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Numero do processo: 11080.723165/2009-73
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2006 NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, que atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN e presentes os requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO DO CONTRIBUINTE. COMPETÊNCIA DA FISCALIZAÇÃO. Compete à autoridade fiscal rever o lançamento realizado pelo contribuinte, revogando de ofício a isenção quando constate a falta de preenchimento dos requisitos para a concessão do favor. VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO. LAUDO DE AVALIAÇÃO. O arbitramento do valor da terra nua, apurado com base nos valores do Sistema de Preços de Terra (SIPT), deve prevalecer sempre que o contribuinte deixe de comprovar o VTN declarado, mediante a apresentação de laudo de avaliação, mormente se o VTN declarado é bastante inferior ao VTN extraído do SIPT. O arbitramento do valor da terra nua, apurado com base nos valores do Sistema de Preços de Terra (SIPT), deve prevalecer sempre que o contribuinte não faça a apresentação de laudo de avaliação, mormente se o VTN declarado é bastante inferior ao VTN extraído do SIPT. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. COMPROVAÇÃO. LAUDO. Deve-se reconhecer, para fins de cálculo do ITR devido, as áreas de preservação permanente, informadas em Ato Declaratório Ambiental (ADA), cuja existência seja confirmada mediante mapa de georreferenciamento do imóvel, elaborado por engenheiro agrônomo, acompanhado de anotação de responsabilidade técnica (ART). ÁREA OCUPADA COM BENFEITORIAS. Para fins de cálculo do ITR devido somente são acolhidas as áreas ocupadas com benfeitorias, cuja necessidade e utilidade para a atividade rural seja devidamente comprovada. SOLICITAÇÃO DE RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO. COMPETÊNCIA. COMPROVAÇÃO. Não compete ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), em grau de recurso, a apreciação de pedidos de retificação de declaração, sendo, contudo, possível a alteração do lançamento, desde que o contribuinte comprove de forma inequívoca o erro cometido no preenchimento da declaração. ÁREA OCUPADA COM PASTAGENS. COMPROVAÇÃO. O contribuinte deve comprovar, por meio de documentação pertinente, as áreas ocupadas com pastagens. Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2102-003.250
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, por voto de qualidade em dar parcial provimento ao recurso para reconhecer, para fins de cálculo do ITR devido, uma área de preservação permanente de 448,7 ha. Vencidos João Bellini Junior, Livia Vilas Boas e Silva e Alice Grecchi, que davam provimento em maior extensão para também restabelecer a área de benfeitorias de 300,0ha. Fez sustentação oral o patrono da contribuinte Dilson Gerent, OAB 22484-RS. Assinado digitalmente NÚBIA MATOS MOURA – Presidente Substituta e Relatora. EDITADO EM: 26/02/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Dayse Fernandes Leite, João Bellini Junior, Livia Vilas Boas e Silva, Núbia Matos Moura e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti.
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 po r NUBIA MATOS MOURA Processo nº 11080.723165/2009­73  Acórdão n.º 2102­003.250  S2­C1T2  Fl. 164          2 ÁREA  DE  PRESERVAÇÃO  PERMANENTE.  COMPROVAÇÃO.  LAUDO.  Deve­se  reconhecer,  para  fins  de  cálculo  do  ITR  devido,  as  áreas  de  preservação permanente, informadas em Ato Declaratório Ambiental (ADA),  cuja  existência  seja  confirmada mediante mapa  de  georreferenciamento  do  imóvel,  elaborado  por  engenheiro  agrônomo,  acompanhado  de  anotação  de  responsabilidade técnica (ART).  ÁREA OCUPADA COM BENFEITORIAS.  Para fins de cálculo do ITR devido somente são acolhidas as áreas ocupadas  com  benfeitorias,  cuja  necessidade  e  utilidade  para  a  atividade  rural  seja  devidamente comprovada.  SOLICITAÇÃO  DE  RETIFICAÇÃO  DE  DECLARAÇÃO.  COMPETÊNCIA. COMPROVAÇÃO.  Não  compete  ao  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  (Carf),  em  grau de recurso, a apreciação de pedidos de retificação de declaração, sendo,  contudo,  possível  a  alteração  do  lançamento,  desde  que  o  contribuinte  comprove  de  forma  inequívoca  o  erro  cometido  no  preenchimento  da  declaração.  ÁREA OCUPADA COM PASTAGENS. COMPROVAÇÃO.  O  contribuinte  deve  comprovar,  por  meio  de  documentação  pertinente,  as  áreas ocupadas com pastagens.  Recurso Voluntário Provido em Parte      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos em rejeitar a  preliminar  de  nulidade  e,  no  mérito,  por  voto  de  qualidade  em  dar  parcial  provimento  ao  recurso  para  reconhecer,  para  fins  de  cálculo  do  ITR  devido,  uma  área  de  preservação  permanente  de  448,7  ha.  Vencidos  João  Bellini  Junior,  Livia  Vilas  Boas  e  Silva  e  Alice  Grecchi,  que  davam  provimento  em  maior  extensão  para  também  restabelecer  a  área  de  benfeitorias de 300,0ha.  Fez  sustentação oral  o patrono da  contribuinte Dilson Gerent, OAB  22484­RS.   Assinado digitalmente  NÚBIA MATOS MOURA – Presidente Substituta e Relatora.    EDITADO EM: 26/02/2015  Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Dayse  Fernandes Leite, João Bellini Junior, Livia Vilas Boas e Silva, Núbia Matos Moura e Roberta  de Azeredo Ferreira Pagetti.    Fl. 260DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 po r NUBIA MATOS MOURA Processo nº 11080.723165/2009­73  Acórdão n.º 2102­003.250  S2­C1T2  Fl. 165          3   Relatório  Contra  NAIR  HELLER  DE  BARROS  foi  lavrada  Notificação  de  Lançamento,  fls.  96/100,  para  formalização  de  exigência  de  Imposto  sobre  a  Propriedade  Territorial  Rural  (ITR)  do  imóvel  denominado  Fazenda  São  Miguel,  com  área  total  de  1.294,5 ha  (NIRF  3.255.592­0),  relativo  ao  exercício  2006,  no  valor  de  R$ 496.112,12,  incluindo multa de ofício e juros de mora, calculados até 27/11/2009.  As  infrações  imputadas  à  contribuinte  foram  glosa  parcial  da  área  de  preservação permanente, glosa total da área ocupada por benfeitorias e arbitramento do Valor  da  Terra  Nua  (VTN),  com  utilização  de  dados  extraídos  do  Sistema  de  Preços  de  Terras  (SIPT), conforme quadro a seguir:  ITR 2006  Declarado  Apurado na Notificação de  Lançamento  03­Área de Preservação Permanente  700,0 ha  333,0 ha  08­Área Ocupada com Benfeitorias  320,0 ha  0,00 ha  16­Valor da Terra Nua  R$ 900.000,00  R$ 3.713.182,64  Inconformada  com  a  exigência,  a  contribuinte  apresentou  impugnação,  fls. 49/74,  que  está  assim  resumida  no  Acórdão  DRJ/CGE  nº  04­25.974,  de  19/09/2011,  fls.107/116:  Preliminar  Suscita  invalidade  do  lançamento  pois  entende  que  não  ficou  configurada a ocorrência das hipóteses autorizadoras do uso da  técnica  do  arbitramento  (omissão  do  sujeito  passivo,  subavaliação  ou  prestação  de  informações  inexatas,  incorretas  ou  fraudulentas  ­  art.  10  §  1º,  inc.  I  e  art.  14,  ambos  da  Lei  9.393/96), uma vez que a interessada apresentou o D1AT.  Complementa  argumentando  que  restaram  omissos,  na  notificação de  lançamento,  os  fundamentos de  fato  e de direito  infringidos,  o  que  afronta  o  princípio  da  legalidade,  do  contraditório, da ampla defesa e o art. 10 do Decreto 70.235/72,  em  conformidade  com  a  jurisprudência  do  Conselho  de  Contribuintes,  atual  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  ­  CARF,  conforme  ementas  transcritas  na  peça  impugnatória.  Reforça  que  constitui  ônus  do  Fisco  a  prova  quanto  à  inveracidade  dos  dados  tributários  declarados  pelo  sujeito  passivo  que  autoriza  a  adoção  do  arbitramento,  conforme  preceituam  os  considerandos  e  o  art.  2º  do  Decreto  83.936,  instituidor  do  "Programa  Nacional  de  Desburocratização",  o  art.  14  da  lei  9.393/96 e o  art.  10  §  7º  da Lei  9.393/96  com a  redação da MP 2166­67.  Mérito  Fl. 261DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 po r NUBIA MATOS MOURA Processo nº 11080.723165/2009­73  Acórdão n.º 2102­003.250  S2­C1T2  Fl. 166          4 Afirma,  com  base  no  levantamento  geo­referenciado,  protocolocado  no  INCRA,  que  a  área  de  preservação  permanente (APP) é de 448,7332ha.  Afirma  também,  com  base  em  laudo  técnico  emitido  por  profissional  habilitado, que  a  área  ocupada com benfeitorias  é  de  317,0ha,  a  qual  foi  reconhecida  pela  Receita  Federal  em  relação ao exercício 2005.  Pretende,  com  base  nisso,  que  seja  considerada  aproveitável  a  área  de  528,77ha,  correspondente  à  área  total  de  1294,5ha  menos APP  de  448,7332ha  e  área  ocupada  com benfeitoria  de  317,0ha.  Alega que incorreu em erro de  fato no preenchimento da DITR  ao  informar  a  existência  de  225  cabeças  de  gado  quando,  na  realidade, o rebanho apascentado no imóvel era de 682 cabeças,  conforme  comprovam  os  formulários  de  controle  de  vacinação  do gado e os registros contábeis da impugnante. Acrescenta que  a média de animais de grande porte no exercício em questão foi  de 892 cabeças de gado, sendo que, deste total, 210 cabeças de  gado  foram  informadas  na  DITR  do  imóvel  identificado  pelo  NIRF 61004274­9, restando, no imóvel em questão, 682 cabeças.  Diante  disso,  a  área  de  pastagem  utilizada,  considerando  o  índice de lotação de 0,70, seria de 974ha.  Considerando que  ficou comprovada que a área aproveitável  é  de 528,77ha, o grau de utilização adotado no  lançamento deve  ser alterado de 28,60% para 100% e a alíquota de 8,60% para  0,30%. Ainda que seja mantida a área aproveitável apurada no  lançamento  de  961,5ha,  o grau  de  utilização  deve  ser  alterado  para  100%  à  vista  do  número  de  cabeças  de  animais  ora  comprovados.  Pedido  Pede pela realização de diligência e de perícia para comprovar  a  alegação  de  que  a  quantidade  de  cabeça  de  animais  apascentados  no  imóvel  era  682.  Para  tanto,  indica  perito  e  formula quesitos.  Pede que seja declarada a nulidade do lançamento ou que seja  reconhecida  a  improcedência  do  lançamento,  cancelando­se  o  crédito tributário lançado.  A DRJ de Campo Grande julgou, por unanimidade de votos, improcedente a  impugnação.  Cientificada  da  referida  decisão,  por  via  postal,  em  21/10/2011,  Aviso  de  Recebimento  (AR),  fls.  119,  a  contribuinte  apresentou,  em  21/11/2011,  recurso  voluntário,  fls. 120/144, no qual reproduz e reforça as mesmas alegações e argumentos da impugnação.  Em  sessão  plenária,  realizada  em  15/10/2013,  esta  Turma  converteu  o  julgamento  em diligência,  conforme Resolução  nº  2102­000.160,  cujo  dispositivo  está  assim  redigido:  Fl. 262DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 po r NUBIA MATOS MOURA Processo nº 11080.723165/2009­73  Acórdão n.º 2102­003.250  S2­C1T2  Fl. 167          5 Resolvem  os  membros  do  Colegiado,  por  maioria  de  votos,  converter  o  julgamento  em  diligência,  para  juntada  aos  autos  dos documentos relativos às áreas de benfeitorias e quantidade  de  bovinos  e  equinos  apresentados  ao  CARF,  que  deverão  ser  auditados  pela  fiscalização.  Vencidos  os  Conselheiros  Núbia  Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho, que não apreciariam  as provas juntadas em memoriais. Designada para redigir o voto  vencedor  a  Conselheira  Alice  Grecchi.  Fez  sustentação  oral  o  Dr. Dilson Gerent, OAB/RS nº 22484.  A autoridade  fiscal,  em atendimento à Resolução acima mencionada  juntou  aos autos Relatório de Diligência, fls. 226/228, cujo teor a seguir se transcreve parcialmente:  Análise  objetiva  dos  documentos  distribuídos,  pela  defesa  da  contribuinte,  junto  aos  memoriais  na  sessão  de  julgamento  de  15/10/2013 da 2ª  Turma Ordinária da  1ª Câmara do Conselho  Administrativo de Recursos Fiscais:  PLANTA DA FAZENDA SÃO MIGUEL, datada de 1968.  1. Foi apresentada à  fiscalização a planta original da Fazenda  São  Miguel,  datada  de  setembro  de  1968,  elaborada  pelo  Engenheiro Agrônomo Áureo Gonçalves Dias CREA nº 6566, de  propriedade  de  Nair  Heller  e  Zaira  Heller  Hulse,  situada  em  Araçá  –  Município  de  Barra  do  Ribeiro  e  Tapes,  da  qual  foi  anexada cópia aos autos.  2. Na planta original apresentada foi constatada a existência de  uma área denominada Bacia do Açude de 350 ha.  3.  Confrontando  a  planta  original  da  Fazenda  São  Miguel  apresentada à fiscalização em 30/06/2014 com o Mapa de Área  de  Preservação  Permanente,  datado  de  dezembro  de  2009,  elaborado  pelo  Engenheiro  Agrônomo  Rodrigo  Carneiro  Monteiro  CREA  65.586,  anexado  aos  autos  fls.97/98,  pode­se  afirmar conclusivamente de  tratar­se da mesma área,  tendo em  vista  a  similitude  dos  contornos  da Bacia  do Açude  de  350  ha  existente,  bem  como  a  denominação  das  fazendas,  acidentes  geográficos e municípios limítrofes destacados na planta.  4.  O  Projeto  de  um  Dique  de  Terra  e  Canal  de  Drenagem,  datado de janeiro de 1959, elaborado pelo Engenheiro Henrique  Kotzian  CREA  nº  1.165­D,  cuja  documentação  original  foi  apresentada  a  esta  fiscalização  em  30/06/2014  e  da  qual  foi  anexada  cópia  aos  autos,  corrobora  a  existência  do  referido  açude na Fazenda São Miguel em data anterior à consignada na  planta de 1968 apresentada.  FICHA REGISTRO DE VACINAÇÕES E MOVIMENTAÇÃO  DE GADOS  1.  Foram  apresentadas  duas  Fichas  Registro  de  Vacinações  e  Movimentação  de  Gados  da  Secretaria  da  Agricultura  e  Abastecimento, Departamento  de Produção Animal, Divisão  de  Fiscalização  e  Defesa  Sanitária  do  Estado  do  Rio  Grande  do  Sul, em nome da contribuinte Nair Heller de Barros.  Fl. 263DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 po r NUBIA MATOS MOURA Processo nº 11080.723165/2009­73  Acórdão n.º 2102­003.250  S2­C1T2  Fl. 168          6 2. Foram apresentadas cópias autenticadas das referidas Fichas  e não as Fichas originais. Nas fichas apresentadas não constam  carimbo  da  fiscalização  da  Secretaria  da  Agricultura  e  Abastecimento,  bem como data de protocolo ou qualquer outro  ateste com as Fichas originais.  3. O nome do estabelecimento constante nas Fichas é Parceria  Butiá  e  não  Fazenda  São  Miguel,  bem  como  o  endereço  consignado  nas  Fichas  é Estrada  09  e Estrada  02,  distância  e  localização  Guará,  diferente  do  endereço  da  Fazenda  São  Miguel constante do cadastro na RFB, que é Estrada Barra do  Ribeiro­Tapes, município de Tapes/RS.  4. A Ficha com registro de movimentação com data de dezembro  de  2004  tem  por  número  “62”,  já  a  Ficha  com  dados  de  dezembro  de  2005  tem  por  número  “55”,  assinalando  uma  contagem regressiva de controle, costume não usual dos órgãos  públicos.  5.  A  contribuinte  Nair  Heller  de  Barros  não  apresentou  documentação  formal  que  consignasse  os  componentes  da  Parceria  Butiá.  Por  conseguinte,  embora  haja  coincidência  no  estoque  de  animais  de  grande  porte  em  31/12/2004  (1.768)  e  31/12/2005  (1.684),  constante  das  Fichas  de  Registro  de  Vacinações  e  Movimentação  de  Gados  com  o  somatório  do  estoque de animais de grande porte constante nas DIRPF 2006  dos  seguintes  contribuintes  Nair  Heller  de  Barros,  Carmem  Heller Barros, Rodrigo Correa de Barros, Napoleão Correa de  Barros Neto e Helena Heller Domingues de Barros, cuja cópia  das  DIRPF  2006  foram  anexadas  aos  autos,  não  é  possível  concluir  de  tratar­se  do  mesmo  rebanho  de  animais,  por  ausência  de  documentação  formal  discriminando  os  componentes da Parceria Butiá.  Cientificada  do  teor  da  diligência,  a  contribuinte  assim  se  pronunciou,  fls. 231/255:  Diante de tais considerações do Fisco, a Requerente vem prestar  os  seguintes  esclarecimentos  adicionais,  bem  como  apresentar  cópia  original  e  autenticada  da  constituição  da  “Parceria  Butiá”, demonstrando a veracidade de tudo o quanto, até agora,  foi alegado, a saber:  a)  o  carimbo  da  fiscalização  da  Secretaria  da  Agricultura  e  Abastecimento consta “Fichas de Vacinação” dos anos de 2002  (ano da constituição da Parceria Butiá) e 2004, conforme provas  anexas  (cópias autenticadas),  o que  corrobora a autenticidade,  também, das Ficha dos anos de 2005 e 2006.  b)  quanto  ao  fato  de  constar,  nas  referidas  Fichas,  o  nome  Parceria Butiá  e  não Fazenda São Miguel,  se  justifica  porque,  no  ano  de  2002,  foi  constituída  a  referida  Parceria,  conforme  prova  a  anexa  cópia  autenticada  do  Contrato  Particular  de  Constituição de Parceria, composto dos imóveis de propriedade  de  Nair  Heller  de  Barros,  Carmen  Heller  de  Barros,  Rodrigo  Fl. 264DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 po r NUBIA MATOS MOURA Processo nº 11080.723165/2009­73  Acórdão n.º 2102­003.250  S2­C1T2  Fl. 169          7 Correa  de  Barros,  Napoleão  Correa  de  Barros  Neto  e  Helena  Heller Domingues de Barros, co ms áreas nele discriminadas;  c)  já  no  que  se  refere  ao  endereço  constante  das  Fichas  de  Vacinação (Estrada 09 e Estrada 02 – Distancia e Localização  Guará),  trata­se  de  dados  preenchidos  pelas  autoridades  sanitárias, sem a ingerência do proprietário do gado. Entende a  Requerente,  contudo,  que  a  prova  documental  anexa,  dando  conta  da  efetiva  existência  da  Pareceria  Butiá,  constitui­se  na  demonstração  inequívoca  de  que  as  Fichas  de  Vacinação  comprovam a efetiva movimentação de gado tal como declarada  em  cada  ano­calendário,  como  estoque  inicial  e  estoque  final,  pelos parceiros;  d) de igual  forma, entende, a Requerente, ser  irrelevante o fato  de  constar  números  diferentes  (62  e  55)  nas  Fichas  de  Vacinação.  Como  dito  referidas  Fichas  são  preenchidas  pelas  autoridades  sanitárias,  não  havendo  nenhuma  ingerência  do  proprietário do gado, par tanto; e  e)  Entende­se,  comprovado  que  o  rebanho  de  gado  declarado  por Nair Heller  de Barros, Carmen Heller  de Barros,  Rodrigo  Correa  de  Barros,  Napoleão  Correa  de  Barros  Neto  e  Helena  Heller Domingues de Barros, é coincidente com o que consta nas  Fichas  de  Vacinação  e  que  a  sua  divisão  foi  feita  de  conformidade  com  o  que  ficou  estabelecido  no  Contrato  de  Parceria Rural que deu origem à Parceria Butiá. Como reforço  a tal argumento, a Requerente chama a atenção para o fato de,  numa das Fichas de Vacinação anexas, aberta no ano de 2002,  quando  foi  constituída  a  referida Parceria Butiá,  ter  constado,  no  alto  do  campo  esquerdo,  os  nomes  dos  seus  componentes,  apostos datilograficamente.  É o Relatório.  Fl. 265DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 po r NUBIA MATOS MOURA Processo nº 11080.723165/2009­73  Acórdão n.º 2102­003.250  S2­C1T2  Fl. 170          8   Voto             Conselheira Núbia Matos Moura, relatora  O  recurso  é  tempestivo  e  atende  aos  demais  requisitos  de  admissibilidade.  Dele conheço.  Preliminarmente, o contribuinte  suscita a nulidade do  lançamento, alegando  que  não  ficaram  configuradas  nos  autos  as  hipóteses  autorizadoras  para  o  arbitramento  do  Valor  da  Terra  Nua  (VTN),  que  não  constam  do  lançamento  os  fundamentos  de  fato  e  de  direito  infringidos  e  que  é  ônus  da  autoridade  fiscal  demonstrar  as  inverdades  dos  dados  declarados pelo contribuinte na DITR.  De pronto, cumpre esclarecer que o presente lançamento foi  levado a efeito  por  autoridade  competente  e  dado  ao  contribuinte  o  direito  de  defesa,  no  momento  da  apresentação da impugnação e do recurso voluntário, que ora se analisa. Tem­se, ainda, que na  lavratura da Notificação de Lançamento foram cumpridas todas as formalidades estabelecidas  no artigo 142 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN),  sendo certo que o lançamento está em perfeito acordo com as exigências previstas no art. 11 do  Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que regula o processo administrativo fiscal.  E mais, na Notificação de Lançamento estão devidamente descritas todas as  infrações imputadas à contribuinte, com a competente descrição dos fatos e os correspondentes  enquadramentos  legais,  de  modo  que  não  pode  prosperar  a  alegação  da  defesa  de  que  não  constam do lançamento os fundamentos de fato e de direito infringidos.  Por  fim, ainda no que tange a argüição de nulidade do  lançamento, deve­se  apreciar a alegação da contribuinte de que é ônus da autoridade fiscal demonstrar as inverdades  dos dados declarados pelo contribuinte na DITR, em razão do disposto no parágrafo 7º do art.  10  da  Lei  nº  9.393,  de  19  de  dezembro  de  1996,  abaixo  transcrito,  e  também  de  que  não  ficaram configuradas nos autos as hipóteses autorizadoras para o arbitramento do VTN.  §7oA declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de  que  tratam as alíneas "a" e "d" do  inciso II, § 1o, deste artigo,  não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante,  ficando  o  mesmo  responsável  pelo  pagamento  do  imposto  correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique  comprovado  que  a  sua  declaração  não  é  verdadeira,  sem  prejuízo  de  outras  sanções  aplicáveis.(Incluído  pela  Medida  Provisória nº 2.166­67, de 2001)  De pronto, cumpre dizer que o disposto no parágrafo acima transcrito refere­ se apenas às áreas de preservação permanente, de reserva legal e de servidão ambiental, não se  aplicando no que pertine ao VTN, sendo certo que no caso presente, no que concerne à área de  preservação permanente, restou evidenciado nos autos que a declaração da contribuinte não é  verdadeira, posto que existe nos autos laudo técnico fornecido pela contribuinte com indicação  de  área  de  preservação  permanente  com  dimensão  menor  do  que  aquela  indicada  pela  contribuinte em sua declaração.  Fl. 266DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 po r NUBIA MATOS MOURA Processo nº 11080.723165/2009­73  Acórdão n.º 2102­003.250  S2­C1T2  Fl. 171          9 Ainda sobre o  tema, deve­se observar o disposto na Lei n° 5.172, de 25 de  outubro de 1966 ­ Código Tributário Nacional (CTN), que assim se refere à responsabilidade  de fazer prova para concessão da isenção de tributos:  Art. 179. A  isenção, quando não concedida em caráter geral, é  efetivada,  em  cada  caso,  por  despacho  da  autoridade  administrativa, em requerimento com o qual o  interessado faça  prova  do  preenchimento  das  condições  e  do  cumprimento  dos  requisitos  previstos  em  lei  ou  contrato  para  sua  concessão.  (grifei)  (...)  Por outro lado, o artigo 147 do mesmo diploma legal previu as situações em  que o lançamento seria efetuado sem a necessidade de que a autoridade fiscal obtivesse, pelos  seus próprios meios, as informações especificadas no artigo 142.  Art.  142  ­ Compete  privativamente  à  autoridade  administrativa  constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido  o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  correspondente,  determinar  a  matéria  tributável,  calcular  o  montante  do  tributo  devido,  identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da  penalidade cabível.  (...)  Art. 147 ­ O lançamento é efetuado com base na declaração do  sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da  legislação  tributária,  presta  à  autoridade  administrativa  informações  sobre  matéria  de  fato,  indispensáveis  à  sua  efetivação.  §  1º  ­  A  retificação  da  declaração  por  iniciativa  do  próprio  declarante,  quando  vise  a  reduzir  ou  a  excluir  tributo,  só  é  admissível  mediante  comprovação  do  erro  em  que  se  funde,  e  antes de notificado o lançamento.  §  2º  ­  Os  erros  contidos  na  declaração  e  apuráveis  pelo  seu  exame serão retificados de ofício pela autoridade administrativa  a que competir a revisão daquela.  No  mesmo  sentido,  o  artigo  150  estabeleceu  as  regras  que  norteiam  o  lançamento realizado por homologação.  Art.  150  ­ O  lançamento  por  homologação,  que  ocorre  quanto  aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de  antecipar  o  pagamento  sem  prévio  exame  da  autoridade  administrativa, opera­se pelo ato em que a referida autoridade,  tomando  conhecimento  da  atividade  assim  exercida  pelo  obrigado, expressamente a homologa.  § 1º  ­ O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste  artigo  extingue  o  crédito,  sob  condição  resolutória  da  ulterior  homologação do lançamento.  Fl. 267DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 po r NUBIA MATOS MOURA Processo nº 11080.723165/2009­73  Acórdão n.º 2102­003.250  S2­C1T2  Fl. 172          10 § 2º  ­ Não  influem sobre a obrigação  tributária quaisquer atos  anteriores  à  homologação,  praticados  pelo  sujeito  passivo  ou  por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito.  § 3º ­ Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém,  considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o  caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação.  Dos artigos acima transcritos, verifica­se que o CTN, visando à simplificação  da estrutura necessária à fiscalização e arrecadação de tributos, previu as hipóteses em que o  sujeito  passivo  prestaria  à  autoridade  administrativa  informações  sobre  matéria  de  fato,  indispensáveis  à  efetivação  do  lançamento  e  anteciparia  o  pagamento  do  tributo  sem  prévio  exame  da  autoridade  administrativa.  Tal modalidade  de  pagamento/lançamento,  denominada  de  lançamento  por  homologação,  hodiernamente,  compreende  quase  que  a  totalidade  dos  tributos administrados pela União, dentre os quais se encontra o Imposto Territorial Rural.  Foi, sem dúvida, com base nesses preceitos legais que o legislador atribuiu ao  contribuinte a responsabilidade prevista nos artigos 8º e 10º da Lei nº 9.393, de 1996, in verbis:  Art.  8º O  contribuinte  do  ITR  entregará,  obrigatoriamente,  em  cada  ano,  o  Documento  de  Informação  e  Apuração  do  ITR  ­  DIAT,  correspondente  a  cada  imóvel,  observadas  data  e  condições fixadas pela Secretaria da Receita Federal.  § 1º O contribuinte declarará, no DIAT, o Valor da Terra Nua ­  VTN correspondente ao imóvel.  § 2º O VTN refletirá o preço de mercado de terras, apurado em  1º de janeiro do ano a que se referir o DIAT, e será considerado  auto­avaliação da terra nua a preço de mercado.  §  3º  O  contribuinte  cujo  imóvel  se  enquadre  nas  hipóteses  estabelecidas nos arts. 2º e 3º  fica dispensado da apresentação  do DIAT.  Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo  contribuinte,  independentemente  de  prévio  procedimento  da  administração  tributária,  nos  prazos  e  condições  estabelecidos  pela  Secretaria  da  Receita  Federal,  sujeitando­se  a  homologação posterior.  Contudo,  a  sistemática  do  lançamento  por  homologação  não  dispensa  o  contribuinte de fazer prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos  previstos em lei ou contrato para a concessão da isenção.  Com efeito, mais do que o dever geral de colaboração, a  isenção de caráter  especial, impõe ao beneficiário o ônus de provar o preenchimento das condições para fruição  do tratamento diferenciado.  Está  claro  que  o  parágrafo  7º  do  art.  10,  mencionado  pela  contribuinte,  apenas dispensa a prévia apresentação dos documentos definidos em lei, como necessários à  fruição  da  isenção  do  ITR.  Contudo,  inarredável  é  a  competência  da  autoridade  fiscal  para  solicitá­la,  posteriormente,  dentro  do  prazo  decadencial,  visando  a  verificação  do  correto  cumprimento da obrigação tributária por parte do contribuinte.  Fl. 268DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 po r NUBIA MATOS MOURA Processo nº 11080.723165/2009­73  Acórdão n.º 2102­003.250  S2­C1T2  Fl. 173          11 Já no que concerne ao arbitramento do VTN assim está determinado no art.  14 da Lei nº 9.393, de 1996:  Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem  como  de  subavaliação  ou  prestação  de  informações  inexatas,  incorretas  ou  fraudulentas,  a  Secretaria  da  Receita  Federal  procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto,  considerando informações sobre preços de terras, constantes de  sistema a  ser por  ela  instituído, e os dados de área  total,  área  tributável  e  grau  de  utilização  do  imóvel,  apurados  em  procedimentos de fiscalização.  No  presente  caso,  em  sua  DITR/2006,  a  contribuinte  informou  VTN  de  R$ 900.000,00  e  foi  intimada  a  fazer  a  comprovação  de  tal  valor,  durante  o  procedimento  fiscal,  conforme Termo de  Intimação Fiscal,  fls. 07/08, mediante a apresentação de  laudo de  avaliação  do  imóvel,  conforme  estabelecido  na  NBR  14.653  da  Associação  Brasileira  de  Normas  Técnicas  (ABNT),  com  fundamentação  e  grau  de  precisão  II  e  anotação  de  responsabilidade técnica (ART).  Encerrado o procedimento, sem que a contribuinte tenha apresentado o laudo  solicitado e verificado que o valor declarado pela contribuinte estava bastante inferior ao VTN  disponível no Sistema de Preço de Terras (SIPT), a autoridade fiscal procedeu ao arbitramento  do valor da terra nua, fazendo uso de valor extraído do referido sistema.  Observe­se que a falta de comprovação do VTN declarado aliado ao fato de o  valor declarado pela contribuinte ser bastante  inferior àquele constante do SIPT caracteriza a  subavaliação e autoriza o arbitramento do VTN, tudo nos termos do disposto no art. 14, acima  transcrito.  Logo,  não  pode  prevalecer  a  alegação  da  contribuinte  de  que  não  ficaram  configuradas nos autos as hipóteses autorizadoras para o arbitramento do VTN.  Nestes termos, afasta­se a argüição de nulidade do lançamento suscitada pela  defesa.  Prosseguindo,  passa­se  ao  exame  das  alegações  de  mérito  trazidas  pela  recorrente.  No  que  tange  a  área  de  preservação  permanente,  a  contribuinte  afirma que  com  base  em  georreferenciamento  realizado  no  imóvel,  concluiu­se  que  a  referida  área  tem  dimensão de 448,7 ha.  Conforme já dito neste voto, a contribuinte informou em sua DITR/2006 uma  área  de  preservação  permanente  de  700 ha.  Ocorre  que,  durante  o  procedimento  fiscal,  apresentou laudo técnico, fls. 28/31, firmado em 03/10/2007, por engenheiro agrônomo, onde  está atestada a existência de uma área de preservação permanente na Fazenda São Miguel de  333,0 ha, que foi a área acolhida pela autoridade fiscal no lançamento.  Nesse  ponto,  importa  observar  que  há  nos  autos  cópia  de  ADA,  fls.  13,  encaminhado  ao  IBAMA  em  31/07/2007,  onde  há  a  informação  de  área  de  preservação  permanente  de  700,0 ha,  sendo  certo  que  tal  ADA,  embora  intempestivo,  foi  acolhido  pela  autoridade fiscal.  Fl. 269DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 po r NUBIA MATOS MOURA Processo nº 11080.723165/2009­73  Acórdão n.º 2102­003.250  S2­C1T2  Fl. 174          12 Quanto  ao  georreferenciamento  do  imóvel,  consta  nos  autos  a  cópia  da  correspondente  Anotação  de  Responsabilidade  Técnica,  fls.  89,  e  mapa,  fls.  87,  também  assinado por engenheiro agrônomo em dezembro de 2009, onde consta um quadro que indica  área de preservação permanente de 448,7 ha, que não foi acolhido pela autoridade julgadora de  primeira instância em razão da intempestividade do ADA.  Ora,  veja  que  a  autoridade  fiscal  já  havia  acolhido  o  ADA  intempestivo,  sendo que a motivação  que  ensejou  a  glosa parcial  da  área de preservação permanente  foi  a  falta de comprovação da existência da referida área.  Nestes  termos,  diante  do  georreferenciamento  realizado  na  Fazenda  São  Miguel  em  data  posterior  à  execução  do  Laudo  Técnico,  deve­se  acolher  a  pretensão  da  recorrente  de  ver  reconhecida  para  fins  de  cálculo  do  ITR  devido  uma  área  de  preservação  permanente de 448,7 ha, posto que suprida a falta de comprovação da existência da área, que  motivou o lançamento.  Quanto  às  áreas  ocupadas  com  benfeitorias,  tem­se  que  a  glosa  se  deu  em  razão  da  falta  de  comprovação  da  existência  das  mesmas,  sendo  relevante  dizer  que  a  autoridade fiscal deixou claro na descrição dos fatos que, se existentes, fazer­se­ia necessária a  demonstração de que as benfeitorias fossem úteis e necessárias à atividade rural.  Quando da apresentação da impugnação a contribuinte juntou aos autos laudo  técnico,  fls.  83/85,  firmado  em  03/10/2007,  por  engenheiro  agrônomo,  onde  está  atestada  a  existência, na Fazenda São Miguel, de uma área ocupada com benfeitorias úteis e necessárias  destinadas à atividade rural de 317,0 ha.  Tal laudo não foi acolhido pela autoridade julgadora de primeira instância por  referir­se  a  situação  do  imóvel  em  03/10/2007,  deixando  de  especificar  as  benfeitorias  existentes  no  ano  de  2006  e  também porque  o  laudo menciona  a  existência  de  barragem  de  300 ha, destinada à irrigação da cultura de arroz, cultura, esta, não informada na DITR/2006.  Da diligência  determinada por  esta Turma  restou  demonstrado  que  referida  barragem, com 300 ha, era pré­existente ao fato gerador do exercício 2006, contudo, não restou  demonstrado  nos  autos  que  referida  benfeitoria  fosse  útil  e  necessária  à  atividade  rural,  nos  termos  do  que  dispõe  os  arts.  10,  §  1º,  inciso  IV,  da  Lei  nº  9.393,  de  1996  e  o  art.  17  do  Decreto nº 4.382, de 19 de setembro de 2002 (Regulamento do Imposto Sobre a Propriedade  Territorial Rural):  Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo  contribuinte,  independentemente  de  prévio  procedimento  da  administração  tributária,  nos  prazos  e  condições  estabelecidos  pela  Secretaria  da  Receita  Federal,  sujeitando­se  a  homologação posterior.  § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerar­se­á:  (...)  IV ­ área aproveitável, a que for passível de exploração agrícola,  pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, excluídas as áreas:  a) ocupadas por benfeitorias úteis e necessárias;  Fl. 270DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 po r NUBIA MATOS MOURA Processo nº 11080.723165/2009­73  Acórdão n.º 2102­003.250  S2­C1T2  Fl. 175          13 (...)    Benfeitorias Úteis e Necessárias  Art. 17. Para fins do disposto no inciso II do art. 16, consideram­ se ocupadas por benfeitorias úteis e necessárias (Lei nº 3.071, de  1º de janeiro de 1916 ­ Código Civil, art. 63):  I ­ as áreas com casas de moradia, galpões para armazenamento  da produção, banheiros para gado, valas, silos, currais, açudes e  estradas internas e de acesso;  II  ­  as  áreas  com  edificações  e  instalações  destinadas  a  atividades educacionais, recreativas e de assistência à saúde dos  trabalhadores rurais;  III  ­  as  áreas  com  instalações  de  beneficiamento  ou  transformação  da  produção  agropecuária  e  de  seu  armazenamento;  IV ­ outras instalações que se destinem a aumentar ou facilitar o  uso do imóvel rural, bem assim a conservá­lo ou evitar que ele  se deteriore.  Quanto à alegação da recorrente de que a área ocupada com benfeitorias de  317,0 ha  já  foi  reconhecida  pela  Receita  Federal,  em  relação  ao  exercício  2005,  conforme  consta assinalado na Notificação de Lançamento, fls. 90/91, tem­se que a contribuinte deixou  de  juntar  aos  autos  os  elementos  que  conduziram  a  autoridade  fiscal  naquele  caso  em  reconhecer a existência de tal área.  Nestes termos, deve ser mantida integralmente a glosa da área ocupada com  benfeitorias, posto que não restou demonstrada a necessidade e a utilidade de tal barragem para  a atividade pecuária desenvolvida pela recorrente no referido imóvel.  Por fim, a recorrente pretende ver retificada a área de pastagens de 274,5 ha  para 974 ha, dado que quando do preenchimento da DITR teria informado a existência de 225  cabeças de gado quando, na realidade, o rebanho apascentado no imóvel seria de 682 cabeças.  De  pronto  cumpre  dizer  que,  tratando­se  de  matéria  que  não  faz  parte  do  objeto da  autuação, oportuno observar o que diz a Medida Provisória no 2.189­49, de 23 de  agosto de 2001.  (...)  Art.18. A retificação de declaração de impostos e contribuições  administrados pela Secretaria da Receita Federal, nas hipóteses  em  que  admitida,  terá  a  mesma  natureza  da  declaração  originariamente apresentada, independentemente de autorização  pela autoridade administrativa.  Parágrafo  único. A  Secretaria da Receita Federal  estabelecerá  as hipóteses de admissibilidade e os procedimentos aplicáveis à  retificação de declaração. (grifei)  Fl. 271DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 po r NUBIA MATOS MOURA Processo nº 11080.723165/2009­73  Acórdão n.º 2102­003.250  S2­C1T2  Fl. 176          14 Considerando a legislação supra, resta evidente que o órgão julgador não é o  fórum adequado para o exame da questão, sendo certo que se poderia até admitir a retificação  da DITR, desde que a contribuinte demonstrasse, de forma inequívoca, que de fato incorreu em  erro de preenchimento.  Durante  os  procedimentos  da  diligência,  solicitada  por  esta  Turma,  a  contribuinte apresentou resposta ao Termo de Intimação, fls. 177/181, esclarecendo que:  12 – Afora isso, em atendimento ao solicitado através do item 2  da  Intimação,  está  sendo  comprovada  a  efetiva  quantidade  média de animais de grande porte (bovinos e eqüinos), na área  de  pastagens,  através  da  “Ficha  de  Registro  de  Vacinação  e  Movimentação  de  Gados”,  do  Departamento  de  Produção  Animal – Divisão de Fiscalização e Defesa Sanitária Animal, da  Secretaria  de  Agricultura  e  Abastecimento  do  Estado  do  Rio  Grande  do  Sul,  através  da  qual  é  possível  constatar  que  o  estoque inicial de animais de grande porte em 31/12/2004 era de  1886  cabeças,  e  que  este  estoque,  em  31/12/2005  era  de  1684  cabeças, com o que foi apurada uma média de 1735 cabeças.  13 – Do referido estoque, pertenciam á Intimada, 893 cabeças de  gado bovino,  em 31/12/2004  e  842  cabeças  da mesma  espécie,  em 31/12/2005, como declarado. As restantes cabeças de gado,  constantes da referida  ficha de Vacinação, pertenciam aos seus  filhos, como também declarado e indicado no já referido quadro  resumo. (...)  Observe­se  que  no  recurso  a  contribuinte  afirmou  que  teria  informado  a  existência de 225 cabeças de gado na DITR/2006, quando, na realidade, o rebanho apascentado  no imóvel seria de 682 cabeças. Já na resposta ao Termo de Intimação novamente modificou a  informação, dizendo possuir 893 em 31/12/2004 e 842 em 31/12/2005, que daria uma média de  867,5 cabeças de gado no ano de 2005, considerando­se apenas os estoques no início e no final  do ano.  Para comprovar suas alegações a contribuinte apresentou Fichas Registro de  Vacinação e Movimentação de Gados, fls. 183/186, e a autoridade fiscal assim se pronunciou  sobre as mesmas:  FICHA REGISTRO DE VACINAÇÕES E MOVIMENTAÇÃO  DE GADOS  1.  Foram  apresentadas  duas  Fichas  Registro  de  Vacinações  e  Movimentação  de  Gados  da  Secretaria  da  Agricultura  e  Abastecimento, Departamento  de Produção Animal, Divisão  de  Fiscalização  e  Defesa  Sanitária  do  Estado  do  Rio  Grande  do  Sul, em nome da contribuinte Nair Heller de Barros.  2. Foram apresentadas cópias autenticadas das referidas Fichas  e não as Fichas originais. Nas fichas apresentadas não constam  carimbo  da  fiscalização  da  Secretaria  da  Agricultura  e  Abastecimento,  bem como data de protocolo ou qualquer outro  ateste com as Fichas originais.  Fl. 272DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 po r NUBIA MATOS MOURA Processo nº 11080.723165/2009­73  Acórdão n.º 2102­003.250  S2­C1T2  Fl. 177          15 3. O nome do estabelecimento constante nas Fichas é Parceria  Butiá  e  não  Fazenda  São  Miguel,  bem  como  o  endereço  consignado  nas  Fichas  é Estrada  09  e Estrada  02,  distância  e  localização  Guará,  diferente  do  endereço  da  Fazenda  São  Miguel constante do cadastro na RFB, que é Estrada Barra do  Ribeiro­Tapes, município de Tapes/RS.  4. A Ficha com registro de movimentação com data de dezembro  de  2004  tem  por  número  “62”,  já  a  Ficha  com  dados  de  dezembro  de  2005  tem  por  número  “55”,  assinalando  uma  contagem regressiva de controle, costume não usual dos órgãos  públicos.  5.  A  contribuinte  Nair  Heller  de  Barros  não  apresentou  documentação  formal  que  consignasse  os  componentes  da  Parceria  Butiá.  Por  conseguinte,  embora  haja  coincidência  no  estoque  de  animais  de  grande  porte  em  31/12/2004  (1.768)  e  31/12/2005  (1.684),  constante  das  Fichas  de  Registro  de  Vacinações  e  Movimentação  de  Gados  com  o  somatório  do  estoque de animais de grande porte constante nas DIRPF 2006  dos  seguintes  contribuintes  Nair  Heller  de  Barros,  Carmem  Heller Barros, Rodrigo Correa de Barros, Napoleão Correa de  Barros Neto e Helena Heller Domingues de Barros, cuja a cópia  das  DIRPF  2006  foram  anexadas  aos  autos,  não  é  possível  concluir  de  tratar­se  do  mesmo  rebanho  de  animais,  por  ausência  de  documentação  formal  discriminando  os  componentes da Parceria Butiá.  A despeito das justificativas deduzidas pela defesa depois de ser cientificada  do  referido Relatório  Fiscal,  fato  é  que  para  ter  sua DITR/2006  retificada,  necessário  seria,  conforme já aqui mencionado, que a contribuinte comprovasse, de forma inequívoca, o erro de  preenchimento da DITR.  Nesse sentido, deve­se observar o disposto no art. 25 da Instrução Normativa  SRF nº 256, de 11 de dezembro de 2002:  Art.  25.  Para  fins  de  cálculo  do  grau  de  utilização  do  imóvel  rural,  considera­se  área  servida  de  pastagem  a menor  entre  a  efetivamente utilizada pelo contribuinte e a obtida pelo quociente  entre a quantidade de cabeças do rebanho ajustada e o índice de  lotação por zona de pecuária, observando­se que:  I  ­ a quantidade de cabeças do rebanho ajustada é obtida pela  soma  da  quantidade  média  de  cabeças  de  animais  de  grande  porte  e  da  quarta  parte  da  quantidade  média  de  cabeças  de  animais de médio porte existentes no imóvel;  II ­ a quantidade média de cabeças de animais é o somatório da  quantidade de  cabeças  existente a cada mês dividido por doze,  independentemente do número de meses em que tenham existido  animais no imóvel.  §  1º  Consideram­se,  dentre  outros,  animais  de  médio  porte  os  ovinos  e  caprinos  e  animais  de  grande  porte  os  bovinos,  Fl. 273DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 po r NUBIA MATOS MOURA Processo nº 11080.723165/2009­73  Acórdão n.º 2102­003.250  S2­C1T2  Fl. 178          16 bufalinos,  eqüinos,  asininos  e  muares,  independentemente  de  idade ou sexo.  §  2º  Caso  o  imóvel  rural  esteja  dispensado  da  aplicação  de  índices  de  lotação  por  zona  de  pecuária,  considera­se  área  servida  de  pastagem  a  área  efetivamente  utilizada  pelo  contribuinte para tais fins.  Do artigo acima transcrito resta evidenciado que para fins de cálculo do grau  de  utilização  do  imóvel  rural,  considera­se  área  servida  de  pastagem  a  menor  entre  a  efetivamente  utilizada  pelo  contribuinte  e  a  obtida  pelo  quociente  entre  a  quantidade  de  cabeças do rebanho ajustada e o índice de lotação por zona de pecuária.  Em  nenhum  momento  foi  comprovado  pela  contribuinte  qual  a  área  efetivamente utilizada.  E  mais,  a  quantidade  média  de  cabeças  de  animais  é  o  somatório  da  quantidade de cabeças existente a cada mês dividido por doze, independentemente do número  de meses em que tenham existido animais no imóvel e não a média entre o estoque de cabeças  de gado no  início e no  final do mês, sendo certo que a Ficha de Vacinação pode ser  tomada  como  prova  da  quantidade  de  gado,  desde  que  acompanhada  da Nota  Fiscal  de  compra  das  vacinas  ali  indicadas.  Como  bem  afirmou  a  autoridade  fiscal  tais  documentos  não  tem  assinaturas,  sendo  certo  que  as  informações  ali  contidas  não  se  prestam  para  demonstrar  de  forma inequívoca a área ocupada com pastagens.  Acrescente­se  que  a  contribuinte  juntou  aos  autos  cópia  do  Contrato  Particular de Constituição de Parceria, fls. 238/252, cuja Décima Primeira Cláusula esta assim  redigida:  Os  administradores  da  Parceria  comprometem­se  a  efetuar  um  balanço  físico  e  contábil de suas administrações a cada ano, dando ciência a cada um de seus integrantes.  Ora,  tratando­se  de  parceria,  cujo  único  objetivo  social  é  a  exploração  da  pecuária  e  levando­se  em  consideração  que  a  parceria  estava  sujeita  à  escrita  contábil  causa  bastante estranheza que a contribuinte não tenha lançado mão dos livros contábeis para fins de  demonstração dos estoques de cabeça de gado, preferindo fazer uso de Fichas de Vacinação,  sem assinaturas ou qualquer protocolo de recebimento e desacompanhadas das Notas Fiscais de  compras das vacinas.  Nessa  conformidade,  rejeita­se  o  pedido  de  retificação  da  DITR/2006,  solicitada pela contribuinte.  Ante o exposto, voto por afastar a preliminar de nulidade do lançamento e, no  mérito, DAR PARCIAL provimento ao recurso para  reconhecer, para fins de cálculo do  ITR  devido, uma área de preservação permanente de 448,7 ha.  Assinado digitalmente  Núbia Matos Moura ­ Relatora                Fl. 274DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 po r NUBIA MATOS MOURA Processo nº 11080.723165/2009­73  Acórdão n.º 2102­003.250  S2­C1T2  Fl. 179          17                 Fl. 275DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 po r NUBIA MATOS MOURA

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Numero do processo: 11070.722318/2011-07
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Apr 02 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1103-000.167
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, resolvem os membros do colegiado converter o julgamento em diligência, pelo voto de qualidade, vencidos os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira e Marcos Shigueo Takata (Relator). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Breno Ferreira Martins Vasconcelos. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva- Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Takata - Relator. (assinado digitalmente) Breno Ferreira Martins Vasconcelos – Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Breno Ferreira Martins Vasconcelos e Aloysio José Percínio da Silva. Relatório DO LANÇAMENTO Trata-se de autos de infração de IRPJ e CSL, em que há a exigência do crédito tributário no montante de R$ 8.386.812,30 referente ao ano-calendário de 2005, e a redução do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa da CSL apurados no ano-calendário de 2006. Primeiramente, alegou que a recorrente não atendeu de forma completa a intimação e reintimação realizada pela fiscalização, tendo em vista a sua repetida e contínua mora no fornecimento de documentos. Os autos de infração decorreram da dedução de amortização do ágio pago em processo de reestruturação societária que teve como participantes os grupos Schneider Logemann e John Deere, controladores da SLC S.A. Indústria e Comércio. Essa reestruturação teve início em 1979, quando a John Deere se associou a Schneider Logemann & Cia Ltda, adquirindo 20% do capital social da SLC S.A. Indústria e Comércio, e teve a seguinte evolução temporal: I-) Foi realizada uma reorganização societária em 1996, que fez com que a Deere & Company passasse a deter 40% do capital social da SLC S.A. e trouxe a constituição da holding John Deere Brasil Participações Ltda. II-) Em julho de 1998, a sociedade Aços Planos do Sul S.A, com capital social de R$ 100,00, foi constituída, e em agosto do mesmo ano essa passou a ter como sua denominação social Evaux Participações S.A. III-) Em 25/6/1999, mediante a emissão de 621.321.825 ações ordinárias nominativas sem valor nominal, houve o aumento de capital da Evaux de R$ 100,00 para R$ 149.117.338,00. As ações foram subscritas pela Schneider Logmann S.A. e integralizadas mediante a conferência à sociedade de 62.102.108 ações ordinárias de emissão da SLC - John Deere S.A. (antiga SLC S.A. Indústria e Comércio). Assim, a Evaux passou a deter 60% do capital social da SLC - John Deere S.A. e a John Deere do Brasil Participações Ltda. 40% do capital remanescente. IV-) Em 1999, a Deere & Company (D&C) constituiu a John Deere do Brasil Ltda. (JDB), com capital social de R$ 100,00 e, no mesmo ano, devido à integralização feita integralmente por meio do Contrato de Câmbio 99/003706, esse capital social passou a ter o valor correspondente a R$ 154.558.300,00. Além disso, essa ultima foi capitalizada pela 1ª empresa em mais de R$ 155.451.600,00, através de operações de empréstimos, V-) Em 30/6/1999, a Evaux realizou o aumento do seu capital social para R$ 221.892.584,00, com a emissão de 303.230.193 ações ordinárias nominativas sem valor nominal, que foram subscritas e integralizadas pela JDB, e que somam o montante de R$ 305.542.800,00 onde, do preço de emissão, R$ 72.775.246,00 foram destinados ao capital social e R$ 232.767.654,00 foram destinados à reserva de ágio para futura capitalização. VI-) A JDB contabilizou como ágio o valor de R$ 156.425.562,00, que corresponde à diferença entre o valor integralizado e o capital na Evaux, fundamentado na expectativa de resultados futuros da sociedade SLC – John Deere S.A. Além disso, a integralização das ações em aumento de capital realizada pela JDB, teve o mesmo valor patrimonial praticado para as ações integralizadas anteriormente pela Schneider Logemann no capital da Evaux, sendo o excedente contabilizado como ágio. VII-) Ainda em 30/6/1999 foi firmado o Contrato de Cessão e Transferência de Marca, onde a Schneider Logemann cedeu gratuitamente a marca mista “SLC” à SLC – John Deere S.A. VIII-) Em 1/7/1999, houve AGE da Evaux aprovando o protocolo de cisão parcial e justificação. Essa cisão foi realizada pela versão à JDB da parcela do patrimônio representada pelas 62.102.108 ações ordinárias nominativas de emissão da SLC – John Deere S.A. Essa versão não alterou o capital social (da JDB) e substituiu a participação social detida na Evaux pela parcela de patrimônio vertida em razão da cisão. IX-) Pela extinção de 303.230.193 ações ordinárias nominativas de propriedade da JDB, a Evaux reduziu seu capital social de R$ 221.892.584,00 para R$ 149.117.313,00. X-) Em 31/7/1999, a SLC – John Deere S.A. incorporou a JDB. XI-) A Evaux não foi extinta. Analisando a evolução temporal da reestruturação societária ocorrida, a fiscalização extraiu algumas conclusões. Primeiramente concluiu que, de acordo com o item VI, o ágio foi suportado pela empresa sediada no exterior D&C, pois os recursos utilizados pela JDB para aportar capital na Evaux se originaram da primeira empresa. Ainda de acordo com o item retromencionado, afirmou que a Schneider Logemann indicou que a natureza é do ágio de rentabilidade de exercícios futuros, não observando as parcelas derivadas do fundo de comércio da SLC – John Deere S.A. Com relação ao item VII, consignou que, de acordo com os artigos 7º e 8º, da Lei 9.532/97, esse indica que o ágio foi, de forma oportuna e deliberada, direcionado para o fundamento da rentabilidade de exercícios futuros, de modo a fazer com que a sociedade incorporadora pudesse usufruir do expediente legal da amortização antes da realização do investimento que lhe deu causa. Ainda em relação ao item retromencionado apontou que, tendo em vista que esse contrato estabelecia a forma em que a operação de subscrição das ações deveria ser realizada, é possível concluir que isso foi feito de maneira premeditada, com o intuito de transferir a participação societária que a Schneider Logemann & Cia Ltda. possuía na SLC – John Deere S.A., por meio do pagamento em moeda nacional pela sociedade sediada no exterior. Acerca do item VIII, acentuou que a forma como foi realizada a cisão indica que essa foi mais uma operação circunstancial realizada pela recorrente com o intuito de obter vantagem fiscal. Isso porque houve a quase instantaneidade de atos societários, a coincidência de agentes e a não observância das exigências da lei societária que determina que a operação de cisão deve ser submetida à deliberação da assembléia geral das companhias interessadas, mediante justificação. Observou que, em decorrência da incorporação realizada, a SLC – John Deere S.A. escriturou em seu balanço patrimonial o empréstimo obtido junto à D&C no montante de R$ 155.451.600,00, o ágio apurado pela incorporada correspondente a R$ 156.425.562,00 e os reflexos dessas operações. Apontou que a empresa John Deere do Brasil Ltda. apenas realizou operações ligadas à incorporação da participação da SLC – John Deere S.A., ao recebimento dos recursos aportados pela Deere & Company, à incorporação reversa pela sociedade investida e ao repasse integral dos recursos em forma de investimento na sociedade Evaux. Ressaltou que não há equivalência entre a verdade real e a vontade ostensiva no que tange a criação da John Deere do Brasil Ltda. Isso porque, tendo em vista que essa foi incorporada pela SLC – John Deere S.A. antes mesmo de ter entrado em atividade, resta evidente que não havia interesse econômico na sua criação além da redução de tributos, uma vez que essa apenas foi utilizada como empresa veículo para realizar a dedutibilidade do ágio pago pela aquisição das ações da incorporadora. Afirmou que a recorrente teve como fundamento para a amortização do ágio os artigos 7º e 8º, da Lei 9.532/97 e o artigo 426 do RIR. Esse ágio registrado por ele foi amortizado nos anos-calendários posteriores à incorporação, sendo que, até o ano de 2004, o montante amortizado corresponde a R$ 101.676.615,26, no ano-calendário de 2005 foi amortizado o valor de R$ 31.285.112,40, e no ano-calendário de 2006 o valor de R$ 23.463.834,31. Apontou que foi aplicada ao caso em questão a multa de 150%, pois todas as operações societárias realizadas em 1999 pela recorrente relacionam-se com as hipóteses previstas no artigo 72 da Lei 4.502/64 por terem sido feitas em sequência e por todo o instrumento societário e empresarial criado indicar a predeterminação dos agentes e a vontade de agir. De acordo com tudo o que foi exposto, concluiu que o ocorrido no caso em questão foi a operação denominada “casa-separa”, em que há várias sociedades envolvidas em um liame negocial societário, de modo que uma sociedade é utilizada como veículo de transferência da participação societária e do preço pago pela aquisição/transferência da outra sociedade. Essa operação tem como objetivo evitar a tributação do ganho de capital e a dedução do ágio na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSL, trazendo os seguintes efeitos no presente caso, conforme trecho do termo de constatação fiscal infratranscrito (fls. 2.883 e 2.884 e-processo): “a) na referida operação, adquirente (sociedade sediada no exterior) aporta recursos em subsidiária no Brasil (1ª empresa interposta), parte em forma de capital, parte em forma de empréstimos; b) cedente (por meio da 1ª sociedade interposta) e adquirente, por meio de nova sociedade interposta, integralizaram, respectivamente, recursos financeiros e participação societária a ser transferida; c) em momento seguinte, por meio de cisão parcial, a parte adquirente se retira da sociedade interposta, com o patrimônio que a outra parte havia integralizado originalmente – recursos financeiros, incorporando-se tal patrimônio na 1ª sociedade interposta (de qual foram aportados os recursos financeiros à 2ª sociedade interposta); d) quando do aporte de capital da 1ª sociedade interposta (com recursos da compradora) na 2ª sociedade interposta, foi efetuado um cálculo de paridade de participação societária, de tal forma que a sociedade que aportou recursos financeiros apurasse um ágio na aquisição de participação societária em valor igual ao ganho de capital que deixaria de ser reconhecido pela sociedade cedente da participação societária efetivamente negociada; e) posteriormente, a 1ª sociedade interposta, que apurou ágio na aquisição de investimento e que mantinha empréstimos captados junto à sua controladora, foi incorporada pela empresa operacional – o contribuinte – (aquela cuja participação societária foi negociada); f) a empresa operacional – o contribuinte (aquela cuja participação societária foi negociada) passou a aproveitar fiscalmente a despesa com o ágio apurado em suas próprias operações.” Sendo assim, alegou que toda a reestruturação societária realizada pela recorrente e as demais empresas retromencionadas teve como objetivo a redução de tributos. DA IMPUGNAÇÃO Irresignada, a recorrente apresentou impugnação de fls. 2.970 a 3.034 (e-processo). Primeiramente, alegou que os autos de infração devem ser considerados nulos, tendo em vista que a fiscalização, ao analisar a amortização de ágio despendido na aquisição da SLC S.A. Indústria e Comércio para fins de IRPJ no ano calendário de 2007, e estender a fiscalização para os anos-calendário de 2005 e 2006, desrespeitou o artigo 10 da Portaria 3.007/01. Isso porque o diploma legal mencionado determina que se houver alterações referentes a tributos ou contribuições e períodos de apuração no Mandado de Procedimento Fiscal, deve ser lavrado Mandado de Procedimento Fiscal Complementar. Afirmou que a fiscalização realizou um juízo pessoal e preconceituoso ao analisar o caso, de forma a tentar induzir a opinião das autoridades julgadoras, e que as sociedades holding que participaram das operações junto à recorrente foram criadas em concordância com todas as leis societárias brasileiras e em um contexto econômico específico. Com relação à alegação da fiscalização no sentido de que as empresas holding foram criadas apenas com o intuito de reduzir tributos, afirmou que essa alegação significa ignorar o objeto social próprio dessas empresas, que é participação em outras sociedades. E que, além disso, isso corresponde a uma tentativa da fiscalização de determinar qual é a melhor forma de a recorrente organizar o seu grupo societário e atuar financeira e comercialmente, o que afronta ao princípio da livre iniciativa privada. Consignou que a recorrente, assim como a fiscalização, quer que o caso seja visto como um filme e não como uma fotografia, pois a jurisprudência e a doutrina dominante têm entendido que o exame da validade das operações do contribuinte deve analisar as razões empresariais e extra tributárias que motivaram as suas operações. Nesse sentido, afirmou que as operações da recorrente foram motivadas pelas razões empresariais e extra tributárias de promover a expansão da atuação da D&C no país. Atestou que o Grupo John Deere emprega cerca de 52 mil funcionários em suas fábricas situadas em 17 países e investe cerca de 2 milhões de dólares por dia em pesquisa e desenvolvimento de novos produtos. Evidenciou que até hoje a John Deere investe na produção e comercialização de seus equipamentos no Brasil, tendo 3 fábricas e empregando 3.975 pessoas no país. Realizou um breve histórico das alterações societárias da recorrente, em que, em síntese, afirmou o seguinte: I-) Em 1979 a D&C iniciou suas atividades no Brasil por meio de uma associação com a Schneider Logemann & Cia. Ltda. com a aquisição de 20% do capital social da SLC S.A. Indústria e Comércio e, em 1996, a fim de organizar seus investimentos no país, as duas empresas efetuaram uma reorganização societária que trouxe o aumento da participação da D&C na SLC de 20% para 40% e a criação da John Deere Brasil Participações Ltda. (empresa holding). Após isso, a D&C transferiu a sua participação na SLC à JD Participações. Quanto a isso colacionou quadro que demonstra como era a organização societária no final de 1996: II-) Apesar de em 1999 a moeda brasileira estar desvalorizada e haver um cenário de forte instabilidade econômica, doméstica e internacional, o Brasil oferecia, no campo da agricultura, um mercado promissor e atrativo para as empresas do setor, o que fez com que a D&C realizasse operações a fim de aumentar sua atuação no País. Quanto a isso, colacionou trecho do estudo “O Agronegócio na Economia Brasileira – 1994 a 1999”. III-) Em 15/6/1999 a D&C constituiu uma nova holding no Brasil, a John Deere do Brasil Ltda. (JDB), que era controlada também pela empresa situada no exterior Deere Payroll Services Inc. (DPS) e, no ano anterior, a Schneider Logemann também havia constituído a holding Evaux Participações S.A. IV-) Em 25/6/1999, a Evaux, através da integralização de capital, passou a deter a participação de 60% que a Schneider Logemann possuía na SLC, passando a ser essa última empresa a controlada de duas holdings denominadas JD Participações e Evaux. Ou seja, a Schneider Logemann conferiu ao capital da Evaux o investimento que essa tinha na SLC, trazendo assim o aumento de capital da Evaux. Nesse sentido, colacionou esquema do controle acionário da SLC neste período: V-) Em 28/6/1999, o capital social da JDB sofreu um aumento de R$ 100,00 para R$154.558.300,00, o qual foi integralizado integralmente pela D&C, por meio do Contrato de Câmbio 99/003706, no valor correspondente a US$86.500.000,00, recursos que efetivamente entraram no Brasil. Sendo assim, a JDB sofreu um aumento de capital com recursos integralizados pela D&C. VI-) Ainda em junho de 1999, com o intuito de expandir sua atuação no Brasil, a D&C capitalizou a JDB através de operações de empréstimos, com o valor equivalente a R$ 155.451.600,00, fazendo com que o capital da JDB sofresse novamente um aumento devido a atuação da D&C. VII-) Em 30/6/1999, devido ao Contrato de Subscrição de Ações, a Evaux, em aumento de capital ocorrido na mesma data, emitiu 303.230.193 novas ações ordinárias nominativas sem valor nominal, que foram subscritas e integralizadas pela JDB, no valor de R$ 305.542.800,00, o qual apurou um ágio de R$ 156.425.562,00. Desse modo, a JDB subscreveu e integralizou o aumento de capital da Evaux. Quanto a isso, colacionou quadro demonstrativo do controle acionário da SLC neste período: VIII-) Em 1/7/1999, foi aprovado o Protocolo de Cisão Parcial e Justificação da Evaux, que fez com que o Grupo John Deere, então formado pela D&C, DPS, JDB, JD Participações e SLC, se tornasse independente do grupo econômico formado pela Schneider Logemann. Sendo assim, houve a cisão parcial da Evaux com ruptura do quadro de sócios, em que foi vertido para a JDB o investimento na SLC, o qual justificou o ágio pago pela JDB mencionado no item anterior. Além disso, alegou que a separação desses dois grupos econômicos foi o que motivou esta cisão, pois como a D&C era líder mundial no campo do agronegócio, ela poderia atuar de forma independente no Brasil. Quanto a isso, colacionou quadro que demonstra como ficou a independência dos dois grupos após a cisão: IX-) Em 31/7/1999, a SLC incorporou a JDB, realizando a incorporação reversa, que foi feita de acordo com a lei, teve os Protocolos de Incorporação e Justificação aprovados e teve a realização do Laudo elaborado pela empresa Ernst Young Auditores Independentes S/C. Essa incorporação fez com que os quotistas da JDB recebessem ações representativas do capital social da SLC, que passou a ser controlada pela JD Participações, pela D&C e pela DPS, que possuía apenas uma ação ordinária nominativa que foi transferida à D&C. Juntou quadro que demonstra a situação do grupo após a incorporação: X-) Após essas operações, a SLC passou a escriturar em seu Balanço Patrimonial o ágio anteriormente apurado pela JDB no valor de R$ 156.425.562,00, que passou a ser amortizado de acordo com a legislação e que foi fundamentado nas razões econômicas que o motivaram. Afirmou que todas as reorganizações societárias retromencionadas foram feitas de acordo com a legislação brasileira e que, diferentemente do que foi afirmado pela fiscalização, a Evaux não é uma empresa “veículo”, uma vez que essa, além de continuar ativa até hoje (13 anos após a ocorrência dos fatos narrados), por ser uma holding, tem como objeto a participação em outras sociedades. Com relação ao item IX, afirmou que a incorporação da JDB foi necessária para facilitar a administração dos negócios da D&C no Brasil e gerar maior integração entre as empresas, de acordo com trecho da impugnação infratranscrito (fl. 2983 do e-processo): “Conforme consta do referido Laudo, essa incorporação da JDB pela SLC de justifica uma vês que a JDB era uma holding que passou a controlar apenas a SLC, sendo que a D&C já possuía a JD Participações como holding controladora da SLC. Por conta disso, de modo a facilitar a administração dos negócios da D&C no Brasil e gerar maior integração entre tais empresas, a incorporação da JDB fez-se necessária. Importante notar que, mais uma vez, todos esses passos foram feitos em estrita observação da legislação brasileira e com completa transparência.” Aduziu que as mencionadas reorganizações societárias sucessivas fizeram com que ocorresse a expansão da atuação da D&C no Brasil, a emancipação dessa atuação frente ao Grupo Schneider Logemann e simplificou a estrutura do grupo econômico trazendo uma maior integração e unidade administrativa. Ressaltou que essas operações societárias analisadas ocorreram apenas em 1999 e envolveram empresas e relações societárias que haviam sido criadas em 1979 e 1996. Afirmou que, diferentemente do que foi alegado pela fiscalização, essas operações não foram simuladas, pois tinham razões empresariais e extratributárias para serem realizadas dessa forma. Além disso, alegou que o ágio em questão originou de operações verdadeiras, praticadas em condições de mercado e que visavam a reestruturação societária a fim de ter uma maior participação, de forma independente, no mercado brasileiro. Alegou que como os autos de infração referem-se a operações ocorridas no período-base de 1999, essa autuação encontra-se atingida pela decadência, tendo em vista que, nos termos do artigo 150, § 4º, do CTN, deve ser observado o prazo de 5 anos a contar do fato gerador da obrigação tributária, bem como que o direito à amortização do ágio nasce no momento da incorporação. Além disso, afirmou que o fato de essas operações produzirem efeitos futuros é irrelevante para a contagem do prazo decadencial, conforme o entendimento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Ainda em relação à decadência, aduziu que, mesmo que a fiscalização entenda que a decadência dos tributos em questão deve ser contada anualmente, ao menos a exigência de valores de IRPJ e CSL referentes aos fatos geradores ocorridos no período-base de 2005, está decaída. Isso porque não houve dolo, fraude ou simulação, não podendo ser aplicado o prazo do artigo 173, I, do CTN, mas sim o do artigo 150, § 4º do mesmo diploma legal, bem como tendo em vista que, segundo o Decreto-Lei 1.967, o artigo 150, § 4°, do CTN, o artigo 57 da Lei 8.981/95 e o artigo 28 da Lei 9.430/96, esses são tributos sujeitos ao lançamento por homologação. Ressaltou que é impossível alegar a inexistência do ágio em comento, uma vez que a JDB adquiriu as cotas da recorrente por meio de cisão, observando o preço de mercado e que, por ter adquirido essas quotas por um valor superior ao valor do patrimônio liquido da recorrente, essa empresa foi obrigada a desdobrar o custo de aquisição em valor de patrimônio liquido da recorrente e em ágio. Dessa forma, consignou que, de acordo com o artigo 3º, § 3°, da Lei 7.713/88, a conferência de bens em integralização de capital é ato de alienação/aquisição. Apontou que a JDB adquiriu a recorrente para os fins do artigo 7° da Lei 9.532/97, que não determinou uma forma específica pela qual a participação poderia ser adquirida com ágio. Acrescentou que, mesmo que a fiscalização não considere que a JDB adquiriu as cotas da recorrente por cisão, há previsão legal e jurisprudencial para a existência desse ágio. Alegou que a cisão parcial com a versão da participação retromencionada representa uma alienação para a Evaux e uma aquisição para a JDB. Quanto à regularidade da formação do ágio, afirmou que a JDB, ao adquirir as cotas da requerente na cisão parcial da Evaux e desdobrar em sua contabilidade o custo de aquisição do investimento que essa passou a deter em valor de patrimônio líquido da recorrente e em ágio, agiu de acordo com a determinação do artigo 385 do RIR. Isso porque o valor de mercado da requerente era superior ao seu patrimônio líquido. Nesse sentido, afirmou que o ágio mencionado se apresenta com a justificativa econômica de expectativa de rentabilidade futura da requerente. Apontou que a amortização fiscal do ágil foi realizada de forma correta, pois o artigo 8º da Lei 9.532/97 estabelece que se a sociedade controlada incorporar a controladora, o ágio deve ser tratado como um ativo amortizável para fins fiscais na sociedade sobrevivente à incorporação, em um prazo mínimo de 5 anos. Além disso, apontou que a doutrina estabelece que nesses casos, o que importa é a unificação dos patrimônios dessas sociedades e não a ordem de incorporação. Quanto a isso, colacionou doutrina e jurisprudência sobre os casos Gerdau, Tele Norte e Santander. Aduziu que a fiscalização confere, de forma equivocada, uma abrangência estrita aos artigos 385 e 386 do RIR, e que, mesmo que isso fosse correto, as operações em exame ainda estariam acolhidas por esses dispositivos. Ainda acerca dos artigos supracitados, afirmou que não é verdadeira a alegação da fiscalização no sentido de que a requerente não está submetida às suas regras por serem as suas operações simuladas. Quanto à alegação da fiscalização de que as empresas holding JDB e Evaux são fraudulentas, afirmou que essas, por serem holding puras, possuem apenas participações societárias, não sendo necessária a presença de empregados, receitas ou ativos. Nesse sentido, colacionou doutrina. Afirmou que, segundo o entendimento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, mesmo que a Evaux e a JDB fossem consideradas empresas-veículos, isso não seria capaz de invalidar a sua estrutura e efeitos fiscais, uma vez que ela não teria levado ao registro um ágio superior ao decorrente da aquisição direta da SLC no país. Esclareceu que, diferentemente do que foi alegado pela fiscalização, não houve um planejamento tributário, mas sim uma opção fiscal, na qual a recorrente optou por um caminho plenamente regulado pela lei para estruturar suas operações da forma mais benéfica para ela. Sendo assim, afirmou que todos os atos praticados pela recorrente e pelo Grupo John Deere observaram a legislação fiscal em vigor, a doutrina e a jurisprudência dominante. Consignou que mesmo que não houvesse propósito negocial da JDB e da Evaux, a fiscalização não poderia desconsiderar esses negócios jurídicos, pois o artigo 116 do CTN, que permite a desconsideração nesse caso, não é auto-aplicável, dependendo de regulamentação por lei ordinária, a qual não ocorreu até o presente momento. Quanto a isso, juntou jurisprudência. Aduziu que, uma vez que a substância econômica desse caso corresponde ao fato de que a D&C aumentou sua atuação no mercado brasileiro por meio da compra do restante da participação da SLC que ainda não se encontrava sob o seu controle, se o caso for analisado sob a perspectiva da sua substância econômica, isso será favorável à recorrente. Evidenciou que a fiscalização não autuou a recorrente alegando simulação ou abuso de direito, mas sim dolo e fraude ao realizar uma reestruturação societária com o objetivo de obter benefício fiscal indevido. Com relação à aplicação da multa qualificada no valor de 150% da exigência principal, afirmou que essa deve ser ao menos reduzida para 75%, tendo em vista que o artigo 44, § 1°, da Lei 9.430/96 e os artigos 71 a 73, da Lei 4.502/64, determinam que essa só pode ser fixada dessa maneira nos casos em que a fiscalização provar, de forma inequívoca, a ocorrência de sonegação, fraude ou conluio, o que não ocorreu no presente caso. Quanto a isso, colacionou jurisprudência. Além disso, apontou que a constituição da JDB e da Evaux foi realizada de acordo com o que determina a legislação em vigor, não havendo nenhum elemento fraudulento e não sendo caracterizada a simulação, uma vez que essa teve o intuito econômico e extra tributário de expandir a atuação da D&C no Brasil. Aduziu que é possível identificar esse intuito através da análise do numerário recolhido pela requerente aos cofres públicos, onde no ano-calendário de 2001 foram recolhidos R$ 19.507.928,00 em impostos ao fisco sobre suas vendas, e R$ 4.628.164,00 a título de IRPJ. No ano-calendário de 2011 esses valores evoluíram para R$ 215.270.432,00 e R$ 36.514.292,00, respectivamente. Ressaltou que a multa qualificada mencionada não pode ser aplicada, pois, além de o contribuinte ter agido de forma transparente e contribuído com a fiscalização, o percentual da penalidade fiscal deve ser definido a partir de um juízo valorativo de pertinência e de adequação. De acordo com isso, colacionou doutrina e jurisprudência. Afirmou que como a recorrente agiu de boa-fé e não houve erro de proibição, deve ser observado o artigo 76, inciso II, alínea “a”, da Lei 4.502/64. Quanto a isso, colacionou jurisprudência. Ainda com relação à multa qualificada, afirmou que de acordo com a “teoria da imputação subjetiva”, não há nesse caso nenhum aspecto objetivo ou subjetivo que permitam a aplicação dessa penalidade. Além disso, alegou que o artigo 112 do CTN deve ser observado, de modo a fazer com que a penalidade seja aplicada da maneira mais favorável ao contribuinte em casos de dúvida sobre a capitulação legal do fato e da natureza ou circunstâncias desses. Nesse sentido, colacionou doutrina. Aduziu que não pode incidir juros de mora sobre o valor da multa lançada, pois não há previsão legal da atualização das multas de ofício, bem como devido ao fato de o dispositivo que embasa o entendimento do Fisco é expresso no sentido de que apenas os débitos decorrentes de tributos e contribuições são atualizáveis. Com relação à aplicação da taxa Selic, alegou ser essa indevida, pois a jurisprudência tem reconhecido a sua inaplicabilidade. Quanto a isso, colacionou jurisprudência. Por fim, requereu o acolhimento e provimento da impugnação, de modo a ser reconhecida, em preliminar, a nulidade dos autos de infração e que, se essa não for reconhecida, seja esse declarado improcedente, cancelando-se a recomposição dos prejuízos fiscais e da base de cálculo negativa da CSL e a exigência do IRPJ e da CSL. Requereu também que se a improcedência dos autos de infração não for reconhecida, seja cancelada a multa aplicada ou reduzida, no mínimo, a 75%, bem como seja cancelada a exigência de juros pela taxa Selic. DA DECISÃO DA DRJ Em 22/5/2012, acordaram os membros da 1ª Turma de Julgamento da DRJ de Porto Alegre, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação, de forma a manter os lançamentos, conforme o entendimento que se segue. Inicialmente, alegou que eventuais vícios presentes no Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) não acarretam a nulidade do processo, tendo em vista que esse é um ato de controle interno da administração tributária, de caráter gerencial e utilizado para determinar a realização do procedimento fiscal relativo aos tributos administrados pela Receita Federal do Brasil. Além disso, outro fator que faz com que esses vícios não acarretem a nulidade, corresponde ao fato de o MPF ter sido criado por ato infralegal, de modo a fazer com que eventual vicio na sua emissão não tenha o poder de contaminar todo o procedimento fiscal ou o lançamento propriamente dito, já que esses são regidos pelo CTN e pelo Decreto 70.235/72, que são diplomas normativos de hierarquia superior e que não consideram ser o MPF uma condição de validade do lançamento. Ainda com relação ao MPF, afirmou que a extrapolação do prazo para a realização do procedimento de fiscalização previsto no Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) não impede que a fiscalização efetue o lançamento do crédito tributário. Quanto a isso, colacionou jurisprudência. Evidenciou que os lançamentos ocorridos nos anos-calendários de 2005 e 2006, sendo que em 2006 não houve lançamento de crédito tributário em razão de o contribuinte ter apurado prejuízos fiscais e base de cálculo negativa de CSL, não estão atingidos pela decadência. Isso porque, como nesse caso, a constituição do ágio se deu de forma artificial, simulada, dolosa e com o intuito de reduzir o montante dos tributos devidos, deve ser aplicado o artigo 173, I, do CTN, que faz com que o prazo decadencial seja contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Alegou que, ao analisar o prazo decadencial, deve ser considerado o direito que a fiscalização tem de examinar a legalidade de todos os elementos que compõem a base de cálculo do período, independentemente do período transcorrido entre a formação desses elementos e seu aproveitamento. Além disso, deve-se também considerar que o exercício de um direito pelo titular pressupõe a prova da legalidade dos fatos constitutivos desse direito, não importando o decurso do tempo, mas sim o fato de não ter ocorrido à decadência do direito de a fiscalização efetuar o lançamento. Ressaltou que a economia tributária não é vista como ilícita, exceto quando essa é feita de forma mascarada, onde os atos e negócios praticados se baseiam em uma aparente legalidade, sem qualquer finalidade empresarial ou negocial. Afirmou que quando o ágio foi contabilizado não se falava em ocorrência do fato gerador e que, quando houve a sua contabilização por conta da incorporação da JDB em 31/7/1999, esse não foi adicionado ou excluído da base de cálculo do IRPJ e CSL, não havendo nenhuma conseqüência tributária nesse período de apuração. Aduziu que a reestruturação societária em que a recorrente participou foi feita de forma artificial, simulada e dolosa, e que houve um planejamento tributário que, aparentemente, foi realizado sem ferir nenhuma norma legal, mas que traz em seu bojo a artificialidade e a simulação, devido ao fato de essa ter como único objetivo a redução do pagamento de tributos. Quanto a isso, colacionou doutrina. Ressaltou que, apesar de não ser unanime, deve ser observado o entendimento de que o direito ao planejamento tributário não pode ser absoluto, de modo a exigir com que haja compatibilidade entre a existência do direito e o modo como esse é exercido, sob pena de incorrer-se em abuso de direito. Nesse sentido colacionou jurisprudência. Apontou que os objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil, previstos no artigo 3º da Constituição Federal, só poderão ser atingidos se forem preservados os recursos oriundos da tributação e que, para que isso ocorra, é necessário que os negócios praticados com o intuito de disfarçar o real objetivo da operação, que é a redução de tributos, sejam combatidos. De acordo com isso, citou jurisprudência e realizou uma interpretação comparada, analisando como é entendida essa operação em outros países. Aduziu que é possível observar a simulação ocorrida através da análise da composição societária da D&C no inicio e no fim das operações, onde no início, essa detinha 40% do capital social da SLC e no fim, 100%. Nesse sentido, alegou que a compra pela D&C da participação societária que a Schneider Logemann detinha da SLC teve como único objetivo a criação de ágio passível de amortização futura. Acrescentou que a criação da JDB, a associação com a Evaux, a cisão dessa e a incorporação da JDB pela SLC, foram procedimentos desnecessários para a obtenção, por parte da D&C, de 100% do capital social da SLC. Alegou que, de acordo com os artigos 7º e 8º, da Lei 9.532/1997 e o artigo 386 do RIR, é possível concluir que o procedimento adotado pelo contribuinte foi forjado com o intuito de gerar um ágio interno sem qualquer suporte econômico, e que a autorização legal para a amortização do ágio deve ser compreendida dentro do contexto histórico em que foi gerada. Evidenciou que o ágio pago não seria passível de dedução na forma estabelecida pelo artigo 386 do RIR, se a aquisição das ações tivesse sido feita pela John Deere Participações Ltda. ou pela SLC. Com relação à multa aplicada de ofício, afirmou que, de acordo com os artigos 72, 73 e 74, da Lei 4.502/64 e o artigo 44, § 1º, da Lei 9.430, essa foi estabelecida de forma correta, pois é possível identificar na compra e venda das ações da SLC a sonegação, fraude e conluio, que são requisitos materiais para essa fixação. Apontou que, de acordo com a Súmula n° 4 do Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, o artigo 61, § 3º, da Lei 9.430/1996 e o artigo 116, III, da Lei 8.112/1990, a exigência de juros de mora com base na taxa Selic, calculados sobre os valores do IRPJ e da CSL, está correta. Aduziu que , tendo em vista que, até o presente momento, não foi alegada a exigência de juros sobre a multa de ofício lançada, o pedido de revisão dessa resta prejudicado, não havendo pronunciamento da DRJ acerca disso. Por fim, alegou que esse processo foi analisado no plano da eficácia perante o direito tributário, sendo rejeitadas as preliminares de nulidade e de decadência, e julgada improcedente a impugnação, mantendo-se os lançamentos. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Inconformada com a decisão, a recorrente interpôs, tempestivamente, recurso voluntário de fls. 3.406 a 3.460 (e-processo), reiterando o alegado em sede de impugnação. Afirmou que a recorrente não questionou a extrapolação do prazo para a realização do lançamento pela fiscalização, mas sim a alteração do objeto e dos períodos de análise do MPF, que passou a não corresponder com o objeto e períodos iniciais do procedimento fiscalizatório, o que, segundo o artigo 10 da Portaria nº 3.007/2001, traz como conseqüência a necessidade da realização de um MPF Complementar. Por conseguinte, afirmou que ao não realizar o MPF Complementar a fiscalização desrespeitou o principio da legalidade, pois ela, ao constatar uma suposta infração à legislação tributária, deve efetuar o lançamento do crédito tributário de forma regular, com estrita observação dos dispositivos legais. Alegou que adquirir participação societária com ágio é uma questão factual e não interpretativa e que, de acordo com a análise dos documentos apresentados pela recorrente, não é possível questionar a existência do ágio pago pela JDB. Isso porque a contabilização do ágio foi feito de forma correta, já que, de acordo com o artigo 20 do Decreto- lei nº 1.598/77, como a participação que a JDB passou a deter na recorrente era superior ao patrimônio liquido da recorrente, ela tinha a obrigação legal de contabilizar essa diferença como ágio relativo ao investimento que passou a deter na recorrente. Apontou que a fiscalização não questionou o efetivo pagamento do ágio pela recorrente, nem o fato de que houve aquisição em dinheiro. Afirmou também que o momento da incorporação não interfere no direito da recorrente ao ágio. Com relação à afirmação da fiscalização no sentido de que se a aquisição das ações fosse feita pela SLC – John Deere S.A. ou pela John Deere Participações Ltda., o ágio pago não seria passível de dedução na forma do artigo 386 do RIR, alegou que essa está incorreta, pois o ágio pago devidamente por uma dessas sociedades poderia ser regularmente amortizado para fins fiscais nos termos da legislação. Aduziu que, de acordo com a jurisprudência e a doutrina dominante, o ágio gerado dentro de um mesmo grupo econômico pode ser amortizado para fins fiscais, mesmo que esse não produza alterações de cunho contábil. Consignou que, de acordo com a Lei Complementar 104/2001 e a falta de regulamentação do artigo 116 do CTN, mesmo que não houvesse propósito negocial na criação da JDB e da Evaux, a fiscalização não poderia desconstituir a operação realizada apenas pelas suas motivações econômicas, já que essa foi feita de acordo com a legislação em vigor. Por fim, requereu que seja provido o recurso voluntário, de modo a ser reformada a decisão recorrida e reconhecida, em preliminar, a nulidade do auto de infração. Requereu também, que se essa não for reconhecida, que seja cancelado integralmente o auto de infração e todas as penalidades e juros aplicados. É o relatório. Voto
Nome do relator: MARCOS SHIGUEO TAKATA

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, resolvem os membros do colegiado converter o julgamento em diligência, pelo voto de qualidade, vencidos os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira e Marcos Shigueo Takata (Relator). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Breno Ferreira Martins Vasconcelos. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva- Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Takata - Relator. (assinado digitalmente) Breno Ferreira Martins Vasconcelos – Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Breno Ferreira Martins Vasconcelos e Aloysio José Percínio da Silva. Relatório DO LANÇAMENTO Trata-se de autos de infração de IRPJ e CSL, em que há a exigência do crédito tributário no montante de R$ 8.386.812,30 referente ao ano-calendário de 2005, e a redução do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa da CSL apurados no ano-calendário de 2006. Primeiramente, alegou que a recorrente não atendeu de forma completa a intimação e reintimação realizada pela fiscalização, tendo em vista a sua repetida e contínua mora no fornecimento de documentos. Os autos de infração decorreram da dedução de amortização do ágio pago em processo de reestruturação societária que teve como participantes os grupos Schneider Logemann e John Deere, controladores da SLC S.A. Indústria e Comércio. Essa reestruturação teve início em 1979, quando a John Deere se associou a Schneider Logemann & Cia Ltda, adquirindo 20% do capital social da SLC S.A. Indústria e Comércio, e teve a seguinte evolução temporal: I-) Foi realizada uma reorganização societária em 1996, que fez com que a Deere & Company passasse a deter 40% do capital social da SLC S.A. e trouxe a constituição da holding John Deere Brasil Participações Ltda. II-) Em julho de 1998, a sociedade Aços Planos do Sul S.A, com capital social de R$ 100,00, foi constituída, e em agosto do mesmo ano essa passou a ter como sua denominação social Evaux Participações S.A. III-) Em 25/6/1999, mediante a emissão de 621.321.825 ações ordinárias nominativas sem valor nominal, houve o aumento de capital da Evaux de R$ 100,00 para R$ 149.117.338,00. As ações foram subscritas pela Schneider Logmann S.A. e integralizadas mediante a conferência à sociedade de 62.102.108 ações ordinárias de emissão da SLC - John Deere S.A. (antiga SLC S.A. Indústria e Comércio). Assim, a Evaux passou a deter 60% do capital social da SLC - John Deere S.A. e a John Deere do Brasil Participações Ltda. 40% do capital remanescente. IV-) Em 1999, a Deere & Company (D&C) constituiu a John Deere do Brasil Ltda. (JDB), com capital social de R$ 100,00 e, no mesmo ano, devido à integralização feita integralmente por meio do Contrato de Câmbio 99/003706, esse capital social passou a ter o valor correspondente a R$ 154.558.300,00. Além disso, essa ultima foi capitalizada pela 1ª empresa em mais de R$ 155.451.600,00, através de operações de empréstimos, V-) Em 30/6/1999, a Evaux realizou o aumento do seu capital social para R$ 221.892.584,00, com a emissão de 303.230.193 ações ordinárias nominativas sem valor nominal, que foram subscritas e integralizadas pela JDB, e que somam o montante de R$ 305.542.800,00 onde, do preço de emissão, R$ 72.775.246,00 foram destinados ao capital social e R$ 232.767.654,00 foram destinados à reserva de ágio para futura capitalização. VI-) A JDB contabilizou como ágio o valor de R$ 156.425.562,00, que corresponde à diferença entre o valor integralizado e o capital na Evaux, fundamentado na expectativa de resultados futuros da sociedade SLC – John Deere S.A. Além disso, a integralização das ações em aumento de capital realizada pela JDB, teve o mesmo valor patrimonial praticado para as ações integralizadas anteriormente pela Schneider Logemann no capital da Evaux, sendo o excedente contabilizado como ágio. VII-) Ainda em 30/6/1999 foi firmado o Contrato de Cessão e Transferência de Marca, onde a Schneider Logemann cedeu gratuitamente a marca mista “SLC” à SLC – John Deere S.A. VIII-) Em 1/7/1999, houve AGE da Evaux aprovando o protocolo de cisão parcial e justificação. Essa cisão foi realizada pela versão à JDB da parcela do patrimônio representada pelas 62.102.108 ações ordinárias nominativas de emissão da SLC – John Deere S.A. Essa versão não alterou o capital social (da JDB) e substituiu a participação social detida na Evaux pela parcela de patrimônio vertida em razão da cisão. IX-) Pela extinção de 303.230.193 ações ordinárias nominativas de propriedade da JDB, a Evaux reduziu seu capital social de R$ 221.892.584,00 para R$ 149.117.313,00. X-) Em 31/7/1999, a SLC – John Deere S.A. incorporou a JDB. XI-) A Evaux não foi extinta. Analisando a evolução temporal da reestruturação societária ocorrida, a fiscalização extraiu algumas conclusões. Primeiramente concluiu que, de acordo com o item VI, o ágio foi suportado pela empresa sediada no exterior D&C, pois os recursos utilizados pela JDB para aportar capital na Evaux se originaram da primeira empresa. Ainda de acordo com o item retromencionado, afirmou que a Schneider Logemann indicou que a natureza é do ágio de rentabilidade de exercícios futuros, não observando as parcelas derivadas do fundo de comércio da SLC – John Deere S.A. Com relação ao item VII, consignou que, de acordo com os artigos 7º e 8º, da Lei 9.532/97, esse indica que o ágio foi, de forma oportuna e deliberada, direcionado para o fundamento da rentabilidade de exercícios futuros, de modo a fazer com que a sociedade incorporadora pudesse usufruir do expediente legal da amortização antes da realização do investimento que lhe deu causa. Ainda em relação ao item retromencionado apontou que, tendo em vista que esse contrato estabelecia a forma em que a operação de subscrição das ações deveria ser realizada, é possível concluir que isso foi feito de maneira premeditada, com o intuito de transferir a participação societária que a Schneider Logemann & Cia Ltda. possuía na SLC – John Deere S.A., por meio do pagamento em moeda nacional pela sociedade sediada no exterior. Acerca do item VIII, acentuou que a forma como foi realizada a cisão indica que essa foi mais uma operação circunstancial realizada pela recorrente com o intuito de obter vantagem fiscal. Isso porque houve a quase instantaneidade de atos societários, a coincidência de agentes e a não observância das exigências da lei societária que determina que a operação de cisão deve ser submetida à deliberação da assembléia geral das companhias interessadas, mediante justificação. Observou que, em decorrência da incorporação realizada, a SLC – John Deere S.A. escriturou em seu balanço patrimonial o empréstimo obtido junto à D&C no montante de R$ 155.451.600,00, o ágio apurado pela incorporada correspondente a R$ 156.425.562,00 e os reflexos dessas operações. Apontou que a empresa John Deere do Brasil Ltda. apenas realizou operações ligadas à incorporação da participação da SLC – John Deere S.A., ao recebimento dos recursos aportados pela Deere & Company, à incorporação reversa pela sociedade investida e ao repasse integral dos recursos em forma de investimento na sociedade Evaux. Ressaltou que não há equivalência entre a verdade real e a vontade ostensiva no que tange a criação da John Deere do Brasil Ltda. Isso porque, tendo em vista que essa foi incorporada pela SLC – John Deere S.A. antes mesmo de ter entrado em atividade, resta evidente que não havia interesse econômico na sua criação além da redução de tributos, uma vez que essa apenas foi utilizada como empresa veículo para realizar a dedutibilidade do ágio pago pela aquisição das ações da incorporadora. Afirmou que a recorrente teve como fundamento para a amortização do ágio os artigos 7º e 8º, da Lei 9.532/97 e o artigo 426 do RIR. Esse ágio registrado por ele foi amortizado nos anos-calendários posteriores à incorporação, sendo que, até o ano de 2004, o montante amortizado corresponde a R$ 101.676.615,26, no ano-calendário de 2005 foi amortizado o valor de R$ 31.285.112,40, e no ano-calendário de 2006 o valor de R$ 23.463.834,31. Apontou que foi aplicada ao caso em questão a multa de 150%, pois todas as operações societárias realizadas em 1999 pela recorrente relacionam-se com as hipóteses previstas no artigo 72 da Lei 4.502/64 por terem sido feitas em sequência e por todo o instrumento societário e empresarial criado indicar a predeterminação dos agentes e a vontade de agir. De acordo com tudo o que foi exposto, concluiu que o ocorrido no caso em questão foi a operação denominada “casa-separa”, em que há várias sociedades envolvidas em um liame negocial societário, de modo que uma sociedade é utilizada como veículo de transferência da participação societária e do preço pago pela aquisição/transferência da outra sociedade. Essa operação tem como objetivo evitar a tributação do ganho de capital e a dedução do ágio na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSL, trazendo os seguintes efeitos no presente caso, conforme trecho do termo de constatação fiscal infratranscrito (fls. 2.883 e 2.884 e-processo): “a) na referida operação, adquirente (sociedade sediada no exterior) aporta recursos em subsidiária no Brasil (1ª empresa interposta), parte em forma de capital, parte em forma de empréstimos; b) cedente (por meio da 1ª sociedade interposta) e adquirente, por meio de nova sociedade interposta, integralizaram, respectivamente, recursos financeiros e participação societária a ser transferida; c) em momento seguinte, por meio de cisão parcial, a parte adquirente se retira da sociedade interposta, com o patrimônio que a outra parte havia integralizado originalmente – recursos financeiros, incorporando-se tal patrimônio na 1ª sociedade interposta (de qual foram aportados os recursos financeiros à 2ª sociedade interposta); d) quando do aporte de capital da 1ª sociedade interposta (com recursos da compradora) na 2ª sociedade interposta, foi efetuado um cálculo de paridade de participação societária, de tal forma que a sociedade que aportou recursos financeiros apurasse um ágio na aquisição de participação societária em valor igual ao ganho de capital que deixaria de ser reconhecido pela sociedade cedente da participação societária efetivamente negociada; e) posteriormente, a 1ª sociedade interposta, que apurou ágio na aquisição de investimento e que mantinha empréstimos captados junto à sua controladora, foi incorporada pela empresa operacional – o contribuinte – (aquela cuja participação societária foi negociada); f) a empresa operacional – o contribuinte (aquela cuja participação societária foi negociada) passou a aproveitar fiscalmente a despesa com o ágio apurado em suas próprias operações.” Sendo assim, alegou que toda a reestruturação societária realizada pela recorrente e as demais empresas retromencionadas teve como objetivo a redução de tributos. DA IMPUGNAÇÃO Irresignada, a recorrente apresentou impugnação de fls. 2.970 a 3.034 (e-processo). Primeiramente, alegou que os autos de infração devem ser considerados nulos, tendo em vista que a fiscalização, ao analisar a amortização de ágio despendido na aquisição da SLC S.A. Indústria e Comércio para fins de IRPJ no ano calendário de 2007, e estender a fiscalização para os anos-calendário de 2005 e 2006, desrespeitou o artigo 10 da Portaria 3.007/01. Isso porque o diploma legal mencionado determina que se houver alterações referentes a tributos ou contribuições e períodos de apuração no Mandado de Procedimento Fiscal, deve ser lavrado Mandado de Procedimento Fiscal Complementar. Afirmou que a fiscalização realizou um juízo pessoal e preconceituoso ao analisar o caso, de forma a tentar induzir a opinião das autoridades julgadoras, e que as sociedades holding que participaram das operações junto à recorrente foram criadas em concordância com todas as leis societárias brasileiras e em um contexto econômico específico. Com relação à alegação da fiscalização no sentido de que as empresas holding foram criadas apenas com o intuito de reduzir tributos, afirmou que essa alegação significa ignorar o objeto social próprio dessas empresas, que é participação em outras sociedades. E que, além disso, isso corresponde a uma tentativa da fiscalização de determinar qual é a melhor forma de a recorrente organizar o seu grupo societário e atuar financeira e comercialmente, o que afronta ao princípio da livre iniciativa privada. Consignou que a recorrente, assim como a fiscalização, quer que o caso seja visto como um filme e não como uma fotografia, pois a jurisprudência e a doutrina dominante têm entendido que o exame da validade das operações do contribuinte deve analisar as razões empresariais e extra tributárias que motivaram as suas operações. Nesse sentido, afirmou que as operações da recorrente foram motivadas pelas razões empresariais e extra tributárias de promover a expansão da atuação da D&C no país. Atestou que o Grupo John Deere emprega cerca de 52 mil funcionários em suas fábricas situadas em 17 países e investe cerca de 2 milhões de dólares por dia em pesquisa e desenvolvimento de novos produtos. Evidenciou que até hoje a John Deere investe na produção e comercialização de seus equipamentos no Brasil, tendo 3 fábricas e empregando 3.975 pessoas no país. Realizou um breve histórico das alterações societárias da recorrente, em que, em síntese, afirmou o seguinte: I-) Em 1979 a D&C iniciou suas atividades no Brasil por meio de uma associação com a Schneider Logemann & Cia. Ltda. com a aquisição de 20% do capital social da SLC S.A. Indústria e Comércio e, em 1996, a fim de organizar seus investimentos no país, as duas empresas efetuaram uma reorganização societária que trouxe o aumento da participação da D&C na SLC de 20% para 40% e a criação da John Deere Brasil Participações Ltda. (empresa holding). Após isso, a D&C transferiu a sua participação na SLC à JD Participações. Quanto a isso colacionou quadro que demonstra como era a organização societária no final de 1996: II-) Apesar de em 1999 a moeda brasileira estar desvalorizada e haver um cenário de forte instabilidade econômica, doméstica e internacional, o Brasil oferecia, no campo da agricultura, um mercado promissor e atrativo para as empresas do setor, o que fez com que a D&C realizasse operações a fim de aumentar sua atuação no País. Quanto a isso, colacionou trecho do estudo “O Agronegócio na Economia Brasileira – 1994 a 1999”. III-) Em 15/6/1999 a D&C constituiu uma nova holding no Brasil, a John Deere do Brasil Ltda. (JDB), que era controlada também pela empresa situada no exterior Deere Payroll Services Inc. (DPS) e, no ano anterior, a Schneider Logemann também havia constituído a holding Evaux Participações S.A. IV-) Em 25/6/1999, a Evaux, através da integralização de capital, passou a deter a participação de 60% que a Schneider Logemann possuía na SLC, passando a ser essa última empresa a controlada de duas holdings denominadas JD Participações e Evaux. Ou seja, a Schneider Logemann conferiu ao capital da Evaux o investimento que essa tinha na SLC, trazendo assim o aumento de capital da Evaux. Nesse sentido, colacionou esquema do controle acionário da SLC neste período: V-) Em 28/6/1999, o capital social da JDB sofreu um aumento de R$ 100,00 para R$154.558.300,00, o qual foi integralizado integralmente pela D&C, por meio do Contrato de Câmbio 99/003706, no valor correspondente a US$86.500.000,00, recursos que efetivamente entraram no Brasil. Sendo assim, a JDB sofreu um aumento de capital com recursos integralizados pela D&C. VI-) Ainda em junho de 1999, com o intuito de expandir sua atuação no Brasil, a D&C capitalizou a JDB através de operações de empréstimos, com o valor equivalente a R$ 155.451.600,00, fazendo com que o capital da JDB sofresse novamente um aumento devido a atuação da D&C. VII-) Em 30/6/1999, devido ao Contrato de Subscrição de Ações, a Evaux, em aumento de capital ocorrido na mesma data, emitiu 303.230.193 novas ações ordinárias nominativas sem valor nominal, que foram subscritas e integralizadas pela JDB, no valor de R$ 305.542.800,00, o qual apurou um ágio de R$ 156.425.562,00. Desse modo, a JDB subscreveu e integralizou o aumento de capital da Evaux. Quanto a isso, colacionou quadro demonstrativo do controle acionário da SLC neste período: VIII-) Em 1/7/1999, foi aprovado o Protocolo de Cisão Parcial e Justificação da Evaux, que fez com que o Grupo John Deere, então formado pela D&C, DPS, JDB, JD Participações e SLC, se tornasse independente do grupo econômico formado pela Schneider Logemann. Sendo assim, houve a cisão parcial da Evaux com ruptura do quadro de sócios, em que foi vertido para a JDB o investimento na SLC, o qual justificou o ágio pago pela JDB mencionado no item anterior. Além disso, alegou que a separação desses dois grupos econômicos foi o que motivou esta cisão, pois como a D&C era líder mundial no campo do agronegócio, ela poderia atuar de forma independente no Brasil. Quanto a isso, colacionou quadro que demonstra como ficou a independência dos dois grupos após a cisão: IX-) Em 31/7/1999, a SLC incorporou a JDB, realizando a incorporação reversa, que foi feita de acordo com a lei, teve os Protocolos de Incorporação e Justificação aprovados e teve a realização do Laudo elaborado pela empresa Ernst Young Auditores Independentes S/C. Essa incorporação fez com que os quotistas da JDB recebessem ações representativas do capital social da SLC, que passou a ser controlada pela JD Participações, pela D&C e pela DPS, que possuía apenas uma ação ordinária nominativa que foi transferida à D&C. Juntou quadro que demonstra a situação do grupo após a incorporação: X-) Após essas operações, a SLC passou a escriturar em seu Balanço Patrimonial o ágio anteriormente apurado pela JDB no valor de R$ 156.425.562,00, que passou a ser amortizado de acordo com a legislação e que foi fundamentado nas razões econômicas que o motivaram. Afirmou que todas as reorganizações societárias retromencionadas foram feitas de acordo com a legislação brasileira e que, diferentemente do que foi afirmado pela fiscalização, a Evaux não é uma empresa “veículo”, uma vez que essa, além de continuar ativa até hoje (13 anos após a ocorrência dos fatos narrados), por ser uma holding, tem como objeto a participação em outras sociedades. Com relação ao item IX, afirmou que a incorporação da JDB foi necessária para facilitar a administração dos negócios da D&C no Brasil e gerar maior integração entre as empresas, de acordo com trecho da impugnação infratranscrito (fl. 2983 do e-processo): “Conforme consta do referido Laudo, essa incorporação da JDB pela SLC de justifica uma vês que a JDB era uma holding que passou a controlar apenas a SLC, sendo que a D&C já possuía a JD Participações como holding controladora da SLC. Por conta disso, de modo a facilitar a administração dos negócios da D&C no Brasil e gerar maior integração entre tais empresas, a incorporação da JDB fez-se necessária. Importante notar que, mais uma vez, todos esses passos foram feitos em estrita observação da legislação brasileira e com completa transparência.” Aduziu que as mencionadas reorganizações societárias sucessivas fizeram com que ocorresse a expansão da atuação da D&C no Brasil, a emancipação dessa atuação frente ao Grupo Schneider Logemann e simplificou a estrutura do grupo econômico trazendo uma maior integração e unidade administrativa. Ressaltou que essas operações societárias analisadas ocorreram apenas em 1999 e envolveram empresas e relações societárias que haviam sido criadas em 1979 e 1996. Afirmou que, diferentemente do que foi alegado pela fiscalização, essas operações não foram simuladas, pois tinham razões empresariais e extratributárias para serem realizadas dessa forma. Além disso, alegou que o ágio em questão originou de operações verdadeiras, praticadas em condições de mercado e que visavam a reestruturação societária a fim de ter uma maior participação, de forma independente, no mercado brasileiro. Alegou que como os autos de infração referem-se a operações ocorridas no período-base de 1999, essa autuação encontra-se atingida pela decadência, tendo em vista que, nos termos do artigo 150, § 4º, do CTN, deve ser observado o prazo de 5 anos a contar do fato gerador da obrigação tributária, bem como que o direito à amortização do ágio nasce no momento da incorporação. Além disso, afirmou que o fato de essas operações produzirem efeitos futuros é irrelevante para a contagem do prazo decadencial, conforme o entendimento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Ainda em relação à decadência, aduziu que, mesmo que a fiscalização entenda que a decadência dos tributos em questão deve ser contada anualmente, ao menos a exigência de valores de IRPJ e CSL referentes aos fatos geradores ocorridos no período-base de 2005, está decaída. Isso porque não houve dolo, fraude ou simulação, não podendo ser aplicado o prazo do artigo 173, I, do CTN, mas sim o do artigo 150, § 4º do mesmo diploma legal, bem como tendo em vista que, segundo o Decreto-Lei 1.967, o artigo 150, § 4°, do CTN, o artigo 57 da Lei 8.981/95 e o artigo 28 da Lei 9.430/96, esses são tributos sujeitos ao lançamento por homologação. Ressaltou que é impossível alegar a inexistência do ágio em comento, uma vez que a JDB adquiriu as cotas da recorrente por meio de cisão, observando o preço de mercado e que, por ter adquirido essas quotas por um valor superior ao valor do patrimônio liquido da recorrente, essa empresa foi obrigada a desdobrar o custo de aquisição em valor de patrimônio liquido da recorrente e em ágio. Dessa forma, consignou que, de acordo com o artigo 3º, § 3°, da Lei 7.713/88, a conferência de bens em integralização de capital é ato de alienação/aquisição. Apontou que a JDB adquiriu a recorrente para os fins do artigo 7° da Lei 9.532/97, que não determinou uma forma específica pela qual a participação poderia ser adquirida com ágio. Acrescentou que, mesmo que a fiscalização não considere que a JDB adquiriu as cotas da recorrente por cisão, há previsão legal e jurisprudencial para a existência desse ágio. Alegou que a cisão parcial com a versão da participação retromencionada representa uma alienação para a Evaux e uma aquisição para a JDB. Quanto à regularidade da formação do ágio, afirmou que a JDB, ao adquirir as cotas da requerente na cisão parcial da Evaux e desdobrar em sua contabilidade o custo de aquisição do investimento que essa passou a deter em valor de patrimônio líquido da recorrente e em ágio, agiu de acordo com a determinação do artigo 385 do RIR. Isso porque o valor de mercado da requerente era superior ao seu patrimônio líquido. Nesse sentido, afirmou que o ágio mencionado se apresenta com a justificativa econômica de expectativa de rentabilidade futura da requerente. Apontou que a amortização fiscal do ágil foi realizada de forma correta, pois o artigo 8º da Lei 9.532/97 estabelece que se a sociedade controlada incorporar a controladora, o ágio deve ser tratado como um ativo amortizável para fins fiscais na sociedade sobrevivente à incorporação, em um prazo mínimo de 5 anos. Além disso, apontou que a doutrina estabelece que nesses casos, o que importa é a unificação dos patrimônios dessas sociedades e não a ordem de incorporação. Quanto a isso, colacionou doutrina e jurisprudência sobre os casos Gerdau, Tele Norte e Santander. Aduziu que a fiscalização confere, de forma equivocada, uma abrangência estrita aos artigos 385 e 386 do RIR, e que, mesmo que isso fosse correto, as operações em exame ainda estariam acolhidas por esses dispositivos. Ainda acerca dos artigos supracitados, afirmou que não é verdadeira a alegação da fiscalização no sentido de que a requerente não está submetida às suas regras por serem as suas operações simuladas. Quanto à alegação da fiscalização de que as empresas holding JDB e Evaux são fraudulentas, afirmou que essas, por serem holding puras, possuem apenas participações societárias, não sendo necessária a presença de empregados, receitas ou ativos. Nesse sentido, colacionou doutrina. Afirmou que, segundo o entendimento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, mesmo que a Evaux e a JDB fossem consideradas empresas-veículos, isso não seria capaz de invalidar a sua estrutura e efeitos fiscais, uma vez que ela não teria levado ao registro um ágio superior ao decorrente da aquisição direta da SLC no país. Esclareceu que, diferentemente do que foi alegado pela fiscalização, não houve um planejamento tributário, mas sim uma opção fiscal, na qual a recorrente optou por um caminho plenamente regulado pela lei para estruturar suas operações da forma mais benéfica para ela. Sendo assim, afirmou que todos os atos praticados pela recorrente e pelo Grupo John Deere observaram a legislação fiscal em vigor, a doutrina e a jurisprudência dominante. Consignou que mesmo que não houvesse propósito negocial da JDB e da Evaux, a fiscalização não poderia desconsiderar esses negócios jurídicos, pois o artigo 116 do CTN, que permite a desconsideração nesse caso, não é auto-aplicável, dependendo de regulamentação por lei ordinária, a qual não ocorreu até o presente momento. Quanto a isso, juntou jurisprudência. Aduziu que, uma vez que a substância econômica desse caso corresponde ao fato de que a D&C aumentou sua atuação no mercado brasileiro por meio da compra do restante da participação da SLC que ainda não se encontrava sob o seu controle, se o caso for analisado sob a perspectiva da sua substância econômica, isso será favorável à recorrente. Evidenciou que a fiscalização não autuou a recorrente alegando simulação ou abuso de direito, mas sim dolo e fraude ao realizar uma reestruturação societária com o objetivo de obter benefício fiscal indevido. Com relação à aplicação da multa qualificada no valor de 150% da exigência principal, afirmou que essa deve ser ao menos reduzida para 75%, tendo em vista que o artigo 44, § 1°, da Lei 9.430/96 e os artigos 71 a 73, da Lei 4.502/64, determinam que essa só pode ser fixada dessa maneira nos casos em que a fiscalização provar, de forma inequívoca, a ocorrência de sonegação, fraude ou conluio, o que não ocorreu no presente caso. Quanto a isso, colacionou jurisprudência. Além disso, apontou que a constituição da JDB e da Evaux foi realizada de acordo com o que determina a legislação em vigor, não havendo nenhum elemento fraudulento e não sendo caracterizada a simulação, uma vez que essa teve o intuito econômico e extra tributário de expandir a atuação da D&C no Brasil. Aduziu que é possível identificar esse intuito através da análise do numerário recolhido pela requerente aos cofres públicos, onde no ano-calendário de 2001 foram recolhidos R$ 19.507.928,00 em impostos ao fisco sobre suas vendas, e R$ 4.628.164,00 a título de IRPJ. No ano-calendário de 2011 esses valores evoluíram para R$ 215.270.432,00 e R$ 36.514.292,00, respectivamente. Ressaltou que a multa qualificada mencionada não pode ser aplicada, pois, além de o contribuinte ter agido de forma transparente e contribuído com a fiscalização, o percentual da penalidade fiscal deve ser definido a partir de um juízo valorativo de pertinência e de adequação. De acordo com isso, colacionou doutrina e jurisprudência. Afirmou que como a recorrente agiu de boa-fé e não houve erro de proibição, deve ser observado o artigo 76, inciso II, alínea “a”, da Lei 4.502/64. Quanto a isso, colacionou jurisprudência. Ainda com relação à multa qualificada, afirmou que de acordo com a “teoria da imputação subjetiva”, não há nesse caso nenhum aspecto objetivo ou subjetivo que permitam a aplicação dessa penalidade. Além disso, alegou que o artigo 112 do CTN deve ser observado, de modo a fazer com que a penalidade seja aplicada da maneira mais favorável ao contribuinte em casos de dúvida sobre a capitulação legal do fato e da natureza ou circunstâncias desses. Nesse sentido, colacionou doutrina. Aduziu que não pode incidir juros de mora sobre o valor da multa lançada, pois não há previsão legal da atualização das multas de ofício, bem como devido ao fato de o dispositivo que embasa o entendimento do Fisco é expresso no sentido de que apenas os débitos decorrentes de tributos e contribuições são atualizáveis. Com relação à aplicação da taxa Selic, alegou ser essa indevida, pois a jurisprudência tem reconhecido a sua inaplicabilidade. Quanto a isso, colacionou jurisprudência. Por fim, requereu o acolhimento e provimento da impugnação, de modo a ser reconhecida, em preliminar, a nulidade dos autos de infração e que, se essa não for reconhecida, seja esse declarado improcedente, cancelando-se a recomposição dos prejuízos fiscais e da base de cálculo negativa da CSL e a exigência do IRPJ e da CSL. Requereu também que se a improcedência dos autos de infração não for reconhecida, seja cancelada a multa aplicada ou reduzida, no mínimo, a 75%, bem como seja cancelada a exigência de juros pela taxa Selic. DA DECISÃO DA DRJ Em 22/5/2012, acordaram os membros da 1ª Turma de Julgamento da DRJ de Porto Alegre, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação, de forma a manter os lançamentos, conforme o entendimento que se segue. Inicialmente, alegou que eventuais vícios presentes no Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) não acarretam a nulidade do processo, tendo em vista que esse é um ato de controle interno da administração tributária, de caráter gerencial e utilizado para determinar a realização do procedimento fiscal relativo aos tributos administrados pela Receita Federal do Brasil. Além disso, outro fator que faz com que esses vícios não acarretem a nulidade, corresponde ao fato de o MPF ter sido criado por ato infralegal, de modo a fazer com que eventual vicio na sua emissão não tenha o poder de contaminar todo o procedimento fiscal ou o lançamento propriamente dito, já que esses são regidos pelo CTN e pelo Decreto 70.235/72, que são diplomas normativos de hierarquia superior e que não consideram ser o MPF uma condição de validade do lançamento. Ainda com relação ao MPF, afirmou que a extrapolação do prazo para a realização do procedimento de fiscalização previsto no Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) não impede que a fiscalização efetue o lançamento do crédito tributário. Quanto a isso, colacionou jurisprudência. Evidenciou que os lançamentos ocorridos nos anos-calendários de 2005 e 2006, sendo que em 2006 não houve lançamento de crédito tributário em razão de o contribuinte ter apurado prejuízos fiscais e base de cálculo negativa de CSL, não estão atingidos pela decadência. Isso porque, como nesse caso, a constituição do ágio se deu de forma artificial, simulada, dolosa e com o intuito de reduzir o montante dos tributos devidos, deve ser aplicado o artigo 173, I, do CTN, que faz com que o prazo decadencial seja contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Alegou que, ao analisar o prazo decadencial, deve ser considerado o direito que a fiscalização tem de examinar a legalidade de todos os elementos que compõem a base de cálculo do período, independentemente do período transcorrido entre a formação desses elementos e seu aproveitamento. Além disso, deve-se também considerar que o exercício de um direito pelo titular pressupõe a prova da legalidade dos fatos constitutivos desse direito, não importando o decurso do tempo, mas sim o fato de não ter ocorrido à decadência do direito de a fiscalização efetuar o lançamento. Ressaltou que a economia tributária não é vista como ilícita, exceto quando essa é feita de forma mascarada, onde os atos e negócios praticados se baseiam em uma aparente legalidade, sem qualquer finalidade empresarial ou negocial. Afirmou que quando o ágio foi contabilizado não se falava em ocorrência do fato gerador e que, quando houve a sua contabilização por conta da incorporação da JDB em 31/7/1999, esse não foi adicionado ou excluído da base de cálculo do IRPJ e CSL, não havendo nenhuma conseqüência tributária nesse período de apuração. Aduziu que a reestruturação societária em que a recorrente participou foi feita de forma artificial, simulada e dolosa, e que houve um planejamento tributário que, aparentemente, foi realizado sem ferir nenhuma norma legal, mas que traz em seu bojo a artificialidade e a simulação, devido ao fato de essa ter como único objetivo a redução do pagamento de tributos. Quanto a isso, colacionou doutrina. Ressaltou que, apesar de não ser unanime, deve ser observado o entendimento de que o direito ao planejamento tributário não pode ser absoluto, de modo a exigir com que haja compatibilidade entre a existência do direito e o modo como esse é exercido, sob pena de incorrer-se em abuso de direito. Nesse sentido colacionou jurisprudência. Apontou que os objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil, previstos no artigo 3º da Constituição Federal, só poderão ser atingidos se forem preservados os recursos oriundos da tributação e que, para que isso ocorra, é necessário que os negócios praticados com o intuito de disfarçar o real objetivo da operação, que é a redução de tributos, sejam combatidos. De acordo com isso, citou jurisprudência e realizou uma interpretação comparada, analisando como é entendida essa operação em outros países. Aduziu que é possível observar a simulação ocorrida através da análise da composição societária da D&C no inicio e no fim das operações, onde no início, essa detinha 40% do capital social da SLC e no fim, 100%. Nesse sentido, alegou que a compra pela D&C da participação societária que a Schneider Logemann detinha da SLC teve como único objetivo a criação de ágio passível de amortização futura. Acrescentou que a criação da JDB, a associação com a Evaux, a cisão dessa e a incorporação da JDB pela SLC, foram procedimentos desnecessários para a obtenção, por parte da D&C, de 100% do capital social da SLC. Alegou que, de acordo com os artigos 7º e 8º, da Lei 9.532/1997 e o artigo 386 do RIR, é possível concluir que o procedimento adotado pelo contribuinte foi forjado com o intuito de gerar um ágio interno sem qualquer suporte econômico, e que a autorização legal para a amortização do ágio deve ser compreendida dentro do contexto histórico em que foi gerada. Evidenciou que o ágio pago não seria passível de dedução na forma estabelecida pelo artigo 386 do RIR, se a aquisição das ações tivesse sido feita pela John Deere Participações Ltda. ou pela SLC. Com relação à multa aplicada de ofício, afirmou que, de acordo com os artigos 72, 73 e 74, da Lei 4.502/64 e o artigo 44, § 1º, da Lei 9.430, essa foi estabelecida de forma correta, pois é possível identificar na compra e venda das ações da SLC a sonegação, fraude e conluio, que são requisitos materiais para essa fixação. Apontou que, de acordo com a Súmula n° 4 do Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, o artigo 61, § 3º, da Lei 9.430/1996 e o artigo 116, III, da Lei 8.112/1990, a exigência de juros de mora com base na taxa Selic, calculados sobre os valores do IRPJ e da CSL, está correta. Aduziu que , tendo em vista que, até o presente momento, não foi alegada a exigência de juros sobre a multa de ofício lançada, o pedido de revisão dessa resta prejudicado, não havendo pronunciamento da DRJ acerca disso. Por fim, alegou que esse processo foi analisado no plano da eficácia perante o direito tributário, sendo rejeitadas as preliminares de nulidade e de decadência, e julgada improcedente a impugnação, mantendo-se os lançamentos. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Inconformada com a decisão, a recorrente interpôs, tempestivamente, recurso voluntário de fls. 3.406 a 3.460 (e-processo), reiterando o alegado em sede de impugnação. Afirmou que a recorrente não questionou a extrapolação do prazo para a realização do lançamento pela fiscalização, mas sim a alteração do objeto e dos períodos de análise do MPF, que passou a não corresponder com o objeto e períodos iniciais do procedimento fiscalizatório, o que, segundo o artigo 10 da Portaria nº 3.007/2001, traz como conseqüência a necessidade da realização de um MPF Complementar. Por conseguinte, afirmou que ao não realizar o MPF Complementar a fiscalização desrespeitou o principio da legalidade, pois ela, ao constatar uma suposta infração à legislação tributária, deve efetuar o lançamento do crédito tributário de forma regular, com estrita observação dos dispositivos legais. Alegou que adquirir participação societária com ágio é uma questão factual e não interpretativa e que, de acordo com a análise dos documentos apresentados pela recorrente, não é possível questionar a existência do ágio pago pela JDB. Isso porque a contabilização do ágio foi feito de forma correta, já que, de acordo com o artigo 20 do Decreto- lei nº 1.598/77, como a participação que a JDB passou a deter na recorrente era superior ao patrimônio liquido da recorrente, ela tinha a obrigação legal de contabilizar essa diferença como ágio relativo ao investimento que passou a deter na recorrente. Apontou que a fiscalização não questionou o efetivo pagamento do ágio pela recorrente, nem o fato de que houve aquisição em dinheiro. Afirmou também que o momento da incorporação não interfere no direito da recorrente ao ágio. Com relação à afirmação da fiscalização no sentido de que se a aquisição das ações fosse feita pela SLC – John Deere S.A. ou pela John Deere Participações Ltda., o ágio pago não seria passível de dedução na forma do artigo 386 do RIR, alegou que essa está incorreta, pois o ágio pago devidamente por uma dessas sociedades poderia ser regularmente amortizado para fins fiscais nos termos da legislação. Aduziu que, de acordo com a jurisprudência e a doutrina dominante, o ágio gerado dentro de um mesmo grupo econômico pode ser amortizado para fins fiscais, mesmo que esse não produza alterações de cunho contábil. Consignou que, de acordo com a Lei Complementar 104/2001 e a falta de regulamentação do artigo 116 do CTN, mesmo que não houvesse propósito negocial na criação da JDB e da Evaux, a fiscalização não poderia desconstituir a operação realizada apenas pelas suas motivações econômicas, já que essa foi feita de acordo com a legislação em vigor. Por fim, requereu que seja provido o recurso voluntário, de modo a ser reformada a decisão recorrida e reconhecida, em preliminar, a nulidade do auto de infração. Requereu também, que se essa não for reconhecida, que seja cancelado integralmente o auto de infração e todas as penalidades e juros aplicados. É o relatório. Voto

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCE LOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11070.722318/2011­07  Resolução nº  1103­000.167  S1­C1T3  Fl. 3.629            2 Relatório  DO LANÇAMENTO   Trata­se de autos de infração de IRPJ e CSL, em que há a exigência do crédito  tributário no montante de R$ 8.386.812,30 referente ao ano­calendário de 2005, e a redução do  prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa da CSL apurados no ano­calendário de 2006.  Primeiramente,  alegou  que  a  recorrente  não  atendeu  de  forma  completa  a  intimação e  reintimação  realizada pela  fiscalização,  tendo em vista a  sua  repetida  e contínua  mora no fornecimento de documentos.  Os  autos de  infração decorreram da dedução de  amortização do ágio pago em  processo  de  reestruturação  societária  que  teve  como  participantes  os  grupos  Schneider  Logemann e John Deere, controladores da SLC S.A. Indústria e Comércio.   Essa  reestruturação  teve  início  em  1979,  quando  a  John  Deere  se  associou  a  Schneider Logemann & Cia Ltda, adquirindo 20% do capital  social da SLC S.A.  Indústria  e  Comércio, e teve a seguinte evolução temporal:  I­)  Foi  realizada  uma  reorganização  societária  em  1996,  que  fez  com  que  a  Deere & Company passasse a deter 40% do capital social da SLC S.A. e trouxe a constituição  da holding John Deere Brasil Participações Ltda.  II­) Em julho de 1998, a sociedade Aços Planos do Sul S.A, com capital social  de  R$  100,00,  foi  constituída,  e  em  agosto  do  mesmo  ano  essa  passou  a  ter  como  sua  denominação social Evaux Participações S.A.  III­)  Em  25/6/1999,  mediante  a  emissão  de  621.321.825  ações  ordinárias  nominativas sem valor nominal, houve o aumento de capital da Evaux de R$ 100,00 para R$  149.117.338,00.  As  ações  foram  subscritas  pela  Schneider  Logmann  S.A.  e  integralizadas  mediante a conferência à sociedade de 62.102.108 ações ordinárias de emissão da SLC ­ John  Deere S.A.  (antiga SLC S.A.  Indústria  e Comércio). Assim, a Evaux passou a deter 60% do  capital social da SLC ­ John Deere S.A. e a John Deere do Brasil Participações Ltda. 40% do  capital remanescente.  IV­) Em 1999, a Deere & Company  (D&C) constituiu a John Deere do Brasil  Ltda.  (JDB), com capital social de R$ 100,00 e, no mesmo ano, devido à integralização feita  integralmente por meio do Contrato de Câmbio 99/003706, esse capital social passou a ter o  valor  correspondente  a  R$  154.558.300,00.  Além  disso,  essa  ultima  foi  capitalizada  pela  1ª  empresa  em  mais  de  R$  155.451.600,00,  através  de  operações  de  empréstimos,  V­)  Em  30/6/1999, a Evaux realizou o aumento do seu capital social para R$ 221.892.584,00, com a  emissão de 303.230.193 ações ordinárias nominativas sem valor nominal, que foram subscritas  e integralizadas pela JDB, e que somam o montante de R$ 305.542.800,00 onde, do preço de  emissão,  R$  72.775.246,00  foram  destinados  ao  capital  social  e  R$  232.767.654,00  foram  destinados à reserva de ágio para futura capitalização.  VI­)  A  JDB  contabilizou  como  ágio  o  valor  de  R$  156.425.562,00,  que  corresponde  à  diferença  entre  o  valor  integralizado  e  o  capital  na  Evaux,  fundamentado  na  expectativa  de  resultados  futuros  da  sociedade  SLC  –  John  Deere  S.A.  Além  disso,  a  integralização  das  ações  em  aumento  de  capital  realizada  pela  JDB,  teve  o  mesmo  valor  Fl. 3629DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCE LOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11070.722318/2011­07  Resolução nº  1103­000.167  S1­C1T3  Fl. 3.630            3 patrimonial praticado para as ações integralizadas anteriormente pela Schneider Logemann no  capital da Evaux, sendo o excedente contabilizado como ágio.  VII­) Ainda em 30/6/1999 foi firmado o Contrato de Cessão e Transferência de  Marca, onde a Schneider Logemann cedeu gratuitamente a marca mista “SLC” à SLC – John  Deere S.A.  VIII­)  Em  1/7/1999,  houve  AGE  da  Evaux  aprovando  o  protocolo  de  cisão  parcial  e  justificação.  Essa  cisão  foi  realizada  pela  versão  à  JDB  da  parcela  do  patrimônio  representada pelas 62.102.108 ações ordinárias nominativas de emissão da SLC – John Deere  S.A. Essa versão não alterou o capital social (da JDB) e substituiu a participação social detida  na Evaux pela parcela de patrimônio vertida em razão da cisão.  IX­) Pela extinção de 303.230.193 ações ordinárias nominativas de propriedade  da JDB, a Evaux reduziu seu capital social de R$ 221.892.584,00 para R$ 149.117.313,00.  X­) Em 31/7/1999, a SLC – John Deere S.A. incorporou a JDB.   XI­) A Evaux não foi extinta.  Analisando  a  evolução  temporal  da  reestruturação  societária  ocorrida,  a  fiscalização extraiu algumas conclusões.  Primeiramente concluiu que, de acordo com o item VI, o ágio foi suportado pela  empresa sediada no exterior D&C, pois os recursos utilizados pela JDB para aportar capital na  Evaux se originaram da primeira empresa.  Ainda  de  acordo  com  o  item  retromencionado,  afirmou  que  a  Schneider  Logemann  indicou  que  a  natureza  é  do  ágio  de  rentabilidade  de  exercícios  futuros,  não  observando as parcelas derivadas do fundo de comércio da SLC – John Deere S.A.  Com relação ao item VII, consignou que, de acordo com os artigos 7º e 8º, da  Lei 9.532/97, esse  indica que o ágio  foi, de  forma oportuna e deliberada, direcionado para o  fundamento  da  rentabilidade  de  exercícios  futuros,  de  modo  a  fazer  com  que  a  sociedade  incorporadora  pudesse  usufruir  do  expediente  legal  da  amortização  antes  da  realização  do  investimento que lhe deu causa.  Ainda  em  relação  ao  item  retromencionado  apontou  que,  tendo  em  vista  que  esse  contrato  estabelecia  a  forma  em  que  a  operação  de  subscrição  das  ações  deveria  ser  realizada,  é  possível  concluir  que  isso  foi  feito  de  maneira  premeditada,  com  o  intuito  de  transferir a participação societária que a Schneider Logemann & Cia Ltda. possuía na SLC –  John  Deere  S.A.,  por  meio  do  pagamento  em  moeda  nacional  pela  sociedade  sediada  no  exterior.  Acerca do item VIII, acentuou que a forma como foi realizada a cisão indica que  essa  foi  mais  uma  operação  circunstancial  realizada  pela  recorrente  com  o  intuito  de  obter  vantagem fiscal. Isso porque houve a quase instantaneidade de atos societários, a coincidência  de agentes e a não observância das exigências da lei societária que determina que a operação de  cisão  deve  ser  submetida  à  deliberação  da  assembléia  geral  das  companhias  interessadas,  mediante justificação.   Fl. 3630DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCE LOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11070.722318/2011­07  Resolução nº  1103­000.167  S1­C1T3  Fl. 3.631            4 Observou que, em decorrência da incorporação realizada, a SLC – John Deere  S.A. escriturou em seu balanço patrimonial o empréstimo obtido junto à D&C no montante de  R$ 155.451.600,00, o ágio apurado pela incorporada correspondente a R$ 156.425.562,00 e os  reflexos dessas operações.  Apontou que a empresa  John Deere do Brasil Ltda. apenas  realizou operações  ligadas à incorporação da participação da SLC – John Deere S.A., ao recebimento dos recursos  aportados pela Deere & Company, à incorporação reversa pela sociedade investida e ao repasse  integral dos recursos em forma de investimento na sociedade Evaux.  Ressaltou que não há equivalência entre a verdade real e a vontade ostensiva no  que  tange  a  criação  da  John Deere  do Brasil  Ltda.  Isso  porque,  tendo  em vista  que  essa  foi  incorporada  pela  SLC  –  John  Deere  S.A.  antes  mesmo  de  ter  entrado  em  atividade,  resta  evidente que não havia interesse econômico na sua criação além da redução de tributos, uma  vez que essa apenas foi utilizada como empresa veículo para realizar a dedutibilidade do ágio  pago pela aquisição das ações da incorporadora.  Afirmou que a recorrente teve como fundamento para a amortização do ágio os  artigos  7º  e  8º,  da  Lei  9.532/97  e  o  artigo  426  do  RIR.  Esse  ágio  registrado  por  ele  foi  amortizado nos anos­calendários posteriores à  incorporação, sendo que, até o ano de 2004, o  montante  amortizado  corresponde  a  R$  101.676.615,26,  no  ano­calendário  de  2005  foi  amortizado  o  valor  de  R$  31.285.112,40,  e  no  ano­calendário  de  2006  o  valor  de  R$  23.463.834,31.  Apontou que  foi  aplicada  ao  caso  em questão  a multa de 150%, pois  todas  as  operações  societárias  realizadas  em  1999  pela  recorrente  relacionam­se  com  as  hipóteses  previstas  no  artigo  72  da  Lei  4.502/64  por  terem  sido  feitas  em  sequência  e  por  todo  o  instrumento societário e empresarial criado indicar a predeterminação dos agentes e a vontade  de agir.  De  acordo  com  tudo  o  que  foi  exposto,  concluiu  que  o  ocorrido  no  caso  em  questão foi a operação denominada “casa­separa”, em que há várias sociedades envolvidas em  um  liame  negocial  societário,  de  modo  que  uma  sociedade  é  utilizada  como  veículo  de  transferência da participação societária e do preço pago pela  aquisição/transferência da outra  sociedade.  Essa  operação  tem  como  objetivo  evitar  a  tributação  do  ganho  de  capital  e  a  dedução do ágio na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSL, trazendo os seguintes  efeitos  no  presente  caso,  conforme  trecho  do  termo de  constatação  fiscal  infratranscrito  (fls.  2.883 e 2.884 e­processo):  “a)  na  referida  operação,  adquirente  (sociedade  sediada  no  exterior)  aporta  recursos em subsidiária no Brasil (1ª empresa interposta), parte em forma de capital, parte em  forma de empréstimos;  b) cedente (por meio da 1ª sociedade interposta) e adquirente, por meio de nova  sociedade  interposta,  integralizaram,  respectivamente,  recursos  financeiros  e  participação  societária a ser transferida;  c) em momento seguinte, por meio de cisão parcial, a parte adquirente se retira  da sociedade interposta, com o patrimônio que a outra parte havia integralizado originalmente  –  recursos  financeiros,  incorporando­se  tal  patrimônio  na  1ª  sociedade  interposta  (de  qual  foram aportados os recursos financeiros à 2ª sociedade interposta);  Fl. 3631DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCE LOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11070.722318/2011­07  Resolução nº  1103­000.167  S1­C1T3  Fl. 3.632            5 d)  quando  do  aporte  de  capital  da  1ª  sociedade  interposta  (com  recursos  da  compradora) na 2ª  sociedade  interposta,  foi efetuado um cálculo de paridade de participação  societária, de tal forma que a sociedade que aportou recursos financeiros apurasse um ágio na  aquisição  de  participação  societária  em  valor  igual  ao  ganho  de  capital  que  deixaria  de  ser  reconhecido pela sociedade cedente da participação societária efetivamente negociada;  e)  posteriormente,  a  1ª  sociedade  interposta,  que  apurou  ágio  na  aquisição  de  investimento e que mantinha empréstimos captados  junto à sua controladora,  foi  incorporada  pela empresa operacional – o contribuinte – (aquela cuja participação societária foi negociada);  f) a empresa operacional – o contribuinte (aquela cuja participação societária foi  negociada)  passou  a  aproveitar  fiscalmente  a  despesa  com  o  ágio  apurado  em  suas  próprias  operações.”  Sendo  assim,  alegou  que  toda  a  reestruturação  societária  realizada  pela  recorrente e as demais empresas retromencionadas teve como objetivo a redução de tributos.    DA IMPUGNAÇÃO   Irresignada,  a  recorrente  apresentou  impugnação  de  fls.  2.970  a  3.034  (e­ processo).  Primeiramente, alegou que os autos de infração devem ser considerados nulos,  tendo em vista que a fiscalização, ao analisar a amortização de ágio despendido na aquisição da  SLC  S.A.  Indústria  e  Comércio  para  fins  de  IRPJ  no  ano  calendário  de  2007,  e  estender  a  fiscalização  para  os  anos­calendário  de  2005  e  2006,  desrespeitou  o  artigo  10  da  Portaria  3.007/01.   Isso  porque  o  diploma  legal  mencionado  determina  que  se  houver  alterações  referentes  a  tributos  ou  contribuições  e  períodos  de  apuração  no Mandado  de  Procedimento  Fiscal, deve ser lavrado Mandado de Procedimento Fiscal Complementar.   Afirmou  que  a  fiscalização  realizou  um  juízo  pessoal  e  preconceituoso  ao  analisar  o  caso,  de  forma  a  tentar  induzir  a  opinião  das  autoridades  julgadoras,  e  que  as  sociedades  holding  que  participaram  das  operações  junto  à  recorrente  foram  criadas  em  concordância com todas as leis societárias brasileiras e em um contexto econômico específico.  Com relação à alegação da fiscalização no sentido de que as empresas holding  foram  criadas  apenas  com  o  intuito  de  reduzir  tributos,  afirmou  que  essa  alegação  significa  ignorar  o  objeto  social  próprio  dessas  empresas,  que  é participação  em  outras  sociedades.  E  que, além disso, isso corresponde a uma tentativa da fiscalização de determinar qual é a melhor  forma de a recorrente organizar o seu grupo societário e atuar financeira e comercialmente, o  que afronta ao princípio da livre iniciativa privada.   Consignou  que  a  recorrente,  assim  como  a  fiscalização,  quer  que  o  caso  seja  visto como um filme e não como uma fotografia, pois a jurisprudência e a doutrina dominante  têm entendido que o exame da validade das operações do contribuinte deve analisar as razões  empresariais e extra tributárias que motivaram as suas operações. Nesse sentido, afirmou que  Fl. 3632DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCE LOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11070.722318/2011­07  Resolução nº  1103­000.167  S1­C1T3  Fl. 3.633            6 as  operações  da  recorrente  foram motivadas  pelas  razões  empresariais  e  extra  tributárias  de  promover a expansão da atuação da D&C no país.  Atestou que o Grupo John Deere emprega cerca de 52 mil funcionários em suas  fábricas situadas em 17 países e  investe cerca de 2 milhões de dólares por dia em pesquisa e  desenvolvimento de novos produtos.  Evidenciou que até hoje a John Deere investe na produção e comercialização de  seus equipamentos no Brasil, tendo 3 fábricas e empregando 3.975 pessoas no país.  Realizou um breve histórico das alterações societárias da recorrente, em que, em  síntese, afirmou o seguinte:  I­)  Em  1979  a  D&C  iniciou  suas  atividades  no  Brasil  por  meio  de  uma  associação com a Schneider Logemann & Cia. Ltda. com a aquisição de 20% do capital social  da SLC S.A. Indústria e Comércio e, em 1996, a fim de organizar seus investimentos no país,  as  duas  empresas  efetuaram  uma  reorganização  societária  que  trouxe  o  aumento  da  participação da D&C na SLC de 20% para 40% e a criação da John Deere Brasil Participações  Ltda.  (empresa  holding).  Após  isso,  a  D&C  transferiu  a  sua  participação  na  SLC  à  JD  Participações.  Quanto  a  isso  colacionou  quadro  que  demonstra  como  era  a  organização  societária no final de 1996:    II­)  Apesar  de  em  1999  a  moeda  brasileira  estar  desvalorizada  e  haver  um  cenário  de  forte  instabilidade  econômica,  doméstica e internacional, o Brasil oferecia, no campo da agricultura, um mercado promissor e  atrativo para as  empresas do setor, o que  fez com que a D&C realizasse operações  a  fim de  aumentar sua atuação no País. Quanto a isso, colacionou trecho do estudo “O Agronegócio na  Economia Brasileira – 1994 a 1999”.  III­) Em 15/6/1999 a D&C constituiu uma nova holding no Brasil, a John Deere  do  Brasil  Ltda.  (JDB),  que  era  controlada  também  pela  empresa  situada  no  exterior  Deere  Payroll  Services  Inc.  (DPS)  e,  no  ano  anterior,  a  Schneider  Logemann  também  havia  constituído a holding Evaux Participações S.A.  IV­) Em 25/6/1999, a Evaux, através da integralização de capital, passou a deter  a participação de 60% que a Schneider Logemann possuía na SLC, passando a ser essa última  empresa  a  controlada  de  duas  holdings  denominadas  JD  Participações  e  Evaux.  Ou  seja,  a  Schneider  Logemann  conferiu  ao  capital  da  Evaux  o  investimento  que  essa  tinha  na  SLC,  trazendo assim o aumento de capital da Evaux. Nesse sentido, colacionou esquema do controle  acionário da SLC neste período:  Fl. 3633DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCE LOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11070.722318/2011­07  Resolução nº  1103­000.167  S1­C1T3  Fl. 3.634            7    V­) Em 28/6/1999,  o  capital  social  da  JDB  sofreu  um aumento  de R$ 100,00  para  R$154.558.300,00,  o  qual  foi  integralizado  integralmente  pela  D&C,  por  meio  do  Contrato  de Câmbio  99/003706,  no  valor  correspondente  a US$86.500.000,00,  recursos  que  efetivamente  entraram  no  Brasil.  Sendo  assim,  a  JDB  sofreu  um  aumento  de  capital  com  recursos integralizados pela D&C.  VI­) Ainda em junho de 1999, com o intuito de expandir sua atuação no Brasil, a  D&C capitalizou a JDB através de operações de empréstimos, com o valor equivalente a R$  155.451.600,00, fazendo com que o capital da JDB sofresse novamente um aumento devido a  atuação da D&C.  VII­) Em 30/6/1999, devido ao Contrato de Subscrição de Ações, a Evaux, em  aumento  de  capital  ocorrido  na  mesma  data,  emitiu  303.230.193  novas  ações  ordinárias  nominativas sem valor nominal, que foram subscritas e integralizadas pela JDB, no valor de R$  305.542.800,00, o qual apurou um ágio de R$ 156.425.562,00. Desse modo, a JDB subscreveu  e integralizou o aumento de capital da Evaux. Quanto a isso, colacionou quadro demonstrativo  do controle acionário da SLC neste período:     VIII­) Em 1/7/1999, foi aprovado o Protocolo de Cisão Parcial e Justificação da  Evaux,  que  fez  com  que  o  Grupo  John  Deere,  então  formado  pela  D&C,  DPS,  JDB,  JD  Participações  e SLC,  se  tornasse  independente  do  grupo  econômico  formado pela Schneider  Logemann. Sendo assim, houve a cisão parcial da Evaux com ruptura do quadro de sócios, em  que  foi  vertido  para  a  JDB  o  investimento  na SLC,  o  qual  justificou  o  ágio  pago  pela  JDB  mencionado  no  item  anterior.  Além  disso,  alegou  que  a  separação  desses  dois  grupos  econômicos  foi  o que motivou esta cisão, pois como a D&C era  líder mundial no campo do  agronegócio,  ela  poderia  atuar  de  forma  independente  no  Brasil.  Quanto  a  isso,  colacionou  quadro que demonstra como ficou a independência dos dois grupos após a cisão:  Fl. 3634DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCE LOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11070.722318/2011­07  Resolução nº  1103­000.167  S1­C1T3  Fl. 3.635            8    IX­) Em 31/7/1999, a SLC incorporou a JDB, realizando a incorporação reversa,  que foi feita de acordo com a lei, teve os Protocolos de Incorporação e Justificação aprovados e  teve a realização do Laudo elaborado pela empresa Ernst Young Auditores Independentes S/C.  Essa  incorporação  fez  com  que  os  quotistas  da  JDB  recebessem  ações  representativas  do  capital  social  da  SLC,  que  passou  a  ser  controlada  pela  JD  Participações,  pela D&C  e  pela  DPS,  que  possuía  apenas  uma  ação  ordinária  nominativa  que  foi  transferida  à D&C.  Juntou  quadro que demonstra a situação do grupo após a incorporação:     X­)  Após  essas  operações,  a  SLC  passou  a  escriturar  em  seu  Balanço  Patrimonial o ágio anteriormente apurado pela JDB no valor de R$ 156.425.562,00, que passou  a  ser amortizado de acordo com a  legislação e que  foi  fundamentado nas  razões econômicas  que o motivaram.  Afirmou que todas as reorganizações societárias retromencionadas foram feitas  de  acordo  com  a  legislação  brasileira  e  que,  diferentemente  do  que  foi  afirmado  pela  fiscalização, a Evaux não é uma empresa “veículo”, uma vez que essa, além de continuar ativa  até hoje (13 anos após a ocorrência dos fatos narrados), por ser uma holding, tem como objeto  a participação em outras sociedades.  Com relação ao item IX, afirmou que a incorporação da JDB foi necessária para  facilitar  a  administração  dos  negócios  da  D&C  no  Brasil  e  gerar  maior  integração  entre  as  empresas, de acordo com trecho da impugnação infratranscrito (fl. 2983 do e­processo):  “Conforme consta do referido Laudo, essa incorporação da JDB pela  SLC  de  justifica  uma  vês  que  a  JDB  era  uma  holding  que  passou  a  controlar  apenas  a  SLC,  sendo  que  a  D&C  já  possuía  a  JD  Participações como holding controladora da SLC. Por conta disso, de  modo  a  facilitar  a  administração  dos  negócios  da D&C  no  Brasil  e  gerar maior  integração  entre  tais  empresas,  a  incorporação  da  JDB  fez­se  necessária.  Importante  notar  que,  mais  uma  vez,  todos  esses  passos  foram  feitos  em  estrita  observação  da  legislação  brasileira  e  com completa transparência.”  Fl. 3635DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCE LOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11070.722318/2011­07  Resolução nº  1103­000.167  S1­C1T3  Fl. 3.636            9 Aduziu que as mencionadas reorganizações societárias sucessivas  fizeram com  que ocorresse a expansão da atuação da D&C no Brasil, a emancipação dessa atuação frente ao  Grupo Schneider Logemann e simplificou a estrutura do grupo econômico trazendo uma maior  integração e unidade administrativa.  Ressaltou que essas operações societárias analisadas ocorreram apenas em 1999  e envolveram empresas e relações societárias que haviam sido criadas em 1979 e 1996.  Afirmou  que,  diferentemente  do  que  foi  alegado  pela  fiscalização,  essas  operações não foram simuladas, pois tinham razões empresariais e extratributárias para serem  realizadas  dessa  forma.  Além  disso,  alegou  que  o  ágio  em  questão  originou  de  operações  verdadeiras, praticadas em condições de mercado e que visavam a reestruturação societária a  fim de ter uma maior participação, de forma independente, no mercado brasileiro.  Alegou  que  como  os  autos  de  infração  referem­se  a  operações  ocorridas  no  período­base de 1999, essa autuação encontra­se atingida pela decadência, tendo em vista que,  nos termos do artigo 150, § 4º, do CTN, deve ser observado o prazo de 5 anos a contar do fato  gerador  da  obrigação  tributária,  bem  como  que  o  direito  à  amortização  do  ágio  nasce  no  momento da incorporação.   Além disso, afirmou que o fato de essas operações produzirem efeitos futuros é  irrelevante  para  a  contagem  do  prazo  decadencial,  conforme  o  entendimento  do  Conselho  Administrativo de Recursos Fiscais.   Ainda em relação à decadência, aduziu que, mesmo que a fiscalização entenda  que a decadência dos tributos em questão deve ser contada anualmente, ao menos a exigência  de valores de  IRPJ e CSL referentes  aos  fatos geradores ocorridos no período­base de 2005,  está decaída.   Isso porque não houve dolo,  fraude ou simulação, não podendo ser aplicado o  prazo do artigo 173, I, do CTN, mas sim o do artigo 150, § 4º do mesmo diploma legal, bem  como tendo em vista que, segundo o Decreto­Lei 1.967, o artigo 150, § 4°, do CTN, o artigo 57  da Lei 8.981/95 e o artigo 28 da Lei 9.430/96, esses  são  tributos  sujeitos ao  lançamento por  homologação.  Ressaltou que é impossível alegar a inexistência do ágio em comento, uma vez  que a JDB adquiriu as cotas da recorrente por meio de cisão, observando o preço de mercado e  que,  por  ter adquirido  essas quotas por um valor  superior  ao valor do patrimônio  liquido da  recorrente, essa empresa foi obrigada a desdobrar o custo de aquisição em valor de patrimônio  liquido da recorrente e em ágio.   Dessa forma, consignou que, de acordo com o artigo 3º, § 3°, da Lei 7.713/88, a  conferência de bens em integralização de capital é ato de alienação/aquisição.   Apontou  que  a  JDB  adquiriu  a  recorrente  para  os  fins  do  artigo  7°  da  Lei  9.532/97,  que  não  determinou  uma  forma  específica  pela  qual  a  participação  poderia  ser  adquirida com ágio.  Acrescentou que, mesmo que a fiscalização não considere que a JDB adquiriu as  cotas da recorrente por cisão, há previsão legal e jurisprudencial para a existência desse ágio.  Fl. 3636DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCE LOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11070.722318/2011­07  Resolução nº  1103­000.167  S1­C1T3  Fl. 3.637            10 Alegou  que  a  cisão  parcial  com  a  versão  da  participação  retromencionada  representa uma alienação para a Evaux e uma aquisição para a JDB.  Quanto à regularidade da formação do ágio, afirmou que a JDB, ao adquirir as  cotas  da  requerente  na  cisão  parcial  da Evaux  e  desdobrar  em  sua  contabilidade  o  custo  de  aquisição do investimento que essa passou a deter em valor de patrimônio líquido da recorrente  e em ágio, agiu de acordo com a determinação do artigo 385 do RIR.  Isso porque o valor de  mercado da requerente era superior ao seu patrimônio líquido.   Nesse sentido, afirmou que o ágio mencionado se apresenta com a justificativa  econômica de expectativa de rentabilidade futura da requerente.  Apontou que a amortização fiscal do ágil foi realizada de forma correta, pois o  artigo 8º da Lei 9.532/97 estabelece que se a sociedade controlada incorporar a controladora, o  ágio deve ser tratado como um ativo amortizável para fins fiscais na sociedade sobrevivente à  incorporação, em um prazo mínimo de 5 anos.   Além disso, apontou que a doutrina estabelece que nesses casos, o que importa é  a unificação dos patrimônios dessas sociedades e não a ordem de incorporação. Quanto a isso,  colacionou doutrina e jurisprudência sobre os casos Gerdau, Tele Norte e Santander.  Aduziu  que  a  fiscalização  confere,  de  forma  equivocada,  uma  abrangência  estrita aos artigos 385 e 386 do RIR, e que, mesmo que  isso  fosse correto, as operações em  exame ainda estariam acolhidas por esses dispositivos.   Ainda acerca dos artigos supracitados, afirmou que não é verdadeira a alegação  da fiscalização no sentido de que a requerente não está submetida às suas regras por serem as  suas operações simuladas.  Quanto à alegação da fiscalização de que as empresas holding JDB e Evaux são  fraudulentas,  afirmou  que  essas,  por  serem  holding  puras,  possuem  apenas  participações  societárias, não sendo necessária a presença de empregados, receitas ou ativos. Nesse sentido,  colacionou doutrina.  Afirmou que, segundo o entendimento do Conselho Administrativo de Recursos  Fiscais, mesmo que  a Evaux e a  JDB fossem consideradas  empresas­veículos,  isso não seria  capaz de invalidar a sua estrutura e efeitos fiscais, uma vez que ela não teria levado ao registro  um ágio superior ao decorrente da aquisição direta da SLC no país.  Esclareceu que, diferentemente do que foi alegado pela fiscalização, não houve  um  planejamento  tributário,  mas  sim  uma  opção  fiscal,  na  qual  a  recorrente  optou  por  um  caminho plenamente regulado pela  lei para estruturar suas operações da forma mais benéfica  para ela. Sendo assim, afirmou que todos os atos praticados pela recorrente e pelo Grupo John  Deere observaram a legislação fiscal em vigor, a doutrina e a jurisprudência dominante.  Consignou que mesmo que não houvesse propósito negocial da JDB e da Evaux,  a  fiscalização não poderia desconsiderar esses negócios  jurídicos, pois o artigo 116 do CTN,  que  permite  a  desconsideração  nesse  caso,  não  é  auto­aplicável,  dependendo  de  regulamentação por  lei ordinária, a qual não ocorreu até o presente momento. Quanto a  isso,  juntou jurisprudência.   Fl. 3637DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCE LOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11070.722318/2011­07  Resolução nº  1103­000.167  S1­C1T3  Fl. 3.638            11 Aduziu  que,  uma  vez  que  a  substância  econômica  desse  caso  corresponde  ao  fato  de  que  a  D&C  aumentou  sua  atuação  no  mercado  brasileiro  por  meio  da  compra  do  restante da participação da SLC que ainda não se encontrava sob o seu controle, se o caso for  analisado sob a perspectiva da sua substância econômica, isso será favorável à recorrente.  Evidenciou  que  a  fiscalização  não  autuou  a  recorrente  alegando  simulação  ou  abuso  de  direito,  mas  sim  dolo  e  fraude  ao  realizar  uma  reestruturação  societária  com  o  objetivo de obter benefício fiscal indevido.  Com  relação  à  aplicação  da multa  qualificada  no  valor  de 150% da  exigência  principal, afirmou que essa deve ser ao menos reduzida para 75%, tendo em vista que o artigo  44, § 1°, da Lei 9.430/96 e os artigos 71 a 73, da Lei 4.502/64, determinam que essa só pode  ser  fixada  dessa  maneira  nos  casos  em  que  a  fiscalização  provar,  de  forma  inequívoca,  a  ocorrência de sonegação, fraude ou conluio, o que não ocorreu no presente caso. Quanto a isso,  colacionou jurisprudência.  Além  disso,  apontou  que  a  constituição  da  JDB  e  da  Evaux  foi  realizada  de  acordo com o que determina a legislação em vigor, não havendo nenhum elemento fraudulento  e  não  sendo  caracterizada  a  simulação,  uma  vez  que  essa  teve  o  intuito  econômico  e  extra  tributário de expandir a atuação da D&C no Brasil.   Aduziu  que  é possível  identificar  esse  intuito  através  da  análise  do  numerário  recolhido  pela  requerente  aos  cofres  públicos,  onde  no  ano­calendário  de  2001  foram  recolhidos R$  19.507.928,00  em  impostos  ao  fisco  sobre  suas  vendas,  e  R$  4.628.164,00  a  título de IRPJ. No ano­calendário de 2011 esses valores evoluíram para R$ 215.270.432,00 e  R$ 36.514.292,00, respectivamente.  Ressaltou que a multa qualificada mencionada não pode ser aplicada, pois, além  de o contribuinte ter agido de forma transparente e contribuído com a fiscalização, o percentual  da  penalidade  fiscal  deve  ser  definido  a  partir  de  um  juízo  valorativo  de  pertinência  e  de  adequação. De acordo com isso, colacionou doutrina e jurisprudência.    Afirmou que como a recorrente agiu de boa­fé e não houve erro de proibição,  deve ser observado o artigo 76, inciso II, alínea “a”, da Lei 4.502/64. Quanto a isso, colacionou  jurisprudência.  Ainda com relação à multa qualificada, afirmou que de acordo com a “teoria da  imputação subjetiva”, não há nesse caso nenhum aspecto objetivo ou subjetivo que permitam a  aplicação dessa penalidade.   Além disso,  alegou que  o  artigo  112  do CTN deve  ser  observado,  de modo  a  fazer com que a penalidade seja aplicada da maneira mais favorável ao contribuinte em casos  de  dúvida  sobre  a  capitulação  legal  do  fato  e  da  natureza  ou  circunstâncias  desses.  Nesse  sentido, colacionou doutrina.  Aduziu que não pode incidir juros de mora sobre o valor da multa lançada, pois  não  há  previsão  legal  da  atualização  das  multas  de  ofício,  bem  como  devido  ao  fato  de  o  dispositivo  que  embasa  o  entendimento  do  Fisco  é  expresso  no  sentido  de  que  apenas  os  débitos decorrentes de tributos e contribuições são atualizáveis.   Fl. 3638DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCE LOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11070.722318/2011­07  Resolução nº  1103­000.167  S1­C1T3  Fl. 3.639            12 Com  relação  à  aplicação  da  taxa  Selic,  alegou  ser  essa  indevida,  pois  a  jurisprudência  tem  reconhecido  a  sua  inaplicabilidade.  Quanto  a  isso,  colacionou  jurisprudência.   Por  fim,  requereu o  acolhimento  e provimento da  impugnação, de modo a  ser  reconhecida,  em  preliminar,  a  nulidade  dos  autos  de  infração  e  que,  se  essa  não  for  reconhecida,  seja  esse  declarado  improcedente,  cancelando­se  a  recomposição  dos  prejuízos  fiscais  e  da  base  de  cálculo  negativa  da  CSL  e  a  exigência  do  IRPJ  e  da  CSL.  Requereu  também que se  a  improcedência dos  autos de  infração não  for  reconhecida,  seja cancelada a  multa aplicada ou reduzida, no mínimo, a 75%, bem como seja cancelada a exigência de juros  pela taxa Selic.    DA DECISÃO DA DRJ   Em 22/5/2012, acordaram os membros da 1ª Turma de Julgamento da DRJ de  Porto Alegre, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação, de forma a manter  os lançamentos, conforme o entendimento que se segue.  Inicialmente,  alegou  que  eventuais  vícios  presentes  no  Mandado  de  Procedimento Fiscal (MPF) não acarretam a nulidade do processo,  tendo em vista que esse é  um  ato  de  controle  interno  da  administração  tributária,  de  caráter  gerencial  e  utilizado  para  determinar a realização do procedimento fiscal relativo aos tributos administrados pela Receita  Federal do Brasil.   Além disso, outro fator que faz com que esses vícios não acarretem a nulidade,  corresponde  ao  fato  de  o MPF  ter  sido  criado  por  ato  infralegal,  de modo  a  fazer  com  que  eventual vicio na sua emissão não tenha o poder de contaminar todo o procedimento fiscal ou o  lançamento propriamente dito,  já que  esses  são  regidos pelo CTN e pelo Decreto 70.235/72,  que  são  diplomas  normativos  de  hierarquia  superior  e  que  não  consideram  ser  o MPF  uma  condição de validade do lançamento.   Ainda  com  relação  ao  MPF,  afirmou  que  a  extrapolação  do  prazo  para  a  realização  do  procedimento  de  fiscalização  previsto  no  Mandado  de  Procedimento  Fiscal  (MPF) não impede que a fiscalização efetue o lançamento do crédito tributário. Quanto a isso,  colacionou jurisprudência.  Evidenciou que os lançamentos ocorridos nos anos­calendários de 2005 e 2006,  sendo que em 2006 não houve lançamento de crédito tributário em razão de o contribuinte ter  apurado  prejuízos  fiscais  e  base  de  cálculo  negativa  de  CSL,  não  estão  atingidos  pela  decadência.  Isso  porque,  como nesse  caso,  a  constituição  do  ágio  se  deu  de  forma  artificial,  simulada, dolosa e com o intuito de reduzir o montante dos tributos devidos, deve ser aplicado  o artigo 173, I, do CTN, que faz com que o prazo decadencial seja contado do primeiro dia do  exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.  Alegou que, ao analisar o prazo decadencial, deve ser considerado o direito que  a  fiscalização  tem  de  examinar  a  legalidade  de  todos  os  elementos  que  compõem  a  base  de  cálculo  do  período,  independentemente  do  período  transcorrido  entre  a  formação  desses  elementos  e  seu  aproveitamento. Além disso,  deve­se  também considerar que o  exercício de  um direito pelo titular pressupõe a prova da legalidade dos fatos constitutivos desse direito, não  Fl. 3639DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCE LOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11070.722318/2011­07  Resolução nº  1103­000.167  S1­C1T3  Fl. 3.640            13 importando o decurso do tempo, mas sim o fato de não ter ocorrido à decadência do direito de  a fiscalização efetuar o lançamento.  Ressaltou que a economia tributária não é vista como ilícita, exceto quando essa  é  feita de forma mascarada, onde os atos e negócios praticados se baseiam em uma aparente  legalidade, sem qualquer finalidade empresarial ou negocial.  Afirmou  que  quando  o  ágio  foi  contabilizado  não  se  falava  em  ocorrência  do  fato gerador e que, quando houve a sua contabilização por conta da incorporação da JDB em  31/7/1999, esse não foi adicionado ou excluído da base de cálculo do IRPJ e CSL, não havendo  nenhuma conseqüência tributária nesse período de apuração.  Aduziu que a  reestruturação societária em que a  recorrente participou  foi  feita  de  forma  artificial,  simulada  e  dolosa,  e  que  houve  um  planejamento  tributário  que,  aparentemente,  foi  realizado  sem  ferir  nenhuma  norma  legal,  mas  que  traz  em  seu  bojo  a  artificialidade  e  a  simulação,  devido  ao  fato  de  essa  ter  como  único  objetivo  a  redução  do  pagamento de tributos. Quanto a isso, colacionou doutrina.  Ressaltou que, apesar de não ser unanime, deve ser observado o entendimento  de que o direito ao planejamento tributário não pode ser absoluto, de modo a exigir com que  haja compatibilidade entre a existência do direito e o modo como esse é exercido, sob pena de  incorrer­se em abuso de direito. Nesse sentido colacionou jurisprudência.   Apontou  que  os  objetivos  fundamentais  da  República  Federativa  do  Brasil,  previstos no artigo 3º da Constituição Federal, só poderão ser atingidos se forem preservados  os  recursos oriundos da  tributação e que, para que  isso ocorra,  é necessário que os negócios  praticados com o intuito de disfarçar o real objetivo da operação, que é a redução de tributos,  sejam  combatidos.  De  acordo  com  isso,  citou  jurisprudência  e  realizou  uma  interpretação  comparada, analisando como é entendida essa operação em outros países.  Aduziu  que  é  possível  observar  a  simulação  ocorrida  através  da  análise  da  composição societária da D&C no inicio e no fim das operações, onde no início, essa detinha  40% do capital social da SLC e no fim, 100%.  Nesse sentido, alegou que a compra pela D&C da participação societária que a  Schneider Logemann detinha da SLC teve como único objetivo a criação de ágio passível de  amortização futura.  Acrescentou que a criação da JDB, a associação com a Evaux, a cisão dessa e a  incorporação da JDB pela SLC, foram procedimentos desnecessários para a obtenção, por parte  da D&C, de 100% do capital social da SLC.  Alegou que, de acordo com os artigos 7º e 8º, da Lei 9.532/1997 e o artigo 386  do RIR, é possível concluir que o procedimento adotado pelo contribuinte  foi  forjado com o  intuito  de gerar  um  ágio  interno  sem qualquer  suporte  econômico,  e que  a  autorização  legal  para  a  amortização  do  ágio  deve  ser  compreendida  dentro  do  contexto  histórico  em  que  foi  gerada.  Evidenciou que o ágio pago não seria passível de dedução na forma estabelecida  pelo  artigo  386  do  RIR,  se  a  aquisição  das  ações  tivesse  sido  feita  pela  John  Deere  Participações Ltda. ou pela SLC.  Fl. 3640DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCE LOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11070.722318/2011­07  Resolução nº  1103­000.167  S1­C1T3  Fl. 3.641            14 Com relação à multa aplicada de ofício, afirmou que, de acordo com os artigos  72, 73 e 74, da Lei 4.502/64 e o artigo 44, § 1º, da Lei 9.430, essa foi estabelecida de forma  correta, pois é possível identificar na compra e venda das ações da SLC a sonegação, fraude e  conluio, que são requisitos materiais para essa fixação.  Apontou  que,  de  acordo  com  a  Súmula  n°  4  do  Primeiro  Conselho  de  Contribuintes do Ministério da Fazenda, o artigo 61, § 3º, da Lei 9.430/1996 e o artigo 116, III,  da Lei 8.112/1990, a exigência de juros de mora com base na taxa Selic, calculados sobre os  valores do IRPJ e da CSL, está correta.  Aduziu  que  ,  tendo  em  vista  que,  até  o  presente momento,  não  foi  alegada  a  exigência de juros sobre a multa de ofício lançada, o pedido de revisão dessa resta prejudicado,  não havendo pronunciamento da DRJ acerca disso.  Por fim, alegou que esse processo foi analisado no plano da eficácia perante o  direito  tributário,  sendo  rejeitadas  as  preliminares  de  nulidade  e  de  decadência,  e  julgada  improcedente a impugnação, mantendo­se os lançamentos.     DO RECURSO VOLUNTÁRIO   Inconformada com a decisão, a recorrente interpôs, tempestivamente, recurso voluntário de fls.  3.406 a 3.460 (e­processo), reiterando o alegado em sede de impugnação.  Afirmou  que  a  recorrente  não  questionou  a  extrapolação  do  prazo  para  a  realização do  lançamento pela  fiscalização, mas  sim a  alteração do objeto  e dos períodos de  análise  do  MPF,  que  passou  a  não  corresponder  com  o  objeto  e  períodos  iniciais  do  procedimento fiscalizatório, o que, segundo o artigo 10 da Portaria nº 3.007/2001,  traz como  conseqüência a necessidade da realização de um MPF Complementar.  Por  conseguinte,  afirmou  que  ao  não  realizar  o  MPF  Complementar  a  fiscalização desrespeitou o principio da legalidade, pois ela, ao constatar uma suposta infração  à  legislação  tributária, deve efetuar o  lançamento do crédito  tributário de forma regular, com  estrita observação dos dispositivos legais.  Alegou  que  adquirir  participação  societária  com  ágio  é  uma  questão  factual  e  não interpretativa e que, de acordo com a análise dos documentos apresentados pela recorrente,  não é possível questionar a existência do ágio pago pela JDB. Isso porque a contabilização do  ágio foi feito de forma correta, já que, de acordo com o artigo 20 do Decreto­ lei nº 1.598/77,  como a participação que a JDB passou a deter na recorrente era superior ao patrimônio liquido  da recorrente, ela tinha a obrigação legal de contabilizar essa diferença como ágio relativo ao  investimento que passou a deter na recorrente.  Apontou  que  a  fiscalização  não  questionou  o  efetivo  pagamento  do  ágio  pela  recorrente, nem o fato de que houve aquisição em dinheiro.   Afirmou  também  que  o momento  da  incorporação  não  interfere  no  direito  da  recorrente ao ágio.  Fl. 3641DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCE LOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11070.722318/2011­07  Resolução nº  1103­000.167  S1­C1T3  Fl. 3.642            15 Com  relação à  afirmação da  fiscalização no  sentido de que  se a  aquisição das  ações fosse feita pela SLC – John Deere S.A. ou pela John Deere Participações Ltda., o ágio  pago  não  seria  passível  de  dedução  na  forma  do  artigo  386  do  RIR,  alegou  que  essa  está  incorreta, pois o ágio pago devidamente por uma dessas sociedades poderia ser regularmente  amortizado para fins fiscais nos termos da legislação.  Aduziu  que,  de  acordo  com  a  jurisprudência  e  a  doutrina  dominante,  o  ágio  gerado dentro de um mesmo grupo econômico pode ser amortizado para  fins  fiscais, mesmo  que esse não produza alterações de cunho contábil.  Consignou  que,  de  acordo  com  a  Lei  Complementar  104/2001  e  a  falta  de  regulamentação do artigo 116 do CTN, mesmo que não houvesse propósito negocial na criação  da JDB e da Evaux, a fiscalização não poderia desconstituir a operação realizada apenas pelas  suas motivações econômicas, já que essa foi feita de acordo com a legislação em vigor.   Por  fim,  requereu  que  seja  provido  o  recurso  voluntário,  de  modo  a  ser  reformada a  decisão  recorrida  e  reconhecida,  em preliminar,  a nulidade  do  auto  de  infração.  Requereu também, que se essa não for reconhecida, que seja cancelado integralmente o auto de  infração e todas as penalidades e juros aplicados.    É o relatório.  Fl. 3642DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCE LOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11070.722318/2011­07  Resolução nº  1103­000.167  S1­C1T3  Fl. 3.643            16     Voto Conselheiro Marcos Shigueo Takata  O  recurso  é  tempestivo  e  atende  aos  demais  requisitos  de  admissibilidade  (fl.  3.405­ numeração do e­processo). Dele, pois, conheço.  Como se viu do relatório, a questão central em lide diz respeito à dedutibilidade  da  amortização  do  ágio  pago  na  aquisição  de  participação  societária  na Evaux Participações  S.A., com fundamento econômico no investimento possuído pela Evaux, a SLC – John Deere  S.A. (atual John Deere Brasil Ltda., a recorrente).  Principio com o exame das preliminares de nulidade.  A recorrente alega que o MPF 1010800­2008­00548­3 fora emitido para análise  dos  efeitos  tributários  nas  ações  ordinárias  relativas  ao  “Plano  Verão”  (1989)  e  à  correção  monetária  diferença  entre  IPC  e  BTNF  para  fins  de  CSL  (1990).  Portanto,  seria  de  rigor  a  emissão de MPF Complementar (MPF­C), conforme o art. 10 da Portaria RFB 3.007/01, para a  fiscalização que culminou nos lançamentos referentes à glosa da amortização fiscal do ágio.  Eis a dicção do art. 7º, caput e §§ 1º a 5º, da Portaria RFB 11.371/07, vigente à  época do início do procedimento fiscal em discussão:  Art. 7º.O MPF­F, o MPF­D e o MPF­E conterão:  I ­ a numeração de identificação e controle;  II ­ os dados identificadores do sujeito passivo;  III ­ a natureza do procedimento fiscal a ser executado (fiscalização  ou diligência);  IV ­ o prazo para a realização do procedimento fiscal;  V  ­  o  nome  e  a  matrícula  do  AFRFB  responsável  pela  execução  do  mandado;  VI ­ o nome, o número do telefone e o endereço funcional do chefe do  AFRFB  a  que  se  refere  o  inciso  V;  e  VII  ­  o  nome,  a matrícula  e  o  registro  de  assinatura  eletrônica  da  autoridade  outorgante  e,  na  hipótese de delegação de competência, a indicação do respectivo ato.  §  1º.  O  MPF­F  e  o  MPF­E  indicarão,  ainda,  o  tributo  ou  contribuição objeto do procedimento fiscal a ser executado, podendo  ser fixado o respectivo período de apuração, bem como as verificações  relativas à correspondência entre os valores declarados e os apurados  na  escrituração  contábil  e  fiscal  do  sujeito  passivo,  em  relação  aos  tributos  administrados  pela  RFB,  cujos  fatos  geradores  tenham  ocorrido  nos  cinco  anos  que  antecedem  a  emissão  do  MPF  e  no  Fl. 3643DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCE LOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11070.722318/2011­07  Resolução nº  1103­000.167  S1­C1T3  Fl. 3.644            17 período  de  execução  do  procedimento  fiscal,  observado  o  modelo  aprovado por esta Portaria.  § 2º No caso de auditoria em matéria previdenciária, o prazo a que se  refere o § 1º será de dez anos.  § 3º Na hipótese de se fixar o período de apuração correspondente, o  MPF­F alcançará o exame dos livros e documentos, referentes a outros  períodos,  com  vista  a  verificar  os  fatos  que  deram  origem  a  valor  computado na escrituração contábil e fiscal do período fixado, ou dele  sejam decorrentes.  § 4º O MPF­D indicará, ainda, a descrição sumária das verificações a  serem realizadas, observado o modelo aprovado por esta Portaria.  §  5º.  O  MPF­E  indicará  a  data  do  início  do  procedimento  fiscal,  observado o modelo aprovado por esta Portaria.  [...]  Vale  lembrar  também o  que  dispunham os  arts.  8º,  11  a  14,  da  Portaria RFB  11.371/07,  os  quais  não  tiveram  seu  conteúdo  alterado  pela  superveniente  Portaria  RFB  3.014/11 (arts. 8º e 11 a 14):  Art. 8º. Na hipótese em que infrações apuradas, em relação a tributo  ou  contribuição  contido  no  MPF­F  ou  no  MPF­E,  também  configurarem, com base nos mesmos elementos de prova, infrações a  normas de outros tributos ou contribuições, estes serão considerados  incluídos  no  procedimento  de  fiscalização,  independentemente  de  menção expressa.  [...]  Art. 11. Os MPF terão os seguintes prazos máximos de validade:  I ­ cento e vinte dias, nos casos de MPF­F e de MPF­E;  II ­ sessenta dias, no caso de MPF­D.  Art.  12.  A  prorrogação  do  prazo  de  que  trata  o  art.  11  poderá  ser  efetuada pela autoridade outorgante, tantas vezes quantas necessárias,  observado,  em  cada  ato,  o  prazo  máximo  de  sessenta  dias,  para  procedimentos de fiscalização, e de trinta dias, para procedimentos de  diligência.  Art. 13. Os prazos a que se referem os arts. 11 e 12 serão contínuos,  excluindo­se  na  sua  contagem  o  dia  do  início  e  incluindo­se  o  do  vencimento, nos termos do art. 5º doDecreto nº 70.235, de 1972.  Parágrafo único. A contagem do prazo do MPF­E far­se­á a partir da  data do início do procedimento fiscal.  Art. 14. O MPF se extingue:  I  ­  pela  conclusão  do  procedimento  fiscal,  registrado  em  termo  próprio, com a ciência do sujeito passivo;  Fl. 3644DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCE LOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11070.722318/2011­07  Resolução nº  1103­000.167  S1­C1T3  Fl. 3.645            18 II ­ pelo decurso dos prazos a que se referem os arts. 11 e 12.  Parágrafo único. A ciência do sujeito passivo de que trata o inciso I do  caput deverá ocorrer no prazo de validade do MPF.  Em  acesso  ao  site  da  RFB,  para  consulta  ao  MPF  10.1.08.00­2008­00548­3  (http://www.receita.fazenda.gov.br/aplicacoes/atpae/mpf/confieWeb.asp),  mediante  código  de  acesso contido no termo de intimação fiscal nº 1 (fls. 2 e 3), constatei o seguinte.  Trata­se de MPF­F emitido inicialmente para fiscalização de IRPJ do período de  janeiro a dezembro de 2007 e de IPI de outubro de 2003 a dezembro de 2005. O MPF­F sofreu  inúmeras  alterações  –  um  total  de  15.  Muitas  delas  foram  para  mudança  dos  ARFB  responsáveis  pela  execução  do MPF­F,  outras  para  inclusão  de  PIS  e Cofins  do  período  de  setembro de 2004 a dezembro de 2004 e de CSL de janeiro a dezembro de 2007.  Constam alterações do MPF­F para inclusão do período de janeiro a dezembro  de 2006 e do período de janeiro a dezembro de 2005, para IRPJ.  Também  figura  a  relação  de  prorrogações  do  MPF­F  –  num  total  de  19  prorrogações  –  todas  dentro  do  prazo  previsto  no  art.  12  da  Portaria  RFB  11.371/07  e  da  Portaria RFB 3.014/11.  Significa  dizer,  o  MPF­F  em  questão  se  destinou  à  fiscalização  de  IRPJ  compreendendo os  períodos  autuados  de  2005  e  2006  (fls.  2942,  2949,  2950),  e  da CSL do  mesmos períodos (fls. 2952, 2958 e 2959), por força do art. 8º da Portaria RFB 11.371/07 e da  Portaria RFB 3.014/11.  Por  outro  lado,  a  análise  correspondente  aos  efeitos  tributários  gerados  pela  recorrente quanto às ações ordinárias se deu com base em outro MPF: o MPF­D (diligência)  1010800.2006.00270­3, como se nota do termo de intimação fiscal nº 1 (fls. 2 e 3).  Na linha das considerações expostas, rejeito as preliminares de nulidade.  A recorrente argui preliminar de mérito de decadência.  Os lançamentos se aperfeiçoaram em 23/11/11 (fls. 2941 e 2951).  Como  o  ágio  em  dissídio  foi  pago  na  aquisição  de  participação  societária  ocorrida  em  1999,  alega  a  recorrente  ter­se  consumada  a  decadência  para  a  glosa  da  amortização fiscal do ágio de 2005 e de 2006.  Embora o ágio pago na aquisição do  investimento na Evaux  tenha se dado em  1999, o efeito tributário dele decorrente se dá com sua amortização.   Imagine­se  que  em 2010  tenha  surgido  lei  alterando  a  taxa de  depreciação  de  bens do imobilizado. Suponha­se que haja um ativo do imobilizado da recorrente adquirido em  1999. A nova taxa de depreciação não seria aplicável à parcela remanescente desse ativo, ou,  noutras palavras, à despesa de depreciação incorrida a partir de 2011 e à sua contrapartida de  depreciação acumulada não seria aplicável a nova taxa de depreciação legal? A resposta a essa  pergunta seria negativa,  i.e., seria aplicável a nova taxa de depreciação legal para as despesas  de depreciação incorridas e a serem deduzidas a partir de 2011.   Fl. 3645DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCE LOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11070.722318/2011­07  Resolução nº  1103­000.167  S1­C1T3  Fl. 3.646            19 Não se haveria de falar em direito adquirido à depreciação, mas de respeito ao  ato jurídico perfeito. A proteção ao direito adquirido não se dá mediante a irretroatividade da  norma, mas por meio da eficácia diferida da norma revogada ou da chamada eficácia pós­ativa  da lei anterior. A proteção ao ato jurídico perfeito se dá por meio da irretroatividade da norma.  Tal proteção se daria no exemplo posto.  A decadência  também se opera em relação à despesa  incorrida de amortização  do ágio, ou à exclusão da parcela do valor do ágio do lucro líquido.   Dito melhor, o prazo decadencial para se lançarem os tributos toma como marco  a data da despesa incorrida e deduzida de amortização do ágio ou de exclusão do lucro líquido  de parcela do ágio ­ hipótese de ágio amortizado contabilmente antes do evento que permite a  dedução do ágio, e sem se se tenha ativado tal parcela no antigo ativo diferido e se lançado sua  contrapartida em aumento do PL.   Isso,  ainda que o motivo da glosa das  amortizações  fiscais do  ágio  tenha  sido  por ex. o vício genético que contamine o ágio (ágio interno artificial ou sem causa).   Dessa forma, rejeito a preliminar de decadência sob o fundamento ora analisado.  Articula a recorrente, subsidiariamente, que se teria consumada a decadência em  relação aos  lançamentos de IRPJ e de CSL para o ano­calendário de 2005, por eles se  terem  aperfeiçoado em 23/12/11, com a aplicação do prazo decadencial do art. 150, § 4º, do CTN.  Aqui comparem dois pontos.   Em matéria de decadência de lançamento, o julgamento do REsp 973.733/SC foi  afetado ao procedimento repetitivo, tendo como relator o Ministro Luiz Fux.  No acórdão a esse REsp, o STJ consagrou a exegese de que o art. 150, § 4º, do  CTN  só  é  aplicável  caso  haja  algum  pagamento  de  tributo  sujeito  a  lançamento  por  homologação;  do  contrário,  o  prazo  decadencial  é  o  do  art.  173,  I,  do  CTN.  Entretanto,  o  mesmo  acórdão  do  STJ,  em  seu  dispositivo,  embora  faça  remissão  ao  art.  173,  I,  do  CTN,  proclama que o termo a quo do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte ao do  fato gerador! Ora, este prazo não condiz com o do art. 173, I, do CTN, pelo qual o termo inicial  é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido realizado,  nem com o do art. 150, § 4º, do CTN.   Em que pese o dislate redacional, diante da expressa referência ao art. 173, I, do  CTN, inclusive com citações doutrinárias, parece­me que a melhor interpretação do dispositivo  do  acórdão  é  o  de  reconhecer  a  aplicabilidade  do  art.  173,  I,  nos  termos  do  CTN,  pois  a  literalidade  redacional  do  contido  no mesmo  dispositivo  não  tem  ponto  com  nenhum  termo  inicial algum previsto no CTN.  Logo, o primeiro ponto é o de que, mesmo que não haja simulação ou fraude,  para aplicação do prazo do art. 150, § 4º, do CTN,  impõe­se haver a comprovação de algum  pagamento de IRPJ e de CSL.   As  fichas  11  e  16  da  DIPJ/06  indicam  haver  estimativa  de  IRPJ  a  pagar  em  janeiro e fevereiro de 2005 e estimativa de CSL a pagar nos mesmos meses; na ficha 12A da  DIPJ/06 é informada a dedução de IRRF por órgãos públicos federais; na ficha 17 da DIPJ/06 é  Fl. 3646DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCE LOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11070.722318/2011­07  Resolução nº  1103­000.167  S1­C1T3  Fl. 3.647            20 informada a dedução de CSL na fonte por órgãos públicos federais e por entes privados; tudo  conforme fls. 2314 a 2323.  Antecipo que, para mim, as retenções de IRF e de CSL importam em pagamento  a que se referem o caput, e os §§ 1º e 3º do art. 150 do CTN. O informe de rendimentos é o  documento hábil e suficiente para dedução do IRRF, nos termos do art. 943, § 2º, do RIR/99.  Mutatis mutandis, o mesmo vale para a CSL na fonte. Dedução do IRPJ é dizer pagamento de  IRPJ,  tal como o é o pagamento ou adimplemento de estimativa de  IRPJ, que é deduzido do  IRPJ. Igualdade de razões para a CSL.   Não há nos autos, porém, nenhum informe de rendimentos e de retenção de IRF  e de CSL, nem comprovantes de pagamentos de estimativas de IRPJ e de CSL.   De todo modo, esse ponto ganhará relevo jurídico no feito apenas se for afastada  a multa qualificada. Esse é o segundo ponto. O de que, para aplicabilidade do prazo do art. 150,  §  4º,  do  CTN,  impõe­se  inexistir  simulação  ou  fraude.  Como  houve  inflição  de  multa  qualificada, o exame da decadência dependerá do exame do mérito em sentido amplo, o que  inclui a multa.   Portanto, deixo a apreciação da questão da decadência quanto ao ano­calendário  de 2005, para depois do enfrentamento do mérito, caso não resulte prejudicada.  Passo ao exame do mérito.  Importa deixar claro os limites objetivos da lide.  No  item “6. Das operações societárias realizadas pela contribuinte em 1999”  do Termo de Constatação Fiscal que integra os lançamentos constam os seguintes registros.   Que o laudo de avaliação produzido por empresa especializada, posteriormente à  aquisição do investimento na Evaux, cujo ativo era o investimento na SLC – John Deere S.A.,  foi  fundamentado  na  expectativa  de  rentabilidade  futura  desse  último  investimento.  Que  a  natureza do  ágio  alegada  foi  a  rentabilidade  futura da SLC –  John Deere S.A.,  ignorando­se  qualquer parcela derivada de fundo de comércio da SLC – John Deere S.A. E, nesse sentido, há  o  contrato  de  cessão  e  transferência  de marca,  de  30/6/99,  pelo  qual  a Schneider Logemann  S.A.  cede  gratuitamente  a marca mista  “SLC”  registrada  no  INPI  para  a SLC –  John Deere  S.A. Isso, nas fls. 2897 e 2898.  Esse  ponto  consta  somente  nessas  fls.  dos  autos  no  item  “6.  Das  operações  societárias realizadas pela contribuinte em 1999”, e num parágrafo do item “13. Conclusão”  (fl. 2936), do Termo de Constatação Fiscal.   O  item  “7.  Das  provas  identificadas  pela  fiscalização  no  contexto  das  operações  realizadas  e  sociedades  constituídas”  do  Termo  de  Constatação  Fiscal  foca  na  questão de como foram utilizadas as empresas Evaux e JDB consideradas veículos simulados  ou veículos abusivos.  O  item “8. Do posicionamento da  fiscalização a  respeito da  consideração do  propósito  negocial  para  determinação  dos  efeitos  tributários  das  operações  examinadas”  é  decorrência  do  consignado  no  item  “7”,  e  dá  o  fecho  conclusivo  sobre  as  citadas  empresas  veículos simuladas ou empresas veículos abusivas.   Fl. 3647DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCE LOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11070.722318/2011­07  Resolução nº  1103­000.167  S1­C1T3  Fl. 3.648            21 O item “9. Da amortização do ágio apurado pela John Deere do Brasil Ltda. e  vertido  por  incorporação  para  a  contribuinte”  cuida  somente  dos  valores  amortizados  até  2004,  e  dos  valores  amortizados  nos  anos­calendário  de  2005  e  2006,  estes  objeto  das  autuações.  O  item “10.  Da  base  legal  relacionada  às  operações  societárias  realizadas”  traz as regras para amortização fiscal do ágio para concluir por sua inaplicabilidade. O item  “11.  Da  fundamentação  para  qualificação  das  infrações  e  para  extensão  do  período  de  fiscalização  para  o  ano­calendário  de  2005”  faz  remissão  ao  item  “7”,  para  qualificação  da  multa.   O  item  “12.  Da  condição  de  responsável  solidária  da  contribuinte,  na  qualidade  de  sucessora  por  incorporação,  e  de  beneficiária  das  vantagens  tributárias  auferidas  na  amortização  do  ágio  gerado  nas  operações”  versa  somente  sobre  a  responsabilização da recorrente.   Há  contradição  em  termos  nesse  item  ao  chamar  de  contribuinte  a  sucessora,  responsável.  Também,  ao  chamar  de  responsável  solidária,  na  inexistência  da  figura  da  contribuinte por incorporação. Se a incorporada era simulada, então, o caso seria simplesmente  de contribuinte, sem alusão à responsabilidade, seja por sucessão ou por outro modo. Apesar  disso, não diviso aí vício a vitimar os lançamentos.  Do  exame  integral  do  Termo  de  Constatação  Fiscal,  e,  principalmente,  da  análise  contextual  da  valoração  dos  fatos  feita  pelo  autuante,  concluo  que  o  motivo  das  autuações se fixa e se identifica nas questões referentes às empresas veículos. Vê­se que todo o  foco contextual está nessas questões.   Essa  é  a  conclusão  a  que  chego,  para  delimitação  da  lide.  Logo,  os  limites  objetivos da lide se estabelecem, a meu ver, nas questões das empresas veículos.  Posto isso, prossigo com a apreciação de tais questões.  Para  tanto,  recapitulo,  sinteticamente,  os principais passos das operações  até  a  amortização fiscal do ágio em dissídio:  a)  O grupo D&C (Deere & Company) do exterior passou a  investir no País  em  1979,  pela  associação  com  o  grupo  Schneider  Logemann,  com  aquisição de 20% do capital da SLC S.A. Indústria e Comércio;  b)   Em 1996, o grupo D&C ampliou sua participação na SLC S.A., para 40%,  e constituiu a holding John Deere Participações Ltda., que passou a ser a  investidora direta da SLC S.A.;  c)   Em  1998,  o  grupo  Schneider  Logemann,  por  meio  da  Schneider  Logemann  S.A.  (atualmente  com  denominação  de  SLC  Participações  S.A.) constitui a holding Evaux Participações S.A. Em 1999 (junho), foi  conferida  a  seu  capital  social  toda  a  participação  possuída na SLC S.A.  (então com denominação alterada para SLC – John Deere S.A.) –  i.e.,  a  Schneider  Longemann  S.A.  conferiu  ao  capital  da  Evaux  Participações  S.A.  toda  a  participação  societária  possuída  na  SLC  –  John Deere  S.A.  (denominação anterior, SLC S.A. Indústria e Comércio);   Fl. 3648DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCE LOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11070.722318/2011­07  Resolução nº  1103­000.167  S1­C1T3  Fl. 3.649            22 d)   Em  junho  de  1999,  o  grupo  D&C  constituiu  a  holding  John  Deere  do  Brasil  Ltda.,  capitalizando­a  em  R$  154.558.300,00,  e  lhe  emprestando  R$ 155.451.600,00;  e)   Com  tais  recursos,  em  30/6/99,  a  John  Deere  do  Brasil  Ltda.  (JDB)  promoveu  a  integralização  do  capital  que  subscreveu  na  Evaux  Participações  S.A.,  sendo  R$  72.775.246,00  destinados  à  conta  capital  social  e  R$  232.767.654,00  destinados  à  conta  de  reserva  de  ágio  em  reservas  de  capital  (PL)  da  Evaux.  No  caso,  a  JDB  pagou  R$  305.542.800,00  pela  participação  na  Evaux  (por  subscrição  e  integralização  do  capital),  sendo  R$  149.117.238,00  correspondentes  a  VP (valor patrimonial) e R$ 156.425.562,00 de ágio;  f)   Em  1/7/99,  houve  a  cisão  parcial  da  Evaux,  com  ruptura  do  quadro  de  acionistas,  sendo  vertido  todo  o  investimento  da  Evaux  na  SLC  ­  John  Deere S.A. (denominação anterior, SLC S.A. Indústria e Comércio) para a  JDB. Permaneceu como acionista da Evaux a Schneider Logemann S.A.  (atualmente com denominação de SLC Participações S.A.);  g)   No final de julho de 1999, a JDB foi incorporada pela SLC ­ John Deere  S.A.  (SLC  S.A.),  e  a  incorporadora  passou  a  ter  denominação  de  John  Deere Brasil Ltda. (a recorrente).  Nota­se  que,  ao  tempo  de  incorporação  da  JDB  pela  SLC  S.A.  (SLC  –  John  Deere S.A.), a JDB possuía participação de 100% do capital da SLC S.A.  De  início,  pontuo  que,  das  três  holdings  citadas,  crítica  ou  questionável  é  a  criação  da  Evaux  Participações  S.A.  Trata­se  de  sociedade  criada  em  10/7/98,  com  a  denominação  da  Aços  Planos  do  Sul  S.A.,  que,  em  31/8/98,  passou  a  ter  denominação  de  Evaux Participações S.A.  Em 25/6/99, o capital da Evaux Participações S.A. foi aumentado de R$ 100,00  para R$ 149.117.238,00, com emissão de 621.321.825 ações ordinárias, por conferência a seu  capital pela Schneider Logemann S.A. de 62.102.108 ações ordinárias da SLC – John Deere  S.A.  Isto  é,  toda  a  participação  que  a  Schneider  Logemann  possuía  na  SLC  (60%  de  seu  capital) foi transferida para a holding Evaux.  Em 30/6/99, o capital da Evaux foi novamente aumentado, desta vez subscrito e  integralizado  por  John  Deere  do  Brasil  Ltda.  (JDB),  em  dinheiro.  A  JDB  transferiu  para  a  Evaux  R$  305.542.800,00,  com  emissão  de  303.230.193  ações  ordinárias  (com  aumento  de  capital da Evaux de R$ 72.775.246,00; passou de R$ 149.117.338,00 para R$ 221.892.584,00).   Em 1/7/99, a Evaux sofreu cisão parcial  com ruptura do quadro de acionistas,  deixando de ser acionista da Evaux a JDB, para quem foi vertido o investimento na SLC – John  Deere S.A. (40% de seu capital), ficando a Schneider Logemann S.A. como única acionista da  Evaux, na qual ficaram os recursos transferidos pela JDB (R$ 305.542.800,00).  Esse desenho conspira para a configuração do chamado “casa e separa”, em que  uma  parte  fica  com  o  dinheiro  e  a  outra  com  o  bem  ou  direito,  para  se  evadir  de  ganho  de  capital  de R$ 156.425.562,00: diferença  entre R$ 305.542.800,00  (que  foram aportados pela  JDB para a Evaux) e o VP do investimento na SLC da Schneider Logemann S.A. (valor pelo  Fl. 3649DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCE LOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11070.722318/2011­07  Resolução nº  1103­000.167  S1­C1T3  Fl. 3.650            23 qual  se deu  a versão do  investimento na SLC para  a Evaux,  e que era  seu valor  contábil  na  investidora Schneider Logemann S.A.).  Aqui se põe com toda a força de sentido uma razão negocial ou extrafiscal, para  que  o  “casamento”  fosse desfeito  no  dia  seguinte,  e,  ainda,  com cronologia  determinada  em  contrato, o que foi o caso – o contrato previa que a Evaux não poderia  inclusive  ter nenhum  outro ativo, nem passivo.   Diante  desse  cenário,  o  argumento  posto  pela  recorrente  de  que  se  intentou  a  separação dos dois grupos, a Schneider Logemann e a D&C, sendo essa a justificativa para a  cisão, depõe contra ela.   Esse ponto é crítico. Mas se cuida de questão que escapa a esta lide.  Por outro lado, em que pese a questão crítica do uso da Evaux para a chamada  operação “casa e separa”, não há como se negar que houve a aquisição do investimento na SLC  –  John Deere S.A.  (SLC),  com o aporte de dinheiro na Evaux. Não há como  se  recusar que  houve  a  aquisição  de  participação  na  SLC  (60%),  por  R$  305.542.800,00,  com  VP  de  R$  149.117.238,00 e ágio de R$ 156.425.562,00.  O que havia na Evaux era tão só o investimento na SLC (60% do capital dessa).  Logo, o valor patrimonial (VP) na Evaux era igual ao valor patrimonial na SLC; o ágio pago se  justificava no investimento na SLC.   O  valor  de  equivalência  patrimonial  (valor  patrimonial)  do  investimento  na  Evaux possuído pela JDB era o valor de equivalência patrimonial (valor patrimonial) na SLC  possuída pela Evaux: R$ 149.117.238,00. A diferença entre R$ 305.542.800,00 aportados pela  JDB e o valor patrimonial do  investimento na SLC (igual ao VP do  investimento na Evaux)  corresponde  ao  ágio  de R$  156.425.562,00  pago  com  fundamento  no  investimento  na  SLC.  Fundamento econômico do ágio na rentabilidade futura expectada da SLC.  É  inolvidável  que  a  aquisição  de  60%  de  participação  na  SLC  (seu  valor  patrimonial era de R$ 149.117.238,00) se deu com pagamento de ágio de R$ 156.425.562,00.   A isso não interfere e nada tem de ver a chamada operação “casa e separa” à  qual o desenho  já exposto acusa. O ganho de capital decorrente da operação “casa e separa”  seria da alienante, Schneider Logemann S.A., ainda que eventualmente pudesse ser imputável a  responsabilidade solidária da JDB. Porém, isso é questão estranha ao nascimento e à higidez  do ágio pago na aquisição do investimento na SLC. Repito, não há como se escusar que houve  pagamento pela aquisição societária de terceiro, ou seja, houve pagamento de ágio legítimo na  aquisição de participação na SLC, que o justifica.  Com tal aquisição, a JDB passou a ter 60% da SLC e a outra holding da Deere  & Company, a John Deere Participações Ltda., ficou com 40% da SLC.  A John Deere do Brasil Ltda. (JDB) foi criada em 3/2/99, com denominação de  Sassatune  Comercial  Ltda.  Em  15/6/99,  suas  sócias  passaram  a  ser  a  Deere  &  Company  (D&C),  com  99  cotas,  e  a  Deere  Payroll  Services,  Inc.  &  Company  com  1  cota,  e  a  denominação foi alterada para John Deere do Brasil Ltda. Em 28/6/99, a John Deere do Brasil  Ltda.  foi  capitalizada  pela  D&C  em  dinheiro,  no  montante  de  R$  154.558.300,00  (correspondentes a US$ 86.500.000,00, conforme contrato de câmbio 99/003706). Também em  Fl. 3650DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCE LOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11070.722318/2011­07  Resolução nº  1103­000.167  S1­C1T3  Fl. 3.651            24 junho de 1999, a John Deere do Brasil Ltda. obteve recursos do exterior (passivo) da D&C no  valor de US$ 87.000.000,00, correspondentes a R$ 155.451.600,00 em 31/7/99.  Relembra­se  que  a  aquisição  do  investimento  na SLC  pela  JDB,  por meio  da  aquisição  de  participação  na  Evaux,  ocorreu  em  30/6/99.  A  cisão  parcial  da  Evaux  (a  “separação”) ocorreu no dia seguinte, 1/7/99, com versão do investimento na SLC para a JDB,  deixando esta de ser acionista da Evaux – na qual ficaram os recursos nela aportados pela JDB,  permanecendo acionista da Evaux a Schneider Logemann S.A. (atualmente com denominação  de SLC Participações S.A.).  Em 31/7/99 houve a  incorporação da JDB pela SLC, ocasião em que a Deere  Payroll Services, Inc. & Company cedeu sua única ação na SLC recebida com a incorporação  para a D&C.   Com  isso,  o  valor do  ágio  pago  na  aquisição  da SLC  foi  registrado  no  antigo  ativo diferido, para passar a ser amortizado fiscalmente.   Não entro no detalhe de constituição ou não de provisão no valor da diferença  entre  o  ágio  e  o  benefício  fiscal  de  sua  amortização,  para  registro  da  contrapartida  do  ativo  diferido pelo valor do benefício fiscal no PL, ou sem a provisão, com registro da contrapartida  do ativo diferido pelo valor total do ágio no PL. Aliás, na primeira alternativa, o que ocorrerá  para  a  investidora  da  incorporada  (e  que  passa  a  ser  a  investidora  da  incorporadora)  é  uma  redução no valor do investimento na incorporadora (pelo MEP); redução do valor patrimonial  na incorporadora.  Nota­se que  a D&C possuía outra holding,  a John Deere Participações Ltda.,  constituída em 1996, para a qual foi vertida a participação que a D&C tinha na SLC de 20%,  desde 1979. E em 1996, a holding recém constituída John Deere Participações Ltda. adquiriu  mais 20% de participação na SLC. Essa holding permanece até hoje, com 40% de participação  na John Deere Brasil Ltda. (atual denominação da SLC).  Se a capitalização para aquisição dos 60% na SLC tivesse se dado nessa holding  e  ela  tivesse  sido  incorporada  pela  SLC,  o  mesmo  ágio  seria  questionável  sob  motivo  de  empresa veículo simulada? Não vejo como se pudesse.  Qual a diferença entre  isso e a capitalização ocorrida em outra holding, a qual  adquiriu os  remanescentes 60% na SLC, com a  incorporação daquela por essa? Não consigo  divisar nenhuma diferença essencial.   Por questão de ordem lógica, se faz necessária a pergunta: se a D&C já possuía  uma  holding  desde  1996  que  tinha  a  participação  de  40%  na  SLC,  por  que  razão  ela  se  sujeitaria a questionamento?   De  forma  analítica,  a  D&C  constituiria  outra  holding,  capitalizando­a  para  aquisição dos 60%  remanescentes da SLC em mãos de  terceiro,  para  aquela  ser  incorporada  por essa, e sofrer questionamento fiscal, quando, se fizesse exatamente o mesmo, por meio da  holding existente desde 1996, a qual já possuía 40% da SLC, não se colocaria tal questão?   Não  me  parece  fazer  o  menor  sentido.  Justamente  porque  não  há  nenhuma  diferença entre as duas situações. Justamente porque não há razão para simular.   Fl. 3651DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCE LOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11070.722318/2011­07  Resolução nº  1103­000.167  S1­C1T3  Fl. 3.652            25 É o art. 8º da Lei 9.532/97 que induz à confusão patrimonial por incorporação  reversa, ou cisão reversa, ao permitir a amortização fiscal do ágio. Dito de outro modo, a lei  diz “tanto faz” quem absorve quem, se a investidora incorpora a investida ou vice­versa. Note­ se  que  não  se  põe  aqui  a  questão  de  simulação  relativa  de  incorporação,  i.e.,  se  quem  efetivamente incorporou foi a declarada incorporada ou se foi mesmo a incorporadora.   Se a holding  existente desde 1996  tivesse  sido capitalizada para aquisição dos  60% da SLC e fosse incorporada por essa, e, ato contínuo, a D&C constituísse outra holding no  País,  transferindo  para  essa o  investimento  na SLC,  a  aquisição,  a  incorporação  reversa,  e  a  constituição  de  outra  holding  seriam  questionáveis?  Ou  melhor,  o  ágio  amortizado  seria  questionável? Não por empresa veículo simulada.   Na situação acima, ao invés de se constituir outra holding no País, se a operação  parasse na SLC, esta incorporando a holding existente desde 1996, mudaria algo? A resposta à  pergunta feita no parágrafo precedente seria outra? Não me parece ser possível.  Por um problema de ordem lógica é que faço a colocação de tais perguntas ou  questionamentos.   Repiso. É a lei que diz expressamente que até mesmo por incorporação reversa  ou por cisão reversa é permitida a amortização fiscal do ágio – sob fundamento econômico da  perspectiva de  rentabilidade  futura. Abstraia­se a questão do  fundamento econômico do ágio  para o que ora se acentua.   A  dedução  da  amortização  do  ágio  é  um  benefício  fiscal,  assim  entendo, mas  concedido  inclusive  com  indução  de  comportamento,  exigindo­se  somente  a  confusão  patrimonial.  Por aí se vê que, com a devida vênia, não há como se sustentar o argumento do  órgão julgador de origem de que, se a aquisição das ações tivesse sido feita pela própria SLC –  John  Deere  S.A.  ou  pela  John  Deere  Participações  Ltda.,  o  ágio  não  seria  passível  de  amortização fiscal.   Acabamos de ver que se a John Deere Participações Ltda., existente desde 1996  e  que  possuía  40%  das  ações  da  SLC,  fosse  a  adquirente  das  ações  da  Evaux,  e,  pois,  a  adquirente de 60% das ações da SLC, o ágio  seria passível de amortização  fiscal. Claro que  com a incorporação da John Deere Participações Ltda. pela SLC (incorporação reversa) ou com  a incorporação da SLC pela John Deere Participações Ltda.   Já, a SLC – John Deere S.A. (ou simplesmente SLC) jamais adquiriria as ações  da Evaux, por uma razão elementar:  isso implicaria participação recíproca ou o equivalente à  aquisição das próprias ações para registro em tesouraria. Isso seria descapitalizar a SLC, ainda  que momentaneamente.   Mesmo na hipótese acima, em que a participação seria registrada a débito no PL  (e  não  como  ativo)  na  SLC  –  John Deere  S.A.,  quando  ela  voltasse  a  ser  capitalizada,  i.e.,  alguém adquirisse essa participação societária, e pagando ágio, a partir do momento em que a  adquirente,  por  ex.,  fosse  incorporada  pela  investida,  o  ágio  pago  nessa  aquisição  seria  amortizável fiscalmente. Isso, na medida em que o fundamento econômico do ágio tenha sido a  rentabilidade futura expectada da SLC, e desde que o adquirente não seja controladora da SLC,  pois estamos tratando de um novo ágio.   Fl. 3652DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCE LOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11070.722318/2011­07  Resolução nº  1103­000.167  S1­C1T3  Fl. 3.653            26 Daí as colocações feitas serem necessárias, a meu ver, para equacionamento de  um problema de ordem lógica.  Na  linha dessas  considerações,  a holding  JDB  foi  capitalizada  com dinheiro  e  adquiriu  com  ágio  60%  de  participação  na  SLC.  Praticamente  um  mês  depois  seguiu­se  a  incorporação reversa ­ incorporação da JDB pela SLC.   É o art. 8º da Lei 9.532/97.  E  é  sabido  que  a  Lei  9.532/97  induz  comportamentos  dessa  forma,  para  estimular  investimentos no País, seja por empresas nacionais, seja por empresas estrangeiras,  com a concessão do tratamento de dedutibilidade do ágio pago na aquisição de investimentos  no  País.  Benefício  fiscal  estimulado  pela  lei.  Não  havendo  interesse  nisso,  há  o mecanismo  constitucional e político: revogue­se a lei.   Se  é  a  lei  que  induz  e  permite  a  amortização  fiscal  do  ágio  com  a  confusão  patrimonial,  como poderia  o  investidor  estrangeiro  exercer  esse  estímulo  concedido  pela  lei,  sem uma empresa no País para adquirir o investimento (no País)?   A  lei não  vedou; pelo  contrário, estimulou.  E  o  fez  sabidamente  incluindo  os  investimentos estrangeiros no País – dificilmente alguém negará isso.  Ou,  ainda,  em  outras  palavras,  a  lei  não  exige  que  uma  empresa  operacional  adquira  outra  com  ágio  para  que  este  seja  amortizável  fiscalmente,  com  a  incorporação  da  investidora  pela  investida  (incorporação  reversa)  ou  por  incorporação  da  investida  pela  investidora.  Cito, v.g., nesse sentido, excertos do voto condutor do ilustre Conselheiro Rafael  Correia Fuso, no Acórdão nº 1201­00.689, da 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção de  Julgamento do CARF, em decisão unânime:  ­ Tanto é que após a constituição de uma nova sociedade com as ações  da  Celpe  na  empresa  veículo,  esta  foi  incorporada  pela  Celpe,  deixando de existir, demonstrando que a Neoenergia manteve­se como  controladora  da  Celpe,  que  fora  privatizada  para  manter­se  na  sua  atividade  de  distribuição  de  energia  na  região  do  Estado  de  Pernambuco;  [...]­ O Resultado,  tanto pela incorporação às avessas pela Celpe das  empresas controladoras, que  formaram o novo grupo de  investidores,  quanto  após  a  criação  da  empresa  veículo  Leicester  seria  o mesmo  [observamos,  foi  usada  a  empresa  veículo  Leiceiter,  que  fora  incorporada  pela  Celpe],  qual  seja  o  aproveitamento  do  ágio  pela  empresa  privatizada,  sob  o  fundamento  trazido  no  artigo  386  do  RIR/99,  visto  que  na  operação  que  gerou  o  ágio  existe  laudo  de  rentabilidade  futura  mencionado  no  próprio  Edital,  elaborado  pelo  Governo,  que  impôs  preço  mínimo  para  a  aquisição  da  empresa  estatal; (destacamos)  Repito. O problema foi o uso da Evaux para o que conspira a operação “casa e  separa”. Porém, essa é questão fora da lide e que não contamina a aquisição do investimento  subjacente, o investimento na SLC.  Fl. 3653DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCE LOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11070.722318/2011­07  Resolução nº  1103­000.167  S1­C1T3  Fl. 3.654            27 Por força do que ficou deduzido neste voto, dou provimento ao recurso quanto à  amortização fiscal do ágio.  Ainda que se ultrapasse esse juízo, não vejo, pelas mesmas razões expendidas,  como se possa qualificar a multa.  Como deduzi  alhures,  havendo  a holding  John Deere Participações Ltda.,  que  possuía 40% de participação da SLC – John Deere S.A. desde 1996, não há razão para abuso  nem razão para simular.  Ainda mais  se considerarmos a  jurisprudência da época dos  fatos  em dissídio,  1999, no máximo se poderia cogitar de erro de proibição, diante da visão diferente dos fatos  nessa época.  Enfim,  desnecessárias  mais  palavras  para  se  concluir  que  não  há  elemento  subjetivo do tipo para qualificação da multa.   Por  conseguinte,  sobre  essa  questão  dou  provimento  ao  recurso  para  afastar  a  inflição da multa qualificada.  Não vejo  necessidade  de  enfrentar outra  questão  prejudicada,  a  da  decadência  dos lançamentos relativos ao ano­calendário de 2005.  Sob essa ordem de considerações e juízo, dou provimento ao recurso.  É o meu voto.  Sala das Sessões, em 3 de fevereiro de 2015   (assinado digitalmente)  Marcos Takata ­ Relator    Voto Vencedor  Conselheiro Breno Ferreira Martins Vasconcelos  Em  seu  brilhante  voto,  o  Eminente  Relator  deu  provimento  ao  recurso  voluntário quanto à amortização fiscal do ágio e entendeu prejudicada, portanto, a análise da  decadência.   Tendo em vista,  porém,  a possibilidade de os membros desta Turma  julgarem  indedutível  a  despesa  correspondente  à  amortização  do  ágio,  entendo,  com  a  devida  vênia,  necessário analisar esse argumento da recorrente (decadência).  Por  força  do  art.  62­A  do  Anexo  II  do  RICARF,  é  imperiosa  a  observância,  pelos membros deste Conselho, do entendimento adotado pelo STJ no julgamento do Recurso  Especial  nº  973.733,  considerado  representativo  de  controvérsia,  segundo  o  qual  o  prazo  decadencial,  em  relação  aos  tributos  sujeitos  a  lançamento  por  homologação,  será  regido  (i)  pelo art. 150, §4º do CTN quando houver declaração ou pagamento antecipado do tributo e (ii)  Fl. 3654DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCE LOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11070.722318/2011­07  Resolução nº  1103­000.167  S1­C1T3  Fl. 3.655            28 pelo art. 173, I do CTN (ii.1) quando não ocorrer a declaração ou o pagamento antecipado ou  (ii.2) quando houver declaração ou antecipação, mas  constatada  a prática de dolo,  fraude ou  simulação.  Filio­me ao entendimento do Eminente Relator de que as  retenções de IRRF e  de CSLL­fonte configuram pagamento para fins de aplicação do §4º do art. 150 do CTN, pois  permitem  ao  Fisco  ter  ciência  da  ocorrência  do  fato  gerador  do  IRPJ  e  da  CSLL,  respectivamente.  O  mesmo  se  diga  em  relação  às  estimativas  mensais  recolhidas  pelo  contribuinte optante pelo lucro real anual.  Conforme  consignado  no  voto  condutor,  não  foram  acostados  a  estes  autos  informes  de  rendimentos  indicando  retenções  de  IRRF  e  de  CSLL­fonte  sofridas  pela  recorrente, tampouco comprovantes de pagamento de estimativas mensais de tais tributos.   Deve  ser  observado  que,  embora  tenham  sido  apurados  prejuízo  fiscal  (fls.  2313),  base  de  cálculo  negativa  da CSLL  (fls.  2323)  e  saldo  negativo  de  IRPJ  e CSLL  (fls.  2318  e  2323)  no  ano­calendário  de  2005,  as  fichas  11  e  16  da  DIPJ  2006  indicam  ter  sido  efetuados  recolhimentos de  IRPJ e CSLL por estimativa nos meses de  janeiro e  fevereiro de  2005. Ademais, e conforme consignado no voto do Ilustre Relator, nas fichas 12A e 17 da DIPJ  2006 foram informadas as deduções de IRRF e CSLL por órgãos públicos federais e por entes  privados (fls. 2314 a 2323).  Tais  informações  inseridas  na  DIPJ  não  são  suficientes  para  demonstrar  que  houve  efetiva  antecipação  de  IRPJ  e  CSLL  no  ano­calendário  de  2005,  o  que  atrairia  a  aplicação  do  art.  150,  §4º  do  CTN.  Configuram,  porém,  forte  indício  da  existência  de  pagamento parcial.  Diante  desse  forte  indício,  voto  pela  conversão  do  presente  julgamento  em  diligência, para que a unidade de origem da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB):  a)  informe  se  a  contribuinte  realizou  recolhimentos  de  IRPJ  e  CSLL  (devidos  por  estimativa mensal ou no ajuste anual) e, ou, sofreu retenções de IRRF e CSLL­fonte  no ano­calendário de 2005;  b)  cientifique  o  contribuinte  sobre  o  resultado  da  diligência,  para,  se  assim  desejar,  apresentar manifestação limitada às informações constantes do respectivo relatório, no  prazo de 30 (trinta) dias, conforme art.35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574/11; e  c)  findo o prazo acima, devolva os autos ao CARF para julgamento.    (assinado digitalmente)  Breno Ferreira Martins Vasconcelos      Fl. 3655DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCE LOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA

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Numero do processo: 10380.904539/2009-11
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Apr 08 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Exercício: 2005 PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO. ERRO DEMONSTRADO. O Per/DComp somente pode ser retificado pelo sujeito passivo caso se encontre pendente de decisão administrativa à data do envio do documento retificador. Entretanto essa determinação deve ser temperada no caso em que restar demonstrado que o sujeito passivo incorreu em erro de informação em Per/DCTF, evidenciado através das informações contidas em DIPJ anterior ao Dcomp. DIREITO CREDITÓRIO NÃO ANALISADO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. RETORNO DOS AUTOS COM DIREITO A NOVO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. Em situações em que restou superado o fundamento da negativa de homologação da compensação, a unidade de origem deve proceder à nova análise do mérito do pedido, verificando a existência, suficiência e disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão, e concedendo-se ao sujeito passivo direito a novo contencioso administrativo, em caso de não homologação total.
Numero da decisão: 1803-002.599
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. [assinado digitalmente] Carmen Ferreira Saraiva - Presidente [assinado digitalmente] Ricardo Diefenthaeler - Relator Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carmen Ferreira Saraiva, Sérgio Rodrigues Mendes, Ricardo Diefenthaeler, Fernando Ferreira Castellani, Meigan Sack Rodrigues e Roberto Armond Ferreira da Silva.
Nome do relator: RICARDO DIEFENTHAELER

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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Exercício: 2005 PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO. ERRO DEMONSTRADO. O Per/DComp somente pode ser retificado pelo sujeito passivo caso se encontre pendente de decisão administrativa à data do envio do documento retificador. Entretanto essa determinação deve ser temperada no caso em que restar demonstrado que o sujeito passivo incorreu em erro de informação em Per/DCTF, evidenciado através das informações contidas em DIPJ anterior ao Dcomp. DIREITO CREDITÓRIO NÃO ANALISADO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. RETORNO DOS AUTOS COM DIREITO A NOVO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. Em situações em que restou superado o fundamento da negativa de homologação da compensação, a unidade de origem deve proceder à nova análise do mérito do pedido, verificando a existência, suficiência e disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão, e concedendo-se ao sujeito passivo direito a novo contencioso administrativo, em caso de não homologação total.

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. [assinado digitalmente] Carmen Ferreira Saraiva - Presidente [assinado digitalmente] Ricardo Diefenthaeler - Relator Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carmen Ferreira Saraiva, Sérgio Rodrigues Mendes, Ricardo Diefenthaeler, Fernando Ferreira Castellani, Meigan Sack Rodrigues e Roberto Armond Ferreira da Silva.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1844; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­TE03  Fl. 211          1 210  S1­TE03  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10380.904539/2009­11  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  1803­002.599  –  3ª Turma Especial   Sessão de  25 de março de 2015  Matéria  PER/DCOMP  Recorrente  DAFONTE VEICULOS LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO ­ CSLL  Exercício: 2005  PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO. ERRO DEMONSTRADO.  O  Per/DComp  somente  pode  ser  retificado  pelo  sujeito  passivo  caso  se  encontre pendente de decisão  administrativa  à data do  envio do documento  retificador. Entretanto essa determinação deve ser temperada no caso em que  restar demonstrado que o sujeito passivo incorreu em erro de informação em  Per/DCTF,  evidenciado  através  das  informações  contidas  em DIPJ  anterior  ao Dcomp.  DIREITO  CREDITÓRIO  NÃO  ANALISADO.  NECESSIDADE  DE  ANÁLISE  DA  EXISTÊNCIA  DO  CRÉDITO.  RETORNO  DOS  AUTOS  COM DIREITO A NOVO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO.  Em  situações  em  que  restou  superado  o  fundamento  da  negativa  de  homologação  da  compensação,  a  unidade  de  origem  deve  proceder  à  nova  análise  do  mérito  do  pedido,  verificando  a  existência,  suficiência  e  disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados  com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão, e concedendo­ se ao sujeito passivo direito a novo contencioso administrativo, em caso de  não homologação total.         AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 90 45 39 /2 00 9- 11 Fl. 214DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO DIEFENTHAELER, Assinado digitalmente em 06/04/201 5 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO DIEFENTHAELER Processo nº 10380.904539/2009­11  Acórdão n.º 1803­002.599  S1­TE03  Fl. 212          2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.    [assinado digitalmente]  Carmen Ferreira Saraiva ­ Presidente      [assinado digitalmente]  Ricardo Diefenthaeler ­ Relator    Composição  do  colegiado.  Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros  Carmen  Ferreira  Saraiva,  Sérgio  Rodrigues  Mendes,  Ricardo  Diefenthaeler,  Fernando Ferreira Castellani, Meigan Sack Rodrigues e Roberto Armond Ferreira da Silva.  Relatório  Trata­se de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte antes identificada  em  face  do  acórdão  proferido  pela  DRJ  a  quo,  que  julgou  improcedente  a manifestação  de  inconformidade contra o despacho de não homologação da compensação intentada através da  Declaração  de  Compensação  (Dcomp)  de  nº  02990.23404.280706.1.3.04­9197,  transmitida  eletronicamente em 28/07/2006, com base em créditos relativos à Contribuição Social sobre o  Lucro Líquido (CSLL) ­ Resultado Ajustado ­ Ajuste Anual.   Como relata a decisão  recorrida, na  referida Dcomp, "o contribuinte alegou  ter crédito oriundo do pagamento de CSLL, realizado em 24/02/2006, no valor principal de R$  22.107,14 (cód. 6773), que teria sido feito a maior", requerendo "a sua compensação parcial,  no limite do valor de R$ 22.328,21, com débitos totalizando R$ 22.591,68 (fls. 5)".   O Despacho Decisório  considerou  improcedente  o  crédito  declarado,  sob  a  seguinte fundamentação:  A  partir  das  características  do  DARF  discriminado  no  PER/DCOMP  acima  identificado,  foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas  integralmente  utilizados  para  quitação  de  débitos  do  contribuinte,  não  restando  crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP.  Em  sede  de  manifestação  de  inconformidade,  alegou  a  ora  recorrente  que  possui direito de crédito em razão de pagamento a maior de  tributo, assinalando que o valor  informado em DCTF é maior do que o valor devido.  Apreciando  o  recurso,  a  Turma  Julgadora  da  DRJ  a  quo  entendeu  que  a  contribuinte  não  apontou  a  origem  do  erro  e  não  demonstrou  sua  existência,  julgando  improcedente a manifestação de inconformidade. A decisão em questão foi assim ementada:  Assunto: Processo Administrativo Fiscal   Ano­calendário: 2005   COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO. ÔNUS DA PROVA.  Fl. 215DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO DIEFENTHAELER, Assinado digitalmente em 06/04/201 5 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO DIEFENTHAELER Processo nº 10380.904539/2009­11  Acórdão n.º 1803­002.599  S1­TE03  Fl. 213          3 Incumbe ao manifestante o ônus da prova de liquidez e certeza do crédito pleiteado,  mormente  diante  da  inconsistência  entre  as  informações  por  ele  prestadas  à  Administração Tributária.  Manifestação de Inconformidade Improcedente   Direito Creditório Não Reconhecido  Cientificada da decisão  em 13/8/2013  (fls.  117),  a  interessada apresentou o  presente recurso em 12/9/2013 (fls. 119 e seguintes), tempestivamente, portanto.   Assevera, em síntese, o que segue:  a) que a DCTF foi preenchida com erro, informando débito de CSLL para o  PA 12/2005 a maior do que o devido;  b) que o  valor  correto  foi  informado na DIPJ,  tendo  a  recorrente  entendido  que assim estaria corrigido o erro;  c) que  a DCTF  somente  foi  retificada  em momento  posterior  ao  Despacho  Decisório,  observando  que  a  IN  SRF  nº  600,  de  2005,  não  veda  a  retificação dessa declaração nesse momento;   d) que  para  "confirmar  de  forma  irrefutável"  o  crédito  reclamado,  juntou  cópia  da  DIPJ,  das  DCTFs  Original  e  Retificadora,  dos  DARFs  e  do  LALUR, que comprova a base de cálculo do período;  e) que os princípios da verdade material e da boa­fé objetiva  concorrem no  sentido de se lhe reconhecer o crédito guerreado.  É o relatório.   Voto             Conselheiro Ricardo Diefenthaeler, Relator  Atendidos  os  pressupostos  formais  e  materiais,  tomo  conhecimento  do  Recurso.  A recorrente pretende ver homologada compensação em que utilizou crédito  de  CSLL  relativa  ao  AC  2005  (código  de  receita  6773  ­  "CSLL  ­  DEMAIS  PESSOAS  JURÍDICAS  ­  DECLARAÇÃO DE AJUSTE"),  que  alega  ter  recolhido  com  erro,  a  maior.  Refere que o valor devido e correto é R$ 14.860,37, tendo, no entanto, recolhido R$ 43.209,68.   Relata  que,  embora  tenha  informado  o  último  valor  em  DCTF,  posteriormente  constatou  o  erro  a  partir  de  análise  mais  detalhada  da  sua  escrita.  O  valor  correto  foi,  então,  informado  em  DIPJ,  julgando  a  recorrente  que  esse  procedimento  era  suficiente  para  corrigir  a  informação.  Somente  depois  de  tomar  conhecimento  da  não  homologação da compensação fez a retificação da DCTF.  Fl. 216DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO DIEFENTHAELER, Assinado digitalmente em 06/04/201 5 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO DIEFENTHAELER Processo nº 10380.904539/2009­11  Acórdão n.º 1803­002.599  S1­TE03  Fl. 214          4 A decisão a quo assinala que a recorrente limitou­se a  informar que o valor  correto de CSLL apurado é aquele constante na DIPJ do respectivo período. Observa, assim,  que a DIPJ, embora seja uma fonte válida de informações para o Fisco, tomada isoladamente,  não é prova suficiente do erro alegado, ressaltando que "a incoerência do contribuinte macula  de dúvida as informações por ele prestadas, o que afasta a certeza do crédito pleiteado".   Ocorre,  no  entanto,  que  o  fato  de  constar  em  DIPJ  apresentada  em  28/06/2006 (fls. 164), antes, portanto, da Dcomp, montante a pagar de CSLL ­ Ajuste Anual no  valor de R$ 14.860,37 (Ficha 17 ­ fls. 179) indica que é plausível o argumento da recorrente de  que  entendeu  ser  suficiente  a  informação  em DIPJ,  daí  a  não  retificação  da DCTF  antes  do  despacho decisório. Veja­se, a propósito, que o batimento eletrônico de informações na análise  da  Dcomp  faz  o  cotejo  do  pagamento  de  que  se  origina  o  crédito  a  compensar  com  a  informação correspondente em DCTF, não considerando a informação prestada em DIPJ.  Ora, refletindo a Dcomp a informação que já constava em DIPJ, é de se crer  que a dissonância com a DCTF Original (que foi posteriormente retificada) decorre de erro de  apuração  constatado  e  corrigido  com a  apresentação  da DIPJ,  anteriormente,  como  se  viu,  à  Dcomp. É, assim, direito da recorrente reaver o indébito tributário, ainda que tenha confessado  anteriormente qualquer outro valor  em DCTF, não se podendo alegar a preclusão do direito,  sob pena de ofensa aos princípios da verdade material, do contraditório e da ampla defesa e até  mesmo da legalidade, valendo ressaltar que a DCTF foi posteriormente retificada.   Não  obstante  o  caráter  de  confissão  da  DCTF,  a  exatidão  dos  valores  envolvidos e os erros de fato caracterizados na declaração poderão ser objeto de verificação na  fase  de  julgamento,  seja  em  homenagem  ao  princípio  da  verdade  material,  seja  para  preservação da própria legalidade na cobrança de tributos, evitando cobrar débito indevido, ou,  ao contrário, reconhecer como crédito valor devido de tributo.  De  outra  banda,  se  a  norma  tributária  veda  a  retificação  da Declaração  de  Compensação e Pedido de Restituição (Per/Dcomp) após o despacho decisório, não o faz para  a DCTF. Vale ressaltar, aliás, que, a teor do art. 11, § 1º, da IN RFB nº 903, de 2008, vigente à  época  da  retificação  da  DCTF  do  2º  Trimestre  de  2005  (a  retificadora  foi  entregue  em  19/5/2009, fls. 197), a DCTF retificadora tem a mesma natureza da declaração originariamente  apresentada,  substituindo­a  integralmente,  e  serve  para  declarar  novos  débitos,  aumentar  ou  reduzir  os  valores  de  débitos  já  informados  ou  efetivar  qualquer  alteração  nos  créditos  vinculados.  Conclusão   Em  face  do  exposto,  voto  por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao  recurso  voluntário, determinando que a unidade de origem reaprecie a compensação objeto do presente  processo, abstraindo­se do erro de preenchimento demonstrado, devendo verificar a existência,  suficiência  e  disponibilidade  do  crédito  pretendido.  Devem  os  débitos  compensados  permanecer  com  a  exigibilidade  suspensa  até  a  prolação  de  nova  decisão,  concedendo­se  ao  sujeito passivo direito a novo contencioso administrativo, em caso de não homologação  total  das compensações promovidas.    [assinado digitalmente]   Ricardo Diefenthaeler  Fl. 217DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO DIEFENTHAELER, Assinado digitalmente em 06/04/201 5 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO DIEFENTHAELER Processo nº 10380.904539/2009­11  Acórdão n.º 1803­002.599  S1­TE03  Fl. 215          5                           Fl. 218DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO DIEFENTHAELER, Assinado digitalmente em 06/04/201 5 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO DIEFENTHAELER

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Numero do processo: 11516.003410/2010-07
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Apr 07 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2008, 2009 IRPF. SIGILO BANCÁRIO. ACESSO A INFORMAÇÕES DE POSSE DE INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. LEI COMPLEMENTAR 105/2001. DESNECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. A Autoridade Tributária pode, com base na LC nº 105 de 2001, à vista de procedimento fiscal instaurado e presente a indispensabilidade do exame de informações relativas a terceiros, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e entidades a ela equiparadas, solicitar destas referidas informações, prescindindo-se da intervenção do Poder Judiciário. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009). MULTA QUALIFICADA. DOLO E FRAUDE. MANUTENÇÃO. A fraude se caracteriza por uma ação ou omissão, inclusive de simulação ou ocultação, e pressupõe, sempre, a intenção de causar dano à fazenda pública, num propósito deliberado de se escapar, no todo ou em parte, a uma obrigação tributária. Assim, ainda que o conceito de fraude seja amplo, deve sempre estar caracterizada a presença do dolo, um comportamento intencional, específico, onde, utilizando-se de subterfúgios, escamoteia na ocorrência do fato gerador ou retarda o seu conhecimento por parte da autoridade fazendária. MULTA. AUMENTO. 112,5%. APLICABILIDADE. JURISPRUDÊNCIA ADMINISTRATIVA. É farta a jurisprudência do CARF, no sentido de que a simples não apresentação de documentos requeridos pela Fiscalização, quando não obsculizam seu trabalho, não justifica o agravamento da multa. Dispondo a fiscalização dos elementos necessários para a apuração da matéria tributável, descabe o agravamento da multa por não atendimento à intimação para apresentação dessas informações. Recurso Provido em Parte
Numero da decisão: 2102-003.295
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, por maioria de votos, DAR PARCIAL provimento ao recurso, para reduzir os percentuais das multas incidentes sobre as infrações imputadas ao contribuinte de 112,5% e 225% para 75% e 150%, respectivamente. Vencido o conselheiro João Bellini Júnior, que negava provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) João Bellini Junior - Presidente Substituto. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi – Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Alice Grecchi, João Bellini Junior, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Núbia Matos Moura e Livia Vilas Boas e Silva.
Nome do relator: ALICE GRECCHI

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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2008, 2009 IRPF. SIGILO BANCÁRIO. ACESSO A INFORMAÇÕES DE POSSE DE INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. LEI COMPLEMENTAR 105/2001. DESNECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. A Autoridade Tributária pode, com base na LC nº 105 de 2001, à vista de procedimento fiscal instaurado e presente a indispensabilidade do exame de informações relativas a terceiros, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e entidades a ela equiparadas, solicitar destas referidas informações, prescindindo-se da intervenção do Poder Judiciário. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009). MULTA QUALIFICADA. DOLO E FRAUDE. MANUTENÇÃO. A fraude se caracteriza por uma ação ou omissão, inclusive de simulação ou ocultação, e pressupõe, sempre, a intenção de causar dano à fazenda pública, num propósito deliberado de se escapar, no todo ou em parte, a uma obrigação tributária. Assim, ainda que o conceito de fraude seja amplo, deve sempre estar caracterizada a presença do dolo, um comportamento intencional, específico, onde, utilizando-se de subterfúgios, escamoteia na ocorrência do fato gerador ou retarda o seu conhecimento por parte da autoridade fazendária. MULTA. AUMENTO. 112,5%. APLICABILIDADE. JURISPRUDÊNCIA ADMINISTRATIVA. É farta a jurisprudência do CARF, no sentido de que a simples não apresentação de documentos requeridos pela Fiscalização, quando não obsculizam seu trabalho, não justifica o agravamento da multa. Dispondo a fiscalização dos elementos necessários para a apuração da matéria tributável, descabe o agravamento da multa por não atendimento à intimação para apresentação dessas informações. Recurso Provido em Parte

turma_s : Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção

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secao_s : Segunda Seção de Julgamento

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, por maioria de votos, DAR PARCIAL provimento ao recurso, para reduzir os percentuais das multas incidentes sobre as infrações imputadas ao contribuinte de 112,5% e 225% para 75% e 150%, respectivamente. Vencido o conselheiro João Bellini Júnior, que negava provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) João Bellini Junior - Presidente Substituto. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi – Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Alice Grecchi, João Bellini Junior, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Núbia Matos Moura e Livia Vilas Boas e Silva.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2371; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C1T2  Fl. 881          1 880  S2­C1T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  11516.003410/2010­07  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2102­003.295  –  1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  11 de março de 2015  Matéria  IRPF  Recorrente  ANTONIO PINHEIRO JUNIOR  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Ano­calendário: 2008, 2009  IRPF. SIGILO BANCÁRIO. ACESSO A INFORMAÇÕES DE POSSE DE  INSTITUIÇÕES  FINANCEIRAS.  LEI  COMPLEMENTAR  105/2001.  DESNECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL.  A Autoridade Tributária  pode,  com  base  na LC  nº  105  de 2001,  à  vista de  procedimento fiscal  instaurado e presente a  indispensabilidade do exame de  informações relativas a terceiros, constantes de documentos, livros e registros  de  instituições  financeiras  e  entidades  a  ela  equiparadas,  solicitar  destas  referidas informações, prescindindo­se da intervenção do Poder Judiciário.  JUROS DE MORA. TAXA SELIC.  A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos  tributários  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil  são  devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial  de Liquidação e Custódia SELIC para títulos  federais. (Súmula CARF nº 4,  publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009).  MULTA QUALIFICADA. DOLO E FRAUDE. MANUTENÇÃO.  A fraude se caracteriza por uma ação ou omissão, inclusive de simulação ou  ocultação, e pressupõe, sempre, a intenção de causar dano à fazenda pública,  num  propósito  deliberado  de  se  escapar,  no  todo  ou  em  parte,  a  uma  obrigação tributária. Assim, ainda que o conceito de fraude seja amplo, deve  sempre  estar  caracterizada  a  presença  do  dolo,  um  comportamento  intencional,  específico,  onde,  utilizando­se  de  subterfúgios,  escamoteia  na  ocorrência  do  fato  gerador  ou  retarda  o  seu  conhecimento  por  parte  da  autoridade fazendária.  MULTA.  AUMENTO.  112,5%.  APLICABILIDADE.  JURISPRUDÊNCIA  ADMINISTRATIVA.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 34 10 /2 01 0- 07 Fl. 881DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR     2 É  farta  a  jurisprudência  do  CARF,  no  sentido  de  que  a  simples  não  apresentação  de  documentos  requeridos  pela  Fiscalização,  quando  não  obsculizam seu  trabalho, não  justifica o  agravamento da multa. Dispondo a  fiscalização dos elementos necessários para a apuração da matéria tributável,  descabe  o  agravamento  da  multa  por  não  atendimento  à  intimação  para  apresentação dessas informações.  Recurso Provido em Parte      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  rejeitar  as  preliminares e, no mérito, por maioria de votos, DAR PARCIAL provimento ao recurso, para  reduzir os percentuais das multas  incidentes  sobre  as  infrações  imputadas  ao  contribuinte de  112,5% e 225% para 75% e 150%, respectivamente. Vencido o conselheiro João Bellini Júnior,  que negava provimento ao recurso.  (Assinado digitalmente)  João Bellini Junior ­ Presidente Substituto.   (Assinado digitalmente)  Alice Grecchi – Relatora.  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros  Alice  Grecchi,  João  Bellini Junior, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Núbia Matos Moura e Livia Vilas Boas e  Silva.  Relatório  Para  descrever  a  sucessão  dos  fatos  deste  processo  até  a  apresentação  da  impugnação  pelo  contribuinte,  adoto  de  forma  livre  o  relatório  do  Acórdão  proferido  pela  DRJ/FNS, nº 07­25.404, constante em fls. 845/854:  Mediante auto de infração de folhas 789 a 799, exige­se do contribuinte  acima  identificado a  importância de R$ 1.660.903,64 de  Imposto de Renda  Suplementar,  acrescido  de multa  proporcional  e  de  juros  de mora,  relativo  aos anos­calendários de 2008 e 2009.  Conforme  consta  do  referido  auto  de  infração,  os  fatos  que  deram  origem  ao  lançamento  tributário  foi  a  constatação  de:  1)  omissão  de  rendimentos  recebidos  de  pessoa  jurídica  por  determinação  da  Justiça  Federal, no valor de R$ 1.517.631,85, em 2008, e R$ 3.594.349,55, em 2009;  e  2)  Omissão  de  rendimentos  caracterizada  por  depósitos  bancários  com  origem não comprovada, no importe de R$ 1.368.236,38, em 2009.  Do procedimento fiscal:  Conforme  Termo  de  verificação  fiscal,  o  contribuinte  encontrava­se  omisso  na  entrega  da  Declaração  de  Ajuste  Anual  de  2009,  no  entanto  apresentava  alta  movimentação  financeira  nos  anos­calendários  de  2008  e  Fl. 882DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 11516.003410/2010­07  Acórdão n.º 2102­003.295  S2­C1T2  Fl. 882          3 2009,  recebendo,  em  2008,  da  Caixa  Econômica  Federal  (CEF),  por  determinação da Justiça Federal, honorários advocaticios de R$ 820.384,52,  com  retenção  na  fonte  de  3%,  conforme  DIRFs  entregues  pela  instituição  financeira citada.  Considerando­se  que  os  rendimentos  não  foram  informados  em  declaração  de  ajuste  anual,  em  09/12/2009,  foi  instaurado  procedimento  fiscal  de  fiscalização,  relativo  ao  ano­calendário  de  2008,  amparado  pelo  Mandado de Procedimento Fiscal ­ Fiscalização N° 0920100 2009 01369 4.  Em  11/12/2009  foi  emitido  o  Termo  de  Inicio  de  Fiscalização  e  Intimação  Fiscal  (fls.  474  e  475),  solicitando,  dentre  outros  documentos,  cópia dos comprovantes de rendimentos, cópia de todos os recibos emitidos  referentes  a  serviços  prestados  para  pessoas  físicas,  extratos  bancários  das  contas  correntes  e  de  investimento/poupança  e  os  comprovantes  da  origem  dos recursos depositados nas contas bancárias, todos referentes ao período de  01/01/2008 a 31/12/2008. Contudo, o contribuinte não atendeu a este Termo.  Em virtude disso, em 21/12/2009, foi encaminhada à CEF a Intimação  N° 764/09 (fls. 477), solicitando que fossem informados, mensalmente, todos  os  pagamentos  efetuados  para Antonio Pinheiro  Júnior,  correspondentes  ao  período  em  exame,  especificando  a  que  se  referiam  estes  pagamentos;  que  apresentasse  cópia  dos  comprovantes  anuais  de  rendimentos  referentes  aos  pagamentos efetuados ao autuado, relativos ao mesmo período. Em resposta,  a Caixa Econômica Federal apresentou os documentos das folhas 479 e 480.  Na  documentação  apresentada,  verificou­se  que  o  contribuinte  havia  recebido da citada empresa em 2008 um valor ainda maior: R$ 1.517.631,82  (fls,  480).  No  entanto,  para  parte  do  valor  recebido  (R$  697.427,30)  não  houve qualquer retenção na fonte, tampouco constava das DIRFs entregues à  Receita Federal.  Em  face  do  exposto,  encaminhou­se  à  Caixa  Econômica  Federal  a  Intimação Fiscal N° 007/10 (fls. 481 e 482), solicitando que informasse a que  titulo  foram  realizados  os  pagamentos  efetuados  ao  Sr.  Antônio  Pinheiro  Junior e  justificasse o motivo de ter sido considerado parte deles como não  tributáveis.  Em  atendimento  à  solicitação  da  fiscalização,  a  CEF,  apresentou  os  documentos  de  folhas  484  a  511,  nos  quais  constam  que  os  pagamentos  foram  efetuados  por  ordem  da  Justiça  Federal  (fls.  484);  o  número  do  processo judicial e o valor levantado por Antonio Pinheiro Júnior relativo a  cada  processo  (fls.  485  a  501);  que,  para  os  processos  para  os  quais  não  houve  qualquer  retenção  na  fonte,  o  Sr.  Antônio  havia  apresentado  documento intitulado "Declaração para Não Incidência de­ IRRF".  Em  25/01/2010,  reintimou­se  o  contribuinte  a  apresentar  os  documentos  já  solicitados  em  11/12/2009.  Inobstante  a  insistência  da  autoridade fiscal, o interessado também não atendeu a este Termo.  Fl. 883DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR     4 Considerando­se  que  o  contribuinte  era  omisso  na  entrega  da  Declaração  de Ajuste Anual  de  2009  (fls.  773  e  774),  que  apresentou  alta  movimentação financeira em 2008 (fls. 02 e 03) e que não atendeu ao Termo  de Inicio de Fiscalização e Intimação Fiscal e ao Termo de Intimação Fiscal  N°  012/10,  encaminhou­se  a  Requisição  de  Informações  sobre  Movimentação  Financeira  ­  RMF  ­  N°  0920100  2010  00042  8  à  Caixa  Econômica Federal (fls. 515) e a RMF n° 0920100 2010 00043 6 ao Banco  do  Brasil  (fls.  563),  solicitando,  entre  outros  documentos,  os  extratos  bancários referentes à movimentação financeira do contribuinte em 2008.  Em  09/04/2010,  remeteu­se  ao  contribuinte  o  Termo  de  Intimação  Fiscal  N°  186/10  (fls.  576  e  577),  solicitando  documentos  comprobatórios  das operações realizadas, cópia da declaração de rendimentos, bem como as  justificativas  para  a  não  Incidência  de  IRRF  apresentadas  A.  Caixa  Econômica Federal. 0 fiscalizado não respondeu ao pedido feito pelo fiscal.  Considerando­se que,  até 30 de  abril  de 2010, o  contribuinte  também  não havia apresentado a declaração concernente ao ano­calendário de 2009,  este ano foi incluído no período de abrangência da fiscalização.  Em  04/05/2010,  encaminhou­se  o  Termo  de  Intimação  Fiscal  N°  224/10  (fls.  579  e  580),  solicitando  documentos  relativos  ao  ano­base  de  2008  e  2009,  notadamente  os  extratos  bancários  referentes  ao  ano  e  2009,  comprovando  a  origem  dos  recursos  depositados  em  conta  de  sua  titularidade, o qual não foi atendido.  Também em 04/05/2010, encaminhou­se à CEF a Intimação Fiscal N°  225/10  (fls.  583 e 584),  solicitando que  informasse, mensalmente,  todos os  pagamentos  efetuados  para  o  Sr.  Antonio  Pinheiro  Júnior,  no  período  de  01/01/2009  a  31/12/2009  Na  documentação  apresentada  pela  Caixa  Econômica Federal  constam  as mesmas  considerações  feitas  em  relação  ao  ano­calendário  de  2008,  além  de  identificar  os  pagamentos  feitos  ao  fiscalizado.  Considerando­se  que  o  contribuinte  era  omisso  na  entrega  da  Declaração  de  Ajuste  Anual  de  2010,  que  apresentou  alta  movimentação  financeira em 2009 (fls. 04) e que não atendeu ao Termo de Intimação Fiscal  N°  224/10,  encaminhou­se  a  Requisição  de  Informações  sobre  Movimentação  Financeira  ­  RMF  ­N°  0920100  2010  00061  4  à  Caixa  Econômica  Federal  (fls.  631),  solicitando  entre  outros  documentos,  os  extratos bancários referentes 6. movimentação financeira do contribuinte em  2009.  Em  25/06/2010,  remeteu­se  ao  contribuinte  o  Termo  de  Intimação  Fiscal  N°  325/10  (fls.  733  e  734),  reintimando­o  a  apresentar  documentos  comprobatórios. Ressalte­se que o contribuinte não se manifestou acerca da  solicitação.  Em  consulta  ao  sitio  do  Tribunal  Regional  Federal  da  4ª  Região  na  internet,  por  amostragem,  o  fiscal  constatou  que  os  valores  pagos  em  decorrência  de  alguns  dos  processos  informados  por  Caixa  Econômica  Federal  (fls.  722  a  732),  referem­se  a  honorários  contratuais  devidos  ao  advogado, independentemente de ter havido retenção na fonte ou não.  Fl. 884DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 11516.003410/2010­07  Acórdão n.º 2102­003.295  S2­C1T2  Fl. 883          5 Em  13/07/2010,  enviou­se  a  clientes  que  informaram  ter  efetuado  pagamentos  ao  Sr.  Antonio  Pinheiro  Júnior  as  intimações  a  seguir  especificadas.  INTIMAÇÃO Nº  INTIMADO  FLS.  374/10  Ari Daniel de Souza  736  375/10  Vilson dos Santos Padilha  739  376/10  Maria dos Santos  745  377/10  Lorentino Antonio de Oliveira  750  378/10  Jorge Jose Luciano  756  379/10  Bionor Jose Marceno  761  Em resposta a estas intimações:  a)  Ari  Daniel  de  Souza  não  foi  localizado  no  endereço  constante  do  Cadastro de Pessoas Físicas. A correspondência retornou com a informação  de que o intimado é falecido (fls. 738);  b)  Vilson  dos  Santos  Padilha  apresentou  os  comprovantes  das  folhas  741 a 744, em que aduz que recebeu diferenças no valor de R$ 13.470,06 e  foram  descontados  R$  3.454,57  em  favor  do  advogado  Antonio  Pinheiro  Júnior;  c) Maria dos Santos apresentou os comprovantes de fls. 747 a 749, em  que  afirma  que  recebeu  diferenças  no  valor  de  R$  9.972,53  e  foram  descontados R$ 2.902,71 em favor do advogado Antonio Pinheiro Júnior.  d)  Lorentino  Antonio  de  Oliveira  apresentou  os  comprovantes  das  folhas  752  a  755,  em  que  declara  que  recebeu  diferenças  no  valor  de  R$  17.104,84 e foram descontados R$ 3.420,95 em favor do advogado Antonio  Pinheiro Júnior.  e)  Jorge  Jose  Luciano  apresentou  os  comprovantes  das  folhas  758  a  760,  em  que  confirma  que  recebeu  diferenças  no  valor  de R$  19.944,70  e  foram  descontados  R$  3.998,93  em  favor  do  advogado  Antonio  Pinheiro  Júnior.  f) Bionor Jose Marceno apresentou os comprovantes das  folhas 763 a  767,  em  que  garante  que  recebeu  diferenças  no  valor  de  R$  17.104,84  e  foram  descontados  R$  3.420,95  em  favor  do  advogado  Antonio  Pinheiro  Júnior.  Assim, concluiu o agente fiscal que, pelas respostas apresentadas pelos  intimados, ficou comprovado que os valores informados pela CEF referem­se  a  honorários  advocaticios  recebidos  por  Antonio  Pinheiro  Killion  Em  Fl. 885DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR     6 16/08/2010,  expediu­se o Termo de  Intimação Fiscal N° 415/10  (fls.  768 a  771),  solicitando  documentos  e  a  comprovação  da  origem  dos  recursos  creditados  em  conta­corrente,  atinente  a  2009,  listados  pelo  fiscal.  0  contribuinte,  da  mesma  forma  como  ocorreu  com  as  demais  intimações  feitas, não a respondeu.  Após  estes  procedimentos  realizados,  a  fiscalização  resolveu  lavar  o  auto de infração sob exame.  Inconformado  com  a  lavratura  do  auto  de  infração,  o  contribuinte  apresentou  instrumento  de  impugnação,  por  meio  do  qual  apresenta,  em  síntese, as seguintes razões.  Da Inviolabilidade dos Dados e do Sigilo Bancário  Argumenta  que  o  processo  de  fiscalização  encontra­se  notadamente  viciado, pois fere claramente o dispositivo constitucional constante no artigo  5 º, Inciso X e XII da CF/88, regulamentada pela Lei n° 9.296, de 1996.  Assim, são conceitos intimamente ligados ao direito à intimidade e ao  sigilo de correspondência, que garante ao indivíduo o direito de não ver seu  banco de dados seja virtual, digital ou documental violado sem devida ordem  judicial expressa. Além disso, os bancos estão obrigados por lei a fornecer a  seus clientes, e, por consequência, é um direito do particular, de não ver suas  contas bancárias e demais investimentos desnudados por outrem, sem devida  ordem judicial, o que não foi observado pelo agente fiscalizador.  Da Inconstitucionalidade da Taxa Selic  Considera a incidência da taxa SELIC sobre os créditos apurados ilegal  e inconstitucional.  Sustenta que a Taxa SELIC não foi criada por lei, mas por Resolução  do Conselho Monetário Nacional e possui natureza remuneratória.  Acentua  que  uma  lei  tributária  não  pode  valer­se  de  circulares  ou  resoluções  que  alteram  as  regras  sobre  a  correção  monetária  e  juros,  principalmente  se  estas  circulares  ou  resoluções  foram  baixadas  para  outro  fim que não o tributário.  Invoca o artigo 161, § 1 0, do CTN, que preconiza que os juros serão de  1% se a  lei não dispuser de modo contrário. Nesse contexto, entende que a  taxa SELIC deveria ser criada por lei, o que não ocorreu.  Com base  nas  afirmativas  descritas,  conclui  que  a  taxa SELIC visa  a  remunerar  títulos,  não  havendo discriminação  qualitativa  e  quantitativa  dos  componentes integrantes; a taxa SELIC, por ferir os princípios, é inaplicável  em matéria  tributária; não se pode exigir cobrança de  juros e correção com  base numa taxa não clarificada e definida, pelo menos, para fins tributários;  se  todo  o  tributo  deve  ser  definido  por  lei,  não  há  esquecer  que  sua  quantificação  monetária  ou  mera  readaptação  de  seu  valor,  bem  como  os  juros, deverá ser também previstos por lei.  Fl. 886DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 11516.003410/2010­07  Acórdão n.º 2102­003.295  S2­C1T2  Fl. 884          7 Sustenta  a  aplicabilidade  do  juros  de  mora  previstos  no  art.  2°  da  Decreto­ Lei n° 2.323, de 27/02/1987: 1 um por cento ao mês.  Cita a limitação contida no art. 192, § 3 0, da Constituição Federal, que  impede a cobrança de juros acima de 12% ao ano.  Ainda  no  que  tange  A.  multa,  invoca  o  artigo  10  do  Decreto­Lei  n°  2.049/83,  que  trata  da  redução  ou  cancelamento  de multas  ou  penalidades,  desde que satisfeitos os quesitos elencados.  Da Inaplicabilidade da Multa  Sustenta que a penalidade de 112,5% ou 225% do valor decorrente da  obrigação tributária principal é nitidamente confiscatória.  Segundo  o  impugnante,  o  confisco  atenta  contra  o  direito  da  propriedade e da segurança jurídica, princípios fundamentais da Constituição  Federal de 1988.  Assim,  há  de  ser.  reconhecida  a  incompatibilidade  da  norma  sancionatória  invocada  pela  pessoa  política,  uma  vez  que  conflita  com  o  principio constitucional tributário que veda o confisco, expresso no art. 150,  IV, da CF/88.  Pleiteia a cominação da multa de 20%, assim como preceituado no art.  74 da Lei n° 7.799/89, que estabelece multa de mora de 20%, e no art. 87 da  Lei n° 6.374/89.  Verifica­se  que  no  item  da  Impugnação  "II.IV  ­  DAS  PONDERAÇÕES  FINAIS" o contribuinte trata de assunto estranho ao presente litígio, uma vez que tal tópico não  guarda qualquer relação com a infração apurada neste processo.  A Turma de Primeira Instância, por unanimidade, julgou procedente em parte  a impugnação, conforme ementa abaixo transcrita:  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­  IRPF ­ Ano­calendário: 2008,2009  SIGILO  BANCÁRIO.  OBTENÇÃO  DE  DADOS  PELA  FISCALIZAÇÃO.  autorizada, nos  termos  da  lei,  a obtenção pela Fiscalização da  movimentação  financeira  do  contribuinte  junto  As  instituições  financeiras, com vistas a demonstrar a ocorrência de infração à  legislação tributária.  JUROS SELIC.  A partir de 1° de abril de 1995, os  juros morat6rios incidentes  sobre  débitos  tributários  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil  são  devidos,  no  período  de  inadimplência,  à.  taxa  referencial  do  Sistema  Especial  de  Liquidação e Custódia ­ SELIC para títulos federais.  Fl. 887DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR     8 PRINCÍPIO  DO  NÃO  CONFISCO.  VINCULAÇÃO  DO  JULGADOR AO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE.  Não  compete  A.  autoridade  lançadora  perquirir  acerca  da  validade das normas jurídicas, restando­lhe tão somente aplicar  a lei então vigente, em obediência ao principio da legalidade.  Impugnação Improcedente  Crédito Tributário Mantido  O  contribuinte  foi  cientificado  do  Acórdão  n°  07­25.404  da  6ª  Turma  da  DRJ/FNS em 20/10/2011.  Sobreveio  Recurso  Voluntário  em  16/11/2011,  no  qual,  o  contribuinte  ratificou na íntegra as razões da impugnação.  É o relatório.  Passo a decidir.  Voto             Conselheira Relatora Alice Grecchi  O  recurso  voluntário  ora  analisado  possui  todos  os  requisitos  de  admissibilidade do Decreto nº 70.235/72, motivo pelo qual merece ser conhecido.  Tratam­se  os  presentes  Autos  de  Omissão  de  Rendimentos  Recebidos  de  Pessoa Jurídica por determinação da Justiça Federal e, Omissão de Rendimentos caracterizada  por Depósitos Bancários com Origem não Comprovada.  Preliminarmente,  alega  o  recorrente  nulidade  do  lançamento  fiscal  em  decorrência do meio pelo qual a autoridade fiscal autuante obteve  as  informações  relativas a  movimentação financeira do autuado (sem autorização judicial).  Com efeito, cabe tecer algumas considerações sobre a controvérsia relativa a  quebra  do  sigilo  bancário  do  contribuinte  por  meio  de  Requisição  de  Informações  sobre  Movimentação Financeira – RMF.  A  possibilidade  de  requisição  de movimentação  financeira  pela Autoridade  Administrativa  encontra­se  prevista  no  art.  197,  II,  do  Código  Tributário  Nacional  (CTN),  vindo a Lei Complementar nº 102/2001 autorizar a referida disposição expressamente:  "Art. 197. Mediante intimação escrita, são obrigados a prestar à  autoridade  administrativa todas  as  informações  de  que  disponham  com  relação  aos  bens,  negócios  ou  atividades  de terceiros:   (...)   II  ­  os  bancos,  casas  bancárias,  Caixas  Econômicas  e  demais  instituições financeiras;"  Fl. 888DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 11516.003410/2010­07  Acórdão n.º 2102­003.295  S2­C1T2  Fl. 885          9 Assim,  a Autoridade Tributária pode,  com base  no  art.  6º  da LC nº 105  de  2001,  à vista de procedimento fiscal instaurado  e  presente a indispensabilidade  do exame  de  informações  relativas a  terceiros,  constantes de documentos,  livros e  registros de  instituições  financeiras  e  de  entidades  a  ela  equiparadas,  solicitar  destas  referidas,  informações,  prescindindo­se da intervenção do Poder Judiciário. Confira­se:  "Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União,  dos  Estados,  do  Distrito  Federal  e  dos  Municípios  somente  poderão examinar documentos, livros e registros de instituições  financeiras,  inclusive  os  referentes  a  contas  de  depósitos  e  aplicações  financeiras,  quando  houver  processo  administrativo  instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam  considerados  indispensáveis  pela  autoridade  administrativa  competente.   Parágrafo  único. O  resultado  dos  exames, as  informações  e  os  documentos  a  que  se  refere  este  artigo  serão  conservados  em  sigilo, observada a legislação tributária."  Neste  contexto,  havendo  previsão  legal  e  procedimento  administrativo  instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelo  órgão  fiscal  tributário  não  constitui  quebra  do  sigilo  bancário, mas  de mera  transferência  de  dados protegidos às autoridades obrigadas a mantê­los no âmbito do sigilo fiscal.   Diante do exposto, a obtenção dos extratos bancários pelo Auditor Fiscal no  presente  procedimento  foi  procedida  dentro  dos  parâmetros  legais,  sendo  improcedente  a  alegação de prova obtida por meio ilícito, haja vista que o art. 6º da LC nº 105/2001, encontra­ se vigente e eficaz.   Cabe  apenas  destacar  que  atualmente  a matéria  está  no  Supremo Tribunal  Federal  (STF) no RE 601.314/SP, Min. Ricardo Lewandowski,  pendente de  julgamento,  não  havendo o STF suspendido os efeitos da norma. Ademais, tanto o Superior Tribunal de Justiça  (STJ)  quanto  o  presente  Egrégio  Conselho  Administrativo  já  se  manifestaram  quanto  à  legalidade da utilização do dispositivo supracitado.  Logo, rejeito esta preliminar.  Quanto à  insurgência do  recorrente em relação à  taxa Selic,  a matéria  resta  pacificada  neste  E.  Conselho,  conforme  Súmula  nº  4,  publicada  no  DOU,  Seção  1,  de  22/12/2009, que cristaliza o entendimento da legitimidade de sua aplicação:  “Súmula CARF nº 4 – A partir de 1º de abril de 1995, os juros  moratórios  incidentes  sobre  débitos  tributários  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil  são  devidos,  no  período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial  de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.”  Logo, correta a aplicação da taxa Selic.  No que tange à qualificação da multa de ofício, prevista no art. 44, inciso I,  §1º, da Lei nº 9.430, de 1996, nos casos em que, não houve retenção do imposto de renda na  fonte, entendo que a mesma deve ser mantida, conforme razões que seguem.  Fl. 889DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR     10 Com efeito, dá análise da documentação levada à Caixa Econômica Federal,  qual seja, "Declaração para Não Incidência de IRRF", verifica­se que o evidente intuito do  contribuinte  ao  apresentar  tais  declarações  fora  no  sentido  de  impedir  o  conhecimento  pela  Receita Federal dos recursos recebidos por determinação da Justiça Federal, por conseguinte,  retardando o recolhimento do imposto devido sobre a receita auferida e omitida, evidenciado­ se dessa forma, a conduta dolosa do contribuinte de fraudar o Fisco.  A Lei nº 4.502, art. 72, conceituou fraude como:  "toda  ação  ou  omissão  dolosa  tendente  a  impedir  ou  retardar,  total  ou  parcialmente,  a  ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação tributária principal ou a excluir ou modificar as suas  características  essenciais,  de  modo  a  reduzir  o  montante  do  imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento".  Já por dolo ou conduta dolosa entende­se:  "[...]  a  consciência  e  a  vontade  de  realização  dos  elementos  objetivo do tipo injusto doloso [...] é saber e querer a realização  do tipo objetivo de um delito. O dolo é, de certo modo, a imagem  reflexa subjetiva do tipo objetivo da situação fática representada  normativamente.  A  conduta  dolosa  é  ais  perigosa  ­  e  deve  ser  punida  mais  gravamente  ­  do  que  a  culposa."  (PRADO,  Luiz  Regis. Curso de Direito Penal Brasileiro, 6 ed. Rio de Janeiro:  Revista  dos  Tribunais,  2006,  p.113,  Apud  PAULSEN,  Leando.  Direito  Tributário:  Constituição  e  Código  Tributário....15.  ed.  Porto Alegre: Livraria do Advogado Editora, ESMAFE, 2023, p.  1062).   Veja­se o Acórdão 9202003.128 CSRF, 2ª  turma, que  trata especificamente  da matéria:  A  fraude  se  caracteriza  por  uma  ação  ou  omissão,  de  uma  simulação  ou  ocultação,  e  pressupõe,  sempre,  a  intenção  de  causar dano à fazenda pública, num propósito deliberado de se  subtrair,  no  todo  ou  em  parte,  a  uma  obrigação  tributária.  Assim,  ainda  que  conceito  de  fraude  seja  amplo,  deve  sempre  estar  caracterizada  a  presença  do  dolo,  um  comportamento  intencional,  específico,  onde,  utilizando­se  de  subterfúgios,  escamoteia  na  ocorrência  do  fato  gerador  ou  retarda  o  seu  conhecimento por parte da autoridade fazendária.  [...]  A multa qualificada não é aplicada somente quando existem nos  autos  documentos  com  fraudes  materiais,  como  contratos  e  recibos  falsos,  notas  frias  etc.,  decorre  também  da  análise  da  conduta  ou  dos  procedimentos  adotados  pelo  contribuinte  que  emergem do processo. (Acórdão 9202003.128, CSRF, 2ª Turma,  de 27 de março de 2014)  No caso dos autos, o dolo está demonstrado na vontade do agente em impedir  ou retardar o recolhimento do imposto, através das Declarações para Não Incidência de IRRF.  Portanto, correta a aplicação da multa no percentual de 150%, conforme previsto na legislação  de regência.  Fl. 890DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 11516.003410/2010­07  Acórdão n.º 2102­003.295  S2­C1T2  Fl. 886          11 Por fim, passo a análise da multa de ofício, agravada e aplicada no percentual  de 112,5%.   É farta a jurisprudência do antigo Conselho de Contribuintes e também deste  CARF,  no  sentido  de  que  a  simples  não  apresentação  de  documentos  requeridos  pela  Fiscalização,  quando  não  obstaculizam  seu  trabalho,  não  justifica  o  agravamento  da  multa.  Vejamos:  AGRAVAMENTO O agravamento da multa de ofício pelo atraso  ou não atendimento de intimações e pedidos de esclarecimentos  só  tem  aplicação  quanto  efetivamente  demonstrada a recusa ou efetivo prejuízo ao procedimento fiscal. 1º  CC.  /  3ª  Câmara  /  ACÓRDÃO  10323.566  em  17.09.2008.  Publicado no DOU: 20.01.2009.   IMPOSSIBILIDADE MATERIAL. AGRAVAMENTO DA MULTA  DE  OFÍCIO  A  impossibilidade  material  do  contribuinte  em cumprir a intimação da fiscalização para apresentar docume ntos não autoriza o agravamento da multa de ofício. 1º CC. / 1ª  Câmara  /  ACÓRDÃO  10196.675  em  17.04.2008.  Publicado  no  DOU em: 06.11.2008.  MULTA AGRAVADA  Não deve ser aplicada a multa agravada  de  112,5%  se  não  fica  demonstrada  ação  ou  omissão  do  contribuinte  com  o  objetivo  de  retardar  ou impedir  a  atividade  de  fiscalização.  CARF  1ª  Seção  2ª  Turma  da  3ª  Câmara  /  ACÓRDÃO 130200.302 em 21.05.2010. Publicado no DOU em:  24.01.2011  MULTA  AGRAVADA.  FALTA  DE  ATENDIMENTO  À  INTIMAÇÃO Dispondo a fiscalização dos elementos necessários  para apuração da matéria tributável, descabe o agravamento da  multa  por  não  atendimento  à  intimação  para  apresentação  dessas  informações.  Recurso  Voluntário  Provido em Parte. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais  CARF  1ª  Seção  1ª  Turma  da  3ª  Câmara  /  ACÓRDÃO  130100.270 em 29.01.2010.  Neste caso, verifica­se  que  a  omissão  de  rendimentos  quanto  à  primeira  infração,  trata­se  de  rendimentos  recebidos  de  pessoa  jurídica  por  determinação  da  Justiça  Federal, a qual fora facilmente apurada, através das Intimações nº 764/09 (fls. 477), n° 007/10  (fls. 481 e 482), encaminhadas à Caixa Econômica Federal, e esta apresentou os documentos  de fls. 479/480 e 484 a 511, que embasaram o lançamento.  Quanto  à  segunda  infração  apurada,  qual  seja,  omissão  de  rendimentos  caracterizada  por  depósitos  bancários  com  origem  não  comprovada,  verifica­se  que  a  fiscalização obteve  facilmente os  extratos bancários por meio da Requisição de  Informações  sobre Movimentações Financeiras – RMF, n° 0920100 2010 00042 8, RMF n° 0920100 2010  00043, encaminhadas respectivamente à Caixa Econômica Federal (fls. 515) e a ao Banco do  Brasil (fls. 563).  Assim, entendo não cabível no caso o agravamento da multa.  Fl. 891DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR     12 Ante o exposto, voto no sentido de REJEITAR a Preliminar de Nulidade do  Lançamento e no mérito, DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso para desagravar a multa  de ofício.  (Assinado digitalmente)  Alice Grecchi ­ Relatora                                Fl. 892DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR

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Numero do processo: 15956.000364/2009-14
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Apr 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/2007 a 31/12/2008 COMPENSAÇÃO. GLOSA. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos, contribuições federais, inclusive previdenciárias, e receitas patrimoniais, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a período subseqüente. A compensação só poderá ser efetuada entre tributos, contribuições e receitas da mesma espécie. Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2403-002.975
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso quanto à compensação e por unanimidade de votos em dar provimento para determinar a exclusão das empresas GBA METALÚRGICA S.A e ATIVA - IND. COM IMPORT. EXPORT. MONT. LOC. MAQ. EQUI. LTDA, identificadas como Grupo Econômico. Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente. Marcelo Magalhães Peixoto - Relator. Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Julio de Souza, Ewan Teles Aguiar, Marcelo Magalhães Peixoto, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2052; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C4T3  Fl. 230          1 229  S2­C4T3  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  15956.000364/2009­14  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2403­002.975  –  4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária   Sessão de  11 de março de 2015  Matéria  CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA  Recorrente  GBA CALDEIRARIA E MONTAGENS INDUSTRIAIS LTDA E OUTROS  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/06/2007 a 31/12/2008  COMPENSAÇÃO. GLOSA.   É  vedada  a  compensação mediante  o  aproveitamento  de  tributo,  objeto  de  contestação  judicial  pelo  sujeito  passivo,  antes  do  trânsito  em  julgado  da  respectiva decisão judicial.  Nos  casos  de  pagamento  indevido  ou  a  maior  de  tributos,  contribuições  federais,  inclusive  previdenciárias,  e  receitas  patrimoniais,  mesmo  quando  resultante  de  reforma,  anulação,  revogação  ou  rescisão  de  decisão  condenatória,  o  contribuinte  poderá  efetuar  a  compensação  desse  valor  no  recolhimento  de  importância  correspondente  a  período  subseqüente.  A  compensação só poderá ser efetuada entre tributos, contribuições e receitas da  mesma espécie.  Recurso Voluntário Provido em Parte      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar  provimento ao recurso quanto à compensação e por unanimidade de votos em dar provimento  para determinar a exclusão das empresas GBA METALÚRGICA S.A e ATIVA ­ IND. COM  IMPORT.  EXPORT.  MONT.  LOC.  MAQ.  EQUI.  LTDA,  identificadas  como  Grupo  Econômico.    Carlos Alberto Mees Stringari ­ Presidente.     Marcelo Magalhães Peixoto ­ Relator.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 95 6. 00 03 64 /2 00 9- 14 Fl. 230DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 07/04 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI     2   Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees  Stringari, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas,  Ivacir Julio de Souza, Ewan Teles Aguiar,  Marcelo Magalhães Peixoto, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro.   Fl. 231DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 07/04 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 15956.000364/2009­14  Acórdão n.º 2403­002.975  S2­C4T3  Fl. 231          3   Relatório  Trata­se de Recurso Voluntário interposto em face do Acórdão nº. 12­33.306  –  10ª  Turma  da  DRJ/RJ1,  fls.  161/173,  que  julgou  totalmente  improcedente  a  impugnação  apresentada  para  manter  incólume  o  crédito  tributário  consubstanciado  no  DEBCAD  37.230.004­9, referente ao período de 01/06/2007 a 31/12/2008, no valor de R$ 5.056.246,41  (cinco  milhões,  cinqüenta  e  seis  mil,  duzentos  e  quarenta  e  seis  reais  e  quarenta  e  um  centavos).  A atuação trata de Glosa de Compensação, por não atendimento ao disposto  no  art.  89  da  Lei  8.212/91,  bem  como  não  ter  observado  o  limite  de  trinta  por  cento  das  contribuições  devidas  à  Previdência  Social  para  as  compensação  informadas  em  GFIPs  entregues até 03/12/2008.  A  recorrente  é  parte  autora  de  duas  ações  judiciais:  Ação  Declaratória  de  inexistência  de  Relação  Jurídica,  cominada  com  pedido  de  compensação  de  valores,  assim  como um Mandado de Segurança Preventivo com pedido de liminar, versando sobre indébito  de PIS e COFINS sobre ICMS debitado, não tendo sido localizada em nenhum dos processos,  qualquer determinação  judicial autorizando compensações com contribuições previdenciárias,  estando  ambos  os  processos  suspensos  aguardando  conclusão  da  Ação  Declaratória  de  Constitucionalidade ­ ADC 18 perante o STF.  Portanto, trata­se de glosa de compensação de supostos créditos de PIS e  COFINS  que  foram  compensados  com  débitos  PREVIDENCIÁRIOS,  decorrentes  de  processos judiciais que não transitaram em julgado.  Os  fatos  foram  relatados  no  Relatório  Fiscal,  fls.  37/52,  cujos  trechos  pertinentes encontram­se colacionados abaixo:  1.1 Valendo­se do  ICMS apurado sobre contribuições do PIS e  CONFINS  que  entendeu  possuir  a  seu  crédito,  ajuizou  ações  neste sentido e imediatamente a partir da competência 06/2007,  passou a utilizar aqueles valores, atualizados através da SELIC,  como  compensação  mensal  das  contribuições  previdenciárias,  informando­os em GFIP, o que reduziu o valor das contribuições  mensais a recolher.  1.2  Nos  esclarecimentos  dos  motivos  das  compensações  e  constando das planilhas de cálculos, foi observada a citação de  dois processos que estariam amparando o procedimento:  1.2.1.  Processo  2007.61.02.008412­9  da  2ª  Vara  Federal  de  Ribeirão Preto, protocolo de 29/06/2009 com Ação Declaratória  de  inexistência  de  Relação  Jurídica  Tributária  c.c.,  Pedido  de  Compensação de Valores e Tutela Antecipatória. Houve Agravo  de  Instrumento  ao  TRF  3º  em  27/07/2007  contra  decisão  que  negou a  tutela antecipatória, do qual se extrai no  item "Razões  do Agravo":  Fl. 232DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 07/04 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI     4 "Da responsabilidade da empresa perante Fisco  Inicialmente  há  que  se  destacar  que  uma  eventual  concessão  liminar de compensação, ante a nova tendência jurisdicional de  se  reconhecer  a  inconstitucionalidade  do  ICMS  na  base  de  cálculo  do  PIS/COFINS,  viabiliza  a  redução  ­  ainda  que  momentânea  ­  da  elevada  carga  tributária  que  pesa  sobre  as  empresas  nacionais,  tão  essencial  à  sua  sobrevivência  e  concorrência,  principalmente  no  ramo  têxtil,  face  as  aberturas  desse  mercado  à  China,  em  fato  social  que  não  pode  passar  desapercebido pelas instâncias julgadoras.  Mesma  via,  a  título  de  argumentação,  caso  futuramente  a  presente  ação  não  seja  julgada  procedente,  a  responsabilidade  perante  o  órgão  tributante  é  exclusivamente  da  empresa  agravante, ficando a mesma responsável pelas consequências de  improcedência de seu pedido, em nada podendo onerar o Poder  judiciário."  (...)  1.2.3.  Não  foi  localizada,  nos  processos  referidos,  nenhuma  determinação  judicial  autorizando  compensações  com  contribuições  previdenciárias.  Além  disso,  os  dois  processos  estão  suspensos  aguardando  conclusão  da  ADC/18  ­  Ação  Declaratória de Constitucionalidade.  (...)  2.1. Os valores totais contabilizados na conta "210402001­INSS  a Recolher" durante o ano de 2007 e 2008 são os informados nas  planilhas extraída da contabilidade:  (...)  Observa­se que no ano de 2007 os  valores  lançados na  coluna  "Tot  Crédito"  até  a  competência  de  maio,  guardam  proporcionalidade em sua ordem de grandeza com a coluna "Tot  Débitos".  A  natureza  dos  créditos  nesta  conta  corresponde  ao  valor  das  contribuições  previdenciárias  devidas,  enquanto  os  débitos aos pagamentos efetuados.  A partir da competência de junho de 2007, enquanto os créditos  permanecem  em  valores  próximos,  os  débitos  são  registrados  por  valores  menores,  pelo  fato  da  empresa  ter  efetuado  os  recolhimentos  utilizando­se  de  mecanismo  de  compensação  de  valores.  Em dezembro de 2007 no total a débito está incluído o valor de  R$  1.039.490,43  lançado  em  contra­partida  da  conta  "220401001  ­  Processos  Diversos",  do  grupo  de  contas  "220400000­IMP/CONTRIB  C/  COMPENSAÇÃO  EM  ANDAMENTO",  com  o  histórico  "RECLASSIFICAÇÃO  DE  LONGO PRAZO".  O mesmo  lançamento  e  contra­partida  ocorreu  em  30/06/2008  pelo  valor  de  R$  164.653,34,  com  o  histórico  "LANÇTO  REF  ATUALIZAÇÃO SALDO PROCESSOS DIVERSOS"  Fl. 233DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 07/04 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 15956.000364/2009­14  Acórdão n.º 2403­002.975  S2­C4T3  Fl. 232          5 A  sequencia mensal  dos  registros  dos  créditos  no  ano  de  2008  evidenciam  queda  no  volume  da  atividade.  A  coluna  dos  recolhimentos,  "Tot  Débito",  apresentou  comportamento  irregular  até  setembro  de  2008  estabilizando­se  a  partir  de  outubro.  A conclusão que se chega após estas análises é que a empresa  não  formou  convicção  da  condição  de  regularidade  ou  segurança do procedimento compensatório efetuado, a ponto de  não  reconhecê­los  contabilmente.  Caso  isso  tivesse  ocorrido,  uma  vez  que  houve  regularidade  dos  recolhimentos  após  a  compensação, o saldo da conta de INSS a recolher não poderia  ter aumentado no período em que ocorreram as compensações.  Houve  também  a  caracterização  de  grupo  econômico,  liderado  pela  GBA  Caldeiraria e Montagens Industriais LTDA, com as empresas Ativa ­ Ind. Com. Import. Export.  Mont. Loc. Máq. Equi. LTDA, e GBA Metalúrgica S.A.  DA IMPUGNAÇÃO  Inconformada com o  lançamento,  a empresa GBA Caldeiraria  e Montagens  Industrias  LTDA  contestou  a  autuação  fiscal  em  epígrafe  por  meio  do  instrumento  de  fls.  83/104. A  responsável  solidária GBA Metalúrgica S/A apresentou  Impugnação,  fls. 111/120,  bem  como  a  empresa  Ativa  Ind.  Com.  Imp.  Exp.  Mont.  Loca.  Maquinas  e  Equipamentos  LTDA, fls. 136/140.  DA DECISÃO DA DRJ  Após  analisar  os  argumentos  dos  então  impugnantes,  a  10ª  Turma  da  Delegacia  da  Receita  do  Brasil  de  Julgamento  no  Rio  de  Janeiro  I,  DRJ/RJ1,  prolatou  o  Acórdão  nº  12­33.306,  fls.  161/173,  a  qual  julgou  improcedente  as  impugnações  ofertadas  para manter incólume o crédito tributário, conforme ementa a seguir transcrita.  Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias  Período de apuração: 01/06/2007 a 31/12/2008  GLOSA DE COMPENSAÇÃO. AÇÃO JUDICIAL EM CURSO.  A propositura pelo sujeito passivo da ação judicial que tenha por  objeto  idêntico  pedido  sobre  o  qual  trate  o  processo  administrativo  importa  em  renúncia  ao  contencioso  administrativo. Ocorrerá, todavia, a instauração de contencioso  somente  em  relação  à  matéria  distinta  daquela  discutida  judicialmente.  GRUPO ECONÔMICO.  As  empresas  que  integram  grupo  econômico  de  qualquer  natureza  respondem  entre  si,  solidariamente,  pelas  obrigações  decorrentes da Lei 8.212/1991 (artigo 30, inciso IX).  Impugnação Improcedente  Crédito Tributário Mantido.  Fl. 234DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 07/04 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI     6 DO RECURSO VOLUNTÁRIO  Irresignada,  a  Recorrente,  GBA  CALDEIRARIA  E  MONTAGENS  INDUSTRIAIS  LTDA,  interpôs,  tempestivamente,  Recurso  Voluntário,  fls.  188/195,  requerendo a reforma do Acórdão da DRJ, utilizando­se, para tanto, dos seguintes argumentos:  1)  A  suspensão  do  presente  processo  até  a  Decisão  Final  a  ser  proferida  pelo  STF  sobre  a  constitucionalidade  ou  não  da  inclusão  do  ICMS  na  base  de  cálculo  do  PIS/COFINS,  eis  que  os  valores  compensados  são  objeto direto do AI em recurso;  2)  Que  seja  declarada  indevida  a  glosa  mantida  pelo  Acórdão  recorrido,  face  o  débito  inerente  da  recorrente  compensar  seus  créditos  com  seus  débitos  tributários,  como garantia constitucional, extinguindo­se os créditos  tributários em favor da Fazenda Nacional;  3)  A inexistência de grupo econômico.  A empresa ATIVA.  IND. COM.  IMP. EXP. MONT. LOC. MAQUINAS E  EQUIPAMENTOS LTDA apresentou Recurso Voluntário, fls. 203/207, afirmando que não há  existência de grupo econômico entre esta e a GBA Caldeiraria e Montagens Industriais LTDA.  A empresa GBA METALÚRGICA S/A apresentou Recurso Voluntário, fls.  208/216, requerendo o afastar o conhecimento de grupo econômico entre as empresas citadas, e  de solidariedade não prevista em lei, nem tampouco entre as partes.  É o relatório.  Fl. 235DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 07/04 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 15956.000364/2009­14  Acórdão n.º 2403­002.975  S2­C4T3  Fl. 233          7     Voto             Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto  DA TEMPESTIVIDADE  Conforme documento de fl. 219 tem­se que o recurso é tempestivo e reúne os  pressupostos de admissibilidade.   DA COMPENSAÇÃO  A  presente  autuação  trata  de  suposto  direito  a  compensação  valendo­se  do  ICMS apurado  sobre  contribuições do PIS  e COFINS que a  empresa  entendeu possuir a  seu  favor, tendo ajuizado ações neste sentido e imediatamente passando a utilizar aqueles valores  como compensação mensal nas contribuições previdenciárias.  Ocorre que este supostos créditos estão sob discussão em processos judiciais  propostos  pelo  contribuinte,  o  que  atrai,  de  pronto,  as  disposições  do  art.  170­A  do Código  Tributário Nacional, in verbis:  Art. 170­A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento  de  tributo,  objeto  de  contestação  judicial  pelo  sujeito  passivo,  antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial.  Ademais, a compensação dos créditos pleiteados com débitos previdenciários  encontra óbice no art. 66, parágrafo 1º da Lei 8.383/91, in verbis:  Art.  66.  Nos  casos  de  pagamento  indevido  ou  a  maior  de  tributos,  contribuições  federais,  inclusive  previdenciárias,  e  receitas  patrimoniais,  mesmo  quando  resultante  de  reforma,  anulação,  revogação  ou  rescisão  de  decisão  condenatória,  o  contribuinte  poderá  efetuar  a  compensação  desse  valor  no  recolhimento  de  importância  correspondente  a  período  subseqüente.   §  1º  A  compensação  só  poderá  ser  efetuada  entre  tributos,  contribuições e receitas da mesma espécie.   O  PIS  e  a  COFINS  são  espécies  do  gênero  contribuições,  no  entanto,  são  contribuições  sociais  e  não  contribuições  previdenciárias,  o  que  é,  na  legislação  vigente,  vedado, nos termos do artigo acima transcrito.  DO GRUPO ECONÔMICO  Alega a autoridade  fiscal que estaria configurado Grupo Econômico entre a  principal  autuada  e  as  empresas  GBA  METALÚRGICA  S.A  e  ATIVA  ­  IND.  COM.  IMPORT. EXPORT. MONT. LOC. MAQ. EQUI. LTDA.Trás para tanto os seguintes motivos:  Fl. 236DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 07/04 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI     8 i. Os únicos  sócios da GBA Caldeiraria  (José Augusto Marconato  e Wania  Maria Beutler Marconato) são os pais dos únicos sócios da empresa ATIVA;  ii.  Os  únicos  acionistas  da  GBA  Metalúrgica  são  os  srs.  José  Augusto  Marconato e Wania Maria Beutler Marconato, apesar de a empresa ser administratada por uma  diretoria eleita;  iii. Há instrumento público de procuração outorgada em 2008, pela empresa  ATIVA aos duas pessoas que também são os diretores da GBA Metalúrgica, com poderes para  praticar  atos  de  operações  financeiras,  comerciais,  contratação  e  rescisão  de  contrato  de  trabalho, dentre outras;  iv.  Há  notícias  em  jornais  que  evidenciam  que  as  empresas  integram  um  grupo econômico;  v. Há na contabilidade operações internas típicas de grupos econômicos, tais  como empréstimos e doações entre as empresas;  vi.  Relatórios  de  Revisão  Contábil  elaborados  por  empresa  de  auditoria  externa,  realizado para cada uma das empresas  também evidencia a necessidade de ajustes e  formalização de operações entre elas, tratando­as como "empresas do grupo";  Não  obstante  estes  fundamentos  expostos  verifico  que  em momento  algum  houve  a  devida  tipificação  legal  para  exigibilidade  das  contribuições  das  empresas  que  integram um  suposto  grupo  econômico  (art.  124,  I  do CTN). O  relatório  de  Fundamentação  Legal  de  Débito  –  FLD,  fls.  11/12  é  omisso  quanto  a  este  fato,  o  que  é  caracterizador  de  nulidade por vício material, neste ponto, uma vez que afeta o disposto no art. 142 do CTN, por  ausência  de  determinação  do  sujeito  passivo,  ante  o  exposto,  devem  estas  empresas  serem  excluídas do polo passivo da presente autuação.  CONCLUSÃO  Do  exposto,  conheço  do  Recurso  Voluntário  negar  provimento  quanto  à  compensação.  Dar  provimento  para  determinar  a  exclusão  das  empresas  GBA  METALÚRGICA  S.A  e  ATIVA  ­  IND.  COM.  IMPORT.  EXPORT.  MONT.  LOC.  MAQ.  EQUI. LTDA, identificadas como Grupo Econômico.    Marcelo Magalhães Peixoto ­ Relator                              Fl. 237DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 07/04 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI

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Numero do processo: 36266.012835/2006-32
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2006 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO - NFLD. CONTRIBUIÇÕES. NÃO RECOLHIMENTO EM ÉPOCA PRÓPRIA. COTA PATRONAL. SAT/RAT E TERCEIROS. OBRIGAÇÃO DESCUMPRIDA. CONSEQUENCIAS. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. FISCALIZAÇÃO. REGRAS CUMPRIDAS. ARTIGOS 33 E 37 DA LEI Nº 8.212, DE 1991. A discussão em questão diz respeito a contribuições previdenciárias devidas e não recolhidas em épocas próprias relativamente à parte da empresa, bem como ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, na forma prevista nos incisos I e II do artigo 22 da Lei nº 8.212, de 1991, e também as contribuições destinadas a outras entidades e fundos (Relatório Fiscal fls. 24). A lei de custeio e a Constituição estabeleceram a obrigatoriedade de pagamento das verbas ora discutidas, a fiscalização cumpriu sua missão de constituir o crédito e o contribuinte não fez a sua parte. Assim, não há que se falar em nulidade por falta de apontamento dos valores devidos. Ademais, na constituição do crédito tributário a autoridade administrativa respeitou as regras contidas nos artigos 33 e 37 da Lei nº 8.212, de 1991, não havendo, portanto, qualquer vício de legalidade no seu trabalho. Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2803-004.071
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Ricardo Magaldi Messetti.
Nome do relator: AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR

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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2006 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO - NFLD. CONTRIBUIÇÕES. NÃO RECOLHIMENTO EM ÉPOCA PRÓPRIA. COTA PATRONAL. SAT/RAT E TERCEIROS. OBRIGAÇÃO DESCUMPRIDA. CONSEQUENCIAS. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. FISCALIZAÇÃO. REGRAS CUMPRIDAS. ARTIGOS 33 E 37 DA LEI Nº 8.212, DE 1991. A discussão em questão diz respeito a contribuições previdenciárias devidas e não recolhidas em épocas próprias relativamente à parte da empresa, bem como ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, na forma prevista nos incisos I e II do artigo 22 da Lei nº 8.212, de 1991, e também as contribuições destinadas a outras entidades e fundos (Relatório Fiscal fls. 24). A lei de custeio e a Constituição estabeleceram a obrigatoriedade de pagamento das verbas ora discutidas, a fiscalização cumpriu sua missão de constituir o crédito e o contribuinte não fez a sua parte. Assim, não há que se falar em nulidade por falta de apontamento dos valores devidos. Ademais, na constituição do crédito tributário a autoridade administrativa respeitou as regras contidas nos artigos 33 e 37 da Lei nº 8.212, de 1991, não havendo, portanto, qualquer vício de legalidade no seu trabalho. Recurso Voluntário Negado

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 9/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 36266.012835/2006­32  Acórdão n.º 2803­004.071  S2­TE03  Fl. 3          2   Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.     (Assinado digitalmente)  Helton Carlos Praia de Lima – Presidente     (Assinado digitalmente)  Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator    Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de  Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior,  Gustavo Vettorato e Ricardo Magaldi Messetti.  Fl. 148DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 9/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 36266.012835/2006­32  Acórdão n.º 2803­004.071  S2­TE03  Fl. 4          3 Relatório    Trata­se de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito ­ NFLD lavrada em  desfavor  do  contribuinte  acima  identificado,  relativamente  às  contribuições  previdenciárias  devidas à Seguridade Social, não recolhidas em épocas próprias, no que diz respeito à parte da  empresa, bem como aquelas destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão  do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho,  na  forma  prevista  pelo  art.  22,  I  e  II,  da  Lei  nº  8.212/91,  como  também  as  contribuições  destinadas a outras entidades.      O Contribuinte devidamente notificado apresentou defesa tempestiva.      A impugnação foi julgada em 12 de abril de 2007 e ementada nos seguintes  termos:    INCONSTITUCIONALIDADE.  ILEGALIDADE.  JUROS.  TAXA SELIC. MULTA. SAT. TERCEIROS. SEBRE. INCRA.  Compete  exclusivamente  ao  Supremo  Tribunal  Federal  decidir sobre matéria relativa a constitucionalidade de lei.  Art. 97 e 102, I, “” da C.F.  A  Administração  Pública  está  sujeita  ao  princípio  da  legalidade,  à  obrigação  de  cumprir  e  respeitar  as  leis  em  vigor. Art. 37 da CF.  Sobre  as  contribuições  sociais  em  atraso  incidem  juros  equivalentes  à  taxa  referencial  do  sistema  Especial  de  Liquidação e Custódia – SELIC, e multa de mora, que não  podem ser relevado. (art. 34 e 35, da Lei nº 8212/91).  A contribuição do SAT é prevista pelo art. 22, II, da Lei nº  8.212/91, o qual define suas alíquotas.  As contribuições destinadas a Entidades e Fundos, para os  quais,  por  força  de  convênio,  o  INSS  se  incumbe  de  arrecadar  e  repassar  estão  previstas  na  legislação  conforme art. 94 da Lei nº 8.212/91 e Decreto nº 3.048/99.    LANÇAMENTO PROCEDENTE    Inconformado  com  resultado  do  julgamento  da  primeira  instância  administrativa,  o  Contribuinte  apresentou  recurso  tempestivo,  onde  alega,  em  síntese,  o  seguinte:      ­ Trata­se de NFLD lavrada contra a Recorrente, apontando suposta infração  consubstanciada na falta de recolhimento da contribuição da empresa sobre a remuneração de  empregados; contribuição ao SAT; ao INCRA; ao SENAI. Ao SESI e ao SEBRAE, no período  de  04/2005  a  06/2006,  nos  termos  do  artigo  22,  inciso  I,  e  seguintes,  da  Lei  8212/91,  declaradas em GFIP pela Recorrente.    Fl. 149DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 9/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 36266.012835/2006­32  Acórdão n.º 2803­004.071  S2­TE03  Fl. 5          4   ­  Em  face  de  tal  lançamento  foi  apresentada  defesa  administrativa,  demonstrando  a  nulidade  do  lançamento,  em  razão  da  falta  de  comprovação  dos  valores  devidos; da ilegalidade da cobrança das Contribuições ao SEBRAE, SAT, INCRA, assim como  da abusividade da multa aplicada, e por fim, da ilegalidade da aplicação da taxa SELIC como  juros moratórios.      ­ A NFLD deve ser anulada pela falta de comprovação dos valores apontados  como devidos.      ­ É ilegal a cobrança das contribuições ao SEBRAE, SAT, INCRA,         ­ A multa aplicada tem efeito confiscatório.      ­ É inconstitucional a utilização da taxa SELIC como juros moratórios.      ­ De  todo o exposto, a Recorrente  requer  seja dado provimento ao presente  recurso administrativo, reformando­se a r. decisão recorrida, para o fim de se declarar nula a  NFLD nº  35.055.184­2,  em  razão  da  falta de  fundamentação  probatória  apta  a demonstrar  a  efetiva ocorrência do fato gerador das contribuições cobradas; ou, caso assim não entendam V.  Sas.,  para  o  fim  de  que,  no  mérito,  seja  julgada  improcedente  a  NFLD,  excluindo­se  do  montante exigido as parcelas relativas às contribuições ao SAT, ao SEBRAE e ao INCRA, bem  como  dos  percentuais  discriminados  no  lançamento  a  título  de  penalidade  tributárias,  aplicando­se  o  percentual  de  20%  (vinte  por  cento)  consoante  as  disposições  da  Lei  nº  9.430/96, e por fim, o expurgo do índice da taxa SELIC como critério de juros moratórios, para  aplicação dos juros moratórios de 1% (um por cento) previstos no art. 161, § 1º, do CTN.       ­     Não apresentadas as contrarrazões.    É o relatório.  Fl. 150DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 9/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 36266.012835/2006­32  Acórdão n.º 2803­004.071  S2­TE03  Fl. 6          5 Voto             Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, Relator.      O  recurso  voluntário  é  tempestivo,  e  considerando  o  preenchimento  dos  demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado.      A discussão em questão diz respeito a contribuições previdenciárias devidas e  não  recolhidas  em  épocas  próprias  relativamente  à  parte  da  empresa,  bem  como  ao  financiamento  dos  benefícios  concedidos  em  razão  do  grau  de  incidência  de  incapacidade  laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, na forma prevista nos incisos I e II do  artigo 22 da Lei nº 8.212, de 1991, e também as contribuições destinadas a outras entidades e  fundos (Relatório Fiscal fls. 24).      O  contribuinte  vem  requerendo  desde  a  impugnação  a  nulidade  do  lançamento,  em  razão  da  falta  de  comprovação  dos  valores  apontados  como  devidos,  que  é  ilegal  a  cobrança  das  contribuições  ao  SEBRAE,  SAT,  INCRA,  que  a  multa  aplicada  tem  efeito confiscatório e que é inconstitucional a utilização da taxa SELIC como juros moratórios.      Dos  argumentos  contidos  no  recurso  nota­se  que  o  contribuinte  preferiu  cuidar  de  generalidades,  considerando  que  o  fato  gerador  das  contribuições  ficou  bem  evidenciado no trabalho realizado pela fiscalização.      O ponto nodal deste  lançamento, como  já  referido, diz  respeito a obrigação  legalmente  exigida  e  não  cumprida  pela  empresa,  ou  seja,  o  pagamento  das  contribuições  estabelecidas  nos  incisos  I  e  II  do  artigo  22  da  lei  nº  8.212,  de  1991,  bem  como  as  contribuições devidas  aos denominados Terceiros, na forma do artigo 94 do mesmo diploma  legal.      Vê­se, portanto, que não existe qualquer motivo para a  anulação da NFLD,  notadamente  por  suposta  falta  de  comprovação  dos  valores  apontados  como  devidos,  como  pretende o contribuinte.      A  lei  de  custeio  e  a  Constituição  estabeleceram  a  obrigatoriedade  de  pagamento das verbas ora discutidas, a fiscalização cumpriu sua missão de constituir o crédito  e  o  contribuinte  não  fez  a  sua  parte.  Assim,  não  há  que  se  falar  em  nulidade  por  falta  de  apontamento dos valores devidos.      Ademais,  na  constituição  do  crédito  tributário  a  autoridade  administrativa  respeitou  as  regras  contidas  nos  artigos  33  e  37  da  Lei  nº  8.212,  de  1991,  não  havendo,  portanto, qualquer vício de legalidade no seu trabalho.      De outra parte, não há que se falar também em inconstitucionalidade da taxa  Selic,  tendo  em  vista  que  o  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar  sobre  a  inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).      De  acordo  com  o  artigo  72  do  RICARF,  as  súmulas  são  de  observância  obrigatória pelos membros do CARF.  Fl. 151DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 9/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 36266.012835/2006­32  Acórdão n.º 2803­004.071  S2­TE03  Fl. 7          6   O lançamento e a decisão recorrida, como se pode observar, estão em perfeita  harmonia  com  a  legislação  que  rege  o  processo  administrativo  fiscal,  motivo  pelo  qual  os  mantenho pelos seus próprios e jurídicos fundamentos.      CONCLUSÃO.      Pelo  exposto,  voto  por CONHECER  do  recurso  para,  no mérito, NEGAR­ LHE PROVIMENTO.       É como voto.      (Assinado digitalmente)  Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator.                              Fl. 152DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 9/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR

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Numero do processo: 10882.908339/2009-78
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 16 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2002 PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. As Declarações (DCTF e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional - CTN). DCOMP PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova não é suficiente para afastar a exigência do débito decorrente de compensação não homologada.
Numero da decisão: 1802-002.511
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa - Presidente (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Henrique Heiji Erbano, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA

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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2002 PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. As Declarações (DCTF e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional - CTN). DCOMP PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova não é suficiente para afastar a exigência do débito decorrente de compensação não homologada.

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa - Presidente (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Henrique Heiji Erbano, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/ 03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 10882.908339/2009­78  Acórdão n.º 1802­002.511  S1­TE02  Fl. 3          2 (documento assinado digitalmente)  José de Oliveira Ferraz Corrêa ­ Presidente  (documento assinado digitalmente)  Ester Marques Lins de Sousa ­ Relatora.  Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de  Sousa,  José  de  Oliveira  Ferraz  Corrêa,  Nelso  Kichel,  Henrique  Heiji  Erbano,  Gustavo  Junqueira Carneiro Leão e Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira.     Relatório  Por economia processual e bem resumir os fatos adoto o Relatório da decisão  recorrida que transcrevo a seguir:  Tratam  os  autos  da  declaração  de  compensação  nº  23389.44314.310107.1.3.04­0825,  transmitida  eletronicamente  em 31/01/2007, com base em créditos relativos ao Imposto sobre  a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ.  A contribuinte declarou no PER/DCOMP a existência de crédito  decorrente  de  pagamento  indevido  ou  a  maior,  cujo  DARF  apresenta as seguintes características:  Características do DARF:  PERÍODO DE APURAÇÃO: 31/12/2001  CÓDIGO DE RECEITA : 2089  VALOR TOTAL DO DARF : 24.238,89  DATA DE ARRECADAÇÃO: 28/03/2002  A  partir  das  características  do  DARF  foi  identificado  que  o  referido pagamento havia sido utilizado parcialmente, de modo  que  foi  reconhecido  direito  creditório  no  montante  de  R$  3.710,22,  insuficiente  para  compensar  integralmente  os  débitos  declarados.  Assim,  em 07/10/2009,  foi  emitido  eletronicamente  o Despacho  Decisório  (fl.  2),  cuja  decisão  homologou  parcialmente  a  declaração de compensação por insuficiência de crédito. O valor  do  principal  correspondente  aos  débitos  informados  é  de  R$  11.185,48.  Cientificado  dessa  decisão  em  19/10/2009,  o  sujeito  passivo  apresentou  em  18/11/2009, manifestação  de  inconformidade à  fl. 23 e 24, acrescida de documentação anexa.  Fl. 128DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/ 03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 10882.908339/2009­78  Acórdão n.º 1802­002.511  S1­TE02  Fl. 4          3 Em  síntese,  a  contribuinte  esclarece  que  teria  recolhido  indevidamente  três  parcelas  de  IRPJ  referentes  ao  período  em  análise. Uma  vez  constatado  o  recolhimento  indevido,  retificou  suas declarações. Apresenta quadro demonstrativo e anexa aos  autos cópias das declarações.  Ao final, solicita a homologação da compensação requerida por  meio do PER/DCOMP em análise, cancelando­se o débito fiscal  dela decorrente.  A  4ª  Turma  da  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento  (DRJ/Brasília/DF) julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, conforme decisão  proferida no Acórdão nº 03­56.222, de 17 de outubro de 2013, cientificado ao interessado em  20/12/2013.   A decisão recorrida possui a seguinte ementa:    ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  A  RENDA  DE  PESSOA  JURÍDICA IRPJ  Ano calendário:2002  DECLARAÇÃO  RETIFICADORA.  PROVA  INSUFICIENTE  PARA  COMPROVAR  EXISTÊNCIA  DE  CRÉDITO  DECORRENTE DE PAGAMENTO A MAIOR.  Para  se  comprovar  a  existência  de  crédito  decorrente  de  pagamento  a  maior,  comparativamente  com  o  valor  do  débito  devido  a  menor,  é  imprescindível  que  seja  demonstrado  na  escrituração  contábil/fiscal,  baseada  em  documentos  hábeis  e  idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada  período  de  apuração.  A  simples  entrega  de  declaração  retificadora,  por  si  só,  não  tem  o  condão  de  comprovar  a  existência de pagamento indevido ou a maior.  DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.  Incumbe ao  sujeito  passivo  a  demonstração,  acompanhada das  provas  hábeis,  da  composição  e  a  existência  do  crédito  que  alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas  sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.  DECLARAÇÃO  DE  COMPENSAÇÃO.  INEXISTÊNCIA  DE  CRÉDITO.  A compensação de créditos tributários só pode ser efetuada com  crédito  líquido  e  certo  do  sujeito  passivo;  no  caso,  o  crédito  pleiteado é inexistente.  A pessoa jurídica interpôs recurso voluntário ao Conselho Administrativo de  Recursos Fiscais ­ CARF, em 17/01/2014.  A Recorrente alega que:  Fl. 129DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/ 03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 10882.908339/2009­78  Acórdão n.º 1802­002.511  S1­TE02  Fl. 5          4 ­  há  equívoco  na  decisão  recorrida  ao  sustentar  que  a  pessoa  jurídica  deveria,  em  sua  manifestação  de  inconformidade,  provar,  através  dos  seus  assentamentos  contábeis/fiscais  embasando sua escrituração com a apresentação de documentos hábeis e idôneos, segundo sua  natureza, fundamentando seus lançamentos contábeis com o comprovante de retençãoemitido  em seu nome pela fonte pagadora;  ­  tal  entendimento  é  totalmente  descabido  na  análise  do  presente  contencioso  administrativo  fiscal posto que a Recorrente em sua  impugnação ­item "d" deixou claro que o  todo alegado  poderia  ser  devidamente  comprovado  através  da  Declaração  de  Informações  Econômico­ Fiscais ­ DIPJ/2002 fl.47 dos autos, entregue e encaminhada à Secretaria da Receita Federal do  Brasil;   ­ é cediço que a Declaração de Informações Econômico Fiscais ­ DIPJ é a reprodução integral  dos  assentamentos  contábeis/fiscais  do  sujeito  passivo  e,  os  dados  nela  contidos,  estão  permanentemente à disposição de autoridade fiscal para apreciação, análise e contestações que  se fizerem necessárias;   ­  o  crédito  tributário  que  deu  origem  ao  pedido  de  compensação  não  homologado  pela  Autoridade Administrativo  preparadora,  não  tem  sua  origem  em  imposto  de  renda  retido  na  fonte  como  sugerido  pela  ilustre  Julgadora­Relatora  ­  fls. 71 dos autos, mas  sim  da  diferença  entre o valor efetivamente recolhido e o valor devido constante da Declaração de Informações  Econômico­Fiscais, pertinente ao 4o Trimestre do Ano­Calendário de 2001;   ­ conforme informado pela Recorrente o Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ­ IRPJ ­código  da  receita  2089,  referente  ao  4o  Trimestre  de  2001,  apurado  e  informado  na DIPJ  somou  a  quantia de R$ 8.906,39 (oito mil, novecentos e seis  reais e  trinta e nove centavos), e o valor  recolhido, conforme atestado através dos DARF's anexados aos autos somou a quantia de R$  64.593,56 (sessenta e quatro mil, quinhentos e noventa e três reais e cinquenta e seis centavos);   ­ havendo receitas decorrentes de prestação de serviços e estando dentro dos limites previstos  pela  legislação  tributária,  a  fonte  pagadora  deve  proceder  à  devida  retenção  do  imposto/contribuições devidos o qual, por sua vez, será deduzido do imposto ou contribuição a  pagar/recolher;  ­  no  Ano  Calendário  de  2001,  submeteu­se  ao  regime  de  tributação  com  base  no  Lucro  Presumido e, no 4o Trimestre do período de apuração encerrado em 31 de dezembro de 2001,  recolheu o Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ­ IRPJ, no montante de R$ 64.593,56 (sessenta  e quatro mil, quinhentos e noventa e  três  reais e cinquenta e seis centavos), dividido em três  parcelas, conforme a seguir demonstrado, que foram devidamente informados em DCTF:  IRPJ ­ 3° Trimestre — PA 31/12/2001 Data vencimento/recolhimento Valor Recolhido em R$   I a  Parcela  31/01/2002  20.076,97    2a Parcela  28/02/2002  20.277,70   3a Parcela  28/03/2002  24.238,89       TOTAL      64.593,56    ­ após a entrega da Declaração de Informações Econômico Fiscais do Exercício de 2002 ­ Ano­ Calendário de 2001 constatou que o valor efetivamente devido no 4o Trimestre de 2001, era de  R$ 8.906,39 (oito mil, novecentos e seis reais e trinta e nove centavos), fato este verificado em  Fl. 130DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/ 03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 10882.908339/2009­78  Acórdão n.º 1802­002.511  S1­TE02  Fl. 6          5 tempo  posterior  através  de  auditoria  interna  a  fim  de  analisar  os  procedimentos  de  natureza  contábil/fiscal adotados pela Recorrente;   ­ ao determinar a base de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição  Social  sobre  o  Lucro  Líquido,  aplicou  sobre  a  receita  auferida  no  4°  Trimestre  de  2001,  a  alíquota de 32% (trinta e dois por cento), quando a alíquota efetiva a ser aplicada era de 8%  (oito  por  cento),  em  face  de  suas  atividades  operacionais.  Daí  a  origem  do  seu  direito  creditório. Ipso fato procedeu à retificação da Declaração de Informações Econômico Fiscais ­  DIPJ/2002 ­ Retificadora, em 29/12/2006, fls. 42/48 dos autos, e da Declaração de Débitos e  Créditos  Tributários  ­  DCTF  ­  Retificadora,  fls.49/53  dos  autos,  em  29/12/2006,  do  4º  Trimestre de 2001.   ­ diante da constatação das  inconsistências acima apontadas a Recorrente concluiu que no 4o  Trimestre de 2001, recolheu o Imposto de Renda da Pessoa Jurídica­ IRPJ, em valores acima  do  efetivamente  devido  no  montante  de  R$  55.687,17  (cinquenta  e  cinco  mil,  seiscentos  e  oitenta e sete reais e dezessete centavos), abaixo demonstrado:  IRPJ ­4o Trimestre ­ PA 31/12/2001 Data venct0/recolhimento Valor Recolhido em R$   Valor Devido em R$ Valor Recolhido a Maior   I a  Parcela  31/01/2002  20.076,97  8.906,39  11.170,58  2a Parcela  28/02/2002  20.277,70  ­  20.277,70  3a Parcela  28/03/2002  24.238,89      ­  24.238,89  TOTAL    64.593,56  8.906,39  55.687,17  ­  o  crédito  reclamado  através  deste  PER/DCOMP  refere­se  ao  pagamento  das  quotas  recolhidas no curso do 1º  trimestre de 2002,  o qual está devidamente comprovado através  das declarações e documentos apresentadas em sua impugnação;   ­ os valores informados na DCTF­Retificadora, recepcionada em 29 de dezembro de 2006 ­ fls.  fls.49/53 dos autos estão sobejamente comprovados através dos dados extraídos da Declaração  de  Informações Econômico Fiscais  ­ Retificadora do Exercício de 2002  ­ Ano­Calendário de  2001, recepcionada em 29 de dezembro de 2006 ­ fls. 42/48 dos autos e dos DARF's anexados  aos autos do presente contencioso administrativo fiscal ­ fls. 54/56.  Finalmente requer provimento do recurso voluntário e protesta pela produção  de novos argumentos de fato e de direito, provas admitidas em direito, diligências e perícias,  se necessárias.  É o relatório.  Voto             Conselheira Ester Marques Lins de Sousa  O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade  previstos no Decreto nº 70.235/72. Dele conheço.  O  presente  processo  tem  origem  no  PER/DCOMP  nº  23389.44314.310107.1.3.04­0825  (fls.06/08),  transmitido  em  31/01/2007,  em  que  a  Fl. 131DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/ 03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 10882.908339/2009­78  Acórdão n.º 1802­002.511  S1­TE02  Fl. 7          6 contribuinte pretende compensar débitos de IRPJ e CSLL relativos ao 4º Trimestre de 2006 no  total  de  R$  17.956,62  com  a  utilização  de  crédito  decorrente  de  pagamento  indevido  ou  a  maior de IRPJ, código – 2089, relativo ao DARF: Período de Apuração: 31/12/2001; Data de  Arrecadação: 28/03/2002, no valor de R$ 24.238,89.   Consta do despacho decisório de  fl.03,  emitido  em 20/04/2009 que a partir  das características do DARF discriminado no PER/DCOMP de que tratam os presentes autos,  foi  localizado o pagamento no valor de R$ 24.238,89, mas utilizado para quitação de débitos  do contribuinte, o valor de R$ 20.528,67, restando o saldo disponível no valor R$ 3.710,22  para compensação dos débitos informados no PERDCOMP.   Desse modo foi  reconhecido, parcialmente, o direito creditório no montante  de R$ 3.710,22, porém insuficiente para compensar integralmente os débitos declarados.  A decisão de primeira instância manteve o despacho decisório.  A  Recorrente  afirma  que  o  crédito  reclamado  através  deste  PER/DCOMP  refere­se ao pagamento das quotas recolhidas no curso do 1º trimestre de 2002, relativo ao  4º Trimestre de 2001, o qual está devidamente comprovado através das declarações (DCTF e  DIPJ) e DARFs apresentados em sua impugnação.  De  inicio,  cabe  registrar  que  somente  são  passíveis  de  compensação  os  créditos líquidos e certos.  A  Recorrente,  no  essencial,  alega  que  o  crédito  está  sobejamente  comprovado por meio dos valores informados na DCTF­Retificadora, recepcionada em 29 de  dezembro  de  2006  ­  fls. fls.49/53  através  dos  dados  extraídos  da Declaração  de  Informações  Econômico  Fiscais  ­  Retificadora  do  Exercício  de  2002  ­  Ano­Calendário  de  2001,  recepcionada  em 29 de dezembro de 2006  ­  fls.  42/48 e dos DARF's  anexados  aos  autos do  presente contencioso administrativo fiscal ­ fls. 54/56.  Como se vê, o contribuinte informa o crédito a compensar no PER/DCOMP  nº  23389.44314.310107.1.3.04­0825  (fls.06/08),  transmitido  em  31/01/2007,  porque  em  29/12/2006 procedeu a retificação da DCTF relativa ao 4º trimestre de 2001 e DIPJ/2002.   No entendimento da decisão recorrida não basta a retificação da DCTF e da  DIPJ/2002  para  comprovar  o  direito  creditório,  pois,  neste  momento  processual,  para  se  comprovar  a  liquidez  e  certeza  do  crédito  informado  na  declaração  de  compensação  é  imprescindível  que  seja  demonstrada  na  escrituração  contábil/fiscal  da  contribuinte,  baseada  em  documentos  hábeis  e  idôneos,  a  diminuição  do  valor  do  débito  correspondente  a  cada  período de apuração.  A  Recorrente  alega  que,  ao  determinar  a  base  de  cálculo  do  Imposto  de  Renda  da  Pessoa  Jurídica  e  da  Contribuição  Social  sobre  o  Lucro  Líquido,  aplicou  sobre  a  receita auferida no 4° Trimestre de 2001, a alíquota de 32% (trinta e dois por cento), quando a  alíquota  efetiva  a  ser  aplicada  era  de  8%  (oito  por  cento),  em  face  de  suas  atividades  operacionais. Daí a origem do seu direito creditório. Diz que,  ipso fato procedeu à retificação  da  Declaração  de  Informações  Econômico  Fiscais  ­  DIPJ  e  da  Declaração  de  Débitos  e  Créditos Tributários ­ DCTF como explicitado acima.  Fl. 132DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/ 03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 10882.908339/2009­78  Acórdão n.º 1802­002.511  S1­TE02  Fl. 8          7 De plano, o que se observa nos autos é que a interessada não traz, além das  declarações retificadoras, qualquer elemento que comprove suas alegações, o que viola a regra  jurídica  adotada pelo direito pátrio de que a prova compete ou  cabe à pessoa que alega o  fato, conforme se depreende do abaixo transcrito artigo 16, caput, III, do Decreto n° 70.235, de  1972  (PAF), que regulamenta o processo administrativo  fiscal no âmbito  federal,  e do artigo  333, do Código de Processo Civil,verbis:  Decreto n° 70.235, de 1972:  Art. 16. A impugnação mencionará:  III  ­  os motivos  de  fato  e  de  direito  em  que  se  fundamenta,  os  pontos de discordância e as razões e provas que possuir.  CPC   Art. 333. 0 ônus da prova incumbe:  I — ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito  ...  A Recorrente, genericamente, protesta pela produção de novos argumentos de  fato e de direito, provas admitidas em direito, diligências e perícias, se necessárias.  Ora,  nada  impedia  ao  contribuinte,  acaso  interessado  em  comprovar  seu  direito creditório, a proceder a juntada de cópia da escrituração contábil/fiscal e comparar com  os  valores  declarados  na  DIPJ/2002  e  DCTF.  E,  demonstrar  cabalmente  suas  atividades  operacionais mediante notas fiscais para os fins de apuração do lucro presumido, a se verificar  qual  o  percentual  de  aplicação  se  8%  (retificadora)  ou  32%  como  apurado  nas  declarações  originais.   Cabe assinalar que o  reconhecimento de direito  creditório contra a Fazenda  Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior  de  tributo,  fazendo­se  necessário  verificar  a  exatidão  das  informações  a  ele  referentes,  confrontando­as  com  os  registros  contábeis  e  fiscais  efetuados  com  base  na  documentação  pertinente, com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e  compará­lo ao pagamento efetuado.  Como registrado acima e, nos  termos do artigo 333,  inciso  I, do Código de  Processo Civil, ao autor incumbe o ônus da prova dos fatos constitutivos do seu direito. Logo,  o indébito tributário deve ser necessariamente comprovado sob pena de pronto indeferimento.  No  caso  em  tela,  a  prova  do  indébito  tributário,  fato  jurídico  a  dar  fundamento  ao  direito  de  compensação,  compete  ao  sujeito  passivo  que  teria  efetuado  o  pagamento  indevido  ou  maior  que  o  devido,  pois,  no  presente  caso  somente  o  contribuinte  detém em seu poder os registros de prova necessários para a elucidação da verdade dos fatos.  Como bem esclarecido na decisão recorrida, os registros contábeis e demais  documentos fiscais acerca do  indébito, são elementos  indispensáveis para que se comprove a  certeza e a liquidez do direito creditório aqui pleiteado.  Fl. 133DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/ 03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 10882.908339/2009­78  Acórdão n.º 1802­002.511  S1­TE02  Fl. 9          8 Nesse  sentido,  na  declaração  de  compensação  apresentada,  o  indébito  não  contém  os  atributos  necessários  de  liquidez  e  certeza,  os  quais  são  imprescindíveis  para  reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito junto à Fazenda Pública, sob pena de  haver  reconhecimento  de  direito  creditório  incerto,  contrário,  portanto,  ao  disposto  no  artigo  170 do Código Tributário Nacional (CTN).  É  certo  que  o  artigo  165  do  CTN  autoriza  a  restituição  do  pagamento  indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do  contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da  composição  e  a  existência  do  crédito  que  alega  possuir  junto  à  Fazenda Nacional  para  que  sejam  aferidas  sua  liquidez  e  certeza  pela  autoridade  administrativa.  À  míngua  de  tal  comprovação não se homologa a compensação pretendida.  Como  cediço,  as  Declarações  (DCTF  e  DIPJ)  são  produzidas  pelo  próprio  contribuinte,  de  sorte  que,  havendo  inconsistências  nas mesmas  não  retiram  a  obrigação  do  recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que,  apenas  os  créditos  líquidos  e  certos  comprovados  inequivocamente  pelo  contribuinte  são  passíveis de  compensação  tributária,  conforme preceituado no artigo 170  da Lei nº 5.172/66  (Código Tributário Nacional ­ CTN).  A busca da verdade material não autoriza o julgador a substituir o interessado  na produção das provas. A apresentação dos documentos juntamente com a defesa é ônus da  alçada da recorrente.   No presente caso, a recorrente teria, em tese, à sua disposição todos os meios  para provar o alegado crédito e os equívocos dito cometidos. Não o fez.  Cabe  ao  Fisco  exigir  a  comprovação  do  crédito  pleiteado,  desde  que  não  tenha  ocorrido  a  homologação  tácita  da  compensação,  nos  moldes  do  artigo  74  da  Lei  nº  9.430/96 que assim dispõe:  § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo  sujeito  passivo  será  de  5  (cinco)  anos,  contado  da  data  da  entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei  nº 10.833, de 2003)  Conforme  dito  acima,  o  PER/DCOMP  foi  transmitido  pela  pessoa  jurídica  em 31/07/2007, tomou ciência do despacho decisório expedido em 07/10/2009, e apresentou a  manifestação de  inconformidade em 18/11/2009. Portanto, o despacho decisório se deu antes  do prazo de 5 (cinco) anos.   É dever do Fisco proceder a análise do crédito e, o contribuinte que reclama o  pagamento indevido tem o dever de comprovar a certeza e liquidez do crédito reclamado.   A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de  prova  não  é  suficiente  para  afastar  a  exigência  do  débito  decorrente  de  compensação  não  homologada.  Diante  do  exposto,  voto  no  sentido  de  NEGAR  provimento  ao  recurso  voluntário.      (documento assinado digitalmente)  Fl. 134DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/ 03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 10882.908339/2009­78  Acórdão n.º 1802­002.511  S1­TE02  Fl. 10          9 Ester Marques Lins de Sousa.                                Fl. 135DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/ 03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA

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Numero do processo: 10935.004992/2006-51
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 23 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Apr 06 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1803-000.048
Decisão: Por maioria de votos, sobrestaram o julgamento nos termos do § 1°, do art. 62A, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Vencido o Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes - Presidente. (assinado digitalmente) Victor Humberto da Silva Maizman - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Selene Ferreira de Moraes (presidente), Walter Adolfo Maresch, Sergio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Victor Humberto da Silva Maizman e Sérgio Luiz Bezerra Presta.
Nome do relator: Não se aplica

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decisao_txt : Por maioria de votos, sobrestaram o julgamento nos termos do § 1°, do art. 62A, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Vencido o Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes - Presidente. (assinado digitalmente) Victor Humberto da Silva Maizman - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Selene Ferreira de Moraes (presidente), Walter Adolfo Maresch, Sergio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Victor Humberto da Silva Maizman e Sérgio Luiz Bezerra Presta.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 1; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1352; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­TE03  Fl. 110          1 109  S1­TE03  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10935.004992/2006­51  Recurso nº            Voluntário  Resolução nº  1803­000.048  –  3ª Turma Especial  Data  23 de novembro de 2011  Assunto              Recorrente  ROSALVO TAVARES DA SILVA E CIA LTDA   Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Por maioria de votos, sobrestaram o julgamento nos termos do § 1°, do art. 62A,  do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Vencido o Conselheiro  Sérgio Rodrigues Mendes.      (assinado digitalmente)  Selene Ferreira de Moraes ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  Victor Humberto da Silva Maizman ­ Relator.  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Selene  Ferreira  de  Moraes  (presidente),  Walter  Adolfo  Maresch,  Sergio  Rodrigues  Mendes,  Meigan  Sack  Rodrigues, Victor Humberto da Silva Maizman e Sérgio Luiz Bezerra Presta.                RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 35 .0 04 99 2/ 20 06 -5 1 Fl. 1080DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2012 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN, Assinado digitalmente e m 18/10/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN Erro! A origem da  referência não foi  encontrada.  Fls. 111  ___________       Relatório.  Trata o processo de autos de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica — IRPJ, PIS, COFINS e CSLL e reflexos, relativos aos anos calendários 2001 a 2004.   Após a  impugnação do sujeito passivo, a DJR julgou a questão ementando da  seguinte forma:  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano­calendário:  2001,  2002,  2003,  2004  NULIDADE.  FALTA  DE  FUNDAMENTAÇÃO  LEGAL.  CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. DESCABIMENTO. Ê  infundada  a  argüição  de  nulidade  dos  lançamentos  se  os  dispositivos  legais  que  os  fundamentaram  encontram­se  descritos no Auto de Infração, e a peça impugnatória é apresentada com desenvoltura suficiente  para contradizer o suposto cerceamento do direito de defesa. NULIDADE. LAVRATURA DO  AUTO  DE  INFRAÇÃO  FORA  DAS  DEPENDÊNCIAS  DA  EMPRESA.  AUSÊNCIA  DE  PREJUÍZO.  Em  atenção  ao  principio  da  instrumentalidade  das  formas,  não  cabe  declarar  nulidade sem que parte demonstre o efetivo prejuízo sofrido, sendo, portanto,  insubsistente o  pleito  de  nulidade  do  auto  de  infração  pela  mera  circunstância  de  haver  sido  lavrado  na  repartição da Delegacia da SRF.  INTIMAÇÃO.  VIA  POSTAL.  RECEBIMENTO.  IRRELEVÃNCIA  DA  QUALIFICAÇÃO DO RECEBEDOR. Ê improcedente a argüição de nulidade das intimações  fiscais enviadas por via postal, sob a alegação de recebimento por pessoa estranha ao quadro  societário  da  empresa,  eis  que  é  irrelevante  a  qualificação  do  recebedor  da  correspondência,  bastando o correto endereçamento.  PROVA  ILÍCITA.  SIGILO  BANCÁRIO.  MATÉRIA  NÃO  SUJEITA  A  RESERVA DE JURISDIÇÃO. É improcedente o pedido de nulidade do auto de infração, por  suposta utilização de prova  ilícita, consistente na violação do sigilo bancário da empresa, eis  que o ato de levantamento do sigilo bancário não se insere nas matérias sujeitas A reserva de  jurisdição, podendo ser efetivada diretamente pelo fisco, conforme previsão legal.  DECADÊNCIA.  IRPJ.  TERMO  INICIAL  A  inexistência  de  pagamento  de  tributo, em relação A receita omitida, que deveria ter sido lançado por homologação enseja a  prática  do  lançamento  de  oficio  ou  revisão  de  oficio,  previsto  no  artigo  149  do  CTN,  cujo  termo de inicio do prazo decadencial desloca­se para o primeiro dia do exercício seguinte ao  que o lançamento poderia ter sido efetuado.  DECADÊNCIA. PIS. COFINS. CSLL. Com a edição da súmula vinculante n° 8,  editada pelo STF, as contribuições sociais para a Seguridade Social submetem­se As regras de  prescrição e decadência gerais ditadas pelo CTN.  MULTA  DE  OFÍCIO.  CONFISCO.  INCONSTITUCIONALIDADE.  PERCENTUAL. LEGALIDADE. Os percentuais da multa de oficio, exigíveis em lançamento  de oficio, são determinados expressamente em lei, não dispondo as autoridades administrativas  de  competência  para  apreciar  a  constitucionalidade  de  normas  legitimamente  inseridas  no  ordenamento jurídico.  Fl. 1081DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2012 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN, Assinado digitalmente e m 18/10/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN Processo nº 10935.004992/2006­51  Resolução nº  1803­000.048  S1­TE03  Fl. 112          3 JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. A utilização da taxa Selic  como  juros  moratórios  decorre  de  expressa  disposição  legal.  JUROS  DE  MORA.  TAXA  SELIC. CUMULATIVIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. Na aplicação da taxa Selic não ocorre a  cumulação, ou seja, incidência de juros sobre juros, uma vez que se aplicam somente sobre o  principal.  SUSTENTAÇÃO  ORAL.  OITIVA  DE  TESTEMUNHAS.  FALTA  DE  PREVISÃO  LEGAL.  PEDIDO DE  PERÍCIA.  PEDIDO GENÉRICO NÃO  FORMULADO.  PROVA  DOCUMENTAL.  APRESENTAÇÃO  NA  IMPUGNAÇÃO.  PRECLUSÃO.  Nos  termos  da  legislação  do  PAF,  não  há  previsão  para  produção  de  prova  oral  nem  oitiva  de  testemunhas, os pedidos de perícia sem indicação de perito e quesitos são considerados como  não  formulados,  e  toda  prova documental  deve  ser  apresentada na  impugnação,  sob pena de  preclusão, salvo exceções previstas.  Inconformado com a decisão, a empresa autuada interpôs Recurso Voluntário se  insurgindo contra todos os itens do aludido julgado, requerendo, ao final, a sua reforma.  É o sintético relatório.    Conselheiro Victor Humberto da Silva Maizman   O  §1°,  do  art.  62ª  do  Regimento  Interno  do  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  (CARF),  aprovado  pela  Portaria  n°  256,  de  22  de  junho  de  2009,  assim  dispõe:  “Art. 62A.  As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e  pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos  artigos 543B e 543­C da Lei nº 5.869, de 11 de  janeiro de 1973, Código de Processo Civil,  deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.  § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também  sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida  decisão nos termos do art. 543B.   § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por  provocação das partes.”  Uma  das  matérias  discutidas  no  presente  recurso  é  a  constitucionalidade  da  quebra do sigilo bancário pela autoridade administrativa.  Tal  matéria  está  sendo  objeto  de  análise  pelo  Supremo  Tribunal  Federal,  na  sistemática do art. 543­B, no RE n° 601.314, de relatoria do Ministro Ricardo Lewandowski.  A seguir, transcrevemos trecho do despacho do Ministro LEWANDOWSKI em  recurso extraordinário com questão idêntica à do RE n° 601.314, publicado em 22/10/2010.  Nele  o  recurso  não  é  sobrestado,  mas  devolvido  para  ser  sobrestado  pelo  Tribunal de origem, in verbis:  Fl. 1082DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2012 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN, Assinado digitalmente e m 18/10/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN Processo nº 10935.004992/2006­51  Resolução nº  1803­000.048  S1­TE03  Fl. 113          4 "Isso  posto,  preenchidos  os  demais  requisitos  de  admissibilidade,  dou  provimento ao agravo de instrumento para admitir o recurso extraordinário e, com fundamento  no  art.  328,  parágrafo  único,  do RISTF,  determino  a  devolução  destes  autos  ao Tribunal  de  origem  para  que  seja  observado  o  disposto  no  art.  543­B  do  CPC,  visto  que  no  recurso  extraordinário discute­se questão idêntica à apreciada no RE 601.314RG/SP."  No meu entendimento, tal despacho demonstra que o Supremo Tribunal Federal  está processando os recursos extraordinários que discutem a constitucionalidade da quebra do  sigilo bancário pela autoridade administrativa, nos termos do art. 543B, e está sobrestando os  recursos extraordinários que versam sobre a matéria, nos termos do art. 328 de seu regimento  interno.  No CARF, por disposição regimental, os recursos que versarem sobre a mesma  matéria dos  recursos  extraordinários  submetidos  à  sistemática do  art.  543­B,  também devem  ser sobrestados até que seja proferida a decisão da Suprema Corte.  Diante  do  exposto,  sobresto  o  julgamento  do  presente  recurso  voluntário,  nos  termos dos §§ 1° e 2°, do art. 62­A do Regimento Interno do CARF.  VICTOR  HUMBERTO  DA  SILVA  MAIZMAN  Conselheiro  Relator  (assinatura digital)  Victor Humberto da Silva Maizman ­ Relator    Fl. 1083DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2012 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN, Assinado digitalmente e m 18/10/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN

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5863904 #
Numero do processo: 10630.001466/2009-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/2004 a 31/10/2008 RECURSO INTEMPESTIVO. É definitiva a decisão de primeira instância quando não interposto recurso voluntário no prazo legal. Não se toma conhecimento de recurso intempestivo. Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2402-004.566
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário por intempestividade. Julio César Vieira Gomes - Presidente Ronaldo de Lima Macedo - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO

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camara_s : Quarta Câmara

ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/2004 a 31/10/2008 RECURSO INTEMPESTIVO. É definitiva a decisão de primeira instância quando não interposto recurso voluntário no prazo legal. Não se toma conhecimento de recurso intempestivo. Recurso Voluntário Não Conhecido.

turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário por intempestividade. Julio César Vieira Gomes - Presidente Ronaldo de Lima Macedo - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1563; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C4T2  Fl. 2          1  1  S2­C4T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10630.001466/2009­14  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2402­004.566  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  10 de fevereiro de 2015  Matéria  INTEMPESTIVIDADE  Recorrente  TECPLAN ­ PROJETOS E PLANEJAMENTOS LTDA  Recorrida  FAZENDA  NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/03/2004 a 31/10/2008  RECURSO INTEMPESTIVO.  É  definitiva  a  decisão  de  primeira  instância  quando  não  interposto  recurso  voluntário  no  prazo  legal.  Não  se  toma  conhecimento  de  recurso  intempestivo.  Recurso Voluntário Não Conhecido.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  ACORDAM os membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de votos,  em  não  conhecer do recurso voluntário por intempestividade.    Julio César Vieira Gomes ­ Presidente    Ronaldo de Lima Macedo ­ Relator    Participaram  do  presente  julgamento  os  conselheiros:  Julio  César  Vieira  Gomes,  Nereu  Miguel  Ribeiro  Domingues,  Luciana  de  Souza  Espíndola  Reis,  Lourenço  Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 63 0. 00 14 66 /2 00 9- 14 Fl. 1295DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES     2    Relatório  Trata­se  de  lançamento  fiscal  decorrente  do  descumprimento  de  obrigação  tributária principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a  remuneração  dos  segurados  empregados  e  contribuintes  individuais,  concernente  à  parcela  patronal, incluindo as contribuições para o financiamento das prestações concedidas em razão  do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho  (SAT/GILRAT).  O  período  de  lançamento  dos  créditos  previdenciários  é  de  03/2004  a  10/2008.  A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deu­se em 15/07/2009 (fls.  01).  A  autuada  apresentou  impugnação  tempestiva  (fls.  802/809),  alegando,  em  síntese, que:  1.  Argui  que  a  fiscalização  compreendeu  período  distinto  daquele  constante  do  Termo  de  Inicio  de  Ação  Fiscal  (TIAF)  n°  0610300.2008.00448, datado de 19/09/2008. O citado Termo informa  o período de 03/2006 a 08/2008 e a  fiscalização ocorreu em relação  aos  anos de 2004, 2005, 2006, 2007 até 10/2008,  sem que qualquer  comunicação acerca de tal mudança lhe fosse feita;  2.  No mérito  salienta  que  de  todos  os  autos  de  infração  resultantes  da  ação fiscal constam relatórios e anexos com valores os mais diversos,  ora  pelo  descumprimento  de  obrigações  principais  ora  pelo  de  obrigações  acessórias.  Afirma  que  supriu  a  fiscalização  em  suas  exigências  na  preparação  da  folha  de  pagamento  e  na  entrega  de  documentos e relatórios complementares, embora todos já constassem  de  lançamento em sua contabilidade. Também procedeu correção de  GFIP,  incluindo  ali  todos  os  segurados  encontrados  em  sua  contabilidade;  3.  Alega  que  a  fiscalização  não  considerou  os  valores  retidos  e  destacados  em  suas  notas  fiscais,  e  quando  o  fez,  ao  invés  de  apropriá­los na obra correta, lançou­os em seu CNPJ, o que aumentou  o  crédito  no  CNPJ  em  detrimento  dos  débitos  apurados  nos  respectivos CEI/Obras. Informa a juntada de cópias de notas fiscais e  de GFIP  que,  juntamente  com  as  folhas  de  pagamento,  permitirão  a  correta apuração das contribuições em cada um dos CEI e também no  CNPJ;  4.  Elabora  planilha,  denominada  Anexo  I,  contemplando  os  débitos  e  créditos que entende devidos,  inclusive com as  retenções  sofridas,  e  conclui  que  o  valor  ainda  devido  Seguridade  Social  é  o  de  R$10.841,51,  importância  esta  que  deveria  ser  a  base  para  as  penalidades legais aplicadas.  A  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento  (DRJ)  em  Belo  Horizonte/MG – por meio do Acórdão 02­31.389 da 9a Turma da DRJ/BHE (fls. 1228/1236) –  Fl. 1296DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10630.001466/2009­14  Acórdão n.º 2402­004.566  S2­C4T2  Fl. 3          3  considerou  o  lançamento  fiscal  procedente  em  sua  totalidade,  eis  que não  havia  justificativa  nem  amparo  legal  para  prosperar  a  pretensão  da  Impugnante  no  sentido  de  considerar  o  procedimento fiscal passível de nulidade.  A  Notificada  apresentou  recurso,  manifestando  seu  inconformismo  pela  obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados no auto de infração e no mais efetua as  alegações da peça de impugnação.  A  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  em  Governador  Valadares/MG  informa  que  o  recurso  interposto  é  intempestivo  e  encaminha  os  autos  ao  Conselho  Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para processamento e julgamento.  É o relatório.  Fl. 1297DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES     4    Voto             Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator  Quanto à tempestividade do recurso voluntário interposto, verifica­se que não  houve cumprimento de tal requisito de admissibilidade.  A Recorrente  foi  intimada da decisão de primeira  instância  em 25/03/2011,  mediante  correspondência  postal  acompanhada  de  Aviso  de  Recebimento  (AR),  conforme  documento dos Correios juntado aos autos.  Por  sua  vez,  a  Recorrente  interpôs  recurso  voluntário,  apresentando  as  mesmas  alegações  postuladas  na  sua  peça  de  impugnação,  não  se  manifestou  à  respeito  da  tempestividade do recurso.  Em decorrência dos elementos fáticos constantes nos autos, verifica­se que a  Recorrente  interpôs  o  recurso  voluntário  em  28/04/2011,  nos  termos  da  papeleta  do  recurso  voluntário, devidamente carimbada pelo Fisco da Delegacia da Receita Federal em Governador  Valadares/MG, papeleta inicial do recurso.  O  art.  5º,  parágrafo  único,  do Decreto  70.235/1972 –  diploma que  trata  do  contencioso  administrativo  fiscal  no  âmbito  dos  tributos  arrecadados  e  administrados  pela  União – estabelece como serão computados os prazos para interposição de recurso,  transcrito  abaixo:  Art.  5º.  Os  prazos  serão  contínuos,  excluindo­se  na  sua  contagem o dia do início e incluindo­se o do vencimento.  Parágrafo único. Os prazos  só se iniciam ou vencem no dia de  expediente  normal  no  órgão  em que  corra  o  processo  ou  deva  ser praticado o ato.  Salienta­se que a tempestividade do recurso voluntário é aferida pela data do  protocolo  junto  ao  órgão  preparador  do  processo  (circunscrição  do  domicílio  fiscal  da  Recorrente). Em outras palavras, o que importa, para verificar a tempestividade do recurso, é  que ele tenha sido apresentado ao protocolo dentro do prazo legalmente previsto, nos termos do  art. 33 do Decreto 70.235/1972, transcrito abaixo:  Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial,  com  efeito  suspensivo,  dentro  dos  30  (trinta)  dias  seguintes  à  ciência da decisão.(g.n.)  A Recorrente  teve  ciência  da  decisão  de  primeira  instância  –  proferida  por  meio  do  Acórdão  02­31.389  da  9a  Turma  da  DRJ/BHE  (fls.  1228/1236)  –  em  25/03/2011  (sexta­feira). Assim, levando­se em consideração que os prazos só se iniciam ou vencem no dia  de expediente normal no órgão, nos exatos termos do parágrafo único do artigo 5º do Decreto  70.235/1972, o prazo para interposição de recurso teve início em 28/03/2011 (segunda­feira).  O trigésimo dia ocorreu em 26/04/2011 (terça­feira). Entretanto o recurso só teria sido postado  ao Fisco em 28/04/2011, quinta­feira (papeleta inicial do recurso voluntário).  Fl. 1298DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10630.001466/2009­14  Acórdão n.º 2402­004.566  S2­C4T2  Fl. 4          5  Com  o mesmo  entendimento,  o  art.  15  do Decreto  70.235/1972  estabelece  que a peça recursal deverá ser apresentada no  local do órgão preparador de circunscrição do  sujeito passivo.  Decreto 70.235/1972 (Processo Administrativo Fiscal ­ PAF):  Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com  os  documentos  em  que  se  fundamentar,  será  apresentada  ao  órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data  em que for feita a intimação da exigência. (g.n.)  A  regra  na  contagem  dos  prazos  processuais  é  a  continuidade,  ou  seja,  os  prazos não se suspendem nem se interrompem, com exceção das hipóteses de força maior ou  de  caso  fortuito,  como  greves  ou  outros  fatos  que  impeçam  o  funcionamento  dos  órgãos  da  Administração.  Essas  hipóteses  devem  ser  devidamente  comprovadas  nos  autos  e,  no  momento, não as encontramos presentes neste processo.  Nesse  sentido,  resta  claro  que  a  autuada  não  verificou  o  prazo  para  apresentação do recurso, só vindo a apresentá­lo após o vencimento legal.  CONCLUSÃO:  Diante  do  exposto,  voto  no  sentido  de  NÃO  CONHECER  do  recurso  interposto em razão da sua intempestividade.    Ronaldo de Lima Macedo.                              Fl. 1299DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES

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Numero do processo: 10880.728584/2012-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Apr 14 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007 DECADÊNCIA. CONDUTA DOLOSA. ART. 173, I, CTN. O prazo de decadência, nos tributos sujeito a lançamento por homologação, é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos de dolo, fraude ou simulação. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A partir da edição da Lei nº 9.430, de 1996, caracterizam-se omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Não merece reparo o lançamento tributário que, com fiel observância da lei, adota, para fins de cômputo da receita omitida, o regime de apuração utilizado pelo contribuinte fiscalizado na determinação do resultado fiscal. No mais, restando infundadas as exclusões pretendidas, há de se manter as exigências nos termos em que foram formalizadas. MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. INCONSTITUCIONALIDADE OU ILEGALIDADE DE NORMAS. AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAR. Os percentuais da multa de ofício, exigíveis em lançamento de ofício, são determinados expressamente em lei, não dispondo as autoridades administrativas de competência para apreciar a constitucionalidade de normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. (Súmula CARF nº 2). TAXA SELIC. A partir de 1o. de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF 4). TRIBUTAÇÃO REFLEXA. O decidido em relação à tributação do IRPJ deve acompanhar as autuações reflexas de PIS, COFINS e CSLL.
Numero da decisão: 1301-001.825
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros deste colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reduzir a multa qualificada lançada sobre a infração de omissão de receitas identificada a partir da presunção legal de depósitos bancários de origem não comprovada, por aplicação da Súmula CARF 25 e, em conseqüência, reconhecer a decadência parcial para esta infração, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rego - Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2371; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C3T1  Fl. 11          1 10  S1­C3T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10880.728584/2012­19  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  1301­001.825  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  24 de março de 2015  Matéria  IRPJ/OMISSÃO DE RECEITAS/DEPÓSITOS  Recorrente  CARMONA ASSESSORIA E CONSULTORIA EM GESTÃO  EMPRESARIAL LTDA (Responsáveis Solidários: Walter Carmona e Marcia  Menezes Kufel Carmona)  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2007  DECADÊNCIA. CONDUTA DOLOSA. ART. 173, I, CTN.  O prazo de decadência, nos tributos sujeito a lançamento por homologação, é  o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter  sido efetuado, nos casos de dolo, fraude ou simulação.  DEPÓSITOS BANCÁRIOS.  A  partir  da  edição  da  Lei  nº  9.430,  de  1996,  caracterizam­se  omissão  de  receita  os  valores  creditados  em  conta  de  depósito  ou  de  investimento  mantida  junto  a  instituição  financeira,  em  relação  aos  quais  o  titular,  regularmente  intimado,  não  comprove,  mediante  documentação  hábil  e  idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.  Não merece reparo o lançamento tributário que, com fiel observância da lei,  adota,  para  fins  de  cômputo  da  receita  omitida,  o  regime  de  apuração  utilizado  pelo  contribuinte  fiscalizado  na  determinação  do  resultado  fiscal.  No mais,  restando  infundadas  as  exclusões  pretendidas,  há  de  se manter  as  exigências nos  termos em que foram formalizadas.  MULTA  DE  OFÍCIO.  CONFISCO.  INCONSTITUCIONALIDADE  OU  ILEGALIDADE  DE  NORMAS.  AUTORIDADE  ADMINISTRATIVA.  INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAR.  Os  percentuais  da multa  de  ofício,  exigíveis  em  lançamento  de  ofício,  são  determinados  expressamente  em  lei,  não  dispondo  as  autoridades  administrativas de competência para apreciar a constitucionalidade de normas  legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. (Súmula CARF nº 2).  TAXA SELIC.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 72 85 84 /2 01 2- 19 Fl. 760DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/ 04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO     2 A partir de 1o. de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos  tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no  período  de  inadimplência,  à  taxa  referencial  do  Sistema  Especial  de  Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF 4).  TRIBUTAÇÃO REFLEXA.  O decidido em  relação à  tributação do  IRPJ deve acompanhar  as autuações  reflexas de PIS, COFINS e CSLL.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  deste  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  dar  provimento  parcial  ao  recurso  voluntário  para  reduzir  a  multa  qualificada  lançada  sobre  a  infração de omissão de receitas identificada a partir da presunção legal de depósitos bancários  de  origem  não  comprovada,  por  aplicação  da  Súmula  CARF  25  e,  em  conseqüência,  reconhecer a decadência parcial para esta  infração, nos  termos do  relatório e voto proferidos  pelo relator.  (assinado digitalmente)  Adriana Gomes Rego ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  Paulo Jakson da Silva Lucas ­ Relator.  Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego,  Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de  Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.  Fl. 761DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/ 04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 10880.728584/2012­19  Acórdão n.º 1301­001.825  S1­C3T1  Fl. 12          3   Relatório  Contra  a  contribuinte  acima  identificada  foram  lavrados  autos  de  infração  exigindo­lhe  o  Imposto  de  Renda  Pessoa  Jurídica  (IRPJ)  no  valor  de  R$  349.963,06,  Contribuição  Social  sobre  o  Lucro  Líquido  (CSLL)  de  R$  180.614,75,  Contribuição  para  Financiamento da Seguridade Social (COFINS) de R$ 502.418,59, Contribuição para o PIS no  valor de R$ 108.857,42, acrescidos de juros de mora e multa de ofício de 150%, perfazendo o  crédito tributário de R$ 3.455.471,79 em virtude da constatação de omissão de receitas (vendas  de  produtos  de  fabricação  própria)  escriturada  com  recolhimentos  a  menor  e,  depósitos  bancários de origem não comprovada.  O  Termo  de  Verificação  de  fls.  449/456,  por  sua  vez,  assim  descreve  as  infrações apuradas no ano­calendário de 2007:  01  ­  OMISSÃO  DE  RECEITA  ­  RECEITA  DA  ATIVIDADE  ESCRITURADA E NÃO DECLARADA  Em 05/04/2011, o contribuinte tomou ciência pessoal, do Termo de Início do  Procedimento  Fiscal  e  do  Termo  de  Intimação  ­  Arquivos  Digitais,  onde  foram  solicitados  Livros,  documentos  de  escrituração,  extratos  bancários  de  contas  correntes  e de  aplicações  financeiras e arquivos magnéticos, conforme IN­86/2001 e ADE­COFIS n° 15/2001.  Em  20/04/2011,  o  contribuinte  disponibilizou  os  Livros  e  documentos  intimados e solicitou prazo adicional de 30 dias para a apresentação dos extratos bancários e  arquivos  digitais  contábeis  e  fiscais,  no  que  foi  atendido,  por  intermédio  dos  Termos  de  Prorrogação de Prazo n° 0001 e do Termo de Prorrogação de Prazo n° 0002.  Em 26/05/2011, o sujeito passivo formalizou novo pedido de suplementação  de prazo para a entrega dos arquivos magnéticos, cujo deferimento deu­se conforme Termo de  Prorrogação de Prazo n° 003, de 02/06/2011.  Somente em 16/06/2011, a empresa completou o atendimento às  intimações  iniciais  e,  dessa  forma,  em  21/07/2011,  procedemos  a  retenção  dos  Livros  Diário,  Razão,  Registro de Apuração de  IPI e Arquivos Digitais,  conforme Termo de Retenção n° 0001, de  21/07/2011.  Da análise dos documentos e  informações prestadas pelo sujeito passivo até  então, pudemos constatar uma significativa diferença nos valores de faturamento escriturados  na Conta Razão: 1.1.2.01.0001 ­ Clientes, vis­à­vis aqueles efetivamente declarados em DIPJ e  DACON (valores não declarados no montante de R$ 14.042.083,70).  Dessa  forma,  os  valores  devidos  de  IPI  escriturados  e  não  declarados  em  DCTF, foram  lançados de ofício, mediante Auto de Infração, Processo 10880­728.594/2012­ 19,  e,  nos  termos  do  art.  841,  do  Decreto  n°  3.000,  de  26  de  março  de  1.999,  RIR/99,  formalizou­se no presente Auto de  Infração a exigência dos valores devidos de  IRPJ, CSLL,  PIS e COFINS.  Fl. 762DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/ 04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO     4 02 ­ OMISSÃO DE RECEITA ­ DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM  NÃO COMPROVADA  Considerando  a  receita  escriturada  da  ordem  de  R$  19.715.958,96  e  os  créditos  em  contas  bancárias  no  valor  de  R$  27.261.487,00,  apurado  conforme  relações  WP01.2,  WP02.2  e  WP03.2,  elaboradas  a  partir  dos  extratos  bancários  fornecidos  pela  empresa,  em  04/08/2011,  o  sujeito  passivo  foi  intimado  para  comprovar,  mediante  documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, a origem dos depósitos em suas  contas  correntes  no  Banco  do  Real;  Banco  Safra  e  Banco  do  Brasil,  conforme  Termo  de  Intimação Fiscal N° 0001.  Em 16/08/2011, a empresa solicitou prorrogação de prazo para atendimento  da intimação, no que foi atendida mediante a lavratura do Termo de Prorrogação de Prazo n°  0004,  de  01/09/2011.  Não  tendo  se  manifestado  tempestivamente  foi  reintimada,  conforme  Termo de Reintimação Fiscal, de 29/09/2011, e  finalmente, em 24/10/2011, o sujeito passivo  pretendendo  atender  ao  que  se  intimou,  apenas,  apresentou  planilhas  com  indicações  das  origens dos créditos bancários verificados.  Assim,  da  análise  dos  extratos  bancários  e  das  informações  prestadas  pelo  contribuinte nas planilhas apresentadas, a fiscalização elaborou o quadro demonstrativo de fls.  451 no qual relacionou os totais de créditos bancários por instituição financeira, no montante  de R$ 27.261.487,00, dos quais  foram excluídos as  transferências de mesma titularidade (R$  2.274.500,00),  os  créditos  contratados  (R$ 3.069.606,34)  e outros  (R$ 16.687,45),  apurando,  assim, um total de R$ 21.900.693,21 de créditos bancários de origem não comprovada.  Tendo verificado que a receita apurada pelos extratos bancários no montante  de  R$  21.900.693,21,  conforme  Planilha  Análise  de  Dados,  é  superior  ao  faturamento  contabilizado, de R$ 19.715.958,96, concluiu a fiscalização que estaria caracterizada a omissão  de  receita  por  depósito  bancário  de  origem  não  comprovada,  nos  termos  do  artigo  849  do  RIR/99.  A seguir, o autor do procedimento fiscal elaborou os demonstrativos de fls.  452/453  de  apuração  da  Receita  Bruta  e  dos  demais  valores  utilizados  na  constituição  do  lançamento de ofício das infrações relativas ao IPJ, CSLL, PIS e COFINS.  A diferença apurada, mês a mês, entre as receitas brutas declaradas em DIPJ  e  na  DACON  no  montante  de  R$  5.673.875,26  e  as  receitas  escrituradas  no  total  de  R$  19.715.958,96,  foram  levadas  à  tributação  como  omissão  de  receita  da  atividade  (receita  escriturada e não declarada).  A diferença apurada, mês a mês, entre os  créditos bancários de origem não  comprovada  (R$  21.900.693,21)  e  a  receita  bruta  escriturada  (19.715.958,96)  foi  levada  à  tributação  como  omissão  de  receita  caracterizada  por  depósitos  bancários  de  origem  não  comprovada com fulcro no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996.  Sobre  os  créditos  tributários  apurados  foi  aplicada  a  multa  qualificada  de  150% com fulcro nos termos do art. 44, § 1º , da Lei 9.430/96, por entender a fiscalização que  a conduta do contribuinte se enquadraria nos arts 71 , I, e 72 da Lei 4.502, de 30 de novembro  de  1.964,  combinados  com  o  art.  1º,  I  e  II  ,  da  Lei  n°  8.137/90,  uma  vez  que  teria  ficado  amplamente  demonstrado  que  o  sujeito  passivo  no  ano  calendário  de  2007  informou  em  DCTF/DACON  e  DIPJ,  reiteradamente  por  12  meses,  valores  muito  inferiores  àqueles  que  escriturou  em  seus  livros  contábeis  e  fiscais,  cuja  conduta  foi  a  de  impedir  ou  retardar  o  Fl. 763DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/ 04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 10880.728584/2012­19  Acórdão n.º 1301­001.825  S1­C3T1  Fl. 13          5 conhecimento pela autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária,  por quase 5 (cinco) anos.  Foram  lavrados Termos  de Sujeição  Passiva  Solidária  por  responsabilidade  pessoal  de  seus  sócios  administradores  à  época  dos  fatos:  Sr.  Walter  Carmona,  CPF  041.941.578­50,  e  Márcia  Menezes  Kufel  Carmona,  CPF  126.378.008­36,  segundo  o  ordenamento jurídico previsto no Art. 135, III , do Código Tributário Nacional, (Lei n° 5.172,  de 25 de outubro de 1966).  Inconformada,  a  empresa  ingressou  com  impugnação  alegando,  em  síntese,  que:  ­  o  processo  administrativo  deixou  de  observar  os  princípios  da  legalidade,  finalidade,  motivação,  razoabilidade,  proporcionalidade,  moralidade,  ampla  defesa,  contraditório e eficiência.  ­  tomou  ciência  do  lançamento  em  02/10/2012  quando  já  estava  decaído  o  direito de proceder o lançamento desde 30/09/2012, nos termos do art. 173 do CTN.  ­  prestou  todas  as  informações  requeridas  pelo  Auditor  Fiscal  e  não  pode  assim ser punido, uma vez que agiu com boa­fé, sem pretender ludibriar o Fisco, nem lhe ter  abrandado o tratamento quando o rigor da norma se mostrar inafastável.  ­ os valores apurados pela fiscalização são incoerentes e absurdos e que não  devem prevalecer,  além de que os créditos em conta corrente não podem servir de base para  apuração de tributo.  ­ a multa de ofício é confiscatória, bem assim os juros de mora em patamares  superiores a SELIC.  A  DRJ/RIBEIRÃO  PRETO  (SP)  decidiu  a  matéria  consubstanciada  no  Acórdão 14­43.017, de  28/06/2013,  julgando  improcedente a  impugnação apresentada,  tendo  sido lavrada a seguinte ementa:  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2007  LANÇAMENTO. NULIDADE.  Descritos  os  fatos  que  fundamentam  a  exigência  fiscal  e  estando  juridicamente qualificados pelas normas no enquadramento legal, não houve  ofensa aos princípios constitucionais do contraditório, da ampla defesa e do  devido  processo  legal,  não  se  caracterizando  o  cerceamento  do  direito  de  defesa da contribuinte.  LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA.  O prazo decadencial, para efeito de exigência de tributo sujeito ao regime de  homologação, em lançamento "ex officio", quando na ausência de pagamento  ou quando constatado fraude, simulação ou dolo, é regido pelo artigo 173, I,  do CTN.  Fl. 764DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/ 04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO     6 OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO  DA ORIGEM. ÔNUS DA PROVA.  Por presunção legal contida na Lei 9.430, de 27/12/1996, art. 42, os depósitos  efetuados em conta bancária, cuja origem dos recursos depositados não tenha  sido comprovada pelo contribuinte mediante apresentação de documentação  hábil e idônea, caracterizam omissão de receita.  OMISSÃO DE RECEITA OPERACIONAL  Correta  a  tributação  da  omissão  de  receita  apurada  mediante  o  confronto  entre  os  valores  dos  tributos  declarados  em DCTFs  e  aqueles  efetivamente  devidos, apurados na escrituração. A prática sistemática de tal procedimento  caracteriza  a  intenção  do  contribuinte  em  eximir­se  do  pagamento  dos  tributos pelos quais é responsável.  MULTA QUALIFICADA DE 150%.  A deliberada intenção da contribuinte em impedir o conhecimento, por parte  da SRF, da ocorrência do real fato gerador, mediante a subtração de receitas  da base de cálculo de tributação,  impõe a aplicação de multa qualificada de  150%, na forma do art. 44, §1º, da Lei nº 9.430/1996.  INCONSTITUCIONALIDADE  DE  LEI.  CARÁTER  ABUSIVO  DA  MULTA  DE  OFÍCIO.  ILEGALIDADE  DA  TAXAS  SELIC.  FALTA  DE  COMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO.  Alegações contra suposto caráter abusivo da multa de ofício instituída em lei,  bem assim contra suposta  ilegitimidade do uso da Taxa SELIC no cômputo  dos  juros  de  mora,  não  podem  ser  apreciadas  pelas  autoridades  julgadoras  administrativas.  A  estas  cabe  apenas  examinar  a  conformidade  do  ato  de  lançamento  em  face  das  normas  fiscais  de  regência,  já  que  lhes  carecem  poderes para apreciar pretensos vícios de leis, prerrogativa esta exclusiva do  Poder Judiciário.  LANÇAMENTOS REFLEXOS. CSLL. COFINS. PIS.  Por  decorrerem  dos  mesmos  motivos  de  fato  e  de  direito,  que  levaram  à  exigência do IRPJ, igual destino deverão ter os lançamentos reflexos.  É o relatório   Fl. 765DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/ 04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 10880.728584/2012­19  Acórdão n.º 1301­001.825  S1­C3T1  Fl. 14          7   Voto             Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas  O  recurso  voluntário  interposta  pela  pessoa  jurídica  CARMONA  ASSESSORIA  E  CONSULTORIA  EM  GESTÃO  EMPRESARIAL  LTDA  é  tempestivo  e  assente em lei. Dele conheço.  Ressalte­se  que  não  encontro  nos  autos  do  presente  processo  recursos  voluntários com relação aos responsáveis solidários Walter Carmona e Márcia Menezes Kufel  Carmona.  A  peça  recursal  resume  sua  insatisfação  em  três  questões  básicas:  1)  DECADÊNCIA;  2)  DA  OMISSÃO  DE  RECEITA  E  CRÉDITO/DEPÓSITOS  NÃO  COMPROVADOS e 3) DA MULTA E JUROS DE MORA.  Com  relação  a  decadência  a  contribuinte  recorrente  entende  que  o  lançamento  de  ofício  se  consumou  em  30/09/2012,  tendo  como  base  os  fatos  geradores  (mensais)  de  janeiro  a  dezembro  do  ano  calendário  de  2007.  Em  confusa  argumentação  reproduz a Súmula Vinculante 8 do STJ e Portaria da PGFN 294, de 2010.  Neste  ponto,  a  recorrente  confunde­se  na  contagem  do  prazo  decadencial,  pois, em direito tributário, o dies a quo será ou o dia do fato gerador (art. 150, § 4º, CTN) ou o  primeiro dia do exercício seguinte ao que o Fisco poderia  ter  feito o  lançamento (art. 173,  I,  CTN).  Sobre  a  definição  do dies  a  quo do  prazo  decadencial,  vale  trazer  a  lume  o  seguinte  excerto da ementa do REsp 973733/SC, in verbis:  “PROCESSUAL  CIVIL.  RECURSO ESPECIAL  REPRESENTATIVO  DE  CONTROVÉRSIA.  ARTIGO  543C,  DO  CPC.  TRIBUTÁRIO.  TRIBUTO  SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO.  DECADÊNCIA DO  DIREITO  DE O  FISCO  CONSTITUIR  O CRÉDITO  TRIBUTÁRIO.  TERMO  INICIAL.  ARTIGO  173,  I,  DO  CTN.  APLICAÇÃO  CUMULATIVA  DOS  PRAZOS  PREVISTOS  NOS  ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE.  1.  O  prazo  decadencial  qüinqüenal  para  o  Fisco  constituir  o  crédito  tributário  (lançamento  de  ofício)  conta­se  do  primeiro  dia  do  exercício  seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos  em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a  despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo,  fraude  ou  simulação  do  contribuinte,  inexistindo  declaração  prévia  do  débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz  Fux,  julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP,  Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006;  e  EREsp  276.142/SP,  Rel.  Ministro  Luiz  Fux,  julgado  em  13.12.2004,  DJ  28.02.2005).  Fl. 766DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/ 04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO     8 ...........................................................................................................................  Ora, note­se que os tributos federais em tela são submetidos, pela respectiva  legislação de regência, a lançamento por homologação. Assim, para sabermos, in casu, qual o  dies a quo do prazo decadencial, há que se perquirir, antes de mais nada, se estamos diante de  uma conduta dolosa, fraudulenta ou simulada, pois, nessa hipótese, afasta­se a aplicação do art.  150, § 4º, e aplica­se o art. 173, I, ambos do CTN.  Compulsando  os  elementos  dos  autos  constata­se  um  robusto  conjunto  probatório demonstrando a conduta dolosa da contribuinte, primeiro por  informar em DCTF,  DACON e DIPJ nos doze meses do ano calendário de 2007 valores muito  inferiores àqueles  escriturados  e,  ainda  pela  utilização  de  interposta  pessoa  na  movimentação  de  suas  contas  bancárias,  com  o  intuito  deliberado  para  sonegar  tributos.  Ou  seja,  não  fosse  a  intervenção  fiscal, por certo as quantias ora autuadas estariam definitivamente contempladas pelo instituto  da  decadência,  assim  entendido  como  toda  conduta  voltada  para  retardar  ou  impedir  o  conhecimento,  pelo  Fisco,  das  condições  pessoais  dos  recorrentes,  verdadeiros  sujeitos  passivos das obrigações em tela, logo há que se manter a multa qualificada nos termos dos arts,  71, I e 72 da Lei 4.502, de 1964 e 44, da Lei 9.430, de 1996, com relação ao item 001 do auto  de infração (Omissão de Receita da Atividade Escriturada e não declarada). Em conseqüência,  neste caso, deve­se aplicar a regra decadencial do art. 173, I, do CTN.  No  caso  do  presente  processo,  a  ciência  aos  autos  de  infração  deu­se  em  02/10/2012,  logo,  aplicando  o  entendimento  do  Superior  Tribunal  de  Justiça,  (para  os  casos  com dolo, fraude ou simulação) e, tomando por base o AC/2007, (Lucro Presumido/trimestral),  para  os  fatos  geradores  ocorridos  no  1º  ,  2º  e  3º  trimestres  de  2007  poderiam  ser  lançados  dentro do próprio ano calendário, sendo o termo inicial do prazo decadencial o primeiro dia do  exercício  seguinte  (01/01/2008),  repito, de acordo com a  regra estampada no  inciso  I do art.  173 do CTN. E, relativamente a estes períodos de apuração (1º, 2º e 3º trimestres de 2007), o  prazo final para a ocorrência da decadência somente se operaria em 31/12/2012.  Assim,  tendo  em  vista  que  o  lançamento  foi  notificado  à  interessada  em  02/10/2012, nesta data não havia transcorrido o prazo decadencial do IRPJ e CSLL, nos termos  acima  relatados. De  igual  forma  não  há  que  se  falar  em  decadência  do  PIS  e  COFINS  em  relação a esta infração (fato gerador mensal).  Já para o  item 002 do auto de  infração: Omissão de Receita por Presunção  Legal ­ Depósitos Bancários de Origem Não Comprovada, que superaram mês a mês a receita  escriturada (item 001), aplica­se, in casu, a Súmula CARF 25, que diz:  "A  presunção  legal  de  omissão  de  receitas  ou  de  rendimentos,  por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo  necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72  e 73 da Lei 4.502/64."  Desqualificada  a multa  de ofício para o patamar de 75%,  em conseqüência  deve­se  aplicar  a  regra  decadencial  do  art.  150,  §  4º,  do  CTN  (termo  inicial:  a  contar  da  ocorrência do fato gerador).  Neste  passo,  relativamente  ao  item  002  do  auto  de  infração  (omissão  por  presunção legal), há de se reconhecer a decadência para o IRPJ e a CSLL com relação aos fatos  geradores ocorridos nos 1º, 2º e 3º  trimestres de 2007 e, para o PIS e COFINS para os  fatos  geradores relativos aos meses de janeiro a setembro do ano calendário de 2007.  Fl. 767DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/ 04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 10880.728584/2012­19  Acórdão n.º 1301­001.825  S1­C3T1  Fl. 15          9 DA  OMISSÃO  DE  RECEITA  E  CRÉDITO/DEPÓSITOS  NÃO  COMPROVADOS.  Como bem salientado no voto condutor do relatório fiscal constata­se que a  exigência  decorreu  das  seguintes  irregularidades  em  relação  ao  ano­calendário  de  2007:  (1)  omissão  de  receita  da  atividade  escriturada  e  não  declarada  e  (2)  omissão  de  receita  caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada.  Da omissão de receita da atividade escriturada e não declarada.  A  fiscalização,  mediante  análise  dos  documentos  e  informações  prestadas  pelo  sujeito  passivo,  constatou  uma  significativa  diferença  nos  valores  de  faturamento  escriturados na Conta Razão: 1.1.2.01.0001 ­ Clientes, e aqueles efetivamente declarados em  DIPJ e DACON.  Assim, a diferença apurada, mês a mês, entre as receitas escrituradas no total  de R$ 19.715.958,96 e as receitas brutas declaradas em DIPJ e na DACON no montante de R$  5.673.875,26  foram  levadas  à  tributação  como  omissão  de  receita  da  atividade  (receita  escriturada e não declarada).  Em  relação  a  essa  infração  a  contribuinte  não  apresentou  qualquer  contestação, mesmo porque não haveria como contestar, visto que a apuração se deu com base  nas próprias informações da contribuinte.  Da tributação dos depósitos bancários de origem não comprovada.  Neste tópico insurge­se a recorrente alegando:  "  A  demonstração  de  Créditos  de  Origem  Não  Comprovada  (W04.02)  e  o  Créditos Justificados (WP04.1) não condizem com a verdade pelo seguinte fato:  1.  Os  Créditos  Justificados  (W  04.1)  foram  todos  àqueles  adquiridos  pelo  Contribuinte por Empréstimos nas Instituições Financeiras e os demais tidos como  não comprovado;  2. O agente fiscalizador no WB 04.2 descreve como Créditos de Origem não  comprovada:  TRANSFERÊNCIA  ENTRE  CONTAS,  LIQ.  COBRANÇA­ GARANTIDA, PAGAMENTO DE FORNECEDORES, ETC.  Dessa  forma,  todo  o  WB  04.2  está  prejudicado  na  sua  Formalidade  e  Materialidade  no  sentido  de  que  há  incontroversa  nas  próprias  alegações  do  AGENTE  FISCALIZADOR,  na  página  02  e  08  e  na  página  03  de  8  quando  descreve:  "Considerando  a  receita  escriturada  da  ordem  de  R$  19.715.958,96  e  os  créditos  em  contas  bancárias  no  valor  de  R$  27.261.487,00,  apurado  conforme  relações WP01.2, WP02.2  e WP03.2,  elaboradas  a  partir  dos  extratos  bancários  fornecidos pela empresa em 04/08/2011."  Tendo  em  vista  a  incontroversa  do  próprio  auditor  fiscal,  que  crédito  em  conta corrente não é base para apuração de imposto, tendo em vista que o tributo é  prestação  instituída  por  meio  de  lei,  sendo,  portanto,  obrigação  ex  lege.  Seu  nascimento se dá pela simples realização do fato descrito na hipótese de incidência  Fl. 768DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/ 04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO     10 tributária  prevista  em  lei,  sendo  a  vontade  das  partes  como  um  todo  irrelevante,  consoante ao artigo 150, I, da Constituição Federal c/c artigo 97.1e II do CTN."  Nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, abaixo transcrito, créditos em  conta corrente bancária cujas origens não sejam comprovadas por meio de documentos hábeis  e idôneos são considerados, por presunção da lei, omissão de receitas. E mais, tratando­se de  presunção estabelecida pela lei, o ônus probatório é invertido, isto é, à autoridade fiscal cabe,  apenas,  demonstrar  a  ocorrência  do  fato  indiciário  (crédito  bancário  de  origem  não  comprovada),  sendo  ônus  do  fiscalizado  fazer  prova  de  que  o  fato  presumido  (omissão  de  receitas) não ocorreu.  Art.  42.  Caracterizam­se  também  omissão  de  receita  ou  de  rendimento  os  valores  creditados  em  conta  de  depósito  ou  de  investimento mantida  junto a  instituição  financeira,  em  relação  aos  quais  o  titular,  pessoa  física  ou  jurídica,  regularmente  intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea,  a origem dos recursos utilizados nessas operações.  §  1º  O  valor  das  receitas  ou  dos  rendimentos  omitido  será  considerado  auferido  ou  recebido  no  mês  do  crédito  efetuado  pela instituição financeira.  § 2º Os  valores cuja origem houver  sido  comprovada, que não  houverem  sido  computados  na  base  de  cálculo  dos  impostos  e  contribuições  a  que  estiverem  sujeitos,  submeter­se­ão  às  normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente  à época em que auferidos ou recebidos.  § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos  serão analisados individualizadamente, observado que não serão  considerados:  I  os  decorrentes  de  transferências  de  outras  contas  da  própria  pessoa física ou jurídica;  II  no  caso de  pessoa  física,  sem prejuízo  do  disposto  no  inciso  anterior, os de valor  individual  igual ou  inferior a R$ 1.000,00  (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário,  não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais).  § 4º Tratando­se de pessoa física, os rendimentos omitidos serão  tributados no mês em que considerados recebidos, com base na  tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o  crédito pela instituição financeira.  §  5o  Quando  provado  que  os  valores  creditados  na  conta  de  depósito ou de investimento pertencem a  terceiro, evidenciando  interposição  de  pessoa,  a  determinação  dos  rendimentos  ou  receitas  será  efetuada  em  relação  ao  terceiro,  na  condição  de  efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.  §  6o  Na  hipótese  de  contas  de  depósito  ou  de  investimento  mantidas  em  conjunto,  cuja  declaração  de  rendimentos  ou  de  informações  dos  titulares  tenham  sido  apresentadas  em  separado, e não havendo comprovação da origem dos  recursos  nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será  imputado  a  cada  titular  mediante  divisão  entre  o  total  dos  rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.  Fl. 769DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/ 04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 10880.728584/2012­19  Acórdão n.º 1301­001.825  S1­C3T1  Fl. 16          11 Pois bem, neste item, como visto acima, a contribuinte recorrente limitou­se a  alegar que os valores apurados pela fiscalização são incoerentes e absurdos e que não devem  prevalecer, além de que os créditos em conta corrente não podem ser de base para apuração de  tributo.  No  que  diz  respeito  à  alegação  de  que  houve  erro  na  apuração  das  bases  tributáveis acolho, por entender que não são merecedoras de reparo, as considerações trazidas  no voto condutor da decisão de primeiro grau, cujos fragmentos reproduzo a seguir.  "E, como dos autos se pode inferir, fez a autoridade lançadora exatamente o  que  a  lei  lhe  atribuiu  como  responsabilidade:  constatada  a  existência  de  movimentação  bancária  superior  a  receita  escriturada,  intimou  a  fiscalizada  a  comprovar a origem dos recursos depositados nas contas correntes de titularidade da  empresa.  Não  tendo  a  contribuinte  apresentado  provas  da  origem  do  numerário  depositado, agiu corretamente a fiscalização tributando os depósitos de origem não  comprovada como receita omitida, com fulcro no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996,  após  excluir  os  valores  relativos  às  transferências  de  mesma  titularidade  (R$  2.274.500,00),  os  créditos contratados  (R$ 3.069.606,34)  e outros valores que não  representavam receita tributável (R$ 16.687,45), apurando, dessa forma, um total de  R$  21.900.693,21 de  créditos  bancários  de  origem  não  comprovada. No  entanto,  foram  levados  à  tributação  sob  esse  título  (créditos  bancários  de  origem não  comprovada) apenas a parcela que superou, em cada mês, a receita escriturada.  Portanto, correto o procedimento fiscal, pois em perfeita consonância com a  legislação de regência.  Ao  contrário  do  que  foi  alegado,  não  há  qualquer  incoerência  no  trabalho  fiscal e nem absurdos são os valores apurados, pois foram obtidos diretamente dos  extratos bancários, excluindo­se do montante dos depósitos a receita escriturada e os  valores que não representavam receita nova tributável."  Não merece  guarida,  portanto,  a  alegação da Recorrente de que os  créditos  apurados pela Fiscalização não poderiam servir de suporte para os lançamentos tributários.  DA MULTA E JUROS DE MORA  Por fim, com relação a multa de ofício (150%) e juros de mora, em síntese,  aduz a ora recorrente:  "A  Multa  aplicada  ao  contribuinte  de  150%  tem  a  natureza  de  CONFISCATORIA.  Impende  registrar  que  a  Doutrina  Majoritária  tem  se  manifestado  favoravelmente  à  aplicação  do  postulado  tributário  às  multas  exarcebadas.  Afirma­se,  em  resumo,  que  tanto  a  multa  moratória  quanto  a  multa  punitiva  podem  ser  CONFISCATORIAS  e  extrapolarem  os  limites  adequado,  do  proporcional,  do  razoável  e  do  necessário,  colocando  em  xeque  as  suas  precípuas  finalidades, com a ofensa ao artigo 150,  IV e ao artigo 5o. XXII,  ambos da Carta  Magna. (...)  Logo,  pelo  princípio  da  razoabilidade  vislumbra­se  a  arbitrariedade  da  conduta  adotada  pela  administração  pública,  sem  qualquer  bom  senso.  Diante  da  ofensa à razoabilidade, o ato que constitui a autuação não pode ser  inconveniente,  mas  sim  ilegal  e  ilegítimo estabelecendo patamares  superiores  a SELIC, de  forma  CONFISCATÓRIA."  Fl. 770DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/ 04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO     12 Nota­se, neste tópico final, que a Recorrente opõe­se à aplicação da multa de  ofício (150%), alegando seu caráter confiscatório.(valor excessivo).  Destarte, a falta ou insuficiência de recolhimento dos tributos não declarados  enseja  o  lançamento  de  oficio,  com  a  aplicação  da  multa  de  ofício  sobre  a  totalidade  dos  tributos mantidos lançados de ofício, em consonância com o disposto no artigo 44, inciso I, da  Lei nº 9.430/96.  Portanto, a cobrança dos  tributos  tem como supedâneo o mandamento  legal  conforme  acima mencionado  que  não  pode  ser  afastado  por  ato  discricionário  da  autoridade  administrativa.  Ademais, cediço que, no âmbito do julgamento administrativo, não possui o  julgador competência para deixar de aplicar lei sob o fundamento de sua inconstitucionalidade,  conforme entendimento que  inclusive  já  foi objeto de súmula específica  editada pelo CARF,  com o seguinte teor:  “Súmula  CARF  nº  2:  O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.”  Enfim, quanto a esta matéria, constata­se alhures que a multa qualificada no  patamar  de  150%  foi  reduzida  para  75%  relativamente  ao  item  002  do  auto  de  infração­ Presunção Legal  (Omissão de Receita/Depósitos Bancários não Comprovados), por aplicação  da Súmula CARF 25 acima transcrita.  TAXA SELIC  Por ultimo, com relação a utilização da Selic para a quantificação dos juros  de  mora  está  prevista  em  lei  regularmente  inserida  no  sistema  jurídico,  não  podendo  este  Colegiado negar­lhe aplicação.  A matéria  é  objeto  da  Simula  CARF  n°  4,  com  o  seguinte  enunciado:  "A  partir  de  1o.  de  abril  de  1995,  os  juros  moratórios  incidentes  sobre  débitos  tributários  administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à  taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais."  TRIBUTAÇÃO REFLEXA.  O decidido em  relação à  tributação do  IRPJ deve acompanhar  as autuações  reflexas da CSLL, PIS e COFINS.  Em  face do  exposto,  voto por dar provimento parcial  ao  recurso voluntário  para reduzir a multa qualificada lançada sobre a infração de omissão de receitas identificada a  partir da presunção legal de depósitos bancários de origem não comprovada, por aplicação da  Súmula CARF 25 e, em conseqüência, reconhecer a decadência parcial, para o IRPJ e a CSLL  com relação aos  fatos geradores ocorridos nos 1º, 2º e 3º  trimestres de 2007 e, para o PIS e  COFINS para os fatos geradores relativos aos meses de janeiro a setembro do ano calendário  de 2007.  (assinado digitalmente)  Paulo Jakson da Silva Lucas ­ Relator    Fl. 771DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/ 04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 10880.728584/2012­19  Acórdão n.º 1301­001.825  S1­C3T1  Fl. 17          13                               Fl. 772DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/ 04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO

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