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Numero do processo: 19515.002757/2006-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 30 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Jul 30 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2002, 2003
IRPF - OMISSÃO DE RENDIMENTOS - ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO - É tributável, no ajuste anual, a quantia correspondente ao acréscimo patrimonial da pessoa física, caracterizado pelo excesso de aplicações sobre origens, apurado mensalmente por meio de fluxo de caixa, não justificado por rendimentos tributáveis, isentos, não-tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva. No
caso de lançamento de oficio, o ônus de comprovar a existência do acréscimo a descoberto, entretanto, é da autoridade lançadora que deverá confrontar as aplicações dos recursos com as possíveis origens.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2201-000.351
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara
da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Ac.Patrim.Descoberto/Sinais Ext.Riqueza
Nome do relator: Pedro Paulo Pereira Barbosa
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2002, 2003 IRPF - OMISSÃO DE RENDIMENTOS - ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO - É tributável, no ajuste anual, a quantia correspondente ao acréscimo patrimonial da pessoa física, caracterizado pelo excesso de aplicações sobre origens, apurado mensalmente por meio de fluxo de caixa, não justificado por rendimentos tributáveis, isentos, não-tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva. No caso de lançamento de oficio, o ônus de comprovar a existência do acréscimo a descoberto, entretanto, é da autoridade lançadora que deverá confrontar as aplicações dos recursos com as possíveis origens. Recurso provido.
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No caso de lançamento de oficio, o ônus de comprovar a existência do acréscimo a descoberto, entretanto, é da autoridade lançadora que deverá confrontar as aplicações dos recursos com as possíveis origens. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. MOISES GIACOMELLI NUNES SILVA - Presidente e FI'' g140j113 ÉRPIRA ARBOSA — Relator FORMALIZADO EM: 2 7 OUT 2009 1 Processo n° 19515.002757/2006-60 S2-C2T1 Acórdão n.° 2201-00.351 Fl. 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Manoel Coelho Arruda Júnior (Suplente convocado), Eduardo Tadeu Farah, Renato Coelho Borelli (Suplente convocado), 1\liábia Moreira Barros Mazza (Suplente convocada) e Moisés Giacomelli Nunes da Silva. V2,) Processo n" 19515.002757/2006-60 S2-C2T1 Acórdão n." 2201-00351 Fl. 3 Relatório NAID MANDRA ARONSON interpôs recurso voluntário contra acórdão da TURMA/DRJ-SÃO PAULO/SP II que julgou procedente lançamento formalizado por meio do auto de infração de fls. 122/127. Trata-se de exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física — IRPF, no valor de R$ 619.528,91, acrescido de multa de oficio de 150% (qualificada) e de juros de mora, totalizando um crédito tributário lançado de R$ 1.963.085,13. A infração que ensejou o lançamento e que está detalhadamente descrita no auto de infração e no termo de verificação fiscal, este às tls. 51/59 que o integra, foi a omissão de rendimentos tendo em vista variação patrimonial a descoberto. Segundo o relato fiscal, a Contribuinte teria realizado remessas de recursos para depósito em conta no exterior, denominada Beacon Hill, conforme documentos acostados aos autos às fls. 60/121. A Contribuinte impugnou o lançamento, alegando, em síntese, que não realizou as remessas e que desconhece a existência desses recursos. Diz que, ao examinar os documentos nos quais se baseou a Fiscalização, verifica que neles apenas consta a data em que foram feitas as remessas, sem nenhuma referência ao seu nome ou ao de seu cônjuge; que, portanto, não há provas de que fez as tais remessas. Argumenta que, neste caso, não caberia a inversão do ônus da prova, sendo do Fisco o ônus de comprovar a efetiva disponibilidade dos recursos. A 4" TURMA/DRJ-SÃO PAULO/SP II julgou procedente o lançamento com base, em síntese, na consideração de que os documentos trazidos aos autos pela Fiscalização comprovam que a Contribuinte e seu cônjuge foram responsáveis pela remessa de recursos para constas no exterior e que a titularidade dessa disponibilidade, não lastreada em rendimentos declarados, caracteriza acréscimo patrimonial a descoberto; que o acréscimo patrimonial a descoberto é forma indireta de apuração de omissão de rendimentos. A Contribuinte foi cientificada da decisão de primeira instância em 01/11/2007 (fls. 176) e, em 30/11/2007, interpôs o recurso de fls. 177/191, que ora se examina e no qual reitera, em síntese, as mesmas alegações e argumentos da impugnação. É o relatório. Processo n° 19515.002757/2006-60 52-C2T1 Acórdão n.° 2201-00351 Fl. 4 Voto Conselheiro PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Fundamentação Como se vê, cuida-se de exigência de imposto sobre a renda apurado com 1 base em verificação de acréscimo patrimonial a descoberto. O fato apurado que resultou no acréscimo a descoberto e que constitui o cerne da questão para o desfecho a lide, foi a verificação de que a Recorrente foi responsável pela remessa de recursos ao exterior. Intimada a justifica essas remessas a Contribuinte negou tê-las feito e disse desconhecer o fato. Não estou entre os que acham que o Lançamento com base nas informações repassadas à Secretaria da Receita Federal a respeito dos remetentes e beneficiários de remessas para o exterior nas contas ligadas ao Beacon Hill não são válidos por se tratar de simples indicação de nomes, sem outros elementos que corrobore a informação. Penso que se trata de situação especifica em que os remetentes e beneficiários de tais remessas optaram por essa forma de realizar a operação exatamente para evitar o conhecimento por parte das autoridades de tais operações e, portanto, não se pode esperar que existam outros documentos que registrem as movimentações financeiras, bem como não se pode exigir do Fisco que reúna esses elementos para comprovar o fato. Portanto, penso ser legítima como prova da remessa dos recursos para o exterior a presença do nome na relação fornecida pela instituição financeira estrangeira e repassada às autoridades brasileiras. Porém, a remessa dos recursos não representa, por si só, a disponibilidade de renda. A remessa dos recursos para o exterior não se confunde com o fato gerador do imposto de renda. Para identificar o fato gerador e apurar a base de cálculo é preciso, a partir da informação obtida, realizar procedimentos adicionais de apuração. No caso de ser o Contribuinte beneficiário de depósito em conta no exterior, por exemplo, é possível, como tem acontecido, proceder-se à apuração de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada, para tanto, intimando-se previamente o contribuinte a comprovar a origem dos recursos depositados, como determina o art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996. É possível, também, contatada a disponibilidade dos recursos no exterior, considerá-lo como aplicação na apuração de acréscimo patrimonial a descoberto. No presente caso, porém, o que se verifica é que a autoridade lançadora simplesmente considerou a remessa dos recursos como acréscimo patrimonial a descoberto. Como se verifica nas planilhas de fls. 47/50, os únicos dados que entraram na apuração do , Processo n° 19515.002757/2006-60 52-C2T1 Acórdão n.° 2201-00.351 Fl. 5 _ acréscimo patrimonial foram as ditas remessas. E mais, antes do lançamento foi feita apenas uma intimação, da qual a Contribuinte tomou ciência em 24/10/2009 (fls. 04/10) e na qual se pedia comprovação da origem dos recursos remetidos, esclarecer as razões das remessas e demonstrar onde e a que titulo tais valores constaram na Declaração de Rendimentos. E, embora a Contribuinte tenha respondido a intimação simplesmente negando ter feito as remessas, imediatamente em seguida foi feita a autuação com base em acréscimo patrimonial a descoberto, apurada na forma já referida acima. Ora, não foi feito nenhum levantamento de outras possíveis origens de recursos, mormente considerando que a Contribuinte é casada, fato indicado na sua declaração de rendimentos, o que poderia indicar, por exemplo, a disponibilidade de rendimentos do cônjuge; a aquisição ou alienação de bens declarados na declaração do cônjuge etc, Nessas condições, penso que o lançamento não merece prosperar. Vale repetir, a demonstração que a Contribuinte foi responsável por remessa de recursos ao exterior é elemento a ser considerado na apuração de acréscimo patrimonial a descoberto que, entretanto, deve ser apurado com o confronto entre as possíveis origens e aplicações de recursos e não apenas com a indicação das remessas como acréscimo patrimonial, como se fez neste caso. Conclusão Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de DAR provimento ao recurso. .1a das Se - s, em 30 de julho de 2009 1 • 4 C { M i/ '' . ?" - ' IRO PA LO PERE RA /3 OSA - Relator 1 , I , 5 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS Processo n°: 19515.002757/2006-60 Recurso n°: 165.931 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3" do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial if 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão n" 2201-00.351. Brasília, OUT 2009 104 EVELINE COÊLHO DE M LO HOMAR Chefe da Secretaria Segunda Câmara da Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: ( ) Apenas com Ciência ( ) Com Recurso Especial ( ) Com Embargos de Declaração Data da ciência: Procurador(a) da Fazenda Nacional
score : 1.0
Numero do processo: 10675.903027/2009-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/02/2002 a 28/02/2002
BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. FATURAMENTO.
Reconhecida a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do
PIS, essa contribuição deve incidir sobre o faturamento, entendido este como
a receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de
qualquer natureza, nos termos da decisão judicial transitada em julgado.
Numero da decisão: 3402-001.722
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira
SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos
termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: SILVIA DE BRITO OLIVEIRA
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/2002 a 28/02/2002 BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. FATURAMENTO. Reconhecida a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS, essa contribuição deve incidir sobre o faturamento, entendido este como a receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, nos termos da decisão judicial transitada em julgado.
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Recorrente BANCO TRIANGULO S/A Recorrida DRJ em JUIZ DE FORAMG ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/2002 a 28/02/2002 BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. FATURAMENTO. Reconhecida a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS, essa contribuição deve incidir sobre o faturamento, entendido este como a receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, nos termos da decisão judicial transitada em julgado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Gustavo Lanna, OAB 87198/MG. Nayra Bastos Manatta Presidente Sílvia de Brito Oliveira Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Sílvia de Brito Oliveira, Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eça, Gilson Macedo Rosenburg Filho, João Carlos Cassuli Junior, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Nayra Bastos Manatta (Presidente). Fl. 190DF CARF MF Impresso em 27/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/07/ 2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por NAYRA BASTOS MANATTA 2 Relatório A pessoa jurídica qualificada neste processo transmitiu, em 29 de novembro de 2006, Pedido de Restituição/Declaração de Compensação (PER/DCOMP) para declarar a compensação de débito do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) com crédito da contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) decorrente de pagamento em valor maior que o devido no período de apuração de fevereiro de 2002. A compensação não foi homologada em virtude de o pagamento indicado como origem do crédito ter sido integralmente utilizado para quitação de débito da contribuinte. Foi apresentada manifestação de inconformidade e a Delegacia da Receita Federal do Brasil de UberlândiaMG procedeu à revisão de ofício do despacho decisório para novo exame do direito creditório, tendo em vista tratarse de crédito reclamado nos autos do Mandado de Segurança (MS) n° 2000.38.03.000.7782, por meio do qual se pretendeu garantir o direito ao recolhimento do PIS, a partir de 1° de janeiro de 2001, à alíquota de 0,65% sobre o faturamento, afastandose a incidência do art. 3°, § 1°, da Lei n° 9.718, de 27 de novembro de 1998. No novo despacho decisório, a autoridade fiscal concluiu que, após a realização dos cálculos dos créditos decorrentes do supracitado MS, não havia crédito disponível e não homologou a compensação declarada. Contra essa decisão, foi protocolizada manifestação de inconformidade à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Juiz de ForaMG (DRJ/JFA), que, por sua vez indeferiu a manifestação, com o entendimento de que, à vista da decisão judicial transitada em julgado nos autos do MS impetrado pela contribuinte, a base de cálculo da contribuição pra o PIS alcançaria as receitas das “chamadas operações bancárias ("spreads", prêmios, deságios, juros oriundos da intermediação ou aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros, empréstimos, financiamentos, colocação e negociação de títulos e valores mobiliários, aplicações e investimentos, capitalização, arrendamento mercantil, etc..)”, que constituiriam a essência do exercício das atividades empresariais das instituições financeiras. Não se conformando com a decisão do colegiado de piso, a contribuinte interpôs recurso voluntário para alegar, em síntese, que: I – a decisão transitada em julgado proveu integralmente o seu Recurso Extraordinário (RE) e foi proferida com base no art. 557, § 1°A, da Lei n° 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil (CPC), ou seja, nos estritos termos dos julgados pacificadores da matéria, que circunscrevem as receitas oriundas das atividades empresariais, para incidência do PIS, à receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços; II – com o reconhecimento da inconstitucionalidade do art. 3°, § 1°, da Lei n° 9.718, de 1998, foi assegurada a restituição/compensação dos valores recolhidos a mais que o devido; III – a decisão proferida pelo STF não só declarou a inconstitucionalidade do precitado dispositivo legal como também determinou o conceito de faturamento para incidência do PIS; e Fl. 191DF CARF MF Impresso em 27/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/07/ 2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por NAYRA BASTOS MANATTA Processo nº 10675.903027/200913 Acórdão n.º 3402001.722 S3C4T2 Fl. 187 3 IV – para se delimitar o conceito de faturamento consignado na decisão monocrática proferida pelo Ministro Cezar Peluso, é necessário buscar esse conceito na jurisprudência do STF e não na posição pessoal do Ministro. Ao final, a contribuinte solicitou o provimento do seu recurso ou o sobrestamento do processo, tendo em vista a repercussão geral reconhecida no RE n° 609.096. É o relatório. Voto Conselheira Sílvia de Brito Oliveira, Relatora O recurso é tempestivo e seu julgamento está inserto na esfera de competência da 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), devendo ser conhecido. Preliminarmente, cumpre registrar que o RE n° 609.096 cuida da exigibilidade da contribuição para o PIS e da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins) sobre as receitas financeiras das instituições financeiras e, em 04 de março de 2011, teve repercussão geral reconhecida pelo STF. Foram sobrestados os processos judiciais que cuidam dessa matéria, conforme despacho decisório do Ministro Ricardo Lewandowski, em 10 de junho de 2011, no RE 609096; contudo, no caso em exame, a ora recorrente possui ação própria já transitada em julgado, que trata da sua base de cálculo para incidência da contribuição para o PIS e da Cofins. Portanto, não cogita aqui o sobrestamento do presente julgamento. Notese que o deslinde do litígio instaurado neste processo requer tão somente a interpretação da decisão transitada em julgado proferida nos autos do MS n° 2000.38.03.000.7782, cujo teor transcrevese: 1. Tratase de recurso extraordinário interposto contra acórdão que declarou a constitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, relativo ao alargamento da base de cálculo do PIS. 2. Consistente o recurso. A tese do acórdão recorrido está em aberta divergência com a orientação da Corte, cujo Plenário, em data recente, consolidou, com nosso voto vencedor declarado, o entendimento de inconstitucionalidade apenas do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, violando assim a noção de faturamento pressuposta na redação original do art. 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais (cf. RE nº 346.084PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO; RE nº 357.950RS, RE nº 358.273RS e RE nº 390.840MG, Rel. Min. Fl. 192DF CARF MF Impresso em 27/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/07/ 2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por NAYRA BASTOS MANATTA 4 MARCO AURÉLIO, todos julgados em 09.11.2005. Ver Informativo STF nº 408, p. 1) 3. Diante do exposto, e com fundamento no art. 557, § 1ºA, do CPC, conheço do recurso e doulhe provimento, para, concedendo a ordem, excluir, da base de incidência do PIS, receita estranha ao faturamento do recorrente, entendido esse nos termos já suso enunciados. Custas ex lege. Publiquese. Ora, de acordo com a decisão judicial em questão, a recorrente, para os fatos geradores ocorridos a partir de 1° de janeiro de 2000 e regidos pela Lei n° 9.718, de 1998, a contribuição para o PIS deve incidir apenas sobre o faturamento “cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais”. Em face disso, pareceme idene de dúvida que os valores do PIS recolhidos sobre base de cálculo que não configura receita bruta de venda de mercadoria ou de prestação de serviços tornaramse indevidos em face da decisão judicial transitada em julgado em favor da recorrente e, ademais, considerando que essa decisão foi proferida com fundamento no art. 557, § 1ºA, do CPC, entendo que sua interpretação deve ser consoante com a interpretação dada para os casos submetidos a este colegiado e apreciados à luz da inconstitucionalidade do art. 3°, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998, declarada pelo plenário do STF, em sede de controle difuso, com reconhecimento de repercussão geral. Destarte, por comungar o entendimento expendido pelo Conselheiro Robson José Bayerl, designado para redigir o voto vencedor do Acórdão n° 340300.581, proferido na sessão de 30 de setembro de 2010, no julgamento do recurso voluntário n° 256.916, interposto nos autos do processo n° 16327.000980/200511, transcrevo trecho desse voto vencedor a seguir: (...) Destarte, é irretorquível o reconhecimento da inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo excelso pretório, contudo, tal manifestação se limitou àquele dispositivo que, justamente, veiculava o pretenso conceito de “receita bruta”, ordinariamente conhecido como “alargamento” da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins. Não se pode olvidar, entretanto, que os arts. 2º e 3º, caput, da referida Lei nº 9.718/98 permaneceram incólumes, de tal sorte que há, sim, definição da base de cálculo da exação, in casu, o faturamento correspondente à receita bruta da pessoa jurídica, senão veja se: Art.2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) Art.3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) Portanto, o conceito a ser buscado no ordenamento jurídico tributário é o de “receita bruta” da pessoa jurídica, porquanto aquele predicado pelo indigitado art. 3º, § 1º não é mais válido, Fl. 193DF CARF MF Impresso em 27/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/07/ 2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por NAYRA BASTOS MANATTA Processo nº 10675.903027/200913 Acórdão n.º 3402001.722 S3C4T2 Fl. 188 5 não me parecendo razoável buscarse, como pretende o voto vencido, com a devida vênia, uma base de cálculo extraordinária para a contribuição para o PIS/Pasep e Cofins. Reitero, a base de cálculo já existe e, como já dito, equivale ao faturamento, assim entendido como a receita bruta apurada pelo contribuinte. Dentro do microssistema das contribuições sociais sobre faturamento (PIS e Cofins), convergem, ainda que por via oblíqua1, as definições constantes do art. 72, V do ADCT (regulada pela Lei nº 9701/98) e Lei nº 9.715/98, que reeviam à legislação do IRPJ para aclarar o sentido da expressão “receita bruta”, cujo art. 279 do RIR/99 (Decreto nº 3.000/99), assim dispõe: “Art.279. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia (Lei nº 4.506, de 1964, art. 44, e DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 12). Parágrafo único. Na receita bruta não se incluem os impostos não cumulativos cobrados, destacadamente, do comprador ou contratante, dos quais o vendedor dos bens ou o prestador dos serviços seja mero depositário.” De outro ângulo, a Lei nº 9.718/98, além de reconfigurar a Cofins, teve por desiderato unificar o regime de apuração de ambas as contribuições, o que se revela pela leitura de seu art. 1º e de seu contexto geral. Nesta trilha, sendo ela inegavelmente sucessora da LC 70/91, no que concerne à Cofins, não é descabida o empréstimo de seu conceito de faturamento, bastante assemelhado à literalidade daquele adrede reproduzido, sendo na essência idêntico, ex vi do art. 2º, caput: “Art. 2° A contribuição de que trata o artigo anterior será de dois por cento e incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza.” Tenho que esta definição é a mais consentânea com a sistematização pretendida pelos sucessivos diplomas que trataram do tema em data mais recente, até o advento da não cumulatividade, nomeadamente, Lei Complementar nº 70/91, Medida Provisória nº 1.212/95 (convertida na Lei nº 9.715/98) e art. 72, V do ADCTF. Cuidase, na espécie, de integração da legislação tributária, em face do lacunoso conceito de receita bruta na regra matriz de 1 Digo por via oblíqua ao passo que o art. 72, V do ADCT informa que a base de cálculo será a receita bruta operacional, como definida pela legislação do imposto de renda, ao passo que a Lei nº 9.715/98 (arts. 2º c/c 3º) indica como base de cálculo o faturamento mensal, assim entendida a receita bruta, tal como prevê a legislação do imposto de renda. Ou seja, ainda que por caminhos diversos, a conclusão é a mesma. Fl. 194DF CARF MF Impresso em 27/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/07/ 2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por NAYRA BASTOS MANATTA 6 incidência do PIS/Pasep, aplicandose à hipótese as previsões do art. 108 do Código Tributário Nacional. Acentuo que a integração, ora feita, a partir da legislação do Imposto de Renda e da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS alcança tãosomente a acepção do termo “receita bruta”, para estabelecimento do que venha a ser “faturamento”, e não a própria definição da base de cálculo da exação, o que seria vedado pelo § 1º do mesmo dispositivo. Pertinente, a este respeito, o escólio de Luciano Amaro2, quando examina o instituto da integração da legislação tributária: “Prevê o art. 108, após a analogia, o emprego dos princípios gerais de direito tributário (item II), antes de mencionar os de direito público (item III). Costumase falar, também, ao invocaremse os princípios para suprir lacunas da lei , em analogia juris, a par da analogia legis. Nesta, buscase uma norma para suprir a lacuna; naquela, a solução para a lacuna achase através do processo lógico de conformação do regramento do caso concreto com o conjunto do direito vigente, o que supõe que se invoquem os princípios integrantes desse sistema, e não uma norma; a utilização de certa norma posta no sistema traduziria analogia legis. O caminho é parecido com o da interpretação sistemática; nesta, temse uma norma, cuja interpretação se busca em harmonia com o sistema jurídico em que ela se insere; na analogia juris, procurase construir norma para o caso concreto que se harmonize com o sistema jurídico em que a disciplina desse caso deve ser inserida.” Em síntese, consigno meu entendimento que, eleito o faturamento como base de cálculo da contribuição para o PIS e sendo este equivalente à receita bruta, nos termos dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718/98, não atingidos pela decisão do STF, à luz de uma interpretação sistemática e da integração da legislação pertinente ao tema, devese entender como a receita das vendas de bens e serviços de qualquer natureza, ainda que fornecidos de forma conjunta, como aduz a sobredita legislação. Diante do exposto, voto pelo provimento parcial do recurso, lembrando que o provimento parcial é devido à necessidade de a unidade preparadora destes autos aferir os cálculos para apuração do valor do indébito tributário decorrente da incidência do PIS apenas sobre a receita bruta de vendas de mercadoria e/ou de prestação de serviços. É como voto. Sala das Sessões, em 24 de abril de 2012 Relatora Sílvia de Brito Oliveira 2 DIREITO TRIBUTÁRIO BRASILEIRO, 5ª edição revista e atualizada. São Paulo: Saraiva, 2000. pág. 203. Fl. 195DF CARF MF Impresso em 27/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/07/ 2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por NAYRA BASTOS MANATTA Processo nº 10675.903027/200913 Acórdão n.º 3402001.722 S3C4T2 Fl. 189 7 Fl. 196DF CARF MF Impresso em 27/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/07/ 2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por NAYRA BASTOS MANATTA
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Numero do processo: 11080.010272/2007-76
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Jul 25 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007
DESPESAS DE FRETES NO TRANSPORTE DE MERCADORIAS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA EMPRESA. NÃO DÁ DIREITO AO CRÉDITO DA CONTRIBUIÇÃO.
Não existe previsão legal para o cálculo de créditos a descontar do PIS e da Cofins, não cumulativos, sobre valores relativos a fretes realizados entre estabelecimentos da mesma empresa ou para estabelecimentos de terceiros não clientes.
CRÉDITOS DE COFINS. CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO. ART. 8º DA LEI Nº 10.925/2010. ART. 56-A, § 1º, I, DA LEI Nº 12.350/2010. IMPOSSIBILIDADE ANTES DE 1º/11/2011.
O art. 56-A, § 1º, I, da Lei nº 12.350/2010 impede a utilização do crédito presumido do art. 8º da Lei nº 10.925/2010, para fins de ressarcimento, antes de 1º/01/2011.
CRÉDITOS DE COFINS. ALÍQUOTA DO CRÉDITO PRESUMIDO.
O despacho decisório da DRF demonstrou que a alíquota correta é de 2,66%, nos termos do art. 8º, §3º, II, da Lei nº 10.925/2004 vigente até 14 de junho de 2007, e que, depois dessa data, passou a ser de 3,8%, por foça da nova redação dado ao indigitado inciso pela Lei nº 11.488/2007.
CRÉDITOS DE COFINS. NÃO-CUMULATIVIDADE. ENCONTRO DE CONTAS E REDUÇÃO DO VALOR A RESSARCIR.
Em consequência da glosa dos créditos presumidos utilizados para quitar o próprio COFINS, a fiscalização apurou débitos de COFINS. A autoridade fiscal, então, utilizou parte dos créditos reconhecidos, na análise do pedido de ressarcimento, para compensar tais novos débitos de COFINS. Encontro de contas que faz parte da natureza da apuração desse tributo não-cumulativo.
CRÉDITOS DE COFINS-IMPORTAÇÃO. RESSARCIMENTO.
Excetuada a hipótese do art. 16 da Lei nº 11.116/2005, impossível a utilização do ressarcimento do saldo credor de valores decorrentes dos créditos, previstos no art. 15 da Lei nº 10.865/2004. Inaplicável, na espécie, o art. 6, §§ 1º e 2º, da Lei nº 10.833/2003.
COFINS. CRÉDITO PRESUMIDO. VENDAS DEVOLVIDAS. RESSARCIMENTO.
Não são ressarcíveis os créditos de COFINS-importação, dispostos no art. 15 da Lei nº 10.865/2004, e os créditos presumidos, disciplinados no art. 8º da Lei nº 10.925/2004, vinculados a vendas devolvidas, porquanto somente são passíveis de pedido de ressarcimento os créditos, previstos no art. 3º, da Lei nº 10.833/2003, vinculados à exportação ou a saídas isentas, não tributadas, alíquota zero ou suspensas, conforme dispõe o art. 6, §§ 1º e 2º, da Lei nº 10.833/2003 e o art. 16 da Lei nº 11.116/2005; ou, ainda, os créditos do art. 15 da Lei nº 10.865/2004 relacionados a saídas isentas, não tributadas, alíquota zero ou suspensas, na forma do art. 17 da Lei nº 11.033/2005 e do art. 16 da Lei nº 11.116/2005.
CRÉDITOS DE COFINS. RATEIO PROPORCIONAL. RECEITAS FINANCEIRAS. ALÍQUOTA ZERO. INCLUSÃO NO CONCEITO DE RECEITA BRUTA TOTAL.
O art. 3º, § 8º, II, da Lei nº 10.833/2003 não fala em receita bruta total, sujeita ao pagamento de COFINS, não cabendo ao intérprete criar distinção onde a lei não o faz. Impõe-se o cômputo das receitas financeiras no cálculo da receita brutal total para fins de rateio proporcional dos créditos de COFINS não-cumulativo.
CRÉDITOS DE COFINS. RESSARCIMENTO. ORDEM JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO.
Deve ser obedecida ordem judicial, transitada em julgado, juntada aos autos, no ressarcimento sob julgamento.
Recurso Voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3202-000.597
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, a) Por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário, em relação às despesas com frete. Vencidos os Conselheiros Thiago Moura de Albuquerque Alves e Rodrigo Cardozo Miranda. Redator designado: Luís Eduardo Garrossino Barbieri. b) Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário em relação:(b.1) à utilização, para ressarcimento, do crédito presumido do art. 8º da Lei nº.10.925/2004; (b.2)à glosa de créditos presumidos utilizados para quitar débitos do próprio PIS; (b.3) ao ressarcimento do saldo credor de PIS/COFINS-importação, do art. 15 da Lei nº. 10865/2004; e (b.4) aos créditos de PIS-importação e aos créditos presumidos vinculados à devolução de vendas. c) Por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário em relação: (c.1) aos créditos na aquisição de produto para revenda a pessoa jurídica; e (c.2) à inclusão das receitas financeiras, sujeitas à incidência à alíquota zero, no somatório da receita bruta total, para fins de rateio proporcional.
Irene Souza da Trindade Torres Presidente
Thiago Moura de Albuquerque Alves Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Rodrigo Cardozo Miranda, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza e Thiago Moura de Albuquerque Alves. Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido.
Nome do relator: THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 DESPESAS DE FRETES NO TRANSPORTE DE MERCADORIAS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA EMPRESA. NÃO DÁ DIREITO AO CRÉDITO DA CONTRIBUIÇÃO. Não existe previsão legal para o cálculo de créditos a descontar do PIS e da Cofins, não cumulativos, sobre valores relativos a fretes realizados entre estabelecimentos da mesma empresa ou para estabelecimentos de terceiros não clientes. CRÉDITOS DE COFINS. CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO. ART. 8º DA LEI Nº 10.925/2010. ART. 56-A, § 1º, I, DA LEI Nº 12.350/2010. IMPOSSIBILIDADE ANTES DE 1º/11/2011. O art. 56-A, § 1º, I, da Lei nº 12.350/2010 impede a utilização do crédito presumido do art. 8º da Lei nº 10.925/2010, para fins de ressarcimento, antes de 1º/01/2011. CRÉDITOS DE COFINS. ALÍQUOTA DO CRÉDITO PRESUMIDO. O despacho decisório da DRF demonstrou que a alíquota correta é de 2,66%, nos termos do art. 8º, §3º, II, da Lei nº 10.925/2004 vigente até 14 de junho de 2007, e que, depois dessa data, passou a ser de 3,8%, por foça da nova redação dado ao indigitado inciso pela Lei nº 11.488/2007. CRÉDITOS DE COFINS. NÃO-CUMULATIVIDADE. ENCONTRO DE CONTAS E REDUÇÃO DO VALOR A RESSARCIR. Em consequência da glosa dos créditos presumidos utilizados para quitar o próprio COFINS, a fiscalização apurou débitos de COFINS. A autoridade fiscal, então, utilizou parte dos créditos reconhecidos, na análise do pedido de ressarcimento, para compensar tais novos débitos de COFINS. Encontro de contas que faz parte da natureza da apuração desse tributo não-cumulativo. CRÉDITOS DE COFINS-IMPORTAÇÃO. RESSARCIMENTO. Excetuada a hipótese do art. 16 da Lei nº 11.116/2005, impossível a utilização do ressarcimento do saldo credor de valores decorrentes dos créditos, previstos no art. 15 da Lei nº 10.865/2004. Inaplicável, na espécie, o art. 6, §§ 1º e 2º, da Lei nº 10.833/2003. COFINS. CRÉDITO PRESUMIDO. VENDAS DEVOLVIDAS. RESSARCIMENTO. Não são ressarcíveis os créditos de COFINS-importação, dispostos no art. 15 da Lei nº 10.865/2004, e os créditos presumidos, disciplinados no art. 8º da Lei nº 10.925/2004, vinculados a vendas devolvidas, porquanto somente são passíveis de pedido de ressarcimento os créditos, previstos no art. 3º, da Lei nº 10.833/2003, vinculados à exportação ou a saídas isentas, não tributadas, alíquota zero ou suspensas, conforme dispõe o art. 6, §§ 1º e 2º, da Lei nº 10.833/2003 e o art. 16 da Lei nº 11.116/2005; ou, ainda, os créditos do art. 15 da Lei nº 10.865/2004 relacionados a saídas isentas, não tributadas, alíquota zero ou suspensas, na forma do art. 17 da Lei nº 11.033/2005 e do art. 16 da Lei nº 11.116/2005. CRÉDITOS DE COFINS. RATEIO PROPORCIONAL. RECEITAS FINANCEIRAS. ALÍQUOTA ZERO. INCLUSÃO NO CONCEITO DE RECEITA BRUTA TOTAL. O art. 3º, § 8º, II, da Lei nº 10.833/2003 não fala em receita bruta total, sujeita ao pagamento de COFINS, não cabendo ao intérprete criar distinção onde a lei não o faz. Impõe-se o cômputo das receitas financeiras no cálculo da receita brutal total para fins de rateio proporcional dos créditos de COFINS não-cumulativo. CRÉDITOS DE COFINS. RESSARCIMENTO. ORDEM JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. Deve ser obedecida ordem judicial, transitada em julgado, juntada aos autos, no ressarcimento sob julgamento. Recurso Voluntário provido em parte.
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NÃO DÁ DIREITO AO CRÉDITO DA CONTRIBUIÇÃO. Não existe previsão legal para o cálculo de créditos a descontar do PIS e da Cofins, não cumulativos, sobre valores relativos a fretes realizados entre estabelecimentos da mesma empresa ou para estabelecimentos de terceiros não clientes. CRÉDITOS DE COFINS. CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO. ART. 8º DA LEI Nº 10.925/2010. ART. 56A, § 1º, I, DA LEI Nº 12.350/2010. IMPOSSIBILIDADE ANTES DE 1º/11/2011. O art. 56A, § 1º, I, da Lei nº 12.350/2010 impede a utilização do crédito presumido do art. 8º da Lei nº 10.925/2010, para fins de ressarcimento, antes de 1º/01/2011. CRÉDITOS DE COFINS. ALÍQUOTA DO CRÉDITO PRESUMIDO. O despacho decisório da DRF demonstrou que a alíquota correta é de 2,66%, nos termos do art. 8º, §3º, II, da Lei nº 10.925/2004 vigente até 14 de junho de 2007, e que, depois dessa data, passou a ser de 3,8%, por foça da nova redação dado ao indigitado inciso pela Lei nº 11.488/2007. CRÉDITOS DE COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. ENCONTRO DE CONTAS E REDUÇÃO DO VALOR A RESSARCIR. Em consequência da glosa dos créditos presumidos utilizados para quitar o próprio COFINS, a fiscalização apurou débitos de COFINS. A autoridade fiscal, então, utilizou parte dos créditos reconhecidos, na análise do pedido de ressarcimento, para compensar tais novos débitos de COFINS. Encontro de contas que faz parte da natureza da apuração desse tributo nãocumulativo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 01 02 72 /2 00 7- 76 Fl. 849DF CARF MF Impresso em 25/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 09/06/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 12/06/2013 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 2 CRÉDITOS DE COFINSIMPORTAÇÃO. RESSARCIMENTO. Excetuada a hipótese do art. 16 da Lei nº 11.116/2005, impossível a utilização do ressarcimento do saldo credor de valores decorrentes dos créditos, previstos no art. 15 da Lei nº 10.865/2004. Inaplicável, na espécie, o art. 6, §§ 1º e 2º, da Lei nº 10.833/2003. COFINS. CRÉDITO PRESUMIDO. VENDAS DEVOLVIDAS. RESSARCIMENTO. Não são ressarcíveis os créditos de COFINSimportação, dispostos no art. 15 da Lei nº 10.865/2004, e os créditos presumidos, disciplinados no art. 8º da Lei nº 10.925/2004, vinculados a vendas devolvidas, porquanto somente são passíveis de pedido de ressarcimento os créditos, previstos no art. 3º, da Lei nº 10.833/2003, vinculados à exportação ou a saídas isentas, não tributadas, alíquota zero ou suspensas, conforme dispõe o art. 6, §§ 1º e 2º, da Lei nº 10.833/2003 e o art. 16 da Lei nº 11.116/2005; ou, ainda, os créditos do art. 15 da Lei nº 10.865/2004 relacionados a saídas isentas, não tributadas, alíquota zero ou suspensas, na forma do art. 17 da Lei nº 11.033/2005 e do art. 16 da Lei nº 11.116/2005. CRÉDITOS DE COFINS. RATEIO PROPORCIONAL. RECEITAS FINANCEIRAS. ALÍQUOTA ZERO. INCLUSÃO NO CONCEITO DE RECEITA BRUTA TOTAL. O art. 3º, § 8º, II, da Lei nº 10.833/2003 não fala em receita bruta total, sujeita ao pagamento de COFINS, não cabendo ao intérprete criar distinção onde a lei não o faz. Impõese o cômputo das receitas financeiras no cálculo da receita brutal total para fins de rateio proporcional dos créditos de COFINS nãocumulativo. CRÉDITOS DE COFINS. RESSARCIMENTO. ORDEM JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. Deve ser obedecida ordem judicial, transitada em julgado, juntada aos autos, no ressarcimento sob julgamento. Recurso Voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, a) Por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário, em relação às despesas com frete. Vencidos os Conselheiros Thiago Moura de Albuquerque Alves e Rodrigo Cardozo Miranda. Redator designado: Luís Eduardo Garrossino Barbieri. b) Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário em relação:(b.1) à utilização, para ressarcimento, do crédito presumido do art. 8º da Lei nº.10.925/2004; (b.2)à glosa de créditos presumidos utilizados para quitar débitos do próprio PIS; (b.3) ao ressarcimento do saldo credor de PIS/COFINSimportação, do art. 15 da Lei nº. 10865/2004; e (b.4) aos créditos de PISimportação e aos créditos presumidos vinculados à devolução de vendas. c) Por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário em relação: (c.1) aos créditos na aquisição de produto para revenda a pessoa jurídica; e (c.2) à inclusão das receitas financeiras, sujeitas à incidência à alíquota zero, no somatório da receita bruta total, para fins de rateio proporcional. Fl. 850DF CARF MF Impresso em 25/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 09/06/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 12/06/2013 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11080.010272/200776 Acórdão n.º 3202000.597 S3C2T2 Fl. 846 3 Irene Souza da Trindade Torres – Presidente Thiago Moura de Albuquerque Alves – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Rodrigo Cardozo Miranda, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza e Thiago Moura de Albuquerque Alves. Gilberto de Castro Moreira Junior declarouse impedido. Relatório Consoante relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre/RS, o presente litígio decorre de Pedido de Restituição (fls. 01/ss), protocolizado em 25/07/2007, onde a interessada solicita a restituição de R$ 11.895.521,80 (onze milhões, oitocentos e noventa e cinco mil, quinhentos e vinte e um reais e oitenta centavos) a título de crédito de COFINS decorrente da sistemática da nãocumulatividade, apurados no primeiro trimestre de 2007. O alegado crédito da COFINS que a interessada pretende restituir é referente à receita bruta não tributada no mercado interno no valor de R$ 6.253.238,10 (seis milhões, duzentos e cinquenta e três mil, duzentos e trinta e oito reais, e dez centavos), e à receita bruta auferida com exportações no valor de R$ 5.642.283,70 (cinco milhões, seiscentos e quarenta e dois mil, duzentos e oitenta e três reais, e setenta centavos). A interessada impetrou ainda Mandado de Segurança (2007.71.00.0391218), postulando determinação para que a autoridade impetrada apreciasse ambos os PERs que deram origem ao presente processo. A autoridade judicial deferiu em parte a liminar, fixando o prazo de 120 dias, a vencer em 18 de fevereiro de 2008. A Fiscalização elaborou o Relatório de Ação Fiscal de fls. 415/424 que embasou o Despacho Decisório n° 060/2008 proferido pelo Delegado da Receita Federal em Porto Alegre reconhecendo parcialmente o direito creditório pleiteado no valor de RS 9.631.459,32. De acordo com esse Relatório de Ação Fiscal, a empresa apropriou créditos de Cofins sobre determinadas aquisições de bens e serviços indevidamente. Calculou créditos sobre valores escriturados nas contas "Fretes Transferências para Vendas". Esses fretes referemse à transferência de produtos acabados entre diversos estabelecimentos da empresa ou então para estabelecimentos de terceiros não clientes, não estariam assim vinculados a operações de venda e, portanto, não gerariam créditos, por falta de previsão legal. Fl. 851DF CARF MF Impresso em 25/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 09/06/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 12/06/2013 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 4 Consignou a Fiscalização que o crédito presumido previsto no art. 8º da Lei n° 10.925/2004, bem como os créditos do CofinsImportação não são passíveis de ressarcimento. Em que pese tal limitação à utilização dos créditos presumidos para dedução dascontribuições, entendeu a Fiscalização ser necessária a análise de sua apuração. Assim, constatou que a empresa utilizou, em alguns produtos, alíquota incorreta para o cálculo do crédito presumido em questão, deixando de aplicar as reduções determinadas pelo § 3 o do art. 8º da Lei n° 10.925/2004 ou empregando percentuais incorretos. Em conseqüência, houve apropriação de crédito presumido em montante superior àquele permitido pela legislação. Esses valores foram utilizados em sua integralidade para deduzir o montante devido a título de Cofins nãocumulativa. Nesse caso, a Fiscalização procedeu aos ajustes necessários, reduzindo o montante creditório passível de ressarcimento, aproveitando parte desse crédito para quitar os débitos de Cofins a descoberto pela utilização do crédito presumido indevido. Verificou também a Fiscalização que a empresa vinculou parcela de crédito oriundo de devolução de vendas tributadas no mercado interno a receitas não tributadas no mercado interno e de exportação, com isso majorou a parcela dos créditos passíveis de ressarcimento indevidamente. O método utilizado pela empresa para vinculação dos créditos comuns às receitas tributadas e não tributadas no mercado interno e àquelas referentes à exportação é o método da proporção de cada receita em relação a receita bruta total. Consignou a Fiscalização que se deve entender a receita bruta total como o produto da venda de bens e o preço dos serviços prestados, uma vez que as demais receitas não teriam custos e despesas a ela vinculados. Concluiu então que apenas parte do crédito pleiteado vinculado à receita de exportação e às receitas não tributadas no mercado interno poderia ser objeto de ressarcimento. Cientificada do Despacho Decisório, a interessada apresentou, tempestivamente, manifestação de inconformidade onde discorda das glosas efetuadas. Defende a possibilidade de calcular créditos sobre fretes efetuados entre o seu estabelecimento produtor e centros de distribuição localizados em diversas cidades do país. Esse frete seria essencial para a perfectibilização da operação de venda. As dimensões continentais do país, a perecibilidade dos bens produzidos, as características climáticas e os imperativos logísticos exigiriam a manutenção de Centros de Distribuição estrategicamente posicionados no território nacional. Afirma que o produto seria enviado do estabelecimento industrial ao centro de distribuição mais próximo do comprador da mercadoria e de lá seria remetido diretamente para o estabelecimento adquirente. Esse frete realizado por etapas seria fundamental para a operação de venda c seu creditamento estaria previsto em Lei. Alega que a legislação do PIS e da Cofins teria estabelecido de forma ampla o crédito de frete utilizado para as operações de venda, sem restringir apenas ao frete direto entre o estabelecimento vendedor e o cliente. Acredita que haveria ofensa ao princípio da não cumulatividade. Ataca a limitação ao ressarcimento que teria sido imposta pelo Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 15/2005, que teria restringido a utilização do crédito presumido apenas para dedução da contribuição para o PIS e Cofins nãocumulativos, impedindo seu o ressarcimento ou a sua compensação com outros débitos tributários. Afirma que a Fiscalização teria excluído esse crédito presumido do pedido de ressarcimento e não o teria sequer realocado como crédito para dedução dos débitos das contribuições a pagar. Fl. 852DF CARF MF Impresso em 25/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 09/06/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 12/06/2013 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11080.010272/200776 Acórdão n.º 3202000.597 S3C2T2 Fl. 847 5 Discorda da utilização dos créditos objeto dos pedidos de ressarcimento para dedução de débitos em aberto da contribuição. Esses débitos foram extintos pela dedução de créditos presumidos calculados a maior pela empresa. A Fiscalização ao glosar esses valores e utilizar outros créditos parta quitar os débitos a descoberto teria promovido uma compensação de ofício, sem qualquer constituição de crédito tributário pela via do lançamento. Acredita que a análise implementada deveria estar limitada aos créditos vinculados às receitas de exportação e às não tributadas no mercado interno. Passa a defender os valores apropriados a título de crédito presumido, embora entenda que estaria comprovada a ilegalidade do Despacho Decisório quanto a este aspecto. Sustenta a utilização do percentual de 60% sobre a alíquota da contribuição para cálculo dos créditos dos insumos utilizados na produção das mercadorias de origem animal e vegetal destinadas à alimentação humana. Acredita que se não houvesse vinculação do percentual às mercadorias a que refere o benefício fiscal esse estaria reduzido. Afirma que no caso da utilização integral da alíquota no cálculo de crédito referente aos produtos em questão, esses não teriam sido utilizados como insumos e sim teriam sido revendidos gerando a possibilidade de crédito integral. Insurgese contra a exclusão integral do valor a título de crédito presumido, alega que tendo a Fiscalização concordado com a aplicação do percentual de redução de 35%, pelo menos uma parte do crédito presumido seria incontroversa. Discorda da impossibilidade de utilizar créditos de PISImportação e/ou Cofins Importação. Alega que não existe qualquer limitação no art. 15 da Lei n° 10.865/2004 nesse sentido. No que tange à devolução de vendas, acredita que o Fisco ao explicitar que esses créditos estavam integralmente vinculados à receita bruta tributada no mercado interno para que fossem dedutíveis da própria contribuição, excluiu a totalidade desses valores do pedido de ressarcimento deixando de redirecionálos para qualquer outra rubrica. Por fim, argumenta que na segregação dos créditos com base na proporção da receita bruta total incluiu as receitas financeiras, fato não observado pela fiscalização, e que levou à glosa de créditos apurados pela empresa. Defende a inclusão das receitas financeiras no cálculo da receita bruta total, citando o disposto nas Leis n° 10.637/2002, 10.833/2003 e 9.718/1998. A 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento Porto Alegre proferiu o Acórdão n.º 1035.346 de 1º de novembro de 2011 (folhas 699/ss), o qual recebeu a seguinte ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 FRETE. ESTABELECIMENTO DA MESMA EMPRESA Não existe previsão legal para o cálculo de créditos a descontar da Cofinns nãocumulativa sobre valores relativos a fretes realizados entre estabelecimentos da mesma empresa ou para estabelecimentos de terceiros não clientes. CRÉDITO PRESUMIDO UTILIZAÇÃO LIMITAÇÃO A própria Lei n° 10.925/2004 já limitou a utilização do crédito Fl. 853DF CARF MF Impresso em 25/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 09/06/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 12/06/2013 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 6 presumido previsto em seu art. 8o à dedução de débitos das contribuições para o PIS e para a Cofins não cumulativos. CRÉDITO PRESUMIDO INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOA FÍSICA ALÍQUOTA APLICÁVEL O percentual de 60% aplicável sobre a alíquota prevista no art. 2° da Lei n° 10.833/2003 será utilizado apenas para os insumos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 1501 a 1506, 1516 10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15 17 e 15 18 adquiridos de pessoa física, aplicandose o percentual de 35% para os demais produtos, nos termos da legislação em vigor na época dos fatos geradores sob análise. AQUISIÇÃO DE PESSOA FÍSICA. PRODUTO PARA REVENDA O direito ao cálculo de créditos na compra de produtos para revenda está limitado à aquisições efetuadas de pessoas jurídicas. RECEITA BRUTA TOTAL SEGREGAÇÃO DE CRÉDITOS NÃO INCLUSÃO RECEITA FINANCEIRA As receitas financeiras não devem ser adicionadas na receita bruta total utilizada na apuração de percentual para a segregação de créditos de Cofins nãocumulativo, uma vez que não há previsão legal de créditos vinculados a tais receitas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A interessada cientificada do Acórdão da DRJ – POA (folhas 743/744), em 10/01/2012, interpôs Recurso Voluntário (fls. 745/ss), em 09/02/2012, onde repisa os argumentos já trazidos na Manifestação de Inconformidade, os quais podem ser assim sintetizados: existe direito ao creditamento dos valores incidentes sobre o frete, que é parte do processo produtivo da empresa, uma vez que “a remessa de produtos acabados para outros estabelecimentos da Recorrente não tem outro objetivo senão possibilitar a venda dessas mercadorias. Os produtos somente são remetidos para os centros de distribuição para que se perfectibilize a venda dos mesmos. Esses centros não são armazéns utilizados para estoques de mercadorias que retornarão para a fábrica para venda posterior. São utilizados exatamente para possibilitar a distribuição dos produtos vendidos para os clientes da Recorrente..”; “A legislação do PIS/COFINS nãocumulativos é expressa ao reconhecer o direito de crédito no frete utilizado para as operações de venda, sem restringir apenas ao frete direto entre o estabelecimento vendedor e o cliente (comprador da mercadoria). Nesse ponto, mais uma vez, adota fórmula nãocumulativa ampla. Alinhase, também nesse aspecto, à técnica de tributação pelo valor agregado”. “A restrição/limitação perpetrada pela Receita Federal, em afronta direta, inclusive, ao texto legal, de glosa dos créditos oriundos do serviço de frete utilizado na venda dos produtos da Recorrente, é flagrante e afronta o limite objetivo da nãocumulatividade. O tributo é cumulativo ou não é. Não há espaço para meio termo, ou para o subjetivismo próprio da categoria de valores.” “Ocorre que o custo de produção e de venda deve compreender todos os valores despendidos pela Recorrente com insumos e outros serviços indispensáveis à produção Fl. 854DF CARF MF Impresso em 25/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 09/06/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 12/06/2013 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11080.010272/200776 Acórdão n.º 3202000.597 S3C2T2 Fl. 848 7 dos produtos a serem destinados para a sua comercialização e consumo. Como se vê, a SRF adotou visão extremamente restritiva de tais conceitos, para retirar da Recorrente uma parcela dos créditos a qual faz jus. Se a empresa necessita remeter seus produtos para o centro de distribuição localizado fora da sua planta produtiva, não pode lhe ser negado o direito de aproveitar o crédito correspondente ao valor do transporte contratado.” “Assim, prevendo o ADI n° 15 exigências que estão em conflito com as disposições legais, o mesmo é ilegal e extravasa o seu campo de competência, devendo ser rejeitado pelo sistema jurídico. No caso dos autos, é flagrante que o ADI foi além daquilo que a sua competência permite e negou direito ao ressarcimento legalmente previsto.” “ainda que o crédito presumido em apreço não pudesse ser objeto de pedido de ressarcimento, no mínimo deveria a Fiscalização ter determinado/reconhecido sua realocação como crédito a ser utilizado na dedução da contribuição eventualmente devida pela Recorrente.” “se a Fiscalização tivesse qualquer 'desconfiança' sobre a forma como a empresa apurou a contribuição devida e as deduções utilizadas nesta apuração, deveria ter instaurado procedimento próprio, notificado a Recorrente e fiscalizado a empresa com este fim, jamais podendo se utilizar de mero pedido de ressarcimento para verificação de tais informações.” “No caso em tela, tendo em vista que 'a soja, o milho, o sorgo e o farelo de soja' referidos pelo Despacho entre outros são todos insumos que foram utilizados pela Recorrente na produção das mercadorias referidas no art. 8°, S 3°, I, da Lei n° 10.925/004, não há se de falar em apropriação indevida quando o crédito presumido considerado foi de exatamente 0,99% conforme aponta a própria decisão proferida. Já em relação às hipóteses em que a tomada de crédito pela Recorrente foi na ordem de 1,65%, tais casos, de fato, não se tratam de hipótese de crédito 'presumido' de PIS/COFINS, mas de crédito ‘real', reconhecido pela legislação, referente a mercadorias que foram simplesmente revendidas. Portanto, não se tratam de insumos, e, em assim sendo, o direito ao creditamento é sobre o seu valor integral.” “havendo um crédito presumido a ser reconhecido à Recorrente, não é dado ao Fisco, quanto da glosa, retirarlhe a totalidade do crédito! Deveria, isto sim, ter excluído o montante que, segundo a Fiscalização, a Recorrente teria creditado a maior e mantido o crédito que entende correto.” “Assim, se a legislação vigente autoriza que "a pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § Io, poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro" (art 5o , §2°, da Lei n° 10.637/02), não havendo qualquer dispositivo no sentido que esta autorização não se aplicaria aos créditos de PIS/COFINS Importação, não é dada à Administração impor tal restrição. Ademais, também aqui se verificou que, embora tenha sido excluído o crédito de PIS/COFINS importação para fins de ressarcimento, o mesmo não foi redirecionado para qualquer outra rubrica, tendo sido indevidamente tolhido da Recorrente, que tem direito ao mesmo, ainda que para dedução da contribuição a pagar.” Sobre os créditos referentes a devolução de vendas, a aproriação de tais valores seria correta, porquanto “novamente, ao excluir a TOTALIDADE de tais valores do pedido de ressarcimento, os mesmo não foram redirecionados para qualquer outra rubrica. Ou seja, nem mesmo a sua utilização para dedução da contribuição devida poderá ser realizada pela Recorrente, o que configura flagrante apropriação indevida, além de trazer reflexos na apuração da contribuição devida, já realizada pela Contribuinte.” Fl. 855DF CARF MF Impresso em 25/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 09/06/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 12/06/2013 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 8 “Diante da simples leitura da legislação vigente desde 2002/2003, percebe se o flagrante equívoco cometido pelo Sr. Fiscal ao entender que receita financeira não compõe o valor da receita bruta. O texto da lei é expresso ao determinar que deverão ser contabilizados como receita os valores decorrentes da venda de bens e serviços, bem como todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente da classificação contábil.” por fim, requer que seja dado provimento ao Recurso Voluntário e deferido o pedido de restituição formulado em 25 de julho de 2007. A Procuradoria da Fazenda Nacional, fl. 713, informa o trânsito em julgado da decisão proferida no Mandado de Segurança nº 2008.71.00.0088447/RS, que concedeu a segurança, “para determinar que a autoridade coatora se abstenha de efetuar a compensação de ofício dos créditos que foram objeto dos Pedidos de Ressarcimento, protocolados pela Impetrante nos processos administrativos N°s 1108010267/200763, 1108010259/200717, 1108010272/200776 e 1108010263/200785, com débitos que são objeto de parcelamento ativo.” O processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator na forma regimental. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Thiago Moura de Albuquerque Alves, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende os requisitos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Tratase de recuso voluntário contra acórdão da DRJPOA, que julgou improcedente manifestação de inconformidade da Recorrente, interposta contra decisão da DRF em Itajaí/SC. Por meio do Despacho Decisório nº 060/2008, a DRF reconheceu parcialmente os Pedidos Eletrônicos de Ressarcimento de crédito de COFINS nãocumulativo, referentes ao 1º trimestre de 2007, transmitido em 25/07/2007 (fl. 02). A empresa, então, apresentou manifestação de inconformidade contra a parte não deferida dos créditos, a qual foi julgada improcedente pela DRJPOA. Não resignada com o acórdão da DRJPOA, a contribuinte interpôs recurso voluntário, pedindo sua total reforma e o reconhecimento integral do crédito (fl. 745/ss). Passo ao exame item a item das razões do recurso. Frete na remessa de produtos para centros de distribuição O primeiro tema a ser decidido é se o art. 3º, II, da Lei nº 10.637/2002 c/c o art. 15, II, e art. 3º, IX, da Lei nº 10.833/2003, autorizam ou não o creditamento do frete na transferência dos produtos da fábrica para centros de distribuição. No âmbito das Superintendências da Receita Federal do Brasil, o assunto era controvertido. Exigiu que a COSIT CoordenadoriaGeral do Sistema de Tributação unificasse a interpretação, através da Solução de Divergência nº 11, de 27/09/2007, e da Solução de Fl. 856DF CARF MF Impresso em 25/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 09/06/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 12/06/2013 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11080.010272/200776 Acórdão n.º 3202000.597 S3C2T2 Fl. 849 9 Divergência nº 12, de 08/04/2008, nas quais concluiu por negar o direito ao crédito nas citadas circunstâncias, como bem apontou o acórdão recorrido. Confiramse as ementas das mencionadas Soluções de Divergência: SOLUÇÃO DE DIVERGÊNCIA Nº 11, DE 27 DE SETEMBRO DE 2007 ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins EMENTA: Cofins Apuração nãocumulativa. Créditos de despesas com fretes. Por não integrar o conceito de insumo utilizado na produção e nem ser considerada operação de venda, os valores das despesas efetuadas com fretes contratados, ainda, que pagos ou creditados a pessoas jurídicas domiciliadas no país para realização de transferências de mercadorias (produtos acabados) dos estabelecimentos industriais para os estabelecimentos distribuidores da mesma pessoa jurídica, não geram direito a créditos a serem descontados da Cofins devida. Somente os valores das despesas realizadas com fretes contratados para a entrega de mercadorias diretamente aos clientes adquirentes, desde que o ônus tenha sido suportado pela pessoa jurídica vendedora, é que geram direito a créditos a serem descontados da Cofins devida. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº 10.833, de 2003, arts. 3º e 93, I. ********** SOLUÇÃO DE DIVERGÊNCIA Nº 12 de 08 de Abril de 2008 ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Créditos de COFINS transporte de produto acabado entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica insumos da atividade de transporte não aplicáveis 1. O transporte de produto acabado entre estabelecimentos industriais, ou destes para os centros de distribuição e ainda de um centro de distribuição para outro, da mesma pessoa jurídica não gera direito a crédito a ser descontado da Cofins com incidência nãocumulativa. 2. Os insumos utilizados na atividade de transporte de produto acabado (ou em elaboração) entre estabelecimentos industriais; destes para os centros de distribuição; de um centro de distribuição para outro ou do estabelecimento vendedor para o comprador não gera direito a crédito a ser descontado da Cofins com incidência nãocumulativa, exceto se se tratar de pessoa jurídica cujo objeto societário seja transporte. Fl. 857DF CARF MF Impresso em 25/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 09/06/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 12/06/2013 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 10 Entretanto, com a devida vênia da posição firmada pela COSIT, entendo que a expressão operação de venda, inscrita no art. 3º, IX, da Lei nº 10.833/2003, não exclui o creditamento do frete suportado pelo Recorrente na remessa de mercadoria para os centros de distribuição. Leiase o art. 3º, IX, da Lei nº 10.833/2003: IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. O enunciado normativo acima destacado autoriza o crédito de COFINS das despesas com frete na operação de venda. O significado literal da expressão “operação de venda” não é esvaziado pela existência de um local intermediário (centros de distribuição), no transporte da mercadoria destinada à venda, para distribuir com mais eficiência os produtos. À luz do art. 3º, IX, da Lei nº 10.833/2003, a forma como a empresa organiza a logística da venda de sua produção não descaracteriza ipso facto a operação de venda, principalmente porque não há outra finalidade para remessa da mercadoria ao centro de distribuição, que não seja a venda. Nesse mesmo sentido interpretativo, decidiu a 3ª Turma da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF, ao analisar créditos de PIS, entendimento por tudo aplicável a COFINS, em acórdão da lavra do eminente Conselheiro ROBSON JOSÉ BAYERL. Observese: CARF 3ª Seção / 3ª Turma da 4ª Câmara ACÓRDÃO 340300.485 em 30/07/2010 PIS NÃOCUMULATIVO ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP PIS NÃO CUMULATIVO, TRANSFERÊNCIAS DE PRODUTOS ACABADOS DESTINADOS À EXPORTAÇÃO ENTRE ESTABELECIMENTOS DA PESSOA; JURÍDICA. FRETE INCORRIDO NAS OPERAÇÕES. CARACTERIZAÇÃO COMO INCIDENTE SOBRE VENDAS. As transferências de mercadorias destinadas à exportação para estabelecimento onde se realiza operação de consolidação e armazenagem de mercadorias, cujo destino final é a comercialização, se equipara a frete sobre venda para fins de reconhecimento de direito de crédito, nos termos do art. 3º das Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003. Recurso Provido em Parte. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito de incluir no cálculo do crédito da contribuição não cumulativa os fretes relativos às operações de transferência de produtos acabados para o estabelecimento localizado na área retroportuária. Vencidos os Conselheiros Winderley Morais Pereira Antonio Carlos Atulim, que negaram provimento na íntegra. Publicado no DOU em: 24.03.2011 Assim, dou provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito ao crédito de COFINS, em relação ao custo/despesa com frete, suportando pelo Recorrente, na transferência dos produtos da fábrica para centros de distribuição. Fl. 858DF CARF MF Impresso em 25/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 09/06/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 12/06/2013 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11080.010272/200776 Acórdão n.º 3202000.597 S3C2T2 Fl. 850 11 A utilização do crédito presumido do art. 8º da Lei nº 10.925/2004 No que diz respeito à glosa de crédito presumido do art. 8º da Lei nº 10.925/2004, foi fundamentada no Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 15/2005, que veda a utilização do saldo credor, desse incentivo fiscal, para pedir o ressarcimento proporcional às receitas de exportação, nos seguintes termos: Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 15, de 22 de dezembro de 2005 DOU de 26.12.2005 [...] Art. 1º O valor do crédito presumido previsto na Lei nº 10.925, de 2004, arts. 8º e 15, somente pode ser utilizado para deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) apuradas no regime de incidência nãocumulativa. Art. 2º O valor do crédito presumido referido no art. 1º não pode ser objeto de compensação ou de ressarcimento, de que trata a Lei nº 10.637, de 2002, art. 5º, § 1º, inciso II, e § 2º, a Lei nº 10.833, de 2003, art. 6º,§ 1º, inciso II, e § 2º, e a Lei nº 11.116, de 2005, art. 16. Como se vê, para negar o ressarcimento ao crédito presumido, o ato interpretativo acima reproduzido fixa sua exegese no art. 8º da Lei nº 10.925/2004 combinado com o art. 6º, § 1º, inciso II, e § 2º Lei nº 10.833/2003, cujas respetivas redações são importantes ter em mente para o deslinde da controvérsia: Art. 8º. As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. ******* Art. 6º A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: Fl. 859DF CARF MF Impresso em 25/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 09/06/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 12/06/2013 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 12 I exportação de mercadorias para o exterior; [...] III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. § 1o Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3o para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2o A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1o, poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Ao teor do art. 6º, § 1º, da Lei nº 10.833/2003, os créditos apurados na forma do art. 3º do mesmo diploma legal, vinculados a receitas decorrentes de exportação, podem ser objeto de ressarcimento para posterior compensação ou devolução em dinheiro. Assim, considerando que o crédito presumido estaria previsto em artigo legal (art. 8º da Lei nº 10.925/2004) diverso do art. 3º da Lei nº 10.833/2003, a autorização ao ressarcimento, prevista no art. 6º, § 1º, da Lei nº 10.833/2003, não seria aplicável a esse tipo de benefício fiscal. O raciocínio é perfeito não fosse um detalhe, qual seja: o crédito presumido estava previsto, originalmente, nos §§ 5º e 6º do art. 3º da Lei nº 10.833/2003, tendo sido deslocado para o art. 8º da Lei nº 10.925/2004. Leiase sua redação original: Art. 3º....... § 5o Sem prejuízo do aproveitamento dos créditos apurados na forma deste artigo, as pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2 a 4, 8 a 12 e 23, e nos códigos 01.03, 01.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, 15.07 a 1514, 1515.2, 1516.20.00, 15.17, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul NCM, destinados à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da COFINS, devida em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens e serviços referidos no inciso II do caput deste artigo, adquiridos, no mesmo período, de pessoas físicas residentes no País. (Revogado pela Lei nº 10.925, de 2004) § 6o Relativamente ao crédito presumido referido no § 5o: (Revogado pela Lei nº 10.925, de 2004) Fl. 860DF CARF MF Impresso em 25/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 09/06/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 12/06/2013 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11080.010272/200776 Acórdão n.º 3202000.597 S3C2T2 Fl. 851 13 I seu montante será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a 80% (oitenta por cento) daquela constante do caput do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (Revogado pela Lei nº 10.925, de 2004) II o valor das aquisições não poderá ser superior ao que vier a ser fixado, por espécie de bem ou serviço, pela Secretaria da Receita Federal – SRF, do Ministério da Fazenda. (Revogado pela Lei nº 10.925, de 2004) § 11. Relativamente ao crédito presumido referido no § 10: (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) (Revogado pela Lei nº 10.925, de 2004) Dessa maneira, tendo mantido, no essencial, a redação do crédito presumido, antes previsto no art. 3º da Lei nº 10.833/2003, tudo indica que a Lei nº 10.925/2004, apenas, objetivou melhorar a técnica legislativa, incluindoo num artigo específico. O indigitado deslocamento topográfico, a meu ver, não leva a conclusão, de que o saldo credor do crédito presumido deixou de ser ressarcível, depois do advento do art. 8º da Lei nº 10.925/2004, quando vinculado a receitas de exportação, nos termos do art. 6º, § 1º, da Lei nº 10.833/2003. Isso porque tal exegese conduziria a proibição, na prática, de aproveitamento do crédito presumido por empresas total ou predominantemente exportadoras, o que não encontra eco no art. 8º da Lei nº 10.925/2004 combinado com o art. 6º, § 1º, da Lei nº 10.833/2003 pelas razões já expostas. A despeito de tudo isso, sobreveio o art. 56A da Lei nº 12.350/2010, criado pelo artigo 10 da Lei nº 12.431 de 24.06.2011, fruto da conversão do art. 9º da Medida Provisória nº 517, de 30.12.2010, que ratificou a exegese do ADI SRF nº 15/2005. O art. 56A da Lei nº 12.350/2010 autoriza pedir o ressarcimento do crédito presumido do art. 8º da Lei nº 10.925/2004 somente a partir do primeiro do mês subsequente a sua publicação, isto é, a partir de 1º.01.2011 (data da publicação da medida provisória que o originou). Ipsis litteris: Art. 56A.O saldo de créditos presumidos apurados a partir do anocalendário de 2006 na forma do § 3º do art. 8º da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004, existentes na data de publicação desta Lei, poderá: I ser compensado com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, observada a legislação específica aplicável à matéria; II ser ressarcido em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 1º O pedido de ressarcimento ou de compensação dos créditos presumidos de que trata o caput somente poderá ser efetuado: Fl. 861DF CARF MF Impresso em 25/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 09/06/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 12/06/2013 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 14 I relativamente aos créditos apurados nos anoscalendário de 2006 a 2008, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao da publicação desta Lei; Diante da clareza do art. 56A, § 1º, I, da Lei nº 12.350/2010, e da impossibilidade examinar sua constitucionalidade no âmbito administrativo, impende seja negado provimento ao recurso voluntário, tendo em vista a impossibilidade de utilização do crédito presumido do art. 8º da Lei nº 10.925/2010, gerado no anocalendário de 2007, para fins de ressarcimento, antes de 1º/01/2011. Crédito na aquisição de produto para revenda A DRF glosou créditos apurados pela Recorrente, asseverando, ainda, que não foi respeitada a alíquota do crédito presumido em alguns casos. Eis suas palavras (fl. 439): Ao examinarse o arquivo apresentado pela Eleva, verificouse que, de fato, a maioria das aquisições de produtos de origem animal teve o respectivo crédito presumido calculado mediante aplicação da alíquota de 4,56% sobre o valor da compra, chamado por ela de base. Todavia, em outras aquisições de produtos de origem animal, principalmente leite, o contribuinte utilizou a alíquota de 7,6%o. Algumas cópias de notas fiscais comprobatórias dessas aquisições encontramse em anexo (folhas 174 a 178). Em conseqüência, temse que a Eleva apropriou, indevidamente, crédito presumido de COFINS em montante superior àquele admitido pela legislação. Quando da aquisição dos demais produtos, à exceção daqueles de origem animal, tratada no parágrafo anterior, e também da soja e seus derivados, o mesmo artigo 8º da Lei n° 10.925/2004, no seu § 3º, inciso II, na redação original, estabeleceu que o crédito presumido será calculado mediante aplicação, sobre o valor da aquisição, de alíquota correspondente a 35% de 7,6%. Em resumo, a alíquota é de 2,66%. Quanto às aquisições de soja e seus derivados, até 14 de junho de 2007 os percentuais eram os mesmos aplicáveis aos demais produtos, que resultavam em uma alíquota final de 2,66%. A partir do dia seguinte, com base no artigo 32 da Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007, combinado com o artigo 41 do mesmo diploma legal, que alterou a redação do inciso II do parágrafo 3 o do já citado artigo 8º da Lei n° 10.925/2004, e acrescentoulhe o inciso III, o crédito presumido é calculado mediante aplicação, sobre o valor das aquisições de soja e seus derivados, de alíquota correspondente a 50% de 7,6%. Em síntese, a alíquota é de 3,8%. Todavia, por ocasião da análise do arquivo entregue pela Eleva, constatouse que a maioria das aquisições desses demais produtos, de origem não animal, principalmente soja, milho, sorgo e farelo de soja, teve o respectivo crédito presumido calculado mediante aplicação da alíquota de 4,56% sobre o valor da compra. Em outras aquisições desses mesmos produtos, o contribuinte utilizou a alíquota de 7,6%. Algumas cópias de notas fiscais comprobatórias dessas aquisições encontramse em anexo (folhas 179 a 190). Mais uma vez, temse como conseqüência que a Eleva apropriou, de modo indevido, crédito presumido de COFINS em montante superior àquele admitido pela legislação. Fl. 862DF CARF MF Impresso em 25/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 09/06/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 12/06/2013 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11080.010272/200776 Acórdão n.º 3202000.597 S3C2T2 Fl. 852 15 Em sua manifestação de inconformidade, a empresa defendeu que utilizou a alíquota do crédito normal de 7,6%, previsto no art. 2º da Lei nº 10.833/2003, nas aquisições de produtos (leite, soja, milho, sorgo e farelo de soja) que foram revendidos, e não utilizados como insumos. Apreciando a impugnação da contribuinte, a DRJ rejeitou o referido argumento, porque “o cálculo de créditos básicos na aquisição de produtos para revenda de pessoas físicas está expressamente vedado pela legislação” (fl. 707). Em função disso, a empresa reiterou sua defesa no recurso voluntário. Entendo que o inconformismo da Recorrente tem parcial procedência. É que as notas fiscais, exemplificadamente indicadas pela DRF em seu relatório de fls. 439, são todas elas emitidas por pessoas jurídicas cooperativa (fls. 191/ss), de modo a garantir o crédito básico de COFINS na revenda, à luz do art. 3º, § 3º, I, da Lei nº 10.833/2003. O mesmo não ocorre em relação ao cálculo do crédito presumido, na alíquota de 4,46%, nas aquisições de pessoa física soja, milho, sorgo e farelo, utilizado como insumos, O despacho decisório da DRF demonstrou que a alíquota correta é de 2,66%, nos termos do art. 8º, §3º, II, da Lei nº 10.925/2004 vigente até 14 de junho de 2007, e que, depois dessa data, passou a ser de 3,8%, por foça da nova redação dado ao indigitado inciso pela Lei nº 11.488/2007, sendo irretocável o acórdão da DRJ que manteve a glosa realizada pela fiscalização nessa parte. Ressaltese que, ao teor do despacho decisório da DRF, a fiscalização reapurou o crédito presumido, com a alíquota correta, não demonstrando, a Recorrente, que a autoridade teria glosado totalmente essas importâncias. Em suma: dou parcial provimento ao recurso voluntário, nesse aspecto, para reconhecer o direito ao crédito de 7,6%, nas aquisições de pessoas jurídicas de produtos para revenda, com fundamento no art. 3º, I, § 3º, da Lei nº 10.833/2003. Reapuração dos créditos e débitos do PIS/COFINS Em consequência da glosa dos créditos presumidos utilizados para quitar a COFINS, a fiscalização apurou débitos de COFINS. A autoridade fiscal, então, utilizou parte dos créditos reconhecidos, na análise do pedido de ressarcimento, para compensar tais novos débitos de COFINS. No entender da Recorrente, o procedimento descrito representa compensação de ofício não prevista em lei, pugnando que o correto seria a fiscalização lançar o valor de COFINS, eventualmente devido em decorrência da reapuração do crédito presumido, para que o contribuinte optasse por utilizar ou não créditos reconhecidos no pedido de ressarcimento. Na minha ótica, porém, agiu corretamente a fiscalização, na medida em que, como o próprio Recorrente defende em outros trechos do seu recurso voluntário, é dever da fiscalização apurar tantos os créditos favoráveis à contribuinte quanto os débitos a ela contrários, no âmbito do COFINS nãocumulativo. Faz parte da forma de apuração desse tributo a realização de encontro de contas. Não merece provimento, portanto, essa parte do recurso voluntário. Fl. 863DF CARF MF Impresso em 25/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 09/06/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 12/06/2013 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 16 Créditos de PIS/COFINSImportação Igualmente sem razão a empresa quando sustenta que o saldo credor dos créditos de PIS/COFINSimportação, previstos no art. 15 da Lei nº 10.865/2004, podem ser utilizados para pedir ressarcimento. Colhase, nesse sentido, o art. 15 da Lei nº 10.865/2004: Art. 15. As pessoas jurídicas sujeitas à apuração da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, nos termos dos arts. 2o e 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, poderão descontar crédito, para fins de determinação dessas contribuições, em relação às importações sujeitas ao pagamento das contribuições de que trata o art. 1o desta Lei, nas seguintes hipóteses: (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) I bens adquiridos para revenda; II – bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustível e lubrificantes; III energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica; IV aluguéis e contraprestações de arrendamento mercantil de prédios, máquinas e equipamentos, embarcações e aeronaves, utilizados na atividade da empresa; V máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. V máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1o O direito ao crédito de que trata este artigo e o art. 17 desta Lei aplicase em relação às contribuições efetivamente pagas na importação de bens e serviços a partir da produção dos efeitos desta Lei. § 2o O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes. Efetivamente, o art. 15 da Lei nº 10.865/2004 somente autoriza a utilização de tais créditos para fins de determinação da COFINS devida. Nada mais. Já o art. 6ª, §§ 1º e 2º, da Lei nº 10.833/2003 autoriza o ressarcimento, apenas, para créditos originados do art. 3º da Lei nº 10.833/2003, vinculados à exportação. A única hipótese de os créditos do art. 15 da Lei n 10.865/2004 permitir o ressarcimento é prevista no art. 17 da Lei nº 11.033/2004 e no art. 16 da Lei nº 11.116, de 18.05.2005: Fl. 864DF CARF MF Impresso em 25/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 09/06/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 12/06/2013 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11080.010272/200776 Acórdão n.º 3202000.597 S3C2T2 Fl. 853 17 Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. ****** Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestrecalendário anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei. Considerando que a Recorrente não demonstrou enquadrase nas disposições do art. 17 da Lei nº 11.033/2004 e do art. 16 da Lei nº 11.116/2005, não merece provimento o recurso voluntário quando pretende utilizar para ressarcimento o saldo credor de valores decorrentes do art. 15 da Lei nº 10.865/2004, porquanto é inaplicável na espécie o art. 6º, §§ 1º e 2º, da Lei nº 10.833/2003. Frisese que, ao teor do despacho decisório da DRF, a fiscalização considerou os créditos de COFINSImportação para compensar a própria COFINS devida e apurada no período, não demonstrando, a Recorrente, que a autoridade teria inutilizado totalmente essas importâncias. Devolução de Vendas Outrossim, não são ressarcíveis os créditos de COFINSimportação e os créditos presumidos vinculados a venda devolvidas, porquanto somente são passíveis de pedido de ressarcimento os créditos do art. 3º da Lei nº 10.833/2003, vinculados à exportação ou a saídas isentas, não tributadas, alíquota zero ou suspensas, conforme dispõe o art. 6º, §§ 1º e 2º, da Lei nº 10.833/2003 e o art. 16 da Lei nº 11.116/2005; ou, ainda, os créditos do art. 15 da Lei nº 10.865/2004 relativos a saídas isentas, não tributadas, alíquota zero ou suspensas, na forma do art. 16 da Lei nº 11.116/2005. Salientese que, ao teor do despacho decisório da DRF, a fiscalização considerou os créditos de COFINSimportação e os créditos presumidos alusivos às vendas devolvidas para compensar a própria COFINS eventualmente devida e apurada no período, não demonstrando, a Recorrente, que a autoridade teria inutilizado totalmente essas importâncias. Fl. 865DF CARF MF Impresso em 25/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 09/06/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 12/06/2013 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 18 Receitas financeiras – método de rateio proporcional Merece, também, ser acolhido o recurso voluntário, quando pede que as receitas financeiras, sujeitas à incidência à alíquota zero da contribuição, a partir de 02/08/2004, por força do Decreto nº 5.164/2004, sejam computadas no somatório da receita bruta total para fins de rateio proporcional. Isso porque o art. 3º, § 8º, II, da Lei nº 10.833/2003 não fala em receita bruta sujeita ao pagamento de COFINS, não cabendo ao intérprete criar distinção onde a lei não o faz. In verbis: § 8o Observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no § 7o e àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de: I – apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou II – rateio proporcional, aplicandose aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. Por conseguinte, ao teor do art. 3º, § 8º, II, da Lei nº 10.833/2003, merece provimento o recurso voluntário para que a autoridade fiscal inclua as receitas financeiras na receita bruta total para fins de rateio proporcional, refazendo a apuração dos créditos com base nessa premissa. Decisão judicial a ser obedecida Por fim, destaco que a autoridade fiscal, quando do cumprimento do presente acórdão, deve obedecer à decisão judicial transitada em julgado, juntada pela Procuradoria da Fazenda Nacional à fl. 713, proferida no Mandado de Segurança nº 2008.71.00.0088447/RS, que concedeu a segurança, “para determinar que a autoridade coatora se abstenha de efetuar a compensação de ofício dos créditos que foram objeto dos Pedidos de Ressarcimento, protocolados pela Impetrante nos processos administrativos N°s 1108010267/200763, 1108010259/200717, 1108010272/200776 e 1108010263/200785, com débitos que são objeto de parcelamento ativo.” Conclusão Ante o exposto, voto por dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para: a) reconhecer o direito ao crédito de COFINS, em relação ao custo/despesa com frete, suportando pelo Recorrente, na transferência dos produtos da fábrica para centros de distribuição; b) reconhecer o direito ao crédito de 7,6%, nas aquisições de pessoas jurídicas de produtos para revenda, com fundamento no art. 3º, I, § 3º, da Lei nº 10.833/2003; Fl. 866DF CARF MF Impresso em 25/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 09/06/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 12/06/2013 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11080.010272/200776 Acórdão n.º 3202000.597 S3C2T2 Fl. 854 19 c) determinar à autoridade fiscal que inclua as receitas financeiras na receita bruta total para fins de rateio proporcional, refazendo a apuração dos créditos com base nessa premissa. Fica assegurada à Receita Federal do Brasil verificar a existência e liquidez dos valores objeto da presente demanda, respeitando as premissas fixadas no presente acórdão. Finalmente, destaquese que deve ser cumprida pela autoridade fiscal a decisão judicial transitada em julgado, juntada pela Procuradoria da Fazenda Nacional à fl. 713, proferida no Mandado de Segurança nº 2008.71.00.0088447/RS, que concedeu a segurança, “para determinar que a autoridade coatora se abstenha de efetuar a compensação de ofício dos créditos que foram objeto dos Pedidos de Ressarcimento, protocolados pela Impetrante nos processos administrativos N°s 1108010267/200763, 1108010259/200717, 1108010272/200776 e 1108010263/200785, com débitos que são objeto de parcelamento ativo.” É como voto. Thiago Moura de Albuquerque Alves Voto Vencedor Conselheiro Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Redator. A divergência em relação ao voto do ilustre Conselheiro Relator referese exclusivamente em relação às despesas com frete na remessa de produtos para centros de distribuição. O Conselheiro Relator votou por dar provimento ao Recurso Voluntário. A Turma, entretanto, por maioria de votos, entendeu que deveria ser mantida a cobrança nesta matéria, sendo este Conselheiro designado para elaborar o voto vencedor, nesta parte. Entendo que a razão, neste caso, está com o Fisco. Vejamos. A empresa calculou créditos sobre valores escriturados nas contas "Fretes Transferências para Vendas". Esses fretes referemse à transferência de produtos acabados entre diversos estabelecimentos da empresa ou então para estabelecimentos de terceiros não clientes e, portanto, não estão vinculados a operações de venda. Nos termos da norma que rege a matéria, nem todo o custo de produção pode ser utilizado para cálculo de créditos da Contribuição, mas apenas aqueles custos expressamente prescritos no artigo 3º da Lei nº 10.833/2003, dentre os quais não se encontram as despesas de transporte interno entre estabelecimentos da mesma empresa ou para estabelecimento de terceiros, não clientes, em mera operação de logística para posterior distribuição, agora sim, em operação de venda. Fl. 867DF CARF MF Impresso em 25/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 09/06/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 12/06/2013 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 20 A hipótese tratada nos autos não pode ser confundida com aquela hipótese prevista no inciso IX do art. 3º da Lei 10.833/2003, aplicável também ao PIS por força do art. 15, II, do mesmo diploma legal, o qual prevê o cálculo de créditos sobre valores de frete nas operações de venda, verbis: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. A redação da lei é extremamente clara, e não comporta interpretações extensivas: somente dará direito ao crédito o custo do frete na operação de venda e quando o ônus for suportado pelo vendedor. No caso em tela, não se trata de operação de venda, mas sim meras transferências entre estabelecimentos de sua propriedade ou para estabelecimentos de terceiros não clientes. São operações de logística, e não de venda. Portanto, não há base legal para a pretensão da Recorrente. Neste sentido, transcrevo ementa de decisão do STJ: REsp 1147902 / RS de 18/03/2010: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. DESPESAS DE FRETE RELACIONADAS À TRANSFERÊNCIA INTERNA DE MERCADORIAS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA EMPRESA. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. 1. Controvertese sobre a possibilidade de utilização das despesas de frete, relacionadas à transferência de mercadorias entre estabelecimentos componentes da mesma empresa, como crédito dedutível na apuração da base de cálculo das contribuições à Cofins e ao PIS, nos termos das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003. 2. A legislação tributária em comento instituiu o regime da não cumulatividade nas aludidas contribuições da seguridade social, devidas pelas empresas optantes pela tributação pelo lucro real, autorizando a dedução, entre outros, dos créditos referentes a bens ou serviços utilizados como insumo na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. 3. O direito ao crédito decorre da utilização de insumo que esteja vinculado ao desempenho da atividade empresarial. As despesas de frete somente geram crédito quando relacionadas à operação de venda e, ainda assim, desde que sejam suportadas pelo contribuinte vendedor. 4. Inexiste, portanto, direito ao creditamento de despesas concernentes às operações de transferência interna das mercadorias entre estabelecimentos de uma única sociedade empresarial. 5. Recurso Especial não provido. Fl. 868DF CARF MF Impresso em 25/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 09/06/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 12/06/2013 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11080.010272/200776 Acórdão n.º 3202000.597 S3C2T2 Fl. 855 21 Ante o exposto, voto por negar ao Recurso Voluntário quanto à possibilidade de obtenção de créditos do PIS e da Cofins decorrentes do custo do transporte de mercadoria entre estabelecimentos da empresa (transporte intercompany) ou para estabelecimentos de terceiros não clientes, não vinculados à operações de venda. É como voto. Luís Eduardo Garrossino Barbieri Fl. 869DF CARF MF Impresso em 25/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 09/06/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 12/06/2013 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
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Numero do processo: 10530.901187/2009-72
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jul 01 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1802-000.227
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência.
(documento assinado digitalmente)
Ester Manques Lins de Sousa- Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Nelso Kichel- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Marco Antônio Nunes Castilho e Gustavo Junqueira Carneiro Leão.
Relatório
Nome do relator: NELSO KICHEL
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência. (documento assinado digitalmente) Ester Manques Lins de Sousa Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Marco Antônio Nunes Castilho e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 30 .9 01 18 7/ 20 09 -7 2 Fl. 316DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10530.901187/200972 Resolução nº 1802000.227 S1TE02 Fl. 317 2 Relatório Cuidam os autos do Recurso Voluntário de fls.297/304 contra decisão da 2ª Turma da DRJ/Salvador (fls. 289/290) que julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente. Quanto aos fatos, consta que em 25/05/2005 a contribuinte transmitiu eletronicamente via internet, por meio do Programa PER/DCOMP, a declaração de compensação tributária nº 33238.21635.250505.1.3.041760 (fls.36/40), onde consta: a) débito informado (confessado): CSLL estimativa mensal, código de receita 2484, do PA fevereiro/2005, data de vencimento 31/03/2005, assim especificado: principal: R$ 5.696,17; multa moratória: R$ 1.139,23; juros de mora: R$ 137,28; Total: R$ 6.972,68. b) débito informado (confessado): CSLL estimativa mensal, código de receita 2484, do PA março/2005, data de vencimento 30/04/2005, assim especificado: principal: R$ 8.200,00; multa moratória: R$ 811,80; juros de mora: R$ 82,00; Total: R$ 9.093,80. c) crédito utilizado: aproveitamento de suposto direito creditório de R$ 13.759,08 (valor original), referente pagamento indevido ou a maior de CSLL estimativa mensal, código de receita 2484, do PA 31/03/2004, valor de R$ 13.758,60 (valor original), data do recolhimento 30/04/2004. Entretanto, na DIPJ 2005, anocalendário 2004 (Ficha 16), consta, quanto ao PA 31/03/2004, débito informado da CSLL estimativa mensal o valor de R$ 13.758,60, com base na receita bruta e acréscimos (fl. 190). Da mesma forma, na DCTF desse PA consta débito confessado da CSLL = R$ 13.758,60 (fl. 49). Por isso, o despacho decisório da DRF/Feira de Santana, de 25/03/2009, não reconheceu o direito creditório pleiteado, não homologando a compensação tributária informada, pois o recolhimento citado está vinculado ao débito do respectivo PA informado na respectiva DIPJ e DCTF. A propósito, transcrevo o disposto no Despacho Decisório eletrônico (fl. 34), in verbis: (...) Fl. 317DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10530.901187/200972 Resolução nº 1802000.227 S1TE02 Fl. 318 3 3FUNDAMENTAÇAO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: R$ 13.758,60. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. (...) Inconformada com essa decisão da qual tomou ciência em 30/04/2009, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade de fls. 03/19 em 13/05/2009, conforme protocolo (fls. 268/269) e despacho de fl. 288. Em sua Manifestação de Inconformidade, a contribuinte, em síntese, aduziu: que a compensação, transmitida pelo sistema eletrônico, denominado PER/DCOMP, foi julgada não homologada, pela inexistência do crédito (prejuízo fiscal e base de cálculo negativa) a autorizála; que, em seguida, faz longo arrazoado acerca da impossibilidade de se evitar a compensação integral dos prejuízos, sob pena de se criar tributação sobre o patrimônio, e não sobre o lucro e renda. Transcreve o art. 42 da Lei n° 8.981, de 1995, e o art. 15 da Lei n° 9.065, de 1995, que tratam do limite para a compensação de prejuízos fiscais de períodos de apuração anteriores até o limite de 30% do lucro líquido ajustado, por entender que foram esses dispositivos legais que motivaram a negativa de homologação da compensação em litígio; que, ainda, cita trechos doutrinários, assim como jurisprudência administrativa e judicial acerca da trava de 30% e, por último, requer a procedência da sua defesa, para se declarar a homologação da compensação; A Manifestação de Inconformidade veio acompanhada dos documentos de fls. 20 a 275, dentre os quais se destacam cópias: das DCTF originais relativas aos anoscalendário de 2004 e 2005; dos Darf correspondentes aos recolhimentos de estimativas mensais de IRPJ e de CSLL dos períodos de apuração ocorridos em 2004; da DIPJ 2005, anocalendário 2004; do Balanço Patrimonial; Demonstração dos Custos dos Serviços; Demonstração do Custo das Mercadorias e Demonstração do Resultado dos Exercícios de 2004 e 2005. Posteriormente, por meio do requerimento de fl. 276, datado de 14/07/2009, e com o intuito de comprovar a existência do crédito utilizado na compensação em análise, a Contribuinte solicitou a juntada das DCTF retificadoras, relativas aos quatro trimestres do ano calendário de 2004, "zerando" todos os débitos relativos às estimativas mensais de IRPJ e de CSLL anteriormente confessados para os períodos de apuração ocorridos no anocalendário de 2004, que se encontram às fls. 277/286. Fl. 318DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10530.901187/200972 Resolução nº 1802000.227 S1TE02 Fl. 319 4 Por sua vez, a DRJ/Salvador, apreciando a lide, julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, conforme Acórdão de 18/01/2012 (fls. 289/290), cuja ementa transcrevo a seguir, in verbis: (...) Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2004 RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. O reconhecimento do indébito depende da efetiva comprovação do alegado recolhimento indevido ou maior do que o devido. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido (...) Ciente desse decisum em 06/03/2012, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 09/03/2012 , conforme Despacho de Encaminhamento (fl. 314). Nas razões do Recurso Voluntário consta, in verbis: (...) O crédito foi originário do DARF 2484 CSLL de março/2004 para pagamento de débito referente ao ano de 2005. A compensação, transmitida pelo sistema eletrônico, denominado PER/DCOMP, foi julgada não homologada, por entender inexistir o crédito (prejuízo fiscal e base de cálculo negativa) a autorizála. Apresentada manifestação de inconformidade fora a mesma julgada improcedente não sendo reconhecido o crédito e consequentemente negando a compensação efetuada no sentido de que: ...os recolhimentos obrigatórios de estimativas mensais, efetuados de acordo com as determinações legais, somente serão passíveis de configurar pagamento indevido ou a maior, ao final do ano calendário, caso o contribuinte apure saldo negativo do tributo, este sim passível de restituição ou compensação. Examinando a Ficha 17 Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido da DIPJ/2005 (fl. 192), vêse que a pessoa jurídica apurou base de calculo negativa da CSLL, referente ao ano calendário de 2004, no montante de R$ 675.524,73. Fl. 319DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10530.901187/200972 Resolução nº 1802000.227 S1TE02 Fl. 320 5 Entretanto, todos os campos de preenchimento de valores da Ficha 17 Calculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido encontramse zerados. ... o contribuinte não apresentou prova documental de que o valor do recolhimento da estimativa de CSLL, relativa ao mês de março de 2004, não foi apurado em consonância com as determinações legais... Dessa forma, o recolhimento da estimativa de CSLL do mês de março de 2004, efetuado pela Contribuinte, no valor constante do DARF utilizado para a compensação em analise, não constitui pagamento indevido ou a maior, (...). Considerando que as estimativas devidas na forma da Lei n. 9.430, de 1996, são necessariamente computadas como dedução na apuração anual do IRPJ e/ou da CSLL, o procedimento correto, a luz da legislação fiscal supra mencionada, seria a retificação da DIPJ/2005, a fim de proceder ao cálculo do saldo negativo da CSLL na Ficha 17 e, posteriormente, proceder a compensação de débitos próprios, a partir de janeiro de 2005. Contudo tal decisão não merece prosperar pelos motivos que passaremos a expor. (...) I IMPOSSIBILIDADE DE SE EVITAR A COMPENSAÇÃO DOS PREJUÍZOS POR MERO ERRO DE PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO. = DESARRAZOABILIDADE E DESPROPORCIONALIDADE. Entendeu o Nobre Julgador por desconsiderar o crédito objeto da compensação pleiteada tendo em vista o erro no preenchimento da DIPJ/2005 e DCTF. (...), tal erro se deu devido ao fato de estar zerado na DIPJ/2005 a FICHA 17 e, a medida a ser adotada seria a retificação da DIPJ/2005, a fim de proceder ao cálculo do saldo negativo da CSLL, na Ficha 17. Contudo, tal retificação não pode ser feita neste momento face o tempo já decorrido desde a sua obrigatoriedade quanto a apresentação. Diante disto não pode ser prejudicada a ora recorrente pelo mero erro formal apontado. O crédito existe! Tal prova encontrase nos autos através da juntada do balanço patrimonial (em anexo), o qual comprova que houve o prejuízo declarado no valor de R$675.524,73. (...) Por fim, a recorrente pediu provimento ao recurso. É o relatório. Fl. 320DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10530.901187/200972 Resolução nº 1802000.227 S1TE02 Fl. 321 6 VOTO Conselheiro Nelso Kichel, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos para sua admissibilidade. Por conseguinte, dele conheço. Conforme relatado, os autos tratam de processo de compensação tributária. Vale dizer, em 25/05/2005 a contribuinte transmitiu eletronicamente via internet, por meio do Programa PER/DCOMP, a declaração de compensação tributária nº 33238.21635.250505.1.3.041760 (fls.36/40), informando que compensara débitos da CSLL estimativa mensal, código de receita 2484, dos PA fereiro/2005 e março/2005, data de vencimento 31/03/2005 e 31/04/2005 respectivamente, utilizando direito creditório – pagamento indevido ou a maior de CSLL estimativa mensal, código de receita 2484, do PA março/2004, data do recolhimento 30/04/2004. A decisão a quo, na mesma esteira do despacho decisório, não reconheceu o direito creditório pleiteado, pois o valor integral do referido recolhimento de 30/04/2004 já fora, integralmente, consumido ou utilizado para quitação do débito da CSLL estimativa mensal do PA março/2004, declarado na respectiva DIPJ/DCTF. Nas razões do recurso, a recorrente rebelase contra a decisão recorrida, alegando: a) que tem direito à restituição do que pagara indevidamente a título de CSLL estimativa mensal do PA março/2004, pois apurara prejuízo no encerramento do ano calendário, conforme declaração de ajuste anual; b) que, diversamente do entendimento da decisão recorrida, não tem como apresentar DIPJ retificadora para corrigir a declaração original, em face do prazo decadencial; que, não obstante, não pode ser prejudicada, pois apresentou a DCOMP tempestivamente; Compulsando os autos, observase que nos anoscalendário 2004 e 2005 a contribuinte estava submetida ao regime de apuração do IRPJ e da CSLL, com base no Lucro Real anual, com obrigação de antecipação de pagamento dessas exações por estimativa mensal. À luz da legislação tributária federal, sempre que há, comprovadamente, pagamento indevido ou maior, é cabível a repetição do indébito tributário. No caso de pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal da CSLL, cabe observar o seguinte: a) os contribuintes que fizeram opção, para determinado anocalendário, pelo lucro real anual têm obrigação de antecipar pagamento do IRPJ e da CSLL por estimativa mensal com base na receita bruta mensal ou com base em balancete mensal de suspensão/redução, independentemente de eventual apuração de prejuízo no final de ano, na declaração de ajuste. Sendo assim, não há que se falar ou objetar recolhimentos mensais, pagamentos por antecipação, indevidos ou a maior dessas exações fiscais, quando efetuados em Fl. 321DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10530.901187/200972 Resolução nº 1802000.227 S1TE02 Fl. 322 7 estrita observância da legislação de regência e em estrita observância da base de cálculo (receita bruta mensal ou com base em balancete de suspensão/redução). O simples fato de apuração no final do ano de eventual contribuição já superada pelos recolhimentos efetuados ou apuração de prejuízo, esse fato não torna os recolhimentos, pagamentos por antecipação, indevidos, pois foram antecipados na forma da legislação de regência. Ainda, na hipótese de apuração de prejuízo fiscal no encerramento do anocalendário ou apuração de CSLL cujas estimativas pagas já superaram a exação fiscal apurada no ajuste anual, os pagamentos assim antecipados de estimativa mensal serão devolvidos como saldo negativo; b) entretanto, considerase pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal quando, de plano, observase que ele extrapola, ou seja, não tem relação com a receita bruta ou com o balanço de suspensão/redução. Nessa situação, é cabível a restituição ou devolução/aproveitamento do excesso do pagamento mensal por antecipação do referido período de apuração (não relacionado com a receita bruta ou com balancete de suspensão ou redução), já no próprio anocalendário, sem necessidade de leválo para o saldo negativo, em face da revogação do art. 10, 2ª parte, da IN SRF 600/2005 pelo art. 11 da IN RFB 900/2008. Nesse sentido, também é o entendimento do CARF, conforme Súmula CARF nº 84, in verbis: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Mas, no caso há falhas na instrução do processo; salta aos olhos a falta de elementos de prova para formação de convicção do julgador quanto ao mérito da lide, pois: 1) Quanto ao pretenso direito creditório da CSLL do PA março/2004: a) embora a recorrente alegue a apuração de prejuízos no encerramento do ano calendário 2004 e que a Ficha 17 da DIPJ 2005 teria sido preenchida incorretamente, ou, seja, de forma incompleta, sem indicação da CSLL paga por antecipação desse anocalendário e sem apuração do saldo negativo, não consta dos autos a escrituração contábil, ou seja, há necessidade de análise da escrituração contábil se a CSLL estimativa mensal e o prejuízo foram apurados nos termos da legislação de regência; b) em tese, se houver, de fato, o alegado erro de preenchimento da citada Ficha 17, a contribuinte não pode ser prejudicada quanto ao seu direito creditório, devendo prevalecer o princípío da verdade mterial; c) entretanto, não há cópia da escrituração contábil (livros razão, Diário e Lalur), para comprovação se os pagamentos antecipados mensalmente foram efetuados correntamente com base na receita bruta e acréscimos e se os alegados prejuízos estão calcados, rigorosamente, na escrituração contábil. Diante do exposto, e em observância ao princípio da verdade material, propugno pela conversão do julgamento em diligência, para retorno dos autos à DRF/Feira de Santana para: a) apurar, à luz da escrituração contábil e fiscal, se houve realmente equívoco no preenchimento da Ficha 17 da DIPJ 2005, anocalendário 2004; Fl. 322DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10530.901187/200972 Resolução nº 1802000.227 S1TE02 Fl. 323 8 b) à luz da escrituração contábil e fiscal da contribuinte, apurar se existe, ou não, o direito creditório pleiteado. Na hipótese de existir o direito creditório pleiteado, apurar se ele decorreu de excesso de pagamento por antecipação no referido mês (recolhimento que extropolou, ou seja, sem relação com a receita bruta mensal ou sem relação com o balancete mensal de suspensão/redução) ou se, simplesmente, é hipótese de restituição de saldo negativo, em face do pagamento, por antecipação, ter sido realizado exatamente nos termos da legislação de regência, mas, no encerramento do anocalendário respectivo, houve apuração de prejuízo ou a CSLL apurada foi superada pelos recolhimentos por antecipação; c) elaborar relatório circunstanciado e conclusivo, embasado na escrituração contábil e fiscal, apresentando as conclusões e resultados da diligência fiscal quanto ao direito creditório pleiteado; d) intimar a contribuinte do relatório da diligência, contendo as conclusões/resultado da diligência, abrindo prazo de 30 (trinta) dias a partir da ciência para, se quiser, apresentar contrarrazões. Transcorrido o prazo com ou sem manifestação da contribuinte, retornem os autos a este CARF, para prosseguimento do julgamento. Por todas essas razões, voto para converter o julgamento em diligência, conforme proposto. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 323DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por NELSO KICHEL
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Numero do processo: 16537.000989/2011-02
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jun 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2000 a 30/11/2000
AUTO-DE-INFRAÇÃO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. INFRAÇÃO.
É obrigação da empresa exibir à fiscalização todos os documentos relacionados à contribuições previdenciárias.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-002.473
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente Substituta
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Andre Luiz Marsico Lombardi , Leonardo Henrique Pires Lopes, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Fábio Pallaretti Calcini.
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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FALTA DE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. INFRAÇÃO. É obrigação da empresa exibir à fiscalização todos os documentos relacionados à contribuições previdenciárias. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Liege Lacroix Thomasi – Relatora e Presidente Substituta Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Andre Luiz Marsico Lombardi , Leonardo Henrique Pires Lopes, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Fábio Pallaretti Calcini. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 53 7. 00 09 89 /2 01 1- 02 Fl. 123DF CARF MF Impresso em 11/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/05/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Relatório Trata o presente de auto de infração lavrado em desfavor do recorrente, em 30/03/2001, com ciência na mesma data, em virtude do descumprimento do disposto no artigo 33, parágrafo 2 , da Lei n. 8.212/91, com a multa punitiva aplicada de acordo com o artigo 283, inciso II, letra “j”, do Regulamento da Previdência Social aprovado pelo Decreto n. 3.048/99. De acordo com o relatório fiscal da infração, fls.02, a autuada, regularmente intimada através de Termo de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD de fls.06/07 não apresentou os documentos solicitados os Livros Diário e Razão do período de 01/2000 a 11/2000, bem como as Atas de Assembléia e os Estatutos da empresa. Após a impugnação, DecisãoNotificação de fls. 40/42, julgou a autuação procedente e excluiu da relçaõ de coresponsáveis a sóciacotista Eliseth Hansen Batschauer. Ainda inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, onde alega, em síntese: a) a improcedência da cobrança da multa porque o fiscal apenas narrou o fato ocorrido sem haver prova que confirme a incidência da norma legal que comina a penalidade; b) o caráter confiscatório da multa aplicada, que é excessiva pois sobrepassa a capacidade econômica do contribuinte; c) por fim, requer o provimento do recurso, anulando ou reformando a decisão monocrática e declarando improcedente a autuação. O recurso apresentado não foi acompanhado do depósito recursal, o que levou à inscrição do crédito, posteriormente cancelada em vista da Súmula Vinculante n.º 21, do Supremo Tribunal Federal, que suspendeu a exigibilidade do depósito recursal. O crédito retornou à esfera administrativa para exame do recurso de fls. 59/65. É o relatório. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 11/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/05/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 16537.000989/201102 Acórdão n.º 2302002.473 S2C3T2 Fl. 124 3 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora Cumprido o requisito de admissibilidade, frente à tempestividade, conheço do recurso e passo ao seu exame. A recorrente foi autuada por não apresentar documentos exigidos pelo Fisco, como os Livros Diário e Razão do período de 01/2000 a 11/2000, , bem como as Atas das Assembléias e Estatuto Social. Ao agir desta forma, a recorrente descumpriu a obrigação acessória prevista no artigo 33, parágrafos 2° e 3º, da Lei n° 8.212/91: §2º A empresa, o servidor de órgãos públicos da administração direta e indireta, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou o seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta lei. § 3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. O Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3048/99, traz no seu artigo 233, parágrafo único, o que se considera documento deficiente: .Art.233. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social e a Secretaria da Receita Federal podem, sem prejuízo da penalidade cabível nas esferas de sua competência, lançar de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa, ao empregador doméstico ou ao segurado o ônus da prova em contrário Parágrafo único. Considerase deficiente o documento ou informação apresentada que não preencha as formalidades legais, bem como aquele que contenha informação diversa da realidade, ou, ainda, que omita informação verdadeira. Devese salientar que o direito tributário utilizase de institutos de outros ramos do direito, mormente do direito privado, para instituir as hipóteses de incidência tributária, bem como prescrever obrigações acessórias que, nos termos do art.115, do CTN Código Tributário Nacional, constituemse na imposição de prática ou abstenção de ato que Fl. 125DF CARF MF Impresso em 11/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/05/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 não configure obrigação principal. Ao instituir obrigações acessórias o legislador visa permitir, aos órgãos competentes, uma eficaz administração tributária. Assim, não cabe, nem deve o legislador tributário disciplinar determinadas condutas, já reguladas no ordenamento jurídico, bastando, para tanto, incorporálas ao direito tributário. Isto significa que, quando a Lei 8.212/91 prescreve a exibição de livros e documentos relacionados a estas contribuições, é evidente que, nestes comandos, está implícito o dever da empresa de observar a legislação que rege a matéria. Está correta a lavratura do Auto de Infração e relativamente à aplicação de penalidade por descumprimento de obrigação acessória, faço referência ao preceito contido no artigo 92 da Lei n.º 8.212/91, de que infração a qualquer dispositivo daquela lei, para a qual não haja penalidade expressamente cominada, sujeitará o responsável, conforme a gravidade da infração, a multa variável conforme dispuser o regulamento. A multa referente ao descumprimento da obrigação acessória, que originou este auto de infração, está contida no artigo 283, inciso II, letra “j”, do RPS, conforme descrito no Auto de Infração, em fundamentos legais da multa aplicada. A aplicação de penalidade por descumprimento de obrigação acessória constante da Lei n.º 8.212/91, está dentro dos pressupostos legais e constitucionais, não foi enquinada de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal, estando totalmente válida e devendo ser obedecida pela via administrativa. É inócua a assertiva do recorrente quanto à falta de subsunção do fato à norma legal, eis que os documentos foram solicitados através de termos próprios, TIAD’s de fls. 06 e 07 e não foram apresentados pelo contribuinte, descumprindo assim, a obrigação acessória prevista em lei, de exibir todos os documentos relacionados com as contribuições previdenciárias ( art. 33 e parágrafos da Lei n.º 8.212/91). Pelo exposto, Voto por negar provimento ao recurso. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 126DF CARF MF Impresso em 11/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/05/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI
score : 1.0
Numero do processo: 13884.909531/2009-50
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/03/2005 a 31/03/2005
COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. EFEITOS.
A apresentação espontânea DCTF retificadora antes da edição do despacho decisório, nas hipóteses em que é admitida pela legislação, substitui a original em relação aos débitos e vinculações declarados, devendo por tanto ser nele considerada.
Processo Anulado
Aguardando Nova Decisão
Numero da decisão: 3403-002.227
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em anular o processo ab initio, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Antônio Carlos Atulim Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Relator
Participaram do julgamento os conselheiros Antônio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Raquel Motta Brandão Minatel e Ivan Allegretti.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. EFEITOS. A apresentação espontânea DCTF retificadora antes da edição do despacho decisório, nas hipóteses em que é admitida pela legislação, substitui a original em relação aos débitos e vinculações declarados, devendo por tanto ser nele considerada. Processo Anulado Aguardando Nova Decisão Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em anular o processo ab initio, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim – Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern Relator Participaram do julgamento os conselheiros Antônio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Raquel Motta Brandão Minatel e Ivan Allegretti. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 90 95 31 /2 00 9- 50 Fl. 196DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN 2 PARKER HANNIFIN INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA transmitiu a Pedido de Restituição/Declaração de Compensação PER/DComp nº 13040.36457.281207.1.3.046003, visando à extinção de débito de Cofins com crédito oriundo de indébito por pagamento a maior de Cofins, no valor de R$ 16.124,30. O Despacho Decisório Eletrônico – DDE nº 848685519, emitido pela autoridade competente para examinar o pleito repetitório, indeferiuo e não homologou a compensação porque o pagamento indigitado pelo declarante foi localizado, mas estava integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DComp. Sobreveio reclamação, por meio da qual o interessado, alegou, em síntese, a ocorrência de erro na DCTF vigente à época da transmissão do PER/DComp, o que o levou a ratificar o Dacon. Esclarece que também procedeu à retificação da DCTF em 04/06/2009, antes da ciência do despacho decisório atacado, o que não foi levado em conta no DDE. A 7ª Turma da DRJ/CPS julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente. O Acórdão nº 05038.256, de 21 de junho de 2012, fls. 97 a 101, teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Período de apuração: 01/03/2005 a 31/03/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). PROVA. O contribuinte tem o ônus de provar o direito creditório alegado sob pena de indeferimento da compensação realizada. A DCTF retificadora transmitida antes do proferimento do despacho decisório dentro de um contexto em que outras compensações já haviam sido indeferidas não é documento eficaz para cancelar a decisão da DRF. A declaração em Dacon não é meio idôneo de demonstração do direito creditório se estiver em contradição com a DCTF ativa na data da apresentação da Dcomp. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cuidase agora de recurso voluntário contra a decisão da DRJ/CPS7ª Turma. O arrazoado de fls. 107 a 119, após resumo dos fatos relacionados com a lide, repete a explicação sobre a origem do crédito oposto na compensação ora sub judice, e, em sede de preliminar, argui a nulidade da decisão recorrida por transgressão do princípio da verdade material, sobre o qual disserta. Entende que, em nome do princípio, a autoridade julgadora de primeira instância estava constrangida a conhecer e valorar as informações contidas nas declarações retificadora, transmitidas antes do Despacho Decisório. No mérito, lembra que a DCTF retificadora possui o mesmo valor probante da DCTF original e as informações nela constantes, que porventura tenham alterado informações originalmente prestadas, devem necessariamente ser analisadas para fins da determinação dos débitos e créditos dos contribuintes. Refere o § 1º do art. 11 da Instrução Normativa RFB nº 903, de 30 de dezembro de 2008. Apresenta planilha com o demonstrativo dos valores para o período abrangido pelo Despacho. Alternativamente, requer a conversão do julgamento em diligência para detalhada análise e a consequente confirmação da composição dos valores efetivamente devidos a título de Contribuição Social. Fl. 197DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13884.909531/200950 Acórdão n.º 3403002.227 S3C4T3 Fl. 196 3 Conclui, requerendo “...sob o enfoque da verdade material, requer seja reconhecida a nulidade da decisão de primeira instância administrativa, tendo em vista que as dd. autoridades julgadoras concluíram pela não homologação da Declaração de Compensação apresentada pela Recorrente sem ter analisado qualquer documento relativo a composição da base de cálculo e apuração da contribuição em tela. Alternativa e sucessivamente, a Recorrente requer que o julgamento do presente caso seja convertido em diligência para que seja comprovado o direito creditório da.” O processo administrativo correspondente foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração estabelecida no processo eletrônico. É o Relatório. Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 107 a 119 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJ/RJ27ª Turma nº 05038.256, de 21 de junho de 2012. A decisão recorrida dá conta de que a DCTF retificadora foi transmitida em 04/06/2009, antes da ciência do DDE nº 848685519, em 16/10/2009. Nada obstante, manteve o indeferimento do pedido de restituição e a não homologação da compensação, considerando que, embora houvesse efetuado a retificação da DCTF antes da prolação do Despacho Decisório, à época da transmissão da DComp o pagamento estaria todos alocado na quitação de débitos confessados e que seria necessário apresentar prova do recolhimento indevido. Permitome recapitular que, anteriormente à atual sistemática, a DCTF retificadora somente se prestava a reduzir o montante do tributo declarado, sujeitandose a um procedimento administrativo de análise do mérito da retificação, de forma que o valor inicialmente declarado somente seria alterado para o menor se houvesse prova antecipada do erro. Todavia, desde as alterações introduzidas pela Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001, art. 18, a DCTF retificadora, quando admitida, tem os mesmos efeitos da original (art. 9º, I, da Instrução Normativa RFB no 1.110, 24 de dezembro de 2010).tem a mesma natureza da declaração original. A esse propósito, vejase o que já decidiu a 2ª Turma do STJ, no REsp 044027/SC TRIBUTÁRIO DÉBITO DECLARADO PELO CONTRIBUINTE – DCTF RETIFICADORA ART. 18 DA MP N. 2.18949/2001 PRESCRIÇÃO TERMO INICIAL. 1 A retificação de declaração de impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nas hipóteses em que admitida, tem a mesma natureza da declaração Fl. 198DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN 4 originariamente apresentada e interrompe o prazo prescricional para a cobrança do crédito tributário, no que retificado. 2 Nos casos de tributo lançado por homologação, a declaração do débito através de Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF) por parte do contribuinte constitui o crédito tributário, sendo dispensável a instauração de procedimento administrativo e respectiva notificação prévia. 3 Desta forma, se o débito declarado já pode ser exigido a partir do vencimento da obrigação, ou da apresentação da declaração (o que for posterior), nesse momento fixase o termo a quo (inicial) do prazo prescricional. 4 Recurso especial nãoprovido. Decisão: Vistos, relatados e discutidos estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da SEGUNDA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, na conformidade dos votos e das notas taquigráficas, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Eliana Calmon, Castro Meira, Humberto Martins e Herman Benjamin votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Castro Meira. De acordo com a IN citada acima, vigente atualmente, não se admitem retificações de DCTF tendentes reduzir tributo previamente confessado cobrança já tenha sido enviada à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional ou que tenha sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. Evidentemente, não se trata disso no caso sub judice. Ademais, a retificação da DCTF em questão operouse ao abrigado da espontaneidade, porquanto efetuada antes de qualquer procedimento do Fisco. Nessas circunstâncias, a DCTF retificadora apresentada alterou eficazmente a situação jurídica anterior e inverteu o ônus da prova de que inexistiria pagamento a maior. Contudo, os efeitos da retificação da DCTF foram solenemente desconsiderados tanto no despacho decisório quanto pelo acórdão de primeira instância. A nova realidade estampada na DCTF retificadora tem de ser devidamente avaliada pela Autoridade Fiscal, quanto à sua liquidez e certeza. Somente após tal providência é que eventualmente poderá ser denegada a repetição e não homologada a compensação. À vista do exposto, voto por dar provimento ao recurso, para anular o processo ab ovo, determinando à Autoridade Fiscal competente que reexamine o pleito objeto do presente processo, considerando a DCTF que estiver vigendo por ocasião da edição do novo despacho decisório. Sala das Sessões, em 22 de maio de 2013 Alexandre Kern Fl. 199DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13884.909531/200950 Acórdão n.º 3403002.227 S3C4T3 Fl. 197 5 Fl. 200DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN
score : 1.0
Numero do processo: 35408.000519/2007-74
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/01/2005
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO.
Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no Acórdão
exarado pelo Conselho correto o acolhimento dos embargos de declaração
visando sanar o vicio apontado.
DECADÊNCIA. DIES A QUO E PRAZO. APLICAÇÃO DO ART. 173,
INCISO I DO CTN NO CASO DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO POR
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.
O lançamento de ofício ou a parte deste que trata de aplicação de penalidade
por descumprimento de obrigação acessória submete-se
à regra decadencial
do art. 173, inciso I, considerando-se,
para a aplicação do referido
dispositivo, que o lançamento só pode ser efetuado após o prazo para
cumprimento do respectivo dever instrumental.
Embargos Acolhidos
Numero da decisão: 2301-002.509
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: a) em acolher
os embargos, nos termos do voto do Relator; b) acolhido os embargos, em rerratificar o acórdão proferido, a fim de decidir que se deve excluir do lançamento devido à aplicação da regra expressa no I, Art. 173 do CTN - os fatos ensejadores da multa até a competência 11/2000, anteriores a 12/2000, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: Mauro Jose Silva
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/01/2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO. Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no Acórdão exarado pelo Conselho correto o acolhimento dos embargos de declaração visando sanar o vicio apontado. DECADÊNCIA. DIES A QUO E PRAZO. APLICAÇÃO DO ART. 173, INCISO I DO CTN NO CASO DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. O lançamento de ofício ou a parte deste que trata de aplicação de penalidade por descumprimento de obrigação acessória submete-se à regra decadencial do art. 173, inciso I, considerando-se, para a aplicação do referido dispositivo, que o lançamento só pode ser efetuado após o prazo para cumprimento do respectivo dever instrumental. Embargos Acolhidos
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: a) em acolher os embargos, nos termos do voto do Relator; b) acolhido os embargos, em rerratificar o acórdão proferido, a fim de decidir que se deve excluir do lançamento devido à aplicação da regra expressa no I, Art. 173 do CTN - os fatos ensejadores da multa até a competência 11/2000, anteriores a 12/2000, nos termos do voto do Relator.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2054; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 882 1 881 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 35408.000519/200774 Recurso nº 999.999 Embargos Acórdão nº 230102.509 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 18 de janeiro de 2012 Matéria NFLD. Decadência. Obrigação acessória. Competência 12. Recorrente FAZENDA NACIONAL Recorrida TATU PRÉMOLDADOS LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/01/2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO. Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no Acórdão exarado pelo Conselho correto o acolhimento dos embargos de declaração visando sanar o vicio apontado. DECADÊNCIA. DIES A QUO E PRAZO. APLICAÇÃO DO ART. 173, INCISO I DO CTN NO CASO DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. O lançamento de ofício ou a parte deste que trata de aplicação de penalidade por descumprimento de obrigação acessória submetese à regra decadencial do art. 173, inciso I, considerandose, para a aplicação do referido dispositivo, que o lançamento só pode ser efetuado após o prazo para cumprimento do respectivo dever instrumental. Embargos Acolhidos Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: a) em acolher os embargos, nos termos do voto do Relator; b) acolhido os embargos, em rerratificar o acórdão proferido, a fim de decidir que se deve excluir do lançamento devido à aplicação da regra expressa no I, Art. 173 do CTN os fatos ensejadores da multa até a competência 11/2000, anteriores a 12/2000, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. Fl. 15DF CARF MF Impresso em 27/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por MAURO JOSE SILVA 2 (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Damião Cordeiro de Moraes, Adriano González Silvério, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira. Fl. 16DF CARF MF Impresso em 27/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 35408.000519/200774 Acórdão n.º 230102.509 S2C3T1 Fl. 883 3 Relatório Tratase de Auto de Infração, lavrado em 24/04/2006, por ter a empresa acima identificada, segundo Relatório Fiscal da Infração, fls. 12/13, apresentado o documento a que se refere o art. 32, inciso IV e §3º com informações inexatas, incompletas ou omissas em relação aos fatos geradores de contribuições previdenciárias nas competências 01/1999 a 01/2005, tendo resultado na aplicação de multa de R$ 145.741,66. A interessada apresentou impugnação no prazo legal, fls. 22/36 na qual argumentou que recolheu corretamente as contribuições, que teria ocorrido a decadência e pediu a relevação da multa. A DRPCampinas, na DecisãoNotificação de fls. 513/520 relevou parcialmente a multa, mantendo a penalidade no montante de R$ 72.812,24, por conta da correção apenas parcial das competências 01 e 02/1999 e 10 e 12/2002. A recorrente foi cientificada do decisório em 01/02/2007, fls. 523. O recurso voluntário, apresentado em 23/02/2007, fls. 530/532, a recorrente insistiu na decadência e na relevação da multa, contudo nada acrescentou em relação ao que foi apontado pelo decisório a quo. Após o julgamento do recurso voluntário, foi emitido o Acórdão 230101773. A respeito deste, a PFN ingressou com Embargos de Declaração que foram admitidos parcialmente, conforme despacho de fls. 879/880, somente em relação à discussão sobre os fatos geradores atingidos pela decadência. Cumprenos, portanto, no presente julgamento sanarmos a contradição apontada pela Embargante, qual seja o dies ad quem da decadência. É o relatório. Fl. 17DF CARF MF Impresso em 27/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por MAURO JOSE SILVA 4 Voto Conselheiro Mauro José Silva, Relator: Observando nossos argumentos sobre a decadência no Acórdão 230101.773, concluímos que tem razão a Embargante quando alega que houve contradição entre os fundamentos e a parte dispositiva do Acórdão. No trecho a seguir transcrito fica claro que, em relação à competência 12/200X, adotamos como dies a quo 01 de janeiro de 20(X+2) e não 01/01/20(X+1). Vejamos: Da leitura do dispositivo, extraímos que este define o dies a quo do prazo decadencial como o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado". Mas ainda precisamos definir a partir de quando o lançamento pode ser efetuado. No Resp 973.933SC, o STJ entendeu que o lançamento poderia ser efetuado a partir da ocorrência do fato gerador, mas não partilhamos desse entendimento. Aqui tratamos de lançamento de oficio e sabemos que este só pode ser realizado após a constatação da omissão do contribuinte em relação ao seu dever de calcular o montante do tributo a ser antecipado e realizar o pagamento. Seria possível, no dia seguinte ao fato gerador, a fiscalização efetuar lançamento de oficio, com aplicação de penalidades, sabendo que o contribuinte ainda dispõe de prazo legal para efetuar o pagamento? Evidentemente que não, pois, insistimos, o lançamento de oficio só pode ser realizado após transcorrido o prazo para o contribuinte efetuar o pagamento. Não pode passar sem ser notado que para fatos geradores ocorridos no último mês do ano essa circunstância pode ser relevante. No caso das contribuições regidas pela Lei 8.212/91, por exemplo, o prazo para pagamento, desde outubro de 2008 conforme estabelecido pela Lei 11.933;2009, é o 20" dia do mês subseqüente ao da competência. Logo, os fatos geradores ocorridos em dezembro de 20XX ensejam crédito tributário que deve ser adimplido em janeiro de 20(XX+1), o que resulta em considerar que o lançamento somente poderia ser realizado em 20(XX+1) e o dies a quo da decadência somente ocorre no primeiro dia de janeiro de 20(XX+2). É der ser destacado que, na data de emissão do Acórdão, o RICARF não nos obrigava a acatar o conteúdo dos Recursos Repetitivos. Dessa forma, mantendo a coerência com nossos fundamentos, para a competência 12/2000 o dies a quo é 01/01/2002 e o dies ad quem é 31/12/2006. Como o lançamento foi concluído antes de 31/12/2006, então tal competência não foi atingida pela caducidade. Nos demais aspectos, mantemos nossos argumentos expendidos no Acórdão 230101.773. Fl. 18DF CARF MF Impresso em 27/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 35408.000519/200774 Acórdão n.º 230102.509 S2C3T1 Fl. 884 5 Por todo o exposto, voto no sentido de ACATAR OS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO nos moldes do despacho de fls. 879/880, para alterar a parte dispositiva do Acórdão no sentido de CONHECER e DAR PROVIMENTO PARCIAL ao RECURSO VOLUNTÁRIO, para aplicar o art. 32 A, da Lei 8.212/91, caso este seja mais benéfico à recorrente; e de excluir os fatos geradores ocorridos até 11/2000. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator Fl. 19DF CARF MF Impresso em 27/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por MAURO JOSE SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 12267.000367/2008-47
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/07/1998 a 31/12/2004
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - IRREGULARIDADE DA AUTUAÇÃO - INOCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa a infração e as
circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a
penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, data de sua
lavratura, não há que se falar em nulidade da autuação fiscal posto ter sido
elaborada nos termos do artigo 293, Decreto 3.048/1999.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA - NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO.
A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em
âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais
questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder
Judiciário.
Neste sentido, o art. 26-A,
caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do
CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao
CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - PEDIDO DE PRODUÇÃO DE PROVAS -
REQUISITOS - INDEFERIMENTO.
Quanto à solicitação de produção de provas, verifica-se
que o momento
processual ocorre em sede de Impugnação, conforme arts. 15 e 16, Decreto
70.2351972 e também nos arts. 55 e 56, Decreto 7574/2011 precluindo o
direito de o impugnante fazê-lo
em outro momento processual, com as
exceções do art.16, § 4º, Decreto 70.235/1972.
Como o pedido de produção de prova documental não possui os requisitos
previstos na legislação, considera-se
não formulado.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - MULTA - RELEVAÇÃO - PERÍODO
ANTERIOR AO DECRETO 6032/2007 QUE ALTEROU O ART. 291,
DECRETO 3.048/1999.
A multa somente será relevada mediante pedido dentro do prazo de defesa,
ainda que não contestada a infração, se o infrator for primário, tiver corrigido
a falta e não tiver ocorrido nenhuma circunstância agravante. Para os autos-de-infração
lavrados até a vigência do Decreto nº 6.032, de 02/02/2007 o
termo final foi a data em que proferida a decisão pela autoridade de primeira
instância.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - ARTIGO 32, §§ 2º 3º, LEI Nº 8.212/91 C/C ART. 283, J, DECRETO Nº 3.048/99 - APRESENTAR
DOCUMENTO OU LIVRO QUE NÃO ATENDA ÀS FORMALIDADES LEGAIS EXIGIDAS, QUE CONTENHA INFORMAÇÃO DIVERSA DA REALIDADE OU QUE OMITA A INFORMAÇÃO VERDADEIRA
Constitui infração, punível na forma da Lei, a empresa apresentar documento
ou livro que não atenda às formalidades legais exigidas, que contenha
informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira.
A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do autodeinfração,
o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a
obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar a Receita
Federal do Brasil - RFB
na administração previdenciária.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2403-001.251
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento recurso.
Nome do relator: Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro
1.0 = *:*
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ementa_s : ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/07/1998 a 31/12/2004 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - IRREGULARIDADE DA AUTUAÇÃO - INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa a infração e as circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, data de sua lavratura, não há que se falar em nulidade da autuação fiscal posto ter sido elaborada nos termos do artigo 293, Decreto 3.048/1999. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA - NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26-A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - PEDIDO DE PRODUÇÃO DE PROVAS - REQUISITOS - INDEFERIMENTO. Quanto à solicitação de produção de provas, verifica-se que o momento processual ocorre em sede de Impugnação, conforme arts. 15 e 16, Decreto 70.2351972 e também nos arts. 55 e 56, Decreto 7574/2011 precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, com as exceções do art.16, § 4º, Decreto 70.235/1972. Como o pedido de produção de prova documental não possui os requisitos previstos na legislação, considera-se não formulado. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - MULTA - RELEVAÇÃO - PERÍODO ANTERIOR AO DECRETO 6032/2007 QUE ALTEROU O ART. 291, DECRETO 3.048/1999. A multa somente será relevada mediante pedido dentro do prazo de defesa, ainda que não contestada a infração, se o infrator for primário, tiver corrigido a falta e não tiver ocorrido nenhuma circunstância agravante. Para os autos-de-infração lavrados até a vigência do Decreto nº 6.032, de 02/02/2007 o termo final foi a data em que proferida a decisão pela autoridade de primeira instância. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - ARTIGO 32, §§ 2º 3º, LEI Nº 8.212/91 C/C ART. 283, J, DECRETO Nº 3.048/99 - APRESENTAR DOCUMENTO OU LIVRO QUE NÃO ATENDA ÀS FORMALIDADES LEGAIS EXIGIDAS, QUE CONTENHA INFORMAÇÃO DIVERSA DA REALIDADE OU QUE OMITA A INFORMAÇÃO VERDADEIRA Constitui infração, punível na forma da Lei, a empresa apresentar documento ou livro que não atenda às formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira. A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do autodeinfração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar a Receita Federal do Brasil - RFB na administração previdenciária. Recurso Voluntário Negado.
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Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa a infração e as circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, data de sua lavratura, não há que se falar em nulidade da autuação fiscal posto ter sido elaborada nos termos do artigo 293, Decreto 3.048/1999. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO PEDIDO DE PRODUÇÃO DE PROVAS REQUISITOS INDEFERIMENTO. Quanto à solicitação de produção de provas, verificase que o momento processual ocorre em sede de Impugnação, conforme arts. 15 e 16, Decreto 70.2351972 e também nos arts. 55 e 56, Decreto 7574/2011 precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, com as exceções do art.16, § 4º, Decreto 70.235/1972. Como o pedido de produção de prova documental não possui os requisitos previstos na legislação, considerase não formulado. Fl. 176DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 2 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO MULTA RELEVAÇÃO PERÍODO ANTERIOR AO DECRETO 6032/2007 QUE ALTEROU O ART. 291, DECRETO 3.048/1999. A multa somente será relevada mediante pedido dentro do prazo de defesa, ainda que não contestada a infração, se o infrator for primário, tiver corrigido a falta e não tiver ocorrido nenhuma circunstância agravante. Para os autos deinfração lavrados até a vigência do Decreto nº 6.032, de 02/02/2007 o termo final foi a data em que proferida a decisão pela autoridade de primeira instância. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 32, §§ 2º 3º, LEI Nº 8.212/91 C/C ART. 283, J, DECRETO Nº 3.048/99 APRESENTAR DOCUMENTO OU LIVRO QUE NÃO ATENDA ÀS FORMALIDADES LEGAIS EXIGIDAS, QUE CONTENHA INFORMAÇÃO DIVERSA DA REALIDADE OU QUE OMITA A INFORMAÇÃO VERDADEIRA Constitui infração, punível na forma da Lei, a empresa apresentar documento ou livro que não atenda às formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira. A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do autode infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar a Receita Federal do Brasil RFB na administração previdenciária. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Cid Marconi Gurgel de Souza. Fl. 177DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 12267.000367/200847 Acórdão n.º 240301.251 S2C4T3 Fl. 168 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela Recorrente – HOSPITALAV SERV PROCS DE ROUPAS E TEC contra Decisão Notificação – DN nº 17.401.4/0496/2005, fls. 62 a 67, da Delegacia da Receita Previdenciária Rio de Janeiro Centro – RJ que julgou procedente a autuação por descumprimento de obrigação acessória, Auto de Infração nº. 35.699.8673, às fls. 01, sendo o valor da multa aplicada originalmente R$ 10.359,14. Conforme o Relatório Fiscal da Infração, o Auto de Infração nº. 35.699.867 3, Código de Fundamentação Legal – CFL 38, foi lavrado pela Fiscalização contra a Recorrente por ela ter deixado de exibir qualquer documento ou livro relacionados com as contribuições previstas na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, ou apresentar documento ou livro que não atenda às formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira, nas competências 07/1998 a 12/2004. Segundo o Relatório Fiscal da Infração, às fls. 11 a 13, o sujeito passivo deixou de apresentar: • Contratos de prestação de serviços, celebrados com as seguintes sociedades: a) CLÍNICA SOROCABA S.A CNPJ N° 33.765.553 / 0001 – 94 b) ESCO EMPRESAS DE SERV. HEMAT. LTDA CNP) N° 28.435.005 / 0001 30; • Laudo Técnico de Condições Ambientais do Trabalho (LTCAT) exercícios: 1998, 1999, 2000, 2001 e 2002; • Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA) exercícios: 1998, 1999 e 2000; • Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO) exercícios: 1998, 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 e 2004; • Talonários de Notas Fiscais, com suas respectivas notas e • Relação Anual de Informações Sociais RAIS exercícios 2001, 2002, 2003 e 2004. Houve portanto o descumprimento da obrigação legal acessória, conforme previsto na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 33, §§ 2° e 3°, combinado com os arts. 232 e 233, parágrafo único, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999. Fl. 178DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 4 A multa a ser aplicada tem enquadramento legal na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, arts. 92 e 102 e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, art. 283, inc. II, alínea "j" e art. 373, cujo valor da multa foi atualizado pela Portaria MPS n° 479, de 07/05/2004. Foi emitido o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF nº 09207724, com ciência da Recorrente. A ciência do Auto de Infração ocorreu em 01.04.2005, conforme fls. 01. O período objeto do auto de infração, conforme o Relatório Fiscal da Multa, é de 07/1998 a 12/2004. A Recorrente apresentou impugnação tempestiva. A Recorrida analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente a autuação, nos termos Decisão Notificação – DN nº 17.401.4/0496/2005, fls. 62 a 67, da Delegacia da Receita Previdenciária Rio de Janeiro Centro – RJ, conforme Ementa a seguir: AUTO DE INFRAÇÃO O não atendimento à solicitação fiscal de exibição dos livros e documentos indispensáveis verificação do regular cumprimento das obrigações previdenciárias, caracteriza infringência à obrigação acessória descrita no § 22, do artigo 33, da Lei 8.212, de 24 de julho de 1991. AUTUAÇÃO PROCEDENTE Inconformada com a decisão de primeira instância, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, às fls. 70 a 85, reiterando os argumentos deduzidos em sede de Impugnação: (i) Da nulidade da autuação por falta de intimação de todos os supostos devedores. A autoridade fiscal alega que outras pessoas físicas (Sócios) são devedores solidários com a Recorrente pelos valores cobrados, conforme se verifica do próprio Auto de Infração que expõe, logo em sua primeira página, a lista de documentos que fazem parte da integrante da referida autuação. Contudo, não consta dos autos terem sido realizadas a intimação e a ciência dos demais supostos devedores relativamente à presente autuação. (ii) Da nulidade do auto de infração. Também é de se ressaltar que o Auto de Infração deixou de mencionar o fundamento legal dos artigos das normas legais Fl. 179DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 12267.000367/200847 Acórdão n.º 240301.251 S2C4T3 Fl. 169 5 especificas dadas como infringidas, limitandose a relacionar a norma genérica conforme se verifica do seu relatório fiscal. A falta de fundamentação legal torna o lançamento nulo, pois não permite o exercício dos direitos A ampla defesa e ao contraditório, garantidos A ora Recorrente pelo artigo 5°, inciso LV, da Constituição Federal, segundo os quais ninguém será privado de seus direitos sem a garantia de defesa mediante processo legalmente instaurado. (iii) Da não ocorrência da infração. Apesar dos argumentos alegados na r. decisão ora recorrida, a Recorrente cumpriu com a obrigação de mostrar h. fiscalização ou a ela disponibilizar todos os documentos que de alguma forma têm relação com a cobrança em discussão, o que toma incabível o Auto de Infração. A Recorrente procurou informar o equivoco do ilustre fiscal autuante, que, lamentavelmente, não Ode esperar que se encontrassem, em seus arquivos, a documentação comprobat6ria da inexistência do alegado débito. (iv) requer relevação da multa. (v) requer produção de provas documentais e periciais. Posteriormente, após diversos trâmites administrativos e judiciais, inclusive referente à discussão acerca da inconstitucionalidade do depósito em recursos administrativos, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão, às fls. 166. É o Relatório. Fl. 180DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 6 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação prestada pela unidade da RFB de jurisdição da Recorrente. DEPÓSITO RECURSAL Anotase ainda que o Supremo Tribunal Federal – STF ao editar a Súmula Vinculante nº. 21 afastou a exigência de depósito para a admissibilidade de recurso na esfera administrativa. Súmula Vinculante 21 É inconstitucional a exigência de depósito ou arrolamento prévios de dinheiro ou bens para admissibilidade de recurso administrativo. Fonte de Publicação: DJe nº 210, p. 1, em 10/11/2009. DOU de 10/11/2009, p. 1. Avaliados os pressupostos, passo para as Questões Preliminares e ao Mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES Possibilidade da autoridade julgadora afastar a norma inconstitucional. Analisemos. Não assiste razão à Recorrente pois o previsto no ordenamento legal não pode ser anulado na instância administrativa por alegações de inconstitucionalidade, já Fl. 181DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 12267.000367/200847 Acórdão n.º 240301.251 S2C4T3 Fl. 170 7 que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, e dá outras providências: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 4o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 5o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)”(gn). Ademais, há a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARFnº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 182DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 8 (ii) Da nulidade do auto de infração. Também é de se ressaltar que o Auto de Infração deixou de mencionar o fundamento legal dos artigos das normas legais especificas dadas como infringidas, limitandose a relacionar a norma genérica conforme se verifica do seu relatório fiscal. A falta de fundamentação legal torna o lançamento nulo, pois não permite o exercício dos direitos A ampla defesa e ao contraditório, garantidos A ora Recorrente pelo artigo 5°, inciso LV, da Constituição Federal, segundo os quais ninguém será privado de seus direitos sem a garantia de defesa mediante processo legalmente instaurado. Analisemos. De plano, notase que o procedimento fiscal atendeu a todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por vício insanável e tampouco cerceamento de defesa. Podese elencar as etapas necessárias à realização do procedimento: • A autorização por meio da emissão do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF F, com a competente designação do AuditorFiscal responsável pelo cumprimento do procedimento; • A intimação para a apresentação dos documentos conforme Termo de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, intimando o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária; • A autuação dentro do prazo autorizado pelo referido mandado, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes: a. Folha de Rosto do Auto de Infração; b. Instruções para o Contribuinte – IPC; c. CORESP – Relatório de CoResponsáveis do Débito; d. VÍNCULOS – Relação de Vínculos; e. Termo de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD; f. TEPF –Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal. Fl. 183DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 12267.000367/200847 Acórdão n.º 240301.251 S2C4T3 Fl. 171 9 g. Relatório Fiscal da Infração e de Aplicação da Multa. Cumprenos esclarecer ainda, que a autuação fiscal foi elaborada nos termos do artigo 293, Decreto 3.048/1999, especialmente com a discriminação clara e precisa da infração e das circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, dia e hora de sua lavratura. Art.293.Constatada a ocorrência de infração a dispositivo deste Regulamento, será lavrado autodeinfração com discriminação clara e precisa da infração e das circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, dia e hora de sua lavratura, observadas as normas fixadas pelos órgãos competentes. (Redação dada pelo Decreto nº 6.103, de 2007) §1oRecebido o autodeinfração, o autuado terá o prazo de trinta dias, a contar da ciência, para efetuar o pagamento da multa de ofício com redução de cinqüenta por cento ou impugnar a autuação. (Redação dada pelo Decreto nº 6.103, de 2007) §2oImpugnada a autuação, o autuado, após a ciência da decisão de primeira instância, poderá efetuar o pagamento da multa de ofício com redução de vinte e cinco por cento, até a data limite para interposição de recurso. (Redação dada pelo Decreto nº 6.103, de 2007) §3ºO recolhimento do valor da multa, com redução, implica renúncia ao direito de impugnar ou de recorrer.(Redação dada pelo Decreto nº 4.032, de 2001) §4oApresentada impugnação, o processo será submetido à autoridade competente, que decidirá sobre a autuação, cabendo recurso na forma da Subseção II da Seção II do Capítulo Único do Título I do Livro V deste Regulamento. (Redação dada pelo Decreto nº 6.032, de 2007) Portanto, analisandose o auto de infração e seus anexos, temse que foi cumprido integralmente os limites legais dispostos no art. 293, Decreto 3.048/1999. (i) Da nulidade da autuação por falta de intimação de todos os supostos devedores. A autoridade fiscal alega que outras pessoas físicas (Sócios) são devedores solidários com a Recorrente pelos valores cobrados, conforme se verifica do próprio Auto de Infração que expõe, Fl. 184DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 10 logo em sua primeira página, a lista de documentos que fazem parte da integrante da referida autuação. Contudo, não consta dos autos terem sido realizadas a intimação e a ciência dos demais supostos devedores relativamente à presente autuação. Analisemos. Preliminarmente, quanto à solicitada exclusão de pessoas do rol de co responsáveis cabe esclarecer que esta relação, anexada aos autos pela Fiscalização, não tem como escopo incluir pessoas físicas e jurídicas no pólo passivo da obrigação tributária, mas sim listar todas as pessoas representantes legais do sujeito passivo que, eventualmente, poderão ser responsabilizadas na esfera judicial, na hipótese de futura inscrição do débito em dívida ativa, pois o chamamento dos responsáveis só ocorre em fase de execução fiscal, em consonância com a legislação, e após se verificarem infrutíferas as tentativas de localização de bens da própria empresa. A responsabilização somente ocorrerá por ordem judicial, nas hipóteses previstas na lei e após o devido processo legal. O débito foi lançado somente contra a pessoa jurídica e, neste momento, demais pessoas não sofrerão restrições em seus direitos. Assim, esta discussão é inócua na esfera administrativa, sendo mais apropriada na via da execução judicial, na hipótese de convocação dos listados, por decisão judicial, para satisfação do crédito. Portanto, não há razão no argumento. DO MÉRITO. (iii) Da não ocorrência da infração. Apesar dos argumentos alegados na r. decisão ora recorrida, a Recorrente cumpriu com a obrigação de mostrar h. fiscalização ou a ela disponibilizar todos os documentos que de alguma forma têm relação com a cobrança em discussão, o que toma incabível o Auto de Infração. A Recorrente procurou informar o equivoco do ilustre fiscal autuante, que, lamentavelmente, não Ode esperar que se encontrassem, em seus arquivos, a documentação comprobat6ria da inexistência do alegado débito. Analisemos. Fl. 185DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 12267.000367/200847 Acórdão n.º 240301.251 S2C4T3 Fl. 172 11 Conforme o Relatório Fiscal da Infração, o Auto de Infração nº. 35.699.867 3, Código de Fundamentação Legal – CFL 38, foi lavrado pela Fiscalização contra a Recorrente por ela ter deixado de exibir qualquer documento ou livro relacionados com as contribuições previstas na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, ou apresentar documento ou livro que não atenda às formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira, nas competências 07/1998 a 12/2004. Segundo o Relatório Fiscal da Infração, às fls. 11 a 13, o sujeito passivo deixou de apresentar: • Contratos de prestação de serviços, celebrados com as seguintes sociedades: a) CLÍNICA SOROCABA S.A CNPJ N° 33.765.553 / 0001 – 94 b) ESCO EMPRESAS DE SERV. HEMAT. LTDA CNP) N° 28.435.005 / 0001 30; • Laudo Técnico de Condições Ambientais do Trabalho (LTCAT) exercícios: 1998, 1999, 2000, 2001 e 2002; • Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA) exercícios: 1998, 1999 e 2000; • Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO) exercícios: 1998, 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 e 2004; • Talonários de Notas Fiscais, com suas respectivas notas e • Relação Anual de Informações Sociais RAIS exercícios 2001, 2002, 2003 e 2004. Outrossim, compulsandose os autos verificase que a Recorrente não apresentou nenhuma documentação solicitada em sede de Impugnação ou de Recurso Voluntário. Houve portanto o descumprimento da obrigação legal acessória, conforme previsto na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 33, §§ 2° e 3°, combinado com os arts. 232 e 233, parágrafo único, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999. A multa a ser aplicada tem enquadramento legal na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, arts. 92 e 102 e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, art. 283, inc. II, alínea "j" e art. 373, cujo valor da multa foi atualizado pela Portaria MPS n° 479, de 07/05/2004. Portanto, diante do exposto não prospera a argumentação da Recorrente. Fl. 186DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 12 (iv) requer relevação da multa. Analisemos. Anotase que, à época da lavratura do auto de infração, as multas por descumprimento de obrigação acessória podiam ser relevadas desde que o infrator formulasse pedido dentro do prazo de defesa, ainda que não contestada a infração, fosse primário, tivesse corrigido a falta e não tivesse ocorrido nenhuma circunstância agravante., conforme o art. 291, § 1º, RPS antes da redação dada pelo Decreto nº 6.032, de 02.02.2007 e posteriormente revogado pelo Decreto nº 6.727, de 2009. Decreto 3.048/1999 Art.291. Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até a decisão da autoridade julgadora competente. §1º A multa será relevada, mediante pedido dentro do prazo de defesa, ainda que não contestada a infração, se o infrator for primário, tiver corrigido a falta e não tiver ocorrido nenhuma circunstância agravante. §2º O disposto no parágrafo anterior não se aplica à multa prevista no art. 286 e nos casos em que a multa decorrer de falta ou insuficiência de recolhimento tempestivo de contribuições ou outras importâncias devidas nos termos deste Regulamento. §3º A autoridade que atenuar ou relevar multa recorrerá de ofício para a autoridade hierarquicamente superior, de acordo com o disposto no art. 366. Observase que tanto a relevação quanto a atenuação das multas por descumprimento de obrigação acessória não mais existem no ordenamento pois o Decreto nº 6.727, de 2009 revogou o art. 291, RPS bem como o art. 292, V, RPS, que delimitava a atenuação em 50%. Ademais, o art. 93, parágrafo único, Lei 8.212/1991 foi revogado pela Lei 11.941/2009, na qual se previa que a autoridade que reduzisse ou relevasse multa recorreria de ofício para autoridade hierarquicamente superior, na forma estabelecida em regulamento: Art. 93 O recurso contra a decisão do INSS que aplicar multa por infração a dispositivo da legislação previdenciária só terá seguimento se o interessado o instruir com a prova do depósito da multa atualizada monetariamente, a partir da data da lavratura. (Redação dada pela Lei nº 8.870, de 1994). (Revogado o caput pela Lei nº 9.639, de 25.5.98.) Parágrafo único. A autoridade que reduzir ou relevar multa recorrerá de ofício para autoridade hierarquicamente superior, na forma estabelecida em regulamento. (Revogado pela Medida Fl. 187DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 12267.000367/200847 Acórdão n.º 240301.251 S2C4T3 Fl. 173 13 Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) Portanto, compulsando os autos, não foram atendidas todas as prescrições legais para relevação da multa, pois embora a autuada tenha formulado o seu pedido tempestivamente e seja primaria (não tenha incorrido em reincidência), a Recorrente não corrigiu a falta cometida, nos termos do art. 291, § 1º, Decreto 3.048/1999. (v) requer produção de provas documentais e periciais. Analisemos. Quanto à solicitação de prova documental e pericial, verificamos que a mesma encontrase em desacordo com o previsto na legislação. Decreto 70.235/1972: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (...) § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. Como o pedido de perícia não possui os requisitos previstos na legislação, consideroo não formulado. Fl. 188DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 14 CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do recurso, NO MÉRITO, NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 189DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 10384.003699/2003-15
Turma: Segunda Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Fri Jul 10 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Fri Jul 10 00:00:00 UTC 2009
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 27/02/1998
DRAWBACK SUSPENSÃO. BASE DE CÁLCULO OBTIDA A PARTIR DE INFORMAÇÃO ERRÔNEA DO PESO DOS PRODUTOS. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE DO ADIMPLEMENTO.
Constatado erro na formação da base de cálculo, em virtude de que os pesos dos produtos compromissados por exportar foram informados erroneamente no formulário "Pedido de Drawback", impossibilitada fica a análise do adimplemento do regime sem modificar os critérios de formação da base de cálculo, tendo como resultado a insubsistência do lançamento.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3201-000.253
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - insufiência apuração/recolhimento
Nome do relator: MÉRCIA HELENA TRAJANO D'AMORIM
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BASE DE CÁLCULO OBTIDA A PARTIR DE INFORMAÇÃO ERRÔNEA DO PESO DOS PRODUTOS. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE DO ADIMPLEMENTO. Constatado erro na formação da base de cálculo, em virtude de que os pesos dos produtos compromissados por exportar foram informados erroneamente no formulário "Pedido de Drawback", impossibilitada fica a análise do adimplemento do regime sem modificar os critérios de formação da base de cálculo, tendo como resultado a insubsistência do lançamento. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da r Câmara / 1' Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. aLL C".5--kpe) JUDITH ib O AMARAL MARCONDES ARMAN - Presidente t RC e.ÁÁle 'VoAstr\ek.4---..1 M IA ELENA 1AJANO D'AMORIM - Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro, Marcelo Ribeiro Nogueira e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Processo n° 10384.003699/2003-15 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.253 Fl. 145 Relatório A empresa acima identificada recorre a este Conselho de Contribuintes, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza/CE. Por bem descrever os fatos, adoto integralmente o relatório componente da decisão recorrida, constante de fls.96/97, até então; que transcrevo, a seguir: "Do lançamento Trata-se de lançamento do Imposto sobre as Importações — II, acrescido dos juros de mora previstos no art. 61, § 3°, da Lei n° 9.430/96, bem como da multa de oficio capitulada no art. 44, inciso I, da mesma lei, perfazendo, na data da autuação, crédito tributário no valor total de R$ 7.190,61, conforme Termo de Verificação Fiscal e Auto de Infração de fls. 02/14. 2-Segundo a autoridade fiscal responsável pela lavratura do auto de infração, o lançamento foi motivado pelo inadimplemento parcial do compromisso de exportar relativo ao Ato Concessório de Drawback suspensão n° 0044-98/000002-7, emitido em 19/02/1998, através do qual a autuada fora autorizada a importar insumos que deveriam ser utilizados na 1 produção de 20.000 unidades, com peso líquido total de 500.000 Kg, de COUROS BOVINOS CURTIDOS AO CROMO ÚMIDOS WET-BLUE. Não obstante, dentre as exportações apresentadas como comprobatórias das exportações realizadas pela empresa, foi constatado que um dos registros de exportação apresentava-se vinculado a ato concessório diverso daquele i objeto da lide, conforme demonstrado na tabela abaixo: Produtos RE Ato Concessório diverso, ao Quantitativos Quantitativos compromissados '' ' -. qual o RE está vinculado aportados (unid.) exportados (Kg) 98/0531674-001 0044-97/000055-5 5.630 63.500 98/0574279-001 1.070 21.500 98/0571638-001 1.982 21.500 98/0567843-001 1.150 21.500 Couros bovinos curtidos ao cromo 98/0575682-001 3.520 42.600 úmidos wet-blue 98/0629801-001 3.800 43.000 98/0627581-001 2.030 43.000 98/0622872-001 960 21.050 Total vinculado ao AC objeto da lide 14.512 214.150 1 1 1 3-Para fins de exame do adimplemento do compromisso de exportar , vinculado ao ato concessório objeto do litígio, a autoridade administrativa 1 não levou em consideração a exportação relacionada a ato concessório diverso, no caso, correspondente ao RE n° 98/0531674-001, referente a 5.630 couros, com peso total de 63.500 Kg, conforme disposto acima. 2 Processo n° 10384.003699/2003-15 53-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.253 Fl. 146 4-Quanto ao cálculo do crédito relativo aos insumos não utilizados no processo produtivo das mercadorias exportadas, o mesmo foi realizado proporcionalmente à diferença entre o peso total compromissado (500.000 Kg) e o peso total dos couros exportados (214.150 Kg), conforme fls. 11/12, não tendo considerado, para tanto, os quantitativos em unidades de couros exportados. • Da impugnação 5-Cientificada do lançamento em 05/12/2003 (vide fls. 02 e 14), a recorrente insurgiu-se contra a exigência, tendo apresentado, em 26/12/2003, a impugnação de fls. 38/52, onde, após fazer uma breve descrição dos fatos, apresenta argumentos os quais, entende, demonstrariam a improcedência da exigência formalizada pelo Fisco. 6-Primeiramente, alega que a empresa exportou a quantidade efetiva de produtos compromissada no ato concessário, mas que teria havido equívoco da autoridade lançadora, a qual, "ao analisar o documento "Pedido de Drawback" entendeu que a empresa se comprometeu a exportar peso líquido". Argúi que, no campo reservado ao peso líquido no formulário Pedido de Drawback, interpretara que deveria ter sido informado o peso da matéria bruta a ser industrializada. Ressalta que, depois do processo de beneficiamento, o produto industrializado passa a ter peso inferior ao da matéria in natura. Argumenta ainda que o laudo técnico seria suficiente para demonstrar que todo o insumo importado fora utilizado no processo produtivo, e que, quanto aos dados consubstanciados no Pedido de Drawback, deveria prevalecer a interpretação mais favorável ao contribuinte. 7-Ressalta que os demais termos dos atos concessários teriam sido cumpridos, 14 principalmente no que pertine às datas de cumprimento, constatando-se tal assertiva, com a simples análise dos aludidos autos e ratificados pelos próprios fiscais nos respectivos Termos de Verificação Fiscal, encontrando-se, assim, a empresa ora autuada, albergada pelo art. 340, parágrafo único do Decreto 4.543/02 [..] " (sic), o qual trata do prazo de vigência do regime de drawback. 8-Baseada em respeitável doutrina, a impugnante propugna pela observação dos princípios da verdade material e do dever de investigação, obrigatórios por força do art. 142 do CTN. Defende que a administração, ao cobrar tributos sobre cujos fatos geradores não possui prova, teria incorrido em nulidade por ofensa ao princípio da legalidade objetiva. Questiona ainda a aplicação do art. 112 do CTN, defendendo a interpretação mais favorável ao contribuinte relativamente ao pedido de drawback. 9-Com base nos fundamentos acima elencados, requer: a)no mérito, seja julgado improcedente o auto de infração, e; 3 1 1 Processo n° 10384.003699/2003-15 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.253 Fl. 147 1 b)que, "antes do julgamento, seja aberta instrução probatória, marcando-se 1 audiência para oitiva do Engenheiro Químico da empresa que efetuou os laudos [..] ". 10) É o Relatório." Decidiu-se no julgamento de primeira instância, pela procedência parcial do lançamento, nos termos do Acórdão DRJ/For rt 2 08-10.613, de 19/04/2007, da r Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza/CE (fls. 94/102), cuja ementa assim resumiu o julgado: "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 27/02/1998 PEDIDO DE PERÍCIA NÃO FORMULADO. Considerar-se-á não formulado o pedido de perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16 do Decreto n° 70.235/72. Não obstante, tais pedidos serão indeferidos quando os elementos que integram os autos demonstrarem ser suficientes para a plena formação de convicção e o conseqüente julgamento do feito. LANÇAMENTO. OBSERVAÇÃO DOS REQUISITOS FORMAIS. AUSÊNCIA DE NULIDADE. É legítimo o ato administrativo do lançamento que tenha observado os requisitos formais de validade. ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 27/02/1998 DRAWBACK SUSPENSÃO. COMPROMISSO DE EXPORTAR. INFORMAÇÃO DO PESO DOS PRODUTOS NO ATO CONCESSÓRIO COM ERRO. MERCADORIA QUANTIFICADA EM UNIDADES SIMPLES OU EM UNIDADES DE ÁREA. ADIMPLEMEN7'0 ANALISADO A PARTIR DAS EXPORTAÇÕES MENSURADAS NA UNIDADE DE MEDIDA ADEQUADA AO PRODUTO. . Diante da constatação de que os pesos dos produtos compromissados por exportar foram informados erroneamente no formulário "Pedido de , Drawback", a análise do adimplemento regime deverá considerar preferentemente os quantitativos compromissados nas unidades de grandeza adequadas à mensuração dos produtos industrializados pela beneficiária. 1 Lançamento Procedente em Parte." O interessado foi intimado; inconformado apresenta recurso voluntário, no , qual, repete praticamente as alegações contidas em sua impugnação, defendendo que torne o i ' auto de infração improcedente, pois não há sustentação do mesmo, tendo em vista precariedade do formulário do pedido de drawback. O processo foi distribuído a esta Conselheira, à fl. 143. É o relatório. 4 1 , Processo n° 10384.003699/2003-15 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.253 Fl. 148 Voto Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO D'AMORIM - Relatora O presente recurso apresenta os requisitos para sua admissibilidade, razão pela qual merece ser conhecido. No presente, o lançamento, s.m.j., não se baseou numa melhor técnica quando aplicou uma simples regra de três, a partir do laudo técnico apresentado, à fl. 24. Ressalto que comungo do mesmo raciocínio desenvolvido pelo Conselheiro Corintho Oliveira Machado, no processo de n° 10384.003319/2003-34, recurso voluntário de n° 138.945 da mesma empresa, guardadas as devidas proporções, quando observou-se a impossibilidade da análise do adimplemento do regime sem modificar os critérios de formação da base de cálculo, tendo como resultado a insubsistência do lançamento. A decisão a quo argumenta da seguinte forma: 46 O cerne da questão em comento, como se vislumbra da leitura do relatório supra, está centrado na verificação se houve, de fato, descumprimento dos requisitos necessários ao gozo do drawback suspensão. Nesse ínterim, é necessária a análise de duas questões relativas ao lançamento tributário: a)diante do fato dos quantitativos compromissados por exportar, dispostos no ato concessário sub examine, estarem expressos em quilogramas e em quantidades unitárias, examinar, primeiramente, qual a grandeza adequada ao aferime,nto do adimplemento dos compromissos firmados pela interessada; b) superado o problema disposto acima, aferir se houve ou não o adimplemento do regime e, sendo o caso, efetuar os cálculos dos tributos devidos para verificar se os mesmos equivalem ao crédito tributário lançado pela autoridade administrativa. Sobre a primeira questão, observam-se, às fls. 24, laudo técnico onde se verifica que a quantidade de insumo que seria utilizada no processo produtivo foi obtida a partir do peso total dos couros que seriam tratados, numa relação diretamente proporcional. As informações constantes do laudo em questão estão resumidas na tabela abaixo: Laudo Técnico referente à utilização do insumo Salcromo 26 (fis. 24) Quantidade de couros a Peso médio de cada Peso total dos couros Quantidade de insumo necessária serem tratados unidade de couro a serem tratados 20.000 25 Kg 500.000 Kg 500.000 x 8% = 40.000 Kg 5 1 Processo n° 10384.003699/2003-15 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.253 Fl. 149 . . O laudo acima referenciado demonstra, de forma transparente, o equívoco da recorrente ao informar, no campo 20 do ato concessório, não o peso do produto final, mas o peso bruto correspondente às unidades de couros compromissadas antes do seu processamento industrial, uma vez que foi com base no peso bruto dos couros que foram levantados os quantitativos dos insumos que seriam utilizados em seu tratamento. Esse equívoco, a meu . ver, não pode justificar a metodologia de cálculo do crédito tributário adotada pela autoridade fiscal, até porque o produto resultante do tratamento industrial não é comercializado em unidades de peso (como o quilograma), mas em quantidades unitárias ou em unidades de área (como o metro quadrado). Tudo isso é corroborado ainda pelo fato do valor que a beneficiária se comprometera a exportar ter sido levantado a partir dos preços unitários de cada couro (e não em seu peso), o que se constata diante da análise dos campos 23 e 24 do formulário Pedido de Drawback (fls. 16). A questão acima tratada foi confirmada pela própria autoridade lançadora, • a qual, no Termo de Verificação Fiscal (fls. 11), assevera o seguinte: A partir do laudo apresentado pelo contribuinte, analisado no subitem 2.2, verificamos que a utilização dos produtos químicos guardam (sic) relação direta com o peso dos produtos exportados, embora essa não seja a unidade de comercialização. (grifo nosso) Não obstante, a decisão de primeira instância, da mesma forma, também peca quando tenta ajustar o auto de infração ao critério que devia ter sido utilizado, pois a base de cálculo foi de tal modo auferida erroneamente, que não se tem como acertá-la no caso vertente, assim entendo. A própria decisão nos dá o motivo para assim entender-se: "Diante disso, o crédito tributário devido deveria ter sido calculado a partir das quantidades unitárias compromissadas e não exportadas. Conforme já mencionado, a contribuinte se comprometera a exportar 20.000 unidades de couros bovinos curtidos ao cromo wet-blue. Não obstante, e contrariamente à afirmativa da impugnante que, sem comprovar, argüiu que o compromisso teria sido cumprido na integralidade, exportou apenas 14.512 unidades do produto acima especificado (ver tabela disposta no relatório supra). Isso representa um percentual de inadimplência de 27,44%, o qual será considerado para o levantamento do crédito tributário devido pela recorrente referente aos insumos importados não utilizados no processo produtivo. De posse do percentual de inadimplência do compromisso de exportar 1 vinculado ao ato concessó rio de drawback em exame, chegar-se-á ao valor correto do crédito tributário devido, o qual corresponde a R$ 1.201,79 ,relativamente ao Imposto sobre as Importações, além da multa de oficio de 75% tipificada no auto de infração objeto da lide. Quanto ao IPI, não há crédito tributário a ser constituído, uma vez que a alíquota do imposto em tela relativamente ao insumo importado é zero. O demonstrativo dos cálculos dos valores acima referenciados apresenta-se disposto abaixo: , I 6 1 I I Processo n° 10384.003699/2003-15 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.253 Fl. 150 Demonstrativo de cálculo do crédito tributário relativo ao inadimplemento parcial do compromisso de exportar vinculado ao ato concessório de drawback suspensão n° 0044-98/000002-7. INSUMOS —> Salcromo 26 Peso lig. dos insumos importados (Kg) 40.000 Valor CFR dos insumos (US$) 30.000,00 °A dos insumos não utilizado nas exportações 27,44 Peso lig. dos insumos não utilizados nas exportações (Kg) 10.976,00 Valor CFR dos insumos não utilizados nas exportações (US$) 8.232,00 Base de cálculo do II (taxa conversão R$ 1,1230) 9.244,54 Aliquota do II (%) 13 II devido (R$) 1.201,79 Base de cálculo do IPI (BC do II + II) 10.446,33 Aliguota do IPI (%) O IPI devido (R$) 0,00 Total do crédito tributário devido (impostos) (R$) 1.201,79 Crédito tributário (impostos) lançado (R$) 2.503,87 Crédito tributário a ser exonerado (só impostos) (R$) 1.302,08 Destarte, em que pese a razoabilidade do raciocínio expendido pela autoridade julgadora de primeiro grau, para manter parcialmente o auto de infração, uma vez que, de fato, não houve adimplemento total do drawback, entendo que o lançamento não pode prosperar nem de forma parcial, porquanto, como bem disse a recorrente, a decisão hostilizada baseou-se em novos critérios para manter o auto de infração parcialmente. Por todo o exposto, voto por que seja dado provimento ao recurso voluntário para tornar insubsistente o Auto de Infração. Sala das Sessões, em 10 de julho de 2009 . .._1347A-6‘dx- M RCIA HELENA 'I' O D'AMORIM - Relatora 7 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO Processo n°: 13804.001097/00-65 Recurso C: 139.352 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3° do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n". 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o(a) Senhor(a) Procurador(a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Primeira Turma da Segunda Câmara da Terceira Sessão, a tomar ciência do Acórdão n.° 3201-00.261. Brasília, 21 de ete bro d- 009. 1,11 LUIZ HU :EI r O f RNANDES Chefe a 2' e . t.. a Terc • ira Seção Ciente, com a observação abaixo: [ ] Apenas com Ciência [ ] Com Recurso Especial [ 1 Com Embargos de Declaração Data da ciência: / / Procurador (a) da Fazenda Nacional
score : 1.0
Numero do processo: 10675.720035/2007-64
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercício: 2003
RECURSO ESPECIAL. IMPUGNAÇÃO DE DECISÃO QUE NÃO ENSEJA/OBJETIVA REFORMA DO JULGADO. NÃO CONHECIMENTO.
É sabido que recurso “é remédio voluntário idôneo a ensejar, dentro do mesmo processo a reforma, a invalidação, o estabelecimento ou a integração de decisão judicial que se ‘impugna” [MOREIRA, Josá Carlos Barbosa. Comentários ao Código de Processo Civil. 11 ed. rev. atual. Rio de Janeiro: Forense, 2003, v. 5, p. 233].
Para que o recurso seja admissível, é preciso que haja utilidade - o recorrente deve esperar, em tese, do julgamento do recurso, situação mais vantajosa, do ponto de vista prático, do que aquela em que o haja posto a decisão impugnada - e necessidade - que seja preciso usar as vias recursais para alcançar este objetivo [MOREIRA, Josá Carlos Barbosa. Idem.].
VALOR DA TERRA NUA - VTN
Ademais, in casu, seria inviável estabelecer a base de cálculo do tributo, ante a impossibilidade jurídica de comercialização de tais áreas, não apresentando, por essa razão, valor de mercado aferível.
Recurso especial da Fazenda Nacional não conhecido e do Contribuinte provido.
Numero da decisão: 9202-002.139
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso da Fazenda Nacional e dar provimento ao recurso do Contribuinte. Votou pelas conclusões o Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa.
Matéria: ITR - notific./auto de infração eletrônico - valor terra nua
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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IMPUGNAÇÃO DE DECISÃO QUE NÃO ENSEJA/OBJETIVA REFORMA DO JULGADO. NÃO CONHECIMENTO. É sabido que recurso “é remédio voluntário idôneo a ensejar, dentro do mesmo processo a reforma, a invalidação, o estabelecimento ou a integração de decisão judicial que se ‘impugna” [MOREIRA, Josá Carlos Barbosa. Comentários ao Código de Processo Civil. 11 ed. rev. atual. Rio de Janeiro: Forense, 2003, v. 5, p. 233]. Para que o recurso seja admissível, é preciso que haja utilidade o recorrente deve esperar, em tese, do julgamento do recurso, situação mais vantajosa, do ponto de vista prático, do que aquela em que o haja posto a decisão impugnada e necessidade que seja preciso usar as vias recursais para alcançar este objetivo [MOREIRA, Josá Carlos Barbosa. Idem.]. VALOR DA TERRA NUA VTN Ademais, in casu, seria inviável estabelecer a base de cálculo do tributo, ante a impossibilidade jurídica de comercialização de tais áreas, não apresentando, por essa razão, valor de mercado aferível. Recurso especial da Fazenda Nacional não conhecido e do Contribuinte provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso da Fazenda Nacional e dar provimento ao recurso do Contribuinte. Votou pelas conclusões o Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa. Fl. 253DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo – Presidente (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Junior – Relator FORMALIZADO EM: 18/05/2012 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Pedro Paulo Pereira Barbosa (suplente convocado), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Pelo auto de infração/anexos de fls. 01/04 e 28/30, a contribuinte em referência foi intimada a recolher o crédito tributário de R$ 1.267.428,16, correspondente ao lançamento do ITR12003, da multa proporcional (75,0%) e dos juros de mora calculados até 29/06/2007, incidente sobre o imóvel rural "Usina de Miranda", com 4.475,5 ha (NIRF 6.584.1433), localizado no município de Indianópolis — MG, conforme Relatório Fiscal [fls. 28/30]: Tendo sido intimada a comprovar o Valor da Terra Nua — VTN do imóvel rural em que se localiza a usina hidrelétrica de Miranda, a concessionária ou delegatária de serviços públicos de eletricidade Companhia Energética de Minas Gerais CEMIG não logrou êxito, em razão do que se procedeu ao lançamento de ofício do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR, em conformidade com o contido no art. 14 da Lei n° 9.393 de 19 de dezembro de 1996. […]Em razão da falta de comprovação do Valor da Terra Nua — VTN declarado pelo contribuinte em sua(s) Declaração(ões) do ITR, exercício(s) 2003, procedeuse à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, com base no menor valor de terra nua por hectare constante do Sistema de Preços de Terra — Sipt da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Irresignada com o decisum da DRJ BrasíliaDF que julgou procedente o lançamento [fls. 76/87], a Contribuinte interpôs recurso voluntário [fls. 95/123] que, em 22 de maio de 2009, foi provido parcialmente, por maioria, pela 2ª Turma Ordinária, da 1ª Câmara da Terceira Seção, por meio do Acórdão n. 310200.302 [fls. 156/161], para afastar a incidência de ITR sobre as áreas inundadas e sobre as margens do reservatório do imóvel rural da Contribuinte, assim consideradas as áreas de preservação permanente nos termos do art. 2º, da Lei n. 4.771/65: Fl. 254DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 10675.720035/200764 Acórdão n.º 920202.139 CSRFT2 Fl. 2 3 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2003 IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL – ÁREAS SUBMERSAS RESERVATÓRIOS DE USINAS HIDROELÉTRICAS Por ser a água um bem . pplico, nos termos do art. 20 da Constituição Federal, o Contribuinte não possui domínio pleno sobre a represa. De fato, lhe é defeso alienar, ceder, utilizar as terras para qualquer outro fim senão o de servir de reservatório das águas que servirão para gerar energia elétrica. Assim, se a União detém direitos sobre a propriedade, não cabe sobre a área cobrança de ITR. No que se refere às margens da represa, não incide ITR por força do inciso II do artigo 10 da Lei n° 9.393/96, combinado com o art. 2° da Lei n° 4.775/65. Recurso Voluntário Provido em Parte. Intimada do Acórdão numerado, a Fazenda Nacional interpôs, com fundamento no artigo 7°, inciso I, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais então vigente, recurso especial às fls. 164/175, onde alegou, em apertada síntese, é necessário que o contribuinte comprove o reconhecimento formal específico e individualmente das áreas como tal, protocolizando o ADA no IBAMA ou em órgãos ambientais delegados por meio de convênio e, ainda: que: a) Os artigos 1° a 4° da Lei n° 9.393/96 tratam do fato gerador, imunidade e isenção do ITR; b) A interessada pretende demonstrar que o ITR sofreria uma diminuição considerável, por estarem excluídas as áreas destinadas ao reservatório de água e as que ladeiam o reservatório; c) A Receita Federal disciplinou a matéria através da Instrução Normativa n° 43/97, alterada pela Instrução Normativa n° 67/97; d) Considerandose as definições de áreas excluídas da incidência do ITR, citadas na legislação, vêse que áreas ocupadas com reservatório de água para usina hidrelétrica e as áreas que ladeiam o reservatório não se enquadram em nenhuma dessas definições; e) A legislação tributária que dispõe sobre outorga de isenção deve ser interpretada literalmente, nos termos do artigo 111 do CTN, além do que necessário observar o princípio da legalidade previsto no artigo 176 do CTN; Fl. 255DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 4 f) Para que uma área seja considerada de Preservação Permanente ou de Utilização Limitada, exigese seu reconhecimento mediante ato declaratório do IBAMA; g) A COSIT, por meio de seu Parecer n° 15/2000, posicionouse a respeito da tributação de imóveis rurais que abriguem reservatórios; h) A Instrução Normativa SRF n° 60/2001 também estabelece a tributação dessas áreas; i) Por fim, resta dizer ainda que as áreas do reservatório (áreas dos imóveis submersos) não estão subsumidas na expressão "lagos" do texto constitucional, pois aí há alusão a lagos da União em áreas de seu domínio ou propriedade (CF, art. 20, III). Na situação em tela, o lago formado pela represa (reservatório) não está situado em área de domínio da União, mas sim em áreas de domínio da empresa estatal (imóveis particulares da empresa submersos adquiridos por desapropriação)"; j) No lançamento de ofício, foi rejeitado o valor da terra nua – VTN (R$0,00) informado pela contribuinte na Declaração do ITR, uma vez que aquém daquele indicado no SIPT, conforme relatado no Termo de fls. 115, o que encontra amparo no artigo 14 da Lei n° 9.393/96; k) Apesar de seus questionamentos, a contribuinte não apresentou comprovação que justifique reconhecer que o VTN efetivo é menor do que o considerado pela fiscalização, e, portanto, não há justificativa para sua alteração. O fato de o imóvel servir para reservatório de água de usina hidrelétrica não é argumento suficiente para se reconhecer que o mesmo está "fora do mercado" e que por isso não possui um valor de mercado apurável por meio de laudo técnico; l) Diante do exposto e considerando tudo mais que dos autos consta, é de se reconhecer que o v. acórdão ora recorrido acabou por ofender os artigos 1°, 7°, 9°, 10, 11 e 14 da Lei n° 9.393/1996 (que fundamentaram o auto de infração), além do artigo 10, par. 4° da Instrução Normativa SRF n° 43, de 07/05/1997, com as alterações introduzidas pela Instrução Normativa n° 67, de 01/09/1997; m) Requer o provimento do recurso, com a reforma do acórdão recorrido, restaurandose a decisão de primeira instância. Admitido o recurso por intermédio do Despacho n° 21000031/2010 (fls.178/179), que entendeu no seguinte sentido: […] Em sede de análise de admissibilidade, entendo caber razão à Fazenda Nacional. Verificase que o auto de infração não aceitou o Valor da Terra Nua — VTN informado pelo contribuinte, e o arbitrou com base no Sistema de Preços de Terra — SIPT (fls. 1 a 4 e 28 a 30). Na DRJ, além do VTN, discutiuse sobre a possibilidade de exclusão de áreas submersas, cobertas por águas do reservatório de usina elétrica, e de áreas de segurança que as margeiam, da base de cálculo do ITR, e se decidiu pela impossibilidade dessa dedução (fls. 76 a 87). Fl. 256DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 10675.720035/200764 Acórdão n.º 920202.139 CSRFT2 Fl. 3 5 Finalmente, no Conselho de Contribuintes, considerouse que sobre as áreas submersas não incide ITR, por serem bens públicos, e que sobre as áreas que as margeiam também não incide esse imposto, por serem consideradas área de preservação permanente (fls. 156 a 161). Desta forma, decidiuse pela exclusão, da base de cálculo do ITR, de área de preservação permanente, sem exigir, contudo, a apresentação prévia de ADA, contrariando os ditames do art. 170, §1°, da Lei n° 6.938, de 1981. Entretanto, quanto à parte do acórdão que decidiu pela não incidência do ITR sobre áreas submersas de reservatórias de usinas hidroelétricas, a matéria não comporta mais discussão no âmbito administrativo, com a edição da Súmula CARF n° 45: "O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural não incide sobre áreas alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidroelétricas". DECISÃO: Isso posto, com fundamento no art. 7 0, inciso I, do RICSRF, DOU SEGUIMENTO ao recurso especial interposto. À secretaria da ia Câmara da 2 Seção para que encaminhe os presentes autos à Unidade Local da RFB para que proceda a ciência do contribuinte do acórdão recorrido, do recurso especial interposto e deste despacho, para que, quere do, apreseir contrarrazões. Em 16 de julho de 2010, foi prolatado Despacho Simples – n. 2100 0147/2010, fl. 181 – que prestou esclarecimentos a pedido apresentado pelo Serviço de Controle e Acompanhamento Tributário da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Uberlândia/MG sobre a execução do Acórdão n. 310200.302: Tratase de pedido de esclarecimentos do Serviço de Controle e Acompanhamento Tributário da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Uberlândia/MG sobre a execução do Acórdão n° 310200.302, da 2 a Turma Ordinária da la Câmara da 3a Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, julgado na sessão de 22 de maio de 2009 (fls. 156 a 161). Verifico que o processo trata de lançamento de ITR do exercício de 2003, onde não se aceitou o Valor da Terra Nua — VTN informado pelo sujeito passivo, que foi arbitrado com base no Sistema de Preços de Terra — SIPT. No recurso, o contribuinte alegou que o VTN declarado estava correto e que as áreas submersas por águas de reservatório de usina hidrelétrica não estavam sujeitas à incidência do ITR. O acórdão final decidiu que o valor do VTN lançado deveria prevalecer, mas que deveriam ser excluídas da tributação as áreas inundadas e as que margeiam o reservatório. Entretanto, não constam nos autos qualquer elemento de prova da existência de áreas inundadas e de margem, nem de sua extensão. Assim, na execução do acórdão, devese manter o Fl. 257DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 6 valor do VTN lançado e não se acrescentar qualquer exclusão, mantendose o lançamento original. Devolvamse os autos à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Uberlândia/MG para as providências do despacho de fl. 178. [Grifo nosso] Devidamente intimada em 30/08/2010 [fl. 184], a contribuinte interpôs, em 14/09/2010, Recurso Especial [fls. 185/200] com no fulcro no art. 67 do anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF. Contestou a manutenção do Valor da Terra Nua — VTN arbitrado, apontou divergências com o Acórdão n° 30134.105, da l a Câmara do 3° Conselho de Contribuintes, julgado na sessão de 17 de outubro de 2007, e com o Acórdão n° 30335.502, da 3a Câmara do 3° Conselho de Contribuintes, proferido na sessão de 8 de julho de 2008: Acórdão n° 30134.105 Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2001 Ementa: ITR — TERRAS ALAGADAS — LAGOS DE USINAS HIDROELÉTRICA — NÃO INCIDÊNCIA. A alteração das condições no mundo fenomênico de um determinado fato jurisdicizado, passando a fornecer novos elementos da realidade fatctual, como é o caso das terras alagadas, altera irremediavelmente a natureza jurídica da coisa. De modo que terras alagadas perdem a natureza jurídica de terra para assumir a de água, não se subsumindo à norma de incidência do ITR que preconiza a existência de "área continua de terras". RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO Acórdão n° 30335.502 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL — ITR Exercício: 2003 ITR. ÁREA RURAL UTILIZADA COMO RESERVATÓRIO DE ÁGUA PARA PRODUÇÃO DE ENERGIA. NÃO INCIDÊNCIA DO ITR SOBRE A ÁREA TRIBUTADA. A afetação do imóvel rural ao serviço público específico de produção e geração de energia elétrica o faz inalienável, indisponível e imprescritível. Tratandose de bem de domínio público, da União, não está o imóvel tributado abrangido no critério material de hipótese de incidência do ITR. VALOR DA TERRA NUA VTN Ademais, in casu, seria inviável estabelecer a base de cálculo do tributo, ante a impossibilidade jurídica de comercialização de tais áreas, não apresentando, por essa razão, valor de mercado aferível. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO Fl. 258DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 10675.720035/200764 Acórdão n.º 920202.139 CSRFT2 Fl. 4 7 Por meio de o Despacho n. 21000430/2010 [fls. 224/226], o i. Presidente da 1ª Câmara da Segunda Seção deu seguimento ao Especial interposto: Verifico, então, que as decisões comparadas analisam a cobrança de ITR sobre áreas submersas, cobertas por águas do reservatório de usina elétrica, e enquanto o acórdão recorrido decidiu por manter o VTN arbitrado por não ter se juntado laudo de avaliação emitido por profissional habilitado, os paradigmas não admitiram o arbitramento do VTN, por considerarem que o terreno não possuía valor de mercado calculável. Assim, está comprovada a divergência jurisprudencial. Por fim, cumpre esclarecer que a decisão tomada no Despacho n o 21000147/2010, de 16 de julho de 2010 (fl. 181), por esta autoridade, em resposta a questionamento da Delegacia da Receita Federal de origem, e contestada pelo recorrente, foi a única possível diante dos fatos constantes do processo, pois o acórdão havia decidido que o valor do VTN lançado deveria prevalecer, mas que deveriam ser excluídas da tributação as áreas inundadas e as que margeiam o reservatório, mas não constavam nos autos qualquer elemento de prova da existência de áreas inundadas e de margem, nem de sua extensão. Assim, orientouse que, na execução do acórdão, deveria ser mantido o VTN lançado e não se efetivar qualquer exclusão, mantendose o lançamento original. DECISÃO: Isso posto, com fundamento no artigo 67 do anexo II do RICARF, DOU SEGUIMENTO ao recurso especial interposto. À secretaria da P Câmara da 2 Seção, para encaminhamento dos presentes autos à Fazenda Nacional para ciência deste despacho para, querendo, apresentar contrarrazões ao recurso especial do contribuinte no prazo de 15 (quinze) dias. Em seguida, encaminhemse os autos à CSRF para julgamento do recurso especial da Fazenda (fls. 164 a 175), anteriormente admitido (fl. 178), e do recurso especial do contribuinte. Em contrarazões, a Procuradoria da Fazenda Nacional sustenta a inadmissibilidade do recurso, inexistindo a divergência jurisprudencial suscitada, já que o entendimento da e. Câmara foi no sentido de reconhecer a isenção das áreas submersas, utilizadas como reservatórios de usinas hidroelétricas. Dessa forma, não há necessidade de se discutir se essas terras possuem ou não valor de mercado. É o relatório. Fl. 259DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 8 Voto Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior, Relator Conforme dito no relatório, foram interpostos Recursos Especiais pela PGFN e pela Contribuinte. Para melhor análise, passo a apreciação de cada um separadamente. 1 Recurso Especial da PFN O auto de infração corresponde ao lançamento do ITR/2003, da multa proporcional (75,0%) e dos juros de mora calculados até 29/06/2007, incidente sobre o imóvel rural "Usina de Miranda", com 4.475,5 ha (NIRF 6.584.1433), localizado no município de Indianópolis — MG, conforme Relatório Fiscal [fls. 28/30]: Tendo sido intimada a comprovar o Valor da Terra Nua — VTN do imóvel rural em que se localiza a usina hidrelétrica de Miranda, a concessionária ou delegatária de serviços públicos de eletricidade Companhia Energética de Minas Gerais CEMIG não logrou êxito, em razão do que se procedeu ao lançamento de ofício do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR, em conformidade com o contido no art. 14 da Lei n° 9.393 de 19 de dezembro de 1996. […]Em razão da falta de comprovação do Valor da Terra Nua — VTN declarado pelo contribuinte em sua(s) Declaração(ões) do ITR, exercício(s) 2003, procedeuse à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, com base no menor valor de terra nua por hectare constante do Sistema de Preços de Terra — Sipt da Secretaria da Receita Federal do Brasil. A 2ª Turma Ordinária, da 1ª Câmara da Terceira Seção proveu, parcialmente, por maioria o recurso voluntário interposto [fls. 95/123] que, por meio do Acórdão n. 3102 00.302 [fls. 156/161], afastou a incidência de ITR sobre as áreas inundadas e sobre as margens do reservatório do imóvel rural da Contribuinte, assim consideradas as áreas de preservação permanente nos termos do art. 2º, da Lei n. 4.771/65: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2003 IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL – ÁREAS SUBMERSAS RESERVATÓRIOS DE USINAS HIDROELÉTRICAS Por ser a água um bem . pplico, nos termos do art. 20 da Constituição Federal, o Contribuinte não possui domínio pleno sobre a represa. De fato, lhe é defeso alienar, ceder, utilizar as terras para qualquer outro fim senão o de servir de reservatório das águas que servirão para gerar energia elétrica. Assim, se a União detém direitos sobre a propriedade, não cabe sobre a área cobrança de ITR. Fl. 260DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 10675.720035/200764 Acórdão n.º 920202.139 CSRFT2 Fl. 5 9 No que se refere às margens da represa, não incide ITR por força do inciso II do artigo 10 da Lei n° 9.393/96, combinado com o art. 2° da Lei n° 4.775/65. Recurso Voluntário Provido em Parte. Intimada do Acórdão numerado, a Fazenda Nacional interpôs, com fundamento no artigo 7°, inciso I, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais então vigente, recurso especial às fls. 164/175, onde alegou, em apertada síntese, é necessário que o contribuinte comprove o reconhecimento formal específico e individualmente das áreas como tal, protocolizando o ADA no IBAMA ou em órgãos ambientais delegados por meio de convênio e, ainda: que: n) Os artigos 1° a 4° da Lei n° 9.393/96 tratam do fato gerador, imunidade e isenção do ITR; o) A interessada pretende demonstrar que o ITR sofreria uma diminuição considerável, por estarem excluídas as áreas destinadas ao reservatório de água e as que ladeiam o reservatório; p) A Receita Federal disciplinou a matéria através da Instrução Normativa n° 43/97, alterada pela Instrução Normativa n° 67/97; q) Considerandose as definições de áreas excluídas da incidência do ITR, citadas na legislação, vêse que áreas ocupadas com reservatório de água para usina hidrelétrica e as áreas que ladeiam o reservatório não se enquadram em nenhuma dessas definições; r) A legislação tributária que dispõe sobre outorga de isenção deve ser interpretada literalmente, nos termos do artigo 111 do CTN, além do que necessário observar o princípio da legalidade previsto no artigo 176 do CTN; s) Para que uma área seja considerada de Preservação Permanente ou de Utilização Limitada, exigese seu reconhecimento mediante ato declaratório do IBAMA; t) A COSIT, por meio de seu Parecer n° 15/2000, posicionouse a respeito da tributação de imóveis rurais que abriguem reservatórios; u) A Instrução Normativa SRF n° 60/2001 também estabelece a tributação dessas áreas; v) Por fim, resta dizer ainda que as áreas do reservatório (áreas dos imóveis submersos) não estão subsumidas na expressão "lagos" do texto constitucional, pois aí há alusão a lagos da União em áreas de seu domínio ou propriedade (CF, art. 20, III). Na situação em tela, o lago formado pela represa (reservatório) não está situado em área de domínio da União, mas sim em áreas de domínio da empresa estatal (imóveis particulares da empresa submersos adquiridos por desapropriação)"; Fl. 261DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 10 w) No lançamento de ofício, foi rejeitado o valor da terra nua – VTN (R$0,00) informado pela contribuinte na Declaração do ITR, uma vez que aquém daquele indicado no SIPT, conforme relatado no Termo de fls. 115, o que encontra amparo no artigo 14 da Lei n° 9.393/96; x) Apesar de seus questionamentos, a contribuinte não apresentou comprovação que justifique reconhecer que o VTN efetivo é menor do que o considerado pela fiscalização, e, portanto, não há justificativa para sua alteração. O fato de o imóvel servir para reservatório de água de usina hidrelétrica não é argumento suficiente para se reconhecer que o mesmo está "fora do mercado" e que por isso não possui um valor de mercado apurável por meio de laudo técnico; y) Diante do exposto e considerando tudo mais que dos autos consta, é de se reconhecer que o v. acórdão ora recorrido acabou por ofender os artigos 1°, 7°, 9°, 10, 11 e 14 da Lei n° 9.393/1996 (que fundamentaram o auto de infração), além do artigo 10, par. 4° da Instrução Normativa SRF n° 43, de 07/05/1997, com as alterações introduzidas pela Instrução Normativa n° 67, de 01/09/1997; z) Requer o provimento do recurso, com a reforma do acórdão recorrido, restaurandose a decisão de primeira instância. Admitido o recurso por intermédio do Despacho n° 21000031/2010 (fls.178/179), que entendeu no seguinte sentido: […] Em sede de análise de admissibilidade, entendo caber razão à Fazenda Nacional. Verificase que o auto de infração não aceitou o Valor da Terra Nua — VTN informado pelo contribuinte, e o arbitrou com base no Sistema de Preços de Terra — SIPT (fls. 1 a 4 e 28 a 30). Na DRJ, além do VTN, discutiuse sobre a possibilidade de exclusão de áreas submersas, cobertas por águas do reservatório de usina elétrica, e de áreas de segurança que as margeiam, da base de cálculo do ITR, e se decidiu pela impossibilidade dessa dedução (fls. 76 a 87). Finalmente, no Conselho de Contribuintes, considerouse que sobre as áreas submersas não incide ITR, por serem bens públicos, e que sobre as áreas que as margeiam também não incide esse imposto, por serem consideradas área de preservação permanente (fls. 156 a 161). Desta forma, decidiuse pela exclusão, da base de cálculo do ITR, de área de preservação permanente, sem exigir, contudo, a apresentação prévia de ADA, contrariando os ditames do art. 170, §1°, da Lei n° 6.938, de 1981. Entretanto, quanto à parte do acórdão que decidiu pela não incidência do ITR sobre áreas submersas de reservatórias de usinas hidroelétricas, a matéria não comporta mais discussão no âmbito administrativo, com a edição da Súmula CARF n° 45: "O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural não incide sobre áreas alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidroelétricas". Fl. 262DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 10675.720035/200764 Acórdão n.º 920202.139 CSRFT2 Fl. 6 11 DECISÃO: Isso posto, com fundamento no art. 7 0, inciso I, do RICSRF, DOU SEGUIMENTO ao recurso especial interposto. À secretaria da ia Câmara da 2 Seção para que encaminhe os presentes autos à Unidade Local da RFB para que proceda a ciência do contribuinte do acórdão recorrido, do recurso especial interposto e deste despacho, para que, quere do, apreseir contrarrazões. Em 16 de julho de 2010, foi prolatado Despacho Simples – n. 2100 0147/2010, fl. 181 – que prestou esclarecimentos a pedido apresentado pelo Serviço de Controle e Acompanhamento Tributário da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Uberlândia/MG sobre a execução do Acórdão n. 310200.302: Tratase de pedido de esclarecimentos do Serviço de Controle e Acompanhamento Tributário da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Uberlândia/MG sobre a execução do Acórdão n° 310200.302, da 2 a Turma Ordinária da la Câmara da 3a Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, julgado na sessão de 22 de maio de 2009 (fls. 156 a 161). Verifico que o processo trata de lançamento de ITR do exercício de 2003, onde não se aceitou o Valor da Terra Nua — VTN informado pelo sujeito passivo, que foi arbitrado com base no Sistema de Preços de Terra — SIPT. No recurso, o contribuinte alegou que o VTN declarado estava correto e que as áreas submersas por águas de reservatório de usina hidrelétrica não estavam sujeitas à incidência do ITR. O acórdão final decidiu que o valor do VTN lançado deveria prevalecer, mas que deveriam ser excluídas da tributação as áreas inundadas e as que margeiam o reservatório. Entretanto, não constam nos autos qualquer elemento de prova da existência de áreas inundadas e de margem, nem de sua extensão. Assim, na execução do acórdão, devese manter o valor do VTN lançado e não se acrescentar qualquer exclusão, mantendose o lançamento original. Devolvamse os autos à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Uberlândia/MG para as providências do despacho de fl. 178. [Grifo nosso] Trocando em miúdos, o Despacho reconheceu que o decisum recorrido não reformou o lançamento, ou seja, o ato administrativo foi mantido incólume. É sabido que recurso “é remédio voluntário idôneo a ensejar, dentro do mesmo processo a reforma, a invalidação, o estabelecimento ou a integração de decisão judicial que se ‘impugna” [MOREIRA, José Carlos Barbosa. Comentários ao Código de Processo Civil. 11 ed. rev. atual. Rio de Janeiro: Forense, 2003, v. 5, p. 233]. Para que o recurso seja admissível, é preciso que haja utilidade – o recorrente deve esperar, em tese, do julgamento do recurso, situação mais vantajosa, do ponto de vista Fl. 263DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 12 prático, do que aquela em que o haja posto a decisão impugnada – e necessidade – que seja preciso usar as vias recursais para alcançar este objetivo [MOREIRA, Josá Carlos Barbosa. Idem.] O enunciado n. 126 da súmula do Egrégio STJ fornece um exemplo de recurso inútil: E INADMISSIVEL RECURSO ESPECIAL, QUANDO O ACORDÃO RECORRIDO ASSENTA EM FUNDAMENTOS CONSTITUCIONAL E INFRACONSTITUCIONAL, QUALQUER DELES SUFICIENTE, POR SI SO, PARA MANTELO, E A PARTE VENCIDA NÃO MANIFESTA RECURSO EXTRAORDINARIO. (Súmula 126, CORTE ESPECIAL, julgado em 09/03/1995, DJ 21/03/1995 p. 6369) No caso, o provimento do Especial da PFN não repercutirá qualquer alteração ao julgado, pois, conforme registrado pelo Despacho de fl. 181: Verifico que o processo trata de lançamento de ITR do exercício de 2003, onde não se aceitou o Valor da Terra Nua — VTN informado pelo sujeito passivo, que foi arbitrado com base no Sistema de Preços de Terra — SIPT. No recurso, o contribuinte alegou que o VTN declarado estava correto e que as áreas submersas por águas de reservatório de usina hidrelétrica não estavam sujeitas à incidência do ITR. O acórdão final decidiu que o valor do VTN lançado deveria prevalecer, mas que deveriam ser excluídas da tributação as áreas inundadas e as que margeiam o reservatório. Entretanto, não constam nos autos qualquer elemento de prova da existência de áreas inundadas e de margem, nem de sua extensão. Assim, na execução do acórdão, devese manter o valor do VTN lançado e não se acrescentar qualquer exclusão, mantendose o lançamento original. Nesse sentido, não conheço do Especial interposto pela PFN. 2 Recurso Especial da Contribuinte Preenchidos os pressupostos de admissibilidade, conheço do Especial interposto. Quanto ao Recurso Especial do Contribuinte, penso assistir razão ao recorrente. Encontro dificuldade em aplicar as mesmas regras impostas aos proprietários rurais, no que se refere à apuração do Valor de Terra Nua, com base no Sistema de Preços de Terras SIPT, às propriedades das Concessionárias do Setor Elétrico. O fato gerador do ITR é a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana do município em 10 de janeiro de cada ano, como vemos na Lei n° 9.393/96: Art. 1 O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, de apuração anual, tem como fato gerador a propriedade, o Fl. 264DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 10675.720035/200764 Acórdão n.º 920202.139 CSRFT2 Fl. 7 13 domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana do município em 1º de janeiro de cada ano. § 1 O ITR incide inclusive sobre o imóvel declarado de interesse social para fins de reforma agrária enquanto não transferida a propriedade, exceto se houver imissão prévia na posse. § 2 Para os efeitos desta Lei considerase imóvel rural a área contínua formada de lima ou mais parcelas de terras localizada na zona rural do município. § 3 O imóvel que pertencer a mais de um município deverá ser enquadrado no município onde fique a sede do imóvel e, se esta não existir, será enquadrado no município onde se localize a maior parte do imóvel. Ao elencar tantas possibilidades de sujeição passiva para fins de ITR, a legislação buscou, ao fim e ao cabo, tributar quem efetivamente detém poderes para usar/fruir/dispor das terras. Entendo que a recorrente não possui qualquer daqueles direitos supra, já que à ela é defeso alienar, ceder, utilizar as terras para qualquer outro fim que o de servir de reservatório das águas que servirão para gerar energia elétrica. Se à União é quem detêm todos os direitos sobre a propriedade, sendo a recorrente mera "proprietária" sem direitos, à primeira é que caberia a cobrança do ITR, o que se torna impossível, haja vista o disposto no art. 150 da CF/88: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte. é vedado à União. aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) VI instituir impostos sobre: a) patrimônio. renda ou serviços, uns dos outros; (..) Nesse sentido, não há que como estabelecer valor de mercado para a apuração do VTN, já que se trata de bem de domínio público, afetado ao patrimônio da pessoa jurídica de direito público. Do mesmo modo, trago nas palavras do i. Conselheiro Heroldes Barh Neto (Acórdão n° 30335.502) as minhas razões para decidir: A base de cálculo do imposto — valor fundiário, nos termos do art. 30 do CTN e Valor da Terra Nua tributável — VTN, nos termos da legislação especifica — oferece algumas dificuldades, como exclusão de valores (art. 10, § 1°, I e IV), subtração de áreas ( art. 10, § 1°, II) e multiplicação (art. 10, § 1°, III); no entanto, a regramatriz, como metodologia, é instrumento redutor de complexidades; No caso presente nenhuma dessas operações se torna possível ao aplicador da lei, porque não há valor de mercado para a apuração do VTN, por onde começam os cálculos, pois se trata de um bem de domínio público, afetado ao patrimônio da pessoa Fl. 265DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 14 política União, fora do comércio, impedindo qualquer pretensão impositiva sobre as áreas desapropriadas para a construção das obras necessárias ao represamento dos rios e lagos, para a manutenção dos reservatórios destinados à produção de energia elétrica; Destaca que a autoridade fiscal não poderia adotar área "produtiva de energia elétrica "como não produtiva e apontar GU O quando a utilização é integral, presumiu que o valor fundiário está subavaliado, arbitrando um VTN de R$ 157.664.450,00 e aplicando alíquota máxima (20%), equiparando o imóvel aos latifúndios improdutivos; não é crível que a terra submersa por represa para a geração de energia elétrica possa ter o mesmo valor da terra destinada ao cultivo de primeira, visto que aquela está, no mínimo, fora do âmbito de incidência do ITR; É flagrante a ofensa aos princípios da legalidade e da igualdade que norteiam rigidamente a atividade impositiva do Estado, no que concerne à cobrança do imposto; para a Usina Hidrelétrica em questão, tomouse o valor da terra apontado no SIPT, considerandoo para as terras submersas e aplicandose nele o GU, sem qualquer exclusão; A legislação que cuida do ITR sempre leva em conta o grau )1f utilização ( GU) na exploração rural, seja agrícola, pecuárise granjeira, aquícola ou florestal, nos termos da Lei 9.393/96, em consonância com o Estatuto da Terra, o que permite concluir se relevante para fins do ITR não a produtividade em geral, mas na exploração daquele setor, enquanto as atividade desenvolvidas pelas usinas hidrelétricas estão fora de tal campo de abrangência; Em momento algum a lei do ITR se refere à exploração energética, talvez impulsionada pelo DecretoLei n°. 2.281/1940, que concedia isenção a tal atividade e perdeu sua eficácia em outubro de 1990, com o advento do novo texto constitucional, deixando ao aplicador da lei e aos operadores do direito a interpretação sistemática, que não permite incluir na hipótese de incidência do ITR aquela que não estiver ali explícita, por força do princípio da tipicidade da tributação; Não pode prevalecer a exigência de pagamento do ITR, com amparo no Parecer COSIT 15/2000, visto que esse dispositivo não alarga a hipótese de incidência estatuída em lei; Desse modo, entendo pela impossibilidade jurídica de comercialização da áreas submersas (reservatórios de Usinas Hidrelétricas) , não apresentando, por essa razão, valor de mercado aferível. Portanto, voto por NÃO CONHECER do Recurso Especial interposto pela PFN; e quanto ao da Contribuinte, conheço do recurso, para, no mérito, DAR PROVIMENTO. É como voto. (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Júnior Fl. 266DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 10675.720035/200764 Acórdão n.º 920202.139 CSRFT2 Fl. 8 15 Fl. 267DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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