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Numero do processo: 13962.000257/2001-24
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Mar 13 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/03/2001
IPI. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. INDUSTRIALIZAÇÃO. NÃO-COMPROVAÇÃO. EXISTÊNCIA DE PRECEDENTE INVOCADO PELAS PARTES EM OUTRO PROCESSO QUE REFUTOU A PRETENSÃO DA RECORRENTE.
- Controvérsia em torno da natureza das atividades da recorrente e a comprovação de que realiza operações de industrialização. Ofertada ampla defesa e contraditório, a parte não fez prova de suas atividades, repetindo no Recurso Voluntário, os mesmos argumentos lançados na manifestação de inconformidade.
- Matéria idêntica, envolvendo o direito de crédito da recorrente, já foi objeto de apreciação pela 2ª TO/4ª Câmara/3ª SEJUL/CARF/MF no Processo 13962.000122/99-38, acórdão nº3402-002.050, julgado em sessão de 23/04/2013, o qual negou provimento ao Recurso Voluntário da Recorrente, merecendo o presente recurso o mesmo destino.
- Recurso Voluntário improvido.
Numero da decisão: 3102-002.320
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário.
RICARDO PAULO ROSA - Presidente.
MIRIAM DE FÁTIMA LAVOCAT DE QUEIROZ - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé, José Paulo Puiatti, Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz, Nanci Gama e Ricardo Paulo Rosa.
Nome do relator: MIRIAM DE FATIMA LAVOCAT DE QUEIROZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2001 a 31/03/2001 IPI. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. INDUSTRIALIZAÇÃO. NÃO-COMPROVAÇÃO. EXISTÊNCIA DE PRECEDENTE INVOCADO PELAS PARTES EM OUTRO PROCESSO QUE REFUTOU A PRETENSÃO DA RECORRENTE. - Controvérsia em torno da natureza das atividades da recorrente e a comprovação de que realiza operações de industrialização. Ofertada ampla defesa e contraditório, a parte não fez prova de suas atividades, repetindo no Recurso Voluntário, os mesmos argumentos lançados na manifestação de inconformidade. - Matéria idêntica, envolvendo o direito de crédito da recorrente, já foi objeto de apreciação pela 2ª TO/4ª Câmara/3ª SEJUL/CARF/MF no Processo 13962.000122/99-38, acórdão nº3402-002.050, julgado em sessão de 23/04/2013, o qual negou provimento ao Recurso Voluntário da Recorrente, merecendo o presente recurso o mesmo destino. - Recurso Voluntário improvido.
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PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. INDUSTRIALIZAÇÃO. NÃO COMPROVAÇÃO. EXISTÊNCIA DE PRECEDENTE INVOCADO PELAS PARTES EM OUTRO PROCESSO QUE REFUTOU A PRETENSÃO DA RECORRENTE. Controvérsia em torno da natureza das atividades da recorrente e a comprovação de que realiza operações de industrialização. Ofertada ampla defesa e contraditório, a parte não fez prova de suas atividades, repetindo no Recurso Voluntário, os mesmos argumentos lançados na manifestação de inconformidade. Matéria idêntica, envolvendo o direito de crédito da recorrente, já foi objeto de apreciação pela 2ª TO/4ª Câmara/3ª SEJUL/CARF/MF no Processo 13962.000122/9938, acórdão nº3402002.050, julgado em sessão de 23/04/2013, o qual negou provimento ao Recurso Voluntário da Recorrente, merecendo o presente recurso o mesmo destino. Recurso Voluntário improvido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário. RICARDO PAULO ROSA Presidente. MIRIAM DE FÁTIMA LAVOCAT DE QUEIROZ Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 96 2. 00 02 57 /2 00 1- 24 Fl. 701DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por MIRIAM DE FATIMA LAVOCAT DE QUEIROZ, Assinado digitalment e em 06/03/2015 por MIRIAM DE FATIMA LAVOCAT DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RIC ARDO PAULO ROSA Processo nº 13962.000257/200124 Acórdão n.º 3102002.320 S3C1T2 Fl. 702 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé, José Paulo Puiatti, Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz, Nanci Gama e Ricardo Paulo Rosa. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão proferida no Acórdão 14 32.377 8 a Turma da DRJ/RPO, que na Sessão de 01 de fevereiro de 2011 julgou parcialmente procedente a manifestação de inconformidade relativa ao Processo 13962.000257/200124, em que figura como interessado REMY AUTOMOTIVE BRASIL LTDA., CNPJ/CPF 02.684.729/000150, assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI Período de apuração: 01/01/2001 a 31/03/2001 IPI. RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO. O ressarcimento autorizado pela legislação corresponde ao saldo credor trimestral apurado em consequência do confronto dos créditos e dos débitos do imposto em cada período de apuração. Mas o direito à utilização de créditos está subordinado ao cumprimento das condições estabelecidas para cada caso e das exigências previstas para a sua escrituração, sendo ônus processual da interessada fazer a prova dos fatos constitutivos de seu direito. COMPENSAÇÃO. REQUISITO PARA HOMOLOGAÇÃO. A homologação da compensação declarada pelo contribuinte depende da comprovação da liquidez e certeza dos créditos contra a Fazenda Nacional, de acordo com o devido procedimento estabelecido pela legislação. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte. Direito Creditório Reconhecido em Parte Reproduzse o relatório do julgamento de 1º grau: “Trata o presente de pedido de ressarcimento de créditos básicos de IPI, no montante de R$ 121.167.27, referente ao Io trimestre de 2001, conforme pedido de ressarcimento de fl. 01. Cumulativamente, apresentou os pedidos de compensação de fls. 02 e 120/127. De acordo com o Despacho Decisório das fls 457/461, foi decido pelo indeferimento do pedido da requerente, pois não teria direito ao ressarcimento porque os créditos se refeririam à aquisição de produtos destinados à revenda, sem passarem por qualquer etapa de industrialização no estabelecimento da Fl. 702DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por MIRIAM DE FATIMA LAVOCAT DE QUEIROZ, Assinado digitalment e em 06/03/2015 por MIRIAM DE FATIMA LAVOCAT DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RIC ARDO PAULO ROSA Processo nº 13962.000257/200124 Acórdão n.º 3102002.320 S3C1T2 Fl. 703 3 requerente. O aproveitamento do crédito está diretamente vinculado ao emprego dos insumos (matériaprima, produto intermediário e material de embalagem) no processo de industrialização. Não havendo industrialização não há que se pleitear crédito algum. Regularmente cientificada, a postulante apresentou manifestação de inconformidade de fls. 470/476, instruída com os documentos de fls. 477/502, em que alega, entre outras coisas, que o fundamento para o indeferimento não se aplicaria ao seu caso concreto, uma vez que, no seu entender, realiza operações de montagem (inciso III do artigo 4º do RIPI/98) e de acondicionamento e reacondicionamento (inciso IV do artigo 4º do RIPI/98), além das industrializações efetuadas com terceiros. Além desse fato, considerase equiparado a industrial, por dar saída de produtos de sua importação direta (inciso I do artigo 9º do RIPI/98). Esta Delegacia da Recita Federal do Brasil de Julgamento, mediante o despacho de fls. 505/506, baixou o presente processo em diligência, para que o órgão de origem verificase junto ao contribuinte se, efetivamente, realizou no período objeto deste pedido de ressarcimento operação cuja industrialização haja sido realizada por outro estabelecimento, mediante a remessa, por ele efetuada, de matériasprimas, produtos intermediários, embalagens, recipientes, moldes, matrizes ou modelos. A autoridade administrativa em Blumenau, da análise dos documentos apresentados pelo contribuinte, elaborou a Informação Fiscal de fls. 597/600, com a conclusão "que da entrada no estabelecimento da requerente dos insumos utilizados nas operações de industrialização por encomenda assiste à interessada um direito creditório equivalente a R$ 3.089,74". Cientificada da Informação Fiscal, a interessada protocolou a manifestação de fls. 608/613, instruída com os documentos de fls. 614/638, alegando, em síntese, argumentos semelhantes aos apresentados na primeira manifestação de inconformidade, ou seja: 1 . O processo industrial da empresa consiste na montagem de "motor de partida", na qual exige a junção de diversas partes e peças que resultam no produto final, o que se enquadra no conceito estabelecido pelo inciso III, do art. 4 ° do RIPI/1998; 2. A industrialização por encomenda é apenas uma parte do processo industrial que consiste no envio de rolamentos para montagem em conjunto com as carcaças; 3. Além das compras dos rolamentos, a empresa efetuou compras de diversas matériasprimas que também foram relacionadas na planilha (arquivo Excel) apresentada na resposta à Intimação Fiscal n° 4 (fls.555/556), pelo que, não há que se falar em quantificação dos valores passíveis de ressarcimento sem que tais aquisições sejam consideradas no cálculo; Fl. 703DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por MIRIAM DE FATIMA LAVOCAT DE QUEIROZ, Assinado digitalment e em 06/03/2015 por MIRIAM DE FATIMA LAVOCAT DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RIC ARDO PAULO ROSA Processo nº 13962.000257/200124 Acórdão n.º 3102002.320 S3C1T2 Fl. 704 4 4. Diante da legislação vigente, a empresa tem direito ao ressarcimento/compensação do saldo credor de IPI remanescente ao final do trimestre, oriundos de aquisições de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem. Em sede de recurso voluntário, a empresa repisa os argumentos de sua manifestação, afirmando realizar operações de industrialização passíveis de lhe garantir o direito creditório. É o relatório Voto Conselheira Miriam de Fátima Lavocat de Queiroz Relatora O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, razão pelo qual dele conheço. A pretensão da Recorrente não merece prosperar. Vejamos. A controvérsia posta diz respeito à natureza das atividades da recorrente e a comprovação de que realiza operações de industrialização. A matéria envolvendo o direito de crédito da recorrente já foi objeto de apreciação pela 2ª TO/4ª Câmara/3ª SEJUL/CARF/MF no Processo 13962.000122/9938, acórdão nº 3402002.050, julgado em sessão de 23/04/2013. Tanto a autoridade fiscal da Delegacia da Receita Federal em Blumenau quanto a empresa fazem referência ao processo em questão em suas manifestações, tendo o recorrente, inclusive, anexado cópia da manifestação de inconformidade lá colacionada por ocasião de sua defesa neste processo. No julgado mencionado, a 2ª TO/4ª Câmara/3ª SEJUL/CARF/MF entendeu indevida a pretensão da Recorrente ao argumento de que ela não comprovou que realiza operações de industrialização, assim manifestandose: “Alega a contribuinte em sua impugnação que realiza operações de acondicionamento e reacondicionamento (inciso IV do artigo 4º da RIPI/98), apresentando como prova com os documentos de fls. 463/467. Tais documentos, emitidos pela empresa Irmãos Zen S.A., empresa da qual a contribuinte adquire seus produtos, são apenas cópias das fichas do produto, fazendo menção expressa à conferência do plano de embalagem "DELCO" inclusive com marcação nas peças da marca "AC DELCO " e números de série. Não há como concordar com a impugnante, pois não comprova documentalmente a aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem para a realização das operações de acondicionamentos e reacondicionamentos. Fl. 704DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por MIRIAM DE FATIMA LAVOCAT DE QUEIROZ, Assinado digitalment e em 06/03/2015 por MIRIAM DE FATIMA LAVOCAT DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RIC ARDO PAULO ROSA Processo nº 13962.000257/200124 Acórdão n.º 3102002.320 S3C1T2 Fl. 705 5 Assim como, não há provas que o processo de industrialização tenha sido realizado "por encomenda" em outros estabelecimentos industriais, conforme definido no art. 9º, inciso IV, e arts. 415 a 419 do Decreto n° 4.544/02 (Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados RIPI/ 2002). Correto a impugnante ao afirmar que os estabelecimentos importadores produtos de procedência estrangeira que promoverem a saída desses produtos são equiparados a industrial (RIPI/2002, art. 9º). Isso obriga ao destaque do imposto nas saídas (RIPI/art.24). Porém, no caso concreto, não há operação de industrialização no âmbito estabelecimento importador, que apenas dá saída aos insumos importados. O concernente ao desembaraço aduaneiro das matériasprimas pode até existir e ser compensado na escrita fiscal com débitos do próprio imposto em outras operações, contudo, este não ser usufruído sob a forma de ressarcimento e compensação com outros débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, de que trata a Lei n° 9.779, de 1999, art. 11. Quanto ao ressarcimento do crédito de insumos utilizados na fabricação produtos exportados, Decretolei n° 491/69, art. 5º e Lei n° 8.402/92, art. 1º, inciso II, conforme citado acima, a contribuinte não comprovou em momento algum as aquisição de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem efetivamente utilizados industrialização dos produtos exportados. Não havendo processo de industrialização, não que se pleitear crédito algum. Não se justifica, assim a reforma da r. decisão recorrida que deve ser mantida por seus próprios e jurídicos fundamentos, considerandose ainda que ao longo de toda a marcha processual, a ora Recorrente não apresentou nenhuma evidencia concreta e suficiente para descaracterizar a motivação invocada pela d. Fiscalização, para o indeferimento do ressarcimento e conseqüente compensação dos créditos de IPI.. Compulsando os autos, não identifico elementos de prova capazes de agasalhar a pretensão da recorrente. Ao seu revés, verifico que nas oportunidades em que lhe foram franqueadas a sua ampla defesa e contraditório, a empresa não apresentou provas em sentido contrário, repetindo sempre mesmo os argumentos anteriormente lançados na manifestação de inconformidade e neste recurso. Por todo o exposto, nego provimento ao recurso. Fl. 705DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por MIRIAM DE FATIMA LAVOCAT DE QUEIROZ, Assinado digitalment e em 06/03/2015 por MIRIAM DE FATIMA LAVOCAT DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RIC ARDO PAULO ROSA Processo nº 13962.000257/200124 Acórdão n.º 3102002.320 S3C1T2 Fl. 706 6 Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz Fl. 706DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por MIRIAM DE FATIMA LAVOCAT DE QUEIROZ, Assinado digitalment e em 06/03/2015 por MIRIAM DE FATIMA LAVOCAT DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RIC ARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 14041.000055/2009-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 31 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 30/11/2004
REMUNERAÇÃO. CARTÃO PREMIAÇÃO. INCENTIVO. PARCELA SUJEITA À INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS.
A verba paga pela empresa aos segurados por intermédio de cartão premiação em programa de incentivo integra o salário-de-contribuição, por não haver previsão legal de não incidência.
ABONO SALARIAL. VINCULAÇÃO AO SALÁRIO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES.
Incidem contribuições sociais sobre os abonos não desvinculados do salário.
JUROS SELIC. INCIDÊNCIA SOBRE OS DÉBITOS TRIBUTÁRIOS ADMINISTRADOS PELA RFB.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-003.919
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Presidente em Exercício
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim, Carlos Henrique de Oliveira e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Presidente em Exercício Kleber Ferreira de Araújo - Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim, Carlos Henrique de Oliveira e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
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CARTÃO PREMIAÇÃO. INCENTIVO. PARCELA SUJEITA À INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. A verba paga pela empresa aos segurados por intermédio de cartão premiação em programa de incentivo integra o saláriodecontribuição, por não haver previsão legal de não incidência. ABONO SALARIAL. VINCULAÇÃO AO SALÁRIO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. Incidem contribuições sociais sobre os abonos não desvinculados do salário. JUROS SELIC. INCIDÊNCIA SOBRE OS DÉBITOS TRIBUTÁRIOS ADMINISTRADOS PELA RFB. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 04 1. 00 00 55 /2 00 9- 94 Fl. 184DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/03 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Presidente em Exercício Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim, Carlos Henrique de Oliveira e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 185DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/03 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA Processo nº 14041.000055/200994 Acórdão n.º 2401003.919 S2C4T1 Fl. 185 3 Relatório Tratase de recurso interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão n.º 03 33.741 de lavra da 7.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ em Brasília (DF) (fls. 133/144), que julgou improcedente a impugnação apresentada para desconstituir o Auto de Infração n.º 37.202.8012. A lavratura em questão referese a exigência de contribuições da empresa para a Seguridade Social, inclusive RAT. De acordo com o Relatório Fiscal, fls. 27/33, os fatos geradores contemplados no lançamento foram constatados mediante análise da contabilidade e das folhas de pagamento apresentadas pelo sujeito passivo e dizem respeito ao pagamento das parcelas denominadas "Abono Salarial" e "Prêmio de Incentivo à Produtividade", as quais são consideradas remuneração nos termos da legislação aplicável. Cientificada em 23/01/2009, a autuada contestou o lançamento, por meio do instrumento de fls. 112/123. Não tendo as razões defensórias sido acolhidas pela DRJ, o sujeito passivo interpôs recurso voluntário de fls. 147/159, no qual, inicialmente argumentou que o recurso foi apresentado no prazo legal. Depois, passou a mencionar os principais fatos do processo e a tratar dos pontos abaixo. Prêmio de Incentivo à Produtividade Em consonância com o mercado em que atua, criou em parceria com a empresa Freecard Marketing de Incentivo programas de motivação e incentivos, para aumento de produtividade, além de programa de fidelidade, utilizandose de sistemas de premiação, baseado num processo contínuo de relacionamento empresaclientes. O programa de incentivo à produtividade é dirigido aos seus funcionários, com vistas a maximizar resultados e recompensar os empregados com base em critérios de desempenho e produtividade. Os contemplados pelo plano recebem cartão magnético, que opera com sistemas de créditos, os quais são aceitos em sistemas de compras e serviços no comércio em geral. Os prêmios somente são concedidos a quem obtiver a performance estabelecida no programa, que é previamente conhecida por todos os participantes. Por outro lado, o sistema sob enfoque não guarda qualquer relação com rendimentos salariais ou utilidades, tampouco possui caráter ordinário, tratandose de premiação conferida a titulo gracioso e de júbilo, com a finalidade de incentivo pela performance profissional. Fl. 186DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/03 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA 4 Em que pese a amplitude do conceito de remuneração constante no ordenamento pátrio o programa Freecard Marketing de Incentivo não representa comissão, percentagem, gratificação ou abono, mas prêmio concedido em função do esforço produtivo, não assumindo assim feição salarial, dado o seu caráter de extraordinariedade. Os prêmios, concedidos mediante crédito em cartões, não representa contraprestação pela utilização de mãodeobra, tendo função meramente incentivacional. Por isso não existe qualquer previsão legal de sua inclusão no conceito de remuneração. Não se subsumem estes prêmios às utilidades previstas no art. 458 da CLT, tampouco figuram no conceito de saláriodecontribuição previdenciário. Ainda que se admitisse, ad absurdo, a possibilidade de inclusão dos valores destinados à premiação mediante o valeprêmios, dentro do âmbito do saláriodecontribuição, a simples constatação de sua natureza nãosalarial é razão suficiente a afastar a incidência de contribuições sobre a verba, nos termos do item 7 da alínea "e" do § 9.º do art. 28 da Lei n.º 8.212/1991. Apresenta precedentes judiciais que atestam a feição eventual desses prêmios e afasta o seu tratamento como salário. Para a empresa, devese ter em conta que o § 1.º do art. 108 do CTN veda a aplicação da analogia para se exigir tributo não previsto em lei. Assim, a apuração fiscal sobre essa verba fere o princípio da estrita legalidade. Abono Salarial Não há que se falar em descumprimento de incidência de contribuições sociais sobre abono salarial referente ao mês de maio/2004, porque feito de acordo com a Convenção Coletiva de Trabalho firmado entre o Sindicado dos Empregados no Comércio do Distrito Federal e o Sindicato dos Concessionários e Distribuidores de Veículos do Distrito Federal SINCODIVE. Ao final, requereu que: a) o AI seja declarado improcedente; b) ou caso assim não se entenda, que os juros sejam reduzidos ao percentual permitido em lei. É o relatório. Fl. 187DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/03 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA Processo nº 14041.000055/200994 Acórdão n.º 2401003.919 S2C4T1 Fl. 186 5 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Prêmio de Incentivo à Produtividade Sobre a questão da incidência de contribuições previdenciárias sobre os valores repassados aos empregados da recorrente mediante cartão de premiação, iniciamos a fundamentação lançando comentários sobre a legislação que regula a cobrança de contribuições para financiamento da Seguridade Social. As contribuições incidentes sobre as remunerações pagas às pessoas físicas com e sem vínculo empregatício encontram fundamento máximo de validade no art. 195, alínea “a” do inciso I da Constituição Federal de 1988 (redação dada pela EC n.º 20/1998): Art.195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (...) Observese que a Lei Maior, a princípio permite a exação para a Seguridade Social sobre pagamentos efetuados pelo empregador a qualquer título a pessoa que lhe preste serviço, sendo irrelevante o fato da quantia ter sido paga ou creditada ao obreiro. A Lei n.º 8.212/1991 confere eficácia à citada determinação constitucional, tratando da contribuição patronal sobre as remunerações disponibilizadas aos empregados nos seguintes termos: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, Fl. 188DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/03 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA 6 inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26/11/1999). (...) Temos que o conceito previdenciário de remuneração, o chamado saláriode contribuição, é bastante amplo, o qual também é cuidado no inciso I do art. 28 da Lei n.º 8.121/1991, nestes termos: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/1997). Como se pode observar, a princípio, qualquer rendimento pago em retribuição ao trabalho, qualquer que seja a forma de pagamento, enquadrase como base de cálculo das contribuições previdenciárias. Todavia, tendose em conta a abrangência do conceito de saláriode contribuição, o legislador achou por bem excluir determinadas parcelas da incidência previdenciária, enumerando em lista exaustiva as verbas que estariam fora deste campo de tributação. Essa relação encontrase presente no § 9.º do artigo acima citado. A tese da recorrente é de que esses ganhos seriam eventuais e por isso estariam livres da tributação em razão da norma inserta no item 7 da alínea “e” do § 9. do art. 28 da Lei n. 8.212/1991. A meu ver esse entendimento não se coaduna com a melhor exegese da legislação. Eis a norma citada: § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) e) as importâncias: (...) 7.recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; (...) A interpretação do dispositivo acima não pode ser dissociada daquele inserto no “caput” do mesmo artigo, acima transcrito, mas que não custa apresentar mais uma vez: Fl. 189DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/03 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA Processo nº 14041.000055/200994 Acórdão n.º 2401003.919 S2C4T1 Fl. 187 7 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (...) Em primeiro lugar esse benefício não diz respeito a um ganho eventual, antes se refere a uma parcela repassada aos empregados como forma de aumentar a produtividade destes e aumentar a satisfação da clientela. Eventual é o que depende de evento incerto e futuro. O pagamento dessa verba, ao contrário, surge da existência do vínculo de emprego. O dito benefício não foi pago por um infortúnio (uma eventualidade), por exemplo, uma doação no caso de força maior, mas é na verdade uma concessão negociada, uma retribuição, um agrado, ou qualquer outro nome que se queira dar, que nasce de um pacto laboral, representando um ganho pelo trabalho efetuado com maior produtividade. Não há dúvida de que, no caso concreto sob cuidado, as premiações efetuadas mediante créditos em cartões eram disponibilizadas em razão do vínculo contratual estabelecido entre empresa e os trabalhadores. Na verdade, esses pagamentos, malgrado sejam concedidos em razão do alcance de determinadas metas fixadas pelo empregador, como demonstrado pela documentação colacionada, não podem ser considerados eventuais, uma vez que o segurado, sabe a priori que, uma vez obtido o resultado fixado no regulamento, fará jus ao bônus. Independe, para fins de tributação, que a verba seja paga diretamente pelo empregador, ou se esse repassa a verba ao empregado mediante o crédito em cartões feitos por uma terceira empresa. Os autos revelam que os valores passaram ao patrimônio dos segurados em razão do contrato de trabalho que têm com a recorrente, a qual incontestavelmente fez o repasse dos valores correspondentes, ainda que os mesmos tenham se dado via empresa prestadora de serviços de marketing promocional. Portanto, afasto a alegada natureza de ganhos eventuais da verba sob comento, até porque a mesma foi disponibilizada aos empregados da recorrente em razão de incremento na sua produtividade, conforme programa de incentivo previamente divulgado. Abono Salarial Apreciando a legislação previdenciária, mais precisamente o art. 28 da Lei n.º 8.212/1991, observase que os abonos, de maneira geral, compõe a base de incidência das contribuições, como se pode ver do dispositivo: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: Fl. 190DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/03 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA 8 I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (...) Do texto legal é possível se inferir que qualquer vantagem paga ao empregado para lhe retribuir o trabalho prestado, independente da sua denominação, compõe o saláriodecontribuição. Vejamos, então, a cláusula do Convenção Coletiva de Trabalho CCT que propiciou o pagamento dessa parcela: CLÁUSULA PRIMEIRA REAJUSTE SALARIAL (...) PARÁGRAFO PRIMEIRO — Todos os empregados não comissionistas receberão no mês de maio de 2004 abono no percentual de 70% (setenta por cento), sobre o salário base do empregado em vigor no mês de novembro de 2003, ficando o abono limitado ao teto máximo de R$ 1.600,00 (hum mil e seiscentos reais). PARÁGRAFO SEGUNDO — Aos Vendedores, comissionistas puros ou mistos e demais empregados que recebam remuneração variável, será pago no mês de maio de 2004, abono no valor fixo de R$ 320,00 (trezentos e vinte reais). Chama atenção o fato de que o abono para parte dos empregados, conforme o Parágrafo Primeiro acima citado, variava na proporção do salário do trabalhador, portanto, não se pode dizer que a verba era isenta de caráter salarial ou não estaria vinculada à remuneração. Por outro lado, para que os abonos sejam excluídos do saláriode contribuição, nos termos do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/1999, fazse necessário que seja expressamente desvinculado do salário por força de lei, como se observa do dispositivo abaixo: Art.214.(...) §9º Não integram o saláriodecontribuição, exclusivamente: (...) j)ganhos eventuais e abonos expressamente desvinculados do salário por força de lei; (...) É de se ter em conta que na Lei n.º 8.212/1991 o abono não integrará o conceito de remuneração se, como visto, estiver expressamente desvinculado do salário, sem se referir à lei. Mas o que seria “expressamente desvinculado do salário”? Entendo que a desvinculação somente pode decorrer de lei, pois, do contrário, poderiam as próprias partes Fl. 191DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/03 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA Processo nº 14041.000055/200994 Acórdão n.º 2401003.919 S2C4T1 Fl. 188 9 estabelecer a natureza dos abonos, o que afronta o princípio da estrita legalidade e, portanto toda a lógica vigente no custeio previdenciário. Para mim, mesmo a lei não tendo distinguido entre desvinculação pela lei ou pelas partes, aqui cabe ao intérprete distinguir com base na interpretação sistemática, pois o ordenamento oferece adequada solução ao intérprete, toda calcada na reserva de lei, mormente para o estabelecimento de isenção (art. 176 do CTN), nunca permitindo às próprias partes convencionarem tal benesse. Não esquecendo que, como bem asseverou a DRJ, o fato da disponibilização da verba estar previsto em norma coletiva de trabalho não altera sua natureza frente às normas tributárias. É certo que as Convenções e Acordos Coletivas de Trabalho são de observância obrigatória para as partes, todavia, não estão acima da legislação de custeio da Seguridade Social. Em razão do princípio da estrita legalidade tributária, nosso ordenamento não admite que acordos entre patrões e empregados venham afastar a incidência tributária sobre determinado fato gerador. Para finalizar este tópico, irei tratar da aplicabilidade ao presente caso das disposições do Ato Declaratório PFN n. 16/2011, o qual transcrevo: ATO DECLARATÓRIO Nº 16 /2011 A PROCURADORAGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2114 /2011, desta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 09/12/2011 , DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: “nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o abono único, previsto em Convenção Coletiva de Trabalho, desvinculado do salário e pago sem habitualidade, não há incidência de contribuição previdenciária”. JURISPRUDÊNCIA: REsp nº 434.471/MG (DJ 14/2/2005), REsp nº 1.125.381/SP (DJe 29/4/2010), REsp nº 840.328/MG (DJ 25/9/2009) e REsp nº 819.552/BA (DJe 18/5/2009). Brasília, 20 de dezembro de 2011. Como se percebe do texto acima a Fazenda, curvandose a jurisprudência dominante do Egrégio STJ, abriu mão de insistir na cobrança de contribuições incidentes sobre abonos, que guardem, além da previsão em Convenção Coletiva de Trabalho, as seguintes características: a) seja único; Fl. 192DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/03 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA 10 b) não tenha vinculação com o salário; e c) não seja habitual. Assim, para que a verba seja excluída do saláriodecontribuição por força do referido Ato Declaratório, há de se encontrar na norma coletiva de trabalho as três condições acima mencionadas. O termo “único” aí utilizado pode ser entendido no sentido de exclusividade, ou seja, que cada CCT somente poderia conter um abono desta natureza, ou no sentido de quantidade de pagamentos, hipótese em que o desembolso teria que ser feito em parcela única. Para mim, a melhor interpretação é de que esse abono, para se compatibilizar com o Ato Declaratório, deve ser pago em parcela única, posto que no sentido contrário as partes, para fugir da tributação, poderiam substituir parte do salário por um abono pago em, por exemplo, doze parcelas, situação que não pode ser admitida. Quanto à vinculação com o salário, o sentido desse termo pode ser extraído da jurisprudência citada no Parecer PGFN/CRJ n. 2.114/2011, o qual originou o Ato Declaratório em questão. Vejamos: 2. Acompanho o relator apenas quanto à inexistência de violação ao artigo 535 do CPC. Divirjo, todavia, em relação à questão da incidência ou não da contribuição previdenciária e do FGTS sobre os valores pagos a título de "abono único" decorrentes de convenção coletiva de trabalho. (...) Ora, considerando a disposição contida no art. 28, § 9. , 'e', item 7, da Lei 8.212/91, é possível concluir que o referido abono não integra a base de cálculo do salário de contribuição, já que o seu pagamento não é habitual observese que, na hipótese, a previsão de pagamento é única, o que revela a eventualidade da verba, e não tem vinculado ao salário notese que, no caso, o benefício tem valor fixo para todos os empregados e não representa contraprestação por serviços, tendo em vista a possibilidade dos empregados afastados do trabalho também receberem a importância. Nesse contexto, é indevida a incidência da contribuição previdenciária sobre as importâncias recebidas a título de "abono único" previstas na cláusula acima referida. (...) (grifou se) (STJ, REsp 819.552/BA, 1. Turma, Rel. Min. Luiz Fux, Rel. p/ ac Teori Albino Zavascki, DJe 18/5/2009) Percebese então que pelo julgado acima um dos elementos a serem analisados para não inclusão do abono no saláriodecontribuição é que o valor a ser pago seja o mesmo para todos os empregados e que seja recebido por todos, o que lhe retiraria o caráter contraprestacional. No caso sob apreciação, observase que apesar da parcela ser paga apenas uma vez, não havia isonomia para todos os trabalhadores, sendo certo que parte deles recebiam Fl. 193DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/03 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA Processo nº 14041.000055/200994 Acórdão n.º 2401003.919 S2C4T1 Fl. 189 11 a verba em proporção ao seu salário. Assim, é de se concluir que o "Abono Salarial" deve ser tratado como verba contraprestativa, posto que vinculado ao salário. Vêse, portanto, que o Ato Declaratório PFN n. 16/2011 não é aplicável a situação sob análise, haja vista que o abono era um adiantamento salarial com vinculação ao patamar remuneratório, pelo menos para parte dos empregados. Juros SELIC Quanto ao pedido para redução dos juros, não pode ser atendido. A aplicação da taxa Selic é matéria que já se encontra sumulada nesse Tribunal Administrativo, nos termos da Súmula CARF n. 04: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Nesse sentido, sendo a Súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF, nos temos do “caput” do art. 72 do Regimento Interno do CARF1., não pode esse colegiado afastar a utilização da taxa de juros aplicada às contribuições lançadas no presente lançamento. Por outro lado, o Superior Tribunal de Justiça – STJ, decidiu com base na sistemática dos recursos repetitivos (art. 543C do CPC) que é legítima a aplicação da taxa SELIC aos débitos tributários, o que faz com que essa discussão tornese, até certo ponto, desnecessária. Eis a ementa do julgado: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL SUBMETIDO À SISTEMÁTICA PREVISTA NO ART. 543C DO CPC. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. NÃOOCORRÊNCIA. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. JUROS DE MORA PELA TAXA SELIC. ART. 39, § 4º, DA LEI 9.250/95. PRECEDENTES DESTA CORTE. 1. Não viola o art. 535 do CPC, tampouco nega a prestação jurisdicional, o acórdão que adota fundamentação suficiente para decidir de modo integral a controvérsia. 2. Aplicase a taxa SELIC, a partir de 1º.1.1996, na atualização monetária do indébito tributário, não podendo ser cumulada, porém, com qualquer outro índice, seja de juros ou atualização monetária. 3. Se os pagamentos foram efetuados após 1º.1.1996, o termo inicial para a incidência do acréscimo será o do pagamento indevido; no entanto, havendo pagamentos indevidos anteriores à data de vigência da Lei 9.250/95, a incidência da taxa SELIC 1 Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. (...) Fl. 194DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/03 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA 12 terá como termo a quo a data de vigência do diploma legal em tela, ou seja, janeiro de 1996. Esse entendimento prevaleceu na Primeira Seção desta Corte por ocasião do julgamento dos EREsps 291.257/SC, 399.497/SC e 425.709/SC. 4. Recurso especial parcialmente provido. Acórdão sujeito à sistemática prevista no art. 543C do CPC, c/c a Resolução 8/2008 Presidência/STJ. (REsp 1111175 / SP, Relatora Ministra Denise Arruda, DJe. 01/07/2009) Não devemos acolher, portanto, o requerimento para redução dos juros incidentes sobre as contribuições devidas. Conclusão Voto por negar provimento ao recurso. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 195DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/03 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 13971.004353/2009-90
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Apr 10 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2007 a 30/11/2008
Autos de Infração sob N° 37.227.221-5
Consolidados em 03/11/2009
CONCOMITÂNCIA.
Havendo nos autos prova inequívoco de que o Recurso Voluntário trata de mesma matéria que se discute no Judiciário através de mandado de segurança, há de se reconhecer a concomitância, sendo matéria sumulada por esta Corte.
No caso em tela a Recorrente procurou a Justiça Federal de Santa Catarina para que a Instituição se abstenha de cobrar os valores lançados no auto de infração lançado neste processo.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 2301-004.319
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado: I) Por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
MARCELO OLIVEIRA Presidente
(assinado digitalmente)
WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA Relator
(assinado digitalmente)
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marcelo Oliveira (Presidente), Daniel Melo Mendes Bezerra, Cleberson Alex Friess, Natanael Vieira dos Santos, Manoel Coelho Arruda Junior e Wilson Antonio de Souza Corrêa.
Nome do relator: WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA
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Havendo nos autos prova inequívoco de que o Recurso Voluntário trata de mesma matéria que se discute no Judiciário através de mandado de segurança, há de se reconhecer a concomitância, sendo matéria sumulada por esta Corte. No caso em tela a Recorrente procurou a Justiça Federal de Santa Catarina para que a Instituição se abstenha de cobrar os valores lançados no auto de infração lançado neste processo. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado: I) Por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. MARCELO OLIVEIRA – Presidente (assinado digitalmente) WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA – Relator (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 43 53 /2 00 9- 90 Fl. 177DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marcelo Oliveira (Presidente), Daniel Melo Mendes Bezerra, Cleberson Alex Friess, Natanael Vieira dos Santos, Manoel Coelho Arruda Junior e Wilson Antonio de Souza Corrêa. Fl. 178DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA Processo nº 13971.004353/200990 Acórdão n.º 2301004.319 S2C3T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Auto de Infração (AI) DEBCAD n° 37.227.2215, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, que tiveram como fatos geradores as remunerações pagas aos segurados empregados e a contribuintes individuais, declaradas em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), conforme Relatório Fiscal de fl. 27, nas competências 01/2006 a 12/2007. Os lançamentos compreendem a parte da empresa e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa (SAT/RAT), conforme descrito no Demonstrativo Analítico de Débito (DAD) de fls. 512 e Relatório Fiscal. Segundo o Relatório Fiscal a Recorrente declarou as contribuições no código FPAS 639 sem ter requerido a isenção de contribuições previdenciárias junto a Receita Federal do Brasil. Aduz que a mesma possui o CEBAS, mas não tem o Ato Declaratório de Isenção, e por isso deveria ter enviado as GFIP com o código FPAS 515 e constituído as contribuições da cota patronal e de outras entidades e fundos. Devidamente noticiada do lançamento, apressouse em impugnar, com suas razões, cujas quais não foram suficientes para modificarem o lançamento. Em 14 de abril de 2010 tomou ciência da decisão de piso e no dia 10 de maio do mesmo ano aviou o presente remédio recursivo alegando: (i) que foi instituída pela Lei Municipal de Blumenau, n° 2.056, de 10 de dezembro de 1974. (ii) que possui título de utilidade pública estadual (Lei Estadual de Santa Catarina, n° 6345, de 11 de junho de 1984 e federal (Decreto n° 94.364, de 22 de maio de 1987), (iii) que preenche todos os requisitos (art. 14, do CTN) exigidos, (iv) que recebeu o Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos do Conselho Nacional de Assistência Social CNAS, através da Resolução n° 160, de 25 de junho de 1999, válido entre os anos de 1999 a 2002. Para o período de 2002 a 2005, a impugnante protocolou pedido em 2002, tendo sido deferido em 17 de novembro de 2005, Resolução n° 196. Também foi requerido para o período de 2005 a 2008 e para 2008 a 2011. Todos os pedidos foram deferidos com base na Medida Provisória n° 446, de 07 de novembro de 2008, (v) que cumpre todos os requisitos previstos no art. 55 da Lei n° 8.212/91 e (vi) requer o reconhecimento da imunidade prevista no art. 195, § 7o, da CF, para determinar a anulação e o arquivamento do presente auto de infração. É a síntese do necessário. Fl. 179DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA 4 Voto Conselheiro WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA – Relator O presente Recurso Voluntário não acode os pressupostos de admissibilidade, eis que concomitante é o mesmo com ação judicial, havendo renuncia do processo administrativo, razão pela qual, desde já, dele NÃO conheço. Passo para análise da razão. DO DIREITO A IMUNIDADE CONCOMITÂNCIA DISCUSSÃO JUDICIAL No que tange à incidência da contribuição previdenciária, entendeu a Fiscalização que constituem fatos geradores as remunerações pagas e/ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes, discriminadas em folha de pagamento, declaradas, em guia de recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações a Previdência Social no código FPAS 639 sem ter requerido a isenção de contribuições previdenciárias junto a Recita Federal do Brasil. E em contra partida alega a Recorrente de que seria entidade beneficente de assistência social e cumpriu todos os requisitos legais devendo ser reconhecida a sua imunidade prevista no art. 195, § 7o, da CF. A discussão a propósito cinge se no fato de terem ou não terem sido cumpridos os requisitos legais que autorizam a imunidade prevista no art. 195, § 7o, da CF, que é exatamente a matéria objeto da Ação Ordinária de n° 500093218.2010.404.7205, perante o Juízo Federal de Santa Catarina, com pedido de antecipação de tutela para 'determinar a suspensão da exigibilidade dos Autos de Infração representados pelos números DEBECAD n°37.227.2185 e DEBECAD n°37.227.2207 e determinado ao requerido que abstenha de impor qualquer sanções referente a estas Notificações, onde se pleiteia que seja reconhecida o status de entidade filantrópica beneficente de assistência social, por isto, deve gozar da imunidade constitucional do art. 195, § 7o da CRFB/88, cujos requisitos estão apregoados no art. 14 do CTN, bem como, pela previsão à época do art. 55 da Lei 8.212/91, motivo pelo qual devem ser anuladas ambos os Autos de Infração. Na esteira desse entendimento, torna se defeso a este Colegiado se manifestar a propósito das razões de fato e de direito suscitadas pela contribuinte opondo se a exigência de aludida contribuição, uma vez que tais questões encontram se sob a tutela do Poder Judiciário em processo judicial próprio/específico. Aliás, o Regimento Interno do Conselho Administrativo Fiscal – CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, em seu artigo 78, § 2º, prescreve que a propositura de ação judicial contemplando a mesma matéria submetida a análise deste Colendo Tribunal, representa desistência do recurso administrativo, determinante, portanto, ao não conhecimento da peça recursal, senão vejamos: “Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 1º A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. § 2º O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso.” CONCLUSÃO Diante do exposto, não conheço das alegações do Recurso Voluntário, haja vista que há concomitância do presente recurso com ação judicial. Fl. 180DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA Processo nº 13971.004353/200990 Acórdão n.º 2301004.319 S2C3T1 Fl. 4 5 É como eu voto. WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA Relator (assinado digitalmente) Fl. 181DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA
score : 1.0
Numero do processo: 10875.000934/00-80
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Período de apuração: 01/08/1991 a 30/06/1992
Data do pedido: 15/03/2000
CONTRIBUIÇÃO PARA O FUNDO DE INVESTIMENTO SOCIAL. FINSOCIAL. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. DIES A QUO E PRAZO PARA EXERCÍCIO DO DIREITO. ARTIGO 62-A, DO REGIMENTO INTERNO DO CARF.
O CARF está vinculado às decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF e STJ, na sistemática prevista nos artigos 543-B e 543-C, do CPC (art. 62-A do RICARF). Assim, conforme entendimento firmado pelo STF no RE nº 566.621, bem como aquele esposado pelo STJ no REsp nº 1.002.932, para os pedidos de restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação, como no caso em tela, formalizados antes da vigência da Lei Complementar nº 118, de 2005, ou seja, antes de 09/06/2005, o prazo para o contribuinte pleitear restituição/compensação é de cinco anos, conforme o artigo 150, § 4º, do CTN, somado ao prazo de cinco anos, previsto no artigo 168, I, desse mesmo código.
SÚMULA CARF Nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador.
Recurso Extraordinário Negado
Numero da decisão: 9900-000.913
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
OTACÍLIO DANTAS CARTAXO - Presidente.
(assinado digitalmente)
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Relatora.
EDITADO EM: 29/12/2014
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Antônio Carlos Guidoni Filho, Rafael Vidal de Araújo, João Carlos de Lima Júnior, Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Júnior, Elias Sampaio Freire, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Joel Miyasaki, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Antônio Lisboa Cardoso (convocado em substituição à Conselheira Susy Gomes Hoffman), Paulo Cortez (convocado em substituição à conselheira Karem Jureidini Dias) e Júlio César Alves Ramos (convocado para ocupar o lugar do Presidente da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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ementa_s : Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Período de apuração: 01/08/1991 a 30/06/1992 Data do pedido: 15/03/2000 CONTRIBUIÇÃO PARA O FUNDO DE INVESTIMENTO SOCIAL. FINSOCIAL. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. DIES A QUO E PRAZO PARA EXERCÍCIO DO DIREITO. ARTIGO 62-A, DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. O CARF está vinculado às decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF e STJ, na sistemática prevista nos artigos 543-B e 543-C, do CPC (art. 62-A do RICARF). Assim, conforme entendimento firmado pelo STF no RE nº 566.621, bem como aquele esposado pelo STJ no REsp nº 1.002.932, para os pedidos de restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação, como no caso em tela, formalizados antes da vigência da Lei Complementar nº 118, de 2005, ou seja, antes de 09/06/2005, o prazo para o contribuinte pleitear restituição/compensação é de cinco anos, conforme o artigo 150, § 4º, do CTN, somado ao prazo de cinco anos, previsto no artigo 168, I, desse mesmo código. SÚMULA CARF Nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Recurso Extraordinário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO - Presidente. (assinado digitalmente) MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Relatora. EDITADO EM: 29/12/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Antônio Carlos Guidoni Filho, Rafael Vidal de Araújo, João Carlos de Lima Júnior, Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Júnior, Elias Sampaio Freire, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Joel Miyasaki, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Antônio Lisboa Cardoso (convocado em substituição à Conselheira Susy Gomes Hoffman), Paulo Cortez (convocado em substituição à conselheira Karem Jureidini Dias) e Júlio César Alves Ramos (convocado para ocupar o lugar do Presidente da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF).
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FINSOCIAL. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. DIES A QUO E PRAZO PARA EXERCÍCIO DO DIREITO. ARTIGO 62A, DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. O CARF está vinculado às decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF e STJ, na sistemática prevista nos artigos 543B e 543C, do CPC (art. 62A do RICARF). Assim, conforme entendimento firmado pelo STF no RE nº 566.621, bem como aquele esposado pelo STJ no REsp nº 1.002.932, para os pedidos de restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação, como no caso em tela, formalizados antes da vigência da Lei Complementar nº 118, de 2005, ou seja, antes de 09/06/2005, o prazo para o contribuinte pleitear restituição/compensação é de cinco anos, conforme o artigo 150, § 4º, do CTN, somado ao prazo de cinco anos, previsto no artigo 168, I, desse mesmo código. SÚMULA CARF Nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Recurso Extraordinário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 00 09 34 /0 0- 80 Fl. 316DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 29/1 2/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANTAS CARTA XO 2 (assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente. (assinado digitalmente) MARIA HELENA COTTA CARDOZO Relatora. EDITADO EM: 29/12/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Antônio Carlos Guidoni Filho, Rafael Vidal de Araújo, João Carlos de Lima Júnior, Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Júnior, Elias Sampaio Freire, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Joel Miyasaki, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Antônio Lisboa Cardoso (convocado em substituição à Conselheira Susy Gomes Hoffman), Paulo Cortez (convocado em substituição à conselheira Karem Jureidini Dias) e Júlio César Alves Ramos (convocado para ocupar o lugar do Presidente da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF). Relatório Tratase de Pedido de Restituição/Compensação de Contribuições para o Fundo de Investimento Social – Finsocial, relativas aos períodos de apuração de 01/08/1991 a 30/06/1992, tendo em vista a declaração de inconstitucionalidade da majoração da alíquota prevista na Lei nº 7.689, de 1988. O pedido foi formalizado em 15/03/2000. Em sessão plenária de 17/06/2008, a Câmara Superior de Recursos Fiscais julgou o Recurso Especial nº 303131.198, interposto pela Fazenda Nacional, proferindose a decisão consubstanciada no Acórdão nº 0305.834 (fls. 232 a 237), assim ementado: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/08/1991 a 30/06/1992 Pedido de Restituição: 15/03/00 FINSOCIAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO O direito de se pleitear o reconhecimento de crédito com o conseqüente pedido de restituição/compensação, perante a autoridade administrativa, de tributo pago em virtude de lei que tenha sido declarada inconstitucional, somente surge com a declaração de inconstitucionalidade pelo STF, em ação direta, ou com a suspensão, pelo Senado Federal, da lei declarada inconstitucional, na via indireta.Por esta via, o termo a quo para o pedido de restituição começa a contar da data da publicação Fl. 317DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 29/1 2/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANTAS CARTA XO Processo nº 10875.000934/0080 Acórdão n.º 9900000.913 CSRFPL Fl. 317 3 da MP n°. 1.110 em 31/08/95 p. 013397, posto que foi o primeiro ato emanado do Poder Executivo a reconhecer o caráter indevido do recolhimento do Finsocial à alíquota superior a 0,5%. PRECEDENTES: AC. CSRF/0304.227, 301 31.406, 30131404 e 30131.321. Recurso especial negado.” Cientificada do acórdão em 28/08/2009 (fls. 239), a Fazenda Nacional interpôs, na mesma data, o Recurso Extraordinário de fls. 241 a 263, visando a revisão do julgado pelo Pleno. O recurso está fundamentado no artigo 9º, c/c art. 43, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 2007, c/c o art. 4º, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009. Como paradigma, foi indicado o acórdão CSRF 0400.810, colacionandose os seguintes trechos: “PEDIDO DE RESTITUIÇÃO – ILL – O direito de pleitear a restituição de tributo indevido, pago espontaneamente, perece com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data de extinção do crédito tributário, sendo irrelevante que o indébito tenha por fundamento inconstitucionalidade ou simples erro (art. 165, incisos I e II , e 168, inciso I, do CTN, e entendimento do Superior Tribunal de Justiça). Recurso Especial do Procurador Provido” “Tal tese não deixa de constituir argumentação coerente, tanto assim que chegou a encontrar abrigo no próprio Superior Tribunal de Justiça. Não obstante, analisandose mais detidamente a matéria, chegase à conclusão de que a argumentação é desprovida de fundamento legal, de sorte que abraçála equivaleria à criação de nova hipótese de dias a quo para a decadência, totalmente à revelia do CTN e, conseqüentemente, da Constituição Federal. Ademais, a interpretação outrora abraçada pelo STJ conduz à seguinte ponderação: uma vez que a ADIn — Ação Direta de Inconstitucionalidade pode ser ajuizada a qualquer tempo, e tendo em vista a discricionariedade do Senado Federal para editar Resoluções, o STJ teria inaugurado hipótese de imprescritibilidade no Direito Tributário, o que não está previsto nem mesmo na Constituição Federal, salvo no âmbito do Direito Penal, relativamente à pretensão punitiva do Estado quanto à prática de racismo e à ação de grupos armados, civis ou militares, contra a ordem constitucional e o Estado Democrático (art. 5°, inciso XLII e XLIV). Por esse motivo, o entendimento do STJ já foi revisto, no sentido de prestigiar o dies a quo assinalado no CTN, conectado não à declaração de inconstitucionalidade do STF ou à Resolução do Senado Federal, mas sim à data de extinção do crédito tributário objeto do pedido de restituição." Fl. 318DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 29/1 2/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANTAS CARTA XO 4 Ao Recurso Extraordinário foi dado seguimento, conforme o Despacho nº 910000.081, de 14/01/2011 (fls. 275). Em seu Recurso Extraordinário, a Fazenda Nacional requer, em síntese, a declaração de decadência do direito à restituição do Finsocial, uma vez que o pedido foi formalizado quando já havia expirado o prazo de cinco anos, contados da data de cada pagamento indevido eventualmente comprovado. Cientificado do Recurso Extraordinário da Fazenda Nacional em 06/04/2011 (fls. 284/285), o Contribuinte ofereceu, em 20/04/2011, as Contrarrazões de fls. 286 a 297, tecendo argumentos acerca da decadência e da sistemática de apuração do PIS. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Inicialmente, registrese que o Recurso Extraordinário não está previsto no atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009. Entretanto, como no presente caso o acórdão recorrido foi prolatado antes de 30/06/2009, o Recurso Extraordinário deve ser processado de acordo com o rito previsto no antigo Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 2007, nos termos do artigo 4º, do RICARF. O Recurso Extraordinário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. As Contrarrazões abordam a sistemática de apuração do PIS, matéria estranha ao presente processo e, quanto à decadência, reiteram os argumentos do acórdão recorrido. Tratase de Pedido de Restituição/Compensação de Contribuições para o Fundo de Investimento Social – Finsocial, relativas aos períodos de apuração de 01/08/1991 a 30/06/1992, tendo em vista a declaração de inconstitucionalidade da majoração da alíquota prevista na Lei nº 7.689, de 1988. O pedido foi formalizado em 15/03/2000. A divergência entre os acórdãos recorrido e paradigma cingese, basicamente, à fixação da data inicial para a contagem do prazo para o Contribuinte pleitear restituição/compensação. No acórdão recorrido, aplicase o prazo de cinco anos, contados de 31/08/1995, data da publicação da Medida Provisória 1.110, de 30/08/1995. A Fazenda Nacional, por sua vez, pede que seja aplicado o prazo de cinco anos, contados da data dos pagamentos indevidos. Conforme o artigo 62A, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, esta Corte Administrativa deve reproduzir as decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF e STJ, na sistemática prevista nos artigos 543B e 543C, do CPC. No que tange ao objeto do presente recurso, houve pronunciamento do STF no julgamento do RE nº 566.621, bem como do STJ no julgamento do REsp nº 1.002.932, com efeito repetitivo, ao qual o CARF deve se curvar, conforme expressa disposição regimental. Fl. 319DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 29/1 2/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANTAS CARTA XO Processo nº 10875.000934/0080 Acórdão n.º 9900000.913 CSRFPL Fl. 318 5 O entendimento exarado pelas Cortes Superiores é no sentido de que o prazo para o contribuinte pleitear restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação, como no caso, para os pedidos protocolados antes da vigência da Lei Complementar 118, de 2005, ou seja, antes de 09/06/2005, é de cinco anos, conforme o artigo 150, § 4º, do CTN, somado ao prazo de cinco anos, previsto no artigo 168, I, desse mesmo código. O acórdão do Supremo Tribunal Federal restou assim ementado: “DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO –VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastando se as aplicações inconstitucionais e resguardando se, no mais, a eficácia da norma, permite se a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Fl. 320DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 29/1 2/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANTAS CARTA XO 6 Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/05, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerando se válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, §3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido.” O entendimento acima foi inclusive sumulado, conforme a seguir: Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Em síntese, os contribuintes teriam o prazo de dez anos, a contar do fato gerador, para pleitear a restituição/compensação. Assim, no caso em apreço, como o Contribuinte protocolou seu pedido em 15/03/2000, e os pagamentos objeto do pedido se referem a fatos geradores ocorridos de 01/08/1991 a 30/06/1992, concluise que todos os valores são passíveis de restituição/compensação. Diante do exposto, NEGO provimento ao Recurso Extraordinário, interposto pela Fazenda Nacional, determinando o retorno dos autos à Autoridade Administrativa, para exame das demais questões objeto do pedido. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Fl. 321DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 29/1 2/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANTAS CARTA XO
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Numero do processo: 11065.722843/2012-74
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 27 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2011
FRAUDE/SONEGAÇÃO/CONLUIO. MULTA QUALIFICADA. CABIMENTO.
É cabível a aplicação da multa de ofício de cento e cinquenta por cento sobre os tributos a recolher, apurados quando a falta for decorrente de fraude/sonegação/conluio devidamente demonstrada.
VALORAÇÃO ADUANEIRA. FRAUDE.. ARBITRAMENTO. CRITÉRIOS RAZOÁVEIS. INOBSERVÂNCIA.
Nos casos de fraude, sonegação e conluio, quando o preço real praticado não puder ser identificado, a Autoridade Aduaneira deverá arbitrar o preço da mercadoria importada, seguindo os critérios apontados nos incisos I e II do artigo 88 da Medida Provisória n° 2.158-35, com observância ao princípio da razoabilidade. A inobservância de critérios razoáveis, como a utilização de percentual médio de subfaturamento praticado em outras importações, não autoriza o arbitramento do preço da mercadoria importada.
Numero da decisão: 3101-001.795
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir a exação referente às Declarações de Importação enumeradas na parte dispositiva do acórdão.. Fez sustentação oral o Dr. Carlos Alberto de Souza Junior OAB/SC nº 12.294, advogado do sujeito passivo.
Henrique Pinheiro Torres - Presidente
Rodrigo Mineiro Fernandes Relator.
EDITADO EM: 21/02/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, José Henrique Mauri, Demes Brito, José Mauricio Carvalho Abreu e Henrique Pinheiro Torres.
Nome do relator: RODRIGO MINEIRO FERNANDES
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2011 FRAUDE/SONEGAÇÃO/CONLUIO. MULTA QUALIFICADA. CABIMENTO. É cabível a aplicação da multa de ofício de cento e cinquenta por cento sobre os tributos a recolher, apurados quando a falta for decorrente de fraude/sonegação/conluio devidamente demonstrada. VALORAÇÃO ADUANEIRA. FRAUDE.. ARBITRAMENTO. CRITÉRIOS RAZOÁVEIS. INOBSERVÂNCIA. Nos casos de fraude, sonegação e conluio, quando o preço real praticado não puder ser identificado, a Autoridade Aduaneira deverá arbitrar o preço da mercadoria importada, seguindo os critérios apontados nos incisos I e II do artigo 88 da Medida Provisória n° 2.158-35, com observância ao princípio da razoabilidade. A inobservância de critérios razoáveis, como a utilização de percentual médio de subfaturamento praticado em outras importações, não autoriza o arbitramento do preço da mercadoria importada.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir a exação referente às Declarações de Importação enumeradas na parte dispositiva do acórdão.. Fez sustentação oral o Dr. Carlos Alberto de Souza Junior OAB/SC nº 12.294, advogado do sujeito passivo. Henrique Pinheiro Torres - Presidente Rodrigo Mineiro Fernandes Relator. EDITADO EM: 21/02/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, José Henrique Mauri, Demes Brito, José Mauricio Carvalho Abreu e Henrique Pinheiro Torres.
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E COM. DE PEÇAS PARA MÁQUINAS DE COSTURA LTDA E OUTROS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2011 PRELIMINAR DE NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO AO CONTRADITÓRIO E À AMPLA DEFESA. INOCORRÊNCIA. Rejeitase a preliminar de nulidade do lançamento invocada com base em cerceamento do direito de defesa, porquanto ao sujeito passivo foi lhe dado tomar conhecimento do inteiro teor das infrações que lhe são imputadas, possibilitando o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa. Concedida ao sujeito passivo a ampla oportunidade de apresentar suas alegações e esclarecimentos, tanto no decurso do procedimento fiscal como na fase impugnatória, não há que se falar em cerceamento da direito defesa. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2011 VALORAÇÃO ADUANEIRA. DESCONSIDERAÇÃO DO VALOR DECLARADO Nos casos de fraude, sonegação e conluio, a Autoridade Aduaneira, para identificar a base de cálculo dos tributos incidentes na importação, deverá desconsiderar o valor declarado e apurar o preço efetivamente praticado na operação comercial. VALORAÇÃO ADUANEIRA. FRAUDE.. ARBITRAMENTO. CRITÉRIOS RAZOÁVEIS. INOBSERVÂNCIA. Nos casos de fraude, sonegação e conluio, quando o preço real praticado não puder ser identificado, a Autoridade Aduaneira deverá arbitrar o preço da mercadoria importada, seguindo os critérios apontados nos incisos I e II do artigo 88 da Medida Provisória n° 2.15835, com observância ao princípio da razoabilidade. A inobservância de critérios razoáveis, como a utilização de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 72 28 43 /2 01 2- 74 Fl. 1045DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/02 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 2 percentual médio de subfaturamento praticado em outras importações, não autoriza o arbitramento do preço da mercadoria importada. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2011 FRAUDE/SONEGAÇÃO/CONLUIO. MULTA QUALIFICADA. CABIMENTO. É cabível a aplicação da multa de ofício de cento e cinquenta por cento sobre os tributos a recolher, apurados quando a falta for decorrente de fraude/sonegação/conluio devidamente demonstrada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir a exação referente às Declarações de Importação enumeradas na parte dispositiva do acórdão.. Fez sustentação oral o Dr. Carlos Alberto de Souza Junior OAB/SC nº 12.294, advogado do sujeito passivo. Henrique Pinheiro Torres Presidente Rodrigo Mineiro Fernandes – Relator. EDITADO EM: 21/02/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, José Henrique Mauri, Demes Brito, José Mauricio Carvalho Abreu e Henrique Pinheiro Torres. Relatório Trata o presente processo de lançamento de diferença de imposto de importação, IPI, PIS/Importação e COFINS/Importação, acrescidos de multa de ofício de 150% e juros moratórios, e multa administrativa de 100% da diferença entre o valor apurado ou arbitrado e o valor declarado. Conforme exposto no Relatório Fiscal (fls. 412 a 485), o procedimento fiscal, dentro da denominada Operação Heráclidas, foi instaurado com o objetivo de apurar a veracidade das informações prestadas pelo contribuinte quando do registro de suas Declarações de Importação (DI’s), especificamente no que diz respeito ao valor aduaneiro declarado. Foram efetuadas diligências amparadas em mandados judiciais, no endereço da LAUTHER e na empresa COTRI LOGÍSTICA E COMÉRCIO EXTERIOR LTDA, também identificada como participante em esquema de subfaturamento, atuando como intermediária das operações de Fl. 1046DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/02 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 11065.722843/201274 Acórdão n.º 3101001.795 S3C1T1 Fl. 4 3 importação da LAUTHER. Nos dois endereços foram retidos documentos e copiados arquivos magnéticos. Após a análise dos elementos disponíveis, a autoridade fiscal verificou que a empresa LAUTHER utilizavase da prática do subfaturamento quando do registro de suas declarações de importação, utilizandose de faturas ideologicamente falsas. Foram arrolados como responsáveis solidários pelo crédito tributário lançado, em virtude da caracterização das situações fáticas previstas no CTN, artigos 124, inciso I, e 135, inciso III, as seguintes pessoas físcas: ALTAIR LAUTHART, CPF 745.736.08087, sócioadministrador; MARILENE LAUTHART, CPF 660.336.32087, sócia; e LUIS EVANIR LAUTHART, CPF 453.893.73049, gerente de fato. Regulamente cientificado da lavratura dos autos de infração, a empresa LAUTHER apresentou impugnação com as seguintes alegações, em síntese: (i) nulidade do auto de infração por desrespeito ao Princípio Constitucional do direito ao contraditório e à ampla defesa; (ii) inexistência do rito processual a ser seguido para descaracterização do valor aduaneiro; (iii) inexistência de prova do alegado subfaturamento; (iv) ocorrência de “bis in idem”. Requereu, de forma subsidiária, que seja aplicada a penalidade fixada na diferença de tributos apurados, acrescidos da multa administrativa de 100% sobre tal valor, excluindo, assim, a abusiva multa de ofício fixada em 150%. Os responsáveis solidários apresentaram impugnação alegando que a imputação de responsabilidade seria matéria de execução fiscal, privativa da PGFN, com sua legalidade apurada no Poder Judiciário e não por órgão administrativo. A 5ª turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza proferiu o Acórdão nº 0828.579, referente a sessão de julgamento ocorrida em 07 de fevereiro de 2014, na qual julgou, por maioria de votos, improcedentes as impugnações. O referido acórdão recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2011 SUSTENTAÇÃO ORAL. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. DESCABIMENTO. É descabido o pedido de sustentação oral no âmbito das Delegacias de Julgamento da RFB por ausência de previsão legal, sendo esse procedimento admitido apenas nas instâncias seguintes do julgamento administrativo. REQUERIMENTO GENÉRICO PELA POSTERIOR PRODUÇÃO DE PROVAS. INDEFERIMENTO. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de trazêla noutro momento processual, salvo nas hipóteses excepcionais previstas na legislação regente. Em se tratando de processo em que haja crédito tributário sendo questionado o suporte legal a ser considerado é o Decreto nº 70.235/72 que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, devendo a Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 ser aplicada apenas subsidiariamente. Fl. 1047DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/02 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 4 PRELIMINAR DE NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO AO CONTRADITÓRIO E À AMPLA DEFESA. INOCORRÊNCIA. Rejeitase a preliminar de nulidade do lançamento invocada com base em cerceamento do direito de defesa, porquanto ao sujeito passivo foi lhe dado tomar conhecimento do inteiro teor das infrações que lhe são imputadas, possibilitando o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa. Concedida ao sujeito passivo a ampla oportunidade de apresentar suas alegações e esclarecimentos, tanto no decurso do procedimento fiscal como na fase impugnatória, não há que se falar em cerceamento da direito defesa. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2011 FRAUDE/SONEGAÇÃO/CONLUIO. MULTA QUALIFICADA. CABIMENTO. É cabível a aplicação da multa de ofício de cento e cinquenta por cento sobre os tributos a recolher, apurados quando a falta for decorrente de fraude/sonegação/conluio devidamente demonstrada. SOLIDARIEDADE PASSIVA. INTERESSE COMUM. OCORRÊNCIA. São solidariamente obrigadas as pessoas que, por suas condutas, demonstrem ter concorrido para a infração ou tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2011 FRAUDE/CONLUIO/SONEGAÇÃO. ARBITRAMENTO. CRITÉRIOS RAZOÁVEIS. Caracterizada a ocorrência de fraude, conluio ou sonegação a autoridade aduaneira pode se valer do arbitramento, para determinação do valor aduaneiro, desde que, amparada em critérios razoáveis. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Regularmente cientificadas do Acórdão da DRJ Fortaleza, as interessadas LAUTHER e MARILENE LAUTHART, interpuseram seus Recurso Voluntário, onde repisam os argumentos trazidos em suas impugnações. O processo foi encaminhado a esta Seção de Julgamento e posteriormente distribuído a este Conselheiro. É o relatório. Voto Fl. 1048DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/02 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 11065.722843/201274 Acórdão n.º 3101001.795 S3C1T1 Fl. 5 5 Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, Relator Os recursos voluntários são tempestivos e, considerando o preenchimento dos requisitos de sua admissibilidade, merecem ser apreciados. O lançamento diz respeito à diferença de imposto de importação, IPI, PIS/Importação e COFINS/Importação, acrescidos de multa de ofício de 150%, pela caracterização de fraude, juros moratórios. Também foi lançada, pela alegada ocorrência de subfaturamento, da penalidade prevista no parágrafo único do artigo 88 da MP 2.15835/01, de 100% (cem por cento) sobre a diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado na importação ou entre o preço declarado e o preço arbitrado. Procedemos à análise das alegações da recorrente. Da Nulidade por cerceamento do direito de defesa Alega a recorrente que houve cerceamento do seu direito de defesa quando a fiscalização não proporcionou os meios e prazos adequados para a produção de sua defesa, utilizandose de simples indícios e de raciocínio intuitivo para concluir pelo subfaturamento. Não assiste razão à recorrente. Constam dos presentes autos que a recorrente foi devidamente cientificada da lavratura dos autos de infração, com toda a descrição fática apurada pela autoridade fiscal, os elementos de provas colhidos, o direito aplicável, com a descrição minuciosa da infração e das penalidades aplicadas. Não procede a alegação da recorrente de que teve seu direito de defesa cerceado. A própria peça impugnatória e o posterior recurso voluntário é prova disso. Tratam se de peças bem escritas, onde o subscritor apresenta total conhecimento dos fatos a ela imputados, os elementos de prova carreado aos autos e o direito aplicado. Também foi posto à disposição da recorrente o pleno acesso a todos os elementos dos autos, não cabendo aqui a alegação de cerceamento de seu direito de defesa. Quanto ao cerceamento de defesa na fase inquisitória, a jurisprudência deste Conselho rejeita os argumentos da então impugnante. Entendemos que, no âmbito do processo administrativo tributário, a auditoriafiscal seria a fase inquisitorial, antecedente à fase contenciosa do procedimento, e não é regida pelo princípio do contraditório e da ampla defesa. Tratase de uma fase destinada à investigação, à colheita de informações e de elementos de prova para a formação da convicção da autoridade fiscal a respeito da ocorrência, ou não, do fato gerador do tributo e de infrações porventura existentes. O encerramento desta fase com a lavratura do auto de infração, propicia, com a ciência do contribuinte, a fase contenciosa, esta sim plenamente regida pelo princípio do contraditório e da ampla defesa, ou de modo mais amplo, do devido processo legal. Fl. 1049DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/02 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 6 A própria súmula CARF nº 46 aponta nessa direção, ao afirmar que o lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. No presente caso, a fiscalização detinha todos os elementos necessários à caracterização da fraude e do subfaturamento do preço, obtidos em mandado de busca e apreensão na "Operação Heráclidas", cujas provas foram regularmente utilizadas neste processo. Acrescentese que todo o direito de defesa foi concedido à recorrente, tanto na fase impugnatória, quanto na fase recursal. Se fosse de seu interesse e houvesse condição para tanto, a recorrente poderia ter trazido aos autos contraprova acerca dos fatos relatados, provas colhidas e depoimentos prestados, o que não ocorreu. Dessa forma, rejeito a preliminar de nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa. Do mérito A questão meritória dos presentes autos é a ocorrência de subfaturamento na importação e suas conseqüências tributárias e aduaneiras. A recorrente contesta a descaracterização dos preços praticados em suas importações e a valoração das mercadorias feita pela fiscalização. Passo a verificar o tipo infracional “subfaturamento” a partir do instituto da Valoração Aduaneira. Da Valoração Aduaneira O procedimento de valoração aduaneira é o método utilizado para quantificar a base de cálculo do imposto de importação, não apenas no procedimento fiscal de ofício efetuado pela fiscalização aduaneira, mas também pelo importador quando prepara e registra a sua declaração de importação. O artigo 2º do DecretoLei nº 37/66, com a redação dada pelo artigo 1º do DecretoLei no 2.472/88, determinou que a base de cálculo do Imposto de Importação, sendo advalorem a alíquota, é o Valor Aduaneiro definido no Artigo VII do Acordo Geral sobre Tarifas Aduaneiras e Comércio (GATT). Portanto, submeterse a um procedimento de valoração aduaneira é a regra para todas as operações de importação, para identificar o valor aduaneiro, quantificar a base de cálculo do Imposto de Importação (e como consequência dos demais tributos incidentes nas operações de importação) e calcular o montante devido do imposto. Para isso, devem ser conhecidos o Acordo de Valoração Aduaneira, seus princípios e regras de aplicação, e as situações de fato que tornam sua aplicação obrigatória ou dispensada. Dos Métodos de Valoração Aduaneira do AVAGATT O Acordo de Valoração Aduaneira expressamente determina os seis métodos de valoração, de aplicação sucessiva, sendo que os métodos substitutivos (segundo ao sexto método) somente são aplicados quando o método anterior revelarse inaplicável. O Artigo 1 do AVAGATT, que trata do Primeiro Método, determina que “o valor aduaneiro de mercadorias importadas será o valor de transação, isto é, o preço Fl. 1050DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/02 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 11065.722843/201274 Acórdão n.º 3101001.795 S3C1T1 Fl. 6 7 efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias, em uma venda para exportação para o país de importação, ajustado”. Sendo impossível a aplicação do 1° método, outros métodos deverão ser tentados, na ordem seqüencial obrigatória, a saber: 2º Método método do valor de transação de mercadorias idênticas; 3º Método método do valor de transação de mercadorias similares; 4º Método método do valor da revenda (ou do valor dedutivo); 5º Método método do custo de produção (ou do valor computado); 6º Método – método do último recurso (ou método pelo critério da razoabilidade). O sexto método, também conhecido como método dos critérios razoáveis ou do último recurso, merece sua transcrição integral. O Artigo 7 do AVAGATT dispõe que “se o valor aduaneiro das mercadorias importadas não puder ser determinado com base no disposto nos Artigos 1 a 6, inclusive, tal valor será determinado usandose critérios razoáveis, condizentes com os princípios e disposições gerais deste Acordo e com o Artigo VII do GATT 1994, e com base em dados disponíveis no país de importação.” Da Apuração do Valor Aduaneiro em Caso de Duvidas da Veracidade ou Exatidão do Valor Declarado Utilizandose da base de dados de valoração ou mesmo de outros instrumentos de análise de risco aduaneiro, a administração aduaneira constantemente vêse diante de situações nas quais tem dúvida da veracidade ou exatidão do valor declarado pelo importador, ou mesmo fortes indícios de fraude na operação de importação, como por exemplo na interposição fraudulenta, a qual também pode resultar em adulteração do valor aduaneiro. O AVAGATT, de acordo com seu Artigo 17, prevê que a fiscalização aduaneira necessita de meios para o combate à fraude de valor, assim dispondo: Artigo 17 Nenhuma disposição deste Acordo poderá ser interpretada como restrição ou questionamento dos direitos que têm as administrações aduaneiras de se assegurarem da veracidade ou exatidão de qualquer afirmação, documento ou declaração apresentada para fins de valoração aduaneira. O Comitê de Valoração Aduaneira, da Organização Mundial de Comércio (OMC), reconhecendo o poder da Administração Aduaneira em tratar de casos em que tenha motivo para duvidar da veracidade ou exatidão das informações ou dos documentos apresentados para justificar o valor declarado, considerando o disposto no Artigo 17 do AVA GATT, aprovou a Decisão 6.11 em sua reunião de 12 de maio de 1995, que assim dispõe: Quando tiver sido apresentada uma declaração e a Administração Aduaneira tiver motivo para duvidar da veracidade ou exatidão das informações ou dos documentos apresentados para justificar essa declaração, a Administração Aduaneira poderá solicitar ao importador o fornecimento de uma explicação adicional, bem assim documentos ou outras provas, de que o valor declarado representa o montante efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias importadas, ajustado em conformidade com as disposições do Artigo 8. Se, após o recebimento de informação adicional, ou na falta de resposta, a 1 Publicados no anexo à IN SRF nº 318/2003 Fl. 1051DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/02 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 8 Administração Aduaneira ainda tiver dúvidas razoáveis sobre a veracidade ou exatidão do valor declarado, poderá decidir, tendo em conta as disposições do Artigo 11, que o valor aduaneiro das mercadorias importadas não pode ser determinado com base nas disposições do Artigo 1. Antes de tomar uma decisão definitiva, a Administração Aduaneira comunicará ao importador, por escrito, quando solicitado, suas razões para duvidar da veracidade ou exatidão das informações ou dos documentos apresentados e lhe dará oportunidade razoável para responder. Quando for tomada uma decisão definitiva, a Administração Aduaneira comunicará ao importador, por escrito, os motivos que a embasaram. Na questão de dúvida da veracidade ou exatidão do valor declarado, a constatação da fraude (inclusive a fraude de valor) e seu combate tornase mais relevante para as Administrações Aduaneiras. MARCELO PIMENTEL DE CARVALHO assim tratou do tema da aplicação do AVAGATT na hipótese de fraude: Ademais, o AVA não se presta ao controle de operações fraudulentas, bem como pressupõe um agir lícito do importador, de sorte que devem os Estados desenvolver a legislação interna e preparar as autoridades aduaneiras para o combate à fraude em matéria aduaneira e, em especial, para o combate à fraude de valor. (CARVALHO, 2007, p.209) HELENO TORRES assim considerou, destacando que o Acordo de Valoração Aduaneira aplicase às operações lícitas: Apesar de pouco conhecida dos estudos doutrinários, a valoração aduaneira é instrumento dos mais sofisticados e aprimorados da técnica fiscal para os efeitos de controle da composição da base de cálculo dos tributos aduaneiros. Pressupõe ausência de agir ilícito do contribuinte (...). (TORRES, 2005, p.229) RAFAEL TIAGO JUK BENKE considera a possibilidade de atuação do poder público no estabelecimento de mecanismos de controles do valor aduaneiro nos casos de fraude: (...) a segunda (hipótese possível de problemas na valoração aduaneira), quando os preços são declarados mediante a prática de fraude, como exemplo, o caso do subfaturamento, no qual o importador de fato paga um determinado preço pelas mercadorias, mas somente declara à administração aduaneira parte dele, o que gera por um lado prejuízo ao Fisco, e por outro, um menor custo de importação ao importador, já que a base de cálculo é menor e assim será o valor do tributo a ser pago. O fato, porém, da determinação de prioridade da consideração do valor de transação não deve em nenhuma hipótese ser entendido como um impedimento para que a autoridade nacional estabeleça mecanismos de controle (...). (BENKE, 2003) CARVALHO assim complementa: Destarte, o AVA não coloca nenhum óbice a que os países regulem os procedimentos fiscais e respectivas penalidades aplicáveis em face da fraude quanto ao valor aduaneiro (emprego de documentos fraudulentos e prestação de declaração falsa quanto ao valor). (CARVALHO, 2007) Fl. 1052DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/02 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 11065.722843/201274 Acórdão n.º 3101001.795 S3C1T1 Fl. 7 9 Quanto à aceitação pela Administração Aduaneira dos valores declarados em operações fraudulentas, foram publicadas as seguintes Opiniões Consultivas do Comitê Técnico de Valoração da Organização Mundial de Aduanas, publicadas pela IN SRF n° 318/2003: OPINIÃO CONSULTIVA 10.1 TRATAMENTO APLICÁVEL AOS DOCUMENTOS FRAUDULENTOS 1. O Acordo obriga que as administrações aduaneiras levem em conta documentos fraudulentos? 2. O Comitê Técnico de Valoração Aduaneira emitiu a seguinte opinião: Segundo o Acordo, as mercadorias importadas devem ser valoradas com base nos elementos de fato reais. Portanto, qualquer documentação que proporcione informações inexatas sobre esses elementos estaria em contradição com as intenções do Acordo. Cabe observar, a este respeito, que o Artigo 17 do Acordo e o parágrafo 6 do Anexo III enfatizam o direito das administrações aduaneiras de comprovar a veracidade ou exatidão de qualquer informação, documento ou declaração apresentados para fins de valoração aduaneira. Conseqüentemente, não se pode exigir que uma administração leve em conta uma documentação fraudulenta. Ademais, quando uma documentação for comprovada fraudulenta, após a determinação do valor aduaneiro, a invalidação desse valor dependerá da legislação nacional. OPINIÃO CONSULTIVA 19.1 APLICAÇÃO DO ARTIGO 17 DO ACORDO E DO PARÁGRAFO 6 DO ANEXO III 1. A questão foi formulada objetivando esclarecer se o Artigo 17, lido conjuntamente com o parágrafo 6 do Anexo III, outorga poderes suficientes às Administrações Aduaneiras para detectar e comprovar as infrações relativas à valoração, incluída a fraude, e se incumbe ao importador o ônus da prova no curso da determinação do valor aduaneiro. 2. O Comitê Técnico de Valoração Aduaneira chegou à conclusão de que, ao examinar esta questão, cabe observar que o Artigo 17 estabelece que o Acordo não restringe, nem põe em dúvida os direitos da administração aduaneira. O parágrafo 6 do Anexo III enumera esses direitos, destacando concretamente o direito das administrações nacionais de contar com a plena cooperação dos importadores nas investigações sobre a veracidade ou exatidão de qualquer informação, documento ou declaração. Esta conclusão é reafirmada na Opinião Consultiva 10.1. Fl. 1053DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/02 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 10 Seria incorreto deduzir que ficam implicitamente excluídos quaisquer outros direitos das administrações aduaneiras que não estejam mencionados no Artigo 17 ou no parágrafo 6 do Anexo III. Os direitos que não estejam mencionados expressamente no Acordo, assim como os direitos e as obrigações dos importadores e das Aduanas na determinação do valor aduaneiro, dependerão das leis e regulamentos nacionais. A Opinião Consultiva 10.1 do Comitê Técnico de Valoração Aduaneira, interpretando o disposto no Artigo 17 e demais princípios do AVAGATT, afirma que as Administrações Aduaneiras não são obrigadas pelo Acordo a levar em conta os documentos fraudulentos. Para o Comitê, o Acordo de Valoração Aduaneira baseiase nos elementos de fato reais, não fraudulentos, e “qualquer documentação que proporcione informações inexatas sobre esses elementos estaria em contradição com as intenções do Acordo.” Nas operações fraudulentas, quando um ou mais elementos da operação real de importação estiverem em desacordo com os elementos reproduzidos na Declaração de Importação e nos documentos instrutivos da importação, como por exemplo o real exportador, o importador, o adquirente de fato, a quantidade de mercadoria importada, além obviamente do valor aduaneiro, aplicação do Acordo de Valoração Aduaneira ficará prejudicada. Do Subfaturamento Saindo do campo da licitude, no qual as regras e princípios do Acordo de Valoração Aduaneira são de compulsória observação nas operações de importação, analisase, dentre as operações fraudulentas no comércio exterior, o subfaturamento. O subfaturamento é uma das operações fraudulentas com maior grau de ilicitude, por afrontar tanto a arrecadação tributária na incidência dos impostos e contribuições sobre o comércio exterior, quanto o principal bem jurídico tutelado pelas normas aduaneiras: o controle aduaneiro. Além, é claro, da afronta aos Princípios Constitucionais da Isonomia e da Livre Concorrência. Não é apenas os cofres públicos que são lesados com o subfaturamento, mas também a livre concorrência: em setores muito competitivos, qualquer redução de algum elemento de custo (no caso, os impostos e contribuições incidentes na importação) altera, de forma incisiva, o mercado, prejudicando as empresas que atuam de forma lícita. Também o controle cambial é afetado com a evasão de divisas, visto que a remessa da diferença entre os valores pactuados e os valores declarados na operação subfaturada darseá de forma ilícita, à margem do controle regular. A Administração Aduaneira tem o dever constitucional (art.237) de efetuar o controle aduaneiro, tanto para resguardar os interesses fazendários, quanto para defender a livre concorrência e outros direitos econômicos e sociais. É importante, mais uma vez, separar as operações lícitas das operações ilícitas para conceituarmos o subfaturamento, diferenciandoo de outra prática aparentemente similar: a subvaloração. Esta, uma irregularidade dentro do campo da licitude. Aquela, através da prática de um ato ilícito. O subfaturamento é realizado mediante o registro da Declaração de Importação com declaração de preço inferior ao efetivamente praticado, com base numa fatura comercial falsa (ideológica ou material). MARCELO PIMENTEL DE CARVALHO, em estudo sobre o Valor Aduaneiro, seus princípios, métodos e fraude, assim diferencia a subvaloração do subfaturamento: Entendese por subvaloração a declaração de valor aduaneiro inferior ao apurado em face de divergências quanto à interpretação do AVA e à subsunção dos fatos jurídicos a este. Por outro lado, subfaturamento é Fl. 1054DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/02 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 11065.722843/201274 Acórdão n.º 3101001.795 S3C1T1 Fl. 8 11 entendido como a declaração de preço inferior ao realmente pago ou a pagar pelos produtos importados. (CARVALHO, 2007, p.208) ANTENORI TREVISAN NETO, em estudo sobre a aplicação do AVA GATT no Brasil, assim tratou da diferença entre os conceitos: (...) a subvaloração não resulta da prática de um ato ilícito, mas sim da imperfeita aplicação das regras do AVA(...). Já o subfaturamento requer a prática de ato ilícito vinculado à fatura comercial (...), que pode se revestir na inexatidão fraudulenta de informações constantes do referido documento ou na sua própria falsidade. (TREVISAN NETO, 2009, p.287) Esclarecido o conceito de subfaturamento, tornase importante caracterizar de que forma esse ato ilícito é praticado. Como no subfaturamento a prática ilícita é vinculada à fatura comercial, devese identificar quais tipos de ilicitude documental poderão ser praticadas. Na falsidade documental material, a ilicitude consiste na adulteração da forma do documento, no seu aspecto externo. Ocorre essa prática fraudulenta quando, por exemplo, o importador ou seu representante substitui a fatura enviada pelo exportador por outra fatura. Esse documento fraudulento foi produzido pelo importador, seu representante, ou por sua conta e ordem, para adulterar os elementos principais da fatura comercial (nome do importador ou real adquirente, nos casos de interposição fraudulenta e ocultação; preço, no caso de subfaturamento). Esse procedimento é muito frequente nas fraudes apuradas pela Administração Aduaneira brasileira, com a conjugação de subfaturamento e interposição fraudulenta de terceiros, com a fraude documental abrangendo tanto o importador, quanto o preço praticado. Já na falsidade documental ideológica, a ilicitude consiste na alteração de conteúdo do documento, ou seja, seu conteúdo apresenta declarações falsas, sem correspondência com a realidade do fatos. A falsidade ideológica sempre está presente no subfaturamento, que pode ser acompanhado também da falsidade material. Em ambos os casos (falsidade material e falsidade ideológica) a fatura comercial foi fraudada, caracterizando a ilicitude. O elemento de prova principal para caracterizar a falsidade documental é a identificação pela Autoridade Aduaneira das duas faturas (a fatura verdadeira, oculta e a fatura falsa, apresentada à fiscalização aduaneira), mas também poderão ser identificados e apresentados outros elementos que comprovam de forma clara e inequívoca a falsidade documental. A operação comercial efetivamente praticada poderá ser comprovada através de outros documentos como, por exemplo, as ordens de compra e as fatura próforma, cotações de preço, conjugados ou não com documentos financeiros. Para tratar dos casos fraudulentos envolvendo o preço praticado na importação, a legislação brasileira estabeleceu a possibilidade de arbitramento do preço para efeito de determinação da base de cálculo, nos casos de fraude, sonegação e conluio. A Medida Provisória n° 2.15835, de 24 de agosto de 2001, dispôs em seu Artigo 88 que a base de cálculo dos tributos será determinada mediante arbitramento do preço da mercadoria, nos casos em que haja fraude, sonegação ou conluio e que não seja possível a Fl. 1055DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/02 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 12 apuração do preço efetivamente praticado na importação, estabelecendo os critérios para arbitramento: Art. 88. No caso de fraude, sonegação ou conluio, em que não seja possível a apuração do preço efetivamente praticado na importação, a base de cálculo dos tributos e demais direitos incidentes será determinada mediante arbitramento do preço da mercadoria, em conformidade com um dos seguintes critérios, observada a ordem seqüencial: I preço de exportação para o País, de mercadoria idêntica ou similar; II preço no mercado internacional, apurado: a) em cotação de bolsa de mercadoria ou em publicação especializada; b) de acordo com o método previsto no Artigo 7 do Acordo para Implementação do Artigo VII do GATT/1994, aprovado pelo Decreto Legislativo no 30, de 15 de dezembro de 1994, e promulgado pelo Decreto no 1.355, de 30 de dezembro de 1994, observados os dados disponíveis e o princípio da razoabilidade; ou c) mediante laudo expedido por entidade ou técnico especializado. O dispositivo legal acima referido encontrase lastreado também no artigo 148 do Código Tributário Nacional, que dispõe que a Autoridade Fiscal deverá arbitrar a base de cálculo do tributo “sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado”. O arbitramento previsto no artigo 88 da Medida Provisória n° 2.15835 caracterizase como uma exceção à apuração da base de cálculo do imposto de importação (e consequentemente dos demais tributos incidentes na importação): nos casos regulares, a base de cálculo do imposto de importação, de acordo com o artigo 2º do DecretoLei nº 37/66, com a redação dada pelo artigo 1º do DecretoLei no 2.472/88, é o Valor Aduaneiro definido no Artigo VII do Acordo Geral sobre Tarifas Aduaneiras e Comércio (GATT); já nos casos de fraude, sonegação ou conluio, em que não seja possível a apuração do preço efetivamente praticado na importação, a base de cálculo será determinada mediante arbitramento do preço da mercadoria. Nos casos de fraude, sonegação e conluio, a Autoridade Aduaneira, para identificar a base de cálculo dos tributos incidentes na importação, inicialmente deverá apurar o preço efetivamente praticado na operação comercial. Não se trata de seguir de forma obrigatória Acordo de Valoração Aduaneira, mas de identificar o valor real da operação de importação. Apenas quando o preço real praticado não puder ser identificado é que a Autoridade Aduaneira deverá arbitrar o preço da mercadoria importada, seguindo os critérios apontados nos incisos I e II do artigo 88 da Medida Provisória n° 2.15835. Destacase também que o referido artigo, na alínea b do inciso II, expressamente condiciona o arbitramento à observância ao princípio da razoabilidade. Dos fatos apurados Durante o procedimento foram encontradas várias invoices nos dois estabelecimentos, LAUTHER e COTRY, onde foram realizadas as diligências, que Fl. 1056DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/02 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 11065.722843/201274 Acórdão n.º 3101001.795 S3C1T1 Fl. 9 13 comprovaram o valor de transação, e alguns email trocados relativos a pagamentos efetuados, que também demonstrariam o subfaturamento praticado. Com base nesses elementos, entendo que a autoridade fiscal conseguiu apurou o valor tributável com base nos valores efetivamente pagos pelas mercadorias, em atendimento ao princípio da primazia do valor de transação, para as seguintes declarações de importação: 1. DI 08/10035639 (fls. 486 a 495), Invoice nº HS080502 (fls. 496 e 497). 2. DI 08/12336679 (fls. 498 a 504), Invoice nº HS080702 (fl. 505). 3. DI 08/14501138 (fls. 506 a 511), Invoice nº HS080611 (fls. 512 e 514). 4. DI 09/00375072 (fls. 515 a 526), Invoice nº HS080811 (fl. 527). 5. DI 09/01258851 (fls. 529 a 530), Invoice nº 09ST01001EX (fl. 531). 6. DI 09/03287263 (fls. 532 a 535), Invoice nº QX081113 (fl. 536). 7. DI 09/05206805 (fls. 537 a 542), Invoice nº 20090203P001 (fls. 543 e 544). 8. DI 09/07248718 (fls. 545 a 550), Invoice nº 09PD01464 (fl. 551). 9. DI 09/09357883 (fls. 552 a 559), Invoice nº HS090408B (fl. 560). 10. DI 09/09436015 (fls. 561 a 568), Invoice nº HS090221 (fl. 569). 11. DI 09/17255717 (fls. 570 a 583), Invoice nº HS091016 (fls. 584 e 585). 12. DI 09/17751960 (fls. 586 a 590), Invoice nº QX091113 (fl. 591). 13. DI 10/04359448 (fls. 592 a 600), Invoice nº HS100107 (fl. 601). 14. DI 10/05943178 (fls. 602 a 608), Invoice nº 1002156 (fl. 609). 15. DI 10/06296656 (fls. 610 a 624), Invoice nº HS100301 (fl. 625). 16. DI 10/07219086 (fls. 626 a 633), Invoice nº HS100303 (fl. 634). 17. DI 10/08907563 (fls. 635 a 640), Invoice nº ET09002SG (fl. 641). 18. DI 10/10953356 (fls. 642 a 653), Invoice nº HS100505 (fl. 654). 19. DI 10/12547800 (fls. 655 a 661), Invoice nº HS100527 (fl. 662). 20. DI 10/15895184 (fls. 663 a 671), Invoice nº WZ201007B (fls. 672 a 675). 21. DI 10/18688821 (fls. 676 a 684), Invoice nº HS100908 (fl. 685). 22. DI 10/19570450 (fls. 686 a 688), email (fl. 689). Fl. 1057DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/02 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 14 23. DI 10/21794378 (fls. 690 a 696), Invoice nº HS101012 (fl. 697). 24. DI 11/06632771 (fls. 698 a 713), Invoice nº HS1101120 (fl. 714). 25. DI 11/10448726 (fls. 715 a 732), Invoice nº HS110129 (fls. 733 e 735). 26. DI 08/14500581 (fls. 736 a 740), Invoice nº 2008HY0808 (fl. 741). 27. DI 10/12534121 (fls. 742 a 754), Invoice nº HS100401 (fls. 755 e 756). 28. DI 08/15908622 (fls. 757 a 766), Invoice nº HS080528DH (fl. 767). 29. DI 08/06307735 (fls. 768 a 772), Invoice nº 08PD01348 (fl. 773). 30. DI 08/18289044 (fls. 774 a 777), Invoice nº 08PD01409 (fls. 778 e 779). 31. DI 08/11454112 (fls. 780 a 784), Invoice nº 20080609P002 (fls. 785 e 786). Considerando os elementos de prova acima relacionados, entendo como correto o procedimento adotado pela autoridade fiscal para as referidas Declarações de Importação e o lançamento efetuado relativo à diferença dos tributos. A autoridade fiscal utilizouse também do 2º método de valoração, pela impossibilidade de determinação do valor aduaneiro das mercadorias pelo primeiro método de valoração. Foi utilizado o valor transação de mercadoria alegadamente idêntica, vendida para exportação para o mesmo país de importação e exportadas ao mesmo tempo (ou tempo aproximado) que as mercadorias objeto de valoração. A fiscalização assim justificou a equiparação entre os equipamentos importados: “A Lauther importou dois centros de usinagem de furação e rosqueamento, através das DIs 10/19570450 e 11/09941589. Conforme descrição dos equipamentos reproduzida abaixo, podese verificar que se tratam de equipamentos idênticos. Há somente duas diferenças entre eles, a máquina adquirida em 2011 tem um comando numérico computadorizado (CNC) diferente e o curso do eixo Z também é 100mm maior. Nesses dois casos isso acarretaria aumento no valor do equipamento, pois para fabricar um equipamento com um curso maior, há necessidade de guias, réguas de aferição do posicionamento, eixo também maiores. E para garantir a precisão do posicionamento em cursos maiores o fabricante deve aumentar” Fl. 1058DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/02 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 11065.722843/201274 Acórdão n.º 3101001.795 S3C1T1 Fl. 10 15 A fiscalização apontou que, apesar da DI 10/19570450 constar o valor de US$27.410,00, foi apurado que o valor efetivamente praticado naquela negociação era de US$52.800,00 dólares, valor este utilizado para a DI 11/09941589. Entretanto, apesar das considerações apresentadas pela autoridade fiscal, entendo que as diferenças entre os equipamentos objeto das referidas DI’s não permitem considerálos como sendo idênticos para fins de arbitramento do valor, sem proceder a ajustes. Considero que faltou um parecer técnico entre as semelhanças dos equipamentos, e uma prova do valor dos itens diferentes, para identificar o valor a ser utilizado. Para as DI’s abaixo relacionadas, a fiscalização arbitrou o preço considerando o percentual de 60% de subfaturamento, com base nas outras DI’s cujo valor de transação apurado indicou esse percentual médio de subfaturamento. 1. DI 07/08080132 2. DI 07/08589884 3. DI 07/09741604 4. DI 07/14112377 5. DI 07/14830091 6. DI 07/16782990 7. DI 07/16999743 8. DI 07/17280947 9. DI 08/01568573 10. DI 08/01956832 11. DI 08/02235888 12. DI 08/03340952 13. DI 08/05482622 14. DI 08/06079309 15. DI 08/06307735 16. DI 08/06655458 17. DI 08/06738990 18. DI 08/07978714 19. DI 08/08090407 20. DI 09/13101529 21. DI 10/03839390 Fl. 1059DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/02 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 16 22. DI 10/08015441 23. DI 10/10113722 24. DI 10/15020927 25. DI 10/16915030 26. DI 11/01105102 27. DI 11/01631742 28. DI 11/03447566 29. DI 11/09536137 30. DI 11/13332354 31. DI 11/15422431 32. DI 11/15811888 33. DI 11/18437359 34. DI 11/20177334 Já para as 34 DI’s acima relacionadas, cujo arbitramento considerou um percentual médio de subfaturamento, entendo que tal procedimento carece de previsão legal, mesmo considerando a previsão da alínea b do inciso II do artigo 88 da Medida Provisória n° 2.15835. Tal previsão de arbitramento, de acordo com o método previsto no Artigo 7 do AVAGATT, deve considerar os dados disponíveis e o princípio da razoabilidade. Para as referidas DI’s, não foram encontrado dados suficientes para o arbitramento, e a metodologia utilizada pela fiscalização de considerar um percentual médio de subfaturamento com base nas outras Declarações de Importação, não pode ser considerado como razoável. Entendo que o arbitramento deve partir de elementos sólidos, relativos a mesma mercadoria ou equivalente. Portanto, considerando a ausência de prova do subfaturamento praticado, e pela ausência dos requisitos legais para o arbitramento dos valores, dou provimento ao recurso voluntário para excluir as infrações relativas às Declarações de Importação 11/09941589, 07/08080132, 07/08589884, 07/09741604, 07/14112377, 07/14830091, 07/16782990, 07/16999743, 07/17280947, 08/01568573, 08/01956832, 08/02235888, 08/03340952, 08/05482622, 08/06079309, 08/06307735, 08/06655458, 08/06738990, 08/07978714, 08/08090407, 09/13101529, 10/03839390, 10/08015441, 10/10113722, 10/15020927, 10/16915030, 11/01105102, 11/01631742, 11/03447566, 11/09536137, 11/13332354, 11/15422431, 11/15811888, 11/18437359 e 11/20177334. Das penalidades aplicadas Insurgese, ainda, a recorrente contra as multas aplicadas e sugere que seja aplicada apenas a penalidade fixada na diferença de tributos apurados, acrescidos da multa administrativa de 100% sobre tal valor, excluindo a multa de ofício fixada em 150%. A recorrente não contesta a aplicação da multa de subfaturamento, mas a multa majorada de 150% e alega desproporcionalidade. As provas trazidas aos autos demonstram de forma inequívoca a prática reiterada de atos fraudulentos e simulatórios, com o intuito de reduzir a base de cálculo dos tributos aduaneiros. Dessa forma, tornase indispensável a aplicação da multa qualificada de 150% sobre a diferença de tributo devida, prevista no art. 44, §1º, da Lei nº 9.430/1996, pela caracterização de sonegação fiscal, fraude e também o conluio. Relativo ao argumento de desproporcionalidade da multa aplicada, não cabe a esse órgão julgador sua apreciação, visto que estando a penalidade prevista em lei, sua Fl. 1060DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/02 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 11065.722843/201274 Acórdão n.º 3101001.795 S3C1T1 Fl. 11 17 aplicação no julgamento do processo administrativo fiscal é mandamento, mesmo sob o fundamento de inconstitucionalidade, conforme expressamente determina o artigo 62 do Regimento Interno do CARF e a Súmula CARF nº 2. Assim, não merece reparo o acórdão recorrido quanto à aplicação da multa qualificada questionada. Das conclusões Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para excluir a exação referente as Declarações de Importação 11/09941589, 07/08080132, 07/08589884, 07/09741604, 07/14112377, 07/14830091, 07/16782990, 07/16999743, 07/17280947, 08/01568573, 08/01956832, 08/02235888, 08/03340952, 08/05482622, 08/06079309, 08/06307735, 08/06655458, 08/06738990, 08/07978714, 08/08090407, 09/13101529, 10/03839390, 10/08015441, 10/10113722, 10/15020927, 10/16915030, 11/01105102, 11/01631742, 11/03447566, 11/09536137, 11/13332354, 11/15422431, 11/15811888, 11/18437359 e 11/20177334. Sala das sessões, em 27 de janeiro de 2015. [assinado digitalmente] Rodrigo Mineiro Fernandes – Relator Fl. 1061DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/02 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S
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Numero do processo: 10980.728470/2012-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2010
CRÉDITOS. AQUISIÇÕES NÃO COMPROVADAS. REGISTRO. MAJORAÇÃO/QUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO. BIS IN IDEM. IMPOSSIBILIDADE.
A conduta de registrar créditos relativos a aquisições não comprovadas, mormente quando oriundas de empresas inativas, caracteriza-se como fraude (art. 72 da Lei nº 4.502/64), sendo o intuito doloso mero elemento configurador desta circunstância qualificativa (arts. 477 e 481 do RIPI/02), razão pela qual não pode ser sopesado também como agravante e/ou majorante da multa imposta, sob pena de se incorrer em verdadeiro e indesejado bis in idem.
Recurso voluntário provido em parte.
O direito de a Fazenda Pública rever lançamento por homologação em que não haja pagamento de tributo ou o sujeito passivo tenha se utilizado de dolo, fraude ou simulação, extingue-se no prazo de 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
DECADÊNCIA. ERRO DE CLASSIFICAÇÃO. HAVENDO PAGAMENTO INSUFICIENTE DO IPI. IMPORTAÇÃO.
O direito de a Fazenda Pública rever lançamento por homologação em que haja pagamento do tributo, extingue-se no prazo de 5 (cinco) anos, contados da data do fato gerador.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA.
É cabível a atribuição de responsabilidade solidária àqueles que tiverem interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação tributária apurada e/ou às pessoa expressamente designadas por lei (art. 124 do CTN).
Numero da decisão: 3401-002.714
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. Por maioria de votos dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos seguintes termos: (1º) ocorrência de infração dolosa, quanto às aquisições de pessoa jurídica inapta - por unanimidade de votos negar provimento ao recurso; (2º) decadência: (2a) relativamente à operações envolvendo aquisições de empresa inapta - por unanimidade de votos, entendeu-se aplicável a regra do art. 173, inciso I do CTN; (2b) relativamente às operações com erro de classificação fiscal - por unanimidade de votos, entendeu-se cabível o art. 150, § 4º do CTN; (2c) relativamente às operações com destaque do imposto, por maioria de votos, entendeu-se aplicável o art. 173, inciso I do CTN, vencido o Conselheiro Robson José Bayerl, que aplicava o artigo 150, § 4º do CTN por força do art. 124 do RIPI (Decreto n.º 4.554/2002); (3º) por erro de classificação fiscal - por unanimidade de votos negar provimento ao recurso; (4º) inobservância de requisitos formais na emissão de notas fiscais - por maioria de votos dar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Efigênia Duarte e Robson José Bayerl; (5º) multa sobre o IPI não lançado com cobertura de crédito - por unanimidade negar provimento ao recurso; (6º) majoração da multa qualificada - por maioria de votos dar provimento ao recurso para afastar a majoração da multa qualificada reduzindo-a para 150%, vencido o Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira (relator). Designado o Conselheiro Robson José Bayerl para redigir o voto vencedor. (7º) Responsabilidade tributária - por voto de qualidade, negar provimento aos recursos. Vencidas as Conselheiras Raquel Brandão Minatel, Angela Sartori e Adriana Ribeiro. A Conselheira Raquel Brandão Minatel fará declaração de voto sobre este ponto. Sustentou pela recorrente a Drª Lígia de Azevedo Cafruni, OAB/PR n.º 59.100.
Robson José Bayerl - Presidente.
Eloy Eros da Silva Nogueira- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson Jose Bayerl (Presidente), Raquel Motta Brandão Minatel, Efigênia Maria Nolasco Duarte, Eloy Eros da Silva Nogueira, Adriana Oliveira e Ribeiro e Angela Sartori.
Nome do relator: ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. Por maioria de votos dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos seguintes termos: (1º) ocorrência de infração dolosa, quanto às aquisições de pessoa jurídica inapta - por unanimidade de votos negar provimento ao recurso; (2º) decadência: (2a) relativamente à operações envolvendo aquisições de empresa inapta - por unanimidade de votos, entendeu-se aplicável a regra do art. 173, inciso I do CTN; (2b) relativamente às operações com erro de classificação fiscal - por unanimidade de votos, entendeu-se cabível o art. 150, § 4º do CTN; (2c) relativamente às operações com destaque do imposto, por maioria de votos, entendeu-se aplicável o art. 173, inciso I do CTN, vencido o Conselheiro Robson José Bayerl, que aplicava o artigo 150, § 4º do CTN por força do art. 124 do RIPI (Decreto n.º 4.554/2002); (3º) por erro de classificação fiscal - por unanimidade de votos negar provimento ao recurso; (4º) inobservância de requisitos formais na emissão de notas fiscais - por maioria de votos dar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Efigênia Duarte e Robson José Bayerl; (5º) multa sobre o IPI não lançado com cobertura de crédito - por unanimidade negar provimento ao recurso; (6º) majoração da multa qualificada - por maioria de votos dar provimento ao recurso para afastar a majoração da multa qualificada reduzindo-a para 150%, vencido o Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira (relator). Designado o Conselheiro Robson José Bayerl para redigir o voto vencedor. (7º) Responsabilidade tributária - por voto de qualidade, negar provimento aos recursos. Vencidas as Conselheiras Raquel Brandão Minatel, Angela Sartori e Adriana Ribeiro. A Conselheira Raquel Brandão Minatel fará declaração de voto sobre este ponto. Sustentou pela recorrente a Drª Lígia de Azevedo Cafruni, OAB/PR n.º 59.100. Robson José Bayerl - Presidente. Eloy Eros da Silva Nogueira- Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson Jose Bayerl (Presidente), Raquel Motta Brandão Minatel, Efigênia Maria Nolasco Duarte, Eloy Eros da Silva Nogueira, Adriana Oliveira e Ribeiro e Angela Sartori.
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IPI Recorrente TECHNOCOAT ARTEFATOS DE PAPEL LTDA. E FAZENDA NACIONAL Recorrida TECHNOCOAT ARTEFATOS DE PAPEL LTDA. E FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2010 CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE PRODUTOS. Os papéis ou cartões impressos, revestidos e recobertos da posição 48.11, apresentados em bobinas ou folhas de papel, destinados a fabricação de embalagens, são excluídos da posição 48.19 (Caixas, sacos, bolsas, cartuchos e outras embalagens, de papel, cartão, pasta (“ouate”) de celulose ou de mantas de fibras de celulose; cartonagens para escritórios, lojas e estabelecimentos semelhantes), conforme as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH), aprovadas pelo Decreto nº 435, de 1992, e atualizadas pela Instrução Normativa RFB nº 807, de 2008, relativas a própria posição 48.19. DECADÊNCIA. DOLO. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO. IPI. O direito de a Fazenda Pública rever lançamento por homologação em que não haja pagamento de tributo ou o sujeito passivo tenha se utilizado de dolo, fraude ou simulação, extinguese no prazo de 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. DECADÊNCIA. ERRO DE CLASSIFICAÇÃO. HAVENDO PAGAMENTO INSUFICIENTE DO IPI. IMPORTAÇÃO. O direito de a Fazenda Pública rever lançamento por homologação em que haja pagamento do tributo, extinguese no prazo de 5 (cinco) anos, contados da data do fato gerador. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. É cabível a atribuição de responsabilidade solidária àqueles que tiverem interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 84 70 /2 01 2- 41 Fl. 4824DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 02/2015 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 2 tributária apurada e/ou às pessoa expressamente designadas por lei (art. 124 do CTN). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2010 CRÉDITOS. AQUISIÇÕES NÃO COMPROVADAS. REGISTRO. MAJORAÇÃO/QUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO. BIS IN IDEM. IMPOSSIBILIDADE. A conduta de registrar créditos relativos a aquisições não comprovadas, mormente quando oriundas de empresas inativas, caracterizase como fraude (art. 72 da Lei nº 4.502/64), sendo o intuito doloso mero elemento configurador desta circunstância qualificativa (arts. 477 e 481 do RIPI/02), razão pela qual não pode ser sopesado também como agravante e/ou majorante da multa imposta, sob pena de se incorrer em verdadeiro e indesejado bis in idem. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. Por maioria de votos dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos seguintes termos: (1º) ocorrência de infração dolosa, quanto às aquisições de pessoa jurídica inapta por unanimidade de votos negar provimento ao recurso; (2º) decadência: (2a) relativamente à operações envolvendo aquisições de empresa inapta por unanimidade de votos, entendeuse aplicável a regra do art. 173, inciso I do CTN; (2b) relativamente às operações com erro de classificação fiscal por unanimidade de votos, entendeuse cabível o art. 150, § 4º do CTN; (2c) relativamente às operações com destaque do imposto, por maioria de votos, entendeuse aplicável o art. 173, inciso I do CTN, vencido o Conselheiro Robson José Bayerl, que aplicava o artigo 150, § 4º do CTN por força do art. 124 do RIPI (Decreto n.º 4.554/2002); (3º) por erro de classificação fiscal por unanimidade de votos negar provimento ao recurso; (4º) inobservância de requisitos formais na emissão de notas fiscais por maioria de votos dar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Efigênia Duarte e Robson José Bayerl; (5º) multa sobre o IPI não lançado com cobertura de crédito por unanimidade negar provimento ao recurso; (6º) majoração da multa qualificada por maioria de votos dar provimento ao recurso para afastar a majoração da multa qualificada reduzindoa para 150%, vencido o Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira (relator). Designado o Conselheiro Robson José Bayerl para redigir o voto vencedor. (7º) Responsabilidade tributária por voto de qualidade, negar provimento aos recursos. Vencidas as Conselheiras Raquel Brandão Minatel, Angela Sartori e Adriana Ribeiro. A Conselheira Raquel Brandão Minatel fará declaração de voto sobre este ponto. Sustentou pela recorrente a Drª Lígia de Azevedo Cafruni, OAB/PR n.º 59.100. Robson José Bayerl Presidente. Eloy Eros da Silva Nogueira Relator. Fl. 4825DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 02/2015 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10980.728470/201241 Acórdão n.º 3401002.714 S3C4T1 Fl. 3 3 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson Jose Bayerl (Presidente), Raquel Motta Brandão Minatel, Efigênia Maria Nolasco Duarte, Eloy Eros da Silva Nogueira, Adriana Oliveira e Ribeiro e Angela Sartori. Relatório O presente processo cuida de auto de infração para exigir Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), juros de mora, multa proporcional e multa de IPI não lançado com cobertura de crédito, em virtude da falta de lançamento de imposto por ter o estabelecimento industrial promovido a saída de produtos tributados, com insuficiência de lançamento de imposto, por erro de classificação fiscal e/ou erro de alíquota, e por escrituração e utilização de crédito básico indevido, no período de janeiro de 2007 a dezembro de 2010. A autoridade fiscal, em seu relatório, apresenta as seguintes infrações, consoante resumo que reproduzo extraído da decisão de 1º grau: “a) Utilização de crédito básico indevido, decorrente de microempresas e/ou empresas de pequeno porte inscritas no SIMPLES; b) Utilização de crédito básico indevido, decorrente de escrituração de créditos relativos a notas fiscais de compras para as quais não conseguiu comprovar o efetivo pagamento e a efetiva entrada em seu estabelecimento (empresa inapta no período de emissão das NF – OLIPEL Indústria & Comércio de Embalagens de Papel e Plásticos LTDA); c) Falta de lançamento do IPI nas saídas do estabelecimento de produtos tributados, por erro de classificação fiscal e/ou erro de alíquota. Para a infração comentada no item “b”, acima exposto, foi aplicada multa de ofício majorada e agravada de 225%, pois a fiscalização expôs que a empresa Technocoat e seus sócios utilizaram de créditos advindos de notas fiscais sabidamente inidôneas da empresa OLIPEL e destes créditos se beneficiaram. (...) Tendo em vista a necessidade de reconstituição da escrita fiscal da contribuinte, decorrente das glosas de créditos e do IPI não lançado nas notas fiscais, a fiscalização elaborou o Demonstrativo de Reconstituição da Escrita Fiscal de fls. 1660/1662, no qual foi apurado o imposto que deixou de ser recolhido. Foi imputada responsabilidade passiva solidária em desfavor de Antônio Zanchett CPF 065.282.87953, Elias Antônio Zattar CPF 058.611.79972, Christian Robert Zanchett CPF 021.530.46912 e Kelly Cristine Zanchett CPF 844.023.93949, que exerceram a função de sócios administradores, durante todo o período fiscalizado, conforme clausula décima da primeira alteração contratual. Esses sócios participam do capital social e tem poderes integrais de administração da sociedade empresarial.” Fl. 4826DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 02/2015 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 4 As autuadas impugnaram e apresentaram as alegações, cuja síntese feita pelo I Julgador a quo aqui transcrevo na sua maior parte, pela sua clareza e objetividade: “1. Decaiu o direito do Fisco de efetuar o lançamento do imposto cujos fatos geradores ocorreram antes de novembro de 2007, pois não efetuou o respectivo lançamento no prazo de cinco anos contados do fato gerador (art. 150, § 4°, do Código Tributário Nacional CTN), já que a impugnante tomou ciência do presente auto de infração somente em 12/11/2012. Não se pode alegar que o prazo decadencial só começa a correr no primeiro dia do exercício subseqüente ao da ocorrência do fato gerador, pois no caso em tela, houve recolhimento do imposto e o auto de infração em discussão exige somente diferenças supostamente não pagas; 2. Ao analisar o auto de infração, foi possível observar diversos equívocos no lançamento, tais como a duplicidade de exigência, troca de números e inconsistência na classificação dos produtos fabricados pela contribuinte; (....) 13. A fiscalização está glosando os créditos relativos às entradas de insumos adquiridos da empresa OLIPEL por mera presunção, visto que não há qualquer prova de irregularidade por parte da fiscalizada que determine a ação de ato fraudulento. O simples fato de a impugnante não ter localizado e, conseqüentemente, não ter apresentado notas fiscais e comprovantes de pagamento não é motivo determinante para que haja a glosa com a justificativa de utilização de notas fiscais inidôneas. Qualquer procedimento falho por parte da empresa emissora das notas fiscais, não induz à imputação de irregularidade lançada sobre a impugnante, pois as informações fiscais apresentadas para o fisco são de responsabilidade destas, não tendo a recorrente autonomia para interferir na gestão tributária das empresas que são fornecedoras de insumos. Assim, não merece prosperar a glosa dos créditos oriundo da aquisição de insumos da empresa OLIPEL; 14. Pelo princípio da nãocumulatividade, a Constituição Federal impõe o creditamento do IPI cobrado nas operações anteriores, sem prever qualquer exceção. Logo, os insumos adquiridos de empresas optantes pelo Simples ou empresas de pequeno porte geram créditos presumidos do IPI e, portanto, a glosa realizada pela fiscalização deve ser juilgada improcedente; 15. Dentre os créditos glosados relativos às entradas de insumos adquiridos de empresas optantes pelo simples ou pequeno porte, depreende dos CFOP relativos às operações (notas fiscais de fls. 2496/2514 e tabela de fl. 2373), essas dizem respeito à devolução de clientes, sendo legítima a utilização dos créditos correspondentes; 16. Em muitos casos, a falta de destaque do IPI pela impugnante não foi feito de máfé, mas em observância à legislação pertinente: cancelamento de nota fiscal ou formulário, da remessa de amostra sem valor comercial, venda de produtos desclassificados para reciclagem (aparas), operações de exportação, remessa por conta e ordem de terceiro e casos de suspensão amparados pelo art. 29 da Lei 10.637/02 e pela Instrução Normativa n° 296/03. Logo, todos os valores exigidos que se enquadram nas situações Fl. 4827DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 02/2015 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10980.728470/201241 Acórdão n.º 3401002.714 S3C4T1 Fl. 4 5 acima descritas, devem ser desconstituídos, devendo ser definitivamente excluídos do auto de infração. Apresenta às fls. 2377/2385 tabelas de justificativa do não destaque do IPI, cujas cópias e respectivas notas fiscais encontramse no anexo VIII da impugnação. As notas fiscais e justificativas ora apresentadas devem ser recepcionadas pela instância administrativa, bem como deve ser oportunizada à recorrente a produção de prova pericial, em respeito aos princípios da verdade material e da instrumentalidade processual; 17. Devese cancelar os valores exigidos, a título de multa sobre o IPI não lançado com cobertura de crédito, tendo em vista a inexistência de lei que preveja à aplicação de multa de 75% incidentes sobre os valores não lançados que contavam com cobertura de crédito. Ainda, destaca que ao proceder a aplicação da multa nos moldes ora contestados, o Fisco aplica penalidade incidente sobre o imposto pago, demonstrando inocorrência de qualquer prejuízo aos cofres públicos; 18. Sobre a glosa dos créditos oriundos da aquisição de produtos da empresa OLIPEL, aplicouse multa qualificada e majorada, decorrente da escrituração de créditos relativos a notas de compras consideradas inidôneas pela fiscalização em razão da contribuinte não ter comprovado o pagamento e a efetiva entrada dos produtos em seu estabelecimento. No caso dos autos, não se percebe a prática de ato doloso para a configuração do ilícito fiscal apenas pelo fato da impugnante não ter apresentado notas fiscais e comprovantes de pagamentos para a fiscalização. Para a caracterização de atos dolosos a fiscalização deveria ter demonstrado (o que não o fez) que a impugnante agiu em conluio com a pessoa jurídica emissora das notas fiscais. Em face das provas carreadas nos autos que evidenciam a inexistência de ato doloso com intuito de evitar a ocorrência do fato gerador, não cabe a aplicação da multa qualificada e majorada. Se não há qualquer prova da intenção de fraudar e o lançamento está fundamentado, apenas, na falta de comprovação de valores contabilizados, é evidente que deve haver o afastamento da multa qualificada; 19. A multa aplicada, equivalente a 75% e 225%, ofende ao princípio constitucional do nãoconfisco, consagrado implicitamente pela Constituição, em seu artigo 5o, XXII. O Superior Tribunal de Justiça, utilizando como base decisão do Supremo Tribunal Federal, adotou um parâmetro de 20% (vinte por cento) para considerar como não confiscatória a multa por infração fiscal. Logo, se é que a multa efetivamente deva ser aplicada, necessário se faz que a mesma não ultrapasse a 20% (vinte por cento) do valor do tributo exigido; 20. Diante da impossibilidade de apresentação oportuna, requer a impugnante, seja concedido prazo de 30 dias para a juntada de outros documentos comprobatórios que possam ser coletados neste período. No presente caso, portanto, restou comprovada a ocorrência da condição prevista na alínea “a” do artigo 16 do Decreto n° 70235/72, ante a impossibilidade de apresentação de todos os documentos comprobatórios principalmente aqueles pertencentes a outras empresas no momento da Fl. 4828DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 02/2015 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 6 apresentação da impugnação, motivo pelo qual se requer a concessão de mais 30 dias para tanto; 21. Para a solução da lide, fazse imprescindível a realização de perícia na qual seja feita diligência para o especial fim da análise de todos os documentos contábeis da empresa que farão prova dos argumentos ora defendidos. Assim, pelos motivos apresentados na impugnação, entendese plenamente justificada a necessidade de realização de perícia contábil e técnica para a revisão do lançamento; 22. Ao final, requer que se julgue procedente as razões de impugnação, cancelandose o auto de infração questionado, vez que se encontra afetado por nulidade e em face de estar decaído o direito de lançar do Fisco Federal. Caso não seja reconhecida a nulidade e a decadência sustentadas, requer que seja julgada improcedente a autuação, em face da inexigibilidade do IPI nos moldes constantes do auto.” Regularmente cientificados, os Responsáveis Solidários apresentaram a impugnação de fls. 2995/3008, instruída com os documentos de fls. 3009/3151, alegando, em síntese, o seguinte: 1. A imputação de solidariedade no caso é de toda ilegal, além de não expressar a realidade dos fatos; 2. Na situação em tela tratase de lançamento referente ao Imposto sobre Produtos Industrializados e seus reflexos. No entanto, a autuação não demonstra que os ora impugnantes tenham se beneficiado do não pagamento do tributo, ou tenha realizado a industrialização de produtos em conjunto com a pessoa jurídica, condição para que se enquadrem como solidários da obrigação com base no art. 124, inciso I do CTN. A prática de atos jurídicos que são também fatos geradores de tributos interessa aos sócios administradores das pessoas jurídicas, mas este interesse é meramente econômico e não jurídico: não havendo interesse jurídico, não poderá haver a imputação de obrigação solidária; 3. O preceito contido no art. 124, inciso II do CTN, não autoriza o legislador ordinário a criar novos casos de responsabilidade tributária sem a observância das regras de responsabilidade previstas nos arts. 134 e 135 do mesmo diploma legal. Assim, não se pode atribuir responsabilidade a terceiros em razão da mera inadimplência fiscal, sendo necessária a interpretação conjunta do art. 135 do CTN com o art. 28 do RIPI/2010, posto que esta não possui o condão de revogar o disposto em lei complementar; 4. Muito embora os arts. 135, III, 136 e 137, I, II e III, letra “c”, do CTN, sirvam de base para a lavratura dos termos de sujeição passiva solidária, destacase que estes tratam de responsabilidade patrimonial pessoal dos representantes pelo crédito exigido da pessoa jurídica e que, como afirmado no Termo de Verificação Fiscal, apenas poderá ser configurada juridicamente na fase de execução fiscal. Nesse aspecto, a regra de se responsabilizar terceiro pelo crédito tributário tem como objetivo proteger o Fisco do inadimplemento, motivo pelo qual incide tão somente quando ocorre o inadimplemento absoluto da dívida; Fl. 4829DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 02/2015 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10980.728470/201241 Acórdão n.º 3401002.714 S3C4T1 Fl. 5 7 5. Na remota hipótese de se manter a responsabilidade dos impugnantes pela quantia apurada no auto de infração em discussão, evidente que esta deve limitarse à importância decorrente da prática de atos dolosos que resultaram na aplicação de multa majorada pela fiscalização, caso tal imputação seja mantida ao final do processo administrativo. Além dessas argumentações acima resumidas, a autuada contestou cuidadosamente cada uma das reclassificações decididas pela autoridade fiscal como necessárias, e objeto desta autuação e contencioso. A respeitável 8ª Turma de Julgamento da DRJ/RPO baixou o processo em diligência fiscal para: Refazer as tabelas dos itens TAMPA DE EMBALAGEM e BERÇO SORVETE” eliminando as duplicidades e utilizando a correta classificação fiscal pretendida para os produtos descritos nas notas fiscais; esclarecer a classificação fiscal correta para os produtos TAMPA DE EMBALAGEM” apresentando as justificativas para o uso do código 4819.50.00; verificar se houve erro de digitação no número da nota fiscal nº 3476, na planilha “PAPEL KRAFT PARDO+PE”, ou se realmente tratase do produto “PLATAFORMA ARTICULADORA ELÉTRICA”, impossibilitando o lançamento do crédito tributário relativamente à nota fiscal; verificar se os créditos relativos às entradas de insumos de empresas optantes pelo SIMPLES são devoluções e se cumprem ou não as exigências definidas no art. 231 do RIPI/2010; Realizar as verificações necessárias para dirimir as dúvidas quanto aos casos que não há lançamento de crédito tributário conforme os casos de suspensão, isenção, imunidade e outros, especificados no tópico V.1 Do correto não destaque do IPI realizado pela impugnante (fls. 2374/2387), independentemente da classificação fiscal e da alíquota a ser aplicada. A autoridade fiscal em atendimento trouxe as seguintes respostas: a) Todos os produtos “TAMPA DE EMBALAGENS”, devem ser classificados no código 4823.90.99 da TIPI; A nota fiscal nº 3476 foi excluída da planilha; Foram excluídas as glosas relativas às entradas de insumos de empresas optantes pelo SIMPLES, consideradas devoluções, mantendo apenas a glosa referente a nota fiscal nº 1191, no valor total de R$ 5,88, pois a operação realizada referese a operação de compra de material para uso ou consumo; Quanto aos casos em que não haveria o lançamento (suspensão, isenção, imunidade e outros, especificados no tópico V.1 Do correto não destaque do IPI realizado pela impugnante), esclarece a fiscalização que as planilhas elaboradas foram extraídas dos arquivos digitais fornecidos pelo contribuinte; Às fls. 3524/3537 a fiscalização detalha todas as exclusões realizadas durante a diligência, mantendo na sua integralidade as planilhas dos produtos“RAFIA+PE+KRAFT IMPRESSO”, “PAPEL PARA EMBALAGEM” e os “Créditos glosados da empresa OLIPEL”, e alterando todas as demais, anexando as novas planilhas às fls. 3538/3668. A contribuinte apresentou aditamento à impugnação na qual alegou: as planilhas refeitas pela fiscalização têm inúmeras duplicidades de lançamentos não foram corrigidos. Aponta as duplicidades encontradas, cujas cópias e respectivas notas fiscais encontramse no anexo I da impugnação; informa que não foi possível averiguar se houve a correção no que tange às bases de cálculo para os itens 6.3.3 (“PAPEL KRAFT BRANCO+PE”) e 6.3.6 (“DISCO”), pois não recebeu cópia do Auto; agiu de boa fé e em observância à legislação pertinente: cancelamento de nota fiscal ou formulário, da remessa de amostra sem valor comercial, venda de produtos desclassificados para reciclagem (aparas), operações de exportação, remessa por conta e ordem de terceiro e casos de suspensão amparados pelo art. 29 da Lei 10.637/02 e pela Instrução Normativa n° 296/03. Logo, todos os Fl. 4830DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 02/2015 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 8 valores exigidos que se enquadram nas situações acima descritas, devem ser desconstituídos, devendo ser definitivamente excluídos do auto de infração. Apresenta às fls. 3835/3842 tabelas de justificativa do não destaque do IPI, cujas cópias e respectivas notas fiscais encontramse nos anexos II a VIII da impugnação; aponta erro na planilha “TUBETES” há o lançamento da nota fiscal nº 25859, com descrição TUBETE 100% KRAFT, no entanto, a nota fiscal atesta que a descrição do produto é SELO GALV. 16MM, com natureza da operação REVENDA DE MERCADORIAS ADQUIRIDAS; nas planilhas refeitas pela fiscalização, foram identificadas notas fiscais (anexo X) em que os destaques de IPI foram devidamente realizados, mas não foram computados pelo Fisco. Na hipótese de se manter a tributação, devem ser considerados os destaques realizados pela empresa, sob pena de bitributação; ao contrário do que alega a fiscalização, o produto “TAMPA DE EMBALAGEM” é vendida em bobinas de 30 cm de largura ou mais, e em folhas quadradas ou retangulares de diversos tamanhos, sendo que sua utilidade é definida pelo adquirente.; a fiscalização acabou por incluir novas quantias na exigência, sendo defeso ao Fisco fazêlo desta forma. O Decreto nº 70.235/72, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, é expresso ao determinar a necessidade de lavratura de auto de infração complementar em caso de inovação, agravamento da infração ou de alteração de fundamentação legal; reitera as alegações da impugnação. As demais pessoas autuadas como solidárias aditaram suas impugnações repisando as razões ali argüidas. Os Julgadores a quo apreciaram todo esse conjunto de documentos e argumentos e proferiram as seguintes considerações e conclusões: · rejeitaram a preliminar de decadência: No caso concreto, não houve pagamento antecipado em nenhum dos períodos de apuração do ano de 2007, e não há o que se falar em homologação tácita ou expressa, e a análise da decadência deve ser feita como no lançamento de ofício, que é regido pelo art. 173, I, do CTN, Portanto, para os períodos de apuração de 2007 em que não houve pagamento antecipado, a contagem do prazo da decadência iniciase a partir de 1º de janeiro de 2008, encerrandose em 31 de dezembro de 2012. Como a impugnante tomou ciência do lançamento em 12 de novembro de 2012, não ocorreu a decadência para o ano de 2007 como erroneamente alegado pela contribuinte. Ademais, conforme será verificado na análise a seguir, ficou caracterizada nos autos a conduta dolosa da contribuinte no caso da escrituração de créditos advindos de notas fiscais da empresa OLIPEL. Desse modo, considerandose que o § 4º do art. 150 excepciona as hipóteses em que tenha ocorrido dolo, fraude ou simulação, a contagem passa a subsumirse à regra do art. 173, I, do CTN, que prevê o início da contagem no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. · rejeitaram o pedido de produção de pericia e provas No caso em exame, considerase desnecessária a perícia solicitada pela impugnante, por entendêla dispensável para o deslinde do presente julgamento. A realização de perícia pressupõe que o fato a ser provado necessite de conhecimento técnico especializado, fora do campo de atuação do julgador, o que não é o caso dos presentes autos. · No mérito, concluíram que apenas um dos produtos listados pela fiscalização mereceria reclassificação e conseqüente mudança da Fl. 4831DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 02/2015 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10980.728470/201241 Acórdão n.º 3401002.714 S3C4T1 Fl. 6 9 alíquota do IPI de 5% para 15%. Todos os demais produtos os Julgadores acolheram as alegações da impugnante. Feita a análise das classificações fiscais dos produtos fabricados pela empresa, concluiuse que apenas os produtos identificados na planilha 6.3.6 – “DISCO”, reclassificados no código 4823.90.99, sofreram alteração de alíquota de 5% para 15%. · Com relação às situações identificadas pela contribuinte para o não destaque do IPI nas notas fiscais de saída: Os Julgadores rejeitaram a referente a cancelamento de nota fiscal ou formulário. Porque a contribuinte deixou de apresentar todas as vias das notas fiscais ou formulários, com a respectiva declaração dos motivos que determinaram o cancelamento, o que torna insubsistente a alegação da contribuinte quanto a falta de destaque do IPI nos casos de cancelamento de nota fiscal e de formulário. (art. 330 do RIPI/2002). · Com relação às situações identificadas pela contribuinte para o não destaque do IPI nas notas fiscais de saída: Remessa por conta e ordem de terceiro. Eles concluiram: (a) manter a nota fiscal 1932 no lançamento porque a cópia apresentada não é do estabelecimento autuado, e sim da filial 03.631.412/000380, não fazendo prova a favor da contribuinte. (b) excluir a nota fiscal 26279 do lançamento por justificar a remessa por conta e ordem. (c ) manter as notas fiscais 17636 e 17961 porque a justificativa apresentada pela contribuinte por não ter sido destacado o imposto (remessa por conta e ordem de terceiro), não se enquadra no CFOP descrito nas notas fiscais, qual seja, CFOP 6.101 – Venda de Produção do Estabelecimento, bem como, não apresentam a informação “saído com suspensão do IPI” e declaração do dispositivo legal concessivo, que permitiria a saída com suspensão do imposto, conforme exigidos pela legislação (art. 341, inciso, III, do RIPI/2002) (e não foi apresentado qualquer outro elemento comprobatório). · Com relação às situações identificadas pela contribuinte para o não destaque do IPI nas notas fiscais de saída: Remessa de amostras grátis/sem valor comercial. Os Julgadores a rejeitam por que a contribuinte não atendeu as normas referentes ao preenchimento da nota fiscal de saída (art. 341, inciso I, do RIPI/2002), onde deve constar obrigatoriamente: a) a expressão “Isento do IPI” e, b) a declaração do dispositivo legal concessivo, que permitiu a saída com isenção do imposto; e a própria isenção também não pode ser reconhecida (artigo 51 , III, do RIPI). · Com relação às situações identificadas pela contribuinte para o não destaque do IPI nas notas fiscais de saída: Venda de produtos desclassificados para reciclagem (aparas). Os Julgadores a rejeitam por que a impugnante não atendeu os comandos impostos pelo art. 339, IV, e art. 353, II, c/c art. 40, VII, todos do RIPI (decreto 2.637/1998, pois não há qualquer nota fiscal em que conste no campo “descrição dos produtos” a identificação de “aparas”, ou qualquer menção à classificação fiscal na posição 47.07 PAPEL OU CARTÃO DE RECICLAR (DESPERDÍCIOS E APARAS), produto Fl. 4832DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 02/2015 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 10 classificado como NT (não tributado) na TIPI. Rejeita, por falta de prova, ainda a alegação de que se trata de revenda o item “TUBETES”. Ela afirmou que não são produzidos por ela, mas adquiridos por empresas de reciclagem para reutilização; contudo a natureza da operação descrita nas notas fiscais é de Venda de Produção do Estabelecimento (CFOP 5.101)”. · Com relação às situações identificadas pela contribuinte para o não destaque do IPI nas notas fiscais de saída: Suspensão de IPI com base no art. 29 da Lei nº 10.637/2002. A possibilidade das saídas dos produtos serem feitas com suspensão do imposto, somente podem ocorrer se observadas a condição prevista no §6º do art. 29 da Lei nº 10.637/2002: “§ 6º Nas notas fiscais relativas às saídas referidas no § 5º, deverá constar a expressão "Saída com suspensão do IPI", com a especificação do dispositivo legal correspondente, vedado o registro do imposto nas referidas notas.” Os Julgadores decidiram: Há a declaração exigida no inciso II, do §7º do art. 29 da Lei nº 10.637/2002 para as empresas: José Sacramente da Silva Campinas ME CNPJ 05.532.663/000170 e Sache & Sache Indústria de Alimentos LTDA CNPJ 07.553.716/000165. Mas nem todas as notas traziam justificativa. Assim, decidiram excluir do lançamento por justificarem a suspensão do IPI com base no art. 29 da Lei nº 10.637/2002, as seguintes notas fiscais: 20728, 20802, 20878, 21214, 21348, 20695, 20914, 21356, 21393, 21921, 22205, 22393, 22460, 22507, 22746, 22777, 22857, 23153, 23185 (fl. 2802), 23358, 23410, 23552, 23703, 23764 (fl. 2808), 23964, 24004, 24035, 24110, 24138, 24208, 24242, 20695 e 933 e não excluir do lançamento do imposto, por não atenderem o art. 29 da Lei n. 10.637, de 2002, nas seguintes notas fiscais: 20387, 19267, 19401, 19402, 19500, 19573, 19676, 19808, 20879, 17504, 17571, 17852, 18565, 18951, 19059, 19315, 19443, 19510, 19549, 19661, 19770, 19826, 19949, 20045, 20134, 20220, 20277, 20345, 20442, 20491, 22604, 22776, 22981, 23939, 20826, 20915 e 1046. Mas com relação às adquirentes IEB Indústria de Embalagens da Bahia LTDA 02.546.658/000129, Cooperativa dos Exportadares de Frutas Vale do São Francisco CNPJ 07.421.244/000197 e Aracruz Celulose S/A 42.157.511/0039 34, a impugnante não apresentou a declaração exigida no inciso II, do § 7º do art. 29 da Lei nº 10.637/2002. Nestes casos, devese considerar indevida a suspensão do IPI, mantendo o lançamento tendo em vista a falta de apresentação da declaração. § Com relação às situações identificadas pela contribuinte para o não destaque do IPI nas notas fiscais de saída: Operações de Exportação. Os Julgadores rejeitaram porque não foi apresentado qualquer outro elemento comprobatório além das referidas notas fiscais, restando não comprovada a operação de exportação e a suspensão prevista no art. 42, II, do RIPI/2002 (referente a saídas diretamente a exposição em feiras e amostras e promoções semelhantes), exceto para as notas fiscais 8, 83, Fl. 4833DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 02/2015 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10980.728470/201241 Acórdão n.º 3401002.714 S3C4T1 Fl. 7 11 1376, 4560 serão excluídas do lançamento por justificarem a exportação, bem como, a suspensão prevista no art. 42, II, do RIPI/2002 § Com relação à glosa dos créditos relativos às entradas de insumos adquiridos de empresas optantes pelo simples ou pequeno porte, mantêm a glosa referente apenas à nota fiscal nº 1191, de 21/09/2010, no valor total de R$ 5,88 por que a operação realizada referese a operação de compra de material para uso ou consumo e deflui da lei a vedação à apropriação pelas empresas industriais adquirentes do IPI calculado conforme a sistemática do SIMPLES – Decreto nº 4.544, de 26 de dezembro de 2002 (RIPI/2002), art. 166, cuja matriz legal é a Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996, art. 5º, § 5º: § Com relação à glosa dos créditos relativos às entradas de insumos adquiridos da empresa OLIPEL e da aplicação da multa qualificada e majorada, eles concluíram mantêla integralmente face as provas trazidas pela fiscalização: Em relação ao fornecedor OLIPEL, há provas contundentes acerca da inidoneidade da documentação fiscal, pois o Termo de Verificação Fiscal, às fls. 1720/1727, descreve minuciosamente todas as fiscalizações e diligências realizadas na empresa, demonstrando cabalmente a inexistência de fato da empresa. Neste caso, estando comprovado a inexistência de fato da empresa, caracterizase a máfé da impugnante e a inidoneidade das notas fiscais. Há uma inversão do ônus da prova cabendo à recorrente comprovar que efetivamente ocorreram as operações de compra de matériasprimas, e que agiu de boafé. Para aquelas empresas que se utilizam de documentação inidônea, a boafé deve ser evidenciada através da comprovação do efetivo pagamento das operações e recebimento e internamento dos insumos. A contribuinte, durante a fiscalização, foi intimada a comprovar a efetiva entrada dos insumos e o seu pagamento, mas nada apresentou. Na impugnação, confirma que não ter condições de comprovar o pagamento e a efetiva entrada dos produtos em seu estabelecimento, pois “acredita que as notas fiscais em comento, bem como os respectivos comprovantes de pagamento, tenham sido extraviadas quando esses mesmos documentos foram solicitados pelo Fisco Estadual quando da realização de fiscalização anterior.” Assim, diante da falta de comprovação de que as operações comerciais registradas na contabilidade da autuada e representadas pelas notas fiscais tidas por inidôneas efetivamente ocorreram, corretas as glosas dos créditos do IPI. Conseqüentemente, na medida em que a autuada se valeu de notas fiscais inidôneas, que não correspondem a transações comerciais reais, fica patente sua intenção de criar uma aparência de realidade com o intuito de subtrairse ao pagamento dos tributos devidos e de dar às autoridades administrativas, que examinassem sua escrituração fiscal, a impressão de que nada haveria de irregular. Fl. 4834DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 02/2015 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 12 Diante disso, comprovado o aproveitamento de notas fiscais inidôneas correta a imposição da multa de ofício qualificada por intuito de fraude, uma vez que a autuada agiu dolosamente no sentido de retardar ou impedir o conhecimento, por parte da autoridade administrativa, da ocorrência do fato gerador. · Os Julgadores de 1ª Instância repelem as alegações da contribuinte sobre as multas de 75% e 225%, e justificam que "Não há efeito confiscatório em multa punitiva aplicada com amparo em ato legal resultante da atividade do Poder Legislativo; não há, tampouco, a vulneração de outros princípios tributários assentados na Constituição Federal, como o da legalidade". · Com relação à multa sobre o IPI não lançado com cobertura de crédito, concluíram pela sua procedência, pois há comprovação de IPI na nota fiscal quando deveria sêlo. E explicam: No tocante à inconformidade quanto à multa de ofício, cumpre esclarecer que essa penalidade foi exigida em estrita conformidade com o art. 80, da Lei no 4.502, de 1964. Conforme anotado no auto de infração à fl. 1649, para os fatos geradores até 21/01/2007, a redação era a seguinte: Art. 80. A falta de lançamento do valor, total ou parcial, do imposto sobre produtos industrializados na respectiva nota fiscal, a falta de recolhimento do imposto lançado ou o recolhimento após vencido o prazo, sem o acréscimo de multa moratória, sujeitará o contribuinte às seguintes multas de ofício: I setenta e cinco por cento do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido ou que houver sido recolhido após o vencimento do prazo sem o acréscimo de multa moratória;(grifouse) Para os fatos geradores entre 22/01/2007 a 14/06/2007, a redação desse artigo foi dada pelo art. 13 da Medida Provisória 351/2007, que tinha o seguinte teor: Art. 80. A falta de lançamento do valor, total ou parcial, do imposto sobre produtos industrializados na respectiva nota fiscal ou a falta de recolhimento do imposto lançado sujeitará o contribuinte à multa de ofício de setenta e cinco por cento do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido.(grifouse) Por fim, para os fatos geradores a partir de 15/06/2007, a redação do artigo 80 da Lei 4.502, passou a ter a seguinte redação, dada pelo art. 13 da Lei 11.488, de 15/06/2007. Art. 80. A falta de lançamento do valor, total ou parcial, do imposto sobre produtos industrializados na respectiva nota fiscal ou a falta de recolhimento do imposto lançado sujeitará o contribuinte à multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) do valor do Fl. 4835DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 02/2015 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10980.728470/201241 Acórdão n.º 3401002.714 S3C4T1 Fl. 8 13 imposto que deixou de ser lançado ou recolhido.(grifouse) A infração é caracterizada pela falta de destaque do valor, total ou parcial do imposto na respectiva nota fiscal, independentemente do contribuinte possuir créditos na escrita fiscal suficientes para compensar os débitos assim apurados, ou que tenha recolhido uma parcela dos débitos devidos. Portanto, o valor da multa que deveria e foi exigida, nos termos do mandamento legal supra transcrito, é de 75 % dos débitos não lançados nas notas fiscais de saída. O que ocorre é que o valor não destacado na nota fiscal nem sempre é o valor do IPI a cobrar, pois o cálculo do imposto é feito na conta gráfica do IPI, com base nos registros de débito e crédito desse imposto, frente à sua natureza nãocumulativa. O fato do sistema da RFB, utilizado para os cálculos dos valores a cobrar, demonstrar a multa em 2 itens distintos (“MULTA PROPORCIONAL” e “MULTA IPI NÃO LANÇADO C/ COBERT. CRÉD), nada importa em termos jurídicos, pois o fundamento legal é único. Por isso, despropositado em falarse em multa proporcional e multa isolada, pois se trata de exigência de multa com única causa jurídica que incide sobre o IPI não destacado na nota fiscal quando deveria sêlo. Em suma, a multa é única e proporcional, eis que é valorada em proporção do valor do IPI não destacado no documento fiscal de saída. · Os Julgadores a quo consideram corretas, ao contrário do argumentado pelas impugnantes, as indicações dos sócios administradores Antônio Zanchett, Elias Antônio Zattar, Christian Robert Zanchett e Kelly Cristine Zanchett como solidários pelo crédito tributário com fundamento no art. 124 do CTN. Ao final recompõem os valores do crédito tributário exigível e concluem: Em face de todo o exposto, voto por julgar procedente em parte a impugnação, para: a) manter a imputação de responsabilidade solidária aos sócios; e b) alterar o valor do crédito tributário originalmente lançado, acrescidos dos juros regulamentares, com redução do imposto de R$ 2.478.229,34 para R$ 651.111,29 e da multa proporcional de R$ 2.266.249,31 para R$ 644.499,70, conforme “Demonstrativo de Multa e Juros de Mora” acima, e redução da multa sobre o IPI não lançado com cobertura de crédito de R$ 265.465,14 para R$ 140.446,94, conforme “Demonstrativo de Apuração” acima exposto. O Acórdão n. 1447.977 de18 de dezembro de 2013 teve a seguinte Ementa: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2010 CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE PRODUTOS. Os papéis ou cartões impressos, revestidos e recobertos da posição 48.11, apresentados em bobinas ou folhas de Fl. 4836DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 02/2015 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 14 papel, destinados a fabricação de embalagens, são excluídos da posição 48.19 (Caixas, sacos, bolsas, cartuchos e outras embalagens, de papel, cartão, pasta (“ouate”) de celulose ou de mantas de fibras de celulose; cartonagens para escritórios, lojas e estabelecimentos semelhantes), conforme as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH), aprovadas pelo Decreto nº 435, de 1992, e atualizadas pela Instrução Normativa RFB nº 807, de 2008, relativas a própria posição 48.19. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. PAPEL KRAFT CORTADO EM FORMA DIFERENTE DA QUADRADA OU RETANGULAR. O papel kraft cortado em formato de disco, à luz das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH), aprovadas pelo Decreto nº 435, de 1992, e atualizadas pela Instrução Normativa RFB nº 807, de 2008, são excluídos da posição 48.11 (Papel, cartão, pasta ("ouate") de celulose e mantas de fibras de celulose, revestidos, impregnados, recobertos, coloridos à superfície, decorados à superfície ou impressos, em rolos ou em folhas de forma quadrada ou retangular, de quaisquer dimensões, exceto os produtos dos tipos descritos nos textos das posições 48.03, 48.09 ou 48.10), por não se apresentarem em tiras ou em rolos ou em folhas de forma quadrada ou retangular, de qualquer formato. O papel em folhas de forma quadrada ou retangular, com cantos arredondados, não é excluído da posição 48.11. APLICAÇÃO DE ALÍQUOTA MENOR QUE A DEVIDA. Aplicação de alíquota do imposto, menor do que a devida, por erro de alíquota/classificação fiscal dos produtos, justifica o lançamento de ofício da diferença, com os respectivos acréscimos legais. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2010 CRÉDITOS DE IPI. FORNECEDORES OPTANTES PELO SIMPLES. A legislação em vigor não permite o creditamento do IPI relativo a insumos adquiridos de empresas optantes pelo SIMPLES. NOTAS FISCAIS INIDÔNEAS. GLOSA DE CRÉDITO. Sendo de emissão de empresa que comprovadamente inexistia de fato, e não tendo sido comprovado o pagamento e a efetiva movimentação das mercadorias descritas em tais notas fiscais, é de se concluir que ocorreu o expediente doloso das chamadas “notas frias”, disso decorrendo a glosa do crédito básico escriturado. SUSPENSÃO DO IMPOSTO. DECLARAÇÃO DO ADQUIRENTE. REQUISITO LEGAL. LEI N° 10.637, DE 2002, ART. 39. Fl. 4837DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 02/2015 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10980.728470/201241 Acórdão n.º 3401002.714 S3C4T1 Fl. 9 15 O contribuinte do IPI não pode dar saída a produtos com suspensão do imposto sem a prévia declaração dos adquirentes de que satisfaçam, para o período, os requisitos previstos em lei. SAÍDAS SEM INDICAÇÃO DA SUSPENSÃO DO IMPOSTO. A falta de destaque do IPI nas notas fiscais de saída, sem o registro regulamentar da suspensão, justifica o lançamento de ofício do imposto com os devidos acréscimos legais. IPI. AMOSTRA GRÁTIS. EXIGIBILIDADE. É devida a exigência do IPI nas saídas promovidas pelo estabelecimento industrial, sem lançamento do imposto, a título de “amostras grátis”, quando não comprovada a estrita observância dos requisitos regulamentares do RIPI/2002. ÔNUS DA PROVA. Se as premissas em que se assentam o lançamento foram informadas pela empresa ou se retiradas de suas notas fiscais, a esta cabe o ônus da prova para que possam ser retificadas. IPI. AUTO DE INFRAÇÃO. ERRO NO LANÇAMENTO. Constatada irregularidade no lançamento que não importa em nulidade do feito, procedese à devida retificação, nos termos do art. 60 do Decreto nº 70.235/72, quando resultar em prejuízo para o sujeito passivo. MULTA DE OFÍCIO. FALTA DE LANÇAMENTO. LEGALIDADE. A multa de ofício no lançamento de crédito tributário que deixou de ser recolhido ou declarado é aplicada no percentual determinado expressamente em lei. MULTA DE OFÍCIO. FALTA DE LANÇAMENTO DO IMPOSTO, COM COBERTURA DE CRÉDITO. É lícita a imposição de multa de ofício, proporcional ao valor do imposto que deixou de ser destacado na nota fiscal de saída, mesmo havendo saldo credor na escrita fiscal do sujeito passivo. MULTA DE OFÍCIO. INFRAÇÃO QUALIFICADA. Infligese a multa por infração qualificada quando comprovado o evidente intuito de fraude. MULTA. INCONSTITUCIONALIDADE. Não cabe à autoridade julgadora administrativa questionar a justiça, legalidade e constitucionalidade da multa. DECADÊNCIA. DOLO. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO. IPI. O direito de a Fazenda Pública rever lançamento por homologação em que não haja pagamento de tributo ou o sujeito passivo tenha se utilizado de dolo, fraude ou simulação, extinguese no prazo de 5 (cinco) anos, Fl. 4838DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 02/2015 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 16 contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. É cabível a atribuição de responsabilidade solidária àqueles que tiverem interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação tributária apurada e/ou às pessoa expressamente designadas por lei (art. 124 do CTN). PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Apesar de ser facultado ao sujeito passivo o direito de solicitar a realização de diligências, compete à autoridade julgadora decidir sobre sua efetivação, podendo ser indeferidas as que considerar prescindíveis. A contribuinte ingressou com Recurso Voluntário por meio da qual argumenta as razões trazidas na impugnação e já expostas neste Relatório, motivo porque deixo de reproduzilas aqui. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira. Tempestivo o recurso e atendidos os demais requisitos de admissibilidade. Inverto a ordem de enfrentamento dos tópicos por entender que concorrerá pela melhor condução do debate. Determinação de existência de conduta dolosa no relacionamento com a OLIPEL A fiscalização glosou os créditos relativos às entradas de insumos adquiridos da empresa OLIPEL, que não foi localizada e foi declarada inapta, por que os considerou irregulares e fraudulentos, no seu conjunto. Nesse sentido, divirjo da recorrente: o fato de a impugnante não ter localizado e, conseqüentemente, não ter apresentado notas fiscais e comprovantes de pagamento é motivo, sim, determinante para que haja a glosa com a justificativa de utilização de notas fiscais inidôneas. Não se trata de uma nota fiscal isolada, mas de uma série de operações continuadas ao longo de muitos meses. Os contribuintes não devem cuidar da gestão tributária de seus fornecedores, mas podem estar atentos com notas fiscais de empresas que não possuem endereço certo e cuidar de manter em ordem os documentos que demonstram a efetividade e correção das operações relacionadas a essas notas fiscais. Considerando a extensão do relacionamento mantido da contribuinte com a OLIPEL e o fato de o contribuinte não ter trazido à fiscalização e aos autos documentos que demonstrasse as condições das operações entre elas realizadas, e de uma empresa que não foi localizada e declarada inapta e sua documentação fiscal considerada inidônea, entendo que Fl. 4839DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 02/2015 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10980.728470/201241 Acórdão n.º 3401002.714 S3C4T1 Fl. 10 17 ficou caracterizada nos autos a conduta dolosa da contribuinte no caso da escrituração de créditos advindos de notas fiscais da empresa OLIPEL. Desse modo, considerandose que o § 4º do art. 150 excepciona as hipóteses em que tenha ocorrido dolo, fraude ou simulação, a contagem passa a subsumirse à regra do art. 173, I, do CTN, que prevê o início da contagem no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. As situações em que houve autuação na constatação de falta de destaque do IPI com concorrência de descumprimento de formalidade: A recorrente alega, que em muitos casos, a falta de destaque do IPI pela impugnante não foi feito de máfé, mas em observância à legislação pertinente: cancelamento de nota fiscal ou formulário, da remessa de amostra sem valor comercial, venda de produtos desclassificados para reciclagem (aparas), operações de exportação, remessa por conta e ordem de terceiro e casos de suspensão amparados pelo art. 29 da Lei 10.637/02 e pela Instrução Normativa n° 296/03. Com relação a esse aspecto, afiliome aos que sublinham que os instrumentos de controle devem estar a serviço de suas finalidades maiores, e que a formalidade é essencial, mas deve ser balanceada com a verdade material, mesmo que a posteriori. A penalidade administrativa porventura existente não poderia ser afastada pela comprovação do desrespeito à norma administrativa, mas no plano do tributo, se comprovado que houve apenas erro formal, não se afastaria a eficácia desse registro automaticamente, sem se perquirir a correspondência com a realidade dos fatos. Por isso, proponho a esta alta Corte que sejam desconstituídas da exigência em discussão as infrações baseadas em descumprimento de formalidades de controle e que a recorrente demonstrou correção e atendimento das normas de regência, mesmo que a posteriori. Situações de discussão baseadas em reclassificação fiscal, com recurso de ofício. Com relação aos casos de reclassificação fiscal, revi cada um deles e esposei o mesmo entendimento a que chegou os Julgadores a quo, motivo por que, nesse âmbito proponho negarmos o recurso de ofício. Mas precisamente com relação ao único tipo de produto que essa decisão manteve sob exigência, teço alguns comentários, apreciando as argumentações da recorrente. É fato que são os textos das posições, das subposições, dos itens, subitens e dos destaques “Ex”, que determinam a classificação fiscal de um produto. As regras de 2 a 5 somente são aplicadas se os textos ou as notas não forem suficientes para o devido enquadramento. Entretanto, as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH) foram aprovadas pelo Decreto nº 435, de 27 de janeiro de 1992. As respectivas alterações foram aprovadas pela Instrução Normativa nº 157, de 10 de maio de 2002, e alterações posteriores. A Fl. 4840DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 02/2015 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 18 chamada NESH, portanto, pode ser fonte subsidiária de interpretação e recurso hábil para ajudar para o enquadramento correto de classificação fiscal de mercadorias; ou seja, ela não substitui ou se sobrepõe às regras próprias da classificação. A contribuinte classificou o produto “DISCO” no código 4811.59.29 da TIPI, alíquota 5%, enquanto a fiscalização entendeu que o correto seria no código 4823.90.99, com alíquota de 15%. O texto das posições 48.11 e 48.23 da TIPI informam: 48.11 Papel, cartão, pasta ("ouate") de celulose e mantas de fibras de celulose, revestidos, impregnados, recobertos, coloridos à superfície, decorados à superfície ou impressos, em rolos ou em folhas de forma quadrada ou retangular, de quaisquer dimensões, exceto os produtos dos tipos descritos nos textos das posições 48.03, 48.09 ou 48.10 48.23 Outros papéis, cartões, pasta ("ouate") de celulose e mantas de fibras de celulose, cortados em forma própria; outras obras de pasta de papel, papel, cartão, pasta (“ouate”) de celulose ou de mantas de fibras de celulose A fiscalização reenquadrou o produto por que o mesmo se apresenta sob o formato de “disco”, ou ainda, folhas circulares, (consoante informações apresentadas pela contribuinte em resposta ao Termo de Intimação 03 itens 41 a 48 fls. 482/484). A recorrente afirma que pelo fato do papel ser impregnado e revestido ele deveria ser enquadrado na posição 4811 porque o texto é expresso nesse sentido e esse lhe confere a qualidade de ser mais especifico que a posição 4823, de caráter subsidiário. Entretanto, divirjo dessa ponderação da recorrente, pois o texto da posição 4811 é positivo ao remeter aposição 4823 os papeis revestidos ou impregnados que tenha formato diferente do quadrado, como é o caso em análise. Conforme ensinamentos da NESH da posição 48.11: Só se incluem nesta posição o papel e o cartão apresentados em tiras ou em rolos ou em folhas de forma quadrada ou retangular, de qualquer formato. Cortados em outras formas, classificamse em outras posições do presente Capítulo (por exemplo, posição 48.23). (...) As Notas Explicativas da posição 48.23 esclarecem: A presente posição compreende: A) O papel, o cartão, a pasta (ouate) de celulose e as mantas de fibras de celulose não compreendidos em uma das posições precedentes do presente Capítulo: em tiras ou rolos de largura não superior a 36 cm; Fl. 4841DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 02/2015 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10980.728470/201241 Acórdão n.º 3401002.714 S3C4T1 Fl. 11 19 em folhas de forma quadrada ou retangular em que nenhum dos lados exceda 36 cm, quando não dobradas; recortados em forma diferente da quadrada ou retangular. (grifouse) Portanto, correta a análise e conclusão dos Julgadores a quo: “Em virtude das informações apresentadas pela contribuinte, notas explicativas da NESH quanto ao capítulo 48 e posição 48.23, podemos concluir que os produtos em análise devem ser classificados na posição 48.23 Outros papéis, cartões, pasta ("ouate") de celulose e mantas de fibras de celulose, cortados em forma própria; outras obras de pasta de papel, papel, cartão, pasta (“ouate”) de celulose ou de mantas de fibras de celulose. “ Em face do exposto e com base nas RGI 1ª e 6ª (Textos da Posição 4823 e da Subposição 4823.90), combinadas com a RGC/TIPI, todas da TIPI, estes produtos devem ser classificados no código 4823.90.99 – “outros” e tributados a alíquota de 15%, conforme demonstrado na planilha 6.3.6 “DISCO”. Os casos decorrentes da falta de destaque do IPI pela impugnante serão tratados no decorrer do voto. Com relação à multa de ofício atacada pela recorrente, não vejo como se possa dar guarida à sua argumentação. A multa de ofício, proporcional ao montante do tributo devido, é a penalidade pecuniária prevista para o nãopagamento do tributo vinculado ao fato gerador ocorrido. No caso, creio que as multas de ofício de 75% e 225% foram aplicadas com absoluta correção. Com relação à multa sobre o IPI não lançado com cobertura de crédito, pareceme que não procede as acusações da recorrente. Minha leitura ao artigo 80 da Lei n. 4.502, de 1964, com a redação dada pelo art. 13 da Lei 11.488, de 15/06/2007 é de que cabe a penalidade quando se tem IPI não lançado, como é o caso em discussão. Art. 80. A falta de lançamento do valor, total ou parcial, do imposto sobre produtos industrializados na respectiva nota fiscal ou a falta de recolhimento do imposto lançado sujeitará o contribuinte à multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido.(grifouse) Em minha leitura, a infração é caracterizada pela falta de destaque do valor, total ou parcial do imposto na respectiva nota fiscal, independentemente do contribuinte possuir créditos na escrita fiscal suficientes para compensar os débitos assim apurados, ou que tenha recolhido uma parcela dos débitos devidos. Assim, concluo correto o valor da multa que deveria e foi exigida, nos termos do mandamento legal supra transcrito. Preliminar de decadência Fl. 4842DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 02/2015 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 20 Pareceme que assiste razão à recorrente quando ela alega que a decadência deve se reger pela norma do § 4º do art. 150 do CTN se há pagamento antecipado do imposto e não se provou conduta fraudulenta. No caso aqui discutido, entendo que houve pagamento antecipado nos casos de alteração da classificação fiscal com implicação e majoração da alíquota e não há concorrentemente a imputação de conduta fraudulenta. Portanto, todos os casos relacionados à OLIPEl, por se considerar resultante de conduta fraudulenta, são regidos pela norma do inciso I do art. 173 do CTN, e , como demonstrado no acórdão recorrido, não foram alcançados pela lâmina decadencial. Por outro lado, concordo com os Julgadores a quo que não houve antecipação de pagamento quando não houve destaque válido nas notas fiscais. A apuração em conta gráfica é considerado pagamento nos termos do artigo 124 do RIPI, mas sublinho que essa equiparação não poderia ser transposta para a apuração da decadência quando não houve destaque válido na nota fiscal do imposto. Assim, concordo os Julgadores de 1ª Instância de que, para as demais situações tratadas nesta autuação, que não seja alteração majoração de alíquota, não houve pagamento antecipado em nenhum dos períodos de apuração do ano de 2007, e “a análise da decadência deve ser feita como no lançamento de ofício, que é regido pelo art. 173, I, do CTN”, abaixo transcrito: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos contados: I – do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; (...) (grifouse) Portanto, para os períodos de apuração de 2007 em que não houve pagamento antecipado, a contagem do prazo da decadência iniciase a partir de 1º de janeiro de 2008, encerrandose em 31 de dezembro de 2012. Como a impugnante tomou ciência do lançamento em 12 de novembro de 2012, não ocorreu a decadência para o ano de 2007 como erroneamente alegado pela contribuinte. Com relação à atribuição de Responsabilidade Solidária. Foi imputada responsabilidade passiva solidária em desfavor de Antônio Zanchett CPF 065.282.87953, Elias Antônio Zattar CPF 058.611.79972, Christian Robert Zanchett CPF 021.530.46912 e Kelly Cristine Zanchett CPF 844.023.93949, que exerceram a função de sócios administradores, durante todo o período fiscalizado, conforme clausula décima da primeira alteração contratual. Esses sócios participam do capital social e tem poderes integrais de administração da sociedade empresarial. A autoridade fiscal justificou a inclusão dos sócios no pólo passivo como responsáveis solidários nos termos do art. 124 do CTN, que assim dispõe: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I – as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II – as pessoas expressamente designadas por lei. Fl. 4843DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 02/2015 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10980.728470/201241 Acórdão n.º 3401002.714 S3C4T1 Fl. 12 21 O CTN admite duas modalidades de solidariedade passiva. A solidariedade de fato, (art. 124, I), quando há uma pluralidade de pessoas com interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Seria o caso, v.g., de três pessoas importarem determinada mercadoria estrangeira ou de cinco pessoas coproprietárias de um bem imóvel. Todas elas ficarão responsáveis, solidariamente, perante a Fazenda Pública respectiva, pelo pagamento do imposto sobre a importação ou do imposto sobre a propriedade predial. A solidariedade nasce em razão da própria natureza do fato gerador da respectiva obrigação, pela própria natureza do imposto em causa. Se várias pessoas participam de fato de determinada obrigação tributária, os efeitos jurídicos abrangerão todas elas, que passam a ser solidárias diante do cumprimento da prestação tributária. Verificase a solidariedade de direito (art. 124, II) quando resultar de determinação expressa de lei. A solidariedade passiva tributária provém da expressa disposição da lei, seja com caráter de sanção ou então para facilitar a cobrança da prestação tributária. São solidariamente obrigadas as pessoas expressamente designadas na lei. No presente caso, aplicase o inciso II, pois a legislação que cuida do IPI dispõe expressamente a respeito no art. 8º do DecretoLei nº 1.736, de 20 de dezembro de 1979, cujo comando legal vem encartado no art. 28º do RIPI/2002: Art. 28. São solidariamente responsáveis com o sujeito passivo, no período de sua administração, gestão ou representação, os acionistas controladores, e os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, pelos créditos tributários decorrentes do não recolhimento do imposto no prazo legal (DecretoLei no 1.736, de 20 de dezembro de 1979, art. 8o). No que se refere à solidariedade de fato, caracterizase como solidária a pessoa que realiza conjuntamente com outra, ou outras pessoas, a situação que constitui o fato gerador, ou que, em comum com outras, esteja em relação econômica com o ato, fato ou negócio que dá origem à tributação. Na configuração da solidariedade é relevante que haja a participação comum na realização do resultado, e não a mera participação naquilo que represente o produto do lucro. Não há necessidade de previsão legal para caracterizála, tampouco comporta benefício de ordem. A existência de interesse comum é situação que somente em cada caso pode ser examinada. situação que deve ser examinada em cada caso. Voltando à figura da responsabilidade solidária, prevista no inciso I do art. 124 do CTN, impõe ressaltar que se trata de situações em que duas ou mais pessoas podem apresentarse na condição de sujeito passivo, obrigandose cada uma delas por toda a dívida tributária, embora como bem explicitou Paulo de Barros Carvalho (Curso de Direito Tributário, Saraiva, 8ª ed., 1996, p.220): ...o interesse comum dos participantes no acontecimento factual não representa um dado satisfatório para a definição do vínculo da solidariedade. Em nenhuma dessas circunstâncias cogitou o legislador desse elo que aproxima os participantes do fato, o que ratifica a precariedade do método preconizado pelo inc. I do art. 124 do Código. Fl. 4844DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 02/2015 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 22 A norma inscrita no art. 124, I, do CTN trata da solidariedade de fato, que se verifica entre as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação. Ressaltese que tal solidariedade poderá ocorrer nas hipóteses em que o fato se caracterize pela presença de pessoas em posições contrapostas, com objetivos antagônicos. O requisito essencial para caracterização é a existência de interesse comum que, obviamente, beneficie a ambos. Resta indagar qual poderia ser o interesse comum entre a sociedade empresária e os sócios, apto a beneficiálos. O interesse comum na situação que constituiu o fato gerador achase materializado na participação societária. Afinal, eventual ganho da sociedade empresária repercute direta ou indiretamente no patrimônio dos sócios. Diretamente, por via da distribuição de lucros; indiretamente pela valorização patrimonial na sociedade, o que, em termos absolutos, incrementa a participação dos sócios. Considero corretas, portanto, as indicações dos sócios administradores Antônio Zanchett, Elias Antônio Zattar, Christian Robert Zanchett e Kelly Cristine Zanchett como solidários pelo crédito tributário com fundamento no art. 124 do CTN. Por tudo isso proponho que o Recurso seja considerado procedente apenas em parte. Eloy Eros da Silva Nogueira Relator Voto Vencedor Conselheiro Robson José Bayerl, Redator designado Com todo respeito ao entendimento esposado pelo eminente Relator, divirjo quanto à manutenção do agravamento da multa qualificada imposta. Entendo equivocada a premissa adotada pela fiscalização quanto ao agravamento/qualificação da multa aplicada, em relação às aquisições não comprovadas da pessoa jurídica OLIPEL IND. COM. DE EMBALAGENS DE PAPEL E PLÁSTICOS (CNPJ 04.737.531/000112), eis que tomou como requisitos para sua implementação a ocorrência do intuito doloso, como majorante, e a ocorrência de fraude, sonegação e conluio, como qualificadora, pelo que se extrai da seguinte passagem do Termo de Verificação Fiscal: “Os fatos e circunstâncias acima descritos comprovam a conduta dolosa do contribuinte (notas fiscais que não correspondem, de fato, às operações nelas descritas) e demonstram que no presente caso a PENALIDADE básica deve ser majorada em 100% (cem por cento) sujeitando o contribuinte à incidência da MULTA QUALIFICADA prevista pela LEI equivalente a 150% (cento e cinqüenta por cento) do valor do imposto que o mesmo se creditou indevidamente em razão das notas fiscais inidôneas emitidas (em tese) pela empresa ‘OLIPEL’. Entendemos também que o contribuinte praticou DOLOSAMENTE as circunstâncias QUALIFICATIVAS previstas Fl. 4845DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 02/2015 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10980.728470/201241 Acórdão n.º 3401002.714 S3C4T1 Fl. 13 23 para a modalidade de SONEGAÇÃO FISCAL, FRAUDE e CONLUIO (art. 480, art. 481 e art. 4825 do RIPI/02; Lei nº 4.502, de 1964, art. 71), implicando no agravamento da multa por caracterização do evidente intuito de fraude. (...)” Para melhor balizar o raciocínio, acentuo que o RIPI/02 (Decreto nº 4.544/02) arrolou as circunstâncias que agravam e qualificam a multa de ofício em seus arts. 476 e 477, verbis: “Circunstâncias Agravantes Art. 476. São circunstâncias agravantes (Lei nº 4.502, de 1964, art. 68, § 1º, e Decretolei nº 34, de 1966, art. 2º, alteração 18ª); I a reincidência específica (Lei nº 4.502, de 1964, art. 68, § 1º, inciso I, e Decretolei nº 34, de 1966, art. 2º, alteração 18ª); II o fato de o imposto, não destacado, ou destacado em valor inferior ao devido, referirse a produto cuja tributação e classificação fiscal já tenham sido objeto de solução em consulta formulada pelo infrator (Lei nº 4.502, de 1964, art. 68, § 1º, inciso II, Decretolei nº 34, de 1966, art. 2º, alteração 18ª, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 48 a 50); III a inobservância de instruções dos AFRF sobre a obrigação violada, anotadas nos livros e documentos fiscais do sujeito passivo (Lei nº 4.502, de 1964, art. 68, § 1º, inciso III, e Decretolei nº 34, de 1966, art. 2º, alteração 18ª); IV qualquer circunstância, não compreendida no art. 477, que demonstre artifício doloso na prática da infração (Lei nº 4.502, de 1964, art. 69, § 1º, inciso IV, e Decretolei nº 34, de 1966, art. 2º, alteração 18ª); e V qualquer circunstância que importe em agravar as conseqüências da infração ou em retardar o seu conhecimento pela autoridade fazendária (Lei nº 4.502, de 1964, art. 68, § 1º, inciso IV, e Decretolei nº 34, de 1966, art. 2º, alteração 18ª). Circunstâncias Qualificativas Art. 477. São circunstâncias qualificativas a sonegação, a fraude e o conluio (Lei nº 4.502, de 1964, art. 68, § 2º, e Decretolei nº 34, de 1966, art. 2º, alteração 18ª)” Os critérios de majoração das penalidades cabíveis, por seu turno, foram regulados pelo art. 478, sendo que os arts. 479 a 482, por sua vez, destinaramse à conceituação de institutos. Pois bem, o intuito doloso de cometer a infração tributária, mediante fraude, sonegação ou conluio, a teor dos arts. 476 e 478, não é circunstância agravante ou majorante, sendo simples elemento caracterizador daquelas figuras, porquanto não há que se falar em fraude, sonegação ou conluio sem a comprovação do intuito doloso. Outrossim, o procedimento de registrar aquisições não documentadas de empresas inidôneas, que é a conduta autuada, por si só e a meu juízo, não se caracteriza como sonegação, pois não tende a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária Fl. 4846DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 02/2015 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 24 principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; e as condições pessoais do contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. O modus operandi descrito revela, isto sim, a ocorrência de fraude, que corresponde a toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento, uma vez que, ao registrar no livro mod. 8 (Livro Registro de Apuração do IPI) créditos de IPI relativos a aquisições não comprovadas, o contribuinte reduziu o montante do imposto devido, além de diferir o pagamento do montante apurado. Nesta senda, não vislumbrando qualquer circunstância agravante (art. 476), mas tão somente a verificação de uma única circunstância qualificativa – fraude – (arts. 477 c/c 481) aplicável apenas a multa de 150% (cento e cinqüenta por cento), descabendo, portanto, a majoração prevista no art. 478, II. Em síntese, o agravamento/majoração da penalidade pela mera comprovação do intuito doloso, a par de não encontrar respaldo na legislação tributária, revela verdadeiro bis in idem, uma vez que sua ocorrência já foi sopesada na configuração da FRAUDE, esta sim, circunstância qualificadora da conduta, razão pela qual o percentual de multa incidível ao caso vertente deve se limitar a 150% (cento e cinqüenta por cento), nos termos do art. 44, § 1º da Lei nº 9.430/96. Pelo exposto, dou provimento ao recurso para reduzir a multa de ofício ao patamar de 150% (cento e cinqüenta por cento) sobre as operações envolvendo as aquisições da pessoa jurídica OLIPEL IND. COM. DE EMBALAGENS DE PAPEL E PLÁSTICOS (CNPJ 04.737.531/000112). Robson José Bayerl Declaração de Voto DECLARAÇÃO DE VOTO – Raquel Motta Brandão Minatel Conforme é possível perceber do Auto de Infração, foi imputada responsabilidade passiva solidária em desfavor de Antônio Zanchett CPF 065.282.87953, Elias Antônio Zattar CPF 058.611.79972, Christian Robert Zanchett CPF 021.530.46912 e Kelly Cristine Zanchett CPF 844.023.93949, que exerceram a função de sócios administradores durante o período fiscalizado. A imputação de responsabilidade tributária aos Recorrentes se deu com fundamento no art. 124, do CTN. Porém, a Fiscalização não indicou o inciso do referido artigo que estaria aplicando, o que é fundamental para a correta fundamentação legal do AI. Assim, passase a analise dos dois incisos do artigo 124, a fim de verificar se algum deles poderia ser utilizado para lastrear a autuação. Art. 124. São solidariamente obrigadas: Fl. 4847DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 02/2015 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10980.728470/201241 Acórdão n.º 3401002.714 S3C4T1 Fl. 14 25 I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Inciso I: solidariedade decorrente do “interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal” Nas situações em que mais de um sujeito tenha interesse comum no fato descrito como hipótese de incidência tributária, poderseá atribuirlhes, em caráter solidário, o dever de adimplir a obrigação tributária. É o que determina o artigo 124, I, do CTN. Mas qual conteúdo pode ser atribuído à expressão interesse comum? Com efeito, ao associála ao enunciado situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, o legislador deixou claro que não é qualquer interesse comum que pode ser considerado como suficiente para a aplicação da regra de solidariedade. É necessário que se trate de interesse no fato ou na relação jurídica que constitui o antecedente da regramatriz de incidência tributária. Decompondo o presente enunciado normativo, Marcos Vinícius Neder esclarece que “a acepção mais consentânea com os propósitos do CTN da expressão ‘situação que constitua o fato gerador da obrigação principal’ é aquela que aponta para uma relação jurídica a qual se extrai o fato tributário”. E acrescenta: essa relação será uma situação jurídica, quando a tributação derive diretamente dessa própria situação (ex: propriedade) ou uma relação privada subjacente ao fato (ex: contrato de compra e venda), nos caos em que a lei prevê a ocorrência de uma situação de fato para desencadear a incidência tributária (ex: ganho de capital). ). O mero interesse social, moral ou econômico no pressuposto de fato do tributo não autoriza a aplicação do artigo 124, I, do CTN. Deve haver interesse jurídico comum, que surge a partir da existência de direitos e deveres idênticos, entre pessoas situadas no mesmo polo da relação jurídica de direito privado tomada pelo legislador como suporte factual da incidência do tributo, ou mais de uma pessoa realizando o verbo eleito como critério material do tributo, quando esta representar uma situação jurídica. Para que não remanesçam dúvidas quanto à configuração do interesse comum prestigiado pelo legislador no artigo 124, I, do CTN, tomese como exemplo um contrato de compra e venda de mercadorias, celebrado com pluralidade de pessoas. Nesse caso, apesar de ser indiscutível que tanto vendedores como compradores tenham interesse na realização do negócio – ambos desejam que o contrato seja celebrado –, ele é antagônico. Os sujeitos envolvidos possuem necessidades contrapostas: comprar e vender mercadorias, respectivamente. O mesmo se repete nas prestações de serviços, gravadas pelo ISS. Tanto o prestador quanto o tomador do serviço tem interesse na realização do evento, mas nem por isso Fl. 4848DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 02/2015 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 26 se pode afirmar que ele seja comum. Suas expectativas na contratação são nitidamente distintas: receber o preço e obter a utilidade. Nos negócios jurídicos marcados pela bilateralidade, o interesse comum identificase somente em cada uma das extremidades da relação: entre os vendedores de mercadorias ou prestadores de serviços e, de outro lado, entre os diversos compradores ou tomadores. Apenas a esses conjuntos de pessoas – vendedores/prestadores ou compradores/tomadores –, que realizam, lado a lado, a mesma conduta tomada como suporte de fato para a tributação, é que se pode atribuir obrigação solidária com fundamento no artigo 124, I, do CTN. Nesse sentido, já se manifestou o Superior Tribunal de Justiça em diversas oportunidades: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. ISS. EXECUÇÃO FISCAL. LEGITIMIDADE PASSIVA. EMPRESAS DO MESMO GRUPO ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE. INEXISTÊNCIA. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. A solidariedade passiva ocorre quando, numa relação jurídicotributária composta de duas ou mais pessoas caracterizadas como contribuintes, cada uma delas está obrigada pelo pagamento integral da dívida. Ad exemplum, no caso de duas ou mais pessoas serem proprietárias de um mesmo imóvel urbano, haveria uma pluralidade de contribuintes solidários quanto ao adimplemento do IPTU, uma vez que a situação de fato a co propriedade élhes comum. (...) Forçoso concluir, portanto, que o interesse qualificado pela lei não há de ser o interesse econômico no resultado ou no proveito da situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, mas o interesse jurídico, vinculado à atuação comum ou conjunta da situação que constitui o fato imponível. (REsp 884.845/SC, Rel. Min. Luiz Fux, 1ª Turma, DJ 18.02.09) Tecidos esses esclarecimentos, resta evidente que a situação concreta sob análise não se enquadrado nesta norma. Com efeito, não se identifica mais de uma pessoa realizando a materialidade do IPI. Pelo contrário, a causa jurídica indicada no AI para se imputar a responsabilidade aos sócios da empresa foi a mera inadimplência do tributo e o suposto descumprimento de obrigações acessórias a ele ligadas, o que, sob nenhum argumento jurídico, pode ser equiparado a corealização do verbo tomado pelo legislador como suporte de fato da tributação do IPI: industrializar produtos. Diante do exposto, passemos a análise do inciso II do artigo 124 do CTN, a fim de verificar se a situação concreta descrita nos autos a ele se subsume. Inciso II solidariedade decorrente de “disposição legal” Analisando o texto do artigo 124 do CTN, o que se percebe é que o legislador complementar positivou dois enunciados sobre a solidariedade tributária, os quais integram duas normas de competência diferentes, com conteúdo e destinatários igualmente distintos. Como já apontado, o primeiro deles (inciso I) se dirige à norma que regula o procedimento de constituição do crédito tributário, autorizando o sujeito competente – particular ou Autoridade Administrativa – a expedir norma individual e concreta em face de todas as pessoas que tenham interesse comum na situação que é “fato gerador” da obrigação principal. Já o segundo (inciso II), interfere diretamente na norma de competência para instituir tributos, estabelecendo expressa permissão para o ente político definir outros vínculos de Fl. 4849DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 02/2015 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10980.728470/201241 Acórdão n.º 3401002.714 S3C4T1 Fl. 15 27 solidariedade, inclusive entre sujeitos passivos distintos daqueles enumerados no próprio Código. Em estreita síntese, o legislador complementar: i. definiu, ele mesmo, uma causa para a instauração de vínculo de solidariedade entre sujeitos passivos tributários (inciso I); e, ao mesmo tempo, ii. outorgou competência para o legislador, ordinário em regra, fixar outras situações fáticas às quais imputará igualmente tal consequência jurídica (inciso II). Também é esta a interpretação que Luciano Amaro imprime ao artigo 124, do Código Tributário Nacional: O art. 124 prevê hipótese de solidariedade (item I), admitindo que a lei possa definir outras situações de solidariedade (item II). […] Anotese, em primeiro lugar, que se os casos de interesse comum precisassem ser explicitados em lei, como disse Aliomar Baleeiro, o item I do art. 124 seria inútil, pois as hipóteses todas estariam na disciplina do item II. Nos casos que se enquadrarem no questionado item I a solidariedade passiva decorre do próprio dispositivo, sendo desnecessário que a lei de incidência o reitere. Situações outras não abrangidas pelo item I, é que precisam ser definidas na lei quando esta quiser eleger terceiro como responsável tributário. Sabendo que a eleição de terceiro como responsável supõe que ele seja vinculado ao fato gerador (art. 128), é preciso distinguir, de um lado, as situações em que a responsabilidade do terceiro deriva do fato de ele ter ‘interesse comum’ no fato gerador (o que dispensa previsão na lei instituidora do tributo) e, de outro, as situações em que o terceiro tenha algum outro interesse (melhor se diria, as situações com as quais ele tenha algum vínculo) em razão do qual ele possa ser eleito como responsável. Num primeiro contato travado com referido texto, o intérprete é levado à conclusão de que o artigo 124, II, do CTN, teria outorgado liberdade ampla e irrestrita ao legislador para imputar vínculo de solidariedade entre quaisquer sujeitos passivos de tributos, desde que o fizesse mediante lei. Essa primeira impressão, entretanto, é facilmente afastada quando se coteja o presente enunciado com os limites da Constituição da República e de normas gerais. Com efeito, o campo de eleição dos sujeitos passivos tributários em geral e, não diferentemente, dos solidários está adstrito aos contornos objetivos ou subjetivos do suporte fático da tributação. Nesse sentido, são precisas as lições de Hamilton Dias de Souza: [...] a solidariedade legal há de observar os parâmetros definidos no Código Tributário Nacional, sob pena de configurarse “delegação em branco” de matéria reservada à lei complementar para a lei ordinária, em violação ao art. 146, III, da Constituição Federal. Realmente, se o legislador tributário pudesse atribuir responsabilidade solidária a pessoas diversas daquelas que podem ser consideradas responsáveis nos termos do Código Tributário Nacional, restariam inócuas e sem sentido as normas gerais que cuidam exaustivamente do tema. Assim, a princípio, o legislador somente poderá imputar o dever de pagar tributos aos sujeitos que: i. mantenham relação, ainda que indireta, com o fato jurídico Fl. 4850DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 02/2015 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 28 tributado; ou ii. com a pessoa que o realizou . Afinal, apenas nessas circunstâncias assegurase a repercussão do ônus tributário para a pessoa que realizou o seu suposto de fato, respeitando se, via de consequência, os limites constitucionais e legais que regulam a matéria. Utilizamos, todavia, a expressão a princípio já que esses requisitos não são de observância obrigatória quando o antecedente da norma de responsabilidade descreve uma ocorrência ilícita. Nessas situações não se exige a vinculação indireta do responsável ao fato imponível ou ao seu realizador, já que a repercussão jurídica não é regra que limita o exercício da competência, tampouco que informa o seu regime jurídico, sendo a sua fixação mera liberalidade do legislador. Num resumo: apenas se o legislador se apropriar de fato ilícito como antecedente da regra de responsabilidade solidária e se valer de lei complementar para introduzir a presente norma no sistema será dispensado da observância dos limites a que nos referimos no parágrafo anterior. Assim, para exercer a competência que lhe foi outorgada pelo inciso II do artigo 124 do CTN, o legislador terá três alternativas: i. se apropriar de responsáveis já definidos pelo Código, estabelecendo entre eles a solidariedade; ii. instituir, ele próprio, outros responsáveis solidários, o que exige, além da fixação desse tipo de laço jurídico, a determinação de todos os contornos das normas de responsabilidade; ou iii. fixar a solidariedade entre contribuinte e responsáveis, relacionados no Código ou inauguralmente instituídos . Em qualquer desses casos, exigese, por óbvio, a prévia observância dos requisitos a que nos referimos e lei expressa nesse sentido. Tecidas essas considerações, verificase que este dispositivo legal, isoladamente considerado, não se presta como fundamento legal para a efetiva imputação de responsabilidade. Tratase apenas de autorização para o legislador instituir, por meio de veículo legal, reafirmese, hipóteses de responsabilidade tributária, diversas daquela já contemplada no inciso I. Por conta disso, a presente autuação também não poderia estar fundamentada neste inciso do art. 124, do CTN, o que implica sua nulidade, por violação do art. 10, IV, do Decreto nº 70.235/72. Do exposto, é possível perceber que o Fisco se utilizou do artigo 124 do CTN unicamente para incluir os sócios, pessoas físicas, na autuação da empresa, pessoa jurídica, na tentativa de cobrar diretamente deles as obrigações tributárias imputadas à autuada, prática esta que só pode ser utilizada desde que haja efetivamente a solidariedade tributária passiva, como bem pontuou Andréa Medrado Darzé: Em matéria tributária, a solidariedade é expediente jurídico muito utilizado para atender à comodidade administrativa do Estado, imprimindo maior eficiência à arrecadação. Havendo solidariedade tributária passiva, os coobrigados são considerados como um todo homogêneo, possibilitanto ao Fisco a cobrança da totalidade da dívida de qualquer um deles, de alguns ou ainda de todos, simultânea ou sucessivamente.(grifos acrescidos) Contudo, no caso em tela não há que se falar em solidariedade passiva, uma vez que não é possível legitimar a atribuição de responsabilidade tributária aos Recorrentes, pessoas físicas, com base em qualquer dos referidos enunciados normativos, o que equivale a vício material da autuação. Fl. 4851DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 02/2015 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10980.728470/201241 Acórdão n.º 3401002.714 S3C4T1 Fl. 16 29 Em face de todo o exposto, voto no sentido de afastar a solidariedade imputada aos sócios da pessoa jurídica autuada, ora Recorrente. Conselheira Raquel Motta Brandão Minatel. Declaração de Voto. Fl. 4852DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 02/2015 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
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Numero do processo: 18186.002583/2008-11
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2006
Multa. DIMOB. Erro de preenchimento. Princípio da verdade material. Multa por atraso afastada.
Constada a existência de mero equívoco no preenchimento da declaração e a impossibilidade de sua retificação em razão de restrições impostas pelo programa eletrônico da RFB, deve ser afastada a multa aplicada em homenagem ao princípio da verdade material.
Numero da decisão: 1801-002.097
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para afastar a aplicação de multa por atraso na entrega da DIMOB.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Wipprich - Presidente.
(assinado digitalmente)
Fernando Daniel de Moura Fonseca - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cristiane Silva Costa, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes Wipprich.
Nome do relator: FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA
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DIMOB. Multa por atraso na entrega. Recorrente DICA COMERCIO ADMINISTRACAO E EMPREENDIMENTOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 Multa. DIMOB. Erro de preenchimento. Princípio da verdade material. Multa por atraso afastada. Constada a existência de mero equívoco no preenchimento da declaração e a impossibilidade de sua retificação em razão de restrições impostas pelo programa eletrônico da RFB, deve ser afastada a multa aplicada em homenagem ao princípio da verdade material. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para afastar a aplicação de multa por atraso na entrega da DIMOB. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich Presidente. (assinado digitalmente) Fernando Daniel de Moura Fonseca Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cristiane Silva Costa, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes Wipprich. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 18 6. 00 25 83 /2 00 8- 11 Fl. 132DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente e m 27/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ANA DE BA RROS FERNANDES 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da 5ª Turma de Julgamento da DRJ de São Paulo/SP1 que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação ao lançamento apresentada pela ora Recorrente, mantendo o crédito exigido. Referido crédito foi lançado eletronicamente pelo sistema da Receita Federal do Brasil para cobrar multa por atraso no cumprimento de obrigação acessória autônoma, em razão de ter a Recorrente transmitido a Declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias – DIMOB, referente ao anocalendário 2006, em 26/02/2008, portanto, com doze meses de atraso. Notificado do lançamento no momento da transmissão da declaração, em 26/02/2008, a Recorrente apresentou impugnação (fls. 04/30), aduzindo que a DIMOB referente ao anocalendário 2006 havia sido transmitida em 27/02/2007, portanto, no prazo regulamentar, tendo recebido o recibo de nº 39.94.44.16.5920. Contudo, por um equívoco de digitação, nela foi indicado como referência o anocalendário 2007. Alega que o seu equívoco pode ser comprovado pelo conteúdo da declaração transmitida, uma vez que ele se refere aos meses de janeiro a dezembro do anocalendário 2006. Além disso, menciona que o “verificador de pendências” do sistema da RFB não acusou o erro, e que, se tivesse acusado, não permitiria a transmissão de uma declaração relativa ao anocalendário 2007, em 27/02/2007, ou seja, quando o ano em questão ainda estava em curso. Afirma que somente percebeu o mencionado erro em 2008, ao tentar transmitir a DIMOB relativa ao anocalendário 2007 e constatar que no cabeçalho da declaração transmitida nº. 39.94.44.16.5920 havia sido indicado o anocalendário 2007. Alega que, diante da impossibilidade de retificação eletrônica do ano calendário indicado na DIMOB enviada, repetiu as mesmas informações nela constantes em uma declaração original DIMOB, desta vez indicando o anocalendário correto. Como o sistema da RFB não havia acusado o recebimento da declaração relativa ao anocalendário 2006, em razão do equívoco cometido, a transmissão da nova declaração, em 26/02/2008, ensejou o lançamento eletrônico da multa por entrega de declaração fora do prazo. Diante dos fatos que demonstram o equívoco cometido e a impossibilidade de sua reparação mediante declaração retificadora, requereu fosse reconhecida a tempestividade da entrega da declaração, com o cancelamento do crédito exigido. A Turma Julgadora de 1a instância conheceu do recurso, mas a ele negou provimento (fl. 40/44), sob o entendimento de que a cópia do recibo de entrega da DIMOB nº. 39.94.44.16.5920 não era apta a comprovar que a DIMOB enviada continha informações pertinentes ao anocalendário 2006. Além disso, fundamentou que: “Em pesquisa efetuada nos arquivos eletrônicos da Receita Federal do Brasil — RFB (fls. 15 a 18), observase que, ao contrário do que afirma a requerente, a DIMOB/2006 transmitida em 26/02/2008, não reproduz os mesmos dados (quantidade de registros e valores) constantes da declaração enviada em 27/02/2007. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente e m 27/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ANA DE BA RROS FERNANDES Processo nº 18186.002583/200811 Acórdão n.º 1801002.097 S1TE01 Fl. 133 3 Destarte, diante da falta de elementos que comprovem de forma inequívoca que as informações prestadas na DIMOB transmitida em 27/02/2007, são pertinentes ao anocalendário de 2006, o lançamento deve ser mantido.” Notificada da decisão, em 29/07/2013, pela via postal (fl. 50), a Recorrente apresentou recurso voluntário (fl. 51/122). Nas razões de defesa reitera todos os fatos contidos na impugnação, argumentando, ainda, que o procedimento adotado foi realizado após a orientação obtida junto ao Centro de Atendimento da Secretaria da Receita Federal do Brasil, em São Paulo, qual seja: (i) transmissão de nova declaração para nela constar o anocalendário correto, repetindo o conteúdo declarado anteriormente e (ii) retificação da DIMOB anterior, recibo nº. 39.94.44.16.5920, para nela constar informações relativas ao anocalendário 2007, ajustando, portanto, o conteúdo da declaração ao anocalendário informado, o que seria permitido pelo sistema. Aduziu que, ao contrário do que entendeu o acórdão recorrido, a DIMOB entregue em 26/02/2008, referente aos meses de janeiro a dezembro de 2006, reproduziu os mesmos dados da DIMOB nº. 39.94.44.16.5920. Para comprovar a sua alegação, juntou ao recurso as cópias das DIMOBs transmitidas, requerendo, por fim, a declaração da insubsistência do crédito. Fundamentou a Recorrente, ainda, que a multa exigida com fulcro no art. 57 da Medida Provisória nº. 2.158/2001 havia sido alterada pela Lei nº 12.766/12, motivo pelo qual esta última, mais benéfica, deveria ser aplicada, nos termos do art. 106 do CTN. Alegou, ainda, que a criação da DIMOB por meio da Instrução Normativa nº. 304/2003 é ilegal, pois a obrigação deveria ter sido instituída por lei, conforme o princípio da legalidade determina. Além disso, nos termos do art. 113, § 2 º, do CTN, a IN nº 304/2003 seria ilegal, também, em razão de ter a RFB criado obrigação acessória desvinculada da competência tributária da União, já que a atividade das corretoras se relaciona ao ISS, tributo de competência municipal. Requereu, por fim, o provimento do recurso voluntário para reconhecer a ilegalidade da IN nº. 304/2003, para afastar a multa em razão da verdade material apresentada, ou subsidiariamente, a redução da multa em razão da superveniência de legislação cominando penalidade mais branda. A Recorrente protocolou, ainda, petição (fls. 125/129) juntando acórdão proferido em caso análogo ao presente, a qual foi recebida pela Secretaria deste Conselho como memorial (fls. 130/131). É o relatório. Voto Conselheiro Fernando Daniel de Moura Fonseca Fl. 134DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente e m 27/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ANA DE BA RROS FERNANDES 4 Conheço o recurso voluntário, pois tempestivo. Percebese que a DRJ realmente não teve subsídios suficientes para acolher os fundamentos do Recorrente com base no recibo da DIMOB de nº. 39.94.44.16.5920, pois não era possível verificar a adequação do seu conteúdo aos fatos do anocalendário 2006. Contudo, após a juntada de novos documentos ao recurso voluntário, entendo que o conjunto probatório formado nos autos converge para o acolhimento das alegações do Recorrente. Dos documentos juntados aos autos, restou comprovado que: a DIMOB de nº. 39.94.44.16.5920 não poderia se referir a 2007, como declarado, pois foi transmitida em 27/02/2007, portanto, antes do encerramento daquele ano calendário; a DIMOB de nº. 39.94.44.16.5920 foi retificada em 28/02/2008 (recibo de entrega nº. 00.76.83.17.4360 – fls. 92/106) para nela constar o conteúdo relativo ao ano calendário 2007, adequandoa ao ano calendário informado; uma nova DIMOB (recibo de entrega nº 18.28.75.56.2958) foi transmitida pelo Recorrente em 26/02/2008, relativa ao ano calendário 2006; e apesar de a tabela (fl. 32) obtida pela DRJ no sistema da RFB apontar, de maneira genérica, que a quantidade de registros e o valor dos aluguéis declarados na DIMOB de nº. 39.94.44.16.5920 (fls. 78/84) ser distinto do declarado na nova DIMOB relativa ao ano calendário 2006 (recibo de entrega nº 18.28.75.56.2958 – fls. 85/91), transmitida em 26/02/2008, a análise de cópias de ambas demonstra que o conteúdo delas é idêntico. Tudo isto leva a crer estarse diante de mero erro formal relativo ao ano calendário informado na declaração inicialmente apresentada, que não tem o condão de desconsiderar a pretensão do contribuinte de transmitir a declaração a tempo e modo. Além do mais, tal equívoco poderia ter sido solucionado pelo Recorrente através de transmissão de declaração retificadora eletrônica, que não ensejaria o lançamento da multa. Todavia, este procedimento foi obstado pelo próprio sistema da RFB. Assim, deve ser privilegiada a verdade material face ao erro formal cuja retificação foi impossibilitada pelo sistema da RFB, para afastar a multa por atraso na entrega da declaração. Ante o exposto, dou provimento ao recurso voluntário, pelos fundamentos acima mencionados, extinguindo o crédito lançado. Por fim, ante o deferimento do pedido, restam prejudicadas as demais alegações aduzidas no recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Daniel de Moura Fonseca Relator Fl. 135DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente e m 27/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ANA DE BA RROS FERNANDES Processo nº 18186.002583/200811 Acórdão n.º 1801002.097 S1TE01 Fl. 134 5 Fl. 136DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente e m 27/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ANA DE BA RROS FERNANDES
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Numero do processo: 10630.000566/2005-91
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 06 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Mon Mar 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/07/1997 a 30/09/1997
NORMAS PROCESSUAIS. REQUISITOS PARA ADMISSIBILIDADE DO RECURSO. CONTRARIEDADE À LEI.
Em sede de preliminar de admissibilidade do recurso, só é dado verificar, em tese, e apenas em tese, se o apelo de natureza especial logrou demonstrar que a decisão fustigada foi proferida contrariamente à lei - hipótese que se afigura ao caso dos autos, cabendo, na análise de mérito, aí sim, decidir se o acórdão recorrido pautou-se dentro dos ditames legais.
MULTA REGULAMENTAR. DIF - PAPEL IMUNE.
A falta e/ou o atraso na apresentação da Declaração Especial de Informações relativas ao controle de papel imune a tributo - DIF.- Papel Imune, pela pessoa jurídica obrigada, sujeita o infrator à multa regulamentar prevista na Lei nº 11.945/2009.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9303-001.272
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso especial. Vencidos os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Relator) e Susy Gomes Hoffmann. Designado o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres para redigir o voto vencedor quanto ao conhecimento do recurso; e, no mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
Gilson Macedo Rosenburg Filho
Henrique Pinheiro Torres - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Gileno Gurjão Barreto, Gilson Rosenburg Filho, Leonardo Siade Manzan, Nayra Bastos Manatta, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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REQUISITOS PARA ADMISSIBILIDADE DO RECURSO. CONTRARIEDADE À LEI. Em sede de preliminar de admissibilidade do recurso, só é dado verificar, em tese, e apenas em tese, se o apelo de natureza especial logrou demonstrar que a decisão fustigada foi proferida contrariamente à lei hipótese que se afigura ao caso dos autos, cabendo, na análise de mérito, aí sim, decidir se o acórdão recorrido pautouse dentro dos ditames legais. MULTA REGULAMENTAR. DIF PAPEL IMUNE. A falta e/ou o atraso na apresentação da Declaração Especial de Informações relativas ao controle de papel imune a tributo DIF. Papel Imune, pela pessoa jurídica obrigada, sujeita o infrator à multa regulamentar prevista na Lei nº 11.945/2009. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso especial. Vencidos os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Relator) e Susy Gomes Hoffmann. Designado o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres para redigir o voto vencedor quanto ao conhecimento do recurso; e, no mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 63 0. 00 05 66 /2 00 5- 91 Fl. 157DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 3/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por HENRIQUE PINHEI RO TORRES, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 2 Gilson Macedo Rosenburg Filho Henrique Pinheiro Torres Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Gileno Gurjão Barreto, Gilson Rosenburg Filho, Leonardo Siade Manzan, Nayra Bastos Manatta, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, fls. 124/136, contra decisão do Acórdão nº 20313.642, da Terceira Câmara do Segundo Conselho, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 31/01/2003, 30/04/2003, 31/07/2003, 31/10/2003, 31/01/2004, 30/04/2004, 30/07/2004 MULTA REGULAMENTAR. DIF PAPEL IMUNE A falta e/ ou o atraso na apresentação da Declaração Especial de. Informações relativas ao controle de papel imune a tributo DIF Papel Imune, pela pessoa jurídica obrigada, sujeita o infrator à multa regulamentar nos termos da legislação tributário vigente. PENALIDADE. LEI TRIBUTÁRIA. INTERPRETAÇÃO Em face da duplicidade de interpretação de lei tributária, aplica se aquela que comine penalidade menos onerosa ao sujeito passivo. Recurso provido em parte. A Fazenda Pública em sua peça recursal alega que a decisão contrariou o art. 57, I, da MP nº 2.15835 de 2001, c/c o art. 16 da Lei nº 9.779/98, dispositivos que prevêem aplicação de penalidade pelo descumprimento de obrigação acessória pela entrega, fora do prazo estabelecido, de declaração DIF – Papel Imune. O recurso teve seguimento nos termos do Despacho nº 3400448/2009 de fl. 138. O Sujeito Passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Vencido Fl. 158DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 3/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por HENRIQUE PINHEI RO TORRES, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10630.000566/200591 Acórdão n.º 9303001.272 CSRFT3 Fl. 154 3 Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator O recurso é tempestivo. Quanto aos demais requisitos de admissibilidade, passo a análise. O recurso apresentado pela Fazenda Pública tem como fundamento jurídico uma possível contrariedade ao art. 57, I, da MP nº 2.15835 de 2001, que previa uma multa de R$ 5.000,00 por mês calendário, às pessoas jurídicas que deixarem de fornecer, nos prazos estabelecidos, as informações ou esclarecimentos solicitados. Acontece que essa penalidade sofreu alterações com a edição da MP nº 451, de 15/12/2008, convertida na Lei nº 11.945, de 04/11/2009, cuja redação se segue: Art. 1o Deve manter o Registro Especial na Secretaria da Receita Federal do Brasil a pessoa jurídica que: I exercer as atividades de comercialização e importação de papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos, a que se refere a alínea d do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal; e II adquirir o papel a que se refere a alínea d do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal para a utilização na impressão de livros, jornais e periódicos. § 1o A comercialização do papel a detentores do Registro Especial de que trata o caput deste artigo faz prova da regularidade da sua destinação, sem prejuízo da responsabilidade, pelos tributos devidos, da pessoa jurídica que, tendo adquirido o papel beneficiado com imunidade, desviar sua finalidade constitucional. § 2o O disposto no § 1o deste artigo aplicase também para efeito do disposto no § 2o do art. 2o da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, no § 2o do art. 2o e no § 15 do art. 3o da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e no § 10 do art. 8o da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004. § 3o Fica atribuída à Secretaria da Receita Federal do Brasil competência para: I expedir normas complementares relativas ao Registro Especial e ao cumprimento das exigências a que estão sujeitas as pessoas jurídicas para sua concessão; II estabelecer a periodicidade e a forma de comprovação da correta destinação do papel beneficiado com imunidade, inclusive mediante a instituição de obrigação acessória destinada ao controle da sua comercialização e importação. § 4o O não cumprimento da obrigação prevista no inciso II do § 3o deste artigo sujeitará a pessoa jurídica às seguintes penalidades: I 5% (cinco por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais) e não superior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais), do valor das Fl. 159DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 3/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por HENRIQUE PINHEI RO TORRES, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 4 operações com papel imune omitidas ou apresentadas de forma inexata ou incompleta; e II de R$ 2.500,00 (dois mil e quinhentos reais) para micro e pequenas empresas e de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) para as demais, independentemente da sanção prevista no inciso I deste artigo, se as informações não forem apresentadas no prazo estabelecido. § 5o Apresentada a informação fora do prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício, a multa de que trata o inciso II do § 4o deste artigo será reduzida à metade. O conselheiro Emanuel Carlos Dantas de Assis dissertou com sua habitual argúcia sobre o tema, de sorte que trago suas linhas com forma de elucidar a evolução ocorrida com a penalidade em questão, verbis: A obrigação acessória referida no inc. II do § 3º do art.1º da Lei nº 11.945/2009 é exatamente a DIFPapel Imune, criada por meio da IN SRF nº 71/2001, alterada pelas IN SRF nºs 101/2001 e 134/2002. Conforme as referidas Instruções Normativas, a multa pelo atraso na entrega da DIF era devida nos valores preconizados pelo art. 57 da Lei da MP nº 2.15835/20091, suporte legal da penalidade em questão. Como a penalidade estabelecida pelos §§ 4º e 5º acima é inferior à exigida com base no art. 57 da MP nº 2.15835/2001, o lançamento deve ser reduzido aos valores estabelecidos na Lei nº 11.945/2009, em obediência ao art. 106, II, “c’, do CTN. Antes, consoante uma interpretação literal do art. 57 da MP nº 2.15835/2001, o valor da penalidade era aumentado conforme a quantidade de meses do atraso. Assim, quanto mais demorava a entrega, maior o valor. Ou, quanto mais demorava a Receita Federal do Brasil para efetuar o lançamento, maior a penalidade. E como o valor era de R$ 5.000,00 por mês calendário de atraso (reduzido para R$ 1.500,00 na hipótese de pessoa jurídica optante pelo SIMPLES), a multa podia atingir um montante alto demais, de forma nada razoável. Afinal, “o taxímetro ficava rodando”, na expressão mui bem empregada pelo julgador Celso Lopes Pereira Neto, por ocasião do julgamento do Acórdão DRJ/REC nº 13.624, de 27 de outubro de 2005. Agora, após a Lei nº 11.945/2009, a penalidade é exigida levandose em conta cada obrigação acessória isolada – no caso, cada DIFPapel Imune trimestral , de modo que se a Administração Tributária demora mais para efetuar o 1 Art. 57. O descumprimento das obrigações acessórias exigidas nos termos do art. 16 da Lei no 9.779, de 1999, acarretará a aplicação das seguintes penalidades: I R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por mêscalendário, relativamente às pessoas jurídicas que deixarem de fornecer, nos prazos estabelecidos, as informações ou esclarecimentos solicitados; II cinco por cento, não inferior a R$ 100,00 (cem reais), do valor das transações comerciais ou das operações financeiras, próprias da pessoa jurídica ou de terceiros em relação aos quais seja responsável tributário, no caso de informação omitida, inexata ou incompleta. Parágrafo único. Na hipótese de pessoa jurídica optante pelo SIMPLES, os valores e o percentual referidos neste artigo serão reduzidos em setenta por cento. Fl. 160DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 3/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por HENRIQUE PINHEI RO TORRES, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10630.000566/200591 Acórdão n.º 9303001.272 CSRFT3 Fl. 155 5 lançamento, a multa não aumenta a cada mês. A salientar, por oportuno, que a Receita Federal do Brasil tem meios eletrônicos de detectar o descumprimento da obrigação acessória, tão logo vencido o prazo de sua entrega. Daí ser mais razoável a fixação da penalidade proporcional ao número de DIFPapel Imune (ou trimestre) em atraso, em vez do “taxímetro” anterior. Os valores máximos para a hipótese de a DIFPapel Imune não ser entregue passaram a ser, independentemente do número de meses em atraso, de R$ 2.500,00 para micro e pequenas empresas e de R$ 5.000,00 para as demais empresas (inc. II do § 4º do art. 1º da Lei nº 11.945/2009). A confirmar a redução, cabe mencionar as razões do veto ao art. 3º da Lei nº 11.945/2009. Conforme a Mensagem nº 392, de 04/06/2009, da Presidência da República ao Presidente do Congresso Nacional, o Ministério da Fazenda manifestouse pelo veto do citado art. 3º assim: Não se mostra razoável a concessão de anistia de multas a fatos ocorridos há muito tempo e para contribuintes já fartamente beneficiados. Esclareçase que a própria Medida Provisória n°. 451, de 15 de dezembro de 2008, que deu origem ao presente Projeto de Lei de Conversão, já reduziu significativamente a multa pelo atraso na apresentação da DIF Papel Imune (art. 2º, § 4º, I e II). Ademais, a IN SRF n°. 71, de 2001, já concedeu, excepcionalmente, dilatação do prazo para apresentação da DIF Papel Imune por período maior do que o ordinariamente admitido." É pertinente também observar que, no âmbito da Receita Federal do Brasil, o Ato Declaratório Executivo nº 73, de 13/08/2009, editado pela CoordenaçãoGeral de Arrecadação e Cobrança (Codac) e escorado exatamente no art. 1º da Lei nº 11.945/2009, já estabeleceu o código de receita 1376, para o recolhimento da penalidade “Multa por Falta ou Atraso na Entrega da DIF Papel Imune”. Após essa breve explicação, afluem razões jurídicas para afirmar que o art. 57, I, da MP nº 2.15835 de 2001, não se aplica aos casos de falta ou atraso na entrega de DIF – Papel Imune. Logo, não se pode conhecer do recurso especial por contrariedade a lei se a lei alegada como contrariada não é mais aplicável ao caso em análise. Forte nestes argumentos, não conheço do recurso da Fazenda Nacional. Mérito Vencido no conhecimento do recurso, utilizo dos mesmos fundamentos alinhavados para o não conhecimento afirmar que a matéria referente à multa pela apresentação da DIFPapel Imune fora do prazo legal deve ser regida pela Lei nº 11.945/2009, em vista de que em um aparente conflito de normas a regra específica sobressai sobre a geral. Sendo assim, nego provimento ao recurso da Fazenda Nacional. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 3/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por HENRIQUE PINHEI RO TORRES, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 6 É como voto. Sala das Sessões, em 06/12/2010 Gilson Macedo Rosenburg Filho Fl. 162DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 3/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por HENRIQUE PINHEI RO TORRES, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10630.000566/200591 Acórdão n.º 9303001.272 CSRFT3 Fl. 156 7 Voto Vencedor Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, RedatorDesignado Em que pese os bens concatenados argumentos trazidos no voto do ilustre relator, deste ouso divergir no tocante ao conhecimento do recurso, pelas razões seguintes: O recurso é tempestivo e, a meu sentir, preenche os demais critérios de admissibilidade, senão vejamos: Em sede de preliminar de admissibilidade do recurso só é dado verificar, em tese, e apenas em tese, se o apelo de natureza especial logrou demonstrar que a decisão fustigada foi proferida contrariamente à lei hipótese que se afigura ao caso dos autos, cabendo, na análise de mérito, aí sim, decidir se o acórdão recorrido pautouse dentro dos ditames legais. Esclareçase, por oportuno, que o requisito de admissibilidade pertinente à contrariedade do acórdão recorrido à lei é meramente formal, pois, no julgamento do recurso pelo Colegiado é que se afigurará ou não essa contrariedade. A representante da Fazenda Nacional apontou os dispositivos legais que teria sido, em seu entender, violado pelo acórdão vergastado, mais precisamente, o inciso I do art. 57 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, o art. 16 da nº Lei 9.779/98 e, também, o art. 112 do CTN. No decorrer da argumentação, a Douta Procuradora da Fazenda Nacional detalha onde, no seu entender, teria ocorrido a violação aos mencionados dispositivos legais. De outro lado, o fato de lei posterior ao lançamento de ofício tratado sobre as penalidades aplicáveis às infrações objeto da exigência fiscal em comento não descaracteriza a contrariedade à lei por parte da decisão vergastada. A novel legislação, quando muito, aplicase a fatos ou atos pretéritos quando lhe cominar penalidade menos severa, como parece ser o caso dos autos. Acontece que o juízo de dosimetria da pena é feito no exame de mérito, enquanto que a admissibilidade de recurso é questão preliminar. Assim, para que se chegue a essa possibilidade de retroatividade benigna da lei nova, devese analisar o mérito do recurso, e, para isso, necessariamente, precisase dele conhecer. De outro lado, um dos dispositivos legais violado, no entender da recorrente, teria sido o art. 112 do CTN, que trata da forma de interpretação das normas que verse sobre penalidades. Predito dispositivo não sofreu qualquer alteração legislativa. Assim, não há o óbice de que a alteração legislativa teria descaracterizado a violação aponta no apelo Fazendário. Observese que não há necessidade de o representante da Fazenda Nacional detalhar, minudentemente, à contrariedade à lei, basta que seja alegada e corroborada nas razões apresentada no Especial. O que é o caso em questão. Assim, o recurso do Sr. Procurador da Fazenda Nacional merece ser conhecido, por atender aos pressupostos de admissibilidade previstos no então Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, como atestado pelo despacho de fl. 138, que admitiu o apelo fazendário. Fl. 163DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 3/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por HENRIQUE PINHEI RO TORRES, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 8 Com essas considerações, conheço do recurso especial apresentado pela Fazenda Nacional. Henrique Pinheiro Torres Fl. 164DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 3/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por HENRIQUE PINHEI RO TORRES, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 10865.720313/2008-27
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Apr 06 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1802-000.575
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do Voto do Relator.
(assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa- Presidente.
(assinado digitalmente)
Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José de Oliveira Ferraz Correa (Presidente), Ester Marques Lins de Sousa, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, Nelso Kichel, , Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Henrique Heiji Erbano (Suplente Convocado).
Nome do relator: LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do Voto do Relator. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Presidente. (assinado digitalmente) Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José de Oliveira Ferraz Correa (Presidente), Ester Marques Lins de Sousa, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, Nelso Kichel, , Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Henrique Heiji Erbano (Suplente Convocado). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 65 .7 20 31 3/ 20 08 -2 7 Fl. 716DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 01/04/2015 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por J OSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.720313/200827 Resolução nº 1802000.575 S1TE02 Fl. 3 2 Relatório Tratase de pedido de compensação de débitos da responsabilidade da contribuinte com suposto crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de estimativa tributo, concernente ao período de apuração 01/2003. A DRF não reconheceu o direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, não homologou a compensação declarada, sob o argumento de que o crédito pleiteado já foi objeto de análise, em processos relativos aos PER/DCOMP de n.° 10769.54888.101203.1.3.048007, 01850.16010.101203.1.3.040542, 33592.14380.151203.1.3.040927, 28623.05598.250804.1.3.017067, 22743.16824.020904.1.3.040251, 08891.60465.080904.1.3.045809, 30276.47095.140904.1.3.049480 e 15738.53242.210906.1.7.045707, tendo sido constatado que o crédito pleiteado foi totalmente utilizado nos PER/DCOMP n.o s 28623.05598.250804.1.3.047067, 22743.16824.020904.1.3.040251, 08891.60465.080904.1.3.045809, 30276.47095.140904.1.3.049480 e 15738.53242.210906.1.7.045707. Cientificada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando que haveria crédito suficiente para pagamento do débito informado na PER/DCOMP, e requerendo a homologação da compensação declarada, posto que os PER/DCOMP apontados pela Fiscalização como responsáveis por consumir todo o crédito ainda não estariam homologados. Formulou planilha explicativa de suas alegações. Em sessão de 29 de março de 2011, a 5ª Turma da DRJ/RPO proferiu o Acórdão 1433.103, julgando improcedente a manifestação de Inconformidade e não reconhecendo o direito creditório, sob a alegação de seria o mesmo composto por recolhimento indevido de estimativa. Tal situação, segundo o Órgão Julgador, não imprimiria liquidez e certeza do crédito. Aduz que no caso dos autos a recorrente optou pela sistemática de apuração pelo Lucro Real Apuração Anual para IRPJ, situação em que o contribuinte realiza os pagamentos no decorrer dos meses do ano civil por estimativa, o que configura antecipações do tributo devido no final do período anual de apuração, e não pagamento antecipado. Assim, tratandose de mera antecipação, não há que se falar em pagamento indevido ou a maior passível de repetição. Alega que ao final do anocalendário, caso a contribuinte apure saldo negativo do tributo, resta então configurado o pagamento indevido ou a maior, o qual é passível de restituição ou compensação, daí porque, inclusive, o marco inicial de contagem de decadência para repetição ou para o lançamento se dá no último dia do exercício e não nas datas em que realizadas as antecipações. Afirmou ainda a Turma Julgadora que os recolhimentos mensais por estimativa a maior efetuados durante o anocalendário pela interessada não são pagamentos a maior Fl. 717DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 01/04/2015 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por J OSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.720313/200827 Resolução nº 1802000.575 S1TE02 Fl. 4 3 passíveis de compensação em cada mês, pois não representam créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda. Alega que o pedido de compensação baseouse em suposto crédito do tipo "pagamento indevido ou a maior" de IRPJ estimativa mensal, código de arrecadação 2362, sendo o objeto do pedido incompatível com a legislação de regência. Por fim, declara que, para que fosse possível a compensação requerida, caberia à contribuinte trazer documentos probatórios específicos, o que não ocorreu. Do Recurso Inconformada, recorreu a contribuinte em face da decisão que não reconheceu o direito creditório e não homologou a correspondente declaração de compensação, apresentando, em suma, os seguintes argumentos: Que está sujeita ao recolhimento do Imposto sobre a Renda (IRPJ), tendo se submetido à sistemática de apuração pelo Lucro Real Apuração Anual, no anocalendário de 2003. Que procedeu ao recolhimento durante todo o anocalendário, porém, em virtude de problemas em sua escrituração contábil, a Recorrente recolheu aleatoriamente, a fim de não se inserir em mora, a estimativa/guia embatida no valor de R$ 800.000,00. Que após a devida correção de sua escrituração contábil, constatouse que o valor efetivamente devido desta estimativa seria de R$ 162.507,06, o que resulta num direito de crédito compensatório. Afirma que demonstrou o equívoco dos números informados, mas que mesmo assim a DRJ manteve a decisão de nãohomologação das compensações efetuadas, porém, sob outros argumentos, extrapolando os limites da sua esfera de competência. Requer o retorno dos autos à fiscalização para nova decisão quanto a homologação ou não da compensação declarada. Requer, por fim, a reforma parcial do Acórdão ora recorrido, para afastar a “decisão de nãohomologação sob fundamento diverso do apontado pela fiscalização”, ou alternadamente, a análise da documentação contábil juntada aos autos. Esse o relatório. VOTO Conselheiro Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, Relator Da Tempestividade A ciência do Acórdão deuse em 23/05/2011 e o Recurso Voluntário foi apresentado em 17/06/2011. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Fl. 718DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 01/04/2015 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por J OSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.720313/200827 Resolução nº 1802000.575 S1TE02 Fl. 5 4 Do Mérito Tratase de Recurso Voluntário interposto por Fazenda Sete Lagoas Agrícola S/A em face da decisão que não reconheceu o direito creditório e não homologou as correspondentes declarações de compensação. De acordo com o que consta dos autos, a DRF não reconheceu direito creditório a seu favor, sob o fundamento de que o crédito pleiteado já fora totalmente utilizado em outras PER/DECOMP’s. Uma vez ofertada manifestação de inconformidade, sob alegação de que as compensações supostamente responsáveis pelo consumo de todo o crédito não haviam sido homologadas, foi a mesma julgada pela DRJ Ribeirão Preto que, desta feita, indeferiu a compensação por entender que o recolhimento de estimativa indevido ou a maior não gera crédito passível de compensação. É fato que a DRJ adotou como razões de decidir diferentes daquelas usadas pela DRF. Por conta disso, (i) não restou definida a argumentação expendida pelo contribuinte segundo a qual as compensações responsáveis pelo consumo do crédito não estariam homologadas; e (ii) caso optante pela argumentação segundo a qual a estimativa não é passível de geração de crédito a compensar, teria violado expressamente súmula do CARF. É entendimento deste Conselho que o recolhimento por estimativa pode gerar crédito, e portanto, ser compensável, , nos termos da súmula 84, cujo teor é o seguinte: "Súmula CARF 84 Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação" Sendo assim, impõese instrução complementar destes autos, para que se considere o alegado crédito, analisando, à luz da documentação trazida aos autos, se o mesmo existe na medida em que o contribuinte alega possuílo e se, realmente, por força de todos os PER/DCOMP apresentados, teria ou não tal crédito sido consumido noutras compensações; ou se, por outro lado, haveria saldo credor a compensar. Contudo, a solução do presente processo demanda uma instrução complementar. Pelo exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência a fim de que, à luz das explicações trazidas pelo contribuinte com sua manifestação de inconformidade, mais toda a documentação ofertada em vários volumes, a autoridade fiscal reexamine a pretendida compensação. Esse o meu Voto. Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira Relator (assinado digitalmente) Fl. 719DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 01/04/2015 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por J OSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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Numero do processo: 10930.004964/2008-45
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Apr 01 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE - APURAÇÃO - DISCUSSÃO JUDICIAL.
A tributação de rendimentos recebidos acumulamente que tem como origem discussão judicial, deve ser feita observando-se as tabelas progressivas e alíquotas mensais vigentes na época em que os rendimentos deveriam ter sido pagos, e não calculado de maneira global. É inválida a apuração feita com base em valores globais.
Numero da decisão: 2202-003.016
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, Por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros ANTONIO LOPO MARTINEZ e MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA, que o proviam parcialmente, para aplicar as tabelas e alíquotas vigentes à época do recebimento dos valores.
(Assinado Digitalmente)
Antonio Lopo Martinez - Presidente
(Assinado Digitalmente)
Pedro Anan Júnior - Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros ANTONIO LOPO MARTINEZ, JIMIR DONIAK JUNIOR, PEDRO ANAN JUNIOR, MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, DAYSE FERNANDES LEITE, RAFAEL PANDOLFO. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros FÁBIO BRUN GOLDSCHMIDT e SUELY NUNES DA GAMA.
Nome do relator: Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga
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A tributação de rendimentos recebidos acumulamente que tem como origem discussão judicial, deve ser feita observandose as tabelas progressivas e alíquotas mensais vigentes na época em que os rendimentos deveriam ter sido pagos, e não calculado de maneira global. É inválida a apuração feita com base em valores globais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, Por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros ANTONIO LOPO MARTINEZ e MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA, que o proviam parcialmente, para aplicar as tabelas e alíquotas vigentes à época do recebimento dos valores. (Assinado Digitalmente) Antonio Lopo Martinez Presidente (Assinado Digitalmente) Pedro Anan Júnior Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 00 49 64 /2 00 8- 45 Fl. 128DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/03/2015 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros ANTONIO LOPO MARTINEZ, JIMIR DONIAK JUNIOR, PEDRO ANAN JUNIOR, MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, DAYSE FERNANDES LEITE, RAFAEL PANDOLFO. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros FÁBIO BRUN GOLDSCHMIDT e SUELY NUNES DA GAMA. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/03/2015 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10930.004964/200845 Acórdão n.º 2202003.016 S2C2T2 Fl. 129 3 Relatório Trata o processo da Notificação de Lançamento de fls. 46 e 50, resultante de revisão da Declaração de Ajuste Anual DAA correspondente ao exercício de 2005, ano calendário de 2004, que exige R$ 33.271,71 de Imposto de Renda suplementar, R$ 24.953,78 de multa de ofício e R$ 14.899,07 de juros de mora, apurados em decorrência de alteração do valor do imposto devido, e R$ 2.996,12 de Imposto de Renda, R$ 599,22 de multa de mora e R$ 1.341,66 de juros de mora, apurados em decorrência das alterações do valor do imposto retido na fonte. Segundo o relatório Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, fls. 47 e 48, foi apurado omissão de rendimentos no montante de R$ 123.458,76, pois a contribuinte recebeu, em ação trabalhista, R$ 163.002,14 de rendimentos tributáveis, mas declarou apenas R$ 39.543,38 em sua DAA. Também foi apurada compensação indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte, pois, na presente ação trabalhista, foi retido R$ 4.322,24 de Imposto de Renda passível de ser compensado, mas a contribuinte compensou R$ 7.379,54, sendo a diferença glosada pela fiscalização. Cientificada do lançamento em 25/08/08, conforme consulta de postagem de fl. 53, a interessada ingressou com a impugnação tempestiva de fls. 02 a 16, em 24/09/08. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Curitiba, DRJ/CTA, ao analisar a impugnação, deu provimento parcial, através da decisão, 0631.277, de 18 de abril de 2011. Devidamente cientificada, a Recorrente apresenta tempestivamente recurso voluntário, onde reitera os argumentos da impugnação. É o relatório. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/03/2015 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 Voto Conselheiro Pedro Anan Junior Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Trata o presente processo de omissão de rendimentos recebidos em decorrência de ação trabalhista, na qual foi pleiteada o pagamento de verbas salariais referentes a vários meses de anos anteriores, as quais foram recebidas acumuladamente. O que devemos analisar está no fato de que haveria no não anulação do lançamento efetuado pela autoridade lançadora, uma vez que o auto de infração, está exigindo do contribuinte o imposto de renda devido no ajuste em razão da omissão dos rendimentos recebidos acumuladamente. O que contraria o que dispõe o Parecer PGFN/CRJ/No 287, de 10 de fevereiro de 2009, que propôs a dispensa de interposição de recursos e o requerimento de desistência dos já interpostos por parte dos Procuradores da Fazenda Nacional, nas causas em que se discute a incidência do imposto de renda sobre valores recebidos acumuladamente, que determina que “no cálculo do imposto renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente, devem ser levadas em consideração as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem tais rendimentos, devendo o cálculo ser mensal e não global”. Podemos verificar que o Parecer PGFN/CRJ/No 287/2009 determina que para o cálculo do imposto devido pelo contribuinte no caso de rendimentos pagos acumuladamente objeto de discussão judicial o mesmo deve ser efetuado mensalmente, considerando as tabelas e alíquotas que eram vigentes do fato gerador do rendimento. Tal Parecer foi aprovado pelo Ministro da Fazenda, resultando na edição do Ato Declaratório PGFN no 1, de 2009, que vincula os atos praticados por parte da Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB, por força do disposto no art. 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002 (com as alterações introduzidas pela Lei no 11.033, de 2004): ´Art. 19. Fica a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional autorizada a não contestar, a não interpor recurso ou a desistir do que tenha sido interposto, desde que inexista outro fundamento relevante, na hipótese de a decisão versar sobre: [...] II matérias que, em virtude de jurisprudência pacífica do Supremo Tribunal Federal, ou do Superior Tribunal de Justiça, sejam objeto de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda. § 1o Nas matérias de que trata este artigo, o Procurador da Fazenda Nacional que atuar no feito deverá, expressamente, reconhecer a procedência do pedido, quando citado para apresentar resposta, hipótese em que não haverá condenação em honorários, ou manifestar o seu desinteresse em recorrer, quando intimado da decisão judicial. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/03/2015 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10930.004964/200845 Acórdão n.º 2202003.016 S2C2T2 Fl. 130 5 [...] § 4o A Secretaria da Receita Federal não constituirá os créditos tributários relativos às matérias de que trata o inciso II do caput deste artigo. § 5o Na hipótese de créditos tributários já constituídos, a autoridade lançadora deverá rever de ofício o lançamento, para efeito de alterar total ou parcialmente o crédito tributário, conforme o caso. Desta forma com base no Parecer PGFN/CRJ/No 287/2009 e no Ato Declaratório PGFN no 1, de 2009, os rendimentos recebidos acumuladamente objeto de discussão judicial, devem ser tributados considerando as alíquotas e tabelas progressivas vigentes do fato gerador do rendimento recebido, e não seu cálculo global, como foi efetuado no presente caso, desta forma não há como subsistir o lançamento. Tal situação é muito semelhante aos casos em que a autoridade lançadora apura o acréscimo patrimonial a descoberto com base em critérios anuais, quando que a legislação tributária determina que seja efetuado em bases mensais. Sendo que quando ocorre tal hipótese os lançamentos são cancelados. Desta forma, entendo que o lançamento não pode subsistir, portanto dou provimento ao recurso apresentado pelo recorrente. (Assinado Digitalmente) Pedro Anan Junior – Relator Fl. 132DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/03/2015 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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