o caso é de fraude, o que atrai o cômputo do prazo decadencial para o art. 173, inc. I, do Código tributário Nacional sendo certo que essa questão não foi problematizada. Nesse quadro, tem parcial razão o contribuinte. Isso porque, como se sabe, de acordo com a Súmula Vinculante n. 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei n. 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange a decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional, verbis: Súmula vinculante n. 8: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5° do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. ” Fl. 1096DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 16045.000233/200549 Acórdão n.º 1101001.270 S1C1T1 Fl. 11 19 Esclareçase que a despeito de o art. 62 do RICARF vedar o afastamento de aplicação ou inobservância de legislação sob fundamento de inconstitucionalidade , determina o inciso I do § único do art. 62 do RICARF que o disposto no caput não se aplica a dispositivo que tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Pretório Excelso. Assim, em razão da declaração de inconstitucionalidade acima mencionada, restaram extintos os créditos cujo lançamento tenha ocorrido após o prazo decadencial previsto no artigo 173, inc. I, do Código Tributário Nacional (aplicável ao caso em razão da existência de fraude). Eis o pacífico posicionamento adotado por este Col. CARF, e.g.: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/1999 a 31/03/2003 DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE N° 08. PRAZO QUINQUENAL DOS ARTIGOS 173, INCISO I E 150, §4°, DO CTN. Aplicase o prazo do artigo 173, I, do CTN na hipótese de comprovada ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” (P.A. n. 17460.000393/200711 Acórdão n. 2301004.064 Sessão de 16/07/2014 Cons. Rel. Adriano Gonzales Silvério, grifos acrescidos) Portanto, tendo em vista que as espécies tributárias em debate foram formalizadas em bases mensais, devese aplicar às demais a mesma regra que prevaleceu em relação ao IRPJ na instância a qua, de modo que as exigências dos demais tributos nas competências de JANEIRO/1999 até NOVEMBRO/1999 poderiam ser lançadas até 31/12/2004 (art. 173, inc. I, do CTN). Como a ciência do auto de infração se deu em 22/12/2005, os créditos lançados sobre aquele período estão decaídos. Conclusão Por tais razões e sendo certo que nenhuma outra questão foi devolvida a este C. CARF por meio do Recurso Voluntário apresentado pela ora Recorrente , encaminho meu voto no sentido de REJEITAR as preliminares e DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário nos termos da argumentação supra, de modo a excluir as exigências de CSLL, de PIS, de COFINS e de Contribuição para o INSS relativas ao período de Janeiro/1999 a Novembro/1999, chancelando as demais conclusões apresentadas por ocasião do julgamento da 1ª Turma da d. DRJ/CPS. Outrossim, em razão da incompletude do v. acórdão recorrido nos presentes autos, determino seja feita reprografia das fls. 1094/1125 do P.A. n. 16045.000138/200626 e seja colacionado ao presente processo administrativo, sendo certo que, em razão da análise conjunto dos processos, não há se falar em qualquer prejuízo para que os I. Julgadores promovam o julgamento. Fl. 1097DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO 20 Por fim, na medida em que a exclusão do SIMPLES foi julgada de forma conjunta com o presente processo, determino que uma cópia deste acórdão seja feita e colacionada naqueles autos (P.A. n. 16045.000196/200579), que se encontram em apenso. É como voto. (documento assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR – Relator Fl. 1098DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 10980.009266/2007-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2005
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE. DISPOSITIVO DE ACÓRDÃO QUE NÃO CORRESPONDE À DECISÃO DO COLEGIADO. RECURSO ACOLHIDO SEM EFEITOS INFRINGENTES.
Constatada a incompatibilidade entre o teor do acórdão embargado - que unicamente afastava as multas isoladas - e o respectivo dispositivo - que atesta que apenas os principais de IRPJ e CSLL, além de acréscimos moratórios -, de rigor o acolhimento dos aclaratórios, sem efeitos infringentes, para que seja afastada a obscuridade e para esclarecer que foram mantidas, para além dos principais e dos juros à taxa SELIC, as exigências atinentes às multas de ofício no percentual de 75%.
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ALEGADA OMISSÃO QUANTO À PRECLUSÃO DA QUESTÃO CONSISTENTE NA HIGIDEZ DAS MULTAS ISOLADAS. ALEGAÇÃO IMPROCEDENTE.
Tendo a contribuinte contestado as exigências de multa isolada, não há que se falar em preclusão da matéria pelo simples fato de o sujeito passivo não ter deduzido o argumento ao final acolhido no acórdão embargado. Inteligência dos arts. 128 e 473 do CPC e do art. 17 do Decreto n. 70.235/72.
Numero da decisão: 1101-001.196
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção de Julgamento, 1) relativamente à arguição de obscuridade, por unanimidade de votos, ACOLHER e PROVER os embargos, sem efeitos infringentes; e 2) relativamente à arguição de omissão, por unanimidade de votos, REJEITAR os embargos.
(assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente.
(assinado digitalmente)
BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente), Benedicto Celso Benício Júnior (Relator), Edeli Pereira Bessa, Paulo Mateus Ciccone, Leonardo Mendonça Marques e Marcelo De Assis Guerra.
Nome do relator: BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR
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OBSCURIDADE. DISPOSITIVO DE ACÓRDÃO QUE NÃO CORRESPONDE À DECISÃO DO COLEGIADO. RECURSO ACOLHIDO SEM EFEITOS INFRINGENTES. Constatada a incompatibilidade entre o teor do acórdão embargado que unicamente afastava as multas isoladas e o respectivo dispositivo que atesta que apenas os principais de IRPJ e CSLL, além de acréscimos moratórios , de rigor o acolhimento dos aclaratórios, sem efeitos infringentes, para que seja afastada a obscuridade e para esclarecer que foram mantidas, para além dos principais e dos juros à taxa SELIC, as exigências atinentes às multas de ofício no percentual de 75%. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ALEGADA OMISSÃO QUANTO À PRECLUSÃO DA QUESTÃO CONSISTENTE NA HIGIDEZ DAS MULTAS ISOLADAS. ALEGAÇÃO IMPROCEDENTE. Tendo a contribuinte contestado as exigências de multa isolada, não há que se falar em preclusão da matéria pelo simples fato de o sujeito passivo não ter deduzido o argumento ao final acolhido no acórdão embargado. Inteligência dos arts. 128 e 473 do CPC e do art. 17 do Decreto n. 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção de Julgamento, 1) relativamente à arguição de obscuridade, por unanimidade de votos, ACOLHER e PROVER os embargos, sem efeitos infringentes; e 2) relativamente à arguição de omissão, por unanimidade de votos, REJEITAR os embargos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 92 66 /2 00 7- 60 Fl. 440DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO 2 (assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. (assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente), Benedicto Celso Benício Júnior (Relator), Edeli Pereira Bessa, Paulo Mateus Ciccone, Leonardo Mendonça Marques e Marcelo De Assis Guerra. Relatório Cuidase, na origem, de Auto de Infração com exigências de IRPJ e de CSLL lavrado em desfavor de ALL AMERICA LATINA LOGÍSTICA INTERMODAL S/A, ora Embargada, decorrente de “insuficiência de recolhimento ou de declaração do imposto de renda devido, apurado com base no lucro real anual, em virtude da falta de pagamento da estimativa mensal” (fl. 10), o que culminou, ainda, na exigência de multas isoladas pela falta de recolhimento sobre base de cálculo estimada, tudo relativo ao anocalendário de 2005. Inconformada com a lavratura dos autos de infração, o sujeito passivo apresentou impugnações, que foram julgadas improcedentes em sessão de julgamento de 13 de dezembro de 2007, conforme acórdão n. 0616.269 (fls. 365/370) assim ementado, in verbis: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA MENSAL. LANÇAMENTO APÓS O TÉRMINO DO ANOCALENDÁRIO. Verificada a falta de pagamento do imposto ou contribuição social por estimativa, após o término do anocalendário, o lançamento deve abranger o imposto devido com base no lucro real apurado em 31 de dezembro, caso não recolhido, e a multa de ofício isolada sobre a diferença das estimativas devidas e não recolhidas. Lançamento Procedente” Novamente irresignada com o r. decisum, interpôs recurso voluntário, que foi parcialmente provido por esta d. Turma Julgadora (Cons. Rel. José Ricardo da Silva) em sessão de julgamento realizada em 18 de junho de 2009, nos termos do acórdão n. 1101000.136 (fls. 405/414), assim ementado, litteris: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Fl. 441DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.009266/200760 Acórdão n.º 1101001.196 S1C1T1 Fl. 3 3 Anocalendário: 2005 FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA MENSAL. LANÇAMENTO APÓS O TÉRMINO DO ANOCALENDÁRIO Verificada a falta de pagamento do imposto ou contribuição social por estimativa, após o término do anocalendário, correto o lançamento de ofício que abrange tão somente o imposto devido com base no lucro real apurado em 31 de dezembro, quando não recolhido. PENALIDADE. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO (ISOLADA). FALTA DE RECOLHIMENTO. PAGAMENTO POR ESTIMATIVA – Encerrado o período de apuração do tributo, a exigência de recolhimentos por estimativa deixa de ter eficácia, uma vez que prevalece a exigência do tributo efetivamente devido, apurado na ação fiscal com base no lucro real. Não comporta a cobrança de multa isolada em lançamento de ofício, por falta de recolhimento de tributo por estimativa, sob pena de dupla incidência de multa de ofício sobre uma mesma infração. ” Cientificada a Fazenda Nacional do r. decisum em 07 de maio de 2013 (cf. fl. 415), foi oposto tempestivo recurso de embargos de declaração em 08 de maio de 2013 (fls. 417/426), no qual asseverou, em síntese, que: (i) “Assim, observase que, conquanto tenha o voto proferido pelo Relator decidido pelo provimento parcial do recurso voluntário e apenas para excluir da exigência a multa de ofício isolada, o acórdão embargado foi redigido de maneira a sinalizar o provimento parcial do recurso voluntário com o seguinte adendo ‘mantendo tão somente a exigência do principal (IRPJ e CSLL) com acréscimos moratórios’. Pela redação do acórdão não fica claro que foi mantido o lançamento da multa de ofício, tendo em vista que faz alusão ao termo ‘acréscimos moratórios’, o que pode ensejar dúvida quanto ao entendimento do Colegiado para fins de execução do julgado e interposição de recurso, se cabível. Daí o vício da obscuridade. Também pode ser apontado, em relação à mesma situação, o vício da contradição, uma vez que a redação do acórdão não acompanha em seus exatos termos a conclusão do Relator, que foi clara no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, tãosomente para excluir a exigência da multa isolada. Ao inverter essa lógica, trazendo o complemento do que restou mantido e não excluído do lançamento, em virtude do provimento parcial do recurso do contribuinte, o acórdão foi obscuro e contraditório com os termos do voto que o acompanha, ao afirmar a incidência de acréscimos moratórios. Essa expressão não deixa evidente que foi mantido o lançamento da multa de ofício” (fl. 420); e (ii) “Além disso, quanto à multa isolada, observase outro vício no acórdão embargado. Com efeito, analisandose a peça de insurgência inaugural de fls. 148/160 (AIIRPJ) e 314/326 (AI CSLL), verificase que o autuado não impugnou especificamente Fl. 442DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO 4 a multa agravada, tampouco formulou pedido expresso nesse sentido. / (...) Em consequência, não se instaurou litígio em relação à matéria, em razão do quê não foi objeto de consideração, análise e decisão pela autoridade julgadora de primeira instância, no relatório de sua decisão. (...) A decisão embargada também elaborou relatório no mesmo sentido, no qual se constata que não houve qualquer argumento relativo à concomitância das multas aplicadas ou mesmo insurgência específica quanto ao lançamento da multa isolada. Apenas em sede de recurso voluntário, ou seja, inovando no objeto litigioso, muito embora continue sem trazer insurgência específica quanto à matéria, o contribuinte alega, nos termos do relatório da decisão ora recorrida: ‘g) que a recorrente apurou, conforme expressamente reconhecido nos autos, balancetes de suspensão, tendo declarado e confessado os supostos débitos correspondentes à estimativa, não cabendo, portanto, nem sequer imputação por multa isolada nesse sentido; (...) i) que nem sequer poderseia aplicar a multa isolada correspondente à alegada falta de pagamento dos tributos apurados por estimativa, pois, além de a recorrente ter apurado balancetes de suspensão, os mesmos foram devidamente declarados e confessados em DCTF. ’ Entretanto, nada obstante as considerações acima tecidas de que a impugnação do sujeito passivo não ventila impugnação específica e pedido expresso referente à multa isolada, consistindo a inserção dessa matéria no recurso voluntário, ainda que unicamente sob a forma sem argumentar sobre a existência de concomitância, em incabível inovação do objeto litigioso, observase que o acórdão embargado, bem como o teor do voto sagrado vencedor que dele faz parte integrante, em contrapartida, deu procedência ao recurso do interessado justamente em relação a essa matéria. / (...) Como se observa, operouse, no caso, a preclusão administrativa, na forma dos arts. 14, 16 e 17 do Decreto nº 70.235/72, fato este sobre o qual foi omissa a decisão deste Colegiado, pois a matéria relativa à multa isolada não foi objeto de insurgência específica na impugnação” (fl. 420/423). É o relatório. Voto Conselheiro BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Fl. 443DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.009266/200760 Acórdão n.º 1101001.196 S1C1T1 Fl. 4 5 Os embargos de declaração preenchem os requisitos de admissibilidade, razão pela qual deles conheço. Conforme se depreende do relatório acima, a Fazenda Nacional aponta (i) obscuridade e contradição em relação ao acórdão formalizado e o teor do voto vencedor, na medida em que, a seu sentir, não teria ficado claro que o provimento parcial do recurso voluntário se deu para afastar tão somente as multas isoladas; e (ii) omissão sobre a preclusão da questão atinente às multas cobradas isoladamente, eis que a matéria não teria sido ventilada em sede de impugnação, de modo que inexistiria litígio quanto ao ponto. Pois bem. Em relação à primeira questão vergastada, penso que tenha razão a Fazenda Nacional. No ponto, o teor do voto condutor do aresto inequivocamente afasta apenas as multas isoladas lançadas, decorrente da falta de recolhimento do imposto e da contribuição em causa por estimativa. Contudo, esse entendimento não se mostra em consonância com o dispositivo do aresto, verbis: “ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária do [sic] PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, mantendo tão somente a exigência do principal (IRPJ e CSLL) com os acréscimos moratórios. ” (fl. 405) Nesse sentido, leiase breve excerto do voto condutor, litteris: “Admitir a aplicação da multa de ofício cumulativamente com a multa isolada, pela falta de recolhimento da estimativa sobre os valores apurados em procedimento fiscal, significaria admitir que, sobre imposto apurado de ofício, se aplicassem duas punições, atingindo valores idênticos ou superiores aos das penalidades cominadas para faltas qualificadas. Tal penalidade seria desproporcional ao proveito obtido com a falta. (...) No caso, tem razão a recorrente quando diz que a fiscalização pretende cobrar a multa de lançamento de ofício incidente sobre tributo lançado, também de ofício, concomitantemente com a multa de lançamento de ofício, isolada, sobre a insuficiência/falta calculada em decorrência da mesma infração. Desta forma, sou pelo provimento do recurso voluntário relativamente a multa isolada, lançada de ofício. Ante o exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir da exigência a multa de ofício isolada. ” (fls. 412/414) Por assim ser, no ponto, ACOLHO os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, unicamente para retificar referido trecho do dispositivo, de modo a, adequandoo à realidade da decisão proferida e embargada, fazer constar que o provimento parcial do recurso voluntário foi para afastar tão somente as multas isoladas de IRPJ e CSLL, de modo que mantidas as multas de ofício de 75% e os acréscimos moratórios na esteira da lei. Por outro lado, em relação à suposta omissão sobre a possibilidade de conhecimento da questão atinente à multa isolada – porquanto, no entendimento da Fazenda Fl. 444DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO 6 Nacional, a questão não teria sido ventilada em sede de impugnação, o que atrairia o instituto da preclusão , penso que não tenha razão a ora Embargante. Com efeito, o que se depreende dos embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional é que seu cerne consiste no argumento de que o simples fato de a questão – impossibilidade de aplicação da multa isolada no caso – ter sido atacada por argumento diverso daquele que foi o preponderante no julgamento implicaria em preclusão da matéria, o que não se pode admitir. É ainda curioso e digno de nota que o recurso de Embargos de Declaração aqui controvertido busca delinear o conteúdo das Impugnações a partir exclusivamente dos relatórios da decisão da DRJ e do v. acórdão embargado, sem qualquer abordagem e exame diretos das peças impugnatórias. Ao contrário do que sustenta a Em diversos momentos das impugnações, o sujeito passivo demonstrou sua irresignação com relação à aplicação da multa isolada, controvertendo sua aplicação e instaurando, assim, o litígio sobre a matéria. A propósito, leiamos alguns trechos, a título exemplificativo, que bem demonstram o quanto afirmando acima, litteris: “Mas não é só, para caracterizar ainda mais o absurdo excesso de exação, o qual a Processada só pode creditar ao desumano assoberbamento de trabalho impingido aos auditores fiscais da Receita Federal do Brasil, com base no mesmo conjunto fático que motivou o auto de infração ora vergastado foi lavrado auto de infração de multa isolada, correspondente ao processo n° 10980.002231/200619. E o que causa mais espécie é o fato de todos os atos administrativos suso narrados terem sido lavrados pelos mesmos auditores fiscais que são responsáveis pelo auto de infração ora impugnado, sem que fosse prestado nenhum esclarecimento sobre o por quê de tão grave e odioso bis in idem fiscal. ” (fl. 317) “Esta lição assume especial importância quanto à parte do lançamento que trata da Imposição de penalidades, pois com base nas mesmas informações foi lavrado o auto de infração n° 10980.002231/200619, sendo certo que em relação ao mesmo sequer houve qualquer menção no presente auto de infração. Assim, como já houve imposição de penalidades à Processada, através de lançamento de ofício que sequer o presente auto de infração esclarece se foi ou não cancelado, ou mesmo por quê motivos estaria procedendo à sua revisão, está absolutamente precluso o momento para que a autoridade lançadora possa [lançar] (...) Ora, o presente auto é absolutamente teratológico, pois trata de constituir crédito tributário de novo e imputar novamente multa à Processada por algo em relação ao qual a mesma já fora penalizada e teve o crédito tributário inclusive inscrito em dívida ativa. ” (fl. 323) “E para suprir a conveniente falta de informações do malfadado auto de infração, pontuese que o lançamento de multa pelo mesmo fato que agora motiva nova imposição de penalidade, sem nenhum fundamento que pudesse autorizar revisão do Fl. 445DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.009266/200760 Acórdão n.º 1101001.196 S1C1T1 Fl. 5 7 lançamento anterior, foi cancelado pelo Conselho de Contribuintes, sob o fundamento de que não há autorização legal para imposição de penalidade in casu, no acórdão ementado como se segue: ‘Processo n°: 10980.002231/200619 Recurso n° 154132 Ex Officio Matéria: CSLL Ex: 2006 Recorrente: 1ª Turma/DRJ Curitiba/PR Interessada: All América Latina Logística Intermodal S/A Sessão de: 28 de fevereiro de 2007 Acórdão n°: 10708.896 RECURSO DE OFÍCIO CSLL DCTF CONFISSÃO MULTA ISOLADA LEI 10.833, ART. 18 CRÉDITO PRÊMIO PERDECOMP INEXISTÊNCIA IMPROCEDÊNCIA A aplicação da multa isolada de que trata o art. 18 da lei 10.833, pela descrição do tipo punível, pressupõe compensação não declarada, realizada em face das regras do art. 74 da lei 9.430/96, isto é, pela via do PERDECOMP, não, porém, à suspensão de exigibilidade simplesmente declarada em DCTF, cuja descaracterização impõe, tão somente, a cobrança do crédito tributário confessado com os acréscimos legais cabíveis.” (fl. 324) “Outrossim, como medida a corroborar que deve ser integralmente cancelado o presente auto de infração, no que se refere à imposição de penalidades a presente situação assume uma feição especialmente grave, pois, ainda que abstraíssemos todos os vícios formais e materiais do presente auto de infração, se nem a autoridade lançadora está certa quanto à infração cometida pela Processada, na medida em que sai lavrando de forma indiscriminada e inconsequente tantos autos de infração quanto sua irresponsabilidade e desconsideração com a Lei e com os contribuintes permitirem, é óbvio que estamos diante de uma hipótese de aplicação do art. 112 do Código Tributário Nacional, em face das dúvidas objetivas que cercam o presente lançamento.” (fl. 325) “Assim, não há o mínimo fundamento para o presente auto de infração, seja porque (...), ou porque imputam à Processada penalidade pela segunda vez, sem sequer esclarecer se o lançamento anterior (10980.002231/200619), lavrado com base na mesma situação fática, fora cancelado ou não, e os motivos, na forma do art. 149 do CTN, que levariam à sua revisão, caso esta fosse possível, o que não o é em face de inequívoca preclusão” (fl. 327) Os trechos acima reproduzidos foram extraídos da Impugnação dirigida ao Auto de Infração de CSLL, mas excerto absolutamente análogo pode ser localizado na Impugnação em face da autuação de IRPJ, consoante se depreende da leitura dos fólios 158 e seguintes. O próprio acórdão da d. DRJ assenta que a questão da multa isolada foi controvertida (a partir de outros argumentos), conforme se nota no trecho abaixo, litteris: Fl. 446DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO 8 “Voto Contesta, a interessada, o presente lançamento ao argumento de que os créditos tributários respectivos já foram inscritos em Dívida Ativa da União, conforme processos administrativos n° 10980.002045200680 IRPJ e 10980.002048/200613 CSLL, além do que também foram lavrados autos de infração para a cobrança da multa isolada, correspondente aos processos n° 10980.002230/200674 IRPJ e 10980.002231/200619 CSLL, e que em tese fica sujeita a pagar o mesmo tributo duas vezes sobre o mesmo fato.” (fl. 368) “Assim, após ter sido encaminhado para inscrição em Dívida Ativa da União de valores de estimativas declarados em DCTF, as quais não representam créditos tributários, mas sim antecipações sujeitas a um ajuste futuro para apuração do valor efetivamente devido, a autoridade administrativa reviu seu ato, solicitando o seu cancelamento, bem como, somente após a decisão definitiva da cobrança da multa isolada lançada, a qual foi cancelada por esta DRJ, por falta de previsão legal, já que a penalidade aplicada estaria vinculada à nãohomologação de compensação declarada mediante PER/DCOMP ou à compensação considerada não declarada por meio de PER/DCOMP, decisão esta ratificada pela 7ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes ao negar provimento aos recursos de ofício, é que foi efetuado o presente lançamento com a adoção dos procedimentos estabelecidos na legislação tributária, anteriormente transcrita, não havendo bis in idem ou cobrança em duplicidade do mesmo crédito tributário..” (fl. 370) Outrossim, em sede de recurso voluntário, a empresa fez consignar expressamente sua irresignação com relação à multa isolada, o que devolveu a este Col. CARF a matéria em referência, conforme trechos a seguir expostos, litteris: “E vejam V. Sas. que a Recorrente apurou, conforme expressamente reconhecido nos autos, balancetes de suspensão, tendo declarado e confessado os supostos débitos correspondentes à estimativa, não cabendo, portanto, nem sequer imputação por multa isolada nesse sentido, pois também neste caso há, como alegado na impugnação e ignorado pelo Acórdão recorrido, a incidência do art. 112 do CTN. ” (fl. 401) “Nem sequer poderseia aplicar a multa isolada correspondente à alegada falta de pagamento dos tributos apurados por estimativa, pois além de a Recorrente ter apurado balancetes de suspensão, os mesmos foram devidamente declarados e confessados em DCTF. ” (fl. 402) A par disso, temse que, de fato, a quaestio iuris em testilha foi devidamente suscitada pelo contribuinte em suas primeiras postulações escritas apreciado – oportunidade em que o ora Embargado pleiteou o cancelamento das exações a partir de argumento diverso daquele que determinou a fulminação das cobranças no seio deste C. CARF –, de modo que não há se falar em preclusão. Com efeito, a preclusão de que aqui se cogita – que, digase de passagem, consiste na Preclusão Consumativa – não alcança argumentos, e sim questões processuais – Fl. 447DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.009266/200760 Acórdão n.º 1101001.196 S1C1T1 Fl. 6 9 para além de faculdades processuais –, o que pode ser constatado a partir da leitura do art. 473 do Código de Processo Civil, que reza, verbis: Art. 473. É defeso à parte discutir, no curso do processo, as questões já decididas, a cujo respeito se operou a preclusão. (sem grifos no original) O art. 17 do Decreto n. 70.235/72 – que assevera que matérias não expressamente contestadas serão tidas como não impugnadas – cuida justamente da verificação dos limites objetivos da peculiar lide administrativa. É manifesto que as matérias a que alude o citado art. 17 não se confundem com argumentos, sendo certo que a mais concreta norma que emerge do Art. 128 do Código de Processo Civil ratifica inafastavelmente a exegese atribuída ao vocábulo constante do texto de lei, sendo a seguinte a redação desse dispositivo, litteris: Art. 128. O juiz decidirá a lide nos limites em que foi proposta, sendolhe defeso conhecer de questões, não suscitadas, a cujo respeito a lei exige a iniciativa da parte. Ora, é indiscutível que a contribuinte pleiteou o cancelamento das exigências de multa isolada em suas impugnações – lançando mão das causas petendi próximas, é dizer, dos fundamentos jurídicos que entendeu apropriados. Apresentada regularmente a irresignação quanto às penalidades em causa, é certo que a matéria em apreço, que a questão em testilha compõe o objeto do litígio administrativo, de modo que não apenas pode, mas deve o competente órgão julgador acerca dela (leiase, da questão) se pronunciar. Obviamente, em sua livre convicção podem os órgãos julgadores entender aplicáveis ao substrato fático respectivo preceitos normativos diversos, fundamentos jurídicos diversos, ainda que não suscitados pelas partes, o que revela o descabimento da alegação de que a matéria fora acometida pela preclusão ante a não dedução de determinado argumento. Esse é o cerne da postulação da Fazenda Nacional neste ponto, de modo que devem ser rejeitados os Embargos de Declaração. Com efeito, o r. Colegiado embargado não se pronunciou expressamente sobre a preclusão do tema em apreço pelo fato de que não há que se falar na operação da preclusão. Tendo esta Colenda Turma acolhido a postulação da contribuinte quanto à inaplicabilidade das multas isoladas, é indiscutível e intuitivo que o Colegiado entendeu que a matéria compunha o objeto do litígio devolvido à instância superior – corretamente, conforme se demonstrou acima. Por fim, assevero ainda que a postulação deduzida pela Embargante sofre nitidamente o influxo da Teoria da Substanciação, tão cara a certos processualistas e cuja influência na processualística civil pátria pode ser vislumbrada a partir da leitura do inciso III do art. 282 do Código de Processo Civil, que preceitua que a petição inicial indicará os fatos e os fundamentos jurídicos do pedido. Fl. 448DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO 10 Sequer ingressarei na discussão da mitigação desse preceito no seio do Processo Civil; limitome, tendo em vista os lindes da questão submetida à apreciação do Colegiado, a asseverar que, ao contrário do Processo Civil, o Processo Administrativo Fiscal é inexoravelmente norteado pelo Princípio da Verdade Material, e essa norma se coaduna muito mais com o antigo brocardo Da mihi factum, dabo tibi ius. Por assim ser, encaminho meu voto no sentido de CONHECER os Embargos de Declaração para darlhes PARCIAL ACOLHIDA, sem efeitos infringentes, para afastar a obscuridade e esclarecer que o provimento parcial do recurso voluntário levado a efeito pelo Acórdão n. 1101000,136 foi para afastar tão somente a multa isolada, de modo que mantidas as exigências de IRPJ, CSLL e as correlatas multas de ofício de 75%, além de juros à taxa SELIC. É como voto. BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Relator Fl. 449DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO
score : 1.0
Numero do processo: 10580.732604/2012-31
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Apr 14 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE
O pedido de realização de perícia poderá ser indeferido pela autoridade julgadora se esta entender pela sua desnecessidade ao deslinde da questão, na linha do que previsto no art. 18 do decreto 70.235/72.
JUROS CALCULADOS À TAXA SELIC. APLICABILIDADE.
A cobrança de juros está prevista na legislação tributária federal, desse modo foi correta a aplicação do índice pela fiscalização previdenciária.
MULTA POR ENTREGA DE GFIP COM INFORMAÇÕES INCORRETAS OU COM OMISSÃO. LEI 13.097/2015. APLICAÇÃO. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO
A Lei 13.097/2015 deve ser aplicada ao caso contrato, cominando a anistia ali prevista como remissão, extinguindo o crédito tributário da obrigação acessória, nos termos do art. 156, IV, do CTN.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2803-004.156
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I- por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator, para que o valor da multa aplicada até a competência 11/2008 seja calculado segundo o art. 35 da lei 8.212/91, na redação anterior a lei 11.941/09, e comparado aos valores que constam do presente auto, para se determinar o resultado mais favorável ao contribuinte. Vencido o Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima quanto à multa aplicada. II- por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto vencedor redator designado Conselheiro Ricardo Magaldi Messetti, para aplicar ao caso concreto o disposto no artigo 49 da Lei n. 13.097/2015, entendendo a palavra anistia ali constante como remissão, extinguindo o crédito tributário da obrigação acessória em questão (DEBCAD 37.378.221-7), nos termos do art. 156, IV, do CTN. Vencidos os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima e Oseas Coimbra Junior.
assinado digitalmente
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
assinado digitalmente
Oséas Coimbra - Relator.
assinado digitalmente
Ricardo Magaldi Messetti Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Eduardo de Oliveira e Ricardo Magaldi Messetti.
Nome do relator: OSEAS COIMBRA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE O pedido de realização de perícia poderá ser indeferido pela autoridade julgadora se esta entender pela sua desnecessidade ao deslinde da questão, na linha do que previsto no art. 18 do decreto 70.235/72. JUROS CALCULADOS À TAXA SELIC. APLICABILIDADE. A cobrança de juros está prevista na legislação tributária federal, desse modo foi correta a aplicação do índice pela fiscalização previdenciária. MULTA POR ENTREGA DE GFIP COM INFORMAÇÕES INCORRETAS OU COM OMISSÃO. LEI 13.097/2015. APLICAÇÃO. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO A Lei 13.097/2015 deve ser aplicada ao caso contrato, cominando a anistia ali prevista como remissão, extinguindo o crédito tributário da obrigação acessória, nos termos do art. 156, IV, do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2306; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE03 Fl. 2 1 1 S2TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.732604/201231 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2803004.156 – 3ª Turma Especial Sessão de 10 de março de 2015 Matéria Contribuições Previdenciárias Recorrente TELEMEDICINA DA BAHIA LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE O pedido de realização de perícia poderá ser indeferido pela autoridade julgadora se esta entender pela sua desnecessidade ao deslinde da questão, na linha do que previsto no art. 18 do decreto 70.235/72. JUROS CALCULADOS À TAXA SELIC. APLICABILIDADE. A cobrança de juros está prevista na legislação tributária federal, desse modo foi correta a aplicação do índice pela fiscalização previdenciária. MULTA POR ENTREGA DE GFIP COM INFORMAÇÕES INCORRETAS OU COM OMISSÃO. LEI 13.097/2015. APLICAÇÃO. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO A Lei 13.097/2015 deve ser aplicada ao caso contrato, cominando a anistia ali prevista como remissão, extinguindo o crédito tributário da obrigação acessória, nos termos do art. 156, IV, do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator, para que o valor da multa aplicada até a competência 11/2008 seja calculado segundo o art. 35 da lei 8.212/91, na redação anterior a lei 11.941/09, e comparado aos valores que constam do presente auto, para se determinar o resultado mais favorável ao contribuinte. Vencido o Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima quanto à multa aplicada. II por maioria de votos, em dar provimento parcial ao AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 73 26 04 /2 01 2- 31 Fl. 843DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 09/04/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10580.732604/201231 Acórdão n.º 2803004.156 S2TE03 Fl. 3 2 recurso, nos termos do voto vencedor redator designado Conselheiro Ricardo Magaldi Messetti, para aplicar ao caso concreto o disposto no artigo 49 da Lei n. 13.097/2015, entendendo a palavra anistia ali constante como remissão, extinguindo o crédito tributário da obrigação acessória em questão (DEBCAD 37.378.2217), nos termos do art. 156, IV, do CTN. Vencidos os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima e Oseas Coimbra Junior. assinado digitalmente Helton Carlos Praia de Lima Presidente. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. assinado digitalmente Ricardo Magaldi Messetti – Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Eduardo de Oliveira e Ricardo Magaldi Messetti. Fl. 844DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 09/04/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10580.732604/201231 Acórdão n.º 2803004.156 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que manteve o auto de infração lavrado. Reproduzo excerto do relatório da r. decisão, que bem esclarece a situação posta. Tratase de crédito tributário constituído pela fiscalização e materializado por meio dos Autos de Infração (AI) contra o sujeito passivo acima identificado AI nº 37.378.2187 (contribuições da empresa, incluído SAT/RAT), no valor de R$ 308.580,98, AI nº 37.378.2195 (contribuição de segurados), no valor de R$ 66.690,84, AI nº 37.378.2209 (contribuição destinada a outras entidades e fundos), no valor de R$ 26.110,72, referentes a contribuições não declaradas em GFIP e juros e multas associados, e AI nº 37.378.2217 referente a multa pela declaração incompleta em GFIP, no valor de R$ 34.331,40, consolidados em 10/01/2013, verificados no estabelecimento de CNPJ nº 03.154.807/000177 desse contribuinte, lançados em 10/01/2013 e com a ciência pessoal ao contribuinte em 11/01/2013. Constituíram fatos geradores das contribuições lançadas as remunerações a empregados e contribuintes individuais não declaradas em GFIP, no período de 01/2008 a 12/2008. O r. acórdão – fls 804 e ss, conclui pela improcedência da impugnação apresentada, mantendo o auto de infração lavrado. Inconformada com a decisão, apresenta recurso voluntário, alegando, em síntese, o seguinte: · Impossibilidade de agravamento da multa de ofício · Multa de mora de 24% retroatividade benigna · A autoridade fiscal ao lavrar o auto de infração combatido, acabou por atualizar monetariamente o valor pela SELIC, além de aplicar juros de mora e multa moratória, tudo isto com suposto espeque nos arts. 34 e 35 , I, II e III da Lei n° 8.212/91. · Da inaplicabilidade da multa de oficio · Impossibilidade de cumulação de multa de ofício com multas isoladas · Imprescindibilidade da perícia Fl. 845DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 09/04/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10580.732604/201231 Acórdão n.º 2803004.156 S2TE03 Fl. 5 4 · Requer seja determinada a realização da perícia contábil, e, ainda, que seja dado provimento ao presente recurso, a fim de que seja reformada a decisão de primeira instância administrativa, para ser reconhecida a improcedência ou parcialmente procedente a autuação.. É o relatório. Fl. 846DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 09/04/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10580.732604/201231 Acórdão n.º 2803004.156 S2TE03 Fl. 6 5 Voto Vencido Conselheiro Oséas Coimbra O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Do que impugnado, temos o seguinte: DO PEDIDO DE PERÍCIA O princípio da livre convicção do julgador é aplicável em relação às provas carreadas aos autos. O pedido de diligência foi indeferido uma vez que foi considerado prescindível pela autoridade julgadora para que a mesma formasse sua convicção. Segundo Pontes de Miranda, "A perícia serve à prova de fato que dependa de conhecimento especial, ou que simplesmente precise de ser fixado(...)." (Comentários ao Código de Processo Civil, Tomo IV,pg. 625, Forense, 2º edição, 1979) Vejamos a legislação pertinente art. 18 do Decreto 70.235/72: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9/12/93) Não obstante, o decreto 70.235/72, que regula o processo administrativo fiscal, em seu art. 16 menciona os requisitos da impugnação. O inciso III determina que a peça já deve trazer os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. O inciso IV regula os pedidos de diligência ou perícia e, por fim os §§1º e 4º consideram não formulados os pedidos que não atendam aos requisitos elencados e determinam que toda prova seja apresentada quando da impugnação. Transcrevemos. Art. 16. A impugnação mencionará: ... III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação Fl. 847DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 09/04/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10580.732604/201231 Acórdão n.º 2803004.156 S2TE03 Fl. 7 6 profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) ... § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) O impugnante – fls 837 formulou pedido de produção de provas e de perícia, sem apresentar os necessários quesitos, em total desacordo com a norma citada. Uma vez que o requerente não seguiu o previsto no prefalado art. 16, aplica se a regra do § 1º, correta a decisão da autoridade julgadora, também por este motivo. DA MULTA AGRAVADA Lei 8212/91: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Por seu turno, o art. 44 da lei 9430/96 determina: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Acréscimo de 50% não atendimento de intimação Lei 9430/96 art. 44, parágrafo 2º: § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos Fl. 848DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 09/04/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10580.732604/201231 Acórdão n.º 2803004.156 S2TE03 Fl. 8 7 casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I prestar esclarecimentos; II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991 III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei; O relatório fiscal informa: “A empresa autuada foi intimada na TIPF a apresentar as folhas de pagamento (2008 e 2009) e contabilidade (2008) em meio digital com leiaute previsto no Manual Normativo de Arquivos Digitais, atual ou em vigor à época da ocorrência dos fatos geradores. Estes arquivos não foram entregues à fiscalização. (…) Em função do exposto a multa de ofício foi agravada de 50%” A recorrente apenas faz genérica alegação informando que “sempre colaborou com a fiscalização, atendeu aos prazos de forma tempestiva, apresentou os documentos requisitados e jamais se esquivou do seu dever de colaboração para a busca da verdade dos fatos, e apuração do verdadeiro valor devido”, sem no entanto apresentar provas do alegado. A conduta apontada justifica o agravamento da multa, que deve ser mantido. Ressaltese que a legislação citada deixa claro que a penalidade independe de avaliação quanto ao elemento subjetivo, determinando sua aplicação independentemente de dolo ou culpa. DA MULTA DE OFÍCIO APLICADA – Obrigação Principal A multa aplicada tem seu valor determinado pela legislação em vigor. A atividade tributária é plenamente vinculada ao cumprimento das disposições legais, sendolhe vedada a discricionariedade de aplicação da norma quando presentes os requisitos materiais e formais para sua aplicação. A presente multa encontra fundamento nos dispositivos legais trazidos no relatório Fundamentos Legais do Débito – FLD. No entanto, o art. 106, inciso II,”c” do CTN determina a aplicação de legislação superveniente apenas quando esta seja mais benéfica ao contribuinte. Os valores da multas referentes a descumprimento de obrigação principal foram alterados pela MP 449/08, de 03.12.2008, convertida na lei n º 11.941/09. Assim sendo, como os fatos geradores se referem ao ano de 2008, o valor da multa aplicada até a competência 11/2008 deve ser calculado segundo o art. 35 da lei 8.212/91, na redação anterior a lei 11.941/09, e comparado aos valores que constam do presente auto, para se determinar o resultado mais favorável ao contribuinte. DA TAXA SELIC Fl. 849DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 09/04/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10580.732604/201231 Acórdão n.º 2803004.156 S2TE03 Fl. 9 8 A cobrança de juros está prevista em lei específica da previdência social, art. 34 da Lei n ° 8.212/1991, abaixo transcrito. Art.34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de CustódiaSELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Artigo restabelecido, com nova redação dada e parágrafo único acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Parágrafo único. O percentual dos juros moratórios relativos aos meses de vencimentos ou pagamentos das contribuições corresponderá a um por cento. Nesse sentido já se posicionou o STJ no Recurso Especial n ° 475904, publicado no DJ em 12/05/2003, cujo relator foi o Min. José Delgado: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. CDA. VALIDADE. MATÉRIA FÁTICA. SÚMULA 07/STJ. COBRANÇA DE JUROS. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. A averiguação do cumprimento dos requisitos essenciais de validade da CDA importa o revolvimento de matéria probatória, situação inadmissível em sede de recurso especial, nos termos da Súmula 07/STJ. No caso de execução de dívida fiscal, os juros possuem a função de compensar o Estado pelo tributo não recebido tempestivamente. Os juros incidentes pela Taxa SELIC estão previstos em lei. São aplicáveis legalmente, portanto. Não há confronto com o art. 161, § 1º, do CTN. A aplicação de tal Taxa já está consagrada por esta Corte, e é devida a partir da sua instituição, isto é, 1º/01/1996. (REsp 439256/MG). Recurso especial parcialmente conhecido, e na parte conhecida, desprovido. Quanto à inconstitucionalidade, não cabe tal análise na esfera administrativa. Não é de competência da autoridade julgadora a recusa ao cumprimento de norma supostamente inconstitucional – ex vi art. 62 do regimento interno do CARF, aprovado pela portaria GMF no 256, de 22 de junho de 2009. Toda lei presumese constitucional e, até que seja declarada sua inconstitucionalidade pelo órgão competente do Poder Judiciário para tal declaração ou exame da matéria, deve o agente público, como executor da lei, respeitála. A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições. Este Conselho Administrativo já tem a matéria sumulada, de seguimento obrigatório por seus membros: Fl. 850DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 09/04/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10580.732604/201231 Acórdão n.º 2803004.156 S2TE03 Fl. 10 9 Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Pondo fim a essa discussão, o STF, em sede de repercussão geral, no julgamento do RE 582461/SP, rel. Min. Gilmar Mendes, em 18.5.2011, decidiu ser legítima a incidência da Selic como índice de atualização dos débitos tributários pagos em atraso. Dessa feita, foi correta a aplicação do índice pela fiscalização federal. APLICAÇÃO DA NORMA MAIS FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE O art. 106, inciso II,”c” do CTN determina a aplicação de legislação superveniente, caso esta seja mais benéfica ao contribuinte. As multas em GFIP foram alteradas pela lei n º 11.941/09, o que pode beneficiar o recorrente. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212, senão vejamos: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Fl. 851DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 09/04/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10580.732604/201231 Acórdão n.º 2803004.156 S2TE03 Fl. 11 10 II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Dessarte, o valor do Auto de Infração deve ser calculado segundo a nova norma legal art. 32A,I, da lei 8.212/91, somente, e comparado aos valores que constam do presente auto, para se determinar o resultado mais favorável ao contribuinte. No cálculo da multa devem se observados os valores mínimos, por competência, elencados no parágrafo 3º do mesmo artigo 32A. Ressaltese que tal comparação não abarcará a competência 12/2008, cuja entrega de GFIP deuse após a edição na MP 449/08. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, doulhe parcial provimento para que o valor da multa aplicada até a competência 11/2008 seja calculado segundo o art. 35 da lei 8.212/91, na redação anterior a lei 11.941/09, e comparado aos valores que constam do presente auto, para se determinar o resultado mais favorável ao contribuinte. Em relação ao DEBCAD 37.378.2217(auto obrigação acessória FL68), que seja efetuado o cálculo da multa de acordo com o art. 32A,I da lei 8.212/91, na redação dada pela lei 11.941/09, sendo a multa mínima a ser aplicada, por competência, no valor de R$ 500,00 (quinhentos reais), consoante o inciso II do parágrafo 3º do mesmo artigo legal, e comparado aos valores que constam do presente auto, para que seja aplicado o mais benéfico à recorrente. Tal comparação darseá somente com as competências anteriores à 11/2008, inclusive. A comparação darseá no momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte e, na inexistência destes, no momento do ajuizamento da execução fiscal, conforme art.2º. da portaria conjunta RFB/PGFN no. 14, de 04.12.2009. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Fl. 852DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 09/04/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10580.732604/201231 Acórdão n.º 2803004.156 S2TE03 Fl. 12 11 Voto Vencedor Conselheiro Ricardo Magaldi Messetti Pedi vista do presente processo tão somente para averiguar a aplicabilidade da Lei nº 13.097/2015 ao caso concreto, e não por duvidar das razões de decidir do Nobre Conselheiro Relator, a quem rendo aqui as mais sinceras homenagens. Da Anistia Instituída pela Lei n. 13.097/2015 A Lei n. 13.097, publicada em 19 de janeiro de 2015, inovou o ordemanento jurídico, sendo que a multa prevista no artigo 32A da Lei nº 8.212/1991, pela falta de entrega da GFIP, deixou de produzir efeitos em relação aos fatos geradores ocorridos no período de 27/05/2009 a 31/12/2013, no caso de entrega de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária – GFIP sem Movimento. Ficaram, ainda, anistiadas as multas pela entrega da GFIP fora do prazo ou apresentada com incorreções ou omissões, desde que a declaração (GFIP) tenha sido apresentada até o último dia do mês subsequente ao previsto para a entrega, in verbis: (...) Seção XIV Da Apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP Art. 48. O disposto no art. 32A da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, deixa de produzir efeitos em relação aos fatos geradores ocorridos no período de 27 de maio de 2009 a 31 de dezembro de 2013, no caso de entrega de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária. Art. 49. Ficam anistiadas as multas previstas no art. 32A da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, lançadas até a publicação desta Lei, desde que a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, tenha sido apresentada até o último dia do mês subsequente ao previsto para a entrega. Art. 50. O disposto nos arts. 48 e 49 não implica restituição ou compensação de quantias pagas. Todavia, antes de adentrar na anistia específica trazida pela Lei 12.093/2015, faço um apertado escorço sobre o instituto da anistia em matéria tributária. Ora, a anistia é classificada como o perdão legal da infração, o que obsta a constituição do crédito tributário referente às correspondentes penalidades. É causa de exclusão do crédito tributário, o que significa dizer que impede a constituição do crédito através do Fl. 853DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 09/04/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10580.732604/201231 Acórdão n.º 2803004.156 S2TE03 Fl. 13 12 lançamento, consoante a norma do art. 175 do CTN, e, como todo benefício fiscal, somente pode ser concedida por Lei tributária específica. Insta salientar, outrossim, que a a anistia não se confunde com a remissão. Esta é causa de extinção do crédito tributário, ou seja, operase após o lançamento e consequente constituição do crédito. Além disso, consoante o art. 172 do CTN, a remissão exige justificativa para sua concessão (casos de admissibilidade), ao passo que a anistia pode ser absoluta e concedida incondicionalmente, desde que referente às penalidades ocorridas até a vigência da lei concessiva. Além disso, a anistia abrange apenas as infrações. A remissão, por sua vez, pode ser apenas referente às infrações ou ao crédito tributário como um todo. O catedrático da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Professor Paulo de Barros Carvalho, discorrendo sobre a conceituação da Anistia e da Remissão, em sua renomada obra Curso de Direito Tributário, ensina: "Anistia fiscal é o perdão de falta cometida pelo infrator de deveres tributários e também quer dizer o perdão da penalidade a ele imposta por ter infringido mandamento legal. Tem, como se vê, duas acepções: a de perdão pelo ilícito e a de perdão da multa. As duas proporções semânticas do vocabulário anistia oferecem matéria de relevo para o Direito Penal, razão porque os penalistas designam anistia o perdão do delito e o indulto o perdão da pena cominada para o crime. Voltandose para apagar o ilícito tributário ou a penalidade infligida ao autor da ilicitude, o instituto da anistia traz em si indiscutível caráter retroativo, pois alcança fatos que se compuseram antes do termo inicial da lei que a introduz no ordenamento. Apresenta grande similitude com a remissão, mas com ela não se confunde. Ao remir, o legislador tributário perdoa o débito tributário, abrindo mão do seu direito subjetivo de percebêlo; ao anistiar, todavia, a desculpa recai sobre o ato da infração ou sobre a penalidade que lhe foi aplicada. Ambas retroagem, operando em relação jurídica já constituídas, porém de índole diversa: a remissão, em vínculo obrigacional de natureza estritamente tributária; a anistia, igualmente em liames de obrigação, mas de cunho sancionatório." Diferente não é o entendimento do saudoso mestre Aliomar Baleeiro, no seu consagrado Direito Tributário Brasileiro: "A anistia não se confunde com a remissão. Esta pode dispensar o tributo, ao passo que a anistia fiscal é limitada à exclusão das infracões cometidas anteriormente à vigência da lei. que a decreta." Assim, utilizandose das lapidares lições do mestre Aliomar Baleeiro, temse que o CTN, para a anistia, tomou de empréstimo o milenar instituto político de clemência, esquecimento e concórdia, com este, porém, não se confundindo, apesar da mesma natureza perdão, esquecimento , de um lado, por restringilo, posto que a anistia fiscal exclui os atos qualificados como crime ou contravenção ou atos que, sem este qualificativo, envolvem dolo, fraude, simulação ou conluio, de outro, por ampliálo, posto que se estende, para além do legislador federal, aos legisladores estaduais e municipais. Quanto à remissão esclarece que o CTN se refere ao mesmo instituto de Direito Privado de que trata o Código Civil, arts. 1.053 a 1.055. que tem, como a anistia política, o mesmo cerne significativo na ideia de perdão (remitir ou perdoar a dívida). Fl. 854DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 09/04/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10580.732604/201231 Acórdão n.º 2803004.156 S2TE03 Fl. 14 13 Embeberando os sempre maestrais ensinamentos de Tarcio Sampaio Ferraz Jr, em artigo reproduzido na Revista Dialética de Direito Tributário n. 92, a distinção entre os dois institutos, no âmbito tributário (sistematicidade orgânica da matéria), é importante porque produzem efeitos diferentes a remissão é modalidade de extinção do crédito (CTN. art. 156), a anistia exclui o crédito (CTN. art. 175). Mas reduzir a distinção entre ambos a perdão de infração e penalidades correspondentes (a anistia) e a perdão do crédito (a remissão) é, data venia, uma fórmula muito pobre, já pela origem diferente que manifestam. O exame da sistematicidade orgânica exige, para além da estrutura do contexto normativo, a consideração da gênese dos conceitos. O transporte para o Direito Tributário não apaga as origens e ignorálas pode conduzir a perigosas simplificações. Afinal o direito é um fenômeno da vida humana e não um texto sem contexto. Assim, a remissão, dentre as modalidades de extinção, é um dos casos em que o CTN se serve "de institutos e conceitos de Direito Privado, no mesmo sentido em que este os criou e estruturou (CTN, arts. 109 e 110)", lembrando, por sua vez. que a anistia fiscal, "como a anistia política", pode ser absoluta ou condicional, geral ou restrita. O fato de a anistia fiscal, como a anistia política, poder ser absoluta é já um primeiro dado a ser considerado. Ao contrário da remissão, que o CTN vincula à racionalidade de uma relação meio/fim casos de admissibilidade, conforme o art. 172 do CTN , a anistia, que pode ser absoluta, poderá ser então concedida incondicionalmente ("irrestritamente pela lei sem quaisquer condições", nas palavras de Aliomar Baleeiro, op. cit., p. 533), alheia ao cálculo limitador da racionalidade. Isto a aproxima de suas origens mais remotas, quando era concedida em alusão a eventos que não guardavam nenhuma relação com os efeitos do ato soberano. Por isso, no direito moderno, a anistia não é vista, basicamente, como um favorecimento individual, posto que seu destinatário imediato é a pessoa humana e a sociedade. Nesse sentido, não pede nenhuma justificação condicional ao ato da autoridade que a concede, ainda que, secundariamente, possa atingir certas finalidades (como por exemplo, a paz social ou um benefício econômico). Ou seja, ela não é concedida por que nem para que um conjunto de beneficiários por meio dela ela se beneficie, mas no interesse soberano da própria sociedade. Além disso, sendo oblívio, esquecimento, juridicamente ela "provoca a criação de uma ficção legal", ela não "apaga" propriamente a infração, mas "o direito de punir", razão pela qual aparece depois de ter surgido o fato violador, não se confundindo com uma novação legislativa. Entendese, assim, porque a anistia fiscal é capitulada como exclusão do crédito (gerado pela infração) e não como extinção (caso da remissão), pois se trata de créditos que aparecem depois do fato violador, abrangendo a fortiori apenas infrações cometidas anteriormente à vigência da lei que a concede. E, como na anistia política, da qual segue o cancelamento das penalidades ou a revisão das penas correspondentemente à infração anistiada, também a anistia fiscal será seguida de cancelamento de multas, eventualmente sob condição de pagamento do tributo, cujo crédito então não se extingue. Ou seja, o crédito gerado pela infração se exclui porque a infração se anistia. isto é, desaparece o direito de punir. Desaparecido esse, desaparecem as penalidades, embora, obviamente, a recíproca não seja verdadeira, isto é, as penalidades podem ser extintas (por exemplo, pelo pagamento) sem que desapareça infração e, em consequência, sem que o crédito tenha sido excluído. Fl. 855DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 09/04/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10580.732604/201231 Acórdão n.º 2803004.156 S2TE03 Fl. 15 14 O CTN, no art. 180, fala, assim, em anistia de infrações e não de anistia de penalidade. Afinal, como esclarece o inúmeras vezes clamado Aliomar Baleeiro, "o Fisco, se há infração legal por parte do sujeito passivo, pode cumular o crédito fiscal e a penalidade. exigindo esta e aquele". Esta autonomia da exigência da penalidade que, como crédito, nasce da infração. explica que a anistia desta exclua a exigência daquela que, em consequência, se cancela. Mas a mesma autonomia tem de admitir a hipótese de mera redução de multas e penalidades, isto é, do crédito correspondente, sem que haja. obviamente, perdão da infração ou de que o crédito gerado pela infração possa ser extinto (e não excluído) por qualquer das modalidades de extinção de crédito. Afinal, não se pode anistiar um "pedaço" de uma infração, embora se possa perdoar parte de um crédito. Já a remissão é. justamente, uma dessas modalidades, cuja estrutura, como diz Aliomar Baleeiro, vem do Direito Privado. A remissão de dívida é negócio jurídico unilateral, que pode ser abstrato ou causal. Se causal, faz depender de solução de outra obrigação a sua eficácia. A eventual bilateralidade da remissão depende do que o credor quer. Ou seja, a bilateralidade não lhe é essencial. Entendese, desse modo. que a remissão tributária seja ato fundamentado e que a lei concedente preencha os requisitos estabelecidos pela lei complementar. Na verdade, a remissão privada pode ser da dívida ou da pena. Ou seja, se a anistia só se refere à infração, isto não exclui a possibilidade de a remissão referirse também e mesmo apenas ao crédito resultante da pena pecuniária imposta, e até somente a uma parte deste crédito. Ora, a possibilidade da remissão da pena tem uma consequência que não pode ser menosprezada. Afinal, no campo tributário, há de se reconhecer que haverá casos em que a lei anistia a infração, donde se segue a extinção da pena. mas outros há em que ela cancela a penalidade sem ter anistiado a infração. Neste último caso, qual o instituto que estará sendo aplicado; o de origem política (penal) ou o de origem privada? Ora. tenhase em conta que. quando se trata de perdão de pena criminal, não se fala em anistia, mas em indulto. "Ao contrário da anistia, o indulto não extingue o crime, impede tãosó a execução da pena a que tenham sido condenados os que dele se beneficiam" (Aníbal Bruno. Direito Penal, tomo 3°. Rio de Janeiro/São Paulo. 1966. p. 204). Mas de indulto não fala a lei tributária. E quando fala em concessão de anistia, limitadamente (CTN. art. 182 11), não prevê nenhuma hipótese de limitação referente a uma (parcial!) redução de penalidades pecuniárias. Mesmo porque, nesse caso, não haveria anistia, mas indulto. Não obstante, a doutrina tributária fala em anistia de penalidades, argumentando que. em tal caso. sendo a sanção a negação da negação do direito provocada pela infração, ela é a afirmação daquele direito (a dupla negação é uma afirmação). Donde se segue que a supressão da pena equivaleria à supressão do direito que ela confirma, isto é, a anistia da pena equivaleria à anistia da infração correspondente. Daí, apesar de o CTN falar apenas em anistia de infração, poderse admitir também a anistia (imprópria?) de penalidade (cf. Zelmo Denari; Comentários ao Código Tributário Nacional, vol. 4, São Paulo, 1978, pp. 181 e ss.). Esse argumento, que admite a anistia da infração por força da anistia da pena, valeria quando ocorresse o cancelamento total da pena, mas é impróprio quando o caso é de mera redução, pois seria então de se perguntar se estaria ocorrendo a anistia (em parte?!) da Fl. 856DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 09/04/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10580.732604/201231 Acórdão n.º 2803004.156 S2TE03 Fl. 16 15 infração, em relação à qual, como se sabe, a pena pecuniária não tem função compensatória de crédito. Podese anistiar uma infração e não outra, a infração referente a um tributo e não a outro, as infrações punidas com multa até certo montante, mas não um "pedaço" de infração nem penas até certo montante de tal modo que a infração ou o direito de punir ficassem "meio" anistiados. A possibilidade legal de perdão de parte de penalidades, com a utilização da fórmula "cancelamento ou redução de multas e penalidades", merece, pois, uma outra explicação. Segue, pois, que é irrecusável a hipótese de mero perdão de penalidade, isto é, de perdão do crédito correspondente, independente do oblívio da infração. Ou seja, quando o legislador tributário disciplina o perdão de penalidades ou vê na sua anistia uma correlação com a anistia da infração (por inteiro) ou, querendo referirse apenas à penalidade (ao crédito correspondente) mantendose a infração e não recorrendo impropriamente ao instituto da anistia, só pode estar a falar em remissão. Assim, a remissão tributária sendo modalidade de extinção do crédito tributário tal como ele é constituído pelo lançamento e, no caso de penalidades, o crédito se constituindo por lançamento de ofício, quando a lei prevê o cancelamento ou redução de penalidades nada impede que estejamos diante de remissão e não de anistia. Desta feita, observase que a “anistia” trazida pela Lei 13.097/2015 atinge as infrações de não entrega de GFIP no prazo correto, desde que entregue no mês subsequente e a entrega de GFIP com incorreções ou omissões, não necessitando, neste segundo caso, qualquer entrega posterior, pois não há na lei em questão a exigência para a entrega com correções. Assim, entendo que a anistia trazida pelo artigo 49 da Lei 13.097/2015 deve ser aplicada ao caso concreto como remissão, extinguindo o crédito tributário referente à obrigação acessória em comento. Destaco, outrossim, que a norma tributária não há de trazer palavras inúteis, deste feito entendo que à remissão da multa por entrega de GFIP apresentada com incorreções ou omissões não há qualquer condição, devento ser de imediato aplicado os termos propostos, com a corolária extinção do crédito tributário lançado. Conclusão Por todo exposto, voto no sentido de conhecer do recurso voluntário, para no mérito darlhe parcial provimento, aplicando ao caso concreto o disposto no artigo 49 da Lei n. 13.097/2015, entendendo a palavra anistia ali constante como remissão, extinguindo o crédito tributário da obrigação acessória em questão (DEBCAD 37.378.2217), nos termos do art. 156, IV, do CTN. É como voto. (assinado digitalmente) Ricardo Magaldi Messetti – Redator designado Fl. 857DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 09/04/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10120.726850/2011-90
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
IRPF. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. DIREITO ADQUIRIDO. ISENÇÃO. DECRETO No 1.510/76. APLICAÇÃO.
A manutenção da participação societária da empresa pelo período de 05 (cinco) no decorrer da vigência do Decreto-Lei nº 1.510/76, importa na não incidência do imposto de renda sobre o ganho de capital auferido a partir da alienação de aludido direito, nos termos do artigo 4º, alínea d, daquele Diploma Legal, ainda que o ato negocial tenha ocorrido posteriormente à revogação de referida benesse fiscal, em face do direito adquirido pelo contribuinte no período sob a égide do precitado comando legal.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-003.542
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Relator), Maria Helena Cotta Cardozo e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (suplente convocada), que votaram por negar provimento ao recurso. Designado o Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira para redigir o voto vencedor.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator
(Assinado digitalmente)
Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Redator-Designado
EDITADO EM: 02/02/2015
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Eduardo de Souza Leão (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (suplente convocada).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. DIREITO ADQUIRIDO. ISENÇÃO. DECRETO No 1.510/76. APLICAÇÃO. A manutenção da participação societária da empresa pelo período de 05 (cinco) no decorrer da vigência do DecretoLei nº 1.510/76, importa na não incidência do imposto de renda sobre o ganho de capital auferido a partir da alienação de aludido direito, nos termos do artigo 4º, alínea “d”, daquele Diploma Legal, ainda que o ato negocial tenha ocorrido posteriormente à revogação de referida benesse fiscal, em face do direito adquirido pelo contribuinte no período sob a égide do precitado comando legal. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Relator), Maria Helena Cotta Cardozo e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (suplente convocada), que votaram por negar provimento ao recurso. Designado o Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira para redigir o voto vencedor. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 68 50 /2 01 1- 90 Fl. 206DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por WAGNER LUIS DE OLIVEIRA ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por RYCARDO HENR IQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10120.726850/201190 Acórdão n.º 9202003.542 CSRFT2 Fl. 207 2 (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto – Presidente (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira – RedatorDesignado EDITADO EM: 02/02/2015 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Eduardo de Souza Leão (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (suplente convocada). Relatório Tratase de lançamento de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (IRPF), abrangendo a tributação a título de omissão de rendimentos decorrentes da alienação, pelo contribuinte, de participação societária (quotas da sociedade Laticínios Morrinhos Indústria e Comércio Ltda. – CNPJ 02.341.881/000130, atualmente denominada de LBR Lácteos Brasil S/A) (efls. 42 a 50). Insurgindose contra o lançamento, protocolizou o contribuinte impugnação de efls. 52 a 82, com o Acórdão de 1a. instância de lavra da DRJ/BSB (efls. 86 a 92) tendo rejeitado a argumentação do contribuinte, no sentido de aplicabilidade da isenção contida no art. 4o., “d” do DecretoLei no 1.510, de 27 de dezembro de 1996, bem como de não aplicabilidade de juros SELIC ao crédito constituído de ofício, declarando integralmente procedente o lançamento efetuado. Protocolizou o contribuinte, então, Recurso Voluntário insurgindose contra a decisão de 1a. instância (efls. 100 a 110), onde repisou os argumentos trazidos em sede de impugnação. Analisando o mencionado Recurso Voluntário, em sessão plenária de 16 de julho de 2014, a 1ª Turma Ordinária da 1a. Câmara da 2a Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) exarou o Acórdão nº 210102.495 (efls. 117 a 129), assim ementado: Fl. 207DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por WAGNER LUIS DE OLIVEIRA ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por RYCARDO HENR IQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10120.726850/201190 Acórdão n.º 9202003.542 CSRFT2 Fl. 208 3 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2009 GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO. INEXISTÊNCIA DE DIREITO ADQUIRIDO. PRECEDENTES DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. A isenção prevista no art. 4º, do DecretoLei nº 1.510, de 1976, foi expressamente revogada pelo art. 58, da Lei nº 7.713, de 1988 e não se aplica a fato gerador (alienação) ocorrido a partir de 1º de janeiro de 1989 (vigência da Lei nº 7.713, de 1988), pois inexiste direito adquirido a regime jurídico. Contra essa decisão, o contribuinte manejou recurso especial de divergência (efls. 137 a 184), onde defendeu a existência de divergência jurisprudencial em relação a duas decisões emanadas da Câmara Superior de Recursos Fiscais, exaradas, respectivamente, em 07 de agosto de 2013 e 26 de julho de 2011 (Acórdão 9202002.805 e 9202001.681), assim ementadas: ACÓRDÃO 9202002.805 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Anocalendário: 1995 ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. ISENÇÃO CONDICIONADA. OBSERVÂNCIA DE CONDIÇÃO IMPLEMENTADA PELO DECRETOLEI N.º 1.510/1976 NO PERÍODO DE SUA VIGÊNCIA. POSTERIOR REVOGAÇÃO. DIREITO ADQUIRIDO. A observância, sob a égide do art. 4°, alínea "d", do Decretolei n.º 1.510, de 1976, da condição de isenção por ele implementada, de manutenção das ações pelo período mínimo de cinco anos, ainda que a alienação da participação societária tenha sido realizada sob a vigência de nova lei que revogou o benefício, não perfaz a hipótese de incidência do imposto de renda sobre o ganho de capital. Direito adquirido do contribuinte, devendo ser reconhecida a isenção do ato de alienação da participação societária perpetrado pelo Recorrente (art. 5º, XXXVI, da Constituição; art. 6º, caput e §2º, da LINDB; e art. 178 do Código Tributário Nacional). Recurso especial negado. ACÓRDÃO 9202001.681 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1998 IMPOSTO SOBRE GANHO DE CAPITAL PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS ISENÇÃO. Participações societárias com mais de cinco anos sob a titularidade de uma mesma pessoa, completados até 31.12.88, trazem a marca de bens exonerados Fl. 208DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por WAGNER LUIS DE OLIVEIRA ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por RYCARDO HENR IQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10120.726850/201190 Acórdão n.º 9202003.542 CSRFT2 Fl. 209 4 do pagamento do imposto sobre ganho de capital, na forma do art. 4° letra d, do DL 1.510/76, sendo irrelevante que a alienação tenha ocorrido já na vigência da Lei nº 7.713/88. IRPF PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS DIREITO ADQUIRIDO DECRETOLEI 1.510/76. Não incide imposto de renda na alienação de participações societárias integrantes do patrimônio do contribuinte há mais de cinco anos, nos termos do art. 4°, alínea d, do Decretolei 1.510/76 a época da publicação da Lei de n°. 7.713, em decorrência do direito adquirido. Recurso especial negado. Aduz o recorrente, em seu pleito recursal, que a operação de alienação em questão estaria albergada pela isenção estabelecida no art. 4o, alínea “d”, do DecretoLei nº 1.510, de 1976, uma vez que a subscrição da participação alienada ocorreu em 1964, já assim decorrido o prazo de 5 anos estabelecido pelo dispositivo quando da referida alienação. Entende que o direito á isenção se constitui em direito adquirido, a ser respeitado na forma do art. 5o., inciso XXXVI da CF, se tratando de direito subjetivo, em seu entendimento sujeito à garantia de imutabilidade, na forma da Súmula STF . nº 544., que reproduz. Sustenta tratarse de posicionamento já pacificado no âmbito desta Câmara Superior, trazendo á colação, ainda, agravo regimental oriundo do STJ que sustentaria sua tese. Requer, assim, o recebimento e o conhecimento do presente recurso e reforma do Acórdão a quo, de forma a que seja reconhecida a improcedência dos créditos tributários aqui lançados. O recurso foi regularmente admitido, na forma de Despacho de efls. 191 a 193. Regularmente intimada, a Fazenda Nacional oferece contrarrazões de efls. 195 a 203, onde defende que, com fulcro no art. 178 da Lei nº. 5.172, de 25 de outubro de 1996, a referida isenção poderia ser revogada, desde que com respeito ao princípio da anterioridade, insculpido no art. 104, III do mesmo diploma, uma vez que não se trata, no caso, de isenção concedida por prazo certo ou determinado, citando em favor de sua tese tanto o teor do voto vencedor do decisum recorrido como outras ementas de Acórdãos deste Conselho (Acórdãos CARF 2201002.116 e 2201002.831) e, ainda, decisão do STJ que sustentaria sua tese. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Relator Pelo que consta no processo, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. A discussão trata da aplicabilidade da isenção contida no art. 4o, alínea “d”, do DecretoLei no 1.510, de 1976, para fatos geradores ocorridos após sua revogação pela Lei no 7.713, de 1998, uma vez tendo o contribuinte já cumprido, quando da ocorrência do fato Fl. 209DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por WAGNER LUIS DE OLIVEIRA ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por RYCARDO HENR IQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10120.726850/201190 Acórdão n.º 9202003.542 CSRFT2 Fl. 210 5 gerador ocasionado por alienação, o prazo de cinco anos de manutenção das participações, previsto naquela mesma alínea. Conforme já tive oportunidade de expor em outros feitos analisados no âmbito deste Colegiado, alinhome aqui ao entendimento exarado no recorrido, uma vez que: a) Também considero que a revogação da isenção em questão encontra plena guarida no teor do art. 178 do CTN vigente à época da alienação, dado não se tratar, na hipótese do art. 4o, alínea “d”, do DecretoLei no 1.510, de 1976, de isenção por prazo certo (determinado), condição necessária para que não se pudesse revogar a mencionada isenção. Com base em tal argumentação, inaplicável também o teor da Súmula STF nº 544, que apenas refere a isenções sob condição onerosa mas não se manifesta sobre a questão do prazo certo da isenção. b) Assim, entendo que é de se aplicar, à alienação em análise, a lei vigente à época do fato gerador (consoante art. 144 do CTN), ressalvado o respeito ao princípio da anterioridade, vigente assim a revogação da isenção somente a partir de 01/01/1989. Notese que, in casu, a alienação ocorreu quando já vigente a norma revogadora (mais especificamente, em 2008), sendo esta última a norma aplicável à situação fática sob análise. c) Por fim, ainda na linha do recorrido, também entendo que não há norma ou interpretação sistemática que possa garantir a existência de direito subjetivo à isenção, impedindose, assim, os efeitos de norma revogadora da, exceto caso se esteja a tratar de isenção sob condições determinadas e por prazo certo (o que não é o caso). d) Rejeito, assim, a existência de violação a qualquer direito adquirido do contribuinte que pudesse ser oponível ao Fisco quando da ocorrência de fato gerador, ocorrido já sob a égide de legislação que não ampara a referida isenção, entendendo, também, que não há que se falar em direito adquirido a regime tributário isentivo, tudo, notese, em perfeito alinhamento com o entendimento exarado nos Acórdãos do STF reproduzidos às efls. 127 e 128 do voto vencedor do decisum vergastado. Assim, diante do exposto, voto no sentido de conhecer do recurso para, no mérito negarlhe provimento. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 210DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por WAGNER LUIS DE OLIVEIRA ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por RYCARDO HENR IQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10120.726850/201190 Acórdão n.º 9202003.542 CSRFT2 Fl. 211 6 Voto Vencedor Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Designado Não obstante as sempre bem fundamentadas razões do ilustre Conselheiro Relator, peço vênia para manifestar entendimento divergente, por vislumbrar na hipótese vertente conclusão diversa da adotada pelo nobre julgador, na linha da jurisprudência histórica deste Colegiado, como passaremos a demonstrar. Conforme se depreende do exame dos elementos que instruem o processo, em face do contribuinte fora lavrado Auto de Infração, exigindolhe crédito tributário concernente ao Imposto de Renda Pessoa Física IRPF, incidente sobre Ganhos de Capital na Alienação de Bens e Direitos, em relação ao anocalendário 2008, conforme peça inaugural do feito, às fls. 42/50, e demais documentos que instruem o processo. Com mais especificidade, o contribuinte alienou sua participação societária (quotas da sociedade Laticínios Morrinhos Indústria e Comércio Ltda. – CNPJ 02.341.881/000130, atualmente denominada de LBR Lácteos Brasil S/A), deixando de apurar o respectivo ganho de capital objeto do presente lançamento, ou melhor, informando o resultado de aludida operação na DAA – 2009 a título de Rendimentos Isentos e Não Tributáveis. Por sua vez, após regular processamento, ao analisar o caso, a 1a Turma Ordinária da 1a Câmara da 2a SJ do CARF, pelo voto de qualidade, achou por bem manter a integralidade da pretensão fiscal, o fazendo sob a égide dos fundamentos do Acórdão no 2101 002.495, com a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2009 GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO. INEXISTÊNCIA DE DIREITO ADQUIRIDO. PRECEDENTES DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. A isenção prevista no art. 4º, do DecretoLei nº 1.510, de 1976, foi expressamente revogada pelo art. 58, da Lei nº 7.713, de 1988 e não se aplica a fato gerador (alienação) ocorrido a partir de 1º de janeiro de 1989 (vigência da Lei nº 7.713, de 1988), pois inexiste direito adquirido a regime jurídico.” Inconformado, o contribuinte interpôs Recurso Especial, aduzindo, em síntese, que as razões de decidir do Acórdão recorrido contrariaram entendimento levado a efeito pelas demais Câmaras/Turmas dos Conselhos de Contribuintes/CARF e, bem assim, Câmara Superior de Recursos Fiscais, a respeito da mesma matéria, conforme se extrai dos Acórdãos paradigmas trazidos à colação, impondo seja conhecido o recurso especial do recorrente, uma vez comprovada a divergência argüida. Fl. 211DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por WAGNER LUIS DE OLIVEIRA ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por RYCARDO HENR IQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10120.726850/201190 Acórdão n.º 9202003.542 CSRFT2 Fl. 212 7 Em defesa de sua pretensão, infere que o entendimento adotado pela Turma recorrida diverge da jurisprudência deste Colegiado, representada pelo Acórdão paradigma, na medida em que rechaçou o pleito do contribuinte, lastreado no seu direito adquirido à isenção de ganho de capital sobre alienação de participação societária, na hipótese de permanecer com sua participação por 05 (cinco) anos, durante o período de vigência do DecretoLei nº 1.510/76. Contrapõese ao Acórdão guerreado, aduzindo para tanto que os documentos colacionados aos autos comprovam que o contribuinte foi titular da participação societária da empresa em epígrafe durante 05 (cinco) anos, quando da vigência do DecretoLei nº 1.510/76, fazendo jus, assim, ao direito adquirido contemplado por aquele Diploma Legal, independentemente deste ter sido alterado posteriormente, revogando a isenção sob análise. Dessa forma, com arrimo no direito adquirido do contribuinte, inscrito no artigo 5º, inciso XXXVI, da CF, sustenta que o fato de sua participação societária ser alienada na vigência da Lei nº 7.713/88, a qual revogou aludida isenção, não tem o condão de afastar seu direito ao gozo do benefício fiscal em comento, porquanto cumpriu com os pressupostos legais exigidos à época da vigência do DecretoLei nº 1.510/76, conforme se extrai da jurisprudência e doutrina transcritas na peça recursal, corroborando seu entendimento. Consoante se positiva dos autos, os argumentos do recorrente têm o condão de reformar o Acórdão atacado, por representar a melhor interpretação a propósito do tema, garantindo a segurança jurídica em homenagem ao direito adquirido à isenção de ganho de capital sobre a alienação de participação societária, posteriormente à vigência do DecretoLei nº 1.510/76, conquanto que tenha permanecido com a propriedade de sua participação por 05 (cinco) anos durante o período de validade de aludido Diploma Legal, impondo o acolhimento do pleito do contribuinte, com o fito de se restabelecer a ordem legal nesse sentido. Com efeito, essa Colenda Câmara Superior de Recursos Fiscais já se manifestou em diversas ocasiões a respeito da matéria, oferecendo guarida ao requerimento do contribuinte, conforme se extrai do excerto do voto do ilustre Conselheiro Gonçalo Bonet Allage, acolhido de forma unânime, exarado nos autos do processo nº 10875.004768/0054, Acórdão nº 920200.102, de onde peço vênia para transcrever excerto e adotar como razões de decidir, in verbis: “Reitero que o acórdão proferido pela Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário interposto pelo contribuinte, reconhecendo o direito à restituição do indébito tributário pleiteado. Segundo a recorrente, como a alienação ocorreu após a revogação da isenção prevista pelo Decretolei n° 1.510/76 e inexiste direito adquirido no caso, estão corretos os recolhimentos efetuados e não merece prosperar o pedido de restituição. Eis a matéria em litígio. Pois bem, o artigo 4°, alínea “d”, do Decretolei n° 1.510/76, que tratou, entre outros temas, da tributação de resultados obtidos na venda de participações societárias por pessoas físicas, estabeleceu o seguinte: Fl. 212DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por WAGNER LUIS DE OLIVEIRA ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por RYCARDO HENR IQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10120.726850/201190 Acórdão n.º 9202003.542 CSRFT2 Fl. 213 8 Art. 4°. Não incidirá o imposto de que trata o art. 1°: (...) d) nas alienações efetivadas após decorrido o período de 5 (cinco) anos da data da subscrição ou aquisição da participação. Este benefício fiscal foi revogado pelo artigo 58 da Lei n° 7.713/88. No caso, é incontroverso que o contribuinte recebeu por doação participações societárias em 22/08/1979 e em 15/04/1983, tendo as alienado em 14/05/1996. Com isso, ele faz jus a tal benefício? Penso que sim, de modo que a decisão recorrida merece ser confirmada. Sob minha ótica, o benefício fiscal previsto no Decretolei n° 1.510/76 tinha por objetivo excluir da tributação os ganhos auferidos quando da alienação de participações societárias, após decorrido o prazo de cinco anos da aquisição ou subscrição das participações. Salvo melhor juízo, esta foi a intenção do legislador. Nesse sentido, não se pode olvidar que ao tempo da edição da Lei n° 7.713/88, o interessado já havia cumprido a exigência prevista no artigo 4°, alínea “d”, do Decretolei n° 1.510/76, pois era proprietário das ações da empresa Pardelli S.A. Indústria e Comércio desde 22/08/1979 e 15/04/1983, quando as recebeu por doação. Entendo que a incidência do imposto de renda pessoa física sobre o ganho de capital apurado na alienação de participações societárias não se aplica quando tais ações foram adquiridas há mais de cinco anos contados do início de vigência da Lei n° 7.713/88, como ocorre no caso em tela. Devese respeitar o direito adquirido, previsto no artigo 5°, inciso XXXVI, da Constituição Federal e no artigo 6° da Lei de Introdução ao Código Civil – LICC. Segundo De Plácido e Silva1,: ... direito adquirido quer significar o direito que já se incorporou ao patrimônio da pessoa, já é de sua propriedade, já constitui um bem, que deve ser judicialmente protegido contra qualquer ataque exterior, que ouse ofendêlo ou turbálo. (...) O direito adquirido tira a sua existência dos fatos jurídicos passados e definitivos, quando o seu titular os pode exercer. No entanto, não deixa de ser adquirido o direito, mesmo quando o Fl. 213DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por WAGNER LUIS DE OLIVEIRA ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por RYCARDO HENR IQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10120.726850/201190 Acórdão n.º 9202003.542 CSRFT2 Fl. 214 9 seu exercício depende de um termo prefixado ou de uma condição preestabelecida, inalterável a arbítrio de outrem. Por isso, sob o ponto de vista da retroatividade das leis, não somente se consideram adquiridos os direitos aperfeiçoados ao tempo em que se promulga a lei nova, como os que estejam subordinados a condições ainda não verificadas, desde que não se indiquem alteráveis ao arbítrio de outrem. Sob minha ótica, a edição da Lei n° 7.713/88 não pode prejudicar o direito do contribuinte previsto no artigo 4°, alínea “d”, do Decretolei n° 1.512/76, apenas pelo fato de a alienação da participação societária não ter ocorrido anteriormente, ou seja, antes da revogação do benefício fiscal. A posição defendida por este julgador é corroborada pela jurisprudência amplamente majoritária do extinto e Egrégio Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme ilustram as ementas dos seguintes acórdãos: IRPF – PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS – DIREITO ADQUIRIDO – DECRETOLEI 1.510/76 – Não incide imposto de renda na alienação de participações societárias integrantes do patrimônio do contribuinte há mais de cinco anos, nos termos do art. 4º, alínea d, do DecretoLei 1.510/76 a época da publicação da Lei de nº 7.713, em decorrência do direito adquirido. Recurso especial negado. (CSRF, Quarta Turma, Recurso n° 102134.080, Acórdão CSRF/0400.215, Relator Conselheiro Wilfrido Augusto Marques, julgado em 14/03/2006) IRPF – PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS – AQUISIÇÃO SOBRE OS EFEITOS DA HIPÓTESE DE NÃO INCIDÊNCIA PREVISTOS NO ART. 4º, ALÍNEA "d" DO DECRETOLEI 1.510/76 – DIREITO ADQUIRIDO A ALIENAÇÃO SEM TRIBUTAÇÃO MESMO NA VIGÊNCIA DE LEGISLAÇÃO POSTERIOR ESTABELECENDO A HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA (LEI 7.713/88) – Se a pessoa Física titular da participação societária, sob a égide do artigo 4º "d", do DecretoLei 1.510/76, subsequentemente ao período de 5 (cinco) anos da aquisição da participação, alienoua, ainda que legislação posterior ao decurso do prazo de 5 (cinco) anos tenha transformado a hipótese de não incidência em hipótese de incidência, não torna aquela alienação tributável, prevalecendo, sob o manto constitucional do direito adquirido o regime tributário completado na vigência da legislação anterior que afastava qualquer hipótese de tributação. (CSRF, Primeira Turma, Recurso n° 106013.824, Acórdão CSRF/0103.725, Redator Designado Conselheiro Victor Luís de Salles Freire, julgado em 18/02/2002) Fl. 214DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por WAGNER LUIS DE OLIVEIRA ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por RYCARDO HENR IQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10120.726850/201190 Acórdão n.º 9202003.542 CSRFT2 Fl. 215 10 IMPOSTO SOBRE GANHO DE CAPITAL PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS ISENÇÃO Participações societárias com mais de cinco anos sob a titularidade de uma mesma pessoa, completados até 31.12.88, trazem a marca de bens exonerados do pagamento do imposto sobre ganho de capital, na forma do art. 4º letra d, do DL 1.510/76, sendo irrelevante que a alienação tenha ocorrido já na vigência da Lei nº. 7.713/88. IRPF PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS DIREITO ADQUIRIDO DECRETOLEI 1.510/76 Não incide imposto de renda na alienação de participações societárias integrantes do patrimônio do contribuinte há mais de cinco anos, nos termos do art. 4º, alínea d, do Decretolei 1.510/76 a época da publicação da Lei de nº. 7.713, em decorrência do direito adquirido. DISPONIBILIDADE ECONÔMICA. De ser afastada a alegação de que parte dos valores foram recebidos e posteriormente depositados em conta especial, sem permitir ao contribuinte a disponibilidade econômica e jurídica sobre o valor tributado, já que a estipulação efetuada entre as partes, comprador e vendedor das ações, não modificou a natureza da forma de pagamento. Recurso provido. (Primeiro Conselho, Segunda Câmara, Recurso Voluntário n° 158.393, Acórdão n° 10249.306, Relatora Conselheira Vanessa Pereira Rodrigues, julgado em 08/10/2008) AQUISIÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA SOB A ÉGIDE DO DECRETOLEI Nº. 1510, DE 1976 ALIENAÇÃO NA VIGÊNCIA DE NOVA LEI REVOGADORA DO BENEFÍCIO DIREITO ADQUIRIDO PAGAMENTO INDEVIDO RESTITUIÇÃO A alienação de participação societária adquirida sob a égide do art. 4°, alínea "d", do Decretolei nº. 1.510, de 1976, após decorridos cinco anos da aquisição, não constitui operação tributável, ainda que realizada sob a vigência de nova lei revogadora do benefício, tendo em vista o direito adquirido, constitucionalmente previsto. Implementada a condição antes da revogação da lei que concedia o benefício, os pagamentos porventura efetuados são indevidos, portanto passíveis de restituição. Recurso provido. (Primeiro Conselho, Quarta Câmara, Recurso Voluntário n° 147.557, Acórdão n° 10421.519, Relator Conselheiro Nelson Mallmann, julgado em 26/04/2006) Entendo, portanto, que a decisão recorrida merece ser confirmada. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional.” Fl. 215DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por WAGNER LUIS DE OLIVEIRA ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por RYCARDO HENR IQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10120.726850/201190 Acórdão n.º 9202003.542 CSRFT2 Fl. 216 11 Na hipótese dos autos, tendo o contribuinte permanecido com sua participação societária por mais de 05 (cinco) anos, durante a vigência do DecretoLei nº 1.510/1976, não há que se falar em expectativa de direito, mas, sim, em direito adquirido, tendo em vista o cumprimento dos pressupostos legais para fruição da isenção no decorrer do período regido pelo dispositivo legal retro. Destarte, o fato de a alienação de sua participação societária ter ocorrido sob o manto dos preceitos insculpidos na Lei nº 7.713/88, não tem o condão de rechaçar o seu direito adquirido. Como muito bem asseverou o recorrente há de se observar o princípio do tempus regit actum, implicando dizer que o contribuinte adquiriu o direito de gozar de aludida benesse fiscal no período em que vigia a norma isentiva, sendo defeso a alteração introduzida pela Lei nº 7.713/88 retroagir de maneira a alcançar fato jurídico perfeito e acabado. Na esteira desse raciocínio, é de se restabelecer a ordem legal no sentido de afastar a tributação sobre o ganho de capital auferido na alienação da participação societária objeto do lançamento. Por todo o exposto, estando o Acórdão guerreado em dissonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO DO CONTRIBUINTE E DARLHE PROVIMENTO, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 216DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por WAGNER LUIS DE OLIVEIRA ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por RYCARDO HENR IQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 11543.000504/2009-55
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2802-000.167
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, sobrestar o julgamento nos termos do §1º do art. 62-A do Regimento Interno do CARF c/c Portaria CARF nº 01/2012.
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator.
EDITADO EM: 16/07/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martín Fernández, Jaci de Assis Junior, Carlos Andre Ribas De Mello, Dayse Fernandes Leite e Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, sobrestar o julgamento nos termos do §1º do art. 62-A do Regimento Interno do CARF c/c Portaria CARF nº 01/2012. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator. EDITADO EM: 16/07/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martín Fernández, Jaci de Assis Junior, Carlos Andre Ribas De Mello, Dayse Fernandes Leite e Julianna Bandeira Toscano.
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(Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 16/07/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martín Fernández, Jaci de Assis Junior, Carlos Andre Ribas De Mello, Dayse Fernandes Leite e Julianna Bandeira Toscano. Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator Tratase de lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física do exercício 2007, anocalendário 2006, decorrente de apuração de omissão de rendimentos pagos por Banco do Brasil S/A em virtude de ação trabalhista e de R$267,00 referente ao Instituto de Previdência e Assistência Jerônimo Monteiro. A diferença entre o valor declarado e o que a fonte pagadora informou foi de R$240.414,38. Alegando erro no comprovante emitido pela fonte pagadora, o contribuinte apresentou Solicitação de Retificação do Lançamento – SRL, a qual foi indeferida com base na Declaração de Rendimentos Pagos e Retenção na Fonte – DIRF. Na impugnação, o contribuinte alega que declarou com base nos documentos da ação judicial e não no comprovante emitido pelo Banco, o qual continha erros tanto que o RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 15 43 .0 00 50 4/ 20 09 -5 5 Fl. 110DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11543.000504/200955 Resolução nº 2802000.167 S2TE02 Fl. 102 2 comprovante foi retificado pela fonte pagadora, o rendimento tributável correto, portanto, é de R$182.023,72 com IRRF de R$49.553,94, concorda em ter errado ao informar R$112.768,98 por falta do comprovante de rendimentos entregue tempestivamente, pleiteia para que seja deduzido o pagamento de honorários advocatícios, o que implica considerar os rendimentos tributáveis no valor de R$125.023,72. Requereu prioridade de tramitação do processo com amparo no Estatuto do Idoso. A Delegacia de Julgamento declarou não impugnada a omissão de rendimentos do Instituto de Previdência e Assistência, bem com R$12.521,74 pago pelo Banco do Banco do Brasil. O acórdão recorrido indicou que o litígio consiste na alegação para que não se considere como tributável o valor recebido a título de juros de mora conforme constou na decisão judicial trabalhista, para fundamentar a decisão transcreveu a discriminação da verbas recebidas (fls. 12/14) que foram compostas de horas extras, reflexos das horas extras, juros de mora (168.828,13), além de FGTS e juros de mora respectivos (R$13.586,25), com IRRF de R$49.553,94, Essencialmente, o fundamento do acórdão recorrido é que apesar de a decisão judicial trabalhista ter considerado que juros de mora não estão sujeitos ao imposto de renda, o art. 56 do RIR1999 estabelece a tributação sobre essa verba e a Justiça do Trabalho não é competente para se manifestar sobre a incidência de imposto de renda, o que compete à Justiça Federal, razão pela qual não foi considerado o segundo comprovante de rendimentos emitido pelo Banco do Brasil em atendimento à decisão da Justiça do Trabalho. Não obstante, a impugnação foi acolhida quanto à dedução do pagamento dos honorário advocatícios. De acordo com o acórdão recorrido os rendimentos tributáveis foram compostos da seguinte forma: Discriminação Valor Horas extras 148.034,84 (+) Reflexos das Horas Extras 33.988,88 (+) Juros de mora 169.828,13 (=) Subtotal 351.851,85 () Honorário advocatícios 57.000,00 (=) Rendimento Tributável 294.851,85 () Rendimento declarado 112.768,98 (=) Omissão de rendimentos 182.082,87 O Aviso de Recebimento de fls. 84 indica data de recebimento que deixa dúvida se foi recebida dia 13 ou 18 de junho de 2012. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11543.000504/200955 Resolução nº 2802000.167 S2TE02 Fl. 103 3 O recurso voluntário foi protocolado dia 18/07/2013. Em resumo, compõem as razões recursais: 1. a Justiça Federal do Trabalho é competente para cobrar os créditos tributários nos próprios autos do processo trabalhista e a decisão judicial que reconheceu a não incidência sobre os juros de mora foi desrespeitada pelo acórdão recorrido, devendo ser observada, ainda, a Súmula 368 do Tribunal Superior do Trabalho – TST, que inclusive determina a apuração do imposto pelo regime de competência nos termos do art. 12A da Lei 7.713/1988; 2. decisões judiciais devem ser cumpridas, somente podem ser desconstituídas por outra decisão judicial; sob pena de incorrer em crime de desobediência previsto no art. 330 do Código Penal; 3. o acórdão desrespeitou o art. 12 da Lei 7.713/1988 c/c art. 43 do CTN pois baseouse no art. 56 do RIR1999 que no intuito de regulamentar o art. 12 da Lei 7.713/1988 acrescentou os juros de mora no campo de incidência do imposto de renda, ao passo que a decisão judicial interpretou o caput do art. 12 da Lei 7.7163/1988 no sentido de que os juros de mora não estão no campo de incidência do imposto. O recorrente peticiona para que seja excluído da base de cálculo o valor correspondente aos juros de mora e, conseqüentemente, adotado como rendimento tributável recebido do Banco do Brasil o valor de R$125.023,72; e que seja feita a restituição do que foi recolhido a maior. É o relatório. A dúvida acerca da data grafada no Aviso de Recebimento não pode ser empregada em desfavor do recorrente, razão pela qual se adota a data de ciência como sendo 18/06/2012, dessa forma o recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele devese tomar conhecimento. O recorrente alega ter sido desrespeitada a autoridade da decisão trabalhista. Ponto a ser examinado como preliminar. Em matéria de execução tributária de ofício pela Justiça do trabalho a competência da Justiça Obreira está restrita às contribuições sociais, regulamentadas, por força do artigo 114 da CF, no artigo 195, incisos I, alínea “a” e II, da Lei Maior, além de seus acréscimos legais, o que não alcança, por exemplo, a exigência de contribuição social com base em decisão que apenas declare a existência de vínculo empregatício conforme assentado no RE 569056/PA, julgado em 11/09/2008, com deferimento de repercussão Geral. Com muito mais razão a competência da Justiça do Trabalho não alcança o imposto de renda, portanto, a competência para fiscalizar e cobrar o imposto de renda é da União (inciso I do art. 153 da Constituição de 1988 c/c art. 142 do CTN) que a exerce por meio da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). Nesse ponto, há duas questões de relevo: a) a União não foi intimada a manifestarse nos autos da ação trabalhista sobre o cálculo do Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF; e b) o IRRF é modalidade de antecipação do IRPF exigido na modalidade de ajuste anual, o cálculo do IRRF não extingue a relação jurídica, de maneira que a decisão Fl. 112DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11543.000504/200955 Resolução nº 2802000.167 S2TE02 Fl. 104 4 trabalhista é respeitada dentro dos seus limites (o valor a ser retido) sem prejuízo de a União exigir o Imposto Anual dentro do exercício de sua competência, cujos litígios porventura instituídos serão julgados pela Justiça Federal Comum. Dessarte, a interpretação empregada pela Delegacia de Julgamento não desrespeita a decisão judicial trabalhista. Preliminar rejeitada, passase a examinar o mérito. Embora a questão central seja a incidência ou não do imposto de renda sobre a parcela dos juros de mora correspondentes às horas extras e reflexos, ao se reportar ao dever de observar a Súmula 368 do TST, o recorrente de forma indireta suscita a discussão acerca da forma de cálculo do imposto de renda sobre os rendimentos recebidos acumuladamente. Por sua vez, o acórdão recorrido adota o art. 12 da Lei 7.713/1988 em sua fundamentação. Por questão de economia processual, consignase que, quer se dê ou negue provimento ao recurso voluntário, na fase de execução do acórdão estará sendo aplicado o art. 12 da Lei 7.713/1988, no primeiro caso para apurar a restituição no segundo para cobrar o imposto lançado de ofício. Considerando que o Supremo Tribunal Federal admitiu a existência de repercussão geral quanto a essa matéria, e que o mérito será julgado nos Recursos Extraordinários nº 614232 e 614406, ainda pendentes de julgamento e com expressa decisão do e. STF de sobrestar os demais julgamentos, é o caso de sobrestar o presente julgamento, nos termos dos §§ 1º e 2º do art. 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, com a redação dada pela Portaria MF nº 586/2010 c/c Portaria CARF nº 01/2012. Vejamos: RE 614406 AgRQORG/RS RIO GRANDE DO SULREPERCUSSÃO GERAL NA QUESTÃO DE ORDEM NO AG.REG. NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO Relator(a): Min. ELLEN GRACIE Julgamento: 20/10/2010 TRIBUTÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO. IMPOSTO DE RENDA SOBRE VALORES RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. ART. 12 DA LEI 7.713/88. ANTERIOR NEGATIVA DE REPERCUSSÃO. MODIFICAÇÃO DA POSIÇÃO EM FACE DA SUPERVENIENTE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI FEDERAL POR TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL. 1. A questão relativa ao modo de cálculo do imposto de renda sobre pagamentos acumulados se por regime de caixa ou de competência vinha sendo considerada por esta Corte como matéria infraconstitucional, tendo sido negada a sua repercussão geral. 2. A interposição do recurso extraordinário com fundamento no art. 102, III, b, da Constituição Federal, em razão do reconhecimento da inconstitucionalidade parcial do art. 12 da Lei 7.713/88 por Tribunal Regional Federal, constitui circunstância nova suficiente para justificar, agora, seu caráter constitucional e o reconhecimento da repercussão geral da matéria. 3. Reconhecida a relevância jurídica da questão, tendo em conta os princípios constitucionais tributários da isonomia e da uniformidade geográfica. 4. Questão de ordem acolhida para: a) tornar sem efeito a decisão monocrática da relatora que Fl. 113DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11543.000504/200955 Resolução nº 2802000.167 S2TE02 Fl. 105 5 negava seguimento ao recurso extraordinário com suporte no entendimento anterior desta Corte; b) reconhecer a repercussão geral da questão constitucional; e c) determinar o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC. (grifos acrescidos). Ressaltase, ainda, que não é viável julgar parte do recurso voluntário e que não há previsão para proferir decisão condicional nem sustar a execução do julgado. Diante do exposto, suscito o sobrestamento do julgamento até julgamento da referida matéria pelo Supremo Tribunal Federal. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 114DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 10725.001887/96-93
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 30/04/1995 a 31/10/1996
CONCOMITÂNCIA. COMPENSAÇÃO. FINSOCIAL. SÚMULA CARF Nº 1.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
AUTO DE INFRAÇÃO. LAVRATURA NA PENDÊNCIA DE PROCESSO JUDICIAL. POSSIBILIDADE.
A lavratura de auto de infração na pendência de processo judicial encontra amparo no art. 142 do CTN e no art. 63 da Lei nº 9.430/96.
MULTA DE OFÍCIO.
Inexistindo cláusula suspensiva da exigibilidade no momento do início da ação fiscal, cabível a inflição da multa de ofício.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3403-003.546
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer da questão submetida ao crivo do Poder Judiciário e, na parte conhecida, em negar provimento ao recurso. Ausente ocasionalmente o Conselheiro Ivan Allegretti.
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Jorge Freire, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 30/04/1995 a 31/10/1996 CONCOMITÂNCIA. COMPENSAÇÃO. FINSOCIAL. SÚMULA CARF Nº 1. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. AUTO DE INFRAÇÃO. LAVRATURA NA PENDÊNCIA DE PROCESSO JUDICIAL. POSSIBILIDADE. A lavratura de auto de infração na pendência de processo judicial encontra amparo no art. 142 do CTN e no art. 63 da Lei nº 9.430/96. MULTA DE OFÍCIO. Inexistindo cláusula suspensiva da exigibilidade no momento do início da ação fiscal, cabível a inflição da multa de ofício. Recurso voluntário negado.
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M. OLIVEIRA E FILHOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 30/04/1995 a 31/10/1996 CONCOMITÂNCIA. COMPENSAÇÃO. FINSOCIAL. SÚMULA CARF Nº 1. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. AUTO DE INFRAÇÃO. LAVRATURA NA PENDÊNCIA DE PROCESSO JUDICIAL. POSSIBILIDADE. A lavratura de auto de infração na pendência de processo judicial encontra amparo no art. 142 do CTN e no art. 63 da Lei nº 9.430/96. MULTA DE OFÍCIO. Inexistindo cláusula suspensiva da exigibilidade no momento do início da ação fiscal, cabível a inflição da multa de ofício. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer da questão submetida ao crivo do Poder Judiciário e, na parte conhecida, em negar provimento ao recurso. Ausente ocasionalmente o Conselheiro Ivan Allegretti. Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 72 5. 00 18 87 /9 6- 93 Fl. 142DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Jorge Freire, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti. Relatório Tratase de auto de infração com ciência do contribuinte por via postal em 20/12/1996, lavrado para exigir o crédito tributário relativo à COFINS, multa de ofício e juros de mora, em razão da falta de recolhimento da contribuição, em relação aos fatos geradores ocorridos no período compreendido entre 30/04/1995 e 31/10/1996. Narra a fiscalização que o contribuinte ajuizou a ação declaratória 95.00588307, pleiteando o direito de não recolher o Finsocial com alíquotas superiores a 0,5% e o direito de compensar os valores recolhidos indevidamente a esse título com outros tributos. Na referida ação foi reconhecido o direito de o contribuinte compensar o crédito de Finsocial com a COFINS, devendo ser observada a prescrição quinquenal dos créditos. O contribuinte descumpriu a sentença judicial, pois compensou o crédito de Finsocial com tributos de espécies distintas (CSL e PIS), acrescendoo de juros de mora e não observou o prazo quinquenal de prescrição. A sentença está sujeita ao duplo grau de jurisdição e o contribuinte efetuou a compensação antes dela ter sido proferida e antes de que fosse confirmada pelo Tribunal. Em sede de impugnação o contribuinte alegou que tem direito de efetuar a compensação com seu crédito acrescido não só pela correção da UFIR, mas também pelos juros de mora. No tocante à prescrição quinquenal, alegou que o prazo é de dez anos nos termos do art. 103, do Decreto nº 92.698/86. Quanto à ação judicial, disse que realmente a sentença foi objeto de recurso e que se encontra pendente de decisão no TRF. Estando pendente o processo judicial, não poderia ser autuada da forma como foi. Requereu o acolhimento de suas razões para que seja julgado improcedente o auto de infração. Por meio do despacho decisório nº 82, de 29 de abril de 1998, a Delegada da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro não tomou conhecimento da manifestação de inconformidade e decretou a concomitância deste processo com o processo judicial. Regularmente notificado daquela decisão em 23/06/1998 (fl. 84), o contribuinte apresentou recurso voluntário em 23/07/1998 alegando, em síntese, o seguinte: 1) não existe concomitância com a ação judicial, pois enquanto que na impugnação apresentada buscou descaracterizar o lançamento feito de forma indevida, na ação judicial objetivou a declaração do direito de compensação; 2) a autoridade administrativa se baseou no art. 38 da Lei nº 6.830/80, mas tal dispositivo não se refere à ação declaratória; 3) requereu que fosse julgado o mérito da impugnação. Por meio da Resolução nº 3403000.548 o julgamento foi convertido em diligência à repartição de origem a fim de que: 1) fosse apurado o teor da decisão judicial que transitou em julgado na ação declaratória 95.00588307, juntandose ao processo administrativo cópias do acórdão do TRF por meio do qual foram julgadas a apelação e a remessa de ofício, bem como cópias de eventuais recursos aos tribunais superiores e respectivos acórdãos; 2) à luz da decisão judicial transitada em julgado, que fosse apurado o crédito de Finsocial ao qual o contribuinte faz jus, observando todos os parâmetros fixados pelo Poder Fl. 143DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10725.001887/9693 Acórdão n.º 3403003.546 S3C4T3 Fl. 5 3 Judiciário, informando se o crédito apurado é suficiente para dar lastro à compensação intentada pelo contribuinte; 3) na hipótese de o crédito do contribuinte ser insuficiente, que a autoridade administrativa elaboresse um demonstrativo evidenciando o crédito tributário extinto pela compensação e as diferenças que eventualmente restarem em aberto; 4) fosse elaborado termo circunstanciado e conclusivo das averiguações acima solicitadas, que deveria ser notificado ao contribuinte com abertura de prazo para manifestação, nos termos do art. 35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574/2011. Os autos retornaram com os documentos de fls. 119 a 136 e com o relatório de diligência de fls. 137/140 onde a fiscalização relata que o contribuinte não respondeu às intimações formuladas para fornecer os elementos solicitados na resolução e nem as bases de cálculo do Finsocial, necessárias à apuração do respectivo crédito. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. Conforme relatado, a questão do direito de compensação do indébito do Finsocial foi submetida pelo contribuinte ao Poder Judiciário. A fiscalização glosou toda a compensação efetuada, por entender que além do contribuinte não ter respeitado a decisão judicial quanto à prescrição quinquenal, a compensação foi feita antes do trânsito em julgado, o que seria vedado pelo art. 170 do CTN. O feito foi convertido em diligência a fim de que este colegiado pudesse proferir uma decisão líquida, uma vez que o direito de compensar o Finsocial recolhido com alíquota superior a 0,5% foi reconhecido na ação judicial e existe possibilidade jurídica de se acolher a compensação efetuada pelo contribuinte nos termos da Solução de Consulta Interna Cosit nº 10/2005. Entretanto, para que isso pudesse ser implementado, o contribuinte deveria ter apresentado a decisão judicial com a especificação do período de prescrição dos pagamentos e os critérios de correção do indébito. Além disso, deveria apresentar as bases de cálculo do Finsocial utilizadas no recolhimento a fim de possibilitar ao fisco a aferição da certeza e da liquidez dos valores. Sem que se saiba dos parâmetros acima citados, não há como aplicar a Solução de Consulta Interna Cosit nº 10/2005 e o processo deve ser julgado no estado em que se encontra. A defesa pede que se enfrente o mérito da impugnação. Ora, não há como se enfrentar as questões trazidas na impugnação, pois o direito de compensação do Finsocial com a COFINS está sendo discutido em juízo, assim Fl. 144DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 como os prazos de prescrição do indébito e também os critérios de correção monetária do indébito. Embora o objeto deste processo seja a exigência da contribuição à COFINS não recolhida em face da compensação indevida efetuada pelo contribuinte, tal compensação é matéria prejudicial ao auto de infração, pois tal direito foi arguído como matéria de defesa. Não há como julgar a impugnação sem se analisar o direito de compensação. E a decisão sobre a procedência ou não da compensação, bem como quanto à magnitude do crédito do contribuinte dependem de pronunciamento do Poder Judiciário. Sendo assim, incide no caso concreto a Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. No caso concreto, a única questão a ser enfrentada na impugnação foi a lavratura do auto de infração na pendência do processo judicial. A defesa alegou que estando pendente o processo judicial, não poderia o contribuinte ser autuado como foi. Esse argumento demonstra a contradição da defesa. Ao mesmo tempo em que alega a independência dos processos judicial e administrativo, alega que não poderia ser autuada enquanto pendente o processo judicial. A alegação da defesa é improcedente, pois o art. 142 do CTN e o art. 63 da Lei nº 9.430/96 autorizam a lavratura do auto de infração na pendência de processo judicial. A imposição ou não da multa de ofício depende da existência de condição suspensiva da exigibilidade do crédito tributário no momento do início da ação fiscal. No caso concreto, verificase que não existe suspensão de exigibilidade do crédito tributário, pois a compensação foi feita em desacordo com a sentença judicial. O contribuinte, no mínimo, não respeitou o prazo quinquenal de prescrição que havia sido estabelecido pelo juiz. Portanto, correta a inflição da multa de ofício, pois o contribuinte desrespeitou a norma individual e concreta que regia sua relação com a União. Com esses fundamentos, voto no sentido de não tomar conhecimento do recurso quanto à questão do direito de compensação e, na parte conhecida, por negar provimento. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 145DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10725.001887/9693 Acórdão n.º 3403003.546 S3C4T3 Fl. 6 5 Fl. 146DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 11080.723879/2012-87
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Feb 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE.
A isenção do imposto de renda ao portador de moléstia grave reclama o atendimento dos seguintes requisitos: (a) reconhecimento do contribuinte como portador de uma das moléstias especificadas no dispositivo legal pertinente, comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial e (b) serem os rendimentos provenientes de aposentadoria ou reforma.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2801-003.995
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para cancelar a omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica no valor de R$ 92.593,56, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente.
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Flavio Araujo Rodrigues Torres, Carlos César Quadros Pierre e Marcelo Vasconcelos de Almeida. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA
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MOLÉSTIA GRAVE. A isenção do imposto de renda ao portador de moléstia grave reclama o atendimento dos seguintes requisitos: (a) reconhecimento do contribuinte como portador de uma das moléstias especificadas no dispositivo legal pertinente, comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial e (b) serem os rendimentos provenientes de aposentadoria ou reforma. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para cancelar a omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica no valor de R$ 92.593,56, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Flavio Araujo Rodrigues Torres, Carlos César Quadros Pierre e Marcelo Vasconcelos de Almeida. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 38 79 /2 01 2- 87 Fl. 96DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 11080.723879/201287 Acórdão n.º 2801003.995 S2TE01 Fl. 97 2 Relatório Tratase de Notificação de Lançamento relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física IRPF por meio da qual se exige crédito tributário no valor de R$ 10.299,84, incluídos multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. O crédito tributário foi constituído em razão de ter sido verificado, na Declaração de Ajuste Anual do contribuinte, exercício 2009, omissão de rendimentos recebidos da Fundação CEEE de Seguridade Social ELETROCEEE, no valor de R$ 92.593,56. O contribuinte apresentou a impugnação de fls. 2/4, que foi julgada improcedente por meio do acórdão de fls. 66/68, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Anocalendário: 2008 ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. Para a isenção dos proventos de aposentadoria ou reforma, por moléstia grave, é necessário o reconhecimento da doença por meio de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Cientificado da decisão de primeira instância em 06/07/2012 (fl. 72), o Interessado interpôs, em 03/08/2012, o recurso de fls. 74/78, acompanhado dos documentos de fls. 79/90. Na peça recursal, aduz, em síntese, que: É portador de moléstia grave reconhecida por meio de Laudo Médico Oficial emitido pela Prefeitura Municipal de Porto Alegre, fazendo jus à isenção do imposto de renda sobre os proventos de aposentadoria que percebe da Fundação CEEE de Seguridade Social – ELETROCEEE. Conforme comprova o documento em anexo, não obstante ter sido redigido em formulário padrão de receituário, tratase de Laudo Médico Pericial emitido por médico credenciado na Secretaria de Saúde da Prefeitura Municipal de Porto Alegre, atendendo aos requisitos legais (laudo médico emitido por serviço médico oficial do Município). Ademais, o entendimento pacificado no Superior Tribunal de Justiça STJ é no sentido de ser dispensável a exigência de laudo médico oficial para a comprovação da moléstia grave. Ao final, requer seja reformada a decisão recorrida e determinada a anulação da Notificação de Lançamento. Voto Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, Relator Fl. 97DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 11080.723879/201287 Acórdão n.º 2801003.995 S2TE01 Fl. 98 3 Conheço do recurso, porquanto presentes os requisitos de admissibilidade. A intributabilidade dos proventos de aposentadoria do portador de moléstia grave encontra previsão no inciso XIV do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, de cujo teor se extrai a seguinte dicção: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; O art. 30 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, impõe, ainda, como condição para a isenção do imposto de renda de que trata o inciso XIV do art. 6º da Lei nº 7.713/1988, a emissão de laudo pericial emitido por serviço médico oficial, nos seguintes termos: Art. 30. A partir de 1º de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Para gozo do benefício fiscal, portanto, fazse necessário que o beneficiário preencha os requisitos legais exigidos, quais sejam: (a) o reconhecimento do contribuinte como portador de uma das moléstias especificadas no inciso XIV do art. 6º da Lei nº 7.713/1998, comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial e (b) serem os rendimentos provenientes de aposentadoria ou reforma. No caso concreto a Autoridade lançadora indeferiu a Solicitação de Retificação de Lançamento – SRL sob o fundamento de que os “laudos médicos apresentados pelo contribuinte não são laudos médicos periciais emitidos por serviço médico oficial”. A decisão recorrida, de sua vez, julgou improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte com base nos seguintes argumentos: Serviço médico oficial é aquele que integra órgão público federal, estadual ou municipal (pessoa jurídica de direito público interno, autarquias e fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público). No caso específico, foram juntados dois “laudos” em receituário da Prefeitura Municipal de Porto Alegre que não se confundem Fl. 98DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 11080.723879/201287 Acórdão n.º 2801003.995 S2TE01 Fl. 99 4 com o laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Permito discordar do entendimento dos ilustres julgadores da instância de piso, uma vez que os documentos apresentados pelo Interessado (fl. 15), embora estejam grafados com a palavra “Receituário”, revelamse como verdadeiros laudos periciais emitidos por serviço médico oficial (fls. 15, 31/32 e 33/34), porquanto, além de conter o timbre da Prefeitura Municipal de Porto Alegre Secretaria Municipal de Saúde, foram subscritos por médicos (dois) cujos registros estão ativos no Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do Sul. Demais disso, é incontroverso que os rendimentos recebidos pelo Recorrente decorrem de aposentadoria e que o mesmo é portador de nefropatia grave (doença renal em estádio final, CID N 18.0) desde 2007, encontrandose, pois, albergado pela norma isentiva acima transcrita. Nesse contexto, voto por dar provimento ao recurso para que seja cancelada a omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica no valor de R$ 92.593,56. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Fl. 99DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN
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Numero do processo: 18471.003725/2008-34
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004,2005
ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA.
Trata-se de omissão de receitas a existência de valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, apresenta os extratos e não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nas operações.
Numero da decisão: 1803-002.482
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(Assinado Digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva- Presidente.
(Assinado Digitalmente)
Meigan Sack Rodrigues - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Fernando Ferreira Castellani, Antônio Marcos Serravalle Santos, Meigan Sack Rodrigues.
Nome do relator: MEIGAN SACK RODRIGUES
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O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. Tratase de omissão de receitas a existência de valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, apresenta os extratos e não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nas operações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (Assinado Digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Presidente. (Assinado Digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 37 25 /2 00 8- 34 Fl. 613DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/02/201 5 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 18471.003725/200834 Acórdão n.º 1803002.482 S1TE03 Fl. 112 2 Meigan Sack Rodrigues Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Fernando Ferreira Castellani, Antônio Marcos Serravalle Santos, Meigan Sack Rodrigues. Relatório Tratase, o presente feito, de autos de infração para exigir créditos tributários de IRPJ Simples, CSLL Simples, Pis Simples, Cofins Simples, acrescidos de multa de ofício de 75%. Foi apurada omissão de receitas por depósitos bancários não escriturados e insuficiência de recolhimento. Devidamente cientificada do auto de infração, a empresa recorrente apresentou, de forma tempestiva, suas razões em seara de impugnação. Alega, em síntese, que a apuração se fundamenta em dados que não correspondem à sua realidade sócioeconômica, posto que os valores apurados única e exclusivamente com base em extratos bancários não podem ser admitidos. Ainda, afirma conterem erros grosseiros de cálculo e junta planilha. Por fim afirma que a multa de 75% é confiscatório e que deve ser desconsiderada a aplicação da taxa SELIC por sua ilegalidade. A autoridade julgadora de primeira instância entendeu por bem manter o lançamento parcialmente. Aduz que não ocorreu nenhuma irregularidade, incorreção ou omissão que importe em nulidade dos autos de infração e fundamenta no art. 142 do CTN, 10 e 59 do Decreto 70.235. Quanto ao mérito, afirma o julgador a quo, que a fiscalização efetuou o lançamento dentro da sistemática de apuração escolhida pela recorrente – SIMPLES e que a fiscalização efetuou o lançamento por ter apurado omissão de receitas a partir de levantamento com base nos extratos bancários fornecidos pelo interessado no curso dos trabalhos de auditoria fiscal, conforme demonstrativos de fls. 152/174. Afere que os valores lançados no item 2 (INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO) decorrem do item 1 (OMISSÃO DE RECEITAS DEPOSITOS BANCÁRIOS NA° ESCRITURADOS). Em decorrência da omissão de receitas, houve mudança de faixa das alíquotas. Salienta que a existência dos depósitos bancários não escriturados ou de origem não comprovada foi erigida à condição de presunção legal, conforme dispõe o art.42 da Lei 9.430/96. E que diante de presunção há a inversão do ônus da prova, tornase legítima a autuação quando a pessoa jurídica não escritura ou não comprova a origem dos depósitos bancários. Fl. 614DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/02/201 5 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 18471.003725/200834 Acórdão n.º 1803002.482 S1TE03 Fl. 113 3 Afere que na impugnação a empresa recorrente não apresenta elementos de prova, assim os valores apurados, em relação a cada conta bancária, não foram elididos. Mas, obseva que no exame do demonstrativo de fls. 174, verificou que, tal como alegado pela recorrente, a fiscalização cometeu erro de fato na totalização do ano calendário de 2004. Assim, diante do erro de fato, o lançamento deve ser retificado e apresenta memória de cálculo no fim do voto. No tocante à multa de ofício e juros de mora, frisa o julgador de primeira instância que no lançamento de ofício é devida a exigência de multa de ofício e dos juros de mora. Atesta que tanto a multa como a taxa Selic foram aplicado na consonância da lei e que não compete à autoridade administrativa se manifestar sobre a inconstitucionalidade ou ilegalidade de lei, pois essa competência foi atribuída pela Constituição Federal (art. 102), em caráter privativo ao Poder Judiciário. Devidamente cientificada da decisão de primeira instância, a empresa recorrente apresenta suas razões em seara de recurso voluntário, de forma tempestiva. Insurge se alegando sinteticamente o já disposto em suas razões de impugnação. É o relatório Voto Conselheira Meigan Sack Rodrigues. O Recurso Voluntário preenche as condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Tratase, o presente feito, de autos de infração para exigir créditos tributários de IRPJ Simples, CSLL Simples, Pis Simples, Cofins Simples, acrescidos de multa de ofício de 75%. Foi apurada omissão de receitas por depósitos bancários não escriturados e insuficiência de recolhimento. A empresa recorrente não apresenta documentação hábil e idônea que justifiquem a origem dos valores constantes nos extratos de depósitos bancários. Limitase a insurgirse contra a presunção legal, a inversão do ônus da prova, ao fato de que entende que depósito bancário não caracteriza receita, à multa e à taxa Selic. Assim, entendo que não merece procedência o recurso interposto pela recorrente. Isso porque a norma disciplinada no art. 42 da Lei 9.430/96 é clara ao determinar o ônus do contribuinte em explicar de forma individualizada cada depósito, demonstrando, através de documentação hábil e idônea, a origem de cada depósito, sob pena de serem considerados receitas omitidas. Atentamos para o fato de que além da empresa não junta qualquer documento, tão pouco se presta a explicar cada depósito, deixando a discussão da matéria apenas no cunho legal, ou seja, busca desconstituir o auto de infração referindo tratarse de Fl. 615DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/02/201 5 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 18471.003725/200834 Acórdão n.º 1803002.482 S1TE03 Fl. 114 4 meras presunções e que o espírito da norma, instituída pelo art. 42 da Lei 9.430/96 não pode deixar de lado os sinais exteriores de riquezas e outras normas disciplinas no ordenamento jurídico. De igual modo, insurgese, a empresa recorrente, quanto à questão da inconstitucionalidade das normas, quando se refere à multa de ofício e à taxa Selic. Nesse caminho, entendo que também não merece razão os argumentos da empresa. Isso porque a esfera administrativa não é competente para discutir legalidade ou constitucionalidade de norma, tal como já exposto na decisão de primeiro grau. Ainda, já trata de questão Sumulada por esse Egrégio Conselho, senão vejamos: “O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).” Da mesma forma, aplicase a sumula acima citada para as discussões a respeito de ilegalidade ou inconstitucionalidade de normas e sua aplicabilidade, violação ou discussão desse jaez. Assim, entendo que à empresa recorrente caberia apenas explicar os depósitos bancários, justificando suas origens, através de documentação hábil e idônea e com identificação de data e valores, tal como disciplinada a norma exposta no art. 42 da Lei 9.430/96 e ainda em vigor, referida anteriormente. No entanto, a empresa recorrente não logrou juntar nenhum documento que comprovasse a origem dos valores, sequer explicou se os mesmos são frutos do seu objeto de contrato social, ou seja, se trata de valores advindos da sua atividade. E quanto à discussão a respeito da presunção, disposta na norma, temse que a omissão de rendimentos por depósitos bancários é considerada, dentro do ordenamento jurídico pátrio, uma presunção, necessitando de sua comprovação. Ocorre que essa comprovação, em se tratando de depósitos bancários, invertese, devendo a recorrente demonstrar, com identidade de data e valor, a origem dos valores, tal como referido acima. Ademais, ainda que se trate de uma presunção, de igual modo cumpre à empresa, interessada em demonstrar que não se encontrar em situação de devedora dos seus tributos, comprovar que os depósitos não se tratavam de renda omitida, já que a norma nesse caso específico determina a inversão em favor da fiscalização, impondo a conduta demonstrativa à recorrente, tal com já referido. Nesse sentido, importa citar jurisprudência corroborando o entendimento: “DEPÓSITOS BANCÁRIOS. LANÇAMENTO. É regular o procedimento de fiscalização que verifica incompatibilidade entre os registros efetuados no Livro Caixa do contribuinte, e aqueles informados ao fisco, e a movimentação financeira espelhada nos extratos bancários. Em constatando Fl. 616DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/02/201 5 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 18471.003725/200834 Acórdão n.º 1803002.482 S1TE03 Fl. 115 5 relevante disparidade e não justificando, o contribuinte, a origem dos créditos bancários, especificamente, é lícito proceder ao lançamento por presunção de receita omitida, com Mero no artigo 42 da Lei n° 9.430/96. DEPÓSITO BANCÁRIO. PROVA. Não pode o contribuinte, pessoa jurídica, pretender que se admita, para provar a origem dos créditos bancários individualizados, o total do rendimento bruto do sócio, informado em DIRPF, sem provar, com documentação hábil, a efetiva transferência de valores nas datas dos créditos. (Processo n. 11543.003273/200427, Acórdão: 19100.079, Ministério da Fazenda, 1° Conselho de Contribuintes, 1ª Turma Especial, 29.01.2009, Relatora Ana de Barros Fernandes)” Nesse contexto não resta outra alternativa, senão manter o auto de infração na sua integralidade, vez que as correções referente aos cálculos já foram realizadas na decisão precedente. Diante do exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Meigan Sack Rodrigues – Conselheira Fl. 617DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/02/201 5 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
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