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Numero do processo: 11080.723165/2009-73
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2006
NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA.
Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, que atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN e presentes os requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento.
LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO DO CONTRIBUINTE. COMPETÊNCIA DA FISCALIZAÇÃO.
Compete à autoridade fiscal rever o lançamento realizado pelo contribuinte, revogando de ofício a isenção quando constate a falta de preenchimento dos requisitos para a concessão do favor.
VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO. LAUDO DE AVALIAÇÃO.
O arbitramento do valor da terra nua, apurado com base nos valores do Sistema de Preços de Terra (SIPT), deve prevalecer sempre que o contribuinte deixe de comprovar o VTN declarado, mediante a apresentação de laudo de avaliação, mormente se o VTN declarado é bastante inferior ao VTN extraído do SIPT.
O arbitramento do valor da terra nua, apurado com base nos valores do Sistema de Preços de Terra (SIPT), deve prevalecer sempre que o contribuinte não faça a apresentação de laudo de avaliação, mormente se o VTN declarado é bastante inferior ao VTN extraído do SIPT.
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. COMPROVAÇÃO. LAUDO.
Deve-se reconhecer, para fins de cálculo do ITR devido, as áreas de preservação permanente, informadas em Ato Declaratório Ambiental (ADA), cuja existência seja confirmada mediante mapa de georreferenciamento do imóvel, elaborado por engenheiro agrônomo, acompanhado de anotação de responsabilidade técnica (ART).
ÁREA OCUPADA COM BENFEITORIAS.
Para fins de cálculo do ITR devido somente são acolhidas as áreas ocupadas com benfeitorias, cuja necessidade e utilidade para a atividade rural seja devidamente comprovada.
SOLICITAÇÃO DE RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO. COMPETÊNCIA. COMPROVAÇÃO.
Não compete ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), em grau de recurso, a apreciação de pedidos de retificação de declaração, sendo, contudo, possível a alteração do lançamento, desde que o contribuinte comprove de forma inequívoca o erro cometido no preenchimento da declaração.
ÁREA OCUPADA COM PASTAGENS. COMPROVAÇÃO.
O contribuinte deve comprovar, por meio de documentação pertinente, as áreas ocupadas com pastagens.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2102-003.250
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, por voto de qualidade em dar parcial provimento ao recurso para reconhecer, para fins de cálculo do ITR devido, uma área de preservação permanente de 448,7 ha. Vencidos João Bellini Junior, Livia Vilas Boas e Silva e Alice Grecchi, que davam provimento em maior extensão para também restabelecer a área de benfeitorias de 300,0ha. Fez sustentação oral o patrono da contribuinte Dilson Gerent, OAB 22484-RS.
Assinado digitalmente
NÚBIA MATOS MOURA Presidente Substituta e Relatora.
EDITADO EM: 26/02/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Dayse Fernandes Leite, João Bellini Junior, Livia Vilas Boas e Silva, Núbia Matos Moura e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti.
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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INOCORRÊNCIA. Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, que atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN e presentes os requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO DO CONTRIBUINTE. COMPETÊNCIA DA FISCALIZAÇÃO. Compete à autoridade fiscal rever o lançamento realizado pelo contribuinte, revogando de ofício a isenção quando constate a falta de preenchimento dos requisitos para a concessão do favor. VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO. LAUDO DE AVALIAÇÃO. O arbitramento do valor da terra nua, apurado com base nos valores do Sistema de Preços de Terra (SIPT), deve prevalecer sempre que o contribuinte deixe de comprovar o VTN declarado, mediante a apresentação de laudo de avaliação, mormente se o VTN declarado é bastante inferior ao VTN extraído do SIPT. O arbitramento do valor da terra nua, apurado com base nos valores do Sistema de Preços de Terra (SIPT), deve prevalecer sempre que o contribuinte não faça a apresentação de laudo de avaliação, mormente se o VTN declarado é bastante inferior ao VTN extraído do SIPT. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 31 65 /2 00 9- 73 Fl. 259DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 po r NUBIA MATOS MOURA Processo nº 11080.723165/200973 Acórdão n.º 2102003.250 S2C1T2 Fl. 164 2 ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. COMPROVAÇÃO. LAUDO. Devese reconhecer, para fins de cálculo do ITR devido, as áreas de preservação permanente, informadas em Ato Declaratório Ambiental (ADA), cuja existência seja confirmada mediante mapa de georreferenciamento do imóvel, elaborado por engenheiro agrônomo, acompanhado de anotação de responsabilidade técnica (ART). ÁREA OCUPADA COM BENFEITORIAS. Para fins de cálculo do ITR devido somente são acolhidas as áreas ocupadas com benfeitorias, cuja necessidade e utilidade para a atividade rural seja devidamente comprovada. SOLICITAÇÃO DE RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO. COMPETÊNCIA. COMPROVAÇÃO. Não compete ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), em grau de recurso, a apreciação de pedidos de retificação de declaração, sendo, contudo, possível a alteração do lançamento, desde que o contribuinte comprove de forma inequívoca o erro cometido no preenchimento da declaração. ÁREA OCUPADA COM PASTAGENS. COMPROVAÇÃO. O contribuinte deve comprovar, por meio de documentação pertinente, as áreas ocupadas com pastagens. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, por voto de qualidade em dar parcial provimento ao recurso para reconhecer, para fins de cálculo do ITR devido, uma área de preservação permanente de 448,7 ha. Vencidos João Bellini Junior, Livia Vilas Boas e Silva e Alice Grecchi, que davam provimento em maior extensão para também restabelecer a área de benfeitorias de 300,0ha. Fez sustentação oral o patrono da contribuinte Dilson Gerent, OAB 22484RS. Assinado digitalmente NÚBIA MATOS MOURA – Presidente Substituta e Relatora. EDITADO EM: 26/02/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Dayse Fernandes Leite, João Bellini Junior, Livia Vilas Boas e Silva, Núbia Matos Moura e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. Fl. 260DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 po r NUBIA MATOS MOURA Processo nº 11080.723165/200973 Acórdão n.º 2102003.250 S2C1T2 Fl. 165 3 Relatório Contra NAIR HELLER DE BARROS foi lavrada Notificação de Lançamento, fls. 96/100, para formalização de exigência de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR) do imóvel denominado Fazenda São Miguel, com área total de 1.294,5 ha (NIRF 3.255.5920), relativo ao exercício 2006, no valor de R$ 496.112,12, incluindo multa de ofício e juros de mora, calculados até 27/11/2009. As infrações imputadas à contribuinte foram glosa parcial da área de preservação permanente, glosa total da área ocupada por benfeitorias e arbitramento do Valor da Terra Nua (VTN), com utilização de dados extraídos do Sistema de Preços de Terras (SIPT), conforme quadro a seguir: ITR 2006 Declarado Apurado na Notificação de Lançamento 03Área de Preservação Permanente 700,0 ha 333,0 ha 08Área Ocupada com Benfeitorias 320,0 ha 0,00 ha 16Valor da Terra Nua R$ 900.000,00 R$ 3.713.182,64 Inconformada com a exigência, a contribuinte apresentou impugnação, fls. 49/74, que está assim resumida no Acórdão DRJ/CGE nº 0425.974, de 19/09/2011, fls.107/116: Preliminar Suscita invalidade do lançamento pois entende que não ficou configurada a ocorrência das hipóteses autorizadoras do uso da técnica do arbitramento (omissão do sujeito passivo, subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas art. 10 § 1º, inc. I e art. 14, ambos da Lei 9.393/96), uma vez que a interessada apresentou o D1AT. Complementa argumentando que restaram omissos, na notificação de lançamento, os fundamentos de fato e de direito infringidos, o que afronta o princípio da legalidade, do contraditório, da ampla defesa e o art. 10 do Decreto 70.235/72, em conformidade com a jurisprudência do Conselho de Contribuintes, atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, conforme ementas transcritas na peça impugnatória. Reforça que constitui ônus do Fisco a prova quanto à inveracidade dos dados tributários declarados pelo sujeito passivo que autoriza a adoção do arbitramento, conforme preceituam os considerandos e o art. 2º do Decreto 83.936, instituidor do "Programa Nacional de Desburocratização", o art. 14 da lei 9.393/96 e o art. 10 § 7º da Lei 9.393/96 com a redação da MP 216667. Mérito Fl. 261DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 po r NUBIA MATOS MOURA Processo nº 11080.723165/200973 Acórdão n.º 2102003.250 S2C1T2 Fl. 166 4 Afirma, com base no levantamento georeferenciado, protocolocado no INCRA, que a área de preservação permanente (APP) é de 448,7332ha. Afirma também, com base em laudo técnico emitido por profissional habilitado, que a área ocupada com benfeitorias é de 317,0ha, a qual foi reconhecida pela Receita Federal em relação ao exercício 2005. Pretende, com base nisso, que seja considerada aproveitável a área de 528,77ha, correspondente à área total de 1294,5ha menos APP de 448,7332ha e área ocupada com benfeitoria de 317,0ha. Alega que incorreu em erro de fato no preenchimento da DITR ao informar a existência de 225 cabeças de gado quando, na realidade, o rebanho apascentado no imóvel era de 682 cabeças, conforme comprovam os formulários de controle de vacinação do gado e os registros contábeis da impugnante. Acrescenta que a média de animais de grande porte no exercício em questão foi de 892 cabeças de gado, sendo que, deste total, 210 cabeças de gado foram informadas na DITR do imóvel identificado pelo NIRF 610042749, restando, no imóvel em questão, 682 cabeças. Diante disso, a área de pastagem utilizada, considerando o índice de lotação de 0,70, seria de 974ha. Considerando que ficou comprovada que a área aproveitável é de 528,77ha, o grau de utilização adotado no lançamento deve ser alterado de 28,60% para 100% e a alíquota de 8,60% para 0,30%. Ainda que seja mantida a área aproveitável apurada no lançamento de 961,5ha, o grau de utilização deve ser alterado para 100% à vista do número de cabeças de animais ora comprovados. Pedido Pede pela realização de diligência e de perícia para comprovar a alegação de que a quantidade de cabeça de animais apascentados no imóvel era 682. Para tanto, indica perito e formula quesitos. Pede que seja declarada a nulidade do lançamento ou que seja reconhecida a improcedência do lançamento, cancelandose o crédito tributário lançado. A DRJ de Campo Grande julgou, por unanimidade de votos, improcedente a impugnação. Cientificada da referida decisão, por via postal, em 21/10/2011, Aviso de Recebimento (AR), fls. 119, a contribuinte apresentou, em 21/11/2011, recurso voluntário, fls. 120/144, no qual reproduz e reforça as mesmas alegações e argumentos da impugnação. Em sessão plenária, realizada em 15/10/2013, esta Turma converteu o julgamento em diligência, conforme Resolução nº 2102000.160, cujo dispositivo está assim redigido: Fl. 262DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 po r NUBIA MATOS MOURA Processo nº 11080.723165/200973 Acórdão n.º 2102003.250 S2C1T2 Fl. 167 5 Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, para juntada aos autos dos documentos relativos às áreas de benfeitorias e quantidade de bovinos e equinos apresentados ao CARF, que deverão ser auditados pela fiscalização. Vencidos os Conselheiros Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho, que não apreciariam as provas juntadas em memoriais. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Alice Grecchi. Fez sustentação oral o Dr. Dilson Gerent, OAB/RS nº 22484. A autoridade fiscal, em atendimento à Resolução acima mencionada juntou aos autos Relatório de Diligência, fls. 226/228, cujo teor a seguir se transcreve parcialmente: Análise objetiva dos documentos distribuídos, pela defesa da contribuinte, junto aos memoriais na sessão de julgamento de 15/10/2013 da 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: PLANTA DA FAZENDA SÃO MIGUEL, datada de 1968. 1. Foi apresentada à fiscalização a planta original da Fazenda São Miguel, datada de setembro de 1968, elaborada pelo Engenheiro Agrônomo Áureo Gonçalves Dias CREA nº 6566, de propriedade de Nair Heller e Zaira Heller Hulse, situada em Araçá – Município de Barra do Ribeiro e Tapes, da qual foi anexada cópia aos autos. 2. Na planta original apresentada foi constatada a existência de uma área denominada Bacia do Açude de 350 ha. 3. Confrontando a planta original da Fazenda São Miguel apresentada à fiscalização em 30/06/2014 com o Mapa de Área de Preservação Permanente, datado de dezembro de 2009, elaborado pelo Engenheiro Agrônomo Rodrigo Carneiro Monteiro CREA 65.586, anexado aos autos fls.97/98, podese afirmar conclusivamente de tratarse da mesma área, tendo em vista a similitude dos contornos da Bacia do Açude de 350 ha existente, bem como a denominação das fazendas, acidentes geográficos e municípios limítrofes destacados na planta. 4. O Projeto de um Dique de Terra e Canal de Drenagem, datado de janeiro de 1959, elaborado pelo Engenheiro Henrique Kotzian CREA nº 1.165D, cuja documentação original foi apresentada a esta fiscalização em 30/06/2014 e da qual foi anexada cópia aos autos, corrobora a existência do referido açude na Fazenda São Miguel em data anterior à consignada na planta de 1968 apresentada. FICHA REGISTRO DE VACINAÇÕES E MOVIMENTAÇÃO DE GADOS 1. Foram apresentadas duas Fichas Registro de Vacinações e Movimentação de Gados da Secretaria da Agricultura e Abastecimento, Departamento de Produção Animal, Divisão de Fiscalização e Defesa Sanitária do Estado do Rio Grande do Sul, em nome da contribuinte Nair Heller de Barros. Fl. 263DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 po r NUBIA MATOS MOURA Processo nº 11080.723165/200973 Acórdão n.º 2102003.250 S2C1T2 Fl. 168 6 2. Foram apresentadas cópias autenticadas das referidas Fichas e não as Fichas originais. Nas fichas apresentadas não constam carimbo da fiscalização da Secretaria da Agricultura e Abastecimento, bem como data de protocolo ou qualquer outro ateste com as Fichas originais. 3. O nome do estabelecimento constante nas Fichas é Parceria Butiá e não Fazenda São Miguel, bem como o endereço consignado nas Fichas é Estrada 09 e Estrada 02, distância e localização Guará, diferente do endereço da Fazenda São Miguel constante do cadastro na RFB, que é Estrada Barra do RibeiroTapes, município de Tapes/RS. 4. A Ficha com registro de movimentação com data de dezembro de 2004 tem por número “62”, já a Ficha com dados de dezembro de 2005 tem por número “55”, assinalando uma contagem regressiva de controle, costume não usual dos órgãos públicos. 5. A contribuinte Nair Heller de Barros não apresentou documentação formal que consignasse os componentes da Parceria Butiá. Por conseguinte, embora haja coincidência no estoque de animais de grande porte em 31/12/2004 (1.768) e 31/12/2005 (1.684), constante das Fichas de Registro de Vacinações e Movimentação de Gados com o somatório do estoque de animais de grande porte constante nas DIRPF 2006 dos seguintes contribuintes Nair Heller de Barros, Carmem Heller Barros, Rodrigo Correa de Barros, Napoleão Correa de Barros Neto e Helena Heller Domingues de Barros, cuja cópia das DIRPF 2006 foram anexadas aos autos, não é possível concluir de tratarse do mesmo rebanho de animais, por ausência de documentação formal discriminando os componentes da Parceria Butiá. Cientificada do teor da diligência, a contribuinte assim se pronunciou, fls. 231/255: Diante de tais considerações do Fisco, a Requerente vem prestar os seguintes esclarecimentos adicionais, bem como apresentar cópia original e autenticada da constituição da “Parceria Butiá”, demonstrando a veracidade de tudo o quanto, até agora, foi alegado, a saber: a) o carimbo da fiscalização da Secretaria da Agricultura e Abastecimento consta “Fichas de Vacinação” dos anos de 2002 (ano da constituição da Parceria Butiá) e 2004, conforme provas anexas (cópias autenticadas), o que corrobora a autenticidade, também, das Ficha dos anos de 2005 e 2006. b) quanto ao fato de constar, nas referidas Fichas, o nome Parceria Butiá e não Fazenda São Miguel, se justifica porque, no ano de 2002, foi constituída a referida Parceria, conforme prova a anexa cópia autenticada do Contrato Particular de Constituição de Parceria, composto dos imóveis de propriedade de Nair Heller de Barros, Carmen Heller de Barros, Rodrigo Fl. 264DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 po r NUBIA MATOS MOURA Processo nº 11080.723165/200973 Acórdão n.º 2102003.250 S2C1T2 Fl. 169 7 Correa de Barros, Napoleão Correa de Barros Neto e Helena Heller Domingues de Barros, co ms áreas nele discriminadas; c) já no que se refere ao endereço constante das Fichas de Vacinação (Estrada 09 e Estrada 02 – Distancia e Localização Guará), tratase de dados preenchidos pelas autoridades sanitárias, sem a ingerência do proprietário do gado. Entende a Requerente, contudo, que a prova documental anexa, dando conta da efetiva existência da Pareceria Butiá, constituise na demonstração inequívoca de que as Fichas de Vacinação comprovam a efetiva movimentação de gado tal como declarada em cada anocalendário, como estoque inicial e estoque final, pelos parceiros; d) de igual forma, entende, a Requerente, ser irrelevante o fato de constar números diferentes (62 e 55) nas Fichas de Vacinação. Como dito referidas Fichas são preenchidas pelas autoridades sanitárias, não havendo nenhuma ingerência do proprietário do gado, par tanto; e e) Entendese, comprovado que o rebanho de gado declarado por Nair Heller de Barros, Carmen Heller de Barros, Rodrigo Correa de Barros, Napoleão Correa de Barros Neto e Helena Heller Domingues de Barros, é coincidente com o que consta nas Fichas de Vacinação e que a sua divisão foi feita de conformidade com o que ficou estabelecido no Contrato de Parceria Rural que deu origem à Parceria Butiá. Como reforço a tal argumento, a Requerente chama a atenção para o fato de, numa das Fichas de Vacinação anexas, aberta no ano de 2002, quando foi constituída a referida Parceria Butiá, ter constado, no alto do campo esquerdo, os nomes dos seus componentes, apostos datilograficamente. É o Relatório. Fl. 265DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 po r NUBIA MATOS MOURA Processo nº 11080.723165/200973 Acórdão n.º 2102003.250 S2C1T2 Fl. 170 8 Voto Conselheira Núbia Matos Moura, relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Preliminarmente, o contribuinte suscita a nulidade do lançamento, alegando que não ficaram configuradas nos autos as hipóteses autorizadoras para o arbitramento do Valor da Terra Nua (VTN), que não constam do lançamento os fundamentos de fato e de direito infringidos e que é ônus da autoridade fiscal demonstrar as inverdades dos dados declarados pelo contribuinte na DITR. De pronto, cumpre esclarecer que o presente lançamento foi levado a efeito por autoridade competente e dado ao contribuinte o direito de defesa, no momento da apresentação da impugnação e do recurso voluntário, que ora se analisa. Temse, ainda, que na lavratura da Notificação de Lançamento foram cumpridas todas as formalidades estabelecidas no artigo 142 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN), sendo certo que o lançamento está em perfeito acordo com as exigências previstas no art. 11 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que regula o processo administrativo fiscal. E mais, na Notificação de Lançamento estão devidamente descritas todas as infrações imputadas à contribuinte, com a competente descrição dos fatos e os correspondentes enquadramentos legais, de modo que não pode prosperar a alegação da defesa de que não constam do lançamento os fundamentos de fato e de direito infringidos. Por fim, ainda no que tange a argüição de nulidade do lançamento, devese apreciar a alegação da contribuinte de que é ônus da autoridade fiscal demonstrar as inverdades dos dados declarados pelo contribuinte na DITR, em razão do disposto no parágrafo 7º do art. 10 da Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996, abaixo transcrito, e também de que não ficaram configuradas nos autos as hipóteses autorizadoras para o arbitramento do VTN. §7oA declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1o, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis.(Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) De pronto, cumpre dizer que o disposto no parágrafo acima transcrito refere se apenas às áreas de preservação permanente, de reserva legal e de servidão ambiental, não se aplicando no que pertine ao VTN, sendo certo que no caso presente, no que concerne à área de preservação permanente, restou evidenciado nos autos que a declaração da contribuinte não é verdadeira, posto que existe nos autos laudo técnico fornecido pela contribuinte com indicação de área de preservação permanente com dimensão menor do que aquela indicada pela contribuinte em sua declaração. Fl. 266DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 po r NUBIA MATOS MOURA Processo nº 11080.723165/200973 Acórdão n.º 2102003.250 S2C1T2 Fl. 171 9 Ainda sobre o tema, devese observar o disposto na Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN), que assim se refere à responsabilidade de fazer prova para concessão da isenção de tributos: Art. 179. A isenção, quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em cada caso, por despacho da autoridade administrativa, em requerimento com o qual o interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para sua concessão. (grifei) (...) Por outro lado, o artigo 147 do mesmo diploma legal previu as situações em que o lançamento seria efetuado sem a necessidade de que a autoridade fiscal obtivesse, pelos seus próprios meios, as informações especificadas no artigo 142. Art. 142 Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. (...) Art. 147 O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. § 2º Os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de ofício pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela. No mesmo sentido, o artigo 150 estabeleceu as regras que norteiam o lançamento realizado por homologação. Art. 150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. Fl. 267DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 po r NUBIA MATOS MOURA Processo nº 11080.723165/200973 Acórdão n.º 2102003.250 S2C1T2 Fl. 172 10 § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. Dos artigos acima transcritos, verificase que o CTN, visando à simplificação da estrutura necessária à fiscalização e arrecadação de tributos, previu as hipóteses em que o sujeito passivo prestaria à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à efetivação do lançamento e anteciparia o pagamento do tributo sem prévio exame da autoridade administrativa. Tal modalidade de pagamento/lançamento, denominada de lançamento por homologação, hodiernamente, compreende quase que a totalidade dos tributos administrados pela União, dentre os quais se encontra o Imposto Territorial Rural. Foi, sem dúvida, com base nesses preceitos legais que o legislador atribuiu ao contribuinte a responsabilidade prevista nos artigos 8º e 10º da Lei nº 9.393, de 1996, in verbis: Art. 8º O contribuinte do ITR entregará, obrigatoriamente, em cada ano, o Documento de Informação e Apuração do ITR DIAT, correspondente a cada imóvel, observadas data e condições fixadas pela Secretaria da Receita Federal. § 1º O contribuinte declarará, no DIAT, o Valor da Terra Nua VTN correspondente ao imóvel. § 2º O VTN refletirá o preço de mercado de terras, apurado em 1º de janeiro do ano a que se referir o DIAT, e será considerado autoavaliação da terra nua a preço de mercado. § 3º O contribuinte cujo imóvel se enquadre nas hipóteses estabelecidas nos arts. 2º e 3º fica dispensado da apresentação do DIAT. Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. Contudo, a sistemática do lançamento por homologação não dispensa o contribuinte de fazer prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para a concessão da isenção. Com efeito, mais do que o dever geral de colaboração, a isenção de caráter especial, impõe ao beneficiário o ônus de provar o preenchimento das condições para fruição do tratamento diferenciado. Está claro que o parágrafo 7º do art. 10, mencionado pela contribuinte, apenas dispensa a prévia apresentação dos documentos definidos em lei, como necessários à fruição da isenção do ITR. Contudo, inarredável é a competência da autoridade fiscal para solicitála, posteriormente, dentro do prazo decadencial, visando a verificação do correto cumprimento da obrigação tributária por parte do contribuinte. Fl. 268DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 po r NUBIA MATOS MOURA Processo nº 11080.723165/200973 Acórdão n.º 2102003.250 S2C1T2 Fl. 173 11 Já no que concerne ao arbitramento do VTN assim está determinado no art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996: Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. No presente caso, em sua DITR/2006, a contribuinte informou VTN de R$ 900.000,00 e foi intimada a fazer a comprovação de tal valor, durante o procedimento fiscal, conforme Termo de Intimação Fiscal, fls. 07/08, mediante a apresentação de laudo de avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.653 da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), com fundamentação e grau de precisão II e anotação de responsabilidade técnica (ART). Encerrado o procedimento, sem que a contribuinte tenha apresentado o laudo solicitado e verificado que o valor declarado pela contribuinte estava bastante inferior ao VTN disponível no Sistema de Preço de Terras (SIPT), a autoridade fiscal procedeu ao arbitramento do valor da terra nua, fazendo uso de valor extraído do referido sistema. Observese que a falta de comprovação do VTN declarado aliado ao fato de o valor declarado pela contribuinte ser bastante inferior àquele constante do SIPT caracteriza a subavaliação e autoriza o arbitramento do VTN, tudo nos termos do disposto no art. 14, acima transcrito. Logo, não pode prevalecer a alegação da contribuinte de que não ficaram configuradas nos autos as hipóteses autorizadoras para o arbitramento do VTN. Nestes termos, afastase a argüição de nulidade do lançamento suscitada pela defesa. Prosseguindo, passase ao exame das alegações de mérito trazidas pela recorrente. No que tange a área de preservação permanente, a contribuinte afirma que com base em georreferenciamento realizado no imóvel, concluiuse que a referida área tem dimensão de 448,7 ha. Conforme já dito neste voto, a contribuinte informou em sua DITR/2006 uma área de preservação permanente de 700 ha. Ocorre que, durante o procedimento fiscal, apresentou laudo técnico, fls. 28/31, firmado em 03/10/2007, por engenheiro agrônomo, onde está atestada a existência de uma área de preservação permanente na Fazenda São Miguel de 333,0 ha, que foi a área acolhida pela autoridade fiscal no lançamento. Nesse ponto, importa observar que há nos autos cópia de ADA, fls. 13, encaminhado ao IBAMA em 31/07/2007, onde há a informação de área de preservação permanente de 700,0 ha, sendo certo que tal ADA, embora intempestivo, foi acolhido pela autoridade fiscal. Fl. 269DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 po r NUBIA MATOS MOURA Processo nº 11080.723165/200973 Acórdão n.º 2102003.250 S2C1T2 Fl. 174 12 Quanto ao georreferenciamento do imóvel, consta nos autos a cópia da correspondente Anotação de Responsabilidade Técnica, fls. 89, e mapa, fls. 87, também assinado por engenheiro agrônomo em dezembro de 2009, onde consta um quadro que indica área de preservação permanente de 448,7 ha, que não foi acolhido pela autoridade julgadora de primeira instância em razão da intempestividade do ADA. Ora, veja que a autoridade fiscal já havia acolhido o ADA intempestivo, sendo que a motivação que ensejou a glosa parcial da área de preservação permanente foi a falta de comprovação da existência da referida área. Nestes termos, diante do georreferenciamento realizado na Fazenda São Miguel em data posterior à execução do Laudo Técnico, devese acolher a pretensão da recorrente de ver reconhecida para fins de cálculo do ITR devido uma área de preservação permanente de 448,7 ha, posto que suprida a falta de comprovação da existência da área, que motivou o lançamento. Quanto às áreas ocupadas com benfeitorias, temse que a glosa se deu em razão da falta de comprovação da existência das mesmas, sendo relevante dizer que a autoridade fiscal deixou claro na descrição dos fatos que, se existentes, fazerseia necessária a demonstração de que as benfeitorias fossem úteis e necessárias à atividade rural. Quando da apresentação da impugnação a contribuinte juntou aos autos laudo técnico, fls. 83/85, firmado em 03/10/2007, por engenheiro agrônomo, onde está atestada a existência, na Fazenda São Miguel, de uma área ocupada com benfeitorias úteis e necessárias destinadas à atividade rural de 317,0 ha. Tal laudo não foi acolhido pela autoridade julgadora de primeira instância por referirse a situação do imóvel em 03/10/2007, deixando de especificar as benfeitorias existentes no ano de 2006 e também porque o laudo menciona a existência de barragem de 300 ha, destinada à irrigação da cultura de arroz, cultura, esta, não informada na DITR/2006. Da diligência determinada por esta Turma restou demonstrado que referida barragem, com 300 ha, era préexistente ao fato gerador do exercício 2006, contudo, não restou demonstrado nos autos que referida benfeitoria fosse útil e necessária à atividade rural, nos termos do que dispõe os arts. 10, § 1º, inciso IV, da Lei nº 9.393, de 1996 e o art. 17 do Decreto nº 4.382, de 19 de setembro de 2002 (Regulamento do Imposto Sobre a Propriedade Territorial Rural): Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: (...) IV área aproveitável, a que for passível de exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, excluídas as áreas: a) ocupadas por benfeitorias úteis e necessárias; Fl. 270DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 po r NUBIA MATOS MOURA Processo nº 11080.723165/200973 Acórdão n.º 2102003.250 S2C1T2 Fl. 175 13 (...) Benfeitorias Úteis e Necessárias Art. 17. Para fins do disposto no inciso II do art. 16, consideram se ocupadas por benfeitorias úteis e necessárias (Lei nº 3.071, de 1º de janeiro de 1916 Código Civil, art. 63): I as áreas com casas de moradia, galpões para armazenamento da produção, banheiros para gado, valas, silos, currais, açudes e estradas internas e de acesso; II as áreas com edificações e instalações destinadas a atividades educacionais, recreativas e de assistência à saúde dos trabalhadores rurais; III as áreas com instalações de beneficiamento ou transformação da produção agropecuária e de seu armazenamento; IV outras instalações que se destinem a aumentar ou facilitar o uso do imóvel rural, bem assim a conserválo ou evitar que ele se deteriore. Quanto à alegação da recorrente de que a área ocupada com benfeitorias de 317,0 ha já foi reconhecida pela Receita Federal, em relação ao exercício 2005, conforme consta assinalado na Notificação de Lançamento, fls. 90/91, temse que a contribuinte deixou de juntar aos autos os elementos que conduziram a autoridade fiscal naquele caso em reconhecer a existência de tal área. Nestes termos, deve ser mantida integralmente a glosa da área ocupada com benfeitorias, posto que não restou demonstrada a necessidade e a utilidade de tal barragem para a atividade pecuária desenvolvida pela recorrente no referido imóvel. Por fim, a recorrente pretende ver retificada a área de pastagens de 274,5 ha para 974 ha, dado que quando do preenchimento da DITR teria informado a existência de 225 cabeças de gado quando, na realidade, o rebanho apascentado no imóvel seria de 682 cabeças. De pronto cumpre dizer que, tratandose de matéria que não faz parte do objeto da autuação, oportuno observar o que diz a Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001. (...) Art.18. A retificação de declaração de impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nas hipóteses em que admitida, terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. Parágrafo único. A Secretaria da Receita Federal estabelecerá as hipóteses de admissibilidade e os procedimentos aplicáveis à retificação de declaração. (grifei) Fl. 271DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 po r NUBIA MATOS MOURA Processo nº 11080.723165/200973 Acórdão n.º 2102003.250 S2C1T2 Fl. 176 14 Considerando a legislação supra, resta evidente que o órgão julgador não é o fórum adequado para o exame da questão, sendo certo que se poderia até admitir a retificação da DITR, desde que a contribuinte demonstrasse, de forma inequívoca, que de fato incorreu em erro de preenchimento. Durante os procedimentos da diligência, solicitada por esta Turma, a contribuinte apresentou resposta ao Termo de Intimação, fls. 177/181, esclarecendo que: 12 – Afora isso, em atendimento ao solicitado através do item 2 da Intimação, está sendo comprovada a efetiva quantidade média de animais de grande porte (bovinos e eqüinos), na área de pastagens, através da “Ficha de Registro de Vacinação e Movimentação de Gados”, do Departamento de Produção Animal – Divisão de Fiscalização e Defesa Sanitária Animal, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado do Rio Grande do Sul, através da qual é possível constatar que o estoque inicial de animais de grande porte em 31/12/2004 era de 1886 cabeças, e que este estoque, em 31/12/2005 era de 1684 cabeças, com o que foi apurada uma média de 1735 cabeças. 13 – Do referido estoque, pertenciam á Intimada, 893 cabeças de gado bovino, em 31/12/2004 e 842 cabeças da mesma espécie, em 31/12/2005, como declarado. As restantes cabeças de gado, constantes da referida ficha de Vacinação, pertenciam aos seus filhos, como também declarado e indicado no já referido quadro resumo. (...) Observese que no recurso a contribuinte afirmou que teria informado a existência de 225 cabeças de gado na DITR/2006, quando, na realidade, o rebanho apascentado no imóvel seria de 682 cabeças. Já na resposta ao Termo de Intimação novamente modificou a informação, dizendo possuir 893 em 31/12/2004 e 842 em 31/12/2005, que daria uma média de 867,5 cabeças de gado no ano de 2005, considerandose apenas os estoques no início e no final do ano. Para comprovar suas alegações a contribuinte apresentou Fichas Registro de Vacinação e Movimentação de Gados, fls. 183/186, e a autoridade fiscal assim se pronunciou sobre as mesmas: FICHA REGISTRO DE VACINAÇÕES E MOVIMENTAÇÃO DE GADOS 1. Foram apresentadas duas Fichas Registro de Vacinações e Movimentação de Gados da Secretaria da Agricultura e Abastecimento, Departamento de Produção Animal, Divisão de Fiscalização e Defesa Sanitária do Estado do Rio Grande do Sul, em nome da contribuinte Nair Heller de Barros. 2. Foram apresentadas cópias autenticadas das referidas Fichas e não as Fichas originais. Nas fichas apresentadas não constam carimbo da fiscalização da Secretaria da Agricultura e Abastecimento, bem como data de protocolo ou qualquer outro ateste com as Fichas originais. Fl. 272DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 po r NUBIA MATOS MOURA Processo nº 11080.723165/200973 Acórdão n.º 2102003.250 S2C1T2 Fl. 177 15 3. O nome do estabelecimento constante nas Fichas é Parceria Butiá e não Fazenda São Miguel, bem como o endereço consignado nas Fichas é Estrada 09 e Estrada 02, distância e localização Guará, diferente do endereço da Fazenda São Miguel constante do cadastro na RFB, que é Estrada Barra do RibeiroTapes, município de Tapes/RS. 4. A Ficha com registro de movimentação com data de dezembro de 2004 tem por número “62”, já a Ficha com dados de dezembro de 2005 tem por número “55”, assinalando uma contagem regressiva de controle, costume não usual dos órgãos públicos. 5. A contribuinte Nair Heller de Barros não apresentou documentação formal que consignasse os componentes da Parceria Butiá. Por conseguinte, embora haja coincidência no estoque de animais de grande porte em 31/12/2004 (1.768) e 31/12/2005 (1.684), constante das Fichas de Registro de Vacinações e Movimentação de Gados com o somatório do estoque de animais de grande porte constante nas DIRPF 2006 dos seguintes contribuintes Nair Heller de Barros, Carmem Heller Barros, Rodrigo Correa de Barros, Napoleão Correa de Barros Neto e Helena Heller Domingues de Barros, cuja a cópia das DIRPF 2006 foram anexadas aos autos, não é possível concluir de tratarse do mesmo rebanho de animais, por ausência de documentação formal discriminando os componentes da Parceria Butiá. A despeito das justificativas deduzidas pela defesa depois de ser cientificada do referido Relatório Fiscal, fato é que para ter sua DITR/2006 retificada, necessário seria, conforme já aqui mencionado, que a contribuinte comprovasse, de forma inequívoca, o erro de preenchimento da DITR. Nesse sentido, devese observar o disposto no art. 25 da Instrução Normativa SRF nº 256, de 11 de dezembro de 2002: Art. 25. Para fins de cálculo do grau de utilização do imóvel rural, considerase área servida de pastagem a menor entre a efetivamente utilizada pelo contribuinte e a obtida pelo quociente entre a quantidade de cabeças do rebanho ajustada e o índice de lotação por zona de pecuária, observandose que: I a quantidade de cabeças do rebanho ajustada é obtida pela soma da quantidade média de cabeças de animais de grande porte e da quarta parte da quantidade média de cabeças de animais de médio porte existentes no imóvel; II a quantidade média de cabeças de animais é o somatório da quantidade de cabeças existente a cada mês dividido por doze, independentemente do número de meses em que tenham existido animais no imóvel. § 1º Consideramse, dentre outros, animais de médio porte os ovinos e caprinos e animais de grande porte os bovinos, Fl. 273DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 po r NUBIA MATOS MOURA Processo nº 11080.723165/200973 Acórdão n.º 2102003.250 S2C1T2 Fl. 178 16 bufalinos, eqüinos, asininos e muares, independentemente de idade ou sexo. § 2º Caso o imóvel rural esteja dispensado da aplicação de índices de lotação por zona de pecuária, considerase área servida de pastagem a área efetivamente utilizada pelo contribuinte para tais fins. Do artigo acima transcrito resta evidenciado que para fins de cálculo do grau de utilização do imóvel rural, considerase área servida de pastagem a menor entre a efetivamente utilizada pelo contribuinte e a obtida pelo quociente entre a quantidade de cabeças do rebanho ajustada e o índice de lotação por zona de pecuária. Em nenhum momento foi comprovado pela contribuinte qual a área efetivamente utilizada. E mais, a quantidade média de cabeças de animais é o somatório da quantidade de cabeças existente a cada mês dividido por doze, independentemente do número de meses em que tenham existido animais no imóvel e não a média entre o estoque de cabeças de gado no início e no final do mês, sendo certo que a Ficha de Vacinação pode ser tomada como prova da quantidade de gado, desde que acompanhada da Nota Fiscal de compra das vacinas ali indicadas. Como bem afirmou a autoridade fiscal tais documentos não tem assinaturas, sendo certo que as informações ali contidas não se prestam para demonstrar de forma inequívoca a área ocupada com pastagens. Acrescentese que a contribuinte juntou aos autos cópia do Contrato Particular de Constituição de Parceria, fls. 238/252, cuja Décima Primeira Cláusula esta assim redigida: Os administradores da Parceria comprometemse a efetuar um balanço físico e contábil de suas administrações a cada ano, dando ciência a cada um de seus integrantes. Ora, tratandose de parceria, cujo único objetivo social é a exploração da pecuária e levandose em consideração que a parceria estava sujeita à escrita contábil causa bastante estranheza que a contribuinte não tenha lançado mão dos livros contábeis para fins de demonstração dos estoques de cabeça de gado, preferindo fazer uso de Fichas de Vacinação, sem assinaturas ou qualquer protocolo de recebimento e desacompanhadas das Notas Fiscais de compras das vacinas. Nessa conformidade, rejeitase o pedido de retificação da DITR/2006, solicitada pela contribuinte. Ante o exposto, voto por afastar a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, DAR PARCIAL provimento ao recurso para reconhecer, para fins de cálculo do ITR devido, uma área de preservação permanente de 448,7 ha. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 274DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 po r NUBIA MATOS MOURA Processo nº 11080.723165/200973 Acórdão n.º 2102003.250 S2C1T2 Fl. 179 17 Fl. 275DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 po r NUBIA MATOS MOURA
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Numero do processo: 11070.722318/2011-07
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Apr 02 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1103-000.167
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, resolvem os membros do colegiado converter o julgamento em diligência, pelo voto de qualidade, vencidos os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira e Marcos Shigueo Takata (Relator). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Breno Ferreira Martins Vasconcelos.
(assinado digitalmente)
Aloysio José Percínio da Silva- Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Takata - Relator.
(assinado digitalmente)
Breno Ferreira Martins Vasconcelos Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Breno Ferreira Martins Vasconcelos e Aloysio José Percínio da Silva.
Relatório
DO LANÇAMENTO
Trata-se de autos de infração de IRPJ e CSL, em que há a exigência do crédito tributário no montante de R$ 8.386.812,30 referente ao ano-calendário de 2005, e a redução do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa da CSL apurados no ano-calendário de 2006.
Primeiramente, alegou que a recorrente não atendeu de forma completa a intimação e reintimação realizada pela fiscalização, tendo em vista a sua repetida e contínua mora no fornecimento de documentos.
Os autos de infração decorreram da dedução de amortização do ágio pago em processo de reestruturação societária que teve como participantes os grupos Schneider Logemann e John Deere, controladores da SLC S.A. Indústria e Comércio.
Essa reestruturação teve início em 1979, quando a John Deere se associou a Schneider Logemann & Cia Ltda, adquirindo 20% do capital social da SLC S.A. Indústria e Comércio, e teve a seguinte evolução temporal:
I-) Foi realizada uma reorganização societária em 1996, que fez com que a Deere & Company passasse a deter 40% do capital social da SLC S.A. e trouxe a constituição da holding John Deere Brasil Participações Ltda.
II-) Em julho de 1998, a sociedade Aços Planos do Sul S.A, com capital social de R$ 100,00, foi constituída, e em agosto do mesmo ano essa passou a ter como sua denominação social Evaux Participações S.A.
III-) Em 25/6/1999, mediante a emissão de 621.321.825 ações ordinárias nominativas sem valor nominal, houve o aumento de capital da Evaux de R$ 100,00 para R$ 149.117.338,00. As ações foram subscritas pela Schneider Logmann S.A. e integralizadas mediante a conferência à sociedade de 62.102.108 ações ordinárias de emissão da SLC - John Deere S.A. (antiga SLC S.A. Indústria e Comércio). Assim, a Evaux passou a deter 60% do capital social da SLC - John Deere S.A. e a John Deere do Brasil Participações Ltda. 40% do capital remanescente.
IV-) Em 1999, a Deere & Company (D&C) constituiu a John Deere do Brasil Ltda. (JDB), com capital social de R$ 100,00 e, no mesmo ano, devido à integralização feita integralmente por meio do Contrato de Câmbio 99/003706, esse capital social passou a ter o valor correspondente a R$ 154.558.300,00. Além disso, essa ultima foi capitalizada pela 1ª empresa em mais de R$ 155.451.600,00, através de operações de empréstimos, V-) Em 30/6/1999, a Evaux realizou o aumento do seu capital social para R$ 221.892.584,00, com a emissão de 303.230.193 ações ordinárias nominativas sem valor nominal, que foram subscritas e integralizadas pela JDB, e que somam o montante de R$ 305.542.800,00 onde, do preço de emissão, R$ 72.775.246,00 foram destinados ao capital social e R$ 232.767.654,00 foram destinados à reserva de ágio para futura capitalização.
VI-) A JDB contabilizou como ágio o valor de R$ 156.425.562,00, que corresponde à diferença entre o valor integralizado e o capital na Evaux, fundamentado na expectativa de resultados futuros da sociedade SLC John Deere S.A. Além disso, a integralização das ações em aumento de capital realizada pela JDB, teve o mesmo valor patrimonial praticado para as ações integralizadas anteriormente pela Schneider Logemann no capital da Evaux, sendo o excedente contabilizado como ágio.
VII-) Ainda em 30/6/1999 foi firmado o Contrato de Cessão e Transferência de Marca, onde a Schneider Logemann cedeu gratuitamente a marca mista SLC à SLC John Deere S.A.
VIII-) Em 1/7/1999, houve AGE da Evaux aprovando o protocolo de cisão parcial e justificação. Essa cisão foi realizada pela versão à JDB da parcela do patrimônio representada pelas 62.102.108 ações ordinárias nominativas de emissão da SLC John Deere S.A. Essa versão não alterou o capital social (da JDB) e substituiu a participação social detida na Evaux pela parcela de patrimônio vertida em razão da cisão.
IX-) Pela extinção de 303.230.193 ações ordinárias nominativas de propriedade da JDB, a Evaux reduziu seu capital social de R$ 221.892.584,00 para R$ 149.117.313,00.
X-) Em 31/7/1999, a SLC John Deere S.A. incorporou a JDB.
XI-) A Evaux não foi extinta.
Analisando a evolução temporal da reestruturação societária ocorrida, a fiscalização extraiu algumas conclusões.
Primeiramente concluiu que, de acordo com o item VI, o ágio foi suportado pela empresa sediada no exterior D&C, pois os recursos utilizados pela JDB para aportar capital na Evaux se originaram da primeira empresa.
Ainda de acordo com o item retromencionado, afirmou que a Schneider Logemann indicou que a natureza é do ágio de rentabilidade de exercícios futuros, não observando as parcelas derivadas do fundo de comércio da SLC John Deere S.A.
Com relação ao item VII, consignou que, de acordo com os artigos 7º e 8º, da Lei 9.532/97, esse indica que o ágio foi, de forma oportuna e deliberada, direcionado para o fundamento da rentabilidade de exercícios futuros, de modo a fazer com que a sociedade incorporadora pudesse usufruir do expediente legal da amortização antes da realização do investimento que lhe deu causa.
Ainda em relação ao item retromencionado apontou que, tendo em vista que esse contrato estabelecia a forma em que a operação de subscrição das ações deveria ser realizada, é possível concluir que isso foi feito de maneira premeditada, com o intuito de transferir a participação societária que a Schneider Logemann & Cia Ltda. possuía na SLC John Deere S.A., por meio do pagamento em moeda nacional pela sociedade sediada no exterior.
Acerca do item VIII, acentuou que a forma como foi realizada a cisão indica que essa foi mais uma operação circunstancial realizada pela recorrente com o intuito de obter vantagem fiscal. Isso porque houve a quase instantaneidade de atos societários, a coincidência de agentes e a não observância das exigências da lei societária que determina que a operação de cisão deve ser submetida à deliberação da assembléia geral das companhias interessadas, mediante justificação.
Observou que, em decorrência da incorporação realizada, a SLC John Deere S.A. escriturou em seu balanço patrimonial o empréstimo obtido junto à D&C no montante de R$ 155.451.600,00, o ágio apurado pela incorporada correspondente a R$ 156.425.562,00 e os reflexos dessas operações.
Apontou que a empresa John Deere do Brasil Ltda. apenas realizou operações ligadas à incorporação da participação da SLC John Deere S.A., ao recebimento dos recursos aportados pela Deere & Company, à incorporação reversa pela sociedade investida e ao repasse integral dos recursos em forma de investimento na sociedade Evaux.
Ressaltou que não há equivalência entre a verdade real e a vontade ostensiva no que tange a criação da John Deere do Brasil Ltda. Isso porque, tendo em vista que essa foi incorporada pela SLC John Deere S.A. antes mesmo de ter entrado em atividade, resta evidente que não havia interesse econômico na sua criação além da redução de tributos, uma vez que essa apenas foi utilizada como empresa veículo para realizar a dedutibilidade do ágio pago pela aquisição das ações da incorporadora.
Afirmou que a recorrente teve como fundamento para a amortização do ágio os artigos 7º e 8º, da Lei 9.532/97 e o artigo 426 do RIR. Esse ágio registrado por ele foi amortizado nos anos-calendários posteriores à incorporação, sendo que, até o ano de 2004, o montante amortizado corresponde a R$ 101.676.615,26, no ano-calendário de 2005 foi amortizado o valor de R$ 31.285.112,40, e no ano-calendário de 2006 o valor de R$ 23.463.834,31.
Apontou que foi aplicada ao caso em questão a multa de 150%, pois todas as operações societárias realizadas em 1999 pela recorrente relacionam-se com as hipóteses previstas no artigo 72 da Lei 4.502/64 por terem sido feitas em sequência e por todo o instrumento societário e empresarial criado indicar a predeterminação dos agentes e a vontade de agir.
De acordo com tudo o que foi exposto, concluiu que o ocorrido no caso em questão foi a operação denominada casa-separa, em que há várias sociedades envolvidas em um liame negocial societário, de modo que uma sociedade é utilizada como veículo de transferência da participação societária e do preço pago pela aquisição/transferência da outra sociedade. Essa operação tem como objetivo evitar a tributação do ganho de capital e a dedução do ágio na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSL, trazendo os seguintes efeitos no presente caso, conforme trecho do termo de constatação fiscal infratranscrito (fls. 2.883 e 2.884 e-processo):
a) na referida operação, adquirente (sociedade sediada no exterior) aporta recursos em subsidiária no Brasil (1ª empresa interposta), parte em forma de capital, parte em forma de empréstimos;
b) cedente (por meio da 1ª sociedade interposta) e adquirente, por meio de nova sociedade interposta, integralizaram, respectivamente, recursos financeiros e participação societária a ser transferida;
c) em momento seguinte, por meio de cisão parcial, a parte adquirente se retira da sociedade interposta, com o patrimônio que a outra parte havia integralizado originalmente recursos financeiros, incorporando-se tal patrimônio na 1ª sociedade interposta (de qual foram aportados os recursos financeiros à 2ª sociedade interposta);
d) quando do aporte de capital da 1ª sociedade interposta (com recursos da compradora) na 2ª sociedade interposta, foi efetuado um cálculo de paridade de participação societária, de tal forma que a sociedade que aportou recursos financeiros apurasse um ágio na aquisição de participação societária em valor igual ao ganho de capital que deixaria de ser reconhecido pela sociedade cedente da participação societária efetivamente negociada;
e) posteriormente, a 1ª sociedade interposta, que apurou ágio na aquisição de investimento e que mantinha empréstimos captados junto à sua controladora, foi incorporada pela empresa operacional o contribuinte (aquela cuja participação societária foi negociada);
f) a empresa operacional o contribuinte (aquela cuja participação societária foi negociada) passou a aproveitar fiscalmente a despesa com o ágio apurado em suas próprias operações.
Sendo assim, alegou que toda a reestruturação societária realizada pela recorrente e as demais empresas retromencionadas teve como objetivo a redução de tributos.
DA IMPUGNAÇÃO
Irresignada, a recorrente apresentou impugnação de fls. 2.970 a 3.034 (e-processo).
Primeiramente, alegou que os autos de infração devem ser considerados nulos, tendo em vista que a fiscalização, ao analisar a amortização de ágio despendido na aquisição da SLC S.A. Indústria e Comércio para fins de IRPJ no ano calendário de 2007, e estender a fiscalização para os anos-calendário de 2005 e 2006, desrespeitou o artigo 10 da Portaria 3.007/01.
Isso porque o diploma legal mencionado determina que se houver alterações referentes a tributos ou contribuições e períodos de apuração no Mandado de Procedimento Fiscal, deve ser lavrado Mandado de Procedimento Fiscal Complementar.
Afirmou que a fiscalização realizou um juízo pessoal e preconceituoso ao analisar o caso, de forma a tentar induzir a opinião das autoridades julgadoras, e que as sociedades holding que participaram das operações junto à recorrente foram criadas em concordância com todas as leis societárias brasileiras e em um contexto econômico específico.
Com relação à alegação da fiscalização no sentido de que as empresas holding foram criadas apenas com o intuito de reduzir tributos, afirmou que essa alegação significa ignorar o objeto social próprio dessas empresas, que é participação em outras sociedades. E que, além disso, isso corresponde a uma tentativa da fiscalização de determinar qual é a melhor forma de a recorrente organizar o seu grupo societário e atuar financeira e comercialmente, o que afronta ao princípio da livre iniciativa privada.
Consignou que a recorrente, assim como a fiscalização, quer que o caso seja visto como um filme e não como uma fotografia, pois a jurisprudência e a doutrina dominante têm entendido que o exame da validade das operações do contribuinte deve analisar as razões empresariais e extra tributárias que motivaram as suas operações. Nesse sentido, afirmou que as operações da recorrente foram motivadas pelas razões empresariais e extra tributárias de promover a expansão da atuação da D&C no país.
Atestou que o Grupo John Deere emprega cerca de 52 mil funcionários em suas fábricas situadas em 17 países e investe cerca de 2 milhões de dólares por dia em pesquisa e desenvolvimento de novos produtos.
Evidenciou que até hoje a John Deere investe na produção e comercialização de seus equipamentos no Brasil, tendo 3 fábricas e empregando 3.975 pessoas no país.
Realizou um breve histórico das alterações societárias da recorrente, em que, em síntese, afirmou o seguinte:
I-) Em 1979 a D&C iniciou suas atividades no Brasil por meio de uma associação com a Schneider Logemann & Cia. Ltda. com a aquisição de 20% do capital social da SLC S.A. Indústria e Comércio e, em 1996, a fim de organizar seus investimentos no país, as duas empresas efetuaram uma reorganização societária que trouxe o aumento da participação da D&C na SLC de 20% para 40% e a criação da John Deere Brasil Participações Ltda. (empresa holding). Após isso, a D&C transferiu a sua participação na SLC à JD Participações. Quanto a isso colacionou quadro que demonstra como era a organização societária no final de 1996:
II-) Apesar de em 1999 a moeda brasileira estar desvalorizada e haver um cenário de forte instabilidade econômica, doméstica e internacional, o Brasil oferecia, no campo da agricultura, um mercado promissor e atrativo para as empresas do setor, o que fez com que a D&C realizasse operações a fim de aumentar sua atuação no País. Quanto a isso, colacionou trecho do estudo O Agronegócio na Economia Brasileira 1994 a 1999.
III-) Em 15/6/1999 a D&C constituiu uma nova holding no Brasil, a John Deere do Brasil Ltda. (JDB), que era controlada também pela empresa situada no exterior Deere Payroll Services Inc. (DPS) e, no ano anterior, a Schneider Logemann também havia constituído a holding Evaux Participações S.A.
IV-) Em 25/6/1999, a Evaux, através da integralização de capital, passou a deter a participação de 60% que a Schneider Logemann possuía na SLC, passando a ser essa última empresa a controlada de duas holdings denominadas JD Participações e Evaux. Ou seja, a Schneider Logemann conferiu ao capital da Evaux o investimento que essa tinha na SLC, trazendo assim o aumento de capital da Evaux. Nesse sentido, colacionou esquema do controle acionário da SLC neste período:
V-) Em 28/6/1999, o capital social da JDB sofreu um aumento de R$ 100,00 para R$154.558.300,00, o qual foi integralizado integralmente pela D&C, por meio do Contrato de Câmbio 99/003706, no valor correspondente a US$86.500.000,00, recursos que efetivamente entraram no Brasil. Sendo assim, a JDB sofreu um aumento de capital com recursos integralizados pela D&C.
VI-) Ainda em junho de 1999, com o intuito de expandir sua atuação no Brasil, a D&C capitalizou a JDB através de operações de empréstimos, com o valor equivalente a R$ 155.451.600,00, fazendo com que o capital da JDB sofresse novamente um aumento devido a atuação da D&C.
VII-) Em 30/6/1999, devido ao Contrato de Subscrição de Ações, a Evaux, em aumento de capital ocorrido na mesma data, emitiu 303.230.193 novas ações ordinárias nominativas sem valor nominal, que foram subscritas e integralizadas pela JDB, no valor de R$ 305.542.800,00, o qual apurou um ágio de R$ 156.425.562,00. Desse modo, a JDB subscreveu e integralizou o aumento de capital da Evaux. Quanto a isso, colacionou quadro demonstrativo do controle acionário da SLC neste período:
VIII-) Em 1/7/1999, foi aprovado o Protocolo de Cisão Parcial e Justificação da Evaux, que fez com que o Grupo John Deere, então formado pela D&C, DPS, JDB, JD Participações e SLC, se tornasse independente do grupo econômico formado pela Schneider Logemann. Sendo assim, houve a cisão parcial da Evaux com ruptura do quadro de sócios, em que foi vertido para a JDB o investimento na SLC, o qual justificou o ágio pago pela JDB mencionado no item anterior. Além disso, alegou que a separação desses dois grupos econômicos foi o que motivou esta cisão, pois como a D&C era líder mundial no campo do agronegócio, ela poderia atuar de forma independente no Brasil. Quanto a isso, colacionou quadro que demonstra como ficou a independência dos dois grupos após a cisão:
IX-) Em 31/7/1999, a SLC incorporou a JDB, realizando a incorporação reversa, que foi feita de acordo com a lei, teve os Protocolos de Incorporação e Justificação aprovados e teve a realização do Laudo elaborado pela empresa Ernst Young Auditores Independentes S/C. Essa incorporação fez com que os quotistas da JDB recebessem ações representativas do capital social da SLC, que passou a ser controlada pela JD Participações, pela D&C e pela DPS, que possuía apenas uma ação ordinária nominativa que foi transferida à D&C. Juntou quadro que demonstra a situação do grupo após a incorporação:
X-) Após essas operações, a SLC passou a escriturar em seu Balanço Patrimonial o ágio anteriormente apurado pela JDB no valor de R$ 156.425.562,00, que passou a ser amortizado de acordo com a legislação e que foi fundamentado nas razões econômicas que o motivaram.
Afirmou que todas as reorganizações societárias retromencionadas foram feitas de acordo com a legislação brasileira e que, diferentemente do que foi afirmado pela fiscalização, a Evaux não é uma empresa veículo, uma vez que essa, além de continuar ativa até hoje (13 anos após a ocorrência dos fatos narrados), por ser uma holding, tem como objeto a participação em outras sociedades.
Com relação ao item IX, afirmou que a incorporação da JDB foi necessária para facilitar a administração dos negócios da D&C no Brasil e gerar maior integração entre as empresas, de acordo com trecho da impugnação infratranscrito (fl. 2983 do e-processo):
Conforme consta do referido Laudo, essa incorporação da JDB pela SLC de justifica uma vês que a JDB era uma holding que passou a controlar apenas a SLC, sendo que a D&C já possuía a JD Participações como holding controladora da SLC. Por conta disso, de modo a facilitar a administração dos negócios da D&C no Brasil e gerar maior integração entre tais empresas, a incorporação da JDB fez-se necessária. Importante notar que, mais uma vez, todos esses passos foram feitos em estrita observação da legislação brasileira e com completa transparência.
Aduziu que as mencionadas reorganizações societárias sucessivas fizeram com que ocorresse a expansão da atuação da D&C no Brasil, a emancipação dessa atuação frente ao Grupo Schneider Logemann e simplificou a estrutura do grupo econômico trazendo uma maior integração e unidade administrativa.
Ressaltou que essas operações societárias analisadas ocorreram apenas em 1999 e envolveram empresas e relações societárias que haviam sido criadas em 1979 e 1996.
Afirmou que, diferentemente do que foi alegado pela fiscalização, essas operações não foram simuladas, pois tinham razões empresariais e extratributárias para serem realizadas dessa forma. Além disso, alegou que o ágio em questão originou de operações verdadeiras, praticadas em condições de mercado e que visavam a reestruturação societária a fim de ter uma maior participação, de forma independente, no mercado brasileiro.
Alegou que como os autos de infração referem-se a operações ocorridas no período-base de 1999, essa autuação encontra-se atingida pela decadência, tendo em vista que, nos termos do artigo 150, § 4º, do CTN, deve ser observado o prazo de 5 anos a contar do fato gerador da obrigação tributária, bem como que o direito à amortização do ágio nasce no momento da incorporação.
Além disso, afirmou que o fato de essas operações produzirem efeitos futuros é irrelevante para a contagem do prazo decadencial, conforme o entendimento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
Ainda em relação à decadência, aduziu que, mesmo que a fiscalização entenda que a decadência dos tributos em questão deve ser contada anualmente, ao menos a exigência de valores de IRPJ e CSL referentes aos fatos geradores ocorridos no período-base de 2005, está decaída.
Isso porque não houve dolo, fraude ou simulação, não podendo ser aplicado o prazo do artigo 173, I, do CTN, mas sim o do artigo 150, § 4º do mesmo diploma legal, bem como tendo em vista que, segundo o Decreto-Lei 1.967, o artigo 150, § 4°, do CTN, o artigo 57 da Lei 8.981/95 e o artigo 28 da Lei 9.430/96, esses são tributos sujeitos ao lançamento por homologação.
Ressaltou que é impossível alegar a inexistência do ágio em comento, uma vez que a JDB adquiriu as cotas da recorrente por meio de cisão, observando o preço de mercado e que, por ter adquirido essas quotas por um valor superior ao valor do patrimônio liquido da recorrente, essa empresa foi obrigada a desdobrar o custo de aquisição em valor de patrimônio liquido da recorrente e em ágio.
Dessa forma, consignou que, de acordo com o artigo 3º, § 3°, da Lei 7.713/88, a conferência de bens em integralização de capital é ato de alienação/aquisição.
Apontou que a JDB adquiriu a recorrente para os fins do artigo 7° da Lei 9.532/97, que não determinou uma forma específica pela qual a participação poderia ser adquirida com ágio.
Acrescentou que, mesmo que a fiscalização não considere que a JDB adquiriu as cotas da recorrente por cisão, há previsão legal e jurisprudencial para a existência desse ágio.
Alegou que a cisão parcial com a versão da participação retromencionada representa uma alienação para a Evaux e uma aquisição para a JDB.
Quanto à regularidade da formação do ágio, afirmou que a JDB, ao adquirir as cotas da requerente na cisão parcial da Evaux e desdobrar em sua contabilidade o custo de aquisição do investimento que essa passou a deter em valor de patrimônio líquido da recorrente e em ágio, agiu de acordo com a determinação do artigo 385 do RIR. Isso porque o valor de mercado da requerente era superior ao seu patrimônio líquido.
Nesse sentido, afirmou que o ágio mencionado se apresenta com a justificativa econômica de expectativa de rentabilidade futura da requerente.
Apontou que a amortização fiscal do ágil foi realizada de forma correta, pois o artigo 8º da Lei 9.532/97 estabelece que se a sociedade controlada incorporar a controladora, o ágio deve ser tratado como um ativo amortizável para fins fiscais na sociedade sobrevivente à incorporação, em um prazo mínimo de 5 anos.
Além disso, apontou que a doutrina estabelece que nesses casos, o que importa é a unificação dos patrimônios dessas sociedades e não a ordem de incorporação. Quanto a isso, colacionou doutrina e jurisprudência sobre os casos Gerdau, Tele Norte e Santander.
Aduziu que a fiscalização confere, de forma equivocada, uma abrangência estrita aos artigos 385 e 386 do RIR, e que, mesmo que isso fosse correto, as operações em exame ainda estariam acolhidas por esses dispositivos.
Ainda acerca dos artigos supracitados, afirmou que não é verdadeira a alegação da fiscalização no sentido de que a requerente não está submetida às suas regras por serem as suas operações simuladas.
Quanto à alegação da fiscalização de que as empresas holding JDB e Evaux são fraudulentas, afirmou que essas, por serem holding puras, possuem apenas participações societárias, não sendo necessária a presença de empregados, receitas ou ativos. Nesse sentido, colacionou doutrina.
Afirmou que, segundo o entendimento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, mesmo que a Evaux e a JDB fossem consideradas empresas-veículos, isso não seria capaz de invalidar a sua estrutura e efeitos fiscais, uma vez que ela não teria levado ao registro um ágio superior ao decorrente da aquisição direta da SLC no país.
Esclareceu que, diferentemente do que foi alegado pela fiscalização, não houve um planejamento tributário, mas sim uma opção fiscal, na qual a recorrente optou por um caminho plenamente regulado pela lei para estruturar suas operações da forma mais benéfica para ela. Sendo assim, afirmou que todos os atos praticados pela recorrente e pelo Grupo John Deere observaram a legislação fiscal em vigor, a doutrina e a jurisprudência dominante.
Consignou que mesmo que não houvesse propósito negocial da JDB e da Evaux, a fiscalização não poderia desconsiderar esses negócios jurídicos, pois o artigo 116 do CTN, que permite a desconsideração nesse caso, não é auto-aplicável, dependendo de regulamentação por lei ordinária, a qual não ocorreu até o presente momento. Quanto a isso, juntou jurisprudência.
Aduziu que, uma vez que a substância econômica desse caso corresponde ao fato de que a D&C aumentou sua atuação no mercado brasileiro por meio da compra do restante da participação da SLC que ainda não se encontrava sob o seu controle, se o caso for analisado sob a perspectiva da sua substância econômica, isso será favorável à recorrente.
Evidenciou que a fiscalização não autuou a recorrente alegando simulação ou abuso de direito, mas sim dolo e fraude ao realizar uma reestruturação societária com o objetivo de obter benefício fiscal indevido.
Com relação à aplicação da multa qualificada no valor de 150% da exigência principal, afirmou que essa deve ser ao menos reduzida para 75%, tendo em vista que o artigo 44, § 1°, da Lei 9.430/96 e os artigos 71 a 73, da Lei 4.502/64, determinam que essa só pode ser fixada dessa maneira nos casos em que a fiscalização provar, de forma inequívoca, a ocorrência de sonegação, fraude ou conluio, o que não ocorreu no presente caso. Quanto a isso, colacionou jurisprudência.
Além disso, apontou que a constituição da JDB e da Evaux foi realizada de acordo com o que determina a legislação em vigor, não havendo nenhum elemento fraudulento e não sendo caracterizada a simulação, uma vez que essa teve o intuito econômico e extra tributário de expandir a atuação da D&C no Brasil.
Aduziu que é possível identificar esse intuito através da análise do numerário recolhido pela requerente aos cofres públicos, onde no ano-calendário de 2001 foram recolhidos R$ 19.507.928,00 em impostos ao fisco sobre suas vendas, e R$ 4.628.164,00 a título de IRPJ. No ano-calendário de 2011 esses valores evoluíram para R$ 215.270.432,00 e R$ 36.514.292,00, respectivamente.
Ressaltou que a multa qualificada mencionada não pode ser aplicada, pois, além de o contribuinte ter agido de forma transparente e contribuído com a fiscalização, o percentual da penalidade fiscal deve ser definido a partir de um juízo valorativo de pertinência e de adequação. De acordo com isso, colacionou doutrina e jurisprudência.
Afirmou que como a recorrente agiu de boa-fé e não houve erro de proibição, deve ser observado o artigo 76, inciso II, alínea a, da Lei 4.502/64. Quanto a isso, colacionou jurisprudência.
Ainda com relação à multa qualificada, afirmou que de acordo com a teoria da imputação subjetiva, não há nesse caso nenhum aspecto objetivo ou subjetivo que permitam a aplicação dessa penalidade.
Além disso, alegou que o artigo 112 do CTN deve ser observado, de modo a fazer com que a penalidade seja aplicada da maneira mais favorável ao contribuinte em casos de dúvida sobre a capitulação legal do fato e da natureza ou circunstâncias desses. Nesse sentido, colacionou doutrina.
Aduziu que não pode incidir juros de mora sobre o valor da multa lançada, pois não há previsão legal da atualização das multas de ofício, bem como devido ao fato de o dispositivo que embasa o entendimento do Fisco é expresso no sentido de que apenas os débitos decorrentes de tributos e contribuições são atualizáveis.
Com relação à aplicação da taxa Selic, alegou ser essa indevida, pois a jurisprudência tem reconhecido a sua inaplicabilidade. Quanto a isso, colacionou jurisprudência.
Por fim, requereu o acolhimento e provimento da impugnação, de modo a ser reconhecida, em preliminar, a nulidade dos autos de infração e que, se essa não for reconhecida, seja esse declarado improcedente, cancelando-se a recomposição dos prejuízos fiscais e da base de cálculo negativa da CSL e a exigência do IRPJ e da CSL. Requereu também que se a improcedência dos autos de infração não for reconhecida, seja cancelada a multa aplicada ou reduzida, no mínimo, a 75%, bem como seja cancelada a exigência de juros pela taxa Selic.
DA DECISÃO DA DRJ
Em 22/5/2012, acordaram os membros da 1ª Turma de Julgamento da DRJ de Porto Alegre, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação, de forma a manter os lançamentos, conforme o entendimento que se segue.
Inicialmente, alegou que eventuais vícios presentes no Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) não acarretam a nulidade do processo, tendo em vista que esse é um ato de controle interno da administração tributária, de caráter gerencial e utilizado para determinar a realização do procedimento fiscal relativo aos tributos administrados pela Receita Federal do Brasil.
Além disso, outro fator que faz com que esses vícios não acarretem a nulidade, corresponde ao fato de o MPF ter sido criado por ato infralegal, de modo a fazer com que eventual vicio na sua emissão não tenha o poder de contaminar todo o procedimento fiscal ou o lançamento propriamente dito, já que esses são regidos pelo CTN e pelo Decreto 70.235/72, que são diplomas normativos de hierarquia superior e que não consideram ser o MPF uma condição de validade do lançamento.
Ainda com relação ao MPF, afirmou que a extrapolação do prazo para a realização do procedimento de fiscalização previsto no Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) não impede que a fiscalização efetue o lançamento do crédito tributário. Quanto a isso, colacionou jurisprudência.
Evidenciou que os lançamentos ocorridos nos anos-calendários de 2005 e 2006, sendo que em 2006 não houve lançamento de crédito tributário em razão de o contribuinte ter apurado prejuízos fiscais e base de cálculo negativa de CSL, não estão atingidos pela decadência. Isso porque, como nesse caso, a constituição do ágio se deu de forma artificial, simulada, dolosa e com o intuito de reduzir o montante dos tributos devidos, deve ser aplicado o artigo 173, I, do CTN, que faz com que o prazo decadencial seja contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
Alegou que, ao analisar o prazo decadencial, deve ser considerado o direito que a fiscalização tem de examinar a legalidade de todos os elementos que compõem a base de cálculo do período, independentemente do período transcorrido entre a formação desses elementos e seu aproveitamento. Além disso, deve-se também considerar que o exercício de um direito pelo titular pressupõe a prova da legalidade dos fatos constitutivos desse direito, não importando o decurso do tempo, mas sim o fato de não ter ocorrido à decadência do direito de a fiscalização efetuar o lançamento.
Ressaltou que a economia tributária não é vista como ilícita, exceto quando essa é feita de forma mascarada, onde os atos e negócios praticados se baseiam em uma aparente legalidade, sem qualquer finalidade empresarial ou negocial.
Afirmou que quando o ágio foi contabilizado não se falava em ocorrência do fato gerador e que, quando houve a sua contabilização por conta da incorporação da JDB em 31/7/1999, esse não foi adicionado ou excluído da base de cálculo do IRPJ e CSL, não havendo nenhuma conseqüência tributária nesse período de apuração.
Aduziu que a reestruturação societária em que a recorrente participou foi feita de forma artificial, simulada e dolosa, e que houve um planejamento tributário que, aparentemente, foi realizado sem ferir nenhuma norma legal, mas que traz em seu bojo a artificialidade e a simulação, devido ao fato de essa ter como único objetivo a redução do pagamento de tributos. Quanto a isso, colacionou doutrina.
Ressaltou que, apesar de não ser unanime, deve ser observado o entendimento de que o direito ao planejamento tributário não pode ser absoluto, de modo a exigir com que haja compatibilidade entre a existência do direito e o modo como esse é exercido, sob pena de incorrer-se em abuso de direito. Nesse sentido colacionou jurisprudência.
Apontou que os objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil, previstos no artigo 3º da Constituição Federal, só poderão ser atingidos se forem preservados os recursos oriundos da tributação e que, para que isso ocorra, é necessário que os negócios praticados com o intuito de disfarçar o real objetivo da operação, que é a redução de tributos, sejam combatidos. De acordo com isso, citou jurisprudência e realizou uma interpretação comparada, analisando como é entendida essa operação em outros países.
Aduziu que é possível observar a simulação ocorrida através da análise da composição societária da D&C no inicio e no fim das operações, onde no início, essa detinha 40% do capital social da SLC e no fim, 100%.
Nesse sentido, alegou que a compra pela D&C da participação societária que a Schneider Logemann detinha da SLC teve como único objetivo a criação de ágio passível de amortização futura.
Acrescentou que a criação da JDB, a associação com a Evaux, a cisão dessa e a incorporação da JDB pela SLC, foram procedimentos desnecessários para a obtenção, por parte da D&C, de 100% do capital social da SLC.
Alegou que, de acordo com os artigos 7º e 8º, da Lei 9.532/1997 e o artigo 386 do RIR, é possível concluir que o procedimento adotado pelo contribuinte foi forjado com o intuito de gerar um ágio interno sem qualquer suporte econômico, e que a autorização legal para a amortização do ágio deve ser compreendida dentro do contexto histórico em que foi gerada.
Evidenciou que o ágio pago não seria passível de dedução na forma estabelecida pelo artigo 386 do RIR, se a aquisição das ações tivesse sido feita pela John Deere Participações Ltda. ou pela SLC.
Com relação à multa aplicada de ofício, afirmou que, de acordo com os artigos 72, 73 e 74, da Lei 4.502/64 e o artigo 44, § 1º, da Lei 9.430, essa foi estabelecida de forma correta, pois é possível identificar na compra e venda das ações da SLC a sonegação, fraude e conluio, que são requisitos materiais para essa fixação.
Apontou que, de acordo com a Súmula n° 4 do Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, o artigo 61, § 3º, da Lei 9.430/1996 e o artigo 116, III, da Lei 8.112/1990, a exigência de juros de mora com base na taxa Selic, calculados sobre os valores do IRPJ e da CSL, está correta.
Aduziu que , tendo em vista que, até o presente momento, não foi alegada a exigência de juros sobre a multa de ofício lançada, o pedido de revisão dessa resta prejudicado, não havendo pronunciamento da DRJ acerca disso.
Por fim, alegou que esse processo foi analisado no plano da eficácia perante o direito tributário, sendo rejeitadas as preliminares de nulidade e de decadência, e julgada improcedente a impugnação, mantendo-se os lançamentos.
DO RECURSO VOLUNTÁRIO
Inconformada com a decisão, a recorrente interpôs, tempestivamente, recurso voluntário de fls. 3.406 a 3.460 (e-processo), reiterando o alegado em sede de impugnação.
Afirmou que a recorrente não questionou a extrapolação do prazo para a realização do lançamento pela fiscalização, mas sim a alteração do objeto e dos períodos de análise do MPF, que passou a não corresponder com o objeto e períodos iniciais do procedimento fiscalizatório, o que, segundo o artigo 10 da Portaria nº 3.007/2001, traz como conseqüência a necessidade da realização de um MPF Complementar.
Por conseguinte, afirmou que ao não realizar o MPF Complementar a fiscalização desrespeitou o principio da legalidade, pois ela, ao constatar uma suposta infração à legislação tributária, deve efetuar o lançamento do crédito tributário de forma regular, com estrita observação dos dispositivos legais.
Alegou que adquirir participação societária com ágio é uma questão factual e não interpretativa e que, de acordo com a análise dos documentos apresentados pela recorrente, não é possível questionar a existência do ágio pago pela JDB. Isso porque a contabilização do ágio foi feito de forma correta, já que, de acordo com o artigo 20 do Decreto- lei nº 1.598/77, como a participação que a JDB passou a deter na recorrente era superior ao patrimônio liquido da recorrente, ela tinha a obrigação legal de contabilizar essa diferença como ágio relativo ao investimento que passou a deter na recorrente.
Apontou que a fiscalização não questionou o efetivo pagamento do ágio pela recorrente, nem o fato de que houve aquisição em dinheiro.
Afirmou também que o momento da incorporação não interfere no direito da recorrente ao ágio.
Com relação à afirmação da fiscalização no sentido de que se a aquisição das ações fosse feita pela SLC John Deere S.A. ou pela John Deere Participações Ltda., o ágio pago não seria passível de dedução na forma do artigo 386 do RIR, alegou que essa está incorreta, pois o ágio pago devidamente por uma dessas sociedades poderia ser regularmente amortizado para fins fiscais nos termos da legislação.
Aduziu que, de acordo com a jurisprudência e a doutrina dominante, o ágio gerado dentro de um mesmo grupo econômico pode ser amortizado para fins fiscais, mesmo que esse não produza alterações de cunho contábil.
Consignou que, de acordo com a Lei Complementar 104/2001 e a falta de regulamentação do artigo 116 do CTN, mesmo que não houvesse propósito negocial na criação da JDB e da Evaux, a fiscalização não poderia desconstituir a operação realizada apenas pelas suas motivações econômicas, já que essa foi feita de acordo com a legislação em vigor.
Por fim, requereu que seja provido o recurso voluntário, de modo a ser reformada a decisão recorrida e reconhecida, em preliminar, a nulidade do auto de infração. Requereu também, que se essa não for reconhecida, que seja cancelado integralmente o auto de infração e todas as penalidades e juros aplicados.
É o relatório.
Voto
Nome do relator: MARCOS SHIGUEO TAKATA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, resolvem os membros do colegiado converter o julgamento em diligência, pelo voto de qualidade, vencidos os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira e Marcos Shigueo Takata (Relator). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Breno Ferreira Martins Vasconcelos. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva- Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Takata - Relator. (assinado digitalmente) Breno Ferreira Martins Vasconcelos Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Breno Ferreira Martins Vasconcelos e Aloysio José Percínio da Silva. Relatório DO LANÇAMENTO Trata-se de autos de infração de IRPJ e CSL, em que há a exigência do crédito tributário no montante de R$ 8.386.812,30 referente ao ano-calendário de 2005, e a redução do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa da CSL apurados no ano-calendário de 2006. Primeiramente, alegou que a recorrente não atendeu de forma completa a intimação e reintimação realizada pela fiscalização, tendo em vista a sua repetida e contínua mora no fornecimento de documentos. Os autos de infração decorreram da dedução de amortização do ágio pago em processo de reestruturação societária que teve como participantes os grupos Schneider Logemann e John Deere, controladores da SLC S.A. Indústria e Comércio. Essa reestruturação teve início em 1979, quando a John Deere se associou a Schneider Logemann & Cia Ltda, adquirindo 20% do capital social da SLC S.A. Indústria e Comércio, e teve a seguinte evolução temporal: I-) Foi realizada uma reorganização societária em 1996, que fez com que a Deere & Company passasse a deter 40% do capital social da SLC S.A. e trouxe a constituição da holding John Deere Brasil Participações Ltda. II-) Em julho de 1998, a sociedade Aços Planos do Sul S.A, com capital social de R$ 100,00, foi constituída, e em agosto do mesmo ano essa passou a ter como sua denominação social Evaux Participações S.A. III-) Em 25/6/1999, mediante a emissão de 621.321.825 ações ordinárias nominativas sem valor nominal, houve o aumento de capital da Evaux de R$ 100,00 para R$ 149.117.338,00. As ações foram subscritas pela Schneider Logmann S.A. e integralizadas mediante a conferência à sociedade de 62.102.108 ações ordinárias de emissão da SLC - John Deere S.A. (antiga SLC S.A. Indústria e Comércio). Assim, a Evaux passou a deter 60% do capital social da SLC - John Deere S.A. e a John Deere do Brasil Participações Ltda. 40% do capital remanescente. IV-) Em 1999, a Deere & Company (D&C) constituiu a John Deere do Brasil Ltda. (JDB), com capital social de R$ 100,00 e, no mesmo ano, devido à integralização feita integralmente por meio do Contrato de Câmbio 99/003706, esse capital social passou a ter o valor correspondente a R$ 154.558.300,00. Além disso, essa ultima foi capitalizada pela 1ª empresa em mais de R$ 155.451.600,00, através de operações de empréstimos, V-) Em 30/6/1999, a Evaux realizou o aumento do seu capital social para R$ 221.892.584,00, com a emissão de 303.230.193 ações ordinárias nominativas sem valor nominal, que foram subscritas e integralizadas pela JDB, e que somam o montante de R$ 305.542.800,00 onde, do preço de emissão, R$ 72.775.246,00 foram destinados ao capital social e R$ 232.767.654,00 foram destinados à reserva de ágio para futura capitalização. VI-) A JDB contabilizou como ágio o valor de R$ 156.425.562,00, que corresponde à diferença entre o valor integralizado e o capital na Evaux, fundamentado na expectativa de resultados futuros da sociedade SLC John Deere S.A. Além disso, a integralização das ações em aumento de capital realizada pela JDB, teve o mesmo valor patrimonial praticado para as ações integralizadas anteriormente pela Schneider Logemann no capital da Evaux, sendo o excedente contabilizado como ágio. VII-) Ainda em 30/6/1999 foi firmado o Contrato de Cessão e Transferência de Marca, onde a Schneider Logemann cedeu gratuitamente a marca mista SLC à SLC John Deere S.A. VIII-) Em 1/7/1999, houve AGE da Evaux aprovando o protocolo de cisão parcial e justificação. Essa cisão foi realizada pela versão à JDB da parcela do patrimônio representada pelas 62.102.108 ações ordinárias nominativas de emissão da SLC John Deere S.A. Essa versão não alterou o capital social (da JDB) e substituiu a participação social detida na Evaux pela parcela de patrimônio vertida em razão da cisão. IX-) Pela extinção de 303.230.193 ações ordinárias nominativas de propriedade da JDB, a Evaux reduziu seu capital social de R$ 221.892.584,00 para R$ 149.117.313,00. X-) Em 31/7/1999, a SLC John Deere S.A. incorporou a JDB. XI-) A Evaux não foi extinta. Analisando a evolução temporal da reestruturação societária ocorrida, a fiscalização extraiu algumas conclusões. Primeiramente concluiu que, de acordo com o item VI, o ágio foi suportado pela empresa sediada no exterior D&C, pois os recursos utilizados pela JDB para aportar capital na Evaux se originaram da primeira empresa. Ainda de acordo com o item retromencionado, afirmou que a Schneider Logemann indicou que a natureza é do ágio de rentabilidade de exercícios futuros, não observando as parcelas derivadas do fundo de comércio da SLC John Deere S.A. Com relação ao item VII, consignou que, de acordo com os artigos 7º e 8º, da Lei 9.532/97, esse indica que o ágio foi, de forma oportuna e deliberada, direcionado para o fundamento da rentabilidade de exercícios futuros, de modo a fazer com que a sociedade incorporadora pudesse usufruir do expediente legal da amortização antes da realização do investimento que lhe deu causa. Ainda em relação ao item retromencionado apontou que, tendo em vista que esse contrato estabelecia a forma em que a operação de subscrição das ações deveria ser realizada, é possível concluir que isso foi feito de maneira premeditada, com o intuito de transferir a participação societária que a Schneider Logemann & Cia Ltda. possuía na SLC John Deere S.A., por meio do pagamento em moeda nacional pela sociedade sediada no exterior. Acerca do item VIII, acentuou que a forma como foi realizada a cisão indica que essa foi mais uma operação circunstancial realizada pela recorrente com o intuito de obter vantagem fiscal. Isso porque houve a quase instantaneidade de atos societários, a coincidência de agentes e a não observância das exigências da lei societária que determina que a operação de cisão deve ser submetida à deliberação da assembléia geral das companhias interessadas, mediante justificação. Observou que, em decorrência da incorporação realizada, a SLC John Deere S.A. escriturou em seu balanço patrimonial o empréstimo obtido junto à D&C no montante de R$ 155.451.600,00, o ágio apurado pela incorporada correspondente a R$ 156.425.562,00 e os reflexos dessas operações. Apontou que a empresa John Deere do Brasil Ltda. apenas realizou operações ligadas à incorporação da participação da SLC John Deere S.A., ao recebimento dos recursos aportados pela Deere & Company, à incorporação reversa pela sociedade investida e ao repasse integral dos recursos em forma de investimento na sociedade Evaux. Ressaltou que não há equivalência entre a verdade real e a vontade ostensiva no que tange a criação da John Deere do Brasil Ltda. Isso porque, tendo em vista que essa foi incorporada pela SLC John Deere S.A. antes mesmo de ter entrado em atividade, resta evidente que não havia interesse econômico na sua criação além da redução de tributos, uma vez que essa apenas foi utilizada como empresa veículo para realizar a dedutibilidade do ágio pago pela aquisição das ações da incorporadora. Afirmou que a recorrente teve como fundamento para a amortização do ágio os artigos 7º e 8º, da Lei 9.532/97 e o artigo 426 do RIR. Esse ágio registrado por ele foi amortizado nos anos-calendários posteriores à incorporação, sendo que, até o ano de 2004, o montante amortizado corresponde a R$ 101.676.615,26, no ano-calendário de 2005 foi amortizado o valor de R$ 31.285.112,40, e no ano-calendário de 2006 o valor de R$ 23.463.834,31. Apontou que foi aplicada ao caso em questão a multa de 150%, pois todas as operações societárias realizadas em 1999 pela recorrente relacionam-se com as hipóteses previstas no artigo 72 da Lei 4.502/64 por terem sido feitas em sequência e por todo o instrumento societário e empresarial criado indicar a predeterminação dos agentes e a vontade de agir. De acordo com tudo o que foi exposto, concluiu que o ocorrido no caso em questão foi a operação denominada casa-separa, em que há várias sociedades envolvidas em um liame negocial societário, de modo que uma sociedade é utilizada como veículo de transferência da participação societária e do preço pago pela aquisição/transferência da outra sociedade. Essa operação tem como objetivo evitar a tributação do ganho de capital e a dedução do ágio na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSL, trazendo os seguintes efeitos no presente caso, conforme trecho do termo de constatação fiscal infratranscrito (fls. 2.883 e 2.884 e-processo): a) na referida operação, adquirente (sociedade sediada no exterior) aporta recursos em subsidiária no Brasil (1ª empresa interposta), parte em forma de capital, parte em forma de empréstimos; b) cedente (por meio da 1ª sociedade interposta) e adquirente, por meio de nova sociedade interposta, integralizaram, respectivamente, recursos financeiros e participação societária a ser transferida; c) em momento seguinte, por meio de cisão parcial, a parte adquirente se retira da sociedade interposta, com o patrimônio que a outra parte havia integralizado originalmente recursos financeiros, incorporando-se tal patrimônio na 1ª sociedade interposta (de qual foram aportados os recursos financeiros à 2ª sociedade interposta); d) quando do aporte de capital da 1ª sociedade interposta (com recursos da compradora) na 2ª sociedade interposta, foi efetuado um cálculo de paridade de participação societária, de tal forma que a sociedade que aportou recursos financeiros apurasse um ágio na aquisição de participação societária em valor igual ao ganho de capital que deixaria de ser reconhecido pela sociedade cedente da participação societária efetivamente negociada; e) posteriormente, a 1ª sociedade interposta, que apurou ágio na aquisição de investimento e que mantinha empréstimos captados junto à sua controladora, foi incorporada pela empresa operacional o contribuinte (aquela cuja participação societária foi negociada); f) a empresa operacional o contribuinte (aquela cuja participação societária foi negociada) passou a aproveitar fiscalmente a despesa com o ágio apurado em suas próprias operações. Sendo assim, alegou que toda a reestruturação societária realizada pela recorrente e as demais empresas retromencionadas teve como objetivo a redução de tributos. DA IMPUGNAÇÃO Irresignada, a recorrente apresentou impugnação de fls. 2.970 a 3.034 (e-processo). Primeiramente, alegou que os autos de infração devem ser considerados nulos, tendo em vista que a fiscalização, ao analisar a amortização de ágio despendido na aquisição da SLC S.A. Indústria e Comércio para fins de IRPJ no ano calendário de 2007, e estender a fiscalização para os anos-calendário de 2005 e 2006, desrespeitou o artigo 10 da Portaria 3.007/01. Isso porque o diploma legal mencionado determina que se houver alterações referentes a tributos ou contribuições e períodos de apuração no Mandado de Procedimento Fiscal, deve ser lavrado Mandado de Procedimento Fiscal Complementar. Afirmou que a fiscalização realizou um juízo pessoal e preconceituoso ao analisar o caso, de forma a tentar induzir a opinião das autoridades julgadoras, e que as sociedades holding que participaram das operações junto à recorrente foram criadas em concordância com todas as leis societárias brasileiras e em um contexto econômico específico. Com relação à alegação da fiscalização no sentido de que as empresas holding foram criadas apenas com o intuito de reduzir tributos, afirmou que essa alegação significa ignorar o objeto social próprio dessas empresas, que é participação em outras sociedades. E que, além disso, isso corresponde a uma tentativa da fiscalização de determinar qual é a melhor forma de a recorrente organizar o seu grupo societário e atuar financeira e comercialmente, o que afronta ao princípio da livre iniciativa privada. Consignou que a recorrente, assim como a fiscalização, quer que o caso seja visto como um filme e não como uma fotografia, pois a jurisprudência e a doutrina dominante têm entendido que o exame da validade das operações do contribuinte deve analisar as razões empresariais e extra tributárias que motivaram as suas operações. Nesse sentido, afirmou que as operações da recorrente foram motivadas pelas razões empresariais e extra tributárias de promover a expansão da atuação da D&C no país. Atestou que o Grupo John Deere emprega cerca de 52 mil funcionários em suas fábricas situadas em 17 países e investe cerca de 2 milhões de dólares por dia em pesquisa e desenvolvimento de novos produtos. Evidenciou que até hoje a John Deere investe na produção e comercialização de seus equipamentos no Brasil, tendo 3 fábricas e empregando 3.975 pessoas no país. Realizou um breve histórico das alterações societárias da recorrente, em que, em síntese, afirmou o seguinte: I-) Em 1979 a D&C iniciou suas atividades no Brasil por meio de uma associação com a Schneider Logemann & Cia. Ltda. com a aquisição de 20% do capital social da SLC S.A. Indústria e Comércio e, em 1996, a fim de organizar seus investimentos no país, as duas empresas efetuaram uma reorganização societária que trouxe o aumento da participação da D&C na SLC de 20% para 40% e a criação da John Deere Brasil Participações Ltda. (empresa holding). Após isso, a D&C transferiu a sua participação na SLC à JD Participações. Quanto a isso colacionou quadro que demonstra como era a organização societária no final de 1996: II-) Apesar de em 1999 a moeda brasileira estar desvalorizada e haver um cenário de forte instabilidade econômica, doméstica e internacional, o Brasil oferecia, no campo da agricultura, um mercado promissor e atrativo para as empresas do setor, o que fez com que a D&C realizasse operações a fim de aumentar sua atuação no País. Quanto a isso, colacionou trecho do estudo O Agronegócio na Economia Brasileira 1994 a 1999. III-) Em 15/6/1999 a D&C constituiu uma nova holding no Brasil, a John Deere do Brasil Ltda. (JDB), que era controlada também pela empresa situada no exterior Deere Payroll Services Inc. (DPS) e, no ano anterior, a Schneider Logemann também havia constituído a holding Evaux Participações S.A. IV-) Em 25/6/1999, a Evaux, através da integralização de capital, passou a deter a participação de 60% que a Schneider Logemann possuía na SLC, passando a ser essa última empresa a controlada de duas holdings denominadas JD Participações e Evaux. Ou seja, a Schneider Logemann conferiu ao capital da Evaux o investimento que essa tinha na SLC, trazendo assim o aumento de capital da Evaux. Nesse sentido, colacionou esquema do controle acionário da SLC neste período: V-) Em 28/6/1999, o capital social da JDB sofreu um aumento de R$ 100,00 para R$154.558.300,00, o qual foi integralizado integralmente pela D&C, por meio do Contrato de Câmbio 99/003706, no valor correspondente a US$86.500.000,00, recursos que efetivamente entraram no Brasil. Sendo assim, a JDB sofreu um aumento de capital com recursos integralizados pela D&C. VI-) Ainda em junho de 1999, com o intuito de expandir sua atuação no Brasil, a D&C capitalizou a JDB através de operações de empréstimos, com o valor equivalente a R$ 155.451.600,00, fazendo com que o capital da JDB sofresse novamente um aumento devido a atuação da D&C. VII-) Em 30/6/1999, devido ao Contrato de Subscrição de Ações, a Evaux, em aumento de capital ocorrido na mesma data, emitiu 303.230.193 novas ações ordinárias nominativas sem valor nominal, que foram subscritas e integralizadas pela JDB, no valor de R$ 305.542.800,00, o qual apurou um ágio de R$ 156.425.562,00. Desse modo, a JDB subscreveu e integralizou o aumento de capital da Evaux. Quanto a isso, colacionou quadro demonstrativo do controle acionário da SLC neste período: VIII-) Em 1/7/1999, foi aprovado o Protocolo de Cisão Parcial e Justificação da Evaux, que fez com que o Grupo John Deere, então formado pela D&C, DPS, JDB, JD Participações e SLC, se tornasse independente do grupo econômico formado pela Schneider Logemann. Sendo assim, houve a cisão parcial da Evaux com ruptura do quadro de sócios, em que foi vertido para a JDB o investimento na SLC, o qual justificou o ágio pago pela JDB mencionado no item anterior. Além disso, alegou que a separação desses dois grupos econômicos foi o que motivou esta cisão, pois como a D&C era líder mundial no campo do agronegócio, ela poderia atuar de forma independente no Brasil. Quanto a isso, colacionou quadro que demonstra como ficou a independência dos dois grupos após a cisão: IX-) Em 31/7/1999, a SLC incorporou a JDB, realizando a incorporação reversa, que foi feita de acordo com a lei, teve os Protocolos de Incorporação e Justificação aprovados e teve a realização do Laudo elaborado pela empresa Ernst Young Auditores Independentes S/C. Essa incorporação fez com que os quotistas da JDB recebessem ações representativas do capital social da SLC, que passou a ser controlada pela JD Participações, pela D&C e pela DPS, que possuía apenas uma ação ordinária nominativa que foi transferida à D&C. Juntou quadro que demonstra a situação do grupo após a incorporação: X-) Após essas operações, a SLC passou a escriturar em seu Balanço Patrimonial o ágio anteriormente apurado pela JDB no valor de R$ 156.425.562,00, que passou a ser amortizado de acordo com a legislação e que foi fundamentado nas razões econômicas que o motivaram. Afirmou que todas as reorganizações societárias retromencionadas foram feitas de acordo com a legislação brasileira e que, diferentemente do que foi afirmado pela fiscalização, a Evaux não é uma empresa veículo, uma vez que essa, além de continuar ativa até hoje (13 anos após a ocorrência dos fatos narrados), por ser uma holding, tem como objeto a participação em outras sociedades. Com relação ao item IX, afirmou que a incorporação da JDB foi necessária para facilitar a administração dos negócios da D&C no Brasil e gerar maior integração entre as empresas, de acordo com trecho da impugnação infratranscrito (fl. 2983 do e-processo): Conforme consta do referido Laudo, essa incorporação da JDB pela SLC de justifica uma vês que a JDB era uma holding que passou a controlar apenas a SLC, sendo que a D&C já possuía a JD Participações como holding controladora da SLC. Por conta disso, de modo a facilitar a administração dos negócios da D&C no Brasil e gerar maior integração entre tais empresas, a incorporação da JDB fez-se necessária. Importante notar que, mais uma vez, todos esses passos foram feitos em estrita observação da legislação brasileira e com completa transparência. Aduziu que as mencionadas reorganizações societárias sucessivas fizeram com que ocorresse a expansão da atuação da D&C no Brasil, a emancipação dessa atuação frente ao Grupo Schneider Logemann e simplificou a estrutura do grupo econômico trazendo uma maior integração e unidade administrativa. Ressaltou que essas operações societárias analisadas ocorreram apenas em 1999 e envolveram empresas e relações societárias que haviam sido criadas em 1979 e 1996. Afirmou que, diferentemente do que foi alegado pela fiscalização, essas operações não foram simuladas, pois tinham razões empresariais e extratributárias para serem realizadas dessa forma. Além disso, alegou que o ágio em questão originou de operações verdadeiras, praticadas em condições de mercado e que visavam a reestruturação societária a fim de ter uma maior participação, de forma independente, no mercado brasileiro. Alegou que como os autos de infração referem-se a operações ocorridas no período-base de 1999, essa autuação encontra-se atingida pela decadência, tendo em vista que, nos termos do artigo 150, § 4º, do CTN, deve ser observado o prazo de 5 anos a contar do fato gerador da obrigação tributária, bem como que o direito à amortização do ágio nasce no momento da incorporação. Além disso, afirmou que o fato de essas operações produzirem efeitos futuros é irrelevante para a contagem do prazo decadencial, conforme o entendimento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Ainda em relação à decadência, aduziu que, mesmo que a fiscalização entenda que a decadência dos tributos em questão deve ser contada anualmente, ao menos a exigência de valores de IRPJ e CSL referentes aos fatos geradores ocorridos no período-base de 2005, está decaída. Isso porque não houve dolo, fraude ou simulação, não podendo ser aplicado o prazo do artigo 173, I, do CTN, mas sim o do artigo 150, § 4º do mesmo diploma legal, bem como tendo em vista que, segundo o Decreto-Lei 1.967, o artigo 150, § 4°, do CTN, o artigo 57 da Lei 8.981/95 e o artigo 28 da Lei 9.430/96, esses são tributos sujeitos ao lançamento por homologação. Ressaltou que é impossível alegar a inexistência do ágio em comento, uma vez que a JDB adquiriu as cotas da recorrente por meio de cisão, observando o preço de mercado e que, por ter adquirido essas quotas por um valor superior ao valor do patrimônio liquido da recorrente, essa empresa foi obrigada a desdobrar o custo de aquisição em valor de patrimônio liquido da recorrente e em ágio. Dessa forma, consignou que, de acordo com o artigo 3º, § 3°, da Lei 7.713/88, a conferência de bens em integralização de capital é ato de alienação/aquisição. Apontou que a JDB adquiriu a recorrente para os fins do artigo 7° da Lei 9.532/97, que não determinou uma forma específica pela qual a participação poderia ser adquirida com ágio. Acrescentou que, mesmo que a fiscalização não considere que a JDB adquiriu as cotas da recorrente por cisão, há previsão legal e jurisprudencial para a existência desse ágio. Alegou que a cisão parcial com a versão da participação retromencionada representa uma alienação para a Evaux e uma aquisição para a JDB. Quanto à regularidade da formação do ágio, afirmou que a JDB, ao adquirir as cotas da requerente na cisão parcial da Evaux e desdobrar em sua contabilidade o custo de aquisição do investimento que essa passou a deter em valor de patrimônio líquido da recorrente e em ágio, agiu de acordo com a determinação do artigo 385 do RIR. Isso porque o valor de mercado da requerente era superior ao seu patrimônio líquido. Nesse sentido, afirmou que o ágio mencionado se apresenta com a justificativa econômica de expectativa de rentabilidade futura da requerente. Apontou que a amortização fiscal do ágil foi realizada de forma correta, pois o artigo 8º da Lei 9.532/97 estabelece que se a sociedade controlada incorporar a controladora, o ágio deve ser tratado como um ativo amortizável para fins fiscais na sociedade sobrevivente à incorporação, em um prazo mínimo de 5 anos. Além disso, apontou que a doutrina estabelece que nesses casos, o que importa é a unificação dos patrimônios dessas sociedades e não a ordem de incorporação. Quanto a isso, colacionou doutrina e jurisprudência sobre os casos Gerdau, Tele Norte e Santander. Aduziu que a fiscalização confere, de forma equivocada, uma abrangência estrita aos artigos 385 e 386 do RIR, e que, mesmo que isso fosse correto, as operações em exame ainda estariam acolhidas por esses dispositivos. Ainda acerca dos artigos supracitados, afirmou que não é verdadeira a alegação da fiscalização no sentido de que a requerente não está submetida às suas regras por serem as suas operações simuladas. Quanto à alegação da fiscalização de que as empresas holding JDB e Evaux são fraudulentas, afirmou que essas, por serem holding puras, possuem apenas participações societárias, não sendo necessária a presença de empregados, receitas ou ativos. Nesse sentido, colacionou doutrina. Afirmou que, segundo o entendimento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, mesmo que a Evaux e a JDB fossem consideradas empresas-veículos, isso não seria capaz de invalidar a sua estrutura e efeitos fiscais, uma vez que ela não teria levado ao registro um ágio superior ao decorrente da aquisição direta da SLC no país. Esclareceu que, diferentemente do que foi alegado pela fiscalização, não houve um planejamento tributário, mas sim uma opção fiscal, na qual a recorrente optou por um caminho plenamente regulado pela lei para estruturar suas operações da forma mais benéfica para ela. Sendo assim, afirmou que todos os atos praticados pela recorrente e pelo Grupo John Deere observaram a legislação fiscal em vigor, a doutrina e a jurisprudência dominante. Consignou que mesmo que não houvesse propósito negocial da JDB e da Evaux, a fiscalização não poderia desconsiderar esses negócios jurídicos, pois o artigo 116 do CTN, que permite a desconsideração nesse caso, não é auto-aplicável, dependendo de regulamentação por lei ordinária, a qual não ocorreu até o presente momento. Quanto a isso, juntou jurisprudência. Aduziu que, uma vez que a substância econômica desse caso corresponde ao fato de que a D&C aumentou sua atuação no mercado brasileiro por meio da compra do restante da participação da SLC que ainda não se encontrava sob o seu controle, se o caso for analisado sob a perspectiva da sua substância econômica, isso será favorável à recorrente. Evidenciou que a fiscalização não autuou a recorrente alegando simulação ou abuso de direito, mas sim dolo e fraude ao realizar uma reestruturação societária com o objetivo de obter benefício fiscal indevido. Com relação à aplicação da multa qualificada no valor de 150% da exigência principal, afirmou que essa deve ser ao menos reduzida para 75%, tendo em vista que o artigo 44, § 1°, da Lei 9.430/96 e os artigos 71 a 73, da Lei 4.502/64, determinam que essa só pode ser fixada dessa maneira nos casos em que a fiscalização provar, de forma inequívoca, a ocorrência de sonegação, fraude ou conluio, o que não ocorreu no presente caso. Quanto a isso, colacionou jurisprudência. Além disso, apontou que a constituição da JDB e da Evaux foi realizada de acordo com o que determina a legislação em vigor, não havendo nenhum elemento fraudulento e não sendo caracterizada a simulação, uma vez que essa teve o intuito econômico e extra tributário de expandir a atuação da D&C no Brasil. Aduziu que é possível identificar esse intuito através da análise do numerário recolhido pela requerente aos cofres públicos, onde no ano-calendário de 2001 foram recolhidos R$ 19.507.928,00 em impostos ao fisco sobre suas vendas, e R$ 4.628.164,00 a título de IRPJ. No ano-calendário de 2011 esses valores evoluíram para R$ 215.270.432,00 e R$ 36.514.292,00, respectivamente. Ressaltou que a multa qualificada mencionada não pode ser aplicada, pois, além de o contribuinte ter agido de forma transparente e contribuído com a fiscalização, o percentual da penalidade fiscal deve ser definido a partir de um juízo valorativo de pertinência e de adequação. De acordo com isso, colacionou doutrina e jurisprudência. Afirmou que como a recorrente agiu de boa-fé e não houve erro de proibição, deve ser observado o artigo 76, inciso II, alínea a, da Lei 4.502/64. Quanto a isso, colacionou jurisprudência. Ainda com relação à multa qualificada, afirmou que de acordo com a teoria da imputação subjetiva, não há nesse caso nenhum aspecto objetivo ou subjetivo que permitam a aplicação dessa penalidade. Além disso, alegou que o artigo 112 do CTN deve ser observado, de modo a fazer com que a penalidade seja aplicada da maneira mais favorável ao contribuinte em casos de dúvida sobre a capitulação legal do fato e da natureza ou circunstâncias desses. Nesse sentido, colacionou doutrina. Aduziu que não pode incidir juros de mora sobre o valor da multa lançada, pois não há previsão legal da atualização das multas de ofício, bem como devido ao fato de o dispositivo que embasa o entendimento do Fisco é expresso no sentido de que apenas os débitos decorrentes de tributos e contribuições são atualizáveis. Com relação à aplicação da taxa Selic, alegou ser essa indevida, pois a jurisprudência tem reconhecido a sua inaplicabilidade. Quanto a isso, colacionou jurisprudência. Por fim, requereu o acolhimento e provimento da impugnação, de modo a ser reconhecida, em preliminar, a nulidade dos autos de infração e que, se essa não for reconhecida, seja esse declarado improcedente, cancelando-se a recomposição dos prejuízos fiscais e da base de cálculo negativa da CSL e a exigência do IRPJ e da CSL. Requereu também que se a improcedência dos autos de infração não for reconhecida, seja cancelada a multa aplicada ou reduzida, no mínimo, a 75%, bem como seja cancelada a exigência de juros pela taxa Selic. DA DECISÃO DA DRJ Em 22/5/2012, acordaram os membros da 1ª Turma de Julgamento da DRJ de Porto Alegre, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação, de forma a manter os lançamentos, conforme o entendimento que se segue. Inicialmente, alegou que eventuais vícios presentes no Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) não acarretam a nulidade do processo, tendo em vista que esse é um ato de controle interno da administração tributária, de caráter gerencial e utilizado para determinar a realização do procedimento fiscal relativo aos tributos administrados pela Receita Federal do Brasil. Além disso, outro fator que faz com que esses vícios não acarretem a nulidade, corresponde ao fato de o MPF ter sido criado por ato infralegal, de modo a fazer com que eventual vicio na sua emissão não tenha o poder de contaminar todo o procedimento fiscal ou o lançamento propriamente dito, já que esses são regidos pelo CTN e pelo Decreto 70.235/72, que são diplomas normativos de hierarquia superior e que não consideram ser o MPF uma condição de validade do lançamento. Ainda com relação ao MPF, afirmou que a extrapolação do prazo para a realização do procedimento de fiscalização previsto no Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) não impede que a fiscalização efetue o lançamento do crédito tributário. Quanto a isso, colacionou jurisprudência. Evidenciou que os lançamentos ocorridos nos anos-calendários de 2005 e 2006, sendo que em 2006 não houve lançamento de crédito tributário em razão de o contribuinte ter apurado prejuízos fiscais e base de cálculo negativa de CSL, não estão atingidos pela decadência. Isso porque, como nesse caso, a constituição do ágio se deu de forma artificial, simulada, dolosa e com o intuito de reduzir o montante dos tributos devidos, deve ser aplicado o artigo 173, I, do CTN, que faz com que o prazo decadencial seja contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Alegou que, ao analisar o prazo decadencial, deve ser considerado o direito que a fiscalização tem de examinar a legalidade de todos os elementos que compõem a base de cálculo do período, independentemente do período transcorrido entre a formação desses elementos e seu aproveitamento. Além disso, deve-se também considerar que o exercício de um direito pelo titular pressupõe a prova da legalidade dos fatos constitutivos desse direito, não importando o decurso do tempo, mas sim o fato de não ter ocorrido à decadência do direito de a fiscalização efetuar o lançamento. Ressaltou que a economia tributária não é vista como ilícita, exceto quando essa é feita de forma mascarada, onde os atos e negócios praticados se baseiam em uma aparente legalidade, sem qualquer finalidade empresarial ou negocial. Afirmou que quando o ágio foi contabilizado não se falava em ocorrência do fato gerador e que, quando houve a sua contabilização por conta da incorporação da JDB em 31/7/1999, esse não foi adicionado ou excluído da base de cálculo do IRPJ e CSL, não havendo nenhuma conseqüência tributária nesse período de apuração. Aduziu que a reestruturação societária em que a recorrente participou foi feita de forma artificial, simulada e dolosa, e que houve um planejamento tributário que, aparentemente, foi realizado sem ferir nenhuma norma legal, mas que traz em seu bojo a artificialidade e a simulação, devido ao fato de essa ter como único objetivo a redução do pagamento de tributos. Quanto a isso, colacionou doutrina. Ressaltou que, apesar de não ser unanime, deve ser observado o entendimento de que o direito ao planejamento tributário não pode ser absoluto, de modo a exigir com que haja compatibilidade entre a existência do direito e o modo como esse é exercido, sob pena de incorrer-se em abuso de direito. Nesse sentido colacionou jurisprudência. Apontou que os objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil, previstos no artigo 3º da Constituição Federal, só poderão ser atingidos se forem preservados os recursos oriundos da tributação e que, para que isso ocorra, é necessário que os negócios praticados com o intuito de disfarçar o real objetivo da operação, que é a redução de tributos, sejam combatidos. De acordo com isso, citou jurisprudência e realizou uma interpretação comparada, analisando como é entendida essa operação em outros países. Aduziu que é possível observar a simulação ocorrida através da análise da composição societária da D&C no inicio e no fim das operações, onde no início, essa detinha 40% do capital social da SLC e no fim, 100%. Nesse sentido, alegou que a compra pela D&C da participação societária que a Schneider Logemann detinha da SLC teve como único objetivo a criação de ágio passível de amortização futura. Acrescentou que a criação da JDB, a associação com a Evaux, a cisão dessa e a incorporação da JDB pela SLC, foram procedimentos desnecessários para a obtenção, por parte da D&C, de 100% do capital social da SLC. Alegou que, de acordo com os artigos 7º e 8º, da Lei 9.532/1997 e o artigo 386 do RIR, é possível concluir que o procedimento adotado pelo contribuinte foi forjado com o intuito de gerar um ágio interno sem qualquer suporte econômico, e que a autorização legal para a amortização do ágio deve ser compreendida dentro do contexto histórico em que foi gerada. Evidenciou que o ágio pago não seria passível de dedução na forma estabelecida pelo artigo 386 do RIR, se a aquisição das ações tivesse sido feita pela John Deere Participações Ltda. ou pela SLC. Com relação à multa aplicada de ofício, afirmou que, de acordo com os artigos 72, 73 e 74, da Lei 4.502/64 e o artigo 44, § 1º, da Lei 9.430, essa foi estabelecida de forma correta, pois é possível identificar na compra e venda das ações da SLC a sonegação, fraude e conluio, que são requisitos materiais para essa fixação. Apontou que, de acordo com a Súmula n° 4 do Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, o artigo 61, § 3º, da Lei 9.430/1996 e o artigo 116, III, da Lei 8.112/1990, a exigência de juros de mora com base na taxa Selic, calculados sobre os valores do IRPJ e da CSL, está correta. Aduziu que , tendo em vista que, até o presente momento, não foi alegada a exigência de juros sobre a multa de ofício lançada, o pedido de revisão dessa resta prejudicado, não havendo pronunciamento da DRJ acerca disso. Por fim, alegou que esse processo foi analisado no plano da eficácia perante o direito tributário, sendo rejeitadas as preliminares de nulidade e de decadência, e julgada improcedente a impugnação, mantendo-se os lançamentos. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Inconformada com a decisão, a recorrente interpôs, tempestivamente, recurso voluntário de fls. 3.406 a 3.460 (e-processo), reiterando o alegado em sede de impugnação. Afirmou que a recorrente não questionou a extrapolação do prazo para a realização do lançamento pela fiscalização, mas sim a alteração do objeto e dos períodos de análise do MPF, que passou a não corresponder com o objeto e períodos iniciais do procedimento fiscalizatório, o que, segundo o artigo 10 da Portaria nº 3.007/2001, traz como conseqüência a necessidade da realização de um MPF Complementar. Por conseguinte, afirmou que ao não realizar o MPF Complementar a fiscalização desrespeitou o principio da legalidade, pois ela, ao constatar uma suposta infração à legislação tributária, deve efetuar o lançamento do crédito tributário de forma regular, com estrita observação dos dispositivos legais. Alegou que adquirir participação societária com ágio é uma questão factual e não interpretativa e que, de acordo com a análise dos documentos apresentados pela recorrente, não é possível questionar a existência do ágio pago pela JDB. Isso porque a contabilização do ágio foi feito de forma correta, já que, de acordo com o artigo 20 do Decreto- lei nº 1.598/77, como a participação que a JDB passou a deter na recorrente era superior ao patrimônio liquido da recorrente, ela tinha a obrigação legal de contabilizar essa diferença como ágio relativo ao investimento que passou a deter na recorrente. Apontou que a fiscalização não questionou o efetivo pagamento do ágio pela recorrente, nem o fato de que houve aquisição em dinheiro. Afirmou também que o momento da incorporação não interfere no direito da recorrente ao ágio. Com relação à afirmação da fiscalização no sentido de que se a aquisição das ações fosse feita pela SLC John Deere S.A. ou pela John Deere Participações Ltda., o ágio pago não seria passível de dedução na forma do artigo 386 do RIR, alegou que essa está incorreta, pois o ágio pago devidamente por uma dessas sociedades poderia ser regularmente amortizado para fins fiscais nos termos da legislação. Aduziu que, de acordo com a jurisprudência e a doutrina dominante, o ágio gerado dentro de um mesmo grupo econômico pode ser amortizado para fins fiscais, mesmo que esse não produza alterações de cunho contábil. Consignou que, de acordo com a Lei Complementar 104/2001 e a falta de regulamentação do artigo 116 do CTN, mesmo que não houvesse propósito negocial na criação da JDB e da Evaux, a fiscalização não poderia desconstituir a operação realizada apenas pelas suas motivações econômicas, já que essa foi feita de acordo com a legislação em vigor. Por fim, requereu que seja provido o recurso voluntário, de modo a ser reformada a decisão recorrida e reconhecida, em preliminar, a nulidade do auto de infração. Requereu também, que se essa não for reconhecida, que seja cancelado integralmente o auto de infração e todas as penalidades e juros aplicados. É o relatório. Voto
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 28; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1630; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C1T3 Fl. 3.628 1 3.627 S1C1T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11070.722318/201107 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1103000.167 – 1ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Data 3 de fevereiro de 2015 Assunto IRPJ, CSLL Recorrente JOHN DEERE BRASIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, resolvem os membros do colegiado converter o julgamento em diligência, pelo voto de qualidade, vencidos os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira e Marcos Shigueo Takata (Relator). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Breno Ferreira Martins Vasconcelos. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Takata Relator. (assinado digitalmente) Breno Ferreira Martins Vasconcelos – Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Breno Ferreira Martins Vasconcelos e Aloysio José Percínio da Silva. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 70 .7 22 31 8/ 20 11 -0 7 Fl. 3628DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCE LOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11070.722318/201107 Resolução nº 1103000.167 S1C1T3 Fl. 3.629 2 Relatório DO LANÇAMENTO Tratase de autos de infração de IRPJ e CSL, em que há a exigência do crédito tributário no montante de R$ 8.386.812,30 referente ao anocalendário de 2005, e a redução do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa da CSL apurados no anocalendário de 2006. Primeiramente, alegou que a recorrente não atendeu de forma completa a intimação e reintimação realizada pela fiscalização, tendo em vista a sua repetida e contínua mora no fornecimento de documentos. Os autos de infração decorreram da dedução de amortização do ágio pago em processo de reestruturação societária que teve como participantes os grupos Schneider Logemann e John Deere, controladores da SLC S.A. Indústria e Comércio. Essa reestruturação teve início em 1979, quando a John Deere se associou a Schneider Logemann & Cia Ltda, adquirindo 20% do capital social da SLC S.A. Indústria e Comércio, e teve a seguinte evolução temporal: I) Foi realizada uma reorganização societária em 1996, que fez com que a Deere & Company passasse a deter 40% do capital social da SLC S.A. e trouxe a constituição da holding John Deere Brasil Participações Ltda. II) Em julho de 1998, a sociedade Aços Planos do Sul S.A, com capital social de R$ 100,00, foi constituída, e em agosto do mesmo ano essa passou a ter como sua denominação social Evaux Participações S.A. III) Em 25/6/1999, mediante a emissão de 621.321.825 ações ordinárias nominativas sem valor nominal, houve o aumento de capital da Evaux de R$ 100,00 para R$ 149.117.338,00. As ações foram subscritas pela Schneider Logmann S.A. e integralizadas mediante a conferência à sociedade de 62.102.108 ações ordinárias de emissão da SLC John Deere S.A. (antiga SLC S.A. Indústria e Comércio). Assim, a Evaux passou a deter 60% do capital social da SLC John Deere S.A. e a John Deere do Brasil Participações Ltda. 40% do capital remanescente. IV) Em 1999, a Deere & Company (D&C) constituiu a John Deere do Brasil Ltda. (JDB), com capital social de R$ 100,00 e, no mesmo ano, devido à integralização feita integralmente por meio do Contrato de Câmbio 99/003706, esse capital social passou a ter o valor correspondente a R$ 154.558.300,00. Além disso, essa ultima foi capitalizada pela 1ª empresa em mais de R$ 155.451.600,00, através de operações de empréstimos, V) Em 30/6/1999, a Evaux realizou o aumento do seu capital social para R$ 221.892.584,00, com a emissão de 303.230.193 ações ordinárias nominativas sem valor nominal, que foram subscritas e integralizadas pela JDB, e que somam o montante de R$ 305.542.800,00 onde, do preço de emissão, R$ 72.775.246,00 foram destinados ao capital social e R$ 232.767.654,00 foram destinados à reserva de ágio para futura capitalização. VI) A JDB contabilizou como ágio o valor de R$ 156.425.562,00, que corresponde à diferença entre o valor integralizado e o capital na Evaux, fundamentado na expectativa de resultados futuros da sociedade SLC – John Deere S.A. Além disso, a integralização das ações em aumento de capital realizada pela JDB, teve o mesmo valor Fl. 3629DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCE LOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11070.722318/201107 Resolução nº 1103000.167 S1C1T3 Fl. 3.630 3 patrimonial praticado para as ações integralizadas anteriormente pela Schneider Logemann no capital da Evaux, sendo o excedente contabilizado como ágio. VII) Ainda em 30/6/1999 foi firmado o Contrato de Cessão e Transferência de Marca, onde a Schneider Logemann cedeu gratuitamente a marca mista “SLC” à SLC – John Deere S.A. VIII) Em 1/7/1999, houve AGE da Evaux aprovando o protocolo de cisão parcial e justificação. Essa cisão foi realizada pela versão à JDB da parcela do patrimônio representada pelas 62.102.108 ações ordinárias nominativas de emissão da SLC – John Deere S.A. Essa versão não alterou o capital social (da JDB) e substituiu a participação social detida na Evaux pela parcela de patrimônio vertida em razão da cisão. IX) Pela extinção de 303.230.193 ações ordinárias nominativas de propriedade da JDB, a Evaux reduziu seu capital social de R$ 221.892.584,00 para R$ 149.117.313,00. X) Em 31/7/1999, a SLC – John Deere S.A. incorporou a JDB. XI) A Evaux não foi extinta. Analisando a evolução temporal da reestruturação societária ocorrida, a fiscalização extraiu algumas conclusões. Primeiramente concluiu que, de acordo com o item VI, o ágio foi suportado pela empresa sediada no exterior D&C, pois os recursos utilizados pela JDB para aportar capital na Evaux se originaram da primeira empresa. Ainda de acordo com o item retromencionado, afirmou que a Schneider Logemann indicou que a natureza é do ágio de rentabilidade de exercícios futuros, não observando as parcelas derivadas do fundo de comércio da SLC – John Deere S.A. Com relação ao item VII, consignou que, de acordo com os artigos 7º e 8º, da Lei 9.532/97, esse indica que o ágio foi, de forma oportuna e deliberada, direcionado para o fundamento da rentabilidade de exercícios futuros, de modo a fazer com que a sociedade incorporadora pudesse usufruir do expediente legal da amortização antes da realização do investimento que lhe deu causa. Ainda em relação ao item retromencionado apontou que, tendo em vista que esse contrato estabelecia a forma em que a operação de subscrição das ações deveria ser realizada, é possível concluir que isso foi feito de maneira premeditada, com o intuito de transferir a participação societária que a Schneider Logemann & Cia Ltda. possuía na SLC – John Deere S.A., por meio do pagamento em moeda nacional pela sociedade sediada no exterior. Acerca do item VIII, acentuou que a forma como foi realizada a cisão indica que essa foi mais uma operação circunstancial realizada pela recorrente com o intuito de obter vantagem fiscal. Isso porque houve a quase instantaneidade de atos societários, a coincidência de agentes e a não observância das exigências da lei societária que determina que a operação de cisão deve ser submetida à deliberação da assembléia geral das companhias interessadas, mediante justificação. Fl. 3630DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCE LOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11070.722318/201107 Resolução nº 1103000.167 S1C1T3 Fl. 3.631 4 Observou que, em decorrência da incorporação realizada, a SLC – John Deere S.A. escriturou em seu balanço patrimonial o empréstimo obtido junto à D&C no montante de R$ 155.451.600,00, o ágio apurado pela incorporada correspondente a R$ 156.425.562,00 e os reflexos dessas operações. Apontou que a empresa John Deere do Brasil Ltda. apenas realizou operações ligadas à incorporação da participação da SLC – John Deere S.A., ao recebimento dos recursos aportados pela Deere & Company, à incorporação reversa pela sociedade investida e ao repasse integral dos recursos em forma de investimento na sociedade Evaux. Ressaltou que não há equivalência entre a verdade real e a vontade ostensiva no que tange a criação da John Deere do Brasil Ltda. Isso porque, tendo em vista que essa foi incorporada pela SLC – John Deere S.A. antes mesmo de ter entrado em atividade, resta evidente que não havia interesse econômico na sua criação além da redução de tributos, uma vez que essa apenas foi utilizada como empresa veículo para realizar a dedutibilidade do ágio pago pela aquisição das ações da incorporadora. Afirmou que a recorrente teve como fundamento para a amortização do ágio os artigos 7º e 8º, da Lei 9.532/97 e o artigo 426 do RIR. Esse ágio registrado por ele foi amortizado nos anoscalendários posteriores à incorporação, sendo que, até o ano de 2004, o montante amortizado corresponde a R$ 101.676.615,26, no anocalendário de 2005 foi amortizado o valor de R$ 31.285.112,40, e no anocalendário de 2006 o valor de R$ 23.463.834,31. Apontou que foi aplicada ao caso em questão a multa de 150%, pois todas as operações societárias realizadas em 1999 pela recorrente relacionamse com as hipóteses previstas no artigo 72 da Lei 4.502/64 por terem sido feitas em sequência e por todo o instrumento societário e empresarial criado indicar a predeterminação dos agentes e a vontade de agir. De acordo com tudo o que foi exposto, concluiu que o ocorrido no caso em questão foi a operação denominada “casasepara”, em que há várias sociedades envolvidas em um liame negocial societário, de modo que uma sociedade é utilizada como veículo de transferência da participação societária e do preço pago pela aquisição/transferência da outra sociedade. Essa operação tem como objetivo evitar a tributação do ganho de capital e a dedução do ágio na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSL, trazendo os seguintes efeitos no presente caso, conforme trecho do termo de constatação fiscal infratranscrito (fls. 2.883 e 2.884 eprocesso): “a) na referida operação, adquirente (sociedade sediada no exterior) aporta recursos em subsidiária no Brasil (1ª empresa interposta), parte em forma de capital, parte em forma de empréstimos; b) cedente (por meio da 1ª sociedade interposta) e adquirente, por meio de nova sociedade interposta, integralizaram, respectivamente, recursos financeiros e participação societária a ser transferida; c) em momento seguinte, por meio de cisão parcial, a parte adquirente se retira da sociedade interposta, com o patrimônio que a outra parte havia integralizado originalmente – recursos financeiros, incorporandose tal patrimônio na 1ª sociedade interposta (de qual foram aportados os recursos financeiros à 2ª sociedade interposta); Fl. 3631DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCE LOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11070.722318/201107 Resolução nº 1103000.167 S1C1T3 Fl. 3.632 5 d) quando do aporte de capital da 1ª sociedade interposta (com recursos da compradora) na 2ª sociedade interposta, foi efetuado um cálculo de paridade de participação societária, de tal forma que a sociedade que aportou recursos financeiros apurasse um ágio na aquisição de participação societária em valor igual ao ganho de capital que deixaria de ser reconhecido pela sociedade cedente da participação societária efetivamente negociada; e) posteriormente, a 1ª sociedade interposta, que apurou ágio na aquisição de investimento e que mantinha empréstimos captados junto à sua controladora, foi incorporada pela empresa operacional – o contribuinte – (aquela cuja participação societária foi negociada); f) a empresa operacional – o contribuinte (aquela cuja participação societária foi negociada) passou a aproveitar fiscalmente a despesa com o ágio apurado em suas próprias operações.” Sendo assim, alegou que toda a reestruturação societária realizada pela recorrente e as demais empresas retromencionadas teve como objetivo a redução de tributos. DA IMPUGNAÇÃO Irresignada, a recorrente apresentou impugnação de fls. 2.970 a 3.034 (e processo). Primeiramente, alegou que os autos de infração devem ser considerados nulos, tendo em vista que a fiscalização, ao analisar a amortização de ágio despendido na aquisição da SLC S.A. Indústria e Comércio para fins de IRPJ no ano calendário de 2007, e estender a fiscalização para os anoscalendário de 2005 e 2006, desrespeitou o artigo 10 da Portaria 3.007/01. Isso porque o diploma legal mencionado determina que se houver alterações referentes a tributos ou contribuições e períodos de apuração no Mandado de Procedimento Fiscal, deve ser lavrado Mandado de Procedimento Fiscal Complementar. Afirmou que a fiscalização realizou um juízo pessoal e preconceituoso ao analisar o caso, de forma a tentar induzir a opinião das autoridades julgadoras, e que as sociedades holding que participaram das operações junto à recorrente foram criadas em concordância com todas as leis societárias brasileiras e em um contexto econômico específico. Com relação à alegação da fiscalização no sentido de que as empresas holding foram criadas apenas com o intuito de reduzir tributos, afirmou que essa alegação significa ignorar o objeto social próprio dessas empresas, que é participação em outras sociedades. E que, além disso, isso corresponde a uma tentativa da fiscalização de determinar qual é a melhor forma de a recorrente organizar o seu grupo societário e atuar financeira e comercialmente, o que afronta ao princípio da livre iniciativa privada. Consignou que a recorrente, assim como a fiscalização, quer que o caso seja visto como um filme e não como uma fotografia, pois a jurisprudência e a doutrina dominante têm entendido que o exame da validade das operações do contribuinte deve analisar as razões empresariais e extra tributárias que motivaram as suas operações. Nesse sentido, afirmou que Fl. 3632DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCE LOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11070.722318/201107 Resolução nº 1103000.167 S1C1T3 Fl. 3.633 6 as operações da recorrente foram motivadas pelas razões empresariais e extra tributárias de promover a expansão da atuação da D&C no país. Atestou que o Grupo John Deere emprega cerca de 52 mil funcionários em suas fábricas situadas em 17 países e investe cerca de 2 milhões de dólares por dia em pesquisa e desenvolvimento de novos produtos. Evidenciou que até hoje a John Deere investe na produção e comercialização de seus equipamentos no Brasil, tendo 3 fábricas e empregando 3.975 pessoas no país. Realizou um breve histórico das alterações societárias da recorrente, em que, em síntese, afirmou o seguinte: I) Em 1979 a D&C iniciou suas atividades no Brasil por meio de uma associação com a Schneider Logemann & Cia. Ltda. com a aquisição de 20% do capital social da SLC S.A. Indústria e Comércio e, em 1996, a fim de organizar seus investimentos no país, as duas empresas efetuaram uma reorganização societária que trouxe o aumento da participação da D&C na SLC de 20% para 40% e a criação da John Deere Brasil Participações Ltda. (empresa holding). Após isso, a D&C transferiu a sua participação na SLC à JD Participações. Quanto a isso colacionou quadro que demonstra como era a organização societária no final de 1996: II) Apesar de em 1999 a moeda brasileira estar desvalorizada e haver um cenário de forte instabilidade econômica, doméstica e internacional, o Brasil oferecia, no campo da agricultura, um mercado promissor e atrativo para as empresas do setor, o que fez com que a D&C realizasse operações a fim de aumentar sua atuação no País. Quanto a isso, colacionou trecho do estudo “O Agronegócio na Economia Brasileira – 1994 a 1999”. III) Em 15/6/1999 a D&C constituiu uma nova holding no Brasil, a John Deere do Brasil Ltda. (JDB), que era controlada também pela empresa situada no exterior Deere Payroll Services Inc. (DPS) e, no ano anterior, a Schneider Logemann também havia constituído a holding Evaux Participações S.A. IV) Em 25/6/1999, a Evaux, através da integralização de capital, passou a deter a participação de 60% que a Schneider Logemann possuía na SLC, passando a ser essa última empresa a controlada de duas holdings denominadas JD Participações e Evaux. Ou seja, a Schneider Logemann conferiu ao capital da Evaux o investimento que essa tinha na SLC, trazendo assim o aumento de capital da Evaux. Nesse sentido, colacionou esquema do controle acionário da SLC neste período: Fl. 3633DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCE LOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11070.722318/201107 Resolução nº 1103000.167 S1C1T3 Fl. 3.634 7 V) Em 28/6/1999, o capital social da JDB sofreu um aumento de R$ 100,00 para R$154.558.300,00, o qual foi integralizado integralmente pela D&C, por meio do Contrato de Câmbio 99/003706, no valor correspondente a US$86.500.000,00, recursos que efetivamente entraram no Brasil. Sendo assim, a JDB sofreu um aumento de capital com recursos integralizados pela D&C. VI) Ainda em junho de 1999, com o intuito de expandir sua atuação no Brasil, a D&C capitalizou a JDB através de operações de empréstimos, com o valor equivalente a R$ 155.451.600,00, fazendo com que o capital da JDB sofresse novamente um aumento devido a atuação da D&C. VII) Em 30/6/1999, devido ao Contrato de Subscrição de Ações, a Evaux, em aumento de capital ocorrido na mesma data, emitiu 303.230.193 novas ações ordinárias nominativas sem valor nominal, que foram subscritas e integralizadas pela JDB, no valor de R$ 305.542.800,00, o qual apurou um ágio de R$ 156.425.562,00. Desse modo, a JDB subscreveu e integralizou o aumento de capital da Evaux. Quanto a isso, colacionou quadro demonstrativo do controle acionário da SLC neste período: VIII) Em 1/7/1999, foi aprovado o Protocolo de Cisão Parcial e Justificação da Evaux, que fez com que o Grupo John Deere, então formado pela D&C, DPS, JDB, JD Participações e SLC, se tornasse independente do grupo econômico formado pela Schneider Logemann. Sendo assim, houve a cisão parcial da Evaux com ruptura do quadro de sócios, em que foi vertido para a JDB o investimento na SLC, o qual justificou o ágio pago pela JDB mencionado no item anterior. Além disso, alegou que a separação desses dois grupos econômicos foi o que motivou esta cisão, pois como a D&C era líder mundial no campo do agronegócio, ela poderia atuar de forma independente no Brasil. Quanto a isso, colacionou quadro que demonstra como ficou a independência dos dois grupos após a cisão: Fl. 3634DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCE LOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11070.722318/201107 Resolução nº 1103000.167 S1C1T3 Fl. 3.635 8 IX) Em 31/7/1999, a SLC incorporou a JDB, realizando a incorporação reversa, que foi feita de acordo com a lei, teve os Protocolos de Incorporação e Justificação aprovados e teve a realização do Laudo elaborado pela empresa Ernst Young Auditores Independentes S/C. Essa incorporação fez com que os quotistas da JDB recebessem ações representativas do capital social da SLC, que passou a ser controlada pela JD Participações, pela D&C e pela DPS, que possuía apenas uma ação ordinária nominativa que foi transferida à D&C. Juntou quadro que demonstra a situação do grupo após a incorporação: X) Após essas operações, a SLC passou a escriturar em seu Balanço Patrimonial o ágio anteriormente apurado pela JDB no valor de R$ 156.425.562,00, que passou a ser amortizado de acordo com a legislação e que foi fundamentado nas razões econômicas que o motivaram. Afirmou que todas as reorganizações societárias retromencionadas foram feitas de acordo com a legislação brasileira e que, diferentemente do que foi afirmado pela fiscalização, a Evaux não é uma empresa “veículo”, uma vez que essa, além de continuar ativa até hoje (13 anos após a ocorrência dos fatos narrados), por ser uma holding, tem como objeto a participação em outras sociedades. Com relação ao item IX, afirmou que a incorporação da JDB foi necessária para facilitar a administração dos negócios da D&C no Brasil e gerar maior integração entre as empresas, de acordo com trecho da impugnação infratranscrito (fl. 2983 do eprocesso): “Conforme consta do referido Laudo, essa incorporação da JDB pela SLC de justifica uma vês que a JDB era uma holding que passou a controlar apenas a SLC, sendo que a D&C já possuía a JD Participações como holding controladora da SLC. Por conta disso, de modo a facilitar a administração dos negócios da D&C no Brasil e gerar maior integração entre tais empresas, a incorporação da JDB fezse necessária. Importante notar que, mais uma vez, todos esses passos foram feitos em estrita observação da legislação brasileira e com completa transparência.” Fl. 3635DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCE LOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11070.722318/201107 Resolução nº 1103000.167 S1C1T3 Fl. 3.636 9 Aduziu que as mencionadas reorganizações societárias sucessivas fizeram com que ocorresse a expansão da atuação da D&C no Brasil, a emancipação dessa atuação frente ao Grupo Schneider Logemann e simplificou a estrutura do grupo econômico trazendo uma maior integração e unidade administrativa. Ressaltou que essas operações societárias analisadas ocorreram apenas em 1999 e envolveram empresas e relações societárias que haviam sido criadas em 1979 e 1996. Afirmou que, diferentemente do que foi alegado pela fiscalização, essas operações não foram simuladas, pois tinham razões empresariais e extratributárias para serem realizadas dessa forma. Além disso, alegou que o ágio em questão originou de operações verdadeiras, praticadas em condições de mercado e que visavam a reestruturação societária a fim de ter uma maior participação, de forma independente, no mercado brasileiro. Alegou que como os autos de infração referemse a operações ocorridas no períodobase de 1999, essa autuação encontrase atingida pela decadência, tendo em vista que, nos termos do artigo 150, § 4º, do CTN, deve ser observado o prazo de 5 anos a contar do fato gerador da obrigação tributária, bem como que o direito à amortização do ágio nasce no momento da incorporação. Além disso, afirmou que o fato de essas operações produzirem efeitos futuros é irrelevante para a contagem do prazo decadencial, conforme o entendimento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Ainda em relação à decadência, aduziu que, mesmo que a fiscalização entenda que a decadência dos tributos em questão deve ser contada anualmente, ao menos a exigência de valores de IRPJ e CSL referentes aos fatos geradores ocorridos no períodobase de 2005, está decaída. Isso porque não houve dolo, fraude ou simulação, não podendo ser aplicado o prazo do artigo 173, I, do CTN, mas sim o do artigo 150, § 4º do mesmo diploma legal, bem como tendo em vista que, segundo o DecretoLei 1.967, o artigo 150, § 4°, do CTN, o artigo 57 da Lei 8.981/95 e o artigo 28 da Lei 9.430/96, esses são tributos sujeitos ao lançamento por homologação. Ressaltou que é impossível alegar a inexistência do ágio em comento, uma vez que a JDB adquiriu as cotas da recorrente por meio de cisão, observando o preço de mercado e que, por ter adquirido essas quotas por um valor superior ao valor do patrimônio liquido da recorrente, essa empresa foi obrigada a desdobrar o custo de aquisição em valor de patrimônio liquido da recorrente e em ágio. Dessa forma, consignou que, de acordo com o artigo 3º, § 3°, da Lei 7.713/88, a conferência de bens em integralização de capital é ato de alienação/aquisição. Apontou que a JDB adquiriu a recorrente para os fins do artigo 7° da Lei 9.532/97, que não determinou uma forma específica pela qual a participação poderia ser adquirida com ágio. Acrescentou que, mesmo que a fiscalização não considere que a JDB adquiriu as cotas da recorrente por cisão, há previsão legal e jurisprudencial para a existência desse ágio. Fl. 3636DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCE LOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11070.722318/201107 Resolução nº 1103000.167 S1C1T3 Fl. 3.637 10 Alegou que a cisão parcial com a versão da participação retromencionada representa uma alienação para a Evaux e uma aquisição para a JDB. Quanto à regularidade da formação do ágio, afirmou que a JDB, ao adquirir as cotas da requerente na cisão parcial da Evaux e desdobrar em sua contabilidade o custo de aquisição do investimento que essa passou a deter em valor de patrimônio líquido da recorrente e em ágio, agiu de acordo com a determinação do artigo 385 do RIR. Isso porque o valor de mercado da requerente era superior ao seu patrimônio líquido. Nesse sentido, afirmou que o ágio mencionado se apresenta com a justificativa econômica de expectativa de rentabilidade futura da requerente. Apontou que a amortização fiscal do ágil foi realizada de forma correta, pois o artigo 8º da Lei 9.532/97 estabelece que se a sociedade controlada incorporar a controladora, o ágio deve ser tratado como um ativo amortizável para fins fiscais na sociedade sobrevivente à incorporação, em um prazo mínimo de 5 anos. Além disso, apontou que a doutrina estabelece que nesses casos, o que importa é a unificação dos patrimônios dessas sociedades e não a ordem de incorporação. Quanto a isso, colacionou doutrina e jurisprudência sobre os casos Gerdau, Tele Norte e Santander. Aduziu que a fiscalização confere, de forma equivocada, uma abrangência estrita aos artigos 385 e 386 do RIR, e que, mesmo que isso fosse correto, as operações em exame ainda estariam acolhidas por esses dispositivos. Ainda acerca dos artigos supracitados, afirmou que não é verdadeira a alegação da fiscalização no sentido de que a requerente não está submetida às suas regras por serem as suas operações simuladas. Quanto à alegação da fiscalização de que as empresas holding JDB e Evaux são fraudulentas, afirmou que essas, por serem holding puras, possuem apenas participações societárias, não sendo necessária a presença de empregados, receitas ou ativos. Nesse sentido, colacionou doutrina. Afirmou que, segundo o entendimento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, mesmo que a Evaux e a JDB fossem consideradas empresasveículos, isso não seria capaz de invalidar a sua estrutura e efeitos fiscais, uma vez que ela não teria levado ao registro um ágio superior ao decorrente da aquisição direta da SLC no país. Esclareceu que, diferentemente do que foi alegado pela fiscalização, não houve um planejamento tributário, mas sim uma opção fiscal, na qual a recorrente optou por um caminho plenamente regulado pela lei para estruturar suas operações da forma mais benéfica para ela. Sendo assim, afirmou que todos os atos praticados pela recorrente e pelo Grupo John Deere observaram a legislação fiscal em vigor, a doutrina e a jurisprudência dominante. Consignou que mesmo que não houvesse propósito negocial da JDB e da Evaux, a fiscalização não poderia desconsiderar esses negócios jurídicos, pois o artigo 116 do CTN, que permite a desconsideração nesse caso, não é autoaplicável, dependendo de regulamentação por lei ordinária, a qual não ocorreu até o presente momento. Quanto a isso, juntou jurisprudência. Fl. 3637DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCE LOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11070.722318/201107 Resolução nº 1103000.167 S1C1T3 Fl. 3.638 11 Aduziu que, uma vez que a substância econômica desse caso corresponde ao fato de que a D&C aumentou sua atuação no mercado brasileiro por meio da compra do restante da participação da SLC que ainda não se encontrava sob o seu controle, se o caso for analisado sob a perspectiva da sua substância econômica, isso será favorável à recorrente. Evidenciou que a fiscalização não autuou a recorrente alegando simulação ou abuso de direito, mas sim dolo e fraude ao realizar uma reestruturação societária com o objetivo de obter benefício fiscal indevido. Com relação à aplicação da multa qualificada no valor de 150% da exigência principal, afirmou que essa deve ser ao menos reduzida para 75%, tendo em vista que o artigo 44, § 1°, da Lei 9.430/96 e os artigos 71 a 73, da Lei 4.502/64, determinam que essa só pode ser fixada dessa maneira nos casos em que a fiscalização provar, de forma inequívoca, a ocorrência de sonegação, fraude ou conluio, o que não ocorreu no presente caso. Quanto a isso, colacionou jurisprudência. Além disso, apontou que a constituição da JDB e da Evaux foi realizada de acordo com o que determina a legislação em vigor, não havendo nenhum elemento fraudulento e não sendo caracterizada a simulação, uma vez que essa teve o intuito econômico e extra tributário de expandir a atuação da D&C no Brasil. Aduziu que é possível identificar esse intuito através da análise do numerário recolhido pela requerente aos cofres públicos, onde no anocalendário de 2001 foram recolhidos R$ 19.507.928,00 em impostos ao fisco sobre suas vendas, e R$ 4.628.164,00 a título de IRPJ. No anocalendário de 2011 esses valores evoluíram para R$ 215.270.432,00 e R$ 36.514.292,00, respectivamente. Ressaltou que a multa qualificada mencionada não pode ser aplicada, pois, além de o contribuinte ter agido de forma transparente e contribuído com a fiscalização, o percentual da penalidade fiscal deve ser definido a partir de um juízo valorativo de pertinência e de adequação. De acordo com isso, colacionou doutrina e jurisprudência. Afirmou que como a recorrente agiu de boafé e não houve erro de proibição, deve ser observado o artigo 76, inciso II, alínea “a”, da Lei 4.502/64. Quanto a isso, colacionou jurisprudência. Ainda com relação à multa qualificada, afirmou que de acordo com a “teoria da imputação subjetiva”, não há nesse caso nenhum aspecto objetivo ou subjetivo que permitam a aplicação dessa penalidade. Além disso, alegou que o artigo 112 do CTN deve ser observado, de modo a fazer com que a penalidade seja aplicada da maneira mais favorável ao contribuinte em casos de dúvida sobre a capitulação legal do fato e da natureza ou circunstâncias desses. Nesse sentido, colacionou doutrina. Aduziu que não pode incidir juros de mora sobre o valor da multa lançada, pois não há previsão legal da atualização das multas de ofício, bem como devido ao fato de o dispositivo que embasa o entendimento do Fisco é expresso no sentido de que apenas os débitos decorrentes de tributos e contribuições são atualizáveis. Fl. 3638DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCE LOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11070.722318/201107 Resolução nº 1103000.167 S1C1T3 Fl. 3.639 12 Com relação à aplicação da taxa Selic, alegou ser essa indevida, pois a jurisprudência tem reconhecido a sua inaplicabilidade. Quanto a isso, colacionou jurisprudência. Por fim, requereu o acolhimento e provimento da impugnação, de modo a ser reconhecida, em preliminar, a nulidade dos autos de infração e que, se essa não for reconhecida, seja esse declarado improcedente, cancelandose a recomposição dos prejuízos fiscais e da base de cálculo negativa da CSL e a exigência do IRPJ e da CSL. Requereu também que se a improcedência dos autos de infração não for reconhecida, seja cancelada a multa aplicada ou reduzida, no mínimo, a 75%, bem como seja cancelada a exigência de juros pela taxa Selic. DA DECISÃO DA DRJ Em 22/5/2012, acordaram os membros da 1ª Turma de Julgamento da DRJ de Porto Alegre, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação, de forma a manter os lançamentos, conforme o entendimento que se segue. Inicialmente, alegou que eventuais vícios presentes no Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) não acarretam a nulidade do processo, tendo em vista que esse é um ato de controle interno da administração tributária, de caráter gerencial e utilizado para determinar a realização do procedimento fiscal relativo aos tributos administrados pela Receita Federal do Brasil. Além disso, outro fator que faz com que esses vícios não acarretem a nulidade, corresponde ao fato de o MPF ter sido criado por ato infralegal, de modo a fazer com que eventual vicio na sua emissão não tenha o poder de contaminar todo o procedimento fiscal ou o lançamento propriamente dito, já que esses são regidos pelo CTN e pelo Decreto 70.235/72, que são diplomas normativos de hierarquia superior e que não consideram ser o MPF uma condição de validade do lançamento. Ainda com relação ao MPF, afirmou que a extrapolação do prazo para a realização do procedimento de fiscalização previsto no Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) não impede que a fiscalização efetue o lançamento do crédito tributário. Quanto a isso, colacionou jurisprudência. Evidenciou que os lançamentos ocorridos nos anoscalendários de 2005 e 2006, sendo que em 2006 não houve lançamento de crédito tributário em razão de o contribuinte ter apurado prejuízos fiscais e base de cálculo negativa de CSL, não estão atingidos pela decadência. Isso porque, como nesse caso, a constituição do ágio se deu de forma artificial, simulada, dolosa e com o intuito de reduzir o montante dos tributos devidos, deve ser aplicado o artigo 173, I, do CTN, que faz com que o prazo decadencial seja contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Alegou que, ao analisar o prazo decadencial, deve ser considerado o direito que a fiscalização tem de examinar a legalidade de todos os elementos que compõem a base de cálculo do período, independentemente do período transcorrido entre a formação desses elementos e seu aproveitamento. Além disso, devese também considerar que o exercício de um direito pelo titular pressupõe a prova da legalidade dos fatos constitutivos desse direito, não Fl. 3639DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCE LOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11070.722318/201107 Resolução nº 1103000.167 S1C1T3 Fl. 3.640 13 importando o decurso do tempo, mas sim o fato de não ter ocorrido à decadência do direito de a fiscalização efetuar o lançamento. Ressaltou que a economia tributária não é vista como ilícita, exceto quando essa é feita de forma mascarada, onde os atos e negócios praticados se baseiam em uma aparente legalidade, sem qualquer finalidade empresarial ou negocial. Afirmou que quando o ágio foi contabilizado não se falava em ocorrência do fato gerador e que, quando houve a sua contabilização por conta da incorporação da JDB em 31/7/1999, esse não foi adicionado ou excluído da base de cálculo do IRPJ e CSL, não havendo nenhuma conseqüência tributária nesse período de apuração. Aduziu que a reestruturação societária em que a recorrente participou foi feita de forma artificial, simulada e dolosa, e que houve um planejamento tributário que, aparentemente, foi realizado sem ferir nenhuma norma legal, mas que traz em seu bojo a artificialidade e a simulação, devido ao fato de essa ter como único objetivo a redução do pagamento de tributos. Quanto a isso, colacionou doutrina. Ressaltou que, apesar de não ser unanime, deve ser observado o entendimento de que o direito ao planejamento tributário não pode ser absoluto, de modo a exigir com que haja compatibilidade entre a existência do direito e o modo como esse é exercido, sob pena de incorrerse em abuso de direito. Nesse sentido colacionou jurisprudência. Apontou que os objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil, previstos no artigo 3º da Constituição Federal, só poderão ser atingidos se forem preservados os recursos oriundos da tributação e que, para que isso ocorra, é necessário que os negócios praticados com o intuito de disfarçar o real objetivo da operação, que é a redução de tributos, sejam combatidos. De acordo com isso, citou jurisprudência e realizou uma interpretação comparada, analisando como é entendida essa operação em outros países. Aduziu que é possível observar a simulação ocorrida através da análise da composição societária da D&C no inicio e no fim das operações, onde no início, essa detinha 40% do capital social da SLC e no fim, 100%. Nesse sentido, alegou que a compra pela D&C da participação societária que a Schneider Logemann detinha da SLC teve como único objetivo a criação de ágio passível de amortização futura. Acrescentou que a criação da JDB, a associação com a Evaux, a cisão dessa e a incorporação da JDB pela SLC, foram procedimentos desnecessários para a obtenção, por parte da D&C, de 100% do capital social da SLC. Alegou que, de acordo com os artigos 7º e 8º, da Lei 9.532/1997 e o artigo 386 do RIR, é possível concluir que o procedimento adotado pelo contribuinte foi forjado com o intuito de gerar um ágio interno sem qualquer suporte econômico, e que a autorização legal para a amortização do ágio deve ser compreendida dentro do contexto histórico em que foi gerada. Evidenciou que o ágio pago não seria passível de dedução na forma estabelecida pelo artigo 386 do RIR, se a aquisição das ações tivesse sido feita pela John Deere Participações Ltda. ou pela SLC. Fl. 3640DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCE LOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11070.722318/201107 Resolução nº 1103000.167 S1C1T3 Fl. 3.641 14 Com relação à multa aplicada de ofício, afirmou que, de acordo com os artigos 72, 73 e 74, da Lei 4.502/64 e o artigo 44, § 1º, da Lei 9.430, essa foi estabelecida de forma correta, pois é possível identificar na compra e venda das ações da SLC a sonegação, fraude e conluio, que são requisitos materiais para essa fixação. Apontou que, de acordo com a Súmula n° 4 do Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, o artigo 61, § 3º, da Lei 9.430/1996 e o artigo 116, III, da Lei 8.112/1990, a exigência de juros de mora com base na taxa Selic, calculados sobre os valores do IRPJ e da CSL, está correta. Aduziu que , tendo em vista que, até o presente momento, não foi alegada a exigência de juros sobre a multa de ofício lançada, o pedido de revisão dessa resta prejudicado, não havendo pronunciamento da DRJ acerca disso. Por fim, alegou que esse processo foi analisado no plano da eficácia perante o direito tributário, sendo rejeitadas as preliminares de nulidade e de decadência, e julgada improcedente a impugnação, mantendose os lançamentos. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Inconformada com a decisão, a recorrente interpôs, tempestivamente, recurso voluntário de fls. 3.406 a 3.460 (eprocesso), reiterando o alegado em sede de impugnação. Afirmou que a recorrente não questionou a extrapolação do prazo para a realização do lançamento pela fiscalização, mas sim a alteração do objeto e dos períodos de análise do MPF, que passou a não corresponder com o objeto e períodos iniciais do procedimento fiscalizatório, o que, segundo o artigo 10 da Portaria nº 3.007/2001, traz como conseqüência a necessidade da realização de um MPF Complementar. Por conseguinte, afirmou que ao não realizar o MPF Complementar a fiscalização desrespeitou o principio da legalidade, pois ela, ao constatar uma suposta infração à legislação tributária, deve efetuar o lançamento do crédito tributário de forma regular, com estrita observação dos dispositivos legais. Alegou que adquirir participação societária com ágio é uma questão factual e não interpretativa e que, de acordo com a análise dos documentos apresentados pela recorrente, não é possível questionar a existência do ágio pago pela JDB. Isso porque a contabilização do ágio foi feito de forma correta, já que, de acordo com o artigo 20 do Decreto lei nº 1.598/77, como a participação que a JDB passou a deter na recorrente era superior ao patrimônio liquido da recorrente, ela tinha a obrigação legal de contabilizar essa diferença como ágio relativo ao investimento que passou a deter na recorrente. Apontou que a fiscalização não questionou o efetivo pagamento do ágio pela recorrente, nem o fato de que houve aquisição em dinheiro. Afirmou também que o momento da incorporação não interfere no direito da recorrente ao ágio. Fl. 3641DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCE LOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11070.722318/201107 Resolução nº 1103000.167 S1C1T3 Fl. 3.642 15 Com relação à afirmação da fiscalização no sentido de que se a aquisição das ações fosse feita pela SLC – John Deere S.A. ou pela John Deere Participações Ltda., o ágio pago não seria passível de dedução na forma do artigo 386 do RIR, alegou que essa está incorreta, pois o ágio pago devidamente por uma dessas sociedades poderia ser regularmente amortizado para fins fiscais nos termos da legislação. Aduziu que, de acordo com a jurisprudência e a doutrina dominante, o ágio gerado dentro de um mesmo grupo econômico pode ser amortizado para fins fiscais, mesmo que esse não produza alterações de cunho contábil. Consignou que, de acordo com a Lei Complementar 104/2001 e a falta de regulamentação do artigo 116 do CTN, mesmo que não houvesse propósito negocial na criação da JDB e da Evaux, a fiscalização não poderia desconstituir a operação realizada apenas pelas suas motivações econômicas, já que essa foi feita de acordo com a legislação em vigor. Por fim, requereu que seja provido o recurso voluntário, de modo a ser reformada a decisão recorrida e reconhecida, em preliminar, a nulidade do auto de infração. Requereu também, que se essa não for reconhecida, que seja cancelado integralmente o auto de infração e todas as penalidades e juros aplicados. É o relatório. Fl. 3642DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCE LOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11070.722318/201107 Resolução nº 1103000.167 S1C1T3 Fl. 3.643 16 Voto Conselheiro Marcos Shigueo Takata O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade (fl. 3.405 numeração do eprocesso). Dele, pois, conheço. Como se viu do relatório, a questão central em lide diz respeito à dedutibilidade da amortização do ágio pago na aquisição de participação societária na Evaux Participações S.A., com fundamento econômico no investimento possuído pela Evaux, a SLC – John Deere S.A. (atual John Deere Brasil Ltda., a recorrente). Principio com o exame das preliminares de nulidade. A recorrente alega que o MPF 10108002008005483 fora emitido para análise dos efeitos tributários nas ações ordinárias relativas ao “Plano Verão” (1989) e à correção monetária diferença entre IPC e BTNF para fins de CSL (1990). Portanto, seria de rigor a emissão de MPF Complementar (MPFC), conforme o art. 10 da Portaria RFB 3.007/01, para a fiscalização que culminou nos lançamentos referentes à glosa da amortização fiscal do ágio. Eis a dicção do art. 7º, caput e §§ 1º a 5º, da Portaria RFB 11.371/07, vigente à época do início do procedimento fiscal em discussão: Art. 7º.O MPFF, o MPFD e o MPFE conterão: I a numeração de identificação e controle; II os dados identificadores do sujeito passivo; III a natureza do procedimento fiscal a ser executado (fiscalização ou diligência); IV o prazo para a realização do procedimento fiscal; V o nome e a matrícula do AFRFB responsável pela execução do mandado; VI o nome, o número do telefone e o endereço funcional do chefe do AFRFB a que se refere o inciso V; e VII o nome, a matrícula e o registro de assinatura eletrônica da autoridade outorgante e, na hipótese de delegação de competência, a indicação do respectivo ato. § 1º. O MPFF e o MPFE indicarão, ainda, o tributo ou contribuição objeto do procedimento fiscal a ser executado, podendo ser fixado o respectivo período de apuração, bem como as verificações relativas à correspondência entre os valores declarados e os apurados na escrituração contábil e fiscal do sujeito passivo, em relação aos tributos administrados pela RFB, cujos fatos geradores tenham ocorrido nos cinco anos que antecedem a emissão do MPF e no Fl. 3643DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCE LOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11070.722318/201107 Resolução nº 1103000.167 S1C1T3 Fl. 3.644 17 período de execução do procedimento fiscal, observado o modelo aprovado por esta Portaria. § 2º No caso de auditoria em matéria previdenciária, o prazo a que se refere o § 1º será de dez anos. § 3º Na hipótese de se fixar o período de apuração correspondente, o MPFF alcançará o exame dos livros e documentos, referentes a outros períodos, com vista a verificar os fatos que deram origem a valor computado na escrituração contábil e fiscal do período fixado, ou dele sejam decorrentes. § 4º O MPFD indicará, ainda, a descrição sumária das verificações a serem realizadas, observado o modelo aprovado por esta Portaria. § 5º. O MPFE indicará a data do início do procedimento fiscal, observado o modelo aprovado por esta Portaria. [...] Vale lembrar também o que dispunham os arts. 8º, 11 a 14, da Portaria RFB 11.371/07, os quais não tiveram seu conteúdo alterado pela superveniente Portaria RFB 3.014/11 (arts. 8º e 11 a 14): Art. 8º. Na hipótese em que infrações apuradas, em relação a tributo ou contribuição contido no MPFF ou no MPFE, também configurarem, com base nos mesmos elementos de prova, infrações a normas de outros tributos ou contribuições, estes serão considerados incluídos no procedimento de fiscalização, independentemente de menção expressa. [...] Art. 11. Os MPF terão os seguintes prazos máximos de validade: I cento e vinte dias, nos casos de MPFF e de MPFE; II sessenta dias, no caso de MPFD. Art. 12. A prorrogação do prazo de que trata o art. 11 poderá ser efetuada pela autoridade outorgante, tantas vezes quantas necessárias, observado, em cada ato, o prazo máximo de sessenta dias, para procedimentos de fiscalização, e de trinta dias, para procedimentos de diligência. Art. 13. Os prazos a que se referem os arts. 11 e 12 serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento, nos termos do art. 5º doDecreto nº 70.235, de 1972. Parágrafo único. A contagem do prazo do MPFE farseá a partir da data do início do procedimento fiscal. Art. 14. O MPF se extingue: I pela conclusão do procedimento fiscal, registrado em termo próprio, com a ciência do sujeito passivo; Fl. 3644DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCE LOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11070.722318/201107 Resolução nº 1103000.167 S1C1T3 Fl. 3.645 18 II pelo decurso dos prazos a que se referem os arts. 11 e 12. Parágrafo único. A ciência do sujeito passivo de que trata o inciso I do caput deverá ocorrer no prazo de validade do MPF. Em acesso ao site da RFB, para consulta ao MPF 10.1.08.002008005483 (http://www.receita.fazenda.gov.br/aplicacoes/atpae/mpf/confieWeb.asp), mediante código de acesso contido no termo de intimação fiscal nº 1 (fls. 2 e 3), constatei o seguinte. Tratase de MPFF emitido inicialmente para fiscalização de IRPJ do período de janeiro a dezembro de 2007 e de IPI de outubro de 2003 a dezembro de 2005. O MPFF sofreu inúmeras alterações – um total de 15. Muitas delas foram para mudança dos ARFB responsáveis pela execução do MPFF, outras para inclusão de PIS e Cofins do período de setembro de 2004 a dezembro de 2004 e de CSL de janeiro a dezembro de 2007. Constam alterações do MPFF para inclusão do período de janeiro a dezembro de 2006 e do período de janeiro a dezembro de 2005, para IRPJ. Também figura a relação de prorrogações do MPFF – num total de 19 prorrogações – todas dentro do prazo previsto no art. 12 da Portaria RFB 11.371/07 e da Portaria RFB 3.014/11. Significa dizer, o MPFF em questão se destinou à fiscalização de IRPJ compreendendo os períodos autuados de 2005 e 2006 (fls. 2942, 2949, 2950), e da CSL do mesmos períodos (fls. 2952, 2958 e 2959), por força do art. 8º da Portaria RFB 11.371/07 e da Portaria RFB 3.014/11. Por outro lado, a análise correspondente aos efeitos tributários gerados pela recorrente quanto às ações ordinárias se deu com base em outro MPF: o MPFD (diligência) 1010800.2006.002703, como se nota do termo de intimação fiscal nº 1 (fls. 2 e 3). Na linha das considerações expostas, rejeito as preliminares de nulidade. A recorrente argui preliminar de mérito de decadência. Os lançamentos se aperfeiçoaram em 23/11/11 (fls. 2941 e 2951). Como o ágio em dissídio foi pago na aquisição de participação societária ocorrida em 1999, alega a recorrente terse consumada a decadência para a glosa da amortização fiscal do ágio de 2005 e de 2006. Embora o ágio pago na aquisição do investimento na Evaux tenha se dado em 1999, o efeito tributário dele decorrente se dá com sua amortização. Imaginese que em 2010 tenha surgido lei alterando a taxa de depreciação de bens do imobilizado. Suponhase que haja um ativo do imobilizado da recorrente adquirido em 1999. A nova taxa de depreciação não seria aplicável à parcela remanescente desse ativo, ou, noutras palavras, à despesa de depreciação incorrida a partir de 2011 e à sua contrapartida de depreciação acumulada não seria aplicável a nova taxa de depreciação legal? A resposta a essa pergunta seria negativa, i.e., seria aplicável a nova taxa de depreciação legal para as despesas de depreciação incorridas e a serem deduzidas a partir de 2011. Fl. 3645DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCE LOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11070.722318/201107 Resolução nº 1103000.167 S1C1T3 Fl. 3.646 19 Não se haveria de falar em direito adquirido à depreciação, mas de respeito ao ato jurídico perfeito. A proteção ao direito adquirido não se dá mediante a irretroatividade da norma, mas por meio da eficácia diferida da norma revogada ou da chamada eficácia pósativa da lei anterior. A proteção ao ato jurídico perfeito se dá por meio da irretroatividade da norma. Tal proteção se daria no exemplo posto. A decadência também se opera em relação à despesa incorrida de amortização do ágio, ou à exclusão da parcela do valor do ágio do lucro líquido. Dito melhor, o prazo decadencial para se lançarem os tributos toma como marco a data da despesa incorrida e deduzida de amortização do ágio ou de exclusão do lucro líquido de parcela do ágio hipótese de ágio amortizado contabilmente antes do evento que permite a dedução do ágio, e sem se se tenha ativado tal parcela no antigo ativo diferido e se lançado sua contrapartida em aumento do PL. Isso, ainda que o motivo da glosa das amortizações fiscais do ágio tenha sido por ex. o vício genético que contamine o ágio (ágio interno artificial ou sem causa). Dessa forma, rejeito a preliminar de decadência sob o fundamento ora analisado. Articula a recorrente, subsidiariamente, que se teria consumada a decadência em relação aos lançamentos de IRPJ e de CSL para o anocalendário de 2005, por eles se terem aperfeiçoado em 23/12/11, com a aplicação do prazo decadencial do art. 150, § 4º, do CTN. Aqui comparem dois pontos. Em matéria de decadência de lançamento, o julgamento do REsp 973.733/SC foi afetado ao procedimento repetitivo, tendo como relator o Ministro Luiz Fux. No acórdão a esse REsp, o STJ consagrou a exegese de que o art. 150, § 4º, do CTN só é aplicável caso haja algum pagamento de tributo sujeito a lançamento por homologação; do contrário, o prazo decadencial é o do art. 173, I, do CTN. Entretanto, o mesmo acórdão do STJ, em seu dispositivo, embora faça remissão ao art. 173, I, do CTN, proclama que o termo a quo do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte ao do fato gerador! Ora, este prazo não condiz com o do art. 173, I, do CTN, pelo qual o termo inicial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido realizado, nem com o do art. 150, § 4º, do CTN. Em que pese o dislate redacional, diante da expressa referência ao art. 173, I, do CTN, inclusive com citações doutrinárias, pareceme que a melhor interpretação do dispositivo do acórdão é o de reconhecer a aplicabilidade do art. 173, I, nos termos do CTN, pois a literalidade redacional do contido no mesmo dispositivo não tem ponto com nenhum termo inicial algum previsto no CTN. Logo, o primeiro ponto é o de que, mesmo que não haja simulação ou fraude, para aplicação do prazo do art. 150, § 4º, do CTN, impõese haver a comprovação de algum pagamento de IRPJ e de CSL. As fichas 11 e 16 da DIPJ/06 indicam haver estimativa de IRPJ a pagar em janeiro e fevereiro de 2005 e estimativa de CSL a pagar nos mesmos meses; na ficha 12A da DIPJ/06 é informada a dedução de IRRF por órgãos públicos federais; na ficha 17 da DIPJ/06 é Fl. 3646DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCE LOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11070.722318/201107 Resolução nº 1103000.167 S1C1T3 Fl. 3.647 20 informada a dedução de CSL na fonte por órgãos públicos federais e por entes privados; tudo conforme fls. 2314 a 2323. Antecipo que, para mim, as retenções de IRF e de CSL importam em pagamento a que se referem o caput, e os §§ 1º e 3º do art. 150 do CTN. O informe de rendimentos é o documento hábil e suficiente para dedução do IRRF, nos termos do art. 943, § 2º, do RIR/99. Mutatis mutandis, o mesmo vale para a CSL na fonte. Dedução do IRPJ é dizer pagamento de IRPJ, tal como o é o pagamento ou adimplemento de estimativa de IRPJ, que é deduzido do IRPJ. Igualdade de razões para a CSL. Não há nos autos, porém, nenhum informe de rendimentos e de retenção de IRF e de CSL, nem comprovantes de pagamentos de estimativas de IRPJ e de CSL. De todo modo, esse ponto ganhará relevo jurídico no feito apenas se for afastada a multa qualificada. Esse é o segundo ponto. O de que, para aplicabilidade do prazo do art. 150, § 4º, do CTN, impõese inexistir simulação ou fraude. Como houve inflição de multa qualificada, o exame da decadência dependerá do exame do mérito em sentido amplo, o que inclui a multa. Portanto, deixo a apreciação da questão da decadência quanto ao anocalendário de 2005, para depois do enfrentamento do mérito, caso não resulte prejudicada. Passo ao exame do mérito. Importa deixar claro os limites objetivos da lide. No item “6. Das operações societárias realizadas pela contribuinte em 1999” do Termo de Constatação Fiscal que integra os lançamentos constam os seguintes registros. Que o laudo de avaliação produzido por empresa especializada, posteriormente à aquisição do investimento na Evaux, cujo ativo era o investimento na SLC – John Deere S.A., foi fundamentado na expectativa de rentabilidade futura desse último investimento. Que a natureza do ágio alegada foi a rentabilidade futura da SLC – John Deere S.A., ignorandose qualquer parcela derivada de fundo de comércio da SLC – John Deere S.A. E, nesse sentido, há o contrato de cessão e transferência de marca, de 30/6/99, pelo qual a Schneider Logemann S.A. cede gratuitamente a marca mista “SLC” registrada no INPI para a SLC – John Deere S.A. Isso, nas fls. 2897 e 2898. Esse ponto consta somente nessas fls. dos autos no item “6. Das operações societárias realizadas pela contribuinte em 1999”, e num parágrafo do item “13. Conclusão” (fl. 2936), do Termo de Constatação Fiscal. O item “7. Das provas identificadas pela fiscalização no contexto das operações realizadas e sociedades constituídas” do Termo de Constatação Fiscal foca na questão de como foram utilizadas as empresas Evaux e JDB consideradas veículos simulados ou veículos abusivos. O item “8. Do posicionamento da fiscalização a respeito da consideração do propósito negocial para determinação dos efeitos tributários das operações examinadas” é decorrência do consignado no item “7”, e dá o fecho conclusivo sobre as citadas empresas veículos simuladas ou empresas veículos abusivas. Fl. 3647DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCE LOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11070.722318/201107 Resolução nº 1103000.167 S1C1T3 Fl. 3.648 21 O item “9. Da amortização do ágio apurado pela John Deere do Brasil Ltda. e vertido por incorporação para a contribuinte” cuida somente dos valores amortizados até 2004, e dos valores amortizados nos anoscalendário de 2005 e 2006, estes objeto das autuações. O item “10. Da base legal relacionada às operações societárias realizadas” traz as regras para amortização fiscal do ágio para concluir por sua inaplicabilidade. O item “11. Da fundamentação para qualificação das infrações e para extensão do período de fiscalização para o anocalendário de 2005” faz remissão ao item “7”, para qualificação da multa. O item “12. Da condição de responsável solidária da contribuinte, na qualidade de sucessora por incorporação, e de beneficiária das vantagens tributárias auferidas na amortização do ágio gerado nas operações” versa somente sobre a responsabilização da recorrente. Há contradição em termos nesse item ao chamar de contribuinte a sucessora, responsável. Também, ao chamar de responsável solidária, na inexistência da figura da contribuinte por incorporação. Se a incorporada era simulada, então, o caso seria simplesmente de contribuinte, sem alusão à responsabilidade, seja por sucessão ou por outro modo. Apesar disso, não diviso aí vício a vitimar os lançamentos. Do exame integral do Termo de Constatação Fiscal, e, principalmente, da análise contextual da valoração dos fatos feita pelo autuante, concluo que o motivo das autuações se fixa e se identifica nas questões referentes às empresas veículos. Vêse que todo o foco contextual está nessas questões. Essa é a conclusão a que chego, para delimitação da lide. Logo, os limites objetivos da lide se estabelecem, a meu ver, nas questões das empresas veículos. Posto isso, prossigo com a apreciação de tais questões. Para tanto, recapitulo, sinteticamente, os principais passos das operações até a amortização fiscal do ágio em dissídio: a) O grupo D&C (Deere & Company) do exterior passou a investir no País em 1979, pela associação com o grupo Schneider Logemann, com aquisição de 20% do capital da SLC S.A. Indústria e Comércio; b) Em 1996, o grupo D&C ampliou sua participação na SLC S.A., para 40%, e constituiu a holding John Deere Participações Ltda., que passou a ser a investidora direta da SLC S.A.; c) Em 1998, o grupo Schneider Logemann, por meio da Schneider Logemann S.A. (atualmente com denominação de SLC Participações S.A.) constitui a holding Evaux Participações S.A. Em 1999 (junho), foi conferida a seu capital social toda a participação possuída na SLC S.A. (então com denominação alterada para SLC – John Deere S.A.) – i.e., a Schneider Longemann S.A. conferiu ao capital da Evaux Participações S.A. toda a participação societária possuída na SLC – John Deere S.A. (denominação anterior, SLC S.A. Indústria e Comércio); Fl. 3648DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCE LOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11070.722318/201107 Resolução nº 1103000.167 S1C1T3 Fl. 3.649 22 d) Em junho de 1999, o grupo D&C constituiu a holding John Deere do Brasil Ltda., capitalizandoa em R$ 154.558.300,00, e lhe emprestando R$ 155.451.600,00; e) Com tais recursos, em 30/6/99, a John Deere do Brasil Ltda. (JDB) promoveu a integralização do capital que subscreveu na Evaux Participações S.A., sendo R$ 72.775.246,00 destinados à conta capital social e R$ 232.767.654,00 destinados à conta de reserva de ágio em reservas de capital (PL) da Evaux. No caso, a JDB pagou R$ 305.542.800,00 pela participação na Evaux (por subscrição e integralização do capital), sendo R$ 149.117.238,00 correspondentes a VP (valor patrimonial) e R$ 156.425.562,00 de ágio; f) Em 1/7/99, houve a cisão parcial da Evaux, com ruptura do quadro de acionistas, sendo vertido todo o investimento da Evaux na SLC John Deere S.A. (denominação anterior, SLC S.A. Indústria e Comércio) para a JDB. Permaneceu como acionista da Evaux a Schneider Logemann S.A. (atualmente com denominação de SLC Participações S.A.); g) No final de julho de 1999, a JDB foi incorporada pela SLC John Deere S.A. (SLC S.A.), e a incorporadora passou a ter denominação de John Deere Brasil Ltda. (a recorrente). Notase que, ao tempo de incorporação da JDB pela SLC S.A. (SLC – John Deere S.A.), a JDB possuía participação de 100% do capital da SLC S.A. De início, pontuo que, das três holdings citadas, crítica ou questionável é a criação da Evaux Participações S.A. Tratase de sociedade criada em 10/7/98, com a denominação da Aços Planos do Sul S.A., que, em 31/8/98, passou a ter denominação de Evaux Participações S.A. Em 25/6/99, o capital da Evaux Participações S.A. foi aumentado de R$ 100,00 para R$ 149.117.238,00, com emissão de 621.321.825 ações ordinárias, por conferência a seu capital pela Schneider Logemann S.A. de 62.102.108 ações ordinárias da SLC – John Deere S.A. Isto é, toda a participação que a Schneider Logemann possuía na SLC (60% de seu capital) foi transferida para a holding Evaux. Em 30/6/99, o capital da Evaux foi novamente aumentado, desta vez subscrito e integralizado por John Deere do Brasil Ltda. (JDB), em dinheiro. A JDB transferiu para a Evaux R$ 305.542.800,00, com emissão de 303.230.193 ações ordinárias (com aumento de capital da Evaux de R$ 72.775.246,00; passou de R$ 149.117.338,00 para R$ 221.892.584,00). Em 1/7/99, a Evaux sofreu cisão parcial com ruptura do quadro de acionistas, deixando de ser acionista da Evaux a JDB, para quem foi vertido o investimento na SLC – John Deere S.A. (40% de seu capital), ficando a Schneider Logemann S.A. como única acionista da Evaux, na qual ficaram os recursos transferidos pela JDB (R$ 305.542.800,00). Esse desenho conspira para a configuração do chamado “casa e separa”, em que uma parte fica com o dinheiro e a outra com o bem ou direito, para se evadir de ganho de capital de R$ 156.425.562,00: diferença entre R$ 305.542.800,00 (que foram aportados pela JDB para a Evaux) e o VP do investimento na SLC da Schneider Logemann S.A. (valor pelo Fl. 3649DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCE LOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11070.722318/201107 Resolução nº 1103000.167 S1C1T3 Fl. 3.650 23 qual se deu a versão do investimento na SLC para a Evaux, e que era seu valor contábil na investidora Schneider Logemann S.A.). Aqui se põe com toda a força de sentido uma razão negocial ou extrafiscal, para que o “casamento” fosse desfeito no dia seguinte, e, ainda, com cronologia determinada em contrato, o que foi o caso – o contrato previa que a Evaux não poderia inclusive ter nenhum outro ativo, nem passivo. Diante desse cenário, o argumento posto pela recorrente de que se intentou a separação dos dois grupos, a Schneider Logemann e a D&C, sendo essa a justificativa para a cisão, depõe contra ela. Esse ponto é crítico. Mas se cuida de questão que escapa a esta lide. Por outro lado, em que pese a questão crítica do uso da Evaux para a chamada operação “casa e separa”, não há como se negar que houve a aquisição do investimento na SLC – John Deere S.A. (SLC), com o aporte de dinheiro na Evaux. Não há como se recusar que houve a aquisição de participação na SLC (60%), por R$ 305.542.800,00, com VP de R$ 149.117.238,00 e ágio de R$ 156.425.562,00. O que havia na Evaux era tão só o investimento na SLC (60% do capital dessa). Logo, o valor patrimonial (VP) na Evaux era igual ao valor patrimonial na SLC; o ágio pago se justificava no investimento na SLC. O valor de equivalência patrimonial (valor patrimonial) do investimento na Evaux possuído pela JDB era o valor de equivalência patrimonial (valor patrimonial) na SLC possuída pela Evaux: R$ 149.117.238,00. A diferença entre R$ 305.542.800,00 aportados pela JDB e o valor patrimonial do investimento na SLC (igual ao VP do investimento na Evaux) corresponde ao ágio de R$ 156.425.562,00 pago com fundamento no investimento na SLC. Fundamento econômico do ágio na rentabilidade futura expectada da SLC. É inolvidável que a aquisição de 60% de participação na SLC (seu valor patrimonial era de R$ 149.117.238,00) se deu com pagamento de ágio de R$ 156.425.562,00. A isso não interfere e nada tem de ver a chamada operação “casa e separa” à qual o desenho já exposto acusa. O ganho de capital decorrente da operação “casa e separa” seria da alienante, Schneider Logemann S.A., ainda que eventualmente pudesse ser imputável a responsabilidade solidária da JDB. Porém, isso é questão estranha ao nascimento e à higidez do ágio pago na aquisição do investimento na SLC. Repito, não há como se escusar que houve pagamento pela aquisição societária de terceiro, ou seja, houve pagamento de ágio legítimo na aquisição de participação na SLC, que o justifica. Com tal aquisição, a JDB passou a ter 60% da SLC e a outra holding da Deere & Company, a John Deere Participações Ltda., ficou com 40% da SLC. A John Deere do Brasil Ltda. (JDB) foi criada em 3/2/99, com denominação de Sassatune Comercial Ltda. Em 15/6/99, suas sócias passaram a ser a Deere & Company (D&C), com 99 cotas, e a Deere Payroll Services, Inc. & Company com 1 cota, e a denominação foi alterada para John Deere do Brasil Ltda. Em 28/6/99, a John Deere do Brasil Ltda. foi capitalizada pela D&C em dinheiro, no montante de R$ 154.558.300,00 (correspondentes a US$ 86.500.000,00, conforme contrato de câmbio 99/003706). Também em Fl. 3650DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCE LOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11070.722318/201107 Resolução nº 1103000.167 S1C1T3 Fl. 3.651 24 junho de 1999, a John Deere do Brasil Ltda. obteve recursos do exterior (passivo) da D&C no valor de US$ 87.000.000,00, correspondentes a R$ 155.451.600,00 em 31/7/99. Relembrase que a aquisição do investimento na SLC pela JDB, por meio da aquisição de participação na Evaux, ocorreu em 30/6/99. A cisão parcial da Evaux (a “separação”) ocorreu no dia seguinte, 1/7/99, com versão do investimento na SLC para a JDB, deixando esta de ser acionista da Evaux – na qual ficaram os recursos nela aportados pela JDB, permanecendo acionista da Evaux a Schneider Logemann S.A. (atualmente com denominação de SLC Participações S.A.). Em 31/7/99 houve a incorporação da JDB pela SLC, ocasião em que a Deere Payroll Services, Inc. & Company cedeu sua única ação na SLC recebida com a incorporação para a D&C. Com isso, o valor do ágio pago na aquisição da SLC foi registrado no antigo ativo diferido, para passar a ser amortizado fiscalmente. Não entro no detalhe de constituição ou não de provisão no valor da diferença entre o ágio e o benefício fiscal de sua amortização, para registro da contrapartida do ativo diferido pelo valor do benefício fiscal no PL, ou sem a provisão, com registro da contrapartida do ativo diferido pelo valor total do ágio no PL. Aliás, na primeira alternativa, o que ocorrerá para a investidora da incorporada (e que passa a ser a investidora da incorporadora) é uma redução no valor do investimento na incorporadora (pelo MEP); redução do valor patrimonial na incorporadora. Notase que a D&C possuía outra holding, a John Deere Participações Ltda., constituída em 1996, para a qual foi vertida a participação que a D&C tinha na SLC de 20%, desde 1979. E em 1996, a holding recém constituída John Deere Participações Ltda. adquiriu mais 20% de participação na SLC. Essa holding permanece até hoje, com 40% de participação na John Deere Brasil Ltda. (atual denominação da SLC). Se a capitalização para aquisição dos 60% na SLC tivesse se dado nessa holding e ela tivesse sido incorporada pela SLC, o mesmo ágio seria questionável sob motivo de empresa veículo simulada? Não vejo como se pudesse. Qual a diferença entre isso e a capitalização ocorrida em outra holding, a qual adquiriu os remanescentes 60% na SLC, com a incorporação daquela por essa? Não consigo divisar nenhuma diferença essencial. Por questão de ordem lógica, se faz necessária a pergunta: se a D&C já possuía uma holding desde 1996 que tinha a participação de 40% na SLC, por que razão ela se sujeitaria a questionamento? De forma analítica, a D&C constituiria outra holding, capitalizandoa para aquisição dos 60% remanescentes da SLC em mãos de terceiro, para aquela ser incorporada por essa, e sofrer questionamento fiscal, quando, se fizesse exatamente o mesmo, por meio da holding existente desde 1996, a qual já possuía 40% da SLC, não se colocaria tal questão? Não me parece fazer o menor sentido. Justamente porque não há nenhuma diferença entre as duas situações. Justamente porque não há razão para simular. Fl. 3651DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCE LOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11070.722318/201107 Resolução nº 1103000.167 S1C1T3 Fl. 3.652 25 É o art. 8º da Lei 9.532/97 que induz à confusão patrimonial por incorporação reversa, ou cisão reversa, ao permitir a amortização fiscal do ágio. Dito de outro modo, a lei diz “tanto faz” quem absorve quem, se a investidora incorpora a investida ou viceversa. Note se que não se põe aqui a questão de simulação relativa de incorporação, i.e., se quem efetivamente incorporou foi a declarada incorporada ou se foi mesmo a incorporadora. Se a holding existente desde 1996 tivesse sido capitalizada para aquisição dos 60% da SLC e fosse incorporada por essa, e, ato contínuo, a D&C constituísse outra holding no País, transferindo para essa o investimento na SLC, a aquisição, a incorporação reversa, e a constituição de outra holding seriam questionáveis? Ou melhor, o ágio amortizado seria questionável? Não por empresa veículo simulada. Na situação acima, ao invés de se constituir outra holding no País, se a operação parasse na SLC, esta incorporando a holding existente desde 1996, mudaria algo? A resposta à pergunta feita no parágrafo precedente seria outra? Não me parece ser possível. Por um problema de ordem lógica é que faço a colocação de tais perguntas ou questionamentos. Repiso. É a lei que diz expressamente que até mesmo por incorporação reversa ou por cisão reversa é permitida a amortização fiscal do ágio – sob fundamento econômico da perspectiva de rentabilidade futura. Abstraiase a questão do fundamento econômico do ágio para o que ora se acentua. A dedução da amortização do ágio é um benefício fiscal, assim entendo, mas concedido inclusive com indução de comportamento, exigindose somente a confusão patrimonial. Por aí se vê que, com a devida vênia, não há como se sustentar o argumento do órgão julgador de origem de que, se a aquisição das ações tivesse sido feita pela própria SLC – John Deere S.A. ou pela John Deere Participações Ltda., o ágio não seria passível de amortização fiscal. Acabamos de ver que se a John Deere Participações Ltda., existente desde 1996 e que possuía 40% das ações da SLC, fosse a adquirente das ações da Evaux, e, pois, a adquirente de 60% das ações da SLC, o ágio seria passível de amortização fiscal. Claro que com a incorporação da John Deere Participações Ltda. pela SLC (incorporação reversa) ou com a incorporação da SLC pela John Deere Participações Ltda. Já, a SLC – John Deere S.A. (ou simplesmente SLC) jamais adquiriria as ações da Evaux, por uma razão elementar: isso implicaria participação recíproca ou o equivalente à aquisição das próprias ações para registro em tesouraria. Isso seria descapitalizar a SLC, ainda que momentaneamente. Mesmo na hipótese acima, em que a participação seria registrada a débito no PL (e não como ativo) na SLC – John Deere S.A., quando ela voltasse a ser capitalizada, i.e., alguém adquirisse essa participação societária, e pagando ágio, a partir do momento em que a adquirente, por ex., fosse incorporada pela investida, o ágio pago nessa aquisição seria amortizável fiscalmente. Isso, na medida em que o fundamento econômico do ágio tenha sido a rentabilidade futura expectada da SLC, e desde que o adquirente não seja controladora da SLC, pois estamos tratando de um novo ágio. Fl. 3652DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCE LOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11070.722318/201107 Resolução nº 1103000.167 S1C1T3 Fl. 3.653 26 Daí as colocações feitas serem necessárias, a meu ver, para equacionamento de um problema de ordem lógica. Na linha dessas considerações, a holding JDB foi capitalizada com dinheiro e adquiriu com ágio 60% de participação na SLC. Praticamente um mês depois seguiuse a incorporação reversa incorporação da JDB pela SLC. É o art. 8º da Lei 9.532/97. E é sabido que a Lei 9.532/97 induz comportamentos dessa forma, para estimular investimentos no País, seja por empresas nacionais, seja por empresas estrangeiras, com a concessão do tratamento de dedutibilidade do ágio pago na aquisição de investimentos no País. Benefício fiscal estimulado pela lei. Não havendo interesse nisso, há o mecanismo constitucional e político: revoguese a lei. Se é a lei que induz e permite a amortização fiscal do ágio com a confusão patrimonial, como poderia o investidor estrangeiro exercer esse estímulo concedido pela lei, sem uma empresa no País para adquirir o investimento (no País)? A lei não vedou; pelo contrário, estimulou. E o fez sabidamente incluindo os investimentos estrangeiros no País – dificilmente alguém negará isso. Ou, ainda, em outras palavras, a lei não exige que uma empresa operacional adquira outra com ágio para que este seja amortizável fiscalmente, com a incorporação da investidora pela investida (incorporação reversa) ou por incorporação da investida pela investidora. Cito, v.g., nesse sentido, excertos do voto condutor do ilustre Conselheiro Rafael Correia Fuso, no Acórdão nº 120100.689, da 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, em decisão unânime: Tanto é que após a constituição de uma nova sociedade com as ações da Celpe na empresa veículo, esta foi incorporada pela Celpe, deixando de existir, demonstrando que a Neoenergia mantevese como controladora da Celpe, que fora privatizada para manterse na sua atividade de distribuição de energia na região do Estado de Pernambuco; [...] O Resultado, tanto pela incorporação às avessas pela Celpe das empresas controladoras, que formaram o novo grupo de investidores, quanto após a criação da empresa veículo Leicester seria o mesmo [observamos, foi usada a empresa veículo Leiceiter, que fora incorporada pela Celpe], qual seja o aproveitamento do ágio pela empresa privatizada, sob o fundamento trazido no artigo 386 do RIR/99, visto que na operação que gerou o ágio existe laudo de rentabilidade futura mencionado no próprio Edital, elaborado pelo Governo, que impôs preço mínimo para a aquisição da empresa estatal; (destacamos) Repito. O problema foi o uso da Evaux para o que conspira a operação “casa e separa”. Porém, essa é questão fora da lide e que não contamina a aquisição do investimento subjacente, o investimento na SLC. Fl. 3653DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCE LOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11070.722318/201107 Resolução nº 1103000.167 S1C1T3 Fl. 3.654 27 Por força do que ficou deduzido neste voto, dou provimento ao recurso quanto à amortização fiscal do ágio. Ainda que se ultrapasse esse juízo, não vejo, pelas mesmas razões expendidas, como se possa qualificar a multa. Como deduzi alhures, havendo a holding John Deere Participações Ltda., que possuía 40% de participação da SLC – John Deere S.A. desde 1996, não há razão para abuso nem razão para simular. Ainda mais se considerarmos a jurisprudência da época dos fatos em dissídio, 1999, no máximo se poderia cogitar de erro de proibição, diante da visão diferente dos fatos nessa época. Enfim, desnecessárias mais palavras para se concluir que não há elemento subjetivo do tipo para qualificação da multa. Por conseguinte, sobre essa questão dou provimento ao recurso para afastar a inflição da multa qualificada. Não vejo necessidade de enfrentar outra questão prejudicada, a da decadência dos lançamentos relativos ao anocalendário de 2005. Sob essa ordem de considerações e juízo, dou provimento ao recurso. É o meu voto. Sala das Sessões, em 3 de fevereiro de 2015 (assinado digitalmente) Marcos Takata Relator Voto Vencedor Conselheiro Breno Ferreira Martins Vasconcelos Em seu brilhante voto, o Eminente Relator deu provimento ao recurso voluntário quanto à amortização fiscal do ágio e entendeu prejudicada, portanto, a análise da decadência. Tendo em vista, porém, a possibilidade de os membros desta Turma julgarem indedutível a despesa correspondente à amortização do ágio, entendo, com a devida vênia, necessário analisar esse argumento da recorrente (decadência). Por força do art. 62A do Anexo II do RICARF, é imperiosa a observância, pelos membros deste Conselho, do entendimento adotado pelo STJ no julgamento do Recurso Especial nº 973.733, considerado representativo de controvérsia, segundo o qual o prazo decadencial, em relação aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, será regido (i) pelo art. 150, §4º do CTN quando houver declaração ou pagamento antecipado do tributo e (ii) Fl. 3654DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCE LOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11070.722318/201107 Resolução nº 1103000.167 S1C1T3 Fl. 3.655 28 pelo art. 173, I do CTN (ii.1) quando não ocorrer a declaração ou o pagamento antecipado ou (ii.2) quando houver declaração ou antecipação, mas constatada a prática de dolo, fraude ou simulação. Filiome ao entendimento do Eminente Relator de que as retenções de IRRF e de CSLLfonte configuram pagamento para fins de aplicação do §4º do art. 150 do CTN, pois permitem ao Fisco ter ciência da ocorrência do fato gerador do IRPJ e da CSLL, respectivamente. O mesmo se diga em relação às estimativas mensais recolhidas pelo contribuinte optante pelo lucro real anual. Conforme consignado no voto condutor, não foram acostados a estes autos informes de rendimentos indicando retenções de IRRF e de CSLLfonte sofridas pela recorrente, tampouco comprovantes de pagamento de estimativas mensais de tais tributos. Deve ser observado que, embora tenham sido apurados prejuízo fiscal (fls. 2313), base de cálculo negativa da CSLL (fls. 2323) e saldo negativo de IRPJ e CSLL (fls. 2318 e 2323) no anocalendário de 2005, as fichas 11 e 16 da DIPJ 2006 indicam ter sido efetuados recolhimentos de IRPJ e CSLL por estimativa nos meses de janeiro e fevereiro de 2005. Ademais, e conforme consignado no voto do Ilustre Relator, nas fichas 12A e 17 da DIPJ 2006 foram informadas as deduções de IRRF e CSLL por órgãos públicos federais e por entes privados (fls. 2314 a 2323). Tais informações inseridas na DIPJ não são suficientes para demonstrar que houve efetiva antecipação de IRPJ e CSLL no anocalendário de 2005, o que atrairia a aplicação do art. 150, §4º do CTN. Configuram, porém, forte indício da existência de pagamento parcial. Diante desse forte indício, voto pela conversão do presente julgamento em diligência, para que a unidade de origem da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB): a) informe se a contribuinte realizou recolhimentos de IRPJ e CSLL (devidos por estimativa mensal ou no ajuste anual) e, ou, sofreu retenções de IRRF e CSLLfonte no anocalendário de 2005; b) cientifique o contribuinte sobre o resultado da diligência, para, se assim desejar, apresentar manifestação limitada às informações constantes do respectivo relatório, no prazo de 30 (trinta) dias, conforme art.35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574/11; e c) findo o prazo acima, devolva os autos ao CARF para julgamento. (assinado digitalmente) Breno Ferreira Martins Vasconcelos Fl. 3655DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCE LOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Numero do processo: 10380.904539/2009-11
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Apr 08 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Exercício: 2005
PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO. ERRO DEMONSTRADO.
O Per/DComp somente pode ser retificado pelo sujeito passivo caso se encontre pendente de decisão administrativa à data do envio do documento retificador. Entretanto essa determinação deve ser temperada no caso em que restar demonstrado que o sujeito passivo incorreu em erro de informação em Per/DCTF, evidenciado através das informações contidas em DIPJ anterior ao Dcomp.
DIREITO CREDITÓRIO NÃO ANALISADO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. RETORNO DOS AUTOS COM DIREITO A NOVO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO.
Em situações em que restou superado o fundamento da negativa de homologação da compensação, a unidade de origem deve proceder à nova análise do mérito do pedido, verificando a existência, suficiência e disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão, e concedendo-se ao sujeito passivo direito a novo contencioso administrativo, em caso de não homologação total.
Numero da decisão: 1803-002.599
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
[assinado digitalmente]
Carmen Ferreira Saraiva - Presidente
[assinado digitalmente]
Ricardo Diefenthaeler - Relator
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carmen Ferreira Saraiva, Sérgio Rodrigues Mendes, Ricardo Diefenthaeler, Fernando Ferreira Castellani, Meigan Sack Rodrigues e Roberto Armond Ferreira da Silva.
Nome do relator: RICARDO DIEFENTHAELER
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RETIFICAÇÃO. ERRO DEMONSTRADO. O Per/DComp somente pode ser retificado pelo sujeito passivo caso se encontre pendente de decisão administrativa à data do envio do documento retificador. Entretanto essa determinação deve ser temperada no caso em que restar demonstrado que o sujeito passivo incorreu em erro de informação em Per/DCTF, evidenciado através das informações contidas em DIPJ anterior ao Dcomp. DIREITO CREDITÓRIO NÃO ANALISADO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. RETORNO DOS AUTOS COM DIREITO A NOVO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. Em situações em que restou superado o fundamento da negativa de homologação da compensação, a unidade de origem deve proceder à nova análise do mérito do pedido, verificando a existência, suficiência e disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão, e concedendo se ao sujeito passivo direito a novo contencioso administrativo, em caso de não homologação total. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 90 45 39 /2 00 9- 11 Fl. 214DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO DIEFENTHAELER, Assinado digitalmente em 06/04/201 5 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO DIEFENTHAELER Processo nº 10380.904539/200911 Acórdão n.º 1803002.599 S1TE03 Fl. 212 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. [assinado digitalmente] Carmen Ferreira Saraiva Presidente [assinado digitalmente] Ricardo Diefenthaeler Relator Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carmen Ferreira Saraiva, Sérgio Rodrigues Mendes, Ricardo Diefenthaeler, Fernando Ferreira Castellani, Meigan Sack Rodrigues e Roberto Armond Ferreira da Silva. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte antes identificada em face do acórdão proferido pela DRJ a quo, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade contra o despacho de não homologação da compensação intentada através da Declaração de Compensação (Dcomp) de nº 02990.23404.280706.1.3.049197, transmitida eletronicamente em 28/07/2006, com base em créditos relativos à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) Resultado Ajustado Ajuste Anual. Como relata a decisão recorrida, na referida Dcomp, "o contribuinte alegou ter crédito oriundo do pagamento de CSLL, realizado em 24/02/2006, no valor principal de R$ 22.107,14 (cód. 6773), que teria sido feito a maior", requerendo "a sua compensação parcial, no limite do valor de R$ 22.328,21, com débitos totalizando R$ 22.591,68 (fls. 5)". O Despacho Decisório considerou improcedente o crédito declarado, sob a seguinte fundamentação: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Em sede de manifestação de inconformidade, alegou a ora recorrente que possui direito de crédito em razão de pagamento a maior de tributo, assinalando que o valor informado em DCTF é maior do que o valor devido. Apreciando o recurso, a Turma Julgadora da DRJ a quo entendeu que a contribuinte não apontou a origem do erro e não demonstrou sua existência, julgando improcedente a manifestação de inconformidade. A decisão em questão foi assim ementada: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2005 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO. ÔNUS DA PROVA. Fl. 215DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO DIEFENTHAELER, Assinado digitalmente em 06/04/201 5 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO DIEFENTHAELER Processo nº 10380.904539/200911 Acórdão n.º 1803002.599 S1TE03 Fl. 213 3 Incumbe ao manifestante o ônus da prova de liquidez e certeza do crédito pleiteado, mormente diante da inconsistência entre as informações por ele prestadas à Administração Tributária. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada da decisão em 13/8/2013 (fls. 117), a interessada apresentou o presente recurso em 12/9/2013 (fls. 119 e seguintes), tempestivamente, portanto. Assevera, em síntese, o que segue: a) que a DCTF foi preenchida com erro, informando débito de CSLL para o PA 12/2005 a maior do que o devido; b) que o valor correto foi informado na DIPJ, tendo a recorrente entendido que assim estaria corrigido o erro; c) que a DCTF somente foi retificada em momento posterior ao Despacho Decisório, observando que a IN SRF nº 600, de 2005, não veda a retificação dessa declaração nesse momento; d) que para "confirmar de forma irrefutável" o crédito reclamado, juntou cópia da DIPJ, das DCTFs Original e Retificadora, dos DARFs e do LALUR, que comprova a base de cálculo do período; e) que os princípios da verdade material e da boafé objetiva concorrem no sentido de se lhe reconhecer o crédito guerreado. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Diefenthaeler, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. A recorrente pretende ver homologada compensação em que utilizou crédito de CSLL relativa ao AC 2005 (código de receita 6773 "CSLL DEMAIS PESSOAS JURÍDICAS DECLARAÇÃO DE AJUSTE"), que alega ter recolhido com erro, a maior. Refere que o valor devido e correto é R$ 14.860,37, tendo, no entanto, recolhido R$ 43.209,68. Relata que, embora tenha informado o último valor em DCTF, posteriormente constatou o erro a partir de análise mais detalhada da sua escrita. O valor correto foi, então, informado em DIPJ, julgando a recorrente que esse procedimento era suficiente para corrigir a informação. Somente depois de tomar conhecimento da não homologação da compensação fez a retificação da DCTF. Fl. 216DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO DIEFENTHAELER, Assinado digitalmente em 06/04/201 5 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO DIEFENTHAELER Processo nº 10380.904539/200911 Acórdão n.º 1803002.599 S1TE03 Fl. 214 4 A decisão a quo assinala que a recorrente limitouse a informar que o valor correto de CSLL apurado é aquele constante na DIPJ do respectivo período. Observa, assim, que a DIPJ, embora seja uma fonte válida de informações para o Fisco, tomada isoladamente, não é prova suficiente do erro alegado, ressaltando que "a incoerência do contribuinte macula de dúvida as informações por ele prestadas, o que afasta a certeza do crédito pleiteado". Ocorre, no entanto, que o fato de constar em DIPJ apresentada em 28/06/2006 (fls. 164), antes, portanto, da Dcomp, montante a pagar de CSLL Ajuste Anual no valor de R$ 14.860,37 (Ficha 17 fls. 179) indica que é plausível o argumento da recorrente de que entendeu ser suficiente a informação em DIPJ, daí a não retificação da DCTF antes do despacho decisório. Vejase, a propósito, que o batimento eletrônico de informações na análise da Dcomp faz o cotejo do pagamento de que se origina o crédito a compensar com a informação correspondente em DCTF, não considerando a informação prestada em DIPJ. Ora, refletindo a Dcomp a informação que já constava em DIPJ, é de se crer que a dissonância com a DCTF Original (que foi posteriormente retificada) decorre de erro de apuração constatado e corrigido com a apresentação da DIPJ, anteriormente, como se viu, à Dcomp. É, assim, direito da recorrente reaver o indébito tributário, ainda que tenha confessado anteriormente qualquer outro valor em DCTF, não se podendo alegar a preclusão do direito, sob pena de ofensa aos princípios da verdade material, do contraditório e da ampla defesa e até mesmo da legalidade, valendo ressaltar que a DCTF foi posteriormente retificada. Não obstante o caráter de confissão da DCTF, a exatidão dos valores envolvidos e os erros de fato caracterizados na declaração poderão ser objeto de verificação na fase de julgamento, seja em homenagem ao princípio da verdade material, seja para preservação da própria legalidade na cobrança de tributos, evitando cobrar débito indevido, ou, ao contrário, reconhecer como crédito valor devido de tributo. De outra banda, se a norma tributária veda a retificação da Declaração de Compensação e Pedido de Restituição (Per/Dcomp) após o despacho decisório, não o faz para a DCTF. Vale ressaltar, aliás, que, a teor do art. 11, § 1º, da IN RFB nº 903, de 2008, vigente à época da retificação da DCTF do 2º Trimestre de 2005 (a retificadora foi entregue em 19/5/2009, fls. 197), a DCTF retificadora tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e serve para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. Conclusão Em face do exposto, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, determinando que a unidade de origem reaprecie a compensação objeto do presente processo, abstraindose do erro de preenchimento demonstrado, devendo verificar a existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido. Devem os débitos compensados permanecer com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão, concedendose ao sujeito passivo direito a novo contencioso administrativo, em caso de não homologação total das compensações promovidas. [assinado digitalmente] Ricardo Diefenthaeler Fl. 217DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO DIEFENTHAELER, Assinado digitalmente em 06/04/201 5 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO DIEFENTHAELER Processo nº 10380.904539/200911 Acórdão n.º 1803002.599 S1TE03 Fl. 215 5 Fl. 218DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO DIEFENTHAELER, Assinado digitalmente em 06/04/201 5 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO DIEFENTHAELER
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Numero do processo: 11516.003410/2010-07
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Apr 07 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008, 2009
IRPF. SIGILO BANCÁRIO. ACESSO A INFORMAÇÕES DE POSSE DE INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. LEI COMPLEMENTAR 105/2001. DESNECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL.
A Autoridade Tributária pode, com base na LC nº 105 de 2001, à vista de procedimento fiscal instaurado e presente a indispensabilidade do exame de informações relativas a terceiros, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e entidades a ela equiparadas, solicitar destas referidas informações, prescindindo-se da intervenção do Poder Judiciário.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009).
MULTA QUALIFICADA. DOLO E FRAUDE. MANUTENÇÃO.
A fraude se caracteriza por uma ação ou omissão, inclusive de simulação ou ocultação, e pressupõe, sempre, a intenção de causar dano à fazenda pública, num propósito deliberado de se escapar, no todo ou em parte, a uma obrigação tributária. Assim, ainda que o conceito de fraude seja amplo, deve sempre estar caracterizada a presença do dolo, um comportamento intencional, específico, onde, utilizando-se de subterfúgios, escamoteia na ocorrência do fato gerador ou retarda o seu conhecimento por parte da autoridade fazendária.
MULTA. AUMENTO. 112,5%. APLICABILIDADE. JURISPRUDÊNCIA ADMINISTRATIVA.
É farta a jurisprudência do CARF, no sentido de que a simples não apresentação de documentos requeridos pela Fiscalização, quando não obsculizam seu trabalho, não justifica o agravamento da multa. Dispondo a fiscalização dos elementos necessários para a apuração da matéria tributável, descabe o agravamento da multa por não atendimento à intimação para apresentação dessas informações.
Recurso Provido em Parte
Numero da decisão: 2102-003.295
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, por maioria de votos, DAR PARCIAL provimento ao recurso, para reduzir os percentuais das multas incidentes sobre as infrações imputadas ao contribuinte de 112,5% e 225% para 75% e 150%, respectivamente. Vencido o conselheiro João Bellini Júnior, que negava provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
João Bellini Junior - Presidente Substituto.
(Assinado digitalmente)
Alice Grecchi Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Alice Grecchi, João Bellini Junior, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Núbia Matos Moura e Livia Vilas Boas e Silva.
Nome do relator: ALICE GRECCHI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2008, 2009 IRPF. SIGILO BANCÁRIO. ACESSO A INFORMAÇÕES DE POSSE DE INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. LEI COMPLEMENTAR 105/2001. DESNECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. A Autoridade Tributária pode, com base na LC nº 105 de 2001, à vista de procedimento fiscal instaurado e presente a indispensabilidade do exame de informações relativas a terceiros, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e entidades a ela equiparadas, solicitar destas referidas informações, prescindindo-se da intervenção do Poder Judiciário. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009). MULTA QUALIFICADA. DOLO E FRAUDE. MANUTENÇÃO. A fraude se caracteriza por uma ação ou omissão, inclusive de simulação ou ocultação, e pressupõe, sempre, a intenção de causar dano à fazenda pública, num propósito deliberado de se escapar, no todo ou em parte, a uma obrigação tributária. Assim, ainda que o conceito de fraude seja amplo, deve sempre estar caracterizada a presença do dolo, um comportamento intencional, específico, onde, utilizando-se de subterfúgios, escamoteia na ocorrência do fato gerador ou retarda o seu conhecimento por parte da autoridade fazendária. MULTA. AUMENTO. 112,5%. APLICABILIDADE. JURISPRUDÊNCIA ADMINISTRATIVA. É farta a jurisprudência do CARF, no sentido de que a simples não apresentação de documentos requeridos pela Fiscalização, quando não obsculizam seu trabalho, não justifica o agravamento da multa. Dispondo a fiscalização dos elementos necessários para a apuração da matéria tributável, descabe o agravamento da multa por não atendimento à intimação para apresentação dessas informações. Recurso Provido em Parte
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SIGILO BANCÁRIO. ACESSO A INFORMAÇÕES DE POSSE DE INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. LEI COMPLEMENTAR 105/2001. DESNECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. A Autoridade Tributária pode, com base na LC nº 105 de 2001, à vista de procedimento fiscal instaurado e presente a indispensabilidade do exame de informações relativas a terceiros, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e entidades a ela equiparadas, solicitar destas referidas informações, prescindindose da intervenção do Poder Judiciário. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009). MULTA QUALIFICADA. DOLO E FRAUDE. MANUTENÇÃO. A fraude se caracteriza por uma ação ou omissão, inclusive de simulação ou ocultação, e pressupõe, sempre, a intenção de causar dano à fazenda pública, num propósito deliberado de se escapar, no todo ou em parte, a uma obrigação tributária. Assim, ainda que o conceito de fraude seja amplo, deve sempre estar caracterizada a presença do dolo, um comportamento intencional, específico, onde, utilizandose de subterfúgios, escamoteia na ocorrência do fato gerador ou retarda o seu conhecimento por parte da autoridade fazendária. MULTA. AUMENTO. 112,5%. APLICABILIDADE. JURISPRUDÊNCIA ADMINISTRATIVA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 34 10 /2 01 0- 07 Fl. 881DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 É farta a jurisprudência do CARF, no sentido de que a simples não apresentação de documentos requeridos pela Fiscalização, quando não obsculizam seu trabalho, não justifica o agravamento da multa. Dispondo a fiscalização dos elementos necessários para a apuração da matéria tributável, descabe o agravamento da multa por não atendimento à intimação para apresentação dessas informações. Recurso Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, por maioria de votos, DAR PARCIAL provimento ao recurso, para reduzir os percentuais das multas incidentes sobre as infrações imputadas ao contribuinte de 112,5% e 225% para 75% e 150%, respectivamente. Vencido o conselheiro João Bellini Júnior, que negava provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) João Bellini Junior Presidente Substituto. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi – Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Alice Grecchi, João Bellini Junior, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Núbia Matos Moura e Livia Vilas Boas e Silva. Relatório Para descrever a sucessão dos fatos deste processo até a apresentação da impugnação pelo contribuinte, adoto de forma livre o relatório do Acórdão proferido pela DRJ/FNS, nº 0725.404, constante em fls. 845/854: Mediante auto de infração de folhas 789 a 799, exigese do contribuinte acima identificado a importância de R$ 1.660.903,64 de Imposto de Renda Suplementar, acrescido de multa proporcional e de juros de mora, relativo aos anoscalendários de 2008 e 2009. Conforme consta do referido auto de infração, os fatos que deram origem ao lançamento tributário foi a constatação de: 1) omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica por determinação da Justiça Federal, no valor de R$ 1.517.631,85, em 2008, e R$ 3.594.349,55, em 2009; e 2) Omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, no importe de R$ 1.368.236,38, em 2009. Do procedimento fiscal: Conforme Termo de verificação fiscal, o contribuinte encontravase omisso na entrega da Declaração de Ajuste Anual de 2009, no entanto apresentava alta movimentação financeira nos anoscalendários de 2008 e Fl. 882DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 11516.003410/201007 Acórdão n.º 2102003.295 S2C1T2 Fl. 882 3 2009, recebendo, em 2008, da Caixa Econômica Federal (CEF), por determinação da Justiça Federal, honorários advocaticios de R$ 820.384,52, com retenção na fonte de 3%, conforme DIRFs entregues pela instituição financeira citada. Considerandose que os rendimentos não foram informados em declaração de ajuste anual, em 09/12/2009, foi instaurado procedimento fiscal de fiscalização, relativo ao anocalendário de 2008, amparado pelo Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização N° 0920100 2009 01369 4. Em 11/12/2009 foi emitido o Termo de Inicio de Fiscalização e Intimação Fiscal (fls. 474 e 475), solicitando, dentre outros documentos, cópia dos comprovantes de rendimentos, cópia de todos os recibos emitidos referentes a serviços prestados para pessoas físicas, extratos bancários das contas correntes e de investimento/poupança e os comprovantes da origem dos recursos depositados nas contas bancárias, todos referentes ao período de 01/01/2008 a 31/12/2008. Contudo, o contribuinte não atendeu a este Termo. Em virtude disso, em 21/12/2009, foi encaminhada à CEF a Intimação N° 764/09 (fls. 477), solicitando que fossem informados, mensalmente, todos os pagamentos efetuados para Antonio Pinheiro Júnior, correspondentes ao período em exame, especificando a que se referiam estes pagamentos; que apresentasse cópia dos comprovantes anuais de rendimentos referentes aos pagamentos efetuados ao autuado, relativos ao mesmo período. Em resposta, a Caixa Econômica Federal apresentou os documentos das folhas 479 e 480. Na documentação apresentada, verificouse que o contribuinte havia recebido da citada empresa em 2008 um valor ainda maior: R$ 1.517.631,82 (fls, 480). No entanto, para parte do valor recebido (R$ 697.427,30) não houve qualquer retenção na fonte, tampouco constava das DIRFs entregues à Receita Federal. Em face do exposto, encaminhouse à Caixa Econômica Federal a Intimação Fiscal N° 007/10 (fls. 481 e 482), solicitando que informasse a que titulo foram realizados os pagamentos efetuados ao Sr. Antônio Pinheiro Junior e justificasse o motivo de ter sido considerado parte deles como não tributáveis. Em atendimento à solicitação da fiscalização, a CEF, apresentou os documentos de folhas 484 a 511, nos quais constam que os pagamentos foram efetuados por ordem da Justiça Federal (fls. 484); o número do processo judicial e o valor levantado por Antonio Pinheiro Júnior relativo a cada processo (fls. 485 a 501); que, para os processos para os quais não houve qualquer retenção na fonte, o Sr. Antônio havia apresentado documento intitulado "Declaração para Não Incidência de IRRF". Em 25/01/2010, reintimouse o contribuinte a apresentar os documentos já solicitados em 11/12/2009. Inobstante a insistência da autoridade fiscal, o interessado também não atendeu a este Termo. Fl. 883DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR 4 Considerandose que o contribuinte era omisso na entrega da Declaração de Ajuste Anual de 2009 (fls. 773 e 774), que apresentou alta movimentação financeira em 2008 (fls. 02 e 03) e que não atendeu ao Termo de Inicio de Fiscalização e Intimação Fiscal e ao Termo de Intimação Fiscal N° 012/10, encaminhouse a Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira RMF N° 0920100 2010 00042 8 à Caixa Econômica Federal (fls. 515) e a RMF n° 0920100 2010 00043 6 ao Banco do Brasil (fls. 563), solicitando, entre outros documentos, os extratos bancários referentes à movimentação financeira do contribuinte em 2008. Em 09/04/2010, remeteuse ao contribuinte o Termo de Intimação Fiscal N° 186/10 (fls. 576 e 577), solicitando documentos comprobatórios das operações realizadas, cópia da declaração de rendimentos, bem como as justificativas para a não Incidência de IRRF apresentadas A. Caixa Econômica Federal. 0 fiscalizado não respondeu ao pedido feito pelo fiscal. Considerandose que, até 30 de abril de 2010, o contribuinte também não havia apresentado a declaração concernente ao anocalendário de 2009, este ano foi incluído no período de abrangência da fiscalização. Em 04/05/2010, encaminhouse o Termo de Intimação Fiscal N° 224/10 (fls. 579 e 580), solicitando documentos relativos ao anobase de 2008 e 2009, notadamente os extratos bancários referentes ao ano e 2009, comprovando a origem dos recursos depositados em conta de sua titularidade, o qual não foi atendido. Também em 04/05/2010, encaminhouse à CEF a Intimação Fiscal N° 225/10 (fls. 583 e 584), solicitando que informasse, mensalmente, todos os pagamentos efetuados para o Sr. Antonio Pinheiro Júnior, no período de 01/01/2009 a 31/12/2009 Na documentação apresentada pela Caixa Econômica Federal constam as mesmas considerações feitas em relação ao anocalendário de 2008, além de identificar os pagamentos feitos ao fiscalizado. Considerandose que o contribuinte era omisso na entrega da Declaração de Ajuste Anual de 2010, que apresentou alta movimentação financeira em 2009 (fls. 04) e que não atendeu ao Termo de Intimação Fiscal N° 224/10, encaminhouse a Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira RMF N° 0920100 2010 00061 4 à Caixa Econômica Federal (fls. 631), solicitando entre outros documentos, os extratos bancários referentes 6. movimentação financeira do contribuinte em 2009. Em 25/06/2010, remeteuse ao contribuinte o Termo de Intimação Fiscal N° 325/10 (fls. 733 e 734), reintimandoo a apresentar documentos comprobatórios. Ressaltese que o contribuinte não se manifestou acerca da solicitação. Em consulta ao sitio do Tribunal Regional Federal da 4ª Região na internet, por amostragem, o fiscal constatou que os valores pagos em decorrência de alguns dos processos informados por Caixa Econômica Federal (fls. 722 a 732), referemse a honorários contratuais devidos ao advogado, independentemente de ter havido retenção na fonte ou não. Fl. 884DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 11516.003410/201007 Acórdão n.º 2102003.295 S2C1T2 Fl. 883 5 Em 13/07/2010, enviouse a clientes que informaram ter efetuado pagamentos ao Sr. Antonio Pinheiro Júnior as intimações a seguir especificadas. INTIMAÇÃO Nº INTIMADO FLS. 374/10 Ari Daniel de Souza 736 375/10 Vilson dos Santos Padilha 739 376/10 Maria dos Santos 745 377/10 Lorentino Antonio de Oliveira 750 378/10 Jorge Jose Luciano 756 379/10 Bionor Jose Marceno 761 Em resposta a estas intimações: a) Ari Daniel de Souza não foi localizado no endereço constante do Cadastro de Pessoas Físicas. A correspondência retornou com a informação de que o intimado é falecido (fls. 738); b) Vilson dos Santos Padilha apresentou os comprovantes das folhas 741 a 744, em que aduz que recebeu diferenças no valor de R$ 13.470,06 e foram descontados R$ 3.454,57 em favor do advogado Antonio Pinheiro Júnior; c) Maria dos Santos apresentou os comprovantes de fls. 747 a 749, em que afirma que recebeu diferenças no valor de R$ 9.972,53 e foram descontados R$ 2.902,71 em favor do advogado Antonio Pinheiro Júnior. d) Lorentino Antonio de Oliveira apresentou os comprovantes das folhas 752 a 755, em que declara que recebeu diferenças no valor de R$ 17.104,84 e foram descontados R$ 3.420,95 em favor do advogado Antonio Pinheiro Júnior. e) Jorge Jose Luciano apresentou os comprovantes das folhas 758 a 760, em que confirma que recebeu diferenças no valor de R$ 19.944,70 e foram descontados R$ 3.998,93 em favor do advogado Antonio Pinheiro Júnior. f) Bionor Jose Marceno apresentou os comprovantes das folhas 763 a 767, em que garante que recebeu diferenças no valor de R$ 17.104,84 e foram descontados R$ 3.420,95 em favor do advogado Antonio Pinheiro Júnior. Assim, concluiu o agente fiscal que, pelas respostas apresentadas pelos intimados, ficou comprovado que os valores informados pela CEF referemse a honorários advocaticios recebidos por Antonio Pinheiro Killion Em Fl. 885DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR 6 16/08/2010, expediuse o Termo de Intimação Fiscal N° 415/10 (fls. 768 a 771), solicitando documentos e a comprovação da origem dos recursos creditados em contacorrente, atinente a 2009, listados pelo fiscal. 0 contribuinte, da mesma forma como ocorreu com as demais intimações feitas, não a respondeu. Após estes procedimentos realizados, a fiscalização resolveu lavar o auto de infração sob exame. Inconformado com a lavratura do auto de infração, o contribuinte apresentou instrumento de impugnação, por meio do qual apresenta, em síntese, as seguintes razões. Da Inviolabilidade dos Dados e do Sigilo Bancário Argumenta que o processo de fiscalização encontrase notadamente viciado, pois fere claramente o dispositivo constitucional constante no artigo 5 º, Inciso X e XII da CF/88, regulamentada pela Lei n° 9.296, de 1996. Assim, são conceitos intimamente ligados ao direito à intimidade e ao sigilo de correspondência, que garante ao indivíduo o direito de não ver seu banco de dados seja virtual, digital ou documental violado sem devida ordem judicial expressa. Além disso, os bancos estão obrigados por lei a fornecer a seus clientes, e, por consequência, é um direito do particular, de não ver suas contas bancárias e demais investimentos desnudados por outrem, sem devida ordem judicial, o que não foi observado pelo agente fiscalizador. Da Inconstitucionalidade da Taxa Selic Considera a incidência da taxa SELIC sobre os créditos apurados ilegal e inconstitucional. Sustenta que a Taxa SELIC não foi criada por lei, mas por Resolução do Conselho Monetário Nacional e possui natureza remuneratória. Acentua que uma lei tributária não pode valerse de circulares ou resoluções que alteram as regras sobre a correção monetária e juros, principalmente se estas circulares ou resoluções foram baixadas para outro fim que não o tributário. Invoca o artigo 161, § 1 0, do CTN, que preconiza que os juros serão de 1% se a lei não dispuser de modo contrário. Nesse contexto, entende que a taxa SELIC deveria ser criada por lei, o que não ocorreu. Com base nas afirmativas descritas, conclui que a taxa SELIC visa a remunerar títulos, não havendo discriminação qualitativa e quantitativa dos componentes integrantes; a taxa SELIC, por ferir os princípios, é inaplicável em matéria tributária; não se pode exigir cobrança de juros e correção com base numa taxa não clarificada e definida, pelo menos, para fins tributários; se todo o tributo deve ser definido por lei, não há esquecer que sua quantificação monetária ou mera readaptação de seu valor, bem como os juros, deverá ser também previstos por lei. Fl. 886DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 11516.003410/201007 Acórdão n.º 2102003.295 S2C1T2 Fl. 884 7 Sustenta a aplicabilidade do juros de mora previstos no art. 2° da Decreto Lei n° 2.323, de 27/02/1987: 1 um por cento ao mês. Cita a limitação contida no art. 192, § 3 0, da Constituição Federal, que impede a cobrança de juros acima de 12% ao ano. Ainda no que tange A. multa, invoca o artigo 10 do DecretoLei n° 2.049/83, que trata da redução ou cancelamento de multas ou penalidades, desde que satisfeitos os quesitos elencados. Da Inaplicabilidade da Multa Sustenta que a penalidade de 112,5% ou 225% do valor decorrente da obrigação tributária principal é nitidamente confiscatória. Segundo o impugnante, o confisco atenta contra o direito da propriedade e da segurança jurídica, princípios fundamentais da Constituição Federal de 1988. Assim, há de ser. reconhecida a incompatibilidade da norma sancionatória invocada pela pessoa política, uma vez que conflita com o principio constitucional tributário que veda o confisco, expresso no art. 150, IV, da CF/88. Pleiteia a cominação da multa de 20%, assim como preceituado no art. 74 da Lei n° 7.799/89, que estabelece multa de mora de 20%, e no art. 87 da Lei n° 6.374/89. Verificase que no item da Impugnação "II.IV DAS PONDERAÇÕES FINAIS" o contribuinte trata de assunto estranho ao presente litígio, uma vez que tal tópico não guarda qualquer relação com a infração apurada neste processo. A Turma de Primeira Instância, por unanimidade, julgou procedente em parte a impugnação, conforme ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2008,2009 SIGILO BANCÁRIO. OBTENÇÃO DE DADOS PELA FISCALIZAÇÃO. autorizada, nos termos da lei, a obtenção pela Fiscalização da movimentação financeira do contribuinte junto As instituições financeiras, com vistas a demonstrar a ocorrência de infração à legislação tributária. JUROS SELIC. A partir de 1° de abril de 1995, os juros morat6rios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à. taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Fl. 887DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR 8 PRINCÍPIO DO NÃO CONFISCO. VINCULAÇÃO DO JULGADOR AO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. Não compete A. autoridade lançadora perquirir acerca da validade das normas jurídicas, restandolhe tão somente aplicar a lei então vigente, em obediência ao principio da legalidade. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O contribuinte foi cientificado do Acórdão n° 0725.404 da 6ª Turma da DRJ/FNS em 20/10/2011. Sobreveio Recurso Voluntário em 16/11/2011, no qual, o contribuinte ratificou na íntegra as razões da impugnação. É o relatório. Passo a decidir. Voto Conselheira Relatora Alice Grecchi O recurso voluntário ora analisado possui todos os requisitos de admissibilidade do Decreto nº 70.235/72, motivo pelo qual merece ser conhecido. Tratamse os presentes Autos de Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica por determinação da Justiça Federal e, Omissão de Rendimentos caracterizada por Depósitos Bancários com Origem não Comprovada. Preliminarmente, alega o recorrente nulidade do lançamento fiscal em decorrência do meio pelo qual a autoridade fiscal autuante obteve as informações relativas a movimentação financeira do autuado (sem autorização judicial). Com efeito, cabe tecer algumas considerações sobre a controvérsia relativa a quebra do sigilo bancário do contribuinte por meio de Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira – RMF. A possibilidade de requisição de movimentação financeira pela Autoridade Administrativa encontrase prevista no art. 197, II, do Código Tributário Nacional (CTN), vindo a Lei Complementar nº 102/2001 autorizar a referida disposição expressamente: "Art. 197. Mediante intimação escrita, são obrigados a prestar à autoridade administrativa todas as informações de que disponham com relação aos bens, negócios ou atividades de terceiros: (...) II os bancos, casas bancárias, Caixas Econômicas e demais instituições financeiras;" Fl. 888DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 11516.003410/201007 Acórdão n.º 2102003.295 S2C1T2 Fl. 885 9 Assim, a Autoridade Tributária pode, com base no art. 6º da LC nº 105 de 2001, à vista de procedimento fiscal instaurado e presente a indispensabilidade do exame de informações relativas a terceiros, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a ela equiparadas, solicitar destas referidas, informações, prescindindose da intervenção do Poder Judiciário. Confirase: "Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária." Neste contexto, havendo previsão legal e procedimento administrativo instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelo órgão fiscal tributário não constitui quebra do sigilo bancário, mas de mera transferência de dados protegidos às autoridades obrigadas a mantêlos no âmbito do sigilo fiscal. Diante do exposto, a obtenção dos extratos bancários pelo Auditor Fiscal no presente procedimento foi procedida dentro dos parâmetros legais, sendo improcedente a alegação de prova obtida por meio ilícito, haja vista que o art. 6º da LC nº 105/2001, encontra se vigente e eficaz. Cabe apenas destacar que atualmente a matéria está no Supremo Tribunal Federal (STF) no RE 601.314/SP, Min. Ricardo Lewandowski, pendente de julgamento, não havendo o STF suspendido os efeitos da norma. Ademais, tanto o Superior Tribunal de Justiça (STJ) quanto o presente Egrégio Conselho Administrativo já se manifestaram quanto à legalidade da utilização do dispositivo supracitado. Logo, rejeito esta preliminar. Quanto à insurgência do recorrente em relação à taxa Selic, a matéria resta pacificada neste E. Conselho, conforme Súmula nº 4, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009, que cristaliza o entendimento da legitimidade de sua aplicação: “Súmula CARF nº 4 – A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” Logo, correta a aplicação da taxa Selic. No que tange à qualificação da multa de ofício, prevista no art. 44, inciso I, §1º, da Lei nº 9.430, de 1996, nos casos em que, não houve retenção do imposto de renda na fonte, entendo que a mesma deve ser mantida, conforme razões que seguem. Fl. 889DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR 10 Com efeito, dá análise da documentação levada à Caixa Econômica Federal, qual seja, "Declaração para Não Incidência de IRRF", verificase que o evidente intuito do contribuinte ao apresentar tais declarações fora no sentido de impedir o conhecimento pela Receita Federal dos recursos recebidos por determinação da Justiça Federal, por conseguinte, retardando o recolhimento do imposto devido sobre a receita auferida e omitida, evidenciado se dessa forma, a conduta dolosa do contribuinte de fraudar o Fisco. A Lei nº 4.502, art. 72, conceituou fraude como: "toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento". Já por dolo ou conduta dolosa entendese: "[...] a consciência e a vontade de realização dos elementos objetivo do tipo injusto doloso [...] é saber e querer a realização do tipo objetivo de um delito. O dolo é, de certo modo, a imagem reflexa subjetiva do tipo objetivo da situação fática representada normativamente. A conduta dolosa é ais perigosa e deve ser punida mais gravamente do que a culposa." (PRADO, Luiz Regis. Curso de Direito Penal Brasileiro, 6 ed. Rio de Janeiro: Revista dos Tribunais, 2006, p.113, Apud PAULSEN, Leando. Direito Tributário: Constituição e Código Tributário....15. ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado Editora, ESMAFE, 2023, p. 1062). Vejase o Acórdão 9202003.128 CSRF, 2ª turma, que trata especificamente da matéria: A fraude se caracteriza por uma ação ou omissão, de uma simulação ou ocultação, e pressupõe, sempre, a intenção de causar dano à fazenda pública, num propósito deliberado de se subtrair, no todo ou em parte, a uma obrigação tributária. Assim, ainda que conceito de fraude seja amplo, deve sempre estar caracterizada a presença do dolo, um comportamento intencional, específico, onde, utilizandose de subterfúgios, escamoteia na ocorrência do fato gerador ou retarda o seu conhecimento por parte da autoridade fazendária. [...] A multa qualificada não é aplicada somente quando existem nos autos documentos com fraudes materiais, como contratos e recibos falsos, notas frias etc., decorre também da análise da conduta ou dos procedimentos adotados pelo contribuinte que emergem do processo. (Acórdão 9202003.128, CSRF, 2ª Turma, de 27 de março de 2014) No caso dos autos, o dolo está demonstrado na vontade do agente em impedir ou retardar o recolhimento do imposto, através das Declarações para Não Incidência de IRRF. Portanto, correta a aplicação da multa no percentual de 150%, conforme previsto na legislação de regência. Fl. 890DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 11516.003410/201007 Acórdão n.º 2102003.295 S2C1T2 Fl. 886 11 Por fim, passo a análise da multa de ofício, agravada e aplicada no percentual de 112,5%. É farta a jurisprudência do antigo Conselho de Contribuintes e também deste CARF, no sentido de que a simples não apresentação de documentos requeridos pela Fiscalização, quando não obstaculizam seu trabalho, não justifica o agravamento da multa. Vejamos: AGRAVAMENTO O agravamento da multa de ofício pelo atraso ou não atendimento de intimações e pedidos de esclarecimentos só tem aplicação quanto efetivamente demonstrada a recusa ou efetivo prejuízo ao procedimento fiscal. 1º CC. / 3ª Câmara / ACÓRDÃO 10323.566 em 17.09.2008. Publicado no DOU: 20.01.2009. IMPOSSIBILIDADE MATERIAL. AGRAVAMENTO DA MULTA DE OFÍCIO A impossibilidade material do contribuinte em cumprir a intimação da fiscalização para apresentar docume ntos não autoriza o agravamento da multa de ofício. 1º CC. / 1ª Câmara / ACÓRDÃO 10196.675 em 17.04.2008. Publicado no DOU em: 06.11.2008. MULTA AGRAVADA Não deve ser aplicada a multa agravada de 112,5% se não fica demonstrada ação ou omissão do contribuinte com o objetivo de retardar ou impedir a atividade de fiscalização. CARF 1ª Seção 2ª Turma da 3ª Câmara / ACÓRDÃO 130200.302 em 21.05.2010. Publicado no DOU em: 24.01.2011 MULTA AGRAVADA. FALTA DE ATENDIMENTO À INTIMAÇÃO Dispondo a fiscalização dos elementos necessários para apuração da matéria tributável, descabe o agravamento da multa por não atendimento à intimação para apresentação dessas informações. Recurso Voluntário Provido em Parte. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF 1ª Seção 1ª Turma da 3ª Câmara / ACÓRDÃO 130100.270 em 29.01.2010. Neste caso, verificase que a omissão de rendimentos quanto à primeira infração, tratase de rendimentos recebidos de pessoa jurídica por determinação da Justiça Federal, a qual fora facilmente apurada, através das Intimações nº 764/09 (fls. 477), n° 007/10 (fls. 481 e 482), encaminhadas à Caixa Econômica Federal, e esta apresentou os documentos de fls. 479/480 e 484 a 511, que embasaram o lançamento. Quanto à segunda infração apurada, qual seja, omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, verificase que a fiscalização obteve facilmente os extratos bancários por meio da Requisição de Informações sobre Movimentações Financeiras – RMF, n° 0920100 2010 00042 8, RMF n° 0920100 2010 00043, encaminhadas respectivamente à Caixa Econômica Federal (fls. 515) e a ao Banco do Brasil (fls. 563). Assim, entendo não cabível no caso o agravamento da multa. Fl. 891DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR 12 Ante o exposto, voto no sentido de REJEITAR a Preliminar de Nulidade do Lançamento e no mérito, DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso para desagravar a multa de ofício. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi Relatora Fl. 892DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR
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Numero do processo: 15956.000364/2009-14
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Apr 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2007 a 31/12/2008
COMPENSAÇÃO. GLOSA.
É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial.
Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos, contribuições federais, inclusive previdenciárias, e receitas patrimoniais, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a período subseqüente. A compensação só poderá ser efetuada entre tributos, contribuições e receitas da mesma espécie.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2403-002.975
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso quanto à compensação e por unanimidade de votos em dar provimento para determinar a exclusão das empresas GBA METALÚRGICA S.A e ATIVA - IND. COM IMPORT. EXPORT. MONT. LOC. MAQ. EQUI. LTDA, identificadas como Grupo Econômico.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente.
Marcelo Magalhães Peixoto - Relator.
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Julio de Souza, Ewan Teles Aguiar, Marcelo Magalhães Peixoto, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/2007 a 31/12/2008 COMPENSAÇÃO. GLOSA. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos, contribuições federais, inclusive previdenciárias, e receitas patrimoniais, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a período subseqüente. A compensação só poderá ser efetuada entre tributos, contribuições e receitas da mesma espécie. Recurso Voluntário Provido em Parte
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GLOSA. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos, contribuições federais, inclusive previdenciárias, e receitas patrimoniais, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a período subseqüente. A compensação só poderá ser efetuada entre tributos, contribuições e receitas da mesma espécie. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso quanto à compensação e por unanimidade de votos em dar provimento para determinar a exclusão das empresas GBA METALÚRGICA S.A e ATIVA IND. COM IMPORT. EXPORT. MONT. LOC. MAQ. EQUI. LTDA, identificadas como Grupo Econômico. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente. Marcelo Magalhães Peixoto Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 95 6. 00 03 64 /2 00 9- 14 Fl. 230DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 07/04 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Julio de Souza, Ewan Teles Aguiar, Marcelo Magalhães Peixoto, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. Fl. 231DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 07/04 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 15956.000364/200914 Acórdão n.º 2403002.975 S2C4T3 Fl. 231 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face do Acórdão nº. 1233.306 – 10ª Turma da DRJ/RJ1, fls. 161/173, que julgou totalmente improcedente a impugnação apresentada para manter incólume o crédito tributário consubstanciado no DEBCAD 37.230.0049, referente ao período de 01/06/2007 a 31/12/2008, no valor de R$ 5.056.246,41 (cinco milhões, cinqüenta e seis mil, duzentos e quarenta e seis reais e quarenta e um centavos). A atuação trata de Glosa de Compensação, por não atendimento ao disposto no art. 89 da Lei 8.212/91, bem como não ter observado o limite de trinta por cento das contribuições devidas à Previdência Social para as compensação informadas em GFIPs entregues até 03/12/2008. A recorrente é parte autora de duas ações judiciais: Ação Declaratória de inexistência de Relação Jurídica, cominada com pedido de compensação de valores, assim como um Mandado de Segurança Preventivo com pedido de liminar, versando sobre indébito de PIS e COFINS sobre ICMS debitado, não tendo sido localizada em nenhum dos processos, qualquer determinação judicial autorizando compensações com contribuições previdenciárias, estando ambos os processos suspensos aguardando conclusão da Ação Declaratória de Constitucionalidade ADC 18 perante o STF. Portanto, tratase de glosa de compensação de supostos créditos de PIS e COFINS que foram compensados com débitos PREVIDENCIÁRIOS, decorrentes de processos judiciais que não transitaram em julgado. Os fatos foram relatados no Relatório Fiscal, fls. 37/52, cujos trechos pertinentes encontramse colacionados abaixo: 1.1 Valendose do ICMS apurado sobre contribuições do PIS e CONFINS que entendeu possuir a seu crédito, ajuizou ações neste sentido e imediatamente a partir da competência 06/2007, passou a utilizar aqueles valores, atualizados através da SELIC, como compensação mensal das contribuições previdenciárias, informandoos em GFIP, o que reduziu o valor das contribuições mensais a recolher. 1.2 Nos esclarecimentos dos motivos das compensações e constando das planilhas de cálculos, foi observada a citação de dois processos que estariam amparando o procedimento: 1.2.1. Processo 2007.61.02.0084129 da 2ª Vara Federal de Ribeirão Preto, protocolo de 29/06/2009 com Ação Declaratória de inexistência de Relação Jurídica Tributária c.c., Pedido de Compensação de Valores e Tutela Antecipatória. Houve Agravo de Instrumento ao TRF 3º em 27/07/2007 contra decisão que negou a tutela antecipatória, do qual se extrai no item "Razões do Agravo": Fl. 232DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 07/04 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 "Da responsabilidade da empresa perante Fisco Inicialmente há que se destacar que uma eventual concessão liminar de compensação, ante a nova tendência jurisdicional de se reconhecer a inconstitucionalidade do ICMS na base de cálculo do PIS/COFINS, viabiliza a redução ainda que momentânea da elevada carga tributária que pesa sobre as empresas nacionais, tão essencial à sua sobrevivência e concorrência, principalmente no ramo têxtil, face as aberturas desse mercado à China, em fato social que não pode passar desapercebido pelas instâncias julgadoras. Mesma via, a título de argumentação, caso futuramente a presente ação não seja julgada procedente, a responsabilidade perante o órgão tributante é exclusivamente da empresa agravante, ficando a mesma responsável pelas consequências de improcedência de seu pedido, em nada podendo onerar o Poder judiciário." (...) 1.2.3. Não foi localizada, nos processos referidos, nenhuma determinação judicial autorizando compensações com contribuições previdenciárias. Além disso, os dois processos estão suspensos aguardando conclusão da ADC/18 Ação Declaratória de Constitucionalidade. (...) 2.1. Os valores totais contabilizados na conta "210402001INSS a Recolher" durante o ano de 2007 e 2008 são os informados nas planilhas extraída da contabilidade: (...) Observase que no ano de 2007 os valores lançados na coluna "Tot Crédito" até a competência de maio, guardam proporcionalidade em sua ordem de grandeza com a coluna "Tot Débitos". A natureza dos créditos nesta conta corresponde ao valor das contribuições previdenciárias devidas, enquanto os débitos aos pagamentos efetuados. A partir da competência de junho de 2007, enquanto os créditos permanecem em valores próximos, os débitos são registrados por valores menores, pelo fato da empresa ter efetuado os recolhimentos utilizandose de mecanismo de compensação de valores. Em dezembro de 2007 no total a débito está incluído o valor de R$ 1.039.490,43 lançado em contrapartida da conta "220401001 Processos Diversos", do grupo de contas "220400000IMP/CONTRIB C/ COMPENSAÇÃO EM ANDAMENTO", com o histórico "RECLASSIFICAÇÃO DE LONGO PRAZO". O mesmo lançamento e contrapartida ocorreu em 30/06/2008 pelo valor de R$ 164.653,34, com o histórico "LANÇTO REF ATUALIZAÇÃO SALDO PROCESSOS DIVERSOS" Fl. 233DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 07/04 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 15956.000364/200914 Acórdão n.º 2403002.975 S2C4T3 Fl. 232 5 A sequencia mensal dos registros dos créditos no ano de 2008 evidenciam queda no volume da atividade. A coluna dos recolhimentos, "Tot Débito", apresentou comportamento irregular até setembro de 2008 estabilizandose a partir de outubro. A conclusão que se chega após estas análises é que a empresa não formou convicção da condição de regularidade ou segurança do procedimento compensatório efetuado, a ponto de não reconhecêlos contabilmente. Caso isso tivesse ocorrido, uma vez que houve regularidade dos recolhimentos após a compensação, o saldo da conta de INSS a recolher não poderia ter aumentado no período em que ocorreram as compensações. Houve também a caracterização de grupo econômico, liderado pela GBA Caldeiraria e Montagens Industriais LTDA, com as empresas Ativa Ind. Com. Import. Export. Mont. Loc. Máq. Equi. LTDA, e GBA Metalúrgica S.A. DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com o lançamento, a empresa GBA Caldeiraria e Montagens Industrias LTDA contestou a autuação fiscal em epígrafe por meio do instrumento de fls. 83/104. A responsável solidária GBA Metalúrgica S/A apresentou Impugnação, fls. 111/120, bem como a empresa Ativa Ind. Com. Imp. Exp. Mont. Loca. Maquinas e Equipamentos LTDA, fls. 136/140. DA DECISÃO DA DRJ Após analisar os argumentos dos então impugnantes, a 10ª Turma da Delegacia da Receita do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I, DRJ/RJ1, prolatou o Acórdão nº 1233.306, fls. 161/173, a qual julgou improcedente as impugnações ofertadas para manter incólume o crédito tributário, conforme ementa a seguir transcrita. Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/2007 a 31/12/2008 GLOSA DE COMPENSAÇÃO. AÇÃO JUDICIAL EM CURSO. A propositura pelo sujeito passivo da ação judicial que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual trate o processo administrativo importa em renúncia ao contencioso administrativo. Ocorrerá, todavia, a instauração de contencioso somente em relação à matéria distinta daquela discutida judicialmente. GRUPO ECONÔMICO. As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes da Lei 8.212/1991 (artigo 30, inciso IX). Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido. Fl. 234DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 07/04 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 6 DO RECURSO VOLUNTÁRIO Irresignada, a Recorrente, GBA CALDEIRARIA E MONTAGENS INDUSTRIAIS LTDA, interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário, fls. 188/195, requerendo a reforma do Acórdão da DRJ, utilizandose, para tanto, dos seguintes argumentos: 1) A suspensão do presente processo até a Decisão Final a ser proferida pelo STF sobre a constitucionalidade ou não da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS/COFINS, eis que os valores compensados são objeto direto do AI em recurso; 2) Que seja declarada indevida a glosa mantida pelo Acórdão recorrido, face o débito inerente da recorrente compensar seus créditos com seus débitos tributários, como garantia constitucional, extinguindose os créditos tributários em favor da Fazenda Nacional; 3) A inexistência de grupo econômico. A empresa ATIVA. IND. COM. IMP. EXP. MONT. LOC. MAQUINAS E EQUIPAMENTOS LTDA apresentou Recurso Voluntário, fls. 203/207, afirmando que não há existência de grupo econômico entre esta e a GBA Caldeiraria e Montagens Industriais LTDA. A empresa GBA METALÚRGICA S/A apresentou Recurso Voluntário, fls. 208/216, requerendo o afastar o conhecimento de grupo econômico entre as empresas citadas, e de solidariedade não prevista em lei, nem tampouco entre as partes. É o relatório. Fl. 235DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 07/04 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 15956.000364/200914 Acórdão n.º 2403002.975 S2C4T3 Fl. 233 7 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto DA TEMPESTIVIDADE Conforme documento de fl. 219 temse que o recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. DA COMPENSAÇÃO A presente autuação trata de suposto direito a compensação valendose do ICMS apurado sobre contribuições do PIS e COFINS que a empresa entendeu possuir a seu favor, tendo ajuizado ações neste sentido e imediatamente passando a utilizar aqueles valores como compensação mensal nas contribuições previdenciárias. Ocorre que este supostos créditos estão sob discussão em processos judiciais propostos pelo contribuinte, o que atrai, de pronto, as disposições do art. 170A do Código Tributário Nacional, in verbis: Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. Ademais, a compensação dos créditos pleiteados com débitos previdenciários encontra óbice no art. 66, parágrafo 1º da Lei 8.383/91, in verbis: Art. 66. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos, contribuições federais, inclusive previdenciárias, e receitas patrimoniais, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a período subseqüente. § 1º A compensação só poderá ser efetuada entre tributos, contribuições e receitas da mesma espécie. O PIS e a COFINS são espécies do gênero contribuições, no entanto, são contribuições sociais e não contribuições previdenciárias, o que é, na legislação vigente, vedado, nos termos do artigo acima transcrito. DO GRUPO ECONÔMICO Alega a autoridade fiscal que estaria configurado Grupo Econômico entre a principal autuada e as empresas GBA METALÚRGICA S.A e ATIVA IND. COM. IMPORT. EXPORT. MONT. LOC. MAQ. EQUI. LTDA.Trás para tanto os seguintes motivos: Fl. 236DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 07/04 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 8 i. Os únicos sócios da GBA Caldeiraria (José Augusto Marconato e Wania Maria Beutler Marconato) são os pais dos únicos sócios da empresa ATIVA; ii. Os únicos acionistas da GBA Metalúrgica são os srs. José Augusto Marconato e Wania Maria Beutler Marconato, apesar de a empresa ser administratada por uma diretoria eleita; iii. Há instrumento público de procuração outorgada em 2008, pela empresa ATIVA aos duas pessoas que também são os diretores da GBA Metalúrgica, com poderes para praticar atos de operações financeiras, comerciais, contratação e rescisão de contrato de trabalho, dentre outras; iv. Há notícias em jornais que evidenciam que as empresas integram um grupo econômico; v. Há na contabilidade operações internas típicas de grupos econômicos, tais como empréstimos e doações entre as empresas; vi. Relatórios de Revisão Contábil elaborados por empresa de auditoria externa, realizado para cada uma das empresas também evidencia a necessidade de ajustes e formalização de operações entre elas, tratandoas como "empresas do grupo"; Não obstante estes fundamentos expostos verifico que em momento algum houve a devida tipificação legal para exigibilidade das contribuições das empresas que integram um suposto grupo econômico (art. 124, I do CTN). O relatório de Fundamentação Legal de Débito – FLD, fls. 11/12 é omisso quanto a este fato, o que é caracterizador de nulidade por vício material, neste ponto, uma vez que afeta o disposto no art. 142 do CTN, por ausência de determinação do sujeito passivo, ante o exposto, devem estas empresas serem excluídas do polo passivo da presente autuação. CONCLUSÃO Do exposto, conheço do Recurso Voluntário negar provimento quanto à compensação. Dar provimento para determinar a exclusão das empresas GBA METALÚRGICA S.A e ATIVA IND. COM. IMPORT. EXPORT. MONT. LOC. MAQ. EQUI. LTDA, identificadas como Grupo Econômico. Marcelo Magalhães Peixoto Relator Fl. 237DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 07/04 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
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Numero do processo: 36266.012835/2006-32
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2006
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO - NFLD. CONTRIBUIÇÕES. NÃO RECOLHIMENTO EM ÉPOCA PRÓPRIA. COTA PATRONAL. SAT/RAT E TERCEIROS. OBRIGAÇÃO DESCUMPRIDA. CONSEQUENCIAS. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. FISCALIZAÇÃO. REGRAS CUMPRIDAS. ARTIGOS 33 E 37 DA LEI Nº 8.212, DE 1991.
A discussão em questão diz respeito a contribuições previdenciárias devidas e não recolhidas em épocas próprias relativamente à parte da empresa, bem como ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, na forma prevista nos incisos I e II do artigo 22 da Lei nº 8.212, de 1991, e também as contribuições destinadas a outras entidades e fundos (Relatório Fiscal fls. 24).
A lei de custeio e a Constituição estabeleceram a obrigatoriedade de pagamento das verbas ora discutidas, a fiscalização cumpriu sua missão de constituir o crédito e o contribuinte não fez a sua parte. Assim, não há que se falar em nulidade por falta de apontamento dos valores devidos.
Ademais, na constituição do crédito tributário a autoridade administrativa respeitou as regras contidas nos artigos 33 e 37 da Lei nº 8.212, de 1991, não havendo, portanto, qualquer vício de legalidade no seu trabalho.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2803-004.071
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente
(Assinado digitalmente)
Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Ricardo Magaldi Messetti.
Nome do relator: AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
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CUSTEIO. NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO NFLD. CONTRIBUIÇÕES. NÃO RECOLHIMENTO EM ÉPOCA PRÓPRIA. COTA PATRONAL. SAT/RAT E TERCEIROS. OBRIGAÇÃO DESCUMPRIDA. CONSEQUENCIAS. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. FISCALIZAÇÃO. REGRAS CUMPRIDAS. ARTIGOS 33 E 37 DA LEI Nº 8.212, DE 1991. 1. A discussão em questão diz respeito a contribuições previdenciárias devidas e não recolhidas em épocas próprias relativamente à parte da empresa, bem como ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, na forma prevista nos incisos I e II do artigo 22 da Lei nº 8.212, de 1991, e também as contribuições destinadas a outras entidades e fundos (Relatório Fiscal fls. 24). 2. A lei de custeio e a Constituição estabeleceram a obrigatoriedade de pagamento das verbas ora discutidas, a fiscalização cumpriu sua missão de constituir o crédito e o contribuinte não fez a sua parte. Assim, não há que se falar em nulidade por falta de apontamento dos valores devidos. 3. Ademais, na constituição do crédito tributário a autoridade administrativa respeitou as regras contidas nos artigos 33 e 37 da Lei nº 8.212, de 1991, não havendo, portanto, qualquer vício de legalidade no seu trabalho. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 36 26 6. 01 28 35 /2 00 6- 32 Fl. 147DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 9/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 36266.012835/200632 Acórdão n.º 2803004.071 S2TE03 Fl. 3 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Ricardo Magaldi Messetti. Fl. 148DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 9/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 36266.012835/200632 Acórdão n.º 2803004.071 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD lavrada em desfavor do contribuinte acima identificado, relativamente às contribuições previdenciárias devidas à Seguridade Social, não recolhidas em épocas próprias, no que diz respeito à parte da empresa, bem como aquelas destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, na forma prevista pelo art. 22, I e II, da Lei nº 8.212/91, como também as contribuições destinadas a outras entidades. O Contribuinte devidamente notificado apresentou defesa tempestiva. A impugnação foi julgada em 12 de abril de 2007 e ementada nos seguintes termos: INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. JUROS. TAXA SELIC. MULTA. SAT. TERCEIROS. SEBRE. INCRA. Compete exclusivamente ao Supremo Tribunal Federal decidir sobre matéria relativa a constitucionalidade de lei. Art. 97 e 102, I, “” da C.F. A Administração Pública está sujeita ao princípio da legalidade, à obrigação de cumprir e respeitar as leis em vigor. Art. 37 da CF. Sobre as contribuições sociais em atraso incidem juros equivalentes à taxa referencial do sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC, e multa de mora, que não podem ser relevado. (art. 34 e 35, da Lei nº 8212/91). A contribuição do SAT é prevista pelo art. 22, II, da Lei nº 8.212/91, o qual define suas alíquotas. As contribuições destinadas a Entidades e Fundos, para os quais, por força de convênio, o INSS se incumbe de arrecadar e repassar estão previstas na legislação conforme art. 94 da Lei nº 8.212/91 e Decreto nº 3.048/99. LANÇAMENTO PROCEDENTE Inconformado com resultado do julgamento da primeira instância administrativa, o Contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega, em síntese, o seguinte: Tratase de NFLD lavrada contra a Recorrente, apontando suposta infração consubstanciada na falta de recolhimento da contribuição da empresa sobre a remuneração de empregados; contribuição ao SAT; ao INCRA; ao SENAI. Ao SESI e ao SEBRAE, no período de 04/2005 a 06/2006, nos termos do artigo 22, inciso I, e seguintes, da Lei 8212/91, declaradas em GFIP pela Recorrente. Fl. 149DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 9/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 36266.012835/200632 Acórdão n.º 2803004.071 S2TE03 Fl. 5 4 Em face de tal lançamento foi apresentada defesa administrativa, demonstrando a nulidade do lançamento, em razão da falta de comprovação dos valores devidos; da ilegalidade da cobrança das Contribuições ao SEBRAE, SAT, INCRA, assim como da abusividade da multa aplicada, e por fim, da ilegalidade da aplicação da taxa SELIC como juros moratórios. A NFLD deve ser anulada pela falta de comprovação dos valores apontados como devidos. É ilegal a cobrança das contribuições ao SEBRAE, SAT, INCRA, A multa aplicada tem efeito confiscatório. É inconstitucional a utilização da taxa SELIC como juros moratórios. De todo o exposto, a Recorrente requer seja dado provimento ao presente recurso administrativo, reformandose a r. decisão recorrida, para o fim de se declarar nula a NFLD nº 35.055.1842, em razão da falta de fundamentação probatória apta a demonstrar a efetiva ocorrência do fato gerador das contribuições cobradas; ou, caso assim não entendam V. Sas., para o fim de que, no mérito, seja julgada improcedente a NFLD, excluindose do montante exigido as parcelas relativas às contribuições ao SAT, ao SEBRAE e ao INCRA, bem como dos percentuais discriminados no lançamento a título de penalidade tributárias, aplicandose o percentual de 20% (vinte por cento) consoante as disposições da Lei nº 9.430/96, e por fim, o expurgo do índice da taxa SELIC como critério de juros moratórios, para aplicação dos juros moratórios de 1% (um por cento) previstos no art. 161, § 1º, do CTN. Não apresentadas as contrarrazões. É o relatório. Fl. 150DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 9/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 36266.012835/200632 Acórdão n.º 2803004.071 S2TE03 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. A discussão em questão diz respeito a contribuições previdenciárias devidas e não recolhidas em épocas próprias relativamente à parte da empresa, bem como ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, na forma prevista nos incisos I e II do artigo 22 da Lei nº 8.212, de 1991, e também as contribuições destinadas a outras entidades e fundos (Relatório Fiscal fls. 24). O contribuinte vem requerendo desde a impugnação a nulidade do lançamento, em razão da falta de comprovação dos valores apontados como devidos, que é ilegal a cobrança das contribuições ao SEBRAE, SAT, INCRA, que a multa aplicada tem efeito confiscatório e que é inconstitucional a utilização da taxa SELIC como juros moratórios. Dos argumentos contidos no recurso notase que o contribuinte preferiu cuidar de generalidades, considerando que o fato gerador das contribuições ficou bem evidenciado no trabalho realizado pela fiscalização. O ponto nodal deste lançamento, como já referido, diz respeito a obrigação legalmente exigida e não cumprida pela empresa, ou seja, o pagamento das contribuições estabelecidas nos incisos I e II do artigo 22 da lei nº 8.212, de 1991, bem como as contribuições devidas aos denominados Terceiros, na forma do artigo 94 do mesmo diploma legal. Vêse, portanto, que não existe qualquer motivo para a anulação da NFLD, notadamente por suposta falta de comprovação dos valores apontados como devidos, como pretende o contribuinte. A lei de custeio e a Constituição estabeleceram a obrigatoriedade de pagamento das verbas ora discutidas, a fiscalização cumpriu sua missão de constituir o crédito e o contribuinte não fez a sua parte. Assim, não há que se falar em nulidade por falta de apontamento dos valores devidos. Ademais, na constituição do crédito tributário a autoridade administrativa respeitou as regras contidas nos artigos 33 e 37 da Lei nº 8.212, de 1991, não havendo, portanto, qualquer vício de legalidade no seu trabalho. De outra parte, não há que se falar também em inconstitucionalidade da taxa Selic, tendo em vista que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). De acordo com o artigo 72 do RICARF, as súmulas são de observância obrigatória pelos membros do CARF. Fl. 151DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 9/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 36266.012835/200632 Acórdão n.º 2803004.071 S2TE03 Fl. 7 6 O lançamento e a decisão recorrida, como se pode observar, estão em perfeita harmonia com a legislação que rege o processo administrativo fiscal, motivo pelo qual os mantenho pelos seus próprios e jurídicos fundamentos. CONCLUSÃO. Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, NEGAR LHE PROVIMENTO. É como voto. (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator. Fl. 152DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 9/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR
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Numero do processo: 10882.908339/2009-78
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 16 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002
PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida.
As Declarações (DCTF e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional - CTN).
DCOMP PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR.
A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova não é suficiente para afastar a exigência do débito decorrente de compensação não homologada.
Numero da decisão: 1802-002.511
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Henrique Heiji Erbano, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. As Declarações (DCTF e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional CTN). DCOMP PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova não é suficiente para afastar a exigência do débito decorrente de compensação não homologada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 83 39 /2 00 9- 78 Fl. 127DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/ 03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 10882.908339/200978 Acórdão n.º 1802002.511 S1TE02 Fl. 3 2 (documento assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Presidente (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Henrique Heiji Erbano, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira. Relatório Por economia processual e bem resumir os fatos adoto o Relatório da decisão recorrida que transcrevo a seguir: Tratam os autos da declaração de compensação nº 23389.44314.310107.1.3.040825, transmitida eletronicamente em 31/01/2007, com base em créditos relativos ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ. A contribuinte declarou no PER/DCOMP a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, cujo DARF apresenta as seguintes características: Características do DARF: PERÍODO DE APURAÇÃO: 31/12/2001 CÓDIGO DE RECEITA : 2089 VALOR TOTAL DO DARF : 24.238,89 DATA DE ARRECADAÇÃO: 28/03/2002 A partir das características do DARF foi identificado que o referido pagamento havia sido utilizado parcialmente, de modo que foi reconhecido direito creditório no montante de R$ 3.710,22, insuficiente para compensar integralmente os débitos declarados. Assim, em 07/10/2009, foi emitido eletronicamente o Despacho Decisório (fl. 2), cuja decisão homologou parcialmente a declaração de compensação por insuficiência de crédito. O valor do principal correspondente aos débitos informados é de R$ 11.185,48. Cientificado dessa decisão em 19/10/2009, o sujeito passivo apresentou em 18/11/2009, manifestação de inconformidade à fl. 23 e 24, acrescida de documentação anexa. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/ 03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 10882.908339/200978 Acórdão n.º 1802002.511 S1TE02 Fl. 4 3 Em síntese, a contribuinte esclarece que teria recolhido indevidamente três parcelas de IRPJ referentes ao período em análise. Uma vez constatado o recolhimento indevido, retificou suas declarações. Apresenta quadro demonstrativo e anexa aos autos cópias das declarações. Ao final, solicita a homologação da compensação requerida por meio do PER/DCOMP em análise, cancelandose o débito fiscal dela decorrente. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ/Brasília/DF) julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, conforme decisão proferida no Acórdão nº 0356.222, de 17 de outubro de 2013, cientificado ao interessado em 20/12/2013. A decisão recorrida possui a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário:2002 DECLARAÇÃO RETIFICADORA. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil/fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A compensação de créditos tributários só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo; no caso, o crédito pleiteado é inexistente. A pessoa jurídica interpôs recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em 17/01/2014. A Recorrente alega que: Fl. 129DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/ 03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 10882.908339/200978 Acórdão n.º 1802002.511 S1TE02 Fl. 5 4 há equívoco na decisão recorrida ao sustentar que a pessoa jurídica deveria, em sua manifestação de inconformidade, provar, através dos seus assentamentos contábeis/fiscais embasando sua escrituração com a apresentação de documentos hábeis e idôneos, segundo sua natureza, fundamentando seus lançamentos contábeis com o comprovante de retençãoemitido em seu nome pela fonte pagadora; tal entendimento é totalmente descabido na análise do presente contencioso administrativo fiscal posto que a Recorrente em sua impugnação item "d" deixou claro que o todo alegado poderia ser devidamente comprovado através da Declaração de Informações Econômico Fiscais DIPJ/2002 fl.47 dos autos, entregue e encaminhada à Secretaria da Receita Federal do Brasil; é cediço que a Declaração de Informações Econômico Fiscais DIPJ é a reprodução integral dos assentamentos contábeis/fiscais do sujeito passivo e, os dados nela contidos, estão permanentemente à disposição de autoridade fiscal para apreciação, análise e contestações que se fizerem necessárias; o crédito tributário que deu origem ao pedido de compensação não homologado pela Autoridade Administrativo preparadora, não tem sua origem em imposto de renda retido na fonte como sugerido pela ilustre JulgadoraRelatora fls. 71 dos autos, mas sim da diferença entre o valor efetivamente recolhido e o valor devido constante da Declaração de Informações EconômicoFiscais, pertinente ao 4o Trimestre do AnoCalendário de 2001; conforme informado pela Recorrente o Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ código da receita 2089, referente ao 4o Trimestre de 2001, apurado e informado na DIPJ somou a quantia de R$ 8.906,39 (oito mil, novecentos e seis reais e trinta e nove centavos), e o valor recolhido, conforme atestado através dos DARF's anexados aos autos somou a quantia de R$ 64.593,56 (sessenta e quatro mil, quinhentos e noventa e três reais e cinquenta e seis centavos); havendo receitas decorrentes de prestação de serviços e estando dentro dos limites previstos pela legislação tributária, a fonte pagadora deve proceder à devida retenção do imposto/contribuições devidos o qual, por sua vez, será deduzido do imposto ou contribuição a pagar/recolher; no Ano Calendário de 2001, submeteuse ao regime de tributação com base no Lucro Presumido e, no 4o Trimestre do período de apuração encerrado em 31 de dezembro de 2001, recolheu o Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ, no montante de R$ 64.593,56 (sessenta e quatro mil, quinhentos e noventa e três reais e cinquenta e seis centavos), dividido em três parcelas, conforme a seguir demonstrado, que foram devidamente informados em DCTF: IRPJ 3° Trimestre — PA 31/12/2001 Data vencimento/recolhimento Valor Recolhido em R$ I a Parcela 31/01/2002 20.076,97 2a Parcela 28/02/2002 20.277,70 3a Parcela 28/03/2002 24.238,89 TOTAL 64.593,56 após a entrega da Declaração de Informações Econômico Fiscais do Exercício de 2002 Ano Calendário de 2001 constatou que o valor efetivamente devido no 4o Trimestre de 2001, era de R$ 8.906,39 (oito mil, novecentos e seis reais e trinta e nove centavos), fato este verificado em Fl. 130DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/ 03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 10882.908339/200978 Acórdão n.º 1802002.511 S1TE02 Fl. 6 5 tempo posterior através de auditoria interna a fim de analisar os procedimentos de natureza contábil/fiscal adotados pela Recorrente; ao determinar a base de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicou sobre a receita auferida no 4° Trimestre de 2001, a alíquota de 32% (trinta e dois por cento), quando a alíquota efetiva a ser aplicada era de 8% (oito por cento), em face de suas atividades operacionais. Daí a origem do seu direito creditório. Ipso fato procedeu à retificação da Declaração de Informações Econômico Fiscais DIPJ/2002 Retificadora, em 29/12/2006, fls. 42/48 dos autos, e da Declaração de Débitos e Créditos Tributários DCTF Retificadora, fls.49/53 dos autos, em 29/12/2006, do 4º Trimestre de 2001. diante da constatação das inconsistências acima apontadas a Recorrente concluiu que no 4o Trimestre de 2001, recolheu o Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ, em valores acima do efetivamente devido no montante de R$ 55.687,17 (cinquenta e cinco mil, seiscentos e oitenta e sete reais e dezessete centavos), abaixo demonstrado: IRPJ 4o Trimestre PA 31/12/2001 Data venct0/recolhimento Valor Recolhido em R$ Valor Devido em R$ Valor Recolhido a Maior I a Parcela 31/01/2002 20.076,97 8.906,39 11.170,58 2a Parcela 28/02/2002 20.277,70 20.277,70 3a Parcela 28/03/2002 24.238,89 24.238,89 TOTAL 64.593,56 8.906,39 55.687,17 o crédito reclamado através deste PER/DCOMP referese ao pagamento das quotas recolhidas no curso do 1º trimestre de 2002, o qual está devidamente comprovado através das declarações e documentos apresentadas em sua impugnação; os valores informados na DCTFRetificadora, recepcionada em 29 de dezembro de 2006 fls. fls.49/53 dos autos estão sobejamente comprovados através dos dados extraídos da Declaração de Informações Econômico Fiscais Retificadora do Exercício de 2002 AnoCalendário de 2001, recepcionada em 29 de dezembro de 2006 fls. 42/48 dos autos e dos DARF's anexados aos autos do presente contencioso administrativo fiscal fls. 54/56. Finalmente requer provimento do recurso voluntário e protesta pela produção de novos argumentos de fato e de direito, provas admitidas em direito, diligências e perícias, se necessárias. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72. Dele conheço. O presente processo tem origem no PER/DCOMP nº 23389.44314.310107.1.3.040825 (fls.06/08), transmitido em 31/01/2007, em que a Fl. 131DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/ 03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 10882.908339/200978 Acórdão n.º 1802002.511 S1TE02 Fl. 7 6 contribuinte pretende compensar débitos de IRPJ e CSLL relativos ao 4º Trimestre de 2006 no total de R$ 17.956,62 com a utilização de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de IRPJ, código – 2089, relativo ao DARF: Período de Apuração: 31/12/2001; Data de Arrecadação: 28/03/2002, no valor de R$ 24.238,89. Consta do despacho decisório de fl.03, emitido em 20/04/2009 que a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP de que tratam os presentes autos, foi localizado o pagamento no valor de R$ 24.238,89, mas utilizado para quitação de débitos do contribuinte, o valor de R$ 20.528,67, restando o saldo disponível no valor R$ 3.710,22 para compensação dos débitos informados no PERDCOMP. Desse modo foi reconhecido, parcialmente, o direito creditório no montante de R$ 3.710,22, porém insuficiente para compensar integralmente os débitos declarados. A decisão de primeira instância manteve o despacho decisório. A Recorrente afirma que o crédito reclamado através deste PER/DCOMP referese ao pagamento das quotas recolhidas no curso do 1º trimestre de 2002, relativo ao 4º Trimestre de 2001, o qual está devidamente comprovado através das declarações (DCTF e DIPJ) e DARFs apresentados em sua impugnação. De inicio, cabe registrar que somente são passíveis de compensação os créditos líquidos e certos. A Recorrente, no essencial, alega que o crédito está sobejamente comprovado por meio dos valores informados na DCTFRetificadora, recepcionada em 29 de dezembro de 2006 fls. fls.49/53 através dos dados extraídos da Declaração de Informações Econômico Fiscais Retificadora do Exercício de 2002 AnoCalendário de 2001, recepcionada em 29 de dezembro de 2006 fls. 42/48 e dos DARF's anexados aos autos do presente contencioso administrativo fiscal fls. 54/56. Como se vê, o contribuinte informa o crédito a compensar no PER/DCOMP nº 23389.44314.310107.1.3.040825 (fls.06/08), transmitido em 31/01/2007, porque em 29/12/2006 procedeu a retificação da DCTF relativa ao 4º trimestre de 2001 e DIPJ/2002. No entendimento da decisão recorrida não basta a retificação da DCTF e da DIPJ/2002 para comprovar o direito creditório, pois, neste momento processual, para se comprovar a liquidez e certeza do crédito informado na declaração de compensação é imprescindível que seja demonstrada na escrituração contábil/fiscal da contribuinte, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A Recorrente alega que, ao determinar a base de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicou sobre a receita auferida no 4° Trimestre de 2001, a alíquota de 32% (trinta e dois por cento), quando a alíquota efetiva a ser aplicada era de 8% (oito por cento), em face de suas atividades operacionais. Daí a origem do seu direito creditório. Diz que, ipso fato procedeu à retificação da Declaração de Informações Econômico Fiscais DIPJ e da Declaração de Débitos e Créditos Tributários DCTF como explicitado acima. Fl. 132DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/ 03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 10882.908339/200978 Acórdão n.º 1802002.511 S1TE02 Fl. 8 7 De plano, o que se observa nos autos é que a interessada não traz, além das declarações retificadoras, qualquer elemento que comprove suas alegações, o que viola a regra jurídica adotada pelo direito pátrio de que a prova compete ou cabe à pessoa que alega o fato, conforme se depreende do abaixo transcrito artigo 16, caput, III, do Decreto n° 70.235, de 1972 (PAF), que regulamenta o processo administrativo fiscal no âmbito federal, e do artigo 333, do Código de Processo Civil,verbis: Decreto n° 70.235, de 1972: Art. 16. A impugnação mencionará: III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. CPC Art. 333. 0 ônus da prova incumbe: I — ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito ... A Recorrente, genericamente, protesta pela produção de novos argumentos de fato e de direito, provas admitidas em direito, diligências e perícias, se necessárias. Ora, nada impedia ao contribuinte, acaso interessado em comprovar seu direito creditório, a proceder a juntada de cópia da escrituração contábil/fiscal e comparar com os valores declarados na DIPJ/2002 e DCTF. E, demonstrar cabalmente suas atividades operacionais mediante notas fiscais para os fins de apuração do lucro presumido, a se verificar qual o percentual de aplicação se 8% (retificadora) ou 32% como apurado nas declarações originais. Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. Como registrado acima e, nos termos do artigo 333, inciso I, do Código de Processo Civil, ao autor incumbe o ônus da prova dos fatos constitutivos do seu direito. Logo, o indébito tributário deve ser necessariamente comprovado sob pena de pronto indeferimento. No caso em tela, a prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido, pois, no presente caso somente o contribuinte detém em seu poder os registros de prova necessários para a elucidação da verdade dos fatos. Como bem esclarecido na decisão recorrida, os registros contábeis e demais documentos fiscais acerca do indébito, são elementos indispensáveis para que se comprove a certeza e a liquidez do direito creditório aqui pleiteado. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/ 03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 10882.908339/200978 Acórdão n.º 1802002.511 S1TE02 Fl. 9 8 Nesse sentido, na declaração de compensação apresentada, o indébito não contém os atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito junto à Fazenda Pública, sob pena de haver reconhecimento de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). É certo que o artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. Como cediço, as Declarações (DCTF e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional CTN). A busca da verdade material não autoriza o julgador a substituir o interessado na produção das provas. A apresentação dos documentos juntamente com a defesa é ônus da alçada da recorrente. No presente caso, a recorrente teria, em tese, à sua disposição todos os meios para provar o alegado crédito e os equívocos dito cometidos. Não o fez. Cabe ao Fisco exigir a comprovação do crédito pleiteado, desde que não tenha ocorrido a homologação tácita da compensação, nos moldes do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 que assim dispõe: § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) Conforme dito acima, o PER/DCOMP foi transmitido pela pessoa jurídica em 31/07/2007, tomou ciência do despacho decisório expedido em 07/10/2009, e apresentou a manifestação de inconformidade em 18/11/2009. Portanto, o despacho decisório se deu antes do prazo de 5 (cinco) anos. É dever do Fisco proceder a análise do crédito e, o contribuinte que reclama o pagamento indevido tem o dever de comprovar a certeza e liquidez do crédito reclamado. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova não é suficiente para afastar a exigência do débito decorrente de compensação não homologada. Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Fl. 134DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/ 03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 10882.908339/200978 Acórdão n.º 1802002.511 S1TE02 Fl. 10 9 Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 135DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/ 03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA
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Numero do processo: 10935.004992/2006-51
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 23 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Apr 06 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1803-000.048
Decisão: Por maioria de votos, sobrestaram o julgamento nos termos do § 1°, do art. 62A, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Vencido o Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes.
(assinado digitalmente)
Selene Ferreira de Moraes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Victor Humberto da Silva Maizman - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Selene Ferreira de Moraes (presidente), Walter Adolfo Maresch, Sergio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Victor Humberto da Silva Maizman e Sérgio Luiz Bezerra Presta.
Nome do relator: Não se aplica
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Vencido o Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Presidente. (assinado digitalmente) Victor Humberto da Silva Maizman Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Selene Ferreira de Moraes (presidente), Walter Adolfo Maresch, Sergio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Victor Humberto da Silva Maizman e Sérgio Luiz Bezerra Presta. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 35 .0 04 99 2/ 20 06 -5 1 Fl. 1080DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2012 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN, Assinado digitalmente e m 18/10/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 111 ___________ Relatório. Trata o processo de autos de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica — IRPJ, PIS, COFINS e CSLL e reflexos, relativos aos anos calendários 2001 a 2004. Após a impugnação do sujeito passivo, a DJR julgou a questão ementando da seguinte forma: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004 NULIDADE. FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. DESCABIMENTO. Ê infundada a argüição de nulidade dos lançamentos se os dispositivos legais que os fundamentaram encontramse descritos no Auto de Infração, e a peça impugnatória é apresentada com desenvoltura suficiente para contradizer o suposto cerceamento do direito de defesa. NULIDADE. LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO FORA DAS DEPENDÊNCIAS DA EMPRESA. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO. Em atenção ao principio da instrumentalidade das formas, não cabe declarar nulidade sem que parte demonstre o efetivo prejuízo sofrido, sendo, portanto, insubsistente o pleito de nulidade do auto de infração pela mera circunstância de haver sido lavrado na repartição da Delegacia da SRF. INTIMAÇÃO. VIA POSTAL. RECEBIMENTO. IRRELEVÃNCIA DA QUALIFICAÇÃO DO RECEBEDOR. Ê improcedente a argüição de nulidade das intimações fiscais enviadas por via postal, sob a alegação de recebimento por pessoa estranha ao quadro societário da empresa, eis que é irrelevante a qualificação do recebedor da correspondência, bastando o correto endereçamento. PROVA ILÍCITA. SIGILO BANCÁRIO. MATÉRIA NÃO SUJEITA A RESERVA DE JURISDIÇÃO. É improcedente o pedido de nulidade do auto de infração, por suposta utilização de prova ilícita, consistente na violação do sigilo bancário da empresa, eis que o ato de levantamento do sigilo bancário não se insere nas matérias sujeitas A reserva de jurisdição, podendo ser efetivada diretamente pelo fisco, conforme previsão legal. DECADÊNCIA. IRPJ. TERMO INICIAL A inexistência de pagamento de tributo, em relação A receita omitida, que deveria ter sido lançado por homologação enseja a prática do lançamento de oficio ou revisão de oficio, previsto no artigo 149 do CTN, cujo termo de inicio do prazo decadencial deslocase para o primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado. DECADÊNCIA. PIS. COFINS. CSLL. Com a edição da súmula vinculante n° 8, editada pelo STF, as contribuições sociais para a Seguridade Social submetemse As regras de prescrição e decadência gerais ditadas pelo CTN. MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. INCONSTITUCIONALIDADE. PERCENTUAL. LEGALIDADE. Os percentuais da multa de oficio, exigíveis em lançamento de oficio, são determinados expressamente em lei, não dispondo as autoridades administrativas de competência para apreciar a constitucionalidade de normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. Fl. 1081DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2012 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN, Assinado digitalmente e m 18/10/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN Processo nº 10935.004992/200651 Resolução nº 1803000.048 S1TE03 Fl. 112 3 JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. A utilização da taxa Selic como juros moratórios decorre de expressa disposição legal. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. CUMULATIVIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. Na aplicação da taxa Selic não ocorre a cumulação, ou seja, incidência de juros sobre juros, uma vez que se aplicam somente sobre o principal. SUSTENTAÇÃO ORAL. OITIVA DE TESTEMUNHAS. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. PEDIDO DE PERÍCIA. PEDIDO GENÉRICO NÃO FORMULADO. PROVA DOCUMENTAL. APRESENTAÇÃO NA IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO. Nos termos da legislação do PAF, não há previsão para produção de prova oral nem oitiva de testemunhas, os pedidos de perícia sem indicação de perito e quesitos são considerados como não formulados, e toda prova documental deve ser apresentada na impugnação, sob pena de preclusão, salvo exceções previstas. Inconformado com a decisão, a empresa autuada interpôs Recurso Voluntário se insurgindo contra todos os itens do aludido julgado, requerendo, ao final, a sua reforma. É o sintético relatório. Conselheiro Victor Humberto da Silva Maizman O §1°, do art. 62ª do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria n° 256, de 22 de junho de 2009, assim dispõe: “Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes.” Uma das matérias discutidas no presente recurso é a constitucionalidade da quebra do sigilo bancário pela autoridade administrativa. Tal matéria está sendo objeto de análise pelo Supremo Tribunal Federal, na sistemática do art. 543B, no RE n° 601.314, de relatoria do Ministro Ricardo Lewandowski. A seguir, transcrevemos trecho do despacho do Ministro LEWANDOWSKI em recurso extraordinário com questão idêntica à do RE n° 601.314, publicado em 22/10/2010. Nele o recurso não é sobrestado, mas devolvido para ser sobrestado pelo Tribunal de origem, in verbis: Fl. 1082DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2012 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN, Assinado digitalmente e m 18/10/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN Processo nº 10935.004992/200651 Resolução nº 1803000.048 S1TE03 Fl. 113 4 "Isso posto, preenchidos os demais requisitos de admissibilidade, dou provimento ao agravo de instrumento para admitir o recurso extraordinário e, com fundamento no art. 328, parágrafo único, do RISTF, determino a devolução destes autos ao Tribunal de origem para que seja observado o disposto no art. 543B do CPC, visto que no recurso extraordinário discutese questão idêntica à apreciada no RE 601.314RG/SP." No meu entendimento, tal despacho demonstra que o Supremo Tribunal Federal está processando os recursos extraordinários que discutem a constitucionalidade da quebra do sigilo bancário pela autoridade administrativa, nos termos do art. 543B, e está sobrestando os recursos extraordinários que versam sobre a matéria, nos termos do art. 328 de seu regimento interno. No CARF, por disposição regimental, os recursos que versarem sobre a mesma matéria dos recursos extraordinários submetidos à sistemática do art. 543B, também devem ser sobrestados até que seja proferida a decisão da Suprema Corte. Diante do exposto, sobresto o julgamento do presente recurso voluntário, nos termos dos §§ 1° e 2°, do art. 62A do Regimento Interno do CARF. VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN Conselheiro Relator (assinatura digital) Victor Humberto da Silva Maizman Relator Fl. 1083DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2012 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN, Assinado digitalmente e m 18/10/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN
score : 1.0
Numero do processo: 10630.001466/2009-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2004 a 31/10/2008
RECURSO INTEMPESTIVO.
É definitiva a decisão de primeira instância quando não interposto recurso voluntário no prazo legal. Não se toma conhecimento de recurso intempestivo.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2402-004.566
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário por intempestividade.
Julio César Vieira Gomes - Presidente
Ronaldo de Lima Macedo - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/2004 a 31/10/2008 RECURSO INTEMPESTIVO. É definitiva a decisão de primeira instância quando não interposto recurso voluntário no prazo legal. Não se toma conhecimento de recurso intempestivo. Recurso Voluntário Não Conhecido.
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É definitiva a decisão de primeira instância quando não interposto recurso voluntário no prazo legal. Não se toma conhecimento de recurso intempestivo. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário por intempestividade. Julio César Vieira Gomes Presidente Ronaldo de Lima Macedo Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 63 0. 00 14 66 /2 00 9- 14 Fl. 1295DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Relatório Tratase de lançamento fiscal decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais, concernente à parcela patronal, incluindo as contribuições para o financiamento das prestações concedidas em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT/GILRAT). O período de lançamento dos créditos previdenciários é de 03/2004 a 10/2008. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 15/07/2009 (fls. 01). A autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 802/809), alegando, em síntese, que: 1. Argui que a fiscalização compreendeu período distinto daquele constante do Termo de Inicio de Ação Fiscal (TIAF) n° 0610300.2008.00448, datado de 19/09/2008. O citado Termo informa o período de 03/2006 a 08/2008 e a fiscalização ocorreu em relação aos anos de 2004, 2005, 2006, 2007 até 10/2008, sem que qualquer comunicação acerca de tal mudança lhe fosse feita; 2. No mérito salienta que de todos os autos de infração resultantes da ação fiscal constam relatórios e anexos com valores os mais diversos, ora pelo descumprimento de obrigações principais ora pelo de obrigações acessórias. Afirma que supriu a fiscalização em suas exigências na preparação da folha de pagamento e na entrega de documentos e relatórios complementares, embora todos já constassem de lançamento em sua contabilidade. Também procedeu correção de GFIP, incluindo ali todos os segurados encontrados em sua contabilidade; 3. Alega que a fiscalização não considerou os valores retidos e destacados em suas notas fiscais, e quando o fez, ao invés de apropriálos na obra correta, lançouos em seu CNPJ, o que aumentou o crédito no CNPJ em detrimento dos débitos apurados nos respectivos CEI/Obras. Informa a juntada de cópias de notas fiscais e de GFIP que, juntamente com as folhas de pagamento, permitirão a correta apuração das contribuições em cada um dos CEI e também no CNPJ; 4. Elabora planilha, denominada Anexo I, contemplando os débitos e créditos que entende devidos, inclusive com as retenções sofridas, e conclui que o valor ainda devido Seguridade Social é o de R$10.841,51, importância esta que deveria ser a base para as penalidades legais aplicadas. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Belo Horizonte/MG – por meio do Acórdão 0231.389 da 9a Turma da DRJ/BHE (fls. 1228/1236) – Fl. 1296DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10630.001466/200914 Acórdão n.º 2402004.566 S2C4T2 Fl. 3 3 considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade, eis que não havia justificativa nem amparo legal para prosperar a pretensão da Impugnante no sentido de considerar o procedimento fiscal passível de nulidade. A Notificada apresentou recurso, manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados no auto de infração e no mais efetua as alegações da peça de impugnação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Governador Valadares/MG informa que o recurso interposto é intempestivo e encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para processamento e julgamento. É o relatório. Fl. 1297DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Quanto à tempestividade do recurso voluntário interposto, verificase que não houve cumprimento de tal requisito de admissibilidade. A Recorrente foi intimada da decisão de primeira instância em 25/03/2011, mediante correspondência postal acompanhada de Aviso de Recebimento (AR), conforme documento dos Correios juntado aos autos. Por sua vez, a Recorrente interpôs recurso voluntário, apresentando as mesmas alegações postuladas na sua peça de impugnação, não se manifestou à respeito da tempestividade do recurso. Em decorrência dos elementos fáticos constantes nos autos, verificase que a Recorrente interpôs o recurso voluntário em 28/04/2011, nos termos da papeleta do recurso voluntário, devidamente carimbada pelo Fisco da Delegacia da Receita Federal em Governador Valadares/MG, papeleta inicial do recurso. O art. 5º, parágrafo único, do Decreto 70.235/1972 – diploma que trata do contencioso administrativo fiscal no âmbito dos tributos arrecadados e administrados pela União – estabelece como serão computados os prazos para interposição de recurso, transcrito abaixo: Art. 5º. Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Salientase que a tempestividade do recurso voluntário é aferida pela data do protocolo junto ao órgão preparador do processo (circunscrição do domicílio fiscal da Recorrente). Em outras palavras, o que importa, para verificar a tempestividade do recurso, é que ele tenha sido apresentado ao protocolo dentro do prazo legalmente previsto, nos termos do art. 33 do Decreto 70.235/1972, transcrito abaixo: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos 30 (trinta) dias seguintes à ciência da decisão.(g.n.) A Recorrente teve ciência da decisão de primeira instância – proferida por meio do Acórdão 0231.389 da 9a Turma da DRJ/BHE (fls. 1228/1236) – em 25/03/2011 (sextafeira). Assim, levandose em consideração que os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão, nos exatos termos do parágrafo único do artigo 5º do Decreto 70.235/1972, o prazo para interposição de recurso teve início em 28/03/2011 (segundafeira). O trigésimo dia ocorreu em 26/04/2011 (terçafeira). Entretanto o recurso só teria sido postado ao Fisco em 28/04/2011, quintafeira (papeleta inicial do recurso voluntário). Fl. 1298DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10630.001466/200914 Acórdão n.º 2402004.566 S2C4T2 Fl. 4 5 Com o mesmo entendimento, o art. 15 do Decreto 70.235/1972 estabelece que a peça recursal deverá ser apresentada no local do órgão preparador de circunscrição do sujeito passivo. Decreto 70.235/1972 (Processo Administrativo Fiscal PAF): Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. (g.n.) A regra na contagem dos prazos processuais é a continuidade, ou seja, os prazos não se suspendem nem se interrompem, com exceção das hipóteses de força maior ou de caso fortuito, como greves ou outros fatos que impeçam o funcionamento dos órgãos da Administração. Essas hipóteses devem ser devidamente comprovadas nos autos e, no momento, não as encontramos presentes neste processo. Nesse sentido, resta claro que a autuada não verificou o prazo para apresentação do recurso, só vindo a apresentálo após o vencimento legal. CONCLUSÃO: Diante do exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso interposto em razão da sua intempestividade. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 1299DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 10880.728584/2012-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Apr 14 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
DECADÊNCIA. CONDUTA DOLOSA. ART. 173, I, CTN.
O prazo de decadência, nos tributos sujeito a lançamento por homologação, é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos de dolo, fraude ou simulação.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
A partir da edição da Lei nº 9.430, de 1996, caracterizam-se omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
Não merece reparo o lançamento tributário que, com fiel observância da lei, adota, para fins de cômputo da receita omitida, o regime de apuração utilizado pelo contribuinte fiscalizado na determinação do resultado fiscal. No mais, restando infundadas as exclusões pretendidas, há de se manter as exigências nos
termos em que foram formalizadas.
MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. INCONSTITUCIONALIDADE OU ILEGALIDADE DE NORMAS. AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAR.
Os percentuais da multa de ofício, exigíveis em lançamento de ofício, são determinados expressamente em lei, não dispondo as autoridades administrativas de competência para apreciar a constitucionalidade de normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. (Súmula CARF nº 2).
TAXA SELIC.
A partir de 1o. de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF 4).
TRIBUTAÇÃO REFLEXA.
O decidido em relação à tributação do IRPJ deve acompanhar as autuações reflexas de PIS, COFINS e CSLL.
Numero da decisão: 1301-001.825
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros deste colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reduzir a multa qualificada lançada sobre a infração de omissão de receitas identificada a partir da presunção legal de depósitos bancários de origem não comprovada, por aplicação da Súmula CARF 25 e, em conseqüência, reconhecer a decadência parcial para esta infração, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rego - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Jakson da Silva Lucas - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007 DECADÊNCIA. CONDUTA DOLOSA. ART. 173, I, CTN. O prazo de decadência, nos tributos sujeito a lançamento por homologação, é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos de dolo, fraude ou simulação. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A partir da edição da Lei nº 9.430, de 1996, caracterizam-se omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Não merece reparo o lançamento tributário que, com fiel observância da lei, adota, para fins de cômputo da receita omitida, o regime de apuração utilizado pelo contribuinte fiscalizado na determinação do resultado fiscal. No mais, restando infundadas as exclusões pretendidas, há de se manter as exigências nos termos em que foram formalizadas. MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. INCONSTITUCIONALIDADE OU ILEGALIDADE DE NORMAS. AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAR. Os percentuais da multa de ofício, exigíveis em lançamento de ofício, são determinados expressamente em lei, não dispondo as autoridades administrativas de competência para apreciar a constitucionalidade de normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. (Súmula CARF nº 2). TAXA SELIC. A partir de 1o. de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF 4). TRIBUTAÇÃO REFLEXA. O decidido em relação à tributação do IRPJ deve acompanhar as autuações reflexas de PIS, COFINS e CSLL.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros deste colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reduzir a multa qualificada lançada sobre a infração de omissão de receitas identificada a partir da presunção legal de depósitos bancários de origem não comprovada, por aplicação da Súmula CARF 25 e, em conseqüência, reconhecer a decadência parcial para esta infração, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rego - Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
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CONDUTA DOLOSA. ART. 173, I, CTN. O prazo de decadência, nos tributos sujeito a lançamento por homologação, é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos de dolo, fraude ou simulação. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A partir da edição da Lei nº 9.430, de 1996, caracterizamse omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Não merece reparo o lançamento tributário que, com fiel observância da lei, adota, para fins de cômputo da receita omitida, o regime de apuração utilizado pelo contribuinte fiscalizado na determinação do resultado fiscal. No mais, restando infundadas as exclusões pretendidas, há de se manter as exigências nos termos em que foram formalizadas. MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. INCONSTITUCIONALIDADE OU ILEGALIDADE DE NORMAS. AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAR. Os percentuais da multa de ofício, exigíveis em lançamento de ofício, são determinados expressamente em lei, não dispondo as autoridades administrativas de competência para apreciar a constitucionalidade de normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. (Súmula CARF nº 2). TAXA SELIC. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 72 85 84 /2 01 2- 19 Fl. 760DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/ 04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO 2 A partir de 1o. de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF 4). TRIBUTAÇÃO REFLEXA. O decidido em relação à tributação do IRPJ deve acompanhar as autuações reflexas de PIS, COFINS e CSLL. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros deste colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reduzir a multa qualificada lançada sobre a infração de omissão de receitas identificada a partir da presunção legal de depósitos bancários de origem não comprovada, por aplicação da Súmula CARF 25 e, em conseqüência, reconhecer a decadência parcial para esta infração, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rego Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 761DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/ 04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 10880.728584/201219 Acórdão n.º 1301001.825 S1C3T1 Fl. 12 3 Relatório Contra a contribuinte acima identificada foram lavrados autos de infração exigindolhe o Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) no valor de R$ 349.963,06, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) de R$ 180.614,75, Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS) de R$ 502.418,59, Contribuição para o PIS no valor de R$ 108.857,42, acrescidos de juros de mora e multa de ofício de 150%, perfazendo o crédito tributário de R$ 3.455.471,79 em virtude da constatação de omissão de receitas (vendas de produtos de fabricação própria) escriturada com recolhimentos a menor e, depósitos bancários de origem não comprovada. O Termo de Verificação de fls. 449/456, por sua vez, assim descreve as infrações apuradas no anocalendário de 2007: 01 OMISSÃO DE RECEITA RECEITA DA ATIVIDADE ESCRITURADA E NÃO DECLARADA Em 05/04/2011, o contribuinte tomou ciência pessoal, do Termo de Início do Procedimento Fiscal e do Termo de Intimação Arquivos Digitais, onde foram solicitados Livros, documentos de escrituração, extratos bancários de contas correntes e de aplicações financeiras e arquivos magnéticos, conforme IN86/2001 e ADECOFIS n° 15/2001. Em 20/04/2011, o contribuinte disponibilizou os Livros e documentos intimados e solicitou prazo adicional de 30 dias para a apresentação dos extratos bancários e arquivos digitais contábeis e fiscais, no que foi atendido, por intermédio dos Termos de Prorrogação de Prazo n° 0001 e do Termo de Prorrogação de Prazo n° 0002. Em 26/05/2011, o sujeito passivo formalizou novo pedido de suplementação de prazo para a entrega dos arquivos magnéticos, cujo deferimento deuse conforme Termo de Prorrogação de Prazo n° 003, de 02/06/2011. Somente em 16/06/2011, a empresa completou o atendimento às intimações iniciais e, dessa forma, em 21/07/2011, procedemos a retenção dos Livros Diário, Razão, Registro de Apuração de IPI e Arquivos Digitais, conforme Termo de Retenção n° 0001, de 21/07/2011. Da análise dos documentos e informações prestadas pelo sujeito passivo até então, pudemos constatar uma significativa diferença nos valores de faturamento escriturados na Conta Razão: 1.1.2.01.0001 Clientes, visàvis aqueles efetivamente declarados em DIPJ e DACON (valores não declarados no montante de R$ 14.042.083,70). Dessa forma, os valores devidos de IPI escriturados e não declarados em DCTF, foram lançados de ofício, mediante Auto de Infração, Processo 10880728.594/2012 19, e, nos termos do art. 841, do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1.999, RIR/99, formalizouse no presente Auto de Infração a exigência dos valores devidos de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. Fl. 762DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/ 04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO 4 02 OMISSÃO DE RECEITA DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA Considerando a receita escriturada da ordem de R$ 19.715.958,96 e os créditos em contas bancárias no valor de R$ 27.261.487,00, apurado conforme relações WP01.2, WP02.2 e WP03.2, elaboradas a partir dos extratos bancários fornecidos pela empresa, em 04/08/2011, o sujeito passivo foi intimado para comprovar, mediante documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, a origem dos depósitos em suas contas correntes no Banco do Real; Banco Safra e Banco do Brasil, conforme Termo de Intimação Fiscal N° 0001. Em 16/08/2011, a empresa solicitou prorrogação de prazo para atendimento da intimação, no que foi atendida mediante a lavratura do Termo de Prorrogação de Prazo n° 0004, de 01/09/2011. Não tendo se manifestado tempestivamente foi reintimada, conforme Termo de Reintimação Fiscal, de 29/09/2011, e finalmente, em 24/10/2011, o sujeito passivo pretendendo atender ao que se intimou, apenas, apresentou planilhas com indicações das origens dos créditos bancários verificados. Assim, da análise dos extratos bancários e das informações prestadas pelo contribuinte nas planilhas apresentadas, a fiscalização elaborou o quadro demonstrativo de fls. 451 no qual relacionou os totais de créditos bancários por instituição financeira, no montante de R$ 27.261.487,00, dos quais foram excluídos as transferências de mesma titularidade (R$ 2.274.500,00), os créditos contratados (R$ 3.069.606,34) e outros (R$ 16.687,45), apurando, assim, um total de R$ 21.900.693,21 de créditos bancários de origem não comprovada. Tendo verificado que a receita apurada pelos extratos bancários no montante de R$ 21.900.693,21, conforme Planilha Análise de Dados, é superior ao faturamento contabilizado, de R$ 19.715.958,96, concluiu a fiscalização que estaria caracterizada a omissão de receita por depósito bancário de origem não comprovada, nos termos do artigo 849 do RIR/99. A seguir, o autor do procedimento fiscal elaborou os demonstrativos de fls. 452/453 de apuração da Receita Bruta e dos demais valores utilizados na constituição do lançamento de ofício das infrações relativas ao IPJ, CSLL, PIS e COFINS. A diferença apurada, mês a mês, entre as receitas brutas declaradas em DIPJ e na DACON no montante de R$ 5.673.875,26 e as receitas escrituradas no total de R$ 19.715.958,96, foram levadas à tributação como omissão de receita da atividade (receita escriturada e não declarada). A diferença apurada, mês a mês, entre os créditos bancários de origem não comprovada (R$ 21.900.693,21) e a receita bruta escriturada (19.715.958,96) foi levada à tributação como omissão de receita caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada com fulcro no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Sobre os créditos tributários apurados foi aplicada a multa qualificada de 150% com fulcro nos termos do art. 44, § 1º , da Lei 9.430/96, por entender a fiscalização que a conduta do contribuinte se enquadraria nos arts 71 , I, e 72 da Lei 4.502, de 30 de novembro de 1.964, combinados com o art. 1º, I e II , da Lei n° 8.137/90, uma vez que teria ficado amplamente demonstrado que o sujeito passivo no ano calendário de 2007 informou em DCTF/DACON e DIPJ, reiteradamente por 12 meses, valores muito inferiores àqueles que escriturou em seus livros contábeis e fiscais, cuja conduta foi a de impedir ou retardar o Fl. 763DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/ 04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 10880.728584/201219 Acórdão n.º 1301001.825 S1C3T1 Fl. 13 5 conhecimento pela autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, por quase 5 (cinco) anos. Foram lavrados Termos de Sujeição Passiva Solidária por responsabilidade pessoal de seus sócios administradores à época dos fatos: Sr. Walter Carmona, CPF 041.941.57850, e Márcia Menezes Kufel Carmona, CPF 126.378.00836, segundo o ordenamento jurídico previsto no Art. 135, III , do Código Tributário Nacional, (Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966). Inconformada, a empresa ingressou com impugnação alegando, em síntese, que: o processo administrativo deixou de observar os princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório e eficiência. tomou ciência do lançamento em 02/10/2012 quando já estava decaído o direito de proceder o lançamento desde 30/09/2012, nos termos do art. 173 do CTN. prestou todas as informações requeridas pelo Auditor Fiscal e não pode assim ser punido, uma vez que agiu com boafé, sem pretender ludibriar o Fisco, nem lhe ter abrandado o tratamento quando o rigor da norma se mostrar inafastável. os valores apurados pela fiscalização são incoerentes e absurdos e que não devem prevalecer, além de que os créditos em conta corrente não podem servir de base para apuração de tributo. a multa de ofício é confiscatória, bem assim os juros de mora em patamares superiores a SELIC. A DRJ/RIBEIRÃO PRETO (SP) decidiu a matéria consubstanciada no Acórdão 1443.017, de 28/06/2013, julgando improcedente a impugnação apresentada, tendo sido lavrada a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 LANÇAMENTO. NULIDADE. Descritos os fatos que fundamentam a exigência fiscal e estando juridicamente qualificados pelas normas no enquadramento legal, não houve ofensa aos princípios constitucionais do contraditório, da ampla defesa e do devido processo legal, não se caracterizando o cerceamento do direito de defesa da contribuinte. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. O prazo decadencial, para efeito de exigência de tributo sujeito ao regime de homologação, em lançamento "ex officio", quando na ausência de pagamento ou quando constatado fraude, simulação ou dolo, é regido pelo artigo 173, I, do CTN. Fl. 764DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/ 04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO 6 OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. ÔNUS DA PROVA. Por presunção legal contida na Lei 9.430, de 27/12/1996, art. 42, os depósitos efetuados em conta bancária, cuja origem dos recursos depositados não tenha sido comprovada pelo contribuinte mediante apresentação de documentação hábil e idônea, caracterizam omissão de receita. OMISSÃO DE RECEITA OPERACIONAL Correta a tributação da omissão de receita apurada mediante o confronto entre os valores dos tributos declarados em DCTFs e aqueles efetivamente devidos, apurados na escrituração. A prática sistemática de tal procedimento caracteriza a intenção do contribuinte em eximirse do pagamento dos tributos pelos quais é responsável. MULTA QUALIFICADA DE 150%. A deliberada intenção da contribuinte em impedir o conhecimento, por parte da SRF, da ocorrência do real fato gerador, mediante a subtração de receitas da base de cálculo de tributação, impõe a aplicação de multa qualificada de 150%, na forma do art. 44, §1º, da Lei nº 9.430/1996. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. CARÁTER ABUSIVO DA MULTA DE OFÍCIO. ILEGALIDADE DA TAXAS SELIC. FALTA DE COMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. Alegações contra suposto caráter abusivo da multa de ofício instituída em lei, bem assim contra suposta ilegitimidade do uso da Taxa SELIC no cômputo dos juros de mora, não podem ser apreciadas pelas autoridades julgadoras administrativas. A estas cabe apenas examinar a conformidade do ato de lançamento em face das normas fiscais de regência, já que lhes carecem poderes para apreciar pretensos vícios de leis, prerrogativa esta exclusiva do Poder Judiciário. LANÇAMENTOS REFLEXOS. CSLL. COFINS. PIS. Por decorrerem dos mesmos motivos de fato e de direito, que levaram à exigência do IRPJ, igual destino deverão ter os lançamentos reflexos. É o relatório Fl. 765DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/ 04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 10880.728584/201219 Acórdão n.º 1301001.825 S1C3T1 Fl. 14 7 Voto Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas O recurso voluntário interposta pela pessoa jurídica CARMONA ASSESSORIA E CONSULTORIA EM GESTÃO EMPRESARIAL LTDA é tempestivo e assente em lei. Dele conheço. Ressaltese que não encontro nos autos do presente processo recursos voluntários com relação aos responsáveis solidários Walter Carmona e Márcia Menezes Kufel Carmona. A peça recursal resume sua insatisfação em três questões básicas: 1) DECADÊNCIA; 2) DA OMISSÃO DE RECEITA E CRÉDITO/DEPÓSITOS NÃO COMPROVADOS e 3) DA MULTA E JUROS DE MORA. Com relação a decadência a contribuinte recorrente entende que o lançamento de ofício se consumou em 30/09/2012, tendo como base os fatos geradores (mensais) de janeiro a dezembro do ano calendário de 2007. Em confusa argumentação reproduz a Súmula Vinculante 8 do STJ e Portaria da PGFN 294, de 2010. Neste ponto, a recorrente confundese na contagem do prazo decadencial, pois, em direito tributário, o dies a quo será ou o dia do fato gerador (art. 150, § 4º, CTN) ou o primeiro dia do exercício seguinte ao que o Fisco poderia ter feito o lançamento (art. 173, I, CTN). Sobre a definição do dies a quo do prazo decadencial, vale trazer a lume o seguinte excerto da ementa do REsp 973733/SC, in verbis: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). Fl. 766DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/ 04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO 8 ........................................................................................................................... Ora, notese que os tributos federais em tela são submetidos, pela respectiva legislação de regência, a lançamento por homologação. Assim, para sabermos, in casu, qual o dies a quo do prazo decadencial, há que se perquirir, antes de mais nada, se estamos diante de uma conduta dolosa, fraudulenta ou simulada, pois, nessa hipótese, afastase a aplicação do art. 150, § 4º, e aplicase o art. 173, I, ambos do CTN. Compulsando os elementos dos autos constatase um robusto conjunto probatório demonstrando a conduta dolosa da contribuinte, primeiro por informar em DCTF, DACON e DIPJ nos doze meses do ano calendário de 2007 valores muito inferiores àqueles escriturados e, ainda pela utilização de interposta pessoa na movimentação de suas contas bancárias, com o intuito deliberado para sonegar tributos. Ou seja, não fosse a intervenção fiscal, por certo as quantias ora autuadas estariam definitivamente contempladas pelo instituto da decadência, assim entendido como toda conduta voltada para retardar ou impedir o conhecimento, pelo Fisco, das condições pessoais dos recorrentes, verdadeiros sujeitos passivos das obrigações em tela, logo há que se manter a multa qualificada nos termos dos arts, 71, I e 72 da Lei 4.502, de 1964 e 44, da Lei 9.430, de 1996, com relação ao item 001 do auto de infração (Omissão de Receita da Atividade Escriturada e não declarada). Em conseqüência, neste caso, devese aplicar a regra decadencial do art. 173, I, do CTN. No caso do presente processo, a ciência aos autos de infração deuse em 02/10/2012, logo, aplicando o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, (para os casos com dolo, fraude ou simulação) e, tomando por base o AC/2007, (Lucro Presumido/trimestral), para os fatos geradores ocorridos no 1º , 2º e 3º trimestres de 2007 poderiam ser lançados dentro do próprio ano calendário, sendo o termo inicial do prazo decadencial o primeiro dia do exercício seguinte (01/01/2008), repito, de acordo com a regra estampada no inciso I do art. 173 do CTN. E, relativamente a estes períodos de apuração (1º, 2º e 3º trimestres de 2007), o prazo final para a ocorrência da decadência somente se operaria em 31/12/2012. Assim, tendo em vista que o lançamento foi notificado à interessada em 02/10/2012, nesta data não havia transcorrido o prazo decadencial do IRPJ e CSLL, nos termos acima relatados. De igual forma não há que se falar em decadência do PIS e COFINS em relação a esta infração (fato gerador mensal). Já para o item 002 do auto de infração: Omissão de Receita por Presunção Legal Depósitos Bancários de Origem Não Comprovada, que superaram mês a mês a receita escriturada (item 001), aplicase, in casu, a Súmula CARF 25, que diz: "A presunção legal de omissão de receitas ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64." Desqualificada a multa de ofício para o patamar de 75%, em conseqüência devese aplicar a regra decadencial do art. 150, § 4º, do CTN (termo inicial: a contar da ocorrência do fato gerador). Neste passo, relativamente ao item 002 do auto de infração (omissão por presunção legal), há de se reconhecer a decadência para o IRPJ e a CSLL com relação aos fatos geradores ocorridos nos 1º, 2º e 3º trimestres de 2007 e, para o PIS e COFINS para os fatos geradores relativos aos meses de janeiro a setembro do ano calendário de 2007. Fl. 767DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/ 04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 10880.728584/201219 Acórdão n.º 1301001.825 S1C3T1 Fl. 15 9 DA OMISSÃO DE RECEITA E CRÉDITO/DEPÓSITOS NÃO COMPROVADOS. Como bem salientado no voto condutor do relatório fiscal constatase que a exigência decorreu das seguintes irregularidades em relação ao anocalendário de 2007: (1) omissão de receita da atividade escriturada e não declarada e (2) omissão de receita caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. Da omissão de receita da atividade escriturada e não declarada. A fiscalização, mediante análise dos documentos e informações prestadas pelo sujeito passivo, constatou uma significativa diferença nos valores de faturamento escriturados na Conta Razão: 1.1.2.01.0001 Clientes, e aqueles efetivamente declarados em DIPJ e DACON. Assim, a diferença apurada, mês a mês, entre as receitas escrituradas no total de R$ 19.715.958,96 e as receitas brutas declaradas em DIPJ e na DACON no montante de R$ 5.673.875,26 foram levadas à tributação como omissão de receita da atividade (receita escriturada e não declarada). Em relação a essa infração a contribuinte não apresentou qualquer contestação, mesmo porque não haveria como contestar, visto que a apuração se deu com base nas próprias informações da contribuinte. Da tributação dos depósitos bancários de origem não comprovada. Neste tópico insurgese a recorrente alegando: " A demonstração de Créditos de Origem Não Comprovada (W04.02) e o Créditos Justificados (WP04.1) não condizem com a verdade pelo seguinte fato: 1. Os Créditos Justificados (W 04.1) foram todos àqueles adquiridos pelo Contribuinte por Empréstimos nas Instituições Financeiras e os demais tidos como não comprovado; 2. O agente fiscalizador no WB 04.2 descreve como Créditos de Origem não comprovada: TRANSFERÊNCIA ENTRE CONTAS, LIQ. COBRANÇA GARANTIDA, PAGAMENTO DE FORNECEDORES, ETC. Dessa forma, todo o WB 04.2 está prejudicado na sua Formalidade e Materialidade no sentido de que há incontroversa nas próprias alegações do AGENTE FISCALIZADOR, na página 02 e 08 e na página 03 de 8 quando descreve: "Considerando a receita escriturada da ordem de R$ 19.715.958,96 e os créditos em contas bancárias no valor de R$ 27.261.487,00, apurado conforme relações WP01.2, WP02.2 e WP03.2, elaboradas a partir dos extratos bancários fornecidos pela empresa em 04/08/2011." Tendo em vista a incontroversa do próprio auditor fiscal, que crédito em conta corrente não é base para apuração de imposto, tendo em vista que o tributo é prestação instituída por meio de lei, sendo, portanto, obrigação ex lege. Seu nascimento se dá pela simples realização do fato descrito na hipótese de incidência Fl. 768DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/ 04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO 10 tributária prevista em lei, sendo a vontade das partes como um todo irrelevante, consoante ao artigo 150, I, da Constituição Federal c/c artigo 97.1e II do CTN." Nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, abaixo transcrito, créditos em conta corrente bancária cujas origens não sejam comprovadas por meio de documentos hábeis e idôneos são considerados, por presunção da lei, omissão de receitas. E mais, tratandose de presunção estabelecida pela lei, o ônus probatório é invertido, isto é, à autoridade fiscal cabe, apenas, demonstrar a ocorrência do fato indiciário (crédito bancário de origem não comprovada), sendo ônus do fiscalizado fazer prova de que o fato presumido (omissão de receitas) não ocorreu. Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). § 4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. § 6o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. Fl. 769DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/ 04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 10880.728584/201219 Acórdão n.º 1301001.825 S1C3T1 Fl. 16 11 Pois bem, neste item, como visto acima, a contribuinte recorrente limitouse a alegar que os valores apurados pela fiscalização são incoerentes e absurdos e que não devem prevalecer, além de que os créditos em conta corrente não podem ser de base para apuração de tributo. No que diz respeito à alegação de que houve erro na apuração das bases tributáveis acolho, por entender que não são merecedoras de reparo, as considerações trazidas no voto condutor da decisão de primeiro grau, cujos fragmentos reproduzo a seguir. "E, como dos autos se pode inferir, fez a autoridade lançadora exatamente o que a lei lhe atribuiu como responsabilidade: constatada a existência de movimentação bancária superior a receita escriturada, intimou a fiscalizada a comprovar a origem dos recursos depositados nas contas correntes de titularidade da empresa. Não tendo a contribuinte apresentado provas da origem do numerário depositado, agiu corretamente a fiscalização tributando os depósitos de origem não comprovada como receita omitida, com fulcro no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, após excluir os valores relativos às transferências de mesma titularidade (R$ 2.274.500,00), os créditos contratados (R$ 3.069.606,34) e outros valores que não representavam receita tributável (R$ 16.687,45), apurando, dessa forma, um total de R$ 21.900.693,21 de créditos bancários de origem não comprovada. No entanto, foram levados à tributação sob esse título (créditos bancários de origem não comprovada) apenas a parcela que superou, em cada mês, a receita escriturada. Portanto, correto o procedimento fiscal, pois em perfeita consonância com a legislação de regência. Ao contrário do que foi alegado, não há qualquer incoerência no trabalho fiscal e nem absurdos são os valores apurados, pois foram obtidos diretamente dos extratos bancários, excluindose do montante dos depósitos a receita escriturada e os valores que não representavam receita nova tributável." Não merece guarida, portanto, a alegação da Recorrente de que os créditos apurados pela Fiscalização não poderiam servir de suporte para os lançamentos tributários. DA MULTA E JUROS DE MORA Por fim, com relação a multa de ofício (150%) e juros de mora, em síntese, aduz a ora recorrente: "A Multa aplicada ao contribuinte de 150% tem a natureza de CONFISCATORIA. Impende registrar que a Doutrina Majoritária tem se manifestado favoravelmente à aplicação do postulado tributário às multas exarcebadas. Afirmase, em resumo, que tanto a multa moratória quanto a multa punitiva podem ser CONFISCATORIAS e extrapolarem os limites adequado, do proporcional, do razoável e do necessário, colocando em xeque as suas precípuas finalidades, com a ofensa ao artigo 150, IV e ao artigo 5o. XXII, ambos da Carta Magna. (...) Logo, pelo princípio da razoabilidade vislumbrase a arbitrariedade da conduta adotada pela administração pública, sem qualquer bom senso. Diante da ofensa à razoabilidade, o ato que constitui a autuação não pode ser inconveniente, mas sim ilegal e ilegítimo estabelecendo patamares superiores a SELIC, de forma CONFISCATÓRIA." Fl. 770DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/ 04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO 12 Notase, neste tópico final, que a Recorrente opõese à aplicação da multa de ofício (150%), alegando seu caráter confiscatório.(valor excessivo). Destarte, a falta ou insuficiência de recolhimento dos tributos não declarados enseja o lançamento de oficio, com a aplicação da multa de ofício sobre a totalidade dos tributos mantidos lançados de ofício, em consonância com o disposto no artigo 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96. Portanto, a cobrança dos tributos tem como supedâneo o mandamento legal conforme acima mencionado que não pode ser afastado por ato discricionário da autoridade administrativa. Ademais, cediço que, no âmbito do julgamento administrativo, não possui o julgador competência para deixar de aplicar lei sob o fundamento de sua inconstitucionalidade, conforme entendimento que inclusive já foi objeto de súmula específica editada pelo CARF, com o seguinte teor: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Enfim, quanto a esta matéria, constatase alhures que a multa qualificada no patamar de 150% foi reduzida para 75% relativamente ao item 002 do auto de infração Presunção Legal (Omissão de Receita/Depósitos Bancários não Comprovados), por aplicação da Súmula CARF 25 acima transcrita. TAXA SELIC Por ultimo, com relação a utilização da Selic para a quantificação dos juros de mora está prevista em lei regularmente inserida no sistema jurídico, não podendo este Colegiado negarlhe aplicação. A matéria é objeto da Simula CARF n° 4, com o seguinte enunciado: "A partir de 1o. de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais." TRIBUTAÇÃO REFLEXA. O decidido em relação à tributação do IRPJ deve acompanhar as autuações reflexas da CSLL, PIS e COFINS. Em face do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para reduzir a multa qualificada lançada sobre a infração de omissão de receitas identificada a partir da presunção legal de depósitos bancários de origem não comprovada, por aplicação da Súmula CARF 25 e, em conseqüência, reconhecer a decadência parcial, para o IRPJ e a CSLL com relação aos fatos geradores ocorridos nos 1º, 2º e 3º trimestres de 2007 e, para o PIS e COFINS para os fatos geradores relativos aos meses de janeiro a setembro do ano calendário de 2007. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Fl. 771DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/ 04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 10880.728584/201219 Acórdão n.º 1301001.825 S1C3T1 Fl. 17 13 Fl. 772DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/ 04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO
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