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Numero do processo: 10865.000680/2008-19
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Apr 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. SÚMULA CARF Nº 6:
É legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte.
IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. SUMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. SÚMULA CARF Nº 26:
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.
IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. SÚMULA CARF Nº 35:
O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplica-se retroativamente.
IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. USO DE REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÃO FINANCEIRA - RMF. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO. NÃO HÁ NULIDADE SEM PREJUÍZO.
Não há nulidade no uso de Requisição de Informação Financeira - RMF se não há prejuízo a quem a declaração de nulidade aproveitaria. Princípio geral das nulidades. Não há nulidade sem prejuízo.
IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO TITULAR DA CONTA. ALEGAÇÃO DE DEPÓSITO DE RECURSOS DE TERCEIROS. ÔNUS COMPROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE. DEVER DO FISCO DE APONTAR ELEMENTOS SEGUROS AO REFUTAR AS JUSTIFICATIVAS APONTADAS PELO CONTRIBUINTE QUANTO AO RECEBIMENTO DE RECURSOS DE TERCEIROS.
Para eximir-se da tributação, não basta indicar a origem do depósito, é necessário demonstrar que o recurso já foi tributado ou é não tributável ou isento ou tributado exclusivamente na fonte. Diante da alegação de recebimento de recursos de terceiros posteriormente repassados, se não há uma prova segura da alegação quanto à origem do valor recebido, a comprovação dessa origem carece da prova de que houve o repasse. De outro giro, se há prova segura de que o depósito refere-se a rendimento de terceiros, não há permissivo legal para presumir omissão de rendimentos pela falta de comprovação do repasse.
IRPF. DESPESAS MÉDICAS. PESSOAS NÃO DEPENDENTES.
Inadmissível dedução de despesas com pessoas não dependentes.
IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. QUALIFICAÇÃO DA MULTA. SÚMULA CARF Nº 25:
A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64.
Numero da decisão: 2802-002.717
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos rejeitar a preliminar de nulidade suscitada pelo Conselheiro German Alejandro San Martin Fernandez e, no mérito, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para 1) excluir do lançamento os depósitos de R$6.250,00, ocorrido em 04/04/2003 e R$6.250,00, em 05/05/2003; de R$7.207,29, feito em 04/04/2003; de R$2.384,62, em 11/11/2003 e de R$1.021,40, em 13/11/2003; de R$15.806,00, ocorrido em 02/06/2003; e de R$2.268,00, ocorrido em 25/02/2003; 2) excluir da base de cálculo o valor de R$1.212,16, referente a parte dos depósitos de 01/09, 15/09 e 30/10/2003; e 3) afastar a qualificação da multa de ofício, nos termos do voto do relator. O Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández foi vencido no ponto em que suscitou questão preliminar da nulidade do lançamento por falta de autorização judicial para obtenção de dados bancários do contribuinte.
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator.
EDITADO EM: 24/02/2014
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite e Carlos André Ribas de Mello. Ausente justificadamente a Conselheira Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. SÚMULA CARF Nº 6: É legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte. IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. SUMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. SÚMULA CARF Nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. SÚMULA CARF Nº 35: O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente. IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. USO DE REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÃO FINANCEIRA RMF. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO. 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Para eximirse da tributação, não basta indicar a origem do depósito, é necessário demonstrar que o recurso já foi tributado ou é não tributável ou isento ou tributado exclusivamente na fonte. Diante da alegação de recebimento de recursos de terceiros posteriormente repassados, se não há uma prova segura da alegação quanto à origem do valor recebido, a comprovação dessa origem carece da prova de que houve o repasse. De outro giro, se há prova segura de que o depósito referese a rendimento de terceiros, não há permissivo legal para presumir omissão de rendimentos pela falta de comprovação do repasse. IRPF. DESPESAS MÉDICAS. PESSOAS NÃO DEPENDENTES. Inadmissível dedução de despesas com pessoas não dependentes. IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. QUALIFICAÇÃO DA MULTA. SÚMULA CARF Nº 25: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos rejeitar a preliminar de nulidade suscitada pelo Conselheiro German Alejandro San Martin Fernandez e, no mérito, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para 1) excluir do lançamento os depósitos de R$6.250,00, ocorrido em 04/04/2003 e R$6.250,00, em 05/05/2003; de R$7.207,29, feito em 04/04/2003; de R$2.384,62, em 11/11/2003 e de R$1.021,40, em 13/11/2003; de R$15.806,00, ocorrido em 02/06/2003; e de R$2.268,00, ocorrido em 25/02/2003; 2) excluir da base de cálculo o valor de R$1.212,16, referente a parte dos depósitos de 01/09, 15/09 e 30/10/2003; e 3) afastar a qualificação da multa de ofício, nos termos do voto do relator. O Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández foi vencido no ponto em que suscitou questão preliminar da nulidade do lançamento por falta de autorização judicial para obtenção de dados bancários do contribuinte. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 24/02/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite e Carlos André Ribas de Mello. Ausente justificadamente a Conselheira Julianna Bandeira Toscano. Fl. 1793DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 25 /03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10865.000680/200819 Acórdão n.º 2802002.717 S2TE02 Fl. 1.545 3 Relatório Tratase de lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) do exercício 2004 , anocalendário 2003, em virtude de glosa de dedução de despesas médicas (R$12.844,98), por incluir comprovantes relativos a pessoas não dependentes, e apuração de omissão de rendimentos fundamentada em depósitos bancários de origem não comprovada, nos termos do art. 42 da Lei 9.430/1996, bem como omissão de rendimentos de origem comprovada, como descrito no Termo de Verificação Fiscal TVF (fls. 09/47) que integra o auto de infração. Considerando que o contribuinte alegou repassar a terceiros recursos depositados em suas contas, a Receita Federal requereu cópia de frente e verso de cheques emitidos pelo recorrente mediante Requisições de Movimentação Financeira – RMF (fls. 997) dirigidas ao Banco do Brasil S.A. Houve Representação Fiscal para Fins Penais (processo 10865.000681/2008 55) e aplicação de multa qualificada (150%). Os valores ingressados na conta corrente do contribuinte, a título de depósitos e/ou créditos, mantidos em instituições financeiras, considerados pela autoridade fiscal como de origem não comprovada somam R$622.370,52. Na impugnação (fls. 1197) alegou, em síntese: a) Nulidade do Lançamento por violação ao princípio da legalidade tributária e outros preceitos e garantias constitucionais; b) a autoridade Fiscal agiu com presunção ao atribuir à movimentação financeira a característica de aquisição de disponibilidade financeira ou jurídica de renda e/ou proventos de qualquer natureza, ignorando documentos e informações prestadas relativas: ao Banco Santander S/A e Banco do Brasil S/A, Livro Caixa, cópias de cheques que demonstram repasse por conta de terceiros e glosa de deduções de despesas médicas; c) violação do Princípio da Legalidade, ante a utilização de documentos obtidos de forma ilícita e quebra do sigilo bancário sem autorização judicial e com base na CPMF, indo além de mera Requisição de Movimentação Financeira mas de efetiva investigação dos cheques emitidos pelo Impugnante e dos seus beneficiários; d) a autorização legal para acesso a informações bancárias cingese e se encerra para fins de fiscalização do regular pagamento da CPMF; e) padece de motivação a requisição às Instituições Financeiras de microfilmes dos cheques emitidos, a Fiscalização promoveu diligência desnecessária, o Impugnante apresentou todas as cópias de cheques emitidos quando do preenchimento das cártulas para entrega aos credores ou clientes; f) violação do Princípio da Legalidade Formal ante a indicação do local da lavratura do Auto de Infração, pois a lavratura ocorreu na repartição e não no local da verificação da infração; Fl. 1794DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 25 /03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 g) ausência de comprovação documental ou fática de que os recursos movimentados nas contas correntes do contribuinte representem a aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou de proventos de qualquer natureza, sendo imprescindível que tenha havido comprovação de aumento patrimonial; h) ilegalidade da apuração da base de cálculo do tributo exigido quanto ao Banco do Brasil S/A, pelas seguintes razões: h.1) item a do TVF (fls. 19) as pessoas físicas Katrus Tober Santarosa (sócio) e Evandro Figueiredo Forti (funcionário) laboram no escritório de advocacia do impugnante, sendo possível que as mesmas tenham promovido saque dos cheques emitidos pelo Impugnante para repasse aos seus constituintes em pecúnia; quanto ao boleto bancário, o cheque emitido pode ter sido utilizado pela beneficiária W. Sita para pagamento de obrigações de sua responsabilidade; h.3) quanto aos honorários advocatícios, foram recebidos mediante desconto do valor em pecúnia e repassado ao constituinte; h.4) a cessão e transferência das cotas do consórcio à Antenor Pelisson & Cia Ltda decorreu de operação regular em que o Impugnante compareceu apenas como intermediário, esclarecendo que Antonio de Souza Nunes é sócio da empresa Paulibel Tinturaria e Estamparia Ltda e A. Souza Nunes & Cia Ltda, sendo que os valores recebidos foram repassados, frisando que no verso das cópias de cheques emitidos consta a assinatura do Sr. Antonio de Souza Nunes; h.5) a impugnante não manteve relacionamento comercial com os beneficiários citados às fls. 13 do TVF e todos, exceto a Nobel têm segmento têxtil o mesmo do Sr. Antonio o qual realizou os depósitos nas contas de Newton José Teixeira e João Misson, operações estas realizadas por confiança e confidencial; h.6) o repasse para Agro Citro Wiezel decorreu de ação judicial trabalhista julgada improcedente sendo incompatível com a boafé que o Impugnante pagasse ao Sr. Nelson Benjamim Taver; h.7) item e do TVF o repasse ao Sr. Javert foi efetuado em pecúnia pelo próprio contribuinte e; h.8) item f do TVF seria impossível obter qualquer informação do Sr. Romildo Wiezel que faleceu antes do início do procedimento fiscal; h.9) vários cheques foram sacados por colaboradores do Impugnante e por funcionários da empresa do Sr. Romildo e os demais cheques incumbia aos beneficiários daremlhe, os destinos que bem lhes aprouvessem; h.10) devem ser excluídos da base de cálculo os cheques equivocadamente lançados pelo impugnante como pagamentos de acordos do Sr. Romildo; h.11) itens g, h, j do TVF os valores depositados estão devidamente justificados não havendo inidoneidade das informações repassadas à autoridade fiscal; h.12) item k do TVF o Impugnante apenas utilizou sua conta para realizar a operação de câmbio a favor da empresa Meplastic para liquidação de obrigação contraída na República Federativa do Uruguai, a qual não manteve documentos que confirmem a operação; Fl. 1795DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 25 /03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10865.000680/200819 Acórdão n.º 2802002.717 S2TE02 Fl. 1.546 5 i) Ilegalidade da apuração da base de cálculo do tributo exigido quanto o Banco Santander S/A: i.1) item a do TVF houve o repasse, pelo impugnante, dos valores devidos à Ind. De Confecções Sardelli; i.2) item b do TVF os depósitos foram efetuados na conta do impugnante por receio da importância restar bloqueada para liquidação de outras obrigações da empresa Comercial de Móveis e Materiais de Construção Lar Feliz, ressaltando que esta pertence a grupo econômico da família de Oronízio Antonio de Miranda; i.3) devem ser deduzidos da base de cálculo os valores relativos aos pagamentos, ao Impugnante para liquidação de obrigações judiciais de Wladimir Antonio Ricci, no período de janeiro a outubro de 2003; i.4) itens d e e do TVF – os beneficiários são colaboradores do escritório de advocacia, estando comprovados os depósitos; i.5) item g do TVF a empresa Alvesmyr, por enfrentar dificuldades financeiras, repassava cheques de terceiros ao Impugnante e vários pagamentos foram efetuados,em pecúnia, estando justificados os repasses ocorridos às empresas do grupo econômico da família do Sr. Oronizio; i.6) a empresa Dalotex afirmou não haver contabilizado as receitas por ser de titularidade do exsócio Davi Foles Júnior e o depósito decorrente do recebimento a favor de Javert Galassi está comprovado por valor superior ao depositado, com indicação dos cheques emitidos; i.7) o impugnante comprovou o repasse com apresentação de cópia dos cheques emitidos sendo os beneficiários dos mesmos de responsabilidade da empresa recebedora; i.8) tanto o levantamento judicial efetuado a favor de Waldir Eronildes de Souza, como de W. Sita & Cia Ltda são de valores inferiores ao valor depositado comprovando que a maior parcela do depósito teve sua origem comprovada; i.9) as operações de empréstimos entre a Impugnante e o Sr. Oronízio estão justificadas, tendo apresentado cópia dos cheques e as operações realizadas sem assinatura de instrumento particular devido à amizade entre ambos, tendo ocorrido ainda, a liquidação de obrigações pecuniárias assumidas em relação ao Sr. Antonio Jordão, justificando incongruências das datas de créditos e débitos; j) quanto à venda de imóvel, o contrato particular apresentado a fiscalização indica o recebimento que originou o recurso depositado; k) o Livro Caixa foi ignorado com o fito de produzir arbitramento de receitas tributáveis em suposições fictícias e desprovidas de lastro; l) a Glosa de Despesas Médicas está lastreada de informação unilateral da administradora do plano de saúde que, equivocadamente, indicou pessoas que não são Fl. 1796DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 25 /03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 dependentes do Impugnante como integrante do plano de saúde, tendo o impugnante assistido integralmente as despesas médicas deduzidas de sua renda tributável; m) ilegal agravamento da multa pois não há prova de intuito de fraude, sendo imperiosa a redução da multa punitiva agravada. A impugnação foi indeferida pelos fundamentos resumidos na ementa (fls. 1453): 1. presunção legal de omissão de receitas (art. 42 da Lei 9.430/1996); 2. licitude do acesso aos dados bancários (Lei Complementar 105/2001); 3. dedução de despesas médicas é condicionada à comprovação da efetividade dos serviços prestados, relativos ao contribuinte e seus dependentes; 4. inexistência de nulidade, pois não há presença de qualquer das causas do art. 59 do Decreto 70.235/1972 e não há ilicitude em lavrar auto de infração na repartição tributária; 5. não havendo comprovação, por parte do contribuinte, da origem dos depósitos bancários efetivados em sua contacorrente, ou, no caso de alegação de que os recursos são de terceiros, o efetivo repasse, a apuração da base de cálculo para o lançamento de ofício ocorrerá pela totalidade dos créditos apurados como rendimentos tributáveis; 6. cabimento da multa qualificada nos casos dos art. 71, 72 e 73 da Lei 4.502/1964; 7. incompetência do julgador administrativo para decidir sobre inconstitucionalidade de lei. Ciência da decisão em 27/10/2008 e protocolo do recurso voluntário em 26/11/2008. Na peça recursal, em resumo, alega: a) ilegalidade do lançamento tributário ante a violação dos princípios e garantias constitucionais elencados e violação das disposições dos Artigos 43 e seguintes e 142 do Código Tributário Nacional, por ausência da verificação da ocorrência dos fatos geradores da obrigação tributária; b) ilegalidade do lançamento tributário ante a inexistência de demonstração de sinais exteriores de riqueza; c) redução da multa punitiva ante a inequívoca ausência de caracterização do intuito de fraudar o Erário Público; d) intimação pessoal do subscritor da peça recursal, da data e hora designada para julgamento do presente recurso, possibilitandolhe a apresentação de memoriais e de sustentação oral; e Fl. 1797DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 25 /03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10865.000680/200819 Acórdão n.º 2802002.717 S2TE02 Fl. 1.547 7 e) devolução do conhecimento de todas as matérias de fato e de direito deduzidas em Instância primária, que restaram debeladas pela decisão guerreada. Considerando que o Supremo Tribunal Federal admitiu a existência de repercussão geral quanto ao acesso aos dados bancários, cujo mérito será julgado no Recuso Extraordinário 601314, a Turma Julgadora, em um primeiro momento, determinou o sobrestamento do julgamento, nos termos dos §§ 1º e 2º do art. 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, com a redação dada pela Portaria MF nº 586/2010. Posteriormente, foi editada a Portaria CARF 01/2002, estabelecendo que o sobrestamento deveria ocorrer somente nos casos em que o STF expressamente determinasse o sobrestamento dos recursos extraordinários que tratassem da mesma matéria e que os processos sobrestados antes de sua edição deveriam ser adequados às normas que estabelecia, razão pela qual o processo foi mais uma vez submetido à apreciação do Colegiado. O julgamento resolveu sobrestar o julgamento, dessa vez por meio da Resolução 2802000.085, porém com a posterior revogação da norma regimental que prescrevia o sobrestamento de processos no CARF, o julgamento é retomado. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele devese tomar conhecimento. De início, registro que segundo as norma aplicáveis ao julgamento no CARF, a intimação da sessão de julgamento se dá com a publicação no Diário Oficial da União, e não de forma pessoal como requerido pelo recorrente. Ao litígio aplicamse as seguintes Súmulas CARF: Súmula CARF nº 6: É legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte. Sumular CARF nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Fl. 1798DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 25 /03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 8 Súmula CARF nº 35: O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente. As decisões do CARF apontadas pelo recorrente representam entendimento superado pelos enunciados sumulares supramencionados. Anotese que as decisões do STF em controle difuso de constitucionalidade proferidas fora da sistemática do art. 543B do CPC (art. 62A do Regimento Interno do CARF) não vinculam os membros do CARF. De outro giro, a interpretação sistemática do Regimento Interno do CARF é no sentido de que a possibilidade de o CARF afastar a aplicação ou deixar de observar lei ou Decreto sob fundamento de inconstitucionalidade é medida excepcional e que, na matéria sob apreciação, não se pode tomar como declaração de inconstitucionalidade por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal (inciso I do parágrafo único do art. 62 do RICARF) a decisão dada no RE389.808/PR, uma vez que o Recurso Extraordinário designado como paradigma e ainda pendente de julgamento é o de nº 601314, este sim, uma vez julgado e com trânsito em julgado, será de reprodução obrigatória. Inexistiu violação ao princípio da legalidade ou às regras protetoras do sigilo bancário, pois as requisições se deram com amparo em legislação vigente que autorizou a Receita Federal a requisitar as informações. O recorrente alega que careceu de motivação a requisição às Instituições Financeiras de microfilmes dos cheques emitidos, de forma que a Fiscalização teria promovido diligência desnecessária, uma vez que o Impugnante teria apresentado todas as cópias de cheques emitidos quando do preenchimento das cártulas para entrega aos credores ou clientes. Essa argumentação leva à conclusão que não teria havido prejuízo ao recorrente decorrente de uso de RMF – que o contribuinte alega ter sido desnecessária e não há nulidade sem prejuízo. Ademais, as requisições foram feitas com o objetivo de comprovar a alegação de repasse a terceiros, o que traria – como de fato trouxe – o benefício de excluir da relação de depósitos de origem não comprovada os repasses comprovados. Mais uma vez demonstrada a ausência de prejuízo ao contribuinte. Por estas razões, rejeito: a) as preliminares de nulidade elencadas pelo recorrente; e b) a preliminar suscitada, em sessão de julgamento, pelo Conselheiro German Alejandro San Martin Fernandez, que foi vencido, decorrente da decisão no RE389.808/PR, quanto à nulidade do lançamento por falta de autorização judicial para obtenção de dados bancários do contribuinte. Da omissão de rendimentos. Devese deixar claro que a omissão de rendimentos compreende depósitos bancários de origem não comprovada e/ou depósitos cuja comprovação da origem também implicaria a tributação porque o contribuinte não obteve êxito em comprovar ser rendimentos de terceiros. Fl. 1799DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 25 /03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10865.000680/200819 Acórdão n.º 2802002.717 S2TE02 Fl. 1.548 9 A demonstração analítica dos depósitos consta dos documentos denominados “Planilha de Créditos – Rendimentos Tributáveis” (fls. 50/56), onde é possível verificar as alegações do contribuinte. O somatório dos depósitos tributados está demonstrado às fls. 41, onde foi registrada a dedução do valor dos rendimentos declarados. Dos depósitos de origem não comprovada. Como se trata de presunção legal de omissão de receitas do art. 42 da Lei 9.430/1996, uma vez intimado, cabe ao contribuinte comprovar individualizadamente a origem dos depósitos, não se exigindo da autoridade fiscal que comprove aumento patrimonial. Para eximirse da tributação, não basta indicar a origem, é necessário demonstrar que o recurso já foi tributado ou é não tributável ou isento ou tributado exclusivamente na fonte. Consequentemente, diante da alegação de recebimento de recursos de terceiros posteriormente repassados, a comprovação dessa origem carece da prova de que houve o repasse, se não há uma prova segura da alegação quanto à origem do valor recebido. De outro giro, se há prova segura de que o depósito referese a rendimento de terceiros, não há permissivo legal para presumir omissão de rendimentos pela falta de comprovação do repasse. Ao longo da fiscalização foram feitas diversas intimações, as quais respondidas pelo contribuinte, deram origem a outras intimações, demonstrando um dialética fiscocontribuinte na busca da comprovação da origem dos recursos depositados. A autoridade fiscal relata no Termo de Verificação Fiscal que apesar das alegações do contribuinte de repasse dos recursos a terceiros e da grande quantidade de documentos, não foram comprovadas as alegações, em geral porque os documentos eram produzidos pelo próprio contribuinte (relações e voucher de cheques) ou os valores e/ou datas não correspondiam aos depósitos indicados pela fiscalização. Houve inclusive circularização aos terceiros mencionados pelo recorrente, restando incomprovadas as alegações do recorrente quanto aos depósitos objeto da autuação. Nos casos em que houve comprovação, os depósitos foram excluídos. Em sede recursal, quanto ao mérito, o recorrente limitase a, de forma genérica e em poucas linhas, reiterar as alegações da impugnação, as quais foram rejeitadas pelo acórdão recorrido essencialmente pelas razões da autuação, qual seja: alegações sem comprovação documental que, inequivocamente, relacionese aos depósitos indicados na autuação, destacandose, inclusive, que o próprio contribuinte ampara suas alegações em probabilidade de os fatos terem ocorrido, não em certeza. A mera probabilidade dos fatos alegados ou a quantidade de documentos não fazem prova se não se relacionam de forma inequívoca aos depósitos objeto da autuação. Não obstante cada alegação do impugnante tenha sido rebatida pela decisão recorrida, o recorrente Fl. 1800DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 25 /03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 10 não a contraditou nem trouxe qualquer elemento novo que possibilitasse corroborar suas alegações. Passo a apreciar as alegações de que determinados valores depositados pertenciam a terceiros. No Banco do Brasil S/A a) item a do TVF (fls. 19) – o contribuinte alegou que as pessoas físicas Katrus Tober Santarosa (sócio) e Evandro Figueiredo Forti (funcionário) laboram no escritório de advocacia do impugnante, sendo possível que as mesmas tenham promovido saque dos cheques emitidos pelo Impugnante para repasse aos seus constituintes em pecúnia; quanto ao boleto bancário, o cheque emitido pode ter sido utilizado pela beneficiária W. Sita para pagamento de obrigações de sua responsabilidade. Mera alegação de probabilidade de repasse não comprova que o fato tenha ocorrido. b) A alegação de que os honorários advocatícios foram recebidos mediante desconto do valor em pecúnia repassado ao constituinte não permite identificar vínculos com depósitos individualizadamente. De todo modo, os rendimentos declarados foram deduzidos pela autoridade fiscal antes de finalizar a soma dos rendimentos omitidos. c) item b do TVF (fls. 21), o contribuinte alega a cessão e transferência das cotas do consórcio à Antenor Pelisson & Cia Ltda decorreu de operação regular em que o Impugnante compareceu apenas como intermediário, esclarecendo que Antonio de Souza Nunes é sócio da empresa Paulibel Tinturaria e Estamparia Ltda e A. Souza Nunes & Cia Ltda, sendo que os valores recebidos foram repassados, frisando que no verso das cópias de cheques emitidos consta a assinatura do Sr. Antonio de Souza Nunes. A Fiscalização listou os beneficiários desses cheques e não há correlação entre estes e as afirmações do contribuinte, o que impede considerar comprovada a origem dos recursos. d) item “c” do TVF (fls. 21) – o contribuinte alega que não manteve relacionamento comercial com os beneficiários citados no TVF e que todos, exceto a Nobel atuam no segmento têxtil o mesmo do Sr. Antonio o qual realizou os depósitos nas contas de Newton José Teixeira e João Misson, operações estas realizadas por confiança e confidencial. A Fiscalização concluiu que não foi comprovado o repasse dos recursos e que os depósitos de R$6.250,00, em 04/04/2003 e R$6.250,00, em 05/05/2003, são rendimentos decorrentes da venda à empresa Antenor Pelisson & Cia Ltda de cotas do convênio para construção e implantação da estação de tratamento de esgoto da bacia do rio Piracicaba. Em seguida, constatado que o contribuinte era o proprietário das cotas negociadas e que tais direitos não constaram da Declaração de Ajuste Anual e também por não ter sido informado o custo de aquisição, os valores recebidos foram integralmente considerados como rendimentos não oferecidos à tributação. Aqui há um equívoco. Não se pode tributar com base na sistemática do Ajuste Anual e no caput do art. 42 da Lei 9.430/1996 um rendimento de origem conhecida que é regido pelas regras do ganho de capital na cessão de bens ou direito. Nesse ponto, a tributação é guiada pelo §2° do art. 42 da Lei 9.430/1996. Fl. 1801DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 25 /03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10865.000680/200819 Acórdão n.º 2802002.717 S2TE02 Fl. 1.549 11 § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. Desta forma, devem ser excluídos do lançamento os depósitos de R$6.250,00, em 04/04/2003 e R$6.250,00, em 05/05/2003. e) o repasse para Agro Citro Wiezel decorreu de ação judicial trabalhista julgada improcedente sendo incompatível com a boafé que o Impugnante pagasse ao Sr. Nelson Benjamim Taver. O contribuinte comprovou com a guia de retirada às fls. 483 que os depósitos de R$7.207,29 referese a levantamento em favor de seu cliente Agro Citro Wiezel, de forma que há origem do depósito e não se pode tributar recursos recebidos de terceiros, ainda que sobre o pretexto de que não foi comprovado o repasse. O depósito de R$7.207,29, feito em 04/04/2003 deve ser excluído do lançamento. f) item e do TVF o contribuinte alega levantamento judicial em favor de Javert Galassi e posterior repasse em pecúnia pelo próprio contribuinte. Não há comprovação de que o valor depositado tenha essa natureza. A Fiscalização descreveu que a guia de levantamento judicial que se prestaria a comprovar a origem do depósito não foi apresentada. Dentre as guias apresentadas, embora conste uma em favor de Javert Galassi (fls. 373), é de valor superior e o saque foi realizado em dia posterior ao depósito na conta do contribuinte. g) item f do TVF – alega recebimento de diversos depósitos que seriam acordo trabalhista em favor de Romildo Wiezel e impossibilidade de obter qualquer resposta desse cliente em virtude de seu falecimento antes do início do procedimento fiscal. Alega que vários cheques foram sacados por colaboradores do contribuinte e por funcionários da empresa do Sr. Romildo e os demais cheques incumbia aos beneficiários dar os destinos que bem lhes aprouvessem. A Fiscalização descreveu que o acordo trabalhista alegado não foi apresentado, isto comprovaria a origem e poderia ter sido providenciado independente de o cliente estar vivo. A Fiscalização demonstrou (fls. 24) que as alegações do contribuinte acerca do repasse ao Sr. Romildo não eram corroboradas pelos cheques mencionados, cujos beneficiários eram outras pessoas físicas e jurídicas. Sem a prova imediata da origem alegada e ausentes elementos seguros de que houvera repasse desse valores pelo contribuinte ao cliente, não se pode tomar como comprovada a origem dos depósitos. Sem a prova da origem configurase correta a manutenção desses depósitos no lançamento. Fl. 1802DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 25 /03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 12 h) item g do TVF – o contribuinte alega ter recebido depósitos referentes a acordo entre Nelson Paulo Rossi e Evaristo Gomes Pereira, o que é comprovado pela declaração do Sr. Nelson Paulo Rossi, fls. 966, razão suficiente para considerar comprovada a origem com sendo recursos de terceiros, os quais não podem ser tributados em nome do recorrente, ainda que sobre o pretexto de que não foi comprovado o repasse integral. A Fiscalização autuou esses valores parcialmente, pois subtraiu as quantias comprovadamente repassadas. Os valores desses depósitos que foram computados no lançamento devem ser excluídos. São eles: Em 01/09/2003 – R$400,00 (2.000,00 menos 1.600,00); Em 15/09/2003 – R$406,08 (2.000,00 menos 1.593,92); e Em 30/10/2003 R$406,08 (2.000,00 menos 1.593,92). i) itens h e j do TVF – o contribuinte alega que o crédito de R$2.384,62, em 11/11/2003 e o de R$1.021,40, em 13/11/2003, referemse a levantamentos judiciais em favor de Rio Branco Esporte Clube e Cromo Têxtil, respectivamente. A autoridade lançadora não refutou essa informação, restringiuse a exigir comprovação dos repasses. O silêncio da autoridade lançadora corresponde a considerar comprovada a origem como sendo recursos de terceiros, cuja tributação não pode se amparar exclusivamente na falta de comprovação integral do repasse ao cliente. Devem ser excluídos do lançamento os depósito de R$2.384,62, em 11/11/2003 e de R$1.021,40, em 13/11/2003. j) item k do TVF o Impugnante alega que apenas utilizou sua conta para realizar a operação de câmbio a favor da empresa Meplastic para liquidação de obrigação contraída na República Federativa do Uruguai, a qual não manteve documentos que confirmem a operação. A autoridade fiscal afirmou categoricamente que “o que se verifica é uma aplicação em câmbio, no valor de R$14.242,72, em 03/06, na própria conta do contribuinte” e concluiu que se tratou de uma aplicação particular, que o contribuinte pretendeu vincular a uma terceira pessoa. Constatase que a autoridade fiscal reputou comprovada a origem, o que lhe impede presumir omissão de rendimentos com base no art. 42 da Lei 9.430/1996. Considerar que o próprio contribuinte efetuou a operação de câmbio é como afirmar que este dispunha de recursos, os quais empregou nessa transação. A tributação nessas circunstâncias haveria de ser feita sob outra fundamentação jurídica, o que implica a exclusão do depósito de R$15.806,00, ocorrido em 02/06/2003. Quanto aos depósitos no Banco Santander S/A: Fl. 1803DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 25 /03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10865.000680/200819 Acórdão n.º 2802002.717 S2TE02 Fl. 1.550 13 a) item a do TVF – o recorrente alega que o crédito de R$3.741,18, efetuado em 15/01/2003 corresponde a honorários mais parte do acordo (R$2.200,00) entre Ind. Confecções Sardelli e Mejurek Confecções.e que houve o repasse, pelo impugnante, dos valores devidos à Ind. De Confecções Sardelli. A autoridade lançadora subtraiu do lançamento todos os valores do acordo em que foi comprovado o repasse, restando apenas o de R$3.741,18, em 15/01/2003, no Banco Santander. A razão da manutenção deste depósito foi esclarecida pela autoridade fiscal: a empresa Mejurek foi intimada e apresentou cópia da composição amigável e dos comprovantes de depósitos, todos efetuados no Banco do Brasil e nos dias 30. O contribuinte não contesta essas afirmações. Portanto, não há comprovação da origem alegada pelo contribuinte. b) item b do TVF – o contribuinte alega que os depósitos foram efetuados na conta do impugnante por receio da importância restar bloqueada para liquidação de outras obrigações da empresa Comercial de Móveis e Materiais de Construção Lar Feliz, ressaltando que esta pertence a grupo econômico da família de Oronízio Antonio de Miranda. A fiscalização consignou a falta de qualquer documento comprobatório da origem do recurso. Ao averiguar a alegação de repasse, a autoridade fiscal registrou que o cheque informado pelo contribuinte é contraditório com suas alegações, pois a própria empresa responsável pelos depósitos é a beneficiária do cheque emitido e não aquela que teria sido beneficiária do acordo judicial. As alegações do recorrente são inábeis para fins comprobatórios. c) item “c” do TVF – o contribuinte alega que devem ser deduzidos da base de cálculo os valores relativos aos pagamentos ao Impugnante para liquidação de obrigações judiciais de Wladimir Antonio Ricci, no período de janeiro a outubro de 2003, relativos a supostos recebimentos em favor da Indústria Nardini. Com base na resposta da citada empresa (fls. 886 em diante), a Fiscalização anotou a discrepância de datas e valores entre os pagamentos feitos pela empresa Nardini ao recorrente (como advogado) e os depósitos na conta corrente, mesmo problema encontrado nos recibos que comprovariam o repasse a Vlademir Antonio Ricci. O recorrente não oferece contraponto a essas objeções, restando sem comprovação a alegada origem dos depósitos. d) itens d e e do TVF – o contribuinte afirma que os beneficiários são colaboradores do escritório de advocacia, o que comprovaria a origem do depósito de R$2.268,00, em 25/02/2003, que supostamente seria um levantamento judicial em favor de Dorival Possari. Fl. 1804DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 25 /03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 14 A autoridade lançadora não refutou a alegação de que o depósito foi um levantamento em favor de terceiro, restringiuse a exigir comprovação dos repasses. O silêncio da autoridade lançadora corresponde a considerar comprovada a origem como sendo recursos de terceiros, cuja tributação não pode se amparar exclusivamente na falta de comprovação integral do repasse ao cliente. Deve ser excluído do lançamento o depósito de R$2.268,00, ocorrido em 25/02/2003. e) item g do TVF a empresa Alvesmyr, por enfrentar dificuldades financeiras, repassava cheques de terceiros ao Impugnante e vários pagamentos foram efetuados, em pecúnia, estando justificados os repasses ocorridos às empresas do grupo econômico da família do Sr. Oronizio. O recorrente não rebate a fundamentação do acórdão recorrido, que resumiu uma séries de ressalvas feitas no Termo de Verificação Fiscal, razão suficiente para manutenção da autuação. Vejamos: No entanto, conforme relatório fiscal às fls. 29/31, todas as informações prestadas pelo contribuinte foram verificadas pela fiscalização que 'constatou não existir coincidência', entre os valores depositados e aqueles previstos em instrumento particular de confissão de dívida firmado pela empresa devedora, além de saques informados pelo contribuinte não terem sido comprovados em extrato do Banco Santander e ainda, o contribuinte utilizou um mesmo cheque para justificar repasse de créditos bancários distintos, havendo inclusive, divergência de informação quanto aos beneficiários. f) itens “h” e “i” do TVF – o contribuinte alega que a empresa Dalotex afirmou não haver contabilizado as receitas porque os recursos eram de titularidade do exsócio Davi Foles Júnior e o depósito decorrente do recebimento a favor de Javert Galassi está comprovado por valor superior ao depositado, com indicação dos cheques emitidos. Quanto ao suposto depósito em favor da empresa Dalotex, a Fiscalização consignou que não foi apresentado qualquer documento comprobatório quanto à origem dos créditos, bem como quanto ao repasse desses valores. No tocante ao alegado levantamento em benefício de Javert Galassi, a autoridade lançadora mencionou a discrepância entre o valor da guia de levantamento (fls. 373) e o depósito de R$3.904,58, ocorrido em 17/06/2003, o que implica considerar não comprovada a origem alegada. Não é correto deduzir, como o fez o recorrente, que comprovar o levantamento de valor superior comprovaria um depósito em valor menor. Melhor sorte não assiste ao contribuinte quando tenta comprovar que repassou esses recursos, pois a autoridade fiscal anotou que foi informado apenas o número do cheque emitido sem qualquer documento comprobatório. Ponto sobre o qual silenciou o recorrente. g) itens “j” e “l” do TVF (fls. 32/33) o contribuinte alega ter comprovado o repasse com apresentação de cópia dos cheques emitidos. Entretanto, a autoridade fiscal descreveu na intimação e reintimação (fls. 586 e ss.) que para comprovação de que os depósitos correspondiam a valores de terceiros, e não do Fl. 1805DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 25 /03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10865.000680/200819 Acórdão n.º 2802002.717 S2TE02 Fl. 1.551 15 próprio contribuinte, era necessário comprovar o repasse, o que não foi possível comprovar por meio da menção de cheques cujos beneficiários são outras pessoas. O contribuinte alega que a identificação dos beneficiários nos cheques é responsabilidade da empresa recebedora. Porém, independentemente de quem for a responsabilidade por identificar os beneficiários desses cheques, não se pode tomar como comprovada a origem de depósitos se não há indicação de qualquer documento que prove a alegação de que os recursos são de terceiros, fruto de acordo intermediado pelo recorrente. h) quanto aos itens “m” e “p” do TVF (fls. 34/35) o contribuinte afirma que tanto o levantamento judicial efetuado a favor de Waldir Eronildes de Souza, como de W.Sita & Cia Ltda são de valores inferiores ao valor depositado comprovando que a maior parcela do depósito teve sua origem comprovada. Não há comprovação de que o depósito em questão referese a levantamento judicial, pois, conforme relatado pela autoridade lançadora, os valores são diferentes. Quanto ao levantamento judicial referente a Waldir Eronildes de Souza paira outra discrepância,: ocorreu uma semana antes do depósito na conta do recorrente. O recorrente também não pode se socorrer das alegações de repasse, pois os cheques indicados tiveram outras pessoas como beneficiárias ou foram emitidos em datas anteriores ou não indicam o beneficiário. l) item “q” do TVF (fls. 36) – o contribuinte sustenta que realizou operações de empréstimos com o Sr. Oronízio, tendo apresentado cópia dos cheques e as operações realizadas sem assinatura de instrumento particular devese à amizade entre ambos, tendo ocorrido ainda, a liquidação de obrigações pecuniárias assumidas em relação ao Sr. Antonio Jordão, justificando incongruências das datas de créditos e débitos. No Termo de Verificação Fiscal foi feita minuciosa demonstração das razões que impedem admitir as alegações do recorrente. O que foi resumido no acórdão de primeira instância. O recorrente não apresenta argumentos, muito menos provas que possam refutar o fundamento do acórdão recorrido, cuja fundamentação é reproduzida como razão de decidir este tópico. Totalmente infundadas tais alegações. A alegação da existência de empréstimos, realizados com terceiros deve vir acompanhada de provas inequívocas do efetivo recebimento dos numerários emprestados. Cabe ao impugnante a prova do recebimento do empréstimo concedido. As alegações de defesa devem ser corroboradas por provas que lhe dêem respaldo. É regra, não só do Processo Administrativo Fiscal, como também do Direito Processual Civil, que ca e àquele que alega o ônus da prova. O TVF às fls. 36/38, informa que o contribuinte não apresentou documentos comprobatórios das operações realizadas. Até mesmo o Sr. Oronízio e as empresas das quais é sócio, confirmaram o suposto empréstimo ou apresentaram algum documento comprobatóri6 de empréstimo ou escrituração Fl. 1806DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 25 /03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 16 contábil da entrada de recursos na empresa. Acrescentese que o demonstrativo dos créditos, às fls. 38, justificam a não aceitação de tais alegações corp valores, inclusive, devolvidos antes mesmo do recebimento do suposto empréstimo. 1 Portanto, a alegação da existência de empréstimos realizados com terceiros deveria vir acompanhada de provas inequívocas do efetivo recebimento dos numerários emprestados, o que não ocorreu até a presente data.(fls. 1472). j) item “r” do TVF (fls. 38/39) – o contribuinte busca justificar origem dos depósitos com contrato particular de venda de imóvel (fls. 857/861). A Fiscalização demonstra a disparidade entre valores e datas, o que foi também apontado pela DRJ. A defesa do contribuinte não oferece sequer explicação para tanto. Não há, portanto, documentação hábil para comprovar a referida origem. Do Livro Caixa O recorrente alega que o Livro Caixa foi ignorado com o fito de produzir arbitramento de receitas tributáveis em suposições fictícias e desprovidas de lastro. Entretanto, tratase de uma fiscalização com exigência de provas documentais a ponto de não ser possível comprovar as alegações com o Livro Caixa apresentado pelo contribuinte se não há documentação que suporte os dados escriturados ou se essa documentação é analisada e não admitida como prova. Da Glosa de Despesas Médicas O recorrente alega que a declaração das despesas médicas lastreouse em informação unilateral da administradora do plano de saúde que, equivocadamente, indicou pessoas que não são dependentes do Impugnante como integrante do plano de saúde, tendo o impugnante assistido integralmente as despesas médicas deduzidas de sua renda tributável. Como a dedução em comento não é admissível em relação a pessoas não dependentes, foi legítima a glosa. Da qualificação da multa O recorrente sustenta que houve ilegal qualificação da multa, pois não há prova de intuito de fraude, sendo imperiosa a redução da multa punitiva agravada. A multa de 150% foi aplicada exclusivamente em relação à omissão de rendimentos. Muito embora a autoridade fiscal tenha desenvolvido justificativas para a prática de conduta dolosa a autorizar a qualificação da penalidade (fls. 42 e ss.), a qualificação deuse sobre todos os montante da omissão de rendimentos, neles incluídos os depósitos tributados por presunção legal do art. 42 da Lei 9.430/1996. É necessária especial cautela no ato de aplicar a multa qualificada em um lançamento que contém presunção legal de omissão de rendimentos a partir de depósitos bancários, é o que se extrai do enunciado da Súmula CARF nº 25: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo Fl. 1807DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 25 /03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10865.000680/200819 Acórdão n.º 2802002.717 S2TE02 Fl. 1.552 17 necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Ainda que se conclua que as razões arroladas pela autoridade fiscal venham a justificar a qualificação da multa, haveria necessidade de identificar quais os depósitos que se relacionariam à conduta dolosa demonstrada, uma vez que para um número significativo de depósitos autuados paira tão somente a presunção legal de rendimento omitido. Devese afastar a qualificação da multa para exigila no patamar ordinário de 75%. Diante do exposto, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para: 1) excluir do lançamento os depósitos de R$6.250,00, ocorrido em 04/04/2003 e R$6.250,00, em 05/05/2003; de R$7.207,29, feito em 04/04/2003; de R$2.384,62, em 11/11/2003 e de R$1.021,40, em 13/11/2003; de R$15.806,00, ocorrido em 02/06/2003; e de R$2.268,00, ocorrido em 25/02/2003; 2) excluir da base de cálculo o valor de R$1.212,16, referente a parte dos depósitos de 01/09, 15/09 e 30/10/2003; e 3) afastar a qualificação da multa de ofício. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 1808DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 25 /03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 10930.904483/2012-18
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 26/10/2010
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do crédito alegado sob pena de desprovimento do recurso.
PROVAS. PRODUÇÃO. MOMENTO POSTERIOR AO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE.
O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o processo administrativo fiscal, em especial no Decreto 70.235/72. Não há como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal.
Numero da decisão: 3803-004.833
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
João Alfredo Eduão Ferreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
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GONCALVES & CIA LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 26/10/2010 COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. Para a homologação da DCOMP transmitida pelo sujeito passivo, é necessária a demonstração da liquidez e certeza do crédito de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 26/10/2010 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do crédito alegado sob pena de desprovimento do recurso. PROVAS. PRODUÇÃO. MOMENTO POSTERIOR AO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o processo administrativo fiscal, em especial no Decreto 70.235/72. Não há como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 44 83 /2 01 2- 18 Fl. 78DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 2 Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani. Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP, transmitido pelo contribuinte, em que pretende compensar apontado crédito de natureza tributária para com débito por ele apurado, ambos indicados em PER/DCOMP (efl 2/6), referente aos períodos e valores ali descritos e analisados no bojo deste processo. O pagamento foi identificado, mas constatouse que o mesmo foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, segundo dados do Despacho Decisório, dessa forma, o direito creditório não foi reconhecido e a compensação declarada resultou não homologada. Intimado a recolher o crédito tributário decorrente da não homologação da compensação, o contribuinte manifestou a sua inconformidade tempestivamente, argumentando o que se segue: a) Afirma seu direito ao recebimento do recurso, bem assim o regular processamento dos autos para julgamento pelo órgão competente; b) Alega que o despacho decisório está eivado de nulidades, pois não houve esclarecimentos quanto à suposta indisponibilidade de crédito e não foi analisada qualquer situação que legitima o crédito postulado; c) Alega não ter meio de se defender por desconhecimento da indisponibilidade e que o despacho decisório não dispõe de qualquer esclarecimento, inclusive em relação ao significado de “disponibilidade de crédito”, o que lhe parece se tratar do encontro de contas realizado pelo sistema da Receita Federal entre o débito recolhido através do Darf e o Crédito declarado em DCTF. Não restando crédito disponível para ser restituído; d) Alega o cerceamento ao seu direito de ampla defesa, pois não foi intimado a fazer os esclarecimentos necessários e a autoridade administrativa não motivou sua decisão, a qual não passou pelo crivo de um Auditor Fiscal para confirmar a suposta indisponibilidade, dessa forma a não homologação desta compensação ocorreu por uma questão de sistema de informática, sendo assim o crédito sequer foi apreciado; e) Afirma, quanto ao mérito, que utilizou de valores que indevidamente integravam a base de cálculo do tributo, conforme teses já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal, e que por esta razão postulou a restituição/compensação do valor que pagou a maior; f) Alega que não há como apresentar os documentos comprobatórios do direito alegado, já que nem a autoridade administrativa sabe ao certo o motivo do indeferimento, tampouco a interessada, devendo ser aplicada a regra autorizadora de produção posterior das provas. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904483/201218 Acórdão n.º 3803004.833 S3TE03 Fl. 11 3 A 3ª Turma da DRJ/CTA julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório, ementando sua decisão nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO [...] NULIDADE. PRESSUPOSTOS. Ensejam a nulidade apenas os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INTIMAÇÃO PARA ESCLARECIMENTOS. A ausência de pedido de esclarecimentos na fase preparatória do procedimento fiscal não caracteriza cerceamento do direito de defesa, que é assegurado na fase do contraditório, inaugurada com a manifestação de inconformidade. COFINS. BASE DE CÁLCULO. JULGAMENTO PELO STF. Aplicase a disposição do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, até a sua revogação pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, uma vez que o julgamento do STF pela inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo contida naquele dispositivo não tem efeito erga omnes, pois a decisão foi em Recurso Extraordinário e não em ADIN, só aproveitando, por isso, às partes envolvidas, não podendo beneficiar ou prejudicar terceiros. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado, o sujeito passivo protocolou recurso voluntário, por meio do qual repete os argumentos expostos em manifestação de inconformidade, chegando a afirmar tratarse de um acórdão eletrônico, à semelhança do despacho decisório, sem que tenha sido submetido ao crivo de um auditor fiscal/colegiado para analisar essas situações. É o relatório. Voto Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Dos pedidos de nulidade. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 4 O contribuinte defende a nulidade do despacho decisório e do acórdão da DRJ por falta de motivação de seus atos, o que impossibilitou sua defesa. Entendemos que não seja obrigatória, na fundamentação do despacho decisório, a indicação expressa dos dispositivos legais e constitucionais em que se sustenta, desde que haja consonância dos argumentos utilizados com a jurisprudência e com o ordenamento jurídico vigente. Ressaltamos que o despacho decisório é processado de forma eletrônica, realizando o encontro dos valores constantes no sistema da Receita Federal do Brasil RFB. Como confessado pelo próprio contribuinte sua DCTF do período estava erroneamente preenchida, e esta informação estava inserida no sistema da RFB, ou seja, de fato o contribuinte não possuía créditos a serem ressarcidos no confronto dos valores declarados como devidos (DCTF) e daqueles que efetivamente foram recolhidos (DARF). As principais nulidades no processo administrativo fiscal estão disciplinadas nos artigos 59 e 60 do Decreto n.º 70.2351, de 1972, não identificamos nenhuma das hipóteses de nulidade presente no despacho decisório, muito menos ofensa aos princípios do contraditório e da ampla defesa, tanto que o recorrente pode fazer sua defesa de forma ampla e teve a oportunidade de provar seu direito creditório em pelo menos duas oportunidades distintas, uma quando da manifestação de inconformidade e outra quando interpôs recurso voluntário. O Despacho Decisório aponta como enquadramento legal os artigos 165 e 170 do CTN e artigo 74 da Lei 9.430/96. Tanto o artigo 170 do CTN quanto o 74 da Lei 9.430/96, reforçam o direito do contribuinte em compensar os seus débitos com crédito líquidos e certos, fica claro que a liquidez e certeza do crédito tributário é que ficou comprometida ante as informações prestadas pelo contribuinte, em especial no confronto da DCTF com o DARF recolhido, portanto, entendemos que não há que se falar em nulidade do Despacho Decisório por falta de fundamentação. Da mesma sorte, não identificamos qualquer hipótese de nulidade no acórdão proferido pela DRJ. A manifestação de inconformidade foi devidamente submetida ao crivo de um colegiado que fundamentou coerentemente sua decisão com base no Decreto 70.235, de 1972, além de trazer decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais do então Conselho de Contribuintes. Dessa forma a recorrente poderia usufruir do direito ao contraditório e à ampla defesa. Não identificamos qualquer cerceamento à defesa do contribuinte. Mérito e comprovação do crédito. 1 Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904483/201218 Acórdão n.º 3803004.833 S3TE03 Fl. 12 5 As compensações se prestam ao encontro de contas, entre um débito tributário e um crédito líquido e certo da contribuinte contra a Fazenda Pública, conforme determina o artigo 170 do CTN. “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública.” Neste mesmo sentido expressase o artigo 74 da Lei 9.430. Daí concluirse que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento a maior do tributo, desse modo, a fim de comprovar a existência do crédito alegado, a interessada deve instruir sua defesa, em especial a manifestação de inconformidade, com documentos que respaldem suas afirmações, considerando o disposto nos artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235/1972: “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)” O recorrente afirma que utilizou de valores que indevidamente integraram a base de cálculo do tributo, conforme teses já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal, e que por esta razão postulou a restituição/compensação do valor que pagou a maior. Apesar de se referir a algumas teses de forma genérica, o contribuinte não expôs com exatidão quais delas teria usado para justificar a redução da base de cálculo. Muito menos demonstrou quais os valores que acredita não integrarem a referida base de cálculo, o que de fato impede a análise dos argumentos expostos e não prova a disponibilidade de crédito. Na mesma esteira, admitindose por hipótese, o direito subjetivo do contribuinte, o que não é o caso, mais uma barreira se ergueria em desfavor da requerente, qual seja, a absoluta falta de provas da existência do crédito requerido. O inciso III do artigo 16 do Decreto 70.235/72 determina que as provas que justifiquem as alegações do contribuinte devem ser trazidas na impugnação. Não há nos autos qualquer elemento de prova que ateste o crédito pretendido, não identificamos Notas Fiscais, Escrita Fiscal, Escrita Contábil, Livro de Apuração, Livro Diário, Livro Razão, planilhas demonstrativas, ou qualquer outro documento que possibilite, minimamente que seja, a sua aferição. No processo administrativo fiscal, assim como no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é de quem alega a sua existência, ou seja, do interessado, é assim que dispõe a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999 no seu artigo 36: Fl. 82DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 6 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido os artigos 330 e 396 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973CPC: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados a provar lhe as alegações. Quem alegou a existência de crédito foi o contribuinte, portanto, cabe a este provar o alegado crédito e não transferir tal ônus para a RFB. Da apresentação das provas. O artigo 16 do Decreto nº 70.235/72 em seu § 4º determina, ainda, o momento processual para a apresentação de provas no processo administrativo fiscal, bem como as exceções albergadas que transcrevemos a seguir: “§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” A análise da norma supracitada é clara e direta ao estabelecer o momento correto a serem carreadas as provas a fim de substanciar os argumentos da interessada, qual seja, na manifestação de inconformidade, contudo, esta turma recursal tem firmado entendimento no sentido de admitir, excepcionalmente, a análise de provas trazidas em sede de recurso voluntário, quando estas não dependam de análise técnica aprofundada e sejam complementares às provas trazidas em Manifestação de Inconformidade, entretanto, mesmo neste momento processual, nenhuma prova foi carreada aos autos. Não há como deferir o pedido do contribuinte por produção de provas posteriores a este ato, por absoluta falta de previsão legal. Conclusão. Pelo exposto, rejeito as preliminares de nulidade e no mérito NEGO PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Fl. 83DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904483/201218 Acórdão n.º 3803004.833 S3TE03 Fl. 13 7 João Alfredo Eduão Ferreira Relator Fl. 84DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO
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Numero do processo: 23034.042376/2006-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue May 06 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2302-000.284
Decisão: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/1996 a 31/12/2003.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência fiscal, para que seja dada ciência ao contribuinte do resultado de diligência já realizada.
Liége Lacroix Thomasi - Presidente de Turma.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), André Luís Mársico Lombardi, Maria Alselma Coscrato dos Santos, Bianca Delgado Pinheiro e Arlindo da Costa e Silva.
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Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência fiscal, para que seja dada ciência ao contribuinte do resultado de diligência já realizada. Liége Lacroix Thomasi Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), André Luís Mársico Lombardi, Maria Alselma Coscrato dos Santos, Bianca Delgado Pinheiro e Arlindo da Costa e Silva. . RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 2 30 34 .0 42 37 6/ 20 06 -0 1 Fl. 113DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/04/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 23034.042376/200601 Resolução nº 2302000.284 S2C3T2 Fl. 114 2 1. RELATÓRIO Período de apuração: 01/12/1996 a 31/12/2003. Data da lavratura da NRD: 16/12/2006. Data da Ciência do NRD: 21/12/2006. Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela DRJ em Brasília/DF que julgou procedente em parte a impugnação oferecida pelo sujeito passivo do crédito tributário lançado por intermédio da Notificação para Recolhimento de Débito NRD nº 0000233/2006, de 16 de dezembro de 2006, conforme Informação nº 872/2006 a fl. 02. O caso em estudo versa sobre Apuração Especial das deduções de valores devidos a contribuição social do SalárioEducação, Estabelecimento CNPJ nº 00.360.305/264004, tributo previsto no art. 212, § 5º da Constituição Federal, regulamentado pelas Leis nº 9.424/96, 9.766/98 e 10.832/03 e pelos Decretos nº 3.142/99 e 4.943/03, referentes ao benefício instituído pelo Sistema de Manutenção do Ensino Fundamental SME, programa pelo qual a empresa propiciava o ensino fundamental a seus empregados e a dependentes desses, no exercício de direito adquirido anteriormente à Emenda Constitucional n° 14/96. O exame em questão visou a identificar as deduções realizadas indevidamente, na modalidade "indenização de dependentes", baseandose nas informações constantes no Sistema de Gestão da Arrecadação SIGA dessa Autarquia. O critério do levantamento consistiu em verificar, a partir do 2º semestre de 1996, conforme o Demonstrativo de Divergência por Estabelecimento, se o valor deduzido é equivalente ao número de alunos informado pela empresa na Relação de Alunos Indenizados – RAI. O número de vagas referenciado no Demonstrativo de Divergências por Estabelecimento reflete a quantidade de alunos beneficiários por mês e que o valor per capita do benefício é de R$ 21,00 por aluno/mês. Assim, o cálculo é realizado da seguinte forma: Va = Dr ( Id x Vp ) Onde: Indicação de Dependentes no cadastro do FNDE (Id) Deduções realizadas no mês (Dr) Valor per capita R$ 21,00 aluno/mês (Vp) Valor apurado (Va) Fl. 114DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/04/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 23034.042376/200601 Resolução nº 2302000.284 S2C3T2 Fl. 115 3 Observados os critérios expostos, e considerando que foram apuradas deduções indevidas na contribuição social do SalárioEducação, houvese por emitida a Notificação para Recolhimento de Débito – NRD nº 000233/2006, a fl. 08, de acordo com o Demonstrativo de Divergência por Estabelecimento a fl. 03, e com os Quadros de Lançamento e de Atualização de Débitos, a fls. 04/07. Insatisfeito, o Recorrente ofereceu impugnação a fls. 11/16 contestando a referida cobrança. Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília/DF lavrou Decisão Administrativa contextualizada no Acórdão 0340.892 5ª Turma da DRJ/BSB, a fls. 38/43, julgando parcialmente procedente o lançamento, para deste fazer excluir as obrigações tributárias referentes aos fatos geradores ocorridos no período de 12/96 a 11/2001, em razão do decurso do prazo decadencial do direito da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário relativo às competências em questão, nos termos do §4º do art. 150 do CTN, e retificando o débito na forma do Discriminativo Analítico do Débito Retificado DADR a fls. 44/46. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 04 de abril de 2011, conforme Aviso de Recebimento – AR a fl. 49. Inconformado com a decisão proferida pelo órgão julgador a quo, o Recorrente ofereceu Recurso Voluntário a fls. 50/54, deduzindo seu inconformismo nas alegações que se vos seguem: · Que houve falta de fundamentação na decisão recorrida, eis que esta se limitou a enumerar os elementos apresentados na defesa e a pronunciar a decadência, não adentrando os pedidos realizados pelo Recorrente, principalmente no que diz respeito aos períodos já pagos e a realização de perícia nos registros internos da CAIXA para que fossem apurados os valores realmente devidos; · Que os valores que vêm sendo cobrados pelo FNDE encontramse devidamente quitados, tendo sido inviabilizada a comprovação por meio da RAI em razão de inconsistências e falhas do sistema do FNDE, o qual permaneceu sem acesso por longo período, aliados à estrutura da CAIXA que centralizou as informações, tomando por base a sede da empresa; · Que conseguiu recuperar comprovantes de pagamento das competências 12/2002 e 12/2003, bem como lista de beneficiários, declaração de frequência e contracheques; · Que seja procedida rigorosa perícia nos registros internos da CAIXA, de forma a se saber o montante realmente devido. O julgamento foi convertido em Diligência Fiscal para que a Fiscalização/FNDE se pronunciasse, de maneira conclusiva, a respeito dos documentos acostados pelo Recorrente a Fl. 115DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/04/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 23034.042376/200601 Resolução nº 2302000.284 S2C3T2 Fl. 116 4 fls. 58/72, nos termos da Resolução nº 2302000.246 – 3ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 18 de setembro de 2013, a fls. 78/87. Em atendimento à diligência acima referida, houvese por emitida a Informação nº 2359/2013 – COSES/CGFSE/DIGEF/FNDE, a fls. 107/108. Na sequência, foram os autos encaminhados a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para prosseguimento do julgamento do Recurso Voluntário. Relatados sumariamente os fatos relevantes. 2. DA ADMISSIBILIDADE DO RECURSO O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 04/04/2011. Havendo sido o recurso recebido pelo órgão fazendário em 04/05/2011, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço. 3. DAS PRELIMINARES 3.1. DO SANEAMENTO DO PROCESSO. Antes de adentrarmos a cognição meritória urge ser sanada uma irregularidade de cunho eminentemente processual. No curso da instrução do processo, após o oferecimento do Recurso Voluntário, o julgamento do feito foi convertido em Diligência Fiscal para que a Fiscalização/FNDE se pronunciasse, de maneira conclusiva, a respeito dos documentos acostados pelo Recorrente a fls. 58/72, nos termos da Resolução nº 2302000.246 – 3ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 18 de setembro de 2013, a fls. 78/87. Atendendo aos primados do contraditório, da ampla defesa e do Devido Processo Legal determinou esta 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF que, antes de os autos retornarem a este CARF, fosse dada a devida ciência ao Sujeito Passivo do resultado da Diligência Fiscal requestada, para que ele, desejando, pudesse se manifestar nos autos do processo, no prazo normativo, conforme expressamente consignado nos termos da Resolução, a fls. 86/87. “5. RESOLUÇÃO Pelos motivos expendidos, voto pela CONVERSÃO do julgamento em DILIGÊNCIA FISCAL, nos termos detalhados nos parágrafos precedentes. Fl. 116DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/04/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 23034.042376/200601 Resolução nº 2302000.284 S2C3T2 Fl. 117 5 Na sequência, antes de os autos retornarem a esta Corte Administrativa, deve ser promovida a ciência do teor e resultado da Diligência Fiscal acima comandada ao Sujeito Passivo, para que este, desejando, possa se manifestar nos autos do processo, no prazo normativo”. Ocorre, todavia, que o órgão responsável pela execução da Diligência Fiscal negligenciou em tal mister, de sorte que os autos retornaram a este CARF para julgamento do Recurso Voluntário, sem que fosse dada ao Sujeito Passivo a devida ciência do teor da Diligência Fiscal comandada mediante a Resolução nº 2302000.246 – 3ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 18 de setembro de 2013, a fls. 78/87. O proferimento de decisões administrativas sem que tenha sido oportunizado ao Contribuinte a faculdade de se manifestar a respeito do resultado da Incidente Processual em questão se configuraria, ao nosso sentir, hipótese de cerceamento de defesa, uma vez que as argumentações expendidas pela Fiscalização, em sede de Diligência Fiscal, seriam assimiladas pelo Órgão Julgador de 2ª Instância, sem a contradita da parte adversa, e tidas, obviamente, como não contestadas, em flagrante ofensa ao princípio “audiatur et altera pars”. Revelase o Direito Processual Administrativo refratário ao proferimento de Decisões em que reste configurada qualquer modalidade de preterição ao direito de defesa, as quais já nascem sob o estigma da nulidade. Por tais razões, pugnamos pela conversão do julgamento em Diligência Fiscal, para que se cumpra todos os termos da Diligência Fiscal comandada mediante a Resolução nº 2302000.246 – 3ª Câmara/2ª Turma Ordinária, especificamente, para que seja promovida a ciência do teor e do resultado da Diligência Fiscal ora em debate ao Sujeito Passivo, para que este, desejando, possa se manifestar nos autos do processo, no prazo normativo. 4. RESOLUÇÃO Pelos motivos expendidos, voto pela CONVERSÃO do julgamento em DILIGÊNCIA FISCAL, nos termos detalhados nos parágrafos precedentes. É como voto. Arlindo da Costa e Silva, Relator. Fl. 117DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/04/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI
score : 1.0
Numero do processo: 10930.904505/2012-40
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 26/10/2010
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do crédito alegado sob pena de desprovimento do recurso.
PROVAS. PRODUÇÃO. MOMENTO POSTERIOR AO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE.
O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o processo administrativo fiscal, em especial no Decreto 70.235/72. Não há como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal.
Numero da decisão: 3803-004.855
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
João Alfredo Eduão Ferreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 26/10/2010 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do crédito alegado sob pena de desprovimento do recurso. PROVAS. PRODUÇÃO. MOMENTO POSTERIOR AO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o processo administrativo fiscal, em especial no Decreto 70.235/72. Não há como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal.
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GONCALVES & CIA LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 26/10/2010 COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. Para a homologação da DCOMP transmitida pelo sujeito passivo, é necessária a demonstração da liquidez e certeza do crédito de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 26/10/2010 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do crédito alegado sob pena de desprovimento do recurso. PROVAS. PRODUÇÃO. MOMENTO POSTERIOR AO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o processo administrativo fiscal, em especial no Decreto 70.235/72. Não há como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 45 05 /2 01 2- 40 Fl. 76DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 2 Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani. Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP, transmitido pelo contribuinte, em que pretende compensar apontado crédito de natureza tributária para com débito por ele apurado, ambos indicados em PER/DCOMP (efl 2/6), referente aos períodos e valores ali descritos e analisados no bojo deste processo. O pagamento foi identificado, mas constatouse que o mesmo foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, segundo dados do Despacho Decisório, dessa forma, o direito creditório não foi reconhecido e a compensação declarada resultou não homologada. Intimado a recolher o crédito tributário decorrente da não homologação da compensação, o contribuinte manifestou a sua inconformidade tempestivamente, argumentando o que se segue: a) Afirma seu direito ao recebimento do recurso, bem assim o regular processamento dos autos para julgamento pelo órgão competente; b) Alega que o despacho decisório está eivado de nulidades, pois não houve esclarecimentos quanto à suposta indisponibilidade de crédito e não foi analisada qualquer situação que legitima o crédito postulado; c) Alega não ter meio de se defender por desconhecimento da indisponibilidade e que o despacho decisório não dispõe de qualquer esclarecimento, inclusive em relação ao significado de “disponibilidade de crédito”, o que lhe parece se tratar do encontro de contas realizado pelo sistema da Receita Federal entre o débito recolhido através do Darf e o Crédito declarado em DCTF. Não restando crédito disponível para ser restituído; d) Alega o cerceamento ao seu direito de ampla defesa, pois não foi intimado a fazer os esclarecimentos necessários e a autoridade administrativa não motivou sua decisão, a qual não passou pelo crivo de um Auditor Fiscal para confirmar a suposta indisponibilidade, dessa forma a não homologação desta compensação ocorreu por uma questão de sistema de informática, sendo assim o crédito sequer foi apreciado; e) Afirma, quanto ao mérito, que utilizou de valores que indevidamente integravam a base de cálculo do tributo, conforme teses já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal, e que por esta razão postulou a restituição/compensação do valor que pagou a maior; f) Alega que não há como apresentar os documentos comprobatórios do direito alegado, já que nem a autoridade administrativa sabe ao certo o motivo do indeferimento, tampouco a interessada, devendo ser aplicada a regra autorizadora de produção posterior das provas. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904505/201240 Acórdão n.º 3803004.855 S3TE03 Fl. 11 3 A 3ª Turma da DRJ/CTA julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório, ementando sua decisão nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO [...] NULIDADE. PRESSUPOSTOS. Ensejam a nulidade apenas os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INTIMAÇÃO PARA ESCLARECIMENTOS. A ausência de pedido de esclarecimentos na fase preparatória do procedimento fiscal não caracteriza cerceamento do direito de defesa, que é assegurado na fase do contraditório, inaugurada com a manifestação de inconformidade. COFINS. BASE DE CÁLCULO. JULGAMENTO PELO STF. Aplicase a disposição do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, até a sua revogação pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, uma vez que o julgamento do STF pela inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo contida naquele dispositivo não tem efeito erga omnes, pois a decisão foi em Recurso Extraordinário e não em ADIN, só aproveitando, por isso, às partes envolvidas, não podendo beneficiar ou prejudicar terceiros. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado, o sujeito passivo protocolou recurso voluntário, por meio do qual repete os argumentos expostos em manifestação de inconformidade, chegando a afirmar tratarse de um acórdão eletrônico, à semelhança do despacho decisório, sem que tenha sido submetido ao crivo de um auditor fiscal/colegiado para analisar essas situações. É o relatório. Voto Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Dos pedidos de nulidade. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 4 O contribuinte defende a nulidade do despacho decisório e do acórdão da DRJ por falta de motivação de seus atos, o que impossibilitou sua defesa. Entendemos que não seja obrigatória, na fundamentação do despacho decisório, a indicação expressa dos dispositivos legais e constitucionais em que se sustenta, desde que haja consonância dos argumentos utilizados com a jurisprudência e com o ordenamento jurídico vigente. Ressaltamos que o despacho decisório é processado de forma eletrônica, realizando o encontro dos valores constantes no sistema da Receita Federal do Brasil RFB. Como confessado pelo próprio contribuinte sua DCTF do período estava erroneamente preenchida, e esta informação estava inserida no sistema da RFB, ou seja, de fato o contribuinte não possuía créditos a serem ressarcidos no confronto dos valores declarados como devidos (DCTF) e daqueles que efetivamente foram recolhidos (DARF). As principais nulidades no processo administrativo fiscal estão disciplinadas nos artigos 59 e 60 do Decreto n.º 70.2351, de 1972, não identificamos nenhuma das hipóteses de nulidade presente no despacho decisório, muito menos ofensa aos princípios do contraditório e da ampla defesa, tanto que o recorrente pode fazer sua defesa de forma ampla e teve a oportunidade de provar seu direito creditório em pelo menos duas oportunidades distintas, uma quando da manifestação de inconformidade e outra quando interpôs recurso voluntário. O Despacho Decisório aponta como enquadramento legal os artigos 165 e 170 do CTN e artigo 74 da Lei 9.430/96. Tanto o artigo 170 do CTN quanto o 74 da Lei 9.430/96, reforçam o direito do contribuinte em compensar os seus débitos com crédito líquidos e certos, fica claro que a liquidez e certeza do crédito tributário é que ficou comprometida ante as informações prestadas pelo contribuinte, em especial no confronto da DCTF com o DARF recolhido, portanto, entendemos que não há que se falar em nulidade do Despacho Decisório por falta de fundamentação. Da mesma sorte, não identificamos qualquer hipótese de nulidade no acórdão proferido pela DRJ. A manifestação de inconformidade foi devidamente submetida ao crivo de um colegiado que fundamentou coerentemente sua decisão com base no Decreto 70.235, de 1972, além de trazer decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais do então Conselho de Contribuintes. Dessa forma a recorrente poderia usufruir do direito ao contraditório e à ampla defesa. Não identificamos qualquer cerceamento à defesa do contribuinte. Mérito e comprovação do crédito. 1 Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904505/201240 Acórdão n.º 3803004.855 S3TE03 Fl. 12 5 As compensações se prestam ao encontro de contas, entre um débito tributário e um crédito líquido e certo da contribuinte contra a Fazenda Pública, conforme determina o artigo 170 do CTN. “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública.” Neste mesmo sentido expressase o artigo 74 da Lei 9.430. Daí concluirse que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento a maior do tributo, desse modo, a fim de comprovar a existência do crédito alegado, a interessada deve instruir sua defesa, em especial a manifestação de inconformidade, com documentos que respaldem suas afirmações, considerando o disposto nos artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235/1972: “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)” O recorrente afirma que utilizou de valores que indevidamente integraram a base de cálculo do tributo, conforme teses já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal, e que por esta razão postulou a restituição/compensação do valor que pagou a maior. Apesar de se referir a algumas teses de forma genérica, o contribuinte não expôs com exatidão quais delas teria usado para justificar a redução da base de cálculo. Muito menos demonstrou quais os valores que acredita não integrarem a referida base de cálculo, o que de fato impede a análise dos argumentos expostos e não prova a disponibilidade de crédito. Na mesma esteira, admitindose por hipótese, o direito subjetivo do contribuinte, o que não é o caso, mais uma barreira se ergueria em desfavor da requerente, qual seja, a absoluta falta de provas da existência do crédito requerido. O inciso III do artigo 16 do Decreto 70.235/72 determina que as provas que justifiquem as alegações do contribuinte devem ser trazidas na impugnação. Não há nos autos qualquer elemento de prova que ateste o crédito pretendido, não identificamos Notas Fiscais, Escrita Fiscal, Escrita Contábil, Livro de Apuração, Livro Diário, Livro Razão, planilhas demonstrativas, ou qualquer outro documento que possibilite, minimamente que seja, a sua aferição. No processo administrativo fiscal, assim como no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é de quem alega a sua existência, ou seja, do interessado, é assim que dispõe a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999 no seu artigo 36: Fl. 80DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 6 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido os artigos 330 e 396 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973CPC: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados a provar lhe as alegações. Quem alegou a existência de crédito foi o contribuinte, portanto, cabe a este provar o alegado crédito e não transferir tal ônus para a RFB. Da apresentação das provas. O artigo 16 do Decreto nº 70.235/72 em seu § 4º determina, ainda, o momento processual para a apresentação de provas no processo administrativo fiscal, bem como as exceções albergadas que transcrevemos a seguir: “§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” A análise da norma supracitada é clara e direta ao estabelecer o momento correto a serem carreadas as provas a fim de substanciar os argumentos da interessada, qual seja, na manifestação de inconformidade, contudo, esta turma recursal tem firmado entendimento no sentido de admitir, excepcionalmente, a análise de provas trazidas em sede de recurso voluntário, quando estas não dependam de análise técnica aprofundada e sejam complementares às provas trazidas em Manifestação de Inconformidade, entretanto, mesmo neste momento processual, nenhuma prova foi carreada aos autos. Não há como deferir o pedido do contribuinte por produção de provas posteriores a este ato, por absoluta falta de previsão legal. Conclusão. Pelo exposto, rejeito as preliminares de nulidade e no mérito NEGO PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Fl. 81DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904505/201240 Acórdão n.º 3803004.855 S3TE03 Fl. 13 7 João Alfredo Eduão Ferreira Relator Fl. 82DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 19515.007230/2008-93
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2004, 2005
MATÉRIA NÃO QUESTIONADA NA FASE IMPUGNATÓRIA. PRECLUSÃO.
O que não se questionou na fase impugnatória constitui matéria passada em julgado, não suscetível de apreciação na fase recursal.
CSLL. PIS. COFINS. DECORRÊNCIA.
Ressalvados os casos especiais, igual sorte colhem os lançamentos que tenham sido formalizados por mera decorrência, na medida em que inexistem fatos ou argumentos novos a ensejar conclusões diversas.
Numero da decisão: 1803-002.099
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Meigan Sack Rodrigues, Victor Humberto da Silva Maizman e Arthur José André Neto, que davam provimento ao recurso apenas na parte relativa à exclusão do ICMS da base de cálculo do Pis e da Cofins.
(assinado digitalmente)
Walter Adolfo Maresch - Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Rodrigues Mendes - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walter Adolfo Maresch, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Neudson Cavalcante Albuquerque e Arthur José André Neto.
Nome do relator: SERGIO RODRIGUES MENDES
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 2004, 2005 MATÉRIA NÃO QUESTIONADA NA FASE IMPUGNATÓRIA. PRECLUSÃO. O que não se questionou na fase impugnatória constitui matéria passada em julgado, não suscetível de apreciação na fase recursal. CSLL. PIS. COFINS. DECORRÊNCIA. Ressalvados os casos especiais, igual sorte colhem os lançamentos que tenham sido formalizados por mera decorrência, na medida em que inexistem fatos ou argumentos novos a ensejar conclusões diversas.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Meigan Sack Rodrigues, Victor Humberto da Silva Maizman e Arthur José André Neto, que davam provimento ao recurso apenas na parte relativa à exclusão do ICMS da base de cálculo do Pis e da Cofins. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch - Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walter Adolfo Maresch, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Neudson Cavalcante Albuquerque e Arthur José André Neto.
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(RESPONSÁVEL TRIBUTÁRIO: LUIS CÉSAR DALCENO) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2004, 2005 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO. TERMO INICIAL. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (STJ Recurso Repetitivo). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2004, 2005 ICMS. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. A parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo do Pis e da Cofins (Súmulas do STJ nºs 68 e 94). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2004, 2005 MATÉRIA NÃO QUESTIONADA NA FASE IMPUGNATÓRIA. PRECLUSÃO. O que não se questionou na fase impugnatória constitui matéria passada em julgado, não suscetível de apreciação na fase recursal. CSLL. PIS. COFINS. DECORRÊNCIA. Ressalvados os casos especiais, igual sorte colhem os lançamentos que tenham sido formalizados por mera decorrência, na medida em que inexistem fatos ou argumentos novos a ensejar conclusões diversas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 72 30 /2 00 8- 93 Fl. 318DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/03/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 19515.007230/200893 Acórdão n.º 1803002.099 S1TE03 Fl. 319 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Meigan Sack Rodrigues, Victor Humberto da Silva Maizman e Arthur José André Neto, que davam provimento ao recurso apenas na parte relativa à exclusão do ICMS da base de cálculo do Pis e da Cofins. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walter Adolfo Maresch, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Neudson Cavalcante Albuquerque e Arthur José André Neto. Fl. 319DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/03/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 19515.007230/200893 Acórdão n.º 1803002.099 S1TE03 Fl. 320 3 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido (fls. 137 a 144): DO PROCEDIMENTO FISCAL 1. Decorrente do trabalho de fiscalização realizado na pessoa jurídica indicada, relativo aos anoscalendário de 2003 e de 2004, foram lavrados em 14/11/2008, o auto de infração do Imposto de Renda (fls. 90 a 93), o auto de infração da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (fls. 114 a 117), o auto de infração da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (fls. 106 a 109) e o auto de infração da Contribuição para o PIS (fls. 98 a 101). O crédito tributário total lançado foi de R$ 1.016.001,16 (um milhão, dezesseis mil e um reais e dezesseis centavos), conforme abaixo demonstrado: [...]. 2. Os fatos apurados pela Autoridade Lançadora estão descritos no Termo de Verificação Fiscal e Responsabilidade Tributária (fls. 70 a 79), a seguir sintetizados. 3. A Autoridade Fiscal informou inicialmente que a empresa, de acordo com Ficha Cadastral emitida pela JUCESP, teria sido dissolvida em 15/08/2003, conforme Distrato Social lavrado naquela data. Constavam como sócios Luis Cesar Dalceno (sócio gerente), CPF nº 227.497.65897, e Chu Shen Tsai, CPF nº 227.019.85811, ficando a responsabilidade e a guarda dos documentos fiscais a cargo de Luis Cesar Dalceno. 4. A empresa apresentou à RFB, para os anos de 2003 e de 2004, Declarações Simplificadas de Inatividade; a sua movimentação financeira nesses períodos, com base na apuração da CPMF, foi de R$ 6.019.512,64 e de R$ 1.340.294,49, respectivamente. 5. No sistema CNPJ da RFB, a empresa apresenta a condição cadastral INAPTA, declarada no processo nº 10314.002724/200105, por prática irregular de operação de comércio exterior, com efeitos desde a constituição da empresa, ou seja, 03/10/2000. 6. Através do Termo de Início de Fiscalização, foram solicitados os livros Diário, Razão, Registro de Inventário, Entradas e Saídas, Registro de Apuração de ICMS e ISS, extratos bancários de contascorrentes e aplicações financeiras. O Termo foi encaminhado para o endereço cadastral do Contribuinte e também de seus dois sócios. Apenas o Termo encaminhado para o sócio Luis César Dalceno foi recebido (em 05/05/2008). 7. Expirado o prazo sem atendimento da intimação, foi lavrado Termo de ReIntimação Fiscal, reiterando a apresentação dos elementos já citados. Esse termo, encaminhado ao endereço do sócio Luis César Dalceno foi recebido em 03/06/2008. Fl. 320DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/03/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 19515.007230/200893 Acórdão n.º 1803002.099 S1TE03 Fl. 321 4 8. Em 12/06/2008, foi apresentada carta do Contribuinte através de seu procurador (o advogado Chien Chin Huei), contratado pelo sócio Luis César Dalceno, onde encontrase relatado que os livros fiscais, após o encerramento das atividades da empresa, foram entregues ao sócio Chu Shen Tsai, para realização de uma auditoria; que jamais lhe foi dada satisfação da citada auditoria; que tinha um saldo a receber do seu exsócio; e que não tinha óbice quanto à obtenção dos extratos bancários diretamente das instituições financeiras. 9. Após, foram requisitados os extratos das contas correntes (e outros elementos) às instituições financeiras, que, depois de recebidos, foram analisados, encontrandose expressiva movimentação financeira no “SUDAMERIS”. 10. A Autoridade Fiscal afirma que identificou a assinatura do sócio Luis César Dalceno nas cópias dos cheques apresentados, que coincide com a assinatura aposta na procuração que outorgou ao seu procurador. 11. De posse dos extratos, foi efetuada a conciliação da movimentação financeira entre as diversas contascorrentes, sendo excluídos os depósitos/créditos decorrentes de transferência entre contascorrentes, poupança e aplicações financeiras, e decorrentes de poupança, cheques devolvidos, empréstimos bancários, etc. 12. Foi, em seguida, lavrado Termo de Intimação Fiscal (22/08/2008), no qual o Contribuinte foi intimado a apresentar a documentação hábil e idônea que comprovasse a origem dos valores creditados/depositados nas contas correntes, que resultaram da conciliação mencionada. 13. O Contribuinte apresentou resposta reafirmando que havia entregue os documentos e livros fiscais ao seu exsócio para uma auditoria, que, por isso, não poderia apresentar a documentação hábil e idônea solicitada, que recordava que a empresa havia efetuado vendas de mercadorias a prazos excepcionais, com pagamentos facilitados a partir do final do ano de 2002, o que gerou créditos de cobrança na contacorrente, bem como os depósitos recebidos. Houve operações de liquidação de cobrança até meados de 2003; após agosto de 2003, as operações foram decorrentes de créditos recuperados e da dissolução da sociedade. 14. O Contribuinte, nos anos de 2003 e de 2004, apresentou à RFB Declaração de Inatividade, não fez qualquer recolhimento no período de tributos federais relativos a 2003 e a 2004, não apresentou DCTFs, não apresentou os livros fiscais e contábeis e os documentos solicitados, o que tornou impraticável a obtenção das reais bases imponíveis do imposto de renda. Diante dessas circunstâncias, de acordo com o art. 530, III, do RIR/99, o lucro do Contribuinte foi arbitrado, ao percentual de 9,6%, conforme indicado no Termo de Verificação Fiscal e Responsabilidade Tributária, de fls. 70 a 79. 15. Ainda de acordo com o Termo de Verificação Fiscal e Responsabilidade Tributária, foi identificada a empresa RCI Millenium como beneficiária de vários cheques e TEDs no ano de 2003, pagos pela empresa Fiscalizada, num montante de R$ 725.729,00. Foi verificado pelo sistema CNPJ, que um dos sócios dessa empresa era também Luis César Dalceno. Encaminhados vários termos à empresa bem como a seus sócios – Luis César Dalceno e Kátia Cristina Terranova de Carvalho Fidale, todas as correspondências voltaram, com a informação “mudouse”, para a empresa, e “desconhecido”, para os seus sócios. Fl. 321DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/03/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 19515.007230/200893 Acórdão n.º 1803002.099 S1TE03 Fl. 322 5 16. Informa a Autoridade Fiscal que o endereço de Luis César Dalceno foi alterado durante a ação fiscal, da rua Ibiturana para a rua Apucarana, 436, que é o mesmo endereço da empresa RCI Millenium e da outra sócia, Kátia Cristina. 17. O Termo de Diligência, datado de 15/10/2008, foi reenviado ao antigo endereço de Luis César Dalceno (rua Ibiturana), que foi recebido nesse endereço em 19/09/2008. 18. Expirado o prazo para apresentação dos esclarecimentos solicitados, foi lavrada reintimação recebida em 18/10/2008. O procurador da empresa fiscalizada, em 23/10/2008, apresentou carta ao termo datado de 15/10/2008, dirigido à RCI Millenium, alegando que os livros e documentos fiscais da RCI tinham sido entregues a Chu Shen Tsai (sócio da Avant), pelo que não poderiam ser entregues à Fiscalização. Informou, também, que o responsável pelas vendas dos produtos da empresa Avant era Chu Shen Tsai. 19. Foi considerado pessoalmente responsável Luis César Dalceno, cpf nº 227.497.65897, pelos créditos tributários constituídos, pois era ele o único sócio administrador do Contribuinte fiscalizado, conforme Contrato Social da empresa e cadastro junto à RFB, era o responsável pela empresa perante a RFB, responsável pelo preenchimento das Declarações de Inatividade da empresa nos anos fiscalizados, apesar da movimentação financeira nesse período, como também das respostas apresentadas ao longo da fiscalização. No Distrato Social, coube a Luis César Dalceno a responsabilidade e guarda dos documentos fiscais da empresa. A alegação de que “emprestou” os livros e documentos fiscais ao outro sócio para a realização de auditoria não afasta a sua responsabilidade por sua não apresentação à Fiscalização. 20. Além disso, ele deveria ter publicado em jornal de grande circulação aviso sobre a não devolução dos livros, conforme prevê o § 1º do artigo 264 do RIR/99, além de dar minuciosa informação do fato ao órgão responsável pelo Registro do Comércio, dentro de 48 horas, remetendo cópia para o órgão de jurisdição junto à RFB. Nada disso ocorreu. 21. A empresa RCI Millenium Comercial Ltda, da qual Luis Dalceno era sócio, recebeu vultosos depósitos do Contribuinte ora fiscalizado, no montante de R$ 725.729,00. Intimado a justificar as operações, nada foi apresentado e a mesma alegação da entrega dos documentos e livros ao seu exsócio Chu Shen Tsai foi feita. Diz a Autoridade Fiscal que esse fato causoulhe estranheza, pois Chu Shen Tsai não possuía qualquer vínculo societário formal com a empresa RCI Millenium. 22. Da análise das cópias dos vários cheques emitidos pela Fiscalizada, encaminhados pelo Banco Sudameris, verificouse que todos eles eram assinados por Luis César Dalceno. 23. Dos elementos relatados, entendeu a Autoridade Fiscal que Luis César Dalceno era de fato e de direito o gerente da empresa fiscalizada. Pelo art. 135, III, do CTN, fica caracterizada a responsabilidade tributária de Luis César Dalceno. 24. Enquadramento legal: [...]. Fl. 322DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/03/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 19515.007230/200893 Acórdão n.º 1803002.099 S1TE03 Fl. 323 6 DA IMPUGNAÇÃO 25. Cientificada do auto de infração em 18/11/2008, o Contribuinte apresentou impugnação às fls. 122 a 128 em 08/12/2008, na qual fez a defesa a seguir sintetizada. 26. Inicialmente, a Impugnante disse que, no auto de infração lavrado, há fatos jurídicos decaídos, erro na determinação da base de cálculo e erro na inclusão de Luis César Dalceno como responsável solidário. O auto de infração está eivado de subjetividade e a Administração Tributária deve observar, no mínimo, o Princípio da Razoabilidade e o Princípio da Tipicidade Cerrada, o que não se verifica nos autos. 27. A Impugnante discorreu sobre a regramatriz de incidência tributária, concluindo que, ao se aplicar a imposição tributária e a sanção, de forma incompatível com o fato jurídico tributário, não haveria qualquer possibilidade da manutenção do presente auto de infração em face da Impugnante. 28. Como preliminar do mérito, defende a Impugnante, de acordo com as regras estipuladas no art. 150 do CTN, a ocorrência da decadência para parte do anocalendário de 2003, conforme tabela apresentada às fls. 125 e 126 dos autos. 29. Em seguida, a Impugnante defendeu que a Autoridade Fiscal não apurou ou verificou se os valores declarados no ano de 2002 estariam compatíveis com as receitas guerreadas. Também deixou de averiguar a existência de bis in idem, já que a empresa também foi autuada no processo administrativo nº 10314.009135/200492, com base na multa regulamentar aduaneira, ou seja, da mesma origem dos valores ora questionados. 30. Disse que deixou de apresentar as DIPJs e DCTFs em decorrência da inaptidão declarada pela Receita Federal, no processo nº 10314.002724/200105. 31. Pleiteou a exclusão do PIS e da COFINS da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. O mesmo pedido foi feito para a exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS. 32. Sobre a responsabilidade atribuída ao sócio Luis César Dalceno, disse que ele não praticou qualquer fato que pudesse arrolálo como responsável, apesar de figurar como um dos sócios da empresa. Ele não se opôs a RFB em requisitar as informações bancárias diretamente das instituições financeiras, além do que quem detinha o poder financeiro na empresa era Chu Shen Tsai. 33. Por fim, requereu a Impugnante o acolhimento da sua pretensão, conforme acima exposto. 2. A decisão da instância a quo foi assim ementada (fls. 135 e 136): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003, 2004 IRPJ. DECADÊNCIA. O direito de praticar o ato de lançamento de ofício extinguese após 5 anos, sendo o termo inicial de contagem do prazo o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. LUCRO ARBITRADO. CABIMENTO. Fl. 323DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/03/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 19515.007230/200893 Acórdão n.º 1803002.099 S1TE03 Fl. 324 7 O contribuinte que deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal fica sujeito ao arbitramento de seu lucro, conforme prescrito na legislação. COFINS. PIS. DEDUÇÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES. AUSÊNCIA DE BASE LEGAL. Não há base legal para a dedução do ICMS da base de cálculo da COFINS e do PIS. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ATRIBUIÇÃO E CABIMENTO. Os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado são pessoalmente responsáveis pelos créditos tributários resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatuto. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS, COFINS e CSLL. Aplicase aos lançamentos reflexos o decidido sobre o lançamento que lhes deu origem, eis que possuem os mesmos elementos de prova. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido 3. Cientificada da referida decisão em 20/03/2011 (fls. 164verso), a tempo, em 19/04/2011, apresenta a interessada Recurso de fls. 301 a 307 (numeração digital – ND), instruído com o documento de fls. 308 (ND), nele reiterando os argumentos anteriormente expendidos e aduzindo mais os seguintes: a) que, ao se considerar todos os depósitos como receita omitida, há também que se considerar a presunção dos créditos do Pis e da Cofins, lembrando que o regime da não cumulatividade assim o exige, até em razão da presunção de crédito; b) que as Leis nºs 10.833, de 2003 e 10.637, de 2002, preveem que, na implantação da sistemática da não cumulatividade, o contribuinte tem o direito de presumir os créditos das contribuições do seu estoque; c) que, se a Recorrente sofre sanção em razão de lei, a Fazenda Pública se obriga às letras da legislação tributária, tal como previsto nos arts. 112 e 118, II, do CTN; d) que, com relação ao Recorrente Luís César, cheques assinados não implicam necessariamente que estes tenham sido emitidos pelo próprio, pois os talões de cheques poderiam estar previamente assinados; e e) que uma situação é o Recorrente Luís César ter assinado os cheques e ser responsabilizado pelo montante de que “supostamente” se beneficiou; outra situação é o Recorrente Luís César ser responsabilizado solidariamente na sua totalidade. 4. Consta, de fls. 468, despacho pelo qual foi efetuado o sobrestamento do presente julgamento, nos termos do art. 62A, § 1º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF). Fl. 324DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/03/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 19515.007230/200893 Acórdão n.º 1803002.099 S1TE03 Fl. 325 8 5. Tendo, porém, a Portaria MF nº 545, de 28 de novembro de 2013, revogado os §§ 1º e 2º do referido art. 62A do RICARF, retorna o processo para prosseguimento do julgamento, em conformidade com as normas do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Em mesa para julgamento. Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. Preliminar arguida de decadência do lançamento 6. Argui a Recorrente, preliminarmente, a decadência do lançamento, no que se refere a parte do anocalendário de 2003. 7. Dispõe o art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações das Portarias MF nºs 446, de 27 de agosto de 2009, e 586, de 21 de dezembro de 2010 (grifouse): Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. 8. Relativamente à questão da decadência do lançamento do crédito tributário, é o seguinte o entendimento do Superior Tribunal de Justiça (STJ) na sistemática de Recursos Repetitivos (art. 543C do CPC): PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do Fl. 325DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/03/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 19515.007230/200893 Acórdão n.º 1803002.099 S1TE03 Fl. 326 9 débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, “Decadência e Prescrição no Direito Tributário”, 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o “primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado” corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, “Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro”, 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, “Direito Tributário Brasileiro”, 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, “Decadência e Prescrição no Direito Tributário”, 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). [...]. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (destaques do original) (REsp 973.733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009) 9. No presente caso, aplicase a regra contida no art. 173 do Código Tributário Nacional – CTN (Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966), de conformidade com o que consta de fls. 72 (Termo de Verificação Fiscal e Responsabilidade Tributária) (grifouse): No período fiscalizado, anoscalendário 2003 e 2004, o contribuinte fiscalizado apresentou à RFB Declaração de Inatividade, não efetuando, nesse período, qualquer recolhimento de tributos federais aos cofres públicos. Houve recolhimentos de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS apenas em 01/2003 , referentes à fatos geradores ocorridos em 12/2002. Fl. 326DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/03/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 19515.007230/200893 Acórdão n.º 1803002.099 S1TE03 Fl. 327 10 10. Tendo havido a cientificação dos autos de infração em 18/11/2008, não procede a preliminar arguida de decadência do lançamento. Mérito 11. Com relação à assertiva recursal de que a Autoridade Fiscal não teria apurado ou verificado se os valores declarados no ano de 2002 estariam compatíveis com as receitas guerreadas, cabe ressaltar que a prova da inexistência de omissão de receitas, nos anos calendário de 2003 e 2004, espelhada nos depósitos bancários de origem não comprovada, é da Recorrente, não se transferindo por nenhum modo ao Fisco. 12. Além disso, alegar (“venda de mercadorias a prazos excepcionais, com pagamentos facilitados a partir do final do ano de 2002”) e não provar é o mesmo que não alegar. 13. No que toca ao suposto bis in idem, por ter a empresa também sido autuada no processo administrativo nº 10314.009135/200492, não há como se considerar a existência de tal figura jurídica, se se trata, naquele caso, de cobrança de outros tributos Imposto de Importação e de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) Aduaneiro, ainda que eventualmente incidentes sobre a mesma base de cálculo dos tributos e contribuições aqui exigidos (IRPJ, CSLL, Pis e Cofins). 14. Quanto à alegada impossibilidade da apresentação de DIPJs e DCTFs em face da inaptidão declarada pela Receita Federal, tal argumento é, também, improcedente, bastando lembrar que a Recorrente transmitiu declarações de inatividade para os períodos considerados. 15. No que se refere ao pleito de exclusão do Pis e da Cofins da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, cumpre destacar que se está diante de apuração de tributo pela sistemática do lucro arbitrado, a qual impossibilita qualquer dedução nesse sentido. 16. A respeito do pleito de exclusão do ICMS da base de cálculo do Pis e da Cofins, menciono o entendimento consolidado do Superior Tribunal de Justiça (STJ) nas Súmulas de nºs 68 e 94, esta última também aplicável à Cofins, que, como se sabe, sucedeu ao Finsocial: A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS. [...]. A parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo do Finsocial. 17. Por fim, com relação à responsabilidade atribuída ao sócio Luis César Dalceno, correta a conclusão do acórdão recorrido pela sua manutenção (fls. 152): 56. Entendo que a responsabilidade tributária, por todos os elementos que constam dos autos, foi corretamente atribuída a Luis César Dalceno. 57. O Sr. Luis César Dalceno era o sócio administrador da empresa, responsável perante a Receita Federal do Brasil, responsável pelas declarações de inatividade da empresa (a Fl. 327DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/03/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 19515.007230/200893 Acórdão n.º 1803002.099 S1TE03 Fl. 328 11 despeito da grande movimentação financeira nos períodos citados), responsável pelo (não) recolhimento dos tributos, responsável pela guarda dos livros e documentos fiscais da empresa (conforme estabelecido do Distrato Social de fl. 16, registrado na JUCESP), responsável pelos procedimentos de comunicação do extravio ou perda dessa documentação (conforme relatado), e foi quem assinou todos os cheques emitidos pela Fiscalizada (conforme relatado). 58. Dos elementos acima indicados, recolhidos dos autos do processo, fica claro que Luis César Dalceno era realmente o gerente de fato e de direito da empresa fiscalizada e que agiu com infração ao disposto na legislação e mesmo ao contrato social, ficando caracterizado o previsto no art. 135, III, do CTN. 18. De se ressaltar que referida responsabilização tributária não se fundou, apenas, no fato de o sóciogerente da Recorrente haver assinado cheques, mas em diversos outros indícios de sua efetiva participação majoritária na empresa, na administração de seus haveres e na apuração de seus resultados (cf. 4ª Alteração e Consolidação Contratual, fls. 37): CLÁUSULA VIII A administração da sociedade será exercida pelo sócio LUIS CÉSAR DALCENO. assinando isoladamente, assumindo as atribuições inerentes ao cargo, superintendendo todos os negócios sociais, efetuando recebimentos e pagamentos, admitindo e demitindo empregados, movimentando contas bancárias a débito e a crédito, usando da denominação social, única e exclusivamente em negócios da sociedade, podendo inclusive, outorgar procurações a terceiros. 19. Sem se falar, ainda, que referido sóciogerente se beneficiou diretamente da maioria dos pagamentos efetuados pela Recorrente (cf. Termo de Verificação Fiscal e Responsabilidade Tributária, fls. 75 e 76): Dentre os destinatários de pagamentos efetuados pela empresa fiscalizada, selecionamos a empresa RCI MILLENIUM COMERCIAL LTDA, CNPJ 04.992.736/000144, beneficiária de vários cheques/TED's, que totalizaram, em 2003, um montante de R$ 725.729,00, para efetuarmos diligência, na tentativa de identificar(mos) o(s)\real (is) beneficiário(s) pelas operações da AVANT. Juntamos cópias destes cheques/TED's ao presente processo. Adicionalmente, constatamos através de consulta ao sistema CNPJ, que um dos sócios da empresa RCI MILLENIUM COMERCIAL LTDA era o Sr Luis César Dalceno. Preclusão 20. Alega a Recorrente que teria direito a créditos de Pis e da Cofins (regime não cumulativo), se considerados todos os depósitos como receita omitida. 21. O que não se questionou na fase impugnatória constitui matéria passada em julgado, não suscetível de apreciação na fase recursal. Fl. 328DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/03/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 19515.007230/200893 Acórdão n.º 1803002.099 S1TE03 Fl. 329 12 CSLL, Pis e Cofins 22. Ressalvados os casos especiais, igual sorte colhem os lançamentos que tenham sido formalizados por mera decorrência daquele, na medida em que inexistem fatos ou argumentos novos a ensejar conclusões diversas. Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 329DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/03/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH
score : 1.0
Numero do processo: 11516.006013/2008-64
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue May 20 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2802-000.160
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, sobrestar o julgamento nos termos do §1º do art. 62-A do Regimento Interno do CARF c/c Portaria CARF nº 01/2012.
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator.
EDITADO EM: 20/06/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jaci de Assis Júnior, Dayse Fernandes Leite, Carlos André Ribas de Mello, German Alejandro San Martín Fernández e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente).
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, sobrestar o julgamento nos termos do §1º do art. 62A do Regimento Interno do CARF c/c Portaria CARF nº 01/2012. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 20/06/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jaci de Assis Júnior, Dayse Fernandes Leite, Carlos André Ribas de Mello, German Alejandro San Martín Fernández e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator Tratase de lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física do exercício 2006, anocalendário 2005, por ter sido apurada omissão dos seguintes rendimentos: a) R$144.085,02 recebidos acumuladamente em virtude de ação trabalhista (RT2574/1999); b) R$14.983,05 recebidos da Fundação Sistel de Seguridade Social; Ao impugnar o contribuinte alegou que dentre os valores recebidos no processo 2574/1999, são rendimentos isentos os valores referentes a FGTS, aviso prévio indenizado e férias com 1/3 vencidas e também as proporcionais, referentes à despedida sem justa causa, o RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 15 16 .0 06 01 3/ 20 08 -6 4 Fl. 94DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 20 /06/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11516.006013/200864 Resolução nº 2802000.160 S2TE02 Fl. 95 2 que soma R$19.324,20 e ainda os juros de mora no montante de R$55.727,99, devendo ser atualizados até a liberação do alvará (06/10/2005). Requereu também o aproveitamento de R$6.000,00 já pago. A Delegacia de julgamento declarou não impugnada a omissão de rendimentos da Fundação Sistel de Seguridade Social e indeferiu a impugnação informando que os juros de mora são tributáveis e que os rendimentos tributáveis oferecidos à tributação foram inferiores aos que deveriam ser informado após a exclusão dos rendimentos isentos. Informou ainda que o pagamento de R$6.000,00 já foi alocado pela autoridade preparadora. Ciência em 13/02/2012. A peça recursal foi apresentada em 13/03/2012 sob a argumentação de que: 1. os rendimentos tributáveis não podem ser considerado como R$144.085,02 (fls. 03) pois há as verbas isentas (férias, abono pecuniário, adicional, aviso prévio, etc), sustenta que o inciso XX do art. 39 do RIR1999 excede o poder regulamentar, devendo ser confrontado com o inciso V do art. 6º da Lei 7.713/1988; 2. inaplicável a multa de ofício por ausência de infração; 3. havendo verbas isentas, os juros de mora correspondentes também são isentos; e 4. o pagamento de R$6.000,00 efetuado voluntariamente foi indevido e deve ser devolvido corrigido. Requer prioridade de tramitação do processo com amparo no Estatuto do Idoso. É o relatório. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele devese tomar conhecimento. Da análise da notificação de lançamento e do acórdão recorrido corroborado pelas planilhas de fls. 10 em diante, verificase que está em discussão unicamente a tributação de rendimentos recebidos acumuladamente. Considerando que o Supremo Tribunal Federal admitiu a existência de repercussão geral quanto a essa matéria, e que o mérito será julgado nos Recursos Extraordinários nº 614232 e 614406, ainda pendentes de julgamento e com expressa decisão do e. STF de sobrestar os demais julgamento, é o caso de sobrestar o presente julgamento, nos termos dos §§ 1º e 2º do art. 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, com a redação dada pela Portaria MF nº 586/2010 c/c Portaria CARF nº 01/2012. Vejamos: RE 614406 AgRQORG / RS RIO GRANDE DO SULREPERCUSSÃO GERAL NA QUESTÃO DE ORDEM NO AG.REG. NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO Relator(a): Min. ELLEN GRACIE Julgamento: 20/10/2010 Ementa TRIBUTÁRIO. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 20 /06/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11516.006013/200864 Resolução nº 2802000.160 S2TE02 Fl. 96 3 REPERCUSSÃO GERAL DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO. IMPOSTO DE RENDA SOBRE VALORES RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. ART. 12 DA LEI 7.713/88. ANTERIOR NEGATIVA DE REPERCUSSÃO. MODIFICAÇÃO DA POSIÇÃO EM FACE DA SUPERVENIENTE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI FEDERAL POR TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL. 1. A questão relativa ao modo de cálculo do imposto de renda sobre pagamentos acumulados se por regime de caixa ou de competência vinha sendo considerada por esta Corte como matéria infraconstitucional, tendo sido negada a sua repercussão geral. 2. A interposição do recurso extraordinário com fundamento no art. 102, III, b, da Constituição Federal, em razão do reconhecimento da inconstitucionalidade parcial do art. 12 da Lei 7.713/88 por Tribunal Regional Federal, constitui circunstância nova suficiente para justificar, agora, seu caráter constitucional e o reconhecimento da repercussão geral da matéria. 3. Reconhecida a relevância jurídica da questão, tendo em conta os princípios constitucionais tributários da isonomia e da uniformidade geográfica. 4. Questão de ordem acolhida para: a) tornar sem efeito a decisão monocrática da relatora que negava seguimento ao recurso extraordinário com suporte no entendimento anterior desta Corte; b) reconhecer a repercussão geral da questão constitucional; e c) determinar o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC. (grifos acrescidos). Diante do exposto, suscito o sobrestamento do julgamento até julgamento da matéria pelo Supremo Tribunal Federal. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 96DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 20 /06/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 11080.929137/2009-68
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon May 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/10/2004
CONTRATOS. PREÇO PREDETERMINADO. DESCARACTERIZAÇÃO. ÍNDICE DE REAJUSTE. IMPOSSIBILIDADE.
O preço predeterminado em contrato não perde sua natureza simplesmente pela previsão de reajuste decorrente da correção monetária. Se a pretensão do legislador, a partir da Lei nº 10.833/03, fosse não abarcar os contratos com cláusula de reajuste, o termo apropriado seria preço fixo, que não se confunde com o preço predeterminado. Precedentes judiciais e administrativos.
Numero da decisão: 3803-005.959
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, para reconhecer que os reajustes de preços do fornecimento de bens e serviços, pelo IGPM, de contratos firmados antes de 31 de outubro de 2003, com prazo superior a 1 (um) ano, não perdem o seu caráter de preço predeterminado. Vencido o Conselheiro Corintho Oliveira Machado, que convertia o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/2004 a 31/10/2004 CONTRATOS. PREÇO PREDETERMINADO. DESCARACTERIZAÇÃO. ÍNDICE DE REAJUSTE. IMPOSSIBILIDADE. O preço predeterminado em contrato não perde sua natureza simplesmente pela previsão de reajuste decorrente da correção monetária. Se a pretensão do legislador, a partir da Lei nº 10.833/03, fosse não abarcar os contratos com cláusula de reajuste, o termo apropriado seria preço fixo, que não se confunde com o preço predeterminado. Precedentes judiciais e administrativos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, para reconhecer que os reajustes de preços do fornecimento de bens e serviços, pelo IGPM, de contratos firmados antes de 31 de outubro de 2003, com prazo superior a 1 (um) ano, não perdem o seu caráter de preço predeterminado. Vencido o Conselheiro Corintho Oliveira Machado, que convertia o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
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PREÇO PREDETERMINADO. DESCARACTERIZAÇÃO. ÍNDICE DE REAJUSTE. IMPOSSIBILIDADE. O preço predeterminado em contrato não perde sua natureza simplesmente pela previsão de reajuste decorrente da correção monetária. Se a pretensão do legislador, a partir da Lei nº 10.833/03, fosse não abarcar os contratos com cláusula de reajuste, o termo apropriado seria preço fixo, que não se confunde com o preço predeterminado. Precedentes judiciais e administrativos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, para reconhecer que os reajustes de preços do fornecimento de bens e serviços, pelo IGPM, de contratos firmados antes de 31 de outubro de 2003, com prazo superior a 1 (um) ano, não perdem o seu caráter de preço predeterminado. Vencido o Conselheiro Corintho Oliveira Machado, que convertia o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 92 91 37 /2 00 9- 68 Fl. 482DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Esta Contribuinte transmitiu a Declaração de Compensação utilizando como crédito pagamento a maior da contribuição para o PIS nos períodos de apuração julho a dezembro de 2004, maio de 2005 e julho a dezembro de 2005. Tais indébitos fundamse na apuração da contribuição pela sistemática da cumulatividade, sobre as receitas de contratos de fornecimento de bens e serviços a preço predeterminado, auferidas sob contratos com prazo superior a um ano, firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003, conforme previsão contida no inciso XI, b, do artigo 10 e inciso V do artigo 15 da Lei nº 10.833/2003, e de acordo com orientações emanadas da Agência Nacional de Energia Elétrica ANEEL. Despacho Decisório proferido pela DRF/Porto Alegre reconheceu parte do direito creditório, porém, não pelas razões que estão na base do direito invocado pela declarante das compensações, mas por identificação de pagamentos a maior justificados por seus próprios critérios de apuração. Os fundamentos da declarante foram rejeitados pela DRF/Porto Alegre, sob o argumento de que os contratos dos segmentos de Geração e de Transmissão, nos períodos fiscalizados, não preenchem o conceito de preço predeterminado. No seu entender, a correção do preço pelo IGPM não se amoldaria à disciplina do art. 109 da Lei nº 11.196/2005[1]. Irresignada, a Interessada apresentou manifestação de inconformidade contra o indeferimento do seu pleito, sustentando que: a) existem exceções à regra da não cumulatividade, especialmente a prevista no inciso XI, b, do art. 10 da Lei nº 10.833/2003[2]; b) o IGPM enquadrase no conceito apresentado pelo art. 27 da Lei nº 9.069/95[3], consubstanciado no IPCr, uma vez que o substituiu; transcreve doutrina e jurisprudência que corroboram o entendimento de que a correção monetária do valor das tarifas não descaracteriza a condição de preço predeterminado; c) suas receitas foram tributadas pelo regime cumulativo até a primeira alteração de preço efetuada em suas tarifas, e, após este fato, pela não cumulatividade; 1 Art. 109. Para fins do disposto nas alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase desde 1º de novembro de 2003. 2 Art. 10. [...] XI as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: [...]l; b) com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços; 3 Art. 27. A correção, em virtude de disposição legal ou estipulação de negócio jurídico, da expressão monetária de obrigação pecuniária contraída a partir de 1º de julho de 1994, inclusive, somente poderá darse pela variação acumulada do Índice de Preços ao Consumidor, Série r IPCr. Fl. 483DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11080.929137/200968 Acórdão n.º 3803005.959 S3TE03 Fl. 483 3 d) a ANEEL, autarquia federal que regula o setor elétrico, firmou entendimento, por meio da Nota Técnica nº 224SFF, de 19/06/2006, de que os reajustes efetuados preenchiam os requisitos legais disciplinados pelo art. 10, XI, b da Lei nº 10.833/2003; e) em nenhum momento foram aferidos os custos de produção do contribuinte no período fiscalizado. Nesse caso, mesmo considerando que o IGPM desfigura o conceito normativo de preço predeterminado, não poderia ter sido ignorada outra prerrogativa legal, a qual estabelece um percentual não superior ao acréscimo do custo de produção; f) existem nulidades, como a ausência dos valores cobrados das contribuições, não expressos no despacho decisório de forma específica, e do montante do débito não homologado. Em julgamento da lide, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre/RS, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Manifestante, com base nos fundamentos resumidos na ementa seguinte: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/10/2004 a 31/10/2004 PRELIMINAR DE NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Demonstrado que o Despacho Decisório foi formalizado de acordo com os requisitos de validade previstos em lei e que não ocorreu violação ao disposto no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, não deve ser acatado o pedido de nulidade formulado. PREÇO PREDETERMINADO. IGPM. ÍNDICE GERAL. Nos termos do disposto no art. 109 da Lei nº 11.196/2006, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei no 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. O IGPM não é índice que obedeça ao disposto no art. 109 da Lei nº 11.196/2006, por ser índice geral de reajuste de preços. Cientificada da decisão em 10 de outubro de 2012, irresignada, apresentou recurso voluntário em 8 de novembro de 2012, em que maneja os mesmos argumentos da manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Belchior Melo de Sousa Relator Fl. 484DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. A controvérsia gira em torno da aplicação do disposto no art. 10, XI, “b” da Lei nº 10.833/2003, que mantém no regime cumulativo de apuração do PIS e da Cofins as receitas decorrentes de: (i) contratos para fornecimento de bens ou serviços; (ii) firmados antes de 31 de outubro de 2003; (iii) com prazo superior a 1 (um) ano;e (iv) a preço determinado. Reza o dispositivo: Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 8º: (...) XI as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: (...) b) empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços; c) de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços contratados com pessoa jurídica de direito público, empresa pública, sociedade de economia mista ou suas subsidiárias, bem como os contratos posteriormente firmados decorrentes de propostas apresentadas, em processo licitatório, até aquela data; Vêse que os três primeiros requisitos legais são objetivos, ao passo que a disputa se dá sobre o quarto item, que envolve um aberto e impreciso conceito: o de preço predeterminado. A Recorrente é Sociedade de Economia Mista; com participação mínima de 51% do capital social do Estado do Rio Grande do Sul, prevista no Estatuto Social, tem seus contratos regidos pela Lei nº 10.192/2001[4], que dispõe sobre medidas complementares ao Plano Real e dá outras providências, e regula a forma como os contratos administrativos são reajustados, verbis: Art. 2º. É admitida estipulação de correção monetária ou de reajuste por índices de preços gerais, setoriais ou que reflitam a variação dos custos de produção ou dos insumos utilizados nos contratos de prazo de duração igual ou superior a um ano.[grifei] Art. 3o. Os contratos em que seja parte órgão ou entidade da Administração Pública direta ou indireta da União, dos Estados, 4 E subsidiariamente pela Lei nº 8.666/93. Fl. 485DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11080.929137/200968 Acórdão n.º 3803005.959 S3TE03 Fl. 484 5 do Distrito Federal e dos Municípios, serão reajustados ou corrigidos monetariamente de acordo com as disposições desta Lei, e, no que com ela não conflitarem, da Lei nº 8.666/93.[grifei] A proficiente e rígida regulação macroeconômica do Plano Real, que pôs sob controle a histórica inflação brasileira, permitiu – nos termos do art. 27, I, da Lei nº 9.069, de 1995 , a correção da expressão monetária de obrigação pecuniária contraída a partir de 1º de julho de 1994 em virtude de disposição legal ou estipulação de negócio jurídico , desde que se desse pela aplicação do Índice de Preços ao Consumidor, Série r/IPCr. Alternativamente, poderia haver reajuste em função do custo de produção ou variação de índice que refletisse a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, verbis: Art. 27. A correção, em virtude de disposição legal ou estipulação de negócio jurídico, da expressão monetária de obrigação pecuniária contraída a partir de 1º de julho de 1994, inclusive, somente poderá darse pela variação acumulada do Índice de Preços ao Consumidor, Série r IPCr. § 1º O disposto neste artigo não se aplica: I. omissis II. aos contratos pelos quais a empresa se obrigue a vender bens para entrega futura, prestar ou fornecer serviços a serem produzidos, cujo preço poderá ser reajustado em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados; A citada lei, em seu art. 8º e § 1º, extinguiu o IPCr e permitiu a sua substituição por índice de preços gerais, setoriais ou que reflitam a variação dos custos de produção ou dos insumos utilizados nos contratos de prazo de duração igual ou superior a um ano: Art. 8º A partir de 1º de julho de 1995, a Fundação Instituto Brasileiro de Geografía e Estatística IBGE deixará de calcular e divulgar o IPCr. § 1º Nas obrigações e contratos em que haja estipulação de reajuste pelo IPCr, este será substituído, a partir de 1º de julho de 1995, pelo índice previsto contratualmente para este fim. A Nota Técnica SFF nº 224, de 19/06/96, da ANEEL[5], destaca que o índice utilizado nos Contratos de Suprimento de Energia Elétrica, bem como nos Contratos de Concessão do Serviço Público de Transmissão é o IGPM (índice Geral de Preços do Mercado), calculado pela Fundação Getúlio Vargas FGV. No entanto, a Instrução Normativa SRF nº 468/04, em regulamentação do inciso XI do art. 10 da Lei no 10.833/03, viabilizou uma definição de preço predeterminado, dispondo: 5 35. Neste ponto, cabe observar que o índice utilizado nos Contratos de Suprimento de Energia Elétrica (sejam eles Contratos Iniciais ou Contratos Bilaterais), bem nos Contratos de Concessão do Serviço Público de Transmissão é o IGPM (índice Geral de Preços do Mercado), apurado pela Fundação Getúlio Vargas FGV. O IGPM é índice que se enquadra no conceito apresentado pelo art. 27 da Lei n° 9.069/95. Fl. 486DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 IN SRF 468/04: Art. 2º Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. § 1º. Considerase também preço predeterminado aquele fixado em moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução. § 2º. Se estipulada no contrato cláusula de aplicação de reajuste, periódico ou não, o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação da primeira alteração de preços verificada após a data mencionada no art 1º. § 3º. Se o contrato estiver sujeito a regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993, o caráter predeterminado do preço subsiste até a eventual implementação da primeira alteração nela fundada após a data mencionada no art 1º. Por essa disciplina, os atos de restaurar o equilíbrio econômicofinanceiro do contrato ou de aplicar sobre o preço da geração e transmissão de energia elétrica índice visando à recomposição do poder de compra, corroído pelo efeito da inflação, resultariam na submissão das receitas ao regime não cumulativo das contribuições PIS/Pasep e Cofins, por se descaracterizar o preço predeterminado. Em suma, o regulamento define preço predeterminado como preço fixo, uma condição que estabelece para que as receitas fossem mantidas no regime cumulativo de apuração. Entendo que a IN SRF nº 468/04 inovou a ordem jurídica, por extrapolar o seu poder regulamentar ao disciplinar a norma de preço predeterminado na Lei nº 10.833/03, Visando a estancar a disputa suscitada pelo limitado e controverso conceito de preço predeterminado por ela trazido foi introduzido entre as inúmeras disposições tributárias, na Lei nº 11.196/05, o art. 109, que dispôs, pontualmente, sobre o reajuste de preço na circunstância que indica. Da norma deflui que o ato do reajuste, por si, não descaracteriza o preço predeterminado. Aditese que esta norma do art. 109 não traz conceito novo de preço predeterminado, como aludido na decisão administrativa, uma vez que o seu efeito retroage para a data de início de vigência do regime da não cumulatividade da Cofins. Não há direito novo com efeito retroativo fora das hipóteses do art. 106 do Código Tributário Nacional. Veja se o seu teor: Art. 109. Para fins do disposto nas alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado.[grifei] Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase desde 1º de novembro de 2003. Fl. 487DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11080.929137/200968 Acórdão n.º 3803005.959 S3TE03 Fl. 485 7 Todos estes elementos acima instanos a enfrentar o nó de aferir em que medida foi acertada a decisão recorrida ao considerar improcedente a manifestação de inconformidade contra o despacho decisório da DRF/Porto Alegre, que descaracterizou como preço determinado as receitas dos contratos da Companhia Estadual de Geração e Transmissão de Energia Elétrica, pela utilização do índice de reajuste IGPM, sob o argumento de ferir a disposição do art. 27, § 1º, II, da Lei nº 9.069/95, referido pelo art. 109 da Lei nº 11.196/2005, na linha da antecedente decisão da Autoridade administrativa, verbis: Nesse passo, importa identificar três formas de fixação de preços nos contratos em andamento: a repactuação ou revisão, a recomposição e o reajuste. A autorizada doutrina de Marçal Justen Filho define o que vem a ser recomposição e reajuste. “A recomposição é o procedimento destinado a avaliar a ocorrência de evento que afeta a equação econômicofinanceira do contrato e promove adequação das cláusulas contratuais aos parâmetros necessários para recompor o equilíbrio original. Já o reajuste é procedimento automático, em que a recomposição se produz sempre que ocorra a variação de certos índices, independentemente de averiguação efetiva do desequilíbrio” [6] A recomposição, também chamada de revisão, decorre de fatos imprevisíveis: caso de força maior, caso fortuito, fato do príncipe ou álea econômica extraordinária. O reajuste objetiva reconstituir os preços praticados no contrato em razão de fatos previsíveis, é dizer, álea econômica ordinária, no momento da contratação, ante a realidade existente, como a variação inflacionária. Por decorrência, o reajuste deve retratar a alteração dos custos de produção a fim de manter as condições efetivas da proposta contratual, embora muitas vezes não alcance este desiderato relativamente a certo segmento ou agente econômico. A repactuação visa à adequação dos preços contratuais aos novos preços de mercado e, no âmbito da Administração Pública Federal, encontrase regulamentada no art. 5º do Decreto nº 2.271, de 7 de julho de 1997[7]. A possibilidade de repactuação prevista neste decreto não se faz acompanhar de disciplina acerca dos seus efeitos tributários, valendo a citação apenas para destacar a definição do signo repactuação. Em reforço à definição do termo reajuste, quanto ao seu propósito de manter o equilíbrio financeiro do contrato, vejase o que está assentado pelo Superior Tribunal de Justiça: PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO – CONTRATO ADMINISTRATIVO REAJUSTE DE PREÇOS AUSÊNCIA DE AUTORIZAÇÃO CONTRATUAL DESCABIMENTO. 6 Filho, Marçal Justen. Comentários à lei de licitações e contratos administrativos. São Paulo: Dialética, 10. ed., 2004, p. 389. 7 Art. 5º Os contratos de que trata este Decreto, que tenham por objeto a prestação de serviços executados de forma contínua poderão, desde que previsto no edital, admitir repactuação visando à adequação aos novos preços de mercado, observados o interregno mínimo de um ano e a demonstração analítica da variação dos componentes dos custos do contrato, devidamente justificada. Fl. 488DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 1. O reajuste do contrato administrativo é conduta autorizada por lei e convencionada entre as partes contratantes que tem por escopo manter o equilíbrio financeiro do contrato. 2. ... STJ – Resp. 730568 SP 2005/00363158. Aqui se está a tratar de reajuste, não de recomposição nem de repactuação. Ora, sob a égide da execução do Plano Real os contratos podiam ser reajustados sem ferir os cânones da estabilização econômica, desde que, obrigatoriamente, por meio do índice legalmente fixado, o IPCr, segundo o art. 27, caput, da Lei nº 9.069/95. Se, acaso, a empresa se obrigasse a vender bens para entrega futura, prestar ou fornecer serviços a serem produzidos, a obrigatoriedade do caput seria desconsiderada se o reajuste fosse efetuado em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, conforme o § 1º, inciso II, deste mesmo artigo. Esta última alternativa de reajuste, art. 27, § 1º, inciso II, da Lei nº 9.069/95, claramente flexibiliza a regra do caput para permitir que o ajuste se dê a maior ou a menor que o índice oficial preconizado, podendo ser favorável a uma ou à outra parte contratantes. Este entendimento imanta a interpretação que a norma do art. 109 da Lei nº 11.196/2005 veio trazer[8][9]: impedir que se interprete a simples aplicação de reajuste como critério para descaracterizar o contrato a preço predeterminado. Assim, o reajuste de preço é possível, e na circunstância indicada é ato que não descaracteriza o preço predeterminado. A Instrução Normativa nº 658/06, ao disciplinar o dispositivo legal acima, segregou o parâmetro tomado como referência reajuste de preços em função do acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos – de meros reajustes contratuais e ajustes contratuais para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro. No entanto, o teor de sua disciplina modifica os signos da regra legal, de “reajuste de preços em função” para “reajuste de preços em percentual não superior”. Ao fazêlo de modo aparentemente imperceptível dá ensejo a nova significação, vale dizer, para que o reajuste não perca o caráter de preço predeterminado tem que haver a demonstração pelo interessado de que o percentual não se deu em número superior aos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos. E isso não é o que está legalmente estabelecido: IN/SRF nº 658, de 4 de julho de 2006, assim dispôs: Art. 3º Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. § 1º Considerase também preço predeterminado aquele fixado em moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução. § 2º Ressalvado o disposto no § 3º, o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação, após a data mencionada no art. 2º, da primeira alteração de preços decorrente da aplicação: I de cláusula contratual de reajuste, periódico ou não; ou 8 Por isso o seu efeito retroativo a novembro de 2003, 9 Combinando a norma das alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei nº 10.833 com a do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995. Fl. 489DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11080.929137/200968 Acórdão n.º 3803005.959 S3TE03 Fl. 486 9 II de regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro do contrato, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993. § 3º O reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não descaracteriza o preço predeterminado. Dito isso, temse que índices de preços são números que agregam e representam os preços de determinada cesta de produtos. Sua variação mede, portanto, a variação média dos preços dos produtos dessa cesta. Podem se referir, por exemplo, a preços ao consumidor, preços ao produtor, custos de produção ou preços de exportação e importação10. O IGPM[11], segundo informa a Fundação Getúlio Vargas, registra a inflação de preços de matériasprimas agrícolas e industriais, e bens e serviços finais. Não obstante seja um índice geral está abarcado pela previsão da Lei nº 10.192/2001 para os contratos da espécie, como retrocitado. Entre os índices de preços este é o que é concebido com a maior carga de ponderação, eis que é composto com pesos diferenciados do Índice de Preços no AtacadoIPA (60%), Índice de Preços ao ConsumidorIPC (30%) e Índice Nacional de Custo da Construção CivilINCC (10%). Os índices que o integram, IPA e o INCC, por sua vez, são compostos por subíndices e grupos, respectivamente. Pelos fundamentos acima, convençome de que o reajuste dos contratos efetuados pelo IGPM cumpre o ditame do art. 109, não desnaturando o caráter de preço 10 Fonte: Banco Cenral do Brasil. http://www4.bcb.gov.br/pec/gci/port/focus /FAQ%202 %20%C3%8Dndices%20de%20Pre%C3%A7os%20no%20Brasil.pdf.<acesso em 30.10.2013.> 11 O IGPM é uma média ponderada de outros índices: o IPA, com peso de 60%, o IPC, com peso de 30%, e o INCC, com peso de 10%. A definição dos pesos, estabelecida quando da implantação do cálculo do índice, foi justificada com base no objetivo de reproduzir aproximadamente o valor adicionado de cada setor (atacado, varejo e construção civil) no PIB. O IPA é um índice de preços no atacado de abrangência nacional. Além do índice geral, o IPA desdobrase em outros subíndices, divididos em dois conjuntos: ∙ segundo a origem de produção: agropecuários, com peso de 24,2%, e industrial, com peso de 75,8%; ∙ segundo estágios de processamento: bens finais (36,0%), bens intermediários (39,9%), e matériasprimas brutas (24,2%); Sua pesquisa de preços desenvolvese diariamente, cobrindo sete das principais capitais do país: São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador, Recife, Porto Alegre e Brasília. O índice geral é composto por sete grupos: alimentação; habitação; vestuário; saúde e cuidados pessoais; educação; leitura e recreação; transportes e despesas diversas. A cesta de consumo, a partir da qual se definiram os bens incluídos no índice e sua respectiva ponderação, foi selecionada da Pesquisa de Orçamentos Familiares POF, elaborada pelo IBRE no biênio 2002/2003 O INCC mede a evolução mensal de custos de construções habitacionais, a partir da média dos índices de sete capitais (São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador, Recife, Porto Alegre e Brasília). A lista de itens componentes do INCC e respectivos pesos atualizados é feita com base em orçamentos de edificações previstas pela ABNT (materiais e equipamentos, serviços e mãodeobra). Além do índice geral, o INCC desdobrase em dois grupos: mãodeobra (16 itens) e de materiais, equipamentos e serviços (51 itens). Fl. 490DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 10 predeterminado e alinhome às decisões judiciais na matéria[12] e as no âmbito desta Corte, conquanto suas conclusões tenham se ancorado em outros fundamentos e premissas. Ante o exposto, voto por dar provimento ao recurso, para reconhecer que os preços do fornecimento de bens e serviços, pelo IGPM, de contratos firmados antes de 31 de outubro de 2003, com prazo superior a 1 (um) ano, reajustados pelo IGPM, não perdem o seu caráter de preço predeterminado. Sala das sessões, 26 de março 2014 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa 12 TRF 3ª Região. AMS 200561000030246. DJ 06/12/2007, TRF 4ª Região. AMS 200572000072027. DJ 15/05/2007, TRF 3ª Região. AG 234522.DJU 21/03/2007, TRF 1ª Região. REOMS 200536000125322. DJ 9/3/2007. Fl. 491DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11080.929137/200968 Acórdão n.º 3803005.959 S3TE03 Fl. 487 11 Fl. 492DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 10950.004144/2008-15
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM DECORRÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL.
Em se tratando de rendimentos recebidos acumuladamente recebidos por força de ação judicial, embora a incidência ocorra no mês do pagamento, o cálculo do imposto deverá considerar os meses a que se referem os rendimentos. Precedentes do STJ e Julgado do STJ sujeito ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil de aplicação obrigatória nos julgamentos do CARF por força do art. 62-A do Regimento Interno.
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM DECORRÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL. EQUÍVOCO NA APLICAÇÃO DA LEI QUE AFETOU SUBSTANCIALMENTE O LANÇAMENTO. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR PARA REFAZER O LANÇAMENTO. CANCELAMENTO DA EXIGÊNCIA.
Ao adotar outra interpretação do dispositivo legal, o lançamento empregou critério jurídico equivocado, o que o afetou substancialmente, pois prejudicou a quantificação da base de cálculo, a identificação das alíquotas aplicáveis e o valor do tributo devido, caracterizando-se um vício material a invalidá-lo. Não compete ao órgão de julgamento refazer o lançamento com outros critérios jurídicos, mas tão somente afastar a exigência indevida.
GLOSA DE IRRF. DEVER DE FUNDAMENTAÇÃO DESCUMPRIDO. NULIDADE POR VÍCIO MATERIAL. OCORRÊNCIA.
O lançamento deve descrever a matéria fática, indicar as provas e demonstrar como chegou à conclusão sobre o valor correto de IRRF a ser deduzido no ano-calendário da autuação, sob pena de incorrer em nulidade. In casu, não constou a demonstração de como se chegou ao valor de IRRF considerado pela Fiscalização, acarretando nulidade por vício material.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 2802-002.878
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para cancelar o lançamento, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Jaci de Assis Júnior e Ronnie Soares Anderson que davam provimento parcial; o primeiro aplicava o entendimento do Resp 1.118.429/SP porém sem determinar cancelar o lançamento e segundo, considera que o referido entendimento somente é aplicável no caso de percepção de benefícios previdenciários recebidos acumuladamente.
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator.
EDITADO EM: 19/05/2014
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson, Julianna Bandeira Toscano, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente).
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Em se tratando de rendimentos recebidos acumuladamente recebidos por força de ação judicial, embora a incidência ocorra no mês do pagamento, o cálculo do imposto deverá considerar os meses a que se referem os rendimentos. Precedentes do STJ e Julgado do STJ sujeito ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil de aplicação obrigatória nos julgamentos do CARF por força do art. 62A do Regimento Interno. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM DECORRÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL. EQUÍVOCO NA APLICAÇÃO DA LEI QUE AFETOU SUBSTANCIALMENTE O LANÇAMENTO. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR PARA REFAZER O LANÇAMENTO. CANCELAMENTO DA EXIGÊNCIA. Ao adotar outra interpretação do dispositivo legal, o lançamento empregou critério jurídico equivocado, o que o afetou substancialmente, pois prejudicou a quantificação da base de cálculo, a identificação das alíquotas aplicáveis e o valor do tributo devido, caracterizandose um vício material a invalidálo. Não compete ao órgão de julgamento refazer o lançamento com outros critérios jurídicos, mas tão somente afastar a exigência indevida. GLOSA DE IRRF. DEVER DE FUNDAMENTAÇÃO DESCUMPRIDO. NULIDADE POR VÍCIO MATERIAL. OCORRÊNCIA. O lançamento deve descrever a matéria fática, indicar as provas e demonstrar como chegou à conclusão sobre o valor correto de IRRF a ser deduzido no anocalendário da autuação, sob pena de incorrer em nulidade. In casu, não constou a demonstração de como se chegou ao valor de IRRF considerado pela Fiscalização, acarretando nulidade por vício material. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 00 41 44 /2 00 8- 15 Fl. 120DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para cancelar o lançamento, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Jaci de Assis Júnior e Ronnie Soares Anderson que davam provimento parcial; o primeiro aplicava o entendimento do Resp 1.118.429/SP porém sem determinar cancelar o lançamento e segundo, considera que o referido entendimento somente é aplicável no caso de percepção de benefícios previdenciários recebidos acumuladamente. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 19/05/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson, Julianna Bandeira Toscano, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Relatório Foi lavrada contra o recorrente notificação de lançamento de IRPF do exercício 2006, anocalendário 2005, que foi objeto de solicitação de retificação de lançamento – SRL deferida parcialmente, o que deu origem a nova notificação de lançamento na qual é exigido imposto com os acréscimos legais de multa e juros com fundamento na constatação de omissão de rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente em virtude de processo judicial trabalhista, no valor de R$1.254,36, auferidos pelo titular e/ou dependentes. Conforme registrado no campo “complementação da descrição dos fatos” os rendimentos referemse à ação judicial movida contra o Banco do Brasil S/A no total de R$382.094,08, sendo R$305.747,54 retirado pelo autor em 28/09/2005, R$76.336,90 de imposto de renda atualizado para a data da percepção do rendimentos e R$9,64 de INSS devido pelo empregado e recolhido em GFIP, entre diversas outras informações (fls. 18/20) que discriminam as verbas como isentas, de tributação exclusiva ou tributáveis, bem como os honorários advocatícios e IRRF. Com base nos cálculos periciais de fls. 542, apurouse: a) rendimentos isentos – 22.364,61 (6,64%) b) rendimentos de tributação exclusiva R$17.286,45 (5,14%); c) rendimentos tributáveis sujeitos ao ajuste anual R$337.070,39 (88,22%); e d) Honorários advocatício R$82.000,00, sendo R$72.337,61 correspondente aos tributáveis sujeito ao ajuste anual. Fl. 121DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10950.004144/200815 Acórdão n.º 2802002.878 S2TE02 Fl. 115 3 Houve também glosa de compensação de IRRF, por ter a autoridade fiscal constatado que o valor de IRRF era de R$72.558,79 (já descontado o valor correspondente aos rendimentos de tributação exclusivamente na fonte – 13º) e não de R$95.510,23 como declarado. Na impugnação alegouse que várias verbas eram isentas e que a tributação sobre 13º salário e reflexos é exclusivamente na fonte, pleiteando pela restituição do imposto de renda conforme constante da Declaração de Ajuste Anual. A DRJ Curitiba deferiu em parte a impugnação, excluindo dos rendimentos tributáveis os reflexos sobre férias proporcionais e sobre abono assiduidade e também sobre o FGTS (10,17%), e reflexos sobre 13º (5,14%), com reflexo na parcela dedutível dos honorários advocatícios para R$69.445,80. Ciência do acórdão em 22/02/2011 e interposição de recurso voluntário em 15/03/2011 com as seguintes alegações: 1. não ficou claro quais as verbas estão incluídas no lançamento, razão pela qual o recorrente discrimina as verbas que constaram no cálculo realizado no processo trabalhista, discriminando entre isentas, tributáveis exclusivamente na fonte e tributáveis; 2. são isentos os reflexos de horas extras em férias proporcionais, em licença prêmio, em folgas, em abono assiduidade e em gratificação semestral; também é isento o FGTS; 3. há vaga fundamentação para a glosa do IRRF; se no ato da retenção e pagamento do crédito líquido ao reclamante a retenção não foi feita corretamente e no tempo certo, não há como fazêla neste momento, o valor de R$95.510,23 é o mesmo que consta na DIRF e que foi reconhecido pela Receita Federal na primeira notificação de lançamento emitida em desfavor do contribuinte, o valor efetivamente recolhido foi de R$109.059,44, enquanto a Receita Federal atribui o valor de R$11.183,35 em 2006 e R$76.336,90 em 2005, somando R$87.520,25; 4. incorreta a tributação no ajuste anual dos rendimentos correspondentes a 13º salário, pois estão sujeitos a tributação exclusiva e também indevida a incidência sobre os juros moratórios, devido a natureza indenizatória e isenção do imposto de renda; e 5. a tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente deve ser feita com base nas tabelas e alíquotas próprias dos meses em que a que o rendimento se refere, conforme precedentes judiciais e Ato Declaratório PGFN 01/2009. O julgamento foi sobrestado por meio da Resolução 2802000.091, porém com a revogação da norma regimental que prescrevia o sobrestamento de processos no CARF, o julgamento foi retomado. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator Fl. 122DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 Com a edição da Resolução nº 2802000.091 conheceuse do recurso voluntário, além de ter sido consignado: a) a complementação da descrição dos fatos identifica satisfatoriamente os rendimentos submetidos à tributação, discriminandoos entre isentos, de tributação exclusiva e os tributáveis sujeitos ao ajuste anual, bem como a forma de cálculo da parcela dedutível do IRRF e dos honorários advocatícios. Sem razão o recorrente nesse ponto, que seria questão prejudicial em relação ao mérito; b) na primeira instância já se reconheceu a não tributação sobre reflexos em férias proporcionais e abono assiduidade e sobre o FGTS; c) o mérito propriamente dito referese à natureza tributável ou não de algumas verbas (reflexos de horas extras em licença prêmio, em folgas e em gratificação semestral), cálculo do IRRF passível de compensação e a forma de apuração dos rendimentos recebidos acumuladamente. Tanto a notificação de lançamento quanto a decisão recorrida evidenciam que o lançamento referese a rendimentos recebidos acumuladamente, o que é corroborado pela planilhas de fls. 31 e ss. Duas são as questões de mérito: a) a forma de interpretar o art. 12 da Lei 7.713/1988 (rendimentos recebidos acumuladamente em decorrência de condenação trabalhista); e b) a forma de compensar o IRRF referente a essas verbas. Da tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente Já tive oportunidade de manifestar meu entendimento sobre o tema em outros julgados, como o foram os acórdãos nº 280200.476 e 280200.477, de 22 de setembro de 2010 e 280200.548, de 20 de outubro de 2010, dessa Turma, todos unânimes. Em um primeiro momento fundamentei meus votos a partir das seguintes premissas: a) consolidação no Superior Tribunal de Justiça (STJ) do entendimento acerca dos rendimentos recebidos acumuladamente; b) decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que negou repercussão geral ao tema; e c) publicação do Parecer PGFN/CRJ nº 287/2009, do Despacho do Ministro da Fazenda SN/2009, do Ato Declaratório PGFN nº 1, de 27 de março de 2009 e do Parecer PGFN /CAT 815/2010, editados com fulcro na Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002. O referido Ato Declaratório autorizava a dispensa de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexistisse outro fundamento relevante, "nas ações judiciais que visem obter a declaração de que, no cálculo do imposto renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente, devem ser levadas em consideração as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem tais rendimentos, devendo o cálculo ser mensal e não global", mencionando os seguintes julgados do STJ: Resp 424225/SC (DJ 19/12/2003); Resp 505081/RS (DJ 31/05/2004); Resp 1075700/RS (DJ 17/12/2008); AgRg no REsp 641.531/SC (DJ 21/11/2008); Resp 901.945/PR (DJ 16/08/2007). Ocorreu que o STF decidiu por reconhecer repercussão geral ao tema e com isso a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) suspendeu a eficácia do Parecer PGFN/CRJ nº 287/2009, e conseqüentemente tornou insubsistentes o Ato Declaratório PGFN nº 1, de 27 de março de 2009 e o Parecer PGFN /CAT 815/2010. Fl. 123DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10950.004144/200815 Acórdão n.º 2802002.878 S2TE02 Fl. 116 5 A mudança da posição do STF ocorreu no AgRQO/RS, rel. Min. Ellen Gracie, 20.10.2010, (RE614232 e RE 614406) em que se enfrentou questão provocada pelo fato de o TRF da 4ª Região ter declarado a inconstitucionalidade, sem redução de texto, do art. 12 da Lei 7.713/88, o qual determina a incidência do Imposto de Renda no mês do recebimento de valores acumulados sobre o total dos rendimentos. Com a admissão da repercussão geral e determinação de sobrestamento dos processes no STF, estes processos passaram a ser sobrestados no CARF com fundamento no §1º do art.62A do Regimento Interno do CARF. Todavia, essa norma regimental foi revogada e os julgamentos devem prosseguir seu curso novamente. Até o momento não há uma decisão final do STF nos Recursos Extraordinários nº 614232 e 614406 que sãos os paradigmas para esse tema. O desafio, portanto, é aplicar a correta interpretação do art. 12 da Lei 7.713/1988, o que demanda uma análise contextualizada da questão. Vejamos. A tese consolidada no STJ foi proferida no REsp 1118429/SP, julgado em 24/03/2010, em acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC, portanto de aplicação obrigatória no CARF. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art.543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008.( REsp 1118429 / SP) Sabese que, neste Conselho, há entendimentos de que o referido julgado está restrito ao recebimento acumulado de benefícios previdenciários ou que sua adoção implicaria deixar de aplicar o art. 12 da lei 7.713/1988. Com devido respeito a essa linha argumentativa, à qual não se adere, passase a analisar, contextualizadamente, a jurisprudência em questão. Os casos que deram origem à jurisprudência do STJ referiamse à revisão de benefícios previdenciários mensais, benefícios previdenciários mensais reconhecidos e pagos com atraso, reajustes mensais de servidores públicos pagos em atraso e pagamentos mensais em atraso devido a retorno ao serviço ativo. Em todos eles os valores foram reconhecidos por competência, possibilitando aplicar a norma tributária a cada caso, implicando em reconhecer que os valores estavam isentos ou definir a alíquota correspondente a cada mês. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 A título ilustrativo, é possível cotejar alguns do principais julgados que levaram à consolidação da jurisprudência no STJ: a) aposentadoria por tempo de serviço concedida e paga pelo INSS com anos de atraso RESP 758.779/SC; b) revisão de benefícios mensais do INSS – RESP 492.247/RS (Relator Ministro Luiz Fux); RESP 719.774/SC Ministro Teori Zavascki; RESP 901.945 – Relator Ministro Teori Zavascki; RESP 1.088.739/SP– decisão monocrática Ministro Francisco Falcão; c) diferenças salariais mensais da URP – RESP 424.225/SC (Relator Ministro Teori Zavascki); RESP 383.309/SC (Relator Ministro João Otávio Noronha); d) valores mensais de Benefícios previdenciários e assistenciais pagos por precatório – RESP 505.081/RS (Relator Ministro Luiz Fux); e) valores mensais de benefícios previdenciários RESP 1.075.700/RS (Relatora Ministra Eliana Calmon); RESP 723.196/RS – Relator Ministro Franciulli Netto; RESP 667.238/RJ; RESP 667.238/RJ (Relato Ministro José Delgado); RESP 613.996/RS Relator Ministro Arnaldo Esteves Lima; RESP 783.724/RS Relator Ministro Castro Meira; e f) Valores mensais de rendimentos de servidor público – AgReg. AI 766.896/SC, Relator Ministro José Delgado. É fato que as ações de benefícios previdenciários são muito freqüentes, porém se constata que não eram apenas esses casos. Entre inúmeros julgados do Tribunal Superior, elenco alguns para deles extrair os respectivos fundamentos adotados: a) RESP 758.779/SC; tratamento justo ao caso (equidade); b) RESP 492.247/RS; princípios da legalidade e da isonomia.; c) RESP 719.774/SC; princípios da legalidade e da isonomia e vedação ao enriquecimento sem causa da Administração; d) RESP 901.945 – resolução de aparente antinomia entre o art. 521 do RIR1980 (Decreto 85.450/80) e o art. 12 da Lei 7.713/88 se resolve pela seguinte exegese: este último disciplina o momento da incidência; o outro, o modo de calcular o imposto. (Precedentes citados: REsp 617081/PR, 1ª T, Min. Luiz Fux, DJ 29.05.2006 e Resp 719.774/SC, 1ª T, Min. Teori Albino Zavascki, DJ 04.04.2005.); e) RESP 424.225/SC ao dispor sobre os rendimentos recebidos acumuladamente, o art. 12 da Lei 7.713/88 disciplina o momento da incidência do Imposto de Renda, porém nada diz a respeito da alíquota aplicável a tais rendimentos, adotou a jurisprudência dominante e assentou que não havia declaração de inconstitucionalidade da lei d) RESP 505.081/RS – se o rendimento mensalmente era isento, ao ser recebido de uma só vez não perde essa natureza; e e) RESP 1.075.700/RS não há violação do art. 12 da Lei n.º 7.713∕88 e art. 56, do Decreto n.º 3.000∕99, pois o acórdão recorrido está alinhado com a jurisprudência. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10950.004144/200815 Acórdão n.º 2802002.878 S2TE02 Fl. 117 7 Afastar a aplicação do art. 12 da Lei n.º 7.713∕88 está fora da órbita de competência dos membros desse Conselho, portanto fica vedado adotar como razão precedentes judiciais que tenham esse fundamento, ainda que pautados por ofensa à legalidade, à isonomia e mesmo sob o fundamento de buscar o tributo justo. Outrossim, seria inadequado adotar precedentes que se socorreram da equidade, pois há vedação legal expressa quanto ao emprego da equidade para dispensar a exigência de tributo (§2º do art. 108 do CTN). De outro giro, outras premissas devem ser levadas em conta: a) está implícito na função do CARF contribuir para a segurança jurídica em matéria tributária; b) essa Turma já se posicionou diversas vezes sobre esse tema, enquanto não vigorava a norma regimental que impôs o sobrestamento; c) é competência constitucional do STJ atuar como guardião e intérprete da lei federal; d) há jurisprudência consolidada da jurisprudência do STJ sobre o tema e julgada na sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil – CPC, cuja reprodução é obrigatória pelos membros do CARF (caput art. 62A do Regimento Interno do CARF, introduzido pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010). Destarte, no CARF, a questão deve ser solucionada com a adoção do entendimento proferido nos acórdãos do STJ que se fundamentaram na interpretação do art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, no sentido de que o momento do recebimento dos rendimentos define a ocorrência do fato gerador, porém no cálculo do tributo aplicamse as alíquotas e tabelas próprias das competências a que os valores se referem (RESP 424.225/SC e RESP 901.945, tese consolidada no RESP 1.118.429/SP). Frisese: é interpretação do art. 12 e não declaração de sua inconstitucionalidade. Diversas vezes, o STF reconheceu que, com esse fundamento, o STJ não está declarando a inconstitucionalidade da norma legal, mas apenas interpretando a legislação infraconstitucional aplicável ao caso: RE 572580/RS, julgado em 03/06/2008; RE 563.347/SC; AI 660.020/SC, e AI 636303/SC, julgado em 01/07/2008. Teria a admissão de repercussão geral, sem decisão definitiva de mérito, o condão de afastar a aplicação do entendimento adotado no STJ e inviabilizar sua aplicação pelo CARF? O Recurso Extraordinário em questão enfrentou um acórdão de Tribunal Regional que declarou a inconstitucionalidade do art. 12 da Lei 7.713/1988. Por essa razão, as razões do deferimento da repercussão geral foram: a declaração de inconstitucionalidade superveniente e a relevância jurídica correspondente à presunção de constitucionalidade das leis, a necessidade de garantir a unidade do ordenamento jurídico, a uniformidade da tributação federal (art. 151, I da Constituição) e a isonomia (art. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 8 150, II da Constituição) (RE 614232 AgRQO/RS, rel. Min. Ellen Gracie, 20.10.2010, RE 614232). Com a aplicação do entendimento consignado no RESP 1.118.429/SP não está sendo afastada aplicação da lei, mas tão somente dando ao dispositivo legal vigente na época de ocorrência dos fatos geradores (art. 144 do CTN) a interpretação pacificada no âmbito de seu intérprete mais abalizado. Em suma: ausente decisão de mérito do STF na sistemática do art. 543B do CPC, nos Recursos Extraordinários paradigmas, o art. 12 está em vigor e sua interpretação se dá nos moldes do julgado do STJ que adotou o rito do art. 543C do CPC, no sentido de que o momento do recebimento dos rendimentos define a ocorrência do fato gerador, porém no cálculo do tributo aplicamse as alíquotas e tabelas próprias das competências a que os valores se referem (RESP 1.118.429/SP). Após a análise dos precedentes que levaram à tese firmada no Recurso Especial repetitivo, proferido em sede do art. 543C do CPC, concluise que esse julgado merece uma interpretação sistemática e não apenas literal restrita a sua ementa. Destarte, o referido entendimento deve ser implementado nos casos de condenações trabalhistas que sejam compatíveis com o mesmo entendimento, e não apenas ao casos de benefícios previdenciários. Essa exegese vem sendo adotada pelo próprio STJ. Vejamos: TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. IMPOSTO DE RENDA. VERBAS TRABALHISTAS DECORRENTES DE RESCISÃO. APURAÇÃO DO VALOR DEVIDO. REGIME DE COMPETÊNCIA. JUROS DE MORA. ISENÇÃO. 1. "O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ" (REsp 1.118.429/SP, processado sob o rito do art. 543C do CPC, Rel. Ministro Herman Benjamin, Primeira Seção, DJe 14/5/2010). 2. A Primeira Seção desta Corte, apreciando o REsp 1.089.720/RS, de relatoria do Ministro Mauro Campbell Marques, DJe 28/11/12, consolidou entendimento no sentido de que: (I) a regra geral é a incidência do imposto de renda sobre os juros de mora (art. 16, caput e parágrafo único, da Lei n. 4.506/1964), inclusive quando fixados em reclamatórias trabalhistas; (II) há isenção de IR: a) quando o pagamento for realizado no contexto de rescisão do contrato de trabalho e b) quando a verba principal for igualmente isenta ou fora do âmbito do imposto, aplicandose o princípio do accessorium sequitur suum principale. 3. Hipótese em que o recorrido, por força de decisão judicial, recebeu, acumuladamente, verbas trabalhistas decorrentes de rescisão de contrato de trabalho. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10950.004144/200815 Acórdão n.º 2802002.878 S2TE02 Fl. 118 9 4. Agravo regimental a que se nega provimento. (AgRg no REsp 1238127/RS, Data do julgamento 20/02/2014. No mesmo sentido: REsp 1410118/PE, data do julgado25/02/2014) PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. SERVIDOR PÚBLICO MUNICIPAL. DIFERENÇAS SALARIAIS RESULTANTES DE AVALIAÇÃO DE DESEMPENHO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 269, IV, DO CPC. DEFICIÊNCIA NA FUNDAMENTAÇÃO. SÚMULA 284/STF. DISPOSITIVOS APONTADOS COMO VIOLADOS. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 282/STF. PRESCRIÇÃO. RELAÇÃO DE TRATO SUCESSIVO. SÚMULA 85/STJ. VERBAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. CÁLCULO MÊS A MÊS. IMPOSTO DE RENDA. MONTANTE GLOBAL. ILEGITIMIDADE. MATÉRIA SUBMETIDA AO RITO DO ART. 543C, DO CPC. RESP 1.118.429/SP. (...) 3. Na espécie, não se discute nem o direito ao reenquadramento, nem as normas em que se fundou tal ato, mas questionase apenas os valores correspondentes ao reenquadramento salarial do servidor, isso conforme a opção pelo Plano de Cargos e Salários e de acordo com a pontuação obtida pelo Plano de Avaliação de Desempenho, pelo que não há falar em prescrição do fundo de direito, mas tão somente das parcelas anteriores ao quinquênio que precedeu à propositura da ação. Inteligência da Súmula 85/STJ. Precedentes: AgRg no AREsp. 4.355/SP, Rel. Min. Castro Meira, Segunda Turma, DJe 1/7/2011; AgRg no Ag. 1.213.131/SP, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, Sexta Turma, DJe 1/6/2011; e AgRg no Ag 1.076.183/SP, Rel. Min. Laurita Vaz, Quinta Turma, DJe 9/3/2009. 4. A Primeira Seção desta Corte, ao julgar o REsp 1.118.429/SP, sob o regime do art. 543C do CPC, assentou o entendimento no sentido de que "o Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado", não sendo legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente". 5. Agravo regimental não provido.(AgRg no AREsp 434044/SP, Data do Julgamento 20/02/2014) Este caso concreto referese a rendimentos de períodos pretéritos discriminados em planilhas da ação trabalhista. É um caso compatível com a interpretação do art. 12 da Lei 7.713/1988 firmada no RESP 1.118.429/SP. Contudo, ao adotar outra interpretação do dispositivo legal, o lançamento empregou critério jurídico equivocado, o que o afetou substancialmente, pois prejudicou a Fl. 128DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 10 quantificação da base de cálculo, a identificação das alíquotas aplicáveis e o valor do tributo devido, caracterizandose um vício material a invalidálo. Não compete ao órgão de julgamento refazer o lançamento com outros critérios jurídicos, mas tão somente afastar a exigência indevida. Citamse excertos de ementas de alguns precedentes que operam no mesmo sentido: (...) PIS – LEI COMPLEMENTAR 7/70 – BASE DE CÁLCULO – O parágrafo único do art. 6° da LC 7/70 estabeleceu que a base de cálculo correspondia ao faturamento do 6° mês anterior. Se o lançamento desrespeitou essa norma, e como ao julgador administrativo não é permitido refazer o lançamento, então resta apenas cancelar a exigência. (...).( CSRF/0105.163, de 29/11/2004)(grifos acrescidos) Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2008 DESPESA DE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. NATUREZA JURÍDICOCONTÁBIL. Equivocase o lançamento que considera a despesa de amortização do ágio como despesa com provisão, pois o ágio é a parcela do custo de aquisição do investimento (avaliado pelo MEP) que ultrapassa o valor patrimonial das ações, o que não se confunde com provisões expectativas de perdas ou de valores a desembolsar. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. A instância julgadora pode determinar que se exclua uma parcela da base tributável e que se recalcule o tributo devido, ou mesmo determinar que se recalcule a base de cálculo considerando uma despesa dedutível ou uma receita como não tributável, mas não pode refazer o lançamento a partir de outro critério jurídico que o altere substancialmente. (Acórdão 1302001.170, de 11/09/2013)(grifos adicionados) NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INALTERABILIDADE DO CRITÉRIO JURÍDICO DO LANÇAMENTO EM RELAÇÃO AO MESMO SUJEITO PASSIVO. Na fase contenciosa, não é admissível a mudança do critério jurídico adotado no lançamento contra o mesmo sujeito passivo em relação aos fatos geradores já concretizados. (...) (Acórdão 2802002.489, de 17/09/2013)(grifos não constam do original) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1996 LANÇAMENTO FISCAL. REDUÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL. REDUÇÃO DE SALDO NEGATIVO. DIFERENÇA. No lançamento fiscal, a irregularidade de se lançar sem reduzir o prejuízo fiscal implica em erro na formação da própria base tributável, o que não é passível de correção por parte do julgador administrativo, que não pode alterar o lançamento. Neste sentido, a jurisprudência do CARF é tranqüila no sentido Fl. 129DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10950.004144/200815 Acórdão n.º 2802002.878 S2TE02 Fl. 119 11 de se cancelar o auto de infração por inteiro. (...) 1401001.086, de 07/11/2013) (grifos acrescentados) Devese, portanto, excluir a infração omissão de rendimentos recebidos acumuladamente da ação trabalhista. Da compensação do IRRF O contribuinte recebeu as verbas em dois exercícios e deduziu o valor integral do IRRF no anocalendário 2005. O acórdão recorrido considerou correta a glosa parcial do IRRF, pois amparada no art. 12, inciso V da lei 9.250/1995, uma vez que se refere a rendimentos de mais de um anocalendário e somente pode ser aproveitado de forma proporcional aos valores recebidos e tributados em cada ano calendário. Esse entendimento do acórdão recorrido, em tese, está correto e é coerente com a forma de tributação de rendimentos acumulados adotada pela Fiscalização e ratificada pela decisão de primeira instância. Transcrevese o trecho do voto condutor do acórdão combatido. Portanto, em casos como o ora analisado, em que o valor total do imposto retido na fonte foi recolhido de uma só vez e se refere a rendimentos recebidos em mais de um anocalendário, é necessário que seja calculado o montante de IRRF proporcional a cada anocalendário. Foi exatamente isto o que fez a autoridade lançadora, que distribuiu o IRRF recolhido em 01/08/2007 de maneira proporcional aos rendimentos recebidos nos anoscalendário de 2005 e 2006. Além disso, no presente caso, o IRRF relativo ao anocalendário de 2005 foi devidamente atualizado para a data de recebimento da parcela (28/09/2005). Essa atualização é necessária para evitar distorções e adequar a compensação à legislação que prevê a retenção do IRRF no momento em que o rendimento se torne disponível ao beneficiário. Cumpre esclarecer que, diferentemente do que alega o contribuinte, ele não está sendo prejudicado pelo recolhimento do IRRF feito em atraso, pois o valor de IRRF que está sendo considerado está atualizado para a data do recebimento do rendimento, que é o que acontece normalmente com qualquer contribuinte, que declara tanto os rendimentos como o imposto retido em seus valores originais. Na verdade, se fosse facultado ao contribuinte compensar em sua declaração o valor total recolhido, estarseia dando a ele um beneficio indevido, pois o valor do IRRF compensado acabaria sendo maior do que o efetivamente retido, enquanto o rendimento foi considerado em seu montante original. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 12 Portanto, entendo que o lançamento está correto no que tange à glosa de IRRF, mostrandose acertada a distribuição proporcional do valor recolhido para os anoscalendário de 2005 e 2006, com atualização para a data do recebimento, bem como a desconsideração da parcela do imposto retido correspondente ao décimo terceiro salário. Embora correto em sua tese, o que se verificou nos autos é que a primeira notificação de lançamento não glosava o IRRF declarado, a glosa ocorreu somente na segunda notificação de lançamento, provocada pela Solicitação de Retificação do Lançamento SRL. É induvidoso que o lançamento deve descrever a matéria fática, indicar as provas e demonstrar como chegou à conclusão sobre o valor correto de IRRF a ser deduzido neste anocalendário, sob pena de incorrer em nulidade. Quanto à glosa da compensação de IRRF (fls. 21) foi demonstrado que somente era dedutível o valor proporcional aos rendimentos sujeitos ao ajuste anual, esta foi a razão de não ter sido aceito o valor correspondente aos rendimentos de tributação exclusivamente na fonte. Entretanto, não constou a demonstração de como se chegou ao valor de R$72.558,79, apenas remete aos cálculos anteriores da mesma notificação. Até aí não haveria problema se nos cálculos anteriores fosse demonstrado como se identificou o IRRF de R$76.336,90 (do qual foi subtraído o valor de R$3.778,11 para se chegar ao IRRF dedutível de R$72.558,79). Não constou do lançamento esta demonstração, nem foi indicada a prova. Não cabe ao órgão julgador acrescer aos autos a fundamentação que presumidamente foi adotada no lançamento. Tem razão o recorrente quando afirma ter havido vaga fundamentação para a glosa. Consequentemente, neste ponto o lançamento possui vício material que não autoriza a manutenção da glosa pelo órgão julgador nem o refazimento do lançamento nesse tópico. Com a exclusão de ambas as infrações fica prejudicada a análise das demais alegações. Diante do exposto, devese DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para cancelar o lançamento. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 131DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10950.004144/200815 Acórdão n.º 2802002.878 S2TE02 Fl. 120 13 Fl. 132DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 14411.000101/2010-33
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 06 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2009
ENTREGA DA DCTF FORA DOS PRAZOS LEGAIS. MULTA. INSTITUTO DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA.
É incabível a benesse da denúncia espontânea para afastar a aplicação de multa pelo atraso na entrega de obrigação acessória autônoma, como a DCTF. Súmula CARF n° 49 e precedentes do Superior Tribunal de Justiça - STJ.
OFENSA A PRINCÍPIOS LEGAIS. AFASTAMENTO.
Não se vislumbra nenhuma ofensa aos princípios da administração pública e do processo administrativo fiscal.
Numero da decisão: 1802-002.144
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, NEGAR provimento ao Recurso, nos termos do voto do Relator.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Marciel Eder Costa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marciel Eder Costa, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, José de Oliveira Ferraz Corrêa e Nelso Kichel.
Nome do relator: MARCIEL EDER COSTA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2009 ENTREGA DA DCTF FORA DOS PRAZOS LEGAIS. MULTA. INSTITUTO DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. É incabível a benesse da denúncia espontânea para afastar a aplicação de multa pelo atraso na entrega de obrigação acessória autônoma, como a DCTF. Súmula CARF n° 49 e precedentes do Superior Tribunal de Justiça - STJ. OFENSA A PRINCÍPIOS LEGAIS. AFASTAMENTO. Não se vislumbra nenhuma ofensa aos princípios da administração pública e do processo administrativo fiscal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, NEGAR provimento ao Recurso, nos termos do voto do Relator. (ASSINADO DIGITALMENTE) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) Marciel Eder Costa - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marciel Eder Costa, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, José de Oliveira Ferraz Corrêa e Nelso Kichel.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1579; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE02 Fl. 85 1 84 S1TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 14411.000101/201033 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1802002.144 – 2ª Turma Especial Sessão de 6 de maio de 2014 Matéria MULTA ATRASO NA ENTREGA DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA Recorrente AGROPECUARIA GARROTE LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2009 ENTREGA DA DCTF FORA DOS PRAZOS LEGAIS. MULTA. INSTITUTO DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. É incabível a benesse da denúncia espontânea para afastar a aplicação de multa pelo atraso na entrega de obrigação acessória autônoma, como a DCTF. Súmula CARF n° 49 e precedentes do Superior Tribunal de Justiça STJ. OFENSA A PRINCÍPIOS LEGAIS. AFASTAMENTO. Não se vislumbra nenhuma ofensa aos princípios da administração pública e do processo administrativo fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, NEGAR provimento ao Recurso, nos termos do voto do Relator. (ASSINADO DIGITALMENTE) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) Marciel Eder Costa Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 41 1. 00 01 01 /2 01 0- 33 Fl. 85DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 14411.000101/201033 Acórdão n.º 1802002.144 S1TE02 Fl. 86 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marciel Eder Costa, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, José de Oliveira Ferraz Corrêa e Nelso Kichel. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 14411.000101/201033 Acórdão n.º 1802002.144 S1TE02 Fl. 87 3 Relatório Tratam os presentes autos de Notificação de Lançamento – Modelo I – n° 14.59.37.43.30.0198 contendo a exigência de multa no valor de R$ 4.461,75 pela entrega fora dos prazos estabelecidos da Obrigação Acessória DCTF Semestral, versão 1.4. Conforme consta na referida Notificação de Lançamento, (efls 15) o contribuinte efetuou a entrega da DCTF relativo ao 1° Semestre de 2009, cujo prazo fatal ocorrera em 08/10/2009, apenas no dia 26/02/2010, ou seja, com 5 meses de atraso. Declarou a existência de créditos tributários federais para o período o montante de R$ 89.235,02. Intimada do lançamento na mesma data da entrega, (26/02/2010) mostrouse irresignada pelo que interpôs impugnação de efls 1/8 em 26/03/2010 sustentando em apertada síntese que a entrega espontânea da obrigação acessória deve afastar a exigência de multa, por força do art. 138 do Código Tributário Nacional – CTN. A turma julgadora ao analisar a impugnação entendeu pela manutenção da exigência conforme a seguinte ementa (efls 68): ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2009 MULTA POR ATRASO. DECLARAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. É devida a multa no caso de entrega da declaração fora do prazo estabelecido ainda que o contribuinte o faça espontaneamente. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Em suas razões, a turma julgadora expôs que a multa por atraso na entrega da obrigação acessória é uma sanção imposta pela legislação tributária, respaldandose entre outros, na Súmula CARF n° 49. Intimada do Acórdão em 29/05/2013, conforme AR às efls. 74 e ainda inconformada com a manutenção do lançamento, apresentou Recurso Voluntário em 26/06/2013 requerendo sua reforma pela aplicação dos princípios da legalidade, finalidade, ampla defesa, segurança jurídica e do interesse público, repisando ainda na aplicação da denúncia espontânea. É o relato do essencial. Fl. 87DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 14411.000101/201033 Acórdão n.º 1802002.144 S1TE02 Fl. 88 4 Voto Conselheiro Marciel Eder Costa, Relator. O recurso voluntário interposto é tempestivo e preenche aos requisitos de admissibilidade, pelo que dele, passo a tomar conhecimento. Como se extrai do relatório, a recorrente esteve sujeita no período de apuração relativo ao 1° Semestre de 2009 à entrega da obrigação acessória DCTF, cujo prazo limite para entrega se deu em 08/10/2009. Contudo, prestou a informação apenas em 26/02/2010, incorrendo assim em 5 (cinco) meses de atraso. Desta feita, ficou sujeita à multa pelo atraso na entrega da referida declaração, nos termos da Lei n° 10.426, de 24 de abril de 2002: Art. 7o O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: [...] II de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica ou na Dirf, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas Declarações ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; [...] Em sede de Impugnação, o contribuinte requereu pela benesse da denúncia espontânea, consoante o disposto pelo Código Tributário Nacional (CTN) – Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Fl. 88DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 14411.000101/201033 Acórdão n.º 1802002.144 S1TE02 Fl. 89 5 Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. A autoridade julgadora a quo com acerto afastou a hipótese de aplicação da denúncia espontânea à multa pelo atraso na entrega da obrigação acessória. Esta posição, aliás, está consolidada pelo STJ, no sentido de que a responsabilidade acessória autônoma, a saber, aquela que a lei determina o cumprimento, mas que não esteja diretamente vinculada a um tributo (obrigação principal) não está alcançada pela benesse da denúncia espontânea. Neste sentido: TRIBUTÁRIO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ART. 138 DO CTN. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTO DO MONTANTE DEVIDO COM ATRASO. MULTA MORATÓRIA. ENTREGA COM ATRASO DE DECLARAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES E TRIBUTOS FEDERAIS (DCTF). AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. 1. O prequestionamento dos dispositivos legais tidos como violados constitui requisito indispensável à admissibilidade do recurso especial. Incidência das Súmulas ns. 282 e 356 do Supremo Tribunal Federal. 2. Nas hipóteses em que o contribuinte declara e recolhe com atraso tributos sujeitos a lançamento por homologação, não se aplica o benefício da denúncia espontânea e, por conseguinte, não se exclui a multa moratória. 3. As obrigações acessórias autônomas não têm relação alguma com o fato gerador do tributo, não estando alcançadas pelo art. 138 do CTN. 4. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, provido. (REsp n° 258.139, Relator Ministro João Otávio de Noronha, julgado em 06/12/2005.) Grifouse. Esta matéria inclusive já está sumulada por este Conselho, no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica à multa pelo atraso na entrega de obrigação acessória: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 14411.000101/201033 Acórdão n.º 1802002.144 S1TE02 Fl. 90 6 Portanto, não há qualquer reparo na decisão recorrida, quando esta define o afastamento da benesse da denúncia espontânea na multa gerada pelo atraso na entrega de obrigação acessória. Com relação à aplicação de princípios que devem reger a administração tributária e também o processo administrativo, não se vislumbra qualquer afronta, senão vejamos. No que tange ao princípio da legalidade, identificase que a administração tributária efetuou o lançamento conforme determina o art. 142 do CTN. A multa está devidamente respaldada pelo inciso II do art. 7° da Lei n° 10.426, de 24 de abril de 2002 e a não aplicação da denúncia espontânea está vinculada à hermenêutica jurídica e a decisão majoritária dos tribunais judiciais superiores e a Súmula deste Conselho. O cumprimento do princípio da legalidade reflete diretamente na aplicação do princípio da segurança jurídica, uma vez que a decisão fundamentada na lei e na jurisprudência denota que a matéria julgada não sofre uma interpretação pessoal, mas observa os ditames legais e jurídicos, se tornando consolidada tanto no âmbito administrativo como no âmbito judicial. Ademais,, o processo administrativo instaurado observou os ditames do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, respeitando assim aos princípios da ampla defesa e do contraditório, permitindo ao contribuinte se defender plenamente do lançamento realizado. Ressaltase que como houve prejuízo à fiscalização pelo não conhecimento dos valores dos tributos efetuados por homologação, a multa também cumpre o princípio da finalidade, pois pune pelo período em que a autoridade fiscal foi privada do lançamento, pelo desconhecimento dos valores. Por conseqüência, cumpre ao princípio do interesse público, onde ocorre proteção dos cofres públicos. Ante o exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao Recurso. É como voto. (ASSINADO DIGITALMENTE) Marciel Eder Costa Relator Fl. 90DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 10945.902146/2012-27
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 15/09/2004
EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS.
Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-003.070
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes
(assinado digitalmente)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 90 21 46 /2 01 2- 27 Fl. 70DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.902146/201227 Acórdão n.º 3801003.070 S3TE01 Fl. 10 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.902146/201227 Acórdão n.º 3801003.070 S3TE01 Fl. 11 3 Relatório Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso Silveira. Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Curitiba (DRJ/CTA), referente ao processo administrativo nem que foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, não sendo reconhecido o direito creditório. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ/CTA, que assim relatou os autos: Trata o processo de Despacho Decisório emitido pela DRF Cascavel/PR, que indeferiu o pedido de restituição formulado por meio do Per/Dcomp, devido à inexistência de crédito pleiteado, uma vez que o pagamento de PIS/PASEP (Código 6912), estaria totalmente utilizado na extinção, por pagamento, de débito da contribuinte do mesmo fato gerador. Cientificada da decisão, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, a inconstitucionalidade da cobrança do PIS e da Cofins sem a exclusão do ICMS da base de cálculo. Diz que o conceito de faturamento trazido pela Lei nº 9.718, de 1998, não pode ser elastecido a ponto de abarcar o conceito de “ingresso”, por isso, o ICMS não integra a base de cálculo das contribuições, por se tratar de mero ingresso de recursos, os quais devem ser repassados ao fisco estadual, e que o Supremo Tribunal Federal –STF tem entendido que o valor do ICMS não pode compor a base de cálculo do PIS e da Cofins. Dessa forma, solicita que os créditos sejam restituídos, acrescidos de juros de mora, desde seu pagamento indevido até a data da restituição/compensação. É o relatório. Assim, entendeu a DRJ/CTA por conhecer a manifestação de inconformada apresentada, por ser tempestiva e atender os demais pressupostos de admissibilidade. Entretanto, ao analisar o mérito da manifestação de inconformidade, entendeu a DRJ/CPS por indeferir a solicitação, ratificando a decisão da DRF de origem, não reconhecendo o direito creditório e, por conseqüência, não deferindo o pedido de restituição. O referido julgado contou com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 72DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.902146/201227 Acórdão n.º 3801003.070 S3TE01 Fl. 12 4 PIS/PASEP. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PER/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins, pois aludido valor é parteintegrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A contribuinte apresentou Recurso Voluntário postulando a reforma da decisão, por entender que o pedido de restituição de crédito tributário, oriundo da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS, se mostra legítimo, comportando a compensação desses créditos com débitos de tributos federais. Em sua fundamentação, fez a colação de trecho do voto proferido pelo Ministro Marco Aurélio, relator do RE 240.7852, onde este conclui que o valor correspondente ao ICMS não têm natureza de faturamento ou receita e por isso não incide na base de cálculo do PIS e da COFINS. É o relatório. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.902146/201227 Acórdão n.º 3801003.070 S3TE01 Fl. 13 5 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso Silveira. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Tanto na manifestação de inconformidade apresentada, quanto no recurso voluntário interposto, a contribuinte manteve o argumento de que deveria ser excluído o ICMS da base de cálculo do PIS. Primeiramente, necessário destacar se há necessidade ou não de sobrestamento do processo. Ocorre que o Supremo Tribunal Federal, em ação declaratória de constitucionalidade proposta pelo Presidente da República (ADC n° 18), deferiu, por maioria, medida cautelar para determinar que juízos e tribunais suspendam o julgamento dos processos em trâmite que envolvam a aplicação do art. 3º, § 2º, I, da Lei 9.718/1998, até o julgamento final da ação pelo Plenário do STF. (MCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito, 13.8.2008) Contudo, em sessão plenária do dia 4.2.2009, o Tribunal, resolvendo questão de ordem, por maioria, prorrogar o prazo da decisão liminar concedida, nos termos do voto do relator. (QOMCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito) Após, em sessão plenária do dia 16.9.2009, o Tribunal, resolvendo questão de ordem, por maioria, decidiu novamente por prorrogar o prazo da decisão liminar concedida. (2ª QOMCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito) Por fim, em sessão plenária do dia 25.03.2010, o Tribunal, por maioria, resolveu questão de ordem no sentido de prorrogar, pela última vez, por mais 180 dias (cento e oitenta) dias, a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. (3ª QOMCADC 18/DF, rel. Min. Celso de Mello) Deste modo, entendese que após decorrido o prazo de 180 dias, a contar de 25.03.2010, perdeu a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. Assim, entendese que não deve haver o sobrestamento da matéria. Cumpre ressaltar inclusive que a presente Turma ao apreciar a mesma matéria já se manifestou no sentido de não sobrestar o processo. Tal decisão ocorreu por unanimidade nos autos do processo administrativo n° 10950.003104/201071, de Relatoria do Conselheiro Jose Luiz Bordignon, em sessão de 27 de novembro de 2012, onde foi lavrado o acórdão n° 3801001.593. No referido acórdão, assim restou decidido: “Acordam os membros do colegiado: (I) Por unanimidade de votos, não sobrestar o processo; (II) Por unanimidade votos, negar provimento ao recurso em relação às preliminares de cerceamento de defesa e de que o crédito tributário já sido constituído pelo contribuinte; (III) Pelo voto de qualidade, negar Fl. 74DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.902146/201227 Acórdão n.º 3801003.070 S3TE01 Fl. 14 6 provimento ao recurso em relação à preliminar de vício do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que reconheciam a nulidade; (IV) Por unanimidade de votos, no mérito, negar provimento ao recurso.” (grifouse) Deste modo, entendo por não sobrestar o processo. Analisando o mérito, verificase que a recorrente alega que a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS promovida pela Lei n° 9.718/98 violou dispositivos da Constituição Federal de 1988. Pretende, em suma, a inconstitucionalidade de lei tributária. Portanto, pretendendo a contribuinte a inconstitucionalidade de lei tributária, necessário que seja aplicada ao presente caso a Súmula n° 2 do CARF, que assim dispõe: SÚMULA Nº 2 do CARF: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por se tratar de matéria constitucional, não sendo competência deste Conselho a sua análise, encaminho voto por negar provimento ao mérito do recurso, consoante o que vem sendo julgado por este Conselho Neste sentido as seguintes ementas deste Conselho: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001PIS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. Sendo a base de cálculo da Cofins o faturamento, nele se incluindo todas as parcelas que o compõem, deve o ICMS integrála. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula CARF nº 2. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. (Acórdão n° 3302 000.745, julgado em 10/12/2010, grifouse) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005, 2006, 2007 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas são incompetentes para apreciar argüições de inconstitucionalidade de lei regularmente editada, tarefa privativa do Poder Judiciário. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, será aplicada à multa de oficio de 150%. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2005, 2006, 2007 PIS/PASEP. COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA. EXCLUSÃO DO ISS E TPT. IMPOSSIBILIDADE. Para fins de determinação da base de cálculo do PIS e da Cofíns, os tributos que podem ser excluídos da receita bruta são o IPI e o ICMS, Fl. 75DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.902146/201227 Acórdão n.º 3801003.070 S3TE01 Fl. 15 7 quando cobrados pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. (Acórdão 1102 000.519, julgado em 03/10/2011, grifouse) Deste modo, encaminho o voto por negar provimento ao recurso voluntário, em razão deste Conselho não ser competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula n° 02 do CARF). Contudo, em que pese as considerações acima trazidas, necessário igualmente analisar o mérito do recurso, que vai de encontro com a jurisprudência dominante e sumulada do STJ. Importante referir que o pedido da recorrente não possui respaldo no Superior Tribunal de Justiça, que já editou Súmula com o seguinte teor: STJ Súmula nº 68 15/12/1992 DJ 04.02.1993 ICM Base de Cálculo do PIS A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS. Em igual sentido o Tribunal Regional Federal da 4ª. Região assim tem se manifestado: EMENTA: PIS. COFINS. ICMS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. INADMISSIBILIDADE. Os encargos tributários integram a receita bruta e o faturamento da empresa. Seus valores são incluídos no preço da mercadoria ou no valor final da prestação do serviço. Por isso, são receitas próprias da contribuinte, não podendo ser excluídos do cálculo do PIS/COFINS, que têm, justamente, a receita bruta/faturamento como sua base de cálculo. É constitucional e legal a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, nos termos do art. 3º, §2º, I, da Lei 9.718/98. (TRF4, AC 5008959 23.2010.404.7000, Primeira Turma, Relatora p/ Acórdão Maria de Fátima Freitas Labarrère, D.E. 12/09/2013) Deste modo, entendese que os encargos tributários integram a receita bruta e o faturamento da empresa. Assim, seus valores são incluídos no preço da mercadoria ou no valor final da prestação do serviço. Diante disso, são receitas próprias da contribuinte, não podendo deixar de ser incluídos no cálculo do PIS, que tem, justamente, a receita bruta/faturamento como sua base de cálculo. Assim, incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Fl. 76DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.902146/201227 Acórdão n.º 3801003.070 S3TE01 Fl. 16 8 Em face do exposto, encaminho o voto para NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. É assim que voto. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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