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Numero do processo: 10880.928791/2008-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jul 31 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2003
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRAZO LEGAL. RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVO. AUSÊNCIA DE JUSTIFICATIVA. NÃO CONHECIMENTO.
Nos termos do art. 33 do Decreto 70.235/72, é de 30 dias a partir da ciência o prazo para apresentação de Recurso Voluntário. Não podendo se conhecer de recurso apresentado fora do prazo legalmente estipulado, sem justificativa válida. Recurso Não Conhecido.
Numero da decisão: 1401-003.528
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário por sua intempestividade.
(documento assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Eduardo Morgado Rodrigues - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Carlos André Soares Nogueira, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Eduardo Morgado Rodrigues, Letícia Domingues Costa Braga, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça (suplente convocada para substituir a Conselheira Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin) e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
Nome do relator: EDUARDO MORGADO RODRIGUES
1.0 = *:*
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PRAZO LEGAL. RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVO. AUSÊNCIA DE JUSTIFICATIVA. NÃO CONHECIMENTO. Nos termos do art. 33 do Decreto 70.235/72, é de 30 dias a partir da ciência o prazo para apresentação de Recurso Voluntário. Não podendo se conhecer de recurso apresentado fora do prazo legalmente estipulado, sem justificativa válida. Recurso Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário por sua intempestividade. (documento assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente (documento assinado digitalmente) Eduardo Morgado Rodrigues - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Carlos André Soares Nogueira, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Eduardo Morgado Rodrigues, Letícia Domingues Costa Braga, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça (suplente convocada para substituir a Conselheira Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin) e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). Relatório Trata-se de Recurso Voluntário (fls. 49 a 54) interposto contra o Acórdão nº 16- 27.399, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 92 87 91 /2 00 8- 95 Fl. 100DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1401-003.528 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.928791/2008-95 São Paulo/SP (fls. 49 a 54), que, por unanimidade, julgou parcialmente procedente a impugnação apresentada pela ora Recorrente, decisão esta consubstanciada na seguinte ementa: " Assunto: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2003 COMPENSAÇÃO EM DCOMP. Não comprovada a existência de direito creditório veda-se ao contribuinte efetuar as compensações em DCOMP. SALDO NEGATIVO. A DE IMPOSTO APURADO NA DECLARAÇÃO. Constitui crédito a compensar ou restituir o saldo negativo de imposto de renda apurado em declaração de rendimentos, desde que ainda não tenha sido compensado ou restituído. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido" Por sua precisão na descrição dos fatos que desembocaram no presente processo, peço licença para adotar e reproduzir os termos do relatório da decisão da DRJ de origem: "(...) A contribuinte transmitiu DCOMP”s de fls. 08/20, objetivando a utilização de saldo negativo de IRPJ, referente ao ano-calendário de 2003, no valor de R$ 3.357,84 para a compensação de débitos. Em 09/09/2008, a Derat/SPO exarou DESPACHO DECISÓRIO (fl. 01) não homologando as compensações informadas em DCOMP. Dessa forma, o litígio restringe-se ao seguinte valor original em Reais (R$): A não homologação das compensações deu-se pelos motivos expostos a seguir: O saldo negativo do ano-calendário de 2003, informado na DIPJ, de R$ 827,80 é inferior ao declarado em PER/DCOMP de R$ 3.222,54. A contribuinte teve ciência do Despacho Decisório em 17/09/2008 (fl. 06) e dela recorreu a esta DRJ em 15/10/2008 (fls. 21/22). As alegações da interessada são resumidas a seguir. O saldo negativo informado na DCOMP n° 14780.45410.130804.1.7.02-0319, referente ao 4° trimestre de 2003, apresenta incorreções quanto ao IRRF informado na referida declaração, tendo em vista que, na verdade, o montante correto é de R$ 827,80; Fl. 101DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1401-003.528 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.928791/2008-95 O montante informado na mencionada DCOMP de R$ 3.224,54 refere-se à somatória dos 4 trimestres do período ora questionado. (...)" O Contribuinte foi cientificado da decisão de primeira instância na data de 07/12/2010, conforme declarou no AR de fl. 56. Em data de 15/002/2011 (conforme carimbo aposto na peça recursal) protocolou o presente Recurso Voluntário em termos semelhantes aos já esposados em primeira instância. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues, Relator. Conforme se abstrai do relatório, a ora Recorrente apresentou o presente Recurso Voluntário 40 dia depois do termo final do prazo de 30 dias legalmente estabelecido pelo art. 33 do Decreto 70.235/72. Desta forma, não tendo a Recorrente apresentado qualquer argumento que justifique este atraso, não resta outra possibilidade que não reconhecimento da intempestividade do recurso. Diante disto, VOTO pelo NÃO CONHECIMENTO do Recurso Voluntário. É como voto. (documento assinado digitalmente) Eduardo Morgado Rodrigues Fl. 102DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1401-003.528 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.928791/2008-95 Fl. 103DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15471.002544/2007-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 05 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jul 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. COMPENSAÇÃO DO IMPOSTO DEVIDO NO AJUSTE ANUAL. COMPROVAÇÃO DE RETENÇÃO. OCORRÊNCIA.
Restando comprovada a retenção de imposto de renda, resta caracterizada a improcedência do lançamento de ofício.
Numero da decisão: 2402-007.357
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, restabelecendo-se o Imposto de Renda a restituir apurado na Declaração de Ajuste Anual do Exercício 2004. Vencidos os conselheiros Paulo Sérgio da Silva, Maurício Nogueira Righetti e Denny Medeiros da Silveira, que negaram provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(assinado digitalmente)
Luís Henrique Dias Lima - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Paulo Sérgio da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci, Maurício Nogueira Righetti, Gabriel Tinoco Palatnic (suplente convocado), Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Júnior e Denny Medeiros da Silveira.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE DIAS LIMA
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COMPENSAÇÃO DO IMPOSTO DEVIDO NO AJUSTE ANUAL. COMPROVAÇÃO DE RETENÇÃO. OCORRÊNCIA. Restando comprovada a retenção de imposto de renda, resta caracterizada a improcedência do lançamento de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, restabelecendose o Imposto de Renda a restituir apurado na Declaração de Ajuste Anual do Exercício 2004. Vencidos os conselheiros Paulo Sérgio da Silva, Maurício Nogueira Righetti e Denny Medeiros da Silveira, que negaram provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Paulo Sérgio da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci, Maurício Nogueira Righetti, Gabriel Tinoco Palatnic (suplente convocado), Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Júnior e Denny Medeiros da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 47 1. 00 25 44 /2 00 7- 11 Fl. 33DF CARF MF Processo nº 15471.002544/200711 Acórdão n.º 2402007.357 S2C4T2 Fl. 34 2 Relatório Cuidase de recurso voluntário (efl. 31) em face do Acórdão n. 1322.118 2ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro II (RJ) DRJ/RJOII (efls. 26/27), que julgou improcedente a impugnação (efl. 02), apresentada em 17/12/2007, mantendo o crédito tributário consignado no lançamento constituído em 28/11/2007 (efls. 18/19) mediante a Notificação de Lançamento Imposto de Renda Pessoa Física n. 2004/607450537874058 que reduziu o imposto a restituir para o R$ 779,02 (efls. 06/13) com fulcro em compensação indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF). Cientificada do teor do Acórdão n. 1322.118 em 16/03/2009 (efl. 30), o impugnante, agora Recorrente, apresentou recurso voluntário na data de 09/04/2009 alegando, em linhas gerais, que a fonte pagadora Associação Educacional Veiga de Almeida apresentou DIRF/AC 2003 informando o IRRF glosado. Sem contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Luís Henrique Dias Lima Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n. 70.235/72 e alterações posteriores, portanto dele CONHEÇO. Passo à análise. Ao apreciar a impugnação, a instância de piso assim concluiu: [...] Inicialmente, cabe informar que o lançamento em tela não considerou omisso os rendimentos auferidos pela Associação Educacional Veiga de Almeida mas sim a compensação indevida do imposto de renda relativamente à citada fonte pagadora. Ressaltese que, com relação à glosa de imposto de renda na fonte há que se informar que não consta dos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil nenhuma declaração da fonte pagadora que corrobore os valores constantes do documento de fl.07 juntado pela impugnante aos autos. Destarte, em face de todo o exposto supra, voto no sentido de julgar PROCEDENTE o lançamento. Fl. 34DF CARF MF Processo nº 15471.002544/200711 Acórdão n.º 2402007.357 S2C4T2 Fl. 35 3 Em sede de recurso voluntário, a Recorrente que a fonte pagadora Associação Educacional Veiga de Almeida apresentou DIRF/AC 2003 informando o IRRF glosado. Como se observa, a presente lide resumese, em sua essência, à questão de prova de retenção de IRRF no AC 2003. Não obstante a inexistência de registro de DIRF/Anocalendário 2003 emitida pela fonte pagadora Associação Educacional Veiga de Almeida, verificase que consta dos autos comprovante de rendimentos pagos e de retenção de imposto de renda na fonte ano calendário 2003 informando IRRF de R$ 4.904,66 (efl. 11) que corresponde ao IRRF glosado no lançamento em apreço, observandose que a entrega de DIRF/ Anocalendário 2003 escorreita de vícios é ônus exclusivo da fonte pagadora, conforme reza a legislação tributária, não podendo assim a Recorrente ser penalizada pela inércia de terceiros, vez que foge à sua governança os procedimentos relativos ao cumprimento da obrigação acessória em tela. Nessa perspectiva, não resta outra alternativa que não o cancelamento da Notificação de Lançamento Imposto de Renda Pessoa Física n. 2004/607450537874058. Ante o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e darlhe provimento para restabelecer o imposto a restituir apurado na Declaração de Ajuste Anual (DAA) Exercício 2004 ND 07/34.195.708. (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Fl. 35DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13227.900284/2010-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jul 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2003
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ÔNUS DA PROVA.
Considera-se não homologada a declaração de compensação apresentada pelo sujeito passivo quando não reste comprovada a existência do crédito apontado como compensável. Nas declarações de compensação referentes a pagamentos indevidos ou a maior o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito.
RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
A simples retificação de declarações para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório.
Numero da decisão: 1402-003.922
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Edeli Pereira Bessa - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Evandro Correa Dias - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio César Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa (Presidente).
Nome do relator: EVANDRO CORREA DIAS
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ementa_s : ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ÔNUS DA PROVA. Considera-se não homologada a declaração de compensação apresentada pelo sujeito passivo quando não reste comprovada a existência do crédito apontado como compensável. Nas declarações de compensação referentes a pagamentos indevidos ou a maior o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito. RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. A simples retificação de declarações para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório.
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ÔNUS DA PROVA. Considera-se não homologada a declaração de compensação apresentada pelo sujeito passivo quando não reste comprovada a existência do crédito apontado como compensável. Nas declarações de compensação referentes a pagamentos indevidos ou a maior o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito. RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. A simples retificação de declarações para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa - Presidente (documento assinado digitalmente) Evandro Correa Dias - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio César Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 22 7. 90 02 84 /2 01 0- 11 Fl. 71DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1402-003.922 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13227.900284/2010-11 Relatório Trata-se de declaração de compensação transmitida em 02/12/2006 pela contribuinte acima identificada, na qual indicou crédito de R$ 37,54, resultante de pagamento indevido ou a maior originário de DARF relativo à receita de código 2484, do período de apuração de 12/2003, no valor originário de R$ 42,79. A Delegacia de origem, em análise datada de 06/09/2010 (fl. 6), asseverou que “a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP (...) foram localizados um ou mais pagamentos (...), mas integralmente utilizados para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Assim, não homologou a compensação declarada. Cientificada, a interessada apresentou, em 19/10/2010, manifestação de inconformidade (fls. 8/9) na qual alega, em síntese, que: a) “Após revisão em nossos arquivos, constamos(sic) que nos exercício (sic) de 2003 e 2004, a empresa teve apuração de IRPJ e da CSLL Anual, tendo pago por estimativa mensal, desta forma o recolhimento mensal foi superior ao apurado anual, daí a existência do crédito suficiente para pagar os demais débitos os quais foram compensados nos anos calendários subseqüentes, através de PER/DCOMP. Entretanto, antes mesmo da emissão deste despacho decisório, revisando nossos arquivos e, em análise mais apurada, constatamos que nas Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, foram informados os valores pagos mensalmente por estimativa, sendo assim no dia 01 de Abril de 2009 procedemos a retificação das referidas DCTF’s (...)” ; b) “Diante de todas as análises, entendemos que a retificação das Declarações de Débitos e Créditos Tributários – DCTF, irá sanar todas as divergências entre créditos e débitos, ou seja, mediante o procedimento de declaração retificadora, os débitos serão extintos.” Ao seu turno, a DRJ a quo proferiu o Acórdão, ora recorrido, em que considerou não homologada a declaração de compensação apresentada pelo sujeito passivo quando não restou comprovada a existência do crédito apontado como compensável. Prevaleceu o entendimento que nas declarações de compensação referentes a pagamentos indevidos ou a maior o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito. Diante de tal revés, a Contribuinte interpôs o Recurso Voluntário, agora sob análise, em suma, apresentado as seguintes alegações de fato e de direito para a reforma da decisão a quo: A forma de tributação na qual estava enquadrada a empresa, no exercício em questão (exercício em que esta sendo discutida a compensação) era "lucro real" no qual é feito o recolhimento por estimativa mensal, baseando-se na receita bruta, devendo ser ao final do ano calendário realizada a apuração do tributo devido. Contudo, quando do termino do ano calendário, ao ser realizada a apuração do imposto devido, momento em que é possível se fazer a comparação entre o valor pago e o efetivamente devido, é que se obteve o valor de crédito, (advindo da diferença entre créditos e débitos), que poderia vir a ser usado em futuras compensações, ou seja, abatimento de impostos devidos. Fl. 72DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1402-003.922 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13227.900284/2010-11 Assim sendo, no exercício em pauta, conforme a nossa explanação, ao serem analisados os valores apurados e devidamente registrados nos documentos que seguirão em anexo, é possível chegar ao valor de crédito abaixo identificado; I.R.P.J pago no exercício de 2003 Planilha 1 Período de apuração Histórico Cod. DARF Valor Saldo Acumulado janeiro/2003 C.S.L.L 2484 7,07 7,07 fevereiro/2003 C.S.L.L 2484 .6,98 14,05 março/2003 C.S.L.L 2484 6,85 20,90 abril/2003 C.S.L.L 2484 8,30 29,20 maio/2003 C.S.L.L 2484 8,24 37,44 junho/2003 C.S.L.L 2484 8,31 45,75 julho/2003 C.S.L.L 2484 8,39 54,14 agosto/2003 C.S.L.L 2484 8,34 62,48 setembro/2003 C.S.L.L 2484 22,38 84,86 outubro/2003 C.S.L.L 2484 22,17 107,03 novembro/2003 C.S.L.L 2484 22,66 129,69 dezembro/2003 C.S.L.L 2484 42,79 172,38 Valor total pago no ano de exercício 2003 172,48 Valor C.S.L.L apurado (devido) no exercício de 2003. Exercício C.S.L.L Código do Darf Valor Saldo acumulado 2003 C.S.L.L 2484 5,25 5,25 Valor total apurado (devido) no exercício de 2003. 5,25 C.S.L.L a compensar Exercício Valor pago em 2003 Valor total apurado (devido) em 2003 Valor C.S.L.L a Compensar (pago - apurado) 2003 2003 172,38 5,25 167,23 Considerando que as informações retificadas na DCTF não foram suficientes para o esclarecimento dos fatos e apuração do crédito, ficando ainda a cargo desta empresa a demonstração dos valores a serem compensados, por meio de documentos que comprovem a sua existência. Decide portanto, esta empresa, encaminhar (cópias) dos registros contábeis da conta de ativo do tributo a recuperar, balanço transcrito no livro Diário, e cópia do DARF utilizado como referencia de crédito na compensação, documentos estes necessários a demonstração do credito, uma vez que o relatório do acórdão menciona a necessidade da apresentação de documentos que comprovem a existência do direito creditório, conforme cópia anexa a intimação recebida recentemente, mencionada acima, para que desta forma, possam ser analisados cuidadosamente. Fl. 73DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1402-003.922 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13227.900284/2010-11 Voto Conselheiro Evandro Correa Dias, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende ao demais requisitos, motivo pelo qual dele conheço. A questão a ser dirimida é se as alegações e documentos apresentados pelo recorrente são suficientes para comprovar que houve pagamento indevido ou a maior. Faz-se necessário que o recorrente demonstre que o pagamento foi indevido ou maior, por intermédio de sua escrita contábil e fiscal e respectiva documentação de suporte, mediante demonstração inequívoca da base de cálculo e do tributo apurado, conforme decisão a quo: Assim, é condição necessária – embora não suficiente – a que o sujeito passivo pleiteie o reconhecimento de direito creditório referente a débito confessado em DCTF a apresentação prévia de nova declaração, retificando a confissão anterior. Esclareça-se, ainda em relação ao tema, que a desconstituição do crédito tributário formalizado pelo pagamento e confessado em DCTF não depende apenas da apresentação de DCTF- Retificadora, mas igualmente da comprovação inequívoca, por meio de documentos hábeis e idôneos, de que houve pagamento indevido ou a maior. Ou seja, para ilidir a presunção de legitimidade do crédito tributário vinculado ao pagamento antecipado (lançamento por homologação ), não se mostra suficiente que o contribuinte promova a redução do débito confessado em DCTF, fazendo-se necessário, notadamente, que demonstre, por intermédio de sua escrita contábil e fiscal e respectiva documentação de suporte, que o pagamento foi realmente indevido. Repise-se que em hipótese tal qual a dos autos, deve restar provada a existência do direito creditório invocado, mediante demonstração inequívoca da base de cálculo e do tributo apurado no período. Logo, a certeza e liquidez do crédito reclamado, para fins de repetição tributária, não se apura em razão do quantum do tributo declarado à Receita Federal do Brasil, mas sim em relação ao quantum demonstrado, analiticamente, pela documentação contábil e fiscal. Assinale-se que a DCTF, por si só, não exprime nem materializa o indébito fiscal.(grifo nosso) Considerando tratar-se de pedido de restituição/compensação, cabe ao recorrente, como titular da pretensão, o ônus de prova quanto ao fato constitutivo de seu direito. Em outras palavras, o sujeito passivo possui o encargo de apresentação de documentos comprobatórios de seu direito creditório, por ter sido ele quem inaugurou o procedimento administrativo. Através da análise das alegações e documentos apresentados pelas recorrente (demonstrativos de IRPJ pago, registros contábeis da conta de ativo do tributo a recuperar, balanço transcrito no livro Diário, e cópia do DARF utilizado como referencia de crédito na compensação), verifica-se que não houve nem demonstração da base de cálculo nem a comprovação do pagamento indevido ou a maior. Depreende-se que, conforme alegações da recorrente, não houve pagamento indevido ou a maior das antecipações da CSLL, o pedido seria então da compensação referente à apuração da base negativa da CSLL no encerramento do exercício de 2003. Contudo a recorrente não apresenta documentação contábil-fiscal que demonstrem de forma inequívoca que houve apuração de saldo negativo da base de cálculo no referido exercício. Fl. 74DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 1402-003.922 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13227.900284/2010-11 Ressalta-se que a recorrente não traz aos autos nem a DIPJ do ano-calendário para demonstrar a existência do Saldo Negativo. Portanto confirma-se o entendimento de que considerar-se-á não homologada a declaração de compensação apresentada pelo sujeito passivo quando não reste comprovada a existência do crédito apontado como compensável. Conclusão Ante o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Evandro Correa Dias Fl. 75DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15504.020581/2010-82
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jun 27 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006, 2007
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DE ORIGEM. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE
Incabível a exclusão, da base de cálculo do Imposto de Renda incidente sobre depósitos bancários sem identificação de origem, de rendimentos que não tenham sido comprovadamente tributados na Declaração de Ajuste Anual correspondente, portanto incabível a exclusão de Rendimentos Isentos e não Tributáveis, como é o caso de lucros e dividendos.
Numero da decisão: 9202-007.827
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Ana Paula Fernandes (relatora), Patrícia da Silva, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Maria Helena Cotta Cardozo.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Redatora Designada
(assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Miriam Denise Xavier (suplente convocada), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006, 2007 IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DE ORIGEM. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE Incabível a exclusão, da base de cálculo do Imposto de Renda incidente sobre depósitos bancários sem identificação de origem, de rendimentos que não tenham sido comprovadamente tributados na Declaração de Ajuste Anual correspondente, portanto incabível a exclusão de Rendimentos Isentos e não Tributáveis, como é o caso de lucros e dividendos.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Ana Paula Fernandes (relatora), Patrícia da Silva, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Maria Helena Cotta Cardozo. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Redatora Designada (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Miriam Denise Xavier (suplente convocada), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1586; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 9 1 8 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 15504.020581/201082 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202007.827 – 2ª Turma Sessão de 25 de abril de 2019 Matéria IRPF Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado JOSE RAIMUNDO MARTINS ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006, 2007 IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DE ORIGEM. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE Incabível a exclusão, da base de cálculo do Imposto de Renda incidente sobre depósitos bancários sem identificação de origem, de rendimentos que não tenham sido comprovadamente tributados na Declaração de Ajuste Anual correspondente, portanto incabível a exclusão de Rendimentos Isentos e não Tributáveis, como é o caso de lucros e dividendos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Ana Paula Fernandes (relatora), Patrícia da Silva, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Maria Helena Cotta Cardozo. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício e Redatora Designada (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 02 05 81 /2 01 0- 82 Fl. 934DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Miriam Denise Xavier (suplente convocada), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório O presente Recurso Especial trata de pedido de análise de divergência motivado pela Fazenda Nacional face ao acórdão 2801003.106, proferido pela 1ª Turma Especial / 2ª Seção de Julgamento. Tratase de auto de infração de fls. 1/10 com exigência de crédito tributário no valor de R$ 676.507,28 a título de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), juro de mora e multa proporcional de 150%. O lançamento decorre da tributação de rendimentos apontados como omitidos provenientes de valores creditados em contas de depósito ou de investimento, mantidas em instituições financeiras, cuja origem de recursos utilizados não foi comprovada mediante documentação hábil e idônea, conforme detalhado no Termo de Verificação Fiscal (TVF) de fls. 11/39. Também foi lançada omissão de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício recebido de pessoa jurídica. O Contribuinte apresentou a impugnação, às fls. 205/221. A DRJ/SDR, às fls. 827/840, julgou pela improcedência da impugnação apresentada, mantendo o crédito tributário na forma originalmente lançado. O Contribuinte apresentou Recurso Voluntário às fls. 846/865. A 1ª Turma Especial da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 868/875, DEU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para acolher a decadência referente ao calendário de 2005, cancelar a parcela de R$ 235.795,76 apurada a título de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, relativamente ao ano calendário de 2006, e reduzir a multa de ofício para 75% relativamente à parcela remanescente. A Decisão restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006, 2007 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ANTECIPAÇÃO DO PAGAMENTO. CONTAGEM DO PRAZO. Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, contase o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN). OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. RENDIMENTOS CONFESSADOS. TRÂNSITO PELAS CONTAS DE DEPÓSITOS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO LANÇADO. POSSIBILIDADE. Fl. 935DF CARF MF Processo nº 15504.020581/201082 Acórdão n.º 9202007.827 CSRFT2 Fl. 10 3 É razoável compreender que, além dos rendimentos omitidos, os ingressos de recursos declarados oportunamente pelo contribuinte e confirmados tacitamente pelo Fisco transitam, igualmente, pelas contas bancárias do fiscalizado, devendo, assim, os correspondentes valores serem excluídos da base de cálculo da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. PENALIDADE. MULTA QUALIFICADA. A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. (Súmula CARF nº 14) Recurso Voluntário Provido. Às fls. 878/896, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, arguindo divergência jurisprudencial acerca das seguintes matérias e respectivos cotejamento: 1. omissão depósitos bancários origem exclusão dos valores declarados na DAA. Arguiu que o Colegiado a quo, prolator do acórdão recorrido, entendeu que o valor declarado em DAA pode ser considerado como comprovação de origem dos depósitos bancários, independente de identificação entre as fontes e os depósitos. Por sua vez, a Quarta e a Sexta Câmaras do Primeiro Conselho de Contribuintes firmaram o entendimento de que é necessária a demonstração efetiva da origem dos recursos depositados, sendo incabíveis meras alegações, tais como a de que o valor declarado em DAA estaria englobado entre os depósitos. Cada depósito deve ser justificado individualizadamente como determina a lei. 2. Da multa qualificada. Alegou haver clara divergência jurisprudencial acerca da interpretação do art. 44, II, da Lei 9.430/96, eis que, diante do mesmo ilícito, qual seja, prestação consciente e reiterada de informações falsas ao Fisco, as Câmaras decidiram de forma contrária à e. Câmara a quo, afastando a multa agravada, enquanto que a Primeira e a Quinta Câmaras do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes mantendo a no percentual qualificado. Ao realizar o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, às fls. 902/905, a 1ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, DEU PARCIAL SEGUIMENTO ao recurso, concluindo restar demonstrada a divergência de interpretação APENAS em relação à primeira matéria alegada: omissão depósitos bancários origem exclusão dos valores declarados na DAA. A União manifestouse não haver interesse em recorrer do Despacho que deu parcial provimento ao seu Recurso Especial, conforme fl. 907. Cientificado à fl. 915, o Contribuinte apresentou Contrarrazões, às fls. 919/928, alegando, preliminarmente, ausência de interpretação divergente. No mérito, reiterou as arguições anteriores, requerendo o não provimento do recurso especial. É o relatório. Voto Vencido Fl. 936DF CARF MF 4 Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, merece ser conhecido. Tratase de auto de infração de fls. 1/10 com exigência de crédito tributário no valor de R$ 676.507,28 a título de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), juro de mora e multa proporcional de 150%. O lançamento decorre da tributação de rendimentos apontados como omitidos provenientes de valores creditados em contas de depósito ou de investimento, mantidas em instituições financeiras, cuja origem de recursos utilizados não foi comprovada mediante documentação hábil e idônea, conforme detalhado no Termo de Verificação Fiscal (TVF) de fls. 11/39. Também foi lançada omissão de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício recebido de pessoa jurídica. O Acórdão recorrido deu provimento ao Recurso Ordinário. O Recurso Especial, apresentado pela Fazenda Nacional trouxe para análise a seguinte divergência: omissão depósitos bancários origem exclusão dos valores declarados na DAA. O acórdão recorrido interpretou que o valor oferecido à tributação na Declaração de Ajuste Anual – DAA pode ser considerado como prova de origem de depósitos bancários, independente de identificação entre as fontes e os depósitos. Nesse tópico, a discussão fica por conta de considerar omitidos também aqueles depósitos cujos valores estejam englobados na declaração de imposto de renda pessoa física DIRPF. Ou seja, para os valores constantes da DIRPF também são necessária aa comprovações pormenorizadas da origem dos depósitos? A insurgência apontada pela Fazenda consiste na alegada necessidade de comprovação da origem mesmo quando se tratar de rendimentos declarados. A insurgência principal do contribuinte neste caso é o de que os valores por ele declarados em suas Declarações de Imposto de Renda não foram excluídos da base de cálculo da omissão de rendimentos, quando deveriam ter sido. Deixo de proceder a análise probatória dos depósitos e das provas, pois a valoração probatória não cabe a esta Câmara Superior, cabendo aqui neste caso tão somente decidir a respeito da tese jurídica matéria que foi admitida qual seja, se os valores declarados na DIRPF prescindem ou não de comprovação de origem, tais como os depósitos não declarados (omitidos). O acórdão recorrido deu razão ao contribuinte, conforme excerto abaixo: Quanto ao crédito tributário remanescente, o recorrente apenas se insurge em relação ao fato de o fisco na ter considerado como origem de vários depósitos bancários, efetuados durante o ano de 2006, o montante de R$ 235.795,76 recebido a título de distribuição de lucros da sociedade Gráfica Del Rey, conforme discriminado, às fls. 852/853. (...) Fl. 937DF CARF MF Processo nº 15504.020581/201082 Acórdão n.º 9202007.827 CSRFT2 Fl. 11 5 Na DIRPF sob exame (fls. 211/214), observase que foi declarado, a título de rendimentos isentos e não tributáveis, o reclamado valor de R$ 235.795,76 referente a lucros e dividendos recebidos da fonte pagadora GRAFICA E EDITORA DEL REY IND. E COM.LTDA. Assim, o citado valor deve ser excluído da base de cálculo da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, já que tal rendimento não foi objeto de glosa pela autoridade fiscal, ou seja, estes recursos foram tacitamente confirmados pelo Fisco. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso para acolher a decadência referente ao calendário de 2005, cancelar a parcela de R$ 235.795,76 apurada a título de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, relativamente ao anocalendário de 2006, e reduzir a multa de ofício para 75% relativamente à parcela remanescente. Neste ponto, entendo que assiste razão ao acórdão recorrido, pois o valor declarado pelo sujeito passivo como rendimento da DIRPF deve ser considerado como prova de origem, pois uma vez que não foi objeto de glosa, não precisa provar identidade entre fonte e depósito. Assim, os valores declarados nas DIRPF's a título de rendimentos isentos e não tributáveis, o reclamado valor de R$ 235.795,76 devem ser excluídos da base de cálculo da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, já que tais rendimentos não foram objeto de glosa pela autoridade fiscal, ou seja, estes recursos foram tacitamente confirmados pelo Fisco. Diante do exposto conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional para no mérito negarlhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Voto Vencedor Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Redatora Designada Discordo do voto da Ilustre Relatora, no que tange ao mérito do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. O presente processo trata de exigência de Imposto de Renda Pessoa Física, tendo em vista a omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem comprovação de origem, com base no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, bem como de omissão de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício, recebidos de pessoas jurídicas nos exercícios de 2006 e 2007. Fl. 938DF CARF MF 6 No acórdão recorrido, deuse provimento parcial ao Recurso Voluntário, excluindose da base de cálculo valores registrados na Declaração de Ajuste Anual. A Fazenda Nacional, por sua vez, argumenta que tal exclusão não poderia ser efetuada de forma genérica, e sim observar a origem dos depósitos individualizadamente. A exclusão de rendimentos constantes das Declarações de Ajuste Anual foi assim resumida no acórdão recorrido: "Quanto ao crédito tributário remanescente, o recorrente apenas se insurge em relação ao fato de o fisco na ter considerado como origem de vários depósitos bancários, efetuados durante o ano de 2006, o montante de R$ 235.795,76 recebido a título de distribuição de lucros da sociedade Gráfica Del Rey, conforme discriminado, às fls. 852/853. (...) Importar salientar que não há dúvida de que a autoridade fiscal pode utilizar a presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/96 para considerar como rendimentos omitidos os valores mantidos em conta de depósito sem comprovação de sua origem. Entretanto, destaco que a jurisprudência deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais tem avançado no sentido de mitigar o rigor da análise individualizada dos créditos, permitindo, por exemplo, que os rendimentos informados nas declarações de ajuste anual da pessoa física, desde que não expressamente vinculados aos depósitos bancários de origem não comprovada, pois nesse caso seriam excluídos pela própria fiscalização, sejam excluídos em bloco. Neste sentido, cito os Acórdãos nº 210200.430 (2ª Turma Ordinária/1ª Câmara/2ª Seção/CARF), sessão de 03/12/2009, relator o Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, por unanimidade; 2202 00.415 (2ª Turma Ordinária/2ª Câmara/2ª Seção/CARF), sessão de 04/02/2010, relator o Conselheiro Nelson Mallmann, por maioria. A questão é que não parece plausível defender que somente os rendimentos informados na declaração de ajuste anual não tenham transitado pelas contas bancárias, o que implicaria dizer que somente os rendimentos omitidos transitam pelas contas bancárias. Na DIRPF sob exame (fls. 211/214), observase que foi declarado, a título de rendimentos isentos e não tributáveis, o reclamado valor de R$ 235.795,76 referente a lucros e dividendos recebidos da fonte pagadora GRAFICA E EDITORA DEL REY IND. E COM. LTDA Assim, o citado valor deve ser excluído da base de cálculo da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, já que tal rendimento não foi objeto de glosa pela autoridade fiscal, ou seja, estes recursos foram tacitamente confirmados pelo Fisco." (grifei) Nesse contexto, observase que a jurisprudência do CARF é no sentido de que, apesar da não identificação individualizada dos depósitos com os rendimentos tributados na Declaração de Ajuste Anual, é cabível a exclusão, do valor a eles correspondente, da base Fl. 939DF CARF MF Processo nº 15504.020581/201082 Acórdão n.º 9202007.827 CSRFT2 Fl. 12 7 de cálculo do lançamento, sob o fundamento lógico de que, se o Contribuinte movimenta os rendimentos omitidos nas suas contas bancárias, não haveria de deixar de movimentar os rendimentos declarados. Com efeito, o objetivo da exclusão, da base de cálculo dos depósitos bancários, dos valores tributados na Declaração de Ajuste Anual, é evitar que haja dupla tributação. Entretanto, esse raciocínio somente pode ser aplicado aos rendimentos que, sem sombra de dúvida, foram efetivamente submetidos à tributação na declaração. Nesse passo, obviamente que não é admissível a exclusão de valores que, a despeito de constarem como informação na Declaração de Ajuste Anual, não há comprovação de que efetivamente tenham sido tributados, como é o caso do valor de R$ 235.795,76, referente a lucros e dividendos que, ainda que efetivamente recebidos, ali figuram como Rendimentos Isentos e não Tributáveis (efls. 211 a 214). Se não houve tributação dos lucros e dividendos recebidos, não há fundamento para que seja efetivada a exclusão da base de cálculo dos depósitos bancários, eis que não há qualquer risco de tributação em duplicidade. Recordese que a exclusão ora tratada é levada a cabo mediante a aplicação do princípio da razoabilidade, em face do risco já descrito. Todavia, ausente o risco, a exclusão deve seguir a regra aplicável aos demais depósitos, registrandose que, no presente caso, não se tem notícia de eventual tributação sobre os lucros e dividendos, portanto não há possibilidade de ocorrer o bis in idem. Diante do exposto, conheço do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, doulhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 940DF CARF MF
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Numero do processo: 10283.004400/2003-70
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jul 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 1998
DÉBITO DECLARADO EM DCTF. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO MANTIDO.
Em lançamento de ofício por ausência de pagamento de débito declarado em DCTF, não comprovado o pagamento a ele referente, mantém-se o crédito tributário.
Numero da decisão: 1001-001.304
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Sérgio Abelson Presidente
(assinado digitalmente)
Andréa Machado Millan - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Andréa Machado Millan, Jose Roberto Adelino da Silva e André Severo Chaves.
Nome do relator: ANDREA MACHADO MILLAN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício: 1998 DÉBITO DECLARADO EM DCTF. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO MANTIDO. Em lançamento de ofício por ausência de pagamento de débito declarado em DCTF, não comprovado o pagamento a ele referente, mantémse o crédito tributário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Sérgio Abelson – Presidente (assinado digitalmente) Andréa Machado Millan Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Andréa Machado Millan, Jose Roberto Adelino da Silva e André Severo Chaves. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 00 44 00 /2 00 3- 70 Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10283.004400/200370 Acórdão n.º 1001001.304 S1C0T1 Fl. 107 2 O presente processo trata de auto de infração lavrado em 13/06/2003 (fls. 08 a 24). O auto teve por objeto Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF declarado e não recolhido, e acréscimos legais sobre recolhimentos em atraso de IRRF, devidos no ano calendário de 1998. Transcrevo, abaixo, o relatório da decisão de primeira instância, que resume o pleito (fls. 69 e 70): REFEIÇÕES PURAS RID LIMITADA, inscrita no CNPJ/MF sob o n° 02.070.626/000108, teve contra si lavrado o Auto de Infração (fls 08/21) n° 0003310, referente ao IRRF emitido eletronicamente e onde foi apurado um crédito tributário total na ordem de R$ 32.725,71. Referido Auto de Infração teve como fatos geradores o segundo, o terceiro e o quarto trimestre de 1998 e deveuse a falta de recolhimento/recolhimento em atraso de tributo informado na DCTF. Tomando ciência e inconformada, a empresa apresentou impugnação (fls 1/5) em 01.08.2003, onde aduz em síntese que: Não procede a cobrança dos valores lançados a título de falta de pagamento já que os pagamentos foram efetuados. Anexa cópia dos Darfs. No que se refere aos valores cobrados a título de multa e juros de mora pagos a menor reconhece sua procedência. Demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, requer cancelamento do Auto. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém – PA, no acórdão às fls. 69 e 70 do presente processo (Acórdão 0112.943, de 05/02/2009), julgou procedente em parte o lançamento. Abaixo, sua ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 1998 DCTF Cabível o lançamento por recolhimento fora do prazo/falta de recolhimento, dos valores que o sujeito passivo não comprova ter efetuado corretamente. No voto, esclareceuse que estava sendo julgado o crédito tributário remanescente após revisão de lançamento: valor principal de R$ 7.265,65, e valores lançados a título de multa isolada, multa de mora e juros de mora pagos a menor. Observase que os demonstrativos da revisão de lançamento encontramse às fls. 51 a 55 do processo, e o Despacho Decisório às fls. 67 e 68. Quanto ao valor de R$ 7.265,65, esclareceuse que corresponde a dois débitos, ambos de código 0561: um no valor de R$ 1.363,58 – período de apuração 5ª semana de 06/1998, e outro no valor de R$ 5.902,07 – período de apuração 1ª semana de 12/1998. Concluiuse que o débito de R$ 1.363,58 havia sido efetivamente pago (DARF fl. 31 – retificação do DARF fl. 32, extrato do sistema Sinal à fl. 34), e que o débito de R$ 5.902,07 (DARF fl. 30) não constava nos sistemas da Receita Federal. Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10283.004400/200370 Acórdão n.º 1001001.304 S1C0T1 Fl. 108 3 Quanto à multa isolada pelo pagamento do tributo após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, ponderouse que decorria do comando legal contido no artigo 44 da Lei nº 9.430/1996 (inciso I do caput). Que com a nova redação do art. 44 (promovida pela Medida Provisória nº 351, posteriormente convertida na Lei nº 11.488/2007), a falta de pagamento de multa moratória deixou de ser apenada com multa punitiva de 75%. Assim, pelo princípio da retroatividade benigna, concluiuse que tal multa deveria ser cancelada. Quanto aos juros e multa de mora pelo não recolhimento do tributo dentro do prazo legal, ponderouse que haviam sido reconhecidos pelo próprio contribuinte e concluiuse que eram procedentes. Assim, decidiuse pela procedência parcial do lançamento, permanecendo as seguintes cobranças: R$ 5.902,07 (código 0561) – período de apuração primeira semana de dezembro de 1998; e juros e multa de mora pagos a menor nos valores de R$ 66,87 (R$ 32,71 e R$ 34,16) e R$ 30,07, respectivamente. Tais valores constam no demonstrativo à fl. 72, enviado ao contribuinte anexo à intimação de ciência do acórdão da DRJ. Cientificado da decisão de primeira instância em 23/04/2009 (Aviso de Recebimento à fl. 80), o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 25/05/2009, uma segundafeira (fls. 81 a 84, carimbo aposto à primeira folha). No recurso, a empresa reafirma que o débito remanescente de R$ 5.902,07 foi quitado no vencimento. Argumenta que juntou à impugnação o DARF correspondente (fl. 30), e que a própria Receita Federal confirma o pagamento, conforme comprovante que junta à fl. 85. Além disso, apresentou comprovantes de pagamento dos débitos referentes aos juros de mora, no valor principal de R$ 66,87 (fl.103), e à multa de mora, no valor principal de R$ 30,07 (fl. 101). É o Relatório. Voto Conselheira Andréa Machado Millan, Relatora O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que regula o processo administrativofiscal (PAF). Dele conheço. Conforme relatório, o único débito remanescente, ora julgado, é aquele no valor de R$ 5.902,07, de código 0561, referente a dezembro de 1998. Consta na folha de rosto do auto de infração, à fl. 10 do processo, que os valores de IRRF lançados foram declarados nas DCTF originais ali descritas, e não pagos. Assim, o débito em questão foi declarado na DCTF referente ao quarto trimestre de 1998, entregue em 01/03/1999. Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10283.004400/200370 Acórdão n.º 1001001.304 S1C0T1 Fl. 109 4 No demonstrativo que acompanha o auto, à fl. 14, temos a descrição do débito declarado em DCTF: código 0561, período de apuração da primeira semana de dezembro de 1998, vencimento em 09/12/1998, valor R$ 5.902,07. Na mesma folha, a informação do DARF destinado a quitálo: data de vencimento 13/01/1999, mesmo valor. E a informação de que o sistema não localizou o pagamento. À folha 30 do processo temos a cópia do DARF: período de apuração 07/01/1999, vencimento em 13/01/1999, pago em 13/01/1999 sem acréscimos legais. Há, portanto, informações que divergem no débito declarado na DCTF e no pagamento indicado: período de apuração e vencimento. Por essa razão, o Despacho Decisório (fls. 69 e 70), embora já estivesse comprovada a existência do DARF indicado, sobre ele decidiu: Os Darfs anexados ao processo às fls. 28/29 para serem vinculados aos demais créditos tributários à fl. 18 não foram utilizados para Revisão de Lançamento por este SECAT/DRF/MNS porque foram vinculados a débitos declarados conforme telas do sistema às fls. 54/56. O DARF anexado à fl. 28 do processo em papel (folha 30 do processo digital) é aquele no valor de R$ 5.902,07. A tela do sistema à fl. 55 do processo em papel (folha 57 do processo digital) mostra que esse pagamento já se encontra vinculado a outro débito que não aquele objeto do auto de infração. Tratase de débito no mesmo valor de R$ 5.902,07, sem acréscimos legais, código 0561, do período de apuração da segunda semana de janeiro de 1999 (que se encerra em 09/01/1999), com vencimento em 13/01/1999. A decisão de primeira instância (fls. 69 e 70) alegou que o débito deve permanecer em cobrança porque não consta, nos sistemas da Receita Federal, o referido pagamento. De fato, o pagamento que consta, embora de mesmo valor, referese ao período de apuração da primeira semana de janeiro de 1999. Está devidamente alocado ao débito do mesmo período, conforme tela à folha 57. Em resumo, o contribuinte alega que o DARF pago em 13/01/1999, que informa esta data como data de vencimento, que informa o período de apuração de 07/01/1999, destinase à quitação do débito de mesmo valor declarado em DCTF como referente ao período de apuração da primeira semana de dezembro de 1998, com vencimento em 09/12/1998. Porém, esse pagamento já quitou outro débito, de mesmo valor, referente à segunda semana de janeiro de 1999, com vencimento idêntico ao do DARF (13/01/1999), conforme tela à fl. 57. Assim, com base nas informações e documentos constantes no processo, concluise que não há pagamento referente ao débito remanescente, decorrente do auto de infração, referente à primeira semana de dezembro de 1998. Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Andréa Machado Millan Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10283.004400/200370 Acórdão n.º 1001001.304 S1C0T1 Fl. 110 5 Fl. 110DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.902615/2006-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-002.075
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocada), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente).
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
1.0 = *:*
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(assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocada), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão de primeira instância administrativa que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, mantendo a decisão administrativa pela não homologação da compensação declarada de créditos de IOF. O relatório da decisão de primeira instância descreve os fatos dos autos. Nesse sentido, transcrevese a seguir o referido relatório: Tratase de Declaração de Compensação (DCOMP) com aproveitamento de suposto pagamento a maior. A Delegacia da Receita Federal de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação, tendo em vista que o pagamento apontado como origem do direito creditório estaria integralmente utilizado na quitação de débito do contribuinte. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 02 61 5/ 20 06 -6 1 Fl. 230DF CARF MF Processo nº 10880.902615/200661 Resolução nº 3201002.075 S3C2T1 Fl. 3 2 Cientificada do despacho decisório, a contribuinte alegou a legitimidade do direito de crédito aproveitado. Afirma que o pagamento indevido teve origem em erro na apuração do IOF devido sobre mútuo contratado com pessoa jurídica. O mútuo seria controlado por planilha especifica que indicaria o efetivo saldo do contrato e possibilitaria o correto controle do IOF devido mensalmente. Contudo, por equivoco, teria calculado o IOF a pagar no período mediante a aplicação da aliquota de 0,041% sobre o valor mutuado, quando o correto seria 0,0041%, conforme artigo 7° do Decreto n° 4.494, de 2002. Assim, ao perceber o recolhimento a maior, apresentou a declaração de compensação em foco aproveitando o mencionado direito de crédito na quitação de débito. Argumenta que, estando incorreto o valor de IOF indicado em DCTF ao qual se vinculou o pagamento, impõese o reconhecimento do pagamento a maior e a homologação da compensação. Invoca ainda o principio da verdade material que deve nortear o processo administrativo fiscal. Por fim, informa entender que as provas juntadas aos autos seriam suficientes para a comprovação do direito de crédito, solicitando a realização de diligência caso esse não seja o entendimento desta esfera de julgamento. É o relatório A DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, nos termos do acórdão que instrui os autos. Inconformada, a ora recorrente apresentou, no prazo legal, Recurso Voluntário, por meio do qual, requer que a decisão da DRJ seja reformada, alegando, em síntese, que os créditos são provenientes de recolhimento a maior de IOF em razão de erro na aplicação da alíquota que seria de 0,0041% e não 0,041%. Sobre o assunto afirma que demonstrou os fatos por meio de um contrato de mútuo no qual figura como mutuante e por isso faz retenções de IOF. Faz referência a equívoco no preenchimento da DCTF e ao princípio da verdade material. A seu favor cita jurisprudência. Menciona também que o fato de o contrato não estar registrado no cartório em nada altera a evidência da prova. Sustenta ainda cabe a RFB alterar a DCTF de ofício por força do art. 9º, parágrafo 3, IN 1110/10. A Recorrente defende que as provas apresentadas são suficientes para provar seu bom direito aos créditos devidos por recolhimento a maior de IOF. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF Fl. 231DF CARF MF Processo nº 10880.902615/200661 Resolução nº 3201002.075 S3C2T1 Fl. 4 3 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3201002.071, de 21 de maio de 2019, proferido no julgamento do processo 10880.902612/200628, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução nº 3201002.071): "O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A seguir passo a análise do Recurso Voluntário. O cerne da questão consiste na discussão acerca da certeza e liquidez dos valores recolhidos para fins de compensação. O tema é recorrente no CARF. No caso em julgamento entendo que cabe o direito da dúvida em favor da Recorrente, pois apresenta documentação parcial que respalda sua argumentação. A forma como as operações foram documentadas parecem indicar a natureza de mútuo. Nesse ponto, constam dos autos os seguintes documentos: a) contrato de Mútuo entre as empresas Editora Abril S/A e Abril Comunica S/A (efls. 63 a 66); e b) planilha de valores do entre Mutuante e Mutuário (efls. 68 a 69). De fato, conforme consta do art. 7º do Decreto nº 4.494 de 2002, a alíquota do IOF incidente sobre o montante do mútuo financeiro era de 0,0041% (quarenta e um décimos de milésimo por cento). A legislação do IOF estabelece que a alíquota de 0,0041% deverá incidir sobre somatório dos saldos devedores diários apurados no último dia de cada mês. Entretanto, também cabe razão a autoridade julgadora de primeira instância que se manifestou quanto a ausência de elementos de prova mais robustos, como aqueles que compõem a escrituração comercial. De fato, o contrato de mútuo juntado aos autos, além de não ter sido registrado em cartório, tem como objeto crédito de R$ 10.000,00, valor muito inferior Aquele sobre o qual incidiu o I0F. Ademais, além do citado contrato, a contribuinte apresentou somente planilhas correspondentes a demonstrativos e controles internos de sua própria lavra e não se prestam a atestar o pagamento indevido. Nenhum documento vinculado aos livros que compõem a escrituração comercial veio ao exame desta esfera de julgamento. Não foram exibidas cópias do Razão das contas que registraram o imposto a pagar e o mútuo contratado ou das folhas do Livro Diário onde constassem o registro das alegações. (efl. 77) Neste contexto, a teor do que preconiza o art. 373 do diploma processual civil, acredito que a Recorrente teve a manifesta intenção de provar o seu direito creditório, sendo que tal procedimento, também está pautado pela boafé. Fl. 232DF CARF MF Processo nº 10880.902615/200661 Resolução nº 3201002.075 S3C2T1 Fl. 5 4 Estabelecem os arts. 16, §§4º e 6 e 29 do Decreto 70.235/72: "Art. 16. A impugnação mencionará: (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (...) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância." "Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias." O CARF possui o reiterado entendimento de ser possível, em casos como o presente, a conversão do feito em diligência. Neste sentido cito os seguintes precedentes desta Turma: "Não obstante, no Recurso Voluntário, a recorrente trouxe demonstrativos e balancetes contábeis. Ainda que não tenha trazido os respectivos lastros, entendo que a nova prova encontra abrigo na dialética processual, como exigência decorrente da decisão recorrida, e por homenagem ao princípio da verdade material, em vista da plausibilidade dos registros dos balancetes. Assim, e com base no artigo 29, combinado com artigo 16, §§4º e 6º, do PAF– Decreto 70.235/72, proponho a conversão do julgamento em diligência, para que o Fisco tenha a oportunidade de aferir a idoneidade dos balancentes apresentados no Recurso Voluntário, em confronto com os respecivos livros e lastros, conforme o Fisco entender necessário e/ou cabível, e produção de relatório conclusivo sobre as bases de cálculo corretas. Após, a recorrente deve ser cientificada, com oportunidade para manifestação, e o processo deve retornar ao Carf para prosseguimento do julgamento." (Processo nº 10880.685730/200917; Resolução nº 3201001.298; Relator Conselheiro Marcelo Giovani Vieira; sessão de 17/07/2018) Assim, entendo que há dúvida razoável no presente processo acerca dos fundamentos utilizados no julgamento de primeira instância para negar o direito ao crédito, ou seja, quanto a falta de liquidez, certeza e exigibilidade do direito creditório, o que justifica a conversão do feito em diligência, não sendo prudente julgar o recurso em prejuízo Fl. 233DF CARF MF Processo nº 10880.902615/200661 Resolução nº 3201002.075 S3C2T1 Fl. 6 5 da Recorrente, sem que as questões aventadas quanto a escrituração comercial sejam dirimidas. Diante do exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência à repartição de origem, para que oportunize a Recorrente o direito de apresentar provas de sua escrituração comercial. Compete a unidade de origem proceder a intimação da Recorrente para no prazo de 30 (trinta) dias, renovável uma vez por igual período, apresentar documentos de sua escrituração comercial, bem como outros documentos aptos a comprovar o seu direito aos valores pretendidos. Caso apresentado tais documentos, caberá a unidade de origem fazer a reanálise do pedido. Após a diligência, retornem os autos a este colegiado para prosseguimento do julgamento." Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência à repartição de origem, para que oportunize a Recorrente o direito de apresentar provas de sua escrituração comercial. Compete a unidade de origem proceder a intimação da Recorrente para no prazo de 30 (trinta) dias, renovável uma vez por igual período, apresentar documentos de sua escrituração comercial, bem como outros documentos aptos a comprovar o seu direito aos valores pretendidos. Caso apresentado tais documentos, caberá a unidade de origem fazer a reanálise do pedido. Após a diligência, retornem os autos a este colegiado para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 234DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16561.000025/2007-72
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jul 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2002, 2003
RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA NÃO CARACTERIZADA.
Não se conhece da parte do recurso especial em que se não demonstra a divergência.
Constata-se a ausência de divergência quando os acórdãos recorrido e paradigma convergem para o mesmo entendimento, no caso, quanto à não tributação da variação cambial de investimentos no exterior.
SUBAVALIAÇÃO DE ESTOQUES. POSTERGAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. APURAÇÃO DO VALOR TRIBUTÁVEL. IRREGULARIDADES.
Evidenciadas as irregularidades na apuração do valor tributável, deve prevalecer a conclusão de que, embora a contribuinte não tenha trazido aos autos documentos que comprovem, de maneira suficiente, o que alega, limitando-se a apresentar na impugnação, exemplo de ficha de custo para um produto fabricado, esse procedimento não invalida o fato que a apuração efetuada pela Fiscalização foi feita de maneira incorreta, em detrimento do disposto na Lei.
Numero da decisão: 9101-004.206
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, vencidos os conselheiros André Mendes de Moura e Cristiane Silva Costa, que não conheceram da matéria postergação em relação à infração subavaliação dos estoques. No mérito, na parte conhecida, por unanimidade de votos, acordam em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Cristiane Silva Costa, Edeli Pereira Bessa, Viviane Vidal Wagner e Adriana Gomes Rêgo, cujas razões serão incorporadas no voto da relatora. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Edeli Pereira Bessa.
(documento assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Livia De Carli Germano - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Edeli Pereira Bessa, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Livia De Carli Germano e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Ausente o conselheiro Rafael Vidal de Araújo.
Nome do relator: LIVIA DE CARLI GERMANO
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ementa_s : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2002, 2003 RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA NÃO CARACTERIZADA. Não se conhece da parte do recurso especial em que se não demonstra a divergência. Constata-se a ausência de divergência quando os acórdãos recorrido e paradigma convergem para o mesmo entendimento, no caso, quanto à não tributação da variação cambial de investimentos no exterior. SUBAVALIAÇÃO DE ESTOQUES. POSTERGAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. APURAÇÃO DO VALOR TRIBUTÁVEL. IRREGULARIDADES. Evidenciadas as irregularidades na apuração do valor tributável, deve prevalecer a conclusão de que, embora a contribuinte não tenha trazido aos autos documentos que comprovem, de maneira suficiente, o que alega, limitando-se a apresentar na impugnação, exemplo de ficha de custo para um produto fabricado, esse procedimento não invalida o fato que a apuração efetuada pela Fiscalização foi feita de maneira incorreta, em detrimento do disposto na Lei.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, vencidos os conselheiros André Mendes de Moura e Cristiane Silva Costa, que não conheceram da matéria postergação em relação à infração subavaliação dos estoques. No mérito, na parte conhecida, por unanimidade de votos, acordam em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Cristiane Silva Costa, Edeli Pereira Bessa, Viviane Vidal Wagner e Adriana Gomes Rêgo, cujas razões serão incorporadas no voto da relatora. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Edeli Pereira Bessa. (documento assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo - Presidente (documento assinado digitalmente) Livia De Carli Germano - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Edeli Pereira Bessa, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Livia De Carli Germano e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Ausente o conselheiro Rafael Vidal de Araújo.
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DIVERGÊNCIA NÃO CARACTERIZADA. Não se conhece da parte do recurso especial em que se não demonstra a divergência. Constata-se a ausência de divergência quando os acórdãos recorrido e paradigma convergem para o mesmo entendimento, no caso, quanto à não tributação da variação cambial de investimentos no exterior. SUBAVALIAÇÃO DE ESTOQUES. POSTERGAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. APURAÇÃO DO VALOR TRIBUTÁVEL. IRREGULARIDADES. Evidenciadas as irregularidades na apuração do valor tributável, deve prevalecer a conclusão de que, embora a contribuinte não tenha trazido aos autos documentos que comprovem, de maneira suficiente, o que alega, limitando-se a apresentar na impugnação, exemplo de ficha de custo para um produto fabricado, esse procedimento não invalida o fato que a apuração efetuada pela Fiscalização foi feita de maneira incorreta, em detrimento do disposto na Lei. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, vencidos os conselheiros André Mendes de Moura e Cristiane Silva Costa, que não conheceram da matéria postergação em relação à infração subavaliação dos estoques. No mérito, na parte conhecida, por unanimidade de votos, acordam em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Cristiane Silva Costa, Edeli Pereira Bessa, Viviane Vidal Wagner e Adriana Gomes Rêgo, cujas razões serão incorporadas no voto da relatora. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Edeli Pereira Bessa. (documento assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo - Presidente (documento assinado digitalmente) Livia De Carli Germano - Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 00 00 25 /2 00 7- 72 Fl. 1842DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 9101-004.206 - CSRF/1ª Turma Processo nº 16561.000025/2007-72 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Edeli Pereira Bessa, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Livia De Carli Germano e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Ausente o conselheiro Rafael Vidal de Araújo. Relatório Trata-se de Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional - PFN (fls. 1.365-1.378) em face do acórdão n. 1102-00.157, proferido pela 2a Turma Ordinária da 1a Câmara da 1a Seção em 25 de fevereiro de 2010, que restou assim ementado e decidido: Acórdão recorrido: 1102-00.157, de 25 de fevereiro de 2010 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Data do fato gerador: 31/03/2002, 30/06/2002, 30/09/2002, 31/12/2002, 01/04/2003. Ementa: POSTERGAÇÃO A subavaliação do estoque final acarreta o diferimento da tributação do lucro do exercício seguinte, no caso, o lançamento deveria ter sido realizado nos moldes da postergação e não na glosa de custos. VARIAÇÃO CAMBIAL A variação cambial de investimentos no exterior não constitui nem despesa dedutível nem receita tributável. SIMULAÇÃO. Caracterizada a simulação, os atos praticados com o objetivo de reduzir artificialmente os tributos não são oponíveis ao fisco, que pode desconsiderá-los. OPERAÇÃO ÁGIO – SUBSCRIÇÃO DE PARTICIPAÇÃO COM ÁGIO E SUBSEQÜENTE CISÃO – VERDADEIRA ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO – Se os atos formalmente praticados, analisados pelo seu todo, demonstram não terem as partes outro objetivo que não se livrar de uma tributação específica, e seus substratos estão alheios às finalidades dos institutos utilizados ou não correspondem a uma verdadeira vivência dos riscos envolvidos no negócio escolhido, tais atos não são oponíveis ao fisco, devendo merecer o tratamento tributário que o verdadeiro ato dissimulado produz. Subscrição de participação com ágio, seguida de imediata cisão e entrega dos valores monetários referentes ao ágio, traduz verdadeira alienação de participação societária. GLOSA DE PREJUÍZO A glosa do 1.º trimestre de 2002, por falta de fundamentação deve ser cancelada, sob pena de cerceamento ao direito de defesa. IRPJ DISTRIBUIÇÃO DESPROPORCIONAL DE LUCROS – Dispondo o contrato social que compete aos sócios deliberar quanto à distribuição dos lucros, esta não será necessariamente proporcional à participação de cada sócio no capital social. Fl. 1843DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 9101-004.206 - CSRF/1ª Turma Processo nº 16561.000025/2007-72 ACORDAM os membros da 1ª câmara / 2ª turma ordinária do primeira SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de ofício e, quanto ao voluntários: (i) Por unanimidade de votos, cancelar a exigência relativa a rendimento de participação societária equivalência patrimonial; (ii) Por maioria de votos, reduzir da matéria tributável a título de ganho de capital o montante de R$ 17.341.700,00, vencidos os conselheiros Mário Sérgio Fernandes Barrosos (Relator) e Marcelo Cubas Neto, que negavam provimento, e vencido parcialmente o Conselheiro José Carlos Passuello, que dava provimento. Na parte mantida, os Conselheiros Sandra Faroni, Valmir Sandri e João Carlos Lima Júnior acompanharam o relator quanto às conclusões, por entenderem não ter ocorrido simulação. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro João Carlos de Lima Júnior. Por unanimidade de votos, cancelar a glosa de compensação de prejuízos no montante de R$ 1.711.961,19 e adequar a glosa da parcela de R$ 8.228.225,34 ao decidido neste julgamento. O Conselheiro José Caros Passuello fará declaração de voto, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Referido acórdão foi objeto e embargos de declaração opostos pela PFN para discutir aspectos relacionados à glosa de compensação de prejuízos, os quais foram rejeitados nos termos do despacho de admissibilidade de embargos s/n, de 9 de julho de 2014 (fls. 1.362- 1.363). O contribuinte também opôs embargos de declaração contra tal acórdão, os quais foram igualmente rejeitados pelo despacho de admissibilidade de embargos s/n, de 12 de julho de 2016 (fls. 1.564-1.573). Relato, ainda, que o contribuinte interpôs recurso especial contra o acórdão acima ementado, no entanto este não foi admitido nos termos do despacho de admissibilidade de recurso especial de fls. 1.753-1.759 e do despacho em agravo de fls. 1.782-1.787. A PFN foi intimada do despacho que rejeitou seus embargos de declaração em 12 de agosto de 2014 (fl. 1.364), tendo apresentado seu recurso especial em 22 de agosto de 2014 (fl. 1.365, confirmado por fl. 1.409). Em seu recurso especial, a Procuradoria insurge-se contra o julgado recorrido quanto a duas matérias, sendo que a ambas foi dado seguimento pelo despacho de admissibilidade de recurso especial de fls. 1.416-1.420, de 17 de abril de 2015: I. cancelamento da exigência referente à subavaliação do estoque final; e II. afastamento da exigência relativa à variação monetária. Quanto à subavaliação de estoques, a Recorrente alega divergência em relação ao conteúdo do acórdão nº 103-23.308, de 6 de dezembro de 2007, cuja ementa, na parte que interessa ao presente caso, é a seguinte: Acórdão paradigma 103-23.308 (...) GLOSA DE CUSTOS - SUBAVALIAÇÃO DE ESTOQUES - POSTERGAÇÃO DO PAGAMENTO DE IMPOSTO - PROVA Fl. 1844DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 9101-004.206 - CSRF/1ª Turma Processo nº 16561.000025/2007-72 A subavaliação de estoques tem por efeito acarretar o diferimento da tributação do lucro para o exercício seguinte, e, em conseqüência, a postergação do pagamento do imposto, devendo, contudo, sua ocorrência ser provada pela recorrente. (...) TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL — Tratando-se de lançamento reflexo, a ele aplica-se, no que couber, a decisão proferida relativa a matéria tributada no auto de infração do imposto de renda da pessoa jurídica, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula. Em síntese, a PFN sustenta que o acórdão recorrido manteve o cancelamento da exigência resultante de subavaliação do estoque sob o fundamento de que a autuação deveria ter considerado os efeitos da postergação, no entanto o acórdão paradigma decidiu que, constatada a subavaliação de estoque, deve-se manter a autuação, cabendo ao autuado demonstrar os efeitos da postergação, por meio da comprovação de que houve o recolhimento do tributo no período imediatamente posterior. Quanto à exigência relativa à equivalência patrimonial, a Recorrente alega divergência em relação ao acórdão nº. 101-96.318, de 13 de setembro de 2007, que recebeu a seguinte ementa: Acórdão paradigma 101-96.318 IRPJ — EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL — INVESTIMENTOS NO EXTERIOR — Os resultados positivos da avaliação dos investimentos pelo método de equivalência patrimonial, segundo a legislação do Imposto de Renda, não se enquadram na categoria de lucros auferidos pela controladora sujeitos à incidência desse Imposto. Entretanto, com o comando fixado pelo artigo 74 da Medida Provisória n. 2.158-35/2001, o resultado positivo dessa equivalência decorrente de investimentos no exterior, integram a base de cálculo do lucro real e da CSLL. IRPJ — LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR — CONVERSÃO - Ao teor do disposto do § 7°. do art. 394 do RIR/99, que reiterou o disposto no art. 25, § 4° da Lei n° 9.249/95, para efeito de conversão para o Real, os lucros auferidos no exterior devem ser convertidos em reais pela taxa de câmbio, para a venda, dos dias das demonstrações financeiras em que tenham sido apurados os lucros da controlada e coligada. VARIAÇÃO CAMBIAL — Tendo em vista as razões contidas na da mensagem de veto ao artigo 46 do projeto de conversão da MP 135/03, a variação cambial de investimento no exterior não constitui nem despesa dedutível nem receita tributável, indicando necessidade de lei expressa nesse sentido. TRIBUTAÇÃO REFLEXA - CSLL — Em se tratando de exigências calculadas com base no lançamento do imposto de renda da pessoa jurídica, a exigência para sua cobrança é reflexa e, assim, a decisão de mérito prolatada no processo principal constitui prejulgado quanto às matérias decorrentes. Entretanto, em se tratando de lucros auferidos no exterior, deve se excluir da Fl. 1845DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 9101-004.206 - CSRF/1ª Turma Processo nº 16561.000025/2007-72 base de cálculo da contribuição os lucros auferidos até a vigência da MP 1.858- 8/99, ante a ausência de base legal para a sua exigência. Nessa matéria, a Recorrente sustenta, em síntese, que enquanto a decisão recorrida afastou a exigência relativa à equivalência patrimonial por considerar que não havia fundamento legal para a tributação, no paradigma teria sido mantido o lançamento relativo a resultado positivo de equivalência patrimonial com base no art. 7º da IN SRF 213/2002 c/c MP 2.158- 35/2001. Cientificado, o contribuinte apresentou contrarrazões (fls. 1.526-1.552) em que pleiteia o não conhecimento do recurso especial da PFN e, no mérito, seu não provimento. É o relatório. Voto Conselheira Livia De Carli Germano, Relatora. Admissibilidade recursal O recurso especial da Fazenda Nacional é tempestivo. Passo a apreciar os demais requisitos para a admissibilidade recursal. Nesse ponto, observo que a Câmara Superior de Recursos Fiscais - CSRF é instância especial de julgamento com a finalidade de proceder à uniformização da jurisprudência do CARF. Desse modo, a admissibilidade do recurso especial está condicionada ao atendimento das condições previstas no art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. § 1º Não será conhecido o recurso que não demonstrar a legislação tributária interpretada de forma divergente. (...) § 8º A divergência prevista no caput deverá ser demonstrada analiticamente com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido. Destaca-se, de início, que o recurso especial tem por escopo uniformizar o entendimento da legislação tributária entre as turmas que compõem o CARF, não se prestando, em regra, como instância recursal no reexame de material probatório. Assim, a divergência jurisprudencial se estabelece em matéria de interpretação das normas, devendo o alegado dissenso se dar em relação a questões de direito, tratando os precedentes confrontados sobre mesma situação fática e da mesma legislação aplicável. Fl. 1846DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 9101-004.206 - CSRF/1ª Turma Processo nº 16561.000025/2007-72 No caso da matéria "subavaliação de estoques", o acórdão recorrido manteve o cancelamento da exigência, por concordar com a decisão da DRJ de que, quando for constatado que o contribuinte antecipou custo por meio da subavaliação de estoque final, a Fiscalização deve proceder à retificação, majorando o valor do estoque final, levando em consideração que tal majoração também se faz no estoque inicial do período seguinte e, por isso, reduz-se o custo no primeiro período, mas aumenta-se o custo no período seguinte (CMV = Ei + C – Ef). Assim, considerou que a fiscalização operou em erro ao tratar o caso, que era de antecipação de custo, como se fosse simples glosa de custos apropriados e não comprovados, entendendo que isso seria suficiente para cancelar a exigência fiscal, não obstante o contribuinte não tenha trazido aos autos documentos que comprovassem, de maneira suficiente, o que alega, limitando-se a apresentar exemplo de ficha de custo para um produto fabricado. O acórdão paradigma, por sua vez, admite que o cálculo da fiscalização possa estar incorreto, mas coloca para o contribuinte o ônus de provar a postergação. O seguinte trecho do voto condutor é esclarecedor neste sentido (grifamos): "Em tese, a subavaliação de estoques em um determinado período, tem como conseqüência a majoração de custos nesse mesmo exercício, todavia, obrigatoriamente, implica na apuração de custo a menor, no exercício subseqüente, quando as vendas forem efetuadas. Isto porque o estoque final do primeiro exercício será o estoque inicial do segundo exercício e assim por diante. Caso clássico de postergação no pagamento do imposto. Ocorre que, a postergação, como alegada, é matéria de defesa, necessitando, por via de conseqüência, ser provada. Como a recorrente não carreou para os autos elementos probantes que sustentassem a sua tese, não há como aferir a sua ocorrência nessa fase recursal. Muito embora o acórdão recorrido não tenha mencionado especificamente a lei que interpreta para chegar à decisão, a análise do contexto decidido revela a divergência jurisprudencial, no caso. Ônus da prova é matéria de direito. Assim, de se admitir o seguimento do recurso especial quanto a essa matéria. Quanto à segunda divergência, observo, primeiramente, que o auto de infração indica que pretendeu tributar a “equivalência patrimonial”, veja-se (fls. 846-847): Fl. 1847DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 9101-004.206 - CSRF/1ª Turma Processo nº 16561.000025/2007-72 Não obstante, a análise do Termo de Verificação Fiscal revela que o lançamento, no caso, pretendeu tributar apenas a variação cambial. Cito, para tanto, os seguintes trechos que levam a tal conclusão (fls. 866-867, grifamos): 1.3--CONTA DE INVESTIMENTO NA ALF EM RELAÇÃO À INTERNACIONAL Notamos que a empresa lança na conta 13110801 os valores de aumento e redução de capital, e suas variações cambiais, e na conta 13110802 são lançadas equivalências patrimoniais e suas variações cambiais. Diante disso, fizemos uma consolidação dos razões acima mencionados e chegamos ao quadro abaixo, que fecha com os balancetes da empresa.(fls. 314, 316 a 365). Tendo em vista a emissão da IN 213/02, considerando que a equivalência patrimonial do ano calendário 2002 foi positiva em 48.753.510,52 (fl 355 — razão contábil equivalência patrimonial), tributa-se os valores parciais trimestrais, conforme quadro abaixo, com o fundamento no art. 7° deste mandamento legal em virtude do Ache neste ano calendário ter enviado sua declaração de ajustes na modalidade trimestral, ( sinal (-) indica resultado positivo em equivalência patrimonial e somente eles devem ser tributados) O razão contábil referido pelo Termo de Verificação Fiscal (fl. 355 dos autos em papel, 368 do e-processo) tem o seguinte teor: Fl. 1848DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 9101-004.206 - CSRF/1ª Turma Processo nº 16561.000025/2007-72 Também o voto condutor do acórdão recorrido tratou exclusivamente da não tributação da variação cambial de investimentos no exterior -- a qual é apenas um dos itens que compõem a equivalência patrimonial, ao lado do lucro, conforme já visto. Destaco, neste sentido, que a ementa menciona apenas a variação cambial, e também os dispositivos legais citados no voto se referem exclusivamente à variação cambial. Por oportuno, transcrevo integralmente o trecho do voto condutor do acórdão recorrido sobre esta matéria: DA EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL Compulsando a Legislação Federal não encontro base legal para a tributação da equivalência patrimonial. Muito pelo contrário, a MP n.º 30/2003 que trazia o art. 46 foi convertida na Lei n.º 10.833, de 2003, e esta teve veto do presidente da república quanto ao artigo em comento: “Art. 46 A variação cambial dos investimentos no exterior avaliados pelo método da equivalência patrimonial é considerada receita ou despesa financeira, devendo compor o lucro real e a base de cálculo da CSLL relativos ao balanço levantado em 31 de dezembro de cada ano-calendário.” Ao fazer a conversão, entretanto, o presidente vetou o artigo com parecer exarado pelo Ministro da Fazenda a segue: “RAZÃO DO VETO Não obstante tratar-se de norma de interesse da administração tributária, a falta de disposição expressa para sua entrada em vigor certamente provocará diversas demandas judiciais, patrocinadas pelos contribuintes, para que seus efeitos alcancem o ano- calendário de 2003, quando se registrou variação cambial negativa de, aproximadamente , quinze por cento, o que representaria despesa dedutível para as pessoas jurídicas com controladas ou coligadas no exterior, provocando, assim, perda de arrecadação, para o ano de 2004, de significativa monta, comprometendo o equilíbrio fiscal” Da leitura do veto, observamos que a entrada em vigor da tributação seria o grande problema a ser contornado, por isso o veto. Ora, se iria entrar em vigor é porque não vigorava a tributação sobre a variação cambial dos investimentos avaliados pelo método de equivalência patrimonial. Assim, deve-se cancelado este item do auto de infração do IRPJ e da CSLL. Conforme se lê do trecho acima transcrito, a conclusão do voto condutor do acórdão recorrido foi pelo cancelamento integral deste item do auto de infração de IRPJ e CSLL, Fl. 1849DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 9101-004.206 - CSRF/1ª Turma Processo nº 16561.000025/2007-72 sendo que o dispositivo da decisão restou assim redigido: "Por unanimidade de votos, cancelar a exigência relativa a rendimento de participação societária equivalência patrimonial;". Assim, apenas há razões de decidir no acórdão recorrido sobre a parcela da equivalência patrimonial relativa à variação cambial, muito embora o dispositivo da decisão indique o cancelamento da autuação quanto ao item equivalência patrimonial. Observo que não houve oposição de embargos de declaração quanto a este fato, por qualquer das partes. A seu turno, o acórdão indicado como paradigma decidiu que os resultados de equivalência patrimonial devem ser tributados com base no artigo 7o da IN SRF 213/2002, sendo excluídos apenas os efeitos da variação cambial. O seguinte trecho do acórdão paradigma deixa clara tal fundamentação (grifamos): (...) Sendo assim, por não caber a esse órgão negar aplicação ao referido dispositivo legal (art. 74 da MP 2.158-35, de 2001), cumpre apenas analisar se o artigo 7° da IN SRF 213/2002 extrapolou a lei. É inquestionável que, a partir da Lei 9.249/95, os lucros obtidos por intermédio das controladas ou coligadas no exterior são tributáveis na investidora no Brasil. O artigo 74 da MP 2.158-35, de 2001 define o momento da disponibilização, para efeito de tributação. Assim, uma vez que o resultado da equivalência patrimonial apenas atesta a apuração dos lucros pela coligada ou controlada, a determinação contida na IN SRF n° 213/02 para a inclusão na base de cálculo do lucro real e da CSLL do resultado positivo dessa equivalência, apenas concretiza o comando fixado pelo art. 74 da Medida Provisória n° 2.158-35/2001, que determina que os lucros auferidos por controlada ou coligada no exterior serão considerados disponibilizados para a controladora ou coligada no Brasil na data do balanço no qual tiverem sido apurados, bem como, determina que os lucros apurados por controlada ou coligada no exterior até 31 de dezembro de 2001 serão considerados disponibilizados em 31 de dezembro de 2002, salvo se ocorrida, antes desta data, qualquer das hipóteses de disponibilização previstas na legislação em vigor. Em sendo assim, agiu com acerto a r. decisão recorrida que manteve a exigência decorrente dos resultados positivos da equivalência patrimonial apurado pela Recorrente. Por seu turno, entendo que deve ser afastada da tributação, como exclusão, a parcela referente à variação cambial, eis que a mesma representa a expressão do valor em moeda estrangeira investida inicialmente, nada tendo em comum com os lucros gerados no exterior. De fato, essa questão já foi apreciada pela Superintendência da 98 Região Fiscal, na solução das Consultas n° 54 e 55, tendo restado esclarecida a contrapartida de ajuste do valor do investimento em sociedades estrangeiras, coligadas ou controladas que não funcionem no país, decorrente da variação cambial, a qual não será computada na determinação do lucro real. Esta Câmara também enfrentou a matéria, que foi objeto do Acórdão 101-94.747, de 2004, conduzido pelo voto do ilustre Conselheiro Mário Junqueira Franco Júnior, que anotou dever ser excluída da exigência a parcela referente à variação cambial. No seu voto, destacou o eminente Conselheiro: [...] Ante o acima exposto, voto no sentido DAR provimento PARCIAL ao presente item para afastar (excluir) da tributação a parcela correspondente à variação cambial. Fl. 1850DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 9101-004.206 - CSRF/1ª Turma Processo nº 16561.000025/2007-72 Portanto, a conclusão a que se chega é que não há divergência quanto ao tratamento tributário conferido à variação cambial de investimentos no exterior, já que, nesse ponto, ambos os precedentes -- recorrido e paradigma -- convergem para o entendimento de que a variação cambial de investimentos no exterior avaliados pelo método de equivalência patrimonial não deve ser tributada. Ante o exposto, oriento meu voto para conhecer parcialmente do recurso especial da Procuradoria, conhecendo-o integralmente quanto à matéria "I. cancelamento da exigência referente à subavaliação do estoque final;", não conhecendo quanto à matéria "II. afastamento da exigência relativa à variação monetária.". Mérito Superada a questão do conhecimento, observo que o mérito do presente recurso trata da matéria da subavaliação de estoques e, nesse ponto, consiste em definir se o auto de infração que desconsidera os efeitos da postergação deve, exclusivamente em virtude de tal circunstância, ser cancelado, ou se para tanto é necessário que o contribuinte comprove a ocorrência de postergação no caso concreto. Quanto a esse item, compreendo que assiste razão à DRJ e à decisão recorrida, a qual confirmou o quanto decidido pelos julgadores de primeira instância. Isso porque, o caso dos autos tratou de custo que, por sua natureza, necessariamente se trata de antecipação, de maneira que a autoridade autuante deveria, já ao efetuar o lançamento, considerar os efeitos da postergação e, em não o fazendo, o auto de infração resta viciado e, portanto, nulo. É que a subavaliação de estoque final acarreta, necessariamente, a antecipação de custo para período de apuração anterior ao período correto, diferentemente da simples apropriação de custo inexistente. Assim sendo, constatada a subavaliação, a Fiscalização deve retificar o período de competência do custo, refazer a apuração do lucro real nos períodos afetados e, apenas caso resulte prejuízo para o Fisco, e apenas na medida desse prejuízo, efetuar o lançamento. A legislação sobre a matéria é expressa neste sentido. A inobservância do regime de competência está disciplinada no artigo 273 do RIR/99, a seguir reproduzido. Destacamos os trechos que ressaltam o caráter mandatório dos dispositivos (que se utiliza de termos como "somente... se" e "será feito"), revelando-se não se tratar de mera faculdade ou opção: " Art. 273. A inexatidão quanto ao período de apuração de escrituração de receita, rendimento, custo ou dedução, ou do reconhecimento de lucro, somente constitui fundamento para lançamento de imposto, diferença de imposto, atualização monetária, quando for o caso, ou multa, se dela resultar: I - a postergação do pagamento do imposto para período de apuração posterior ao em que seria devido; ou II - a redução indevida do lucro real em qualquer período de apuração. Fl. 1851DF CARF MF Fl. 11 do Acórdão n.º 9101-004.206 - CSRF/1ª Turma Processo nº 16561.000025/2007-72 § 1° O lançamento de diferença de imposto com fundamento em inexatidão quanto ao período de apuração de competência de receitas, rendimentos ou deduções será feito pelo valor liquido, depois de compensada a diminuição do imposto lançado em outro período de apuração a que o contribuinte tiver direito em decorrência da aplicação do disposto no § 2° do art. 247. § 2° O disposto no parágrafo anterior e no § 2° do art. 247 não exclui a cobrança de atualização monetária, quando for o caso, multa de mora e juros de mora pelo prazo em que tiver ocorrido postergação de pagamento do imposto em virtude de inexatidão quanto ao período de competência. " Este também é o posicionamento da própria Receita Federal, como expresso no Parecer Normativo SRF/Cosit n° 2/96, o qual, ao tratar da inexatidão quanto ao período -base de escrituração de receitas ou custos, estabelece (grifamos): " 5.2 - O § 4°, transcrito, é um comando endereçado tanto ao contribuinte quanto ao fisco. Portanto, qualquer desses agentes, quando deparar com uma inexatidão quanto ao período-base de reconhecimento de receita ou de apropriação de custo ou despesa deverá excluir a receita do lucro liquido correspondente ao período-base indevido e adicioná-la ao lucro liquido do período-base competente; em sentido contrário, deverá adicionar o custo ou a despesa ao lucro liquido do período-base indevido e excluí-lo do lucro liquido do período-base de competência. 5.3 - ( ) Dessa forma, constatados quaisquer fatos que possam caracterizar postergação do pagamento do imposto ou da contribuição social, devem ser observados os seguintes procedimentos: a) tratando-se de receita, rendimento ou lucro postecipado: excluir o seu montante do lucro liquido do período-base em houver sido reconhecido e adicioná-lo ao lucro liquido do período-base de competência; b) tratando-se de custo ou despesa antecipada: adicionar o seu montante ao lucro liquido do período-base em que houver ocorrido a dedução e excluí-lo do lucro liquido do período-base de competência; (...) f) apurar o lucro real e a base de cálculo da contribuição social, corretos, correspondentes a cada período-base, inclusive o de término da postergação, (... ) 6.2 - O fato de o contribuinte ter procedido espontaneamente, em período-base posterior, ao pagamento dos valores do imposto ou da contribuição social postergados deve ser considerado no momento do lançamento de oficio, o qual, em relação às parcelas do imposto e da contribuição social que houverem sido pagas, deve ser efetuado para exigir, exclusivamente, os acréscimos relativos a juros e multa, caso o contribuinte já não os tenha pago. 7. O § 6°, transcrito no item 5, determina que o lançamento deve ser feito pelo valor liquido do imposto e da contribuição social, depois de compensados os valores a que o contribuinte tiver direito em decorrência do disposto no §4o" Assim, quando for constatado que o contribuinte antecipou custo por meio da subavaliação de estoque final, a fiscalização deve necessariamente corrigir tal inconsistência, majorando o valor do estoque final, levando em consideração que tal majoração também se faz no estoque inicial do período seguinte e, por isso, reduz-se o custo no primeiro período mas aumenta-se o custo no período seguinte. No caso em questão a fiscalização ignorou os dispositivos legais acima transcritos e, na apuração dos tributos entendidos como devidos, tratou o caso, que era de antecipação de custo, como se fosse simples glosa de custos apropriados e não comprovados (no caso, reduziu o custo no 1° trimestre de 2002, 1°, 2° e 3o trimestres de 2003, mas desconsiderou o decorrente Fl. 1852DF CARF MF Fl. 12 do Acórdão n.º 9101-004.206 - CSRF/1ª Turma Processo nº 16561.000025/2007-72 aumento do custo nos trimestres subseqüentes - 2° trimestre de 2002, 2°, 3° e 4° trimestres de 2003), em evidente e necessário erro de procedimento. O erro foi tão patente que os cálculos a que chegou a autoridade autuante resultou em "resultados bizarros", nas palavras do próprio voto condutor do acórdão na DRJ, que por oportuno reproduzimos (fl. 1.336, grifamos): 12 De fato, a tabela de fls.872, anexa ao Termo de Verificação Fiscal, demonstra claramente que o Auditor Fiscal simplesmente calculou o custo da mercadoria vendida (CMV) nos trimestres considerados, a partir dos dados de estoque final e inicial e compras efetuadas, constantes nas fichas 38A e 4A , nas DIPJ apresentadas pela contribuinte (fls. 705 a 823). 13 Alem disso, não levou em consideração os custos que integram o custo dos produtos fabricados pela empresa, reduzindo o cálculo na tabela de fls 872, a um simples cálculo de mercadorias vendidas. 14 Como se constata, a Fiscalização limitou-se a calcular dois resultados comparativos, utilizando os valores de estoque final e inicial da ficha 38-A, (que seriam os valores "certos" ao Auditor Fiscal) e os valores dos estoques inicial e final da Ficha 4-A (valores da contribuinte) . Para os dois cálculos, utilizou os valores de compras constantes na ficha 4-A. Quando o valor resultante do cálculo, utilizando os dados da ficha 38-A, ultrapassaram o valor do cálculo com os dados da ficha 4-A, o Auditor Fiscal, simplesmente lançou essa diferença. 15 Resulta que essas operações aritméticas, apuraram resultados bizarros pois, no ano-calendário de 2001, 2°, 3° e 4° trimestres de 2002, o CMV, calculado com os dados da Ficha 4-A, apresentou valores bastante inferiores aos calculados com os dados da ficha 38-A, resultando que a contribuinte teria um "crédito" a seu favor, de custos a que teria direito. 16 Observa-se ainda, que a soma desses "créditos" ultrapassa e muito a soma dos "débitos" que foram tributados e evidencia o erro do procedimento efetuado, pois ao se considerar os resultado "contra" a contribuinte teriam que ter sido considerados os resultados "a favor" também. 17 Além disso, essa tabela não demonstra o cálculo real dos custos de produtos vendidos da empresa, pois o Auditor Fiscal além de não levar em conta os custos de industrialização e pessoal envolvidos na fabricação dos produtos que a empresa produz, previstos na ficha 4A, também não considerou sequer o que a empresa efetivamente declarou como custo dos produtos vendidos, arbitrando e lançando o que entendeu ser devido. Importante ressaltar que não estamos aqui a dizer que toda e qualquer hipótese de postergação em que a fiscalização não considere tais efeitos no lançamento dos tributos será caso de nulidade do auto de infração. De fato, apenas nos casos em que a postergação é intrínseca à modalidade de despesa é que a sua não observância acarreta erro material insanável do auto de infração. Acontece que o caso dos autos está justamente dentre tais hipóteses que levam à nulidade do auto de infração, por erro material, já que aqui a autoridade autuante não observou a fórmula básica contábil CMV= Ei + C – Ef. Ante o exposto, orientei meu voto para negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional quanto a este item, tendo sugerido a seguinte ementa para o presente trecho do julgado: SUBAVALIAÇÃO DE ESTOQUES. POSTERGAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Fl. 1853DF CARF MF Fl. 13 do Acórdão n.º 9101-004.206 - CSRF/1ª Turma Processo nº 16561.000025/2007-72 A subavaliação do estoque final acarreta, de maneira intrínseca, o diferimento da tributação do lucro do exercício seguinte (CMV= Ei + C – Ef). Em tal hipótese, o lançamento deve necessariamente ser realizado nos moldes da postergação, sendo nulo se feito com base em simples glosa de custos. O lançamento de diferença de tributos no caso de inexatidão quanto ao período de apuração do custo de mercadorias deve ser feito pelo valor líquido, depois de compensada a diminuição dos tributos lançados em outro período de apuração a que o contribuinte tiver direito. Não obstante a posição desta Relatora, acima exposta, uma vez colocada a questão para votação em sessão de julgamento, a maioria da Turma acompanhou esta relatora pelas conclusões, tendo prevalecido o entendimento de que, nesta parte, o recurso especial da Fazenda Nacional deveria ter seu provimento negado por outras razões, que passo a descrever abaixo. Especificamente, as Conselheiras Cristiane Silva Costa, Edeli Pereira Bessa, Viviane Vidal Wagner e Adriana Gomes Rêgo entendem que o ônus quanto à prova dos efeitos da postergação é do contribuinte. A despeito de tal entendimento, verifica-se na decisão de primeira instância, cujo recurso de ofício restou improvido no acórdão recorrido, a análise de outros aspectos da apuração, para além dos efeitos da postergação: [...] 12 De fato, a tabela de fls.872, anexa ao Termo de Verificação Fiscal, demonstra claramente que o Auditor Fiscal simplesmente calculou o custo da mercadoria vendida (CMV) nos trimestres considerados, a partir dos dados de estoque final e inicial e compras efetuadas, constantes nas fichas 38A e 4A , nas DIPJ apresentadas pela contribuinte (fls. 705 a 823). 13 Além disso, não levou em consideração os custos que integram o custo dos produtos fabricados pela empresa, reduzindo o cálculo na tabela de fls 872, a um simples cálculo de mercadorias vendidas. 14 Como se constata, a Fiscalização limitou-se a calcular dois resultados comparativos, utilizando os valores de estoque final e inicial da ficha 38A, (que seriam os valores "certos" ao Auditor Fiscal) e os valores dos estoques inicial e final da Ficha 4A (valores da contribuinte) . Para os dois cálculos, utilizou os valores de compras constantes na ficha 4A. Quando o valor resultante do cálculo, utilizando os dados da ficha 38A, ultrapassaram o valor do cálculo com os dados da ficha 4A, o Auditor Fiscal, simplesmente lançou essa diferença. 15 Resulta que essas operações aritméticas, apuraram resultados bizarros pois, no ano-calendário de 2001, 2°, 3° e 4° trimestres de 2002, o CMV, calculado com os dados da Ficha 4A, apresentou valores bastante inferiores aos calculados com os dados da ficha 38A, resultando que a contribuinte teria um "crédito" a seu favor, de custos a que teria direito. 16 Observa-se ainda, que a soma desses "créditos" ultrapassa e muito a soma dos "débitos" que foram tributados e evidencia o erro do procedimento efetuado, pois ao se considerar os resultado "contra" a contribuinte teriam que ter sido considerados os resultados "a favor" também. Fl. 1854DF CARF MF Fl. 14 do Acórdão n.º 9101-004.206 - CSRF/1ª Turma Processo nº 16561.000025/2007-72 17 Além disso, essa tabela não demonstra o cálculo real dos custos de produtos vendidos da empresa, pois o Auditor Fiscal além de não levar em conta os custos de industrialização e pessoal envolvidos na fabricação dos produtos que a empresa produz, previstos na ficha 4A, também não considerou sequer o que a empresa efetivamente declarou como custo dos produtos vendidos, arbitrando e lançando o que entendeu ser devido. 18 Por outro lado, embora a contribuinte não tenha trazido aos autos documentos que comprovem, de maneira suficiente, o que alega, limitando-se a apresentar na impugnação, exemplo de ficha de custo para um produto fabricado, esse procedimento não invalida o fato que a apuração efetuada pela Fiscalização foi feita de maneira incorreta, em detrimento do disposto na Lei. 19 Por estes motivos, a exigência de IRPJ deve ser cancelada nesse quesito. Nesse panorama, fui acompanhada pelas conclusões, para negar provimento ao recurso especial da Procuradoria na matéria conhecida (postergação). Conclusão Ante o exposto, oriento meu voto por conhecer parcialmente do recurso especial da Fazenda Nacional e, no mérito, quanto à parte conhecida, negar provimento. (documento assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Declaração de Voto Conselheira Edeli Pereira Bessa Fl. 1855DF CARF MF Fl. 15 do Acórdão n.º 9101-004.206 - CSRF/1ª Turma Processo nº 16561.000025/2007-72 Acompanhei a Conselheira Relatora no conhecimento da matéria postergação em relação à infração subavaliação dos estoques porque entendo caracterizado o dissídio jurisprudencial e também discordo das objeções postas pela contribuinte em contrarrazões. A ausência de referência, no recurso especial, a dispositivo legal sobre o qual recai a divergência não infirma a sua ocorrência, dado que a atividade da autoridade lançadora é vinculada à lei e a avaliação em julgamento de sua postura necessariamente tem em conta procedimentos disciplinados na legislação tributária, ou princípios aplicáveis à questão, mesmo que implicitamente considerados. Para além disso, nada obsta que o recurso especial objetive, ao final, a revisão de matéria de prova, se demonstrada divergência jurisprudencial acerca da forma de produção desta prova. No presente caso, o acórdão recorrido negou provimento ao recurso de ofício e manteve a decisão de 1ª instância que, em primeira linha argumentativa, firmou o entendimento de que a antecipação de custos por meio de subavaliação de estoque final é infração que necessariamente impõe a aplicação do art. 273 do RIR/99 e consequente apuração dos tributos devidos pelo seu valor líquido, descontando-se os valores eventualmente lançados a maior nos períodos subsequentes, em razão da redução dos custos. Sob esta ótica, portanto, imputou à autoridade fiscal a investigação acerca da existência de tributos postergados em períodos subsequentes. Já no paradigma nº 103-23.308, outro Colegiado do CARF admitiu que, em tese, a subavaliação de estoques em um determinado período, tem como consequência a majoração de custos nesse mesmo exercício, todavia, obrigatoriamente, implica na apuração de custo a menor, no exercício subsequente, quando as vendas forem efetuadas, dado que o estoque final do primeiro exercício será o estoque inicial do segundo exercício e assim por diante. Contudo, apesar de classificar esta ocorrência como caso clássico de postergação no pagamento do imposto, o Colegiado não imputou sua constatação à autoridade fiscal, mas sim afirmou-a matéria de defesa, necessitando, por via de consequência, ser provada. Considerando que o acórdão recorrido pautou-se apenas na primeira linha argumentativa da autoridade julgadora de 1ª instância para manter a exoneração por ela promovida, os demais aspectos por ela suscitados não se prestam a afastar a similitude fática entre os acórdãos comparados. Tais circunstâncias devem ser considerados na decisão acerca da infração em litígio, se afastada a premissa adotada no acórdão recorrido, mas o dissídio jurisprudencial está caracterizado entre o acórdão recorrido e o paradigma. No mérito, discordo do entendimento da Conselheira Relatora, alinhado àquele adotado no acórdão recorrido, e vislumbro, à semelhança do firmado no paradigma, que a postergação deve ser demonstrada, em defesa, pelo sujeito passivo. Isto porque, embora a subavaliação de estoque final possa acarretar antecipação de custos e consequente redução de custos em períodos subsequentes, a efetivação destas ocorrências é dependente da forma de escrituração do sujeito passivo, que pode evitar esta redução futura. Para além disso, a postergação somente se caracteriza se, na forma do art. 273 do RIR/99, o pagamento do imposto for deslocado para período posterior. Assim, não basta que os custos apurados em períodos subsequentes apresentem-se inferiores aos que poderiam ter sido escriturados se adotado o critério prevalente no lançamento. É imperioso que a redução dos custos represente, também, redução da base tributável sobre a qual incidiram os tributos apurados pelo sujeito passivo. Se originalmente houve prejuízo fiscal, e a infração acarreta, apenas, aumento deste prejuízo fiscal, não há tributo apurado a maior e, por consequência, não há postergação. Fl. 1856DF CARF MF Fl. 16 do Acórdão n.º 9101-004.206 - CSRF/1ª Turma Processo nº 16561.000025/2007-72 Sob esta ótica, o destacado demonstrativo à fl. 872 não se presta a evidenciar postergação, vez que apenas confronta o Custo das Mercadorias Vendidas - CMV original e o apurado pela Fiscalização, sem evidenciar a repercussão destas diferenças no lucro tributável dos períodos subsequentes. Neste cenário, cumpria à contribuinte demonstrar em sua defesa esta repercussão. Ocorre que este entendimento não é suficiente para reverter a decisão recorrida e dar provimento ao recurso de ofício, vez que a autoridade julgadora de 1ª instância demonstrou outros vícios na apuração fiscal a inviabilizar o lançamento em debate. Como bem consignado na decisão de 1ª instância às e-fls. 1190/1223, ao recompor os custos dedutíveis a partir da retificação dos estoques final e inicial, a autoridade fiscal, para comparar sua apuração com a da contribuinte, teve em conta, apenas, as compras constantes na ficha 4A da DIPJ, ignorando os demais insumos. De fato, para apurar as diferenças aqui tributadas de R$ 9.257.458,12 e R$ 7.338.536,86, respectivamente, nos 1º trimestres de 2002 e 2003, a autoridade fiscal comparou o CMV por ela apurado (R$ 8.788.940,33 e R$ 6.836.736,07) com aquele aferido pela contribuinte (R$ 18.046.398,45 e 14.175.299,96), mas ao refletir aquele no demonstrativo de fl. 872, a própria autoridade fiscal registra os demais insumos, que não estão refletidos na apuração original da contribuinte. Confirma-se a existência destes outros elementos considerados no cálculo dos custos pela contribuinte nas DIPJ juntadas às e-fls. 740 e 773. Assim, evidenciadas as irregularidades na apuração do valor tributável, deve prevalecer a conclusão da decisão de 1ª instância no sentido de que embora a contribuinte não tenha trazido aos autos documentos que comprovem, de maneira suficiente, o que alega, limitando-se a apresentar na impugnação, exemplo de ficha de custo para um produto fabricado, esse procedimento não invalida o fato que a apuração efetuada pela Fiscalização foi feita de maneira incorreta, em detrimento do disposto na Lei. Estas as razões, portanto, para conhecer do recurso especial da Fazenda Nacional acerca da matéria postergação na subavaliação de estoque mas, no mérito, negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa Fl. 1857DF CARF MF
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Numero do processo: 15940.000265/2009-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF
Ano-calendário: 2004, 2005
OPERAÇÕES DE CRÉDITO. MÚTUO DE RECURSOS FINANCEIROS ENTRE PESSOAS JURÍDICAS.
As operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas sujeitam-se à incidência do IOF segundo as mesmas normas aplicáveis às operações de financiamento e empréstimos praticadas pelas instituições financeiras.
Numero da decisão: 3302-007.241
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente Substituto.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto).
Nome do relator: CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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MÚTUO DE RECURSOS FINANCEIROS ENTRE PESSOAS JURÍDICAS. As operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas sujeitamse à incidência do IOF segundo as mesmas normas aplicáveis às operações de financiamento e empréstimos praticadas pelas instituições financeiras. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 94 0. 00 02 65 /2 00 9- 10 Fl. 367DF CARF MF Processo nº 15940.000265/200910 Acórdão n.º 3302007.241 S3C3T2 Fl. 368 2 Relatório Por bem descrever a realidade dos fatos, adoto e transcrevo o relatório da decisão de primeira instância: Foi emitido em nome da contribuinte acima identificada, em 05 de junho de 2.008, o Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização no 08.1.05.002008003570, e em 13 de agosto de 2.008, foi lavrado o Termo de Inicio da Ação Fiscal, recebido pela contribuinte em 15 de agosto de 2.008, conforme Aviso de Recebimento, tendo sido solicitado os seguintes documentos: 1Contratos de operações de mútuo firmados com pessoas jurídicas e/ou físicas e que compõe os saldos abaixo: 01.01.2.004 R$ 25.916.576,90 31.12.2.004 R$ 30.194.879,67 31.12.2.005 R$ 33.086.254,67 2Cópia do Instrumento de Constituição da Pessoa Jurídica e alterações posteriores, ou Contrato Social consolidado até a presente data; 3Livros Diário e Razão que contenham a contabilização das operações relativas aos anos calendário de 2.004 a 2.007. 4Apresentar também no prazo de 20 (vinte) dias a contar da data de ciência do presente termo, os arquivos eletrônicos e documentos a seguir relacionados, na forma do disposto no artigo 265, 266, do Decreto 3.000 de 26/03/99, artigos 11 e 12 da Lei 8218/91, Instrução Normativa do Secretário da Receita Federal no 86, de 22/10/2001, e Ato Declaratório Executivo Cofis nº 15, de 23/10/2001. Os arquivos e documentos solicitados referemse ao período de 01/01/2004 a 31/12/2004. Em 02 de setembro de 2.008, a interessada protocolou requerimento solicitando mais 20 dias para apresentação dos documentos solicitados, motivado pela complexidade de se efetuar a gravação em CDR dos arquivos eletrônicos do período que foi pedido. A interessada apresentou os documentos e Livros solicitados no Termo de Inicio de Ação Fiscal, com exceção dos contratos de mútuos e do Instrumento de Constituição e alterações posteriores ou Contrato Social consolidado. Em 23 de dezembro de 2.008, foi emitido Termo de Intimação Fiscal, recebido pela contribuinte em 26 de dezembro de 2.008, através do qual foram solicitados os contratos de mútuo e de constituição da empresa, já acima referidos, bem como os documentos compõem o item "outras despesas operacionais", lançadas na DIPJ referente ao anocalendário de 2005, e que totalizam R$ 7.333.021,50. Fl. 368DF CARF MF Processo nº 15940.000265/200910 Acórdão n.º 3302007.241 S3C3T2 Fl. 369 3 Em atendimento ao Termo de Intimação, a contribuinte apresentou, em 05 de janeiro de 2009, os documentos faltantes, bem como uma relação das contas lançadas na DIPJ, e ainda as folhas do razão com os lançamentos dos valores apropriados como despesas e que totalizaram a importância acima mencionada. COM RELAÇÃO AO IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES FINANCEIRASIOF Conforme documentação apresentada e verificações feitas na contabilidade da interessada, foram celebrados contratos de transferência de numerário entre a mesma e as empresas abaixo enumeradas: a) Com LIANE AUTOMÓVEIS LTDACNP): 55.555.965/000132, firmado em 29 de dezembro de 2.002; b) Com LIANE PARTI ADM E EMP LTDACNP3: 51.395.622/000105, firmado em 29 de dezembro de 2.002; c) Com TRANSPORTADORA LIANE LTDACNP): 47.990.874/000105, firmado em 29 de dezembro de 2.002; d) Com EMPREEND IMOB AGROPEC E ADM BENS LIANE LTDA04112348.156.020/ 000182, firmado em 29 de dezembro de 2.002; Muito embora a empresa tenha efetuado celebrado "COMPROMISSO ENTRE COLIGADAS PARA FUTURO AUMENTO DE CAPITAL", a pesquisa efetuada no sistema informatizada da Receita Federal do Brasil, revela que no período a que se refere os empréstimos, a interessada não participava do quadro societário das empresas acima relacionadas com as quais firmou compromisso. Em face das verificações efetuadas ficou constatado que a contribuinte não reconheceu e não recolheu os valores devidos a titulo de IOF, referente aos empréstimos concedidos a outras pessoas jurídicas. Desta maneira foi lavrado Auto de Infração para exigência do crédito tributário decorrente da falta de reconhecimento e recolhimento do Imposto sobre Operações FinanceirasIOF, com os acréscimos pertinentes na forma da legislação. A contribuinte impugna (resumo): DO LIMITE CONSTITUCIONAL DO PODERDEVER DA FISCALIZAÇÃO Como é sabido, o agente público fiscal deve gozar de competência suficiente para em nome do interesse público, proceder a verificação quanto adequação das empresas as Fl. 369DF CARF MF Processo nº 15940.000265/200910 Acórdão n.º 3302007.241 S3C3T2 Fl. 370 4 exações legaistributárias devidamente instituídas, sempre observando, por óbvio, os limites dos direitos constitucionais a que os contribuintes tem direito. Contudo, a ânsia fiscalizatória que assola as autoridades tributantes em nosso pais, por vezes, afastase de seus limites regulamentares, extrapolando, assim, as prerrogativas inerentes a sua função fiscalizatória. Infelizmente, tal conduta acabou, mesmo que sob protesto dos mais renomados juristas brasileiros, sendo legislada e, portanto, legalizada. Isto importa em dizer, que os legisladores aplicaram mais um duro golpe na tênue fronteira existente entre o respeito e a violação do direito dos contribuintes pelas autoridades fiscais. Tratase da Lei Complementar no. 104/2001, que inseriu em nosso Código Tributário Nacional (art. 116) a chamada norma antielisiva. Evidentemente, a autoridade fiscal através do Auto de Infração ora atacado, valeuse deste dispositivo para concluir que a operação praticada entre a IMPUGNANTE e outras empresas, não se revestiram efetivamente da natureza atribuída por estes, qual seja, a de "futuro aumento de capital". Neste esteio, interpretou o agente que tal formatação jurídica não tinha outro propósito, sendo o de mascarar uma "operação de empréstimo entre as empresas”, da qual nasceria a obrigação tributária de recolhimento do IOF. Ao fisco, incumbe desconstituir a presunção de legitimidade de que gozam os atos e negócios jurídicos atacados, provando que não passam de mera aparência ou ocultam uma outra relação jurídica de natureza diversa, escamoteando a ocorrência do fato gerador. Para isto, há que se valer de prova indireta, de indícios, que hão de ser graves, precisos e concordantes entre si, resultantes de uma forte probabilidade e indutores de ligação direta do fato desconhecido com o fato conhecido. Como se pode notar do documento denominado "COMPROMISSO ENTRE COLIGADAS PARA FUTURO AUMENTO DE CAPITAL", a intenção das partes não foi em momento algum, realizar simples operação de empréstimo, tanto é que no próprio texto verificase de pronto que o objetivo era o de Incorporar o respectivo numerário ao capital social da cessionária, in verbis. "...convencionam a transferência de numerário entre elas, objetivando suprimento de caixa, para efeito de gestão, incorporados ao capital social da cessionária, nos seguintes termos e condições" Como se não bastasse, denotase ainda na cláusula terceira deste instrumento, que os sócios da empresa beneficiária decidiriam sobre o momento em que a incorporação efetiva ao capital se daria. Como conseqüência a IMPUGNANTE se tornaria sócia, mediante a emissão de novas ações da empresa. Fl. 370DF CARF MF Processo nº 15940.000265/200910 Acórdão n.º 3302007.241 S3C3T2 Fl. 371 5 "...3 Os sócios examinarão e decidirão sobre a conveniência da incorporação imediata..." Disto concluise que em nenhum momento a intenção das partes foi a de exclusivamente realizar empréstimo, cuja presunção maior é a de que numerário deverá ser devolvido para a mutuante, com os acréscimos remuneratórios e em determinado prazo. Prova disto é o fato destas importâncias nunca terem retornado a IMPUGNANTE, a qualquer titulo que seja, como se pode constatar das demonstrações financeiras de ambas as empresas. Pode até mesmo a autoridade fiscal questionar a regularidade do titulo do contrato atribuído pelas partes, já que a IMPUGNANTE não figurava na qualidade de sócio. Contudo, deve o agente público aterse não somente a formalidade e ao rigor material, para interpretar as operações tributárias, mas sim, na essência das transações praticadas pelo contribuinte. Como se verifica das indicações mencionadas, a IMPUGNANTE pretendia na verdade é tornarse efetivamente sócia das empresas beneficiárias dos numerários, quando assim deliberassem. Por oportuno, vale dizer que a estratégia da IMPUGNANTE encontrase albergada dentro dos limites de planejamento empresarial que o principio da livre iniciativa elege. Portanto, deve se reconhecer a legitimidade da escolha deste caminho, mesmo que ele importe em redução da carga tributária. Alias, este é o entendimento de ilustres juristas como Luciano Amaro e Ricardo Mariz de Oliveira, que defendem, respectivamente, que: "Na companhia da melhor doutrina, não vejo 'llicitude na escolha de um caminho fiscalmente menos oneroso, desde que a menor onerosidade seja a (mica razão da escolha desse caminho', sob pena de se ter de admitir 'o absurdo de que o contribuinte seria sempre obrigado a escolher o caminho de maior onerosidade fiscal" "Da Constituição Federal advém, o direito à utilização de estruturas jurídicas válidas, sem violação da lei, que sejam capazes de evitar incidências tributárias, ou minorar os seus ônus". Por todo o exposto, concluise facilmente que o agente público extrapolou suas prerrogativas ao interpretar a operação sob embate como empréstimo (mútuo), até mesmo porque, como se verá a frente, faltam elementos fundamentais na operação praticada pela IMPUGNANTE, para caracterizar o instituto pretendido. DAS CARACTERÍSTICAS DO MÚTUO O mútuo é a contrato pela qual uma parte entrega a outra coisa fungível (por exemplo dinheiro), devendo para tanto receber a mesma coisa, isto é, dinheiro. Fl. 371DF CARF MF Processo nº 15940.000265/200910 Acórdão n.º 3302007.241 S3C3T2 Fl. 372 6 No caso em tela não se vislumbra quaisquer características inerentes ao haja vista que, a IMPUGNANTE firmou junto às empresas beneficiárias um instrumento contratual de entrega de valores para um futuro ingresso como quotista na sociedade. Muito embora se possa alegar, repitase, que o instrumento firmado pelas partes denominado "COMPROMISSO ENTRE COLIGADAS PARA FUTURO AUMENTO DE CAPITAL", esteja incorretamente denominado, e que até o presente momento a IMPUGNANTE não faz parte do quadro societário das empresas beneficiárias, a intenção das partes foi o de adiantar valores objetivando o futuro ingresso da lmpugnante como quotista dessas empresas. Neste sentido, vale trazer novamente a lição de "De Plácido e Silva, em seu Vocabulário Jurídico, o qual define o instituto do adiantamento da seguinte maneira: "Adiamento: Na linguagem jurídicocomercial, adiantamento tem a significação de pagamento antecipado ou de entrega por conta de uma operação de crédito, ou representa o financiamento promovido pela garantia de títulos ou de outros bens. 0 devedor que pagou a divida, por conta ou por inteiro antes que ela vencesse, fez um adiantamento. Quando um estabelecimento bancário financia uma casa comercial ou uma indústria, mesmo recebendo garantia hipotecária, ou caucionando efeitos comerciais, faz adiantamentos ao comerciante ou ao industrial. 0 comerciante que, ao fazer sua compra, paga por conta do valor da fatura, faz adiantamento por esta aquisição de mercadorias. Tem, neste sentido, com sinônimo, a palavra avanços. Adiantamento. Também é aplicado no sentido de promoção ou avanço na hierarquia administrativa. Adiantamento de graduação ou adiantamento de classe." O fato de não ter sido consumada a integralização até o presente momento, em nada descaracteriza a operação de adiantamento realizado entre as empresas, isto porque, tratase apenas de uma decisão administrativa a qual definirá futuramente o melhor momento e forma de ingresso da impugnante no quadro de sócio das empresas, tendo em vista que o pagamento pela participação societária já ocorreu. Outrossim, vale ressaltar que a legislação tributária impede incisivamente a alteração da definição, do conteúdo e o alcance dos institutos tributários, tendo em vista o principio da tipicidade, o qual impede a interpretação extensiva objetivando a criação de obrigação tributária. Na esteira dos entendimentos, ainda que V.Sª conclua que o IMPUGNANTE não realizou adiantamento, as empresas acima citadas firmaram um instrumento com o firme propósito de aquisição de participação societária, o que não ensejaria o recolhimento do IOF. Fl. 372DF CARF MF Processo nº 15940.000265/200910 Acórdão n.º 3302007.241 S3C3T2 Fl. 373 7 DA INCONSTITUCIONALIDADE DO IOF SOBRE MÚTUO A questão da inconstitucionalidade da incidência do IOF sobre as operações de mútuo, realizada por pessoas físicas e jurídicas, sem a intermediação ou ação de instituições financeiras na relação jurídica já está pacificada pela doutrina dominante. O artigo 13 da Lei n° 9.779/99 é totalmente inconstitucional e não poderia ser aplicado a contratos de mútuo entre pessoas jurídicas que não sejam instituições financeiras. Em 23/08/2013, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Anocalendário: 2004, 2005 MÚTUO O mútuo é o contrato pelo qual um dos contraentes transfere a propriedade de bem fungível ao outro, que se obriga a lhe restituir coisa do mesmo gênero, qualidade e quantidade. No caso, o objeto é dinheiro. CONSTITUCIONALIDADE E LEGALIDADE DE NORMAS. COMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. É o administrador um mero executor de leis, não lhe cabendo questionar a legalidade ou constitucionalidade de comandos normativos. A análise de teses contra a legalidade ou a constitucionalidade de normas é privativa do Poder Judiciário, conforme competência conferida constitucionalmente. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimado da decisão em 30/08/2013, consoante AR acostado, a Recorrente interpôs recurso voluntário em 01/10/2013, consoante carimbo na folha de rosto do recurso acostado, no qual invoca preliminar de nulidade do auto de infração, por apoiarse em fundamentação legal inexistente (Decreto nº 4.494/2002, revogado pelo Decreto n° 6.306/2007); e no mérito, reproduz totalmente os argumentos iniciais apresentados na impugnação, a saber: 1) as operações entre as pessoas jurídicas não eram mútuos, e sim "compromisso entre coligadas para futuro aumento de capital"; e 2); inconstitucionalidade do art. 13 da Lei n° 9.779/99. Aduzindo que matéria de cunho constitucional deve ser apreciada em sede administrativotributária. Por fim, requer o reconhecimento da insubsistência do auto de infração. Fl. 373DF CARF MF Processo nº 15940.000265/200910 Acórdão n.º 3302007.241 S3C3T2 Fl. 374 8 Ato seguido, o expediente é encaminhado ao CARF para julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Corintho Oliveira Machado, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. DO AUTO DE INFRAÇÃO A recorrente evoca preliminar de nulidade do auto de infração, por apoiarse em fundamentação legal inexistente (Decreto nº 4.494/2002, revogado pelo Decreto n° 6.306/2007), todavia olvidase que em direito tributário vige o princípio do tempus regit actum, segundo o qual os atos jurídicos se regem pela lei da época em que ocorreram, cumpre observar que o auto de infração referese ao período de janeiro de 2.004 a dezembro de 2.005, quando ainda não existia o Decreto n° 6.306/2007, revogador do Decreto nº 4.494/2002. Demais disso, a impugnação não trouxe qualquer alegação no sentido de haver qualquer cerceamento do direito de defesa em sua impugnação, e nem poderia pois a ora recorrente entendeu plenamente a imputação lançada contra ela e elaborou defesa efetiva cheia de detalhes. Dito isso, estou por rejeitar a preliminar arguida. DAS OPERAÇÕES ENTRE AS PESSOAS JURÍDICAS No que tange ao mérito da lide, a decisão recorrida assim tratou das alegações trazidas pela recorrente para tentar afastar a imputação da auditoriafiscal: DO LIMITE CONSTITUCIONAL DO PODERDEVER DA FISCALIZAÇÃO Neste item a impugnante parece fazer uma crítica às leis no ordenamento jurídico, que por assim dizer aumentariam indevidamente o poderdever da fiscalização. Particularmente a Lei Complementar no 104/2001, que inseriu em nosso Código Tributário Nacional (art. 116) a chamada norma antielisiva. A impugnante inclusive discorda da aplicação do art. 116 no caso dos autos, pois, entende que o agente interpretou que tal formatação jurídica não tinha outro propósito, sendo o de Fl. 374DF CARF MF Processo nº 15940.000265/200910 Acórdão n.º 3302007.241 S3C3T2 Fl. 375 9 mascarar uma "operação de empréstimo entre as empresas", da qual nasceria à obrigação tributária de recolhimento do IOF. Ao fisco, como concorda a própria impugnante, incumbe desconstituir a presunção de legitimidade de que gozam os atos e negócios jurídicos atacados, provando que não passam de mera aparência ou ocultam uma outra relação jurídica de natureza diversa, escamoteando a ocorrência do fato gerador. No caso dos autos, está muito claro que o que houve foi um empréstimo, o que houve foi um mútuo, pois, embora a impugnante afirme que o dinheiro teria um fim, ou seja, aumento de capital, e por conseqüência a impugnante se tornaria sócia das mutuárias, na prática nada disso ocorreu, ou melhor, nunca ocorreria, pois, o objetivo sempre foi o de mútuo. Adicionalmente, muito embora a empresa tenha celebrado "COMPROMISSO ENTRE COLIGADAS PARA FUTURO AUMENTO DE CAPITAL", a pesquisa efetuada pela fiscalização nos sistemas da Receita Federal do Brasil revelou que no período a que se refere os empréstimos, a interessada não participava do quadro societário das empresas mutuarias com as quais firmou compromisso. Ou seja, não era nem coligada. (...) DAS CARACTERÍSTICAS DO MÚTUO Neste item parece que a impugnante já dá a resposta, pois, ela mesma admite que embora tenha entregue o dinheiro para um fim, até agora não houve a execução do fim (integralização do capital), mas no futuro poderá haver. Ou seja, confirma que o que temos é um mútuo. (...) Em sede recursal, nada foi dito sobre as razões de fato e de direito declinadas pela DRJ para a manutenção do lançamento. Apenas foram lançadas novamente as mesma alegações apresentadas em primeiro grau. Nessa moldura, impende prestigiar mais uma vez os fundamentos de direito do decisum recorrido, até porque relativamente à matéria de fundo mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas coligadas que não são instituições financeiras este Colegiado já teve oportunidade de se manifestar mais de uma vez, vindo a calhar trazer à colação o seguinte exemplo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Data do fato gerador: 31/01/2004, 28/02/2004, 31/03/2004, 30/04/2004, 31/05/2004, 30/06/2004, 31/07/2004, 31/08/2004, 30/09/2004, 31/10/2004, 30/11/2004, 31/12/2004 OPERAÇÕES DE MÚTUO ENTRE EMPRESAS NÃO FINANCEIRAS COLIGADAS. Fl. 375DF CARF MF Processo nº 15940.000265/200910 Acórdão n.º 3302007.241 S3C3T2 Fl. 376 10 A lei não restringe o campo de incidência do IOF às operações de crédito consequentes de contratos celebrados com pessoas jurídicas financeiras. (...) (Acórdão 3302005.715; 27/07/2017; Relator Jorge Lima Abud) Por fim, a alegação de que matéria de cunho constitucional deve ser apreciada em sede administrativotributária merece ser afastada, pois vai de encontro à Súmula CARF nº 2 “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a constitucionalidade de lei tributária”. Assim é que data maxima venia da posição da recorrente, merece ser ratificada a decisão recorrida, que verificou haver razões suficientes para a manutenção do lançamento em desfavor da recorrente. Posto isso, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Fl. 376DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.932165/2013-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF)
Data do fato gerador: 31/10/2012
DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE.
Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam todos os requisitos exigidos nas normas legais pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade.
DESPACHO DECISÓRIO. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA.
Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO.
Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
Numero da decisão: 2401-006.409
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10880.900539/2014-60, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier (Presidente), Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rayd Santana Ferreira e Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER
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NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam todos os requisitos exigidos nas normas legais pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10880.900539/2014-60, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier – Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier (Presidente), Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rayd Santana Ferreira e Marialva de Castro Calabrich Schlucking. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 93 21 65 /2 01 3- 61 Fl. 72DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2401-006.409 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.932165/2013-61 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2401-006.258, de 08 de maio de 2019 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 10880.900539/2014-60, paradigma deste julgamento. “Trata o presente processo de Manifestação de Inconformidade contra ato da autoridade administrativa que não homologou a compensação declarada por meio eletrônico (PER/DCOMP), relativamente a crédito de IRRF que teria sido recolhido a maior no período de apuração constante dos autos. Como bem relatado pela instância a quo , o Despacho Decisório não homologou o pedido de compensação em debate, sob o fundamento de que, embora localizado o pagamento que deu origem ao suposto crédito original de pagamento indevido ou a maior, o mesmo estava à época do encontro de contas integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados. Notificada da decisão a Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que: 1. Sem qualquer fundamento legal ou maiores explicações, a autoridade administrativa não homologou a compensação realizada pela empresa, através do despacho decisório proferido nos presentes autos. 2. A alegação de que não existe crédito disponível não pode ser entendida como fundamento do despacho decisório, sem constar o porquê dessa inexistência. 3. A autoridade administrativa não se deu ao trabalho de motivar sua decisão, a teor do art. 50 da Lei n° 9.784, de 1999. 4. A não homologação dessa compensação ocorreu por sistema informatizado, porque o crédito sequer foi apreciado. Limitou-se a autoridade administrativa em fazer uma verificação prévia se o pagamento realizado indevidamente ou a maior estava disponível em seus sistemas. Ainda inconformada, a Recorrente apresenta Recurso Voluntário, repisando parte de suas razões apresentadas em sede de Impugnação que são, em síntese, as seguintes: a) o V. Acórdão merece reforma, basicamente, porque firmou entendimento equivocado, o ato administrativo que não reconheceu o direito creditório do contribuinte é vinculado, devendo conter os pressupostos de fato e de direito, em obediência ao princípio da legalidade; b) Na mesma esteira de entendimento, o ato administrativo deve ser motivado para se mostrar eficaz, razão pela qual não deve prosperar o acórdão ora guerreado; c) o crédito que se fundou o direito subjetivo do contribuinte foi protocolado por meio de compensação, todavia, sem qualquer fundamentação a autoridade não homologou a compensação realizada pela Recorrente, através de Despacho Decisório Fl. 73DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2401-006.409 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.932165/2013-61 eletrônico, onde se questiona a falta de elementos do ato administrativo, ou seja, falta de fundamentação e nulidades; d) Todavia entenderam os Nobres Julgadores que o Despacho Decisório foi devidamente fundamentado, cabendo ao Recorrente o ônus da prova dos fatos modificativos, impeditivos ou extintivos da pretensão fazendária, julgando improcedente a Impugnação; e) Reitera a necessidade de motivação, a teoria dos motivos determinantes e o cerceamento de defesa como institutos jurídicos a embasarem sua pretensão de reforma do ato administrativo ora em debate ; f) Defende a tese de que a Fazenda Nacional deve rever seus próprios atos, seja para revogá-los (quando inconvenientes) seja para anulá-los (quando ilegais) Cita a Súmula 473 do STF, os arts. 1º e 5º inciso LVI da CF/88., como normas de conteúdo vedatório para obtenção de provas pelo Poder Público que derive de transgressão a cláusulas de ordem constitucional; g) Ao final requer a reforma do v. Acórdão, eis que a controvérsia posta é identificar se o ato administrativo é vinculado ou discricionário. É o Relatório.” Voto Conselheira Miriam Denise Xavier, Relatora. Este processo foi julgado na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão nº 2401-006.258, de 08 de maio de 2019 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 10880.900539/2014-60, paradigma deste julgamento. Transcreve-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido na susodita decisão paradigma, a saber, Acórdão nº 2401-006.258, de 08 de maio de 2019 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária: Acórdão nº 2401-006.258 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária “1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE RECURSO VOLUNTÁRIO O presente Recurso Voluntário foi apresentado, TEMPESTIVAMENTE, razão pela qual dele CONHEÇO, já que presentes os requisitos de sua admissibilidade 2. DA PRELIMINAR a) nulidade A alegação de nulidade do Despacho Decisório não merece prosperar posto que o mesmo foi realizado dentro dos ditames delineados em lei, apresentando de forma clara e objetiva o motivo da não homologação da compensação, qual seja, a Fl. 74DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2401-006.409 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.932165/2013-61 inexistência de crédito disponível para a compensação dos débitos informados na declaração de compensação - DCOMP. Nesse diapasão, não há cerceamento de defesa em nenhuma fase do curso processual capaz de produzir qualquer tipo de nulidade ou óbice para que se avance na análise de mérito no presente feito. 3. DO MÉRITO Em seu Recurso Voluntário o contribuinte, em síntese, se restringe a alegar que o ato administrativo, que não reconheceu o seu direito creditório, é vinculado , devendo conter os pressupostos de fato e de direito que o motivaram, sob pena de cerceamento do seu direito de defesa e desobediência ao princípio da legalidade. O que se observa é que assim, as alegações preliminares acabam se confundindo com as de mérito. Todavia, razão não assiste à Recorrente, senão vejamos: Conforme esclarecido pela instância de piso e verificado pela análise dos autos, as próprias declarações e documentos produzidos pela Recorrente fundamentaram os motivos da não-homologação do Despacho Decisório in casu, caracterizando assim a prova e a motivação do ato administrativo, sendo de pleno conhecimento do Recorrente já que por ele produzidos. Após análise detalhada, não foi identificado por esta Relatora qualquer erro na decisão de indeferimento da compensação, nem tampouco a Recorrente apontou eventual divergência, capaz de maculá-lo. A causa da não homologação é clara e objetiva, e se deve ao fato de que, nos sistemas da Receita Federal, embora localizado o DARF do pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente foi totalmente utilizado e alocado aos débitos informados em DCTF, não restando dele o saldo apontado na DCOMP como crédito. Logo, não padece de nulidade o despacho decisório proferido por autoridade competente, contra o qual o Recorrente pôde exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam todos os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. Conforme se verifica, o débito declarado e pago encontra-se em conformidade com a correspondente DCTF, a qual tem seus efeitos determinados pelo § 1º do artigo 5º do Decreto lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, entre eles o da confissão da dívida e o condão de constituir o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do Fisco. Como ja esclarecido acima, quando da transmissão e da análise do PER/DCOMP em tela, o crédito efetivamente não existia, pois o pagamento efetuado estava integralmente alocado ao débito declarado pela própria contribuinte em sua DCTF. Dessa forma, a recorrente, na data da transmissão do PER/ DCOMP não era detentora de crédito líquido e certo, condição sem a qual não há direito à restituição ou compensação. E não tendo trazido elementos hábeis a desconstituir a confissão do débito que fez na DCTF, inexiste razão para se reconhecer o pleiteado direito Fl. 75DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2401-006.409 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.932165/2013-61 creditório relativo a pagamento pretensamente maior do que o devido, referente ao período de apuração. Ou seja, de maneira diametralmente oposta às suas alegações recursais, o ato administrativo foi motivado e fundamentado, todavia não foi homologado por absoluta falta de amparo legal para sua concessão. Da análise da DCTF retificadora ativa da Requerente (juntada por imagem no Acórdão de Manifestação de Inconformidade, referente ao tributo e período em análise, verificou-se que ela declarou um débito de IRRF referente ao fato gerador daquela data e vinculou um pagamento de igual valor. Já no quadro reproduzido no voto, podemos verificar que o DARF, pago em atraso com multa de mora e juros de mora, foi integralmente alocado para o saldo a pagar do débito declarado, cujos valores são idênticos. A Requerente pagou em atraso o tributo e corretamente adicionou a multa de mora e os juros de mora, valor que ele agora indevidamente reclama de volta para compensação. Conforme informado pela DRJ , além do DARF constante dos presentes autos, ter sido alocado ao débito normal do período, regularmente declarado em DCTF, a Recorrente solicita sobre esse valor, a homologação de 152 pedidos de compensação que, somados, resultam em um valor de R$ 1.974.130,39, conforme relação dos processos de PER/DCOMP para o mesmo DARF, transcritas no voto do Acórdão ora recorrido. E este fato indica que a Recorrente se movimenta no sentido de efetuar compensação administrativa, não amparada na legislação, para liquidar débitos com créditos inexistentes. Todavia, utiliza-se do expediente de prestação de informação falsa, pois no PER/DCOMP há um campo onde é perguntado se aquele crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior já foi informado em outro PER/DCOMP, ao que a Recorrente respondeu “Não” em todos os PER/DCOMP, em infração que ensejaria a aplicação da Lei n° 10.833, de 2003, art. 18, §2º, com a redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007. 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, voto para CONHECER do recurso e, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO, nos termos do relatório e voto. É como voto.” Pelos motivos expendidos, voto para CONHECER do recurso e, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO, nos termos do relatório e voto. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Fl. 76DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2401-006.409 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.932165/2013-61 Fl. 77DF CARF MF
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Numero do processo: 13411.000557/2006-54
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 15 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. SÚMULA CARF 124. PRODUTOS NT.
A produção e a exportação de produtos classificados na Tabela de Incidência do IPI (TIPI) como "não-tributados" não geram direito ao crédito presumido de IPI de que trata o art. 1º da Lei nº 9.363, de 1996.
Numero da decisão: 9303-008.640
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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