Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,279)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,763)
- Primeira Turma Ordinária (16,221)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,176)
- Primeira Turma Ordinária (16,104)
- Primeira Turma Ordinária (16,039)
- Segunda Turma Ordinária d (15,797)
- Segunda Turma Ordinária d (14,451)
- Primeira Turma Ordinária (13,020)
- Primeira Turma Ordinária (12,381)
- Segunda Turma Ordinária d (12,367)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,422)
- Quarta Câmara (84,834)
- Terceira Câmara (67,389)
- Segunda Câmara (55,826)
- Primeira Câmara (20,245)
- 3ª SEÇÃO (16,176)
- 2ª SEÇÃO (11,281)
- 1ª SEÇÃO (6,836)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (125,132)
- Segunda Seção de Julgamen (114,469)
- Primeira Seção de Julgame (76,587)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,961)
- Câmara Superior de Recurs (37,889)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,615)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,487)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,754)
- HELCIO LAFETA REIS (3,725)
- ROSALDO TREVISAN (3,220)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,925)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,728)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,630)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,840)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,921)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,471)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,515)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,135)
- 2017 (16,840)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2026 (13,849)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10735.901025/2008-57
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Mar 13 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1801-000.343
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento na realização de diligências, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Wipprich Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cristiane Silva Costa, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes Wipprich.
Nome do relator: Não se aplica
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201408
turma_s : Primeira Turma Especial da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Mar 13 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10735.901025/2008-57
anomes_publicacao_s : 201503
conteudo_id_s : 5440792
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Mar 13 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 1801-000.343
nome_arquivo_s : Decisao_10735901025200857.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : Não se aplica
nome_arquivo_pdf_s : 10735901025200857_5440792.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento na realização de diligências, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cristiane Silva Costa, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes Wipprich.
dt_sessao_tdt : Tue Aug 26 00:00:00 UTC 2014
id : 5855208
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:38:00 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047702860726272
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2030; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE01 Fl. 2 1 1 S1TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10735.901025/200857 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1801000.343 – 1ª Turma Especial Data 26 de agosto de 2014 Assunto Solicitação de diligência Recorrente DISTRIBUIDORA DE PNEUS MIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento na realização de diligências, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cristiane Silva Costa, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes Wipprich. RELATÓRIO E VOTO Este litígio foi objeto da Resolução nº 1801000.294, deliberada em 08 de outubro de 2013, efls. 1.692 a 1.708. Ocorre que as diligências solicitadas não foram realizadas. A Resolução teve como fundamento e pretendeu: “A maioria deste colegiado votou pela conversão do presente julgamento na realização de diligência com o objetivo de reunir os processos interligados e apreciálos concomitantemente, em vista do reflexo do resultado de um no outro. Explico. No acórdão recorrido restou esclarecido que “...o saldo negativo utilizado pela interessada para compensar as estimativas de jan, fev/2003 e parte de mar/2003, referese ao saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2002 (fls. 224/226) que é tratado no Processo nº 10735.720043/200830, o qual já foi objeto de análise por esta RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 35 .9 01 02 5/ 20 08 -5 7 Fl. 1712DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/09/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10735.901025/200857 Resolução nº 1801000.343 S1TE01 Fl. 3 2 Turma de Julgamento (análise que incluiu diversos anoscalendários anteriores), (...). Atualmente, o referido processo encontrase no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (...).” (grifos acrescidos) Com efeito, constatase, em pesquisa realizada ao sistema eprocesso, que o processo administrativo nº 10735.720043/200830 está aguardando distribuição para sorteio neste órgão colegiado. Ao analisar os autos impõemse decidir sobre matéria prejudicial, portanto, de natureza processual. O Decreto nº 70.235/72, que disciplina o processo administrativo fiscal (PAF), não tratou da conexão ou da continência processual, pelo que o Código de Processo Civil deve ser invocado de forma subsidiária. [...] A continência se estabelece quando é necessária a reunião de processos para não haver decisões isoladas e conflitantes. Assim, flagrante fazse a continência entre os processos, razão pela qual decidese, por maioria, que ambos os processos (este e o de nº 10735.720043/200830) devem ser apreciados conjuntamente. Convertese, pois, o julgamento na realização de diligência para que a unidade de jurisdição da recorrente proceda à remessa do processo nº 10735.720043/200830 (devidamente digitalizado) para ser apreciado em conjunto a este. Observo que no caso do valor em litígio ultrapassar R$1.000.000,00 (do outro processo), ambos os processos deverão ser sorteados para as Turmas Ordinárias em razão do limite de alçada a que se sujeitam os litígios nas Turmas Especiais. Caso contrário, ambos deverão ser encaminhados a esta 1ª Turma Especial, por prevenção.” Em resposta, a autoridade a quo declinou a realização da diligência esclarecendo que o processo está neste órgão julgador e devolveuo ao CARF – despacho às efls. 1711. Compulsando o Regimento Interno do CARF (Portaria MF nº 256/09), em seu Anexo II, dispõe o § 7º do artigo 49: Art. 49. Os processos recebidos pelas Câmaras serão sorteados aos conselheiros. [...] § 7° Os processos que retornarem de diligência, os com embargos de declaração opostos e os conexos, decorrentes ou reflexos serão distribuídos ao mesmo relator, independentemente de sorteio, ressalvados os embargos de declaração opostos, em que o relator não mais pertença ao colegiado, que serão apreciados pela turma de origem, com designação de relator ad hoc. É competência regimental do Serviço de Controle de Julgamento (Secoj) a distribuição de processos, dentro do órgão – artigo 20, inciso III, Anexo I: Art. 20. Ao Serviço de Controle de Julgamento (Secoj) compete: (...) Fl. 1713DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/09/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10735.901025/200857 Resolução nº 1801000.343 S1TE01 Fl. 4 3 III distribuir e movimentar os processos administrativos fiscais para as Seções e Câmaras; Em vista da recusa da unidade de jurisdição da recorrente em chamar o processo nº 10735.720043/2008301 (devidamente digitalizado) e remeter, em retorno, os dois processos juntos para serem julgados em mesma sessão, resta determinar que o Secoj proceda à remessa dos referidos autos, devidamente digitalizados, a esta Conselheira, consoante decisão da maioria desta Primeira Turma Especial, para que se possa proceder à apreciação e votação conjunta, por flagrantemente interligados seus objetos. Voto em converter, mais uma vez, o julgamento na realização de diligência a ser cumprida pelo Secoj do Carf. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich 1 Na atividade "Distribuir/Sortear"; Equipe 1ª SEJUL/CARF/MF/DF; em 20/08/2014 Fl. 1714DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/09/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 10880.736407/2011-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
CRÉDITOS INCOBRÁVEIS. TITULARIDADE. A prova da titularidade de perdas que afetaram o lucro tributável não se faz apenas com a apresentação de modelos de contratos que afirmam esta possibilidade, mas sim com documentos evidenciando a efetiva assunção pela contribuinte, na condição de fiadora, de créditos em datas e valores compatíveis com os registros contábeis que resultam nos valores glosados.
DESPESAS COM VALES REFEIÇÃO. Correta a decisão que afasta a glosa por entender que a apresentação de todas as notas fiscais emitidas, no ano de 2006, em nome da Impugnante pelo fornecedor dos vales refeição é condição suficiente para comprovação das despesas.
DESPESAS COM VALES TRANSPORTE. A dedutibilidade de despesas com vales transporte está condicionada à apresentação das notas fiscais de fornecimento e à comprovação dos critérios utilizados para rateio destas despesas com outras empresas do grupo.
ACORDOS JUDICIAIS. RECLAMAÇÕES TRABALHISTAS. Correta a decisão que afasta a glosa por entender que a comprovação de que os acordos judiciais realizados se referiam a reclamações de funcionários da Impugnante é suficiente para considerar as despesas como dedutíveis.
PROVISÃO SOBRE CONTENCIOSO CÍVEL E TRABALHISTA. Somente são dedutíveis para efeito de apuração do lucro real as provisões previstas em lei. Correta a glosa se não provado que o débito na conta de despesas não se referia à provisão, mas sim, a decisões judiciais ou acordos realizados.
DESPESAS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. Somente são admissíveis como operacionais, para fins fiscais, as despesas efetivamente comprovadas, não bastando como elemento probante apenas a apresentação de notas fiscais emitidas pela prestadora dos serviços. Todavia, devem ser canceladas as glosas de despesas acerca das quais a contribuinte não foi intimada a apresentar comprovação no curso do procedimento fiscal.
SERVIÇOS DE CONSULTORIA FINANCEIRA. As notas fiscais apresentadas pelo contribuinte, associadas a solicitações de pagamentos e aos competentes registros contábeis, são mais do que suficientes a demonstrar a efetividade da prestação dos serviços contratados, de modo que, à míngua de outros fatos/provas - que deveriam ter sido carreados pela acusação -, inexiste óbice à dedutibilidade das despesas em causa.
MULTA DE OFÍCIO. AGRAVADA. DESCONSIDERAÇÃO. Correta a decisão que, para aplicação do agravamento da multa de ofício, com base no artigo 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96 entende ser necessária a demonstração das razões, cancelando a exigência por inexistir nos autos evidência de que houve qualquer empecilho ao trabalho da fiscalização.
Numero da decisão: 1101-001.204
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado em: 1) relativamente à glosa de perdas, por maioria de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, divergindo os Conselheiros Benedicto Celso Benício Júnior e Paulo Reynaldo Becari, que davam provimento ao recurso, e votando pelas conclusões o Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso; 2) relativamente à glosa de despesas com vale-transporte, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário; 3) relativamente às glosas de abono e participações nos lucros, por voto de qualidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, divergindo os Conselheiros Benedicto Celso Benício Júnior e Antônio Lisboa Cardoso, que davam provimento ao recurso, e o Conselheiro Paulo Reynaldo Becari, que convertia o julgamento em diligência; 4) relativamente à glosa de serviços de mão de obra temporária, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário; 5) relativamente à glosa de comissão franquia/promotora, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário; 6) relativamente à glosa de serviços de consultoria financeira e outros serviços de pessoas jurídicas, por maioria de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, vencida a Relatora Conselheira Edeli Pereira Bessa, acompanhada pelo Conselheiro Paulo Mateus Ciccone, sendo designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior; 7) relativamente à glosa de serviços diversos de pessoas jurídicas, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário; 8) relativamente à glosa de provisões para contingências cíveis e trabalhistas, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário; e 9) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA Relatora
(documento assinado digitalmente)
BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Paulo Mateus Ciccone, Paulo Reynaldo Becari e Antônio Lisboa Cardoso.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201410
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006 CRÉDITOS INCOBRÁVEIS. TITULARIDADE. A prova da titularidade de perdas que afetaram o lucro tributável não se faz apenas com a apresentação de modelos de contratos que afirmam esta possibilidade, mas sim com documentos evidenciando a efetiva assunção pela contribuinte, na condição de fiadora, de créditos em datas e valores compatíveis com os registros contábeis que resultam nos valores glosados. DESPESAS COM VALES REFEIÇÃO. Correta a decisão que afasta a glosa por entender que a apresentação de todas as notas fiscais emitidas, no ano de 2006, em nome da Impugnante pelo fornecedor dos vales refeição é condição suficiente para comprovação das despesas. DESPESAS COM VALES TRANSPORTE. A dedutibilidade de despesas com vales transporte está condicionada à apresentação das notas fiscais de fornecimento e à comprovação dos critérios utilizados para rateio destas despesas com outras empresas do grupo. ACORDOS JUDICIAIS. RECLAMAÇÕES TRABALHISTAS. Correta a decisão que afasta a glosa por entender que a comprovação de que os acordos judiciais realizados se referiam a reclamações de funcionários da Impugnante é suficiente para considerar as despesas como dedutíveis. PROVISÃO SOBRE CONTENCIOSO CÍVEL E TRABALHISTA. Somente são dedutíveis para efeito de apuração do lucro real as provisões previstas em lei. Correta a glosa se não provado que o débito na conta de despesas não se referia à provisão, mas sim, a decisões judiciais ou acordos realizados. DESPESAS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. Somente são admissíveis como operacionais, para fins fiscais, as despesas efetivamente comprovadas, não bastando como elemento probante apenas a apresentação de notas fiscais emitidas pela prestadora dos serviços. Todavia, devem ser canceladas as glosas de despesas acerca das quais a contribuinte não foi intimada a apresentar comprovação no curso do procedimento fiscal. SERVIÇOS DE CONSULTORIA FINANCEIRA. As notas fiscais apresentadas pelo contribuinte, associadas a solicitações de pagamentos e aos competentes registros contábeis, são mais do que suficientes a demonstrar a efetividade da prestação dos serviços contratados, de modo que, à míngua de outros fatos/provas - que deveriam ter sido carreados pela acusação -, inexiste óbice à dedutibilidade das despesas em causa. MULTA DE OFÍCIO. AGRAVADA. DESCONSIDERAÇÃO. Correta a decisão que, para aplicação do agravamento da multa de ofício, com base no artigo 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96 entende ser necessária a demonstração das razões, cancelando a exigência por inexistir nos autos evidência de que houve qualquer empecilho ao trabalho da fiscalização.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10880.736407/2011-25
anomes_publicacao_s : 201503
conteudo_id_s : 5445091
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 1101-001.204
nome_arquivo_s : Decisao_10880736407201125.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : EDELI PEREIRA BESSA
nome_arquivo_pdf_s : 10880736407201125_5445091.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em: 1) relativamente à glosa de perdas, por maioria de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, divergindo os Conselheiros Benedicto Celso Benício Júnior e Paulo Reynaldo Becari, que davam provimento ao recurso, e votando pelas conclusões o Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso; 2) relativamente à glosa de despesas com vale-transporte, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário; 3) relativamente às glosas de abono e participações nos lucros, por voto de qualidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, divergindo os Conselheiros Benedicto Celso Benício Júnior e Antônio Lisboa Cardoso, que davam provimento ao recurso, e o Conselheiro Paulo Reynaldo Becari, que convertia o julgamento em diligência; 4) relativamente à glosa de serviços de mão de obra temporária, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário; 5) relativamente à glosa de comissão franquia/promotora, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário; 6) relativamente à glosa de serviços de consultoria financeira e outros serviços de pessoas jurídicas, por maioria de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, vencida a Relatora Conselheira Edeli Pereira Bessa, acompanhada pelo Conselheiro Paulo Mateus Ciccone, sendo designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior; 7) relativamente à glosa de serviços diversos de pessoas jurídicas, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário; 8) relativamente à glosa de provisões para contingências cíveis e trabalhistas, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário; e 9) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Relatora (documento assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Paulo Mateus Ciccone, Paulo Reynaldo Becari e Antônio Lisboa Cardoso.
dt_sessao_tdt : Tue Oct 21 00:00:00 UTC 2014
id : 5872687
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:38:37 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047702863872000
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 32; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2719; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C1T1 Fl. 2 1 1 S1C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.736407/201125 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 1101001.204 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 21 de outubro de 2014 Matéria IRPJ/CSLL Glosa de despesas Recorrentes LIDERPRIME ADMINISTRADORA DE CARTÕES DE CRÉDITO LTDA FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 CRÉDITOS INCOBRÁVEIS. TITULARIDADE. A prova da titularidade de perdas que afetaram o lucro tributável não se faz apenas com a apresentação de modelos de contratos que afirmam esta possibilidade, mas sim com documentos evidenciando a efetiva assunção pela contribuinte, na condição de fiadora, de créditos em datas e valores compatíveis com os registros contábeis que resultam nos valores glosados. DESPESAS COM VALES REFEIÇÃO. Correta a decisão que afasta a glosa por entender que a apresentação de todas as notas fiscais emitidas, no ano de 2006, em nome da Impugnante pelo fornecedor dos vales refeição é condição suficiente para comprovação das despesas. DESPESAS COM VALES TRANSPORTE. A dedutibilidade de despesas com vales transporte está condicionada à apresentação das notas fiscais de fornecimento e à comprovação dos critérios utilizados para rateio destas despesas com outras empresas do grupo. ACORDOS JUDICIAIS. RECLAMAÇÕES TRABALHISTAS. Correta a decisão que afasta a glosa por entender que a comprovação de que os acordos judiciais realizados se referiam a reclamações de funcionários da Impugnante é suficiente para considerar as despesas como dedutíveis. PROVISÃO SOBRE CONTENCIOSO CÍVEL E TRABALHISTA. Somente são dedutíveis para efeito de apuração do lucro real as provisões previstas em lei. Correta a glosa se não provado que o débito na conta de despesas não se referia à provisão, mas sim, a decisões judiciais ou acordos realizados. DESPESAS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. Somente são admissíveis como operacionais, para fins fiscais, as despesas efetivamente comprovadas, não bastando como elemento probante apenas a apresentação de notas fiscais emitidas pela prestadora dos serviços. Todavia, devem ser canceladas as AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 73 64 07 /2 01 1- 25 Fl. 3345DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Ass inado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10880.736407/201125 Acórdão n.º 1101001.204 S1C1T1 Fl. 3 2 glosas de despesas acerca das quais a contribuinte não foi intimada a apresentar comprovação no curso do procedimento fiscal. SERVIÇOS DE CONSULTORIA FINANCEIRA. As notas fiscais apresentadas pelo contribuinte, associadas a solicitações de pagamentos e aos competentes registros contábeis, são mais do que suficientes a demonstrar a efetividade da prestação dos serviços contratados, de modo que, à míngua de outros fatos/provas que deveriam ter sido carreados pela acusação , inexiste óbice à dedutibilidade das despesas em causa. MULTA DE OFÍCIO. AGRAVADA. DESCONSIDERAÇÃO. Correta a decisão que, para aplicação do agravamento da multa de ofício, com base no artigo 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96 entende ser necessária a demonstração das razões, cancelando a exigência por inexistir nos autos evidência de que houve qualquer empecilho ao trabalho da fiscalização. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em: 1) relativamente à glosa de perdas, por maioria de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, divergindo os Conselheiros Benedicto Celso Benício Júnior e Paulo Reynaldo Becari, que davam provimento ao recurso, e votando pelas conclusões o Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso; 2) relativamente à glosa de despesas com valetransporte, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário; 3) relativamente às glosas de abono e participações nos lucros, por voto de qualidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, divergindo os Conselheiros Benedicto Celso Benício Júnior e Antônio Lisboa Cardoso, que davam provimento ao recurso, e o Conselheiro Paulo Reynaldo Becari, que convertia o julgamento em diligência; 4) relativamente à glosa de serviços de mão de obra temporária, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário; 5) relativamente à glosa de “comissão franquia/promotora”, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário; 6) relativamente à glosa de serviços de consultoria financeira e “outros serviços de pessoas jurídicas”, por maioria de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, vencida a Relatora Conselheira Edeli Pereira Bessa, acompanhada pelo Conselheiro Paulo Mateus Ciccone, sendo designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior; 7) relativamente à glosa de “serviços diversos de pessoas jurídicas”, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário; 8) relativamente à glosa de provisões para contingências cíveis e trabalhistas, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário; e 9) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 3346DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Ass inado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10880.736407/201125 Acórdão n.º 1101001.204 S1C1T1 Fl. 4 3 (documento assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR – Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Paulo Mateus Ciccone, Paulo Reynaldo Becari e Antônio Lisboa Cardoso. Fl. 3347DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Ass inado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10880.736407/201125 Acórdão n.º 1101001.204 S1C1T1 Fl. 5 4 Relatório LIDERPRIME ADMINISTRADORA DE CARTÕES DE CRÉDITO LTDA (nova razão social de PANAMERICANO ADMINISTRADORA DE CARTÕES DE CRÉDITO LTDA), já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São PauloI que, por unanimidade de votos, julgou PARCIALMENTE PROCEDENTE a impugnação interposta contra lançamento formalizado em 13/12/2011, exigindo crédito tributário no valor total de R$ 165.573.199,58. Os Termos de Verificação Fiscal às fls. 871/887 apontam as seguintes infrações apuradas: · Glosa de provisões para contingências cíveis, no valor de R$ 3.956.175,89 ao arrepio do quanto disposto no Inciso I, do artigo 13, da Lei nº 9.249/95; · Glosa no valor de R$ 151.062.327,01 decorrente de perdas no recebimento de créditos em operações com cartões de crédito, que não são de titularidade da fiscalizada, pois apenas as instituições financeiras são habilitadas, na forma da legislação vigente, a realizar operações de empréstimos e financiamentos; · Glosas no valor total de R$ 51.872.992,09 correspondentes a despesas contabilizadas e deduzidas na base tributável pelo IRPJ e CSLL cuja documentação fornecida revelouse insuficiente e inconclusa para comprovar que os pagamentos efetuados são necessários, normais ou usuais e que guardam correlação com a fonte produtora dos rendimentos, consoante detalhado para cada espécie de despesa glosada. Ao final, foi ressaltada a aplicação de multa agravada de 112,5% sobre o crédito tributário resultante deste último grupo de infrações, em atendimento ao quanto disposto no artigo 959 do citado RIR/99. Impugnando a exigência, a autuada disse que, relativamente às perdas no recebimento de créditos, a autoridade fiscal não compreendeu o funcionamento do sistema que reúne diversas relações jurídicas, como por ela própria reconhecido. Descreveu as operações, transcreveu disposições contratuais, e afirmou ser inegável a titularidade da Impugnante no que se refere aos créditos oriundos da subrogação da dívida contraída pelo titular do cartão. Defendeu que as despesas glosadas são operacionais, apresentando argumentos específicos para cada grupo questionado. Quanto às glosas de provisões, alegou que os valores corresponderiam a obrigações já definidas em acordos judiciais e/ou decisões proferidas nos processos cíveis e trabalhistas. E, relativamente à multa agravada, disse que a acusação foi genérica, excluiu as hipóteses contidas nos incisos II e III do dispositivo legal citado pela Fiscalização, bem como afirmou inexistir o embaraço previsto no seu inciso I. Fl. 3348DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Ass inado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10880.736407/201125 Acórdão n.º 1101001.204 S1C1T1 Fl. 6 5 Ao final, disse que a despeito da documentação, que ora se apresenta, importante observar, que, como já mencionado acima, a Impugnante e as empresas do grupo Panamericano passaram, recentemente, por operações societárias que, em face da crise noticiada nos jornais de grande circulação, dificultaram o acesso da Impugnante a toda a documentação que dá suporte às despesas incorridas no período autuado razão pela qual protesta pela posterior juntada de documentos adicionais comprobatórios das despesas em questão. A Turma Julgadora afastou as exigências correspondentes a: · Glosa de despesas com vale refeição no valor total de R$ 14.101.083,98, na medida em que fiscalizada apresentara cópias de notas fiscais e relatório com os beneficiários dos pagamentos, não se estendendo a estas operações os questionamentos acerca da falta de comprovação dos critérios de rateio de despesas com outras empresas do grupo; · Glosa de despesas com acordos judiciais no valor total de R$ 1.521.500,00, fundamentada na falta de documentação que justificasse os pagamentos integrais dos acordos, pois havia também outra empresa no pólo passivo das reclamações, ao passo que a impugnante juntou cópia das fichas dos registros dos empregados e os acordos realizados para demonstrar que eram seus os empregados beneficiados; · Multa Agravada, porque a Fiscalização não deixou explicitadas as situações em que os documentos não foram apresentados e que acarretaram o agravamento da multa de ofício. De outro lado, as respostas do intimado não evidenciam intenção de tumultuar os trabalhos da auditoria. E, se o agravamento da multa de ofício foi realizado pelo motivo da Impugnante não ter apresentado os documentos que evidenciam a real prestação dos serviços tomados, isto não é suficiente para motivar o agravamento. De outro lado, manteve as demais exigências, aduzindo que: · Relativamente às perdas no contexto do sistema de cartões de créditos, observou que somente na impugnação a contribuinte esclareceu que os valores baixados como perdas se referiam aos empréstimos que os titulares dos cartões de crédito assumiram com os Bancos Safra e J. Safra S/A, por intermédio da Impugnante e, que tinham como avalista ela própria administradora dos cartões. Deste modo, como os titulares dos cartões não honraram os seus empréstimos, a Impugnante os liquidou e passou a ser credora dos titulares dos cartões, em substituição aos bancos. · De outro lado, a titularidade acerca dos créditos não foi individualmente provada, bem como não foi demonstrado o preenchimento dos requisitos do art. 9o da Lei nº 9.430/96, requisitos indispensáveis na medida em que as perdas representaram 55% do total de receitas e a sociedade tem como objeto social a administração de cartões de crédito de terceiros, no caso, conforme ela informou, do Banco Panamericano S/A e Safra S/A. Fl. 3349DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Ass inado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10880.736407/201125 Acórdão n.º 1101001.204 S1C1T1 Fl. 7 6 · As despesas com vale transporte de R$ 3.824.944,06 devem ser mantidas porque a contribuinte disse durante o procedimento fiscal que elas eram rateadas sem provar os critérios de rateio, além de não terem sido apresentadas as notas fiscais e os documentos solicitados pelo agente fiscal; · As despesas de “Abono Participação Lucro” (R$ 1.781.296,80) e “Outras – Participação nos Lucros” (R$ 12.027.536,49) não foram validamente vinculadas a contraprestação de serviços prestados à impugnante, porque não demonstrada a previsão em contrato de trabalho e a sujeição a encargos sociais e IRRF. Ademais, destacou a Fiscalização que na documentação oferecida não constam regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos de participação, como previsto na Lei nº 10.101/2000; · As despesas com “Serv. Mão de Obra Temporária” (R$ 6.701.274,07) não são provadas apenas por contratos e notas fiscais de algumas empresas, e mesmo para esta parte assim demonstrada são necessárias evidências da efetiva prestação de serviços (relação dos funcionários que prestaram os serviços, relatórios com o detalhamento dos serviços prestados, etc.); · As despesas com “Comissão Franquia/Promotora” (R$ 2.908.262,10) foram glosadas porque nos contratos apresentados à Fiscalização figurava uma pessoa distinta da autuada, e além de não esclarecida esta divergência não foi comprovada a efetiva prestação dos serviços (relatório de clientes conquistados, planilhas demonstrando os valores pagos de comissão, etc.); · As despesas com “Serviços de Consultoria Financeira” (R$ 248.842,00) não estão vinculadas a documentos que comprovem sua efetiva prestação (contratos, detalhamento dos serviços prestados, relatórios sobre o andamento e finalização dos trabalhos, identificação dos profissionais, etc.); · As despesas com “Serviços Diversos Pessoas Jurídicas” (R$ 5.444.002,70) poderiam ser provados por meio das notas fiscais emitidas pelas empresas responsáveis pela prestação dos serviços, nas quais indicam como destinatário a Impugnante, bem como contrato de prestação de serviços, os quais não foram apresentados. · As despesas de “Outros Serviços de Pessoa Jurídica” (R$ 3.314.249,89) foram demonstradas por meio de notas fiscais as descrições dos serviços prestados são genéricas como: serviço de assessoria financeira; administrativa; com eventos; etc, os quais não provam a efetiva prestação de serviços; · As provisões para contingências cíveis e trabalhistas (R$ 3.956.175,89) não são suportadas sequer por uma relação destas ações com os valores a pagar e os documentos relativos às decisões ou acordos celebrados. Por sua vez, seria incabível cogitar de postergação pois se trata de provisão indedutível. O crédito tributário exonerado, a título de principal e multa de ofício, representou R$ 15.907.963,42, motivo pelo qual a Turma Julgadora submeteu sua decisão a reexame necessário. Cientificada da decisão de primeira instância em 17/10/2012 (fl. 2930), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 14/11/2012 (fls. 2932/2973). Fl. 3350DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Ass inado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10880.736407/201125 Acórdão n.º 1101001.204 S1C1T1 Fl. 8 7 Inicialmente abordando a glosa de perdas no contexto do sistema de cartões de crédito, diz que a Fiscalização equivocadamente entendeu que a recorrente atuaria na obtenção de empréstimos junto aos bancos como mandatária do titular do cartão na hipótese em que este opta por financiar suas compras e, desse modo, o detentor do crédito relativo ao empréstimo tomado em nome do cartão de crédito seria a instituição financeira e não a Recorrente. Contudo, detalha as operações realizadas para demonstrar que celebrou com os bancos contrato de crédito em nome do titular do cartão no qual a Recorrente se constitui fiadora e avalista do financiamento, de modo que, ocorrido o inadimplemento do titular do cartão, a Recorrente assumia a obrigação de quitar a dívida com as instituições financeiras, tornandose ela própria credora do titular do cartão, subrogandose nos direitos do credor original. Discorre sobre o conjunto intrincado de relações jurídicas que compõem o sistema de administração de cartões de crédito, descrevendo os agentes e as relações jurídicas, bem como o procedimento de apuração de responsabilidades, ao final do qual uma das empresas integrantes do sistema de cartão de crédito sempre assume o prejuízo pela inadimplência do consumidor (titular do cartão) em favor (em última instância) do estabelecimento comercial, mantendo, assim, a integridade e segurança do sistema de pagamento mediante utilização de cartão de crédito. Destaca que a responsabilidade por aquelas perdas só caberia à Recorrente, na medida em que, na qualidade de administradora (emissor), atua como centro operacional, cujas atribuições correspondem à própria base do sistema de cartões de crédito, nos termos da doutrina que cita. Descreve as atividades realizadas, e passa a abordar a natureza e a titularidade dos créditos em atraso, observando que nas situações em que o titular do cartão efetua o pagamento de sua fatura por valor inferior ao saldo devedor e/ou em atraso, ou simplesmente deixa de pagar a fatura de seu cartão, a Recorrente, na qualidade de administradora do cartão fica automaticamente autorizada a efetuar um financiamento em nome do titular para quitação de sua fatura, conforme acordado nas cláusulas contratuais que transcreve. Por esta razão, a recorrente associouse ao Banco J. Safra S/A para abertura de conta específica para financiar as dívidas realizadas pelos titulares de cartão, conforme documento juntado à impugnação. A recorrente atua como interveniente neste contrato firmado entre o titular do contrato e o banco, e também se constitui fiadora avalista e principal garantidora do financiamento, sendo estabelecido que, no caso de inadimplemento do titular, a Recorrente liquidará o débito perante as instituições financeiras, subrogandose aos direitos decorrentes do Contrato de Financiamento, conforme cláusulas contratuais que transcreve. Reportase às garantias por ela dada a estes contratos, e diz que a instituição financeira está autorizada a debitar de suas contas bancárias o saldo devedor dos financiamentos, verificandose a sua subrogação nos direitos e obrigações do credor, a teor do art. 831 do Código Civil, estando estipulado contratualmente que o titular do cartão deve reembolsar a Recorrente do valor pago em seu nome por ocasião da liquidação do financiamento, no prazo de 24 horas. Surge, então, um novo crédito em favor da Recorrente, que em nada se confunde com a concessão de financiamento por instituições financeiras. Equivocouse a autoridade julgadora de 1a instância ao manter a exigência sob o argumento de que não teriam sido comprovados os pagamentos às instituições Fl. 3351DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Ass inado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10880.736407/201125 Acórdão n.º 1101001.204 S1C1T1 Fl. 9 8 financeiras que concederam o financiamento, ou seja, sob a premissa equivocada de que a Recorrente não teria honrado as obrigações afiançadas. Isto porque o pagamento aos bancos era feito de forma compulsória, mediante débito direto realizado na conta bancária da Recorrente. A recorrente não tinha a opção de assumir ou não o respectivo prejuízo. Deste modo, o Contrato de Financiamento é o documento que comprova cabalmente que o prejuízo decorrente da referida inadimplência do titular do cartão era ônus único e exclusivo da Recorrente. Afirma ser inegável a titularidade da Recorrente no que se refere aos créditos oriundos da subrogação da dívida contraída pelo titular do cartão. Reportase, ao Parecer Normativo CST nº 298/73 e ao Acórdão nº 10194.261, e conclui que como as operações correspondentes encontramse no escopo de suas atividades operacionais, tais despesas são necessárias, normais e usuais, não constituindo mera liberalidade, mas sim obrigação legal e contratual, sem a qual não seria viável a consecução do objeto social da Recorrente. Acrescenta que as obrigações decorrentes da subrogação estão previstas em contratos de adesão, e que a perda no recebimento desses créditos é inerente à atividade da empresa, na forma de acórdão deste Conselho que transcreve. Cita também o Parecer Normativo CST nº 33/74 e diz que, sendo a acusação fiscal limitada apenas à característica de liberalidade da perda assumida, a glosa deve ser afastada. Aduz que a autoridade julgadora inovou o lançamento ao exigir prova da observância dos requisitos dos arts. 9o a 11 da Lei nº 9.430/96, pois buscou fundamentálo em ponto não levantado pela fiscalização, o que não pode ser aceito, sob pena de nulidade, ferindo o princípio da ampla defesa. Transcreve ementas de acórdãos deste Conselho em favor de seu entendimento. Assevera que a autoridade julgadora, constatando que os autos de infração estão mal fundamentados, deveria ter declarado sua nulidade, determinando o refazimento do lançamento, pois em face da complementação, seria devolvido o prazo de defesa à autuada. Insiste que a autoridade julgadora não pode agir como autoridade lançadora, nem surpreender o contribuinte com a alteração dos pressupostos da cobrança. Passa ao outro grupo de glosas, inicialmente discorrendo sobre os requisitos de dedutibilidade de despesas operacionais, reportandose ao Parecer Normativo CST nº 32/81 e ao Acórdão nº 10193.720, e sintetizando que os gastos incorridos por dada pessoa jurídica para se configurarem como despesas operacionais e serem passíveis de dedutibilidade fiscal devem ser necessários à fonte produtora, isto é, ao desenvolvimento das atividades sociais da empresa. Diz, então, que: · As despesas com valetransporte estão vinculadas a seus próprios funcionários e não decorrem de rateio, estando provadas pelo contrato firmado com o fornecedor e pelos relatórios com valores e nomes dos beneficiários já apresentados à Fiscalização; · As despesas correspondentes a “Abono Participação Lucro” e “Participação nos Lucros” têm natureza remuneratória, de contraprestação de serviços, paga de forma não discriminatória e Fl. 3352DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Ass inado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10880.736407/201125 Acórdão n.º 1101001.204 S1C1T1 Fl. 10 9 proporcionalmente, de acordo com o salário de cada funcionário, e que inclusive estão vinculados à folha de pagamento da recorrente, como pode ser verificado em seu relatório analítico. Ademais, o art. 299, §3o do RIR/99, admite como operacionais gratificações pagas aos empregados independentemente da designação que tiverem; · Os serviços de mão de obra temporária referemse a suporte, tecnologia, processamento de dados, administração de pessoal e estão intrinsecamente ligados à sua atividade fim. Reportase aos contratos e notas fiscais que juntou aos autos, haja vista a impossibilidade de se obter a totalidade dos contratos e notas fiscais atinentes aos serviços tomados, e defende a dedutibilidade destes valores; · As despesas de “Comissão Franquia/Promotora” decorrem de comissões pagas em contrapartida pela prestação de serviços de captação de negócios e propostas de créditos, os quais geram aumento de suas receitas por meio da contratação de novos usuários de cartões de crédito. São, assim, essenciais à sua atividade, e sua glosa, inclusive, fere o princípio da competência, que firma imprescindível o emparelhamento dos gastos incorridos pela empresa com as receitas a partir deles gerada, já que somente assim se pode extrair a sua lucratividade. Defende que assim também o é no âmbito fiscal, e reportase a acórdão deste Conselho em favor de seu entendimento; · Os “Serviços de Consultoria Financeira”, os “Serviços Diversos Pessoas Jurídicas” e os “Outros Serviços de Pessoas Jurídicas” correspondem a serviços de consultoria em geral, como indicado nas notas fiscais correspondentes, e são necessários para o desenvolvimento de suas atividades sociais, como por exemplo aqueles prestados por Focus Consultoria Financeira Ltda e Infocus Adm. Financeira Ltda. Cita julgado administrativo neste sentido; · As provisões para contingências cíveis e trabalhistas decorrem de processos judiciais de natureza cível e trabalhista em que a recorrente figurava como ré, revelando obrigações já definidas em acordos judiciais e/ou decisões proferidas nos processos cíveis e trabalhistas. De toda sorte, eventual questionamento deveria observar o procedimento de postergação, com o lançamento apenas do valor líquido devido em razão da inobservância do regime de competência, conforme legislação que cita e Pareceres Normativos nº 51/79 e 2/96. Ao final, reitera a dificuldade de acesso à documentação de suporte das despesas do período autuado em razão das recentes operações societárias que envolveram as empresas do grupo Panamericano, e invoca o princípio da verdade material para apreciação das provas que a recorrente pretende juntar aos autos. A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarrazões ao recurso voluntário (fls. 3025/3050), observando que o fato de o “sistema de administração de cartões Fl. 3353DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Ass inado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10880.736407/201125 Acórdão n.º 1101001.204 S1C1T1 Fl. 11 10 de crédito” funcionar de determinada maneira não dispensa o contribuinte de manter a guarda dos documentos de suporte destas operações. Acrescentou que quanto maior a empresa e mais complexas as suas atividades, maior deve ser o rigor na escrituração e na guarda dos documentos de interesse fiscal. Reportouse a julgados reiterados deste Conselho, no sentido de que a escrituração somente faz prova em favor do contribuinte se comprovada por documentos hábeis. Os documentos juntados pela contribuinte nada prova, e não foi comprovado nenhum pagamento dos financiamentos por parte da interessada. Por sua vez, o documento que respalda as perdas escrituradas pela recorrente é o comprovante de pagamento dos financiamentos junto às instituições financeiras, pois apenas com a realização de tal pagamento a fiscalizada se subroga na condição da credora dos valores financiados aos titulares de cartão de crédito, assumindo, assim, a titularidade das perdas. Acrescentou, ainda, que a decisão recorrida apenas aprofundou o exame jurídico da infração praticada pela recorrente, sem se distanciar – fática ou juridicamente – das imputações constantes do auto de infração, inexistindo razão para decretação de sua nulidade. Quanto às provisões para contingências cíveis e trabalhistas, afirmou sua indedutibilidade e disse que a recorrente não trouxe provas que ligassem os montantes contabilizados a condenações judiciais definitivas ou a acordos homologados, quer dizer, a despesas efetivamente ocorridas. E, tratandose de provisão indedutível, não haveria o que se discutir acerca de postergação. Ressaltou que relativamente às despesas de valetransporte foi a contribuinte que informou a existência de rateio, que este procedimento está evidenciado em sua escrituração, e que os documentos juntados não provam nem infirmam a existência do rateio. Ausente prova dos critérios de rateio ou da atribuição das despesas exclusivamente à recorrente, a glosa deve ser mantida. Quanto aos abonos e participações nos lucros, observou que a contribuinte quer desmerecer sua contabilidade sem trazer a correspondente prova. Em tais condições, subsistem desatendidas as normas relativas ao pagamento de PLR, sujeita a regime de exceção quanto à sua dedutibilidade, o qual não é afastado ainda que os valores pagos decorram de remuneração de contrato de trabalho, pois não se sujeitam às regras gerais de dedutibilidade do art. 299 do RIR/99, dado que os gastos com PLR não se enquadram no conceito de despesa normal, ordinária da empresa. Citou jurisprudência administrativa neste sentido. Observou que os argumentos contrários à glosa de despesas de “Comissão Franquia/Promotora não atacaram o motivo determinante da exigência fiscal (outras pessoas jurídicas figurando como contratantes nas provas apresentadas). Ademais, não foi apresentada prova da efetiva prestação dos serviços. Relativamente aos serviços de consultoria financeira e de outras pessoas jurídicas, disse que a recorrente novamente não logrou comprovar os serviços contratados e sua efetiva fruição, reportandose a acórdãos deste Conselho que exigem tal comprovação. No mesmo sentido posicionase relativamente aos serviços de mão de obra temporária. Pediu, assim, que fosse negado provimento ao recurso voluntário e mantida a decisão recorrida. Fl. 3354DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Ass inado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10880.736407/201125 Acórdão n.º 1101001.204 S1C1T1 Fl. 12 11 Na sessão de 09 de outubro de 2013 este Colegiado, por meio da Resolução nº 1101000.102, converteu o julgamento dos recursos em diligência. A decisão se deu por voto de qualidade, divergindo os Conselheiros Benedicto Celso Benício Júnior, Nara Cristina Takeda Taga e José Ricardo da Silva, que cancelavam a exigência. Prevaleceu o entendimento desta Relatora no sentido de que a autoridade lançadora concluiu que a autuada não se reveste das condições de instituição apta a realizar o tipo de operação requerida para o registro de provisão para perda porque, no curso do procedimento fiscal, não foram atendidas satisfatoriamente as intimações que lhe foram dirigidas. Relatando as ocorrências verificadas nos autos, esta Relatora concluiu que: Resta evidente, assim, que a glosa não está justificada apenas no fato de a contribuinte não revestir a condição de titular dos créditos contabilizados como perda. A precariedade das informações prestadas pela fiscalizada somente permitiram ao auditor responsável visualizar que os registros contábeis poderiam ter alguma relação com contratos nos quais terceiros seriam titulares dos créditos vencidos, motivo pelo qual a acusação enfatizou este aspecto no Termo de Verificação Fiscal. Tal providência, porém, não autoriza limitar a fundamentação da glosa a este argumento, e ignorar que a própria contribuinte declarou à Fiscalização não conseguir alcançar uma conclusão clara acerca da metodologia contábil adotada naquelas operações. Contudo, frente aos elementos juntados à impugnação, esta Relatora acreditou possível que a contribuinte tenha pago dívidas dos titulares dos cartões em face do Banco J. Safra S/A, subrogandose no crédito até então detido por esta instituição financeira. É também possível que contratações da mesma espécie tenha sido firmadas com o Banco Safra S/A (outra instituição financeira indicada na contabilidade do sujeito passivo). E, frente à ausência de provas de que a inadimplência ocorreu, qual seu valor e qual a data de constituição do crédito sob sua titularidade, mas tendo em conta que sua apresentação na forma documental seria de difícil concretização, o julgamento foi convertido em diligência para que a autoridade fiscal competente verifique, junto à escrituração da contribuinte, a comprovação das ocorrências que ensejaram sua subrogação nos créditos decorrentes de financiamentos aos titulares de cartões de crédito, bem como a presença dos requisitos legais para dedução destes créditos como perdas no anocalendário 2006, no montante de R$ 151.062.327,01 (fls. 3063/3077). A autoridade fiscal responsável pela diligência intimou a contribuinte a (fls. 3089/3093): 1 – Apresentar razão analítico das contas (inclusive auxiliar, caso haja) que comprovem as ocorrências que ensejaram a subrogação nos créditos decorrentes de financiamentos aos titulares de cartões de crédito; 2 – Apresentar razão das contas (inclusive auxiliar, caso haja) que comprovem a movimentação relativa aos cartões de crédito sob sua administração; 3 – Comprovar a titularidade dos créditos escriturados (contratos, repasses/sub rogação etc).; 4 – Apresentar relação detalhada (conforme discriminado no anexo) dos créditos considerados como perda no período, no valor de R$ 151.062.327,01; 5 – Apresentar fluxograma das operações de crédito (cartões, etc), constando escrituração contábil. Fl. 3355DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Ass inado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10880.736407/201125 Acórdão n.º 1101001.204 S1C1T1 Fl. 13 12 Posteriormente, a contribuinte também foi intimada a apresentar 50 (cinqüenta) contratos baixados como perdas (fls. 3096/3097). Depois de solicitar, por duas vezes, prorrogação do prazo para atendimento às intimações, a contribuinte apresentou a resposta de fl. 3099 juntando: Convênio para Financiamento de terceiros portadores de cartões administrados pela Panamericana Administradora de Cartões de Crédito Ltda; Contratos de Abertura de Crédito a Titulares de Cartões de Crédito do Panamericano junto ao Banco J. Safra S/A de nºs CTR103586/2005, CTR103429/2005 e 8023/2005001; Contratos de Prestação de Serviços de Emissão, Utilização e Administração do Cartão Panamericano sob nºs 8528833 e 8552679 registrados no 3o Oficial de Registro de Títulos e Documentos e Civil de Pessoa Jurídica; Relação de 50 (cinqüenta) titulares de cartão de crédito baixados como perdas e respectivo print de telas; Notificações Extrajudicial para cobrança de titulares de cartões inadimplentes de nºs de recibo 007.742.732 e 007.742.735; Relação com os códigos, BIN, Logo dos cartões emitidos pela Panamericana Administradora de Cartões de Crédito Ltda. A autoridade fiscal responsável pela diligência expediu a Informação Fiscal de fls. 3300/3308, na qual descreve o regramento legal acerca da dedutibilidade de perdas, as atividades da contribuinte, o conteúdo dos documentos apresentados, e constata que: Da leitura das cláusulas do Convênio para Financiamento, do Contrato de Abertura de Crédito e do Contrato de Serviços, não restam dúvidas, smj, da responsabilidade da LIDERPRIME perante as Instituições Financeiras que lhe concederam crédito para financiar seus clientes; constando, inclusive, a subrogação no Contrato de Serviços aos portadores dos cartões, como se confirma na Cláusula 7.2.1 do Contrato de Serviços aos portadores dos cartões, como se confirma na Cláusula 7.2.1 do Contrato de Prestação de Serviços de Emissão, Utilização e Administração do Cartão Panamericano, acima transcrita. Já em resposta às intimações para comprovar a presença dos requisitos legais para dedução de créditos considerados como perdas no AC 2006, a LIDERPRIME não apresentou a relação total discriminada de tais créditos. O máximo que a LIDERPRIME conseguiu, foi apresentar tela de consulta ao sistema de controle de 60 (sessenta) devedores, todos com saldos dentro dos parâmetros definidos nas alíneas “a” e “b” do inciso II do §1o do art. 9o da Lei nº 9.430, de 27/12/1996. Nessas telas constam, além de outros dados, o nome do titular do cartão, o número da conta, a organização a qual o cartão está vinculado (bandeira), o saldo atual, a data de início do atraso e data do último pagamento; portanto, a LIDERPRIME possui meios para controlar seus créditos com possibilidades de programar medidas para recebêlos, face ao tempo em atraso de cada cliente. A LIDERPRIME apresentou cópias de 4 (quatro) notificações extrajudiciais dirigidas a clientes com saldo em aberto, sendo que 3 (três) dentro dos parâmetros definidos na alínea “b” do inciso II do §1o do art. 9o da Lei nº 9.430, de 27/12/1996. Ressaltese que a Lei nº 9.430 é genérica, ou seja, toda e qualquer pessoa jurídica pode deduzir da base de cálculo do IRPJ as perdas nos recebimentos de créditos decorrentes de sua atividade [...]. Fl. 3356DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Ass inado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10880.736407/201125 Acórdão n.º 1101001.204 S1C1T1 Fl. 14 13 Assim, com relação ao quesito de comprovação dos requisitos legais de dedutibilidade das perdas nos recebimentos de créditos decorrentes de sua atividade, ficou prejudicada, face à não disponibilização da relação total dos créditos considerados como perda no AC 2006. Cientificada do resultado da diligência, a contribuinte manifestouse às fls. 3313/3325, reiterando suas alegações de que o único fundamento da glosa foi a equivocada consideração, por parte da fiscalização, de que a atividade de intermediação na obtenção de recursos junto a instituições financeiras, em nome do portador do cartão, para financiamento do crédito rotativo, seria exclusiva de instituições financeiras, e complementando que nunca houve qualquer exigência fundada em falta de comprovação, pois conforme o próprio Termo de Verificação Fiscal os documentos foram apresentados à época da fiscalização, e pelos auditores considerados suficientes, de modo que a fiscalização entendeu despicienda qualquer comprovação à luz da Lei 9.430/96. Discorda da alteração do fundamento da exigência, e reportase ao Acórdão nº 1102001.013 que, em caso idêntico, confirmou todas as argumentações da mesma recorrente aqui também esposadas, notadamente a verdadeira e única razão do lançamento. Arremata reportandose às conclusões da diligência para afirmar que não remanesceram dúvidas quanto ao sistema de assunção de dívida inerente à administração de cartões de crédito, e requereu o integral provimento do recurso na medida em que não se pode alterar aquilo que foi adotado como razão de exigir por parte da fiscalização. Fl. 3357DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Ass inado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10880.736407/201125 Acórdão n.º 1101001.204 S1C1T1 Fl. 15 14 Voto Vencido Conselheira EDELI PEREIRA BESSA Perdas no recebimento de créditos Não merecem acolhida as alegações da recorrente, reiteradas em sua manifestação depois de cientificada da diligência realizada nestes autos, no sentido de que a exigência estaria fundamentada, apenas, na equivocada consideração, por parte da fiscalização, de que a atividade de intermediação na obtenção de recursos junto a instituições financeiras, em nome do portador do cartão, para financiamento do crédito rotativo, seria exclusiva de instituições financeiras. O relato das ocorrências verificadas nos autos, expostas por ocasião da conversão do julgamento em diligência, evidenciam ser esta uma motivação que se agrega à impossibilidade, declarada pela contribuinte à Fiscalização, de identificar o motivo das perdas contabilizadas no período autuado: O Termo de Verificação Fiscal de fls. 873/878 traz o relato das conclusões fiscais que ensejaram a glosa de perdas contabilizadas no anocalendário 2006 no valor de R$ 151.062.327,01, às quais não seriam aplicáveis as disposições dos arts. 9o e 14 da Lei nº 9.430/96 (art. 340 a 343 do RIR/99), na medida em que a autuada não se reveste das condições de instituição apta a realizar o tipo de operação requerida para o registro de provisão para perda. Inexistiria, assim, crédito de sua titularidade, representando as perdas contabilizadas meras liberalidades, indedutíveis na forma do art. 299 do RIR/99. A recorrente assevera que a Fiscalização não compreendeu as operações por ela realizadas. Todavia, o exame do procedimento fiscal evidencia que a contribuinte não atendeu adequadamente às intimações lavradas, deixando de expor ao auditor responsável a realidade de suas operações. Verificase nos autos que, por meio das intimações de fls. 30 e 34, a autoridade fiscal exigiu esclarecimentos acerca da metodologia contábil para escrituração das contas correspondentes a: 1) provisão para operações de créditos de liquidação duvidosa, observando que ela era “zerada” ao final de cada mês; 2) créditos em atraso, detalhando suas características e informando o que significaria a nomenclatura “Titulares Bco. Safra”; e 3) registros nas contas “Titulares – Bco. Safra” e “Titulares – Bco. J. Safra”. Em 10/03/2011 a contribuinte informou que, relativamente aos itens 1 e 2 acima, a conta de provisão era constituída em contrapartida a débito em conta de Aprovisionamento ajuste patrimoniais (Perda de crédito), e que quanto aos demais esclarecimentos ainda estariam efetuando os levantamentos para apuração (fls. 31/33). Com referência ao item 3, apresentou a estrutura dos registros contábeis que influenciavam as contas “Titulares – Bco. Safra” e “Titulares – Bco. J. Safra”, as quais eram creditadas pela entrada do recurso financeiro e pelo registro de juros, e debitadas pela liquidação da conta garantia (fls. 35/38). Reintimada acerca dos esclarecimentos exigidos em relação aos itens 1 e 2 acima (fl. 39), a contribuinte disse que não conseguira alcançar uma conclusão clara acerca da metodologia contábil adotada naquelas operações, apenas informando que a conta de Provisão para operações de crédito de liquidação duvidosa era Fl. 3358DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Ass inado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10880.736407/201125 Acórdão n.º 1101001.204 S1C1T1 Fl. 16 15 creditada em contrapartida a débito na conta Perda de Crédito, e debitada em contrapartida a crédito na conta Créditos em Atraso – CDC (fl. 40/41). A resposta contida à fl. 41 já permitiria à autoridade fiscal glosar integralmente os valores contabilizados a título de perdas no recebimento de crédito. Ao afirmar desconhecer as razões contábeis que ensejaram a transferência para prejuízo de operação de crédito vencidas, equivalente à constituição da provisão para operação de crédito no mês, a contribuinte nega a existência de qualquer documentação que suporte o registro daqueles valores como redutores do lucro tributável. Contudo, como aponta a autoridade lançadora no Termo de Verificação Fiscal (fl. 876), foram trazidos aos trabalhos de fiscalização cópias de contratos de abertura de crédito celebrados com o Banco Safra S/A e com o Banco J. Safra S/A, bem como extratos bancários indicativos da existência de diversas operações de empréstimos. Deste modo, tendo em conta que a fiscalizada é uma sociedade empresarial de administração de cartões de crédito, a autoridade lançadora inicialmente descreveu a atuação dos 5 (cinco) entes envolvidos nas operações por ela praticadas: 3.1. – o titular do cartão de crédito firma com a entidade emissora do cartão um contrato de adesão e esta, por sua vez, firma com uma instituição financeira um contrato de abertura de crédito em nome do titular; 3.2 – numa operação com cartão de crédito, o cliente portador do cartão se desobriga a pagar diretamente ao fornecedor/lojista os bens e serviços adquiridos, obrigandose, em contrapartida, a pagar ao emissor/administrador de cartões de crédito; 3.3 – o fornecedor receberá o valor das aquisições não do cliente e sim do administrador do sistema de cartões de crédito; 3.4 – desde que o contrato de adesão contenha cláusula de mandato, o portador do cartão de crédito tem ainda a prerrogativa de financiar o valor quando do vencimento da fatura, e 3.5 – a cláusula de mandato autoriza a entidade emissora do cartão de crédito a captar recursos, em nome do titular do cartão, junto a uma instituição financeira para financiar os valores faturados e não pagos na data aprazada, repassando ao mesmo a taxa de juros cobrada. Concluiu, frente a estas evidências, que a contribuinte presta serviços ao mercado financeiro, além de gerir negócios, e que sua atividade comercial não se equipara às de instituições financeiras (art. 17 da Lei nº 4.595/64). Ressaltou que ela não financia o titular do cartão, atuando como sua mandatária na obtenção de empréstimo junto às instituições financeiras em nome do usuário do cartão, quando este opta por financiar as compras realizadas ou serviços tomados. Invocando o art. 18 da Lei nº 4.595/64, o agente fiscal asseverou que seria necessária autorização para o funcionamento de uma instituição financeira, e concluiu que sendo pessoa jurídica não financeira, as administradoras de cartões de crédito não financiam diretamente os seus portadores, apenas os representa perante as instituições financeiras para obtenção do financiamento, repassando aos mesmos os respectivos encargos de financiamento. E, na medida em que contabilmente os valores registrados a título de Créditos em Atraso correspondiam a créditos de terceiros em atraso (Banco Safra S/A e Banco J. Safra S/A), considerou inadmissível a dedução de perdas em operações de crédito relativas a créditos a receber de clientes e que foram considerados irrecuperáveis, cujo valor contabilizado no anocalendário 2006 corresponderia a R$ 151.062.327,01. Reforçou que esclarecimentos prestados pela fiscalizada sustentaram os créditos são originários de “... cartões bandeirados de titularidade dos Bancos Panamericano S/A e Safra S/A...”. Fl. 3359DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Ass inado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10880.736407/201125 Acórdão n.º 1101001.204 S1C1T1 Fl. 17 16 Resta evidente, assim, que a glosa não está justificada apenas no fato de a contribuinte não revestir a condição de titular dos créditos contabilizados como perda. A precariedade das informações prestadas pela fiscalizada somente permitiram ao auditor responsável visualizar que os registros contábeis poderiam ter alguma relação com contratos nos quais terceiros seriam titulares dos créditos vencidos, motivo pelo qual a acusação enfatizou este aspecto no Termo de Verificação Fiscal. Tal providência, porém, não autoriza limitar a fundamentação da glosa a este argumento, e ignorar que a própria contribuinte declarou à Fiscalização não conseguir alcançar uma conclusão clara acerca da metodologia contábil adotada naquelas operações. De outro lado, a recorrente juntou à impugnação Contrato de Prestação de Serviços de Emissão, Utilização e Administração do Cartão Panamericano (Doc. 4, fls. 1078/1088), representativo da adesão da pessoa física ou jurídica ao sistema de benefícios oferecido pela operadora de cartão de crédito. Deste documento destacou as cláusulas que autorizam a administradora do cartão a efetuar financiamento em nome do titular para quitação de sua fatura, em caso de pagamento em atraso ou inferior ao saldo devedor: 7.2. O TITULAR ao efetuar o Pagamento Mínimo exigido na FATURA ou Pagamento de valor inferior ao saldo devedor atual, e/ou Pagamento com atraso ou falta de Pagamento, estará automaticamente e de pleno direito autorizando a ADMINISTRADORA a efetuar um financiamento do valor pendente, na forma desta CLÁUSULA. 7.2.1. A ADMINISTRADORA, para obtenção de financiamentos das compras, saques em dinheiro ou crédito pessoal para o TITULAR, se constituirá fiadora avalista e principal garantidora do financiamento e encargos incidentes, ficando, outrossim, estabelecido que, no caso de inadimplemento do TITULAR, a ADMINISTRADORA liquidará o valor do débito junto à Instituições Financeiras, e se subrogará nos direitos daí decorrentes. 7.2.2. Caso a ADMINISTRADORA venha a honrar a fiança, o TITULAR obrigase ao reembolso do valor correspondente, no prazo de 24 (vinte e quatro) horas. Não o fazendo no prazo aqui estipulado, ficará o TITULAR obrigado a também reembolsar a ADMINISTRADORA de todos os encargos e ônus em que vier a incorrer em razão da fiança, incluindo o custo financeiro desde a data do cumprimento da fiança até a data do efetivo reembolso. [...] 7.2.4. Para obter os recursos necessários para o pagamento de suas transações junto às Instituições Financeiras, o TITULAR, neste ato e por este instrumento, constitui ipso facto e de pleno direito, sua bastante procuradora, a PANAMERICANO ADMINISTRADORA DE CARTÕES DE CRÉDITO LTDA., outorgandolhe mandato especial e poderes específicos para em nome e por conta dele TITULAR, promover a contratação de empréstimos e financiamentos junto a instituições financeiras, podendo assinar contratos de financiamento, movimentar os valores, ajustando prazos, condições, juros e encargos, repactuar taxas de juros, emitir letras de câmbio para cobrança do saldo devedor, receber e dar quitações, ficando certo que os recursos a serem obtidos serão de valor idêntico ao das TRANSAÇÕES efetuadas, mais os custos financeiros, exigidos pelas Instituições Financeiras, acrescidos da remuneração prevista nesta CLÁUSULA. [...] 8.3. Verificada a falta ou insuficiência ou atraso no pagamento de quaisquer valores devidos, ocorrerá o automático financiamento pela ADMINISTRADORA do saldo devedor existente na forma deste CONTRATO, sem prejuízo do direito da ADMINISTRADORA de, independentemente de qualquer NOTIFICAÇÃO ou AVISO de imediato, suspender, impedir ou cancelar a utilização do(s) CARTÃO(ES), hipótese em que o TITULAR e o(s) ADICIONAL(AIS), absterseá(ao), obrigatoriamente, do uso do CARTÃO. Fl. 3360DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Ass inado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10880.736407/201125 Acórdão n.º 1101001.204 S1C1T1 Fl. 18 17 Disse que, em paralelo, a administradora de cartões se associa a uma instituição financeira para financiamento das dívidas realizadas pelos titulares de cartão, por meio de Convênio para Financiamento de Terceiros Portadores de Cartões Administrados pela Panamericano Administradora de Cartões de Crédito Ltda e Outras Avencas (Doc. 5, fls. 1089/1130). Referido documento está firmado entre a autuada e o Banco J. Safra S/A, e em seus considerandos relata aspectos da contratação entre a administradora e o titular do cartão de crédito semelhantes aos acima descritos, mas com o acréscimo da emissão de cheque pelos titulares de cartão representativo da dívida destes, originalmente emitidos em nome da administradora mas endossados ao banco, para solicitação do financiamento. Ao final, expressa que os FINANCIAMENTOS são concedidos mediante a abertura pelo BANCO de um crédito aos TITULARES DE CARTÃO (“CONTRATO DE ABERTURA DE CRÉDITO”) com fiança solidária (“FIANÇA”) da ADMINISTRADORA, cuja cópia integra o presente. O item 2.6 da Cláusula 1 do referido convênio esclarece que o banco abrirá uma conta corrente em nome do titular do cartão para acolher o produto dos financiamentos, e uma conta vinculada onde serão creditados os recursos provenientes da compensação positiva dos cheques. Os recursos oriundos dos financiamentos devem ser aplicados pela administradora no pagamento das dívidas dos titulares. A Cláusula 3 desse documento estabelece a administradora como fiadora e principal pagadora das dívidas assumidas dos FINANCIAMENTOS a serem contratados pelos TITULARES DE CARTÃO, e seu Anexo IV é constituído da minuta do Contrato de Abertura de Crédito a Titulares de Cartões de Crédito do Sistema Panamericano para Financiamento de Bens e Serviços, também referido na impugnação (Doc. 6, fls. 1103/1112), no qual a recorrente figura como interveniente. E é deste último documento que a defesa extrai as justificativas para a administradora figurar como credora dos titulares de cartões de crédito: 11. FIANÇA. A INTERVENIENTE assume, desde já, as obrigações de fiadora, principal pagadora e devedora solidária das obrigações pecuniárias e não pecuniárias, principais e acessórias, dos CREDITADOS, renunciando, expressamente, aos benefícios e faculdades dos artigos 366, 827 ,828, 835, 836, 837 e 838 do Código Civil Brasileiro, bem como dos artigos 77 e 595 do Código de Processo Civil Brasileiro, obrigandose, sem prejuízo de sua garantia do pontual pagamento do saldo devedor e dos encargos do presente a efetuar o pagamento da totalidade do valor representado por todos e cada um dos CHEQUES, devendo fazêlo dentro do prazo de 2 (dois) dias úteis, contados da comunicação que, via simples correspondência, telefax ou meio eletrônico, lhe for dirigido pelo BANCO nesse sentido, independentemente de qualquer verificação jun to ao BANCO ou junto aos CREDITADOS. 11.1. Uma vez honradas as obrigações afiançadas, a INTERVENIENTE ficará automaticamente subrogada em todos os direitos, ações e garantias do BANCO, obrigandose o BANCO, dentro do prazo de 10 (dez) dias úteis a lhe fornecer o competente recibo de quitação e subrogação, bem como o CHEQUE ou CHEQUES inadimplidos, sem garantia, regresso ou coresponsabilidade de parte do BANCO, em seu favor. 11.2. Fica desde já esclarecido que a FIANÇA aqui prevista poderá ser exigida a qualquer tempo, independentemente da ocorrência de EVENTO DE INADIMPLEMENTO e independentemente de se aplicarem as situações e dispositivos previstos nas Cláusulas 9.1 e 10. supra, sempre que haja atraso no cumprimento de qualquer obrigação oriunda do presente. 12. DÉBITOS. ATIVOS E CONTAS DA INTERVENIENTE. A INTERVENIENTE, tendo em vista a FIANÇA nos termos da Cláusula 11 supra, autoriza em caráter irrevogável e irretratável, sejam levadas a débito de quaisquer contas da INTERVENIENTE mantidas junto ao Banco J. Safra S/A quaisquer importâncias Fl. 3361DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Ass inado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10880.736407/201125 Acórdão n.º 1101001.204 S1C1T1 Fl. 19 18 devidas ou que venham a se tornar devidas pela INTERVENIENTE a título de principal e acessórios, quaisquer encargos e acréscimos, comissão de permanência, juros moratórios, multas, honorários advocatícios, tributos, despesas e demais cominações expressas neste contrato, cujo pagamento não se tenha efetuado, integralmente, no correspondente vencimento, contratualmente estipulado, ficando conseqüentemente autorizado o crédito e/ou repasse das ditas importâncias ao BANCO para amortização ou liquidação do débito em aberto, incluindo principal e demais valores conceituados nesta cláusula. Todas e quaisquer despesas, inclusive encargos fiscais de qualquer natureza, incidentes e/ou decorrentes do cumprimento da estipulação constante da presente cláusula, correrão por conta e sob a exclusiva responsabilidade dos CREDITADOS, devendo o respectivo importe, uma vez apurado, ser acrescido ao débito total deste(s) último(s). A argumentação da recorrente é crível. O Contrato de Prestação de Serviços de Emissão, Utilização e Administração do Cartão Panamericano é datado de 04/06/2006, está assinado por diretores da pessoa jurídica e registrado, e a identificação do titular do cartão de crédito possivelmente se faz mediante termo de adesão a este contrato. O Convênio para Financiamento de Terceiros Portadores de Cartões Administrados pela Panamericano Administradora de Cartões de Crédito Ltda e Outras Avenças é datado de 13/07/2005, tem prazo indeterminado, está assinado e registrado. Logo, é possível que a contribuinte tenha pago dívidas dos titulares dos cartões em face do Banco J. Safra S/A, subrogandose no crédito até então detido por esta instituição financeira. É também possível que contratações da mesma espécie tenha sido firmadas com o Banco Safra S/A (outra instituição financeira indicada na contabilidade do sujeito passivo). Todavia, além de não carrear aos autos as provas que estabeleceriam a conexão entre estas contratações e os registros contábeis, a contribuinte persiste sem esclarecer qual a metodologia contábil para deduzir, no resultado do exercício, os créditos que assim teriam passado à sua titularidade. Assevera que como o pagamento aos bancos era feito de forma compulsória, mediante débito direto realizado na conta bancária da Recorrente, não teria ela a opção de assumir ou não o respectivo prejuízo. Entende, assim, que o Contrato de Financiamento é o documento que comprova cabalmente que o prejuízo decorrente da referida inadimplência do titular do cartão era ônus único e exclusivo da Recorrente. Referido documento, porém, somente prova a possibilidade de a recorrente ser credora em decorrência da inadimplência do titular de cartão de crédito e lança dúvidas acerca da caracterização das perdas contabilizadas como liberalidade. Não demonstra que esta inadimplência ocorreu, qual seu valor e qual a data de constituição do crédito sob sua titularidade. Inadmissível cogitar que a recorrente estaria obrigada a demonstrar, apenas, que juridicamente poderia figurar como credora dos titulares de cartões de crédito. Este aspecto somente foi erigido como principal motivação da acusação fiscal porque a contribuinte não logrou demonstrar ao Fisco qual a origem das perdas contabilizadas. Poderia o agente fiscal simplesmente ter afirmado a improcedência da dedução em razão da ausência de esclarecimentos da fiscalizada. Mas, para além disso, analisou juridicamente a forma como se processam as relações jurídicas vinculadas à administração de cartões de crédito, e erigiu uma justificativa jurídica para não permanecer insistindo na apresentação da comprovação das perdas contabilizadas, ou para resumir a motivação para glosa à ausência daquelas provas. Assim, afastada esta preliminar, resta à autuada demonstrar documentalmente que pagou às instituições financeiras as dívidas nas quais se subrogou como credora, bem como justificar porque parcelas destes créditos, equivalentes a R$ 151.062.327,01, foram contabilizadas como perdas no anocalendário 2006. Fl. 3362DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Ass inado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10880.736407/201125 Acórdão n.º 1101001.204 S1C1T1 Fl. 20 19 Como bem ressalta a autoridade julgadora de 1a instância, é de suma importância a comprovação dos pagamentos dos empréstimos, para não deixar nenhuma duvida quanto à titularidade dos créditos, tendo em vista a disparidade entre o valor contabilizado como perda de R$151.062.327,01 em relação às Receitas declaradas na DIPJ/2007 de R$273.844.733,38 (Prestação de Serviços R$130.874.534,37 e Receitas Financeiras – R$142.970.199,01). Ou seja, perda de 55% sobre o total das receitas. A mesma distorção se apresenta nos anos anteriores de 2005 e 2004. De toda sorte, se de um lado a autoridade fiscal não aprofundou suas análises ante a precariedade dos esclarecimentos prestados pela contribuinte acerca de suas operações, de outro cabe reconhecer que a comprovação documental destas operações seria de difícil concretização, quer na impugnação, quer em recurso voluntário. Assim, demonstrados os reais contornos das operações realizadas pela fiscalizada na administração de cartões de créditos, a melhor solução que se apresenta é a conversão do julgamento em diligência para que a autoridade fiscal, frente às novas informações prestadas, exija a confirmação da titularidade dos créditos escriturados pela contribuinte no anocalendário 2006, bem como as justificativas para a dedução da parcela de R$ 151.062.327,01 como perda nesse período. Equivocada, portanto, a argumentação da recorrente no sentido de que referido valor seria dedutível apenas por não se tratar, em tese, de uma liberalidade. A necessidade, normalidade e usualidade desta dedução somente pode ser admitida se as perdas decorrerem de créditos efetivamente assumidos pela contribuinte, e se eles atenderem aos requisitos legais de normalidade e usualidade estabelecidos nos arts. 9o a 11 da Lei nº 9.430/96 para esta espécie de despesa. Por sua vez, o princípio da ampla defesa é assegurado à recorrente mediante complementação de suas razões de defesa, caso a autoridade fiscal manifeste discordância em relação à comprovação apresentada. Quanto à invalidade dos critérios adotados pela autoridade julgadora, não estava ela obrigada a decidir de acordo com o entendimento veiculado na impugnação. Os argumentos de defesa foram apreciados na decisão de 1a instância, mas ali se adotando uma interpretação literal do art. 16, inciso III e § 4o, do Decreto nº 70.235/72, que determina, sob pena de preclusão, a juntada de provas documentais à impugnação. Por esta razão, a decisão recorrida é válida, e o fato de somente nesta instância reputarse necessária a diligência para averiguação dos fatos diante do novo contexto demonstrado pela recorrente em nada ofende o direito constitucional à ampla defesa, na medida em na letra do art. 5o, inciso LV da Constituição Federal, este deve ser assegurado com os meios e recursos a ela inerentes, e não de forma plena e irrestrita. Por tais razões, o presente voto é no sentido de CONVERTER o julgamento em diligência, para que a autoridade fiscal competente verifique, junto à escrituração da contribuinte, a comprovação das ocorrências que ensejaram sua subrogação nos créditos decorrentes de financiamentos aos titulares de cartões de crédito, bem como a presença dos requisitos legais para dedução destes créditos como perdas no anocalendário 2006, no montante de R$ 151.062.327,01. Ao final dos trabalhos deverá ser elaborado relatório circunstanciado, dele cientificandose a interessada com reabertura do prazo de 30 (trinta) dias para complementação de suas razões de defesa, antes do retorno dos autos a este Conselho. Cumpre acrescentar que a exigência está identificada como glosa de despesas não comprovadas e fundamentada nos arts. 249, inciso I, 251 e parágrafo único, 299, 300 e 340 do RIR/99 (fl. 907), e a acusação fiscal pode ser resumida no seguintes parágrafos extraídos do Termo de Verificação Fiscal (fl. 876/877): Fl. 3363DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Ass inado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10880.736407/201125 Acórdão n.º 1101001.204 S1C1T1 Fl. 21 20 (19) Logo, resta patente que esses créditos em atrasoCDC não foram em momento algum de titularidade do contribuinte, isto posto, não há que se falar na aplicação das disposições tributárias contidas nos artigos 9o e 14 da Lei nº 9.430/1996, consolidados nos artigos 340 a 343 do RIR/99, uma vez que não integra os resultados operacionais das empresas administradoras de cartões de crédito a realização de operações no âmbito de instituições financeiras; (20) A sistemática introduzida pela Lei nº 9.430/96 determina que as perdas nos recebimentos de créditos podem ser deduzidas como despesas para a determinação tanto do Lucro Real para o cálculo do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, quanto da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, desde que sejam observados os requisitos previstos em seu artigo 9o, correspondente ao art. 340 do citado RIR, a saber: [...] (21) Isto é, para que haja a possibilidade de dedução da perda no recebimento de créditos é necessário que a instituição tenha um crédito decorrente da sua atividade operacional; E prova de crédito decorrente da sua atividade operacional não é a mera demonstração, feita pela recorrente, de que juridicamente poderia figurar como credora dos titulares de cartões de crédito. É indispensável a prova de que as perdas contabilizadas corresponderiam a créditos assumidos em decorrência dos efeitos da fiança demonstrada nos contratos apresentados. Esta Relatora defende, inclusive, que a precariedade das informações prestadas durante o procedimento fiscal permitem que no contencioso se exija, até mesmo, a demonstração dos demais requisitos legais, em função do prazo de inadimplência e do valor do crédito não recebido, para dedutibilidade das perdas no âmbito da apuração do IRPJ e da CSLL. Mas a questão aqui presente é anterior: a contribuinte sequer demonstra documentalmente que se efetivou a hipótese contratual que lhe permitiria ser credora dos titulares de cartões de crédito por ela administrados. Sua defesa, em recurso voluntário e na manifestação apresentada em razão da diligência, limitase a invocar os efeitos das disposições contratuais, dizendo que o pagamento aos bancos era feito de forma compulsória, mediante débito direto realizado na conta bancária da Recorrente, de modo que a recorrente não tinha a opção de assumir ou não o respectivo prejuízo, para assim concluir que o Contrato de Financiamento é o documento que comprova cabalmente que o prejuízo decorrente da referida inadimplência do titular do cartão era ônus único e exclusivo da Recorrente. Não há como admitir inegável a titularidade da Recorrente no que se refere aos créditos oriundos da subrogação da dívida contraída pelo titular do cartão sem que provas documentais sejam juntadas aos autos individualizando a origem das perdas que, como bem destacado pela autoridade julgadora de 1a instância, representam 55% das receitas escrituradas nos anoscalendário autuados. Certamente despesas desta natureza seriam operacionais, necessárias, normais e usuais, mas sem a prova documental dos registros que resultaram nos totais deduzidos na apuração do lucro tributável, subsiste a possibilidade de que ali estejam computadas parcelas decorrentes de mera liberalidade. Somente se a Fiscalização tivesse alcançado a origem individualizada destas perdas, classificandoas como liberalidades, seria possível afastar a exigência pela comprovação contratual da obrigação firmada entre partes independentes, nos termos dos atos normativos e jurisprudência invocada pela recorrente. Fl. 3364DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Ass inado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10880.736407/201125 Acórdão n.º 1101001.204 S1C1T1 Fl. 22 21 Como dito pela autoridade fiscal encarregada da diligência antes requerida, o máximo que a LIDERPRIME conseguiu, foi apresentar tela de consulta ao sistema de controle de 60 (sessenta) devedores, todos com saldos dentro dos parâmetros definidos nas alíneas “a” e “b” do inciso II do §1o do art. 9o da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, registros estes que por seu detalhamento deixam claro que a contribuinte possui meios para controlar seus créditos com possibilidades de programar medidas para recebêlos, face ao tempo em atraso de cada cliente. Ainda assim, porém, não apresentou ao Fisco a prova documental indispensável para comprovação das perdas glosadas. Quanto às referências ao Acórdão nº 1102001.013, cumpre observar que embora o voto vencedor do Conselheiro João Carlos de Figueiredo Neto tenha concluído que não se cogitou, ali, de falta de comprovação de perdas, afirmando que se tratava, sim, de decidir se, sem ser instituição financeira, cabe à administradora de cartões assumir o encargo por aval ou fiança, o Conselheiro Relator José Evande Carvalho Araújo, acompanhado pelo Presidente João Otávio Oppermann Thomé, restaram vencidos no entendimento de que a exigência deveria ser mantida porque as provas trazidos aos autos não demonstram a alegação de que as despesas glosadas se refeririam a créditos dos quais o recorrente assumiu a condição de credor, após o pagamento do débito ao credor original na condição de fiador, de modo a ele ser o titular da dívida, e as perdas, por consequeência, decorrentes de sua atividade. Assim, ao menos a minoria daquele Colegiado vislumbrou a acusação e o ônus da prova imposto à autuada nos mesmos termos aqui defendidos, o que já basta para afastar a arbitrariedade que a recorrente implicitamente aponta na decisão que orientou a diligência, e que é reiterada neste voto. Por todo o exposto, não se verifica qualquer inovação e a motivação que sustenta o lançamento não foi afastada pela defesa, razão pela qual deve ser NEGADO PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à glosa de perdas. Despesas com valetransporte Em 26/04/2011 a contribuinte foi intimada a apresentar o Razão Contábil correspondente à dedução de R$ 3.824.944,06, no anocalendário 2006, a título de vale transporte (fl. 66). O Razão Contábil juntado às fls. 158/257 evidencia que a quase totalidade dos históricos dos lançamentos computados na conta nº 8.17.27.00.3.348.9 – “Vale Transp. – Lei 7418/85” estão indicados como RATEIO DE VT. No Termo de Verificação Fiscal, o auditor responsável diz que a contribuinte demonstrou a metodologia de contabilização das despesas, esclareceu tratarse de rateio de despesas e apresentou contrato de prestação de serviços de distribuição de vales transportes. Lavrouse, então, nova intimação em 25/05/2011, para apresentação de cópia do contrato de rateio e relatórios referentes aos serviços prestados (fl. 486). Na resposta de fls. 487/495 a contribuinte disse que as despesas eram contabilizadas em contrapartida a crédito em Banco conta movimento e que o rateio estaria em conformidade com comprovantes anexos. Estes, por sua vez, são documentos denominados Convênio para prestação de serviços de distribuição de Vales Transportes, firmados entre VR Vales Ltda e a autuada em 28/05/2001 e aditado em 16/09/2002, bem como com Panamericana de Seguros S/A e Consórcio Nacional Panamericano S/C Ltda, nas mesmas datas. A autoridade fiscal diz que também foi entregue relatório contendo valores e nome dos beneficiários dos pagamentos efetuados. No julgamento de 1a instância, observouse que a contribuinte não juntou as notas fiscais de fornecimento correspondentes à despesa glosada, e que se contradiz ao alegar Fl. 3365DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Ass inado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10880.736407/201125 Acórdão n.º 1101001.204 S1C1T1 Fl. 23 22 que não houve rateio. Em recurso voluntário a contribuinte defende que tais despesas estão vinculadas a seus próprios funcionários e não decorrem de rateio, estando provadas pelo contrato firmado com o fornecedor e pelos relatórios com valores e nomes dos beneficiários já apresentados à Fiscalização. Bastaria à recorrente, para demonstrar que não houve rateio, juntar as notas fiscais emitidas, em seu favor, pela VR Vales Ltda. Ainda, mesmo que não houvesse um contrato de rateio, e os valores apropriados por cada pessoa jurídica do grupo fossem definidos em razão da vinculação dos empregados a cada uma delas, o fato é que estas provas poderiam ter sido facilmente produzidas por meio documental, e ao menos juntadas até esta fase processual. Contudo, como nada veio aos autos, o presente voto é no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à glosa de despesas de valetransporte no valor de R$ 3.824.944,06. Abono e Participação nos Lucros A contribuinte deduziu despesas no valor de R$ 1.781.296,80 contabilizadas na conta nº 8.1.7.33.00.4.3833 – “Abono Participação Lucros”. Intimada (fl. 42), a contribuinte apresentou o Razão Contábil destas despesas (fl. 44), seguindose novos pedidos de esclarecimentos para apresentação da documentação comprobatória dos registros (cópias dos contratos de prestação de serviços, detalhamento da natureza dos serviços contratados, relatórios referentes aos serviços prestados, documentação contábil pertinente aos pagamentos efetuados acompanhada da respectiva comprovação da ocorrência dos mesmos, bem como quaisquer outros elementos que evidenciem a efetividade da prestação dos serviços, fl. 439). Todavia, a fiscalizada apenas informou que as despesas eram contabilizadas em contrapartida a crédito da conta Banco conta movimento e disse não ter localizado os comprovantes correspondentes (fl. 442). Lavrada reintimação (fl. 535), a contribuinte respondeu informando ainda não ter localizado os documentos (fl. 537). Também deduziu, no valor de R$ 12.027.536,49, despesa contabilizadas na conta nº 8.1.7.99.00.6.6684 “Outras”. Depois de intimar a contribuinte a apresentar o Razão Contábil desta despesa (fl. 66), a autoridade fiscal exigiu esclarecimentos acerca dos critérios de apuração da participação nos lucros, relação dos beneficiários e dos valores e data dos pagamentos, bem como cópia do ato que estipulou este benefício (fl. 553). Em resposta, a contribuinte apenas apresentou relatório dos beneficiários, com indicação de cargo, valor e mês do pagamento, totalizando R$ 12.721.431,22. O fiscal autuante observou que na documentação oferecida não constam regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação. Considerando que o pagamento de participação nos lucros está condicionado à observância dos requisitos da Lei nº 10.101/2000, disse que ausente o acordo específico, pressupõese que o pagamento efetuado revestiuse de mera liberalidade. A recorrente argumenta que estas despesas têm natureza remuneratória, de contraprestação de serviços, paga de forma não discriminatória e proporcionalmente, de acordo com o salário de cada funcionário, e que inclusive estão vinculados à folha de pagamento da recorrente. Defende sua dedutibilidade também com base no art. 299, §3o do RIR/99, que admite como operacionais gratificações pagas aos empregados independentemente da designação que tiverem. Fl. 3366DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Ass inado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10880.736407/201125 Acórdão n.º 1101001.204 S1C1T1 Fl. 24 23 Esta Conselheira já admitiu, em outras circunstâncias, a dedutibilidade de participações nos lucros mesmo quando não atendidos plenamente os requisitos da Lei nº 10.101/2000, mas isto desde que os critérios de pagamento da remuneração sejam apresentados de modo a afastar a hipótese de liberalidade. O art. 299, §3o do RIR/99 admite a dedução de gratificações pagas aos empregados, seja qual for a designação que tiverem, mas desde que atendidos os requisitos do caput e dos incisos I e II daquele artigo, qual seja, se estas gratificações configurarem despesas operacionais, necessárias, usuais e normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa. E ausente qualquer demonstração dos critérios de pagamento dos valores classificados como participações nos lucros, não é possível aferir se aqueles requisitos foram atendidos. Logo, correta a conclusão fiscal de que ausente o acordo específico, pressupõese que o pagamento efetuado revestiuse de mera liberalidade. O mesmo se diga relativamente aos valores contabilizados na conta nº 8.1.7.33.00.4.3833 – “Abono Participação Lucros”, acerca dos quais a interessada não logrou trazer qualquer esclarecimento, mediante prova documental, de sua natureza. Diante do exposto, o presente voto é no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente às glosas de abonos e participações nos lucros, nos valores de R$ 1.781.296,80 e de R$ 12.027.536,49. Serviços de Mão de Obra Temporária Por meio da intimação de fl. 65, a autoridade fiscal exigiu a apresentação do Razão Contábil da conta 8.1.7.57.004.486.9, no qual a contribuinte teria registrado despesas com serviços de mão de obra temporária no valor total de R$ 6.701.274,07. A resposta a esta intimação consta às fls. 67/257. Posteriormente, o fiscal responsável exigiu da contribuinte a apresentação de documentação comprobatória pertinente a registros de 20/06/2006 (R$ 660.391,07), 21/07/2006 (R$ 487.701,99) e 13/10/2006 (R$ 561.599,80). Esclareceu serem necessários cópias dos contratos de prestação de serviços, detalhamento da natureza dos serviços contratados, relatórios referentes aos serviços prestados, documentação contábil pertinente aos pagamentos efetuados acompanhada da respectiva comprovação da ocorrência dos mesmos, bem como quaisquer outros elementos que evidenciem a efetividade da prestação dos serviços (fl. 388). Em resposta, a contribuinte informou que os valores foram contabilizados em contrapartida a crédito da conta Banco conta movimento e juntou relatórios analíticos do grupo de Contas a pagar (fls. 389/400). Aparentemente a contribuinte apresentou outros documentos comprobatórios das despesas, na medida em que a autoridade lançadora lavrou Termo de Constatação e Intimação Fiscal, observando que a documentação apresentada estava incompleta, e reiterando a necessidade de apresentação dos elementos que evidenciem a efetividade da prestação dos serviços nos termos antes descritos, mas isto em relação a parcelas menores dos registros antes referenciados, agora nas seguintes datas e valores: 13/10/2006 (R$ 21.396,38, R$ 170.006,81 e R$ 234.144,11), 21/07/2006 (R$ 156.947,30) e 20/06/2006 (R$ 280.180,88), conforme fls. 499/500. A contribuinte apresentou respostas nos mesmos moldes da anterior, juntando apenas relatórios analíticos extraídos de seus controles informatizados de contas a pagar e fornecedores. Concluiu a autoridade lançadora que não foram apresentados os contratos de prestação de serviços, o detalhamento da natureza dos serviços contratados, nem os relatórios Fl. 3367DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Ass inado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10880.736407/201125 Acórdão n.º 1101001.204 S1C1T1 Fl. 25 24 referentes aos serviços prestados ou quaisquer outros elementos que evidenciassem a efetividade da sua prestação. Todavia, a glosa fiscal incidiu sobre a totalidade dos valores contabilizados conta nº 8.1.7.57.004.486.9 (R$ 6.701.274,07), apesar de a intimação para apresentação dos documentos comprobatórios das despesas ter alcançado, apenas, aquelas acima indicadas. Em tais circunstâncias, não é possível reputar não comprovadas as despesas que a Fiscalização excluiu de sua amostragem, inclusive no que tange à parcela dos registros de 20/06/2006, 21/07/2006 e 13/10/2006 excluídos na segunda intimação de fls. 499/500. E, por esta razão, inúteis se mostram os documentos juntados na impugnação, às fls. 2654/2758. Apesar de alguns deles se reportaram a contratações de serviços temporários pelo grupo empresarial e estarem desacompanhados dos critérios de rateio das despesas, o fato é que nenhuma das notas fiscais fazem referências às operações objetivamente questionadas pela Fiscalização. Quanto a estas, a mera alegação de que os serviços de mão de obra temporária referemse a suporte, tecnologia, processamento de dados, administração de pessoal e estão intrinsecamente ligados à sua atividade fim é insuficiente para insubsistência da glosa. Deveria a interessada ter se empenhado em juntar a referida documentação, regularmente exigida pela autoridade lançadora durante o procedimento fiscal. Por tais razões, o presente voto é no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para manter apenas a glosa das despesas com serviços de mão de obra temporária contabilizadas em 13/10/2006 (R$ 21.396,38, R$ 170.006,81 e R$ 234.144,11), 21/07/2006 (R$ 156.947,30) e 20/06/2006 (R$ 280.180,88). Comissão Franquia/Promotora Por meio da intimação de fl. 65, a autoridade fiscal exigiu a apresentação do Razão Contábil da conta 8.1.7.57.004.521.0, na qual a contribuinte teria registrado despesas com comissão franquia promotora no valor total de R$ 16.365.424,42. A resposta a esta intimação consta às fls. 67/257. Posteriormente, o fiscal responsável exigiu da contribuinte a apresentação de documentação comprobatória pertinente a registros de 31/01/2006 (R$ 972.926,76), 28/04/2006 (R$ 932.893,72) e 30/11/2006 (R$ 1.002.441,62). Esclareceu serem necessários cópias dos contratos de prestação de serviços, detalhamento da natureza dos serviços contratados, relatórios referentes aos serviços prestados, documentação contábil pertinente aos pagamentos efetuados acompanhada da respectiva comprovação da ocorrência dos mesmos, bem como quaisquer outros elementos que evidenciem a efetividade da prestação dos serviços (fl. 435). Em resposta, a contribuinte informou que os valores foram contabilizados inicialmente a débito de despesas antecipadas e a crédito da conta Banco conta movimento, sendo mensalmente apropriadas pelos prazos dos contratos (fls. 436/438). Aparentemente a contribuinte apresentou outros documentos comprobatórios das despesas, na medida em que a autoridade lançadora lavrou Termo de Constatação e Intimação Fiscal, observando que a documentação apresentada estava incompleta, e reiterando a necessidade de apresentação dos elementos que evidenciem a efetividade da prestação dos serviços nos termos antes descritos, mas isto em relação apenas ao registro de 30/11/2006, no valor de R$ 1.002.441,62,conforme fls. 516/517. Fl. 3368DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Ass inado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10880.736407/201125 Acórdão n.º 1101001.204 S1C1T1 Fl. 26 25 A contribuinte apresentou respostas dizendo juntar documentos contábeis que evidencie o pagamento efetuado pela companhia, bem como alguns contratos para apreciação (fls. 518/534). A autoridade fiscal disse que a contribuinte apenas demonstrou a forma de contabilização dos valores inicialmente questionados. Reintimada, apresentou informações contábeis e contratos de prestação de serviços, os quais, examinados, evidenciaram contratação com pessoa jurídica distinta do fiscalizado. Por esta razão, promoveuse a glosa da parcela de R$ 2.908.262,10. Como se vê, o relato fiscal destoa do Termo de Constatação e Intimação Fiscal de fls. 516/517, que exigiu esclarecimentos complementares apenas em relação ao registro de R$ 1.002.441,62. Presente a dúvida, somente subsiste motivação inconteste para a glosa desta última parcela. De outro lado, a recorrente limitase a alegar que tais despesas decorrem de comissões pagas em contrapartida pela prestação de serviços de captação de negócios e propostas de créditos, os quais geram aumento de suas receitas por meio da contratação de novos usuários de cartões de crédito. Contudo, ainda que tais gastos sejam, em tese, indispensáveis à sua atividade, somente é possível afirmar que eles revestem esta natureza mediante demonstração por meio de documentação hábil. Por sua vez, a única evidência documental destas despesas nos autos são os Contratos de Prestação de Serviços juntados às fls. 522, firmados pelo Banco Panamericano S/A e por Panamericano Arrendamento Mercantil S/A, e não pela autuada. Por tais razões, o presente voto é no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para manter apenas a glosa das despesas com comissão contabilizadas em 30/11/2006, no valor de R$ 1.002.441,62. Serviços de Consultoria Financeira Por meio da intimação de fl. 42, a autoridade fiscal exigiu a apresentação do Razão Contábil da conta nº 8.1.7.63.005.520.9, na qual a contribuinte teria registrado despesas com serviço de consultoria financeira no valor total de R$ 248.842,00. A resposta a esta intimação consta às fls. 43/64. Posteriormente, o fiscal responsável exigiu da contribuinte a apresentação de documentação comprobatória pertinente a registros a débito e a crédito, verificados em 26/04/2006 (R$ 251.729,25, débito), 28/04/2006 (R$ 313.729,25, crédito), 09/05/2006 (R$ 207.000,00, débito) e 30/11/2006 (dois registros de R$ 92.000,00 a débito e um registro de R$ 540.986,19 a crédito). Esclareceu serem necessários cópias dos contratos de prestação de serviços, detalhamento da natureza dos serviços contratados, relatórios referentes aos serviços prestados, documentação contábil pertinente aos pagamentos efetuados acompanhada da respectiva comprovação da ocorrência dos mesmos, bem como quaisquer outros elementos que evidenciem a efetividade da prestação dos serviços (fl. 259). Em resposta, a contribuinte disse que os registros a débito se referiam a despesas conforme comprovantes em anexo (relatórios contábeis, solicitação de pagamento e notas fiscais emitidas por Focus Consultoria Financeira S/A e Max Control Assessoria de Créd. Ltda) e, quanto aos registros a crédito, tratavamse de estornos de despesa contra valores a Fl. 3369DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Ass inado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10880.736407/201125 Acórdão n.º 1101001.204 S1C1T1 Fl. 27 26 receber do Banco Panamericano S/A, mas que por falta de suporte junto aos lançamentos não foi possível identificar sua origem (fls. 260/281). Nova intimação foi lavrada especificando as empresas prestadoras de serviços em 2006, agora abrangendo também aquelas vinculadas a despesas classificadas como Outros Serviços de Pessoas Jurídicas (no total de R$ 3.314.249,89) e exigindo a mesma documentação descrita na intimação anterior (fl. 555). Nos esclarecimentos de fls. 629, a contribuinte disse apresentar em mídia cópias das folhas do Razão Contábil do ano calendário de 2006 onde foram registrados os pagamentos efetuados acompanhados das documentações comprobatórias – (notas fiscais e recibos) juntamente com os extratos de movimentação financeira que evidenciam a efetividade da prestação dos serviços pelas empresas indicadas pela Fiscalização. Alegou dificuldades na obtenção dos demais elementos e pediu prorrogação de prazo para atendimento à intimação. A contribuinte foi reintimada a apresentar a comprovação especificada desde o início descrita pela Fiscalização (fl. 630). Às fls. 631/870 consta a documentação apresentada, consistente basicamente em notas fiscais de prestação de serviços, solicitações de pagamento e relatórios contábeis analíticos de contas a pagar e tesouraria. Especificamente em relação a Report Serviços Administrativos Ltda também foi apresentado contrato de prestação de serviços de cobrança. A autoridade fiscal concluiu que a documentação oferecida foi insuficiente para a comprovação da efetividade dos serviços prestados. A recorrente apenas assevera que os serviços estão indicados nas notas fiscais e são necessários para o desenvolvimento de suas atividade sociais, especialmente aqueles prestados por Focus Consultoria Financeira Ltda e Infocus Adm. Financeira Ltda. Em impugnação, inclusive, novamente juntou as notas fiscais e solicitações de pagamento referentes aos serviços destas duas empresas (fl. 2749/2769). Ocorre, porém, que referidos documentos apenas trazem, em seu conteúdo, a declaração de que o pagamento corresponde a prestação de serviços de consultoria financeira em determinado mês, e no mesmo sentido são os demais documentos apresentados pela contribuinte à Fiscalização. Apenas com base nestes elementos não é possível afirmar que os serviços foram efetivamente prestados e que eles seriam necessários à atividade da empresa. Por esta razão, subsistem incomprovados os requisitos de dedutibilidade estipulados no art. 299 do RIR/99. Assim, o presente voto é no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente às glosas de despesas com serviços de consultoria financeira, no valor de R$ 248.842,00, e de despesas com outros serviços de pessoas jurídicas, no valor de R$ 3.314.249,89. Serviços Diversos de Pessoas Jurídicas Por meio da intimação de fl. 65, a autoridade fiscal exigiu a apresentação do Razão Contábil da conta 8.1.7.57.004.498.2, na qual a contribuinte teria registrado despesas com serv. diversos pessoa jurídica no valor total de R$ 5.444.002,70. A resposta a esta intimação consta às fls. 67/257. Posteriormente, o fiscal responsável exigiu da contribuinte a apresentação de documentação comprobatória pertinente a registros a débito e a crédito, verificados em 31/01/2006 (R$ 839.088,60, a débito e R$ 3.118.232,68, a crédito), 24/02/2006 (R$ Fl. 3370DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Ass inado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10880.736407/201125 Acórdão n.º 1101001.204 S1C1T1 Fl. 28 27 2.434.732,74, a crédito), 24/05/2006 (R$ 630.518,43, a débito), 31/05/2006 (R$ 2.000.000,00, a débito) e 30/11/2006 (R$ 2.016.804,48, a crédito). Esclareceu serem necessários cópias dos contratos de prestação de serviços, detalhamento da natureza dos serviços contratados, relatórios referentes aos serviços prestados, documentação contábil pertinente aos pagamentos efetuados acompanhada da respectiva comprovação da ocorrência dos mesmos, bem como quaisquer outros elementos que evidenciem a efetividade da prestação dos serviços (fl. 401). Em resposta, a contribuinte: 1) afirmou apresentar os comprovantes referentes à despesa de R$ 630.518,43; 2) disse que os lançamentos a créditos decorriam de estornos de despesas contra valores a receber do Banco Panamericano S/A, acerca das quais não conseguiu identificar a origem; 3) anotou que o valor de R$ 2.000.000,00 correspondia a despesas de diversas pessoas jurídicas cuja nota fiscal não foi localizada nos arquivos; 4) esclareceu que a parcela de R$ 839.088,60 correspondia a reversão de parte do estorno de R$ 3.118.232,58,conforme fls. 402/434. Juntou apenas relatórios contábeis analíticos de contas a pagar e de despesas. Na medida em que a contribuinte se limitou a demonstrar a forma de contabilização dos referidos encargos, a autoridade fiscal considerou indedutível o valor total contabilizado. A recorrente aborda genericamente o tema, juntamente com as outras despesas de serviços glosadas, asseverando que elas são necessárias às atividade sociais. Ausente qualquer demonstração neste sentido, deve ser mantida a glosa. Por tais razões, o presente voto é no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para manter a glosa de despesas com serviços diversos de pessoas jurídicas, no valor de R$ 5.444.002,70. Provisões para contingências cíveis e trabalhistas Segundo o Termo de Verificação Fiscal de fls. 871/872, a autoridade fiscal procedeu à glosa do montante de R$ 3.956.175,89 porque correspondentes a provisões para contingências cíveis, indedutíveis a teor do art. 13, inciso I da Lei nº 9.249/95. A recorrente reitera os termos de sua impugnação, asseverando que as provisões decorrem de processos judiciais de natureza cível e trabalhista em que a recorrente figurava como ré, revelando obrigações já definidas em acordos judiciais e/ou decisões proferidas nos processos cíveis e trabalhistas. Todavia, também aqui, nenhuma prova foi juntada aos autos para demonstrar o alegado. Quanto à pretensão de que fosse dado à exigência o tratamento de postergação, necessário seria que a interessada, contrariando sua defesa inicial, demonstrasse que as provisões somente se converteram em despesas efetivas em momento futuro e anterior à lavratura do auto de infração. Ausente evidências nestes sentido, correto o lançamento. Assim, o presente voto é no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à glosa de provisões para contingências cíveis e trabalhistas no valor de R$ 3.956.175,89. Recurso de ofício Fl. 3371DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Ass inado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10880.736407/201125 Acórdão n.º 1101001.204 S1C1T1 Fl. 29 28 A autoridade julgadora de 1a instância afastou a glosa de despesas com vale refeição, no valor total de R$ 14.101.083,98, porque a fiscalizada apresentara cópias de notas fiscais e relatório com os beneficiários dos pagamentos, não se estendendo a estas operações os questionamentos acerca da falta de comprovação dos critérios de rateio de despesas com outras empresas do grupo. E, de fato, a glosa foi motivada pela falta de apresentação de acordo contratual específico que estabelecesse os coeficientes de rateio, correspondentes a cada empresa do grupo econômico, circunstância presente apenas nos registros referentes às despesas de valetransporte. Por sua vez, as notas fiscais apresentadas à Fiscalização para comprovação das despesas com valerefeição estão, todas, em nome da pessoa jurídica autuada (fls. 444/485). Também foram canceladas as glosas de despesas com acordos judiciais no valor total de R$ 1.521.500,00, fundamentada na falta de documentação que justificasse os pagamentos integrais dos acordos, pois havia também outra empresa no pólo passivo das reclamações, ao passo que a impugnante juntou cópia das fichas dos registros dos empregados e os acordos realizados para demonstrar que eram seus os empregados beneficiados. A contribuinte já havia apresentado à Fiscalização as decisões judiciais e as solicitações de pagamento correspondentes às despesas questionadas (fls. 282/386). Todavia, ao constatar que a autuada nem sempre figurava como parte nos acordos, ou apresentavase ao lado de outra pessoa jurídica, entendeu insuficiente a comprovação da necessidade das despesas. Em impugnação, a autuada esclarece que a legislação trabalhista estabeleceria a responsabilidade solidária do grupo econômico, e apresentou cópia das fichas dos registros dos empregados que figuraram nos acordos realizados. Admissível, portanto, a dedutibilidade destes valores por parte da autuada. Por fim, a decisão sob reexame também afastou o agravamento da multa de ofício em 112,5% porque a Fiscalização não deixou explicitadas as situações em que os documentos não foram apresentados e que acarretaram o agravamento da multa de ofício. De fato, a acusação fiscal limitase às seguintes considerações: (38) Por conseguinte, procederseá, de ofício, à constituição dos pertinentes créditos tributários incidentes sobre os valores a seguir demonstrados, através da lavratura dos competentes Autos de Infração de IRPJ e de CSLL com a aplicação da multa agravada de 112,5% em atendimento ao quanto disposto no artigo 959 do citado RIR/99, dos quais o presente fará parte integrante, sendo que a complementação do enquadramento legal encontrarseá alinhavada no corpo dos respectivos Autos de Infração. O dispositivo legal mencionado reportase a três hipóteses de agravamento da multa de ofício: Art. 959. As multas a que se referem os incisos I e II do art. 957 passarão a ser de cento e doze e meio por cento e de duzentos e vinte e cinco por cento, respectivamente, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para (Lei nº 9.430, de 1996, art. 44, § 2º e Lei nº 9.532, de 1997, art. 70, I): I prestar esclarecimentos; II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 265 e 266; III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 267. Fl. 3372DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Ass inado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10880.736407/201125 Acórdão n.º 1101001.204 S1C1T1 Fl. 30 29 Mesmo supondose que a autoridade lançadora somente poderia cogitar da aplicação da hipótese prevista no inciso I do referido dispositivo, o fato é que a contribuinte, ainda que insatisfatoriamente, respondeu às intimações fiscais, de modo que as reintimações lavradas pela Fiscalização não se verificaram ante a omissão da fiscalizada após a intimação original. Demais disso, várias intimações foram lavradas para questionamentos específicos, e não poderia a autoridade fiscal promover o agravamento em relação a todas as glosas de despesas indistintamente. Por fim, como bem observa a autoridade julgadora de 1a instância, as respostas do intimado não evidenciam intenção de tumultuar os trabalhos da auditoria. E, se o agravamento da multa de ofício foi realizado pelo motivo da Impugnante não ter apresentado os documentos que evidenciam a real prestação dos serviços tomados, isto não é suficiente para motivar o agravamento. Frente a este contexto, o presente voto é no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 3373DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Ass inado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10880.736407/201125 Acórdão n.º 1101001.204 S1C1T1 Fl. 31 30 Voto Vencedor Conselheiro BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR: Serviços de Consultoria Financeira e Outros serviços de pessoas jurídicas Conforme se nota a partir da leitura dos autos, a d. DRJ manteve a autuação relativamente à glosa de “Serviços de Consultoria Financeira” (R$ 248.842,00) sob o fundamento de que tais despesas não estariam vinculadas a documentos que comprovassem sua efetiva prestação (contratos, detalhamento dos serviços prestados, relatórios sobre o andamento e finalização dos trabalhos, identificação dos profissionais, etc.). Outrossim, também foram mantidas as glosas das despesas de “Outros Serviços de Pessoa Jurídica” (R$ 3.314.249,89), sob o fundamento de que os documentos apresentados notas fiscais contendo as descrições dos serviços prestados seriam genéricos e não provariam a efetiva prestação dos serviços de assessoria financeira; administrativa; com eventos; etc. Em seu voto, a Ilma. Cons. Edeli Pereira Bessa asseverou que, litteris: “Por meio da intimação de fl. 42, a autoridade fiscal exigiu a apresentação do Razão Contábil da conta nº 8.1.7.63.005.520.9, na qual a contribuinte teria registrado despesas com serviço de consultoria financeira no valor total de R$ 248.842,00. A resposta a esta intimação consta às fls. 43/64. Posteriormente, o fiscal responsável exigiu da contribuinte a apresentação de documentação comprobatória pertinente a registros a débito e a crédito, verificados em 26/04/2006 (R$ 251.729,25, débito), 28/04/2006 (R$ 313.729,25, crédito), 09/05/2006 (R$ 207.000,00, débito) e 30/11/2006 (dois registros de R$ 92.000,00 a débito e um registro de R$ 540.986,19 a crédito). Esclareceu serem necessários cópias dos contratos de prestação de serviços, detalhamento da natureza dos serviços contratados, relatórios referentes aos serviços prestados, documentação contábil pertinente aos pagamentos efetuados acompanhada da respectiva comprovação da ocorrência dos mesmos, bem como quaisquer outros elementos que evidenciem a efetividade da prestação dos serviços (fl. 259). Em resposta, a contribuinte disse que os registros a débito se referiam a despesas conforme comprovantes em anexo (relatórios contábeis, solicitação de pagamento e notas fiscais emitidas por Focus Consultoria Financeira S/A e Max Control Assessoria de Créd. Ltda) e, quanto aos registros a crédito, tratavamse de estornos de despesa contra valores a receber do Banco Panamericano S/A, mas que por falta de suporte junto aos lançamentos não foi possível identificar sua origem (fls. 260/281). Nova intimação foi lavrada especificando as empresas prestadoras de serviços em 2006, agora abrangendo também aquelas vinculadas a despesas classificadas como Outros Serviços de Pessoas Jurídicas (no total de R$ 3.314.249,89) e exigindo a mesma documentação descrita na intimação anterior (fl. 555). Nos esclarecimentos de fls. 629, a contribuinte disse apresentar em mídia cópias das folhas do Razão Fl. 3374DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Ass inado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10880.736407/201125 Acórdão n.º 1101001.204 S1C1T1 Fl. 32 31 Contábil do ano calendário de 2006 onde foram registrados os pagamentos efetuados acompanhados das documentações comprobatórias – (notas fiscais e recibos) juntamente com os extratos de movimentação financeira que evidenciam a efetividade da prestação dos serviços pelas empresas indicadas pela Fiscalização. Alegou dificuldades na obtenção dos demais elementos e pediu prorrogação de prazo para atendimento à intimação. A contribuinte foi reintimada a apresentar a comprovação especificada desde o início descrita pela Fiscalização (fl. 630). Às fls. 631/870 consta a documentação apresentada, consistente basicamente em notas fiscais de prestação de serviços, solicitações de pagamento e relatórios contábeis analíticos de contas a pagar e tesouraria. Especificamente em relação a Report Serviços Administrativos Ltda também foi apresentado contrato de prestação de serviços de cobrança. A autoridade fiscal concluiu que a documentação oferecida foi insuficiente para a comprovação da efetividade dos serviços prestados. A recorrente apenas assevera que os serviços estão indicados nas notas fiscais e são necessários para o desenvolvimento de suas atividade sociais, especialmente aqueles prestados por Focus Consultoria Financeira Ltda e Infocus Adm. Financeira Ltda. Em impugnação, inclusive, novamente juntou as notas fiscais e solicitações de pagamento referentes aos serviços destas duas empresas (fl. 2749/2769). Ocorre, porém, que referidos documentos apenas trazem, em seu conteúdo, a declaração de que o pagamento corresponde a prestação de serviços de consultoria financeira em determinado mês, e no mesmo sentido são os demais documentos apresentados pela contribuinte à Fiscalização. Apenas com base nestes elementos não é possível afirmar que os serviços foram efetivamente prestados e que eles seriam necessários à atividade da empresa. Por esta razão, subsistem incomprovados os requisitos de dedutibilidade estipulados no art. 299 do RIR/99. Assim, o presente voto é no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente às glosas de despesas com serviços de consultoria financeira, no valor de R$ 248.842,00, e de despesas com outros serviços de pessoas jurídicas, no valor de R$ 3.314.249,89. ” Ouso divergir do posicionamento da Nobre Relatora, porquanto as despesas escrituradas pela ora Recorrente (leiase: aquelas relativas a “serviços de consultoria financeira” e a “outros serviços de pessoas jurídicas”) referemse ao pagamento de serviços de consultoria em geral, os quais são comprovados pela documentação colacionada aos autos pela contribuinte (e.g.: por meio das notas fiscais emitidas pelas empresas responsáveis pela prestação dos serviços). É dizer, as notas fiscais apresentadas pelo contribuinte, associadas a solicitações de pagamentos e aos competentes registros contábeis, são mais do que suficientes a demonstrar a efetividade da prestação dos serviços contratados, de modo que, à míngua de outros fatos/provas – que deveriam ter sido carreados pela acusação –, inexiste óbice à dedutibilidade das despesas em causa Desse modo, não pode prosperar a ação fiscal que desconsidera apropriação de despesas regularmente registradas na contabilidade sem qualquer comprovação de inveracidade dos fatos. A propósito, leiase a ementa de precedente do antigo Conselho de Contribuintes, in verbis: Fl. 3375DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Ass inado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10880.736407/201125 Acórdão n.º 1101001.204 S1C1T1 Fl. 33 32 “DESPESAS DE AUDITORIA, CONSULTORIA FINANCEIRA E ASSESSORIA DE DIVULGAÇÃO E PROPAGANDA Não prospera a ação fiscal que impugnou a apropriação de despesas operacionais, quando a Fiscalização não comprova a inveracidade dos fatos regularmente registrados na Contabilidade e a prova dos autos não revela qualquer fato que ilida a presunção de licitude da operação contabilizada. ” (1ª Câmara do 1° Conselho de Contribuintes Acórdão n. 101 92.961 Sessão de 26/01/2000) Por outro lado, os “Serviços de Consultoria Financeira” e os “Outros Serviços de Pessoas Jurídicas”, para além de corresponderem a serviços de consultoria em geral como indicado nos documentos mencionados acima , devem ser entendidos como necessários para o desenvolvimento das atividades sociais da empresa. A meu ver, correto o entendimento do contribuinte no sentido de que “tais despesas são necessárias para a Recorrente, visto que imprescindíveis para o desenvolvimento de suas atividades sociais que contemplam a emissão e administração de cartões de terceiros, como, por exemplo, os serviços de consultoria financeira prestados pelas empresas Focus Consultoria Financeira Ltda. e Infocus Adm. Financeira Ltda”. Dessa forma, atendidos os requisitos estipulados no art. 299 do RIR/99, encaminho meu voto divergente no sentido de DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário relativamente à glosa de “serviços de consultoria financeira” e “outros serviços de pessoas jurídicas”. É como voto. (documento assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR – Redator designado Fl. 3376DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Ass inado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
score : 1.0
Numero do processo: 10140.722194/2011-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/2008 a 31/12/2008
AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. MATÉRIA DIFERENCIADA.
A propositura pelo sujeito passivo de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento, que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual trate o processo administrativo, importa renúncia ao contencioso administrativo, conforme art. 126, § 3º, da Lei no 8.213/91, combinado com o art. 307 do RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99.
O julgamento administrativo limitar-se-á à matéria diferenciada, se na impugnação houver matéria distinta da constante do processo judicial, conforme art. 35, parágrafo único, da Portaria RFB n.º 10.875/2007.
INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS. VEDAÇÃO.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais- CARF não é competente para afastar a aplicação de normas legais e regulamentares sob fundamento de inconstitucionalidade.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-003.558
Decisão: Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Sessão do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso frente à existência de ação judicial com idêntico objeto ao lançamento em questão, e na parte conhecida negar-lhe provimento, frente à Súmula n.º 02 do CARF, que veda o exame da constitucionalidade das leis por este colegiado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Leo Meirelles do Amaral, André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Leonardo Henrique Pires Lopes.
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201412
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/09/2008 a 31/12/2008 AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. MATÉRIA DIFERENCIADA. A propositura pelo sujeito passivo de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento, que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual trate o processo administrativo, importa renúncia ao contencioso administrativo, conforme art. 126, § 3º, da Lei no 8.213/91, combinado com o art. 307 do RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99. O julgamento administrativo limitar-se-á à matéria diferenciada, se na impugnação houver matéria distinta da constante do processo judicial, conforme art. 35, parágrafo único, da Portaria RFB n.º 10.875/2007. INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS. VEDAÇÃO. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais- CARF não é competente para afastar a aplicação de normas legais e regulamentares sob fundamento de inconstitucionalidade. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Feb 26 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10140.722194/2011-18
anomes_publicacao_s : 201502
conteudo_id_s : 5433168
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Feb 26 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 2302-003.558
nome_arquivo_s : Decisao_10140722194201118.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : LIEGE LACROIX THOMASI
nome_arquivo_pdf_s : 10140722194201118_5433168.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Sessão do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso frente à existência de ação judicial com idêntico objeto ao lançamento em questão, e na parte conhecida negar-lhe provimento, frente à Súmula n.º 02 do CARF, que veda o exame da constitucionalidade das leis por este colegiado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Leo Meirelles do Amaral, André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Leonardo Henrique Pires Lopes.
dt_sessao_tdt : Thu Dec 04 00:00:00 UTC 2014
id : 5833183
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:37:02 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047702876454912
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2161; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T2 Fl. 379 1 378 S2C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10140.722194/201118 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2302003.558 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 1 de dezembro de 2014 Matéria Produtor Rural Recorrente CONACENTRO COOPERATIVA DOS PRODUTORES DO CENTRO OESTE Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/2008 a 31/12/2008 AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. MATÉRIA DIFERENCIADA. A propositura pelo sujeito passivo de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento, que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual trate o processo administrativo, importa renúncia ao contencioso administrativo, conforme art. 126, § 3º, da Lei no 8.213/91, combinado com o art. 307 do RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99. O julgamento administrativo limitarseá à matéria diferenciada, se na impugnação houver matéria distinta da constante do processo judicial, conforme art. 35, parágrafo único, da Portaria RFB n.º 10.875/2007. INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS. VEDAÇÃO. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF não é competente para afastar a aplicação de normas legais e regulamentares sob fundamento de inconstitucionalidade. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Sessão do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso frente à existência de ação judicial com idêntico objeto ao lançamento em questão, e na parte conhecida negarlhe provimento, frente à Súmula n.º 02 do CARF, que veda o exame da constitucionalidade das leis por este colegiado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 14 0. 72 21 94 /2 01 1- 18 Fl. 379DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 24/02/201 5 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Leo Meirelles do Amaral, André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Leonardo Henrique Pires Lopes. Fl. 380DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 24/02/201 5 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10140.722194/201118 Acórdão n.º 2302003.558 S2C3T2 Fl. 380 3 Relatório Trata o presente Processo Administrativo Fiscal dos seguintes Autos de Infração de Obrigação Principal, lavrados em 23/09/2011 cientificados ao sujeito passivo em 26/09/2011, AIOP DEBCAD 37.352.4790, relativo às contribuições previdenciárias incidentes sobre a comercialização da produção rural adquirida de terceiros pessoas físicas, no período de 09/2008 a 12/2008 e AIOP DEBCAD 37.352.4803, relativo às contribuições arrecadadas para o SENAR sobre as mesmas bases e período. O Relatório Fiscal de fls.19/27, assim se expressa quanto ao lançamento: 1.2. O presente relatório fiscal referese aos Autos de Infração AI's debcad's n 37.352.4790 e 37.352.4803. 1.3. Não emitido o Termo de Arrolamento de Bens TAB por não exceder a trinta por cento do seu patrimônio conhecido, conforme legislação vigente. 1.4. Tem processo judicial (processo 00876332.2008.4.03.6000 antigo 2008.60.00.0087140), ainda não concluso, pedindo inexistência de relação jurídica e em 09/09/2008 foi deferido depósito judicial. A cooperativa não deposita integralmente os valores devidos e os depósitos judiciais estão sendo levantados no presente Auto de Infração para prevenir eventual decadência, no caso de decisão final favorável à Fazenda Nacional. 1.5 Os valores apurados neste Auto de Infração foram totalmente depositados em juizo. (...) Neste levantamento foram lançados como base de cálculo os valores mensais de aquisição de produção rural de pessoa física apurados nas Notas Fiscais de Entrada NFE (NFE, contabilidade e Livros de Registro de Entrada (arquivos 3 de 9 digitais) depositados judicialmente. Os valores estão relacionados no Anexo VIII. Período 09/2008 a 12/2008. Valores com retenção do produtor rural. Somente este levantamento foi depositado em juizo (levantado para prevenir decadência). 2.4.10. Enfatizando que neste Auto de Infração somente o levantamento DP está incluido, os demais levantamentos foram efetuados em outros autos , colocamos todos em cada auto para melhor visualização do levantamento global. Tem processo judicial (processo 00876332.2008.4.03.6000 antigo 2008.60.00.0087140), ainda não concluso, pedindo inexistência de relação jurídica e em 09/09/2008 foi deferido depósito judicial. A cooperativa não deposita integralmente os Fl. 381DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 24/02/201 5 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 valores devidos e os depósitos judiciais estão sendo levantados no presente Auto de Infração para prevenir eventual decadência, no caso de decisão final favorável à Fazenda Nacional. 1.5 Os valores apurados neste Auto de Infração foram totalmente depositados em juizo. Conforme cópia da petição inicial, às fls. 321/338, a ação declaratória interposta visa a declaração de inexistência da relação jurídica e a impossibilidade da realização do fato gerador da contribuição sobre o valor da produção de seus cooperados entregue para comercialização coletiva. Às fls. 245, dos autos consta o deferimento do depósito judicial. Após a impugnação, Acórdão da DRJ de Campo Grande/MS, às fls. 343/352, conheceu da mesma por declinar matéria diversa da postulada em juízo e pugnou pela procedência dos autos de infração. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, onde argúi em apertada síntese: a) que está efetuando os depósitos em montante integral e as guias estão encartadas no PAF 10140.722196/2011 15; b) ausência de base legal para exigir a contribuição com fulcro no artigo 25 da Lei n.º 8.212/91; c) a ausência de elemento quantitativo da hipótese de incidência tributária, faz insubsistente a exigência da contribuição a cargo do empregador rural pessoa física, cuja base de incidência e elemento quantitativo encontramse previstos nos incisos I e II, do artigo 25, da Lei n.º 8.212/91, proclamado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, com eficácia ex tunc e não disposto em lei posterior para integrar a previsão do fato gerador da obrigação pretendida; d) é insubsistente a contribuição sobre o valor da comercialização da produção rural depois da Lei n.º 10.256/2001; e) que o julgado do STF no RE 596.117/RS assentou que a EC 20/98 não veio autorizar a incidência da contribuição discutida por lei ordinária; f) que é inconstitucional a contribuição conhecida como FUNRURAL que somente poderia ter sido instituída por Lei Complementar; g) que os incisos I e II, do artigo 25 da Lei n.ª 8.212/91, foram colhidos pela declaração de inconstitucionalidade realizada pelo STF no interesse do RE 363.852/MG; Fl. 382DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 24/02/201 5 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10140.722194/201118 Acórdão n.º 2302003.558 S2C3T2 Fl. 381 5 h) que a própria decisão de primeiro grau recorrida faz menção que os incisos I e II do citado artigo 25, continuam a projetar seus efeitos para o segurado especial. Destarte, não é o aqui tratado, sendo óbvio que com relação ao produtos rural empregador PF operam os efeitos da inconstitucionalidade proclamada pelo STF; i) que não há base legal para legitimar a subrogação do adquirente nas obrigações do empregador rural pessoa física , porque o artigo 30, IV da Lei n.º 8.212/91, também teve a inconstitucionalidade reconhecida no RE 363852 e inexiste previsão legal atualmente para tanto; j) que as contribuições para o SENAR também devem ser afastadas porque a exigência principal foi declarada inconstitucional. Por fim, requer o provimento do recurso com a insubsistência da ação fiscal. É o relatório. Fl. 383DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 24/02/201 5 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora O Recurso cumpriu com o requisito de admissibilidade, frente à tempestividade, devendo ser conhecido e examinado. O presente lançamento referese às contribuições previdenciárias que estão sendo discutidas judicialmente através da Ação N.º 00876332.2008.4.03.6000 e que foram levantadas com o objetivo de prevenir a decadência. Em que pese a existência de ação judicial, esta somente acarretará a suspensão da exigibilidade do crédito nos casos de: · depósito integral da contribuição discutida judicialmente (art. 151, II, do CTN); · concessão de medida liminar em mandado de segurança (art. 151, IV, do CTN); · concessão de medida liminar ou de tutela antecipada em outras espécies de ação judicial (art. 151, V, do CTN). De acordo com o Relatório Fiscal de fls.19/27, os valores foram levantados para prevenir a decadência e estão integralmente depositados. O artigo 5º, XXXV, da Constituição Federal, veda que sejam afastadas da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito. Quem se sentir ameaçado ou violado em seus direitos pode recorrer ao judiciário e este não pode eximirse da apreciação e solução da matéria. As decisões deste Poder sobrepõemse às decisões administrativas, pelo que, tendo sido proposta pela notificada ação judicial na qual são discutidas as mesmas questões de mérito suscitadas em sua defesa administrativa, encerrandose o processo judicial, a decisão administrativa seria substituída pela sentença. Nesse sentido, ocorrerá renúncia ao contencioso quando a ação judicial tiver por objeto “idêntico pedido” sobre o qual versa o processo administrativo, em inteligência ao art. 126, § 3º, da Lei no 8.213/91 combinado com o art. 307 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99 e com o art.35 da Portaria RFB n.º 10.875/2007: “Art. 126. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro Social INSS nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da Seguridade Social caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social, conforme dispuser o Regulamento. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 1997) (...) § 3º A propositura, pelo beneficiário ou contribuinte, de ação que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual versa o processo administrativo importa renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso interposto. (Incluído pela Lei nº 9.711, de 20.11.98) “(sem grifos no original) Fl. 384DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 24/02/201 5 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10140.722194/201118 Acórdão n.º 2302003.558 S2C3T2 Fl. 382 7 Art. 35. A propositura de ação judicial pelo sujeito passivo, por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente ao lançamento, com o mesmo objeto, importa em renúncia às instâncias administrativas ou desistência de eventual recurso interposto. Parágrafo único. Quando diferentes os objetos do processo judicial e do processo administrativo, este terá prosseguimento normal no que se relaciona à matéria diferenciada. Corrobora tal entendimento a Súmula n.º 01 do CARF: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Considerase "idêntico pedido", para o efeito de renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa, quando, na impugnação ou recurso, for deduzida a mesma matéria submetida à apreciação judicial, já que, a teor do princípio constitucional da unidade da jurisdição (art. 5º, XXXV, CRF/88) segundo o qual somente ao Poder Judiciário é atribuída a função de compor os conflitos de interesses com caráter de definitividade , é inócua qualquer discussão em sede administrativa, quando simultaneamente submetida ao crivo do Judiciário. Neste caso, a renúncia ao contencioso poderá, ou não, ensejar a cobrança imediata do crédito, a depender da existência de causa suspensiva de sua exigibilidade. Desta forma, fazse necessário analisar o objeto da ação judicial e da impugnação, verificando a identidade ou não dos respectivos pedidos. Constatase, através da cópia da petição inicial, fls. 321/338, que o pedido de declaração de inexistência da relação jurídicotributária entre as partes, no que concerne à exigência das contribuições previdenciárias, constitui objeto tanto do pedido administrativo quanto do judicial, importando, portanto, em renúncia ao contencioso administrativo. Vale ressaltar que a renúncia ao contencioso administrativo ocorre apenas em relação às matérias que constituem objeto tanto do pedido administrativo quanto do judicial, devendo o processo administrativo prosseguir em relação à matéria diferenciada, conforme determinam o art. 126, §3º, da Lei nº 8.213/91, combinado com o art. 9º, II, e art. 35, ambos da Portaria RFB nº 10.875/2007. Entretanto, no caso presente a matéria deduzida, distinta da discutida em juízo, referese apenas à inconstitucionalidade das contribuições previdenciárias incidentes sobre a receita bruta da comercialização de produto rural adquirido de pessoas físicas, por sub rogação, de forma que me reporto à Súmula n.º 02 do CARF, que veda o exame da constitucionalidade das leis por este colegiado: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 385DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 24/02/201 5 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 Ademais, o artigo 72, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, assim dispõe sobre a obediência às Súmulas: Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. Por todo o exposto, conheço parcialmente do recurso em face da existência de ação judicial e na parte conhecida não tratando a recorrente, quanto à matéria diferenciada, de outro tema que não a inconstitucionalidade das exações lançadas, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 386DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 24/02/201 5 por LIEGE LACROIX THOMASI
score : 1.0
Numero do processo: 15586.721262/2012-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 22 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2401-000.447
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Presidente em Exercício
Carolina Wanderley Landim - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carlos Henrique de Oliveira, Carolina Wanderley Landim, Igor Araújo Soares, Kleber Ferreira de Araújo e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: CAROLINA WANDERLEY LANDIM
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201501
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 15586.721262/2012-97
anomes_publicacao_s : 201503
conteudo_id_s : 5442412
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 2401-000.447
nome_arquivo_s : Decisao_15586721262201297.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : CAROLINA WANDERLEY LANDIM
nome_arquivo_pdf_s : 15586721262201297_5442412.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Presidente em Exercício Carolina Wanderley Landim - Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carlos Henrique de Oliveira, Carolina Wanderley Landim, Igor Araújo Soares, Kleber Ferreira de Araújo e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
dt_sessao_tdt : Thu Jan 22 00:00:00 UTC 2015
id : 5863809
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:38:15 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047702879600640
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1311; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 2 1 1 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15586.721262/201297 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2401000.447 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 22 de janeiro de 2015 Assunto Contribuições Sociais Previdenciárias Recorrente FUNDAÇÃO SÃO JOÃO BATISTA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Presidente em Exercício Carolina Wanderley Landim Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carlos Henrique de Oliveira, Carolina Wanderley Landim, Igor Araújo Soares, Kleber Ferreira de Araújo e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 55 86 .7 21 26 2/ 20 12 -9 7 Fl. 681DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 15586.721262/201297 Resolução nº 2401000.447 S2C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte às fls. 671/677, insurgindose contra o Acórdão de nº 1258.694 (fls. 660/667) proferido pela 14ª Turma da DRJ/RJ1, que manteve a exigência consubstanciada no presente PAF. Segundo o relatório fiscal de fls.36/52, a ação fiscal foi realizada com o objetivo de verificar a existência (preenchimento) dos requisitos para o gozo da isenção das contribuições previdenciárias patronal, bem como a regularidade dessas contribuições. Afirma o autuante em seu relatório que a Contribuinte é sociedade civil estatutária, de caráter beneficente, de fins filantrópicos, fundada em novembro de 1963 e tem como atividades: · Criar, instalar e manter estabelecimento de ensino, sem finalidade lucrativa, embora venha a manter cursos remunerados, de forma a elevar o nível cultural da região; · Criar e manter serviços educativos mais ajustados aos interesses e possibilidade dos estudantes, bem como as reais condições e necessidades do meio, inclusive com esclarecimentos à opinião púbica sobre as vantagens asseguradas pela boa educação; · Criar e manter serviços de radiodifusão educativa e comunicação em geral; · Aplicar integralmente suas rendas, recursos e eventuais resultados operacionais na manutenção e desenvolvimento dos objetivos institucionais no território nacional; A fiscalização informa que houve apresentação pelo contribuinte de uma série de documentos com o objetivo de demonstrar que se tratava de entidade de fins filantrópicos fls. 36/38 do relatório fiscal. Foi constatado pela fiscalização que, no processo nº 13770.000986/200812, foi cancelado o reconhecimento do direito à isenção, com a emissão de Ato Cancelatório e consequente ação fiscal para lançamento do respectivo crédito previdenciário. Em razão do referido ato, a fiscalização entendeu que no período em que a Lei 8.212/91 esteve vigente, a entidade não gozava da isenção das contribuições previdenciárias patronais, bem como as devidas a outras entidades ou fundos. Conforme item 3.1.8 do relatório, a fiscalização entendeu ainda que em 2008 a entidade continuou não atendendo aos requisitos básicos para usufruir da isenção por não apresentar a Certidão de Regularidade perante o Prouni relativo ao ano de 2008 (solicitada em TIF próprio), o que levou ao cancelamento do direito de isenção das contribuições patronais previdenciárias. Fl. 682DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 15586.721262/201297 Resolução nº 2401000.447 S2C4T1 Fl. 4 3 Através dos Autos de Infração DEBCAD nºs 37.347.0568 e 37.390.8806 que compõem o presente PAF, a fiscalização afirma ter efetuado a cobrança das contribuições que passaram a ser devidas com a perda do benefício da isenção pela entidade (patronal + terceiros). No item 3.2 e seguintes de seu relatório fiscal, a autoridade autuante disserta sobre a Previdência Privada contratada pela entidade junto a Porto Seguro Vida e Previdência S/A em 31.07.2007. Afirma o fiscal que a entidade não preencheu todos os requisitos contidos no art. 28, inciso I, § 9º alínea “p” da Lei 8.212/1991, tendo em vista que o plano não estava disponível a todos os empregados, elaborando planilha comparativa em seu relatório acerca da quantidade de empregados abrangidos ou não pelo plano. Prossegue o fiscal afirmando que em razão do não preenchimento dos requisitos, restou igualmente configurado o descumprimento de obrigação acessória, qual seja, não informar a totalidade de fatos geradores em GFIP. Afirma ainda que a autuada não recolheu sequer as contribuições dos segurados (que devem ser recolhidas pelas entidades beneficentes em gozo de isenção). Assim, através dos Autos de Infração DEBCAD nºs 37.347.0568, 37.390.8792 e 37.390.8806, foram feitos lançamentos referentes às contribuições (patronal, terceiros e segurados empregados) incidentes sobre as remunerações recebidas a título de previdência privada. No item 5 do relatório fiscal, a autoridade autuante traz as informações gerais dos DEBCAD’s contidos no presente PAF, vejamos: · AI/DEBCAD n° 37.347.0568 – item 5.1 – referese às contribuições previdenciárias não declaradas GFIP, a cargo da empresa + RAT, incidentes sobre as remunerações pagas a segurados empregados e contribuintes individuais, no período de jan/2008 a dez/2008. Valores relacionados à declaração indevida da entidade de que possuía isenção de contribuições previdenciárias; · AI/DEBCAD nº 37.390.8792 – item 5.2 – referese às contribuições previdenciárias não descontadas dos segurados e não declaradas em GFIP, relativos à previdência privada, no período de jan/2008 a dez/2008; · AI/DEBCAD nº 37.390.8806 – item 5.3 – referese a crédito tributário relativo às contribuições sociais, não declaradas em GFIP, devidas a terceiros, no período de jan/2008 a dez/2008; · AI/DEBCAD nº 37.390.8814 – item 5.4 – lavrado por descumprimento de obrigação acessória, por apresentar documentos não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, no período de jan/2008 a nov/2008. Consta ainda no relatório fiscal tópicos específicos às representações penais, bem como comparativo de multas a serem aplicadas, de modo a respeitar a penalidade mais benéfica ao contribuinte. Fl. 683DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 15586.721262/201297 Resolução nº 2401000.447 S2C4T1 Fl. 5 4 Cientificada em 21/12/2012 sobre os autos de infração acima discriminados, a entidade apresentou Impugnação, em 18/01/2013 (fls. 463/467), aduzindo, em síntese, que apresentara recurso voluntário contra o Ato Cancelatório da isenção de contribuição previdenciária, junto ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais no processo nº 13770.000986/200812, estando pendente de julgamento. Nesse sentido, pugnou pelo sobrestamento deste feito até julgamento daquele processo, onde afirma demonstrar inequivocamente o seu direito à isenção, alegando que a exigibilidade do crédito estaria suspensa enquanto pendente a decisão do referido recurso que discute a isenção. À fl. 603 consta o seguinte despacho: Infração 37.347.0568 e 37.390.8806. A cobrança dos Autos de Infração 37.390.8792 e 37.390.8814, não questionados, foi transferida para o processo 13770.720175/201391. Encaminho à DRJ/RJO 1 para análise e julgamento. Instada a se manifestar sobre a impugnação apresentada, a 14ª Turma da DRJ/RJ1 proferiu o Acórdão de nº 1258.694 (fls. 660/667), mantendo a exigência consubstanciada no presente PAF em sua íntegra. No julgamento, a DRJ reiterou que a cobrança dos Autos de Infração 37.390.8792 e 37.390.8814, não impugnados, foi transferida para o processo 13770.720175/201391; indeferiu os pedidos de apresentação de provas testemunhais, periciais e juntada posterior de documentos, por terem sido desacompanhados de qualquer justificativa; sustentou que o recurso apresentado no processo no qual foi mantido o cancelamento da isenção não impedia o julgamento do presente feito; rechaçou os argumentos contra o cancelamento da isenção, por serem objeto de PAF próprio; e tendo em vista que a entidade não apresentou argumentos específicos quanto às contribuições lançadas, manteve a autuação. A recorrente, cientificada em 10/09/2013 (fl. 669), interpôs recurso voluntário em 08/10/2013 (fls. 671/677), reiterando as razões da impugnação, fazendo referência tão somente aos AI’s 37.347.0568 e 37.390.8806. À fl. 680 o processo foi remetido para apreciação por este Conselho. É o relatório. Fl. 684DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 15586.721262/201297 Resolução nº 2401000.447 S2C4T1 Fl. 6 5 Voto Conselheira Carolina Wanderley Landim Relatora O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Analisando o processo, verificase que os créditos exigidos estão intimamente ligados à emissão de Ato Cancelatório da condição de isenta da Recorrente, em debate no PAF de nº 13770.000986/200812. O PAF de nº 13770.000986/200812 foi apreciado por este CARF, tendo sido proferido Despacho de nº 2401144 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara, datado de 25 de junho de 2014, determinando que fossem verificados os requisitos para o Ato Cancelatório de Isenção, em conformidade com as disposições do Decreto 7.237/10 e Instrução Normativa 1.071/01. O resultado do PAF de nº 13770.000986/200812, que trata do Ato Cancelatório da condição de isenta da Recorrente, se constitui questão prejudicial ao presente processo. Diante de tal prejudicialidade, voto por converter o presente processo em diligência para verificar se já ocorreu o trânsito em julgado do processo administrativo nº 13770.000986/200812, sendo informado, nestes autos, o resultado de eventual julgamento. Na hipótese do PAF de nº 13770.000986/200812 restar ainda pendente de julgamento, voto no sentido de sobrestar o presente feito até julgamento final e consequente trânsito em julgado da questão prejudicial, devendo ser o resultado informado no presente PAF. Após, retornem os presentes autos para apreciação do recurso voluntário interposto às fls. 671/677 por este Conselho. É como voto. Carolina Wanderley Landim. Fl. 685DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10670.001061/2010-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Mar 20 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1201-000.163
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente processo.
(documento assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo Presidente
(documento assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rafael Vidal de Araujo, Marcelo Cuba Neto, Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Lima Junior e Luis Fabiano Alves Penteado.
Nome do relator: ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201411
camara_s : Segunda Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Mar 20 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10670.001061/2010-35
anomes_publicacao_s : 201503
conteudo_id_s : 5443614
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Mar 20 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 1201-000.163
nome_arquivo_s : Decisao_10670001061201035.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
nome_arquivo_pdf_s : 10670001061201035_5443614.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente processo. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Presidente (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rafael Vidal de Araujo, Marcelo Cuba Neto, Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Lima Junior e Luis Fabiano Alves Penteado.
dt_sessao_tdt : Wed Nov 26 00:00:00 UTC 2014
id : 5869762
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:38:25 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047702904766464
conteudo_txt : Metadados => date: 2015-02-18T16:23:50Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2015-02-18T16:23:50Z; Last-Modified: 2015-02-18T16:23:50Z; dcterms:modified: 2015-02-18T16:23:50Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; xmpMM:DocumentID: uuid:a7621310-1a8c-47e9-8afe-beb72a261aea; Last-Save-Date: 2015-02-18T16:23:50Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2015-02-18T16:23:50Z; meta:save-date: 2015-02-18T16:23:50Z; pdf:encrypted: true; modified: 2015-02-18T16:23:50Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2015-02-18T16:23:50Z; created: 2015-02-18T16:23:50Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2015-02-18T16:23:50Z; pdf:charsPerPage: 1370; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2015-02-18T16:23:50Z | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 2 1 1 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10670.001061/201035 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1201000.163 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 26 de novembro de 2014 Assunto Auto de Infração Recorrente CIPOL COM. IND. PERES ARTACHO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente processo. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo – Presidente (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rafael Vidal de Araujo, Marcelo Cuba Neto, Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Lima Junior e Luis Fabiano Alves Penteado. Relatório RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 70 .0 01 06 1/ 20 10 -3 5 Fl. 8262DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10670.001061/201035 Resolução nº 1201000.163 S1C2T1 Fl. 3 2 Tratase de Autos de Infração de IRPJ, IRRF e reflexos dos anoscalendário 2005 a 2007 (o Auto de Infração do IRRF foi retificado, conforme Termo Complementar, fls. 3.175, e novamente dada ciência ao autuado, para apresentação de razões adicionais de defesa), no valor total de R$ 9.618.037,82. Durante os trabalhos de auditoria de verificações obrigatórias, o Contribuinte foi intimado, por diversas vezes, a apresentar documentos, registros contábeis, extratos bancários e bases de dados. Com a conclusão da fiscalização foram autuadas as seguintes infrações: a) IRPJ Omissão de receitas da atividade – Saldo Credor de Caixa, conforme demonstrado em anexos; Depósitos bancários de origem não comprovada – Valor referente a depósitos e investimentos, realizados em instituições financeiras, para os quais o sujeito passivo, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. b) CSLL sobre receitas omitidas, decorrentes de depósitos bancários não comprovados e atividades mercantis sem emissão de Notas Fiscais, conforme relatórios anexados ao Auto de Infração; c) PIS/PASEP e COFINS – omissão de receitas, decorrente de depósitos bancários não comprovados e atividades mercantis sem emissão de Notas Fiscais, conforme relatórios anexados ao Auto de Infração; d) IRRF – Importâncias pagas pelas pessoas jurídicas a beneficiários não identificados / pagamento sem causa. Com a ciência dos Autos de Infração a interessada apresentou Impugnação, na qual alegou, em síntese, que: 1. Nos Autos de Infração observase uma sucessão de planilhas, campos e alíquotas, mal distribuídos e organizados, que não elucidam as lavraturas, com informações confusas e muitas vezes incoerentes, bem como um emaranhado de referências a dispositivos legais desconexos, inacessíveis ao contribuinte comum. Tudo isso dificultou entender o lançamento, sendo óbice e cerceio ao exercício da ampla defesa; 2. Antes de lançar qualquer invectiva à declaração prestada pelo contribuinte, cumpre à autoridade fiscal lhe requisitar informações e documentos que possam justificar os dados glosados, a fim de evitar a lavratura de autos que, posteriormente, se constatarão inconsistentes. Assim, com base nos arts. 10 e 11 do Decreto 70.235/72 PAF, 142 do CTN e 59, II, também do PAF, solicita a nulidade dos lançamentos; 3. Não se pode autuar com base exclusivamente em depósitos bancários, na mera alegação de que não foram comprovados, afirmando serem relevantes e pertinentes os muitos Acórdãos, Decretos Fl. 8263DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10670.001061/201035 Resolução nº 1201000.163 S1C2T1 Fl. 4 3 e Súmulas acerca do assunto. Transcreve ementas de Acórdãos do Judiciário e do então Conselho de Contribuintes; 4. A autoridade fiscalizadora, somando absurdas receitas por ela tidas como omitidas aos depósitos bancários, deixou de considerar que tais depósitos englobavam as inúmeras receitas possíveis de uma atividade empresarial, tais como: suprimentos de recursos por aumento de capital, injeção financeira efetuada pelos sócios, adiantamento de fornecedores que por si só não constituem receita enquanto não efetuada a saída do produto, transferência de numerários entre contas bancárias de mesma titularidade, recebimentos de empréstimos obtido junto a Bancos, a Pessoas Físicas diversas; 5. Segundo a Lei 8.021/90, art. 6°, §§ 4° e 6°, o arbitramento deve ter como base preços de mercado vigentes à época da ocorrência dos fatos ou eventos; 6. A empresa no ano de 2005 a 2007 não obteve evolução patrimonial líquida sequer compatível às vultosas cifras apontadas pela autoridade fiscal. 7. Em suas diversas assertivas, agasalhase ainda nos arts. 107, 108 e 112 do CTN, bem como evoca o princípio da capacidade contributiva. Junto com a impugnação a empresa apresentou dois demonstrativos, relativos à CSLL e ao IRPJ, nos quais a última coluna corresponde aos valores da contribuição e do imposto a recolher conforme calculados pelo contribuinte para cada trimestre dos anos de 2005 a 2007. Em sessão de 2 de dezembro de 2010, a 1a Turma da Delegacia de Julgamento de Juiz de Fora decidiu, por unanimidade, manter os lançamentos e julgar improcedentes as impugnações. Cientificada da decisão, a empresa interpôs Recurso Voluntário, em que repete, basicamente, os argumentos formulados na impugnação, acrescidos de questionamentos acerca dos cálculos elaborados pela autoridade fiscal, nos quais, segundo a Recorrente, haveria equívocos. Com o voluntário foram anexados centenas de documentos, relativos a notas fiscais, comprovantes de pagamentos e recibos trabalhistas, entre outros. Os autos foram encaminhados a este Conselho para apreciação e julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Roberto Caparroz de Almeida, Relator O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos legais, razão pela qual dele conheço. Fl. 8264DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10670.001061/201035 Resolução nº 1201000.163 S1C2T1 Fl. 5 4 Antes de adentrarmos à matéria jurídica debatida nos autos fazse necessário analisarmos o conjunto de documentos e planilhas que subsidiaram os lançamentos. Isso porque a interessada, somente na peça recursal, aponta possíveis equívocos nos cálculos efetuados pela fiscalização. Com efeito, assim se manifesta a Recorrente: Não bastasse, é ainda de se observar os não raros erros nos demonstrativos efetuados pela fiscal. Como exemplo, e, apenas como exemplo pois inviável seria taxar todos os inúmeros erros de cálculos, descrições, planilhas e demonstrativos elaborados pela fiscal enumeramse alguns dos equívocos ínsitos aos Autos. No demonstrativo de pagamentos sem causa e sem identificação do beneficiário, fls. 1497 a 1603 dos autos, observase um emaranhado de cálculos desconexos. O fato é que há inúmeros valores que não respeitam a composição do Caixa, que deve ser debitado pela entrada de recursos e creditado pela saída destes. Vejamse alguns dos inúmeros exemplos de cálculos equivocados de composição de caixa: A fl. 1530, na primeira linha do demonstrativo, observase um saldo de R$ 2.410,31C. Procedendose à subtração do débito subseqüente (R$ 1.200,00), chegarseia à cifra de R$ 1.210,31C. Não obstante, não se sabe como, a autoridade fiscalizadora procedeu à composição do caixa no valor de R$ 5.429,61C; A fl. 1529, na primeira linha do demonstrativo, observase um saldo de R$ 19.978,35D. Procedendose à soma do débito subsequente (R$ 299,50), chegarseia à cifra de R$ 20.277,85. Não obstante, não se sabe como, a autoridade fiscalizadora procedeu à composição do caixa no valor de R$ 11.174,75C; A fl. 1529, na quinta linha do demonstrativo, observase um saldo de R$ 3.004,75C. Procedendose à subtração do débito subsequente (R$ 142,50), chegarseia à cifra de R$ 2.862,25. Não obstante, não se sabe como, a autoridade fiscalizadora procedeu à composição do caixa no valor de R$ 14.554,79C; A fl. 1529, na décima linha do demonstrativo, observase um saldo de R$ 1.211,37C. Procedendose à subtração do débito subseqüente (R$ 2.535,00), chegarseia à cifra de R$ 1.323,63D. Não obstante, não se sabe como, a autoridade fiscalizadora procedeu à composição do caixa no valor de R$ 18.782,68C. Estes são apenas alguns dos muitos equívocos nos cálculos contábeis da fiscal. Poucos, se comparados aos inúmeros outros erros que contaminam o auto, mas suficientes para desqualificarem o auto. Como se denota na recomposição do Livro Razão nos anos inquiridos, na recomposição do Livro Diário também nos anos em questão, bem como do Plano de Contas relativo ao período, todos estes acostados ao presente recurso, não há correspondência entre os valores encontrados pela fiscal e aqueles reescriturados. Pois bem. Fl. 8265DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10670.001061/201035 Resolução nº 1201000.163 S1C2T1 Fl. 6 5 A análise dos demonstrativos acostados aos autos, especialmente quanto aos cálculos indicados pela Recorrente, realmente nos deixa em dúvida acerca da metodologia e dos critérios adotados pela fiscalização. Nesse sentido, em homenagem ao princípio da verdade material e para que os Autos de Infração possam ser apreciados de forma adequada, com a correta fundamentação dos montantes que ensejaram os lançamentos, voto por CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que a autoridade responsável: a) Esclareça a metodologia utilizada para os cálculos apontados pela Recorrente, conforme acima indicado, cotejandoos com os supostos equívocos mencionados; b) Caso necessário, ratifique ou retifique todos os valores que serviram de base para a autuação, elaborando demonstrativos com os respectivos montantes; c) Informe se os documentos trazidos pela Recorrente na peça recursal possuem o condão de alterar os lançamentos efetuados. Em caso afirmativo, a autoridade deve intimar a empresa para comprovar a origem, pertinência e veracidade dos documentos, confrontandoos com os registros contábeis devidamente escriturados; d) Elabore parecer conclusivo sobre os procedimentos efetuados e os montantes apurados, intimando o Contribuinte para, no prazo legal, manifestarse acerca do resultado dos trabalhos. Adotadas as providências acima, os autos deverão retornar a este Conselho e Relator, para julgamento. É como voto. (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Relator Fl. 8266DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
score : 1.0
Numero do processo: 10480.002967/00-06
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 22 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 02 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
NULIDADE - CARÊNCIA DE FUNDAMENTO LEGAL - INEXISTÊNCIA
As hipóteses de nulidade do procedimento são as elencadas no artigo 59 do Decreto 70.235, de 1972, não havendo que se falar em nulidade por outras razões, ainda mais quando o fundamento argüido pelo contribuinte a título de preliminar se confundir com o próprio mérito da questão.
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA - NULIDADE DO PROCESSO FISCAL
Se foi concedida, durante a fase de defesa, ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos, bem como se o sujeito passivo revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendo-as, uma a uma, de forma meticulosa, mediante extensa e substanciosa defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa.
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. ÔNUS DA PROVA
Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos informados para acobertar seus dispêndios gerais e aquisições de bens e direitos.
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL - GASTOS E/OU APLICAÇÕES INCOMPATÍVEIS COM A RENDA DECLARADA - LEVANTAMENTO PATRIMONIAL - FLUXO FINANCEIRO - BASE DE CÁLCULO - APURAÇÃO MENSAL
O fluxo financeiro de origens e aplicações de recursos será apurado mensalmente, considerando- se todos os ingressos e dispêndios realizados, no mês, pelo contribuinte. Dessa forma, a determinação do acréscimo patrimonial a descoberto, considerando-se o conjunto anual de operações, não pode prevalecer, uma vez que na determinação da omissão, as mutações patrimoniais devem ser levantadas mensalmente.
Preliminar rejeitada
Recurso negado.
Numero da decisão: 2202-002.971
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Presidente e Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Rafael Pandolfo, Dayse Fernandes Leite (Suplente Convocada), Maria Anselma Croscrato dos Santos (Suplente Convocada), Jimir Doniak Junior (Suplente Convocado), Antonio Lopo Martinez.
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201501
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2008 NULIDADE - CARÊNCIA DE FUNDAMENTO LEGAL - INEXISTÊNCIA As hipóteses de nulidade do procedimento são as elencadas no artigo 59 do Decreto 70.235, de 1972, não havendo que se falar em nulidade por outras razões, ainda mais quando o fundamento argüido pelo contribuinte a título de preliminar se confundir com o próprio mérito da questão. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA - NULIDADE DO PROCESSO FISCAL Se foi concedida, durante a fase de defesa, ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos, bem como se o sujeito passivo revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendo-as, uma a uma, de forma meticulosa, mediante extensa e substanciosa defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. ÔNUS DA PROVA Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos informados para acobertar seus dispêndios gerais e aquisições de bens e direitos. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL - GASTOS E/OU APLICAÇÕES INCOMPATÍVEIS COM A RENDA DECLARADA - LEVANTAMENTO PATRIMONIAL - FLUXO FINANCEIRO - BASE DE CÁLCULO - APURAÇÃO MENSAL O fluxo financeiro de origens e aplicações de recursos será apurado mensalmente, considerando- se todos os ingressos e dispêndios realizados, no mês, pelo contribuinte. Dessa forma, a determinação do acréscimo patrimonial a descoberto, considerando-se o conjunto anual de operações, não pode prevalecer, uma vez que na determinação da omissão, as mutações patrimoniais devem ser levantadas mensalmente. Preliminar rejeitada Recurso negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Mar 02 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10480.002967/00-06
anomes_publicacao_s : 201503
conteudo_id_s : 5434665
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Mar 02 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 2202-002.971
nome_arquivo_s : Decisao_104800029670006.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : ANTONIO LOPO MARTINEZ
nome_arquivo_pdf_s : 104800029670006_5434665.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Presidente e Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Rafael Pandolfo, Dayse Fernandes Leite (Suplente Convocada), Maria Anselma Croscrato dos Santos (Suplente Convocada), Jimir Doniak Junior (Suplente Convocado), Antonio Lopo Martinez.
dt_sessao_tdt : Thu Jan 22 00:00:00 UTC 2015
id : 5836614
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:37:07 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047702910009344
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2275; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 2 1 1 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10480.002967/0006 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202002.971 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 22 de janeiro de 2015 Matéria IRPF Recorrente APOLO SANTANA VIEIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2008 NULIDADE CARÊNCIA DE FUNDAMENTO LEGAL INEXISTÊNCIA As hipóteses de nulidade do procedimento são as elencadas no artigo 59 do Decreto 70.235, de 1972, não havendo que se falar em nulidade por outras razões, ainda mais quando o fundamento argüido pelo contribuinte a título de preliminar se confundir com o próprio mérito da questão. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NULIDADE DO PROCESSO FISCAL Se foi concedida, durante a fase de defesa, ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos, bem como se o sujeito passivo revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante extensa e substanciosa defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. ÔNUS DA PROVA Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos informados para acobertar seus dispêndios gerais e aquisições de bens e direitos. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL GASTOS E/OU APLICAÇÕES INCOMPATÍVEIS COM A RENDA DECLARADA LEVANTAMENTO PATRIMONIAL FLUXO FINANCEIRO BASE DE CÁLCULO APURAÇÃO MENSAL O fluxo financeiro de origens e aplicações de recursos será apurado mensalmente, considerando se todos os ingressos e dispêndios realizados, no mês, pelo contribuinte. Dessa forma, a determinação do acréscimo patrimonial a descoberto, considerandose o conjunto anual de operações, não AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 00 29 67 /0 0- 06 Fl. 1046DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 pode prevalecer, uma vez que na determinação da omissão, as mutações patrimoniais devem ser levantadas mensalmente. Preliminar rejeitada Recurso negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Presidente e Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Rafael Pandolfo, Dayse Fernandes Leite (Suplente Convocada), Maria Anselma Croscrato dos Santos (Suplente Convocada), Jimir Doniak Junior (Suplente Convocado), Antonio Lopo Martinez. Fl. 1047DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10480.002967/0006 Acórdão n.º 2202002.971 S2C2T2 Fl. 3 3 Relatório Em desfavor do contribuinte, APOLO SANTANA VIEIRA, foi lavrado auto de infração, As folhas 02/15, lavrado contra o contribuinte acima qualificado para exigência de imposto de renda dos anoscalendários de 1995 a 1998, além de multa e juros de mora, com fundamento em omissão de rendimentos recebidos de pessoas fisicas, acréscimo patrimonial a descoberto, dedução indevida da base cálculo e falta de recolhimento do imposto devido a titulo de carneleão. Em sua impugnação, As folhas 750/757, assinada pelo seu representante legal, devidamente habilitado A folha 758, o contribuinte alega, em preliminar, a nulidade do lançamento por cerceamento da espontaneidade e da ampla defesa e, no mérito, a inexistência de acréscimo patrimonial a descoberto. A nulidade é pleiteada com base nos seguintes argumentos, em síntese: o reconhecimento e a declaração da nulidade total do lançamento, por vicio formal, é dever do julgador tributário; a fiscalização sobre a pessoa do defendente iniciouse arbitrariamente, contrariando sua possibilidade de exercitar a espontaneidade e de defenderse plenamente; a fiscalização sobre a pessoa do defendente ocorreu por ter sido ou por ser ele defendente, procurador ou sócio de algumas das empresas arroladas no procedimento criminal n° 99.62167, consistente em Medida Cautelar de Busca e Apreensão movida pelo Ministério Público Federal; a leitura dos "pedidos e requerimentos" formulados pelo Ministério Público Federal (texto reproduzido A folha 754) revela que não era sua intenção, nem foi requerido que a pessoa fisica do contribuinte, ora defendente, fosse investigada ou fiscalizada, não sendo portanto licito As autoridades fazendárias manter retidos documentos do defendente que não guardassem relação com o objeto da busca e apreensão, como arbitrariamente restou acontecido; tendo sido realizada com pleno êxito e sem qualquer óbice a referida busca, não foi possível ao Fisco, tendo em vista o elevado volume do material apreendido, selecionar os documentos pertinentes apenas As empresas investigadas, tendo sido empacotado em caixas de papelão tudo quanto foi possível ser levado e apreendido, sem qualquer critério de seleção; constatado o recolhimento indevido de documentos pessoais do defendente, foi requerida a imediata devolução desse material, o que foi peremptoriamente negado pylas autoridades fiscais; as autoridades fiscais simularam a devolução dos mesmos e no mesmo instante procederam sua retenção, conforme se depreende pela leitura do Termo de Devolução de Documentos (anexo), que 6, na verdade, uma "Relação de documentos retidos", consoante se 16 no seu próprio texto; Fl. 1048DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 no mesmo momento, foi expedido e entregue o Termo de Intimação e de Retenção de Documentos (anexo), cerceando o exercício de sua espontaneidade e ferindo sua possibilidade constitucionalmente protegida de defenderse plenamente. Com relação ao acréscimo patrimonial a descoberto, o contribuinte alega, em síntese: que celebrou contratos de mútuo com as sociedades comerciais Alpha Internacional Comércio Importação e Exportação Ltda (anoscalendários 1995 e 1997) e Kruger Comércio Importação e Exportação Ltda (anocalendário 1998); que tal operação não é tributável pelo imposto de renda em sua pessoa fisica, não havendo obrigação de informála na declaração de ajuste anual porquanto não restou divida pendente para o exercício seguinte; que a quitação desses empréstimos operouse por meio de recursos obtidos com a distribuição de lucros recebidos da pessoa jurídica de que era sócio, lucros esses divididos e já tributados na fonte; que os recursos obtidos com as alienações dos veículos Nissan Pathfinder modelo 1993 (anocalendário 1995) e Golf/GLI (ano calendário 1997), devidamente informadas nas declarações de ajuste anual não puderam nem podem ser comprovados mediante apresentação do documento de transferência do veiculo, porque tal documento fica com o adquirente; que devem ser levados em consideração os saldos provenientes do ano anterior. o contribuinte solicita perícia em seus documentos contábeis e na contabilidade dos mutuantes acima relacionados, bem como diligência nos órgãos estaduais de trânsito e de registro de veículos automotores, para comprovar o recebimento das quantias que afirma ter recebido. Pelo Despacho n° 7/2001, da Primeira Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife, as folhas 779/781, foi proposta a devolução do processo d. Delegacia da Receita Federal em Recife, para as seguintes providências: trazer ao processo elementos probatórios que confirmem ou infirmem a alegação do contribuinte com relação aos contratos de mútuos acima mencionados, sugerindose o exame da contabilidade dos mutuantes e de eventuais comprovantes da efetiva transferência do numerário (tanto no empréstimo como na devolução da quantia emprestada), bem como o exame dos demais aspectos relacionados à quitação dos empréstimos, conforme afirmação reproduzida no subitem ; trazer ao processo elementos probatórios que confirmem ou infirmem a ocorrência das alienações dos veículos a que se refere o subitem 4.4, acima, inclusive quanto as datas e valores envolvidos. A proposta foi aceita pelo Presidente em Exercício da Primeira Turma, conforme despacho à folha 781. Novos documentos são acostados aos autos. A DRJ julga a impugnação procedente em parte, nos termos da ementa a seguir: Fl. 1049DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10480.002967/0006 Acórdão n.º 2202002.971 S2C2T2 Fl. 4 5 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 1995, 1996, 1997, 1998 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DEVOLUÇÃO DE DOCUMENTOS APREENDIDOS POR ORDEM JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA COM NOVA RETENÇÃO PELO FISCO. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE. Não é causa de nulidade a devolução de documentos apreendidos em decorrência de ordem judicial combinada com a simultânea retenção dos mesmos documentos pelo Fisco, visando a realização de procedimento fiscal. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. ANÁLISE PATRIMONIAL. É válido o lançamento baseado na análise patrimonial do contribuinte, consistente na confrontação entre os valores que ingressaram e saíram de seu patrimônio, em determinado período. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. PRESUNÇÃO LEGAL RELATIVA. A ocorrência de acréscimos patrimoniais incompatíveis com a renda declarada constitui presunção legal relativa de omissão de rendimentos. ANALISE DA EVOLUÇÃO PATRIMONIAL.RECURSOS COMPROVADOS NO PROCESSO. Devem ser refeitos os cálculos relativos à análise da evolução patrimonial do contribuinte quando demonstrada no processo a existência de recursos não levados em consideração pela autoridade lançadora. VARIAÇÃO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. SOBRAS DE RECURSOS EM DEZEMBRO DO ANOCALENDÁRIO. Na análise patrimonial, o saldo positivo apurado no mês de dezembro do anocalendário somente pode ser utilizado como origem de recursos no mês seguinte, caso tenha sido espontaneamente informado na declaração de bens integrante da declaração de ajuste anual. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MATÉRIA NÃO EXPRESSAMENTE ABORDADA NA IMPUGNAÇÃO. Considerase não impugnada a matéria, objeto da autuação, a respeito da qual o contribuinte não se manifestou expressamente. Lançamento Procedente em Parte A autoridade de primeira instância entendeu que estaria comprovado a origem de recurso decorrente da venda de veículos, tal como se nota as fls 871. 28. 0 contribuinte pretende que sejam levados em consideração na análise patrimonial os recursos decorrentes da alienação do veiculo Nissan Pathfinder, alegadamente ocorrida em 30/10/1995, por R$ 17.000,00. A alegação deve ser aceita, tendo em vista a declaração do adquirente (folha 827) e pelo fato de que a operação consta da declaração de ajuste anual do Fl. 1050DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 exercício 1996, apresentada tempestiva e espontaneamente (folha 37). 29. 0 contribuinte também pretende que sejam levados em consideração na análise patrimonial os recursos decorrentes da alienação do veiculo Volkswagen Golf, alegadamente ocorrida em 1997, por R$ 13.000,00. A alegação deve ser aceita, tendo em vista a Autorização para Transferência de Veiculo (por copia, à folha 821) e pelo fato de que a operação consta da declaração de ajuste anual do exercício 1998, apresentada tempestiva e espontaneamente (folha 223). Observese que o requisito de contemporaneidade da prova folha 821 está satisfeito uma vez que a data em que a firma do vendedor foi reconhecida (02/09/1997) coincide corn a data da operação, constante daquele documento. Intimado do acórdão proferido pela DRJ, o contribuinte interpôs recurso voluntário, onde reitera argumentos da impugnação. Da nulidade do lançamento por cerceamento de defesa; Da inexistência de acréscimo patrimonial a descoberto; Em cumprimento ao despacho de fls. 1004 o processo foi encaminhado ao Conselho de Contribuintes em 22/10/2008. Em outubro de 2014, o processo foi digitalizado. É o relatório. Fl. 1051DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10480.002967/0006 Acórdão n.º 2202002.971 S2C2T2 Fl. 5 7 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator O recurso está dotado dos pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Da Preliminar de Nulidade por Cerceamento de Direito de Defesa Nos presentes autos, não ocorreu nenhum vício para que o procedimento seja anulado, como bem discorreu a autoridade recorrida, os vícios capazes de anular o processo são os descritos no artigo 59 do Decreto 70.235/1972 e só serão declarados se importarem em prejuízo para o sujeito passivo, de acordo com o artigo 60 do mesmo diploma legal. A autoridade fiscal ao constatar infração tributária tem o dever de ofício de constituir o lançamento. Constatado que as infrações apuradas foram adequadamente descritas nas peças acusatórias e no correspondente Relatório de Procedimento Fiscal, e que o contribuinte, demonstrando ter perfeita compreensão delas, exerceu o seu direito de defesa, não há que se falar em nulidade do lançamento. As razões para não se aceitar os argumentos do recorrente estão claramente demonstrados tanto no Termo de Verificação do Auto de Infração como na Decisão recorrida. Entendo que não procede a alegação de que a defesa teria sido prejudicada. Uma vez que isso não impediu que o contribuinte apresentase ampla defesa suscitando vários pontos. Na realidade no caso concreto não se percebe qualquer nulidade que comprometa a validade do procedimento adotado. Diante disso, é evidente que tal preliminar carece de sustentação fática, merecendo, portanto, a rejeição por parte deste Egrégio Colegiado. Do Acréscimo Patrimonial a Descoberto Cabe registrar que a omissão rendimentos caracterizada por acréscimo patrimonial a descoberto a recorrente, questiona que a mesma foi baseada tão somente em presunções e conjecturas, indicando que possuía os recurso para efetivar a aquisição o imóvel. Como explicado na decisão recorrida, o meio utilizado, no caso, para provar a omissão de rendimentos é a presunção. É o meio de prova admitido em Direito Civil, consoante estabelecem os arts. 136, V, do Código Civil (Lei nº 3.071, de 01/01/1916) e 332 do Código de Processo Civil (Lei nº 5.869, de 11/01/1973), e é também reconhecido no Processo Administrativo Fiscal e no Direito Tributário, conforme art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06/03/1972, e art. 148 do CTN. Tendo sido evidenciado pelo fisco a aquisição de bens e/ou aplicações de recursos, cabe ao contribuinte a prova da origem dos recursos utilizados. Isto é, a prova ex ante, de iniciativa do Fisco, redundará no ônus da contraprova pelo contribuinte. A Lei nº 7.713/88 estabeleceu uma presunção legal ao definir que os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados constituem rendimentos omitidos e, portanto, sujeitos à tributação. De modo geral, toda presunção é a aceitação como verdadeiro de um fato provável. Na maioria das vezes, a presunção é simples ou relativa (praesumptio iuris tantum) e seu efeito é a inversão do ônus da prova, cabendo à Fl. 1052DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 8 parte interessada a produção de prova contrária para afastar o presumido. É o que ocorre no presente caso. A presunção legal aqui enfocada é relativa, impondo ao agente público o lançamento de ofício do imposto correspondente sempre que o contribuinte não justifique, por meio de documentação hábil e idônea, o acréscimo patrimonial a descoberto. Deste modo deve a recorrente evidenciar a origem de recursos que possibilitem cobrir as aplicações apontadas. No caso concreto, a recorrente não logrou apresentar uma documentação que possibilite demonstrar de modo claro, como obteve os recurso para formalizar a realização de dispêndio tão expressivos. Primeiramente nesse ponto, cabe registrar que o acréscimo patrimonial no caso concreto foi computado mês a mês , tal como se depreende do termo de verificação fiscal., atendendo todos os requisitos da legislação. A autoridade recorrida ao apreciar a matéria apresentou o seguinte arrazoado: 25. 0 contribuinte alega ter celebrado em 03/04/1995, contrato de mútuo com a ALPHA INTERNACIONAL COMÉRCIO IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA, sociedade da qual era sócio majoritário (conforme folha 57), pelo qual teria recebido R$ 30.000,00, débito este que teria sido saldado em 29/12/1995, por R$ 34.395,00. Observese que este contrato não se confunde com aquele, no valor de R$ 35.000,00, celebrado no mesmo ano, e que foi considerado pela Fiscalização, conforme folhas 42 e 78. Para tentar provar suas alegações o contribuinte apresentou cópias do contrato (folhas 794/795) e do recibo de quitação do empréstimo (folha 802). 0 empréstimo não pode ser levado em consideração na análise patrimonial, pelos motivos expostos a seguir: 25.1. não há a necessária prova do efetivo recebimento dos recursos; 25.2. o contrato e o recibo não possuem qualquer elemento externo de datação que permita demonstrar sua contemporaneidade com relação aos fatos que se deseja provar; 25.3. intimada a comprovar o registro contábil da operação (folha 844), a mencionada sociedade comercial apresentou apenas copias dos livros Diário e Razão relativos ao período 01/01/1997 a31/12/1997 (folhas 850/853); 25.4. também não é possível perceber qualquer registro da quitação do empréstimo nas cópias dos livros Razão e Diário constantes às folhas 79/83 que incluem os lançamentos efetuados até o dia 29/12/1995, cabendo observar que, embora o livro diário esteja incompleto, a folha do livro razão, à folha 80, correspondente à conta Caixa, contém o lançamento relativo ao contrato de mútuo, no valor de R$ 35.000,00, celebrado em 22/12/1995 (folhas 796/797) e abrange os lançamentos finais do ano de 1995; 25.5. a alegação de que o empréstimo foi quitado mediante recursos oriundos de distribuição de lucros não está comprovada, cabendo observar que tal distribuição não consta da declaração da mencionada sociedade comercial (folha 855) e, embora devidamente intimados (folhas 814/817 e 844/847), nem o contribuinte, nem a sociedade apresentaram qualquer prova de sua ocorrência; 25.6. no contrato (folhas 794/795) e no recibo de quitação do empréstimo (folha 802) a sociedade comercial está representada Fl. 1053DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10480.002967/0006 Acórdão n.º 2202002.971 S2C2T2 Fl. 6 9 pelo próprio contribuinte, o que reduz a força probatória desses documentos. 26. 0 contribuinte alega ter celebrado em 22/08/1997, contrato de mútuo com a ALPHA INTERNACIONAL COMÉRCIO IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA, pelo qual teria recebido R$ 125.000,00, débito este que teria sido saldado em 29/12/1997, por R$ 126.812,50. Para tentar provar suas alegações o contribuinte apresentou cópias do contrato (folhas 798/799), do recibo de quitação do empréstimo (folha 805) e de folhas dos livros Diário e Razão (folhas 849/853). 0 empréstimo não pode ser levado em consideração na análise patrimonial, pelos motivos expostos a seguir: 26.1. não há a necessária prova do efetivo recebimento dos recursos; 26.2. o contrato e o recibo não possuem qualquer elemento externo de datação que permita demonstrar sua contemporaneidade com relação aos fatos que se deseja provar; 26.3. o livro Diário relativo ao período 01/01/1997 a 31/12/1997 somente foi registrado na Junta Comercial de Pernambuco em 26/12/2001, quando o Auto de Infração já havia sido lavrado e o crédito tributário já havia sido impugnado, o que reduz a força probatória do documento especialmente por não ser possível confirmar que o requisito da contemporaneidade da prova estaria atendido. 26.4. no contrato (folhas 798/799), e no recibo de quitação do empréstimo (folha 805) a sociedade comercial está representada pelo próprio contribuinte, o que reduz a força probatória desses documentos. 27. 0 contribuinte também alega ter celebrado em 05/01/1998, contrato de mútuo com a KRUGER IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA, pelo qual teria recebido R$ 110.000,00, débito este que teria sido saldado em 29/12/1998, por R$ 119.273,00. Para tentar provar suas alegações o contribuinte apresentou cópias do contrato (folhas 800/801) e do recibo de quitação do empréstimo (folha 806). 0 empréstimo não pode ser levado em consideração na análise patrimonial, pelos motivos expostos a seguir: 27.1. não há a necessária prova do efetivo recebimento dos recursos, 27.2. o contrato e o recibo não possuem qualquer elemento externo de datação que permita demonstrar sua contemporaneidade com relação aos fatos que se deseja provar; 27.3. intimada a comprovar o registro contábil da operação (folha 830), a mencionada sociedade comercial não atendeu à intimação; 27.4. a alegação de que o empréstimo foi quitado mediante recursos oriundos de distribuição de lucros não está comprovada, cabendo observar que, embora devidamente intimados (folhas 814/817 e 830/832), nem o contribuinte, nem a sociedade apresentaram qualquer prova de sua ocorrência. Fl. 1054DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 10 Não se identifica nos autos qualquer elemento que afaste o entendimento expresso pela DRJ, de modo que o acompanho no que toca ao acréscimo patrimonial a descoberto. Cabe ao contribuinte a comprovação do efetivo ingresso dos recursos obtidos mediante empréstimo. Inaceitável a prova de empréstimo feita somente com declaração firmada pelo mutuante, sem qualquer documento hábil e idôneo que comprove a efetiva transferência dos recursos para o mutuário. No que toca ao aproveitamento de recurso de anos anteriores, compartilho o entendimento da autoridade recorrida: Com relação as sobras de recursos (subitem 4.5, acima), deve ser salientado que, para fi ns de análise patrimonial, o saldo apurado em favor do contribuinte no mês de dezembro do ano calendário somente pode ser utilizado como origem de recursos no mês seguinte (janeiro do anocalendário subseqüente), caso tenha sido espontaneamente informado na declaração de bens integrante da declaração de ajuste anual. Isto porque, tendo o contribuinte obrigação de informar em sua declaração de ajuste anual todos os seus bens, inclusive saldos bancários e dinheiro em espécie, a inexistência dessa informação só pode significar que os saldos apurados pela técnica da análise patrimonial foram consumidos de outra forma. Concluise que o procedimento da autoridade lançadora está correto. Não há reparos a ser realizado nessa parte do lançamento. Das Provas nos Autos É oportuno para o caso concreto, recordar a lição de MOACYR AMARAL DOS SANTOS: “Provar é convencer o espírito da verdade respeitante a alguma coisa.” Ainda, entende aquele mestre que, subjetivamente, prova ‘é aquela que se forma no espírito do juiz, seu principal destinatário, quanto à verdade deste fato”. Já no campo objetivo, as provas “são meios destinados a fornecer ao juiz o conhecimento da verdade dos fatos deduzidos em juízo.” Assim, consoante MOACYR AMARAL DOS SANTOS, a prova teria: a) um objeto são os fatos da causa, ou seja, os fatos deduzidos pelas partes como fundamento da ação; b) uma finalidade a formação da convicção de alguém quanto à existência dos fatos da causa; c) um destinatário o juiz. As afirmações de fatos, feitas pelos litigantes, dirigemse ao juiz, que precisa e quer saber a verdade quanto aos mesmos. Para esse fim é que se produz a prova, na qual o juiz irá formar a sua convicção. Podese então dizer que a prova jurídica é aquela produzida para fins de apresentar subsídios para uma tomada de decisão por quem de direito. Não basta, pois, apenas demonstrar os elementos que indicam a ocorrência de um fato nos moldes descritos pelo emissor da prova, é necessário que a pessoa que demonstre a prova apresente algo mais, que transmita sentimentos positivos a quem tem o poder de decidir, no sentido de enfatizar que a sua linguagem é a que mais aproxima do que efetivamente ocorreu. O recorrente questiona o entendimento exarado pela autoridade fiscal. Entretanto, embora tenha se transcorrido um longo período desde que tomou conhecimento do Fl. 1055DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10480.002967/0006 Acórdão n.º 2202002.971 S2C2T2 Fl. 7 11 relatório não demonstrou os seus argumentos. Em linhas gerais inexiste a comprovação dos seus argumentos. Ademais, cabe a recorrente por força da presunção legal, compete a ela provar a natureza especifica de cada depósitos, na medida em que, ninguém melhor do que ela própria trazer o comprovante de cada depósito. Dessa forma, cabe a máxima de que “allegatio et non probatio, quase non allegatio” (alegar e não provar é quase não alegar). Ante ao exposto, rejeito a preliminar e, no mérito, nego provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 1056DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
score : 1.0
Numero do processo: 13502.900756/2013-74
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 31 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3802-000.388
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em Diligência, para que os autos retornem à DRF de Sorocaba SP (unidade do domicílio tributário da Recorrente), para que, com base nos documentos apensados aos autos às fls. 262/1.268 e considerando as disposições contidas no artigo 3º das Leis nº 10.833/03 e, após analisar se os dispêndios com os itens indicados são passíveis de apropriação de créditos da COFINS conforme alegado e de acordo com o contido no voto, elaborar parecer e demonstrativo, concluindo se as informações lançadas pela Recorrente refletem a realidade dos fatos apontados.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Ausente momentaneamente o Conselheiro Solon Sehn.
Relatório
Nome do relator: Não se aplica
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201503
turma_s : Segunda Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Mar 31 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 13502.900756/2013-74
anomes_publicacao_s : 201503
conteudo_id_s : 5449179
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Mar 31 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 3802-000.388
nome_arquivo_s : Decisao_13502900756201374.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : Não se aplica
nome_arquivo_pdf_s : 13502900756201374_5449179.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em Diligência, para que os autos retornem à DRF de Sorocaba SP (unidade do domicílio tributário da Recorrente), para que, com base nos documentos apensados aos autos às fls. 262/1.268 e considerando as disposições contidas no artigo 3º das Leis nº 10.833/03 e, após analisar se os dispêndios com os itens indicados são passíveis de apropriação de créditos da COFINS conforme alegado e de acordo com o contido no voto, elaborar parecer e demonstrativo, concluindo se as informações lançadas pela Recorrente refletem a realidade dos fatos apontados. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Ausente momentaneamente o Conselheiro Solon Sehn. Relatório
dt_sessao_tdt : Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
id : 5883900
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:39:05 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047702914203648
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2034; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE02 Fl. 1.273 1 1.272 S3TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13502.900756/201374 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3802000.388 – 2ª Turma Especial Data 18 de março de 2015 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente BRASIL KIRIN INDUSTRIA DE BEBIDAS S/A (INCORPORADORA DE PRIMO SCHINCARIOL IND. DE CERV. E REFRIG. DO NORDESTE S/A, CNPJ nº 01.278.018/000112). Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em Diligência, para que os autos retornem à DRF de Sorocaba – SP (unidade do domicílio tributário da Recorrente), para que, com base nos documentos apensados aos autos às fls. 262/1.268 e considerando as disposições contidas no artigo 3º das Leis nº 10.833/03 e, após analisar se os dispêndios com os itens indicados são passíveis de apropriação de créditos da COFINS conforme alegado e de acordo com o contido no voto, elaborar parecer e demonstrativo, concluindo se as informações lançadas pela Recorrente refletem a realidade dos fatos apontados. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Ausente momentaneamente o Conselheiro Solon Sehn. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 35 02 .9 00 75 6/ 20 13 -7 4 Fl. 1273DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13502.900756/201374 Resolução nº 3802000.388 S3TE02 Fl. 1.274 2 Relatório Trata o presente processo de Recurso Voluntário contra a decisão do Acórdão nº 0646.386, da 3ª Turma da DRJ de Curitiba (PR) fls. 210/215, que não homologou a compensação constante do PER/DCOMP nº 12610.81893.250210.1.3.047297, nos termos do despacho decisório emitido em 03/07/2013 pela DRF Sorocaba (rastreamento nº 56415919). Na aludida Dcomp, transmitida eletronicamente em 25/02/2010, a contribuinte indicou um crédito de R$ 527.846,78 (que corresponde a uma parte do pagamento efetuado em 15/07/2005, sob o código 5856, no valor de R$ 985.299,95) e débitos de sua responsabilidade no valor total de R$ 822.279,71. Por unanimidade de votos, a DRJ/CTA julgou improcedente a manifestação de inconformidade formalizada pela Recorrente, nos termos do Acórdão assim ementado: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/06/2005 a 30/06/2005 DCTF. DACON. RETIFICAÇÃO. INTIMAÇÃO PRÉVIA AO DESPACHO. AUSÊNCIA DE DOCUMENTAÇÃO CONTÁBIL. Se a contribuinte, intimada, não apresenta documentos contábeis capazes de comprovar a ocorrência de erro de fato em sua DCTF e em seu Dacon (retificadores), apresentados, ainda que previamente à emissão do despacho decisório, não há como reconhecer direito creditório, devendose manter a não homologação da compensação pleiteada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Por bem descrever os fatos contidos nos autos, adoto o relatório objeto da decisão recorrida, a seguir transcrito na sua integralidade: Trata o processo de manifestação de inconformidade apresentada em 14/08/2013, em face da não homologação da compensação declarada por meio do Per/Dcomp nº 12610.81893.250210.1.3.047297, nos termos do despacho decisório emitido em 03/07/2013 pela DRF Sorocaba (rastreamento nº 56415919). Na aludida Dcomp, transmitida eletronicamente em 25/02/2010, a contribuinte indicou um crédito de R$ 527.846,78 (que corresponde a uma parte do pagamento efetuado em 15/07/2005, sob o código 5856, no valor de R$ 985.299,95) e débitos de sua responsabilidade no valor total de R$ 822.279,71. Segundo o despacho decisório, cientificado em 15/07/2013, a compensação não foi homologada porque, apesar de o pagamento ter sido localizado, não foi apurado saldo para fins de compensação. Na manifestação apresentada, a interessada discorre sobre os fatos havidos, diz que antes da emissão do despacho decisório foi intimada a Fl. 1274DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13502.900756/201374 Resolução nº 3802000.388 S3TE02 Fl. 1.275 3 apresentar documentos que comprovassem a origem do pagamento indevido, consoante processo administrativo nº 10855.722095/201261, e que tais documentos foram apresentados. Aduz, ainda, que a origem dos créditos foi considerada não comprovada pela fiscalização e que a compensação não foi homologada. Discorda da decisão e afirma que tanto a DCTF quanto o Dacon foram retificados antes da ciência do despacho decisório. Salienta que a declaração retificadora substitui integralmente a que foi retificada e, por considerar espontânea a transmissão da declaração, pede que a mesma seja acolhida. Transcreve jurisprudência do CARF e, ao final, pede a homologação da compensação. Às fls. 160 a 209, juntaramse extratos de consulta aos sistemas de controle de DCTF e Dacon. É o relatório. Em 05/05/2014, a Recorrente foi cientificada da decisão da primeira instância, conforme consta às fls. 223 (ciência eletrônica – abertura do Portal eCAC). Inconformada com a decisão da DRJ/CTA, em 04/06/2014 (recibo do SVA, fl. 225), apresentou recurso voluntário a este CARF (fls. 226/240), argumentando em suas razões que: 1) Dos fatos e decisão recorrida Em síntese, defende a recorrente que, com base no art. 3° da lei nº 10.833/2003, apropriouse de créditos de COFINS que não haviam sido, por equívoco, reconhecidos, o que acarretou a revisão da apuração de COFINS relativa ao período de 06/2005. E, consequentemente, a constatação de que o montante devido para referido período de COFINS era de R$ 3.165.830,16 (5856) e não de R$ 3.538,803,64, conforme anteriormente ela havia informado no DACON e na DCTF, ensejou uma diferença passível de restituição/compensação na quantia de R$ 372.973,48 (R$ 3.538.803,64 R$ 3.165.830,16). Uma vez retificadas as DCTF e DACON de forma espontânea, ou seja, antes da ciência do despacho decisório, as declarações retificadas (DACON e DCTF) têm a mesma natureza das declarações originais, substituindoas integralmente. Da análise do acórdão recorrido revela que o reconhecimento do direito ao crédito está condicionado à comprovação, por meio da apresentação de provas materiais (documentos contábeis), das alterações por ela feitas na DCTF e no DACON. 2) Das razões da reforma da Decisão Recorrida 2.1 Da revisão da apuração da COFINS e do PIS realizada pela recorrente Tal revisão se fez necessária ante o objetivo almejado pela recorrente de adequar o processo de apuração do PIS e da COFINS, centralizandoo em seu estabelecimento matriz, haja vista que, as referidas apurações eram realizadas em cada um de seus estabelecimentos filiais, com a utilização de critérios que divergiam com o praticado pela matriz. Fl. 1275DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13502.900756/201374 Resolução nº 3802000.388 S3TE02 Fl. 1.276 4 A realização da revisão tinha como escopo criar critérios únicos para apuração do PIS e da COFINS, ajustando eventuais equívocos. Conforme demonstra a tabela abaixo, que corresponde às fichas l6A e 16B da DACON, a base de cálculo do crédito apurado, no valor total de R$ 15.977.010,14, foi composta por valores referentes aos bens para revenda, bens utilizados como insumos, serviços utilizados como insumos, despesas de energia elétrica, despesas de aluguéis, fretes, encargos de depreciação e valor de aquisição sobre bens do ativo, devolução de vendas, créditos por unidade de medida de produto, outros créditos e bens utilizados como insumos – importação (quadro demonstrativo elaborado no recurso): Alega que tal composição encontra respaldo nos documentos fiscais/contábeis da recorrente, anexados ao presente recurso. A fim de comprovar referida afirmação, a recorrente junta aos autos as planilhas anexas elaboradas de acordo com os valores contidos nos resumos dos livros de registro de apuração do IPI e do I ICMS entradas de cada estabelecimento (doc. n° 1), os CFOPS de cada operação (doc. n° 2), os rótulos de linha (doc. nº 3) as notas fiscais de entrada daquele estabelecimentos (doc. n° 4). Ressaltase que tais demonstrativos foram feitos com espeque nos registros efetuados nos livros de apuração do IPI e do ICMS entradas e saídas e nas notas fiscais de entrada de cada estabelecimento, motivo pelo qual, nesta oportunidade, juntamse aos autos as cópias daqueles registros (doc. n° 5). Por conseguinte, algumas destas operações de entrada ensejaram à recorrente, com base no art. 3° da lei nº 10.833/2003, a tomada de créditos de COFINS, a qual por ela foi devidamente efetuada, nos termos da tabela supramencionada. A fim de elucidar que tais créditos foram corretamente encontram respaldo nos documentos fiscais/contábeis, juntamse os demonstrativos anexos (doc. nº 1 ao 16 – fls. 262/1.268). 2.2) Do direito ao crédito da COFINS e do PIS sobre materiais e serviços adquiridos Na época da revisão realizada, a recorrente contratou a empresa PricewaterhouseCoopers Contadores Públicos para a realização de um estudo, cuja cópia se encontra acostadas aos autos (fls. 397/418). Amparada pelo estudo desenvolvido pela PwC, a recorrente apropriouse de créditos de COFINS que não haviam sido, por equívoco, reconhecidos anteriormente, com relação a materiais e serviços adquiridos para a manutenção de máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo e despesas de frete relacionadas à aquisição dos materiais adquiridos para a manutenção de máquinas e equipamentos. Cita e transcreve várias Soluções de Consulta elaborada pela Receita Federal do Brasil. 3) Do pedido Fl. 1276DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13502.900756/201374 Resolução nº 3802000.388 S3TE02 Fl. 1.277 5 Ante todo o exposto, requer o provimento do recurso voluntário de forma a homologar integralmente a declaração de compensação em discussão. Caso entendam que os documentos ora apresentados não são suficientes à confirmação da integralidade do crédito, pedese a conversão deste julgamento em diligência, a fim de que a verdade material seja enfim demonstrada. Por fim, solicita a sustentação oral de suas razões, requer ainda que seja intimada por via postal e, por fim, também intimado de todos os atos processuais, por via postal, o seu advogado, conforme nome e endereço acostado no recurso. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra Relator Da admissibilidade do recurso Como visto, em 05/05/2014, a Recorrente foi cientificada da decisão da primeira instância (fl. 223 – data da abertura dos arquivos no link Portal eCAC). Em 04/06/2014 (fl. 225 – recibo entrega pelo SVA), apresentou recurso voluntário a este CARF (fls. 226/240). Portanto, o recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade e deve ser conhecido. Da análise do processo No caso sob análise, temos que a controvérsia trata que a Recorrente, após intimada em processo específico, não apresentou documentos contábeis capazes de comprovar a ocorrência de erro de fato em sua DCTF e em seu Dacon (retificadores), apresentados, ainda que previamente à emissão do despacho decisório. No caso, além dos Dacon retificadores e da Solução de Consulta, nenhuma outra prova foi apresentada, concluindo a decisão recorrida que “resta inegável que o direito não pode ser reconhecido”. Segundo o despacho decisório, cientificado em 15/07/2013 (fls. 12 e 13), a compensação não foi homologada porque, apesar de o pagamento ter sido localizado, não foi apurado saldo para fins de compensação. Consta dos autos que, em relação ao mês de junho de 2005, a Recorrente transmitiu 05 declarações DCTF (em 04/08/2005, 24/11/2005, 07/03/2006, 07/03/2006 e 24/03/2010). Nelas, a contribuinte alterou o débito sob análise de R$ 3.538.803,64 para R$ 3.165.830,16. Por sua vez, quanto aos Dacon, vêse que apresentou dois demonstrativos (em 04/08/2005 e 24/02/2010) com alterações nos débitos apurados. Ressaltese que o despacho decisório em questão foi cientificado no dia 15/07/2013 (fls.12 e 13) e, portanto, antes de sua emissão (e da ciência), nos dias 24/02/2010 e 24/03/2010, respectivamente, o DACON e a DCTF (fls. 160/209 extratos de consultas sistemas DCTF e Dacon), foram retificados pela Recorrente, afim de alterar o valor da COFINS devida no período de apuração de junho de 2005. Fl. 1277DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13502.900756/201374 Resolução nº 3802000.388 S3TE02 Fl. 1.278 6 Quanto a esses ocorridos, a decisão a quo, analisando os autos a luz dos fatos constantes na manifestação de inconformidade, concluiuse da seguinte maneira: (...) Tais alterações, é válido ressaltar, decorreram da mudança nos valores de diversos outros itens do Dacon, tais como: bens para revenda, bens utilizados como insumos, despesas de energia elétrica, despesas de aluguéis de prédios locados de pessoas jurídicas, despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos locados de pessoas jurídicas, despesas de armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado, devolução de vendas, ajustes positivos e negativos de créditos, receitas financeiras, outras receitas, receitas isentas, etc. Aludidos ajustes, como pode ser verificado, ocorreram previamente à ciência do despacho decisório que concluiu pela inexistência do direito ao crédito. Apesar de haver decisões administrativas, como a citada na manifestação de inconformidade, acolhendo tais retificações quando ocorridas antes de a contribuinte ser cientificada de algum despacho/decisão envolvendo os créditos tributários tratados nessas retificações, não há como perder de vista que a contribuinte foi intimada em processo específico (nº 10855.722095/201261), acerca da necessidade de comprovar o motivo das alterações por ela inseridas em suas DCTF e em seus Dacon (Intimação DRF/SOR/SEORT nº 1912/2011 – ESK, recebida em 15/12/2011): (...). (...) Pois bem, na medida em que houve uma intimação prévia acerca dos créditos pleiteados, a discussão acerca da existência do crédito passa, necessariamente, para a comprovação dessas alterações, ou seja, antes de se avaliar a questão da espontaneidade das retificações, devese constatar se, nos termos da legislação – e nesse ponto o § 1º do art. 147 do CTN é esclarecedor – houve efetivamente algum erro de fato que, tendo sido comprovado, mereça ser corrigido. Noutras palavras, o fato de a contribuinte ter retificado espontaneamente sua DCTF e seu Dacon, não tem o condão, por si só, de gerar o direito creditório pretendido, afinal, uma vez que ela foi intimada a justificar (apresentando provas materiais) as alterações efetuadas na DCTF e no Dacon, a discussão acaba se deslocando justamente para a comprovação dessas alterações (grifo nosso). Por outro giro, a Recorrente aduz em seu recurso que, com base no art. 3° da lei nº 10.833/2003, apropriouse de créditos de COFINS que não haviam sido, por equívoco, reconhecidos, o que acarretou a revisão da apuração de COFINS relativa ao período de junho/2005. Que uma vez retificadas as DCTF e DACON de forma espontânea, ou seja, antes da ciência do despacho decisório, as declarações retificadas (DACON e DCTF) têm a mesma natureza das declarações originais, substituindoas integralmente. Destaca que a origem do crédito pretendido está amparada pelo estudo desenvolvido pela empresa PwC (fls. 397/418), concluindo que a recorrente apropriouse de créditos de COFINS que não haviam sido, por equívoco, reconhecidos anteriormente, com relação a materiais e serviços adquiridos para a manutenção de máquinas e equipamentos Fl. 1278DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13502.900756/201374 Resolução nº 3802000.388 S3TE02 Fl. 1.279 7 utilizados no processo produtivo e despesas de frete relacionadas à aquisição dos materiais adquiridos para a manutenção de máquinas e equipamentos. Ressalta que tal revisão se fez necessária ante o objetivo almejado de adequar o processo de apuração do PIS e da COFINS, centralizandoo em seu estabelecimento matriz, haja vista que referidas apurações eram realizadas em cada um de seus estabelecimentos filiais, com a utilização de critérios que divergiam com o praticado pela matriz. Enfatiza ainda, que a recomposição demonstrada no recurso encontrase respaldada pelo demonstrativo e documentos fiscais e contábeis que estão anexados aos presentes autos. Pois bem. Neste passo, considerando os dados e informações registrados nos documentos anexo aos autos (fls. 262/1.268), visto que os mesmos foram trazidos extemporaneamente pelo contribuinte e, portanto, não foram analisados pelo agente fazendário da origem do processo, não resta dúvida de que a adoção do princípio da verdade material no processo administrativo fiscal consiste em uma providência que resulta na melhor aplicação do Direito e da Justiça e por isso deve sempre ser perseguida. Com base nessas considerações, devido às particularidades do caso concreto e antes do julgamento do mérito, com fundamento no art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 (PAF), voto pela conversão do julgamento em diligência, devendo os autos retornarem à DRF de Sorocaba – SP (domicílio tributário da Recorrente), para que: 1) com base nos documentos apensados aos autos às fls. 262/1.268 (planilha de cálculo, informações e cópia de documentos, demonstrativos e extrato de livros contábeis e fiscais), levandose em conta a DCTF e DACON, retificados, e considerando as disposições contidas no artigo 3º das Leis nº 10.833/03, analisar se os dispêndios alegados pela recorrente são passíveis de apropriação de créditos da COFINS, conforme demonstrativo de apuração elaborado às fl. 233 do recurso voluntário; após, 2) elaborar parecer e demonstrativo, concluindo se as informações lançadas pela Recorrente refletem a realidade dos fatos apontados. Após a conclusão da diligência, devem ser intimados sucessivamente a Recorrente e a Procuradoria da Fazenda Nacional PFN, para, querendo, dentro do prazo fixado, manifestaremse sobre as conclusões exaradas no citado parecer. Após, retornemse os autos a esta 2ª Turma Especial/3ª Seção, para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 1279DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 10380.916240/2009-09
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 05 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1102-000.265
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
João Otavio Opperman Thome Presidente
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Guidoni Filho Relator
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros João Otavio Oppermann Thome, José Evande Carvalho Araujo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregorio, João Carlos de Figueiredo Neto e Antonio Carlos Guidoni Filho.
Relatório
Nome do relator: ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201406
camara_s : Primeira Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10380.916240/2009-09
anomes_publicacao_s : 201503
conteudo_id_s : 5436517
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 1102-000.265
nome_arquivo_s : Decisao_10380916240200909.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO
nome_arquivo_pdf_s : 10380916240200909_5436517.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) João Otavio Opperman Thome Presidente (assinado digitalmente) Antonio Carlos Guidoni Filho Relator Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros João Otavio Oppermann Thome, José Evande Carvalho Araujo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregorio, João Carlos de Figueiredo Neto e Antonio Carlos Guidoni Filho. Relatório
dt_sessao_tdt : Thu Jun 05 00:00:00 UTC 2014
id : 5844098
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:37:26 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047702917349376
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1518; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C1T2 Fl. 2 1 1 S1C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10380.916240/200909 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1102000.265 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 05 de junho de 2014 Assunto Compensação Duplicidade Recorrente M DIAS BRANCO S/A INDUSTRIA E COMÉRCIO DE ALIMENTOS Recorrida DRJ Fortaleza Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) João Otavio Opperman Thome – Presidente (assinado digitalmente) Antonio Carlos Guidoni Filho – Relator Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros João Otavio Oppermann Thome, José Evande Carvalho Araujo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregorio, João Carlos de Figueiredo Neto e Antonio Carlos Guidoni Filho. Relatório Tratase de recurso voluntário contra acórdão proferido pela Quarta Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Fortaleza (DRJ/FOR) assim ementado, verbis: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 80 .9 16 24 0/ 20 09 -0 9 Fl. 244DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 10380.916240/200909 Resolução nº 1102000.265 S1C1T2 Fl. 3 2 “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002 DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. Erro de entendimento em despacho decisório é motivo para reformálo, e não para anulálo, por se tratar de matéria de mérito. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. DUPLICIDADE. Deve a Administração glosar o crédito pleiteado em duplicidade, permanecendo o contribuinte apenas com o crédito requerido no outro PER/DCOMP.” O caso foi assim relatado pela instância a quo, verbis: “O processo versa sobre compensação (PER/DCOMP no 18617.76531.310505.1.3.041058), que objetiva compensar recolhimento a maior de IRPJ, efetuado em 28/06/2002. O total do crédito original utilizado nesta DCOMP foi de R$213.298,55. O Despacho Decisório (fl. 20) não homologou a compensação declarada por entender que o direito creditório foi pleiteado em duplicidade com o PER/DCOMP n° 00181.50555.190906.1.7.022640. 2. Irresignado, o contribuinte apresentou impugnação (fls. 22/29) contra o referido ato administrativo, alegando que: 1. DOS FATOS 1.1 — DA NÃO UTILIZAÇÃO EM DUPLICIDADE DE CRÉDITO No período de apuração de MAIO de 2002, a empresa apurou e recolheu IRPJ (cód. de receita 2362) no valor de R$ 1.478.407,86, ao titulo de estimativa mensal„conforme DARF e DCTF Normal em anexo (doc.anexo 03). Posteriormente, revendo seus registros de apuração da IRPJ de MAIO/2002, a empresa verificou ter cometido equívocos nos cálculos aritméticos que determinaram o montante daquele tributo. Diante disso, em 11/08/2006, a empresa transmitiu declaração retificadora da DCTF do 2º trimestre de 2002 (doc. Anexo 04), corrigindo o valor devido da IRPJ para R$ 0,00. Diante desta retificação, o valor que seria devido ao titulo de estimativa mensal da IRPJ devida no período de maio de 2002 havia sido recolhido a maior no valor de R$ 1.478.407,86. Fato este, devidamente declarado através da DCTF retificadora supra mencionada. Fazse mister ressaltar que, o valor de R$ 1.478.407,86 alvo da compensação não homologada não é recolhimento por estimativa, mas sim, recolhimento a maior, pois a estimativa mensal devida para o período em foco era inferior a monta recolhida. Feita tal consideração, tratandose de recolhimento a maior, a requerente tratou de compensar tal excesso de recolhimento com tributos vincendos, com base nos permissivos legais constantes da Lei 9.430/96, art. 74, e art.28 da IN SRF No. 460/2004, vigente a época da compensação. Fl. 245DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 10380.916240/200909 Resolução nº 1102000.265 S1C1T2 Fl. 4 3 Em virtude da atualização do indébito pela taxa SELIC, na ordem de 52,13%, acumulados entre 28.06.2002 e 31.05.2005, o valor do indébito sobredito, REFERENTE AO PER/DCOMP em comento, resultou na monta de R$ 324.491,10, conforme dispunham o art.51 e art. 52 da IN SRF No. 460/2004. Para demonstrar a correção do crédito em destaque, arrolase a planilha em anexo (doc. anexo 05). Em 31/05/2005 a requerente' transmitiu o PER/DCOMP n° 18617.76531.310505.1.3.041058(doc. Anexo 06), com tipo de crédito qualificado como "Pagamento Indevido ou a Maior", utilizando o referido crédito para liquidação de débitos de CSLL (cód. De receita 2484) do Ines de ABR/2005, informando o valor de R$324.491,09. Para sua surpresa, em 05.03.2010, a contribuinte recepcionou Intimação/Despacho – Decisório pela Secretaria da Receita Federal (SRF), comunicando a improcedência do crédito informado na PER/DCOMP 18617.76531.310505.1.3.041058, sob o argumento de que tal crédito havia sido totalmente utilizado em outra compensação e, por isso, inexistente, pois o referido crédito estaria vinculado à compensação efetivada através da PERD/COMP 00181.50555.190906.1.7.022640 e, por conseguinte a quitação dos respectivos débitos. Logo, o crédito em tela havia sido utilizado em duplicidade para efetuar PERD/COMP's distintas. Infelizmente o Despacho Decisório, de forma incauta, não buscou sua fundamentação em elementos seguros, e limitou a sua análise em evidencias que não seriam suficientes para proferir informação fiscal/despacho decisório com teor de utilização em duplicidade do referido crédito. Data Máxima Venia, o referido entendimento esboçado pelo fisco fere de morte o Principio da Verdade Material, pois se a Secretaria da Receita Federal tivesse realizado uma análise mais apurada da utilização do referido crédito teria vislumbrado a correta apuração realizada pelo contribuinte; verificando que em nenhum momento houve compensação em duplicidade conforme aduzido no item n°. 5 do R. despacho decisório. Tal confusão fica notória quando a decisão expõe que: "Constatase, portanto, de forma inequívoca, a utilização, do mesmo pagamento, em duplicidade, uma vez, através do PER/DCOMP 18617.76531.310505.1.3.041058 de pagamento indevido, outra por meio do PERD/COMP n°00181.50555.190906.1.7.022640 de saldo negativo de IRPJ.. Registrese que o pagamento R$ 1.478.407,86 foi utilizado para compor saldo negativo na apuração do imposto de renda relativo ao anocalendário de 2002, como se pode visualizar na Ficha 12 Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real, Linha 16, gerando um saldo credor de IPRJ no montante de R$ 9.827.493,78, onde parte deste crédito foi utilizado para quitação de débitos consignados a PER/DCOMP 00181.50555.190906.1.7.022640, precisamente no montante de R$ 6.176.531,66, conforme foi informado nesta PER/DCOMP, na Página 02, campo Total do Crédito Original Utilizado nesta DCOMP Desta feita vislumbrase que houve equivoco por parte do fisco em não identificar nas PER/DCOMP's apresentadas que o saldo negativo na apuração do imposto de renda relativo ao anocalendário de 2002, que soma o montante de R$ 9.827.493,78, foi parte dele utilizado na PERD/COMP n° 00181.50555.1909061.7.022640, valor de R$ 6.176.531,66, remanescendo um saldo a ser utilizado no valor de R$ 3.650.962,12. Obviamente que o crédito utilizado para efetuar a compensação da PERD/COMP 18617.76531.310505.1.3.041058, foi proveniente do saldo remanescente acima demonstrado. Fl. 246DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 10380.916240/200909 Resolução nº 1102000.265 S1C1T2 Fl. 5 4 Em que pese a elaboração desta PER/DCOMP ter sido transcrita com o tipo de crédito qualificado como Pagamento Indevido ou a Maior, tal fato não impediria o fisco, em razão da Verdade Material outrora mencionada, reconhecer o crédito do contribuinte proveniente do saldo negativo do IRPJ relativo ao anocalendário de 2002, DEVIDAMENTE UTILIZADO na PERD/COMP N°. 18617.76531.310505.1.3.04 1058.. Transparente está que o entendimento do despacho decisório em tela não pode prosperar, pois cerceia completamente um direito liquido e certo do contribuinte de reaver o que erroneamente informou em PER/DCOMP. Admitir o contrário seria subverter inclusive principio geral de direito, no qual há repulsa geral ao locupletamento sem Causa, neste caso, por parte da Fazenda Pública. Diante do exposto, resta evidente que o crédito em tela lido foi utilizado em duplicidade, as compensações foram efetivadas dentro do limite do saldo negativo da apuração do imposto de renda relativo ao anocalendário de 2002, não remanescendo dúvidas com relação à origem do crédito utilizados nas PER/DCOMP's, como também a análise distorcida do fisco com relação questão, justificase o pedido de compensação pleiteado e refutandose por completo a negativa do fisco em reconhecer tal límpido direito. Importante ressaltar que apesar da análise distorcida do fisco com relação à ao pleito em comento, justificase o pedido de compensação pleiteado pela requerente reconhecendo o direito por ser questão de mais lidima justiça. 2. DO DIREITO 2.1. ADEQUAÇÃO DA VIA ELEITA E LEGITIMIDADE A Manifestação de Inconformidade é meio de defesa cabível para contestar a nãohomologação do direito creditório. Decorre precipuamente, do inc. LV da Constituição Federal, que assegura aos litigantes, em processo judicial ou administrativo o direito ao contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes. De outro lado, temse a hipótese da Lei n° 9.430/96, em seu art. 74, §* 9o. Dai inferirse que a presente Manifestação apresentase como a via administrativa mais adequada para promover a tutela pleiteada pela Contribuinte, que é a reforma da decisão que indeferiu a homologação da compensação do crédito ora declarado. 2.2. DA NULIDADE DO ATO ADMINISTRATIVO EM VIRTUDE DE ERRO Segundo a melhor doutrina administrativa e a jurisprudência pátria, todo ato administrativo para ser válido deve conter os seus cinco requisitos de validade (competência, finalidade, forma, motivo e objeto) isentos de vícios, de defeitos. Caso um desses elementos apresentese em desacordo com a lei, o ato será nulo. O pressuposto da anulação é que o ato administrativo possua um vicio de legalidade em algum de seus requisitos de formação, podendo e devendo, por este motivo, ser desfeito pela própria Administração Pública, independentemente da provocação do administrado, sob pena de flagrante ilegalidade. Noutros termos, a nulidade não decorre propriamente do descumprimento do requisito formal, mas dos seus efeitos comprometedores do direito de defesa assegurado constitucionalmente ao contribuinte já por força do art. 5o, L V, da Constituição Federal. Isso porque as formalidades se justificam como garantidoras da defesa do contribuinte. Fl. 247DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 10380.916240/200909 Resolução nº 1102000.265 S1C1T2 Fl. 6 5 PAULSEN, Á VILA e SLIWKA assim se posicionam sobre o assunto: "Alegada eventual irregularidade, cabe, à autoridade administrativa ou judicial, verificar, pois, se tal implicou em efetivo prejuízo à defesa do contribuinte (..)". Grifouse. No caso em tela, o ato administrativo praticado pela autoridade fazendária está eivado de vicio devido a um erro gerado pela analise equivocada da utilização do direito creditório proveniente de pagamento indevido ou a maior do período de apuração de junho de 2002, no valor de R$ 1.478.407,86, que acabou sua utilização sendo vista pelo fisco em duplicidade, razão pela qual não foi homologada a compensação pretendida. Ora, por força da natureza constitutiva do pedido de compensa cão, previsto no §6° do art. 74 da lei N° 9.430/96, o ato culminou por gerar crédito tributário imputado indevidamente à Contribuinte, prejudicandoa. Dai podese inferir que, por conta do erro, o ato administrativo praticado pela Administração Pública Fazendária é nulo, especialmente porque atribui Contribuinte obrigação tributária ilegal. A propósito, o Supremo Tribunal Federal consolidou entendimento sobre o assunto através da Súmula 473. Nestes termos, podese concluir que o erro da Administração persiste no fato de ter a autoridade fazendária se baseado em uma informação equivocada, que acabou por negar o direito creditório legitimo, liquido e certo; Motivando o Contribuinte requer que seja o ato administrativo declarado nulo e, por conseguinte, seja a compensação pleiteada homologada, cessando os efeitos da informação fiscal guerreada. 3.0. PRINCÍPIO DA RAZOABILIDADE E DA VERDADE MATERIAL Como se sabe, o principio da proporcionalidade busca estabelecer uma relação entre uma finalidade determinada pela ordem jurídica, e os meios que eventualmente são utilizados para atingila. Repelindose a máxima de que os "fins justificam os meios", considerase que o meio utilizado, para ser proporcional, deve ser apto, necessário, e não excessivo, para chegar à finalidade a que se destina. Do contrário, será inconstitucional, por desproporcionalidade, ainda que a finalidade almejada seja licita; além de evitar restrições, que no presente caso, restrição à plena informação tanto do encerramento do primeiro Procedimento Fiscal, bom como a restrição a informação completa no segundo Termo de Ciência de Inicio da Ação Fiscal. O principio da razoabilidade é uma diretriz de senso comum, ou mais exatamente, de bomsenso, aplicada ao Direito. Esse bomsenso jurídico se faz necessário a medida que as exigências formais que decorrem do principio da legalidade tendem a reforçar mais o texto das normas, a palavra da lei, que o seu espirito. Enunciase com este principio que a Administração, ao atuar no exercício de discrição, terá de obedecer a critérios aceitáveis do ponto de vista racionai, em sintonia com o senso normal de pessoas equilibradas e respeitosas das finalidades que presidiram a outorga da competência exercida. Nesse diapasão, o principio da proporcionalidade ou da razoabilidade ou, ainda, da proibição do excesso ou omissão é o que permite ao intérprete aferir a compatibilidade entre os meios e fins, de modo a evitar restrições desnecessárias ou abusivas contra os direitos fundamentais. Mostrase, então, irrazoável, na medida em que discrepa da razão ,d o justo, do moderado, do prudente, enfim, do senso comum, não respeitando as formalidades da Fl. 248DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 10380.916240/200909 Resolução nº 1102000.265 S1C1T2 Fl. 7 6 lei, nem ao direito do Contribuinte de estar ciente de todos os atos e suas respectivas fundamentações. No processo administrativo o julgador deve sempre buscar a verdade, ainda que, para isso, tenha que se valer de outros elementos além daqueles trazidos aos autos pelos interessados. A autoridade administrativa competente não fica obrigada a restringir seu exame ao que foi alegado, trazido ou provado pelas partes, podendo e devendo buscar todos os elementos que possam influir no seu convencimento. 4. DO PEDIDO Em conformidade com o exposto no presente, assim requer: • Que seja considerado nulo o ato administrativo, consignado a informação fiscal e despacho decisório; • Que seja homologada a declaração de compensação. Anexei as fls. 72/79. É o relatório.” O acórdão recorrido julgou improcedente a manifestação de inconformidade, pois entendeu que, diante da solicitação do crédito em duplicidade, incumbiria à Contribuinte retificar uma de suas declarações de compensação, sob pena de indeferimento do pedido respectivo. Em sede de recurso voluntário a Contribuinte reproduz suas alegações da manifestação de inconformidade, em especial no que se refere à não utilização do direito creditório em duplicidade e a aplicação da verdade material ao caso. É o relatório. Voto Conselheiro ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO O recurso voluntário atende é tempestivo e foi interposto por parte legítima, pelo que dele se toma conhecimento. Conforme se depreende do relatório supra, em 28.06.2002, a Contribuinte realizou recolhimento de R$1.478.407,86, correspondente à estimativas de IRPJ relativa ao mês de abril de 2005 (fls. 41). Às fls. 42/43, verificase que a Contribuinte declarou nada dever a título de estimativa no período, o que, conforme entendimento pacífico dessa Corte, caracterizaria pagamento indevido ou a maior passível de restituição ou compensação. Contudo, na ficha 12 da DIPJ daquele anocalendário (fls. 65), a Contribuinte lançou o referido valor a título de recolhimento de estimativa em sua declaração de ajuste, razão pela qual o valor correspondente passou a integrar o saldo negativo de IRPJ do referido período, no montante de R$9.827.493,78. Fl. 249DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 10380.916240/200909 Resolução nº 1102000.265 S1C1T2 Fl. 8 7 Ao invés de (a) apresentar apenas uma PER/DCOMP para requerer a restituição/compensação de todo o montante por ela mesmo apurado como saldo negativo de IRPJ (no valor de R$ 9.827.493,78) ou, quando menos, (b) retificar suas declarações para excluir do valor do saldo negativo o montante recolhido a título de estimativa em abril de 2005 (R$1.478.407,86), permitindolhe pleitear a devolução de tal estimativa como “pagamento indevido ou a maior”, a Contribuinte apresentou, equivocadamente, (a) uma PER/DComp para restituição do valor integral saldo negativo (PER/DComp nº 00181.50555.190906.1.7.022640, no montante de R$9.827.493,78), dos quais alega ter utilizado em compensação apenas o valor de R$6.877.592,91; e (b) outra PER/Dcomp, de nº 18617.76531.310505.1.3.04 –1058, para pleitear a compensação de parte do valor da citada estimativa de IRPJ, como se pagamento indevido ou a maior fosse, com débitos de estimativa de CSLL relativas ao mês de abril de 2005. É essa última PER/DCOMP, no valor de R$324.491,10, que é objeto de exame neste processo administrativo. Não há dúvida de que a Contribuinte equivocouse no preenchimento da PER/DCOMP objeto deste processo, porquanto o direito creditório nela mencionado (estimativa de IRPJ) já fazia parte do valor do direito creditório objeto da PER/DComp nº 00181.50555.190906.1.7.022640, no montante de R$9.827.493,78 (saldo negativo de IRPJ). Essa última PER/DCOMP é objeto do PA n. 10380.911993/200910. Contudo, o equívoco de preenchimento em referência não pode retirar da Contribuinte o direito de aproveitarse de seu crédito. Caso o montante do crédito requerido naquele processo seja suficiente para a quitação do débito objeto desse processo, a Contribuinte faz jus à compensação do saldo negativo de IRPJ pretendido na Dcomp n. 00181.50555.190906.1.7.022640. Não se trata de atribuir fungibilidade entre os pedidos, mas sim de reconhecer o mero erro material da última declaração, tal como defendido pela Contribuinte desde a manifestação de inconformidade por ela apresentada. Este Tribunal Administrativo já decidiu que erros de preenchimento de declaração não podem prejudicar a fruição do direito creditório do contribuinte quando existente esse direito. Confirase: “COMPENSAÇÃO ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DCOMP Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração de compensação (DCOMP) e a existência do crédito, deve a verdade material prevalecer sobre a formal, sendo o crédito reconhecido e a compensação homologada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso nos termos do voto do relator.” (Acórdão 180300681. CARF. 1ª Seção de Julgamento. 3ª Turma Especial. Julgado em 10.11.2010) ................................ “OMISSÃO DE RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. INFORMAÇÕES EM DIRF DIFERENTES DO DECLARADO. ERRO DE DECLARAÇÃO COMPROVADO. Comprovado que os rendimentos informados em Dirf coincidem com os comprovantes de rendimentos apresentados, e que os valores declarados não possuem qualquer relação com essas quantias, razoável o argumento de erro de declaração, em especial quando os valores declarados também tiveram rendimentos retidos na fonte, o que obrigaria sua informação em Dirf. Assim, foi recalculado o imposto devido em função Fl. 250DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 10380.916240/200909 Resolução nº 1102000.265 S1C1T2 Fl. 9 8 dos rendimentos de fato auferidos. Recurso Voluntário Provido em Parte.” (grifouse Acórdão 2101001.597. CARF. 2ª Seção de Julgamento. 1ª Câmara. 1ª Turma Ordinária. Julgado em 19.04.2012) Firmadas essas premissas, e em vista da impossibilidade de verificarse se a Contribuinte possui saldo credor na PER/DCOMP n. 00181.50555.190906.1.7.022640, objeto da PA n. 10380.911993/200910, orientase voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que seja atestada, de forma conclusiva e justificada, se existe saldo passível de utilização na PER/DCOMP citada para fins de compensação com os débitos da declaração de compensação objeto desse processo, considerados todos os demais pedidos de compensação relacionados ao direito creditório proveniente (a) do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2002 e (b) das estimativas relacionadas. Em relação a todas as verificações efetuadas deverá ser lavrado Relatório de Diligência circunstanciado e dele ser dada ciência ao contribuinte para sobre ele se manifestar, no prazo de 30 (trinta) dias, querendo. (assinado digitalmente) ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO Fl. 251DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME
score : 1.0
Numero do processo: 11030.720426/2012-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Apr 14 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008, 2009
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA.
Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no artigo 44, inciso II, da Lei nº 9.430 de 1996, restando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadra-se nas hipóteses tipificadas no art. 71, I, da Lei nº 4.502 de 1964.
LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL. PIS. COFINS
A solução dada ao litígio principal, relativo ao IRPJ, aplica-se, no que couber, aos lançamentos decorrentes, quando não houver fatos ou argumentos a ensejar decisão diversa.
Numero da decisão: 1301-001.806
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros deste colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Joselaine Boeira Zatorre (Suplente convocada) e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Ausente justificadamente Valmir Sandri.
(documento assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Paulo Jakson da Silva Lucas - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rêgo, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, Carlos Augusto de Andrade Jenier e Joselaine Boeira Zatorre (Suplente convocada).
Nome do relator: PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201503
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008, 2009 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no artigo 44, inciso II, da Lei nº 9.430 de 1996, restando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadra-se nas hipóteses tipificadas no art. 71, I, da Lei nº 4.502 de 1964. LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL. PIS. COFINS A solução dada ao litígio principal, relativo ao IRPJ, aplica-se, no que couber, aos lançamentos decorrentes, quando não houver fatos ou argumentos a ensejar decisão diversa.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Apr 14 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 11030.720426/2012-94
anomes_publicacao_s : 201504
conteudo_id_s : 5455052
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Apr 14 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 1301-001.806
nome_arquivo_s : Decisao_11030720426201294.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS
nome_arquivo_pdf_s : 11030720426201294_5455052.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros deste colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Joselaine Boeira Zatorre (Suplente convocada) e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Ausente justificadamente Valmir Sandri. (documento assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo - Presidente. (documento assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rêgo, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, Carlos Augusto de Andrade Jenier e Joselaine Boeira Zatorre (Suplente convocada).
dt_sessao_tdt : Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
id : 5894650
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:39:49 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047702922592256
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1844; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 11 1 10 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11030.720426/201294 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301001.806 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 05 de março de 2015 Matéria IRPJ/OMISSÃO DE RECEITAS/MULTA QUALIFICADA Recorrente CASTOLDI, GEREVINI E SIGNORI LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no artigo 44, inciso II, da Lei nº 9.430 de 1996, restando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadrase nas hipóteses tipificadas no art. 71, I, da Lei nº 4.502 de 1964. LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL. PIS. COFINS A solução dada ao litígio principal, relativo ao IRPJ, aplicase, no que couber, aos lançamentos decorrentes, quando não houver fatos ou argumentos a ensejar decisão diversa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros deste colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Joselaine Boeira Zatorre (Suplente convocada) e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Ausente justificadamente Valmir Sandri. (documento assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente. (documento assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 72 04 26 /2 01 2- 94 Fl. 197DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rêgo, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, Carlos Augusto de Andrade Jenier e Joselaine Boeira Zatorre (Suplente convocada). Fl. 198DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 11030.720426/201294 Acórdão n.º 1301001.806 S1C3T1 Fl. 12 3 Relatório Tratamse de autos de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica/IRPJ e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido/CSLL, Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social/Cofins e Programa de Integração Nacional/PIS, no montante de R$ 220.261,41, em razão da omissão de receita caracterizada pela ausência de emissão de notas fiscais e conseqüentemente não reconhecimento das receitas auferidas relativamente a serviços prestados (comissões) à COOPERCOLHEITA – Cooperativa dos Profissionais da Agricultura e Colheita Ltda. O procedimento fiscal foi empreendida junto à COOPERCOLHEITA, oportunidade em que a Fiscalização detectou a escrituração de despesas com comissões pagas a empresas em nome de administradores daquela sociedade cooperativa, dentre as quais, “Castoldi, Gerevini e Signori Ltda.”, cujos sócios são Diogo Luiz Castoldi, Aimar Luiz Signori e Luiz Carlos Gerevini, que também participavam como associados de COOPERCOLHEITA. Segundo a autoridade fiscal “A empresa comercial, prestadora de serviços da Coopercolheita da qual recebeu rendimentos de comissões dos quais não emitiu nota fiscal, não adicionou na sua escrita fiscal, bem como omitiu os valores na sua declaração de rendimentos”. No ano calendário de 2008 a fiscalizada declarou à Receita Federal do Brasil/RFB que não auferiu receita, ao passo que as comissões percebidas perfaziam o montante de R$ 241.794,61. Já em 2009, a fiscalizada declarou à RFB não ter percebido receitas no 1º trimestre, ao passo que nos 2º, 3º, e 4º trimestres teriam recebidos receitas de, respectivamente, R$ 3.046,00, R$ 9.000,00 e R$ 9.000,00, ao passo que as comissões recebidas nos mesmos períodos totalizou R$ 384.212,24. Salienta a Fiscalização que as comissões pagas pela COOPERCOLHEITA não compunham o montante de receitas declaradas ao Fisco. Foi aplicada multa qualificada de 150%, prevista no art. 44, I, c/c §1º, da Lei nº 9.430/96. O contribuinte cientificado apresenta impugnação alegando, em apertada síntese, que: A Fiscalização, de forma equivocada, não tem aceitado recibos para comprovação de despesas, glosandoas com base em opiniões subjetivas; Os recibos foram aceitos para comprovar despesas da COOPERCOLHEITA, sendo portanto, hábeis e idôneos; cita jurisprudência que reforçaria seus argumentos; A atividade administrativa é vinculada aos termos da lei e o art. 97, V, do CTN, impõe que somente a lei pode estabelecer a cominação de penalidades; O art. 112 do CTN, determina que a lei que determinar a aplicação de penalidades deve ser interpretada de maneira mais favorável ao acusado; Fl. 199DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO 4 Não ficaram caracterizados os elementos que justificariam a aplicação da multa qualificada, pois, em nenhum comprovouse sonegação, fraude ou conluio, nos termos dos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64; Alega ainda que a autoridade fiscal não teria comprovado o dolo e, embora não tivesse emitido nota fiscal, foram emitidos recibos, o que comprovaria a ausência de intenção de ocultar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. Aduz ainda que as circunstâncias constatadas no procedimento fiscal junto à COOPERCOLHEITA não podem ser utilizadas para embasar o agravamento de sua penalidade, haja vista que a responsabilidade por infrações é pessoal. Cita doutrina e jurisprudência administrativa que embasariam seus argumentos; Requer, ao final, seja reduzida a penalidade aplicada de 150% para 75%. A DRJ/PORTO ALEGRE (RS) decidiu a matéria sintetizado no Acórdão 10 038.507, Sessão de 22 de maio de 2012, julgando improcedente a impugnação, tendo sido prolatada a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário: 2008, 2009 MULTA NO PERCENTUAL DE 150%. Justificase a aplicação da multa no percentual de 150% quando restar demonstrado que o contribuinte agiu de forma dolosa, com o propósito de impedir ou retardar, o conhecimento por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, ou de excluir ou modificar as suas características. LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL. PIS. COFINS A solução dada ao litígio principal, relativo ao IRPJ, aplicase, no que couber, aos lançamentos decorrentes, quando não houver fatos ou argumentos a ensejar decisão diversa. É o relatório. Fl. 200DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 11030.720426/201294 Acórdão n.º 1301001.806 S1C3T1 Fl. 13 5 Voto Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas O recurso voluntário é tempestivo e assente em lei. Dele conheço. Como bem salientado no voto condutor ora recorrido, a questão de fundo mostrase incontroversa: o impugnante auferiu receitas de comissão, pagas por COOPERCOLHEITA, não as escriturou, tampouco recolheu os tributos sobre elas incidentes ou os declarou à RFB. Tal fato é corroborado pelo pedido de parcelamento apresentado pelo contribuinte relativamente aos tributos lançados (fls. 158, 164, 165 e 169). Embora o impugnante argumente sobre a legalidade da emissão de recibos, e que, em razão desse fato, a falta de emissão de notas fiscais seria irrelevante, em nenhum momento questionouse a materialidade do fato apontado pela Fiscalização: o impugnante auferiu receitas, não as escriturou, tampouco declarou os tributos incidentes à RFB ou os recolheu. Isso posto, não há lide sobre a exigência dos tributos, restando a discussão sobre a correição da penalidade qualificada aplicada. Neste ponto, (QUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO) compulsando os autos do presente processo, constatase de maneira cristalina, que o contribuinte assumiu de forma livre e consciente o risco de omitir à tributação as receitas ora apuradas. Portanto, o contexto revela a presença de conduta DOLOSA tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir as suas características essenciais, de modo a evitar o pagamento do imposto devido, o que caracteriza SONEGAÇÃO, nos termos do inciso I, do art. 71 da Lei 4.502/64, vejamos: Por bem descrever os fatos transcrevo os seguintes trechos extraídos do voto ora recorrido: "O contribuinte discorda da aplicação da multa de ofício no percentual de 150%, pois entende não haver comprovação de fraude e/ou dolo. No caso dos autos, foi aplicadas a multa de 150% sobre o imposto de renda e contribuições apuradas com base na omissão de receita, prevista no art. 44, inciso I, § 1º, da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 2007, tendo em vista a intenção dolosa do contribuinte de impedir ou retardar o conhecimento da ocorrência do fato gerador (multa qualificada). Para melhor entendimento, transcrevese, a seguir, o art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007: Art. 14. O art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação, transformandose as alíneas a, b e c do § 2o nos incisos I, II e III: Fl. 201DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO 6 “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. [...] Como visto, nos termos do § 1º do artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996, só é admitida a aplicação da multa no percentual de 150%, nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964, que assim dispõem: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente; Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos artigos 71 e 72. Desse modo, a multa de 150% de que trata o parágrafo 1º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996 (redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 2007), terá aplicação sempre que em procedimento fiscal constatarse a ocorrência de sonegação, fraude ou conluio. Fl. 202DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 11030.720426/201294 Acórdão n.º 1301001.806 S1C3T1 Fl. 14 7 Vêse que, para enquadrar determinado ilícito fiscal de tal modo que se justifique a aplicação da penalidade de 150%, há necessidade que esteja caracterizado o dolo. O dolo, que se relaciona com a consciência e a vontade de agir, é elemento de todos os tipos penais de que trata a Lei nº 4.502, de 1964, ou seja, a vontade de praticar a conduta, para a subsequente obtenção do resultado. Deve ficar demonstrada que a conduta praticada teve o intuito consciente voltado a suprimir ou reduzir o pagamento do tributo ou contribuições devidos. No presente caso, o contribuinte deixou de declarar expressivos valores de receita durante o período de 01/01/2008 a 31/12/2009, sendo que, em 2008, declarou não haver auferido qualquer rendimento. Essa conduta reiterada revela, sem dúvida, a intenção dolosa com o propósito de impedir ou retardar o conhecimento da ocorrência do fato gerador por parte da autoridade fazendária, ou de excluir ou modificar as suas características, enquadrandose nas hipóteses previstas nos art. 71 (sonegação) e 72 (fraude) da Lei nº 4.502, de 1964. Esse "animus", vontade de querer o resultado, ou assumir o risco de produzilo, ficou evidenciado e demonstrado nos autos, não podendo serem considerados meros erros de ordem material, sem a caracterização de qualquer intuito fraudulento, posto que não se tratam de atos isolados, mas reiteradamente praticados pelo contribuinte em todos os meses dos ano calendário de 2008 e de 2009. Vejase que no ano de 2008 o contribuinte declarou à RFB não ter auferido receitas, enquanto que as comissões percebidas perfazem R$ 241.974,61. Em 2009, a situação não se altera substancialmente, pois embora tenha declarado auferir receitas (R$ 21.046,00 durante todo o período), não escriturou o faturamento de R$ 384.212,24, relativo também a comissões. Conseqüentemente, também não declarou ou recolheu os tributos incidentes sobre esses rendimentos, caracterizando, sem sombra de dúvidas, o intuito fraudulento de ocultar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. Tanto é assim que, somente durante o procedimento fiscal junto à COOPERCOLHEITA, que possui dentre seus associados os sócios do impugnante, é que a autoridade fiscal obteve a informação de que o impugnante houvera auferido receitas de comissões. Assim sendo, os argumentos do impugnante quanto à ausência de comprovação do dolo mostramse insubsistentes diante dos elementos coligidos pela Fiscalização." Como visto, a discussão nos autos ficou restrita à multa qualificada de 150% contra a qual insurgiu a recorrente alegando, em apertada síntese, não ter ficado provado o dolo por parte da autoridade fiscal e que a existência de omissão de receita, por si só, não é suficiente para caracterização de fraude. Aduz, que o fato da fiscalização ter constatado recebimentos de comissões sem emissão da respectiva nota fiscal, mas, em contrapartida, ter emitido recibos de quitação, não caracteriza a intenção de esconder a operação ou dificultar o conhecimento dos fatos pelo fisco. Por essas razões, requereu a redução da multa aplicada para 75%. Vêse conforme descrito acima, que a abordagem contida na decisão recorrida bem demonstra a impropriedade desta argumentação. No caso em análise entendo que não se trata simplesmente de declaração inexata ou de falta de recolhimento de tributos ou ainda de simples omissão de receita como foi alegado. Fl. 203DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO 8 Ressaltese que, qualquer que seja a conduta fraudulenta do sujeito passivo, com vistas a reduzir ou suprimir tributo, estará sempre enquadrada em uma das hipóteses previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502 de 30 de novembro de 1964. Portanto, é irrelevante distinguir se a conduta fraudulenta se configurou em sonegação, fraude ou conluio, bastando apenas que a conduta fraudulenta se enquadre em qualquer um dos tipos infracionais definidos na citada lei. No caso dos autos, não há dúvida de que a empresa autuada recebeu comissões sem emissão de nota fiscal e sem o registro contábil devido com a clara intenção de deixar de pagar ou pagar menos tributo. Notase que a recorrente, sequer tentou justificar as diferenças apuradas pelo Fisco, mesmo porque não haveria como justificar. Em sã consciência, diante dos elementos de convicção acostados aos autos, não há dúvida da intenção da contribuinte em reduzir os tributos devidos e se beneficiar indevidamente de forma dolosa, como bem destacou a autoridade fiscal. Repito, os fatos explanados caracterizam a figura da sonegação. As circunstâncias narradas nos autos evidenciam, de forma inequívoca, o intuito deliberado, por parte do contribuinte, de impedir o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência dos fatos geradores correspondentes a seu faturamento. O fato de oferecer à tributação valores inferiores aos auferidos, de forma reiterada, durante todo o período fiscalizado, obviamente, não pode ser creditada a simples erro contábil ou falta de pagamento, o que demonstra o elemento dolo, no sentido de ter a consciência e querer a conduta de sonegação descrita no art. 71 da Lei nº 4.502/64. Por essas razões, entendo que a qualificação da multa aplicada foi medida acertada e perfeitamente em consonância com a legislação aplicável, pelo que deve ser mantida. LANÇAMENTOS DECORRENTES Os lançamentos do Programa de Integração Social PIS, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL foram lavrados em decorrência da omissão de receita apurada. Assim, como a omissão de receita foi reconhecida e parcelada pelo contribuinte, e não tendo fatos ou argumentos novos a ensejar conclusão diversa, é de se manter essas exigências, ante a íntima relação e causa e efeito. Diante do exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso voluntário, salientando novamente que as peças de defesa limitouse a resignarse em relação à exigência da multa de ofício qualificada, deixando de contestar a exigência dos tributos exigidos desde já objetos de pedido de parcelamento. (documento assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Fl. 204DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 11030.720426/201294 Acórdão n.º 1301001.806 S1C3T1 Fl. 15 9 Fl. 205DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO
score : 1.0
Numero do processo: 35464.001128/2007-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Mar 25 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/2003 a 31/10/2006
AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. MATÉRIA DIFERENCIADA.
A propositura de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento, que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual verse o processo administrativo, importa renúncia ao contencioso administrativo, conforme determinado pelo §3º do art. 126 da Lei no 8.213/91.
O julgamento administrativo limitar-se-á à matéria diferenciada, se no Recurso houver matéria distinta daquela discutida no processo judicial.
LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. NFLD. ATO ADMINISTRATIVO. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE E LEGALIDADE. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA.
Tendo em vista o consagrado atributo da presunção de veracidade que caracteriza os atos administrativos, gênero do qual o lançamento tributário é espécie, opera-se a inversão do encargo probatório, repousando sobre o Notificado o ônus de desconstituir o lançamento ora em consumação. Havendo um documento público com presunção de veracidade não impugnado eficazmente pela parte contrária, o desfecho há de ser em favor dessa presunção.
LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRINCIPAL. ART. 37 DA LEI Nº 8.212/91.
Uma vez constatado o atraso total ou parcial no recolhimento das contribuições sociais previstas na Lei de Custeio da Seguridade Social, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem.
REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. SÚMULA 28 DO CARF.
A representação fiscal para fins penais será encaminhada ao Ministério Público após proferida a decisão final, na esfera administrativa, sobre a exigência fiscal do crédito tributário correspondente.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais.
JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. LEGALIDADE.
O crédito decorrente de contribuições previdenciárias não integralmente pagas na data de vencimento será acrescido de juros de mora, de caráter irrelevável, seja qual for o motivo determinante da falta, equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC a que se refere o artigo 13 da Lei 9.065/95, incidentes sobre o valor atualizado, nos termos do art. 161 do CTN c.c. art. 34 da Lei nº 8.212/91.
PERÍCIA. INDEFERIMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
A perícia tem como destinatária final a Autoridade Julgadora, a qual possui a prerrogativa de avaliar a pertinência de sua realização para a consolidação do seu convencimento acerca da solução da controvérsia objeto do litígio, sendo-lhe facultado indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-003.728
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário e, na parte conhecida, negar-lhe provimento, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Liége Lacroix Thomasi Presidente de Turma.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da Sessão de Julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente de turma), André Luis Mársico Lombardi, Luciana Matos Pereira Barbosa, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201503
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/2003 a 31/10/2006 AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. MATÉRIA DIFERENCIADA. A propositura de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento, que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual verse o processo administrativo, importa renúncia ao contencioso administrativo, conforme determinado pelo §3º do art. 126 da Lei no 8.213/91. O julgamento administrativo limitar-se-á à matéria diferenciada, se no Recurso houver matéria distinta daquela discutida no processo judicial. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. NFLD. ATO ADMINISTRATIVO. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE E LEGALIDADE. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Tendo em vista o consagrado atributo da presunção de veracidade que caracteriza os atos administrativos, gênero do qual o lançamento tributário é espécie, opera-se a inversão do encargo probatório, repousando sobre o Notificado o ônus de desconstituir o lançamento ora em consumação. Havendo um documento público com presunção de veracidade não impugnado eficazmente pela parte contrária, o desfecho há de ser em favor dessa presunção. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRINCIPAL. ART. 37 DA LEI Nº 8.212/91. Uma vez constatado o atraso total ou parcial no recolhimento das contribuições sociais previstas na Lei de Custeio da Seguridade Social, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. SÚMULA 28 DO CARF. A representação fiscal para fins penais será encaminhada ao Ministério Público após proferida a decisão final, na esfera administrativa, sobre a exigência fiscal do crédito tributário correspondente. O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. LEGALIDADE. O crédito decorrente de contribuições previdenciárias não integralmente pagas na data de vencimento será acrescido de juros de mora, de caráter irrelevável, seja qual for o motivo determinante da falta, equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC a que se refere o artigo 13 da Lei 9.065/95, incidentes sobre o valor atualizado, nos termos do art. 161 do CTN c.c. art. 34 da Lei nº 8.212/91. PERÍCIA. INDEFERIMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. A perícia tem como destinatária final a Autoridade Julgadora, a qual possui a prerrogativa de avaliar a pertinência de sua realização para a consolidação do seu convencimento acerca da solução da controvérsia objeto do litígio, sendo-lhe facultado indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Mar 25 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 35464.001128/2007-01
anomes_publicacao_s : 201503
conteudo_id_s : 5446013
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Mar 25 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 2302-003.728
nome_arquivo_s : Decisao_35464001128200701.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : ARLINDO DA COSTA E SILVA
nome_arquivo_pdf_s : 35464001128200701_5446013.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário e, na parte conhecida, negar-lhe provimento, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Liége Lacroix Thomasi Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva - Relator. Participaram da Sessão de Julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente de turma), André Luis Mársico Lombardi, Luciana Matos Pereira Barbosa, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Arlindo da Costa e Silva.
dt_sessao_tdt : Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2015
id : 5874373
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:38:47 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047702926786560
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 21; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2339; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T2 Fl. 433 1 432 S2C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 35464.001128/200701 Recurso nº 003.728 Voluntário Acórdão nº 2302003.728 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 12 de março de 2015 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS NFLD Recorrente KUBA VIAÇÃO URBANA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/2003 a 31/10/2006 AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. MATÉRIA DIFERENCIADA. A propositura de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento, que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual verse o processo administrativo, importa renúncia ao contencioso administrativo, conforme determinado pelo §3º do art. 126 da Lei no 8.213/91. O julgamento administrativo limitarseá à matéria diferenciada, se no Recurso houver matéria distinta daquela discutida no processo judicial. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. NFLD. ATO ADMINISTRATIVO. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE E LEGALIDADE. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Tendo em vista o consagrado atributo da presunção de veracidade que caracteriza os atos administrativos, gênero do qual o lançamento tributário é espécie, operase a inversão do encargo probatório, repousando sobre o Notificado o ônus de desconstituir o lançamento ora em consumação. Havendo um documento público com presunção de veracidade não impugnado eficazmente pela parte contrária, o desfecho há de ser em favor dessa presunção. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRINCIPAL. ART. 37 DA LEI Nº 8.212/91. Uma vez constatado o atraso total ou parcial no recolhimento das contribuições sociais previstas na Lei de Custeio da Seguridade Social, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 46 4. 00 11 28 /2 00 7- 01 Fl. 433DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. SÚMULA 28 DO CARF. A representação fiscal para fins penais será encaminhada ao Ministério Público após proferida a decisão final, na esfera administrativa, sobre a exigência fiscal do crédito tributário correspondente. O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. LEGALIDADE. O crédito decorrente de contribuições previdenciárias não integralmente pagas na data de vencimento será acrescido de juros de mora, de caráter irrelevável, seja qual for o motivo determinante da falta, equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC a que se refere o artigo 13 da Lei 9.065/95, incidentes sobre o valor atualizado, nos termos do art. 161 do CTN c.c. art. 34 da Lei nº 8.212/91. PERÍCIA. INDEFERIMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. A perícia tem como destinatária final a Autoridade Julgadora, a qual possui a prerrogativa de avaliar a pertinência de sua realização para a consolidação do seu convencimento acerca da solução da controvérsia objeto do litígio, sendo lhe facultado indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário e, na parte conhecida, negarlhe provimento, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Liége Lacroix Thomasi – Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da Sessão de Julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vicepresidente de turma), André Luis Mársico Lombardi, Luciana Matos Pereira Barbosa, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Arlindo da Costa e Silva. Fl. 434DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 35464.001128/200701 Acórdão n.º 2302003.728 S2C3T2 Fl. 434 3 Relatório Período de apuração: 01/11/2003 a 31/10/2006. Data da lavratura da NFLD: 27/02/2007. Data da Ciência da NFLD: 05/03/2007. Temse em pauta Recurso Voluntário interposto em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I/SP, que julgou improcedente o lançamento tributário formalizado mediante a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD nº 37.081.3022, consistente em contribuições sociais previdenciárias a cargo da empresa destinadas ao SEBRAE, incidentes sobre remunerações pagas, devidas ou creditadas a segurados empregados e a segurados contribuintes individuais que lhe prestaram serviços em cada mês, não recolhidas aos cofres da Seguridade Social, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 36/45. Os valores considerados como salário de contribuição nos levantamentos GFI e FOP encontramse baseados nos seguintes livros e documentos apresentados pelo contribuinte à fiscalização quando para tanto intimado através do "Termo de Intimação para a Apresentação de Documentos" (TIAD) e analisados no decorrer da ação fiscal: · Resumo das folhas de pagamento da remuneração paga, devida ou creditada pelo contribuinte a todos os segurados a seu serviço, a empresa não entregou a folha de pagamento individualizada; · Guias de recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP); · Guias da Previdência Social (GPS); · Lançamentos contábeis no Livro Diário e Razão de 11/2003 a 05/2006. A Fiscalização apurou que em todos os meses a empresa entregava, inicialmente, uma GFIP que deveria conter todos os empregados, mas depois entregava uma GFIP com apenas um ou alguns empregados. Com a implementação da GFIP versão 8.0 ou posterior, havendo a entrega de mais de uma GFIP com a mesma chave (empregador/contribuinte, competência, código de recolhimento, FPAS, e tomador de serviço), a GFIP transmitida posteriormente é considerada como retificadora, substituindo integralmente a GFIP transmitida anteriormente; Assim, foram considerados como declarados em GFIP (levantamento GFI) apenas os empregados relacionados na última GFIP da versão 8.0 ou superior, entregue e apresentada à fiscalização, que é a GFIP considerada válida, e que substituiu todas as demais; Fl. 435DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 Por outro lado, foram lançados como valores não declarados em GFIP (levantamento FOP) o salário de contribuição declarado na folha de pagamento, excluídos os valores já lançados como declarados em GFIP; Foram abatidas as deduções e os valores das contribuições sociais recolhidas mediante Guia da Previdência Social GPS, na apuração dos valores devidos, conforme ilustrado no RADA (Relatório de Apropriação dos Documentos Apresentados. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 78/101. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I/SP baixou o feito em diligência para que a Autoridade Lançadora se pronunciasse a respeito de questões de fato arguidas pelo Sujeito Passivo em sede de defesa administrativa, conforme Despacho de Diligência a fls. 228/234. Em atendimento à diligência requestada por meio do Despacho de Diligência acima citado, a Autoridade Lançadora se pronunciou formalmente nos autos, por meio do Relatório de Encerramento de Diligência, a fls. 245/246. Formalmente notificado do conteúdo do resultado do Relatório de Encerramento de Diligência antes mencionado, o Sujeito Passivo apresentou aditamento à impugnação a fls. 258/262. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I/SP lavrou Decisão Administrativa aviada no Acórdão nº 1623.439 11ª Turma da DRJ/SP1, a fls. 333/364, julgando procedente em parte o lançamento, tão somente para que fosse aplicado o código correto de terceiro (0064) correspondente ao SEBRAE, e retificando o Crédito Tributário na forma exposta no DADR – Discriminativo Analítico de Débito, a fls. 325/332. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 16/07/2010, conforme Aviso de Recebimento a fl. 372. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 373/380, respaldando seu inconformismo em argumentação desenvolvida nos termos que se vos seguem: · Que os valores levantados pela Fiscalização não encontram suporte nos salários de contribuição contidos nos resumos de folhas de pagamento; · Que a Fiscalização considerou, para efeitos de aplicação de multa, somente valores lançados na última GFIP, sendo totalmente desconsideradas as informações contidas nas GFIP entregues mês a mês (GFIP substituídas), as quais continham a informação total do salário de contribuição e as respectivas contribuições; · Que não há fundamento para a emissão de RFFP; · Que a aplicação da taxa SELIC é inconstitucional; · Que a contribuição para o SEBRAE não encontra amparo no art. 195 da CF/88. Aduz que o referido imposto jamais poderia ser exigido com base em lei ordinária; Fl. 436DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 35464.001128/200701 Acórdão n.º 2302003.728 S2C3T2 Fl. 435 5 Ao fim, requer a reforma do Acórdão recorrido. Relatados sumariamente os fatos ora relevantes. Fl. 437DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 16/07/2010. Havendo sido o recurso voluntário protocolizado em 13/08/2010, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. 1.2. DO CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO O Recorrente alega que a contribuição para o SEBRAE não encontra amparo no art. 195 da CF/88. Aduz que o referido imposto jamais poderia ser exigido com base em lei ordinária. Pondera também que a empresa está discutindo judicialmente as contribuições referentes ao SEBRAE. As alegações recursais referentes às contribuição destinadas ao SEBRAE não poderão ser apreciadas e julgadas por este Sodalício Administrativo, uma vez que, em seu louvor, o Recorrente tacitamente, abdicou de debatêla na esfera administrativa. Assentado que a decisão proferida na Instância Judicial subjuga qualquer outra exarada na esfera administrativa, adquirindo inclusive o atributo da coisa julgada formal e material, resulta que, qualquer que seja o veredictum proferido por esta Corte Administrativa, acerca da matéria objeto do litígio, será tido como letra morta diante da decisão judicial transitada em julgado. A releitura da norma encartada no §3º do art. 126 da Lei nº 8.213/91, numa interpretação sistemática e teleológica com os princípios da eficiência e da economia processual, conduz ao entendimento de que a propositura de ação judicial que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual versa o processo administrativo, importa renúncia dos beneficiários acobertados pelos resultados de tal demanda ao direito de recorrer na esfera administrativa e à desistência do eventual recurso interposto. Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991 Art. 126. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro Social INSS nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da Seguridade Social caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social, conforme dispuser o Regulamento. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 1997) (...) 3º A propositura, pelo beneficiário ou contribuinte, de ação que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual versa o processo Fl. 438DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 35464.001128/200701 Acórdão n.º 2302003.728 S2C3T2 Fl. 436 7 administrativo importa renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso interposto. A matéria em apreço já foi reiteradamente enfrentada, em situações pretéritas idênticas, por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, dando ensejo à edição da Súmula nº 1, cujo Verbete transcrevemos adiante: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Dessarte, pugnamos pelo não conhecimento dos temas levados à apreciação do Poder Judiciário, e reiterados nos vertentes Instrumentos Recursais interpostos perante este Colegiado, com fundamento no preceito insculpido no art. 126, §3º da Lei nº 8.213/91, em interpretação sistemática e teleológica com os princípios da eficiência e da economia processual. Reiterese que a renúncia ora em voga independe de ato volitivo da parte, ou mesmo da vontade psicológica do Recorrente. Ela decorre ex lege, e de forma objetiva, independentemente do motivo ou do tempo em que a demanda tenha sido ajuizada perante o poder judiciário. Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço parcialmente. Ante a inexistência de questões preliminares a serem dirimidas, passamos diretamente ao exame do mérito. 2. DO MÉRITO Cumpre de plano assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente impugnadas pelo Recorrente, as quais serão consideradas como verdadeiras, assim como as matérias já decididas pelo Órgão Julgador de 1ª Instância não expressamente contestadas pelo sujeito passivo em seu instrumento de Recurso Voluntário, as quais se presumirão como anuídas pela Parte. Também não serão objeto de apreciação por esta Corte Administrativa as questões de fato e de Direito referentes a matérias substancialmente alheias ao vertente lançamento, eis que em seu louvor, no processo de que ora se cuida, não se houve por instaurado qualquer litígio a ser dirimido por este Conselho, assim como as questões arguidas exclusivamente nesta instância recursal, antes não oferecida à apreciação do Órgão Julgador de 1ª Instância, em razão da preclusão prevista no art. 17 do Decreto nº 70.235/72. Fl. 439DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 2.1. DO LANÇAMENTO O Recorrente alega que os valores levantados pela Fiscalização não encontram suporte nos salários de contribuição contidos nos resumos de folhas de pagamento. Sem razão. Mostrase valioso, neste momento, trazer a lume que os atos administrativos, assim como seu conteúdo, gozam de presunção legal iuris tantum de legalidade, legitimidade e veracidade. Na arguta visão de Maria Sylvia Zanella Di Pietro, a presunção de veracidade e legitimidade consiste na "conformidade do ato à lei. Em decorrência desse atributo, presumemse, até prova em contrário, que os atos administrativos foram emitidos com observância da lei" (Direito Administrativo, 18ª Edição, 2005, Atlas, São Paulo). Ainda de acordo com a citada autora, "A presunção de veracidade diz respeito aos fatos. Em decorrência desse atributo, presumemse verdadeiros os fatos alegados pela Administração." (op. cit. pág. 191). Dessarte, a aplicação da presunção de veracidade tem o condão de inverter o ônus da prova, cabendo ao particular comprovar de forma cabal a inocorrência dos fatos descritos pelo agente público no Ato Administrativo trazido aos autos, nos termos dos art. 334, inciso IV, do Código de Processo Civil. Deflui da interpretação sistemática dos dispositivos encartados nos artigos 19, II, da CF/88 e 364 do CPC que os fatos consignados em documentos públicos carregam consigo a presunção de veracidade atávica aos atos administrativos, ostentando estes fé pública, a qual não pode ser recusada pela Administração Pública, devendo ser admitidos como verdadeiros até que se produza prova válida em contrário. Constituição Federal de 1988 Art. 19. É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) II recusar fé aos documentos públicos; (...) Código de Processo Civil Art. 364. O documento público faz prova não só da sua formação, mas também dos fatos que o escrivão, o tabelião, ou o funcionário declarar que ocorreram em sua presença. Nessa prumada, existindo no mundo jurídico um ato administrativo comprovado por documento público, passa a militar em favor do ente público a presunção de legitimidade e veracidade das informações nele assentadas. Como prerrogativa inerente ao Poder Público, presente em todos os atos de Estado, a presunção de veracidade subsistirá no processo administrativo fiscal como meio de prova hábil a comprovar as alegações do órgão Fl. 440DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 35464.001128/200701 Acórdão n.º 2302003.728 S2C3T2 Fl. 437 9 tributário, cabendo à parte adversa demonstrar, ante a sua natureza relativa, por meio de documentos idôneos, a desconformidade com a realidade dos assentamentos em realce. Configurandose a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito como um documento público representativo de Ato Administrativo formado a partir da manifestação da Administração Tributária, levada a efeito através de agentes públicos, não há como se negar a veracidade do seu conteúdo. Ostentando, todavia, tal presunção eficácia relativa, esta admite prova em sentido contrário a ônus da parte interessada, encargo este que deve ser adimplido pelo Interessado, de molde a se afastar a suposta fidedignidade do teor da NFLD em debate. No caso dos autos, de acordo com a resenha fiscal, todos os levantamentos que constituem a presente NFLD (FOP, GFI), foram efetuados com base em informações e documentos fornecidos pela própria empresa, devidamente relacionados no item 7 do Relatório Fiscal: “7. Os valores considerados como salário de contribuição nos levantamentos GFI e FOP encontramse baseados nos seguintes livros e documentos apresentados pelo contribuinte à fiscalização quando para tanto intimado através do "Termo de Intimação para a Apresentação de Documentos" (TIAD) e analisados no decorrer da ação fiscal: a. Resumo das folhas de pagamento da remuneração paga, devida ou creditada pelo contribuinte a todos os segurados a seu serviço, a empresa não entregou a folha de pagamento individualizada; b. Guias de recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), documento informativo instituído pelo art. 32, inc. IV, da Lei 8.212191 (redação dada pela Lei 9.528/97), c/c o art. 1º do Decreto 2.803/98; c. "Guias da Previdência Social' (GPS); d. Lançamentos contábeis no Livro Diário e Razão de 11/2003 a 05/2006”. O Órgão Julgador de 1ª Instância, a fls. 12/22 do Acórdão Recorrido, já havia demonstrado que os valores das bases de cálculo apurados na vertente NFLD, representados pelo somatório dos levantamentos FOP e GFI, correspondiam, nos centavos, aos valores consignados como “total salário de contribuição CLT”, declarados pela empresa nos resumos das Folhas de Pagamento acostados a fls. 107/171, à exceção da competência 13/2003, cujo valor lançado pela Fiscalização (R$ 1.197.584,48) foi inferior ao montante consignado na respectiva Folha de Pagamento a fl. 119 (R$ 1.223.064,99). Tal diferença já havia sido verificada pela Autoridade Lançadora, conforme consignado no item 05 do Relatório de Encerramento de Diligência a fls. 245/246: Fl. 441DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 “05. Levandose em conta o resumo da Folha de Pagamento juntado as fls. 118, de fato existe uma diferença entre o valor levantado na NFLD e no respectivo resumo: a. NFLD = R$ 1.197.584,48 b. Resumo da FOPAG = R$ 1.223.064,99 06. Assim, de acordo com este resumo da Folha de Pagamento que agora foi juntado ao processo, o valor correto para a base de cálculo do levantamento é de R$ 1.223.064,99 e não o constante na NFLD. 07. Frisese que só ocorreu divergência nesta competência 1312003, para todas as demais competências o valor levantado corresponde exatamente ao valor presente no resumo da Folha de Pagamento apresentado pela empresa.” Ao ser intimada a respeito do conteúdo da Diligência Fiscal ora em apreço, própria Recorrente, a fl. 3 do seu aditamento à impugnação, a fls. 258/262, declarou expressamente inexistir divergências entre os valores lançados na NFLD e os valores consignados nos resumos das Folhas de Pagamento. “Ademais, não há que se falar em qualquer divergência entre o resumo da folha de pagamento em relação aos valores levantados na NFLD, pois conforme pode ser verificado na documentação acostada, os valores levantados em todas as competências sempre corresponderam de forma exata aos valores da folha de pagamento, inclusiva em relação a competência 13/2003, não havendo, portanto, que se falar em qualquer divergência de valores”. Pelas mesmas razões, indeferimos o pedido de perícia formulado pela Recorrente, uma vez que não estão presentes os equívocos por ela, equivocadamente, apontados. Assim, além de não demonstrar a necessidade da perícia, esta foi formulada de maneira genérica, sem a indispensável observância dos requisitos previstos no inciso IV do art. 16 do Dec. nº 70.235/72, devendo o pedido de perícia ser tido como não formulado, em respeito ao disposto no §1º do mesmo suso citado dispositivo legal. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748/93) (...) §1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748/1993) (...) Fl. 442DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 35464.001128/200701 Acórdão n.º 2302003.728 S2C3T2 Fl. 438 11 2.2. DA REDUÇÃO DA MULTA DE MORA APLICADA O Recorrente alega que a Fiscalização considerou, para efeitos de aplicação de multa, somente valores lançados na última GFIP, sendo totalmente desconsideradas as informações contidas nas GFIP entregues mês a mês (GFIP substituídas), as quais continham a informação total do salário de contribuição e as respectivas contribuições. Ao tratar da imposição de multa pelo atraso objetivo no adimplemento da Obrigação Tributária Principal, o §4º do art. 35 da Lei nº 8.212/91 dispõe que, na hipótese de as contribuições terem sido declaradas nas GFIP, a multa de mora será reduzida em cinquenta por cento. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). (...) §4o Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinquenta por cento. (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). Tal redução se justifica administrativamente pelo fato de que, estando as Contribuições Previdenciárias devidas devidamente consignadas nas GFIP entregues à RFB, o Crédito Tributário correspondente passa a ser do conhecimento da Administração Fazendária, eis que registradas na base de dados da RFB, a qual terá o trabalho reduzido de, apenas, proceder a cobrança do crédito devido. Ao revés, não estando registrados tais fatos geradores na base de dados da RFB, a administração tributária deixa de conhecer a existência de contribuições devidas e não recolhidas, necessitando a Fazenda Pública de deflagrar procedimento de Fiscalização nas ordens dos contribuintes para, então, apurar o Crédito Tributário não declarado. De acordo com a legislação tributária que rege os procedimentos inerentes à declaração e entrega de GFIP, a entrega de GFIP posterior, ostentando a mesma chave de GFIP anteriormente entregue, qualificase como GFIP retificadora da anterior, circunstância que implica a integral substituição da GFIP anteriormente entregue. Tratase de procedimento a ser conduzido pelo Contribuinte para corrigir omissões ou incorreções anteriormente declaradas, de modo a evitar cobrança indevida. Assim, mediante a entrega de GFIP retificadora, os registros consolidados na base de dados da RFB passam a espelhar, tão somente, os dados declarados na GFIP Fl. 443DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 12 retificadora, sendo integralmente deletados os dados inicialmente aviados nas GFIP substituídas. Dessa forma, deixa a Administração Tributária de ter conhecimento das Contribuições Previdenciárias efetivamente devidas pelo contribuinte, sendo necessária a deflagração de procedimento formal de Fiscalização para a apuração dos fatos geradores não registrados no banco de dados da RFB, e consequente constituição do Crédito Tributário correspondente. Cabe destacar também que, da consulta ao Sistema Informatizado GFIP WEB, a Fiscalização constatou que, mesmo após a lavratura da presente NFLD, a Notificada vem promovendo a entrega de novas GFIP, que substituem as anteriores, em todas as competências abrangidas neste lançamento de crédito. Com esse procedimento, a Notificada está continuamente alterando as informações prestadas, deixando de cumprir o dever previsto no artigo 32, inciso IV, da Lei n° 8212/91, que é informar mensalmente os dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. Por tal razão, não faz jus a Recorrente à redução de multa de mora prevista no §4º do art. 35 da Lei nº 8.212/91. 2.3. DA RFFP O Recorrente alega não haver fundamento para a emissão de Representação Fiscal para Fins Penais. O art. 66 do Decretolei nº 3.688, de 3 de outubro de 1941 lei das contravenções penais – qualifica como “Omissão de Comunicação de Crime” o comportamento perpetrado por servidor público consistente na não comunicação à autoridade competente de conduta que represente, em tese, crime de ação pública, de que teve conhecimento no exercício de função pública. DECRETOLEI Nº 3.688 DE 3 DE OUTUBRO DE 1941 OMISSÃO DE COMUNICAÇÃO DE CRIME Art. 66. Deixar de comunicar à autoridade competente: I crime de ação pública, de que teve conhecimento no exercício de função pública, desde que a ação penal não dependa de representação; II crime de ação pública, de que teve conhecimento no exercício da medicina ou de outra profissão sanitária, desde que a ação penal não dependa de representação e a comunicação não exponha o cliente a procedimento criminal: Pena multa. Fl. 444DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 35464.001128/200701 Acórdão n.º 2302003.728 S2C3T2 Fl. 439 13 Calcando nas mesmas teclas, o art. 16 da Lei nº 8.137/90, a qual define os crimes contra a ordem tributária, estatui que qualquer pessoa, aqui incluídos, por óbvio, os agentes públicos, poderá provocar a iniciativa do Ministério Público nos crimes descritos nessa lei, fornecendolhe por escrito informações sobre o fato e a autoria, bem como indicando o tempo, o lugar e os elementos de convicção. Lei nº 8.137, de 27 de dezembro de 1990 Art. 16. Qualquer pessoa poderá provocar a iniciativa do Ministério Público, nos crimes descritos nesta lei, fornecendo lhe por escrito informações sobre o fato e a autoria, bem como indicando o tempo, o lugar e os elementos de convicção. Parágrafo único. Nos crimes previstos nesta Lei, cometidos em quadrilha ou coautoria, o coautor ou partícipe que através de confissão espontânea revelar à autoridade policial ou judicial toda a trama delituosa terá a sua pena reduzida de um a dois terços. (Parágrafo incluído pela Lei nº 9.080, de 19.7.1995) Nessa perspectiva, revelase a Representação Fiscal para Fins Penais – RFFP mera peça processual de informações, coletadas no curso da ação fiscal, a ser elaborada pelo agente público sempre que se deparar com conduta que represente, em tese, crime contra a ordem tributária, devendo conter, dentre outros elementos, exposição minuciosa do fato e os elementos caracterizadores do ilícito; indícios de prova material do ilícito ou qualquer outro documento sob suspeição que tenha sido apreendido no curso da ação fiscal; cópia autenticada do auto de infração e de termos fiscais lavrados; termos lavrados de depoimentos, declarações, perícias e outras informações obtidas de terceiros, utilizados para fundamentar a constituição do crédito tributário ou a apreensão de bens sujeitos à pena de perdimento; a qualificação completa das pessoas físicas responsáveis; a qualificação completa da pessoa ou das pessoas físicas a quem se atribua a prática do delito, mesmo que o fiscalizado seja pessoa jurídica; A identificação completa, se for o caso, da pessoa jurídica autuada, cópia dos contratos sociais e suas alterações, ou dos estatutos e atas das assembleias; qualificação completa das pessoas que possam ser arroladas como testemunhas; cópia das declarações de rendimentos, relativas ao período em que se apurou ilícito, da pessoa ou das pessoas físicas representadas e da pessoa jurídica envolvida, no caso de crime contra a ordem tributária; etc. No âmbito da legislação previdenciária, o art. 616 da IN SRP nº 3/2005 impõe ao auditor fiscal o dever funcional de formalizar a RFFP sempre que este, no exercício de suas atribuições institucionais, tiver conhecimento da ocorrência de comportamento omissivo ou comissivo que configure, em tese, crime de ação penal pública que não dependa de representação do ofendido ou de requisição do Ministro da Justiça, bem como qualquer contravenção penal. Instrução Normativa SRP nº 3, de 14 de julho de 2005 Art. 616. Por disposição expressa no art. 66 do DecretoLei nº 3.688, de 1941 (Lei de Contravenções Penais), o AFPS formalizará RFFP sempre que, no exercício de suas funções internas ou externas, tiver conhecimento da ocorrência, em tese, de: I crime de ação penal pública que não dependa de representação do ofendido ou de requisição do Ministro da Justiça; Fl. 445DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 14 II contravenção penal. Parágrafo único. Considerase, nos termos do DecretoLei nº 3.914, de 1941 (Lei de Introdução ao Código Penal e à Lei de Contravenções Penais): I crime, a infração penal a que a lei comina pena de reclusão ou de detenção, quer isoladamente, quer alternativa ou cumulativamente com a pena de multa; II contravenção, a infração penal a que a lei comina isoladamente pena de prisão simples ou de multa, ou ambas, alternativa ou cumulativamente. Art. 617. São crimes de ação penal pública, dentre outros, os previstos nos arts. 15 e 16 da Lei nº 7.802, de 1989, alterada pela Lei nº 9.974, de 2000, nos arts. 1º, 2º e 3º da Lei nº 8.137, de 1990, nos arts. 54 a 56, 60 e 61 da Lei nº 9.605, de 1998, e os a seguir relacionados, previstos no DecretoLei nº 2.848, de 1940 (Código Penal):(Revogado pela IN RFB nº 851, de 28 de maio de 2008) I homicídio culposo simples ou qualificado, com previsão nos §§ 3º e 4º do art. 121; II exposição ao risco, com previsão no art. 132; III a apropriação indébita previdenciária, com previsão no art. 168A; IV o estelionato, com previsão no art. 171; V a falsificação de selo ou de sinal público, com previsão no art. 296; VI a falsificação de documento público, com previsão no art. 297; VII a falsificação de documento particular, com previsão no art. 298; VIII a falsidade ideológica, com previsão no art. 299; IX o uso de documento falso, com previsão no art. 304; X a supressão de documento, com previsão no art. 305; XI a falsa identidade, com previsão nos arts. 307 e 308; XII o extravio, a sonegação ou a inutilização de livro ou documento, com previsão no art. 314; XIII o emprego irregular de verbas ou rendas públicas, com previsão no art. 315; XIV a prevaricação, com previsão no art. 319; XV a violência arbitrária, com previsão no art. 322; XVI a resistência, com previsão no art. 329; XVII a desobediência, com previsão no art. 330; XVIII o desacato, com previsão no art. 331; XIX a corrupção ativa, com previsão no art. 333; XX a inutilização de edital ou de sinal, com previsão no art. 336; XXI a subtração ou a inutilização de livro ou de documento, com previsão no art. 337; XXII a sonegação de contribuição social previdenciária, com previsão no art. 337A. Fl. 446DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 35464.001128/200701 Acórdão n.º 2302003.728 S2C3T2 Fl. 440 15 Art. 618. São contravenções penais, entre outras:(Revogado pela IN RFB nº 851, de 28 de maio de 2008) I recusar dados sobre a própria identidade ou qualificação, com previsão no art. 68 do Decretolei nº 3.688, de 1941 (Lei das Contravenções Penais); II deixar de cumprir normas de higiene e segurança do trabalho, com previsão no §2º do art. 19 da Lei nº 8.213, de 1991. Diante desse quadro, constituise dever funcional do auditor fiscal a elaboração, ainda no curso da ação fiscal, da Representação Fiscal para Fins Penais, sempre que, no exercício de suas atribuições institucionais, tiver conhecimento da ocorrência de comportamento omissivo ou comissivo que configure, em tese, crime de ação penal pública que não dependa de representação do ofendido ou de requisição do Ministro da Justiça, bem como qualquer contravenção penal. A representação penal ora em debate, instruída com os elementos de prova e demais informações pertinentes, constituirseá de autos apartados e permanecerá sobrestada no âmbito da administração tributária até decisão definitiva na esfera administrativa que paute pela procedência total ou parcial do lançamento, quando, então, poderá ser encaminhada ao órgão do Ministério Público, para a devida instauração da persecução penal. Aditese, por derradeiro, que a súmula CARF nº 28, de observância obrigatória, exclui a competência deste Conselho para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Súmula CARF nº 28: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Assim esculpido o arcabouço legislativo/jurisprudencial, podemos afirmar inexistir qualquer irregularidade da formalização da RFFP em destaque, eis que o seu encaminhamento ao Ministério Público somente se dará após o Trânsito em Julgado administrativo do Auto de Infração em julgo, mesmo assim, na estrita hipótese da procedência total ou parcial do lançamento levado a efeito pela Autoridade Lançadora. 2.4. DA TAXA SELIC O Recorrente alega que a aplicação da taxa SELIC é inconstitucional. De plano, cumpre trazer à baila que os juros representam a remuneração do capital investido. Esmiuçando o conceito, juros representam o rendimento que o titular do Fl. 447DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 16 capital aufere em troca da colocação de um quantitativo à disposição de uma outra pessoa/entidade. Iluminese que um investidor poderia empregar seu patrimônio financeiro em uma atividade econômica qualquer que lhe rendesse lucro. Pode, todavia, essa pessoa abdicar de seu capital, ofertandoo a outra pessoa, mediante a cobrança de uma taxa de remuneração, compensatória pela perda da oportunidade de produzir lucro, na forma da hipótese anterior. A taxa de juros figura, então, como o quantum relativo que o titular do capital exige do tomador deste, num horizonte temporal, pela utilização do montante tomado. Nesse quadro, o índice nominal da taxa pode ser fixado unilateralmente pelo capitalista, ou, em comum acordo com aquele que se apodera da riqueza por empréstimo. É importante ressaltar que, em qualquer caso, a fixação da taxa de juros prescinde da edição de lei formal, como assim acredita piamente o Recorrente, até porque tal exigência culminaria por emperrar a atividade financeira do país – extremamente dinâmica em sua natureza , paralizandoo. Isso porque cada investidor, banco ou demais instituições financeiras possuem seus critérios próprios para o computo dos juros na atividade financeira, os quais são extremamente influenciados pelo mercado, pela oferta e procura de capital, pela taxa de crescimento da economia, pelo risco da inadimplência, etc., o que gera uma saudável concorrência entre os detentores do livre numerário. Diante desse panorama mostrase evidente que a exigência de lei stricto sensu a que se refere o CTN, não é para a fixação da taxa de juros (esta flui ao sabor das correntes do mercado), mas, sim, para a indicação de qual taxa de juros será a utilizada na remuneração do capital de titularidade da Fazenda, ainda nos cofres do sujeito passivo. Com efeito, num mundo globalizado, em que qualquer evento econômico ocorrido no polo norte produz efeitos imediatos, da mesma de ordem de grandeza, no polo sul, seria impensável que, para se alterar uma taxa de juros em, digamos, vinte e cinco centésimos por cento, como é extremamente comum em nossa economia, com a velocidade e prontidão que o mercado exige hodiernamente, fosse exigível a edição de uma lei ordinária, haja vista o trâmite procedimental exigido pela CF/88. Nessa perspectiva, avulta, portanto, que o requisito da legalidade, na espécie, foi de fato adimplido, senão vejamos: A Constituição Federal de 1988 outorgou à Lei Complementar a competência para estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários, nas cores desenhadas em seu art. 146, III, ‘b’, in verbis: Constituição Federal de 1988 Art. 146. Cabe à lei complementar: III estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: a) definição de tributos e de suas espécies, bem como, em relação aos impostos discriminados nesta Constituição, a dos respectivos fatos geradores, bases de cálculo e contribuintes; b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários; Fl. 448DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 35464.001128/200701 Acórdão n.º 2302003.728 S2C3T2 Fl. 441 17 Imerso nessa ordem constitucional, ao tratar do crédito tributário, já no âmbito infraconstitucional, o art. 161 do Código Tributário Nacional – CTN, topograficamente inserido no Capítulo que versa sobre a Extinção do Crédito Tributário, estabeleceu que o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis: Código Tributário Nacional Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. (grifos nossos) §1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. (grifos nossos) §2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito. Salientese que o percentual enunciado no parágrafo primeiro acima transcrito será o aplicável se a lei não dispuser de modo diverso. Ocorre que a lei de custeio da seguridade social disciplinou inteiramente a matéria relativa aos acessórios financeiros do crédito previdenciário em constituição e de forma distinta, devendo esta ser observada em detrimento do percentual previsto no §1º do art. 161 do CTN. Nesse sentido já se manifestou o Tribunal Regional Federal da 4ª Região ao proferir, ipsis litteris: “Na esfera infraconstitucional, o Código Tributário Nacional, norma de caráter complementar, não proíbe a capitalização de juros nem limita a sua cobrança ao patamar de 1% ao mês. pois o art. 161, §1º desse diploma legal prevê que essa taxa de juros somente será aplicada se a lei não dispuser de modo contrário. Assim, não tendo o Código Tributário Nacional determinado a necessidade de lei complementar, pode a lei ordinária fixar taxas de juros diversas daquela prevista no citado art. 161, §1º do CTN, donde se conclui que a incidência da SELIC sobre os créditos fiscais se dá por forca de instrumento legislativo próprio (lei ordinária) sem importar qualquer afronta à Constituição Federal” (TRF 4ª Região, Apelação Cível 200471100006514, Rel. Álvaro Eduardo Junqueira; 1ª Turma; DJ de 15/06/2005, p. 552). Com efeito, as contribuições sociais destinadas ao custeio da seguridade social estão sujeitas não só à incidência de multa moratória, como também de juros computados segundo a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, nos termos do art. 34 da Lei nº 8.212/91 que, pela sua importância ao deslinde da questão, o transcrevemos a seguir, com a redação vigente à época da lavratura do presente débito. Fl. 449DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 18 Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (redação dada pela Lei nº 9.528/97) (grifos nossos) A matéria relativa à incidência da taxa SELIC já foi bater à porta da Suprema Corte de Justiça, que firmou jurisprudência no sentido de sua legalidade, consoante ressai do julgado a seguir ementado: TRIBUTÁRIO. PARCELAMENTO DE DÉBITO. JUROS MORA TÓRIOS. TAXA SELIC. CABIMENTO. 1. O artigo 161 do CTN estipulou que os créditos não pagos no vencimento serão acrescidos de juros de mora calculados à taxa de 1%, ressalvando, expressamente, em seu parágrafo primeiro, a possibilidade de sua regulamentação por lei extravagante, o que ocorre no caso dos créditos tributários, em que a Lei 9.065/95 prevê a cobrança de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais (art. 13). 2. Diante dai previsão legal e considerando que a mora é calculada de acordo com a legislação vigente à época de sua apuração, nenhuma ilegalidade há na aplicação da Taxa SELIC sobre os débitos tributários recolhidos a destempo, ou que foram objeto de parcelamento administrativo. 3. Também , há de se considerar que os contribuintes têm postulado a utilização da Taxa SELIC na compensação e repetição dos indébitos tributários de que são credores. Assim, reconhecida a legalidade da incidência da Taxa SELIC em favor dos contribuintes, do mesmo modo deve ser aplicada na cobrança do crédito fiscal diante do princípio da isonomia. 4. Embargos de divergência a que se dá provimento. STJ EREsp nº 396.554/SC, Rel. Min. TEORI ALBINO ZAVASCKI; 1ª SEÇÃO; DJ 13/09/2004; p. 167. Em reforço a tal assertiva jurisdicional, iluminese o Enunciado da Súmula nº 03 do Segundo Conselho de Contribuintes, vazado nos seguintes termos: SÚMULA CARF nº 3 É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic para títulos federais. Fl. 450DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 35464.001128/200701 Acórdão n.º 2302003.728 S2C3T2 Fl. 442 19 Dessarte, se nos afigura não haver vícios na aplicação da taxa SELIC como referência de juros moratórios, haja vista terem sido aplicados em conformidade com o comando imperativo fixado no art. 34 da Lei nº 8.212/91 c.c. art. 161 caput e §1º do CTN, em afinada harmonia com o ordenamento jurídico. A propósito, repisese que, sendo a atuação da Administração Tributária inteiramente vinculada à Lei, e, restando os preceitos introduzidos pela Lei nº 8.212/91 plenamente vigentes e eficazes, a inobservância desses comandos legais implicaria negativa de vigência por parte do Auditor Fiscal Notificante, fato que desaguaria inexoravelmente em responsabilidade funcional dos agentes do Fisco Federal. Atentese que as disposições introduzidas pela legislação tributária em apreço, até o presente momento, não foram ainda vitimadas de qualquer sequela decorrente de declaração de inconstitucionalidade, seja na via difusa seja na via concentrada, exclusiva do Supremo Tribunal Federal, produzindo, portanto, todos os efeitos jurídicos que lhe são típicos. Apreciando a questão da constitucionalidade das contribuições destacadas pelo Recorrente por um outro prisma, aditese que o art. 26A do Decreto nº 70.235/72, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, estabelece óbice intransponível aos órgãos de julgamento deste Conselho Administrativo para afastar a aplicação ou deixar de observar normas tributárias inseridas no ordenamento jurídico mediante leis, decretos, tratado ou acordos internacionais sob fundamento de inconstitucionalidade. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §1o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §2o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §3o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §4o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §5o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) Fl. 451DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 20 c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) Não fosse o bastante, a Súmula CARF nº 2, de observância vinculante para as Turmas de Julgamento, exorta não ser o CARF órgão competente para se pronunciar a respeito da inconstitucionalidade de lei de natureza tributária. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Cumpre ainda salientar, por relevante, ser vedado aos membros das turmas de julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação ou deixar de observar o conteúdo encartado em leis e decretos sob o fundamento de incompatibilidade com a Constituição Federal, conforme determinado pelo art. 62 Regimento Interno do CARF, aprovado pela PORTARIA Nº 256, de 22 de junho de 2009, do Ministério da Fazenda. PORTARIA Nº 256, de 22 de junho de 2009 Art. 62. Fica vedado aos membros afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Assim emoldurado o quadro jurídico, avulta encontrarse impedida esta Corte Administrativa de apreciar tal rogativa e reformar a Decisão Recorrida, ao argumento de ilegalidade da aplicação da taxa Selic como juros moratórios, atividade essa que somente poderia emergir do Poder Judiciário. 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO PARCIALMENTE do Recurso Voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. Fl. 452DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 35464.001128/200701 Acórdão n.º 2302003.728 S2C3T2 Fl. 443 21 É como voto. Arlindo da Costa e Silva, Relator. Fl. 453DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI
score : 1.0
