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Numero do processo: 10410.004409/2003-88
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Oct 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Período de apuração: 01/08/1998 a 30/11/1998, 01/01/1999 a 31/03/2003
IMUNIDADE. CONTRIBUIÇÕES. NÃO CABIMENTO.
A imunidade de que trata o art. 150, VI, "d", da Constituição Federal é relativa a impostos. não se aplicando às contribuições sociais que tem natureza própria, diversa da dos impostos.
MULTA DE OFÍCIO DE 75% - APLICAÇÃO - A autoridade administrativa, à vista da legislação vigente, há de aplicar, por ocasião do lançamento de oficio, multa de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de tributo e/ou contribuição em caso de falta de recolhimento.
COFINS. LANÇAMENTO. PROCEDIMENTO. É devido o lançamento da contribuição apurada em procedimento fiscal sobre o faturamento registrado em livros da empresa, formalizado em processo instruído com todos os termos.
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Não restando comprovada a ocorrência de preterição do direito de defesa nem de qualquer outra hipótese expressamente prevista na legislação, não há que se falar em nulidade do lançamento.
DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS.
As sentenças judiciais só, produzem efeitos para as partes envolvidas no processo.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/08/1998 a 30/11/1998, 01/01/1999 a 30/11/2002
IMUNIDADE. CONTRIBUIÇÕES. NÃO CABIMENTO.
A imunidade de que trata o art. 150, VI, "d", da Constituição Federal é relativa a impostos. não se aplicando às contribuições sociais que tem natureza própria, diversa da dos impostos.
MULTA DE OFÍCIO DE 75% - APLICAÇÂO
A autoridade administrativa, à vista da legislação vigente, há de aplicar, por ocasião do lançamento de ofício, multa de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de tributo e/ou contribuição em caso de falta de recolhimento.
PIS. LANÇAMENTO. PROCEDIMENTO.
É devido o lançamento da contribuição apurada em procedimento fiscal sobre o faturamento registrado em livros da empresa, formalizado em processo instruído com todos os termos.
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE.
Não restando comprovada a ocorrência de preterição do direito de defesa nem de qualquer outra hipótese expressamente prevista na legislação, não há que se falar em nulidade do lançamento.
DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS.
As sentenças judiciais só produzem efeitos para as partes envolvidas no processo.
Numero da decisão: 3201-005.782
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA - Presidente
(documento assinado digitalmente)
LEONARDO CORREIA LIMA MACEDO - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Hélcio Lafetá Reis, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente).
Nome do relator: LEONARDO CORREIA LIMA MACEDO
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/08/1998 a 30/11/1998, 01/01/1999 a 31/03/2003 IMUNIDADE. CONTRIBUIÇÕES. NÃO CABIMENTO. A imunidade de que trata o art. 150, VI, "d", da Constituição Federal é relativa a impostos. não se aplicando às contribuições sociais que tem natureza própria, diversa da dos impostos. MULTA DE OFÍCIO DE 75% - APLICAÇÃO - A autoridade administrativa, à vista da legislação vigente, há de aplicar, por ocasião do lançamento de oficio, multa de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de tributo e/ou contribuição em caso de falta de recolhimento. COFINS. LANÇAMENTO. PROCEDIMENTO. É devido o lançamento da contribuição apurada em procedimento fiscal sobre o faturamento registrado em livros da empresa, formalizado em processo instruído com todos os termos. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Não restando comprovada a ocorrência de preterição do direito de defesa nem de qualquer outra hipótese expressamente prevista na legislação, não há que se falar em nulidade do lançamento. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. As sentenças judiciais só, produzem efeitos para as partes envolvidas no processo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/08/1998 a 30/11/1998, 01/01/1999 a 30/11/2002 IMUNIDADE. CONTRIBUIÇÕES. NÃO CABIMENTO. A imunidade de que trata o art. 150, VI, "d", da Constituição Federal é relativa a impostos. não se aplicando às contribuições sociais que tem natureza própria, diversa da dos impostos. MULTA DE OFÍCIO DE 75% - APLICAÇÂO A autoridade administrativa, à vista da legislação vigente, há de aplicar, por ocasião do lançamento de ofício, multa de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de tributo e/ou contribuição em caso de falta de recolhimento. PIS. LANÇAMENTO. PROCEDIMENTO. É devido o lançamento da contribuição apurada em procedimento fiscal sobre o faturamento registrado em livros da empresa, formalizado em processo instruído com todos os termos. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Não restando comprovada a ocorrência de preterição do direito de defesa nem de qualquer outra hipótese expressamente prevista na legislação, não há que se falar em nulidade do lançamento. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. As sentenças judiciais só produzem efeitos para as partes envolvidas no processo.
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CONTRIBUIÇÕES. NÃO CABIMENTO. A imunidade de que trata o art. 150, VI, "d", da Constituição Federal é relativa a impostos. não se aplicando às contribuições sociais que tem natureza própria, diversa da dos impostos. MULTA DE OFÍCIO DE 75% - APLICAÇÃO - A autoridade administrativa, à vista da legislação vigente, há de aplicar, por ocasião do lançamento de oficio, multa de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de tributo e/ou contribuição em caso de falta de recolhimento. COFINS. LANÇAMENTO. PROCEDIMENTO. É devido o lançamento da contribuição apurada em procedimento fiscal sobre o faturamento registrado em livros da empresa, formalizado em processo instruído com todos os termos. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Não restando comprovada a ocorrência de preterição do direito de defesa nem de qualquer outra hipótese expressamente prevista na legislação, não há que se falar em nulidade do lançamento. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. As sentenças judiciais só, produzem efeitos para as partes envolvidas no processo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/08/1998 a 30/11/1998, 01/01/1999 a 30/11/2002 IMUNIDADE. CONTRIBUIÇÕES. NÃO CABIMENTO. A imunidade de que trata o art. 150, VI, "d", da Constituição Federal é relativa a impostos. não se aplicando às contribuições sociais que tem natureza própria, diversa da dos impostos. MULTA DE OFÍCIO DE 75% - APLICAÇÂO A autoridade administrativa, à vista da legislação vigente, há de aplicar, por ocasião do lançamento de ofício, multa de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de tributo e/ou contribuição em caso de falta de recolhimento. PIS. LANÇAMENTO. PROCEDIMENTO. É devido o lançamento da contribuição apurada em procedimento fiscal sobre o faturamento registrado em livros da empresa, formalizado em processo instruído com todos os termos. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 00 44 09 /2 00 3- 88 Fl. 1394DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3201-005.782 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10410.004409/2003-88 Não restando comprovada a ocorrência de preterição do direito de defesa nem de qualquer outra hipótese expressamente prevista na legislação, não há que se falar em nulidade do lançamento. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. As sentenças judiciais só produzem efeitos para as partes envolvidas no processo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA - Presidente (documento assinado digitalmente) LEONARDO CORREIA LIMA MACEDO - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Hélcio Lafetá Reis, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente). Relatório Trata-se de Recurso Voluntário, e-fls. 1288/1296, contra decisão de primeira instância administrativa, Acórdão n.º 11-21.931 - 2 Turma da DRJ/REC, e-fls. 1260/1274, que julgou improcedente a impugnação. O relatório da decisão de primeira instância descreve os fatos dos autos. Nesse sentido, transcreve-se a seguir o referido relatório: Contra a empresa antes identificada foram lavrados os Autos de Infração (fls. 15/20 e 368/373), cujos processos foram juntados por anexação em cumprimento disposição contida no art. 20 da Portaria SRF nº 6.129, de 02.12.2005, do presente processo, para exigência do crédito tributário, adiante especificado, referente aos períodos já mencionados: 2. Segundo a autoridade fiscal, durante o procedimento de verificações obrigatórias, foi constatada diferença apurada entre o valor escriturado e o declarado/pago das contribuições Cofins e PIS, com base nos valores dos livros Registro de Apuração do ICMS e do ISS. A empresa é optante do Refis, tendo confessado débitos das mencionadas contribuições dentro dos meses sob fiscalização, conforme demonstrativos anexos. 3. Devidamente cientificada e inconformada, a contribuinte apresentou peças impugnatórias (fls. 228/231 e 579/582), por intermédio de seu advogado, instrumento Fl. 1395DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3201-005.782 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10410.004409/2003-88 procuratório fls. 232 e 583, anexando documentos (fls. 233/344), requerendo a improcedência dos autos de infração, pelos motivos a seguir: 3.1. sem procedência é a autuação fiscal, por padecer de embasamento legal, em razão da imunidade tributária das contribuições PIS e Cofins sobre livros, jornais e periódicos, consoante o art. 150, VI da Carta Magna. Sendo a autuada uma empresa do setor gráfico, grande parte de sua produção está voltada para a impressão desses produtos, imunes por disposição constitucional a qualquer tipo de tributo ou contribuição. Assim se pronunciando o TRF 5a Região. Devendo ser excluídas das bases de cálculo dos presentes lançamentos, as receitas relacionadas em anexo, todas decorrentes de produção gráfica de livros, jornais e periódicos, albergadas pelo instituto da imunidade constitucional; 3.2. a multa de 75% só é aplicável nos casos de sonegação, motivada por omissão de receita, falta de declaração ou declaração inexata, hipóteses estas que em absoluto se aplicam ao caso em questão. O que se verifica no caso em espécie, é o tipo claro de inadimplência, sobre o qual deve ser aplicada a multa máxima de 20% e não a de 75%, reservada para os casos de sonegação comprovada de tributos federais. Nesse sentido vem se pronunciando o lº Conselho de Contribuintes, como na decisão do Acórdão no 104-18.487; 3.3. a Impugnante aderiu ao Refis, alcançando débitos vencidos até 29.02.2000, fato este não levado em consideração pelos agentes fiscais, que incluíram as contribuições vencidas a partir de agosto de 1998, como parte integrante dos lançamentos ora questionados; 3.4. é a Impugnante fornecedora de produtos para vários Órgãos e Repartições Públicas, que por disciplinamento contido na legislação vigente, sofre retenção de IR, CSLL, PIS e Cofins sobre suas notas fiscais de fornecimento de produtos; 3.5. conforme relação anexa, foram diversas as retenções sofridas a título de antecipação desses tributos e contribuições, valores que não foram considerados pela fiscalização. Pelo exposto, resta provado que os autos de infração estão eivados de nulidade insanável, por ter suporte em ilegalidade, face ao descumprimento do princípio da Reserva legal, pelo que se requer sua improcedência. 4. Na análise procedida pela 2a Turma, desta Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, constatou-se a necessidade de diligência, conforme Resolução nº 514, de 28.09.06 (fls. 613/615), no sentido de verificar se as notas fiscais referidas estão incluídas nos valores das bases de cálculo e se houve retenção dos recolhimentos das mencionadas contribuições por Órgãos Públicos. No caso de haver alteração do crédito tributário, devendo ser elaborados novos demonstrativos conclusivos e dada ciência do resultado ao contribuinte. 5. Atendida a solicitação, foi formalizado Relatório (fl. 624), acompanhado de planilhas (fls. 617/621), e dada ciência ao contribuinte (fl. 622), que não se pronunciou. Sendo encaminhado o presente processo a esta delegacia. É o relatório O Acórdão n.º 11-21.931 - 2 Turma da DRJ/REC está assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Período de apuração: 01/08/1998 a 30/11/1998, 01/01/1999 a 31/03/2003 IMUNIDADE. CONTRIBUIÇÕES. NÃO CABIMENTO. A imunidade de que trata o art. 150, VI, "d", da Constituição Federal é relativa a impostos. não se aplicando às contribuições sociais que tem natureza própria, diversa da dos impostos. Fl. 1396DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3201-005.782 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10410.004409/2003-88 MULTA DE OFÍCIO DE 75% - APLICAÇÃO - A autoridade administrativa, à vista da legislação vigente, há de aplicar, por ocasião do lançamento de oficio, multa de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de tributo e/ou contribuição em caso de falta de recolhimento. COFINS. LANÇAMENTO. PROCEDIMENTO. É devido o lançamento da contribuição apurada em procedimento fiscal sobre o faturamento registrado em livros da empresa, formalizado em processo instruído com todos os termos. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Não restando comprovada a ocorrência de preterição do direito de defesa nem de qualquer outra hipótese expressamente prevista na legislação, não há que se falar em nulidade do lançamento. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas proferidas pelos órgãos colegiados não se constituem em normas gerais, posto que inexiste lei que lhes atribua eficácia normativa. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. As sentenças judiciais só, produzem efeitos para as partes envolvidas no processo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÂO PARA 0 PIS/ PASEP Período de apuração: 01/08/1998 a 30/11/1998, 01/01/1999 a 30/11/2002 IMUNIDADE. CONTRIBUIÇÕES. NÃO CABIMENTO. A imunidade de que trata o art. 150, VI, "d", da Constituição Federal é relativa a impostos. não se aplicando às contribuições sociais que tem natureza própria, diversa da dos impostos. MULTA DE OFÍCIO DE 75% - APLICAÇÂO A autoridade administrativa, à vista da legislação vigente, há de aplicar, por ocasião do lançamento de ofício, multa de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de tributo e/ou contribuição em caso de falta de recolhimento. PIS. LANÇAMENTO. PROCEDIMENTO. É devido o lançamento da contribuição apurada em procedimento fiscal sobre o faturamento registrado em livros da empresa, formalizado em processo instruído com todos os termos. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Não restando comprovada a ocorrência de preterição do direito de defesa nem de qualquer outra hipótese expressamente prevista na legislação, não há que se falar em nulidade do lançamento. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas proferidas pelos órgãos colegiados não se constituem em normas gerais, posto que inexiste lei que lhes atribua eficácia normativa. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. As sentenças judiciais só produzem efeitos para as partes envolvidas no processo. Inconformada, a ora Recorrente apresentou, no prazo legal, Recurso Voluntário, por meio do qual, requer que a decisão da DRJ seja reformada, alegando, em síntese: a) Da imunidade tributária do PIS/COFINS sobre livros, jornais e periódicos A Recorrente alega a imunidade tributária das contribuições PIS e Cofins sobre livros, jornais e periódicos, consoante o art. 150, VI da Carta Magna. 11. O entendimento da turma julgadora afrontou, além do dispositivo constitucional, o inciso VI do artigo 28 da Lei n°. 10.865 de 30 de abril de 2004, assim definido: Fl. 1397DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3201-005.782 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10410.004409/2003-88 "Ficam reduzidas a 0(zero) as aliquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda, no mercado interno, de: "VI- livros, conforme definido no art. 2° da Lei n°10.753, de 30 de outubro de 2003 (incluído pela Lei n°11.033/04). 12. Conforme se denota, a turma julgadora não atentou para o que determina a Lei n°. 10.865/04, que retirou qualquer dúvida a respeito da imunidade das contribuições ao PIS e COFINS, relacionadas com a produção e comercialização de livros, jornais e periódicos, assim como o papel destinado a impressão destes produtos. (e-fl. 1294) Entende assim que a decisão de primeira instância afrontou a Constituição e o inciso VI do artigo 28 da Lei n°. 10.865 de 30 de abril de 2004. b) Multas de 75% nos tributos incidentes sobre as receitas declaradas A Recorrente sustenta que a multa de 75% só é aplicável nos casos de sonegação, motivada por omissão de receita, falta de declaração ou declaração inexata, hipóteses estas que em absoluto se aplicam ao caso em questão. c) Inclusão dos tributos no Refis A Recorrente alega sua inclusão no Refis – Programa de Recuperação Fiscal, para os débitos relacionados com o PIS/COFINS. 16. Na impugnação a recorrente demonstrou ainda que, conforme constatado pelos auditores fiscais, tinha sido obrigada a acatar a inclusão no REFIS - Programa de Recuperação Fiscal, instituído pela Lei n°. 9.964/2000, de débitos fiscais relacionados com o PIS/COFINS, mesmo sabedora da sua imunidade, o que foi aceito, apenas, para possibilitar a adesão. (e-fl. 1294) d) Retenção das contribuições na fonte pagadora A Recorrente alega que apesar da imunidade sofreu retenção de IR, CSLL, PIS e COFINS quando do fornecimento de bens para órgãos e repartições públicas. 18. Demonstrou ainda a recorrente que, apesar da imunidade tributária, por ser fornecedora dos produtos para órgãos e repartições públicas, sofreu retenção de IR, CSLL, PIS e COFINS. 19. Para tanto, juntou com a impugnação relação especificando diversas retenções sofridas a título de antecipação de recolhimento de tributos e contribuições, alertando que ditos valores não teria sido considerado pela fiscalização, que resultou na lavratura de um auto de infração totalmente irregular e ilegal, por desconsideração e desprezo aos valores que foram retidos. (e-fl. 1296) Ao final da sua peça recursal pede: 23. Pelo exposto, comprovada a imunidade da recorrente ao recolhimento do PIS/COFINS, e mesmo assim, efetuadas várias retenções pelos órgãos públicos adquirentes dos produtos, e mais, a exigência ilegal da inclusão no REFIS, o que caracteriza uma bi- tributação, passível de repetição de indébito, requer a reforma da Fl. 1398DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 3201-005.782 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10410.004409/2003-88 decisão proferida pela 2a. Turma Julgadora da DRJ/REC, para, acatando o recurso, dar-lhe provimento, no sentido de declarar a nulidade do auto de infração, e em consequência, determinar sua extinção e arquivamento, juntamente com o processo administrativo decorrente, por ser de Justiça. (e-fl. 1296) É o relatório. Voto Conselheiro LEONARDO CORREIA LIMA MACEDO, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. Em apertada síntese, trata-se de processo relativo a débitos de PIS e COFINS. A seguir passaremos a análise das alegações em sede de Recurso Voluntário. a) Da imunidade tributária do PIS/COFINS sobre livros, jornais e periódicos A Recorrente alega a imunidade tributária das contribuições PIS e Cofins sobre livros, jornais e periódicos, consoante o art. 150, VI da Carta Magna. Não assiste razão a Recorrente. O voto da decisão a quo está bem fundamentado e reproduzo o trecho que explica a questão da imunidade objetiva, apenas para os impostos. A imunidade dos livros, jornais, periódicos e do papel destinado a sua impressão, prevista no art. 150, inciso VI, alínea "d", é objetiva, ou seja, tais objetos estão protegidos da incidência de quaisquer impostos que tenham como fato gerador a produção e a circulação dos mesmos. Entretanto, esta imunidade não alcança outras espécies tributárias, tais como taxas e contribuições sociais. Desta forma, a atividade mencionada pela interessada não é alcançada pela imunidade em comento, devendo, portanto, ser submetida à tributação das contribuições Cofins e PIS. (e-fl. 1268) O CARF possui jurisprudência recente sobre o tema: CARF, Acórdão nº 3401-005.355 do Processo 12898.001209/2009-69 Data: 26/09/2018 Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/09/2007 a 30/04/2009 IMUNIDADE TRIBUTÁRIA DOS LIVROS, JORNAIS, PERIÓDICOS E DO PAPEL DESTINADO A SUA IMPRESSÃO (CF/88, 150, VI, D). A imunidade relativa aos livros, jornais, periódicos e ao papel destinado à sua impressão alcança apenas os impostos, não abrangendo outras espécies tributárias. A imunidade tributária é matéria constitucional, impedindo a incidência da tributação. No caso dos livros, jornais e periódicos, a imunidade é objetiva, ou seja, restrita a tais bens, não alcançando as receitas, nem o lucro das empresas que comercializam esses produtos. Fl. 1399DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 3201-005.782 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10410.004409/2003-88 CARF, Acórdão nº 1301-003.961 do Processo 10380.003152/2005-11, Data 12/06/2019 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano- calendário: 2001, 2002, 2003 IRPJ. Imunidade de Livros, Jornais e Periódicos. Cunho Objetivo. A imunidade de livros, jornais e periódicos é de cunho objetivo, não alcançando as receitas, nem o lucro das empresas que comercializam esses produtos. Nesse ponto, observe-se que o disposto na Lei n°. 10.865, de 2004, de reduzir a zero as alíquotas é um instrumento de política fiscal completamente distinto da imunidade. A existência de alíquota, mesmo que zero, serve para confirmar o fato de que tais bens estavam, e ainda estão, no campo de incidência das contribuições, portanto, não protegidos pela imunidade. Além disso, observe-se que a redução das alíquotas a zero ocorreu em 2004, após a ocorrência dos fatos geradores dos autos. Diante do exposto, nego provimento. b) Multas de 75% nos tributos incidentes sobre as receitas declaradas A Recorrente sustenta que a multa de 75% só é aplicável nos casos de sonegação, motivada por omissão de receita, falta de declaração ou declaração inexata, hipóteses estas que em absoluto se aplicam ao caso em questão. Mais uma vez não assiste razão a Recorrente. A decisão a quo foi clara no esclarecimento quanto a aplicação da multa de ofício de 75%. Nesse sentido, reproduzo o voto que serve como razão de decidir desta alegação. 12. Quanto à multa de oficio, o art. 44 da Lei no 9.430, de 1996, determina: "Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I - de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte;" 13. A única ressalva prevista a essa norma de incidência de multa é a consubstanciada no art. 63 da mesma Lei no 9.430, de 1996, com redação dada pela Medida Provisória no 2.158-34, de 27 de julho de 2001: 'Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício." 14. Como se observa, a lei excetua do lançamento da multa de ofício apenas a formalização de crédito cuja exigibilidade houver sido suspensa por medida liminar em mandado de segurança (inc. IV do art. 151 do CTN) ou por concessão de medida liminar ou de tutela antecipada em outras espécies de ação judicial (inc. V). Fl. 1400DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 3201-005.782 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10410.004409/2003-88 15. É de se presumir que a lei aprovada nos moldes constitucionais tenha estabelecido multas dentro de limites aceitáveis. Dessa forma, não se pode, administrativamente, afastar, em matéria fiscal, que é plenamente vinculada, a aplicação da lei que determina a cominação da multa ao crédito formalizado de ofício, sob pena de responsabilidade funcional. (e-fls. 1269 a 1270) Por todo o exposto, nego provimento. c) Inclusão dos tributos no Refis A Recorrente alega sua inclusão no Refis – Programa de Recuperação Fiscal, para os débitos relacionados com o PIS/COFINS. Sobre este ponto, não assiste razão a Recorrente. Da leitura da decisão a quo, consta que a fiscalização levou em consideração tais valores quando da apuração do débito. Ou seja, os valores do Refis não estão no auto de infração. 16. A respeito dos valores incluídos no Refis, a autoridade autuante, menciona o fato na Descrição dos fatos (fls. 17), tendo considerado tais valores na apuração do débito, conforme demonstrativos anexos (fls. 28, 31, 34, 381, 384, 387). (e-fl. 1270) Diante de tal esclarecimento, nego provimento. d) Retenção das contribuições na fonte pagadora A Recorrente alega que apesar da imunidade sofreu retenção de IR, CSLL, PIS e COFINS quando do fornecimento de bens para órgãos e repartições públicas. O juízo a quo negou provimento por falta de provas do alegado. 18. Desta feita, não havendo comprovação dos valores retidos, não assiste razão as alegações da Impugnante. (e-fl. 1270) Acerca de alegação das retenções, consta dos autos a Resolução nº 514, de 28/09/2006 (e-fl. 1234), baixando o processo em diligência. Em face das razões narradas no relatório, voto no sentido de que retorne o processo à Delegacia de origem com os seguintes objetivos: 1. verificar se as notas fiscais referidas estão incluídas nos valores constantes da base de cálculo e se houve retenção dos recolhimentos das mencionadas contribuições por Órgãos e Repartições Públicas, segundo informações da lmpugnante; 2. se houver alteração do crédito tributário, que sejam elaboradas novas planilhas, resultando em Demonstrativos de Situação Fiscal e Demonstrativos do Crédito Tributário, juntando documentação comprobatória; 3. diante dos elementos que acompanha a peça impugnatória demais providências que, a seu critério, possam subsidiar na solução da lide; 4. seja dada ciência ao contribuinte do resultado da diligência acima solicitada, concedendo-lhe reabertura de prazo para que se Fl. 1401DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 3201-005.782 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10410.004409/2003-88 pronuncie, nos termos do que dispõe o Decreto 70.235/72 e alterações posteriores. (e-fl. 1238) A resposta da diligência consta do Termo de Diligência Fiscal/Solicitação de Documentos (e-fls. 1240 a 1254), bem como do Relatório (e-fl. 1256) onde fica claro que a Recorrente não foi capaz de fazer prova das alegações de retenção. Assim, dada a inexistência de elementos documentais que comprovem as retenções alegadas nas fls. 230 e 231, e apresentadas nas fls. 273 a 275, essas não forma consideradas e o valor do crédito tributário está mantido, pois /os valores das notas fiscais estão na sua base de cálculo, mas não há comprovação de antecipações dos tributos federais realizados pelos órgãos públicos. (e-fl. 1256) Assim, em que pese a boa vontade deste colegiado, há que se decidir de forma desfavorável a Recorrente por falta de elementos comprobatórios. CARF, Acórdão nº 201-81257 do Processo 11075.002622/2004- 57, Data 03/07/2008. Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/1999 a 30/09/2004 PIS. APRESENTAÇÃO DE ALEGAÇÕES E PROVAS DOCUMENTAIS APÓS PRAZO RECURSAL. PRECLUSÃO. As alegações e provas documentais devem ser apresentadas juntamente com a impugnação, salvo nos casos expressamente admitidos em lei. Consideram-se precluídos, não se tomando conhecimento das provas e argumentos apresentados somente na fase recursal. PROVAS DAS ALEGAÇÕES. As alegações constantes da impugnação devem ser acompanhadas de provas suficientes que as confirmem, de modo a elidir o lançamento. CARF, Acórdão nº 101-96.781 do Processo 10280.001387/2005- 99 Data 30/05/2008 Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2000, 2001, 2002, 2003 ALEGAÇÕES DE DEFESA. PROVAS. Não são acolhidas as alegações de defesa desacompanhadas de elementos de prova que as corroborem. Nos seus efeitos, alegar sem provar equivale a não alegar. Diante do exposto, nego provimento. Conclusão Nego provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (documento assinado digitalmente) LEONARDO CORREIA LIMA MACEDO Fl. 1402DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 3201-005.782 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10410.004409/2003-88 Fl. 1403DF CARF MF
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Numero do processo: 10183.720055/2007-77
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 08 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Oct 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR)
Exercício: 2005
IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL. ITR. ISENÇÃO. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. APP. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. ADA. OBRIGATORIEDADE A PARTIR DE LEI 10.165/00. LAUDO TÉCNICO.
A partir do exercício de 2001, necessária para a redução da base de cálculo do ITR a apresentação de ADA, protocolizado junto ao IBAMA até o início da ação fiscal. Cabível o afastamento da glosa da APP com existência comprovada devidamente em Laudo Técnico e informada em ADA tempestivo.
ITR. ÁREA INDÍGENA. NÃO INCIDÊNCIA
Cabível a não incidência do ITR sobre área indígena, se esta estiver demarcada e formalizada por Decreto Presidencial, ainda que o registro do imóvel esteja em nome do ora proprietário.
VALOR DA TERRA NUA. VTN. ARBITRAMENTO. SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS. SIPT. VALOR MÉDIO DAS DITR. AUSÊNCIA DE APTIDÃO AGRÍCOLA.
Incabível a manutenção do arbitramento com base no SIPT, quando o VTN é apurado adotando-se o valor médio das DITR do município, sem levar-se em conta a aptidão agrícola do imóvel.
APRESENTAÇÃO DE PROVAS NO RECURSO VOLUNTÁRIO. RELATIVIZAÇÃO DA PRECLUSÃO.
A prova documental deve ser apresentada na impugnação, podendo ser relativizada a preclusão do direito do sujeito passivo fazê-lo em outro momento processual, com base no Decreto nº 70.235/1972, art. 16, inciso III e § 4º.
DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS.
As decisões administrativas não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão.
SOLICITAÇÃO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO.
Indeferida a solicitação de diligência quando não se justifica a sua realização, mormente quando o fato probante puder ser demonstrado pela juntada de documentos por parte do interessado, no momento pertinente.
Numero da decisão: 2202-005.566
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para restabelecer 20.646,0 ha da área de preservação permanente declarada pelo contribuinte, e para acatar o VTN declarado pelo contribuinte. Votaram pelas conclusões os conselheiros Martin da Silva Gesto, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira e Leonam Rocha de Medeiros..
(documento assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Ricardo Chiavegatto de Lima - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson.
Nome do relator: RICARDO CHIAVEGATTO DE LIMA
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR) Exercício: 2005 IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL. ITR. ISENÇÃO. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. APP. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. ADA. OBRIGATORIEDADE A PARTIR DE LEI 10.165/00. LAUDO TÉCNICO. A partir do exercício de 2001, necessária para a redução da base de cálculo do ITR a apresentação de ADA, protocolizado junto ao IBAMA até o início da ação fiscal. Cabível o afastamento da glosa da APP com existência comprovada devidamente em Laudo Técnico e informada em ADA tempestivo. ITR. ÁREA INDÍGENA. NÃO INCIDÊNCIA Cabível a não incidência do ITR sobre área indígena, se esta estiver demarcada e formalizada por Decreto Presidencial, ainda que o registro do imóvel esteja em nome do ora proprietário. VALOR DA TERRA NUA. VTN. ARBITRAMENTO. SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS. SIPT. VALOR MÉDIO DAS DITR. AUSÊNCIA DE APTIDÃO AGRÍCOLA. Incabível a manutenção do arbitramento com base no SIPT, quando o VTN é apurado adotando-se o valor médio das DITR do município, sem levar-se em conta a aptidão agrícola do imóvel. APRESENTAÇÃO DE PROVAS NO RECURSO VOLUNTÁRIO. RELATIVIZAÇÃO DA PRECLUSÃO. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, podendo ser relativizada a preclusão do direito do sujeito passivo fazê-lo em outro momento processual, com base no Decreto nº 70.235/1972, art. 16, inciso III e § 4º. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões administrativas não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. SOLICITAÇÃO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 72 00 55 /2 00 7- 77 Fl. 965DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2202-005.566 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10183.720055/2007-77 Indeferida a solicitação de diligência quando não se justifica a sua realização, mormente quando o fato probante puder ser demonstrado pela juntada de documentos por parte do interessado, no momento pertinente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para restabelecer 20.646,0 ha da área de preservação permanente declarada pelo contribuinte, e para acatar o VTN declarado pelo contribuinte. Votaram pelas conclusões os conselheiros Martin da Silva Gesto, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira e Leonam Rocha de Medeiros.. (documento assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente (documento assinado digitalmente) Ricardo Chiavegatto de Lima - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson. Relatório Trata-se de Recurso Voluntário (e-fls. 501/514) interposto contra o Acórdão 04- 17.447, da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande/MS – DRJ/CGE (e-fls. 485/492) que considerou, por unanimidade de votos, improcedente Impugnação do contribuinte apresentada diante de Notificação de Lançamento que levantou Imposto Sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, relativo a Área de Preservação Permanente – APP e a Valor da Terra Nua – VTN, declarados em Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - DITR e não comprovados. 2. A seguir reproduz-se, em sua essência, o relatório do Acórdão combatido, por devidamente espelhar os fatos ocorridos. Relatório Exige-se da interessada o pagamento do crédito tributário lançado em procedimento fiscal de verificação do cumprimento das obrigações tributárias, relativamente ao ITR, aos juros de mora e à multa por informação inexata na Declaração do ITR ~ DIAC/DIAT/2005, no valor total de R$ 1.239.626,05, referente ao imóvel rural com Número na Receita Federal - NIRF 1.594.619-3, com área total de 32.840,5 ha, denominado: Fazenda Porto Velho, localizado no município de Santa Terezinha - MT, conforme Notificação de Lançamento - NL de fls. 01 a 05, (...). 2. Inicialmente, com a finalidade de viabilizar a análise dos dados declarados, especialmente as áreas isentas, 21.631,8ha de Área de Preservação Permanente - APP e 9.438,7ha de Área Utilização Limitada - AUL, totalizando 31.070,5ha, quase que os 100,0% da área total, bem como o Valor da Terra Nua - VTN, a contribuinte foi intimada a apresentar diversos documentos comprobatórios, os quais, com base na legislação pertinente, foram listados, detalhadamente, no Termo de Intimação, fls. 06 e 07. (...). Fl. 966DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2202-005.566 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10183.720055/2007-77 3. O interessado pediu prorrogação de prazo para atendimento à intimação, a qual, cabe informar, era relativa aos exercícios de 2003, 2004 e 2005. (...) 5. Com a análise da documentação apresentada e verificando a insuficiência de alguns, inconsistências e ausências de outros, o fiscal procedeu a re-intimação, (...). (...) 7. Dentre as diversas explicações do fiscal, relativamente a análise de toda a documentação trazida, se destacam as que afetam o lançamento. Da APP, apesar de re- intimada para apresentar laudo eficaz, detalhando as características dessas áreas, de acordo com o enquadramento legal, com informações subsidiadas em mapas que apresentem, nítida e claramente, a localização e a dimensão da situação, os laudos trazidos pela interessadas apresentam informações superficiais, sendo insuficientes para comprovar a APP, pois, não descrevem os respectivos valores para cada situação enquadrada na lei atinente, sendo citado, apenas de forma genérica, que 21.631,8ha é de APP conforme artigo 2°, da lei n° 4.771/1965. A ARL, por sua vez, considerando sua regularização para 0 exercício em foco, foi aceita na dimensão declarada. Relativamente ao VTN, o laudo apresentado não foi elaborado de forma eficaz para alterar o valor constante do lançamento, contando, entre as diversas falhas, elementos de amostragem embasados em opiniões, ausência de comprovantes dos dados pesquisados, atribuindo o valor de R$ 120,00 por hectare, próximo ao que foi arbitrado pelo SIPT (R$ 135,05 para 2005, fl. 226). 8. Com essas constatações, foi procedida a glosa da APP, por falta de laudo eficaz, e modificado o VTN de acordo com os valores constantes da tabela do SIPT, bem como demais alterações conseqüentes. (...). 9. (...) foi apresentada impugnação, fls. 230 a 246, na qual, (...) alegou, em resumo, o seguinte: 9.1. Para corroborar esse entendimento disse juntar como prova laudo técnico acompanhado de ART, confirmado pelo laudo complementar, que consignam sem qualquer dúvida que a APP corresponde a 21.631,8ha, estando correta a declaração e dentro dos parâmetros que a legislação permite. 9.2. Após outros argumentos de fato que diz apontar o cancelamento do lançamento, para confirmar com mais robustez as alegações passou a tratar do direito. 9.3. Explanou sobre o Princípio da Busca pela Verdade Real dizendo que cumprindo com seu dever de informação ao fisco lhe deu todos os subsídios de prova de estar correta sua declaração e que a autoridade, tomando por base uma presunção não confirmada pela documentação trazida ao seu conhecimento, imputou omissão da contribuinte no que tange à determinação da área tributável para incidência do imposto. 9.4. Por desprezo à verdade material, a digna autoridade autuante lançou tributo devido aplicando incorretamente a lei e o regulamento de regência da cobrança da obrigação tributária. 9.5. Em Da Área de Preservação Permanente aprofundou-se nas alegações de discordância da não consideração do laudo técnico, bem como do ADA; mencionou, inclusive, dispositivo pertinente a esse Ato, e copiou jurisprudência administrativa que trata da necessidade de apresentação desse documento para se ter direito a isenção das áreas preservadas e disse juntar, novamente, o laudo técnico caracterizando, acertadamente, a distribuição das áreas do imóvel sujeitas a incidência do imposto, com o fito esclarecer a verdade real no que tange a APP. 9.6. Em Do Valor da Terra Nua também não concordando com a descrição, por parte do autuante, de que a impugnante não comprovou o VTN mensurado em R$ 120,00 por hectare pelo laudo elaborado, explanou, longamente, a respeito do laudo, da dificuldade de obtenção de dados corretos de valores de transação e disse, entre outros assuntos, que o expert elaborador do laudo optou pela tomada de amostra de opiniões oficiais, chegando ao valor de R$ 120,90 por hectare. Fl. 967DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2202-005.566 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10183.720055/2007-77 9.7. Prosseguindo nesta discordância questionou o arbitramento com base nos valores do SIPT, alegando que não foi trazido, em momento algum, pelo Órgão autuante, dados acerca do VTN por hectare constante desse sistema, a fim de que pudesse ser usado como parâmetro para calcular o montante devido, tão somente descreveu não ser correto o valor discriminado pela impugnante, não havendo referência alguma de quanto seria o valor estipulado pelo SIPT para que o montante declarado fosse tido como incorreto. 9.8. Na seqüência, reproduzindo, inclusive, Acórdão de la instância de julgamento administrativo que trata sobre o tema, finalizou a discussão sobre o VTN após argumentar, entre outros assuntos, o fato de que em ocasiões em que houver erro no cálculo deva ser revisto o lançamento, reiterando a questão do princípio da verdade real dos fatos e afirmando que o lançamento em tela não poderia prosperar. 9.9. Em Do Pedido, à vista do exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência total do lançamento requereu: a) Seja acolhida a impugnação, para tornar sem efeito o lançamento, (...) b) Na esteira do artigo 151, III, do Código Tributário Nacional - CTN, requereu a suspensão da exigibilidade do crédito determinado no Auto de Infração. (...) 11. E o relatório. 3. A Ementa do Acórdão combatido, por bem espelhar a apreciação da lide pela DRJ, é colacionada a seguir: Assunto: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 2005 Preservação Permanente - Reserva Legal - Requisitos de Isenção A concessão de isenção de ITR para as Áreas de Presewação Permanente - APP ou de Utilização Limitada - AUL está vinculada à comprovação de sua existência, como laudo técnico específico e averbação na matrícula, respectivamente, e de sua regularização junto aos órgãos ambientais competentes, como o Ato Declaratório Ambiental - ADA, cujo requerimento deve ser protocolado no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis - IBAMA, em até seis meses após o prazo final para entrega da Declaração do ITR. A prova de uma não exclui a da outra. Isenção Por determinação legal, a legislação tributária para concessão de benefício fiscal interpreta-se literalmente, assim, se não atendidos os requisitos legais para a isenção, a mesma não deve ser concedida. Valor da Terra Nua - VTN O lançamento que tenha alterado o VTN declarado, utilizando valores de terras constantes do Sistema de Preços de Terras da Secretaria da Receita Federal - SIPT, nos termos da legislação, e passível de modificação somente se, na contestação, forem oferecidos elementos de convicção, embasados em Laudo Técnico, elaborado em consonância com as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas - ABNT, que apresente valor de mercado diferente relativo ao ano base questionado. Laudo Técnico de Avaliação Laudo Técnico elaborado em desacordo com as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas - ABNT, desacompanhado de comprovantes de pesquisas de preços contemporâneos ao do ano base do lançamento, em quantidade mínima exigível e, comprovadamente, com as mesmas características do imóvel em pauta e da mesma região de sua localização, que justificariam o reconhecimento de valor menor, não constitui elemento de prova suficiente para rever o lançamento. Fl. 968DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2202-005.566 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10183.720055/2007-77 4. Destaque-se também alguns trechos relevantes do voto do Acórdão proferido pela DRJ: Voto (...). 14. Antes, ainda, da analise dos argumentos de mérito é importante lembrar que, com base na Lei n° 9.393/1996, o ITR passou a ser lançado por homologação, cabendo ao contribuinte apurar o imposto, através de declaração, e proceder ao seu recolhimento sem o exame prévio da autoridade fiscal e sem a necessária comprovação, também prévia, dos dados declarados, conforme disposto no artigo 150, da Lei n° 5.172/1966, o Código Tributário Nacional - CTN. O artigo 14, da mencionada Lei 9.393/1996, embasa o lançamento de ofício no caso de informações inexatas ou não comprovadas. (...) 17. Na impugnação, os questionamentos os questionamento quanto à glosa da APP é embasado por estar confirmado pelo laudo complementar, que consignam sem qualquer dúvida que corresponde a 21.631,8ha, estando correta a declaração e dentro dos parâmetros que a legislação permite. Relativamente ao VTN se discorda da utilização da tabela do SIPT por não constar referência do mesmo nos autos, devendo prevalecer o valor de R$ 120,00 por hectare, conforme laudo técnico. 18. Relativamente à APP, como bem explicado pelo fiscal, embora conste de ADA tempestivo na dimensão de 20.646,0ha e não 21.631,8ha como pretende a interessada, cumprindo parte da regularização, o laudo apresentado não foi elaborado de forma a demonstrar a existência de tais áreas, nas dimensões e características especificadas na lei n° 4.771/1965, o Código Florestal. Não foi juntado mapa demonstrando essas áreas de forma a convencer haver ocorrido a mensuração in loco. Apesar de esclarecido desta deficiência, o laudo posteriormente apresentado repetiu a falha. Com a impugnação foi juntada cópia do laudo, onde se observa a informação de existência de 21.631,8ha de APP, porém, com enquadramento genérico no Artigo 2°, alíneas a, b e c, e reproduzindo as características e dimensões de cursos d’água e florestas a serem consideradas constantes do dispositivo legal, mas, sem a demonstração da medição de tais áreas. 19. Assim sendo, há que ser lembrado que o cumprimento de requisitos legais é fundamental para que as áreas preservadas sejam isentas do ITR. Como no presente caso isso não ocorreu, pois, não foi demonstrada, conforme a lei especifica, a existência de tais áreas, é necessário observar que o dispositivo legal de concessão de benefício fiscal interpreta-se restritivamente, como consta do disposto no artigo 111, do CTN: (...) 20. Portanto, as pretensas APP ou AUL não comprovadas ficarão sujeitas a tributação. Além disso, para efeito do ITR, serão enquadradas como áreas aproveitáveis do imóvel e não explorada pela atividade rural. 21. Na questão do VTN, o procedimento da fiscalização é que, quando da análise das DITR, for verificado que o imóvel foi sub-avaliado, por atribuir-se-lhe valor aquém dos médios informados nas declarações da região, bem como dos valores constantes da tabela SIPT, a autoridade fiscal intima o declarante a comprovar a origem dos valores declarados e a forma de calculo utilizada, entre outros. 22. Para tal, o documento eficaz que possibilita essa comprovação é o laudo técnico, elaborado em atenção às normas constantes da ABNT, órgão orientador e controlador dos trabalhos de profissionais da área, acompanhado dos documentos que comprovam as fontes idôneas de pesquisa. 23. Há de ser frisado, ainda, que a utilização da tabela SIPT, para verificação do valor de imóveis rurais, encontra amparo no dispositivo supracitado (Lei n° 9.393/1996, art. 14). (...). Fl. 969DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2202-005.566 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10183.720055/2007-77 25. Quanto à falta de publicidade dos valores constantes do SIPT, apesar de a alegação não ser pertinente, haja vista que não há obrigatoriedade de publicidade dos parâmetros de malha fiscal, há de ser dito que o que importa, à contribuinte, não é conhecer os valores constantes do SIPT ou da média de valores declarados, mas, provar o valor de mercado de seu imóvel na data do fato gerador do imposto. Ademais, o valor do SIPT aplicado ao imóvel, devidamente relatado na NL, consta da pesquisas anexadas à fl. 226, não havendo notícia de que tenha sido oferecido qualquer obstáculo à consulta processual, até porque a contribuinte apresentou impugnação, demonstrando pleno conhecimento acerca dos aspectos envolvidos no lançamento. 26. É certo, como já dito, que o valor apurado pela fiscalização pode ser questionado mediante Laudo Técnico de Avaliação, revestido de rigor científico suficiente a firmar a convicção da autoridade, devendo estar presentes os requisitos mínimos exigidos pela norma NBR 14653-3 da Associação Brasileira de Normas Técnicas - ABNT. 27. Na ocasião do atendimento à intimação foi apresentado esse documento, porém, foi rejeitado por haver sido elaborado em discordância com as normas técnicas. Um das diversas falhas do laudo é que não foram demonstradas, muito menos comprovadas, as pesquisas de valores efetuadas. Alias, como a própria impugnante alegou, o embasamento do laudo são apenas amostras de opiniões. (...) 29. Na cópia de laudo que acompanhou a impugnação não há o cumprimento de nenhum desse requisitos técnicos. Pelo contrário, apenas se informa da dificuldade de obtenção de tais dados e da opção do profissional em limitar-se, como já dito, em utilizar apenas opiniões, para concluir pelo VTN de R$ 120,90. 30. Assim sendo, esse laudo não é eficaz para modificar o VTN do lançamento, embasado na tabela SIPT, conforme legislação. 31. Finalmente, como não foi apresentado laudo de APP demonstrando a existência de tais áreas, com enquadramento legal específico, bem como não haver sido apresentado laudo técnico de avaliação eficaz, para alterar o VTN, não há como atender ao pleito da impugnante. (...) Recurso Voluntário 5. Inconformada após cientificada da decisão a quo, a ora Recorrente apresentou seu Recurso, de onde seus argumentos são extraídos e, em síntese, apresentados a seguir. - traz breve relato dos fatos e passa a tecer seus argumentos relativos à controvérsia em relação à APP que ; - em suas palavras: Junta-se ao presente Recurso Voluntário o Laudo Técnico elaborado pelo Técnico em Agrimensura, Paulo Pereira Martins, CREA e ART devidamente anotados, Docs. 01, finalizado em 13 de dezembro de 2008, em que se constata a delimitação correta da Área de Preservação Permanente conforme as regras da Receita Federal do Brasil e do Código Florestal, inclusive, nas especificações das áreas das terras indígenas denominada Urubu Branco. demarcada pela FUNAI, por meio da Portaria de n°. 1.013. de 11/10/93. a qual, posteriormente, fora declarada a posse permanente dos índios Tapirapé, pela Portaria do Ministério da Justiça de n o 599, de 02/10/96, e homologada a sua demarcação através do Decreto Presidencial s/n°. datado de 08/09/98, retificado pelo Decreto Presidencial s/n° datado de 09/05/2001 Docs. 02. anexos. - assim entende que a área de 21.631,8 hectares declarada pela contribuinte, consoante Laudo Técnico ora apresentado (e-fls. 534/543) onde na verdade se verifica a área de 21.041,96 ha, realmente configura-se como APP e está contida na área das terras indígenas denominada Urubu Branco, portanto legalmente sujeita ao regime de preservação permanente Fl. 970DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 2202-005.566 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10183.720055/2007-77 (artigo 3°, “g” e parágrafo 2º, da Lei 4.771/65 e artigo 15, II, IN SRF 60/2001), equivalente a 167.533,32 ha, cf. detalhado no Laudo Técnico ora juntado; - salienta que: “ a demarcação feita pela FUNAI das áreas de terra que estariam sujeitas ao assentamento dos índios Tapirapés, denominada Urubu Banco, que deram origem a criação das matriculas de n°s 12.752, 12.753, 12.754, Docs. 03, alcançaram as matrículas originais correspondente às áreas de terra de propriedade da Recorrente, referentes às matrículas de n°s 9.852, 9.853, 9.854 e 6.288, conforme Docs. 04, anexos ao presente.”; - e salienta também que 18. Diante disto, a Recorrente não teve outra alternativa senão colocar a respectiva área atingida pela demarcação da Reserva Indigena Urubu Branco - lotes n°s. 56, 138, 130, 131 e 136 - sob a rubrica de área de preservação permanente, já que não houve a averbação nas matriculas dos imóveis de n°s. 6.288, 9.852, 9.853, 9.854, Doc. 05.. 19. Não bastasse tal circunstância com reflexos tributários na tributação do ITR, a Recorrente teve que buscar socorro junto ao Poder Judiciário para impelir o órgão da FUNAI a indenizá-la pela área correspondente a demarcação da Reserva Indígena, da qual os Decretos ora mencionados declararam a posse das terras aos índios Tapirapés. 20. O Processo, cujo número é 2003.34.00.033704-6, tramita perante a 22” Vara Federal do Distrito Federal, conforme Doc. 06 - informativo do andamento do processo retirado do site www.trf1.gov.br.; - aponta que através do ADA 2007, Doc. 07, e,fl. 397, está confirmada a APP de 21.631,09 e que o mesmo é instrumento hábil a comprovar a efetiva existência de tal área, conforme ainda jurisprudência de DRJ, portanto a declaração de sua APP em DITR deve ser aceita; - já quanto ao VTN, assevera: 37. Desta forma, ainda que o laudo não tenha sido eficazmente elaborado, atendendo a todas as normas técnicas exigidas, no que tange, especificamente, ao VTN, aquele foi elaborado tomando por base o método de comparação direta, ou seja, comparando preços de imóveis situados na mesma região, metodologia esta descrita na norma da ABNT, NBR 14653-3, de 2003, sendo que, o nobre Expert optou pela tomada de amostras de opiniões oficiais, chegando ao valor apontado: R$120,90 (cento e vinte reais e noventa centavos). 38. Assim, estando a metodologia utilizada para o cálculo do valor da terra nua em consonância com as nonnas da ABTN, mais precisamente, a NBRl4653-3, bem como atendendo aquele ao que dispõe Instrução Normativa da Receita Federal pertinente ao assunto, não se pode desconsiderar totalmente o Laudo Técnico apresentado, sob simples alegação de que o mesmo não é eficaz para modificar o VTN do lançamento. 6. Seu pedido final envolve: - provimento integral de seu recurso e cancelamento do lançamento; - ou, a conversão do julgamento em diligência em busca da verdade material; - a realização da sustentação oral de suas razões recursais; e - protesto pela prova por todos os meios em direito admitidos. 7. Na data de 11/03/2011, a interessada protocolou petição, e-fls. 605, para inclusão no processo de documentação complementar, em busca da verdade material, com “juntada do Laudo Técnico Pericial e Judicial reproduzido nos Autos do Processo da Justiça Fl. 971DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 2202-005.566 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10183.720055/2007-77 Federal no. 2003.34.00.033704-6, perante o Juízo da 22ª Vara da Seção Judiciária do Distrito Federal, Docs. 01.”, ressaltando que a APP pretendida é assim justificada por legalmente se caracterizar como ambiente necessário à vida das populações silvícolas. Protesta novamente, nesta oportunidade, por sustentação oral no dia da Sessão de Julgamento de sua Lide Administrativa. 8. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Chiavegatto de Lima, Relator. 9. O Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade intrínsecos, uma vez que é cabível, há interesse recursal, a recorrente detém legitimidade e inexiste fato impeditivo, modificativo ou extintivo do poder de recorrer. Além disso, atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos, pois há regularidade formal e apresenta-se tempestivo. Portanto dele conheço. 10. Preliminarmente, destaque-se que a prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o sujeito passivo fazê-lo em outro momento processual, conforme Decreto nº 70.235/1972, art. 16, inciso III e § 4º, e não se vislumbram motivos justificados para o pedido recursal de protesto pela prova por todos os meios em direito admitidos ainda em momentos futuros. Já claramente se verificam nos autos o pleno exercício do direito de defesa da interessada, com manifestações e inclusão de provas mesmo após o prazo recursal, o que será avaliado ainda neste voto, em momento oportuno. 11. Quanto à jurisprudência trazida aos autos, é de se observar o disposto no artigo 506 da Lei 13.105/2015, o novo Código de Processo Civil, o qual estabelece que a “sentença faz coisa julgada às partes entre as quais é dada, não beneficiando, nem prejudicando terceiros". Não sendo parte nos litígios objetos dos acórdãos, o interessado não pode usufruir dos efeitos das sentenças ali prolatadas, posto que os efeitos são "inter partes” e não "erga omnes ”. 12. Com isso, fica claro que as decisões administrativas e judiciais, mesmo que reiteradas, não têm efeito vinculante em relação às decisões proferidas pelo CARF. E mais, as decisões administrativas e as respeitáveis citações doutrinárias levantadas pelo recorrente não são normas complementares, como as tratadas o art. 100 do CTN, motivo pelo qual não vinculam as decisões das instâncias julgadoras. 13. Pertinente o destaque a ser feito então que, mesmo sem força vinculante, foram utilizadas algumas decisões neste voto, entretanto nunca com a função de norma complementar de que fala o art. 100 do CTN, mas simplesmente para reforço na argumentação. 14. Para sustentar a correção de sua declaração de APP, além do Laudo Técnico apresentado em fase impugnatória, e-fls. 185/199, complementado pelo Laudo Técnico Complementar de e-fls. 443/457, Laudo de Ocupação, 466/479, todos considerados tecnicamente ineficazes pela Decisão de Piso, foi apresentado juntamente ao Recurso novo Laudo Técnico, juntado às e-fls. 534/543, elaborado em 13/12/2008, elaborado em período anterior ao protocolo do Recurso ora em análise, o qual objetivou a comprovação da APP sustentada pela interessada através de delimitação clara da reserva indígena na qual parte da propriedade em pauta se insere. Destaque-se também que tal laudo atesta APP de 21.041,96 há, inferior à APP declarada pela contribuinte em sua DITR, 21.631,8. Fl. 972DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 2202-005.566 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10183.720055/2007-77 15.Também foi anexado, com o mesmo intuito, o Laudo Técnico Pericial apresentado junto ao Juízo da 22ª Vara Federal da Seção Judiciária do DF, de 14/07/2009, e-fls. 613/922, elaborado por engenheiro agrônomo e perito judicial nos autos 2003.34.00.033704-6. Este Laudo também recebeu Complementação, através do Laudo de Esclarecimento e Retificação, de 20/04/2010, e-fls. 923/963. 16. Destes últimos, verifica-se que a área presente em sua propriedade e apontada pela Porto Velho Agropecuária Ltda. como destinada a área indígena, foi certificada pelo Laudo Pericial e por seu Complemento é de 21.021,5336 hectares (e-fls. 694 e 962), por fazer parte de uma área de maior extensão delimitada através pela Portaria do Ministério da Justiça de no 599, de 02/10/96, com demarcação homologada através de Decreto Presidencial de 08/09/98, retificado por Decreto Presidencial de 09/05/2001 (e-fls. 305/306 e 545/553). Ressalte-se que no que tange a existência da Reserva Indígena, cumpre-se no presente sua demarcação por Decreto Presidencial, conforme entendimento comum neste Conselho: Ementa: ITR/94. RESERVA INDÍGENA. DEMARCAÇÃO. EFEITOS SOBRE O TRIBUTO. A exclusão da tributação pelo ITR da área do imóvel pertencente a nação indígena ocorre a partir da demarcação definitiva da reserva. Negado provimento por unanimidade (Recurso n° 125.584. Processo 10283.008082199- 32. Primeira Câmara. Sessão de 2610212003 14:00:00. Acórdão n'301.30547. 17. Diante do detalhamento e acurácia dos Laudos juntados ao processo Judicial 2003.34.00.033704-6, há que se relativizar o instituto da preclusão instituído pelo processo administrativo, com base no Decreto nº 70.235/1972, art. 16, inciso III e § 4º, e considerar que realmente o Laudo apresentado é suficiente para a comprovação da existência de Área de Preservação Permanente no imóvel sob análise, uma vez que a mesma destina-se à subsistência de comunidade indígena (artigo 3°, “g” e parágrafo 2º, da Lei 4.771/65) bastando somente ser apreciada a área a ser efetivamente considerada como tal, tendo em vista as condições específicas necessárias para tal consideração nesta lide. 18. Em apreciação às questões de necessidade e tempestividade de apresentação do ADA, em relação à existência da APP deve ser, de pronto, verificado o hodierno entendimento deste Conselho sobre tais quesitos. 19. Em suma, o entendimento maioritário presente no CARF sobre a apresentação do ADA é que realmente há a obrigatoriedade legal de sua apresentação mas não há determinação legal que delimite a sua tempestividade. Por outro lado, entende-se que tal Ato deve ser aceito caso apresentado antes do início da ação fiscal e a existência da APP deve estar comprovada para aceite de ADA eventualmente intempestivo. Senão vejamos as ementas de recentes Acórdãos abaixo colacionados: ITR. ISENÇÃO. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). OBRIGATORIEDADE A PARTIR DE LEI 10.165/00. TEMPESTIVIDADE. INÍCIO DA AÇÃO FISCAL A partir do exercício de 2001, tornou-se requisito para a fruição da redução da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural a apresentação de Ato Declaratório Ambiental ADA, protocolizado junto ao Ibama. A partir de uma interpretação teleológica do dispositivo instituidor, é de se admitir a apresentação do ADA até o início da ação fiscal. No caso em questão, o ADA foi apresentado de forma intempestiva. Assim, não é possível a exclusão da área de APP declarada da base de cálculo do ITR . (...) Acórdão 9202-005.180 – 2ª Turma - Sessão de 26 de janeiro de 2017. Fl. 973DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 2202-005.566 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10183.720055/2007-77 20. O entendimento deste Conselho consolida-se também no sentido de que a apresentação de Laudo Técnico não exime a necessidade de apresentação do Ato Declaratório Ambiental. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. LAUDO. NECESSIDADE DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. Para o benefício fiscal da isenção de ITR, nas áreas de Preservação permanente (APP), a apresentação somente de laudo não satisfaz os requisitos da legislação. Acórdão nº 9202 - 003.052 – Sessão de 12 de fevereiro de 2014. 21. No caso concreto, verifica-se que ocorreu apresentação de ADA em 30/07/1998, e-fl. 395, relativo ao ano calendário 1997, antes do início da ação fiscal, cientificado em 26/04/2006, e-fl. 9, onde se verifica a declaração de APP de 20.646,0 hectares. Encontra-se nos autos também o ADA relativo ao ano calendário 2005, e-fl. 397, com a declaração de 21.631,80 hectares, mas tal Ato foi entregue depois do início da ação fiscal, em 29/05/2006. 22. Isto posto, diante do ADA 1997 declarando 20.646,0 ha, antes do início da ação fiscal, o qual materializa a entrega de ADA, em contraponto ao Laudo Judicial reconhecendo a existência de APP de 21.021,5336 ha, na forma de reserva indígena, emitido em 2009 e complementado em 2010, após o início da ação fiscal, entendo que deve ser restabelecida parcialmente a Área de Preservação Permanente declarada pelo valor de 20.646,0 ha. 23. Já quanto ao questionamento sobre a alteração do VTN declarado buscando o valor apurado com base no SIPT, já que a Fiscalização amparou-se no art. 14 da Lei n.° 9.393/1996, e que segundo a DRJ a contribuinte não apresentou comprovação que justifique reconhecer que o VTN efetivamente declarado estaria correto, algumas considerações são aqui cabíveis. 24. A Decisão a quo bem destacou também que o VTN considerado no lançamento poderia ter sido revisto pela autoridade administrativa com base em laudo técnico elaborado por Engenheiro Civil, Florestal ou Agrônomo, acompanhado de cópia de Anotação de Responsabilidade Técnica - ART, devidamente registrada no Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia - CREA, e que demonstrasse o atendimento das normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas - ABNT, através da explicitação dos métodos avaliatórios e fontes pesquisadas que levaram à convicção do valor atribuído ao imóvel e dos bens nele incorporados. 25. Mas tal peça de forte peso comprobatório não está presente nos autos, e verifica-se ainda que os Laudos apresentados até se esgotar o prazo impugnatório realmente não cumprem as exigências técnicas necessárias, embora busque a contribuinte minimizar tal fato. 26. Por outro lado, conforme pode ser contatado pela consulta ao sistema SIPT de e-fl. 307, foi utilizando pela fiscalização o VTN médio presente nas DITR do município para o exercício 2005. Tal procedimento utilizando o VTN-médio atribuído, demanda atenção à contraposição do contribuinte, que fortemente contesta a aplicação do VTN obtido do citado sistema. 27. Para apreciação da matéria recorro, com a devida vênia, ao recentíssimo Acórdão proferido pelo I. Conselheiro Marcelo de Sousa Sáteles, prolatado em Sessão desta mesma Segunda Turma Ordinária, na data de 09 de julho do corrente ano, que recebeu o n o 2202-005.291 e cuja argumentação correlata colaciono a seguir: (...) Fl. 974DF CARF MF Fl. 11 do Acórdão n.º 2202-005.566 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10183.720055/2007-77 Da Apuração do Valor da Terra Nua – VTN Alega o Recorrente que não cabe arbitramento do VTN pela fiscalização com base no SIPT. Na parte atinente ao cálculo do Valor da Terra Nua VTN, o contribuinte regularmente intimado não comprovou o valor declarado, entendendo a autoridade lançadora que houve subavaliação, tendo em vista o valor constante do Sistema de Preço de Terras (SIPT), instituído pela então SRF em consonância ao art. 14, caput, da Lei n° 9.393, de 1996, razão pela qual o VTN declarado para o imóvel fora arbitrado. Em síntese, podemos dizer que o VTNm/ha representa a média ponderada dos preços mínimos dos diversos tipos de terras de cada microrregião, observando-se nessa oportunidade o conceito legal de terra nua previsto na legislação de regência sobre o assunto, utilizando-se como data de referência o último dia do ano anterior ao do lançamento. A utilização da tabela SIPT, para verificação do valor de imóveis rurais, a princípio, teria amparo no art. 14 da Lei n° 9.393, de 1996. Como da mesma forma, o valor do SIPT só é utilizado quando, depois de intimado, o contribuinte não apresenta elementos suficientes para comprovar o valor por ele declarado, da mesma forma que tal valor fica sujeito à revisão quando o contribuinte comprova que seu imóvel possui características que o distingam dos demais imóveis do mesmo município. Passemos então a analisar as normas legais que tratam do tema posto. O arbitramento do VTN, com base no SIPT - Sistema Integrado de Preços de Terras, está previsto no art. 14, da Lei n° 9.393, de 1.996: "Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de oficio do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. §1° As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º inciso II da Lei n° 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. Assim manifesta o art. 12 da Lei n. 8.629, de 1993: "Art. 12. Considera-se justa a indenização que permita ao desapropriado a reposição, em seu patrimônio, do valor do bem que perdeu por interesse social. §1° A identificação do valor do bem a ser indenizado será feita, preferencialmente, com base nos seguintes referenciais técnicos e mercadológicos, entre outros usualmente empregados: I valor das benfeitorias úteis e necessárias, descontada a depreciação conforme o estado de conservação; II valor da terra nua, observados os seguintes aspectos: a) localização do imóvel; b) capacidade potencial da terra; c) dimensão do imóvel." Com as alterações da Medida Provisória n° 2.18.356, de 2001, a redação do art.12 , da Lei n° 8.629, de 1993, passou a ser a seguinte: Art. 12.Considera-se justa a indenização que reflita o preço atual de mercado do imóvel em sua totalidade, aí incluídas as terras e acessões naturais, matas e florestas e as benfeitorias indenizáveis, observados os seguintes aspectos: I localização do imóvel II aptidão agrícola; III dimensão do imóvel; IV área ocupada e ancianidade das posses; V funcionalidade, tempo de uso e estado de conservação das benfeitorias, (grifei) Fl. 975DF CARF MF Fl. 12 do Acórdão n.º 2202-005.566 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10183.720055/2007-77 Portanto, o arbitramento com base no SIPT tem previsão legal e pode ser aplicado, nas situações tipificadas, quando os respectivos valores forem apurados conforme as determinações legais acima especificadas. Ora, se a fixação do VTNm não teve por base esse levantamento (por aptidão agrícola), o que está comprovado nos autos, já que a autoridade fiscal lançadora se utilizou do VTN médio das DITRs entregues no município (e-fls. 198), então não se cumpriu o comando legal e o VTNm adotado para proceder ao arbitramento pela autoridade lançadora não é legítimo, sendo inservível para o fim da recusa do valor declarado ou pretendido pelo contribuinte. Nesse sentido é a jurisprudência pacífica deste Tribunal, vejamos: VTN-VALOR DA TERRA NUA. SUBAVALIAÇÃO. ARBITRAMENTO. SIPT-SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS. VALOR MÉDIO DAS DITR. AUSÊNCIA DE APTIDÃO AGRÍCOLA. Incabível a manutenção do arbitramento com base no SIPT, quando o VTN é apurado adotando-se o valor médio das DITR do município, sem levar-se em conta a aptidão agrícola do imóvel, (acórdão CSRF n° 9202-005.781, de 31/08/2017) ITR. VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). VALOR MÉDIO COM APTIDÃO AGRÍCOLA. POSSIBILIDADE. Resta imprestável o arbitramento do VTN, com base no SIPT, quando da inobservância ao requisito legal de consideração de aptidão agrícola para fins de estabelecimento do valor do imóvel, (acórdão CSRF n° 9202-005.687, de 27/07/2017) VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO. PREÇOS DE TERRAS (SIPT). VALOR MÉDIO DAS DITR. AUSÊNCIA DE APTIDÃO AGRÍCOLA. Incabível a manutenção do arbitramento com base no SIPT, quando o VTN é apurado adotando-se o valor médio das DITR do Município, sem considerar a aptidão agrícola do imóvel. Considerando a apresentação da Laudo de avaliação pelo Contribuinte, deve ser considerado o Valor da Terra nua nele constante. (acórdão CSRF n° 9202-007.331, de 25/10/2018). Diante do entendimento que o VTN médio utilizado pela autoridade fiscal lançadora não cumpre as exigências legais determinadas pela legislação de regência , deve ser restabelecido o VTN declarado pelo recorrente em sua DITR glosada pela autoridade fiscal.(grifos não presentes no original) 28. Assim sendo, no quesito valor da terra nua - VTN, deve ser dada razão à contribuinte, afastado o arbitramento do VTN pelo sistema SIPT procedido pela Fiscalização e restabelecido o VTN por hectare pretendido pela interessada e declarado em sua DITR. 29. A interessada referenciou ainda a pretensão alternativa de conversão do julgamento em diligência para apurar a improcedência da pretensão fazendária e a apuração da verdade material, mas tendo em vista o arcabouço probatório já presente nos autos a realização de diligência deve ser considerada desnecessária. A diligência não se justifica quando o fato probante puder ser demonstrado pela juntada de documentos por parte do interessado, no momento pertinente. Cite-se propriamente o art. 18 do Decreto 70.235/72: "A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendê-las necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis,( ...)" (grifei). Dessa forma, desnecessária a realização de diligência. 30. Portanto, cabível a reforma do Acórdão da DRJ, apenas no sentido de restaurar parcialmente a glosa da APP declarada e de acatar o VTN pretendido, conforme VTN/hectare declarado em sua DITR Conclusão 31. Isso posto, voto por dar provimento parcial ao recurso, para restabelecer 20.646,0 ha da área de preservação permanente declarada pelo contribuinte, e para acatar o VTN declarado pelo contribuinte. Fl. 976DF CARF MF Fl. 13 do Acórdão n.º 2202-005.566 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10183.720055/2007-77 (documento assinado digitalmente) Ricardo Chiavegatto de Lima Fl. 977DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15504.723875/2011-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 15 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Nov 05 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2006, 2007
SUSPENSÃO DE ISENÇÃO. LEI COMPLEMENTAR. LEI ORDINÁRIA. REQUISITOS. ADI 1802
Os requisitos para fruição da isenção/imunidade constam do §2º do art. 12 da Lei nº 9.532, de 1995, os quais não foram declarados inconstitucionais pela Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) nº 1802. Ademais, tanto a competência para suspensão do benefício quanto os requisitos para sua fruição constam dos arts. 9º, § 1º e 14 do CTN, norma recepcionada no ordenamento jurídico como lei complementar.
Correta a suspensão do benefício da isenção do IRPJ e CSLL quando comprovado nos autos: i) não aplicação integral dos recursos na manutenção e desenvolvimento dos objetivos sociais; ii) remuneração indireta, mediante transferência de recursos do Instituto para os associados/familiares e/ou pessoas ligadas, mediante operação simulada de pagamento de serviços prestados; iii) exercício de atividade empresarial.
SUSPENSÃO DE ISENÇÃO. ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO. AUTORIDADE COMPETENTE.
O fato de a Portaria SRF nº 1.398, de 2002 fazer referência a ato declaratório suspensivo do benefício e atribuir competência ao Delegado da DEFIC não significa que outros Delegados da Receita Federal não tenham a competência designada por lei. O nome do ato não tem poder de modificar a sua essência, o que importa é o seu teor. Atribuir à portaria uma restrição não existente na lei, na espécie, significa uma inversão de valor. Nos autos da ADI 1802, o STF pontuou a necessidade e a preocupação em respaldar normas de lei ordinária direcionadas a evitar que falsas instituições sejam favorecidas pela imunidade/isenção. O § 3º do art. 32 da Lei nº 9.430, de 1996, atribui competência tanto ao Delegado quanto ao Inspetor da Receita Federal para tratar da matéria.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA
Comprovada a simulação perpetrada para fraudar o fisco mediante obtenção de isenção de IRPJ e CSLL, é devida a responsabilização tributária daqueles cuja participação foi comprovada.
A responsabilidade tributária prevista no art. 135, III, do CTN, atribuída aos dirigentes, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, não se confunde com a responsabilidade do sócio. Não é a condição de ser sócio da pessoa jurídica que atrai a responsabilidade tributária, mas sim a atuação como gestor ou representante da pessoa jurídica e a prática de atos com excesso de poder, infração de lei, contrato social ou estatutos que resultaram em descumprimento de obrigação tributária.
A responsabilidade solidária por interesse comum, prevista no art. 124, I, do CTN, aplica-se tanto aos sujeitos que figuram no mesmo polo da relação jurídica tributária, quanto aos terceiros que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Entre esses terceiros deve ser responsabilizado aquele que pratica atos mediante fraude, dolo ou simulação, em conjunto ou com consentimento do contribuinte, com o fim de alterar características essenciais do fato gerador ou impedir o seu conhecimento por parte da autoridade fazendária.
O fato de ser sócio de sociedade envolvida em atividades simuladas, por si só, não é suficiente para atrair a responsabilidade do sócio. É fundamental que os elementos probatórios da conduta sejam carreados aos autos. Em não havendo tais elementos, não há como manter a responsabilidade tributária.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ)
Ano-calendário: 2006, 2007
GLOSA DE DESPESAS. NOTAS FISCAIS DE FAVOR. OPERAÇÃO SIMULADA
A escrituração contábil mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados, desde que comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, ou seja, quando a documentação comprobatória, os lançamentos contábeis, a coerência das datas, e o fluxo financeiro, em conjunto, estão em harmonia com o fato econômico-contábil. A simples contabilização das despesas não faz prova a favor do contribuinte.
SIMULAÇÃO. MULTA QUALIFICADA
No cenário em que há cumprimento formal da lei - emissão de nota fiscal e respectiva contabilização - se analisados os fatos sob a lente restritiva do Direito Privado não há falar-se em simulação, afinal seguiu-se a letra da lei, a despeito da artificialidade. Analisar o conceito de simulação sob essa lente restritiva significa, por via indireta, restringir a atuação do fisco; permitir que o sujeito passivo, a despeito do exercício de atividade empresarial, cubra-se com o manto da isenção. O que, além de ilegal, vai de encontro ao princípio da livre concorrência e ao cumprimento do dever fundamental de pagar tributos.
Arranjo tributário simulado, artificioso, com vistas a transparecer para o fisco inocorrência de ilegalidade ou descumprimento dos requisitos previstos no artigo 14 do CTN, e artigo 12 e parágrafos da Lei nº 9.532, de 1997. Agir com consciência e vontade, e modificar características essenciais da ocorrência do fato gerador, as quais impactam na redução do montante devido de tributo, é conduta que atrai a incidência da multa qualificada, prevista no art. 44, § 1º, da Lei 9.430, de 1996 c/c art. 72 da Lei nº 4.502, de 1964.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO.
Súmula CARF nº 108: Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 129 de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019).
IRPJ. REFLEXO NA CSLL
O decidido quanto ao IRPJ aplica-se à CSLL em relação à tributação decorrente dos mesmos fatos e elementos de prova.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF)
Ano-calendário: 2006, 2007
IR-FONTE. ART. 61 DA LEI Nº 8.981, DE 1995.
Caso o beneficiário do pagamento não seja identificado é devido o lançamento; caso o seja, necessário verificar se a operação e a causa do pagamento foram comprovadas. Operação é o negócio jurídico (prestação de serviço, venda, entre outros) que enseja o pagamento. Causa é o motivo, a razão, o fundamento do pagamento. Com efeito, não comprovada a efetividade do negócio jurídico ou a causa do pagamento o lançamento também é devido. Note-se que há uma relação entre a operação ensejadora do pagamento e a causa desse pagamento, porquanto não comprovada a primeira o pagamento também poderá ser considerado sem causa.
IR-FONTE. ART. 61 DA LEI Nº 8.981, DE 1995. CONCOMITÂNCIA COM IRPJ. GLOSA DE DESPESAS. COMPATIBILIDADE.
Concomitância do IR-Fonte e IRPJ. Infrações distintas. No IRPJ, a sociedade pratica o fato gerador, glosa de despesas/custos, por exemplo. Ela é contribuinte e responde por fato gerador próprio. No caso do IR-Fonte, essa mesma sociedade atua como fonte pagadora, ou seja, como responsável pelo recolhimento do imposto devido pelo beneficiário do pagamento. Tanto que a base de cálculo deve ser reajustada considerando a alíquota de 35%, vez que o pagamento efetuado é considerado líquido. Portanto, é possível uma convivência harmônica entre ambas as infrações.
IR-FONTE. ART. 61 DA LEI Nº 8.981, DE 1995. CONCOMITÂNCIA COM MULTA QUALIFICADA. COMPATIBILIDADE.
Compatibilidade do IR-Fonte com a multa qualificada. A alíquota máxima do imposto de renda pessoa física vigente à época da publicação da Lei nº 9.8981, de 1995, prevista em seu art. art. 8º, era 35%. O fato desta alíquota ter sido revogada posteriormente pela Lei nº 9. 250, de 1995, e permanecido no mesmo patamar para o art. 61 da mesma lei é opção legislativa.
Por mais onerosa que seja a alíquota de 35%, a análise deve ser feita à luz do Código Tributário Nacional no sentido de que tributo não constitui sanção de ato ilícito, ou seja, tributo não é penalidade, sanção. Assim, uma vez comprovado que houve simulação, fraude ou conluio, no pagamento de algumas das hipóteses prevista no art. 61 da Lei 8.981, de 1995, a multa qualificada deve ser aplicada. O que atrai a incidência dessa espécie de multa é a conduta praticada pelo sujeito passivo ao efetuar o referido pagamento. Deixar de aplica-la ao argumento de dupla penalidade significa considerar tributo como sanção, ou, de outro modo, negar vigência ao texto legal por considera-lo inconstitucional.
IR-FONTE. ART. 61 DA LEI Nº 8.981, DE 1995. DEDUÇÃO DO VALOR RETIDO E RECOLHIDO.
O IR-Fonte retido e recolhido pela fonte pagadora referente às notas fiscais cujo pagamento foi considerado sem causa ou a operação não foi comprovada deve ser deduzido do IR-Fonte lançado de ofício. O fato de o pagamento efetuado estar sujeito ao IR exclusivamente na fonte significa que esse pagamento não está sujeito à antecipação para fins de ajuste anual, ou seja, o IR-Fonte decorrente desse pagamento não poderá ser deduzido na declaração de ajuste do beneficiário, o que não configura óbice à dedução do valor retido e recolhido por ocasião do pagamento pela fonte pagadora.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2006, 2007
PRODUÇÃO DE PROVAS. PERÍCIA.
Nos termos do arts. 18 e 28 do Decreto nº 70.235, de 1972, com redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993, aplicável também ao julgamento em segunda instância, a autoridade julgadora determinará, de ofício ou a requerimento da defesa, a realização de diligências ou perícias, quando entendê-las necessárias, e indeferirá, de forma fundamentada, as que considerar prescindíveis.
COMPETÊNCIA DO AUDITOR FISCAL. ATIVIDADE CONTÁBIL
O questionamento quanto à competência do Auditor Fiscal para lavrar auto de infração é matéria pacificada no âmbito deste CARF nos termos da Súmula Vinculante CARF nº 8: O Auditor Fiscal da Receita Federal é competente para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador.
Numero da decisão: 1201-003.195
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: a) por unanimidade, em conhecer dos recursos voluntários, excluir a responsabilidade solidária dos sujeitos passivos: Adriana Gonçalves de Assis Andrade, Leide Luiza de Castro Moreira Andrade, João Bosco Drummond Andrade, Gilberto Batista de Almeida e Thales Batista de Almeida; b) por maioria, no mérito, dar-lhes provimento parcial, tão somente para deduzir do IR-Fonte lançado de ofício o IR-fonte retido e recolhido pela fonte pagadora referente às notas fiscais cujo pagamento foi considerado sem causa ou a operação não foi comprovada; vencidos os conselheiros Lizandro Rodrigues de Sousa e Allan Marcel Warwar Teixeira; c) por maioria, manter o lançamento de IR-Fonte; vencida a conselheira Bárbara Melo Carneiro, que afastava a exigência; d) por qualidade, manter a exigência da multa no patamar de 150% sobre o lançamento de IR-Fonte; vencidos os conselheiros Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Alexandre Evaristo Pinto e Bárbara Melo Carneiro, que reduziam esta multa para o patamar de 75%.
(documento assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente). - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Efigênio de Freitas Júnior - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigênio de Freitas Junior, Alexandre Evaristo Pinto, Bárbara Melo Carneiro e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
Nome do relator: EFIGENIO DE FREITAS JUNIOR
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ementa_s : ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2006, 2007 SUSPENSÃO DE ISENÇÃO. LEI COMPLEMENTAR. LEI ORDINÁRIA. REQUISITOS. ADI 1802 Os requisitos para fruição da isenção/imunidade constam do §2º do art. 12 da Lei nº 9.532, de 1995, os quais não foram declarados inconstitucionais pela Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) nº 1802. Ademais, tanto a competência para suspensão do benefício quanto os requisitos para sua fruição constam dos arts. 9º, § 1º e 14 do CTN, norma recepcionada no ordenamento jurídico como lei complementar. Correta a suspensão do benefício da isenção do IRPJ e CSLL quando comprovado nos autos: i) não aplicação integral dos recursos na manutenção e desenvolvimento dos objetivos sociais; ii) remuneração indireta, mediante transferência de recursos do Instituto para os associados/familiares e/ou pessoas ligadas, mediante operação simulada de pagamento de serviços prestados; iii) exercício de atividade empresarial. SUSPENSÃO DE ISENÇÃO. ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO. AUTORIDADE COMPETENTE. O fato de a Portaria SRF nº 1.398, de 2002 fazer referência a ato declaratório suspensivo do benefício e atribuir competência ao Delegado da DEFIC não significa que outros Delegados da Receita Federal não tenham a competência designada por lei. O nome do ato não tem poder de modificar a sua essência, o que importa é o seu teor. Atribuir à portaria uma restrição não existente na lei, na espécie, significa uma inversão de valor. Nos autos da ADI 1802, o STF pontuou a necessidade e a preocupação em respaldar normas de lei ordinária direcionadas a evitar que falsas instituições sejam favorecidas pela imunidade/isenção. O § 3º do art. 32 da Lei nº 9.430, de 1996, atribui competência tanto ao Delegado quanto ao Inspetor da Receita Federal para tratar da matéria. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA Comprovada a simulação perpetrada para fraudar o fisco mediante obtenção de isenção de IRPJ e CSLL, é devida a responsabilização tributária daqueles cuja participação foi comprovada. A responsabilidade tributária prevista no art. 135, III, do CTN, atribuída aos dirigentes, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, não se confunde com a responsabilidade do sócio. Não é a condição de ser sócio da pessoa jurídica que atrai a responsabilidade tributária, mas sim a atuação como gestor ou representante da pessoa jurídica e a prática de atos com excesso de poder, infração de lei, contrato social ou estatutos que resultaram em descumprimento de obrigação tributária. A responsabilidade solidária por interesse comum, prevista no art. 124, I, do CTN, aplica-se tanto aos sujeitos que figuram no mesmo polo da relação jurídica tributária, quanto aos terceiros que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Entre esses terceiros deve ser responsabilizado aquele que pratica atos mediante fraude, dolo ou simulação, em conjunto ou com consentimento do contribuinte, com o fim de alterar características essenciais do fato gerador ou impedir o seu conhecimento por parte da autoridade fazendária. O fato de ser sócio de sociedade envolvida em atividades simuladas, por si só, não é suficiente para atrair a responsabilidade do sócio. É fundamental que os elementos probatórios da conduta sejam carreados aos autos. Em não havendo tais elementos, não há como manter a responsabilidade tributária. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 2006, 2007 GLOSA DE DESPESAS. NOTAS FISCAIS DE FAVOR. OPERAÇÃO SIMULADA A escrituração contábil mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados, desde que comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, ou seja, quando a documentação comprobatória, os lançamentos contábeis, a coerência das datas, e o fluxo financeiro, em conjunto, estão em harmonia com o fato econômico-contábil. A simples contabilização das despesas não faz prova a favor do contribuinte. SIMULAÇÃO. MULTA QUALIFICADA No cenário em que há cumprimento formal da lei - emissão de nota fiscal e respectiva contabilização - se analisados os fatos sob a lente restritiva do Direito Privado não há falar-se em simulação, afinal seguiu-se a letra da lei, a despeito da artificialidade. Analisar o conceito de simulação sob essa lente restritiva significa, por via indireta, restringir a atuação do fisco; permitir que o sujeito passivo, a despeito do exercício de atividade empresarial, cubra-se com o manto da isenção. O que, além de ilegal, vai de encontro ao princípio da livre concorrência e ao cumprimento do dever fundamental de pagar tributos. Arranjo tributário simulado, artificioso, com vistas a transparecer para o fisco inocorrência de ilegalidade ou descumprimento dos requisitos previstos no artigo 14 do CTN, e artigo 12 e parágrafos da Lei nº 9.532, de 1997. Agir com consciência e vontade, e modificar características essenciais da ocorrência do fato gerador, as quais impactam na redução do montante devido de tributo, é conduta que atrai a incidência da multa qualificada, prevista no art. 44, § 1º, da Lei 9.430, de 1996 c/c art. 72 da Lei nº 4.502, de 1964. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Súmula CARF nº 108: Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 129 de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019). IRPJ. REFLEXO NA CSLL O decidido quanto ao IRPJ aplica-se à CSLL em relação à tributação decorrente dos mesmos fatos e elementos de prova. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF) Ano-calendário: 2006, 2007 IR-FONTE. ART. 61 DA LEI Nº 8.981, DE 1995. Caso o beneficiário do pagamento não seja identificado é devido o lançamento; caso o seja, necessário verificar se a operação e a causa do pagamento foram comprovadas. Operação é o negócio jurídico (prestação de serviço, venda, entre outros) que enseja o pagamento. Causa é o motivo, a razão, o fundamento do pagamento. Com efeito, não comprovada a efetividade do negócio jurídico ou a causa do pagamento o lançamento também é devido. Note-se que há uma relação entre a operação ensejadora do pagamento e a causa desse pagamento, porquanto não comprovada a primeira o pagamento também poderá ser considerado sem causa. IR-FONTE. ART. 61 DA LEI Nº 8.981, DE 1995. CONCOMITÂNCIA COM IRPJ. GLOSA DE DESPESAS. COMPATIBILIDADE. Concomitância do IR-Fonte e IRPJ. Infrações distintas. No IRPJ, a sociedade pratica o fato gerador, glosa de despesas/custos, por exemplo. Ela é contribuinte e responde por fato gerador próprio. No caso do IR-Fonte, essa mesma sociedade atua como fonte pagadora, ou seja, como responsável pelo recolhimento do imposto devido pelo beneficiário do pagamento. Tanto que a base de cálculo deve ser reajustada considerando a alíquota de 35%, vez que o pagamento efetuado é considerado líquido. Portanto, é possível uma convivência harmônica entre ambas as infrações. IR-FONTE. ART. 61 DA LEI Nº 8.981, DE 1995. CONCOMITÂNCIA COM MULTA QUALIFICADA. COMPATIBILIDADE. Compatibilidade do IR-Fonte com a multa qualificada. A alíquota máxima do imposto de renda pessoa física vigente à época da publicação da Lei nº 9.8981, de 1995, prevista em seu art. art. 8º, era 35%. O fato desta alíquota ter sido revogada posteriormente pela Lei nº 9. 250, de 1995, e permanecido no mesmo patamar para o art. 61 da mesma lei é opção legislativa. Por mais onerosa que seja a alíquota de 35%, a análise deve ser feita à luz do Código Tributário Nacional no sentido de que tributo não constitui sanção de ato ilícito, ou seja, tributo não é penalidade, sanção. Assim, uma vez comprovado que houve simulação, fraude ou conluio, no pagamento de algumas das hipóteses prevista no art. 61 da Lei 8.981, de 1995, a multa qualificada deve ser aplicada. O que atrai a incidência dessa espécie de multa é a conduta praticada pelo sujeito passivo ao efetuar o referido pagamento. Deixar de aplica-la ao argumento de dupla penalidade significa considerar tributo como sanção, ou, de outro modo, negar vigência ao texto legal por considera-lo inconstitucional. IR-FONTE. ART. 61 DA LEI Nº 8.981, DE 1995. DEDUÇÃO DO VALOR RETIDO E RECOLHIDO. O IR-Fonte retido e recolhido pela fonte pagadora referente às notas fiscais cujo pagamento foi considerado sem causa ou a operação não foi comprovada deve ser deduzido do IR-Fonte lançado de ofício. O fato de o pagamento efetuado estar sujeito ao IR exclusivamente na fonte significa que esse pagamento não está sujeito à antecipação para fins de ajuste anual, ou seja, o IR-Fonte decorrente desse pagamento não poderá ser deduzido na declaração de ajuste do beneficiário, o que não configura óbice à dedução do valor retido e recolhido por ocasião do pagamento pela fonte pagadora. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2006, 2007 PRODUÇÃO DE PROVAS. PERÍCIA. Nos termos do arts. 18 e 28 do Decreto nº 70.235, de 1972, com redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993, aplicável também ao julgamento em segunda instância, a autoridade julgadora determinará, de ofício ou a requerimento da defesa, a realização de diligências ou perícias, quando entendê-las necessárias, e indeferirá, de forma fundamentada, as que considerar prescindíveis. COMPETÊNCIA DO AUDITOR FISCAL. ATIVIDADE CONTÁBIL O questionamento quanto à competência do Auditor Fiscal para lavrar auto de infração é matéria pacificada no âmbito deste CARF nos termos da Súmula Vinculante CARF nº 8: O Auditor Fiscal da Receita Federal é competente para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador.
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LEI COMPLEMENTAR. LEI ORDINÁRIA. REQUISITOS. ADI 1802 Os requisitos para fruição da isenção/imunidade constam do §2º do art. 12 da Lei nº 9.532, de 1995, os quais não foram declarados inconstitucionais pela Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) nº 1802. Ademais, tanto a competência para suspensão do benefício quanto os requisitos para sua fruição constam dos arts. 9º, § 1º e 14 do CTN, norma recepcionada no ordenamento jurídico como lei complementar. Correta a suspensão do benefício da isenção do IRPJ e CSLL quando comprovado nos autos: i) não aplicação integral dos recursos na manutenção e desenvolvimento dos objetivos sociais; ii) remuneração indireta, mediante transferência de recursos do Instituto para os associados/familiares e/ou pessoas ligadas, mediante operação simulada de pagamento de serviços prestados; iii) exercício de atividade empresarial. SUSPENSÃO DE ISENÇÃO. ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO. AUTORIDADE COMPETENTE. O fato de a Portaria SRF nº 1.398, de 2002 fazer referência a ato declaratório suspensivo do benefício e atribuir competência ao Delegado da DEFIC não significa que outros Delegados da Receita Federal não tenham a competência designada por lei. O nome do ato não tem poder de modificar a sua essência, o que importa é o seu teor. Atribuir à portaria uma restrição não existente na lei, na espécie, significa uma inversão de valor. Nos autos da ADI 1802, o STF pontuou a necessidade e a “preocupação em respaldar normas de lei ordinária” direcionadas a evitar que falsas instituições sejam favorecidas pela imunidade/isenção. O § 3º do art. 32 da Lei nº 9.430, de 1996, atribui competência tanto ao “Delegado” quanto ao “Inspetor” da Receita Federal para tratar da matéria. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA Comprovada a simulação perpetrada para fraudar o fisco mediante obtenção de isenção de IRPJ e CSLL, é devida a responsabilização tributária daqueles cuja participação foi comprovada. A responsabilidade tributária prevista no art. 135, III, do CTN, atribuída aos dirigentes, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 38 75 /2 01 1- 41 Fl. 4834DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1201-003.195 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15504.723875/2011-41 não se confunde com a responsabilidade do sócio. Não é a condição de ser sócio da pessoa jurídica que atrai a responsabilidade tributária, mas sim a atuação como gestor ou representante da pessoa jurídica e a prática de atos com excesso de poder, infração de lei, contrato social ou estatutos que resultaram em descumprimento de obrigação tributária. A responsabilidade solidária por interesse comum, prevista no art. 124, I, do CTN, aplica-se tanto aos sujeitos que figuram no mesmo polo da relação jurídica tributária, quanto aos terceiros que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Entre esses terceiros deve ser responsabilizado aquele que pratica atos mediante fraude, dolo ou simulação, em conjunto ou com consentimento do contribuinte, com o fim de alterar características essenciais do fato gerador ou impedir o seu conhecimento por parte da autoridade fazendária. O fato de ser sócio de sociedade envolvida em atividades simuladas, por si só, não é suficiente para atrair a responsabilidade do sócio. É fundamental que os elementos probatórios da conduta sejam carreados aos autos. Em não havendo tais elementos, não há como manter a responsabilidade tributária. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 2006, 2007 GLOSA DE DESPESAS. NOTAS FISCAIS DE FAVOR. OPERAÇÃO SIMULADA A escrituração contábil mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados, desde que comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, ou seja, quando a documentação comprobatória, os lançamentos contábeis, a coerência das datas, e o fluxo financeiro, em conjunto, estão em harmonia com o fato econômico-contábil. A simples contabilização das despesas não faz prova a favor do contribuinte. SIMULAÇÃO. MULTA QUALIFICADA No cenário em que há cumprimento formal da lei - emissão de nota fiscal e respectiva contabilização - se analisados os fatos sob a lente restritiva do Direito Privado não há falar-se em simulação, afinal seguiu-se a letra da lei, a despeito da artificialidade. Analisar o conceito de simulação sob essa lente restritiva significa, por via indireta, restringir a atuação do fisco; permitir que o sujeito passivo, a despeito do exercício de atividade empresarial, cubra-se com o manto da isenção. O que, além de ilegal, vai de encontro ao princípio da livre concorrência e ao cumprimento do dever fundamental de pagar tributos. Arranjo tributário simulado, artificioso, com vistas a transparecer para o fisco inocorrência de ilegalidade ou descumprimento dos requisitos previstos no artigo 14 do CTN, e artigo 12 e parágrafos da Lei nº 9.532, de 1997. Agir com consciência e vontade, e modificar características essenciais da ocorrência do fato gerador, as quais impactam na redução do montante devido de tributo, é conduta que atrai a incidência da multa qualificada, prevista no art. 44, § 1º, da Lei 9.430, de 1996 c/c art. 72 da Lei nº 4.502, de 1964. Fl. 4835DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1201-003.195 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15504.723875/2011-41 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Súmula CARF nº 108: Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 129 de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019). IRPJ. REFLEXO NA CSLL O decidido quanto ao IRPJ aplica-se à CSLL em relação à tributação decorrente dos mesmos fatos e elementos de prova. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF) Ano-calendário: 2006, 2007 IR-FONTE. ART. 61 DA LEI Nº 8.981, DE 1995. Caso o beneficiário do pagamento não seja identificado é devido o lançamento; caso o seja, necessário verificar se a operação e a causa do pagamento foram comprovadas. Operação é o negócio jurídico (prestação de serviço, venda, entre outros) que enseja o pagamento. Causa é o motivo, a razão, o fundamento do pagamento. Com efeito, não comprovada a efetividade do negócio jurídico ou a causa do pagamento o lançamento também é devido. Note-se que há uma relação entre a operação ensejadora do pagamento e a causa desse pagamento, porquanto não comprovada a primeira o pagamento também poderá ser considerado sem causa. IR-FONTE. ART. 61 DA LEI Nº 8.981, DE 1995. CONCOMITÂNCIA COM IRPJ. GLOSA DE DESPESAS. COMPATIBILIDADE. Concomitância do IR-Fonte e IRPJ. Infrações distintas. No IRPJ, a sociedade pratica o fato gerador, glosa de despesas/custos, por exemplo. Ela é contribuinte e responde por fato gerador próprio. No caso do IR-Fonte, essa mesma sociedade atua como fonte pagadora, ou seja, como responsável pelo recolhimento do imposto devido pelo beneficiário do pagamento. Tanto que a base de cálculo deve ser reajustada considerando a alíquota de 35%, vez que o pagamento efetuado é considerado líquido. Portanto, é possível uma convivência harmônica entre ambas as infrações. IR-FONTE. ART. 61 DA LEI Nº 8.981, DE 1995. CONCOMITÂNCIA COM MULTA QUALIFICADA. COMPATIBILIDADE. Compatibilidade do IR-Fonte com a multa qualificada. A alíquota máxima do imposto de renda pessoa física vigente à época da publicação da Lei nº 9.8981, de 1995, prevista em seu art. art. 8º, era 35%. O fato desta alíquota ter sido revogada posteriormente pela Lei nº 9. 250, de 1995, e permanecido no mesmo patamar para o art. 61 da mesma lei é opção legislativa. Por mais onerosa que seja a alíquota de 35%, a análise deve ser feita à luz do Código Tributário Nacional no sentido de que tributo não constitui sanção de ato ilícito, ou seja, tributo não é penalidade, sanção. Assim, uma vez comprovado que houve simulação, fraude ou conluio, no pagamento de algumas das hipóteses prevista no art. 61 da Lei 8.981, de 1995, a multa qualificada deve ser aplicada. O que atrai a incidência dessa espécie de multa é a conduta praticada pelo sujeito passivo ao efetuar o referido pagamento. Fl. 4836DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1201-003.195 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15504.723875/2011-41 Deixar de aplica-la ao argumento de dupla penalidade significa considerar tributo como sanção, ou, de outro modo, negar vigência ao texto legal por considera-lo inconstitucional. IR-FONTE. ART. 61 DA LEI Nº 8.981, DE 1995. DEDUÇÃO DO VALOR RETIDO E RECOLHIDO. O IR-Fonte retido e recolhido pela fonte pagadora referente às notas fiscais cujo pagamento foi considerado sem causa ou a operação não foi comprovada deve ser deduzido do IR-Fonte lançado de ofício. O fato de o pagamento efetuado estar sujeito ao IR exclusivamente na fonte significa que esse pagamento não está sujeito à antecipação para fins de ajuste anual, ou seja, o IR-Fonte decorrente desse pagamento não poderá ser deduzido na declaração de ajuste do beneficiário, o que não configura óbice à dedução do valor retido e recolhido por ocasião do pagamento pela fonte pagadora. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2006, 2007 PRODUÇÃO DE PROVAS. PERÍCIA. Nos termos do arts. 18 e 28 do Decreto nº 70.235, de 1972, com redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993, aplicável também ao julgamento em segunda instância, a autoridade julgadora determinará, de ofício ou a requerimento da defesa, a realização de diligências ou perícias, quando entendê-las necessárias, e indeferirá, de forma fundamentada, as que considerar prescindíveis. COMPETÊNCIA DO AUDITOR FISCAL. ATIVIDADE CONTÁBIL O questionamento quanto à competência do Auditor Fiscal para lavrar auto de infração é matéria pacificada no âmbito deste CARF nos termos da Súmula Vinculante CARF nº 8: “O Auditor Fiscal da Receita Federal é competente para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador”. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: a) por unanimidade, em conhecer dos recursos voluntários, excluir a responsabilidade solidária dos sujeitos passivos: Adriana Gonçalves de Assis Andrade, Leide Luiza de Castro Moreira Andrade, João Bosco Drummond Andrade, Gilberto Batista de Almeida e Thales Batista de Almeida; b) por maioria, no mérito, dar-lhes provimento parcial, tão somente para deduzir do IR-Fonte lançado de ofício o IR-fonte retido e recolhido pela fonte pagadora referente às notas fiscais cujo pagamento foi considerado sem causa ou a operação não foi comprovada; vencidos os conselheiros Lizandro Rodrigues de Sousa e Allan Marcel Warwar Teixeira; c) por maioria, manter o lançamento de IR-Fonte; vencida a conselheira Bárbara Melo Carneiro, que afastava a exigência; d) por qualidade, manter a exigência da multa no patamar de 150% sobre o lançamento de IR-Fonte; vencidos os conselheiros Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Alexandre Evaristo Pinto e Bárbara Melo Carneiro, que reduziam esta multa para o patamar de 75%. (documento assinado digitalmente) Fl. 4837DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 1201-003.195 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15504.723875/2011-41 Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente). - Presidente (documento assinado digitalmente) Efigênio de Freitas Júnior - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigênio de Freitas Junior, Alexandre Evaristo Pinto, Bárbara Melo Carneiro e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente). Relatório SIM-INSTITUTO DE GESTÃO FISCAL, já qualificado nos autos, interpôs recurso voluntário em face do Acórdão 02-37.230, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ em Belo Horizonte/MG, em 30 de janeiro de 2012. 2. Trata-se de lançamentos de ofício de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido (CSLL) e Imposto de Renda na Fonte (IR-Fonte), referentes aos anos-calendário 2006 e 2007, no montante consolidado de R$ 29.421.221,46, incluídos principal, juros de mora e multas de ofício de 150%. 3. Os lançamentos ocorreram em razão da suspensão da isenção tributária prevista no art. 15, da Lei nº 9.532, de 1997, por meio do Ato Declaratório Executivo (ADE) DRF/BH nº 60, de 31 de março de 2011, nos autos do processo nº 15504.018796/2010-33, apenso a este (e- fls. 4.494). 4. Portanto, nesses autos devem ser analisada a suspensão da isenção e os lançamentos dela decorrentes. Suspensão da isenção 5. A seguir, transcrevo trechos do Termo de Constatação e Notificação Fiscal, de 08.11.2010, que ensejaram a suspensão da isenção (e-fls. 3-22 do processo apenso): De acordo com seu estatuto, a SIM - Instituto de Gestão Fiscal, é uma pessoa jurídica de direito privado, sem fins lucrativos. Dados os objetivos a que se propõe, estaria enquadrada como uma das associações civis que prestam os serviços para os quais foram instituídas e os colocam disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos, de que trata o art. 15 da Lei n°9.532, de 10 de dezembro de 1997. HISTÓRICO DA ASSOCIAÇÃO - SIM-INSTITUTO DE GESTÃO FISCAL A empresa TECNICONTA LTDA-ASSESSORIA E TÉCNICAS CONTÁBEIS, conforme Contrato de Constituição da sociedade, assinado no dia 24/08/1989, foi criada com o objetivo de prestação de serviços na área de informática, serviços contábeis, organização de empresas e assistência fiscal, auditoria e perícia. Seus sócios eram: Fl. 4838DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 1201-003.195 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15504.723875/2011-41 Nilton de Aquino Andrade, contador, Paulo Henrique Barbosa, contador e a empresa Plano Informática Ltda, representada pelos sócios: Cláudio de Paula Pereira, analista de sistemas e Nelson Batista de Almeida, analista de sistemas. Após diversas alterações contratuais, a empresa passou a se chamar SIM-Sistemas de Informação de Municípios, tinha como sócios os Srs. Nilton de Aquino Andrade, Nelson Batista de Almeida e Sinval Drummond Andrade quando foi assinada em 21/05/2001 a nona alteração contratual, que estabelecia que "a sociedade continua sendo sociedade civil de profissões regulamentadas Por cotas de responsabilidade limitada, com fins lucrativos..., com nome fantasia "GRUPO SIM", com sede à Av. Prudente de Morais, 287 - 4° andar em Belo Horizonte." E, ainda estabelecia em sua 2ª clausula que: "o objeto da sociedade é a prestação de serviços especializados de contabilidade pública e congêneres." No dia 09 de dezembro de 2002, foi lavrada a Ata de transformação da empresa em SIM - INSTITUTO DE GESTÃO FISCAL, com a finalidade de transformar a sociedade limitada em instituto. Nesta Ata está registrado: "... o sócio Sr. Sinval abriu a reunião expondo as razões que o levaram a convocá-la que era a apresentação dos motivos para a transformação da empresa comercial em um instituto sem fins lucrativos.... Informou haver contatado vários especialistas e chegado a conclusão que o melhor seria a transformação da atual SIM-Sistemas de Informação de Municípios em um instituto de pesquisa e desenvolvimento, mantido o mesmo escopo e objeto de prestação de serviços, e que seria bastante para isso, a criação e a aprovação do estatuto próprio. Completou informando que a transformação carregaria para o instituto toda a história da empresa além de todos os contratos em vigor evitando qualquer tipo de entrave burocrático ou legal para a continuidade da execução dos serviços contratados. Disse que a nova entidade sem fins lucrativos, levará, na transformação, além da história e dos contratos, todo o Ativo e Passivo da atual SIM." (destaque do original) Conforme esta mesma ata decidiu-se como Diretor-Presidente o Sr. Nilton de Aquino Andrade, como vice-presidente de Pesquisa e Desenvolvimento, o Sr. Nelson Batista de Almeida e como Vice-presidente de Administração e Finanças, o Sr. Sinval Drummond Andrade. (Grifo nosso) E, ainda conforme relatado nesta mesma Ata, o Sr. Nilton tomou a palavra e passou a exercer a direção dos trabalhos na qualidade de Presidente, e declarou que: "agradeceu sua indicação e eleição e concitou todos para demandar o melhor de seus esforços em prol do Instituto que será, a partir do registro e publicação da ata de sua criação, a nova casa de todos presentes. Disse a todos que o Instituto, no entanto, não é uma entidade nova, mas sim e tão somente uma nova maneira, mais moderna e mais adequada para suportar o crescimento do mercado e atender às necessidades cada vez maiores dos clientes. ....e que previa o dia 01 de janeiro de 2003 para o inicio efetivo das atividades do novo Instituto." (Grifo nosso) [...] CONCLUSÕES DA AUDITORIA FISCAL 1. A origem do Patrimônio da entidade, SIM - INSTITUTO DE GESTÃO FISCAL, está definido no seu Estatuto Social, no art. 37, itens V e VI, que dispõe: "o patrimônio do Sim será constituído por: "recebimento pela prestação de serviços a governos, órgãos ou entidades públicos" e "recebimento pela prestação de serviços a empresas, mediante contrato de parceria" (destacou-se). Ora, tal expressão imediatamente remete à legislação comercial (Lei n° 6.404, de 15 de dezembro de 1976, art. 187, inciso I) e às normas de apuração do IRPJ (arts. 224, 279 e 519 do RIR/1999), a que se sujeitam as pessoas jurídicas com finalidade lucrativa. 2. O SIM - INSTITUTO DE GESTÃO FISCAL exerce atividades de caráter, essencialmente empresarial, cujo objetivo é estudar, pesquisar e difundir a contabilidade pública em todos os seus níveis e aspectos, nas áreas administrativa, econômico- financeira, tributária-fiscal, tecnológica, ambiental, educacional e social, de capacitação Fl. 4839DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 1201-003.195 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15504.723875/2011-41 e preparação de profissionais a elas vinculados colocando-os à disposição dos que a remuneram para tal. 3. O SIM - INSTITUTO DE GESTÃO FISCAL desenvolve atividade essencialmente econômica, qual seja, a prestação de serviços contábeis e congêneres, como se constata pelas notas fiscais, e contratos de prestação de serviços firmados com as prefeituras municipais, o que afasta as benesses fiscais concedidas às entidades sem fins lucrativos e coloca este estabelecimento no mundo das empresas em geral. [...] 6. Conforme estatuto de transformação os únicos sócios da empresa SIM- Sistemas de Informação de Municípios Ltda eram os Srs. Nilton de Aquino Andrade, Nelson Batista de Almeida e Sinval Drumond Andrade, que passaram a ser os fundadores da nova entidade. E, ainda foram eleitos como presidente, vice-presidente de pesquisa e desenvolvimento e vice-presidente de administração e finanças, respectivamente. 7. Conforme tabela abaixo, os associados fundadores da SIM-INSTITUTO DE GESTÃO FISCAL tem participação nas empresas relacionadas, que prestam serviços quase exclusivamente à própria entidade - SIM: [EMPRESA GRUPO SIM S/C LTDA.; 3D PARTICIPAÇÕES LTDA./AIL- ASSESSORIA DE INFORMÁTICA E LOGÍSTICA; TRAJETO LTDA.] [...] 8. Sr. Sinval Drumond Andrade tem 20% do capital da empresa TRAJETO LTDA, enquanto sua esposa, a Sra. Cleide Maria de Alvarenga Andrade, participa com 80% do capital desta empresa. No ano de 2006 a empresa Trajeto Ltda recebeu R$ 110.000,00 e no ano de 2007 recebeu R$ 707.487,86 por prestação de serviços à SIM - INSTITUTO DE GESTÃO FISCAL. 9. A Sra. Leide Luiza de Castro Moreira Andrade, ex-esposa do Sr. Nilton de Aquino Andrade participa com 80% da empresa Excelência Contábil, que no ano de 2006 recebeu R$ 495.487,87 e no ano de 2007 recebeu R$ 750.000,00 por prestação de serviços à SIM - INSTITUTO DE GESTÃO FISCAL. 10. Constatamos que a empresa Excelência Contábil, cujo objeto conforme cadastro da SRFB é atividades de contabilidade, não prestou serviços a nenhuma outra empresa, ou seja, a sua receita nos anos de 2006 e 2007 foi exclusivamente composta de pagamentos efetuados pela SIM - INSTITUTO DE GESTÃO FISCAL. 11. Constatamos que a empresa Excelência Contábil tem ainda, dentre outros, como sócios as seguintes pessoas físicas: Robinson Carlos Miranda Pereira, Adélia Martins de Aguilar, Luiz Antonio da Silva, Paulo César de Souza e Simone Araújo Sousa que também constam como funcionários da SIM - INSTITUTO DE GESTÃO FISCAL, nos anos de 2006 e 2007, conforme DIRF-Declaração de Imposto de Renda na Fonte, sob o código 1708-Remuneração de Pessoa Jurídica entregue RFB pela associação. 12. A Sra. Cleide Maria de Alvarenga Andrade, esposa do Sr. Sinval Drumond Andrade, também é responsável pela contabilidade da associação - SIM -INSTITUTO DE GESTÃO FISCAL. 13. Constatamos que a empresa EDITORA SIM LTDA, tem como sócios: Sr. THALES BATISTA DE ALMEIDA, irmão dos sócios do contribuinte sob fiscalização: SIM - INSTITUTO DE GESTÃO FISCAL, Sra. CLEIDE MARIA DE ALVARENGA ANDRADE, esposa do Sr. Sinval Drumond Andrade, associado do SIM e Sra. LUCIANE VEIGA BORGES DE ALMEIDA, funcionária do SIM. 14. Constatamos ainda que a empresa EDITORA SIM LTDA, cujo objeto conforme cadastro da RFB é atividade de edição de livros, não prestou serviços a nenhuma outra empresa, ou seja, a sua receita nos anos de 2006 e 2007 foi exclusivamente composta do pagamento efetuado pela SIM - INSTITUTO DE GESTÃO FISCAL. 15. Constatamos ainda que no cadastro da Receita Federal as empresas abaixo tem registrado o mesmo endereço do contribuinte sob fiscalização: SIM - INSTITUTO DE Fl. 4840DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 1201-003.195 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15504.723875/2011-41 GESTÃO FISCAL, ou seja, Av. Prudente de Morais, 287 no bairro: Cidade Jardim em Belo Hte/MG. 16. Conforme tabela abaixo temos ainda que os associados fundadores e diversos funcionários da SIM - INSTITUTO DE GESTÃO FISCAL tem participação em empresas que prestam serviços exclusivamente para a fiscalizada, SIM -INSTITUTO DE GESTÃO FISCAL: [...] 17. Constatamos ainda que as empresas abaixo que tem alguma ligação com a "instituição" sob fiscalização: SIM - INSTITUTO DE GESTÃO FISCAL, seja, mesmo endereço, sócios que são associados ou funcionários, e ainda tem em torno de 80% da receita declarada em DIPJ recebida desta mesma "instituição": [...] 19. Para justificar despesas/custos na sua escrituração contábil, a fiscalizada utiliza-se, em regra, de documentos emitidos por fornecedores criados dentro da sua própria empresa, ou seja, documentos de pessoas jurídicas que atuam no mesmo endereço dela, tem como sócios os associados fundadores da própria SIM ou seus familiares ou ainda, sócios que são funcionários da própria SIM. 20. Como a fiscalizada é uma associação e como tal não pode remunerar seus associados, foram criadas empresas que funcionam no mesmo endereço, tem como sócios os associados da SIM e que prestam serviços exclusivamente à SIM. 21. Estas empresas prestadoras de serviço, normalmente optantes pela apuração do IRPJ pelo sistema de lucro presumido, tem tributação de imposto de renda aplicável somente sobre o máximo de 32% de suas remunerações, distribuindo o restante (68%) sem tributação na pessoa física. 23. Ou seja, estas empresas distribuem lucros isentos para os Srs. Nilton de Aquino Andrade, Nelson Batista de Almeida e Sinval Drummond Andrade, associados fundadores do SIM - INSTITUTO DE GESTÃO FISCAL, Sras. Cleide Maria de Alvarenga Andrade, esposa do Sr. Sinval e Sra. Leide Luiza de Castro Moreira Andrade, ex-esposa do Sr. Nilton de Aquino Andrade. 24. Evitam a tributação desse valor na pessoa física e essa operação triangular implica, ainda, redução do superavit da fiscalizada, ao contabilizar estas notas fiscais como despesas. 25.As pessoas jurídicas de direito privado detentoras de isenção tributária, no caso, uma associação, têm o dever legal e ético de atuar no sentido de não lesar a Fazenda Pública, e de não permitir ou de não propiciar na sua atuação que terceiros deixem de cumprir a legislação tributária. 26. Porém, o gozo da isenção tributária - que afasta a incidência de tributos sobre a totalidade de suas receitas, não tem sido suficiente para a fiscalizada, ela quer mais. E, para isto se vale da estratégia de contabilizar despesas amparadas por notas fiscais de empresas prestadoras de serviços que distribuem lucro com isenção para a pessoa física dos sócios que são os próprios associados do SIM -INSTITUTO DE GESTÃO FISCAL ou seus familiares, carreando todos os recursos de uma associação isenta para a mesma família. 27. Por todo exposto, não se trata de elisão fiscal, mais sim de evasão fiscal (ato ilícito - conluio - fraude fiscal). Este "esquema" para burlar o fisco, foi efetuado entre pessoas vinculadas ou ligadas (RIR199, art. 465), pois passou a distribuir rendimentos isentos a estas pessoas, sendo decisiva para essa operação triangular de sangria da União a participação da "associação, SIM - INSTITUTO DE GESTÃO FISCAL". 28. No caso, a associação SIM, como já dito, envolveu-se, deliberada e decisivamente, em operação triangular - que implicou burla ao Fisco - redução ou subtração tributação pelo IRPF - Imposto de Renda Pessoa Física, da maior parte dos rendimentos isentos auferidos pelos associados do SIM - INSTITUTO DE GESTÃO FISCAL e seus familiares. Fl. 4841DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 1201-003.195 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15504.723875/2011-41 29. Essa situação caracteriza-se como distribuição disfarçada de lucros da associação, SIM - INSTITUTO DE GESTÃO FISCAL para seus associados e familiares, (RIR/99, arts. 464, VI, e 465), configurando, também, violação ao Código Tributário Nacional, ou seja, distribuição de rendas a qualquer titulo (CTN, art. 14, I, com redada pela pela (sic) LC 104/01). [...] 32. Entendemos estar plenamente demonstrado o forte vinculo entre a fiscalizada, as empresas prestadoras de serviço citadas nos itens anteriores e os associados/familiares da associação SIM - INSTITUTO DE GESTÃO FISCAL. 33. Este vinculo teria como principal objetivo reduzir drasticamente o superávit da fiscalizada, visto que faturou R$ 19.648.246,96 (em 2006) e R$ 27.504.177,00 (em 2007). No mesmo período os custos para operacionalização da associação foram de R$ 20.670.110,26 e R$ 27.820.995,49, apurando-se déficit de 5,20% e 1,15%, respectivamente. 34. Dessa forma, observa-se que o fundamento para a inadmissibilidade do beneficio, no caso de inversão de recursos da entidade para distribuir aos associados/familiares e pessoas ligadas, será o não cumprimento ao requisito básico legal previsto na alínea "b" do §2° do art. 12 da Lei n° 9.532/97. Segundo esse dispositivo legal, para gozo da isenção, as entidades beneficiárias deverão "aplicar integralmente seus recursos na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos sociais." Assim, ao carrear recursos da entidade para distribuir aos associados/familiares e pessoas ligadas, a entidade isenta não os estará aplicando na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos sociais, descumprindo um dos requisitos básicos para o beneficio fiscal, pois tornam-se diversos o caráter dos recursos e as condições de sua obtenção. 35. E, ainda, outro fundamento para a perda do beneficio fiscal é a percepção de receitas oriundas da prestação de serviços que correspondem a atos de natureza econômico- financeira, de forma concorrente com organizações que não gozem de isenção, bem como a remuneração, por qualquer forma, de seus dirigentes pelos serviços prestados. 41. Além de todos os fatos descritos anteriormente, não podemos deixar de ressaltar mais um dos motivos que levaram os responsáveis pela empresa prestadora de serviços a transformá-la em uma associação. Ao se transformar em uma associação poderia celebrar todos os contratos de prestação de serviços com as prefeituras, pois estas estariam dispensadas de promover licitação para assinar tais contratos, de acordo com o inciso XXIV do art. 24 da Lei n° 8.666/93 alterado pela Lei n° 9.648, de 1998.de 21/06/1993. [...] 43. Entendemos, portanto, que não se pode, de forma alguma, dizer que as atividades praticadas pela associação SIM - INSTITUTO DE GESTÃO FISCAL são desenvolvidas em caráter não econômico, não lucrativo, não empresarial ou não explorativo. E, como agravante temos o fato da associação distribuir indiretamente lucros isentos a seus associados e familiares, através das empresas que prestam serviços a ela e ainda ao ter diversas empresas cujos ócios são os seus próprios funcionários, que recebem também lucros isentos, ou seja, na realidade se trata de remuneração indireta deixando a associação de ter o dever legal de recolher as obrigações sociais referentes aos salários destas pessoas físicas/funcionários/associados. Todos estes fatos a impedem de se beneficiar da isenção do imposto de renda. 6. Cientificado do Termo de Constatação e Notificação Fiscal em 08.11.2010, o recorrente apresentou impugnação em 09.12.2010 com as seguintes alegações, em síntese (e-fls. 51-57): i) o instituto, por dedicar-se à atividade de caráter de pesquisa, estudo e difusão da contabilidade pública em todos seus níveis e cobrar para implementação de seu desiderato associativo, jamais poderia ser tido como atividade empresarial; Fl. 4842DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 1201-003.195 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15504.723875/2011-41 ii) a discriminação simplificada dos serviços prestados em suas notas fiscais, bem como o discursos das partes no ato de transformação não lhe retira a característica de associação sem fins lucrativos; iii) o fato de os associados fundadores terem participação em empresas com fins lucrativos que prestaram serviços ao instituto não é suficiente para desenquadrá-lo como entidade imune; iv) as despesas incorridas pelo instituto foram necessárias ao seu funcionamento e fizeram que ele cumprisse seu desiderato social; v) a modalidade de dispensa de licitação é requisito legal, não sendo da vontade da entidade; vi) caso seja exarado ADE suspendendo a imunidade ou isenção tributária, ele jamais poderia ter efeitos retroativos; 7. A impugnação foi julgada improcedente por meio Despacho Decisório n° 523 - DRF/BHE, de 31.03.2011, conforme ementa abaixo transcrita (e-fls. 78-86): Ementa: A autoridade administrativa competente pode suspender a aplicação dos benefícios de isenção do imposto de renda da pessoa jurídica e da contribuição social sobre o lucro liquido, prevista no art. 15 da Lei n° 9.532, de 10/12/1997, quando não atendidos os requisitos legais. 8. Com fundamento no referido Despacho Decisório a Delegada da Receita Federal em Belo Horizonte emitiu o Ato Declaratório Executivo DRF/BHE nº 60, de 31 de março de 2011, abaixo transcrito, com ciência do contribuinte em 12.04.2011 (e-fls. 88): ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO DRF/BHE n° 60, de 31 de março de 2011. Declara suspensa a aplicação dos benefícios de isenção de que trata o art. 15 da Lei no 9.532, de 10/12/1997. A DELEGADA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL EM BELO HORIZONTE, no uso das atribuições que lhe são conferidas pelos arts. 295 e 307 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria MF no 587, de 21/12/2010, publicado no Diário Oficial da União (DOU) de 23/12/2010, e considerando o disposto nos arts. 9°, § 10, e 14 do Código Tributário Nacional — CTN (Lei n° 5.172, de 25/10/1966), no art. 32 da Lei n° 9.430, de 27/12/1996, no art. 15 da Lei n° 9.532, de 10/12/1997, no art. 174 do Regulamento do Imposto de, Renda — RIR, aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26/03/1999, e o que consta no Despacho Decisório n° 523 -DRF/BHE, de 31/03/2011 e no Termo de Constatação e Notificação Fiscal expedido em 08/11/2010, no processo administrativo n° 15504.018796/2010-33, declara: Art 1° - SUSPENSA a aplicação dos benefícios de isenção do imposto de renda e da contribuição social sobre lucro liquido, previstos no art. 15 da Lei n° 9.532/1997, à pessoa jurídica SIM — INSTITUTO DE GESTA0 FISCAL, inscrita no CNPJ sob n° 25.705.450/0001-00. Art 2° - Que o termo inicial da suspensão ora declarada é o dia 1° de janeiro de 2006 e o termo final é o dia 31 de dezembro de 2007. Art. 3° - Que a entidade interessada poderá, no prazo de trinta dias contados da ciência deste Ato Declaratório, apresentar impugnação dirigida à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte, sem efeito suspensivo, nos termos dispostos nos §§ 6°, inciso I, 7 0 e 8° do art. 32 da Lei n° 9.430, de 27/12/1996. Fl. 4843DF CARF MF Fl. 11 do Acórdão n.º 1201-003.195 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15504.723875/2011-41 9. Cientificado da decisão, apresentou impugnação, em que reiterou os argumentos anteriores, acrescentou novos, alegou nulidade da suspensão e requereu perícia (e-fls. 648-655). 10. Em seguida o processo foi apensado a este processo e encaminhado à Delegacia de Julgamento da Receita Federal para julgamento em conjunto com o lançamento de ofício. Lançamentos de ofício 11. Em decorrência da suspensão da isenção foram lavrados autos de infração de IRPJ, CSLL e IR-Fonte e apuradas as seguintes infrações: i) glosa de despesa não comprovadas (IRPJ e CSLL); ii) glosa de custos/despesas cujos serviços prestados não foram comprovados (IRPJ e CSLL) iii) falta de recolhimento de IRPJ/CSLL; iv) IR-Fonte sobre pagamentos a beneficiário não identificado e sem causa; v) IR-Fonte sobre pagamentos sem causa ou de operação não comprovada. 12. Houve ainda lavratura de termos de sujeição passiva solidária para os seguintes contribuintes: i) Nilton de Aquino Andrade, ii) Sinval Drummond Andrade, iii) Nelson Batista de Almeida, iv) Cleide Maria de Alvarenga Andrade, v) Luciane Veiga Borges de Almeida, vi) Adriana Gonçalves de Assis Andrade, vii) Leide Luiza de Castro Moreira Andrade, viii) João Bosco Drummond Andrade, ix) Gilberto Batista de Almeida e x) Thales Batista de Almeida. 13. Em sede de impugnação, o contribuinte questionou, em síntese, a validade do ADE de suspensão da isenção, bem como as infrações apuradas, multa de ofício e nulidade do feito. Houve ainda impugnação dos responsáveis solidários. 14. A Turma julgadora de primeira instância rejeitou as preliminares de nulidades alegadas, confirmou o Ato Declaratório Executivo DRF/BHE nº 60, de 2011, que suspendeu a isenção do recorrente; confirmou a responsabilidade solidárias de todos responsáveis arrolados; indeferiu pedido de perícia e manteve, na íntegra, as exigências de IRPJ, CSLL, IR-Fonte e a multa qualificada de 150%, conforme ementa abaixo transcrita: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2006, 2007 Preliminar de nulidade. Rejeita-se a preliminar de nulidade invocada pela defesa, quando não houve cerceamento do direito de defesa do autuado, tendo sido obedecidos tanto no procedimento de suspensão de isenção como no lançamento do imposto e da contribuição devidos todos os requisitos legais inerentes a essas atividades. Isenção. Condições. Fl. 4844DF CARF MF Fl. 12 do Acórdão n.º 1201-003.195 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15504.723875/2011-41 Para o gozo da isenção de imposto e contribuição social, as associações civis devem prestar os serviços para os quais foram instituídas, colocando-os à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos. Não faz jus a essa isenção, a associação civil que se reveste formalmente de entidade isenta, sem fins lucrativos, mas efetivamente desenvolve atividade de sociedade empresária, prestando serviços remunerados e criando custos ou despesas inexistentes, no intuito de beneficiar os associados, seus cônjuges e parentes. Suspensão de Isenção. Suspensa a isenção do imposto de renda e da contribuição social, segundo os procedimentos estabelecidos em lei, é cabível o lançamento desses tributos para os respectivos períodos em que houve a suspensão. Responsabilidade pelo crédito tributário. As pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador são solidariamente responsáveis pelo crédito tributário apurado. São pessoalmente responsáveis pelo crédito correspondente às obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei os mandatários, prepostos e empregados e os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006, 2007 Custos ou despesas efetivos. Os custos ou despesas operacionais somente serão dedutíveis na apuração do lucro real, desde que efetivos e se atendidas as condições gerais de dedutibilidade estabelecidas em lei, como necessidade, normalidade e comprovação por documentação hábil e idônea. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2006, 2007 EXIGÊNCIA DA CSLL. O desatendimento das condições para ter o direito à isenção do IRPJ implicará também a perda do direito à isenção da CSLL. Reputadas não efetivas, as despesas configuram-se indedutíveis também na determinação da base de cálculo da CSLL. Por decorrência, o mesmo procedimento adotado em relação ao lançamento do IRPJ estende-se à CSLL. Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 2006, 2007 Pagamento sem identificação do beneficiário e da respectiva causa da operação. É cabível a tributação exclusiva de fonte, à alíquota de 35%, para alcançar todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado ou sem causa. Multa de ofício. A multa de ofício será qualificada, no percentual de 150%, conforme estabelece a lei, sempre que houver o intuito de fraude, devidamente caracterizado em procedimento fiscal, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. JUROS DE MORA. Conforme expressa previsão legal, incidem juros de mora sobre todos os débitos tributários relativos aos impostos e contribuições de competência da União, calculados pela Taxa Selic. Fl. 4845DF CARF MF Fl. 13 do Acórdão n.º 1201-003.195 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15504.723875/2011-41 15. Em sede de recurso voluntario o recorrente alega, em síntese: Nulidade i) os artigos 12, §2º, 13 e 14 da Lei nº 9.532, de 1997, não podem fundamentar suspensão de isenção, somente lei complementar; cita Ação Direta de Inconstitucionalidade em seu favor (1.802-3 e 2.028); ii) nulidade do ADE nº 60, de 31.03.2011, por abuso de autoridade, em razão de ter sido exarado por autoridade incompetente, segundo a Portaria SRF nº 1.398, de 2002 e, com efeito, nulidade da autuação; iii) nulidade do auto de infração ou da notificação fiscal em razão de inabilitação absoluta do agente do fisco para executar trabalho de auditoria ou revisão contábil, sem ser Contador habilitado no Conselho Regional de Contabilidade; Mérito iv) jamais incorreu em qualquer ilegalidade ou descumpriu aos requisitos do artigo 14 do CTN, bem como do artigo 12 e parágrafos da Lei nº 9.532, de 1997; v) dedicar-se à atividade de caráter de pesquisa, estudo e difusão de contabilidade pública em todos seus níveis e cobrar para implementação de seu desiderato associativo não pode ser tido como atividade empresarial; ademais todas as entradas foram e são aplicadas inteiramente no cumprimento de seus objetivos sociais; vi) antes de ser Instituto já era dispensada de licitação por inexigibilidade; vii) a alegação de que os associados fundadores do Sim-Instituto têm participação em sociedades com fins lucrativos que prestam serviços ao recorrente não são suficientes para suspender a isenção do Instituto; ademais, por necessário, os serviços foram prestados, o preço cobrado foi o de mercado; e as prestadoras serviços recolheram os tributos à Receita Federal do Brasil; viii) a despeito de não estar obrigado a escriturar o LALUR, foi intimado a apresenta-lo antes da publicação do ADE que suspendeu a isenção; a base de cálculo do IRPJ e da CSLL jamais poderia ter sido determinada com base no superávit apurado pelo contribuinte no período fiscalizado; ix) o fundamento legal utilizado para glosa de despesas não comprovadas não se subsume ao fato apresentado; x) o valor de R$ 1.438.000,00, referente à despesa não comprovada e pagamento não identificado, sofreu quatro penalidades: IR-Fonte, IRPJ e CSLL, PIS e COFINS e multa de 150%; Fl. 4846DF CARF MF Fl. 14 do Acórdão n.º 1201-003.195 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15504.723875/2011-41 xi) todo material e comprovantes de pagamento, inclusive relativos ao Projeto de Pesquisa e Desenvolvimento, foram apreendidos pela Polícia Federal no curso da Operação Passárgada; fato comunicado à RFB e publicado em jornal de grande circulação; xii) o art. 61 da Lei nº 8.981, de 1995, que prevê alíquota de 35%, não pode ser utilizado como substituição tributária, tampouco como penalidade travestida de IR-Fonte; a situação se transforma em bis in idem com a aplicação da multa qualificada de 150% e a tributação dos mesmos valores pelo IRPJ e CSLL; xiii) em se tratando fraude e simulação a prova deve ser cabal e irretorquível, o que não foi feito pelo fisco em relação eventos apurados; xiv) não há ilegalidade nas despesas de prestação de serviços glosadas, tampouco nos prestadores de serviços; xv) a apuração do lucro real se deu de forma trimestral, não se levando em conta o prejuízo contábil ou déficit do período anterior; ademais, não se deve apurar o lucro real por amostragem; xvi) no ano de 2006, o lucro trimestral é prejudicial ao contribuinte, na medida em que durante todo o ano ele sofrera prejuízo; xvii) no quarto trimestre de 2007, o valor da infração não foi de R$ 3.314.081,62, o valor tributado deveria ser de R$ 1.946.605,67, sob pena de bis in idem nesta competência; xviii) tomou-se com base de cálculo da CSLL, em setembro de 2006, o valor de R$ 1.061.758,32 e não o de R$ 789.000,00, como no IRPJ; xix) não há razão jurídica plausível para a multa de 150%, uma vez que é ilegal e inconstitucional; com efeito, a falta de recolhimento somente admite a multa de mora; xx) são improcedentes os juros de mora pela taxa Selic; xxi) requer perícia, designa perito e quesitos; xxii) por fim, requer a insubsistência do auto de infração e, eventualmente, a redução da autuação e da multa de ofício. 16. Após a interposição do recurso voluntário, o recorrente colacionou aos autos, cópia integral de acódão proferido pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais em 20.06.2006, em que foi reconhecido “como notadamente qualficado o serviço contábil prestado pela requerente ao Município de Mariana/MG, pelo que não se cogita de qualquer irregularidade ou prejuízo ao erário por ter sido a requerente contratada sem prévia licitação” (e-fls. 4.704-4.722). Fl. 4847DF CARF MF Fl. 15 do Acórdão n.º 1201-003.195 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15504.723875/2011-41 17. Já em sede de recurso voluntário, conforme Resolução nº 1201-000.525, de 26.07.2018, o julgamento foi convertido em diligência para ciência da decisão de primeira instância aos responsáveis solidários (e-fls. 4.725). 18. Cumprida a diligência os autos retornaram ao CARF, desta feita, com recurso voluntário dos respensáveis solidário, apresentados em conjunto, com as seguintes alegações, em síntese: i) inexistência de responsabilidade solidária à luz dos fatos reais e do direito positivo, assim como a não configuração de grupo econômico; ii) o grau de parentesco não configura hipótese de atribuição de responsabilidade tributária; iii) a presunção fiscal é presunção simples, portanto, para fins de autuação e imposição de penalidades, como a hipótese dos autos, deve ser provada; iv) o legislador ordinário ao determinar a aplicação de solidariedade na seara tributária violou a CR/88 e ainda o CTN, porquanto não há nesse diploma legal qualquer disposição que verse acerca da responsabilização solidária de pessoas físicas por débito de pessoa jurídica não pertencente, não sendo válida a invocação de grupo econômico; v) a simples vinculação entre pessoas jurídicas não é suficiente para a atribuição da sujeição passiva atinente à configuração de grupo econômico; vi) não se pode aplicar o art. 124 isoladamente, este somente tem aplicação àquelas hipóteses em que a responsabilidade tributária esteja definida por lei, quer no próprio CTN, quer em lei ordinária; vii) inexiste responsabilidade das pessoas físicas mencionadas no Auto de Infração à luz do art. 135, III, do CTN e da atualizada jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça; viii) a autuação foge aos princípios da capacidade contributiva, da razoabilidade e proporcionalidade, e resulta em caráter confiscatório quando impõe a aplicação de multa em percentual susperior a 100% do tributo, conforme entendimento do STF; ix) por fim, requer o provimento do recurso para cancelar o crédito tributário imputado aos recorrentes e, subsidiariamente, reconhecimento do efeito confiscatório das multas aplicadas e ilegitimidade passiva dos recorrentes. 19. É o relatório. Fl. 4848DF CARF MF Fl. 16 do Acórdão n.º 1201-003.195 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15504.723875/2011-41 Voto Conselheiro Efigênio de Freitas Júnior, Relator. 20. Os pressupostos de admissibilidade do recurso voluntário do contribuinte foram analisados por ocasião da Resolução nº 1201-000-525, de 26.07.2018, razão pela qual dele conheço. 21. O recurso voluntário dos responsáveis solidário também é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual também dele conheço. 22. Inicialmente, oportuno observar que esta Turma já se manifestou sobre esta matéria em relação a este mesmo contribuinte no Acórdão nº 1201-0001.856, de 16 de agosto de 2017, da lavra do eminente Conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli, conforme ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008, 2009 PRODUÇÃO DE PROVAS. PERÍCIA. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, as provas documentais devem ser apresentadas na defesa, salvo quando comprovado fato superveniente. A produção de prova pericial só é determinada quando imprescindível à solução da lide, constituindo uma faculdade da autoridade julgadora. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. ESFERA ADMINISTRATIVA. COMPETÊNCIA. Incabível a arguição de inconstitucionalidade na esfera administrativa que visa afastar obrigação tributária regularmente constituída, por transbordar os limites de competência deste Conselho (Súmula CARF nº 2). IRPJ. CSLL. ASSOCIAÇÃO. ISENÇÃO. CONDIÇÕES. Para o gozo da isenção, as associações civis devem prestar os serviços para os quais foram instituídas, colocandoos à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos, sob pena de suspensão dos benefícios fiscais. Caracterizada simulação no negócio de transformação de sociedade limitada em associação filantrópica, correta a suspensão da isenção, bem como cabível o lançamento de tributos dissimulados. GLOSA DE DESPESAS. NOTAS FISCAIS DE FAVOR. OPERAÇÃO SIMULADA Os custos ou despesas operacionais somente serão dedutíveis na apuração do lucro real, desde que atendidas as condições gerais de dedutibilidade, tais como a necessidade e comprovação. A escrituração somente faz prova em favor do contribuinte quando amparada por documentos hábeis e idôneos a comprovar os fatos nela registrados. A demonstração de que a empresa se valeu de contratação de serviços simulados por pessoas jurídicas interpostas, é causa de glosa. SIMULAÇÃO. INTERPOSIÇÃO DE PESSOA JURÍDICA PRESTADORA DE SERVIÇOS. TRIBUTOS PAGOS. REQUALIFICAÇÃO. ABATIMENTO. Considerando que a fiscalização requalificou a sujeição passiva em razão de caracterizar que houve transferência de receita por meio de operação simulada, necessária também a requalificação dos tributos já recolhidos na operação, os quais devem ser deduzidos dos tributos lançados. Fl. 4849DF CARF MF Fl. 17 do Acórdão n.º 1201-003.195 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15504.723875/2011-41 LANÇAMENTO DE IR-FONTE. PAGAMENTO SEM CAUSA. OMISSÃO NO RECURSO VOLUNTÁRIO. PRECLUSÃO. A peça recursal, assim como a impugnação, deve ser formalizada por escrito, incluindo todas as teses e provas de defesa, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções previstas nas normas legais. Não havendo questionamento específico para um dos itens do lançamento, considera-se preclusa a discussão deste item. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SIMULAÇÃO FRAUDULENTA. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Caracterizada que a transformação de sociedade limitada para associação foi simulada de forma fraudulenta, cabível a qualificação da multa de ofício. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SÓCIO ADMINISTRADOR. ART. 135, III DO CTN. MOTIVAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO DE CONDUTA DOLOSA. PROCEDÊNCIA PARCIAL. A mera qualificação como sócio e parente, desacompanhada de outra motivação ou prova, não é suficiente para imputar a responsabilidade solidária. Por outro lado, em relação aos sócios participantes ativamente na estrutura simulada, agindo de forma consciente para o engano, devem ser responsabilizados. MULTA DE OFÍCIO DE 75%. A multa de ofício de 75% está prevista em lei, razão pela qual pode ser exigida. TAXA SELIC. De acordo com a Súmula CARF n° 4, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso a que se dá provimento parcial. IRPJ. REFLEXO NA CSLL. O decidido quanto ao IRPJ deve ser aplicado à tributação reflexa (CSLL) decorrente dos mesmos elementos e fatos. 23. Cinge-se a controvérsia a analisar, em preliminar, nulidade do ADE nº 60, de 2011; validade dos artigos 12, §2º, 13 e 14 da Lei nº 9.532, de 1997, para fundamentar a suspensão de isenção; capacidade do agente do fisco para lavrar auto de infração, pedido de perícia; e, no mérito, as infrações apuradas, multa qualificada, responsabilidade solidária e aplicação de juros de mora pela taxa Selic. Em seguida, a responsabilidade solidária. 24. Passo ao exame das preliminares. Preliminares Pedido de perícia 25. A recorrente postulou perícia para fins de “se apurar a verdade real tributária” da sociedade, ou seja, “quanto efetivamente ela deve”. 26. Nos termos do arts. 18 e 28 do Decreto nº 70.2351, de 1972, com redação dada 1 Cf. Decreto nº 70.235, de 1972. Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendê-las necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou Fl. 4850DF CARF MF Fl. 18 do Acórdão n.º 1201-003.195 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15504.723875/2011-41 pela Lei nº 8.748, de 1993, aplicável também ao julgamento em segunda instância, a autoridade julgadora determinará, de ofício ou a requerimento da defesa, a realização de diligências ou perícias, quando entendê-las necessárias, e indeferirá, de forma fundamentada, as que considerar prescindíveis. 27. É o caso. O feito está bem instruído com os elementos necessários para o julgamento. Portanto, por entender prescindível, indefiro o pedido de perícia. Incapacidade do Auditor Fiscal para trabalhos relacionados à atividade contábil 28. Alega o recorrente nulidade da notificação fiscal e do auto de infração em razão de inabilitação absoluta do Auditor Fiscal para executar trabalho de auditoria ou revisão contábil por não ser Contador habilitado no Conselho Regional de Contabilidade. 29. O questionamento quanto à competência do Auditor Fiscal para lavrar auto de infração é matéria pacificada no âmbito deste CARF nos termos da Súmula Vinculante CARF nº 8: “O Auditor Fiscal da Receita Federal é competente para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador”. Nesses termos, rejeito a preliminar suscitada. Exigência de lei complementar para fundamentar suspensão de isenção 30. O recorrente alega nulidade em razão de lei ordinária – artigos 12, §2º, 13 e 14 da Lei nº 9.532, de 1997 – não poder fundamentar suspensão de isenção, somente lei complementar. Cita em seu favor ações diretas de inconstitucionalidade (1.802-3 e 2.028). 31. O Ato Declaratório Executivo DRF/BHE n° 60, de 2011 suspendeu a aplicação dos benefícios de isenção de IRPJ e CSLL com fundamento nos arts. 9º, § 1º e 14 do CTN, art. 32 da Lei n° 9.430, de 1996, art. 15 da Lei n° 9.532, de 10.12.1997, art. 174 do RIR/99, tendo em vista o teor da Notificação Fiscal lavrada pela autoridade fiscal com ciência do contribuinte em 08.11.2010, e o Despacho Decisório nº 523 DRF/BHE, de 31.03.2011. 32. Conforme constou do ADE, a isenção em questão está disciplinada pelo art. 15 da Lei nº 9.532, de 1997: Art. 15. Consideram-se isentas as instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos. (Vide Medida Provisória nº 2158-35, de 2001) impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993). [...] Art. 28. Na decisão em que for julgada questão preliminar será também julgado o mérito, salvo quando incompatíveis, e dela constará o indeferimento fundamentado do pedido de diligência ou perícia, se for o caso. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993). Fl. 4851DF CARF MF Fl. 19 do Acórdão n.º 1201-003.195 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15504.723875/2011-41 § 1º A isenção a que se refere este artigo aplica-se, exclusivamente, em relação ao imposto de renda da pessoa jurídica e à contribuição social sobre o lucro líquido, observado o disposto no parágrafo subseqüente. § 2º Não estão abrangidos pela isenção do imposto de renda os rendimentos e ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável. § 3º Às instituições isentas aplicam-se as disposições do art. 12, § 2°, alíneas "a" a "e" e § 3° e dos arts. 13 e 14. (Grifo nosso) 33. Como se vê, para fazer jus à isenção do IRPJ e CSLL as associações civis devem prestar os serviços para os quais houverem sido instituídas e os colocar a disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos. Devem ainda atender aos requisitos previstos no art. 12, § 2°, alíneas "a" a "e" e § 3°, e no parágrafo único do art. 13 da Lei nº 9.532, de 1997, vigentes à época dos fatos, já com as limitações impostas pela Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) nº 1802, DJe de 03.05.2018: Art. 12. ... [...] § 2º Para o gozo da imunidade, as instituições a que se refere este artigo, estão obrigadas a atender aos seguintes requisitos: a) não remunerar, por qualquer forma, seus dirigentes pelos serviços prestados; b) aplicar integralmente seus recursos na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais; c) manter escrituração completa de suas receitas e despesas em livros revestidos das formalidades que assegurem a respectiva exatidão; d) conservar em boa ordem, pelo prazo de cinco anos, contado da data da emissão, os documentos que comprovem a origem de suas receitas e a efetivação de suas despesas, bem assim a realização de quaisquer outros atos ou operações que venham a modificar sua situação patrimonial; e) apresentar, anualmente, Declaração de Rendimentos, em conformidade com o disposto em ato da Secretaria da Receita Federal; [...] § 3° Considera-se entidade sem fins lucrativos a que não apresente superávit em suas contas ou, caso o apresente em determinado exercício, destine referido resultado, integralmente, à manutenção e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais. (Redação dada pela Lei nº 9.718, de 1998) [...] Art. 13. Sem prejuízo das demais penalidades previstas na lei, a Secretaria da Receita Federal suspenderá o gozo da imunidade a que se refere o artigo anterior, relativamente aos anos-calendários em que a pessoa jurídica houver praticado ou, por qualquer forma, houver contribuído para a prática de ato que constitua infração a dispositivo da legislação tributária, especialmente no caso de informar ou declarar falsamente, omitir ou simular o recebimento de doações em bens ou em dinheiro, ou de qualquer forma cooperar para que terceiro sonegue tributos ou pratique ilícitos fiscais. (Vide ADIN Nº 1802) Parágrafo único. Considera-se, também, infração a dispositivo da legislação tributária o pagamento, pela instituição imune, em favor de seus associados ou dirigentes, ou, ainda, em favor de sócios, acionistas ou dirigentes de pessoa jurídica a ela associada por qualquer forma, de despesas consideradas indedutíveis na Fl. 4852DF CARF MF Fl. 20 do Acórdão n.º 1201-003.195 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15504.723875/2011-41 determinação da base de cálculo do imposto sobre a renda ou da contribuição social sobre o lucro líquido. Art. 14. À suspensão do gozo da imunidade aplica-se o disposto no art. 32 da Lei nº 9.430, de 1996. (Vide ADIN Nº 1802) 34. Tem-se, portanto, como requisitos para fruição da isenção/imunidade: i) não remunerar, por qualquer forma, dirigentes pelos serviços prestados; ii) aplicar integralmente o recursos na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais; iii) manter escrituração completa de suas receitas e despesas em livros revestidos das formalidades legais; iv) conservar pelo prazo de cinco anos comprovantes de receitas, despesas e de quaisquer atos ou operações modificadores sua situação patrimonial; e v) apresentar, anualmente, declaração de rendimentos. 35. A ADI nº 1802, a despeito de considerar alguns dispositivos da Lei nº 9.532, de 1997 inconstitucionais, conforme trecho da ementa abaixo transcrita, não alterou os requisitos explicitados acima: 2. A necessidade de lei complementar para disciplinar as limitações ao poder de tributar não impede que o constituinte selecione matérias passíveis de alteração de forma menos rígida, permitindo uma adaptação mais fácil do sistema às modificações fáticas e contextuais, com o propósito de velar melhor pelas finalidades constitucionais. Nos precedentes da Corte, prevalece a preocupação em respaldar normas de lei ordinária direcionadas a evitar que falsas instituições de assistência e educação sejam favorecidas pela imunidade. É necessário reconhecer um espaço de atuação para o legislador ordinário no trato da matéria 3. A orientação prevalecente no recente julgamento das ADIs nº 2.028/DF, 2.036/DF, 2.228/DF e 2.621/DF é no sentido de que os artigos de lei ordinária que dispõem sobre o modo beneficente (no caso de assistência e educação) de atuação das entidades acobertadas pela imunidade, especialmente aqueles que criaram contrapartidas a serem observadas pelas entidades, padecem de vício formal, por invadir competência reservada a lei complementar. Os aspectos procedimentais necessários à verificação do atendimento das finalidades constitucionais da regra de imunidade, tais como as referentes à certificação, à fiscalização e ao controle administrativo, continuam passíveis de definição por lei ordinária. 4. São inconstitucionais, por invadir campo reservado a lei complementar de que trata o art. 146, II, da CF: (i) a alínea f do § 2º do art. 12, por criar uma contrapartida que interfere diretamente na atuação da entidade; o art. 13, caput, e o art. 14, ao prever a pena se suspensão do gozo da imunidade nas hipóteses que enumera. 5. Padece de inconstitucionalidade formal e material o § 1º do art. 12 da Lei nº 9.532/97, com a subtração da imunidade de acréscimos patrimoniais abrangidos pela vedação constitucional de tributar. (Grifo nosso) 36. Entre os dispositivos acima que interessam ao caso em análise, somente o caput do art. 13, que trata da suspensão do benefício pela Receita Federal, e o art. 14, que trata do rito processual previsto no art. 32 Lei nº 9430, de 1996, foram considerados inconstitucionais, por não terem sido veiculados por meio de lei complementar. Os demais, principalmente, o art. 12, §2º, que trata dos requisitos, permaneceram incólumes. Observou ainda o STF que continuam passíveis de definição por lei ordinária aspectos procedimentais necessários à verificação do atendimento das finalidades constitucionais da regra de imunidade (procedimentos de Fl. 4853DF CARF MF Fl. 21 do Acórdão n.º 1201-003.195 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15504.723875/2011-41 certificação, de fiscalização e ao controle administrativo), o que se aplica também, a meu ver, à isenção. 37. Cumpre observar, entretanto, que a competência para suspensão isenção/imunidade considerada inconstitucional (art. 13, caput), bem como os requisitos para sua fruição constam, na essência, dos arts. 9º, § 1º e 14 do CTN. É dizer, tanto a suspensão quanto os requisitos, em relação a estes como norma de reforça porquanto não foram declarados inconstitucionais, também têm suporte em lei complementar: Art. 9º É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: [...] IV - cobrar imposto sobre: [...] c) o patrimônio, a renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, observados os requisitos fixados na Seção II deste Capítulo; (Redação dada pela Lei Complementar nº 104, de 2001) [...] § 1º O disposto no inciso IV não exclui a atribuição, por lei, às entidades nele referidas, da condição de responsáveis pelos tributos que lhes caiba reter na fonte, e não as dispensa da prática de atos, previstos em lei, assecuratórios do cumprimento de obrigações tributárias por terceiros. [...] Art. 14. O disposto na alínea c do inciso IV do artigo 9º é subordinado à observância dos seguintes requisitos pelas entidades nele referidas: I – não distribuírem qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, a qualquer título; (Redação dada pela Lcp nº 104, de 2001) II - aplicarem integralmente, no País, os seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais; III - manterem escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão. § 1º Na falta de cumprimento do disposto neste artigo, ou no § 1º do artigo 9º, a autoridade competente pode suspender a aplicação do benefício. § 2º Os serviços a que se refere a alínea c do inciso IV do artigo 9º são exclusivamente, os diretamente relacionados com os objetivos institucionais das entidades de que trata este artigo, previstos nos respectivos estatutos ou atos constitutivos. (Grifo nosso) 38. Embora o art. 14 da Lei nº 9.532, de 1997 tenha sido declarado inconstitucional pela ADI nº 1.802 e faça referência ao art. 32 da Lei nº 9.430, de 1996, esse último artigo não o foi, portanto, permanece hígido no ordenamento jurídico, vedado ao CARF negar sua vigência 2 . 2 PORTARIA MF Nº 343, DE 09 DE JUNHO DE 2015. Aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) [...] Ar. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: Fl. 4854DF CARF MF http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/LCP/Lcp104.htm Fl. 22 do Acórdão n.º 1201-003.195 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15504.723875/2011-41 Ademais, essa norma estabelece procedimentos de fiscalização, os quais, no entendimento do STF, podem ser disciplinados por lei ordinária; garante ao contribuinte o contraditório e a ampla defesa; bem como determina obediência aos requisitos e condições previstos no CTN. Veja-se: Suspensão da Imunidade e da Isenção Art. 32. A suspensão da imunidade tributária, em virtude de falta de observância de requisitos legais, deve ser procedida de conformidade com o disposto neste artigo. § 1º Constatado que entidade beneficiária de imunidade de tributos federais de que trata a alínea c do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal não está observando requisito ou condição previsto nos arts. 9º, § 1º, e 14, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 - Código Tributário Nacional, a fiscalização tributária expedirá notificação fiscal, na qual relatará os fatos que determinam a suspensão do benefício, indicando inclusive a data da ocorrência da infração. § 2º A entidade poderá, no prazo de trinta dias da ciência da notificação, apresentar as alegações e provas que entender necessárias. § 3º O Delegado ou Inspetor da Receita Federal decidirá sobre a procedência das alegações, expedindo o ato declaratório suspensivo do benefício, no caso de improcedência, dando, de sua decisão, ciência à entidade. § 4º Será igualmente expedido o ato suspensivo se decorrido o prazo previsto no § 2º sem qualquer manifestação da parte interessada. § 5º A suspensão da imunidade terá como termo inicial a data da prática da infração. § 6º Efetivada a suspensão da imunidade: I - a entidade interessada poderá, no prazo de trinta dias da ciência, apresentar impugnação ao ato declaratório, a qual será objeto de decisão pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento competente; II - a fiscalização de tributos federais lavrará auto de infração, se for o caso. § 7º A impugnação relativa à suspensão da imunidade obedecerá às demais normas reguladoras do processo administrativo fiscal. § 8º A impugnação e o recurso apresentados pela entidade não terão efeito suspensivo em relação ao ato declaratório contestado. § 9º Caso seja lavrado auto de infração, as impugnações contra o ato declaratório e contra a exigência de crédito tributário serão reunidas em um único processo, para serem decididas simultaneamente. § 10. Os procedimentos estabelecidos neste artigo aplicam-se, também, às hipóteses de suspensão de isenções condicionadas, quando a entidade beneficiária estiver descumprindo as condições ou requisitos impostos pela legislação de regência. (Grifo nosso). 39. Resumidamente temos o seguinte rito: i) notificação fiscal: constatado que entidade beneficiária de imunidade/isenção não observou requisito ou condição previsto nos arts. 9º, § 1º, e 14, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 - Código Tributário Nacional, a fiscalização tributária expedirá notificação fiscal, na qual relatará os fatos que determinam a suspensão do benefício; I - que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) Fl. 4855DF CARF MF Fl. 23 do Acórdão n.º 1201-003.195 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15504.723875/2011-41 ii) alegações da entidade: a entidade poderá, no prazo de trinta dias da ciência da notificação, apresentar as alegações e provas que entender necessárias; iii) ato declaratório: o Delegado ou Inspetor da Receita Federal decidirá sobre a procedência das alegações; no caso de improcedência, expedirá ato declaratório suspensivo do benefício e dará ciência à entidade; iv) impugnação do ADE e lavratura de auto de infração: suspensa a imunidade/isenção: i) a entidade poderá apresentar impugnação, sem efeito suspensivo, em face do ADE perante a Delegacia da Receita Federal de Julgamento; ii) a fiscalização poderá lavrar auto de infração, se for o caso; v) julgamento em conjunto do ADE e auto de infração: lavrado auto de infração, as impugnações em face do ADE e do crédito tributário serão reunidas em um único processo, para serem decididas simultaneamente. 40. No caso em análise, nos autos do processo nº 15504.018796/2010-33, a recorrente tomou ciência em 08.11.2010 da Notificação Fiscal em que foram relatados os fatos da suspensão do beneficio de isenção tributária, a partir de 01.01.2006 até 31.12.2007 (e-fls. 25) e apresentou alegações em 09.12.2010 (e-fls. 51). Ato seguinte, por considerar tais alegações intempestivas, o Delegado da Receita Federal em Belo Horizonte lavrou o ADE nº 04, em 19.01.2011 (e-fls. 66). 41. Posteriormente, em função de erro na contagem do prazo para apresentação de alegações, o ADE nº 04, de 2011 fora declarado nulo pelo ADE nº 59, de 2011, e emitido o ADE nº 60, de 2011, para suspender o beneficio de isenção tributária, a partir de 01.01.2006 até 31.12.2007, com ciência do contribuinte em 12.04.2011 (e-fls. 87-90). 42. Suspensa a isenção foram lavrados autos de infração com ciência do recorrente em 06.10.2011 e dos responsáveis solidários em 13.12.2011 e o processo nº 15504.723875/2011- 41, referente ao ADE de suspensão, foi apensado a este feito (e-fls. 4.494), conforme determina o § 9º, do art. 32, da Lei nº 9.430, de 1996. 43. Ante o exposto, a despeito de a ADI nº 1.802 ter declarado inconstitucional o caput do art. 13 e o art. 14 da Lei nº 9.532, de 1995, o §2º do art. 12 dessa mesma lei, que trata dos requisitos da suspensão, permaneceu incólume. Ademais, conforme visto acima, tanto a competência para suspensão da isenção/imunidade quanto os requisitos para sua fruição constam dos arts. 9º, § 1º e 14 do CTN, norma recepcionada no ordenamento jurídico como lei complementar, os quais foram utilizados como fundamento no ADE nº 60. 44. Nesse sentido, rejeito a preliminar suscitada. Nulidade do ADE nº 60, de 31.03.2011, por abuso de autoridade Fl. 4856DF CARF MF Fl. 24 do Acórdão n.º 1201-003.195 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15504.723875/2011-41 45. Alega ainda o recorrente nulidade do ADE, por abuso de autoridade, em razão de ter sido exarado por autoridade incompetente. Sustenta, nos termos da Portaria SRF nº 1.398, de 2002, que o instrumento da suspensão deve ser “Ato Declaratório Suspensivo” e não “Ato Declaratório Executivo”, o qual deve ser exarado por Delegado da Delegacia da Receita Federal de Fiscalização (DEFIC) e não por outro Delegado da Receita Federal. 46. Como visto acima, o § 3º do art. 32 da Lei nº 9.430, de 1996, atribui competência ao “Delegado ou Inspetor da Receita Federal” para decidir sobre a “procedência das alegações, expedindo o ato declaratório suspensivo do benefício, no caso de improcedência, dando, de sua decisão, ciência à entidade”. 47. Em consonância com o referido mandamento legal, a Receita Federal emitiu a Portaria SRF nº 1.398, de 2002 nos seguintes termos: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso da atribuição que lhe confere o inciso III do art. 209 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal (SRF), aprovado pela Portaria MF nº 259, de 24 de agosto de 2001, considerando o disposto no art. 140 do Regimento Interno da SRF, aprovado pela Portaria no 259, de 2001, e tendo em vista o disposto no art. 32 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, resolve: Art. 1º Nos procedimentos fiscais de competência de Delegacia da Receita Federal de Fiscalização (Defic), de que decorrer suspensão de imunidade tributária em virtude de falta de observância de requisitos legais, procedida em conformidade com o disposto no art. 32 da Lei no 9.430, de 1996, o ato declaratório suspensivo do benefício, de que trata o § 3º desse artigo, será de competência do Delegado da Defic. Art. 2º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação. 48. O fato de a Portaria SRF nº 1.398, de 2002 fazer referência a ato declaratório suspensivo do benefício e atribuir competência ao Delegado da DEFIC não significa que a nomenclatura do ato seja a pretendida pelo recorrente, tampouco que outros Delegados da Receita Federal não tenham a competência designada por lei. 49. Primeiro, o nome do ato não tem poder de modificar a sua essência, o que importa é o seu teor. Segundo, atribuir à Portaria uma restrição não existente na lei, na espécie, significa uma inversão de valor. Nos autos da ADI 1802, o STF pontuou a necessidade e a “preocupação em respaldar normas de lei ordinária” direcionadas a evitar que falsas instituições sejam favorecidas pela imunidade/isenção. É o caso. O § 3º do art. 32 da Lei nº 9.430, de 1996, atribui competência tanto ao “Delegado” quanto ao “Inspetor” da Receita Federal para tratar da matéria. Portanto, não há falar-se em nulidade, tampouco abuso de autoridade, em razão de ter sido exarado por autoridade incompetente. 50. Também rejeito a preliminar. 51. Indeferido o pedido de perícia e rejeitadas as preliminares passo ao exame do mérito. Fl. 4857DF CARF MF Fl. 25 do Acórdão n.º 1201-003.195 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15504.723875/2011-41 Mérito Suspensão da Imunidade 52. Ante a análise das constatações e apurações fiscais, bem como dos elementos colacionados aos autos, restou evidenciado o que segue. 53. A origem do Instituto SIM remonta-se ao ano de 1989, à época denominada SIM- Sistemas de Informatização de Municípios Ltda., composta pelos sócios TECNICONTA LTDA. ASSESSORIA E TÉCNICAS CONTÁBEIS, representada pelo sócio Nilton de Aquino Andrade e outro, e Plano Informática Ltda., representada pelo sócio Nelson Batista de Almeida e outro. Em 2001, com a 9ª alteração contratual, altera-se o quadro societário para Nilton de Aquino Andrade, Nelson Batista de Almeida e Sinval Drummond Andrade; a denominação social para SIM-Sistemas de Informação de Municípios Ltda. e o nome fantasia para “GRUPO SIM”; o objeto social para prestação de serviços especializados de contabilidade pública e congêneres; e a sede para Av. Prudente de Morais, 287, 4° Andar, Bairro Cidade Jardim, Belo Horizonte/MG (e- fls. 181-185). 54. Em 08/2002, SIM-Sistemas de Informação de Municípios Ltda. em conjunto com Nilton de Aquino Andrade, Nelson Batista de Almeida e Sinval Drummond Andrade constituem a sociedade 3D Participações, posteriormente denominada Assessoria de Informática e Logística Ltda. (AIL), com capital social no valor de R$ 547.740,00 integralizado pelos sócios da seguinte forma: SIM, salas 401 a 405, 502, 607, 907, 908 e 2 vagas de garagem; os demais sócios, em moeda corrente e com as salas 406 a 411. As salas e as vagas de garagem têm o mesmo endereço da SIM-Sistemas de Informação de Municípios Ltda. O contrato social é assinado pelos sócios e pelas esposas, respectivamente, Leide Luiza de Castro, Luciane Veiga Borges de Almeida e Cleide Maria de Alvarenga (e-fls. 2.316-2.320). A sociedade tem como objeto social a realização de participações e investimentos em outras empresas e comércio de livros didáticos. 55. Em 09/2002 a sociedade 3D altera o objeto social para: realização de participações e investimentos em outras empresas; comércio de livros didáticos; pesquisa de soluções administrativas e contábeis na área pública; desenvolvimento organizacional de instituições públicas; desenvolvimento, manutenção e suporte técnico em programas de computador; cursos e treinamentos. Em 11/2002 o capital social é aumentado para R$ 825.000,00 mediante integralização em moeda corrente pelos sócios pessoas físicas e 2 veículos, instalações e máquinas e equipamentos pela SIM (e-fls. 2.321-2323). 56. Em 09.12.2002, SIM-Sistemas de Informação de Municípios Ltda. transforma-se no SIM-Instituto de Gestão Fiscal, conforme ata de assembleia que viria a ser registrada em Cartório no dia 26.12.2002, tendo como fundadores Nilton de Aquino Andrade (presidente), Nelson Batista de Almeida (vice-presidente) e Sinval Drummond Andrade (vice presidente). 57. Conforme consta do trecho da ata abaixo transcrito, ao transformar a SIM. Ltda. em SIM Instituto e manter o “mesmo escopo e objeto de prestação de serviços”, no entanto revestido de instituto, é evidente o desvio de finalidade. Mas não é só. Para confirmar a real Fl. 4858DF CARF MF Fl. 26 do Acórdão n.º 1201-003.195 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15504.723875/2011-41 intenção dos sócios em continuar a exercer a mesma atividade, todavia sob o manto de um instituto que lhe garantiria a isenção do IRPJ e CSLL, as palavras do sócio Nilton de Aquino, já na condição de Presidente eleito do Instituto, falam por si só: “não é uma entidade nova mas sim e tão somente uma nova maneira, mais moderna e mais adequada para suportar o crescimento do mercado e atender às necessidades cada vez maiores dos clientes.” Cita ainda que o “esquema dessa transformação” poderá chegar à criação de uma “Academia de Gestão Fiscal” e que esse é “o futuro almejado para o Grupo Sim”. Em seguida determinou a legalização da documentação e assinalou como data para o início efetivo das atividades do Instituto 01.01.2003. Veja-se: Aos nove dias do mês de dezembro do ano de dois mil e dois, na Avenida Prudente de Morais n. 287 – 4º andar, reuniram-se os sócios detentores de cem por cento do capital social da empresa SIM - SISTEMAS DE INFORMAÇÃO DE MUNICÍPIOS LTDA, com sede no mesmo endereço [...]. Encontram-se presentes NILTON DE AQUINO ANDRADE, [...], NELSON BATISTA DE ALMEIDA, [...] SINVAL DRUMMOND ANDRADE [...]. Sinval abriu a reunião[...]. Informou haver contatado vários especialistas chegado à conclusão que o melhor seria a transformação da atual SIM- Sistemas de Informação de Municípios Ltda em um Instituto de pesquisa e desenvolvimento; mantido o mesmo escopo e objeto de prestação de serviços, e que seria bastante para isso, a criação e a aprovação do estatuto próprio. Completou informando que a transformação carregaria para o instituto toda a história da empresa além de todos os contratos em vigor evitando qualquer tipo de entrave burocrático ou legal para a continuidade da execução dos serviços contratados. Disse que a nova entidade sem fins lucrativos, levará, na transformação, além da história e dos contratos, todo o Ativo e Passivo da atual SIM. Usando da palavra, eu Nelson explanei o esquema dessa transformação partindo do que é hoje e chegando ao que poderá ser futuramente, com a criação de uma Academia de Gestão Fiscal, capaz de fornecer cursos de formação de pessoal para gerir as atividades administrativas públicas, desde a contabilidade, passando pelo sistemas de compras, patrimônio, almoxarifado, frotas, controle interno, chegando às receitas próprias, ao controle da saúde e da educação, e que esse é o futuro almejado para o Grupo Sim. [...] Reabrindo a reunião, Nilton tomou a palavra e colocou em votação [...] Passou a exercer a direção dos trabalhos na qualidade de Presidente [...] Disse a todos que o Instituto, no entanto, não é uma entidade nova mas sim e tão somente uma nova maneira, mais moderna e mais adequada para suportar o crescimento do mercado e atender às necessidades cada vez maiores dos clientes. Informou que a legalização dos documentos ficavam a cargo do Vice-presidente de Administração e Finanças e que previa o dia 01 de janeiro do ano de 2003 para o início efetivo das atividades do novo Instituto. (Grifo nosso, e-fls. 186-190) 58. Com a estrutura planejada, em 16.12.2002 a sócia SIM-Sistemas de Informação de Municípios Ltda. retira-se da sociedade 3D e transfere suas quotas para os sócios remanescentes Nilton de Aquino Andrade, Nelson Batista de Almeida e Sinval Drummond Andrade. Desta feita, tendo transferido todo patrimônio para a 3D e cedido para os sócios dessa sociedade que, coincidentemente, são os mesmos da SIM, a sociedade se transforma em Instituto, nos termos assembleia realizada em 09.12.2002, conforme visto acima (e-fls. 2.326- 2.328). 59. Em 02.01.2003 o decidido em assembleia é colocado em prática mediante a celebração de contratos de franquia e locação entre SIM-Instituto e 3D Participações Ltda. Fl. 4859DF CARF MF Fl. 27 do Acórdão n.º 1201-003.195 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15504.723875/2011-41 60. Em ambos os contratos, 3D Participações Ltda. é representada por Sinval Drummond Andrade (vice presidente do SIM-Instituto) e SIM-Instituto, por Nilton de Aquino Andrade (presidente do SIM-Instituto). 61. No contrato de franquia e de locação SIM-Instituto (franqueado/contratante) deve pagar R$ 35.000,00 e R$ 70.000,00 mensais, respectivamente, por tempo indeterminado, à 3D Participações Ltda. (franqueador/contratada) pelo direito de comercializar as marcas GRUPO SIM, ACADEMIA DE GESTÃO FISCAL, EDITORA SIM e MÉTODO SIM, e de locação pelos softwares SISTEMA INTEGRADO DE INFORMAÇÕES MUNICIPAIS e SISTEMA DE GESTÃO EM SAÚDE (e-fls. 475-487). 62. Na espécie, basta verificar o “antes” e o “depois”, ou o filme completo, se assim preferir, para se constatar que a transformação da sociedade SIM em instituto tratou-se de um arranjo tributário simulado, mediante utilização do manto da isenção, para evitar recolhimento de IRPJ e CSLL no Instituto e permitir que associados recebessem remuneração indireta via sociedades das quais eram sócios ou tinham ligação. 63. Conforme apurou a fiscalização, é nítido que o recorrente para justificar despesas/custos na sua escrituração contábil, utiliza-se, em regra, de documentos emitidos por sociedades ligadas, ou seja, documentos de sociedades cujos sócios eram associados fundadores da própria SIM, ou seus familiares, ou ainda funcionários da própria SIM. É dizer, como o recorrente é uma associação e como tal não pode remunerar seus associados, a remuneração ocorre por via indireta, mediante pagamento pelos serviços prestados por essas sociedades. O que configura simulação. Voltaremos à questão da simulação mais adiante. 64. Na espécie, ao transferir recursos do Instituto para os associados/familiares e pessoas ligadas, mediante pagamento de serviços prestados, o recorrente incorreu em motivo de perda do benefício previsto tanto nas alíneas "b" do §2° do art. 12 da Lei n° 9.532, de 1997, quanto no inciso II do art. 14 do CTN que determinam a aplicação integral dos seus recursos “na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais”. Uma vez que os fatos elencados caracterizam pagamento indireto, o recorrente descumpriu também o mandamento legal que veda a remuneração de dirigente por qualquer forma.. Tudo isso, sem olvidar do exercício da atividade empresarial. Tais fatos não passaram despercebidos pela autoridade fiscal. Veja-se: 26. Porém, o gozo da isenção tributária - que afasta a incidência de tributos sobre a totalidade de suas receitas, não tem sido suficiente para a fiscalizada, ela quer mais. E, para isto se vale da estratégia de contabilizar despesas amparadas por notas fiscais de empresas prestadoras de serviços que distribuem lucro com isenção para a pessoa física dos sócios que são os próprios associados do SIM -INSTITUTO DE GESTÃO FISCAL ou seus familiares, carreando todos os recursos de uma associação isenta para a mesma família. 27. Por todo exposto, não se trata de elisão fiscal, mais sim de evasão fiscal (ato ilícito - conluio - fraude fiscal). Este "esquema" para burlar o fisco, foi efetuado entre pessoas vinculadas ou ligadas (RIR199, art. 465), pois passou a distribuir rendimentos isentos a estas pessoas, sendo decisiva para essa operação triangular de sangria da União a participação da "associação, SIM - INSTITUTO DE GESTÃO FISCAL". [...] Fl. 4860DF CARF MF Fl. 28 do Acórdão n.º 1201-003.195 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15504.723875/2011-41 29. Essa situação caracteriza-se como distribuição disfarçada de lucros da associação, SIM - INSTITUTO DE GESTÃO FISCAL para seus associados e familiares, (RIR/99, arts. 464, VI, e 465), configurando, também, violação ao Código Tributário Nacional, ou seja, distribuição de rendas a qualquer titulo (CTN, art. 14, I, com redada pela pela (sic) LC 104/01). 34. Dessa forma, observa-se que o fundamento para a inadmissibilidade do beneficio, no caso de inversão de recursos da entidade para distribuir aos associados/familiares e pessoas ligadas, será o não cumprimento ao requisito básico legal previsto na alínea "b" do §2° do art. 12 da Lei n° 9.532/97. Segundo esse dispositivo legal, para gozo da isenção, as entidades beneficiárias deverão "aplicar integralmente seus recursos na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos sociais." Assim, ao carrear recursos da entidade para distribuir aos associados/familiares e pessoas ligadas, a entidade isenta não os estará aplicando na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos sociais, descumprindo um dos requisitos básicos para o beneficio fiscal, pois tornam-se diversos o caráter dos recursos e as condições de sua obtenção. 35. E, ainda, outro fundamento para a perda do beneficio fiscal é a percepção de receitas oriundas da prestação de serviços que correspondem a atos de natureza econômico- financeira, de forma concorrente com organizações que não gozem de isenção, bem como a remuneração, por qualquer forma, de seus dirigentes pelos serviços prestados. (Grifo nosso) 65. Nessa mesma trilha, amparada no desvio de finalidade, caminhou a decisão de piso. Nesse sentido, foram oportunas as diversas observações feitas pela Fiscalização tanto no TCNF como no TVF, notadamente que as receitas do SIM advêm da mera prestação de serviços contábeis e congêneres, o que se verifica de notas fiscais e contratos firmados com prefeituras municipais. Não se pode deixar de notar que é uma impropriedade de finalidade que uma instituição, formalmente constituída como associação sem fins lucrativos, exerça atividade de prestação de serviços comuns às empresas privadas. Essa impropriedade teve início quando houve a transformação da empresa SIM – Sistemas de Informação de Municípios Ltda para a entidade SIM – INSTITUTO DE GESTÃO FISCAL. Nesse ato, os únicos sócios daquela empresa passaram a ser os fundadores desta nova entidade. Ocorre que, como já se disse, essas associações atuam de forma suplementar à atividade estatal, prestando serviços e satisfazendo necessidades que ordinariamente estão a cargo do poder público, e nunca exercendo atividade meramente comercial. Em suma, a Fiscalização caracterizou muito bem o desvio de finalidade do SIM que, embora constituído formalmente como associação civil, sem fins lucrativos, é, na verdade, uma sociedade empresária. Vale reforçar que para a concessão da isenção discutida, já no “caput” do dispositivo legal já mencionado foram estabelecidas duas condições básicas, quais sejam, primeiro, à entidade é vedada a finalidade lucrativa (comercial); e os seus serviços, previstos no seu objeto social, devem estar disponíveis somente para os associados. 66. Em relação ao argumento da autoridade fiscal no sentido de que a dispensa de licitação seria “mais um dos motivos” para a transformação em instituto sem fins lucrativos, sustenta o recorrente que antes de ser instituto já era dispensado de licitação por inexigibilidade, para tanto cita pronunciamentos do Tribunal de Contas de MG e do Tribunal de Justiça de MG em seu favor. Fl. 4861DF CARF MF Fl. 29 do Acórdão n.º 1201-003.195 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15504.723875/2011-41 67. Como pontuado pela fiscalização, esse foi apenas um dos motivos aventados, e, embora não seja o mais robusto se comparado aos demais, não deixa de ser verdadeiro, pois, nos termos do inciso XIII do art. 24 da Lei nº 8.666, de 1993, é inexigível a licitação para institutos sem fins lucrativos: Art. 24. É dispensável a licitação: [...] XIII - na contratação de instituição brasileira incumbida regimental ou estatutariamente da pesquisa, do ensino ou do desenvolvimento institucional, ou de instituição dedicada à recuperação social do preso, desde que a contratada detenha inquestionável reputação ético-profissional e não tenha fins lucrativos; 68. Na verdade, o argumento do recorrente advoga em seu desfavor, uma vez que a tese alegada precisa apoiar-se em pronunciamento de Tribunais administrativos e judiciais para sua comprovação. Por outro lado, como instituto sem fins lucrativos, a lei militaria a seu favor, e dispensaria qualquer questionamento, salvo quanto à idoneidade do instituto. 69. Ante o exposto, considero correta a suspensão do benefício da isenção do IRPJ e CSLL, nos termos do Ato Declaratório Executivo DRF/BHE n° 60, de 2011, uma vez que restou comprovado: i) não aplicação integral de seus recursos na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais; ii) remuneração indireta, mediante transferência de recursos do Instituto para os associados/familiares e/ou pessoas ligadas, mediante operação simulada de pagamento de serviços prestados, conforme será visto mais adiante; iii) exercício de atividade empresarial. 70. Nego provimento aos recursos voluntários em relação à matéria. Lançamentos de ofício – IRPJ e CSLL 71. Conforme visto acima, o recorrente transferia recursos do Instituto para os associados/familiares e/ou pessoas ligadas, mediante operação simulada de pagamento de serviços prestados. Com efeito, a fiscalização efetuou lançamento de três infrações de IRPJ e CSLL: i) glosa de despesas não comprovadas, com o respectivo lançamento de IR-Fonte, conforme será visto mais adiante, decorrente de pagamento não identificado e sem causa; ii) glosa de despesas/custos lançadas na contabilidade respaldadas em notas fiscais cuja efetiva prestação do serviço não fora comprovada, com o respetivo IR-Fonte, decorrente de pagamento sem causa, e iii) lançamento de IRPJ e CSLL em decorrência da suspensão do benefício da isenção. Fl. 4862DF CARF MF Fl. 30 do Acórdão n.º 1201-003.195 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15504.723875/2011-41 Glosa de despesas não comprovadas 72. A autoridade fiscal glosou o valor de R$ 1.438.000,00 contabilizado no mês de dezembro de 2007 na conta PESQUISA E DESENVOLVIMENTO PRODUTOS (4.2.1.06.0057), parte integrante da conta DESPESAS GERAIS E ADMINISTRATIVAS (4.2.1.06) pelos motivos a seguir. 73. Em 18.04.2011 o recorrente foi intimado a apresentar: i) os documentos comprobatórios dos lançamentos efetuados na conta DIFERIDO (1.3.3.02) nos anos de 2006 e 2007; ii) comprovar a efetiva prestação dos serviços executados, mediante contratos, relatórios etc., e demais documentos que comprovassem o serviço executado no período relativo ao item anterior; iii) comprovar o efetivo pagamento dos valores discriminados nas respectivas notas fiscais, mediante cópia de cheque/TED/DOC e extrato bancário na data do respectivo débito. 74. Após três prorrogações de prazo, o recorrente informou o extravio de documentos e para comprovar o alegado apresentou publicação em jornal no sentido de que não foram localizados os documentos relativos ao Projeto de Pesquisa e Desenvolvimento de Produtos lançados na conta 1.3.3.02- Diferido, nos anos de 2006 e 2007. O que leva a administração a concluir que foram extraviados, provavelmente na busca e apreensão judicial efetuada no Inquérito n° 603 da Operação Pasárgada, hoje APN 626 com desmembramento para o Inquérito n° 646 na Corte Especial do STJ, especialmente que há vários documentos que não foram devolvidos. 75. Ante o ocorrido, a autoridade fiscal intimou o contribuinte a apresentar: i) cópia do Termo de Apreensão lavrado pela Polícia Federal onde foram identificados os documentos apreendidos; ii) identificar o fornecedor dos serviços pagos, conforme conta bancos, tendo como contrapartida 1.3.3.02 - DIFERIDO nos anos de 2006 e 2007. 1.5.3; iii) justificar e informar o tipo de serviço executado e contabilizado como "Projeto de Pesquisa e Desenv. Produto" (1.3.3.02 - DIFERIDO nos anos de 2006 e 2007); iv) apresentar arquivo digital do extrato bancário das contas bancárias mantidas pela fiscalizada durante os anos de 2006 e 2007. 76. Em resposta, o recorrente informou não possuir cópia do termo de apreensão, “até porque o mesmo não foi conferido pela parte nos autos do inquérito n° 603 da Operação Pasárgada”. Informou ainda: "Foram vários fornecedores e a Fiscalizada não tem condição de identificar um a um, tendo em vista a quantidade dos mesmos. Especialmente por que não dispõe dos documentos tal como anunciado no item anterior. [...] Os serviços foram executados em projetos de pesquisa e desenvolvimento na área de contabilidade pública e congêneres." 77. Nesse contexto, ante a não apresentação de elementos probatórios para infirmar o apurado e, comprovada a transferência integral do saldo da conta do Ativo Diferido (1.3.3.02), no valor de R$ 1.438.000,00 para a conta de despesas Pesquisa e Desenvolvimento de Produto (4.2.1.06.0057), no ano-calendário 2007, a autoridade fiscal glosou a despesa e lançou o IR-fonte decorrente de pagamento a beneficiário não identificado. Glosa de despesas/custos lançadas na contabilidade respaldadas em notas fiscais cuja efetiva prestação do serviço não fora comprovada Fl. 4863DF CARF MF Fl. 31 do Acórdão n.º 1201-003.195 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15504.723875/2011-41 78. Nos anos-calendário de 2006 e 2007 o recorrente registrou em sua contabilidade diversos custos/despesas os quais foram considerados “inexistentes”, em razão de “lançamento contábil amparado em documento, nota fiscal de favor e pela não comprovação da efetiva prestação dos serviços”. 79. Segundo a fiscalização foram contabilizadas diversas despesas relevantes decorrentes de serviços prestados por sociedades que têm o mesmo endereço da recorrente, os sócios são associados da recorrente, seus parentes ou cônjuges e a maior parte das receitas declaradas dessas sociedades prestadoras de serviços são oriundas exclusivamente do Instituto SIM. 80. Argumenta a fiscalização ter sido o negócio jurídico arquitetado e executado, com fim específico de simular eventos econômicos que, de fato, não tiveram existência real, visando, com a "auto transformação" em uma entidade isenta do Imposto de Renda-Pessoa Jurídica e contribuições, o benefício da suspensão de tributos e contribuições pela fiscalizada, prevista no art. 15, da Lei n° 9.532/1997 e com isto a desnecessária participação nas concorrências promovidas pelas prefeituras, clientes principais do instituto e ao final, a distribuição de rendimentos não tributados aos associados através das empresas ligadas, que se dizem prestadoras de serviços. (Grifo nosso) 81. Apurou-se que, das sete sociedades cujas notas fiscais de prestação de serviços foram glosadas, somente duas declararam ter funcionários. As outras cinco sociedades entregaram DIRF com informação "Não consta como declarante", o que confirma não haver funcionário para prestar os serviços que estavam discriminados nas notas fiscais emitidas em face do recorrente. O fato restou comprovado mediante a relação de empregados informados em GFIP, onde se apurou a existência de empregados somente em duas sociedades. 82. A maior parte dessas sociedades tem a quase a totalidade de suas receitas oriundas do Instituto e em torno de 80% dessas receitas é direcionado aos sócios mediante lucros distribuídos. 83. Os pagamentos desses serviços pelo Instituto ocorriam mediante transferências bancárias efetuadas ou cheques assinados pela associada Luciane Veiga Borges de Almeida, esposa de Nelson Batista de Almeida e sócia da Editora SIM Ltda., uma das sociedades prestadoras de serviço, cujas despesas foram glosadas e da qual recebe lucro distribuído. Tais cheques eram nominais à própria entidade (SIM-Instituto de Gestão Fiscal) e endossados no verso, podendo, portanto, serem sacados diretamente no caixa por qualquer pessoa. 84. No intuito de comprovar a efetiva prestação dos serviços pelas prestadoras de serviço, o recorrente elenca resumidamente as atividades que teriam sido executadas, e no caso específico da Editora SIM o faz de forma mais detalhada e conclui: “Pelos inúmeros serviços, de produção gráfica foram emitidas as respectivas notas fiscais e foram pagas, tanto em cheque, quanto em transferências bancárias. Assim, não se pode dizer que a Editora não realizou os serviços para os quais foi contratada”. O recorrente, todavia, sequer menciona que tais Fl. 4864DF CARF MF Fl. 32 do Acórdão n.º 1201-003.195 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15504.723875/2011-41 pagamentos foram efetuados exatamente pela sócia da Editora SIM e associada do Instituto. Ou seja, Luciane Veiga Borges de Almeida pagava a si própria em nome do Instituto, e posteriormente recebia lucros distribuídos decorrentes de tais pagamentos. 85. Ante a não comprovação da efetiva prestação do serviço por essas sociedades, os valores dos custos/despesas foram glosados, bem como lançado o IR-fonte decorrente de pagamento sem causa. Falta de recolhimento de IRPJ e CSLL em decorrência da suspensão do benefício da isenção 86. Essa infração é decorrente da suspensão do benefício da isenção. Assim, cumprido o rito processual da cassação do benefício, a fiscalização apurou o imposto de renda com base lucro real por período de apuração trimestral, haja vista os livros contábeis, Diário e Razão terem sido escriturados na forma exigida pela lei. Os valores foram apurados com base nas receitas e despesas apresentadas pelo recorrente em seus balancetes 87. Decido. 88. Em relação às infrações apuradas acima, cumpre salientar que, nos termos do art. 9º, §1º do Decreto-Lei nº 1.598, de 1997, matriz legal do art. 923, do RIR/99, a escrituração contábil mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados, desde que comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. 89. É dizer, não basta a simples apresentação de nota fiscal ou o registro contábil, para se comprovar a efetividade da prestação de serviço, ainda mais quando há o envolvimento de pessoas ligadas. Como bem observou a autoridade fiscal: a simples contabilização das despesas não faz prova a favor do contribuinte. A contabilidade faz prova a seu favor quando se reveste das qualidades para tal, ou seja, quando a documentação comprobatória, os lançamentos contábeis, a coerência das datas, e o fluxo financeiro, em conjunto, estão em harmonia com o fato econômico- contábil. 90. A jurisprudência do CARF caminha nesta trilha: PAF - PROVA INDICIÁRIA A prova indiciaria é meio idóneo para referendar uma autuação, desde que ela resulte da soma de indícios convergentes. É o caso dos autos onde a glosa de custos, por falta de prova da efetividade da prestação dos serviços, está apoiada num encadeamento lógico de fatos e indícios convergentes que levam ao convencimento do julgador. IRPJ / CSLL / IRF - CUSTOS TIDOS COMO INEXISTENTES POR FALTA DE COMPROVAÇÃO DA SUA EFETIVIDADE Constitui redução indevida do Lucro Líquido a contabilização de custos com serviços prestados por terceiros, cuja efetividade a pessoa jurídica não consegue comprovar em Fl. 4865DF CARF MF Fl. 33 do Acórdão n.º 1201-003.195 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15504.723875/2011-41 contraposição à prova feita pelo fisco. O valor assim glosado submete-se à tributação pelo imposto de renda das pessoas jurídicas, contribuição social e imposto de renda na fonte. (Ac. 107-08.234, de 12.09.2005) GLOSA DE DESPESAS - PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS NÃO COMPROVADA Legítima a glosa quando a fiscalização identifica indícios graves, precisos, definidos e concordantes apontando e convergindo num único sentido, que autoriza a presunção de que, efetivamente, não ocorreu a prestação dos serviços. MULTA QUALIFICADA Demonstrado, mediante prova indireta, que não ocorreu a prestação de serviços, tendo sido formalizados documentos exclusivamente para justificar a transferência de recursos e contabilização da despesa, fica caracterizado o evidente intuito de fraude, a justificar a penalidade agravada. (Ac. 101-95.690, de 17.08.2006) PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS - PROVA Para deduzir uma despesa, não basta comprovar que ela foi assumida e que houve o desembolso. É indispensável comprovar que o dispêndio correspondeu à contrapartida de algo recebido e que, por isso mesmo, tomou o pagamento devido. Inaceitável a dedução de pagamentos de serviços com base tão-somente em documentos financeiros e notas fiscais com informações genéricas, sem quaisquer documentos comprobatórios da efetiva prestação dos serviços. GLOSA DE DESPESAS NÃO COMPROVADAS A não comprovação da efetiva prestação dos serviços acarreta a glosa de despesas contabilizadas. As parcelas comprovadas por prova indiciaria (DIRPJ) devem ser excluídas do lançamento. (Ac. 195-0.043, DE 21.10.2008) GLOSA DE DESPESAS - NÃO COMPROVAÇÃO DA EFETIVIDADE DA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS Procede a glosa de despesas quando a documentação comprobatória apresentada não permite que se estabeleça qualquer liame entre os serviços nela descritos e as despesas pagas, não constituindo prova da efetividade da prestação dos serviços. [...] (Ac. 1301- 000.013, de 11.03.2009) DESPESA DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. COMPROVAÇÃO. As despesas de prestação de serviços devem ser comprovadas mediante a efetividade da prestação de serviços e o desembolso realizado coincidentes em datas e valores com a escrituração contábil e fiscal. IRRF. PAGAMENTO SEM CAUSA. Caracteriza pagamento sem causa no caso de a pessoa jurídica que efetuar um pagamento não demonstrar o nexo de causalidade com uma contraprestação ou que operação seja inerente à sua atividade econômica. (Ac. 1801-001697, de 09.10.2013) 91. Assim, não comprovada a efetividade das despesa/custos computadas na apuração do resultado, correta a glosa; porquanto, somente são dedutíveis para fins de apuração do lucro real aquelas necessárias à atividade da sociedade e à manutenção da respectiva fonte produtora, conforme previsto no art. 299 do RIR/1999, que assim dispõe: Art. 299. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47). § 1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 1º). § 2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 2º). Fl. 4866DF CARF MF Fl. 34 do Acórdão n.º 1201-003.195 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15504.723875/2011-41 § 3º O disposto neste artigo aplica-se também às gratificações pagas aos empregados, seja qual for a designação que tiverem. 92. Alega o recorrente que a despeito de não estar obrigado a escriturar o LALUR, foi intimado a apresenta-lo antes da publicação do ADE de suspensão da isenção e que a base de cálculo do IRPJ e da CSLL jamais poderia ter sido determinada com base no superávit apurado no período fiscalizado. Alega ainda que a apuração trimestral não levou em consideração o prejuízo contábil ou déficit do período anterior, ademais, não se deve apurar o lucro real por amostragem. 93. Inicialmente, o fato de o contribuinte ter sido intimado dias antes da ciência do ADE a apresentar o Lalur, juntamente com outros documentos como declaração de rendimentos, Livros Diário e Razão, estes último devidos para os contribuintes isentos, não significa empecilho para apresentação posterior, inclusive em sede de recurso, ainda mais se comprovado equívoco na apuração do lucro real. Todavia, assim não procedeu o recorrente. Portanto, não há falar-se em mácula ao rito processual adotado, pois, a ciência do ADE de suspensão da isenção ocorreu em 12.04.2011 e o lançamento de ofício viria a ocorrer cinco meses após essa data, em 30.09.2011. 94. Cassada a isenção em relação aos anos-calendário 2006 e 2007, e considerando que a escrituração contábil do recorrente estava revestida das formalidades legais, a fiscalização apurou o IRPJ com base no lucro real por período de apuração trimestral, conforme determina os arts. 1º e 2º, §3º da Lei nº 9.430 de 1996. Nesse sentido, não há se falar em superávit ou déficit nesse período, mas sim em lucro real ou prejuízo fiscal, de igual forma não há se falar em compensação de déficit com lucro real, além de não haver previsão legal, são figuras incompatíveis; tampouco que o lucro trimestral lhe é prejudicial, na medida em que obteve prejuízo durante todo o ano de 2006. 95. Quanto à utilização de amostragem para apuração do lucro real, equivoca-se o recorrente. Eis as palavras da fiscalização: “Para apurar o Lucro Real e consequentemente o IRPJ e contribuições procedemos, por amostragem, a auditoria dos lançamentos contábeis registrados nos livros Diário e Razão dos anos calendário de 2006 e 2007.” Tal amostragem, procedimento normal em auditoria, foi adotada para verificar se os lançamentos contábeis estavam corretos. Em razão disso a fiscalização afirmou “que os livros contábeis: Diário e Razão, foram escriturados na forma exigida pela lei”, daí terem sido utilizados para apuração do lucro real (e- fls. 78). 96. Quanto à alegação de que no quarto trimestre de 2007 o valor da infração não foi de R$ 3.314.081,62 e o valor tributado deveria ser de R$ 1.946.605,67, sob pena de bis in idem, conforme visto acima, o valor rechaçado refere-se à soma das duas infrações, (glosa de despesas não comprovadas, e de prestação de serviços contratados), portanto, trata-se de infrações distintas cujo somatório perfaz o montante tributável apurado. 97. Em relação à argumentação de que a base de cálculo da CSLL no período de apuração 09.2006, no valor de R$ 1.061.758,32, deveria ser igual ao do IRPJ, no valor de R$ Fl. 4867DF CARF MF Fl. 35 do Acórdão n.º 1201-003.195 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15504.723875/2011-41 789.000,00, a diferença deve-se ao fato de que no auto de infração do IRPJ informou-se o valor imposto, já calculado pela fiscalização, já no auto de infração da CSLL informou-se o valor tributável, ou seja, a base de cálculo, no valor de R$ 272.758,32, a qual coincide com a diferença reclamada (e-fls. 8, 21 e 113). Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Tributação reflexa. 98. No tocante à aplicação das regras do IRPJ à CSLL, o art. 57 da Lei nº 8.981, de 1995, estabelece aplicar-se à CSLL as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o IRPJ, veja-se: Art. 57. Aplicam-se à Contribuição Social sobre o Lucro (Lei nº 7.689, de 1988) as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas, inclusive no que se refere ao disposto no art. 38, mantidas a base de cálculo e as alíquotas previstas na legislação em vigor, com as alterações introduzidas por esta Lei. (Redação dada pela Lei nº 9.065, de 1995) (Grifo nosso) 99. Nesse sentido, o decidido quanto ao IRPJ aplica-se à CSLL em relação à tributação decorrente dos mesmos fatos e elementos de prova. 100. Ante o exposto, considero sem reparos as glosas de despesas apuradas e nego provimento aos recursos voluntários em relação à matéria. IR-Fonte 101. Em decorrência das glosas de custos/despesas, conforme visto acima, houve lançamento de IR-Fonte decorrente de pagamento não identificado e pagamento sem causa ao amparo do art. 61 da Lei 8.981, de 1995. 102. Aduz o recorrente que esse mandamento legal não pode ser utilizado como substituição tributária, tampouco como penalidade travestida de IR-Fonte; aduz ainda que a situação se transforma em bis in idem com a aplicação da multa qualificada de 150% e a tributação dos mesmos valores pelo IRPJ e CSLL. 103. O art. 61 da Lei 8.981, de 1995 estabelece: Art. 61. Fica sujeito à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. § 1º A incidência prevista no caput aplica-se, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, bem como à hipótese de que trata o § 2º, do art. 74 da Lei nº 8.383, de 1991. § 2º Considera-se vencido o Imposto de Renda na fonte no dia do pagamento da referida importância. Fl. 4868DF CARF MF Fl. 36 do Acórdão n.º 1201-003.195 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15504.723875/2011-41 § 3º O rendimento de que trata este artigo será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto. (Grifo nosso) 104. Extrai-se do diploma legal três hipóteses distintas sujeitas à incidência do IR- Fonte, todas cumulativas com o pagamento: i) beneficiário não identificado; ii) quando não comprovada a operação e iii) quando não comprovada a causa. 105. Caso o beneficiário do pagamento não seja identificado é devido o lançamento; caso o seja, necessário verificar se a operação e a causa do pagamento foram comprovadas. Operação é o negócio jurídico (prestação de serviço, venda, entre outros) que ensejou o pagamento. Causa é o motivo, a razão, o fundamento do pagamento. Com efeito, não comprovada a efetividade do negócio jurídico ou a causa do pagamento o lançamento também é devido. Note-se que há uma relação entre a operação ensejadora do pagamento e a causa desse pagamento, porquanto não comprovada a primeira o pagamento também poderá ser considerado sem causa. 106. Nesse sentido, para comprovar tanto a operação quanto a causa não basta uma roupagem jurídica, o registro contábil, tampouco a apresentação da nota fiscal, é indispensável que o contribuinte comprove de forma inequívoca, com documentos hábeis e idôneos, a efetividade da operação e a causa do pagamento. 107. Em relação à concomitância do IR-Fonte e IRPJ, tem-se infrações distintas. No IRPJ, a sociedade pratica o fato gerador, tal qual no caso em análise em que ocorreu glosa de despesas/custos. Ela é contribuinte e responde por fato gerador próprio. No caso do IR-Fonte, essa mesma sociedade atua como fonte pagadora, ou seja, como responsável pelo recolhimento do imposto devido pelo beneficiário do pagamento 3 . Tanto que a base de calculo deve ser reajustada considerando a alíquota de 35%, vez que o pagamento efetuado é considerado líquido. Portanto, é possível uma convivência harmônica entre ambas as infrações. 108. Quanto ao suposto antagonismo do IR-Fonte com a multa qualificada, o argumento ganha força em face da onerosidade da alíquota de 35%, a qual se agrava com o reajustamento da base de cálculo. Concordo que se trata de uma tributação onerosa. No entanto, esta era a alíquota máxima do imposto de renda pessoa física vigente à época da publicação da Lei nº 9.8981, de 1995, prevista em seu art. art. 8º. O fato desta última alíquota ter sido revogada posteriormente pela Lei nº 9. 250, de 1995 e aquela permanecido no mesmo patamar é opção legislativa. 109. Por mais onerosa que seja a alíquota, a análise deve ser feita à luz do Código 3 CTN. Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz-se: I - contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II - responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. Fl. 4869DF CARF MF Fl. 37 do Acórdão n.º 1201-003.195 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15504.723875/2011-41 Tributário Nacional no sentido de que tributo 4 não constitui sanção de ato ilícito, ou seja, tributo não é penalidade, sanção. Assim, uma vez comprovado que houve simulação, fraude ou conluio, no pagamento de algumas das hipóteses prevista no art. 61 da Lei 8.981, de 1995, a multa qualificada deve ser aplicada. O que atrai a incidência dessa espécie de multa é a conduta praticada pelo sujeito passivo ao efetuar o referido pagamento. Deixar de aplica-la à hipótese vertente, ao argumento de dupla penalidade, significa considerar tributo como sanção, ou, de outro modo, negar vigência ao texto legal por considera-lo inconstitucional, o que é vedado a este CARF. 110. Partindo da premissa que tributo não é sanção, o IR-Fonte retido e recolhido pela fonte pagadora referente às notas fiscais cujo pagamento foi considerado sem causa ou a operação não foi comprovada deve ser deduzido do IR-Fonte lançado de ofício. Na verdade, esse valor deveria ter sido deduzido por ocasião do lançamento. O fato de o pagamento efetuado estar sujeito ao IR exclusivamente na fonte 5 significa que esse pagamento não está sujeito à antecipação para fins de ajuste anual, ou seja, o IR-Fonte decorrente desse pagamento não poderá ser deduzido na declaração de ajuste do beneficiário, o que não configura óbice à dedução do valor retido e recolhido por ocasião do pagamento pela fonte pagadora. 111. No caso em análise, restou sobejamente demonstrado nos autos que se tratou arranjo tributário para beneficiar associados do Instituto. Com efeito, ante a não apresentação de elementos probantes com força suficiente para infirmar o apurado pela fiscalização, considero devida a cobrança do IR-Fonte. 112. Por fim, reitero o posicionamento da decisão de piso no tocante à prova indiciária: Por oportuno, frise-se que, no processo administrativo, se admite a prova indiciária ou indireta, assim conceituada aquela que se apoia em conjunto de indícios capazes de demonstrar a ocorrência da infração e de fundamentar o convencimento do julgador. O RIR/1999, no § 1º do art. 845, faz alusão à adoção do indício veemente, legitimando-o: “Art. 845. Far-se-á o lançamento de ofício, inclusive: (...) § 2º. Os esclarecimentos prestados só poderão ser impugnados pelos lançadores com elemento seguro de prova ou indício veemente de falsidade ou inexatidão."(grifo acrescentado) Indícios são fatos conhecidos, comprovados, que se ligam a outro fato que se tem de provar. São a base objetiva do raciocínio, ou da atividade mental, por via dos quais se pode chegar ao fato desconhecido. Presentes os caracteres de gravidade, precisão e concordância, prestam-se como ponto de partida para as presunções relativas, gerando o efeito de inverter o ônus da prova. 4 CTN. Art. 3º Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada. 5 IN. RFB nº 1500, de 1994. Art. 12. Consideram-se rendimentos tributados exclusivamente na fonte os não sujeitos a antecipação para fins de ajuste anual, cuja retenção e recolhimento tenham sido efetuados pela fonte pagadora. [...] Art. 20. Consideram-se rendimentos sujeitos à tributação definitiva os não sujeitos a antecipação para fins de ajuste anual, cujo recolhimento tenha sido efetuado pelo próprio sujeito passivo. Fl. 4870DF CARF MF Fl. 38 do Acórdão n.º 1201-003.195 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15504.723875/2011-41 Apenas um indício, desde que veemente, pode levar a conclusão da ocorrência de um fato. Da mesma forma, vários indícios em si fracos, quer dizer, com baixo teor de gravidade e precisão, podem, somados, fazer prova do ilícito, desde que todos indiquem a mesma direção. Não se pode deixar de notar que a Fiscalização trouxe aos autos indícios convergentes e muito fortes acerca das suas acusações. Nesse sentido, realizou um extenso e vasto trabalho, muito bem arrazoado e sustentado, apontando no TVCF, elementos e provas robustas que não deixam quaisquer dúvidas quanto à inexistência dos supostos serviços prestados e que houve a emissão de notas fiscais de favor para o SIM – INSTITUTO DE GESTÃO FISCAL, por empresas localizadas no mesmo endereço da Fiscalizada (cadastro da RFB), cujos sócios são associados fundadores do SIM, seus parentes ou cônjuges, como as Sras. Cleide Maria de Alvarenga Andrade (responsável também pela contabilidade do SIM), Luciane Veiga Borges de Almeida e Leide Luiza de Castro Moreira Andrade. Cumpre ressaltar que, analisando-se a defesa como um todo, o Impugnante, efetivamente, não rebateu de forma eficaz as evidências expostas no trabalho fiscal, deixando sem respostas os questionamentos que surgiram das provas coletadas pela Fiscalização denunciando a contabilização de custos ou despesas inexistentes, por meio de artifícios fraudulentos, quais sejam, valendo-se da roupagem de uma instituição isenta do imposto e contribuição, realizando operações comerciais inexistentes por supostas prestações de serviços e pela emissão de documentos fiscais de favor por empresas ligadas ao SIM. Assim, ante as evidências expostas no trabalho fiscal, provas diretas e vários indícios convergentes, restou comprovado que, efetivamente, são inexistentes as operações comerciais, objeto das glosas de custos ou despesas efetuadas pelo Fisco, para as quais também não pode identificar os beneficiários dos respectivos pagamentos, nem as causas das operações. Enfim, mantém-se integralmente os efeitos tributários das infrações levantadas pela Fiscalização, traduzidos nos lançamentos do IRPJ, da CSLL e do IRRF. 113. Nego provimento aos recursos voluntários em relação à matéria. Simulação e multa qualificada 114. Segundo o recorrente, em se tratando de fraude e simulação a prova deve ser cabal e irretorquível, o que não foi feito pelo fisco em relação aos eventos apurados; sustentou ainda não haver razão jurídica plausível para a multa de 150%, porquanto é ilegal e inconstitucional. 115. Inicialmente descarto a análise da questão de inconstitucionalidade/legalidade aventada pelo recorrente, pois, nos termos da Súmula CARF nº 2, “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. 116. No tocante à simulação, cumpre assinalar que, nos termos do art. 110 do CTN, a lei tributária não pode alterar a definição, conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de Direito Privado utilizados pela Constituição Federal – CF, Constituição dos Estados ou Leis Orgânicas, para definir ou limitar competências tributárias. Com o objetivo de preservar a rigidez constitucional em relação às competências tributárias dos entes federados, os institutos, conceitos e formas de Direito Privado devem ser interpretados no âmbito do Direito Tributário à luz do Fl. 4871DF CARF MF Fl. 39 do Acórdão n.º 1201-003.195 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15504.723875/2011-41 Direito Privado 6 . Tem-se na hipótese uma questão de hierarquia normativa, ou seja, prevalência das normas tributárias estampadas de forma expressa ou implícita na CF. 117. Entretanto, a CF não utiliza, seja de forma expressa ou implícita, o instituto da simulação para definir ou limitar competência tributária, o que significa dizer que ao interpretar o CTN é possível extrair desse instituto definição, conteúdo e alcance diverso do estabelecido no Direito Privado. 118. Nesse sentido, o intérprete da legislação tributária não está adstrito ao conceito de simulação previsto no Código Civil 7 . Nesse ponto, oportuno destacar que até mesmo entre os civilistas há divergências ao conceituar simulação, como observa Marciano Seabra de Godoi 8 ao tratar do conceito restritivo e amplo e causalista de simulação: O entendimento tradicional na doutrina brasileira é o de que a simulação só ocorre quando as partes de um negócio jurídico declaram, num contrato ou numa escritura, algum fato ou um dado concreto que se mostra falso (p. ex. declara-se que o preço de venda de um imóvel é de R$ 500 mil, mas o vendedor recebe do comprador de fato R$ 1 milhão). [...] Essa visão considera a divergência entre a vontade interna e a vontade manifesta como o principal requisito da simulação. [...] Segundo essa concepção, que pode ser considerada como restritiva, somente há simulação se as partes mentem sobre fatos ou sobre dados concretos, escondendo-os ou inventando-os, total ou parcialmente, qualitativa ou quantitativamente. Contudo, o conceito de simulação é, no âmbito do próprio direito civil brasileiro, bastante controverso. Ainda que nem sempre deixem isso explícito, diversos civilistas definem e aplicam o conceito de simulação com base numa visão causalista. A causa dos negócios jurídicos pode ser definida como o “fim econômico ou social reconhecido e garantido pelo direito, uma finalidade objetiva e determinante do negócio que o agente busca além da realização do ato em si mesmo” (PEREIRA, 2005, p. 505). A causa é portanto o propósito, a razão de ser, a finalidade prática que se persegue com a prática de determinado negócio jurídico (CLAVERÍA GOSÁLBEZ, 1998). (Grifo nosso). 119. A meu ver, a simulação deve ser analisada no sentido amplo, ou seja, o fato de o negócio jurídico estar formalmente documentado e alinhado ao texto legal não significa que seus efeitos sejam legítimos perante o fisco, embora o sejam perante as partes envolvidas. Nesse cenário, a existência, ou não, da simulação implica analisar a essência do negócio jurídico, sem a lente restritiva do Código Civil, conforme autorizado pelo art. 110 do CTN. Uma vez verificado que a aparente “congruência” do negócio jurídico está vinculada ao único objetivo econômico que é evitar ou reduzir tributo, estar-se-á diante de um forte indício de simulação. 6 COÊLHO, Sacha Calmon Navarro. Teoria geral do tributo, da interpretação e da exoneração tributária. São Paulo: Dialética, 2003, p. 169. 7 ROCHA, Sérgio André. Planejamento tributário na obra de Marco Aurélio Greco. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2019, p. 96. 8 GODOI, Marciano Seabra de. Estudo comparativo sobre o combate ao planejamento tributário abusivo na Espanha e no Brasil. Sugestão de alterações legislativas no ordenamento brasileiro.Revista de Informação Legislativa: RIL, Brasília, DF, v. 49, n. 194, p. 135-136, abr./jun. 2012. Disponível em: http://www2.senado.leg.br/bdsf/handle/id/496582 Fl. 4872DF CARF MF Fl. 40 do Acórdão n.º 1201-003.195 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15504.723875/2011-41 120. Nesse contexto, o Direito não pode ficar preso às amarras da literalidade da lei. Ante o seu dinamismo, modifica-se a norma, é dizer, em razão de nova interpretação do texto legal, extrai-se novo significado que atenda aos anseios dos novos desafios propostos. Afinal, a realidade caminha muito mais rápido do que a norma e mais ainda do que o texto legal. Daí o conceito amplo de simulação estar mais alinhado ao Direito e consentâneo com a realidade atual. 121. Nesse cenário, em que há cumprimento formal da lei - emissão de nota fiscal e respectiva contabilização - se analisados os fatos sob a lente restritiva do Direito Privado não há falar-se em simulação, afinal seguiu-se a letra da lei, a despeito da artificialidade. Analisar o conceito de simulação sob essa lente restritiva significa, por via indireta, restringir a atuação do fisco; permitir que o recorrente, a despeito do exercício de atividade empresarial, cubra-se com o manto da isenção. O que, além de ilegal, vai de encontro ao princípio da livre concorrência e ao cumprimento do dever fundamental de pagar tributos 9 . 122. In casu, tem-se um arranjo tributário que permitiu remuneração indireta e ilegal, via sociedades prestadoras de serviços, de associados do Instituto. 123. Nos termos do art. 72 da Lei nº 4.502, de 1964, “fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento”. 124. Extrai-se da segunda parte do dispositivo acima que a fraude também se caracteriza como ação dolosa tendente a excluir ou modificar características essenciais da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal de modo a evitar ou reduzir o montante do tributo devido. 125. Ao transformar a sociedade em instituto e utilizar de várias sociedades prestadoras de serviço constituídas por associados dos Instituto, pessoas ligadas e/ou parentes, para fins remuneração indireta, tratou-se na verdade de ato simulado, vez que o objetivo era tão somente criar suporte fático, roupagem jurídica, para transferência de recursos para os associados, porquanto não poderiam fazê-lo diretamente do Instituto. 126. Trata-se de arranjo tributário simulado, artificioso, com vistas a transparecer para o fisco que jamais incorreu em qualquer ilegalidade ou descumprimento dos requisitos previstos no artigo 14 do CTN, e artigo 12 e parágrafos da Lei nº 9.532, de 1997. 127. Ao agir com consciência e vontade, o recorrente modificou características essenciais da ocorrência do fato gerador as quais impactaram diretamente na redução do montante devido de IRPJ e CSLL, o que atrai a incidência da multa qualificada, prevista no art. 9 Sobre o dever fundamental de pagar tributos conferir: GIANNETTI, Leonardo Varella. O dever fundamental de pagar tributos em tempos de crise fiscal. In: GODOI, Marciano Seabra de; ROCHA, Sergio André. (Coords.). O Fl. 4873DF CARF MF Fl. 41 do Acórdão n.º 1201-003.195 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15504.723875/2011-41 44, § 1º, da Lei 9.430, de 1996 c/c art. 72 da Lei nº 4.502, de 1964. 128. Portanto, por considerar correta a aplicação da multa qualificada, nego provimento aos recursos voluntários em relação à matéria. Responsáveis solidários 129. A responsabilidade tributária prevista no art. 135, III10, do CTN, atribuída aos dirigentes, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, não se confunde com a responsabilidade do sócio. Não é a condição de ser sócio da pessoa jurídica que atrai a responsabilidade tributária, mas sim a atuação como gestor ou representante da pessoa jurídica e a prática de atos com excesso de poder, infração de lei, contrato social ou estatutos que resultaram em descumprimento de obrigação tributária 11 . 130. A responsabilidade solidária por interesse comum, prevista no art. 12412, I, do CTN, por sua vez, aplica-se tanto aos sujeitos que figuram no mesmo polo da relação jurídica tributária, quanto aos terceiros que tenha interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Entre esses terceiros deve ser responsabilizado aquele que pratica atos mediante fraude, dolo ou simulação, em conjunto ou com consentimento do contribuinte, com o fim de alterar características essenciais do fato gerador ou impedir o seu conhecimento por parte da autoridade fazendária. 131. No âmbito do Superior Tribunal de Justiça13, prevalece o posicionamento no sentido de que “o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal implica que as pessoas solidariamente obrigadas sejam sujeitos da relação jurídica que deu azo à ocorrência do fato imponível”. Nesse sentido, continua o STJ, “feriria a lógica jurídico-tributária a integração, no polo passivo da relação jurídica, de alguém que não tenha tido qualquer participação na ocorrência do fato gerador da obrigação 14 ”. O que significa dizer, a nosso ver corretamente, que somente o interesse econômico não legitima a atribuição de responsabilidade tributária ao terceiro. dever fundamental de pagar impostos. O que realmente significa e como vem influenciando nossa jurisprudência?. Belo Horizonte: D'Plácido, 2017, p. 229-264. 10 CTN. Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: [...] III - os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. 11 RE 562.276/PR, página 432. 12 CTN. Art. 124. São solidariamente obrigadas: I - as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; 13 REsp 834.044/RS, DJe: 15.12.2008 e REsp 884.845/SC, DJ:18.02.2009. 14 REsp 884.845/SC. Fl. 4874DF CARF MF Fl. 42 do Acórdão n.º 1201-003.195 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15504.723875/2011-41 132. Nos precedentes15 em que o STJ permite a responsabilidade solidária com base no art. 124, I, e que giram em torno de grupo econômico, há uma questão fundamental, que caminha na linha exposta acima: os atos praticados pelos responsáveis, além de influir na constituição do fato gerador, têm qualificadoras como confusão patrimonial, fraude, conluio, enfim, práticas ilícitas. Ante o contexto fático-probatório, o STJ tem mantido a responsabilidade solidária desses terceiros com apoio na Súmula n° 7 que veda o reexame de prova em sede de recurso especial. 133. No tocante aos grupos econômicos, nosso ordenamento jurídico tem uma composição dual, grupos de direito, os quais “constituem-se mediante convenção grupal firmada pelas sociedades que o formam e, em virtude do contrato, é legitimada a unidade econômica de todas elas”, e grupos de fato, os quais “decorrem do mero exercício do poder de controle, direta ou indiretamente, pela controladora nas sociedades controladas. Neste caso, entretanto, as sociedades recebem tratamento jurídico como se independentes fossem16”. 134. A situação dos autos assemelha-se ao grupo econômico de fato. Como fartamente demonstrado nos autos, foram constituídas várias sociedades, pelos próprios associados ou pessoas ligadas, para desenvolver atividade outrora desenvolvida pelo recorrente antes de se transformar em instituto, tudo com o fim de obter isenção de IRPJ e CSLL. Como dito por um dos próprios fundadores, “o Instituto, no entanto, não é uma entidade nova, mas sim e tão somente uma nova maneira, mais moderna e mais adequada para suportar o crescimento do mercado e atender às necessidades cada vez maiores dos clientes”. 135. Com fundamento nos arts. 135, III e 124, I, ambos do CTN, a fiscalização utilizou a seguinte motivação para fins de atribuição de responsabilidade tributária: 1. os sócios da empresa SIM-Sistemas de Informação de Municípios que se tornaram fundadores do instituto SIM se apropriaram indevidamente dos bens desta empresa antes de transformá-la em um instituto e ainda, do valor integralizado em moeda corrente, no ano de 2008, pela empresa TEVALI que tem sede no Uruguai. 2. a "auto transformação" da empresa em instituto "isento de tributos e contribuições", 3. a contabilização de despesas efetuadas com prestadoras de serviços cuja comprovação da efetiva prestação de serviços não ocorreu, mas que houve a efetiva transferência dos recursos, cujos sócios são associados do instituto. 4. e, principalmente, a distribuição de rendimentos não tributados pelas fornecedoras dos serviços a estes mesmos sócios e/ou associados, em detrimento do recolhimento dos tributos devidos. 136. Nestes termos, considerou como responsáveis solidários os fundadores do Instituto Sim, bem como os sócios das demais sociedades prestadoras de serviço cujas despesas foram glosadas, conforme já elencado neste voto, quais sejam: : i) Nilton de Aquino Andrade, ii) Sinval Drummond Andrade, iii) Nelson Batista de Almeida, iv) Cleide Maria de Alvarenga Andrade, v) Luciane Veiga Borges de Almeida, vi) Adriana Gonçalves de Assis Andrade, vii) 15 Precedentes STJ: REsp 1.689.431/ES, DJe: 19.12.2017; AgInt no REsp 1.721.146/RJ DJe:19.11.2018; AgInt no REsp 1.615.554/PR, DJe: 26.10.2018; AgInt no AREsp 1.191.407/RJ, DJe: 21.05.2018; AgInt no AREsp 1.041.022, DJe: 28.08.2018 16 PRADO, Viviane Muller. Grupos societários: análise do modelo da Lei 6.404/1976. Revista DireitoGV, V. 1, n. 2, p. 5, jun-dez, 2005. Fl. 4875DF CARF MF Fl. 43 do Acórdão n.º 1201-003.195 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15504.723875/2011-41 Leide Luiza de Castro Moreira Andrade, viii) João Bosco Drummond Andrade, ix) Gilberto Batista de Almeida e x) Thales Batista de Almeida. 137. Os responsáveis solidários alegam inexistência de sujeição passiva solidária com vários argumentos, entre eles a não subsunção dos fatos aos arts. 124 e 135, III, do CTN, inexistência de grupo econômico, inconstitucionalidade das normas de aplicação de solidariedade na seara tributária. 138. Em relação à inconstitucionalidade de norma, já me pronunciei neste voto; aqui valem os mesmo argumentos. 139. Conforme consta dos autos, a simulação perpetrada para fraudar o fisco com obtenção de isenção de IRPJ e CSLL teve origem com os sócios da sociedade SIM, posteriormente transformada no Instituto-SIM, fato que ficou evidenciado na ata assembleia de transformação. Verificou-se ainda que imediatamente após a transformação houve celebração de contratos para fins de remuneração indireta, bem como a contratação de serviços cuja efetividade não fora comprovada. Enfim, ao analisar todo o conjunto probatório constante dos autos é inconteste que i) Nilton de Aquino Andrade, ii) Sinval Drummond Andrade, iii) Nelson Batista de Almeida devem ser mantidos como responsáveis solidários ante as condutas praticadas. 140. De igual forma, verifica-se que Cleide Maria de Alvarenga Andrade, responsável pela contabilidade do SIM-Instituto e de todas as demais sociedades envolvidas, participou ativamente na condução dos fatos. Os documentos contábeis elaborados para atribuir ares de legalidades às inexistentes prestações de serviço estavam sob sua responsabilidade. Ou seja, além de estar ciente de todos os fatos, colaborava na parte contábil. Logo, deve ser mantida a responsabilidade solidária. 141. Luciane Veiga Borges de Almeida, por sua vez, conforme já exposto neste voto, na condição de associada, efetuou diversas transferências bancárias, bem como assinou diversos cheques emitidos pelo Instituto para fins de pagamento dos supostos serviços prestados, cujas despesas foram glosadas. Note-se ainda que, na condição de associada, efetuava pagamento em nome do Instituto para a Editora Sim, sociedade da qual era sócia e cujas despesas de prestação de serviços também foram glosadas. Também deve ser mantida a responsabilidade solidária. 142. Em relação aos demais responsáveis solidários: Adriana Gonçalves de Assis Andrade, Leide Luiza de Castro Moreira Andrade, João Bosco Drummond Andrade, Gilberto Batista de Almeida e Thales Batista de Almeida, é possível que também tenham participado ativamente dos fatos apurados pela fiscalização. Entretanto, não constam dos autos elementos que demonstrem a participação de cada um. O fato de ser sócio de uma sociedade envolvida em atividades simuladas, por si só, não é suficiente para atrair a responsabilidade do sócio. É fundamental que os elementos probatórios da conduta sejam carreados aos autos. Em não havendo tais elementos, não há como manter a responsabilidade tributária. Portanto, excluo a responsabilidade desses sujeitos passivos. 143. Nestes termos dou provimento parcial ao recurso voluntário dos responsáveis Fl. 4876DF CARF MF Fl. 44 do Acórdão n.º 1201-003.195 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15504.723875/2011-41 solidários. Incidência de juros de mora sobre a multa de ofício 144. Sustenta o recorrente, nos termos da legislação de regência, a improdência dos juros de mora pela taxa Selic. 145. Em relação a esta matéria este CARF consolidou sua jurisprudência no sentido contrário ao da pretensão da recorrente, conforme súmula vinculante nº 108. Veja-se: Súmula CARF nº 108 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 129 de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019). (Grifo nosso). Conclusão 146. Ante o exposto, voto no sentido de conhecer dos recursos voluntários e, no mérito, dar-lhes provimento parcial, tão somente para: i) deduzir do IR-Fonte lançado de ofício o IR- fonte retido e recolhido pela fonte pagadora referente às notas fiscais cujo pagamento foi considerado sem causa ou a operação não foi comprovada; ii) excluir a responsabilidade solidária dos sujeitos passivos: Adriana Gonçalves de Assis Andrade, Leide Luiza de Castro Moreira Andrade, João Bosco Drummond Andrade, Gilberto Batista de Almeida e Thales Batista de Almeida. É como voto. (documento assinado digitalmente) Efigênio de Freitas Júnior Fl. 4877DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.900545/2007-44
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 03 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Sep 26 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2000
EMBARGOS. NOVO PRONUNCIAMENTO PARA CORRIGIR INEXATIDÃO MATERIAL E OMISSÃO.
Constatado que há inexatidão material e omissão no acórdão embargado, prolata-se nova decisão para sanar tais vícios.
CANCELAMENTO DE DÉBITOS. EXTRAPOLAÇÃO DO ESCOPO DA LIDE. COMPETÊNCIA DA DRF.
O cancelamento dos débitos da DCOMP não é objeto da lide. É de competência da DRF, conforme Regimento Interno da RFB.
HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. DESPACHO DECISÓRIO EMITIDO APÓS CINCO ANOS DA TRANSMISSÃO DA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO.
Homologa-se tacitamente a Declaração de Compensação quando o Despacho Decisório é emitido após cinco anos de sua transmissão.
Numero da decisão: 1001-001.390
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos Inominados, com efeitos infringentes, para dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, através das seguintes modificações no acórdão original: (i) substituir o trecho do relatório que contém transcrição não relacionada ao processo; (ii) incluir análise do pedido de cancelamento dos débitos, para negar conhecimento à matéria, e (iii) reconhecer a homologação tácita da DCOMP 22714.28570.080803.1.3.02-4982.
(assinado digitalmente)
Sérgio Abelson Presidente
(assinado digitalmente)
Andréa Machado Millan - Redatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Andréa Machado Millan, Jose Roberto Adelino da Silva e André Severo Chaves.
Nome do relator: ANDREA MACHADO MILLAN
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2000 EMBARGOS. NOVO PRONUNCIAMENTO PARA CORRIGIR INEXATIDÃO MATERIAL E OMISSÃO. Constatado que há inexatidão material e omissão no acórdão embargado, prolata-se nova decisão para sanar tais vícios. CANCELAMENTO DE DÉBITOS. EXTRAPOLAÇÃO DO ESCOPO DA LIDE. COMPETÊNCIA DA DRF. O cancelamento dos débitos da DCOMP não é objeto da lide. É de competência da DRF, conforme Regimento Interno da RFB. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. DESPACHO DECISÓRIO EMITIDO APÓS CINCO ANOS DA TRANSMISSÃO DA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. Homologa-se tacitamente a Declaração de Compensação quando o Despacho Decisório é emitido após cinco anos de sua transmissão.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2000 EMBARGOS. NOVO PRONUNCIAMENTO PARA CORRIGIR INEXATIDÃO MATERIAL E OMISSÃO. Constatado que há inexatidão material e omissão no acórdão embargado, prolatase nova decisão para sanar tais vícios. CANCELAMENTO DE DÉBITOS. EXTRAPOLAÇÃO DO ESCOPO DA LIDE. COMPETÊNCIA DA DRF. O cancelamento dos débitos da DCOMP não é objeto da lide. É de competência da DRF, conforme Regimento Interno da RFB. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. DESPACHO DECISÓRIO EMITIDO APÓS CINCO ANOS DA TRANSMISSÃO DA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. Homologase tacitamente a Declaração de Compensação quando o Despacho Decisório é emitido após cinco anos de sua transmissão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos Inominados, com efeitos infringentes, para dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, através das seguintes modificações no acórdão original: (i) substituir o trecho do relatório que contém transcrição não relacionada ao processo; (ii) incluir análise do pedido de cancelamento dos débitos, para negar conhecimento à matéria, e (iii) reconhecer a homologação tácita da DCOMP 22714.28570.080803.1.3.024982. (assinado digitalmente) Sérgio Abelson – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 90 05 45 /2 00 7- 44 Fl. 295DF CARF MF Processo nº 10680.900545/200744 Acórdão n.º 1001001.390 S1C0T1 Fl. 296 2 (assinado digitalmente) Andréa Machado Millan Redatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Andréa Machado Millan, Jose Roberto Adelino da Silva e André Severo Chaves. Relatório Tratase de embargos opostos pelo contribuinte em face da decisão proferida no Acórdão nº 1001000.809, de 21/09/2018. Os embargos foram admitidos pelo Despacho de Admissibilidade de Embargos do Contribuinte (fls. 291 a 294) como embargos inominados, com base no art. 66 do Anexo II do atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015: No referido acórdão (fls. 271 a 278), o colegiado negou provimento ao recurso voluntário nos seguintes termos: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso, deixando de conhecer em relação ao pedido de cancelamento do débito e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencido o conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues, que lhe deu provimento parcial para reconhecer a homologação tácita da DCOMP entregue em 08/08/2003. Cientificado do acórdão em 14/11/2018 (Aviso de Recebimento à fls. 281 e 282), o contribuinte opôs embargos de declaração em 19/11/2018 (Termo de Análise de Solicitação de Juntada à fl. 284, embargos às fls. 285 a 288). Nele, argumentou que houve omissão do acórdão, por não enfrentar os seguintes argumentos: (i) deveriam prevalecer os princípios da verdade material e do informalismo moderado quanto à matéria inexistência dos débitos, não conhecida no acórdão por ter sido extemporaneamente trazida aos autos; (ii) homologação tácita de uma das DCOMP. O Despacho de Admissibilidade de Embargos refutou as omissões alegadas, argumentando que os tópicos foram abordados na decisão. Admitiu, contudo, em relação à matéria homologação tácita, a ocorrência de flagrante inexatidão material devida a lapso manifesto. Transcrevo, abaixo, trecho do despacho relacionado ao tema: Omissão – homologação tácita das compensações Fl. 296DF CARF MF Processo nº 10680.900545/200744 Acórdão n.º 1001001.390 S1C0T1 Fl. 297 3 De acordo com a embargante, o acórdão seria omisso na análise da homologação tácita das compensações transmitidas em 08/08/2003, tendo em vista que o despacho decisório correspondente foi emitido quando passados mais de cinco anos (26/08/2008). O acórdão embargado expressamente refutou as alegações da então recorrente, apresentando fundamentação coerente e suficiente para respaldar a sua conclusão, consoante se verifica no seguinte excerto do voto condutor, abaixo transcrito, verbis: “Não prospera a sua tese de homologação tácita na medida em que o processo foi devidamente examinado e dada ciência à recorrente através do despacho decisório (fls 9 a 13), termo de intimação (fl 10), solicitando providências por parte da recorrente. Ou seja, o fisco não deixou de analisar, ao contrário, o fez e deu oportunidade ao contribuinte de se defender e tomar as providências cabíveis, portanto, não se aplica o parágrafo 5º, ao artigo 74, da Lei 9430/96 (e alterações posteriores).” (destaques acrescidos) Não ocorreu, portanto, a alegada omissão. No entanto, observase ter ocorrido flagrante inexatidão material devida a lapso manifesto (art. 66 do Anexo II do Regimento Interno do CARF) na consideração de não ter ocorrido homologação tácita em relação à DCOMP 22714.28570.080803.1.3.024982. Tratase de matéria de ordem pública, que enseja cognição de ofício, determinada por dispositivo legal simples e cristalino, o § 5º do art. 74 da Lei nº 9.430/96, abaixo transcrito: § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Tendo sido a referida DCOMP apresentada em 08/08/2003 e o despacho decisório emitido em 26/08/2008, com ciência pela contribuinte, obviamente, posterior, é evidente o equívoco da decisão ao contrapor a claro mandamento legal argumentos absolutamente irrelevantes quanto à homologação tácita, de que a DCOMP tenha sido analisada anteriormente à referida data. Fato é que o Fisco não decidiu no tempo determinado pela lei para que não fosse homologada a referida compensação. Assim, os embargos foram admitidos, como inominados, pelo Presidente da 1ª Turma Extraordinária da 1ª Seção. É o Relatório. Voto Conselheira Andréa Machado Millan, Redatora Fl. 297DF CARF MF Processo nº 10680.900545/200744 Acórdão n.º 1001001.390 S1C0T1 Fl. 298 4 Conforme relatório, são tempestivos os embargos. Os embargos do contribuinte foram admitidos devido à inexatidão material detectada na decisão referente à homologação tácita de uma das DCOMP. Contudo, em análise mais detalhada, verificase que há, também, inexatidão material no texto do relatório. E há, de fato, a omissão alegada pelo contribuinte, em seus embargos, na análise de seu argumento de prevalência dos princípios da verdade material e do informalismo moderado no julgamento da sua alegação de inexistência dos débitos. Vejamos cada ponto. Inexatidão Material no Relatório Analisandose o acórdão embargado, verificase outro erro material, não abordado nos embargos. O relatório ali constante, ao anunciar reproduzir trecho do relatório da decisão de primeira instância (Acórdão nº 0226.806, da 4ª Turma da DRJ em Belo Horizonte), por equívoco reproduziu relatório que aborda outro tema – pedido de restituição de pagamento a maior de Finsocial. Tratase do relatório de processo anexado pelo contribuinte à sua manifestação de inconformidade, às fls. 232 e seguintes, como exemplo de jurisprudência de homologação tácita. Assim, em substituição, reproduzo abaixo a íntegra do relatório da decisão de primeira instância: A empresa em epígrafe transmitiu os PER/DCOMP 22714.28570.080803.1.3.024982 (fls. 20/54), 30196.40806.100204.1.3.026498 (fl.s 55/56), 36796.00076.101003.1.3.028002 (fls. 57/58) e 07546.39802.100903.1.3.027680 (fls. 59/61), indicando valores de saldo negativo de IRPJ, decorrentes de retenção na fonte no exercício de 2001, pleiteando compensação com débitos referentes ao Simples para os períodos de apuração julho, agosto e setembro de 2003 e janeiro/2004 (fls. 20/61). Em 26 de agosto de 2008, é emitido o Despacho Decisório de fls. 08, nº de rastreamento 7837633872, nos seguintes termos. "2 IDENTIFICAÇÃO DO PER/DCOMP 22714.28570.080803.1.3.024982 Exercício 2001 — 01/01/2000 a 31/12/2000 Saldo negativo de IRPJ 3FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado e considerando que a soma das parcelas de composição do crédito informadas no PER/DCOMP deve ser suficiente para comprovar a quitação do imposto devido e apuração do saldo negativo, verificouse: PARCELAS DE COMPOSIÇÃO DO CRÉDITO INFORMADO NO PER/DCOMP PARC. CRÉDITO RETENÇÃO FONTE SOMA PARC CRÉD PERD/COMP 4.368,19 4.368,19 CONFIRMADAS 14,52 14,52 Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$ 4.368,19 Somatório das parcelas de composição do crédito da DIPJ: R$ 7.874,81 IRPJ devido: R$ 3.506, 62 Fl. 298DF CARF MF Processo nº 10680.900545/200744 Acórdão n.º 1001001.390 S1C0T1 Fl. 299 5 Valor do saldo negativo disponível = (Parcelas confirmadas limitado ao somatório das parcelas na DIPJ) (IRPJ devido), observado que quando este cálculo resultar negativo, o valor será zero. Valor do saldo negativo disponível: R$ 0,00 Diante do exposto, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada nos seguintes PER/DCOMP: 36796.00076.101003.1.3.028002 22714.28570.0808031.3.024982 07546.39802.100903.1.3.027680 30196.40806.100204.1.3.026498 Valor devido consolidado, correspondente aos débitos indevidamente compensados, para pagamento em 29/08/2008 Principal 4.696,82 Multa 939,34 Juros 3.271,67." As fls. 09/12 encontrase o detalhamento da análise dos PER/DCOMP citados. Em 19 de setembro de 2008, a empresa apresenta sua manifestação de inconformidade, argumentando que entregou a sua DIPJ, original e retificadora, efetuou a compensação do saldo negativo do IRPJ, mediante emissão dos PER/DCOMP e que o despacho decisório não levou em consideração que "apesar de a empresa ter omitido os valores do IRRF em DIPJ, esses valores foram devidamente comprovados através das DIRF's das fontes pagadoras, conforme devidamente discriminado no detalhamento da Análise do Crédito do Despacho Decisório." Argumenta ainda que tentou entregar a declaração retificadora do ano calendário 2000, consignando o IRRF, mas "não foi recepcionada pelo sistema da RECEITANET." Conclui que não pode ser penalizada pela demora no trâmite do processo administrativo que a impediu de retificar a DIPJ oportunamente. Em 16 de fevereiro de 2009, o presente processo é encaminhado a esta DRJ. Em 23 de junho de 2009, a empresa solicita e obtém autorização, fls. 66 e 67, para juntada das provas documentais de fls. 68 a 194. Apresenta também novas razões, a saber: "1) Notese, contudo, que, antes de analisar a existência ou não do crédito informado, a DRF deveria ter verificado os débitos. Ora, como a contribuinte foi excluída do Simples com efeitos retroativos a 01/01/2004, os débitos objeto de compensação deixaram de existir." 2) Pois bem, tendo em vista que o PER/DCOMP nº 22714.28570.08803.1.3.024982 foi entregue em 08/08/2003 (fl. 20) e o despacho decisório que o analisou somente foi emitido em 26/08/2008 (fl. 8), estão extintos, por homologação tácita, os débitos nele informados." Omissão quanto ao argumento do princípio da verdade material Fl. 299DF CARF MF Processo nº 10680.900545/200744 Acórdão n.º 1001001.390 S1C0T1 Fl. 300 6 Na Manifestação de Inconformidade a empresa não apresentou o argumento de inexistência dos débitos das DCOMP. Posteriormente, antes do acórdão da DRJ, solicitou ao chefe da unidade de origem o aditamento de documentos ao seu recurso, o que lhe foi deferido (autorização à fl. 108, alegações às fls. 109 a 112, documentos à fls. 113 a 237). Ali a empresa esclareceu que os débitos a serem compensados nas quatro DCOMP aqui analisadas referemse ao Simples dos meses de julho, agosto e setembro de 2003 e janeiro de 2004. Mas que, porém, em 02/08/2004 foi expedido Ato Declaratório Executivo excluindoa do Simples a partir de 01/01/2003. Informou que, com a exclusão definitiva, apurou os tributos devidos retroativamente, fez os ajustes necessários e transmitiu as DCTF pertinentes (Forma de tributação: lucro real). Que, assim, os débitos objeto de compensação deixaram de existir. Na análise do argumento da empresa de inexistência de débitos, a DRJ decidiu: De plano, fazse necessário delimitar o objeto do litígio. A solicitação da impugnante é no sentido de compensar o saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2000 que entende pertinente à vista das retenções de imposto de renda na fonte. É este o objeto do litígio. Por consequência, os documentos apresentados pela impugnante, após a impugnação, não oferecem qualquer subsídio à análise posto que não guardam qualquer relação com o objeto do litígio, como se esclarece a seguir. (...) Registrese ainda que os argumentos apresentados às fls. 68/71, juntamente com os documentos em decorrência do despacho do Sr. Delegado de Julgamento da DRJ/BH, não foram analisados por considerados extemporâneos. No recurso voluntário, o contribuinte reapresentou o tema, agora já citando o princípio da verdade material, embora não objetivamente: “Ora, se a juntada dos novos argumentos e documentos foi deferida, não há dúvida de que eles são relevantes e, por isso mesmo, deveriam ter sido levados em conta pela DRJ no momento do julgamento. Como isso não foi feito, a reforma da decisão é medida que se impõe. Aliás, é triste constatar que o processo administrativo está cada dia mais burocrático. O principio da verdade material, em outras épocas verdadeiro NORTE do julgador administrativo, infelizmente, já não tem tanta importância.” No pedido, solicita que se reconheça a inexistência dos débitos informados nas DCOMP e que se cancelem de oficio as declarações de compensação. Vêse que o que contribuinte alega, embora infeliz em sua redação, é que a inexistência do débito que se pretendia compensar é verdade material que se impõe à regra da extemporaneidade do argumento apresentado. Fl. 300DF CARF MF Processo nº 10680.900545/200744 Acórdão n.º 1001001.390 S1C0T1 Fl. 301 7 O acórdão embargado não conheceu da matéria, por extemporânea, com base no art. 17 do Decreto nº 70.235/72: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Em sede de embargos, a empresa argumentou que o acórdão não esclareceu por que o princípio da verdade material não seria aplicável ao caso. Tem razão quanto à omissão, que passo a sanar. A inexistência dos débitos alegada pelo contribuinte é, de fato, verdade material que se impõem à extemporaneidade das informações juntadas à manifestação de inconformidade. Além disso, a Lei nº 9.784/1999, em seu art. 38 determina: Art. 38. O interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo. § 1º Os elementos probatórios deverão ser considerados na motivação do relatório e da decisão. § 2º Somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias. Porém, não cabe a este colegiado determinar cancelamento de débitos informados em DCOMP. O escopo da lide, na compensação, é a existência do direito creditório, conforme art. 135, § 4º, da IN RFB 171/2017 (abaixo transcrito). Esse já foi perfeita e definitivamente julgado pela DRJ, uma vez que a matéria não foi contestada no recurso voluntário. § 4º A competência para julgar manifestação de inconformidade é da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), observada a competência material em razão da natureza do direito creditório em litígio. Não homologadas as DCOMP, o débito em aberto decorrente poderá ser objeto de pedido de revisão junto à unidade de origem. Esta, após a devida análise, decidirá sobre o cancelamento, no exercício da competência determinada pelo Regimento Interno da RFB (Portaria MF nº 430/2017), Anexo I, artigos 272, inciso III, e 336, inciso III. Assim, o pedido de cancelamento de débitos de fato não deve ser conhecido, porque extrapola o objeto da lide. Inexatidão material quanto à homologação tácita Fl. 301DF CARF MF Processo nº 10680.900545/200744 Acórdão n.º 1001001.390 S1C0T1 Fl. 302 8 Alegou o contribuinte, em seu recurso voluntário, que tendo em vista que a DCOMP nº 22714.28570.080803.1.3.024982 foi transmitido em 8/8/2003 (fl. 20), e o despacho decisório que o analisou somente foi emitido em 26/8/2008 (fl. 9), estão extintos, por homologação tácita, os débitos nela informados, conforme § 5º do art.74 da Lei 9.430/1996: § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Tem razão, nesta matéria, o contribuinte. Conforme esclarecido no Despacho de Admissibilidade de Embargos, à fl. 294, “tratase de matéria de ordem pública, que enseja cognição de ofício, determinada por dispositivo legal simples e cristalino, o § 5º do art. 74 da Lei nº 9.430/96”. Portanto, a DCOMP nº 22714.28570.080803.1.3.024982 foi tacitamente homologada. Conclusão Isso posto, voto por acolher os Embargos Inominados, com efeitos infringentes, para dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, através das seguintes modificações no acórdão original: (i) substituir o trecho do relatório que contém transcrição não relacionada ao processo; (ii) incluir análise do pedido de cancelamento dos débitos, para negar conhecimento à matéria; (iii) reconhecer a homologação tácita da DCOMP 22714.28570.080803.1.3.024982. (assinado digitalmente) Andréa Machado Millan Fl. 302DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.902109/2010-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Oct 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/05/2004 a 31/05/2004
PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. INAPLICABILIDADE NO CASO.
Em matéria de processo administrativo vige o princípio da verdade material, valor normativo esse que não deve ser empregado como uma ferramenta mágica, dotada de aptidão para "validar" preclusões e atecnias e transformar tais defeitos em um processo administrativo "regular". Quando se fala em verdade material o que se quer aqui exprimir é a possibilidade de reconstruir fatos sociais no universo jurídico por intermédio de uma metodologia jurídica mais flexível, ou seja, menos apegada à forma, o que se dá, preponderantemente, em razão da relevância do valor jurídico extraído do fato que se pretende provar juridicamente.
COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. COMPROVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. INSUFICIÊNCIA.
Para fazer jus à compensação pleiteada, o contribuinte deve comprovar a existência do crédito reclamado à Secretaria da Receita Federal do Brasil, sob pena de restar seu pedido indeferido. Não tendo sido apresentada documentação apta a embasar a existência e suficiência crédito alegado pela Recorrente, não é possível o reconhecimento do direito a acarretar em qualquer imprecisão do trabalho fiscal na não homologação da compensação requerida.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-006.868
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Rodrigo Mineiro Fernandes Presidente eRelator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos, Sílvio Rennan do Nascimento Almeida e Thais De Laurentiis Galkowicz. Ausente temporariamente o Conselheiro Muller Nonato Cavalcanti Silva (suplente convocado).
Nome do relator: RODRIGO MINEIRO FERNANDES
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INAPLICABILIDADE NO CASO. Em matéria de processo administrativo vige o princípio da verdade material, valor normativo esse que não deve ser empregado como uma ferramenta mágica, dotada de aptidão para "validar" preclusões e atecnias e transformar tais defeitos em um processo administrativo "regular". Quando se fala em verdade material o que se quer aqui exprimir é a possibilidade de reconstruir fatos sociais no universo jurídico por intermédio de uma metodologia jurídica mais flexível, ou seja, menos apegada à forma, o que se dá, preponderantemente, em razão da relevância do valor jurídico extraído do fato que se pretende provar juridicamente. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. COMPROVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. INSUFICIÊNCIA. Para fazer jus à compensação pleiteada, o contribuinte deve comprovar a existência do crédito reclamado à Secretaria da Receita Federal do Brasil, sob pena de restar seu pedido indeferido. Não tendo sido apresentada documentação apta a embasar a existência e suficiência crédito alegado pela Recorrente, não é possível o reconhecimento do direito a acarretar em qualquer imprecisão do trabalho fiscal na não homologação da compensação requerida. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Rodrigo Mineiro Fernandes – Presidente eRelator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos, Sílvio Rennan do Nascimento Almeida e Thais De Laurentiis AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 90 21 09 /2 01 0- 21 Fl. 82DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3402-006.868 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.902109/2010-21 Galkowicz. Ausente temporariamente o Conselheiro Muller Nonato Cavalcanti Silva (suplente convocado). Relatório O presente versa sobre Declaração de Compensação para compensar crédito oriundo de PIS/COFINS. A decisão de primeira instância foi pela improcedência da manifestação de inconformidade da Contribuinte. Intimada desta decisão, a empresa apresentou Recurso Voluntário alegando, em síntese, que o crédito é valido, sendo que a não identificação do crédito decorre de erro de preenchimento do PER/DCOMP. É o relatório Voto Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão nº 3402-006.859, de 24 de setembro de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 10980.902100/2010-10. Transcreve-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3402-006.859): “Sustenta a Recorrente em suas defesas que teria cometido mero erro material no preenchimento da PER/DCOMP. Contudo, como bem delineado pela r. decisão recorrida, observa-se no presente processo que a empresa foi previamente intimada para a apresentação de esclarecimentos face a não localização do DARF de pagamento, não apresentando qualquer informação naquela oportunidade. A r. decisão recorrida assim se manifestou, cujas considerações não merecem qualquer reparo: Como no relatório deste Acórdão se viu, a razão da não homologação da compensação restringe-se a uma questão fática, qual seja: não se confirmou nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) a existência do crédito oferecido, uma vez que não foi localizado o Darf informado na Dcomp. A contribuinte, por sua vez, alega que a origem do crédito, em razão dos recolhimentos efetuados por filial (somente para controle de faturamento), tem origem em pagamentos que somados totalizam o valor informado do Darf, conforme os Darf que anexa. A contribuinte defende que ocorreu erro material no preenchimento da Dcomp, sendo informado apenas um Darf, o que, porém, não altera o crédito apurado. Do exposto, conclui-se que a contribuinte, apesar de informar na Dcomp que o crédito tinha origem em pagamento a maior via Darf, não logrou comprová-lo, o que já seria suficiente para confirmar a procedência do Despacho Decisório. Entretanto, pelo teor da Fl. 83DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3402-006.868 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.902109/2010-21 manifestação da contribuinte, observa-se que o crédito pleiteado tem origem em outros créditos: aqueles constantes dos Darf anexados aos autos. Observe-se que a contribuinte foi intimada, às folhas 49 e 50, a conferir as informações prestadas na Dcomp, uma vez que o Darf não foi localizado. No Termo de Intimação, a autoridade fiscal esclarece que, havendo erro no preenchimento, a contribuinte disporia de prazo para retificar a Declaração de Compensação. Não consta dos autos, entretanto, que a contribuinte tenha retificado a Dcomp, corrigindo a origem do crédito tributário para os Darf anexados ao processo. Neste contexto, importa aqui precisar quais são os limites do litígio posto a esta Delegacia de Julgamento. Explica-se. A questão sobre a qual tem legitimidade este juízo administrativo para se manifestar, é tão-somente aquela que se relaciona com a regularidade ou não das compensações declaradas pela contribuinte, nos termos em que elas foram estritamente formalizadas. Em sede de julgamento da regularidade das compensações, importa ao juízo administrativo aferir apenas a existência do direito creditório pleiteado. Em outras palavras, nos processos de compensação a questão posta aos julgadores administrativos (e, do mesmo modo, às autoridades fiscais que analisam originariamente o direito creditório pleiteado – as Delegacia da Receita Federal), é a referente à existência ou não do crédito contra a Fazenda Nacional alegado pelo sujeito passivo, tendo-se em conta, de forma estrita, a informação posta pelo mesmo sujeito passivo como identificadora da origem do crédito pleitedo. Se o contribuinte quiser ver modificada a informação relativa à origem do crédito declarado na Dcomp, deverá retificá-la antes de qualquer apreciação da compensação por parte das unidades da Receita Federal. Se assim não o fizer, terá sua compensação analisada nos estritos termos do que foi originariamente declarado, não lhe sendo lícito inovar, já em sede contenciosa, quanto às alegações e/ou fundamentos relativos à existência de seu crédito. Pois bem, assim firmado o limite da análise que se pode aqui fazer, há que dizer, de plano, que a compensação intentada pela contribuinte por meio da Dcomp objeto do presente processo não pode ser aqui homologada, pois a origem de seu possível crédito não é aquele constante do Darf informado na Dcomp. Ademais, o fato de o processo administrativo ser informado pelo princípio da verdade material, em nada macula o que foi até aqui dito. É que o referido princípio destina-se a busca da verdade que está para além dos fatos alegados pelas partes, mas isto num cenário dentro do qual as partes trabalharam proativamente no sentido do cumprimento do seu onus probandi. Em outras palavras, o princípio da verdade material autoriza o julgador a ir além dos elementos de prova trazidos pelas partes, quando tais elementos de prova induzem à suspeita de que os fatos ocorreram não da forma como esta ou aquela parte afirma, mas de uma outra forma qualquer (o julgador não está vinculado às versões das partes). Mas isto, à evidência, nada tem a ver com propiciar à parte que tem o ônus de provar o que alega/pleiteia, a oportunidade de produzir algo que, do ponto de vista estritamente legal, já deveria compor, como requisito de admissibilidade, o pleito desde sua formalização inicial. Dito de outro modo: Da mesma forma que não é aceitável que um lançamento seja efetuado sem provas e que se permita posteriormente, em sede de julgamento e por meio de diligências, tal instrução probatória, também não é aceitável que um pleito repetitório seja proposto sem a minudente demonstração e comprovação da existência do indébito e que posteriormente, também em sede de julgamento, se oportunize tais demonstração e comprovação. Fl. 84DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3402-006.868 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.902109/2010-21 Diante deste quadro, não há, portanto, como acatar, em sede de recurso administrativo, o pleito da contribuinte. É que ao suprimir na Dcomp informação essencial à identificação da origem de seu pretenso crédito, a contribuinte subtraiu à DRF de origem a correta identificação do objeto do pleito, como já dito. Com isso, não se pode, em sede recursal, apreciar originariamente questão não submetida à apreciação de quem tem competência, em instância inicial, para deferir ou não o crédito pretendido. E não há como sanear processualmente tal incidente, pois na medida em que o despacho decisório foi prolatado com estrita consonância com o conteúdo da Dcomp apresentada, inovar nos limites do litígio em sede recursal seria indevido. Por todo exposto, voto pela improcedência da manifestação de inconformidade e não reconhecimento do direito creditório (e-fls. 52/54) Em suas defesas, a empresa aduz que teria indevidamente informado um DARF quando deveria ter informado dois DARFs. Contudo, o código de receita do DARF informado no DCOMP é distinto do código de receita dos dois DARFs a que a empresa se refere, sendo que a empresa não traz quaisquer considerações para a razão para essa distinção de códigos de receita. Ademais, não é possível confirmar quais as razões fáticas ou jurídicas para a existência do crédito. E aqui é essencial salientar que não se trata de mera correção de suposto erro material cometido pelo sujeito passivo. Além de informar o DARF de forma equivocada, o código de receita do tributo igualmente foi informado de forma equivocada, questão que não foi evidenciada pelo sujeito em sua defesa. Não é possível confirmar, efetivamente, qual teria sido o erro cometido pelo sujeito passivo. Apenas no preenchimento do PER/DCOMP ou efetivamente em sua apuração. Acresce-se que nenhum documento fiscal ou contábil foi anexado aos autos, tão somente a cópia dos DARFS). Ao contrário do que pretende a Recorrente, o princípio da verdade material não pode ser utilizado no presente caso como uma verdadeira ferramenta mágica, como bem apontado pelo Conselheiro Diego Diniz Ribeiro em seus votos, como o abaixo transcrito do Acórdão n.º 3402-003.306, de 23/08/2016: 12. Primeiramente, não é demais lembrar que em matéria de processo administrativo vige o princípio da verdade material, valor normativo esse que não é aqui empregado como uma ferramenta mágica, semelhante a uma "varinha de condão" dotada de aptidão para "validar" preclusões e atecnias e transformar tais defeitos em um processo administrativo "regular". Com a devida vênia, este tipo de interpretação a respeito do princípio da verdade material só se presta a apequenar e, até mesmo, achincalhar esta importante norma. 13. Assim, quando se fala em verdade material o que se quer aqui exprimir é a possibilidade de reconstruir fatos sociais no universo jurídico por intermédio de uma metodologia jurídica mais flexível, ou seja, menos apegada à forma, o que se dá, preponderantemente, em razão da relevância do valor jurídico extraído do fato que se pretende provar juridicamente. Em outros termos, "verdade material" é sinônimo de uma maior flexibilização probante em sede de processos administrativos, o que, se for usado com a devida prudência à luz do caso decidendo, só tem a contribuir para a qualidade da prestação jurisdicional atipicamente prestada em tais processos. (grifei) Neste ponto, essencial novamente 1 firmar que o contribuinte figura como titular da pretensão nas Declarações de compensação e, como tal, possui o ônus de prova quanto ao fato constitutivo de seu direito. Em outras palavras, o sujeito passivo possui o encargo de comprovar, por meio de documentos hábeis e idôneos, a existência do direito creditório, demonstrando que o direito invocado existe. 1 Como já consigando por esta Turma em outras oportunidade como, por exemplo, no Acórdão n.º 3402-004.763, de 25/10/2017, de minha relatoria. Fl. 85DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3402-006.868 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.902109/2010-21 Assim, caberia ao sujeito passivo trazer aos autos os elementos aptos a comprovar a existência de direito creditório, capazes de demonstrar, de forma cabal, que a Fiscalização incorreu em erro ao não homologar a compensação pleiteada, em conformidade com os arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235/1972 2 . Com efeito, o ônus probatório nos processos de compensação é do postulante ao crédito, tendo este o dever de apresentar todos os elementos necessários à prova de seu direito, no entendimento reiterado desse Conselho. A título de exemplo: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 31/07/2009 a 30/09/2009 VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. (...)" (Processo n.º 11516.721501/2014-43. Sessão 23/02/2016. Relator Rosaldo Trevisan. Acórdão n.º 3401-003.096 - grifei) Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto.” Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Rodrigo Mineiro Fernandes 2 “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III- os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir;" Fl. 86DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.001126/2004-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 08 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Nov 06 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1202-000.150
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em determinar o sobrestamento do julgamento do recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(Documento assinado digitalmente)
Nelson Lósso Filho Presidente
(Documento assinado digitalmente)
Nereida de Miranda Finamore Horta - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Nereida de Miranda Finamore Horta, Viviane Vidal Wagner, Geraldo Valentim Neto, Orlando José Gonçalves Bueno e Nelson Lósso Filho.
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Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em determinar o sobrestamento do julgamento do recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (Documento assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho – Presidente (Documento assinado digitalmente) Nereida de Miranda Finamore Horta Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Nereida de Miranda Finamore Horta, Viviane Vidal Wagner, Geraldo Valentim Neto, Orlando José Gonçalves Bueno e Nelson Lósso Filho. Relatório Advocacia Bonilha SC (CNPJ 01.081.435/000170) teve contra si lavrados Autos de Infração (fls. 648/668) com exigência de IRPJ, CSLL, Cofins, contribuição ao PIS e acréscimos legais de multa de 75% e juros com base na taxa SELIC, relativo aos anos calendários de 2001 e 2002. As exigências tiveram fundamento em omissão de receitas em virtude de depósitos bancários não contabilizados, cuja origem não fora comprovada. Transcrevo aqui trecho do Acórdão recorrido que resume as autuações: “A forma de tributação adotada é o lucro presumido. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .0 01 12 6/ 20 04 -6 1 Fl. 828DF CARF MF Processo nº 19515.001126/200461 Resolução nº 1202000.150 S1C2T2 Fl. 829 2 Os valores lançados são os seguintes: 1. IRPJ: R$ 37.655,21. Enquadramento legal: art. 528 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 1999 (RIR/99), e arts. 25 e 42 da Lei n°9.430, de 1996. 2. Contribuição para o PIS — R$ 4.306,33 — Enquadramento Legal: arts. 1° e 3°da Lei Complementar 07, de 1970; arts. 24, § 2°, da Lei n°9.249, de 1995; arts. 2°, inciso I,8°, inciso I, e 9° da Lei n° 9.715, de 1998; arts. 2° e 3° da Lei n°9.718, de 1998; arts. 2°, 1, alinea "a" e parágrafo único, 3 0, 10, 22, 51 e 91 do Decreto n° 4.524, de 2002. 3. COF1NS: R$ 19.875,46— art. 1° da Lei Complementar n° 70/91; art. 24, § 2°, da Lei n° 9.249, de 1995; art. 2°, 3°e 8° da Lei n° 9.718, de 1998, com alterações da MP nº 1.807, de 1999, e suas reedições, com alterações da MP n° 1.858, de 1999, e reedições; arts. 2°, 11, e parágrafo étnico, 3°, 10, 22, 51 e 91 do Decreto n°4.524, de 2002. 4. CSLL: R$ 7.155,13 — Enquadramento Legal: art. 2°e §§, da Lei n°7.689, de 1988; arts. 19 e 24 da Lei n°9.249, de 1995; art. 29 da Lei n°9.430, de 1996; art. 6° da MP n° 1.858, de 1999, e reedições. Os valores acima estão acrescidos da multa de oficio com o percentual de 75% e dos juros de mora. Enquadramento legal da multa: art. 44, inciso I, da Lei n°9.430, de 1996; dos juros de mora art. 61, § 3°, da Lei n° 9.430, de 1996.” A contribuinte foi intimada da lavratura dos autos em 8 de junho de 2004 e apresentou sua Impugnação (fls. 672/701) em 8 de julho do mesmo ano. Inicialmente, invoca a atividade que presta, serviços de assessoria jurídica na área do direito do trabalho. Por conta disto, são depositados em suas contas correntes valores pertencentes aos seus clientes, em razão do êxito em processos, com o posterior repasse destas importâncias a seus clientes. Tais valores não são renda pertencente à contribuinte, não havendo que se falar em tributação de tais valores. Inexistindo o acréscimo de patrimônio, não se justifica a constituição do crédito tributário, e, ausente o fato gerador do imposto de renda, qual seja, auferir renda e proventos de qualquer natureza, também ausentes os fatos geradores dos tributos reflexos. Invocando dispositivos constitucionais, discute o fato jurídico tributário do imposto de renda, informando que o conceito de renda é restrito, não sendo possível estendêlo para além do que de fato ele é, juntando sobre o tema, ampla doutrina, esclarecendo que, no caso concreto, não houve qualquer acréscimo no seu patrimônio que seja considerado como fato gerador do imposto. Invocando os princípios da capacidade contributiva, da estrita legalidade e da vedação ao confisco, informa não haver capacidade contributiva na hipótese, já que a movimentação considerada não pertence à impugnante (e sim valores transitórios). A isto, soma o fato de que os dispositivos invocados não dizem respeito ao imposto de renda, por não possuírem como fato gerador ou jurídico o acréscimo de patrimônio. Fl. 829DF CARF MF Processo nº 19515.001126/200461 Resolução nº 1202000.150 S1C2T2 Fl. 830 3 Desta feita, entende que, no caso concreto, foi violado a vedação do efeito confiscatório, ante a excessividade e desarrazoabilidade da autuação. Prossegue, informando que a verdade material é um dos princípios norteadores do processo administrativo. Assim, ante o conhecimento de que a existência da obrigação tributária depende da ocorrência no mundo fático de situação que se subsuma à hipótese de incidência, é necessária a verificação de forma exaustiva e imparcial de tal situação para que se possa de fato, tributar. Referida atividade é vinculada à lei, não cabendo análise discricionária. Esta é a busca da verdade material. No caso dos autos, não fora verificado qualquer sinal externo de riqueza que justifiquem que as movimentações financeiras analisadas, por si só, produzam a exigência do crédito tributário. Afirma que, ante a desconsideração da verdade material, é ilegítimo o lançamento que desconsidere estes sinais de riqueza a justificar o valor exigido. Assim, entende que demonstrada qualquer entrave ao direito de ampla defesa, a solução é a nulidade do procedimento fiscal, justamente pela violação do princípio da verdade material. Informa ainda que, ante sua experiência prática em questões submetidas a julgamento administrativo, que se formou uma opinião na administração que vem considerando que o direito à ampla defesa se limitaria “ ao direito do particular de alegar e comprovar de plano a imprestabilidade de levantamento, como se o procedimento se limitasse a conferir ao particular o direito de manifestar sua inconformidade. Tal primário entendimento não resiste a superficial análise e reflexão sobre o alcance do direito à ampla defesa. A manifestação contestatória da contribuinte, como no caso vertente, é apenas o início do procedimento contraditório a ser instaurado no curso do processo administrativo, cuja condução deve pautar se pela busca da verdade Matérial acerca dos fatos envolvidos, sem nenhuma economia ou restrição aos meios de prova disponíveis. A contestação, longe de esgotar o direito à ampla defesa, com todos os recursos e ela inerentes, é mero pressuposto de início do exercício desse direito constitucionalmente conferido e assegurado ao particular.” Em relação aos juros moratórios, informa que no caso, estes devem ser calculados no importe de 1% ao mês, de forma não capitalizada, o que indicaria o valor de 12% ao ano. Calca seu entendimento na Súmula do TFR, do art. 161, § I, do CTN e do art. 192, § 3° da CF/88. Invoca decisões do STF neste sentido e aduz que a não observância do patamar de juros indicado, configuraria tratamento distinto e discriminatório entre as partes, já que créditos em favor da contribuinte são acrescidos de juros de 12% ao ano. Ainda, pugna pela inconstitucionalidade da taxa SELIC, eis que esta é meio remuneratório e não indenizatório. Menciona a decisão em sede de ADIN n. 493 que decidiu pela inconstitucionalidade de aludida taxa. Em relação às multas moratórias exigidas, ensina que estas não são amparadas pela constituição, eis que assumem feições confiscatórias. Cita doutrina e, discorrendo sobre a análise do art. 150, IV da CF e o art. 52, §1º da Lei nº 9298/98, manifesta seu entendimento que, ante o fato da inflação dificilmente ultrapassar a marca de 1% ao mês e por analogia aos dispositivos citados, o percentual máximo para aplicação da multa deveria ser de 2% ao mês. Fl. 830DF CARF MF Processo nº 19515.001126/200461 Resolução nº 1202000.150 S1C2T2 Fl. 831 4 Ainda, invoca o direito à não incidência da Cofins conferida pela Lei Complementar nº 70/91, artigo 6º, II, tendo em vista que é uma sociedade civil contida no art. 1º do Decreto – Lei nº 2.397/87. Afirma que tem condições para fruir do benefício, eis que segundo o aludido decreto, devem ser apresentados de maneira cumulativa os seguintes requisitos: ser sociedade constituída exclusivamente por pessoas físicas domiciliadas no Brasil; ter por objetivo a prestação de serviço profissional relativo ao exercício de profissão legalmente regulamentada; e esteja registrada no Registro Civil das Pessoas Jurídicas. Colaciona jurisprudência que entende ser aplicável ao caso concreto, citando, no mesmo sentido, a Súmula 276 do STJ. Em acréscimo, invoca a impossibilidade de Lei Ordinária (no caso, o artigo 56 da Lei nº 9430/96) revogar Lei Complementar, por ofensa ao princípio da hierarquia das leis. Junta jurisprudência que entende amparar seu entendimento. Invoca por fim, a nulidade do lançamento, informando que, para que este possa constituir o crédito, deve ser líquido, certo e exigível, apresentando expressamente os critérios da regra matriz de incidência tributária. Ainda, lastreado pelos termos do artigo 142 do CTN, diz ser obrigação da autoridade fiscal calcular o montante do tributo devido, e que, em seu entender, a inclusão de valores ilegais e indevidos na constituição do crédito tributário, torna nulo todo o lançamento. Assim, requer, ante todas as situações expostas, a desconstituição do lançamento, e , pugna pela produção de provas orais, inclusive com a oitiva de testemunhas e a realização de perícia contábil, necessária ante o montante dos valores exigidos e em descompasso com os sinais de riqueza. Ao julgar o feito, a 1ª Turma da DRJ/STM, no Acórdão nº 189.345 (fls. 754/ 771) decidiu pela manutenção dos lançamentos. Analisando a preliminar de nulidade dos autos de infração, entende que os argumentos apresentados não podem ser aceitos. Informa que, no texto constitucional, estão inseridos o principio do contraditório, da ampla defesa e do devido processo legal, no artigo 5º, LIV e LV. Na legislação da administração tributária, o CTN estabeleceu as normas iniciais, especialmente em relação aos artigos 142, 145 e 149, sendo confirmados pelos termos do Decreto nº 70.235/72, que estabelece os meios e modos do julgamento administrativo e em seu artigo 59, identifica o cerceamento de defesa como uma das hipóteses de nulidade do lançamento. Informa que é a partir da constituição do crédito tributário que a lei faculta ao sujeito passivo a acessibilidade aos autos, sendo que a fase preliminar da investigação fiscal possui natureza inquisitorial não se sujeitando à garantia do contraditório e da ampla defesa. Fl. 831DF CARF MF Processo nº 19515.001126/200461 Resolução nº 1202000.150 S1C2T2 Fl. 832 5 Em seu entender, nenhuma das hipóteses trazidas pela impugnante se enquadram na previsão de nulidade do lançamento, sendo que as autuações foram feitas de acordo com as formalidades legais exigidas, consoante artigo 10 do Decreto nº 70.235/72. Em acréscimo, informa que o processo administrativo permaneceu durante o prazo regulamentar, no órgão local da Receita Federal do domicílio fiscal do autuado, disponível para vista e obtenção de cópias e certidões que se fizessem necessárias. Por todo o exposto, não há de se falar em nulidade dos autos de infração. Em relação às provas solicitadas, a saber, perícia contábil, prova oral e oitiva de testemunhas, informa que para a realização das perícias, devese observar o artigo 16, IV do Decreto nº 70.235/72, considerandose não formulado o pedido, ante a inobservância do disposto nesse normativo. No que tange as provas orais e testemunhais, entende que estas não são necessárias eis que as peças constantes dos autos são suficientes para a apreciação do litígio. Acresce a este fato a informação de que a juntada de provas tem como prazo máximo, sob pena de preclusão, respeitados os termos do artigo 16, §4º do Decreto nº 70.235/72. Em relação ao mérito, informa que o centro do litígio reside na omissão de receitas decorrentes de depósitos bancários não comprovados, consubstanciandose o lançamento, a título de IRPJ , no artigo 42 da Lei nº 9430/96. Segundo os termos legais, ocorrida a situação fática – “créditos/depósitos em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais a pessoa jurídica não comprove a origem dos recursos utilizados nessas operações” – nasce a presunção legal em relação ao fato, afastável por meio de prova de responsabilidade da contribuinte. Informa que o dispositivo inverte o ônus da prova, autorizando o fisco a presumir a ocorrência do fato gerador, cabendo à contribuinte afastar a imputação com a comprovação da origem dos recursos. Demonstrado no caso concreto a existência dos fatos presumidos, não há transgressão ao princípio da verdade material, não sendo exigido neste ponto sinal exterior de riqueza ou acréscimo patrimonial que corroborem a imputação para se exigir o crédito tributário. Na hipótese, apenas parte dos valores a que fora incitada a demonstrar a origem, foram comprovados. Assim, tem a autoridade o poder/dever de considerar os valores não comprovados como receitas tributáveis omitidas nas declarações anuais, efetuando assim o correspondente lançamento do imposto e contribuições reflexas, por fruto da vinculação legal e do principio da legalidade que rege a ação da autoridade administrativa. Neste ponto, informa que não são os depósitos bancários que estão sendo tributados, mas sim a omissão de rendimentos por estes representados. Em um primeiro momento, tais depósitos seriam indícios da existência de omissão de rendimentos, que, sem os esclarecimentos necessários, são oferecidos à tributação, sendo cabível a manutenção do lançamento. Junta jurisprudência administrativa que entende aplicável á espécie. Em relação aos juros moratórios, informa que o cálculo com base na taxa SELIC decorre de lei, estando vinculado o agente administrativo e o julgador. Informa que não cabe a Fl. 832DF CARF MF Processo nº 19515.001126/200461 Resolução nº 1202000.150 S1C2T2 Fl. 833 6 apreciação de ilegalidade ou inconstitucionalidade de leis na esfera administrativa, sob pena de se extrapolar a competência desta. No que tange à limitação dos juros de mora a 12% a.a, informa que o Poder Judiciário tem firmado o entendimento de que referida norma, insculpida no §3º do artigo 192, era norma de eficácia limitada, até a revogação do dispositivo por meio da Emenda Constitucional nº 40/03. Prossegue, ensinando que não ocorreu na hipótese capitalização dos juros, vez que “a forma de sua incidência, de acordo com os dispositivos legais constantes dos autos “acumulada mensalmente” referese à soma (e não à capitalização) da taxa de um mês com a taxa do mês seguinte, estando a peça fiscal em perfeita consonância com a legislação vigente”. Decide então pela manutenção do lançamento dos juros de mora. Em relação ao aludido caráter confiscatório da multa de oficio, citando o Parecer Normativo CST nº 61/1979, informa que as multas moratórias são inerentes a pagamentos ou recolhimentos do valor devido, extemporaneamente, mas de maneira espontânea e que, as multas punitivas são formalizadas quando do lançamento de oficio, de modo a punir a contribuinte pela ausência de cumprimento de sua obrigação. Assim, iniciado a ação fiscal, sujeitase à contribuinte às penalidades próprias do procedimento de oficio, inclusive à multa de oficio. Exatamente assim, e amparado pelo dispositivo legal citado nos autos, fora constituída a multa de oficio, no patamar de 75%. Entende que não há de se falar em confisco com a exigência de multa neste percentual, sendo de obrigação do agente sua aplicação se houver subsunção legal. Em acréscimo, aduz que a vedação constitucional existente é em relação à utilização de tributo com efeito confiscatório, não se impondo à multa por atos ilícitos, sendo ainda tal comando dirigido ao legislador e não ao agente aplicador da lei. Também não guarda amparo o pedido de limitação do percentual da multa a 2%, nos termos do Código de Defesa do Consumidor, eis que referida lei não consta do rol de leis tributárias, sendo inaplicável nesta relação. Desta feita, cabível e adequado o lançamento da multa de oficio. Com relação aos lançamentos reflexos (PIS, CSLL e Cofins), aduz que idêntico tratamento dado ao tributo principal deve ser a eles aplicados. Ao analisar o questionamento do beneficio de isenção da Cofins, nos termos do artigo 56 da Lei nº 9430/96, argumentando que não é possível que uma lei ordinária (9430/96) revogar dispositivos de Lei Complementar (LC n. 70/91, art. 6º, II). Assim, o cerne da discussão é a aplicação de matéria que envolve a aplicação de legislação considerada inconstitucional. Tal situação não pode ser apreciada em sede administrativa e ainda a contribuinte não é parte integrante nas lides, portanto, não pode usufruir dos efeitos da sentença consoante artigo 472 do CPC. Ainda, temse a Sumula 276 do STJ que não guarda relação com a revogação da isenção discutida (já que matéria de competência exclusiva do STF), sendo possível a Fl. 833DF CARF MF Processo nº 19515.001126/200461 Resolução nº 1202000.150 S1C2T2 Fl. 834 7 utilização da Lei nº 9430/96 para revogar isenção trazida com a LC 70/91. Junta ementa de decisão proferida pelo STF neste sentido. Desta feita, sendo regular a tributação da Cofins, não há como considerar indevidos os lançamentos. Indefere o pedido de requerimento de endereçamento de intimações para os mandatários da contribuinte, ante as disposições contidas no artigo 23, II do Decreto nº 70.235/72. Assim, esta é a conclusão final, transcrita do corpo do acórdão do voto recorrido: “Conclusões lançamentos do IRPJ, PIS, COFINS e CSLL Diante do exposto, voto no sentido de: 1. Rejeitar a preliminar de nulidade dos autos de infração, considerar não formulado o pedido de perícia contábil e desnecessárias provas orais e oitiva de testemunhas, pois as peças constantes dos autos são suficientes para apreciação do litígio. 2. Julgar procedentes os lançamentos do IRPJ, PIS, COFINS e da CSLL, acrescidos da multa de oficio de 75% e dos juros de mora regulamentares.” A contribuinte foi intimada por edital, considerado como início do prazo a data de 27 de outubro de 2008, apresentou Recurso Voluntário em 30 de outubro do mesmo ano(fls.789/817), reiterando suas alegações. É o relatório. Voto O recurso voluntário é tempestivo e dotado dos pressupostos para sua admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. A matéria aqui discutida trata de exigência de IRPJ, CSLL, COFINS e contribuição ao PIS com base em omissão de receitas verificada com base em movimentações financeiras da contribuinte. Na análise do mérito, contudo, deparase com uma questão prejudicial ao julgamento, pois a recorrente invoca que, como é sociedade civil, não é cabível a cobrança de COFINS nos termos da Lei Complementar nº 70/1991, uma vez que não houve revogação dessa pela Lei nº 9430/1996. Em busca no sítio do Supremo Tribunal Federal, verificase que a constitucionalidade da revogação da Lei Complementar nº 70/1991 pela Lei nº 9430/1996 está sendo examinada em sede do Recurso Extraordinário – RE nº 575.093. O RE teve sua repercussão geral reconhecida em 24 de abril de 2008, pelo plenário virtual, consoante consulta feita no sítio do STF na internet, Tema 71, onde se registra que o processo ainda aguarda julgamento do mérito. Fl. 834DF CARF MF Processo nº 19515.001126/200461 Resolução nº 1202000.150 S1C2T2 Fl. 835 8 Como se trata de matéria com repercussão geral reconhecida, o Regimento Interno do STF RISTF, em seu art. 328, abaixo reproduzido, determina que todos os demais recursos extraordinários, com questão idêntica, sejam sobrestados, até que o Supremo Tribunal Federal decida os que tenham sido selecionados como representativos da causa, a saber: “Art. 328. Protocolado ou distribuído recurso cuja questão for suscetível de reproduzirse em múltiplos feitos, a Presidência do Tribunal ou o(a) Relator(a), de ofício ou a requerimento da parte interessada, comunicará o fato aos tribunais ou turmas de juizado especial, a fim de que observem o disposto no art. 543B do Código de Processo Civil, podendo pedirlhes informações, que deverão ser prestadas em cinco dias, e sobrestar todas as demais causas com questão idêntica. Parágrafo único. Quando se verificar subida ou distribuição de múltiplos recursos com fundamento em idêntica controvérsia, a Presidência do Tribunal ou o(a) Relator(a) selecionará um ou mais representativos da questão e determinará a devolução dos demais aos tribunais ou turmas de juizado especial de origem, para aplicação dos parágrafos do art. 543B do Código de Processo Civil. Art. 328A. Nos casos previstos no art. 543B, caput, do Código de Processo Civil, o Tribunal de origem não emitirá juízo de admissibilidade sobre os recursos extraordinários já sobrestados, nem sobre os que venham a ser interpostos, até que o Supremo Tribunal Federal decida os que tenham sido selecionados nos termos do § 1° daquele artigo.” (destacamos) Assim, parecenos razoável e prudente aguardar a decisão da E. Suprema Corte acerca da constitucionalidade da revogação da Lei Complementar pela lei ordinária, evitando se, assim, que mais adiante, a defesa alegue a anulação do lançamento por decisão do mérito. Adicionalmente, temos o artigo 62A, §1° do RICARF (Portaria MF n° 256, de 22 de Junho de 2009 e alterações), que estabelece o sobrestamento dos julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria: “Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes."(AC) Visando regulamentar aquele dispositivo, a Portaria CARF nº 1, de 3/01/2012, determina que o procedimento de sobrestamento “somente será aplicado a casos em que tiver Fl. 835DF CARF MF Processo nº 19515.001126/200461 Resolução nº 1202000.150 S1C2T2 Fl. 836 9 comprovadamente sido determinado pelo Supremo Tribunal Federal – STF o sobrestamento de processos relativos à matéria recorrida, independentemente da existência de repercussão geral reconhecida para o caso” (art. 1º, parágrafo único), cabendo ao relator do processo identificar, de ofício ou por provocação das partes, se o caso concreto se enquadra, em tese, na hipótese de sobrestamento (art. 2º). Diante dessas considerações, verificando a prejudicialidade entre a matéria tratada nestes autos e aquela reconhecida como de repercussão geral, temos a propositura da conversão do julgamento em sobrestamento, até que seja proferia decisão nos autos do Recurso Extraordinário RE nº 575.093 em trâmite perante o E. Supremo Tribunal Federal. (documento assinado digitalmente) Nereida de Miranda Finamore Horta relatora Fl. 836DF CARF MF
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Numero do processo: 13502.000434/2005-13
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Nov 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004
INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA. INSUMOS. CONCEITO.
O conceito de insumos, no contexto das contribuições não-cumulativas, deve ser interpretado à luz dos critérios da essencialidade e relevância do bem ou serviço, aferidos em face da sua estreita relação com o processo produtivo ou de prestação de serviços realizados pelo contribuinte. Em outras palavras, o conceito de insumos pressupõe o consumo de bens ou serviços no contexto do processo produtivo, excluindo-se, de tal conceito, as despesas que não tenham pertinência com o processo produtivo - salvo exceções legais explícitas.
CORREIAS E HIDRÓXIDO DE SÓDIO. UTILIZADOS DIRETAMENTE E ESSENCIAIS AO PROCESSO PRODUTIVO. DIREITO AO CRÉDITO.
Estão dentro do conceito de insumos, no regime da não-cumulatividade das contribuições sociais, as correias de reposição e o hidróxido de sódio utilizado para tratamento da água que retorna ao processo produtivo. Desse modo, os gastos com tais itens gera direito ao crédito de PIS/COFINS.
MERCADORIAS IMPORTADAS. SERVIÇOS PORTUÁRIOS DIVERSOS. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
No caso de bem importado utilizado como insumo, o crédito se dá com base no regime estabelecido pelo art. 15 da Lei nº 10.865/2004, não sendo aplicável o regime de creditamento previsto no art. 3º das Leis nºs 10.833/2003 e 10.637/2002. Como consequência, também não se aplicam aos serviços vinculados aos bens importados - como custo de aquisição daqueles bens - o regime de crédito das Leis nºs 10.833/2003 e 10.637/2002.
Por falta de previsão legal, incabível o creditamento das despesas relativas aos serviços de armazenagem (internação de matéria-prima), movimentação e demais serviços portuários. Os gastos com tais serviços não integram a base de cálculo, estabelecida em lei, do crédito das contribuições na importação, de maneira que resta vedado seu creditamento.
Ademais, não se vislumbraria a possibilidade de creditamento dos gastos com serviços de internação e portuários em geral, sob o argumento de que seriam despesas atinentes a serviços que representariam insumo, uma vez que tais dispêndios são incorridos antes do processo produtivo, faltando-lhes a necessária relação de pertinência com a produção: em suma, não se subsomem ao conceito de insumos.
EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA DA RECORRENTE.
No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, recai sobre o contribuinte o ônus da comprovação precisa e minuciosa do direito alegado. No específico caso de direito creditório decorrente de despesas com insumos ou quaisquer outras previstas em lei - tais como encargos de depreciação, aluguéis de máquinas, etc. -, a comprovação do crédito compreende a demonstração da essencialidade e relevância do bem ou serviço (alegado como insumo ou como passível de creditametno) ao processo produtivo, a apresentação dos registros contábil-fiscais, com a devida escrituração das despesas, e a apresentação de todos os documentos necessários que suportam a escrituração contábil-fiscal.
BENS RECEBIDOS EM DEVOLUÇÃO. CRÉDITO PRESUMIDO DE COFINS. LEI Nº. 10.833/03. FORMA DE UTILIZAÇÃO.
Conforme o art. 12 da Lei nº. 10.833/03, os bens recebidos em devolução, tributados antes do início da aplicação daquela lei, serão considerados integrantes do estoque de abertura, dando direito a crédito presumido de COFINS. O montante deste crédito será calculado com a aplicação da alíquota de 3% (regime cumulativo) sobre o valor do estoque e sua utilização se dará a partir da data da devolução dos bens, em doze parcelas mensais, iguais e sucessivas.
Numero da decisão: 3003-000.644
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, revertendo-se as glosas atinentes aos gastos com correias para equipamentos da produção e transporte de produtos - e hidróxido de sódio.
(documento assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Vinícius Guimarães - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Antonio Borges (presidente da turma), Márcio Robson Costa, Vinícius Guimarães. Ausente o Conselheiro Müller Nonato Cavalcanti Silva.
Nome do relator: VINICIUS GUIMARAES
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA. INSUMOS. CONCEITO. O conceito de insumos, no contexto das contribuições não-cumulativas, deve ser interpretado à luz dos critérios da essencialidade e relevância do bem ou serviço, aferidos em face da sua estreita relação com o processo produtivo ou de prestação de serviços realizados pelo contribuinte. Em outras palavras, o conceito de insumos pressupõe o consumo de bens ou serviços no contexto do processo produtivo, excluindo-se, de tal conceito, as despesas que não tenham pertinência com o processo produtivo - salvo exceções legais explícitas. CORREIAS E HIDRÓXIDO DE SÓDIO. UTILIZADOS DIRETAMENTE E ESSENCIAIS AO PROCESSO PRODUTIVO. DIREITO AO CRÉDITO. Estão dentro do conceito de insumos, no regime da não-cumulatividade das contribuições sociais, as correias de reposição e o hidróxido de sódio utilizado para tratamento da água que retorna ao processo produtivo. Desse modo, os gastos com tais itens gera direito ao crédito de PIS/COFINS. MERCADORIAS IMPORTADAS. SERVIÇOS PORTUÁRIOS DIVERSOS. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. No caso de bem importado utilizado como insumo, o crédito se dá com base no regime estabelecido pelo art. 15 da Lei nº 10.865/2004, não sendo aplicável o regime de creditamento previsto no art. 3º das Leis nºs 10.833/2003 e 10.637/2002. Como consequência, também não se aplicam aos serviços vinculados aos bens importados - como custo de aquisição daqueles bens - o regime de crédito das Leis nºs 10.833/2003 e 10.637/2002. Por falta de previsão legal, incabível o creditamento das despesas relativas aos serviços de armazenagem (“internação” de matéria-prima”), movimentação e demais serviços portuários. Os gastos com tais serviços não integram a base de cálculo, estabelecida em lei, do crédito das contribuições na importação, de maneira que resta vedado seu creditamento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 2. 00 04 34 /2 00 5- 13 Fl. 1483DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3003-000.644 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13502.000434/2005-13 Ademais, não se vislumbraria a possibilidade de creditamento dos gastos com serviços de internação e portuários em geral, sob o argumento de que seriam despesas atinentes a serviços que representariam insumo, uma vez que tais dispêndios são incorridos antes do processo produtivo, faltando-lhes a necessária relação de pertinência com a produção: em suma, não se subsomem ao conceito de insumos. EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA DA RECORRENTE. No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, recai sobre o contribuinte o ônus da comprovação precisa e minuciosa do direito alegado. No específico caso de direito creditório decorrente de despesas com insumos ou quaisquer outras previstas em lei - tais como encargos de depreciação, aluguéis de máquinas, etc. -, a comprovação do crédito compreende a demonstração da essencialidade e relevância do bem ou serviço (alegado como insumo ou como passível de creditametno) ao processo produtivo, a apresentação dos registros contábil-fiscais, com a devida escrituração das despesas, e a apresentação de todos os documentos necessários que suportam a escrituração contábil-fiscal. BENS RECEBIDOS EM DEVOLUÇÃO. CRÉDITO PRESUMIDO DE COFINS. LEI Nº. 10.833/03. FORMA DE UTILIZAÇÃO. Conforme o art. 12 da Lei nº. 10.833/03, os bens recebidos em devolução, tributados antes do início da aplicação daquela lei, serão considerados integrantes do estoque de abertura, dando direito a crédito presumido de COFINS. O montante deste crédito será calculado com a aplicação da alíquota de 3% (regime cumulativo) sobre o valor do estoque e sua utilização se dará a partir da data da devolução dos bens, em doze parcelas mensais, iguais e sucessivas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, revertendo-se as glosas atinentes aos gastos com correias – para equipamentos da produção e transporte de produtos - e hidróxido de sódio. (documento assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Presidente (documento assinado digitalmente) Vinícius Guimarães - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Antonio Borges (presidente da turma), Márcio Robson Costa, Vinícius Guimarães. Ausente o Conselheiro Müller Nonato Cavalcanti Silva. Fl. 1484DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3003-000.644 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13502.000434/2005-13 Relatório Por bem retratar os fatos, transcrevo o relatório do acórdão recorrido: Trata-se de Manifestação de Inconformidade (fls. 553/565) contra o Despacho Decisório n° 0122/2009 (fls. 531/533), que aprovou o Parecer SARAC/DRF/CCI n° 403/2009 (fls. 511/524), proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Camaçari (DRF/CCI). O direito creditório em discussão se origina de pedido de ressarcimento de crédito da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — Cofins apurado no regime não-cumulativo relativo ao 3º. trimestre de 2004, no valor de R$ 345.648,09, utilizado pela interessada para compensar débitos próprios (declarações de compensação as folhas 12/178). A autoridade fiscal, após análise dos documentos entregues pela contribuinte (fls. 252/396 e 408/506) em resposta as intimações SARAC/DRF/CCI n° 620/2009 (fls. 248/251), n° 1024/2009 (fls. 399/405) e n° 1033/2009 (fls. 406/407), e após consultas as folhas 183/229, deferiu parcialmente o direito creditório, no valor de R$ 285.556,56, e homologou parcialmente a compensação declarada. Foi determinada, também, a cobrança imediata do débito em que restou caracterizado excesso de compensação, conforme cálculos as folhas 230/241. Cientificada do despacho decisório em 11/12/2009, conforme Aviso de Recebimento a folha 543, a interessada em 12/01/2010 apresenta Manifestação de Inconformidade (fls. 553/565), sendo esses os pontos de sua irresignação, em síntese: 1. No caso do PIS e da Cofins, a não cumulatividade se opera mediante o "Método Indireto Substrativo", que consiste em conceder crédito calculado mediante aplicação da alíquota sobre as aquisições de bens e serviços, sistemática inteiramente diversa daquela estabelecida para o ICMS e o IPI, em que a não cumulatividade se opera, por expressa previsão constitucional, compensando-se o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas operações anteriores; 2. O pressuposto do referido método é que o custo, despesa ou encargo que gera o direito ao crédito atual, na etapa anterior fora uma receita de pessoa jurídica domiciliada no Pais, supostamente submetida a tais contribuições, e assim o débito calculado sobre todas as receitas tributáveis pelo PIS e pela Cofins na operação atual é confrontado com o crédito calculado sobre todos os custos, despesas ou encargos necessários à obtenção daquelas receitas; 3. Desta forma, os créditos não guardam qualquer relação com o que foi cobrado na operação anterior, como ocorre no ICMS e no IPI, pois cada operação é vista autonomamente, tendo em vista a própria natureza dos tributos, pois enquanto o ICMS e o IPI são tributos indiretos, o PIS e a Cofins são tributos diretos; 4. Quanto aos créditos sobre "Bens utilizados como insumos", o Despacho Decisório ora guerreado utiliza-se de equivocado conceito de insumo esculpido na Instrução Normativa n° 404, de 2004, que analogicamente adotou conceitos relativos à não cumulatividade do IPI, restringindo, sem qualquer base legal, o direito creditório do contribuinte; 5. O conceito de insumo, no sentido de tratar-se de bem que deve ser consumido em decorrência de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, foi devidamente rechaçado pela própria COSIT, que afirmou, em mais de uma oportunidade, que basta o bem estar relacionado ao processo produtivo para ser caracterizado como insumo, conforme Soluções de Divergência e de Consulta que transcreve, firmando-se o entendimento de que insumo é todo custo ou despesa aplicado direta e indiretamente no processo produtivo de determinada mercadoria ou serviço, independentemente de existir ou não o desgaste em razão do contato direto com o produto em fabricação; 6. No caso concreto dos autos, conforme comprovam a Descrição do Processo Produtivo (fl. 367) e o Laudo Técnico (fls. 568/569), os quatro itens glosados pelo despacho decisório — correias, lona agrícola, hidróxido de sódio (soda cáustica) e Fl. 1485DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3003-000.644 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13502.000434/2005-13 gás natural — são, inequivocamente, aplicados no processo produtivo da manifestante; 7. As correias são utilizadas para acionamento de equipamentos utilizados na produção ou para o transporte de produto ao longo do processo produtivo, desgastando-se, inclusive, em razão do atrito com o próprio produto produzido; 8. A lona agrícola, por sua vez, é utilizada para armazenagem do produto, enquanto que o hidróxido de sódio é utilizado para neutralizar o efluente, adicionado à água que sai do processo e a ele retorna após a filtração; 9. Quanto ao gás natural, é utilizado em substituição à energia elétrica para queima na caldeira e na fornalha; 10. Logo, todos os itens glosados como não sendo insumos estão intimamente ligados ao processo de produção da empresa, sendo inequívoco o direito creditório da contribuinte, requerendo desde já a realização de diligência ou perícia, indicando a sua perita e formulando quesitos que entende necessários à solução do litígio; 11. No que tange aos serviços utilizados como insumos, item 20 do Parecer SARAC/DRF/CCI n° 403/2009, equivocou-se o despacho decisório ao glosar a totalidade dos créditos apropriados pela manifestante, pois a própria autoridade fiscal reconhece que tais serviços, de armazenagem, pesagem e movimentação, são tomados em face da aquisição de matérias primas importadas, compondo, portanto, o custo relativo produção, assim considerado todos os gastos com a aquisição de bens e serviços para a produção daqueles bens e serviços que serão postos a venda pela companhia, devendo ser reconhecida a integralidade do crédito da contribuinte em obediência ao inciso II do art. 3° da Lei n° 10.833, de 2003; 12. Quanto à alegação de que parte das notas fiscais relativas aos serviços é de período anterior à edição do artigo 16 da Lei n° 11.116, de 2005, e por isso não fariam jus ao crédito da Cofins, destaca a interessada que a manutenção de créditos do PIS e da Cofins é inerente ao próprio sistema da não-cumulatividade, direito assegurado desde o inicio da adoção desta sistemática, consoante expressa disposição do § 4° do artigo 3° da Lei n° 10.833, de 2003, prevendo-se que os créditos não aproveitados em determinado mês poderão ser utilizados nos meses subseqüentes, sem qualquer condição para essa manutenção e utilização; 13. Neste sentido, o legislador editou o artigo 17 da Lei n° 11.033, de 2004, visando dirimir eventuais conflitos a respeito da regra de manutenção e utilização do saldo credor mensal nas hipótese mencionadas; 14. Se nem mesmo a não tributação da receita pelo PIS e Cofins impede a manutenção do crédito, é porque esta manutenção constitui regra do sistema da não cumulatividade, e o artigo 16 da Lei n° 11.116, de 2005, é meramente interpretativo e não concessivo da manutenção dos créditos, que se constituem em direito incondicional do contribuinte, conforme asseverado pelo próprio legislador na exposição de motivos; 15. Em relação aos créditos sobre despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos locados de pessoa jurídica, glosados no despacho decisório sob o argumento de que a contribuinte não apresentou comprovantes fiscais das respectivas despesas, a manifestante anexa cópia do balancete contábil do mês de agosto/2004 (fl. 571), devidamente assinada pelo contador da empresa, onde constam os valores das contas contábeis que comprovam os gastos sob tal rubrica; 16. Quanto aos créditos apropriados no mês de setembro/2004 relativos a encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado, não reconhecidos sob o argumento de que a contribuinte não apresentou demonstrativo com os valores informados no DACON, a manifestante também anexa à folha 573 cópia da composição dos bens do ativo imobilizado na produção, devendo ser reformado o despacho decisório; 17. Por fim, no que concerne à glosa do crédito relativo à devolução de mercadoria, sob o argumento de que, por se tratar de negócio realizado anteriormente à incidência não-cumulativa da contribuição, deveria ser considerado como crédito do estoque de abertura, de fato trata-se de equivoco cometido pela contribuinte, mas que em hipótese alguma afasta seu direito creditório, pois mesmo considerando o crédito como relativo ao estoque de abertura, uma vez ocorrida a devolução da Fl. 1486DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3003-000.644 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13502.000434/2005-13 mercadoria em 20/09/2004, em setembro/2004 a contribuinte já faria jus a 8/12 do crédito litigado; 18. Assim, requer que seja reconhecido integralmente seu direito creditório com a conseqüente homologação da compensação. No que tange ao débito em que restou caracterizado o excesso de compensação, tendo em vista a não adoção de qualquer providência por parte da contribuinte, o crédito tributário foi transferido para processo n° 13502.720044/2010-21, conforme despacho às folhas 575/576 e Termo de Transferência à folha 588. A 4ª Turma da DRJ em Salvador julgou parcialmente procedente a manifestação de inconformidade, nos termos da seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITOS. INSUMOS. Somente geram créditos da Cofins as despesas com matéria-prima, produto intermediário, material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. O termo "insumo" não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para a atividade da empresa, mas, sim, tão somente aqueles, adquiridos de pessoa jurídica, que efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço da atividade. CRÉDITO. SERVIÇOS DE ARMAZENAGEM, PESAGEM E MOVIMENTAÇÃO DE MATÉRIAS PRIMAS IMPORTADAS. Inadmissível a apropriação de créditos da Cofins relativamente aos pagamentos de serviços de armazenagem, pesagem e movimentação de matérias primas importadas, visto que não aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço da atividade. MANUTENÇÃO DO CRÉDITO. ISENÇÃO. ALÍQUOTA ZERO. Somente a partir de 09 de agosto de 2004 ficou estabelecido que as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não-incidência da Cofins não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, no qual reafirma as alegações apresentada na manifestação de inconformidade, sustentando que deve ser afastado o conceito de insumos assumido pela decisão recorrida. Postula, em síntese, pelo reconhecimento do direito creditório (i) decorrente da aquisição de correias, lona plástica e hidróxido de sódio, uma vez que tais itens estaria intimamente ligados ao processo produtivo da empresa; (ii) atinente aos gastos com serviços de armazenagem, pesagem e movimentação de matérias-primas importadas, uma vez que tais dispêndios representariam custo de produção – dado que estariam relacionados à aquisição de matéria-prima -, impondo-se o reconhecimento da integralidade dos créditos, por força do inciso II do artigo 3° da Lei n° 10.833/03; (iii) relativo às despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos locados de pessoa jurídica; (iv) com relação aos encargos de depreciação do ativo imobilizado; (v) decorrente de devolução de mercadoria. É o relatório. Fl. 1487DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 3003-000.644 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13502.000434/2005-13 Voto Conselheiro Vinícius Guimarães, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos e requisitos de admissibilidade para julgamento por esta Turma. A controvérsia se restringe à questão de saber se geram créditos, no regime da não-cumulatividade do PIS/COFINS, as aquisições de bens como correias, lona plástica e hidróxido de sódio, e serviços de armazenagem, pesagem e movimentação de matérias-primas importadas. Antes de analisar cada dispêndio, faz-se necessário tecer algumas considerações importantes sobre o conceito de insumos. I - Do conceito de insumos Inicialmente, importa destacar que, no tocante ao conceito de insumos aplicável às contribuições apuradas no regime da não-cumulatividade, a jurisprudência do CARF tem, nos últimos anos, afastado, por um lado, a interpretação restritiva consolidada no âmbito do IPI e, por outro, rejeitado a aplicação do amplo conceito de insumos consagrado na legislação do Imposto sobre a Renda. Nesse contexto, afastando as correntes doutrinárias tradicionais, a jurisprudência majoritária do CARF tem entendido que o conceito de insumos, no âmbito do PIS/COFINS não- cumulativos, pressupõe que os bens ou serviços sejam consumidos durante o processo produtivo (ou de prestação de serviços) e dentro de seu espaço, salvo expressas disposições legais, como é o caso das despesas com frete e armazenagem nas operações de comercialização, as quais se dão após o término do processo produtivo, mas geram direito a crédito de PIS/COFINS por inequívoca previsão normativa: art. 3º, inciso IX, e art. 15, inciso II, ambos da Lei 10.833/03. Segundo tal jurisprudência dominante, o conceito de insumos pressupõe a relação de pertinência ou inerência da despesa incorrida com o limite espaço-temporal do processo produtivo (ou de prestação de serviços). Na esteira de tal entendimento, os excertos da ementa e do voto vencedor do Acórdão nº 9303-002.659, Processo nº 13204.000070/200455, sessão de 14/11/2013, da Câmara Superior de Recursos Fiscais, transcritos abaixo, sublinham a necessidade de pertinência entre o gasto - ao qual se busca aplicar o conceito de insumos - e sua inerência ao processo produtivo (grifei algumas partes): EMENTA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/06/2004 a 30/06/2004 COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. Este colegiado fixou o entendimento de que a legislação do IPI que define, no âmbito daquele imposto, o que são matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem não se presta à definição de insumo no âmbito do PIS e da COFINS não- cumulativos, definição que tampouco deve ser buscada na legislação oriunda do imposto de renda. A corrente majoritária sustenta que insumos são todos os itens, inclusive serviços, consumidos durante o processo produtivo sem a necessidade de contato físico com o produto em elaboração. Mas apenas se enquadra como tal aquilo que se consuma durante a produção e em razão dessa produção. Assim, nada que se consuma antes de iniciado o processo ou depois que ele se tenha acabado é insumo, assim como Fl. 1488DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 3003-000.644 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13502.000434/2005-13 também não são insumos bens e serviços que beneficiarão a empresa ao longo de vários ciclos produtivos, os quais devem ser depreciados ou amortizados; é a correspondente despesa de depreciação ou amortização, quando expressamente autorizada, que gera direito de crédito. Recurso Especial do Procurador Negado e Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte. VOTO CONDUTOR (...)Para uma primeira corrente, que se formou concomitantemente à que a Fazenda mais uma vez pretende seja aplicada, e em antítese a ela, a demarcação devia-se buscar nas normas atinentes ao imposto sobre a renda, equiparando-se, assim, a expressão a tudo que fosse despendido, de forma necessária, seja como custo ou despesa. Essa posição também já se encontra superada, entendendo a maioria que nem tudo que é despendido, ainda que contabilmente até possa ser registrado como custo ou despesa, é verdadeiramente consumido no processo. Essa posição majoritária, portanto, acentua a necessidade de que o consumo ocorra durante a produção, isto é, que o bem (ou serviço) seja consumido enquanto perdura o processo produtivo, entendido este, obviamente, em sentido amplo para englobar até mesmo a “produção” de serviços. Afastam-se, em conseqüência, os gastos ocorridos antes ou depois de iniciado aquele processo por mais que possam ser necessários à produção. E por esse mesmo critério também têm de ser rejeitados aqueles dispêndios em bens e serviços que produzirão efeito ao longo de diversos ciclos produtivos. Tais desembolsos ocorrem, no mais das vezes, em obras ou bens permanentes, hipótese em que devem, pela própria contabilidade, ser ativados. Deles apenas as correspondentes despesas de depreciação ou amortização podem ser deduzidas como créditos, mas apenas nas restritivas condições demarcadas pela própria norma legal específica. (...)Vale, por fim, o registro de que a própria lei expressamente autorizou o direito de crédito com relação a algumas despesas que ocorrem após o fim do processo (frete do produto final, armazenagem) ou relativas a gastos que beneficiam mais de um ciclo produtivo (depreciações e amortizações). Sua inclusão explícita confirma que em tais casos de insumos propriamente não se trata, sendo imprescindível a expressa referência no texto legal. Como se vê, o conceito de insumos exige o consumo de bens ou serviços no contexto do processo produtivo, excluindo-se, de tal conceito, as despesas que não tenham pertinência com o processo produtivo - salvo exceções legais explícitas. Em que pese o conceito de insumo sustentado, nos últimos anos, pela corrente majoritária do CARF, há que se assinalar que tal matéria foi levada ao Poder Judiciário e, em decisão recente, o Superior Tribunal de Justiça, sob julgamento no rito do art. 543-C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentou que o conceito de insumos no âmbito das contribuições não-cumulativas deve se pautar pelos critérios da essencialidade e relevância dos gastos em face à atividade econômica desenvolvida pela empresa. Eis a ementa da decisão: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃO-CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de Fl. 1489DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 3003-000.644 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13502.000434/2005-13 origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individual-EPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de não-cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. (Resp n.º 1.221.170 PR (2010/02091150), Relator Ministro Napoleão Nunes Maia Filho). Do julgamento acima, restou decidido que o conceito de insumos, no âmbito do regime não-cumulativo das contribuições sociais, abarca todos os bens e serviços empregados no processo produtivo ou de prestação de serviços e que sejam essenciais ou relevantes à atividade econômica da empresa, afastando-se, desse modo, aquele conceito restritivo de insumos enunciado pelas IN´s nº 247/2002 e 404/2004. Lembre-se que, na referida decisão, foi adotado, pelo Relator, os fundamentos trazidos no voto da Min. Regina Helena Costa: Demarcadas tais premissas, tem-se que o critério da essencialidade diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço, constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço, ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência. Por sua vez, a relevância, considerada como critério definidor de insumo, é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja pelas singularidades de cada cadeia produtiva (v.g., o papel da água na fabricação de fogos de artifício difere daquele desempenhado na agroindústria), seja por imposição legal (v.g.,equipamento de proteção individual - EPI), distanciando-se, nessa medida, da acepção de pertinência, caracterizada, nos termos propostos, pelo emprego da aquisição na produção ou na execução do serviço Da posição firmada pelo STJ, em especial da leitura de seu voto condutor, exsurge, de forma clara, a necessidade de aferição casuística da aplicação do conceito de insumos a determinado gasto, tendo sempre em vista a atividade desempenhada pelo contribuinte. Em outras palavras, saber se determinado dispêndio integra o conceito de insumos para fins de direito creditório no regime das contribuições não-cumulativas passa pela análise de sua essencialidade ou relevância em face das particularidades da atividade que determinada empresa desempenha. Nesse contexto, a instrução probatória ganha sensível importância, pois, em cada caso e para cada despesa, deverão ser demonstradas a relevância e a essencialidade dos gastos para a atividade empresarial desenvolvida. Em cada caso concreto, a subsunção de um determinado gasto ao conceito de insumos deverá ser pautada pela análise da sua essencialidade e/ou relevância para a atividade produtiva ou de prestação de serviços, levando-se em consideração a natureza da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. É de se aplicar, no presente voto, o conceito de insumos acima esposado. II – Da aquisição de correias, lonas plásticas e hidróxido de sódio Traçados contornos do conceito de insumos no âmbito da não-cumulatividade do PIS/COFINS, é de se recordar que, no caso concreto, os itens cujas glosas de créditos suscitam discussão são: Fl. 1490DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 3003-000.644 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13502.000434/2005-13 · Correias de máquinas e equipamentos e correias para transporte de produtos; . lonas plásticas para cobertura e proteção de produtos; . hidróxido de sódio para tratamento de efluentes. Compulsando os autos, observa-se que a decisão recorrida decidiu manter a glosa dos créditos atinentes às aquisições de correias, lonas plásticas e hidróxido de sódio, tendo, então, confirmado a decisão exarada no Despacho Decisório nº. 0122/2009 (fls. 1075 a 1079) 1 com base no PARECER DRF/CCI/Sarac N.° 403/2009 (fls. 1035 a 1062). Eis alguns excertos do voto condutor do aresto vergastado (grifei partes): Veja-se que as Soluções de Divergência e de Consulta cujas ementas foram transcritas pela manifestante não trazem o entendimento de que basta o bem estar relacionado ao processo produtivo para ser caracterizado como insumo, havendo, sim, a necessidade de tratar-se de bem intrínseco à atividade, aplicado ou consumido na fabricação do produto ou no serviço prestado, e empregado diretamente na produção. (...) Improcede, portanto, a alegação da manifestante de que insumo é todo custo ou despesa aplicado direta e indiretamente no processo produtivo de determinada mercadoria ou serviço, independentemente de existir ou não o desgaste em razão do contato direto com o produto em fabricação. No presente litígio, a própria contribuinte admite que as correias se destinam ao acionamento de equipamentos utilizados na produção ou para o transporte de produto ao longo do processo produtivo, ainda que se desgastem com o seu uso. Igualmente, a lona plástica, conforme admitido, é utilizada para armazenagem do produto, e o hidróxido de sódio utilizado para neutralizar o efluente. Logo, não são matéria prima do produto em fabricação e com ele não entram em contato. Correta, portanto, a autoridade fiscal ao glosar os itens que não se enquadram no conceito de insumos. Como se vê, a decisão recorrida adota o entendimento de que o conceito de insumos pressupõe o desgaste do bem (ou serviço) em razão do contato direto com o produto em fabricação. Nessa linha, o colegiado a quo afasta o direito ao crédito sobre as aquisições de correias, lona plástica e hidróxido de sódio, uma vez que tais itens não se subsumiriam ao conceito de insumos – pois não entrariam em contato direito com o produto em fabricação. O conceito de insumos assumido pelo acórdão recorrido diverge daquele firmado no REsp 1.221.170-PR e adotado neste voto: o conceito de insumos, no contexto do PIS/COFINS não-cumulativos, não exige o desgaste direito do bem (ou serviço) com o produto em fabricação, mas, sim, sua essencialidade ou relevância para o processo produtivo. Pois bem. No caso concreto, importa ter em mente que a recorrente desenvolve atividade de produção de adubos e fertilizantes. Nesse contexto produtivo, entendo que as correias e o hidróxido de sódio representam insumos, sendo essenciais ou relevantes para a consecução da atividade econômica da recorrente. Explico. No caso das correias para transporte de produtos ou para utilização em equipamentos produtivos, resta evidente da descrição à fl. 1149, que tais itens são essenciais para a atividade produtiva desempenhada pela recorrente, ainda que não haja desgaste direto desses itens com os bens em fabricação. Tais itens constituem verdadeiros elementos estruturais do processo produtivo, sem os quais a consecução da atividade produtiva da recorrente restaria substancialmente prejudicada: afetaria o transporte de produtos e sua própria fabricação, com prejuízos evidentes à qualidade e quantidade da produção. No tocante à glosa dos créditos do hidróxido de sódio, é de se lembrar, primeiramente, que a industrialização de adubos e fertilizantes gera efluentes que precisam ser tratados adequadamente, até por questões ambientais. Ademais, no caso concreto, tendo em vista a singularidade da cadeia produtiva da recorrente, observa-se que o tratamento de efluentes, com a utilização do hidróxido de sódio, serve para a neutralização da água que sai do processo produtivo e que a ele retornará, após filtração (vide descrição à fl. 1151): ou seja, o tratamento da água com hidróxido de sódio viabiliza sua reutilização na produção. 1 Neste voto, as referências às folhas processuais seguem a numeração do e-processo. Fl. 1491DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 3003-000.644 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13502.000434/2005-13 Desse modo, seja pela sua relevância para a continuidade do processo produtivo – possibilitando, por exemplo, a reutilização da água -, seja pela necessidade de sua utilização no tratamento de efluentes por imposição ambiental, entendo que o hidróxido de sódio subsome-se ao conceito de insumos para fins de creditamento do PIS/COFINS não-cumulativos. Com relação às lonas plásticas, entendo que não ficou claro, nos autos, qual sua relação com o processo produtivo. Na descrição apresentada pela recorrente (laudo à fl. 1151), consta que a lona é “utilizada para o armazenamento do produto em local aberto”. Não há qualquer descrição – seja no laudo técnico ou no próprio recurso voluntário - que explique, por exemplo, a qual tipo de produto se refere o armazenamento, se se trata de produto acabado, matéria-prima ou qualquer outro material que não tenha qualquer relação com o processo produtivo. Nesse contexto, a recorrente deveria ter apresentado elementos suficientes para demonstrar a utilização da lona plástica no contexto produtivo. Não foi demonstrada, nos autos, a pertinência de tais itens com a produção, razão pela qual entendo que a glosa deve ser mantida quanto aos créditos decorrentes da aquisição dos referidos bens. III – Dos gastos com serviços portuários diversos (armazenagem, movimentação, etc.) Além das glosas tratadas acima, o acórdão recorrido manteve a glosa dos créditos decorrentes de serviços de armazenagem e portuários diversos, uma vez que tais serviços não teriam sido aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação do produto, não preenchendo os requisitos previstos na IN SRF nº. 404/2004. Analisando o PARECER DRF/CCI/Sarac N.° 403/2009 (fls. 1035 a 1061), o recurso voluntário, as notas fiscais apresentadas às fls. 963 a 997 e a resposta do contribuinte à fl. 857, observa-se que os créditos glosados referem-se aos serviços de armazenagem de mercadoria importada (“internação” de matéria-prima) e despesas portuárias em geral, como, por exemplo, utilização da infraestrutura portuária, pesagem e movimentação de mercadorias. A recorrente sustenta que tais serviços representariam custo de produção, uma vez que estariam relacionados à aquisição de matéria-prima utilizada para produção, subsumindo-se, portanto, ao conceito de insumos. Entendo que os gastos com armazenagem e serviços portuários em geral não constituem hipótese de creditamento das contribuições para o PIS/COFINS no regime da não- cumulatividade. Explico. Em relação ao bens adquiridos de pessoa jurídica no exterior – como é o caso de mercadorias importadas -, não se vislumbra hipótese de creditamento segundo o regime estabelecido nos arts. 3ºs das Leis nºs 10.833/2003 e 10.637/2002, em face da restrição contida no §3º, I, daqueles artigos: § 3º O direito ao crédito aplica-se, exclusivamente, em relação: I – aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; No caso concreto, é inconteste que os serviços portuários em apreço foram prestados no contexto da importação de insumos. Como consequência, o creditamento daquelas despesas, como custo de aquisição dos bens importados, resta prejudicado, uma vez que, se aos insumos importados não se aplica o regime das Leis nºs 10.833/2003 e 10.637/2002, também não deve tal regime ser estendido aos serviços portuários conexos. Há se lembrar que, no caso insumos importados, o regime de crédito aplicável é aquele disciplinado pelo art. 15 da Lei nº 10.865/2004. Segundo esse regime especial, não há que se falar em créditos de PIS/COFINS com relação aos gastos com serviços portuários, uma vez que não há previsão legal para tanto. Fl. 1492DF CARF MF Fl. 11 do Acórdão n.º 3003-000.644 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13502.000434/2005-13 Além disso, ressalte-se que os gastos com tais serviços portuários não integram a base de cálculo das contribuições sociais apuradas na importação dos bens, razão suficiente para o afastamento da possibilidade de creditamento, pois o direito creditório é assegurado em relação às contribuições efetivamente pagas na importação, conforme expressamente determina o § 1º do artigo 15 da Lei nº 10.685, de 2004, in verbis: Art. 15. As pessoas jurídicas sujeitas à apuração da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, nos termos dos arts. 2º e 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, poderão descontar crédito, para fins de determinação dessas contribuições, em relação às importações sujeitas ao pagamento das contribuições de que trata o art. 1º desta Lei, nas seguintes hipóteses: (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008)(Produção de efeitos) (Regulamento) I – bens adquiridos para revenda; II – bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustível e lubrificantes; III – energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica; IV - aluguéis e contraprestações de arrendamento mercantil de prédios, máquinas e equipamentos, embarcações e aeronaves, utilizados na atividade da empresa; V - máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços.(Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1º O direito ao crédito de que trata este artigo e o art. 17 desta Lei aplica-se em relação às contribuições efetivamente pagas na importação de bens e serviços a partir da produção dos efeitos desta Lei. (grifei) Por fim, entendo que os serviços portuários não se subsomem ao conceito de insumos adotado neste voto. Isso se explica pelo fato daqueles serviços não integrarem a atividade produtiva, sendo realizados em fase anterior à produção. Falta-lhes, assim, a necessária relação de pertinência com o processo produtivo, elemento necessário para a configuração de sua essencialidade e relevância à produção. Em face do exposto, entendo que devem ser mantidas as glosas atinentes aos gastos com os serviços ora analisados. IV – Das despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos Analisando o Parecer SARAC/DRF/CCI n°. 403/2009 (fls. 1035 a 1061), observa- se que a glosa efetuada a título de despesas com locação de máquinas e equipamentos (linha 06 do DACON) se deu em virtude da falta de comprovação, por parte do contribuinte, daquelas despesas. Lembre-se que, ao longo do procedimento fiscal, o contribuinte já havia tido a possibilidade de apresentar documentos para comprovar as despesas com aluguéis de máquinas e equipamentos. Veja-se, por exemplo, a intimação fiscal às fls. 498 a 502, na qual o sujeito passivo é intimado a apresentar, sob pena de indeferimento dos pedidos formulados, entre outros elementos, as páginas dos livros contábeis e fiscais que contenham os lançamentos para comprovar as “Despesas de Aluguéis de Máquinas e Equipamentos Locados de Pessoas Jurídicas, no total de R$ 29.025,45, referente ao mês de Agosto de 2004, conforme Linha 06, da Ficha 06, do DACON - Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais - Número do Recibo: 05.06.50.43.06.03” e, ainda, “contratos de aluguéis e comprovantes de pagamentos das respectivas despesas e serviços utilizados”. Fl. 1493DF CARF MF Fl. 12 do Acórdão n.º 3003-000.644 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13502.000434/2005-13 Para a comprovação dos referidos elementos, o contribuinte pediu prorrogação de prazo, tendo sido atendido pela autoridade fiscal. No entanto, em sua resposta, o contribuinte deixou de apresentar documentação conclusiva acerca de seu crédito, limitando-se a trazer os registros contábeis do Razão das contas 442203.63001, 442203.62003 - ambas de Aluguéis de Máquinas e Equipamentos, sem nenhuma despesa no período analisado (registros às fls. 768 e 770 -, desacompanhados de qualquer documentação de suporte – como, por exemplo, contratos de aluguéis e comprovantes de pagamentos das respectivas despesas e serviços utilizados. Em manifestação de inconformidade, foi apresentado somente o balancete contábil à fl. 1155, atinente ao período 08/2004, onde constam os valores das contas que comprovariam as despesas de locação de máquinas e equipamentos. Não há, contudo, qualquer informação sobre os gastos que compõem os valores consolidados no balancete, assim como não há quaisquer documentos de suporte da escrituração contábil (notas fiscais de locação, por exemplo), aptos a comprovar a natureza das despesas que foram glosadas. Em face de tal insuficiência probatória, o colegiado a quo decidiu, de forma acertada, manter o despacho decisório no tocante à glosa das despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos locados de pessoa jurídica. Lembre-se, nesse contexto, que é lição elementar que os pedidos de ressarcimento, restituição e compensação pressupõem a existência de crédito líquido e certo em nome do sujeito passivo. Em outras palavras, pode-se dizer que o direito creditório existe na medida exata da comprovação de sua certeza e liquidez, recaindo, sobre o sujeito passivo, o ônus de demonstrar seu direito, a teor do art. 173 do Código de Processo Civil: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I - ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; Assim, já em sua manifestação perante o órgão a quo, a recorrente deveria ter reunido todos os documentos suficientes e necessários para a demonstração da certeza e liquidez do crédito pretendido, sob pena de preclusão do direito de produção de provas documentais em outro momento processual, em face do que dispõe o §4º do art. 16 do Decreto nº. 70.235/72. Desse modo, entendo que não cabe a este Colegiado apreciar as provas juntadas após a manifestação de inconformidade, sobretudo porque foi plenamente franqueada, desde o procedimento fiscal, a oportunidade para a comprovação das despesas em análise, não se afigurando, no caso concreto, qualquer das exceções para a juntada extemporânea de provas, previstas no art. 16, §4º, "c", Decreto nº. 70.237/72, Mesmo que fosse afastada a preclusão probatória, pela análise dos documentos trazidos em sede recursal, não vislumbro que a recorrente tenha tido êxito em comprovar o direito creditório alegado. Explico. A recorrente aduz que a decisão de piso carece de fundamento, uma vez que o balancete contábil comprovaria as despesas incorridas a título de locação de máquinas e equipamentos. Para afirmar os valores do balancete, houve a juntada, em sede recursal, de notas fiscais diversas (fls. 1307 a 1329), juntamente com relatório de registros de estoque (fls. 1332 a 1342), período 08/2004, com as operações da conta nº. 450203, referente a aluguéis de máquinas e equipamentos, com a segregação dos lançamentos, nesta conta, segundo centros de custos – administração, granulação e acidulação. Compulsando as notas fiscais e os registros apresentados, constata-se que grande parte das notas fiscais de locação está associada ao centro de custo do setor administrativo da empresa (63001 e 62001). Observa-se, ainda, que, nos registros apresentados, as descrições dos serviços são genéricas - “locação de equipamentos”, “locação”, “locação de equipamentos conforme planilha”, etc. e a descrição das notas fiscais não revela se os equipamentos e máquinas alugados são aplicados no processo produtivo. Fl. 1494DF CARF MF Fl. 13 do Acórdão n.º 3003-000.644 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13502.000434/2005-13 Da análise das notas fiscais (fls. 1307 a 1329) e do relatório de estoques (fls. 1332 a 1342), as informações relevantes podem ser sintetizadas conforme a tabela a seguir: Item Nº da Nota Fiscal Data de emissão Valor no relatório de estoques Centro de Custo 1 19465 09/08/2004 R$ 4.083,75 62001 administração 2 12468 02/08/2004 R$ 174,41 63001 administração 3 12469 02/08/2004 R$ 130,50 63001 administração 4 4558 03/08/2004 R$ 909,85 63001 administração 5 128972 03/08/2004 R$ 307,80 63001 administração 6 2247 09/08/2004 R$ 9.021,86 63001 administração 7 129730 30/07/2004 R$ 1.250,49 63001 administração 8 463 02/08/2004 R$ 4.276,80 62003 granulação 9 111 02/08/2004 R$ 5.433,50 62003/63003 granulação 10 565 25/08/2004 R$ 1.829,51 63003/63002 granulação/acidulação 11 1792 17/08/2004 R$ 965,58 63003 granulação Do quadro acima, verifica-se que as sete primeiras notas fiscais são ligadas ao centro de custo da administração. Não há elementos para que se afirme que as despesas expressas nessas notas são relativas ao aluguel de máquinas e equipamentos utilizados em serviços que tenham pertinência com a atividade produtiva. Com efeito, não consta, nos autos, qualquer explicação de como as máquinas e equipamentos relacionados às referidas notas seriam aplicados no processo produtivo. Nesse contexto, não há como reconhecer que tais despesas com locação estejam relacionadas ao processo produtivo. Na verdade, como as despesas estão associadas ao centro de custo administrativo, é provável que aqueles gastos sejam ligados à administração da empresa. Sublinhe-se, ademais, que não há como reconhecer tais despesas, uma vez que não foram apresentados os livros contábeis (Razão e/ou Diário) com a devida escrituração dos referidos gastos. De semelhante modo, há que se afastar o creditamento das despesas constantes das demais notas fiscais (itens 8 a 11). Muito embora os serviços de locação ali descritos pareçam guardar relação com o setor produtivo, uma vez que estão registrados nos centros de custos dos setores de granulação e acidulação (etapas do processo produtivo – vide descrição à fl. 736), não há como reconhecer aqueles gastos, uma vez que não foram apresentados os registros contábeis – Diário e/ou Razão - daquelas despesas, os quais serviriam para demonstrar sua devida e necessária escrituração. Nesse ponto, há que se lembrar que a recorrente teve várias oportunidades – tendo sido, inclusive, intimada a apresentar os livros Razão e Diário -, mas, ainda assim, eximiu-se de juntar cópias das páginas do livro Razão (e Diário), período de apuração 08/2004, das contas 450203.61001, 450203.62001, 450203.62002, 450203.62003, 450203.63001, 450203.63002 e 450203.63003, com os lançamentos daquelas despesas que teriam composto o montante informado na Linha 06, da Ficha 06 do DACON, a título de Despesas de Aluguéis de Máquinas e Equipamentos Locados de Pessoas Jurídicas. Saliente-se que o relatório de estoque apresentado – e aqui, frise-se, a recorrente aduz erroneamente que teria apresentado, como documento anexo ao recurso, as páginas do Razão - não substitui os livros Diário e Razão. Além de despido de certas exigências formais que revestem os livros contábeis, o referido relatório se mostra bastante precário nas informações que apresenta, não trazendo, por exemplo, o registro das operações a crédito nas contas de despesas (expressas, vale lembrar, no balancete à fl. 1155). Fl. 1495DF CARF MF Fl. 14 do Acórdão n.º 3003-000.644 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13502.000434/2005-13 A recorrente poderia ter apresentado as páginas do Razão das contas de despesa, a fim de demonstrar todas as operações que teriam dado azo ao crédito pleiteado. Limitou-se, contudo, a juntar relatório de estoque, despido de formalidades básicas que a escrituração contábil-fiscal deve ostentar. Nesse contexto, é de se assinalar que os livros contábeis e fiscais trazem informações que interessam a vários usuários, alguns internos à empresa, como os dirigentes, associados e sócios, e outros externos, como os órgãos públicos administrativos, judiciários e fiscalizadores, fornecedores, entre outros. A validade jurídica desse conjunto de informações incorporado na escrituração contábil-fiscal requer o devido registro público, no órgão competente, conferindo-lhe a autenticidade e validade como meio de prova aos diversos interessados, entre os quais a Administração Tributária. Nesse sentido, o Conselho Federal de Contabilidade, deliberando sobre as normas técnicas a serem observadas pelos respectivos profissionais no exercício da profissão, aprovou, mediante a Resolução CFC n° 1.330, de 18 de março de 2011, a Norma Técnica ITG 2000 – Escrituração Contábil. Entre outras disposições, a referida resolução estabelece que os livros contábeis obrigatórios, entre os quais o Livro Diário e o Livro Razão, devem revestir-se de formalidades extrínsecas - tais como: a) serem encadernados; b) terem suas folhas numeradas sequencialmente; c) conterem termo de abertura e de encerramento assinados pelo titular ou representante legal da entidade e pelo profissional da contabilidade regularmente habilitado no Conselho Regional de Contabilidade - e também devem ser registrados em órgão competente - autenticação no Registro Público de Empresas Mercantis, ex vi do art. 1.181 do Código Civil. No caso concreto, a recorrente não apresentou os livros Diário ou Razão, revestidos de todas as formalidades a ele inerentes previstas na legislação - devidamente autenticados, registrados, com termos de abertura e encerramento, etc. -, restringindo-se a apresentar o relatório às fls. 1332 a 1342, o qual não goza de eficácia probatória perante destinatários externos à própria empresa, e não traz todas as operações atinentes às contas de despesa. Em face do exposto, devem ser mantidas as glosas relativas a despesas de aluguel com máquinas e equipamentos. V – Dos encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado Analisando o Parecer SARAC/DRF/CCI n°. 403/2009 (fls. 1035 a 1061), observa- se que a glosa efetuada a título de despesas com encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado (linha 09 do DACON) se deu em virtude da falta de comprovação, por parte do contribuinte, daquelas despesas. Segundo o referido parecer, pela análise das páginas do livro Razão e balancete apresentado – período de apuração 09/2004 - constatou-se que não existiam registros contábeis (contas nºs. 480102.61001 e 480102.10000) dos valores de depreciação informados no DACON. Além disso, o parecer assinala que, mesmo depois de intimado, o contribuinte não apresentou demonstrativo com os valores que foram informados no DACON nem juntou as notas fiscais dos bens depreciados. Em manifestação de inconformidade, a manifestante apresentou apenas o demonstrativo à fl. 1159, deixando de apresentar as notas fiscais dos bens depreciados e a escrituração dos valores informados no DACON. Na manifestação, os seguintes argumentos foram levantados: Com relação aos créditos apropriados no mês de setembro/04 relativos a encargos de depreciação, o i. fiscal deixou de reconhecer os créditos do contribuinte sob o argumento de que o mesmo não apresentou demonstrativo com os valores que foram levados para o DACON sob esta rubrica. Fl. 1496DF CARF MF Fl. 15 do Acórdão n.º 3003-000.644 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13502.000434/2005-13 Assim, requer-se a juntada de cópia da composição dos Bens do Ativo Imobilizado na produção, referente setembro de 2004, devidamente assinado pelo contador da empresa (doc. 03), de modo a comprovar tais créditos, devendo, por esta razão, ser reformado o despacho decisório neste ponto. Apreciando a manifestação de inconformidade, o colegiado a quo assim se pronunciou (grifei partes): De acordo com a sistemática descrita no art. 3°, inciso VI da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e determinação do artigo 15 da mesma lei, a pessoa jurídica pode descontar créditos sobre a depreciação e amortização de máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado adquiridos para utilização na produção de bens destinados venda ou prestação de serviços, e exclusivamente em relação aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no pais. Para definir a regularidade dos créditos relativos a este item, é necessário aferir a relação que os bens do ativo imobilizado têm com o processo produtivo da pessoa jurídica e, ainda, identificar claramente os bens do ativo imobilizado adquiridos no mercado interno e os oriundos do exterior (importados). No presente caso, o valor de R$ 51.958,68 informado na linha 09 do DACON - Encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado (fl. 245), referente a setembro de 2004, foi glosado no Despacho Decisório por não haver, nas cópias do Livro Razão e dos balancetes apresentadas pela contribuinte, lançamentos nas contas contábeis n° 480102.61001 e n° 480102.10000 a titulo de "PIS/COFINS s/ Depreciação", tanto assim que os saldos finais, de R$ 45.112,28 e R$ 13.430,26, respectivamente, são iguais aos saldos iniciais. A autoridade fiscal acrescentou, ainda, que a contribuinte, mesmo intimada, não apresentou demonstrativo com os valores informados no DACON, nem as notas fiscais dos respectivos bens. Em sua defesa, a interessada anexou apenas demonstrativo (fl. 573) por ela denominado de "cópia da composição dos Bens do Ativo Imobilizado na produção", sem identificação clara dos bens do ativo imobilizado vinculados à produção, havendo descrições genéricas como "melhorias nos elevadores da granulação" ou "aumento da capacidade do silo de rocha moída". Mas, principalmente, na Manifestação de Inconformidade a interessada nenhuma menção fez quanto ao fato de inexistirem lançamentos nas contas contábeis n° 480102.61001 e n° 480102.10000 do Livro Razão e dos balancetes a titulo de "PIS/COFINS s/ Depreciação". A escrituração contábil, com observância das leis comerciais e fiscais, revela o histórico das transações, o balanço patrimonial e o resultado econômico da empresa, possuindo força probante quantos aos fatos registrados, razão pela qual neste particular inexiste reparo a se fazer no Despacho decisório guerreado. São precisos os fundamentos da decisão recorrida. Examinando os autos, observa-se que, de fato, a manifestante não logrou demonstrar os créditos com encargos de depreciação informados no DACON, pois (i) o demonstrativo à fl. 1159 não traz uma identificação clara e suficiente dos bens do ativo relacionados ao processo produtivo, (ii) não há comprovação da origem dos bens do ativo (se adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no país) e (iii) não foi juntada a escrituração contábil com os registros das despesas alegadas nem foi dada qualquer explicação da ausência de lançamentos nas contas que deveriam registrar o PIS/COFINS sobre depreciação. Assim, em face da ausência de provas, o colegiado a quo decidiu, de forma correta, manter o despacho decisório no tocante à glosa dos valores atinentes a encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado. Lembre-se, mais uma vez, que o contribuinte tem o ônus de demonstrar seu direito. Já em sua manifestação, a recorrente deveria ter reunido todos os documentos suficientes e necessários para a demonstração da certeza e liquidez do crédito pretendido, sob pena de preclusão da instrução probatória, ex vi do §4º do art. 16 do Decreto nº. 70.235/72. Fl. 1497DF CARF MF Fl. 16 do Acórdão n.º 3003-000.644 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13502.000434/2005-13 Considerando que a recorrente foi intimada, no curso do procedimento fiscal, à apresentação dos documentos para comprovar seus créditos, e tendo em vista que o despacho decisório deixou claras as razões da glosa ora analisada, entendo que ocorreu a preclusão probatória no presente caso, fato que impede que este Colegiado aprecie novas provas juntadas após a manifestação de inconformidade. Com efeito, foram dadas plenas possibilidades de defesa ao contribuinte, desde o início do procedimento fiscal, de maneira que não há qualquer fato ou argumento novo, na decisão recorrida, que possa representar alguma das exceções para a produção de prova extemporânea previstas no art. 16, §4º, "c", Decreto nº. 70.237/72. Ademais, compulsando os autos, observa-se que junto ao recurso voluntário não houve a apresentação de documentos suficientes para comprovar o direito creditório pleiteado. De fato, além de não ter juntado escrituração contábil apta a demonstrar os registros atinentes aos encargos de depreciação, a recorrente deixou de apresentar as notas fiscais dos bens do ativo imobilizado, documentos que poderiam comprovar a origem, natureza, valor e data de aquisição dos bens do ativo imobilizado. Sublinhe-se que o demonstrativo à fl. 1444, apresentado com o recurso, é insuficiente para demonstrar a vinculação dos bens ali descritos com a atividade produtiva, assim como para comprovar a origem, a natureza, a data de aquisição e o valor dos referidos bens: os dados constantes do demonstrativo precisam ser lastreados por documentação hábil e idônea. Observe-se, também, que o argumento da recorrente – trazido, a propósito, apenas em sede recursal - de que a inexistência de lançamentos contábeis nas contas nºs. 480102.61001 e 480102.10000 se deve à “migração do modo de depreciação” não a isenta de comprovar a escrituração dos encargos de depreciação em outras contas – como, por exemplo, a conta de COFINS a recuperar sobre bens do imobilizado. Há que se lembrar, afinal de contas, que a recorrente foi intimada a apresentar os registros contábeis aptos a comprovar os encargos de depreciação, de maneira que, se houve “migração do modo de depreciação”, deveriam ter sido apresentados os registros contábeis que refletissem a contabilização dos encargos de depreciação pelo “novo modo”. Assim, também nesse aspecto, não assiste razão à recorrente. Pois bem. Em face da evidente insuficiência de elementos probatórios – mesmo após o despacho decisório e a decisão recorrida terem assinalado, de forma precisa e específica, quais elementos deveriam ter sido apresentados -, entendo que devem ser mantidas as glosas relativas aos encargos de depreciação do ativo imobilizado. VI – Dos créditos decorrentes de devolução de mercadorias No tocante à glosa dos créditos decorrentes de devolução de mercadoria - Outras Operações com Direito a Crédito (linha 13 do DACON) -, assim se pronunciou a decisão recorrida (destaquei partes): No que tange a "Outras Operações com Direito a Crédito", veja-se o Parecer SARAC/DRF/CCI n° 403/2009: 26. 0 valor declarado nesta linha, à fl. 245, corresponde, conforme esclarecimento do interessado (vide fls. 427/428 e 502/506), à devolução de mercadoria, que teria sido parte integrante de venda realizada de acordo com a Nota Fiscal n° 29.074, de 28/03/02. Ao se analisar a nota fiscal apresentada referente ao desfazimento do negócio, à fl. 506, verifica-se que a devolução teria ocorrido somente em 20/09/04, após o inicio da incidência não- cumulativa da COFINS. 27. Diante do exposto no parágrafo anterior, e considerando as instruções de preenchimento do DACON, os bens recebidos em devolução, quando efetivamente tributados antes do inicio da incidência não-cumulativa da COFINS, serão considerados como integrantes do estoque de abertura e Fl. 1498DF CARF MF Fl. 17 do Acórdão n.º 3003-000.644 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13502.000434/2005-13 informados na Linha 06/19 — Crédito Presumido relativo a Estoque de Abertura, observado, ainda, as regras próprias para esse tipo de creditamento, vide fls. 507 e 508. Com isso, deve-se glosar o valor total lançado no mês de setembro no DACON, conforme tabela abaixo: (...) (grifos do original) Alega a contribuinte que se trata de equivoco por ela cometido, o qual, em nenhuma hipótese, afasta seu direito creditório, pois mesmo considerando o crédito como sendo relativo ao estoque de abertura, uma vez ocorrida a devolução da mercadoria em 20/09/2004, a contribuinte, em setembro/2004, já faria jus a 8/12 do crédito litigado. De fato, a autoridade fiscal reconheceu que os bens recebidos em devolução, quando tributados antes do inicio da incidência não-cumulativa da Cofins, devem ser considerados como integrantes do estoque de abertura e informados na Linha 06/19. A despeito de grifada a expressão "quando efetivamente tributados", não houve no Parecer SARAC/DRF/CCI n° 403/2009 qualquer indicação de que a venda dos produtos, objeto da nota fiscal n° 29.074, não tenha sido tributada pela Cofins. Mais uma vez equivoca-se a manifestante ao pretender ver reconhecido 8/12 do crédito litigado, pois, conforme instruções de preenchimento do DACON, o crédito presumido relativo ao estoque de abertura deve ser utilizado em doze parcelas mensais, iguais e sucessivas a partir da data da devolução. Desta forma, ainda que os valores informados pela contribuinte na linha 06/19 — "Crédito Presumido relativo à Estoque de Abertura" do DACON tenham sido considerados no Despacho Decisório ora em litígio, conforme parágrafo 28 do Parecer SARAC/DRF/CCI n° 403/2009, considerando-se a devolução das mercadorias no valor de R$ 332.309,26, e tendo em vista que a venda anterior ao inicio da incidência não- cumulativa da Cofins foi tributada por aquela contribuição social à alíquota de 3%, no valor de R$ 9.969,28, tem-se que 1/12 corresponde a uma parcela mensal do crédito no valor de R$ 830,77, reconhecida neste voto apenas em relação a setembro de 2004, quando ocorreu a devolução da mercadoria. Da leitura dos excertos transcritos, depreende-se que a decisão recorrida reconheceu apenas parcela do crédito presumido relativo ao estoque de abertura. Segundo o entendimento do colegiado de primeira instância, o referido crédito presumido deveria ser utilizado em doze parcelas mensais, iguais e sucessivas, a partir da data da devolução das mercadorias. Sendo assim, tendo em vista que a devolução das mercadorias, no valor de R$ 332.309,26 (nota fiscal à fl. 1025), se deu em 20/09/2004, o crédito presumido deveria ser apropriado a partir de setembro de 2004, em 12 parcelas mensais iguais e sucessivas, calculadas à alíquota de 3% (pois as mercadorias haviam sido tributadas no regime cumulativo) sobre o valor das mercadorias. Inconformada com a decisão recorrida, a recorrente assim se pronunciou: Por fim, a DRJ deixou de reconhecer o crédito relativo devolução de mercadoria, sob o argumento de que por se tratar de negócio realizado anteriormente à incidência não- cumulativa da contribuição, deveria ser considerados como crédito relativo ao estoque de abertura. Com efeito, mesmo considerado o crédito do contribuinte como relativo ao estoque de abertura, tendo ocorrido a devolução da mercadoria em 20.09.2004, o contribuinte já faria jus em setembro de 2004 à 8/12 avos do crédito litigado, razão pela qual deveria o despacho decisório reconhecer ao menos esta parcela. Desta forma, deve a decisão da DRJ ser reformada quanto a este item, para reconhecer o crédito do contribuinte em decorrência do mero erro no preenchimento do DACON, ou ao menos a parcela do crédito relativa aos 8/12 avos relativos ao estoque de abertura. Não assiste razão à recorrente quando alega que faria jus, em setembro de 2004, à parcela de oito doze avos do crédito presumido atinente às mercadorias devolvidas em 20/09/2004. Nesse contexto, são precisos os fundamentos trazidos pela decisão recorrida. Explico. Fl. 1499DF CARF MF Fl. 18 do Acórdão n.º 3003-000.644 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13502.000434/2005-13 A forma de cálculo do crédito presumido considerado pela instância a quo é inteiramente correta, seguindo expressa disposição legal. A fim de elucidar a questão, transcrevo, em parte, o art. 12 da Lei nº. 10.833/2003, o qual disciplina a matéria (destaquei partes): Art. 12. A pessoa jurídica contribuinte da COFINS, submetida à apuração do valor devido na forma do art. 3º, terá direito a desconto correspondente ao estoque de abertura dos bens de que tratam os incisos I e II daquele mesmo artigo, adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País, existentes na data de início da incidência desta contribuição de acordo com esta Lei. § 1º O montante de crédito presumido será igual ao resultado da aplicação do percentual de 3% (três por cento) sobre o valor do estoque. § 2º O crédito presumido calculado segundo os §§ 1º, 9º e 10 deste artigo será utilizado em 12 (doze) parcelas mensais, iguais e sucessivas, a partir da data a que se refere o caput deste artigo. (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) (Vide Lei nº 10.925, de 2004) § 3º O disposto no caput aplica-se também aos estoques de produtos acabados e em elaboração. § 4º A pessoa jurídica referida no art. 4o que, antes da data de início da vigência da incidência não-cumulativa da COFINS, tenha incorrido em custos com unidade imobiliária construída ou em construção poderá calcular crédito presumido, naquela data, observado: I - no cálculo do crédito será aplicado o percentual previsto no § 1º sobre o valor dos bens e dos serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, adquiridos de pessoas jurídicas domiciliadas no País, utilizados como insumo na construção; II - o valor do crédito presumido apurado na forma deste parágrafo deverá ser utilizado na proporção da receita relativa à venda da unidade imobiliária, à medida do recebimento. § 5º A pessoa jurídica que, tributada com base no lucro presumido ou optante pelo SIMPLES, passar a ser tributada com base no lucro real, na hipótese de sujeitar-se à incidência não-cumulativa da COFINS, terá direito ao aproveitamento do crédito presumido na forma prevista neste artigo, calculado sobre o estoque de abertura, devidamente comprovado, na data da mudança do regime de tributação adotado para fins do imposto de renda. § 6º Os bens recebidos em devolução, tributados antes do início da aplicação desta Lei, ou da mudança do regime de tributação de que trata o § 5º, serão considerados como integrantes do estoque de abertura referido no caput, devendo o crédito ser utilizado na forma do § 2º a partir da data da devolução. Como se evidencia, na leitura dos parágrafos 1º, 2º e 6º, acima transcritos, os bens recebidos em devolução, tributados antes do início da aplicação do regime não-cumulativo, serão considerados integrantes do estoque de abertura, dando direito a crédito presumido de COFINS (§6º). O montante deste crédito será calculado com a aplicação da alíquota de 3% (regime cumulativo) sobre o valor do estoque (§2º) – no caso, o valor da mercadoria devolvida, e sua utilização se dará a partir da data da devolução dos bens (§6º), em doze parcelas mensais, iguais e sucessivas (§6º c/c §2º). Como se vê, não há qualquer reparo a ser feito na decisão recorrida. Esta seguiu estritamente as normas do art. 12 da Lei nº. 10.833/2003, no cálculo do montante do crédito e na forma de sua utilização: (1) a mercadoria devolvida – tributada no regime cumulativo e, portanto, considerada integrante do estoque - foi de R$ 332.309,26; (2) o montante de crédito gerado foi, então, de R$ 332.309,26 x 3%: ou seja, R$ 9.969,28; (3) a utilização de tal montante deverá se dar em 12 parcelas, sucessivas e iguais, a partir do mês de retorno das mercadorias: isto é, de setembro de 2004 até agosto de 2005, o contribuinte poderá utilizar, em cada mês, o valor de R$ 830,77 como crédito de COFINS decorrente da devolução de mercadorias. Fl. 1500DF CARF MF http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2004/Lei/L10.925.htm#art5art12%C2%A72 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2004/Lei/L10.925.htm#art17iic http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2004/Lei/L10.925.htm#art17iic Fl. 19 do Acórdão n.º 3003-000.644 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13502.000434/2005-13 Diante do exposto, entendo que deve ser mantida a decisão recorrida no tocante ao item ora analisado. VII - Dispositivo Diante de todas razões acima apresentadas, voto para que seja dado parcial provimento ao Recurso Voluntário, revertendo-se as glosas atinentes aos gastos com correias – para equipamentos da produção e transporte de produtos - e hidróxido de sódio. (documento assinado digitalmente) Vinícius Guimarães Fl. 1501DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 35011.002935/2006-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Oct 31 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/02/1996 a 31/12/1998
CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INEXISTÊNCIA
O cerceamento do direito de defesa se dá pela criação de embaraços ao conhecimento dos fatos e das razões de direito à parte contrária, ou então pelo óbice à ciência do auto de infração, impedindo a contribuinte de se manifestar sobre os documentos e provas produzidos nos autos do processo.
NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
O atendimento aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, a presença dos requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235/1972 e a observância do contraditório e do amplo direito de defesa do contribuinte afastam a hipótese de nulidade do lançamento.
NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Não há falar em cerceamento do direito de defesa, se o Relatório Fiscal e os demais anexos que compõem o Auto de Infração contêm os elementos necessários à identificação dos fatos geradores do crédito lançado e a legislação pertinente, possibilitando ao sujeito passivo o pleno exercício do direito ao contraditório e à ampla defesa.
PERÍCIA. INDEFERIMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
A prova produzida em processo administrativo tem, como destinatária final, a autoridade julgadora, a qual possui a prerrogativa de avaliar a pertinência de sua realização para a consolidação do seu convencimento acerca da solução da controvérsia objeto do litígio, sendo-lhe facultado indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Nesse sentido, sua realização não constitui direito subjetivo do contribuinte.
JUNTADA DE DOCUMENTOS.
De acordo com o art. 15 do Decreto nº 70.235/1972, a impugnação deve ser instruída com os documentos em que se fundamentar. O § 4º do art. 16, por sua vez, estabelece que a prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual.
RECUPERAÇÃO JUDICIAL. IRRELEVÂNCIA.
O fato de a empresa encontrar-se em processo de recuperação judicial não é suficiente para afastar a responsabilidade tributária que recai sobre seu patrimônio.
MULTA FISCAL APLICÁVEL À EMPRESAS EM REGIME DE CONCORDATA.
A multa fiscal decorre de disposição expressa de lei específica, não havendo norma que a dispense no caso de empresas em regime de concordata ou recuperação judicial. Súmula nº 250 STJ.
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. CONTRIBUIÇÃO DA EMPRESA.
A empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço e recolher o produto arrecadado juntamente com as contribuições previdenciárias a seu cargo.
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, não tendo ele se desincumbindo deste ônus. Simples alegações desacompanhadas dos meios de prova que as justifiquem, revelam-se insuficientes para comprovar os fatos alegados.
Numero da decisão: 2401-007.044
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Matheus Soares Leite - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto, Thiago Duca Amoni (Suplente Convocado) e Miriam Denise Xavier (Presidente).
Nome do relator: MATHEUS SOARES LEITE
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NULIDADE. INEXISTÊNCIA O cerceamento do direito de defesa se dá pela criação de embaraços ao conhecimento dos fatos e das razões de direito à parte contrária, ou então pelo óbice à ciência do auto de infração, impedindo a contribuinte de se manifestar sobre os documentos e provas produzidos nos autos do processo. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O atendimento aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, a presença dos requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235/1972 e a observância do contraditório e do amplo direito de defesa do contribuinte afastam a hipótese de nulidade do lançamento. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há falar em cerceamento do direito de defesa, se o Relatório Fiscal e os demais anexos que compõem o Auto de Infração contêm os elementos necessários à identificação dos fatos geradores do crédito lançado e a legislação pertinente, possibilitando ao sujeito passivo o pleno exercício do direito ao contraditório e à ampla defesa. PERÍCIA. INDEFERIMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. A prova produzida em processo administrativo tem, como destinatária final, a autoridade julgadora, a qual possui a prerrogativa de avaliar a pertinência de sua realização para a consolidação do seu convencimento acerca da solução da controvérsia objeto do litígio, sendo-lhe facultado indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Nesse sentido, sua realização não constitui direito subjetivo do contribuinte. JUNTADA DE DOCUMENTOS. De acordo com o art. 15 do Decreto nº 70.235/1972, a impugnação deve ser instruída com os documentos em que se fundamentar. O § 4º do art. 16, por sua vez, estabelece que a prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 01 1. 00 29 35 /2 00 6- 80 Fl. 122DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2401-007.044 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 35011.002935/2006-80 RECUPERAÇÃO JUDICIAL. IRRELEVÂNCIA. O fato de a empresa encontrar-se em processo de recuperação judicial não é suficiente para afastar a responsabilidade tributária que recai sobre seu patrimônio. MULTA FISCAL APLICÁVEL À EMPRESAS EM REGIME DE CONCORDATA. A multa fiscal decorre de disposição expressa de lei específica, não havendo norma que a dispense no caso de empresas em regime de concordata ou recuperação judicial. Súmula nº 250 STJ. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. CONTRIBUIÇÃO DA EMPRESA. A empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço e recolher o produto arrecadado juntamente com as contribuições previdenciárias a seu cargo. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, não tendo ele se desincumbindo deste ônus. Simples alegações desacompanhadas dos meios de prova que as justifiquem, revelam-se insuficientes para comprovar os fatos alegados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (documento assinado digitalmente) Matheus Soares Leite - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto, Thiago Duca Amoni (Suplente Convocado) e Miriam Denise Xavier (Presidente). Relatório A bem da celeridade, peço licença para aproveitar boa parte do relatório já elaborado em ocasião anterior e que bem elucida a controvérsia posta, para, ao final, complementá-lo (fls. 91/99). Pois bem. Trata a presente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) de crédito previdenciário, relativo às contribuições devidas pela empresa REFRIMA Fl. 123DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2401-007.044 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 35011.002935/2006-80 SOCIEDADE ANÔNIMA EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS à Seguridade Social, correspondente à parte da empresa, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho e as destinadas a Outras Entidades (FNDE, INCRA, SENAI, SESI e SEBRAE), referente ao período de 02/ 1996 a 13/1998, no montante de R$ 196.149,44 (cento e noventa e seis mil e cento e quarenta e nove reais e quarenta e quatro centavos), consolidado em 24 de agosto de 2006. Também está inclusa na notificação em deslinde a contribuição incidente sobre os valores pagos aos contribuintes individuais, relativa ao período 02/1998 a 12/1998. A ação fiscal foi autorizada através do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) n° 09315360F00, fl. 57, tendo como finalidade a fiscalização de rotina para regularização dos recolhimentos das contribuições destinadas à Receita Previdenciária. Durante a ação fiscal não foi recolhida a parte da empresa, embora tenha sido dado prazo para isso, culminando com a lavratura da NFLD em pauta. Na mesma ação fiscal foram lavrados os demais documentos: NFLD 35.924.828- 4, contribuição do segurado empregado que foi retida e não recolhida na época própria; NFLD 35.955.794-5, referente à parte da empresa e terceiros do período de 01/1999 a 09/2005; Auto de Infração (AI) 35.924.827-6, por ter a empresa deixado de exibir as informações em meios digitais; e AI 35.924.826-8, pela não exibição da contabilidade de 1996 a 1998, da última alteração de endereço e dos documentos pessoais do responsável. Acompanham a NFLD os seguintes relatórios: Instruções para o Contribuinte (IPC), Discriminativo Analítico de Débito (DAD), Discriminativo Sintético de Débito (DSD), Relatório de Lançamentos (RL), Fundamentos Legais do Débito (FLD), Relação de Corresponsáveis (CORESP), Relação de Vínculos (VÍNCULOS), Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), Termo de Intimação para Apresentação de Documento (TIAD), Termo de Encerramento da Auditoria Fiscal (TEAF), Relatório Fiscal da NFLD (REFISC) e última alteração contratual, sendo os cinco últimos documentos anexados apenas na via da Receita Previdenciária. O cadastro da empresa e dos responsáveis foi atualizado de acordo com os documentos anexados a NFLD, cabendo aos Diretores a responsabilidade pela Administração da mesma. A empresa fiscalizada, REFRIMA SOCIEDADE ANÔNIMA EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS, apresentou defesa, através de seu procurador, mediante instrumento às fls. 79/84, protocolado sob o n° 3501 l.002935/2006-80, alegando, em síntese, o que se relata a seguir: (a) Todos os encargos previdenciários foram devidamente recolhidos. Quando da lavratura da presente Notificação, alguns livros e documentos fiscais da empresa já haviam sido encaminhados para Sapucaia do Sul, Estado do Rio Grande do Sul, e outros se encontravam desorganizados e sendo preparados para remessa, isso se deu em razão do encerramento da atividade da empresa na cidade de Manaus e por ser a impugnante, REFRIMA, subsidiária integral da RECRUSUL S/A, que ingressou com pedido de Recuperação Judicial na Comarca de Sapucaia do Sul. Não tem sentido manter um local só para guardar livros e atender a burocracia oficial, pois o INSS tem jurisdição nacional e pode muito bem fiscalizar os livros da impugnante no Rio Grande do Sul. A impugnante não concorda com o Auto de Lançamento, uma vez que todos os encargos previdenciários foram Fl. 124DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2401-007.044 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 35011.002935/2006-80 devidamente recolhidos. O que ocorreu, foi que, quando da lavratura do Auto de infração, 25/08/2006, em razão do encerramento das atividades da empresa nesta Capital de Manaus, alguns livros e documentos fiscais já haviam sido encaminhados para Sapucaia do Sul, Estado do Rio Grande do Sul, e outros se encontravam desorganizados e sendo preparados para remessa, tendo em vista que a impugnante REFRIMA é subsidiária integral da RECRUSUL S/A, a qual ingressou com pedido de Recuperação Judicial naquela Comarca. No processo de Recuperação, por solicitação do Administrador Judicial e determinação judicial, foi incluída a impugnante REFRIMA. Neste foro de Manaus restou tão somente um procurador para tratar do encerramento de suas atividades. A REFRIMA por absoluta falta de recursos, em razão da queda de suas atividades econômicas, industriais e comerciais, foi obrigada a rescindir contrato com seus funcionários, entregar sua sede e, por isso, encaminhar toda sua documentação pertinente a sua vida empresarial para o Rio Grande do Sul e Sapucaia do Sul, onde todos os livros e documentos se encontram. É um absoluto estado de necessidade, força maior, desativar a sede da empresa na cidade de Manaus, não tendo nenhum sentido, até mesmo por falta de condições, manter um local só para guardar livros e atender a burocracia oficial. O INSS tem jurisdição nacional e poderá muito bem fiscalizar os livros da impugnante no Rio Grande do Sul. (b) A ilustre Auditora não localizou os recolhimentos relativos ao Salário Educação, os quais por orientação da própria fiscalização eram efetuados em guias separadas das GPS. A impugnante tem todos os recolhimentos efetuados, cujos elementos já se encontram em Sapucaia do Sul, porém ainda não ordenados. Complexo e confuso o Relatório de Documentos Apresentados. Na Recuperação Judicial não são exigíveis multas por infrações formais, como no caso presente. Não foi permitido a impugnante um prazo maior para a busca em seus documentos que já se encontravam em Sapucaia do Sul. (c) A lógica dos fatos mostra que não há razão para que se tivesse a quase totalidade dos recolhimentos e fossem faltar apenas alguns, nas competências de um período fiscalizado de três anos. Do complexo Relatório de Documentos Apresentados, ao que parece, a ilustre Auditora só não localizou recolhimentos relativos ao Salário Educação. Todavia, por orientação da própria fiscalização, essa rubrica era recolhida em guias separadas das GPS, daí porque não fora localizada. É preciso também dizer que o complexo e confuso relatório de documentos apresentados, com tantas rubricas e valores, confundem a análise do Auto de Lançamento; só permitindo aos fiscais, que convivem diariamente com ele, compreender as rubricas, siglas e forma de exposição. É preciso ainda reste claro que a impugnante tem todos os recolhimentos efetuados, cujos elementos já se encontram em Sapucaia do Sul, porém ainda não ordenados. De outra parte, na Recuperação Judicial não são exigíveis multas por infrações formais, como no caso presente. Ademais, não foi permitido a impugnante um prazo maior para a busca em seus documentos que já se encontravam em Sapucaia do Sul. Fl. 125DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2401-007.044 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 35011.002935/2006-80 (d) Realização de perícia. Requer a realização de uma perícia indicando para o encargo a contadora, Sra. Cristina Hayashi Beal, que deverá responder aos seguintes quesitos: a) O Auto de Lançamento refere diferenças de salário educação? Esta parcela era recolhida em guias separadas das GPS? b) Há alguma falta de recolhimento das contribuições ao encargo do INSS no período? c) Protesta pela formulação de quesitos suplementares. (e) Por todo o exposto, confia a impugnante no provimento deste recurso, tomando insubsistente a penalidade aplicada, por não se caracterizarem os fatos em infrações materiais, decorrendo o Auto de Lançamento simplesmente da falta de tempo para localização das guias de recolhimento do salário educação. Em seguida, sobreveio julgamento proferido pela 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador/BA (DRJ/SDR), por meio do Acórdão nº 15-14.632 (fls. 91/99), de 18/12/2007, cujo dispositivo considerou o lançamento procedente. É ver a ementa do julgado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/1996 a 31/12/1998 CRÉDITO PREVIDENCIÁRIO. CONTRIBUIÇÃO DA EMPRESA. Sobre a remuneração que a empresa paga ou credita aos segurados a seu serviço incidem contribuições sociais, nos termos do parágrafo único, alínea “a” do art. 11 da Lei n.° 8.212/91. Devidas as contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais, que prestem serviços à empresa, conforme prevê O art. 22, incisos I, II, III da Lei n.° 8.212/91; bem como as contribuições destinadas a Terceiros insculpidas no art. 94, da mesma Lei. PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. PRECLUSÃO TEMPORAL. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo O direito de O impugnante fazê-lo em outro momento processual. Lançamento Procedente Nesse sentido, cumpre repisar que a decisão a quo exarou os seguintes motivos e que delimitam o objeto do debate recursal: 1. Em seu procedimento de defesa o contribuinte alega que todos os encargos previdenciários foram devidamente recolhidos e que na ocasião da lavratura da presente Notificação, alguns livros e documentos fiscais da empresa já tinham sido encaminhados para Sapucaia do Sul, Estado do Rio Grande do Sul, e outros se encontravam desorganizados e sendo preparados para remessa, em razão do encerramento da atividade da empresa na cidade de Manaus e haja vista a impugnante, REFRIMA, ser subsidiária integral da RECRUSUL S/A, que ingressou com pedido de Recuperação Judicial na Comarca de Sapucaia do Sul. 2. Tal alegação não pode prosperar, pois a Instrução Normativa IN/ SRP n° 03, de 14 de julho de 2005, vigente à época da lavratura da NFLD em discussão, estabelece, conforme dispositivos abaixo transcritos, que a empresa deverá manter a disposição da fiscalização, no estabelecimento Fl. 126DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2401-007.044 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 35011.002935/2006-80 centralizador, os elementos necessários aos procedimentos fiscais, em decorrência do ramo de atividade da empresa e em conformidade com a legislação aplicável, sendo que a empresa poderá eleger como centralizador quaisquer de seus estabelecimentos, devendo, para isso, protocolizar requerimento na Secretaria da Receita Previdenciária (SRP), hoje Receita Federal do Brasil (RFB). 3. Ocorre que não consta dos autos o protocolo do pedido de alteração do estabelecimento centralizador, por parte da empresa notificada; bem como não consta a alteração de ofício do estabelecimento centralizador, feita pela Previdência Social. 4. Também, o fato de a empresa notificada, REFRIMA, ser subsidiária integral da RECRUSUL S/A, a qual ingressou com pedido de Recuperação Judicial na Comarca de Sapucaia do Sul, não justifica a entrega de documentação em outro local que não o estabelecimento centralizador, isso por que, conforme o art. 394 da referida IN, a fiscalização deverá dar às empresas em recuperação judicial o mesmo tratamento dispensado às empresas em situação regular. 5. Portanto, diante do exposto, não há que se falar em entrega de documentos à fiscalização em Sapucaia do Sul, até porque neste local, encontra-se um estabelecimento pertencente à outra empresa, RECROSUL, não podendo este ser aceito como estabelecimento centralizador da empresa notificada, como quer a defendente, consoante o disposto no art. 747 da IN/ SRP n° 03, de 14 de julho de 2005. 6. A impugnante alega, ainda, em sua peça de defesa que a auditora fiscal não localizou os recolhimentos relativos ao Salário Educação, por terem sido os mesmos efetuados em guias separadas das GPS, e que o Relatório de Documentos Apresentados, com tantas rubricas e valores, confundem a análise do lançamento. Não merece guarida tal alegação. 7. Com efeito, o Relatório de Documentos Apresentados (RDA) relaciona por estabelecimento e por competência, as parcelas que foram deduzidas das contribuições apuradas, constituídas por recolhimentos, por valores confessados pelo sujeito passivo e por valores que tenham sido objeto de notificações anteriores. Complementando o RDA, tem ainda o Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados (RADA) que demonstra por estabelecimento, competência, levantamento e por tipo de documento, os valores recolhidos pelo sujeito passivo, arrolados no RDA, e a sua correspondente apropriação e abatimento das contribuições devidas. Constam também do RADA os valores dos recolhimentos efetuados pela empresa na rubrica Terceiros, mediante guias de recolhimento, e que foram apropriadas na respectiva rubrica. Sendo assim, fica refutada a alegação do contribuinte de que os recolhimentos relativos ao Salário Educação foram feitos em guias separadas das GPS, pois a defendente não trouxe aos autos os documentos comprobatórios de que existem mais recolhimentos relativos à rubrica Terceiros, além dos apropriados no RADA (fls. 37/49) e constantes das guias de recolhimentos relacionadas no RDA (fls. 28/36). Fl. 127DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 2401-007.044 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 35011.002935/2006-80 8. Ademais, a presente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD), juntamente com os relatórios que a integram, identifica o fato gerador e o sujeito passivo, determina a matéria tributável e calcula o montante do tributo devido, consoante Ó disposto no “caput” do art. 142 do CTN. O Discriminativo Analítico do Débito (DAD) discrimina por estabelecimento, levantamento, competência e item de cobrança, os valores originários das contribuições devidas pelo sujeito passivo, as alíquotas utilizadas, os valores já recolhidos e anteriormente confessados ou que já foram objeto de notificação, as deduções legalmente permitidas e as diferenças existentes. O Discriminativo Sintético do Débito (DSD) discrimina sinteticamente, por estabelecimento, competência e levantamento, as contribuições objeto da apuração, atualização monetária, multa e juros devidos pelo sujeito passivo. Os esclarecimentos necessários ao entendimento dos fatos ocorridos são prestados no Relatório de Lançamentos e no Relatório Fiscal da NFLD. O relatório de Fundamentos Legais indica de forma clara e precisa, não só os dispositivos de lei que fundamentam o débito, mas também, os dispositivos que fundamentam as rubricas integrantes do presente lançamento, de acordo com o período de apuração. Por último, acompanha a NFLD e seus anexos, as Instruções para o Contribuinte (IPC) que dão as explicações indispensáveis para o entendimento dos Relatórios apresentados e para a apresentação da defesa pelo notificado. Logo, também não cabe a alegação de cerceamento de defesa, pois os esclarecimentos necessários à compreensão da NFLD foram dados através dos Relatórios que a integram, inclusive do RDA e do RADA. 9. No tocante à alegação de que não foi permitido a impugnante um prazo maior para a busca de seus documentos, os quais se encontravam em Sapucaia do Sul, tem-se que: 10. A empresa teve prazo de quase um mês para apresentar os documentos que, segundo a mesma, encontravam-se em Sapucaia do Sul, isso porque a ação fiscal foi iniciada em 13/07/2006, mediante Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), à fl. 57, e a lavratura da presente NFLD só se deu em 25/08/2006, conforme assinatura do procurador, aposta à fl. 01. 11. Além disso, é sabido que no Processo Administrativo Fiscal Previdenciário, a impugnação deve vir acompanhada da prova documental das alegações. A Portaria MPS/GM n° 520, de 2004, no an. 9°, § 1°, acompanhando os preceitos do art. 16, inciso III, do Decreto n° 70.235, 1972, abaixo transcritos, limitou o momento para a apresentação de provas, dispondo que a prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual. 12. Como não ocorreram as situações previstas nas alíneas do § 4° do art. 16 do Decreto n° 70.235, de 1972, e não foram trazidos aos autos elementos que comprovassem que as contribuições sociais lançadas foram devidamente recolhidas (inclusive a referente a Salário Educação, como alegado pelo contribuinte), nem no momento da impugnação, conforme preceitua o art. 16, § 4°, caput, do Decreto n° 70.235, de 1972; e nem até o momento desta decisão, respeitando-se 0 princípio da verdade material; fica rejeitada a Fl. 128DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 2401-007.044 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 35011.002935/2006-80 argumentação do contribuinte, não tendo que se falar em escassez de prazo para apresentação de documentos. 13. Quanto à solicitação da realização de uma perícia, entende-se que a mesma deve ser indeferida, em virtude dos fatos de que o contribuinte pretende esclarecer encontrarem-se claramente descritos no processo, embora tenham sido observadas as exigências formais contidas no art. 16, IV, do Decreto 70.235, de 1972, abaixo transcritos, exceto a indicação do endereço do perito. 14. Consta do Relatório Fiscal da NFLD (REFISC) e do Relatório de Lançamentos (RL) que a presente Notificação refere-se à parte da empresa que deixou de ser recolhida à Seguridade Social e aos Terceiros, no período de 02/1996 a 13/1998, e que constituem os fatos geradores das contribuições lançadas a remuneração extraída das folhas de pagamento, paga pela empresa aos seus empregados e aos contribuintes individuais, lançada no levantamento FP - Folha de Pagamento. Assim, fica demonstrado que não foram recolhidas todas as contribuições devidas pela empresa, referentes ao período de 02/1996 a 13/ 1998, inclusive a referente ao Salário Educação, e respondida a pergunta feita pela empresa, quando da solicitação de perícia. 15. Ante aos argumentos deduzidos nos autos e no presente Acórdão, constata- se que o lançamento em questão encontra-se em estrita consonância com a legislação previdenciária e que foram observados os princípios norteadores do Processo Administrativo Fiscal, devendo, por esses motivos, ser mantido o presente crédito constituído, não cabendo a sua nulidade. 16. Isso posto, e considerando tudo o mais que do processo consta, voto no sentido de que seja julgado procedente o lançamento consubstanciado na NFLD n° 35.924.829-2, apurando contribuições sociais não recolhidas à Seguridade Social e a Terceiros, relativas ao período de O2/ 1996 a 13/1998, conforme demonstrado. A contribuinte, por sua vez, inconformada com a decisão prolatada e procurando demonstrar a improcedência do lançamento, interpôs Recurso Voluntário (fls. 109/117), apresentando, em síntese, os seguintes argumentos: a. A REFRIMA por absoluta falta de recursos, em razão da queda de suas atividades econômicas, industriais e comerciais, foi obrigada a rescindir contrato com seus funcionários, entregar sua sede e, por isso, encaminhar toda sua documentação pertinente a sua vida empresarial para o Rio Grande do Sul e Sapucaia do Sul, onde todos os livros e documentos se encontram. b. É um absoluto estado de necessidade, força maior inevitável desativar a sede da empresa nesta cidade de Manaus, não tendo nenhum sentido - até mesmo por farta de condições - manter um local só para guardar livros e atender a burocracia oficial. c. O INSS tem jurisdição nacional e poderá muito bem fiscalizar os livros da Impugnante no Rio Grande do Sul. Fl. 129DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 2401-007.044 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 35011.002935/2006-80 d. A lógica dos fatos mostra que não há razão para que se tivesse a quase totalidade dos recolhimentos e fossem apenas faltar três competências em um período fiscalizado de 10 anos. É contra a lógica do razoável. e. Do complexo relatório de documentos apresentados, ao que parece, a Ilustre Auditora só não localizou recolhimentos relativos ao Salário Educação. Todavia, por orientação da própria Fiscalização, essa rubrica era recolhida em guias separadas da GPS, daí porque não fora localizada. f. É preciso também dizer que o complexo e confuso relatório, com tantas rubricas e valores, confunde a análise do Auto de Lançamento, só permitindo compreender as rubricas, siglas e forma de exposição, os fiscais que convivem diariamente com esse mister. Todavia, é preciso reste claro que a Impugnante tem todos os recolhimentos efetuados, cujos elementos já se encontram em Sapucaia do Sul, porém ainda não ordenados. g. De outra parte, na Recuperação Judicial não são exigíveis multas por infrações formais, com como no caso presente. h. Assim é o Auto de Infração totalmente inconsistente. i. Pedindo venia à ilustre Julgadora, sua decisão carece de exame adequado dos fatos. Lastimavelmente não quis ele enfrentar a perícia, que iria pulverizar a Notificação Fiscal. A negativa desta perícia corrói de nulidade todo o processo administrativo. j. A Fiscalização precisa entender que os fatos são mais importantes que as formas. O Estado e seus agentes existem para servir as empresas, que é de onde vem o sustento para a máquina estatal. k. Assim, não poderá a fiscalização se sobrepor às decisões judiciais e à realidade dos fatos. A empresa submergida em um mar de dificuldades econômico-financeiras, operacionais e administrativas (que se constitui em verdadeira força maior), não poderia parar seu processo de salvação para atender exigências burocráticas ou continuar pagando aluguel da indústria apenas para ali manter livros fiscais. l. Posteriormente, todo o protocolo de alteração do estabelecimento centralizador foi encaminhado. Da mesma forma, a condição de subsidiária integral da Recrusul é fato comprovado judicialmente. Nada justifica, senão mero capricho funcional, a exigência de que a documentação fosse entregue em Manaus, e não na Cidade de Sapucaia do Sul - RS, onde estão os documentos, tendo em vista a base territorial da Receita Federal. m. A Recorrente não se negou a exibir à Fiscalização da CRP os documentos solicitados; apenas explicou as circunstâncias que a impediam. Certamente, não quereria a Fiscalização que a Recorrente - que não tinha dinheiro para nada - mandasse um funcionário a Manaus apenas para levar livros fiscais. Seguramente, este é o caso de aplicação do artigo 745, da IN/SRP n° 03/2005. n. Evidentemente que a Recorrente não conseguiu exibir as guias de recolhimento do salário educação nas GPS's exatamente pelos motivos Fl. 130DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 2401-007.044 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 35011.002935/2006-80 anteriormente deduzidos, de que tudo isso se encontra em Sapucaia do Sul - RS, inclusive aqueles recolhimentos relativos à rubrica “terceiros”. o. É inegável que a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito - NFLD, juntamente com os Relatórios que a integram, por sua complexidade técnica, dificulta a identificação do fato gerador, a base de cálculo. É obrigação fiscal, em atendimento aos princípios da boa tributação, de Adam Smith, que o agente fiscal dê as explicações, oriente e ajude o contribuinte nessa tarefa. Não o fazendo, evidencia-se o cerceamento de defesa. p. A ilustre Julgadora Relatora diz que a empresa teve um prazo de quase 1 mês para apresentar os documentos e, por isso, se justificava o não atendimento do pedido da Recorrente, de que se prorrogasse o prazo, visando a busca dos documentos em Sapucaia do Sul. q. Sem dúvida, os fatos aduzidos pela Recorrente se constituíram em força maior a justificar o pedido de prorrogação. É tradição da Fiscalização Fazendária Nacional conceder sucessivas prorrogações aos contribuintes, para apresentação de documentos. Por isso, se faz incompreensível a recusa no caso presente, contaminando, também, o presente processo, de nulidade. r. POR ESSAS RAZÕES, confia seja dado provimento a este recurso, para tornar sem efeito a Notificação Fiscal. Em seguida, os autos foram remetidos a este Conselho para apreciação e julgamento do Recurso Voluntário. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Matheus Soares Leite – Relator 1. Juízo de Admissibilidade. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n° 70.235/72. Portanto, dele tomo conhecimento. 2. Preliminares. Do que se depreende da peça recursal, preliminarmente, a recorrente alega (i) cerceamento de defesa, em razão da incompreensibilidade do lançamento, bem como requer (ii) a nulidade do processo administrativo, em razão da negativa de perícia por parte da autoridade julgadora. Também pontua que (iii) a recusa, por parte da autoridade julgadora, do pedido prorrogação de prazo para apresentar documentos, contaminaria o processo de nulidade. Contudo, sem razão à recorrente. É certo que a constituição do crédito tributário, por meio do lançamento de ofício, como atividade administrativa vinculada, exige do Fisco a observância da legislação de regência, a fim de constatar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível (art. 142 do CTN). A não observância da Fl. 131DF CARF MF Fl. 11 do Acórdão n.º 2401-007.044 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 35011.002935/2006-80 legislação que rege o lançamento fiscal ou a falta de seus requisitos, tem como consequência a nulidade do ato administrativo, sob pena de perpetuar indevidamente cerceamento do direito de defesa. Contudo, entendo que não assiste razão à recorrente, estando hígida a exigência em epígrafe, não havendo que se falar em prejuízo à ampla defesa. Cabe ressaltar que, conforme muito bem pontuado pela decisão de piso, a presente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD), juntamente com os relatórios que a integram, identifica perfeitamente o fato gerador e o sujeito passivo, bem como a matéria tributável, além de calcular o montante do tributo devido, em estrita obediência ao disposto no caput do art. 142, do CTN, não havendo que se falar em nulidade do lançamento em razão de suposta “incompreensibilidade”. O cerceamento do direito de defesa se dá pela criação de embaraços ao conhecimento dos fatos e das razões de direito à parte contrária, ou então pelo óbice à ciência do auto de infração, impedindo a contribuinte de se manifestar sobre os documentos e provas produzidos nos autos do processo, hipótese que não se verifica in casu. O contraditório é exercido durante o curso do processo administrativo, nas instâncias de julgamento, não tendo sido identificado qualquer hipótese de embaraço ao direito de defesa do recorrente. Na fase oficiosa, a fiscalização atua com poderes amplos de investigação, tendo liberdade para interpretar os elementos de que dispõe para efetuar o lançamento. O princípio do contraditório é garantido pela fase litigiosa do processo administrativo (fase contenciosa), a qual se inicia com o oferecimento da impugnação. No presente caso, autoridade agiu em conformidade com os dispositivos legais que disciplinam o lançamento, discriminando no Anexo “Fundamentos Legais do Débito – FLD” os dispositivos legais aplicáveis ao caso, além de descrever no “Relatório Fiscal” os fatos geradores das contribuições, bem como os documentos que serviram de base e para a apuração das contribuições devidas, cujos valores estão demonstrados no “Discriminativo do Débito – DD”, além de mencionar os valores dos acréscimos legais a título de juros e multa, com a correspondente fundamentação legal. Constatado que não foi procedido o recolhimento das contribuições devidas, e considerando as disposições legais que atribuem prerrogativa de arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas na Legislação Previdenciária, e à fiscalização a obrigação legal de verificar se as contribuições devidas estão sendo realizadas em conformidade com o ali estabelecido, não pode o agente fiscal se furtar ao cumprimento do legalmente estabelecido, sob pena de responsabilidade, de conformidade com o art. 142, parágrafo único, do Código Tributário Nacional. Como bem assentado pela decisão de piso, o lançamento em comento seguiu todos os passos para sua correta formação, conforme determina o art. 142 do Código Tributário Nacional, quais sejam: (a) constatação do fato gerador cominado na lei; (b) caracterização da obrigação; (c) apuração do montante da base de cálculo; (d) fixação da alíquota aplicável à espécie; (e) determinação da exação devida – valor original da obrigação; (f) definição do sujeito passivo da obrigação; e (g) lavratura do termo correspondente, acompanhado de relatório discriminativo das parcelas mensais, tudo conforme a legislação. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos Fl. 132DF CARF MF Fl. 12 do Acórdão n.º 2401-007.044 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 35011.002935/2006-80 termos da legislação de regência, especialmente arts. 142 do CTN e 10 do Decreto n° 70.235/72, não há que se falar em nulidade do lançamento. Prosseguindo na análise das alegações preliminares, entendo que agiu com acerto a decisão de piso ao assentar o entendimento no sentido de que a realização de perícia somente se justificaria na hipótese de necessidade de esclarecer aspectos controvertidos que não ficaram suficientemente demonstrados pelas provas aportadas ao processo, não sendo essa a hipótese dos autos. Nesse desiderato, destaco que a conversão do julgamento em diligência ou eventual pedido de produção de prova pericial não serve para suprir ônus da prova que pertence ao próprio contribuinte, dispensando-o de comprovar suas alegações. O presente feito não demanda maiores investigações e está pronto para ser julgado, dispensando, ainda, a produção de prova pericial técnica, por não depender de maiores conhecimentos científicos, podendo a questão ser resolvida por meio da análise dos documentos colacionados nos autos, bem como pela dinâmica do ônus da prova, conforme se verá. Por fim, no tocante à recusa, por parte da autoridade julgadora, do pedido prorrogação de prazo para apresentar documentos, não contamina o processo de nulidade, eis que, ao contrário, obedece ao disposto no art. 16, § 4°, do Decreto n° 70.235/72. Ademais, até o presente momento, conforme se verá, a recorrente não juntou qualquer documentação comprobatória nos autos, baseando suas alegações no campo das presunções, não tendo sido verificado na hipótese, sua verdadeira intenção em colacionar documentos aos autos, eis que se passaram, aproximadamente, mais de 11 (onze) anos desde a sessão de julgamento realizada pela 7ª Turma da DRJ/SDR, juntada esta, que poderia ter sido feita, inclusive, nesta instância recursal, cabendo aqui a análise de sua apreciação ou não pelo colegiado. Ante o exposto, destaco que não vislumbro qualquer nulidade na hipótese dos autos, seja do lançamento tributário a que se combate ou mesmo da decisão proferida, não tendo sido constatada violação ao devido processo legal e à ampla defesa. Dessa forma, afasto as preliminares levantadas pela recorrente e passo a examinar o mérito da questão posta. 3. Mérito. A recorrente, em suma, repete em grande parte os argumentos lançados em sua impugnação, no sentido de que recolheu todos os encargos previdenciários, sendo que, em razão do encerramento das atividades na capital de Manaus, os livros e documentos fiscais foram encaminhados para a cidade de Sapucaia do Sul, Estado do Rio Grande do Sul, onde se encontram. Assim, quando do procedimento de fiscalização, os documentos já haviam sido encaminhados para Sapucaia do Sul, em razão do pedido de recuperação judicial da Recrusul S/A, eis que a recorrente é subsidiária integral desta. Diante desse contexto, afirma que a ilustre Auditora Fiscal da Previdência Social provavelmente encontrou dificuldade em fazer a reconciliação dos elementos que ainda estavam na capital de Manaus e já prontos para serem encaminhados para Sapucaia do Sul. Afirma, ainda, que no processo de recuperação judicial, por solicitação do administrador judicial e determinação judicial, foi incluída a recorrente. Fl. 133DF CARF MF Fl. 13 do Acórdão n.º 2401-007.044 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 35011.002935/2006-80 Também alega que na recuperação judicial não são exigíveis multas por infrações formais, como no presente caso. Para além do exposto, afirma que não se negou a exibir à Fiscalização os documentos solicitados, apenas explicou as circunstâncias que a impediam, sendo o caso de aplicação do artigo 745, da IN/SRP n° 03/2005. Contudo, entendo que não assiste razão à recorrente. Primeiramente, cabe destacar que a recorrente manifesta profundo desprezo em relação ao cumprimento das normas que regem a legislação tributária, adotando postura temerária, ao afirmar que em razão de suas dificuldades econômico-financeiras, operacionais e administrativas, “não poderia parar para atender exigências burocráticas ou continuar pagando aluguel da indústria apenas para ali manter livros fiscais”. Cabe pontuar que é de responsabilidade da empresa manter à disposição da fiscalização, os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações previdenciárias (art. 60, VII, da Instrução Normativa SRP n° 3, de 14 de julho de 2005), não se tratando de formalismo vazio, mas exigência necessária para a correta verificação do cumprimento da legislação tributária pela Auditoria Fiscal. Embora a recorrente alegue, veemente, que realizou o pagamento das contribuições sociais exigidas, não há nenhum documento acostado aos autos capaz de comprovar suas alegações. Caberia à recorrente, fazer prova dos fatos alegados, não tendo se desincumbindo deste ônus, sendo que, simples alegações desacompanhadas dos meios de prova que as justifiquem, revelam-se insuficientes para comprovar os fatos alegados. Ademais, cabe destacar que a legislação não traz tratamento diferenciado às empresas em recuperação judicial. É de se ver o artigo 394, da Instrução Normativa SRP n° 3, de 14 de julho de 2005, vigente à época: Art. 394. O tratamento dado, pela fiscalização, às empresas em recuperação judicial é idêntico ao dispensado às empresas em situação regular, salvo disposição em contrário no plano de recuperação judicial, inclusive quanto à identificação dos co-responsáveis e à cobrança dos encargos legais. Tem-se, pois, que o fato de a empresa se encontrar em processo de recuperação judicial não é suficiente para afastar a responsabilidade tributária que recai sobre seu patrimônio. E, ainda, ao contrário do que sustenta a recorrente, a multa fiscal decorre de disposição expressa de lei específica, não havendo norma que a dispense no caso de empresas em regime de concordata ou recuperação judicial, conforme preconizado pela Súmula nº 250 do STJ. Ademais, não há que se falar em aplicação do art. 745, da IN/SRP n° 03/2005, eis que se trata de procedimento a ser adotado de ofício pela SRP, apenas quando for constatado que os elementos necessários à Auditoria-Fiscal se encontram, efetivamente, em outro estabelecimento, o que sequer ficou demonstrado nos autos. Conforme visto, as alegações da empresa se baseiam no campo das presunções, no sentido de que realizou todos os pagamentos das contribuições sociais exigidas, sendo que os comprovantes, possivelmente, estariam em outro estabelecimento, contudo, tais fatos sequer foram acompanhados de provas. Dessa forma, reputo como correto o lançamento das contribuições sociais em epígrafe, não havendo motivos para a reforma da decisão de piso. Fl. 134DF CARF MF Fl. 14 do Acórdão n.º 2401-007.044 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 35011.002935/2006-80 Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário, para rejeitar as preliminares, e, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Matheus Soares Leite Fl. 135DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11516.001145/2009-81
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Sep 18 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Nov 07 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 9303-009.537
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(documento assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Tatiana Josefovicz Belisário (suplente convocada em substituição ao conselheiro Demes Brito), Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Ausente o conselheiro Demes Brito.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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CONTRIBUIÇÃO NÃO-CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS. O conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e da Lei n.º 10.833/2003, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade ou relevância, devendo ser considerada a imprescindibilidade ou a importância de determinado bem ou serviço para a atividade econômica realizada pelo Contribuinte. Referido conceito foi consolidado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), nos autos do REsp n.º 1.221.170, julgado na sistemática dos recursos repetitivos. A NOTA SEI PGFN MF 63/18, por sua vez, ao interpretar a posição externada pelo STJ, elucidou o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não- cumulativas, no sentido de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. TRIBUNAIS SUPERIORES. REPERCUSSÃO GERAL. NECESSIDADE DE REPRODUÇÃO DAS DECISÕES PELO CARF. Nos termos do art. 62, §1º, inciso II, alínea "b" e §2º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, os membros do Conselho devem observar as decisões definitivas do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 - Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 11 45 /2 00 9- 81 Fl. 676DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 9303-009.537 - CSRF/3ª Turma Processo nº 11516.001145/2009-81 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Tatiana Josefovicz Belisário (suplente convocada em substituição ao conselheiro Demes Brito), Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Ausente o conselheiro Demes Brito. Relatório Tratam-se de recursos especiais de divergência interpostos pela FAZENDA NACIONAL e pelo Contribuinte CARBONÍFERA METROPOLITANA S/A, ambos com fulcro no art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF n.º 256/2009, buscando a reforma do Acórdão n.º 3803- 003.367, proferido pela 3ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, que deu provimento parcial ao recurso voluntário. Na sequência, a FAZENDA NACIONAL interpôs recurso especial buscando a reforma da parte do acórdão que lhe foi desfavorável. Para tanto, suscitou divergência com relação às seguintes matérias: (i) conceito de insumo na sistemática não-cumulativa do PIS/Cofins; (ii) direito de crédito nas despesas com serviços de retificação de motores; e (iii) direito de crédito dos encargos de depreciação de bens usados incorporados ao ativo imobilizado. Para comprovar a divergência jurisprudencial, colacionou como paradigmas os acórdãos n.º 203- 12.448 (i); 3802-000.341 (ii); e 3101-000.795 (iii), respectivamente. O recurso especial teve seguimento parcial, somente com relação aos temas: (i) conceito de insumo na sistemática não-cumulativa das contribuições; e (ii) direito de crédito nas despesas com serviços de retificação de motores. O Contribuinte apresentou suas contrarrazões e interpôs recurso especial suscitando divergência jurisprudencial quanto à matéria “conceito de insumos”, e trouxe como paradigmas do dissenso interpretativo os acórdãos n.º 3202-00.226 e 9303-01.035. No exame de admissibilidade foi considerado como válido o primeiro paradigma (3202-00.226), que traz conceito mais amplo de insumo, considerando que o mesmo compreende todo e qualquer custo ou despesa necessário à manutenção da atividade da empresa. O segundo julgado indicado (9303-01.035), é convergente com o entendimento do acórdão recorrido, pois vincula o conceito de insumo aos gastos gerais com bens e serviços incorridos na produção dos bens ou na prestação dos serviços. Fl. 677DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 9303-009.537 - CSRF/3ª Turma Processo nº 11516.001145/2009-81 Nesse seguir, foi intimada a Fazenda Nacional, que apresentou contrarrazões ao recurso especial do Sujeito Passivo, postulando a sua negativa de provimento. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão 9303-009.536, de 18 de setembro de 2019, proferido no julgamento do processo 11516.001144/2009-36, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcreve-se como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 9303-009.536): “Admissibilidade Os recursos especiais de divergência interpostos pela FAZENDA NACIONAL (e-fls. 391 a 425) e pelo Contribuinte CARBONÍFERA METROPOLITANA S/A (e- fls. 553 a 567) atendem aos pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF n.º 343/2015 (anteriormente, Portaria MF n.º 256/2009), devendo, portanto, ter prosseguimento. Mérito No mérito, a Fazenda Nacional insurge-se requerendo a reversão das glosas dos créditos de PIS e COFINS não-cumulativos para os seguintes pontos: (i) conceito de insumo na sistemática não-cumulativa do PIS/Pasep; (ii) direito de crédito nas despesas com serviços de retificação de motores; e (iii) direito de crédito dos encargos de depreciação de bens usados incorporados ao ativo imobilizado. O Contribuinte, por sua vez, traz sua pretensão com relação à ampliação do conceito de insumos, sendo aplicável o critério da legislação do IRPJ. De início, explicita-se o conceito de insumos adotado no presente voto, matéria comum a ambos os recursos, para posteriormente adentrar-se à análise dos itens individualmente. A sistemática da não-cumulatividade para as contribuições do PIS e da COFINS foi instituída, respectivamente, pela Medida Provisória nº 66/2002, convertida na Lei nº 10.637/2002 (PIS) e pela Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003 (COFINS). Em ambos os diplomas legais, o Fl. 678DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 9303-009.537 - CSRF/3ª Turma Processo nº 11516.001145/2009-81 art. 3º, inciso II, autoriza-se a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda. 1 O princípio da não-cumulatividade das contribuições sociais foi também estabelecido no §12º, do art. 195 da Constituição Federal, por meio da Emenda Constitucional nº 42/2003, consignando-se a definição por lei dos setores de atividade econômica para os quais as contribuições sociais dos incisos I, b; e IV do caput, dentre elas o PIS e a COFINS. 2 A disposição constitucional deixou a cargo do legislador ordinário a regulamentação da sistemática da não-cumulatividade do PIS e da COFINS. Por meio das Instruções Normativas nºs 247/02 (com redação da Instrução Normativa nº 358/2003) (art. 66) e 404/04 (art. 8º), a Secretaria da Receita Federal trouxe a sua interpretação dos insumos passíveis de creditamento pelo PIS e pela COFINS. A definição de insumos adotada pelos mencionados atos normativos é excessivamente restritiva, assemelhando-se ao conceito de insumos utilizado para utilização dos créditos do IPI – Imposto sobre Produtos Industrializados, estabelecido no art. 226 do Decreto nº 7.212/2010 (RIPI). As Instruções Normativas nºs 247/2002 e 404/2004, ao admitirem o creditamento apenas quando o insumo for efetivamente incorporado ao processo produtivo de fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, aproximando-se da legislação do IPI que traz critério demasiadamente restritivo, extrapolaram as disposições da legislação hierarquicamente superior no ordenamento jurídico, a saber, as Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, e contrariaram frontalmente a finalidade da sistemática da não-cumulatividade das contribuições do PIS e da COFINS. Patente, portanto, a ilegalidade dos referidos atos normativos. 1 Lei nº 10.637/2002 (PIS). Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II - bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; [...]. Lei nº 10.8332003 (COFINS). Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...]II - bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; [...] 2 Constituição Federal de 1988. Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I - do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: [...] b) a receita ou o faturamento; [...] IV - do importador de bens ou serviços do exterior, ou de quem a lei a ele equiparar. [...]§ 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão não-cumulativas. (grifou-se) Fl. 679DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 9303-009.537 - CSRF/3ª Turma Processo nº 11516.001145/2009-81 Nessa senda, entende-se igualmente impróprio para conceituar insumos adotar-se o parâmetro estabelecido na legislação do IRPJ - Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, pois demasiadamente amplo. Pelo raciocínio estabelecido a partir da leitura dos artigos 290 e 299 do Decreto nº 3.000/99 (RIR/99), poder- se-ia enquadrar como insumo todo e qualquer custo da pessoa jurídica com o consumo de bens ou serviços integrantes do processo de fabricação ou da prestação de serviços como um todo. Em Declaração de Voto apresentada nos autos do processo administrativo nº 13053.000211/2006-72, em sede de julgamento de recurso especial pelo Colegiado da 3ª Turma da CSRF, o ilustre Conselheiro Gileno Gurjão Barreto assim se manifestou: [...] permaneço não compartilhando do entendimento pela possibilidade de utilização isolada da legislação do IR para alcançar a definição de "insumos" pretendida. Reconheço, no entanto, que o raciocínio é auxiliar, é instrumento que pode ser utilizado para dirimir controvérsias mais estritas. Isso porque a utilização da legislação do IRPJ alargaria sobremaneira o conceito de "insumos" ao equipará-lo ao conceito contábil de "custos e despesas operacionais" que abarca todos os custos e despesas que contribuem para a atividade de uma empresa (não apenas a sua produção), o que distorceria a interpretação da legislação ao ponto de torná-la inócua e de resultar em indesejável esvaziamento da função social dos tributos, passando a desonerar não o produto, mas sim o produtor, subjetivamente. As Despesas Operacionais são aquelas necessárias não apenas para produzir os bens, mas também para vender os produtos, administrar a empresa e financiar as operações. Enfim, são todas as despesas que contribuem para a manutenção da atividade operacional da empresa. Não que elas não possam ser passíveis de creditamento, mas tem que atender ao critério da essencialidade. [...] Estabelece o Código Tributário Nacional que a segunda forma de integração da lei prevista no art. 108, II, do CTN são os Princípios Gerais de Direito Tributário. Na exposição de motivos da Medida Provisória n. 66/2002, in verbis, afirma-se que “O modelo ora proposto traduz demanda pela modernização do sistema tributário brasileiro sem, entretanto, pôr em risco o equilíbrio das contas públicas, na estrita observância da Lei de Responsabilidade Fiscal. Com efeito, constitui premissa básica do modelo a manutenção da carga tributária correspondente ao que hoje se arrecada em virtude da cobrança do PIS/Pasep.” Assim sendo, o conceito de "insumos", portanto, muito embora não possa ser o mesmo utilizado pela legislação do IPI, pelas razões já exploradas, também não pode atingir o alargamento proposto pela utilização de conceitos diversos contidos na legislação do IR. Ultrapassados os argumentos para a não adoção dos critérios da legislação do IPI nem do IRPJ, necessário estabelecer-se o critério a ser utilizado para a conceituação de insumos. Fl. 680DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 9303-009.537 - CSRF/3ª Turma Processo nº 11516.001145/2009-81 Diante do entendimento consolidado deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, inclusive no âmbito desta Câmara Superior de Recursos Fiscais, o conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, inciso II da Lei 10.833/2003, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade. Referido critério traduz uma posição "intermediária" construída pelo CARF, na qual, para definir insumos, busca-se a relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo e a atividade realizada pelo Contribuinte. Conceito mais elaborado de insumo, construído a partir da jurisprudência do próprio CARF e norteador dos julgamentos dos processos, no referido órgão, foi consignado no Acórdão nº 9303-003.069, resultante de julgamento da CSRF em 13 de agosto de 2014: [...] Portanto, "insumo" para fins de creditamento do PIS e da COFINS não cumulativos, partindo de uma interpretação histórica, sistemática e teleológica das próprias normas instituidoras de tais tributos (Lei no. 10.637/2002 e 10.833/2003), deve ser entendido como todo custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto que seja destinado à venda, e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas (critério relacional), dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada processo produtivo. Nessa linha relacional, para se verificar se determinado bem ou serviço prestado pode ser caracterizado como insumo para fins de creditamento do PIS e da COFINS, impende analisar se há: pertinência ao processo produtivo (aquisição do bem ou serviço especificamente para utilização na prestação do serviço ou na produção, ou, ao menos, para torná-lo viável); essencialidade ao processo produtivo (produção ou prestação de serviço depende diretamente daquela aquisição) e possibilidade de emprego indireto no processo de produção (prescindível o consumo do bem ou a prestação de serviço em contato direto com o bem produzido). Portanto, para que determinado bem ou prestação de serviço seja considerado insumo gerador de crédito de PIS e COFINS, imprescindível a sua essencialidade ao processo produtivo ou prestação de serviço, direta ou indiretamente, bem como haja a respectiva prova. Não é diferente a posição predominante no Superior Tribunal de Justiça, o qual reconhece, para a definição do conceito de insumo, critério amplo/próprio em função da receita, a partir da análise da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo ou à prestação do serviço. O entendimento está refletido no voto do Ministro Relator Mauro Campbell Marques ao julgar o recurso especial nº 1.246.317-MG, sintetizado na ementa: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃO-CUMULATIVAS. CREDITAMENTO. Fl. 681DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 9303-009.537 - CSRF/3ª Turma Processo nº 11516.001145/2009-81 CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 - Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 - Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de não-cumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda - IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornando-os impróprios para o consumo. Assim, impõe- se considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido. Fl. 682DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 9303-009.537 - CSRF/3ª Turma Processo nº 11516.001145/2009-81 (REsp 1246317/MG, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/05/2015, DJe 29/06/2015) (grifou-se) Portanto, são insumos, para efeitos do art. 3º, II da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, II da Lei nº 10.833/2003, todos os bens e serviços pertinentes ao processo produtivo e à prestação de serviços, ou ao menos que os viabilizem, podendo ser empregados direta ou indiretamente, e cuja subtração implica a impossibilidade de realização do processo produtivo e da prestação do serviço, objetando ou comprometendo a qualidade da própria atividade da pessoa jurídica. Ainda, no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, o tema foi julgado pela sistemática dos recursos repetitivos nos autos do recurso especial nº 1.221.170 - PR, no sentido de reconhecer a ilegalidade das Instruções Normativas SRF nºs 247/2002 e 404/2004 e aplicação de critério da essencialidade ou relevância para o processo produtivo na conceituação de insumo para os créditos de PIS e COFINS no regime não-cumulativo. Em 24.4.2018, foi publicado o acórdão do STJ, que trouxe em sua ementa: “TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃO- CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543-C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individual-EPI. 4. Sob o rito do art. 543-C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentam-se as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto Fl. 683DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 9303-009.537 - CSRF/3ª Turma Processo nº 11516.001145/2009-81 compromete a eficácia do sistema de não-cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de terminado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte.” Até a presente data da sessão de julgamento desse processo não houve o trânsito em julgado do acórdão do recurso especial nº 1.221.170-PR pela sistemática dos recursos repetitivos, embora já tenha havido o julgamento de embargos de declaração interpostos pela Fazenda Nacional, no sentido de lhe ser negado provimento 3 . Faz-se a ressalva do entendimento desta Conselheira, que não é o da maioria do Colegiado, que conforme previsão contida no art. 62, §2º do RICARF aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, os conselheiros já estão obrigados a reproduzir referida decisão. Para melhor elucidar meu direcionamento, além de ter desenvolvido o conceito de insumo anteriormente, importante ainda trazer que, recentemente, foi publicada a NOTA SEI PGFN/MF 63/2018: "Recurso Especial nº 1.221.170/PR Recurso representativo de controvérsia. Ilegalidade da disciplina de creditamento prevista nas IN SRF nº 247/2002 e 404/2004. Aferição do conceito de insumo à luz dos critérios de essencialidade ou relevância. Tese definida em sentido desfavorável à Fazenda Nacional. Autorização para dispensa de contestar e recorrer com fulcro no art. 19, IV, da Lei n° 10.522, de 2002, e art. 2º, V, da Portaria PGFN n° 502, de 2016. Nota Explicativa do art. 3º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 01/2014." A Nota clarifica a definição do conceito de insumos na “visão” da Fazenda Nacional (Grifos meus): “41. Consoante se observa dos esclarecimentos do Ministro Mauro Campbell Marques, aludindo ao “teste de subtração” para compreensão do conceito de insumos, que se trata da “própria objetivação segura da tese aplicável a revelar a imprescindibilidade e a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte”. 3 PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO CONTRA ACÕRDÃO QUE DEU PARCIAL PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. CONCEITO DE INSUMO. PIS. COFINS. CREDITAMENTO DE DESPESAS EXPRESSAMENTE VEDADAS POR LEI. ARGUMENTOS TRAZIDOS UNICAMENTE EM SEDE DE DECLARATÓRIOS. IMPOSSIBILIDADE. INDEVIDA AMPLIAÇÃO DA CONTROVÉRSIA JULGADA SOB O RITO ART. 543-C DO CPC/73 (ART. 1.036 DO CPC/15). OMISSÃO OU OBSCURIDADE NÃO VERIFICADAS. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO DA UNIÃO A QUE SE NEGA PROVIMENTO. 1. É vedado, em sede de agravo regimental ou embargos de declaração, ampliar a quaestio veiculada no recurso especial, inovando questões não suscitadas anteriormente (AgRg no REsp 1.378.508/SP, Rel. Min. FELIX FISCHER, DJe 07.12.2016). 2. Os argumentos trazidos pela UNIÃO em sede de Embargos de Declaração, (enquadramento como insumo de despesas cujo creditamento é expressamente vedado em lei), não foram objeto de impugnação quando da interposição do Recurso Especial pela empresa ANHAMBI ALIMENTOS LTDA, configurando, portanto, indevida ampliação da controvérsia, vedada em sede de Embargos Declaratórios. 3. Embargos de Declaração da UNIÃO a que se nega provimento. (EDcl no REsp 1221170/PR, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 14/11/2018, DJe 21/11/2018) Fl. 684DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 9303-009.537 - CSRF/3ª Turma Processo nº 11516.001145/2009-81 Conquanto tal método não esteja na tese firmada, é um dos instrumentos úteis para sua aplicação in concreto. 42. Insumos seriam, portanto, os bens ou serviços que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços e que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção, ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. 43. O raciocínio proposto pelo “teste da subtração” a revelar a essencialidade ou relevância do item é como uma aferição de uma “conditio sine qua non” para a produção ou prestação do serviço. Busca-se uma eliminação hipotética, suprimindo-se mentalmente o item do contexto do processo produtivo atrelado à atividade empresarial desenvolvida. Ainda que se observem despesas importantes para a empresa, inclusive para o seu êxito no mercado, elas não são necessariamente essenciais ou relevantes, quando analisadas em cotejo com a atividade principal desenvolvida pelo contribuinte, sob um viés objetivo." Com tal Nota, restou claro, assim, que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção, ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. Ademais, tal ato ainda reflete sobre o “teste de subtração” que deve ser feito para fins de se definir se determinado item seria ou não essencial à atividade do sujeito passivo. Eis o item 15 da Nota PGFN: “15. Devese, pois, levar em conta as particularidades de cada processo produtivo, na medida em que determinado bem pode fazer parte de vários processos produtivos, porém, com diferentes níveis de importância, sendo certo que o raciocínio hipotético levado a efeito por meio do “teste de subtração” serviria como um dos mecanismos aptos a revelar a imprescindibilidade e a importância para o processo produtivo. 16. Nesse diapasão, poder-se-ia caracterizar como insumo aquele item – bem ou serviço utilizado direta ou indiretamente - cuja subtração implique a impossibilidade da realização da atividade empresarial ou, pelo menos, cause perda de qualidade substancial que torne o serviço ou produto inútil. 17. Observa-se que o ponto fulcral da decisão do STJ é a definição de insumos como sendo aqueles bens ou serviços que, uma vez retirados do processo produtivo, comprometem a consecução da atividade-fim da empresa, estejam eles empregados direta ou indiretamente em tal processo. É o raciocínio que decorre do mencionado “teste de subtração” a que se refere o voto do Ministro Mauro Campbell Marques.” Conforme delineado no acórdão recorrido, Carbonífera Metropolitana S/A, estabelecida na cidade de Criciúma-SC, tem como objeto social a extração, beneficiamento e comércio de carvão, a produção e comercialização de coque, a produção e comercialização de concentrado piritoso e a comercialização de imóveis. Boa parte de sua produção, juntamente com um consórcio de empresas do mesmo Fl. 685DF CARF MF Fl. 11 do Acórdão n.º 9303-009.537 - CSRF/3ª Turma Processo nº 11516.001145/2009-81 ramo, é vendida a empresa Tractebel Energia S/A, conforme cópia de parte do contrato juntado aos autos. Na perspectiva do conceito de insumos segundo o critério da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo, são analisados os itens suscitados pela Fazenda Nacional em seu recurso: (a) direito de crédito nas despesas com serviços de retificação de motores; e (b) direito de crédito dos encargos de depreciação de bens usados incorporados ao ativo imobilizado. No acórdão recorrido, a reversão das glosas restou fundamentada nos seguintes termos: [...] Custos de aquisição de bens usados O recorrente alega que tais gastos referem-se, na verdade, a serviços de conserto e manutenção de motores, conforme atestariam as cópias das notas fiscais, que a decisão recorrida afirma terem sido aportadas aos autos até a Manifestação de Inconformidade, emitidas por retificadores de motores. Constata-se, portanto, que a própria Administração tributária concebe que as ferramentas e os serviços de manutenção de máquinas utilizadas no processo produtivo dão direito à apuração de créditos das contribuições na sistemática da não cumulatividade. Tais serviços, em tese, subsumir-se-íam no conceito de insumo esposado nesta decisão, a depender da destinação dos motores retificados. Esse entendimento consta de algumas soluções de consulta, como a Solução de Consulta Disit 08 nº 30/2010 e a de nº 420, de 5 de dezembro de 2010, publicada na Seção 1 do Diário Oficial da União de 2 de fevereiro de 2011, em que se registrou que “[os] valores referentes a serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, para manutenção das máquinas e equipamentos empregados na produção de bens destinados à venda, podem compor a base de cálculo dos créditos a serem descontados da Cofins não cumulativa, desde que respeitados todos os demais requisitos normativos e legais atinentes à espécie.” Nesse sentido, admitam-se, na base de cálculo dos créditos da Contribuição, o valor dos custos efetivamente comprovados nos autos dos serviços de retificação de motores diretamente vinculados ao processo produtivo do ora recorrente, desde que os bens retificados tenham vida útil inferir a 1 (um) ano – condição para a sua não imobilização. Por outro lado, os custos dos serviços de retificação de motores não relacionados com o processo produtivo, que não estejam devidamente comprovados nos autos, não serão admitidos, ou que tenham vida superior a 1 (um) ano, não são admitidos. [...] Voto vencedor (somente quanto aos encargos de bens do ativo imobilizado) A divergência aberta no presente julgamento está adstrita a apenas a um ponto: o creditamento da depreciação incidente sobre bens usados adquiridos para o imobilizado. [...] Fl. 686DF CARF MF Fl. 12 do Acórdão n.º 9303-009.537 - CSRF/3ª Turma Processo nº 11516.001145/2009-81 Para negar a pretensão da Recorrente de ver reconhecido este direito ao creditamento pelo Colegiado ad quem, ora dissentido, ancorou-se na disciplina expressa do art. 1º, § 3º, inc. II, da IN SRF nº 457, de 20043. À míngua desse conceito esposado que, adite-se, é possível apreende-lo da própria dicção do texto legal, numa leitura mesmo pouco detida entenderam os demais conselheiros, na discussão antecedente à tomada dos votos, que a disciplina veiculada pela citada instrução normativa, de excluir expressamente os créditos ora em foco, não é consentânea com o disposto legal, seja na Lei nº 10.637/2002 ou na Lei nº 10.833/2003. Em torno disso, pode-se afirmar que existe nessa regência restrição não fixada no texto legal, e que erige um entendimento a que não se chega por meio de leitura integrativa do preceito legal com outros, por sinal em nada revelado. Veja-se o texto da Lei nº 10.637/2002, de conteúdo idêntico ao da Lei nº 10.833/2003, reguladoras, respectivamente do PIS e da Cofins, verbis: [...] Dessarte, inclinou-se esta maioria a excluir das glosas de créditos os valores escriturados sob esta rubrica. Pelo exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso para incluir no cálculo o saldo credor do ressarcimento da contribuição os créditos de depreciação sobre os bens usados adquiridos para o ativo imobilizado, mantendo-se os demais provimentos já consignados no voto vencido. [...] Demonstrado, portanto, que os itens que a Fazenda Nacional busca seja restabelecida a glosa encaixam-se no conceito de pertinência e essencialidade ao processo produtivo do Contribuinte, devendo, portanto, ser mantido o reconhecimento do direito ao crédito. Com relação ao recurso especial do Contribuinte, analisou-se o conceito de insumo, aplicando-se a posição que prevaleceu no julgado do STJ em sede de recurso repetitivo. Nessa perspectiva, necessário analisar-se especificamente os itens que restaram indeferidos no acórdão de recurso voluntário, quais sejam: (i) Gastos com o fornecimento de transporte, alimentação, lanches, leite, exames clínicos e laboratoriais e uniformes a empregados. Gastos com serviços de portaria, vigilância e motoristas: (ii) Custos de produção de carvão pagos a GR Terraplenagem Ltda (foram glosadas tão somente os itens "DESPESAS COM MÃO-DE-OBRA + FAXINA", "DESPESAS DE MATERIAIS" e "VIGILÂNCIA 1/2 RD METRO" da Planilha DEMONSTRATIVO DE SERVIÇO MENSAL SERVIÇO GR/RD METRO); Muito embora sejam importantes ao processo produtivo do Sujeito Passivo, as despesas listadas acima (“i” e “ii”) não se enquadram no conceito de insumos pela relação de essencialidade e pertinência à extração do carvão. Não há nos autos alegações novas que pudessem combater o entendimento exposto pelo Colegiado a quo com relação a esses itens, mantendo-se as glosas efetuadas pela Fiscalização. Fl. 687DF CARF MF Fl. 13 do Acórdão n.º 9303-009.537 - CSRF/3ª Turma Processo nº 11516.001145/2009-81 Portanto, consoante o conceito de insumos com fulcro na pertinência e essencialidade ao processo produtivo, devem ser reconhecidos como insumos os itens ora em discussão no presente recurso, tanto aqueles utilizados na fase agrícola quanto no processo de fabricação do produto da Contribuinte. Não merece reforma o acórdão recorrido, devendo ser negado provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Dispositivo Diante do exposto, nega-se provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional e ao recurso especial do Contribuinte.” Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por conhecer dos recursos interpostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional e pelo Contribuinte, para, no mérito, negar-lhes provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 688DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10245.002257/2007-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 08 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Nov 18 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/11/2003 a 30/04/2007
CERCEAMENTO DE DEFESA. PROCEDIMENTOS NA AUTUAÇÃO.
Não há cerceamento de defesa quando estão presentes nos Autos de Infração e seus anexos, os fatos geradores da autuação referentes ao não cumprimento das obrigações referentes às contribuições devidas à Seguridade Social e os dispositivos legais que amparam o débito lançado. Não restando comprovada a ocorrência de preterição do direito de defesa nem de qualquer outra hipótese expressamente prevista na legislação pátria, passiva de nulidade, não há que se falar em nulidade do lançamento.
Numero da decisão: 2201-005.551
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Francisco Nogueira Guarita - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Nogueira Guarita, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano Dos Santos, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente)
Nome do relator: FRANCISCO NOGUEIRA GUARITA
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/2003 a 30/04/2007 CERCEAMENTO DE DEFESA. PROCEDIMENTOS NA AUTUAÇÃO. Não há cerceamento de defesa quando estão presentes nos Autos de Infração e seus anexos, os fatos geradores da autuação referentes ao não cumprimento das obrigações referentes às contribuições devidas à Seguridade Social e os dispositivos legais que amparam o débito lançado. Não restando comprovada a ocorrência de preterição do direito de defesa nem de qualquer outra hipótese expressamente prevista na legislação pátria, passiva de nulidade, não há que se falar em nulidade do lançamento.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente (documento assinado digitalmente) Francisco Nogueira Guarita - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Nogueira Guarita, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano Dos Santos, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente)
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conteudo_txt : Metadados => date: 2019-11-13T03:01:17Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-11-13T03:01:17Z; Last-Modified: 2019-11-13T03:01:17Z; dcterms:modified: 2019-11-13T03:01:17Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-11-13T03:01:17Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-11-13T03:01:17Z; meta:save-date: 2019-11-13T03:01:17Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-11-13T03:01:17Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-11-13T03:01:17Z; created: 2019-11-13T03:01:17Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2019-11-13T03:01:17Z; pdf:charsPerPage: 1783; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-11-13T03:01:17Z | Conteúdo => S2-C 2T1 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10245.002257/2007-61 Recurso Voluntário Acórdão nº 2201-005.551 – 2ª Seção de Julgamento / 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 08 de outubro de 2019 Recorrente PONTUAL ASSESSORIA CONTABIL S S LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/2003 a 30/04/2007 CERCEAMENTO DE DEFESA. PROCEDIMENTOS NA AUTUAÇÃO. Não há cerceamento de defesa quando estão presentes nos Autos de Infração e seus anexos, os fatos geradores da autuação referentes ao não cumprimento das obrigações referentes às contribuições devidas à Seguridade Social e os dispositivos legais que amparam o débito lançado. Não restando comprovada a ocorrência de preterição do direito de defesa nem de qualquer outra hipótese expressamente prevista na legislação pátria, passiva de nulidade, não há que se falar em nulidade do lançamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente (documento assinado digitalmente) Francisco Nogueira Guarita - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Nogueira Guarita, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano Dos Santos, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente) Relatório O presente processo trata de recurso voluntário em face do Acórdão nº 01-12.979 – 4ª Turma da DRJ/BEL, fls, 315 a 319. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 24 5. 00 22 57 /2 00 7- 61 Fl. 361DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2201-005.551 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10245.002257/2007-61 Trata de autuação referente a contribuições sociais destinadas à Seguridade Social e, por sua precisão e clareza, utilizarei o relatório elaborado no curso do voto condutor relativo ao julgamento de 1ª Instância. DO LANÇAMENTO Trata-se de Auto de Infração, emitido em razão da empresa em epígrafe ter distribuído lucro a seus sócios, estando em débito para com a Seguridade Social, o que constitui infração prevista ao artigo 52, II da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, combinado com o art. 280, II do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06 de maio de 1999. Em consonância com o Relatório Fiscal da Inflação a empresa distribuiu lucros ao sócio administrador, Maclison Leandro, no período de novembro de 2003 a abril de 2007, conforme discriminado no demonstrativo anexo “Demonstrativo Pagamentos Efetuados a Título de Distribuição de Lucros Registrados nos Livros Caixa e Respectivos Saldos Bancários nas Datas de Vencimento dos Recolhimentos - GPS” que constitui as fls. 24 e 25 dos autos. Registra o mencionado relatório, ainda, que cópias dos recibos de pagamento intitulados “Recibos de Distribuição de Lucros” estão sendo anexados em cópia ao presente auto de infração (fls. 30 a 64), confirmando os lançamentos efetuados no Livro Caixa. Relata que a empresa desde janeiro/2000 vem recolhendo parcialmente as contribuições previdenciárias e que a partir de fevereiro/2004 deixou de recolher as contribuições descontadas dos segurados empregados. No período de junho/2004 a abril/2007 não foram recolhidas as contribuições patronais e retidas dos segurados empregados. Informa ainda que na mesma ação fiscal foram constituídos os créditos previdenciários apurados pelas NFLD n° 37.107.036-8, relativa à parte descontada dos empregados e NFLD n° 37.107.037-6, relativa à parte patronal. Consigna a autoridade fiscal que pela emissao das Guias de Recolhimento para o FGTS e Informações à Previdência Social - GFIP a empresa declarou a incidência de contribuições previdenciárias oriunda de fatos geradores contributivos no periodo fiscalizado, caracterizando o reconhecimento do débito pelo não recolhimento dos encargos, as quais foram anexadas em cópia, por amostragem, no intuito de comprovar as informações declaradas. Noticia ainda que nos livros Caixa não houve lançamentos de recolhimentos em GPS desde fevereiro de 2004 relativos aos fatos geradores incidentes de contribuições previdenciárias. Por outro lado, os pagamentos das remunerações dos segurados empregados, das retiradas pro labore e dos recibos de férias foram devidamente registrados nos respectivos livros, fatos geradores de contribuições previdenciárias. Atesta que estão sendo anexados o extrato de conta-corrente obtido no Sistema de Arrecadação da Receita Federal do Brasil e as cópias dos lançamentos efetuados nos livros Caixa para confirmação dos registros consignados dos fatos geradores e a ausência dos recolhimentos devidos. Salienta que a empresa embora estivesse em débito com a Previdência Social, inclusive com apropriação dos valores retidos dos segurados empregados, apresentava saldos expressivos de recursos financeiros em caixa/bancos, nas datas de vencimento de recolhimentos dos encargos previdenciários, conforme se observa na coluna “Saldo Fl. 362DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2201-005.551 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10245.002257/2007-61 Caixa/Banco” do discriminativo anexo: Demonstrativo de Pagamentos Efetuados a Título de Distribuição de Lucros Registrados nos Livros Caixa e Respectivos Saldos Caixa/Bancos nas Datas de Vencimentos dos Recolhimentos _ GPS. Ressalta por fim que as cópias dos Livros Caixa foram obtidas mediante o termo de Auto de Apreensão e Guarda e Devolução de Documentos _ AGD, datado de 20/ 1 1/2007. Em decorrência da infração praticada, foi aplicada a multa no valor de R$ 186.216,97 (cento e oitenta e seis mil, duzentos e dezesseis reais e noventa e sete centavos), correspondente a 50% da quantia paga ou creditada a partir da data do evento, conforme Lei n° 8.212/91, art. 52, parágrafo único, c/c o art. 34 (MP 1.571/97) e art. 285 do RPS. DA IMPUGNAÇÃO Em 15/01/2008, por intermédio do instrumento de fls. 293 a 297, acompanhada dos anexos de fls. 298 a 309 a impugnante apresentou impugnação ao lançamento declarada tempestiva conforme despacho de fls. 291, considerando a não devolução do Aviso de Recebimento-AR dos Correios, pleiteando a improcedência do lançamento, aduzindo o que, em síntese, relato nos itens que se seguem. Argui que no período do procedimento fiscal encontrava-se cadastrada como empresa de pequeno porte nos termos da Lei Complementar 123/2006 (anexo fls. 12) e que, por conseguinte, o Auditor Fiscal deveria ter aplicado o critério da dupla visita para lavratura de Autos de Infração disposto no artigo 55, parágrafo primeiro da mencionada Lei Complementar, in verbis: “Art 55. A fiscalização, no que se refere aos aspectos trabalhista, metrológico, sanitário, ambiental e de segurança, das microempresas e empresas de pequeno porte deverá ter natureza prioritariamente orientadora, quando a atividade ou situação, por sua natureza, comportar grau de risco compatível com esse procedimento. § 1° Será observado o critério de dupla visita para lavratura de autos de infração, salvo quando for constatada infração por falta de registro de empregado ou anotação da Carteira de Trabalho e Previdência Social - CTPS, ou, ainda, na ocorrência de reincidência, fraude, Aduz que todos os documentos solicitados pelo Auditor Fiscal foram enviados em tempo hábil, demonstrando assim, total interesse da empresa em esclarecer as dúvidas pertinentes. Postula que, além de atender à legalidade, o ato do administrador público deve conformar-se com a moralidade e a finalidade administrativas para dar plena legitimidade à sua atuação. Administração legitima só é aquela que se reveste de legalidade e probidade administrativas, tanto atendendo às exigências da lei como se conformando com os preceitos da instituição pública. Requer assim a anulação do lançamento da NFLD em razão da constatação de vicio insanável, especialmente quanto às formalidades para sua lavratura, ou seja, sem a observância do critério da dupla visita de que trata a Lei Complementar 123/2006. É o relatório. Em sua decisão, o órgão julgador de 1ª instância, decidiu que não assiste razão à contribuinte, de acordo com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Fl. 363DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2201-005.551 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10245.002257/2007-61 Período de apuração: 01/11/2003 a 30/04/2007 AUTO DE INFRAÇÃO-AI n° 37.107.031-7 (CPL52). DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DAR OU ATRIBUIR COTA OU PARTICIPAÇÃO Nos LUCROS A SÓCIO ESTANDO EM DÉBITO COM A SEGURIDADE SOCIAL. Dar ou atribuir cota ou participação nos lucros a sócio cotista, diretor ou outro membro de órgão dirigente, fiscal ou consultivo, ainda que a titulo de adiantamento, estando em débito com a Seguridade Social constitui infração ao artigo art. 52, II da Lei n° 8.212/1991 c/c o art. 280, II, do RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999. O crédito previdenciário lavrado em conformidade com o art. 37 da Lei n” 8.212/91 e alterações c/c art.142 do C.T.N, inclusive constituído de provas dos fatos geradores lançados, somente será elidido mediante a apresentação de provas, pelo contribuinte, que comprove a não ocorrência desses fatos. Tempestivamente, houve a interposição de recurso voluntário pela contribuinte às fls. 324/329, refutando os termos do lançamento e da decisão de piso. Voto Conselheiro Francisco Nogueira Guarita, Relator Por ser tempestivo e por atender as demais condições de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário. Ao iniciar seu recurso, a contribuinte contesta o procedimento do órgão julgador a quo, mencionando que o mesmo incorreu em evidente equívoco ao não reconhecer a total improcedência da impugnação, razão pela qual solicita a reforma do julgado e respectivo reconhecimento do direito do autuado. Segundo a recorrente, a decisão de primeira instância não levou em consideração, a eficácia dos princípios constitucionais da legalidade, finalidade, razoabilidade, moralidade, ampla defesa, segurança jurídica, interesse público. Todo o recurso se baseia no pedido de nulidade do acórdão do órgão de piso, pois, segundo a recorrente, na decisão recorrida, não se deu a merecida atenção aos valores pretendidos pelo recorrente, entre os quais, incluem-se os princípios de interesse público e igualdade, ou seja, valores de justiça, paz social, segurança e efetividade. Segundo a mesma, Os argumentos levantados, não foram apreciados pelo julgador, falha que certamente deverá ser suprida pela instância ad quem. Ao analisarmos o resumidíssimo recurso, percebemos que se trata de um insurgimento com fins aparentemente protelatórios, pois se baseia em contestações genéricas à decisão recorrida, invocando princípios da administração pública, inclusive citando entendimentos doutrinários, que segundo a recorrente, foram levantados perante a impugnação e não foram atacados pela referida decisão, sem ser específico em sua contestação. Ao nos debruçarmos sobre os pontos da impugnação apresentada perante o órgão julgador emitente da decisão recorrida, onde segundo a recorrente não foram analisados pelo órgão julgador inicial, percebemos que contestaram basicamente a forma como foram conduzidos os procedimentos da fiscalização ao elaborar o auto de infração atacado. Revendo Fl. 364DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2201-005.551 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10245.002257/2007-61 esses argumentos, percebe-se que tratam de argumentos totalmente descabidos, pois é nítida e cristalina a forma legal como foi conduzida a fiscalização, não tendo porque serem anulados os referidos procedimentos. Não há que se falar em nulidade da autuação quando estão presentes nos Autos de Infração e seus anexos, os fatos geradores da autuação referentes ao não cumprimento das obrigações referentes às contribuições devidas à Seguridade Social e os dispositivos legais que amparam o débito lançado. Não restando comprovada a ocorrência de preterição do direito de defesa nem de qualquer outra hipótese expressamente prevista na legislação, não há que se falar em nulidade do lançamento. Acertada foi toda a decisão recorrida, como bem conclui na parte final: Destarte, concluo que o lançamento em combate encontra-se revestido das formalidades legais, tendo sido lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto, mormente o disposto no art. 37 da Lei n° 8.212/91, no art. 243 do RPS aprovado pelo Decreto n° 3.048/99 e no art. 142 do CTN, descrevendo com clareza e precisão os valores distribuídos a título de lucro, por competência, os documentos onde foi constatada a prática da infração, os documentos onde foi constatada a existência do débito, restando claros os fatos ocorridos e os fundamentos juridicos e fáticos que amparam o presente lançamento fiscal e que a impugnante não logrou êxito em demonstrar a ocorrência dos fatos extintivos ou modificativos capazes de elidi-lo. Diante de todo o exposto, percebe-se que a decisão recorrida, diante de uma impugnação de cunhos genéricos, sem apresentação de elementos probatórios e da falta de elementos de convicção precisos, apresentou resposta à altura e correta aos termos questionados, não merecendo portanto, ser anulada e/ou reformulada. Conclusão Assim, tendo em vista tudo que consta nos autos, bem como na descrição dos fatos e fundamentos legais que integram o presente recurso, voto por conhecer do mesmo, para no mérito, negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Francisco Nogueira Guarita Fl. 365DF CARF MF
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