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Numero do processo: 15374.967291/2009-93
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 09 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
PROCEDIMENTO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS A CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EXISTÊNCIA DE OUTROS IMPEDIMENTOS. IMPOSSIBILIDADE
Não há impedimento para que a DCTF seja retificada após o despacho decisório, desde que sejam respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010, e alterações posteriores. Necessidade de análise das restrições através do exame de documentação juntada ao processo, o que foi impossível, ante a não juntada de documentos pela interessada, sendo seu dever o ônus de provas.
INDÉBITO.COMPROVAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ.
A comprovação da certeza e liquidez dos créditos deve ocorrer pelo exame de documentação hábil e apta, cujo ônus de juntar a documentação pertinente pertence a parte que requer o reconhecimento do direito creditório.
Numero da decisão: 1301-002.103
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Eduardo Dornelas Souza - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Flavio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Milene de Araújo Macedo, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e Hélio Eduardo de Paiva Araújo
Nome do relator: JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA
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RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS A CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EXISTÊNCIA DE OUTROS IMPEDIMENTOS. IMPOSSIBILIDADE Não há impedimento para que a DCTF seja retificada após o despacho decisório, desde que sejam respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010, e alterações posteriores. Necessidade de análise das restrições através do exame de documentação juntada ao processo, o que foi impossível, ante a não juntada de documentos pela interessada, sendo seu dever o ônus de provas. INDÉBITO.COMPROVAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ. A comprovação da certeza e liquidez dos créditos deve ocorrer pelo exame de documentação hábil e apta, cujo ônus de juntar a documentação pertinente pertence a parte que requer o reconhecimento do direito creditório. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Presidente. (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 96 72 91 /2 00 9- 93 Fl. 218DF CARF MF Impresso em 23/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 23/ 08/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Flavio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Milene de Araújo Macedo, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e Hélio Eduardo de Paiva Araújo Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte acima identificado contra o acórdão 1239.616 1° Turma da DRJ/RJ1, na sessão de 18 de agosto de 2011, que, naquela oportunidade, apreciou a manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte, entendendo, por unanimidade de votos, negála, mantendo o Despacho Decisório nº 848.610.379 (fl. 6). Verificase que a Unidade da Receita Federal DERATRJ não homologou a compensação declarada, sob fundamento de que o crédito não existia, pois, embora localizado na base dados, o pagamento indevido informado fora integralmente utilizado na quitação de outros débitos do contribuinte, não remanescendo crédito disponível para compensação dos débitos informados na DComp em apreço. Em sede de manifestação de inconformidade, a contribuinte alegou que houve recolhimento indevido a titulo de IRRF, conforme pode se inferir pelas fichas da DIPJ onde constam os beneficiários das retenções, representando mero equivoco no preenchimento da DCTF. Consignese que antes do processo ter sido encaminhado para a DRJ, em vista à opção da interessada de anexar a quatro processos uma única documentação, ela foi intimada, com a finalidade de oportunizar a juntada dos referidos documentos nestes autos, conforme fls 135. Porém, após devidamente intimada, ao invés de juntar tais documentos, requereu apenas a reunião desses três processos, noticiando o crédito em discussão ainda é objeto dos processos nº 15374972.550/200906; 15374972.551/200942 e 15374 972.552/200997, conforme se vê nas fls. 137 dos autos. Em seguida, por requisição da Delegacia da Receita Federal do Rio de Janeiro, foi promovida nova diligência, desta feita, com o intuito de intimar o contribuinte a regularizar sua representação processual, sendo em seguida, após a devida intimação, regularizada. Sobreveio a decisão de primeira de instância, em que a 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro DRJ/RJ1, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação com base nos seguintes argumentos: a) que o crédito não se revestia dos requisitos do artigo 170 do CTN, vez que no momento da análise da compensação, o DARF discriminado no PER/DCOMP tinha sido utilizado para quitação de outros débitos do interessado, não restando crédito disponível para compensação; b) que desde o anocalendário de 1999, a DIPJ, tem caráter meramente informativo, e por isso as informações nela prestadas não configuram confissão de divida, sendo a DCTF o documento destinado a tal fim, e sendo confissão de divida, tem o condão de constituir, formalmente, o crédito tributário; c) que a citada DCTF não podia mais ser retificada, consignando que o foi na data de 23/10/2009, data essa posterior a sua ciência do indeferimento da decisão recorrida. Fl. 219DF CARF MF Impresso em 23/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 23/ 08/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 15374.967291/200993 Acórdão n.º 1301002.103 S1C3T1 Fl. 219 3 A decisão, restou assim, ementada: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2007 RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. Mantémse o despacho decisório, se não elididos os fatos que lhe deram causa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Credit6rio Não Reconhecido Em 25/05/2012, após o julgamento de primeira instância, mas antes que houvesse ocorrido a ciência daquela decisão, foi juntado por apensação a este processo, o processo nº 15374.976932/200909. Em 31/05/2012 a recorrente foi cientificada da decisão de primeira instância, conforme documento de fl. 172. Inconformada, em 26/06/2012, apresentou recurso voluntário (fls. 175), através de representante regularmente constituído (fls. 160). Após historiar o ocorrido, sob sua ótica, a interessada alegou o seguinte: a) que recolheu equivocadamente o valor de R$3.760.120,55, a título de IRRF sobre rendimentos de juros sobre capital próprio aos acionistas no AC 2007, onde o devido seria de R$.431.633,17, restando um crédito de R$328.487,36; b). que a DCTF teria sido retificada; juntando cópia do recibo de entrega da DIRF/2008 que; no seu entendimento, comprovaria o indébito; c) com referência a controvérsia da impossibilidade da retificação, noticia haver jurisprudência, em favor de suas alegações, do CARF, STJ e STF, em conformidade com o que estabelece os artigos 142 e 144 do CTN. É o relatório. Voto Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, Relator. Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. De acordo com o contestado Despacho Decisório, o motivo da não homologação compensação em apreço foi a inexistência do crédito compensado, baseada no fato de que o pagamento informado fora integralmente utilizado na quitação de débito devido, declarado na DCTF do período. Pelo mesmo motivo (inexistência do crédito), a Turma de Julgamento de primeiro grau manteve a decisão não homologatória da compensação, consignando ainda que após a ciência do Despacho Decisório, a DCTF não poderia ser retificada; Por sua vez, o recurso voluntário alega existir possibilidade da retificação da DCTF após o despacho decisório, noticiando que o recibo de entrega da DIRF/2008, existente nos autos, é instrumento hábil para comprovação das informações apresentadas na retificação. Fl. 220DF CARF MF Impresso em 23/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 23/ 08/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA 4 Passo então a analisar a possibilidade de retificação da DCTF após o despacho decisório. DA RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. No entender da recorrente, a retificação da DCTF poderia ser feita em qualquer fase do procedimento de compensação ou restituição, porque a jurisprudência do CARF, STJ e STF são pacíficas no sentido de reconhecer a impossibilidade de exigência de tributo com base em equívoco formal do contribuinte no preenchimento de declaração, sendo a retificação do valor da DCTF a única controvérsia existente nos autos. Analisando a legislação tributária pertinente, observase que as condições para a retificação da DCTF encontramse dispostas no artigo 9º da Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010, que, com pouquíssimas alterações, reproduz texto veiculado nas Instruções Normativas anteriores, cujos trechos relevantes seguem transcritos: Art. 9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I reduzir os débitos relativos a impostos e contribuições: a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU;ou c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. II alterar os débitos de impostos e contribuições em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. § 3º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já enviado à PGFN para inscrição em DAU ou de débito que tenha sido objeto de exame em procedimento de fiscalização, somente poderá ser efetuada pela RFB nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração e enquanto não extinto o crédito tributário. (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.177, de 25 de julho de 2011) § 4º Na hipótese do inciso II do § 2º, havendo recolhimento anterior ao início do procedimento fiscal, em valor superior ao declarado, a pessoa jurídica poderá apresentar declaração retificadora, em atendimento a intimação fiscal e nos termos desta, para sanar erro de fato, sem prejuízo das penalidades calculadas na forma do art. 7º. Fl. 221DF CARF MF Impresso em 23/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 23/ 08/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 15374.967291/200993 Acórdão n.º 1301002.103 S1C3T1 Fl. 220 5 § 5º O direito de o contribuinte pleitear a retificação da DCTF extingue se em 5 (cinco) anos contados a partir do 1º (primeiro) dia do exercício seguinte ao qual se refere a declaração. [...] (grifos não originais) De acordo com os instrumentos normativos em destaque, a Administração Tributária tem a prerrogativa de proceder, ex oficio, a retificação dos valores dos débitos informados na DCTF, como também o contribuinte possui o direito à retificação de sua declaração, prescrevendo limites. No caso em tela, a interessada apresentou DCTF retificadora na data de 23/10/2009 (fls 165), data essa posterior a sua ciência do indeferimento da decisão recorrida. De acordo com a Instrução Normativa acima, não há impedimento para que a DCTF seja retificada após o pedido apresentado na declaração original, inclusive, após o despacho decisório, desde que sejam respeitadas restrições descritas pela IN RFB nº 1.110, de 2010, e alterações posteriores. Porém, para a análise destas restrições, é de extrema necessidade o exame de documentos e informações, principalmente as existentes nos autos. Da análise dos documentos carreados pelas partes, atesto a impossibilidade de verificar ter ocorrido ou não algumas das restrições descritas na referida instrução normativa, pois nem mesmo há nos autos a íntegra da DCTF original e retificadora, havendo apenas cópia do recibo de entrega da DCTF retificadora (fl.165). Assim, ante a ausência de documentação hábil e apta para corroborar co o direito alegado pela interessada, rejeito seu pleito. DA COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO COMPENSADO. No âmbito do procedimento espontâneo de compensação, por força do disposto art. 170 do CTN, o declarante tem o ônus de provar que o crédito utilizado atende os requisitos da certeza e liquidez e que, na data da entrega da referida Declaração, era passível de restituição ou ressarcimento, nos termos do caput do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Nesse sentido, quando originário de pagamento de tributo indevido ou maior que o devido, além do cumprimento dos requisitos formais determinados na legislação específica, o contribuinte deve comprovar, com documentação adequada, que o alegado indébito é decorrente de alguma das causas especificadas no incisos I a III do art. 165 do CTN. No caso em tela, o crédito utilizado pela recorrente teve origem no suposto pagamento indevido ou a maior, a título de IRRF sobre rendimentos de juros sobre capital próprio aos acionistas no ano calendário de 2007. Segundo o contribuinte, o recibo de entrega da DIRF/2008 e as respectivas folhas que constam os beneficiários das retenções seriam hábeis para comprovar as informações apresentadas na retificadora, porém não fez juntada destes documentos, muito menos de quaisquer outros. Aliás, não há nos autos, nem mesmo, cópia integral da DCTF retificadora e a original, como antes mencionado. Conforme relatado anteriormente, o contribuinte teve oportunidade de juntar os documentos que sustentam suas alegações, a meu ver, excepcionalmente, quando foi Fl. 222DF CARF MF Impresso em 23/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 23/ 08/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA 6 intimado antes do julgamento pela DRJ para apresentar documentos mencionados em sua impugnação (fls. 135), porém, ao invés de juntálos, requereu apenas a reunião desses autos com outros três processos (fls. 137). Dessa forma, a falta de apresentação das respectivas documentações, inviabiliza a comprovação da origem do referido indébito, devendo ser rejeitado seu pleito. DA CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso voluntário, para reconhecer a ilegitimidade do procedimento compensatório informado na DComp de fls. (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Fl. 223DF CARF MF Impresso em 23/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 23/ 08/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA
score : 1.0
Numero do processo: 10480.733756/2014-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Aug 29 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2013
DESPESA COM PENSÃO ALIMENTÍCIA. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DE PAGAMENTO E DE DECISÃO JUDICIAL OU ACORDO HOMOLOGADO JUDICIALMENTE. PAGAMENTO POR MERA LIBERALIDADE. INDEDUTIBILIDADE.
A dedução de despesas com pensão alimentícia requer, além da efetiva comprovação do pagamento, a prova de que o ônus tenha sido suportado pelo contribuinte por força de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente.
O pagamento de pensão alimentícia, por mera liberalidade, não está sujeito à dedução da base de cálculo do imposto de renda. Inteligência do enunciado da Súmula CARF nº 98.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-005.457
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negar-lhe provimento.
(Assinado Digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo - Presidente
(Assinado Digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild, João Victor Ribeiro Aldinucci, Ronnie Soares Anderson, Theodoro Vicente Agostinho, Túlio Teotônio de Melo Pereira e Amilcar Barca Teixeira Júnior.
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2013 DESPESA COM PENSÃO ALIMENTÍCIA. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DE PAGAMENTO E DE DECISÃO JUDICIAL OU ACORDO HOMOLOGADO JUDICIALMENTE. PAGAMENTO POR MERA LIBERALIDADE. INDEDUTIBILIDADE. A dedução de despesas com pensão alimentícia requer, além da efetiva comprovação do pagamento, a prova de que o ônus tenha sido suportado pelo contribuinte por força de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. O pagamento de pensão alimentícia, por mera liberalidade, não está sujeito à dedução da base de cálculo do imposto de renda. Inteligência do enunciado da Súmula CARF nº 98. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negar-lhe provimento. (Assinado Digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo - Presidente (Assinado Digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild, João Victor Ribeiro Aldinucci, Ronnie Soares Anderson, Theodoro Vicente Agostinho, Túlio Teotônio de Melo Pereira e Amilcar Barca Teixeira Júnior.
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NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DE PAGAMENTO E DE DECISÃO JUDICIAL OU ACORDO HOMOLOGADO JUDICIALMENTE. PAGAMENTO POR MERA LIBERALIDADE. INDEDUTIBILIDADE. A dedução de despesas com pensão alimentícia requer, além da efetiva comprovação do pagamento, a prova de que o ônus tenha sido suportado pelo contribuinte por força de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. O pagamento de pensão alimentícia, por mera liberalidade, não está sujeito à dedução da base de cálculo do imposto de renda. Inteligência do enunciado da Súmula CARF nº 98. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 73 37 56 /2 01 4- 41 Fl. 81DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 25 /08/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 26/08/2016 por KLEBER FERREIRA D E ARAUJO 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negarlhe provimento. (Assinado Digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Presidente (Assinado Digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild, João Victor Ribeiro Aldinucci, Ronnie Soares Anderson, Theodoro Vicente Agostinho, Túlio Teotônio de Melo Pereira e Amilcar Barca Teixeira Júnior. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 25 /08/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 26/08/2016 por KLEBER FERREIRA D E ARAUJO Processo nº 10480.733756/201441 Acórdão n.º 2402005.457 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte – DRJ/BHE, que julgou procedente Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), relativa ao ano calendário 2012 / exercício 2013, apurando imposto suplementar R$ 2.933,11 (dois mil, novecentos e trinta e três reais e onze centavos). O crédito foi constituído em razão da glosa de despesas indevidamente deduzidas, no valor de R$ 58.158,72 (cinquenta e oito mil, cento e cinquenta e oito reais e setenta e dois centavos), dos quais o contribuinte concordou com R$ 1.974,72 (um mil, novecentos e setenta e quatro reais e setenta e dois centavos), relativos a dedução indevida com dependente. Os R$ 56.184,00 (cinquenta e seis mil, cento e oitenta e quatro reais), ainda em discussão, referemse a glosas de despesas a título de pensão alimentícia, por falta de comprovação ou por falta de previsão legal para sua dedução. O contribuinte contestou o lançamento por meio da impugnação de fls. 2/27, cujas alegações se reproduz do Acórdão 0267.804 da 9ª Turma da DRJ/BHE: destaca que antes da Notificação de Lançamento recebeu e atendeu ao termo de intimação bem como entregou 8 documentos solicitados; a notificação é improcedente, pois é legítima a dedução informada a título de pensão alimentícia; foi celebrado acordo judicial de divórcio consensual com Hélia Maria Torres de Queiroz, conforme processo judicial 226.2001.0047125, que tramitou na Comarca de Olinda/PE, ficando estabelecida pensão alimentícia mensal no valor de R$3.000,00 em 09/10/2001, com previsão de reajuste anual pela variação do INPC/IBGE, com pagamento por meio de depósito na conta corrente 2609507, agência 7310 do Unibanco; assim foi feito inicialmente. Posteriormente, de comum acordo, ao longo do tempo, ocorreram alterações quanto à aplicação do índice de reajuste e à forma de pagamento, que passou a ser efetuado por meio de cheque nominal à beneficiária, a pedido desta; a beneficiária da pensão alimentícia apresentou DAA relativa ao ajuste foi informado o valor da pensão alimentícia paga a ela, o que “corrobora a eliminação da causa que deu origem à Notificação ora impugnada”; assim, fica demonstrada a descaracterização da fundamentação legal e que serviu de suporte para o lançamento de imposto suplementar; Fl. 83DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 25 /08/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 26/08/2016 por KLEBER FERREIRA D E ARAUJO 4 ante o exposto, requer seja julgada improcedente a presente Notificação de Lançamento, inclusive no tocante aos juros e multa, e que o procedimento que deu origem a esse lançamento seja arquivado. A DRJ/BHE julgou a impugnação improcedente (Acórdão de Impugnação de fls. 51/55), por entender que o contribuinte não demonstrou, mediante documentos hábeis, a obrigatoriedade do pagamento de pensão alimentícia, em cumprimento de decisão judicial, acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública de separação ou divórcio consensual. Por ocasião do recurso voluntário o Recorrente detevese a repetir os argumentos apresentados na impugnação e exibiu o documento de fls. 74 e 75/78, os quais serviriam para demonstrar a celebração de acordo judicial de divórcio consensual e o estabelecimento da pensão alimentícia de R$ 3.000,00 (três mil reais), reajustáveis pelo INPC/IBGE. É o relatório. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 25 /08/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 26/08/2016 por KLEBER FERREIRA D E ARAUJO Processo nº 10480.733756/201441 Acórdão n.º 2402005.457 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho, Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto, dele conheço. No que se refere à possibilidade de dedução de valores pagos a título de pensão alimentícia da base de cálculo do IRPF, o inciso II do art. 4º da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, dispõe: Art. 4º. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto de renda poderão ser deduzidas: [...] II – as importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; [...] Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: f) às importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; (Grifei) O Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, Regulamento do Imposto de Renda – RIR, regulamenta a hipótese de dedução dos valores pagos a título de pensão alimentícia, nos seguintes termos: Art. 78. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida a importância paga a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais (Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso II). § 1º A partir do mês em que se iniciar esse pagamento é vedada a dedução, relativa ao mesmo beneficiário, do valor correspondente a dependente. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 25 /08/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 26/08/2016 por KLEBER FERREIRA D E ARAUJO 6 § 2º O valor da pensão alimentícia não utilizado, como dedução, no próprio mês de seu pagamento, poderá ser deduzido nos meses subseqüentes. § 3º Caberá ao prestador da pensão fornecer o comprovante do pagamento à fonte pagadora, quando esta não for responsável pelo respectivo desconto. § 4º Não são dedutíveis da base de cálculo mensal as importâncias pagas a título de despesas médicas e de educação dos alimentandos, quando realizadas pelo alimentante em virtude de cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 3º). § 5º As despesas referidas no parágrafo anterior poderão ser deduzidas pelo alimentante na determinação da base de cálculo do imposto de renda na declaração anual, a título de despesa médica (art. 80) ou despesa com educação (art. 81) (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 3º). (Grifei) O caput e os §§ 1º e 2º do art. 73 do RIR, nos termos dos §§ 3º a 5º do DecretoLei nº 5.844, de 1943, estabelecem a necessidade de comprovação das despesas deduzidas da base de cálculo do IRPF e a possibilidade de glosa de deduções indevidas: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). § 2º As deduções glosadas por falta de comprovação ou justificação não poderão ser restabelecidas depois que o ato se tornar irrecorrível na esfera administrativa (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 5º). De acordo com as disposições normativas reproduzidas acima, as deduções de despesas a título de pensão alimentícia na Declaração de Ajuste Anual do IRPF devem obedecer cumulativamente aos seguintes requisitos: i) a comprovação do efetivo pagamento aos alimentados; e ii) que esses pagamentos decorram do cumprimento de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública de separação ou divórcio consensual. Ainda de acordo com os normativos cotejados, a autoridade administrativa pode, a seu juízo, exigir a comprovação ou justificação das despesas objeto de dedução com o fim de verificar sua efetiva ocorrência e o atendimento dos requisitos prescritos em lei e, caso o pagamento dessas despesas não restem comprovados ou verifiquemse ausentes outras condições legalmente estabelecidas, as deduções serão glosadas por meio do lançamento respectivo. Por considerar que os requisitos previstos na Lei nº 9.250/95 para a dedução da pensão alimentícia não foram observados, a DRJ/BHE resolveu por considerar a impugnação improcedente e por manter do crédito tributário exigido. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 25 /08/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 26/08/2016 por KLEBER FERREIRA D E ARAUJO Processo nº 10480.733756/201441 Acórdão n.º 2402005.457 S2C4T2 Fl. 5 7 O Recorrente, por sua vez, informa ter celebrado acordo judicial de divórcio consensual com Hélia Maria Torres de Queiroz, ficando estabelecida pensão alimentícia mensal no valor de R$3.000,00 em 9/10/2001, com previsão de reajuste anual pela variação do INPC/IBGE, com pagamento por meio de depósito na conta corrente. Alega que, de comum acordo, ao longo do tempo, ocorreram alterações quanto à aplicação do índice de reajuste e à forma de pagamento, que passou a ser efetuado por meio de cheque nominal à beneficiária, a pedido dela. Apresenta ainda planilhas com relação dos supostos cheques repassados a Hélia Maria Torres (fl. 19), bem como solicitações de cópias dos referidos cheques junto à Caixa e ao Itaú Unibanco (fls. 20/21). Assegura que a Declaração de Ajuste Anual (fls. 22/27) apresentada Hélia Maria Torres, ao informar o valor da pensão por ela recebida, afastaria a causa que deu origem à notificação de lançamento e descaracterizaria a fundamentação legal que serviu de suporte para o lançamento do imposto complementar. De início, convém destacar que embora o contribuinte afirme ter celebrado acordo judicial de divórcio por meio do qual teria ficado estabelecido pagamento de pensão a sua exesposa, não há nos autos qualquer documento apto a comprovar essa asserção. Os únicos documentos exibidos para esse fim foram registro de averbação de divórcio consensual (fls. 16/17), Certidão de Divórcio Consensual e, já na fase de recurso voluntário, cópia de petição (fls. 75/78), datada de 9/10/2001, apresentada à Justiça de Pernambuco, referente a divórcio consensual entre o contribuinte e Hélia Maria Torres, da qual constam tratativas (Cláusula “4. PENSÃO ALIMENTÍCIA”) acerca do pagamento de pensão alimentícia aos dois filhos e à exesposa, perfazendo o montante de R$ 3000,00 (três mil reais) mensais. Ocorre que nenhum desses documentos constitui prova da existência de sentença ou acordo homologado pela justiça para o pagamento de pensão. Por outro lado, as planilhas com a relação dos supostos cheques repassados a Hélia Maria Torres, bem como solicitações de cópias dos referidos cheques junto à Caixa e ao Itaú Unibanco não se prestam sequer a comprovar que houve qualquer pagamento a título de pensão à beneficiária, o que constitui fator impeditivo adicional à sua dedução da base de cálculo do IRPF. Ademais, a Declaração de Ajuste Anual apresentada pela excônjuge do sujeito passivo, por si só, também não é documento hábil a comprovar que esse lhe tenha pago pensão alimentícia e, mesmo que o fosse, de acordo com o que já se demonstrou alhures, não há nos autos qualquer elemento probatório apto a atestar que a alegada pensão tenha sido homologada pelo Poder Judiciário como exige a lei, ou seja, mesmo que houvesse efetiva comprovação de pagamento, esse teria sido feito por mera liberalidade, o que não geraria o direito à sua dedução da base de cálculo do IRPF. Nesse sentido, a Súmula CARF nº 98, de observância obrigatória por este colegiado, dispõe: Súmula CARF nº 98: A dedução de pensão alimentícia da base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Física é permitida, em face das normas do Direito de Família, quando comprovado o seu efetivo pagamento e a obrigação decorra de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente, bem como, a partir de 28 de março de 2008, de escritura pública que especifique o valor da obrigação ou discrimine os deveres em prol do beneficiário. Fl. 87DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 25 /08/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 26/08/2016 por KLEBER FERREIRA D E ARAUJO 8 Quanto à cobrança da multa de ofício e dos juros de mora, que o contribuinte pede que sejam afastados, cumpre mencionar que sua exigência decorre previsão legal, contida nos arts. 44, inciso I e § 3º e art. 61, § 3º, ambos da Lei nº 9.430, 27 de dezembro de 1996. Dessa modo, uma vez mantido o lançamento são devidos os juros de mora e multa de ofício dele decorrentes, eis que não qualquer evidência de que autoridade autuante lhes tenham aplicado em desconformidade com a legislação de regência. Assim, por falta de apresentação de documentos aptos a comprovar o efetivo pagamento da pensão e ainda por não terem sido exibidos elementos de prova que pudessem atestar que a alegada pensão tenha sido homologada pelo Poder Judiciário, entendo que se deva manter a glosa e o lançamento respectivo, assim como os juros de mora e a multa de ofício dele decorrentes. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto no sentido de CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto. (Assinado Digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho. Fl. 88DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 25 /08/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 26/08/2016 por KLEBER FERREIRA D E ARAUJO
score : 1.0
Numero do processo: 10166.724097/2014-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Aug 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2010, 2011
PAGAMENTO SEM CAUSA. OPERAÇÕES NÃO COMPROVADAS. PESSOA JURÍDICA OPTANTE PELO LUCRO PRESUMIDO.
Estão sujeitos à incidência do imposto sobre a renda exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, os pagamentos efetuados ou os recursos entregues pela pessoa jurídica a terceiros quando não comprovada a operação ou a causa a que se referem.
Esse regime jurídico, com fulcro no art. 61 da Lei nº 8.981, de 1995, independe da forma de apuração do imposto sobre a renda da pessoa jurídica, se pelo lucro real, presumido ou arbitrado.
PAGAMENTO SEM CAUSA. SUJEITO PASSIVO. FONTE PAGADORA. COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
Na hipótese de incidência do imposto sobre a renda exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, o sujeito passivo é a fonte pagadora, na condição de responsável tributário, por substituição, descabendo cogitar-se de compensação desse imposto quando da apuração do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) devido no período.
JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA REFERENCIAL DO SISTEMA DE LIQUIDAÇÃO E CUSTÓDIA (SELIC). INCIDÊNCIA.
Incidem juros de mora à taxa Selic sobre a multa de ofício não recolhida no prazo legal.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2401-004.408
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para, no mérito, por maioria, negar-lhe provimento. Vencidos os Conselheiros Wilson Antônio de Souza Corrêa, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira, que exoneravam do lançamento a aplicação dos juros sobre a multa de oficio e o montante dos recursos comprovados com recibos de entrada e saída na contabilidade da empresa.
Maria Cleci Coti Martins - Presidente Substituta
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Cleci Coti Martins, Arlindo da Costa e Silva, Wilson Antônio de Souza Correa, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Theodoro Vicente Agostinho e Miriam Denise Xavier Lazarini.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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anomes_sessao_s : 201606
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 2010, 2011 PAGAMENTO SEM CAUSA. OPERAÇÕES NÃO COMPROVADAS. PESSOA JURÍDICA OPTANTE PELO LUCRO PRESUMIDO. Estão sujeitos à incidência do imposto sobre a renda exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, os pagamentos efetuados ou os recursos entregues pela pessoa jurídica a terceiros quando não comprovada a operação ou a causa a que se referem. Esse regime jurídico, com fulcro no art. 61 da Lei nº 8.981, de 1995, independe da forma de apuração do imposto sobre a renda da pessoa jurídica, se pelo lucro real, presumido ou arbitrado. PAGAMENTO SEM CAUSA. SUJEITO PASSIVO. FONTE PAGADORA. COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Na hipótese de incidência do imposto sobre a renda exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, o sujeito passivo é a fonte pagadora, na condição de responsável tributário, por substituição, descabendo cogitar-se de compensação desse imposto quando da apuração do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) devido no período. JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA REFERENCIAL DO SISTEMA DE LIQUIDAÇÃO E CUSTÓDIA (SELIC). INCIDÊNCIA. Incidem juros de mora à taxa Selic sobre a multa de ofício não recolhida no prazo legal. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para, no mérito, por maioria, negar-lhe provimento. Vencidos os Conselheiros Wilson Antônio de Souza Corrêa, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira, que exoneravam do lançamento a aplicação dos juros sobre a multa de oficio e o montante dos recursos comprovados com recibos de entrada e saída na contabilidade da empresa. Maria Cleci Coti Martins - Presidente Substituta Cleberson Alex Friess - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Cleci Coti Martins, Arlindo da Costa e Silva, Wilson Antônio de Souza Correa, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Theodoro Vicente Agostinho e Miriam Denise Xavier Lazarini.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2217; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 1.310 1 1.309 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10166.724097/201414 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401004.408 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 15 de junho de 2016 Matéria IRRF: PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO E/OU PAGAMENTO SEM CAUSA Recorrente AFINIDADE CONSULTORIA E BENEFICIOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2010, 2011 PAGAMENTO SEM CAUSA. OPERAÇÕES NÃO COMPROVADAS. PESSOA JURÍDICA OPTANTE PELO LUCRO PRESUMIDO. Estão sujeitos à incidência do imposto sobre a renda exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, os pagamentos efetuados ou os recursos entregues pela pessoa jurídica a terceiros quando não comprovada a operação ou a causa a que se referem. Esse regime jurídico, com fulcro no art. 61 da Lei nº 8.981, de 1995, independe da forma de apuração do imposto sobre a renda da pessoa jurídica, se pelo lucro real, presumido ou arbitrado. PAGAMENTO SEM CAUSA. SUJEITO PASSIVO. FONTE PAGADORA. COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Na hipótese de incidência do imposto sobre a renda exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, o sujeito passivo é a fonte pagadora, na condição de responsável tributário, por substituição, descabendo cogitarse de compensação desse imposto quando da apuração do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) devido no período. JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA REFERENCIAL DO SISTEMA DE LIQUIDAÇÃO E CUSTÓDIA (SELIC). INCIDÊNCIA. Incidem juros de mora à taxa Selic sobre a multa de ofício não recolhida no prazo legal. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 40 97 /2 01 4- 14 Fl. 1310DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 01/08/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 01/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 10166.724097/201414 Acórdão n.º 2401004.408 S2C4T1 Fl. 1.311 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para, no mérito, por maioria, negarlhe provimento. Vencidos os Conselheiros Wilson Antônio de Souza Corrêa, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira, que exoneravam do lançamento a aplicação dos juros sobre a multa de oficio e o montante dos recursos comprovados com recibos de entrada e saída na contabilidade da empresa. Maria Cleci Coti Martins Presidente Substituta Cleberson Alex Friess Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Cleci Coti Martins, Arlindo da Costa e Silva, Wilson Antônio de Souza Correa, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Theodoro Vicente Agostinho e Miriam Denise Xavier Lazarini. Fl. 1311DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 01/08/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 01/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 10166.724097/201414 Acórdão n.º 2401004.408 S2C4T1 Fl. 1.312 3 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face da decisão da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (DRJ/BHE), cujo dispositivo tratou de considerar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Transcrevo a ementa do Acórdão nº 0262.222 (fls. 1.188/1.204): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2010, 2011 PAGAMENTO SEM CAUSA OU SEM OPERAÇÃO COMPROVADA Sujeitase à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ou quando não for comprovada a sua causa ou a operação a que se refere. Impugnação Improcedente 2. Extraise do Termo de Verificação Fiscal, às fls. 870/902, que a autuação fiscal é composta do crédito tributário relativo a Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (IRRF), no período de 2010 a 2011, à alíquota de 35% (trinta e cinco por cento) sobre base de cálculo reajustada, com fundamento no art. 61 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, acrescido de juros de mora e da multa de ofício (Auto de Infração, às fls. 850/869). 2.1 Segundo a autoridade lançadora, o fiscalizado realizou pagamentos, que alegou trataremse de transferências de recursos a terceiros em forma de mútuos ou empréstimos entre empresas do mesmo grupo, conforme escrituração contábil e resumidos no quadro às fls. 896/891, entretanto não logrou êxito em comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a efetiva realização dessas operações, ou seja, a causa e os respectivos beneficiários desse desembolso de recursos. 3. As disposições contidas no art. 61 da Lei nº 8.981, de 1995, estão reproduzidas no art. 674 do Regulamento do Imposto sobre a Renda, veiculado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99). 4. A pessoa jurídica autuada foi cientificada da autuação em 31/7/2014, conforme fls. 904, e impugnou a exigência fiscal (fls. 928/945). 5. Intimada por via postal da decisão do colegiado de primeira instância em 26/1/2015, às fls. 1.215/1.223, a pessoa jurídica apresentou recurso voluntário no dia 25/2/2015 (fls. 1.226/1.245). Fl. 1312DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 01/08/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 01/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 10166.724097/201414 Acórdão n.º 2401004.408 S2C4T1 Fl. 1.313 4 5.1 Em breve resumo, enumero os argumentos de fato e direito aduzidos pela recorrente aplicáveis à controvérsia: i) impropriedade jurídica do art. 674 do RIR/99, embora a recorrente tenha conhecimento de que os argumentos nessa linha de defesa não se prestam a afastar a vigência e a validade do dispositivo pelo julgador administrativo; ii) estão demonstrados nos autos, mediante prova documental, as causas e os motivos das operações que geraram os pagamentos indevidamente tributados, juntandose, inclusive, o "Relatório dos Auditores Independentes sobre as Análises das Contas de Caixa e Mútuos", produzido por auditores devidamente habilitados; iii) a fiscalização desconsiderou com elemento de prova os retornos devidamente contabilizados, que representam lançamentos a crédito os quais contabilizam o recebimento da "volta" dos recursos financeiros que saíram da pessoa jurídica; iv) desqualificada a operação de mútuo, a receita ou rendimento tributável do recebedor do numerário deverá ser tributada na forma ordinária, e não extraordinária pelo art. 674 do RIR/99; v) impossibilidade de aplicação do art. 674, § 1º, do RIR/99, no contexto do lucro presumido; vi) erro na identificação da sujeição passiva; vii) admitida a tributação na forma do art. 674 do RIR/99, deverá ser permitido o crédito relativo ao imposto retido na fonte para apuração do imposto sobre a renda devido pela fiscalizada no período; e viii) não incidência de juros sobre a multa de ofício. 6 . Por derradeiro, anoto que vieram os autos sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional. É o relatório. Fl. 1313DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 01/08/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 01/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 10166.724097/201414 Acórdão n.º 2401004.408 S2C4T1 Fl. 1.314 5 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess, Relator Juízo de admissibilidade 7. Uma vez realizado o juízo de validade do procedimento, verifico que estão satisfeitos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário e, por conseguinte, deles tomo conhecimento. Mérito a) Recursos entregues a terceiros, sem comprovação da operação ou da sua causa 8. A tributação de valores imputados como pagamentos a terceiros, sem comprovação da motivação e dos respectivos beneficiários das saídas de recursos, está estipulada no art. 61 da Lei nº 8.981, de 1995, abaixo transcrito, que foi reproduzido no art. 674 do RIR/99: Art. 61. Fica sujeito à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. § 1º A incidência prevista no caput aplicasse, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, bem como à hipótese de que trata o § 2º, do art. 74 da Lei nº 8.383, de 1991. § 2º Considerase vencido o Imposto de Renda na fonte no dia do pagamento da referida importância. § 3º O rendimento de que trata este artigo será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto. 9. A exigência fiscal, às fls. 850/869, está escorada em lançamentos contábeis identificados pelo agente fiscal nas contas 1102010011 Equilibrar Corretora Seguros e 1102010007 Élcio Elerson Moraes, para os quais não foi comprovada, mediante documentação hábil e idônea, tal como extratos bancários e/ou outros documentos fiscais, a existência das operações de mútuo ou empréstimos alegadas pela fiscalizada. 9.1 Vale dizer, não foi comprovada a saída de recursos para a pessoa física ou jurídica beneficiária e, posteriormente, o retorno desse numerário para a fiscalizada, quitando a obrigação decorrente. Fl. 1314DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 01/08/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 01/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 10166.724097/201414 Acórdão n.º 2401004.408 S2C4T1 Fl. 1.315 6 9.2 Ressalta ainda a autoridade lançadora que o Sr. Élcio Elerson Moraes é sócio da fiscalizada, enquanto a pessoa jurídica Equilibrar Corretora Seguros pertence ao mesmo grupo empresarial. 10. Em sua defesa, a recorrente colaciona um relatório elaborado por auditores independentes, que atesta que a conta "caixa", além do uso para a sua finalidade normal, também centralizava os valores e a distribuição dos mútuos recebidos. Tal conclusão foi amparada no resultado da conciliação das contas "caixa" e "empréstimos de mútuos" relativa aos exercícios 2010 e 2011 (fls. 1.259/1.260). 10.1 Afirma tal relatório que os contratos de mútuos significavam uma prática usual entre as empresas do grupo, de maneira que os pagamentos de contas eram efetuados pela empresa que dispunha de saldo financeiro no dia, independentemente da obrigação lhe pertencer ou não, seguindose à confecção do respectivo instrumento contratual para justificar a operação contábil. 10.2. Em que pese a auditoria fiscal ter ignorado a devolução de créditos referentes aos contratos de mútuos, apresenta um quadro com as origens dos recursos auferidos pela empresa fiscalizada nos anos de 2010 e 2011, demonstrando que houve a devolução dos respectivos recursos (fls. 1.261/1.268). 11. Pois bem. Depreendese dos autos que a fiscalização identificou operações de empréstimos e mútuos registradas na contabilidade da recorrente e solicitou a comprovação da sua realização e dos correlatos pagamentos, conforme relação discriminada nos Anexos I e II ao Termo de Intimação Fiscal nº 6, de 13/3/2014 (fls. 216/233). 11.1 Nesse documento, estão indicados 294 (duzentos e noventa e quatro) lançamentos contábeis relacionados à conta 1102010011 Equilibrar Corretora Seguros e outros 129 (cento de vinte nove) registros vinculados à conta 1102010007 Élcio Elerson Moraes. 11.2 Observase, contudo, que alguns referemse à saída de recursos da empresa Afinidade Consultoria e Benefícios Ltda, quando lançados a débito da respectiva conta contábil, em contrapartida à conta caixa ou bancos, a exemplo dos itens 1, 2, 6 e 8 do quadro de fls. 219. 11.3 Relativamente às demais operações contábeis, dizem respeito à entrada de recursos para a pessoa jurídica Afinidade Consultoria e Benefícios Ltda, mediante débito na conta caixa ou bancos, em contrapartida a crédito na conta contábil da pessoa que lhe entregou os recursos. A título exemplificativo, os itens 3, 4, 5 e 7 do quadro de fls. 219. 12. De posse dos contratos particulares de mútuo, disponibilizados pela recorrente à fiscalização, os quais estão acostados às fls. 253/840, e na ausência de outros documentos hábeis e idôneos, a autoridade lançadora não acatou exclusivamente a comprovação das operações vinculadas às saídas de recursos da empresa, motivo que respaldou o lançamento fiscal. 12.1 Em outras palavras, compõe a autuação fiscal tão somente os recursos contabilizados entregues a terceiros para os quais não foi comprovada a operação ou a sua causa, não fazendo parte do crédito tributário lançado os recursos recebidos pela pessoa jurídica decorrentes de mútuo ou empréstimo a ela concedido. Fl. 1315DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 01/08/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 01/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 10166.724097/201414 Acórdão n.º 2401004.408 S2C4T1 Fl. 1.316 7 13. É que conforme quadro do Termo de Verificação Fiscal, às fls. 896/901, constitui base de cálculo da exigência fiscal apenas os itens dos Anexos I e II ao Termo de Intimação Fiscal nº 6 que guardam relação com a saída de recursos da empresa, comprovada por lançamento a crédito na conta caixa ou bancos. 13.1 Por exemplo, o item 1, às fls. 896, que correspondente ao item 1 do quadro às fls. 875, representa uma saída de recursos do patrimônio da recorrente no dia 5/1/2010, no valor de R$ 65.000,00, formalizado, segundo a fiscalizada, por intermédio de um contrato particular de mútuo em que a Afinidade Consultoria e Benefícios Ltda, CNPJ 08.488.216/000150, é parte como mutuante, ao passo que a pessoa jurídica Equilibrar Corretora de Seguros Ltda, CNPJ 08.568.566/000126, compõe o outro polo da relação jurídica na qualidade de mutuária (contrato de mútuo às fls. 253/255). 14. Por outro lado, não estão sendo exigidos quaisquer valores que foram contabilizados como entrada de recursos à empresa autuada, oriundos de mútuos ou empréstimos concedidos pelas pessoas jurídicas vinculadas ao mesmo grupo econômico ou pelo sócio Sr. Élcio Elerson Moraes. 14.1 Exemplifico essa situação com o montante vinculado ao item 3 do Anexo I do Termo de Intimação (fls. 875), no valor de R$ 87.000,00, o qual não faz parte do quadro às fls. 896. 14.2 A quantia diz respeito a uma entrada de recursos na conta mantida pela empresa autuada no Banco Brasileiro de Descontos S/A (Bradesco), em 6/1/2010, mediante contrato de mútuo no qual a Equilibrar Corretora de Seguros Ltda, CNPJ 08.568.566/000126, figura como a mutuante, enquanto a Afinidade Consultoria e Benefícios Ltda, CNPJ 08.488.216/000150, ora recorrente, é parte desse ajuste agora na condição de mutuária dos recursos (contrato de mútuo às fls. 256/258). 15. Uma vez delimitada a controvérsia, verifico que toda a prova carreada aos autos pela recorrente com a pretensão de desqualificar o lançamento fiscal está relacionada a uma suposta quitação parcial dos contratos de mútuo e empréstimo assinados entre as partes, sem demonstrar, todavia, uma correlação imediata com os valores de saída de recursos da pessoa jurídica autuada. 16. A defesa sustentase nos dados da planilha de fls. 958/966, anexada novamente às fls. 1.261/1.268, recibos de pagamento de fls. 967/1.50 e extratos bancários de fls. 1.151/1.103. 16.1 No entanto, tais elementos não são convincentes quando avaliados o conjunto probatório como um todo, e não comprovam os retornos dos mútuos cuja efetividade das operações foram postas sob suspeita pela fiscalização. Mais especificamente, não há demonstração da efetividade da movimentação do numerário. 17. Para o fim de contrapor os argumentos levantados pela recorrente no contencioso administrativo, tomo a liberdade de voltar ao exemplo do lançamento contábil no valor de R$ 87.000,00, alhures referido, porquanto ilustra com perfeição a situação identificada quanto às provas apresentadas pela pessoa jurídica. Fl. 1316DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 01/08/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 01/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 10166.724097/201414 Acórdão n.º 2401004.408 S2C4T1 Fl. 1.317 8 17.1 A título de devolução de valores, a recorrente indica o crédito da respectiva quantia (R$ 87.000,00) em sua conta corrente no Banco Bradesco em 6/1/2010, por meio de transferência entre contas bancárias por parte da empresa Equilibrar Corretora de Seguros (fls. 1.155 e 1.261). Lembro que esse montante está associado ao item 3 da planilha anexa à Intimação Fiscal nº 6. 17.2 Nesse caso, colaciona aos autos o recibo de quitação de pagamento às fls. 967. Eis seu texto: RECIBO R$ 87.000,00 Recebemos de EQUILIBRAR CORRETORA DE SEGUROS LTDA, empresa de direito privado, inscrita no CNPJ 08.568.566/000126, a importância supra de R$ 87.000,00 (OITENTA E SETE MIL REAIS), referente à quitação parcial, do Contrato de Mútuo assinado entre as partes, conforme transferência bancária. Brasília, 06/01/2010 ELCIO ELERSON MORAES AFINIDADE CONSULTORIA E BENEFÍCIOS LTDA 08.488.216/000150 17.3 Ocorre que a quantia de R$ 87.000,00, conforme já exposto, está relacionada ao item 3 da planilha fiscal e vinculada a um contrato de mútuo datado de 6/1/2010, acostado às fls. 256/258, no qual a pessoa jurídica Equilibrar Corretora de Seguros Ltda figura como mutuante, e não na condição de devedora do mútuo, como aparece consignado no recibo de quitação acima copiado. 17.4 Logo, é evidente a contradição, pois o contrato de mútuo (fls. 256/258) e o recibo de quitação (fls 967) apresentados pelo sujeito passivo são papeis despidos de congruência. 17.5 Não é possível que, de um lado, o valor de R$ 87.000,00 possa equivaler ao pagamento de uma dívida de empréstimo concedido pela recorrente, formalizada por contrato de mútuo, quando, mediante outro documento colacionado aos autos pela própria recorrente, a mesma importância de R$ 87.000,00 representa uma quantia deixada à sua disposição por Equilibrar Corretora de Seguros Ltda, a título de empréstimo, consoante instrumento particular às fls. 256/258. 18. Como bem assinalado pela decisão de piso, ao tratarse de alegações de operações ocorridas entre pessoas vinculadas, a comprovação dos mútuos e empréstimos demanda a exibição de um conjunto probatório robusto e apto a demonstrar os fatos que invoca a parte como fundamento à sua pretensão. 18.1 As mesmas pessoas que subscrevem os contratos particulares na condição de mutuante também o fazem na condição de mutuário. O mesmo se diga da assinatura nos recibos de quitação. Fl. 1317DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 01/08/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 01/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 10166.724097/201414 Acórdão n.º 2401004.408 S2C4T1 Fl. 1.318 9 18.2 Dado que são documentos particulares gerados no âmbito interno do grupo de empresas, os contratos e recibos são dotados de força probante reduzida, ainda mais quando aparentemente conflitantes entre si, devendo as alegações da recorrente encontrarem respaldo em indícios sérios e convergentes dos fatos que aponta a seu favor, sob pena da sua não aceitação. 19. Ressalto também que a contabilidade tem sua força probatória desde que devidamente respaldada por documentação hábil e idônea que lhe suporte a veracidade, o que não se verifica no caso sob análise. 20. Diante de tais razões, sintome confortável em manter o lançamento fiscal realizado, visto que a autuada não se desincumbiu do ônus probatório relativo às saídas de recursos, elencadas pela fiscalização às fls. 896/901, deixando assim de comprovar as operações e as causas dos pagamentos entregues a terceiros, nem mesmo os seus beneficiários estão indiscutivelmente identificados. 20.1 Vale dizer, os elementos de prova trazidos aos autos pela recorrente, diferentemente do alegado em defesa, não comprovam a vinculação com recursos financeiros contabilizados como saídas da pessoa jurídica fiscalizada, ou seja, não demonstram devolução de mútuos e/ou empréstimos os quais foram utilizados pela fiscalização como base de cálculo do imposto sobre a renda lançado de ofício. 21. A conduta que impeça a identificação da causa ou do beneficiário do pagamento, como ora seu cuida, autoriza a aplicação do art. 61 da Lei nº 8.981, de 1995 (art. 674 do RIR/99), não cabendo o afastamento da sua vigência ou validade, ou mesmo a análise de eventual caráter sancionatório do dispositivo de lei pelo julgador administrativo (Súmula Carf nº 2). b) Tributação do art. 674 do RIR/99 e o lucro presumido 22. Sustenta a recorrente que a matriz normativa do lançamento fiscal não está no caput do art. 674 do RIR/99 (art. 61 da Lei nº 8.981, de 1995), que alcança todas as pessoas jurídicas. 22.1 O fundamento da auto de infração é o § 1º do art. 674 do RIR/99 (art. 61, § 1º, da Lei nº 8.981, de 1995), sendo aplicável o dispositivo exclusivamente às empresas tributadas pelo lucro real, dado que a existência de escrituração contábil é um imperativo das suas prescrições. A recorrente, no caso, optante pelo lucro presumido nos anos de 2010 e 2011, encontravase desobrigada de escrituração contábil. 23. Trago, novamente, o texto de lei: Art. 61. Fica sujeito à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. § 1º A incidência prevista no caput aplicasse, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não Fl. 1318DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 01/08/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 01/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 10166.724097/201414 Acórdão n.º 2401004.408 S2C4T1 Fl. 1.319 10 for comprovada a operação ou a sua causa, bem como à hipótese de que trata o § 2º, do art. 74 da Lei nº 8.383, de 1991. (...) 24. Discordo sobre a impossibilidade de autuarse uma pessoa jurídica submetida ao lucro presumido com base no § 1º do art. 61 da Lei nº 8.981, de 1995. A aplicação do dispositivo de lei independe da forma de apuração do imposto sobre a renda da pessoa jurídica, se pelo lucro real, presumido ou arbitrado. 24.1 Contrariamente ao ponto de vista da recorrente, a expressão pagamentos "contabilizados ou não", longe de exigir a tributação pelo lucro real, reforça a ideia de que o regime de tributação é indiferente. 25. De mais a mais, a estrutura de um artigo pressupõe a compreensão de que os seus parágrafos são complementos do caput, sob pena de total desprezo à técnica legislativa. 25.1 Segundo o caput do art. 61 da Lei nº 8.981, de 1995, a incidência do imposto sobre a renda exclusivamente na fonte aplicase na hipótese de pagamento efetuado a beneficiário não identificado. 25.2 Além dessa hipótese, a incidência a alíquota de 35% também será aplicada ao pagamento efetuado ou ao recurso entregue quando não comprovada a operação ou a sua causa, estejam ou não contabilizados os fatos jurídicos (§ 1º). 26. Logo, sem razão a recorrente. c) Erro na sujeição passiva 27. Ausente erro na imposição da sujeição passiva à recorrente, pois cuidase de imposto sobre a renda incidente exclusivamente na fonte, de maneira que a responsabilidade tributária recai apenas sobre a fonte pagadora, quem efetuou o pagamento ou transferiu recursos, por expressa disposição legal (art. 61 da Lei nº 8.981, de 1995). 28. Ao não se exigir o tributo da pessoa do beneficiário, na medida em que o suporte fático do lançamento é o pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado, descabido invocar o enunciado da Súmula nº 12 deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), que abaixo se reproduz: Súmula CARF nº 12: Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. 29. Portanto, não tem razão a recorrente. d) Do aproveitamento do imposto na apuração do período 30. Como se disse, a incidência do IRRF determinada pelo art. 61 da Lei nº 8.981, de 1995, é exclusiva na fonte, cuja pessoa jurídica foi autuada na condição de responsável Fl. 1319DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 01/08/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 01/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 10166.724097/201414 Acórdão n.º 2401004.408 S2C4T1 Fl. 1.320 11 tributário, por substituição, e não como contribuinte do imposto, descabendo cogitarse de incidência de imposto sobre a renda na fonte sobre operações que a legislação permite a sua compensação quando da apuração do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) devido no período. 31. Daí porque o verbete do enunciado da Súmula nº 80, citado pela recorrente, não se aplica à hipótese dos autos: Súmula CARF nº 80: Na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto. 32. É que a dedução do valor do imposto sobre a renda retido na fonte, quando efetivamente sofrida a retenção, para fins da dedução do valor do IRPJ, pressupõe, além do cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto, a tributação na condição de titular da renda, isto é, como contribuinte ou sujeito passivo direto, e não responsável tributário. 33. Equivocase, portanto, a recorrente. e) Incidência de juros sobre a multa de ofício 34. A incidência de juros de mora sobre multas encontra suporte no art. 161 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, que veicula o Código Tributário Nacional (CTN). a seguir reproduzido: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito. 35. O art. 161 está inserido no Capítulo IV do Título III do Livro Segundo do CTN, que versa sobre extinção do crédito tributário, especificamente na Seção II, a qual trata do pagamento, uma das formas de extinção do crédito tributário. A análise sistêmica não pode levar a outra conclusão senão que a expressão "crédito não integralmente pago no vencimento" referese ao crédito tributário em atraso, composto por tributo e multa, ou tão somente pela penalidade pecuniária. 35.1 É certo que multa não é tributo. Porém, a obrigação de pagar a multa tem natureza tributária, tendo recebido do legislador o mesmo regime jurídico, isto é, aplicandose os mesmo procedimentos e critérios da cobrança do tributo, a teor do previsto no § 1º do art. 113 do CTN: Fl. 1320DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 01/08/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 01/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 10166.724097/201414 Acórdão n.º 2401004.408 S2C4T1 Fl. 1.321 12 Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. (...) § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. 35.2 Completo a avaliação inicial destacando que o crédito tributário possui a mesma natureza da obrigação tributária principal, na dicção do art. 139 do CTN: Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. 36. Por seu turno, o § 1º do art. 161 do CTN estabelece que os juros de mora serão calculados à taxa de um por cento ao mês, salvo se a lei dispuser de modo diverso. 37. Em nível de lei ordinária, o art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, está assim redigido: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (grifouse) 37.1 Já o § 3º do art. 5º da Lei nº 9.430, de 1996, citado no § 3º do seu art. 61, acima reproduzido, contém a seguinte redação: Art. 5º (...) § 3º As quotas do imposto serão acrescidas de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do segundo mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o último dia do Fl. 1321DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 01/08/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 01/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 10166.724097/201414 Acórdão n.º 2401004.408 S2C4T1 Fl. 1.322 13 mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. 38. A expressão "débitos (...) decorrentes de tributos e contribuições", contida no caput do art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, tem sido alvo de interpretações distintas. Acredito inapropriada, com a devida vênia, uma simples exegese literal e isolada desse dispositivo, devendose compreender o conteúdo e o alcance da norma jurídica nele contido como parte de um conjunto normativo mais amplo. 38.1 Como visto, o débito, ou o crédito tributário, não é composto apenas pelo tributo. Constatado o inadimplemento do tributo pelo sujeito passivo, no prazo concedido pela legislação, há a aplicação da multa punitiva, a qual passa a integrar o crédito fiscal. O atraso na quitação da dívida atinge não só o tributo como a multa de ofício. 38.2 Logo, tendo em conta que a finalidade dos juros de mora é compensar o credor pela demora no pagamento, tais acréscimos devem incidir sobre a totalidade do crédito tributário. 38.3 Ademais, o raciocínio exposto não implica a incidência da multa de mora sobre a multa de ofício, como parece dizer o art. 61. Ambas com viés punitivo, multa de mora e de ofício se excluem mutuamente, de maneira tal que a aplicação de uma afasta, necessariamente, a incidência da outra. 39. Concluo, portanto, devida e permitida por lei a cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício lançada, calculados com base na taxa Selic, quando não recolhida dentro do prazo. Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER do recurso voluntário e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Cleberson Alex Friess Fl. 1322DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 01/08/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 01/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS
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Numero do processo: 10469.904163/2009-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/02/2006 a 28/02/2006
COFINS. NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. PROVA.
Na apuração de COFINS não-cumulativa, a prova da existência do direito de crédito indicado na PER/DCOMP incumbe ao contribuinte.
COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE.
Para fazer jus à compensação pleiteada, o contribuinte deve comprovar a existência do crédito reclamado à Secretaria da Receita Federal do Brasil, sob pena de indeferimento de seu pedido.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-003.078
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(Assinado com certificado digital)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), Semiramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Valcir Gassen, Jose Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Giovani Vieira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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Compensação. Comprovação do direito creditório. Recorrente G J DE MEDEIROS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/2006 a 28/02/2006 COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITO. PROVA. Na apuração de COFINS nãocumulativa, a prova da existência do direito de crédito indicado na PER/DCOMP incumbe ao contribuinte. COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. Para fazer jus à compensação pleiteada, o contribuinte deve comprovar a existência do crédito reclamado à Secretaria da Receita Federal do Brasil, sob pena de indeferimento de seu pedido. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), Semiramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Valcir Gassen, Jose Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Giovani Vieira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 9. 90 41 63 /2 00 9- 66 Fl. 1096DF CARF MF Processo nº 10469.904163/200966 Acórdão n.º 3301003.078 S3C3T1 Fl. 3 2 Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 4ª Turma da DRJ Recife, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade, não reconhecendo o direito creditório oriundo de suposto recolhimento à maior da Cofins. Em consequência, foi mantida a nãohomologação da compensação declarada. A autoridade competente da DRF/Natal não homologou a compensação, fundamentandose no fato de o DARF informado no PER/DCOMP já ter sido utilizado integralmente para quitar débitos declarados da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP objeto do presente processo. Segundo a Contribuinte, a explicação para a existência do crédito é o fato de haver apurado e recolhido a COFINS sobre seu faturamento total. No entanto, considerando que a maior parte dos produtos vendidos eram tributados à alíquota 0% (frutas e verduras no mercado interno art. 28 da Lei 10.865/2004), o valor devido seria bem menor do que o que foi declarado/pago. Quando ciente deste erro, ocorrido em 2005 e 2006, procedeu à reapuração dos valores devidos da Cofins, apurando créditos utilizados nas compensações declaradas (PER/DECMPs), mas não retificou as DCTFs. A retificação das DCTFs só foi efetuada após a ciência dos Despachos Decisórios emitidos pela DRF/Natal. A 4ª Turma da DRJ/REC, por intermédio do Acórdão nº 1133.625, julgou a manifestação de inconformidade improcedente, por entender que não foram comprovadas a liquidez e a certeza do suposto crédito informado na compensação declarada. Transcrevese a parte da ementa de interesse: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO (...) DCOMP. ERRO DE FATO EM DCTF. NÃO COMPROVAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não comprovado o erro de fato no preenchimento da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, com base em documentos hábeis e idôneos, não há que se acatar a retificadora para fins de comprovar a liquidez e certeza do crédito oferecido para a compensação com os débitos indicados na PER/DCOMP eletrônica. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL (...) PROVAS. As provas devem ser apresentadas na forma e no tempo previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. Fl. 1097DF CARF MF Processo nº 10469.904163/200966 Acórdão n.º 3301003.078 S3C3T1 Fl. 4 3 Em seu recurso voluntário, a Recorrente reitera seu direito creditório, justificando que nessa oportunidade apresenta as cópias das notas fiscais do período a que se refere a compensação, cópia do livro de registro de notas fiscais de saída, o relatório de vendas feitas no período, por produto, e o balancete do mês. Estes autos vieram ao CARF para apreciação do recurso voluntário, tendo o feito sido convertido em diligência, Resolução nº 3802000.025, da 2ª Turma Especial, nos termos do voto do relator Francisco José Barroso Rios, para que a unidade preparadora: · examinasse a fidedignidade da documentação acostada ao recurso voluntário, isso, frente a eventuais demonstrativos e documentação outra a ser requerida da interessada, porventura necessários à apuração da contribuição efetivamente devida; · diante dos elementos constantes dos autos, frente à documentação anexada ao processo e demais documentos e esclarecimentos que julgar necessários indagar à suplicante, se manifestasse sobre o valor da COFINS efetivamente devida. A empresa foi intimada pela fiscalização (Termo de Intimação Fiscal Número 001), tendo apresentado mais alguns elementos comprobatórios de seu alegado direito. Conforme consta do Relatório de Diligência Fiscal (anexado como Despacho de Diligência), as informações prestadas foram satisfatórias para a comprovação dos créditos de outros processos (outros períodos de apuração), mas não para o período de apuração analisado no presente. Por esse motivo foi emitida uma segunda intimação (Termo de Intimação Fiscal Número 002), exigindo da contribuinte o detalhamento dos créditos utilizados, relativos a nãocumulatividade do tributo. Todavia, não houve resposta à intimação nº 2. Por isso o Auditor Fiscal concluiu que o valor devido da Cofins foi o originalmente apurado/pago pela contribuinte, que não logrou êxito em comprovar o suposto recolhimento à maior. Por fim, o despacho de encaminhamento da unidade de origem atesta que, observado o prazo regulamentar, não houve manifestação da contribuinte quanto ao resultado da diligência. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.092, de 27 de setembro de 2016, proferido no julgamento do processo 10469.903724/200918, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.092): "O recurso voluntário reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. Fl. 1098DF CARF MF Processo nº 10469.904163/200966 Acórdão n.º 3301003.078 S3C3T1 Fl. 5 4 A não homologação do PER/DCOMP se deu pelo fato de que à época da análise eletrônica da compensação declarada, a interessada ainda não havia entregue a DCTF retificadora e o dito pagamento estava, assim, totalmente apropriado ao débito originalmente declarado. Como relatado, no Recurso Voluntário, a Recorrente informa que o faturamento total de fevereiro/2006 foi de R$ 683.020,04 e que o faturamento sujeito à tributação da COFINS era somente de R$ 27.625,15. Dessa forma, a COFINS nãocumulativa informada e pleiteada pela Recorrente seria de R$ 476,68, calculada sob a alíquota de 7,6%, portanto, a base de cálculo utilizada teria sido a de R$ 6.272,10. Por isso, a Recorrente foi intimada para apresentar e comprovar os créditos subtraídos do faturamento tributável (R$ 27.625,15) para chegar à base de cálculo efetiva, de R$ 6.272,10. Foi comprovada nos autos a ciência dessa intimação, em 29/12/2015, mas o contribuinte não procedeu a essa demonstração. A prova a cargo do contribuinte tem como função especificar quais os produtos vendidos hortifrutigranjeiros (se classificados Capítulos 7 e 8 da TIPI), com seus valores e quantidades e sua destinação ao mercado interno, para que pudesse estar sujeita ao disposto no art. 28, da Lei 10.865/2004: Lei 10.865/2004 Art. 28. Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COF1NS incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda, no mercado interno, de: (Vide Lei n° 11.727, de 2008) (...) III produtos hortícolas e frutas, classificados nos Capítulos 7 e 8, e ovos, classificados na posição 04.07, todos da TIPI; e Na apuração de COFINS nãocumulativa, a prova da existência do direito de crédito indicado incumbe ao contribuinte, de maneira que, não havendo tal demonstração por parte do contribuinte, deve a Fiscalização não efetuar a homologação da compensação. Em regra geral, considerase que o ônus de provar recai sobre quem alega o fato ou o direito: CPC/1973 Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Fl. 1099DF CARF MF Processo nº 10469.904163/200966 Acórdão n.º 3301003.078 S3C3T1 Fl. 6 5 CPC/2015 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor É do próprio contribuinte o ônus de registrar, guardar e apresentar os documentos e demais elementos que testemunhem o seu direito ao creditamento. Nesse sentido a lição de Fabiana Del Padre Tomé (A Prova no Direito Tributário. 3ª ed. São Paulo: Noeses, 2011, p. 264): A prova compete a quem tem interesse em fazer prevalecer o fato afirmado. Por outro lado, se o autor apresenta provas do fato que alega, incumbe ao demandado fazer a contraprova, demonstrando fato oposto. Em processo tributário, por exemplo, se o Fisco afirma que houve determinado fato jurídico, apresentando documento comprobatório, ao contribuinte cabe provar a inocorrência do alegado fato, apresentando outro documento, pois a negativa se resolve em uma ou mais afirmativas. A empresa foi intimada a apresentar os documentos comprobatórios, o que não foi exercido. Sem o atendimento à diligência determinada pelo CARF, não há como comprovar os créditos da nãocumulatividade, porque não foram colocados à disposição para verificação. No caso presente, devese ainda acrescentar que tratase um pedido de iniciativa do próprio contribuinte (ressarcimento), para o qual, necessariamente, o mesmo deve possuir e apresentar as provas correspondentes. Isso porque a compensação tributária somente é possível, se demonstrada a liquidez e certeza dos créditos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública, conforme a prescrição do art. 170 do Código Tributário Nacional CTN: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Parágrafo único. Sendo vincendo o crédito do sujeito passivo, a lei determinará, para os efeitos deste artigo, a apuração do seu montante, não podendo, porém, cominar redução maior que a correspondente ao juro de 1% (um por cento) ao mês pelo tempo a decorrer entre a data da compensação e a do vencimento. Fl. 1100DF CARF MF Processo nº 10469.904163/200966 Acórdão n.º 3301003.078 S3C3T1 Fl. 7 6 Enfim, estáse diante da ausência de liquidez e certeza quanto ao suposto crédito contra a Fazenda Nacional, não cabendo a homologação do PER/DCOMP a ele vinculado. Conclusão Em vista disso, a Recorrente não logrou êxito em comprovar o crédito alegado, consequentemente a COFINS devida referente ao mês de fevereiro de 2006 permanece no valor originalmente pago e declarado, de R$ 18.404,01. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo a empresa foi intimada a comprovar os valores que deveriam ser subtraídos da base de cálculo originalmente apurada (vendas sujeitas à alíquota zero), além da comprovação dos créditos descontados (apuração não cumulativa), para chegar à base de cálculo que, supostamente, seria a efetiva. Contudo, apesar das oportunidades que lhe foram dadas, a contribuinte não conseguiu apresentar a demonstração/comprovação necessária para que o Fisco atestasse a certeza e liquidez do direito creditório utilizado na compensação declarada nestes autos. Permanece como devido, portanto, o valor da Cofins de R$18.404,01, referente ao mês de fevereiro de 2006, valor esse originalmente declarado e recolhido pela contribuinte. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 1101DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.000143/2007-24
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jan 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2002
COBRANÇA EM DUPLICIDADE. COMPROVAÇÃO. DILIGÊNCIA. CANCELAMENTO DO AUTO DE INFRAÇÃO.
Tendo sido comprovado em diligência promovida no decorrer do processo administrativo que existe cobrança em duplicidade do tributo em questão, deve ser cancelado o quantum cobrado equivocadamente do Contribuinte.
SELIC. APLICABILIDADE. SÚMULA CARF N. 4.
Nos termos da Súmula CARF n. 4, aplica-se a SELIC a título de juros moratórios sobre os débitos tributários exigidos a partir de 1º de abril de 1995.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3402-003.703
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso nos termos da diligência efetuada (fls. 473), para cancelar as cobranças em duplicidade, devendo este acórdão ser juntado ao Processo nº 10880.506598/2007-16, de modo a não ser prejudicada a autuação ali efetuada sob o mesmo argumento da duplicidade do lançamento tributário.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
(Assinado com certificado digital)
Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2002 COBRANÇA EM DUPLICIDADE. COMPROVAÇÃO. DILIGÊNCIA. CANCELAMENTO DO AUTO DE INFRAÇÃO. Tendo sido comprovado em diligência promovida no decorrer do processo administrativo que existe cobrança em duplicidade do tributo em questão, deve ser cancelado o quantum cobrado equivocadamente do Contribuinte. SELIC. APLICABILIDADE. SÚMULA CARF N. 4. Nos termos da Súmula CARF n. 4, aplica-se a SELIC a título de juros moratórios sobre os débitos tributários exigidos a partir de 1º de abril de 1995. Recurso voluntário provido em parte.
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COMPROVAÇÃO. DILIGÊNCIA. CANCELAMENTO DO AUTO DE INFRAÇÃO. Tendo sido comprovado em diligência promovida no decorrer do processo administrativo que existe cobrança em duplicidade do tributo em questão, deve ser cancelado o quantum cobrado equivocadamente do Contribuinte. SELIC. APLICABILIDADE. SÚMULA CARF N. 4. Nos termos da Súmula CARF n. 4, aplicase a SELIC a título de juros moratórios sobre os débitos tributários exigidos a partir de 1º de abril de 1995. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso nos termos da diligência efetuada (fls. 473), para cancelar as cobranças em duplicidade, devendo este acórdão ser juntado ao Processo nº 10880.506598/200716, de modo a não ser prejudicada a autuação ali efetuada sob o mesmo argumento da duplicidade do lançamento tributário. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Presidente. (Assinado com certificado digital) Thais De Laurentiis Galkowicz Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 01 43 /2 00 7- 24 Fl. 486DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório O presente Processo Administrativo foi objeto da Resolução n. 3402000.561 depois de sua chegada ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (“CARF”). Dessa forma, o caso já foi bem relatado pela Conselheira Sílvia de Brito Oliveira, antes de ser a mim redistribuído pelo fato de a Relatora originária não mais integrar nenhum dos Colegiados da 3ª Seção. Desta feita, peço licença para tomar emprestadas as palavras da antiga Relatora sobre o histórico do processo: Tratase de exigência, formalizada em auto de infração, de Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins) relativa aos fatos geradores ocorridos no período de janeiro a dezembro de 2002. A constituição de ofício do crédito tributário, com o lançamento da multa correspondente, decorreu da constatação fiscal de que a contribuinte não recolhera, nem declarara, os valores devidos dessa contribuição. O lançamento foi impugnado e a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo SP I (DRJ/SPOI) julgou improcedente a impugnação, o que ensejou a interposição de recurso voluntário em que foi alegado, entre outras coisas, que o crédito tributário aqui exigido já estaria sendo cobrado no processo administrativo nº 10880.506598/200716, já com inscrição em dívida ativa. Ao remeter estes autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), a unidade preparadora, limitouse a informar, sobre a alegada duplicidade, que o crédito tributário em questão fora confessado em Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) retificadoras, que foram apresentadas após o início do procedimento fiscal. Em sessão datada de 24 de julho de 2013 (Resolução n. 3402000.561), a 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara, 3ª Seção deste Conselho determinou a conversão do julgamento em diligência, nos seguintes termos: O recurso é tempestivo, foi proposto por parte legítima e seu julgamento está inserto na esfera de competências 3ª Seção de Julgamento do CARF, por isso deve ser conhecido. Para o deslinde do litígio aqui instaurado, preliminarmente é necessário confirmar ou afastar a alegação de duplicidade da exigência do crédito tributário em questão. Assim sendo, julgo de bom alvitre a remessa destes autos à unidade de origem para que seja verificado se o crédito tributário inscrito em dívida ativa, informado pela contribuinte, corresponde exatamente (mesmos períodos de apuração, mesmo tributo e mesmos valores) ao crédito tributário exigido por meio deste processo e, havendo diferenças cuja exigência deva permanecer nestes autos, que estas sejam especificadas, por período de apuração. Fl. 487DF CARF MF Processo nº 19515.000143/200724 Acórdão n.º 3402003.703 S3C4T2 Fl. 112 3 Diante disso, voto por converter o julgamento do recurso voluntário em diligência. As respostas oferecidas pela repartição fiscal de origem foram apresentadas em fls 473, trazendo tabela com as diferenças apuradas entre o quantum cobrado no presente processo e no PA 10880.506598/200716. Por fim, há notícia nos autos sobre tentativas infrutíferas de intimação pessoal e postal da Recorrente, na forma do artigo 23, §1º, inciso II e §2º, inciso IV do Decreto 70.235/72, a respeito do resultado da diligência, o que culminou na sua intimação por edital de fls 478. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Thais De Laurentiis Galkowicz Os requisitos de admissibilidade do recurso voluntários já foram anteriormente analisados e acatados por este Conselho, de modo que passo à apreciação do caso. No despacho de diligência de fls 473 restou confirmada uma pequena parcela da duplicidade de cobranças alegada pela Recorrente. Destaco abaixo seu conteúdo: Fl. 488DF CARF MF 4 Saliento que, com relação ao parcelamento sobre o qual trata a Recorrente em sua petição dirigida ao CARF, por estar rescindido, não influencia no presente julgamento. Pois bem. No mérito de seu recurso voluntário, a Recorrente brada pela busca de verdade material, citando aclamados juristas a respeito do tema. Passa a tratar dos requisitos do ato administrativo de lançamento tributário e as garantias do contraditório e da ampla defesa estabelecidas na legislação federal. Finalmente, chega à conclusão de que o presente auto de infração é imoral porque cobra em duplicidade crédito tributário constante do PA 10880.506599/20076. Ou seja, o mérito recursal se confunde com a preliminar, já resolvida pela diligência promovida nestes autos. Ainda, requer a inaplicabilidade da taxa Selic, por julgála inconstitucional. Todavia, a matéria está consolidada pela no CARF, como se depreende da Súmula n. 4, vazada nos seguintes termos: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Não há dúvidas, portanto, a respeito a validade do auto de infração quando aplicou a taxa Selic ao débito tributário objeto do lançamento. Por tudo quanto exposto, voto no sentido de adotar o resultado da diligência de fls 473, cancelando as cobranças em duplicidade do presente processo em relação aos valores constante no PA 10880.506598/200716. Fl. 489DF CARF MF Processo nº 19515.000143/200724 Acórdão n.º 3402003.703 S3C4T2 Fl. 113 5 No mais, requeiro que o presente acórdão seja juntado ao PA 10880.506598/200716, de modo a não ser prejudicada a autuação ali efetuada sob o mesmo argumento da duplicidade do lançamento tributário. Relatora Thais De Laurentiis Galkowicz Fl. 490DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.914816/2012-38
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Sep 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Oct 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2008
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA.
Nos termos do art. 67 da Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, só se justifica quando, em situações idênticas, são adotadas soluções diversas. Não sendo o caso, o recurso não deve ser conhecido.
Recurso Especial não Conhecido.
Numero da decisão: 9303-004.277
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o Recurso Especial do Contribuinte.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o Recurso Especial do Contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran.
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Compensação. Recorrente VERDE ADMINISTRADORA DE CARTOES DE CREDITO S.A. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. Nos termos do art. 67 da Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, só se justifica quando, em situações idênticas, são adotadas soluções diversas. Não sendo o caso, o recurso não deve ser conhecido. Recurso Especial não Conhecido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o Recurso Especial do Contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela contribuinte contra o Acórdão nº 3802003.816, de 15/10/2014, proferido pela 2ª Turma Especial 3ª Seção do CARF, que traz a seguinte ementa: PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 91 48 16 /2 01 2- 38 Fl. 224DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 14/10/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11080.914816/201238 Acórdão n.º 9303004.277 CSRFT3 Fl. 3 2 O contribuinte, a despeito ausência de retificação da DCTF, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Ausentes estes pressupostos, não cabe a homologação da extinção do débito confessado em PER/Dcomp. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. No Recurso Especial, por meio do qual pleiteou, ao final, a reforma do decisum, a Recorrente aponta interpretações divergentes quanto à compensação lastreada em crédito oriundo de pagamento efetuado à maior, cuja DCTF retificadora, que aponta a existência de direito creditório, só foi apresentada após a não homologação da compensação pela unidade de origem (após a emissão do despacho decisório). Visando comprovar a divergência, apresentou dois paradigmas: Acórdãos nº 3802003.956, 21/01/2015, e 3403 003.343, de 05/01/2015. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303004.259, de 15/09/2016, proferido no julgamento do processo 11080.914807/201247, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303004.259 ): "Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso não deve ser conhecido. Conforme se demonstrou no exame de admissibilidade, o primeiro acórdão utilizado para comprovar o dissídio jurisprudencial, o de nº 3802003.956, 21/01/2015, foi lavrado pela mesma Turma que prolatou o recorrido, fato que obsta a sua utilização como paradigma. Já o Acórdão nº 3403003.343, de 05/01/2015, a despeito de prolatado por Turma diversa, traz entendimento que, a nosso juízo, só reafirma, por outras palavras, o mesmo adotado no acórdão recorrido. É que, neste, como se passa a demonstrar, entendeuse que, mesmo diante da não retificação da DCTF (no caso em exame, a retificação só foi realizada após a ciência do Despacho Decisório), o contribuinte, por força do princípio da verdade material, teria direito à compensação, mas desde que apresentasse prova da existência do crédito compensado, fato de que não se desincumbira a Recorrente. Fl. 225DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 14/10/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11080.914816/201238 Acórdão n.º 9303004.277 CSRFT3 Fl. 4 3 No acórdão paradigma, decidiuse que “ainda que a DCTF não aponte o referido crédito, por lapso do contribuinte, se realmente houve pagamento a maior anteriormente, existe crédito, que passa a ser do conhecimento da Receita Federal a partir da retificação da documentação e da identificação documental, ainda que por meio eletrônico, da existência real do mencionado crédito”. A decisão foi assim ementada: PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. ADMISSIBILIDADE. O crédito tributário do contribuinte nasce do pagamento indevido ou a maior que o devido, porém ele apenas se torna oponível à Receita Federal após a devida retificação e/ou correção das respectivas Declarações, quando então o Órgão Administrativa poderá tomar conhecimento daquele direito creditório em questão. De qualquer forma, em determinadas situações, em razão do procedimento eletrônico de compensação, em que não há espaço para emendas ou correções pelo contribuinte, há que se admitir e analisar a retificação da DCTF efetuada posteriormente ao despacho decisório, sob pena de excesso de rigorismo, que não resolve satisfatoriamente a lide travada e leva o contribuinte ao Poder Judiciário, apenas fazendo aumentar a condenável litigiosidade. Recurso Voluntário Provido. A toda evidência, diante dos mesmos fatos, as decisões recorrida e paradigma chegaram à mesma conclusão: ainda que não haja retificação tempestiva da DCTF, ou seja, ainda que a retificação se dê somente após a ciência do Despacho Decisório, uma vez comprovada a existência do crédito mediante a entrega de documentação idônea, tornase possível a restituição. Não há divergência, pois. Ante o exposto, não conheço do recurso especial." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, não se conhece do recurso especial. Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 226DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 14/10/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
score : 1.0
Numero do processo: 13976.000007/2007-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 22 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jan 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 2005
DEDUÇÃO DE DESPESAS COM SAÚDE. NOTAS FISCAIS. REQUISITOS LEGAIS. VALORES ELEVADOS. NÃO COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PAGAMENTO.
As notas fiscais emitidas por estabelecimentos de saúde devem preencher requisitos mínimos legais para sua validade. Documentos que não estejam em consonância com a legislação, não se prestam para comprovar a regularidade da dedução da base de cálculo do Imposto de Renda sobre a Pessoa Física das despesas médicas efetuadas.
Em se tratando de valores elevados, que representem percentual considerável dos rendimentos declarados pelo contribuinte, torna-se imprescindível a comprovação do efetivo pagamento para a comprovação da regularidade das deduções perpetradas.
Numero da decisão: 2201-003.363
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Ana Cecília Lustosa da Cruz, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado) e Carlos César Quadros Pierre. Votou pela conclusões o Conselheiro Denny Medeiros da Silveira (Suplente convocado), que apresentará declaração de voto.Assinado digitalmente.
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
Assinado digitalmente.
Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Carlos Alberto do Amaral Azeredo, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada), Denny Medeiros da Silveira (Suplente convocado), Daniel Melo Mendes Bezerra, Carlos César Quadros Pierre e Ana Cecília Lustosa da Cruz.
Nome do relator: DANIEL MELO MENDES BEZERRA
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NOTAS FISCAIS. REQUISITOS LEGAIS. VALORES ELEVADOS. NÃO COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PAGAMENTO. As notas fiscais emitidas por estabelecimentos de saúde devem preencher requisitos mínimos legais para sua validade. Documentos que não estejam em consonância com a legislação, não se prestam para comprovar a regularidade da dedução da base de cálculo do Imposto de Renda sobre a Pessoa Física das despesas médicas efetuadas. Em se tratando de valores elevados, que representem percentual considerável dos rendimentos declarados pelo contribuinte, tornase imprescindível a comprovação do efetivo pagamento para a comprovação da regularidade das deduções perpetradas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Ana Cecília Lustosa da Cruz, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado) e Carlos César Quadros Pierre. Votou pela conclusões o Conselheiro Denny Medeiros da Silveira (Suplente convocado), que apresentará declaração de voto.Assinado digitalmente. Carlos Henrique de Oliveira Presidente. Assinado digitalmente. Daniel Melo Mendes Bezerra Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 6. 00 00 07 /2 00 7- 21 Fl. 49DF CARF MF Processo nº 13976.000007/200721 Acórdão n.º 2201003.363 S2C2T1 Fl. 50 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Carlos Alberto do Amaral Azeredo, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada), Denny Medeiros da Silveira (Suplente convocado), Daniel Melo Mendes Bezerra, Carlos César Quadros Pierre e Ana Cecília Lustosa da Cruz. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra a decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação do contribuinte, ofertada em face da lavratura de Notificação de Lançamento de IRPF, que é objeto do presente processo. Os aspectos principais do lançamento estão delineados no relatório da decisão de primeira instância, nos seguintes termos: Trata o presente de Notificação de Lançamento em que foi modificado o valor a restituir pleiteado pelo contribuinte cm sua Declaração de Ajuste de 2005, passando de R$ 13.490,24, para R$ 1.472,74, tendo em vista que, conforme a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, houve: Glosa do valor de R$ 43.700,00, indevidamente deduzido a titulo de despesas médicas, por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução. O contribuinte apresenta notas fiscais relativas ao Centro Catarinense de Periodontia e Implantologia, sendo duas no valor de R$ 2550,00 e duas no valor de R$ 19.000,00, somando RS 43.100,00. Entretanto, NÃO ATENDE exigido na intimação fiscal para comprovar o efetivo pagamento, alegando que efetuara tais pagamentos em moeda. E mais, alega ser obrigado a pagar as despesas de saúde dos filhos alimentandos, mas resaltese (sic) que, o documento apresentado, só faz referência a fundação Codesc de Seguridade e INSS. Regularmente intimado do lançamento o sujeito passivo apresentouimpugnação onde alega que: Observamos que as notas fiscais n° 517, 531, 532 e 538 (*) do Centro Catarinense de Periodontia e Implantologia S/C, atendem perfeitamente as prerrogativas previstas no inciso III, do §2° do artigo 8 da Lei 9.250/95: no artigo 46 da Instrução normativa da S'RF n° 15/2001 e também no inciso III, do §1 0 do artigo 80 do Decreto 3000/99. E ainda, no intento de clarear com mais força esta situação para seu entendimento, comprovamos os pagamentos mediante cópia das folhas 21, 25 e 27 do livro Diário n°8 (*) da empresa mencionada. Desta forma, demonstramos não restar divida quanto a veracidade das informações e reiteramos o acolhimento destes documentos como hábeis e idôneos e, em decorrência, o cancelamento da GLOSA proposta pelo Fisco culminando no restabelecimento da dedução pleiteada na Declaração de rendimentos relativa ao exercício 2005, anocalendário 2004. A decisão de primeira instância entendeu que o sujeito passivo não comprovou o efetivo pagamento das despesas glosadas do Centro Catarinense de Periodontia e Implantologia S/C. As notas fiscais juntadas não atenderam os requisitos previstos na legislação, eis que não foi identificado o paciente dos procedimentos médicos. A cópia do Livro Diário do estabelecimento médico, também, não se prestou para comprovar o efetivo pagamento, eis que sequer pode ser afirmado que se tratam livros contábeis da entidade prestadora de serviços. Fl. 50DF CARF MF Processo nº 13976.000007/200721 Acórdão n.º 2201003.363 S2C2T1 Fl. 51 3 Cientificado do acórdão da DRJ em 11/01/2011, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 08/02/2011, alegando, em síntese, que: Equivocase a decisão recorrida ao afirmar que foram juntadas duas notas no valor de R$ 2.550,00 e duas notas no valor de R$ 19.000,00, somando R$ 43.100,00, quando na verdade, deveria ter afirmado a existência de duas notas no valor de R$ 2.550,00 e duas notas no valor de R$ 19.300,00, somando R$ 43.700,00. Assim, não procede a afirmação de que o recorrente não se contrapôs à glosa do valor de R$ 600,00. A afirmação do julgador de que as notas fiscais não contêm todos os requisitos necessários à comprovação do efetivo pagamento e de que não possui indicação de quem foi o paciente das referidas despesas é descabida, visto que as próprias notas são comprovantes dos pagamentos, sendo que e em todas as notas fiscais encontramse o nome, endereço e inscrição no CPF deste contribuinte, bem como nome, endereço e inscrição no CNPJ do prestador do serviço e ainda, a especificação do serviço prestado. Além disso, esclarece que os pagamentos foram efetuados em moeda corrente e cheques de terceiros. Por fim, pede o acolhimento do presente recurso para o fim de que seja cancelada a glosa reclamada. Voto Daniel Melo Mendes Bezerra, Conselheiro Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo. Ademais, preenche os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Da dedução de despesas com saúde Inicialmente, deve ser ressaltado que a matéria controvertida é referente à glosa de despesas odontológicas do valor de R$ 43.700,00. A matéria de fundo se relaciona à regularidade dos pagamentos efetuados a entidades de saúde para legitimar as deduções levadas a cabo pelo sujeito passivo. A controvérsia reside no fato de que as notas fiscais não preenchem os requisitos mínimos legais para amparar a dedutibilidade das despesas. A controvérsia reside no fato de que para a autoridade lançadora, não basta a mera nota fiscal emitida pelo estabelecimento de saúde. A seu juízo, poderá exigir a comprovação do efetivo dispêndio, que poderá consistir em uma cópia de cheque emitido, comprovante de transferência bancária, dentre outros meios de prova legalmente admitidos. Por seu turno, o sujeito passivo alega que efetuava os pagamentos à clínica de odontologia em espécie. Fl. 51DF CARF MF Processo nº 13976.000007/200721 Acórdão n.º 2201003.363 S2C2T1 Fl. 52 4 A fundamentação legal para a exigência da autoridade lançadora é o artigo 73 e § 1º do Regulamento do Imposto de Renda – RIR/1999, aprovado pelo Decreto n.º 3.000, de 26 de março de 1999, que estabelece: “Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem audiência do contribuinte (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º).” Por sua vez, o art. art. 8.º, II, “a”, da Lei n.º 9.250, de 26 de dezembro de 1995, estabelece que: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais,bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...) § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; (Grifouse). (...).” Assim, é cediço que todos os pagamentos objeto de dedução devem ser justificados e comprovados a juízo da autoridade lançadora e, na falta de documentação, poderá ser aceito com meio de prova a indicação de cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento. No caso em concreto sob análise, temse o colegiado a quo negou validade às notas fiscais apresentadas pelo sujeito passivo, eis que estas não indicam o paciente beneficiário do tratamento odontológico. Agiu com acerto a decisão recorrida. Em todas as quatro notas fiscais emitidas pelo Centro Catarinense de Periodontia e Implantodontia S/C, as quais totalizam o valor de R$ 43.700,00 (quarenta e três mil e setecentos reais), identificase quem pagou pelos serviços como sendo o recorrente. Todavia, a parte destinada à discriminação dos serviços efetuados Fl. 52DF CARF MF Processo nº 13976.000007/200721 Acórdão n.º 2201003.363 S2C2T1 Fl. 53 5 limitase a mencionar tratamento odontológico. Não há identificação de quais foram os serviços prestados e tampouco quem foi o beneficiário dos mesmos. Esse aspecto, por si só, já seria suficiente para manter a glosa nos termos em que perpetrada pela autoridade lançadora. Contudo, a decisão recorrida, também utilizou como fundamento para julgar improcedente a impugnação do sujeito passivo, a ausência de efetiva comprovação dos pagamentos efetuados ao estabelecimento de saúde. É certo que a nota fiscal tem presunção relativa, ainda que emitida por estabelecimento saúde e preenchendo todos os requisitos legais para sua validade. A autoridade lançadora deverá apontar os motivos que a levaram a não dar valor probatório aos documentos apresentados. No caso em comento, verificouse que as deduções foram realizadas em valores elevados, fato que levou a autoridade lançadora a exigir a efetiva comprovação do pagamento, entendimento esse corroborado pela decisão de primeira instância. No caso concreto, o valor deduzido para o custeio do tratamento odontológico representou quase 30 % (trinta por cento) dos rendimentos declarados pelo contribuinte para o anocalendário 2004. Para se ter uma ideia da magnitude dos valores envolvidos no tratamento de saúde, a quantia deduzida representava à época mais de 168 (cento e sessenta e oito) saláriosmínimos. Não é razoável que se movimente vultosa quantia sem a prova de efetiva tradição do dinheiro para a clínica odontológica. Portanto, entendo que nesse caso, a efetiva comprovação do pagamento é condição indispensável para a comprovação da regularidade da dedução, o que não ocorreu. Conclusão Diante de todo o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Declaração de Voto Acompanho o Relator quanto à conclusão, porém, quanto aos fundamentos, entendo que a discussão deve abarcar, tãosomente, o motivo determinante da glosa, qual seja, a não comprovação do efetivo pagamento da despesa odontológica. Vejamos, pois, as razões para a glosa, consignadas na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de fl. 5: O contribuinte apresenta notas fiscais relativas ao Centro Catarinense de Peridontia e Implantodontia, sendo duas no valor de R$ 2.550,00 e duas no valor de R$ 19.000,00, somando R$ 43.100,00. Entretanto, NÃO ATENDE exigido na intimação fiscal para comprovar o efetivo pagamento, alegando que efetuara tais Fl. 53DF CARF MF Processo nº 13976.000007/200721 Acórdão n.º 2201003.363 S2C2T1 Fl. 54 6 pagamentos em moeda. E mais, alega ser obrigado a pagar as despesas de saúde dos filhos alimentandos, mas resaltese que, o documento apresentado, só faz referência a Fundação Codesc de Seguridade e INSS. (sic) (grifo nosso) Conforme se observa na transcrição acima, em relação à despesa de R$ 43.100,00, o motivo determinante da glosa foi a não comprovação do efetivo pagamento, o qual, segundo o contribuinte, teria sido efetuado em moeda. Tanto em sua impugnação, fl. 2, quanto em seu Recurso Voluntário, fls. 26 a 28, o contribuinte alega, apenas, que as notas fiscais emitidas pelo Centro Catarinense de Periodontia e Implantodontia S/C seriam suficientes a comprovar o pagamento da despesa. Acontece, porém, que a comprovação do efetivo pagamento não se resume à apresentação de notas fiscais, mas sim ao efetivo desembolso do valor pago, e isso a DRJ deixou muito claro ao dizer que que a contabilização das notas fiscais no “Livro Diário da entidade prestadora dos serviços” não seria suficiente a demonstrar que “os valores ali indicados tenham sido efetivamente pagos pelo contribuinte.” A fiscalização também deixou muito evidente no Termo de Intimação Fiscal, fl. 34, ao dizer que o contribuinte deveria comprovar as despesas médicas e seu efetivo pagamento. Ora, cabia ao contribuinte, portanto, carrear aos autos elementos de prova capazes de demonstrar o trânsito financeiro dos valores pagos, os quais representaram uma quantia expressiva no anocalendário em questão (R$ 43.100,00). No caso de os pagamentos terem sido efetuados em espécie, poderia o contribuinte, por exemplo, ter trazido à baila extratos bancários com indicação dos saques efetuados, o que não aconteceu. Quanto à não identificação, nas notas fiscais, dos serviços prestados e do seu beneficiário (paciente), penso que tais questões não devem compor o fundamento da conclusão, no presente julgamento, pois a razão da glosa, como já dito, foi a não comprovação do efetivo pagamento (desembolso) da despesa. Além do mais, consta nas notas fiscais, na discriminação do serviço prestado, “tratamento odontológico”, e tal indicação, em minha opinião, seria suficiente para demonstrar a natureza da despesa passível de dedução, nos termos do disposto na Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea “a”. A falta de indicação do paciente, por sua vez, estaria superada pela Solução de Consulta Interna nº 23 da CoordenaçãoGeral de Tributação (Cosit) da RFB, de 30/08/2013, que traz a seguinte orientação: Na hipótese de o comprovante de pagamento do serviço médico prestado ter sido emitido em nome do contribuinte sem a especificação do beneficiário do serviço, podese presumir que esse foi o próprio contribuinte, exceto quando, a juízo da autoridade fiscal, forem constatados razoáveis indícios de irregularidades. Fl. 54DF CARF MF Processo nº 13976.000007/200721 Acórdão n.º 2201003.363 S2C2T1 Fl. 55 7 Dessa forma, a glosa deve ser mantida pelo fato de o contribuinte não ter comprovado que efetivamente arcou com o ônus do tratamento. Conclusão Assim, tendo em vista que o motivo determinante da glosa da dedução foi a falta de comprovação do efetivo pagamento (desembolso) da despesa havida com o tratamento odontológico e considerando que a validade do ato administrativo se vincula ao motivo indicado como seu fundamento, concluise que o pressuposto de fato do lançamento não foi afastado, devendo ser mantida a glosa do valor de R$ 43.100,00. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Redator – AFRFB – Matrícula 1169775 Fl. 55DF CARF MF
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Numero do processo: 10380.012954/2006-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 04 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Oct 31 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002, 2003
ADIÇÃO AO LUCRO LÍQUIDO. LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR.
Não devem ser incluídos nos lucros das controladas no exterior os juros pagos pela controladora nacional quando comprovado que o beneficiário dos valores foi instituição financeira sediada no exterior.
ADIÇÃO AO LUCRO LÍQUIDO. VARIAÇÃO CAMBIAL. DIFERIMENTO RESULTADO NEGATIVO MP 1.818/99
Incabível a adição, em procedimento de ofício, das variações cambiais relativas ao 1º trimestre de 1999, diferidas nos termos da MP 1.818/99, quando comprovado que referidas variações foram adicionadas em períodos posteriores.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2002, 2003
EMBARGOS DECLARATÓRIOS. OMISSÃO. SANEAMENTO
Constatando-se omissão na apreciação do recurso de ofício interposto pela autoridade julgadora a quo, cabíveis os embargos de declaração para que a omissão seja sanada.
Numero da decisão: 1301-002.153
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento aos embargos e sanar a omissão apontada mediante a apreciação do recurso de ofício, negando-lhe provimento. A embargante foi a Conselheira Milene de Araújo Macedo.
(Assinado Digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Presidente.
(Assinado Digitalmente)
Milene de Araújo Macedo - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio Franco Correa, José Eduardo Dornelas Souza, Milene de Araújo Macedo, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Roberto Silva Júnior e Waldir Veiga Rocha.
Nome do relator: Relator
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2002, 2003 ADIÇÃO AO LUCRO LÍQUIDO. LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR. Não devem ser incluídos nos lucros das controladas no exterior os juros pagos pela controladora nacional quando comprovado que o beneficiário dos valores foi instituição financeira sediada no exterior. ADIÇÃO AO LUCRO LÍQUIDO. VARIAÇÃO CAMBIAL. DIFERIMENTO RESULTADO NEGATIVO MP 1.818/99 Incabível a adição, em procedimento de ofício, das variações cambiais relativas ao 1º trimestre de 1999, diferidas nos termos da MP 1.818/99, quando comprovado que referidas variações foram adicionadas em períodos posteriores. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2002, 2003 EMBARGOS DECLARATÓRIOS. OMISSÃO. SANEAMENTO Constatando-se omissão na apreciação do recurso de ofício interposto pela autoridade julgadora a quo, cabíveis os embargos de declaração para que a omissão seja sanada.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento aos embargos e sanar a omissão apontada mediante a apreciação do recurso de ofício, negando-lhe provimento. A embargante foi a Conselheira Milene de Araújo Macedo. (Assinado Digitalmente) Waldir Veiga Rocha - Presidente. (Assinado Digitalmente) Milene de Araújo Macedo - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio Franco Correa, José Eduardo Dornelas Souza, Milene de Araújo Macedo, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Roberto Silva Júnior e Waldir Veiga Rocha.
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002, 2003 ADIÇÃO AO LUCRO LÍQUIDO. LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR. Não devem ser incluídos nos lucros das controladas no exterior os juros pagos pela controladora nacional quando comprovado que o beneficiário dos valores foi instituição financeira sediada no exterior. ADIÇÃO AO LUCRO LÍQUIDO. VARIAÇÃO CAMBIAL. DIFERIMENTO RESULTADO NEGATIVO MP 1.818/99 Incabível a adição, em procedimento de ofício, das variações cambiais relativas ao 1º trimestre de 1999, diferidas nos termos da MP 1.818/99, quando comprovado que referidas variações foram adicionadas em períodos posteriores. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002, 2003 EMBARGOS DECLARATÓRIOS. OMISSÃO. SANEAMENTO Constatandose omissão na apreciação do recurso de ofício interposto pela autoridade julgadora a quo, cabíveis os embargos de declaração para que a omissão seja sanada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento aos embargos e sanar a omissão apontada mediante a apreciação do recurso de ofício, negandolhe provimento. A embargante foi a Conselheira Milene de Araújo Macedo. (Assinado Digitalmente) Waldir Veiga Rocha Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 01 29 54 /2 00 6- 95 Fl. 1095DF CARF MF Processo nº 10380.012954/200695 Acórdão n.º 1301002.153 S1C3T1 Fl. 1.096 2 (Assinado Digitalmente) Milene de Araújo Macedo Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio Franco Correa, José Eduardo Dornelas Souza, Milene de Araújo Macedo, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Roberto Silva Júnior e Waldir Veiga Rocha. Relatório Tratase de apreciar embargos de declaração opostos pela Conselheira relatora, em face do Acórdão nº 1301001.689 (fls. 1050 a 1069), proferido por esta turma na sessão de 22/10/2014, através do qual foi dado parcial provimento ao recurso voluntário apresentado pelo contribuinte, conforme ementa a seguir transcrita: Assunto: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001, 2002, 2003 NULIDADE. FALTA DE INDICAÇÃO DE DATA E HORA DA LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 07. APLICABILIDADE. De acordo com o disposto na Súmula CARF n° 07, a ausência da indicação da data e da hora de lavratura do auto de infração não invalida o lançamento de ofício quando suprida pela data da ciência. Nulidade não verificada. NULIDADE. AUSÊNCIA DA DEMONSTRAÇÃO DAS HIPÓTESES DO ARTIGO 59 DO DECRETO N° 70.235/1972. NÃO OCORRÊNCIA. Ausentes as demonstrações de cerceamento de defesa ou incompetência da autoridade administrativa que realizou o ato, não há falar em nulidade no âmbito do processo administrativo fiscal. OMISSÃO DE RECEITA. DESDOBRAMENTO E RESGATE DE AÇÕES. NATUREZA JURÍDICA. DIVIDENDOS. A operação "desdobrando e resgate de ações", tal como realizada nos autos e autorizado em processo de consulta, visando à proteção dos interesses dos acionistas importa igualmente em distribuição de parcela do lucro da companhia, de modo a caracterizarse dividendo, que é isento de tributação. OMISSÃO DE RECEITA. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS/PASEP. COFINS. Tratandose da mesma matéria fática, e não havendo aspectos específicos a serem apreciados, aos lançamentos decorrentes aplicase a mesma decisão do principal. ADIÇÃO. LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR. Fl. 1096DF CARF MF Processo nº 10380.012954/200695 Acórdão n.º 1301002.153 S1C3T1 Fl. 1.097 3 A comprovação de que os juros pagos declarados pelo controlador nacional não foram pagos à controlada no exterior desautoriza a qualificação desses valores como lucro auferido no exterior. EXCLUSÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase matéria não impugnada aquela que não tenha sido expressamente contestada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3a Câmara / 1a Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso. O acórdão retromencionado incorreu em omissão, visto que o recurso de ofício interposto pela 4ª Turma da DRJ/FOR, no Acórdão nº 0819.568, de 06/12/2010, não foi apreciado por este Colegiado (fls 1.084 e 1.085). Os embargos foram opostos pela Conselheira relatora nos seguintes termos (fls. 1.094): "Venho, com amparo no art. 65, inciso I, da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, apresentar Embargos de Declaração, ao Acórdão nº 1301001.689 (fls. 1.050 a 1.069), proferido por esta turma em 22/10/2014, pelos motivos a seguir aduzidos: 1. O presente processo foi a mim encaminhado para apreciação dos Embargos de Declaração opostos pela chefia do Secat/DRF/FOR, os quais não foram conhecidos face à incompetência da embargante, em julgamento realizado em 15/09/2016, por esta turma, conforme Acórdão nº 1301002.140 (fls. 1.090 a 1.093); 2. Ocorre que, nas discussões da sessão de julgamento realizada em 15/09/2016, foi verificado que o Acórdão nº 1301001.689, ao se pronunciar pelo provimento parcial ao recurso, deixou de analisar o Recurso de Ofício interposto pela DRJ/FOR, no Acórdão 0819.568 (fls. 933 a 953); 3. Assim, a fim de que seja sanada a omissão relativa à falta de apreciação do Recurso de Ofício, requeiro a admissibilidade do presente recurso para que a Turma sane a omissão apontada." O Presidente da Turma, considerando a tempestividade dos embargos ora apresentados, bem assim, a existência do vício de omissão apontado pela Conselheira, admitiu os Embargos de Declaração, e determinou a inclusão do processo em pauta para julgamento. É o relatório. Voto Conselheira Milene de Araújo Macedo, Relatora Através do despacho de admissibilidade de fls. 1.094, o processo foi incluído em pauta para apreciação dos embargos opostos pela Conselheira relatora, face à omissão na apreciação do recurso de ofício interposto pela 4ª Turma da DRJ/FOR, no Acórdão nº 0819.568, de 06/12/2010, que exonerou parte das seguintes infrações: Fl. 1097DF CARF MF Processo nº 10380.012954/200695 Acórdão n.º 1301002.153 S1C3T1 Fl. 1.098 4 (i) Adições não computadas na apuração do lucro real decorrentes dos lucros auferidos no exterior por filiais, sucursais, controladas ou coligadas. A base tributável de R$ 1.446.022,17 relativa ao anocalendário de 2002 foi totalmente exonerada e a de R$ 7.058.894,48, relativa ao anocalendário de 2003, foi reduzida para R$ 4.898.140,56; (ii) Adições não computadas na apuração do lucro real decorrentes das parcelas diferidas da variação cambial, nos termos da MP nº 1.818/99. A base tributável de R$ 2.781.403,00, relativa ao anocalendário de 2003, foi reduzida para R$ 9.518,81. De fato, assiste razão à embargante, pois o Acórdão nº 1301001.689, proferido por esta turma em 06/10/2010 foi omisso quanto à apreciação do recurso de ofício interposto pela DRJ/FOR. Assim, acolho os embargos e passo à analisálo: Adições não computadas na apuração do lucro real decorrentes dos lucros auferidos no exterior por filiais, sucursais, controladas ou coligadas Consta do Termo de Verificação Fiscal (fls. 29 a 31, 36, 38, 39) anexo ao auto de infração, as seguintes descrições para a infração: 5) O contribuinte deixou de adicionar ao lucro real dos anoscalendário de 2002 e 2003 (Ficha 09A/linha 05), os valores de R$1.446.022,17 e R$7.058.894,48, respectivamente, conforme poderá ser observado pelos resultados apurados pela empresa Luz do Panamá, domiciliada no exterior e controlada pela Investluz, podendo o alegado ser perfeitamente verificado no Quadro dos Resultado Contábeis da Controlada no Exterior, do seguintes valores: REC. FIN. AUFERIDA C/A VINCUL. NO BRASIL LUC LIQ. DO PERIODO DA CONTROLADA NO EXTERIOR LUCROS ACUMULADOS DA CONTROLADA NO EXTERIOR ANO COMPUTADO NO RESULTADO DA CONTROLADA EFETIVAMENTE REMETIDA P/CONTROLADO RA CALCULADO RETIFICADO 1999 4.270.167,08 783.674,59 783.674,59 2000 11.924.418,00 12.465.993,29 (5.357.071,00) (4.815.495,71 ) (4.031.821,12) 2001 15.396.875,94 16.965.962,57 (3.495.769,34) (1.926.682,71) (5.959.503,83) 2002 19.624.779,25 23.814.120,49 3.215.184,76 7.404.526,00 1.446.022,17 2003 19.990.285,26 20.831.487,26 4.771.670,31 5.612.872,31 7.058.894,48 As três primeiras colunas da Tabela supra foram preenchidas com os dados das Fichas 31 A e 37 das DIPJs. Para o AC 2003, as Fichas 38 A e 44 é que foram consideradas. Como se depreende da última coluna, no anocalendário de 2002 a Investluz deveria ter reconhecido como disponibilização de lucros oriundos de sua controlado no exterior o valor de R$1.446.022,17 e no de 2003, o valor de R$7.058.894,48, razão pela qual ora estamos efetuando o lançamento de ofício dos referidos valores como falta de adição ao lucro líquido para apuração do lucro real. A fiscalização efetuou confronto entre o valor dos juros pagos ou creditados em operações financeiras registradas no Banco Central do Brasil com a controlada Luz do Panamá e o valor da receita financeira auferida pela controlada Luz do Panamá com a Investluz S/A. Estes valores foram retirados das DIPJs 2003 e 2004: DIPJ 2003 (fls. 68 a 76) Fl. 1098DF CARF MF Processo nº 10380.012954/200695 Acórdão n.º 1301002.153 S1C3T1 Fl. 1.099 5 Ficha 31A Operações com o Exterior Pessoa Vinculada / Linha 26 Operações Financeiras Juros Pagos ou Creditados Registradas no Banco Central Pessoas Vinculadas x Ficha 37 Participações no Exterior Resultado de Apuração / Linha 04 Receitas Financeiras Auferidas com a Vinculada no Brasil. DIPJ 2004 ( fls. 77 a 84) Ficha 38A Operações com o Exterior Pessoa Não Vinc./Interposta Pessoa/País c/ Tributação Favorecida / Linha 26 Operações Financeiras Juros Pagos ou Creditados Operações Registradas no Banco Central Pessoas Vinculadas x Ficha 44 Participações no Exterior Resultado do Período de Apuração / Linha 04 Receitas Financeiras Auferidas com a Vinculada no Brasil. Intimado a justificar as discrepâncias entre estes valores, a recorrente alegou necessidade de dilação de prazo por mais 45 dias. Em virtude da falta de atendimento à intimação, a fiscalização retificou o lucro líquido auferido pela controlada no exterior e tributou a diferença do lucro disponibilizado pela controlada no exterior. Na impugnação apresentada ao lançamento a contribuinte efetuou, dentre outras, as seguintes alegações: A fiscalização incorreu em erro ao considerar como pagos à mesma pessoa os valores das receitas financeiras (Ficha 37/Linha 4 da DIPJ) e os constantes dos juros pagos ou creditados (Ficha 31/Linha 26, da DIPJ); Os valores das receitas financeiras auferidas pela Luz de Panamá (Ficha 37/Linha 4) são todos recebidos da Investluz, mas os valores dos juros pagos ou creditados (Ficha 31/Linha 26) não são pagos somente à Luz de Panamá mas a diversas outras empresas, ou são até mesmo, encargos de dívidas incorridas mas não pagas; Ao equiparar o total juros pagos ou creditados pela impugnante com as receitas auferidas pela controlada no exterior Luz de Panamá, a fiscalização terminou por criar um lucro inexistente na controlada ; As diferenças apuradas pela fiscalização correspondem ao pagamento de encargos de dívidas e juros devidos em virtude de contratos de câmbio para transferências financeiras ao exterior, à taxa de 10,5%, conforme documentos acostados à impugnação; Os contratos foram firmados em 2002, com o Citibank, para o envio de R$ 10.059.174,81 e com o Bankboston Bco Mult. para o envio de R$ 11.725.358,36, ao recebedor no exterior Banco Central Hispano; O restante do montante de R$ 23.814.210,49, a saber, R$ 2.029.587,32 é referente à contabilização, pelo regime de competência mas sem efeito caixa, dos encargos de dívídas e juros; Já em 2003 foram firmados contratos de câmbio com o Banco Santander nos valores de R$ 9.501.166,67 e R$ 9.658.964,05, também encaminhados ao recebedor no exterior, o Banco Central Hispano; Fl. 1099DF CARF MF Processo nº 10380.012954/200695 Acórdão n.º 1301002.153 S1C3T1 Fl. 1.100 6 O restante do montante de 20.831.487,26, a saber, 1.671.356,56 é referente à contabilização, pelo regime de competência mas sem efeito caixa, dos dos encargos de dívídas e juros. As alegações da recorrente podem ser assim resumidas: ANO RECEITAS FINANCEIRAS (A) JUROS PAGOS OU CREDITADOS (B) DIFERENÇA JUROS PAGOS (C) "ENCARGOS DE DÍVIDAS" (D) 2002 19.624.779,25 23.814.120,49 4.189.341,24 11.725.358,36 (27/11/2002) 10.059.174,81 (22/08/2002) 2.029.587,32 2003 19.990.285,26 20.831.487,26 841.202,00 9.501.166,67 (26/12/2003) 9.658.964,56 (27/05/2003) 1.671.356,56 Ao apreciar a impugnação do contribuinte, a DRJ/FOR propôs, em 23/08/2007, por meio da Resolução nº 009744ª Turma, a conversão do julgamento em diligência nos seguintes termos: "2. Das Adições não Computadas no Lucro Real. Lucros Auferidos no Exterior. Embora os argumentos apresentados pela Contribuinte possam vir a justificar as diferenças apuradas no procedimento fiscal, verificase que eles não se fizeram acompanhar de documentação probatória dos fatos alegados, impedindo a apreciação do julgador quanto à sua procedência, o que levaria à manutenção do.feito por ausência de provas da tese da defesa, considerando que esta é centrada apenas em matéria de fato. Entrementes, como os mesmos fatos foram alegados pela Autuada na impugnação apresentada contra a exigência do IRRF contra ela também formalizada em decorrência do procedimento sob apreciação (Processo n° 10380.012951/200651), e, naquela oportunidade, a defesa foi instruída com os documentos relacionados às aludidas alegações, nada obsta que se adote no exame ora requerido as mesmas recomendações constantes da Resolução DRJ/FOR n° 946, de 09 de agosto de 2007, resultante da conversão em diligência do julgamento do litígio nele inaugurado, para fins.de se aferir a procedência dos argumentos da defesa, dada à analogia das matérias tratadas em ambos os autos. Assim, reproduzo abaixo os termos do exame requerido naquela ocasião, integralmente aplicáveis à elucidação da infração relacionada ao item 2 do AI falta de adição dos lucros auferidos no exterior (as folhas referenciadas no texto reproduzido correspondem ao processo de exigência do IRRF, autuado sob o n° 10380.012951/2006 51): "a) de acordo com os balancetes dos períodos encerrados em 31/12/2002 e 31/12/2003, constantes das cópias de fls. 91/93 e 101/104, observase que os valores informados nas correspondentes DIPJ como Receitas Financeiras Auferidas (pela empresa estrangeira) com a Vinculada no Brasil (Ficha 37, linha 04 fls. 33 e 36) do quadro Participações com o Exterior, nos montantes de R$ 19.624.779,25 e R$ 19.990.285,26, respectivamente, já incluem a contrapartida dos valores apropriados ao longo do período pelo regime de competência, conforme se pode constatar dos movimentos de dezembro e dos saldos das rubricas 211.21.2 Encargos de Dívidas Moeda Estrangeira Empresas do Grupo Juros, e 635.04.1.1 Despesa Financeira Fl. 1100DF CARF MF Processo nº 10380.012954/200695 Acórdão n.º 1301002.153 S1C3T1 Fl. 1.101 7 Administração Central Encargos de Dívidas Dívidas de Longo Prazo Empresas do Grupo Moeda Estrangeira, o que contraria uma das justificativas apresentadas pela Defendente; "b) o Certificado de Registro n° 241/35.466, emitido pelo Banco Central do Brasil (BACEN), acostado às fls. 110/116, referese a empréstimo tomado por DISTRILUZ ENERGIA ELÉTRICA LTDA, não compondo os autos quaisquer esclarecimentos da suposta assunção da dívida pela ora Impugnante, para justificar a remessa dos juros contratuais à empresa sediada no exterior (LUZ DE PANAMÁ, controlada pela Autuada e sua pretensa credora), a qual não consta em nenhum dos contratos de câmbio firmados com aquele objetivo; "c) os contratos de câmbio juntados por cópias às fls. 84 a 90 e 94 a 99 correspondem à compra de moeda estrangeira por parte da Autuada, no exato montante dos juros semestrais expresso em dólares norteamericanos, constante do mencionado Certificado de Registro n° 241/35.466 do BACEN; no entanto, fazem eles referência a um outro certificado de registro, qual seja, o de n° SAO/02362; "d) os valores informados na Ficha 31, linha 26, a título de Operações Registradas no Banco Central Pessoas Vinculadas Operações Juros Pagos ou Creditados (R$ 23.814.120,49 e R$ 20.831.487,26, respectivamente nos anoscalendário de 2002 e 2003), correspondem, efetivamente, ao total das remessas dos juros semestrais em cada período, acrescido dos encargos apropriados nos períodos de competência; entrementes, somente os valores remetidos em 2002 já superam o valor das receitas financeiras informadas como recebidas da Autuada pela controlada, no exterior naquele ano, o que, em princípio, também não explica as divergências de informação que motivaram a lavratura do AI guerreado. "Tais fatos levam à necessidade de obtenção de informações e documentos complementares junto à Impugnante, objetivando carrear aos autos os elementos necessários ao perfeito esclarecimento das diferenças apontadas pela Fiscalização e disponibilizando ao julgador condições para que seja prolatada uma decisão criteriosa acerca do litígio, na busca da verdade material que informa o processo administrativo fiscal. "Por essa razão, e com fulcro no artigo 18, do Decreto n° 70.235, de 1972, proponho a conversão do julgamento em diligência, para que a Fiscalização adote as seguintes providências: "1. intimar a Impugnante a prestar esclarecimentos por escrito acerca da sua suposta assunção da dívida contraída originalmente pela empresa DISTRILUZ ENERGIA ELÉTRICA LTDA, devidamente acompanhados de documentação comprobatória da obrigação para com a sua controlada no exterior LUZ DE PANAMÁ; intimála, ainda, a apresentar o Certificado de Registro n" SAO/02362 do BACEN, correspondente aos contratos de câmbio firmados nos anos de 2002 e 2003, conforme cópias de fls. 84 a 90 e 94 a 99; "2. identificar na escrituração contábil da Contribuinte os registros das remessas de valores noticiadas pelos contratos de câmbio acima mencionados, assim como todos os beneficiários dos recursos enviados para o exterior a eles relativos, considerando as alegações da defesa de que os pagamentos declarados não se destinaram somente à LUZ DE PANAMÁ; "3. anexar cópias das correspondentes folhas dos livros da escrituração contendo os registros nas respectivas rubricas contábeis movimentadas pelas aludidas operações." Fl. 1101DF CARF MF Processo nº 10380.012954/200695 Acórdão n.º 1301002.153 S1C3T1 Fl. 1.102 8 Aproveito o ensejo para solicitar a inclusão neste processo, de copias dos documentos originalmente juntados pela Impugnante nos autos relativos à exigência do IRRF acima mencionados, para fins de saneamento de sua instrução. Em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal (fls. 672, 673) emitido pela fiscalização no curso do procedimento de diligência fiscal, o contribuinte efetuou, em síntese, as seguintes alegações (fls. 676 a 685): 1 Com base no princípio da verdade material, suplicou a alteração dos valores informados na DIPJ/2003, Ficha 31A, Linha 26 Operações Registradas no Banco Central Pessoas Vinculadas, de R$ 23.814.120,49 para R$ 21.784.533,17, tendo em vista que o valor de R$ 2.029.587,32, correspondente à despesa contabilizada pelo regime de competência no ano calendário de 2002, foi indevidamente a ela adicionado. Da mesma forma, no anocalendário de 2003 solicitou a alteração dos valores informados na DIPJ/2004, Ficha 38A, Linha 26 Operações Registradas no Banco Central Pessoas Vinculadas, de R$ 20.831.487,26 para R$ 19.160.130,72, visto que o valor de R$ 1.671.356,54, correspondente à despesa contabilizada pelo regime de competência no anocalendário de 2003, foi indevidamente a ela adicionado; 2 Relativamente às informações prestadas na DIPJ/2003, Ficha 37, Linha 04 Participações no Exterior Resultado do Período de Apuração, confirmou que o valor de R$ 19.624.779,25 nela informado está correto e corresponde aos juros incorridos, porém não necessariamente pagos no ano, em empréstimo tomado junto à Luz de Panamá, considerados pelo regime de competência. Do mesmo modo, para a DIPJ/2004 Ficha 44 Linha 04 Participações no Exterior Resultado do Período de Apuração, afirmou que o valor nela informado de R$ 19.990.285,26 corresponde aos juros incorridos em empréstimo tomado junto á Luz de Panamá, considerados pelo regime de competência; 3 Requereu a desconsideração de sua peça impugnatória das informações equivocadas de que "as diferenças apuradas das montas de R$ 4.189.341,24 e R$ 841.202,00 foram ou pagamento a outras entidades que não a Luz de Panamá, todas com o devido pagamento de IRRF, conforme contratos em anexo, ou de "Encargos de Dìvidas" e de "Juros", nos períodos de 2002 e 2003, referente à contabilização, pelo regime de competência mas sem efeito caixa, dos ditos "Encargos e Dívidas" e "Juros""; 4 Afirmou ainda que, apesar dos equívocos acima descritos, as diferenças existentes entre as Fichas 31A Linha 26 (DIPJ/2003) e 38A Linha 26 (DIPJ/2004), e as Fichas 37 Linha 04 (DIPJ/2003) e 44 Linha 04 (DIPJ/2004), decorrem da própria natureza das informações, isto porque, as informações relativas seguem o regime de caixa e correspondem aos juros pagos no ano convertidos em reais pelo dólar do dia do pagamento. Já as informações referentes consideram o regime de competência, e correspondem aos juros mensais apropriados contabilmente, convertidos pela taxa de câmbio do mês correspondente. A fim de comprovar as alegações, juntou aos autos cópia do Certificado de Registro BACEN nº 241/35466, de 04/05/1999 (fls. 696 a 699) e seu aditivo nº 1, de 21/06/2001 (fls. 715 a 716), demonstrando que as obrigações passaram a ser da Investluz S.A. Anexou também os registros de remessa de valores ao exterior (fls. 700 a 714), bem assim, cópias dos Livros Diário nº 4 (AC 2002) e nº 5 (AC 2003) com os lançamentos dos valores remetidos (fls. 717 a 739). Após análise dos documentos acostados aos autos em sede de diligência, a DRJ/FOR afastou parcialmente a infração para excluir da tributação os valores referentes aos juros Fl. 1102DF CARF MF Processo nº 10380.012954/200695 Acórdão n.º 1301002.153 S1C3T1 Fl. 1.103 9 pagos pela recorrente ao Banco Hispano nos anoscalendário de 2002 e 2003, sob os seguintes fundamentos (fls. 933 a 953): 57. Em primeiro lugar, por ocasião da sua manifestação acerca do Relatório de Diligência, o impugnante confere outra qualificação às parcelas que compõem os "Juros pagos ou creditados", ao mesmo tempo que alega erro de fato na informação prestada a esse título via DIPJ. Assim, os "Juros pagos ou creditados" têm os montantes explicitados na coluna "C" do quadro acima e referemse "aos juros pagos no ano convertidos em reais com base no dólar da data do respectivo pagamento". Por sua vez, a quantia referida a título de "Encargos da dívida" foi incorretamente adicionada aos "Juros pagos ou creditados", já que "correspondente à despesa contabilizada pelo regime de competência". Diferentemente, ratifica os valores referidos na coluna "A", tratandose dos "juros incorridos (e não necessariamente pagos no ano) em empréstimo tomado junto à Luz do Panamá, considerados pelo Regime de Competência (art. 177, caput, da Lei n.° 6.404/76 Lei das S/As)". 58. Em vista disso, requer, em homenagem ao princípio da verdade material, que sejam desconsideradas de sua peça de impugnação as informações de que "as diferenças apuradas das montas de R$ 4.189.341,24 e R$ 841.202,00 foram ou pagamento a outras entidades que não a Luz de Panamá, todas com o devido pagamento de IRRF (...) ou de 'Encargos de Dívidas" e "Juros", nos períodos de 2002 e 2003, referente à contabilização, pelo regime de competência mas sem efeito caixa, dos ditos 'Encargos e Dívidas'". Em contrapartida, roga a consideração de que "todas as remessas e pagamentos a pessoas vinculadas no exterior foram feitos exclusivamente para a LUZ DE PANAMÁ, e, ainda, que as diferenças encontradas entre as linhas antes indicadas decorrem da própria natureza das informações que devem ser prestadas em cada uma (regime de caixa e regime de competência)". 59. Mesmo levando em consideração o equívoco cometido, persiste ainda uma diferença entre os "Juros pagos ou creditados" ("C") e as "Receitas financeiras" ("A"), que procura justificar com base na diversidade nos critérios de contabilização dessas contas, a saber: "as primeiras denominadas 'Operações Registradas no Banco Central Pessoas Vinculadas', devem informar 'o valor total dos juros pagos ou creditados em operações financeiras registradas no Banco Central do Brasil com pessoas vinculadas', já as últimas, denominadas 'Receitas Financeiras Auferidas com a vinculada no Brasil', devem informar 'o valor total das receitas financeiras auferidas pela filial, controlada ou coligada domiciliada no exterior nas operações efetuadas com a pessoa jurídica vinculada domiciliada no Brasil' (conforme instruções de preenchimento das DIPJs contidas no site na internet da Receita Federal grifos acrescidos)". 60. O argumento também não se mostra consistente, uma vez que as diferenças encontradas, uma positiva (para o ano de 2002) e outra negativa (para o ano de 2003), não refletem a diversidade do critério de contabilização. 61. Cumpre observar que a informação trazida esclarece a primeira inconsistência apontada na Resolução DRJ/FOR n.° 946/2007, que converteu o julgamento em diligência. 62. A segunda inconsistência verificada pelo relator da Resolução consiste no fato de o Certificado de Registro n° 241/35.466, de 04.10.1999, emitido pelo Banco Fl. 1103DF CARF MF Processo nº 10380.012954/200695 Acórdão n.º 1301002.153 S1C3T1 Fl. 1.104 10 Central do Brasil (Bacen), acostado às fls 695/701, referirse a empréstimo tomado por DISTRILUZ ENERGIA ELÉTRICA LTDA, não existindo nos autos quaisquer esclarecimentos da suposta assunção da dívida pelo impugnante, para justificar a remessa dos juros contratuais à empresa sediada no exterior (LUZ DE PANAMÁ, controlada pelo autuado e seu pretenso credor), a qual não consta em nenhum dos contratos de câmbio firmados com aquele objetivo. 63. A esse respeito, o impugnante aduziu, em sua manifestação acerca do Relatório de Diligência, que as obrigações passaram a ser de titularidade da INVESTLUZ, ao aditar, em 21.06.2001, o Certificado de Registro BACEN n° 241/35.466 (fl 714). 64. Como se verifica, o ponto suscitado não restou esclarecido. Com efeito, a alteração do nome do devedor, de Distriluz para Investluz, no Certificado de Registro foi efetuada sem a explicitação ou comprovação do motivo para a realização de tal ato. Vale dizer que não se tem a comprovação de uma suposta assunção da dívida pelo impugnante, para justificar a remessa dos juros contratuais à empresa sediada no exterior. 65. Igualmente não se pode considerar elucidado que as remessas de juros ao exterior se destinavam à controlada Luz de Panamá, a despeito de registro contábil em sentido contrário (fls 719, 724, 734), uma vez que os contratos de câmbio assinalam o Banco Central Hispano como credor de empréstimo tomado pela Distriluz, para fazer capital de giro. 66. A terceira inconsistência verificada dá conta de que os contratos de câmbio, juntados por cópias às fls 695/700, fazem referência a um Certificado de Registro de n.° SAO/02362, diferente do número que figura naquele das fls 701/702, de n° 241/35.466. 67. Quanto a isso, afirma o impugnante que os Certificados são os mesmos e que a alteração de sua numeração se deu com o registro da operação no Sisbacen/Siscomex. Com efeito, conforme tela do Sisbacen à fl 701, o registro SAO/02362 identifica a operação realizada, enquanto o registro 241/35.466 indica o certificado de origem da operação. 68. Para finalizar, a Resolução assinalou o fato de que os "Juros pagos ou creditados" superam o valor das receitas financeiras informadas como recebidas do impugnante pela controlada no exterior, o que, em princípio, não explicaria as divergências de informação que motivaram a lavratura do auto de infração. 69. Em resumo, a diferença verificada entre os itens da declaração, vale dizer entre "receitas financeiras" auferidas pela controlada no exterior e os "juros pagos ou creditados" pelo controlador impugnante, não pode ser integralmente qualificada como receita financeira da controlada, tendo em vista os seguintes elementos de convicção já recolhidos acima, a saber: (a) de uma parte, os documentos (Bacen, Siscomex) registram que os juros foram efetivamente pagos pela Investluz ao Banco Central Hispano, em suposta assunção de dívida de empréstimo contratado inicialmente pela Distriluz, de modo que os juros não seriam propriamente receita da controlada (princípio da verdade real), a despeito de registro contábil em sentido contrário (contabilidade); (b) de outra, os "encargos da dívida", que corresponderiam a despesas contabilizadas com base no regime de competência, não figuram nos documentos citados e o impugnante não demonstra a sua origem, não desconstituindo, assim, a qualificação atribuída a essa diferença na DIPJ. Fl. 1104DF CARF MF Processo nº 10380.012954/200695 Acórdão n.º 1301002.153 S1C3T1 Fl. 1.105 11 70. Em vista disso, excluemse os juros pagos ao Banco Hispano, mantendo se o cômputo dos "encargos da dívida", na apuração do valor da infração fiscal, de modo que ò quadro de fl 37 deve ser refeito". A meu ver, não merece reparos a decisão da DRJ que exonerou a parcela das diferenças apuradas pela fiscalização referentes aos juros pagos ao Banco Hispano, face à comprovação que os valores não foram pagos à controlada no exterior, e manteve a adição de R$ 4.898.140,56 ao lucro real de 2003, conforme quadro abaixo: ano rec. fin. auferida c/a vincul. no brasil lue. liq. do período da controlada no exterior lucros acumulados da controlada no exterior computado no resultado da controlada efetivamente remetida p/controladora calculado retificado 1 4.270.167,08 783.674,59 783.674,59 2000 11.924.418,00 12.465.993,29 5.357.071,00 4.815.495,71 4.031.821,12 2001 15.396.875,94 16.965.962,57 3.495.769,34 1.926.682,71 5.959.503,83 2002 19.624.779,25 21.654.366,57 3.215.184,76 5.244.772,08 714.731,75 2003 19.990.285,26 20.831.487,26 4.771.670,31 5.612.872,31 4.898.140,56 Adições não computadas na apuração do lucro real decorrentes das parcelas diferidas da variação cambial, nos termos da MP nº 1.818/99 1) O contribuinte deixou de adicionar ao lucro real a parcela restante do diferimento da variação cambial MP 1.818/99, no anocalendário de 2003, no valor de R$ 2.781.403,00, conforme planilha anexa e como abaixo se demonstra: MÊS/ANO VR. DIFERIDO AMORT. MÊS AMORT. ACUM AMORT. INDEDUTÍVEL SDO CONTÁBIL JAN/2003 25.217.573,47 547.223,67 22.983.394,14 547.223,67 2.234.179,33 FEV/2003 25.217.573,47 547.223,67 23.530.617,81 1.094.447,34 1.686.955,66 MAR/2003 25.217.573,47 547.223,67 24.077.841,48 1.641.671,01 1.139.731,99 ABR/2003 25.217.573,47 547.223,67 24.625.065,15 2.188.894,68 592.508,32 MAI/2003 25.217.573,47 547.223,67 25.172.288,82 2.736.118,35 45.284,65 JUN/2003 25.217.573,47 547.223,67 25.217.573,47 2.781.403,00 Na impugnação apresentada, a ora recorrente, defendeuse alegando que, na verdade, o que houve foi um aproveitamento fiscal a menor do diferimento da variação cambial permitida pela MP n° 1.818/99, pela empresa cindida Distriluz Energia Elétrica S.A.. Afirmou que em 1999, a COELCE, controlada da recorrente, incorporou parcialmente, após cisão patrimonial, a sua controladora à época, a saber, Distriluz Energia Elétrica S.A.. Previamente à dita incorporação da Distriluz pela COELCE, houve a transferência, por parte dos acionistas, para a ora Impugnante, das ações que possuíam na incorporada, recebendo na Investluz o mesmo número de ações que eram detentores, assumindo a Investluz as dívidas da Distriluz. Veja o trecho da impugnação a respeito da matéria: Fl. 1105DF CARF MF Processo nº 10380.012954/200695 Acórdão n.º 1301002.153 S1C3T1 Fl. 1.106 12 101. Nestes termos, a Distriluz detinha em setembro de 1999 o quantum de R$ 25.217.573,47 de variação cambial a ser diferida. Esse era o valor contábil do diferimento possível, na forma da MP n° 1.818/99. Entretanto, por opção da Distriluz, quando de sua DIPJ esta não aproveitou, para fins fiscais, a totalidade do valor do diferimento permitido. 102. Nesse ponto, a Ficha 10 Demonstração do Lucro Real da DIPJ/1999 da Distriluz (DOC) , assinala ter a Distriluz excluído a título de "Diferimento Variação Cambial MP 1818/99" no mês de Setembro de 1999, o quantum de R$ 22.436.170,52, por ter adicionado, no mesmo mês, a título de "Amortização Variação Cambial MP 1818/99", a quantia de R$ 2.709.561,51. 103. Ou seja, em 1999 deixou de see diferido o montante de R$ 2.709.561,51, compondo esse valor, já naquela ocasião, a base de cálculo do IRPJ. 104. Simplificando, embora a Impugnante pudesse tributar pelo IRPJ esse valor de R$ 2.709.561,51 somente no ano de 2003, exatamente como quer fazer a fiscalização, optou por fazêlo antecipadamente, em 1999. Assim, qualquer IRPJ incidente sobre esse montante foi calculado e, se foi o caso, recolhido no anocalendário de 1999. 105. Tal alegação é comprovável pela Planilha de Cálculo do Imposto de Renda com base no resultado (1999), a qual está anexa em conjunto com a Ficha 10 Demonstação do Lucro Real da DIPJ/1999. 106. Assim, do aproveitamento a menor pela contabilidade da Distriuz, do diferimento da variação cambial, resultou a suposta não adição a qual ora esta sendo tributada erroneamente, tendo a mesma que ser revista pelos fatos, argumentos e documentos que demonstram o afirmado, podendo e devendo, caso a Douta Autoridade entenda necessário, ser objeto de comprovação por intermédio de diligência/perícia fiscal, o que desde já se requer." Ao apreciar a impugnação, a DRJ/FOR determinou a realização de diligencia, nos seguintes termos: 3. Da Falta de Adição da Parcela Restante do Diferimento da Variação Cambial do AnoCalendário de 1999 (MP n° 1.818/99). Com relação ao item 3 da autuação, em que a documentação juntada pela defesa contradiz a acusação fiscal, que, por sua vez, se fundamentou em informação prestada pela própria Contribuinte ao autor do feito, solicito as seguintes providências: a) intimar a empresa a justificar as divergências entre os dados constantes das planilhas de fls. 52 (apresentada pela Contribuinte durante o procedimento fiscal), e de fls. 201 (juntada à peça impugnatória), em razão dessa última demonstrar a ausência de valor remanescente a ser adicionado na apuração do lucro real do anocalendário de 2003; b) verificar na escrituração contábil da Autuada, a evolução histórica do valor diferido à título de variação cambial (MP n° 1.818/99, artigos I o e 2o), no anocalendário de 1999 oriundo da sucedida, e por ela excluído no período e o registro das amortizações realizadas posteriormente, cotejandoas com os valores adicionados na apuração do lucro real em cada anocalendário em que o ajuste foi efetuado, de acordo com a documentação acostada pela Impugnante às fls. 200 a 269." Em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal emitido pela fiscalização no curso do procedimento de diligência fiscal, o contribuinte justificou que a divergência entre as planilhas Fl. 1106DF CARF MF Processo nº 10380.012954/200695 Acórdão n.º 1301002.153 S1C3T1 Fl. 1.107 13 apresentadas à fiscalização e a anexada à impugnação resultou de equívoco constante da planilha entregue à fiscalização. Afirmou que o valor autuado pela fiscalização havia sido adicionado ao LALUR da Distriluz Energia Elétrica S.A e, portanto, já tributado. Anexou aos autos cópia do LALUR da Distriluz do AC 1999 e da Investluz dos AC 1999 a 2002. A DRJ/FOR acolheu as alegações da recorrente e deu parcial provimento à impugnação da recorrente, para reduzir a base de cálculo da autuação para R$ 9.518.81, em acórdão assim fundamentado: 74. A imputação fiscal está fundamentada na Medida Provisória n° 1.818, de 25 de março de 1999, convertida na Lei n° 9.816, de 2 3 de agosto de 1999, verbis: Art. 1º As pessoas jurídicas poderão registrar, em conta do ativo diferido, o resultado líquido negativo decorrente do ajuste dos valores em reais de obrigações e créditos, efetuado em virtude de variação nas taxas de câmbio ocorrida no primeiro trimestrecalendário de 1999. Parágrafo único. O valor da despesa, registrada na forma deste artigo, deverá ser amortizado à razão de vinte e cinco por cento, no mínimo, por anocalendário, a partir de 1999. Art. 2º A pessoa jurídica que houver adotado o procedimento referido no artigo anterior deverá excluir do lucro líquido, para determinação do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, relativos ao primeiro trimestrecalendário do ano de 1999, se tributada com base no lucro real apurado trimestralmente, ou ao ano calendário de 1999, se tributada com base no lucro real apurado anualmente, a diferença entre o valor da despesa, registrado no ativo diferido, e o amortizado no mesmo período. Parágrafo único. O valor amortizado nos períodos de apuração subseqüentes ao da exclusão será adicionado ao lucro líquido, para determinação do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido correspondentes ao mesmo período. 75. Segundo planilha inicialmente apresentada pelo contribuinte (fl 52), havia sim despesa ativada de Variação Cambial Passiva a amortizar em 2003. Já no demonstrativo de fl 201, todo o resultado negativo decorrente da variação cambial, no valor R$ 25.217.573,47, fora amortizado nos períodos de setembro de 1999 a dezembro de 2002. As planilhas diferem entre si basicamente no valor a amortizar, devido a um "ajuste por recuperação" (R$ 2.709.561,51). De fato, o resultado negativo em ambas é de R$ 25.217.573,47, assim com a amortização mensal no valor de R$ 547.223,67. 76. Diante desse quadro, resta saber se o valor a título de "ajuste por recuperação" foi adicionado na apuração do lucro real do ano calendário de 1999. Compulsando o Lalur de julho de 1999, a resposta é afirmativa, conforme fl 759. Por sua vez, na Ficha 10A da DIPJ/2000, não se registra adição específica sob essa rubrica, mas uma adição global na linha "outras adições", no valor R$ 14.571.161,29, de modo que é mister comparálo ao montante das adições registradas no Lalur de 1999. A mesma providência deverá ser adotada em relação aos anos de 2000 a 2002. 77. Com referência ao ano de 1999, o Lalur do impugnante registra a amortização mensal a partir do mês de setembro (fls 781/788). No Lalur da sucedida Distriluz, o lançamento "ajuste por recuperação" foi feito em julho (fl 754). É preciso saber se o valor amortizado de R$ 2.736.118,35 (fl 201), somado ao "ajuste por recuperação" de Fl. 1107DF CARF MF Processo nº 10380.012954/200695 Acórdão n.º 1301002.153 S1C3T1 Fl. 1.108 14 R$ 2.709.561,51, integrou o valor adicionado informado na DIP J/2000. A resposta é afirmativa, consoante se verifica no registro no Lalur de dezembro (fl 787). 78. Em relação ao ano de 2000, a Ficha 09A da DIPJ/2001 registra, na linha "Despesas Operacionais Soma Parcela Não Dedutíveis", o valor de R$ 6.566.684,04, que, segundo o impugnante, corresponde à despesa amortizada no ano, a qual deveria figurar na linha "Ajustes de Obrig e Créd Variação Amortizada (Lei n° 9.816/99, de art. 2°)". Por sua vez, o Lalur de 2000 assinala as amortizações mensais de R$ 547.223,67, perfazendo o total no período de 6.566.684,04 (fls 820 e 201). 79. Respeitante a 2001, a Ficha 09A da DIP J/2002 registra, na linha "Ajustes de Obrig e Créd Variação Amortizada (Lei n° 9.816/99, de art. 2°)", a amortização de R$ 6.557.165,23. A seu turno, o Lalur de 2001 assinala as amortizações mensais de R$ 547.223,67, perfazendo o total no período de R$ 6.566.684,04 (fls 848 e 201). Assim, remanesce a diferença de R$ 9.518,81, que não integrou a adição da base de cálculo do ano de 2001, conforme DIPJ/2002, razão pela qual deve ser adicionada à base de cálculo do ano de 2003. 80. Por fim, referente a 2002, a Ficha 09A da DIPJ/2003 registra, na linha "Variações Camb AtivasAper Liq (MP 1.85810/1999, art. 30)", o valor de R$ 6.569.856,97, que, segundo o impugnante, corresponde à despesa amortizada no ano, a qual deveria figurar na linha "Ajustes de Obrig e Créd Variação Amortizada (Leis n° 9.816/99 e 10.305/2001)". Por sua vez, o Lalur de 2002 assinala as amortizações mensais de R$ 547.223,67, perfazendo o total no período de R$ 6.569.856,97 (fls 877 e 201). 81. Tendo em vista que o resultado negativo inicial foi parcialmente amortizado nos anos de 1999 a 2002, deve ser adicionado à base de cálculo de 2003 o valor não adicionado no ano de 2001, de R$ 9.518,81. De igual forma à infração anterior, sem reparos ao acórdão da DRJ/FOR, visto que no curso do procedimento de diligência fiscal foram acostados aos autos documentação comprobatória da tributação pela Distriluz Energia Elétrica S.A, de parte dos valores objeto dos autos de infração. Diante do exposto, voto por dar provimento aos embargos para sanar a omissão relativa à falta de apreciação do recurso de ofício e no mérito negar provimento. (Assinado Digitalmente) Milene de Araújo Macedo Fl. 1108DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.020001/2007-05
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 05 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jan 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003
NORMAS REGIMENTAIS. OBRIGATORIEDADE DE APLICAÇÃO DE CONTEÚDO DE SÚMULA DO CARF.
A teor do art. 72 do Regimento Interno do CARF: as decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF.
SÚMULA CARF Nº 02
Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
SÚMULA CARF Nº 107
A receita da atividade própria, objeto da isenção da Cofins prevista no art. 14, X, c/c art. 13, III, da MP nº 2.158-35, de 2001, alcança as receitas obtidas em contraprestação de serviços educacionais prestados pelas entidades de educação sem fins lucrativos a que se refere o art. 12 da Lei nº 9.532, de 1997.
Numero da decisão: 9303-004.339
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento
RODRIGO DA COSTA PÔSSAS - Presidente em exercício.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Valcir Gassen, Júlio César Alves Ramos e Luiz Augusto do Couto Chagas e as Conselheiras Érika Costa Camargos Autran, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: JULIO CESAR ALVES RAMOS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003 NORMAS REGIMENTAIS. OBRIGATORIEDADE DE APLICAÇÃO DE CONTEÚDO DE SÚMULA DO CARF. A teor do art. 72 do Regimento Interno do CARF: as decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. SÚMULA CARF Nº 02 Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. SÚMULA CARF Nº 107 A receita da atividade própria, objeto da isenção da Cofins prevista no art. 14, X, c/c art. 13, III, da MP nº 2.158-35, de 2001, alcança as receitas obtidas em contraprestação de serviços educacionais prestados pelas entidades de educação sem fins lucrativos a que se refere o art. 12 da Lei nº 9.532, de 1997.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento RODRIGO DA COSTA PÔSSAS - Presidente em exercício. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Valcir Gassen, Júlio César Alves Ramos e Luiz Augusto do Couto Chagas e as Conselheiras Érika Costa Camargos Autran, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello.
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Numero do processo: 35011.003985/2006-84
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Aug 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
RECURSOS ESTATAIS. TRANSFERÊNCIA DE RECURSOS À ASSOCIAÇÃO DESPORTIVA MANTENEDORA DE EQUIPE DE FUTEBOL PROFISSIONAL. INCIDÊNCIA CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS.
Consoante a legislação de regência, os recursos repassados a título de patrocínio, sob qualquer forma, por entidade a associação desportiva que mantém equipe de futebol profissional, devem sofrer a retenção da contribuição patronal destinada a seguridade social.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-005.387
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em afastar a preliminar de nulidade e no mérito, em negar provimento ao recurso.
Kleber Ferreira de Araújo - Presidente
Ronnie Soares Anderson - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Natanael Vieira dos Santos, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felicia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 RECURSOS ESTATAIS. TRANSFERÊNCIA DE RECURSOS À ASSOCIAÇÃO DESPORTIVA MANTENEDORA DE EQUIPE DE FUTEBOL PROFISSIONAL. INCIDÊNCIA CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. Consoante a legislação de regência, os recursos repassados a título de patrocínio, sob qualquer forma, por entidade a associação desportiva que mantém equipe de futebol profissional, devem sofrer a retenção da contribuição patronal destinada a seguridade social. Recurso Voluntário Negado.
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FUTEBOL PROFISSIONAL. Recorrente SECRETARIA DE ESTADO DA JUVENTUDE DESPORTO E LAZER Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 RECURSOS ESTATAIS. TRANSFERÊNCIA DE RECURSOS À ASSOCIAÇÃO DESPORTIVA MANTENEDORA DE EQUIPE DE FUTEBOL PROFISSIONAL. INCIDÊNCIA CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. Consoante a legislação de regência, os recursos repassados a título de patrocínio, sob qualquer forma, por entidade a associação desportiva que mantém equipe de futebol profissional, devem sofrer a retenção da contribuição patronal destinada a seguridade social. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 01 1. 00 39 85 /2 00 6- 84 Fl. 186DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 30/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em afastar a preliminar de nulidade e no mérito, em negar provimento ao recurso. Kleber Ferreira de Araújo Presidente Ronnie Soares Anderson Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Natanael Vieira dos Santos, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felicia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 187DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 30/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 35011.003985/200684 Acórdão n.º 2402005.387 S2C4T2 Fl. 108 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra DecisãoNotificação nº 03.401.4/0283/2006 datada de 26/9/2006, que julgou procedente NFLD DEBCAD 35.812.077 2 (fls. 1/23), lavrada em 17/5/2005 em decorrência de auditoria realizada junto à Secretaria da Juventude, Desporto e Lazer do Estado do Amazonas AM, que constatou a celebração de convênios com associações desportivas que mantém equipe de futebol profissional. Segundo o relatório fiscal, esses convênios transferiram recursos aos clubes de futebol profissional, constituindose em forma de patrocínio nos termos dos §§ 6º e 9º da Lei nº 8.212/91, devendo ter sido retido 5% à título de contribuição patronal pela entidade pagadora, o que não aconteceu, dando azo ao lançamento contestado. Foram juntados os convênios em questão e respectivos extratos de empenho (fls. 26/42), bem como Pareceres da Procuradoria Geral do Estado do Amazonas (fls. 41/66) elaborados no ano de 2004, no sentido de ser indevida a retenção exigida pelo INSS. Noutro sentido, foi anexada Nota Técnica da Procuradoria do INSS em prol da retenção guerreada (fls. 68/70). O Estado do Amazonas impugnou a exigência às fls. 75/101, a qual foi mantida pela indigitada DecisãoNotificação nº 03.401.4/0283/2006 (fls. 106/110), motivo pelo qual foi interposto recurso voluntário (fls. 118/124) arguindose, em síntese: a existência de vício formal por não ter sido juntado à NFLD o Parecer da PFE/INSS, o que acarretou violação aos princípios do contraditório e ampla defesa; e a inocorrência do fato gerador, visto que o aporte de recursos financeiros via convênio pelo Estado do Amazonas não se iguala a patrocínio, sendo na verdade "a concretização de uma política pública necessária para o desenvolvimento das práticas desportivas". Mediante a prolação do Acórdão nº 240200.671, esta Turma proferiu em 22/3/2010 decisão anulando o processo por vício material (fls. 130/134). Tal decisão foi reformada na data de 25/3/2014, após recurso especial (fls. 134/144) interposto pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN), pelo Acórdão da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) de nº 9202003.098, que determinou o retorno dos autos à Câmara de origem para apreciação das demais matérias constantes no recurso voluntário do contribuinte. É o relatório. Fl. 188DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 30/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 4 Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson Relator O recurso já foi admitido pelo CARF, razão pela qual passo ao exame das questões levantadas pelo autuado. Inicialmente, cabe refutar de plano as alegações do contribuinte no sentido de que a ausência do "Parecer da PFE/INSS" na verdade, Nota Técnica/CONSU/AM Nº 140/2004 seria causa de vício formal na autuação. A mera leitura do Relatório Fiscal de fls. 17/23 revela que o lançamento está assentado em discriminação adequada e suficiente dos fatos e fundamentação jurídica envolvidos, sendo que a consulta formulada apenas corroborou o entendimento da autoridade fiscal pela incidência da tributação, não lhe servindo de amparo fundamental, como sugere o recorrente. Dito Parecer encontrase nos autos às fls. 68/70, havendo sido franqueada oportunidade de o autuado enfrentar seus termos desde o início do contencioso administrativo. Nessa linha, não resta demonstrado qual o prejuízo para a defesa capaz de ensejar a pretensa nulidade postulada, sendo que o contribuinte recorre do lançamento evidenciando pleno conhecimento das exigências que lhe são imputadas. No tocante à questão de fundo, temse que o art. 195 da Constituição Federal (CF), preconiza que a seguridade social será financiada por toda a sociedade, direta e indiretamente, mediante, dentre outras fontes, as contribuições sociais. Atendendo os objetivos da equidade na forma de participação de custeio, e da diversidade da base de financiamento insculpido nos inciso V e VI do art. 194 da CF, a alínea 'b' do inciso I do art. 195 estabeleceu a contribuição do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada, incidente sobre a receita ou faturamento. O art. 22 da Lei nº 8.212/91 veiculou a norma de regência que implementou tal previsão constitucional, cabendo reproduzilo no que interessa aos fatos em apreço: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) § 6º A contribuição empresarial da associação desportiva que mantém equipe de futebol profissional destinada à Seguridade Social, em substituição à prevista nos incisos I e II deste artigo, corresponde a cinco por cento da receita bruta, decorrente dos espetáculos desportivos de que participem em todo território nacional em qualquer modalidade desportiva, inclusive jogos internacionais, e de qualquer forma de patrocínio, licenciamento de uso de marcas e símbolos, publicidade, propaganda e de transmissão de espetáculos desportivos. (...) Fl. 189DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 30/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 35011.003985/200684 Acórdão n.º 2402005.387 S2C4T2 Fl. 109 5 § 9º No caso de a associação desportiva que mantém equipe de futebol profissional receber recursos de empresa ou entidade, a título de patrocínio, licenciamento de uso de marcas e símbolos, publicidade, propaganda e transmissão de espetáculos, esta última ficará com a responsabilidade de reter e recolher o percentual de cinco por cento da receita bruta decorrente do evento, inadmitida qualquer dedução, no prazo estabelecido na alínea "b", inciso I, do art. 30 desta Lei. (grifei) O art. 205 e § 3º do Decreto 3.048/99 (Regulamento da Previdência Social RPS) reflete essas prescrições legais: Art.205. A contribuição empresarial da associação desportiva que mantém equipe de futebol profissional, destinada à seguridade social, em substituição às previstas no inciso I do caput do art. 201 e no art. 202, corresponde a cinco por cento da receita bruta decorrente dos espetáculos desportivos de que participe em todo território nacional, em qualquer modalidade desportiva, inclusive jogos internacionais, e de qualquer forma de patrocínio, licenciamento de uso de marcas e símbolos, publicidade, propaganda e transmissão de espetáculos desportivos. (...) §3º Cabe à empresa ou entidade que repassar recursos a associação desportiva que mantém equipe de futebol profissional, a título de patrocínio, licenciamento de uso de marcas e símbolos, publicidade, propaganda e transmissão de espetáculos, a responsabilidade de reter e recolher, no prazo estabelecido na alínea "b" do inciso I do art. 216, o percentual de cinco por cento da receita bruta, inadmitida qualquer dedução.(grifei) O § 9º do art. 22 da Lei nº 8.212/91 explicita que a entidade, seja pública ou privada que transfere recursos a título de patrocínio, sob qualquer forma, à associação desportiva que mantém equipe de futebol profissional, deve reter sobre tais aportes 5% a título de contribuição empresarial. Patrocínio, conforme passagem colacionada pelo recorrente à fl.81 e transcrita do Novo Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa, p. 1283, possui a seguinte definição: patrocínio [Do lat. Patrocinu] S.m. 1. Proteção, amparo, auxílio, patronagem, patronato. 2. Custeio de um programa de televisão, rádio, etc, para fins de propaganda. O autuado procurou enfatizar o sentido constante no item 2 do verbete supra, para fins de restringir o alcance do conceito de patrocínio contido nas normas focadas, porém tal intento não possui substância, na medida em que o próprio § 6º do art. 22 da Lei nº 8.212/91 deixa expresso que o legislador quis abarcar, para fins de incidência das contribuições destinadas à seguridade social, "qualquer forma de patrocínio". Fl. 190DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 30/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 6 À luz do dispositivo legal resta claro então que a conceituação de patrocínio ventilada na norma se aproxima muito mais da definição do item 1 do verbete em tela, abrangendo toda e qualquer forma de amparo ou auxílio vertido em favor da associação desportiva mantenedora de equipe de futebol, desde que passível de ser traduzida, por óbvio, em termos monetários. Tal exegese se coaduna com os anseios do constituinte, pois insere verbas dessa natureza no âmbito do financiamento da seguridade social. Com efeito, as normas aplicáveis ao tema, acima reproduzidas, visam carrear para esse intento todos as receitas e ingressos destinados às associações desportivas de futebol profissional. Superando a abordagem meramente semântica acerca do significado da palavra "patrocínio" no contexto em evidência, mister reproduzir o correspondente trecho da Exposição de Motivos nº 114, de 11/10/19961, que acompanhou a edição da MP nº1.59614/97, depois convertida na Lei nº 9.528/97, que introduziu as disposições legais ora examinadas na Lei de Custeio: No caso da alteração da base de incidência da contribuição empresarial dos clubes de futebol profissional, busca a Previdência Social instituir sistemática que permita que a receita oriunda deste segmento se aproxime daquela que potencialmente seria arrecadada caso a contribuição incidisse sobre a folha de salários. Estimativas realizadas pela Previdência referentes aos últimos exercícios apontam que a arrecadação obtida dos clubes de futebol, mediante aplicação da alíquota de cinco por cento sobre o borderô de espetáculos esportivos, representa apenas quinze por cento do valor que seria obtido caso a base de incidência fosse a folha de pagamento. Considerando, entretanto, que a base de folha não é funcional para este segmento de atividade, optouse por ampliar a atual base de incidência, que passa a incluir não apenas a renda arrecadada do público pagante de espetáculo esportivo, mas também o conjunto da receita bruta abrangendo a base de cálculo já mencionada entre outros, os valores decorrentes da venda de passes, sessão de jogadores, mensalidades sociais e direitos de arena.Com esta medida, pretendese assegurar um fluxo de receita em montante equivalente ao que seria obtida com base na folha de salário. (grifei) Importa notar que as verbas repassadas pelo Estado do Amazonas à entidade esportiva de futebol profissional, conforme notas de empenho de fls. 26/42, visam "incrementar sua participação no Campeonato Amazonense de 2004, conforme Projeto Básico, parte integrante deste instrumento". Assim, verificase que tal transferência de recursos públicos, passíveis de serem expendidos tanto em despesas correntes quanto em investimento, traduzse em contribuição corrente ou auxílio, respectivamente, cabendo colacionar a definição desses conceitos, juntamente com o de subvenção social, veiculada na Nota Técnica nº 19/11 da Câmara dos Deputados: Subvenção Social – tratase de transferência de recursos a título de despesas correntes, nos termos do art. 16 da Lei no 4.320, de 1964, destinada a “entidades privadas sem fins lucrativos que exerçam atividades de natureza continuada nas áreas de assistência social, saúde ou educação, prestem atendimento direto ao público e tenham certificação de entidade beneficente de assistência social, nos termos da Lei no 12.101, de 27 de novembro de 2009 (art. 30 da LDO 2012) 1 Diário do Congreso Nacional de 2/12/1997, pp. 17863//17864. Fl. 191DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 30/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 35011.003985/200684 Acórdão n.º 2402005.387 S2C4T2 Fl. 110 7 Contribuição Corrente – tratase de transferência de recursos correntes a entidades privadas sem fins lucrativos que exerçam atividades nas demais áreas, ou seja, nos setores não abrangidos pela subvenção social (art. 31 da LDO 2012). Auxílios – nos termos do art. 12, §6º, da Lei nº 4.320, de 1964, são as transferências realizadas para atendimento de despesas de capital derivadas “diretamente da Lei de Orçamento” para entidades privadas sem fins lucrativos que atendam outros requisitos previstos na LDO (art. 33 da LDO 2012) E, consoante Resolução CFC nº 1.005/2004 que estabelece os critérios e procedimentos contábeis a serem seguidos por entidades de futebol profissional, e outras ligadas à exploração da atividade desportiva profissional tais transferências consubstanciam se em item pertinente a outras receitas, ao lado de patrocínios e recuperação de despesas. No mesmo sentido, o Pronunciamento Técnico CFC nº 07 (R1 Subvenções e Assistências Governamentais, que assevera: (...) assim como os tributos são despesas reconhecidas na demonstração de resultado, é lógico registrar a subvenção governamental que é, em essência, uma extensão da política fiscal, como receita na demonstração do resultado. Tratandose o auxílio, subvenção ou contribuição repassado em receita da entidade desportiva (e despesa pública para o ente municipal), o fato desses aportes terem se efetuado com lastro em convênios previamente firmados, os quais têm por escopo formalizado a conjugação de recursos técnicos e financeiros para as associações desportivas incrementarem sua participação em campeonatos de futebol não afasta, por si só, a incidência das contribuições previdenciárias, à míngua de previsão normativa ensejando tal conclusão. De sua parte, o convênio é apenas o instrumento formal rotineiro mediante o qual esses gêneros de transferência de recursos públicos se realiza, pois, conforme explica Conceição Maria Cordeiro Campos2: Os repasses de recursos públicos, a título, dentre outros, de fomento social, de auxílios, de ajudas, de contribuições correntes, de subvenções sociais e de bolsas, são, em princípio, viabilizados através de convênios da Administração Pública, congêneres e/ou por ajustes e procedimentos de natureza convenial. Assim, os repasses financeiros realizados caracterizamse, à toda vista, em auxílio, contribuição, suporte, patrocinado pelo Estado do Amazonas e destinado aos clubes de futebol, independente da forma jurídica que tenha se entendido mais conveniente para sua efetivação. Ademais, ainda que tais transferências possam auxiliar na consecução do objetivo constitucional de fomentar do Estado de fomentar as práticas desportivas, dado o disposto no inciso II do art. 217 da CF, tal feito não interfere no âmbito de incidência das contribuições à seguridade social, igualmente fincadas no seio do ordenamento constitucional. Repitase que o simples fato de que se tratam de recursos estatais não dá azo a colocar tais repasses à margem da tributação, valendo registrar, por exemplo, que diversos tipos de doações e subvenções estatais são notoriamente submetidas ao imposto de renda pessoa jurídica e contribuição social sobre o lucro líquido. 2 Disponível em www.jurisway.org.br/v2/dhall.asp?id_dh=6586, consulta realizada em 5/7/2016. Fl. 192DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 30/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 8 Diante desse contexto, deve ser mantida a exigência. Ante o exposto, voto no sentido de afastar a nulidade suscitada, e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Ronnie Soares Anderson. Fl. 193DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 30/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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