Sistemas: Acordãos
Busca:
mostrar execução da query
5850014 #
Numero do processo: 10166.001524/86-22
Turma: Primeira Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed May 24 00:00:00 UTC 1989
Ementa: IRPJ - DUPLO GRAU DE JURISDIÇÃO. Quando a decisão de primeiro grau agrava a exigência e introduz aspectos novos ao debate, deve ser reaberto novo prazo para impugnação, para resguardar os direitos em debate e o principio do duplo grau de jurisdição.
Numero da decisão: 101-78.696
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, determinar a remessa dos autos à DRF em Brasilia-DF, a fim de que seja reaberto prazo para nova - impugnação, à vista das inovações introduzidas na decisão recorrida,nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Urgel Pereira Lopes

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 198905

ementa_s : IRPJ - DUPLO GRAU DE JURISDIÇÃO. Quando a decisão de primeiro grau agrava a exigência e introduz aspectos novos ao debate, deve ser reaberto novo prazo para impugnação, para resguardar os direitos em debate e o principio do duplo grau de jurisdição.

turma_s : Primeira Câmara

numero_processo_s : 10166.001524/86-22

conteudo_id_s : 5438940

dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015

numero_decisao_s : 101-78.696

nome_arquivo_s : Decisao_101660015248622.pdf

nome_relator_s : Urgel Pereira Lopes

nome_arquivo_pdf_s : 101660015248622_5438940.pdf

secao_s : Primeiro Conselho de Contribuintes

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, determinar a remessa dos autos à DRF em Brasilia-DF, a fim de que seja reaberto prazo para nova - impugnação, à vista das inovações introduzidas na decisão recorrida,nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.

dt_sessao_tdt : Wed May 24 00:00:00 UTC 1989

id : 5850014

ano_sessao_s : 1989

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:37:45 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713047702689808384

conteudo_txt : Metadados => date: 2009-07-08T13:31:25Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-07-08T13:31:24Z; Last-Modified: 2009-07-08T13:31:25Z; dcterms:modified: 2009-07-08T13:31:25Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-07-08T13:31:25Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-07-08T13:31:25Z; meta:save-date: 2009-07-08T13:31:25Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-07-08T13:31:25Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-07-08T13:31:24Z; created: 2009-07-08T13:31:24Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2009-07-08T13:31:24Z; pdf:charsPerPage: 1436; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-07-08T13:31:24Z | Conteúdo => PROCESS!-N9 10.166-001.524/86-22 "7114 `‘~ MINISTÉRIO DA FAZENDA JAN Sessão de 24 de maio - 89 101-78.696de 19 ACÓRDÃO N2 Recurso n2 93.914 — IRPJ — EX: DE 1984 Recorrente FLÕRICE S/A - FLORESTAMENTO ,INDOSTRIA, E comEncio E EXPORTAÇÃO Recorrida DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL EM BRASÍLIA (DF) IRPJ - DUPLO GRAU DE JURISDIÇÃO. Quan- do a decisão de primeiro grau agrava a exigência e introduz aspectos novos ao debate, deve ser reaberto novo prazo para impugnação, para resguardar os direitos em debate e o principio do du pio grau de jurisdição. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de re curso interposto por FLUICE S.A. - FLORESTAMENTO, INDÚSTRIA, E COMÉR- CIO E EXPORTAÇÃO. ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Conse- lho de Contribtlifites, por unanimidade de votos, determinar a remessadce autos à DRF em Brasília-DF, a fim de que seja reaberto prazo para nova - impugnação, à vista das inovaçaes introduzidas na decisão recorrida,nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Sala das Sess6es (DF), em 24 de maio de 1989 URGEL * Lo*ES - PRESIDENTE E RELATOR L. VISTO EM AFONSO *O ER-REIRA- P- CAMPOS - PROCURADOR DA FAZENDA SESSÃO DE: R pvim NACIONAL Participaram,ainda, do presente julgamento os seguintes Conselheiros: CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES, FRANCISCO DE ASSIS MIRANDA, . CRISTÓVÃO - ANCHIETA DE PAIVA, CELSO ALVES FEITOSA, RAUL PIMENTEL, CÂNDIDO RODRI- GUES NEUBER e JOSn EDUARDO RANGEL DE ALCKMIN. SERVIÇO PUBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10.166-001.524/86-22 RECURSO N9: 93.914 ACORDÃON9: 101-78.696 RECORRENTE= FLORICE S/A- FLORESTAMENTO, INXISIRIA,E COMÉRCIO E EnDoluAçAD RELATORIO FLORICE S.A. FLORESTAMENTO, INDCSTRIA, COM2RCIO E EX PORTAÇÃO, empresa jurisdicionada à DRF em Brasilia-DF, recorre a es te Conselho inconformada com a decisão de primeiro grau. 2. Em consequência de revisão efetuada na sua deCiara- ção de rendimentos do exercicio de 1984, a contribuinte sofreu lan- çamento suplementar, conforme o Demonstrativo de fls. 59: "Lucro inflacionário realizado menor que o apurado em conformidade com a legislação vigente, conforme de- monstra mapa de apuração do lucro inflacionário em , anexo. Quadro 14, item 08 Valor declarado Valor apurado: 90.171.562 Redução calculada em valor maior que o apurado por incentivos fiscais Quadro 15, item 07 Valor declarado: 33.380,52 ORTN Valor apurado: 24.029,27 ORTN Imposto e PIS em ORTN Imposto PIS Valor apurado 21.390,00 796,09 Valor declarado 3,06 60,70 Lançamento Suplementar 21.386,94 735,39 /45 DMF DF/19 C C - Secgraf - 1600/75 3 SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 10.166-001.524/86-22 AcOrdão n9 101-78.696 3. A contribuinte preencheu SRLS, sem êxito. Em tem po, apresentou a impugnação de fls. 06/13 e anexos'. Quanto ao lucro inflacionário, onde se trata da realização a menor da parcela de Cr$ 90.171.562, diz que é parte' do saldo que vinha sendo diferida de exercícios anteriores, posto que o lucro inflacionário apurado no exercício de 1984, no montan— te de Cr$ 426.816.128, foi integralmente oferecido à tributação com isenção do imposto de renda. Sobre o tratamento a ser dado ao saldo advindo do exercício de 1983, surgiram dúvidas, na ocasião, que podem ser apresentadas na forma que segue. O lucro inflacionário objeto do diferimento dos exercícios anteriores, era proveniente das invers6es que foram feitas para a implantação dos seus empreendimentos na área da SU- DENE. De conformidade com o entendimento firmado pelo PN-CST n9 29, "o lucro inflacionário corresponde ao exercício da atividade beneficiada com isenção ou redução é insuscetível de diferimento na mesma proporção do favor a que a atividade tem di- reito". vista desse entendimento a impugnante não teve dúvidas de que o lucro inflacionário apurado durante a fase de implantação dos seus empreendimentos posteriormente amparados pe- la isenção, estava isento do imposto de renda. Ocorreu â impugnante: (a) realizar, integralmen- te, o lucro inflacionário do exercício de 1984, com isenção do imposto; (b) omitir-se quanto ao saldo de lucro inflacionário di- ferido dos exercícios anteriores, e (c) consultar, nos termos do art. 46 do Decreto n9 70.235/72, sobre o tratamento a ser dado ao mencionado saldo, ou seja, se poderia ser realizado no exercício' financeiro de 1984, que era o primeiro exercício de gozo da isen- ção, mediante a retificação da respectiva declaração de rendimen- tos. 4 SERVIÇO PUBLICO FEDERAL Processo n9 10.166-001.524/86-22 Ac6rdão n9 101-78.696 Formulada a consulta, foi ela solucionada com ba se no entendimento de que o referido saldo somente poderia ser realizado, com isenção, a partir do exercício de 1985, nos termos da IN 91/84. Em obediencia ã referida decisão, a impugnante , ao apresentar sua declaração de rendimentos do exercício de 1985, realizou todo o saldo do lucro inflacionário que fora diferido de exercícios anteriores ao de 1984. Agiu em harmonia com ato norma- tivo da SRF, para aplicação a seu caso concreto, pela decisão n9 001/85 do Superintendente da Receita Federal da la. R.F. A segunda imputação feita à impugnante diz res- peito à alegada redução do valor da isenção a que a defendentet.em direito, por valor superior ao apurado por incentivos fiscais,tam - bem o -revisor se equivocou. Cita e transcreve o parágrafo único do art. 444 do RIR/80. Alega que a separação, com exatidão e clareza,dos re- sultados do exercício dos empreendimentos instalados na área da SUDENE, tem por objeto determinar o valor dos resultados do eiTt.t preendimento incentivado, sobre os quais deverá incidir a norma isentiva., A impugnante, conhecedora da norma legal, apurou em sua contabilidade os resultados do seu empreendimento incentivado na área da SUDENE, separadamente dos resultados dos empreendimentos' não incentivados. Dai o valor de Cr$ 562.545.803, declarado no item 12, quadro 04, do Anexo 02, já está separado de todos os resultados não amparados pela isenção, que constaram no item 18 , do mesmo quadro. Aduz que a pretendida exclusão, pelo Fisco, do lucro declarado como isento, da parcela de Receitas Financeiras ' que ultrapassou as Despesas Financeiras, é inaplicável ao caso, pelo fato de já terem estas rubricas integrado a apuração dos re- sultados não incentivados. Invoca o Ac. n9 103-04.798. 4. Foram realizadas diligencias para verificar se a contabilidade da contribuinte é feita separadamente conforme a- legado na SRLS. 5 SERVIÇO PUBLICO FEDERAL Processo n9 10.166-001.524/86-22 Acórdão ne 101-78.696 5. Vieram os mapas de fls.4 e ,--aapreciação de fls. 115/122. 6 Decisão de primeiro grau a fls. 128/137, indefe rindo a impugnação. 7. Ciente em 20.01.89 a contribuinte interpós o recurso voluntário de fls. 143/144, protocolizado em 16.02.89. Sustenta que, embora mantendo sua escrituração contábil centrali zada nos mesmos livros, mantem , no seu Plano de Contas, regis- tro.contbeis específicos em relação ás atividades incentivadas' com a isenção do imposto e em relação às demais atividades. Que o lapso em que incorreu o Fisco decorreu do fato de o autor da diligencia haver confundido a separação dos registros contábeis com a separação dos livros contábeis, o _que são coisas distintas. O que a lei impõe é a separação dos regis- tros e não a separação dos registros contábeis. Sendo esta imputação um fato novo, que não po- dia ser impugnado , requer a este Colegiado que determine a rea- lização de diligencia especifica para dirimir esta dilvida. No mais, ratifica sua impugnação. n o relatório. 6 SERVIÇO PUBLICO FEDERAL Processo n9 10.166-001.524/86-22 Ac6rdão n9 101-78.696 VOTO Conselheiro URGEL PEREIRA LOPES, relatar: A recurso e tempestivo. No lançamento suplementar exigia-se o imposto de 21.386,94 ORTN's e o PIS de 735,39 ORTN's. A decisão de primeiro grau exije o imposto de 24.331,38 OTN's e o PIS de 954,95 OTN's. Tudo isso em função da diligencia efetuada na fase preparat6ria do julgamento de primeira instância. Aliãs, essa diligencia trouxe ao debate aspectos novos, em bom número, nomeadamente quanto a temas relacionados I com a escrituração da contribuinte. Tudo isso, a rigor, impunha rabertura do prazo para nova impugnação , em homenagem ao duplo grau de jurisdição e como medida acautelatd-ria dos direitos em disputa. A esta altura, voto no sentido de se fazer retor nar os autos à repartição de origem a fim de ser reaberto o prazo para impugnação, alertando-se a contribuinte de que ela pode apre sentar novas razões, ou ratificar seu recurso de fls. 142/144 co- mo impugnação. Se a contribuinte silenciar, apreciar-se-á esse recurso como impugnação. URGEL • 'EI' , LOP S - RELATOR Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1

score : 1.0
5870238 #
Numero do processo: 10384.902420/2008-84
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Mar 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2004 NULIDADE. No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e estando os atos administrativos motivados de forma explícita, clara e congruente, não há que se falar em nulidade dos atos em litígio. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. Cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado. Podem ser deduzidos na apuração do ajuste anual os valores de estimativa efetivamente pagos relativos ao ano-calendário objeto da DIPJ. Considera-se efetivamente pago por estimativa o crédito tributário extinto por meio de: dedução do tributo retido ou pago sobre as receitas que integram a base de cálculo, compensação solicitada por meio da Per/DComp ou de processo administrativo, compensação autorizada por medida judicial e valores pagos mediante DARF.
Numero da decisão: 1803-002.577
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. O Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes acompanhou pelas conclusões. Vencida a Conselheira Cristiane Silva Costa. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Cristiane Silva Costa, Ricardo Diefenthaeler, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201503

ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2004 NULIDADE. No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e estando os atos administrativos motivados de forma explícita, clara e congruente, não há que se falar em nulidade dos atos em litígio. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. Cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado. Podem ser deduzidos na apuração do ajuste anual os valores de estimativa efetivamente pagos relativos ao ano-calendário objeto da DIPJ. Considera-se efetivamente pago por estimativa o crédito tributário extinto por meio de: dedução do tributo retido ou pago sobre as receitas que integram a base de cálculo, compensação solicitada por meio da Per/DComp ou de processo administrativo, compensação autorizada por medida judicial e valores pagos mediante DARF.

turma_s : Terceira Turma Especial da Primeira Seção

dt_publicacao_tdt : Fri Mar 20 00:00:00 UTC 2015

numero_processo_s : 10384.902420/2008-84

anomes_publicacao_s : 201503

conteudo_id_s : 5443648

dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Mar 20 00:00:00 UTC 2015

numero_decisao_s : 1803-002.577

nome_arquivo_s : Decisao_10384902420200884.PDF

ano_publicacao_s : 2015

nome_relator_s : CARMEN FERREIRA SARAIVA

nome_arquivo_pdf_s : 10384902420200884_5443648.pdf

secao_s : Primeira Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. O Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes acompanhou pelas conclusões. Vencida a Conselheira Cristiane Silva Costa. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Cristiane Silva Costa, Ricardo Diefenthaeler, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva.

dt_sessao_tdt : Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015

id : 5870238

ano_sessao_s : 2015

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:38:28 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713047702694002688

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 22; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1968; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­TE03  Fl. 82          1 81  S1­TE03  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10384.902420/2008­84  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  1803­002.577  –  3ª Turma Especial   Sessão de  04 de março de 2015  Matéria  PER/DCOMP   Recorrente  BARRO FORTE INDÚSTRIA DE CERÂMICA LTDA   Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Exercício: 2004  NULIDADE.  No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita  compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e estando  os atos administrativos motivados de forma explícita, clara e congruente, não  há que se falar em nulidade dos atos em litígio.  PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE.  Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal.  PER/DCOMP.  ÔNUS  DA  PROVA.  COMPROVAÇÃO DA  LIQUIDEZ  E  CERTEZA.  Cabe  à  Recorrente  produzir  o  conjunto  probatório  nos  autos  de  suas  alegações,  já  que  o  procedimento  de  apuração  do  direito  creditório  não  prescinde  comprovação  inequívoca  da  liquidez  e  da  certeza  do  valor  de  direito creditório pleiteado.  Podem  ser  deduzidos  na  apuração  do  ajuste  anual  os  valores  de  estimativa  efetivamente pagos relativos ao ano­calendário objeto da DIPJ. Considera­se  efetivamente  pago  por  estimativa  o  crédito  tributário  extinto  por  meio  de:  dedução do  tributo  retido ou pago sobre as  receitas que  integram a base de  cálculo,  compensação  solicitada  por  meio  da  Per/DComp  ou  de  processo  administrativo, compensação autorizada por medida judicial e valores pagos  mediante DARF.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 4. 90 24 20 /2 00 8- 84 Fl. 82DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10384.902420/2008­84  Acórdão n.º 1803­002.577  S1­TE03  Fl. 83          2 Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao  recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. O Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes  acompanhou pelas conclusões. Vencida a Conselheira Cristiane Silva Costa.  (assinado digitalmente)  Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente  Composição  do  colegiado.  Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros:  Sérgio  Rodrigues  Mendes,  Arthur  José  André  Neto,  Cristiane  Silva  Costa,  Ricardo Diefenthaeler, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva.    Relatório  A  Recorrente  formalizou  o  Pedido  de  Ressarcimento  ou  Restituição/Declaração  de  Compensação  (Per/DComp)  nº  23217.84847.210507.1.3.03­8371,  em 21.05.2007 utilizando­se do crédito relativo ao saldo negativo de Contribuição Social sobre  o Lucro Líquido (CSLL) no valor de R$13.518,50 apurado pelo regime de tributação com base  no lucro real no ano­calendário de 2003, para compensação dos débitos ali confessados.  Em  conformidade  com  o  Despacho  Decisório  Eletrônico,  fl.  05,  as  informações  relativas  ao  reconhecimento  do  direito  creditório  foram  analisadas  das  quais  se  concluiu pelo indeferimento do pedido:  Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado não foi  possível confirmar a apuração do crédito pois o valor  informado na Declaração de  Informações Econômico­Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) não corresponde ao valor  do saldo negativo informado no PER/DCOMP.  Valor  original  do  saldo  negativo  informado  no  PER/DCOMP  com  demonstrativo de crédito: R$13.518,50   Valor do saldo negativo informado na DIPJ: R$36.392,14  Diante  do  exposto,  NÃO  HOMOLOGO  a  compensação  declarada  no  PER/DCOMP acima identificado. [...]  Enquadramento Legal: Parágrafo 1 ° do art. 8° e art. 28 da Lei 9.430, de 1998.  Art. 5° da IN SRF 600, de 2005. Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996.  Cientificada  em 05.12.2008,  fl.  18,  a Recorrente  apresentou  a manifestação  de inconformidade, fls. 02­04, com os argumentos a seguir discriminados.  Faz um relato sobre a ação fiscal e suscita que:  DO DIREITO   O despacho decisório emitido de forma unilateral e por meio eletrônico sem a  analise dos fatos ou mesmo da origem dos crédito indicados e utilizados nas diversas  Per/DComp, vem, e estar distorcendo a compensação de  tributos pelo contribuinte  no momento em que o Auditor apesar de descrever  formalmente em seu despacho  Fl. 83DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10384.902420/2008­84  Acórdão n.º 1803­002.577  S1­TE03  Fl. 84          3 que  existe  o  crédito,  não  o  utiliza  para  fins  de  sua  análise,  se  existe  a  dúvida  da  forma  de  compensação  o  mais  lógico  seria  a  intimação  do  contribuinte  para  o  esclarecimento das dúvidas por ventura existente, no processe em referencia existe  saldo negativa da CSLL declarado na DIPJ, conforme afirmado pelo Auditor Fiscal  [...] no valor de R$36.392,41 [...], porém no entanto foi compensado apenas o valor  de  R$13.518,50  [...],  deixando  o  contribuinte  de  compensar  o  seu  saldo  remanescente,  ora Sr.  Julgador  este  valor  compensado  é  apenas parte  dos  créditos  compensados nas Per/DComp objeto deste Despacho Decisório e mesmo que fosse a  menos o contribuinte estaria abdicando da compensação do saldo do credito não há  motivo  para  emissão  deste  ato,  com  a  alegação  que  o  contribuinte  compensou  valores menores do que os existentes na DIPJ, mesmo que isso fosse verdade será  que é proibido ao contribuinte utilizar apenas parte do seu crédito para compensação  de tributos através da Declaração de Compensação.   O que houve na realidade foi uma análise superficial das Declarações para a  emissão deste Despacho Decisório. A análise das declarações de compensação, por  parte da Receita Federal, no limite da decadência do crédito tributário, vem trazendo  insegurança do meio empresarial que possui créditos a compensar, que muitas vezes  é  surpreendido  com  despacho  como  este,  não  dando  mais  direito  a  refazer  ou  retificar as Declarações de Compensações enviadas anteriormente.  DO PEDIDO   A vista de todo o exposto requer:  Que seja julgada procedente a presente reclamação, para o fim de decretar a  nulidade  do  Despacho  Decisório,  em  razão  da  existência  do  credito  por  saldo  negativo  da  CSLL  e  ao  mesmo  mande  homologar  a  Per/DComp  de  número  23217.84847.210507.1.3.03­8371.  Protesta pela apresentação de todos os meios de prova em direito admitidos e  que seja este recurso conhecido e provido, integralmente, para declarar nulo todos os  registros inerentes ao referido Auto de Infração, por ser de direito e da mais lídima  justiça.  Está registrado como ementa do Acórdão da 5ª TURMA/DRJ/FOR/CE nº 08­ 028.116, de 05.12.2013, fls. 39­42:   ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  SOCIAL  SOBRE  O  LUCRO  LÍQUIDO  CSLL   Ano­calendário: 2003   COMPENSAÇÃO.  SALDO  NEGATIVO.  DIVERGÊNCIA  DIPJ  X  PER/DCOMP.  Homologa­se  parcialmente  a  compensação  até  o  limite  do  saldo  negativo  comprovado de acordo com os dados extraídos das pesquisas nos sistemas internos  da RFB.  Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte   Direito Creditório Reconhecido em Parte   Fl. 84DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10384.902420/2008­84  Acórdão n.º 1803­002.577  S1­TE03  Fl. 85          4 Notificada em 20.01.2014, fl. 44, Recorrente apresentou o recurso voluntário  em  04.02.2014,  fls.  45­52,  esclarecendo  a  peça  atende  aos  pressupostos  de  admissibilidade.  Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge.   Acrescenta que:  II ­DO DIREITO   Preliminar da Prescrição  Os  fatos  geradores  que  implicaram nos  presentes  autos  foram  realizados  no  ano­calendário  de  2003  e  que  resultaram  na  não  homologação  da  compensação  declarada  via  Per/DComp  e  utilizada  no  valor  de  R$13.392,41,  que,  conforme  o  Despacho Decisório de 24/11/2008, a exigência a  recolher  seria de R$23.069,57 e  por  força deste,  foi apresentada a Manifestação de  Inconformidade de 06/01/2009,  tendo  esta  sido  julgada  procedente  em  parte  pelo  Acórdão  n°  08­028.116  de  05/12/2013,  com  ciência  pela  Recorrente  em  21/01/2014,  em  vista  de  tais  fatos,  merecem sejam estes examinados à luz do instituto da prescrição tributária.  Analisando  o  aspecto  temporal,  com  balizamento  nas  datas  em  destaque,constata­se que:  a)  contado da data dos  fatos geradores  (ano­calendário de 2003),  para  até o  Despacho  Decisório  de  24/11/2008,  indiscutivelmente  tal  ato  administrativo  foi  realizado do em  tempo hábil  para a não  caracterização do  instituto da decadência,  previsto no art. 173 do CTN;  b) contado igualmente da data dos fatos geradores (ano­calendário de 2003),  para até o julgamento de primeira instância (05/12/2013) ou da ciência do Acórdão,  em 21/01/2014, foram transcorridos mais de 9 (nove) anos.  Ora, não se concebe a não definição de um processo administrativo fiscal por  mais de cinco anos, como é o caso em discussão. Situação que obriga o contribuinte  a permanecer, como acusado de devedor ao Fisco, por tão longo tempo, sem que o  processo tenha uma solução, o que traz sérios prejuízos para a chamada segurança  jurídica, além de obstaculizar o escopo da paz social e de locupletamento indevido  do credor.  De qualquer modo, além da precisa dicção do caput do art. 174, do CTN (A  ação para a cobrança do crédito tributário prescreve em 5 (cinco) anos, contados da  sua constituição definitiva), permitir a paralisação de um processo por mais de cinco  anos  sem  que  o  sujeito  ativo  cuide  de  cobrar  aquilo  que  supõe  lhe  ser  devido  é  aceitar, sem restrições, que uma pendência entre o contribuinte e o fisco se estenda  ad perpetuam.  Neste  ponto  cabe  indagar:  o  que  é,  segundo  dispõe  o  caput  do  art.  174  do  CTN, crédito tributário definitivamente constituído, posto que o próprio CTN não o  define?  Dizer  que  o  crédito  tributário  está  definitivamente  constituído  quando  se  esgotam todas as possibilidades de revisão do lançamento nas vias administrativas,  ou seja, quando não couber mais nenhum recurso administrativo é tese pretoriana e  de doutrina, apenas. Mas, tem a jurisprudência õu a doutrina o poder de suprir a lei  complementar ­ o CTN?  Para tentar aclarar o entendimento da matéria, é oportuno ter em mente, dois  institutos jurídicos insertos no bojo do focado CTN. O primeiro deles é suspensão 4  da exigibilidade do crédito tributário (art. 151) e o segundo é a prescrição (art. 174),  Fl. 85DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10384.902420/2008­84  Acórdão n.º 1803­002.577  S1­TE03  Fl. 86          5 que são figuras jurídicas distintas. Dentro desse quadro jurídico, há de se encaixar a  interrupção da prescrição, prevista no parágrafo único do citado art. 174.  Assim posta a matéria, importante se faz lembrar que os casos de interrupção  da descrição  elencados  no parágrafo único do  art.  174 do CTN,  são:  (a)  a  citação  pessoal  feita  ao  devedor;  (b)  o  protesto  judicial;  (c)  qualquer  ato  judicial  que  constitua em mora o devedor; (d) qualquer ato inequívoco, ainda que extrajudicial,  que  importe em  reconhecimento do débito pelo devedor. Analisando o dispositivo  em  questão,  observa­se  que  nele  não  há  qualquer  previsão  sobre  o  instituto  da  prescrição.  O  próprio  CTN  não  faz  referência  ao  mesmo  em  nenhum  de  seus  dispositivos.  Nas  hipóteses  de  interrupção  da  prescrição,  elencadas  no  citado  parágrafo  único, não constam impugnações e recursos administrativos, de onde se extrair que  aperfeiçoado o ato jurídico do lançamento com a ciência ao sujeito passivo, inicia­se  a  contagem  do  prazo  prescricional  de  cinco  anos  para  a  cobrança  do  crédito  tributário.  Dentro  desse  raciocínio,  cabe  referir:  realizado  o  fato  gerador,  nasce  a  obrigação tributária, e se o crédito tributário não for constituído pelo lançamento, a  hipótese é de decadência, em face da qual a administração tributária fica impedida  de constituí­lo validamente. A partir da constituição definitiva do crédito tributário,  ainda  que  sob  a  modalidade  de  auto  de  infração,  inicia­se  a  contagem  do  prazo  prescricional,  inclusive  para  efeito  da  denominada  prescrição  intercorrente,  que  poderá vir  a  ser decretada se o processo administrativo  fiscal  não  for ultimado no  qüinqüênio  legal.  E  a  prescrição  intercorrente  dá­se  quando,  suspensa  ou  interrompida  a  exigibilidade,  o  processo  administrativo  ou  judicial  fica  paralisado  por  incúria  da  Fazenda  Pública,  ou  seja,  a  prescrição  se  verifica  no  curso  do  processo.[...]  Nesse ponto, cabe trazer à colação o preceito estatuído no do art. 156,inciso V  do CTN ("Extinguem do crédito tributário: ...V ­ a prescrição e a decadência;"),que  determina  seja  extinto  o  crédito  tributário  no  caso  previsto  nesta  Preliminar,  de  prescrição, que é o que se quer, mas, se assim a Colenda Câmara não entender, que o  mérito seja examinado.  Mérito  O Acórdão que se combate adota por fundamento para julgar pela procedência  em  parte  da  Manifestação  de  Inconformidade,  a  não  tipificação  tributária  da  compensação de débito fiscal com saldo negativo de CSLL não comprovado, o que  pode  ser  contornado por  efetiva  e  criteriosa consulta aos valores demonstrados no  Per/DComp [...].  Com efeito,  o  saldo  negativo  de CSLL  se  verifica  quando,  ao  final  do  ano­ calendário,  a  pessoa  jurídica,  contrapondo  o  IRPJ  e  a CSLL  devidos  e  os  valores  antecipados ao longo do ano, identifica que pagou mais tributo do que deveria. Esse  pagamento a maior configura indébito passível de compensação, nos termos da Lei  nº 9.430/96, após o encerramento do ano­calendário.  Como se sabe, na composição do saldo negativo da CSLL são incluídas todas  as  parcelas  pagas  pelo  contribuinte  (ou  por  terceiros  em  seu  nome,  no  caso  de  retenções) por antecipação ao longo do ano­calendário, tais como:  a) retenções na fonte de IR e CSLL;  Fl. 86DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10384.902420/2008­84  Acórdão n.º 1803­002.577  S1­TE03  Fl. 87          6 b) pagamento de estimativas mensais com DARF;  c) pagamento de estimativas mensais via Per/DComp.  Cabe  destacar,  neste  particular,  que  atualmente  a  legislação  e  as  instruções  normativas da Receita Federal não vedam o pagamento de  estimativas mensais de  IRPJ e CSLL via compensação. A Medida Provisória 449/08 chegou a  tentar criar  essa  restrição,  incluindo  o  inciso  IX  no  §3°  do  art.  74  da Lei  9.430/96, mas  esse  dispositivo foi suprimido na conversão da medida provisória na Lei nº 11.941/09.  Aliás,  o  art.  156,  inciso  II,  do  CTN  elegeu  a  compensação  (ao  lado  do  pagamento,  da  prescrição,  da  decadência,  etc.)  como  modalidade  de  extinção  do  crédito tributário. Dessa forma, tendo o contribuinte quitado determinado débito por  compensação, o mesmo deve ser considerado extinto para todos os fins.  Dessa forma, conclui­se que não é lícito à autoridade fiscal reduzir o crédito  fiscal que tem como origem saldo negativo de CSLL ao singelo argumento de que o  mesmo é formado por outras compensações ainda pendentes de análise.  E mais,  conforme  os  §§  7º  a  10  do  art.  74  da  Lei  9.430/9617,  os  recursos  aviados  contra o despacho decisório que não homologa  a  compensação  têm efeito  suspensivo quanto à cobrança do débito compensado, nos termos do art. 151, inciso  III, do CTN.  Ou seja, enquanto houver recurso administrativo pendente de decisão final, o  débito pretendido devido de CSLL compensado tem sua exigibilidade suspensa, de  modo que não pode ser realizado qualquer ato tendente à sua cobrança pelo Fisco, o  que  também  impede  a  cobrança  indireta  desse  débito  mediante  redução  do  saldo  negativo apurado ao final do período de apuração.  Com  o  objetivo  de  fundamentar  as  razões  apresentadas  na  peça  de  defesa,  interpreta  a  legislação  pertinente,  indica  princípios  constitucionais  que  supostamente  foram  violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor.   Conclui que:  De  final  remate, materializada  a  situação  factual de que  a  recorrente não  se  descuidou  das  suas  obrigações  tributárias,  no  ano­calendário  de  2003,  inclusive  acusando o saldo negativo de CSLL de R$13.267,74 de  tal modo que, promovera,  rigorosamente quanto ao instituto jurídico da compensação, de conformidade com as  exigências burocráticas estabelecidas na legislação tributária aplicável.  Pelo  exposto,  demonstrada  a  insubsistência  da  procedência  apenas  em parte  da sua Manifestação de Inconformidade, espera e requer:  Seja acolhido o presente recurso para o fim de ser:  a) declarado nulo o Acórdão [...], e, em consequência, a extinção dos efeitos  do  Despacho  Decisório  [...]  face  tipificação  da  prescrição,  ou,  se  assim  não  for  decidido;  b) que, no mérito, seja reformada a,decisão do focado Acórdão, no sentido de  ser devidamente reconhecido o valor efetivamente compensado pela Recorrente, de  R$13.518,50.  Fl. 87DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10384.902420/2008­84  Acórdão n.º 1803­002.577  S1­TE03  Fl. 88          7 Toda  numeração  de  folhas  indicada  nessa  decisão  se  refere  à  paginação  eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada.  É o Relatório.  Voto             Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora  O  recurso  voluntário  apresentado  pela  Recorrente  atende  aos  requisitos  de  admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de  março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art.  151 do Código Tributário Nacional  (§ 11 do  art.  74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de  1996).  A Recorrente alega que os atos administrativos são nulos.   Os  atos  administrativos  não  prescindem  da  intimação  válida  para  que  se  instaure o processo, vigorando na sua totalidade os direitos, deveres e ônus advindos da relação  processual  de modo  a  privilegiar  as  garantias  ao  devido  processo  legal,  ao  contraditório  e  à  ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes1.  As  manifestações  unilaterais  da  RFB  foram  formalizadas  por  ato  administrativo,  como uma espécie de  ato  jurídico,  deve  estar  revestido  dos  atributos que  lhe  conferem a presunção de legitimidade, a imperatividade e a autoexecutoriedade, ou seja, para  que produza efeitos que vinculem o administrado deve ser emitido (a) por agente competente  que o pratica dentro das suas atribuições legais, (b) com as formalidades indispensáveis à sua  existência, (c) com objeto, cujo resultado está previsto em lei, (d) com os motivos, cuja matéria  de  fato ou de direito  seja  juridicamente  adequada  ao  resultado obtido  e  (e)  com a  finalidade  visando o propósito previsto na regra de competência do agente. Tratando­se de ato vinculado,  a Administração Pública tem o dever de motivá­lo no sentido de evidenciar sua expedição com  os requisitos legais2.  O  Despacho  Decisório  foi  lavrado  por  servidores  competentes  com  observância de todos os requisitos legais (art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e  Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972).   A  autoridade  tributária  tem  o  direito  de  examinar  a  escrituração  e  os  documentos comprobatórios dos lançamentos nela efetuados e a pessoa jurídica tem o dever de  exibi­los  e  conservá­los  até  que  ocorra  a  prescrição  dos  créditos  tributários  decorrentes  das                                                              1 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 142 e art. 195 do Código  Tributário Nacional. art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 9º, art. 10, art. 23 e 59 do Decreto nº  70.235, de 6 de março de 1972, Decreto nº 6.104, de 30 de abril de 2007, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de  janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 6, 8, 27 e 46.  2 Fundamentação legal: art. 179 da Constituição Federal, art. 2º da Lei nº 4.717, de 29 de junho de 1965, § 2º do  art. 9º do Decreto­Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977 e Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996.  Fl. 88DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10384.902420/2008­84  Acórdão n.º 1803­002.577  S1­TE03  Fl. 89          8 operações a que se  refiram, bem como de prestar as  informações que  lhe forem solicitadas e  colaborar para o esclarecimento dos fatos3.   As Autoridade Fiscais  agiram em cumprimento  com o dever de ofício  com  zelo  e  dedicação  as  atribuições  do  cargo,  observando  as  normas  legais  e  regulamentares  e  justificando  o  processo  de  execução  do  serviço,  bem  como  obedecendo  aos  princípios  da  legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa,  contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. 4   A  decisão  de  primeira  instância  está  motivada  de  forma  explícita,  clara  e  congruente e da qual a pessoa jurídica foi regularmente cientificada. Ainda, na apreciação da  prova, a autoridade julgadora formou livremente sua convicção, em conformidade do princípio  da  persuasão  racional5.  Assim,  o  Despacho  Decisório,  fl.  07  e  o  Acórdão  da  5ª  TURMA/DRJ/FOR/CE nº  08­028.116,  de  05.12.2013,  fls.  39­42,  contêm  todos  os  requisitos  legais, o que lhes conferem existência, validade e eficácia.   As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram  reunidos  no  processo,  que  estão  instruídos  com  as  provas  produzidas  por meios  lícitos,  em  observância às garantias ao devido processo  legal. O enfrentamento das questões na peça de  defesa  denota perfeita  compreensão  da descrição  dos  fatos  e dos  enquadramentos  legais  que  ensejaram os procedimentos de ofício. A  tese protetora exposta ela defendente,  assim sendo,  não está demonstrada.  A  Recorrente  defende  que  o  pedido  de  compensação  foi  alcançado  pela  homologação tácita.  A pessoa jurídica que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB,  passível de restituição, pode utilizá­lo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002,  a  compensação  somente  pode  ser  efetivada  por  meio  de  declaração  e  com  créditos  e  débitos  próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os  pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo  à  data  do  protocolo.  Posteriormente,  ou  seja,  em  de  30.12.2003  ficou  estabelecido  que  a  Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos  débitos indevidamente compensados. Para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação  também fixou o prazo de cinco anos, contados da data da entrega da declaração, para que os  débitos  sejam  homologados  tacitamente,  o  que  privilegia  o  princípio  da  segurança  jurídica,  embora não se possa  inferir que este  instituto  tenha o  efeito de  fazer nascer qualquer direito  creditório6.  No  presente  caso  verifica­se  que  o  Per/DComp  foi  formalizado  em  21.05.2007 e a Recorrente foi notificada do Despacho Decisório em 05.12.2008, fl. 18. Dessa  sorte não transcorreu o prazo de cinco anos e assim não há que se falar em homologação tácita                                                              3  Fundamentação  legal:  art.  142  e  art.  195  do  Código  Tributário  Nacional,  art.  6º  da  Lei  nº  10.593,  de  6  de  dezembro de 2002, art. 10 e art. 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784  de 29 de janeiro de 1999.  4 Fundamentação  legal: art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 21 de  janeiro de 1999 e art. 37 da Constituição Federal.  5 Fundamentação legal: art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972.  6 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170­A Constituição Federal, art. 74 da Lei nº 9.430, de 26  de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de  dezembro de 2003.  Fl. 89DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10384.902420/2008­84  Acórdão n.º 1803­002.577  S1­TE03  Fl. 90          9 das  compensações  dos  débitos  confessados  no  Per/DComp.  Além  disso,  tem  cabimento  a  aplicação do enunciado da Súmula CARF nº 11, que determina que "não se aplica a prescrição  intercorrente no processo administrativo fiscal". A pretensão da defendente, por esta razão, não  tem cabimento.  A Recorrente suscita que o Per/DComp deve ser deferido.  O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB,  passível de restituição, pode utilizá­lo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002,  a  compensação  somente  pode  ser  efetivada  por  meio  de  declaração  e  com  créditos  e  débitos  próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os  pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo  à data do protocolo.   Posteriormente,  ou  seja,  em  de  30.12.2003,  ficou  estabelecido  que  a  Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos  débitos  indevidamente  compensados,  bem  como  que  o  prazo  para  homologação  tácita  da  compensação  declarada  é  de  cinco  anos,  contados  da  data  da  sua  entrega.  Ademais,  o  procedimento se submete ao rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, inclusive para  os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. 7.   O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os  ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente  da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de  ato  ou  negócio. A  escrituração mantida  com  observância  das  disposições  legais  faz  prova  a  favor  dela  dos  fatos  nela  registrados  e  comprovados  por  documentos  hábeis,  segundo  sua  natureza, ou assim definidos em preceitos legais8.   Instaurada  a  fase  litigiosa  do  procedimento,  cabe  à  Recorrente  detalhar  os  motivos  de  fato  e  de  direito  em  que  se  basear  expondo  de  forma  minuciosa  os  pontos  de  discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental pré­constituída  imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. Por seu turno, a autoridade julgadora,  orientando­se  pelo  princípio  da  verdade  material  na  apreciação  da  prova,  deve  formar  livremente  sua  convicção mediante  a  persuasão  racional  decidindo  com  base  nos  elementos  existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos.   Para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário verificar a  liquidez e certeza mediante um cuidadoso exame do pagamento  a maior de  tributo, uma vez  que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de  escrituração  obrigatórios  por  legislação  fiscal  específica  bem como os  documentos  e demais  papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal.  A  pessoa  jurídica  pode  deduzir  do  tributo  devido  o  valor  dos  incentivos  fiscais previstos na legislação de regência, do tributo pago ou retido na fonte, incidente sobre                                                              7 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170­A do Códido Tributário Nacional, art. 9º do Decreto­ Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996,  art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003.  8 Fundamentação legal  : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de  1985,  art.  6º  e  art.  9º  do Decreto­Lei  nº  1.598, de 26  de dezembro de 1977,  art.  37 da Lei nº 8.981,  de 20  de  novembro de 1995, art. 6º e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.430,  de 27 de dezembro de 1996.  Fl. 90DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10384.902420/2008­84  Acórdão n.º 1803­002.577  S1­TE03  Fl. 91          10 receitas computadas na determinação da base de cálculo, bem como a CSLL determinada sobre  a  base  de  cálculo  estimada  no  caso  utilização  do  regime  com base  no  lucro  real  anual,  para  efeito de determinação do  saldo de CSLL a pagar ou  a  ser  compensada no  encerramento do  ano­calendário, ocasião em que se verifica a sua liquidez e certeza9.   Sobre  a  possibilidade  jurídica  de  utilização  da  CSLL  determinada  sobre  a  base de cálculo estimada, objeto de extinção sob condição resolutória de ulterior homologação  da  compensação,  para  dedução  da  CSLL  devida  no  cálculo  do  saldo  negativo  apurado  no  encerramento do período, a Procuradoria da Fazenda Nacional mediante Parecer PGFN/CAT  nº 88/2014 manifestou­se no seguinte sentido:  PARECER PGFN/CAT/Nº 88/2014   Imposto  de  Renda  da  Pessoa  Jurídica  –  IRPJ.  Contribuição  Social sobre o Lucro Líquido – CSLL. Opção por tributação pelo  lucro  real  anual. Apuração mensal dos  tributos  por  estimativa.  Lei  nº  9.430,  de  27.12.1996.  Não  pagamento  das  antecipações  mensais.  Inclusão  destas  em  Declaração  de  Compensação  (DCOMP)  não  homologada  pelo  Fisco.  Conversão  das  estimativas  em  tributo  após  ajuste  anual.  Possibilidade  de  cobrança.  I ­ OBJETO DA CONSULTA   Trata­se  de  consulta  cuja  origem  remonta  a  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil,  tendo  sido  encaminhada  para  manifestação acerca da ratificação ou retificação dos Pareceres  PGFN/CAT  nº  1.658/2011  e  193/2013,  os  quais  trataram  da  impossibilidade  de  inscrição  em  Dívida  Ativa  da  União  dos  valores  mensalmente  apurados  por  estimativa,  a  título  de  antecipação  do  Imposto  de  Renda  da  Pessoa  Jurídica  e  da  Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, e não pagos, ainda  que objetos de Declaração de Compensação não homologada.   2. A consulta, realizada por meio da Nota Cosit nº 31, de 20 de  novembro  de  2013,  propugna  pela  revisão  dos  Pareceres  PGFN/CAT nº 1.658/2011 e 193/2013, nos seguintes termos:    “a)  dada  a  regra  geral  de  que  a  estimativa  não  paga  não  é  passível  de  cobrança,  excepcionalmente  a  estimativa  estaria  sujeita  a  cobrança  e  inscrição  em  DAU,  quando  objeto  de  parcelamento inadimplido ou de compensação não homologada  ou considerada não declarada;  b)  se  a  lei  permite  a  compensação  de  estimativa  por  meio  de  DComp, pode advir decisão administrativa de não homologação,  com  posterior  manifestação  de  inconformidade,  bem  como  de  suspensão do débito;   c) sendo possível, ao final da análise da DComp e do julgamento  pela  CRJ  e  pelo  CARF,  manter­se  não  homologada  a                                                              9 Fundamentação legal: art. 170 do Código Tributário Nacional, art. 34 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 e  art. 2º da Lei nº 9.430, 27 de dezembro de 1996.  Fl. 91DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10384.902420/2008­84  Acórdão n.º 1803­002.577  S1­TE03  Fl. 92          11 compensação de valores de estimativa, tem­se, por consequência  lógica, a possibilidade de sua cobrança após o ajuste anual;   d)  se  a  lei  especial  admite  o  parcelamento  de  valores  de  estimativa  informados  em  DComp  não  homologada,  eventual  inadimplência  levará  à  sua  cobrança  e  execução  por  parte  da  PGFN;   e)  do  contrário,  a  manter  o  entendimento  dos  referidos  pareceres,  que  se  pronuncie  quanto  aos  questionamentos  constantes dos itens 48 e 52.”   3. A angústia dos consulentes reside na preocupação quanto ao  fato de não saberem como proceder na hipótese de manutenção  dos Pareceres PGFN/CAT nº 1.658/2011 e 193/2013, como pode  ser percebido do item (e) acima, o qual faz referência aos itens  48 e 52, cujo teor transcrevemos:    “48. Diante de todo o exposto, e tendo em vista que os valores  de estimativas devidos foram confessados em DComp e que, após  o encerramento do ano­calendário, não há mais que se falar em  estimativa, pois as antecipações passam a revestir o caráter de  tributo, tanto que passam a compor o resultado apurado no final  do ano­base, questiona­se:   a)  Na  hipótese  de  o  contribuinte  utilizar  como  dedução  na  apuração  anual  do  tributo  valores  de  estimativas  que  tenham  sido confessadas em DComp, cuja compensação não tenha sido  homologada, a RFB não pode  efetuar a  cobrança da diferença  devida com base na DComp, cobrando esse valor como tributo e  não mais como estimativa, mesmo que seja após a ocorrência do  fato gerador (31 de dezembro)?   b) Qual seria o marco para início da incidência dos acréscimos  legais:  (i) o vencimento da estimativa não paga (último dia útil  do mês subsequente àquele a que se referir), ou (ii) o vencimento  do  tributo  (último dia útil  do mês  de março  do  ano calendário  subsequente ao ano base)?   c) Qual seria o termo inicial do prazo de que a Fazenda disporia  para  efetuar  a  cobrança  dos  valores  confessados  e  indevidamente  deduzidos  do  ajuste  anual?  Seria  a  data  da  confissão  do  débito  de  estimativa  em  DComp,  considerando,  ainda,  que  o  prazo  prescricional  não  corre  no  período  que  medeia  a  entrega  da  DComp  e  a  não  homologação  da  compensação?   d) Em se mantendo o entendimento de que as estimativas não são  créditos tributários, por isso não podem ser cobradas com base  na  DComp  não  homologada,  mas  devem  ser  objeto  de  lançamento de ofício, pergunta­se: não sendo crédito tributário,  as  estimativas  poderiam  ser  compensadas,  uma  vez  que  a  legislação  sempre  trata  da  compensação  entre  créditos  tributários líquidos e certos?   ...omissis...  Fl. 92DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10384.902420/2008­84  Acórdão n.º 1803­002.577  S1­TE03  Fl. 93          12 52.  Importante  mencionar,  todavia,  que  dos  R$  169  bilhões  relativos  aos  créditos  de  saldos  negativos,  R$  930  milhões  (0,55%) refere­se a estimativas parceladas. Sendo assim, diante  da  existência  de  permissão  legal,  tanto  que  existente  crédito  tributário  nessa  situação,  questiona­se:  a  RFB  pode,  por  ato  infralegal,  restringir  o  direito  do  contribuinte,  vedando  a  inclusão de tais antecipações no parcelamento simplificado, com  base no argumento de que, ao final do ano­base, as estimativas  são substituídas pelo tributo apurado? E quando o parcelamento  for  de  estimativas  cuja  compensação  não  foi  homologada  e  se  der  depois  de  31/12 do  ano­calendário  a  que  correspondem as  antecipações?”   4.  A  grande  diferença  das  consultas  anteriores  é  que  essa  ressalta o questionamento em relação aos valores da estimativa  que  foram  contabilizados  após  o  ajuste  anual,  ou  seja,  não  seriam mais  estimativas, mas  valores  que  foram  contabilizados  no  ajuste  como  tributos  efetivamente  pagos  ou  compensados,  portanto,  os  valores  seriam  parte  do  tributo  que  teve  sua  compensação  não  homologada,  como  é  possível  constatar  em  trecho da Nota Técnica Cosit n.º 31/2013:   “Entretanto, a PGFN não considerou a possibilidade de que as  estimativas  parceladas  fossem  aquelas  objeto  de  compensação  não­homologada  e,  quase  sempre,  efetuado  o  parcelamento  depois  de  ano­calendário  encerrado.  Ou  seja,  as  estimativas  parceladas  podem  ser  aquelas  que  compuseram  o  ajuste  anual  do  imposto apurado e deste  foi deduzido por  compensação que  veio a ser não­homologada”   5. Desse modo,  a  consulta  realizada  em  nada  se  assemelha  as  anteriores,  em  que  foram  tratadas  as  estimativas,  ou  seja,  valores  não  consolidados  no  ajuste  anual.  Tanto  o  Parecer  PGFN/CAT  n.º  1.658/2011,  quanto  no  Parecer  PGFN/CAT  n.º  193/2013  abordam  os  valores  relativos  a  estimativa,  não  analisando  a  mudança  de  natureza  que  ocorre  após  o  ajuste  anual,  portanto,  não  vislumbramos  nenhuma  razão  para  alteração  dos  pareceres  anteriores,  aos  quais  remetemos  para  questão das estimativas.   II ­ TRANSFORMAÇÃO DA ESTIMATIVA EM TRIBUTO   6. O imposto de renda tem sua matriz no Art. 153, Inciso III da  Constituição  Federal,  estabelecendo  princípios  para  sua  regência  no  §  2º  do  mesmo  artigo,  além  dos  já  previstos  nos  Arts.  150  e  151  da  Carta  Magna,  porém,  o  delineamento  do  tributo consta no Código Tributário Nacional, ao definir o  fato  jurídico tributário que enseja a incidência do imposto de renda:   “Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e  proventos  de  qualquer  natureza  tem  como  fato  gerador  a  aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica:   I ­ de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho  ou da combinação de ambos;   Fl. 93DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10384.902420/2008­84  Acórdão n.º 1803­002.577  S1­TE03  Fl. 94          13 II  ­  de  proventos  de  qualquer  natureza,  assim  entendidos  os  acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior.   §  1º  A  incidência  do  imposto  independe  da  denominação  da  receita  ou  do  rendimento,  da  localização,  condição  jurídica  ou  nacionalidade  da  fonte,  da  origem  e  da  forma  de  percepção.  (Parágrafo incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001)   §  2º  Na  hipótese  de  receita  ou  de  rendimento  oriundos  do  exterior, a lei estabelecerá as condições e o momento em que se  dará  sua  disponibilidade,  para  fins  de  incidência  do  imposto  referido  neste  artigo.  (Parágrafo  incluído  pela  Lcp  nº  104,  de  10.1.2001)   Art.  44.  A  base  de  cálculo  do  imposto  é  o  montante,  real,  arbitrado ou presumido, da renda ou dos proventos tributáveis.   Art. 45. Contribuinte do imposto é o titular da disponibilidade a  que  se  refere  o  artigo  43,  sem  prejuízo  de  atribuir  a  lei  essa  condição ao possuidor, a qualquer título, dos bens produtores de  renda ou dos proventos tributáveis.   Parágrafo único. A lei pode atribuir à fonte pagadora da renda  ou  dos  proventos  tributáveis  a  condição  de  responsável  pelo  imposto cuja retenção e recolhimento lhe caibam.”   7. Não existe nenhuma dúvida quanto ao fato jurídico tributário  que enseja a incidência do imposto sobre a renda, valendo trazer  a lição a seguir a respeito do conceito de renda:    “...o  acréscimo  de  valor  patrimonial,  representativo  da  obtenção  de  produto,  da  ocorrência  de  fluxo  de  riqueza  ou  simples  aumento  do  valor  do  patrimônio,  de  natureza material  ou  imaterial,  acumulado ou consumido, que decorre ou não de  uma  fonte  permanente,  que  decorre  ou  não  de  uma  fonte  produtiva,  que  não  necessariamente  esta  realizado,  que  não  necessariamente  esta  separado,  que  pode  ou  não  ser  periódico  ou reprodutível, normalmente  líquido, e que pode ser de  índole  monetária ou em espécie.”  8. Outro aspecto deve ser levando em consideração para aferir a  renda,  o  interstício  temporal,  a  partir  da  combinação  de  acréscimos  e  decréscimos  patrimoniais  relevantes,  que  vão  apontar  o ganho de  renda do  sujeito  passivo  num determinado  período. Vejamos lição de Hugo de Brito Machado:   “em se tratando de imposto de incidência anual, pode­se afirmar  que o seu fato gerador é da espécie dos fatos continuados. E em  virtude de ser a renda, ou o lucro, um resultado de um conjunto  de fatos que acontecem durante determinado período, é razoável  dizer­se também que se trata de fato gerador complexo”  9. Mesmo  o  fato  que  enseja  à  incidência  do  imposto  de  renda  ocorrendo  apenas  ao  final  do  ano,  a  legislação  estabelece  o  pagamento  de  valores  mensais,  cujo  valor  real  se  apresentará  apenas  no  ajuste  anual,  com  a  apuração do  lucro  real,  a  qual  Fl. 94DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10384.902420/2008­84  Acórdão n.º 1803­002.577  S1­TE03  Fl. 95          14 ocorrerá  em 31  de  dezembro,  consoante  definido  no Art.  2º  da  Lei n.º 9.430, de 27 de dezembro de 1996:    “Art.  2º  A  pessoa  jurídica  sujeita  a  tributação  com  base  no  lucro  real  poderá  optar  pelo  pagamento  do  imposto,  em  cada  mês,  determinado  sobre  base  de  cálculo  estimada,  mediante  a  aplicação,  sobre  a  receita  bruta  auferida  mensalmente,  dos  percentuais  de  que  trata  o  art.  15  da  Lei  nº  9.249,  de  26  de  dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29  e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de  1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995.  (Regulamento)  (Vide  Medida  Provisória  nº  627,  de  2013)  (Vigência)   §  1º O  imposto  a  ser  pago mensalmente  na  forma  deste  artigo  será determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo,  da alíquota de quinze por cento.   §  2º  A  parcela  da  base  de  cálculo,  apurada mensalmente,  que  exceder  a  R$20.000,00  (vinte  mil  reais)  ficará  sujeita  à  incidência  de  adicional  de  imposto  de  renda  à  alíquota  de  dez  por cento.   § 3º A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na  forma  deste  artigo  deverá  apurar  o  lucro  real  em  31  de  dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§  1º e 2º do artigo anterior.   § 4º Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou  a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto  devido o valor:   I ­ dos incentivos fiscais de dedução do imposto, observados os  limites  e  prazos  fixados  na  legislação  vigente,  bem  como  o  disposto no § 4º do art. 3º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de  1995;   II  ­  dos  incentivos  fiscais  de  redução  e  isenção  do  imposto,  calculados com base no lucro da exploração;   III  ­  do  imposto  de  renda  pago  ou  retido  na  fonte,  incidente  sobre receitas computadas na determinação do lucro real;   IV ­ do imposto de renda pago na forma deste artigo.”   10. Por sua vez, o Art. 6º da Lei n.º 9430, de 1996, também deixa  bastante claro que o imposto será apurado em 31 de dezembro,  estruturando o imposto de renda anual para o seu devido valor,  superando  as  antecipações  de  recolhimento  designadas  como  estimativa. Vejamos o dispositivo:   “Art. 6º O imposto devido, apurado na forma do art. 2º, deverá  ser pago até o último dia útil do mês subseqüente àquele a que se  referir.   § 1º O saldo do imposto apurado em 31 de dezembro receberá o  seguinte tratamento: (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013)   Fl. 95DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10384.902420/2008­84  Acórdão n.º 1803­002.577  S1­TE03  Fl. 96          15 I ­ se positivo, será pago em quota única, até o último dia útil do  mês de março do ano subsequente, observado o disposto no § 2o;  ou (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013)   II  ­  se  negativo,  poderá  ser  objeto  de  restituição  ou  de  compensação nos termos do art. 74. (Redação dada pela Lei nº  12.844, de 2013)   §  2º  O  saldo  do  imposto  a  pagar  de  que  trata  o  inciso  I  do  parágrafo anterior  será acrescido de  juros calculados à  taxa a  que se refere o § 3º do art. 5º, a partir de 1º de fevereiro até o  último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento  no mês do pagamento.   § 3º O prazo a que se refere o inciso I do § 1º não se aplica ao  imposto relativo ao mês de dezembro, que deverá ser pago até o  último dia útil do mês de janeiro do ano subseqüente.”   11. Esse pagamento a que nos  referimos acima se assemelha a  antecipação do imposto de renda por meio de retenção na fonte,  a qual  tem sua natureza abordada em nota na clássica obra de  Aliomar Baleeiro:    “Generalizou­se a retenção do imposto de renda na fonte. Com  o  advento  da  Lei  nº  7713/88,  a  partir  de  01.01.1988,  todos  os  rendimentos  de  pessoa  física,  recebidos  de  pessoas  jurídicas,  sujeitam­se  à  incidência  do  imposto  de  renda  na  fonte, mesmo  quando  pagos  em  juízo.  Incluem­se,  portanto,  no  rol,  os  rendimentos  pagos  ao  trabalho  assalariado  (salários,  remunerações e despesas pagas pelo empregador), ao autônomo,  aluguéis e outros. As exceções são os ganhos de capital, mesmo  se pagos por pessoas jurídicas, os alimentos e pensões.   ...omissis..   Originariamente,  o  imposto  de  renda  (fonte)  incidia  apenas  sobre  os  rendimentos  ao  portador  e  dos  residentes  e  domiciliados  no  exterior.  Surgiu,  portanto,  por  razões  de  praticidade  ou  pelas  limitações  territoriais  da  lei  brasileira,  como incidência única e exclusiva, cabendo às fontes pagadores  reter e recolher o tributo as repartições competentes.   ...omissis...   Posteriormente,  estendeu­se  o  imposto  de  fonte  a  outras  hipóteses,  até  a  ampla  generalização  que  tem  hoje.  Não  configura,  em  nenhum  caso,  tributo  diferente  do  imposto  de  renda, mas, antes, deve ser analisado como mera antecipação de  imposto que se presume devido. Se, ao final do ano­base em que  está  periodizado  (ver  comentários  seguintes,  no  tópico  13),  o  imposto  não  for  devido,  em  decorrência  de  saídas­despesas  elevadas, deverá ser devolvido ao contribuinte.”  12.  O  entendimento  quanto  à  natureza  de  antecipação  do  imposto foi tratada em decisões do Supremo Tribunal Federal, a  seguir colacionadas:   Fl. 96DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10384.902420/2008­84  Acórdão n.º 1803­002.577  S1­TE03  Fl. 97          16 EMENTA:  TRIBUTÁRIO.  IMPOSTO  SOBRE  A  RENDA  E  PROVENTOS  DE  QUALQUER  NATUREZA.  PESSOA  JURÍDICA.  RETENÇÃO  NA  FONTE.  PAGAMENTOS  EFETUADOS  PELO  PODER  PÚBLICO.  CARÁTER  INFRACONSTITUCIONAL DA DISCUSSÃO.  INSUFICIÊNCIA  DAS  RAZÕES  RECURSAIS.  PROCESSUAL  CIVIL.  DECISÃO  MONOCRÁTICA.  DISCUSSÃO  ACERCA  DE  SEUS  REQUISITOS.  AGRAVO  REGIMENTAL  AO  QUAL  SE  NEGA  PROVIMENTO. 1. Nos termos do art. 38 da Lei 8.038/1991 e do  art.  21,  §  1º  do  RISTF,  cabe  ao  relator  negar  seguimento  aos  pedidos  ou  aos  recursos manifestamente  improcedentes.  Nestes  casos,  deve­se  preservar  a  possibilidade  de  recurso  ao  Colegiado, pela  exposição  precisa  dos  fundamentos da  decisão  monocrática. Requisito observado neste caso. 2. Considerada a  sistemática  de  retenção  na  fonte  como  instrumento  de  antecipação do Imposto de Renda (realidade diversa da retenção  na  fonte  como  mecanismo  de  tributação  definitiva),  para  que  fosse  possível  bem  compreender  a  alegada  dimensão  constitucional do debate, seria necessário examinar não apenas  a  norma  de  retenção,  mas  também  a  contra­medida  de  compensação,  destinada  a  reconduzir  a  carga  tributária  ao  patamar autorizado pela Constituição e pela legislação. Ausente  discussão  sobre  elemento  essencial  do  modelo,  as  razões  recursais  são  ineficazes para promover o debate constitucional  da matéria. 3. Ademais, as razões recursais desviam­se de outro  elemento  determinante  para  o  controle  da  validade  da  tributação,  que  refere­se  aos  limites  à  mensuração  da  carga  tributária  que  pode  ser  exigida  em  antecipação.  Como  há  a  previsão  para  o  reequilíbrio  da  carga  tributária  com  a  compensação,  a  questão  de  fundo deixa  de  ser  propriamente  a  violação  imediata  do  conceito  de  renda,  para  se  desdobrar em  duas:  (a)  a  razoabilidade  e  a  proporcionalidade  dos  valores  retidos,  considerado  o  direito  constitucional  ao  exercício  de  atividade  econômica  lícita  e  (b)  a  eficácia  do  mecanismo  de  compensação  para  reconduzir  a  carga  tributária  ao  patamar  permitido pela Constituição e pela legislação. Agravo regimental  ao qual se nega provimento. (RE 628845 AgR, Relator(a): Min.  JOAQUIM BARBOSA, Segunda Turma, julgado em 01/03/2011,  DJe­061  DIVULG  30­03­2011  PUBLIC  31­03­2011  EMENT  VOL­02493­01 PP­00194)   EMENTA:  TRIBUTÁRIO.  IMPOSTO  SOBRE  A  RENDA  E  PROVENTOS  DE  QUALQUER  NATUREZA.  PESSOA  JURÍDICA.  ANTECIPAÇÃO.  “DUODÉCIMOS”.  VALIDADE.  PROCESSUAL  CIVIL.  FUNDAMENTAÇÃO.  AGRAVO  REGIMENTAL. 1. O acórdão prolatado pelo Tribunal de origem  está  devidamente  fundamentado,  ainda  que  com  sua  conclusão  não  concorde  a  parte­agravante.  Ausência  de  violação  do  art.  93,  IX da Constituição. 2. A orientação  firmada por esta Corte  considera  válida  a  cobrança  do  IRPJ  pela  modalidade  de  antecipação  conhecida  como  “duodécimos”  (Decreto­Lei  2.354/1987  e  Lei  7.787/1989).  A  suposta  violação  do  princípio  da  vedação do  uso  de  tributo  com  efeito  confiscatório  depende  do  exame  de  provas  específicas,  relativas  ao  caso  concreto.  Ausente  quadro  probatório  capaz  de  confirmar  a  alegação  da  Fl. 97DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10384.902420/2008­84  Acórdão n.º 1803­002.577  S1­TE03  Fl. 98          17 parte­agravante.  Impossibilidade  de  revisão  de  fatos  e  provas  (Súmula  279/STF).  Agravo  regimental  ao  qual  se  nega  provimento.  (RE  255379  AgR,  Relator(a):  Min.  JOAQUIM  BARBOSA,  Segunda  Turma,  julgado  em  08/02/2011,  DJe­060  DIVULG 29­03­2011 PUBLIC 30­03­2011 EMENT VOL­02492­ 01 PP­00043)   13.  Ao  final  do  período  ocorre  à  substituição  das  estimativas  pelo ajuste anual, não existindo liquidez e certeza na estimativa,  razão  pela  qual  é  impossível  a  inscrição  e  cobrança  das  estimativas,  conforme  exposto  no  Parecer  PGFN/CAT  n.º  1.658/2011, do qual extraímos o trecho a seguir:   28. Ocorre que, como visto e reiterado, os valores do IRPJ e da  CSLL  apurados  por  estimativa  não  se  qualificam  como  crédito  tributário, mas como mera antecipação do pagamento deste.   29. Assim, ainda que a DCOMP se preste à confissão de dívida,  tal confissão não  tem o poder de  transformar a antecipação do  tributo (estimativa) em crédito tributário.   30.  Disto  decorre  que,  mesmo  declarada  esta  antecipação  do  tributo  como  débito  (e  até  confessada),  em  não  sendo  homologada  a  compensação  ela  é  tida  por  inexistente,  tendo  como efeitos o não pagamento e a não extinção desta parte do  crédito  tributário,  a  teor  do  art.  156,  inciso  II,  do  Código  Tributário Nacional.   31. Conclusivamente, o débito relativo à antecipação do IRPJ e  da CSLL apurada por estimativa não constitui crédito tributário  e assim não se converteu pelo fato de ter sido objeto de DCOMP,  não  se  sustentando  como  líquido  e  certo,  inclusive  porque  é  necessário  o  ajuste,  ao  final,  para  apuração  do  saldo  do  imposto.   32. De fato, conforme preceitos do art. 2° c.c. art. 6º da Lei nº  9.430, de 1996, caso não recolhido ou pago a menor o valor da  antecipação mensal dos tributos, é necessária a apuração destes  ao  final  (31  de  dezembro  ou  na  data  do  encerramento  das  atividades ou dos demais eventos indicados na lei), com previsão  de penalidade pecuniária, ainda que a pessoa  jurídica  venha a  apurar prejuízo no balanço.   33.  A  propósito,  não  é  desarrazoado  prever  a  ocorrência  de  situação  em  que  os  valores  antecipados  sejam  superiores  ao  valor  do  tributo  devido,  hipótese  que  reforça  a  conclusão  de  inexistência de certeza e liquidez das referidas antecipações.   14. A mesma conclusão  foi adotada no Parecer PGFN/CAT n.º  193/2013, conforme excerto a seguir:    “12.  A  existência  da  compensação  não  implica  em  sua  possibilidade de cobrança, afinal, ao ser concluído o exercício, a  estimativa  é  substituída  pelo  imposto  apurado,  consoante  exposto  no  Parecer  PGFN/CAT  nº  1.658/2011  e  assim  como  é  Fl. 98DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10384.902420/2008­84  Acórdão n.º 1803­002.577  S1­TE03  Fl. 99          18 definido  pela  própria  Receita  Federal  do  Brasil  no  Art.  16  da  Instrução Normativa SRF Nº 093, de 24 de Dezembro de 1997:   Art.  16.  Verificada  a  falta  de  pagamento  do  imposto  por  estimativa, após o  término do ano­calendário, o  lançamento de  ofício abrangerá:   I  ­  a multa  de  ofício  sobre  os  valores  devidos  por  estimativa  e  não recolhidos;  II ­ o imposto devido com base no lucro real apurado em 31 de  dezembro,  caso  não  recolhido,  acrescido  de  multa  de  ofício  e  juros  de  mora  contados  do  vencimento  da  quota  única  do  imposto.”   15.  O  IRPJ  e  a  CSLL  substituem  as  estimativas,  contudo,  é  possível  que  os  valores  relativos  à  estimativa  tenham  sido  compensados  e  computados  como  pagamento  no  momento  do  ajuste  anual,  contudo,  essa  compensação  pode  não  ser  homologada,  ocorrendo  a  decisão  após  a  apuração  do  lucro  real.  Assim,  tratar­se­iam  de  valores  referentes  a  tributo  consolidados  com o  ajuste anual,  não mais  de mera  estimativa  do imposto de renda e da contribuição sobre o lucro.   16.  Esse  entendimento  já  é  aplicado  pela  Receita  Federal  do  Brasil, vejamos trecho da Nota Cosit nº 31/2013, a qual serve de  lastro à consulta:   “Portanto,  ao  apurar,  em  31  de  dezembro,  o  valor  total  do  imposto  devido em  todo  o  ano­calendário,  o  sujeito passivo  há  de  pagar  esse  valor,  não  havendo  porque  a  RFB  manter  a  cobrança  de  um  débito  (estimativa)  que  foi  incorporado  por  outro  (imposto  a  pagar).  Isso  é  pacífico.  A  RFB  não  cobra  estimativa não paga no ano­calendário: aplica multa de ofício e  cobra o imposto devido na forma de saldo a pagar.”   17.  A  leitura  do  trecho  acima  deixa  claro  que  a  RFB  tem  consciência  da  inviabilidade  de  cobrança  das  estimativas,  pelo  menos até a ocorrência do fato jurídico que enseja a incidência  do IRPJ e CSLL na modalidade anual.   18.  Ocorre  que,  após  o  ajuste,  a  estimativa  é  substituída  pelo  tributo, portanto, a estimativa extinta por meio de compensação  foi  incorporada ao ajuste, como explicado pela própria Receita  Federal do Brasil na Nota Cosit n.º 31/2013:    “21. Ocorre que não se está tratando de estimativa não paga no  ano­calendário,  mas  de  estimativa  extinta  por  meio  da  compensação,  cujo  efeito  legal  é  o  mesmo  do  pagamento,  conforme se depreende da leitura do art. 156,  Incisos  I e  II, do  CTN e do art. 6º da Lei nº 8.212, de 29 de agosto de 1991.   21.1. Por sua vez, a Lei n.º 9.430, de 1996, não previa – e não foi  atualizada nesse ponto – a hipótese de que o valor devido fosse  antecipado  por  forma  diversa  do  pagamento,  in  casu,  a  compensação,  cujas  regras  próprias  possibilitam a  contestação  Fl. 99DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10384.902420/2008­84  Acórdão n.º 1803­002.577  S1­TE03  Fl. 100          19 dessa  antecipação  por  meio  da  não­homologação,  que  ocorre,  via de regra, apenas depois de 31 de dezembro, ou seja, depois  de a Declaração de Informações Econômico­Fiscais  (DIPJ) ser  entregue e o imposto pago ou o saldo negativo apurado.   21.2.  Ora,  enquanto  não  homologada  a  compensação,  extinto  está  o  débito  declarado  a  título  de  estimativa  e,  portanto,  corretamente  deduzido  do  total  do  imposto  devido  no  ano  e  demonstrado  no  DIPJ.  Essa  extinção,  entretanto,  não  é  definitiva,  mas  se  submete  a  condição  resolutória  de  a  RFB  homologá­la ou não no prazo de cinco anos.   21.3 Assim, ao compor o imposto de renda apurado e devido ao  final  do  ano­calendário,  e  ser  declarado  extinto  por  meio  de  estimativa,  tem­se  que  esse  valor  informado  na  DIPJ  como  compensado  já  não  é  mais  estimativa,  mas  imposto  sobre  a  renda,  crédito  tributário  definitivamente  constituído  por  apuração e confissão do sujeito passivo. Tal caráter de confissão  tanto se encontra assentado na informação do valor estimado e  compensado prestada na DCTF, como na DComp.   19. O entendimento que podemos extrair do excerto acima é de  que  tratamos  de  tributo  em  si,  não  mais  de  estimativas,  cuja  existência se encerra com o ajuste anual, consoante exposto nos  Pareceres  PGFN/CAT  nº  1.658/2011  e  193/2013,  razão  pela  qual  podemos  ter  uma  conclusão  diferente  daqueles  constantes  nos  pareceres  mencionados,  contudo,  sem  modificar­lhes  em  nenhum  ponto,  apenas  por  considerar  que  no  caso  estamos  tratando de tributo propriamente dito.   20.  A  conclusão  que  podemos  formular,  a  partir  do  questionamento  da  Receita  Federal  do  Brasil,  é  pela  legitimidade de cobrança de valores que sejam objeto de pedido  de compensação não homologada oriundos de estimativa, uma  vez que já se completou o fato jurídico tributário que enseja a  incidência  do  imposto  de  renda,  ocorrendo  à  substituição  da  estimativa pelo imposto de renda.   21.  Devemos  ressaltar,  porém,  que  deverão  ser  realizados  ajustes para que fique claro que os valores cobrados, quando da  não  homologação  de  compensação  de  estimativa,  são,  na  verdade,  IRPJ  ou  CSLL  e  não  estimativa  dos  tributos,  pois  a  confusão pode influenciar as chances de êxito da cobrança, pois  a nomenclatura inadequada pode levar órgãos administrativos e  judiciais a entenderem que a cobrança seria ilegal.   III ­ CONCLUSÃO  22.  Em  síntese,  os  questionamentos  levantados  na  consulta  oriunda  da  Secretaria  da Receita Federal  do Brasil  devem  ser  respondidos nos seguintes termos:   a)  Entende­se  pela  possibilidade  de  cobrança  dos  valores  decorrentes de compensação não homologada, cuja origem foi  para  extinção  de  débitos  relativos  a  estimativa,  desde  que  já  tenha se realizado o fato que enseja a incidência do imposto de  Fl. 100DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10384.902420/2008­84  Acórdão n.º 1803­002.577  S1­TE03  Fl. 101          20 renda  e  a  estimativa  extinta  na  compensação  tenha  sido  computada no ajuste;   b) Propõe­se  que  sejam  ajustados  os  sistemas  e  procedimentos  para que fique claro que a cobrança não se trata de estimativa,  mas de tributo, cujo fato gerador ocorreu ao tempo adequado e  em  relação  ao  qual  foram  contabilizados  valores  da  compensação  não  homologada,  a  fim  de  garantir  maior  segurança no processo de cobrança. (grifos acrescentados)  Pode­se  concluir  que  somente  podem  ser  deduzidos  na  apuração  do  ajuste  anual os valores de estimativa efetivamente pagos relativos ao ano­calendário objeto da DIPJ.  Considera­se  efetivamente  pago  por  estimativa  o  crédito  tributário  extinto  por  meio  de:  dedução  do  tributo  retido  ou  pago  sobre  as  receitas  que  integram  a  base  de  cálculo,  compensação solicitada por meio da Per/DComp ou de processo administrativo, compensação  autorizada por medida judicial e valores pagos mediante DARF.  Feitas  essas  considerações normativas,  tem cabimento  a  análise da  situação  fática  tendo  em  vista  os  documentos  já  analisados  pela  autoridade  de  primeira  instância  de  julgamento e aqueles produzidos em sede de recurso voluntário.  Consta  no Voto Condutor  do Acórdão  da  5ª  TURMA/DRJ/FOR/CE  nº  08­ 028.116, de 05.12.2013, fls. 39­42:   Analisando­se a DIPJ do contribuinte do exercício 2004, ano calendário 2003  (fl.  28),  verifica­se  que  ele  declara  saldo  negativo  de  CSLL  no  valor  de  R$36.392,41, assim apurado:    CSLL Devida  2.782,46  CSLL Mensal Paga por Estimativa  39.174,87  CSLL a Pagar  ­ 36.392,41    As  estimativas  de  CSLL  declaradas  como  pagas  (liquidadas)  no  ano  calendário estão assim discriminados na DIPJ:    PA  Estimativa  Jan  3.459,80  Fev  3.506,12  Mar  3.355,13  Abr  2.748,70  Mai  3.118,21  Jun  3.227,49  Jul  3.047,12  Ago  2.661,36  Set  2.648,16  Out  3.811,79  Nov  4.020,53  Dez  3.479,86  Total  39.174,87    Fl. 101DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10384.902420/2008­84  Acórdão n.º 1803­002.577  S1­TE03  Fl. 102          21 Confrontando  os  valores  acima  com  os  dados  disponíveis  nos  sistemas  internos de controle da RFB, constata­se que:  a) as estimativas referentes aos meses de janeiro a abril foram liquidadas por  pagamento (fl. 29);  b) as estimativas  referentes aos meses de maio,  junho e outubro a dezembro  foram liquidadas por compensação (fls. 30 a 34); e   c) as estimativas de julho a setembro não foram liquidadas.  Rastreando as compensações referidas na alínea “b” acima, constatamos que  as mesmas foram realizadas através dos Per/DComp abaixo discriminados:    PA  Estimativa  Per/DComp  Mai  3.118,21  1628442332.140803.1.3.034749  Jun  3.227,49  0227711967.140803.1.3.034041  Out  3.811,79  1188829001.130204.1.3.039379  Nov  4.020,53  1135019912.130204.1.3.030075  Dez  3.479,86  1993555204.130204.1.3.030445  [Total]  [17.657,88]      De acordo com consulta no sistema PER/DCOMP, tais compensações, por sua  vez,  foram  não  homologados  (fls.  35  a  37),  tendo  sido  as  respectivas  exigências  formalizadas  no  processo nº  1038.4900450/2006­94,  o  qual  se  encontra  arquivado  desde 22/07/2009 (fl. 38).  Diante das constatações acima, conclui­se que o saldo negativo apurado pelo  contribuinte  na  DIPJ  deve  ser  recomposto,  considerando­se  apenas  as  estimativas  efetivamente  pagas,  quais  sejam  as  dos  meses  de  janeiro  a  abril,  que  totalizaram  R$13.465,75,  de  sorte  que  o  saldo  negativo  reconhecido  é  de  R$10.683,29,  conforme abaixo demonstrado:     CSLL Devida  2.782,46  CSLL Mensal Paga por Estimativa  13.465,75  CSLL a Pagar  ­ 10.683,29    Isso posto, julgo procedente em parte a manifestação de inconformidade para  homologar  parcialmente  a  compensação  até  o  limite  do  valor  originário  de  R$10.638,29, saldo negativo reconhecido nesta decisão.  Assim, consideram­se efetivamente pagos os valores de CSLL determinados  sobre a base de cálculo estimada objeto de compensações solicitadas por meio dos Per/DComp  nºs  1628442332.140803.1.3.034749,  0227711967.140803.1.3.034041,  1188829001.130204.1.3.039379,  1135019912.130204.1.3.030075  e  1993555204.130204.1.3.030445  formalizados  no  processo  nº  1038.4900450/200694  no  total  R$17.657,88 no ano­calendário de 2003, conforme demonstrado na Tabela 1.    Fl. 102DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10384.902420/2008­84  Acórdão n.º 1803­002.577  S1­TE03  Fl. 103          22 Tabela  1  ­  Parcelas  da  composição  do  saldo  negativo  de  CSLL  do  ano­ calendário de 2003  Ano­Calendário 2004  (A)  Valores Reconhecidos  Despacho Decisório  R$  (B)  Valores Reconhecidos  Segunda Instância de  Julgamento  R$  (B)  CSLL Devida  2.782,46  2.782,46  (­) CSLL Determinada Sobre a Base De Cálculo  Estimada Paga com Darf  (13.465,75)  (13.465,75)  (­) CSLL Determinada Sobre a Base De Cálculo  Estimada Paga com Per/DComp  0,00  (17.657,88)  Saldo de CSLL   (10.683,29)  (28.341,17)    Por  conseguinte,  deve  ser  reconhecido o direito  creditório  relativo  ao  saldo  negativo  de  Contribuição  Social  sobre  o  Lucro  Líquido  (CSLL)  no  valor  de  R$2.835,31  (R$13.518,50 – R$10.683,29), ou seja, decorrente da diferença entre o valor pleiteado e o valor  já reconhecido em sede de primeira instância de julgamento, apurado pelo regime de tributação  com  base  no  lucro  real  no  ano­calendário  de  2003,  para  compensação  dos  débitos  ali  confessados até o limite desse crédito.  Em  assim  sucedendo,  voto  por  dar  provimento  ao  recurso  voluntário  para  reconhecer o direito creditório relativo ao saldo negativo de Contribuição Social sobre o Lucro  Líquido (CSLL) no valor de R$2.835,31 apurado pelo regime de tributação com base no lucro  real  no  ano­calendário  de  2003,  para  compensação  dos  débitos  ali  confessados  até  o  limite  desse crédito.   (assinado digitalmente)  Carmen Ferreira Saraiva                              Fl. 103DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA

score : 1.0
5878356 #
Numero do processo: 10680.720924/2010-58
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 26 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2401-000.458
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade votos, converter o julgamento em diligência. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira - Relatora e Presidente em Exercício Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carlos Henrique de Oliveira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201503

camara_s : Quarta Câmara

turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção

dt_publicacao_tdt : Thu Mar 26 00:00:00 UTC 2015

numero_processo_s : 10680.720924/2010-58

anomes_publicacao_s : 201503

conteudo_id_s : 5446703

dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Mar 26 00:00:00 UTC 2015

numero_decisao_s : 2401-000.458

nome_arquivo_s : Decisao_10680720924201058.PDF

ano_publicacao_s : 2015

nome_relator_s : ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA

nome_arquivo_pdf_s : 10680720924201058_5446703.pdf

secao_s : Segunda Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade votos, converter o julgamento em diligência. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira - Relatora e Presidente em Exercício Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carlos Henrique de Oliveira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.

dt_sessao_tdt : Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015

id : 5878356

ano_sessao_s : 2015

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:38:51 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713047702702391296

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1241; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C4T1  Fl. 2          1  1  S2­C4T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10680.720924/2010­58  Recurso nº            Voluntário  Resolução nº  2401­000.458  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária  Data  11 de março de 2015  Assunto  Solicitação de Diligência  Recorrente  FUNDAÇÃO LOGOSOFICA EM PROL DA SUPERAÇÃO HUMANA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.   RESOLVEM  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  votos,  converter  o  julgamento em diligência.         Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira ­ Relatora e Presidente em Exercício        Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro  e  Silva Vieira, Kleber  Ferreira  de Araújo,  Igor Araújo  Soares, Carlos Henrique  de Oliveira,  Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 80 .7 20 92 4/ 20 10 -5 8 Fl. 651DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 25/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10680.720924/2010­58  Resolução nº  2401­000.458  S2­C4T1  Fl. 3          2    RELATÓRIO  O presente AIOP, lavrado sob o n. 37.242.507­0 em desfavor da recorrente tem  por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo  da empresa, e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de  incapacidade  laborativa  resultantes dos  riscos  ambientais do  trabalho — RAT apurados  com  base  nas  informações  contidas  nas  Guias  de  Recolhimento  do  FGTS  e  Informações  à  Previdência Social — GFIP entregues pelo contribuinte, no período de 01/2006 a 13/2007.  Conforme  descrito  no  relatório  fiscal,  fls.  248  e  seguintes,  a  fundação  apresentou os seguintes documentos:  ·  Atestado  de  Registro  no  Conselho  Nacional  de  Assistência  Social  ­  CNAS, datado em 20 de maio de 1997;  ·  Certidão do CNAS, onde consta o deferimento do pedido de  renovação do  Certificado,  período  01/01/2004  a  31/12/2006,  com  base  no  artigo  37  da  Medida Provisória 446 de 07/11/2008.  Embora regularmente intimada, a fundação não apresentou à fiscalização o Ato  Declaratório  de  Concessão  de  Isenção  Previdenciária.  Mas  declara  em  sua  GFIP,  o  código  FPAS  639,  reservado  às  entidades  com  isenções  deferidas,  o  que  inibe  o  cálculo  da  contribuição patronal e das destinadas a outras entidades/fundos.  No  entanto,  o  contribuinte  vem  realizando  depósitos  judiciais  relativos  ao  Mandado  de  Segurança  n°  2002.34.00.036697­9,  no  qual  postula  a  isenção  das  contribuições  previdenciárias constantes  do  artigo 195,  87° da Constituição Federal. 0 processo  encontra­se  em  fase  recursal  tendo em vista que  as postulações do  contribuinte não  foram  atendidas pela  Justiça  Federal,  em  primeira  instancia. Dessa  forma,  por  encontrar­se  o  crédito  com  a  exigibilidade  suspensa, em razão dos depósitos judiciais efetuados, o presente  lançamento tem por finalidade a  prevenção da decadência, ficando suspensos os atos de execução da divida.  Importante,  destacar  que  a  lavratura  do  AI  deu­se  em  27/04/2010,  tendo  a  cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 15/06/2010.   Não conformada com a autuação a recorrente apresentou impugnação, fls. 258 e  seguintes.  Foi  exarada  a  Decisão  de  1  instância  que  confirmou  a  procedência  do  lançamento, conforme fls. 289.  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS    Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007   CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ENTIDADE BENEFICENTE.  ISENÇÃO.  RETROATIVIDADE  BENIGNA.  MOMENTO  DO  CÁLCULO.  Fl. 652DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 25/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10680.720924/2010­58  Resolução nº  2401­000.458  S2­C4T1  Fl. 4          3  A  empresa  é  obrigada  a  recolher  as  contribuições  previdenciárias  a  seu cargo.  A  entidade  deverá  requerer  o  reconhecimento  da  isenção  perante  a  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  da  circunscrição  de  seu  estabelecimento matriz.  A isenção requerida, caso deferida, produz efeitos a partir da data do  protocolo do pedido.  Impugnação Improcedente   Crédito Tributário Mantido   Discordando  dos  termos  da  Decisão  a  empresa  e  as  solidárias,  apresentaram  recurso, onde destacam os mesmos argumentos da impugnação, quais sejam:  1.  ­ que, conforme relatado pela Fiscalização, vem realizando depósitos  judiciais  relativos  ao  Mandado  de  Segurança  n°  2002.34.00.036697­9  no  qual  postula  a  isenção  das  Contribuições Previdenciárias;  2.  ­  que  cumpre  todos  os  requisitos  necessários  à  fruição  da  isenção  do  pagamento  de  contribuições previdenciárias nos termos da lei, "razão pela qual reitera sua discordância  em relação à exigência em foco";  3.  ­ que o presente crédito encontra­se com exigibilidade suspensa em razão dos depósitos  judiciais efetuados;  4.  ­  que  o  presente Auto  de  Infração  ­ AI  foi  lavrado  para  prevenir  a  decadência  com  a  incidência de juros, contudo a exigência desses juros não pode prosperar uma vez que o  valor principal já está sendo remunerado com base na tabela da Justiça Federal;  5.  ­  que  requer  o  cancelamento  do  presente Auto  de  Infração  haja  vista  conter  exigência  indevida como acima demonstrado;  6.  ­ que caso não seja deferido o cancelamento seja o mesmo sobrestado até o julgamento  definitivo  da  ação  judicial  acima  referida,  decotando­se  os  juros  acrescidos  ao  débito  originário.  A DRFB encaminhou o recurso a este conselho para julgamento.  É o relatório.  Fl. 653DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 25/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10680.720924/2010­58  Resolução nº  2401­000.458  S2­C4T1  Fl. 5          4    VOTO  Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora  PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE:  O  recurso  foi  interposto  tempestivamente,  conforme  informação  nos  autos.  Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito.  DAS QUESTÕES PRELIMINARES:  Cumpre  observar,  primeiramente,  que  fiscalização  previdenciária  possui  competência para arrecadar e fiscalizar as contribuições destinadas a terceiros, conforme art. 94  da Lei 8.212/91. Identificada a conexão entre os processos, e sendo ambos julgados na mesma  oportunidade o encaminhamento dar­se­á no mesmo sentido do processo principal em relação  aos fatos geradores que constituem base de cálculo da contribuição destinada a terceiros.  Destaca­se  de  pronto,  que  a  única  matéria  a  ser  apreciada  diz  respeito  ao  pretendido  sobrestamento  e  exclusão  de  juros,  tendo  em  vista  concomitância  do  lançamento  com ação judicial sobre mesmo fundamento, conforme descrito no relatório.  Contudo, embora tenha constado no relatório fiscal, que o lançamento tem por  base depósitos judiciais, não restou claro se ocorreu o depósito do montante integral dentro do  prazo de vencimentos de cada uma das contribuições previdenciárias.  Vejamos, os termos do relatório, fls. 248:  4  —  Embora  regularmente  intimada,  a  fundação  não  apresentou  à  fiscalização  o  Ato  Declaratório  de  Concessão  de  Isenção  Previdenciária.  Mas  declara  em  sua  GFIP,  o  código  FPAS  639,  reservado às  entidades  com  isenções deferidas, o que  inibe o  cálculo  da contribuição patronal e das destinadas a outras entidades/fundos.  5  —  No  entanto,  o  contribuinte  vem  realizando  depósitos  judiciais  relativos  ao  Mandado  de  Segurança  n°  2002.34.00.036697­9,  no  qual  postula a isenção das contribuições previdenciárias constantes do artigo  195,  87°  da  Constituição  Federal.  0  processo  encontra­se  em  fase  recursal  tendo  em  vista  que  as postulações do  contribuinte não  foram  atendidas pela Justiça Federal, em primeira instancia. Dessa forma, por  encontrar­se  o  crédito  com  a  exigibilidade  suspensa,  em  razão  dos  depósitos judiciais efetuados, o presente lançamento tem por finalidade  a prevenção da decadência,  ficando  suspensos  os  atos  de  execução da  divida.  6  ­  Alguns  depósitos  judiciais  foram  recolhidos  centralizadamente,  da  forma que se segue:  D Filial 0013­82 ­ recolhido no CNPJ 0002­20;  D Filial 0011­10 ­ recollhido no CNPJ 0004­91;  D Filial 0029­40 ­ recolhido no CNPJ 0002­20;  Fl. 654DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 25/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10680.720924/2010­58  Resolução nº  2401­000.458  S2­C4T1  Fl. 6          5  D Filial 0041­36 ­ recolhido no CNPJ 0003­00;  D Filial 0014­63 ­ recolhido no CNPJ 0004­91.  7 ­ Algumas contribuições relativas à competência 13 foram recolhidas  na competência  11., Conforme descrito no  relatório  fiscal,  trata­se de  lançamento  de  diferenças  de  contribuições  por  responsabilidade  solidária  tendo  o  débito  sido  lançado  no  tomador  dos  serviços,  bem  como  no  prestador,  tendo  ambos  sido  cientificados  e  apresentado  a  correspondente defesa, conforme destaco no relatório deste voto.  Assim,  entendo  que,  antes  mesmo  de  apreciar  o  argumento  em  relação  a  exclusão  de  juros,  deva  a DRFB manifestar­se  acerca  dos  valores  depositados,  indicando  se  representam o montante integral da contribuição devida em cada competência, bem como se os  mesmos foram realizados na época oportuna de vencimento das contribuições previdenciárias,  especialmente em relação a indicação do recolhimento centralizado e de depósito de 13 salário  em competência diversa.  Tão  logo,  sejam  prestados  os  esclarecimentos,  deve  o  processo  retornar  ao  CARF para continuidade do  julgamento,  conferindo­se vistas  ao  recorrente,  para entendendo  cabível manifestar­se.  CONCLUSÃO   Voto por converter o julgamento em diligência nos termos acima propostos.  É como voto.    Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira.  Fl. 655DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 25/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA

score : 1.0
5869779 #
Numero do processo: 10882.723812/2011-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Mar 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2007 Ementa: RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. GRUPO ECONÔMICO. SEGURIDADE SOCIAL. As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações tributárias em face da Seguridade Social. INFRAÇÃO DE LEI. Demonstrada a realização de operações à margem da contabilidade e o intuito de fraude em razão de receitas intencionalmente omitidas, há infração de lei que enseja a responsabilidade pessoal das administradoras da pessoa jurídica.
Numero da decisão: 1101-001.254
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, em: 1) relativamente ao recurso voluntário de Gelre Trabalho Temporário S/A, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER o recurso; 2) relativamente aos recursos voluntários dos responsáveis tributários: 2.1) por unanimidade de votos, CONHECER os recursos; 2.2) por maioria de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL aos recursos de Atra Prestadora de Serviços em Geral Ltda., Geldria Participações e Serviços Ltda., PGP Planejamento e Gestão de Processos Ltda. e Planservice Back Office Ltda para afastar a responsabilidade apenas em relação às exigências de IRPJ, vencido o Relator Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior, acompanhado pelo Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, e divergindo o Presidente Marcos Aurélio Pereira Valadão, que negava provimento ao recurso; 2.3) por voto de qualidade, NEGAR PROVIMENTO aos recursos voluntários de Jan Maria Wiegerinck e Johannes Antonius Maria Wiegerinck, vencido o Relator Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior, acompanhado pelos Conselheiros Jackson Mitsui e Antônio Lisboa Cardoso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Edeli Pereira Bessa. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente (documento assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR - Relator (assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA - Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente), Benedicto Celso Benício Júnior (Relator), Edeli Pereira Bessa, Jackson Mitsui, Paulo Reynaldo Becari e Antônio Lisboa Cardoso.
Nome do relator: BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201502

camara_s : Primeira Câmara

ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2007 Ementa: RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. GRUPO ECONÔMICO. SEGURIDADE SOCIAL. As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações tributárias em face da Seguridade Social. INFRAÇÃO DE LEI. Demonstrada a realização de operações à margem da contabilidade e o intuito de fraude em razão de receitas intencionalmente omitidas, há infração de lei que enseja a responsabilidade pessoal das administradoras da pessoa jurídica.

turma_s : Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção

dt_publicacao_tdt : Fri Mar 20 00:00:00 UTC 2015

numero_processo_s : 10882.723812/2011-63

anomes_publicacao_s : 201503

conteudo_id_s : 5443620

dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Mar 20 00:00:00 UTC 2015

numero_decisao_s : 1101-001.254

nome_arquivo_s : Decisao_10882723812201163.PDF

ano_publicacao_s : 2015

nome_relator_s : BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR

nome_arquivo_pdf_s : 10882723812201163_5443620.pdf

secao_s : Primeira Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, em: 1) relativamente ao recurso voluntário de Gelre Trabalho Temporário S/A, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER o recurso; 2) relativamente aos recursos voluntários dos responsáveis tributários: 2.1) por unanimidade de votos, CONHECER os recursos; 2.2) por maioria de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL aos recursos de Atra Prestadora de Serviços em Geral Ltda., Geldria Participações e Serviços Ltda., PGP Planejamento e Gestão de Processos Ltda. e Planservice Back Office Ltda para afastar a responsabilidade apenas em relação às exigências de IRPJ, vencido o Relator Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior, acompanhado pelo Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, e divergindo o Presidente Marcos Aurélio Pereira Valadão, que negava provimento ao recurso; 2.3) por voto de qualidade, NEGAR PROVIMENTO aos recursos voluntários de Jan Maria Wiegerinck e Johannes Antonius Maria Wiegerinck, vencido o Relator Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior, acompanhado pelos Conselheiros Jackson Mitsui e Antônio Lisboa Cardoso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Edeli Pereira Bessa. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente (documento assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR - Relator (assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA - Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente), Benedicto Celso Benício Júnior (Relator), Edeli Pereira Bessa, Jackson Mitsui, Paulo Reynaldo Becari e Antônio Lisboa Cardoso.

dt_sessao_tdt : Wed Feb 04 00:00:00 UTC 2015

id : 5869779

ano_sessao_s : 2015

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:38:26 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713047702722314240

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 24; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2211; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C1T1  Fl. 2          1 1  S1­C1T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10882.723812/2011­63  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  1101­001.254  –  1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  05 de fevereiro de 2015  Matéria  RMF  Recorrente  GELRE TRABALHO TEMPORÁRIO S/A e Outros (Responsáveis solidários:   PGP Planejamento;  ATRA Prestadora de Serviços; Johannes Antonius Maria  Wiegerinck; Planservice Back Office; Jan Maria Wiegerinck; Geldria  Participações)  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Ano­calendário: 2007  Ementa:  PROCESSO  ADMINISTRATIVO  FISCAL.  RECURSO  VOLUNTÁRIO.  TEMPESTIVIDADE. O desrespeito para a interposição de recurso voluntário  no trintídio legal implica em seu não conhecimento por intempestividade.  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Ano­calendário: 2007  Ementa:  RESPONSABILIDADE  TRIBUTÁRIA.  GRUPO  ECONÔMICO.  SEGURIDADE  SOCIAL.  As  empresas  que  integram  grupo  econômico  de  qualquer  natureza  respondem  entre  si,  solidariamente,  pelas  obrigações  tributárias em face da Seguridade Social.  INFRAÇÃO DE LEI. Demonstrada a  realização de operações à margem da  contabilidade  e  o  intuito  de  fraude  em  razão  de  receitas  intencionalmente  omitidas,  há  infração  de  lei  que  enseja  a  responsabilidade  pessoal  das  administradoras da pessoa jurídica.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  da  Primeira  Turma  Ordinária  da  Primeira  Câmara  da  Primeira  Seção  de  Julgamento,  por  unanimidade,  em:  1)  relativamente  ao  recurso voluntário de Gelre Trabalho Temporário S/A, por unanimidade de votos, NÃO  CONHECER  o  recurso;  2)  relativamente  aos  recursos  voluntários  dos  responsáveis     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 72 38 12 /2 01 1- 63 Fl. 55155DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10882.723812/2011­63  Acórdão n.º 1101­001.254  S1­C1T1  Fl. 3          2 tributários: 2.1) por unanimidade de votos, CONHECER os recursos; 2.2) por maioria  de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL aos recursos de Atra Prestadora de Serviços  em Geral Ltda., Geldria Participações e Serviços Ltda., PGP Planejamento e Gestão de  Processos Ltda. e Planservice Back Office Ltda para afastar a responsabilidade apenas  em  relação  às  exigências  de  IRPJ,  vencido  o  Relator  Conselheiro  Benedicto  Celso  Benício Júnior, acompanhado pelo Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, e divergindo  o Presidente Marcos Aurélio Pereira Valadão, que negava provimento ao recurso; 2.3)  por voto de qualidade, NEGAR PROVIMENTO aos recursos voluntários de Jan Maria  Wiegerinck  e  Johannes  Antonius  Maria  Wiegerinck,  vencido  o  Relator  Conselheiro  Benedicto  Celso  Benício  Júnior,  acompanhado  pelos  Conselheiros  Jackson  Mitsui  e  Antônio  Lisboa  Cardoso,  nos  termos  do  relatório  e  votos  que  integram  o  presente  julgado. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Edeli Pereira Bessa.     (documento assinado digitalmente)  MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO ­ Presidente    (documento assinado digitalmente)  BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR ­ Relator    (assinado digitalmente)  EDELI PEREIRA BESSA ­ Redatora designada      Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marcos Aurélio  Pereira Valadão  (Presidente), Benedicto Celso Benício  Júnior  (Relator), Edeli Pereira  Bessa, Jackson Mitsui, Paulo Reynaldo Becari e Antônio Lisboa Cardoso.                    Fl. 55156DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10882.723812/2011­63  Acórdão n.º 1101­001.254  S1­C1T1  Fl. 4          3   Relatório  Trata­se de retorno de feito a julgamento.  Na  assentada  de  23  de  setembro  de  2014,  essa  E.  Turma  seguiu  o  entendimento deste Relator e converteu o julgamento em diligência a fim de que fosse “aferida  na origem a intimação (ou não) dos responsáveis solidários e, com isso, possibilite a análise  da tempestividade dos recursos voluntários por eles interpostos”.  Como  narrado  naquela  oportunidade,  cuida­se,  na  origem,  de  procedimento  fiscal realizado pelo SEFIS/DRF/Osasco–SP, amparado pelo Mandado de Procedimento Fiscal  (MPF) n. 08.1.13.00­2011­00233­6, que concluiu pela lavratura de Autos de Infração, em razão  de  omissão  de  receitas,  exigindo  IRPJ  (R$  62.166.008,83);  CSLL  (R$  14.542.573,91);  COFINS  (R$  10.620.239,83);  e PIS  (R$  2.296.613,76),  todos  abrangendo  o  ano­calendário  2007,  contemplando os principais, multa de ofício qualificada (150%) e  juros de mora, estes  calculados até 10/2011. Outrossim, é preciso dizer que houve aplicação de multa de meio por  cento sobre o faturamento, nos termos do art. 980 do RIR/99, pelo fato de o sujeito passivo não  ter  apresentado  arquivos  magnéticos  de  acordo  com  as  especificações  do  ADE  COFIS  n.  15/2001 e da IN 86/01.  A  ação  fiscal  iniciou­se  com  o  Termo  de  Início  do  Procedimento  Fiscal  datado de 13/01/2011,  tendo o contribuinte  sido cientificado naquela mesma data  (fls. 5/6) a  apresentar os seguintes Livros e documentos:  “[…]  no  prazo  de  20  dias  contados  a  partir  da  presente  data,  os  elementos abaixo especificados:    1 – Livros Diário e Razão (Anos calendários 2007 e 2008).  2 – Livro Registro de Apuração do ISS (Ano calendário 2007).  3 – Livro Registro de Documentos Fiscais e Termos de Ocorrências  (Ano calendário 2007).  4 – Contrato/Estatuto Social e suas alterações.  5 – Comprovantes de recolhimento do IRRF (códigos 0561, 0588 e  3208)  informados  na  DIRF  referente  aos  anos  calendários  2007  (Recibo n. 256306474070) e 2008 (Recibo n. 076481017009).  6  –  Disponibilizar  na  sede  da  empresa,  para  futura  verificação,  todas as notas Fiscais emitidas no ano calendário 2007.  7 – Os arquivos digitais e sistemas contendo informações relativas  aos seus negócios e atividades econômicas ou financeiras relativas  aos  anos  calendários  de  2007  e  2008,  observadas  as  orientações  contidas no Anexo Único do ADE COFIS n. 15 de 2001.  8  –  Esclarecimentos  acerca  das  divergências  entre  os  valores  informados  em  DIRF,  DCTF  e  os  respectivos  recolhimentos,  conforme demonstrativo a seguir: […]”     Em 11/02/2011, o contribuinte apresentou “arquivo digital das notas fiscais  emitidas no ano calendário de 2007, em conjunto com o modelo de relatório” (fl. 14/544), bem  como o seu contrato social (fls. 07/13), documentos que culminaram na planilha de cálculos de  fl. 545.   Fl. 55157DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10882.723812/2011­63  Acórdão n.º 1101­001.254  S1­C1T1  Fl. 5          4 O Agente  Fiscal  lavrou  “Termo  de Reintimação  Fiscal”  (fl.  547),  a  fim  de  que fossem apresentados todos os documentos solicitados, bem como o “Termo de Intimação  Fiscal n. 01” (fl. 548) – ambos com ciências por AR em 17/02/2011 –, esse último objetivando  fossem apresentados:  “1 – Extratos bancários de conta­corrente e aplicações financeiras  mantidas  pela  pessoa  jurídica  junto  a  instituições  financeiras  no  Brasil e no exterior, referentes ao ano calendário de 2007 (em meio  magnético ou impresso)”     Em  04/03/2011,  o  contribuinte  requereu  a  dilação  do  prazo  para  a  apresentação  da  documentação,  considerando  que  “vem  mantendo  diálogo  com  a  empresa  Prado Chaves, onde encontram­se arquivados os documentos solicitados nesta fiscalização, no  sentido de reativar o acesso, que foi interrompido por motivo de inadimplência” (fl. 550). Em  razão  de  tal  pedido,  foi  lavrado  “Termo  de  Reintimação  Fiscal  n.  0002”  (fl.  552/553)  –  intimação via postal, em 16/03/2011 (fl. 554).   Novamente, o contribuinte informou a dificuldade em cumprir as diligências  solicitadas,  ao  fundamento de que “a maior parte dos documentos exigidos dos anos 2007 e  2008”  encontrar­se­ia  na  empresa  Prado  Chaves  Arquivos  e  Sistemas  Ltda.,  CNPJ  n.  86.890.308/0001­75,  salientando  que  “há  restrições  quanto  ao  acesso  à  documentação  arquivada” (fl. 555). Diante dessas dificuldades, o Auditor Fiscal lavrou “Termo de diligência  Fiscal/Solicitação de documentos” (fl. 556/557) em face de Prado Chaves Arquivos e Sistemas,  a  fim  de  que  confirmasse  a  declaração  do  contribuinte  fiscalizado  e  disponibilizasse  os  documentos relacionados no Termo de Início de Procedimento Fiscal.  Em  resposta  à  diligência  solicitada,  a  Pedro  Chaves  Arquivos  e  Sistemas  Ltda. afirmou que:  “Isto posto, informamos que não há de maneira alguma retenção de  documentação por nossa parte. Ao contrário, é nosso desejo que a  Gelre  retire  toda  a  documentação  guardada  conosco.  Porem  não  temos como disponibilizar a documentação solicitada por VSa. sem  que a Gelre nos informe a identificação correta dos recipientes que  os contém” (fl. 560)  Diante  dessa  informação,  o  Auditor  Fiscal  lavrou  “Termo  de  ciência  e  de  Solicitação  de  documentos  nº  0001”  (fl.  567)  intimando  o  contribuinte  a  apresentar  toda  a  documentação  necessária,  no  prazo  de  10  (dez)  dias,  tendo  a  intimação  sido  efetivada  em  11/05/2011 – fl. 568.   Ante  a  inércia  do  contribuinte,  houve  intimação,  em  30/06/2011  (fl.  570),  quanto  ao  “Termo  de  ciência  e  de  continuação  de  procedimento  fiscal”  (fl.  569),  o  que  culminou nas expedições de diversas Requisições de Movimentações Financeiras (RMF) – fls.  571/587.  Na  sequência,  foram  lavrados  outros  diversos  Termos  de  Intimação  Fiscal  (fls. 7.549, 7.755 e 7.758) buscando o envio dos documentos exaustivamente solicitados, bem  como  fossem  prestados  esclarecimentos  sobre  os  depósitos  bancários  informados  pelas  respectivas instituições financeiras (fls. 588/7.548), os quais foram apresentados nos seguintes  termos (fls. 7.773/7.775), in verbis:  Fl. 55158DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10882.723812/2011­63  Acórdão n.º 1101­001.254  S1­C1T1  Fl. 6          5 “Enviamos  carta  (anexo  protocolo  efetuado  nos  Bancos:  Brasil,  Satander, Bradrescos [sic], Itaú, Caixa Economica Federal) à todos  os  bancos  envolvidos  solicitando  que  nos  envie  cópia  dos  documentos  que  deram  origem  aos  créditos  discriminados  nas  planilhas que foram enviadas com as respectivas intimações.  Cumpre  informar  que  com  relação  a  planilha  enviada  com  a  intimação  do  dia  14/10/2011,  todos  os  créditos  tratam­se  de  pagamentos efetuados por nossos clientes. Para comprovar o aqui  alegado,  solicitamos  que  o  banco  nos  envie  relatório  de  títulos  pagos (francesinhas) que compõem cada lançamento efetuado nesta  planilha.  Nos  lançamentos em que no campo ‘histórico’ seja  indicado como  ‘Contratação Emprest/Financiamento’ cumpre informar que tratam­ se de empréstimos efetuados por nossa empresa junto as instituições  financeiras. Para comprovação da origem destes valores solicitamos  cópia dos contratos de empréstimo que originaram esses créditos em  nossas contas” (fl. 7.774).    Por derradeiro, em 09/11/2011, o contribuinte foi notificado a apresentar os  elementos necessários para a “comprovação da origem dos recursos depositados em conta de  depósito  ou  investimento  mantida  pela  empresa  (matriz  e  filiais)  junto  a  instituições  financeiras no ano calendário de 2007, no valor total de R$ 240.470.620,69. A comprovação  deve ser efetuada através de demonstrativo com indicação individualizada da origem de todos  os  depósitos  listados  nas  planilhas  anexas  (267  fls)”  (fls.  7.782/7.783  e  planilhas  às  fls.  7.784/8.047).  Em atenção a essa determinação, foram apresentados os arquivos magnéticos  que  contemplariam  os  Livros  Razão  e  Diário  referentes  ao  ano  calendário  2007  (fls.  8.049/30.113),  tendo  o  Auditor  Fiscal  lavrado  “Termo  de  Ciência  e  Solicitação  de  Documentos” (fl. 30.114) e comunicado o contribuinte de que os arquivos enviados “não estão  de acordo com as especificações do ADE COFIS n. 15 de 2001 e da IN RFB nº 86/01 e não  permitem  identificar  a  efetiva  movimentação  financeira,  inclusive  bancária,  sujeitando­se  a  pessoa jurídica às penalidades previstas no art. 980 do Decreto nº 3.000/99”, sendo que a não  apresentação dos documentos solicitados implicaria no arbitramento do lucro (arts. 530, I, “a” e  III do Decreto n. 3.000/99).   A intimação ocorreu em 21/11/2011 (fl. 30.116).  Após,  constam  dos  autos  documentos  diversos  (fls.  30.117/31.802),  dentre  eles: cópias (i) da DIRF­PJ (fls. 30.130/30.474); (ii) da DIPJ relativamente ao ano­calendário  2007  (fls.  30.475/31.444),  (iii)  das  DCTFs  do mesmo  período  (fls.  30.117/30.129);  (iv)  das  peças  processuais  referentes  ao  processo  de  recuperação  judicial  (n.  152.01.2009.017062­ 5/000000­000 – fls. 31.445/31.454); e (iv) dos contratos sociais do sujeito passivo e de outras  empresas do mesmo grupo econômico (fls. 31.455/31.501).  No  Termo  de  Verificação  Fiscal  (fls.  31.803/31.816),  as  infrações  foram  assim descritas:  “DEPÓSITOS  BANCÁRIOS  SEM  COMPROVAÇÃO  DE  ORIGEM  Fl. 55159DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10882.723812/2011­63  Acórdão n.º 1101­001.254  S1­C1T1  Fl. 7          6 20.  Após  a  conciliação  dos  extratos  bancários  apresentados  pelas  instituições  financeiras,  excluindo­se  os  créditos  não  sujeitos  a  tributação,  tais  como  resgate  de  aplicações,  transferências  de  mesma  titularidade,  empréstimos/financiamentos,  estornos  de  débitos  etc,  foram  apurados  os  depósitos  relacionados  individualmente  em  planilha  anexada  aos  autos  e  resumidos  no  demonstrativo abaixo:     […]    21.  Tendo  em  vista  que  o  contribuinte  não  atendeu  às  intimações  para  comprovação da  origem dos  recursos  depositados  em contas  bancárias  de  sua  titularidade  e  considerando­se  que  foram  identificados  depósitos  com  a  descrição  no  campo  histórico  como  ‘Liquidação de Cobrança’, no valor total de R$ 62.585.102,20, que  presumivelmente abrangem o faturamento informado na DIPJ, esta  fiscalização  considerou  como depósitos/créditos  sem comprovação  de origem, passíveis de tributação por presunção legal prevista no  art.  42  da  Lei  9430/96,  a  diferença  entre  o Montante Mensal  de  Depósitos Apurados  e o Faturamento Mensal Declarado, conforme  demonstrativo abaixo:                    22.  De  acordo  com  as  DIRFs  apresentadas  por  terceiros,  no  ano  calendário  de  2007  o  sujeito  passivo  (matriz  e  filiais)  recebeu  rendimentos  tributáveis  no  montante  total  de  R$  174.402.314,13.  Sobre esses rendimentos houve uma retenção na fonte de imposto de  renda (IRRF – Código 1708 – Remuneração Serviços Prestados por  PJ) no valor total de R$ 1.745.376.79.    23. Na ficha 11 da DIPJ (Cálculo do Imposto de Renda Mensal por  Estimativa  –  Calculado  com  Base  em  Balanço  ou  Balancete  de  Fl. 55160DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10882.723812/2011­63  Acórdão n.º 1101­001.254  S1­C1T1  Fl. 8          7 Suspensão ou Redução), o contribuinte informou retenções na fonte  no  valor  total  de  R$  1.462.326,03.  Na  ficha  12A  –  Cálculo  do  imposto de renda no valor total de R$ 1.932.969,84.    24. […] Portanto, se o contribuinte informa uma retenção na fonte  de  R$  1.932.969,84,  pressupõe­se  um  faturamento  de  R$  193.296.984,00. Contudo, foi declarado na DIPJ (fichas 06A e 60) e  na DACON receitas totais de R$ 45.298.659,47.  25.  Verifica­se,  portanto,  um  procedimento  doloso  tendente  a  fraudar o Fisco, a medida que o contribuinte  informa apenas uma  parcela  dos  rendimentos  tributáveis, mas  na  apuração do  imposto  devido  aproveita  o  imposto  retido  sobre  a  totalidade  dos  rendimentos.  […]      ARBITRAMENTO DO LUCRO  31. No presente caso, o contribuinte se enquadra nos incisos I, II e  III do art. 530, conforme relatado a seguir.  […]    33.  As  demonstrações  financeiras  –  balanço  patrimonial,  da  demonstração  de  resultado  do  período  de  apuração  e  da  demonstração de lucros ou prejuízos acumulados – não constam nos  arquivos  digitais  apresentados  e  tampouco,  o  contribuinte  apresentou  o  Livro  de  Apuração  do  Lucro  Real  –  LALUR,  para  demonstrar a apuração do imposto na DIPJ.    34.  Os  arquivos  digitais  apresentados,  não  contemplam  todos  os  depósitos bancários identificados pela fiscalização, inviabilizando a  correta apuração da movimentação financeira.   […]    36.  No  presente  caso,  considerando­se  sujeito  passivo  exerce  atividade de prestação de serviços (art. 519, inciso II, a, do RIR/99),  todas  as  receitas  apuradas  no  curso  da  ação  fiscal  (R$  235.034.415,12) serão objeto de Arbitramento do Lucro para fins de  tributação do IRPJ (38,4%) e CSLL (32%).      PIS E COFINS – REGIME CUMULATIVO    37.  O  lucro  arbitrado  apurado  pode  gerar  reflexo  de  CSLL,  entretanto,  não  será  reflexo  para  o  lançamento  de  PIS/Pasep  e  Cofins, uma vez que essas contribuições, em função do arbitramento  de  ofício  do  Imposto  de  renda,  passam  a  ser  devidas  no  regime  cumulativo  no  período  objeto  de  arbitramento  (Enquadramento  Legal: Arts. 1º a 7º da Lei nº 9.718/1998 com a redação dada pela  Medida  Provisória  nº  2.158­35/2001  e  art.  10  da  Lei  nº  10.833/2203).  […]    39. Não houve declaração de débitos de PIS e COFINS nas DCTF  do  período  fiscalizado.  A  recomposição  da  base  de  cálculo  e  das  Fl. 55161DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10882.723812/2011­63  Acórdão n.º 1101­001.254  S1­C1T1  Fl. 9          8 contribuições  devidas  foi  efetuada  de  acordo  com  as  informações  prestadas  na  DACON  –  Demonstrativo  de  Apuração  das  Contribuições Sociais, conforme demonstrativo a seguir:        MULTA POR INFRAÇÃO QUALIFICADA  […]  42.  Com  efeito,  restou  nos  autos  comprovado  que  o  contribuinte  omitiu  grande  volume  de  receitas  auferidas,  nas  Declarações  de  Informações  Econômico­Fiscais  da  Pessoa  Jurídica  –  DIPJ,  apresentadas  à  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil  –  RFB.  Consequentemente,  dada  à  falsa  declaração  acerca  da  base  de  cálculo, os tributos também foram informados, nas Declarações de  Débitos  e  Créditos  Tributários  Federais  –  DCTF,  em  valores  menores do que os efetivamente devidos, em relação a todos os fatos  geradores ocorridos no ano­calendário de 2007.  […]  45.  Cumpre  esclarecer  que  no  direito  tributário  penal,  é  possível  reconhecer  dois  tipos  de  conduta  e,  consequentemente,  de  ilícitos  fiscais: aqueles decorrentes de erro, aos quais deve ser aplicada a  multa  de  ofício  de  75%,  e  aqueles  decorrentes  de  dolo,  apenados  com  a multa  de  ofício  qualificada  de  150%. E  assim  sendo,  como  não  se  pode  admitir  que  uma omissão  tão  expressiva  das  receitas  comprovadamente  auferidas  na  atividade  da  empresa  seja  decorrente  de  mero  erro,  então,  não  se  vislumbra  possível  descaracterização da conduta dolosa da empresa autuada.  […]  47. Ressalta­se, que a majoração aqui justificada, com a aplicação  da Multa Qualificada de 150%, em relação às infrações verificadas  Fl. 55162DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10882.723812/2011­63  Acórdão n.º 1101­001.254  S1­C1T1  Fl. 10          9 no ano­calendário de 2007, nos termos do disposto no artigo 44 da  Lei  9.430/96;  será  acompanhada  de  devida  Representação  Fiscal  para  Fins  Penais,  nos  termos  e  na  forma  da  legislação  em  vigor  (Processo Administrativo n. 10882.723842/2011­70).    MULTA ISOLADA  48.  Regularmente  intimado  e  reintimado,  o  sujeito  passivo  não  apresentou os arquivos digitais relativos a sua escritura contábil e  fiscal,  de  acordo  com  as  especificações  do  ADE COFIS  n.  15  de  2001 e da IN RFB nº. 86/01, sujeitando­se às penalidades previstas  no art. 980 do Decreto nº 3000/99.  […]  50.  De  acordo  com  o  dispositivo  legal  supracitado,  foi  aplicada  multa  de  meio  por  cento  sobre  o  faturamento  apurado  pela  fiscalização, no montante de R$ 235.034.415,12.    RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS  51.  Conforme  petição  inicial  extraída  dos  autos  do  Processo  de  Recuperação  Judicial  n°  152.01.2009.017062­5/000000­000,  as  empresas  requerentes,  GELRE  TRABALHO  TEMPORÁRIO  S/A,  CNPJ  47.192.091/0001­78,  ATRA  PRESTADORA  DE  SERVIÇOS  EM GERAL, CNPJ 45.180.072/0001­04; PGP PLANEJAMENTO E  GESTÃO  DE  PROCESSO  LTDA.,  CNPJ  08.045.743/0001­90  e  PLANSERVICE BACK OFFICE LTDA, CNPJ 74.330.838/0001­80,  todas  representadas  neste  ato  pelo  Sr.  JOHANNES  ANTONIUS  MARIA  WIEGERINCK,  CPF  n.  000.041.708­49,  na  qualidade  de  ‘Diretor  Superintendente  da  primeira  peticionaria  e  Sócio­ Administrador das demais’, declaram integrar grupo econômico que  têm como sócio majoritário a holding GELDRIA PARTICIPAÇÕES  E SERVIÇOS LTDA, CNPJ 60.837.275/0001­06.  52. Na sentença de deferimento da recuperação  judicial  (acostada  aos autos), o  juiz reitera que as empresas supracitadas integram o  mesmo grupo econômico e exercem a atividade de fornecimento de  mão de obra temporária terceirizada.  53.  Os  instrumentos  contratuais  dessas  empresas,  devidamente  registrados na Junta Comercial de São Paulo (anexados aos autos),  confirmar  a  confusão  patrimonial,  vinculação  gerencial,  coincidência  de  sócios  e  administradores  e  a  caracterização  do  grupo econômico.  […]  59. […]. No presente caso, tendo sido lançada a multa qualificada,  em função da caracterização de sonegação e fraude, na tentativa da  contribuinte  de  impedir  ou  retardar  o  conhecimento  pelo  Fisco  Federal  das  receitas  auferidas  em  sua  atividade  operacional,  sem  prejuízo  das  consequentes  atinente  à  esfera  penal,  impõe­se  a  responsabilização  dos  sócios  ou  terceiros  não­sócios  com poderes  de gerência sobre a pessoa jurídica, à época dos fatos geradores.  60.  Pelo  exposto  foram  lavrados  os  Termos  de  Sujeição  Passiva  Solidária para os seguintes contribuintes:     · ATRA  PRESTADORA  DE  SERVIÇOS  EM  GERAL,  CNPJ  N°  45.180.072/0001­04  · PGP  PLANEJAMENTO  E  GESTÃO  DE  PROCESSO  LTDA.,  CNPJ 08.045.743/0001­90  Fl. 55163DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10882.723812/2011­63  Acórdão n.º 1101­001.254  S1­C1T1  Fl. 11          10 · PLANSERVICE BACK OFFICE LTDA, CNPJ 74.330.838/0001­ 80  · GELDRIA  PARTICIPAÇÕES  E  SERVIÇOS  LTDA,  CNPJ  60.837.275/001­06  · JOHANNES  ANTONIUS  MARIA  WIEGERINCK,  CPF  nº.  000.041.708­49  · JAN MARIA WIEGERINCK, CPF 033.208.908­83.”    Intimados  da  conclusão  do  procedimento  fiscal  (fls.  31.859/31.875)  e  da  lavratura  do  Auto  de  Infração  (fls.  31.803/31.816),  tanto  o  Contribuinte  quanto  os  sujeitos  passivos solidários apresentaram as respectivas impugnações (contribuinte – fls. 31.880/31.906  e  solidários  –  fls.  32.240/32.245;  32.255/32.260;  32.265/32.270;  32.281/32.286;  32.291/32.296; 32.307/32.312) em 28/12/2011.  O Contribuinte deduziu, em síntese, os seguintes argumentos:  (i)  A obtenção de informações bancárias do Contribuinte junto a instituições  financeiras através da emissão de Requisições de Movimentações Financeiras  –  RMF  é  procedimento  que  não  se  coaduna  com  a  legislação  vigente  e  configura  quebra  de  sigilo  bancário,  vez  que  não  foi  fundado  em  ordem  judicial, informando, no tópico, a existência de precedentes do plenário do E.  STF nesse sentido (citou o julgamento do RE 389.808/PR);  (ii)  Diferente do que prevê o art. 9° do Decreto n. 70.235/72, nos presentes  autos não há documentos e demais elementos comprobatórios das infrações –  afirma  que,  “conforme  se  pode  observar,  os  Autos  de  infrações  não  foram  devidamente instrumentalizados pela D. autoridade fiscal, que não anexou as  supostas ‘emissão da Requisição da Movimentação Financeira’” (fl. 31.884),  de  modo  que  “deve  ser  acolhida  a  presente  preliminar,  para  que  seja  declarado  nulo  o  Auto  de  infração  em  debate,  devido  os  vícios  existentes,  extinguindo­se o presente lançamento” (fl. 31.887);  (iii) A presunção  legal havida no presente  caso  estaria  incorreta,  na medida  em  que  “o  D.  Fiscal  para  terminar  e  encerrar  rapidamente  seu  trabalho  simplesmente  aplicou  as  determinações  da  Lei  n°  9430/96,  e  considerou  a  movimentação financeira nas contas bancárias em questão como omissão de  receitas advindas das operações mercantis realizadas pela Impugnante” (fl.  31.889), sendo que, a seu sentir, “a finalidade da utilização dos valores em  conta bancária como omissão de receitas são [sic] quando estes demonstram  uma exteriorização de riqueza, apontam montantes diferentes aos declarados  para a Secretaria da Receita Federal do Brasil” (fl. 31.893).  Assim, prossegue o contribuinte, “a presunção legal é adotada como técnica  de  lançamento  indiciário”  e  que  “não  pode  se  considerar  este  fato  isoladamente”  (fl.  31.894).  Defende  que  caberia  ao  Fiscal  buscar  saber  se  “os  depósitos  bancários  tratavam­se  de  disponibilidade econômica omitida  ao  fisco”  (fl.  31.894),  sob  pena  de  desrespeito  ao  “princípio  da  busca  da  verdade material” (fl. 31.896);  (iv) Aduz, ainda, que, “tratando­se de mera intermediadora entre a empresa  tomadora e o prestador de serviços […] tão somente os valores inerentes as  ‘taxas  de  administração’,  é  que  podem  constituir  seu  REAL  FATURAMENTO passível de incidência da COFINS e do PIS, sendo de rigor  Fl. 55164DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10882.723812/2011­63  Acórdão n.º 1101­001.254  S1­C1T1  Fl. 12          11 a  exclusão  dos  valores  repassados  pelas  tomadoras  de  serviços  para  o  pagamento dos salários e demais encargos trabalhistas” (fls. 31.897/31.898),  conforme  definido  por  sentença  no  Mandado  de  Segurança  2005.61.00.012347­9  (24ª  Vara  Federal  da  Subseção  Judiciária  de  São  Paulo);  (v)  Afirma que a qualificação da multa se deu em razão de “sonegação de  informações nas DIPJ’s e DCTF’s”  (fl. 31.903), o que, a seu sentir, não se  configura  no  caso,  porquanto  “não  existiu  nenhuma  omissão  por  parte  da  contribuinte, está atendeu a  fiscalização corretamente, apesar de estar com  dificuldades  financeiras,  inclusive  em  recuperação  judicial  conforme  narrado  no  próprio  termo  de  verificação  fiscal  e  atendeu  todas  as  solicitações do Auditor e não sonegou nenhuma informação” (fl. 31.903); e   (vi) Juntou  seis  caixas  de  documentos:  cópias  dos  livros  diários  e  razão  de  2007;  contratos  de  mútuos  realizados  entre  as  empresas  do  mesmo  grupo  econômico; peças da ação mandamental supracitada; DACON e DIPJ.  Os sujeitos passivos solidários defenderam – nas impugnações similares que  apresentaram –, em resumo, que:  (i)  O art. 124 do CTN seria inaplicável ao caso, “uma vez que a Impugnante  não  está  envolvida  na  realização  dos  fatos  geradores  que  geraram  os  presentes autos de infrações. É apenas empresa do grupo econômico e goza  de  independência  dos  seus  atos  e  gestão,  conforme  o  princípio  da  independência dos estabelecimentos” (fl. 32.233, exemplificativamente);  (ii)  Seria claro “que a  Impugnante não  tem responsabilidade alguma sobre  os  débitos  tributários  em  questão,  a  uma  por  não  ter  concorrido  para  a  realização dos fatos geradores em tela; a duas por não existir previsão legal  para  lhe  imputar  responsabilidade  solidária  quanto  ao  IRPJ, CSLL,  PIS  e  COFINS” (fl. 32.245, exemplificativamente); e  (iii) Quanto  aos  sócios  pessoas  físicas,  que  o  “débito  tributário  em questão  não  advém  de  ato  ilegal  e  contrário  ao  objeto  social  da  sociedade”  (fl.  32.285), mas decorre de mero não recolhimento de tributo, o que, para o E.  STJ, não seria suficiente para responsabilização dos sócios.    Em 20/09/2012, a d. 4ª Turma da DRJ/CPS, através do acórdão n. 05­38.969,  julgou  improcedentes  as  impugnações,  ratificando  todos  os  fundamentos  dos  autos  de  infrações e ressaltando os seguintes pontos:  (i)  Quanto  à  produção  de  provas  requerida,  mostra­se  “injustificável  a  realização de perícia ou diligência, mormente  tendo em conta os elementos  constantes  dos  autos  são  suficientes  para  formação  de  convicção  dos  julgadores a respeito da matéria em litígio” (fl. 54.991);   (ii) Inexistência de nulidades nos autos de infrações, pois, “quanto à quebra  o  sigilo  bancário,  sem  autorização  judicial,  viu­se  que  no  caso  não  houve  quebra  e  sim  transferência  de  sigilo,  devidamente  amparado  pela  Lei  Complementar  nº  105/2001”  e  “quanto  ao  questionamento  acerca  da  ausência  nos  autos  da  Requisição  de  Informações  sobre  Movimentação  Fl. 55165DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10882.723812/2011­63  Acórdão n.º 1101­001.254  S1­C1T1  Fl. 13          12 Financeira  (RMF),  há  que  se mencionar  constar a mesma das  fls.  571/587  […]  e  diversas  intimações  notificando  a  necessidade  de  apresentação  de  livros  e  demais  documentos  fiscais,  necessários  à  elucidação  do  ocorrido”  (fl. 54.996);   (iii)  Em  relação  aos  lançamentos  envolvendo  omissão  de  receita,  “se  a  contribuinte não comprovou a origem de valores  integrados às suas contas  correntes durante a auditoria fiscal, havia indícios sérios e veementes de que  tais  recursos  seriam  provenientes  de  fontes  não  identificadas  e  estariam  sujeitos à tributação” (fl. 55.001), sendo mantida a presunção de omissão de  rendimentos, nos termos do art. 42 da Lei n. 9.430/96, até porque “a possível  existência  de  notas  fiscais  relativas  aos  valores  omitidos  e  de  declaração  apresentada  por  terceiros  em  DIRF  somente  reafirmariam  a  apuração  de  receita em valor muito superior ao oferecido à tributação” (idem);  (iv)  Ademais,  “a  Fiscalização  adotou  todas  as  providências  no  sentido  de  permitir  a  manifestação  da  autuada  de  forma  a  encontrar  a  verdade  dos  fatos, sem que tivesse obtido toda a documentação solicitada” (fl. 55.003);  (v)  Ressaltou  que  “a  Fiscalização  descreve  que,  após  obter  os  extratos  bancários  junto  a  instituições  financeiras,  já  que  não  foram  apresentados  pela contribuinte, elaborou relação dos créditos, excluindo, ao contrário do  que alega a defendente, estornos efetuados, transferências do mesmo titular e  empréstimos  obtidos,  e  intimou  e  reintimou  a  contribuinte  a  comprovar  a  origem, sem que obtivesse resposta” (fl. 55.004);   (vi)  Em  relação  à  sistemática  aplicada  no  caso  –  “Lucro  Arbitrado”  –,  relembrou  a DRJ  que, “o  tempo  despendido  entre  o  início  da  fiscalização  (13/01/2011),  e  a  lavratura  do  Auto  de  Infração  (29/11/2011),  de  aproximadamente  10  meses,  parece  suficientemente  longo  para  a  apresentação  dos  livros  contábeis  e  fiscais  solicitados  pela  autoridade  lançadora”  (fl.  55.006),  e  acrescentou  que  nem  mesmo  a  apresentação  de  documentação  a  posteriori  teria  o  condão  de  afastar  a  hipótese  de  arbitramento,  “uma  vez  que  a  falha  apontada  determinante  para  a  adoção  deste critério do arbitramento não é sujeita a reparação” (fl. 55.007);  (vii)  Já  quanto  à  definição  de  faturamento  para  a  contribuinte  –  “intermediadora de prestação de serviços” –, a DRJ concluiu “que os valores  cobrados  pela  autuada  a  título  de  pagamento  pelos  serviços  vendidos  integram a base de cálculo dos tributos por ela devidos, na medida em que  têm  natureza  de  receita.  Como  visto,  trata­se  de  ingressos  cuja  natureza  (FATURAMENTO)  os  coloca  ao  alcance  dos  tributos  aqui  tratados  (IRPJ,  CSLL,  PIS  e  COFINS)”  (fl.  55.010),  conforme  definido  precedentes  do  E.  STJ;  (viii)  Quanto  ao  Mandado  de  Segurança  n.  2005.61.00.012347­9,  cuja  sentença  foi  suscitada  pela  autuada,  a DRJ  esclareceu  que  o  E.  TRF  da  3ª  Região  denegou  aquela  segurança  (fls.  55.014/55.020),  o  que  reforçaria  o  “entendimento aqui adotado, ou seja, caracterizariam custos da empresa os  salários  pagos  aos  empregados  terceirizados  e  respectivas  contribuições  e,  por conseguinte, os valores pagos pelas contratantes a  tais  títulos estariam  inseridos no conceito de receita contratada” (fl. 55.020);  Fl. 55166DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10882.723812/2011­63  Acórdão n.º 1101­001.254  S1­C1T1  Fl. 14          13 (ix) A despeito de a defesa rebelar­se contra a aplicação de multa qualificada,  esclareceu a douta DRJ que “as  informações contidas em DIRF não advêm  da  empresa,  mas  de  terceiros  que  com  ela  contrataram.  Ou  seja,  em  momento  algum  a  Impugnante  levou  ao  Fisco  o  conhecimento  de  receitas/faturamento por ela apurados. Mas, a despeito disso, utilizou­se da  integralidade dos valores retidos em seu nome” (fl. 55.023); e   (x)  Em  relação  às  empresas  e  sócios  designados  como  responsáveis  solidários, nos termos dos arts. 124 e 135 do CTN, chancela a DRJ o referido  entendimento,  pois,  conforme  se  extrai  da  “petição  inicial  do  processo  de  recuperação  judicial  n.  152.01.2009.017062­5/0000000­000  e  respectiva  decisão  judicial,  bem como dos  instrumentos  contratuais dessas empresas”  (fl. 55.025), “elas  integram o mesmo grupo econômico, em conjunto com a  contribuinte  Gelre  Trabalho  Temporário  S/A,  denotando  ainda  confusão  patrimonial,  vinculação  gerencial  e  coincidência  de  sócios  e  administradores” (idem).    Saliente­se que os  sujeitos passivos não se  irresignaram em relação à multa  isolada  atinente  à  falta  de  apresentação  de  arquivos  magnéticos  de  acordo  com  as  especificações da Receita Federal, razão pela qual a matéria foi tida como não impugnada.  O  contribuinte  autuado  foi  intimado do  acórdão  da  d. DRJ em 18/10/2012,  conforme AR à fl. 55.046,  tendo sido interposto o recurso voluntário (fls. 55.068/55.091) em  22/11/2012.  Na  mesma  data,  os  responsáveis  solidários  também  apresentaram  recursos  voluntários (fls. 55.050/55.056; 55.059/55.065; 55.094/55.099; 55.102/55.108; 55.111/55.116;  55.119/55.125).  Todos  os  recursos  apresentados  apenas  repisam  os  mesmíssimos  argumentos e pedidos das respectivas peças impugnatórias.  É o relatório.  Voto Vencido  Conselheiro BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR    I – Do recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo Gelre Trabalho Temporário S/A  Inicialmente, cumpre aferir a tempestividade do recurso voluntário interposto  pelo Contribuinte Gelre Trabalho Temporário S/A. às fls. 55.068/55.091.  Conforme  atesta  o  fólio  de  n.  55.046,  o  sujeito  passivo  foi  intimado  da  r.  decisão  a  qua  por meio  postal,  tendo  sido  recebida  em  18/10/2012,  nos  termos  do  art.  23,  inciso II c/c §2º, II, do Decreto n. 70.235/72.  Nesse  quadro,  tem­se  que  o  termo  inicial  do  trintídio  legal  para  a  apresentação do Recurso Voluntário é 19 de outubro de 2012 (sexta­feira), e o respectivo termo  ad  quem  fincou­se  em  17/11/2012  (sábado),  sendo  prorrogado  automaticamente  para  Fl. 55167DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10882.723812/2011­63  Acórdão n.º 1101­001.254  S1­C1T1  Fl. 15          14 19/11/2012  (segunda­feira),  conforme  preconiza  o  art.  5º  e  parágrafo  único  do  Decreto  n.  70.235/72.  Ocorre que apenas em 22/11/2012 (quinta­feira) o contribuinte apresentou o  recurso voluntário,  ou  seja,  33  (trinta  e  três) dias após  a ciência da  r. decisão da  instância a  qua. Essa  conclusão  é extraída a partir  do contraste da fl. 55.046 – na qual consta a data de  entrega do acórdão recorrido em 18/10/12 – e do carimbo de protocolo à fl. 55.068.   Por  todo o exposto, NÃO CONHEÇO do recurso voluntário interposto pelo  sujeito passivo por ser intempestivo.    A despeito da intempestividade do recurso voluntário do sujeito passivo, cabe  analisar o cabimento dos recursos voluntários interpostos pelos responsáveis solidários às fls.  55050/55056  –  PGP  Planejamento;  55059/55065  –  ATRA  Prestadora  de  Serviços;  55094/55099 – Johannes Antonius Maria Wiegerinck; 55102/55108 – Planservice Back Office;  55111/55116 – Jan Maria Wiegerinck; 55119/55125 – Geldria Participações; contra a parte da  decisão da DRJ que lhes refere.  Na sessão de julgamento de 23/11/2014, esta E. 1ª Turma, acompanhando o  entendimento  desta  Relatoria,  converteu  o  julgamento  em  diligência  para  fosse  aferida  na  origem  a  intimação  (ou  não)  desses  responsáveis  solidários,  considerando  a  inexistência  nos  autos  de  notícia  quanto  à  expedição  de  Intimações  e/ou  de  Avisos  de  Recebimentos  da  r.  decisão  de  primeira  instância.  O  julgamento  foi  formalizado  por  meio  da  Resolução  n.  1101.000­137.   Baixados  os  autos,  a  d.  Autoridade  Preparadora  informou  que  “apenas  o  sujeito passivo foi devidamente cientificado, em 18/10/2012, da r. decisão proferida pela DRJ”  (fl. 55.153, destaquei).  O artigo 31 do Decreto n. 70235/72 determina que a decisão a ser proferida  em primeira instância pelas d. Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento “conterá  relatório  resumido  do  processo,  fundamentos  legais,  conclusão  e  ordem  de  intimação”,  de  modo que todos os contribuintes envolvidos no processo sejam intimados a recolher o tributo  ou apresentar recurso a esse E. Conselho.   No  presente  caso,  contudo,  tal  providência  não  foi  observada  pela  d.  Autoridade Julgadora, sendo inequívoca a afronta àquele dispositivo, razão pela qual seria de  rigor  o  reconhecimento  dessa  nulidade  e  a  baixa  dos  autos  para  que  fosse  regularizada  a  intimação dos responsáveis solidárias.  Contudo,  igualmente  deve­se  reconhecer  que,  a  despeito  da  ausência  dessa  intimação oficial, fato é que os responsáveis solidários tiveram acesso à íntegra da r. decisão  de primeira  instância, haja vista  todos  terem apresentado os  respectivos  recursos voluntários,  em  22/11/2012,  questionando  os  fundamentos  adotados  pela  E.  DRJ/SP1  para  manter  o  lançamento na parte que lhes fere.   Ademais, em observância ao princípio pas de nullité sans grief,  tendo sido  apresentados recursos voluntários e não arguida e demonstrada a existência do efetivo prejuízo  pela ausência de intimação individual aos responsáveis solidários, entendo que a apresentação  Fl. 55168DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10882.723812/2011­63  Acórdão n.º 1101­001.254  S1­C1T1  Fl. 16          15 do recurso pelo contribuinte antes ou na ausência de sua intimação oficial não seria óbice  ao seu conhecimento.  Por  tais  razões,  CONHEÇO  dos  recursos  interpostos  pelos  responsáveis  solidários e passo às suas análises.    II – Da Análise dos Recursos Voluntários dos responsáveis solidários: (i) Atra Prestadora de  Serviços  em Geral;  (ii)  PGP  Planejamento  e  Gestão  de  Processos  Ltda.;  (iii)  Planservice  Back Office Ltda.; e (iv) Geldria Participações e Serviços Ltda. Art. 124 do CTN  No  Termo  de  Verificação  Fiscal  (fl.  31.814),  a  Fiscalização  afirma  que,  “conforme  petição  inicial  extraída  dos  autos  do  Processo  de  Recuperação  Judicial  nº  152.01.2009.017062­5/000000­000,  as  empresas  requerentes  […],  todas  elas  representadas  neste  ato  pelo  Sr.  JOHANNES  ANTONIUS  MARIA  WIEGERINCK,  […]  na  qualidade  de  ‘Diretor Superintende da primeira peticionária e Sócio­Administrador das demais’ declaram  integrar  grupo  econômico  que  têm  como  sócio  majoritário  a  holding  GELDRIA  PARTICIPAÇÕES E SERVIÇOS LTDA.”, destacando, ainda, que:  “[…]  52.  Na  sentença  de  deferimento  da  recuperação  judicial  (acostada  aos  autos),  o  Juiz  reitera que as  empresas  supracitadas  integram  o  mesmo  grupo  econômico  e  exercem  a  atividade  de  fornecimento de mão de obra temporária terceirizada.    53.  Os  instrumentos  contratuais  dessas  empresas,  devidamente  registrados na Junta Comercial de São Paulo (anexados aos autos),  confirmam  a  confusão  patrimonial,  vinculação  gerencial,  coincidência  de  sócios  e  administradores  e  a  caracterização  do  grupo econômico.” (fls. 31.814/31.815, grifos acrescidos).  ‘  Em  todos  os  recursos  voluntários  apresentados  pelos  solidários  –  todos  idênticos  –,  o  argumento  principal  apresentado  pelos Recorrentes  é  no  sentido  de  que  o  art.  124,  inciso  I,  do CTN  “não  define  o  que  é  interesse  comum na  situação  que  constitua  fato  gerador, porém se entende como as pessoas que tenham participado do fato gerador de forma  conjunta”  (v.  g.  fl.  55.053),  enquanto  que,  na  situação  imputada  pela  Fiscalização,  os  Recorrentes não estariam envolvidos na hipótese de incidência descrita nas normas tributárias,  sendo  “apenas  empresa[s]  do  grupo  econômico  e  goza  de  independência  dos  seus  atos  e  gestão, conforme princípio da independência dos estabelecimentos” (fl. 55.054).  Por isso, concluem as empresas solidárias, “fica claro que a Recorrente não  tem  responsabilidade  alguma  sobre  os  débitos  tributários  em  questão,  a  uma  por  não  ter  concorrido  para  a  realização  dos  fatos  geradores  em  tela;  a  duas  por  não  existir  previsão  legal para lhe imputar responsabilidade solidária quanto ao IRPJ, CSLL, PIS e COFINS” (fl.  55.055).   Pois bem.  A vertente discussão já foi analisada por esta E. Turma em processo similar  ao  presente  (Processo  Administrativo  n.  10882.722133/2012­58),  inclusive  envolvendo  as  mesmas  partes  –  com  alternância  da  sujeição  passiva  “principal”  que  foi  imputada  à  Fl. 55169DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10882.723812/2011­63  Acórdão n.º 1101­001.254  S1­C1T1  Fl. 17          16 Planservice Back Office Ltda., mantendo­se as demais empresas como responsáveis solidárias  –, e mesmas fundamentação jurídica e situação fática.  Naquela oportunidade, firmei o entendimento de que, verbis:  A  responsabilização  solidária  das  sociedades  empresárias  que  compõem  o  mesmo  grupo  econômico  do  contribuinte  é  absolutamente improsperável.  Com efeito, é incontestável que o Termo de Verificação Fiscal calca  a  responsabilização  solidária  das  sociedades  empresárias  integrantes do mesmo grupo econômico exclusivamente no inciso I  do art. 124 do CTN, que estabelece que a solidariedade  tem lugar  entre pessoas que tenham interesse comum na situação que constitui  o fato gerador da obrigação principal.  Ora, por mais que haja sócios em comum entre as empresas, não há  que se  falar em responsabilização solidária por pretenso  interesse  comum das  sociedades,  tendo  em  vista  que  em momento  algum se  disse que essas pessoas jurídicas não se constituiriam em entidades  que,  por  mais  que  apresentassem  certos  vínculos,  efetivamente  tinham existências distintas.  É  importante  salientar  que,  por  mais  que  as  sociedades  aqui  controvertidas  –  à  exceção  da  holding  GELDRIA  –  estejam  passando por processo de recuperação judicial, essa circunstância  não  significa  que  tais  entidades  tenham  perdido  a  sua  individualidade, ao mesmo tempo em que não há qualquer preceito  legal  no  sentido  de  que  o  evento  em  referência  engendra  a  responsabilização  solidária  por  créditos  tributários  entre  os  partícipes do processo de recuperação.  Frise­se:  o  Fisco  jamais  afirmou  que  as  empresas  em  destaque  eram,  em  verdade,  uma  única  sociedade  apenas  que  teria  sido  formalmente  descentralizada,  razão  pela  qual  não  consigo  vislumbrar  o  interesse  comum  que  as  pretensas  responsáveis  solidárias  poderiam  ter  na  situação  que  constituiu  o  fato  gerador  das  exações  aqui  controvertidas,  ao  menos  não  aquele  interesse  comum que enxergo no inciso I do art. 124 do CTN.  De fato, o interesse comum a que se refere o citado inciso I do art.  124  do  CTN  apenas  tem  lugar  nas  hipóteses  em  que  os  solidariamente  obrigados  ao  pagamento  do  tributo  encontram­se  absolutamente  no  mesmo  polo  das  relações  que  engendram  o  nascimento dos tributos, o que não se verifica entre empresas que,  por  mais  que  integrantes  de  um  único  grupo  econômico,  têm  personalidade  jurídica  e  atividades  próprias  e  que  não  se  confundem nem mesmo aos olhos das autoridades autuantes.  Conclui,  assim,  pelo  provimento  dos  recursos  voluntários  dos  responsáveis  solidários.  No  entanto,  apenas  a  conclusão  acima  foi  adotada  por  esta  E.  Turma  Julgadora, diante da divergência na interpretação exposta por esta Relatoria quanto ao art. 124  do CTN, pelos seguintes fundamentos, norteados pela Il. Conselheira Edeli Pereira Bessa, nos  seguintes termos:  Fl. 55170DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10882.723812/2011­63  Acórdão n.º 1101­001.254  S1­C1T1  Fl. 18          17 “No  que  tange  à  responsabilidade  tributária,  a  maioria  do  Colegiado  decidiu  afastá­la  por  razões  distintas  daquelas  esposadas pelo I. Relator. Isto apenas porque o art. 124, inciso I do  CTN,  além  de  cogitar  de  solidariedade  em  face  daqueles  que,  no  mesmo pólo da relação jurídica tributária, praticam o fato gerador,  permite que o interesse comum também seja caracterizado em razão  de  confusão  patrimonial,  em  razão  da  qual  a  riqueza manifestada  pelo fato jurídico tributário é compartilhada irregularmente entre os  sujeitos passivos solidários, ainda que estes possuam personalidade  jurídica e atividades próprias.  No  presente  caso,  a  imputação  de  responsabilidade  solidária  decorreu,  apenas,  do  reconhecimento  judicial  de  que  as  pessoas  jurídicas  integram  um mesmo  grupo  econômico,  e  que  algumas  delas  não  disporiam  de  capital  de  giro,  valendo­se  de  ajuda  financeira  de  outras  empresas  do  grupo  e  de  empréstimos  bancários para subsistir. Não há qualquer evidência de que estas  ocorrências  seriam  contemporâneas  aos  fatos  geradores  autuados, de modo a demonstrar a confusão patrimonial que  poderia justificar a responsabilização na forma do art. 124, I do  CTN.”  (sem  grifos  no  original,  Acórdão  n.  1101­001.117,  julgado  em 03 de junho de 2014).  Assim,  incorporando  ao  meu  entendimento  a  fundamentação  da  Il.  Conselheira Edeli Pereira Bessa no supracitado Acórdão 1101­001.117, DOU PROVIMENTO  ao recurso voluntário das pessoas jurídicas, para afastar a responsabilidade solidária imputada,  nos termos das razões acima.    III – Da Análise dos Recursos Voluntários dos  responsáveis  solidários  sócios gerentes:  (i)  Jan Maria Wiegerinck; (ii) Johanne Antonius Maria Wiegerinck. Art. 135, III do CTN  Já  em  relação  aos  responsáveis  solidários  pessoas  físicas,  a  Fiscalização  entendeu  pela  necessária  inclusão  dos  sócios  gerentes  “com  poderes  de  gerência”  por mera  decorrência  da  qualificação  da  multa  de  ofício  –  que,  frise­se,  não  foi  analisada  neste  julgamento  diante  da  intempestividade  do  recurso  voluntário  do  sujeito  passivo  –,  nos  seguintes termos:  “53.  Os  instrumentos  contratuais  dessas  empresas,  devidamente  registrados na Junta Comercial de São Paulo (anexados aos autos),  confirmar  a  confusão  patrimonial,  vinculação  gerencial,  coincidência  de  sócios  e  administradores  e  a  caracterização  do  grupo econômico.  […]  59. […]. No presente caso, tendo sido lançada a multa qualificada,  em função da caracterização de sonegação e  fraude, na  tentativa  da contribuinte de impedir ou retardar o conhecimento pelo Fisco  Federal das receitas auferidas em sua atividade operacional,  sem  prejuízo  das  consequentes  atinente  à  esfera  penal,  impõe­se  a  responsabilização dos sócios ou  terceiros não­sócios com poderes  de gerência sobre a pessoa jurídica, à época dos fatos geradores.”  (fl. 31.816, sem grifos no original).    Fl. 55171DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10882.723812/2011­63  Acórdão n.º 1101­001.254  S1­C1T1  Fl. 19          18 Da  leitura  do  único  parágrafo  no  Termo  de  Verificação  Fiscal  referente  à  responsabilização  dos  Sócios  Gerentes  à  época  dos  fatos,  é  possível  concluir  que  a  d.  Autoridade Autuante entendeu que os  fatos que engendraram a qualificação da multa de  ofício, nos termos do art. 44, § 1º, da Lei n. 9.430/96, impõem a responsabilização dos sócios­ gerentes.  Vejamos aqueles  fatos para, ao final, verificar a sua suficiência para fins de  imputação da responsabilidade solidária dos sócios.  No  Termo  de  Verificação  Fiscal,  o  Sr.  Auditor  Fiscal  entendeu  pela  qualificação  da  multa  de  ofício  por  identificar  que  o  Sujeito  Passivo  agiu  com  inequívoca  intenção  dolosa  de  não  oferecer  à  tributação  vultosas,  sendo,  por  outro  lado,  inaplicável  a  Súmula n. 14 deste E. Conselho, em razão do “evidente intuito de fraude do sujeito passivo”  (fl. 31.814). Confiram­se os excertos abaixo:    “42. Com  efeito,  restou  nos  autos  comprovado que o  contribuinte  omitiu  grande  volume  de  receitas  auferidas,  nas Declarações  de  Informações  Econômico­Fiscais  da  Pessoa  Jurídica  –  DIPJ,  apresentadas  à  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil  –  RFB.  Consequentemente,  dada  à  falsa  declaração  acerca  da  base  de  cálculo, os tributos também foram informados, nas Declarações de  Débitos  e  Créditos  Tributários  Federais  –  DCTF,  em  valores  menores  do  que  os  efetivamente  devidos,  em  relação  a  todos  os  fatos geradores ocorridos no ano­calendário de 2007.  43. No presente caso, cumpre reconhecer a sonegação e a fraude, na  tentativa  da  contribuinte  de  impedir  ou  retardar  o  conhecimento  pelo  Fisco  Federal  das  receitas  auferidas  em  sua  atividade  operacional, comprovadas nas DIRF apresentadas por terceiros, no  Relatório de Faturamento apresentado pelo próprio contribuinte, e  nos  depósitos  bancários  de  origem  não  identificada, mantidos  em  suas contas correntes.  44. Caracteriza­se também como um procedimento doloso tendente  a fraudar o Fisco, a medida que o contribuinte informa em DIPJ  apenas uma parcela dos rendimentos tributáveis, mas na apuração  do imposto devido aproveita o imposto retido sobre a totalidade dos  rendimentos omitidos. Soma­se a isso o fato de o contribuinte não  ter  apresentado  à  fiscalização  os  documentos  fiscais  e  contábeis  exigidos,  com  o  evidente  intuito  de  manter  o  Fisco  Federal  à  margem  da  realidade/totalidade  dos  fatos  geradores  ocorridos  passíveis de tributação.  46. Revela­se assim inaplicável ao caso a Súmula nº 14 do Conselho  Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, na medida em que não  se  trata  de  simples  apuração  de  omissão  de  receitas,  mas  de  apuração de omissão de receitas com circunstâncias que autorizam  a  qualificação da multa de ofício,  porque  comprovado o  evidente  intuito  de  fraude  do  sujeito  passivo,  com  propósito  deliberado  de  impedir  e/ou  retardar  o  conhecimento  por  parte  da  autoridade  fazendária da ocorrência do fato gerador e das condições pessoais  de contribuinte, materializando­se a hipótese do artigo 71 da Lei nº  4.502, de 1964.” (sem grifos no original, fls. 31.813/31.814).    Fl. 55172DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10882.723812/2011­63  Acórdão n.º 1101­001.254  S1­C1T1  Fl. 20          19 O art. 135, III do CTN dispõe, verbis:  Art.  135.  São  pessoalmente  responsáveis  pelos  créditos  correspondentes  a  obrigações  tributárias  resultantes  de  atos  praticados  com  excesso  de  poderes  ou  infração  de  lei,  contrato  social ou estatutos:  III ­ os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de  direito privado.  Inicialmente,  registro  que  esse dispositivo  apenas  tem aplicação quando  for  comprovada a violação à lei ou ao contrato social, sendo inconteste que o não recolhimento  de tributos (obrigação principal) ou sua contabilização e declaração (obrigações acessórias) são  evidentes afrontas à legislação tributária.   De  fato,  a  mens  legis  daquele  dispositivo  refere­se  à  violação  a  outra  legislação  que  não  a  violada  pelo  não  recolhimento  de  tributos,  conforme  explicita  Luís  Eduardo Schoueri:    “Por  outro  lado,  não  pode  deixar  de  ser  visto  que  a  responsabilidade ‘pessoal’ das pessoas arroladas no artigo 135 não  se  dá  em  qualquer  caso,  mas  apenas  nos  atos  praticados  com  excesso de poderes ou  infração de  lei,  contrato  social ou estatuto.  Nota­se que a infração de que cogita o dispositivo não há de ser a  mera  falta de  recolhimento de  tributo. Claro que não recolher um  tributo  no  prazo  é  uma  infração  a  lei.  Entretanto,  fosse  esse  o  alcance do artigo 135, então não teria sentido o artigo 134, que já  versa  sobre  responsabilização  por  não  recolhimento  do  tributo.  Para  que  o  último  dispositivo  tenha  algum  alcance,  há  de  se  entender  que  o  artigo  135  compreende  as  infrações  a  leis  não  tributárias;  e,  no  que  se  refere  às  infrações  a  leis  tributárias,  excetua­se  o  mero  inadimplemento.”  (in  Direito  Tributário,  São  Paulo: Saraiva, 3ª ed., 2013, p. 564, grifamos)  Veja­se que esse foi exatamente o entendimento externado pelo E. Superior  Tribunal de Justiça, em sede de Recurso Especial Repetitivo, pacificando a interpretação do  art.  135  do  CTN  no  sentido  de  que  o mero  não  recolhimento  de  tributos  não materializa  a  hipótese  de  infração  à  lei  prevista  naquele  dispositivo,  o  que  se  depreende  da  leitura  da  seguinte ementa, verbis:  TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO FISCAL.  TRIBUTO  DECLARADO  PELO  CONTRIBUINTE.  CONSTITUIÇÃO  DO  CRÉDITO  TRIBUTÁRIO.  PROCEDIMENTO  ADMINISTRATIVO.  DISPENSA.  RESPONSABILIDADE  DO  SÓCIO.  TRIBUTO  NÃO  PAGO  PELA SOCIEDADE.   1.  A  jurisprudência  desta  Corte,  reafirmada  pela  Seção  inclusive em julgamento pelo regime do art. 543­C do CPC, é  no sentido de que "a apresentação de Declaração de Débitos e  Créditos  Tributários  Federais  –  DCTF,  de  Guia  de  Informação  e  Apuração  do  ICMS  –  GIA,  ou  de  outra  declaração  dessa  natureza,  prevista  em  lei,  é  modo  de  Fl. 55173DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10882.723812/2011­63  Acórdão n.º 1101­001.254  S1­C1T1  Fl. 21          20 constituição  do  crédito  tributário,  dispensando,  para  isso,  qualquer  outra  providência  por  parte  do  Fisco"  (REsp  962.379, 1ª Seção, DJ de 28.10.08).   2. É  igualmente  pacífica  a  jurisprudência do STJ no  sentido  de  que  a  simples  falta  de  pagamento  do  tributo  não  configura, por si só, nem em tese, circunstância que acarreta  a  responsabilidade subsidiária do sócio, prevista no art. 135  do CTN. É  indispensável,  para  tanto,  que  tenha  agido  com  excesso de poderes ou infração à lei, ao contrato social ou ao  estatuto  da  empresa  (EREsp  374.139/RS,  1ª  Seção,  DJ  de  28.02.2005).   3.  Recurso  especial  parcialmente  conhecido  e,  nessa  parte,  parcialmente provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543­ C do CPC e da Resolução STJ 08/08. (REsp n. 1.101.728/SP,  Min. Rel. Teori Albino Zavascki, DJ 23.3.2009, sem grifos no  original)  Aliás,  a  partir  desse  precedente,  foi  editada  e  Súmula  430/STJ,  a  fim  de  afastar qualquer interpretação divergente daquela firmada, e a Súmula n. 14 deste E. Conselho  Administrativo:  Súmula/STJ  n.  430 ­ 24/03/2010  ­  DJe  13/05/2010  ­  REPDJe  20/05/2010  O inadimplemento da obrigação tributária pela sociedade não gera,  por si só, a responsabilidade solidária do sócio­gerente.    Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou  de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de  ofício,  sendo  necessária  a  comprovação  do  evidente  intuito  de  fraude do sujeito passivo.    Destarte, uma vez que o Termo de Sujeição Passiva Solidária não versa uma  linha  sequer  sobre  qualquer  infração  que  teria  sido  cometida  pelos Recorrentes  além do  não  pagamento  de  tributos,  mostra­se  de  rigor  o  afastamento  da  responsabilização  solidária  imputada, eis que os administradores do Sujeito Passivo não podem ser chamados a responder  pelos créditos  tributários aqui discutidos pela  simples circunstância de a empresa  ter omitido  receitas.  Saliente­se  que  o  precedente  do  Egrégio  Superior  Tribunal  de  Justiça  supratranscrito foi prolatado em sede de Recurso Especial Repetitivo (art. 543­C do Código  de Processo Civil),  de modo que se  revela mandatória a sua  reprodução no seio do processo  administrativo  fiscal,  na  esteira  do  art.  62­A  do  Regimento  Interno  do  CARF  (Anexo  II  da  Portaria  MF  n.  256/2009),  conforme  diversos  julgamentos,  ilustrativamente  a  seguir  delineados:  “Assunto:  Contribuições  Sociais  Previdenciárias  Período  de  apuração:01/10/2009  a  30/08/2011  RESPONSABILIDADE  DOS  ADMINISTRADORES.  ART.  135  DO  CTN.  NECESSIDADE  DE  APURAÇÃO  DE  ATUAÇÃO  EM  OFENSA  À  LEI  OU  COM  EXCESSO DE PODERES. DESCUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO  TRIBUTÁRIA  POR  SI  SÓ  NÃO  JUSTIFICA  A  ATRIBUIÇÃO  DE  Fl. 55174DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10882.723812/2011­63  Acórdão n.º 1101­001.254  S1­C1T1  Fl. 22          21 RESPONSABILIDADE.  DECISÃO  DO  STJ  EM  RECURSO  REPETITIVO.  Seguindo  o  entendimento  do  STJ  expresso  no REsp  1.101.278,  julgado  na  sistemática  do  art.  543­C  do  CPC,  o  descumprimento da obrigação tributária principal não configura,  por  si  só,  nem  em  tese,  circunstância  que  acarreta  a  responsabilidade  subsidiária  do  sócio  ou  administrador,  prevista  no  art.  135  do  CTN. […]”  (acórdão  n.  2301­004.067,  julgado  e  m16/07/2014)    “RESPONSABILIDADE  SOLIDÁRIA.  135  DO  CTN.  INOCORRÊNCIA  DE  ATOS  PRATICADOS  COM  EXCESSO  DE  PODER,  INFRAÇÃO  A  LEI,  CONTRATO  SOCIAL  OU  ESTATUTOS.  O  sócio­administrador  da  autuada  agiu  dentro  dos  limites  legais,  não  havendo  que  se  falar  em  atos  praticados  com  excesso de poder ou infração a lei, contrato social ou estatutos, que  motivassem a aplicação do art. 135,  inciso II do CTN. Ademais, a  falta  de  pagamento  de  tributo  não  configura,  por  si  só,  nem  em  tese, circunstância que acarreta a responsabilidade subsidiária do  sócio,  prevista  no  art.  135  do  CTN,  conforme  posicionamento  já  sedimentado nesta corte e no egrégio Superior Tribunal de Justiça”  (Resp  1.101.728/SP,  543­C  do  CPC).”  (Acórdão  n.  1402­001.628,  DJ 11/06/2014)  Assim, considerando que a d. Autoridade Autuante não indicou precisamente  quais foram os atos praticados pelos Recorrentes que representariam ofensa à lei não tributária  ou  ao  contrato  social  –  circunstância  essa  que  é  condição  sine  qua  non  para  a  aplicação  do  preceito –, mas apenas  lhes estendeu os  fundamentos  fáticos para a qualificação da multa de  ofício, entendo não prosperar a responsabilização solidária.  Por  outro  lado,  ainda  que  se  entenda  que  o  art.  135  do  CTN  refere­se  à  violação à legislação tributária, não vislumbro a adequação da conduta dos Recorrentes àquela  hipótese descrita no art. 135 do CTN.  Como adiantado no início deste tópico, apesar de não ser possível analisar a  conformidade  da  qualificação  da  multa  de  ofício  com  a  legislação  tributária,  ante  a  intempestividade  do  recurso  da  contribuinte,  é  possível  fazê­lo  em  relação  à  imputação  da  responsabilidade solidária aos sócios gerentes à época dos fatos.  Destaco não vislumbrar a necessária vinculação entre a qualificação da multa  de ofício e a responsabilização dos gerentes da sociedade empresária, como entendido pela d.  Autoridade Autuante.  Com  efeito,  a  partir  da  leitura  daquele  dispositivo,  percebe­se  que  os  diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado são pessoalmente  responsáveis pelos créditos tributários resultantes de atos praticados com excesso de poderes  ou infração de lei ou contrato social, o que revela que esses diretores/gerentes apenas podem  ser  responsabilizados  se  restar  absolutamente  comprovado  que  eles  efetivamente  praticaram tais atos ofensivos à lei ou ao contrato social.  Assim,  deve  ser  demonstrado  inequivocamente  que  os  atos  de  gestão  e  administração  do  Sujeito  Passivo,  e  que  geraram  o  descumprimento  da  obrigação  tributária,  Fl. 55175DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10882.723812/2011­63  Acórdão n.º 1101­001.254  S1­C1T1  Fl. 23          22 foram  praticados  com  “com  excesso  de  poderes  ou  infração  de  lei,  contrato  social  ou  estatutos”.  Afastada  essa  interdependência  entre  a  multa  qualificada  e  a  responsabilização  dos  sócios,  percebe­se  claramente  que  a  imputação  da  responsabilidade  solidária dos Recorrentes decorre tão somente da omissão de receitas, ainda que a Fiscalização  tenha ressaltado não se tratar simplesmente dessa infração, eis que haveria intuito “deliberado  de impedir e/ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do  fato gerador e das condições pessoais de contribuinte”.  Com  a  devida  vênia,  não  vislumbro  a  intenção  dolosa  necessária  à  configuração da responsabilização do art. 135, III do CTN e afastamento da Súmula n. 14 deste  E. Conselho.  A  situação  vertente  configura  a  clássica  omissão  de  receitas,  ainda  que  vultoso tenha sido o montante ocultado, haja vista integrar seu modus operandi não incluir tais  valores  nas Declarações  de  Informações Econômico­Fiscais  da Pessoa  Jurídica  – DIPJ  e nas  Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF.  Ademais, consta no Termo de Verificação Fiscal que o sujeito passivo teria  tentado “impedir ou retardar o conhecimento pelo Fisco Federal das receitas auferidas em sua  atividade  operacional”  (fl.  31.813),  apesar  de  o  Sr.  Auditor  Fiscal  ter  tido  acesso  à  integralidade  da  matéria  tributável  através  da  expedição  de  RMFs  e  não  ter  apontado  tais  condutas que materializariam esses óbices à r. autoridade autuante.  Por  tais  razões,  mesmo  tendo  havido  a  omissão  de  receitas  pelo  Sujeito  Passivo,  essa  circunstância,  por  si  só,  não  pode  ser  estendida  aos  seus  sócios  gerentes  sem  indicação  clara  e  precisa  da  infração  à  Lei  ou  ao  contrato  social,  únicos  elementos  que  permitiriam a sua responsabilização solidária.  Diante  dessas  considerações,  DOU  PROVIMENTO  ao  recurso  dos  responsáveis  solidários  para  afastar a  responsabilização dos  sócios gerentes por aplicação do  art. 135, III, do CTN.  É como voto.  (documento assinado digitalmente)  BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR ­ Relator    Voto Vencedor  Conselheira EDELI PEREIRA BESSA  Com  referência  aos  recursos  voluntários  interpostos  pelos  responsáveis  solidários  PGP  Planejamento;  ATRA  Prestadora  de  Serviços;  Planservice  Back  Office  e  Geldria  Participações;  contra  a  parte  da  decisão  da  DRJ  que  lhes  refere,  observa­se  que  a  acusação fiscal tem em conta não apenas o art. 124, inciso I do CTN. A autoridade lançadora  Fl. 55176DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10882.723812/2011­63  Acórdão n.º 1101­001.254  S1­C1T1  Fl. 24          23 também  reporta­se  ao  art.  124,  inciso  II  do  CTN,  e  invoca  a  responsabilidade  tributária  estipulada pela Lei nº 8.212/91 aos grupos econômicos, nos seguintes termos:    Art.  30.  A  arrecadação  e  o  recolhimento  das  contribuições  ou  de  outras  importâncias  devidas  à  Seguridade  Social  obedecem  às  seguintes normas:   […]   IX  ­  as  empresas  que  integram  grupo  econômico  de  qualquer  natureza  respondem  entre  si,  solidariamente,  pelas  obrigações  decorrentes desta Lei;   Por sua vez, não há dúvida de que as pessoas jurídicas em referência foram  reconhecidas  como  integrantes  de  grupo  econômico,  inclusive  por  ocasião  de  processo  de  recuperação judicial.  Assim, no que tange aos créditos tributários devidos à Seguridade Social, aí  incluídas  as  exigências  de  CSLL,  COFINS  e  Contribuição  ao  PIS,  deve  subsistir  a  responsabilidade tributária imputada às recorrentes.   Com  referência  à  responsabilidade  tributária  imputada  a  Jan  Maria  Wiegerinck e Johanne Antonius Maria Wiegerinck, não há reparos à decisão recorrida.   O  art.  135,  III  do  CTN  imputa  responsabilidade  pessoal  àqueles  que  agem  com  infração  de  lei,  e  embora neste  conceito  não  esteja  incluído o mero  inadimplemento de  obrigações tributários, o fato é que as infrações aqui imputadas à autuada foram acrescidas de  multa qualificada em decorrência de sonegação e  fraude, em razão da deliberada intenção do  sujeito  passivo  de  falsear  as  declarações  prestadas  ao  Fisco,  informado  receitas  em  valores  significativamente  inferiores  aos  efetivamente  auferidos.  Em  tais  condições,  para  além  do  inadimplemento,  há  infração  de  lei  que  autoriza  a  responsabilização  pessoal,  e  por  consequência  solidária,  dos  gerentes  que  assim  conduzem  a  pessoa  jurídica,  retirando­lhes  a  proteção conferida pelo mandato e pelo vínculo societário, restrita aos casos em que o agente  representa a pessoa jurídica em atos regulares de representação.  Some­se,  ainda,  o  expressivo  volume  de  depósitos  bancários  sem  comprovação  da  origem,  circunstância  que  também  tem  ensejado  a  manutenção  da  responsabilidade  tributária  com  fundamento  no  art.  135,  III  do  CTN,  consoante  ementa  de  julgado deste Conselho a seguir transcrita:    RESPONSABILIDADE  TRIBUTÁRIA.  ARTIGO  135  DO  CTN.  A  hipótese de infração à lei de que trata o art. 135, III do CTN citado  nos  Termos  de  Sujeição  Passiva  encontra­se  demonstrada  pela  Fiscalização  no  caso,  ante  (a)  a  comprovada  omissão  de  receitas  decorrente da diferença entre os valores declarados ao Fisco e os  valores movimentados nas contas correntes da Contribuinte; e (b) a  ausência  de  adequada  escrituração  contábil  e  fiscal  da  pessoa  jurídica, de realização obrigatória na forma da legislação tributária  e comercial. (Acórdão nº 1102­001.038, sessão de 12/03/2014)  Fl. 55177DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10882.723812/2011­63  Acórdão n.º 1101­001.254  S1­C1T1  Fl. 25          24   Por  tais  razões,  deve  ser  NEGADO  PROVIMENTO  ao  recurso  voluntário  interposto por Jan Maria Wiegerinck e Johanne Antonius Maria Wiegerinck.  (documento assinado digitalmente)  EDELI PEREIRA BESSA ­ Redatora designada                  Fl. 55178DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA

score : 1.0
5883923 #
Numero do processo: 16327.001703/99-43
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 31 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Data do fato gerador: 31/01/1995, 31/03/1995, 30/04/1995, 30/06/1995, 31/07/1995 COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE PREJUÍZO FISCAL QUE FOI TOTALMENTE REVERTIDO EM OUTRO PROCESSO COM DECISÃO DEFINITIVA NA ESFERA ADMINISTRATIVA. EXIGÊNCIA DO IMPOSTO QUE DEIXOU DE SER RECOLHIDO EM RAZÃO DA COMPENSAÇÃO. Se a decisão proferida no processo nº 16327.000813/99-14, definitiva na esfera administrativa, confirma a inexistência do prejuízo fiscal em dezembro/1994, que foi compensado com o lucro real dos meses de janeiro, março, abril, junho e julho de 1995, e que serviu como justificativa para o não recolhimento do imposto, deve ser mantida a decisão que considerou procedente o lançamento de IRPJ nestes períodos.
Numero da decisão: 1802-002.549
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José de Oliveira Ferraz Corrêa, Ester Marques Lins de Sousa, Henrique Heiji Erbano, Nelso Kichel, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira e Gustavo Junqueira Carneiro Leão.
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201503

ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Data do fato gerador: 31/01/1995, 31/03/1995, 30/04/1995, 30/06/1995, 31/07/1995 COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE PREJUÍZO FISCAL QUE FOI TOTALMENTE REVERTIDO EM OUTRO PROCESSO COM DECISÃO DEFINITIVA NA ESFERA ADMINISTRATIVA. EXIGÊNCIA DO IMPOSTO QUE DEIXOU DE SER RECOLHIDO EM RAZÃO DA COMPENSAÇÃO. Se a decisão proferida no processo nº 16327.000813/99-14, definitiva na esfera administrativa, confirma a inexistência do prejuízo fiscal em dezembro/1994, que foi compensado com o lucro real dos meses de janeiro, março, abril, junho e julho de 1995, e que serviu como justificativa para o não recolhimento do imposto, deve ser mantida a decisão que considerou procedente o lançamento de IRPJ nestes períodos.

turma_s : Segunda Turma Especial da Primeira Seção

dt_publicacao_tdt : Tue Mar 31 00:00:00 UTC 2015

numero_processo_s : 16327.001703/99-43

anomes_publicacao_s : 201503

conteudo_id_s : 5449202

dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Mar 31 00:00:00 UTC 2015

numero_decisao_s : 1802-002.549

nome_arquivo_s : Decisao_163270017039943.PDF

ano_publicacao_s : 2015

nome_relator_s : JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA

nome_arquivo_pdf_s : 163270017039943_5449202.pdf

secao_s : Primeira Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José de Oliveira Ferraz Corrêa, Ester Marques Lins de Sousa, Henrique Heiji Erbano, Nelso Kichel, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira e Gustavo Junqueira Carneiro Leão.

dt_sessao_tdt : Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015

id : 5883923

ano_sessao_s : 2015

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:39:06 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713047702731751424

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1966; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­TE02  Fl. 2          1 1  S1­TE02  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  16327.001703/99­43  Recurso nº  999.999   Voluntário  Acórdão nº  1802­002.549  –  2ª Turma Especial   Sessão de  24 de março de 2015  Matéria  IRPJ  Recorrente  DASCAM CORRETORA DE CÂMBIO S/A  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Data  do  fato  gerador:  31/01/1995,  31/03/1995,  30/04/1995,  30/06/1995,  31/07/1995  COMPENSAÇÃO  INDEVIDA  DE  PREJUÍZO  FISCAL  QUE  FOI  TOTALMENTE REVERTIDO EM OUTRO PROCESSO COM DECISÃO  DEFINITIVA  NA  ESFERA  ADMINISTRATIVA.  EXIGÊNCIA  DO  IMPOSTO  QUE  DEIXOU  DE  SER  RECOLHIDO  EM  RAZÃO  DA  COMPENSAÇÃO.  Se  a  decisão  proferida  no  processo  nº  16327.000813/99­14,  definitiva  na  esfera  administrativa,  confirma  a  inexistência  do  prejuízo  fiscal  em  dezembro/1994, que foi compensado com o lucro real dos meses de janeiro,  março,  abril,  junho  e  julho  de 1995,  e  que  serviu  como  justificativa  para  o  não  recolhimento  do  imposto,  deve  ser  mantida  a  decisão  que  considerou  procedente o lançamento de IRPJ nestes períodos.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade,  em  NEGAR  provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.   (assinado digitalmente)  José de Oliveira Ferraz Corrêa – Presidente e Relator.    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  José  de  Oliveira  Ferraz  Corrêa,  Ester  Marques  Lins  de  Sousa,  Henrique  Heiji  Erbano,  Nelso  Kichel,  Luis  Roberto Bueloni Santos Ferreira e Gustavo Junqueira Carneiro Leão.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 17 03 /9 9- 43 Fl. 208DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 16327.001703/99­43  Acórdão n.º 1802­002.549  S1­TE02  Fl. 3          2   Relatório  Trata­se de recurso voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal  de  Julgamento  em  São  Paulo/SP,  que  considerou  procedente  o  lançamento  realizado  para  a  constituição  de  crédito  tributário  relativo  ao  Imposto  sobre  a Renda  da Pessoa da  Jurídica –  IRPJ,  conforme auto de  infração de  fls.  2  a 7,  no valor de R$ 29.133,68,  incluindo­se nesse  montante a multa de ofício de 75% e os juros moratórios.  Os  fatos  que  antecederam  o  presente  recurso  estão  assim  descritos  no  relatório da decisão recorrida, Acórdão nº 07.165, às fls. 68 a 71:   Da autuação   Trata o presente processo de autuação de IRPJ, conforme auto  de  infração  às  fls.  02,  lavrado  em  28  de  julho  de  1999,  em  decorrência  de  compensação  indevida  de  prejuízos  fiscais  apurados,  tendo  em  vista  as  reversões  de  prejuízos  após  o  lançamento das infrações constatadas nos períodos­base 1993 e  1994,  através  de  Auto  de  Infração  constante  do  processo  administrativo n° 16327.000813/99­14.  Os valores apurados pela fiscalização são os seguintes:          Fato gerador  R$        31/01/1995  2.058,13  31/03/1995  5.790,67  30/04/1995  24.216,69  30/06/1995  6.039,72  31/07/1995  2.621,84    O  auto  de  infração  de  IRPJ  no  valor  total  de  R$  29.133,68,  abrangendo  imposto,  multa  de  ofício  de  75%  e  juros  de  mora  calculados  até  30/06/1999  (fls.02),  foi  lavrado  com  base  nos  artigos 196, inciso III, e 197, parágrafo único, do RIR/94.  Da impugnação   O  interessado  apresenta  impugnação,  protocolizada  em  19  de  agosto de 1999, com os argumentos de que (fls.14 a 34):  ­  o  auto  ora  impugnado  é  um  complemento  do  auto  principal,  lavrado  em  abril/99  e  como  o  presente  processo  só  tem  existência em virtude do Auto de Infração constante do processo  principal,  a  Impugnação  a  este  auto  reveste­se  das  mesmas  Fl. 209DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 16327.001703/99­43  Acórdão n.º 1802­002.549  S1­TE02  Fl. 4          3 razões  de  fato  e  de  direito  constantes  da  impugnação  apresentada relativamente ao processo matriz.  ­  o  Auto  de  Infração  principal  —  IRPJ  —  foi  lavrado  sob  a  alegação  de  supostas  irregularidades  na  dedução  pela  Impugnante,  de  despesas  relativas  a  contratos  firmados  com  a  empresa DAGUE — Assessoria, Consultoria e Planejamento S/C  Ltda,  para  (i)  prestação  de  serviços  de  consultoria  técnica  e  especializada  na  área  organizacional  e  financeira,  e  (ii)  prestação de serviços de processamento de dados.  ­  em  razão das  glosas  de despesas  efetuadas,  o Fisco  tributou,  também, o valor das compensações de prejuízos fiscais e da base  de  cálculo  negativa  da  contribuição  social,  pleiteadas  pela  Impugnante  na  declaração  de  rendimentos  correspondente  ao  ano  de  1994.  No  presente  auto  de  Infração,  também  em  razão  das  mesmas  glosas  de  despesas  efetuadas,  o  Agente  Autuante  tributou  o  valor  da  compensação de  prejuízos  fiscais  pleiteada  pela Impugnante no ano de 1995.  As alegações de direito trazidas pelo interessado são as mesmas  já  apresentadas  quanto  ao  auto  de  infração  formalizado  no  processo n° 16327.000813/99­14.  Do pedido   Pede que o lançamento seja considerado insubsistente tendo em  vista a total improcedência do lançamento principal.  Como mencionado,  a Delegacia  da Receita  Federal  de  Julgamento  em  São  Paulo/SP considerou procedente o  lançamento e manteve  integralmente as exigências  fiscais,  expressando suas conclusões com a seguinte ementa:  Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica ­ IRPJ   Exercício: 1995   Ementa: COMPENSAÇÃO DE PREJUIZOS. Deve ser mantida  a  glosa  sobre  prejuízos  compensados  indevidamente  em  decorrência de recomposição do resultado por glosa de despesas  não  necessárias,  cuja  exigência  foi  considerada  procedente  em  decisão de Primeira Instância.  Lançamento Procedente  O voto que orientou a decisão administrativa de primeira instância está assim  fundamentado:  Tendo sido a impugnação ao Auto de Infração apresentada com  a  observância  do  prazo  estipulado  no  art.  15  do  Decreto  n°  70.235, de 06 de março de 1972, dela tomo conhecimento.  Como exposto pela Impugnante, a presente autuação decorre de  auto  de  infração  que  denomina  de  principal  e  que  consta  dos  autos do processo n° 16327.000813/99­14.   Fl. 210DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 16327.001703/99­43  Acórdão n.º 1802­002.549  S1­TE02  Fl. 5          4 Tal  autuação  foi  considerada  procedente  integralmente  quanto  ao  IRPJ,  conforme Acórdão proferido  por  esta Décima Turma,  cópia anexa.  Por  sua  vez,  a  Impugnante  reporta­se  às  mesmas  alegações  apresentadas no mencionado processo.  Assim,  como  a  presente  glosa  de  prejuízos  é  decorrência  da  autuação do processo principal de IRPJ, segue o decidido em tal  autuação, e portanto, deve ser mantida.  CONCLUSÃO   Em face de todo o exposto, voto pela procedência do lançamento  de fls. 01, com os respectivos acréscimos legais de acordo com a  legislação vigente.  Inconformada  com  essa  decisão,  da  qual  tomou  ciência  em  26/07/2005,  a  Contribuinte apresentou em 18/08/2005 o recurso voluntário de fls. 75 a 98, reiterando que o  processo em referência só tem existência em virtude do Auto de Infração constante do processo  principal (nº 16327.000813/99­14), e que, por essa razão, o recurso deste processo se  reveste  das  mesmas  razões  de  fato  e  de  direito  constantes  do  recurso  apresentado  naquele  outro  processo.   Os  questionamentos  relativos  aos  lançamentos  contidos  no  processo  nº  16327.000813/99­14, que abrangem os períodos­base 1993 e 1994, suscitam a decadência de  alguns períodos autuados, e  também contestam as glosas de despesas com consultoria e com  processamento  de  dados  (que  levaram  à  reversão  de  prejuízos  fiscais  e  bases  negativas  de  CSLL, bem como à exigência de IRPJ e CSLL em vários meses de 1993 e 1994).  Em  16/10/2008,  a  Terceira  Câmara  do  antigo  Primeiro  Conselho  de  Contribuintes  exarou  a Resolução  nº  103­01.891  (fls.  157  a  161),  para  fins  de  “converter  o  julgamento  em  diligência  para  aguardar  na  delegacia  de  origem  o  trânsito  em  julgado  do  processo matriz (n° 16327.000813/99­14)”.  O  Despacho  de  fls.  205/206  noticia  que  “a  fase  litigiosa  constante  no  processo  nº  16327.000813/99­14  está  finda  na  esfera  administrava,  uma  vez  que  o  crédito  tributário ali formalizado encontra­se parcelado”.  Diante  disso,  e  em  virtude  da  extinção  dos  antigos  Conselhos  de  Contribuintes e da criação do atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, o  processo  foi  sorteado  e  distribuído  a  esta  2ª  Turma  Especial  da  1ª  Seção  de  Julgamento  do  CARF, para que o recurso voluntário contido nos presentes autos seja agora julgado.     Este é o Relatório.  Fl. 211DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 16327.001703/99­43  Acórdão n.º 1802­002.549  S1­TE02  Fl. 6          5   Voto             Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator.  O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade.  Portanto, dele tomo conhecimento.  Conforme  relatado,  a Contribuinte  questiona  lançamento  para  exigência  de  IRPJ apurado nos meses de janeiro, março, abril, junho e julho de 1995, no regime do Lucro  Real Mensal.  A  autuação  nestes  períodos  decorreu  de  compensação  indevida  de  prejuízo  fiscal apurado em dezembro de 1994, que foi revertido pelo lançamento contido no processo nº  16327.000813/99­14, em razão de glosa de despesas no referido período. Esse outro processo  também abrange lançamentos em outros meses de 1993 e 1994, igualmente fundamentados em  glosa de despesas.   O  processo  nº  16327.000813/99­14  foi  julgado  pela  Terceira  Câmara  do  antigo Primeiro Conselho de Contribuintes em 07/12/2006, conforme Acórdão nº 103­22.829  (fls. 163/172), com a ementa e a parte dispositiva abaixo transcritas:  DECADÊNCIA.  TRIBUTOS  SUJEITOS  AO  LANÇAMENTO  POR  HOMOLOGAÇÃO.  O  prazo  de  decadência  dos  tributos  sujeitos ao regime de lançamento por homologação é, a teor do  art.  150,  §  4°,  do  CTN,  de  cinco  anos,  contados  da  data  da  ocorrência  do  fato  gerador,  salvo  se  comprovados  a  fraude,  o  dolo ou a simulação.  GLOSA DE DESPESAS. Deve ser mantida a glosa de despesas  com serviços de consultoria cujas efetividade e necessidade não  restaram  demonstradas  e  afastada  a  glosa  de  despesas  com  serviços  de  processamento  de  dados,  baseada  unicamente  na  ilação  de  que  o  valor  pago.se  mostra  superior  ao  valor  de  mercado,  cujos  atributos  de  necessidade,  usualidade  e  efetividade não foram negados pelo fisco.  TRIBUTAÇÃO  REFLEXA.  CSLL.  Dada  a  intima  relação  de  causa  e  efeito  entre  eles  existente,  se  aplica  ao  lançamento  reflexo o decidido em relação ao lançamento principal..  Recurso provido em parte.  Vistos,  relatados  e  discutidos  os  presentes  autos  de  recurso  interposto por DASCAM CORRETORA DE CÂMBIO S.A.  ACORDAM  os  Membros  da  Terceira  Câmara  do  Primeiro  Conselho de Contribuintes,  por maioria de votos, ACOLHER a  preliminar  de  decadência  do  direito  de  constituir  o  crédito  tributário  relativo  aos  fatos  geradores  ocorridos  até  o  mês  de  março  de  1994,  inclusive,  vencido  o  Conselheiro  Leonardo  de  Fl. 212DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 16327.001703/99­43  Acórdão n.º 1802­002.549  S1­TE02  Fl. 7          6 Andrade  Couto,  que  não  a  acolheu  apenas  em  relação  à  exigência da CSLL e, no mérito, por unanimidade de votos, DAR  provimento  PARCIAL  ao  recurso  para  excluir  da  tributação  a  verba correspondente às despesas de serviços de processamento  de dados, nos termos do relatório e voto que integram o presente  julgado.  Naquele  referido  processo,  a  Procuradoria  da  Fazenda  Nacional  interpôs  recurso especial, objetivando reverter a decisão sobre a decadência dos períodos até o mês de  março de 1994, mas não obteve êxito porque o recurso não foi admitido, conforme o Despacho  nº 103­0.138/2008, às fls. 192/193.  E  o  Despacho  de  fls.  205/206  noticia  que  “a  fase  litigiosa  constante  no  processo  nº  16327.000813/99­14  está  finda  na  esfera  administrava,  uma  vez  que  o  crédito  tributário ali formalizado encontra­se parcelado”.  Os documentos de fls. 09 a 13 indicam que a Contribuinte deixou de recolher  os  débitos  de  IRPJ  referentes  aos meses  de  janeiro, março,  abril,  junho  e  julho  de  1995  em  razão de compensar o lucro real destes períodos com o prejuízo fiscal apurado em dezembro de  1994.   E a planilha de fls. 195 evidencia que mesmo com o provimento parcial do  recurso  voluntário  apresentado  no  processo  nº  16327.000813/99­14,  continuou  havendo  reversão total do prejuízo fiscal apurado em dezembro/1994, e ainda exigência de imposto para  esse período.   Como  já mencionado,  essa  matéria  se  encontra  definitivamente  julgada  na  esfera  administrativa,  inclusive  com parcelamento  dos  débitos  remanescentes  no  processo  nº  16327.000813/99­14.   Assim, não cabe qualquer reparo no lançamento objeto destes autos, eis que  realmente não há prejuízo fiscal em dezembro/1994 para ser compensado com o lucro real dos  meses de janeiro, março, abril, junho e julho de 1995, e que justifique o não recolhimento de  IRPJ para estes períodos.  Desse modo, voto no sentido de negar provimento ao recurso.    (assinado digitalmente)  José de Oliveira Ferraz Corrêa                             Fl. 213DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 16327.001703/99­43  Acórdão n.º 1802­002.549  S1­TE02  Fl. 8          7     Fl. 214DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA

score : 1.0
5828703 #
Numero do processo: 10932.000223/2008-75
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2301-000.499
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Marcelo Oliveira - Presidente Adriano Gonzales Silvério - Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros MARCELO OLIVEIRA (Presidente), DANIEL MELO MENDES BEZERRA, ANDREA BROSE ADOLFO, NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, ADRIANO GONZALES SILVERIO.
Nome do relator: ADRIANO GONZALES SILVERIO

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201412

camara_s : Terceira Câmara

turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção

dt_publicacao_tdt : Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015

numero_processo_s : 10932.000223/2008-75

anomes_publicacao_s : 201502

conteudo_id_s : 5432191

dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015

numero_decisao_s : 2301-000.499

nome_arquivo_s : Decisao_10932000223200875.PDF

ano_publicacao_s : 2015

nome_relator_s : ADRIANO GONZALES SILVERIO

nome_arquivo_pdf_s : 10932000223200875_5432191.pdf

secao_s : Segunda Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Marcelo Oliveira - Presidente Adriano Gonzales Silvério - Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros MARCELO OLIVEIRA (Presidente), DANIEL MELO MENDES BEZERRA, ANDREA BROSE ADOLFO, NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, ADRIANO GONZALES SILVERIO.

dt_sessao_tdt : Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014

id : 5828703

ano_sessao_s : 2014

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:36:54 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713047702748528640

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1637; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C3T1  Fl. 222          1 221  S2­C3T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10932.000223/2008­75  Recurso nº  999.999Voluntário  Resolução nº  2301­000.499  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária  Data  02 de dezembro de 2014  Assunto  Solicitação de Diligência  Recorrente  TUBANDT INDUSTRIA METALURGICA LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Resolvem os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, em converter o  julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.    Marcelo Oliveira ­ Presidente     Adriano Gonzales Silvério ­ Relator     Participaram,  ainda,  do  presente  julgamento,  os  Conselheiros  MARCELO  OLIVEIRA  (Presidente),  DANIEL  MELO  MENDES  BEZERRA,  ANDREA  BROSE  ADOLFO, NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR,  ADRIANO GONZALES SILVERIO.      Trata­se  de  crédito  lançado  em  processo  principal  10932.00022312008­75  referente ao Debcad nº 37.172.470­8, e processos apensados 10932.000225/2008­64, referente  ao  Debcad  e  37.172.471­6,  e  processo  n°  10932.000224/2008­10,  referente  ao  Debcad  n°  37.172.472­4,  relativo  a  auto  de  infração  por  descumprimento  de  obrigação  acessória,  conforme descrito a seguir:     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 32 .0 00 22 3/ 20 08 -7 5 Fl. 228DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 18/02 /2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 10932.000223/2008­75  Resolução nº  2301­000.499  S2­C3T1  Fl. 223          2 i) Debcad n° 37.172.470­8: Crédito lançado contra o sujeito passivo relativo ao  período de 01/2004 a 1312005,  compreendendo  as  contribuições da  empresa  (cota patronal),  contribuições  relativas  ao  financiamento  dos  benefícios  concedidos  em  razão  do  grau  'de  incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, incidentes  sobre  a  remuneração  de  segurados  empregados,  conforme  consta  do  relatório  fiscal  do  auto  principal/AIOP, fls.19/21;  ii) Debcad n° 37.172.471­6: contribuições de Terceiros;  iii) Debcad n° 37.172.472­4: GFIP Segundo o relatório fiscal o contribuinte não  poderia  ter  optado  pelo  SIMPLES  sendo  realizada  sua  exclusão,  conforme  processo  10932.00014112008­21 e Ato Declaratório Executivo ADE n° 14, de 18 de julho de 2008, fls.  117/118.  Devidamente  intimado  o  sujeito  passivo  apresentou  impugnação,  a  qual,  em  apertada síntese, sustentou que é legítima o seu enquadramento no SIMPLES.  A DRJ de Campinas manteve a autuação na sua integralidade. Diante da decisão  supra  a  empresa  apresentou  recurso  voluntário  repisando  os  argumentos  suscitados  na  impugnação.  É o Relatório.  Fl. 229DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 18/02 /2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 10932.000223/2008­75  Resolução nº  2301­000.499  S2­C3T1  Fl. 224          3 Conselheiro Adriano Gonzales Silvério, Relator   Como se depura dos autos a premissa fiscal foi a de que o sujeito passivo teria  extrapolado o  limite de  receita bruta prevista na 9.317/96. Conseqüência desse entendimento  resultou na representação para a exclusão da autuada do Simples, bem como no lançamento das  contribuições previdenciárias.  Por outro lado, o sujeito passivo sustenta que se defendeu dos atos de exclusão  do  Simples,  o  que  fica  evidente  no  acompanhamento  processual  do  processo  administrativo  10932.000141/2008­21.  Entendo  que  a  decisão  a  ser  tomada  naqueles  autos,  pode,  sobremaneira,  influenciar  na  decisão  aqui  a  ser  proferida  por  essa Egrégia  1º  Turma,  haja  vista  que  se  for  decidido  que  o  sujeito  passivo  deve  permanecer  no  Simples,  o  presente  lançamento  sofrerá  conseqüências, quiçá seu cancelamento se for esse o caso.  Por  essa  razão,  voto  no  sentido  de CONVERTER O  JULGAMENTO  EM  DILIGÊNCIA a fim de que o processo fique sobrestado na Delegacia da Receita Federal de  origem até que o processo administrativo 10932.000141/2008­21 transite em julgado, devendo  ser  anexadas  as  decisões  nele  proferidas,  seja  de  primeira,  como  de  segunda  instâncias  administrativas  e  após  o  trânsito  em  julgado,  encaminhe  esse  processo  ao  CARF  para  processamento e julgamento.      Adriano Gonzales Silvério ­ Conselheiro    Fl. 230DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 18/02 /2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO

score : 1.0
5863851 #
Numero do processo: 18471.000734/2008-73
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2004 DECISÃO RECORRIDA. OMISSÃO. INOCORRÊNCIA. ART. 31 DO DECRETO N° 70.235/72. O julgador administrativo não está obrigado a rebater pontualmente cada tese levantada pelo contribuinte se a fundamentação delineada na decisão é suficiente para concluir que delas discordou. QUALIFICAÇÃO JURÍDICA DO FATO. OMISSÃO DE RECEITA. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA. ART. 199, RIR. A situação fática indicada no autos de infração é a efetiva omissão de receita e não a presunção de omissão de receita. A mera inserção de referência ao art. 199 do RIR no auto de infração não compromete o enquadramento legal da infração, pois ele traz apenas previsão geral relativa às microempresas e empresas de pequeno porte, não indicando qualquer conduta que reflita infração ao ordenamento jurídico. OMISSÃO DE RECEITA. CONFISSÃO. PROCURAÇÃO. PODERES ESPECÍFICOS. AUSÊNCIA. INEFICÁCIA. A confissão de débitos fiscais pelo procurador da empresa somente poderá ser aceita quando a procuração trouxer poderes específicos para a prática da confissão. Os arts. 213 e 661 do CC/02 dispõem que o mandato, em regra, apenas confere poderes de administração, o que implica na conclusão de que a confissão efetuada por quem não possui poderes específicos para tanto é ineficaz. ÔNUS DA PROVA DO LANÇAMENTO DE OFÍCIO. ART. 142 E 149 DO CTN. COMPROVAÇÃO. AUSÊNCIA. LANÇAMENTO INSUBSISTENTE. Nos termos dos arts. 142 e 149, ambos do CTN, cabe à autoridade administrativa, para a constituição do crédito tributário por meio do lançamento, a adoção de procedimento que verifique a ocorrência do fato jurídico tributário da obrigação. Portanto, cabe à fiscalização empreender todos os esforços necessários à verificação do fato, devendo comprovar tudo aquilo que alega. Destarte, se o lançamento não possui base probatória, deve ser julgado improcedente.
Numero da decisão: 1801-002.287
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Neudson Cavalcante Albuquerque que votou na conversão do julgamento em realização de diligências. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes - Presidente. (assinado digitalmente) Alexandre Fernandes Limiro - Relator. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Neudson Cavalcante Albuquerque que votou na conversão do julgamento em realização de diligências.
Nome do relator: ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201503

ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2004 DECISÃO RECORRIDA. OMISSÃO. INOCORRÊNCIA. ART. 31 DO DECRETO N° 70.235/72. O julgador administrativo não está obrigado a rebater pontualmente cada tese levantada pelo contribuinte se a fundamentação delineada na decisão é suficiente para concluir que delas discordou. QUALIFICAÇÃO JURÍDICA DO FATO. OMISSÃO DE RECEITA. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA. ART. 199, RIR. A situação fática indicada no autos de infração é a efetiva omissão de receita e não a presunção de omissão de receita. A mera inserção de referência ao art. 199 do RIR no auto de infração não compromete o enquadramento legal da infração, pois ele traz apenas previsão geral relativa às microempresas e empresas de pequeno porte, não indicando qualquer conduta que reflita infração ao ordenamento jurídico. OMISSÃO DE RECEITA. CONFISSÃO. PROCURAÇÃO. PODERES ESPECÍFICOS. AUSÊNCIA. INEFICÁCIA. A confissão de débitos fiscais pelo procurador da empresa somente poderá ser aceita quando a procuração trouxer poderes específicos para a prática da confissão. Os arts. 213 e 661 do CC/02 dispõem que o mandato, em regra, apenas confere poderes de administração, o que implica na conclusão de que a confissão efetuada por quem não possui poderes específicos para tanto é ineficaz. ÔNUS DA PROVA DO LANÇAMENTO DE OFÍCIO. ART. 142 E 149 DO CTN. COMPROVAÇÃO. AUSÊNCIA. LANÇAMENTO INSUBSISTENTE. Nos termos dos arts. 142 e 149, ambos do CTN, cabe à autoridade administrativa, para a constituição do crédito tributário por meio do lançamento, a adoção de procedimento que verifique a ocorrência do fato jurídico tributário da obrigação. Portanto, cabe à fiscalização empreender todos os esforços necessários à verificação do fato, devendo comprovar tudo aquilo que alega. Destarte, se o lançamento não possui base probatória, deve ser julgado improcedente.

turma_s : Primeira Turma Especial da Primeira Seção

dt_publicacao_tdt : Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015

numero_processo_s : 18471.000734/2008-73

anomes_publicacao_s : 201503

conteudo_id_s : 5442454

dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015

numero_decisao_s : 1801-002.287

nome_arquivo_s : Decisao_18471000734200873.PDF

ano_publicacao_s : 2015

nome_relator_s : ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO

nome_arquivo_pdf_s : 18471000734200873_5442454.pdf

secao_s : Primeira Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Neudson Cavalcante Albuquerque que votou na conversão do julgamento em realização de diligências. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes - Presidente. (assinado digitalmente) Alexandre Fernandes Limiro - Relator. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Neudson Cavalcante Albuquerque que votou na conversão do julgamento em realização de diligências.

dt_sessao_tdt : Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015

id : 5863851

ano_sessao_s : 2015

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:38:17 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713047702768451584

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2328; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­TE01  Fl. 167          1 166  S1­TE01  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  18471.000734/2008­73  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  1801­002.287  –  1ª Turma Especial   Sessão de  03 de março de 2015  Matéria  Omissão de Receitas  Recorrente  PX 22 COMERCIO DE ROUPAS LTDA ME  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS  Ano­calendário: 2004  DECISÃO  RECORRIDA.  OMISSÃO.  INOCORRÊNCIA.  ART.  31  DO  DECRETO N° 70.235/72.  O julgador administrativo não está obrigado a rebater pontualmente cada tese  levantada  pelo  contribuinte  se  a  fundamentação  delineada  na  decisão  é  suficiente para concluir que delas discordou.   QUALIFICAÇÃO  JURÍDICA  DO  FATO.  OMISSÃO  DE  RECEITA.  PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA. ART. 199, RIR.   A situação fática indicada no autos de infração é a efetiva omissão de receita  e não  a presunção de omissão de  receita. A mera  inserção de  referência  ao  art. 199 do RIR no auto de infração não compromete o enquadramento legal  da  infração, pois ele  traz apenas previsão geral  relativa às microempresas e  empresas  de  pequeno  porte,  não  indicando  qualquer  conduta  que  reflita  infração ao ordenamento jurídico.   OMISSÃO  DE  RECEITA.  CONFISSÃO.  PROCURAÇÃO.  PODERES  ESPECÍFICOS. AUSÊNCIA. INEFICÁCIA.  A  confissão  de  débitos  fiscais  pelo  procurador  da  empresa  somente  poderá  ser aceita quando a procuração trouxer poderes específicos para a prática da  confissão. Os  arts.  213 e 661 do CC/02 dispõem que o mandato,  em  regra,  apenas confere poderes de administração, o que implica na conclusão de que  a  confissão  efetuada  por  quem  não  possui  poderes  específicos  para  tanto  é  ineficaz.   ÔNUS DA PROVA DO LANÇAMENTO DE OFÍCIO. ART. 142 E 149 DO  CTN.  COMPROVAÇÃO.  AUSÊNCIA.  LANÇAMENTO  INSUBSISTENTE.   Nos  termos  dos  arts.  142  e  149,  ambos  do  CTN,  cabe  à  autoridade  administrativa,  para  a  constituição  do  crédito  tributário  por  meio  do     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 07 34 /2 00 8- 73 Fl. 167DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 10/0 3/2015 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por ANA DE BARROS FERNAND ES     2 lançamento,  a  adoção  de  procedimento  que  verifique  a  ocorrência  do  fato  jurídico  tributário  da  obrigação.  Portanto,  cabe  à  fiscalização  empreender  todos os esforços necessários à verificação do fato, devendo comprovar tudo  aquilo que alega. Destarte, se o lançamento não possui base probatória, deve  ser julgado improcedente.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento  ao  Recurso  Voluntário,  nos  termos  do  voto  do  Relator.  Vencido  o  Conselheiro  Neudson  Cavalcante Albuquerque que votou na conversão do julgamento em realização de diligências.   (assinado digitalmente)  Ana de Barros Fernandes ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  Alexandre Fernandes Limiro ­ Relator.    Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento  ao  Recurso  Voluntário,  nos  termos  do  voto  do  Relator.  Vencido  o  Conselheiro  Neudson  Cavalcante Albuquerque que votou na conversão do julgamento em realização de diligências.    Relatório  Tratam­se  de  Autos  de  Infração  lavrados  em  face  do  contribuinte  em  decorrência  de  OMISSÃO  DE  RECEITAS  ­  RECEITAS  NÃO  DECLARADAS  e  INSUFICIÊNCIA  DE  RECOLHIMENTO,  referentes  ao  ano­calendário  2004,  relativos  aos  tributos  abrangidos  pelo  Simples  Nacional:  IRPJ­SIMPLES  (e­fls.  43/54),  PIS/PASEP­ SIMPLES  (e­fls.  55/59),  CSSL­SIMPLES  (e­fls.  60/65),  COFINS­SIMPLES  (e­fls.  66/72),  Contribuição  para Seguridade Social­INSS­SIMPLES  (e­fls.  73/79). O valor  total  do  crédito  tributário apurado, inclusos multa e juros de mora, à época perfazia R$ 51.594,73 (e­fl. 04).  Conforme  o  Termo  de  Verificação  Fiscal  (e­fls.  40/42),  o  autuado  foi  intimado a preencher planilha informando suas receitas e despesas relativas ao ano­calendário  2004 (e­fl. 24), o que foi feito (e­fl. 31/33). A fiscalização constatou então divergências entre o  valor das  receitas  informadas na declaração de  imposto de renda PJSI 2005 e o constante na  planilha preenchida pela própria empresa, tendo intimado e reintimado a autuada a justifica­las  (e­fls. 38/39). Entretanto, o contribuinte apenas alegou que os valores corretos são aqueles que  se encontram na planilha por ele preenchida e não aqueles declarados (e­fls. 31). Deste modo,  constatada a omissão de receita decorrente das diferenças apuradas entre a receita informada e  a declarada,  foram lavrados os supracitados autos de  infração, cuja notificação da autuada se  deu em 19/05/2008, conforme neles se verifica.   O contribuinte apresentou impugnação aos autos de infração em 17/06/2008  (e­fls. 88/101), a qual foi julgada improcedente pela DRJ­Rio de Janeiro. O julgador esclareceu  Fl. 168DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 10/0 3/2015 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por ANA DE BARROS FERNAND ES Processo nº 18471.000734/2008­73  Acórdão n.º 1801­002.287  S1­TE01  Fl. 168          3 acerca  do  aumento  do  coeficiente/alíquota  aplicável,  com base no  art.  188  do RIR/99.  Lado  outro,  apontou  ainda  que  não  há  presunção  de  omissão  de  receita,  uma  vez  que  a  autuada  reconheceu e ratificou os valores por ela informados na planilha preenchida.   Intimado dessa decisão em 23/08/2010 (e­fl. 127), o contribuinte apresentou  recurso voluntário em 17/09/2010 (e­fls. 131/145), onde:  a) Alega que  a DRJ não  se manifestou  sobre duas  teses  constantes da peça  impugnatória:  i)  a  inexistência  de  provas  nos  autos  acerca  dos  valores  considerados  como  receita pela fiscalização e que serviram de base para a autuação, ou seja, não há comprovação  de  tais  valores  pelos  registros  contábeis  ou  fiscais  do  contribuinte,  mas  apenas  a  planilha  preenchida;  ii)  a  preterição  do  direito  de  defesa  alegado.  Invocou  o  art.  31  do  Decreto  n.  70.235/72. Tal vício ensejaria nulidade da decisão recorrida.   b) Ausência de prova para o lançamento, pois a fiscalização apenas levou em  conta  os  valores  informados  na  planilha,  sem  comprovar  tais  valores  através  dos  registros  fiscais e contábeis da empresa.    c)  A  preterição  do  direito  de  defesa,  pois  a  fiscalização  não  apresentou  nenhum  documento  que  comprovasse  os  valores  em  questão,  tornando  impossível  para  a  empresa  contraditar  apenas  alegações.  Tal  vício  também  impediria  o  exame  da matéria  pela  autoridade  julgadora. Questiona ainda a decisão  recorrida quando esta  afirma que as  receitas  reais são aquelas retratadas nos livros da empresa, pois não houve análise dos mesmos.   d) Explica a diferença para formação da base de cálculo dos tributos sujeitos  ao Simples Nacional  em  relação ao  regime de  caixa  e  regime de  competência,  questionando  qual foi o método utilizado pela fiscalização.  e)  Aponta  erro  na  decisão  recorrida  quando  esta  diz  que  não  se  trata  de  presunção  de  omissão  de  receita,  mas  sim  efetiva  omissão,  pois  a  fiscalização  enquadrou  a  conduta da empresa no art. 199 do RIR, que trata da presunção.   Por  fim,  requer  seja dado provimento  ao  recurso  e  anulada  integralmente  a  decisão da DRJ, cancelando­se o Auto de Infração.      Voto             Conselheiro Alexandre Fernandes Limiro, Relator  Presentes  os  pressupostos  recursais  exigidos  pela  legislação,  conheço  do  recurso.  Das alegadas omissões na decisão recorrida  A  recorrente,  com  fulcro  no  art.  31  do  Decreto  n.  70.235/72,  alega  que  a  decisão recorrida não abarcou duas teses constantes da peça impugnatória: i) a inexistência de  Fl. 169DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 10/0 3/2015 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por ANA DE BARROS FERNAND ES     4 provas nos autos acerca dos valores considerados como receita pela fiscalização e que serviram  de base para a autuação, ou seja, não há comprovação de tais valores pelos registros contábeis  ou  fiscais  do  contribuinte,  mas  apenas  a  planilha  preenchida;  ii)  a  preterição  do  direito  de  defesa alegado. Este vício ensejaria sua nulidade.   Contudo,  razão não  lhe assiste. É que a decisão recorrida concluiu que pela  improcedência da impugnação ao auto de infração por entender que a recorrente confessou que  os  valores  corretos  eram  aqueles  expostos  na  planilha,  justificando  a  autuação  quanto  à  omissão de receita. A fixação de tal premissa refuta, por si só, a argumentação externada pela  recorrente, razão pela qual o julgador não pormenorizou a rejeição a tais teses.   Outrossim, não custa lembrar que, mesmo consoante o art. 31 do Decreto n.  70.235/72, o  julgador administrativo não está obrigado a  rebater cada questão  levantada pelo  contribuinte  quando  a  fundamentação  delineada  seja  suficiente  para  embasar  a  decisão.  Isto  porque, se a fundamentação embasa a decisão, obviamente o julgador apreciou as demais teses  e delas discordou.   Assunto:  Imposto  sobre  a  Renda  de  Pessoa  Física  ­  IRPF  Exercício:  2007,  2008  PAF.  NULIDADE  DA  DECISÃO  DE  PRIMEIRA  INSTÂNCIA.  INOCORRÊNCIA. O  julgador administrativo não está obrigado a  rebater  todas  as  questões levantadas pela parte, mormente quando os fundamentos utilizados tenham  sido  suficientes  para  embasar  a  decisão.  Não  há  falar  em  nulidade  da  decisão  de  primeira instância quando esta atende aos requisitos formais previstos no art. 31 do  Decreto  nº.  70.235,  de  1972.  (...)  Preliminares  Rejeitadas.  Recurso  Voluntário  Negado.  (CARF, Número do Processo: 10380.000820/2011­99, Número do Acórdão:  2801­003.870,  Relator:  TANIA  MARA  PASCHOALIN,  Data  da  Sessão:  02/12/2014)  Rejeito, portanto, tal pretensão.     Da omissão de receita  A  recorrente  aduz  sobre  o  erro  constante  na  decisão  recorrida  quando  esta  afirma que não se  trata de presunção de omissão de  receita, mas sim efetiva omissão, pois a  fiscalização enquadrou a conduta da empresa no art. 199 do RIR, que trata da presunção. Por  tal razão, requereu a anulação integral da matéria tributável lançada.  Contudo, tal argumentação não encontra guarida nos autos de infração. É que  a  situação  fática  analisada  e  descrita  neles  é,  efetivamente,  a  omissão  de  receita  (e  não  a  presunção de omissão de receita, como crê a recorrente),  tendo em vista a existência de uma  “confissão do contribuinte”, na qual se embasou a fiscalização e a DRJ. Tal omissão encontra  embasamento  jurídico  no  art.  24  da  Lei  n.  9.249/95,  dispositivo  devidamente  indicado  nos  autos de infração.  Assim, para a autoridade responsável pelo lançamento, a omissão de receita  resta não teria sido presumida, mas sim comprovada, consoante se denota dos seguintes trechos  do Termo de Verificação Fiscal (e­fls. 40/42) e do auto de infração (e­fls. 43/45):  Termo de Verificação Fiscal:  Fl. 170DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 10/0 3/2015 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por ANA DE BARROS FERNAND ES Processo nº 18471.000734/2008­73  Acórdão n.º 1801­002.287  S1­TE01  Fl. 169          5 “6  ­  Face  ao  acima  exposto,  caracterizado  está,  a  omissão  de  receita  decorrente  das  diferenças  apuradas  entre  a  receita  informada  pelo  próprio  contribuinte  e  a  declarada  em  sua  declaração  de  imposto  de  renda  PJSI  2005,  conforme  previsto  na  legislação  de  regência,  ensejando,  desta  forma,  crédito  tributário a favor da Fazenda Nacional;” (e­Fl. 41)  Auto de Infração:  “001 ­ OMISSÃO DE RECEITAS        RECEITAS NÃO DECLARADAS  Omissão  de  receita  caracterizada  pelas  diferenças  apuradas  entre  a  receita  informada pelo próprio contribuinte e a declarada em sua declaração de imposto de  renda  PJSI  2005.  Vide  Termo  de  Constatação  e  Intimação,  não  atendido  pelo  contribuinte, carta resposta apresentada pela empresa e Termo de Verificação Fiscal,  que fazem parte integrante deste auto de infração.” (e­Fl. 44)  Outrossim,  o  art.  199  do  RIR,  dispositivo  que  embasa  a  pretensão  da  recorrente, dispõe:  Art. 199.  Aplicam­se  à  microempresa  e  à  empresa  de  pequeno  porte  todas as  presunções  de  omissão  de  receita  existentes  nas  legislações  de  regência  dos  impostos  e  contribuições  referidos  na Lei  nº  9.317,  de  1996,  desde  que  apuráveis  com  base  nos  livros e documentos a que estiverem obrigadas aquelas pessoas  jurídicas (Lei nº 9.317, de 1996, art. 18).  Veja  que  a  indicação  deste  artigo  nos  autos  de  infração  não  compromete  o  enquadramento legal da infração, pois ele traz apenas previsão geral relativa às microempresas  e  empresas  de  pequeno  porte,  não  indicando  qualquer  conduta  que  se  refira  a  infração  ao  ordenamento jurídico. Ora, o simples dispositivo não trata da presunção de omissão de receita,  apenas prevê que as normas atinentes a ela serão aplicáveis às microempresas e empresas de  pequeno porte.  Rejeito, portanto, tal pretensão.    Ausência de comprovação dos valores informados na planilha e preterição do  direito de defesa da autuada  A  recorrente  aponta  a  inexistência  de  provas  que  suportem  o  lançamento  efetuado,  o  que  teria  preterido  seu  direito  de  defesa,  pois  a  ausência  de  provas  tornaria  impossível  sua  contradição.  Por  fim,  questiona  o método  utilizado  pela  fiscalização,  o  qual  resultou nos valores da presente autuação.   Este processo  administrativo  fiscal  se originou de  fiscalização  realizada  em  face da recorrente, a qual foi notificada, em 12/07/07 (e­fl. 27), a prestar informações relativas  a  receitas e pagamentos do ano­calendário de 2004, preenchendo a planilha  lá anexada (e­fl.  24/26). A empresa,  representada pelo Sr. Wildison Daniel Portela, contador  (e­fl. 34),  juntou  uma planilha  devidamente  preenchida  (e­fl.  32)  e  explicou,  quanto  às  divergências  apuradas  entre  a  PJSI  2005,  que  a  empresa  passava  por  dificuldades  financeiras  e  os  tributos  eram  recolhidos a menor,  ensejando o preenchimento  errôneo da declaração; entretanto, a planilha  Fl. 171DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 10/0 3/2015 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por ANA DE BARROS FERNAND ES     6 deveria ser preenchida pelo faturamento real da empresa, conforme verificado nos seus livros  (e­fl. 31). Daí teria surgido a divergência questionada pela fiscalização.   Ante tal situação, a fiscalização constatou a omissão de receita decorrente das  diferenças apuradas entre a  receita  informada pelo próprio contribuinte e a declarada em sua  declaração  informativa  do  imposto  de  renda  PJSI  2005,  ensejando  a  lavratura  dos  autos  de  infração (e­fls. 40/42).   Destarte,  a  empresa  foi  autuada  em  função  de  dois  fatos,  que  se  complementam: a) o preenchimento da planilha em valores maiores que aqueles declarados na  PJSI 2005; b) a declaração do Sr. Contador no sentido de que os valores constantes da planilha  preenchida é que refletiriam o faturamento da mesma e não a PJSI 2005.   Pois  bem.  Quando  o  Sr.  Contador  diz  que  os  valores  corretos  são  os  constantes  da  planilha  e  não  os  declarados,  sem  dúvida  alguma,  confessa  débitos  fiscais  da  empresa. Ocorre que ao verificar a procuração de e­fl. 34 nota­se que ele não possui poderes  específicos para tanto.   Com efeito, o art. 661 do CC/02 dispõe que o mandato só confere poderes de  administração, ou seja,  quaisquer outros devem estar expressamente previstos. Lado outro, o  art. 213 do CC/02 determina não ter eficácia a confissão que provém de quem não é capaz de  dispor do direito a que se referem os fatos confessados. Confira:  CC/02.  Art.  661.  O  mandato  em  termos  gerais  só  confere  poderes de administração.  §  1o Para  alienar,  hipotecar,  transigir,  ou  praticar  outros  quaisquer  atos  que  exorbitem  da  administração  ordinária,  depende a procuração de poderes especiais e expressos.  § 2o O poder de transigir não importa o de firmar compromisso.  CC/02.  Art.  213.  Não  tem  eficácia  a  confissão  se  provém  de  quem não é capaz de dispor do direito a que se referem os fatos  confessados.  Parágrafo  único.  Se  feita  a  confissão  por  um  representante,  somente  é  eficaz  nos  limites  em  que  este  pode  vincular  o  representado.  Quanto ao tema, Pablo Stolze ainda ensina:  “Nessa  linha  de  pensamento,  até  mesmo  a  confissão  –  entendida  como  a  admissão de fato contrário a  seu  interesse e  favorável à parte contrária – pode ser  feita por representante, desde que tenha poderes para tal mister.” (GAGLIANO,  Pablo Stolze. Novo curso de direito civil. Volume IV, 4ª edição, São Paulo: Saraiva,  2011. p 373.)  Destarte, se a manifestação de e­fl. 31, bem como a planilha de e­fl. 32 não  geram  nenhuma  eficácia,  caberia  à  autoridade  administrativa,  à  luz  do  art.  142  do  CTN  a  adoção de procedimento diverso, para o fim de verificar a ocorrência do fato jurídico tributário  da  obrigação.  Todavia,  ao  compulsar  os  autos  verifica­se  que  ela  se  restringiu  à  planilha  acostada aos autos, sem solicitar quaisquer outros documentos do contribuinte (livros contábeis  e/ou fiscais, por exemplo) para embasar a autuação.   Fl. 172DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 10/0 3/2015 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por ANA DE BARROS FERNAND ES Processo nº 18471.000734/2008­73  Acórdão n.º 1801­002.287  S1­TE01  Fl. 170          7 Ora,  é  evidente  que  a  fiscalização  deve  trazer  elementos  inequívocos  para  comprovar  tudo  aquilo  que  alega.  Neste  sentido,  Paulo  de  Barros  Carvalho  demonstra  a  necessidade da fiscalização comprovar a conduta infratora do contribuinte:  “As dificuldades probatórias a que nos reportamos, sejam as experimentadas  pelo  sujeito  passivo,  no  caso  de  impugnar  pretensões  punitivas  por  ilícitos  de  natureza objetiva, sejam aquelas outras que os funcionários da fiscalização tributária  enfrentam  para  certificar  a  infração  subjetiva,  nem  sempre  são  adequadamente  suplantadas.  Nos  autos  de  infração,  o  agente  limita­se  a  circunscrever  os  caracteres fáticos, fazendo breve alusão ao cunho doloso ou culposo da conduta  do  administrado.  Isto  não  basta.  Há  de  provar,  de  maneira  inequívoca,  o  elemento subjetivo que  integra o fato  típico, com a mesma evidência com que  demonstra a integração material da ocorrência fática.” (CARVALHO, Paulo de  Barros. Direito Tributário Linguagem e Método. 3ª edição. São Paulo: Noeses, 2009.  P 954 – grifos nossos)  Pelo  exposto,  ausente  qualquer  prova  nos  autos  da  divergência  de  faturamento  bruto  apresentada  pela  fiscalização,  só  se  pode  concluir  pela  insubsistência  do  lançamento, o devendo ser exonerado o contribuinte quanto ao crédito tributário.  Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário.     (assinado digitalmente)  Alexandre Fernandes Limiro                              Fl. 173DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 10/0 3/2015 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por ANA DE BARROS FERNAND ES

score : 1.0
5844845 #
Numero do processo: 11080.904349/2012-38
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Mar 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008 LUCRO PRESUMIDO. SERVIÇOS HOSPITALARES. ALÍQUOTA DA BASE DE CÁLCULO A SER APLICADA. As alíquotas do art. 15 da Lei nº 9.249/95 (seja aquela prevista no caput ou aquelas outras previstas em seus incisos) visam, através de uma presunção, fixar aproximadamente o lucro do contribuinte. O legislador está presumindo que o lucro de determinadas atividades gira em torno das alíquotas por ele fixadas. Quanto aos serviços hospitalares, especificamente, apenas as simples consultas médicas é que não devem ser tributadas com a base de cálculo calculada à alíquota de 8%, pois demandam tão somente um esforço intelectual, sendo razoável presumir que tais serviços possuem uma margem de lucro próxima de 32%. Todos os outros serviços médicos enquadram-se na hipótese excepcional do art. 15, III, a, da Lei nº 9.249/95, pois, para serem prestados, demandam um custo maior e, portanto, é razoável que se presuma terem uma margem de lucro menor, mais aproximada a 8% que a 32%.
Numero da decisão: 1801-002.235
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH - Presidente. (assinado digitalmente) FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Neudson de Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich.
Nome do relator: FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201502

ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008 LUCRO PRESUMIDO. SERVIÇOS HOSPITALARES. ALÍQUOTA DA BASE DE CÁLCULO A SER APLICADA. As alíquotas do art. 15 da Lei nº 9.249/95 (seja aquela prevista no caput ou aquelas outras previstas em seus incisos) visam, através de uma presunção, fixar aproximadamente o lucro do contribuinte. O legislador está presumindo que o lucro de determinadas atividades gira em torno das alíquotas por ele fixadas. Quanto aos serviços hospitalares, especificamente, apenas as simples consultas médicas é que não devem ser tributadas com a base de cálculo calculada à alíquota de 8%, pois demandam tão somente um esforço intelectual, sendo razoável presumir que tais serviços possuem uma margem de lucro próxima de 32%. Todos os outros serviços médicos enquadram-se na hipótese excepcional do art. 15, III, a, da Lei nº 9.249/95, pois, para serem prestados, demandam um custo maior e, portanto, é razoável que se presuma terem uma margem de lucro menor, mais aproximada a 8% que a 32%.

turma_s : Primeira Turma Especial da Primeira Seção

dt_publicacao_tdt : Fri Mar 06 00:00:00 UTC 2015

numero_processo_s : 11080.904349/2012-38

anomes_publicacao_s : 201503

conteudo_id_s : 5437174

dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Mar 06 00:00:00 UTC 2015

numero_decisao_s : 1801-002.235

nome_arquivo_s : Decisao_11080904349201238.PDF

ano_publicacao_s : 2015

nome_relator_s : FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA

nome_arquivo_pdf_s : 11080904349201238_5437174.pdf

secao_s : Primeira Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH - Presidente. (assinado digitalmente) FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Neudson de Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich.

dt_sessao_tdt : Tue Feb 03 00:00:00 UTC 2015

id : 5844845

ano_sessao_s : 2015

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:37:33 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713047702789423104

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2230; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­TE01  Fl. 82          1 81  S1­TE01  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  11080.904349/2012­38  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  1801­002.235  –  1ª Turma Especial   Sessão de  03 de fevereiro de 2015  Matéria  IRPJ/CSLL ­ Lucro Presumido ­ Alíquota aplicável  Recorrente  Clínica Traumatológica Moinhos de Vento Sociedade Simples LTDA­EPP  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2008  LUCRO  PRESUMIDO.  SERVIÇOS  HOSPITALARES.  ALÍQUOTA  DA  BASE DE CÁLCULO A SER APLICADA.   As alíquotas do art. 15 da Lei nº 9.249/95 (seja aquela prevista no caput ou  aquelas outras previstas  em seus  incisos) visam,  através de uma presunção,  fixar aproximadamente o lucro do contribuinte. O legislador está presumindo  que  o  lucro  de  determinadas  atividades  gira  em  torno  das  alíquotas  por  ele  fixadas. Quanto aos serviços hospitalares, especificamente, apenas as simples  consultas  médicas  é  que  não  devem  ser  tributadas  com  a  base  de  cálculo  calculada  à  alíquota  de  8%,  pois  demandam  tão  somente  um  esforço  intelectual, sendo razoável presumir que tais serviços possuem uma margem  de lucro próxima de 32%. Todos os outros serviços médicos enquadram­se na  hipótese excepcional do  art. 15,  III,  a, da Lei nº 9.249/95, pois, para serem  prestados, demandam um custo maior e, portanto, é razoável que se presuma  terem uma margem de lucro menor, mais aproximada a 8% que a 32%.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.  (assinado digitalmente)  ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA ­ Relator.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 90 43 49 /2 01 2- 38 Fl. 82DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente e m 25/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ANA DE BA RROS FERNANDES     2 Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Maria  de  Lourdes  Ramirez,  Fernando  Daniel  de  Moura  Fonseca,  Neudson  de  Cavalcante  Albuquerque,  Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich.    Relatório  Trata­se  de  recurso  voluntário  interposto  por  Clínica  Traumatológica  Moinhos de Vento Sociedade Simples LTDA­EPP contra o acórdão de nº 03­57.451, prolatado  pela 4ª Turma da DRJ de Brasília/DF, que manteve integralmente o despacho decisório objeto  de discussão nestes autos.  Neste  processo,  discute­se  a  não  homologação  da  PER/DCOMP  de  nº  12987.05356.211209.1.3.04­0050 (fls. 24­27), transmitida pela Recorrente e por meio da qual  se pretendia compensar crédito de IRPJ com débitos de COFINS.  A  Receita  Federal,  através  do  despacho  decisório  de  fl.22,  deixou  de  homologar  a  compensação  alegando  que  o  valor  recolhido  através  do DARF  (R$11.785,08)  havia  sido  integralmente  consumido  para  quitação  do  débito  de  IRPJ  referente  ao  primeiro  trimestre de 2008, declarado na DCTF da Recorrente (fl. 36).  Em sua Manifestação de Inconformidade (fls. 02­07), a Recorrente requereu  a reforma do despacho decisório alegando que o valor declarado como débito de IRPJ referente  ao  primeiro  trimestre  de  2008  (fl.  36)  teria  sido  calculado  equivocadamente  com  a  base  de  cálculo  presumida  de  32%,  quando  deveria  ter  sido  calculado  com  a  base  de  8%,  já  que  a  Recorrente presta serviços hospitalares e, por isso, se enquadraria na hipótese excepcional do  art. 15, III, a, da Lei nº 9.249/95.  Ao conhecer das  razões da Recorrente,  a 4º Turma da DRJ de Brasília/DF,  através  do  acórdão  ora  recorrido  (fls.  60­67),  manteve  o  despacho  decisório  alegando  em  síntese que:  (i)  “para  serem  considerados  serviços  hospitalares,  as  atividades  dos  contribuintes  que  desejem  usufruir  do  benefício  legal  de  redução  de  alíquota,  em  face  da  orientação  traçada  pela  Administração  Tributária,  devem  atender  cumulativamente todas às exigências e/ou requisitos previstos nos atos normativos,  transcritos  em  linhas  pretéritas,  devidamente  comprovada  mediante  documento  competente expedido pela vigilância sanitária estadual ou municipal”; e que   (ii) ainda que a Recorrente tivesse cumprido todas as exigências e requisitos,  “a manifestante antes de apresentar os Per/Dcomp, nas hipóteses em que admitidas  pela  legislação  tributária  de  regência,  deveria  ter  retificado  em  tempo  hábil  suas  declarações  (DCTF  e DIPJ),  cuja  competência  para  apreciá­las  é  do Delegado  da  Receita Federal de jurisdição do sujeito passivo.”  Sustentou ainda a DRJ que a jurisprudência judicial acostada pelo Recorrente  em  sua  manifestação  de  inconformidade  não  teria  o  condão  de  vincular  aquele  órgão  administrativo  e que,  por  isso,  ela deveria  se manter vinculada  aos  atos  normativos  editados  pela Receita Federal do Brasil.  Irresignado com essa decisão, o Recorrente apresentou o  recurso voluntário  ora analisado (fls. 71­78), que apenas reitera os termos da sua manifestação de inconformidade.  Fl. 83DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente e m 25/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ANA DE BA RROS FERNANDES Processo nº 11080.904349/2012­38  Acórdão n.º 1801­002.235  S1­TE01  Fl. 83          3 É o relatório.    Voto             Conselheiro Fernando Daniel de Moura Fonseca  Conheço o recurso voluntário, pois tempestivo.  Antes de analisar especificamente o caso dos autos, é  importante  fazer uma  breve consideração acerca do art. 15 da Lei nº 9.249/95, cuja redação vale ser transcrita:   Art.  15.  A  base  de  cálculo  do  imposto,  em  cada  mês,  será  determinada  mediante  a  aplicação  do  percentual  de  oito  por  cento  sobre a  receita bruta auferida mensalmente,  observado o  disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de  1995.  §  1º  Nas  seguintes  atividades,  o  percentual  de  que  trata  este  artigo será de:  I  ­  um  inteiro  e  seis  décimos  por  cento,  para  a  atividade  de  revenda,  para  consumo,  de  combustível  derivado  de  petróleo,  álcool etílico carburante e gás natural;  II ­ dezesseis por cento:  a)  para  a  atividade  de  prestação  de  serviços  de  transporte,  exceto o de carga, para o qual se aplicará o percentual previsto  no caput deste artigo;  b) para as pessoas jurídicas a que se refere o inciso III do art. 36  da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, observado o disposto  nos §§ 1º e 2º do art. 29 da referida Lei;  III ­ trinta e dois por cento, para as atividades de:   a)  prestação  de  serviços  em  geral,  exceto  a  de  serviços  hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica,  imagenologia,  anatomia  patológica  e  citopatologia,  medicina  nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora  destes  serviços  seja  organizada  sob  a  forma  de  sociedade  empresária  e  atenda  às  normas  da  Agência  Nacional  de  Vigilância Sanitária – Anvisa;   b) intermediação de negócios;  c) administração,  locação ou cessão de bens  imóveis, móveis e  direitos de qualquer natureza;  d)  prestação  cumulativa  e  contínua  de  serviços  de  assessoria  creditícia, mercadológica,  gestão  de  crédito,  seleção  de  riscos,  administração de contas a pagar e a receber, compra de direitos  Fl. 84DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente e m 25/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ANA DE BA RROS FERNANDES     4 creditórios  resultantes  de  vendas  mercantis  a  prazo  ou  de  prestação de serviços (factoring).  §  2º  No  caso  de  atividades  diversificadas  será  aplicado  o  percentual correspondente a cada atividade.  §  3º  As  receitas  provenientes  de  atividade  incentivada  não  comporão  a  base  de  cálculo  do  imposto,  na  proporção  do  benefício  a  que  a  pessoa  jurídica,  submetida  ao  regime  de  tributação com base no lucro real, fizer jus.  § 4º O percentual de que trata este artigo também será aplicado  sobre  a  receita  financeira  da  pessoa  jurídica  que  explore  atividades  imobiliárias  relativas  a  loteamento  de  terrenos,  incorporação  imobiliária,  construção  de  prédios  destinados  à  venda, bem como a venda de imóveis construídos ou adquiridos  para  a  revenda,  quando  decorrente  da  comercialização  de  imóveis  e  for  apurada  por  meio  de  índices  ou  coeficientes  previstos em contrato.  Da leitura do  artigo percebe­se claramente que a  intenção da norma é  fixar  uma regra geral de aferição da base de cálculo no  lucro presumido: aplicação de 8% sobre a  receita bruta.  Em seus incisos, o art. 15 estabelece algumas exceções a essa regra. Caso a  atividade dos contribuintes se enquadre nos incisos, a regra geral é afastada e a base de cálculo  do  lucro  presumido deve  ser  aferida  de  acordo  com as  alíquotas  excepcionais  (previstas  nos  incisos).  E aqui é importante fixar uma premissa de extrema importância: as alíquotas  do art. 15  (seja  aquela prevista no caput ou aquelas outras previstas em seus  incisos) visam,  através  de uma presunção,  fixar  aproximadamente  o  lucro  do  contribuinte. O  legislador  está  presumindo que o lucro de determinadas atividades gira em torno das alíquotas por ele fixadas.  Ou seja, para a venda a varejo de gasolina, o legislador presume que o lucro  da atividade gira em torno de 1,6% (inciso  I acima transcrito); para a atividade de transporte  (exceto a de transporte de carga), presume­se que o lucro gira em torno de 16% (inciso II acima  transcrito); para os serviços em geral, presume­se que o lucro gira em torno de 32% (inciso III  acima  transcrito). É  exatamente por  isso que essa  sistemática de cálculo  é denominada  lucro  presumido (com a devida vênia por estar, aqui, dizendo o óbvio).  No entanto, essa presunção feita pelo Legislador não é aleatória. O Congresso  Nacional não fixou essas alíquotas por puro arbítrio. A fixação é precedida de rigoroso estudo  que indica as margens de lucros ordinárias de determinadas atividades.  Se  a  fixação  desses  percentuais  não  obedecesse  a  um  critério  científico,  o  Legislativo estaria afrontando a isonomia entre os contribuintes, pois, por exemplo, qual seria o  motivo de o transporte de carga possuir um lucro presumido inferior (8%) às demais espécies  de transporte (16%) – conforme inciso II acima transcrito?  Não há outra resposta senão esta, que é óbvia: porque o serviço de transporte  de cargas demanda um custo maior para ser prestado (carretas mais sofisticadas; normalmente  percorrem trajetos maiores; motoristas mais qualificados e etc).   No caso dos  serviços (que possuem o maior  lucro presumido – de 32% – e  onde o Fisco pretende  enquadrar a Recorrente),  nota­se que eles possuem uma presunção de  Fl. 85DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente e m 25/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ANA DE BA RROS FERNANDES Processo nº 11080.904349/2012­38  Acórdão n.º 1801­002.235  S1­TE01  Fl. 84          5 terem uma maior margem de lucro, exatamente porque não possuem um custo tão elevado, pois  demandam, na maioria das vezes, “insumos” de natureza intelectual.  Veja­se que as alíneas ‘b’, ‘c’ e ‘d’ do inciso III (que fixa a alíquota de 32%)  elencam  exclusivamente  serviços  que  giram  em  torno  da  capacidade  intelectual  de  seu  prestador:  (b)  intermediação  de  negócios;  (c)  administração,  locação  ou  cessão  de  bens  imóveis,  móveis  e  direitos  de  qualquer  natureza;  (d)  prestação  cumulativa  e  contínua  de  serviços  de  assessoria  creditícia,  mercadológica,  gestão  de  crédito,  seleção  de  riscos,  administração  de  contas  a  pagar  e  a  receber,  compra  de  direitos  creditórios  resultantes  de  vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços (factoring).  O custo dessas atividades é relativamente baixo, e é exatamente por isso que  o Legislador presumiu que a margem de lucro obtida é bastante superior às demais atividades  (32%).  Pois bem, voltando para o caso específico destes autos, o que aqui se discute  é  se  a  atividade  desenvolvida  pela  Recorrente  se  enquadraria  no  conceito  de  “serviços  hospitalares”,  previsto  na  alínea  ‘a’  do  inciso  III  do  art.  15  da  Lei  nº  9.249/95.  É  que  tais  serviços, como se nota, têm seu lucro presumido através da regra geral de 8% da receita bruta,  pois  o Legislador  presumiu  que os  serviços  hospitalares  possuem um custo  superior  àqueles  serviços simplesmente intelectuais, pois necessitam, para serem desempenhados, de ativos de  valor expressivo.   O STJ já se debruçou sobre a matéria e, decidindo a questão na sistemática do  art. 543­C do Código de Processo Civil, consignou que somente meras consultas médicas é que  não deveriam ter seu lucro presumido em 8% da receita bruta que gerar:    DIREITO  PROCESUAL  CIVL  ETRIBUTÁRIO.  RECURSO  ESPECIAL.  VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS 53 e 468 DO CP. VÍCIOS NÃO CONFIGURADOS.  LEI  9.249/5.  IRPJ  ECSL COM BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. DEFINÇÃO  DA  EXPRESÃO  "SERVIÇOS  HOSPITALRES".  INTERPETAÇÃO  OBJETIVA.  DESNECSIDADE  DE  ESTRUTRA  DISPONIBLIZADA  PARA  INTERNAÇÃO.  ENTENDIMENTO RECNTE DA PRIMEIRA SEÇÃO. RECURSO SUBMETIDO  AO REGIME PREVISTO NO ARTIGO 543­C DO CP.  1. Controvérsia  envolvendo a  forma de  interpretação da expressão "serviços  hospitalares" prevista na Lei 9.429/5, par fins de obtenção da redução de alíquota do  IRPJ  e  da  CSL.  Discute­se  a  possiblidade  de,  a  despeito  da  generalidade  da  expressão contida na lei, poder­se restringir o benefício fiscal, incluindo no conceito  de  "serviços  hospitalares"  apenas  aqueles  estabelecimentos  destinados  ao  atendimento global do paciente, mediante internação e assistência médica integral.  2. Por ocasião do julgamento do RESP 951.251­PR, da relatoria do eminente  Ministro  Castro Meira,  a  1ª  Seção,  modificando  orientação  anterior,  decidiu  que,  para  fins  do  pagamento  dos  tributos  com  as  alíquotas  reduzidas,  a  expressão  "serviços hospitalares", constante do artigo 15, §1º,  inciso I, da Lei 9.249/05, deve  ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada  pelo  contribuinte),  porquanto  a  lei,  ao  conceder o benefício  fiscal,  não  considerou  característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas natureza  do  próprio  serviço  prestado  (assistência  à  saúde).  Na  mesma  oportunidade,  ficou  consignado  que  os  regulamentos  emanados  da  Receita  Federal  referentes  aos  Fl. 86DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente e m 25/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ANA DE BA RROS FERNANDES     6 depósitos  legais  acima  mencionados  não  poderiam  exigir  que  os  contribuintes  cumprissem  requisito  não  previsto  em  lei  (a  exemplo  da  necessidade  de  manter  estrutura que permita internação de pacientes) para a obtenção do benefício. Daí a  conclusão de que "a dispensa da capacidade de internação hospitalar tem supedâneo  diretamente  na  Lei  9.249/05,  pelo  que  se  mostra  irrelevante  para  tal  intento  as  disposições constantes em atos regulamentares".   3. Assim,  devem  ser  considerados  serviços  hospitalares  "aqueles  que  se  vinculam  às  atividades  desenvolvidas  pelos  hospitais,  voltados  diretamente  promoção  da  saúde",  de  sorte  que,  "em  rega, mas  não  necessariamente,  são  prestados  no  interior  do  estabelecimento  hospitalar,  excluindo­se  as  simples  consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito  hospitalar, mas nos consultórios médicos".   4. Ressalva  de  que  as modificações  introduzidas  pela Lei  11.727/08  não  se  aplicam às demandas decididas  anteriormente  à  sua vigência,  bem como de que  a  redução  de  alíquota  prevista  na  Lei  9.249/05  não  se  refere  a  toda  recita  bruta  da  empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita  proveniente  unicamente  da  atividade  específica  sujeita  ao  benefício  fiscal,  desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do§ 2ºdo artigo 15da Lei 9.249/5.  5. Hipótese em que o Tribunal de origem consignou que a empresa recorrida  presta  serviços  médicos  laboratoriais  (fl...  389),  atividade  diretamente  ligada  à  promoção da  saúde, que demanda maquinário  específico,  podendo  ser  realizada  em  ambientes  hospitalares  ou  similares,  não  se  assemelhando  a  simples  consultas  médicas, motivo  pelo  qual,  segundo o  novel  entendimento  desta Corte,  faz  jus  ao  benefício em discussão (incidência dos percentuais de 8% (oito por cento), no caso  do IRPJ, e de 12% (doze por cento), no caso de CSLL, sobre a receita bruta auferida  pela atividade específica de prestação de serviços médicos laboratoriais).  6. Recurso afetado à Seção, por ser representativo de controvérsia, submetido  ao regime do artigo 543­C do CPC e da Resolução 8/STJ.  7. Recurso especial não provido.  Percebe­se  que  o  STJ  estabeleceu  um  critério  seguro  para  a  aplicação  do  conceito  de  “serviços  hospitalares”:  será  serviço  hospitalar  todo  aquele  que  se  referir  à  assistência à saúde e que não se resumir a simples consultas médicas.  Muito embora a fundamentação adotada pelo STJ tenha sido diversa da que  aqui está sendo exposta, a sua conclusão se enquadra perfeitamente no critério aqui utilizado,  pois é  fácil  notar que as consultas médicas  são serviços eminentemente  intelectuais, que não  exigem um custo considerável para serem prestados. Exigem tão somente um consultório e o  conhecimento médico. Portanto, para as simples consultas é razoável que se presuma que elas  gerem um lucro maior (32%).   Pois bem, no caso da Recorrente, percebe­se do seu contrato social que ela é  uma sociedade empresária que “tem por objetivo a clínica de traumatologia, serviços médicos  e de raio ‘X’, sendo que as cirurgias serão realizadas em hospitais” (fl. 11).  Nota­se, portanto, que o objeto social da Recorrente está intimamente ligado  à  assistência  à  saúde.  Parece  também  que  o  objeto  social  da  Recorrente  não  se  resume  a  simples consultas médicas, mas também a exames traumatológicos e exames de imagem (raio  X) – vale destacar que esta última atividade está,  inclusive, expressamente prevista na alínea  ‘a’ do inciso III do art. 15 da Lei nº 9.249/95 como “imagenologia”.  Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário.  Fl. 87DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente e m 25/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ANA DE BA RROS FERNANDES Processo nº 11080.904349/2012­38  Acórdão n.º 1801­002.235  S1­TE01  Fl. 85          7 É como voto.  (assinado digitalmente)  Fernando  Daniel  de  Moura  Fonseca  ­  Relator                               Fl. 88DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente e m 25/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ANA DE BA RROS FERNANDES

score : 1.0
5853066 #
Numero do processo: 18186.007612/2010-48
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006 IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. RECLAMATÓRIA TRABALHISTA. O imposto de renda incidente sobre os rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente deve ser calculado com base tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, conforme dispõe o Recurso Especial nº 1.118.429/SP, julgado na forma do art. 543-C do CPC (art. 62-A do RICARF) . JUROS - TAXA SELIC A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4). Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2202-002.939
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para aplicar aos rendimentos recebidos acumuladamente as tabelas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido pagos. Vencido o Conselheiro FÁBIO BRUN GOLDSCHMIDT, que provia o recurso. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Presidente e Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Fabio Brun Goldschmidt e Antonio Lopo Martinez.
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201412

camara_s : Segunda Câmara

ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006 IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. RECLAMATÓRIA TRABALHISTA. O imposto de renda incidente sobre os rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente deve ser calculado com base tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, conforme dispõe o Recurso Especial nº 1.118.429/SP, julgado na forma do art. 543-C do CPC (art. 62-A do RICARF) . JUROS - TAXA SELIC A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4). Recurso provido em parte.

turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção

dt_publicacao_tdt : Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2015

numero_processo_s : 18186.007612/2010-48

anomes_publicacao_s : 201503

conteudo_id_s : 5440040

dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2015

numero_decisao_s : 2202-002.939

nome_arquivo_s : Decisao_18186007612201048.PDF

ano_publicacao_s : 2015

nome_relator_s : ANTONIO LOPO MARTINEZ

nome_arquivo_pdf_s : 18186007612201048_5440040.pdf

secao_s : Segunda Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para aplicar aos rendimentos recebidos acumuladamente as tabelas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido pagos. Vencido o Conselheiro FÁBIO BRUN GOLDSCHMIDT, que provia o recurso. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Presidente e Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Fabio Brun Goldschmidt e Antonio Lopo Martinez.

dt_sessao_tdt : Thu Dec 04 00:00:00 UTC 2014

id : 5853066

ano_sessao_s : 2014

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:37:53 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713047702797811712

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1920; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C2T2  Fl. 2          1 1  S2­C2T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  18186.007612/2010­48  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2202­002.939  –  2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  4 de dezembro de 2014  Matéria  IRPF  Recorrente  SEBASTIÃO CAVALCANTI DE ARAUJO BARBOSA DE MELO  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Exercício: 2006  IRPF.  RENDIMENTOS  RECEBIDOS  ACUMULADAMENTE.  RECLAMATÓRIA TRABALHISTA.  O  imposto  de  renda  incidente  sobre  os  rendimentos  tributáveis  recebidos  acumuladamente deve ser calculado com base tabelas e alíquotas vigentes à  época  em  que  os  valores  deveriam  ter  sido  adimplidos,  conforme  dispõe  o  Recurso Especial  nº 1.118.429/SP,  julgado na  forma do art.  543­C do CPC  (art. 62­A do RICARF) .  JUROS ­ TAXA SELIC   A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos  tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no  período  de  inadimplência,  à  taxa  referencial  do  Sistema  Especial  de  Liquidação e Custódia ­ SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4).  Recurso provido em parte.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os membros  do Colegiado,  por maioria  de  votos,  dar  provimento  parcial ao recurso para aplicar aos rendimentos recebidos acumuladamente as tabelas vigentes  à  época  em  que  os  valores  deveriam  ter  sido  pagos. Vencido  o Conselheiro  FÁBIO BRUN  GOLDSCHMIDT, que provia o recurso.  (Assinado digitalmente)  Antonio Lopo Martinez – Presidente e Relator     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 18 6. 00 76 12 /2 01 0- 48 Fl. 116DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ     2   Composição  do  colegiado:  Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros  Marco  Aurélio  de  Oliveira  Barbosa,  Marcio  de  Lacerda  Martins  (Suplente  Convocado), Fabio Brun Goldschmidt e Antonio Lopo Martinez.     Fl. 117DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 18186.007612/2010­48  Acórdão n.º 2202­002.939  S2­C2T2  Fl. 3          3   Relatório  Em  desfavor  do  contribuinte,  SEBASTIÃO  CAVALCANTI  DE  ARAUJO  BARBOSA DE MELO,  foi  lavrado  auto  de  infração  resultante  da  revisão  da  declaração  de  ajuste anual da Interessada relativa ao ano­calendário 2006, onde se exige Imposto de Renda  Pessoa Física.  Da  leitura  do  "Demonstrativo  das  Infrações",  observa­se  que  a  presente  autuação  decorre  da  apuração  de  omissão  de  rendimentos  tributáveis  recebidos  em  decorrência do "processo trabalhista" no montante de R$ 119.631,02, com compensação de  IRRF de R$ 1.317,82  e  da dedução  indevida  de  Previdência Oficial  no  valor  de R$ 112,15,  conforme documento de fls, 18 e 18­verso.  Irresignada, a  Interessada apresentou a  impugnação de  fls. 01 a 12, na qual  expõe suas razões de contestação.  ­ Multa de ofício absolutamente indevida;  ­ Não houve omissão de rendimentos este foram declarados.  ­Os  rendimentos  informados  não  foram  auferidos  visto  que  foram  deduzidos  o  imposto  de  renda  retido  na  fonte,  os  honorários advocatícios periciais e contribuição previdenciária.  ­ O fato de ter declarado os valor de R$112.493,61, não autoriza  a bi­tributação,  ­ A forma de tributação é determinada pelo mês a que se referem  os  rendimento  de  modo  que  deve  ser  cancelado  o  auto  de  infração  A  DRJ  ao  apreciar  os  argumentos  do  contribuinte,  entendeu  que  o  lançamento está correto.   Insatisfeito, o  interessado  interpõe recurso  tempestivo,  reiterando os mesmo  argumentos da impugnação.   É o relatório.  Fl. 118DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ     4   Voto             Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator    Os  recursos  estão  dotados  dos  pressupostos  legais  de  admissibilidade  devendo, portanto, ser conhecido.  Cuidam  os  presentes  autos  de  lançamento  efetuado  sobre  verbas  recebidas  acumuladamente (reclamatória trabalhista).  Pois bem, no tange aos rendimentos recebidos acumuladamente, a autoridade  lançadora aplicou à espécie o art. 12 da Lei n° 7.713/1988:  Art. 12. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o  imposto  incidirá,  no  mês  do  recebimento  ou  crédito,  sobre  o  total  dos  rendimentos,  diminuídos  do  valor  das  despesas  com  ação  judicial  necessárias  ao  seu  recebimento,  inclusive  de  advogados,  se  tiverem  sido  pagas  pelo  contribuinte,  sem  indenização.  O art. 62­A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos  Fiscais – CARF  (Portaria nº 256, de 22 de  junho de 2009),  determinou que os Conselheiros  deverão  reproduzir  as  decisões  proferidas  pelo  Superior  Tribunal  de  Justiça  (STJ),  na  sistemática prevista pelo art. 543­C do Código de Processo Civil (CPC). Veja­se:  Art.  62A.  ­  As  decisões  definitivas  de  mérito,  proferidas  pelo  Supremo Tribunal  Federal  e  pelo  Superior  Tribunal  de  Justiça  em  matéria  infraconstitucional,  na  sistemática  prevista  pelos  artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973,  Código  de  Processo  Civil,  deverão  ser  reproduzidas  pelos  conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.  Quanto à tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente, o Superior  Tribunal Justiça (STJ) ao apreciar o Resp nº 1.118.429/SP, na sistemática regime do art. 543C  do CPC, assim determinou:  TRIBUTÁRIO.  IMPOSTO  DE  RENDA  PESSOA  FÍSICA.  AÇÃO  REVISIONAL  DE  BENEFÍCIO  PREVIDENCIÁRIO.  PARCELAS  ATRASADAS  RECEBIDAS  DE  FORMA  ACUMULADA.  1.  O  Imposto  de  Renda  incidente  sobre  os  benefícios  pagos  acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e  alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido  adimplidos,  observando  a  renda  auferida  mês  a  mês  pelo  segurado. Não  é  legítima a  cobrança  de  IR  com parâmetro  no  montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ.  2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do  art.  543C do CPC e do art.  8º  da Resolução STJ 8/2008. Resp  1.118.429/SP, julgado em 24/03/2010. (grifei)  Do exposto, verifica­se que o Resp nº 1.118.429/SP versa exatamente sobre o  caso  dos  autos,  ou  seja,  parcelas  atrasadas  recebidas  acumuladamente.  Nesse  caso,  deve­se  aplicar sobre os rendimentos pagos acumuladamente as tabelas e alíquotas vigentes à época em  que os valores deveriam ter sido adimplidos.  Fl. 119DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 18186.007612/2010­48  Acórdão n.º 2202­002.939  S2­C2T2  Fl. 4          5 Quanto ao questão da indevida aplicação da multa de ofício não assiste razão  ao  recorrente,  tendo  em  vista  que  tendo  sido  apurado  tributo  sem  recolhimento  é  legal  a  imposição e cobrança da respectiva multa de ofício.  Ante ao exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso para aplicar aos  rendimentos  recebidos  acumuladamente  as  tabelas  vigentes  à  época  em  que  os  valores  deveriam ter sido pagos.   (Assinado digitalmente)  Antonio Lopo Martinez                                  Fl. 120DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ

score : 1.0
5870554 #
Numero do processo: 15586.001638/2010-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 23 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1101-000.153
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em CONVERTER o julgamento em diligência, divergindo os Conselheiros Benedicto Celso Benício Júnior e Antônio Lisboa Cardoso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Benedicto Celso Benício Júnior (vice-presidente), Edeli Pereira Bessa, Paulo Mateus Ciccone, Paulo Reynaldo Becari e Antônio Lisboa Cardoso. RELATÓRIO O presente processo retorna depois da realização de diligência determinada por este Colegiado, nos termos da Resolução nº 1101-000.078, da qual colhe-se o seguinte relato das ocorrências até então verificadas nos autos: ADM DO BRASIL, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Rio de Janeiro/RJ-I que, por unanimidade de votos, julgou IMPROCEDENTE a impugnação interposta contra lançamento formalizado em 10/01/2011, exigindo crédito tributário no valor total de R$ 175.840.067,86. Esta Relatora requereu e lhe foi deferida a distribuição deste processo em razão de sua conexão com o processo administrativo nº 15586.001637/2009-01, no qual foi veiculada exigência semelhante, mas pertinente ao ano-calendário 2004. Aquele procedimento fiscal foi motivado por demanda externa requisitória do Ministério Público Federal, em razão de a autuada figurar como uma das empresas que, no período de 2003 a 2004, efetuaram remessas ao exterior em pagamento de margem de garantia em Bolsa de Mercadorias no Exterior (hedge), de valores muito relevantes e aparentemente incompatíveis com os volumes de suas operações comerciais, mesmo para empresas de seu porte. Tais informações também foram encaminhadas ao Presidente do Conselho de Controle de Atividades Financeiras – COAF, em cumprimento ao disposto no artigo 2°, § 6° da Lei Complementar 105, de 11.1.2001, e no artigo 11 do Decreto 2.799, de 08.10.1998, tendo em conta que elas poderiam configurar, em tese, indícios de cometimento de crime tipificado na Lei 9.613, de 3.3.1998. Já nestes autos, não há referência a qualquer representação externa. Todavia, o procedimento fiscal também se baseou na verificação de remessas de divisas ao exterior em pagamento a cobertura de margens de contratos futuros de soja e seus derivados, solicitada pela Bolsa de Mercadorias de Chicago em virtude das operações de hedge de comodities agrícolas, nos anos-calendário de 2005 a 2007. Por meio de intimações lavradas entre 07/06/2010 e 12/08/2010, a autoridade lançadora exigiu a apresentação dos mesmos elementos requeridos no procedimento fiscal anterior, com vistas à comprovação da efetiva aplicação dos recursos remetidos ao exterior para cobertura das margens dos contratos futuros de commodities, mediante transferência dos recursos da ADM em nome da ADM do Brasil para a Bolsa de Mercadorias & Futuros de Chicago. Especialmente na resposta apresentada em 27/08/2010, a contribuinte insistiu que os elementos apresentados provavam os fatos questionados, ressaltando que as obrigações relativas às posições financeiras da intimada com relação aos seus contratos de hedge são cobertas pela Archer Daniels Midland Company (ADM Company), principal empresa do grupo ADM no mundo, conforme entre elas convencionado, promovendo-se a contabilização dos montantes a pagar ou a receber (dependendo se houve perda ou ganho em suas operações de hedge, respectivamente)com base em extratos mensais de transações de hedge, e liquidando estas operações conforme o melhor gerenciamento de caixa do grupo. Disse, ainda, que os contratos de liquidação futura são as ordens eletrônicas contidas nos extratos já apresentados, e que a Bolsa de Mercadorias & Futuros de Chicago não emite extrato de suas operações, incumbindo esta responsabilidade à ADM Investor Services. A autoridade lançadora conciliou os registros contábeis com os contratos de câmbio apresentados pela contribuinte, identificando divergências que, questionadas, foram esclarecidas pela fiscalizada (fls. 1524/1635). Também verificou o resultado de operações de hedge realizadas no Brasil, junto à Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F), analisando resumo das aplicações, extratos da corretora e documentos de transferências de recursos (fls. 1636/1741) e concluindo que estas operações resultaram em receitas contabilizadas em 2006 e 2007. Quanto às operações de hedge no exterior, observou que o resultado positivo apurado em 2005 foi regularmente contabilizado como receita. Já em 2006 e 2007 constatou que houve despesas nos montantes de R$ 53.778.588,62 e R$ 299.337.808,53, vinculadas a remessas por contrato de câmbio e a pagamentos mediante conta-corrente mantida no exterior (de acordo com a Lei nº 11.371/2006), acerca das quais se manifestou de forma semelhante ao que apontado no procedimento fiscal anterior: • A ADM do Brasil enviou recursos para o exterior e transferências do próprio exterior, para a ADM Investor Services (empresa de investimentos do grupo ADM), para que esta realizasse o pagamento das coberturas de margens de hedge solicitadas pela BM&F Chicago. Considerando que a empresa remetente dos recursos (ADM do Brasil), a empresa Matriz nos EUA (ADM Company) e a empresa recebedora e aplicadora dos recursos (ADM Investor Services) são todas do grupo ADM, somado ao fato da não existência de contratos comerciais sobre adiantamento de margens de garantia entre estas empresas, nos remete a facilidade para manipulação de operações, relatórios e contabilidade das mesmas; • O contribuinte criou em sua escrituração a conta 128116-501 - ADM DECATUR EXEC FUTUROS, que utiliza como uma conta corrente entre a ADM do Brasil e a ADM Company (ADM DECATUR), para acompanhamento do saldo devedor/credor da ADM do Brasil com a ADM Company, visto que a ADM Company adianta recursos para pagamento de margens de garantia para a Bolsa de Mercadorias & Futuros de Chicago (fls. 679/708). O contribuinte informou em resposta ao Termo de Intimação Fiscal nº 55/2010 que "com base nos extratos mensais de transações de hedge, a intimada contabiliza os montantes a pagar ou a receber (dependendo se houve perda ou ganho em suas operações de hedge, respectivamente), fazendo a liquidação financeira das operações conforme o melhor gerenciamento de caixa do grupo" (fls. 83/127 e 1519/1520); • O contribuinte entregou uma enorme gama de documentos com o objetivo de comprovar a aplicação dos recursos em operações de hedge dos contratos futuros de soja e derivados (Contratos de Cambio, Relatório por contas dos fechamentos dos contratos de cambio com as respectivas perdas/ganhos, Livro Razão - Conta ADM DECATUR EXEC FUTUROS - Contabilidade dos adiantamentos das margens pela ADM Company e remessas de recursos, Posição dos Contratos de Originação de Grãos, Posição de Contratos de Processamento - Cálculo de Exposições, Relatórios informando que a ADM Investor Services é membro de compensação da Bolsa de Valores de Chicago) porém nenhum destes documentos comprova a efetiva aplicação dos recursos transferidos ao exterior pela ADM do Brasil na operação de Hedge alegada pelo contribuinte, isto é, nenhum deles apresenta a transferência de recursos da ADM Investor Services, em nome da ADM do Brasil, para a Bolsa de Mercadorias & Futuros de Chicago; Detalhando os valores contabilizados pela fiscalizada, a autoridade lançadora conclui que a ADM do Brasil escritura em seus livros as operações de hedge de contratos futuros como Custo de Mercadorias Vendidas (vide Livro Razão - conta "423130 - Ajuste Hedge Contr. Fut. Fech." - fls. 1594/1622) e a variação cambial, os juros e as comissões como despesas (entendemos como despesas acessórias as operações de Hedge). Estes custos e despesas serão glosados pois não houve sua efetiva comprovação, isto é, a comprovação das transferências de recursos da ADM do Brasil, ADM Investor Services ou ADM Holding para a BM&F-Chicago. A autoridade lançadora também fez ponderações específicas quanto à determinação dos valores lançados: 4. INFRAÇÕES APURADAS - OMISSÃO DE RECEITAS 4.1 - GLOSA DE CUSTOS Verificamos na contabilidade eletrônica da empresa que os valores informados como pagamentos de margens de garantia de contratos futuros de Hedge fechados foram contabilizados na conta "423130 - Ajuste Hedge Contratos Futuros Fechados", levada como Custo da Mercadoria Vendida no encerramento do exercício. Considerando a falta de comprovação da transferência de recursos em nome da ADM do Brasil para a Bolsa de Mercadorias & Futuros de Chicago, estes custos serão glosados e será refeita a apuração do resultado do exercício. O valor apurado como Custo de Mercadoria Vendida, relativo ao Hedge informado, é de R$ 55.151.492,46 (...) para o ano de 2006 e R$ 294.716.460,55 (...) A glosa de custos tem sua fundamentação legal nos artigos 249, inciso I, 251 e parágrafo único, 289, 290, inciso I, 292, 299, 300 e 396 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99). 5. FORMA DE TRIBUTAÇÃO, ALÍQUOTAS E BASE DE CALCULO. No caso em questão, o contribuinte submete-se às regras de apuração do IRPJ e da CSL pelas regras do LUCRO REAL conforme sua declaração de IRPJ (fls. 1742/1798). Conforme verificado no Demonstrativo do Resultado e Ajustes do Lucro Liquido (DRE, DIPJ e LALUR— fls. 26/82 e 1742/1798), verificamos que após as receitas e custos escriturados pelo contribuinte, o mesmo obteve Lucro Real ao final do exercício, Lucro este que após as glosas efetuadas pela fiscalização mencionadas no decorrer do relatório, será recalculado conforme abaixo demonstrado: Demonstração do Resultado – Ano-Calendário 2006 Discriminação Valor apurado pelo contribuinte Valor Apurado pela fiscalização (após glosas) Receita Liquida da Atividade 3.641.984.063,21 3.641.984.063,21 (-) Custo das Mercadorias e Serviços Vendidos (1) 3.278.357.868,92 3.223.206.376,46 Lucro Bruto 363.626.194,29 418.777.686,75 (-) Despesas / (+) Receitas Operacionais 471.484.238,87 471.484.238,87 Lucro Operacional -107.858.044,58 -52.706.552,12 (+) Receitas / (-) Despesas Não Operacionais 4.233.259,97 4.233.259,97 Resultado do Período -103.624.784,61 -48.473.292,15 (+) Adições / (-) Exclusões (2) 218.107.496,86 218.107.496,86 Lucro Real antes da Compensação de Prejuízos 114.482.712,25 169.634.204,71 (-) Compensação de Prejuizos 34.344.813,68 34.344.813,68 Lucro Real/ Prejuízo Fiscal 80.137.898,58 135.289.391,03 BC dos Tributos (Glosas) 55.151.492,45 Demonstração do Resultado – Ano-Calendário 2007 Discriminação Valor apurado pelo contribuinte Valor Apurado pela fiscalização (após glosas) Receita Liquida da Atividade 4.961.027.816,19 4.961.027.816,19 (-) Custo das Mercadorias e Serviços Vendidos (1) 4.612.263.190,30 4.317.546.729,75 Lucro Bruto 348.764.625,89 643.481.086,25 (-) Despesas / (+) Receitas Operacionais 202.871.216,99 202.871.216,99 Lucro Operacional 145.893.408,90 440.609.869,45 (+) Receitas / (-) Despesas Não Operacionais 457.774,69 457.774,69 Resultado do Período 146.351.183,59 441.067.644,14 (+) Adições / (-) Exclusões (2) -236.796.028,02 -236.796.028,02 Lucro Real antes da Compensação de Prejuízos -90.444.844,43 204.271.616,12 (-) Compensação de Prejuizos 0,00 0,00 Lucro Real/ Prejuízo Fiscal -90.444.844,43 204.271.616,12 BC dos Tributos (Glosas) 204.271.616,12 Obs: (1) Glosa dos custos das mercadorias e despesas acessórias relativos aos contratos de hedge fechados nos exterior, no valor de R$ 55.151.492,45 para o ano de 2006 e R$ 294.716.460,55 para o ano de 2007; (2) As despesas de variação cambial não alteram as adições/exclusões, pois já foram realizadas quando do fechamento dos contratos de hedge; Cientificada do lançamento em 10/01/2011, a contribuinte apresentou impugnação estruturada sob os seguintes tópicos: CONSIDERAÇÕES PRELIMINARES SOBRE A IMPUGNANTE NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO EM DECORRÊNCIA DA OBRIGATORIEDADE DE O D. AGENTE FISCAL CONSIDERAR AS ANTECIPAÇÕES DE IRPJ E CSLL REALIZADAS NO DECORRER DO ANO-CALENDÁRIO NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO POR CONTA DA INSUBSISTÊNCIA DA AUTUAÇÃO FISCAL – FALTA DE APURAÇÃO DO LUCRO REAL E DA BASE DE CÁLCULO DA CSLL DO MÉRITO: 1 – DAS OPERAÇÕES DE HEDGE REALIZADAS PELA INTERESSADA: 1.1 – DA REALIZAÇÃO DAS OPERAÇÕES DE HEDGE E DA PROVA IMPOSSÍVEL EXIGIDA 2 – DA DEDUÇÃO DE DESPESAS USUAIS E NECESSÁRIAS – A CORRETA INTERPRETAÇÃO DO ARTIGO 396 DO RIR 3 – DA FALTA DE COMPROVAÇÃO DOS REQUISITOS PARA A DEDUTIBILIDADE DAS DESPESAS COM JUROS E COMISSÕES, BEM COMO DAS VARIAÇÕES CAMBIAIS INCORRIDAS PELA INTERESSADA – NECESSIDADE, NORMALIDADE E USUALIDADE 4 – DA ILEGALIDADE DA INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO: A Turma julgadora rejeitou estes argumentos aduzindo que: A arguição de nulidade do lançamento não deve prosperar, porque não se vislumbra, no presente caso, qualquer óbice que determine a precariedade dos lançamentos realizados pelo Fisco, uma vez que foram realizados nos moldes estabelecidos pelo Código Tributário Nacional, não se configurando qualquer violação ao que o mencionado diploma legal dispõe e, tampouco, ao artigo 59 do Decreto n° 70.235/1972. Os Autos de Infração foram lavrados por autoridade administrativa plenamente vinculada, respeitando os devidos procedimentos fiscais, previstos na legislação, e com a correta identificação do sujeito passivo da obrigação tributária, além do que a descrição dos fatos e as provas juntadas ao processo permitem esclarecer a causa das autuações, bem como toda a sistemática aplicável à constituição dos créditos tributários e, por sua vez, a argumentação desenvolvida pela interessada na peça impugnatória permite concluir que o motivo das autuações foi compreendido, tanto que contestado. A juntada de provas, pela qual a impugnante protestou, deve ser feita por ocasião da impugnação, inexistindo razão para realização de diligência, ante a verificação de que constam nos autos todos os elementos para a formulação da livre convicção do julgador. No mérito, embora reconhecendo que a interessada entregou uma enorme gama de documentos com o objetivo de comprovar a aplicação dos recursos em operações de hedge dos contratos futuros de soja e derivados, observou que as glosas foram promovidas porque entendeu a fiscalização que nenhum deles comprovou a efetiva aplicação dos recursos transferidos ao exterior pela ADM do Brasil na operação de hedge alegada, para a Bolsa de Mercadorias & Futuros de Chicago. E, tratando-se de matéria de prova, invocou o disposto nos art. 251, parágrafo único, 264 e 396, todos do RIR/99, no sentido de que os resultados líquidos de operações de cobertura em Bolsa no Exterior realizados diretamente pela empresa brasileira devem ser comprovadas por documentação hábil e idônea (incluindo a demonstração de que foram realizadas pela empresa brasileira). Declarou impertinentes as alegações relativas à dedutibilidade dos referidos custos tendo em vista a necessidade, usualidade e normalidade dos mesmos bem como das alegações relativas à dedutibilidade das perdas auferidas em operações de hedge realizadas no exterior, ainda que não fossem consideradas operações realizadas em Bolsa. Centrando-se na lide propriamente dita, asseverou que a interessada não logrou comprovar, nem durante o procedimento de fiscalização, nem na impugnação, momento propício para contraditar, com documentos hábeis e idôneos, a transferência de recursos da ADM Investor Services, em nome da ADM do Brasil, para a Bolsa de Mercadorias & Futuros de Chicago, e declarou válida a glosa promovida. Contestou documentos citados na impugnação por emitidos por empresa do grupo ADM ou por não individualizar e discriminar as operações. Disse, também, que ps contratos de Câmbio atestam a remessa de numerário para a ADM Co./ADM Investor Services Inc.. Desmereceu a afirmação de que "não é possível fazer a demonstração dos pagamentos feitos pela impugnante a Bolsa de Chicago", pois, em se tratando de custos, que têm o condão de reduzir o lucro liquido do exercício e, conseqüentemente, o crédito tributário devido, é seu o ônus de provar a sua existência. Citou doutrina neste sentido. Quanto à afirmação de que as operações estariam devidamente registradas na contabilidade, salientou que a credibilidade dos assentamentos contábeis não se operacionaliza pelo simples fato de tê-los apenas na conformidade da técnica mas, também, se funda nos Princípios e Convenções que norteiam a Ciência Contábil, especialmente os da Continuidade, Oportunidade, Competência e da Consistência, o que exige disponibilização da documentação hábil, idônea que resguarda a escrituração. Citou jurisprudência administrativa neste sentido. Com referência aos valores relativos à variação cambial, juros e comissões, atribui-lhes a mesma conseqüência das demais glosas, porque tidas como acessórias, declarando desnecessário analisar os demais requisitos de dedutibilidade das despesas, quais sejam, necessidade, usualidade ou normalidade. Acrescentou que na ausência de documentos e livros fiscais, apenas a tabela de fl. 1949/1951 não se prestaria a atestar que houve adições relativas a despesas de juros, comissões ou variação cambial, e destacou que a variação cambial, na verdade, reduziu os valores lançados. Quanto à apuração dos tributos lançados, tendo em conta o que informado pela contribuinte em DIPJ, e o demonstrativo apresentado pela Fiscalização, assevera que foi efetuado recalculo do Lucro Real e da Base de Cálculo da CSLL relativos aos anos-calendário de 2006 e 2007, sendo considerados como valores tributáveis somente as infração apuradas. Acrescentou que não houve erro no cálculo do limite do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa de CSLL utilizados, pois segundo informações do Sistema SAPLI/RFB (Demonstrativo de Compensação de Prejuízos Fiscais — fl. 3064/3066) e do Sistema SACS/RFB (Demonstrativo da Base de Cálculo Negativa da CSLL — fl. 3072), os saldos existentes em 2005 foram integralmente utilizados em períodos subseqüentes. Ainda, observou que não foi considerada a dedução do valor de R$ 240.000,00 quando do cálculo do adicional de 10%, pois esse somente pode ser utilizado uma única vez. E, relativamente às antecipações de IRPJ e CSLL declaradas nas DIPJ 2006/2007 e 2007/2008, constatou que seus valores foram utilizados para quitar o valor de IRPJ devido declarado, e o saldo negativo apurado foi objeto de diversas DCOMP, conforme Relatório do Sistema PER/DCOMP/SIEF/RFB (fls. 3075/3076); o mesmo ocorrendo com as antecipações de CSLL (fls. 3077/3078). Por fim, declarou válida a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Cientificada da decisão de primeira instância em 23/01/2012 (fl. 3153), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 17/02/2012 (fls. 3204/3269), acompanhado dos documentos de fls. (3270/3422), no qual reprisa os argumentos apresentados na impugnação. Antes, porém, descreve o papel da recorrente em seu ramo de atividade, destacando que o grupo do qual faz parte (Archer Daniels Midland, com sede nos EUA) ser um dos maiores dedicados à comercialização de produtos agrícolas, atuando desde 1923 e contando com mais de 28.000 colaboradores em 60 países. A subsidiária no Brasil, por sua vez, é responsável pela comercialização de mais de 7,7 milhões de toneladas de soja em grãos por ano, tanto no mercado nacional, quanto no exterior. Inicialmente observa que em suas atividades com commodities pratica operações de compra, hedge e venda, sendo que o hedge é necessário como proteção das transações nas quais o preço que será pago ao produtor é definido no momento de aquisição, bem como nos acordos de venda que podem sofrer oscilações até a data da entrega física ou embarque da mercadoria. Acrescenta que o imenso volume de commodities regularmente negociado pelo Grupo ADM lhe impõe a necessidade de operar junto à Bolsa de Mercadorias e Futuros de Chicago, de modo que as operações de hedge por ela contratadas submetem-se ao art. 396 do RIR/99. Reitera a arguição de nulidade do lançamento porque (a) na apuração da base tributável, não se procedeu à dedução dos recolhimentos efetuados pela Recorrente a titulo de antecipação nos anos-calendário de 2006 e 2007, em conformidade com Solução de Consulta Interna n° 23/06; (b) o I. Agente Fiscal não efetuou a recomposição das apurações do Lucro Real e da Base de Cálculo da CSLL; e (c) foram cometidos diversos outros equívocos pelo D. Agente Fiscal na apuração dos tributos supostamente devidos. Argúi a nulidade do lançamento em razão da desconsideração das antecipações realizadas nos anos-calendário 2006 e 2007, destaca que a constituição da obrigação tributária somente pode ser feita em estrita conformidade com o que está disposto em lei, e esta prescreve que as antecipações devem ser deduzidas ao final do período de apuração correspondente, para fins de determinação do tributo devido. Afirma que há erro de direito, ou erro no critério jurídico utilizado, pois a autoridade lançadora deixou de observar o que determina a lei para fins de apuração do quantum debeatur de IRPJ e CSLL na sistemática do lucro real anual. Demonstra que, admitindo as antecipações, o IRPJ em 2006 seria negativo e o valor apurado em 2007 seria reduzido a R$ 2.645.777,67. Não reproduz esta demonstração para a CSLL, mas especifica a forma de quitação das estimativas de ambos os tributos, apontadas para aqueles anos-calendário, e conclui que o lançamento carece de elemento essencial, qual seja, seu motivo. Opõe-se à cogitação de que as deduções e antecipações de IRPJ e CSLL tiveram por efeito a formação de saldos negativos que foram utilizados pela Recorrente em Declarações de Compensação, ressaltando ser dever da Fiscalização apurar corretamente os tributos devidos e invocando o entendimento firmado na Solução de Consulta Interna COSIT nº 23/2006. Defende que naquele ato determinou-se, para toda e qualquer constituição de ofício de IRPJ e CSLL, a dedução das retenções na fonte ou antecipações referentes às receitas compreendidas na apuração, entendimento também refletido no Ato Declaratório Normativo COSIT nº 58/94 e em acórdãos administrativos que cita. Assevera que os saldos negativos de IRPJ e CSLL somente são passíveis de restituição e compensação quando constituem legítimos pagamentos a maior do tributo, de modo que uma revisão fiscal da apuração não autoriza que se fale em pagamento a maior de tributo. 52. Ora, a formalização posterior de Declarações de Compensação pela Recorrente em nada altera o dever de ofício do D. Agente Fiscal de, efetivamente, apurar o IRPJ e a CSLL devidos ao final do período, considerando as antecipações regularmente quitadas nos anos-calendário de 2006 e 2007. Alerta que a manutenção da autuação fiscal, com redução, apenas, do montante exigido por meio da dedução de estimativas, consiste alteração no critério jurídico do lançamento, e é vedado pelo art. 146 do CTN. Por fim, no que tange à nulidade decorrente da falta de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, aduz que o lançamento exige prévio levantamento e o exame completo de toda a documentação relativa à apuração do IRPJ e da CSLL, ao passo que a autoridade lançadora optou por proceder ao lançamento com base tão somente nos valores dos custos e despesas por eles glosados, sem apurar efetivamente o lucro real e a base de cálculo da CSLL. Claro está nos autos de infração que os valores exigidos a título de IRPJ correspondem exatamente à aplicação do percentual de 25% (15% mais adicional de 10%) sobre os custos e despesas glosados, desconsiderando as antecipações e a possibilidade de maior compensação de prejuízos fiscais. Observa que relativamente à CSLL, sequer houve detalhamento da apuração, mas, de toda sorte, haveria possibilidade de compensação de bases de cálculo negativas de períodos anteriores, bem como suas antecipações deveriam ter sido consideradas. Discorda da argumentação da autoridade julgadora de 1a instância quanto à indisponibilidade das antecipações, já utilizadas em compensação, reafirmando o dever da autoridade fiscal de recalcular todo o lucro real e toda a base de cálculo da CSLL da Recorrente. Da mesma forma reporta-se à impossibilidade de compensação de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas aventada na decisão recorrida. Questiona o procedimento adotado pela DRJ, que lastreou suas conclusões com base na utilização dos saldos de prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL constantes dos sistemas SAPLI e SACS da RFB em detrimento dos valores constantes na Parte B do LALUR e nas DIPJ dos anos-calendário 2006 e 2007. Defende a prevalência dos valores informados em seu LALUR, até porque não houve procedimento por parte da Autoridade Fiscal visando à retificação de tais saldos. Cita jurisprudência administrativa favorável ao seu entendimento. Ressalta, por fim, que não pode esse Egrégio Conselho, tampouco a autoridade lançadora, realizar o cálculo correto dos tributos lavrados, a pretexto de corrigir o lançamento fiscal. Caso assim proceda, estará realizando a atividade de lançamento, o que é vedado pela legislação vigente. Cita jurisprudência administrativa neste sentido e conclui pedindo que seja declarada a nulidade dos autos de infração. Questiona a afirmação da autoridade julgadora de 1a instância de que constitui ônus da interessada a instrução de sua impugnação com todos os documentos que entenda necessários à prova pretendida, para ver afastada a preclusão de seu direito de apresentar documentos após a impugnação, invocando o princípio da verdade material, e afirmando a ocorrência de cerceamento ao direito de defesa caso seja negado este direito, com conseqüente declaração de nulidade da decisão, como inclusive firmado em decisão recente da Câmara Superior de Recursos Fiscais nos autos do processo administrativo nº 10814.017735/96-77. No mérito, desde o início de sua defesa questiona a exigência de extrato emitido pela Bolsa de Chicago acerca de operações de hedge ali efetuada em nome da Recorrente, pois referido documento não existe e não pode ser obtido dada a sistemática de funcionamento daquela instituição. Destaca a apresentação de farta e robusta documentação plenamente hábil a comprovar que suas operações de hedge foram contratadas em bolsa no exterior, por ela assim resumidos: • Extratos das operações de hedge efetuadas. pela Recorrente, que contém todas as informações das operações efetuadas (fls. 404/1508); • Razão contábil da conta ADM DECATUR EXEC FUTUROS mantida pela Recorrente, que atesta as movimentações das operações de hedge efetuadas (fls. 83/127); • Contratos de câmbio comprobatórios das remessas e recebimentos relativas às operações de hedge da Recorrente (fls. 128/403, fls. 1627 a 1629 e fls. 1630 a 1632). Ademais, como a autoridade fiscal reconheceu que "os relatórios apresentam cálculos corretos dos valores das margens dos contratos futuros das operações de Hedge alegadas pelo contribuinte", claro está que o lançamento somente foi lavrado em razão da inaceitável exigência de apresentação do já mencionado extrato emitido pela Bolsa de Chicago. Assevera que as operações de hedge representam verdadeiro imperativo às atividades desenvolvidas pela Recorrente, representando despesas absolutamente usuais e necessárias à consecução de seus objetivos sociais. Mais à frente, acrescenta que as bolsas de mercadorias no Brasil não são capazes de absorver e conferir liquidez às transações realizadas pelo Grupo ADM, dado o volume das atividades comerciais – e por conseqüência, de operações de hedge – realizadas pela Recorrente. Transcreve artigo publicado na Revista Economia e Agronegócio atestando que a reduzida liquidez da bolsa brasileira não apenas impede a absorção de um volume grande de operações, mas envolve até mesmo o risco de os agentes locais não serem capazes de fechar suas posições. Ilustra que realizou cerca de 116.000 e 130.000 contratos de hedge em 2006 e 2007, respectivamente, volume bastante superior àquele negociado na BM&F no período. Daí a imperatividade da realização das operações de hedge junto à Bolsa de Chicago, e a submissão da recorrente às normas regulatórias desta entidade e das autoridades competentes dos Estados Unidos da América. Descreve o fluxo operacional de suas atividades, consistentes em realizar negócios de compra com entrega física futura de soja com os produtores rurais ou exportadores ao redor do mundo e fechar contratos de venda dessa natureza com seus clientes locais ou internacionais, de forma que as operações de hedge destinam-se a reduzir os riscos das flutuações dos preços de soja entre a data da compra e/ou venda da soja e o seu recebimento e/ou entrega física. Especifica que: 120. Para efetuar as operações de hedge acima mencionadas, as subsidiárias do Grupo ADM localizadas em mais de 60 países ao redor do mundo inserem os dados de suas respectivas operações comerciais em um único sistema de computador, o qual é administrado pela ADM Trading Company ("ADM Trading"). Ao inserir os dados no referido sistema, as subsidiárias do Grupo ADM submetem à ADM Trading as correspondentes ordens de hedge ("Ordem"), que nada mais são do que as posições contrárias àquelas contratadas fisicamente com os produtores rurais ou clientes das empresas do Grupo ADM. 121. Cada Ordem configura um contrato, o que implica a obrigação de compra ou venda do tipo e quantidade de mercadoria estabelecidos na Ordem, na data de entrega ali prevista, conforme precificação de mercado listada na Bolsa de Chicago18.[18 Como já salientado, o pareamento dos preços estabelecidos nas Ordens colocadas pela Recorrente com os preços praticados na Bolsa de Chicago foi expressamente confirmado pela própria D. Autoridade Fiscal e é matéria incontroversa nos presentes autos] 122. Na colocação da Ordem, são informados o número da conta de controle da subsidiária, o tipo e quantidade de mercadoria a ser coberta pelo hedge, o tipo de operação (compra ou venda) e a data de opção da mercadoria na Bolsa de Chicago. 123. As Ordens são inseridas no sistema administrado pela ADM Trading, que centraliza e consolida as Ordens de todas as subsidiárias e, na sequência, transfere essas exposições a ADM Financeira, entidade financeira que executa tais Ordens junto à Bolsa de Chicago. [...] 125. A centralização das Ordens de todas as subsidiárias por meio do sistema da ADM Trading, decorre, dentre outros fatores, da necessidade de melhor cumprir as regras da CFTC e também do Grupo CME, controlador da Bolsa de Chicago. 126. Essas regras são aplicáveis a qualquer entidade que busque realizar operações de hedge na Bolsa de Chicago, mas apenas as e devem ser especialmente observadas pelas empresas do porte do Grupo ADM, que operam volume imenso de transações e possuem inúmeras subsidiárias que precisam, ao mesmo tempo, ter acesso a Bolsa de Chicago. 169. A fim de comprovar o quanto ora afirmado, a Recorrente anexa ao presente recurso documento firmado pelos Srs. Scott E. Early e Kathryn M. Trkla, ex-diretor jurídico e ex-vice-presidente da Bolsa de Chicago, respectivamente (doc. 04). Cita, também, parecer solicitado ao Professor Steve Thel, experiente especialista norte-americano que, como Advogado-Consultor, integrou o escritório do Consultor Jurídico Geral da Securities and Exchange Comission - “SEC”, órgão americano correspondente à Comissão de Valores Mobiliários – “CVM” brasileira (doc. 05). Ali são abordadas as regras emitidas pela CFTC e a necessidade de que suas operações fossem formatadas nos termos em que aqui relatados, de modo a demonstrar que configuraria infração um mesmo grupo de empresas efetuar pedidos para comprar e vender substancialmente a mesma quantidade de um valor mobiliário ou commodity em substancialmente o mesmo tempo e preço (“wash sales”). Daí a atuação da ADM Trading, confrontando e depurando todas as Ordens colocadas pelas subsidiárias do Grupo ADM ao redor do mundo, de modo que a posição consolidada do Grupo seja contratada junto à Bolsa de Chicago. Passando à exposição do fluxo de pagamentos de suas atividades, a recorrente inicialmente destaca que a ADM Financeira é um membro de compensação qualificado da Bolsa de Chicago e está sujeita a diversas normas de regulação e controle, dentre as quais aquelas emitidas pela CFTC, o que por si só desqualifica a incomprovada suspeita lançada contr a ADM Financeira nos presentes autos em razão da vinculação ao Grupo ADM. Observa que a ADM Financeira não se responsabiliza apenas pela intermediação, mas pela efetiva liquidação financeira das operações conduzidas por todos os seus clientes junto às bolsas, e aponta declaração à fl. 1521/1522 que confirma a atuação da ADM Financeira como membro da Câmara de Compensação da Chicago Mercantile Exchange (CME). Frisa, ainda, na referida declaração, o fato de a Bolsa de Chicago não emitir extratos diretamente ao Grupo ADM, reportando-se à exigência fiscal de prova de realização das operações diretamente em bolsas no exterior, e ao requisito expresso na decisão recorrida de comprovante em nome da ADM do Brasil. Entende evidenciado, assim, que a falta de apresentação de tal documento, portanto, não decorre de um descuido, desídia ou falha por parte da Recorrente em conservar seus documentos em ordem, já que se trata de documento inexistente. Acrescenta que a liquidação das operações intermediadas pela ADM Financeira é feita mediante pagamentos centralizados e consolidados à Bolsa de Chicago, inexistindo pagamentos realizados para aquela Bolsa em nome do comitente, já que as clearing houses realizam as compensações multilaterais das posições que intermediam. Menciona que também no Brasil esta sistemática é adotada em algumas operações, de modo que a depender do objeto negociado, o documento exigido da Recorrente no caso presente não poderia ser obtido ainda que as operações de hedge tivessem sido contratadas no Brasil. Descreve o fluxo de pagamentos nos seguintes termos: (i) Diariamente, a ADM Financeira realiza dois grupos de pagamentos das margens contratadas naquele dia, um grupo se refere às transações do Grupo ADM e outro relativo às operações de seus demais clientes. (ii) A entrega dos recursos para o pagamento efetuado pela ADM Financeira à Bolsa de Chicago é realizado pela ADM Co., gerenciadora de caixa do Grupo ADM. (iii) A ADM Co., por seu turno, é ressarcida dos pagamentos à ADM Financeira pelas subsidiárias do Grupo ADM, dentre elas a Recorrente. (iv) Vale notar que os hedges executados podem gerar ganhos ou perdas às subsidiárias do Grupo ADM, razão pela qual a ADM Co. pode receber ou realizar pagamentos em relação a cada uma das subsidiárias do Grupo ADM, dentre elas a Recorrente. Relaciona os documentos acostados aos autos (fls. 404/1508, 83/127, 128/403, 1627/1629, 1630/1632, 1511/1512, 1513/1515), descrevendo seu conteúdo e concluindo, diante deste contexto, que os documentos apresentados pela Recorrente ao longo do processo de fiscalização que atestam as remessas efetuadas à ADM Co. a titulo de ressarcimento das margens cobertas por tal entidade para a ADM Financeira (fls. 128/403, fls. 1627 a 1629 e fls. 1630 a 1632) são prova suficiente da realização das operações de hedge junto à Bolsa de Chicago. E aduz: 167. Adicionalmente, muito embora não seja possível fazer a demonstração dos pagamentos feitos pela Recorrente diretamente a Bolsa de Chicago em razão da regulação vigente nos Estados Unidos, é possível que se realize o confronto dos resultados auferidos pela Recorrente com as suas operações de hedge e se verifique que estes oscilam conforme as variações dos preços das mercadorias "hedgeadas" na Bolsa de Chicago. Este, fato, ressalte-se, foi expressamente reconhecido pelo D. Agente Fiscal. 168. Ora, quer parecer à Recorrente que se trata de prova mais do que suficiente quanto à realização dessas operações em bolsa, o que as tornam dedutíveis tanto para fins de apuração do IRPJ, quanto para fins de apuração da CSLL. Aborda a correta interpretação do artigo 396 do RIR, defendendo sua observância no presente caso na medida em que as operações foram realizadas em bolsa e sempre estiveram sob o controle do órgão regulador norte-americano. Em seu entendimento, o que importa é que o eventual resultado negativo da operação de hedge seja fruto de assunção efetiva do risco das operações de bolsa e que tal resultado negativo esteja sujeito ao controle do órgão regulador estrangeiro. Defende que a operação de hedge no exterior alcançada pelo artigo 396 do RIR deve ser visualizada sob os prismas do conteúdo e do modo de execução, afirmando incontroverso o conteúdo das Ordens realizadas pela recorrente, centrando-se a discussão no modo de execução dessas Ordens, sem atentar que este se sujeita às regras estrangeiras. Na medida em que a ADM Financeira visualiza todas as Ordens da Recorrente destinadas a serem executadas na Bolsa de Chicago e as identifica como verdadeiras Ordens de compra ou de venda com a finalidade de hedge, fica evidente tratar-se de atuação direta em bolsa para fins de aplicação do artigo 396 do RIR. O termo “diretamente”, presente na lei, deve ser interpretado segundo as regras do ordenamento jurídico dos EUA, da Bolsa de Chicago e o princípio da legalidade, afastando-se o sentido mais literal e formal deste termo. E o termo “bolsa” deve ser concebido como ambiente e sistemas organizados e regulados em que se realizam operações de mercado, e não apenas “pessoa jurídica Bolsa”. Ainda, porque representativos de despesas usuais e necessárias, defende a dedutibilidade dos resultados de operações de cobertur. Desde que se trate de operações de hedge vinculadas a operações reais e efetivas de revenda de soja e que sigam rigorosamente os parâmetros de mercado, como no caso presente, tais despesas deverão ser consideradas operacionais e dedutíveis independentemente de qualquer discussão sobre o modo de execução das operações. Reporta-se a doutrina esclarecendo que o hedge nada mais é que a aquisição de contratos em posição inversa aos contratos já firmados pela sociedade, e acrescenta que num contexto em que os preços dos produtos que comercializa oscilam ao sabor do mercado, deixar de realizar operações de hedge certamente evidenciaria que a Recorrente é mal gerida ou possui grande atividade especulativa. Citando as causas de variação de preços no mercado que atua, conclui que o hedge é usual e necessário às atividades da Recorrente. Constrói exemplo numérico para aclarar tais afirmações e complementa: 194. Dentro desse mecanismo, mesmo que o preço de mercado da soja suba quando da data de sua colheita e revenda, o valor que a Recorrente receber a mais do seu cliente no mercado externo será remetido ao exterior por força do hedge. De outro lado, caso o valor de mercado caia e, por conseqüência, o cliente externo da soja física pague menos à Recorrente, o hedge propiciará um resultado positivo equivalente ao valor pactuado no contrato e o valor de mercado para essa época. Traça a hipótese de incidência do IRPJ a partir da Constituição Federal para concluir que em decorrência da premissa basilar e irredutível de que apenas podem ser submetidos ao IRPJ (e também CSLL) os acréscimos patrimoniais efetivos, os resultados das operações de hedge contratadas pela Recorrente não podem ser avaliados isoladamente das operações comerciais que pretendem cobrir e, destarte, tributados da forma efetuada pelo D. Agente Fiscal. Apresenta mais exemplos numéricos dos resultados que seriam auferidos em caso de valor de mercado superior ou inferior ao preço de compra contratado, para concluir que impedir a dedutibilidade das perdas auferidas nas operações de hedge significaria tributar os ganhos realizados nas operações comerciais da recorrente sem considerar os custos incorridos para a sua consecução, isto é, aqueles decorrentes das operações de hedge. Reporta-se a jurisprudência administrativa contrária a este tipo de entendimento, em situações semelhantes como no caso de despesas de juros incorridos em empréstimos repassados a outras empresas do mesmo grupo econômico. Discorda da interpretação que, a partir do disposto no art. 396 do RIR/99, considera indedutíveis os pagamentos das operações de cobertura não realizadas em bolsas, pois tal implicaria reconhecer que aquela norma visa a locupletar o fisco de forma injustificada, na medida em que seriam tributadas as receitas de venda das mercadorias, mas não seria aceito um importante custo incorrido para que essas mesmas receitas fossem auferidas. Questiona, também, a glosa de juros, comissões e variações cambiais com base na “acessoriedade” das despesas. Caberia à Fiscalização averiguar sua efetiva ocorrência, bem como a necessidade, usualidade e normalidade dos gastos, para demonstrar que eles não atenderiam ao art. 299 do RIR/99. Ressalta, ainda, que as operações e margens de cobertura foram verificadas e atestadas pela própria Fiscalização, de modo que restrições contidas no art. 396 do RIR/99 se limitam às perdas com hedge, não havendo motivo para glosa das demais despesas. E acrescenta que as variações cambiais observam regime de caixa para sua dedutibilidade, não avaliado pela Fiscalização, restando patente a superficialidade da investigação. Afirma que promoveu adições, neste sentido, em 2007, no valor de R$ 19.511.352,94. Finaliza defendendo a ilegalidade da incidência de juros sobre a multa de ofício, pois os juros prestam-se a indenizar o prejuízo do credor com a privação do capital, ao passo que a multa é pena pecuniária pelo inadimplemento de obrigação. Em seu entendimento, os juros não podem incidir sobre a multa, já que esta penalidade não retrata obrigação principal, mas sim encargo que se agrega ao valor da dívida, como forma de punir o contribuinte. Argumenta que a aplicação de tal percentual, de forma ilimitada, sobre o principal e sobre a multa, acarreta verdadeira afronta ao princípio do não-confisco, bem como viola o direito de propriedade, já que faz incidir juros exorbitante sobre o imposto devido e, ainda, sobre a multa aplicada. Cita jurisprudência neste sentido, e invoca posicionamento da Câmara Superior de Recursos Fiscais no processo administrativo nº 10680.002472/2007-23. Ao final, requer, ainda, seja determinada a conversão do julgamento em diligência, na hipótese de este procedimento ser tido como necessário para o esclarecimento de qualquer dúvida acerca dos documentos juntados ao presente processo administrativo, bem como protesta pela produção de todas as provas em Direito admitidas, bem como pela oportuna sustentação oral de suas razões de defesa. Ainda, os procuradores da Recorrente declaram ser autênticas as cópias simples anexas ao presente Recurso Voluntário, nos termos do artigo 365, IV do Código de Processo Civil. Em 28/02/2012 os autos do presente processo foram encaminhados em CARF, e em 12/06/2012 distribuídos a esta Relatora, em razão de sua conexão com o processo administrativo nº 15586.001637/2009-01 (fl. 3426). Em 06/12/2012 a recorrente apresentou a esta Relatora petição protocolizada no CARF naquela data, requerendo a juntada dos seguintes estudos e pareceres jurídicos: Análise das operações de Hedge efetuadas pela Requerente no exterior à luz do art. 396 do RIR/99, expressa em parecer do Professor Marco Aurélio Greco; Estudo dos vícios materiais que acarretam a nulidade dos autos de infração, proferido pelo Professor Eurico Marcos Diniz de Santi; Interpretação do art. 17 da Lei nº 9.430/96 em razão da forma de operação das Bolsas, em parecer do Professor Ary Oswaldo Mattos Filho. Relatório de Comprovação do Hedge em Operações Futuros Realizadas pela Companhia nos Anos-Base de 2006 e 2007 e Relatório de Verificação das Operações de Futuros (Hedge) Realizadas pela Companhia nos Anos-Base de 2006 e 2007, ambos emitidos pela empresa de auditoria KPMG; Relatório de Auditoria Independente das Operações de Futuro e Opções de Commodities Realizadas pela Companhia, emitido pela empresa de auditoria Ernst & Young, acerca das controvérsias objeto de lançamento nestes autos. O relatório da Ernst & Young, acompanhado de diversos demonstrativos (todos em língua estrangeira), o relatório da KPMG e os pareceres antes mencionados acompanharam a referida petição. Por ocasião de sua apresentação, a recorrente mencionou a existência de documentos que lhes dariam suporte, os quais seriam apresentados no CARF. Consulta ao E-processo evidenciou que a referida petição e os documentos que a instruíram ainda não haviam sido digitalizados até janeiro/2013, bem como que não havia registro da apresentação de outros elementos. Em 12/09/2012, a Assessoria Técnica e Jurídica do CARF (ASTEJ) respondera a Ofício da Procuradoria da República no Espírito Santo, informando que solicitaria prioridade na tramitação do processo administrativo nº 15586.001637/2009-01, conexo a este. Em 28/11/2012 o mesmo órgão requereu cópias do auto de infração e das decisões já proferidas naqueles autos, as quais foram fornecidas pela Presidência desta 1a Seção em 11/12/2012, acompanhadas da informação de que o processo administrativo nº 15586.001637/2009-01 seria incluído em pauta na sessão seguinte, em fevereiro de 2013. O litígio não foi apreciado na reunião de julgamento de fevereiro/2013 em razão de pedido de adiamento apresentado pela recorrente. Ao final de fevereiro/2013, foram digitalizados dois conjuntos de documentos anexos a estes autos, um com 34 (trinta e quatro) volumes e outro com 13 (treze) volumes, cuja juntada definitiva ainda não foi promovida no E-processo em razão de o processo encontrar-se pautado para julgamento. O conjunto de documentos composto de 13 (treze) volumes está intitulado Laudo KPMG – Relatório de verificação das operações de futuros (hedge) realizadas pela Companhia nos anos-base de 2006 a 2007. Reportam-se a anexos numerados de 1 a 28, os quais guardam relação com o relatório de mesmo título, apresentado a esta Relatora em 06/12/2012. O conjunto de documentos composto de 34 (trinta e quatro) volumes está intitulado Laudo KPMG – Relatório de comprovação do hedge em operações de futuros realizadas pela Companhia nos ano-base de 2006 e 2007 e reúne anexos entre os números 1 e 38, evidenciando tratar-se dos documentos de suporte do relatório de mesmo título, apresentado a esta Relatora também em 06/12/2012. Os documentos apresentados ao final de fevereiro/2013 foram anexados às fls. 3482/14778. Além deles, foram juntados aos autos digitalizados a tradução juramentada do Parecer elaborado por Ernst & Young (fls. 18777/18970), bem como os relatórios e o parecer apresentados a esta Conselheira em 06/12/2012 (fls. 14781/18577), além dos pareceres emitidos pelos Professores Eurico Marcos Diniz de Santi, Ary Oswaldo Mattos Filho e Marco Aurélio Greco (fls. 18595/18703). Na sessão de julgamento de 10 de julho de 2013, este Colegiado decidiu: 1) por voto de qualidade, REJEITAR as argüições de nulidade do lançamento por falta de compensação de prejuízos fiscais anteriores e de dedução de antecipações do próprio período, divergindo os Conselheiros Benedicto Celso Benício Júnior, Nara Cristina Takeda Taga e José Ricardo da Silva; 2) por unanimidade de votos, REJEITAR a argüição de nulidade do lançamento de glosa de juros, comissões e variações cambiais; 3) por unanimidade de votos, REJEITAR a argüição de nulidade da decisão recorrida; 4) por maioria de votos, CONVERTER EM DILIGÊNCIA o julgamento, divergindo os Conselheiros Nara Cristina Takeda Taga e José Ricardo da Silva, que davam provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Esta Conselheira expôs suas razões para rejeitar as preliminares deduzidas na defesa e, para concluir pela necessidade de diligência, reportou-se à abordagem consignada no voto condutor da Resolução nº 1101-000.077, na medida em que a discussão, nestes autos, possui os mesmos contornos daquela travada nos autos do processo administrativo nº 15586.001637/2009-01, e a recorrente reportou-se, por ocasião da petição apresentada a esta Relatora em 06/12/2012, aos mesmos pareceres juntados aos autos do processo administrativo nº 15586.001637/2009-01, bem como indicou a elaboração de relatórios por KPMG Tax Advisors Ltda e Ernst & Young LLP, com vistas à comprovação das operações de hedge contabilizadas nos anos-calendário 2006 e 2007, aqui questionadas. No voto condutor daquela Resolução, esta Conselheira expôs suas razões para rejeitar as preliminares deduzidas na defesa; observou que o art. 396 do RIR/99 admite a dedução de perdas em operações de cobertura (hedge), desde que realizadas diretamente em bolsas do exterior; demonstrou que o procedimento fiscal permitiu à contribuinte provar que assim procedeu, mas as discrepâncias constatadas nos elementos apresentados, somados a outros indícios, ensejou a glosa das perdas escrituradas; admitiu que a interposição de outras empresas do grupo ADM para realização de operações junto à Bolsa de Chicago não as desnaturaria como promovidas diretamente em bolsa; cogitou da prova das operações de hedge mediante demonstração de sua contratação com membro credenciado da Bolsa de Chicago; evidenciou que os elementos apresentados à Fiscalização não asseguravam que os recursos remetidos ao exterior destinaram-se às operações de hedge, porque consolidadas diversas operações, a demandar seu exame individualizado, além de sua vinculação à contratação de cobertura efetiva em bolsa no exterior e correspondente pagamento; e discorreu sobre o conteúdo das provas juntadas depois do recurso voluntário, destinadas a demonstrar o fluxo operacional e financeiro das atividades questionadas pela Fiscalização, ressaltando que referências à ADM Trading como hedge center somente surgiram em impugnação. Considerando tais circunstâncias, esta Conselheira concluiu que as provas apresentadas pela recorrente demonstravam seu empenho em reunir elementos para convencer este órgão julgador da legitimidade de seus registros contábeis. Observou que ideal seria que dossiês diários fossem mantidos para demonstração da equivalência entre os registros contábeis e as operações da empresa junto ao mencionado Sistema VAX. Mas os elementos trazidos pela recorrente são evidências fortes de que estes registros existiam e obedeciam a um fluxo operacional sujeito a conciliações periódicas, de modo a assegurar a cobertura de suas operações físicas com commodities. Apenas que, a precariedade da guarda documental destas demonstrações não permitiu que a empresa as apresentasse à Fiscalização e convencesse a autoridade lançadora da regularidade de seus registros contábeis. Em conseqüência, já seria necessária a conversão do julgamento em diligência para confirmação do conteúdo dos relatórios apresentados pela defesa. Todavia, a demonstração da atuação da ADM Trading como hedge center suscitou dúvidas acerca da dedutibilidade de perdas em razão de operações de hedge que não teriam sido contratadas em Bolsa, em razão de impedimentos legais, razão pela qual o julgamento foi convertido em diligência para que a autoridade lançadora: Sob a premissa inicial de que todas as operações contabilizadas como sendo de hedge seriam necessárias e dedutíveis: 1) analise os elementos trazidos pela recorrente como evidências de que os registros junto ao mencionado Sistema VAX existiam e obedeciam a um fluxo operacional sujeito a conciliações periódicas, de modo a assegurar a cobertura de suas operações físicas com commodities; 2) informe a validade dos critérios de auditoria adotados pelas empresas contratadas, e por conseqüência a admissibilidade de seus relatórios para demonstração da regularidade dos valores contabilizados pela contribuinte, ou apure esta regularidade por outros meios que entender e justificar suficientes; 3) aponte divergências que deste exame resultem, identificando as perdas que restarem sem comprovação, e quantificando sua repercussão no crédito tributário lançado; Sob a premissa final de que somente as operações de hedge realizadas em bolsa ensejam perdas dedutíveis, promova as verificações acima requeridas, mas identifique as perdas correspondentes a operações de hedge efetivamente contratadas junto à Bolsa de Chicago, sem antes terem sido compensadas com posições opostas apresentadas no mesmo período por outra empresa do Grupo ADM. Esta Conselheira ainda acrescentou ao voto condutor da Resolução nº 1101-000.078 que: Além disso, importa observar que, para indeferir a compensação de prejuízos e bases negativas pleiteada em impugnação, a autoridade julgadora de 1a instância assim anotou: Quanto à alegação de que teria havido erro no cálculo do limite do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa de CSLL utilizados, ou seja, não teriam sido compensados os valores a que teria direito (30% da base tributável), esclareça-se que: consta no Sistema SAPLI/RFB (Demonstrativo de Compensação de Prejuízos Fiscais – fl. 3.064/3.066) que o prejuízo fiscal no valor de R$ 5.515.198,35 existente em 2005 foi totalmente utilizado no ano-calendário de 2006 (em que pese somente possuir R$ 5.515.198,35, a interessada utilizou R$ 34.344.813,68). Portanto, não há prejuízo a ser compensado no Auto de Infração de IRPJ relativo ao ano-calendário de 2006 nem valor a ser utilizado no AI relativo ao ano-calendário de 2007 (o prejuízo fiscal do período já foi considerado). consta no Sistema SACS/RFB (Demonstrativo da Base de Cálculo Negativa da CSLL – fl. 3.072) que o saldo de base de cálculo negativa no valor de R$ 38.753.786,46 existente em 2005 foi utilizado em 2006 (R$ 34.180.769,68) e em 2008 (em que pese só possuir R$ 4.573.016,78, a interessada utilizou R$ 240.100.335,79). Portanto, não remanesceu base de cálculo negativa de CSLL a ser compensada no Auto de Infração de CSLL relativo ao ano-calendário de 2006 nem valor a ser utilizado no AI relativo ao ano-calendário de 2007 (a base negativa do período já foi considerada). A recorrente questiona estas conclusões, e defenda a prevalência dos valores constantes na Parte B do LALUR e nas DIPJ dos anos-calendário 2006 e 2007, asseverando que não houve procedimento por parte da Autoridade Fiscal visando à retificação de tais saldos. Assim, na hipótese de, após a diligência, subsistir base tributável nos períodos fiscalizados, necessário será saber se os prejuízos e bases negativas disponíveis no LALUR da contribuinte correspondem, de fato, às apurações por ela declaradas em períodos anteriores, e se estas não foram alteradas em razão de procedimentos fiscais passados. Além disso, será necessário aferir se tais prejuízos e bases negativas permanecem disponíveis à época da conclusão da diligência para a compensação requerida pela contribuinte. Por estas razões, o presente voto é no sentido de CONVERTER o julgamento em diligência, para que a autoridade lançadora, além das verificações nos moldes daquelas determinadas no processo administrativo nº 15586.001637/2009-01, confirme a existência de prejuízos fiscais e bases negativas acumulados antes dos períodos fiscalizados, bem como a sua disponibilidade, ao final da diligência, para sua utilização nestes autos. Ao final dos trabalhos a contribuinte deverá ser cientificada de relatório circunstanciado da diligência fiscal, com reabertura de prazo de 30 (trinta) dias para sua manifestação, antes da devolução dos autos a este Conselho. A autoridade fiscal encarregada da diligência exigiu a apresentação de memórias de cálculos das perdas em operações de hedge promovidas pela recorrente, bem como demonstração das operações efetivamente contratadas junto à Bolsa de Chicago, e aquelas compensadas com posições opostas de outras empresas do grupo ADM (fl. 19059/19060). Inicialmente apenas o primeiro demonstrativo foi entregue, seguindo-se pedido de explicação detalhada da memória de cálculo apresentada, bem como das demais a serem fornecidas após prorrogação de prazo concedida à intimada (fls. 19061/19093). A contribuinte prestou os esclarecimentos requeridos (fls. 19096/19223) e assim consolidou os valores das perdas resultantes de operações efetivamente contratadas junto à Bolsa de Chicago (item 2 da intimação) e compensadas com posições opostas de outras empresas do grupo (item 3 da intimação): A autoridade fiscal exigiu o detalhamento mensal das perdas (fls. 19224/19225) e em resposta a contribuinte apresentou os esclarecimentos de fls. 19228/19246. Às fls. 19247/24318 constam os documentos apresentados no curso da diligência. Novos esclarecimentos foram exigidos em razão de divergências constatadas entre os elementos apresentados pela contribuinte (fls. 24319/24321), sendo prestadas as informações de fls. 24322/24327. A diligência foi concluída com a lavratura do termo de fls. 24334/24347, no qual a autoridade fiscal apresenta constatações acerca das informações apresentadas pela contribuinte, elaborando quadros demonstrativos das discrepâncias entre os valores declarados como Ganhos/Perdas (Hedge) com soja e seus derivados comercializados pela ADM do Brasil em comparação com os Ganhos/Perdas (Hedge) de soja e seus derivados comercializados pela ADM Company, bem como das discrepâncias entre os valores informados como aplicados em hedge na BM&F Chicago em comparação com os valores totais das perdas com Hedge da ADM do Brasil, e ao final apresentando as seguintes respostas aos quesitos consignados na Resolução: O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais solicitou as seguintes informações: 1) analise os elementos trazidos pela recorrente como evidências de que os registros junto ao mencionado Sistema VAX existiam e obedeciam a um fluxo operacional sujeito a conciliações periódicas, de modo a assegurar a cobertura de suas operações com commodities; 2) informe a validade dos critérios de auditoria adotados pelas empresas contratadas, e por conseqüência a admissibilidade de seus relatórios para demonstração da regularidade dos valores contabilizados pelo contribuinte, ou apure esta regularidade por outros meios que entender e justificar suficientes; e 3) aponte divergências que deste exame resultem, identificando as perdas que restarem sem comprovação, e qualificando sua repercussão no crédito tributário lançado; • Em resposta à solicitação do CARF, informamos: 1. Ficou constatado, em tese, que a empresa ADM Trading utilizava-se do sistema VAX que obedecia a um fluxo operacional sujeito a conciliações periódicas, realizando compensações com posições opostas, de modo a calcular e assegurar a cobertura de suas operações físicas com commodities; 2. Quanto à validade dos critérios das auditorias adotados pelas empresas contratadas, e por conseqüência, a admissibilidade de seus relatórios para demonstração da regularidade dos valores contabilizados pelo contribuinte, esta fiscalização informa que é inviável e temerário emitir um parecer, visto que só seria possível formar convicção diante de uma auditoria independente , isto é, não contratada e paga pelo contribuinte. 3. Considerando as informações prestadas pelo contribuinte, apresentamos abaixo as divergências apuradas, identificando as perdas que restaram sem comprovação, e suas respectivas repercussões no crédito tributário lançado: RECALCULO DAS INFRAÇÕES APURADAS CONFORME VALORES INFORMADOS PELO CONTRIBUINTE Apresentamos abaixo os valores informados pelo contribuinte dos valores aplicados em hedge na BM&F Chicago, após compensadas as posições opostas pelo sistema VAX. Informamos ainda as demais despesas acessórias (variação cambial, juros e comissões) retirados dos processos de auto de infração n° 15586.001637/2009-01 e 15586.001638/2010-81: Valor 2004 Valor 2006 Valor 2007 RESULTADOS DE HEDGE INFORMADOS NA CONTABILIDADE -GLOSAS DE CUSTOS E DESPESAS NOS AUTOS DE INFRAÇÃO 988.456.803,45 55.151.492,45 294.716.460,55 RESULTADOS DO HEDGE APLICADOS EM BOLSA -RELATÓRIOS DO CONTRIBUINTE 307.889.579,00 35.700.691,00 160.554.919,00 TOTAL DAS GLOSAS CONSIDERANDO INFORMAÇÕES DO CONTRIBUINTE 680.567.224,45 19.450.801,45 134.161.541,55 RECOMPOSIÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES DE RESULTADO [...] Cientificada, a contribuinte não se manifestou nestes autos.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201503

camara_s : Primeira Câmara

turma_s : Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção

dt_publicacao_tdt : Mon Mar 23 00:00:00 UTC 2015

numero_processo_s : 15586.001638/2010-81

anomes_publicacao_s : 201503

conteudo_id_s : 5444757

dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Mar 23 00:00:00 UTC 2015

numero_decisao_s : 1101-000.153

nome_arquivo_s : Decisao_15586001638201081.PDF

ano_publicacao_s : 2015

nome_relator_s : EDELI PEREIRA BESSA

nome_arquivo_pdf_s : 15586001638201081_5444757.pdf

secao_s : Primeira Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

dt_sessao_tdt : Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015

id : 5870554

ano_sessao_s : 2015

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em CONVERTER o julgamento em diligência, divergindo os Conselheiros Benedicto Celso Benício Júnior e Antônio Lisboa Cardoso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Benedicto Celso Benício Júnior (vice-presidente), Edeli Pereira Bessa, Paulo Mateus Ciccone, Paulo Reynaldo Becari e Antônio Lisboa Cardoso. RELATÓRIO O presente processo retorna depois da realização de diligência determinada por este Colegiado, nos termos da Resolução nº 1101-000.078, da qual colhe-se o seguinte relato das ocorrências até então verificadas nos autos: ADM DO BRASIL, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Rio de Janeiro/RJ-I que, por unanimidade de votos, julgou IMPROCEDENTE a impugnação interposta contra lançamento formalizado em 10/01/2011, exigindo crédito tributário no valor total de R$ 175.840.067,86. Esta Relatora requereu e lhe foi deferida a distribuição deste processo em razão de sua conexão com o processo administrativo nº 15586.001637/2009-01, no qual foi veiculada exigência semelhante, mas pertinente ao ano-calendário 2004. Aquele procedimento fiscal foi motivado por demanda externa requisitória do Ministério Público Federal, em razão de a autuada figurar como uma das empresas que, no período de 2003 a 2004, efetuaram remessas ao exterior em pagamento de margem de garantia em Bolsa de Mercadorias no Exterior (hedge), de valores muito relevantes e aparentemente incompatíveis com os volumes de suas operações comerciais, mesmo para empresas de seu porte. Tais informações também foram encaminhadas ao Presidente do Conselho de Controle de Atividades Financeiras – COAF, em cumprimento ao disposto no artigo 2°, § 6° da Lei Complementar 105, de 11.1.2001, e no artigo 11 do Decreto 2.799, de 08.10.1998, tendo em conta que elas poderiam configurar, em tese, indícios de cometimento de crime tipificado na Lei 9.613, de 3.3.1998. Já nestes autos, não há referência a qualquer representação externa. Todavia, o procedimento fiscal também se baseou na verificação de remessas de divisas ao exterior em pagamento a cobertura de margens de contratos futuros de soja e seus derivados, solicitada pela Bolsa de Mercadorias de Chicago em virtude das operações de hedge de comodities agrícolas, nos anos-calendário de 2005 a 2007. Por meio de intimações lavradas entre 07/06/2010 e 12/08/2010, a autoridade lançadora exigiu a apresentação dos mesmos elementos requeridos no procedimento fiscal anterior, com vistas à comprovação da efetiva aplicação dos recursos remetidos ao exterior para cobertura das margens dos contratos futuros de commodities, mediante transferência dos recursos da ADM em nome da ADM do Brasil para a Bolsa de Mercadorias & Futuros de Chicago. Especialmente na resposta apresentada em 27/08/2010, a contribuinte insistiu que os elementos apresentados provavam os fatos questionados, ressaltando que as obrigações relativas às posições financeiras da intimada com relação aos seus contratos de hedge são cobertas pela Archer Daniels Midland Company (ADM Company), principal empresa do grupo ADM no mundo, conforme entre elas convencionado, promovendo-se a contabilização dos montantes a pagar ou a receber (dependendo se houve perda ou ganho em suas operações de hedge, respectivamente)com base em extratos mensais de transações de hedge, e liquidando estas operações conforme o melhor gerenciamento de caixa do grupo. Disse, ainda, que os contratos de liquidação futura são as ordens eletrônicas contidas nos extratos já apresentados, e que a Bolsa de Mercadorias & Futuros de Chicago não emite extrato de suas operações, incumbindo esta responsabilidade à ADM Investor Services. A autoridade lançadora conciliou os registros contábeis com os contratos de câmbio apresentados pela contribuinte, identificando divergências que, questionadas, foram esclarecidas pela fiscalizada (fls. 1524/1635). Também verificou o resultado de operações de hedge realizadas no Brasil, junto à Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F), analisando resumo das aplicações, extratos da corretora e documentos de transferências de recursos (fls. 1636/1741) e concluindo que estas operações resultaram em receitas contabilizadas em 2006 e 2007. Quanto às operações de hedge no exterior, observou que o resultado positivo apurado em 2005 foi regularmente contabilizado como receita. Já em 2006 e 2007 constatou que houve despesas nos montantes de R$ 53.778.588,62 e R$ 299.337.808,53, vinculadas a remessas por contrato de câmbio e a pagamentos mediante conta-corrente mantida no exterior (de acordo com a Lei nº 11.371/2006), acerca das quais se manifestou de forma semelhante ao que apontado no procedimento fiscal anterior: • A ADM do Brasil enviou recursos para o exterior e transferências do próprio exterior, para a ADM Investor Services (empresa de investimentos do grupo ADM), para que esta realizasse o pagamento das coberturas de margens de hedge solicitadas pela BM&F Chicago. Considerando que a empresa remetente dos recursos (ADM do Brasil), a empresa Matriz nos EUA (ADM Company) e a empresa recebedora e aplicadora dos recursos (ADM Investor Services) são todas do grupo ADM, somado ao fato da não existência de contratos comerciais sobre adiantamento de margens de garantia entre estas empresas, nos remete a facilidade para manipulação de operações, relatórios e contabilidade das mesmas; • O contribuinte criou em sua escrituração a conta 128116-501 - ADM DECATUR EXEC FUTUROS, que utiliza como uma conta corrente entre a ADM do Brasil e a ADM Company (ADM DECATUR), para acompanhamento do saldo devedor/credor da ADM do Brasil com a ADM Company, visto que a ADM Company adianta recursos para pagamento de margens de garantia para a Bolsa de Mercadorias & Futuros de Chicago (fls. 679/708). O contribuinte informou em resposta ao Termo de Intimação Fiscal nº 55/2010 que "com base nos extratos mensais de transações de hedge, a intimada contabiliza os montantes a pagar ou a receber (dependendo se houve perda ou ganho em suas operações de hedge, respectivamente), fazendo a liquidação financeira das operações conforme o melhor gerenciamento de caixa do grupo" (fls. 83/127 e 1519/1520); • O contribuinte entregou uma enorme gama de documentos com o objetivo de comprovar a aplicação dos recursos em operações de hedge dos contratos futuros de soja e derivados (Contratos de Cambio, Relatório por contas dos fechamentos dos contratos de cambio com as respectivas perdas/ganhos, Livro Razão - Conta ADM DECATUR EXEC FUTUROS - Contabilidade dos adiantamentos das margens pela ADM Company e remessas de recursos, Posição dos Contratos de Originação de Grãos, Posição de Contratos de Processamento - Cálculo de Exposições, Relatórios informando que a ADM Investor Services é membro de compensação da Bolsa de Valores de Chicago) porém nenhum destes documentos comprova a efetiva aplicação dos recursos transferidos ao exterior pela ADM do Brasil na operação de Hedge alegada pelo contribuinte, isto é, nenhum deles apresenta a transferência de recursos da ADM Investor Services, em nome da ADM do Brasil, para a Bolsa de Mercadorias & Futuros de Chicago; Detalhando os valores contabilizados pela fiscalizada, a autoridade lançadora conclui que a ADM do Brasil escritura em seus livros as operações de hedge de contratos futuros como Custo de Mercadorias Vendidas (vide Livro Razão - conta "423130 - Ajuste Hedge Contr. Fut. Fech." - fls. 1594/1622) e a variação cambial, os juros e as comissões como despesas (entendemos como despesas acessórias as operações de Hedge). Estes custos e despesas serão glosados pois não houve sua efetiva comprovação, isto é, a comprovação das transferências de recursos da ADM do Brasil, ADM Investor Services ou ADM Holding para a BM&F-Chicago. A autoridade lançadora também fez ponderações específicas quanto à determinação dos valores lançados: 4. INFRAÇÕES APURADAS - OMISSÃO DE RECEITAS 4.1 - GLOSA DE CUSTOS Verificamos na contabilidade eletrônica da empresa que os valores informados como pagamentos de margens de garantia de contratos futuros de Hedge fechados foram contabilizados na conta "423130 - Ajuste Hedge Contratos Futuros Fechados", levada como Custo da Mercadoria Vendida no encerramento do exercício. Considerando a falta de comprovação da transferência de recursos em nome da ADM do Brasil para a Bolsa de Mercadorias & Futuros de Chicago, estes custos serão glosados e será refeita a apuração do resultado do exercício. O valor apurado como Custo de Mercadoria Vendida, relativo ao Hedge informado, é de R$ 55.151.492,46 (...) para o ano de 2006 e R$ 294.716.460,55 (...) A glosa de custos tem sua fundamentação legal nos artigos 249, inciso I, 251 e parágrafo único, 289, 290, inciso I, 292, 299, 300 e 396 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99). 5. FORMA DE TRIBUTAÇÃO, ALÍQUOTAS E BASE DE CALCULO. No caso em questão, o contribuinte submete-se às regras de apuração do IRPJ e da CSL pelas regras do LUCRO REAL conforme sua declaração de IRPJ (fls. 1742/1798). Conforme verificado no Demonstrativo do Resultado e Ajustes do Lucro Liquido (DRE, DIPJ e LALUR— fls. 26/82 e 1742/1798), verificamos que após as receitas e custos escriturados pelo contribuinte, o mesmo obteve Lucro Real ao final do exercício, Lucro este que após as glosas efetuadas pela fiscalização mencionadas no decorrer do relatório, será recalculado conforme abaixo demonstrado: Demonstração do Resultado – Ano-Calendário 2006 Discriminação Valor apurado pelo contribuinte Valor Apurado pela fiscalização (após glosas) Receita Liquida da Atividade 3.641.984.063,21 3.641.984.063,21 (-) Custo das Mercadorias e Serviços Vendidos (1) 3.278.357.868,92 3.223.206.376,46 Lucro Bruto 363.626.194,29 418.777.686,75 (-) Despesas / (+) Receitas Operacionais 471.484.238,87 471.484.238,87 Lucro Operacional -107.858.044,58 -52.706.552,12 (+) Receitas / (-) Despesas Não Operacionais 4.233.259,97 4.233.259,97 Resultado do Período -103.624.784,61 -48.473.292,15 (+) Adições / (-) Exclusões (2) 218.107.496,86 218.107.496,86 Lucro Real antes da Compensação de Prejuízos 114.482.712,25 169.634.204,71 (-) Compensação de Prejuizos 34.344.813,68 34.344.813,68 Lucro Real/ Prejuízo Fiscal 80.137.898,58 135.289.391,03 BC dos Tributos (Glosas) 55.151.492,45 Demonstração do Resultado – Ano-Calendário 2007 Discriminação Valor apurado pelo contribuinte Valor Apurado pela fiscalização (após glosas) Receita Liquida da Atividade 4.961.027.816,19 4.961.027.816,19 (-) Custo das Mercadorias e Serviços Vendidos (1) 4.612.263.190,30 4.317.546.729,75 Lucro Bruto 348.764.625,89 643.481.086,25 (-) Despesas / (+) Receitas Operacionais 202.871.216,99 202.871.216,99 Lucro Operacional 145.893.408,90 440.609.869,45 (+) Receitas / (-) Despesas Não Operacionais 457.774,69 457.774,69 Resultado do Período 146.351.183,59 441.067.644,14 (+) Adições / (-) Exclusões (2) -236.796.028,02 -236.796.028,02 Lucro Real antes da Compensação de Prejuízos -90.444.844,43 204.271.616,12 (-) Compensação de Prejuizos 0,00 0,00 Lucro Real/ Prejuízo Fiscal -90.444.844,43 204.271.616,12 BC dos Tributos (Glosas) 204.271.616,12 Obs: (1) Glosa dos custos das mercadorias e despesas acessórias relativos aos contratos de hedge fechados nos exterior, no valor de R$ 55.151.492,45 para o ano de 2006 e R$ 294.716.460,55 para o ano de 2007; (2) As despesas de variação cambial não alteram as adições/exclusões, pois já foram realizadas quando do fechamento dos contratos de hedge; Cientificada do lançamento em 10/01/2011, a contribuinte apresentou impugnação estruturada sob os seguintes tópicos: CONSIDERAÇÕES PRELIMINARES SOBRE A IMPUGNANTE NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO EM DECORRÊNCIA DA OBRIGATORIEDADE DE O D. AGENTE FISCAL CONSIDERAR AS ANTECIPAÇÕES DE IRPJ E CSLL REALIZADAS NO DECORRER DO ANO-CALENDÁRIO NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO POR CONTA DA INSUBSISTÊNCIA DA AUTUAÇÃO FISCAL – FALTA DE APURAÇÃO DO LUCRO REAL E DA BASE DE CÁLCULO DA CSLL DO MÉRITO: 1 – DAS OPERAÇÕES DE HEDGE REALIZADAS PELA INTERESSADA: 1.1 – DA REALIZAÇÃO DAS OPERAÇÕES DE HEDGE E DA PROVA IMPOSSÍVEL EXIGIDA 2 – DA DEDUÇÃO DE DESPESAS USUAIS E NECESSÁRIAS – A CORRETA INTERPRETAÇÃO DO ARTIGO 396 DO RIR 3 – DA FALTA DE COMPROVAÇÃO DOS REQUISITOS PARA A DEDUTIBILIDADE DAS DESPESAS COM JUROS E COMISSÕES, BEM COMO DAS VARIAÇÕES CAMBIAIS INCORRIDAS PELA INTERESSADA – NECESSIDADE, NORMALIDADE E USUALIDADE 4 – DA ILEGALIDADE DA INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO: A Turma julgadora rejeitou estes argumentos aduzindo que: A arguição de nulidade do lançamento não deve prosperar, porque não se vislumbra, no presente caso, qualquer óbice que determine a precariedade dos lançamentos realizados pelo Fisco, uma vez que foram realizados nos moldes estabelecidos pelo Código Tributário Nacional, não se configurando qualquer violação ao que o mencionado diploma legal dispõe e, tampouco, ao artigo 59 do Decreto n° 70.235/1972. Os Autos de Infração foram lavrados por autoridade administrativa plenamente vinculada, respeitando os devidos procedimentos fiscais, previstos na legislação, e com a correta identificação do sujeito passivo da obrigação tributária, além do que a descrição dos fatos e as provas juntadas ao processo permitem esclarecer a causa das autuações, bem como toda a sistemática aplicável à constituição dos créditos tributários e, por sua vez, a argumentação desenvolvida pela interessada na peça impugnatória permite concluir que o motivo das autuações foi compreendido, tanto que contestado. A juntada de provas, pela qual a impugnante protestou, deve ser feita por ocasião da impugnação, inexistindo razão para realização de diligência, ante a verificação de que constam nos autos todos os elementos para a formulação da livre convicção do julgador. No mérito, embora reconhecendo que a interessada entregou uma enorme gama de documentos com o objetivo de comprovar a aplicação dos recursos em operações de hedge dos contratos futuros de soja e derivados, observou que as glosas foram promovidas porque entendeu a fiscalização que nenhum deles comprovou a efetiva aplicação dos recursos transferidos ao exterior pela ADM do Brasil na operação de hedge alegada, para a Bolsa de Mercadorias & Futuros de Chicago. E, tratando-se de matéria de prova, invocou o disposto nos art. 251, parágrafo único, 264 e 396, todos do RIR/99, no sentido de que os resultados líquidos de operações de cobertura em Bolsa no Exterior realizados diretamente pela empresa brasileira devem ser comprovadas por documentação hábil e idônea (incluindo a demonstração de que foram realizadas pela empresa brasileira). Declarou impertinentes as alegações relativas à dedutibilidade dos referidos custos tendo em vista a necessidade, usualidade e normalidade dos mesmos bem como das alegações relativas à dedutibilidade das perdas auferidas em operações de hedge realizadas no exterior, ainda que não fossem consideradas operações realizadas em Bolsa. Centrando-se na lide propriamente dita, asseverou que a interessada não logrou comprovar, nem durante o procedimento de fiscalização, nem na impugnação, momento propício para contraditar, com documentos hábeis e idôneos, a transferência de recursos da ADM Investor Services, em nome da ADM do Brasil, para a Bolsa de Mercadorias & Futuros de Chicago, e declarou válida a glosa promovida. Contestou documentos citados na impugnação por emitidos por empresa do grupo ADM ou por não individualizar e discriminar as operações. Disse, também, que ps contratos de Câmbio atestam a remessa de numerário para a ADM Co./ADM Investor Services Inc.. Desmereceu a afirmação de que "não é possível fazer a demonstração dos pagamentos feitos pela impugnante a Bolsa de Chicago", pois, em se tratando de custos, que têm o condão de reduzir o lucro liquido do exercício e, conseqüentemente, o crédito tributário devido, é seu o ônus de provar a sua existência. Citou doutrina neste sentido. Quanto à afirmação de que as operações estariam devidamente registradas na contabilidade, salientou que a credibilidade dos assentamentos contábeis não se operacionaliza pelo simples fato de tê-los apenas na conformidade da técnica mas, também, se funda nos Princípios e Convenções que norteiam a Ciência Contábil, especialmente os da Continuidade, Oportunidade, Competência e da Consistência, o que exige disponibilização da documentação hábil, idônea que resguarda a escrituração. Citou jurisprudência administrativa neste sentido. Com referência aos valores relativos à variação cambial, juros e comissões, atribui-lhes a mesma conseqüência das demais glosas, porque tidas como acessórias, declarando desnecessário analisar os demais requisitos de dedutibilidade das despesas, quais sejam, necessidade, usualidade ou normalidade. Acrescentou que na ausência de documentos e livros fiscais, apenas a tabela de fl. 1949/1951 não se prestaria a atestar que houve adições relativas a despesas de juros, comissões ou variação cambial, e destacou que a variação cambial, na verdade, reduziu os valores lançados. Quanto à apuração dos tributos lançados, tendo em conta o que informado pela contribuinte em DIPJ, e o demonstrativo apresentado pela Fiscalização, assevera que foi efetuado recalculo do Lucro Real e da Base de Cálculo da CSLL relativos aos anos-calendário de 2006 e 2007, sendo considerados como valores tributáveis somente as infração apuradas. Acrescentou que não houve erro no cálculo do limite do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa de CSLL utilizados, pois segundo informações do Sistema SAPLI/RFB (Demonstrativo de Compensação de Prejuízos Fiscais — fl. 3064/3066) e do Sistema SACS/RFB (Demonstrativo da Base de Cálculo Negativa da CSLL — fl. 3072), os saldos existentes em 2005 foram integralmente utilizados em períodos subseqüentes. Ainda, observou que não foi considerada a dedução do valor de R$ 240.000,00 quando do cálculo do adicional de 10%, pois esse somente pode ser utilizado uma única vez. E, relativamente às antecipações de IRPJ e CSLL declaradas nas DIPJ 2006/2007 e 2007/2008, constatou que seus valores foram utilizados para quitar o valor de IRPJ devido declarado, e o saldo negativo apurado foi objeto de diversas DCOMP, conforme Relatório do Sistema PER/DCOMP/SIEF/RFB (fls. 3075/3076); o mesmo ocorrendo com as antecipações de CSLL (fls. 3077/3078). Por fim, declarou válida a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Cientificada da decisão de primeira instância em 23/01/2012 (fl. 3153), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 17/02/2012 (fls. 3204/3269), acompanhado dos documentos de fls. (3270/3422), no qual reprisa os argumentos apresentados na impugnação. Antes, porém, descreve o papel da recorrente em seu ramo de atividade, destacando que o grupo do qual faz parte (Archer Daniels Midland, com sede nos EUA) ser um dos maiores dedicados à comercialização de produtos agrícolas, atuando desde 1923 e contando com mais de 28.000 colaboradores em 60 países. A subsidiária no Brasil, por sua vez, é responsável pela comercialização de mais de 7,7 milhões de toneladas de soja em grãos por ano, tanto no mercado nacional, quanto no exterior. Inicialmente observa que em suas atividades com commodities pratica operações de compra, hedge e venda, sendo que o hedge é necessário como proteção das transações nas quais o preço que será pago ao produtor é definido no momento de aquisição, bem como nos acordos de venda que podem sofrer oscilações até a data da entrega física ou embarque da mercadoria. Acrescenta que o imenso volume de commodities regularmente negociado pelo Grupo ADM lhe impõe a necessidade de operar junto à Bolsa de Mercadorias e Futuros de Chicago, de modo que as operações de hedge por ela contratadas submetem-se ao art. 396 do RIR/99. Reitera a arguição de nulidade do lançamento porque (a) na apuração da base tributável, não se procedeu à dedução dos recolhimentos efetuados pela Recorrente a titulo de antecipação nos anos-calendário de 2006 e 2007, em conformidade com Solução de Consulta Interna n° 23/06; (b) o I. Agente Fiscal não efetuou a recomposição das apurações do Lucro Real e da Base de Cálculo da CSLL; e (c) foram cometidos diversos outros equívocos pelo D. Agente Fiscal na apuração dos tributos supostamente devidos. Argúi a nulidade do lançamento em razão da desconsideração das antecipações realizadas nos anos-calendário 2006 e 2007, destaca que a constituição da obrigação tributária somente pode ser feita em estrita conformidade com o que está disposto em lei, e esta prescreve que as antecipações devem ser deduzidas ao final do período de apuração correspondente, para fins de determinação do tributo devido. Afirma que há erro de direito, ou erro no critério jurídico utilizado, pois a autoridade lançadora deixou de observar o que determina a lei para fins de apuração do quantum debeatur de IRPJ e CSLL na sistemática do lucro real anual. Demonstra que, admitindo as antecipações, o IRPJ em 2006 seria negativo e o valor apurado em 2007 seria reduzido a R$ 2.645.777,67. Não reproduz esta demonstração para a CSLL, mas especifica a forma de quitação das estimativas de ambos os tributos, apontadas para aqueles anos-calendário, e conclui que o lançamento carece de elemento essencial, qual seja, seu motivo. Opõe-se à cogitação de que as deduções e antecipações de IRPJ e CSLL tiveram por efeito a formação de saldos negativos que foram utilizados pela Recorrente em Declarações de Compensação, ressaltando ser dever da Fiscalização apurar corretamente os tributos devidos e invocando o entendimento firmado na Solução de Consulta Interna COSIT nº 23/2006. Defende que naquele ato determinou-se, para toda e qualquer constituição de ofício de IRPJ e CSLL, a dedução das retenções na fonte ou antecipações referentes às receitas compreendidas na apuração, entendimento também refletido no Ato Declaratório Normativo COSIT nº 58/94 e em acórdãos administrativos que cita. Assevera que os saldos negativos de IRPJ e CSLL somente são passíveis de restituição e compensação quando constituem legítimos pagamentos a maior do tributo, de modo que uma revisão fiscal da apuração não autoriza que se fale em pagamento a maior de tributo. 52. Ora, a formalização posterior de Declarações de Compensação pela Recorrente em nada altera o dever de ofício do D. Agente Fiscal de, efetivamente, apurar o IRPJ e a CSLL devidos ao final do período, considerando as antecipações regularmente quitadas nos anos-calendário de 2006 e 2007. Alerta que a manutenção da autuação fiscal, com redução, apenas, do montante exigido por meio da dedução de estimativas, consiste alteração no critério jurídico do lançamento, e é vedado pelo art. 146 do CTN. Por fim, no que tange à nulidade decorrente da falta de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, aduz que o lançamento exige prévio levantamento e o exame completo de toda a documentação relativa à apuração do IRPJ e da CSLL, ao passo que a autoridade lançadora optou por proceder ao lançamento com base tão somente nos valores dos custos e despesas por eles glosados, sem apurar efetivamente o lucro real e a base de cálculo da CSLL. Claro está nos autos de infração que os valores exigidos a título de IRPJ correspondem exatamente à aplicação do percentual de 25% (15% mais adicional de 10%) sobre os custos e despesas glosados, desconsiderando as antecipações e a possibilidade de maior compensação de prejuízos fiscais. Observa que relativamente à CSLL, sequer houve detalhamento da apuração, mas, de toda sorte, haveria possibilidade de compensação de bases de cálculo negativas de períodos anteriores, bem como suas antecipações deveriam ter sido consideradas. Discorda da argumentação da autoridade julgadora de 1a instância quanto à indisponibilidade das antecipações, já utilizadas em compensação, reafirmando o dever da autoridade fiscal de recalcular todo o lucro real e toda a base de cálculo da CSLL da Recorrente. Da mesma forma reporta-se à impossibilidade de compensação de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas aventada na decisão recorrida. Questiona o procedimento adotado pela DRJ, que lastreou suas conclusões com base na utilização dos saldos de prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL constantes dos sistemas SAPLI e SACS da RFB em detrimento dos valores constantes na Parte B do LALUR e nas DIPJ dos anos-calendário 2006 e 2007. Defende a prevalência dos valores informados em seu LALUR, até porque não houve procedimento por parte da Autoridade Fiscal visando à retificação de tais saldos. Cita jurisprudência administrativa favorável ao seu entendimento. Ressalta, por fim, que não pode esse Egrégio Conselho, tampouco a autoridade lançadora, realizar o cálculo correto dos tributos lavrados, a pretexto de corrigir o lançamento fiscal. Caso assim proceda, estará realizando a atividade de lançamento, o que é vedado pela legislação vigente. Cita jurisprudência administrativa neste sentido e conclui pedindo que seja declarada a nulidade dos autos de infração. Questiona a afirmação da autoridade julgadora de 1a instância de que constitui ônus da interessada a instrução de sua impugnação com todos os documentos que entenda necessários à prova pretendida, para ver afastada a preclusão de seu direito de apresentar documentos após a impugnação, invocando o princípio da verdade material, e afirmando a ocorrência de cerceamento ao direito de defesa caso seja negado este direito, com conseqüente declaração de nulidade da decisão, como inclusive firmado em decisão recente da Câmara Superior de Recursos Fiscais nos autos do processo administrativo nº 10814.017735/96-77. No mérito, desde o início de sua defesa questiona a exigência de extrato emitido pela Bolsa de Chicago acerca de operações de hedge ali efetuada em nome da Recorrente, pois referido documento não existe e não pode ser obtido dada a sistemática de funcionamento daquela instituição. Destaca a apresentação de farta e robusta documentação plenamente hábil a comprovar que suas operações de hedge foram contratadas em bolsa no exterior, por ela assim resumidos: • Extratos das operações de hedge efetuadas. pela Recorrente, que contém todas as informações das operações efetuadas (fls. 404/1508); • Razão contábil da conta ADM DECATUR EXEC FUTUROS mantida pela Recorrente, que atesta as movimentações das operações de hedge efetuadas (fls. 83/127); • Contratos de câmbio comprobatórios das remessas e recebimentos relativas às operações de hedge da Recorrente (fls. 128/403, fls. 1627 a 1629 e fls. 1630 a 1632). Ademais, como a autoridade fiscal reconheceu que "os relatórios apresentam cálculos corretos dos valores das margens dos contratos futuros das operações de Hedge alegadas pelo contribuinte", claro está que o lançamento somente foi lavrado em razão da inaceitável exigência de apresentação do já mencionado extrato emitido pela Bolsa de Chicago. Assevera que as operações de hedge representam verdadeiro imperativo às atividades desenvolvidas pela Recorrente, representando despesas absolutamente usuais e necessárias à consecução de seus objetivos sociais. Mais à frente, acrescenta que as bolsas de mercadorias no Brasil não são capazes de absorver e conferir liquidez às transações realizadas pelo Grupo ADM, dado o volume das atividades comerciais – e por conseqüência, de operações de hedge – realizadas pela Recorrente. Transcreve artigo publicado na Revista Economia e Agronegócio atestando que a reduzida liquidez da bolsa brasileira não apenas impede a absorção de um volume grande de operações, mas envolve até mesmo o risco de os agentes locais não serem capazes de fechar suas posições. Ilustra que realizou cerca de 116.000 e 130.000 contratos de hedge em 2006 e 2007, respectivamente, volume bastante superior àquele negociado na BM&F no período. Daí a imperatividade da realização das operações de hedge junto à Bolsa de Chicago, e a submissão da recorrente às normas regulatórias desta entidade e das autoridades competentes dos Estados Unidos da América. Descreve o fluxo operacional de suas atividades, consistentes em realizar negócios de compra com entrega física futura de soja com os produtores rurais ou exportadores ao redor do mundo e fechar contratos de venda dessa natureza com seus clientes locais ou internacionais, de forma que as operações de hedge destinam-se a reduzir os riscos das flutuações dos preços de soja entre a data da compra e/ou venda da soja e o seu recebimento e/ou entrega física. Especifica que: 120. Para efetuar as operações de hedge acima mencionadas, as subsidiárias do Grupo ADM localizadas em mais de 60 países ao redor do mundo inserem os dados de suas respectivas operações comerciais em um único sistema de computador, o qual é administrado pela ADM Trading Company ("ADM Trading"). Ao inserir os dados no referido sistema, as subsidiárias do Grupo ADM submetem à ADM Trading as correspondentes ordens de hedge ("Ordem"), que nada mais são do que as posições contrárias àquelas contratadas fisicamente com os produtores rurais ou clientes das empresas do Grupo ADM. 121. Cada Ordem configura um contrato, o que implica a obrigação de compra ou venda do tipo e quantidade de mercadoria estabelecidos na Ordem, na data de entrega ali prevista, conforme precificação de mercado listada na Bolsa de Chicago18.[18 Como já salientado, o pareamento dos preços estabelecidos nas Ordens colocadas pela Recorrente com os preços praticados na Bolsa de Chicago foi expressamente confirmado pela própria D. Autoridade Fiscal e é matéria incontroversa nos presentes autos] 122. Na colocação da Ordem, são informados o número da conta de controle da subsidiária, o tipo e quantidade de mercadoria a ser coberta pelo hedge, o tipo de operação (compra ou venda) e a data de opção da mercadoria na Bolsa de Chicago. 123. As Ordens são inseridas no sistema administrado pela ADM Trading, que centraliza e consolida as Ordens de todas as subsidiárias e, na sequência, transfere essas exposições a ADM Financeira, entidade financeira que executa tais Ordens junto à Bolsa de Chicago. [...] 125. A centralização das Ordens de todas as subsidiárias por meio do sistema da ADM Trading, decorre, dentre outros fatores, da necessidade de melhor cumprir as regras da CFTC e também do Grupo CME, controlador da Bolsa de Chicago. 126. Essas regras são aplicáveis a qualquer entidade que busque realizar operações de hedge na Bolsa de Chicago, mas apenas as e devem ser especialmente observadas pelas empresas do porte do Grupo ADM, que operam volume imenso de transações e possuem inúmeras subsidiárias que precisam, ao mesmo tempo, ter acesso a Bolsa de Chicago. 169. A fim de comprovar o quanto ora afirmado, a Recorrente anexa ao presente recurso documento firmado pelos Srs. Scott E. Early e Kathryn M. Trkla, ex-diretor jurídico e ex-vice-presidente da Bolsa de Chicago, respectivamente (doc. 04). Cita, também, parecer solicitado ao Professor Steve Thel, experiente especialista norte-americano que, como Advogado-Consultor, integrou o escritório do Consultor Jurídico Geral da Securities and Exchange Comission - “SEC”, órgão americano correspondente à Comissão de Valores Mobiliários – “CVM” brasileira (doc. 05). Ali são abordadas as regras emitidas pela CFTC e a necessidade de que suas operações fossem formatadas nos termos em que aqui relatados, de modo a demonstrar que configuraria infração um mesmo grupo de empresas efetuar pedidos para comprar e vender substancialmente a mesma quantidade de um valor mobiliário ou commodity em substancialmente o mesmo tempo e preço (“wash sales”). Daí a atuação da ADM Trading, confrontando e depurando todas as Ordens colocadas pelas subsidiárias do Grupo ADM ao redor do mundo, de modo que a posição consolidada do Grupo seja contratada junto à Bolsa de Chicago. Passando à exposição do fluxo de pagamentos de suas atividades, a recorrente inicialmente destaca que a ADM Financeira é um membro de compensação qualificado da Bolsa de Chicago e está sujeita a diversas normas de regulação e controle, dentre as quais aquelas emitidas pela CFTC, o que por si só desqualifica a incomprovada suspeita lançada contr a ADM Financeira nos presentes autos em razão da vinculação ao Grupo ADM. Observa que a ADM Financeira não se responsabiliza apenas pela intermediação, mas pela efetiva liquidação financeira das operações conduzidas por todos os seus clientes junto às bolsas, e aponta declaração à fl. 1521/1522 que confirma a atuação da ADM Financeira como membro da Câmara de Compensação da Chicago Mercantile Exchange (CME). Frisa, ainda, na referida declaração, o fato de a Bolsa de Chicago não emitir extratos diretamente ao Grupo ADM, reportando-se à exigência fiscal de prova de realização das operações diretamente em bolsas no exterior, e ao requisito expresso na decisão recorrida de comprovante em nome da ADM do Brasil. Entende evidenciado, assim, que a falta de apresentação de tal documento, portanto, não decorre de um descuido, desídia ou falha por parte da Recorrente em conservar seus documentos em ordem, já que se trata de documento inexistente. Acrescenta que a liquidação das operações intermediadas pela ADM Financeira é feita mediante pagamentos centralizados e consolidados à Bolsa de Chicago, inexistindo pagamentos realizados para aquela Bolsa em nome do comitente, já que as clearing houses realizam as compensações multilaterais das posições que intermediam. Menciona que também no Brasil esta sistemática é adotada em algumas operações, de modo que a depender do objeto negociado, o documento exigido da Recorrente no caso presente não poderia ser obtido ainda que as operações de hedge tivessem sido contratadas no Brasil. Descreve o fluxo de pagamentos nos seguintes termos: (i) Diariamente, a ADM Financeira realiza dois grupos de pagamentos das margens contratadas naquele dia, um grupo se refere às transações do Grupo ADM e outro relativo às operações de seus demais clientes. (ii) A entrega dos recursos para o pagamento efetuado pela ADM Financeira à Bolsa de Chicago é realizado pela ADM Co., gerenciadora de caixa do Grupo ADM. (iii) A ADM Co., por seu turno, é ressarcida dos pagamentos à ADM Financeira pelas subsidiárias do Grupo ADM, dentre elas a Recorrente. (iv) Vale notar que os hedges executados podem gerar ganhos ou perdas às subsidiárias do Grupo ADM, razão pela qual a ADM Co. pode receber ou realizar pagamentos em relação a cada uma das subsidiárias do Grupo ADM, dentre elas a Recorrente. Relaciona os documentos acostados aos autos (fls. 404/1508, 83/127, 128/403, 1627/1629, 1630/1632, 1511/1512, 1513/1515), descrevendo seu conteúdo e concluindo, diante deste contexto, que os documentos apresentados pela Recorrente ao longo do processo de fiscalização que atestam as remessas efetuadas à ADM Co. a titulo de ressarcimento das margens cobertas por tal entidade para a ADM Financeira (fls. 128/403, fls. 1627 a 1629 e fls. 1630 a 1632) são prova suficiente da realização das operações de hedge junto à Bolsa de Chicago. E aduz: 167. Adicionalmente, muito embora não seja possível fazer a demonstração dos pagamentos feitos pela Recorrente diretamente a Bolsa de Chicago em razão da regulação vigente nos Estados Unidos, é possível que se realize o confronto dos resultados auferidos pela Recorrente com as suas operações de hedge e se verifique que estes oscilam conforme as variações dos preços das mercadorias "hedgeadas" na Bolsa de Chicago. Este, fato, ressalte-se, foi expressamente reconhecido pelo D. Agente Fiscal. 168. Ora, quer parecer à Recorrente que se trata de prova mais do que suficiente quanto à realização dessas operações em bolsa, o que as tornam dedutíveis tanto para fins de apuração do IRPJ, quanto para fins de apuração da CSLL. Aborda a correta interpretação do artigo 396 do RIR, defendendo sua observância no presente caso na medida em que as operações foram realizadas em bolsa e sempre estiveram sob o controle do órgão regulador norte-americano. Em seu entendimento, o que importa é que o eventual resultado negativo da operação de hedge seja fruto de assunção efetiva do risco das operações de bolsa e que tal resultado negativo esteja sujeito ao controle do órgão regulador estrangeiro. Defende que a operação de hedge no exterior alcançada pelo artigo 396 do RIR deve ser visualizada sob os prismas do conteúdo e do modo de execução, afirmando incontroverso o conteúdo das Ordens realizadas pela recorrente, centrando-se a discussão no modo de execução dessas Ordens, sem atentar que este se sujeita às regras estrangeiras. Na medida em que a ADM Financeira visualiza todas as Ordens da Recorrente destinadas a serem executadas na Bolsa de Chicago e as identifica como verdadeiras Ordens de compra ou de venda com a finalidade de hedge, fica evidente tratar-se de atuação direta em bolsa para fins de aplicação do artigo 396 do RIR. O termo “diretamente”, presente na lei, deve ser interpretado segundo as regras do ordenamento jurídico dos EUA, da Bolsa de Chicago e o princípio da legalidade, afastando-se o sentido mais literal e formal deste termo. E o termo “bolsa” deve ser concebido como ambiente e sistemas organizados e regulados em que se realizam operações de mercado, e não apenas “pessoa jurídica Bolsa”. Ainda, porque representativos de despesas usuais e necessárias, defende a dedutibilidade dos resultados de operações de cobertur. Desde que se trate de operações de hedge vinculadas a operações reais e efetivas de revenda de soja e que sigam rigorosamente os parâmetros de mercado, como no caso presente, tais despesas deverão ser consideradas operacionais e dedutíveis independentemente de qualquer discussão sobre o modo de execução das operações. Reporta-se a doutrina esclarecendo que o hedge nada mais é que a aquisição de contratos em posição inversa aos contratos já firmados pela sociedade, e acrescenta que num contexto em que os preços dos produtos que comercializa oscilam ao sabor do mercado, deixar de realizar operações de hedge certamente evidenciaria que a Recorrente é mal gerida ou possui grande atividade especulativa. Citando as causas de variação de preços no mercado que atua, conclui que o hedge é usual e necessário às atividades da Recorrente. Constrói exemplo numérico para aclarar tais afirmações e complementa: 194. Dentro desse mecanismo, mesmo que o preço de mercado da soja suba quando da data de sua colheita e revenda, o valor que a Recorrente receber a mais do seu cliente no mercado externo será remetido ao exterior por força do hedge. De outro lado, caso o valor de mercado caia e, por conseqüência, o cliente externo da soja física pague menos à Recorrente, o hedge propiciará um resultado positivo equivalente ao valor pactuado no contrato e o valor de mercado para essa época. Traça a hipótese de incidência do IRPJ a partir da Constituição Federal para concluir que em decorrência da premissa basilar e irredutível de que apenas podem ser submetidos ao IRPJ (e também CSLL) os acréscimos patrimoniais efetivos, os resultados das operações de hedge contratadas pela Recorrente não podem ser avaliados isoladamente das operações comerciais que pretendem cobrir e, destarte, tributados da forma efetuada pelo D. Agente Fiscal. Apresenta mais exemplos numéricos dos resultados que seriam auferidos em caso de valor de mercado superior ou inferior ao preço de compra contratado, para concluir que impedir a dedutibilidade das perdas auferidas nas operações de hedge significaria tributar os ganhos realizados nas operações comerciais da recorrente sem considerar os custos incorridos para a sua consecução, isto é, aqueles decorrentes das operações de hedge. Reporta-se a jurisprudência administrativa contrária a este tipo de entendimento, em situações semelhantes como no caso de despesas de juros incorridos em empréstimos repassados a outras empresas do mesmo grupo econômico. Discorda da interpretação que, a partir do disposto no art. 396 do RIR/99, considera indedutíveis os pagamentos das operações de cobertura não realizadas em bolsas, pois tal implicaria reconhecer que aquela norma visa a locupletar o fisco de forma injustificada, na medida em que seriam tributadas as receitas de venda das mercadorias, mas não seria aceito um importante custo incorrido para que essas mesmas receitas fossem auferidas. Questiona, também, a glosa de juros, comissões e variações cambiais com base na “acessoriedade” das despesas. Caberia à Fiscalização averiguar sua efetiva ocorrência, bem como a necessidade, usualidade e normalidade dos gastos, para demonstrar que eles não atenderiam ao art. 299 do RIR/99. Ressalta, ainda, que as operações e margens de cobertura foram verificadas e atestadas pela própria Fiscalização, de modo que restrições contidas no art. 396 do RIR/99 se limitam às perdas com hedge, não havendo motivo para glosa das demais despesas. E acrescenta que as variações cambiais observam regime de caixa para sua dedutibilidade, não avaliado pela Fiscalização, restando patente a superficialidade da investigação. Afirma que promoveu adições, neste sentido, em 2007, no valor de R$ 19.511.352,94. Finaliza defendendo a ilegalidade da incidência de juros sobre a multa de ofício, pois os juros prestam-se a indenizar o prejuízo do credor com a privação do capital, ao passo que a multa é pena pecuniária pelo inadimplemento de obrigação. Em seu entendimento, os juros não podem incidir sobre a multa, já que esta penalidade não retrata obrigação principal, mas sim encargo que se agrega ao valor da dívida, como forma de punir o contribuinte. Argumenta que a aplicação de tal percentual, de forma ilimitada, sobre o principal e sobre a multa, acarreta verdadeira afronta ao princípio do não-confisco, bem como viola o direito de propriedade, já que faz incidir juros exorbitante sobre o imposto devido e, ainda, sobre a multa aplicada. Cita jurisprudência neste sentido, e invoca posicionamento da Câmara Superior de Recursos Fiscais no processo administrativo nº 10680.002472/2007-23. Ao final, requer, ainda, seja determinada a conversão do julgamento em diligência, na hipótese de este procedimento ser tido como necessário para o esclarecimento de qualquer dúvida acerca dos documentos juntados ao presente processo administrativo, bem como protesta pela produção de todas as provas em Direito admitidas, bem como pela oportuna sustentação oral de suas razões de defesa. Ainda, os procuradores da Recorrente declaram ser autênticas as cópias simples anexas ao presente Recurso Voluntário, nos termos do artigo 365, IV do Código de Processo Civil. Em 28/02/2012 os autos do presente processo foram encaminhados em CARF, e em 12/06/2012 distribuídos a esta Relatora, em razão de sua conexão com o processo administrativo nº 15586.001637/2009-01 (fl. 3426). Em 06/12/2012 a recorrente apresentou a esta Relatora petição protocolizada no CARF naquela data, requerendo a juntada dos seguintes estudos e pareceres jurídicos: Análise das operações de Hedge efetuadas pela Requerente no exterior à luz do art. 396 do RIR/99, expressa em parecer do Professor Marco Aurélio Greco; Estudo dos vícios materiais que acarretam a nulidade dos autos de infração, proferido pelo Professor Eurico Marcos Diniz de Santi; Interpretação do art. 17 da Lei nº 9.430/96 em razão da forma de operação das Bolsas, em parecer do Professor Ary Oswaldo Mattos Filho. Relatório de Comprovação do Hedge em Operações Futuros Realizadas pela Companhia nos Anos-Base de 2006 e 2007 e Relatório de Verificação das Operações de Futuros (Hedge) Realizadas pela Companhia nos Anos-Base de 2006 e 2007, ambos emitidos pela empresa de auditoria KPMG; Relatório de Auditoria Independente das Operações de Futuro e Opções de Commodities Realizadas pela Companhia, emitido pela empresa de auditoria Ernst & Young, acerca das controvérsias objeto de lançamento nestes autos. O relatório da Ernst & Young, acompanhado de diversos demonstrativos (todos em língua estrangeira), o relatório da KPMG e os pareceres antes mencionados acompanharam a referida petição. Por ocasião de sua apresentação, a recorrente mencionou a existência de documentos que lhes dariam suporte, os quais seriam apresentados no CARF. Consulta ao E-processo evidenciou que a referida petição e os documentos que a instruíram ainda não haviam sido digitalizados até janeiro/2013, bem como que não havia registro da apresentação de outros elementos. Em 12/09/2012, a Assessoria Técnica e Jurídica do CARF (ASTEJ) respondera a Ofício da Procuradoria da República no Espírito Santo, informando que solicitaria prioridade na tramitação do processo administrativo nº 15586.001637/2009-01, conexo a este. Em 28/11/2012 o mesmo órgão requereu cópias do auto de infração e das decisões já proferidas naqueles autos, as quais foram fornecidas pela Presidência desta 1a Seção em 11/12/2012, acompanhadas da informação de que o processo administrativo nº 15586.001637/2009-01 seria incluído em pauta na sessão seguinte, em fevereiro de 2013. O litígio não foi apreciado na reunião de julgamento de fevereiro/2013 em razão de pedido de adiamento apresentado pela recorrente. Ao final de fevereiro/2013, foram digitalizados dois conjuntos de documentos anexos a estes autos, um com 34 (trinta e quatro) volumes e outro com 13 (treze) volumes, cuja juntada definitiva ainda não foi promovida no E-processo em razão de o processo encontrar-se pautado para julgamento. O conjunto de documentos composto de 13 (treze) volumes está intitulado Laudo KPMG – Relatório de verificação das operações de futuros (hedge) realizadas pela Companhia nos anos-base de 2006 a 2007. Reportam-se a anexos numerados de 1 a 28, os quais guardam relação com o relatório de mesmo título, apresentado a esta Relatora em 06/12/2012. O conjunto de documentos composto de 34 (trinta e quatro) volumes está intitulado Laudo KPMG – Relatório de comprovação do hedge em operações de futuros realizadas pela Companhia nos ano-base de 2006 e 2007 e reúne anexos entre os números 1 e 38, evidenciando tratar-se dos documentos de suporte do relatório de mesmo título, apresentado a esta Relatora também em 06/12/2012. Os documentos apresentados ao final de fevereiro/2013 foram anexados às fls. 3482/14778. Além deles, foram juntados aos autos digitalizados a tradução juramentada do Parecer elaborado por Ernst & Young (fls. 18777/18970), bem como os relatórios e o parecer apresentados a esta Conselheira em 06/12/2012 (fls. 14781/18577), além dos pareceres emitidos pelos Professores Eurico Marcos Diniz de Santi, Ary Oswaldo Mattos Filho e Marco Aurélio Greco (fls. 18595/18703). Na sessão de julgamento de 10 de julho de 2013, este Colegiado decidiu: 1) por voto de qualidade, REJEITAR as argüições de nulidade do lançamento por falta de compensação de prejuízos fiscais anteriores e de dedução de antecipações do próprio período, divergindo os Conselheiros Benedicto Celso Benício Júnior, Nara Cristina Takeda Taga e José Ricardo da Silva; 2) por unanimidade de votos, REJEITAR a argüição de nulidade do lançamento de glosa de juros, comissões e variações cambiais; 3) por unanimidade de votos, REJEITAR a argüição de nulidade da decisão recorrida; 4) por maioria de votos, CONVERTER EM DILIGÊNCIA o julgamento, divergindo os Conselheiros Nara Cristina Takeda Taga e José Ricardo da Silva, que davam provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Esta Conselheira expôs suas razões para rejeitar as preliminares deduzidas na defesa e, para concluir pela necessidade de diligência, reportou-se à abordagem consignada no voto condutor da Resolução nº 1101-000.077, na medida em que a discussão, nestes autos, possui os mesmos contornos daquela travada nos autos do processo administrativo nº 15586.001637/2009-01, e a recorrente reportou-se, por ocasião da petição apresentada a esta Relatora em 06/12/2012, aos mesmos pareceres juntados aos autos do processo administrativo nº 15586.001637/2009-01, bem como indicou a elaboração de relatórios por KPMG Tax Advisors Ltda e Ernst & Young LLP, com vistas à comprovação das operações de hedge contabilizadas nos anos-calendário 2006 e 2007, aqui questionadas. No voto condutor daquela Resolução, esta Conselheira expôs suas razões para rejeitar as preliminares deduzidas na defesa; observou que o art. 396 do RIR/99 admite a dedução de perdas em operações de cobertura (hedge), desde que realizadas diretamente em bolsas do exterior; demonstrou que o procedimento fiscal permitiu à contribuinte provar que assim procedeu, mas as discrepâncias constatadas nos elementos apresentados, somados a outros indícios, ensejou a glosa das perdas escrituradas; admitiu que a interposição de outras empresas do grupo ADM para realização de operações junto à Bolsa de Chicago não as desnaturaria como promovidas diretamente em bolsa; cogitou da prova das operações de hedge mediante demonstração de sua contratação com membro credenciado da Bolsa de Chicago; evidenciou que os elementos apresentados à Fiscalização não asseguravam que os recursos remetidos ao exterior destinaram-se às operações de hedge, porque consolidadas diversas operações, a demandar seu exame individualizado, além de sua vinculação à contratação de cobertura efetiva em bolsa no exterior e correspondente pagamento; e discorreu sobre o conteúdo das provas juntadas depois do recurso voluntário, destinadas a demonstrar o fluxo operacional e financeiro das atividades questionadas pela Fiscalização, ressaltando que referências à ADM Trading como hedge center somente surgiram em impugnação. Considerando tais circunstâncias, esta Conselheira concluiu que as provas apresentadas pela recorrente demonstravam seu empenho em reunir elementos para convencer este órgão julgador da legitimidade de seus registros contábeis. Observou que ideal seria que dossiês diários fossem mantidos para demonstração da equivalência entre os registros contábeis e as operações da empresa junto ao mencionado Sistema VAX. Mas os elementos trazidos pela recorrente são evidências fortes de que estes registros existiam e obedeciam a um fluxo operacional sujeito a conciliações periódicas, de modo a assegurar a cobertura de suas operações físicas com commodities. Apenas que, a precariedade da guarda documental destas demonstrações não permitiu que a empresa as apresentasse à Fiscalização e convencesse a autoridade lançadora da regularidade de seus registros contábeis. Em conseqüência, já seria necessária a conversão do julgamento em diligência para confirmação do conteúdo dos relatórios apresentados pela defesa. Todavia, a demonstração da atuação da ADM Trading como hedge center suscitou dúvidas acerca da dedutibilidade de perdas em razão de operações de hedge que não teriam sido contratadas em Bolsa, em razão de impedimentos legais, razão pela qual o julgamento foi convertido em diligência para que a autoridade lançadora: Sob a premissa inicial de que todas as operações contabilizadas como sendo de hedge seriam necessárias e dedutíveis: 1) analise os elementos trazidos pela recorrente como evidências de que os registros junto ao mencionado Sistema VAX existiam e obedeciam a um fluxo operacional sujeito a conciliações periódicas, de modo a assegurar a cobertura de suas operações físicas com commodities; 2) informe a validade dos critérios de auditoria adotados pelas empresas contratadas, e por conseqüência a admissibilidade de seus relatórios para demonstração da regularidade dos valores contabilizados pela contribuinte, ou apure esta regularidade por outros meios que entender e justificar suficientes; 3) aponte divergências que deste exame resultem, identificando as perdas que restarem sem comprovação, e quantificando sua repercussão no crédito tributário lançado; Sob a premissa final de que somente as operações de hedge realizadas em bolsa ensejam perdas dedutíveis, promova as verificações acima requeridas, mas identifique as perdas correspondentes a operações de hedge efetivamente contratadas junto à Bolsa de Chicago, sem antes terem sido compensadas com posições opostas apresentadas no mesmo período por outra empresa do Grupo ADM. Esta Conselheira ainda acrescentou ao voto condutor da Resolução nº 1101-000.078 que: Além disso, importa observar que, para indeferir a compensação de prejuízos e bases negativas pleiteada em impugnação, a autoridade julgadora de 1a instância assim anotou: Quanto à alegação de que teria havido erro no cálculo do limite do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa de CSLL utilizados, ou seja, não teriam sido compensados os valores a que teria direito (30% da base tributável), esclareça-se que: consta no Sistema SAPLI/RFB (Demonstrativo de Compensação de Prejuízos Fiscais – fl. 3.064/3.066) que o prejuízo fiscal no valor de R$ 5.515.198,35 existente em 2005 foi totalmente utilizado no ano-calendário de 2006 (em que pese somente possuir R$ 5.515.198,35, a interessada utilizou R$ 34.344.813,68). Portanto, não há prejuízo a ser compensado no Auto de Infração de IRPJ relativo ao ano-calendário de 2006 nem valor a ser utilizado no AI relativo ao ano-calendário de 2007 (o prejuízo fiscal do período já foi considerado). consta no Sistema SACS/RFB (Demonstrativo da Base de Cálculo Negativa da CSLL – fl. 3.072) que o saldo de base de cálculo negativa no valor de R$ 38.753.786,46 existente em 2005 foi utilizado em 2006 (R$ 34.180.769,68) e em 2008 (em que pese só possuir R$ 4.573.016,78, a interessada utilizou R$ 240.100.335,79). Portanto, não remanesceu base de cálculo negativa de CSLL a ser compensada no Auto de Infração de CSLL relativo ao ano-calendário de 2006 nem valor a ser utilizado no AI relativo ao ano-calendário de 2007 (a base negativa do período já foi considerada). A recorrente questiona estas conclusões, e defenda a prevalência dos valores constantes na Parte B do LALUR e nas DIPJ dos anos-calendário 2006 e 2007, asseverando que não houve procedimento por parte da Autoridade Fiscal visando à retificação de tais saldos. Assim, na hipótese de, após a diligência, subsistir base tributável nos períodos fiscalizados, necessário será saber se os prejuízos e bases negativas disponíveis no LALUR da contribuinte correspondem, de fato, às apurações por ela declaradas em períodos anteriores, e se estas não foram alteradas em razão de procedimentos fiscais passados. Além disso, será necessário aferir se tais prejuízos e bases negativas permanecem disponíveis à época da conclusão da diligência para a compensação requerida pela contribuinte. Por estas razões, o presente voto é no sentido de CONVERTER o julgamento em diligência, para que a autoridade lançadora, além das verificações nos moldes daquelas determinadas no processo administrativo nº 15586.001637/2009-01, confirme a existência de prejuízos fiscais e bases negativas acumulados antes dos períodos fiscalizados, bem como a sua disponibilidade, ao final da diligência, para sua utilização nestes autos. Ao final dos trabalhos a contribuinte deverá ser cientificada de relatório circunstanciado da diligência fiscal, com reabertura de prazo de 30 (trinta) dias para sua manifestação, antes da devolução dos autos a este Conselho. A autoridade fiscal encarregada da diligência exigiu a apresentação de memórias de cálculos das perdas em operações de hedge promovidas pela recorrente, bem como demonstração das operações efetivamente contratadas junto à Bolsa de Chicago, e aquelas compensadas com posições opostas de outras empresas do grupo ADM (fl. 19059/19060). Inicialmente apenas o primeiro demonstrativo foi entregue, seguindo-se pedido de explicação detalhada da memória de cálculo apresentada, bem como das demais a serem fornecidas após prorrogação de prazo concedida à intimada (fls. 19061/19093). A contribuinte prestou os esclarecimentos requeridos (fls. 19096/19223) e assim consolidou os valores das perdas resultantes de operações efetivamente contratadas junto à Bolsa de Chicago (item 2 da intimação) e compensadas com posições opostas de outras empresas do grupo (item 3 da intimação): A autoridade fiscal exigiu o detalhamento mensal das perdas (fls. 19224/19225) e em resposta a contribuinte apresentou os esclarecimentos de fls. 19228/19246. Às fls. 19247/24318 constam os documentos apresentados no curso da diligência. Novos esclarecimentos foram exigidos em razão de divergências constatadas entre os elementos apresentados pela contribuinte (fls. 24319/24321), sendo prestadas as informações de fls. 24322/24327. A diligência foi concluída com a lavratura do termo de fls. 24334/24347, no qual a autoridade fiscal apresenta constatações acerca das informações apresentadas pela contribuinte, elaborando quadros demonstrativos das discrepâncias entre os valores declarados como Ganhos/Perdas (Hedge) com soja e seus derivados comercializados pela ADM do Brasil em comparação com os Ganhos/Perdas (Hedge) de soja e seus derivados comercializados pela ADM Company, bem como das discrepâncias entre os valores informados como aplicados em hedge na BM&F Chicago em comparação com os valores totais das perdas com Hedge da ADM do Brasil, e ao final apresentando as seguintes respostas aos quesitos consignados na Resolução: O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais solicitou as seguintes informações: 1) analise os elementos trazidos pela recorrente como evidências de que os registros junto ao mencionado Sistema VAX existiam e obedeciam a um fluxo operacional sujeito a conciliações periódicas, de modo a assegurar a cobertura de suas operações com commodities; 2) informe a validade dos critérios de auditoria adotados pelas empresas contratadas, e por conseqüência a admissibilidade de seus relatórios para demonstração da regularidade dos valores contabilizados pelo contribuinte, ou apure esta regularidade por outros meios que entender e justificar suficientes; e 3) aponte divergências que deste exame resultem, identificando as perdas que restarem sem comprovação, e qualificando sua repercussão no crédito tributário lançado; • Em resposta à solicitação do CARF, informamos: 1. Ficou constatado, em tese, que a empresa ADM Trading utilizava-se do sistema VAX que obedecia a um fluxo operacional sujeito a conciliações periódicas, realizando compensações com posições opostas, de modo a calcular e assegurar a cobertura de suas operações físicas com commodities; 2. Quanto à validade dos critérios das auditorias adotados pelas empresas contratadas, e por conseqüência, a admissibilidade de seus relatórios para demonstração da regularidade dos valores contabilizados pelo contribuinte, esta fiscalização informa que é inviável e temerário emitir um parecer, visto que só seria possível formar convicção diante de uma auditoria independente , isto é, não contratada e paga pelo contribuinte. 3. Considerando as informações prestadas pelo contribuinte, apresentamos abaixo as divergências apuradas, identificando as perdas que restaram sem comprovação, e suas respectivas repercussões no crédito tributário lançado: RECALCULO DAS INFRAÇÕES APURADAS CONFORME VALORES INFORMADOS PELO CONTRIBUINTE Apresentamos abaixo os valores informados pelo contribuinte dos valores aplicados em hedge na BM&F Chicago, após compensadas as posições opostas pelo sistema VAX. Informamos ainda as demais despesas acessórias (variação cambial, juros e comissões) retirados dos processos de auto de infração n° 15586.001637/2009-01 e 15586.001638/2010-81: Valor 2004 Valor 2006 Valor 2007 RESULTADOS DE HEDGE INFORMADOS NA CONTABILIDADE -GLOSAS DE CUSTOS E DESPESAS NOS AUTOS DE INFRAÇÃO 988.456.803,45 55.151.492,45 294.716.460,55 RESULTADOS DO HEDGE APLICADOS EM BOLSA -RELATÓRIOS DO CONTRIBUINTE 307.889.579,00 35.700.691,00 160.554.919,00 TOTAL DAS GLOSAS CONSIDERANDO INFORMAÇÕES DO CONTRIBUINTE 680.567.224,45 19.450.801,45 134.161.541,55 RECOMPOSIÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES DE RESULTADO [...] Cientificada, a contribuinte não se manifestou nestes autos.

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:38:32 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713047702826123264

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 21; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1490; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C1T1  Fl. 2          1 1  S1­C1T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  15586.001638/2010­81  Recurso nº            Voluntário  Resolução nº  1101­000.153  –  1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária  Data  03 de março de 2015  Assunto  IRPJ/CSLL ­ Glosa de perdas em operações de hedge  Recorrente  ADM DO BRASIL LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em CONVERTER o  julgamento  em  diligência,  divergindo  os  Conselheiros  Benedicto  Celso  Benício  Júnior  e  Antônio Lisboa Cardoso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.    (documento assinado digitalmente)  MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO ­ Presidente.    (documento assinado digitalmente)  EDELI PEREIRA BESSA ­ Relatora  Participaram da sessão de  julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira  Valadão (presidente da turma), Benedicto Celso Benício Júnior (vice­presidente), Edeli Pereira  Bessa, Paulo Mateus Ciccone, Paulo Reynaldo Becari e Antônio Lisboa Cardoso.     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 55 86 .0 01 63 8/ 20 10 -8 1 Fl. 24351DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.001638/2010­81  Resolução nº  1101­000.153  S1­C1T1  Fl. 3          2   RELATÓRIO  O presente processo retorna depois da realização de diligência determinada por  este Colegiado, nos  termos da Resolução nº 1101­000.078, da qual colhe­se o seguinte relato  das ocorrências até então verificadas nos autos:  ADM  DO  BRASIL,  já  qualificada  nos  autos,  recorre  de  decisão  proferida  pela  1ª  Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Rio de Janeiro/RJ­I que, por  unanimidade  de  votos,  julgou  IMPROCEDENTE  a  impugnação  interposta  contra  lançamento  formalizado  em 10/01/2011,  exigindo  crédito  tributário  no  valor  total  de  R$ 175.840.067,86.  Esta Relatora requereu e lhe foi deferida a distribuição deste processo em razão de sua  conexão  com  o  processo  administrativo  nº  15586.001637/2009­01,  no  qual  foi  veiculada exigência semelhante, mas pertinente ao ano­calendário 2004.  Aquele  procedimento  fiscal  foi  motivado  por  demanda  externa  requisitória  do  Ministério Público Federal,  em  razão  de  a  autuada  figurar  como  uma das  empresas  que,  no  período  de  2003  a  2004,  efetuaram  remessas  ao  exterior  em  pagamento  de  margem  de  garantia  em Bolsa  de Mercadorias  no Exterior  (hedge),  de  valores muito  relevantes  e  aparentemente  incompatíveis  com  os  volumes  de  suas  operações  comerciais,  mesmo  para  empresas  de  seu  porte.  Tais  informações  também  foram  encaminhadas  ao  Presidente  do  Conselho  de  Controle  de  Atividades  Financeiras  –  COAF, em cumprimento ao disposto no artigo 2°, § 6° da Lei Complementar 105, de  11.1.2001, e no artigo 11 do Decreto 2.799, de 08.10.1998,  tendo em conta que  elas  poderiam  configurar,  em  tese,  indícios  de  cometimento  de  crime  tipificado  na  Lei  9.613, de 3.3.1998.   Já  nestes  autos,  não  há  referência  a  qualquer  representação  externa.  Todavia,  o  procedimento fiscal também se baseou na verificação de remessas de divisas ao exterior  em pagamento  a  cobertura de margens  de  contratos  futuros  de  soja  e  seus  derivados,  solicitada pela Bolsa de Mercadorias de Chicago em virtude das operações de hedge de  comodities agrícolas, nos anos­calendário de 2005 a 2007.  Por  meio  de  intimações  lavradas  entre  07/06/2010  e  12/08/2010,  a  autoridade  lançadora  exigiu  a  apresentação dos mesmos  elementos  requeridos  no  procedimento  fiscal anterior, com vistas à comprovação da efetiva aplicação dos recursos remetidos  ao exterior para cobertura das margens dos contratos futuros de commodities, mediante  transferência  dos  recursos  da  ADM  em  nome  da  ADM  do  Brasil  para  a  Bolsa  de  Mercadorias  &  Futuros  de  Chicago.  Especialmente  na  resposta  apresentada  em  27/08/2010,  a  contribuinte  insistiu  que os  elementos apresentados provavam os  fatos  questionados,  ressaltando  que  as  obrigações  relativas  às  posições  financeiras  da  intimada  com  relação  aos  seus  contratos  de  hedge  são  cobertas  pela  Archer  Daniels  Midland  Company  (ADM  Company),  principal  empresa  do  grupo  ADM  no mundo,  conforme entre elas convencionado, promovendo­se a contabilização dos montantes a  pagar ou a receber (dependendo se houve perda ou ganho em suas operações de hedge,  respectivamente)com base  em  extratos mensais  de  transações  de hedge,  e  liquidando  estas operações conforme o melhor gerenciamento de caixa do grupo. Disse, ainda, que  os  contratos  de  liquidação  futura  são  as  ordens  eletrônicas  contidas  nos  extratos  já  apresentados, e que a Bolsa de Mercadorias & Futuros de Chicago não emite extrato  de suas operações, incumbindo esta responsabilidade à ADM Investor Services.  A autoridade  lançadora conciliou os  registros  contábeis com os  contratos de  câmbio  apresentados  pela  contribuinte,  identificando  divergências  que,  questionadas,  foram  esclarecidas  pela  fiscalizada  (fls.  1524/1635).  Também  verificou  o  resultado  de  Fl. 24352DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.001638/2010­81  Resolução nº  1101­000.153  S1­C1T1  Fl. 4          3 operações  de  hedge  realizadas  no  Brasil,  junto  à  Bolsa  de  Mercadorias  e  Futuros  (BM&F),  analisando  resumo  das  aplicações,  extratos  da  corretora  e  documentos  de  transferências  de  recursos  (fls.  1636/1741)  e  concluindo  que  estas  operações  resultaram em receitas contabilizadas em 2006 e 2007.  Quanto às operações de hedge no exterior, observou que o resultado positivo apurado  em  2005  foi  regularmente  contabilizado  como  receita.  Já  em 2006  e  2007  constatou  que  houve  despesas  nos  montantes  de  R$  53.778.588,62  e  R$  299.337.808,53,  vinculadas a remessas por contrato de câmbio e a pagamentos mediante conta­corrente  mantida  no  exterior  (de  acordo  com  a  Lei  nº  11.371/2006),  acerca  das  quais  se  manifestou de forma semelhante ao que apontado no procedimento fiscal anterior:  • A ADM do Brasil enviou recursos para o exterior e transferências do próprio exterior,  para  a ADM  Investor Services  (empresa  de  investimentos  do  grupo ADM),  para  que  esta realizasse o pagamento das coberturas de margens de hedge solicitadas pela BM&F  Chicago.  Considerando  que  a  empresa  remetente  dos  recursos  (ADM  do  Brasil),  a  empresa Matriz nos EUA  (ADM Company)  e  a  empresa  recebedora  e  aplicadora dos  recursos  (ADM  Investor  Services)  são  todas  do  grupo ADM,  somado  ao  fato  da  não  existência  de  contratos  comerciais  sobre  adiantamento  de  margens  de  garantia  entre  estas  empresas,  nos  remete  a  facilidade  para  manipulação  de  operações,  relatórios  e  contabilidade das mesmas;  •  O  contribuinte  criou  em  sua  escrituração  a  conta  128116­501  ­  ADM  DECATUR  EXEC FUTUROS,  que  utiliza  como  uma  conta  corrente  entre  a  ADM do Brasil  e  a  ADM Company (ADM DECATUR), para acompanhamento do saldo devedor/credor da  ADM do Brasil  com a ADM Company, visto que a ADM Company adianta  recursos  para  pagamento  de  margens  de  garantia  para  a  Bolsa  de Mercadorias  &  Futuros  de  Chicago  (fls.  679/708). O  contribuinte  informou  em  resposta  ao Termo  de  Intimação  Fiscal  nº  55/2010  que  "com  base  nos  extratos  mensais  de  transações  de  hedge,  a  intimada contabiliza os montantes a pagar ou a receber (dependendo se houve perda ou  ganho em suas operações de hedge,  respectivamente),  fazendo a  liquidação  financeira  das  operações  conforme  o  melhor  gerenciamento  de  caixa  do  grupo"  (fls.  83/127  e  1519/1520);  •  O  contribuinte  entregou  uma  enorme  gama  de  documentos  com  o  objetivo  de  comprovar  a  aplicação  dos  recursos  em  operações  de  hedge  dos  contratos  futuros  de  soja  e  derivados  (Contratos  de  Cambio,  Relatório  por  contas  dos  fechamentos  dos  contratos  de  cambio  com  as  respectivas  perdas/ganhos,  Livro  Razão  ­  Conta  ADM  DECATUR  EXEC  FUTUROS  ­  Contabilidade  dos  adiantamentos  das  margens  pela  ADM Company e remessas de recursos, Posição dos Contratos de Originação de Grãos,  Posição de Contratos de Processamento ­ Cálculo de Exposições, Relatórios informando  que  a  ADM  Investor  Services  é  membro  de  compensação  da  Bolsa  de  Valores  de  Chicago) porém nenhum destes documentos comprova a efetiva aplicação dos recursos  transferidos  ao  exterior  pela  ADM  do  Brasil  na  operação  de  Hedge  alegada  pelo  contribuinte,  isto  é,  nenhum  deles  apresenta  a  transferência  de  recursos  da  ADM  Investor Services, em nome da ADM do Brasil, para a Bolsa de Mercadorias & Futuros  de Chicago;  Detalhando os valores contabilizados pela fiscalizada, a autoridade lançadora conclui  que  a ADM  do  Brasil  escritura  em  seus  livros  as  operações  de  hedge  de  contratos  futuros  como  Custo  de Mercadorias  Vendidas  (vide  Livro  Razão  ­  conta  "423130  ­  Ajuste Hedge Contr. Fut. Fech."  ­  fls. 1594/1622) e a variação cambial, os  juros e as  comissões  como  despesas  (entendemos  como  despesas  acessórias  as  operações  de  Hedge).  Estes  custos  e  despesas  serão  glosados  pois  não  houve  sua  efetiva  comprovação, isto é, a comprovação das transferências de recursos da ADM do Brasil,  ADM Investor Services ou ADM Holding para a BM&F­Chicago.  A  autoridade  lançadora  também  fez  ponderações  específicas  quanto  à  determinação  dos valores lançados:  4. INFRAÇÕES APURADAS ­ OMISSÃO DE RECEITAS  Fl. 24353DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.001638/2010­81  Resolução nº  1101­000.153  S1­C1T1  Fl. 5          4 4.1 ­ GLOSA DE CUSTOS  Verificamos  na  contabilidade  eletrônica  da  empresa  que  os  valores  informados  como  pagamentos  de  margens  de  garantia  de  contratos  futuros  de  Hedge  fechados  foram  contabilizados na conta "423130  ­ Ajuste Hedge Contratos Futuros Fechados",  levada  como Custo da Mercadoria Vendida no encerramento do exercício.  Considerando a  falta de comprovação da transferência de  recursos em nome da ADM  do  Brasil  para  a  Bolsa  de  Mercadorias  &  Futuros  de  Chicago,  estes  custos  serão  glosados e será refeita a apuração do resultado do exercício.  O valor apurado como Custo de Mercadoria Vendida,  relativo ao Hedge  informado, é  de R$ 55.151.492,46 (...) para o ano de 2006 e R$ 294.716.460,55 (...)  A  glosa  de  custos  tem  sua  fundamentação  legal  nos  artigos  249,  inciso  I,  251  e  parágrafo único, 289, 290, inciso I, 292, 299, 300 e 396 do Regulamento do Imposto de  Renda (RIR/99).  5. FORMA DE TRIBUTAÇÃO, ALÍQUOTAS E BASE DE CALCULO.  No caso em questão, o contribuinte submete­se às regras de apuração do IRPJ e da CSL  pelas regras do LUCRO REAL conforme sua declaração de IRPJ (fls. 1742/1798).  Conforme  verificado  no  Demonstrativo  do  Resultado  e  Ajustes  do  Lucro  Liquido  (DRE, DIPJ  e LALUR— fls.  26/82  e 1742/1798),  verificamos que  após  as  receitas  e  custos escriturados pelo contribuinte, o mesmo obteve Lucro Real ao final do exercício,  Lucro este que após as glosas efetuadas pela  fiscalização mencionadas no decorrer do  relatório, será recalculado conforme abaixo demonstrado:  Demonstração do Resultado – Ano­Calendário 2006  Discriminação  Valor apurado pelo  contribuinte  Valor Apurado pela  fiscalização (após glosas)  Receita Liquida da Atividade  3.641.984.063,21 3.641.984.063,21 (­) Custo das Mercadorias e Serviços Vendidos (1)  3.278.357.868,92 3.223.206.376,46 Lucro Bruto  363.626.194,29 418.777.686,75 (­) Despesas / (+) Receitas Operacionais  471.484.238,87 471.484.238,87 Lucro Operacional  ­107.858.044,58 ­52.706.552,12 (+) Receitas / (­) Despesas Não Operacionais  4.233.259,97 4.233.259,97 Resultado do Período  ­103.624.784,61 ­48.473.292,15 (+) Adições / (­) Exclusões (2)  218.107.496,86 218.107.496,86 Lucro Real antes da Compensação de Prejuízos  114.482.712,25 169.634.204,71 (­) Compensação de Prejuizos  34.344.813,68 34.344.813,68 Lucro Real/ Prejuízo Fiscal  80.137.898,58 135.289.391,03 BC dos Tributos (Glosas)  55.151.492,45   Demonstração do Resultado – Ano­Calendário 2007  Discriminação  Valor apurado pelo  contribuinte  Valor Apurado pela  fiscalização (após  glosas)  Receita Liquida da Atividade  4.961.027.816,19 4.961.027.816,19 (­) Custo das Mercadorias e Serviços Vendidos (1)  4.612.263.190,30 4.317.546.729,75 Lucro Bruto  348.764.625,89 643.481.086,25 (­) Despesas / (+) Receitas Operacionais  202.871.216,99 202.871.216,99 Lucro Operacional  145.893.408,90 440.609.869,45 Fl. 24354DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.001638/2010­81  Resolução nº  1101­000.153  S1­C1T1  Fl. 6          5 (+) Receitas / (­) Despesas Não Operacionais  457.774,69 457.774,69 Resultado do Período  146.351.183,59 441.067.644,14 (+) Adições / (­) Exclusões (2)  ­236.796.028,02 ­236.796.028,02 Lucro Real antes da Compensação de Prejuízos  ­90.444.844,43 204.271.616,12 (­) Compensação de Prejuizos  0,00 0,00 Lucro Real/ Prejuízo Fiscal  ­90.444.844,43 204.271.616,12 BC dos Tributos (Glosas)  204.271.616,12 Obs:  (1) Glosa dos custos das mercadorias e despesas acessórias  relativos aos  contratos de  hedge  fechados  nos  exterior,  no valor de R$ 55.151.492,45  para o  ano de 2006 e R$  294.716.460,55 para o ano de 2007;  (2) As  despesas  de  variação  cambial  não  alteram  as  adições/exclusões,  pois  já  foram  realizadas quando do fechamento dos contratos de hedge;  Cientificada  do  lançamento  em  10/01/2011,  a  contribuinte  apresentou  impugnação  estruturada sob os seguintes tópicos:  · CONSIDERAÇÕES PRELIMINARES SOBRE A IMPUGNANTE  · NULIDADE  DO  AUTO  DE  INFRAÇÃO  EM  DECORRÊNCIA  DA  OBRIGATORIEDADE  DE  O  D.  AGENTE  FISCAL  CONSIDERAR  AS  ANTECIPAÇÕES DE IRPJ E CSLL REALIZADAS NO DECORRER DO ANO­ CALENDÁRIO  · NULIDADE DO AUTO DE  INFRAÇÃO POR CONTA DA  INSUBSISTÊNCIA  DA AUTUAÇÃO FISCAL – FALTA DE APURAÇÃO DO LUCRO REAL E DA  BASE DE CÁLCULO DA CSLL  · DO MÉRITO:  o  1  –  DAS  OPERAÇÕES  DE  HEDGE  REALIZADAS  PELA  INTERESSADA:   § 1.1 – DA REALIZAÇÃO DAS OPERAÇÕES DE HEDGE E DA  PROVA IMPOSSÍVEL EXIGIDA  o  2  –  DA  DEDUÇÃO  DE  DESPESAS  USUAIS  E  NECESSÁRIAS  –  A  CORRETA INTERPRETAÇÃO DO ARTIGO 396 DO RIR  o  3  –  DA  FALTA  DE  COMPROVAÇÃO  DOS  REQUISITOS  PARA  A  DEDUTIBILIDADE  DAS  DESPESAS  COM  JUROS  E  COMISSÕES,  BEM  COMO  DAS  VARIAÇÕES  CAMBIAIS  INCORRIDAS  PELA  INTERESSADA – NECESSIDADE, NORMALIDADE E USUALIDADE  o  4  –  DA  ILEGALIDADE  DA  INCIDÊNCIA  DE  JUROS  SOBRE  A  MULTA DE OFÍCIO:  A Turma julgadora rejeitou estes argumentos aduzindo que:  · A arguição de nulidade do lançamento não deve prosperar, porque não se vislumbra,  no  presente  caso,  qualquer  óbice  que  determine  a  precariedade  dos  lançamentos  realizados pelo Fisco, uma vez que foram realizados nos moldes estabelecidos pelo  Código  Tributário  Nacional,  não  se  configurando  qualquer  violação  ao  que  o  mencionado  diploma  legal  dispõe  e,  tampouco,  ao  artigo  59  do  Decreto  n°  70.235/1972. Os Autos de  Infração  foram  lavrados por autoridade administrativa  plenamente  vinculada,  respeitando  os  devidos  procedimentos  fiscais,  previstos  na  legislação, e com a correta identificação do sujeito passivo da obrigação tributária,  além  do  que  a  descrição  dos  fatos  e  as  provas  juntadas  ao  processo  permitem  esclarecer  a  causa  das  autuações,  bem  como  toda  a  sistemática  aplicável  à  constituição dos créditos  tributários e, por  sua vez, a argumentação desenvolvida  Fl. 24355DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.001638/2010­81  Resolução nº  1101­000.153  S1­C1T1  Fl. 7          6 pela  interessada  na  peça  impugnatória  permite  concluir  que  o  motivo  das  autuações foi compreendido, tanto que contestado.  · A juntada de provas, pela qual a impugnante protestou, deve ser feita por ocasião da  impugnação,  inexistindo  razão para  realização de diligência, ante a verificação de  que constam nos autos todos os elementos para a formulação da livre convicção do  julgador.  · No mérito, embora reconhecendo que a interessada entregou uma enorme gama de  documentos com o objetivo de comprovar a aplicação dos recursos em operações  de hedge dos contratos  futuros de soja e derivados, observou que as glosas  foram  promovidas porque entendeu a fiscalização que nenhum deles comprovou a efetiva  aplicação dos recursos transferidos ao exterior pela ADM do Brasil na operação de  hedge alegada, para a Bolsa de Mercadorias & Futuros de Chicago. E,  tratando­se  de matéria de prova,  invocou o disposto nos art.  251, parágrafo único, 264 e 396,  todos  do  RIR/99,  no  sentido  de  que  os  resultados  líquidos  de  operações  de  cobertura  em  Bolsa  no  Exterior  realizados  diretamente  pela  empresa  brasileira  devem  ser  comprovadas  por  documentação  hábil  e  idônea  (incluindo  a  demonstração de que foram realizadas pela empresa brasileira).  · Declarou impertinentes as alegações relativas à dedutibilidade dos referidos custos  tendo em vista a necessidade, usualidade e normalidade dos mesmos bem como das  alegações  relativas à dedutibilidade das perdas auferidas em operações de hedge  realizadas no exterior, ainda que não fossem consideradas operações realizadas em  Bolsa.  · Centrando­se  na  lide  propriamente  dita,  asseverou  que  a  interessada  não  logrou  comprovar,  nem  durante  o  procedimento  de  fiscalização,  nem  na  impugnação,  momento  propício  para  contraditar,  com  documentos  hábeis  e  idôneos,  a  transferência de recursos da ADM Investor Services, em nome da ADM do Brasil,  para  a  Bolsa  de  Mercadorias  &  Futuros  de  Chicago,  e  declarou  válida  a  glosa  promovida.  · Contestou documentos citados na  impugnação por emitidos por empresa do grupo  ADM ou por não individualizar e discriminar as operações. Disse, também, que ps  contratos  de  Câmbio  atestam  a  remessa  de  numerário  para  a  ADM  Co./ADM  Investor Services Inc..  · Desmereceu  a  afirmação  de  que  "não  é  possível  fazer  a  demonstração  dos  pagamentos  feitos pela  impugnante a Bolsa de Chicago", pois, em se  tratando de  custos,  que  têm  o  condão  de  reduzir  o  lucro  liquido  do  exercício  e,  conseqüentemente,  o  crédito  tributário  devido,  é  seu  o  ônus  de  provar  a  sua  existência. Citou doutrina neste sentido.  · Quanto  à  afirmação  de  que  as  operações  estariam  devidamente  registradas  na  contabilidade,  salientou  que  a  credibilidade  dos  assentamentos  contábeis  não  se  operacionaliza pelo simples fato de tê­los apenas na conformidade da técnica mas,  também,  se  funda nos Princípios  e Convenções que norteiam a Ciência Contábil,  especialmente os da Continuidade, Oportunidade, Competência e da Consistência,  o  que  exige  disponibilização  da  documentação  hábil,  idônea  que  resguarda  a  escrituração. Citou jurisprudência administrativa neste sentido.  · Com referência aos valores relativos à variação cambial, juros e comissões, atribui­ lhes  a  mesma  conseqüência  das  demais  glosas,  porque  tidas  como  acessórias,  declarando  desnecessário  analisar  os  demais  requisitos  de  dedutibilidade  das  despesas,  quais  sejam,  necessidade,  usualidade  ou  normalidade. Acrescentou  que  na ausência de documentos e livros fiscais, apenas a tabela de fl. 1949/1951 não se  prestaria  a  atestar  que  houve  adições  relativas  a  despesas  de  juros,  comissões  ou  variação cambial, e destacou que a variação cambial, na verdade, reduziu os valores  lançados.  · Quanto  à  apuração  dos  tributos  lançados,  tendo  em  conta  o  que  informado  pela  contribuinte  em  DIPJ,  e  o  demonstrativo  apresentado  pela  Fiscalização,  assevera  que foi efetuado recalculo do Lucro Real e da Base de Cálculo da CSLL relativos  Fl. 24356DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.001638/2010­81  Resolução nº  1101­000.153  S1­C1T1  Fl. 8          7 aos anos­calendário de 2006 e 2007, sendo considerados como valores tributáveis  somente as infração apuradas. Acrescentou que não houve erro no cálculo do limite  do prejuízo  fiscal e da base de cálculo negativa de CSLL utilizados, pois segundo  informações do Sistema SAPLI/RFB (Demonstrativo de Compensação de Prejuízos  Fiscais  —  fl.  3064/3066)  e  do  Sistema  SACS/RFB  (Demonstrativo  da  Base  de  Cálculo  Negativa  da  CSLL  —  fl.  3072),  os  saldos  existentes  em  2005  foram  integralmente utilizados em períodos subseqüentes.  · Ainda,  observou  que  não  foi  considerada  a  dedução  do  valor  de  R$  240.000,00  quando do cálculo do adicional de 10%, pois esse somente pode ser utilizado uma  única  vez.  E,  relativamente  às  antecipações  de  IRPJ  e CSLL  declaradas  nas DIPJ  2006/2007 e 2007/2008, constatou que seus valores  foram utilizados para quitar o  valor de IRPJ devido declarado, e o saldo negativo apurado  foi objeto de diversas  DCOMP, conforme Relatório do Sistema PER/DCOMP/SIEF/RFB (fls. 3075/3076);  o mesmo ocorrendo com as antecipações de CSLL (fls. 3077/3078).  · Por fim, declarou válida a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício.  Cientificada da decisão de primeira instância em 23/01/2012 (fl. 3153), a contribuinte  interpôs  recurso  voluntário,  tempestivamente,  em  17/02/2012  (fls.  3204/3269),  acompanhado  dos  documentos  de  fls.  (3270/3422),  no  qual  reprisa  os  argumentos  apresentados na impugnação.  Antes,  porém,  descreve  o papel da  recorrente  em  seu  ramo de  atividade,  destacando  que o grupo do qual faz parte (Archer Daniels Midland, com sede nos EUA) ser um dos  maiores  dedicados  à  comercialização  de  produtos  agrícolas,  atuando  desde  1923  e  contando com mais de 28.000 colaboradores em 60 países. A subsidiária no Brasil, por  sua vez, é responsável pela comercialização de mais de 7,7 milhões de toneladas de soja  em grãos por ano, tanto no mercado nacional, quanto no exterior.   Inicialmente  observa  que  em  suas  atividades  com  commodities  pratica  operações  de  compra, hedge e venda, sendo que o hedge é necessário como proteção das transações  nas quais o preço que será pago ao produtor é definido no momento de aquisição, bem  como nos acordos de venda que podem sofrer oscilações até a data da entrega física ou  embarque  da  mercadoria.  Acrescenta  que  o  imenso  volume  de  commodities  regularmente negociado pelo Grupo ADM  lhe impõe a necessidade de operar junto à  Bolsa de Mercadorias e Futuros de Chicago, de modo que as operações de hedge por  ela contratadas submetem­se ao art. 396 do RIR/99.   Reitera  a  arguição  de  nulidade  do  lançamento  porque  (a)  na  apuração  da  base  tributável,  não  se  procedeu  à  dedução  dos  recolhimentos  efetuados pela Recorrente  a  titulo  de  antecipação  nos  anos­calendário  de  2006  e  2007,  em  conformidade  com  Solução  de  Consulta  Interna  n°  23/06;  (b)  o  I.  Agente  Fiscal  não  efetuou  a  recomposição das apurações do Lucro Real e da Base de Cálculo da CSLL; e (c) foram  cometidos  diversos  outros  equívocos  pelo D.  Agente  Fiscal  na  apuração  dos  tributos  supostamente devidos.  Argúi  a  nulidade  do  lançamento  em  razão  da  desconsideração  das  antecipações  realizadas nos anos­calendário 2006 e 2007, destaca que a constituição da obrigação  tributária somente pode ser feita em estrita conformidade com o que está disposto em  lei,  e esta prescreve que as antecipações devem ser deduzidas ao  final do período de  apuração correspondente, para fins de determinação do tributo devido. Afirma que há  erro  de  direito,  ou  erro  no  critério  jurídico  utilizado,  pois  a  autoridade  lançadora  deixou de observar o que determina a lei para fins de apuração do quantum debeatur  de IRPJ e CSLL na sistemática do lucro real anual.  Demonstra que, admitindo as antecipações, o  IRPJ em 2006 seria negativo e o valor  apurado em 2007 seria reduzido a R$ 2.645.777,67. Não reproduz esta demonstração  para a CSLL, mas especifica a forma de quitação das estimativas de ambos os tributos,  Fl. 24357DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.001638/2010­81  Resolução nº  1101­000.153  S1­C1T1  Fl. 9          8 apontadas  para  aqueles  anos­calendário,  e  conclui  que  o  lançamento  carece  de  elemento essencial, qual seja, seu motivo.   Opõe­se à cogitação de que as deduções e antecipações de IRPJ e CSLL tiveram por  efeito  a  formação  de  saldos  negativos  que  foram  utilizados  pela  Recorrente  em  Declarações  de  Compensação,  ressaltando  ser  dever  da  Fiscalização  apurar  corretamente  os  tributos  devidos  e  invocando o  entendimento  firmado  na  Solução  de  Consulta Interna COSIT nº 23/2006. Defende que naquele ato determinou­se, para toda  e qualquer constituição de ofício de IRPJ e CSLL, a dedução das retenções na fonte ou  antecipações referentes às receitas compreendidas na apuração, entendimento também  refletido  no  Ato  Declaratório  Normativo  COSIT  nº  58/94  e  em  acórdãos  administrativos  que  cita. Assevera que  os  saldos  negativos  de  IRPJ  e CSLL  somente  são passíveis de restituição e compensação quando constituem legítimos pagamentos a  maior do tributo, de modo que uma revisão fiscal da apuração não autoriza que se fale  em pagamento a maior de tributo.  52. Ora, a formalização posterior de Declarações de Compensação pela Recorrente em  nada altera o dever de ofício do D. Agente Fiscal de, efetivamente, apurar o  IRPJ e a  CSLL devidos ao final do período, considerando as antecipações regularmente quitadas  nos anos­calendário de 2006 e 2007.  Alerta  que  a  manutenção  da  autuação  fiscal,  com  redução,  apenas,  do  montante  exigido por meio da dedução de estimativas, consiste alteração no critério jurídico do  lançamento, e é vedado pelo art. 146 do CTN.  Por fim, no que tange à nulidade decorrente da falta de apuração do lucro real e da base  de  cálculo  da  CSLL,  aduz  que  o  lançamento  exige  prévio  levantamento  e  o  exame  completo de toda a documentação relativa à apuração do IRPJ e da CSLL, ao passo que  a autoridade  lançadora optou por proceder ao  lançamento com base  tão  somente nos  valores dos custos e despesas por eles glosados, sem apurar efetivamente o lucro real e  a base de cálculo da CSLL. Claro está nos autos de infração que os valores exigidos a  título de IRPJ correspondem exatamente à aplicação do percentual de 25% (15% mais  adicional  de  10%)  sobre  os  custos  e  despesas  glosados,  desconsiderando  as  antecipações e a possibilidade de maior compensação de prejuízos fiscais. Observa que  relativamente  à  CSLL,  sequer  houve  detalhamento  da  apuração,  mas,  de  toda  sorte,  haveria  possibilidade  de  compensação  de  bases  de  cálculo  negativas  de  períodos  anteriores, bem como suas antecipações deveriam ter sido consideradas.  Discorda  da  argumentação  da  autoridade  julgadora  de  1a  instância  quanto  à  indisponibilidade das antecipações, já utilizadas em compensação, reafirmando o dever  da autoridade fiscal de recalcular todo o lucro real e toda a base de cálculo da CSLL da  Recorrente.  Da  mesma  forma  reporta­se  à  impossibilidade  de  compensação  de  prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas aventada na decisão recorrida.   Questiona o procedimento adotado pela DRJ, que lastreou suas conclusões com base na  utilização  dos  saldos  de  prejuízos  fiscais  e  bases  negativas  de  CSLL  constantes  dos  sistemas SAPLI e SACS da RFB em detrimento dos valores constantes na Parte B do  LALUR  e  nas  DIPJ  dos  anos­calendário  2006  e  2007.  Defende  a  prevalência  dos  valores  informados  em  seu LALUR, até porque não houve procedimento por parte da  Autoridade  Fiscal  visando  à  retificação  de  tais  saldos.  Cita  jurisprudência  administrativa favorável ao seu entendimento.  Ressalta,  por  fim,  que  não  pode  esse  Egrégio  Conselho,  tampouco  a  autoridade  lançadora,  realizar  o  cálculo  correto  dos  tributos  lavrados,  a  pretexto  de  corrigir  o  lançamento fiscal. Caso assim proceda, estará realizando a atividade de lançamento, o  que é vedado pela legislação vigente. Cita jurisprudência administrativa neste sentido e  conclui pedindo que seja declarada a nulidade dos autos de infração.  Questiona a afirmação da autoridade  julgadora de 1a  instância de que constitui ônus  da  interessada  a  instrução de  sua  impugnação  com  todos  os  documentos  que  entenda  Fl. 24358DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.001638/2010­81  Resolução nº  1101­000.153  S1­C1T1  Fl. 10          9 necessários  à  prova  pretendida,  para  ver  afastada  a  preclusão  de  seu  direito  de  apresentar  documentos  após  a  impugnação,  invocando  o  princípio  da  verdade  material,  e  afirmando  a  ocorrência  de  cerceamento  ao  direito  de  defesa  caso  seja  negado  este  direito,  com  conseqüente  declaração  de  nulidade  da  decisão,  como  inclusive  firmado  em  decisão  recente  da  Câmara  Superior  de  Recursos  Fiscais  nos  autos do processo administrativo nº 10814.017735/96­77.  No mérito, desde o início de sua defesa questiona a exigência de extrato emitido pela  Bolsa de Chicago acerca de operações de hedge ali efetuada em nome da Recorrente,  pois  referido  documento  não  existe  e  não  pode  ser  obtido  dada  a  sistemática  de  funcionamento  daquela  instituição.  Destaca  a  apresentação  de  farta  e  robusta  documentação  plenamente  hábil  a  comprovar  que  suas  operações  de  hedge  foram  contratadas em bolsa no exterior, por ela assim resumidos:  •  Extratos  das  operações  de  hedge  efetuadas.  pela  Recorrente,  que  contém  todas  as  informações das operações efetuadas (fls. 404/1508);  •  Razão  contábil  da  conta  ADM  DECATUR  EXEC  FUTUROS  mantida  pela  Recorrente,  que  atesta  as  movimentações  das  operações  de  hedge  efetuadas  (fls.  83/127);  •  Contratos  de  câmbio  comprobatórios  das  remessas  e  recebimentos  relativas  às  operações de hedge da Recorrente (fls. 128/403, fls. 1627 a 1629 e fls. 1630 a 1632).  Ademais, como a autoridade fiscal reconheceu que "os relatórios apresentam cálculos  corretos  dos  valores  das  margens  dos  contratos  futuros  das  operações  de  Hedge  alegadas pelo contribuinte", claro está que o lançamento somente foi lavrado em razão  da inaceitável exigência de apresentação do já mencionado extrato emitido pela Bolsa  de Chicago. Assevera que as operações de hedge representam verdadeiro imperativo às  atividades desenvolvidas pela Recorrente, representando despesas absolutamente usuais  e necessárias à consecução de seus objetivos sociais.  Mais à  frente,  acrescenta que as bolsas de mercadorias no Brasil  não  são  capazes de  absorver e conferir liquidez às transações realizadas pelo Grupo ADM, dado o volume  das atividades comerciais – e por conseqüência, de operações de hedge – realizadas pela  Recorrente. Transcreve artigo publicado na Revista Economia e Agronegócio atestando  que a reduzida liquidez da bolsa brasileira não apenas impede a absorção de um volume  grande de operações, mas  envolve  até mesmo o  risco de os  agentes  locais não serem  capazes de fechar suas posições.   Ilustra que realizou cerca de 116.000 e 130.000 contratos de hedge em 2006 e 2007,  respectivamente, volume bastante superior àquele negociado na BM&F no período. Daí  a imperatividade da realização das operações de hedge junto à Bolsa de Chicago, e a  submissão  da  recorrente  às  normas  regulatórias  desta  entidade  e  das  autoridades  competentes dos Estados Unidos da América.  Descreve o fluxo operacional de suas atividades, consistentes em realizar negócios de  compra com entrega física futura de soja com os produtores rurais ou exportadores ao  redor do mundo e fechar contratos de venda dessa natureza com seus clientes locais ou  internacionais, de forma que as operações de hedge destinam­se a reduzir os riscos das  flutuações  dos  preços  de  soja  entre  a  data  da  compra  e/ou  venda  da  soja  e  o  seu  recebimento e/ou entrega física. Especifica que:  120. Para efetuar as operações de hedge acima mencionadas, as subsidiárias do Grupo  ADM  localizadas em mais de 60 países ao redor do mundo  inserem os dados de suas  respectivas  operações  comerciais  em  um  único  sistema  de  computador,  o  qual  é  administrado pela ADM Trading Company ("ADM Trading"). Ao  inserir os dados no  referido  sistema,  as  subsidiárias  do  Grupo  ADM  submetem  à  ADM  Trading  as  correspondentes  ordens  de  hedge  ("Ordem"),  que  nada  mais  são  do  que  as  posições  contrárias  àquelas  contratadas  fisicamente  com  os  produtores  rurais  ou  clientes  das  empresas do Grupo ADM.   Fl. 24359DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.001638/2010­81  Resolução nº  1101­000.153  S1­C1T1  Fl. 11          10 121. Cada Ordem configura um contrato, o que implica a obrigação de compra ou venda  do  tipo  e  quantidade  de  mercadoria  estabelecidos  na  Ordem,  na  data  de  entrega  ali  prevista, conforme precificação de mercado listada na Bolsa de Chicago18.[18 Como já  salientado,  o  pareamento  dos  preços  estabelecidos  nas  Ordens  colocadas  pela  Recorrente  com  os  preços  praticados  na  Bolsa  de  Chicago  foi  expressamente  confirmado pela própria D. Autoridade Fiscal e é matéria  incontroversa nos presentes  autos]  122.  Na  colocação  da  Ordem,  são  informados  o  número  da  conta  de  controle  da  subsidiária,  o  tipo  e  quantidade  de  mercadoria  a  ser  coberta  pelo  hedge,  o  tipo  de  operação (compra ou venda) e a data de opção da mercadoria na Bolsa de Chicago.  123.  As  Ordens  são  inseridas  no  sistema  administrado  pela  ADM  Trading,  que  centraliza e consolida as Ordens de todas as subsidiárias e, na sequência, transfere essas  exposições  a  ADM  Financeira,  entidade  financeira  que  executa  tais  Ordens  junto  à  Bolsa de Chicago.  [...]  125. A centralização das Ordens de todas as subsidiárias por meio do sistema da ADM  Trading, decorre, dentre outros fatores, da necessidade de melhor cumprir as regras  da CFTC e também do Grupo CME, controlador da Bolsa de Chicago.  126. Essas regras são aplicáveis a qualquer entidade que busque realizar operações de  hedge na Bolsa de Chicago, mas apenas as e devem ser especialmente observadas pelas  empresas  do  porte  do  Grupo  ADM,  que  operam  volume  imenso  de  transações  e  possuem  inúmeras  subsidiárias que precisam,  ao mesmo  tempo,  ter acesso a Bolsa de  Chicago.  169. A fim de comprovar o quanto ora afirmado, a Recorrente anexa ao presente recurso  documento firmado pelos Srs. Scott E. Early e Kathryn M. Trkla, ex­diretor jurídico e  ex­vice­presidente da Bolsa de Chicago, respectivamente (doc. 04).  Cita, também, parecer solicitado ao Professor Steve Thel, experiente especialista norte­ americano que, como Advogado­Consultor, integrou o escritório do Consultor Jurídico  Geral da Securities and Exchange Comission ­ “SEC”, órgão americano correspondente  à Comissão de Valores Mobiliários – “CVM” brasileira (doc. 05). Ali são abordadas as  regras emitidas pela CFTC e a necessidade de que suas operações  fossem formatadas  nos termos em que aqui relatados, de modo a demonstrar que configuraria infração um  mesmo grupo de empresas efetuar pedidos para  comprar  e vender  substancialmente a  mesma  quantidade  de  um  valor  mobiliário  ou  commodity  em  substancialmente  o  mesmo tempo e preço (“wash sales”). Daí a atuação da ADM Trading, confrontando e  depurando  todas  as Ordens  colocadas  pelas  subsidiárias  do Grupo ADM ao  redor  do  mundo, de modo que a posição consolidada do Grupo seja contratada junto à Bolsa de  Chicago.  Passando  à  exposição  do  fluxo  de  pagamentos  de  suas  atividades,  a  recorrente  inicialmente destaca que a ADM Financeira é um membro de compensação qualificado  da Bolsa de Chicago e está sujeita a diversas normas de regulação e controle, dentre as  quais aquelas emitidas pela CFTC, o que por si só desqualifica a incomprovada suspeita  lançada contr a ADM Financeira nos presentes autos em razão da vinculação ao Grupo  ADM.  Observa  que  a  ADM  Financeira  não  se  responsabiliza  apenas  pela  intermediação, mas  pela  efetiva  liquidação  financeira  das  operações  conduzidas  por  todos os seus clientes junto às bolsas, e aponta declaração à fl. 1521/1522 que confirma  a atuação da ADM Financeira como membro da Câmara de Compensação da Chicago  Mercantile Exchange (CME).  Frisa, ainda, na referida declaração, o fato de a Bolsa de Chicago não emitir extratos  diretamente ao Grupo ADM, reportando­se à exigência  fiscal de prova de realização  das operações diretamente  em bolsas no  exterior,  e ao  requisito  expresso na decisão  recorrida de  comprovante em nome da ADM do Brasil. Entende  evidenciado, assim,  que a  falta  de  apresentação  de  tal  documento,  portanto,  não  decorre  de um descuido,  Fl. 24360DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.001638/2010­81  Resolução nº  1101­000.153  S1­C1T1  Fl. 12          11 desídia ou falha por parte da Recorrente em conservar seus documentos em ordem, já  que se trata de documento inexistente.  Acrescenta que a liquidação das operações intermediadas pela ADM Financeira é feita  mediante  pagamentos  centralizados  e  consolidados  à  Bolsa  de  Chicago,  inexistindo  pagamentos  realizados  para  aquela  Bolsa  em  nome  do  comitente,  já  que  as  clearing  houses  realizam  as  compensações  multilaterais  das  posições  que  intermediam.  Menciona que também no Brasil esta sistemática é adotada em algumas operações, de  modo que a depender do objeto negociado, o documento exigido da Recorrente no caso  presente  não  poderia  ser  obtido  ainda  que  as  operações  de  hedge  tivessem  sido  contratadas no Brasil.  Descreve o fluxo de pagamentos nos seguintes termos:  (i)  Diariamente,  a  ADM  Financeira  realiza  dois  grupos  de  pagamentos  das  margens  contratadas  naquele  dia,  um  grupo  se  refere  às  transações  do  Grupo  ADM  e  outro  relativo às operações de seus demais clientes.  (ii) A entrega dos recursos para o pagamento efetuado pela ADM Financeira à Bolsa de  Chicago é realizado pela ADM Co., gerenciadora de caixa do Grupo ADM.  (iii) A ADM Co., por seu turno, é ressarcida dos pagamentos à ADM Financeira pelas  subsidiárias do Grupo ADM, dentre elas a Recorrente.  (iv) Vale notar que os hedges executados podem gerar ganhos ou perdas às subsidiárias  do Grupo ADM, razão pela qual a ADM Co. pode receber ou realizar pagamentos em  relação a cada uma das subsidiárias do Grupo ADM, dentre elas a Recorrente.  Relaciona  os  documentos  acostados  aos  autos  (fls.  404/1508,  83/127,  128/403,  1627/1629,  1630/1632,  1511/1512,  1513/1515),  descrevendo  seu  conteúdo  e  concluindo, diante deste contexto, que os documentos apresentados pela Recorrente ao  longo  do  processo  de  fiscalização  que  atestam  as  remessas  efetuadas  à  ADM  Co.  a  titulo de ressarcimento das margens cobertas por  tal entidade para a ADM Financeira  (fls. 128/403, fls. 1627 a 1629 e fls. 1630 a 1632) são prova suficiente da realização das  operações de hedge junto à Bolsa de Chicago. E aduz:  167.  Adicionalmente,  muito  embora  não  seja  possível  fazer  a  demonstração  dos  pagamentos  feitos  pela  Recorrente  diretamente  a  Bolsa  de  Chicago  em  razão  da  regulação  vigente  nos  Estados  Unidos,  é  possível  que  se  realize  o  confronto  dos  resultados auferidos pela Recorrente com as suas operações de hedge e se verifique  que estes oscilam conforme as variações dos preços das mercadorias "hedgeadas"  na Bolsa de Chicago. Este, fato, ressalte­se, foi expressamente reconhecido pelo D.  Agente Fiscal.   168. Ora, quer parecer à Recorrente que se trata de prova mais do que suficiente quanto  à  realização dessas operações em bolsa, o que as  tornam dedutíveis  tanto para  fins de  apuração do IRPJ, quanto para fins de apuração da CSLL.   Aborda a correta  interpretação do artigo 396 do RIR, defendendo sua observância no  presente  caso  na  medida  em  que  as  operações  foram  realizadas  em  bolsa  e  sempre  estiveram sob o controle do órgão regulador norte­americano. Em seu entendimento, o  que  importa  é  que  o  eventual  resultado  negativo  da  operação  de  hedge  seja  fruto  de  assunção  efetiva  do  risco  das  operações  de  bolsa  e  que  tal  resultado  negativo  esteja  sujeito ao controle do órgão regulador estrangeiro.   Defende que a operação de hedge no exterior alcançada pelo artigo 396 do RIR deve ser  visualizada  sob  os  prismas  do  conteúdo  e  do  modo  de  execução,  afirmando  incontroverso  o  conteúdo  das  Ordens  realizadas  pela  recorrente,  centrando­se  a  discussão no modo de execução dessas Ordens, sem atentar que este se sujeita às regras  estrangeiras.  Na  medida  em  que  a  ADM  Financeira  visualiza  todas  as  Ordens  da  Recorrente  destinadas  a  serem  executadas  na Bolsa  de Chicago  e  as  identifica  como  verdadeiras Ordens  de  compra  ou  de  venda  com a  finalidade de  hedge,  fica  evidente  tratar­se  de  atuação  direta  em  bolsa  para  fins  de  aplicação  do  artigo  396  do RIR.  O  Fl. 24361DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.001638/2010­81  Resolução nº  1101­000.153  S1­C1T1  Fl. 13          12 termo  “diretamente”,  presente  na  lei,  deve  ser  interpretado  segundo  as  regras  do  ordenamento  jurídico  dos  EUA,  da  Bolsa  de  Chicago  e  o  princípio  da  legalidade,  afastando­se o  sentido mais  literal  e  formal deste  termo. E o  termo “bolsa” deve  ser  concebido  como  ambiente  e  sistemas  organizados  e  regulados  em  que  se  realizam  operações de mercado, e não apenas “pessoa jurídica Bolsa”.  Ainda,  porque  representativos  de  despesas  usuais  e  necessárias,  defende  a  dedutibilidade dos resultados de operações de cobertur. Desde que se trate de operações  de  hedge  vinculadas  a  operações  reais  e  efetivas  de  revenda  de  soja  e  que  sigam  rigorosamente os parâmetros de mercado, como no caso presente, tais despesas deverão  ser  consideradas  operacionais  e  dedutíveis  independentemente  de  qualquer  discussão  sobre o modo de execução das operações.  Reporta­se  a  doutrina  esclarecendo  que  o  hedge  nada  mais  é  que  a  aquisição  de  contratos em posição inversa aos contratos já firmados pela sociedade, e acrescenta que  num  contexto  em  que  os  preços  dos  produtos  que  comercializa  oscilam  ao  sabor  do  mercado,  deixar  de  realizar  operações  de  hedge  certamente  evidenciaria  que  a  Recorrente é mal gerida ou possui grande atividade especulativa. Citando as causas de  variação de preços no mercado que atua, conclui que o hedge é usual e necessário às  atividades da Recorrente.  Constrói exemplo numérico para aclarar tais afirmações e complementa:  194. Dentro desse mecanismo, mesmo que o preço de mercado da soja suba quando  da data de sua colheita e revenda, o valor que a Recorrente receber a mais do seu  cliente no mercado externo será remetido ao exterior por força do hedge. De outro  lado, caso o valor de mercado caia e, por conseqüência, o cliente externo da soja física  pague  menos  à  Recorrente,  o  hedge  propiciará  um  resultado  positivo  equivalente  ao  valor pactuado no contrato e o valor de mercado para essa época.  Traça a hipótese de incidência do IRPJ a partir da Constituição Federal para concluir  que  em  decorrência  da  premissa  basilar  e  irredutível  de  que  apenas  podem  ser  submetidos  ao  IRPJ  (e  também  CSLL)  os  acréscimos  patrimoniais  efetivos,  os  resultados das operações de hedge contratadas pela Recorrente não podem ser avaliados  isoladamente das operações comerciais que pretendem cobrir e, destarte, tributados da  forma efetuada pelo D. Agente Fiscal.   Apresenta mais exemplos numéricos dos  resultados que  seriam auferidos em caso de  valor de mercado superior ou  inferior ao preço de compra contratado, para concluir  que  impedir a dedutibilidade das perdas auferidas nas operações de hedge significaria  tributar os ganhos realizados nas operações comerciais da recorrente sem considerar os  custos  incorridos para  a  sua  consecução,  isto  é,  aqueles decorrentes das operações de  hedge.  Reporta­se  a  jurisprudência  administrativa  contrária  a  este  tipo  de  entendimento, em situações semelhantes como no caso de despesas de juros incorridos  em empréstimos repassados a outras empresas do mesmo grupo econômico.  Discorda da interpretação que, a partir do disposto no art. 396 do RIR/99, considera  indedutíveis os pagamentos das operações de cobertura não realizadas em bolsas, pois  tal  implicaria  reconhecer  que  aquela  norma  visa  a  locupletar  o  fisco  de  forma  injustificada, na medida em que seriam tributadas as receitas de venda das mercadorias,  mas  não  seria  aceito  um  importante  custo  incorrido  para  que  essas  mesmas  receitas  fossem auferidas.  Questiona,  também,  a  glosa  de  juros,  comissões  e  variações  cambiais  com  base  na  “acessoriedade” das despesas. Caberia à Fiscalização averiguar sua efetiva ocorrência,  bem como a necessidade, usualidade e normalidade dos gastos, para demonstrar que  eles  não  atenderiam  ao  art.  299  do  RIR/99.  Ressalta,  ainda,  que  as  operações  e  margens de cobertura foram verificadas e atestadas pela própria Fiscalização, de modo  que  restrições  contidas  no  art.  396  do RIR/99  se  limitam  às  perdas  com  hedge,  não  havendo  motivo  para  glosa  das  demais  despesas.  E  acrescenta  que  as  variações  Fl. 24362DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.001638/2010­81  Resolução nº  1101­000.153  S1­C1T1  Fl. 14          13 cambiais  observam  regime  de  caixa  para  sua  dedutibilidade,  não  avaliado  pela  Fiscalização, restando patente a superficialidade da investigação. Afirma que promoveu  adições, neste sentido, em 2007, no valor de R$ 19.511.352,94.  Finaliza defendendo a ilegalidade da incidência de juros sobre a multa de ofício, pois os  juros prestam­se a indenizar o prejuízo do credor com a privação do capital, ao passo  que  a  multa  é  pena  pecuniária  pelo  inadimplemento  de  obrigação.  Em  seu  entendimento,  os  juros  não  podem  incidir  sobre  a multa,  já  que  esta  penalidade  não  retrata  obrigação  principal, mas  sim  encargo  que  se  agrega  ao  valor  da  dívida,  como  forma de punir o contribuinte.   Argumenta  que a  aplicação  de  tal  percentual,  de  forma  ilimitada,  sobre  o  principal  e  sobre a multa, acarreta verdadeira afronta ao princípio do não­confisco, bem como viola  o direito de propriedade, já que faz incidir juros exorbitante sobre o imposto devido e,  ainda,  sobre  a  multa  aplicada.  Cita  jurisprudência  neste  sentido,  e  invoca  posicionamento da Câmara Superior de Recursos Fiscais no processo administrativo nº  10680.002472/2007­23.  Ao final, requer, ainda, seja determinada a conversão do julgamento em diligência, na  hipótese  de  este  procedimento  ser  tido  como  necessário  para  o  esclarecimento  de  qualquer dúvida acerca dos documentos juntados ao presente processo administrativo,  bem como protesta pela produção de todas as provas em Direito admitidas, bem como  pela  oportuna  sustentação  oral  de  suas  razões  de  defesa.  Ainda,  os  procuradores  da  Recorrente  declaram  ser  autênticas  as  cópias  simples  anexas  ao  presente  Recurso  Voluntário, nos termos do artigo 365, IV do Código de Processo Civil.  Em  28/02/2012  os  autos  do  presente  processo  foram  encaminhados  em CARF,  e  em  12/06/2012  distribuídos  a  esta  Relatora,  em  razão  de  sua  conexão  com  o  processo  administrativo nº 15586.001637/2009­01 (fl. 3426).  Em  06/12/2012  a  recorrente  apresentou  a  esta  Relatora  petição  protocolizada  no  CARF naquela data, requerendo a juntada dos seguintes estudos e pareceres jurídicos:  · Análise das operações de Hedge efetuadas pela Requerente no exterior à luz  do  art.  396  do RIR/99, expressa  em parecer  do Professor Marco Aurélio  Greco;  · Estudo dos vícios materiais que acarretam a nulidade dos autos de infração,  proferido pelo Professor Eurico Marcos Diniz de Santi;  · Interpretação do art. 17 da Lei nº 9.430/96 em razão da forma de operação  das Bolsas, em parecer do Professor Ary Oswaldo Mattos Filho.  · Relatório  de  Comprovação  do  Hedge  em  Operações  Futuros  Realizadas  pela Companhia nos Anos­Base de 2006 e 2007 e Relatório de Verificação  das Operações de Futuros  (Hedge) Realizadas pela Companhia nos Anos­ Base de 2006 e 2007, ambos emitidos pela empresa de auditoria KPMG;  · Relatório de Auditoria Independente das Operações de Futuro e Opções de  Commodities  Realizadas  pela  Companhia,  emitido  pela  empresa  de  auditoria Ernst  &  Young,  acerca  das  controvérsias  objeto  de  lançamento  nestes autos.  O  relatório  da  Ernst  &  Young,  acompanhado  de  diversos  demonstrativos  (todos  em  língua  estrangeira),  o  relatório  da  KPMG  e  os  pareceres  antes  mencionados  acompanharam  a  referida  petição.  Por  ocasião  de  sua  apresentação,  a  recorrente  mencionou  a  existência  de  documentos  que  lhes  dariam  suporte,  os  quais  seriam  apresentados no CARF. Consulta ao E­processo evidenciou que a referida petição e os  documentos  que  a  instruíram  ainda  não  haviam  sido  digitalizados  até  janeiro/2013,  bem como que não havia registro da apresentação de outros elementos.  Fl. 24363DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.001638/2010­81  Resolução nº  1101­000.153  S1­C1T1  Fl. 15          14 Em 12/09/2012, a Assessoria Técnica e Jurídica do CARF (ASTEJ) respondera a Ofício  da Procuradoria da República no Espírito Santo, informando que solicitaria prioridade  na tramitação do processo administrativo nº 15586.001637/2009­01, conexo a este. Em  28/11/2012  o  mesmo  órgão  requereu  cópias  do  auto  de  infração  e  das  decisões  já  proferidas naqueles autos, as quais  foram fornecidas pela Presidência desta 1a Seção  em  11/12/2012,  acompanhadas  da  informação  de  que  o  processo  administrativo  nº  15586.001637/2009­01  seria  incluído  em  pauta  na  sessão  seguinte,  em  fevereiro  de  2013.  O  litígio não  foi  apreciado na  reunião de  julgamento de  fevereiro/2013 em  razão de  pedido  de  adiamento  apresentado  pela  recorrente.  Ao  final  de  fevereiro/2013,  foram  digitalizados dois conjuntos de documentos anexos a estes autos, um com 34 (trinta e  quatro) volumes e outro com 13 (treze) volumes, cuja juntada definitiva ainda não foi  promovida  no  E­processo  em  razão  de  o  processo  encontrar­se  pautado  para  julgamento.   O  conjunto  de  documentos  composto  de  13  (treze)  volumes  está  intitulado  Laudo  KPMG  –  Relatório  de  verificação  das  operações  de  futuros  (hedge)  realizadas  pela  Companhia nos anos­base de 2006 a 2007. Reportam­se a anexos numerados de 1 a 28,  os quais guardam relação com o relatório de mesmo título, apresentado a esta Relatora  em 06/12/2012.  O  conjunto  de  documentos  composto  de  34  (trinta  e  quatro)  volumes  está  intitulado  Laudo  KPMG  –  Relatório  de  comprovação  do  hedge  em  operações  de  futuros  realizadas  pela  Companhia  nos  ano­base  de  2006  e  2007  e  reúne  anexos  entre  os  números  1  e  38,  evidenciando  tratar­se  dos  documentos  de  suporte  do  relatório  de  mesmo título, apresentado a esta Relatora também em 06/12/2012.   Os documentos apresentados ao final de fevereiro/2013 foram anexados às  fls.  3482/14778.  Além  deles,  foram  juntados  aos  autos  digitalizados  a  tradução  juramentada  do  Parecer elaborado por Ernst & Young (fls. 18777/18970), bem como os relatórios e o parecer  apresentados  a  esta  Conselheira  em  06/12/2012  (fls.  14781/18577),  além  dos  pareceres  emitidos pelos Professores Eurico Marcos Diniz de Santi, Ary Oswaldo Mattos Filho e Marco  Aurélio Greco (fls. 18595/18703).   Na sessão de julgamento de 10 de julho de 2013, este Colegiado decidiu: 1) por  voto  de  qualidade,  REJEITAR  as  argüições  de  nulidade  do  lançamento  por  falta  de  compensação de prejuízos fiscais anteriores e de dedução de antecipações do próprio período,  divergindo os Conselheiros Benedicto Celso Benício Júnior, Nara Cristina Takeda Taga e José  Ricardo  da  Silva;  2)  por  unanimidade  de  votos,  REJEITAR  a  argüição  de  nulidade  do  lançamento de glosa de juros, comissões e variações cambiais; 3) por unanimidade de votos,  REJEITAR  a  argüição  de  nulidade  da  decisão  recorrida;  4)  por  maioria  de  votos,  CONVERTER  EM  DILIGÊNCIA  o  julgamento,  divergindo  os  Conselheiros  Nara  Cristina  Takeda  Taga  e  José  Ricardo  da  Silva,  que  davam  provimento  ao  recurso  voluntário,  nos  termos do relatório e voto que integram o presente julgado.  Esta Conselheira  expôs  suas  razões  para  rejeitar  as  preliminares  deduzidas  na  defesa e, para concluir pela necessidade de diligência, reportou­se à abordagem consignada no  voto  condutor  da Resolução  nº  1101­000.077,  na medida  em  que  a  discussão,  nestes  autos,  possui  os  mesmos  contornos  daquela  travada  nos  autos  do  processo  administrativo  nº  15586.001637/2009­01,  e  a  recorrente  reportou­se,  por ocasião da petição  apresentada  a esta  Relatora em 06/12/2012, aos mesmos pareceres juntados aos autos do processo administrativo  nº  15586.001637/2009­01,  bem  como  indicou  a  elaboração  de  relatórios  por  KPMG  Tax  Fl. 24364DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.001638/2010­81  Resolução nº  1101­000.153  S1­C1T1  Fl. 16          15 Advisors  Ltda  e  Ernst  &  Young  LLP,  com  vistas  à  comprovação  das  operações  de  hedge  contabilizadas nos anos­calendário 2006 e 2007, aqui questionadas.   No voto condutor daquela Resolução,  esta Conselheira expôs  suas  razões para  rejeitar  as  preliminares  deduzidas  na  defesa;  observou  que  o  art.  396  do  RIR/99  admite  a  dedução de perdas  em operações de  cobertura  (hedge),  desde que  realizadas diretamente  em  bolsas do exterior; demonstrou que o procedimento  fiscal permitiu à  contribuinte provar que  assim  procedeu,  mas  as  discrepâncias  constatadas  nos  elementos  apresentados,  somados  a  outros  indícios, ensejou a glosa das perdas escrituradas; admitiu que a  interposição de outras  empresas  do  grupo  ADM  para  realização  de  operações  junto  à  Bolsa  de  Chicago  não  as  desnaturaria como promovidas diretamente em bolsa; cogitou da prova das operações de hedge  mediante  demonstração  de  sua  contratação  com membro  credenciado  da Bolsa  de  Chicago;  evidenciou  que  os  elementos  apresentados  à  Fiscalização  não  asseguravam  que  os  recursos  remetidos  ao  exterior  destinaram­se  às  operações  de  hedge,  porque  consolidadas  diversas  operações,  a  demandar  seu  exame  individualizado,  além  de  sua  vinculação  à  contratação  de  cobertura  efetiva  em  bolsa  no  exterior  e  correspondente  pagamento;  e  discorreu  sobre  o  conteúdo  das  provas  juntadas  depois  do  recurso  voluntário,  destinadas  a  demonstrar  o  fluxo  operacional  e  financeiro  das  atividades  questionadas  pela  Fiscalização,  ressaltando  que  referências à ADM Trading como hedge center somente surgiram em impugnação.  Considerando  tais  circunstâncias,  esta  Conselheira  concluiu  que  as  provas  apresentadas pela recorrente demonstravam seu empenho em reunir elementos para convencer  este órgão julgador da legitimidade de seus registros contábeis. Observou que ideal seria que  dossiês  diários  fossem  mantidos  para  demonstração  da  equivalência  entre  os  registros  contábeis  e as operações da  empresa  junto ao mencionado Sistema VAX. Mas os  elementos  trazidos pela recorrente são evidências fortes de que estes registros existiam e obedeciam a um  fluxo operacional sujeito a conciliações periódicas, de modo a assegurar a cobertura de suas  operações físicas com commodities. Apenas que, a precariedade da guarda documental destas  demonstrações  não  permitiu  que a  empresa  as apresentasse  à Fiscalização  e  convencesse  a  autoridade lançadora da regularidade de seus registros contábeis. Em conseqüência, já seria  necessária  a  conversão  do  julgamento  em  diligência  para  confirmação  do  conteúdo  dos  relatórios apresentados pela defesa.  Todavia,  a  demonstração  da  atuação  da  ADM  Trading  como  hedge  center  suscitou dúvidas acerca da dedutibilidade de perdas em razão de operações de hedge que não  teriam  sido  contratadas  em  Bolsa,  em  razão  de  impedimentos  legais,  razão  pela  qual  o  julgamento foi convertido em diligência para que a autoridade lançadora:  · Sob a premissa inicial de que todas as operações contabilizadas como sendo de  hedge  seriam  necessárias  e  dedutíveis:  1)  analise  os  elementos  trazidos  pela  recorrente  como  evidências  de  que  os  registros  junto  ao  mencionado  Sistema  VAX  existiam  e  obedeciam  a  um  fluxo  operacional  sujeito  a  conciliações  periódicas,  de  modo  a  assegurar  a  cobertura  de  suas  operações  físicas  com  commodities;  2)  informe  a  validade  dos  critérios  de  auditoria  adotados  pelas  empresas contratadas, e por conseqüência a admissibilidade de seus relatórios  para  demonstração  da  regularidade  dos  valores  contabilizados  pela  contribuinte,  ou  apure  esta  regularidade  por  outros  meios  que  entender  e  justificar  suficientes;  3)  aponte  divergências  que  deste  exame  resultem,  identificando  as  perdas  que  restarem  sem  comprovação,  e  quantificando  sua  repercussão no crédito tributário lançado;  Fl. 24365DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.001638/2010­81  Resolução nº  1101­000.153  S1­C1T1  Fl. 17          16 · Sob a premissa final de que somente as operações de hedge realizadas em bolsa  ensejam  perdas  dedutíveis,  promova  as  verificações  acima  requeridas,  mas  identifique  as  perdas  correspondentes  a  operações  de  hedge  efetivamente  contratadas junto à Bolsa de Chicago, sem antes  terem sido compensadas com  posições opostas apresentadas no mesmo período por outra empresa do Grupo  ADM.  Esta  Conselheira  ainda  acrescentou  ao  voto  condutor  da  Resolução  nº  1101­ 000.078 que:  Além disso, importa observar que, para indeferir a compensação de prejuízos e bases  negativas  pleiteada  em  impugnação,  a  autoridade  julgadora  de  1a  instância  assim  anotou:  Quanto à alegação de que teria havido erro no cálculo do limite do prejuízo fiscal e da  base de cálculo negativa de CSLL utilizados, ou seja, não teriam sido compensados os  valores a que teria direito (30% da base tributável), esclareça­se que:  · consta no Sistema SAPLI/RFB (Demonstrativo de Compensação de Prejuízos  Fiscais  –  fl.  3.064/3.066)  que  o  prejuízo  fiscal  no  valor  de  R$  5.515.198,35  existente em 2005 foi totalmente utilizado no ano­calendário de 2006 (em que  pese  somente  possuir  R$  5.515.198,35,  a  interessada  utilizou  R$  34.344.813,68).  Portanto,  não  há  prejuízo  a  ser  compensado  no  Auto  de  Infração de IRPJ relativo ao ano­calendário de 2006 nem valor a ser utilizado  no AI  relativo  ao  ano­calendário  de  2007  (o prejuízo  fiscal  do período  já  foi  considerado).  · consta no Sistema SACS/RFB (Demonstrativo da Base de Cálculo Negativa da  CSLL  –  fl.  3.072)  que  o  saldo  de  base  de  cálculo  negativa  no  valor  de  R$  38.753.786,46 existente em 2005  foi utilizado em 2006  (R$ 34.180.769,68) e  em 2008  (em que pese  só possuir R$ 4.573.016,78,  a  interessada utilizou R$  240.100.335,79). Portanto, não remanesceu base de cálculo negativa de CSLL a  ser  compensada  no Auto  de  Infração  de CSLL  relativo  ao  ano­calendário  de  2006 nem valor a ser utilizado no AI relativo ao ano­calendário de 2007 (a base  negativa do período já foi considerada).  A  recorrente  questiona  estas  conclusões,  e  defenda  a  prevalência  dos  valores  constantes  na  Parte  B  do  LALUR  e  nas  DIPJ  dos  anos­calendário  2006  e  2007,  asseverando  que  não  houve  procedimento  por  parte  da  Autoridade  Fiscal  visando  à  retificação  de  tais  saldos.  Assim,  na  hipótese  de,  após  a  diligência,  subsistir  base  tributável  nos  períodos  fiscalizados,  necessário  será  saber  se  os  prejuízos  e  bases  negativas disponíveis no LALUR da contribuinte correspondem, de fato, às apurações  por ela declaradas em períodos anteriores, e se estas não foram alteradas em razão de  procedimentos  fiscais passados. Além disso,  será necessário aferir  se  tais prejuízos e  bases  negativas  permanecem  disponíveis  à  época  da  conclusão  da  diligência  para  a  compensação requerida pela contribuinte.  Por  estas  razões,  o  presente  voto  é  no  sentido  de  CONVERTER  o  julgamento  em  diligência,  para  que  a  autoridade  lançadora,  além  das  verificações  nos  moldes  daquelas determinadas no processo administrativo nº 15586.001637/2009­01, confirme  a  existência  de  prejuízos  fiscais  e  bases  negativas  acumulados  antes  dos  períodos  fiscalizados,  bem  como  a  sua  disponibilidade,  ao  final  da  diligência,  para  sua  utilização nestes autos.  Ao  final  dos  trabalhos  a  contribuinte  deverá  ser  cientificada  de  relatório  circunstanciado da diligência fiscal, com reabertura de prazo de 30 (trinta) dias para  sua manifestação, antes da devolução dos autos a este Conselho.  Fl. 24366DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.001638/2010­81  Resolução nº  1101­000.153  S1­C1T1  Fl. 18          17 A autoridade fiscal encarregada da diligência exigiu a apresentação de memórias  de  cálculos  das  perdas  em  operações  de  hedge  promovidas  pela  recorrente,  bem  como  demonstração  das  operações  efetivamente  contratadas  junto  à  Bolsa  de  Chicago,  e  aquelas  compensadas  com  posições  opostas  de  outras  empresas  do  grupo  ADM  (fl.  19059/19060).  Inicialmente apenas o primeiro demonstrativo foi entregue, seguindo­se pedido de explicação  detalhada da memória de cálculo apresentada, bem como das demais a serem fornecidas após  prorrogação de prazo concedida à intimada (fls. 19061/19093).   A contribuinte prestou os esclarecimentos requeridos (fls. 19096/19223) e assim  consolidou  os  valores  das  perdas  resultantes  de  operações  efetivamente  contratadas  junto  à  Bolsa  de  Chicago  (item  2  da  intimação)  e  compensadas  com  posições  opostas  de  outras  empresas do grupo (item 3 da intimação):    A autoridade fiscal exigiu o detalhamento mensal das perdas (fls. 19224/19225)  e  em  resposta  a  contribuinte  apresentou  os  esclarecimentos  de  fls.  19228/19246.  Às  fls.  19247/24318  constam  os  documentos  apresentados  no  curso  da  diligência.  Novos  esclarecimentos  foram  exigidos  em  razão  de  divergências  constatadas  entre  os  elementos  apresentados  pela  contribuinte  (fls.  24319/24321),  sendo  prestadas  as  informações  de  fls.  24322/24327.  A  diligência  foi  concluída  com  a  lavratura  do  termo  de  fls.  24334/24347,  no  qual  a  autoridade  fiscal  apresenta  constatações  acerca  das  informações  apresentadas  pela  contribuinte, elaborando quadros demonstrativos das discrepâncias entre os valores declarados  como Ganhos/Perdas (Hedge) com soja e seus derivados comercializados pela ADM do Brasil  em comparação com os Ganhos/Perdas (Hedge) de soja e seus derivados comercializados pela  ADM Company, bem como das discrepâncias entre os valores informados como aplicados em  hedge  na BM&F Chicago  em  comparação  com  os  valores  totais  das  perdas  com Hedge  da  ADM do  Brasil,  e  ao  final  apresentando  as  seguintes  respostas  aos  quesitos  consignados  na  Resolução:  O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais solicitou as seguintes informações: 1)  analise  os  elementos  trazidos  pela  recorrente  como  evidências  de  que  os  registros  junto  ao  mencionado  Sistema  VAX  existiam  e  obedeciam  a  um  fluxo  operacional  sujeito a conciliações periódicas, de modo a assegurar a cobertura de suas operações  com  commodities;  2 )   informe  a  validade  dos  critérios  de  auditoria  adotados  pelas  empresas  contratadas,  e  por  conseqüência  a  admissibilidade  de  seus  relatórios  para  demonstração da regularidade dos valores contabilizados pelo contribuinte, ou apure  esta  regularidade por outros meios que entender  e  justificar  suficientes;  e 3) aponte  divergências  que  deste  exame  resultem,  identificando  as  perdas  que  restarem  sem  comprovação, e qualificando sua repercussão no crédito tributário lançado;  • Em resposta à solicitação do CARF, informamos:  1. Ficou constatado, em tese, que a empresa ADM Trading utilizava­se do sistema VAX  que  obedecia  a  um  fluxo  operacional  sujeito  a  conciliações  periódicas,  realizando  Fl. 24367DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.001638/2010­81  Resolução nº  1101­000.153  S1­C1T1  Fl. 19          18 compensações com posições opostas, de modo a calcular e assegurar a cobertura de  suas operações físicas com commodities;  2. Quanto à validade dos critérios das auditorias adotados pelas empresas contratadas,  e  por  conseqüência,  a  admissibilidade  de  seus  relatórios  para  demonstração  da  regularidade  dos  valores  contabilizados  pelo  contribuinte,  esta  fiscalização  informa  que  é  inviável  e  temerário  emitir  um  parecer,  visto  que  só  seria  possível  formar  convicção diante de uma auditoria  independente  ,  isto é, não contratada e paga pelo  contribuinte.   3. Considerando as  informações prestadas pelo contribuinte, apresentamos abaixo as  divergências apuradas, identificando as perdas que restaram sem comprovação, e suas  respectivas repercussões no crédito tributário lançado:  RECALCULO  DAS  INFRAÇÕES  APURADAS  CONFORME  VALORES  INFORMADOS PELO CONTRIBUINTE  Apresentamos abaixo os valores informados pelo contribuinte dos valores aplicados em  hedge na BM&F Chicago, após compensadas as posições opostas pelo  sistema VAX.  Informamos ainda as demais despesas acessórias (variação cambial, juros e comissões)  retirados  dos  processos  de  auto  de  infração  n°  15586.001637/2009­01  e  15586.001638/2010­81:    VALOR 2004  VALOR 2006  VALOR 2007  RESULTADOS  DE  HEDGE  INFORMADOS NA CONTABILIDADE ­ GLOSAS  DE  CUSTOS  E  DESPESAS  NOS AUTOS DE INFRAÇÃO  988.456.803,45  55.151.492,45  294.716.460,55  RESULTADOS    DO    HEDGE  APLICADOS   EM   BOLSA ­ RELATÓRIOS DO CONTRIBUINTE  307.889.579,00  35.700.691,00  160.554.919,00  TOTAL  DAS  GLOSAS  CONSIDERANDO  INFORMAÇÕES DO  CONTRIBUINTE  680.567.224,45  19.450.801,45  134.161.541,55  RECOMPOSIÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES DE RESULTADO  [...]  Cientificada, a contribuinte não se manifestou nestes autos.        Fl. 24368DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.001638/2010­81  Resolução nº  1101­000.153  S1­C1T1  Fl. 20          19 VOTO  Conselheira EDELI PEREIRA BESSA   Antes  de  adentrar  ao  reexame  das  preliminares  e  à  apreciação  do  mérito,  observa­se  que,  caso  se  conclua  pela  indedutibilidade,  ainda  que  em  parte,  das  perdas  resultantes de operações de hedge, não será possível finalizar a apreciação das demais matérias  autuadas.   Isto  porque,  na  realização  da  diligência  requerida  por  este  Colegiado,  a  autoridade fiscal entendeu inviável e temerário confirmar a validade dos critérios das auditorias  contratadas,  mas  intimou  a  contribuinte  a  demonstrar  os  valores  mensais  das  perdas  correspondentes às operações de hedge contratadas  junto à Bolsa de Chicago e compensadas  com as posições opostas de outras empresas do grupo ADM, e a contribuinte assim detalhou  esta apuração:  Para segregar as perdas relativas às operações de hedge que foram consolidadas pela  ADM  Trading  das  perdas  relativas  àquelas  que  foram  executadas  junto  à  Bolsa  de  Chicago conforme determinado pelos Termos de Diligência Fiscal, a ADM do Brasil  partiu do banco de dados que consolida todos os Relatórios R38381­01 e que engloba  todas as transações das contas da ADM do Brasil e realizou o seu confronto com todas  as transações da ADM Trading executadas junto à Bolsa de Chicago (“Extrato 5032”).  Dessa forma, considerando a sistemática de liquidação das operações descrita acima,  a  parti  desse  confronto  conclui­se  que  as  perdas  decorrentes  de  transações  de  um  mesmo produto, mês de Entrega e preço em determinado dia, constantes de ambos os  documentos (Relatório R38381­01 e Extrato 5032) foram negociadas junto à Bolsa de  Chicago.  A  partir  das  perdas  totais  nas  operações  de  compra  e  venda  da  ADM  Brasil,  identificou­se o volume de contratos e o valor das compras e das vendas pelos preços  destes  contratos  para  identificação  das  perdas  das  operações  da  ADM do  Brasil  na  Bolsa de Chicago.  A  partir  destes  critérios,  a  contribuinte  informou  que,  em  2006,  as  perdas  de  hedge da ADM do Brasil representaram R$ 97.980.871,00, sendo que as perdas das operações  de  hedge  realizadas  em  bolsa  totalizaram R$  35.700.691,00,  e  as  perdas  das  operações  de  hedge compensadas o montante de R$ 62.280.180,00. Já em 2007, as perdas de hedge da ADM  do  Brasil  representaram  R$  346.885.003,00,  sendo  que  as  perdas  das  operações  de  hedge  realizadas  em  bolsa  totalizaram  R$  160.554.919,00,  e  as  perdas  das  operações  de  hedge  compensadas o montante de R$ 186.330.084,00.  A autoridade  fiscal encarregada da diligência admitiu que,  em tese, a empresa  ADM  Trading  utilizava­se  do  sistema  VAX  que  obedecia  a  um  fluxo  operacional  sujeito  a  conciliações periódicas, realizando compensações com posições opostas, de modo a calcular e  assegurar  a  cobertura  de  suas  operações  físicas  com  commodities, mas  afirmou  impossível  auditá­lo,  visto  que  os  valores  aplicados  em  hedge  na  BM&F Chicago  são  realizados  pelo  Grupo ADM,  não  sendo  separados  por  empresas.  Consignou,  ainda,  que  a  contribuinte  não  apresentou  os  valores  e  documentos  relativos  às  transferências  financeiras  para  a  BM&F  Chicago referentes a aplicações em hedge, o que impossibilitou a elaboração de comparativos  em relação ao valor informado pelo contribuinte como aplicado na BM&F Chicago pela ADM  do Brasil. De outro  lado, elaborou  tais comparativos confrontando ganhos/perdas com soja e  Fl. 24369DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.001638/2010­81  Resolução nº  1101­000.153  S1­C1T1  Fl. 21          20 seus derivados registrados por ADM do Brasil e ADM Company, apurando que os resultados  desta  corresponderiam a 65% dos  resultados daquela. Comparou  também as perdas  totais da  recorrente com as perdas resultantes de hedge junto à Bolsa de Chicago, observando que estas  representam 25,8% daquelas. E reportou­se à divergência já constatada, por esta Conselheira,  nos relatórios das auditorias, que poderia ser  justificada pela consolidação que não reporta à  ADM Investor Services as operações contrárias praticadas pelo Grupo (fl. 7357).  A abordagem assim desenvolvida no Termo de Encerramento de Diligência não  expressa  qualquer  objeção  à  dedutibilidade  das  parcelas  de  R$  35.700.691,00  e  R$  160.554.919,00,  indicadas  pela  contribuinte  como  correspondente  a  perdas  em  operações  de  hedge  junto  à  Bolsa  de  Chicago  nos  anos  calendário  2006  e  2007,  respectivamente.  Ao  contrário,  a  autoridade  fiscal  encerra  a  exigência  recompondo a  apuração do  lucro  tributável  excluindo  aquela  parcela  das  glosas  aqui  promovidas.  Assim,  é  razoável  concluir  que  as  discrepâncias  acima  mencionadas  apenas  se  prestaram  a  reforçar  que  parte  das  perdas  contabilizadas pela contribuinte, de fato, não foram contratadas junto a bolsa no exterior, assim  como que os registros da contribuinte seriam confiáveis para se admitir a dedução das parcelas  antes  indicadas,  ainda  que  sem  a  apresentação  dos  documentos  de  transferências  financeiras  para a Bolsa de Chicago, visto que a ausência destes somente teria impedido a Fiscalização de  elaborar comparativos semelhantes aos anteriormente citados.   Mas, retomando o voto condutor da Resolução que determinou a conversão do  julgamento em diligência, vê­se que a autoridade fiscal dela encarregada nada disse acerca dos  questionamentos específicos ali formulados quanto à compensação de prejuízos fiscais e bases  negativas, a seguir reproduzidos:  Além disso, importa observar que, para indeferir a compensação de prejuízos e bases  negativas  pleiteada  em  impugnação,  a  autoridade  julgadora  de  1a  instância  assim  anotou:  Quanto à alegação de que teria havido erro no cálculo do limite do prejuízo fiscal e da  base de cálculo negativa de CSLL utilizados, ou seja, não teriam sido compensados os  valores a que teria direito (30% da base tributável), esclareça­se que:  · consta no Sistema SAPLI/RFB (Demonstrativo de Compensação de Prejuízos  Fiscais  –  fl.  3.064/3.066)  que  o  prejuízo  fiscal  no  valor  de  R$  5.515.198,35  existente em 2005 foi totalmente utilizado no ano­calendário de 2006 (em que  pese  somente  possuir  R$  5.515.198,35,  a  interessada  utilizou  R$  34.344.813,68).  Portanto,  não  há  prejuízo  a  ser  compensado  no  Auto  de  Infração de IRPJ relativo ao ano­calendário de 2006 nem valor a ser utilizado  no AI  relativo  ao  ano­calendário  de  2007  (o  prejuízo  fiscal  do  período  já  foi  considerado).  · consta no Sistema SACS/RFB (Demonstrativo da Base de Cálculo Negativa da  CSLL  –  fl.  3.072)  que  o  saldo  de  base  de  cálculo  negativa  no  valor  de  R$  38.753.786,46  existente  em 2005  foi utilizado em 2006  (R$ 34.180.769,68)  e  em 2008  (em que pese  só possuir R$ 4.573.016,78,  a  interessada utilizou R$  240.100.335,79). Portanto, não remanesceu base de cálculo negativa de CSLL a  ser  compensada  no Auto  de  Infração  de  CSLL  relativo  ao  ano­calendário  de  2006 nem valor a ser utilizado no AI relativo ao ano­calendário de 2007 (a base  negativa do período já foi considerada).  A  recorrente  questiona  estas  conclusões,  e  defenda  a  prevalência  dos  valores  constantes  na  Parte  B  do  LALUR  e  nas  DIPJ  dos  anos­calendário  2006  e  2007,  asseverando  que  não  houve  procedimento  por  parte  da  Autoridade  Fiscal  visando  à  retificação  de  tais  saldos.  Assim,  na  hipótese  de,  após  a  diligência,  subsistir  base  tributável  nos  períodos  fiscalizados,  necessário  será  saber  se  os  prejuízos  e  bases  negativas disponíveis no LALUR da contribuinte correspondem, de fato, às apurações  Fl. 24370DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.001638/2010­81  Resolução nº  1101­000.153  S1­C1T1  Fl. 22          21 por ela declaradas em períodos anteriores, e se estas não foram alteradas em razão de  procedimentos fiscais passados. Além disso,  será necessário aferir  se  tais prejuízos e  bases  negativas  permanecem  disponíveis  à  época  da  conclusão  da  diligência  para  a  compensação requerida pela contribuinte.  Por  estas  razões,  o  presente  voto  é  no  sentido  de  CONVERTER  o  julgamento  em  diligência,  para  que  a  autoridade  lançadora,  além  das  verificações  nos  moldes  daquelas determinadas no processo administrativo nº 15586.001637/2009­01, confirme  a  existência  de  prejuízos  fiscais  e  bases  negativas  acumulados  antes  dos  períodos  fiscalizados,  bem  como  a  sua  disponibilidade,  ao  final  da  diligência,  para  sua  utilização nestes autos.  Assim,  os  autos  devem  retornar  à  origem  para  que  a  autoridade  fiscal  se  manifeste acerca destes aspectos e, ao final dos trabalhos, cientifique a contribuinte de relatório  circunstanciado  da  diligência  fiscal,  com  reabertura  de  prazo  de  30  (trinta)  dias  para  sua  manifestação, antes da devolução dos autos a este Conselho.     (documento assinado digitalmente)  EDELI PEREIRA BESSA – Relatora    Fl. 24371DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO

score : 1.0