Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,279)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,763)
- Primeira Turma Ordinária (16,221)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,176)
- Primeira Turma Ordinária (16,104)
- Primeira Turma Ordinária (16,039)
- Segunda Turma Ordinária d (15,797)
- Segunda Turma Ordinária d (14,451)
- Primeira Turma Ordinária (13,020)
- Primeira Turma Ordinária (12,381)
- Segunda Turma Ordinária d (12,367)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,422)
- Quarta Câmara (84,834)
- Terceira Câmara (67,389)
- Segunda Câmara (55,826)
- Primeira Câmara (20,245)
- 3ª SEÇÃO (16,176)
- 2ª SEÇÃO (11,281)
- 1ª SEÇÃO (6,836)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (125,132)
- Segunda Seção de Julgamen (114,469)
- Primeira Seção de Julgame (76,587)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,961)
- Câmara Superior de Recurs (37,889)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,615)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,487)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,754)
- HELCIO LAFETA REIS (3,725)
- ROSALDO TREVISAN (3,220)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,925)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,728)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,630)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,840)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,921)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,471)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,515)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,135)
- 2017 (16,840)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2026 (13,849)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 11080.723861/2010-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/2005 a 31/12/2006
SUJEIÇÃO PASSIVA. PRIMAZIA DA REALIDADE.
O Fisco está autorizado a descaracterizar a relação formal existente, com base nos arts. 142 e 149, VII, do CTN, e considerar, para efeitos do lançamento fiscal, quem efetivamente possui relação pessoal e direta com a situação que constitui o fato gerador, identificando corretamente o sujeito passivo da relação jurídica tributária. Constatação de que os serviços foram prestados com exclusividade pelos sócios gerentes das pessoas jurídicas. Prevalência da verdade na relação contratual e aplicação do art. 12, I, a, da Lei 8.212/91.
MULTA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. RETROATIVIDADE BENIGNA. CRITÉRIO. FATOS GERADORES NÃO DECLARADOS EM GFIP. Aos processos de lançamento fiscal dos fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, e não declarados em GFIP, aplica-se a multa mais benéfica, obtida pela comparação do resultado entre a soma da multa vigente à época da ocorrência dos fatos geradores (obrigação principal) e da multa por falta de declaração em GFIP vigente à época da materialização da infração (obrigação acessória), com a multa de ofício (75%) prevista no artigo 35-A, da Lei nº 8.212/1991.
Numero da decisão: 2301-004.733
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado: (a) por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário em relação à incidência do tributo sobre as contribuições previdenciárias relacionadas à desconsideração da personalidade jurídica (pejotização); vencidos na questão os conselheiros Fabio Piovesan Bozza e Amílcar Barca Texeira Júnior que davam provimento ao recurso voluntário; (b) quanto à multa previdenciária, submetida a questão ao rito do art. 60 do Regimento Interno do CARF, foram apreciadas as seguintes teses: a) aplicação da regra do artigo 35 da Lei 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei 11.941, de 2009; b) aplicação das regras estabelecidas pela Portaria Conjunta PGFN/RFB 14, de 2009; c) aplicação da regra do artigo 35 da Lei 8.212, de 1991, vigente à época dos fatos geradores, limitada ao percentual de 75%, previsto no artigo 44, I, da Lei 9.430, de 1996; em primeira votação, se manifestaram pela tese "a" os conselheiros Alice Grecchi, Gisa Barbosa Gambogi Neves e Fabio Piovesan Bozza; pela tese "b" Andrea Brose Adolfo, Marcela Brasil de Araújo Nogueira e João Bellini Júnior e pela tese "c" Julio Cesar Vieira Gomes e Amílcar Barca Teixeira Júnior; excluída a tese "c" por força do disposto no art. 60, parágrafo único, do Regimento Interno do CARF, em segunda votação, por maioria de votos, restou vencedora a tese "b", vencidos os conselheiros Alice Grecchi, Gisa Barbosa Gambogi Neves e Fabio Piovesan Bozza; com isso, as multas restaram mantidas como constam no lançamento; designada para redigir o voto vencedor a conselheira Andrea Brose Adolfo.
(assinado digitalmente)
João Bellini Júnior Presidente e redator ad hoc na data de formalização do acórdão.
(assinado digitalmente)
Andrea Brose Adolfo - Redatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Julio Cesar Vieira Gomes, Alice Grecchi, Andréa Brose Adolfo, Fabio Piovesan Bozza, Marcela Brasil de Araujo Nogueira, Gisa Barbosa Gambogi Neves e Amilcar Barca Teixeira Junior.
Nome do relator: GISA BARBOSA GAMBOGI NEVES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201606
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/09/2005 a 31/12/2006 SUJEIÇÃO PASSIVA. PRIMAZIA DA REALIDADE. O Fisco está autorizado a descaracterizar a relação formal existente, com base nos arts. 142 e 149, VII, do CTN, e considerar, para efeitos do lançamento fiscal, quem efetivamente possui relação pessoal e direta com a situação que constitui o fato gerador, identificando corretamente o sujeito passivo da relação jurídica tributária. Constatação de que os serviços foram prestados com exclusividade pelos sócios gerentes das pessoas jurídicas. Prevalência da verdade na relação contratual e aplicação do art. 12, I, a, da Lei 8.212/91. MULTA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. RETROATIVIDADE BENIGNA. CRITÉRIO. FATOS GERADORES NÃO DECLARADOS EM GFIP. Aos processos de lançamento fiscal dos fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, e não declarados em GFIP, aplica-se a multa mais benéfica, obtida pela comparação do resultado entre a soma da multa vigente à época da ocorrência dos fatos geradores (obrigação principal) e da multa por falta de declaração em GFIP vigente à época da materialização da infração (obrigação acessória), com a multa de ofício (75%) prevista no artigo 35-A, da Lei nº 8.212/1991.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 11080.723861/2010-13
anomes_publicacao_s : 201705
conteudo_id_s : 5721952
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 2301-004.733
nome_arquivo_s : Decisao_11080723861201013.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : GISA BARBOSA GAMBOGI NEVES
nome_arquivo_pdf_s : 11080723861201013_5721952.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado: (a) por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário em relação à incidência do tributo sobre as contribuições previdenciárias relacionadas à desconsideração da personalidade jurídica (pejotização); vencidos na questão os conselheiros Fabio Piovesan Bozza e Amílcar Barca Texeira Júnior que davam provimento ao recurso voluntário; (b) quanto à multa previdenciária, submetida a questão ao rito do art. 60 do Regimento Interno do CARF, foram apreciadas as seguintes teses: a) aplicação da regra do artigo 35 da Lei 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei 11.941, de 2009; b) aplicação das regras estabelecidas pela Portaria Conjunta PGFN/RFB 14, de 2009; c) aplicação da regra do artigo 35 da Lei 8.212, de 1991, vigente à época dos fatos geradores, limitada ao percentual de 75%, previsto no artigo 44, I, da Lei 9.430, de 1996; em primeira votação, se manifestaram pela tese "a" os conselheiros Alice Grecchi, Gisa Barbosa Gambogi Neves e Fabio Piovesan Bozza; pela tese "b" Andrea Brose Adolfo, Marcela Brasil de Araújo Nogueira e João Bellini Júnior e pela tese "c" Julio Cesar Vieira Gomes e Amílcar Barca Teixeira Júnior; excluída a tese "c" por força do disposto no art. 60, parágrafo único, do Regimento Interno do CARF, em segunda votação, por maioria de votos, restou vencedora a tese "b", vencidos os conselheiros Alice Grecchi, Gisa Barbosa Gambogi Neves e Fabio Piovesan Bozza; com isso, as multas restaram mantidas como constam no lançamento; designada para redigir o voto vencedor a conselheira Andrea Brose Adolfo. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Presidente e redator ad hoc na data de formalização do acórdão. (assinado digitalmente) Andrea Brose Adolfo - Redatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Julio Cesar Vieira Gomes, Alice Grecchi, Andréa Brose Adolfo, Fabio Piovesan Bozza, Marcela Brasil de Araujo Nogueira, Gisa Barbosa Gambogi Neves e Amilcar Barca Teixeira Junior.
dt_sessao_tdt : Wed Jun 15 00:00:00 UTC 2016
id : 6755123
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:59:54 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049211127201792
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2552; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 2 1 1 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.723861/201013 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2301004.733 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 15 de junho de 2016 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente SPORT CLUB INTERNACIONAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/2005 a 31/12/2006 SUJEIÇÃO PASSIVA. PRIMAZIA DA REALIDADE. O Fisco está autorizado a descaracterizar a relação formal existente, com base nos arts. 142 e 149, VII, do CTN, e considerar, para efeitos do lançamento fiscal, quem efetivamente possui relação pessoal e direta com a situação que constitui o fato gerador, identificando corretamente o sujeito passivo da relação jurídica tributária. Constatação de que os serviços foram prestados com exclusividade pelos sócios gerentes das pessoas jurídicas. Prevalência da verdade na relação contratual e aplicação do art. 12, I, “a”, da Lei 8.212/91. MULTA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. RETROATIVIDADE BENIGNA. CRITÉRIO. FATOS GERADORES NÃO DECLARADOS EM GFIP. Aos processos de lançamento fiscal dos fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, e não declarados em GFIP, aplicase a multa mais benéfica, obtida pela comparação do resultado entre a soma da multa vigente à época da ocorrência dos fatos geradores (obrigação principal) e da multa por falta de declaração em GFIP vigente à época da materialização da infração (obrigação acessória), com a multa de ofício (75%) prevista no artigo 35A, da Lei nº 8.212/1991. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado: (a) por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário em relação à incidência do tributo sobre as contribuições previdenciárias relacionadas à desconsideração da personalidade jurídica (pejotização); vencidos na questão os conselheiros Fabio Piovesan Bozza e Amílcar Barca Texeira Júnior que davam provimento ao recurso voluntário; (b) quanto à multa previdenciária, submetida a questão ao rito do art. 60 do Regimento Interno do CARF, foram apreciadas as seguintes teses: a) aplicação da regra do artigo 35 da Lei 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei 11.941, de 2009; b) aplicação das regras estabelecidas pela Portaria Conjunta PGFN/RFB 14, de 2009; c) aplicação da regra do artigo 35 da Lei 8.212, de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 38 61 /2 01 0- 13 Fl. 568DF CARF MF 2 1991, vigente à época dos fatos geradores, limitada ao percentual de 75%, previsto no artigo 44, I, da Lei 9.430, de 1996; em primeira votação, se manifestaram pela tese "a" os conselheiros Alice Grecchi, Gisa Barbosa Gambogi Neves e Fabio Piovesan Bozza; pela tese "b" Andrea Brose Adolfo, Marcela Brasil de Araújo Nogueira e João Bellini Júnior e pela tese "c" Julio Cesar Vieira Gomes e Amílcar Barca Teixeira Júnior; excluída a tese "c" por força do disposto no art. 60, parágrafo único, do Regimento Interno do CARF, em segunda votação, por maioria de votos, restou vencedora a tese "b", vencidos os conselheiros Alice Grecchi, Gisa Barbosa Gambogi Neves e Fabio Piovesan Bozza; com isso, as multas restaram mantidas como constam no lançamento; designada para redigir o voto vencedor a conselheira Andrea Brose Adolfo. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior – Presidente e redator ad hoc na data de formalização do acórdão. (assinado digitalmente) Andrea Brose Adolfo Redatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Julio Cesar Vieira Gomes, Alice Grecchi, Andréa Brose Adolfo, Fabio Piovesan Bozza, Marcela Brasil de Araujo Nogueira, Gisa Barbosa Gambogi Neves e Amilcar Barca Teixeira Junior. Relatório Para registro e esclarecimento, consigno que, pelo fato da conselheira Gisa Barbosa Gambogi Neves, relatora original, ter deixado o CARF antes de sua formalização, fui designado ad hoc para fazêlo. Esclareço que aqui reproduzo o relatório e voto deixado pela conselheira nos sistemas internos do CARF, com o qual não necessariamente concordo. Feito o registro. Cuida o recurso voluntário aviado à fls. 498 a 511 em que o RECORRENTE insurgese em face de decisão oriunda da DRJ(RS) de fls. 471 a 483. A discussão tem origem por conta de fato relatado no auto de infração de fls. 02 em que ficou constatado que o RECORRENTE, de forma irregular estaria creditando pagamentos correspondentes a remunerações de seus jogadores, técnico de futebol, dentre outros através de pessoas jurídicas interpostas de gerencia e titularidade dos próprios trabalhadores. Diante deste expediente o RECORRENTE excluiu as remunerações da folha de pagamento, omitindo dados à GFIP descumprindo a obrigação acessória de informação bem como a obrigação e recolhimento dos percentuais em favor do Fisco. Fl. 569DF CARF MF Processo nº 11080.723861/201013 Acórdão n.º 2301004.733 S2C3T1 Fl. 3 3 O RECORRENTE foi devidamente cientificada recebendo arquivos referentes ao Auto de Infração conforme se verifica à fls. 33. A impugnação veio à fls. 308 a 325, oportunidade em que o RECORRENTE questionou suposta nulidade da peça fiscal por ausência de descrição do fato. Sustentou ainda a improcedência da impugnação porquanto os pagamentos se deram de forma legal a pessoas jurídicas. Consta à fls. 471 a 483 decisão emanada da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (RS) evidenciando que houve infringência aos arts. 33 “caput”, da Lei 8.212/91 c/c art. 229 § 2º do Regulamento Geral da Previdência Social aprovado pelo Decreto 3.048/99, dispositivos legais que contemplam a possibilidade de o auditor fiscal desconsiderar o vinculo pactuado e proceder o enquadramento como segurado nos moldes legais anteriormente citados, que ora transcrevemos: "Da análise da impugnação apresentada, depreendese que o cerne da controvérsia reside na determinação da natureza jurídica desses valores, pois, no entendimento da empresa, tais verbas possuem natureza civil, enquanto que para Fiscalização, por suas características peculiares e, principalmente, pela forma específica como foram pagas, elas caracterizam se como remuneração. De plano, cumpre destacar que, por disposição legal, tanto o jogador profissional como o técnico são empregados do clube de futebol, sujeitos à legislação previdenciária de onde se busca o conceito de remuneração enquanto fato gerador de contribuição previdenciária, como todo e qualquer pagamento ou crédito feito ao segurado, em decorrência da prestação de serviço, de forma direta ou indireta, em dinheiro ou sob a forma de utilidades habituais em relação ao empregado, conforme dispõe o inciso I do artigo 28 da Lei nº 8.212/91. É prática bastante comum dos clubes de futebol a vinculação dos pagamentos relativos a exploração da imagem do atleta/técnico aos que decorrem do contrato de trabalho, isto é, da prestação de serviços. Conforme demonstrado no relatório fiscal, a impugnante utiliza os “contratos de cessão de uso de imagem” para pagar salário de forma indireta aos atletas e técnicos, buscando se elidir da incidência contributiva. Esta prática fica mais evidente quando se compara a remuneração tida como salarial com os valores recebidos a título de cessão de imagem, pois conforme demonstrado no item 5.2.2 do relatório fiscal o maior ganho dos atletas e técnicos advém da rubrica “Direito de Imagem”. Ainda, é de salientar que os pagamentos dos supostos “contratos de imagem” são efetuados através de uma empresa interposta, cujos titulares ou sócios são os próprios atletas e técnicos que são empregados do clube, recebendo por folha de pagamento parte do salário e o restante pelas notas fiscais de serviços prestados emitidas contra o clube, seu empregador. Apesar da inconformidade da defendente quanto ao direito de imagem fazer parte da remuneração do atleta, temos que integram o salário de contribuição do atleta e do técnico de clube de futebol profissional, as importâncias recebidas ou creditadas a qualquer titulo, inclusive os ganhos habituais fornecidos pelo clube. A fiscalização observou ainda, pagamentos efetuados por intermédio de pessoas jurídicas decorrentes do contrato de trabalho e da prestação pessoal de serviços do atleta e técnico, tais como “gratificações, premiações, Fl. 570DF CARF MF 4 bonificações, bicho”, os quais são direitos inerentes à prática desportiva e não decorrentes de uso de imagem destinada a fins comerciais. A legislação previdenciária, conforme já mencionado, inclui no ganho do empregado, para efeito de salário de contribuição, a remuneração efetivamente recebida ou creditada a qualquer título durante o mês. Como prêmio condicionado ao êxito do clube (vitória, empate, classificação, título obtido, etc.), as verbas pagas a título de“gratificações, premiações, bonificações, bicho” integram a remuneração do atleta profissional ou técnico para todos os fins tributários e previdenciários. A natureza salarial das verbas ora em discussão, com base no conceito contido no artigo 28 , inciso I, da lei 8.212/91, se constituem em uma vantagem econômica ao beneficiário, auferida como retribuição ao trabalho prestado ao clube."(grifamos) A aludida decisão ainda destaca a natureza salarial das verbas. Em Recurso Voluntário de fls. 498 a 511 o RECORRENTE sustenta sua ilegitimidade passiva ao argumento que a obrigação das contribuições previdenciárias citadas seria do empregado e não do empregador. Sustenta ainda a não incidência das contribuições previdenciárias sobre pagamentos realizados a pessoas jurídicas, especialmente ao direito de imagem, e pugna pela aplicação da penalidade menos severa nos termos das reduções previstas na lei 11.941/2009. É o relatório. O processo foi distribuído para este redator ad hoc em 15/02/2017, em face de a conselheira relatora, Gisa Barbosa Gambogi Neves, ter renunciado ao seu mandato antes da formalização do acórdão. Voto Vencido Conselheiro João Bellini Júnior, redator ad hoc na data da formalização do acórdão. Para registro e esclarecimento, consigno que, pelo fato da conselheira Gisa Barbosa Gambogi Neves, relatora, ter renunciado ao seu mandato no CARF antes de sua formalização, fui designado ad hoc para fazêlo. Esclareço que aqui reproduzo o relatório e voto deixado pela conselheira nos sistemas internos do CARF, com o qual não necessariamente concordo. Feito o registro. Conheço do recurso por estarem presentes os pressupostos de admissibilidade. Fl. 571DF CARF MF Processo nº 11080.723861/201013 Acórdão n.º 2301004.733 S2C3T1 Fl. 4 5 Não se sustenta o argumento de ilegitimidade passiva em que o RECORRENTE alega que o recolhimento de contribuição previdenciária seria encargo dos empregados. Tal argumento “data venia” cai por terra diante dos dispositivos legais pertinentes à espécie, notadamente arts 32 e 32A da Lei 8.212/91 e Instrução Normativa RFB 925/2009. Não se sustenta o argumento de que o débito fiscal seria de responsabilidade das empresas NAD – Assessoria de Esporte S/C LTDA; CANF – Assessoria de Esporte S/C LTDA e P.P. Araújo Esportes LTDA as quais teriam prestado serviços ao RECORRENTE e teriam obrigação de recolher contribuições previdenciárias de seus colaboradores. A prova carreada aos autos não deixa dúvidas que a prestação e serviços ao RECORRENTE deuse unicamente pelos sócios gerentes das referidas empresas de forma pessoal em período integral estando presente também o elemento subordinação. Desta forma não pode o fisco considerar tão somente o aspecto formal da relação entabulada entre o RECORRENTE e as empresas que supostamente lhe prestariam serviços. Ao contrário deve ser levada em conta a realidade, ou seja, os serviços eram prestados pelos sócios gerentes das referidas empresas restando caracterizada relação empregatícia incidentes, portanto, no caso vertente os arts. 12, I “a”; 30, I “a”, 20 e 28 todos da Lei 8.212/91. Ficou evidenciado, portanto que os Senhores Newton Albuquerque Drumond (NAD – Assessoria de Esporte S/C LTDA); Carlos Alberto Negreiros Fraga (CANF – Assessoria de Esporte S/C LTDA) e Pedro Paulo César Paixão de Araújo (P.P. Araújo Esportes LTDA), prestaram serviços ao RECORRENTE de forma exclusiva, saltando aos olhos de maneira cristalina que a obrigação tributária objeto dos presentes autos é válida e exigível. Face a todo o exposto DAR parcial provimento ao recurso do Recurso Voluntário, somente no que diz respeito para limitar a multa em 20%. É o voto ASSIM VOTOU A CONSELHEIRA NA SESSÃO DE JULGAMENTO. João Bellini Júnior Redator ad hoc na data da formalização do acórdão. Voto Vencedor Conselheira Andrea Brose Adolfo Redatora Retroatividade Benigna. Fl. 572DF CARF MF 6 Peço vênia para discordar do posicionamento adotado pela conselheira relatora, no que tange ao critério de aplicação da retroatividade benigna em virtude das alterações promovidas pela Lei nº 11.941, de 2009, na Lei nº 8.212, de 1991. De acordo com o relatório fiscal, o presente processo trata de lançamento de contribuições previdenciárias referente ao período de 09/2005 a 12/2006 sendo que, no momento da aplicação da multa (autuação), já foi observado o princípio da retroatividade benigna, conforme os seguintes excertos: 10. A multa incidente sobre as contribuições devidas à Previdência Social acrescida àquelas por descumprimento de obrigações acessórias referentes às informações prestadas em Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia e Tempo de Serviço e de Informações à Previdência Social GFIP, de acordo com o contido na alínea 'c' do Inciso II do art. 106 do Código Tributário Nacional CTN, foram devidamente comparadas, por competência, entre a legislação vigente à época dos fatos geradores, conforme o art. 35 da Lei 8212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei 11941, de 2009, e a calculada na forma do art. 35A da Lei 8212, de 1991, acrescido pela Lei 11941, de 2009, aplicandose a penalidade mais benéfica. Vide quadro demonstrativo abaixo denominado "Planilha Comparativo de Multa" Multa de Ofício 75% Atual Art. 35A da Lei 8212/91, acrescido pela Lei 11941/2009, aplicada sobre as contribuições devidas à Previdência Social, apuradas no DD Discriminativo do Débito Multa de mora de 24% Anterior Art. 35 da Lei 8212/91, anterior à redação dada pela Lei 11941/2009 vigente à época do fato gerador, aplicada sobre as contribuições devidas à Previdência Social, apuradas no DD Discriminativo do Débito AIOA 68 Auto de Infração de Obrigações Acessórias, Código de Fundamentação Legal CFL 68 correspondente a 100% do valor da contribuição previdenciária devida relativa à contribuição não declarada em GFIP, apurada por competência, observado o limite mensal previsto no § 4º do art. 32 da Lei nº 8.212/91, que considera o número total de segurados da empresa. Revogado a partir das alterações implementadas através Medida Provisória 449 de 03 de dezembro de 2008, transformada na Lei 11941 de 27 de maio de 2009. Fl. 573DF CARF MF Processo nº 11080.723861/201013 Acórdão n.º 2301004.733 S2C3T1 Fl. 5 7 O instituto das multas em matéria previdenciária foi profundamente alterado pela Medida Provisória nº 449, de 03/12/2008, convertida na Lei 11.941/2009. Assim, após a edição da MP, a multa mais benéfica deve ser apurada mediante comparação entre o valor resultante do cálculo vigente à época dos fatos geradores e o valor resultante da multa calculada com base no art. 35A da Lei 8.212/91, com a redação da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009. Este entendimento está explicitado no art. 476A da Instrução Normativa RFB nº 971/2009: Art. 476A. No caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos: (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 20 de abril de 2010) I até 30 de novembro de 2008, deverá ser aplicada a penalidade mais benéfica conforme disposto na alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), cuja análise será realizada pela comparação entre os seguintes valores: (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 20 de abril de 2010) a) somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 da Lei n º 8.212, de Fl. 574DF CARF MF 8 1991 , em sua redação anterior à Lei n º 11.941, de 2009 , e das aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei n º 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 20 de abril de 2010) b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei n º 8.212, de 1991 , acrescido pela Lei n º 11.941, de 2009 . (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 20 de abril de 2010) II a partir de 1º de dezembro de 2008, aplicamse as multas previstas no art. 44 da Lei n º 9.430, de 1996 . (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 20 de abril de 2010) Notase que o auditorfiscal, no momento da autuação já elaborou quadro comparativo das multas (efls. 25/26) no qual é apresentado o valor utilizado na determinação da multa aplicável em cada competência. Destacandose que a multa prevista na legislação atual (multa de ofício de 75%), foi considerada a mais benéfica ao contribuinte nas competências do presente lançamento. Portanto, entendo que a multa mais benéfica já foi calculada no momento da autuação, de acordo com o disposto no art. 476A da IN RFB nº 971/2009, acima transcrito, e nos termos do art. 2º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14, de 04/12/2009. Assim, não há que se falar em aplicação do princípio da retroatividade benigna, consoante o disposto no artigo 106, II, c, do CTN, uma vez que tal procedimento já foi realizado pela fiscalização no momento da lavratura do auto de infração. É como voto. Fl. 575DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11516.722536/2014-08
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 10 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3201-000.899
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente Substituto.
Tatiana Josefovicz Belisário Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201705
camara_s : Segunda Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jul 10 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 11516.722536/2014-08
anomes_publicacao_s : 201707
conteudo_id_s : 5739592
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jul 10 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3201-000.899
nome_arquivo_s : Decisao_11516722536201408.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO
nome_arquivo_pdf_s : 11516722536201408_5739592.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente Substituto. Tatiana Josefovicz Belisário Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
dt_sessao_tdt : Thu May 25 00:00:00 UTC 2017
id : 6845740
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:03:03 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049211134541824
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1643; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 829 1 828 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11516.722536/201408 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3201000.899 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 25 de maio de 2017 Assunto IPI Recorrente MACROBOATS INDUSTRIA, COMERCIO E SERVICOS NAUTICOS EIRELI ME e OUTROS Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente Substituto. Tatiana Josefovicz Belisário Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado em face do contribuinte principal MACROBOATS INDÚSTRIA COMÉRCIO E SERVIÇOS NÁUTICOS EIRELI; e contribuintes solidários FIBRAS BIGUAÇU FABRICAÇÃO E COMÉRCIO DE EMBARCAÇÕES LTDA.; ALMIRO DE SOUZA THIBURCIO NETO e LUIZ CELSO ZACARELLI ANDRADE Recurso Voluntário apresentado pelo Contribuinte em face do acórdão nº 1055.839, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (RS), que assim relatou o feito: Trata o presente processo de Auto de Infração (AI) de fls. 2 a 14, cuja motivação está assim descrita: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 15 16 .7 22 53 6/ 20 14 -0 8 Fl. 829DF CARF MF Processo nº 11516.722536/201408 Resolução nº 3201000.899 S3C2T1 Fl. 830 2 “0001 PRODUTO SAÍDO DO ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL OU EQUIPARADO A INDUSTRIAL COM EMISSÃO DE NOTA FISCAL SAÍDA DE PRODUTOS SEM LANÇAMENTO DO IPI CARACTERIZAÇÃO DE INDUSTRIALIZAÇÃO Falta de lançamento de imposto na(s) saída(s) de produto(s) tributado(s) do estabelecimento, por não considerar sua atividade como de industrialização, conforme detalhado no Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal do IPI, que faz parte integrante deste Auto de Infração. ... 0002 IPI LANÇADO FALTA DE DECLARAÇÃO/ RECOLHIMENTO DO SALDO DEVEDOR DO IPI ESCRITURADO (TOTAL OU PARCIAL) O estabelecimento industrial não efetuou o recolhimento do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e nem declarou o tributo nas DCTFs, nos prazos estabelecidos pela legislação, conforme detalhado no Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal do IPI, que faz parte integrante deste Auto de Infração.” Também faz parte do AI o Demonstrativo de Responsáveis Tributários (fls. 5 e 6). O termo de verificação fiscal do IPI e de sujeição passiva solidária, que acompanha o AI e detalha os procedimentos e razões que levaram à autuação encontrase às fls. 15 a 30. A ação fiscal foi estabelecida face ao contribuinte MACROBOATS IND. COM. E SERVICOS NAUTICOS EIRELI – ME, que realiza a construção e montagem de embarcações de esporte e lazer. Tais produtos são classificados, na TIPI, no código 8903.99.00, e tributadas à alíquota de 10%. Transcrevese, aqui, alguns excertos do relatório: “2) Em 06/02/2014, foi lavrado o Termo de Início de Procedimento Fiscal (MPF Diligência 09.2.01.002014000821), com o intuito de verificar o cumprimento das obrigações principal e acessórias do IPI, no período de janeiro a dezembro de 2012, através do qual o estabelecimento foi intimado a apresentar os Livros de Registro do IPI, ações judiciais, consultas sobre classificação fiscal de mercadorias e arquivos digitais das notas fiscais de entradas e saídas. (DOC Termo de Início). Em resposta a empresa informa que não possui ações judiciais e nem formulou consulta sobre a legislação do IPI 3) Foram lavrados os Termos de Intimação Nº 01, solicitando a relação de bens que compõe o Patrimônio da empresa; termo nº 02, solicitando a autenticação dos Livros de Apuração do IPI 01 e 02, cópia da identidade dos sócios administradores e descrição do processo produtivo; Termo nº 03, solicitando a confirmação das notas fiscais de saída sem destaque do IPI; Termo nº 04, solicitando a cópia do contrato social e alterações e Termo de Intimação Nº 05, solicitando o Livro de Registro de Inventário 2012, a destinação dada aos conjuntos de formas FS YACHTS, cópia do contrato de aluguel vigente no ano de 2012 e justificar o endereço da MACROBOATS, o qual consta notas Fl. 830DF CARF MF Processo nº 11516.722536/201408 Resolução nº 3201000.899 S3C2T1 Fl. 831 3 fiscais dos fornecedores como sendo o mesmo que o da empresa FIBRAS BIGUACU FABRIC. E COMÉRCIO DE EMBARCAÇÕES LTDA, a partir de então denominada simplesmente de FIBRAS BIGUAÇU. As respostas aos referidos Termos encontramse na sequência às intimações, no eProcesso Administrativo Fiscal. 4) Da análise dos arquivos digitais das notas fiscais de entradas e saídas, dos livros e documentos fiscais, Declarações entregues à Receita Federal e demais sistemas de consulta, constatei as seguintes irregularidades: 4.1) IPI APURADO E NÃO DECLARADO EM DCTF E NEM PAGO. Da auditoria realizada nas notas fiscais de entradas e saídas, arquivos digitais, Livros de Registro de Apuração do IPI e Declarações entregues à Receita Federal (DCTF) foi identificado que a empresa apurou saldo devedor de IPI escriturado no Livro de Registro de Apuração do IPI e não DECLAROU os débitos do IPI à Secretaria da Receita Federal, na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) e nem efetuou o pagamento até o início deste procedimento de fiscalização. Nos períodos de abril, maio e junho de 2012, o contribuinte omitiu nas DCTFs a existência dos débitos de IPI apurados e registrados no Livro de Registro de Apuração do IPI Nº 01, conforme documento “Extrato de Débitos da DCTF”. ... Assim, considerando que, não houve o pagamento e a devida comunicação à Receita Federal do Brasil, através da DCTF, esta fiscalização efetuará o lançamento de ofício, com base no artigo 186, do RIPI/2010, através de AUTO DE INFRAÇÃO, por infringência ao disposto nos artigos 181, 183 e 184, inciso III, do RIPI/2010. ... 4.1.1) MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA Nos períodos de abril, maio e junho de 2012, o contribuinte omitiu nas DCTFs a existência dos débitos de IPI apurados e registrados no Livro de Registro de Apuração do IPI, conforme documento Extrato de Débitos da DCTF. A conduta, dolosa, de omitir os DÉBITOS DO IPI, nas DCTFs, nos períodos em quem estão sendo fiscalizados, com o deliberado intuito de impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária, configura sonegação fiscal e enseja a aplicação de multa qualificada de 150% do IPI não recolhido, com base nos seguintes artigos do RIPI/2010, abaixo transcritos, que equivalem aos artigos 488, inciso II e 480 do RIPI/2002: ... 4.2) IPI NÃO DESTACADO NAS NOTAS FISCAIS DE SAÍDAS. Da análise das notas fiscais de saídas e arquivos digitais foi identificado que no período de janeiro a maio de 2012 o contribuinte deixou de destacar o IPI nas notas fiscais de saída das embarcações de Fl. 831DF CARF MF Processo nº 11516.722536/201408 Resolução nº 3201000.899 S3C2T1 Fl. 832 4 recreio ou esporte, as quais classificamse na Tabela de Incidência do IPI (TIPI), no código 8903.99.00, tributadas à alíquota de 10%. Conforme descrição do processo produtivo, documento Resposta ao Termo de Intimação Nº 02, a empresa industrializa os cascos das embarcações e após faz a instalação dos componentes hidráulicos, elétricos, ferragens, estofamento e eventualmente motores e acessórios, quando destinados aos clientes finais. Nas notas fiscais apresentadas pela empresa ocorre a discriminação separada por KITS (EMBARCAÇÃO FS, KIT MOTOR, KIT ACESSORIOS, KIT OPCIONAIS, KIT INOX, etc), mas tratase de embarcações completas ou incompletas, onde o conjunto casco, kit motor ou acessórios e opcionais classificamse na Tabela de Incidência do IPI (TIPI), no código 8903.99.00, tributadas à alíquota de 10%. O Decreto nº 7.212/10 (RIPI/10) assim estabelece em seu artigo 3º: “Art. 3o Produto industrializado é o resultante de qualquer operação definida neste Regulamento como industrialização, mesmo incompleta, parcial ou intermediária.” Assim, mesmo nas embarcações incompletas (sem motor), que apresentam as características essenciais de embarcação de recreio ou de esporte completa, aplicase, para fins de classificação fiscal a Regra Geral Interpretativa nº 2, letra “a” (RGI2a) do Sistema Harmonizado (SH), abaixo transcrita: Qualquer referência a um artigo em determinada posição abrange esse artigo mesmo incompleto ou inacabado, desde que apresente, no estado em que se encontra, as características essenciais do artigo completo ou acabado. abrange igualmente o artigo completo ou acabado, ou como tal considerado nos termos das disposições precedentes, mesmo que se apresente desmontado ou por montar. Assim, com base nos arquivos digitais das notas fiscais de saídas apresentados pelo contribuinte, esta fiscalização elaborou o “DEMONSTRATIVO DE SAÍDAS SEM DESTAQUE DO IPI, onde constam as notas fiscais que não foram tributadas, detalhando por Período, NF número da nota fiscal, CFOP – código fiscal de operações, data de saída, data de emissão, número de série, item da nota fiscal, NCM adotada pelo contribuinte, Descrição da mercadoria, CPF/CNPJ do cliente, base de cálculo do IPI na nota fiscal, Alíquota devida de 10%, no código 8903.99.00 e IPI Devido Receita Federal. ... Considerando que a empresa não lançou o IPI a qual estava sujeita no ano calendário de 2012, esta fiscalização está lançando de ofício através de AUTO DE INFRAÇÃO, com base no artigo 186, do RIPI/2010, por infringência ao disposto nos artigos 181, 182, inciso I, alínea "b" e inciso II, alínea "c", 183 e 184, inciso III e artigos 15, 16, 17, 35, inciso II, 189, 190, inciso II, 259, 260, inciso IV, 262, inciso III, do Decreto nº 7.212/10 (RIPI/10) e com base nas Regras Gerais para Interpretação do SH (RGI) 1 (texto da posição 8903), ), 2 “a” e 6 (texto da sub posição 8903.99), e subsídios NESH. Fl. 832DF CARF MF Processo nº 11516.722536/201408 Resolução nº 3201000.899 S3C2T1 Fl. 833 5 Os créditos apurados pelo contribuinte no Livro de Registro de Entradas e ainda não deduzidos dos débitos por saídas foram concedidos e abatidos dos débitos apurados por esta fiscalização, a fim de apurar as diferenças a cobrar do IPI.” Foi também realizada a representação fiscal para fins penais, tendo em vista a identificação de situação que, em tese, pode configurar crime contra a ordem tributária. A sujeição passiva solidária foi assim justificada: “Os fatos abaixo descritos demonstram que a fiscalizada e a FIBRAS BIGUACU, sob o mesmo comando e o nome fantasia Estaleiro FS Yachts, realizaram conjuntamente as situações configuradoras do fato gerador, o que enseja a inclusão desta no pólo passivo da obrigação tributária, com fundamento no art. 124, I, do Código Tributário Nacional (CTN), e também, os administradores da fiscalizada e da FIBRAS BIGUACU, onde a responsabilidade solidária decorre da aplicação do disposto no art. 135, III, do CTN. ... a.3) Dos contratos sociais e alterações das empresas MACROBOATS e FIBRAS BIGUACU constatase que as empresas estavam sob o comando de uma família: Luiz Celso Zacarelli Andrade, é filho de Luiz Celso Neves Andrade e Ana Maria Zacarelli Andrade e Almiro de Souza Thiburcio Neto, é filho de José Thiburcio Neto e Ana Maria Zacarelli Andrade, PORTANTO, IRMÃOS POR PARTE DE MÃE. b) A marca das embarcações fabricadas pela MACROBOATS e pela FIBRAS BIGUACU é a mesma: “FS YACHTS” c) Os conjuntos de formas FS YACHTS FS 230, Sirena e Scappare pertencentes a empresa MACROBOATS foram “vendidos”, e/ou transferidos para a empresa FIBRAS BIGUACU. Conforme resposta da FIBRAS BIGUAÇU ao Termo de Intimação nº 06, os referidos modelos foram reestilizados, passando a não mais utilizar os moldes adquiridos da MACROBOATS. Na mesma resposta, em relação aos moldes ou projetos da lancha FS 305 Elite a empresa FIBRAS BIGUAÇU apresenta cópia da minuta do Contrato YR54 para desenvolvimento de uma lancha de 30 pés, datado de 22/11/2011, no entanto, a referida não tem validade jurídica, pois não está assinada por nenhuma das partes. Os meios de produção dos barcos foram sendo passados da MACROBOATS para a FIBRAS BIGUAÇU. Todos os elementos levam à conclusão de que, ao longo do ano de 2012, ambas realizavam as operações de industrialização e comercialização dos barcos FS YACHTS. Exemplo disso foi a alienação das formas (moldes) dos modelos FS 230, Sirena e Scappare e a transferência de 43 funcionários (já que a atividade é intensiva em mão de obra), como veremos abaixo. d) Em resposta ao Termo de Intimação nº 03 a empresa fiscalizada apresentou diversas notas de fornecedores, no período de janeiro a novembro de 2012, as quais estavam preenchidas com o endereço da Fl. 833DF CARF MF Processo nº 11516.722536/201408 Resolução nº 3201000.899 S3C2T1 Fl. 834 6 MACROBOATS, como sendo na Rua Cecília Maria José Azevedo, nº 210, em Biguaçu ou na BR 101, KM 199, em Biguaçu, ou seja o mesmo endereço da empresa FIBRAS BIGUAÇU. Assim, a empresa foi intimada a confirmar por escrito se no ano calendário de 2012 a MACROBOATS e a FIBRAS BIGUAÇU estavam estabelecidas no mesmo endereço. Apesar das evidências constantes nas notas fiscais dos fornecedores, a empresa fiscalizada, nega que tenha ocupado no ano de 2012 o mesmo endereço que a empresa FIBRAS BIGUAÇU. A fiscalizada, também não logrou êxito em comprovar o endereço em que desenvolviam as atividades industrias, uma vez que não possuía sede própria e também não apresentou contrato de aluguel, conforme resposta ao item 3, do Termo de Intimação Fiscal nº 05, datado de 30/09/2014. Ora, tratase de uma indústria de barcos, cuja atividade exige espaço e equipamentos adequados, instalados em região industrial, que possibilitem o manejo dos materiais e das embarcações em estoque, sem falar na atividade comercial com clientes e fornecedores. Diante desse quadro, em que o contribuinte não consegue comprovar que estivesse sediado em local diverso daquele registrado nas notas fiscais apreendidas, forçoso concluir que era neste endereço que exercia suas atividades, ou seja, no mesmo local da FIBRAS BIGUAÇU. e) Através das informações constantes na GFIP (Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social), foi identificada a transferência de 43 funcionários, no mês de novembro de 2011 da empresa MACROBOATS, com o código N2, para a empresa FIBRAS BIGUAÇU, código N3, conforme consta no (DEMONSTRATIVO GFIP doc. do processo), dos Trabalhadores MACROBOATS (07976926) e FIBRAS BIGUAÇU (14162300), destacado em negrito. O código N2 referese a transferência de empregado para outra empresa que tenha assumido os encargos trabalhistas, sem que tenha havido rescisão do contrato de trabalho. No DEMONSTRATIVO GFIP, observando as colunas “Dia da Demissão” e “Código da Movimentação” fica claramente demonstrado que ao final do mês de dezembro de 2011 a empresa MACROBOATS praticamente não tinha mais funcionários registrados, ou haviam sido transferidos para a empresa FIBRAS BIGUAÇU, ou haviam sido demitidos em data anterior e alguns ainda estavam afastados por acidente de trabalho, códigos O1 e O2, como é o caso de VAGNER ROGERIO DOS SANTOS e VALTER JOSE CAMPAGNA, cujo afastamento perdurou por todo ano de 2011 e 2012. Os funcionários PAULO CEZAR AMANDIO (demitido em 22/11/2012) e CRISTINA AUXILIADORA SENE (demitida em 23/11/2012), são os 2 únicos funcionários informados na GFIP que permaneceram na empresa MACROBOATS, no ano de 2012. Em síntese, as duas empresas funcionaram ao longo de 2012 no mesmo endereço, sob o mesmo comando, com a mesma marca, com os mesmos meios de produção e com os mesmos funcionários. Além disso, funcionavam sob o mesmo nome de fantasia de Estaleiro FS YACHTS, conforme se constata a seguir. Fl. 834DF CARF MF Processo nº 11516.722536/201408 Resolução nº 3201000.899 S3C2T1 Fl. 835 7 f) O site da empresa no endereço http://www.fsyachts.com.br/#!historiaestaleirofs yachts/c1enr , demonstra que ao longo destes 16 anos de existência da FS YACHTS, há uma continuidade das operações empresariais: “2014 é símbolo de um aniversário especial: são 16 anos de embarcações FS Yachts. Poucos estaleiros no mundo alcançaram um marco tão expressivo e uma história baseada na mais pura qualidade e satisfação de seus consumidores. No ano de 1998, ganhou corpo a primeira lancha FS: o modelo FS185, fabricado em um pequeno galpão no Rio Grande do Sul. O sucesso foi instantâneo, dando asas à criação de mais dois modelos de embarcações: FS 210 Open, FS 210 Cabin, e FS 220, nos anos posteriores. Em 2004, o estaleiro passa a exportar suas embarcações para o Canadá, Eslovênia, Rússia, Angola e Suécia. No ano de 2005 a linha FS passa a ser fabricada no litoral catarinense em um processo totalmente artesanal. Ao primar pela qualidade e bomgosto sem medir esforços, as embarcações FS Yachts criaram uma personalidade inconfundível. Com o lançamento das embarcações FS180, FS205, FS215, FS230 Sirena, FS230 Scappare, FS275 Concept e FS305 Elite, o estaleiro FS Yachts passa a colaborar com a criação de novas tendências de design no mercado náutico mundial. A precisão de sua produção limitada, o poder da alta tecnologia e a força do acabamento artesanal fazem do estaleiro FS um verdadeiro estúdio de arte, e de suas lanchas, verdadeiras obrasprimas. ESTALEIRO FS YACHTS. 15 anos de inovações. Entre em contato com o estaleiro FS YACHTS” (Acesso em 05/11/2014) Em resumo ficou evidenciado que as empresas MACROBOATS E FIBRAS BIGUAÇU são, administradas pelos irmãos Luiz Celso Zacarelli Andrade e Almiro de Souza Thiburcio Neto. A marca das lanchas de esporte e lazer fabricadas pelos estabelecimentos é a mesma, FS YACHTS e o site com o endereço http://www.fsyachts.com.br/#!historiaestaleirofsyachts/c1enr, com o histórico acima detalhado, demonstra que ao longo destes 16 anos de existência da FS YACHTS, há uma continuidade das operações empresariais lideradas pelo mesmo grupo familiar. O endereço das empresas MACROBOATS e FIBRAS BIGUAÇU foi o mesmo no ano calendário de 2012, conforme demonstrado através das notas fiscais dos fornecedores e pela falta de comprovação da fiscalizada, em reposta ao item 3 do Termo de Intimação nº 05, onde informa: “que para o período de 2012, não foi firmado contrato de locação com o locador, não havendo documento a ser apresentado”. Fl. 835DF CARF MF Processo nº 11516.722536/201408 Resolução nº 3201000.899 S3C2T1 Fl. 836 8 E por fim, os 43 funcionários que foram transferidos com assunção dos encargos trabalhistas, sem que tenha havido rescisão do contrato de trabalho demonstra, inequivocamente, que as empresas do mesmo grupo familiar realizaram conjuntamente as situações configuradoras do fato gerador. ... Como se observa, houve um esvaziamento da capacidade operacional da empresa MACROBOATS, com a transferência para a empresa FIBRAS BIGUAÇU, da quase totalidade dos funcionários (43), no código N2, com assunção dos encargos trabalhistas, sem que tenha havido rescisão do contrato de trabalho, restando em atividade apenas 2 funcionários na fiscalizada, número insuficiente para a fabricação de todas as lanchas de esporte e lazer que geraram uma Receita de Vendas declarada de R$ 7.230.842,98, no 1º, 2º e 3º trimestres de 2012 pela empresa MACROBOATS. É, pois, inegável e patente que, ao presente caso, aplicamse, sem qualquer hesitação, as disposições do Código Tributário Nacional concernentes à responsabilização solidária da empresa FIBRAS BIGUAÇU ao crédito tributário apurado por esta fiscalização, dada a sua estrita vinculação com a fiscalizada, realizando conjuntamente o fato gerador da obrigação tributária. Art. 124. São solidariamente obrigadas: I – as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; No que diz respeito aos ADMINISTRADORES da fiscalizada e da FIBRAS BIGUAÇU, a responsabilidade solidária decorre da aplicação do disposto no art. 135, III, do CTN, c/c art. 50 e 1.016 do Código Civil. De acordo com o Código Civil de 2002 (Art. 45 c/c 985), as sociedades adquirem personalidade jurídica com a inscrição, no registro próprio e na forma da lei, dos seus atos constitutivos e têm, como atributo da personalidade jurídica, capacidade civil para ser titular de direitos e obrigações e patrimônio próprio. Vige, no Direito brasileiro, o princípio da autonomia patrimonial da pessoa jurídica e, de acordo com o Código Civil de 2002 (art. 1.052), nas sociedades limitadas, em regra, a responsabilidade de cada sócio é restrita ao valor de suas quotas. Contudo, tal regra geral de limitação da responsabilidade dos sócios não é absoluta, pois o próprio Código Civil, assim como o Código Tributário Nacional, trazem exceções a esta regra. A primeira exceção que trazemos ao lume é a prevista no art. 50 do CC/2002, verbis: Art. 50. Em caso de abuso da personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio de finalidade, ou pela confusão patrimonial, pode o juiz decidir, a requerimento da parte, ou do Ministério Público quando lhe couber intervir no processo, que os efeitos de certas e determinadas Fl. 836DF CARF MF Processo nº 11516.722536/201408 Resolução nº 3201000.899 S3C2T1 Fl. 837 9 relações de obrigações sejam estendidos aos bens particulares dos administradores ou sócios da pessoa jurídica. (grifamos) Os fatos descritos anteriormente demonstram claramente o abuso da personalidade jurídica. Os administradores das empresas de forma ardilosa tentam ludibriar a fiscalização, com a divisão do faturamento em dois CNPJs para aproveitar a possibilidade de tributação pelos Simples Nacional, em uma delas e dificultar a cobrança do crédito tributário, com o esvaziamento de sua receita e patrimônio. ... Outra exceção que se aplica ao caso concreto é trazida pelo art. 1.016 do Código Civil, verbis: Art. 1.016. Os administradores respondem solidariamente perante a sociedade e os terceiros prejudicados, por culpa no desempenho de suas funções. A culpa na gestão da fiscalizada, com evidentes prejuízos para a Fazenda Pública fica evidente quando se percebe o esvaziamento de sua receita e patrimônio, transferindo para outro CNPJ com outro sócio, mas do mesmo grupo familiar, no presente caso IRMÃOS, com o nítido intuito de não ser alcançado com a cobrança do crédito tributário. No que diz respeito ao Código Tributário Nacional, a responsabilidade do sócio administrador por atos com infração à lei está determinada no art. 135, verbis: Art. 135 São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I – as pessoas referidas no artigo anterior; II – os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. (grifamos) No caso sob análise, os atos com infração à lei sobejam, conforme amplamente demonstrado. A conduta dolosa é cristalina não apenas em relação aos ilícitos tributários objeto dos autos de infração, como, também, nas diversas operações societárias que tiveram como mote obscurecer a unidade da atividade empresarial – dividindoa em duas empresas distintas, mas que realizavam as mesmas operações industriais e comerciais – e, principalmente, dificultar a cobrança de créditos de terceiros, em especial o Fisco.” Finalizou dando ciência do AI e do relatório à autuada e, na condição de sujeitos passivos solidários pelos créditos tributários constituídos de ofício, aos contribuintes FIBRAS BIGUAÇU FABRIC. E COMÉRCIO DE EMBARCAÇÕES LTDA, LUIZ CELSO ZACARELLI ANDRADE e ALMIRO DE SOUZA THIBURCIO NETO. Fl. 837DF CARF MF Processo nº 11516.722536/201408 Resolução nº 3201000.899 S3C2T1 Fl. 838 10 A ciência foi dada, pessoalmente, em 12 de novembro de 2014 (fls. 251 a 261), ao procurador dos sujeitos passivos, original e solidários. Impugnações Face ao referido AI e termo que o acompanha foram protocolizadas quatro impugnações (fls. 350 a 387, 441 a 478, 482 a 519, 526 a 563 e, repetindo a primeira, 567 a 604), referentes a cada um dos sujeitos passivos, inclusive solidários, todas na mesma data (12 de dezembro de 2014) e por meio do mesmo representante legal. Da mesma forma, o conteúdo de todas é o mesmo (tratase da mesma peça, modificandose apenas o impugnante), inclusive com assuntos não aplicáveis a todos (ex.: responsabilidade solidária, também questionada na impugnação da Macroboats). Solidariedade A peça impugnatória inicia questionando o arrolamento, como devedores solidários, da empresa Fibras Biguaçu e das pessoas físicas Luiz Celso Zacarelli Andrade e Almiro de Souza Thiburcio Neto, por ocorrência da hipótese prevista no art. 135, III do CTN. Alega haver ilegalidade cometida pela fiscalização ao estabelecer responsabilidade dos sócios com base nesse dispositivo, primeiramente porque não houve processo administrativo para apurar responsabilidade pessoal dos impugnantes e porque o dispositivo legal utilizado para imputação da responsabilidade requer comprovação das condutas lesivas e não autoriza responsabilização solidária. Quanto à outra empresa responsabilizada, afirma que não possui atividade relacionada com a empresa Macroboats. Sobre o crédito do imposto, alega que não poderia ser realizado, pois a atividade da impugnante é diferente da imputada pela fiscalização e não é causadora de fato gerador do imposto. No detalhamento da impugnação, inicia afirmando não existir fundamentação legal para responsabilização solidária. Acrescenta que no AI a fundamentação legal citada (art. 135, III, do CTN, c/c art. 50 e 1.016 do Código Civil) serve para atribuir responsabilidade solidária apenas às pessoas físicas, administradores da Macroboats e Fibras Biguaçu, mas não para a empresa Fibras Biguaçu. Entende que o dispositivo legal necessário para incluir a Fibras Biguaçu como solidária seria o art. 124 do CTN, o que, segundo a defesa, não foi feito. Ainda assim, deveria ser demonstrado o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Afirma também que os artigos do Código Civil citados não são aplicáveis ao caso: “13. Quanto ao art. 50 do CC, tratase, na verdade, de artigo procedimental, que não atribui especificamente responsabilidade solidária a qualquer pessoa. Referido dispositivo, inclusive, referese a processo judicial, que não possui relação alguma com o auto de infração imputado”. Fl. 838DF CARF MF Processo nº 11516.722536/201408 Resolução nº 3201000.899 S3C2T1 Fl. 839 11 14. No que se refere ao art. 1016 do CC, este também não pode ser aplicado ao caso, pois referese somente à sociedade simples, que estão previstas no capítulo I do referido código. No caso em exame, nenhuma da Impugnante são instituídas pelo regime previsto da sociedade simples, portanto. Inócuo o dispositivo mencionado pela fiscalização.” Solidariedade das pessoas físicas Também argui que, pela inexistência de processo próprio para atribuir responsabilidade solidária às pessoas físicas, estas não podem ser imputadas. Afirma, com base em jurisprudência, que os requisitos para imputação de responsabilidade objetiva nesses casos são de natureza objetiva e subjetiva. Objetivo seria o reconhecimento da insuficiência patrimonial do devedor, enquanto subjetivo seria o desvio de finalidade ou a confusão patrimonial. Afirma que a ausência de processo autônomo de apuração de responsabilidade, nem intimação das pessoas físicas para exercerem seu direito ao contraditório sobre uma possível desconsideração de personalidade jurídica são razões de ilegalidade do processo. Segue afirmando que um processo administrativo próprio é requisito para atribuição de responsabilidade a terceiros, onde se assegure o direito ao contraditório e ampla defesa, e, sem o qual, deve ser anulado o lançamento. Defende também não terem sido comprovadas as condutas previstas no art. 135, III, do CTN. Afirma que os requisitos do dispositivo legal – ação com excesso de poderes, infringência da lei ou ação de forma contrária ao contrato social – não foram comprovados ou sequer declarados. Acrescenta que, para tais situações, é ônus da autoridade administrativa provar a prática dos atos previstos no dispositivo citado. Finaliza tal segmento defendendo que, não havendo prova, mesmo no bojo do processo do AI, de ocorrência de uma das condutas previstas no art. 135, III, do CTN, deve ser cancelada a notificação fiscal, por ilegalidade. Solidariedade da Fibras Biguaçu Defende que não houve comprovação de possível responsabilização da empresa. Afirma que sequer houve demonstração da relação entre as empresas. Repetiu os argumentos relativos aos art. 50 e 1.016 do Código Civil, quanto à sua inaplicabilidade ao caso. Defende também que, mesmo sob a premissa de ambas as empresas formarem um grupo econômico, isto somente não seria causa para a responsabilidade solidária. Apresenta o argumento da sucessão de empresas como hipótese ao fato, com o que defende que a responsabilidade subsidiária, mas não solidária. Fl. 839DF CARF MF Processo nº 11516.722536/201408 Resolução nº 3201000.899 S3C2T1 Fl. 840 12 Finalizando o ponto, argumenta que, além de não haver fundamentação para a atribuição de responsabilidade para a Fibras Biguaçu, o CTN não permite tal atribuição por “formação de grupo econômico” e nem por “sucessão empresarial”. Exigência do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) Sobre a questão, argumenta contrariamente à exigência do IPI não declarado em DCTF e não pago, bem como do IPI não destacado nas notas fiscais (NF). Afirmou que o objeto da empresa consiste de serviços de montagem de embarcações, instalação de equipamentos em embarcações, manutenção e operação de embarcações para esporte e lazer, entre outros, conforme previsto no seu contrato social. Em complemento, apresentou a seguinte explicação: “60. Dentro dessas atividades, a mais recorrente e que será analisada na presente demanda, é aquela na qual a Requerente é contratada para a produção de uma embarcação onde o cliente escolhe um modelo de casco, os acessórios e a motorização que será acoplada. Essa motorização poderá ser adquirida pelo contratante ou pela Requerente junto ao fabricante, tudo de acordo com o que for contratado. 61. Especificamente, há a escolha de um modelo de casco e, tanto os acessórios, como a motorização acoplada, será escolhida através de um Kit, que pode ser um "kit motor; kit acessórios, kit opcionais", conforme documentação já apresentada nos autos. 62. Sucede que nessas espécies de operações a Autoridade Administrativa entendeu que o cálculo do IPI deve observar o valor total da nota fiscal emitida, de modo a incluir na base do imposto tanto o valor do barco produzido pela Requerente quanto o valor do motor (ou do Kit escolhido), produzido por outro fabricante. 63. A Requerente entende que o procedimento exigido pela Autoridade Administrativa é equivocado. Isto porque, o cálculo do IPI deve considerar apenas o valor da embarcação sem o motor ou Kit, uma vez que este é adquirido de terceira empresa e apenas acoplado na embarcação, sem que se verifique um novo processo de industrialização sujeito ao imposto. 64. Referida diferença de critérios gera uma exigência a maior de IPI porque, mesmo que o motor seja repassado pelo custo de aquisição (sem ganho/lucro), a alíquota incidente na venda do barco é de 10%, como mencionado no auto de infração. Ocorre que a alíquota do motor é de 5%, o que gera, na prática, um recolhimento de IPI na razão de 5% sobre o valor de cada motor instalado pela Requerente. 65. O que a Impugnante querem demonstrar é que o motor ou Kit não faz parte do processo de produção da embarcação. Neste caso, a não incidência do IPI sobre o motor tem por efeito, excluílo da base de cálculo tributável”. Traz as hipóteses de incidência, fato gerador, os conceitos de industrialização constantes das normas aplicáveis (Constituição Fl. 840DF CARF MF Processo nº 11516.722536/201408 Resolução nº 3201000.899 S3C2T1 Fl. 841 13 Federal, CTN, Lei nº 4.502/64 e Decreto nº 7.212/2010) para defender que o acoplamento de motor à embarcação não consiste em industrialização, por não se constituir em novo produto, bem como por não modificar a natureza, funcionamento, a apresentação ou finalidade do produto. Acrescenta, ainda, que deve ser considerado que os motores não fazem parte da atividade social da empresa, que não os produz ou altera. Completa o raciocínio, afirmando que as saídas dos motores se dão separadamente da embarcação, sob a denominação de “kit”. Por esta razão, defende que não deve incidir a alíquota de 10% do IPI nas embarcações incompletas (sem motor). Trouxe jurisprudência alinhada com sua tese. Alega também que não foi clara a fiscalização ao elaborar o cálculo do imposto devido, que resultou no AI. Acrescenta que, por esta falta de clareza, foi cerceado o direito de defesa da impugnante, tornando nulo o AI, também nesta parte. Finaliza requerendo o cancelamento do lançamento, tendo em vista seus argumentos de que a montagem do motor ao casco não se caracteriza como industrialização, razão pela qual não há IPI devido. Multas de 75% e 150% Alega inicialmente que não houve procedimento administrativo instaurado demonstrando qual infração foi cometida que caracterize a sonegação. Acrescenta que, para a caracterização da sonegação alegada pela fiscalização, não basta “a simples existência de supostos erros nas declarações e nos registros contábeis das empresas” para configurar a sonegação. Assim, complementa, a multa de 150% somente pode ser aplicada quando restar comprovado que o contribuinte agiu de forma dolosa, objetivando impedir ou retardar o conhecimento da autoridade fazendária do fato gerador da obrigação tributária. Aponta que não há, em qualquer momento, qualquer procedimento administrativo que comprove ter havido, por parte da fiscalizada, ação com intuito de atrapalhar ou impedir o conhecimento da autoridade fazendária do fato gerador. Complementa que a prova do alegado é que cumpriu com todas as intimações realizadas, inclusive com a apresentação dos livros contábeis à autoridade. Entende, portanto, não estarem configuradas as condições para a aplicação da multa de 150%. Complementando sua defesa, alega também que a multa de 150% afronta os princípios do não confisco, da proporcionalidade e da razoabilidade, trazendo jurisprudência e doutrina alinhada com sua defesa. Ao final, requer o provimento da impugnação “para cancelar as cobranças efetuadas”. Após exame das impugnações apresentadas pelos Contribuintes, MACROBOATS INDÚSTRIA COMÉRCIO E SERVIÇOS NÁUTICOS EIRELI; FIBRAS Fl. 841DF CARF MF Processo nº 11516.722536/201408 Resolução nº 3201000.899 S3C2T1 Fl. 842 14 BIGUAÇU FABRICAÇÃO E COMÉRCIO DE EMBARCAÇÕES LTDA.; ALMIRO DE SOUZA THIBURCIO NETO e LUIZ CELSO ZACARELLI ANDRADE, a DRJ proferiu acórdão assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2012 a 30/06/2012 SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA PESSOAL. SOLIDARIEDADE. Respondem solidariamente pelo crédito tributário as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. EMBARCAÇÕES. MOTORES. MONTAGEM. INDUSTRIALIZAÇÃO. Constitui industrialização a montagem de uma embarcação, assim entendidas todas as etapas de sua fabricação, desde a fabricação do casco nu, até a montagem de mobiliário, equipamentos, acessórios e motores. MULTA. VEDAÇÃO AO CONFISCO. ARGUIÇÃO. Não compete à autoridade administrativa julgar, em relação a lei ou norma vigente, argüição de afronta ao princípio constitucional da vedação ao confisco. É competência exclusiva do Poder Judiciário a análise de teses sobre inconstitucionalidade de normas legais. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Cabível a aplicação da multa de ofício qualificada, de 150%, quando apurado que o sujeito passivo valeuse de artifício doloso, visando sonegação fiscal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformados, os Contribuintes apresentaram Recursos Voluntários a este CARF, reiterando a existência da integralidade do crédito tributário postulado. Os autos foram remetidos a este CARF e a mim distribuídos por sorteio. É o relatório. Resolução Inicialmente, há que se esclarecer a existência de diversos Recursos Voluntários Fls. 658/696 MACROBOATS INDÚSTRIA COMÉRCIO E SERVIÇOS NÁUTICOS EIRELI Fls. 701/739 FIBRAS BIGUAÇU FABRICAÇÃO E COMÉRCIO DE EMBARCAÇÕES LTDA. Fls. 744/781 ALMIRO DE SOUZA THIBURCIO NETO Fl. 842DF CARF MF Processo nº 11516.722536/201408 Resolução nº 3201000.899 S3C2T1 Fl. 843 15 Fls. 786/824 LUIZ CELSO ZACARELLI ANDRADE Há questão prejudicial a ser analisada no presente feito no que diz respeito à tempestividade dos referidos Recursos. No que tange aos Recursos apresentados pelas Pessoas Físicas Almiro de Souza Thiburcio Neto e Luiz Celso Zacarelli Andrade, consta a seguinte observação da Auditoria Fiscal à fl. 828 eprocesso: Tendo em vista os Recursos Voluntários apresentados pelo contribuinte acima identificado, bem como pelos sujeitos passivos solidários Fibras Biguaçu Fabricação e Comércio de Embarcações Eireli, CNPJ 14.162.300/000181, Almiro de Souza Thiburcio Neto, CPF 077.517.97959, e Luiz Celso Zacarelli Andrade, CPF 309.670.18811, todos protocolados em 14/01/2016, proponho o encaminhamento do processo ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais/MF/DF para apreciação. Cabe ressaltar, relativamente aos sujeitos passivos solidários Almiro de Souza Thiburcio Neto e Luiz Celso Zacarelli Andrade, que o prazo legal para a interposição de recurso voluntário encerrouse em 13/01/2016, visto que os mesmos foram cientificados da decisão de Primeira Instância Administrativa em 14/12/2015 (fls. 652 e 653). Com efeito, constam nos autos os seguintes Avisos de Recebimento: fls. 650 MACROBOATS INDÚSTRIA COMÉRCIO E SERVIÇOS NÁUTICOS EIRELI Sem data de recebimento fls. 652 ALMIRO DE SOUZA THIBURCIO NETO Recebido em 14/12/2015 fls. 653 LUIZ CELSO ZACARELLI ANDRADE Recebido em 14/12/2015 fls. 655 FIBRAS BIGUAÇU Recebido em 15/12/2015 fls. 656 LUIZ HENRIQUE ROSA Recebido em 04/01/2016 (Esse AR corresponde a evidente erro cometido na Delegacia de origem. Luiz Henrique Rosa é o nome da Rua onde residem os sujeitos passivos Pessoas Físicas. Não há qualquer sujeito passivo com esse nome.) Assim, no que se refere aos Recursos de ALMIRO DE SOUZA THIBURCIO NETO e LUIZ CELSO ZACARELLI ANDRADE, de fato, mostramse intempestivos. Contudo, no que tange ao Recurso da devedora principal MACROBOATS INDÚSTRIA COMÉRCIO E SERVIÇOS NÁUTICOS EIRELI, esta julgadora não possui meios de aferir a tempestividade, uma vez que não consta nos autos qualquer informação acerca da data de recebimento da intimação. Diante do exposto, tendo em vista a impossibilidade de se aferir a tempestividade do Recurso Voluntário apresentado pelo contribuinte MACROBOATS INDÚSTRIA COMÉRCIO E SERVIÇOS NÁUTICOS EIRELI, voto pela CONVERSÃO DO Fl. 843DF CARF MF Processo nº 11516.722536/201408 Resolução nº 3201000.899 S3C2T1 Fl. 844 16 FEITO EM DILIGÊNCIA para que a Autoridade Preparadora informe e comprove a data da efetiva intimação do referido contribuinte. Após, retornem os autos para julgamento. Tatiana Josefovicz Belisário Relatora Fl. 844DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.000187/2011-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jul 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/07/2007
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE.
Não há nulidade do Auto de Infração quando revestido de todas as formalidades legais, e quando todas as infrações apontadas são fundamentadas juridicamente e os cálculos detalhados são cientificados ao contribuinte, oportunizando o contraditório e a ampla defesa.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/07/2007
BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS INCIDENTE SOBRE SERVIÇOS TRANSPORTE.
O ICMS incidente sobre serviços de transporte intermunicipal e interestadual integra legalmente o conceito de receita bruta, e portanto, integra a base de cálculo das contribuições sociais não-cumulativas, não havendo previsão legal para sua exclusão.
BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ISS INCIDENTE SOBRE SERVIÇOS TRANSPORTE.
O ISS incidente sobre serviços de transporte integra legalmente o conceito de receita bruta, e portanto, integra a base de cálculo das contribuições sociais não-cumulativas, não havendo previsão legal para sua exclusão.
BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DAS DESPESAS DE PEDÁGIO.
As despesas de pedágio assumidas pelas empresas de transporte, que não se confundam com o vale-pedágio, e não podem ser excluídas da base de cálculo das contribuições não-cumulativas, por falta de previsão legal.
NÃO-CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS QUE GERAM DIREITO A CRÉDITO NA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS.
Na legislação do Pis e da Cofins não-cumulativos, os insumos que geram direito a crédito são aqueles vinculados ao processo produtivo ou à prestação dos serviços. As despesas gerenciais, administrativas e gerais, ainda que essenciais à atividade da empresa, não geram crédito.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/07/2007
BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS INCIDENTE SOBRE SERVIÇOS TRANSPORTE.
O ICMS incidente sobre serviços de transporte intermunicipal e interestadual integra legalmente o conceito de receita bruta, e portanto, integra a base de cálculo das contribuições sociais não-cumulativas, não havendo previsão legal para sua exclusão.
BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ISS INCIDENTE SOBRE SERVIÇOS TRANSPORTE.
O ISS incidente sobre serviços de transporte integra legalmente o conceito de receita bruta, e portanto, integra a base de cálculo das contribuições sociais não-cumulativas, não havendo previsão legal para sua exclusão.
BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DAS DESPESAS DE PEDÁGIO.
As despesas de pedágio assumidas pelas empresas de transporte, que não se confundam com o vale-pedágio, não podem ser excluídas da base de cálculo das contribuições não-cumulativas, por falta de previsão legal.
NÃO-CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS QUE GERAM DIREITO A CRÉDITO NA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS.
Na legislação do Pis e da Cofins não-cumulativos, os insumos que geram direito a crédito são aqueles vinculados ao processo produtivo ou à prestação dos serviços. As despesas gerenciais, administrativas e gerais, ainda que essenciais à atividade da empresa, não geram crédito.
Recurso Voluntário Parcialmente Provido
Numero da decisão: 3301-003.464
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos seguintes termos: quanto à preliminar de nulidade, por unanimidade de votos, negou-se provimento; no mérito, (I) por unanimidade de votos, negou-se provimento ao recurso voluntário do contribuinte, mantendo as glosas quanto às seguintes contas e fundamentos: 3015 (descontos concedidos), 4025 (pedágio como exclusão da base de cálculo), exclusão do ISS na base de cálculo do PIS e da COFINS, 4034 (serviços prestados por terceiros pessoa física, grupo contábil 4.1.15, 4051 (indenizações por avarias), 4047 (indenizações por faltas), 4199 (indenizações por atraso), 4200 (indenizações por sinistro), 4062 (carga e descarga pessoa física), grupo contábil 4.2.13 serviços de terceiros ADM, grupo contábil 4.2.14 despesas com materiais ADM, conta 4106 condomínio, conta 4114 correio eletrônico email, conta 4115 correios e selos postais, grupo contábil 4.2.18 despesas gerais administrativas, com exceção da conta 4116 energia elétrica. (II) por unanimidade de votos, deu-se provimento ao recurso voluntário do contribuinte, afastando a glosa quanto às seguintes contas: 4026 pedágio despesa, 4027 estacionamentos, conta 4058 serviço de monitoramento, conta 4059 serviço de escolta, grupo contábil 4.1.21 despesas do armazém, com exceção às contas 4062 carga e descarga pessoa física, conta 4067 conservação de bens, 4116 energia elétrica, conta 4038 despesas diversas. (III) por maioria de votos, deu-se provimento ao recurso, para afastamento da glosa sobre a conta 4039 recarga de extintores, vencidos o Relator, e os Conselheiros José Henrique Mauri e Liziani Angelotti Meira. Designado o Conselheiro Valcir Gassen para redigir o voto vencedor nesta parte; (IV) por maioria de votos, negou-se provimento ao recurso do contribuinte, mantendo a glosa relativa à: exclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins, vencidos os Conselheiros Marcelo Cost Marques d´Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Semíramis de Oliveira Duro, conta 4052 seguros de mercadorias, conta 4054 seguro de veículos, conta 4055 seguro contra incêncdio/roubo, conta 4056 seguro de equipamentos, conta 4057 seguros diversos, vencidas as Conselheiras Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Semíramis de Oliveira Duro, conta 4067 conservação de bens, vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Semíramis de Oliveira Duro; (V) por maioria de votos, deu-se provimento ao recurso do contribuinte, afastando a glosa quanto às seguintes contas: 4048 despesas de viagens e 4049 lanches e refeições, vencido o Conselheiro Marcelo Costa Marques d´Oliveira, conta 4113 telefones e rádios, vencido o Conselheiro José Henrique Mauri.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Giovani Vieira Relator
(assinado digitalmente)
Valcir Gassen Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Marcelo Giovani Vieira (suplente convocado), Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen.
Nome do relator: MARCELO GIOVANI VIEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201704
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2006 a 31/07/2007 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Não há nulidade do Auto de Infração quando revestido de todas as formalidades legais, e quando todas as infrações apontadas são fundamentadas juridicamente e os cálculos detalhados são cientificados ao contribuinte, oportunizando o contraditório e a ampla defesa. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2006 a 31/07/2007 BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS INCIDENTE SOBRE SERVIÇOS TRANSPORTE. O ICMS incidente sobre serviços de transporte intermunicipal e interestadual integra legalmente o conceito de receita bruta, e portanto, integra a base de cálculo das contribuições sociais não-cumulativas, não havendo previsão legal para sua exclusão. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ISS INCIDENTE SOBRE SERVIÇOS TRANSPORTE. O ISS incidente sobre serviços de transporte integra legalmente o conceito de receita bruta, e portanto, integra a base de cálculo das contribuições sociais não-cumulativas, não havendo previsão legal para sua exclusão. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DAS DESPESAS DE PEDÁGIO. As despesas de pedágio assumidas pelas empresas de transporte, que não se confundam com o vale-pedágio, e não podem ser excluídas da base de cálculo das contribuições não-cumulativas, por falta de previsão legal. NÃO-CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS QUE GERAM DIREITO A CRÉDITO NA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. Na legislação do Pis e da Cofins não-cumulativos, os insumos que geram direito a crédito são aqueles vinculados ao processo produtivo ou à prestação dos serviços. As despesas gerenciais, administrativas e gerais, ainda que essenciais à atividade da empresa, não geram crédito. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2006 a 31/07/2007 BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS INCIDENTE SOBRE SERVIÇOS TRANSPORTE. O ICMS incidente sobre serviços de transporte intermunicipal e interestadual integra legalmente o conceito de receita bruta, e portanto, integra a base de cálculo das contribuições sociais não-cumulativas, não havendo previsão legal para sua exclusão. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ISS INCIDENTE SOBRE SERVIÇOS TRANSPORTE. O ISS incidente sobre serviços de transporte integra legalmente o conceito de receita bruta, e portanto, integra a base de cálculo das contribuições sociais não-cumulativas, não havendo previsão legal para sua exclusão. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DAS DESPESAS DE PEDÁGIO. As despesas de pedágio assumidas pelas empresas de transporte, que não se confundam com o vale-pedágio, não podem ser excluídas da base de cálculo das contribuições não-cumulativas, por falta de previsão legal. NÃO-CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS QUE GERAM DIREITO A CRÉDITO NA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. Na legislação do Pis e da Cofins não-cumulativos, os insumos que geram direito a crédito são aqueles vinculados ao processo produtivo ou à prestação dos serviços. As despesas gerenciais, administrativas e gerais, ainda que essenciais à atividade da empresa, não geram crédito. Recurso Voluntário Parcialmente Provido
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Jul 07 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 19515.000187/2011-31
anomes_publicacao_s : 201707
conteudo_id_s : 5739282
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jul 07 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3301-003.464
nome_arquivo_s : Decisao_19515000187201131.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : MARCELO GIOVANI VIEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 19515000187201131_5739282.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos seguintes termos: quanto à preliminar de nulidade, por unanimidade de votos, negou-se provimento; no mérito, (I) por unanimidade de votos, negou-se provimento ao recurso voluntário do contribuinte, mantendo as glosas quanto às seguintes contas e fundamentos: 3015 (descontos concedidos), 4025 (pedágio como exclusão da base de cálculo), exclusão do ISS na base de cálculo do PIS e da COFINS, 4034 (serviços prestados por terceiros pessoa física, grupo contábil 4.1.15, 4051 (indenizações por avarias), 4047 (indenizações por faltas), 4199 (indenizações por atraso), 4200 (indenizações por sinistro), 4062 (carga e descarga pessoa física), grupo contábil 4.2.13 serviços de terceiros ADM, grupo contábil 4.2.14 despesas com materiais ADM, conta 4106 condomínio, conta 4114 correio eletrônico email, conta 4115 correios e selos postais, grupo contábil 4.2.18 despesas gerais administrativas, com exceção da conta 4116 energia elétrica. (II) por unanimidade de votos, deu-se provimento ao recurso voluntário do contribuinte, afastando a glosa quanto às seguintes contas: 4026 pedágio despesa, 4027 estacionamentos, conta 4058 serviço de monitoramento, conta 4059 serviço de escolta, grupo contábil 4.1.21 despesas do armazém, com exceção às contas 4062 carga e descarga pessoa física, conta 4067 conservação de bens, 4116 energia elétrica, conta 4038 despesas diversas. (III) por maioria de votos, deu-se provimento ao recurso, para afastamento da glosa sobre a conta 4039 recarga de extintores, vencidos o Relator, e os Conselheiros José Henrique Mauri e Liziani Angelotti Meira. Designado o Conselheiro Valcir Gassen para redigir o voto vencedor nesta parte; (IV) por maioria de votos, negou-se provimento ao recurso do contribuinte, mantendo a glosa relativa à: exclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins, vencidos os Conselheiros Marcelo Cost Marques d´Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Semíramis de Oliveira Duro, conta 4052 seguros de mercadorias, conta 4054 seguro de veículos, conta 4055 seguro contra incêncdio/roubo, conta 4056 seguro de equipamentos, conta 4057 seguros diversos, vencidas as Conselheiras Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Semíramis de Oliveira Duro, conta 4067 conservação de bens, vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Semíramis de Oliveira Duro; (V) por maioria de votos, deu-se provimento ao recurso do contribuinte, afastando a glosa quanto às seguintes contas: 4048 despesas de viagens e 4049 lanches e refeições, vencido o Conselheiro Marcelo Costa Marques d´Oliveira, conta 4113 telefones e rádios, vencido o Conselheiro José Henrique Mauri. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Giovani Vieira Relator (assinado digitalmente) Valcir Gassen Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Marcelo Giovani Vieira (suplente convocado), Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen.
dt_sessao_tdt : Wed Apr 26 00:00:00 UTC 2017
id : 6843480
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:02:54 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049211143979008
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 30; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1940; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 1.352 1 1.351 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.000187/201131 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301003.464 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 26 de abril de 2017 Matéria PIS E COFINS AUTO DE INFRAÇÃO Recorrente MIRA OTM TRANSPORTES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2006 a 31/07/2007 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Não há nulidade do Auto de Infração quando revestido de todas as formalidades legais, e quando todas as infrações apontadas são fundamentadas juridicamente e os cálculos detalhados são cientificados ao contribuinte, oportunizando o contraditório e a ampla defesa. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/07/2007 BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS INCIDENTE SOBRE SERVIÇOS TRANSPORTE. O ICMS incidente sobre serviços de transporte intermunicipal e interestadual integra legalmente o conceito de receita bruta, e portanto, integra a base de cálculo das contribuições sociais nãocumulativas, não havendo previsão legal para sua exclusão. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ISS INCIDENTE SOBRE SERVIÇOS TRANSPORTE. O ISS incidente sobre serviços de transporte integra legalmente o conceito de receita bruta, e portanto, integra a base de cálculo das contribuições sociais nãocumulativas, não havendo previsão legal para sua exclusão. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DAS DESPESAS DE PEDÁGIO. As despesas de pedágio assumidas pelas empresas de transporte, que não se confundam com o valepedágio, e não podem ser excluídas da base de cálculo das contribuições nãocumulativas, por falta de previsão legal. NÃOCUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS QUE GERAM DIREITO A CRÉDITO NA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 01 87 /2 01 1- 31 Fl. 1352DF CARF MF 2 Na legislação do Pis e da Cofins nãocumulativos, os insumos que geram direito a crédito são aqueles vinculados ao processo produtivo ou à prestação dos serviços. As despesas gerenciais, administrativas e gerais, ainda que essenciais à atividade da empresa, não geram crédito. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2006 a 31/07/2007 BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS INCIDENTE SOBRE SERVIÇOS TRANSPORTE. O ICMS incidente sobre serviços de transporte intermunicipal e interestadual integra legalmente o conceito de receita bruta, e portanto, integra a base de cálculo das contribuições sociais nãocumulativas, não havendo previsão legal para sua exclusão. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ISS INCIDENTE SOBRE SERVIÇOS TRANSPORTE. O ISS incidente sobre serviços de transporte integra legalmente o conceito de receita bruta, e portanto, integra a base de cálculo das contribuições sociais nãocumulativas, não havendo previsão legal para sua exclusão. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DAS DESPESAS DE PEDÁGIO. As despesas de pedágio assumidas pelas empresas de transporte, que não se confundam com o valepedágio, não podem ser excluídas da base de cálculo das contribuições nãocumulativas, por falta de previsão legal. NÃOCUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS QUE GERAM DIREITO A CRÉDITO NA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. Na legislação do Pis e da Cofins nãocumulativos, os insumos que geram direito a crédito são aqueles vinculados ao processo produtivo ou à prestação dos serviços. As despesas gerenciais, administrativas e gerais, ainda que essenciais à atividade da empresa, não geram crédito. Recurso Voluntário Parcialmente Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos seguintes termos: quanto à preliminar de nulidade, por unanimidade de votos, negouse provimento; no mérito, (I) por unanimidade de votos, negou se provimento ao recurso voluntário do contribuinte, mantendo as glosas quanto às seguintes contas e fundamentos: 3015 (descontos concedidos), 4025 (pedágio como exclusão da base de cálculo), exclusão do ISS na base de cálculo do PIS e da COFINS, 4034 (serviços prestados por terceiros pessoa física, grupo contábil 4.1.15, 4051 (indenizações por avarias), 4047 (indenizações por faltas), 4199 (indenizações por atraso), 4200 (indenizações por sinistro), 4062 (carga e descarga pessoa física), grupo contábil 4.2.13 – serviços de terceiros ADM, grupo contábil 4.2.14 – despesas com materiais ADM, conta 4106 – condomínio, conta 4114 correio eletrônico email, conta 4115 correios e selos postais, grupo contábil 4.2.18 despesas gerais administrativas, com exceção da conta 4116 energia elétrica. (II) por unanimidade de votos, deuse provimento ao recurso voluntário do contribuinte, afastando a glosa quanto às seguintes contas: 4026 pedágio despesa, 4027 estacionamentos, conta 4058 serviço de monitoramento, conta 4059 serviço de escolta, grupo contábil 4.1.21 despesas do armazém, Fl. 1353DF CARF MF Processo nº 19515.000187/201131 Acórdão n.º 3301003.464 S3C3T1 Fl. 1.353 3 com exceção às contas 4062 carga e descarga pessoa física, conta 4067 conservação de bens, 4116 energia elétrica, conta 4038 despesas diversas. (III) por maioria de votos, deuse provimento ao recurso, para afastamento da glosa sobre a conta 4039 recarga de extintores, vencidos o Relator, e os Conselheiros José Henrique Mauri e Liziani Angelotti Meira. Designado o Conselheiro Valcir Gassen para redigir o voto vencedor nesta parte; (IV) por maioria de votos, negouse provimento ao recurso do contribuinte, mantendo a glosa relativa à: exclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins, vencidos os Conselheiros Marcelo Cost Marques d´Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Semíramis de Oliveira Duro, conta 4052 seguros de mercadorias, conta 4054 seguro de veículos, conta 4055 seguro contra incêncdio/roubo, conta 4056 seguro de equipamentos, conta 4057 seguros diversos, vencidas as Conselheiras Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Semíramis de Oliveira Duro, conta 4067 conservação de bens, vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Semíramis de Oliveira Duro; (V) por maioria de votos, deuse provimento ao recurso do contribuinte, afastando a glosa quanto às seguintes contas: 4048 despesas de viagens e 4049 lanches e refeições, vencido o Conselheiro Marcelo Costa Marques d´Oliveira, conta 4113 telefones e rádios, vencido o Conselheiro José Henrique Mauri. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Giovani Vieira – Relator (assinado digitalmente) Valcir Gassen – Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Marcelo Giovani Vieira (suplente convocado), Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen. Relatório Transcrevo o relatório da DRJ/SP1: “Em 31/01/2011 (fl 378), a empresa foi intimada de autos de infração de falta/insuficiência de recolhimento das contribuições nãocumulativas acima [Pis e Cofins do período de apuração de 01/01/2006 a 31/12/2007]. Fl. 1354DF CARF MF 4 O auditor coteja os darf’s, a escrituração, a DIPJ e os débitos confessados em DCTF, e ao final recompõe cada base de cálculo mensal, que apresenta sob a forma de planilhas integradas ao auto de infração, contendo os grupos/contas que admite como formadores da base de cálculo. O auditorfiscal constata apropriação de crédito sem permissão legal para integrar, como insumo, o custo do serviço prestado. A autoridade diz que os dispêndios glosados não são contemplados pela legislação para fins de crédito do PIS e da COFINS, por não integrar diretamente o custo dos serviços prestados, não sendo considerados insumos, conforme disposto no artigo 3º, da Lei n° 10.637/02 e Lei n° 10.833/03. Os fundamentos legais apontados foram: a) artigos 1º, 3º e 4º da Lei 10.637/02 (Pis); b) artigos 1º, 3º e 5º da Lei 10.833/03 (Cofins). Em 01/03/2011 (fl 380 a 392) a empresa impugnou, dizendo que o faz contra todos os valores lançados e não os está discutindo judicialmente. Em suma, a irresignada arguiu: a) tempestividade; b) nulidade em razão dos fundamentos legais apontados, que não lhe permitem saber os motivos e as regras aplicadas pela fiscalização para cobrar as diferenças, e ferem: a ampla defesa; o devido processo legal e saber qual o recurso; c) questiona o desenquadramento de valores utilizados na prestação de serviços: pedágios; estacionamentos; terceiros; despesas diretas e indiretas com a frota; agenciamento e gerenciamento; administrativos inerentes; recargas de extintores; viagens; seguros; despesas com armazenagem; comunicação; d) seus créditos são mais amplos que uma empresa simples de transporte; e) como amostragens, junta documentos e contratos de clientes; f) todos os valores glosados são insumos da prestação de serviços; g) as contas dos grupos 4.1.13 a 4.1.9 e 4.1.21 são insumos descontáveis; h) a aparente inclusão das contas contábeis 3011 e 3014 de pagamentos de ISS e ICMS na base de cálculo (fl 390) é indevida por inconstitucionalidade e falta de amparo legal; i) a aparente inclusão de vale pedágio é indevida pois amparada na Lei 10.209/01; Fl. 1355DF CARF MF Processo nº 19515.000187/201131 Acórdão n.º 3301003.464 S3C3T1 Fl. 1.354 5 j) o desconto incondicional da conta 3015 não compõe a base de cálculo, pois decorre de emissão de conhecimento de cargas por erro e não houve recebimento efetivo nem cobrança dos clientes; k) diz juntar novo demonstrativo mais didático de atividades e pede retificação de valores; l) requer diligência para conferência de registros e de conduta; m) alternativamente, requer perícia e nomeia como assistente seu contador, tendo como quesito a descrição das operações, a identificação de seus insumos, e a conferência contábil dos registros correlatos; n) requer recebimento, processamento, e julgamento pela improcedência da autuação. A partir da fl 393 a defesa anexa documentos da representação, contratos de prestação de serviços e/ou carta/tabela/cronograma (fl 400408, 409415, 416422 e 423, 424430, 431,432 a 450, 451458), normas operacionais de gerenciamento de risco em operações elaborada por Rodobens de 19/9/2005 (459552), normas operacionais de gerenciamento de risco da Petrobrás (fl 553 a 572), cópia do auto de infração e apensos (fl 573 a 700). Para melhor entendimento resumiremos os documentos anteriores à defesa. Nos balancetes fls 21 a 275 figuram os grupos contábeis e suas respectivas contas. Nas planilhas fls 276 a 289 constam as contas/grupos que compuseram as bases de cálculo mensais a partir de janeiro de 2006 e os valores a pagar informados pela empresa à fiscalização. Na folha 302 consta o resumo das diferenças mensais apuradas/lançadas de Pis em relação às confessadas em DCTF. Das planilhas fls 303 e seguintes constam as contas/grupos que compuseram as bases de cálculo de PIS a partir de janeiro de 2006. Na folha 328 consta o resumo das diferenças mensais apuradas/lançadas de Cofins em relação às confessadas em DCTF. Das planilhas fls 329 a 353 constam as contas/grupos que compuseram as bases de cálculo da COFINS a partir de janeiro de 2006. Das fls 354 a 377 constam os Autos de Infração.” A DRJ/SP1, por meio do Acórdão 1633.878, deu parcial provimento à impugnação, conforme ementa que se transcreve: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fl. 1356DF CARF MF 6 Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 NULIDADE. DESCABIMENTO. Quando o ato administrativo de lançamento obedece às suas formalidades essenciais não cabe falar em nulidade. INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE DE LEIS. LIMITES DE COMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País não podendo negarlhe execução e sendo incompetentes para apreciar arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade, haja vista que tais matérias estão adstritas ao âmbito judicial. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. A diligência objetiva subsidiar a convicção do julgador e se restringe à elucidação de pontos duvidosos para o deslinde de questão controversa, mas não se justifica quando o fato possa ser demonstrado pela juntada de documentos. PERÍCIA. INDEFERIMENTO. NÃO FORMULAÇÃO. Indefere se o pleito, vez que os elementos processuais dão o necessário subsídio à decisão. Pedido de perícia deve citar quesitos referentes aos exames desejados, nome, endereço e qualificação profissional do perito, sob pena de ser considerado não formulado (art. 16, Decreto 70.235/72). PRODUÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO. As provas devem ser apresentadas no prazo de impugnação. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 INSUMO. CRÉDITOS DEDUTÍVEIS E INDEDUTÍVEIS. Não participa da formação do cálculo o valor para o qual não haja previsão legal. Insumo utilizado na prestação de serviço é o bem não incluído no ativo imobilizado, aplicado ou consumido na prestação de serviço, e o serviço prestado por pessoa jurídica domiciliada no Brasil, aplicado ou consumido na prestação de serviço. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 INSUMO. CRÉDITOS DEDUTÍVEIS E INDEDUTÍVEIS. Não participa da formação do cálculo o valor para o qual não haja previsão legal. Insumo utilizado na prestação de serviço é o bem não incluído no ativo imobilizado, aplicado ou consumido na prestação de serviço, e o serviço prestado por pessoa jurídica Fl. 1357DF CARF MF Processo nº 19515.000187/201131 Acórdão n.º 3301003.464 S3C3T1 Fl. 1.355 7 domiciliada no Brasil, aplicado ou consumido na prestação de serviço. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte” Cientificada do Acórdão 1633.878, da DRJ/SP1, em 04/04/2012 (folha 747), a contribuinte apresenta Recurso Voluntário, em 03/05/2012 (folha 748), com as mesmas sustentações havidas na impugnação, sendo acrescentados os seguintes argumentos: Não seria papel do julgador eleger a matéria tributável, tarefa que, segundo entende, a fiscalização não teria executado com precisão; Que a nãocumulatividade das contribuições não teria nenhuma vinculação histórica com o ICMS e o IPI, sendo que o único conceito jurídico pertinente para viabilizar a nãocumulatividade das contribuições seria com base nos custos e despesas conforme a legislação do Imposto de Renda, em função da utilização comum dos conceitos de receita e faturamento; Que os serviços prestados pela recorrente ultrapassam o conceito simples de transporte, abrangendo as operações multimodais e a logística, que demandariam diversos serviços variados, como planejar roteiros, transbordos, manter agentes de escolta, comunicação e outros, vinculados a regras específicas de segurança. O processo foi a julgamento na sessão de 20 de agosto de 2013, na 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara, que decidiu, por meio da Resolução nº 3202000.131, baixar o processo em diligência, nos seguintes termos: “ 1. Em relação ao primeiro ponto, esclarecer e demonstrar se o lançamento foi efetuado também para inserir na base de cálculo das contribuições os valores referentes ao ICMS e ao ISS (discussão acerca da inclusão do ICMS e do ISS na base de cálculo do PIS/Cofins). 2. Quanto ao segundo ponto, a unidade preparadora deverá: 2.1. Intimar a Recorrente a apresentar laudo de renomada instituição, consignando o que segue: a) Descrever detalhadamente a atividade empresarial da Recorrente, notadamente em relação à prestação de serviços em discussão nestes autos, apontando, discriminadamente, qual a utilização dos insumos ora glosados na prestação de seus serviços; b) Indicar se tais insumos são de aplicação direta ou indireta na prestação dos serviços; e c) Informar se tais insumos possuem natureza essencial à prestação dos serviços, ou seja, se a sua exclusão importaria na impossibilidade da prestação dos serviços. 2.2. Após a juntada do laudo, efetuar diligência fiscal in loco, para verificar as conclusões do laudo pericial acerca da Fl. 1358DF CARF MF 8 utilização efetiva, ou não, dos insumos ora glosadas, em relação à prestação dos serviços da Recorrente. Ao término dos trabalhos, a autoridade fiscal da Defis – São Paulo deverá elaborar Relatório Conclusivo sobre os fatos apurados na diligência, inclusive manifestandose sobre a existência de outras informações e/ou observações julgadas pertinentes para esclarecer os fatos.” Retorna o processo com a diligência fiscal efetuada. Às folhas 888 a 1.226 foram juntadas planilhas de apuração do Pis e Cofins, balancetes mensais, e, por amostragem, Livro de Registro de Saídas, Livro de Apuração de ICMS, Livro Razão, e alguns Conhecimentos de Transporte Rodoviário de Carga – CTRC. Às folhas 1.227 a 1.326, juntou se manifestação da contribuinte, reiterando suas alegações de direito, e detalhando a utilização de cada grupo contábil glosado. Às folhas 1.327 a 1.334, juntouse Relatório Fiscal de Diligência, onde se relata visita à empresa e a constatação de que todos os insumos glosados são necessários à sua atividade. À folha 1.335 a contribuinte dispensa manifestação em relação ao Relatório Fiscal de Diligência. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Marcelo Giovani Vieira, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e veicula matéria de competência desta Turma, de modo que deve ser conhecido. Preliminarmente, a contribuinte requer a nulidade do Auto de Infração, sob o argumento de falta de precisão na descrição das infrações de que é acusada. Não assiste razão à contribuinte nesse requerimento. O Relatório Fiscal relaciona especificamente as rubricas glosadas, e consigna o fundamento legal da glosa (folha 300): “O Contribuinte apresentou os mapas demonstrativos da base de cálculo, valor creditado a titulo de insumos e valor devido do PIS e da COFINS do período de Janeiro de 2006 a Dezembro de 2007, entrementes, foi aplicada a glosa nos dispêndios abaixo relacionados, haja vista que a legislação vigente não permite o seu crédito. GLOSA: conta 4026 Pedágio, 4027 Estacionamento, cont 4034 – Serviços prestados por terceiros pessoa fisica, 4038 despesas diversas, 4039 recarga de extintores, 4106 condominios, 4.1.16 despesas de viagens, 4.1.17 – despesas indiretas da frota, 4.1.18 seguros, 4.1.19 serviços de gerenciamento, 4.1.21 despesas de armazenagem, 4.1.3 serviços administrativos, 4.2.14 despesas de materiais administrativos, 4.2.17 despesas de comunicações, 4.2.18 4116 despesas gerais administrativas e 3015 descontos concedidos, conforme planilhas anexas ao Termo de Verificação Fiscal. Fl. 1359DF CARF MF Processo nº 19515.000187/201131 Acórdão n.º 3301003.464 S3C3T1 Fl. 1.356 9 Os dispêndios acima glosados, não são contemplados pela legislação para fins de crédito do PIS e da COFINS por não integrar diretamente o custo dos serviços prestados, não sendo considerados insumos, conforme disposto no artigo 3o da Lei n° 10.637/02 e Lei n° 10.833/03. A diferença a tributar está devidamente demonstrada nos quadros anexos ao presente Termo de Verificação Fiscal.” Efetivamente, às folhas 303 e seguintes verificase a base de cálculo usada pelo auditorfiscal, com detalhamento completo das rubricas glosados ou aproveitadas, e demais cálculos pertinentes. Ademais, a contribuinte defendese, em todo o processo, da conceituação de insumos com direito a crédito albergada pelo auditorfiscal, mostrando compreender bem o cerne do lançamento, no regime da nãocumulatividade das contribuições sociais. Portanto, estando bem detalhado o auto de infração, e não havendo prejuízos para a defesa, nem ausência dos requisitos formais, não prospera a alegação de nulidade. Desse modo, rejeito a preliminar suscitada. Mérito Quanto aos aspectos fáticos, importa realçar que o Relatório Fiscal de Diligência asseverou que todos os insumos glosados são necessários à operação da empresa (folha 1.333, parágrafo 7). Realço também que a empresa, em resposta à intimação fiscal resultante do pedido de diligência, traz relatório onde detalha a utilização dos insumos glosados, embora não apresente, conforme solicitado na Resolução nº 3202000.131, “laudo de instituição renomada”. Antes de analisar cada insumo ou reajuste de base de cálculo efetuada pelo auditorfiscal, cumpre assentar as bases hermenêuticas para a apreciação de cada divergência. A base legal para a compreensão dessa questão são os artigos 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003. Lei 10.637/2002: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Regulamento) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) Fl. 1360DF CARF MF 10 II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III (VETADO) IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mãodeobra, tenha sido suportado pela locatária; VIII bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei. IX energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) § 1o O crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2o desta Lei sobre o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; II dos itens mencionados nos incisos IV, V e IX do caput, incorridos no mês; (Redação dada pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) III dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do caput, incorridos no mês; IV dos bens mencionados no inciso VIII do caput, devolvidos no mês. Fl. 1361DF CARF MF Processo nº 19515.000187/201131 Acórdão n.º 3301003.464 S3C3T1 Fl. 1.357 11 § 2o Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I de mãodeobra paga a pessoa física; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) § 3o O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. § 4o O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sê lo nos meses subseqüentes. § 5o (VETADO) § 6o (VETADO) § 7o Na hipótese de a pessoa jurídica sujeitarse à incidência nãocumulativa da contribuição para o PIS/Pasep, em relação apenas a parte de suas receitas, o crédito será apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas. (Vide Lei nº 10.865, de 2004) § 8o Observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no § 7o e àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de: I – apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou II – rateio proporcional, aplicandose aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. § 9o O método eleito pela pessoa jurídica será aplicado consistentemente por todo o anocalendário, observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal. §§ 10 e 11. (Revogados pela Lei nº 10.925, de 2004) Fl. 1362DF CARF MF 12 § 12. Ressalvado o disposto no § 2o deste artigo e nos §§ 1o a 3o do art. 2o desta Lei, na aquisição de mercadoria produzida por pessoa jurídica estabelecida na Zona Franca de Manaus, consoante projeto aprovado pelo Conselho de Administração da Superintendência da Zona Franca de Manaus SUFRAMA, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota de 1% (um por cento) e, na situação de que trata a alínea b do inciso II do § 4o do art. 2o desta Lei, mediante a aplicação da alíquota de 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos por cento). (Redação dada pela Lei nº 11.307, de 2006) § 13. Não integram o valor das máquinas, equipamentos e outros bens fabricados para incorporação ao ativo imobilizado na forma do inciso VI do caput deste artigo os custos de que tratam os incisos do § 2o deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 14. (Vide Medida Provisória nº 413, de 2008). § 15. O disposto no § 12 deste artigo também se aplica na hipótese de aquisição de mercadoria produzida por pessoa jurídica estabelecida nas Áreas de Livre Comércio de que tratam as Leis nos 7.965, de 22 de dezembro de 1989, 8.210, de 19 de julho de 1991, e 8.256, de 25 de novembro de 1991, o art. 11 da Lei no 8.387, de 30 de dezembro de 1991, e a Lei no 8.857, de 8 de março de 1994. (Incluído pela Lei nº 11.945, de 2009). (Produção de efeitos). § 16. Ressalvado o disposto no § 2o deste artigo e nos §§ 1o a 3o do art. 2o desta Lei, na hipótese de aquisição de mercadoria revendida por pessoa jurídica comercial estabelecida nas Áreas de Livre Comércio referidas no § 15, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota de 0,65% (sessenta e cinco centésimos por cento).(Incluído pela Lei nº 11.945, de 2009). § 17. ao § 21. (Vide Medida Provisória nº 627, de 2013) (Vigência) Lei 10.833/2003: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: ( Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004 ) a) no inciso III do § 3º do art. 1º desta Lei; e ( Redação dada pela Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008 ) b) no § 1ºdo art. 2º desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) b) nos §§ 1º e 1ºA do art. 2º desta Lei; ( Redação dada pela Lei nº 11.787, de 25 de setembro de 2008 ) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº10.485, Fl. 1363DF CARF MF Processo nº 19515.000187/201131 Acórdão n.º 3301003.464 S3C3T1 Fl. 1.358 13 de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004); VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; ( Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005 ) VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.198, de 8 de janeiro de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. (Incluído pela Lei nº 12.973, de13 de maio de 2014) (Vide art. 119 da Lei nº 12.973/2014) § 1º Observado o disposto no § 15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2º desta Lei sobre o valor: ( Redação dada pela Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008 ) I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput , adquiridos no mês; II dos itens mencionados nos incisos III a V e IX do caput , incorridos no mês; Fl. 1364DF CARF MF 14 III dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI, VII e XI do caput, incorridos no mês; (Redação dada pela Lei nº 12.973, de13 de maio de 2014) (Vide art. 119 da Lei nº 12.973/2014) IV dos bens mencionados no inciso VIII do caput , devolvidos no mês. § 2º Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I de mãodeobra paga a pessoa física; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) § 3º O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. § 4º O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes. § 5º (Revogado pela Lei nº 10.925, de 2004) § 6º (Revogado pela Lei nº 10.925, de 2004) § 7º Na hipótese de a pessoa jurídica sujeitarse à incidência nãocumulativa da COFINS, em relação apenas à parte de suas receitas, o crédito será apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas. § 8º Observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no § 7ºe àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de: I apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou II rateio proporcional, aplicandose aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. Fl. 1365DF CARF MF Processo nº 19515.000187/201131 Acórdão n.º 3301003.464 S3C3T1 Fl. 1.359 15 § 9º O método eleito pela pessoa jurídica para determinação do crédito, na forma do § 8º, será aplicado consistentemente por todo o anocalendário e, igualmente, adotado na apuração do crédito relativo à contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa, observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal. § 10. O valor dos créditos apurados de acordo com este artigo não constitui receita bruta da pessoa jurídica, servindo somente para dedução do valor devido da contribuição. § 11. (Revogado pela Lei nº 10.925, de 2004) § 12. (Revogado pela Lei nº 10.925, de 2004) § 13. Deverá ser estornado o crédito da COFINS relativo a bens adquiridos para revenda ou utilizados como insumos na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, que tenham sido furtados ou roubados, inutilizados ou deteriorados, destruídos em sinistro ou, ainda, empregados em outros produtos que tenham tido a mesma destinação. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) § 14. Opcionalmente, o contribuinte poderá calcular o crédito de que trata o inciso III do § 1º deste artigo, relativo à aquisição de máquinas e equipamentos destinados ao ativo imobilizado, no prazo de 4 (quatro) anos, mediante a aplicação, a cada mês, das alíquotas referidas no caput do art. 2º desta Lei sobre o valor correspondente a 1/48 (um quarenta e oito avos) do valor de aquisição do bem, de acordo com regulamentação da Secretaria da Receita Federal. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) § 15. O crédito, na hipótese de aquisição, para revenda, de papel imune a impostos de que trata o art. 150, inciso VI, alínea d da Constituição Federal, quando destinado à impressão de periódicos, será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no § 2ºdo art. 2º desta Lei (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) § 16. Opcionalmente, o sujeito passivo poderá calcular o crédito de que trata o inciso III do § 1o deste artigo, relativo à aquisição de embalagens de vidro retornáveis classificadas no código 7010.90.21 da TIPI, destinadas ao ativo imobilizado, de acordo com regulamentação da Secretaria da Receita Federal do Brasil, no prazo de 12 (doze) meses, à razão de 1/12 (um doze avos). (redação dada pela Lei 13.097/2015) redação anterior: Opcionalmente, o contribuinte poderá calcular o crédito de que trata o inciso III do § 1º deste artigo, relativo à aquisição de embalagens de vidro retornáveis, classificadas no código 7010.90.21 da Tipi, destinadas ao ativo imobilizado, de acordo com regulamentação da Secretaria da Receita Federal do Brasil: ( Redação dada pela Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008 ) I no prazo de 12 (doze) meses, à razão de 1/12 (um doze avos); ou ( Incluído pela Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008 ) Fl. 1366DF CARF MF 16 II na hipótese de opção pelo regime especial instituído pelo art. 58J desta Lei, no prazo de 6 (seis) meses, à razão de 1/6 (um sexto) do valor da contribuição incidente, mediante alíquota específica, na aquisição dos vasilhames, ficando o Poder Executivo autorizado a alterar o prazo e a razão estabelecidos para o cálculo dos referidos créditos. ( Incluído pela Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008 ) § 17. Ressalvado o disposto no § 2º deste artigo e nos §§ 1º a 3º do art. 2º desta Lei, na aquisição de mercadoria produzida por pessoa jurídica estabelecida na Zona Franca de Manaus, consoante projeto aprovado pelo Conselho de Administração da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota: (Redação dada pela Lei 12.507, de 11 de outubro de 2011) I de 5,60% (cinco inteiros e sessenta centésimos por cento), nas operações com os bens referidos no inciso VI do art. 28 da Lei nº 11.196, de 21 de novembro de 2005; (Incluído pela Lei 12.507, de 11 de outubro de 2011) II de 7,60% (sete inteiros e sessenta centésimos por cento), na situação de que trata a alínea "b" do inciso II do § 5º do art. 2º desta Lei; e (Incluído pela Lei 12.507, de 11 de outubro de 2011) III de 4,60% (quatro inteiros e sessenta centésimos por cento), nos demais casos. (Incluído pela Lei 12.507, de 11 de outubro de 2011) § 18. No caso de devolução de vendas efetuadas em períodos anteriores, o crédito calculado mediante a aplicação da alíquota incidente na venda será apropriado no mês do recebimento da devolução. ( Redação dada pela Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008 ) § 19. A empresa de serviço de transporte rodoviário de carga que subcontratar serviço de transporte de carga prestado por: ( Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004 ) I – pessoa física, transportador autônomo, poderá descontar, da Cofins devida em cada período de apuração, crédito presumido calculado sobre o valor dos pagamentos efetuados por esses serviços; ( Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004 ) II pessoa jurídica transportadora, optante pelo SIMPLES, poderá descontar, da Cofins devida em cada período de apuração, crédito calculado sobre o valor dos pagamentos efetuados por esses serviços. ( Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004 ) § 20. Relativamente aos créditos referidos no § 19 deste artigo, seu montante será determinado mediante aplicação, sobre o valor dos mencionados pagamentos, de alíquota correspondente a 75% (setenta e cinco por cento) daquela constante do art. 2º desta Lei. ( Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004 ) § 21. Não integram o valor das máquinas, equipamentos e outros bens fabricados para incorporação ao ativo imobilizado na forma do inciso VI do caput deste artigo os custos de que tratam Fl. 1367DF CARF MF Processo nº 19515.000187/201131 Acórdão n.º 3301003.464 S3C3T1 Fl. 1.360 17 os incisos do § 2 º deste artigo. ( Incluído pela Lei n º 11.196, de 21/11/2005 ) § 22.( Vide Medida Provisória n° 413, de 3 de janeiro de 2008 ) § 23. O disposto no § 17 deste artigo também se aplica na hipótese de aquisição de mercadoria produzida por pessoa jurídica estabelecida nas Áreas de Livre Comércio de que tratam as Leis nos 7.965, de 22 de dezembro de 1989, 8.210, de 19 de julho de 1991, e 8.256, de 25 de novembro de 1991, o art. 11 da Lei no 8.387, de 30 de dezembro de 1991, e a Lei no 8.857, de 8 de março de 1994. ( Redação dada pela Lei nº 11.945, de 4 de junho de 2009 ) § 24. Ressalvado o disposto no § 2o deste artigo e nos §§ 1o a 3o do art. 2o desta Lei, na hipótese de aquisição de mercadoria revendida por pessoa jurídica comercial estabelecida nas Áreas de Livre Comércio referidas no § 23 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota de 3% (três por cento). ( Redação dada pela Lei nº 11.945, de 4 de junho de 2009 ) § 25. No cálculo do crédito de que tratam os incisos do caput, poderão ser considerados os valores decorrentes do ajuste a valor presente de que trata o inciso III do caputdo art. 184 da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976. (Incluído pela Lei nº 12.973, de13 de maio de 2014)(Vide art. 119 da Lei nº 12.973/2014) § 26. O disposto nos incisos VI e VII do caput não se aplica no caso de bem objeto de arrendamento mercantil, na pessoa jurídica arrendatária. (Incluído pela Lei nº 12.973, de13 de maio de 2014)(Vide art. 119 da Lei nº 12.973/2014) § 27. Para fins do disposto nos incisos VI e VII do caput, fica vedado o desconto de quaisquer créditos calculados em relação a: (Incluído pela Lei nº 12.973, de13 de maio de 2014)(Vide art. 119 da Lei nº 12.973/2014) I encargos associados a empréstimos registrados como custo na forma da alínea "b" do § 1o do art. 17 do DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977; e (Incluído pela Lei nº 12.973, de13 de maio de 2014)(Vide art. 119 da Lei nº 12.973/2014) II custos estimados de desmontagem e remoção do imobilizado e de restauração do local em que estiver situado. (Incluído pela Lei nº 12.973, de13 de maio de 2014)(Vide art. 119 da Lei nº 12.973/2014) § 28. No cálculo dos créditos a que se referem os incisos VI e VII do caput, não serão computados os ganhos e perdas decorrentes de avaliação de ativo com base no valor justo. (Incluído pela Lei nº 12.973, de13 de maio de 2014)(Vide art. 119 da Lei nº 12.973/2014) Fl. 1368DF CARF MF 18 § 29. Na execução de contratos de concessão de serviços públicos, os créditos gerados pelos serviços de construção, recuperação, reforma, ampliação ou melhoramento de infraestrutura, quando a receita correspondente tiver contrapartida em ativo intangível, representativo de direito de exploração, ou em ativo financeiro, somente poderão ser aproveitados, no caso do ativo intangível, à medida que este for amortizado e, no caso do ativo financeiro, na proporção de seu recebimento, excetuado, para ambos os casos, o crédito previsto no inciso VI do caput. (Incluído pela Lei nº 12.973, de13 de maio de 2014)(Vide art. 119 da Lei nº 12.973/2014) § 30. O disposto no inciso XI do caput não se aplica ao ativo intangível referido no § 29. (Incluído pela Lei nº 12.973, de13 de maio de 2014)(Vide art. 119 da Lei nº 12.973/2014) O inciso II do caput do artigo 3º dessas Leis utiliza o termo “insumos” para caracterizar o direito ao crédito, tanto na produção de bens, quanto na prestação de serviços. Todavia, o legislador não se ocupou de definir a amplitude ou abrangência do termo, para distinguir os diferentes significados em que pode ser tomado. Cabe ao intérprete da lei executar a tarefa de alcançar a mens legis, o norte interpretativo que possa cuidar de cada caso em concreto, observando o fim a que a lei busca (art. 5º da Lei de Introdução do Código Civil). Uma primeira possível interpretação trata de equivaler o termo “insumo” aos dispêndios gerais da empresa, à semelhança dos custos e despesas da legislação do Imposto de Renda. Todavia, a enumeração exaustiva e específica de rubricas nos incisos III a XI do caput do artigo 3º, acima mencionados, afasta tal entendimento, posto que seriam inúteis se tal interpretação fosse abrigada. Outra tentativa trata de igualar o significado do termo às matériasprimas e produtos intermediários na legislação do IPI, restringindoo àquele insumo que tem contato direto com o produto fabricado. Essa vertente foi adotada pela Receita Federal, conforme Instruções Normativas 247/2002 e 404/2004. Mas a legislação de Pis e da Cofins não faz nenhuma referência à legislação do IPI para esse fim, e abrange realidades econômicas diversas das indústrias. Verificase, na verdade, que o Parecer CST nº 65/79, que historicamente se tornou o normativo base para a interpretação dos créditos de IPI, desenvolve sua argumentação para distinguir o termo “insumos”, dos produtos intermediários que possam gerar crédito de IPI. Portanto, o próprio conjunto normativo do IPI assenta que o termo insumos é mais abrangente que o de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem.Ora, a legislação de Pis e Cofins trata de insumos. Portanto, a aproximação dessas duas legislações para caracterização dos respectivos direitos de crédito é imprópria. Alguns utilizam o critério da essencialidade para fins de caracterização do insumo como gerador de crédito. Não posso concordar, pois, a rigor, todos os gastos de uma empresa são, em alguma medida, necessários ao seu funcionamento com qualidade. Não é esse o critério da Lei, posto que, no limite, poderia ensejar o aproveitamento de todos os dispêndios. Na exposição de motivos da MP 135/2003, que foi convertida na Lei 10.833/2003, consta que foi adotado “o método indireto subtrativo”... “em que o contribuinte poderá descontar, do valor da contribuição devida, créditos apurados em relação aos bens e serviço adquiridos, custos, despesas e encargos que menciona”. Fl. 1369DF CARF MF Processo nº 19515.000187/201131 Acórdão n.º 3301003.464 S3C3T1 Fl. 1.361 19 Em consonância com a exposição de motivos (custos, despesas e encargos), a construção do artigo 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 levanos a crer que os incisos I e II somente se referem a custos. Inciso I – custo de empresas comerciais; Inciso II – custo de empresas industriais e de serviços; Incisos III a XI – despesas e encargos específicos. Nesse contexto, e considerando equanimidade entre empresas comerciais e empresas industriais ou de serviços, o custo do produto ou dos serviços equivaleria a todos os gastos intrinsecamente ligados ao produto ou serviço, alcançando o produto pronto em estoque, ou serviço concluído. Exemplificativamente, nenhum gasto com marketing, contabilidade, sistemas, pesquisa de viabilidade, qualificação, gastos ativáveis, nenhum desses é permitido para empresas comerciais, e portanto, não o serão também para empresas industriais e de serviços, no que se refere ao inciso II do art. 3º da Lei, isto é, sob o conceito de insumos. Por outro lado, despesas com manutenção de equipamentos de produção, despesas ambientais e semelhantes, que são necessários, em ambiente de produção ou prestação de serviços, para o alcance do produto acabado em estoque, ou para conclusão do serviço, geram direito a crédito. Com esse norte conceitual, passo à análise das divergências na base de cálculo e glosas de créditos do presente caso concreto. 1 – Ajustes da Base de Cálculo a) Conta 3015 – Descontos Concedidos À folha 300 o auditorfiscal informa a glosa de descontos incondicionais. À folhas 303 a 353, temos as planilhas de apuração do auditorfiscal, onde se constata que a base de cálculo utilizada pelo auditor foi a receita de bens e serviços do grupo contábil 3.1.11, sem que se deduzam os descontos incondicionais ou vendas canceladas. A contribuinte alega que a conta 3015 registraria, na verdade, “erro operacional nas emissões” de CTRC. Seriam, portanto, vendas canceladas. Conforme art. 1º, §3º, inciso V, alínea “a”, das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, tanto os descontos incondicionais quanto as vendas canceladas não se incluem na base de cálculo das contribuições nãocumulativas: “§ 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: (...) V referentes a: vendas canceladas e aos descontos incondicionais concedidos;” Fl. 1370DF CARF MF 20 Entretanto, a conta na verdade é nomeada “Descontos Concedidos”, o que não se confunde com descontos incondicionais concedidos. Os incondicionais são aqueles consignados no documento fiscal, enquanto os outros são dependentes de condições posteriores à emissão do documento fiscal. Da forma como está contabilizada, a conta não pode ser deduzida da base de cálculo das contribuições, e, não tendo a contribuinte provado a natureza diversa da conta, sendo seu o ônus, não cabe acatar suas alegações. Os registros contábeis fazem prova contra o contribuinte, nos termos do art. 226 do Código Civil: “Art. 226. Os livros e fichas dos empresários e sociedades provam contra as pessoas a que pertencem, e, em seu favor, quando, escriturados sem vício extrínseco ou intrínseco, forem confirmados por outros subsídios. Parágrafo único. A prova resultante dos livros e fichas não é bastante nos casos em que a lei exige escritura pública, ou escrito particular revestido de requisitos especiais, e pode ser ilidida pela comprovação da falsidade ou inexatidão dos lançamentos.” Além do mais, conforme se verifica nas planilhas de apuração às folhas 897 a 944, a contribuinte não deduziu tais valores da base de cálculo, mas calculou créditos sobre eles, procedimento que não guarda nenhum fundamento legal. Pelo exposto, voto pelo desprovimento neste ponto. b) Conta 4026 – Pedágio A contribuinte deduziu da base de cálculo das contribuições os lançamentos desta conta, a título de pedágio. A Lei 10.209/2001 trata de valepedágio, valor recebido pelo transportador: “Art. 1º Fica instituído o ValePedágio obrigatório, para utilização efetiva em despesas de deslocamento de carga por meio de transporte rodoviário, nas rodovias brasileiras. § 1º O pagamento de pedágio, por veículos de carga, passa a ser de responsabilidade do embarcador. § 2º Para efeito do disposto no § 1º, considerase embarcador o proprietário originário da carga, contratante do serviço de transporte rodoviário de carga. (...) Art. 2º O valor do ValePedágio não integra o valor do frete, não será considerado receita operacional ou rendimento tributável, nem constituirá base de incidência de contribuições sociais ou previdenciárias.” Todavia, não houve reajuste da base de cálculo relacionado ao valepedágio. Conforme se verifica nos balancetes mensais, os valores deduzidos da base de cálculo pelo contribuinte se referem a despesas de pedágio, do grupo contábil 4.1.13, de Despesas Diretas Fl. 1371DF CARF MF Processo nº 19515.000187/201131 Acórdão n.º 3301003.464 S3C3T1 Fl. 1.362 21 da Frota. Nesse sentido, registra os pagamentos de pedágios, como despesas, conforme a própria contribuinte esclarece no âmbito da diligência fiscal (folha 1.297). Não se trata, pois, de receitas de valepedágio dedutíveis da base de cálculo. Portanto, o ajuste da base de cálculo, para desconsiderar tal dedução se mostra totalmente correta. c) Inclusão do ICMS e do ISS na Base de Cálculo das Contribuições A recorrente sustenta que o ICMS não integra a base de cálculo das contribuições nãocumulativas, apresentando jurisprudência a respeito. A base de cálculo do Pis e da Cofins, nos termos da legislação, é a totalidade das receitas auferidas pela empresa (art. 1º, §§ 1º e 2º, das Leis 10.637 e 10.833/2003), excluídas as parcelas expressamente permitidas (§3º dos mesmos artigos): Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, com a incidência não cumulativa, incide sobre o total das receitas auferidas no mês pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta de que trata o art. 12 do DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica com os seus respectivos valores decorrentes do ajuste a valor presente de que trata o inciso VIII do caput do art. 183 da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976. § 2o A base de cálculo da Cofins é o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, conforme definido no caput e no § 1o. § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: I isentas ou não alcançadas pela incidência da contribuição ou sujeitas à alíquota 0 (zero); II de que trata o inciso IV do caput do art. 187 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, decorrentes da venda de bens do ativo não circulante, classificado como investimento, imobilizado ou intangível; III auferidas pela pessoa jurídica revendedora, na revenda de mercadorias em relação às quais a contribuição seja exigida da empresa vendedora, na condição de substituta tributária; IV (Revogado pela Lei nº 11.727, de 2008) V referentes a: a) vendas canceladas e aos descontos incondicionais concedidos; b) reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do Fl. 1372DF CARF MF 22 patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de participações societárias, que tenham sido computados como receita; VI decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996. VII financeiras decorrentes do ajuste a valor presente de que trata o inciso VIII do caput do art. 183 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, referentes a receitas excluídas da base de cálculo da Cofins; VIII relativas aos ganhos decorrentes de avaliação do ativo e passivo com base no valor justo; IX de subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos, concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos e de doações feitas pelo poder público; X reconhecidas pela construção, recuperação, reforma, ampliação ou melhoramento da infraestrutura, cuja contrapartida seja ativo intangível representativo de direito de exploração, no caso de contratos de concessão de serviços públicos; XI relativas ao valor do imposto que deixar de ser pago em virtude das isenções e reduções de que tratam as alíneas “a”, “b”, “c” e “e” do § 1o do art. 19 do DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977; e (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) XII relativas ao prêmio na emissão de debêntures. Não há previsão legal para exclusão do ICMS, exceto o ICMS por substituição, o que não é o caso presente. A receita bruta, conforme prevista no art. 12 do DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, é assim definida: Art. 12. A receita bruta compreende: (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) I o produto da venda de bens nas operações de conta própria; (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) II o preço da prestação de serviços em geral; (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) III o resultado auferido nas operações de conta alheia; e (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) Fl. 1373DF CARF MF Processo nº 19515.000187/201131 Acórdão n.º 3301003.464 S3C3T1 Fl. 1.363 23 IV as receitas da atividade ou objeto principal da pessoa jurídica não compreendidas nos incisos I a III. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) A exclusão dos tributos incidentes somente se faz para encontrar o valor da receita líquida, conforme §1º do mesmo artigo: § 1º A receita líquida de vendas e serviços será a receita bruta diminuída das vendas canceladas, dos descontos concedidos incondicionalmente e dos impostos incidentes sobre vendas. § 1o A receita líquida será a receita bruta diminuída de: (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) I devoluções e vendas canceladas; (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) II descontos concedidos incondicionalmente; (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) III tributos sobre ela incidentes; e (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) IV valores decorrentes do ajuste a valor presente, de que trata o inciso VIII do caput do art. 183 da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976, das operações vinculadas à receita bruta. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) § 2º O fato de a escrituração indicar saldo credor de caixa ou a manutenção, no passivo, de obrigações já pagas, autoriza presunção de omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção. § 3º Provada, por indícios da escrituração do contribuinte ou qualquer outro elemento de prova, a omissão de receita, a autoridade tributária poderá arbitrála com base no valor de recursos de caixa fornecidos à sociedade por administradores, sócios da sociedade de pessoas, ou pela acionista controlador da companhia, se a efetividade da entrega e a origem dos recursos não forem comprovadamente demonstradas. § 3º Provada, por indícios na escrituração do contribuinte ou qualquer outro elemento de prova, a omissão de receita, a autoridade tributária poderá arbitrála com base no valor dos recursos de caixa fornecidos à empresa por administradores, sócios da sociedade não anônima, titular da empresa individual, ou pelo acionista controlador da companhia, se a efetividade da entrega e a origem dos recursos não forem comprovadamente demonstradas.(Redação dada pelo Decretolei nº 1.648, de 1978). § 4o Na receita bruta não se incluem os tributos não cumulativos cobrados, destacadamente, do comprador ou contratante pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos Fl. 1374DF CARF MF 24 serviços na condição de mero depositário. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) § 5o Na receita bruta incluemse os tributos sobre ela incidentes e os valores decorrentes do ajuste a valor presente, de que trata o inciso VIII do caput do art. 183 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, das operações previstas no caput, observado o disposto no § 4o. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) Desse modo, a base de cálculo do Pis e da Cofins nãocumulativos abrange os tributos incidentes sobre a receita bruta ou faturamento, tais como o ICMS e o ISS. O Carf não pode afastar a aplicação da Lei sob considerações de inconstitucionalidade, de acordo com a Súmula 2 e artigo 26A do Decreto 70.235/72: Súmula 2: O Carf não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Art. 26A do PAF: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; II – que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993. As exceções do §6º não estão caracterizadas. Também não se verificam as exceções tratadas no §1º do artigo 62 do Regimento Interno do Carf – RICARF. Pelo contrário, o STJ, no Resp 114469/PR decidiu, no regime de recursos repetitivos, com trânsito em julgado em 13/03/2017, que o ICMS integra as base de cálculo do Pis e da Cofins. Fl. 1375DF CARF MF Processo nº 19515.000187/201131 Acórdão n.º 3301003.464 S3C3T1 Fl. 1.364 25 O STF decidiu de forma diferente, no RE 574.706, em repercussão geral, porém o processo ainda não é definitivo, não sendo vinculante, nos termos do §2º do art. 621 do Ricarf. No caso do ISS, também há repetitivo do STJ, Resp 1330737/SP, que inclui o ISS na base de cálculo das contribuições. Pelo exposto, voto pelo desprovimento do recurso voluntário quanto aos ajustes na base de cálculo. 2 – Glosa de Insumos que Não Geram Direito a Crédito Conta 4026 Pedágio A contribuinte, além de ter deduzido da base de cálculo as despesas de pedágio, também creditouse de Pis e Cofins sobre os valores desta conta. Considerando a conceituação de insumos passíveis de geração de crédito, e que as despesas de pedágio suportadas pela recorrente, conforme seus esclarecimentos à folha 1.297, compõem a materialidade da prestação de serviços de transporte, deve ser afastada a glosa, e dado provimento nesta matéria. Conta 4027 – Estacionamentos Em casos de viagens mais longas, é possível aventar a necessidade de despesas com estacionamento para os veículos. Nesse contexto, são despesas inerentes à atividade, passíveis de gerar créditos. Embora possam existir outras despesas de estacionamento não vinculadas propriamente aos veículos transportadores, tal detalhamento não foi objeto do trabalho fiscal, devendose considerar indevida a glosa nesta matéria. Conta 4038 – Despesas Diversas e Conta 4039 – Recarga de extintores Estas contas pertencem ao grupo contábil 4.1.14 – Despesas de Manutenção da Frota. Como tais, estão vinculadas à preservação do Ativo Imobilizado, e, portanto, não estão vinculadas à atividade operacional da prestação de serviços. Tratase de despesas gerais ou administrativas, necessárias à empresa, mas não pertencentes, como insumos, à operação da prestação de serviços. Portanto, mantenho a glosa relativa a esta despesa. Conta 4034 – Serviços Prestados por Terceiros P.F. De mesmo modo que as contas anteriores, pertence ao grupo contábil 4.1.14 – Despesas de Manutenção da Frota, e portanto, registra despesas com a preservação do Ativo Imobilizado, não podendo gerar diretamente créditos de Pis e Cofins. Adicionalmente, o §2º, art 3º, da Lei 10.637/2002 e § 2º art 3º, da Lei 10.833/2003 vedam o crédito sobre pagamentos a pessoas físicas. Grupo Contábil 4.1.15 1 § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Fl. 1376DF CARF MF 26 Nesse grupo, conforme se verifica nas planilhas de cálculo (folhas 303 a 333), as contas relativas a serviços de transporte prestados por pessoas físicas (contas 4041, 4043 e 4045) tiveram os créditos recalculados para corresponder ao crédito presumido, nos termos dos §§ 19 e 20 do art. 3º, e art. 15, II, da Lei 10.833/2003. Portanto, não há correções a fazer. Contas 4048 – Despesas de Viagens e 4049 – Lanches e Refeições Tais contas pertencem ao grupo contábil 4.1.16 – Despesas de Viagens Operacionais. Como tais, inseremse no contexto e revelamse necessárias à consecução da prestação de serviços, razão pela qual afasto a glosa procedida. Contas 4051 – Indenizações p/ Avarias, conta 4047 – Indenizações p/ faltas, conta 4199 – Indenizações p/ atraso, conta 4200 – Indenizações p/ Sinistro Tais contas pertencem ao grupo contábil 4.1.17 – Despesas Indiretas de Transportes. Como bem esclarece o próprio nome da conta, tratase de despesas administrativas, e não se revelam como insumos gastos na prestação dos serviços, ainda que necessárias ao funcionamento da empresa como um todo. Nesta matéria, mantenho a glosa. Conta 4052 – Seguros de Mercadorias, conta 4054 – Seguro de Veículos, conta 4055 – Seguro contra Incêncio/Roubo, conta 4056 – Seguro de Equipamentos, conta 4057 – Seguros Diversos Pertencentes ao grupo contábel 4.1.18, Seguros. Embora imprescindíveis à atividade da empresa, tais contas registram despesas administrativas, que não pertencem à operação mesma de proceder ao transporte de mercadorias. Revelamse como despesas assecuratórias do capital investido, e como tais, não geram direito a crédito de Pis e Cofins. Mantenho a glosa referente a esta matéria. Conta 4058 Serviço de Monitoramento e conta 4059 – Serviço de Escolta Pertencentes ao grupo contábil 4.1.19, Serviços de Gerenciamento. Tais serviços se fazem presentes na própria operação de transporte, e portanto, conforme conceituação adotada, permitem o creditamento pretendido. Afasto a glosa referente a esta matéria. Grupo contábil 4.1.21 – Despesas do Armazém Eventualmente o serviço de transporte multimodal necessita de local para armazenamento e transbordo, vinculandose, desse modo, à operação própria de transporte. Podem existir despesas do armazém desvinculadas da operação de transporte, porém não há no trabalho fiscal detalhamento suficiente para tal distinção, razão pela qual a glosa deve ser afastada. Excetuo dessas considerações relativas às despesas do armazém as seguintes contas: Conta 4062 – Carga e Descarga P. Física, em razão do §2º, art 3º, da Lei 10.637/2002 e § 2º art 3º, da Lei 10.833/2003, que vedam o crédito sobre pagamentos a pessoas físicas; Fl. 1377DF CARF MF Processo nº 19515.000187/201131 Acórdão n.º 3301003.464 S3C3T1 Fl. 1.365 27 Conta 4067 – Conservação de Bens, por vincularse à preservação do imobilizado, conforme já fundamento acima; Para estas contas, a glosa deve ser mantida. j) Grupo contábil 4.2.13 Serviços de Terceiros ADM Abrange contas relativas a diversos serviços administrativos, tais como contábeis, advocatícios, vigilâncias, assistências técnica, coleta de lixo, consultoria, informática, despachantes. Tratase, tipicamente, de despesas administrativas, que não podem gerar crédito, conforme já visto. Adicionalmente, serviços pagos a pessoa física têm vedação expressa, §2º, art 3º, da Lei 10.637/2002 e § 2º art 3º, da Lei 10.833/2003. Mantenho a glosa para esta matéria. Grupo contábil 4.2.14 – Despesas com Materiais ADM Abrange diversas contas de materiais de escritório, informática e semelhantes. Conforme conceituação vista, não geram crédito de Pis e Cofins. Mantenho a glosa. Conta 4106 Condomínios A legislação prevê o cálculo de créditos sobre aluguéis, porém não há nenhuma previsão expressa para as despesas de condomínio. Portanto, considerando que as permissões legais são exaustivas, não há como permitir tal crédito. Mantenho a glosa. Conta 4113 – Telefones e Rádios Pertence ao grupo contábil 4.2.17, Despesas com Comunicações. Tal conta registra valores que podem se referir a comunicação necessária com os motoristas, em contexto de viagem, e desse modo, permitindo o crédito. Não existindo no processo diferenciação quanto a outras utilizações, a glosa deve ser afastada. n) Conta 4114 – Correio Eletrônico – email; Conta 4115 – Correios e Selos Postais Pertencem ao grupo contábil 4.2.17, Despesas com Comunicações. São despesas administrativas, que não se inserem no contexto do transporte propriamente dito. Mantenho a glosa. Grupo Contábil 4.2.18 – Despesas Gerais Administrativas São despesas gerais administrativas diversas. Exemplifico com o balancete de janeiro/2006: Fl. 1378DF CARF MF 28 Com exceção da conta 4116 – Energia Elétrica, que expressamente foi prevista na legislação como insumo gerador de créditos (art. 3º, inciso III, da Lei 10.833/2003 e art. 3º, inciso IX da Lei 10.637/2002), e que foi admitida pelo auditorfiscal, as demais contas são todas relativas a despesas administrativas e não encontram previsão legal expressa para geração de créditos. Mantenho a glosa. Pelo exposto, voto pelo provimento parcial do Recurso Voluntário. Fl. 1379DF CARF MF Processo nº 19515.000187/201131 Acórdão n.º 3301003.464 S3C3T1 Fl. 1.366 29 Voto Vencedor Conselheiro Valcir Gassen – Redator designado Salientase que o presente voto vencedor tem por objeto unicamente a Conta 4039 – Recarga de extintores, visto que nos demais itens e contas referentes o voto do Relator fora mantido na decisão colegiada. O Conselheiro Relator negou provimento ao Recurso Voluntário, portanto, mantendo a glosa, por entender que as despesas de manutenção da frota, incluído nestas a recarga de extintores, não estariam vinculadas à atividade operacional de prestação de serviços. Assim ficou consignado no voto do Relator: Conta 4038 – Despesas Diversas e Conta 4039 – Recarga de extintores Estas contas pertencem ao grupo contábil 4.1.14 – Despesas de Manutenção da Frota. Como tais, estão vinculadas à preservação do Ativo Imobilizado, e, portanto, não estão vinculadas à atividade operacional da prestação de serviços. Tratase de despesas gerais ou administrativas, necessárias à empresa, mas não pertencentes, como insumos, à operação da prestação de serviços. Portanto, mantenho a glosa relativa a esta despesa. Em que pese a posição interpretativa da legislação, formulada de forma bem fundamentada pelo Relator, é necessário divergir no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário neste ponto específico das despesas de recarga de extintores. A questão central aqui em análise diz respeito aos bens e serviços utilizados como insumos na prestação de serviços com a consequente aplicação dos artigos 3o. das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003. Citase aqui a Lei n. 10.637/2002 para melhor elucidar: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; A dificuldade da questão reside no alcance do termo “insumo” para que se possa caracterizar o direito ao crédito, visto que o legislador não estabeleceu maiores limites interpretativos ao termo. Cabe, portanto, ao intérprete, em cada caso em concreto, observar se os bens e serviços podem ser ou não considerados insumos. Como é sabido, a posição interpretativa de insumos nas contribuições não cumulativas tem ocupado muitas vezes uma posição intermediária entre o que se entende por matériasprimas e produtos intermediários na legislação do IPI em que se exige, via de regra, contato direto com o produto fabricado, e a legislação do IRPJ em que se considera os dispêndios gerais da empresa. Fl. 1380DF CARF MF 30 No presente processo entendese que a recarga de extintores está necessariamente vinculada como insumo necessário para atender as atividades do Contribuinte, visto que a atividade principal é o serviço de transporte. Para o exercício dessa atividade exige se, pela legislação no que concerne à segurança, a utilização de extintores, bem como a sua manutenção. Apenas para reforçar o argumento notese que a decisão colegiada contemplou também como insumo, a título de exemplo, desta forma afastando as glosas, quanto a conta 4026 pedágio despesa, 4027 estacionamentos, conta 4058 serviço de monitoramento, e, conta 4059 serviço de escolta. Por entender que a Conta 4039 – Recarga de extintores incluise no conceito de insumos passíveis de geração de crédito nas contribuições não cumulativas, pelo fato da necessidade de cumprir com exigência legal do porte de extintores nos veículos, bem como, por serem despesas inerentes à atividade do Contribuinte, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário neste ponto. Conselheiro Valcir Gassen – Redator designado Fl. 1381DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.720679/2012-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 03 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jun 14 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2009
IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. OPERAÇÕES SWAP. HEDGE. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS DISPENSADAS.
Os contratos constantes dos autos (fls. 180/384) referentes: às operações de financiamento para compra e venda de produtos alimentícios; às respectivas garantias; assim como aos contratos de swap - demonstram que as instituições financeiras brasileiras - Banco ABN AMRO Real S.A., Banco Votorantim S.A. e Banco Santander S.A. - atuaram, plenamente, como titulares nos contratos de câmbio e swap, estando dispensadas da retenção na fonte sobre o rendimento.
Numero da decisão: 2401-004.686
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso de ofício, e, no mérito, negar-lhe provimento. Ausente o conselheiro Carlos Alexandre Tortato.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201704
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2009 IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. OPERAÇÕES SWAP. HEDGE. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS DISPENSADAS. Os contratos constantes dos autos (fls. 180/384) referentes: às operações de financiamento para compra e venda de produtos alimentícios; às respectivas garantias; assim como aos contratos de swap - demonstram que as instituições financeiras brasileiras - Banco ABN AMRO Real S.A., Banco Votorantim S.A. e Banco Santander S.A. - atuaram, plenamente, como titulares nos contratos de câmbio e swap, estando dispensadas da retenção na fonte sobre o rendimento.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jun 14 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 19515.720679/2012-27
anomes_publicacao_s : 201706
conteudo_id_s : 5734244
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jun 14 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 2401-004.686
nome_arquivo_s : Decisao_19515720679201227.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
nome_arquivo_pdf_s : 19515720679201227_5734244.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso de ofício, e, no mérito, negar-lhe provimento. Ausente o conselheiro Carlos Alexandre Tortato. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
dt_sessao_tdt : Mon Apr 03 00:00:00 UTC 2017
id : 6807800
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:01:45 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049211169144832
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1199; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 2 1 1 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.720679/201227 Recurso nº De Ofício Acórdão nº 2401004.686 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 03 de abril de 2017 Matéria IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Recorrente COMPANHIA BRASILEIRA DE DISTRIBUIÇÃO Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2009 IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. OPERAÇÕES SWAP. HEDGE. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS DISPENSADAS. Os contratos constantes dos autos (fls. 180/384) referentes: às operações de financiamento para compra e venda de produtos alimentícios; às respectivas garantias; assim como aos contratos de “swap” demonstram que as instituições financeiras brasileiras Banco ABN AMRO Real S.A., Banco Votorantim S.A. e Banco Santander S.A. atuaram, plenamente, como titulares nos contratos de câmbio e “swap”, estando dispensadas da retenção na fonte sobre o rendimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 06 79 /2 01 2- 27 Fl. 1081DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso de ofício, e, no mérito, negarlhe provimento. Ausente o conselheiro Carlos Alexandre Tortato. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. Fl. 1082DF CARF MF Processo nº 19515.720679/201227 Acórdão n.º 2401004.686 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Período de apuração: 2007 e 2009 Tratase de crédito tributário, lançado através de Auto De Infração por descumprimento de obrigação acessória, lavrado em 26/03/2012, referende à Imposto de Renda retido na fonte, anos calendários 2007 a 2009, no valor total de R$ 25.900. 489,31 (vinte cinco milhões, novecentos mil, quatrocentos e oitenta nove reais e trinta um centavos). Segundo o Termo de Verificação de Infração Fiscal (fls. 745/751), observase que o contribuinte firmou contratos relativos às operações de "swap" e de "hedge" com as seguintes instituições financiadoras: ABN AMRO Bank N.V.;; BANCO SANTANDER CENTRAL HISPANO S.A. LONDON BRANCH; SANTANDER OVERSEAS BANK, INC, cujas operações foram intermediadas e realizadas pelas seguintes instituições: Banco ABN AMRO Real S.A.; Banco Votorantim S.A. e Banco Santander S.A. Registrese ainda que, conforme informação da autoridade lançadora, as operações de "swap" ocasionaram perdas à empresa fiscalizada – COMPANHIA BRASILEIRA DE DISTRIBUIÇÃO e expressivos ganhos às instituições financeiras que participaram de tais operações (Banco ABN AMRO Real S.A.; Banco Votorantim S.A. e Banco Santander S.A.), sendo que assim, a titularidade de tais contratos é da empresa fiscalizada, não podendo ser atribuída às instituições financeiras que participaram das operações a estrita interpretação do inciso I do artigo 56 da IN RFB nº 1022/10, que dispensa a retenção na fonte ou o pagamento em separado do imposto sobre a renda sobre os rendimentos ou ganhos líquidos auferidos em aplicações financeiras de renda fixa, etc Afirma ainda, que as operações de "swap" efetuadas pela empresa estavam parcialmente lastreadas na triangulação de exportações de "commodities" (a empresa se comprometia a exportar as "commodities" a serem adquiridas de terceiras empresas: CARGILL AGRÍCOLA S/A e COMÉRCIO E INDÚSTRIAS BRASILEIRAS COINBRA S/A), não guardando estrita relação com as atividades operacionais da empresa, a qual se dedica ao comércio varejista. Assim conclui que a empresa fiscalizada que se dedica ao comércio varejista, deveria reter e recolher o IRRF, no vencimento legal, quanto às perdas incorridas nas operações de “swap” que empreendeu, mesmo se tratando, eventualmente, de operação de “hedge”. Por se tratar de Imposto de Renda Retido na Fonte, a retenção e o recolhimento são de responsabilidade da fonte pagadora, no caso, da empresa fiscalizada (IRRF sobre as operações de "swap": art. 756 do RIR/99 e art. 40 da Instrução Normativa RFB n° 1.022, de 5 de abril de 2010, alterada pela Instrução Normativa RFB n° 1.043, de 15 de junho de 2010 e pela Instrução Normativa RFB n° 1.236, de 11 de janeiro de 2012). Nesse descortino, a Autoridade Fiscal ainda procedeu o lançamento, inclusive : a)de Multa Isolada por falta de retenção ou recolhimento do IRRF enquadramento legal: art. 9° da Lei n° 10.426/2002, com redação dada pelo Fl. 1083DF CARF MF 4 art. 16 da Lei 11.488/2007; art. 957 do RIR/99 e Parecer Normativo N° 1, de 24 de setembro de 2002. b)Juros Isolados devidos pela falta/atraso na retenção ou recolhimento do IRRF enquadramento legal: art. 61, § 3°, da Lei n° 9.430/96. Irresignada, a contribuinte apresentou Impugnação de fls. 793/849, acompanhada dos documentos de fls. 850/986, aduzindo, que não reteve o Imposto de Renda na Fonte ("IR Fonte"), porque considerou que: "em se tratando de rendimentos auferidos em operações de renda variável por instituição financeira estabelecida no Brasil, não é devida a retenção do imposto." Alega ainda, não ter sido apresentado o fundamento legal ou infralegal pelo qual a estaria obrigada a efetuar referida retenção; que celebrou, exclusivamente com instituições financeiras nacionais, contratos de swap cambial (também denominados contratos de troca de posições financeiras), justamente para proteger a exposição de seu patrimônio em relação a possível e eventual valorização da moeda estrangeira perante a moeda nacional, uma vez que isto resultaria em majoração de seu passivo. Continuamente, afirma que referido contrato de swap teve o objetivo de proteger o patrimônio da Impugnante contra a valorização do dólar norteamericano perante o real, tendo em vista o contrato de PréPagamento de Exportação, em moeda estrangeira, firmado pela Impugnante com o Banco Santander Central Hispano, S.A. London Branch em 8 de julho de 2004. Questiona, que o Termo de verificação Fiscal não efetua a demonstração do cálculo previsto nos fundamentos legais para a aplicação da Multa Isolada, bem como dos Juros Isolados, configurando cerceamento de defesa. No tocante as alegações de que as operações de swap eram especulativas (fls. 749/750) não existe comprovação. Todos os contratos de swap que se tornaram objeto do presente Auto de Infração foram celebrados com instituição financeira estabelecida no Brasil e tiveram a finalidade de hedge, na acepção do parágrafo l do artigo 77 da Lei n° 8.981/95. Relata que a regra de incidência do IRRF prevista no art. 32 da IN SRF n° 25/01 está sujeita a diversas exceções, tal como a do artigo 35 da referida IN. Que os incisos I e II do artigo 35, produziu efeitos no período compreendido entre 6/3/2001 e 7/4/2010, dispensava da sujeição ao IR Fonte, os rendimentos auferidos por instituições financeiras em operações de renda variável realizadas em bolsa ou no mercado de balcão organizado, autorizado pelo órgão competente. Quanto ao raciocínio apresentado pelos AuditoresFiscais no Item 17 do Termo de Verificação Fiscal, fica sem sentido porque a obrigação da fonte pagadora (Impugnante) de fazer a retenção do Imposto de Renda, sobre os rendimentos auferidos por instituições financeiras nas operações de renda variável, está dispensada nos termos do artigo 35, incisos I e II, da IN SRF n° 25/01. Afirma ainda que os contratos de swap, sobre cujos pagamentos a Impugnante não fez a retenção e recolhimento de IR Fonte, foram firmados com instituições financeiras nacionais. Basta a leitura dos mencionados contratos, anexados pelas Autoridades Fiscais às fls. 189/190, 372/373, 203/205, 200/202 e 317. Por fim, relata que os pagamentos efetuados pela Impugnante às instituições financeiras estabelecidas no Brasil, contraparte em contratos de "swap" cambial, a título de Fl. 1084DF CARF MF Processo nº 19515.720679/201227 Acórdão n.º 2401004.686 S2C4T1 Fl. 4 5 perdas em operações de renda variável, estão dispensados da retenção do IR Fonte, seja por força: (i) do artigo 5°, parágrafo único, da Lei n° 9.779/99; (ii) do artigo 35 da IN SRF n° 25/01; (iii) do artigo 56 da IN RFB n° 1.022/10; ou, ainda, por força (iv) do artigo 774 do RIR/99. E requer o cancelamento integral do presente Auto de Infração. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (SP),converteu o processo em diligência, nos termos da decisão de fls. 995/999, para: “a) levar em consideração os argumentos, dados e documentos trazidos aos autos pela Impugnante (fls. 793/986) e indicar os que foram e os que não foram apreciados durante a auditoria fiscal; b) levar em consideração a alegação da Impugnante de que estavam dispensados da sujeição ao IR Fonte, os rendimentos auferidos por instituições financeiras em operações de renda variável cursadas em bolsa ou no mercado de balcão organizado, autorizado pelo órgão competente, para a carteira própria das entidades citadas no inciso I (IN SRF nº 25/01, incisos I e II do artigo 35) e esclarecer se, no presente caso, tratouse de operação de carteira própria de titularidade das instituições financeiras; c) elaborar planilha demonstrativa, por competência, da base de cálculo e das alíquotas aplicadas para apuração do valor a ser retido e recolhido, bem como da respectiva apuração da multa isolada e dos juros isolados de mora; d) elaborar relatório conclusivo, apresentando, caso seja necessário, os motivos de fato e de direito que justifiquem as alterações no lançamento; e) cientificar a Impugnante do resultado da diligência, bem como do presente despacho, com abertura do prazo de 30 dias para manifestação, nos termos da artigo 35 parágrafo único do Decreto nº 7.574/2011 e posterior remessa dos autos a esta Turma de Julgamento.” O resultado encontrase às fls. 1020/1025. A Autoridade Lançadora afirma, em síntese, que a Impugnação não trouxe nenhum documento novo que ainda não tivesse sido apresentado no curso da ação fiscal. Todos os documentos foram apreciados pela fiscalização. Ressalta que não existem elementos nos autos que comprovem ou demonstrem que os rendimentos auferidos pelos referidos bancos são fruto de operações de renda variável para a carteira própria dessas instituições financeiras, visto que, pelo exposto, não fica eliminada a hipótese dos recursos não se destinarem à carteira de títulos e valores Fl. 1085DF CARF MF 6 mobiliários registrados em tesouraria da instituição. Não é possível admitir ser unívoca a relação "ganhos líquidos auferidos pela instituição" com "e para a carteira própria das instituições financeiras", pois se assim fosse, o legislador estaria enxertando elementos inócuos ou redundantes no mandamento legal. Portanto somos pela proposta de manutenção irreparável do lançamento. Junta, às fls. 1025, Planilha Demonstrativa do cálculo do IRRF, multa e juros. Em 10/10/2014, a Impugnante manifestouse acerca do Relatório de Diligência Fiscal afirmando, em síntese, que: Os contratos de swap, celebrados com instituições financeiras (Banco ABN AMRO S/A, Banco Votorantim S/A e Banco Santander S/A), devidamente registrados na CETIP/BM&F foram juntados, que referidos documentos afastam qualquer dúvida acerca do atendimento às condições previstas no art. 77 da Lei nº 8.981/95, razão pela qual a Impugnante estava dispensada da obrigação de proceder à retenção do IRRF. Frisa que, tanto o Auto de Infração quanto o "Termo de Encerramento de Diligência" não fazem qualquer menção ao fundamento legal para aplicação de juros isolados, o que evidencia a improcedência de tal exigência. Os dispositivos legais apontados no lançamento e pelo D. Fiscal Diligente não são suficientes para lastrear o Auto de Infração, haja vista que nenhum deles foi infringido pela Impugnante. Além disso, em relação à aplicação de Juros Isolados, não houve sequer indicação do fundamento legal para sua exigência, nem no Auto de Infração nem na Diligência ora encerrada. Assim, ao deixar de apontar o dispositivo legal em que se enquadrariam os fatos narrados (segundo a sua ótica), a D. Fiscalização cerceou o direito de ampla defesa assegurado constitucionalmente aos litigantes no âmbito administrativo de julgamento. Com efeito, afirma que, diante da preterição do direito de defesa, em razão da ausência de especificação precisa e completa do enquadramento legal, deve ser declarada a nulidade do lançamento impugnando. Ressalta ainda, que a diligência não pode "consertar" os equívocos do lançamento, tampouco trazer novas acusações nem novos fundamentos não mencionados de modo expresso no Auto de Infração. Assim, a intenção do D. Fiscal Diligente de incluir novas razões para a manutenção da exigência, como se observa, por exemplo, em relação ao disposto no art. 111 do CTN, devem ser afastadas de plano por esse órgão de julgamento, declarandose a nulidade do feito, pelos motivos expostos acima, em face da vedação à correção de vícios insanáveis do lançamento. Nesse sentido, repete dos argumentos da Impugnação e afirma que não se pode perder de vista que os contratos de swap caracterizamse como instrumentos derivativos, sendo certo que tais operações tiveram como finalidade a proteção patrimonial da Impugnante (hedge), tendo em vista a exposição desta em operações atreladas ao dólar. Não resta dúvida de que se trata de operação que se enquadra plenamente na dispensa de retenção prevista no art. 77, inciso III, da Lei nº 8.981/95. Por fim, conclui que: Fl. 1086DF CARF MF Processo nº 19515.720679/201227 Acórdão n.º 2401004.686 S2C4T1 Fl. 5 7 a) A Diligência pretende corrigir vícios insanáveis do lançamento, que deixou de corretamente explicitar de forma clara e precisa os fundamentos legais da exigência. b) Apesar de ter indicado as supostas capitulações legais das infrações das quais é acusada a Impugnante, no que tange à exigência de multa isolada, o D. Fiscal Diligente não apontou qual o fundamento legal para exigência de juros isolados. c) Resta inequívoco que o lançamento deixou de demonstrar o cálculo dos valores exigidos, tendo sido necessária diligência para elaboração de tal demonstrativo. d) Tais fatos cercearam o direito de defesa da Impugnante, devendo ensejar a nulidade do lançamento. e) Diante da diligência realizada, com base nos documentos constantes dos autos, resta incontroverso que todos os contratos de swap objeto do presente processo foram firmados com instituições financeiras brasileiras, foram efetivamente realizados e registrados na BM&F e/ou CETIP, pelo que se caracterizam como instrumentos financeiros transacionados em mercado de balcão organizado. f) Desse modo, deve ser reconhecida a aplicação do art. 77, inciso III, da Lei nº 8.981/95, e a consequente improcedência da exigência, diante da dispensa de retenção na fonte do IRRF. g) A dispensa de retenção na fonte, no presente caso, está explicitamente prevista no art. 59, parágrafo único, da Lei nº 9.779/99. 45. Deste modo, reitera o seu pedido de acolhimento integral das razões apontadas na Impugnação e na presente manifestação à diligência, para o fim de ser cancelada a exigência fiscal na sua totalidade, na forma e para os fins de direito. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (SP) lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão nº 1663.849 4ª Turma da DRJ/SPO, às fls. 1.043/1.055, julgando improcedente o lançamento e excluindo o crédito tributário em sua integralidade, por entender que a Impugnante está contemplada pela isenção prevista nos art. 32 e 35 da IN SRF n° 25/01, estando dispensada do IRRF em face do artigo 77 da Lei nº 8.981/95; do artigo 59, parágrafo único, da Lei nº 9.779/99 e do artigo 774 do RIR/99. Recordese: “OPERAÇÕES SWAP. HEDGE. DISPENSA DE RETENÇÃO E PAGAMENTO. Fl. 1087DF CARF MF 8 As instituições financeiras estão dispensadas de retenção na fonte sobre os rendimentos de “swap” auferidos em operações de renda variável de carteira própria.” O Recorrente foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 07/01/2015, conforme termo de ciência às fls. 1.507. O processo foi submetido à apreciação desse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme determina a legislação que rege a matéria, por força de recurso necessário. É o relatório. Fl. 1088DF CARF MF Processo nº 19515.720679/201227 Acórdão n.º 2401004.686 S2C4T1 Fl. 6 9 Voto Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O Recurso de Ofício foi submetido à apreciação desse E. Colegiado, conforme determina a legislação que rege a matéria, por força de recurso necessário, já que na ocasião do julgamento pela DRJ, o valor do débito exonerado era superior a R$ 1 milhão. Todavia, em face à edição da Portaria nº 63/2017, o Ministério da Fazenda aumentou o valor limite de alçada para R$ 2,5 milhões, esse novo teto já pode ser aplicado no juízo de admissibilidade de Recurso de Ofício perante o CARF, em face à aplicação da Súmula nº 103 que estabelece como critério para o conhecimento do recurso de ofício, o valor de alçada vigente na data da análise pela segunda instância. Assim, tendo em vista que o valor exonerado pela instância a quo ultrapassa o limite de alçada, conforme se depreende do extrato do processo de fls., conheço do recurso de ofício, já que presentes os requisitos de admissibilidade. 2. MÉRITO Inicialmente impende salientar o arcabouço legislativo que a Fiscalização entendeu regular as obrigações referentes à incidência do IRRF sobre as operações de “swap”, no caso concreto, a saber: art. 756 do RIR/99; art. 40 e 56 da Instrução Normativa RFB nº 1.022/2010 e respectivas alterações; bem como o art. 29 da Lei nº 8.981/95 e art. 15 da Lei nº 9.249/95. Menciona ainda que o próprio art. 756 do RIR/99 faz referência expressa ao art. 74 da Lei nº 8.981/95 e ao art. 36 da Lei nº 9.532/97. Assim, objetivando uma análise minudente da questão material que envolve o lançamento em debate, é importante fixar a legislação que estava em vigor à época dos fatos geradores que integram o presente lançamento. Em que pese a Fiscalização fundamentar o lançamento no artigo 56 da Instrução Normativa RFB nº 1.022/2010, cabe observar que, à época dos fatos geradores – 2007; 2008 e 2009 estava em vigor a Instrução Normativa SRF nº 25 de 6 de março de 2001, que também regulamentou, de forma extensiva, a incidência do IRRF sobre tais operações de “swap”, bem como as hipóteses de dispensa de retenção ou de pagamento, in verbis: Art. 32. Estão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte, à alíquota de vinte por cento, os rendimentos auferidos em operações de swap. ......................................................................................................... § 2º O imposto será retido pela pessoa jurídica que efetuar o pagamento do rendimento, na data da liquidação ou da cessão do respectivo contrato. (grifos nossos) ......................................................................................................... Fl. 1089DF CARF MF 10 Art. 35. Estão dispensados a retenção na fonte ou o pagamento em separado do imposto de renda sobre os rendimentos ou ganhos líquidos auferidos: I em aplicações financeiras de renda fixa de titularidade de instituição financeira, sociedade de seguro, de previdência privada aberta e de capitalização, sociedade corretora de títulos, valores mobiliários e câmbio, sociedade distribuidora de títulos e valores mobiliários ou sociedade de arrendamento mercantil; II nas operações de renda variável realizadas em bolsa, no mercado de balcão organizado, autorizado pelo órgão competente, ou por meio de fundos de investimento, para a carteira própria das entidades citadas no inciso I; (grifos nossos) ......................................................................................................... § 3º Os rendimentos auferidos nas operações de cobertura (hedge), realizadas através de operações de swap por pessoa jurídica não relacionada no inciso I do caput, sujeitamse à incidência do imposto de renda na fonte, à alíquota de vinte por cento. (grifos nossos) ................................................................................................ Frisese que a Autoridade Fiscal, no lançamento guerreado, entendeu que as operações descritas no artigo 35, incisos I e II da referida IN SRF nº 25/2001, são atividades próprias de instituições financeiras e, portanto, somente elas estariam dispensadas das obrigações tributárias do IRRF. Referido entendimento não pode prosperar, conforme decidido à unanimidade pela instância a quo, nos termos esclarecidos a seguir. No caso sub examine, a fiscalização não carreou prova apta a demonstrar que as operações da empresa Companhia Brasileira de Distribuição possuíam caráter especulativo triangulação de exportação de “commodities” – nem tampouco que referidas operações não guardavam estrita relação com as atividades normais de comércio da empresa autuada. Também não juntou aos autos elementos cabais capazes de comprovar que tais recursos não se destinaram à carteira de títulos e valores mobiliários registrados em tesouraria da instituição (carteira própria). Assim, não logrouse comprovar que tais operações não possuíram o caráter de “hedge”. Em sentido contrário, por sua vez, a empresa demonstrou que a comercialização de soja, açúcar, café, laranja e outros produtos, tanto na forma de exportação, como na de importação, é atividade operacional do contribuinte, conforme disposto no art. 2º do Estatuto Social da Companhia, a saber: Art. 2º O objeto social da Sociedade é a comercialização de produtos manufaturados, semimanufaturados ou “in natura”, nacionais ou estrangeiros, de todo e qualquer gênero e espécie, natureza ou qualidade, desde que não vedada por lei. Parágrafo 1º A Sociedade poderá também praticar as seguintes atividades: Fl. 1090DF CARF MF Processo nº 19515.720679/201227 Acórdão n.º 2401004.686 S2C4T1 Fl. 7 11 a) a industrialização, processamento, manipulação, transformação, exportação, importação e representação de produtos, alimentícios ou não alimentícios, por conta própria ou de terceiros; b) o comércio internacional, inclusive de café; (...) Nesse mesmo diapasão, restou inequivocamente demonstrado pelo Contribuinte que os contratos de swap, sobre cujos pagamentos a Recorrida não fez a retenção de recolhimento de IR Fonte, foram firmados com instituições financeiras nacionais, e não com instituições estrangeiras como inferese da informação apresentada pela autoridade fiscal. Tudo a teor do que se observa dos contratos juntados às fls. 189/190, 200/202, 203/205, 317, 372/ 373, 380, referentes às operações de financiamento para compra e venda de produtos alimentícios; às respectivas garantias; assim como aos contratos de “swap” onde demonstram que as instituições financeiras brasileiras Banco ABN AMRO Real S.A., Banco Votorantim S.A. e Banco Santander S.A. atuaram, plenamente, como titulares nos contratos de câmbio e “swap”. Noutro giro, ad argumentandum tantum, mesmo que se admitisse que nos contratos de "swap" os rendimentos tivessem sido auferidos por residentes ou domiciliados no exterior (instituições financeiras estrangeiras), ainda assim a alíquota do IRRF seria zero, em decorrência da previsão constante no artigo 1°, inciso IV da Lei n° 9.481/97, in verbis: Art. 1º A alíquota do imposto de renda na fonte incidente sobre os rendimentos auferidos no País, por residentes ou domiciliados no exterior, fica reduzida para zero, nas seguintes hipóteses: (Redação dada pela Lei no 9.532, de 1997 ): ......................................................................................................... IV valores correspondentes a operações de cobertura de riscos de variações, no mercado internacional, de taxas de juros, de paridade entre moedas e de preços de mercadorias (hedge); § 1º Nos casos dos incisos II, III, IV, VIII, X, XI e XII do caput deste artigo, deverão ser observadas as condições, as formas e os prazos estabelecidos pelo Poder Executivo. (Renumerado com nova redação pela Lei nº 13.043, de 13 de novembro de 2014 ) (Vide art 113, inc II da Lei nº 13.043/2014) Fl. 1091DF CARF MF 12 Pelo exposto, não merece reparo o venerando acórdão recorrido, pois o contribuinte, no caso em comento, encontrase contemplado pela isenção prevista nos art. 32 e 35 da IN SRF n° 25/01, estando dispensado do IRRF em face do artigo 77 da Lei nº 8.981/95; do artigo 59, parágrafo único, da Lei nº 9.779/99 e do artigo 774 do RIR/99. Assim, não merece provimento o Recurso de Ofício. 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos CONHEÇO do Recurso de Ofício, para no mérito NERGALHE PROVIMENTO, nos termos do relatório e voto que acompanham o presente julgado. (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 1092DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 36392.000165/2007-47
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/10/1999 a 31/12/2005
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ALEGAÇÃO DE OMISSÃO CONTRADIÇÃO. INEXISTÊNCIA.
Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciar-se a turma. Não havendo no acórdão embargado obscuridade, omissão ou contradição, devem ser desacolhidos os declaratórios.
Embargos Rejeitados
Numero da decisão: 2202-003.763
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar os Embargos de Declaração, vencidos os Conselheiros Cecília Dutra Pillar, que acolheu os embargos, com efeitos infringentes, para considerar preclusa a matéria da retroatividade benigna da multa, e Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, que acolheu os embargos, para, sanando o vício apontado no acórdão embargado, manter a decisão original.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Cecilia Dutra Pillar, Marcio Henrique Sales Parada, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201704
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/10/1999 a 31/12/2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ALEGAÇÃO DE OMISSÃO CONTRADIÇÃO. INEXISTÊNCIA. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciar-se a turma. Não havendo no acórdão embargado obscuridade, omissão ou contradição, devem ser desacolhidos os declaratórios. Embargos Rejeitados
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 36392.000165/2007-47
anomes_publicacao_s : 201705
conteudo_id_s : 5725500
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 2202-003.763
nome_arquivo_s : Decisao_36392000165200747.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : MARTIN DA SILVA GESTO
nome_arquivo_pdf_s : 36392000165200747_5725500.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar os Embargos de Declaração, vencidos os Conselheiros Cecília Dutra Pillar, que acolheu os embargos, com efeitos infringentes, para considerar preclusa a matéria da retroatividade benigna da multa, e Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, que acolheu os embargos, para, sanando o vício apontado no acórdão embargado, manter a decisão original. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Cecilia Dutra Pillar, Marcio Henrique Sales Parada, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto.
dt_sessao_tdt : Tue Apr 04 00:00:00 UTC 2017
id : 6765595
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:00:33 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049211176484864
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1573; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 6.604 1 6.603 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 36392.000165/200747 Recurso nº Embargos Acórdão nº 2202003.763 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 4 de abril de 2017 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado IBM BRASIL INDUSTRIA MAQUINAS E SERVIÇOS LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/1999 a 31/12/2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ALEGAÇÃO DE OMISSÃO CONTRADIÇÃO. INEXISTÊNCIA. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. Não havendo no acórdão embargado obscuridade, omissão ou contradição, devem ser desacolhidos os declaratórios. Embargos Rejeitados Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar os Embargos de Declaração, vencidos os Conselheiros Cecília Dutra Pillar, que acolheu os embargos, com efeitos infringentes, para considerar preclusa a matéria da retroatividade benigna da multa, e Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, que acolheu os embargos, para, sanando o vício apontado no acórdão embargado, manter a decisão original. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 36 39 2. 00 01 65 /2 00 7- 47 Fl. 6604DF CARF MF Processo nº 36392.000165/200747 Acórdão n.º 2202003.763 S2C2T2 Fl. 6.605 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Cecilia Dutra Pillar, Marcio Henrique Sales Parada, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto. Relatório Tratase de embargos de declaração opostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional em face do Acórdão nº 2202003.445, da Segunda Turma da Segunda Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF (fls. 6.580 a 6.593), julgado na sessão plenária de 14 de junho de 2016, cuja ementa abaixo se transcreve: "CRÉDITO TRIBUTÁRIO PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 99. Declarada pelo STF, sendo inclusive objeto de súmula vinculante, a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/91, que estabeleciam o prazo decenal para constituição e cobrança dos créditos relativos às contribuições sociais previdenciárias, a matéria passa a ser regida pelo Código Tributário Nacional, que determina o prazo de 5 (cinco) anos para a constituição e cobrança do crédito tributário. Nos termos da Súmula CARF nº 99, para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. CONTRIBUICAO PREVIDENCIARIA DA EMPRESA SOBRE A REMUNERAÇÃO DOS SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. Devida contribuição a cargo da empresa sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados e contribuintes individuais que prestam serviços à empresa. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. COOPERATIVAS DE TRABALHO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. NÃO INCIDÊNCIA. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF. SISTEMÁTICA DE REPERCUSSÃO GERAL. VINCULAÇÃO DO CARF. No julgamento do Recurso Extraordinário (RE) 595.838/SP, com repercussão geral reconhecida, o STF declarou a inconstitucionalidade do inciso IV, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação conferida pela Lei nº 9.876, de 1999, que previa a Fl. 6605DF CARF MF Processo nº 36392.000165/200747 Acórdão n.º 2202003.763 S2C2T2 Fl. 6.606 3 contribuição previdenciária de 15% incidente sobre o valor de serviços prestados por meio de cooperativas de trabalho. Aplicação aos julgamentos do CARF, conforme artigo 62, § 2º, do RICARF. COMPENSAÇÃO. A compensação é procedimento de iniciativa do sujeito passivo, que deve registrar a operação nos seus registros contábeis e declarála em GFIP. LEI NOVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. ARTIGO 106 DO CTN. MEDIDA PROVISÓRIA Nº 449/08. MULTA EM LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN), art. 106, II, "c", a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratando se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática." A decisão foi assim registrada: "Acordam os membros do colegiado, quanto ao Recurso de Ofício: por unanimidade de votos, negar provimento. Quanto ao Recurso Voluntário: a) por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para afastar a incidência de contribuição previdenciária sobre os serviços prestados por cooperativa de trabalho; b) pelo voto de qualidade, determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35A, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009, prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte, vencidos os Conselheiros Martin da Silva Gesto (Relator), Dílson Jatahy Fonseca Neto e Junia Roberta Gouveia Sampaio, que reduziram a multa de mora para trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso, limitada ao percentual de 20%. Foi designada a Conselheira Rosemary Figueiroa Augusto (Suplente convocada) para redigir o voto vencedor na parte em que o Relator foi vencido." Os autos foram encaminhados à Procuradoria da Fazenda Nacional em 06/09/2016 (Despacho de Encaminhamento de fl. 6.594). De acordo com o disposto no art. 7º, §§ 3º e 5º, da Portaria MF nº 527, de 2010, a intimação presumida da Fazenda Nacional ocorre no prazo de trinta dias da remessa do processo à PFN. Em 06/10/2016, foram opostos os Embargos de Declaração de fls. 6.595 a 6.599 (Despacho de Encaminhamento de fl. 6.600), tempestivamente. A Fazenda Nacional alega que o acórdão embargado foi omisso, pois a matéria relativa à retroatividade da regra inserida pela Medida Provisória nº 449/08, convertida na Lei nº 11.941/2009, não fora tratada na impugnação nem no acórdão da DRJ e a decisão embargada não se manifestou sobre a preclusão. Aduz que, diante da preclusão, a PGFN sequer se viu motivada a contraarrazoar quanto ao mérito da aplicação da multa, já que acreditava não estar a matéria em debate. Fl. 6606DF CARF MF Processo nº 36392.000165/200747 Acórdão n.º 2202003.763 S2C2T2 Fl. 6.607 4 O despacho de admissibilidade proferido pelo Presidente desta Turma às fls. 6602 e 6603 foi no seguinte sentido: "Entendo caber razão à Embargante. De fato, a decisão que consta do voto e do dispositivo do Acórdão abordou a questão da retroatividade da multa mais benéfica, sem ter exposto as razões que levaram o colegiado a conhecer da matéria e determinar o seu recálculo, mesmo sem o Contribuinte ter impugnado nem a DRJ ter se manifestado sobre essa matéria. Assim, tendo em vista a falta de fundamentação do voto do Relator e do voto vencedor quanto à preclusão administrativa relativa à retroatividade da multa mais benéfica, fazse necessário que tal vício seja sanado mediante a prolação de um novo acórdão. Ante o exposto, acolho os Embargos de Declaração opostos pela Fazenda Nacional, para que seja sanada a omissão do Acórdão nº 2202003.445, quanto à apreciação da questão do recálculo da multa. Ao Conselheiro Relator, para inclusão em pauta de julgamento." É o relatório. Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator Os embargos foram apresentados dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Conforme o relatório do acórdão embargado, o presente caso "tratase de crédito previdenciário lançado pela fiscalização, NFLD DEBCAD 37.065.2568, consolidado em 27/12/2006, contra o contribuinte acima identificado, relativo às contribuições sociais devidas e não recolhidas à Seguridade Social, referentes à parte dos segurados empregados e contribuintes individuais, à parte patronal inclusive ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho ~ RAT, aquelas relativas aos serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho assim como as destinadas a Terceiros (INCRA, SENAC, SESC e SEBRAE), no valor consolidado de R$ 17.677.860,84 (dezessete milhões e seiscentos e setenta e sete mil e oitocentos e sessenta reais e oitenta e quatro centavos) no período não contínuo de 10/1999 a 12/2005" (grifouse). Inconformada com o lançamento, a empresa contestou a NFLD, apresentando impugnação às fls. 897/915 dos autos, sendo esta protocolizada em 15/01/2007. Fl. 6607DF CARF MF Processo nº 36392.000165/200747 Acórdão n.º 2202003.763 S2C2T2 Fl. 6.608 5 Diante disso, foram os autos remetidos à DRJ para julgamento da impugnação da contribuinte. A 11ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (DRJ/RJ1), na sessão de 16 de maio de 2011, proferiu o acórdão nº 1237.258. Deste acórdão foram interpostos dois recursos: um voluntário e outro de ofício. O recurso voluntário, apresentado em 05.08.2011, em sua página 25 em diante (fls. 6.568 e seguintes dos autos), trata da aplicação do art. 106, II, alínea "C" do CTN ao caso concreto e o afastamento da multa de mora incluída no auto: Fl. 6608DF CARF MF Processo nº 36392.000165/200747 Acórdão n.º 2202003.763 S2C2T2 Fl. 6.609 6 Novamente, equivocase a embargante ao sustentar que não se faria presente nos autos a referida matéria, alegando um possível cerceamento de defesa, pois não teria sido motivada a contraarrazoar o recurso voluntário, vejamos: "Cabe asseverar que diante da preclusão, a PGFN sequer se viu motivada a contraarrazoar quanto ao mérito a aplicação da multa, já que acreditava não estar a matéria em debate. Sem essa oportunidade, podemos até mesmo falar em violação aos direitos do contraditório e da ampla defesa, em ofensa ao devido processo legal." Carece de razão a embargante, pois a matéria apreciada no acórdão embargado foi objeto de recurso voluntário, consoante demonstrado. Logo, teve a contribuinte a oportunidade de O voto vencedor do acórdão embargado determinou o recálculo da multa de acordo com o disposto no art. 35A, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009. A Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, entrou em vigor na data de sua publicação (conforme art. 80 da própria lei). Portanto, quando do lançamento da NFLD DEBCAD 37.065.2568, em 27/12/2006, a Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009 ainda não existia. Quando da apresentação da impugnação, em 15/01/2007, a referida lei igualmente não havia sido publicada. Salientase que a Embargante equivocase quanto a data da protocolo da impugnação, vejamos: "A matéria está preclusa, pois a impugnação fora apresentada em 04/03/2011, data na qual a nova multa de ofício incidente sobre lançamento de contribuições previdenciárias já estava em vigor. Ou seja, tratase de matéria que já poderia, à época, ser aventada." (grifouse) Quando do julgamento da DRJ, em 16/05/2011, a a Lei nº 11.941/2009 já estava publicada e em vigor, não tendo, contudo, manifestado a DRJ em sua aplicação de ofício. O contribuinte, por sua vez, ao interpor recurso voluntário, em 05/08/2011, teceu argumentos requerendo a aplicação da Lei 11.941/09, por força do art. 106, II, alínea "c" do CTN (retroatividade benigna de lei mais benéfica). Deste modo, verificase, inclusive, que o contribuinte requereu na primeira oportunidade possível a aplicação da retroatividade benigna de lei mais benéfica. Assim, não seria possível que o contribuinte apresentasse tal pedido em impugnação, pois a lei sequer existia na referida data, conforme demonstrado. A DRJ poderia, no entanto, têla aplicado de ofício, por força da Portaria Conjunta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional e a Receita Federal do Brasil PGFN/RFB nº 14 de 04.12.2009. Portanto, não há preclusão administrativa do pedido do contribuinte, realizado em recurso voluntário para que seja aplicável multa mais benéfica, em razão da retroatividade de lei mais benigna (art. 106, II, "c" do CTN), pois a legislação mais benéfica é Fl. 6609DF CARF MF Processo nº 36392.000165/200747 Acórdão n.º 2202003.763 S2C2T2 Fl. 6.610 7 de 24/05/2009, logo, posterior a data da ciência do lançamento (27/12/2006) e da apresentação de impugnação (15/01/2007). Saliento, por fim, que o análise do matéria "aplicação de multa mais benéfica" se deu por esta alegação constar entre as razões de recurso voluntário. Portanto, ser ou não a referida matéria de ordem pública é irrelevante para o caso em análise. Ante o exposto, voto por rejeitar os embargos de declaração. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Fl. 6610DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10882.907216/2012-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/12/2008
ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO.
O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrando, portanto, o conceito de receita bruta.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.250
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201705
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/12/2008 ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO. O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrando, portanto, o conceito de receita bruta. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jul 10 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10882.907216/2012-15
anomes_publicacao_s : 201707
conteudo_id_s : 5739538
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jul 10 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3302-004.250
nome_arquivo_s : Decisao_10882907216201215.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : RICARDO PAULO ROSA
nome_arquivo_pdf_s : 10882907216201215_5739538.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo.
dt_sessao_tdt : Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
id : 6845207
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:03:00 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049211207942144
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1493; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10882.907216/201215 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302004.250 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 23 de maio de 2017 Matéria CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. BASE DE CÁLCULO. ICMS. Recorrente INDÚSTRIA DE MÁQUINAS MIRUNA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/12/2008 ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO. O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrando, portanto, o conceito de receita bruta. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo. Relatório Tratase de pedido de PER/DCOMP para restituição de créditos de PIS, cujo pedido foi indeferido, via despacho decisório. Inconformada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese: que o ICMS destacado nas vendas não pode ser considerado como AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 72 16 /2 01 2- 15 Fl. 46DF CARF MF Processo nº 10882.907216/201215 Acórdão n.º 3302004.250 S3C3T2 Fl. 3 2 faturamento ou como receita bruta, não devendo, por isso, ser incluído na base de cálculo do PIS e da COFINS; que a inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições em tela desrespeita o preceito do artigo 110 do CTN; que o STF, por meio do RE 240.785/MG, manifestou o entendimento de excluir o ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS. Sobreveio, então, julgamento da DRJ/Belo Horizonte, que indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 02050.853. A contribuinte, então, apresentou recurso voluntário repisando os argumentos da manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.158, de 23 de maio de 2017, proferido no julgamento do processo 10283.902818/201235, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.158): "1. Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado de modo tempestivo, a ciência do acórdão ocorreu em 28 de agosto de 2014, fls. 50, e o recurso foi protocolado em 29 de setembro de 2014, fls. 52. Tratase, portanto, de recurso tempestivo e de matéria que pertence a este colegiado. 2. Do mérito 2.1. Do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS A controvérsia cingese sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. A situação que permeia os tribunais na atualidade é de dois posicionamentos conflitantes quanto à inclusão ou não do tributo na base de cálculo do PIS e da COFINS. O Superior Tribunal de Justiça no REsp 1.144.469/PR, em sistema de recursos repetitivos assim decidiu: RECURSO ESPECIAL DO PARTICULAR: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA OU FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. Fl. 47DF CARF MF Processo nº 10882.907216/201215 Acórdão n.º 3302004.250 S3C3T2 Fl. 4 3 1. A Constituição Federal de 1988 somente veda expressamente a inclusão de um imposto na base de cálculo de um outro no art. 155, §2º, XI, ao tratar do ICMS, quanto estabelece que este tributo: "XI não compreenderá, em sua base de cálculo, o montante do imposto sobre produtos industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configure fato gerador dos dois impostos". 2. A contrario sensu é permitida a incidência de tributo sobre tributo nos casos diversos daquele estabelecido na exceção, já tendo sido reconhecida jurisprudencialmente, entre outros casos, a incidência: 2.1. Do ICMS sobre o próprio ICMS: repercussão geral no RE n. 582.461 / SP, STF, Tribunal Pleno, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 18.05.2011. 2.2. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre as próprias contribuições ao PIS/PASEP e COFINS: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 976.836 RS, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.8.2010. 2.3. Do IRPJ e da CSLL sobre a própria CSLL: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.113.159 AM, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 11.11.2009. 2.4. Do IPI sobre o ICMS: REsp. n. 675.663 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 24.08.2010; REsp. Nº 610.908 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 20.9.2005, AgRg no REsp.Nº 462.262 SC, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 20.11.2007. 2.5. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre o ISSQN: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP, Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015. 3. Desse modo, o ordenamento jurídico pátrio comporta, em regra, a incidência de tributos sobre o valor a ser pago a título de outros tributos ou do mesmo tributo. Ou seja, é legítima a incidência de tributo sobre tributo ou imposto sobre imposto, salvo determinação constitucional ou legal expressa em sentido contrário, não havendo aí qualquer violação, a priori, ao princípio da capacidade contributiva. 4. Consoante o disposto no art. 12 e §1º, do DecretoLei n. 1.598/77, o ISSQN e o ICMS devidos pela empresa prestadora de serviços na condição de contribuinte de direito fazem parte de sua receita bruta e, quando dela excluídos, a nova rubrica que se tem é a receita líquida. 5. Situação que não pode ser confundida com aquela outra decorrente da retenção e recolhimento do ISSQN e do ICMS pela empresa a título de substituição tributária (ISSQNST e ICMS ST). Nesse outro caso, a empresa não é a contribuinte, o contribuinte é o próximo na cadeia, o substituído. Quando é assim, a própria legislação tributária prevê que tais valores são meros Fl. 48DF CARF MF Processo nº 10882.907216/201215 Acórdão n.º 3302004.250 S3C3T2 Fl. 5 4 ingressos na contabilidade da empresa que se torna apenas depositária de tributo que será entregue ao Fisco, consoante o art. 279 do RIR/99. 6. Na tributação sobre as vendas, o fato de haver ou não discriminação na fatura do valor suportado pelo vendedor a título de tributação decorre apenas da necessidade de se informar ou não ao Fisco, ou ao adquirente, o valor do tributo embutido no preço pago. Essa necessidade somente surgiu quando os diversos ordenamentos jurídicos passaram a adotar o lançamento por homologação (informação ao Fisco) e/ou o princípio da não cumulatividade (informação ao Fisco e ao adquirente), sob a técnica específica de dedução de imposto sobre imposto (imposto pago sobre imposto devido ou "tax on tax"). 7. Tal é o que acontece com o ICMS, onde autolançamento pelo contribuinte na nota fiscal existe apenas para permitir ao Fisco efetivar a fiscalização a posteriori, dentro da sistemática do lançamento por homologação e permitir ao contribuinte contabilizar o crédito de imposto que irá utilizar para calcular o saldo do tributo devido dentro do princípio da não cumulatividade sob a técnica de dedução de imposto sobre imposto. Não se trata em momento algum de exclusão do valor do tributo do preço da mercadoria ou serviço. 8. Desse modo, firmase para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações". 9. Tema que já foi objeto de quatro súmulas produzidas pelo extinto Tribunal Federal de Recursos TFR e por este Superior Tribunal de Justiça STJ: Súmula n. 191/TFR: "É compatível a exigência da contribuição para o PIS com o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes". Súmula n. 258/TFR: "Incluise na base de cálculo do PIS a parcela relativa ao ICM". Súmula n. 68/STJ: "A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS". Súmula n. 94/STJ: "A parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo do FINSOCIAL". 10. Tema que já foi objeto também do recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP (Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015) que decidiu matéria idêntica para o ISSQN e cujos fundamentos determinantes devem ser respeitados por esta Seção por dever de coerência na prestação jurisdicional previsto no art. 926, do CPC/2015. 11. Ante o exposto, DIVIRJO do relator para NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial do PARTICULAR e reconhecer a legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS. RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL: TRIBUTÁRIO. Fl. 49DF CARF MF Processo nº 10882.907216/201215 Acórdão n.º 3302004.250 S3C3T2 Fl. 6 5 RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DOS VALORES COMPUTADOS COMO RECEITAS QUE TENHAM SIDO TRANSFERIDOS PARA OUTRAS PESSOAS JURÍDICAS. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.718/98. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. NÃO APLICABILIDADE. 12. A Corte Especial deste STJ já firmou o entendimento de que a restrição legislativa do artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9.718/98 ao conceito de faturamento (exclusão dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico já que dependia de regulamentação administrativa e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogado pela Medida Provisória n. 2.15835, de 2001. Precedentes: AgRg nos EREsp. n. 529.034/RS, Corte Especial, Rel. Min. José Delgado, julgado em 07.06.2006; AgRg no Ag 596.818/PR, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 28/02/2005; EDcl no AREsp 797544 / SP, Primeira Turma, Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado em 14.12.2015, AgRg no Ag 544.104/PR, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, DJ 28.8.2006; AgRg nos EDcl no Ag 706.635/RS, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma, DJ 28.8.2006; AgRg no Ag 727.679/SC, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 8.6.2006; AgRg no Ag 544.118/TO, Rel. Min. Franciulli Netto, Segunda Turma, DJ 2.5.2005; REsp 438.797/RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJ 3.5.2004; e REsp 445.452/RS, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 10.3.2003. 13. Tese firmada para efeito de recurso representativo da controvérsia: "O artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9718/98 não teve eficácia jurídica, de modo que integram o faturamento e também o conceito maior de receita bruta, base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica". 14. Ante o exposto, ACOMPANHO o relator para DAR PROVIMENTO ao recurso especial da FAZENDA NACIONAL. (REsp 1144469/PR; Relator: Napoleão Nunes Maia Filho; Relator para o acórdão: Mauro Campbell Maques) (grifos não constam no original) Já o Supremo Tribunal Federal, no RE 574.706RG/PR, julgou, no dia 15.03.2017, no sentido de que: O Tribunal, por maioria e nos termos do voto da Relatora, Ministra Cármen Lúcia (Presidente), apreciando o tema 69 da repercussão geral, deu provimento ao recurso extraordinário e fixou a seguinte tese: "O ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência do PIS e da Cofins". Vencidos os Ministros Edson Fachin, Roberto Barroso, Dias Toffoli e Gilmar Mendes. Nesta assentada o Ministro Dias Toffoli aditou seu voto. Plenário, 15.3.2017. Fl. 50DF CARF MF Processo nº 10882.907216/201215 Acórdão n.º 3302004.250 S3C3T2 Fl. 7 6 (grifos não constam do original) No âmbito do regimento interno deste Egrégio Tribunal Administrativo, existe previsão normativa em seu artigo 62, anexo II, sobre a obrigatoriedade de se observar os precedentes em sistema de repetitivos e/ou repercussão geral na análise dos casos: RICARF Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) O RICARF prevê o requisito da decisão definitiva para a obrigatoriedade da aplicação do precedente; no caso em análise, o REsp 1.144.469/PR transitou em julgado em 10.03.2017 e o RE 574.706 RG/PR ainda espera a modulação de seus efeitos, não havendo, portanto, trânsito em julgado. Logo, devese observar a decisão, já transitada em julgado, do Superior Tribunal de Justiça. Em razão da obrigatoriedade por parte do conselheiro em aplicar o RICARF, acima exposto, os argumentos da Recorrente de desnecessidade de previsão legal para a exclusão do ICMS por respeito ao princípio da capacidade contributiva e da impossibilidade de considerar o ICMS como parte integrante do faturamento encontramse, desde já, fundamentados com a aplicação do precedente obrigatório. Portanto, em conformidade com o REsp 1.144.469/PR, que firmou para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", é negado provimento ao recurso voluntário. 3. Conclusão Por todo o exposto, conheço do recurso voluntário, mas, no mérito, nego provimento." Da mesma forma que no caso do paradigma, no presente processo o recurso voluntário também foi apresentado tempestivamente. Fl. 51DF CARF MF Processo nº 10882.907216/201215 Acórdão n.º 3302004.250 S3C3T2 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Ricardo Paulo Rosa Fl. 52DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.016637/2009-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 11 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jun 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004, 2005, 2006, 2007, 2008
DECADÊNCIA. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO.
O reconhecimento do ágio não representa manifestação de fato imponível tributário. Diante disso, o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário decorrente da redução indevida do resultado do exercício só se inicia após a amortização anual, e não com o registro original do ágio.
DECADÊNCIA. INÍCIO DA CONTAGEM ANTERIORMENTE AO FATO GERADOR. IMPOSSIBILIDADE.
A contagem do prazo decadencial, para efeitos do artigo 173, inciso I, do CTN, ou do § 4º do artigo 150 do referido Código, não pode ser iniciada antes da ocorrência do fato gerador do tributo.
DECADÊNCIA. TERMO INICIAL.DECISÃO DO STJ NO REGIME DO ART. 543-C DO CPC. APLICABILIDADE.
Nos termos da decisão do Superior Tribunal de Justiça no REsp nº 973.733, proferida a decisão no sentido de inaplicabilidade da multa qualificada, sendo comprovado ainda o pagamento antecipado (estimativas pagas), desloca-se a contagem do prazo decadencial para o artigo 150, §4º, do CTN, reconhecendo-se a decadência para fatos geradores ocorridos em 2003.
DA MULTA QUALIFICADA. INAPLICABILIDADE.
O não reconhecimento pelo Fisco do ágio gerado em operações realizadas dentro do mesmo grupo econômico, com a conseqüente glosa de sua amortização, não enseja, por si só, a aplicação da multa qualificada, quando os atos praticados revelam interpretação equivocada por parte do contribuinte quanto à legislação de regência.
IMPOSSILIDADE DE CONCOMITÂNCIA ENTRE MULTAS DE OFÍCIO E ISOLADA. ESTIMATIVAS MENSAIS.
A multa isolada pela não observância do regime de estimativa e a multa de ofício pelo não recolhimento do tributo devido ao final do exercício não podem ser aplicadas conjuntamente, em função da natureza de antecipação do tributo que possui a obrigação objeto da sistemática de apuração mensal.
JUROS SOBRE MULTA.
As multas proporcionais aplicadas em lançamento de ofício, por descumprimento a mandamento legal que estabelece a determinação do valor de tributo administrado pela Receita Federal do Brasil a ser recolhido no prazo legal, estão inseridas na compreensão do § 3º do artigo 61 da Lei nº 9.430/1996, sendo, portanto, suscetíveis à incidência de juros de mora à taxa Selic.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
Nos termos da Súmula CARF nº 4, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007, 2008
ÁGIO. REORGANIZAÇÃO SOCIETÁRIA. FALTA DE PROPÓSITO NEGOCIAL. INEFICÁCIA.
A reorganização societária na qual inexista motivação outra que não a criação artificial de condições para obtenção de vantagens tributárias é inoponível à Fazenda Pública. Negada eficácia fiscal ao arranjo societário sem propósito negocial, restam não atendidos os requisitos para a amortização do ágio como despesa dedutível, impondo-se a glosa e a recomposição da apuração dos tributos devidos.
ÁGIO. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. RECOMPOSIÇÃO DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO. RECÁLCULO DOS LIMITES DE DEDUTIBILIDADE.
Uma vez assentada a ilegalidade do registro contábil do ágio gerado no interior do próprio grupo empresarial, seus efeitos sobre o patrimônio líquido devem ser expurgados, dando origem a novos limites para a dedutibilidade dos juros sobre o capital próprio. Verificado que os valores pagos superam os limites estabelecidos, correta a tributação da parcela indedutível.
ÁGIO DE SI MESMO. INCONSISTÊNCIA.
O ágio somente é admitido quando surgido em negócios entre partes independentes, condição necessária à formação de um preço justo para os ativos envolvidos. Nos casos em que seu aparecimento acontece no bojo de negócios entre entidades sob o mesmo controle, o ágio não tem consistência econômica ou contábil, o que obsta que se admitam suas consequências fiscais.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2008
MATÉRIA NÃO CONTESTADA. NÃO CONHECIMENTO.
Na forma do artigo 18 do Decreto nº 70.235/1972, não se considera impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada.
Numero da decisão: 1301-002.278
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, (i) por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário quanto à exclusão de ágio amortizado na base de cálculo do lucro real; (ii) por maioria de votos, na parte conhecida, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer a decadência para o ano-calendário 2003, reduzir a multa qualificada para 75% e afastar as multas exigidas isoladamente, vencidos os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, Milene de Araújo Macedo e Waldir Veiga Rocha, que davam provimento parcial em menor extensão (afastando as multas isoladas exclusivamente relacionadas a diferenças de estimativas correspondentes aos fatos geradores ocorridos até maio de 2007) e os Conselheiros Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e Amélia Wakako Morishita Yamamoto (davam provimento parcial em maior extensão, afastando também os juros sobre multa e as exigências atinentes a juros sobre capital próprio) e o Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza (que dava provimento parcial em maior extensão, afastando também os juros sobre multa). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza.
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Presidente.
(assinado digitalmente)
Flávio Franco Corrêa - Relator.
(assinado digitalmente)
José Eduardo Dornelas Souza - Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e Amélia Wakako Morishita Yamamoto.
Nome do relator: FLAVIO FRANCO CORREA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201704
camara_s : Terceira Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jun 20 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10830.016637/2009-45
anomes_publicacao_s : 201706
conteudo_id_s : 5735481
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jun 20 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1301-002.278
nome_arquivo_s : Decisao_10830016637200945.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : FLAVIO FRANCO CORREA
nome_arquivo_pdf_s : 10830016637200945_5735481.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, (i) por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário quanto à exclusão de ágio amortizado na base de cálculo do lucro real; (ii) por maioria de votos, na parte conhecida, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer a decadência para o ano-calendário 2003, reduzir a multa qualificada para 75% e afastar as multas exigidas isoladamente, vencidos os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, Milene de Araújo Macedo e Waldir Veiga Rocha, que davam provimento parcial em menor extensão (afastando as multas isoladas exclusivamente relacionadas a diferenças de estimativas correspondentes aos fatos geradores ocorridos até maio de 2007) e os Conselheiros Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e Amélia Wakako Morishita Yamamoto (davam provimento parcial em maior extensão, afastando também os juros sobre multa e as exigências atinentes a juros sobre capital próprio) e o Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza (que dava provimento parcial em maior extensão, afastando também os juros sobre multa). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha - Presidente. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa - Relator. (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza - Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e Amélia Wakako Morishita Yamamoto.
dt_sessao_tdt : Tue Apr 11 00:00:00 UTC 2017
id : 6815155
ano_sessao_s : 2017
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2002, 2003, 2004, 2005, 2006, 2007, 2008 DECADÊNCIA. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. O reconhecimento do ágio não representa manifestação de fato imponível tributário. Diante disso, o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário decorrente da redução indevida do resultado do exercício só se inicia após a amortização anual, e não com o registro original do ágio. DECADÊNCIA. INÍCIO DA CONTAGEM ANTERIORMENTE AO FATO GERADOR. IMPOSSIBILIDADE. A contagem do prazo decadencial, para efeitos do artigo 173, inciso I, do CTN, ou do § 4º do artigo 150 do referido Código, não pode ser iniciada antes da ocorrência do fato gerador do tributo. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL.DECISÃO DO STJ NO REGIME DO ART. 543-C DO CPC. APLICABILIDADE. Nos termos da decisão do Superior Tribunal de Justiça no REsp nº 973.733, proferida a decisão no sentido de inaplicabilidade da multa qualificada, sendo comprovado ainda o pagamento antecipado (estimativas pagas), desloca-se a contagem do prazo decadencial para o artigo 150, §4º, do CTN, reconhecendo-se a decadência para fatos geradores ocorridos em 2003. DA MULTA QUALIFICADA. INAPLICABILIDADE. O não reconhecimento pelo Fisco do ágio gerado em operações realizadas dentro do mesmo grupo econômico, com a conseqüente glosa de sua amortização, não enseja, por si só, a aplicação da multa qualificada, quando os atos praticados revelam interpretação equivocada por parte do contribuinte quanto à legislação de regência. IMPOSSILIDADE DE CONCOMITÂNCIA ENTRE MULTAS DE OFÍCIO E ISOLADA. ESTIMATIVAS MENSAIS. A multa isolada pela não observância do regime de estimativa e a multa de ofício pelo não recolhimento do tributo devido ao final do exercício não podem ser aplicadas conjuntamente, em função da natureza de antecipação do tributo que possui a obrigação objeto da sistemática de apuração mensal. JUROS SOBRE MULTA. As multas proporcionais aplicadas em lançamento de ofício, por descumprimento a mandamento legal que estabelece a determinação do valor de tributo administrado pela Receita Federal do Brasil a ser recolhido no prazo legal, estão inseridas na compreensão do § 3º do artigo 61 da Lei nº 9.430/1996, sendo, portanto, suscetíveis à incidência de juros de mora à taxa Selic. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Nos termos da Súmula CARF nº 4, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007, 2008 ÁGIO. REORGANIZAÇÃO SOCIETÁRIA. FALTA DE PROPÓSITO NEGOCIAL. INEFICÁCIA. A reorganização societária na qual inexista motivação outra que não a criação artificial de condições para obtenção de vantagens tributárias é inoponível à Fazenda Pública. Negada eficácia fiscal ao arranjo societário sem propósito negocial, restam não atendidos os requisitos para a amortização do ágio como despesa dedutível, impondo-se a glosa e a recomposição da apuração dos tributos devidos. ÁGIO. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. RECOMPOSIÇÃO DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO. RECÁLCULO DOS LIMITES DE DEDUTIBILIDADE. Uma vez assentada a ilegalidade do registro contábil do ágio gerado no interior do próprio grupo empresarial, seus efeitos sobre o patrimônio líquido devem ser expurgados, dando origem a novos limites para a dedutibilidade dos juros sobre o capital próprio. Verificado que os valores pagos superam os limites estabelecidos, correta a tributação da parcela indedutível. ÁGIO DE SI MESMO. INCONSISTÊNCIA. O ágio somente é admitido quando surgido em negócios entre partes independentes, condição necessária à formação de um preço justo para os ativos envolvidos. Nos casos em que seu aparecimento acontece no bojo de negócios entre entidades sob o mesmo controle, o ágio não tem consistência econômica ou contábil, o que obsta que se admitam suas consequências fiscais. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2008 MATÉRIA NÃO CONTESTADA. NÃO CONHECIMENTO. Na forma do artigo 18 do Decreto nº 70.235/1972, não se considera impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada.
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:02:08 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049211248836608
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 106; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2062; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 5.379 1 5.378 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.016637/200945 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301002.278 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 11 de abril de 2017 Matéria ÁGIO INTERNO Recorrente RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005, 2006, 2007, 2008 DECADÊNCIA. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. O reconhecimento do ágio não representa manifestação de fato imponível tributário. Diante disso, o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário decorrente da redução indevida do resultado do exercício só se inicia após a amortização anual, e não com o registro original do ágio. DECADÊNCIA. INÍCIO DA CONTAGEM ANTERIORMENTE AO FATO GERADOR. IMPOSSIBILIDADE. A contagem do prazo decadencial, para efeitos do artigo 173, inciso I, do CTN, ou do § 4º do artigo 150 do referido Código, não pode ser iniciada antes da ocorrência do fato gerador do tributo. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL.DECISÃO DO STJ NO REGIME DO ART. 543C DO CPC. APLICABILIDADE. Nos termos da decisão do Superior Tribunal de Justiça no REsp nº 973.733, proferida a decisão no sentido de inaplicabilidade da multa qualificada, sendo comprovado ainda o pagamento antecipado (estimativas pagas), deslocase a contagem do prazo decadencial para o artigo 150, §4º, do CTN, reconhecendose a decadência para fatos geradores ocorridos em 2003. DA MULTA QUALIFICADA. INAPLICABILIDADE. O não reconhecimento pelo Fisco do ágio gerado em operações realizadas dentro do mesmo grupo econômico, com a conseqüente glosa de sua amortização, não enseja, por si só, a aplicação da multa qualificada, quando os atos praticados revelam interpretação equivocada por parte do contribuinte quanto à legislação de regência. IMPOSSILIDADE DE CONCOMITÂNCIA ENTRE MULTAS DE OFÍCIO E ISOLADA. ESTIMATIVAS MENSAIS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 01 66 37 /2 00 9- 45 Fl. 5379DF CARF MF 2 A multa isolada pela não observância do regime de estimativa e a multa de ofício pelo não recolhimento do tributo devido ao final do exercício não podem ser aplicadas conjuntamente, em função da natureza de antecipação do tributo que possui a obrigação objeto da sistemática de apuração mensal. JUROS SOBRE MULTA. As multas proporcionais aplicadas em lançamento de ofício, por descumprimento a mandamento legal que estabelece a determinação do valor de tributo administrado pela Receita Federal do Brasil a ser recolhido no prazo legal, estão inseridas na compreensão do § 3º do artigo 61 da Lei nº 9.430/1996, sendo, portanto, suscetíveis à incidência de juros de mora à taxa Selic. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Nos termos da Súmula CARF nº 4, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007, 2008 ÁGIO. REORGANIZAÇÃO SOCIETÁRIA. FALTA DE PROPÓSITO NEGOCIAL. INEFICÁCIA. A reorganização societária na qual inexista motivação outra que não a criação artificial de condições para obtenção de vantagens tributárias é inoponível à Fazenda Pública. Negada eficácia fiscal ao arranjo societário sem propósito negocial, restam não atendidos os requisitos para a amortização do ágio como despesa dedutível, impondose a glosa e a recomposição da apuração dos tributos devidos. ÁGIO. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. RECOMPOSIÇÃO DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO. RECÁLCULO DOS LIMITES DE DEDUTIBILIDADE. Uma vez assentada a ilegalidade do registro contábil do ágio gerado no interior do próprio grupo empresarial, seus efeitos sobre o patrimônio líquido devem ser expurgados, dando origem a novos limites para a dedutibilidade dos juros sobre o capital próprio. Verificado que os valores pagos superam os limites estabelecidos, correta a tributação da parcela indedutível. ÁGIO DE SI MESMO. INCONSISTÊNCIA. O ágio somente é admitido quando surgido em negócios entre partes independentes, condição necessária à formação de um preço justo para os ativos envolvidos. Nos casos em que seu aparecimento acontece no bojo de negócios entre entidades sob o mesmo controle, o ágio não tem consistência econômica ou contábil, o que obsta que se admitam suas consequências fiscais. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 MATÉRIA NÃO CONTESTADA. NÃO CONHECIMENTO. Fl. 5380DF CARF MF Processo nº 10830.016637/200945 Acórdão n.º 1301002.278 S1C3T1 Fl. 5.380 3 Na forma do artigo 18 do Decreto nº 70.235/1972, não se considera impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, (i) por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário quanto à exclusão de ágio amortizado na base de cálculo do lucro real; (ii) por maioria de votos, na parte conhecida, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer a decadência para o anocalendário 2003, reduzir a multa qualificada para 75% e afastar as multas exigidas isoladamente, vencidos os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, Milene de Araújo Macedo e Waldir Veiga Rocha, que davam provimento parcial em menor extensão (afastando as multas isoladas exclusivamente relacionadas a diferenças de estimativas correspondentes aos fatos geradores ocorridos até maio de 2007) e os Conselheiros Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e Amélia Wakako Morishita Yamamoto (davam provimento parcial em maior extensão, afastando também os juros sobre multa e as exigências atinentes a juros sobre capital próprio) e o Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza (que dava provimento parcial em maior extensão, afastando também os juros sobre multa). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Presidente. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Relator. (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e Amélia Wakako Morishita Yamamoto. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por Rigesa Celulose Papel e Embalagens Ltda para desafiar acórdão da DRJ/Campinas, que julgou improcedente impugnação apresentada em contestação aos lançamentos de ofício constituídos por autos de infração de IRPJ e CSLL. Pela clareza do relatório da Turma recorrida, às fls. 2.148/2.260, reproduzoo para, em seguida, adotálo: “No corpo do Auto de Infração do IRPJ, a autoridade fiscal relata a apuração das seguintes infrações: Fl. 5381DF CARF MF 4 “001 AMORTIZAÇÃO IRPJ GLOSA DE VALORES NAO AMORTIZÁVEIS LANÇADOS EM CONTA DE RESULTADO Conforme demonstrado no Relatório de Ação Fiscal nº 00713/09/009, parte integrante e indissociável deste Auto de Infração, a fiscalizada utilizouse de manobras societárias e contábeis para criar ilicitamente conta ativa de fundamento inexistente, registrando esse valor na conta contábil n° "1350111 Ágio s/Investimento". Ato continuo, a fiscalizada passou a amortizar a referida conta em montantes variáveis anualmente à taxa de 1/120 por mêscalendário, registrando a referida amortização na conta contábil retificadora do ativo n° "1355101 Ágio Trazido por Incorporação". Como contrapartida deste lançamento, lançou em conta de resultado a despesa registrada na conta contábil n° "4300008 Despesa Amortização Ágio", cujos valores são glosados anualmente abaixo. Tratase de simulação que reduziu as bases de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica para os anoscalendário 2003 a 2007. São glosados (sic) abaixo essas despesas de fundamento legal inexistente. Foi aplicada a multa qualificada de 150%, tendo em vista a prática de atos por parte dos representantes da fiscalizada que se enquadram, em tese, como crimes contra a ordem tributária, previstos nos art. 1o e 2o da Lei n° 8.137/90. [...] 002 DESPESAS INDEDUTÍVEIS IRPJ GLOSA DO CRÉDITO EM EXCESSO DE JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO Conforme demonstrado no Relatório de Ação Fiscal nº 00713/09/009, parte integrante e indissociável deste Auto de Infração, a fiscalizada utilizouse de manobras societárias e contábeis para criar ilicitamente conta ativa de fundamento inexistente, registrando esse valor na conta contábil n° "1350111 Agio s/Investimento". Ato continuo, a fiscalizada passou a amortizar a referida conta em montantes variáveis anualmente à taxa de 1/120 por mês calendário, registrando a referida amortização na conta contábil retificadora do ativo n° "1355101 Agio Trazido por Incorporação". Como contrapartida deste lançamento, lançou em conta de resultado a despesa registrada na conta contábil n° "4300008 Despesa Amortização Ágio". Essas despesas foram totalmente glosadas e, como decorrência do lançamento daquela infração, foi recomposto o cálculo mensal das despesas creditadas a titulo de Juros sobre o Capital Próprio. Tendo em vista o disposto no artigo 167, do Código Civil (Lei n° 10.406, de 10 de janeiro de 2002), foi desconsiderada de oficio a operação de criação de ágio fictício pretendida pela fiscalizada, traduzida materialmente pelo saldo contido na conta contábil n° "1350111 Agio s/Investimento" (anterior 1311112 em 2002) no montante de R$ 431.693.589,64 através de sua reversão contra as contas de Patrimônio Líquido Fl. 5382DF CARF MF Processo nº 10830.016637/200945 Acórdão n.º 1301002.278 S1C3T1 Fl. 5.381 5 Outrossim, foram revertidas todas as demais congêneres da conta contábil 1350111 para efeito de cálculo dos Juros sobre o Capital Próprio para então procederse a aplicação da Taxa de Juros de Longo Prazo TJLP e determinarse o montante real dessa despesa que poderia ter sido creditado no período compreendido entre 01/2003 e 12/2008. Foi elaborada planilha anexa a este Auto de Infração denominada "Demonstrativo de Apuração dos Juros sobre o Capital Próprio creditados/pagos em excesso 2003 a 2008", através da qual foram determinados os limites de crédito de despesas a título de Juros sobre o Capital Próprio a que estava sujeita a fiscalizada, calculadas com base na TJLP. Dessa maneira, do confronto entre os valores pleiteados pela fiscalizada a título de despesas com o crédito/pagamento de Juros sobre o Capital Próprio e o valor calculado desconsiderandose a existência de ativos fictícios com contrapartida em seu Patrimônio Líquido foi determinado o valor da glosa de valores creditados/pagos em excesso. Tratase de simulação que reduziu as bases de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica para os anoscalendário 2003 a 2007. São glosados (sic) abaixo essas despesas calculadas com suporte em ativo de fundamento legal inexistente. Com relação a esta infração, foi aplicada a multa qualificada, tendo em vista que para efetuar os cálculos dos Juros sobre o Capital Próprio a fiscalizada inflou seu Patrimônio Líquido mediante a inclusão de contrapartidas provenientes da criação de ativos fictícios engendrados mediante simulação, o que, em tese, caracterizase como crime contra a ordem tributária, previsto nos art. 1o e 2oda Lei n° 8.137/90. [...] 003 EXCLUSÕES/COMPENSAÇÕES NÃO AUTORIZADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL IRPJ EXCLUSÃO INDEVIDA DO LUCRO REAL ANUAL DE VALORES NÃO AMORTIZÁVEIS Conforme demonstrado no Relatório de Ação Fiscal nº 00713/09/009, parte integrante e indissociável deste Auto de Infração, a fiscalizada utilizouse de manobras societárias e contábeis para criar ilicitamente conta ativa de fundamento inexistente, registrando esse valor na conta contábil n° "1350111 Agio s/Investimento". Ato contínuo, a fiscalizada passou a amortizar a referida conta em montantes variáveis anualmente à taxa de 1/120 por mês calendário, registrando a referida amortização na conta contábil retificadora do ativo n° "1355101 Ágio Trazido por Incorporação ". Como contrapartida deste lançamento, lançou em conta de resultado a despesa registrada na conta contábil n° "4300008 Despesa Amortização Ágio", cujos valores são glosados anualmente abaixo. Ao final do anocalendário 2008, a fiscalizada reverteu todos os lançamentos efetuados na conta contábil n° "4300008 Despesa Amortização Ágio" e, com a finalidade de obter o benefício fiscal pretendido, lançou em livro LALUR a totalidade do valor anteriormente registrado como despesa no anocalendário 2008, efetuando EXCLUSÃO na apuração do Lucro Real Anual, sob o histórico Fl. 5383DF CARF MF 6 "Amortização de Ágio" na listagem dos ajustes a serem efetuados (folha 25 do LALUR 2008) e sob o histórico "3.09 Reversão Provisão Instr CVM349/01" no quadro de apuração do Lucro Real (folha 26 do LALUR 2008). Tratase de simulação que reduziu as bases de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica para o anocalendário 2008. É glosada abaixo essa EXCLUSÃO de fundamento legal inexistente. Foi aplicada a multa qualificada de 150%, tendo em vista a prática de atos por parte dos representantes da fiscalizada que se enquadram, em tese, como crimes contra a ordem tributária, previstos nos art. 1° e 2a da Lei n° 8.137/90. [...] 004 MULTAS ISOLADAS MULTA ISOLADA FALTA DE RECOLHIMENTO DA ESTIMATIVA DO IRPJ APURADA ATRA VÉS DE BALANCETES DE SUSPENSÃO/REDUÇÃO Conforme demonstrado no Relatório de Ação Fiscal nº 00847/08/007, parte integrante e indissociável deste Auto de Infração, a fiscalizada utilizouse de manobras societárias e contábeis para criar ilicitamente conta ativa de fundamento inexistente, registrando esse valor na conta contábil n° "121001 PERDA INCORPORAÇÃO NMC AGIO NMC S/FMC". Ato contínuo, a fiscalizada passou a amortizar a referida conta à taxa de 1/60 por mês calendário, registrando a referida amortização na conta contábil retificadora do ativo n° "121002 AMORTIZ PERDA INCORPORAÇÃO NMC AGIO NMC S/FMC". Como contrapartida deste lançamento, lançou em conta de resultado a despesa registrada na conta contábil n° "599000 AMORTIZ. PERDA INCORPORAÇÃO NMC AGIO NMC S/ FMC", cujos valores foram glosados individualmente através do lançamento neste Auto da seguinte infração "IRPJ VALORES NÃO AMORTIZÁVEIS LANÇADOS EM CONTA DE RESULTADO". Como decorrência desse lançamento, foi recomposta a apuração mensal dos balancetes de suspensão/redução confeccionados pela fiscalizada com a finalidade de reduzir o recolhimento mensal das estimativas do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica para os anoscalendário 2004 a 2008, conforme demonstrado no "Demonstrativo de Apuração da Multa Isolada para o IRPJ" anexa ao presente Auto de Infração. Foram apuradas as faltas de recolhimento dos valores dispostos nas colunas 18 e 19 do "Demonstrativo de Apuração da Multa Isolada para o IRPJ", valores sobre os quais foi calculada multa isolada pelo percentual de 50% (coluna 20), conforme previsto no art. 44, § Io, inciso IV, da Lei n° 9.430/96, atual letra "b" do inciso II do art. 44 da Lei n° 9.430/96, com redação dada pelo art. 14 da Lei n° 11.488/07. A MULTA ISOLADA sobre a falta de recolhimento da estimativa/suspensão tem por objetivo penalizar a fiscalizada por não recolher o tributo no momento em que era devido e está prevista para ser aplicada mesmo nos casos em que o balanço de encerramento do anocalendário compute PREJUÍZO FISCAL. A presente infração é conseqüência da prática de atos por parte dos representantes da fiscalizada que se enquadram, em tese, como crimes contra a ordem tributária, previstos nos art. 1° e 2° da Lei n° 8.137/90. Fl. 5384DF CARF MF Processo nº 10830.016637/200945 Acórdão n.º 1301002.278 S1C3T1 Fl. 5.382 7 As faltas de recolhimento apontadas no "Demonstrativo de Apuração da Multa Isolada para o IRPJ" são decorrentes do computo mensal das infrações "IRPJ GLOSA DE VALORES NÃO AMORTIZÁVEIS LANÇADOS EM CONTA DE RESULTADO", "IRPJ EXCLUSÃO INDEVIDA DO LUCRO REAL ANUAL DE VALORES NÃO AMORTIZÁVEIS" e "IRPJ GLOSA DO CRÉDITO EM EXCESSO DE JUROS SOBRE 0 CAPITAL PRÓPRIO".” Contextualizando a apuração das irregularidades, a autoridade fiscal elaborou o Relatório de Ação Fiscal de fls. 1.161/1.281 relatando o seguinte: “30Antes de analisarmos os negócios jurídicos que geraram redução das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL com relação ao período fiscalizado, analisaremos o histórico de composição societária do grupo empresarial do qual a fiscalizada faz parte. 31Esse estudo fazse necessário conquanto revela que as despesas com amortização de ágio incorridas pela fiscalizada durante o período compreendido dentro dos anoscalendário 2003 a 2008 são decorrentes de alterações contratuais ocorridas no anocalendário 2002 que tinham por finalidade criar uma situação societária que possibilitasse à fiscalizada aproveitar os beneficios fiscais previstos nos artigos 385 e 386 do RIR 1999 citados adiante. [...] No caso concreto, vale ressaltar que não houve qualquer mudança na titularidade das quotas. A situação reinante antes do início da operação permaneceu inalterada após o seu término. Assim, decompomos a seguir os procedimentos societários adotados pelo grupo empresarial do qual faz parte a fiscalizada com a finalidade de demonstrar as irregularidades constatadas. 38Pela ordem cronológica de confecção, utilizaremos para isso as seguintes Alterações de Contratos Sociais arquivadas pela Meadwestvaco do Brasil Ltda. e pela RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA.: • 01/03/1997 Instrumento Particular de 10ª Alteração do Contrato Social da "MeadEmbalagens Ltda." (Selo de Autenticidade DW N° 740684 a 740697, de 29/07/1997) a Meadwestvaco do Brasil Ltda. possuía a denominação de "Mead Embalagens Ltda." e 99,99% das quotas da empresa pertenciam ao sócio Mead Packing International Inc., e 0,01% das quotas da empresa pertenciam ao sócio MEAD SA INC., ambas pertencentes ao Grupo MEAD, com sede no estado de Ohio, nos Estados Unidos. Esse Contrato Social vigorou durante um prazo superior a 5 (cinco) anos; • 21/05/2001 Alteração do Contrato Social da "RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA." (registro na JUCESP n° 107.871/014, de 11/06/2001) esse Contrato Social revela que o sócio majoritário da fiscalizada é a Shore Islands S.L. com participação de 99.99% de seu Capital Social; • 29/04/2002 11a Alteração do Contrato Social da "Meadwestvaco do Brasil Ltda." (registro na JUCESP n° 90.554/024, de 07/05/2002) a empresa altera sua denominação social para Meadwestvaco do Brasil Ltda. e permanece como propriedade dos mesmos sócios quotistas anteriores, Mead Packing International Inc. (99,99%), e MEAD S.A. INC. (0,01%), ambos pertencentes ao grupo MEAD, o qual estava nessa data em processo de fusão com o Grupo WESTVACO; Fl. 5385DF CARF MF 8 • 31/07/2002 Instrumento Particular de 12a Alteração do Contrato Social da "Meadwestvaco do Brasil Ltda." (registro na JUCESP n° 191.250/028) a empresa continua a permanecer como propriedade dos mesmos sócios quotistas anteriores, Mead Packing International Inc. (99,99%), e MEAD S.A. INC. (0,01%). • 10/09/2002 Alteração do Contrato Social da "RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA." (registro na JUCESP n° 216.707/020) esse Contrato Social revela que o sócio majoritário da fiscalizada continua sendo a Shore Islands S.L. com participação de 99,99% de seu Capital Social, a qual fazia parte do recém fundido Grupo MEADWESTVACO; 17/10/2002 Instrumento Particular de 13a Alteração do Contrato Social da 'Meadwestvaco do Brasil Ltda." (registro na JUCESP n° 53.944/028, de 12/11/2002) a empresa continua a permanecer como propriedade dos mesmos sócios quotistas anteriores, Mead Packing International Inc. (99,99%), e MEAD S.A. INC. (0,01%)., os quais faziam parte do recém fundido Grupo MEADWESTVACO. • 12/11/2002 Instrumento Particular de 14ª Alteração do Contrato Social da "Meadwestvaco do Brasil Ltda." (registro na JUCESP n° 237.282/021, de 27/11/2002) as quotas da empresa são transferidas totalmente para a empresa Shore Islands S.L. (o mesmo sócio da RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA.), com sede em Ibanez de Bilbao, Bilbao, Espanha, empresa também pertencente ao grupo MEADWESTVACO, tal como seus antigos proprietários. • 12/11/2002 Alteração do Contrato Social da "RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA." (registro na JUCESP n° 237.207/023, de 21/11/2002) esse Contrato Social revela que o sócio majoritário da fiscalizada continua sendo a Shore Islands S.L. com participação de 99,99% de seu Capital Social. Através dessa alteração, a fiscalizada cria uma filial no endereço Rua Tabapuã, 41 2° andar salas 21 a 28, Itaim Bibi, em São Paulo SP, endereço no qual já funcionava há mais de cinco anos a sede social da empresa Meadwestvaco do Brasil Ltda., • 30/11/2002 Instrumento Particular de 15a Alteração do Contrato Social da "Meadwestvaco do Brasil Ltda." (registro na JUCESP n° 285.636/029,de 30/12/2002) Em um sábado, dezoito dias depois de haver se tornado proprietária majoritária das quotas da empresa, a Shore Islands S.L. transfere novamente a totalidade das quotas da Meadwestvaco do Brasil Ltda. para a empresa MWV Canada Operations Co., com sede em Nova Scotia, Canada, empresa também pertencente ao grupo MEADWESTVACO, tal como seus antigos proprietários. • 30/11/2002 Instrumento Particular de 16a Alteração do Contrato Social da "Meadwestvaco do Brasil Ltda." (registro na JUCESP n° 285.637/022, de 30/12/2002) No mesmo dia da alteração social anterior, a Meadwestvaco do Brasil Ltda. aumenta seu Capital Social de R$ 7.644.505,00 para R$ 748.670.395,00, admite um novo sócio quotista e passa a ter a distribuição de quotas de 70,46% de propriedade de MWV Canada Operations Co. e 29,54% de propriedade de MWV Consumer & Office Products Co.. Nessa data, a Meadwestvaco do Brasil Ltda. recebe como integralização de Capital Social as quotas majoritárias (99.99%) da fiscalizada avaliadas com ágio. • 30/11/2002 Alteração do Contrato Social da "RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA." (registro na JUCESP n° 285.631/020, em 30/12/2002) a fiscalizada registra a mudança de quotistas. O quotista majoritário da fiscalizada, Shore Islands S.L., cede parte de sua participação social para duas empresas: para o mesmo sócio da Meadwestvaco do Brasil Ltda., a empresa MWV Canada Operaiions Co. cede 20,41% das quotas da empresa e para a empresa Fl. 5386DF CARF MF Processo nº 10830.016637/200945 Acórdão n.º 1301002.278 S1C3T1 Fl. 5.383 9 MWV Consumers & Office Products cede outras 8,52% das quotas da empresa e permanece com participação majoritária de 71,06% do Capital Social da fiscalizada; • 30/11/2002 Alteração do Contrato Social da "RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA." (registro naJUCESP n° 285.632/024, em 30/12/2002) a fiscalizada registra nova mudança de quotistas. O quotista majoritário da fiscalizada, Shore Islands S.L., cede a totalidade restante de sua participação social para as mesmas duas empresas para as quais já havia cedido parte da participação através da Alteração do Contrato Social anterior. A empresa MWV Canada Operations Co. passa a deter 70,15% das quotas da empresa e a empresa MWV Consumers & Office Products passa a deter 29,84% das quotas do Capital Social da fiscalizada; 30/11/2002 Alteração do Contrato Social da "RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA." (registro na JUCESP n° 285.633/028, em 30/12/2002) a fiscalizada novamente registra a mudança de quotista majoritário. No mesmo dia em que se tornaram proprietárias majoritária da RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA.. as empresas MWV Canada Operations Co. e MWV Consumers & Office Products cedem a totalidade de sua participação no Capital Social da fiscalizada para a investidora Meadwestvaco do Brasil Ltda.. Porém, permanecem indiretamente proprietárias da fiscalizada, com quotas nas mesmas proporções às que já possuíam na Alteração de Contrato Social anterior, uma vez que eram proprietárias diretas da Meadwestvaco do Brasil Ltda.; • 01/12/2002 Resolução de Quotistas da Meadwestvaco do Brasil Ltda. (registro na JUCESP n° 285.638/026, de 30/12/2002) domingo, um dia após a aquisição das quotas da fiscalizada, os sócios da empresa aprovam sua incorporação por sua recém investida RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA. e dão por extinta a empresa. 01/12/2002 Alteração do Contrato Social da "RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA." (registro na JUCESP n° 285.635/025, em 30/12/2002) Em um domingo, um dia após a última Alteração Contratual, a fiscalizada incorpora sua controladora, a Meadwestvaco do Brasil Ltda., e volta a pertencer aos mesmos proprietários identificados anteriormente, há duas Alterações Contratuais, na alteração de registro JUCESP n° 285.632/024; III.I DA RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA. 39 Através do exame da Alteração do Contrato Social da empresa Rigesa Celulose, Papel e Embalagens Ltda, CJPJ 45.989.050/000181, datada de 12/11/2002 (registro na JUCESP n° 237.207/023), constatamos que a fiscalizada pertencia até aquele momento aos seguintes sócios estrangeiros: >SHORE ISLANDS S.L., com 217.772.979 quotas de seu Capital Social no valor de R$ 217.772.979,00, com sede na cidade de Bilbao, Espanha. > WESTVACO SVITAVY, SPOL. SRO., com 21.779 quotas de seu Capital Social no valor de R$ 21.779,00 com sede na cidade de Svitavy, República Checa. [...] 41 Através do exame das duas primeiras Alterações do Contrato Social da empresa Rigesa Celulose, Papel e Embalagens Ltda., CNPJ 45.989.050/000181, ocorridas em 30/11/2002 (registradas na JUCESP sob os números 285.631/020 e Fl. 5387DF CARF MF 10 285.632/024) em adendo ao organograma do grupo internacional MEADWESTVACO para o anocalendário 2002, apresentado pela fiscalizada em 17/08/2009 constatamos que a fiscalizada foi transferida pela Shore Islands S.L. para suas subsidiárias/controladas MWV CONSUMER & OFFICE PRODUCTS CO. e MWV CANADA OPERATIONS CO. em duas etapas, terminando por se retirar do controle direto da empresa na alteração contratual 285.632/024. O quadro societário da fiscalizada, dividido em 217.794.758 quotas, passou a ser composto da seguinte maneira após essas duas alterações contratuais: >MWV CONSUMER & OFFICE PRODUCTS CO., com 64.994.662 quotas de seu Capital Social no valor de R$ 64.994.662,00 com sede na cidade de Nova Scotia, Canada. >MWV CANADA OPERATIONS CO., com 152.778.317 quotas de seu Capital Social no valor de R$ 152.778.317,00 com sede na cidade de Nova Scotia, Canada. > WESTVACO SV1TAVY, SPOL. S.R.O., com 21.779 quotas de seu Capital Social no valor de R$ 21.779,00 com sede na cidade de Svitavy, República Checa [...] 43Assim sendo, a Shore Islands S.L., proprietária majoritária da fiscalizada desde o início da análise de seu histórico societário, em 21/05/2001, continuou exercer controle sobre a fiscalizada de forma indireta através dessas novas quotistas majoritárias com a implantação das Alterações Contratuais registradas na JUCESP sob os números 285.631/020 e 285.632/024. 44Essa situação societária perdurou, no entanto, somente durante o próprio dia 30/11/2002, quando foi confeccionada uma terceira alteração contratual, registrada na JUCESP sob o n° 285.633/028, com a finalidade de transferir 99,99% das quotas majoritárias da fiscalizada para sua nova proprietária Meadwestvaco do Brasil Ltda. 45Em 31/10/2002, antes de ter as suas quotas majoritárias transferidas para a investidora Meadwestvaco do Brasil Ltda. a fiscalizada apresentava a seguinte situação patrimonial: RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA. (BALANCETE 31/10/2002) ATIVO ' PASSIVO Total Contas do Passivo R$ 202.443.401.16 PATRIMÓNIO LÍQUIDO Total Contas do Ativo R$ 511.775.701,72 Capital Social R$ 217.794.758,00 Doações e Subvenções R$ 25.225.313,15 Lucros Acumulados R$ 46.691.426,54 Lucros do Ano até 10/02 R$ 19.620.802,87 TOTAL DO PL R$ 309.332.300,56 III.II DA MEADWESTVACO DO BRASIL LTDA. 46A MEADWESTVACO DO BRASIL LTDA. (antiga MEAD Embalagens Ltda), inscrita no CNPJcom o n° 69.192.136/000147pertencia ao grupo internacional MEAD e como consequência da fusão deste iniciada em 28/01/2002, com o grupo internacional WESTVACO, grupo ao qual pertencia a fiscalizada, passou a pertencer ao mesmo grupo empresarial internacional que a fiscalizada, o grupo MEADWESTVACO. Fl. 5388DF CARF MF Processo nº 10830.016637/200945 Acórdão n.º 1301002.278 S1C3T1 Fl. 5.384 11 47A MEADWESTVACO DO BRASIL LTDA. ficava localizada à Rua Tabapuã, 41 2° andar salas 21 a 28, Itaim Bibi, em São Paulo SP, mesmo endereço em que a fiscalizada constituiu uma filial em 12/11/2002, conforme descrito na "Alteração do Contrato Social da RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA.", registrada na JUCESP sob o n° 237.207/023, em 21/11/2002. [...] 49Através do exame do Instrumento Particular de 13a Alteração do Contrato Social da "Meadwestvaco do Brasil Lida." (registro na JUCESP n° 53.944/028, de 12/11/2002), datada de 17/10/2002, constatamos que a empresa pertencia naquele momento aos seguintes quotistas: >Mead Packing International Inc., com 7.644.504 quotas de seu Capital Social (99,99%) no valor de R$ 7.644.504,00, com sede na cidade de Dayton, Ohio, Estados Unidos da América. >MEAD S.A. INC., com 1 quota de seu Capital Social (0,01%) no valor de R$ 1,00, com sede na cidade de Dayton, Ohio, Estados Unidos da América. 50Através do exame da 14a Alteração do Contrato Social da empresa MEADWESTVACO DO BRASIL LTDA., CJPJ 69.192.136/000147, datada de 12/11/2002 (registro na JUCESP n° 237.282/021, de 27/11/2002), constatamos que a empresa passou a pertencer a partir daquele momento ao seguinte sócio estrangeiro, com 100% de suas quotas: >SHORE ISLANDS, S.L., com 7.644.505 quotas de seu Capital Social no valor de R$ 7.644.505,00, com sede na cidade de Bilbao, Espanha. [...] 52Examinando os Contratos Sociais das empresas Rigesa Celulose, Papel e Embalagens Ltda. e MEADWESTVACO DO BRASIL LTDA. vigentes, constatase que as duas pertenciam exatamente ao mesmo proprietário SHORE ISLANDS. S.L.. na data de 12/11/2002, empresa que detinha participações aproximadamente idênticas nas duas, respectivamente 99,99% na primeira e 100% na segunda. 53Através do exame do Instrumento Particular da 15ª Alteração do Contrato Social da empresa MEADWESTVACO DO BRASIL LTDA., CJPJ 69.192.136/0001 47, datada de 30/11/2002 (registro na JUCESP n° 285.636/029, de 30/12/2002), constatamos que a participação na empresa foi transferida da empresa SHORE ISLANDS, S.L. para outra empresa pertencente ao mesmo grupo MEADWESTVACO e passou a pertencer a partir daquele momento ao seguinte sócio estrangeiro, com 100% de suas quotas: > MWV CANADA OPERAT10NS CO., com 7.644.505 quotas de seu Capital Social no valor de R$ 7.644.505,00, com sede na cidade de Nova Scotia, Canada. 55Ainda na mesma data de 30/11/2002, ocorreu uma segunda alteração contratual na empresa em análise, a qual será analisada em todos os seus aspectos e suas deliberações no tópico seguinte. Tratase do Instrumento Particular da 16" Alteração do Contrato Social da empresa MEADWESTVACO DO BRASIL LTDA., (registro na JUCESP n° 285.637/022, de 30/12/2002), através do qual uma nova empresa foi admitida na sociedade, também pertencente ao mesmo grupo MEADWESTVACO, ficando a empresa com a seguinte composição societária: Fl. 5389DF CARF MF 12 >MWVCONSUMER & OFFICE PRODUCTS CO., com 221.144.240 quotas de seu Capital Social no valor de R$ 221.144.240,00 com sede em Nova Scotia, Canada. >MWV CANADA OPERATIONS CO., com 527.526.155 quotas de seu Capital Social no valor de R$ 527.526.155,00 também com sede em Nova Scotia, Canada. 56Assim, temse que o grupo estrangeiro proprietário direto da Rigesa Celulose, Papel e Embalagens Ltda. até 30/11/2002 era o mesmo grupo que detinha integralmente a MEADWESTVACO DO BRASIL LTDA., através de empresas com participações aproximadamente idênticas de respectivamente de 70,15% e 29,84% na primeira e 70,46% e 29,54% na segunda. 57 Esta participação societária na MEADWESTVACO DO BRASIL LTDA., (...), proporcionalmente quase idêntica na Rigesa Celulose, Papel e Embalagens Ltda., perdurou somente por um dia, até o domingo, dia 01/12/2002: [...] 58Assim, temse que o grupo estrangeiro proprietário da RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA. até 30/11/2002 era o mesmo grupo que detinha a Meadwestvaco do Brasil Ltda.. Essa situação societária perdurou até 01/12/2002, quando a Meadwestvaco do Brasil Ltda. foi incorporada pela fiscalizada. 59Outro ponto a observar é que no dia 31/10/2002, através do balancete levantado no encerramento mensal imediatamente anterior à aquisição das quotas da fiscalizada, a Meadwestvaco do Brasil Ltda., apresentava a seguinte situação patrimonial, a qual demonstra que a empresa não possuía nitidamente capacidade econômica para efetuar, com recursos próprios, a aquisição pretendida, e que, por outro lado, passava por uma séria dificuldade financeira, possuindo um PASSIVO A DESCOBERTO de R$ 11.515.833.56. [...] III.III Da aquisição de 99,99% das quotas da RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA. pela Meadwestvaco do Brasil Ltda. 60Antevendo uma possível oportunidade de, criando um "planejamento fiscal" complexo, aproveitarse dos benefícios contidos no Art. 386 do RIR 1999, o grupo estrangeiro proprietário da fiscalizada resolveu criar um liame entre as participações que possuía nas empresas MEADWESTVACO DO BRASIL LTDA. e Rigesa Celulose, Papel e Embalagens Ltda.. 61A maneira de aproveitarse dos benefícios previstos no artigo 386 do RIR/99 seria utilizarse de uma "empresa veículo", que atuaria como base para a criação de uma conta de ágio. 62Assim, o grupo MEADWESTVACO, utilizouse da empresa MEADWESTVACO DO BRASIL LTDA. para ser essa "empresa veículo". Embora operante e dotada de patrimônio, essa foi a empresa eleita para adquirir a Rigesa Celulose, Papel e Embalagens Ltda. por um valor em muito superior ao de sua avaliação pelo critério da Equivalência Patrimonial. 63Não havendo óbice entre negociadores, já que a fiscalizada e a Meadwestvaco do Brasil Ltda. eram de propriedade das mesmas empresas estrangeiras, iniciouse a aquisição das quotas da fiscalizada pela Meadwestvaco do Brasil Ltda. Fl. 5390DF CARF MF Processo nº 10830.016637/200945 Acórdão n.º 1301002.278 S1C3T1 Fl. 5.385 13 64Em 30/11/2002, o grupo estrangeiro proprietário da fiscalizada resolveu "reorganizar" as participações que possuía nas empresas Meadwestvaco do Brasil Ltda. e RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA. manifestando essa vontade através do Instrumento Particular de 16" Alteração do Contrato Social da "Meadwestvaco do Brasil Ltda." (registro na JUCESP n° 285.637/022, de 30/12/2002) e da Alteração do Contrato Social da "RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA." (registro na JUCESP n° 285.633/028). Esses contratos foram levados a registro na JUCESP em 30/12/2002. 65Através destas alterações contratuais a Meadwestvaco do Brasil Ltda. passou a figurar como proprietária da quase totalidade das quotas (99,99%) da fiscalizada pertencentes anteriormente às sócias estrangeiras MWV CONSUMER & OFFICE PRODUCTS CO. e MWV CANADA OPERATIONS CO.. 66Documentalmente, em 30/11/2002, com fundamento Instrumento Particular da 16"Alteração do Contrato Social da empresa MEADWESTVACO DO BRASIL LTDA., (registro na JUCESP n° 285.637/022, de 30/12/2002), seus sócios estrangeiros implementaram as seguintes medidas: > A Meadwestvaco do Brasil Ltda., que até aquela alteração contratual era 100% de propriedade de MWV Canada Operations Co. admite um novo sócio quotista, a empresa MWV Consumer & Office Products Co.; >A Meadwestvaco do Brasil Ltda. aumenta seu Capital Social de RS 7.644.505,00para RS 748.670.395,00; >A Meadwestvaco do Brasil Ltda. passa a ter a distribuição de quotas de 70,46% de propriedade de MWV Canada Operations Co. (527.526.155 quotas) e 29,54% de propriedade de MWV Consumer & Office Products Co. (221.144.240 quotas); >A Meadwestvaco do Brasil Ltda. recebe como integralização de Capital Social 99,99% das quotas majoritárias da fiscalizada avaliadas pelo valor de RS 741.025.890,00, com ágio de RS 431.693.589,64, anteriormente pertencentes às suas próprias quotistas MWV Canada Operations Co. e MWV Consumer & Office Products Co.. >Na data de 30/11/2002, a Meadwestvaco do Brasil Ltda. efetuou o seguinte lançamento contábil na folha 253 de seu Livro Diário N° 30 (registrado na JUCESP em 24/03/2003 sob o n° 38824), numerado em 24, 25 e 26, para registrar a aquisição das quotas da fiscalizada e do "ágio" que teria suportado na "negociação", em contrapartida ao aumento de seu Capital Social: Conta: 01312.002.00002 INVESTIMENTO RIGESA (ATIVO PERMANENTE – Investimentos) DÉBITO CRÉDITO (24) R$ 309.332.300,36 Histórico: Doc. 008 Lançto. do Aumento de Capital com Investimento na Rigesa cfe Laudo EconômicoFinanceiro pág. 65 de Nov/02, preparado por Z3M Venture Partners Ltda., e 16ª Alteração do Contrato Social de 30/11/02, registrado na JUCESP sob o n° 285.635/022. Conta: 01312.002.00003 AGIO SOBRE INVESTIMENTO DÉBITO CRÉDITO (25) R$ 431.693.589,64 Fl. 5391DF CARF MF 14 Histórico: Doc. 008 Lancto. do Aumento de Capital com Investimento na Rigesa cfe Laudo EconômicoFinanceiro pág. 65 de Nov/02, preparado por Z3M Venture Partners Ltda., e 16ª Alteração do Contrato Social de 30/11/02, registrado na JUCESP sob o n° 285.635/022. Conta: 02311.001.00001 CAPITAL SUBSCRITO DÉBITO CRÉDITO R$ 741.025.890,00 (26) Histórico: Doc. 008 Lancto. do Aumento de Capital com Investimento na Rigesa cfe Laudo EconômicoFinanceiro pág. 65 de Nov/02, preparado por Z3M Venture Partners Ltda., e 16ª Alteração do Contrato Social de 30/11/02, registrado na JUCESP sob o n° 285.635/022. > Ou seja, as quotas da fiscalizada detidas pela MWV Canada Operations Co. e pela MWV Consumer & Office Products Co. que, avaliadas pelo método da Equivalência Patrimonial teriam o valor de R$ 309.332.300.36. foram transferidas ao ativo da Meadwestvaco do Brasil Ltda. por R$ 741.025.890.00. gerando com isso uma conta de ágio no valor de R$ 431.693.589.64. 67Outros procedimentos adotados pela Meadwestvaco do Brasil Ltda. no momento em que adquiriu a participação majoritária de 99,99% na RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA. foram aqueles previstos no Art. 6o da Instrução CVM N° 319, de 3 de dezembro de 1999, com redação dada pela Instrução CVM n° 349, de 06 de março de 2001, que teriam fundamentado, posteriormente, a criação e manutenção da conta "1350112 Provisão Instr CVM 349/01" na contabilidade da fiscalizada. São os seguintes os dizeres do referido artigo: "Art. 6o O montante do ágio ou do deságio, conforme o caso, resultante da aquisição do controle da companhia aberta que vier a incorporar sua controladora será contabilizado, na incorporadora, da seguinte forma: [...] /// em conta específica do ativo diferido (ágio) ou em conta especifica de resultado de exercício futuro (deságio) quando o fundamento econômico tiver sido a expectativa de resultado futuro (Instrução CVM n° 247/96, art. 14, §2°, alínea a). [...] §1° O registro do ágio referido no inciso I deste artigo terá como contrapartida reserva especial de ágio na incorporação, constante do patrimônio líquido, devendo a companhia observar, relativamente aos registros referidos nos incisos II e III, o seguinte tratamento: a) constituir provisão, na incorporada, no mínimo, no montante da diferença entre o valor do ágio e do beneficio fiscal decorrente da sua amortização, que será apresentada como redução da conta em que o ágio foi registrado; b) registrar o valor liquido (ágio menos provisão) em contrapartida da conta de reserva referida neste parágrafo; [...] Fl. 5392DF CARF MF Processo nº 10830.016637/200945 Acórdão n.º 1301002.278 S1C3T1 Fl. 5.386 15 d) apresentar, para fins de divulgação das demonstrações contábeis, o valor líquido referido na letra "a" no ativo circulante e/ou realizável a longo prazo, conforme a expectativa da sua realização", (grifouse) 68No momento em que a Meadwestvaco do Brasil Ltda. criou a conta de ágio, já prevendo que seria incorporada pela fiscalizada foi obrigada a criar a conta de provisão relativa à Instrução CVM 349/2001, conforme previsto no §1° do Art. I o da Instrução CVM 319, de 03 de dezembro de 1999, com redação dada pela Instrução CVM n° 320, de 06 de dezembro de 1999, levandose em conta as seguintes características: >Essa provisão tem como fundamento a diferença entre o benefício fiscal e o montante do ágio gerado; >Foi gerado ágio no montante de R$ 431.693.589,64 sendo que o benefício fiscal desse ágio é de 25% relativo à redução do IRPJ e de 9% relativo à redução da CSLL a serem lançados contra o resultado na contabilidade da incorporadora; > Assim, a provisão constituída com relação ao ágio é de 66% (100% 25% 9%) do valor do ágio. Ou seja, uma provisão de R$ 284.917.769.16; >Essa provisão, embora afete o Lucro Contábil da incorporada, deve ser adicionada ao Lucro Real quando de sua criação e excluída do Lucro Real da Incorporadora na medida em que for sendo amortizada; >Em resumo, é uma provisão inócua, pois não causa efeitos na apuração do Lucro Real. >A efetiva redução do Lucro Real ocorrerá na contabilidade da incorporadora pela inclusão integral no resultado da amortização do ágio. 69Na data de 30/11/2002, a Meadwestvaco do Brasil Ltda. efetuou o seguinte lançamento contábil, numerado em 27 e 28, nas folhas 253 e 254 de seu Livro Diário N° 30 (registrado na JUCESP em 24/03/2003 sob o n° 38824) para registrar a provisão relativa à Instrução CVM 349/2001, fundamentada na diferença entre o benefício fiscal e o montante do ágio gerado aquisição das quotas da fiscalizada: Conta: 03241.001.00016 INVESTIMENTO RIGESA (DESPESA OUTRAS DESPESAS OPERACIONAIS DESPESAS COM PROVISÕES) DÉBITO CRÉDITO (27) R$ 284.917.769,16 Histórico: Doc. 008 Provisão instrução CVM 349/01, ref. Aumento de Capital com Investimento na Rigesa cfe Laudo EconômicoFinanceiro pág. 65 de Nov/02, preparado por Z3M Venture Partners Ltda., e 16° Alteração do Contrato Social de 30/11/02, registrado na JUCESP sob o n° 285.635/022. Conta: 01312.002.00004 PROV INSTRUÇÃO CVM 349/01 (ATIVO PERMANENTE Investimentos) DÉBITO CRÉDITO R$ 284.917.769,16 (28) Histórico: Doc. 008 Provisão instrução CVM 349/01, ref. Aumento de Capital com Investimento na Rigesa cfe Laudo EconômicoFinanceiro pág. 65 de Nov/02, preparado por Z3M Venture Partners Ltda., e 16° Alteração do Contrato Social de 30/11/02, registrado na JUCESP sob o n° 285.635/022. Fl. 5393DF CARF MF 16 70Resumindo, como a Meadwestvaco do Brasil Ltda. e a RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA. pertenciam exatamente aos mesmos proprietários e em quase idênticas participações, o negócio de aquisição das quotas da RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA. pela Meadwestvaco do Brasil Ltda. foi feito em dois passos: 1º passo as sócias canadenses MWV CANADA OPERATIONS CO. e MWV CONSUMER & OFFICE PRODUCTS CO. efetuaram subscrição de Capital Social da Meadwestvaco do Brasil Ltda.; 2o passo as sócias canadenses MWV CANADA OPERATIONS CO. e MWV CONSUMER & OFFICE PRODUCTS CO. entregaram a totalidade das quotas que detinham na fiscalizada para integralizar o Capital Social subscrito da Meadwestvaco do Brasil Ltda. 71Repisese, pois é um detalhe fundamental na presente análise, a subscrição do Capital Social da empresa MEADWESTVACO DO BRASIL LTDA. previsto para ser efetuado pelas empresas MWV CONSUMER & OFFICE PRODUCTS CO. e MWV CANADA OPERATIONS CO. foi materializado pela entrega por parte destas duas das quotas do Capital Social que possuíam na empresa Rigesa Celulose, Papel e Embalagens Ltda. 72As quotas de capital da empresa Rigesa Celulose, Papel e Embalagens Ltda. não foram vendidas à empresa MEADWESTVACO DO BRASIL LTDA.. Ou seja, não houve negociação entre partes independentes que permitisse a um comprador oferecer a um vendedor um montante financeiro superior ao existente no patrimônio líquido da empresa negociada devido a uma expectativa de rentabilidade futura do negócio. 73Em valores, temse que, quando as sócias canadenses MWV CANADA OPERATIONS CO. e MWV CONSUMER & OFFICE PRODUCTS CO. integralizaram o Capital Social da Meadwestvaco do Brasil Ltda. com as quotas que possuíam na RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA., atribuiram a estas quotas, avaliadas pela equivalência patrimonial em 30/11/2002 por R$ 309.332.300,36, o valor mais elevado de R$ 741.025.890.00, ou seja, exigindo de si mesmas um ágio de R$ 431.693.589.64. Estas quotas foram transferidas indiretamente para elas mesmas, mediante utilização da "empresa veículo" MEADWESTVACO DO BRASIL LTDA. 74Nada mais foi acrescentado em valores monetários para se efetivar o aumento do Capital Social na empresa MEADWESTVACO DO BRASIL LTDA.. 75Não houve trânsito algum de dinheiro ou quaisquer outros valores monetários ou previsão de ganhos com investimentos presentes ou futuros nessa subscrição. Em resumo, não se criou nada novo em termos econômicos relativamente à situação societária que já existia previamente. 76Não houve terceiros externos ao grupo MEADWESTVACO interessados no negócio de aquisição da participação na empresa Rigesa Celulose, Papel e Embalagens Ltda., a qual simplesmente foi transferida entre empresas pertencentes ao mesmo grupo econômico acabando por ficar sob o controle indireto das mesmas empresas que anteriormente detinham seu controle direto. 77Criouse com essa maquinação societária uma conta ativa de ágio na empresa Meadwestvaco do Brasil Ltda.. Ágio este relativo à simples majoração de preço das quotas anteriormente detidas diretamente pela MWV CANADA OPERATIONS CO. e pela MWVCONSUMER & OFFICE PRODUCTS CO., que continuaram a ser de sua propriedade, porém, a partir desse momento, através de sua controlada. Fl. 5394DF CARF MF Processo nº 10830.016637/200945 Acórdão n.º 1301002.278 S1C3T1 Fl. 5.387 17 78Evidenciase com isso o fato de que os proprietários da RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA. utilizaramse da empresa Meadwestvaco do Brasil Ltda. como "empresa veículo" para criar uma conta de ágio em participações, que já sabiam de antemão que seria transferida posteriormente para o ativo da fiscalizada mediante incorporação, com a finalidade de amortizar esse ágio nos moldes previstos pelo art. 386, do RIR99. 79Dessa feita, após a implementação de todas as resoluções contidas da 16" Alteração do Contrato Social da empresa MEADWESTVACO DO BRASIL LTDA., (registro na JUCESP n° 285.637/022, de 30/12/2002), o Balanço Patrimonial simplificado da empresa passou a ter a configuração abaixo em 30/11/2002: MEADWESTVACO DO BRASIL LTDA. BALANCETE 30/11/2002 (folhas 255 a 269 do Livro Diário n° 30 OUT A DEZ/2002 registro JUCESP n° 38824, de 24/03/2003) ATIVO PASSIVO TOTAL DAS CONTAS R$ 22.540.222,32 PATRIMÔNIO LÍQUIDO Outras Contas do Ativo R$ 14.578.111,55 Investimento RIGESA R$ 309.332.300,36 Ágio s/ investimento R$431.693.589,64 Prov. Inst CVM 349/01 (R$284.917.769,16) TOTAL DO ATIVO R$ 470.686.232,39 Capital Social R$ 748.670.395,00 Correção Mon. Capital R$ 959.196,72 Lucros Acumulados R$ 2.421.295,10 Prejuízos Acumulados(R$ 10.090.782,67) Prejuízo do Exercício(R$ 293.814.094,08) TOTAL DO PL RS 448.146.010,07 80Após serem considerados os fatos que serão expostos no próximo tópico, ficará evidenciado que no momento em que foi celebrada a 16" Alteração do Contrato Social da empresa MEADWESTVACO DO BRASIL LTDA., (registro na JUCESP n° 285.637/022, de 30/12/2002), embora nessa alteração estivesse expressamente previsto em seu art. 4 (quatro) que a sociedade teria o prazo indeterminado de duração, já havia, naquele momento, a intenção dos proprietários da empresa de extinguila mediante sua incorporação pela empresa RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA. 81Concomitantemente, foi celebrado a Alteração do Contrato Social da "RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA." (registro na JUCESP n° 285.633/028), datada da mesma data de 30/11/2002 e também registrada na JUCESP em 30/12/2002, fazendo constar que a fiscalizada agora pertencia a novo proprietário, a Meadwestvaco do Brasil Ltda., "retirandose" as empresas que a ela transferiram as suas quotas, a MWV CANADA OPERATIONS CO. e a MWV CONSUMER & OFFICE PRODUCTS CO., do Canada. Assim, a participação societária nos quadros da fiscalizada passou a ter a seguinte configuração: >MEADWESTVACO DO BRASIL LTDA., com 217.772.979 quotas de seu Capital Social no valor de R$2 1 7.772.979,00. > WESTVACO SVITA VY, SPOL. S.R. O., com 21.779 quotas de seu Capital Social no valor de R$ 21.779,00 com sede na cidade de Svitavy, República Checa. 82Como já foi esclarecido, o grupo estrangeiro proprietário da RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA., era o mesmo grupo que controlava a Meadwestvaco do Brasil Ltda., com participações praticamente idênticas. E esse controle, exercido pelas empresas no exterior, continuou a ser exatamente o mesmo após a manobra societária concretizada pela 16a Alteração do Contrato Social da empresa MEADWESTVACO DO BRASIL LTDA., (registro na JUCESP n° 285.637/022, de 30/12/2002) epela Alteração do Contrato Social da "RIGESA Fl. 5395DF CARF MF 18 CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA." (registro na JUCESP n° 285.633/028). 83Resumindo, os sócios estrangeiros MWV CANADA OPERATIONS CO. e MWV CONSUMER & OFFICE PRODUCTS CO., que anteriormente detinham o controle direto da fiscalizada, passaram a exercer exatamente o mesmo controle, agora de forma indireta, através da "empresa veículo" Meadwestvaco do Brasil Ltda. 84Ou seja, nessas modificações societárias citadas, as empresas Rigesa Celulose, Papel e Embalagens Ltda. e MEADWESTVACO DO BRASIL LTDA. não deixaram de pertencer aos mesmos proprietários MWV CONSUMER & OFFICE PRODUCTS CO. e MWV CANADA OPERATIONS CO., ou à antiga proprietária Shore Islands. S.L. ou ao mesmo grupo estrangeiro MEADWESTVACO. [...] III.IV DA INCORPORAÇÃO ÀS AVESSAS (Da incorporação da investidora Meadwestvaco do Brasil Ltda. pela investida RIGESA CEL ULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA.) 86Em 01/12/2002, concretizando a situação que, em tese, geraria para a fiscalizada o beneficio da dedução de despesas, conforme previsto no Art. 386 do RIR 1999, o grupo estrangeiro proprietário da fiscalizada resolveu novamente reorganizar as participações societárias que possuía nas empresas Meadwestvaco do Brasil Ltda. e RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA. através das seguintes deliberações, constantes da Resolução de Quotistas da Meadwestvaco do Brasil Ltda. (registro na JUCESP n° 285.638/026, de 30/12/2002) e da Ata de Reunião dos Sócios e da Alteração do Contrato Social da "RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA." (registro na JUCESP n° 285.635/025, em 30/12/2002), realizadas em 01/12/2002: > Em 01/12/2002, a RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA. absorveu por incorporação a empresa Meadwestvaco do Brasil Ltda., sua INVESTIDORA, efetuando lançamentos contábeis de incorporação, e tomandose a empresa resultante conforme disposto no quadro a seguir: RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA. (INCORPORADORA)1 MEADWESTVACO DO BRASIL LTDA. (INCORPORADA) EMPRESA RESULTANTE DA INCORPORAÇÃO 0,00 R$ 309.332.300,36 R$ 309.332.300.36 Investimento RIGESA Aglo S/ Investimento 0,00 R$431.693.589,64 R$431.693.589,64 Prov Inst CVM 349/01 0.00 (R$264.917.769,16) (R$ 284.917.769,16) Outras Contas do Ativo R$ 481.546.204,33 R$14.578.111.55 R$496.124.315,88 PASSIVO R$ 209.848.627,23 R$ 22.540.222,32 R$ 232.388.849,55 PATRIMÔNIO LIQUIDO 01/12/2002 CAPITAL SOCIAL R$ 217.794.758,00 R$ 748.670.395,00 R$ 966.465.153,00 Reservas de Capital R$25.225.313,15 R$ 959.196,72 R$26.164.509,87 Lucros/Prejuizos Acumulados R$ 28.677.505,95 (R$301.483.581,65) (R$ 272.806.075.70) > Após a incorporação da investidora Meadwestvaco do Brasil Ltda., a fiscalizada cancelou as quotas que esta possuía da própria RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA. contra a conta de investimentos, no valor de R$ 309.332.300.36, absorveu também o prejuízo contábil da incorporada, no valor de (R$ 301.483.581.65) e criou uma reserva de Capital com o restante, representativa do valor liquido (R$ 138.813.709,68) vertido na incorporação da Meadwestvaco do Fl. 5396DF CARF MF Processo nº 10830.016637/200945 Acórdão n.º 1301002.278 S1C3T1 Fl. 5.388 19 Brasil Lida., passando a ser representada conforme o seguinte balancete levantado em 31/12/2002: RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA. BALANCETE 31/12/2002 {DIPJ 2003/2002ND 0768853). | PASSIVO TOTAL DAS CONTAS R$229.500.618,57 PATRIMÔNIO LÍQUIDO Outras Contas do Ativo R$ 494.390.725,63 Ágio sl investimento R$ 431.693.589,64 Prov. Inst CVM 349/01 (R$ 284.917.769,16) TOTAL DO ATIVO R$641.166.546.11 Capital Social R$ 217.794.758,00 Doações e Subvenções R$ 25.225.313,15 Reserva Capital Mead R$ 138.813.709,68 Lucros Acumulados R$ 29.832.146,71 TOTAL DO PL R$ 411.665.927.54 >Como produto da incorporação, a RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA. chegou ao resultado almejado desde o momento em que a Meadwestvaco do Brasil Ltda. assumiu o seu controle acionário: acrescentou ao balanço da empresa um novo valor surgido da transação, que ficou localizado em conta de ATIVO DIFERIDO, valor este relativo ao ágio criado ficticiamente no valor de RS 431.693.589.64; > Analisandose ainda o Balanço Patrimonial sintético acima concluise que as contas de ágio foram a maior, senão a única contribuição positiva da Meadwestvaco do Brasil Ltda. para o Patrimônio Líquido da RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA. tendo em vista que a reserva de Capital proveniente da incorporação da primeira resultou em um valor de RS 138.813.709.68. inferior, portanto, ao valor de ágio liquido da Provisão CVM 349/02, que montaria a RS 146.775.820.48; >Contabilmente concluise que para obter a conta de ágio pretensamente amortizável proveniente da Meadwestvaco do Brasil Ltda., a RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA. foi obrigada a suportar uma parte negativa do negócio em "passivo a descoberto" proveniente da empresa incorporada no montante de R$ 7.962.110,80. >Por fim, a RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA. passou a abater de seus resultados operacionais a partir do mês de janeiro de 2003 o ágio mensalmente amortizado pelo prazo projetado de 10 (dez) anos à razão prevista em "Relatório de Avaliação EconômicoFinanceiro" elaborado em novembro de 2002 pela consultoria Z3M Venture Partners Ltda.. 87A partir da Alteração do Contrato Social da "RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA." (registro na JUCESP n° 285.635/025, em 30/12/2002), realizada em 01/12/2002, após extinguir a 'empresa veículo" Meadwestvaco do Brasil Ltda., através da qual criou a conta de ágio em seu Ativo Diferido, a fiscalizada voltou a pertencer exatamente aos mesmos sócios a que pertencia antes de iniciar as manobras contábeis e societárias, observando que houve apenas uma ínfima redução de quotas da MWV CONSUMER & OFFICE PRODUCTS CO. em favor da sócia quotista MWVCANADA OPERATIONS CO., passando a ter a seguinte composição societária: Fl. 5397DF CARF MF 20 > MWV CONSUMER & OFFICE PRODUCTS CO., com 64.326.358 quotas de seu Capital Social no valor de R$ 64.326.358,00 com sede na cidade de Nova Scotia, Canada. >MWV CANADA OPERATIONS CO., com 153.446.621 quotas de seu Capital Social no valor de R$ 153.446.621,00 com sede na cidade de Nova Scotia, Canada. > WESTVACO SVITA VY, SPOL. S.R O., com 21.779 quotas de seu Capital Social no valor de R$ 21.779,00 com sede na cidade de Svitavy, República Checa. 88Constatase que o grupo estrangeiro proprietário da RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA., permaneceu o mesmo que participava da Meadwestvaco do Brasil Ltda., com praticamente as mesmas participações societárias existentes antes da compra da RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA. pela empresa Meadwestvaco do Brasil Ltda. 89Assim sendo, após a incorporação às avessas levada a efeito através da Resolução de Quotistas da Meadwestvaco do Brasil Ltda. (registro na JUCESP n° 285.638/026, de 30/12/2002) e da Ata de Reunião dos Sócios e da Alteração do Contrato Social da "RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA." (registro na JUCESP n° 285.635/025, em 30/12/2002), ambas datadas de 01/12/2002, passamos a ter (...) situação final, muito semelhante à situação inicialmente apontada (vide seção 111.1 deste Relatório de Ação Fiscal), sendo que sequer houve alteração no número de quotas totais da fiscalizada ou mesmo alteração de seu Capital Social Subscrito: [...] IV DO ÁGIO FUNDAMENTAÇÃO LEGAL 90O Art. 385 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR 1999), aprovado pelo Decreto 3.000 de 26/03/99 prevê a hipótese de aquisição de investimento pelo valor superior ao calculado através da metodologia da equivalência patrimonial nos seguintes termos: [...] 910 Art. 386 do RIR 1999 prevê a hipótese de amortização do ágio que tenha sido formado como resultado de incorporação de empresas que possuam investimentos adquiridos por valor superior ao calculado através da metodologia da equivalência patrimonial: [...] V DA IRREGULARIDADE APURADA 92Analisando a situação que de fato levou a incorporação da "empresa veículo" pela fiscalizada, concluise que esta última não se enquadra nas situações previstas nos artigos 385 e 386. 93Não se encontrando devidamente sob o amparo na legislação fiscal pretendida (arts. 385 e 386 do RIR/99) a fiscalizada infringiu as próprias normas fundamentais de contabilidade para conseqüentemente burlar a legislação do IRPJ e da CSLL, reduzindo suas bases de cálculo e efetuando a criação das despesas pretendidas com a amortização de ágio. 94Nesse tópico analisaremos o Relatório de Avaliação Econômico Financeira, elaborado pela Z3M Venture Partners Ltda. e o Protocolo de Fl. 5398DF CARF MF Processo nº 10830.016637/200945 Acórdão n.º 1301002.278 S1C3T1 Fl. 5.389 21 Incorporação bem como demonstraremos pela ótica da doutrina contábil, das orientações CPV, CFC e CVMsobre as Normas Contábeis, do direito civil e da norma contábil, a conclusão de que os procedimentos adotados pela fiscalizada para criar essa conta fictícia de ágio carecem do próprio fundamento contábil para existir. [...] V.lDO RELATÓRIO DE AVALIAÇÃO ECONÔMICOFINANCEIRA 96Em 04/11/2002, a pedido da RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA. foi elaborado pela empresa Z3M Venture Partners Ltda. o relatório de avaliação econômicofinanceira do Grupo RIGESA. 97Foi estimado através do referido relatório o cálculo do valor econômico da RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA., baseado em sua rentabilidade futura esperada, com fundamento nas premissas de mercado e operacionais que envolvem este cálculo. 98Estão abrangidas ainda pelo relatório citado as atividades das empresas controladas pela fiscalizada: a empresa de investimentos Bahia Azul, a Rigesa da Amazônia S.A. e a Rigesa do Nordeste S.A. 99Tal relatório de avaliação econômicofinanceira serviu para referendar a cessão e transferência das quotas da RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA., de suas sócias majoritárias MWV CANADA OPERATIONS CO. e MWV CONSUMER & OFFICE PRODUCTS CO. para elas mesmas, indiretamente através da "empresa veículo" MEADWESTVACO DO BRASIL LTDA., e demonstra através de cálculos baseados nos dados econômicos e contábeis da fiscalizada uma expectativa de rentabilidade que a empresa poderia ter projetada em dez anos no futuro, até 31/12/2012. 100O ágio pago pelas empresas MWV CANADA OPERATIONS CO. e MWV CONSUMER & OFFICE PRODUCTS CO. a elas mesmas pelas suas próprias quotas detidas da empresa fiscalizada foi fundamentado integralmente nesse relatório de avaliação econômicofinanceira. 101Através do relatório de avaliação econômicofinanceira a empresa de Z3M Venture Partners Ltda. traçou modelos de expectativa de rentabilidade levando em conta os seguintes fatores: o No caso de custo do capital próprio utilizouse uma taxa de retorno para o caso americano, na medida em que a aplicação deste modelo no Brasil é bastante difícil, já que não existem parâmetros locais estáveis para a maioria das variáveis que especificam o modelo; o A taxa de juros foi estimada com risco zero, utilizandose como parâmetro a remuneração dos títulos do Tesouro NorteAmericano de 30 (trinta) anos; o O prêmio de risco foi apurado com base no excesso de retorno do mercado de capitais norteamericano; o Foi tomado um índice beta que mediu o risco de mercado em relação ao mercado americano; o Foi levada em conta a existência do Risco Brasil fixo de 6,4%. Fl. 5399DF CARF MF 22 102Como pode ser demonstrado pelas passagens retiradas do referido relatório, tratase de um cálculo de expectativas, por vezes comparadas a situações bem divergentes das existentes no mercado nacional. 103No entanto, em transações reais e existentes a simples existência de um relatório de avaliação econômicofinanceira não é peça hábil e suficiente para definirse o valor real de uma empresa no tempo. Essa avaliação, se válida, será corroborada pelo mercado, é apenas um dos diversos fatores a serem considerados para se chegar a um valor final de uma transação, determinável basicamente por meio de negociação de livre iniciativa, em um mercado livre e aberto, onde nenhuma das partes tenha motivos especiais para comprar ou para vender e ambas tenham bom conhecimentos dos fatos relevantes. 104 A utilização desse laudo por parte da fiscalizada em ajuste com a "empresa veículo" demonstra, em tese, o dolo na pratica do ilícito por parte de seus representantes legais que adotaram essa fictícia "engenharia tributária" para praticar uma série de alterações societária nas quais: >Não houve livre iniciativa na negociação; >A transferência de quotas por parte dos proprietários da empresa fiscalizada para a "empresa veículo" não ocorreu em um mercado livre e aberto; >As partes envolvidas no negócio de venda fictícia das quotas da fiscalizada tinham um único motivo especial para ocultar as negociações do mercado, a ilícita e pretendida SONEGAÇÃO FISCAL do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. V.IIDO PROTOCOLO DE INCORPORAÇÃO 105 A incorporação da "empresa veículo" ocorreu no domingo, dia 01/12/2002, data em que a fiscalizada formalizou sua Alteração do Contrato Social da 'RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA.", datada de 01/12/2002, registrada em 30/12/2002, na JUCESP Junta Comercial do Estado de São Paulo, sob o n° 285.635/025. 106 Referida incorporação foi precedida da formalização em 01 de dezembro de 2.002 do PROTOCOLO E JUSTIFICAÇÃO DE MOTIVOS DE INCORPORAÇÃO celebrado entre a RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA. e a MEADWESTVACO DO BRASIL LTDA.. 107 Precedeu ainda a incorporação o LAUDO DE AVALIAÇÃO do acervo líquido da empresa MEADWESTVACO DO BRASIL LTDA. para fins de incorporação pela empresa RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA., elaborado pela empresa Ernst & Young e datado de 30 de novembro de 2002. 108Tal LAUDO DE AVALIAÇÃO contém o Balanço da MEADWESTVACO DO BRASIL LTDA. levantado em 30 de novembro de 2002, em adendo a uma descrição sumária de todos os seus bens, direitos e obrigações e avalia o acervo líquido da empresa em R$ 448.146.010.04. 109Como pode ser visualizado pelo exame do referido Laudo, excluindose os efeitos do ágio criado artificialmente na contabilidade da empresa, o acervo líquido desta reduzse drasticamente a R$ 7.962.110,80 de PATRIMÔNIO LÍQUIDO NEGATIVO (PASSIVO A DESCOBERTO). 110A referida incorporação é justificada no item I do citado PROTOCOLO E JUSTIFICAÇÃO DE MOTIVOS DE INCORPORAÇÃO, nos seguintes termos: Fl. 5400DF CARF MF Processo nº 10830.016637/200945 Acórdão n.º 1301002.278 S1C3T1 Fl. 5.390 23 " presente operação de incorporação faz parte de um projeto de reestruturação societária com o fim de proporcionar uma maior eficiência estratégica e melhor desempenho das atividades econômicas da INCORPORADA e da INCORPORADORA, uma vez que a INCORPORADA é quotista majoritária do capital social da INCORPORADORA, e, por conseguinte, acarretará um aumento da lucratividade, já que reduzirá custos de natureza operacional, administrativa e financeira". "Por tais razões, a INCORPORADORA e a INCORPORADA têm o interesse em unificar as suas atividades e entendem que esta proposta atende amplamente aos seus interesses". 111 Analisando o referido documento, podemos tecer as seguintes considerações sobre o Protocolo e Justificação de Motivos de Incorporação firmado entre os administradores da RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA. e os administradores da Meadwestvaco do Brasil Ltda., em 01/12/2002: Foi elaborado de maneira tão genérica que não estabelece quais seriam os reais ganhos advindos para a fiscalizada devido a essa operação de incorporação; Não estabelece como as atividades das duas empresas seriam melhor racionalizadas devido à incorporação; Não estabelece quais seriam as economias monetárias; Não estabelece reduções de custos com empregados ou logísticas; Não estabelece redução de custos de gerenciamento e comando das empresas; Não estabelece reduções de custos com a manutenção de instalações físicas, prevendo expressamente em seu item 2.4.1 que as instalações da INCORPORADA serão mantidas no mesmo endereço anterior de funcionamento, local em que a fiscalizada previamente já havia criado uma filial em 12/11/2002, através da Alteração do Contrato Social da "RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA." (registro na JUCESP n° 237.207/023, de 21/11/2002); Não estabelece de que maneira os objetivos sociais das duas sociedades seriam melhor alcançados devido à incorporação; Oculta em seu cerne, sem ao menos fazer a menor menção, o vultoso ganho em economia do recolhimento IRPJ e da CSLL que seria obtido na operação, através da amortização de valor fictício em muito superior à integralidade dos ativos da empresa; Serviu apenas para dar a aparência de um ato legal a uma simulação, engendrada em seus mínimos detalhes com a finalidade de obter indevidamente o favor fiscal previsto no art. 7o. da Lei 9.532. de 1997 (art 386 RIR/1999). [...] V.IV DAS ORIENTAÇÕES EXPEDIDAS PELO COMITÊ DE PRONUNCIAMENTOS CONTÁBEIS. PELO CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE E PELA COMISSÃO DE VALORES MOBILIÁRIOS [...] Fl. 5401DF CARF MF 24 114 De acordo com o "PRONUNCIAMENTO TÉCNICO CPC04" DO COMITÊ DE PRONUNCIAMENTOS CONTÁBEIS: "47. O ágio derivado da expectativa de rentabilidade futura (goodwill') gerado internamente não deve ser reconhecido como ativo. 48. Em alguns casos incorrese em gastos para gerar benefícios econômicos futuros, mas que não resultam na criação de ativo intangível que se enquadre nos critérios de reconhecimento estabelecidos no presente Pronunciamento. Esses gastos costumam ser descritos como contribuições para o ágio derivado da expectativa de rentabilidade futura (goodwill) gerado internamente, o qual não é reconhecido como ativo porque não é um recurso identificável (ou seja, não é separável nem advém de direitos contratuais ou outros direitos legais) controlado pela entidade que pode ser mensurado com segurança ao custo. 49. As diferenças entre valor de mercado da entidade e o valor contábil de seu patrimônio líquido, a qualquer momento, podem incluir uma série de fatores que afetam o valor da entidade. No entanto, essas diferenças não representam o custo dos ativos intangíveis controlados pela entidade." (grifouse) 115De acordo com o "Resolução n° 1.110/07", do Conselho Federal de Contabilidade: "120 O reconhecimento de ágio decorrente de rentabilidade futura gerado internamente (goodwill interno) é vedado pelas normas nacionais e internacionais. Assim, qualquer ágio dessa natureza anteriormente registrado precisa ser baixado." (grifouse) 116Neste mesmo diapasão, temos o OFÍCIOCIRCULAR/CVM/SNC/SEP n° 01/2007, de 14/02/2007, que, embora não tenha a propriedade coercitiva da norma, consistese em um norte a ser seguido pelas empresas no trato contábil, a qual textualmente orienta (grifouse): "20.1.7 "Ágio" gerado em operações internas A CVM tem observado que determinadas operações de reestruturação societária de grupos econômicos (incorporação de empresas ou incorporação de ações) resultam na geração artificial de "ágio". Uma das formas que essas operações vêm sendo realizadas, iniciase com a avaliação econômica dos investimentos em controladas ou coligadas e, ato contínuo, utilizarse do resultado constante do laudo oriundo desse processo como referência para subscrever o capital numa nova empresa. Essas operações podem, ainda, serem seguidas de uma incorporação. Outra forma observada de realizar tal operação é a incorporação de ações a valor de mercado de empresa pertencente ao mesmo grupo econômico. Em nosso entendimento, ainda que essas operações atendam integralmente os requisitos societários, do ponto de vista econômicocontábil é preciso esclarecer que o ágio surge, única e exclusivamente, quando o preço (custo) pago pela aquisição ou subscrição de um investimento a ser avaliado pelo método da equivalência patrimonial, supera o valor patrimonial desse investimento. E mais, preço ou custo de aquisição somente surge quando há o dispêndio para se obter algo de terceiros. Assim, não há, do ponto de vista econômico, geração de riqueza decorrente de transação consigo mesmo. Qualquer argumento que não se fundamente nessas assertivas econômicas configura sofisma formal e, portanto, inadmissível. Fl. 5402DF CARF MF Processo nº 10830.016637/200945 Acórdão n.º 1301002.278 S1C3T1 Fl. 5.391 25 Não é concebível, econômica e contabilmente, o reconhecimento de acréscimo de riqueza em decorrência de uma transação dos acionistas com eles próprios. Ainda que, do ponto de vista formal, os atos societários tenham atendido à legislação aplicável (não se questiona aqui esse aspecto), do ponto de vista econômico, o registro de ágio, em transações como essas, somente seria concebível se realizada entre partes independentes, conhecedoras do negócio, livres de pressões ou outros interesses que não a essência da transação, condições essas denominadas na literatura internacional como "arm's length". Portanto, é nosso entendimento que essas transações não se revestem de substância econômica e da indispensável independência entre as partes, para que seja passível de registro, mensuração e evídenciação pela contabilidade.". V.VDA ÓTICA DO DIREITO CIVIL 117Através dos tópicos "IV DO HISTÓRICO SOCIETÁRIO DA FISCALIZADA", "V DO ÁGIO FUNDAMENTAÇÃO LEGAL" e desse tópico "V DA IRREGULARIDADE APURADA" foram elucidados a motivação determinante da criação de despesas por parte da fiscalizada, bem como foi traçada uma linha temporal, a fim de compor todos os fatos e o negócio jurídico realizado, caracterizado como NEGÓCIO JURÍDICO SIMULADO, portanto, INVÁLIDO. 118 Esse ato simulado é configurado ilícito, pois está enquadrado nos artigos 167 e 187, do Código Civil (Lei n° 10.406, de 10 de janeiro de 2002) os quais contemplam a legislação reguladora dos NEGÓCIOS JURÍDICOS e que a seguir transcrevemos: “Artigo 167. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma. [...] § 1º Haverá simulação nos negócios jurídicos quando: I aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem; II contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira; III os instrumentos particulares forem antedatados, ou pós datados; § 2º. Ressalvamse os direitos de terceiros de boafé em face dos contraentes do negócio jurídico simulado." Art. 187. Também comete ato ilícito o titular de um direito que, ao exercêlo, excede manifestamente os limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boafé ou pelos bons costumes. 119 Fica evidente por todos os fatos expostos no presente relatório que os proprietários da fiscalizada nunca tiveram a intenção de transferir as quotas da empresa para terceiros, apenas aparentando formalmente esse fato e, com isso, excedendo manifestamente os limites impostos pelo fim econômico das transações societárias, utilizandose da má fé para concretizar seus objetivos. [...] V.VIDA NORMA CONTÁBIL Fl. 5403DF CARF MF 26 121 A norma de Direito Civil torna a conduta de manufatura de ágio por parte da fiscalizada um ato simulado, portanto, inválido. [...] 129 De imediato chama a atenção na definição legal que no diferido serão lançadas as aplicações de recursos em despesas. Pela doutrina, os ativos diferidos são despesas incorridas. Ambas convergem para o ponto em comum que o diferido é formado por despesas já incorridas. 130 Assim, retornando à norma contábil, temos que a fiscalizada infringiu um dos pilares da Ciência Contábil, 'O Princípio da Competência' previsto no Art. 9o da Resolução CFC nº 750/93, do Conselho Federal de Contabilidade. [...] 131 No caso da fiscalizada, o ágio registrado em conta de ativo diferido, não correspondeu a nenhuma das hipóteses que autorizassem a reconhecêlo como despesas incorridas e que, futuramente, poderiam ser amortizadas. E isso ocorreu, essencialmente, porque, conforme verificado, a incorporação ocorreu em uma operação sem o sacrifício de ativos ou contra uma assunção de dívidas. Tratase de uma inconsistência contábil. V. VIIDA CONCLUSÃO 132 Analisando o exposto cabe a conclusão de que a aquisição das quotas da fiscalizada por parte da "empresa veiculo" MEADWESTVACO DO BRASIL LTDA. teve por fim o único e exclusivo propósito de futuramente fazer esta fictícia investidora ser incorporada pela RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA. Tais conclusões tornamse possíveis levandose em consideração As declarações de vontade contidas nas Alterações de Contratos Sociais da fiscalizada e de sua incorporada descritas no tópico "IV DO HISTÓRICO SOCIETÁRIO DA FISCALIZADA" ocultam as reais intenções contidas nesses documentos; As operações de aquisição de quotas da fiscalizada pela Meadwestvaco do Brasil Ltda. e a posterior incorporação desta pela primeira revelamse "operações artificiais" e foram organizadas com o fim específico de planejamento tributário sem base legal, visando diminuir o recolhimento do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido; Houve a criação do que podemos denominar de "ágio de si mesma", na medida em que as proprietárias da fiscalizada antes e depois do negócio simulado permanecem as mesmas, não tendo havido quaisquer trânsitos monetários ou outras espécies de negociações que pudessem resultar no pagamento, sob qualquer forma mensurável, de ágio por uma empresa compradora totalmente independente de outra empresa vendedora; Todo esse procedimento deuse através de 6 (seis) Alterações Contratuais e uma Resolução de Incorporação que ocorreram no espaço de tempo de um final de semana com a finalidade única de aproveitar ao máximo o valor do ágio criado ficticiamente. A conta de ágio não permaneceu 1 (um) dia sequer na 'empresa veículo" para que não tivesse que se sujeitar aos preceitos contábeis de amortização indedutível previstos nos art. 327 e 391 do RIR/99, que seriam aplicáveis regularmente caso a Fl. 5404DF CARF MF Processo nº 10830.016637/200945 Acórdão n.º 1301002.278 S1C3T1 Fl. 5.392 27 conta de ágio tivesse sido gerada licitamente e permanecido por mais tempo na contabilidade da "empresa veículo". 134 Cabenos neste momento, a seguinte reflexão: como uma empresa, que vinha apresentando sucessivos e cada vez maiores prejuízos, com um Patrimônio Líquido negativo (passivo a descoberto) de vultosos RS 7.962.110,80, "de repente", tomase sócia proprietária de uma grande empresa, passando a deter uma participação de capital de RS 741.025.890.00 (setecentos e quarenta e um milhões, vinte e cinco mil, oitocentos e noventa reais)? Como isto é possível? E para quê isto foi feito? 135Essas indagações podem ser respondidas se levarmos em conta que a concretização do negócio nos moldes descritos somente tornouse possível uma vez que: Os sócios da MEADWESTVACO DO BRASIL LTDA. eram os mesmos da RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA.; Os representantes e procuradores dos sócios estrangeiros da MEADWESTVACO DO BRASIL LTDA. e da RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA., são as mesmas pessoas. A cessão e transferência das quotas não ocasionam nenhum risco, uma vez que as quotas permanecem em "poder" do seu verdadeiro e original dono, não chegando a serem transmitidas a outro, pelo simples fato de que não existe um terceiro na negociação; 136Uma interpretação histórica do art. 386 do RIR/99 em contraposição às condutas descritas acima, adotadas pela fiscalizada, demonstra que estas vão os negócios jurídicos válidos, que contassem com o efetivo pagamento de ágio pela aquisição de participações societárias, para dar maior dinamismo ao mercado, possibilitando a reestruturação das empresas e o seu fortalecimento econômico e financeiro. 137 Tendo em vista os fatos arrolados neste Relatório, concluímos que não houve um terceiro envolvido na negociação, que efetivamente tenha suportado o ônus financeiro da transação que deu origem à formação do ágio, portanto, a R1GESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA. ou suas sócias estrangeiras não suportaram nenhum ônus financeiro com as transações de suas próprias quotas, que estavam em poder da MEADWESTVACO DO BRASIL LTDA., incorporada em 01/12/2002. 138Como corolário dessas constatações, temos que inexistiu de direito valor a ser amortizado a título de "ágio por incorporação", escriturado na contabilidade da fiscalizada em conta de ativo n° 1350111 "Ágio sobre Investimentos Mead". Portanto, as despesas decorrentes da amortização dessa conta, muito mais do que indedutíveis, são inexistentes. [...] 158As despesas de amortização de ágio tal qual lançadas pela fiscalizada são consideradas desnecessárias à manutenção das atividades da empresa, e não são amortizáveis, não tendo o amparo legal dos ditames previstos do artigo 324 ao 327 do RIR/99, transcritos abaixo: [segue a transcrição] Fl. 5405DF CARF MF 28 159 Da leitura da legislação exaustiva acima, constatase que não há valor a ser recuperado mediante amortização, uma vez que: não houve aplicação de recursos monetários para a geração do pretenso Ativo Diferido: nem em despesas, tampouco em aplicações de capital; Os valores fictícios registrados como ativo pela fiscalizada na conta contábil n° 1350111 não poderão contribuir para a formação do resultado da empresa uma vez que inexistiram de fato: A conta contábil 1350111 não registra a inversão financeira em bens ou direitos intrinsecamente relacionados com a produção ou comercialização dos bens fabricados ou vendidos pela empresa; A fiscalizada não incorreu em custo algum com sua reestruturação, uma vez que sua estrutura permaneceu inalterada, passando a incorporada a continuar em operação como uma filial da incorporadora; A fiscalizada não sofreu dispêndios com sua reorganização, uma vez que não promoveu quaisquer alterações em sua organização; A fiscalizada não promoveu quaisquer espécies de modernizações derivadas da incorporação da empresa veículo, uma vez que seu processo produtivo não apresentou quaisquer alterações decorrentes desse procedimento; 160A despesa de amortização de ágio segue a mesma lógica que a despesa de depreciação. Para que ela incorra contabilmente, é necessário que haja uma abdicação de ativos ou a contratação de passivos. Quando uma empresa paga um sobrepreço pelas quotas de outra, o custo de aquisição (saída de caixa) desembolsado corresponde ao sacrifício necessário à entrada, em seu ativo, de um investimento (patrimônio líquido da investida) e de um ágio (maisvalia paga por ele). A despesa de amortização do ágio representa a alocação do sobrepreço pago ao longo da vida útil do ágio, em obediência ao regime de competência. 161Admitirse a dedução deste suposto ágio seria admitir que qualquer empresa, embasada no art. 7° da Lei 9.532, poderia, a qualquer tempo, reavaliar suas próprias quotas, constituindo nova empresa para adquirila com ágio ou mesmo utilizandose para isso de empresa preexistente e, ato continuo, incorporá la, aproveitando o ágio de si mesma. 162Em resumo, as práticas adotadas pela fiscalizada afrontam o ordenamento jurídico contábil, tributário, civil e penal, reduzindo ilicitamente as bases de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, razão pela qual procedese à glosa total dessas despesas. 163Fica recomposto por meio desses Autos de Infração do IRPJ e da CSLL o Lucro Real da fiscalizada, base de cálculo do tributo e da contribuição e fica caracterizada a sonegação fiscal pretendida pela empresa, a qual ficará sujeita ao tramite imposto quanto à prática de crimes contra a ordem tributária. VII.II EXCLUSÃO INDEVIDA DO LUCRO REAL ANUAL DE VALORES NÃO AMORTIZÁVEIS 164Em 31/12/2008. a fiscalizada efetuou alteração na sistemática da redução das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL devido à amortização do ágio gerado na incorporação da empresa MEADWESTVACO DO BRASIL L TDA. 165Nesta data, as quatro contas 1350111 Ágio s/Investimento (DEVEDORA); 1350112 Provisão Instr CVM 349/01 (CREDORA); 1355101 Agio Trazido por Incorporação (CREDORA retificadora da conta contábil Fl. 5406DF CARF MF Processo nº 10830.016637/200945 Acórdão n.º 1301002.278 S1C3T1 Fl. 5.393 29 1350111) e; 1355102 Reversão Reverva Instr 349/01 (DEVEDORA retificadora da conta contábil 1350112); tiveram seu saldo ZERADO, passando o resultado liquido da união dessas quatro contas contábeis a compor a débito as contas contábeis: 01131500 IR Diferido (CURTO PRAZO); 01240201 IR Diferido INCORPOR (LONGO PRAZO); 166Através dessas duas contas contábeis a fiscalizada passou a controlar contabilmente a curto e a longo prazos o pretendido beneficio fiscal restante do ágio gerado pela incorporação da empresa MEADWESTVACO DO BRASIL LTDA.. Ou seja, 25% (IRPJ) + 9 % (CSLL) do encontro das contas 1350111 e 1355101. 167Para o anocalendário 2008, embora os lançamentos tenham sido efetuados durante todo o anocalendário na conta de despesas '4300008. Despesa Amortização Ágio", quando do fechamento do resultado, em 31/12/2008, referida conta teve seus valores totalmente revertidos, passando a fiscalizada a utilizarse da conta "8000002 Provisão para IR Diferido" para registrar os benefícios tributários devido a criação do ágio, que a partir de então deixou de compor o seu Ativo Diferido. 168Ressaltase que os valores lançados na conta "8000002 Provisão para IR Diferido" são meros reconhecimentos contábeis, não compondo o resultado da fiscalizada para fins de apuração do Lucro Real Anual no anocalendário 2008. 169Para o anocalendário 2008, as despesas com a amortização do ágio alcançavam o montante de R$ 45.745.740,74 quando foram totalmente revertidas. 170Com a finalidade de obter o beneficio fiscal pretendido, a fiscalizada lançou em livro LALUR e em seus controles de apuração da Base de Cálculo da CSLL a totalidade do valor anteriormente registrado como despesa no ano calendário 2008, efetuando EXCLUSÃO na apuração do Lucro Real Anual, sob o histórico "Amortização de Ágio" na listagem dos ajustes a serem efetuados (folha 25 do LALUR 2008) e sob o histórico "3.09 Reversão Provisão Instr CVM349/01" no quadro de apuração do Lucro Real (folha 26 do LALUR 2008). 171 O Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto 3.000 de 26/03/99, assim dispõem em seus artigos 247 e em relação às exclusões da base de cálculo do IRPJ e da CSLL: [...] 172Conforme artigos já citados no presente Relatório de Ação Fiscal, as exclusões a título de amortização de ágio lançadas pela fiscalizada para o ano calendário 2008 não têm o devido respaldo legal no Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99) nem nas disposições contidas nas leis comerciais disciplinadoras dos registros contábeis. 173A EXCLUSÃO na apuração do Lucro Real Anual, sob os históricos "Amortização de Ágio" e "3.09 Reversão Provisão Instr CVM 349/01 "não se enquadram nos preceitos de amortização contidos nos arts. 324 ao 327 do RIR/99. E novamente o mesmo fato ocorrendo com relação ao registro do ágio que fundamentou o cálculo dessa exclusão, o qual não se enquadra no artigo 385 e 386 do mesmo RIR/99. Fl. 5407DF CARF MF 30 174Por conseguinte, não procede a exclusão de amortizações fictícias de ágio no aporte de R$ 45.745.740,74, lançadas pela fiscalizada em livro LALUR e em seus controles de apuração da Base de Cálculo da CSLL no dia 31/12/2008. 175Todo e qualquer lançamento de exclusão ao Lucro Real Anual está sujeito ao princípio da legalidade estrita e somente a lei formal expressa é que poderá determinar o seu cabimento. Ao contribuinte não é dado arvorarse no direito de amortizar valores nunca desembolsados se esse benefício não é preconizado na lei. 176Para o anocalendário 2008, a EXCLUSÃO pretendida pela fiscalizada na apuração do Lucro Real Anual, sob os históricos "Amortização de Agio" e "3.09 Reversão Provisão Instr CVM 349/01" chocamse frontalmente contra a legislação contábil, tributária, civil e penal, reduzindo ilicitamente as bases de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, razão pela qual procedese sua glosa total. 177Com relação a esta infração, será aplicada a multa qualificadajendo em vista a prática de atos por parte dos representantes da fiscalizada que se enquadram, em tese, como crimes contra a ordem tributária, previstos nos art. 1 ° e 2oda Lei n° 8.137/90. VII.III GLOSA DO CRÉDITO EM EXCESSO DE JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO 1780 pagamento de Juros sobre o Capital Próprio está disciplinado pelo artigo 347 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26/03/1999 transcrito abaixo (grifouse): Art. 347. A pessoa jurídica poderá deduzir, para efeitos de apuração do lucro real, os juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a título de remuneração do capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio líquido e limitados à variação, pro rata dia, da Taxa de Juros de Longo Prazo TJLP (Lei n° 9.249, de 1995, art. 9o). § 1o O efetivo pagamento ou crédito dos juros fica condicionado à existência de lucros, computados antes da dedução dos juros, ou de lucros acumulados e reservas de lucros, em montante igual ou superior ao valor de duas vezes os juros a serem pagos ou creditados (Lei n° 9.249, de 1995, art. 9o, § l°,e Lei n° 9.430, de 1996, art. 78). § 2° Os juros ficarão sujeitos à incidência do imposto na forma prevista no art. 668 (Lei n° 9.249, de 1995, art. 9o, § 2o). § 3o O valor dos juros pagos ou creditados pela pessoa jurídica, a título de remuneração do capital próprio, poderá ser imputado ao valor dos dividendos de que trata o art. 202 da Lei n° 6.404, de 1976, sem prejuízo do disposto no § 2o (Lei n° 9.249, de 1995, art. 9o, § 7o). § 4o Para os fins de cálculo da remuneração prevista neste artigo, não será considerado o valor de reserva de reavaliação de bens ou direitos da pessoa jurídica, exceto se esta for adicionada na determinação da base de cálculo do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido (Lei n0 9.249, de 1995, art. 9º, § 8º). Fl. 5408DF CARF MF Processo nº 10830.016637/200945 Acórdão n.º 1301002.278 S1C3T1 Fl. 5.394 31 179 Em 27/10/2009, através de missiva formal datada de 26/10/2009, a fiscalizada demonstrou ter efetivamente creditado e/ou pago os seguintes valores a título de Juros sobre o Capital Próprio para o período de 01/2003 a 12/2008, utilizandose para cálculo dos seguintes montantes de Patrimônio Líquido iniciais: Ano‐calendário Juros sobre o Capital Próprio creditado/pago Patrimonio Liquido utilizado para calculo ﴾valores iniciáis em 31/12 do ano‐calendário anterior﴿ 2003 R$ 48.037.000,00 R$ 411.665.927,54 2004 R$52.435.000,00 R$ 482.480.087,66 2005 R$75.719.800,00 R$ 738.229.074,19 2006 R$ 64.222.000,00 R$ 851.531.665,35 2007 R$ 55.335.800,00 R$ 867.737.053,79 2008 R$57.112.000,00 R$ 926.081.629,36 180 Através do exame dos cálculos apresentados pela fiscalizada, constatamos que houve as seguintes alterações no Patrimônio Líquido da empresa dentro do período em análise, as quais foram levadas em consideração pela empresa para efetuar o cálculo dos Juros sobre o Capital Próprio: o 13/08/2004 Aumento do Capital Social em R$ 121.131.455,80 (valor equivalente a US$ 40.000.000,00 enviado pelo exterior); o 28/10/2004 Aumento do Capital Social em R$ 43.887.600,00 (Capitalização dos Juros sobre o Capital Próprio creditados no anocalendário 2003); o 18/02/2005 Aumento do Capital Social em R$ 44.569.750,00 (Capitalização dos Juros sobre o Capital Próprio creditados no anocalendário 2004 R$ 52.435.000,00 menos IRRFde RS 7.865.250,00); o 30/05/2005 Redução do Patrimônio Líquido em RS 35.646.670,00 (distribuição de dividendos); o 30/08/2007 Aumento do Capital Social em RS 864.696,28 (Ajuste de Exercício anterior anocalendário 2005); o 17/10/2008 Redução do Patrimônio Líquido em RS 16.345.720,00 (distribuição de dividendos). DA RECOMPOSIÇÃO DOS JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO 181 Foi elaborada planilha anexa a este Auto de Infração denominada "Demonstrativo de Apuração dos Juros sobre o Capital Próprio creditados/pactos em excesso 2003 a 2008", através da qual foram determinados os limites de crédito de despesas a título de Juros sobre o Capital próprio a que estava sujeita a fiscalizada calculadas com base na TJLP. 182 Tomouse como ponto de partida para determinação dos Juros sobre o Capital Próprio os cálculos efetuados pela fiscalizada, entregues a este Serviço de Fiscalização em 27/10/2009. 183 Tendo em vista o disposto no artigo 167 do Código Civil (Lei n° 10.406, de 10 de janeiro de 2002), foi desconsiderada de oficio a operação de criação de ágio fictício pretendida pela fiscalizada, traduzida materialmente pelo saldo contido na conta contábil n° "1350111 Ágio s/Investimento" (anterior 1311112 em 2002) no montante de RS 431.693.589,64 através de sua reversão contra as contas de Patrimônio Liquido. Fl. 5409DF CARF MF 32 184 Outrossim, foram revertidas todas as demais congêneres da conta contábil 1350111 para efeito de cálculo dos Juros sobre o Capital Próprio para então procederse à aplicação da Taxa de Juros de Longo Prazo TJLP e determinarse o montante real dessa despesa que poderia ter sido creditado no período compreendido entre 01/2003 e 12/2008. 185 Sendo assim, também foram revertidos contra o Patrimônio Líquido os saldos anuais das contas contábeis: □ 1350112 Provisão Instr CVM 349/01; □ 1355101 Ágio Trazido por Incorporação (anterior 1311113 em 2002); □ 1355102 Reversão Reserva Instr 349/01; 186Ainda, em benefício da fiscalizada, foram aglutinados ao seu Patrimônio Líquido, ano a ano todos os valores lançados através do presente Auto de Infração, líquidos do IRPJ e da CSLL incidentes sobre as infrações constatadas para que servissem de origem de recursos e acrescentem em valor a base de cálculo correta sobre a qual poderia ter sido calculada a rubrica de Juros sobre o Capital Próprio por parte da fiscalizada. 187 Conforme consta do referido demonstrativo, isso foi feito mediante inclusão anual ao Patrimônio Líquido da fiscalizada dos seguintes valores glosados nos anoscalendário imediatamente anteriores, de forma acumulada e líquidos do IRPJ e da CSLL devidos: o Amortização do ágio contido na conta 4300008 Despesa Amortização Agio e; o Valores glosados a titulo de Juros sobre o Capital Próprio creditados em excesso contidos na conta "5100003 Juros Remuneração Capital Próprio". 188 Outro ajuste necessário feito anualmente no Patrimônio Líquido da empresa foi a sua redução como resultado da distribuição líquida de valores em montante superior ao permitido para a despesa de Juros sobre o Capital Próprio. 189 Tendo em vista que o limite de crédito/pagamento de despesas a título de Juros sobre o Capital Próprio encontravase em um patamar inferior ao pretendido pela fiscalizada, para os anoscalendário 2003 a 2007, os valores líquidos efetivamente distribuídos aos proprietários da fiscalizada que excederam a este limite foram considerados como Lucros ou Dividendos distribuídos, reduzindo em conseqüência o Patrimônio Líquido. 190Todos esses ajustes citados podem ser acompanhados detalhadamente mediante exame do "Demonstrativo de Apuração dos Juros sobre o Capital Próprio creditados/pagos em excesso 2003 a 2008". 191Após o computo dos ajustes efetuados em decorrência da desconsideração da criação dos ativos fictícios citados, os limites de distribuição de Juros sobre o Capital Próprio e a situação patrimonial da fiscalizada encontravam se no seguinte patamar: Juros sobre o Capital Ano‐calendário Próprio máximo calculado ﴾TJLP﴿ Patrimonio Liquido utilizado para calculo ﴾valores iniciáis em 31/12 do ano‐calendário anterior﴿ 2003 R$ 30.462.892,05 R$264.890.106,70 2004 R$ 40.544.267,69 R$359.545.407,67 2005 R$ 66.351.048,34 R$641.896.456,07 2006 R$60.951.325,49 R$ 793.298.111,85 2007 R$ 54.228.378,45 R$850.358.668,13 Fl. 5410DF CARF MF Processo nº 10830.016637/200945 Acórdão n.º 1301002.278 S1C3T1 Fl. 5.395 33 2008 R$59.815.538,02 R$960.424.412,16 192 Do confronto entre os valores pleiteados pela fiscalizada a título de despesas com o crédito/pagamento de Juros sobre o Capital Próprio e o valor calculado desconsiderandose a existência de ativos fictícios com contrapartida em seu Patrimônio Líquido foi determinado o valor da glosa de valores creditados/pagos em excesso: Ano‐Calendário Juros sobre o Capital Próprio creditado/pago Juros sobre o Capital Próprio máximo calculado ﴾TJLP﴿ Juros sobre o Capital GLOSADO 2003 RS 48.037.000,00 R$ 30.462.892,05 R$ 17.574.107,95 2004 R$ 52.435.000,00 R$ 40.544.267,69 R$ 11.890.732,31 2005 R$ 75.719.800,00 R$ 66.351.048,34 R$9.368.751,66 2006 R$ 64.222.000,00 R$60.951.325,49 R$ 3.270.674,51 2007 R$ 55.335.800,00 R$ 54.228.378,45 R$1.107.421,55 2008 R$ 57.112.000,00 R$ 59.815.538,02 ZERO 193 Deste quadro temse que será procedida a glosa dos valores dos Juros sobre o Capital Próprio creditados em excesso para os anoscalendário 2003 a 2007. 194 Com relação a esta infração, foi aplicada a multa qualificada, tendo em vista que para efetuar os cálculos dos Juros sobre o Capital Próprio a fiscalizada inflou seu Patrimônio Líquido mediante a inclusão de contrapartidas provenientes da criação de ativos fictícios engendrados mediante simulação, o que, em tese, caracterizase conto crime contra a ordem tributária, previsto nos art. lo e 2o da Lei n° 8.137/90. VII.IV MULTA ISOLADA FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ E DA CSLL APURADOS ATRAVÉS DE BALANCETES DE SUSPENSÃO / REDUÇÃO 195 Para os anoscalendário 2004 a 2008 a fiscalizada optou pela forma de apuração do IRPJ e da CSLL através da sistemática do Lucro Real Anual, método através do qual são exigidos mensalmente adiantamentos na forma de estimativas que serão compensados ao final do ano com os valores calculados sobre Lucro Real efetivo apurado durante o anocalendário, na forma do Artigo 222 do RIR/99. 196 É facultado à pessoa jurídica suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido por estimativa em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso (Lei n° 8.981, de 1995, art. 35, e Lei n° 9.430, de 1996, art. 2o, Art. 230 do RIR/99). 197Quando identificada a falta ou a insuficiência de recolhimento do IRPJ e da CSLL apuradas em conformidade com os artigos 222 e 230 do RIR/99, a pessoa jurídica ficará sujeita à penalização através da aplicação de multa isolada incidente sobre os valores devidos no mês e não recolhidos, conforme previsto na letra "b" do inciso II e no inciso II do Art. 44 da Lei n° 9.430/96, com redação dada pelo art. 14 da Lei n° 11.488/07, transcrito: [...] 199 Como conseqüência do lançamento das infrações "IRPJ I CSLL GLOSA DE VALORES NÃO AMORTIZÁVEIS LANÇADOS EM CONTA DE RESULTADO", "IRPJ / CSLL EXCLUSÃO INDEVIDA DO LUCRO REAL ANUAL DE VALORES NÃO AMORTIZÁVEIS" e "IRPJ / CSLL GLOSA DO CRÉDITO EM EXCESSO DE JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO" foram reconstituídos os balanços de suspensão/redução da fiscalizada efetuandose a determinação das bases de cálculo Fl. 5411DF CARF MF 34 mensais do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido apuradas por estimativa para os anoscalendário 2003 a 2008 através das planilhas anexas (...) [...] 201Esta infração é decorrente da prática de atos por parte dos representantes da fiscalizada que se enquadram, em tese, como crimes contra a ordem tributária, previstos nos art. 1o e 2oda Lei n° 8.137/90. VIIIDA COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO VIII.IDOS SALDOS NEGATIVOS DO IRPJ/CSLL [...] VIII.IIDO IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE SOBRE O CRÉDITO EM EXCESSO DOS JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO [...] IX DA QUALIFICAÇÃO DA PENALIDADE 213A fiscalizada utilizouse de simulação para praticar as infrações citadas nesse relatório, fato este revelado pela seqüência de alterações contratuais e documentos que elaborou, pelo seu conteúdo e pela sua disposição no tempo. 214Da complexa teia de operações societárias resultou a criação fictícia de um ativo (ágio), a despeito de não ter havido quaisquer tipos de negociações que pudessem fundamentar o seu surgimento ou mesmo um propósito negocial para as operações de "manufatura" das contas de ágio. 215A fiscalizada, que vinha alterando o Contrato Social esporadicamente, de repente resolve alterar por diversas vezes e seqüencialmente seu Contrato Social e de sua controladora visando a um fim específico que fica claro mediante a leitura de todos esses documentos em conjunto. 216Essa finalidade foi a intenção dos representantes legais das empresas envolvidas nas operações de incorporação, de ocultar por meio de simulação o verdadeiro teor do negócio jurídico da incorporação da Meadwestvaco do Brasil Ltda. pela RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA., qual seja, a criação artificial de ágio derivado de negociação entre o proprietário consigo mesmo. 217Notese, conforme já amplamente relatado através do presente Auto de Infração, que os representantes legais da fiscalizada tinham plena consciência dos atos ilícitos que estavam reiteradamente praticando uma vez que orientações relacionadas à matéria autuada foram pacificadas pelos órgãos encarregados em disciplinar a matéria contábil anteriormente ao início da Ação Fiscal. 218A fiscalizada, sendo uma grande empresa, teve acesso irrestrito à legislação tributária, consultorias fiscais, grandes advogados tributaristas e publicações relacionadas à matéria autuada e, sabendo que suas práticas contábeis encontravamse desamparadas do devido fundamento legal, continuou a exercelas enfrentando a sorte que disto pudesse resultar. 219 Ou seja, não faltaram à fiscalizada as oportunidades de regularizar sua situação fiscal atendendo aos estritos mandamentos da legislação federal. E tendo deixado de fazêlo, passou, por desejo próprio a incorrer, em tese, em ilícito previsto e tipificado em lei. Fl. 5412DF CARF MF Processo nº 10830.016637/200945 Acórdão n.º 1301002.278 S1C3T1 Fl. 5.396 35 220 A operação de criação do ágio fictício passou despercebida durante anos pelo fisco e pelo mercado, uma vez que a fiscalizada é constituída sob a forma de sociedade por cotas de responsabilidade limitada, não se sujeitando a procedimentos obrigatórios de auditoria independente e publicidade de seus atos. 221 Os procedimentos objetivos adotados pela fiscalizada que causaram danos ao erário público foram: a amortização do ágio criado ficticiamente durante o período compreendido entre 01/2003 a 12/2008 e; o crédito de Juros sobre o Capital Próprio calculado com base em patrimônio Líquido inexistente. 222 O Laudo de Rentabilidade Futura denominado de "Relatório de Avaliação EconômicoFinanceira" que teria embasado a criação da conta de ágio na contabilidade da fiscalizada foi contratado pela própria fiscalizada, a qual acabou por se beneficiar do suposto benefício dele decorrente e não por empresa externa ao grupo MeadWestVaco interessada na aquisição do negócio. Ou seja, a própria interessada na criação de conta de ágio fictício, por interesse próprio, foi quem contratou empresa de consultoria para a confecção de Laudo de Rentabilidade Futura. 223 Os procedimentos ora narrados revelam, em tese, a prática de sonegação fiscal sob o manto de uma negociação pretensamente legal. Tais negócios guardam as seguintes características: >Ficaram ocultos ao fisco federal uma vez que, se analisados individualmente e em período estanque no tempo, possuem características lícitas, mas se analisados em seu conjunto e durante o tempo em que foram implementados demonstram cabalmente a ilicitude de seus fins. >Estão eivados de simulação, pois ocultam em seu cerne o real propósito das alterações societárias; >Foram praticadas em ajuste de duas pessoas jurídicas com o fim especifico de promover a redução do recolhimento do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL; > Conforme exposto nesse Relatório de Ação Fiscal, anteriormente ao início da presente Ação Fiscal ocorrido em 04/05/2009, órgãos do governo, entidades gerenciadoras da atividade contábil, doutrinadores e julgadores já apontavam as graves incorreções dos procedimentos adotados pela fiscalizada, o que demonstra que a empresa dolosamente mantevese praticando a infração reiteradamente apesar de ter pleno conhecimento das conseqüências de seus atos. 224Em face do lançamento de ofício do IRPJ e da CSLL decorrentes das infrações "IRPJ / CSLL GLOSA DE VALORES NÃO AMORTIZÁVEIS LANÇADOS EM CONTA DE RESULTADO", "IRPJ / CSLL EXCLUSÃO INDEVIDA DO LUCRO REAL ANUAL DE VALORES NÃO AMORTIZÁVEIS" e "IRPJ/ CSLL GLOSA DO CRÉDITO EM EXCESSO DE JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO" acima caracterizadas, cumpre aplicar a multa de oficio ao caso em questão nos moldes da legislação de regência: 226A situação já caracterizada se subsume às hipóteses previstas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. A operação planejada entre as empresas de um mesmo grupo (uma delas controlada pela outra e ambas sob o controle da mesma pessoa jurídica sediada no exterior) que "propiciou" a criação de um ágio fictício foi engendrada com o evidente intuito de "criar" despesas de amortização em uma Fl. 5413DF CARF MF 36 delas, diminuindo ilegalmente sua base tributável, restando comprovado a inexistência de sentido comercial e econômico para a operação. 227Há que se considerar diversos aspectos relevantes que comprovam a ilicitude das operações que almejam aproveitar o ágio aqui discutido. Com relação à empresa Meadwestvaco do Brasil Ltda. os seguintes fatos corroboram sua utilização como empresa "veículo ": >Foi utilizada para carrear o ágio gerado através de fictícias alterações societárias, de forma que fosse posteriormente utilizado para redução do lucro apurado na fiscalizada, a qual já existia e operava plenamente nos mesmos moldes antes e depois que o planejamento fosse iniciado; >Não houve trânsito algum de dinheiro ou qualquer movimentação financeira intercompanhia que pudesse justificar minimamente a existência de contas de ágio na empresa fiscalizada ou em sua incorporada, Meadwestvaco do Brasil Ltda. Ou seja, não houve qualquer contrapartida com fundamento econômico para tanto; > A natureza única do ágio alegada no laudo é de rentabilidade de exercidos futuros. Esse laudo não é peça técnica legal para permitir à fiscalizada manufaturar contas de Ativo e Patrimônio Líquido e criar despesas/exclusão inexistentes e desnecessárias à consecução das atividades da empresa. A contratação de sua confecção e sua existência por si, em conjunto com os demais procedimentos societários adotados pela fiscalizada, revela a seqüência de condutas dolosas adotadas para o fim específico de fraudar a fiscalização federal no recolhimento do IRPJ e da CSLL. 228 Os fatos arrolados nesse Relatório evidenciam a simulação de uma complexa operação envolvendo empresas sediadas no Brasil e no exterior, com a finalidade de iludir o fisco, cujo único resultado foi a redução ilícita do lucro da fiscalizada. 229 Pelo exposto, haja vista os elementos narrados, fica caracterizado o intuito fraudulento, justificando a aplicação da multa qualificada e o enquadramento dos responsáveis pela empresa na prática, em tese, de crime contra a ordem tributária previsto nos artigos 1o e 2oda Lei nº 8.137/90: 238 Assim, em relação às infrações aqui apuradas, a contagem do prazo decadencia dos tributos dela decorrentes tem sua previsão legal respaldada pelo art. 173, inciso I, do CTN.” Decisão da DRJ às fls. 2.170/2.260, assim ementada: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007, 2008 Decadência. Amortização de Ágio. Fatos Geradores Distintos. O reconhecimento do ágio não representa manifestação de fato imponível tributário, pelo que o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário decorrente da redução indevida do resultado do exercício iniciase a cada amortização anual, e não com o seu registro original. Crédito Tributário. Prazo Decadencial. Afastado, por inconstitucional, o prazo de dez anos para o lançamento das contribuições destinadas à Seguridade Social, a Fl. 5414DF CARF MF Processo nº 10830.016637/200945 Acórdão n.º 1301002.278 S1C3T1 Fl. 5.397 37 contagem do prazo decadencial regese pelo disposto no Código Tributário Nacional. Na hipótese em que se verifique a ocorrência de fraude, o prazo decadencial de cinco anos tem início no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que esse lançamento de ofício poderia haver sido realizado. Ágio. Reorganização Societária. Formalidade. Falta de Propósito Negocial. Ineficácia. A formalização de reorganização societária em que não exista motivação outra que não a criação artificial de condições para auferimento de vantagens tributárias é inoponível à Fazenda Pública. Negada eficácia fiscal ao arranjo societário sem propósito negocial, restam não atendidas as condições para a amortização do ágio como despesa dedutível, impondose a glosa e a recomposição das apuração dos tributos devidos. Ágio de si mesmo. Uso de Empresa Veículo. Amortização. Impossibilidade. Não produz o efeito tributário almejado pelo sujeito passivo a incorporação de pessoa jurídica, em cujo patrimônio constava registro de ágio com fundamento em expectativa de rentabilidade futura, sem qualquer finalidade negocial ou societária, especialmente quando a incorporada teve o seu capital integralizado com o investimento originário de aquisição de participação societária da incorporadora (com criação de ágio) e, ato contínuo, ocorreu o evento da incorporação. Nesse caso, resta caracterizada a utilização da incorporada como mera "empresa veículo" para transferência do ágio à incorporadora, com a subseqüente amortização de ágio de si mesma. Ágio de Si Mesmo. Custo. Fundamentos Contábeis. Inconsistência. O ágio somente é admitido pela teoria contábil quando surgido em transações envolvendo partes independentes, condição necessária à formação de um preço justo para os ativos envolvidos. Nos casos em que seu aparecimento acontece no bojo de transações entre entidades sob o mesmo controle, o ágio não tem consistência econômica ou contábil, configurando geração artificial de resultado cujo registro contábil é inadmissível. Ágio. amortização. atos societários sem propósito negocial. Simulação. Multa Qualificada. Provada de forma indireta a existência de simulação na constituição e transferência do ágio para a própria empresa antes adquirida, por meio de atos societários sem propósito negocial, a despesa com a amortização do ágio é indedutível. mantendose a multa qualificada, em vista da conduta dolosa do sujeito passivo buscando impedir ou retardar o conhecimento, por parte da autoridade Fiscal, da ocorrência do fato gerador da obrigação principal, sua natureza ou circunstâncias Fl. 5415DF CARF MF 38 materiais, conforme disposto nos artigos 71 a 73 da Lei n° 4.502/64, configurando o evidente intuito de fraude à lei tributária. Ágio. Juros Sobre Capital Próprio. Recomposição do Patrimônio Líquido. Recalculo dos Limites de Dedutibilidade. Definida a impossibilidade de registro contábil do ágio gerado no interior do próprio grupo empresarial, seus efeitos sobre o Patrimônio Líquido devem ser expurgados e, feito isso, surgem novos limites à dedutibilidade dos juros sobre o capital próprio. Verificado que os valores pagos superam os limites estabelecidos, correta a tributação da parcela indedutível. Multa Isolada. Falta de Recolhimento das Estimativas Mensais. A multa isolada, calculada sobre a totalidade ou diferença da antecipação do IRPJ e da CSLL, mensalmente devida e não recolhida, deve ser aplicada à pessoa jurídica, sujeita à tributação com base no lucro real, e optante pelo pagamento do IRPJ e da CSLL, em cada mês, determinados sobre bases de cálculo estimadas, por descumprimento da obrigação de antecipar o IRPJ ou a CSLL mensalmente devidos. Multa de Ofício e Multa Isolada. Duplicidade de Incidência. Não Caracterização. A multa de ofício exigida por falta de pagamento do IRPJ e da CSLL devidos na apuração anual, e a multa isolada por falta de recolhimento das antecipações mensais, calculadas sobre bases de cálculo estimadas, têm hipóteses de incidência e bases de cálculo distintas. De acordo com as expressas disposições legais, a incidência de multa isolada por falta de recolhimento das antecipações mensais, calculadas sobre bases de cálculo estimadas, é completamente autônoma em relação à obrigação tributária principal a ser constituída, ou não, no final do período. Juros de Mora. Taxa Selic. É cabível, por expressa disposição legal, a exigência de juros de mora em percentual superior a 1%. A partir de 01/01/1995 os juros de mora serão equivalentes a taxa do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2003,2004,2005,2006, 2007, 2008 Fundamentação Comum. Orientação Decisória. Devido à íntima relação de causa e efeito existente entre as exigências, a orientação decisória deve coincidir.” Ciência da decisão de primeira instância no dia 07/06/2010, à fl. 2.200. Recurso hierárquico às fls. 2.204/2.340, com entrada na repartição fiscal no dia 06/07/2010. Na oportunidade, aduz o seguinte: Fl. 5416DF CARF MF Processo nº 10830.016637/200945 Acórdão n.º 1301002.278 S1C3T1 Fl. 5.398 39 1) a Fiscalização supôs, de modo completamente infundado, que a Recorrente teria gerado ágio interno em decorrência de práticas tipicamente ajustadas ao revogado artigo 36 da Lei nº 10.637/2002, ou seja, sem nenhum outro motivo que não o de, ilícita e simuladamente, criar um suposto "ágio gerado internamente", para, de modo intencional, aproveitar benefícios fiscais indevidos. Contudo, a premissa adotada pela Fiscalização é manifestamente equivocada, e isso comprometeu todo o restante da apreciação dos os fatos aqui discutidos; 2) a verdade é que, em primeiro lugar, ao contrário do que foi dito pela Fiscalização, a operação que se discute nestes autos é totalmente distinta daquela que estava prevista no artigo 36 da Lei nº 10.637/2002, conforme afirma o parecer técnico contábil dos professores Eliseu Martins, Eric Martins e Heraldo Oliveira, acostado aos autos; 3) no ano calendário de 2002, os grupos econômicos Mead e Westvaco, até então independentes e não relacionados, iniciaram um processo de integração de suas atividades e negócios nos mais de trinta países onde atuavam. No Brasil, o grupo Mead operava por meio da sociedade Mead Embalagens Ltda ("Mead do Brasil"), enquanto que o grupo Westvaco operava por meio da Rigesa Celulose Papel e Embalagens Ltda, ora Recorrente; 4) portanto, havia um motivo prévio e extratributário no caso em exame, qual seja, a fusão e a integração mundial dos grupos Mead e Westvaco, como também havia uma finalidade especifica e não tributária a ser perseguida no Brasil: a unificação das atividades da Mead do Brasil e da Recorrente em uma só pessoa jurídica; 5) tratase, assim, de um caso que deve ser examinado como um todo, em conjunto (como um filme e não como uma fotografia, nos dizeres do professor Marco Aurélio Greco), pois, se examinado em sua real substância, como determina a jurisprudência tributária atual, e não somente no estrito rigor de sua forma, afigurase como uma operação de integração de dois grupos econômicos distintos, cujas consequências no Brasil, inclusive fiscais, são válidas e legitimas; 6) cabe notar que todo esse processo de integração global de sociedades ocorreu ao longo daquele mesmo ano calendário de 2002, não somente no Brasil, mas em diversos países, como Canadá, França, Alemanha, Fl. 5417DF CARF MF 40 Holanda, Espanha, Irlanda, Reino Unido, Suíça, Itália, Japão, entre diversos outros. Assim, o que se passou no Brasil revelouse com uma pequena parte de uma operação real muito maior de integração de dois grupos econômicos internacionais; 7) como tais operações de integração no Brasil e em outros países foram feitas no contexto da integração global desses dois grupos empresariais mundiais, elas foram efetuadas nas chamadas condições "arm's length", ou seja, a valores válidos para negociações entre partes independentes. Essa é a ótica sob a qual deve ser examinado o caso presente: a de uma integração local, que era parte de uma integração global, efetuada em condições de mercado (arm's length); 8) ademais, além de promover a unificação da Mead do Brasil com a Recorrente em uma só pessoa jurídica, os grupos Mead e Westvaco também possuíam razões empresariais e econômicas para pretender concentrar o controle direto de suas sociedades e operações da América Latina — notadamente do Brasil, Argentina, Chile, Venezuela —, em duas sociedades canadenses, a MWV Consumer & Office Products Co. ("MWV Consumer") e a MWV Canada Operations Co. ("MWV Canada"); 9) a concentração das participações detidas nessas empresas latinoamericanas em uma estrutura societária situada no Canadá possibilitaria o direcionamento do fluxo de dividendos e juros das sociedades investidas para aquelas sociedades canadenses, ao mesmo tempo em que aumentaria a flexibilidade no aproveitamento dos excessos de caixa gerados pelas sociedades latino americanas em outras operações desses grupos, no mundo; 10) a persecução aos objetivos acima comentados, puramente empresariais e econômicos, e não tributários, motivou a implementação das operações indevidamente questionadas pela Fiscalização. Com esse escopo, as anteditas sociedades canadenses procederam à aquisição das quotas da Recorrente, assim como das demais empresas localizadas em Argentina, Chile e Venezuela, a valor de mercado, em cumprimento à legislação canadense e como a única forma de refletir a essência do negócio e também de cumprir com o principio arm's length, que impunha que esse tipo de operação fosse feito exatamente como uma negociação de integração de dois grupos econômicos independentes e não relacionados; 11) tendo adquirido as quotas da Recorrente no exterior por seu justo valor de mercado, as sociedades MWV Fl. 5418DF CARF MF Processo nº 10830.016637/200945 Acórdão n.º 1301002.278 S1C3T1 Fl. 5.399 41 Consumer e MWV Canada efetuaram sua contribuição em aumento de capital da Mead do Brasil pelo mesmo valor de mercado que haviam pago no exterior. Em seguida, efetuouse a incorporação da Mead do Brasil pela Recorrente, atingindose, nesse momento, também o objetivo empresarial inicial de unificação dessas sociedades em uma única pessoa jurídica; 12) tais operações deram causa à contabilização de valores de ágio amortizáveis para fins fiscais, pela Recorrente. Contudo, a Recorrente somente tomou os efeitos fiscais decorrentes dessas operações por acreditar que estavam amparadas pela legislação aplicável e em sintonia com os ensinamentos da doutrina e jurisprudência dominantes no Brasil, que consideram como válidas as operações que estejam suportadas por motivação empresarial efetivamente precedente e independente dos efeitos fiscais que também pudessem ser alcançados com a sua consecução; 13) no entanto, parecendo não compreender a extensão e a natureza das operações realizadas pela Recorrente, a Fiscalização deu a entender que a Recorrente teria realizado uma operação semelhante àquelas previstas no artigo 36 da Lei 10.637/2002, ou seja, teria agido como se tentasse gerar um ágio indevido dentro do mesmo grupo econômico, movida apenas pelo deliberado intuito de obter uma economia fiscal ilegítima; 14) baseandose nessa premissa errônea, a Fiscalização chegou a asseverar que "não houve trânsito algum de dinheiro ou quaisquer outros valores monetários", no caso em exame. Essa alegação não procede, uma vez que restou devidamente comprovado, na impugnação, que a aquisição da Recorrente no exterior se efetivou, em sua maior parte (70%), com a utilização e a efetiva transferência de caixa entre as partes; 15) a Fiscalização também alegou que a Recorrente teria se utilizado de uma "empresa veiculo" nas operações questionadas, o que também não é verdade. A empresa em referência é a Mead do Brasil, que estava em operação, tinha empregados, auferia faturamento, possuía maquinário e ativos fixos próprios e mantinha movimentação bancária e em funcionamento havia vários anos antes das operações ora examinadas; 16) a Fiscalização levantou dúvidas a respeito da veracidade da incorporação da Mead do Brasil pela Recorrente, já que esse fato ocorrera no dia 01/12/2002, um domingo. Fl. 5419DF CARF MF 42 Porém, consoante farta documentação colacionada a estes autos, a reunião de incorporação efetivamente se passou naquela data e, mais que isso, as razões que levaram as partes a eleger aquela data para a referida incorporação incluíram, primeiramente, as exigências legais a respeito do encerramento dos períodosbase das sociedades incorporadora (Recorrente) e incorporada (Mead do Brasil), as quais não se achavam sob o mesmo grupo societário, no anocalendário anterior (2001). Juntese ao exposto o fato de que a Recorrente utilizava, como ainda o faz hoje, um sistema eletrônico de contabilidade (SAP) que não lhe permitia levantar balanços estáticos (mantendo os números inalterados) fora das datas de inicio e fim de cada mês; 17) a despeito das provas trazidas pela Recorrente, suas alegações foram claramente relativizadas pela decisão recorrida, ao pronunciar que o problema não era a possibilidade de se realizarem reuniões de incorporação em dia de domingo, mas, sim, o fato de uma empresa assumir o controle de outra e ser por ela incorporada logo no dia seguinte; 18) todavia, essa data não só não é vedada pela legislação como também chega a ser incentivada, porquanto, ao pretenderem unificar totalmente as atividades em uma só pessoa jurídica, as sociedades se veem diante de regras de incorporação que exigem que encerrem seus períodos base e apurem os respectivos balanços de encerramento; 19) não bastasse o já comentado, a decisão recorrida trouxe ainda uma alegação nova, embora igualmente inverídica e sem fundamento, no ponto em que se sustentou que a Recorrente teria, semanas antes de iniciar as operações ora examinadas, transformado o seu tipo jurídico, passando de sociedade por ações para sociedade por quotas de responsabilidade limitada, com o suposto fim de fugir da obrigação legal de serem auditadas por auditor independente; 20) assinalese enfaticamente que tal alegação é inverídica, pois a Recorrente é sociedade por quotas de responsabilidade limitada desde o anocalendário de 1963. No mais, mesmo que a Recorrente se revestisse da forma de uma sociedade por ações no anocalendário de 2002, o que se admite somente para argumentar, ainda assim teria a opção, mas não a obrigação, de se submeter à auditoria por auditor independente; 21) além de arguir as despesas de amortização de ágio cujos efeitos fiscais foram tomados pela Recorrente no intervalo entre 2003 a 2008, a Fiscalização ainda glosou parte das despesas deduzidas, no mesmo período de Fl. 5420DF CARF MF Processo nº 10830.016637/200945 Acórdão n.º 1301002.278 S1C3T1 Fl. 5.400 43 apuração, com o pagamento de juros sobre o capital próprio, sob a alegação de que elas teriam sido pagas com base em um valor "inflado" de patrimônio liquido, tendo em conta, justamente, a contabilização do ágio em exame; 22) ainda que o ágio por ela contabilizado fosse indedutivel, para fins fiscais, o que se admite somente para argumentar, não se pode fugir da visão de que o ágio precitado era real e deveria, como tal, ser contabilizado, mesmo sob o fundamento de "outras razões econômicas", de onde se conclui que as deduções dos valores pagos pela Recorrente, a titulo de juros sobre o capital próprio, também estavam corretas; 23) de todo modo, a linha de raciocínio adotada pela autoridade julgadora não faz sentido, pois, de um lado, aceita como reais as etapas estrangeiras do caso em julgamento, enquanto, de outro lado, fixalhes o rótulo de simulação ou de um produto artificial de uma engenharia societária voltada à geração de benefícios fiscais indevidos; 24) em conformidade com a tese defensiva, deve ser prontamente afastada a severa multa de 150% aplicada pela Fiscalização, a qual, como se sabe, somente poderia ser imposta em casos de evidente intuito de fraude, ou seja, quando resta provada pelo Fisco a inequívoca intenção de enganar, esconder ou iludir. Entretanto, está claro que o caso em apreço não reflete a prática de fraude, pois a Recorrente jamais falsificou documentos ou "maquiou" livros contábeis ou fiscais. Na pior das hipóteses, a Fiscalização e a autoridade julgadora a quo poderiam alegar que discordam dos efeitos jurídicos e legais das operações praticadas pela Recorrente, mas isso jamais poderia servir de base para se pressupor a falta de boa fé da Recorrente e acusála de ter agido de forma fraudulenta, até porque, em um primeiro momento, a autoridade julgadora a quo admitiu que as operações ora examinadas tenham efetivamente se realizado em um contexto de integração mundial dos grupos Mead e Westvaco, ressalvando, embora, o entendimento de que seriam irrelevantes, para fins fiscais, no Brasil, não obstante ao final de seu voto retomar o equivocado raciocínio original da Fiscalização, referindose à criação de uma engenharia societária com o único propósito de gerar benefícios fiscais indevidos; 25) porém, caso se entenda que a Recorrente agiu de forma incorreta, o que se admite só para argumentar, essa grave Fl. 5421DF CARF MF 44 sanção deve ser reduzida para a multa regular de oficio de 75%; 26) a Fiscalização aplicou também uma multa isolada de 50% sobre os mesmos supostos fatos geradores que motivaram a lavratura do auto de infração objeto do presente processo administrativo, sob a justificativa de que a Recorrente deixou de antecipar uma parte dos pagamentos mensais desses tributos, na sistemática de estimativa mensal do regime de lucro real. Tratase de mais um excesso que deve ser imediatamente cancelado, como amplamente pacificado na jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais, já que o Fisco aplicou a multa de ofício para cobrála juntamente com os valores que o contribuinte teria deixado de pagar, a título de IRPJ e CSLL, ao fim do períodobase; 27) não bastassem as razões precedentes, vale chamar a atenção para os efeitos da decadência em relação aos fatos acima discutidos, porquanto todas as operações societárias aqui arroladas ocorreram ainda no ano calendário de 2002. Nesse sentido, tanto a glosa do ágio amortizado quanto a glosa dos juros sobre o capital próprio estariam afetados pelos efeitos da decadência. No entanto, se restar decidido que o prazo decadencial para o caso em exame deve ser contado a partir de cada ano calendário, o que só se admite para argumentar, deve ser reconhecido que não houve dolo, fraude ou simulação, daí concluindose que, ao menos o prazo decadencial para a cobrança de valores de IRPJ e CSLL relativos ao anocalendário de 2003, extinguiuse em 31.12.2008. Ao final, requer que o presente recurso voluntário seja integralmente provido, reformandose a decisão recorrida e cancelandose integralmente as exigências relativas aos tributos, penalidades e juros, e o consequente arquivamento do processo administrativo. Na remota hipótese de não se acolher o pedido acima formulado, que ao menos seja reformada a decisão recorrida para afastar quaisquer alegações de simulação ou fraude, com a consequente redução da multa agravada de 150% para 75%, juntamente com o automático reconhecimento da decadência sobre todos os montantes exigidos no auto de infração em relação ao anocalendário de 2003, bem como a total eliminação da multa isolada de 50% e a proibição da aplicação dos juros à taxa SELIC sobre as eventuais penalidades remanescentes. Em contrarrazões, a Procuradoria da Fazenda Nacional, por sua vez, expõe os argumentos abaixo, conforme fls. 2.594/2.633: 1) para existir, o ágio ou deságio deve sempre ter como origem um propósito negocial e um substrato econômico. Entendese por propósito negocial a lógica econômica que levou ao surgimento do ágio ou deságio, ou seja, a razão negocial que ensejou a aquisição de um investimento por valor superior ou inferior àquele que Fl. 5422DF CARF MF Processo nº 10830.016637/200945 Acórdão n.º 1301002.278 S1C3T1 Fl. 5.401 45 custou anteriormente ao alienante. Sendo assim, para se falar em ágio ou deságio é preciso a efetiva aquisição de um investimento oriundo de um negócio comutativo, onde as partes contratantes, independentes entre si e ocupando posições opostas, tenham interesse em assumir direitos e deveres proporcionais; 2) contudo, é evidente, nos autos, o desvirtuamento das operações que normalmente conduzem a um custo amortizável, tendo em vista que as operações foram realizadas por pessoas interligadas, em desacordo com a necessária autonomia entre as partes envolvidas, pois o que se viu em todas as etapas da suposta "reorganização societária" a que a contribuinte se refere foi que o controle acionário das empresas brasileiras (Mead do Brasil e Rigesa) mantevese, sempre, em poder de sociedades do grupo liderado pela MeadWestavaco Corporation, através de diferentes níveis de controle, o que demonstra que as operações ocorreram dentro de um mesmo grupo, ou seja, sem qualquer intervenção de partes independentes, mas, ao contrário, em um ambiente em que as controladoras influenciavam as controladas brasileiras, o que evidencia que as condições para tais operações não foram, absolutamente, as mesmas que seriam verificadas em operações realizadas com empresas alheias ao grupo; 3) considerandose que as operações que envolveram a Mead do Brasil e a Rigesa ocorreram dentro de um grupo econômico e que, ao final, não houve qualquer alteração na propriedade das empresas (antes da reorganização societária, as entidades brasileiras pertenciam ao grupo MeadWestvaco e assim permaneceram após toda a "reestruturação societária"), outra não pode ser a conclusão, senão a de que o único beneficio atingido com as alterações seria a economia fiscal. Com isso, a finalidade do ágio foi estritamente tributária: reduzir a base de cálculo do IRPJ e da CSLL a serem pagos. Trata se, por conseguinte, de um ágio criado artificialmente, o que impede a legitimação dos efeitos que possa gerar, na apuração do IRPJ e da CSLL; 4) ora, a transformação da Mead do Brasil em controladora da recorrente e, ato continuo (realizado no dia seguinte), a incorporação daquela por esta, não demonstra qualquer intenção que fosse, realmente, negocial/societária. Não há qualquer objetivo que seja verdadeiramente comercial e que possa ser alcançado em uma única noite; Fl. 5423DF CARF MF 46 5) a ausência de propósito negocial na incorporação da Mead do Brasil pela Rigesa fica ainda mais patente, diante do Protocolo de Justificação de Motivos de Incorporação. Com efeito, afirmouse que a intenção de se efetivar a referida incorporação era a obtenção de uma reestruturação societária que pudesse proporcionar maior eficiência estratégica e melhor desempenho das atividades econômicas das empresas, aumento da lucratividade, com redução de custos de natureza operacional, administrativa e financeira. No entanto, não há como se imaginar uma maior eficácia estratégica quando se está diante de uma reversão imediata do controle das empresas; 6) além disso, se a intenção fosse, de fato, aumentar a lucratividade e reduzir custos, a incorporação da Mead do Brasil pela Rigesa deveria ter ocorrido de forma direta, sem a necessidade de uma etapa intermediária a ser, logo em seguida, desfeita; 7) portanto, evidenciase que a incorporação da Mead do Brasil pela Rigesa não fora realizada com o intuito de simplesmente unificar as atividades das envolvidas. Tal unificação poderia ter sido alcançada desde o inicio somente com a incorporação de uma pela outra, tal como o que se deu por meio da segunda operação. O aumento de capital da Mead do Brasil serviu, então, somente para criar um ágio fictício, caracterizando, assim, aquela sociedade como uma verdadeira "empresa veiculo"; 8) em relação ao ágio objeto do presente processo, verifica se que, além de despido de qualquer propósito negocial e de ter sido gerado em operações levadas a efeito dentro do mesmo grupo econômico, foi criado com a incorporação da Mead do Brasil pela Recorrente, sem apresentar substrato econômico que justifique o seu surgimento; 9) em que pese o valor de aquisição ter se pautado na rentabilidade futura da Recorrente, o que se constata é que o relatório de avaliação econômicofinanceira do Grupo Rigesa, elaborado pela empresa Z3M Venture Partners Ltda a pedido da Recorrente, tomou como base situações divergentes das existentes no mercado nacional, levando em conta, por exemplo, fatores como taxa de retorno para o caso americano, taxa de juros estimada com risco zero (utilizandose como parâmetro a remuneração dos títulos norteamericanos de 30 anos), apuração da taxa de risco com base no excesso de retorno do mercado de capitais dos Estados Unidos, dentre outros aspectos que servem para demonstrar a inaptidão de tal laudo para o fim de fixar o valor real da empresa; Fl. 5424DF CARF MF Processo nº 10830.016637/200945 Acórdão n.º 1301002.278 S1C3T1 Fl. 5.402 47 10) o verdadeiro intuito da Mead do Brasil não era auferir essa rentabilidade, mas, sim, aguardar a superveniente incorporação pela Recorrente e deduzir sua amortização na apuração do lucro real. Isso se torna mais claro caso se considere que inexistia qualquer justificativa para a Recorrente lançar a própria rentabilidade em sua contabilidade; 11) outrossim, é sabido que, para a efetiva aquisição de um investimento, com o correspondente surgimento do ágio ou deságio, é imprescindível a existência de dispêndio necessário à sua realização, ou seja, de transação econômica ou patrimonial que materialize o valor de aquisição ao mesmo tempo pago pelo adquirente e recebido pelo alienante. Em outras palavras, aquisição de um investimento por meio de mera escrituração artificial, sem a sua real materialização no mundo econômico, não é hábil a gerar ágio ou deságio; 12) uma vez analisada a situação fática da Recorrente antes e depois da incorporação, verificase que continua submetida ao mesmo controle acionário, tendo apenas feito uma reavaliação com base em rentabilidade futura dela mesma; 13) não é possível vislumbrar a aquisição onerosa da participação societária da Rigesa pela Mead do Brasil, pois sequer houve o pagamento, dispêndio de recursos na aquisição de um patrimônio. Os documentos juntados aos autos, a fim de corroborar o lançamento, demonstram que não teria havido desembolso de capital quando da aquisição da participação societária da Rigesa pela Mead do Brasil. Na verdade, o patrimônio liquido desta sociedade foi aumentado em contrapartida a um aumento de ativo permanente, sem que houvesse qualquer sacrifício de um ativo ou reconhecimento de um passivo, indispensáveis para o registro de um custo/despesa; 14) sem dúvida, a Mead do Brasil adquiriu a Rigesa mediante pagamento em ações, feito a quem já possuía a totalidade de seu capital social. E esse fato foi revelado pela própria Recorrente, ao ser intimada para comprovar o efetivo trânsito de recursos, quando da aquisição da participação societária pela Mead do Brasil; 15) cabe observar, ainda, que o balancete levantado no encerramento mensal, imediatamente anterior à aquisição das quotas da fiscalizada, traduz que a Meadwestvaco do Brasil apresentava situação patrimonial indicativa de que não dispunha de capacidade econômica para efetuar a Fl. 5425DF CARF MF 48 aquisição com recursos próprios, já que enfrentava séria dificuldade financeira, com passivo a descoberto de R$ 11.515.833,56; 16) o único substrato econômico existente, nas operações societárias realizadas entre a Mead do Brasil e a Rigesa, é aquele oriundo da amortização do ágio. Em outros termos, após a incorporação, a única transferência de riquezas é aquela que se deu entre o Estado, que concedeu um beneficio indevido, e a Recorrente, que reduziu sua tributação de forma fraudulenta; 17) o ágio absorvido pela incorporadora fora criado somente de forma artificial. Materialmente, nunca existiu; se nunca houve ágio decorrente da aquisição de investimento (segundo o artigo 385 do RIR199), não há que se falar em sua amortização no resultado da empresa que o absorveu por incorporação. A despesa amortizada pelo sujeito passivo, na apuração de seu lucro, não se enquadra em quaisquer das hipóteses de dedutibilidade previstas pelos artigos 324 a 327 do RIR/1999; 18) quanto à exclusão efetuada pela recorrente na apuração do seu lucro real, no ano calendário 2008, sob os históricos "amortização de ágio" e "reversão provisão para IRDiferido", devese destacar que não houve impugnação especifica em relação a tal infração; 19) quanto à dedutibilidade dos juros sobre capital próprio, ressaltase que a Fiscalização apurou o correto patrimônio liquido do sujeito passivo com base no negócio jurídico que efetivamente ocorreu, afastando os efeitos financeiros e tributários decorrentes do negócio jurídico simulado, aparente, que foi realizado somente no papel; 20) por isso, e como decorrência da constatação fiscal de que a Recorrente, artificialmente, gerou e registrou ágio, parte das despesas com pagamento de juros sobre capital próprio, realizadas pelo contribuinte, foi considerada não dedutível, por não existir. Isto porque, nos termos do que fora apurado pela autoridade fiscal, verificouse que uma parcela das despesas de JCP havia sido calculada com base em um patrimônio liquido inexistente, "inflado" em razão da contabilização do ágio; 21) como muito bem delineado pelo Relatório de Ação de Fiscal, a dedução da despesa com amortização do ágio adquirido proporcionou à Recorrente outros efeitos financeiros e tributários distintos da redução direta da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Além desse efeito direto na apuração da base de cálculo dos referidos tributos, a dedução da despesa com a amortização do Fl. 5426DF CARF MF Processo nº 10830.016637/200945 Acórdão n.º 1301002.278 S1C3T1 Fl. 5.403 49 ágio causou o aumento do patrimônio liquido do contribuinte. Esse aumento, por seu turno, majorou os juros sobre capital próprio pagos aos sócios da Recorrente, nos anoscalendário de 2003 a 2007; 22) diante da relação de causalidade existente entre a amortização do ágio e o pagamento de juros sobre capital próprio, a desconsideração da primeira acarreta a desconsideração do segundo. Logo, o não reconhecimento do pagamento gera o não reconhecimento da dedutibilidade da correspondente despesa; 23) e nem se diga, como fez a Recorrente, que o ágio, ainda que não amortizável, deveria ter sido, de qualquer forma, contabilizado, gerando, então, efeitos sobre o pagamento dos JCP, de forma que as deduções feitas por ela estariam de acordo com o ordenamento. Ora, uma despesa inexistente, nos termos do que fora exaustivamente demonstrado, não pode produzir qualquer efeito, nem fiscal e nem contábil; 24) no que diz respeito à multa qualificada, uma vez caracterizado o indevido registro e o aproveitamento fiscal do ágio gerado no interior do próprio grupo, devem ser mantidas integralmente as penalidades impostas; 25) quanto à alegação de decadência, devese considerar que, embora as operações societárias tenham ocorrido em 2002, a contabilização e a posterior amortização do ágio pela Recorrente somente se efetivaram entre 2003 e 2008. Isso porque o que se examinou no presente caso foram os efeitos tributários decorrentes das operações societárias, ou seja, as deduções de despesas (que foram glosadas, porquanto desnecessárias), cujos fatos geradores somente ocorreram a partir das subsequentes amortizações do ágio; 26) ademais, urge reiterar que a Fiscalização apurou conduta fraudulenta da Recorrente ao deduzir supostas despesas com ágio, qualificando a multa de oficio para o percentual de 150%, o que, por si só, acarreta a aplicação do art. 173, inciso I, do CTN. Com isso, e levandose em conta que o fato gerador mais remoto ocorreu em 31/12/2003 e a ciência dos autos de infração de IRPJ e CSLL deuse em 09/12/2009, não há que se cogitar de fluência do lapso decadencial, visto que realizado o lançamento dentro do interregno de 5 (cinco) anos, a partir do primeiro dia do exercício seguinte (01/01/2005) Fl. 5427DF CARF MF 50 àquele em que o lançamento poderia ser efetuado (01/01/2004; 27) no que afeta à incidência da multa isolada, cabe lembrar que a falta de pagamento ou pagamento a menor do valor do imposto apurado sobre uma base estimada em função da receita bruta, bem como quedado inerte o sujeito passivo em comprovar, por meio de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto calculado com base no lucro real do período em curso, assim reúnem os pressupostos fáticos e jurídicos que sustentam a exigência fiscal, que, dessa forma, apresentase legal e legítima, ainda que o lançamento tenha sido efetivado após o encerramento do anocalendário; 28) a tal propósito, vale ainda destacar que não há óbice a que sejam aplicadas ao contribuinte faltante, diante de duas infrações tributárias, duas penalidades, com a mesma base de cálculo, ou não, afinal, como se sabe, a base de cálculo é elemento que apenas quantifica o imposto ou a penalidade tributária, possuindo, necessariamente, estreita relação com os fatos/atos que lhes dão origem, mas não se confundindo com esses fatos/atos. Assim, a penalidade tributária decorre sempre de um ato ilícito e a base de cálculo mensura o montante dessa penalidade; 29) a multa isolada tem como hipótese de incidência o descumprimento, pelo sujeito passivo, da obrigação legal de efetuar os recolhimentos dos valores por estimativa, enquanto a multa de ofício vinculada traz como hipótese de incidência a falta de recolhimento do imposto devido no encerramento do período de apuração, de cujo cálculo são deduzidos os valores das estimativas pagas durante o anocalendário; 30) com a redação dada pela Lei nº 11.488/2007 ao artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, a base de cálculo da multa isolada se difere da base de cálculo da multa de ofício, afastando de uma vez por todas qualquer alegação de bis in idem; 31) por outro lado, o Código Tributário Nacional prevê, em seu art. 97, que somente a lei pode determinar hipóteses de dispensa ou redução de penalidade. Sob essa ótica, não se pode criar nova hipótese de dispensa da multa isolada, não prevista na legislação, qual seja, a cobrança, concomitante, com a multa de oficio decorrente do não pagamento do tributo; 32) no tocante à aplicação da taxa Selic como índice de juros de mora, devese frisar, em síntese, que a sua Fl. 5428DF CARF MF Processo nº 10830.016637/200945 Acórdão n.º 1301002.278 S1C3T1 Fl. 5.404 51 legitimidade já foi reconhecida por este Conselho, consagrandose, inclusive, na Súmula CARF nº 4; 33) quanto à incidência dos juros sobre a multa, impende ter em vista que o crédito tributário engloba tanto o tributo quanto a sanção, pois, de acordo com o art. 113, § 1°, do CTN, a obrigação principal tem por objeto o pagamento do tributo ou penalidade pecuniária, donde se observa que o critério utilizado pelo Código para distinguir obrigação acessória de obrigação principal é o conteúdo pecuniário; 34) dessa forma, devem incidir os juros de mora sobre o tributo e sobre a multa, nos termos do artigo 161, § 1º do CTN. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Flávio Franco Corrêa, Relator. Presente os requisitos de recorribilidade do recurso interposto. Dele conheço. De plano, a apreciação da questão referente à decadência. Ao tratar especificamente da amortização do ágio, alega a Recorrente que o prazo para a constituição do crédito tributário embasado na ocorrência de violação ao artigo 7º da Lei nº 9.532/1997 extinguiuse em 31/12/2007. Para tanto, a Recorrente sustenta tese defensiva segundo a qual o lançamento tributário deveria ser efetuado no interregno de cinco anos contados da data em que se efetivou a incorporação, porquanto tal evento fez nascer o direito a amortização do ágio constituído na pessoa jurídica incorporada. Na mesma linha, manifesta que a glosa das despesas com juros sobre o capital próprio sujeitase também à restrição temporal de cinco anos, contados da contabilização do ágio, ocorrida no ano calendário de 2002. Em primeiro lugar, é preciso destacar que o IRPJ e a CSLL exigidos nos autos de infração ora contestados são tributos sujeitos à sistemática do lançamento por homologação. Isso porque, nos termos do artigo 150 do CTN, a lei atribui ao sujeito passivo da obrigação tributária o dever de antecipar o pagamento de tais exações, sem o prévio exame da autoridade administrativa. Desse modo, já considerando que o IRPJ e a CSLL são submetidos à disciplina do lançamento por homologação, discutese se estariam sujeitos ao prazo decadencial refletido no § 4º do artigo 150 do CTN ou no artigo 173, inciso I, do mesmo Código. Consoante o entendimento do Superior Tribunal de Justiça (STJ), consagrado na decisão proferida no julgamento do REsp nº 973.733, submetido ao procedimento dos recursos repetitivos previsto no artigo 543C do Código de Processo Civil de 1973, o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido Fl. 5429DF CARF MF 52 efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre. Vale dizer que, havendo previsão legal que obrigue a antecipação do tributo sem a anterior anuência da autoridade tributária, deverseá aplicar a regra que dimana do artigo 173, inciso I, do CTN, caso inexista pagamento antecipado. Por outro lado, incidirá a regra que ressai do § 4º do artigo 150 do CTN, verificandose o adiantamento de tributo cuja antecipação, sem a anterior anuência da autoridade fiscal, decorrer de previsão legal. Todavia, se restar caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial regese pelo art. 173, inciso I, do CTN (Súmula CARF nº 72) Seja como for, tanto o artigo 173, inciso I, do CTN quanto o § 4º do artigo 150 do referido Código não podem ser aplicados antes da ocorrência do fato gerador do tributo, afinal o lançamento reportase à data em que este fato ocorreu (artigo 144 do CTN). Em outras palavras, enquanto não ocorrido o fato gerador do tributo não há o que se lançar, motivo por que não se pode pretender que se inicie a contagem do lapso decadencial enquanto o Fisco estiver impossibilitado de constituir o crédito tributário. Por essa razão, não há como acolher o pleito da Recorrente, formulado no pedido de que se considere o anocalendário de 2002 como o começo da contagem do período decadencial. Para suportar tal pedido, a Recorrente alega que as operações societárias reportadas no lançamento tributário datam do anocalendário de 2002. Essa alegação em nada socorre à Recorrente, diante do fato de que o ágio constituído só surtiu efeitos tributários, mediante a dedução de despesas com a amortização desse ágio, a partir do anocalendário de 2003. Está claro, pois, que, em 2002, o Fisco não podia constituir o crédito tributário decorrente de infrações surgidas entre 2003 e 2007. No mesmo sentido, o autuante não noticia a apuração, relativamente ao ano calendário de 2002, de diferença não dedutível de juros sobre o capital próprio. Sob a óptica do Fisco, os juros sobre o capital próprio excedentes ao limite de dedução legal afetaram as bases de cálculo do cálculo do IRPJ e da CSLL correspondentes aos períodos de incidência estreitados no interregno de 2003 a 2007. Por conseguinte, o Fisco não podia, também aqui, efetuar o lançamento, ao longo de 2002, para constituir créditos tributários derivados de fatos geradores ocorridos em anos posteriores. Nessas circunstâncias, impende negar provimento ao recurso voluntário, no tocante ao pretendido reconhecimento da decadência, para os anos calendário retratados nos autos de infração, ressalvando que o pedido de reconhecimento da caducidade do lançamento tributário para os fatos geradores ocorridos no anocalendário de 2003 será apreciada à parte. No passo seguinte, a argüição de decadência para o anocalendário de 2003, apenas. A solução da questão acima exige a prévia decisão sobre a realização de prática dolosa por meio da qual, conforme a acusação, efetivaramse alterações contratuais, em 2002, elaboradas no âmbito de um planejamento tributário, constituído de operações artificiais organizadas com o fim específico de diminuir o recolhimento do IRPJ e da CSLL. Logo, é inarredável o enfrentamento dessa questão de mérito a ocorrência, ou não, de conduta dolosa tal a prejudicialidade entre esta e a preliminar arguida, ora em foco. Passando, então, ao exame da aludida questão de mérito, que será discutida juntamente com a questão sobre a procedência do ágio. Estes são os fatos relevantes, arrolados no Relatório de Ação Fiscal: Fl. 5430DF CARF MF Processo nº 10830.016637/200945 Acórdão n.º 1301002.278 S1C3T1 Fl. 5.405 53 1) primeiramente, havia duas empresas distintas, fundidas, por aprovação dos sócios, em 28/01/2002 (fl. 1.174): 2) Após a fusão, em 28/01/2002, o grupo Meadwestvaco passou a ter a seguinte configuração (fl. 1.174): A partir deste ponto, revelase necessário acompanhar as alterações nos contratos sociais, já que, de acordo com a Fiscalização, às fls. 1.180/1.181, “a distribuição no tempo dos vários procedimentos adotados pelo grupo estrangeiro proprietário da empresa fiscalizada revela um planejamento fiscal minucioso, efetuado com a finalidade única de dar credibilidade a práticas que individualmente poderiam não contrapor, aparentemente, o ordenamento jurídico, mas que, se analisadas em conjunto, demonstram a tentativa da fiscalizada em se inserir indevidamente em um contexto societário ao qual são conferidos os beneficios fiscais pleiteados.” A Fiscalização ainda explica, à fl. 1.181, que “o caso em foco é composto de operações estruturadas em sequência, vale dizer, de uma sequência de etapas em que cada uma corresponde a um tipo de ato ou deliberação societária ou negocial encadeado com o subsequente para obter determinado efeito fiscal mais vantajoso. Neste caso, cada etapa só tem sentido se existir a que lhe antecede e se for deflagrada a que lhe sucede.” (grifos no original). Nesse mesmo escopo, a Fiscalização assinala, à fl. 1.181, que, “na medida em que o conjunto dessas etapas da incorporação realizada corresponde apenas a uma pluralidade de meios para atingir um fim, é preciso indagar também, nas operações em Fl. 5431DF CARF MF 54 sequência, qual a situação existente antes da deflagração da seqüência de etapas e qual a situação final resultante da última das etapas. Desse modo, só assim será assegurado um exame abrangente de uma operação complexa, subdividida em múltiplas etapas que são meros segmentos de uma operação maior, de modo a verificar, na realidade, qual a operação que se está pretendendo opor ao Fisco (a complexa ou cada parte da operação).” (grifos no original) A Fiscalização ressalta que, a despeito das alterações refletidas nos contratos sociais, “não houve qualquer mudança na titularidade das quotas”, ou seja, “a situação reinante antes do inicio da operação permaneceu inalterada após o seu término.” (fl. 1.181) (grifos no original). Tais as alterações estão abaixo descritas: 1) “01/03/1997 Instrumento Particular de 10ª Alteração do Contrato Social da "MeadEmbalagens Ltda" (Selo de Autenticidade DW N° 740684 a 740697, de 29/07/1997) a Meadwestvaco do Brasil Ltda possuía a denominação de "Mead Embalagens Ltda" e 99,99% das quotas da empresa pertenciam ao sócio Mead Packing International Inc., e 0,01% das quotas da empresa pertenciam ao sócio MEAD SA INC., ambas pertencentes ao Grupo MEAD, com sede no estado de Ohio, nos Estados Unidos. Esse Contrato Social vigorou durante um prazo superior a 5 (cinco) anos.” 2) “21/05/2001 Alteração do Contrato Social da "RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA" (registro na JUCESP nº 107.871/014, de 11/06/2001) esse Contrato Social revela que o sócio majoritário da fiscalizada é a Shore Islands S.L., com participação de 99.99% de seu Capital Social.” 3) “29/04/2002 11a Alteração do Contrato Social da "Meadwestvaco do Brasil Ltda" (registro na JUCESP n° 90.554/024, de 07/05/2002) a empresa [MeadEmbalagens Ltda] altera sua denominação social para Meadwestvaco do Brasil Ltda e permanece como propriedade dos mesmos sócios quotistas anteriores, Mead Packing International Inc. (99,99%), e MEAD S.A. INC. (0,01%), ambos pertencentes ao grupo MEAD, o qual estava nessa data em processo de fusão com o Grupo WESTVACO.” 4) “31/07/2002 Instrumento Particular de 12a Alteração do Contrato Social da "Meadwestvaco do Brasil Ltda" (registro na JUCESP nº 191.250/028) a empresa continua a permanecer como propriedade dos mesmos sócios quotistas anteriores, Mead Packing International Inc. (99,99%), e MEAD S.A. INC. (0,01%).” 5) “10/09/2002 Alteração do Contrato Social da "RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA" (registro na JUCESP nº 216.707/020) esse Contrato Social revela que o sócio majoritário da fiscalizada continua sendo a Shore Islands S.L. com participação de 99,99% de seu Capital Social, a qual fazia parte do recém fundido Grupo MEADWESTVACO.” 6) “17/10/2002 Instrumento Particular de 13a Alteração do Contrato Social da 'Meadwestvaco do Brasil Ltda" (registro na JUCESP n° 53.944/028, de 12/11/2002) a empresa continua a permanecer como propriedade dos mesmos sócios quotistas anteriores, Mead Packing International Inc. (99,99%), e MEAD S.A. INC. (0,01%), os quais faziam parte do recém fundido Grupo MEADWESTVACO.” 7) “12/11/2002 Instrumento Particular de 14ª Alteração do Contrato Social da "Meadwestvaco do Brasil Ltda." (registro na JUCESP n° 237.282/021, de 27/11/2002) as quotas da empresa são transferidas totalmente para a empresa Shore Islands S.L. (o mesmo sócio da RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA), com sede em Ibanez de Fl. 5432DF CARF MF Processo nº 10830.016637/200945 Acórdão n.º 1301002.278 S1C3T1 Fl. 5.406 55 Bilbao, Bilbao, Espanha, empresa também pertencente ao grupo MEADWESTVACO, tal como seus antigos proprietários.” A configuração do grupo Meadwestvaco passou a ser a seguinte (fl. 1.175): 8) “12/11/2002 Alteração do Contrato Social da "RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA." (registro na JUCESP n° 237.207/023, de 21/11/2002) esse Contrato Social revela que o sócio majoritário da fiscalizada continua sendo a Shore Islands S.L. com participação de 99,99% de seu Capital Social. Através dessa alteração, a fiscalizada cria uma filial no endereço Rua Tabapuã, 41 2° andar salas 21 a 28, Itaim Bibi, em São Paulo SP, endereço no qual já funcionava há mais de cinco anos a sede social da empresa Meadwestvaco do Brasil Ltda” 9) “30/11/2002 Instrumento Particular de 15a Alteração do Contrato Social da "Meadwestvaco do Brasil Ltda." (registro na JUCESP n° 285.636/029,de 30/12/2002) Em um sábado, dezoito dias depois de haver se tornado proprietária majoritária das quotas da empresa, a Shore Islands S.L. transfere novamente a totalidade das quotas da Meadwestvaco do Brasil Ltda. para a empresa MWV Canada Operations Co., com sede em Nova Scotia, Canadá, empresa também pertencente ao grupo MEADWESTVACO, tal como seus antigos proprietários.” 10) “30/11/2002 Alteração do Contrato Social da "RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA" (registro na JUCESP nº 285.631/020, em 30/12/2002) a fiscalizada registra a mudança de quotistas. O quotista majoritário da fiscalizada, Shore Islands S.L., cede parte de sua participação social para duas empresas: para o mesmo sócio da Meadwestvaco do Brasil Ltda, a empresa MWV Canada Operations Co., cede 20,41% das quotas da empresa, e, para a empresa MWV Consumers & Office Products, cede outras 8,52% das quotas da empresa e permanece com participação majoritária de 71,06% do Capital Social da fiscalizada; Fl. 5433DF CARF MF 56 11) “30/11/2002 Alteração do Contrato Social da "RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA" (registro na JUCESP n° 285.632/024, em 30/12/2002) a fiscalizada registra nova mudança de quotistas. O quotista majoritário da fiscalizada, Shore Islands S.L., cede a totalidade restante de sua participação social para as mesmas duas empresas para as quais já havia cedido parte da participação através da Alteração do Contrato Social anterior. A empresa MWV Canada Operations Co. passa a deter 70,15% das quotas da empresa e a empresa MWV Consumers & Office Products passa a deter 29,84% das quotas do Capital Social da fiscalizada.” 12) “30/11/2002 Instrumento Particular de 16a Alteração do Contrato Social da "Meadwestvaco do Brasil Ltda" (registro na JUCESP nº 285.637/022, de 30/12/2002) No mesmo dia da alteração social anterior, a Meadwestvaco do Brasil Ltda aumenta seu Capital Social de R$ 7.644.505,00 para R$ 748.670.395,00, admite um novo sócio quotista e passa a ter a distribuição de quotas de 70,46% de propriedade de MWV Canada Operations Co. e 29,54% de propriedade de MWV Consumer & Office Products Co.. Nessa data, a Meadwestvaco do Brasil Ltda recebe como integralização de Capital Social as quotas majoritárias (99.99%) da fiscalizada avaliadas com ágio.” 13) “30/11/2002 Alteração do Contrato Social da "RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA" (registro na JUCESP n° 285.633/028, em 30/12/2002) a fiscalizada novamente registra a mudança de quotista majoritário. No mesmo dia em que se tornaram proprietárias majoritárias da RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA, as empresas MWV Canada Operations Co. e MWV Consumers & Office Products cedem a totalidade de sua participação no Capital Social da fiscalizada para a investidora Meadwestvaco do Brasil Ltda. Porém, permanecem indiretamente proprietárias da fiscalizada, com quotas nas mesmas proporções às que já possuíam na Alteração de Contrato Social anterior, uma vez que eram proprietárias diretas da Meadwestvaco do Brasil Ltda.” Até esse momento, a configuração do grupo Meadwestvaco é a seguinte (fl. 1.176): Fl. 5434DF CARF MF Processo nº 10830.016637/200945 Acórdão n.º 1301002.278 S1C3T1 Fl. 5.407 57 14) “01/12/2002 Resolução de Quotistas da Meadwestvaco do Brasil Ltda. (registro na JUCESP nº 285.638/026, de 30/12/2002) domingo, um dia após a aquisição das quotas da fiscalizada, os sócios da empresa aprovam sua incorporação por sua recém investida RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA e dão por extinta a empresa.” 15) “01/12/2002 Alteração do Contrato Social da "RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA" (registro na JUCESP n° 285.635/025, em 30/12/2002) Em um domingo, um dia após a última Alteração Contratual, a fiscalizada incorpora sua controladora, a Meadwestvaco do Brasil Ltda, e volta a pertencer aos mesmos proprietários identificados anteriormente, há duas Alterações Contratuais, na alteração de registro JUCESP n° 285.632/024.” À fl. 1.193, a Fiscalização salienta que, no “dia 31/10/20021, através do balancete levantado no encerramento mensal imediatamente anterior à aquisição das quotas da fiscalizada, a Meadwestvaco do Brasil Ltda., [...] não possuía nitidamente capacidade econômica para efetuar, com recursos próprios, a aquisição pretendida, e que, por outro lado, passava por uma séria dificuldade financeira, possuindo um PASSIVO A DESCOBERTO de R$ 11.515.833.56.” À vista dos fatos contidos na peça acusatória, destacamse os seguintes, por sua relevância para a decisão da questão prejudicial aqui em foco: “60Antevendo uma possível oportunidade de, criando um "planejamento fiscal" complexo, aproveitarse dos benefícios contidos no Art. 386 do RIR 1999, o grupo estrangeiro proprietário da fiscalizada resolveu criar um liame entre as participações que possuía nas empresas MEADWESTVACO DO BRASIL LTDA. e Rigesa Celulose, Papel e Embalagens Ltda. (grifei) 61A maneira de aproveitarse dos benefícios previstos no artigo 386 do RIR/99 seria utilizarse de uma "empresa veículo", que atuaria como base para a criação de uma conta de ágio. (grifei) 62Assim, o grupo MEADWESTVACO, utilizouse da empresa MEADWESTVACO DO BRASIL LTDA para ser essa "empresa veículo". Embora operante e dotada de patrimônio, essa foi a empresa eleita para adquirir a Rigesa Celulose, Papel e Embalagens Ltda por um valor em muito superior ao de sua avaliação pelo critério da Equivalência Patrimonial. (grifei) 63Não havendo óbice entre negociadores, já que a fiscalizada e a Meadwestvaco do Brasil Ltda. eram de propriedade das mesmas empresas estrangeiras, iniciouse a aquisição das quotas da fiscalizada pela Meadwestvaco do Brasil Ltda. (grifei) 64Em 30/11/2002, o grupo estrangeiro proprietário da fiscalizada resolveu "reorganizar" as participações que possuía nas empresas Meadwestvaco do Brasil Ltda e RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA manifestando essa vontade através do Instrumento Particular de 16ª Alteração do Contrato Social da "Meadwestvaco do Brasil Ltda." (registro na JUCESP n° 285.637/022, de 30/12/2002) e da Alteração do Contrato Social da "RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA." (registro na JUCESP n° 285.633/028). Esses contratos foram levados a registro na JUCESP em 30/12/2002. 1 A data correta é 30/11/2002. Fl. 5435DF CARF MF 58 65Através destas alterações contratuais a Meadwestvaco do Brasil Ltda. passou a figurar como proprietária da quase totalidade das quotas (99,99%) da fiscalizada pertencentes anteriormente às sócias estrangeiras MWV CONSUMER & OFFICE PRODUCTS CO. e MWV CANADA OPERATIONS CO.. 66Documentalmente, em 30/11/2002, com fundamento no Instrumento Particular da 16º Alteração do Contrato Social da empresa MEADWESTVACO DO BRASIL LTDA., (registro na JUCESP n° 285.637/022, de 30/12/2002), seus sócios estrangeiros implementaram as seguintes medidas: > A Meadwestvaco do Brasil Ltda., que até aquela alteração contratual era 100% de propriedade de MWV Canada Operations Co. admite um novo sócio quotista, a empresa MWV Consumer & Office Products Co.; >A Meadwestvaco do Brasil Ltda. aumenta seu Capital Social de RS 7.644.505,00 para RS 748.670.395,00; >A Meadwestvaco do Brasil Ltda. passa a ter a distribuição de quotas de 70,46% de propriedade de MWV Canada Operations Co. (527.526.155 quotas) e 29,54% de propriedade de MWV Consumer & Office Products Co. (221.144.240 quotas); >A Meadwestvaco do Brasil Ltda. recebe como integralização de Capital Social 99,99% das quotas majoritárias da fiscalizada avaliadas pelo valor de RS 741.025.890,00, com ágio de RS 431.693.589,64, anteriormente pertencentes às suas próprias quotistas MWV Canada Operations Co. e MWV Consumer & Office Products Co.. (grifei) [...] 70Resumindo, como a Meadwestvaco do Brasil Ltda e a RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA pertenciam exatamente aos mesmos proprietários e em quase idênticas participações, o negócio de aquisição das quotas da RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA. pela Meadwestvaco do Brasil Ltda. foi feito em dois passos: (grifei) 1º passo as sócias canadenses MWV CANADA OPERATIONS CO. e MWV CONSUMER & OFFICE PRODUCTS CO. efetuaram subscrição de Capital Social da Meadwestvaco do Brasil Ltda.; 2o passo as sócias canadenses MWV CANADA OPERATIONS CO. e MWV CONSUMER & OFFICE PRODUCTS CO. entregaram a totalidade das quotas que detinham na fiscalizada para integralizar o Capital Social subscrito da Meadwestvaco do Brasil Ltda. (grifei) 71Repisese, pois é um detalhe fundamental na presente análise, a subscrição do Capital Social da empresa MEADWESTVACO DO BRASIL LTDA. Previsto (sic) para ser efetuado pelas empresas MWV CONSUMER & OFFICE PRODUCTS CO. e MWV CANADA OPERATIONS CO. foi materializado (sic) pela entrega por parte destas duas das quotas do Capital Social que possuíam na empresa Rigesa Celulose, Papel e Embalagens Ltda. 72As quotas de capital da empresa Rigesa Celulose, Papel e Embalagens Ltda. não foram vendidas à empresa MEADWESTVACO DO BRASIL LTDA.. Ou seja, não houve negociação entre partes independentes que permitisse a um comprador oferecer a um vendedor um montante financeiro superior ao existente no patrimônio líquido da empresa negociada devido a uma expectativa de rentabilidade futura do negócio. (grifei) Fl. 5436DF CARF MF Processo nº 10830.016637/200945 Acórdão n.º 1301002.278 S1C3T1 Fl. 5.408 59 73Em valores, temse que, quando as sócias canadenses MWV CANADA OPERATIONS CO. e MWV CONSUMER & OFFICE PRODUCTS CO. integralizaram o Capital Social da Meadwestvaco do Brasil Ltda. com as quotas que possuíam na RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA., atribuiram a estas quotas, avaliadas pela equivalência patrimonial em 30/11/2002 por R$ 309.332.300,36, o valor mais elevado de R$ 741.025.890.00, ou seja, exigindo de si mesmas um ágio de R$ 431.693.589.64. Estas quotas foram transferidas indiretamente para elas mesmas, mediante utilização da "empresa veículo" MEADWESTVACO DO BRASIL LTDA. (grifei) 74Nada mais foi acrescentado em valores monetários para se efetivar o aumento do Capital Social na empresa MEADWESTVACO DO BRASIL LTDA.. (grifei) 75Não houve trânsito algum de dinheiro ou quaisquer outros valores monetários ou previsão de ganhos com investimentos presentes ou futuros nessa subscrição. Em resumo, não se criou nada novo em termos econômicos relativamente à situação societária que já existia previamente. (grifei) 76Não houve terceiros externos ao grupo MEADWESTVACO interessados no negócio de aquisição da participação na empresa Rigesa Celulose, Papel e Embalagens Ltda., a qual simplesmente foi transferida entre empresas pertencentes ao mesmo grupo econômico acabando por ficar sob o controle indireto das mesmas empresas que anteriormente detinham seu controle direto. (grifei) 77Criouse com essa maquinação societária uma conta ativa de ágio na empresa Meadwestvaco do Brasil Ltda.. Ágio este relativo à simples majoração de preço das quotas anteriormente detidas diretamente pela MWV CANADA OPERATIONS CO. e pela MWVCONSUMER & OFFICE PRODUCTS CO., que continuaram a ser de sua propriedade, porém, a partir desse momento, através de sua controlada. (grifei) 78Evidenciase com isso o fato de que os proprietários da RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA. utilizaramse da empresa Meadwestvaco do Brasil Ltda. como "empresa veículo" para criar uma conta de ágio em participações, que já sabiam de antemão que seria transferida posteriormente para o ativo da fiscalizada mediante incorporação, com a finalidade de amortizar esse ágio nos moldes previstos pelo art. 386, do RIR99. (grifei) [...] 80Após serem considerados os fatos que serão expostos no próximo tópico, ficará evidenciado que no momento em que foi celebrada a 16ª Alteração do Contrato Social da empresa MEADWESTVACO DO BRASIL LTDA, (registro na JUCESP n° 285.637/022, de 30/12/2002), embora nessa alteração estivesse expressamente previsto em seu art. 4 (quatro) que a sociedade teria o prazo indeterminado de duração, já havia, naquele momento, a intenção dos proprietários da empresa de extinguila mediante sua incorporação pela empresa RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA. (grifei) [...] 86 Em 01/12/2002, concretizando a situação que, em tese, geraria para a fiscalizada o beneficio da dedução de despesas, conforme previsto no Art. 386 do RIR 1999, o grupo estrangeiro proprietário da fiscalizada resolveu novamente Fl. 5437DF CARF MF 60 reorganizar as participações societárias que possuía nas empresas Meadwestvaco do Brasil Ltda. e RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA através das seguintes deliberações, [...]:(grifei) > Em 01/12/2002, a RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA absorveu por incorporação a empresa Meadwestvaco do Brasil Ltda, sua INVESTIDORA, efetuando lançamentos contábeis de incorporação, e tomandose a empresa resultante conforme disposto no quadro a seguir [...](grifei) > Após a incorporação da investidora Meadwestvaco do Brasil Ltda, a fiscalizada cancelou as quotas que esta possuía da própria RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA contra a conta de investimentos, no valor de R$ 309.332.300.36, absorveu também o prejuízo contábil da incorporada, no valor de (R$ 301.483.581.65) e criou uma reserva de Capital com o restante, representativa do valor liquido (R$ 138.813.709,68) vertido na incorporação da Meadwestvaco do Brasil Lida., passando a ser representada conforme o seguinte balancete levantado em 31/12/2002: (grifei) [...] Como produto da incorporação, a RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA chegou ao resultado almejado desde o momento em que a Meadwestvaco do Brasil Ltda assumiu o seu controle acionário: acrescentou ao balanço da empresa um novo valor surgido da transação, que ficou localizado em conta de ATIVO DIFERIDO, valor este relativo ao ágio criado ficticiamente no valor de RS 431.693.589. (grifei) [...] Por fim, a RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA passou a abater de seus resultados operacionais a partir do mês de janeiro de 2003 o ágio mensalmente amortizado pelo prazo projetado de 10 (dez) anos à razão prevista em "Relatório de Avaliação EconômicoFinanceiro" elaborado em novembro de 2002 pela consultoria Z3M Venture Partners Ltda.. (grifei) [...] V.lDO RELATÓRIO DE AVALIAÇÃO ECONÔMICOFINANCEIRA 96Em 04/11/2002, a pedido da RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA foi elaborado pela empresa Z3M Venture Partners Ltda. o relatório de avaliação econômicofinanceira do Grupo RIGESA. (grifei) 97Foi estimado através do referido relatório o cálculo do valor econômico da RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA, baseado em sua rentabilidade futura esperada, com fundamento nas premissas de mercado e operacionais que envolvem este cálculo. (grifei) [...] 99Tal relatório de avaliação econômicofinanceira serviu para referendar a cessão e transferência das quotas da RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA, de suas sócias majoritárias MWV CANADA OPERATIONS CO. e MWV CONSUMER & OFFICE PRODUCTS CO. para elas mesmas, indiretamente através da "empresa veículo" MEADWESTVACO DO BRASIL LTDA, e demonstra através de cálculos baseados nos dados econômicos e contábeis da fiscalizada uma expectativa de rentabilidade que a empresa poderia ter projetada em dez anos no futuro, até 31/12/2012. (grifei) [...] Fl. 5438DF CARF MF Processo nº 10830.016637/200945 Acórdão n.º 1301002.278 S1C3T1 Fl. 5.409 61 101Através do relatório de avaliação econômicofinanceira a empresa de Z3M Venture Partners Ltda. traçou modelos de expectativa de rentabilidade levando em conta os seguintes fatores: (grifei) o No caso de custo do capital próprio utilizouse uma taxa de retorno para o caso americano, na medida em que a aplicação deste modelo no Brasil é bastante difícil, já que não existem parâmetros locais estáveis para a maioria das variáveis que especificam o modelo; (grifei) o A taxa de juros foi estimada com risco zero, utilizandose como parâmetro a remuneração dos títulos do Tesouro NorteAmericano de 30 (trinta) anos; (grifei) o O prêmio de risco foi apurado com base no excesso de retorno do mercado de capitais norteamericano; (grifei) o Foi tomado um índice beta que mediu o risco de mercado em relação ao mercado americano; (grifei) o Foi levada em conta a existência do Risco Brasil fixo de 6,4%. (grifei) 102Como pode ser demonstrado pelas passagens retiradas do referido relatório, tratase de um cálculo de expectativas, por vezes comparadas a situações bem divergentes das existentes no mercado nacional. (grifei) 103No entanto, em transações reais e existentes a simples existência de um relatório de avaliação econômicofinanceira não é peça hábil e suficiente para definirse o valor real de uma empresa no tempo. Essa avaliação, se válida, será corroborada pelo mercado, é apenas um dos diversos fatores a serem considerados para se chegar a um valor final de uma transação, determinável basicamente por meio de negociação de livre iniciativa, em um mercado livre e aberto, onde nenhuma das partes tenha motivos especiais para comprar ou para vender e ambas tenham bom conhecimentos dos fatos relevantes. (grifei) 104 A utilização desse laudo por parte da fiscalizada em ajuste com a "empresa veículo" demonstra, em tese, o dolo na pratica do ilícito por parte de seus representantes legais que adotaram essa fictícia "engenharia tributária" para praticar uma série de alterações societária nas quais: (grifei) >Não houve livre iniciativa na negociação; (grifei) >A transferência de quotas por parte dos proprietários da empresa fiscalizada para a "empresa veículo" não ocorreu em um mercado livre e aberto; (grifei) >As partes envolvidas no negócio de venda fictícia das quotas da fiscalizada tinham um único motivo especial para ocultar as negociações do mercado, a ilícita e pretendida SONEGAÇÃO FISCAL do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. V.IIDO PROTOCOLO DE INCORPORAÇÃO 105 A incorporação da "empresa veículo" ocorreu no domingo, dia 01/12/2002, data em que a fiscalizada formalizou sua Alteração do Contrato Social da 'RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA.", datada de 01/12/2002, registrada em 30/12/2002, na JUCESP Junta Comercial do Estado de São Paulo, sob o n° 285.635/025. (grifei) Fl. 5439DF CARF MF 62 106 Referida incorporação foi precedida da formalização em 01 de dezembro de 2002 do PROTOCOLO E JUSTIFICAÇÃO DE MOTIVOS DE INCORPORAÇÃO celebrado entre a RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA. e a MEADWESTVACO DO BRASIL LTDA. (grifei) 107 Precedeu ainda a incorporação o LAUDO DE AVALIAÇÃO do acervo líquido da empresa MEADWESTVACO DO BRASIL LTDA para fins de incorporação pela empresa RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA, elaborado pela empresa Ernst & Young e datado de 30 de novembro de 2002. 108Tal LAUDO DE AVALIAÇÃO contém o Balanço da MEADWESTVACO DO BRASIL LTDA. levantado em 30 de novembro de 2002, em adendo a uma descrição sumária de todos os seus bens, direitos e obrigações e avalia o acervo líquido da empresa em R$ 448.146.010.04. (grifei) 109Como pode ser visualizado pelo exame do referido Laudo, excluindose os efeitos do ágio criado artificialmente na contabilidade da empresa, o acervo líquido desta reduzse drasticamente a R$ 7.962.110,80 de PATRIMÔNIO LÍQUIDO NEGATIVO (PASSIVO A DESCOBERTO). (grifei) 110A referida incorporação é justificada no item I do citado PROTOCOLO E JUSTIFICAÇÃO DE MOTIVOS DE INCORPORAÇÃO, nos seguintes termos: (grifei) " presente operação de incorporação faz parte de um projeto de reestruturação societária com o fim de proporcionar uma maior eficiência estratégica e melhor desempenho das atividades econômicas da INCORPORADA e da INCORPORADORA, uma vez que a INCORPORADA é quotista majoritária do capital social da INCORPORADORA, e, por conseguinte, acarretará um aumento da lucratividade, já que reduzirá custos de natureza operacional, administrativa e financeira". (grifei) "Por tais razões, a INCORPORADORA e a INCORPORADA têm o interesse em unificar as suas atividades e entendem que esta proposta atende amplamente aos seus interesses".(grifei) 111 Analisando o referido documento, podemos tecer as seguintes considerações sobre o Protocolo e Justificação de Motivos de Incorporação firmado entre os administradores da RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA. e os administradores da Meadwestvaco do Brasil Ltda., em 01/12/2002: (grifei) Foi elaborado de maneira tão genérica que não estabelece quais seriam os reais ganhos advindos para a fiscalizada devido a essa operação de incorporação; (grifei) Não estabelece como as atividades das duas empresas seriam melhor racionalizadas devido à incorporação; (grifei) Não estabelece quais seriam as economias monetárias; (grifei) Não estabelece reduções de custos com empregados ou logísticas; (grifei) Não estabelece redução de custos de gerenciamento e comando das empresas; (grifei) Não estabelece reduções de custos com a manutenção de instalações físicas, prevendo expressamente em seu item 2.4.1 que as instalações da INCORPORADA serão mantidas no mesmo endereço anterior de funcionamento, local em que a fiscalizada previamente já havia criado uma filial em 12/11/2002, Fl. 5440DF CARF MF Processo nº 10830.016637/200945 Acórdão n.º 1301002.278 S1C3T1 Fl. 5.410 63 através da Alteração do Contrato Social da "RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA." (registro na JUCESP n° 237.207/023, de 21/11/2002); (grifei) Não estabelece de que maneira os objetivos sociais das duas sociedades seriam melhor alcançados devido à incorporação; (grifei) Oculta em seu cerne, sem ao menos fazer a menor menção, o vultoso ganho em economia do recolhimento IRPJ e da CSLL que seria obtido na operação, através da amortização de valor fictício em muito superior à integralidade dos ativos da empresa; (grifei) Serviu apenas para dar a aparência de um ato legal a uma simulação, engendrada em seus mínimos detalhes com a finalidade de obter indevidamente o favor fiscal previsto no art. 7o. da Lei 9.532. de 1997 (art 386 RIR/1999). (grifei) Em outro norte, a Recorrente traz à colação um rol de argumentos em oposição à tese da acusação. São eles: “44. Com efeito, em um primeiro momento, a D. Autoridade Julgadora aceita que as operações ora examinadas tenham efetivamente se realizado em um contexto de integração mundial dos grupos Mead e Westvaco, ressalvando apenas o seu entendimento de que as operações ocorridas no exterior seriam irrelevantes para fins fiscais no Brasil. Ao final de sua análise, porém, a D. Autoridade Julgadora retoma o equivocado raciocínio original da D. Fiscalização e dá a entender que, em sua visão, a Recorrente teria ainda criado uma artificial engenharia societária com o único propósito de gerar benefícios fiscais indevidos. 45. A questão é que essa linha de raciocínio adotada pela D. Autoridade Julgadora na análise deste caso não faz sentido. Se as etapas estrangeiras são comentadas pela D. Autoridade Julgadora como reais, ainda que irrelevantes para fins fiscais no Brasil, o que se pode, no máximo, é discordar de suas consequências fiscais no País, mas não taxálas de simuladas ou artificialmente engendradas pela Recorrente. 46. Caso contrário, chegarseia ao absurdo de se afirmar que as operações do exterior, efetuadas para permitir a integração dos grupos Mead e Westvaco nos diversos países onde esses grupos operavam foram reais, mas os dois únicos atos societários praticados pela Recorrente no Brasil de (i) a contribuição das quotas da Recorrente em aumento de capital da Mead do Brasil e (ii) a incorporação da Mead do Brasil pela Recorrente teriam constituído uma "artificial engenharia societária", o que também não se pode admitir. 47. Na realidade, a questão central destes autos resumese a uma só: (i) dado que os grupos Mead e Westvaco estavam em vias de se integrar no mundo inteiro no anocalendário de 2002; (ii) dado que, neste contexto, tornouse necessária também a unificação da Mead do Brasil e a Recorrente em uma só pessoa jurídica; (iii) dado que os grupos Mead e Westvaco queriam efetuar essa integração de forma combinada com uma transferência de todas as suas sociedades latinoamericanas inclusive a Brasileira resultante da unificação da Mead do Brasil com a Recorrente para duas sociedades Canadenses; (iv) teriam esses grupos a obrigação legal de efetuar a unificação da Mead do Brasil com a Recorrente a custo ou estariam eles autorizados, pelas razões empresariais e econômicas que os motivavam, a efetuar essa integração a valores de mercado? Como será aqui demonstrado, a doutrina fiscal mais autorizada brasileira é no sentido de que essa integração poderia, no contexto considerado, ser feita a valores Fl. 5441DF CARF MF 64 de mercado. Ademais, devese ressaltar, qualquer que seja a resposta a essa questão, ela terá unicamente impactos no campo da mera interpretação tributária, e jamais da simulação ou fraude.” (grifei) [...] “55. Assim, conforme a Recorrente irá demonstrar abaixo, as operações examinadas nestes autos, implementadas dentro e fora do País, foram todas motivadas por razões empresariais legítimas, que eram anteriores e independentes de qualquer efeito tributário, mas sim relacionadas ao objetivo maior de integração dos grupos Mead e Westvaco no Brasil e no mundo. 56. Portanto, essas operações foram efetivamente planejadas e estruturadas de forma seqüencial, porém não com um fim ilícito como alegou a D. Fiscalização, mas sim motivadas por essas razões empresariais e extratributárias (sic) de promover a unificação das operações dos grupos Mead e Westavco no País”. (grifei) "60. Até o ano de 2001, os grupos Mead e Westvaco eram dois grupos totalmente distintos e independentes. O grupo Mead tinha uma atuação mais destacada na área de materiais de escritório, ao passo que o grupo Westvaco era líder global na produção de embalagens de papelão e produtos especiais de papel e celulose." (grifei) [...] "64. No segundo semestre daquele mesmo ano de 2001, os grupos Mead e Westvaco iniciaram as negociações que terminariam por levar à integração global de suas operações e atividades no ano seguinte. A Recorrente colacionou a estes autos versão notarizada e consularizada do Prospecto denominado "Formulário 424B3" (doc. n° 6 da Impugnação, complementado pela petição protocolada em 7.6.2010, por meio do qual foi colacionada a versão do mesmo documento vertida para o Português por tradutor juramentado). Nesse formulário, submetido pelos grupos Mead e Westvaco à Comissão de Valores Mobiliários norteamericana (Securities and Exchange Commission "SEC"), esses grupos empresariais detalharam as razões pelas quais entendiam que a sua integração resultaria em ganhos conjuntos maiores que aqueles que seriam obtidos por cada um daqueles grupos separadamente. (grifei) 65. Como se pode notar no Formulário 424B3 acima referido, esses grupos esperavam criar, com a sua fusão mundial, um grupo consolidado que seria, a um só tempo, mais forte e mais competitivo globalmente que qualquer um dos grupos Mead e Westvaco provavelmente o seriam sozinhos [...]" (grifei) "68. Naquele mesmo semestre de 2001, os grupos Mead e Westvaco submeteram sua proposta de fusão mundial à aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica ("CADE") no Brasil. Na ocasião, o CADE analisou os mercados relevantes de cada um dos grupos no exterior e no Brasil e, em 5.6.2002, concluiu pela aprovação sem restrições da junção de suas respectivas subsidiárias brasileiras, conforme consignado no Ato de Concentração n° 08012.005814/200101 (doc. nº 7 da Impugnação). (grifei) 69. A integração mundial dos dois grupos foi oficialmente aprovada em 28.1.2002 pelos acionistas da Mead Corporation e da Westvaco Corporation. De acordo com a relação de troca de ações estabelecida no processo, os acionistas da Mead Corporation receberiam uma ação da nova companhia MeadWestvaco Corporation mais uma torna de US$ 1.20 para cada ação da Mead Corporation. Já os acionistas da Westvaco receberiam 0.97 ação da nova companhia MeadWestvaco Fl. 5442DF CARF MF Processo nº 10830.016637/200945 Acórdão n.º 1301002.278 S1C3T1 Fl. 5.411 65 Corporation para cada ação da Westvaco Corporation. Todas essas informações podem ser comprovadas no Prospecto 424B3 (doe. n° 6 da Impugnação). 70. [...] Esse ponto é importante, pois ele ajuda a demonstrar mais uma razão pela qual são infundadas as suspeitas levantadas pela D. Fiscalização quanto à capacidade econômica da Mead do Brasil para adquirir a Recorrente a valor de mercado, que acabaram equivocadamente validadas na r. decisão recorrida. (grifei) 71. Na realidade, se este caso for examinado no seu real contexto de integração dos grupos Mead e Westavco em todo o mundo, devese analisar a capacidade econômica de todo o grupo econômico Mead, e não apenas de sua sociedade local Mead do Brasil. E nesse contexto mais amplo, resta claro que o grupo Mead tinha efetivamente capacidade econômica suficiente até mesmo para, se assim o desejasse, capitalizar a Mead do Brasil a ponto de não somente reverter a sua momentânea condição financeira de passivo a descoberto, mas também de permitir que ela adquirisse a Recorrente a valor de mercado. (grifei) 72. Porém, outros fatores necessitavam ainda ser considerados nesse processo de integração global das sociedades e operações dos grupos Mead e Westvaco. A Recorrente, até o anocalendário de 2001, era pertencente ao grupo Westvaco e tinha como acionista majoritária a empresa espanhola Shore Islands S.L. ("Shore Islands") [..."](grifei) "74. No processo de integração mundial dos grupos Mead e Westvaco, optouse também por transferir, da Espanha para o Canadá, a estrutura de capital que o novo grupo teria nas suas sociedades localizadas no Brasil, Argentina, Chile e Venezuela. O objetivo empresarial e financeiro, nesse caso, era o de permitir o financiamento das operações e fábricas Canadenses com o fluxo de dividendos proveniente das sociedades latinoamericanas dos grupos Mead e Westvaco, bem como concentrar, em uma estrutura societária situada no Canadá, as participações detidas nessas empresas latinoamericanas, o que aumentaria a flexibilidade no aproveitamento dos excessos de caixa gerados por essas sociedades em outras operações desses grupos no mundo. (grifei) 75. Em consequência, assim como no Brasil, as empresas canadenses do recém criado grupo MeadWestvaco compraram da Espanha, a valor de mercado (arm's length), praticamente todas as subsidiárias que o grupo Mead tinha sozinho na América Latina, especificamente: Mead Packaging Chile LTDA, MeadWestvaco do Venezuela, and Mead Packing Systems Argentina SA. (grifei) 76.[...] o plano a ser estruturado pelos grupos Mead e Westvaco deveria também permitir a transferência do controle direto das operações brasileiras, argentinas, chilenas e venezuelanas para empresas do novo grupo MeadWestvaco baseadas no Canadá. Com isso, o novo grupo esperava ter a possibilidade de mover livremente o caixa dessas regiões para outras, possibilitando o financiamento de, entre outros, oportunidades de expansão e repagamento de dívidas de forma mais eficiente. (grifei) 77. Essa transferência, por imposição da própria legislação Canadense, do próprio negócio e em obediência ao princípio do "arm's length", deveria, necessariamente, ser efetuada a valores de mercado, exatamente como o seria entre partes nãorelacionadas. (grifei) 78. Assim, as empresas canadenses do recémcriado grupo MeadWestvaco conduziram uma avaliação do valor justo de mercado da Recorrente e, em seguida, Fl. 5443DF CARF MF 66 compraram essa sociedade da Shore Islands pelo seu valor de mercado, pagando cerca de 70% em caixa e o restante com ações de sua própria emissão." (grifei) "80. [...] Por uma imposição lógica e legal, essa integração teve de ser aprovada primeiramente pelos acionistas de cada uma das empresas Mead Corporation e Westvaco Corporation, o que ocorreu em 28.1.2002, nos Estados Unidos, país onde essas empresas estavam sediadas. [...](grifei) 81. [...] todo esse processo de integração, inclusive no Brasil, deve ser visto como um processo que, em sua substância, envolvia partes ainda não relacionadas, ainda que, para fins formais, essa integração tivesse já sido iniciada nos Estados Unidos. (grifei) 82. Abaixo segue uma listagem das 9 fases que foram adotadas para a integração das operações e negócios dos grupos Mead e Westvaco nas principais localidades do mundo. Alem disso, as subsidiárias norteamericanas desses grupos foram também integradas por meio de incorporações e liquidações. (grifei) • Fase 1: Integração Inicial e Criação da sociedade "Super Holding" • Fase 2: Integração PanEuropéia • Fase 3: Reestruturação Irlandesa • Fase 4: Reestruturação Alemã • Fase 5: ReestruturaçãoFrancesa • Fase 6: Consolidação Holandesa • Fase 7: Reestruturação Canadense • Fase 8: Integração Brasileira • Fase 9: Reestruturação Japonesa" [...] "86. ]...] as operações societárias que efetivamente permitiram a transferência, da Espanha para o Canadá, do controle direto da Mead do Brasil e da Recorrente, bem como a subsequente unificação dessas sociedades, somente ocorreram no mês de novembro daquele mesmo anocalendário. Esses meses de atraso na implementação da operação se deveram a fatores diversos, notadamente ligados à simultânea implementação de operações de integração em todos os continentes do mundo, conforme acima explicado. De qualquer maneira, é importante notar que todas essas operações foram ainda realizadas no ano calendário de 2002 e claramente faziam parte do mesmo contexto de integração mundial dos grupos Mead e Westvaco." (grifei) [...] "(c.2) Início da Integração: EUA 89. Após essa data de 28.1.2002, quando os acionistas da Mead Corporation e da Westvaco Corporation trocaram suas respectivas ações por ações da recém criada MeadWestvaco Corporation, segundo as relações de troca acima comentadas, essa estrutura societária ficou como segue:" Fl. 5444DF CARF MF Processo nº 10830.016637/200945 Acórdão n.º 1301002.278 S1C3T1 Fl. 5.412 67 "(c.3.3) Prosseguimento dos passos preparatórios: Brasil 100. Em 12.11.2002, com o intuito de preparar o início da execução das operações societárias que iriam culminar na unificação da Mead do Brasil com a Recorrente, esta constituiu uma filial em parte do endereço onde se situava a Mead do Brasil. O objetivo, com isso, era iniciar o processo de obtenção de licenças e autorizações municipais em nome da Recorrente e tentar garantir que a transição do faturamento da Mead do Brasil fosse feita do modo mais suave possível (grifei) (c.4) Passos preparatórios exterior: Espanha e Holanda 101. Naquela mesma data, a recémcriada companhia MeadWestvaco Corporation transferiu, por contribuição em aumento de capital, a valor de mercado, a participação detida na Mead do Brasil para a Shore Island [...] 102. Em 30.11.2002, a Shore Islands transferiu, por contribuição em aumento de capital, a valor de mercado, as participações detidas nas sociedades Canadenses MWV Consumer & Office Products Co. ("MVVV Consumer"), atual denominação social da sociedade Hilroy Limited ("Hilroy Limited"), e MWV Canada Operations Co. ("MWV Canada") para uma outra empresa holandesa do grupo, a Mead Holdings B.V. ("Mead Holdings")." "(c.5) Aquisição das empresas brasileiras pelas empresas canadenses 104. Na mesma data, as sociedades Canadenses MWV Consumer e MWV Canada compraram da Shore Islands as participações que esta sociedade espanhola detinha na Mead to Brasil e na Recorrente. 105. Novamente é importante frisar que essas operações foram feitas em condições de mercado (arm's length). Em primeiro lugar, isso foi feito para que se refletisse a natureza do negócio acordado de integração de sociedades de grupos que até então eram independentes e estavam em vias de se integrar em todo o mundo. Em segundo lugar, as empresas canadenses eram obrigadas pela legislação daquele pais a efetuar essas aquisições a valores de mercado. Não havia, portanto, outra opção para a efetivação dessas aquisições. (c.5.1) O Laudo de Avaliação das quotas da Recorrente 106. [...] O valor de mercado da participação societária detida na Recorrente, que acabou sendo utilizado na alienação dessa sociedade para as empresas canadenses, foi confirmado em um estudo de avaliação econômico financeira da Recorrente, elaborado por uma empresa brasileira, especializada e independente, com o fim de eliminar quaisquer dúvidas sobre a correção do valor de mercado utilizado nas operações acima comentadas. (grifei) Fl. 5445DF CARF MF 68 107. A Z3M Venture Partners Ltda ("Z3M"), empresa independente e sem nenhuma relação ou vinculo com a Recorrente, preparou, em novembro do ano calendário 2002, uma avaliação completa do valor de mercado da Recorrente, com base em uma estimativa de sua rentabilidade futura, utilizandose o método do fluxo de caixa descontado (doc. nº 9 da Impugnação). (grifei) 108 [...] O Laudo de Avaliação feito pela Recorrente baseouse em critérios objetivos, que foram explicitados no próprio estudo, e o valor ali atingido seria o mesmo independentemente de quem estivesse solicitando a elaboração do estudo. (grifei) 109. Não faz sentido, portanto, a D. Autoridade Julgadora de Primeira Instância pretender questionar a legitimidade do laudo de rentabilidade futura para suportar o valor do ágio em discussão sob a alegação de que não teria havido uma "validação externa à corporação". Ora, o próprio laudo é a validação externa à corporação. (grifei) 110. [...], a legislação fiscal sobre a matéria nem mesmo exigiu uma forma para esse laudo de avaliação, ou quem devem ser as partes contratantes e executoras do trabalho. Ao contrário, a legislação exige apenas que o ágio baseado em rentabilidade futura seja suportado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração. (grifei) 111. O fato de a Recorrente ter solicitado a uma empresa independente e especializada em avaliações econômicofinanceiras para elaborar um estudo autônomo sobre a sua própria rentabilidade futura apenas reforça o argumento da Recorrente de que o seu interesse era que as operações fossem feitas a um valor justo de mercado (arm's length), ou seja, nas exatas bases em que seriam se praticados com qualquer pessoa jurídica. (grifei) 112. Ademais, em operações de fusões e aquisições de empresas, é comum que laudos de avaliação econômicofinanceiras sejam contratados pela própria empresa que será vendida. Este, aliás, é o propósito principal do trabalho desenvolvido por empresas especializadas e independentes no mercado, ou seja, a elaboração de estudos que identifiquem um valor justo de avaliação de uma empresa, com base em critérios predefinidos (sic), de modo que possam ser utilizados como parâmetro confiável em qualquer situação." [...] "116. [...] conforme restou demonstrado pela Recorrente em sua peça Impugnatória, o valor final obtido foi devidamente comparado a múltiplos de EBITDA (Earnings Before Interest, Taxes, Depreciation and Amortization), ou seja, Lucros Antes de Despesas com Juros, Tributos, Depreciação e Amortização, e refutou também as infundadas alegações da D. Fiscalização a respeito da taxa de retorno, taxa de juros e prêmio de risco aplicáveis ao mercado norteamericano utilizadas pelo estudo, as quais representavam variáveis do modelo que não encontravam parâmetros estáveis no mercado local, de forma que a utilização desses parâmetros tomados a partir do modelo norteamericano poderia ser feita de forma razoável. (grifei) 117. Bem assim, a Recorrente demonstrou que as empresas mais conceituadas de avaliação econômica e financeira atuantes no mercado brasileiro se utilizam, por vezes de abstrações e simplificações em seus cálculos e, desde que consignadas e explicitadas de modo claro e transparente, tal como o foram no estudo em questão, essas abstrações não têm o condão de invalidar o número obtido pelo estudo. Notadamente no anocalendário de 2002, o Brasil apresentava ainda uma série de dados macroeconômicos ainda menos estiveis que hoje. Portanto, as abstrações utilizadas no laudo de avaliação em questão eram comuns à época e Fl. 5446DF CARF MF Processo nº 10830.016637/200945 Acórdão n.º 1301002.278 S1C3T1 Fl. 5.413 69 representavam meramente abstrações matemáticas que deviam ser feitas para que o modelo denominado CAPM — Capital Asset Pricing Model pudesse ser utilizado, mas isso não compromete em nada a idoneidade do referido estudo." "(c.5.2) O Pagamento das quotas de Recorrente no exterior 119. Especificamente, nessa etapa da operação, com base no valor de mercado da Recorrente apurado no laudo de avaliação preparado por empresa independente e especializada, a MWV Consumer comprou a participação de aproximadamente 21.3% no capital social da Recorrente, pagando em dinheiro, com a efetiva transferência de caixa, o valor de C$ 69.938.000,00 (sessenta e nove milhões, novecentos e trinta e oito mil dólares canadenses). Adicionalmente, a MWV Consumer adquiriu aproximadamente 8,5% no capital social da Recorrente, pagando com a entrega de 653 ações de sua emissão, que na ocasião tinham o valor de C$27.969.000,00 (vinte e sete milhões, novecentos e sessenta e nove mil dólares canadenses). No total, portanto, em 30.11.2002, a MWV Consumer comprou da Shore Islands uma participação aproximada de 29,8% no capital social da Recorrente por um valor de C$97.907.000,00 (noventa e sete milhões, novecentos e sete mil dólares canadenses).(grifei) 120. Por sua vez, a MWV Canada adquiriu a participação de aproximadamente 49,8% no capital social da Recorrente, pagando em dinheiro, com a efetiva transferência de caixa, o valor de C$163.189.000,00 (cento e sessenta e três milhões, cento e oitenta e nove mil dólares canadenses). Adicionalmente, a MWV Canada adquiriu aproximadamente 20,4% no capital social da Recorrente, pagando com a entrega de 355 ações de sua emissão, que na ocasião tinham o valor de C$66.954.000,00 (sessenta e seis milhões, novecentos e cinqüenta e quatro mil dólares canadenses). No total, portanto, em 30.11.2002, a MWV Consumer comprou da Shore Islands uma participação aproximada de 70,2% no capital social da Recorrente por um valor de C$230.143.000 (duzentos e trinta milhões, cento e quarenta e tees mil dólares canadenses). (grifei) 121. Por fim, nessa mesma data, a MWV Canada comprou também da Shore Islands a participação que esta detinha no capital social da Mead do Brasil, ao valor de mercado de C$1,00 (um dólar canadense), que era o valor de mercado daquela sociedade em razão de ela apresentar, naquele momento, uma situação de patrimônio liquido negativo. (grifei) 122. A Recorrente colaciona a este Recurso Voluntário traduções juramentadas para o Português (doc. nº 10) dos comprovantes de transferência de todos os valores acima citados, os quais já haviam sido anexados à sua peça Impugnatória em versões original e em tradução livre para o Português (doc. no 14 da Impugnação). (grifei) 123. Aqui fica comprovado que é infundada a afirmação feita pela D. Fiscalização de que não teria havido nenhuma circulação de recursos financeiros na operação. A parte majoritária das aquisições acima (C$69.938.000,00 + C$163.189.000,00 = C$233.127.000,00, ou seja, o valor total de duzentos e trinta e três milhões e cento e vinte e sete mil dólares canadenses) foi feita com o pagamento em dinheiro, com a efetiva transferência de caixa entre as sociedades envolvidas, do Canadá para a Espanha." (grifei) [...] "126. [...]e como já foi explicado pela Recorrente à exaustão em sua peça Impugnatória, essa aquisição da Recorrente pela Mead do Brasil se deu por meio Fl. 5447DF CARF MF 70 de uma contribuição em aumento de capital da Mead do Brasil, feita pelas duas sociedades Canadenses. Tratavase, portanto, conforme comentado em maiores detalhes nas razões de direito abaixo, de uma forma de aquisição cujo pagamento se deu por meio de quotas de emissão da Mead do Brasil." (grifei) [...] "(c.6) Transferência da Recorrente para a Mead do Brasil 129. Dando continuidade ao processo de integração dos grupos Mead e Westvaco no Brasil, as sociedades Canadenses MWV Consumer e MWV Canada contribuíram, em aumento de capital da Mead do Brasil, as quotas da Recorrente que tinham acabado de comprar da Shore Islands, pelos exatos valores que tinham praticado nas suas respectivas aquisições, ou seja, valores de mercado (arm's length). (grifei) 130. Novamente, é importante que seja ressaltado que a contribuição foi feita pela MWV Consumer e pela MWV Canada pelos mesmos valores que essas sociedades já haviam adquirido a Recorrente no exterior. (grifei) 131. Este valor, portanto, era também a única opção dessas sociedades Canadenses para a efetuação dessa contribuição, pois não faria nenhum sentido econômico se elas contribuíssem as quotas da Recorrente por valores inferiores aos que tinham pago no exterior. 132. Assim, o valor praticado na contribuição em aumento de capital foi também um valor determinado com base em condições arm's length, no contexto de uma operação legitima, e não pode ser simplesmente acoimado de simulado pela pela D. Autoridade Julgadora com base em uma visão manifestamente equivocada deste caso. 133. Sob a perspectiva da Mead do Brasil, o resultado foi que essa sociedade "adquiriu" quotas da Recorrente a valores de mercado, pagando essa aquisição por meio da entrega de quotas de capital social de sua emissão." [...] "135. De fato, o que ocorreu nessa contribuição em aumento de capital foi a transferência de titularidade das quotas da Recorrente, e esta transferência foi feita a valor de mercado, uma vez que este foi o valor atribuído pelas sociedades MWV Consumer e MWV Canada na entrega do ativo (quotas da Recorrente) em troca de quotas da Mead do Brasil." (grifei) [...] "(c.7) Incorporação da Mead do Brasil pela Recorrente 138. Por fim, em 01/12/2002, a Recorrente procedeu à incorporação da Mead do Brasil, concluindo, assim, a pretendida unificação dessas sociedades em uma única pessoa jurídica e a última etapa de todo o processo de integração dos grupos Mead e Westvaco no Brasil." (grifei) [...] "(c.7.1) Nãoocorrência de Incorporação às Avessas 141. A esse respeito, a D. Fiscalização tentou atribuir a essa incorporação a descabida alcunha de "Incorporação às Avessas", somente pelo fato de a Recorrente, que era a sociedade controlada, ter procedido à incorporação da Mead do Brasil, que era a sociedade controladora. No entanto, é sabido que as chamadas Fl. 5448DF CARF MF Processo nº 10830.016637/200945 Acórdão n.º 1301002.278 S1C3T1 Fl. 5.414 71 "incorporações às avessas" são aquelas em que uma sociedade deficitária e sem atividade incorpora uma sociedade lucrativa com vistas a preservar seus prejuízos fiscais. Nada disso ocorreu no presente caso. (grifei) 142. Ao contrário, a Recorrente era a sociedade lucrativa e incorporou a Mead do Brasil, que era a sociedade deficitária e tinha prejuízos fiscais acumulados em valor superior a R$ 1 milhão, conforme se pode atestar a partir da documentação contábil apresentada pela Recorrente em sua Impugnação (doc. n° 16 da Impugnação). Esses prejuízos fiscais da Mead do Brasil foram integralmente perdidos, nos termos do artigo 514 do RIR/99 e jamais foram utilizados pela Recorrente, que foi a sociedade que sobreviveu A incorporação, conforme comprovam os registros de baixa feitos na parte "B" do Livro de Apuração do Lucro Real ("LALUR") tanto da Mead do Brasil quanto da Recorrente (doc. nº 17 da Impugnação). (grifei) 143. Portanto, não há que se falar em incorporação às avessas nestes autos, muito ao contrário, a Mead do Brasil perdeu seus montantes de prejuízos fiscais acumulados, que terminaram sem nenhuma utilização por nenhuma das partes. (grifei) (c.7.2) Incorporação Reversa 144. Percebendo o equivoco cometido pela D. Fiscalização em sua tentativa de denominar esta uma "incorporação às avessas", a D. Autoridade Julgadora tenta, na r. decisão recorrida, questionar a operação por ter sido efetuada de modo reverso, ou seja, com a controlada (Recorrente), incorporando a sua controladora (Mead do Brasil). (grifei) 145. No entanto, essa também é uma suspeita infundada. Em primeiro lugar, porque, conforme demonstrado acima, o artigo 386, §6°, do RIR/99, que tem por base legal o artigo 8° da Lei 9.532/97, prevê de modo claro e especifico que o mesmo tratamento tributário do ágio aplicase a essa hipótese, de uma controlada incorporar a sua controladora. (grifei) 146. Em segundo lugar, conforme já alertado pela Recorrente em sua Impugnação, no resto do mundo, o grupo Mead chegava a ser tão grande quanto o grupo Westvaco, porém, no Brasil, a situação era diferente e a Recorrente chegava a ser algumas vezes maior que a Mead do Brasil. Por isso, nada mais natural que uma empresa maior (Recorrente) incorporar a menor (Mead do Brasil)".(grifei) "148. A D. Autoridade Julgadora cita ainda, a esse respeito, um artigo escrito pelos professores Jorge Vieira da Costa Junior e Eliseu Martins denominado "A Incorporação Reversa com Ágio Gerado Internamente: Conseqüências da Elisão Fiscal sobre a Contabilidade".(grifei) 149. Pois bem. A Recorrente está colacionando a este Recurso Voluntário um Parecer Técnico Contábil elaborado para este caso especifico pelo mesmo Professor Eliseu Martins, juntamente com Eric Martins e Heraldo Oliveira, todos professores da FIPECAFI. (grifei) 150. Conforme está muito claramente afirmado no referido Parecer, o artigo escrito pelo Professor Eliseu Martins, e que é citado pela D. Autoridade Julgadora em sua r. decisão recorrida, trata de hipótese distinta da que é tratada nestes autos. Na realidade, o Professor Eliseu Martins entende que as operações praticadas pela Recorrente nestes autos foram todas contabilizadas corretamente." (grifei) Fl. 5449DF CARF MF 72 [...] (c.7.2) Incorporação realizada em um domingo [...] "152. Em sua Impugnação, a Recorrente apresentou a seguinte documentação, comprovando a falta de fundamento das alegações formuladas pelo Fisco: (i) cópia de email enviado por funcionária da Recorrente, em 29.11.2002 (sextafeira) à empresa Cushman & Wakefield Semco solicitando a liberação de certas pessoas ao prédio no domingo, dia 01.12.2002 para a participação da referida reunido (doc. n° 18 da Impugnação); (ii) Relatório de Marcação de Visitantes (controle de acesso) do dia 01.12.2002 (doc. n° 19 da Impugnação), emitido pela empresa Cushman & Wakefield Semco, contendo os nomes de cada pessoa que esteve presente à reunido e os horários de entrada e saída de cada uma delas; e (iii) atestado de presença (doc. nº 20 da Impugnação) emitido e assinado pela empresa Cushman & Wakefield Semco. em 18.12.2002, que atesta a presença, em 1°.12.2002, na sede da Recorrente, de cada uma daquelas pessoas indicadas no Relatório de Marcação de Visitantes. (grifei) "153. Alem disso, a Recorrente também explicou, em sua Impugnação, que se utilizava, já àquela época, de um sistema eletrônico de contabilidade denominado SAP (Systems Applications and Products in Data Processing), que consiste em um sistema eletrônico de gestão de negócios, que [...], em razão de suas características operacionais, somente permitia o levantamento de um balanço de encerramento nas datas de inicio e fim de cada mês. Ademais, esse sistema era alimentado e atualizado de forma quase instantânea pelos departamentos de vendas e também de compras da empresa. Com isso, a data ideal para que o referido balanço fosse levantado era justamente um domingo, pois nesse dia da semana não havia a alimentação constante dos controles de estoque do sistema e ele então permitiria o levantamento de um balanço de encerramento da Recorrente." (grifei) [...] "160. As estruturas iniciais e finais de todo esse processo são completamente distintas, sendo que, na estrutura societária final, não somente os grupos Mead e Westvaco tiveram suas subsidiárias integradas no Brasil (Mead do Brasil e a Recorrente), mas também essas sociedades passaram ao controle direto de empresas Canadenses do grupo, o que também era uma meta corporativa do recémcriado grupo MeadWestvaco, que esperava obter maior eficiência na gestão de caixa de suas sociedades latinoamericanas com essa situação. 161. Resta claro, portanto, que a Recorrente não simulou nada. Todas as operações aqui comentadas foram praticadas às claras, havendo documentação hábil e idônea à sua comprovação, que foi colocada a total disposição da D. Fiscalização durante o período de fiscalização. 162. Sobretudo, é importante enfatizar, essas operações foram motivadas por razões empresariais verdadeiras e extratributárias (sic), que são precedentes e independentes de qualquer economia fiscal." (grifei) "(c.7.3) Não ocorrência de empresaveículo 166. [...] Como comentado, a Mead do Brasil era uma sociedade real, operacional, com empregados e faturamento e, mais que isso, era o próprio "braço" do grupo internacional Mead no Brasil. 167. Em qualquer hipótese, com ou sem efeitos fiscais no Brasil, a intenção dos grupos Mead e Westvaco em todo o mundo era a união de suas subsidiárias. No Brasil, portanto, independentemente de quaisquer efeitos fiscais, a Mead do Brasil, Fl. 5450DF CARF MF Processo nº 10830.016637/200945 Acórdão n.º 1301002.278 S1C3T1 Fl. 5.415 73 que era uma sociedade operacional e subsidiária do grupo Mead, deveria ser incorporada pela Recorrente, que era outra sociedade operacional e subsidiária do grupo Westvaco. Não há o menor cabimento, data máxima vênia, em se falar em "empresa veiculo" nesse caso." (grifei) [...] "V. OUTROS PONTOS ESPECÍFICOS DA R. DECISÃO RECORRIDA [...] 183. A conclusão, no entanto, é que justamente não é dado à D. Fiscalização o poder dessa desconsideração, quando a Recorrente agiu em total conformidade com a legislação em vigor, motivada por razões extratributárias verdadeiras e nos estritos limites de sua liberdade de se autoorganizar." (grifei) [...] "(i.2.1) A essência: a integração entre dois grupos independentes [...] 190. Com efeito, o que se está aqui a questionar não é sendo a forma última como esses atos envolvendo a Recorrente ocorreram, em detrimento de sua própria essência. O ponto fulcral é tão somente o fato de a forma estrutural escolhida por esses dois grupos econômicos — independentes e nãorelacionados — para a sua integração mundial ter levado primeiramente à sua integração "formal" em uma sociedade holding nos Estados Unidos. Tudo isso, a despeito de, na essência, esses dois grupos terem combinado trazer seus ativos para o negócio a valores de mercado (arm's length), ou seja, como se efetivamente negociados entre partes nãorelacionadas. (grifei) 191. Por outro lado, sabese que a doutrina é pacifica ao adotar a posição de que, em existindo um motivo extratributário (sic) precedente e autônomo, como é o caso destes autos, o contribuinte é livre para organizar seus negócios da maneira que lhe pareça mais conveniente." (grifei) [...] "(i.2.2) A independência das partes e a aplicação de condições arm's length [...] 194. No caso em exame, ao contrário do que afirma a D. Autoridade Julgadora, foi demonstrado que, independentemente de os grupos Mead e Westvaco terem iniciado a sua fusão por meio de uma sociedade holding norte americana, foi também estabelecido, desde o inicio, que as operações mundiais de integração dos grupos Mead e Westvaco seriam efetuadas, em todo o mundo, em condições arm's length, ou seja, a valores justos de mercado." (grifei) [...] "200. No caso em exame, é relevante notar, as empresas solicitaram ainda a elaboração de um estudo de avaliação econômica a uma empresa independente, a Z3M, de modo a garantir a imparcialidade do valor justo de mercado da Recorrente, adotado como preço dessa operação." (grifei) Fl. 5451DF CARF MF 74 [...] "202. Cabe mencionar, também, como já foi esclarecido pela Recorrente em sua Impugnação, que as razões para a prática de valores de mercado eram, não somente a negociação entre esses dois grupos econômicos, que já previa que essas integrações de suas subsidiárias seriam realizadas a valores de mercado, mas também o fato de que havia duas sociedades Canadenses adquirindo a Recorrente no exterior e essas sociedades eram obrigadas a seguir a regulamentação daquele país e efetuar essa aquisição a valor justo de mercado." (grifei) [...] "(1.2.3) O "sentido societário" da incorporação da Mead do Brasil [...] "205. Eventualmente, a D. Autoridade Julgadora poderia tentar alegar que a Recorrente teria uma suposta obrigação legal de incorporar a Mead do Brasil diretamente, ou seja, sem que ocorresse anteriormente a transferência da Recorrente para a Mead do Brasil. Porém, nada há na legislação ou regulamentação fiscal ou societária aplicáveis que obrigue empresas na mesma situação em que estava a Recorrente a praticar sempre uma incorporação entre "irmãs", ao invés de uma contribuição seguida de incorporação. (grifei) 206. O que se deve ter em mente neste caso, em verdade, é que as operações da Recorrente foram perfeitamente adequadas sob uma perspectiva fática, mas também jurídica. Não é demais recordar, como visto acima, que doutrina e jurisprudência são hoje uníssonas em afirmar que o contribuinte tem a liberdade de se autoorganizar como melhor lhe aprouver desde que seus atos tenham motivações extratributárias (sic), o que foi exatamente o caso da Recorrente." (grifei) "(i.2.4) Impossibilidade de a Mead do Brasil ser taxada de empresa veiculo 207. Em seguida a estes pontos, a D. Autoridade Julgadora tenta novamente qualificar a Mead do Brasil como uma empresa veiculo. Sobre este ponto, a Recorrente já havia se manifestado em sua Impugnação, mas irá fazêlo novamente nas razões do direito abaixo, para que este E. Conselho possa afastar definitivamente a possibilidade de uma empresa real e operacional como a Mead do Brasil, com vários anos de existência, ativos fixos, maquinário, produção, empregados, passivos, e tudo o mais que uma empresa operacional tem, possa ser tratada como uma empresa veiculo. Tratase de um abuso que deve ser contido por este E. Conselho." (grifei) [...] "211. A operação de incorporação em questão fazia efetivamente "parte de um projeto de reestruturação societária" dos grupos Mead e Westvaco, e essa reestruturação tinha efetivamente o fim de proporcionar uma maior eficiência estratégica e melhor desempenho das atividades econômicas da Incorporada (Mead do Brasil) e da Incorporadora (Recorrente)." (grifei) 212. [...]Essa eficiência era já um objetivo da própria integração mundial desses dois grupos econômicos e ela foi perseguida não só no Brasil, mas em vários outros países onde esses grupos operavam. (grifei) Fl. 5452DF CARF MF Processo nº 10830.016637/200945 Acórdão n.º 1301002.278 S1C3T1 Fl. 5.416 75 213. Unificando suas operações e atividades, essas empresas passavam a ter ganhos de escala, economias de custos administrativos, de logística, dentre várias outras." (grifei) [...] "215. A eficiência que se queria dar era as atividades e operações desenvolvidas pela Mead do Brasil, ou seja, aos seus processos de produção e vendas, aos seus departamentos de pessoal, financeiro e de contabilidade, por exemplo. (grifei) 216. Tudo isso, depois que a Mead do Brasil foi "extinta" por incorporação, "sobreviveu" dentro da pessoa jurídica da Recorrente. E a Recorrente pôde então dar maior eficiência estratégica a todos esses processos. (grifei) 217. À parte tudo isso, ainda que a redação do Protocolo tivesse sido simplesmente genérica e feita a partir de cláusulas padrão, o fato é que, ainda assim, esse não seria um motivo para que a operação fosse tida como simulada!" (grifei) [...] (i.3) Do Ágio [...] "219. [...] conforme já mencionado mais de uma vez nestes autos, a legislação que disciplinou o tratamento tributário do ágio contabilizado em relação a participações societárias com base em expectativa de rentabilidade futura criou, como uma ficção jurídica especial, a autorização expressa para que a incorporação necessária à amortização fiscal desse ágio seja feita não somente da controlada pela controladora, mas também do modo inverso, ou seja, da controladora pela controlada. (grifei) 220. Assim, todo esse raciocínio que a D. Autoridade Julgadora tenta empreender na transcrição acima afigurase frontalmente contrario ao texto legal e à intenção do legislador sobre este ponto, de modo que esse questionamento também não merece prosperar. (grifei) 221. Em seguida a isto, a D. Autoridade Julgadora comenta novamente o artigo do Professor Eliseu Martins para tentar insinuar que este condenaria a operação efetuada pela Recorrente. Não obstante, o próprio PROFESSOR ELISEU MARTINS analisou a operação discutida nestes autos e concluiu pela sua validade contábil." (grifei) [...] "(i.4) Da Multa Qualificada 224. No quesito em referência, a D. Autoridade Julgadora alega que o fundamento para a qualificação da multa aplicada residiria: "(...) na utilização de uma série de instrumentos com o intuito de criar uma roupagem legal capaz de dar uma aparência legitima As operações de reorganização societária cujo único fundamento era o aproveitamento do ágio como despesa dedutível. Nessa construção utilizouse a contribuinte da confecção de laudos de avaliação capazes Fl. 5453DF CARF MF 76 de sustentar a existência do ágio; da celebração de protocolo de incorporação para justificar a incorporação da Mead Br. pela autuada cujos termos destoam da substância dos atos que efetivamente se praticaram; e da celebração de uma série de modificações societárias de forma a se colocar em situação de aproveitamento do ágio, incluindo ai a utilização de empresa como veiculo de transmissão" (não destacado no original) 225. Como restou demonstrado acima, nada disso aconteceu. O laudo de avaliação, como visto, foi legitimo e elaborado por empresa independente, de forma imparcial e com critérios objetivos, para que se firmasse o valor justo de mercado da Recorrente. Já o Protocolo de Incorporação foi celebrado em cumprimento a uma exigência legal, melhor explicada nas razões de direito abaixo aduzidas, sendo que todos os questionamentos levantados pela D. Autoridade Julgadora sobre este ponto são também infundados, conforme acima comprovado. (grifei) 226. Por fim, é interessante notar que a D. Autoridade Julgadora utiliza a expressão "uma série de modificações societárias de forma a se colocar em situação de aproveitamento de ágio". Ora, como visto, todas as operações ocorridas no exterior tiveram razões que são independentes de qualquer efeito fiscal brasileiro, inclusive a transferência das empresas latinoamericanas dos grupos Mead e Westvaco para sociedades Canadenses. (grifei) 227. Assim, a se admitir como válida essa alegação da D. Autoridade Julgadora, o que se faz somente para argumentar, seria de se concluir que essa "serie de modificações societárias" se resumiria a dois atos societários: (i) a contribuição das quotas da Recorrente, pelas sociedades Canadenses para a Mead do Brasil; e (ii) a subseqüente incorporação da Mead do Brasil pela Recorrente. (grifei) 228. Considerando ainda que a Mead do Brasil seria incorporada pela Recorrente em qualquer cenário, pois esse era o objetivo Ultimo da integração dos grupos Mead e Westvaco no Brasil e também em todo o mundo, resta concluir que toda essa suposta "serie e modificações societárias" imaginada pela D. Autoridade Julgadora se resumiria a um único ato societário: o de contribuição das quotas da Recorrente, pelas sociedades Canadenses, em aumento de capital da Mead do Brasil." (grifei) [...] "231. Como visto, a contribuição das quotas da Recorrente em aumento de capital da Mead do Brasil foi feita pelas sociedades Canadenses pelo mesmo valor de aquisição dessa sociedade no exterior. Assim, ao contrário do que equivocadamente entendeu a D. Autoridade Julgadora, ate mesmo as etapas da operação em análise com reflexos no Brasil tinham razões econômicas independentes das brasileiras." (grifei) [...] "(iii) Exclusão Indevida do Lucro Real 236. Esta é uma parte muito importante, a D. Autoridade Julgadora afirma que a Recorrente não impugnou especificamente essa parte em sua peça impugnatória [...] (grifei) 237. O que deve ficar claro a esse respeito é que a Impugnação da Recorrente foi feita para todas as despesas de amortização de ágio, assim como o suposto excesso de despesas de Juros sobre o Capital Próprio, deduzidas no Fl. 5454DF CARF MF Processo nº 10830.016637/200945 Acórdão n.º 1301002.278 S1C3T1 Fl. 5.417 77 período de 2003 a 2008. Portanto, é evidente que essa parcela da autuação estava igualmente incluída na Impugnação feita pela Recorrente. (grifei) 238. O que ocorre é que as despesas de amortização de ágio no período de 2003 a 2007 foram deduzidas tanto para fins contábeis, como para fins fiscais. Porém, a partir da entrada em vigor da Lei no 11.638, de 28.12.2007 ("Lei 11.638/07"), as despesas de amortização de ágio deixaram de ser dedutíveis para fins contábeis e permaneceram dedutíveis somente para fins fiscais. (grifei) 239. Com isso, a partir do anocalendário de 2008, a Recorrente não mais deduzia essas despesas para fins contábeis, mas procedia à sua exclusão do lucro real via LALUR. (grifei) 240. Em todo caso, é importante só que fique claro que os fatos impugnados pela Recorrente em sua peça Impugnatória referemse a todo o período de 2003 a 2008, englobando, portanto, essas exclusões supostamente indevidas do lucro real de 2008." (grifei) [...] "(b) Inocorrência de Simulação ou Abuso de Direito [...] 255. Como se pode observar, para que a simulação se verifique, é necessário que esteja presente algum dos tipos de vicio especificamente enumerados no artigo 167, §1º, do Código Civil. 256. No caso em análise, como visto, nenhum desses vícios está presente. Todos os direitos transmitidos ou conferidos nas operações examinadas o foram, de forma fiel e clara, para as mesmas pessoas (jurídicas) a quem eles estavam sendo transmitidos ou conferidos. Não houve qualquer aparência distinta da realidade. Todas as operações foram devidamente registradas, tiveram seus efeitos contábeis, fiscais e societários reconhecidos (não somente no Brasil, mas nas diversas outras jurisdições aqui envolvidas) e tiveram suporte em documentação hábil e idônea, colacionada pela Recorrente a estes autos. (grifei) 257. Do mesmo modo, não houve nenhum documento, contrato ou qualquer forma de registro feita pela Recorrente que possa conter cláusula ou representação considerada nãoverdadeira. (grifei) 258. Por fim, nenhum dos documentos foi antedatado ou pósdatado, e esse fato nem mesmo foi questionado pela D. Fiscalização ou pelas DD. Autoridades Fiscais, nem implícita nem explicitamente." (grifei) [...] "260. Ora, conforme já explicado, todas as operações ocorridas no processo de integração dos Grupos Mead e Westvaco foram reais e efetivas, não apenas formais ou aparentes. As empresas nacionais e estrangeiras envolvidas no referido processo jamais alegaram, formalmente ou de outro modo, estar transferindo as quotas da Recorrente a qualquer "terceiro", por exemplo, sem o estar fazendo efetivamente. Ao contrário, as operações foram devidamente registradas e todos os seus efeitos, reconhecidos, em diferentes países, sempre de forma legitima e efetiva, sem qualquer diferença entre a "realidade formal" e a realidade fática. (grifei) Fl. 5455DF CARF MF 78 261. Em termos práticos, inicialmente, a Recorrente pertencia exclusivamente ao grupo Westvaco, era detida diretamente por uma empresa espanhola, a Shore Islands, e era pessoa jurídica distinta da Mead do Brasil. Ao fim de todo o processo de integração em comento, a Recorrente havia unificado o seu patrimônio com o da Mead do Brasil, tendo passado a pertencer ao novo grupo MeadWestvaco, e ainda terminou detida diretamente por empresas do novo grupo localizadas no Canadá." (grifei) [...] "(b.3) Inocorrência de Abuso de Direito 268. Em primeiro lugar, deve ser ressaltado que nenhuma das transações societárias praticadas pela Recorrente teve seu fim econômico excedido, nem manifestamente, nem de qualquer outra forma. Todas essas operações foram praticadas em seus exatos limites e para suas finalidades especificas." [...] "271. A esse respeito, a Recorrente pede vênia para mais uma vez se socorrer de iluminada doutrina sobre a matéria, que explica que o abuso de direito fica automaticamente afastado quando o contribuinte tem uma razão extratributária (sic) para as operações praticadas" [...] "276. As lições acima transcritas, mais uma vez, comprovam que as razões extratributárias da Recorrente estiveram em linha com o melhor entendimento doutrinário, ou seja, a Recorrente procedeu à incorporação da Mead do Brasil com o objetivo precípuo de reunir os patrimônios dessas duas sociedades em uma só pessoa jurídica, tal como estava sendo feito com as demais subsidiárias dos grupos Mead e Westvaco no anocalendário de 2002. (grifei) 277. Ambas as sociedades eram reais, operacionais, tinham empregados, folhas de pagamento e faturamentos mensais. Mesmo que a Mead do Brasil estivesse naquele momento atravessando uma situação de patrimônio liquido negativo, essa sociedade permanecia ainda assim operando e recolhendo tributos e encargos sobre sua folha de salários e faturas emitidas. Confirase, novamente, o balancete da Mead do Brasil levantado em 30.11.2002 (doc. nº 15 da Impugnação) e se verá facilmente que uma empresa com uma operação real e efetiva, com máquinas e ativos próprios, não pode simplesmente ser chamada de sociedade veiculo. (grifei) 278. Não havia ali nenhuma "sociedadecasca" ou nenhuma intenção de desvirtuar o instituto da incorporação para meramente efetuar o aproveitamento de prejuízos fiscais, por exemplo." (grifei) [...] "(b.4.1.) a data da Incorporação — os balanços a serem levantados [...] 290. Como se pode ver, a incorporação da Mead do Brasil pela Recorrente exigia que ambas levantassem balanços de incorporação, sendo que a Recorrente, especialmente, somente tinha como levantar seus balanços no inicio e fim de cada mês. Assim, o fato de o dia 1°.12.2002 ser um domingo, ao contrário de indicar qualquer sinal de simulação, ajudou a que o movimento de faturamento da empresa estivesse totalmente parado e o balanço de encerramento de seu períodobase pudesse ser levantado com a identificação exata de seus estoques." (grifei) Fl. 5456DF CARF MF Processo nº 10830.016637/200945 Acórdão n.º 1301002.278 S1C3T1 Fl. 5.418 79 [...] "(b.4.2) a incorporação sem aumento de capital ou aumento no número de quotas [...] 293. Como se pode notar, o artigo 226 da Lei das S.A., ao dispor sobre a formação do capital na incorporação, apenas determina que as ações ou quotas do capital da sociedade incorporada poderio ser extintas ou substituídas por ações em tesouraria da incorporadora. No caso em análise, as quotas da Mead do Brasil foram simplesmente extintas, conforme expressamente lhe facultava o referido artigo 226 da Lei das S.A. (grifei) 294. O que se pretendia com essa incorporação, e efetivamente se obteve, era a unificação dos patrimônios dessas duas sociedades em uma única, permitindo a sua reunido sob as condições creditícias e mercadológicas da Recorrente que eram mais favoráveis naquele momento e terminariam por favorecer as futuras operações do recém criado grupo MeadWestvaco no Brasil." (grifei) [...] "(b.5) Total descabimento das alegações de empresa veiculo [...] 312. A expressão "empresa veiculo" quer dizer, em última análise, que uma determinada sociedade é dita "de passagem", ou seja, ela não tem nenhuma outra função ou substância econômica alem de servir de um efêmero canal de transmissão de direitos no contexto considerado. 313. Em outras palavras, para que se possa falar em "empresa veículo", há que se ter presente, no mínimo, os seguintes requisitos: (i) a pessoa jurídica é criada apenas para servir de agente intermediário na operação; (ii) sua função é simplesmente captar e transmitir recursos, de forma a criar uma conta de ágio; e (iii) não há outra função ou propósito de sua participação na operação, senão retransmitir recursos." [...] "316. Ora, é evidente que, diferentemente do que propugna a r. decisão recorrida, não é este o caso destes autos. A Mead do Brasil era uma subsidiária real e operacional do grupo Mead no Pais. Sua existência tanto era efetiva que esses grupos tiveram de submeter a operação de sua integração no Brasil ao CADE (doc. n° 7 da Impugnação), o qual analisou e aprovou a sua unificação com base em critérios técnicos, como os mercados relevantes em que a Mead do Brasil a e Recorrente atuavam." (grifei) [...] (b.6.) Total descabimento dos artigos 381, 282 e 284 do Código Civil [...] 322. Não há nenhuma razão para que esse caso pudesse, nem mesmo remotamente, enquadrarse nas hipóteses dos artigos 381, 382 e 384 do Código Civil. Tratase de uma alegação tão sem fundamento que nem mesmo foi Fl. 5457DF CARF MF 80 considerada pela r. decisão recorrida, representando apenas mais um exemplo da total improcedência desta gravosa e indevida autuação fiscal." Apresentados, pois, os argumentos da acusação e da defesa. Como se pode ver, a Recorrente expôs que os grupos econômicos Mead e Westvaco, em 2002, até então independentes e não relacionados, iniciaram um processo de integração de suas atividades e negócios nos mais de trinta países onde atuavam. No Brasil, o grupo Mead operava por meio da sociedade Mead Embalagens Ltda, enquanto que o grupo Westvaco operava por meio da Rigesa Celulose Papel e Embalagens Ltda, ora Recorrente. Esse processo de integração teria resultado, ao fim e ao cabo, ao menos para o que interessa ao presente julgamento, na incorporação da pessoa jurídica Meadwestvaco do Brasil Ltda (Meadwestvaco) pela Rigesa. Além disso, os grupos Mead e Westvaco também teriam razões empresariais e econômicas para pretender concentrar o controle direto de suas sociedades e operações da América Latina — notadamente do Brasil, Argentina, Chile, Venezuela —, em duas sociedades canadenses, a MWV Consumer e a MWV Canada, ambas pertencentes ao grupo Meadwestvaco. Isso porque, segundo a Recorrente, a concentração das participações detidas nas empresas latinoamericanas em uma estrutura societária situada no Canadá possibilitaria o direcionamento do fluxo de dividendos e juros das sociedades investidas para aquelas sociedades canadenses, ao mesmo tempo em que aumentaria a flexibilidade no aproveitamento dos excessos de caixa gerados pelas sociedades latinoamericanas, em outras operações desses grupos no mundo. Portanto, tendo em vista os objetivos acima comentados, puramente empresariais e econômicos, conforme sustenta a Recorrente, as precitadas sociedades canadenses procederam à aquisição das quotas da Recorrente, assim como das demais empresas localizadas na Argentina, Chile e Venezuela, a valor de mercado, em cumprimento à legislação canadense e como a única forma de refletir a essência do negócio e também de cumprir com o principio arm's length, que impunha que esse tipo de operação fosse feito exatamente como uma negociação de integração de dois grupos econômicos independentes e não relacionados. Entretanto, releva considerar que, em 30/11/2002, MWV Canada adquiriu de Shore Island a totalidade das quotas no capital de Meadwestvaco. Também nesse mesmo dia, Shore Island transferiu a totalidade das participações que detinha, no capital social da Recorrente, para as canadenses MWV Consumer e MWV Canada. E acrescentese, ainda, que, no mesmo dia 30/11/2002, efetivouse o aumento de capital da Meadwestvaco por contribuição das canadenses MWV Consumer e MWV Canada, que entregaram à investida, com ágio, 99,99% das quotas de capital da Recorrente. Por último, mencionese que, um dia após, em 01/12/2002, a Recorrente incorporou sua controladora, Meadwestvaco, evento cuja realização permitiria a dedução do ágio amortizado com base no disposto no § 6º do artigo 386 do RIR/99, de acordo com a pretensão recursal. Inevitável que se conclua, diante desses fatos, que não há que se falar em partes independentes, afinal incorporada e incorporadora estavam, no momento imediatamente anterior ao da incorporação, sob o controle direto das canadenses MWV Consumer e MWV Canada, sendo que tais pessoas jurídicas mantiveram o controle direto sobre a pessoa jurídica resultante da incorporação. Porém, a conclusão acima se reforça lançandose o olhar para a rede de conexões do grupo MEADWESTVACO, tomando como referência a localização topológica das canadenses MWV Consumer e MWV Canada, as quais eram controladas diretamente pela espanhola Shore Islands, que era controlada pela Meadwestvaco Corporation. Nessa ordem de Fl. 5458DF CARF MF Processo nº 10830.016637/200945 Acórdão n.º 1301002.278 S1C3T1 Fl. 5.419 81 ideias, chamase a atenção para a posição de todas as pessoas jurídicas da rede referida, antes dos eventos societários de 30/11/2002: Prosseguindo, agora direcionando o olhar para a evolução do quadro anterior, cabendo reparar, a esse propósito, as posições afetadas em 30/11/2002 com a transferência, efetuada pela Shore Islands, da participação no capital das citadas canadenses para a holandesa Mead Holdings, diretamente controlada pela própria Shore Islands, à luz do coletado de fls. 2.244: Já no quadro subsequente se verifica que o deslocamento da Rigesa para baixo do controle direto das canadenses, e a incorporação da Meadwestvaco pela Rigesa, não alteraram a situação topológica das canadenses MWV Consumer e MWV Canada, nem da Mead Holdings, da Shore Islands ou da Meadwestcavo Corporation, pois as duas primeiras mantiveram a participação majoritária no capital da Rigesa, ao passo que a Mead Holdings permaneceu no controle direto das canadenses, assim como a Shore Islands manteve o controle direto da Mead Holdings, enquanto que, no topo de toda a estrutura societária, permaneceu a Meadwestvaco Corporation: Fl. 5459DF CARF MF 82 Diante desses quadros, asseverase que não houve alteração entre as pessoas jurídicas situadas em posição topológica acima da Rigesa, se comparado o quadro que reflete a rede de conexões imediatamente anterior aos eventos societários do dia 30/11/2002 com o quadro que representa a rede de conexões imediatamente após a incorporação da Meadwestvaco pela Rigesa, a salientar que tanto o controle direto como o controle indireto desta última permaneceram sob a decisão das mesmas pessoas jurídicas. Nessas circunstâncias, não havia partes independentes, tanto na atribuição de valor à participação das sociedades canadenses no capital da Meadwestvaco, a ser efetivada com a contribuição das quotas da Recorrente, como também não havia partes independentes na incorporação da Meadwestvaco pela Recorrente. A dedução de que as partes não são independentes traz a reboque a questão sobre a efetivação de preços praticados at arm's lenght. A recorrente afirma que o valor de mercado, na aquisição da Recorrente pela Meadwestvaco, tem suporte em quatro pilares: o primeiro, no fato de que aquelas sociedades canadenses efetuaram pagamento em dinheiro da maior parte do valor pelo qual, at arm's lenght, a Recorrente fora alienada pela Shore Islands; o segundo, calcado na existência de legislação canadense determinante da fixação do valor dessa aquisição por preço de mercado; o terceiro, na existência de laudo, elaborado por pessoa jurídica independente, sobre o valor de mercado da Recorrente, com base em uma estimativa de sua rentabilidade futura, utilizandose o método do fluxo de caixa descontado; o quarto, na circunstância de que o valor de mercado atribuído às quotas de capital da Recorrente, transferidas das sociedades canadenses a título de investimento no capital da Meadwestvaco, já havia sido fixado, no mesmo dia, pelo valor de alienação, at arm's lenght, das quotas de capital da Recorrente, transferidas pela Shore Islands às sociedades canadenses. Dizer que houve entrega em dinheiro da maior parte do valor atribuído às quotas de capital da Recorrente, transferidas da Shore Islands às sociedades canadenses, não confirma que o preço do negócio esteja amparado no princípio arm's lenght. Na verdade, como já se disse antes, as partes celebrantes não eram independentes, o que milita a desfavor da celebração a preço de mercado, e isso afeta não só a transferência das quotas da Recorrente entre as sociedades canadenses e a Shore Islands, mas também a transferência das quotas da Recorrente entre as sociedades canadenses e a Meadwestvaco. Assim, prevalece a idéia de que os preços nesses casos não são os mesmos que seriam pactuados entre partes independentes. Fl. 5460DF CARF MF Processo nº 10830.016637/200945 Acórdão n.º 1301002.278 S1C3T1 Fl. 5.420 83 A seu turno, a mera referência à existência de norma jurídica canadense que determine a prática de preços de mercado sequer torna explícito em que termos tal norma dispõe como também não assegura que tenha sido obedecida. Em outra senda, a elaboração de laudo de avaliação, na aquisição de investimentos avaliados pela equivalência patrimonial cujo ágio tenha sido justificado em rentabilidade futura, para cumprimento dos termos do § 3º do artigo 20 do Decretolei nº 1.598/1977, impele a autoridade fiscal ao exercício do poderdever de conferir se o demonstrativo pode ser aceito, em face dos fins a que se propõe, considerando as bases empíricas e os critérios que o orientaram, na formulação de suas conclusões. Com efeito, a autoridade fiscal certificouse, nessa empreitada, de que o relatório de avaliação econômico financeira, preparado a pedido da Recorrente à pessoa jurídica Z3M Venture Partners Ltda, lastrearase em fatores que não são extraídos da realidade nacional, tais como a taxa de retorno para o caso americano; taxa de juros estimada com risco zero (utilizandose como parâmetro a remuneração dos títulos norteamericanos de 30 anos); taxa de risco apurada com base no excesso de retorno do mercado de capitais dos Estados Unidos, além de outros que o desqualificam. Porém, em etapa anterior, o Fisco validamente desclassificara a operação como formadora de ágio amortizável, independentemente de estar provada uma expectativa de rentabilidade futura em razão de determinado empreendimento. Concentrome, para tanto, no seguinte trecho do Relatório Fiscal: “70Resumindo, como a Meadwestvaco do Brasil Ltda e a RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA pertenciam exatamente aos mesmos proprietários e em quase idênticas participações, o negócio de aquisição das quotas da RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA pela Meadwestvaco do Brasil Ltda. foi feito em dois passos: 1º passo as sócias canadenses MWV CANADA OPERATIONS CO. e MWV CONSUMER & OFFICE PRODUCTS CO. efetuaram subscrição de Capital Social da Meadwestvaco do Brasil Ltda; 2o passo as sócias canadenses MWV CANADA OPERATIONS CO. e MWV CONSUMER & OFFICE PRODUCTS CO. entregaram a totalidade das quotas que detinham na fiscalizada para integralizar o Capital Social subscrito da Meadwestvaco do Brasil Ltda. 71Repisese, pois é um detalhe fundamental na presente análise, a subscrição do Capital Social da empresa MEADWESTVACO DO BRASIL LTDA previsto para ser efetuado pelas empresas MWV CONSUMER & OFFICE PRODUCTS CO. e MWV CANADA OPERATIONS CO. foi materializado pela entrega por parte destas duas das quotas do Capital Social que possuíam na empresa Rigesa Celulose, Papel e Embalagens Ltda. 72As quotas de capital da empresa Rigesa Celulose, Papel e Embalagens Ltda. não foram vendidas à empresa MEADWESTVACO DO BRASIL LTDA. Ou seja, não houve negociação entre partes independentes que permitisse a um comprador oferecer a um vendedor um montante financeiro Fl. 5461DF CARF MF 84 superior ao existente no patrimônio líquido da empresa negociada devido a uma expectativa de rentabilidade futura do negócio. 73Em valores, temse que, quando as sócias canadenses MWV CANADA OPERATIONS CO. e MWV CONSUMER & OFFICE PRODUCTS CO. integralizaram o Capital Social da Meadwestvaco do Brasil Ltda. com as quotas que possuíam na RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA, atribuiram a estas quotas, avaliadas pela equivalência patrimonial em 30/11/2002 por R$ 309.332.300,36, o valor mais elevado de R$ 741.025.890.00, ou seja, exigindo de si mesmas um ágio de R$ 431.693.589.64. Estas quotas foram transferidas indiretamente para elas mesmas, mediante utilização da "empresa veículo" MEADWESTVACO DO BRASIL LTDA. 74Nada mais foi acrescentado em valores monetários para se efetivar o aumento do Capital Social na empresa MEADWESTVACO DO BRASIL LTDA. 75Não houve trânsito algum de dinheiro ou quaisquer outros valores monetários ou previsão de ganhos com investimentos presentes ou futuros nessa subscrição. Em resumo, não se criou nada novo em termos econômicos relativamente à situação societária que já existia previamente. 76Não houve terceiros externos ao grupo MEADWESTVACO interessados no negócio de aquisição da participação na empresa Rigesa Celulose, Papel e Embalagens Ltda., a qual simplesmente foi transferida entre empresas pertencentes ao mesmo grupo econômico acabando por ficar sob o controle indireto das mesmas empresas que anteriormente detinham seu controle direto. 77Criouse com essa maquinação societária uma conta ativa de ágio na empresa Meadwestvaco do Brasil Ltda.. Ágio este relativo à simples majoração de preço das quotas anteriormente detidas diretamente pela MWV CANADA OPERATIONS CO. e pela MWVCONSUMER & OFFICE PRODUCTS CO., que continuaram a ser de sua propriedade, porém, a partir desse momento, através de sua controlada. 78Evidenciase com isso o fato de que os proprietários da RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA utilizaramse da empresa Meadwestvaco do Brasil Ltda. como "empresa veículo" para criar uma conta de ágio em participações, que já sabiam de antemão que seria transferida posteriormente para o ativo da fiscalizada mediante incorporação, com a finalidade de amortizar esse ágio nos moldes previstos pelo art. 386, do RIR99. Aqui, é preciso salientar que o artigo 7º da Lei nº 9.532/97 autoriza a amortização apenas quando uma pessoa jurídica absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no artigo 20 do DecretoLei n º 1.598/1977: Fl. 5462DF CARF MF Processo nº 10830.016637/200945 Acórdão n.º 1301002.278 S1C3T1 Fl. 5.421 85 “Art. 7º. A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão,na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou destigio, apurado segundo o disposto no art. 20 do DecretoLei n° 1.598, de 26 de dezembro de 1977”: [...] IIIpoderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2° do art. 20 do DecretoLei n° 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de 1/60 (um sessenta avos), no máximo, para cada mês do período de apuração; (Redação dada pela Lei 9.718, de 27/11/98) (grifei) Já o artigo 8° da Lei nº 9.532/1997 prevê que o disposto no artigo anterior é aplicável quando a pessoa jurídica incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária: “Art. 8º O disposto no artigo anterior aplicase, inclusive, quando: a) o investimento não for, obrigatoriamente, avaliado pelo valor de patrimônio líquido; b) a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária” Por outro lado, o artigo 20 do Decretolei nº 1.598/77, com a redação então em vigor, prescrevia o desdobramento, na época da aquisição, do custo de aquisição, distinguindo a parcela relativa ao valor de patrimônio líquido daquela referente ao ágio ou deságio: “Art. 20 O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio liquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em: I valor de patrimônio liquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo 21; e II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o número I. § 1° O valor de patrimônio liquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento. § 2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico: a) valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; Fl. 5463DF CARF MF 86 b) valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nosexercícios futuros; c) fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas.” (grifei) Os dispositivos transcritos somente se referem ao ágio formado na aquisição de investimentos avaliados pela equivalência patrimonial. Nesse círculo, o artigo 7º da Lei n° 9.532/97 dispõe no sentido de que o ágio deve ser apurado segundo o disposto no artigo 20 do DecretoLei nº 1.598/77, o qual, por sua vez, determina que o ágio corresponde à parcela do custo de aquisição do investimento avaliado pela equivalência patrimonial que exceder seu valor do patrimônio liquido, na época da aquisição. Portanto, em breve síntese, não se pode falar em ágio se a mais valia do investimento não for gerada em ato de aquisição, e isso supõe dispêndio para se obter algo de terceiro. Ou, de outro modo, isso supõe o sacrifício de outro ativo ou o reconhecimento de um passivo, porquanto o primeiro (sacrifício de um ativo) ou o segundo (reconhecimento de um passivo) são as contrapartidas ao registro do custo do investimento adquirido. Mas o que se vê no caso concreto é um aumento no Patrimônio Líquido em contrapartida a um aumento no Ativo Permanente, em decorrência de um negócio “consigo mesmo”. Tal conclusão está em sintonia com a opinião da CVM, exposta no item 20.1.7 do OfícioCircular/CVM/SNC/SEP nº 01/20072: “A CVM tem observado que determinadas operações de reestruturação societária de grupos econômicos (incorporação de empresas ou incorporação de ações) resultam na geração artificial de “ágio”. Uma das formas que essas operações vêm sendo realizadas, iniciase com a avaliação econômica dos investimentos em controladas ou coligadas e, ato contínuo, utilizarse do resultado constante do laudo oriundo desse processo como referência para subscrever o capital numa nova empresa. Essas operações podem, ainda, serem seguidas de uma incorporação. Outra forma observada de realizar tal operação é a incorporação de ações a valor de mercado de empresa pertencente ao mesmo grupo econômico. Em nosso entendimento, ainda que essas operações atendam integralmente os requisitos societários, do ponto de vista econômicocontábil é preciso esclarecer que o ágio surge, única e exclusivamente, quando o preço (custo) pago pela aquisição ou subscrição de um investimento a ser avaliado pelo método da equivalência patrimonial, supera o valor patrimonial desse investimento. E mais, preço ou custo de aquisição somente surge quando há o dispêndio para se obter algo de terceiros. Assim, não há, do ponto de vista econômico, geração de riqueza decorrente de transação consigo mesmo. Qualquer argumento que não se fundamente nessas assertivas econômicas configura sofisma formal e, portanto, inadmissível. Não é concebível, econômica e contabilmente, o reconhecimento de acréscimo de riqueza em decorrência de uma transação dos acionistas com eles próprios. Ainda que, do ponto de vista formal, os atos societários tenham atendido à legislação aplicável (não se questiona aqui esse aspecto), do ponto de vista econômico, o registro de ágio, em transações como essas, somente seria concebível se realizada entre partes independentes, conhecedoras do negócio, livres de pressões 2 Os OfíciosCirculares emitidos pela área técnica da CVM têm como objetivo principal divulgar os problemas centrais e esclarecer dúvidas sobre a aplicação das Normas de Contabilidade pelas Companhias Abertas e das normas relativas aos Auditores Independentes. Esse ofíciocircular também procura incentivar a adoção de novos procedimentos e divulgações, bem como antecipar futura regulamentação por parte da CVM e, em alguns casos, esclarecer questões relacionadas às normas internacionais emitidas pelo IASB. <http://sistemas.cvm.gov.br/port/atos/oficios/OFICIOCIRCULARCVMSNCSEP01_2007.asp>. Acesso em 07/02/2016. Fl. 5464DF CARF MF Processo nº 10830.016637/200945 Acórdão n.º 1301002.278 S1C3T1 Fl. 5.422 87 ou outros interesses que não a essência da transação, condições essas denominadas na literatura internacional como “arm’s length”. Portanto, é nosso entendimento que essas transações não se revestem de substância econômica e da indispensável independência entre as partes, para que seja passível de registro, mensuração e evidenciação pela contabilidade.” (grifei) Em verdade, laudos de avaliação como o que foi acostado aos autos, se elaborados em atenção a interesses, apenas, de pessoas jurídicas sob controle comum, servem exclusivamente para embasar a pretensão de reavaliação das participações societárias, e não à formação de ágio. A ilustre Conselheiro Edeli Perreira Bessa já se manifestou nesse sentido, na solução de litígio presente no processo administrativo n° 10980.017339/200878, conforme excertos a seguir reproduzidos: “Do disposto no art. 36 da Lei n° 10.637/2002 inferese que o legislador instituiu ali um beneficio na tributação do ganho auferido na transferência de participação societária por valor superior ao patrimonial, na medida em que, verificandose esta transferência em sede de integralização de capital de outra sociedade, aquela participação pertenceria ao mesmo titular que inicialmente a detinha, mas agora de forma indireta. Diferiu, assim, sua tributação para momento futuro, no qual esta participação indireta deixasse de existir. E, se esta transferência se dá sem a participação de terceiros, ou seja, de forma que a titularidade da participação societária, ao final, permaneça com as mesmas pessoas que inicialmente as detinham, há, tão só, reavaliação do investimento, e não ágio por expectativa de rentabilidade futura. (grifei) Neste sentido, inclusive, são as lições de Hiromi Higuchi et alli, em sua obra Imposto de Renda das Empresas — Interpretação e prática (Editora IR Publicações, 29ª edição, p. 360) ao tratar da reavaliação de participações societárias: O art. 438 do RIR/99 dispõe que será computado na determinação do lucro real o aumento de valor resultante de reavaliação de participação societária que o contribuinte avaliar pelo valor de patrimônio liquido, ainda que a contrapartida do aumento do valor do investimento constitua reserva de reavaliação. Se a pessoa jurídica reavaliar investimento avaliado pela equivalência patrimonial, não poderá diferir a tributação da contrapartida. O diferimento da tributação só é possível na reavaliação de participação societária avaliado pelo custo de aquisição. Neste caso, após a reavaliação, se o investimento passar a ser avaliado pela equivalência patrimonial, o diferimento cessará. A Receita Federal teve a infelicidade de incluir o art. 39 da MP n° 66, de 29 08 2002, convertido no art. 36 da Lei n° 10.637, de 30122002, dispondo: [...] A aplicação daquele artigo dá ensejo a planejamento tributário para aumentar o patrimônio liquido nas duas empresas, para cálculo de juros sobre o capital próprio. A empresa A que tem investimento na empresa B transfere o investimento como integralização de capital na empresa C, por valor bem superior ao contábil. A empresa A escritura a contrapartida da mais valia no resultado mas faz exclusão na determinação do lucro real e base de cálculo da CSLL, aumentando o patrimônio liquido com diferimento da tributação. A empresa C também aumentou o seu patrimônio liquido sem tributação. (grifei) Fl. 5465DF CARF MF 88 A única forma de a Receita Federal corrigir a infelicidade é, por ato normativo, dizer que o art. 36 da Lei n° 10.637/2002 é aplicável somente para os investimentos avaliados pelo custo de aquisição. Isso porque, para os investimentos avaliados pela equivalência patrimonial existe a vedação do art. 438 do RIR/99, que por ser lei especifica não foi revogado.” Assim, consumouse o negócio “consigo mesmo” no âmbito do grupo MEADWESTVACO, cuja liderança é exercida pela Meadwstvaco Corporation, mediante condutas das pessoas jurídicas Shore Islands, MWV Consumer, MWV Canada, Meadwestcavo (brasileira) e Rigesa. Recordando: a) em 30/11/2002, Shore Islands cedeu a totalidade das quotas da Meadwestvaco (brasileira) para a canadense MWV Canada; b) em 30/11/2002, Shore Islands cedeu todas as participações que detinha na pessoa jurídica Rigesa para as canadenses MWV Consumer e MWV Canada; c) em 30/11/2002, MWV Consumer e MWV Canada contribuiram com 99,99% das quotas da Rigesa, entregandoas com ágio para o aumento de capital da Meadwestvaco (brasileira); d) em 01/12/2002, Rigesa incorporou a controladora Meadwestvaco (brasileira); e) as sociedades canadenses MWV Consumer e MWV Canadá voltam a ser proprietárias de Rigesa. Eventual ágio assim formado é caracterizado como “interno”, sem a participação de uma parte independente a validar, em condições de livre mercado, as operações e valores. À vista do exposto, é inconcebível admitir a dedutibilidade do ágio amortizado. Quanto à multa qualificada, é preciso averiguar se a Recorrente agiu dolosamente. Reparo, daí, que a Recorrente justificou que a incorporação fazia “parte de um projeto de reestruturação societária com o fim de proporcionar uma maior eficiência estratégica e melhor desempenho das atividades econômicas da incorporada e da incorporadora, uma vez que a incorporada é quotista majoritária do capital social da incorporadora, e, por conseguinte, acarretará um aumento da lucratividade, já que reduzirá custos de natureza operacional, administrativa e financeira". Tal justificativa, como bem realçou a Fiscalização, padece de uma indefinição derivada de sua descrição genérica, pois não estabelece perspectivas numéricas em termos de economia monetária na redução de custos com manutenção, gerenciamento, mãode obra, logística e outros, ou ainda sem expressar a eventual racionalização de atividades, ou a realização do objeto social, sem falar na redução da carga tributária. Poderseia alegar que a contratação, pela própria Recorrente, de empresa especializada para elaborar o laudo de avaliação econômicofinanceira evidenciaria a intenção de realizar a incorporação segundo a legislação aplicável, afastandose o dolo. O mesmo poderia ser alegado em relação ao protocolo de intenções. Entretanto, vejo que a contratação de uma empresa especializada para elaborar o laudo de avaliação econômicofinanceira e a Fl. 5466DF CARF MF Processo nº 10830.016637/200945 Acórdão n.º 1301002.278 S1C3T1 Fl. 5.423 89 formulação do protocolo de intenções simplesmente integravam as preocupações com trâmites e aspectos formais necessários à demonstração de que se buscava a incorporação de sociedades apenas para o fim de reunir – e aqui está o que importa os requisitos exigíveis à dedução do ágio amortizado, acarretando economia de tributos, embora esta última vantagem sequer tenha sido citada no protocolo de intenções. A percepção de que existem vantagens fiscais pretendidas (e exclusivamente isso), embora omitidas no protocolo de intenções, toma vulto com a presença de todos os instrumentos de alterações societárias, por meio dos quais registraramse os seguintes fatos: 1) em 30/11/2002, Shore Islands cedeu a totalidade das quotas da Meadwestvaco (brasileira) para a canadense MWV Canada; 2) em 30/11/2002, Shore Islands cedeu todas as participações que detinha na pessoa jurídica Rigesa para as canadenses MWV Consumer e MWV Canada; 3) em 30/11/2002, MWV Consumer e MWV Canada contribuiram com 99,99% das quotas da Rigesa, entregandoas com ágio para o aumento de capital da Meadwestvaco (brasileira); 4) em 01/12/2002, Rigesa incorporou a controladora Meadwestvaco (brasileira); 5) as sociedades canadenses MWV Consumer e MWV Canadá voltam a ser proprietárias de Rigesa. Inarredável a conclusão de que tais instrumentos societários, com as mesmas datas, ou com a diferença de um dia, revelam o artificialismo do ágio, uma vez constatada a ausência de propósito negocial, como efetivamente se constata, considerando que as operações que envolveram Meadwestvaco do Brasil e Rigesa, na suposta incorporação, ocorreram dentro de um grupo econômico e que, ao final, não houve qualquer alteração na propriedade da Rigesa, já que esta voltou a pertencer, depois da incorporação, às mesmas sociedades que detinham, antes da incorporação, a quase totalidade de suas quotas de capital. Com isso, mostrase irretorquível que a finalidade do ágio foi estritamente tributária: reduzir a base de cálculo do IRPJ e da CSLL a serem pagos. Reforce se a visão de que a transformação da Meadwstvaco do Brasil em controladora da recorrente e, ato continuo (realizado no dia seguinte), a incorporação daquela por esta trazem à baila a inexistência de qualquer intenção negocial/societária. Como destacado pela Fiscalização, “a operação planejada entre as empresas de um mesmo grupo (uma delas controlada pela outra e ambas sob o controle da mesma pessoa jurídica sediada no exterior) que "propiciou" a criação de um ágio fictício foi engendrada com o evidente intuito de "criar" despesas de amortização em uma delas, diminuindo ilegalmente sua base tributável, restando comprovado a inexistência de sentido comercial e econômico para a operação.” Em face do relatado, verificamse condutas tipificadas nos artigos 72 e 73 da Lei nº 4.502/1964. Sendo assim, cabível a multa qualificada de 150%, uma vez caracterizada a fraude e o conluio. Fl. 5467DF CARF MF 90 Proferida a decisão sobre a multa qualificada nos termos acima propostos, deslocase a contagem do prazo decadencial para o artigo 173, inciso I, do CTN. Nesses termos, não há que se falar em decadência para fatos geradores ocorridos em 2003, pois a contagem do prazo decadencial em relação a esses fatos se inicia em 01/01/2005. Portanto, considerando que o lançamento tributário foi efetuado em 2009, não há suporte à afirmação de caducidade. No ponto seguinte, a exclusão indevida do lucro real anual de valores não amortizáveis. Quanto ao tema, tais foram as palavras da Fiscalização: “164Em 31/12/2008. a fiscalizada efetuou alteração na sistemática da redução das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL devido à amortização do ágio gerado na incorporação da empresa MEADWESTVACO DO BRASIL L TDA. 165Nesta data, as quatro contas 1350111 Ágio s/Investimento (DEVEDORA); 1350112 Provisão Instr CVM 349/01 (CREDORA); 1355101 Agio Trazido por Incorporação (CREDORA retificadora da conta contábil 1350111) e; 1355102 Reversão Reverva Instr 349/01 (DEVEDORA retificadora da conta contábil 1350112); tiveram seu saldo ZERADO, passando o resultado liquido da união dessas quatro contas contábeis a compor a débito as contas contábeis: 01131500 IR Diferido (CURTO PRAZO); 01240201 IR Diferido INCORPOR (LONGO PRAZO); 166Através dessas duas contas contábeis a fiscalizada passou a controlar contabilmente a curto e a longo prazos o pretendido beneficio fiscal restante do ágio gerado pela incorporação da empresa MEADWESTVACO DO BRASIL LTDA.. Ou seja, 25% (IRPJ) + 9 % (CSLL) do encontro das contas 1350111 e 1355101. 167Para o anocalendário 2008, embora os lançamentos tenham sido efetuados durante todo o anocalendário na conta de despesas '4300008. Despesa Amortização Ágio", quando do fechamento do resultado, em 31/12/2008, referida conta teve seus valores totalmente revertidos, passando a fiscalizada a utilizarse da conta "8000002 Provisão para IR Diferido" para registrar os benefícios tributários devido a criação do ágio, que a partir de então deixou de compor o seu Ativo Diferido. 168Ressaltase que os valores lançados na conta "8000002 Provisão para IR Diferido" são meros reconhecimentos contábeis, não compondo o resultado da fiscalizada para fins de apuração do Lucro Real Anual no anocalendário 2008. 169Para o anocalendário 2008, as despesas com a amortização do ágio alcançavam o montante de R$ 45.745.740,74 quando foram totalmente revertidas. 170Com a finalidade de obter o beneficio fiscal pretendido, a fiscalizada lançou em livro LALUR e em seus controles de apuração da Base de Cálculo da CSLL a totalidade do valor anteriormente registrado como despesa no ano calendário 2008, efetuando EXCLUSÃO na apuração do Lucro Real Anual, sob o histórico "Amortização de Ágio" na listagem dos ajustes a serem efetuados (folha 25 do LALUR 2008) e sob o histórico "3.09 Reversão Provisão Instr CVM349/01" no quadro de apuração do Lucro Real (folha 26 do LALUR 2008). 171 O Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto 3.000 de 26/03/99, assim dispõem em seus artigos 247 e em relação às exclusões da base de cálculo do IRPJ e da CSLL: [...] Fl. 5468DF CARF MF Processo nº 10830.016637/200945 Acórdão n.º 1301002.278 S1C3T1 Fl. 5.424 91 172Conforme artigos já citados no presente Relatório de Ação Fiscal, as exclusões a título de amortização de ágio lançadas pela fiscalizada para o ano calendário 2008 não têm o devido respaldo legal no Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99) nem nas disposições contidas nas leis comerciais disciplinadoras dos registros contábeis. 173A EXCLUSÃO na apuração do Lucro Real Anual, sob os históricos "Amortização de Ágio" e "3.09 Reversão Provisão Instr CVM 349/01 "não se enquadram nos preceitos de amortização contidos nos arts. 324 ao 327 do RIR/99. E novamente o mesmo fato ocorrendo com relação ao registro do ágio que fundamentou o cálculo dessa exclusão, o qual não se enquadra no artigo 385 e 386 do mesmo RIR/99. 174Por conseguinte, não procede a exclusão de amortizações fictícias de ágio no aporte de R$ 45.745.740,74, lançadas pela fiscalizada em livro LALUR e em seus controles de apuração da Base de Cálculo da CSLL no dia 31/12/2008. 175Todo e qualquer lançamento de exclusão ao Lucro Real Anual está sujeito ao princípio da legalidade estrita e somente a lei formal expressa é que poderá determinar o seu cabimento. Ao contribuinte não é dado arvorarse no direito de amortizar valores nunca desembolsados se esse benefício não é preconizado na lei. 176Para o anocalendário 2008, a EXCLUSÃO pretendida pela fiscalizada na apuração do Lucro Real Anual, sob os históricos "Amortização de Agio" e "3.09 Reversão Provisão Instr CVM 349/01" chocamse frontalmente contra a legislação contábil, tributária, civil e penal, reduzindo ilicitamente as bases de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, razão pela qual procedese sua glosa total. 177Com relação a esta infração, será aplicada a multa qualificadajendo em vista a prática de atos por parte dos representantes da fiscalizada que se enquadram, em tese, como crimes contra a ordem tributária, previstos nos art. 1 ° e 2oda Lei n° 8.137/90. Defendendose na presente instância recursal, a Recorrente alega: “236. Esta é uma parte muito importante, a D. Autoridade Julgadora afirma que a Recorrente não impugnou especificamente essa parte em sua peça impugnatória [...] (grifei) 237. O que deve ficar claro a esse respeito é que a Impugnação da Recorrente foi feita para todas as despesas de amortização de ágio, assim como o suposto excesso de despesas de Juros sobre o Capital Próprio, deduzidas no período de 2003 a 2008. Portanto, é evidente que essa parcela da autuação estava igualmente incluída na Impugnação feita pela Recorrente. (grifei) 238. O que ocorre é que as despesas de amortização de ágio no período de 2003 a 2007 foram deduzidas tanto para fins contábeis, como para fins fiscais. Porém, a partir da entrada em vigor da Lei no 11.638, de 28.12.2007 ("Lei 11.638/07"), as despesas de amortização de ágio deixaram de ser dedutíveis para fins contábeis e permaneceram dedutíveis somente para fins fiscais. (grifei) 239. Com isso, a partir do anocalendário de 2008, a Recorrente não mais deduzia essas despesas para fins contábeis, mas procedia à sua exclusão do lucro real via LALUR. (grifei) Fl. 5469DF CARF MF 92 240. Em todo caso, é importante só que fique claro que os fatos impugnados pela Recorrente em sua peça Impugnatória referemse a todo o período de 2003 a 2008, englobando, portanto, essas exclusões supostamente indevidas do lucro real de 2008." (grifei)” Segundo a decisão recorrida, “a infração relacionada com a exclusão indevida na apuração do Lucro Real em 2008 não foi objeto de impugnação especifica por parte da autuada. Por outro lado, se se considerar a defesa como sendo a defesa global da legitimidade das operações questionadas, as discussões anteriores já demonstraram à saciedade que todas as operações com o ágio e os efeitos dai decorrentes são inoponiveis à Fazenda Nacional por indevidas.” Considero a matéria não impugnada. Isso porque a dedução das despesas de ágio amortizado, no cômputo do resultado do exercício, e a exclusão de ágio amortizado, na base de cálculo do lucro real, são infrações distintas, isto é, têm fundamentos fáticos e jurídicos distintos. Anotese o que a Fiscalização registrou a respeito de cada uma dessas infrações: a) despesas de ágio lançadas na apuração do resultado do exercício: “158 as despesas de amortização de ágio tal qual lançadas pela fiscalizada são consideradas desnecessárias à manutenção das atividades da empresa, e não são amortizáveis, não tendo o amparo legal dos ditames previstos do artigo 324 ao 327 do RIR/99; b) exclusão de ágio amortizado na base de cálculo do lucro real : “170 Com a finalidade de obter o beneficio fiscal pretendido, a fiscalizada lançou em livro LALUR e em seus controles de apuração da Base de Cálculo da CSLL a totalidade do valor anteriormente registrado como despesa no anocalendário 2008, efetuando EXCLUSÃO na apuração do Lucro Real Anual, sob o histórico "Amortização de Ágio" na listagem dos ajustes a serem efetuados (folha 25 do LALUR 2008) e sob o histórico "3.09 Reversão Provisão Instr CVM349/01" no quadro de apuração do Lucro Real (folha 26 do LALUR 2008). 171 O Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto 3.000 de 26/03/99, assim dispõem em seus artigos 247 e em relação às exclusões da base de cálculo do IRPJ e da CSLL: O artigo 17 do Decreto nº 70.235/1972 dispõe no sentido de se considerar “não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.” Em face desse mandamento, tenho a matéria como não contestada. Quanto aos juros sobre o capital próprio, a Fiscalização expôs o seguinte: “181 Foi elaborada planilha anexa a este Auto de Infração denominada "Demonstrativo de Apuração dos Juros sobre o Capital Próprio creditados/pactos em excesso 2003 a 2008", através da qual foram determinados os limites de crédito de despesas a títido de Juros sobre o Capital próprio a que estava sujeita a fiscalizada calculadas com base na TJLP. 182 Tomouse como ponto de partida para determinação dos Juros sobre o Capital Próprio os cálculos efetuados pela fiscalizada, entregues a este Serviço de Fiscalização em 27/10/2009. Fl. 5470DF CARF MF Processo nº 10830.016637/200945 Acórdão n.º 1301002.278 S1C3T1 Fl. 5.425 93 183 Tendo em vista o disposto no artigo 167 do Código Civil (Lei n° 10.406, de 10 de janeiro de 2002), foi desconsiderada de oficio a operação de criação de ágio fictício pretendida pela fiscalizada, traduzida materialmente pelo saldo contido na conta contábil n° "1350111 Ágio s/Investimento" (anterior 1311112 em 2002) no montante de RS 431.693.589,64 através de sua reversão contra as contas de Patrimônio Liquido. 184 Outrossim, foram revertidas todas as demais congêneres da conta contábil 1350111 para efeito de cálculo dos Juros sobre o Capital Próprio para então procederse à aplicação da Taxa de Juros de Longo Prazo TJLP e determinarse o montante real dessa despesa que poderia ter sido creditado no período compreendido entre 01/2003 e 12/2008. 185 Sendo assim, também foram revertidos contra o Patrimônio Líquido os saldos anuais das contas contábeis: □ 1350112 Provisão Instr CVM 349/01; □ 1355101 Ágio Trazido por Incorporação (anterior 1311113 em 2002); □ 1355102 Reversão Reserva Instr 349/01; 186Ainda, em benefício da fiscalizada, foram aglutinados ao seu Patrimônio Líquido, ano a ano todos os valores lançados através do presente Auto de Infração, líquidos do IRPJ e da CSLL incidentes sobre as infrações constatadas para que servissem de origem de recursos e acrescentem em valor a base de cálculo correta sobre a qual poderia ter sido calculada a rubrica de Juros sobre o Capital Próprio por parte da fiscalizada. 187 Conforme consta do referido demonstrativo, isso foi feito mediante inclusão anual ao Patrimônio Líquido da fiscalizada dos seguintes valores glosados nos anoscalendário imediatamente anteriores, de forma acumulada e líquidos do IRPJ e da CSLL devidos: o Amortização do ágio contido na conta 4300008 Despesa Amortização Agio e; o Valores glosados a titulo de Juros sobre o Capital Próprio creditados em excesso contidos na conta "5100003 Juros Remuneração Capital Próprio". 188 Outro ajuste necessário feito anualmente no Patrimônio Líquido da empresa foi a sua redução como resultado da distribuição líquida de valores em montante superior ao permitido para a despesa de Juros sobre o Capital Próprio. 189 Tendo em vista que o limite de crédito/pagamento de despesas a título de Juros sobre o Capital Próprio encontravase em um patamar inferior ao pretendido pela fiscalizada, para os anoscalendário 2003 a 2007, os valores líquidos efetivamente distribuídos aos proprietários da fiscalizada que excederam a este limite foram considerados como Lucros ou Dividendos distribuídos, reduzindo em conseqüência o Patrimônio Líquido. 190Todos esses ajustes citados podem ser acompanhados detalhadamente mediante exame do "Demonstrativo de Apuração dos Juros sobre o Capital Próprio creditados/pagos em excesso 2003 a 2008". 191Após o computo dos ajustes efetuados em decorrência da desconsideração da criação dos ativos fictícios citados, os limites de distribuição de Fl. 5471DF CARF MF 94 Juros sobre o Capital Próprio e a situação patrimonial da fiscalizada encontravam se no seguinte patamar: Juros sobre o Capital Ano‐calendário Próprio máximo calculado ﴾TJLP﴿ Patrimonio Liquido utilizado para calculo ﴾valores iniciáis em 31/12 do ano‐calendário anterior﴿ 2003 R$ 30.462.892,05 R$264.890.106,70 2004 R$ 40.544.267,69 R$359.545.407,67 2005 R$ 66.351.048,34 R$641.896.456,07 2006 R$60.951.325,49 R$ 793.298.111,85 2007 R$ 54.228.378,45 R$850.358.668,13 2008 R$59.815.538,02 R$960.424.412,16 192 Do confronto entre os valores pleiteados pela fiscalizada a título de despesas com o crédito/pagamento de Juros sobre o Capital Próprio e o valor calculado desconsiderando se a existência de ativos fictícios com contrapartida em seu Patrimônio Líquido foi determinado o valor da glosa de valores creditados/pagos em excesso: Ano‐Calendàrio Juros sobre o Capital Próprio creditado/pago Juros sobre o Capital Próprio máximo calculado ﴾TJLP﴿ Juros sobre o Capital GLOSADO 2003 RS 48.037.000,00 R$ 30.462.892,05 R$ 17.574.107,95 2004 R$ 52.435.000,00 R$ 40.544.267,69 R$ 11.890.732,31 2005 R$ 75.719.800,00 R$ 66.351.048,34 R$9.368.751,66 2006 R$ 64.222.000,00 R$60.951.325,49 R$ 3.270.674,51 2007 R$ 55.335.800,00 R$ 54.228.378,45 R$1.107.421,55 2008 R$ 57.112.000,00 R$ 59.815.538,02 ZERO 193 Deste quadro temse que será procedida a glosa dos valores dos Juros sobre o Capital Próprio creditados em excesso para os anoscalendário 2003 a 2007. 194 Com relação a esta infração, foi aplicada a multa qualificada, tendo em vista que para efetuar os cálculos dos Juros sobre o Capital Próprio a fiscalizada inflou seu Patrimônio Líquido mediante a inclusão de contrapartidas provenientes da criação de ativos fictícios engendrados mediante simulação, o que, em tese, caracterizase conto crime contra a ordem tributária, previsto nos art. lo e 2o da Lei n° 8.137/90.” A Recorrente, a seu turno, apresentou os argumentos abaixo: “172. Ademais, conforme constatado pela própria D. Fiscalização, a Mead do Brasil constituiu uma provisão em seu patrimônio liquido, regulada pela Instrução da CVM de n° 319, de 3.12.1999 ("ICVM 319/99"), com as alterações dadas pela Instrução da CVM de n° 349, de 6.3.2001 ("ICVM 349/99"), cujo objetivo era o de ajustar o valor ao seu valor provável de realização o ágio registrado em relação à Recorrente. Em termos práticos, após a incorporação da Mead do Brasil, essa provisão tinha como efeito a redução do valor contábil do ágio então contabilizado no ativo diferido da Recorrente para cerca de 34% do seu valor original. Ora, só este fato já demonstra a correção técnicocontábil dos procedimentos adotados pela Recorrente, pois, se sua intenção fosse se aproveitar indevidamente de benefícios fiscais, essa provisão não teria sido constituída e o resultado seria que a base contábil da Recorrente para o pagamento de juros sobre o capital próprio seria substancialmente maior. Mas, ao contrario disso, a Recorrente sempre procurou se valer de boas praticas contábeis, assim como da legislação fiscal em vigor. (grifei) 173. É necessário também ressaltar que, mesmo que se entendesse que o ágio contabilizado pela Recorrente não pudesse ser amortizado para fins fiscais, o que se admite apenas para argumentar, ainda assim, as operações que levaram à Fl. 5472DF CARF MF Processo nº 10830.016637/200945 Acórdão n.º 1301002.278 S1C3T1 Fl. 5.426 95 integração da Mead Brasil com a Recorrente tiveram como efeito contábil último registro de um ágio no patrimônio liquido da Recorrente." (grifei) [...] "175. Portanto, independentemente de esse ágio poder realmente ser amortizado para fins fiscais pela Recorrente, em qualquer caso, ele existiu efetivamente, como fruto de operações legitimas e verdadeiras, como foi acima comentado. Logo, resta claro que os pagamentos de juros sobre o capital próprio feitos pela Recorrente foram legítimos e a sua correspondente dedutibilidade foi feita nos termos da lei aplicável. A Recorrente não tem razão. Conforme o já exposto, decidiuse, acima, que o ágio é indedutível porque é artificial. Querse dizer, com isso, que não tem substância econômica alguma. Sendo assim, a Fiscalização deveria recompor, como efetivamente recompôs, o cálculo mensal dos limites dos juros sobre o capital próprio, considerando a influência do ágio amortizado na determinação do patrimônio líquido. Nesse escopo, mostrouse necessário ajustar o patrimônio líquido, depurandoo dos efeitos decorrentes da contabilização do ágio, incluindo os derivados de contas contábeis provenientes da regulação da CVM sobre o ágio. A despeito da artificialidade do ágio, fruto de uma inventividade voltada à obtenção de vantagens indevidas, a Recorrente pleiteia que se reconheçam os juros sobre o capital próprio como se os ágios tivessem fundamento de validade. Obviamente, a Recorrente não pode obter proveito algum dessa artificialidade. Também aqui, é imprescindível que se contenham as possíveis consequências que a fraude e o conluio podem gerar, em benefício daquele que forjou uma rede de alterações societárias em desfavor do Fisco Por conseguinte, nego provimento ao recurso. No que diz respeito à multa isolada, explico que o pagamento do imposto por estimativa, instituído pela Lei nº 9.430/1996, é uma alternativa à apuração trimestral, prevista na mesma lei. Feita a opção pelo recolhimento do imposto por estimativa, o Estado aguarda a entrada desses recursos. O contribuinte, por outro lado, pode ser autuado com a imposição de uma multa isolada, caso deixe de efetuar o recolhimento das estimativa sem o amparo de balanço de suspensão ou redução previsto no artigo 35 da Lei nº 8.981/1995. Entretanto, para o julgamento da questão aqui articulada, mostrase indispensável retornar à redação original da Lei nº 9.430/1996 para confronto com o texto atual, daí entrecortando com a jurisprudência antiga até a exegese que ressai da disposição normativa hoje em vigor. Reparese a redação original do inciso IV, § 1º, do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, verbis: "Art.44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de Fl. 5473DF CARF MF 96 declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; [...] § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: [...] IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente; " Uma posição majoritária defendia que tal disposição prescritiva era compatível com a interpretação de que, sendo o recolhimento por estimativas antecipação do tributo apurado na declaração de ajustes, não poderia ser aplicada a multa isolada em questão depois de encerrado o períodobase de apuração, porque, desde então, já teria ocorrido o fato gerador do IRPJ, sendo conhecido o tributo definitivo a ser recolhido. Para essa corrente, o disposto no inciso IV, § 1º, do artigo 44, da Lei 9.430/1996 tinha como propósito obrigar o sujeito passivo da obrigação tributária ao recolhimento mensal de antecipações de um provável imposto de renda e contribuição social devidos ao final do anocalendário, a denotar o inerente dever de antecipar o cumprimento de uma obrigação futura. De acordo com essa linha, a partir do encerramento do anocalendário, desaparecia o dever de efetuar a antecipação e, com isso, a penalidade perdia sua razão de ser, pela ausência da necessária ofensa a um bem juridicamente tutelado. A posição então dominante consagrouse neste Conselho, nos termos da Súmula CARF nº 105: "A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício." A posição doutrinária e jurisprudencial então prevalecente desprezava que o inciso IV, § 1º, do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996 estabelecia, em sua redação original, que a multa isolada decorrente da falta ou insuficiência do recolhimento de estimativas também deveria ser aplicada, ainda que a pessoa jurídica viesse a apurar prejuízo fiscal ou base negativa de CSLL. Isso, por si só, já revelava que a multa isolada em apreço poderia ser aplicada mesmo depois de levantado o balanço de encerramento do anocalendário, pois sua incidência não dependia do resultado fiscal apurado nesse mesmo balanço. Acontece que, em 2007, foi editada a Lei nº 11.488 (MP nº 351/2007), que alterou o texto do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, que passou a ter a seguinte redação: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido Fl. 5474DF CARF MF Processo nº 10830.016637/200945 Acórdão n.º 1301002.278 S1C3T1 Fl. 5.427 97 apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica." Já em primeiro plano se verifica que a multa isolada, antes incidente sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição estimada, conforme a prescrição original do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, passou a incidir sobre o valor do pagamento mensal que, na forma do artigo 2º da mesma lei, deixar de ser efetuado, caso a falta de pagamento não esteja justificada em balanços de suspensão ou redução, estabelecidos pelo artigo 35 da Lei nº 8.981/95. Tal entendimento está alinhado ao pensamento do Conselheiro Alberto Pinto Silva Júnior, conforme acórdão nº 1302001.8263, sessão de 06/04/2016, assim anunciado: “Ressaltese que o simples fato de alguém, optante pelo lucro real anual, deixar de recolher o IRPJ mensal sobre a base estimada não enseja per se a aplicação da multa isolada, pois esta multa só é aplicável quando, além de não recolher o IRPJ mensal sobre a base estimada, o contribuinte deixar de levantar balanço de suspensão, conforme dispõe o art 35 da Lei nº 8.981/95. Assim, a multa isolada não decorre unicamente da falta de recolhimento do IRPJ mensal, mas da inobservância das normas que regem o recolhimento sobre bases estimadas, ou seja, do regime .” A alteração legislativa decorreu do claro propósito de contornar a jurisprudência dominante, ao trazer ao mundo jurídico que a multa isolada não mais incidirá sobre um tributo antecipado, como o próprio caput do artigo 44 sugeria, em sua redação original, ao prescrever que, “nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição”. Com a Lei nº 11.488/2007, a multa isolada é aplicada sempre que o contribuinte não efetuar o pagamento integral da estimativa que compõe o esperado fluxo de caixa da União, embora não mais incidente sobre a totalidade ou diferença da antecipação de tributo não recolhida, mas incidente sobre o valor do pagamento mensal que deixar de ser efetuado, ainda que o contribuinte apure prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa de CSLL, ao final do anocalendário, caso lhe falte o devido suporte em balanço de suspensão ou redução A nova disposição do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, com a redação dada pela Lei nº 11.488/2007, não deixa dúvida a respeito de duas multas distintas: a primeira, no inciso I, de 75%, sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição (multa de ofício), aplicável nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, falta de declaração e declaração inexata; a segunda, no inciso II, de 50% (multa isolada), calculada sobre o valor do pagamento de estimativa que deixar de ser efetuado, devida sempre que o contribuinte não efetuar o pagamento da totalidade da estimativa apurada na forma do artigo 2º, sem o apoio de balanço de suspensão ou redução. A ressalva constante da redação atual do inciso II do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, no sentido de que a multa é exigida isoladamente do tributo devido ao final do anocalendário, já traduz, por outro lado, que a multa do inciso I sempre é exigida em conjunto com o tributo devido. Tanto é assim que a multa do inciso I não é aplicada em caso de apuração, no balanço do encerramento do anocalendário, de prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa de CSLL, ao passo que a multa do inciso II independe da apuração de lucro ou prejuízo fiscal, ou de base de cálculo positiva ou negativa de CSLL. Esta última deve ser exigida se o contribuinte deixar de efetuar o pagamento integral da estimativa sem a cobertura Fl. 5475DF CARF MF 98 de um balanço de suspensão ou redução, ainda que, ao final do anocalendário, seja apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa de CSLL. Podese ver que os fatos geradores dessas multas são distintos: para o inciso I do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, falta de pagamento ou recolhimento do tributo apurado em declaração de ajuste, falta de declaração e declaração inexata; para o inciso II, falta de pagamento, ou pagamento insuficiente, das estimativas apuradas, desprovida de lastro em balanço de suspensão ou redução. Portanto, são infrações distintas, com graduações distintas e decorrentes de fatos geradores distintos. Não há, por conseguinte, bis in idem. Se o contribuinte opta pela apuração anual, o que implica submissão às normas determinantes do recolhimento por estimativa, não poderá alegar que, sem o amparo de balanço de suspensão ou redução, não estará sujeito à multa isolada após o encerramento do anocalendário, tendo em conta que dessa proposição resultaria inegável desestímulo à realização de recolhimentos mensais apurados sobre bases de cálculo estimadas ou mesmo sobre bases de cálculo efetivas apuradas trimestralmente, colocando em risco o fluxo de caixa da União, que é dependente tanto da efetivação da antecipação de tributos como da efetivação de recolhimentos definitivos de tributos federais. Complementese o exposto com a orientação extraída do acórdão nº 9101 002.438 da CSRF, 1ª Turma, relatora Conselheira Adriana Gomes Rego, sessão de 20/09/2016, no sentido de que, “sob essa ótica, o recolhimento de estimativas melhor se alinha ao conceito de obrigação acessória que à definição de obrigação principal, até porque a antecipação do recolhimento é, em verdade, um ônus imposto aos que voluntariamente optam pela apuração anual do lucro tributável, e a obrigação acessória, nos termos do art. 113, § 2º do CTN, é medida prevista não só no interesse da fiscalização, mas também da arrecadação dos tributos.” Diante disso, aplicando a Súmula CARF nº 105, dou provimento ao recurso voluntário para afastar a multa isolada incidente sobre diferenças de estimativas correspondentes aos fatos geradores ocorridos até o mês de maio de 2007. Quanto à incidência dos juros à taxa Selic, cabe aduzir ao entendimento jurisprudencial consolidado na Súmula CARF nº 4: “Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” Portanto, impende negar provimento ao pedido. Quanto à incidência dos juros de mora sobre a multa lançada de ofício, considero que o o ponto crucial da dúvida está na redação do § 3º do artigo 61 da Lei nº 9.430/1996, verbis: “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) Fl. 5476DF CARF MF Processo nº 10830.016637/200945 Acórdão n.º 1301002.278 S1C3T1 Fl. 5.428 99 §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998) Mais especificamente, objetivase descortinar se, nos débitos a que se refere o § 3º do artigo 61 da Lei nº 9.430/1996, estão incluídos o tributo suprimido ao Erário e a multa proporcional aplicada mediante lançamento de ofício, ou somente o valor do tributo suprimido. De início, devese aludir à previsão legal que veda a incidência de juros de mora sobre a multa de mora, conforme dispõe o parágrafo único do artigo 16 do Decretolei nº 2.323/1987, com a redação dada pelo artigo 6º do Decretolei nº 2.331/1987, verbis: “Art. 6º. Os arts. 15 e 16 do Decretolei nº 2.323, de 26 de fevereiro de 1987, passam a vigorar com a seguinte redação: "Art. 15. Os débitos para com a Fazenda Nacional, de natureza tributária, para com o Fundo de Investimento Social (Finsocial) e para com o Fundo de Participação PISPasep, não pagos no vencimento, serão acrescidos de multa de mora. Parágrafo único. A multa de mora será de vinte por cento sobre o valor monetariamente atualizado do tributo ou contribuição, sendo reduzida a dez por cento se o pagamento for efetuado até o último dia útil do terceiro mês subseqüente àquele em que tiver ocorrido o vencimento do débito. Art. 16. Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional, para com o Fundo de Participação PISPasep, assim como aqueles decorrentes de empréstimo compulsórios, serão acrescidos, na via administrativa ou judicial, de juros de mora, contados do mês seguinte ao do vencimento, à razão de um por cento ao mês calendário ou fração e calculados sobre o valor monetariamente atualizado na forma deste decretolei. Parágrafo único. Os juros de mora não incidem sobre o valor da multa de mora de que trata o artigo anterior." Percebase que o Decretolei nº 2.323/1987, ao ressalvar a multa de mora, não vedou a incidência dos juros de mora sobre a multa proporcional aplicada mediante lançamento de ofício. Por outro lado, o § 3º do artigo 950 do Decreto nº 3000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99) estabelece que a multa de mora não deve aplicada se o tributo suprimido ao Erário já tiver servido de base de cálculo para a multa proporcional decorrente de lançamento de ofício, verbis: “Art. 950. Os débitos não pagos nos prazos previstos na legislação específica serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento por dia de atraso (Lei nº 9.430, de 1996, art. 61). Fl. 5477DF CARF MF 100 § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do imposto até o dia em que ocorrer o seu pagamento (Lei nº 9.430, de 1996, art. 61, § 1º). § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento (Lei nº 9.430, de 1996, art. 61, § 2º). § 3º A multa de mora prevista neste artigo não será aplicada quando o valor do imposto já tenha servido de base para a aplicação da multa decorrente de lançamento de ofício.” (grifei) Assim, sou da opinião de que a expressão “os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal”, constante do caput do artigo 61 da Lei nº 9.430/1996, deve ser interpretada no sentido de compreender, para fins de incidência dos precitados juros moratórios, a diferença do tributo não recolhida até a data de seu vencimento, em razão de sua equivocada determinação, e a consequente multa aplicada mediante lançamento de ofício. Para tal empreitada exegética, é preciso considerar os artigos 113, § 1 º; 139 e 161, caput e § 1º, do Código Tributário Nacional (CTN), verbis: “Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente.” “Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta.” “Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês.” A teor dos artigos suprarreferidos: a) o crédito tributário é uma decorrência da obrigação tributária principal (CTN, artigo 139); b) essa obrigação tem por objeto o pagamento do tributo ou da penalidade pecuniária imposta como consequência do descumprimento do dever legal de entregar ao Estadocredor, no prazo legal, o valor integral do tributo, apurado em consonância com as normas legais (CTN, § 1º do artigo 113); c) o crédito não integralmente pago no vencimento, de que trata o caput do artigo 161 do CTN, não se resume ao valor do tributo suprimido ao Erário, porquanto a infração consistente na supressão do tributo é fato gerador da multa proporcional a ser aplicada mediante lançamento de ofício. Portanto, o § 3º do artigo 161 do CTN abarca o valor do tributo suprimido e a multa a ser aplicada de ofício, em decorrência da supressão do tributo. Em apoio à interpretação aqui defendida, trazse à colação o Resp nº 1.129.990PR, publicado no Dje no dia 14/09/2009, relator Ministro Castro Meira: “Da sistemática instituída pelo art. 113, caput e parágrafos, do Código Tributário NacionalCTN, extraise que o objetivo do legislador foi estabelecer um Fl. 5478DF CARF MF Processo nº 10830.016637/200945 Acórdão n.º 1301002.278 S1C3T1 Fl. 5.429 101 regime único de cobrança para as exações e as penalidades pecuniárias, as quais caracterizam e definem a obrigação tributária principal, de cunho essencialmente patrimonialista, que dá origem ao crédito tributário e suas conhecidas prerrogativas, como, a título de exemplo, cobrança por meio de execução distinta fundada em Certidão de Dívida AtivaCDA. A expressão "crédito tributário" é mais ampla do que o conceito de tributo, pois abrange também as penalidades decorrentes do descumprimento das obrigações acessórias. Em sede doutrinária, ensina o Desembargador Federal Luiz Alberto Gurgel de Faria que, "havendo descumprimento da obrigação acessória, ela se converte em principal relativamente à penalidade pecuniária (§ 3º), o que significa dizer que a sanção imposta ao inadimplente é uma multa, que, como tal, constitui uma obrigação principal, sendo exigida e cobrada através dos mesmos mecanismos aplicados aos tributos " (Código Tributário Nacional Comentado: Doutrina e Jurisprudência, Artigo por Artigo. Coord.: Vladimir Passos de Freitas. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2ª ed., 2004, p. 546) De maneira simplificada, os juros de mora são devidos para compensar a demora no pagamento. Verificado o inadimplemento do tributo, advém a aplicação da multa punitiva que passa a integrar o crédito fiscal, ou seja, o montante que o contribuinte deve recolher ao Fisco. Se ainda assim há atraso na quitação da dívida, os juros de mora devem incidir sobre a totalidade do débito, inclusive a multa que, neste momento, constitui crédito titularizado pela Fazenda Pública, não se distinguindo da exação em si para efeitos de recompensar o credor pela demora no pagamento. (grifei) Em suma, o crédito tributário compreende a multa pecuniária, o que legitima a incidência de juros moratórios sobre a totalidade da dívida. Rematando, confirase a lição de Bruno Fajerstajn, encampada por Leandro Paulsen (Direito Tributário Constituição e Código Tributário à Luz da Doutrina e da Jurisprudência. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 9ª ed., 2007, p. 1.027 1.028): "A partir da redação do dispositivo, fica evidente que os tributos não podem corresponder à aplicação de sanção pela prática de ato ilícito, diferentemente da penalidade, a qual, em sua essência, representa uma sanção decorrente do descumprimento de uma obrigação. A despeito das diferenças existentes entre os dois institutos, ambos são prestações pecuniárias devidas ao Estado. E no caso em estudo, as penalidades decorrem justamente do descumprimento de obrigação de recolher tributos. Diante disso, ainda que inconfundíveis, o tributo e a penalidade dele decorrente são figuras intimamente relacionadas. Ciente disso, o Código Tributário Nacional, ao definir o crédito tributário e a respectiva obrigação, incluiu nesses conceitos tanto os tributos como as penalidades. (grifei) Com efeito, o art. 139 do Código Tributário Nacional define crédito tributário nos seguintes termos: Fl. 5479DF CARF MF 102 'Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta'. Já a obrigação principal é definida no art. 113 e no parágrafo 1º. Vejase: 'Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente'. Como se vê, o crédito e a obrigação tributária são compostos pelo tributo devido e pelas penalidades eventualmente exigíveis. No entanto, essa equiparação, muito útil para fins de arrecadação e administração fiscal, não identifica a natureza jurídica dos institutos. (...) (grifei) O Código Tributário Nacional tratou da incidência de juros de mora em seu art. 161. Confirase: 'Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito' A redação deste dispositivo permite concluir que o Código Tributário Nacional autoriza a exigência de juros de mora sobre 'crédito' não integralmente recolhido no vencimento. Ao se referir ao crédito, evidentemente, o dispositivo está tratando do crédito tributário. E conforme demonstrado no item anterior, o crédito tributário decorre da obrigação principal, na qual estão incluídos tanto o valor do tributo devido como a penalidade dele decorrente. (grifos no original) Sendo assim, considerando o disposto no caput do art. 161 acima transcrito, é possível concluir que o Código Tributário Nacional autoriza a exigência de juros de mora sobre as multas" (Exigência de Juros de Mora sobre as Multas de Ofício no Âmbito da Secretaria da Receita Federal. Revista Dialética de Direito Tributário, São Paulo, n. 132, p. 29, setembro de 2006). (grifos no original) Ante o exposto, dou provimento ao recurso especial.”(grifos no original) Essa é a diretriz a ser seguida, para se descortinar o alcance do § 3º do artigo 61 da Lei nº 9.430/1996, fundamento legal da multa aplicada no caso concreto. Fl. 5480DF CARF MF Processo nº 10830.016637/200945 Acórdão n.º 1301002.278 S1C3T1 Fl. 5.430 103 Do preceito acima invocado, destacase a incidência de juros de mora sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições. Facilmemente se infere que as multas ora comentadas só nascem porque há tributo devido a ser exigido de ofício. Não houvesse tributo sonegado, não haveria multa proporcional a ser lançada de ofício. Essa deve ser a linha de raciocínio para o desvendamento do que se pode entender no âmbito da expressão “débitos decorrentes de tributos e contribuições.” Pelas razões acima referidas, manifesto que as multas proporcionais aplicadas em lançamento de ofício, por descumprimento a mandamento legal que estabelece a determinação do valor de tributo administrado pela Receita Federal do Brasil a ser recolhido no prazo legal, estão inseridas na compreensão do § 3º do artigo 61 da Lei nº 9.430/1996, sendo, portanto, suscetíveis à incidência de juros de mora à taxa Selic. Alfim, saliento que a Câmara Superior já decidiu segundo a linha exegética aqui anunciada: “JUROS DE MORA — MULTA DE OFICIO — OBRIGAÇÃO PRINCIPAL— A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic”. (Ac. CSRF/04 00.651, de 18/09/2007, proc. 16327.002231/200285, Rel. Cons. Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho) “JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.” (Ac. 910100.539, de 11/03/2010, proc. 16327.002243/9971, Rel. Cons. Valmir Sandri, Redatora Designada Cons. Viviane Vidal Wagner) Com base no exposto, nego provimento ao recurso, quanto à questão examinada. Presentes, pois, os fundamentos acima colacionados, proponho não conhecer do recurso voluntário quanto à exclusão de ágio amortizado na base de cálculo do lucro real e, quanto à parte conhecida, dar provimento parcial ao recurso para afastar a multa isolada aplicada sobre diferenças de estimativas relativas aos fatos geradores ocorridos até o mês de maio de 2007. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Voto Vencedor Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, Redator Designado Fl. 5481DF CARF MF 104 Em que pese o bem elaborado e fundamentado voto do ilustre Relator, durante as discussões ocorridas por ocasião do julgamento do presente litígio surgiu divergência que levou a conclusão diversa, exclusivamente no que diz respeito: (1) à redução da multa qualificada para 75%; (2) à decadência para o anocalendário 2003; e (3) à incidência de multas exigidas isoladamente aplicada sobre diferenças de estimativas relativas aos fatos geradores ocorridos após o mês de maio de 2007. Passo a expor os fundamentos das divergências e as conclusões às quais chegou o Colegiado, para cada uma dessas situações. (1) Acerca da redução da multa qualificada para 75% O ilustre Relator considerou que os instrumentos societários utilizados revelam o artificialismo do ágio, e enfatizou que a transformação da Meadwstvaco do Brasil em controladora da recorrente e, ato continuo, a incorporação daquela por esta trazem à baila a inexistência de qualquer intenção negocial/societária. Destaca que a operação planejada entre as empresas de um mesmo grupo, propicia a criação de um ágio fictício, engendrado com o evidente intuito de criar despesas de amortização em uma delas, diminuindo ilegalmente sua base tributável, face à inexistência de sentido comercial e econômico para a operação. Desta forma, concluiu que estas condutas se encontram tipificadas nos artigos 72 e 73 da Lei nº 4.502/1964, impondose a multa qualificada de 150%. Essa discussão não é nova no CARF, nem para este Colegiado, tendo sido objeto de extensas discussões que, afinal, conduziram ao entendimento majoritário deste Colegiado. pela inaplicabilidade da multa qualificada, quando se trata de mera divergência de interpretação de normas. A qualificação da multa, na forma prevista pelo § 1º, do artigo 44, da Lei nº 9.430/96, pode ser aplicada tãosomente aos casos em que o contribuinte incorra em uma das hipóteses descritas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64. Entendo que não pode ser presumida pela autoridade fiscalizadora a atividade de sonegação, fraude ou conluio, devendo o lançamento da multa qualificada de 150% ser minuciosamente descrito e comprovado pelo agente fiscal. No que se refere à ocorrência do fato gerador, penso que não restou caracterizada a prática de ação visando impossibilitar a execução, o prosseguimento ou oposição de qualquer forma de obstáculo, ou, ainda, alguma forma de retardamento do fato gerador. Houve publicação dos atos, registro contábil das operações e informação à administração tributária. Tampouco vislumbrei a incidência de alguma forma de exclusão ou modificação das características essenciais do fato gerador, de modo a reduzir o montante do imposto, evitar ou diferir seu pagamento. O Contribuinte, ora Interessado, na sua interpretação da legislação tributária/societária, entendeu que pudesse praticar os atos já exaustivamente detalhados e, com esta postura, se beneficiar do tratamento fiscal disposto no art. 386 do RIR/99, nada além disso, ao meu sentir. Assim, a interpretação equivocada da legislação tributária não é suficiente para que seja atribuída ao contribuinte a conduta dolosa ou fraudulenta. Fl. 5482DF CARF MF Processo nº 10830.016637/200945 Acórdão n.º 1301002.278 S1C3T1 Fl. 5.431 105 Desta forma, por entender não estar devidamente consubstanciado nos autos a atividade fraudulenta do contribuinte, voto pela improcedente a aplicação de multa qualificada, nos termos do § 1º, do artigo 44, da Lei nº 9.430/96. (2) Acerca da decadência para o anocalendário 2003 Nos termos da decisão do STJ, no REsp nº 973.733, no regime do art. 543C do CPC, o termo inicial para a contagem do prazo de decadência de cinco anos em relação aos tributos sujeitos a lançamento por homologação será: I em caso de dolo, fraude ou simulação: 1º dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (art. 173, I, do CTN); II nas demais situações: a) se houve pagamento antecipado ou declaração de débito: data do fato gerador (art. 150, §4º, do CTN); b) se não houve pagamento antecipado ou declaração de débito: 1º dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (art. 173, I, do CTN). No caso concreto, proferida a decisão no sentido de inaplicabilidade da multa qualificada, nos termos acima propostos, sendo comprovado ainda o pagamento antecipado (estimativas pagas), deslocase a contagem do prazo decadencial para o artigo 150, §4º, do CTN, impondose o reconhecimento da decadência para fatos geradores ocorridos em 2003, vez que o lançamento tributário foi efetuado em 2009. (3) Acerca da incidência de multas exigidas isoladamente aplicada sobre diferenças de estimativas relativas aos fatos geradores ocorridos após o mês de maio de 2007. A matéria tem sido objeto de discussões ao longo do tempo, comportando decisões favoráveis e contrárias à aplicação simultânea da multa isolada pelo não pagamento de estimativas apuradas no curso do anocalendário e da multa proporcional concernente à falta de pagamento do tributo devido apurado no balanço final do mesmo anocalendário. A própria Câmara Superior de Recursos Fiscais oscilou seu entendimento, e já rejeitou a aplicação simultânea das referidas multas, sob o argumento de que o não pagamento das estimativas seria apenas uma etapa preparatória da execução da infração. Como estimativas caracterizamse meras antecipações dos tributos devidos, a concomitância significaria dupla imposição de penalidade sobre a mesma infração, qual seja, o descumprimento de uma obrigação principal a pagar. Filiome a este entendimento. Encerrado o anocalendário, não há o que se falar em recolhimento de estimativa, mas sim no efetivo imposto devido. Aqui, diferentemente das estimativas, temse infração que diz respeito ao não pagamento de tributo e, portanto, cominada com penalidade mais grave. Nestes casos a multa devida é a de ofício incidente sobre o tributo devido e não pago. Não sendo apurado tributo devido não há o que se falar em multa isolada. Quando se fala em multa isolada, esta só pode estar relacionada ao não recolhimento das estimativas devidas durante o anocalendário. É devida até o momento Fl. 5483DF CARF MF 106 previsto para apuração do imposto devido. Verificado o fato gerador sem que o sujeito ofereça lucros à tributação, não há o que se falar em multa isolada, mas sim em exigência dos tributos devidos com multa de 75%. Por esta razão, não subsiste o argumento de que a multa isolada deve ser exigida após o encerramento do período de apuração, ainda que em concomitância com a multa de ofício, em virtude de estar prevista em norma autônoma e por não ter o sujeito passivo adimplido a obrigação na data do vencimento. Não se pode interpretar um dispositivo legal desconsiderando as demais normas que integram o sistema. Se assim fosse, pressupondo atraso do sujeito passivo em relação ao vencimento do tributo, chegaríamos ao ponto de formar raciocínio equivocado cumulando multa de ofício com multa moratória. Para tal, bastaria dizer que sendo a multa moratória devida nos casos de atraso no pagamento e que nos casos de omissão há atraso, ter seia situação em que ambas as multas seriam devidas. Mais, sempre que uma conduta de menor gravidade se constituir em pressuposto para que ocorra uma infração punida com penalidade mais grave, esta absorve a menor. Neste sentido basta observar o princípio da consunção, expresso na súmula 17 do STJ. Desta forma, é incabível a exigência de multa isolada pelo não recolhimento de estimativas, e, por isso, voto por manter a multa de ofício e excluir a multa isolada. Conclusão Sendo assim, em conformidade com as razões acima descritas, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer a decadência para o anocalendário 2003, reduzir a multa qualificada para 75% e afastar as multas exigidas isoladamente. Saliente se que em todos os demais aspectos, a decisão se deu conforme o voto do ilustre Relator. (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Fl. 5484DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.905573/2012-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jun 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2007
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2007
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado.
PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL.
A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar as provas necessárias à comprovação dos créditos alegados.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-002.794
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Marcelo Giovani Vieira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201704
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2007 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2007 ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL. A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar as provas necessárias à comprovação dos créditos alegados. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jun 20 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 13888.905573/2012-87
anomes_publicacao_s : 201706
conteudo_id_s : 5735422
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jun 20 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3201-002.794
nome_arquivo_s : Decisao_13888905573201287.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : WINDERLEY MORAIS PEREIRA
nome_arquivo_pdf_s : 13888905573201287_5735422.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Marcelo Giovani Vieira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário.
dt_sessao_tdt : Wed Apr 26 00:00:00 UTC 2017
id : 6814640
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:02:02 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049211297071104
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1445; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13888.905573/201287 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3201002.794 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 26 de abril de 2017 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente GENERAL CHAINS DO BRASIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL. A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar as provas necessárias à comprovação dos créditos alegados. Recurso Voluntário Negado ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 55 73 /2 01 2- 87 Fl. 127DF CARF MF Processo nº 13888.905573/201287 Acórdão n.º 3201002.794 S3C2T1 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Marcelo Giovani Vieira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário. Relatório GENERAL CHAINS DO BRASIL LTDA. transmitiu PER/DCOMP alegando indébito da contribuição social (PIS ou Cofins). A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação, em virtude de o pagamento informado ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Em Manifestação de Inconformidade, o declarante informou que o direito creditório decorrera do recolhimento indevido da contribuição sobre receitas financeiras, que, segundo ele, estavam sujeitas à alíquota zero. Argumentou que, apesar de não ter declarado o referido pagamento por compensação em DCTF, procedera à retificação da declaração logo após ter sido notificado, tratandose, portanto, de mero erro de fato, passível de superação em prol da justiça e da boa fé. Não obstante essa sua afirmação, o contribuinte alegou também em sua Manifestação de Inconformidade o seguinte: Não há meios para efetuar a DCTF retificadora de forma a corrigir o inequívoco erro, o que a Lei admite, pois expirou o prazo prescricional de 05 anos para referida retificação via meios eletrônicos e ainda em face de que a empresa teve os seus demonstrativos da época em referência nesta manifestação extraviados (DACONs), em decorrência de alteração da administração contábil da empresa. Dessa forma requer que a administração promova a retificação ex oficio das declarações, a fim de que a contabilidade da empresa e seus documentos fiscais espelhem a realidade dos fatos diante do erro cometido pelo contribuinte. (destaques nossos) Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte anexou cópias do Despacho Decisório, do PER/Dcomp e do recibo da DCTF original. Nos termos do Acórdão nº 02050.321, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a DRJ fundamentado sua decisão no fato de que o recolhimento alegado como origem do crédito encontravase integralmente alocado para a quitação de débito confessado, não se tendo por caracterizado o alegado pagamento indevido ou a maior, dada a inexistência de comprovação de erro no preenchimento da DCTF. Em seu recurso voluntário, a Recorrente repisa suas razões de defesa, destacando que o direito creditório decorre da inclusão equivocada, na base de cálculo da Fl. 128DF CARF MF Processo nº 13888.905573/201287 Acórdão n.º 3201002.794 S3C2T1 Fl. 4 3 contribuição, de receitas financeiras sujeitas à alíquota zero, desde 02/08/2004, por força do Decreto nº 5.164/2004. Na sequência, sustenta que seu direito creditório é legítimo e incontestável e que promovera a retificação da DCTF em razão do erro de fato ocorrido em seu preenchimento. Destaca a Recorrente que é "dever da administração promover a retificação ex oficio das declarações, a fim de que a contabilidade da empresa e seus documentos fiscais espelhem a realidade dos fatos diante do erro cometido". Cita doutrina, transcreve jurisprudência do STJ e deste Conselho para amparar sua alegações e argumenta que o Código Tributário Nacional (CTN) admite a remissão total ou parcial do crédito tributário no caso de erro de matéria de fato escusável e requer a observância ao princípio da boa fé. Reclama que a turma julgadora de primeira instância centrou seu juízo em interpretação restritiva "pelo texto frio da lei" e repisa seus argumentos no sentido de que se trata de um inequívoco erro de fato no preenchimento da DCTF. Conclui que a jurisprudência de nossos Tribunais Judiciais admite a realização de correções em DCTF até mesmo após a inscrição do débito em dívida ativa ou mesmo após a sua execução. Aponta que a intimação que antecedeu o despacho decisório não teve o intuito de estabelecer o procedimento fiscal e argumenta que a documentação apresentada à Receita Federal era satisfatória para a comprovação da compensação (DCTF retificadora, Dacon retificadora, DIPJ e as correspondentes planilhas de cálculo em que se apurou o pagamento a maior da contribuição). Por fim, requer a declaração de nulidade do procedimento e, por conseguinte, a reforma da decisão de primeira instância. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.770, de 26/04/2017, proferido no julgamento do processo 13888.905548/201201, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201002.770): Fl. 129DF CARF MF Processo nº 13888.905573/201287 Acórdão n.º 3201002.794 S3C2T1 Fl. 5 4 Observados os pressupostos recursais, a peça (...) merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJ/Belo Horizonte/2ª Turma (...) de 29 de outubro de 2013. No presente caso, a decisão recorrida não acolheu a alegação de erro na apuração da contribuição social, nem a simples retificação da DCTF para efeito de alterar valores originalmente declarados, porque o declarante, em sede de manifestação de inconformidade, não se desincumbiu do ônus probatório que lhe cabia e não juntou nos autos seus registros contábeis e fiscais, acompanhados de documentação hábil, para infirmar o motivo que levou a autoridade fiscal competente a não homologar a compensação ou mesmo para eventualmente comprovar a alegada inclusão indevida de valores na base de cálculo das contribuições, que poderiam levar a reduções de valores dos débitos confessados em DCTF. Neste ponto, cabe transcrever excertos da decisão recorrida (grifei): A DCTF retificada após a ciência do despacho decisório não constitui prova nem tem nenhuma força de convencimento e só pode ser considerada como argumento de impugnação, não produzindo efeitos quando reduz débitos que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização (Instrução Normativa RFB 1.110/2010, art. 9º, § 2º, I, c). A declaração apresentada presumese verdadeira em relação ao declarante (CC, art. 131 e CPC, art. 368). A DCTF válida, oportunamente transmitida, faz prova do valor do débito contra o sujeito passivo e em favor do fisco. Entretanto, essa presunção é relativa, admitindose prova em contrário. No caso, o contribuinte não comprova o erro ou a falsidade da declaração entregue. Ele não comprova seu vínculo à tese apresentada. Afirma que o erro está comprovado nos documentos contábeis anexos, mas tais documentos não existem no processo. A apuração do PIS e da Cofins é consolidada no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon). O valor apurado no demonstrativo apresentado antes da ciência do Despacho Decisório, diverge do valor confessado na DCTF. Conforme se vê, à época da emissão do Despacho Decisório, já havia divergência entre os valores informados no Dacon e na DCTF e nas retificações efetuadas após a ciência desse despacho surgiu ainda um terceiro valor relativamente ao total do débito apurado. Agora, no recurso voluntário, o interessado informa que aportou aos autos novos documentos, planilhas de cálculo, que Fl. 130DF CARF MF Processo nº 13888.905573/201287 Acórdão n.º 3201002.794 S3C2T1 Fl. 6 5 não haviam sido oferecidas à autoridade julgadora de primeira instância. A possibilidade de conhecimento desses novos documentos, não oferecidos à instância a quo, deve ser avaliada à luz dos princípios que regem o Processo Administrativo Fiscal. O PAF, assim dispõe, verbis: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. [...] Art. 16. A impugnação mencionará: [...] III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) [...] Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997). O processo administrativo fiscal pode ser considerado como um método de composição dos litígios, empregado pelo Estado ao cumprir sua função jurisdicional, com o objetivo imediato de aplicar a lei ao caso concreto para a resolução da lide. Em razão de vários fatores, a forma como o processo se desenvolve assume feições diferentes. Humberto Theodoro Júnior em "Curso de Direito Processual Civil, vol. I" (ed. Forense, Rio de Janeiro, 2004, p.303) assim diz: “enquanto processo é uma unidade, como relação processual em busca da prestação jurisdicional, o procedimento é a exteriorização dessa relação e, por isso, pode assumir diversas feições ou modos de ser.” Ensina o renomado autor que “procedimento é, destarte, sinônimo de ‘rito’ do processo, ou seja, o modo e a forma por que se movem os atos do processo”. Neste sentido, o procedimento está estruturado segundo fases lógicas, que Fl. 131DF CARF MF Processo nº 13888.905573/201287 Acórdão n.º 3201002.794 S3C2T1 Fl. 7 6 tornam efetivos os seus princípios fundamentais, como o da iniciativa da parte, o do contraditório e o do livre convencimento do julgador. Conforme os antes transcritos artigos 14 e 15 do Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal (PAF), é a impugnação da exigência, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, que instaura a fase litigiosa do procedimento. (grifei) Por sua vez, o art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235/1972, estabelece que as provas devem ser apresentadas juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual. O sistema da oficialidade, adotado no processo administrativo, e a necessidade da marcha para frente, a fim de que o mesmo possa atingir seus objetivos de solução de conflitos e pacificação social, impõem que existam prazos e o estabelecimento da preclusão. Contudo, uma fria análise da norma pode vir a chocarse com os princípios da verdade material e da ampla defesa. Vejamos que a Lei nº 9.784/1999, que regula o processo administrativo em geral, no art. 3º, possibilita a apresentação de alegações e documentos antes da decisão e, no art. 38, permite que documentos probatórios possam ser juntados até a tomada da decisão administrativa. Entretanto, conforme a melhor doutrina, deve ser aplicada ao caso a lei específica existente, Decreto nº 70.235/1972, que determina o rito do processo administrativo fiscal, em detrimento da lei geral. Neste ponto, sobre o momento da apresentação da prova no processo administrativo fiscal, cabe mencionar que de fato existe na jurisprudência uma tendência de atenuar os rigores da norma, afastando a preclusão em alguns casos excepcionais, que indicam tratarse daqueles que se referem a fatos notórios ou incontroversos, no tocante a documentos que permitam o fácil e rápido convencimento do julgador. Logo, o direito da parte à produção de provas posteriores, até o momento da decisão administrativa comporta graduação e será determinado a critério da autoridade julgadora, com fulcro em seu juízo de valor acerca da utilidade e da necessidade, bem como à percepção de que efetivamente houve um esforço na busca de comprovar o direito alegado, que é ônus daquele que objetiva a restituição, ressarcimento e/ou compensação de tributos. Como se vê, as alegações de defesa são faculdades do demandado, mas constituemse em verdadeiro ônus processual, porquanto, embora o ato seja instituído em seu favor, não sendo praticado no tempo certo, surgem para a parte conseqüências gravosas, dentre elas a perda do direito de fazêlo posteriormente, pois operase, nesta hipótese, o fenômeno da preclusão, isto porque, conforme já dito, o processo é um caminhar para a frente, não se admitindo, em regra, ressuscitar questões já ultrapassadas em fases anteriores. Fl. 132DF CARF MF Processo nº 13888.905573/201287 Acórdão n.º 3201002.794 S3C2T1 Fl. 8 7 O § 4º do art. 16 do PAF estabelece que só é lícito deduzir novas alegações em supressão de instância quando: relativas a direito superveniente, demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Compete ainda ao julgador administrativo conhecer de ofício de matérias de ordem pública, a exemplo da decadência; ou por expressa autorização legal. Finalmente, o § 5º do mesmo dispositivo legal exige que a juntada dos documentos deve ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. Especificamente no caso desses autos, o recorrente não se preocupou em produzir oportunamente os documentos que comprovariam suas alegações, ônus que lhe competia, segundo o sistema de distribuição da carga probatória adotado pelo Processo Administrativo Federal: o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, segundo o disposto na Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 36: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido o art. 330 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (CPC): Art. 333. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. O recorrente tampouco comprovou a ocorrência de qualquer das hipóteses das alíneas “a” a “c” do § 4º do art. 16 do PAF, que justificasse a apresentação tão tardia dos referidos documentos. No caso, o acórdão da DRJ foi bastante claro ao fundamentar suas conclusões pela insuficiência da comprovação do direito creditório alegado quando afirmou: "o contribuinte não comprova o erro ou a falsidade da declaração entregue. Ele não comprova seu vínculo à tese apresentada. Afirma que o erro está comprovado nos documentos contábeis anexos, mas tais documentos não existem no processo." (grifei). Ao final, a decisão recorrida novamente destaca: "Conforme se vê, à época da emissão do Despacho Decisório, já havia divergência entre os valores informados no Dacon e na DCTF e nas retificações efetuadas após a ciência desse despacho surgiu ainda um terceiro valor relativamente ao total do débito apurado." A propósito dos novos documentos anexados que instruem a peça recursal (planilhas de cálculo [...], cópia do DACON [...], cópia da DIPJ [...]), verificase que o contribuinte anexou na verdade algumas planilhas confeccionadas com a finalidade exclusiva de amparar suas alegações no presente recurso, mas Fl. 133DF CARF MF Processo nº 13888.905573/201287 Acórdão n.º 3201002.794 S3C2T1 Fl. 9 8 não trouxe aos autos qualquer documentação contábil que permita a comprovação as informações constantes das referidas planilhas. No caso, optou por reiterar suas alegações quanto à existência de erro de fato e à obediência ao princípio da boa fé, quando deveria procurar demonstrar de maneira efetiva suas alegações juntando cópias de pelo menos parte de sua documentação contábil, para que o julgamento ocorresse com base em elementos concretos, capazes de comprovar a veracidade do alegado direito creditório. Como se vê, novamente, agora em sede de recurso voluntário, a documentação juntada pelo recorrente não se revela suficiente para atestar liminarmente a liquidez e a certeza do crédito oposto na compensação declarada e demandaria a reabertura da dilação probatória, o que, de regra, como já visto, não se admite na fase recursal do processo, exceto em casos excepcionais. Devese, mais uma vez, ressaltar que o contribuinte já havia sido alertado na decisão recorrida, quando esta critica a defesa por apontar que o erro estaria comprovado em documentos contábeis, mas verifica que tais alegados documentos não existem no processo. A comprovação do valor do tributo efetivamente devido (e, por conseqüência, do direito à restituição de eventual parcela recolhida a maior) deveria ter sido efetuada mediante apresentação de documentos contábeis e fiscais que patenteassem que o valor da contribuição do período de apuração de interesse não atingiu o valor informado na DCTF vigente quando da emissão do Despacho Decisório aqui analisado, mas apenas o valor informado na DCTF retificadora (que no presente caso sequer efeitos surte quanto à redução deste débito). Como tal documentação não foi juntada no momento processual oportuno e nem mesmo agora em sede de recurso voluntário foi integralmente apresentada, quedou sem comprovação a certeza e liquidez dos créditos do contribuinte contra a Fazenda Pública, atributos indispensáveis para a homologação da compensação pretendida, nos termos do art. 170 do CTN. Sobre a jurisprudência, decisões administrativas e judiciais, trazidas à colação pelo recorrente, devese contrapor que se trata de decisões isoladas, que não se enquadram ao caso em exame e nem vinculam o presente julgamento, podendo cada instância decidir livremente, de acordo com suas convicções. Além disso, tratase de precedentes que não constituem normas complementares, não têm força normativa, nem efeito vinculante para a administração tributária, pela inexistência de lei nesse sentido, conforme exige o art. 100, II, do CTN. Alertandose para a estrita vinculação das autoridades administrativas ao texto da lei, no desempenho de suas atribuições, sob pena de responsabilidade, motivo pelo qual tais decisões não podem ser aplicadas fora do âmbito dos processos em que foram proferidas. Fl. 134DF CARF MF Processo nº 13888.905573/201287 Acórdão n.º 3201002.794 S3C2T1 Fl. 10 9 Com essas considerações, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do Contribuinte, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação das compensações. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação das compensações. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 135DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.902800/2012-33
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jul 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2006
ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO.
O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrando, portanto, o conceito de receita bruta.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.170
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201705
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2006 ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO. O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrando, portanto, o conceito de receita bruta. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jul 06 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10283.902800/2012-33
anomes_publicacao_s : 201707
conteudo_id_s : 5739017
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jul 06 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3302-004.170
nome_arquivo_s : Decisao_10283902800201233.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : RICARDO PAULO ROSA
nome_arquivo_pdf_s : 10283902800201233_5739017.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo.
dt_sessao_tdt : Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
id : 6840479
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:02:45 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049211302313984
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1345; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10283.902800/201233 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302004.170 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 23 de maio de 2017 Matéria CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. BASE DE CÁLCULO. ICMS. Recorrente BIC AMAZÔNIA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2006 ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO. O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrando, portanto, o conceito de receita bruta. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo. Relatório Tratase de pedido de PER/DCOMP para restituição de créditos de COFINS, cujo pedido foi indeferido, via despacho decisório. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 28 00 /2 01 2- 33 Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10283.902800/201233 Acórdão n.º 3302004.170 S3C3T2 Fl. 3 2 Inconformada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese: que o ICMS destacado nas vendas não pode ser considerado como faturamento ou como receita bruta, não devendo, por isso, ser incluído na base de cálculo do PIS e da COFINS; que a inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições em tela desrespeita o preceito do artigo 110 do CTN; que o STF, por meio do RE 240.785/MG, manifestou o entendimento de excluir o ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS. Sobreveio, então, julgamento da DRJ/Belo Horizonte, que indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 02059.011. A contribuinte, então, apresentou recurso voluntário repisando os argumentos da manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.158, de 23 de maio de 2017, proferido no julgamento do processo 10283.902818/201235, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.158): "1. Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado de modo tempestivo, a ciência do acórdão ocorreu em 28 de agosto de 2014, fls. 50, e o recurso foi protocolado em 29 de setembro de 2014, fls. 52. Tratase, portanto, de recurso tempestivo e de matéria que pertence a este colegiado. 2. Do mérito 2.1. Do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS A controvérsia cingese sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. A situação que permeia os tribunais na atualidade é de dois posicionamentos conflitantes quanto à inclusão ou não do tributo na base de cálculo do PIS e da COFINS. O Superior Tribunal de Justiça no REsp 1.144.469/PR, em sistema de recursos repetitivos assim decidiu: RECURSO ESPECIAL DO PARTICULAR: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA OU FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10283.902800/201233 Acórdão n.º 3302004.170 S3C3T2 Fl. 4 3 1. A Constituição Federal de 1988 somente veda expressamente a inclusão de um imposto na base de cálculo de um outro no art. 155, §2º, XI, ao tratar do ICMS, quanto estabelece que este tributo: "XI não compreenderá, em sua base de cálculo, o montante do imposto sobre produtos industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configure fato gerador dos dois impostos". 2. A contrario sensu é permitida a incidência de tributo sobre tributo nos casos diversos daquele estabelecido na exceção, já tendo sido reconhecida jurisprudencialmente, entre outros casos, a incidência: 2.1. Do ICMS sobre o próprio ICMS: repercussão geral no RE n. 582.461 / SP, STF, Tribunal Pleno, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 18.05.2011. 2.2. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre as próprias contribuições ao PIS/PASEP e COFINS: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 976.836 RS, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.8.2010. 2.3. Do IRPJ e da CSLL sobre a própria CSLL: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.113.159 AM, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 11.11.2009. 2.4. Do IPI sobre o ICMS: REsp. n. 675.663 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 24.08.2010; REsp. Nº 610.908 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 20.9.2005, AgRg no REsp.Nº 462.262 SC, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 20.11.2007. 2.5. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre o ISSQN: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP, Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015. 3. Desse modo, o ordenamento jurídico pátrio comporta, em regra, a incidência de tributos sobre o valor a ser pago a título de outros tributos ou do mesmo tributo. Ou seja, é legítima a incidência de tributo sobre tributo ou imposto sobre imposto, salvo determinação constitucional ou legal expressa em sentido contrário, não havendo aí qualquer violação, a priori, ao princípio da capacidade contributiva. 4. Consoante o disposto no art. 12 e §1º, do DecretoLei n. 1.598/77, o ISSQN e o ICMS devidos pela empresa prestadora de serviços na condição de contribuinte de direito fazem parte de sua receita bruta e, quando dela excluídos, a nova rubrica que se tem é a receita líquida. 5. Situação que não pode ser confundida com aquela outra decorrente da retenção e recolhimento do ISSQN e do ICMS pela empresa a título de substituição tributária (ISSQNST e ICMS ST). Nesse outro caso, a empresa não é a contribuinte, o contribuinte é o próximo na cadeia, o substituído. Quando é assim, a própria legislação tributária prevê que tais valores são meros Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10283.902800/201233 Acórdão n.º 3302004.170 S3C3T2 Fl. 5 4 ingressos na contabilidade da empresa que se torna apenas depositária de tributo que será entregue ao Fisco, consoante o art. 279 do RIR/99. 6. Na tributação sobre as vendas, o fato de haver ou não discriminação na fatura do valor suportado pelo vendedor a título de tributação decorre apenas da necessidade de se informar ou não ao Fisco, ou ao adquirente, o valor do tributo embutido no preço pago. Essa necessidade somente surgiu quando os diversos ordenamentos jurídicos passaram a adotar o lançamento por homologação (informação ao Fisco) e/ou o princípio da não cumulatividade (informação ao Fisco e ao adquirente), sob a técnica específica de dedução de imposto sobre imposto (imposto pago sobre imposto devido ou "tax on tax"). 7. Tal é o que acontece com o ICMS, onde autolançamento pelo contribuinte na nota fiscal existe apenas para permitir ao Fisco efetivar a fiscalização a posteriori, dentro da sistemática do lançamento por homologação e permitir ao contribuinte contabilizar o crédito de imposto que irá utilizar para calcular o saldo do tributo devido dentro do princípio da não cumulatividade sob a técnica de dedução de imposto sobre imposto. Não se trata em momento algum de exclusão do valor do tributo do preço da mercadoria ou serviço. 8. Desse modo, firmase para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações". 9. Tema que já foi objeto de quatro súmulas produzidas pelo extinto Tribunal Federal de Recursos TFR e por este Superior Tribunal de Justiça STJ: Súmula n. 191/TFR: "É compatível a exigência da contribuição para o PIS com o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes". Súmula n. 258/TFR: "Incluise na base de cálculo do PIS a parcela relativa ao ICM". Súmula n. 68/STJ: "A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS". Súmula n. 94/STJ: "A parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo do FINSOCIAL". 10. Tema que já foi objeto também do recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP (Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015) que decidiu matéria idêntica para o ISSQN e cujos fundamentos determinantes devem ser respeitados por esta Seção por dever de coerência na prestação jurisdicional previsto no art. 926, do CPC/2015. 11. Ante o exposto, DIVIRJO do relator para NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial do PARTICULAR e reconhecer a legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS. RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL: TRIBUTÁRIO. Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10283.902800/201233 Acórdão n.º 3302004.170 S3C3T2 Fl. 6 5 RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DOS VALORES COMPUTADOS COMO RECEITAS QUE TENHAM SIDO TRANSFERIDOS PARA OUTRAS PESSOAS JURÍDICAS. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.718/98. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. NÃO APLICABILIDADE. 12. A Corte Especial deste STJ já firmou o entendimento de que a restrição legislativa do artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9.718/98 ao conceito de faturamento (exclusão dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico já que dependia de regulamentação administrativa e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogado pela Medida Provisória n. 2.15835, de 2001. Precedentes: AgRg nos EREsp. n. 529.034/RS, Corte Especial, Rel. Min. José Delgado, julgado em 07.06.2006; AgRg no Ag 596.818/PR, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 28/02/2005; EDcl no AREsp 797544 / SP, Primeira Turma, Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado em 14.12.2015, AgRg no Ag 544.104/PR, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, DJ 28.8.2006; AgRg nos EDcl no Ag 706.635/RS, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma, DJ 28.8.2006; AgRg no Ag 727.679/SC, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 8.6.2006; AgRg no Ag 544.118/TO, Rel. Min. Franciulli Netto, Segunda Turma, DJ 2.5.2005; REsp 438.797/RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJ 3.5.2004; e REsp 445.452/RS, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 10.3.2003. 13. Tese firmada para efeito de recurso representativo da controvérsia: "O artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9718/98 não teve eficácia jurídica, de modo que integram o faturamento e também o conceito maior de receita bruta, base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica". 14. Ante o exposto, ACOMPANHO o relator para DAR PROVIMENTO ao recurso especial da FAZENDA NACIONAL. (REsp 1144469/PR; Relator: Napoleão Nunes Maia Filho; Relator para o acórdão: Mauro Campbell Maques) (grifos não constam no original) Já o Supremo Tribunal Federal, no RE 574.706RG/PR, julgou, no dia 15.03.2017, no sentido de que: O Tribunal, por maioria e nos termos do voto da Relatora, Ministra Cármen Lúcia (Presidente), apreciando o tema 69 da repercussão geral, deu provimento ao recurso extraordinário e fixou a seguinte tese: "O ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência do PIS e da Cofins". Vencidos os Ministros Edson Fachin, Roberto Barroso, Dias Toffoli e Gilmar Mendes. Nesta assentada o Ministro Dias Toffoli aditou seu voto. Plenário, 15.3.2017. Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10283.902800/201233 Acórdão n.º 3302004.170 S3C3T2 Fl. 7 6 (grifos não constam do original) No âmbito do regimento interno deste Egrégio Tribunal Administrativo, existe previsão normativa em seu artigo 62, anexo II, sobre a obrigatoriedade de se observar os precedentes em sistema de repetitivos e/ou repercussão geral na análise dos casos: RICARF Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) O RICARF prevê o requisito da decisão definitiva para a obrigatoriedade da aplicação do precedente; no caso em análise, o REsp 1.144.469/PR transitou em julgado em 10.03.2017 e o RE 574.706 RG/PR ainda espera a modulação de seus efeitos, não havendo, portanto, trânsito em julgado. Logo, devese observar a decisão, já transitada em julgado, do Superior Tribunal de Justiça. Em razão da obrigatoriedade por parte do conselheiro em aplicar o RICARF, acima exposto, os argumentos da Recorrente de desnecessidade de previsão legal para a exclusão do ICMS por respeito ao princípio da capacidade contributiva e da impossibilidade de considerar o ICMS como parte integrante do faturamento encontramse, desde já, fundamentados com a aplicação do precedente obrigatório. Portanto, em conformidade com o REsp 1.144.469/PR, que firmou para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", é negado provimento ao recurso voluntário. 3. Conclusão Por todo o exposto, conheço do recurso voluntário, mas, no mérito, nego provimento." Da mesma forma que no caso do paradigma, no presente processo o recurso voluntário também foi apresentado tempestivamente. Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10283.902800/201233 Acórdão n.º 3302004.170 S3C3T2 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Ricardo Paulo Rosa Fl. 93DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.009135/99-52
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/10/1999
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO PRÓPRIO COM DÉBITO DE TERCEIRO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE.
Na hipótese de pedido de compensação de crédito próprio com débitos de terceiros, apresentados nos moldes da IN SRF n° 21/97, não cabe a conversão em Declaração de Compensação,sendo inviável a homologação tácita do pedido.
Numero da decisão: 1201-001.638
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Presidente
(assinado digitalmente)
Luis Fabiano Alves Penteado - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Luiz Paulo Jorge Gomes e José Carlos de Assis Guimarães.
Nome do relator: LUIS FABIANO ALVES PENTEADO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201704
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 30/10/1999 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO PRÓPRIO COM DÉBITO DE TERCEIRO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Na hipótese de pedido de compensação de crédito próprio com débitos de terceiros, apresentados nos moldes da IN SRF n° 21/97, não cabe a conversão em Declaração de Compensação,sendo inviável a homologação tácita do pedido.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10830.009135/99-52
anomes_publicacao_s : 201707
conteudo_id_s : 5744320
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1201-001.638
nome_arquivo_s : Decisao_108300091359952.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : LUIS FABIANO ALVES PENTEADO
nome_arquivo_pdf_s : 108300091359952_5744320.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida - Presidente (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Luiz Paulo Jorge Gomes e José Carlos de Assis Guimarães.
dt_sessao_tdt : Mon Apr 10 00:00:00 UTC 2017
id : 6867793
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:03:32 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049211306508288
conteudo_txt : Metadados => date: 2017-06-18T12:50:50Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2017-06-18T12:50:50Z; Last-Modified: 2017-06-18T12:50:50Z; dcterms:modified: 2017-06-18T12:50:50Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; xmpMM:DocumentID: uuid:96f04575-e863-416c-8c5b-d7be7c769e8b; Last-Save-Date: 2017-06-18T12:50:50Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2017-06-18T12:50:50Z; meta:save-date: 2017-06-18T12:50:50Z; pdf:encrypted: true; modified: 2017-06-18T12:50:50Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2017-06-18T12:50:50Z; created: 2017-06-18T12:50:50Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; Creation-Date: 2017-06-18T12:50:50Z; pdf:charsPerPage: 1184; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2017-06-18T12:50:50Z | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 2 1 1 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.009135/9952 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1201001.638 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 10 de abril de 2017 Matéria COFINS Recorrente RIGESA CELULOSE, PAPEL E EMBALAGENS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/10/1999 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO PRÓPRIO COM DÉBITO DE TERCEIRO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Na hipótese de pedido de compensação de crédito próprio com débitos de terceiros, apresentados nos moldes da IN SRF n° 21/97, não cabe a conversão em Declaração de Compensação,sendo inviável a homologação tácita do pedido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Presidente (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 91 35 /9 9- 52 Fl. 245DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Luiz Paulo Jorge Gomes e José Carlos de Assis Guimarães. Relatório Tratase de Pedido de Compensação de Crédito com Débito de Terceiros, fl. 01 a 03, protocolizado em 09/09/1999, o qual traz como contribuinte detentora do crédito a empresa Sid Microeletrônica S/A., CNPJ no 19.882.497/000147, e como contribuinte devedora a empresa em epígrafe, tendo como débito objeto de compensação o tributo COFINS PA 10/99 com vencimento em 12/11/1999, no valor de R$ 485.083,42. Quando da análise do direito creditório que se pretendeu contrapor ao débito apresentado no presente pedido, manifestouse a Divisão de Orientação e Análise Tributária — DIORT, da Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária em São Paulo — DERAT, por meio do Despacho Decisório, datado de 24/08/2007, exarado no bojo do processo n° 13811.002062/9985, pelo indeferimento. Cópia deste ato administrativo, cuja ementa e decisão vão abaixo transcritas, encontrase juntada ao presente às fls. 21/28. "Assunto: Restituição / Compensação. Contribuição Social sobre o Lucro Liquido — CSLL. Anocalendário: 1990, 1994, 1995 e 1996 Ementa: CSLL. Crédito objeto de discussão judicial. Trânsito em julgado. Compensação. Documentação exigida. A compensação com aproveitamento de tributo objeto de discussão judicial somente poderá ocorrer após o trânsito em julgado da decisão. 0 contribuinte deverá anexar ao pedido de restituição uma cópia do inteiro teor do processo judicial a que se referir o crédito e da respectiva sentença, determinando a restituição, o ressarcimento ou a compensação. O interessado deverá comprovar junto à unidade da SRF a desistência, perante o Poder Judiciário, da execução do titulo judicial e assumir todas as custas do processo, inclusive os honorários advocatícios. Comprovação das informações exigidas. Não atendimento a intimação. O não atendimento no prazo fixado pela Administração para a respectiva apresentação implicará arquivamento do processo. Crédito liquido e certo. Compensação. A autoridade administrativa somente autoriza a compensação de crédito tributário com créditos líquidos e certos. Pedido de Restituição indeferido. Pedidos de compensação de Crédito com Débitos de Terceiros, vinculados ao crédito aqui analisado, indeferidos. (....) Decisão Fl. 246DF CARF MF Processo nº 10830.009135/9952 Acórdão n.º 1201001.638 S1C2T1 Fl. 3 3 No uso da competência delegada pela Portaria DERAT/SP n° 54, de 10 de outubro de 2001, INDEFIRO o Pedido de Restituição; NÃO RECONHEÇO o direito creditório de Sid Microeletrônica SA — CNPJ; 19.882.497/000147, no montante de R$ 3.818.319,02 ( ) e, em conseqüência, INDEFIRO os pedidos de compensação de crédito com débitos de terceiros, vinculados ao crédito aqui analisado, mantendose eventual inscrição dos débitos em Divida Ativa da Unido." Consta também dos autos o despacho, dando conta de que o pedido de compensação de fl. 01, não foi convertido em Declaração de Compensação, por não se adequar aos ditames da legislação de regência, sobretudo ao artigo 74 da Lei no 9.430, de 1996. Comunica, ainda, a autoridade preparadora que o débito objeto do pedido de compensação de fl. 01, ao qual fora contraposto crédito de terceiro não reconhecido, foi transferido para o processo n° 10830.002005/200813 Diante disso, apresenta a requerente na qualidade de "interessado", Manifestação de Inconformidade acompanhada dos documentos contra o despacho decisório, proferido no bojo do processo n° 13811.002062/9985, que indeferiu o direito creditório que se pretendeu utilizar neste encontro de contas e, também, contra a cobrança do debito cuja compensação não foi deferida. Referida manifestação de inconformidade foi dirigida ao Delegado da Receita Federal de Julgamento em Campinas, para a qual foi encaminhado o presente processo para apreciação. Decisão da DRJ Em decisão de 09/10/2008 a 4°Turma da DRJ/CPS decidiu, por unanimidade de votos, restituir o processo para a unidade de origem em razão de incompetência da DRJ/Campinas para apreciar a Manifestação de Inconformidade, conforme bem explicado no trecho abaixo do acórdão: " 13. Nessas circunstâncias, para apreciação de Manifestação de Inconformidade contra tal Despacho Decisório, aplicase a regra geral de competência das Delegacias de Julgamento, qual seja, a competência para julgar os processos de restituição/compensação tem em conta a origem do ato praticado bem como a natureza do crédito pleiteado. 14. Assim consta no atual Regimento, aprovado pela Portaria MF n. 95, de 2007: Art. 174. Ás Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento — DRJ, órgãos com jurisdição nacional, compete, Fl. 247DF CARF MF 4 especificamente, julgar, em primeira instância, processos administrativos fiscais: (...) III de manifestação de inconformidade do sujeito passivo contra apreciações das autoridades competentes relativos a restituição, compensação, ressarcimento, imunidade, suspensão, isenção e à redução de tributos e contribuições. §1° O julgamento de impugnação de penalidade aplicada isoladamente em razão de descumprimento de obrigação principal ou acessória será realizado pela DRJ competente para o julgamento de litígios que envolvam o correspondente tributo ou contribuição. §2° O julgamento de manifestação de inconformidade contra o indeferimento de pedido de restituição ou ressarcimento ou a nãohomologação de compensação será realizado pela DRJ competente para o julgamento de litígios que envolvam o tributo ou contribuição ao qual o crédito se refere. A competência é, portanto, definida em razão da autoridade que editou o ato recorrido e do tributo ao qual se refere o crédito pleiteado, e, assim, é atribuída à DRJ.na correspondente jurisdição e relativamente àquela matéria. 16. No presente caso, como visto, o ato de indeferimento do Pedido de Compensação, contra o qual se insurge a ora requerente Rigesa, foi editado pela autoridade competente da DERAT, jurisdicionante do domicilio do detentor do crédito. A DERAT, contudo, não pertence à jurisdição desta DRJ/Campinas, mas sim à jurisdição da DRJ/São Paulo." Decisão da DRJ/SPOI nos autos do processo 13811.002062/9985 Em decisão de 28/10/2008, a 5°Turma da DRJ/SPOI julgou os autos do processo administrativo n. 13811.002062/9985 cujo interessado era a contribuinte SID ELETRÔNICA S/A, mas no qual a empresa RIGESA, ora Recorrente, apresentou Manifestação de Inconformidade. Mencionada decisão não acolheu a Manifestação de Inconformidade da ora Recorrente conforme ementa abaixo: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTARIA Anocalendário: 1997 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO PRÓPRIO COM DÉBITO DE TERCEIRO. IMPOSSIBILIDADE DA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA E DA SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. O pedido de compensação de crédito próprio com débitos de terceiros, apresentados nos moldes da IN SRF n° 21/97, não se convertem em Declaração de Compensação (DCOMP), sendo aplicável ao caso o rito previsto na Lei 9.784/99, que rege o Fl. 248DF CARF MF Processo nº 10830.009135/9952 Acórdão n.º 1201001.638 S1C2T1 Fl. 4 5 processo administrativo no âmbito federal, inexistindo, portanto, a possibilidade de homologação tácita desses pedidos, nem a suspensão da exigibilidade dos débitos. CONTESTAÇÃO DA COBRANÇA. COMPETÊNCIA. Compete à Delegacia de Julgamento se manifestar apenas acerca dos argumentos contrários ao Despacho Decisório que não reconheceu direito credit6rio ou não homologou compensação; quanto a eventual irregularidade na cobrança, cabe ao contribuinte a interposição de "recurso hierárquico". Solicitação Indeferida Do Despacho da 4°Turma da DRJ/SPOI no presentes autos Em 18/02/2009, por meio de Despacho da 4°Turma da DRJ/SPOI, fora resolvido que a solicitação da ora Recorrente não deveria ser apreciado, pelo motivos abaixo destacados nos trechos do despacho: " (...) Assim, em que pese o § 4° do artigo 74 da Lei n° 9.430/96, incluído pela Lei n° 10.637/2002, permitir a conversão de pedidos de compensação, pendentes de apreciação pela autoridade administrativa, em DCOMP, há que se coadunar o parágrafo mencionado, com o caput do artigo, do qual se extrai que nem todos os pedidos de compensação se convolaram em DCOMP, mas tãosomente aqueles que possibilitassem a compensação com débitos próprios. Em outras palavras, toda a sistemática relacionada à DCOMP, inclusive a conversão de pedidos de compensação anteriores A Medida Provisória n° 66/2002, s6 se ajusta As compensações de débitos próprios. Como conseqüência, entendese que os pedidos de compensação de crédito próprio com débito de terceiros, apresentados nos moldes da IN SRF n° 21/97, não se converteram em Declaração de Compensação, sendolhes aplicáveis o regramento antes vigente. Justamente por não ter a compensação se convertido em DCOMP, não compete Delegacia de Julgamento a apreciação de defesa em face do não acolhimento da pretensão compensatória de débitos de terceiros. Como acima salientado, o contribuinte SID MICROELETRÔNICA S/A foi cientificado, em 01/10/2007, do despacho decisório que não reconheceu seu direito creditório, não tendo apresentado manifestação de inconformidade. Por outro lado, a empresa Rigesa, Celulose, Papel e Embalagens Ltda., um dos contribuintes que figura no pólo passivo da Fl. 249DF CARF MF 6 obrigação tributária e cujos débitos permanecem em aberto pelo não reconhecimento do direito creditório da empresa SID MICROELETRÔNICA S/A, apresentou defesa, ora em comento, que esta instância julgadora, como é consabido, não tem competência para apreciar. Isto é assim, porque no tocante ao pedido de compensação de débito de terceiros, não se pode, em sede de julgamento administrativo, conhecer da petição apresentada pela Rigesa, Celulose, Papel e Embalagens Ltda., porque a compensação é estrita aos casos expressamente previstos em lei, e as normas legais que dispõem sobre essa forma de extinção do crédito tributário não previram a contestação da não homologação da compensação de crédito não pertencente ao próprio contribuinte." Recurso Voluntário Irresignada com a decisão a DRJ/SP, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário no qual alega em matéria preliminar: i) cabimento do Recurso Voluntário e irrestrito direito da contribuinte à ampla defesa e contraditório; ii) efetiva condição de interessado da Contribuinte nos autos o processo n. 13811.002062/9985; iii) competência do CARF para apreciação o recurso em tela; iv) decadência Em relação ao mérito, a Recorrente traz as seguintes alegações: i) homologação tácita das compensações ii) direito líquido e certo aos créditos solicitados na compensação; iii) necessidade de lançamento de ofício no caso em tela; iv) indevida exigência de multa; v) ilegalidade da Taxa Selic. É o Relatório Fl. 250DF CARF MF Processo nº 10830.009135/9952 Acórdão n.º 1201001.638 S1C2T1 Fl. 5 7 Voto Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado Relator Admissibilidade O Recurso é tempestivo e preenche os requisitos previstos em lei, por isso, merece ser apreciado. Mérito Não obstante o longo relatório, tenho que a solução do presente processo é deveras simples. Analiso os presentes autos com base também nos documentos acostados nos processos administrativos n. 10830.007260/9973 e 10830.008988/9940. Isso porque, de fato, conforme documentação acostada aos autos dos presentes autos e dos processos acima mencionados (10830.007260/9973 e 10830.008988/99 40), temos que, paralelamente, os débitos discutidos no presente processo foram transferidos para o processo administrativo sob o n° 10830.002057/2008 13 para fins de cobrança. Em tal processo, os débitos foram por decisões desfavoráveis à Recorrente tanto em primeira quanto em segunda instância administrativa. Em razão disso, os débitos foram inscritos em Divida Ativa sob n° 80.6.08.00442714 e na seqüência fora ajuizada a Execução Fiscal n° 2009.61.05.0029816. Contudo, nos autos do processo de Embargos à Declaração n. 2010.61.05.005930, apenso à Execução Fiscal n. 2009.61.05.0029816, foi apresentada a seguinte petição pela ProcuradoriaSeccional da Fazenda Nacional em Campinas/SP (fls.408): "A União (FAZENDA NACIONAL), representada pela Procuradora infraassinada (LC 73/93), nos autos dos embargos à execução em epígrafe, vem tempestivamente presença de Vossa Excelência apresentar manifestação acerca dos embargos b. execução, no sentido de reconhecer a prescrição do crédito tributário tendo em vista os documentos em anexo (os quais dão conta de que pedido de compensação — realizado pelo Embargante com crédito de terceiro nem extingue, nem suspende o débito, tendo passado mais de cinco anos entre o pedido e a decisão), motivo pelo qual requer a extinção da execução em apenso." Na seqüência, foi exarada sentença nos seguintes termos (fls. 409): " Tendo em vista o reconhecimento jurídico do pedido formulado no presentes embargos, impõese o reconhecimento da prescrição e conseqüentemente a extinção da execução fiscal. Fl. 251DF CARF MF 8 A executada necessitou da intervenção de advogado, opondo, inclusive, embargos à execução fiscal para demonstrar a inexigibilidade do titulo objeto de cobrança. Ante o exposto, pronuncio a prescrição da ação para cobrança e declaro extintos os créditos tributários nos termos do art. 156, V, do Código Tributário Nacional, extinguindo o presente feito, bem como a execução fiscal, com fundamento no art. 269, IV, do Código de Processo Civil." Desta sorte, me parece que o destino dos débitos ora em discussão nos presentes autos já estão com seu destino resolvido, tornando inviável a homologação da compensação, devendo a Delegacia de Origem apenas observar o quanto decidido nos autos da Execução Fiscal acima mencionada. Conclusão Diante do exposto, CONHEÇO do Recurso Voluntário para no mérito NEGARLHE PROVIMENTO devendo a Delegacia de Origem observar o quanto julgado nos autos da Execução Fiscal n. ° 2009.61.05.0029816. É como voto! (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Fl. 252DF CARF MF
score : 1.0
