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Numero do processo: 10425.001017/2004-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon May 15 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jun 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004
LUCRO PRESUMIDO. JOGOS DE AZAR. RECEITA BRUTA. APOSTAS
A empresa é responsável pela opção ao regime de tributação quanto aos seus efeitos. Optado pela apuração do lucro na forma presumida, sujeita-se à submeter-se às regras para recolher os tributos de acordo com a presunção legal de obtenção do lucro, e não consoante cálculo do lucro efetivo. A receita bruta consiste no valor total das apostas recebidas e as deduções permitidas são somente aquelas permitidas na legislação tributária, não sendo passível de dedução o valor dos prêmios pagos e nem as percentagens destinadas à Loteria do Estado da Paraíba e à entidade filantrópica autorizatária.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
TRIBUTAÇÃO REFLEXA.
O decidido em relação à tributação do IRPJ deve acompanhar a autuação reflexa de CSLL.
Numero da decisão: 1201-001.666
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir da cobrança o imposto adicional devido apurado no Demonstrativo de Apuração do Auto de Infração de IRPJ para todos os períodos-base objeto da autuação e considerar os DARFs anexados com a impugnação com o código de receita 2917 como pagamento parcial do auto de infração do IRPJ e aqueles com o código de receita 2973 como pagamento parcial do auto de infração da CSLL. Vencidos os Conselheiros Eva Maria Los, Luis Henrique Toselli e Gustavo Guimarães, que davam provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Roberto Carparroz de Almeida - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Carlos de Assis Guimarães - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães e Gustavo Guimarães da Fonseca. Ausente o Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado.
Nome do relator: JOSE CARLOS DE ASSIS GUIMARAES
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JOGOS DE AZAR. RECEITA BRUTA. APOSTAS A empresa é responsável pela opção ao regime de tributação quanto aos seus efeitos. Optado pela apuração do lucro na forma presumida, sujeitase à submeterse às regras para recolher os tributos de acordo com a presunção legal de obtenção do lucro, e não consoante cálculo do lucro efetivo. A receita bruta consiste no valor total das apostas recebidas e as deduções permitidas são somente aquelas permitidas na legislação tributária, não sendo passível de dedução o valor dos prêmios pagos e nem as percentagens destinadas à Loteria do Estado da Paraíba e à entidade filantrópica autorizatária. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO TRIBUTAÇÃO REFLEXA. O decidido em relação à tributação do IRPJ deve acompanhar a autuação reflexa de CSLL. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir da cobrança o imposto adicional devido apurado no Demonstrativo de Apuração do Auto de Infração de IRPJ para todos os períodos base objeto da autuação e considerar os DARFs anexados com a impugnação com o código de receita 2917 como pagamento parcial do auto de infração do IRPJ e aqueles com o código de receita 2973 como pagamento parcial do auto de infração da CSLL. Vencidos os Conselheiros Eva Maria Los, Luis Henrique Toselli e Gustavo Guimarães, que davam provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 42 5. 00 10 17 /2 00 4- 89 Fl. 1753DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Roberto Carparroz de Almeida Presidente. (assinado digitalmente) José Carlos de Assis Guimarães Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães e Gustavo Guimarães da Fonseca. Ausente o Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado. Relatório SERVIÇOS DE ADMINISTRAÇÃO CAMPINA DA SORTE LTDA recorre a este Conselho com fulcro no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, objetivando a reforma do acórdão nº 1127.987 da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife (PE), que julgou procedente em parte a impugnação. Por bem refletir o litígio até aquela fase, adoto o relatório da decisão recorrida, completandoo ao final: Contra a contribuinte acima qualificada foi lavrado o Auto de Infração de fls. 03/06, e, por decorrência, o constante as fls. 868/871 do presente processo, para exigência do crédito tributário referente aos anoscalendário de 2000,2001, 2002,2003 e 2004 adiante especificado, expresso em Reais: Os Autos relativos ao IRPJ e à CSLL são decorrentes de constatação de diferença entre os valores escrituradas pela pessoa jurídica e aqueles declarados ou pagos, verificada com base no Livro Caixa e Livro Registro de Prestação de Serviços. Foi verificado, ainda, que a contribuinte não declarou os créditos fiscais relativos ao 1º trimestre de 2003, 3° trimestre de 2003 e 1º trimestre de 2004, conforme fls. 648/658, não tendo, portanto, a fiscalização considerado na apuração dos débitos, bem como das DCTF retificadoras de fls. 659/668, por terem sido apresentadas após o inicio da ação fiscal. Os enquadramentos legais dos lançamentos objeto do presente processo, constam dos Autos de Infração retrocitados. Foi efetuada representação fiscal para fins penais através do processo n ° 10425.001082/200412. Fl. 1754DF CARF MF Processo nº 10425.001017/200489 Acórdão n.º 1201001.666 S1C2T1 Fl. 1.746 3 Inconformada em parte com o lançamento, a contribuinte apresentou impugnação parcial às fls. 742/747, apresentando os argumentos a seguir relatados: Inicia afirmando ter percebido somente após o recebimento do Termo de Inicio de Fiscalização, mas antes da lavratura do Auto de Infração em lide, que havia efetuado a menor pagamentos a titulo de IRPJ referente ao quarto trimestre de 2000 e aos 1º e 2° trimestres de 2001 e que o adicional do IRPJ devido nunca tinha sido recolhido. Então, teria promovido o recolhimento das referidas quantias, conforme Darf anexados aos autos requerendo a exclusão destes valores do Auto em epígrafe. Que o autuante havia admitido como corretos os valores constantes de sua contabilidade até o mês de setembro de 2003, a partir de quando havia passado a adotar valores diversos daqueles constantes de sua contabilidade. Alega que a autoridade fiscal não havia apontado de forma clara e precisa quais os fundamentos documentais e de fato que o haviam conduzido a desconsideração dos valores constantes da sua contabilidade/escrita fiscal a partir de setembro de 2003, e promover o arbitramento da receita utilizando valores que não poderiam ser considerados para efeitos de tributação. Que a sua atividade primordial consistia na exploração, mediante autorização da Loteria do estado da Paraíba, da loteria de prognósticos "21 dá Felicidade" a qual funcionava como bingo, para o qual eram vendidos bilhetes a fim de que o seu adquirente pudesse concorrer aos prêmios admitidos. Tais prêmios eram distribuídos em momento posterior ao da realização do sorteio, quando detectados os ganhadores, sendo os recursos necessários aos pagamentos da premiação (bem como o do Imposto de Renda Retido na Fonte — IRRF sobre ela incidente) reservados do produto da arrecadação obtida com a venda dos bilhetes. Que considerou como receita sua o valor correspondente ao montante financeiro disponível após o pagamento da premiação e da parcela devida à LOTEP pela realização do sorteio, por considerar que as referidas parcelas não poderiam ser consideradas como receita pelo fato de que nunca haviam lhe pertencido. Argumenta que a autoridade fiscal havia considerado como receita o valor total arrecadado com a venda de bilhetes, desconsiderando o fato verificado por ele, de que os prêmios prometidos haviam sido efetivamente entregues aos seus ganhadores e o IRRF a eles correspondente haver sido recolhido no período em questão bem como a correção dos valores repassados à LOTEP. Conclui ser impossível desconsiderar o equivoco do autuante no que se refere aos valores imputados como receita a partir de setembro de 2003, afirmando que a receita seria aquela constante de sua contabilidade/escrita fiscal, não podendo a Fl. 1755DF CARF MF 4 autoridade administrativa sem motivos relevantes para tanto, desprezar as informações ali constantes para "criar" obrigação tributária sobre fato econômico inexistente. Afirma que verificou ter efetuado recolhimentos inferiores aos devidos os quais havia confessado e objeto de pagamento após a lavratura do Auto de Infração em lide, requerendo a sua exclusão do valor lançado. Aduz que a autoridade fiscal havia cometido equivoco no cálculo do IRPJ e adicional devidos, ao considerar que os valores constantes da planilha "Demonstrativo da Situação Fiscal Apurada" tratavamse exclusivamente do IRPJ, desconsiderando que estavam incluídos os valores devidos a titulo de adicional do IRPJ. Finaliza requerendo: A exclusão dos valores pagos após a autuação do valor total lançado; Seja julgada improcedente a parte do lançamento relativa ao período posterior a setembro de 2003, referente a suposta omissão de receita; Sejam revistas as bases de cálculo equivocadamente utilizadas pelo autuante para determinação dos valores apontados como devidos em todo o período objeto do lançamento; Em caso de dúvida, requer a interpretação mais benigna conforme o disposto no artigo 112 do Código Tributário Nacional,e Requer perícia em relação ao período posterior a setembro de 2003, além de admitida a juntada posterior de documentos e demais provas. As fls. 1.488/1489 foi determinada a realização de diligência no sentido de que a autoridade lançadora se manifestasse acerca da diferença verificada entre os valores constantes do Livro de Apuração do ISS, fls. 906/926 e aqueles constantes do demonstrativo "composição da base de cálculo", fls. 708/709, em relação ao mês de setembro de 2003, devido a impossibilidade de verificação dos lançamentos constantes do livro caixa devido ao fato de que as cópias anexadas aos autos estarem ilegíveis. Realizada a diligência, a autoridade administrativa elaborou o Relatório de Diligência Fiscal de fls. 1544/1545 no qual informa: Que após ser intimada, a contribuinte apresentou o Livro Caixa (original), contendo a escrituração das operações de entradas e saídas de caixa relativas ao período de janeiro de 2001 a dezembro de 2003, do qual foram extraídas cópias dos Termos de Abertura e de Encerramento e das folhas 392 a 421, contendo a escrituração das operações do mês de setembro de 2003; Com base no Livro Caixa havia procedido ao levantamento de toda Receita de Serviços escriturada no mês de setembro de 2003 (fls. 1512/1543) em confronto com os valores escriturados no Livro de Registro de Apuração do ISS (fls. 906 e 921), e o Fl. 1756DF CARF MF Processo nº 10425.001017/200489 Acórdão n.º 1201001.666 S1C2T1 Fl. 1.747 5 valor declarado em DIPJ, concluiu que o valor a ser tributado no mês de setembro de 2003 é de R$706.776,00 e não o de R$730.752,50 conforme apurado anteriormente pelo autuante. Em análise da impugnação apresentada, a DRJ, na sessão de 30 de outubro de 2009, julgoa parcialmente procedente, para ajustar as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, considerandose o valor da receita bruta referente ao mês de setembro de 2003 como sendo R$706.776,00, conforme apurado através da diligência e proferindo a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURiDICA IRPJ Anocalendário: 2000,2001,2002, 2003, 2004 EXPLORAÇÃO DE JOGO DE BINGO. RECEITA PRÓPRIA. A receita própria da administradora de jogo de bingo não é senão a decorrente da totalidade dos recursos obtidos com as vendas das cartelas de bingo. Na revenda de cartelas de bingo, a totalidade dos valores recebidos pela pessoa jurídica de seus clientes integra a receita bruta para fins de determinação do lucro presumido. LUCRO PRESUMIDO. OMISSÃO DE RECEITAS. Tendo o sujeito passivo optado pela apuração do lucro presumido, é cabível o lançamento do imposto decorrente de omissão de receitas, obedecendose a referida opção. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO LIQUIDO CSLL Anocalendário: 2001,2002, 2003, 2004 LUCRO PRESUMIDO. OMISSÃO DE RECEITAS. Tendo o sujeito passivo optado pela apuração do lucro presumido, é cabível o lançamento da contribuição social decorrente de omissão de receitas, obedecendose a referida opção. O contribuinte foi cientificado da decisão de primeira instância em 12/04/2010 (AR de efls. 1.589), apresentando em 12/05/2010, o recurso voluntário de efls. 1.598/1.624, no qual repete basicamente as alegações de sua impugnação. Extraio a Conclusão e os Requerimentos lá registrados, verbis: III. CONCLUSÃO E REQUERIMENTOS (...), Serviços e Administração Campina da Sorte requer seja acolhido o presente recurso voluntário e, em seguida, reformado o acórdão no 1127.987, proferido pela 3ª Turma da DRJ/REC, para que: (i) sejam excluídos do saldo de imposto a pagar os recolhimentos já efetuados pela recorrente (vide DARF's anexos à Fl. 1757DF CARF MF 6 impugnação), inclusive aqueles realizados depois da ciência do inicio da ação fiscal; (ii) seja anulado o auto de infração, eis a autoridade fiscal arbitrou a receita da recorrente, no período posterior a setembro de 2003, sem levar em conta as informações constantes dos registros fiscais e contábeis mantidos pela recorrente, e que foram regularmente disponibilizados à fiscalização; (iii) caso assim não se entenda, seja julgada improcedente a autuação, eis que ela recai sobre parcela premiações e percentagens destinadas a outros entes que não compõem a receita da recorrente e, portanto, não podem integrar a base de cálculo do IRPJ; (iv) caso assim não se entenda, que seja ajustada a base tributável (e, via de conseqüência, o valor do imposto) atribuída à recorrente no período posterior a 2003 para os valores constantes de seu livros contábeis e fiscais, regularmente mantidos; (v) do mesmo modo, que seja corrigido o erro de cálculo em que incorreu a autoridade autuante, ajustandose a base tributável e o valor do IRPJ e Adicional lançados no auto de infração àqueles encontrados durante a própria ação fiscal, conforme planilhas instrutórias desta, especialmente as planilhas "COMPOSIÇÃO DA BASE DE CALCULO APURAÇÃO SINTÉTICA", às fls. 705/709, "APURAÇÃO DE DÉBITO", às fls. 710/714, "DEMONSTRATIVO DE SITUAÇÃO FISCAL APURADA", às fls. 718/722. Os autos foram remetidos a este Conselho para apreciação e julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro José Carlos de Assis Guimarães, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Dele, portanto, tomo conhecimento. Da Consideração da Receita Bruta: A fiscalização considerou a título de receita bruta, base de cálculo para apurarse o lucro de forma presumida, a oriunda da venda de bilhetes ou cartelas de sorteios de bingos, registrada no Livro de Registro de Prestação de Serviços e escriturada no Livro Caixa da recorrente. A decisão recorrida apresenta os seguintes argumentos em defesa da incidência do IRPJ sobre o total da arrecadação bruta obtida com a venda dos bilhetes da loteria: Fl. 1758DF CARF MF Processo nº 10425.001017/200489 Acórdão n.º 1201001.666 S1C2T1 Fl. 1.748 7 1º) a receita bruta significa aquela obtida pela empresa mediante atividade que constitua seu objeto social. Assim, a receita bruta da empresa que explora a atividade de bingo consiste nas receitas advindas da venda de cartelas, em sua totalidade; 2º) a responsabilidade tributária pelos tributos decorrentes da exploração dos jogos de bingo é da empresa que administra tal atividade, ainda que, na qualidade de mera administradora ou permissionária, não seja a real detentora da autorização legal para exploração desse negócio, em razão da legislação pertinente. Sendo assim, a sua receita própria decorre da totalidade dos recursos advindos com as vendas das cartelas de bingo. A recorrente insurgese contra o primeiro argumento da decisão recorrida, pois entende que sua atividade era a administração do bingo (serviço prestado à entidade desportiva autorizatária e à LOTEP, como se confere no contrato anexo) e sua receita bruta não pode ser outra senão os valores que a recorrente percebe em pagamento dos serviços de administração e operacionalização do bingo. Assim, o valor das premiações dos ganhadores do bingo e as percentagens da arrecadação da venda de bilhetes não compõem, segundo a recorrente, a remuneração de sua atividade, eis que se trata de receita de terceiros e não podem compor a base de cálculo do IRPJ devido. Ressalta que, no presente caso, a própria autoridade autuante verificou que os prêmios da loteria administrada pela recorrente foram, realmente, entregues aos correspondentes ganhadores. Transcreve, para corroborar a sua tese, trechos do Acórdão nº 10193.226, de 18/10/2000, da 1ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes e do Acórdão nº 105.15.849, de 26/07/2006, da 5ª Câmara do 1º CC. Quanto ao segundo argumento, entende a recorrente que a regra de substituição tributária contida no art. 40 da Lei n. 9.981/2000 só abrange, evidentemente, os tributos efetivamente devidos pelos substituídos. Vale dizer, a recorrente só é obrigada a recolher, em virtude da regra de substituição tributária, aqueles tributos que efetivamente incidem sobre as parcelas que compõe a arrecadação total decorrente da venda de bilhetes sejam os prêmios distribuídos aos vencedores, sejam as parcelas devidas à LOTEP/entidade filantrópica, sejam as parcelas que a recorrente mesma titulariza. Aduz a contribuinte que, sobre os prêmios distribuídos aos vencedores, os quais se caracterizam como renda tributável destes (o que é elementar e não demanda maiores explicações) incide não o imposto sobre a renda da pessoa jurídica, mas o imposto sobre a renda da pessoa física eis que essa é a natureza dos vencedores, titulares das verbas , como por diversas já puderam reconhecer as diferentes instâncias julgadoras da Receita Federa1. Aliás, prossegue a recorrente, a situação é completamente inaceitável: ao argumento de que os prêmios constituem receita de titularidade da administradora do bingo, a Receita pretende tributar essas verbas a titulo de IRPJ; por outro lado, ao argumento de que esses mesmos prêmios compõem a renda de titularidade dos vencedores, pretende que as administradoras de bingo retenham o IRPF na fonte. Ao que parece, o Fisco pretende, com base em premissas francamente contraditórias, beneficiarse duas vezes da tributação de uma mesma quantia, pelo mesmo imposto. Por outro lado, entende o sujeito passivo, que as percentagens destinadas à Loteria do Estado da Paraíba e à entidade filantrópica autorizatária, não incide imposto algum, eis que tais entidades gozam de diferentes imunidades tributárias, dai resultando que a substituta tributária a recorrente nada tem a recolher sobre tais parcelas. Fl. 1759DF CARF MF 8 Em que pese os argumentos expendidos pela recorrente, adoto, por concordar com seus fundamentos, o voto condutor proferido no Acórdão nº 1801001.839, na sessão de 12 de fevereiro de 2014, pela 1ª Turma Especial da Primeira Seção de Julgamento do CARF, tendo como recorrente a mesma empresa e sobre os mesmos fatos, mas referente aos anos calendário de 2004 e 2005, cujos excertos trago a colação, verbis: O artigo 519 do Regulamento do Imposto de Renda vigente – RIR/99 (Decreto nº 3.000/99) estabelece a base de cálculo para as pessoas jurídicas que optam pela apuração do lucro na forma presumida, remetendo ao art. 224 do mesmo diploma legal: Art. 224. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia (Lei nº 8.981, de 1995, art. 31). [...] Art. 519. Para efeitos do disposto no artigo anterior, considera se receita bruta a definida no art. 224 e seu parágrafo único. Os resultados, por conseguinte, das operações realizadas pelo optante ao regime de tributação do Lucro Presumido não é relevante, ainda que resultem em prejuízo à pessoa jurídica. Esta forma de opção para a apuração do lucro é vantajosa para as pessoas jurídicas que não possuem muitos custos (a serem deduzidos quando a apuração é realizada pelo Lucro Real) e evita a aplicação da alíquota do tributo diretamente sobre o lucro real, porém incide sobre o resultado da aplicação de determinado percentual, dependendo da atividade, da receita bruta. Daí decorre a presunção do lucro. E as deduções admitidas pela norma tributária são somente aquelas que o próprio art. 224 do RIR/99, em seu § único, determina: Parágrafo único. Na receita bruta não se incluem as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos não cumulativos cobrados destacadamente do comprador ou contratante dos quais o vendedor dos bens ou o prestador dos serviços seja mero depositário (Lei nº 8.981, de 1995, art. 31, parágrafo único). Assim, pois, é vedado aos contribuintes pretenderem usar como base de cálculo para a aplicação do coeficiente (que já estima, presume, a receita líquida) sobre uma receita líquida calculada e não a bruta efetivamente auferida, ou faturamento, no caso em concreto, o valor total arrecadado. (...) Não se pode considerar que as atividades da recorrente são prestadas por conta alheia, pois quem praticou os fatos geradores da obrigação tributária, ou seja, promoveu e explorou os jogos de azar, foi, efetivamente, a recorrente em estabelecimento seu, o que lhe iça à condição, sim, de contribuinte, sujeito passivo da obrigação de pagar os tributos decorrentes da prática destes fatos. Semelhantemente, ocorre com as agências de viagens, que ao prestarem os serviços de Fl. 1760DF CARF MF Processo nº 10425.001017/200489 Acórdão n.º 1201001.666 S1C2T1 Fl. 1.749 9 venda de passagens aéreas, auferem estas receitas e as oferecem à tributação, apesar dos valores das passagens serem repassados às companhias aéreas. (...) Salientese, ainda, que restou esclarecido que as disposições do artigo 4º da Lei 9.981/00 são aplicáveis, por analogia, aos demais jogos de azar: Art. 4º Na hipótese de a administração do jogo de bingo ser entregue a empresa comercial, é de exclusiva responsabilidade desta o pagamento de todos os tributos e encargos da seguridade social incidentes sobre as respectivas receitas obtidas com essa atividade. Destarte, a contribuinte dos tributos federais incidentes sobre a atividade de jogos de azar é a recorrente e, por ter optado pela apuração do lucro na forma presumida, correta está a autuação fiscal que calculou o lucro sobre toda a receita auferida. (...) Concluise que a autuação foi estabelecida em estrita conformidade com as normas tributárias vigentes, nada havendo a reparar nos lançamentos tributários neste concernente. Ante o exposto, tendo a recorrente optado pela apuração do lucro na forma presumida, sujeitase à submeterse às regras para recolher os tributos de acordo com a presunção legal de obtenção do lucro, e não consoante cálculo do lucro efetivo. A receita bruta consiste no valor total das apostas recebidas e as deduções permitidas são somente aquelas permitidas na legislação tributária, não sendo passível de dedução o valor dos prêmios pagos e nem as percentagens destinadas à Loteria do Estado da Paraíba e à entidade filantrópica autorizatária. Da Desconsideração dos pagamentos efetuados pela recorrente após o início da ação fiscal e após a lavratura do auto de infração. Requer a recorrente a exclusão do saldo do imposto a pagar de valores de IRPJ recolhidos após a ciência do Termo de Início da Ação Fiscal e depois da lavratura do auto de infração, conforme DARF's anexos à impugnação. Das Divergências entre as planilhas elaboradas pela Fiscalização e os valores apresentados no "Demonstrativo de Apuração" do Auto de Infração. Cobrança a maior de imposto em virtude de erro de cálculo. A recorrente alega que no momento da lavratura do auto de infração, a autoridade fiscal utilizou os valores constantes da Coluna "Diferenças Apuradas pelo AFRF Imposto/Contrib.", que se vê na planilha "DEMONSTRATIVO DE SITUAÇÃO FISCAL APURADA" (fls. 718/722), como ponto de partida para realizar todos os seus demais cálculos. Ao invés de partir dos valores de base tributável indicados nas planilhas que elaborara para, então, aplicar as alíquotas cabíveis e chegar ao imposto e adicional devidos e lançálos no auto, preferiu fazer os cálculos de modo inverso: partiu dos valores dos débitos que já havia encontrado em suas planilhas para, então, mediante regra de três simples, chegar ao valor da Fl. 1761DF CARF MF 10 base tributável a ser registrada no auto de infração. Mas, a principio, o procedimento eleito não geraria problema algum, desde que a autoridade autuante houvesse se recordado que os valores de débito constantes de suas planilhas (precisamente, na Coluna "Diferenças Apuradas pelo AFRF Imposto/Contrib.", que se vê na planilha "DEMONSTRATIVO DE SITUAÇÃO FISCAL APURADA" de fls. 718/722) compreendiam tanto o IRPJ quanto o Adicional de IRPJ devidos nos períodos. Segundo o sujeito passivo, o resultado dessa operação foi que a base apontada como tributável no "DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO" integrante do auto de infração é muito superior àquela encontrada na ação fiscal, constante das planilhas que deram origem ao auto e isso em TODOS OS PERÍODOS FISCALIZADOS de modo que cobrou se duas vezes Adicional de IRPJ e, além disso, o valor da multa proporcional e dos juros foi, evidentemente, "catapultado". Da Desconsideração dos valores constantes dos Livros Fiscais e Contábeis no que diz respeito ao último trimestre de 2003 e ao primeiro trimestre de 2004. Alega a recorrente que, conforme destacado na impugnação, ainda que a definição de base de cálculo do IRPJ devido pela recorrente utilizada pela fiscalização estivesse correta isto é, ainda que o imposto houvesse, efetivamente, de incidir sobre a arrecadação total da venda de bilhetes , ainda assim o montante da base de cálculo apurada pela autoridade fiscal não seria o correto, eis que diverge das informações constantes dos livros fiscais e contábeis da empresa. Segundo a contribuinte, o valor apresentado pela autoridade autuante como arrecadação total do bingo (que ela entende tratarse da receita bruta da recorente, base de cálculo do IRPJ), não é o mesmo constante dos livros contábeis e fiscais da empresa, notadamente o Livro de Registro de Serviços Prestados, donde se conclui que o autuante só pode têlo arbitrado o que, naturalmente, seria vedado, eis que a recorrente mantém escrituração regular. Ressalta, ainda que, o acórdão recorrido admitiu erro da autuante apenas no que diz respeito ao mês de setembro de 2003, reduzindo a base de cálculo apurada para o valor de R$ 706.776,00, valor que não corresponde à quantia certa. O valor correto para esse mês, segundo a contribuinte, seria de R$ 553.869,50. Abaixo, passo à análise dos erros de fato apontados pela recorrente. Compulsando os autos, especialmente o Livro de Registro dos Serviços Prestados da matriz e filial (efls. 901 e seguintes) e as planilhas: "Composição da base de cálculo" (Apuração Sintética), "Apuração de Débito", "Pagamentos" e "Demonstrativo de Situação Fiscal Apurada", elaboradas pela Fiscalização (efls. 712 e seguintes), entendo que assiste parcial razão à recorrente. A base de cálculo utilizada pela autoridade fiscal para a apuração da receita bruta é exatamente aquela registrada no Livro de Registro dos Serviços Prestados e Livro Caixa (MATRIZ +FILIAL). Foram levados em consideração os pagamentos efetuados antes da lavratura do auto de infração. Porém, o cálculo do imposto adicional do IRPJ foi apurado em duplicidade e todos os DARFs anexos à impugnação com o código da receita 2917 (IRPJ LANÇAMENTO DE OFÍCIO) deverão ser considerados pela Unidade de Origem como pagamento parcial do auto de infração de IRPJ. Abaixo, trago a colação, as telas que ilustram como foi apurado a diferença de imposto devido no 4º trimestre de 2003: Fl. 1762DF CARF MF Processo nº 10425.001017/200489 Acórdão n.º 1201001.666 S1C2T1 Fl. 1.750 11 Fl. 1763DF CARF MF 12 Fl. 1764DF CARF MF Processo nº 10425.001017/200489 Acórdão n.º 1201001.666 S1C2T1 Fl. 1.751 13 Fl. 1765DF CARF MF 14 Total da Receita Bruta (matriz + filial) do 4º trimestre de 2003: R$ 4.487.102,50 Fl. 1766DF CARF MF Processo nº 10425.001017/200489 Acórdão n.º 1201001.666 S1C2T1 Fl. 1.752 15 Valor tributável (lucro presumido) do 4º trimestre de 2003= R$ 4.487.102,50 x 32% = R$1.435.872,50 Fl. 1767DF CARF MF 16 Total dos pagamentos (código de receita 2089) relativos ao 4º trimestre de 2003= R$163.669,55 Imposto devido = R$1.435.872,50 x 15%= R$ 215.380,87 Imposto Adicional devido= R$1.435.872,50 R$ 60.000,00 = R$ 1.375.872,50 x 10% =R$137.587,25 Total do IRPJ devido no 4º trimestre de 2003=R$215.380,87+R$137.587,25=R$352.968,12 Diferença de IRPJ a cobrar no Auto de Infração com adicional= R$352.968,12 R$163.669,55 = R$189.298,57 Os valores constantes do Demonstrativo de Apuração do Auto de Infração de IRPJ (efls. 16/17) estão registrados nas telas abaixo: Fl. 1768DF CARF MF Processo nº 10425.001017/200489 Acórdão n.º 1201001.666 S1C2T1 Fl. 1.753 17 Fl. 1769DF CARF MF 18 Observase no Demonstrativo de Apuração do Auto de Infração de IRPJ, que a autoridade fiscal apurou em duplicidade o Adicional de IRPJ. Isso porque, no valor de R$189.298,57, já estava embutido o adicional de IRPJ do 4º Trimestre de 2003, conforme se depreende do "Demonstrativo de Situação Fiscal Apurada", ao norte reproduzido. Esse erro aconteceu em todos os períodos de apuração. Assim, entendo que a Unidade de Origem deverá excluir da cobrança o imposto adicional devido apurado no Demonstrativo de Apuração do Auto de Infração de IRPJ para todos os períodosbase objetos da autuação e considerar os DARFs anexados com a impugnação com o código de receita 2917 como pagamento parcial do auto de infração do IRPJ. Da Tributação Reflexa CSLL A tributação realizada de ofício para a exigência de CSLL é decorrente do lançamento tributário de IRPJ. Por conseguinte, o decidido em relação à exigência de IRPJ, deve ser estendido ao termo da autuação reflexa. Portanto, a Unidade de Origem também deverá considerar os DARFs anexados com a impugnação com o código de receita 2973 (CSLL LANÇAMENTO DE OFÍCIO) como pagamento parcial do auto de infração da CSLL. Conclusão Isso posto, VOTO por dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir da cobrança o imposto adicional devido apurado no Demonstrativo de Apuração do Auto de Infração de IRPJ para todos os períodosbase objetos da autuação e considerar os DARFs anexados com a impugnação com o código de receita 2917 como pagamento parcial do auto de infração do IRPJ e aqueles com o código de receita 2973 como pagamento parcial do auto de infração da CSLL. Fl. 1770DF CARF MF Processo nº 10425.001017/200489 Acórdão n.º 1201001.666 S1C2T1 Fl. 1.754 19 (assinado digitalmente) José Carlos de Assis Guimarães Relator Fl. 1771DF CARF MF
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Numero do processo: 13896.721855/2014-96
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jul 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2011
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, não tendo ele se desincumbindo deste ônus.
Numero da decisão: 2202-003.976
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurelio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, não tendo ele se desincumbindo deste ônus. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurelio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 72 18 55 /2 01 4- 96 Fl. 140DF CARF MF Processo nº 13896.721855/201496 Acórdão n.º 2202003.976 S2C2T2 Fl. 141 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 13896.721855/201496, em face do acórdão nº 1664.072 julgado pela 15ª Turma da Delegacia Federal do Brasil em São Paulo (DRJ/SPO), no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar improcedente em parte a impugnação apresentada pelo contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de origem que assim os relatou: Contra a contribuinte acima identificada, foi lavrada a notificação de lançamento de fls. 40 a 50, relativa ao imposto sobre a renda das pessoas físicas do anocalendário 2010, que constatou as seguintes infrações: omissão de rendimentos do trabalho com vínculo e/ou sem vínculo empregatício, no valor de R$ 5.675,98. Fonte pagadora: Chicago Pneumatic Brasil Ltda. Consta ainda, que na apuração do imposto devido, foi compensado o IRRF sobre os rendimentos omitidos no valor de R$ 14,50; omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, decorrentes de ação da Justiça Federal, no valor de R$ 79.278,33. Consta ainda, que na apuração do imposto devido, foi compensado o IRRF sobre os rendimentos omitidos no valor de R$ 2.378,35; dedução indevida com despesa de instrução, no valor de R$ 2.830,84, por falta de comprovação; dedução indevida de despesas médicas, no valor total de R$ 19.770,80, por não terem sido apresentados os comprovantes com valores discriminados por beneficiários. Glosadas as despesa com Amil Assistência Médica Interna, nos valores de R$ 10.120,44 e R$ 9.538,08 e as despesas com Odontoprev, nos valores de R$ 56,14 e R$ 56,14. número de meses relativo a rendimentos recebidos acumuladamente indevidamente declarado – Tributação exclusiva – nº de meses declarado: 60, nº de meses comprovado:0. compensação indevida de imposto de renda retido na fonte sobre rendimentos recebidos acumuladamente – tributação exclusiva glosa do valor de R$ 2.378,35. Cientificada do lançamento em 23/06/2014 (fl. 59), a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 02 a 03, em 08/07/2014, alegando que: Fl. 141DF CARF MF Processo nº 13896.721855/201496 Acórdão n.º 2202003.976 S2C2T2 Fl. 142 3 concorda com a omissão de rendimentos recebidos de Chicago Pneumatic Brasil Ltda., no valor de R$ 5.675,98; quanto a omissão de rendimentos decorrentes de ação na Justiça Federal, alega que tratase de revisão de cálculo de aposentadoria do INSS iniciada em 10/11/2004, processo n.º 2004.61.83.0061612, paga em 22/07/2010; dedução indevida com despesa de instrução – o valor referese a despesas com a filha com idade até 21 anos, Ana Beatriz Amorim de Brito Machado, nascida em 07/10/1988; dedução indevida de despesas médicas – o valor referese a despesas médicas de filha com idade até 21 anos de idade. O seguro saúde está vinculado à Bayer Brasil para seu cônjuge (titular) e dois dependentes, ela e a filha, Ana Beatriz. Anexa também, por não ter sido apontado na DAA, despesas médicas para que sejam consideradas. A DRJ de origem entendeu pela improcedência em parte da impugnação apresentada pelo contribuinte. Deuse provimento a alegação de que indevida a despesa de instrução, por falta de comprovação, visto que o contribuinte apresenta documento com o pagamento de dependente, determinando o restabelecimento da dedução com despesa de instrução no valor de R$ 2.830,84. Inconformado, o contribuinte apresentou Petição, a qual denominou de "pedido de dilação de prazo para apresentação de documento", às fls. 85/87, requerendo dilação de prazo para juntada de documentos. Em anexo a referida petição, apresentou documentos às fls.98/117. Após, promove nova juntada de documentos às fls. 121/136. É o relatório. Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator No presente caso, temse que no último dia do prazo recursal a contribuinte apresentou "pedido de dilação de prazo para apresentação de documento". Embora não seja nomeado de recurso, ou seja apresentado nele pedidos, ou ainda, requerimento de reforma do acórdão, ainda que de forma genérica, entendo que o mesmo deve ser recebido como recurso voluntário, por força do princípio do formalismo moderado que rege o processo administrativo fiscal. Portanto, o recurso voluntário de fls. 85/87 foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. No recurso apresentado não há pedidos, ou ainda, requerimento de reforma do acórdão, não possuindo ele qualquer fundamentação fática ou jurídica para reformar o acórdão recorrido. Fl. 142DF CARF MF Processo nº 13896.721855/201496 Acórdão n.º 2202003.976 S2C2T2 Fl. 143 4 Os documentos de fls. 98/117 e 121/136, por si só, ou seja, desacompanhados de razões recursais, não são capazes de causar a reforma do acórdão da DRJ. Entendo, portanto, que não foi realizada a prova para afastar o lançamento tributário. Portanto, não sendo provado o fato constitutivo do direito alegado pelo contribuinte, com fundamento no artigo 333 do CPC e artigo 36 da Lei n° 9.784/99, devese manter sem reparos o acórdão recorrido. Ocorre que temos que no processo administrativo fiscal, tal qual no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, in casu, da contribuinte ora recorrente. Neste sentido, prevê a Lei n° 9.784/99 em seu art. 36: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. Em igual sentido, temos o art. 333, inciso I, do CPC: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; Encontrase sedimentada a jurisprudência deste Conselho neste sentido, consoante se verifica pelo aresto abaixo: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário: 2005 ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. (...) (Acórdão nº 3803004.284 – 3ª Turma Especial. Sessão de 26 de junho de 2013, grifouse) Assim, conforme o entendimento acima retratado, necessário que a contribuinte apresente a documentação adequada e suficiente para provar a certeza e a liquidez de seu crédito. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Fl. 143DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10140.902294/2011-26
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005
CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004.
É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-003.813
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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DIREITO DE CRÉDITO. INCIDÊNCIA CONCENTRADA. Recorrente COMERCIAL FAYAD LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 CRÉDITO DA NÃOCUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1ºA DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 14 0. 90 22 94 /2 01 1- 26 Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10140.902294/201126 Acórdão n.º 3302003.813 S3C3T2 Fl. 3 2 Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa. Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Restituição e Ressarcimento – PER, formulado através do programa PER/Dcomp, pelo qual a Recorrente pleiteia o ressarcimento em espécie do saldo credor acumulado de COFINS incidência não cumulativa – mercado interno. O Pedido de Ressarcimento foi indeferido, por ausência de direito ao crédito pleiteado, devido a vedação legal de aproveitamento de créditos incidente nas operações de aquisição de produtos sujeitos a tributação monofásica/concentrada. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 06052.244. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, não ampara o creditamento das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, com base na sistemática da não cumulatividade, pelas revendedoras de veículos automotores, em decorrência de vedação legal expressa para o aproveitamento do crédito nas vendas submetidas à incidência monofásica. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reiterando as alegações deduzidas em manifestação de inconformidade, calcadas nas seguintes premissas: 1. Que a recorrente se sujeita à incidência nãocumulativa; 2. Que havia uma vedação ao creditamento conforme o disposto no artigo 3º, I, “b”, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003; 3. Que foi atribuída alíquota zero aos produtos da recorrente, portanto, não se trata de monofasia, o que ocorreria se houvesse apenas uma incidência na cadeia; 4. Que a nãocumulatividade foi aperfeiçoada com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e que esta é uma norma multitemática, ou seja, não restrita ao REPORTO; 5. Que o artigo 16 da Lei 11.116/2005 robusteceu o caráter abrangente do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004; 6. Ambas as leis não ressalvaram quais os casos permaneceriam na regra antiga e que o direito ao creditamento é coerente à técnica da nãocumulatividade das contribuições (método subtrativo indireto); 7. O artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 veio justamente para os casos em que havia vedação ao creditamento; 8. Que pretendeuse mitigar a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 com a edição das MP nº 413/2008 e 451/2008, criando vedações ao creditamento, as quais não foram mantidas na conversão de ambas medidas provisórias; Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10140.902294/201126 Acórdão n.º 3302003.813 S3C3T2 Fl. 4 3 9 Que a nãocumulatividade das contribuições não guarda relação com o arrecadado anteriormente ou posteriormente na cadeia produtiva. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.750, de 29 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10120.720142/201145, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.750): "O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. O pedido de ressarcimento foi efetuado com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 combinado com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, abaixo transcritos: Lei nº 11.116/2005: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Lei nº 11.033/2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. O fundamento da recorrente recai essencialmente na possibilidade de se tomar créditos da nãocumulatividade de Cofins em razão do disposto no artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e de se pedir o ressarcimento com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005. Fl. 95DF CARF MF Processo nº 10140.902294/201126 Acórdão n.º 3302003.813 S3C3T2 Fl. 5 4 A Lei nº 10.485/2002 estabeleceu a concentração de tributação no fabricante e importadores de determinados veículos e autopeças, dispondo no §2º que os comerciantes atacadistas e varejistas ficassem sujeitos à alíquota zero sobre suas receitas de revendas: § 2o Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) I o caput deste artigo; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II o caput do art. 1o desta Lei, exceto quando auferida pelas pessoas jurídicas a que se refere o art. 17, § 5o, da Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001. (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) Com base, nesta receita sujeita à alíquota zero, é que a recorrente entende possível a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, isto é, a tomada de créditos sobre a revenda de máquinas e veículos constantes das posições da TIPI constantes do artigo 1º da Lei nº 10.485/2002 e de autopeças constantes dos Anexos I e II da referida lei. Ocorre que, não obstante estar sujeita ao regime nãocumulativo das contribuições, as alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 vedam expressamente a tomada de créditos sobre bens adquiridos para revenda pelas pessoas jurídicas que comercializam os produtos referidos nos artigos 1º e 3º da Lei nº 10.485/2002, como transcrevese a seguir: Art. 2o Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) § 1o Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) [...] III no art. 1o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) IV no inciso II do art. 3o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) [...] Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10140.902294/201126 Acórdão n.º 3302003.813 S3C3T2 Fl. 6 5 Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) Por sua vez, o artigo 17 dispôs genericamente que as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Ora, este artigo não traz nenhuma hipótese de creditamento, mas apenas esclarece que nas situações ali previstas, os créditos vinculados àquelas vendas são mantidos. E tais créditos são, justamente, as hipóteses que a legislação faculta ao contribuintes a sua tomada, como por exemplo, os artigos 3º das leis acima citadas, o artigo 15 da Lei nº 10.865/2004 e outros quaisquer artigos que veiculem hipóteses de creditamento. O item 191 da exposição de motivos da MP nº 206/2004, cuja conversão resultou na Lei nº 11.033/2004, confirma este entendimento na medida que dispôs que a redação do artigo 16, convertido no artigo 17 acima referido, visava "esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS." Não por outro motivo, que o artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 dispôs sobre a possibilidade de ressarcimento e compensação do saldo credor vinculado às vendas mencionadas no artigo 17, vinculandoos à forma de apuração do artigo 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 e do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004, reconhecendo, por óbvio, que ali estavam listadas as hipóteses de creditamento e não que o artigo 17 inovara toda a legislação, revogando o artigo 3º e redefinindo as hipóteses de creditamento, o que seria a consequência inevitável da tese da recorrente. Ressaltase, porém, que o artigo 17 não proibiu a tomada de créditos vinculados às receitas sujeitas à alíquota zero decorrentes das revendas dos bens de que tratam este processo em relação às demais hipóteses previstas no artigo 3º, proibição esta que foi, conforme mencionado pela recorrente, objeto de duas tentativas propostas pelo Executivo Federal nas MPs nº 413/2008 e 451/2008. Ocorre que, como também já mencionado na peça recursal, tais dispositivos não foram contemplados na conversão das duas MPs, mantendose a possibilidade de creditamento em relação às demais hipóteses do artigo 3º, entendimento confirmado na Solução de Consulta nº 218/2014. Assim, referidas MP´s pretenderam impedir o creditamento das demais hipóteses legais previstas nos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, mas 1 19. As disposições do art. 16 visam esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS Fl. 97DF CARF MF Processo nº 10140.902294/201126 Acórdão n.º 3302003.813 S3C3T2 Fl. 7 6 foram irrelevantes em relação à vedação específica contida na alínea "b" do inciso I do artigo 3º, que se destina justamente à vedação do creditamento relativo aos bens adquiridos para revenda de que tratam os §§1º e 1ºA do artigo 2º das referidas leis. Neste diapasão, citase o Acórdão nº 340301.566: Ementa: COFINS – REGIME MONOFÁSICO – IMPOSSIBILIDADE DE MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS O artigo 17 da Lei 11.033/2004, que garante a manutenção do crédito às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, só se aplica aos setores ou produtos sujeitos regime nãocumulativo, não se aplicando aos produtos sujeitos ao regime monofásico. Portanto, diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Nos termos do entendimento exarado no paradigma, a impossibilidade de creditamento, no regime nãocumulativo, na aquisição de bens para revenda adquiridos por comerciantes atacadistas e varejistas de produtos sujeitos à tributação concentrada referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis, se aplica tanto à Contribuição para o PIS/Pasep quanto à COFINS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Fl. 98DF CARF MF
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Numero do processo: 10120.720139/2011-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006
CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004.
É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-003.770
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa.
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DIREITO DE CRÉDITO. INCIDÊNCIA CONCENTRADA. Recorrente RENAUTO VEÍCULOS E PEÇAS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 CRÉDITO DA NÃOCUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1ºA DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 01 39 /2 01 1- 21 Fl. 132DF CARF MF Processo nº 10120.720139/201121 Acórdão n.º 3302003.770 S3C3T2 Fl. 3 2 Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa. Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Restituição e Ressarcimento – PER, formulado através do programa PER/Dcomp, pelo qual a Recorrente pleiteia o ressarcimento em espécie do saldo credor acumulado de COFINS incidência não cumulativa – mercado interno. O Pedido de Ressarcimento foi indeferido, por ausência de direito ao crédito pleiteado, devido a vedação legal de aproveitamento de créditos incidente nas operações de aquisição de produtos sujeitos a tributação monofásica/concentrada. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 06049.283. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, não ampara o creditamento das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, com base na sistemática da não cumulatividade, pelas revendedoras de veículos automotores, em decorrência de vedação legal expressa para o aproveitamento do crédito nas vendas submetidas à incidência monofásica. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reiterando as alegações deduzidas em manifestação de inconformidade, calcadas nas seguintes premissas: 1. Que a recorrente se sujeita à incidência nãocumulativa; 2. Que havia uma vedação ao creditamento conforme o disposto no artigo 3º, I, “b”, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003; 3. Que foi atribuída alíquota zero aos produtos da recorrente, portanto, não se trata de monofasia, o que ocorreria se houvesse apenas uma incidência na cadeia; 4. Que a nãocumulatividade foi aperfeiçoada com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e que esta é uma norma multitemática, ou seja, não restrita ao REPORTO; 5. Que o artigo 16 da Lei 11.116/2005 robusteceu o caráter abrangente do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004; 6. Ambas as leis não ressalvaram quais os casos permaneceriam na regra antiga e que o direito ao creditamento é coerente à técnica da nãocumulatividade das contribuições (método subtrativo indireto); 7. O artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 veio justamente para os casos em que havia vedação ao creditamento; 8. Que pretendeuse mitigar a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 com a edição das MP nº 413/2008 e 451/2008, criando vedações ao creditamento, as quais não foram mantidas na conversão de ambas medidas provisórias; Fl. 133DF CARF MF Processo nº 10120.720139/201121 Acórdão n.º 3302003.770 S3C3T2 Fl. 4 3 9 Que a nãocumulatividade das contribuições não guarda relação com o arrecadado anteriormente ou posteriormente na cadeia produtiva. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.750, de 29 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10120.720142/201145, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.750): "O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. O pedido de ressarcimento foi efetuado com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 combinado com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, abaixo transcritos: Lei nº 11.116/2005: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Lei nº 11.033/2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. O fundamento da recorrente recai essencialmente na possibilidade de se tomar créditos da nãocumulatividade de Cofins em razão do disposto no artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e de se pedir o ressarcimento com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005. Fl. 134DF CARF MF Processo nº 10120.720139/201121 Acórdão n.º 3302003.770 S3C3T2 Fl. 5 4 A Lei nº 10.485/2002 estabeleceu a concentração de tributação no fabricante e importadores de determinados veículos e autopeças, dispondo no §2º que os comerciantes atacadistas e varejistas ficassem sujeitos à alíquota zero sobre suas receitas de revendas: § 2o Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) I o caput deste artigo; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II o caput do art. 1o desta Lei, exceto quando auferida pelas pessoas jurídicas a que se refere o art. 17, § 5o, da Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001. (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) Com base, nesta receita sujeita à alíquota zero, é que a recorrente entende possível a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, isto é, a tomada de créditos sobre a revenda de máquinas e veículos constantes das posições da TIPI constantes do artigo 1º da Lei nº 10.485/2002 e de autopeças constantes dos Anexos I e II da referida lei. Ocorre que, não obstante estar sujeita ao regime nãocumulativo das contribuições, as alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 vedam expressamente a tomada de créditos sobre bens adquiridos para revenda pelas pessoas jurídicas que comercializam os produtos referidos nos artigos 1º e 3º da Lei nº 10.485/2002, como transcrevese a seguir: Art. 2o Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) § 1o Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) [...] III no art. 1o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) IV no inciso II do art. 3o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) [...] Fl. 135DF CARF MF Processo nº 10120.720139/201121 Acórdão n.º 3302003.770 S3C3T2 Fl. 6 5 Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) Por sua vez, o artigo 17 dispôs genericamente que as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Ora, este artigo não traz nenhuma hipótese de creditamento, mas apenas esclarece que nas situações ali previstas, os créditos vinculados àquelas vendas são mantidos. E tais créditos são, justamente, as hipóteses que a legislação faculta ao contribuintes a sua tomada, como por exemplo, os artigos 3º das leis acima citadas, o artigo 15 da Lei nº 10.865/2004 e outros quaisquer artigos que veiculem hipóteses de creditamento. O item 191 da exposição de motivos da MP nº 206/2004, cuja conversão resultou na Lei nº 11.033/2004, confirma este entendimento na medida que dispôs que a redação do artigo 16, convertido no artigo 17 acima referido, visava "esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS." Não por outro motivo, que o artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 dispôs sobre a possibilidade de ressarcimento e compensação do saldo credor vinculado às vendas mencionadas no artigo 17, vinculandoos à forma de apuração do artigo 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 e do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004, reconhecendo, por óbvio, que ali estavam listadas as hipóteses de creditamento e não que o artigo 17 inovara toda a legislação, revogando o artigo 3º e redefinindo as hipóteses de creditamento, o que seria a consequência inevitável da tese da recorrente. Ressaltase, porém, que o artigo 17 não proibiu a tomada de créditos vinculados às receitas sujeitas à alíquota zero decorrentes das revendas dos bens de que tratam este processo em relação às demais hipóteses previstas no artigo 3º, proibição esta que foi, conforme mencionado pela recorrente, objeto de duas tentativas propostas pelo Executivo Federal nas MPs nº 413/2008 e 451/2008. Ocorre que, como também já mencionado na peça recursal, tais dispositivos não foram contemplados na conversão das duas MPs, mantendose a possibilidade de creditamento em relação às demais hipóteses do artigo 3º, entendimento confirmado na Solução de Consulta nº 218/2014. Assim, referidas MP´s pretenderam impedir o creditamento das demais hipóteses legais previstas nos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, mas 1 19. As disposições do art. 16 visam esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS Fl. 136DF CARF MF Processo nº 10120.720139/201121 Acórdão n.º 3302003.770 S3C3T2 Fl. 7 6 foram irrelevantes em relação à vedação específica contida na alínea "b" do inciso I do artigo 3º, que se destina justamente à vedação do creditamento relativo aos bens adquiridos para revenda de que tratam os §§1º e 1ºA do artigo 2º das referidas leis. Neste diapasão, citase o Acórdão nº 340301.566: Ementa: COFINS – REGIME MONOFÁSICO – IMPOSSIBILIDADE DE MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS O artigo 17 da Lei 11.033/2004, que garante a manutenção do crédito às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, só se aplica aos setores ou produtos sujeitos regime nãocumulativo, não se aplicando aos produtos sujeitos ao regime monofásico. Portanto, diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Nos termos do entendimento exarado no paradigma, a impossibilidade de creditamento, no regime nãocumulativo, na aquisição de bens para revenda adquiridos por comerciantes atacadistas e varejistas de produtos sujeitos à tributação concentrada referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis, se aplica tanto à Contribuição para o PIS/Pasep quanto à COFINS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Fl. 137DF CARF MF
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Numero do processo: 10715.008064/2008-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jun 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 28/01/2004 a 23/02/2004
REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE NA EXPORTAÇÃO. NORMA POSTERIOR AO EMBARQUE. VIGÊNCIA. INAPLICABILIDADE
Inaplicável a multa prevista na alínea e do inciso IV do artigo 107 do Decreto-Lei nº 37/1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei nº 10.833, de 2003, visto que à época do embarque a IN SRF nº 28, de 1994, não dispunha de um prazo e sim de um conceito jurídico indeterminado, "imediatamente após realizado o embarque".
Somente com a IN SRF nº 510, de 14/02/2005, DOU de 15/02/2005, houve a determinação de um prazo para que o responsável pela carga, registrasse no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos.
Numero da decisão: 3302-004.314
Decisão: Recurso Voluntário Provido
Crédito Tributário Exonerado
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário.
[assinado digitalmente]
Ricardo Paulo Rosa - Presidente.
[assinado digitalmente]
Maria do Socorro Ferreira Aguiar - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
Nome do relator: MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 28/01/2004 a 23/02/2004 REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE NA EXPORTAÇÃO. NORMA POSTERIOR AO EMBARQUE. VIGÊNCIA. INAPLICABILIDADE Inaplicável a multa prevista na alínea e do inciso IV do artigo 107 do Decreto-Lei nº 37/1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei nº 10.833, de 2003, visto que à época do embarque a IN SRF nº 28, de 1994, não dispunha de um prazo e sim de um conceito jurídico indeterminado, "imediatamente após realizado o embarque". Somente com a IN SRF nº 510, de 14/02/2005, DOU de 15/02/2005, houve a determinação de um prazo para que o responsável pela carga, registrasse no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos.
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decisao_txt : Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário. [assinado digitalmente] Ricardo Paulo Rosa - Presidente. [assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1603; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 234 1 233 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10715.008064/200811 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302004.314 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 25 de maio de 2017 Matéria COMEX. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Recorrente BRITISH AIRWAYS PLC Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 28/01/2004 a 23/02/2004 REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE NA EXPORTAÇÃO. NORMA POSTERIOR AO EMBARQUE. VIGÊNCIA. INAPLICABILIDADE Inaplicável a multa prevista na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do DecretoLei nº 37/1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei nº 10.833, de 2003, visto que à época do embarque a IN SRF nº 28, de 1994, não dispunha de um prazo e sim de um conceito jurídico indeterminado, "imediatamente após realizado o embarque". Somente com a IN SRF nº 510, de 14/02/2005, DOU de 15/02/2005, houve a determinação de um prazo para que o responsável pela carga, registrasse no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário. [assinado digitalmente] Ricardo Paulo Rosa Presidente. [assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 00 80 64 /2 00 8- 11 Fl. 234DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos até o presente momento processual, os quais foram relatados de forma minudente, adoto o relatório do r. Acórdão de Recurso Voluntário nº 3801005.319, de fls.181/188, conforme a seguir transcrito: Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 10715.008064/200811 contra o acórdão nº 0727.092, julgado pela 1ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Florianópolis (DRJ/FNS), na sessão de julgamento de 11 de janeiro de 2012, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou: Trata o presente processo de auto de infração lavrado para constituição de crédito tributário no valor de R$ 25.000,00, referente a multa regulamentar, que está lastreada na alínea “e”, inciso IV, do artigo 107 do Decreto Lei n° 37/66. Conforme se descrição dos fatos, a interessada deixou de registrar os dados de embarque de mercadorias despachadas através das Declarações de Exportação (DE’s) listada no SISCOMEX, na forma e prazo estabelecidos, conforme o disposto no artigo 37 da IN SRF n° 28/94. Entendendo estar caracterizado a infração, a autoridade fiscal aplicou a multa de R$ 5.000,00 por embarque, pelo não cumprimento do prazo de informação dos dados de embarque no SISCOMEX. Regularmente cientificada, a interessada apresentou impugnação. Em síntese apresenta os seguintes argumentos: Que a SRF equivocouse ao enquadrar a conduta da impugnante no artigo 107, IV, "e", o qual imputa multa de R$5.000,00 por informação intempestiva de veiculo ou carga nele transportada, isso porque existe previsão legal especifica, portanto aqui aplicável, acerca de mercadoria transportada não manifestada ou informada a SRF na forma e prazo estabelecidos legalmente. A previsão legal especifica seria o artigo 107, inciso XI, alínea a. Portanto tendo em vista a inexistência do cumprimento das formalidades legais para a lavratura do presente auto de infração que impossibilita o direito de defesa ampla e do contraditório, requer que o auto de infração deve ser declarado nulo. Se esse não for o entendimento , penalizar a impugnante no termos do artigo 107, inciso XI, alínea "a" do Decreto n° 37/66 o Fl. 235DF CARF MF Processo nº 10715.008064/200811 Acórdão n.º 3302004.314 S3C3T2 Fl. 235 3 qual se refere a imposição de multa no valor de R$100,00 por carga não manifestada. A DRJ de Florianópolis (DRJ/FNS) decidiu pela improcedência da impugnação, mantendo o crédito. Colaciono a ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 28/01/2004 a 23/02/2004 EMENTA DISPENSADA. Estão dispensados de ementa os acórdãos resultantes de julgamento de processos fiscais de valor inferior R$ 50.000,00 (cinqüenta mil reais), na forma do artigo 1°, inciso I, da Portaria SRF n° 1364, de 10 de novembro de 2004. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com improcedência de sua manifestação de inconformidade, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, expondo que: 1 O auto de infração foi lavrado com base em incorreta tipificação, bem como em incorreta adequação dos fatos à norma; 2 A recorrente espontaneamente inseriu todas as informações de embarque de mercadorias o Siscomex, por esse motivo não deve ser penalizada pela suposta infração; 3 O Siscomex apresenta falhas técnicas, que por diversas vezes geram sua indisponibilidade por horas ou mesmo dias e impedem a inserção de dados de embarque de mercadorias, não podendo arcar com pesadas multas em virtude de um atraso; 4 A inexistência de embaraço à fiscalização, bem como necessária desoneração das exportações e também nítida violação à finalidade do ato administrativo, eis que não ocorreu qualquer prejuízo ao Fisco ou ao interesse público, sendo a multa em questão desvinculada do aumento à fiscalização ou arrecadação de tributos; 5 A denúncia espontânea é aplicável a todas as penalidades de natureza administrativa, exceto com relação ao perdimento. É o sucinto relatório. Através do Acórdão nº 3801005.319 foi dado provimento ao recurso voluntário, em sede preliminar, aplicando a denúncia espontânea para afastar a exigência da multa ora combatida. Cientificada do referido acórdão o Representante da Fazenda Nacional apresentou recurso especial suscitando divergência quanto à exoneração da penalidade em comento por aplicação da denúncia espontânea prevista no art. 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, com a nova redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010. Fl. 236DF CARF MF 4 O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e o contribuinte apresentou contrarrazões. Nos termos do acórdão nº 9303003.785, de 26/04/2016, fls.215/223, a CSRF ao julgar o recurso especial, assim decidiu conforme excertos da ementa e voto a seguir transcritos: Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 28/01/2004 a 23/02/2004 ADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL. COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA. Os requisitos de admissibilidade do recurso especial exigem que se comprove a divergência jurisprudencial consubstanciada na similitude fática entre as situações discutidas em ambos os acórdãos, recorrido e paradigma, com decisões distintas; que tenham sido prolatadas na vigência da mesma legislação, que a matéria tenha sido prequestionada, que o recurso seja tempestivo e tenha sido apresentado por quem de direito. Justamente, o que ocorreu no caso sob exame, onde há similitude fática entre as situações discutidas no recorrido e no paradigma, a saber: exigência da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada. As decisões foram proferidas na vigência da mesma legislação após as alterações introduzidas pela Lei 12.350, de 2010. No recorrido, aplicouse a denúncia espontânea, já no acórdão paradigma, não. Acrescentese, ainda, que a matéria foi prequestionada e o recurso foi apresentado, no tempo regimental, por quem de direito. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 28/01/2004 a 23/02/2004 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o. advento da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350/2010. Recurso Especial do Procurador Provido em Parte. Excertos do voto: Fl. 237DF CARF MF Processo nº 10715.008064/200811 Acórdão n.º 3302004.314 S3C3T2 Fl. 236 5 Todavia, assim como no Direito Penal, no Tributário algumas infrações não são suscetíveis de denúncia espontânea. São aquelas em que a mera conduta, por si só, já configura o ilícito, o qual, uma vez ocorrido, não há possibilidade jurídica, ou até mesmo física, de se evitar o resultado. O exemplo mais característico desse tipo de infração, é, justamente, a referente ao atraso no cumprimento de obrigação acessória, pois, no exato momento em que se exauriu o prazo legal sem que a obrigação tenha sido adimplida, a infração está configurada e o atraso não poderá ser reparado. Em outras palavras, atendose às normas do Direito Tributário, o dano relativo ao descumprimento de obrigação principal pode ser reparado, pagandose o tributo e os consectários legais. Todavia, se se tratar de infrações referentes a obrigações acessórias autônomas, a ser prestada em determinado prazo, o dano não pode ser sanado, posto que o núcleo do bem jurídico protegido, uma vez violado, não tem como ser restabelecido. Assim, por exemplo, se a obrigação era apresentar declaração até determinada data, e se esta não foi apresentada no prazo determinado, não há como cumprir a obrigação acessória tempestivamente, salvo se se voltar no tempo, ainda não possível com a tecnologia disponível hoje. No caso dos autos, a obrigação acessória autônoma, descumprida pelo transportador ou seus representantes, consistia no dever de o sujeito passivo informar os dados de embarque de mercadorias no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Notese que, uma vez exaurido o prazo para se prestar as informações sem que elas tenham sido prestadas ao órgão competente, a infração restou configurada, não havendo mais possibilidade de se evitar o resultado. Notese que, se a sanção fosse destinada, apenas e tãosomente, a punir o não cumprimento da obrigação acessória, poderseia admitir que, o adimplemento a destempo, desde que espontâneo, poderia ser beneficiado com a norma excludente da penalidade. Entretanto, se a sanção é destinada a coibir o atraso no cumprimento da obrigação, uma vez ocorrida a mora, não há que se falar em denúncia espontânea. (...) Por isso, afastada a denúncia espontânea, deve o processo retornar à instância a quo para que sejam enfrentadas as questões de mérito trazidas pelo Sujeito Passivo no recurso voluntário. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado." Fl. 238DF CARF MF 6 A empresa teve ciência do julgado em 15/06/2016, através do Termo de Abertura de Documento, conforme despacho, fl. 230. É o relatório. Voto Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Relatora: PRELIMINARES Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Da Impossibilidade de responsabilização da Recorrente em razão das folhas técnicas do Sistema Siscomex Quanto às supostas falhas técnicas do Sistema Siscomex, cabe destacar que as normas procedimentais preveem as alternativas quanto ao fornecimento de informações pelo responsável pela carga quando da indisponibilidade do Siscomex, no entanto, conforme será analisado na parte meritória esse não foi o suporte fático da autuação. Da falta de elemento essencial Argui o Recorrente que a penalidade aplicada não tem um fim específico a justificála, visto que carece do “elemento essencial da finalidade de estar ‘no interesse da arrecadação ou fiscalização dos tributos’ conforme se verifica no 1§ 2º do art. 113, do CTN”. O artigo colacionado está inserido no âmbito do Direito Tributário, visto que integra, como norma geral o Código Tributário Nacional, ocorre que a multa ora debatida está disciplinada na legislação aduaneira, com regras e motivação próprias, visto que o escopo da legislação aduaneira, cuja característica precípua é a extrafiscalidade, situase para além do tributário, uma vez que os bens tutelados, incluem não apenas o aspecto fiscal, mas o econômico, o controle do território aduaneiro, a proteção e segurança da sociedade. Com efeito, cabe enfatizar que a Constituição Federal de 1988 prescreve: Artigo 22, VIII : quanto à competência privativa da União para legislar sobre comércio exterior,; Artigo 237: 1 Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. (...) § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. (...). Fl. 239DF CARF MF Processo nº 10715.008064/200811 Acórdão n.º 3302004.314 S3C3T2 Fl. 237 7 que a fiscalização e o controle sobre o comércio exterior, essenciais à defesa dos interesses fazendários nacionais, serão exercidos pelo Ministério da Fazenda.(grifei). Nesse mister, dispõe o artigo 94 do DecretoLei nº 37, de 1966: Art.94 Constitui infração toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que importe inobservância, por parte da pessoa natural ou jurídica, de norma estabelecida neste DecretoLei, no seu regulamento ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completálos. Observese que a multa prevista na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do DecretoLei nº 37, de 1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei nº 10.833, de 2003, está situada no [CAPÍTULO III ...DAS DISPOSIÇÕES RELATIVAS À LEGISLAÇÃO ADUANEIRA] da Lei nº 10.833, de 2003. Assim, a multa que ora se discute tem um escopo claro na legislação que é o controle aduaneiro, logo sua natureza acessória autônoma se distingue perfeitamente da natureza acessória de que trata o § 2º do art. 113, do CTN, que tem por escopo o adimplemento do tributo. Aduz em abono dessa tese o acórdão nº 9303003.737, de 26/04/2016, fls. 216/224, ao afastar a denúncia espontânea com relação a multa que ora se discute: O exemplo mais característico desse tipo de infração, é, justamente, a referente ao atraso no cumprimento de obrigação acessória, pois, no exato momento em que se exauriu o prazo legal sem que a obrigação tenha sido adimplida, a infração está configurada e o atraso não poderá ser reparado. Em outras palavras, atendose às normas do Direito Tributário, o dano relativo ao descumprimento de obrigação principal pode ser reparado, pagandose o tributo e os consectários legais. Todavia, se se tratar de infrações referentes a obrigações acessórias autônomas, a ser prestada em determinado prazo, o dano não pode ser sanado, posto que o núcleo do bem jurídico protegido, uma vez violado, não tem como ser restabelecido.(grifei). Rejeitase portanto, as preliminares suscitadas. Da multa pela extemporaneidade dos dados de embarque Para melhor compreensão da situação fática, transcrevese a seguir excertos da Descrição dos Fatos, fl.03: ...com vistas A verificação do cumprimento da obrigação acessória disposta no art 37, da IN/SRF n.° 28/1994, alterado pelo art. I.°, da IN/SRF n.° 510/2005, foram apurados registros de dados de embarque intempestivos, efetuados no mês de janeiro de 2004, referentes aos transportes internacionais realizados no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro ALF/GIG. Fl. 240DF CARF MF 8 Considerase intempestivo o registro dos dados de embarque nos despachos de exportação com prazo superior aos 2 (dois) dias concedidos ao transportador responsável, contados a partir da realização do embarque, assim considerado a data do veio, de acordo com o art. 39, inciso II, da IN/SRF n.° 28/1994. Observase portanto que o lançamento decorre da multa capitulada no art. 107, IV, alínea “e”, do DecretoLei nº 37, de 1966, com a redação da Lei n.º 10.833, de 2003, pela não informação ou informação fora do prazo sobre a carga transportada, conforme dados do embarque, de fls. 03/04, o qual ocorreu em 28/01/2004 a 23/02/2004. É de relevo destacar que estando a cominação de penalidades no campo da reserva legal, ou melhor, reserva absoluta da lei, ex vi do 2inciso V do artigo 97 do Código Tributário Nacional CTN, sendo exigível para a espécie, lei em sentido material e formal, significa que somente nas hipóteses expressamente delineadas no tipo legal pode ser aplicável uma penalidade. Esclarecida a situação fática, analisase a base legal aplicada. DecretoLei nº 37, de 1966, com redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833, de 2003: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso porta a porta, ou ao agente de carga; (...)(grifei) Constatase que o dispositivo legal em comento remete à Secretaria da Receita Federal a disciplina da forma e prazo para a prestação, das informações nele explicitadas. Dispunha a IN SRF nº 28, de 1994, vigente à época do embarque: Art. 37. Imediatamente após realizado o embarque da mercadoria, o transportador registrará os dados pertinentes, no SISCOMEX, com base nos documentos por ele emitidos. Em cumprimento à determinação acima gizada, a então SRF, com o escopo de normatizar os procedimentos editou os seguintes atos: 2 Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: I (omissis; .................................................................................................... V a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas;” Fl. 241DF CARF MF Processo nº 10715.008064/200811 Acórdão n.º 3302004.314 S3C3T2 Fl. 238 9 IN SRF nº 510, de 2005, que definiu o prazo de comunicação em 02(dois) dias, aplicado no caso concreto para a exigência em lide: "Art. 37. O transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de dois dias, contado da data da realização do embarque.(grifei). IN RFB nº 1.096, de 2010: "Art. 37. O transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de 7 (sete) dias, contados da data da realização do embarque. Notese que, objetivamente estabelece o dispositivo legal ([artigo 107, IV, alínea “e”, do DecretoLei n.º 37, de 1966, com a redação da Lei n.º 10.833, de 2003) uma sanção quando da ocorrência do seguinte pressuposto fático: ....deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal. À época do embarque, ocorrido em 26/08/2004, vigia a IN SRF nº 28, de 1994, com o seguinte enunciado [Imediatamente após realizado o embarque da mercadoria, o transportador registrará os dados pertinentes, no SISCOMEX]. Ocorre que integra o núcleo infracional acima [deixar de prestar informação...] duas situações, na forma e prazo, cujo rito procedimental ficou à cargo da RFB, no entanto para a espécie dos autos, cuja cominação deveuse pela extrapolação de dois dias à data de embarque, utilizandose a definição de prazo estabelecida na IN SRF nº 510, de 2005, por ser mais benéfica ao contribuinte, visto que comparada às disposições interpretativas da Notícia Siscomex n° 105, de 1994, é inaplicável a multa exigida, visto que a IN SRF nº 28, de 1994, não dispunha de um prazo e sim de um conceito indeterminado [Imediatamente após realizado o embarque], ou melhor, um conceito jurídico indeterminado, cuja compreensão é incerta, ambígua, contrapondose assim a um conceito jurídico determinado como soí acontecer por exemplo com as medidas de grandezas, prazos, etc, tampouco a Notícia Siscomex n° 105, de 1994, se insere na categoria dos atos administrativos normativos, disciplinados nos incisos I dos artigos 100 e 103 do CTN, visto que carece de um requisito fundamental que é a publicidade. Nesse mister, importa realçar que é princípio assente no seio constitucional o da não retroatividade da lei penal, exceto para beneficiar o réu (art. 5º, XL). O cânone interpretativo fundamental é o de que as leis devem ser interpretadas de acordo com as normas superiores da Constituição. Nesse sentido é importante ressaltar que em sede infraconstitucional, consagra o Código Tributário Nacional CTN no 3art. 106 a possibilidade de aplicação retroativa da legislação tributária a fatos pendentes nas 3 Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; Fl. 242DF CARF MF 10 hipóteses nele elencadas que são: a) lei expressamente interpretativa e; b) tratandose de ato não definitivamente julgado: lei tributária penal que estabeleça penalidade mais branda; que deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; ou deixe de considerar determinado fato como infração. Assim deduzse da situação fática, que à época do embarque, a norma procedimental não dispunha do prazo a ser observado para a prestação das informações, requisito esse que só foi estabelecido pela IN SRF nº 510, de 14/02/2005, DOU de 15/02/2005, norma não vigente à época do embarque, portanto inaplicável ao caso, visto que a condição imposta pela lei, para a cominado da multa [deixar de prestar informação... no prazo estabelecido ], inexistia à época do embarque, tampouco há que se falar em aplicação de norma mais benéfica, uma vez que ao caso sub examine são inaplicáveis as disposições do artigo 106 do CTN. Ante os fundamentos acima, podese concluir que somente com a IN SRF nº 510, de 14/02/2005, DOU de 15/02/2005, houve a determinação de um prazo para que o responsável pela carga, registrasse no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos. Ex positis, estando o auto de infração formalizado com o lançamento da multa, com base IN SRF nº 510, de 14/02/2005, DOU de 15/02/2005, norma não vigente à época do embarque, tornase incabível ao caso em apreço. Cabe ainda destacar que a interpretação acima encontra precedente neste E. Conselho, conforme dispõe o acórdão 3102002.040, de 25/09/2013, a seguir ementado: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 17/01/2004 a 26/01/2005 ILEGITIMIDADE PASSIVA A responsabilidade em relação as infrações é do representante do transportador estrangeiro, nos termos da legislação pátria. NULIDADE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não caracteriza. Necessidade de restar demonstrado o prejuízo a defesa. Acusação fiscal compreendida. MULTA REGULAMENTAR. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE. MATERIALIZAÇÃO DA INFRAÇÃO.IMPOSIÇÃO DA MULTA. POSSIBILIDADE. O descumprimento do prazo de 7 (sete) dias, fixado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) para o registro, no Siscomex, dos dados do embarque, subsumese à hipótese da infração por atraso na informação sobre carga transportada, sancionada com a respectiva multa regulamentar. AUSÊNCIA DE NORMA ESTABELECENDO PRAZO PARA COMUNICAÇÃO DO EMBARQUE ANTES DE 15/02/2005. b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Fl. 243DF CARF MF Processo nº 10715.008064/200811 Acórdão n.º 3302004.314 S3C3T2 Fl. 239 11 Até a edição da IN SRF nº 510/2005 não havia prazo estabelecendo data para comunicação de embarque. Expressão “imediatamente” é indeterminada.(grifei). Excluir a penalidade imposta decorrente dos embarques realizados antes de 15/02/2005. Recurso Voluntário Provido. Ante o exposto, VOTO POR, REJEITAR AS PRELIMINARES SUSCITADAS E NO MÉRITO, DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário às exigências formalizadas anteriores à 27/02/2005, conforme planilhas de fls.03/04. [Assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar Fl. 244DF CARF MF
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Numero do processo: 13002.720637/2014-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2012
DIRPF. DEDUÇÕES. COMPROVAÇÃO. REGULAMENTO DO IMPOSTO DE RENDA/RIR 1999.
Todas as deduções na base de cálculo do imposto previstas pela legislação estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decreto-Lei n° 5.844, de 1943, art. 11, § 3°).
DESPESAS MÉDICAS.
Poderão ser deduzidos os pagamentos referentes a despesas médicas efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, desde que comprovados mediante documentação hábil e idônea. (Lei nº 9.250/1995, art. 8º, inc. II, § 2º).
Sanada a falta apontada pela Autoridade lançadora, devem ser aceitos os recibos comprobatórios das despesas.
Numero da decisão: 2202-003.919
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente
(assinado digitalmente)
Cecilia Dutra Pillar - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto.
Nome do relator: CECILIA DUTRA PILLAR
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DEDUÇÕES. COMPROVAÇÃO. REGULAMENTO DO IMPOSTO DE RENDA/RIR 1999. Todas as deduções na base de cálculo do imposto previstas pela legislação estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei n° 5.844, de 1943, art. 11, § 3°). DESPESAS MÉDICAS. Poderão ser deduzidos os pagamentos referentes a despesas médicas efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, desde que comprovados mediante documentação hábil e idônea. (Lei nº 9.250/1995, art. 8º, inc. II, § 2º). Sanada a falta apontada pela Autoridade lançadora, devem ser aceitos os recibos comprobatórios das despesas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente (assinado digitalmente) Cecilia Dutra Pillar Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 2. 72 06 37 /2 01 4- 51 Fl. 94DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto. Relatório Trata o presente processo de Notificação de Lançamento relativa ao Imposto sobre a Renda das Pessoas Físicas (fls. 28/35), decorrente de revisão da Declaração de Ajuste Anual do IRPF do exercício de 2013, ano calendário de 2012, em que foram glosados valores indevidamente deduzidos a título de despesas com instrução (R$ 919,00) e despesas médicas (R$ 16.225,70), por se referirem a Matheus Gheller Lindner, sem relação de dependência na declaração de ajuste anual. Apurada, também, omissão de rendimentos de aluguéis no valor de R$ 990,00. Foi apresentada impugnação tempestiva e parcial pois o interessado contestou apenas a glosa de despesas médicas no valor de R$ 2.310,00, referentes a seu próprio tratamento e não do filho, pois inadvertidamente apresentou recibos em nome deste quando do atendimento da intimação. Anexa recibos às fls. 10/17. A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador (BA), julgou improcedente a impugnação, conforme acórdão de fls. 76/78, mantendo a glosa das despesas médicas haja vista que os recibos apresentados pelo contribuinte não mencionam quem é o paciente ao qual foi prestado o atendimento nem o endereço do profissional prestador dos serviços, não podendo ser aceitos para comprovar que se referem a despesas do próprio contribuinte. Cientificado dessa decisão por via postal em 26/03/2015 (A.R. de fls. 81), o interessado interpôs Recurso Voluntário em 14/04/2015 (fls. 82), insurgindose contra a manutenção da glosa da dedução das despesas médicas e apresentando declaração da profissional em psicologia Sabrina Rezende, onde fez constar que efetivamente prestou serviços de acompanhamento psicológico ao requerente e informando seu endereço profissional (fls. 87). É o Relatório. Voto Conselheira Cecilia Dutra Pillar Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais formalidades legais, portanto dele conheço. O presente recurso resumese à controvérsia acerca da não aceitação de comprovantes de despesas médicas pagas pelo declarante e que totalizam o valor de R$ 2.310,00. A autoridade julgadora motivou as glosas das despesas médicas na falta de endereço da profissional nos recibos apresentados e falta de identificação do paciente. Fl. 95DF CARF MF Processo nº 13002.720637/201451 Acórdão n.º 2202003.919 S2C2T2 Fl. 95 3 O contribuinte juntou a seu recurso declaração da psicóloga, informando seu endereço profissional e atestando que os serviços foram prestados ao próprio Sr. Érico. O Decreto nº 70.235/1972, que regulamenta o processo administrativo fiscal, limita a apresentação de provas em momento posterior a impugnação, restringindoa aos casos previstos no § 4º do seu art. 16, porém a jurisprudência deste Conselho vem se consolidando no sentido de que essa regra geral não impede que o julgador conheça e analise novos documentos anexados aos autos após a defesa, em observância aos princípios da verdade material e da instrumentalidade dos atos administrativos, sobretudo quando são capazes de rechaçar em parte ou integralmente a pretensão fiscal. Nesse caso, entendo que os documentos apresentados em sede de recurso voluntário devem ser recepcionados e analisados, uma vez que comprovam os argumentos expostos pelo Contribuinte e servem para rebater a decisão de primeira instância. Deste modo, com base nas provas apresentadas, foi suprida a falta apontada, havendo que se restabelecer a dedução a título de despesas médicas, no valor de R$ 2.310,00. CONCLUSÃO Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Cecilia Dutra Pillar Relatora Fl. 96DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13502.721650/2012-25
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jun 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2007, 2008, 2009, 2010
SIGILO BANCÁRIO. EXAME DE EXTRATOS. DESNECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL.
Válida é a prova consistente em informações bancárias requisitadas em absoluta observância das normas de regência e ao amparo da lei, sendo desnecessária prévia autorização judicial.
Havendo procedimento de ofício instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelos órgãos fiscais tributários do Ministério da Fazenda, não constitui quebra do sigilo bancário, mas tão-somente sua transferência para o Fisco.
ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
Para os fatos geradores ocorridos a partir do ano-calendário 1997, a Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.]
DEPÓSITOS BANCÁRIOS IDENTIFICADOS NO CURSO DA AÇÃO FISCAL. ORIGEM COMPROVADA.
Inexiste autorização legal para a presunção de rendimentos em relação a depósitos bancários cujos depositantes tenham sido identificados no curso da ação fiscal, vez que a premissa da presunção prevista no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, é que os depósitos sejam de origem não comprovada. Em relação aos depósitos identificados, caberia à autoridade fiscal evidenciar a existência de outros elementos probatórios que caracterizassem a omissão de rendimentos, e efetuar tributação de acordo com a natureza destes, nos termos do § 2º deste mesmo dispositivo legal.
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, não tendo ele se desincumbindo deste ônus. Simples alegações desacompanhadas dos meios de prova que as justifiquem revelam-se insuficientes para comprovar os fatos alegados.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PROVAS APRESENTADAS.
Tendo o contribuinte apresentado provaS quanto a parte dos depósitos bancários, de que estes não deveriam compor o lançamento, devem ser estes excluídos
MULTA QUALIFICADA. CARACTERIZAÇÃO DO DOLO PARA FINS TRIBUTÁRIOS. OCORRÊNCIA. MOVIMENTAÇÃO DE RECURSOS EM CONTAS BANCÁRIAS DE INTERPOSTAS PESSOAS. SÚMULA CARF Nº 34.
Aplicável a penalidade qualificada no artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96, quando a autoridade lançadora coligir aos autos elementos comprobatórios de que a conduta do sujeito passivo está inserida nos conceitos de sonegação, fraude ou conluio, tal qual descrito nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64.
A Súmula CARF nº 34 dispõe que: "Nos lançamentos em que se apura omissão de receita ou rendimentos, decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada, é cabível a qualificação da multa de ofício, quando constatada a movimentação de recursos em contas bancárias de interpostas pessoas".
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. OCORRÊNCIA.
Nos termos doa art. 124, inciso I, do CTN, são solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal.
JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO.
A multa fiscal de natureza punitiva integra a obrigação tributária principal (art. 113) e, assim, o crédito tributário (artigo 139), estando sujeita à incidência de juros de mora (artigo 161, todos do CTN).
Numero da decisão: 2202-003.760
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. Quanto ao recurso voluntário: por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Martin da Silva Gesto e Junia Roberta Gouveia Sampaio, que deram provimento parcial ao recurso para excluir a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Foi designado o Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator.
(assinado digitalmente)
Marcio Henrique Sales Parada - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Martin da Silva Gesto, Márcio Henrique Sales Parada, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Cecília Dutra Pillar e Dílson Jatahy Fonseca Neto.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2007, 2008, 2009, 2010 SIGILO BANCÁRIO. EXAME DE EXTRATOS. DESNECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. Válida é a prova consistente em informações bancárias requisitadas em absoluta observância das normas de regência e ao amparo da lei, sendo desnecessária prévia autorização judicial. Havendo procedimento de ofício instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelos órgãos fiscais tributários do Ministério da Fazenda, não constitui quebra do sigilo bancário, mas tão-somente sua transferência para o Fisco. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir do ano-calendário 1997, a Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.] DEPÓSITOS BANCÁRIOS IDENTIFICADOS NO CURSO DA AÇÃO FISCAL. ORIGEM COMPROVADA. Inexiste autorização legal para a presunção de rendimentos em relação a depósitos bancários cujos depositantes tenham sido identificados no curso da ação fiscal, vez que a premissa da presunção prevista no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, é que os depósitos sejam de origem não comprovada. Em relação aos depósitos identificados, caberia à autoridade fiscal evidenciar a existência de outros elementos probatórios que caracterizassem a omissão de rendimentos, e efetuar tributação de acordo com a natureza destes, nos termos do § 2º deste mesmo dispositivo legal. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, não tendo ele se desincumbindo deste ônus. Simples alegações desacompanhadas dos meios de prova que as justifiquem revelam-se insuficientes para comprovar os fatos alegados. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PROVAS APRESENTADAS. Tendo o contribuinte apresentado provaS quanto a parte dos depósitos bancários, de que estes não deveriam compor o lançamento, devem ser estes excluídos MULTA QUALIFICADA. CARACTERIZAÇÃO DO DOLO PARA FINS TRIBUTÁRIOS. OCORRÊNCIA. MOVIMENTAÇÃO DE RECURSOS EM CONTAS BANCÁRIAS DE INTERPOSTAS PESSOAS. SÚMULA CARF Nº 34. Aplicável a penalidade qualificada no artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96, quando a autoridade lançadora coligir aos autos elementos comprobatórios de que a conduta do sujeito passivo está inserida nos conceitos de sonegação, fraude ou conluio, tal qual descrito nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. A Súmula CARF nº 34 dispõe que: "Nos lançamentos em que se apura omissão de receita ou rendimentos, decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada, é cabível a qualificação da multa de ofício, quando constatada a movimentação de recursos em contas bancárias de interpostas pessoas". RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. OCORRÊNCIA. Nos termos doa art. 124, inciso I, do CTN, são solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. A multa fiscal de natureza punitiva integra a obrigação tributária principal (art. 113) e, assim, o crédito tributário (artigo 139), estando sujeita à incidência de juros de mora (artigo 161, todos do CTN).
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EXAME DE EXTRATOS. DESNECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. Válida é a prova consistente em informações bancárias requisitadas em absoluta observância das normas de regência e ao amparo da lei, sendo desnecessária prévia autorização judicial. Havendo procedimento de ofício instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelos órgãos fiscais tributários do Ministério da Fazenda, não constitui quebra do sigilo bancário, mas tãosomente sua transferência para o Fisco. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir do anocalendário 1997, a Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.] DEPÓSITOS BANCÁRIOS IDENTIFICADOS NO CURSO DA AÇÃO FISCAL. ORIGEM COMPROVADA. Inexiste autorização legal para a presunção de rendimentos em relação a depósitos bancários cujos depositantes tenham sido identificados no curso da ação fiscal, vez que a premissa da presunção prevista no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, é que os depósitos sejam de origem não comprovada. Em AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 2. 72 16 50 /2 01 2- 25 Fl. 2209DF CARF MF Processo nº 13502.721650/201225 Acórdão n.º 2202003.760 S2C2T2 Fl. 2.210 2 relação aos depósitos identificados, caberia à autoridade fiscal evidenciar a existência de outros elementos probatórios que caracterizassem a omissão de rendimentos, e efetuar tributação de acordo com a natureza destes, nos termos do § 2º deste mesmo dispositivo legal. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, não tendo ele se desincumbindo deste ônus. Simples alegações desacompanhadas dos meios de prova que as justifiquem revelamse insuficientes para comprovar os fatos alegados. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PROVAS APRESENTADAS. Tendo o contribuinte apresentado provaS quanto a parte dos depósitos bancários, de que estes não deveriam compor o lançamento, devem ser estes excluídos MULTA QUALIFICADA. CARACTERIZAÇÃO DO DOLO PARA FINS TRIBUTÁRIOS. OCORRÊNCIA. MOVIMENTAÇÃO DE RECURSOS EM CONTAS BANCÁRIAS DE INTERPOSTAS PESSOAS. SÚMULA CARF Nº 34. Aplicável a penalidade qualificada no artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96, quando a autoridade lançadora coligir aos autos elementos comprobatórios de que a conduta do sujeito passivo está inserida nos conceitos de sonegação, fraude ou conluio, tal qual descrito nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. A Súmula CARF nº 34 dispõe que: "Nos lançamentos em que se apura omissão de receita ou rendimentos, decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada, é cabível a qualificação da multa de ofício, quando constatada a movimentação de recursos em contas bancárias de interpostas pessoas". RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. OCORRÊNCIA. Nos termos doa art. 124, inciso I, do CTN, são solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. A multa fiscal de natureza punitiva integra a obrigação tributária principal (art. 113) e, assim, o crédito tributário (artigo 139), estando sujeita à incidência de juros de mora (artigo 161, todos do CTN). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. Quanto ao recurso voluntário: por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Martin da Silva Gesto e Junia Roberta Gouveia Sampaio, que deram provimento parcial ao recurso para excluir a incidência dos juros de mora sobre a multa de Fl. 2210DF CARF MF Processo nº 13502.721650/201225 Acórdão n.º 2202003.760 S2C2T2 Fl. 2.211 3 ofício. Foi designado o Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator. (assinado digitalmente) Marcio Henrique Sales Parada Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Martin da Silva Gesto, Márcio Henrique Sales Parada, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Cecília Dutra Pillar e Dílson Jatahy Fonseca Neto. Relatório Tratamse de Recursos Voluntários e de Ofício interpostos nos autos do processo nº 13502.721650/201225, em face do acórdão nº 1532.426 julgado pela 3ª Turma da Delegacia Federal do Brasil em Salvador (DRJ/SDR), no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar procedente em parte a impugnação apresentada pelo contribuinte Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de origem que assim os relatou: Tratase de auto de infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF correspondente aos anos calendário de 2007, 2008, 2009 e 2010, para exigência de imposto, no valor de R$ 2.129.250,42, acrescido de multa de ofício qualificada no percentual de 150% (cento e cinquenta por cento) e juros de mora. Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal constantes no auto de infração, às fls. 1.338/1.348, o crédito tributário foi constituído em razão de ter sido apurada omissão de rendimentos caracterizada pela falta de comprovação da origem dos recursos creditados em conta de depósito ou de investimento, de titularidade do autuado. No termo de verificação fiscal, às fls. 1.349/1.360, ficou consignado que: a) o autuado, titular da conta bancária objeto do lançamento fiscal, teria informado que emprestara sua conta bancária para movimentação de recursos da empresa Mix Engenharia, no período de agosto de 2007 a dezembro de 2008, mediante o fornecimento de cheques em branco assinados, sem a outorga de procuração; os cheques e saques seriam utilizados para Fl. 2211DF CARF MF Processo nº 13502.721650/201225 Acórdão n.º 2202003.760 S2C2T2 Fl. 2.212 4 pagamento de despesas desta empresa; prestara serviços de consultoria e manutenção na frota desta empresa; recebera, também, recursos da Ecolurb para pagar fornecedores e a título de serviços prestados, sendo que seu filho Igor Gomes Martins era sócio da referida empresa juntamente com seu amigo Túlio Vilasboas Reis; e que na mesma conta bancária teriam transitado recursos próprios; b) Sr. Túlio Vilasboas Reis estaria à frente das empresas Mix e Ecolurb, na primeira como administrador de fato, e na segunda como sócio administrador; além das vultosas transferências realizadas por estas empresas, teria transferido R$ 357.913,00 como pessoa física para conta do autuado nos anos de 2008 a 2010; teria recebido R$ 1.134.251,33 dos valores debitados na conta bancária objeto da autuação, além de outros recursos recebidos em espécie pelas mãos de seus empregados; também foi arrolado como responsável solidário pelo crédito tributário lançado, com base no art. 124, inciso I, do CTN, por restar demonstrado a existência de interesse comum na movimentação financeira objeto do lançamento fiscal; c) na análise dos valores creditados na conta bancária, no valor total de R$ 8.245,091,90, foram excluídos depósitos no valor de R$ 588.103,54 por terem origem identificada ou por não representarem ingressos efetivos de recursos; do saldo remanescente de R$ 7.656.988,33, foi aprofundada a análise da parcela creditada pelas Mix, Protocorpe, Ecolurb, Sr. Túlio e pelo próprio autuado, no montante de R$ 4.867.718,06, conforme detalhado, às fls. 1353; não foi aprofundada a análise dos demais créditos por não terem origens identificadas ou por terem baixa recorrência ou valor que justificassem maior detalhamento;I Preliminar de Quebra de Sigilo Bancário: d) na análise dos valores debitados na conta bancária, no valor total de R$ 8.260.433,54, foram excluídos débitos no valor de R$ 3.126.102,24 por se referirem às seguintes operações: débitos de CPMF; compras com Visa electron, de cheques/transferências inferiores a R$ 12.000,00 e, quando pertencentes à uma mesma pessoa, o seu somatório não ultrapassasse R$ 80.000,00 no ano; débitos que não possuíssem qualquer referência com a Mix, Protocorp, Ecolurb ou Túlio; além dos débitos que não fosse possível identificar o beneficiário. Do saldo remanescente de R$ 5.134.331,30, foi verificado que 23,66% foi destinado ao próprio autuado, 15,81% ao Sr. Túlio, 5,77% ao Sr. Nairton, 1,23% à Sra. Carla e 0,99% à Sra. Jaqueline, sendo que estas três últimas pessoas foram empregadas da Mix, administrada pelo Sr. Túlio, e declararam que os recursos recebidos eram para pagamentos de contas e entrega de dinheiro em espécie a Túlio. Três pessoas jurídicas beneficiárias de pagamentos foram intimadas a especificar quais os serviços prestados ou mercadorias vendidas que justificassem o recebimento de valores do Sr. Antonio Loureiro Martins, sendo que a Comercial de Petróleo Ribeiro Araújo Ltda e a Tramec Tratores Ltda declararam que receberam valores para pagamento de despesas da Ecolurb, e a Fl. 2212DF CARF MF Processo nº 13502.721650/201225 Acórdão n.º 2202003.760 S2C2T2 Fl. 2.213 5 Acrijas Artes Comércio e Serviços Ltda ME declarou ter recebido valores para pagamento de despesas da Mix e Ecolurb; e) na análise das microfilmagens verificouse a assinatura do Sr. Túlio no verso dos cheques de numeração 504, 458, 460, 526, 560 e 751 emitidos pelo autuado com ordem de pagamento a terceiros, sendo que a justificativa dada pelos dois seria que o Sr. Túlio teria mais credibilidade junto a gerentes de outras agências do banco que não conheciam o autuado; os cheques em branco entregues à Mix eram preenchidos pelo Sr. Túlio e por outros funcionários da Mix a mando dele, conforme depoimento de funcionários; não foram encontradas quaisquer referências nos cheques sobre os sócios da Mix; f) a multa de ofício foi qualificada em razão da evidente sonegação e conluio nos termos dos arts. 71 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964, c/c o art. 44, § 1º, da Lei nº 9.430, de 1996. O sujeito passivo teria tido o intuito de ocultar o seu amigo Túlio Vilasboas Reis como igualmente responsável e beneficiário dos recursos movimentados em sua conta bancária, bem como, teria sonegado intencionalmente os rendimentos reconhecidamente recebidos da Mix e da Ecolurb; g) o lançamento fiscal foi realizado com base na presunção de omissão de rendimentos do art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, em razão do fiscalizado não ter provado que os valores depositados em sua conta corrente pertenciam a terceiros, nem a origem destes depósitos. O autuado, Sr. Antonio Loureiro Martins, foi cientificado do lançamento fiscal e apresentou impugnação, às fls. 1.857/1.931, alegando, em síntese, que: a) na conta bancária objeto da autuação transitaram receitas próprias do impugnante, bem como foi “emprestada” para movimentar recursos da MIX no período de agosto de 2007 a outubro de 2008, e utilizada para impugnante como uma espécie de subempreiteiro; b) a quebra do sigilo bancário sem prévia autorização judicial seria inconstitucional, portanto, nulo o lançamento lastreado em dados obtidos mediante tal procedimento, consoante decisão do Plenário do STF, de 15/12/2010; c) a habitualidade de operações com intuito de lucro, próprias de uma empresa, verificada no presente caso torna obrigatória a equiparação da pessoa física à pessoa jurídica, com a cobrança do IRPJ e reflexos, portanto, nulo o lançamento pela falta da adoção de tal procedimento; d) a apuração de omissão de receita decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada deve ser mensal, conforme previsto na legislação tributária, portanto, nulo o lançamento sem a observância deste critério; Fl. 2213DF CARF MF Processo nº 13502.721650/201225 Acórdão n.º 2202003.760 S2C2T2 Fl. 2.214 6 e) deve ser reconhecida a decadência do crédito tributário anterior a 14/12/2007, conforme previsto no art. 150, § 4º, do CTN; f) inexiste autorização legal para que sejam presumidos rendimentos os depósitos bancários de origem comprovada, conforme interpretação do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, dada pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), portanto, improcedente o lançamento, vez que a fiscalização já tinha conhecimento da origem da maior parte dos valores depositados na conta bancária do impugnante, no montante conhecido de R$ 4.867.718,06; g) o impugnante comprovou a origem dos recursos depositados em sua conta, especialmente da venda de mariscos e automóveis, entre outros, e demonstrou que não possuía disponibilidade jurídica dos depósitos voltados para o pagamento das despesas da MIX e da Ecolurb, portanto, inexistiu fato gerador do imposto de renda; h) a fiscalização não deduziu da base de cálculo apurada no lançamento fiscal os rendimentos declarados pelo impugnante no período autuado, desobedecendo à jurisprudência majoritária do CARF (Acórdão nº 210200.490); I) a multa de ofício qualificada no percentual de 150% (cento e cinquenta por cento) é incompatível com a presunção de omissão de rendimentos, assim como por não ter sido demonstrado o evidente intuito de fraude; j) deve ser afastada a incidência de juros moratórios sobre a multa de ofício, conforme entendimento do CARF. O responsável solidário, Sr. Túlio Vilasboas Reis, foi cientificado do lançamento fiscal e apresentou impugnação, às fls. 1.938/1.972, alegando, em síntese, que: a) o lançamento fiscal seria nulo em razão de não ter sido expedido o imprescindível MPFF;b) o lançamento fiscal seria nulo em razão de não ter sido intimado a esclarecer a origem dos depósitos bancários, conforme imposto pelo art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, tendo em vista que a fiscalização entendeu que os valores movimentados lhe pertenceriam; c) o termo de sujeição passiva deve ser cancelado, uma vez que não há amparo fático e jurídico para tese de responsabilidade solidária, pois jamais foi titular dos recursos depositados na conta do Sr. Loureiro; d) a fiscalização não deduziu da base de cálculo apurada no lançamento fiscal os rendimentos declarados pelo impugnante no período autuado, desobedecendo à jurisprudência majoritária do CARF. A DRJ de origem entendeu pela procedência em parte da impugnação apresentada pelo contribuinte. Inconformado quanto ao que foi vencido, o contribuinte Fl. 2214DF CARF MF Processo nº 13502.721650/201225 Acórdão n.º 2202003.760 S2C2T2 Fl. 2.215 7 apresentou recurso voluntário às fls. 2067/2150, reiterando as alegações expostas em impugnação. Entendeu a DRJ pela revisão do lançamento fiscal, conforme detalhamento da tabela de fls. 2025, colacionada abaixo: O responsável solidário, Sr. Túlio Vilasboas Reis, também apresentou recurso voluntário, estando ele às fls. 2157/2199 dos autos. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator RECURSO DE OFÍCIO No presente caso, temse que foi exonerado pela DRJ de origem o valor de R$ 1.521.858,91 a título de IRPF, juntamente com os acréscimos legais correspondentes. Considerandose que a multa aplicada a este lançamento foi a qualificada, sendo esta em percentual de 150%. A Portaria MF nº 63, de 09 de fevereiro de 2017 majorou o limite de alçada para interposição de recurso de ofício, que deixou de ser o valor estabelecido na Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008 (R$ 1.000.000,00 um milhão de reais), para R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais), vejamos o texto da recente Portaria: Portaria MF nº 63, de 09 de fevereiro de 2017 (Publicado(a) no DOU de 10/02/2017, seção 1, pág. 12) Estabelece limite para interposição de recurso de ofício pelas Turmas de Julgamento das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ). O MINISTRO DE ESTADO DA FAZENDA, no uso da atribuição que lhe confere o inciso II do parágrafo único do art. 87 da Constituição Federal e tendo em vista o disposto no inciso I do art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, resolve: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do Fl. 2215DF CARF MF Processo nº 13502.721650/201225 Acórdão n.º 2202003.760 S2C2T2 Fl. 2.216 8 pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. Art. 2º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação no Diário Oficial da União. Art. 3º Fica revogada a Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008. Por oportuno, salientase que a Súmula CARF nº 103 estabelece que se aplica o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.. Na presente data (sessão realizada em 04/04/2017) o limite de alçada vigente (R$ 2.500.000,00) é inferior ao valor exonerado pela julgamento da DRJ de origem. Logo, deve ser conhecido o recurso de ofício interposto. Em razão disso, entendo por preenchidos os requisitos de admissibilidade o recurso de ofício. Portanto, dele conheço. A DRJ de origem entendeu por excluir do lançamento fiscal alguns depósitos, consoante voto abaixo transcrito: No presente caso, a fiscalização identificou previamente os depositantes de parcela significativa dos depósitos, conforme relacionado no Anexo 1 do Termo de Verificação Fiscal, às fls. 1361/1369. Deveria ter juntado elementos que evidenciassem tratarse de rendimentos tributáveis e de que espécie, se rendimentos do trabalho, ganhos de capital, etc., e não lançar como se a origem dos depósitos bancários não tivesse sido comprovada. Por este motivo, serão excluídos do lançamento fiscal os valores comprovadamente creditados pela Mix, Protocorpe, Ecolurb, Sr. Túlio e pelo próprio autuado, já identificados no referido anexo, que totalizam R$ 4.867.691,06. Mesmo destino terão outros depósitos cuja identificação dos depositantes já era possível no próprio histórico do extrato bancário, no montante de R$ 502.458,21. Os valores excluídos estão identificados em planilha anexa ao presente acórdão. O impugnante relacionou, às fls. 1917/1919, depósitos referentes a cheques devolvidos/cancelados, que deveriam ser excluídos do lançamento fiscal. Confirmase a devolução dos cheques ali relacionados, no valor total de R$ 338.250,40, com base nos extratos bancários, às fls. 360/480, a exceção dos depositados em 23/04/2008, no valor de R$ 1.120,00, e em 02/12/2009, no valor de 435,00, porque não conferem com os extratos. Fl. 2216DF CARF MF Processo nº 13502.721650/201225 Acórdão n.º 2202003.760 S2C2T2 Fl. 2.217 9 Ressaltese que parcela destes cheques, no valor de R$ 174.367,20, será também excluída por se referir a depósitos identificados, a outra parcela, no valor de R$ 163.883,20, será excluída em razão de não constituir renda disponível. Foram relacionados, também, depósitos que estariam vinculados a venda e manutenção de automóveis, às fls. 1912/1914, no valor total de R$ 192.128,27, a venda de mariscos, às fls. 1916/1917, no valor total de R$ 30.516,80, e a empréstimos entre familiares, às fls. 1916/1917, no valor total de R$ 37.215,00. Contudo, tais depósitos já foram excluídos no presente julgamento em razão de que os depositantes estavam identificados nos próprios extratos bancários, e não poderiam ser objeto de lançamento com base na presunção do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Verifico que não merecem reparos o acórdão da DRJ de origem quanto aos depósitos excluídos do lançamento. Compartilho do entendimento de que estando os depositantes identificados nos próprios extratos bancários, não poderia ter ocorrido o lançamento destes depósitos bancários com base na presunção do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Por este motivo, correta a decisão que determinou que fossem excluídos do lançamento fiscal os valores comprovadamente creditados pela Mix, Protocorpe, Ecolurb, Sr. Túlio e pelo próprio autuado, consoante anexo do acórdão da DRJ, que totalizam R$ 4.867.691,06. Ocorre que inexiste autorização legal para a presunção de rendimentos em relação a depósitos bancários cujos depositantes tenham sido identificados no curso da ação fiscal, vez que a premissa da presunção prevista no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, é que os depósitos sejam de origem não comprovada. Em relação aos depósitos identificados, caberia à autoridade fiscal evidenciar a existência de outros elementos probatórios que caracterizassem a omissão de rendimentos, e efetuar tributação de acordo com a natureza destes, nos termos do § 2º deste mesmo dispositivo legal. Ainda, devem ser mantidos excluídos do lançamento os depósitos cujo valores foram estornados, em razão de cheques devolvidos/cancelados. Quanto aos cheques relacionados, no valor total de R$ 338.250,40, com base nos extratos bancários, às fls. 360/480, correta a exclusão destes depósitos do lançamento fiscal (a exceção dos depositados em 23/04/2008, no valor de R$ 1.120,00, e em 02/12/2009, no valor de R$ 435,00, porque compreendeu a DRJ que estes não conferem com os extratos). Ocorre que quanto a parte do valor destes cheques (R$ 174.367,20), a exclusão do lançamento foi realizada por se referirem a depósitos identificados, com origem comprovada, não podendo a autuação se dar pelo art. 42 da Lei nº 9.430. Por sua vez, a outra parcela (R$ 163.883,20), a exclusão se fez necessária em razão de não constituir renda disponível, em razão das devoluções dos cheques. Ante o exposto, não merece provimento o recurso de ofício. RECURSO VOLUNTÁRIO O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. 1. Preliminares Fl. 2217DF CARF MF Processo nº 13502.721650/201225 Acórdão n.º 2202003.760 S2C2T2 Fl. 2.218 10 Alega a Recorrente que a Fiscalização violou a sua garantia constitucional de inviolabilidade da vida privada, no curso da ação fiscal, ao providenciar a quebra do sigilo bancário do contribuinte, haja vista que somente o Poder Judiciário teria competência para determinar a quebra do sigilo bancário. Com relação à alegação de nulidade e de que não foram observados requisitos formais no presente lançamento, ou que caberia a um terceiro a determinação da quebra de sigilo, há que se esclarecer ao contribuinte que a Receita Federal está autorizada por força da Lei Complementar 105 de 10 de janeiro de 2001, a requisitar diretamente às instituição bancárias informações financeiras dos contribuintes, desde que haja procedimento fiscal instaurado. Assim, não se vislumbra no caso em questão qualquer névoa de ilegalidade na obtenção dos extratos bancários que possa contaminar o lançamento. Ainda, importa destacar que o Plenário do Supremo Tribunal Federal concluiu na sessão de 24.02.2016 o julgamento conjunto de cinco processos (ADIs 2397 2386, 2389, 2390, 2397 e 2406) que questionavam dispositivos da Lei Complementar nº 105/2001, que permitem à Receita Federal receber dados bancários de contribuintes fornecidos diretamente pelos bancos, sem prévia autorização judicial. No referido julgado, por maioria de votos prevaleceu o entendimento de que a norma não resulta em quebra de sigilo bancário, mas sim em transferência de sigilo da órbita bancária para a fiscal, ambas protegidas contra o acesso de terceiros. A transferência de informações é feita dos bancos ao Fisco, que tem o dever de preservar o sigilo dos dados, portanto não há ofensa à Constituição Federal. Além disso, o CARF não possui competência para analisar e decidir sobre matéria constitucional, conforme súmula vigente, de utilização obrigatória, conforme Regimento Interno deste Conselho: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Ainda, destacase que o acesso às informações obtidas junto às instituições financeiras pela autoridade fiscal independe de autorização judicial, não implica quebra de sigilo bancário, mas simples transferência deste, porquanto em contrapartida está o sigilo fiscal a que se obrigam os agentes fiscais. Por tais razões, rejeitase a preliminar suscitada. 1.2 Alegações de inconstitucionalidade Conforme acima mencionado, nos termos da Súmula CARF nº 02,o CARF não possui competência para analisar e decidir sobre matéria constitucional, conforme súmula vigente, de utilização obrigatória, conforme Regimento Interno deste Conselho. Por tais razões, rejeitase a preliminar suscitada pela contribuinte. Feitas essas considerações, passarseá a apreciação das alegações do contribuinte relativamente às demais matérias constantes no recurso voluntário. 1.3 Decadência Fl. 2218DF CARF MF Processo nº 13502.721650/201225 Acórdão n.º 2202003.760 S2C2T2 Fl. 2.219 11 Quanto à alegação de decadência e de que a apuração de omissão de receita decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada deveria ser mensal e não anual, cabe observar que em se tratando de imposto de renda pessoa física, apesar dos rendimentos omitidos serem tributados no mês em que considerados recebidos, nos termos do § 4º do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, o fato gerador por ser complexivo somente ocorre no dia 31 de dezembro de cada ano base, conforme Súmula CARF nº 38, abaixo transcrita: Súmula CARF nº 38: O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. O fato gerador relativo aos rendimentos omitidos nos meses de 2007 somente ocorreu em 31/12/2007. Ainda,, mesmo que se considerado o prazo decadencial para lançamento fosse o previsto no § 4º do art. 150 do CTN, ainda assim o lançamento cientificado em 14/12/2012 não teria sido alcançado pela decadência. O certo é que nos casos em que há sonegação, conluio e/ou fraude, conforme ficou evidenciado no auto de infração, a decadência relativa aos valores omitidos e não recolhidos é determinada pelo art. 173, inciso I, do CTN, extinguidose o direito do Fisco constituir o crédito tributário após cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, ou seja, a decadência somente ocorreria em 31/12/2013. Deste modo, não deve ser acolhida a preliminar de decadência suscitada. 2. Mérito 2.1 Depósitos bancários que permanecem no lançamento fiscal A exigência fiscal em exame decorre de expressa previsão legal, pela qual existe uma presunção em favor do Fisco, que fica dispensado de provar o fato que originou a omissão de rendimentos, cabendo ao contribuinte elidir a imputação, comprovando a origem dos recursos. Estabelece o art. 42 da Lei nº 9.430/1996 que: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2° Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: Fl. 2219DF CARF MF Processo nº 13502.721650/201225 Acórdão n.º 2202003.760 S2C2T2 Fl. 2.220 12 1 os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$12.000,00 (doze mil Reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$80.000,00 (oitenta mil Reais). § 4° Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. Conforme previsão do art. 42 da Lei nº 9.430/96, é necessário comprovar individualizadamente a origem dos recursos, identificandoos como decorrentes de renda já oferecida à tributação ou como rendimentos isentos/não tributáveis. Em relação aos depósitos que o contribuinte efetivamente demonstrou não ser possível a tributação, a DRJ de origem já excluiu do lançamento. Quanto aos remanescentes, não logrou êxito o contribuinte em provar que outros depósitos deveriam também ser excluídos do lançamento fiscal. Tratase, portanto, de ônus exclusivo da contribuinte, a quem cabe comprovar, de maneira inequívoca, a origem dos valores que transitaram por sua conta bancária, não sendo bastante alegações e indícios de prova. Ocorre que é necessário comprovar individualizadamente depósito por depósito, demonstrando a origem do recurso, de modo a comprovar, se for o caso, que os valores que ingressaram na conta do contribuinte possuem origem. E que a origem já foi tributada ou que, por alguma fundamentação, seria rendimento isento, não tributável ou sujeito a alguma tributação específica. Assim, não sendo provado o fato constitutivo do direito alegado pelo contribuinte, com fundamento no artigo 373 do CPC/2015 e artigo 36 da Lei n° 9.784/99, devese manter sem reparos o acórdão recorrido. Ocorre que temos que no processo administrativo fiscal, tal qual no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, in casu, do contribuinte ora recorrente. Neste sentido, prevê a Lei n° 9.784/99 em seu art. 36: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. 2.2 Multa de ofício qualificada Quanto à aplicação da multa de ofício qualificada, vêse que é perfeitamente aplicável ao presente caso, pois o próprio fiscalizado reconhece a utilização de sua conta corrente para movimentação de recursos de terceiros, inclusive com o fornecimento cheques assinados em branco. Ocorre que o lançamento de ofício foi realizado em nome do titular da conta bancária, mas com a indicação de responsável solidário pelo crédito tributário constituído, em Fl. 2220DF CARF MF Processo nº 13502.721650/201225 Acórdão n.º 2202003.760 S2C2T2 Fl. 2.221 13 razão de ser utilizada tanto para movimentação de recursos próprios quanto recursos de terceiros, inclusive com o reconhecimento de que valores não foram deliberadamente oferecidos à tributação. Ainda, há de se observar o disposto na Súmula CARF nº 34: Súmula CARF nº 34: "Nos lançamentos em que se apura omissão de receita ou rendimentos, decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada, é cabível a qualificação da multa de ofício, quando constatada a movimentação de recursos em contas bancárias de interpostas pessoas". Portanto, deve ser mantida a multa de ofício qualificada. 2.3 Responsabilidade de Túlio Vilasboas Reis Quanto à identificação do sujeito passivo, devese observar que na conta bancária objeto do lançamento fiscal transitavam tanto recursos do titular quanto de terceiros, e que parcela dos recursos era efetivamente movimentada pelo próprio. Como o titular da conta tinha o controle sobre os recursos transitados em sua conta corrente, o lançamento foi acertadamente realizado em seu nome. Ressaltese que a parcela do crédito tributário mantida no presente julgamento está vinculada a depósitos cujos depositantes não estão identificados. No presente caso, pelo que consta nos autos, o Sr. Túlio Vilasboas Reis não detinha procuração para movimentar a conta bancária, mas dispunha dos recursos ali depositados, vez que recebia cheques assinados pelo titular, devendo responder solidariamente com o titular da conta, nos termos doa art. 124, inciso I, do CTN. Ao contrário do que alega, não caberia a intimação para comprovação da origem dos depósitos bancários, pois não restou caracterizada a interposição de pessoa, mas sim que este se beneficiou dos recursos depositados na conta do Sr. Antônio Loreiro, com transferências para ele identificadas no montante de R$ 1.134.251,33, além de outros recursos recebidos em espécie. O contribuinte do imposto é o Sr. Antônio Loreiro, motivo pelo qual não havia necessidade emissão de MPFfiscalização específico para o arrolamento de responsável solidário, nem que os rendimentos declarados pelo Sr. Túlio Vilasboas Reis fossem considerados no lançamento fiscal. Deste modo, deve ser mantida a responsabilidade tributária de Túlio Vilasboas Reis. 2.4 Juros de mora sobre a multa de ofício Discorda a recorrente da aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício, os quais pede, caso não seja cancelado o crédito tributário, sejam excluídos. Este Conselho já apreciou a presente matéria, no Acórdão nº 110200.060 (julgado na sessão de 28/08/2009), a Conselheira Sandra Maria Faroni, bem sintetiza o argumentação que permite a conclusão não incidência dos juros sobre a multa de ofício, vejamos: “A obrigação tributária pode ser principal, consistindo em obrigação de dar (pagar tributo ou multa) e acessória, obrigação de fazer (deveres instrumentais). De acordo com o art. 139 do CTN, o crédito tributário decorre da obrigação Fl. 2221DF CARF MF Processo nº 13502.721650/201225 Acórdão n.º 2202003.760 S2C2T2 Fl. 2.222 14 principal e tem a mesma natureza desta. Portanto, compreendemse no crédito tributário o valor do tributo e o valor da multa. O Decretolei n° 1.736/79 determinou a incidência dos juros de mora sobre o "valor originário" , definindo como "valor originário" o débito, excluídas apenas as parcelas relativas a correção monetária, juros de mora, multa de mora e encargo do DL 1.025/69. Ou seja, não previu a exclusão da multa de oficio. O art. 161 do CTN determina que o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, ressalvando apenas a pendência de consulta formulada dentro do prazo legal para pagamento do crédito. Seu § 1° determina que, se a lei não dispuser de forma diversa, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. No caso de multa por lançamento de oficio, seu vencimento é no prazo de 30 dias contados da ciência do auto de infração. Assim, o valor da multa lançada, se não pago no prazo de impugnação, sujeitase aos juros de mora. Além dos artigos 2° e 3° do DL 1.736/79, tratam dos juros de mora os seguintes dispositivos de leis ordinárias: Lei 8.383/91, art. 59; Lei 8.981/95, art. 13; Lei 9.430/96, art. 5°, § 3°, art. 43, parágrafo único e art. 61, § 3°, Lei n° 10.522/2002, (cuja origem foi a MP 1.62131/98), arts. 29 e 30. O artigo 61 da Lei 9.430/96 regula a incidência de acréscimos moratórios sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 01 de janeiro de 1997, não alcançando, pois, a multa por lançamento de oficio, uma vez que: (a) a multa não decorre do tributo, mas do descumprimento do dever legal de pagálo; (b) entendimento contrário implicaria concluir que sobre a multa de oficio incide a multa de mora. O artigo 30 da Lei 10.522/2002 determina a submissão, a partir de 10 de janeiro de 1997, a juros de mora calculados segundo a Selic, dos débitos cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31 de dezembro de 1994 e que não tenham sido objeto de parcelamento, e dos créditos inscritos na Dívida Ativa da União. Em síntese, em se tratando de débitos de tributos cujos fatos geradores ocorreram a partir de 1° de janeiro de 1995 só há dispositivo legal autorizando a cobrança de juros de mora à taxa SELIC sobre multa no caso de multa lançada isoladamente; não porém quando ocorrer a formalização da exigência do tributo acrescida da multa proporcional. Nesse caso, só podem incidir juros de mora à taxa de 1%, a partir do trigésimo dia da ciência do auto de infração, conforme previsto no § 1° do art. 161 do CTN.” Fl. 2222DF CARF MF Processo nº 13502.721650/201225 Acórdão n.º 2202003.760 S2C2T2 Fl. 2.223 15 A fim de demonstrar o entendimento majoritário do CARF no sentido acima exposto, colaciono a ementa de diversos julgados: JUROS DE MORA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TAXA SELIC. É cabível, no lançamento de oficio, a cobrança de juros de mora sobre o tributo ou contribuição, calculados com base na variação acumulada da Taxa Selic. Referidos juros não incidem sobre a multa de oficio lançada juntamente com o tributo ou contribuição, decorrente de fatos geradores ocorridos a partir de 1/01/1997, por absoluta falta de previsão legal. (Acórdão 20216.397, sessão de 14.07.2005). JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFICIO INAPLICABILIDADE Os juros de mora só incidem sobre o valor do tributo, não alcançando o valor da multa aplicada. (Acórdão 101 96.008, sessão de 1/03/2007). INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO INAPLICABILIDADE Não incidem os juros com base na taxa Selic sobre a multa de oficio, vez que o artigo 61 da Lei n.° 9.430/96 apenas impõe sua incidência sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições. Igualmente não incidem os juros previstos no artigo 161 do CTN sobre a multa de oficio.(Acórdão 10196.607, sessão de 06/03/2008). Inclusive há decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme se verifica pelo Acórdão 910100.722 (1a. Turma da CSRF), julgado na sessão de 8 de novembro de 2010, de relatoria da Conselheira Karem Jureidini Dias: RECURSO ESPECIAL – CONHECIMENTO. Não deve ser conhecido o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional quando inexiste similitude fática entre o acórdão paradigma e o acórdão recorrido. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO INAPLICABILIDADE Os juros de mora só incidem sobre o valor do tributo, não alcançando o valor da multa ofício aplicada. A fundamentação do referido acórdão da 1a. Turma da CSRF é de que a regra veiculada pelo art. 61 da Lei n.° 9.430/96 referese à incidência de acréscimos moratórios sobre ‘débitos decorrentes de tributos e contribuições’, sendo certo que a penalidade pecuniária não decorre de tributo ou contribuição, mas do descumprimento do dever legal de declarálo e/ou pagálo, de onde se extrai a conclusão de ser inaplicável os juros de mora a taxa Selic sobre a multa de oficio. Assim, a conclusão é de que a taxa SELIC só incidirá sobre multas isoladas, aplicadas nos termos do art. 43 da Lei nº 9.430/97. Por tais razões, afasto a incidência dos juros aplicáveis sobre a multa de ofício. Conclusão. Ante o exposto, voto por conhecer do recurso de ofício e, no mérito, negar lhe provimento. Quanto ao recurso voluntário, voto por conhecêlo, rejeitar as preliminares e, no mérito, darlhe parcial provimento para afastar o juros de mora sobre a multa de ofício. Fl. 2223DF CARF MF Processo nº 13502.721650/201225 Acórdão n.º 2202003.760 S2C2T2 Fl. 2.224 16 (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Voto Vencedor Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, redator designado. Peço vênia ao ilustre Relator, Conselheiro Martin da Silva Gesto, para divergir pontualmente de seu Voto, no que tange à incidência de juros de mora sobre o valor da multa de ofício. Tenho repetidamente manifestadome no seguinte sentido. De acordo com o artigo 113, § 1º do CTN, a obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. Entendo que obrigação e crédito tributário são duas faces da mesma moeda, sendo que o crédito nada mais é que a própria obrigação, tornada líquida, certa e exigível, pelo lançamento. Nesse sentido, o artigo 139 do Códex estatui que o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Mais adiante, o artigo 161 traz que o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta. Enquanto as obrigações acessórias tem por objeto as prestações positivas (fazer) ou negativas (deixar de fazer), a obrigação principal constituise sempre em "dar" uma importância em moeda. Mesmo sabendo que "multa" não é tributo, conforme conceito disposto em seu artigo 3º, o legislador ao redigir o Código quis que a obrigação de dar, ou seja, aquela dita principal, tivesse como objeto tanto o tributo quanto a multa, dita "penalidade pecuniária". Está escrito no § 1º do artigo 113, do CTN. Assim, "crédito tributário", que tem a mesma natureza da obrigação que o precede, também conforme o CTN, no artigo 139, engloba tanto o tributo quanto a multa, que a ele se vincula. E esse "crédito tributário", ou seja, tanto o tributo quanto a multa, será acrescido de juros de mora, quando não pago no vencimento, como também está expresso no artigo 161. A única diferença reside no termo a quo para aplicação dos juros. Sobre o tributo, desde o seu vencimento, na forma da lei; sobre a multa, desde a constituição do crédito, pelo lançamento, com a lavratura do auto de infração. Não é possível que o valor da multa fique congelado no tempo. Assim, concluise que a multa fiscal de natureza punitiva integra a obrigação tributária principal (art. 113) e, assim, o crédito tributário (artigo 139), estando sujeita à incidência de juros de mora (artigo 161, todos do CTN). Fl. 2224DF CARF MF Processo nº 13502.721650/201225 Acórdão n.º 2202003.760 S2C2T2 Fl. 2.225 17 Os créditos tributários são cobrados e pagos com a aplicação de juros de mora, com base na Taxa SELIC, conforme estabelecido em Súmula, de observância obrigatória. Vejamos: Súmula CARF nº 4 “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Assim, VOTO por manter a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Fl. 2225DF CARF MF
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Numero do processo: 13629.720808/2013-02
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jun 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
LIMITES DA LIDE. RECURSO PARCIAL.
Considera-se não questionada a matéria que não tenha sido expressamente mencionada no recurso, como é o caso das glosas com plano de saúde, neste caso.
DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. GLOSA. RESTABELECIMENTO.
A dedução de despesas médicas lançadas na declaração de ajuste anual pode ser condicionada, pela Autoridade lançadora, à comprovação do efetivo dispêndio, desde que o sujeito passivo tenha prévio conhecimento daquilo que o Fisco está a exigir, proporcionando-lhe, antecipadamente à constituição do crédito tributário, a possibilidade de atendimento do pleito formulado.
Hipótese em que não consta dos autos o termo que supostamente teria intimado o contribuinte a comprovar o efetivo pagamento.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2202-003.858
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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RECURSO PARCIAL. Considerase não questionada a matéria que não tenha sido expressamente mencionada no recurso, como é o caso das glosas com plano de saúde, neste caso. DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. GLOSA. RESTABELECIMENTO. A dedução de despesas médicas lançadas na declaração de ajuste anual pode ser condicionada, pela Autoridade lançadora, à comprovação do efetivo dispêndio, desde que o sujeito passivo tenha prévio conhecimento daquilo que o Fisco está a exigir, proporcionandolhe, antecipadamente à constituição do crédito tributário, a possibilidade de atendimento do pleito formulado. Hipótese em que não consta dos autos o termo que supostamente teria intimado o contribuinte a comprovar o efetivo pagamento. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente. (assinado digitalmente) Marcio Henrique Sales Parada Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 62 9. 72 08 08 /2 01 3- 02 Fl. 87DF CARF MF Processo nº 13629.720808/201302 Acórdão n.º 2202003.858 S2C2T2 Fl. 88 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto. Relatório Adoto como relatório, em parte, aquele utilizado por ocasião da Resolução nº 2202000.690, desta Turma Ordinária, de 12 de maio de 2016, complementandoo ao final (fl. 71): O contribuinte acima identificado insurgese contra o lançamento consubstanciado na Notificação de Lançamento relativo ao Imposto sobre a Renda das Pessoas Físicas IRPF/ 2010, ano calendário 2009, na qual consta glosa de Despesas Médicas, no valor de R$ 18.117,45. Na impugnação apresentada o Notificado alega, em síntese, que as despesas referemse ao próprio contribuinte; que anexa os recibos contendo todos os requisitos exigidos na legislação tributária e mais quatro Declarações dos tratamentos realizados pelos profissionais. A DRJ, ao analisar a impugnação da contribuinte, manteve o lançamento, uma vez que, em resumo, apontou diversos fatores como indícios de possível emissão de recibos graciosos, como o fato de dois dos emitentes serem parentes próximos do contribuinte, não haver prova do efetivo pagamento, serem as despesas em percentual elevado em relação aos rendimentos. Concluiu que os recibos não são prova absoluta, podendose exigir comprovações adicionais da efetividade do serviço como exames e laudos, ou do pagamento, como cópias de cheques, extratos bancários, transferências, etc. Cientificado dessa decisão em 18/12/2013, conforme Aviso de Recebimento na fl. 41, o contribuinte apresentou recurso voluntário em 16/01/2014, com protocolo na folha 43. Em sede de recurso, procura rebater os argumentos da DRJ, explicando os gastos em valores absolutos e percentuais de sua receita declarada; a não realização de exames complementares em face da moléstia e do tratamento específicos; a impropriedade da exigência de comprovação do pagamento e da juntada de movimentação bancária. Em sua defesa alega a existência de laudos e declarações dos profissionais, descrevendo os tratamentos e corroborando os recibos. PEDE o cancelamento do débito fiscal em questão. Ao analisar a questão, resolveuse pela conversão do julgamento em diligência, nos seguintes termos: Fl. 88DF CARF MF Processo nº 13629.720808/201302 Acórdão n.º 2202003.858 S2C2T2 Fl. 89 3 Não localizo nestes autos o termo de intimação fiscal que intimou o contribuinte a comprovar o efetivo pagamento das despesas representadas pelos recibos que se glosou totalmente. (…) Assim, VOTO pela conversão do julgamento em diligência para que: a) a Unidade preparadora, responsável pelo feito fiscal, providencie a anexação do termo de intimação fiscal, com o aviso de recebimento, que intimou o contribuinte a comprovar o efetivo pagamento das despesas consubstanciadas pelos recibos apresentados; b) dê ciência ao contribuinte do teor desta resolução e do resultado da diligência, informandoo que os extratos bancários anexados não se mostram úteis aos fins a que se pretende, sendo necessário que o interessado, querendo, aponte correspondência entre saques ou transferências e o pagamento das despesas que aqui se discute, e, também querendo, apresente outras manifestações que entender necessárias. Após, retornem os autos a este CARF para prosseguimento do julgamento. Cumprida a diligência, a Unidade preparadora fez anexar aos autos os documentos de fls. 77 e 78, e o contribuinte manifestouse na fl. 82/3. Assim, retornaram os autos para prosseguimento do julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. O recurso é tempestivo, conforme relatado, e, atendidas as demais disposições legais, dele tomo conhecimento. Primeiramente, analisando o recurso, importante delimitar a lide que chega a esta instância recursal, uma vez que o artigo 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, diz que considerarseá fora do litígio a matéria que não tenha sido expressamente contestada. Observo, na Notificação de Lançamento (fl. 19), que não foram glosadas todas as despesas médicas declaradas pelo contribuinte, mas apenas as seguintes: 1 Previdência Usiminas Em relação à Usiminas, um Plano de Saúde, a glosa foi parcial porque o valor pago ao plano incluía outros beneficiários que não foram listados como dependentes na DIRPF/2010 do contribuinte. Essa parte o recurso não questiona; 2 Maria do Carmo Reis Fernandes glosa parcial. O contribuinte pleiteou dedução de R$ 7.000,00, sendo aceita a dedução de R$ 6.000,00 e glosados somente R$ Fl. 89DF CARF MF Processo nº 13629.720808/201302 Acórdão n.º 2202003.858 S2C2T2 Fl. 90 4 1.000,00, tendo o Auditor Fiscal anotado que os recibos apresentados somavam apenas R$ 6.000,00. Destaco, entretanto, que a própria profissional afirma, na folha 13, que o "tratamento odontológico foi orçado em R$ 6.840,00 reais e, com desconto, foi para R$ 6.000,00 reais, dividido em ...." ; 3 Somente em relação aos profissionais Mauro da Costa Fernandes e Gardênia Pinto Lopes, respectivamente irmão e cunhada do contribuinte, é que a glosa foi total, valendose o Auditor do argumento do parentesco e de "indícios de que, se houve tratamento, os recibos seriam graciosos." 4 Não houve glosa de despesa declarada com a profissional Dayana dos Reis Fernandes. Nada obsta que a Administração Tributária exija que o Interessado comprove o efetivo pagamento das despesas médicas realizadas, quando a Autoridade fiscal assim entender necessário, na linha do disposto no § 3º do art. 11 do DecretoLei nº 5.844, de 23 de setembro de 1943 e no art. 73 do Regulamento do Imposto de Renda RIR, aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999, assim descritos: DecretoLei nº 5.844/1943 Art. 11. (...) § 3° Todas as deduções estarão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora. RIR, aprovado pelo Decreto n° 3.000/1999 Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei n° 5.844, de 1943, art. 11, § 3°). Observo, por oportuno, que tal faculdade deve ser concretizada por meio de um ato cuja materialização se dá com a lavratura de um termo, isto é, de um documento no qual está expressa a pretensão da Administração, de modo que o sujeito passivo tenha prévio conhecimento daquilo que o Fisco está a exigir, proporcionandolhe, antecipadamente à constituição do crédito tributário, a possibilidade de atendimento do pleito formulado. Cito a jurisprudência que vem se observando neste CARF: Acórdão 2801003.769 – 1ª Turma Especial. Sessão de 9 de outubro de 2014 Exercício: 2004 DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. GLOSA. RESTABELECIMENTO. A dedução de despesas médicas lançadas na declaração de ajuste anual pode ser condicionada, pela Autoridade lançadora, à comprovação do efetivo dispêndio, desde que o sujeito passivo tenha prévio conhecimento daquilo que o Fisco está a exigir, proporcionandolhe, antecipadamente à constituição do crédito tributário, a possibilidade de atendimento do pleito formulado. Fl. 90DF CARF MF Processo nº 13629.720808/201302 Acórdão n.º 2202003.858 S2C2T2 Fl. 91 5 Hipótese em que não consta dos autos o termo que supostamente teria intimado o contribuinte a comprovar o efetivo pagamento. Recurso Voluntário Provido Acórdão 2802002.743 – 2ª Turma Especial. Sessão de 18 de março de 2014 IRPF. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO DA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS. Para fazer prova das despesas médicas pleiteadas como dedução na declaração de ajuste anual, os documentos apresentados devem atender aos requisitos exigidos pela Lei nº 9.250/95. A exigência de comprovação do efetivo pagamento das despesas é medida excepcional, que só se justifica quando há indícios de inidoneidade dos recibos apresentados, o que não ocorreu no caso. Restabelecese a dedução de despesas médicas lastreadas em recibos e declarações firmados pelos profissionais que confirma a autenticidade destes e a efetiva prestação dos serviços, se nada mais há nos autos que desabone tais documentos. Recurso Voluntário Provido Realizada a diligência, a Autoridade Fiscal anexou o Termo de Intimação de fl. 77, onde consta apenas que o contribuinte deveria apresentar “comprovantes originais e cópias das despesas médicas”. De acordo com o artigo 80 do RIR/1999, Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, os recibos são documentos comprovantes das despesas médicas, salvo quando, a juízo da autoridade lançadora, são exigidos comprovantes adicionais, como por exemplo “o efetivo pagamento”, normalmente consubstanciado pela prova da efetiva transferência de numerário entre o tomador e o prestador dos serviços médicos. Além de não encontrar nos autos essa requisição adicional, pois o Termo de Intimação não a especifica, não há qualquer motivação apresentada pela Autoridade Fiscal para tal. Transcrevo que a motivação apresentada na Notificação de Lançamento foi (fl. 20): ...Há fortes indícios de que, se houve prestação dos serviços pelo odontólogo Mauro da Costa Fernandes e pela psicóloga Gardênia Pinto Lopes (cônjuge de Mauro da Costa Fernandes), tratase de recibos graciosos, uma vez que os profissionais são irmão e cunhada do declarante, respectivamente. Mas somente o grau de parentesco não impede que o contribuinte deduza as despesas médicas, não houve outra motivação para a glosa e não existe um Termo de Intimação onde o contribuinte tenha sido, motivadamente, intimado a apresentar a comprovação efetiva. Fl. 91DF CARF MF Processo nº 13629.720808/201302 Acórdão n.º 2202003.858 S2C2T2 Fl. 92 6 Dessa feita, considerando ainda que o recurso foi parcial, pois expressamente referiuse apenas às glosas das despesas com seus parentes próximos, conforme aqui delineado, VOTO por dar provimento ao recurso para restabelecer despesas médicas no total de R$ 12.000,00. (assinado digitalmente) Marcio Henrique Sales Parada Fl. 92DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.900273/2014-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 23/12/2011
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DE IPI PAGOS INDEVIDAMENTE OU A MAIOR COM DÉBITOS DA COFINS. AUSÊNCIA DE PROVAS DO CONTRIBUINTE. ÔNUS QUE LHE INCUMBE. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Contribuinte que pede compensação, instruindo seu pedido com a DCOMP; sobrevindo decisão dizendo que não há mais créditos a serem aproveitados tem o dever de provar a sua existência por outros meios, dentre outros, por intermédio de DARF, DCTF, Livro de Apuração e Registro do IPI, mas não o fez.
Numero da decisão: 3401-003.677
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado.
ROSALDO TREVISAN - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Augusto Fiel Jorge O'Oliveira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos (relator) e Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Data do fato gerador: 23/12/2011 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DE IPI PAGOS INDEVIDAMENTE OU A MAIOR COM DÉBITOS DA COFINS. AUSÊNCIA DE PROVAS DO CONTRIBUINTE. ÔNUS QUE LHE INCUMBE. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Contribuinte que pede compensação, instruindo seu pedido com a DCOMP; sobrevindo decisão dizendo que não há mais créditos a serem aproveitados tem o dever de provar a sua existência por outros meios, dentre outros, por intermédio de DARF, DCTF, Livro de Apuração e Registro do IPI, mas não o fez.
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CRÉDITOS DE IPI PAGOS INDEVIDAMENTE OU A MAIOR COM DÉBITOS DA COFINS. AUSÊNCIA DE PROVAS DO CONTRIBUINTE. ÔNUS QUE LHE INCUMBE. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Contribuinte que pede compensação, instruindo seu pedido com a DCOMP; sobrevindo decisão dizendo que não há mais créditos a serem aproveitados tem o dever de provar a sua existência por outros meios, dentre outros, por intermédio de DARF, DCTF, Livro de Apuração e Registro do IPI, mas não o fez. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Augusto Fiel Jorge O'Oliveira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos (relator) e Tiago Guerra Machado. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 02 73 /2 01 4- 73 Fl. 63DF CARF MF Processo nº 13888.900273/201473 Acórdão n.º 3401003.677 S3C4T1 Fl. 3 2 Versam os autos sobre PER/DCOMP cujo direito creditório alegado seria oriundo de recolhimento indevido do IPI, a ser compensado com débito de tributo administrado pela RFB. O despacho decisório não homologou a compensação em razão do recolhimento indevido já ter sido integralmente quitado com outros débitos do contribuinte. O contribuinte apresentou tempestivamente sua manifestação de inconformidade, arguindo várias nulidades, mormente que o aludido Despacho não teria fundamentação, teria se desviado de sua finalidade e lhe causado cerceamento de defesa. Sobreveio decisão da DRJ de Ribeirão Preto/SP, na qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, cuja ementa possui o seguinte teor: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 23/12/2011 NULIDADES. As causas de nulidade no âmbito do processo administrativo fiscal são somente aquelas elencadas na legislação de regência. O Despacho Decisório devidamente fundamentado é regularmente válido. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. A homologação das compensações declaradas requer créditos líquidos e certos contra a Fazenda Nacional. Não caracterizado o pagamento indevido, não há créditos para compensar com os débitos do contribuinte. ÔNUS DA PROVA. Cabe à defesa o ônus da prova dos fatos modificativos, impeditivos ou extintivos da pretensão fazendária. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A contribuinte interpôs tempestivamente o seu recurso voluntário, asseverando que a decisão não levou em consideração, nas razões de decidir a eficácia dos princípios constitucionais da motivação dos atos administrativos e da ampla defesa, impedindo que a Recorrente apresentasse defesa, bem como demonstrasse a existência do crédito, requerendo a nulidade da decisão, vez que não lhe foi oportunizado conhecer os motivos pelos quais sua compensação não foi homologada. É o relatório. Voto Fl. 64DF CARF MF Processo nº 13888.900273/201473 Acórdão n.º 3401003.677 S3C4T1 Fl. 4 3 Conselheiro Rosaldo Trevisan Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401003.652, de 25 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 13888.900243/201467, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401003.652): Como se viu do relatório, o presente recurso voluntário visa a nulidade da decisão da DRJ de Ribeirão Preto/SP, entendendo que esta não restou motivada, implicando seu cerceamento de defesa. Não merece prosperar as alegações da Recorrente. A uma, disse o Despacho Decisório: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. A duas, mencionou expressamente a decisão de piso que a Recorrente não trouxe qualquer prova (DARF, DCTF, Livro de Apuração e Registro do IPI), indício ou justificativa que permitisse comprovar o alegado recolhimento indevido. A propósito, merece destaque parte do voto do e. relator: Inicialmente vale verificar o que consta no Despacho Decisório, devidamente assinado pela autoridade competente: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Ou seja, o alegado pagamento indevido não foi restituído porque já tinha sido utilizado para quitar outros débitos. Com efeito, se há erro nos arquivos da Receita, bastaria o interessado juntar a idônea e hábil documentação contraditória (DARF, DCTF e Livro de Apuração e Registro do IPI), até em homenagem o princípio da verdade material tanto invocado, sendo que, se tratam de declarações e livros cuja boa guarda e apresentação imediata estão legalmente determinadas. A manifestação do interessado não traz qualquer prova, indício ou mesmo justificativa que permita comprovar o alegado Fl. 65DF CARF MF Processo nº 13888.900273/201473 Acórdão n.º 3401003.677 S3C4T1 Fl. 5 4 recolhimento indevido, limitandose, tão somente a colecionar julgados e doutrinas sobre nulidades. Considerando que nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, consta que os valores recolhidos no indigitado DARF já foram utilizados para quitar outros débitos e nada o contribuinte a isto contrapõe, não há o que reconsiderar ou anular, sendo que não se justifica a falta de apresentação de documentos que provassem seu direito creditório, na medida que a alegação de cerceamento da defesa não se sustenta. A três, vêse que a decisão fora motivada, embora cingiramse as assertivas da Recorrente apenas e tão somente na juntada da DCOMP, informando que detinha um crédito de IPI, oriundo de pagamento indevido, o qual seria compensado com débitos da COFINS. A quatro, temse que, sobrevindo a decisão da manifestação de inconformidade, deveria a Recorrente fazer prova deste suposto pagamento indevido ou a maior do IPI, conforme determinava o artigo 333 do CPC, vigente à época ademais, como ressalvada pela decisão da DRJ , porém, quedou silente a contribuinterecorrente. A quinto, o processo há de vir devidamente instruído para que o Colegiado possa apreciálo, de modo que, diante da ausência de qualquer prova, a conclusão que se chega é que a decisão de piso não merece reparos. Não maiores ilações a serem feitas e diante da ausência de provas, voto em negar provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 66DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.722827/2011-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
IOF. POSSIBILIDADE. CRÉDITO.
Constatado o empréstimo a pessoa jurídica, impõe apurar o IOF decorrente de contrato firmado e dos valores devidamente contabilizados a título de créditos.
OPERAÇÃO DE MÚTUO DE RECUROS FINANCEIROS. EXISTÊNCIA DE REGISTROS CONTÁBEIS QUE IMPORTEM ENTREGA DE RECURSOS A DISPOSIÇÃO DE TERCEIROS. CONFIGURAÇÃO.
Para fim de incidência do IOF, caracteriza-se operação de mútuo de recursos financeiros a operação de crédito representada pelo registro ou lançamento contábil que, pela sua natureza, importe colocação ou entrega de recursos financeiros à disposição de terceiros, independentemente de ser pessoa ligada ou não.
IOF. MÚTUO ENTRE PESSOAS JURÍDICAS DO MESMO GRUPO ECONÔMICO. INEXISTÊNCIA DE CONTRATO FORMAL. POSSIBILIDADE.
É devida a cobrança do IOF sobre as operações de mútuo de recursos financeiros realizadas entre pessoas jurídicas não financeiras integrantes do mesmo grupo econômico, ainda que não exista instrumento contratual que ampare tal operação, desde que os registros ou lançamentos contábeis, pela sua natureza, importem colocação ou entrega de recursos financeiros à disposição de terceiros.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. TERMO INICIAL DO PRAZO DE DECADÊNCIA. PRIMEIRO DIA DO EXERCÍCIO SEGUINTE. POSSIBILIDADE.
Nos casos em que não houve pagamento antecipado de tributo sujeito ao lançamento por homologação, o prazo quinquenal de decadência do direito de constituição do crédito tributário conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento pode ser efetuado, nos casos em que não houve pagamento antecipado de tributo sujeito a lançamento por homologação.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.154
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, na Reunião realizada no mês de abril, em rejeitar a prejudicial de decadência e, por maioria de votos, na Reunião realizada no mês de maio, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, parcialmente vencido o Conselheiro Domingos de Sá, Relator, que excluía a incidência de IOF os contratos de prestação de serviços de administração de contas a pagar e a receber. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Domingos de Sá Filho - Relator.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 IOF. POSSIBILIDADE. CRÉDITO. Constatado o empréstimo a pessoa jurídica, impõe apurar o IOF decorrente de contrato firmado e dos valores devidamente contabilizados a título de créditos. OPERAÇÃO DE MÚTUO DE RECUROS FINANCEIROS. EXISTÊNCIA DE REGISTROS CONTÁBEIS QUE IMPORTEM ENTREGA DE RECURSOS A DISPOSIÇÃO DE TERCEIROS. CONFIGURAÇÃO. Para fim de incidência do IOF, caracteriza-se operação de mútuo de recursos financeiros a operação de crédito representada pelo registro ou lançamento contábil que, pela sua natureza, importe colocação ou entrega de recursos financeiros à disposição de terceiros, independentemente de ser pessoa ligada ou não. IOF. MÚTUO ENTRE PESSOAS JURÍDICAS DO MESMO GRUPO ECONÔMICO. INEXISTÊNCIA DE CONTRATO FORMAL. POSSIBILIDADE. É devida a cobrança do IOF sobre as operações de mútuo de recursos financeiros realizadas entre pessoas jurídicas não financeiras integrantes do mesmo grupo econômico, ainda que não exista instrumento contratual que ampare tal operação, desde que os registros ou lançamentos contábeis, pela sua natureza, importem colocação ou entrega de recursos financeiros à disposição de terceiros. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. TERMO INICIAL DO PRAZO DE DECADÊNCIA. PRIMEIRO DIA DO EXERCÍCIO SEGUINTE. POSSIBILIDADE. Nos casos em que não houve pagamento antecipado de tributo sujeito ao lançamento por homologação, o prazo quinquenal de decadência do direito de constituição do crédito tributário conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento pode ser efetuado, nos casos em que não houve pagamento antecipado de tributo sujeito a lançamento por homologação. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, na Reunião realizada no mês de abril, em rejeitar a prejudicial de decadência e, por maioria de votos, na Reunião realizada no mês de maio, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, parcialmente vencido o Conselheiro Domingos de Sá, Relator, que excluía a incidência de IOF os contratos de prestação de serviços de administração de contas a pagar e a receber. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa - Presidente. (assinado digitalmente) Domingos de Sá Filho - Relator. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento - Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 IOF. POSSIBILIDADE. CRÉDITO. Constatado o empréstimo a pessoa jurídica, impõe apurar o IOF decorrente de contrato firmado e dos valores devidamente contabilizados a título de créditos. OPERAÇÃO DE MÚTUO DE RECUROS FINANCEIROS. EXISTÊNCIA DE REGISTROS CONTÁBEIS QUE IMPORTEM ENTREGA DE RECURSOS A DISPOSIÇÃO DE TERCEIROS. CONFIGURAÇÃO. Para fim de incidência do IOF, caracterizase operação de mútuo de recursos financeiros a operação de crédito representada pelo registro ou lançamento contábil que, pela sua natureza, importe colocação ou entrega de recursos financeiros à disposição de terceiros, independentemente de ser pessoa ligada ou não. IOF. MÚTUO ENTRE PESSOAS JURÍDICAS DO MESMO GRUPO ECONÔMICO. INEXISTÊNCIA DE CONTRATO FORMAL. POSSIBILIDADE. 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Nos casos em que não houve pagamento antecipado de tributo sujeito ao lançamento por homologação, o prazo quinquenal de decadência do direito de constituição do crédito tributário contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento pode ser efetuado, nos casos em que não houve pagamento antecipado de tributo sujeito a lançamento por homologação. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, na Reunião realizada no mês de abril, em rejeitar a prejudicial de decadência e, por maioria de votos, na Reunião realizada no mês de maio, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, parcialmente vencido o Conselheiro Domingos de Sá, Relator, que excluía a incidência de IOF os contratos de prestação de serviços de administração de contas a pagar e a receber. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente. (assinado digitalmente) Domingos de Sá Filho Relator. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário visando modificar a decisão de piso que manteve intacto o lançamento de IOF do período de apuração 01/01/2006 a 31/12/2007, sobre operações de mútuo tipo conta corrente efetivado entre pessoas jurídicas ligadas, com base em contrato particular de caução e outras avenças, contratos particulares de conta corrente e outras avenças, movimentação contabilizadas na conta 120103 e 120111, conforme descrito no Relatório da Ação Fiscal. Imputase a Recorrente de deixar de apurar, declarar e recolher o IOF sobre operações de mutuo tendo sido apurado que cinco dos contratos examinados se referia “Caução Coligadas e Controlada” conta contábil 120103 e “Conta Corrente de Coligada” – 120111. Apontamse como controladores da RBS ZERO HORA e da RBS Administração e Cobrança, bem como, das empresas ligadas, inclusive as empresas RBS Fl. 5699DF CARF MF Processo nº 11080.722827/201111 Acórdão n.º 3302004.154 S3C3T2 Fl. 5.700 3 Participações S/A, Agência RBS de Notícias Ltda., RBS Marketing, Informática e Com. Ltda. e RBS Com e Licenciamento de Marcas Ltda., as pessoas jurídicas e físicas de: RBS ADMINISTRAÇÃO E COBRANÇA LTDA., 45%; JAYME SIROTSKY, 21,05%; NELSON PACHECO SIROTSKY, 7,70%; JOSÉ PEDRO PACHECO SIROTSKY, 7,15%; SÔNIA PACHECO SIROTSKY, 7,15%; CARLOS EDUARDO SCHNEIDER MELZER, 6,05%, FERNANDO ERNESTO DE SOUZA CORRÊA, 4,39% e MARLENE SIROTSKY, 1,49%. Com base na composição acionária, conforme descrito no relatório fiscal, concluiu que o controle acionário da empresa RBS ZERO HORA E DA RBS ADMINISTRAÇÃO E COBRANÇA pertence às mesmas pessoas físicas. Teria sido firmado com as cinco empresas citadas contrato de mútuo com Zero Hora. Abaliza a fiscalização, que a empresa RBS Administração e Cobrança Ltda., além de ser controladora da RBS – Zero Hora Editora Jornalística, exercia papel de “cash company”, centralizando os pagamentos e recebimentos das empresas ligadas. No caso específico Zero Hora firmou com a RBS Administração e Cobrança contrato denominado “Contrato Particular de Caução e Outras Avenças”. O Contrato de Caução e Outras Avenças, firmado em 31.12.2005, validade de 24 (vinte e quatro) meses, tinham como objeto a prestação de serviços de recebimentos e pagamento de créditos e débitos da Zero Hora, mediante a concessão de uma caução fixada em R$ 54.446.662,35, valor esse mantido em conta corrente contábil na escrita contábil. Posteriormente, 02.01.2008, esse valor foi reduzido para o montante de R$ 32.402.549,13. Em decorrência de questionamento por parte do fisco se houve devolução de recursos financeiros, a resposta foi negativa, apresentou o contrato firmado em 31.12.2005 e o aditivo firmado em 02.01.2008, outro aditivo em 31.12.2006, afirmando naquela data a contratante mantia em adiantamento o total de R$ 71.141.271,07. Há informação de que até 27 de julho de 2007 foi contabilizado IOF a Recolher no valor de R$ 1.938.845,27 na conta 601210301014 – IOF SOBRE MÚTUOS e R$ 610.835,03 na conta 002210301014 – IOF sobre Mútuo. Esclarecendo as indagações do Fisco, a empresa teria respondido: a) “ contas 002.120111 – Conta Corrente Coligadas todos os contratos registrados nesta conta são anteriores a 31.12.2002”, com entrega de recurso até 31.12.2002”; b) “contas 002.120112 – Conta Corrente Coligadas – Garantidoras – “pagamento do valor de R$ 1.938.843,27 com os acréscimos legal em 24/07/2007, referente ao contrato de mútuo datado de 31.12.2004, no valor de R$ 82.229.373,04”. Assim, a Fiscalização concluiu que no caso das contas 002.120111 o IOF não foi contabilizado nem pago pelo contribuinte em qualquer período desde celebração do pacto de conta corrente e outras avenças que deram respaldos os lançamentos contábeis. Com relação à conta 002.210301014 contatou ter sido pago em 2007 o IOF contabilizado na conta 002.210301014 sobre os dois contratos particulares de empréstimos datados de 2002 e 2003, ambos descritos no item 3.3 e encerrados. Fl. 5700DF CARF MF 4 Teria sido apurado por meio de documento de IOF referente período de 31.12.2004 a 31.12.2007 (fls. 519 a 521) o recolhimento do IOF em 27.07.2007 no montante de R$ 1.233.440,60 de principal e R$ 246.688,12 de multa e R$ 458.716,55 de juros. No que tange o contrato de caução e outras avenças, a fiscalização concluiu com embasamento nas respostas do contribuinte que não houve contabilização de apuração de IOF e tampouco qualquer pagamento. Impugnando as imputações de deixar de recolher o IOF sobre operações de empréstimos em conta corrente e caução de valores com finalidade de pagamento de obrigações da contratante, alegou: 1. Inconstitucionalidade do art. 13 da Lei nº 9.779/99, sustentando incidência somente em operações de crédito realizadas por instituições financeiras, questão essa objeto de repercussão geral no âmbito do Supremo Tribunal Federal. Pediu à suspensão do julgamento, matéria já superada, e, considerasse esse assunto prequestionando, inciso I do parágrafo único do art. 62 do Regimento Interno do CARF; 2. Argui em preliminar DECADÊNCIA do direito de lançar, considerando que ciência ocorreu em 15.07.2011, alegando, que nessa data já decorrido o qüinqüênio decadencial para todos os fatos geradores ocorridos até 30.06.2006. 3. DECADÊNCIA Contrato de Caução – entrega de recursos de valor conhecido e por prazo certo – adiantamento que não se inclui no conceito de mútuos ou de concessão de crédito de qualquer natureza – ocorrido em 31.12.2005, alegação de decaído; 4. Contrato de Conta Corrente 31.12.2002 – prazo de 10 anos, sem valor definido, sem valores de IOF contabilizados, nem tampouco declarados/recolhidos, apurados em saldos diários. Afirma não foi recolhido em decorrência de inconstitucionalidade do art. 13 da Lei n° 9.779/99. Afirma que os valores são determinados e o prazo é certo – dez anos. Alega inexistência de entregas de novos recursos e amortizações parciais, que somente em dois dos contratos houve lançamentos de encargos, ressalta que nunca novas disponibilizações ou amortizações. Sustenta que esses fatos, por si só, afasta a pretensão de descaracterização do fato gerador ocorrido em 31.12.2002 e a pretensão de fazer crer que seria um mútuo em conta corrente; Distorção causada pela fiscalização, bem como, o Acordo recorrido, afeta outros aspecto do fato gerador dentre os quais a alíquota aplicável, alíquota máxima em contratos de mútuo 1,5% (lei 5.143/66); O art. 2º da Lei nº 8.894/94 considera valor da operação, nas operações de crédito, o valor do Fl. 5701DF CARF MF Processo nº 11080.722827/201111 Acórdão n.º 3302004.154 S3C3T2 Fl. 5.701 5 principal que constitua o objeto da obrigação, limitado há 365 dias; 5. (CONTRATO DE CAUÇÃO E OUTRAS AVENÇAS – a) Sustenta tratar de adiantamento com feito para o cumprimento da contratada de sua obrigação de para débitos futuros da contratante (recorrente), que a inexistência de remuneração e suposta inexistência de risco de não pagamento pelo fato de serem empresas ligadas e o prazo do contrato, não são motivos para dar azo ao lançamento; b) Rebate o cálculo elaborado pela fiscalização, que considerou que contratada (prestadora dos serviços de pagamento) ficasse de posse e uso do saldo positivo gerado pela existência de valores recebidos em montante superior àqueles pagos, que permissão configuraria mútuo de recursos financeiros, mas teria utilizados como base de cálculo a totalidade do saldo em conta corrente, incluindo nessa base o que reconhece ser adiantamento para pagamento de despesas; c) Sustenta, também, o fato da inclusão à base de cálculo de hipotética receita decorrente de aplicações financeiras juntos a instituições financeiras e repasses onerosos a outras empresas do grupo, sem que a fiscalização tenha comprovado e também não demonstrou que as aplicações e repasses tenham origem e sejam os mesmos recursos dos adiantamentos; 6. DOS PEDIDOS. a) Em relação a todos os débitos objeto do lançamento, que seja acolhida preliminar de mérito de inconstitucionalidade; b) Dos débitos decorrentes dos contratos de conta corrente firmados em 31.12.2002 acolhimento da preliminar de mérito – decadência do direito de lançar, não acolhido, que seja declarado ocorrido o fato gerador em 31.12.2002, que a base de cálculo seja o principal entregue ou colocado a disposição do tomador dos recursos, pede cancelamento do lançamento por decorrência do erro material na identificação do fato gerador; pedido alternativo, desacolhido os pedidos precedentes da letra “ii”, reconhecido o critério de apuração – 1) data da ocorrência do fato gerador (a data do adiantamento) 2) base de cálculo, valor adiantado; e, 3) alíquota máxima de 1,5%; c) No caso dos débitos relativos aos fatos geradores ocorridos até 30.06.2006 – que seja declarado decaído o direito da Fazenda constituílos; d) Seja considerada indevida inclusão dos juros nos saldos devedores diários, requer a exclusão dos juros creditados contabilmente na apuração da base de cálculo obtida pelo somatório dos saldos devedores diários, de modo a refletir os saldos devedores diários do principal. Fl. 5702DF CARF MF 6 É relatório. Voto Vencido Conselheiro Domingos de Sá Filho, Relator. Cuidase de recurso tempestivo, satisfeitos os pressupostos de admissibilidade, tomo conhecimento. A controvérsia reside em exigência de IOF incidente sobre contratos de conta corrente e contratos de caução e outras avenças entre empresas coligadas e controladas. Observase, inexistência de resistência em relação ao fato de tratar de empresas ligadas, sendo assim, a discussão travada se limita ao universo fático, salvo as alegações de inconstitucionalidade e aplicação de alíquotas com as peculiaridades do caso concreto. Inicialmente antes de dirigir ao ponto nodal da situação controvertida, impõe se o exame das questões preliminares referentes decadência. Aduz perda do direito de constituir o crédito ao fundamento do lapso temporal transcorrido entre o fato gerador e a constituição em 15 de julho de 2011. O argumento foi rechaçado pelo julgador de piso ao fundamento de que apenas em relação a um dos contratos firmados em 2004 ocorreu pagamento do IOF, o mesmo não teria acontecido com os contratos firmados em 2002, em relação aos quais não houve qualquer pagamento do imposto, o que afasta a aplicação do comando citado do CTN, em favor do art. 173, I do CTN, que deslocou a forma de contagem do termo inicial. Com embasamento nesse raciocínio fixou o entendimento de que os fatos geradores entre janeiro e dezembro de 2006 poderiam ser lançados até 31 de dezembro de 2011, enquanto em relação aos fatos geradores ocorridos em 2007 o prazo se estenderia até 31.12.2012. A irresignação trazida fulcra no entendimento acima expressado, de que se aplica ao caso concreto a regra do parágrafo 4º do artigo 150 do CTN. A regra do inciso I, do art. 7º do Decreto nº 4.494/2002, que fixa com data de apuração como sendo o último dia de cada mês, inclusive no caso de prorrogação ou renovação, e, o pagamento darseá no primeiro dia útil do mês subseqüente ao de apuração. Aplicase a norma do § 4º do artigo 150 do CTN quando constatado pagamento do tributo em referência ao mês do fato gerador, no caso concreto, o próprio contribuinte declarou não ter efetuado pagamento por considerar inconstitucional exigência. Por tratarse de tributo sujeito a lançamento por homologação, a obrigação ex legis de pagamento antecipado do imposto, in casu, IOF. Com o advento do art. 62A do Regimento Interno do CARF a questão da decadência do direito do fisco efetuar o lançamento dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação está pacificada. Este Colegiado deve obrigatoriamente aplicar a Súmula Vinculante nº 8 do STF e a decisão do STJ proferida no Resp nº 973.733, sob o regime do art. 543C do CPC, que considera que o pagamento antecipado do tributo, antes de qualquer iniciativa do fisco, é relevante para caracterizar o lançamento por homologação. Eis a ementa do referido julgado: “RECURSO ESPECIAL Nº 973.733 SC (2007/01769940) Fl. 5703DF CARF MF Processo nº 11080.722827/201111 Acórdão n.º 3302004.154 S3C3T2 Fl. 5.702 7 RELATOR: MINISTRO LUIZ FUX RECORRENTE : INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL INSS REPR. POR: PROCURADORIAGERAL FEDERAL PROCURADOR: MARINA CÂMARA ALBUQUERQUE E OUTRO(S) RECORRIDO: ESTADO DE SANTA CATARINA PROCURADOR: CARLOS ALBERTO PRESTES E OUTRO(S) EMENTA PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo incorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Fl. 5704DF CARF MF 8 Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.”. Tendo a Recorrente tomado ciência em 15 de julho de 2011, vislumbra a improcedência de caducidade do direito da Fazenda constituir possíveis créditos. INCONSTITUCIONALIDADE DO ARTIGO 13 DA LEI Nº 9.779, DE 1999. Há vedação legal estabelecida no Art. 26A, caput do Decreto nº 70.235, com redação dada pela Lei nº 11.941 de 2009: “Art. 26 – A – No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade”. Esse tema encontra pacificado em sede administrativa por meio da Súmula nº 2 do CARF, constituindo, também, barreira intransponível ao exame de qualquer discussão que trate de inconstitucionalidade de lei ou de dispositivo, fixando entendimento de que Administração não tem competência. Em sendo assim, deixo de conhecer o assunto aduzido em preliminar. MATÉRIA DE FUNDO – IOF. O Imposto sobre Operação de Crédito – IOF resulta de outorga de competência à União para instituição de imposto sobre “operações de créditos, câmbio e seguro, ou relativas a títulos ou valores mobiliários” por disposição constitucional, art. 153, inciso V. Com base em outorga constitucional o Código Tributário Nacional prevê a exigência desse tributo pelo artigo 63: “ art. 63 – O imposto de competência da união, sobre operações de crédito, câmbio e seguro, e sobre operações relativas a títulos e valores mobiliários tem como fato gerador: Fl. 5705DF CARF MF Processo nº 11080.722827/201111 Acórdão n.º 3302004.154 S3C3T2 Fl. 5.703 9 I – quanto às operações de crédito, à sua efetivação pela entrega total ou parcial do montante ou do valor que constitua o objeto da obrigação, ou sua colocação à disposição do interessado.” A doutrina ao tratar do aspecto temporal do IOF do crédito afirma: “O legislador não estabelece qualquer ficção no que diz respeito ao aspecto temporal da hipótese de incidência do Imposto sobre Operações de Crédito. Assim, considerarseá ocorrida no momento mesmo em que ocorre o fato previsto no aspecto material, ou seja, no momento em que, nos termos do art. 63, I, do CTN, ocorre a efetivação das operações de crédito “pela entrega total ou parcial do montante ou do valor que constitua o objeto da obrigação da obrigação, ou sua colocação à disposição do interessado”,. Porem, há acórdão do STJ tomando por ocorrido o fato gerador no momento da celebração do contrato de financiamento.” Conceituando e instituindo critérios de apuração o legislador ordinário editou a Lei nº 9.779/1999, e, dispôs: Art. 13 – As operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas ou entre pessoa jurídica e pessoa física sujeitamse à incidência do IOF segundo a mesmas normas aplicáveis às operações de financiamento e empréstimos praticados pelas instituições financeiras; §1º Considerase ocorrido o fato gerador do IOF, na hipótese deste artigo, na data da concessão do crédito; § “2º ;;” Há previsão legal, em assim sendo, cabe aos agentes proceder a lançamento todas as vezes que o contribuinte deixar de apurar e declarar. No caso dos autos, deixouse de apurar e declara, bem como, recolher, em decorrência do entendimento de que tratava de norma inconstitucional, Art. 13 da Lei nº 9.779/99. No caso não há de se falar em erro material, houve colocação de recursos financeiros à disposição do mutuário, sobre o montante entregue ou colocado à disposição que deve incidir o IOF. Portanto, o imposto deve incidir sobre o valor principal entregue, isso é, em 22.12.2002, alíquota de 1,5%. Sendo assim, constatado à colocação de recursos financeiros na modalidade de mútuo à disposição de pessoas jurídicas coligadas, faz incidir o IOF sobre o montante do crédito. Assim sendo, procede o lançamento, mantendo a decisão, nessa parte intocável o que restou decidido pelo julgador singular. Passase o exame dos recursos colocados à disposição por meio do CONTRATO DE CAUÇÃO E OUTRAS AVENÇAS. A empresa RBS Zero Hora Editora Jornalística S/A, firmou com a empresa RBS Administração e Cobrança ltda., pacto de prestação de serviços pelo prazo de 24 (vinte e quatro) meses, cujo objeto era prestação de serviços de recebimento e pagamento de créditos e débitos da RBS Zero Hora, no caso, contratante, em decorrência desse acerto, disponibilizou a Fl. 5706DF CARF MF 10 título de caução no montante de R$ 54.446.662,54, restou ajustado no caso do saldo mantido em conta gráfica contábil superar o valor da caução, o excesso deveria ser devolvido no último dia útil de cada semestre do ano calendário. O valor acima ao longo do pacto sofreu alteração por meio de aditivos. Em 31 de dezembro de 2006 alcançou a cifras de R$ 72.141.271,07, reduzido para R$ 32.402.549,12 em 02 de fevereiro de 2008. Como é conhecimento geral os pactos de caráter privado são livres, desde que o objeto seja lícito. No caso em tela interessa verificar se houve repercussão no campo tributário. O Fisco concluiu que no caso dos montantes colocados, inicialmente, à disposição da contratada para efetivar pagamento de obrigações em RBS ZERO HORA, contratante, encontra escorado em suas conclusões constante do item 5.2, como bem transcrito pela decisão hostilizada: “a) Um valor elevado de recursos da RBS Zero Hora, denominado contratualmente "caução" ou "adiantamento" ficava a disposição da RBS Adm. e Cobrança; b)Além desta "caução" ou "adiantamento", o saldo positivo gerado pela existência de valores recebidos em montante superior àqueles a pagar ficava também a disposição da RBS Adm. e Cobrança; c) Os recursos não eram devolvidos, sendo firmados contratos e aditivos sucessivos de maneira a formalizar o crédito da RBS Zero Hora existente na conta contábil que refletia o conta corrente entre as empresas; d)Sequer era cumprida a cláusula de devolução semestral dos valores excedentes a "caução/adiantamento"; e, por último, e) A RBS Adm. e Cobrança não apenas teve a posse dos recursos, como também fez uso deles, em seu benefício. Com arrimo nas premissas acima, firmou o entendimento de que tratava mútuo. É notório que o fato gerador IOF não se caracteriza pela mera situação de fato. No caso tratado nesse caderno processual administrativo, apurase que houve ocorrência de milhares de pagamento, bem como, recebimentos de créditos por parte da contratada em nome da contratante em consonância com o pactuado. Em decorrência dos lançamentos contábeis efetuados diariamente (pagamentos e recebimentos) permitiu conhecer a existência de saldos credores a favor da contratante (RBS ZERO HORA), o qual deveria, por força do ajuste, ter sido devolvido ao final de cada semestre durante a vigência do acordo comerical estabelecidos entre as duas empresas. No entanto, deixado de ser restituído em decorrência de ajustamentos, o qual aos olhos da fiscalização é inaceitável, considerou esse acontecimento, alinhado ao fato de constante saldo credor na quase totalidade da vigência do acerto nos anos calendários de 2006 e 2007. O amoldamento ocorrido entre as duas empresas se revela normal, e, perfeitamente aceitável, constatado uma situação financeira real, ajustar em patamar acima daquele inicialmente contratado, não desvirtua o objeto contratado, portanto, impossibilita divagação. O mesmo ocorre com o uso do saldo positivo da conta denominada de caução pela contratada quando aplica no mercado financeiro, bem como, empresta esses recurso a Fl. 5707DF CARF MF Processo nº 11080.722827/201111 Acórdão n.º 3302004.154 S3C3T2 Fl. 5.704 11 outras pessoas jurídicas ou físicas, menos importante se pertence ao grupo ou não, o que se busca e manter o valor da moeda por tratarse de recurso de terceiro. Tratase de atos materiais não capazes de configurarem situação jurídica. Não há prova contundente no sentido de que o contrato tenha sido confeccionado com intuito de dissuadir situação real, ao contrário há relato consignado no Termo de Fiscalização, que a contratada praticou à risca o objeto contratado, isso é, procedeu a recebimentos de créditos em nome da contratante, assim como, efetuou pagamentos. Há que se analisar os fatos a que correspondem, com o objetivo de verificar se ocorreu ou não a situação jurídica que pode constituir o fato gerador. Por essa razão ocorrência relatadas e consideradas elementos de convicção do fisco para concluir tratarse mútuo os valores adiantados para cumprimento de obrigações da contratante, a meu sentir, não são capazes de alterar uma situação real. Não há espaço a comungar com a interpretação dos fatos concretizadas pelo fisco, caso contrário a atividade de administrador de recurso de terceiro com fins específicos de prestação de serviços de recebimentos e pagamentos em nome de terceiro assume simplesmente condição de empréstimo. Abstraise da situação jurídica dos atos efetivamente praticados, que não ocorreu situação jurídica a validar a hipótese de fato gerador da incidência do IOF. A situação descrita pelo fisco a considera mútuo o contrato de prestação de serviço, posteriormente ao período de apuração de que trata o recurso, por força de disposição legal com advento do Decreto nº 6.306, de 14 de dezembro de 2007, que entrou em vigor na data da publicação, ocorrida em 17 de dezembro de 2007. Dispuseram o art. 1º do Decreto nº 6.306: Art. 1º O Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguro ou relativas à Título ou Valores mobiliários – IOF será cobrado de contribuinte de conformidade com o disposto neste Decreto. No título que trata da incidência, restou claro, que atividade de administração de contas a pagar e a receber desempenhada pela contratada passou a ser tributada: “Art. 2º O IOF incide sobre: I – operações de crédito realizadas: b) por empresas que exercem as atividades de prestação cumulativa e continua de serviços de assessoria creditícia, mercadologia, gestão de crédito, seleção de riscos, administração de contas a pagar e a receber, compra de direitos creditícios resultantes de vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços (factoring); No tempo dos fatos geradores que se discute, não havia previsão legal para exigir IOF das empresas dedicadas administração de contas a pagar e a receber, a autorizar à exação sobre os montantes cedidos a título de empréstimos dos saldos credores (positivos) a Fl. 5708DF CARF MF 12 terceiros, pessoa jurídica por parte da contratada a revelia da contratante. Se existisse não se estaria exigindo da Recorrente. Com estes fundamentos divergiu dos fundamentos do lançamento, bem como, do julgador singular, para afastar incidência do IOF sobre o montante entregue a empresa administradora de contas a pagar e a receber, contratada, por entender tratarse de prestação de serviço e não concessão de crédito. Diante do exposto, dou provimento parcial ao recurso para afastar à incidência do IOF sobre os valores objeto do contrato de CONTRATO DE CAUÇÃO E OUTRAS Avenças. (assinado digitalmente) Domingos de Sá Filho Voto Vencedor Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Redator Designado. Na Sessão de abril, este Relator pediu vista dos autos, para melhor analisar as questões de mérito objeto da lide. No mérito, a controvérsia cingese à cobrança do IOF vinculados a duas modalidades de contrato, a saber: a) os “Contratos de Conta Corrente e Outras Avenças”, firmados em 31/12/2002, por prazo de 10 anos, entre a recorrente e 5 (cinco) empresas do grupo, sem valor definido, em que apurado pela fiscalização que não houve valores de IOF contabilizados, declarados e tampouco recolhidos; e b) o “Contrato Particular de Caução e Outras Avencas”, celebrado em 31/12/2003 entre a recorrente (contratante) e a RBS Administração e Cobrança Ltda. (contratada), e renovado em 31/12/2005, para a prestação, pela contratada, de serviços de recebimento e pagamento de créditos e débitos da contratante, mediante a concessão de uma caução fixada, inicialmente (em 31/12/2005), em R$ 54.446.662,35, que foi, por meio de aditivos, elevada para R$ 72.141.271,07, em 31/12/2006, e reduzida para R$ 32.402549,13, em 02/01/2008. Em relação aos primeiros contratos, este Relator está de pleno acordo com a conclusão do nobre Relator de que os valores do IOF lançados eram devidos e, portanto, procedente o lançamento do crédito tributário devido nas respectivas operações. De outra parte, o mesmo não pode ser dito ao segundo contrato. Em relação ao citado contrato, com a devida vênia, este Conselheiro discorda dos fundamentos e conclusão apresentados pelo i. Relator. Especificamente em relação aos lançamentos vinculados ao “Contrato Particular de Caução e Outras Avencas”, a controvérsia cingese a (i) ocorrência do fato gerador do IOF, (ii) apuração da base cálculo e (iii) da alíquota aplicada na determinação da base cálculo do imposto. Fl. 5709DF CARF MF Processo nº 11080.722827/201111 Acórdão n.º 3302004.154 S3C3T2 Fl. 5.705 13 Em relação à ocorrência do fato gerador, o ponto fulcral da controvérsia cingese à natureza das transações financeiras praticadas entre a recorrente e a contratada, a pessoa jurídica RBS Administração e Cobrança Ltda., que, além de principal controladora, funciona como cash company do grupo, ou seja, nela são centralizados os pagamentos e recebimentos das empresas pertencentes ao grupo. Para a fiscalização, as transações financeiras praticadas entre contratante e contratada configuravam mútuo de recursos financeiros, sujeito à cobrança do IOF, ao passo que para a recorrente as referidas transações configuram operações de conta corrente não sujeitas à cobrança do citado imposto. De acordo com o “Relatório da Ação Fiscal” (fls. 1076/1093), que integra o auto de infração, a autoridade fiscal concluiu que, ao disponibilizar adiantamentos de recursos financeiros e ainda permitir que a contratada ficasse de posse e uso do saldo positivo gerado pelo recebimento de valores em montante superior ao pagamento, tais operações, de fato, configuravam mútuos de recursos financeiros e não prestação de serviços de recebimento de créditos e de pagamento de débitos, conforme previsto no citado contrato. Dentre outras, a razões que levaram a fiscalização a esse entendimento foram as seguintes: a) na contabilidade da contratante na conta sintética do Ativo Realizável a Longo Prazo de código 120103 CAUÇÕES COLIGADA E CONTROLADAS, apresentavam saldo devedor de R$ 54.446.662,35 em 31/12/2005, R$ 72.141.271,07 em 31/12/2006 e R$ 32.402.549,13 em 31/12/2007; b) os múltiplos lançamentos contábeis a débito e a crédito, efetuados diariamente nas contas 120103 (o razão das contas contem 8.470 folhas), relevam que, o contrato em tela, na verdade, consistia num conta corrente entre duas empresas ligadas, típico de mútuo conta corrente, prestandose a caução/adiantamento a garantir que a contratante fosse a empresa credora na quase totalidade do tempo. O procedimento adotado para justificar o crédito da contratante perante a contratada foi adequar periodicamente o valor da assim denominada “caução” de forma a fazêla coincidir, no último dia do ano, com o saldo do conta corrente entre ambas; c) tais valores não se trata da garantia para um risco de não pagamento/devolução como o termo “caução” poderia fazer supor, mas de mera formalização de um “adiantamento” de valores já existente na prática, “adiantamento” esse efetuado a longuíssimo prazo. Até porque, no caso, o risco de não pagamento era inexistente, posto que as duas empresas eram ligadas, sob o controle e administração das mesmas pessoas físicas, não justificando a permanência de tão altos valores por tão longo prazo em poder da contratada a título de “caução” ou “adiantamento”; d) havia previsão contratual de que, se o saldo mantido em conta gráfica contábil (caução), fosse superior ao valor previsto na cláusula terceira, no último dia útil de cada semestre, a contratada deveria devolver, mediante transferência bancária, cheque nominativo, ou crédito corrente contábil da contratante ou de quem esta indicasse, o valor excedente ao valor da caução. Entretanto, embora no contrato de 31/12/2005 a caução tenha sido fixada em R$ 54.446.662,35, em 30/06/2006 o saldo efetivo era R$ 89.840.063,90 e em 31/12/2006 de R$ 72.141.271,06, sem que tenha havido qualquer devolução do valor excedente à caução. Demandado pela fiscalização, o contribuinte confirmou a inexistência de devoluções no período contratual, justificando que os valores de caução teriam sido ajustados às novas necessidades da empresa, mediante aditivos celebrados ao final dos respectivos anos; Fl. 5710DF CARF MF 14 e) segundo o gráfico de saldos diários da conta 120103, integrante do citado relatório (fls. 1094/1095), durante o período fiscalizado, o saldo em poder da contratada alcançara picos de quase 110 milhões em 2006 e mais de R$ 80 milhões em 2007. Em apenas dois dias do ano 2006, o saldo diário ficou abaixo de R$ 50.000.000,00, sendo que o saldo médio foi de R$ 77.016.731,56, devedor. Em 2007, mesmo com as necessidades elevadas de caixa decorrentes de novos investimentos, o saldo médio diário foi de R$ 36.886.687,11, devedor, sendo credor em apenas 3 dias do mês de junho e 25 dias do mês de julho, permanecendo após esta data com saldos superiores a R$ 30 milhões, devedor; e f) com base na análise dos demonstrativos contábeis da contratada, apurou que, além de ficar na posse dos recursos da contratante, também utilizouse dos mesmos, para aplicações financeiras perante instituições financeiras e repasses onerosos a outras empresas do grupo, efetuados sob a forma de contratos de conta corrente. Com isso, obteve receitas financeiras de aplicações financeiras e de juros cobrados de coligadas, que foram registrados nas contas analíticas do grupo “Receitas financeiras”, código 490, com destaque para (i) a conta de código 490.03 Juros títulos renda, em contabilizadas receitas de R$ 7.329.027,87 em 2006 e R$ 2.998.812,90 em 2007, e para a conta de código 490.09 Juros s/ coligadas, em registrados receitas de juros cobrados das coligadas nos valores de R$ 16.667.252,39 em 2006 e R$ 23.644.212,28 em 2007. Diante dessas constatações, concluiu a autoridade fiscal lançadora que a entrega de recursos financeiros pela contratante à contratada, independentemente do nome, configurava uma operação de crédito característica de mútuo tipo conta corrente, sujeita a incidência do IOF, pelo qual é responsável a contratante, concedente do crédito, nos termos do art. 13 da Lei 9.779/1999, a seguir transcrito: Art. 13. As operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas ou entre pessoa jurídica e pessoa física sujeitamse à incidência do IOF segundo as mesmas normas aplicáveis às operações de financiamento e empréstimos praticadas pelas instituições financeiras. § 1º Considerase ocorrido o fato gerador do IOF, na hipótese deste artigo, na data da concessão do crédito. § 2º Responsável pela cobrança e recolhimento do IOF de que trata este artigo é a pessoa jurídica que conceder o crédito. § 3º O imposto cobrado na hipótese deste artigo deverá ser recolhido até o terceiro dia útil da semana subseqüente à da ocorrência do fato gerador. (grifos não originais) Embora, a constitucionalidade do referido preceito legal tenha sido questionada pela recorrente, por força do disposto no art. 26A do Decreto 70.235/1972, foge da competência deste Conselho afastar aplicação do referido preceito legal. A propósito, conforme bem posto pelo nobre Relator, a matéria foi submetida à apreciação do STF, por meio do Recurso Extraordinário (RE) nº 590.186, que teve repercussão geral reconhecida, mas ainda se encontra pendente de julgamento. Assim, superada a questão da constitucionalidade da referida norma, passa analisar a natureza das operações financeiras praticadas entre a recorrente e a contratada. Previamente, cabe consignar que é o conteúdo ou substância que confere a real natureza do contrato e não a denominação que lhe seja atribuída. No caso do contrato em comento, fica evidenciada que, independentemente, do nome que lhe fora atribuído pelos Fl. 5711DF CARF MF Processo nº 11080.722827/201111 Acórdão n.º 3302004.154 S3C3T2 Fl. 5.706 15 contratantes, a atividade de recebimento e pagamento de crédito e débito, em essência, consiste na atividade de prestação de serviços de gestão e administração de contas a pagar e a receber. E tal atividade é, normalmente, exercida por empresas de factoring (fomento mercantil ou comercial, em vernáculo), disciplinada na Convenção Diplomática de Ottawa, celebrada em maio de 1988, e da qual o Brasil é uma das nações signatárias e, inclusive, foi ratificada pelo Conselho Monetário Nacional. Também não se pode olvidar que, em consonância com disposto no art. 1º da Lei Complementar nº 116, de 31 de julho de 2003, a referida atividade constitui prestação de serviços, que integra o fato gerador do ISS, uma vez que se encontra expressamente relacionado no subitem 17.23 da lista anexa a referida lei complementar, a seguir transcrito: 17.23 – Assessoria, análise, avaliação, atendimento, consulta, cadastro, seleção, gerenciamento de informações, administração de contas a receber ou a pagar e em geral, relacionados a operações de faturização (factoring). (grifos não originais) Com base nesses breves esclarecimentos, fica evidenciado que as operações praticadas pela contratada não resumem mera atividade de “administração de contas a receber ou a pagar” ou de “de recebimento e pagamento de crédito e débito”. Com efeito, os fartos elementos coligidos aos autos demonstram que, além da atividade de recebimento e pagamento de crédito e débito da recorrente, a contratada administra e aplica os recursos financeiros que lhe foram disponibilizados pela recorrente no durante o período da autuação, inclusive, utilizou tais recursos em operações de aplicações financeiras perante instituições financeiras e concessão de empréstimos onerosos a outras empresas ligadas. Dada essa característica, assim como a fiscalização, este Relator está convencido de que os recursos financeiros repassados diretamente à contratada, seja a título de adiantamento ou de caução, bem como os recursos financeiros provenientes dos saldos superavitários decorrentes do recebimento de créditos maior do que o pagamento de débitos, que ficaram em poder da contratada durante os anos de 2006 e 2007, certamente, configuram operações de mútuo financeiro do tipo conta corrente e não meras operações de “administração de contas a receber ou a pagar” ou de “de recebimento e pagamento de crédito e débito”, conforme alegado pela recorrente. Não há dúvida de que há diferenças marcantes entre os objetos do contrato de “administração de contas a receber ou a pagar” e o contrato de mútuo financeiro sob a forma de conta corrente. O primeiro restringese a mera prestação de serviços recebimento e pagamento de contas a receber e pagar, ao passo que os contratos de conta corrente, além dos serviços de recebimento e pagamento, o correntista contratado também presta de serviço de administração dos recursos financeiros remanescentes do correntista contratante, o que ocorreu no caso em tela. A única diferença entre o contrato de conta corrente celebrado pela autuada e a contratada RBS Administração e Cobrança Ltda. está no fato desta última e não a contratante ter se apropriado dos rendimentos financeiros provenientes das aplicações e empréstimos dos recursos que foram disponibilizados pela primeira, o que não descaracteriza o real contrato de Fl. 5712DF CARF MF 16 conta corrente, por se tratar de operações entre partes relacionadas, e ainda confirma que a contratada tinha total disponibilidade dos recursos financeiros da contratante. No recurso em apreço, a recorrente alegou que os adiantamentos de recursos financeiros feitos pela recorrente não estavam sujeitos a incidência do IOF, porque não se configuravam contrato de mútuo financeiro. Para recorrente, a incidência do IOF era restrita aos contratos de mútuo. No entanto, diferentemente do alegado, o referido imposto incide sobre operações de crédito em geral, consoante disposto no caput do art. 1º, combinado com o disposto no inciso do I, do art. 2º, ambos da Lei 8.894/1994, a seguir transcritos: Art. 1º O Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguro, ou relativas a Títulos e Valores Mobiliários será cobrado à alíquota máxima de 1,5% ao dia, sobre o valor das operações de crédito e relativos a títulos e valores mobiliários. § 1o No caso de operações envolvendo contratos derivativos, a alíquota máxima é de 25% (vinte e cinco por cento) sobre o valor da operação.(Incluído pela Lei nº 12.543, de 2011) § 2o O Poder Executivo, obedecidos os limites máximos fixados neste artigo, poderá alterar as alíquotas tendo em vista os objetivos das políticas monetária e fiscal. (Incluído pela Lei nº 12.543, de 2011) Art. 2º Considerase valor da operação: I nas operações de crédito, o valor do principal que constitua o objeto da obrigação, ou sua colocação à disposição do interessado; [...]. (grifos não originais) Da simples leitura do comando legal transcrito, extraise que o valor dos recursos financeiros utilizados como base de cálculo do imposto compreende tanto os recursos financeiros utilizados como os foram colocados a disposição do interessado. Assim, diferentemente do alegado pelara recorrente, os recursos financeiros disponibilizados pela recorrente à contrata RBS Administração e Cobrança Ltda., induvidosamente, tratase de uma operação de crédito, caracterizada como mútuo financeiro do tipo conta corrente, que se subsume perfeitamente à situação descrita no citado preceito legal. A recorrente alegou que o contrato em comento tinha por objeto a “prestação pela CONTRATADA de serviços de recebimento e de pagamento de créditos e débitos da CONTRATANTE, mediante concessão de caução”, que se limitava a simples garantia da contratante para que a contratada fosse ressarcida dos valores despendidos nos pagamentos por sua conta e ordem, ou seja, a caução representava mero adiantamento para possibilitar o cumprimento da obrigação assumida pela contratante. Logo, tratavase de contrato, essencialmente, de prestação de serviços. Diferentemente do alegado, os fatos, devidamente comprovados nos autos, revelam que as operações realizadas pela contratada, com os recursos financeiros da autuada, não se restringiram a pagamentos e recebimentos de créditos e débitos. Conforme anteriormente demonstrado, a recorrente tinha total disponibilidade sobre os recursos da contratante e os utilizou para fins diversos, além de meros pagamentos de créditos e débitos da recorrente. Fl. 5713DF CARF MF Processo nº 11080.722827/201111 Acórdão n.º 3302004.154 S3C3T2 Fl. 5.707 17 O fato de a contratada exercer a função de cash company do grupo RBS, ou seja, ter por objeto social o pagamento de débitos e o recebimento de créditos das empresas do grupo, com vistas à redução de custos operacionais e financeiros, para fins de incidência do IOF, também não descaracteriza as operações de créditos realizadas com estas últimas, conforme anteriormente demonstrado. No recurso em apreço, a recorrente comprovou, com base nos registros contábeis e documentação adequada colacionada aos autos, a efetiva realização de vários pagamentos feitos pela contratada em nome da recorrente. Entretanto, não foi esse o motivo da descaracterização das referidas operações como mera prestação de serviços. Reiterase, novamente, que foi o fato de a recorrente ter a total disponibilidade dos recursos financeiros da contratada e, efetivamente, utilizálos para outros fins, que não o mero pagamento dos débitos da recorrente, a razão determinante para a configuração dos mencionados adiantamentos como típicas operações de crédito. Neste caso, a contratada não era mera detentora dos valores repassados ou disponibilizados pela recorrente. De fato, ela geria os referidos recursos como se fosse a proprietária deles. E dada essa circunstância, inequivocamente, as operações de adiantamento de recursos financeiros feitas pela autuada não se equiparam a um mero depósito em conta corrente bancária, como alegado pela recorrente. Também não é verdadeira a assertiva da recorrente de que os pagamentos de débitos da contratante nunca foram feitos com recursos da contratada, ou que sempre foram feitos com recursos da contratante. Ou ainda que o adiantamento nunca teve a natureza de garantia dos pagamentos feitos por conta e ordem da contratante, mas sim e unicamente, de garantir que a contratada não precisasse utilizar recursos próprios (dela contratada). Com efeito, de acordo com os referidos gráficos, embora em curtíssimo período, especificamente, em apenas 3 dias do mês de junho e 25 dias do mês de julho de 2007, a conta corrente apresentou saldo negativo, o que significa que foram utilizados recursos financeiros da contratada para o pagamento de débitos da contratante. Se admitido a existência do mútuo, o que admitia apenas para argumentar, a recorrente alegou que, como era conhecido os valores dos adiantamentos, nos termos do art. 7º, I, “b”, do Decreto 4.494/2002 (Regulamento do IOF de 2002), a base de cálculo era o valor do principal entregue e não o somatório dos saldos devedores diários, como apurado pela fiscalização. De fato, a autoridade fiscal apurou os valores dos débitos lançados, com base nos saldos diários devedores existentes na conta corrente contábil mantida com a contratada RBS Administração e Cobrança Ltda. O enquadramento legal da autuação foi feita no art. 13 da Lei 9.799/1999 (anteriormente transcrito), combinado com o disposto no art. 2o, I, “c”; art. 3º, §§ 1º e 4º; art. 7º, §§ 1º, 12 e 13, ambos do Decreto 4.494/2002. Seguem transcritos os preceitos regulamentares: Art. 2º O IOF incide sobre: I operações de crédito realizadas: [...] c) entre pessoas jurídicas ou entre pessoa jurídica e pessoa física (Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999, art. 13). Fl. 5714DF CARF MF 18 [...] § 4º A expressão "operações de crédito" compreende as operações de: [...] III mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas ou entre pessoa jurídica e pessoa física (Lei nº 9.779, de 1999, art. 13). [...] Art. 7º A base de cálculo e respectiva alíquota reduzida do IOF são (Lei nº 8.894, de 1994, art. 1º, parágrafo único, e Lei nº 5.172, de 1966, art. 64, inciso I): I na operação de empréstimo, sob qualquer modalidade, inclusive abertura de crédito: a) quando não ficar definido o valor do principal a ser utilizado pelo mutuário, inclusive por estar contratualmente prevista a reutilização do crédito, até o termo final da operação, a base de cálculo é o somatório dos saldos devedores diários apurado no último dia de cada mês, inclusive na prorrogação ou renovação: 1. mutuário pessoa jurídica: 0,0041%; 2. mutuário pessoa física: 0,0041%; b) quando ficar definido o valor do principal a ser utilizado pelo mutuário, a base de cálculo é o principal entregue ou colocado à sua disposição, ou quando previsto mais de um pagamento, o valor do principal de cada uma das parcelas: 1. mutuário pessoa jurídica: 0,0041% ao dia; 2. mutuário pessoa física: 0,0041% ao dia; [...] § 1º O IOF, cuja base de cálculo não seja apurada por somatório de saldos devedores diários, não excederá o valor resultante da aplicação da alíquota diária a cada valor de principal, prevista para a operação, multiplicada por trezentos e sessenta e cinco dias, ainda que a operação seja de pagamento parcelado. [...] § 12. Os encargos integram a base de cálculo quando o IOF for apurado pelo somatório dos saldos devedores diários. § 13. Nas operações de crédito decorrentes de registros ou lançamentos contábeis ou sem classificação específica, mas que, pela sua natureza, importem colocação ou entrega de recursos à disposição de terceiros, seja o mutuário pessoa física ou jurídica, as alíquotas serão aplicadas na forma dos incisos I a VI, conforme o caso. (grifos não originais) Fl. 5715DF CARF MF Processo nº 11080.722827/201111 Acórdão n.º 3302004.154 S3C3T2 Fl. 5.708 19 No caso em tela, a autoridade fiscal procedeu com acerto, haja vista que ficou devidamente comprovado nos autos que não havia prévia definição do valor do principal a ser utilizado pela contratada, por se tratar de operações de crédito decorrentes de registros ou lançamentos contábeis diários ocorridos no período da autuação. Dessa forma, como a base de cálculo foi corretamente apurada por somatório de saldos devedores diários, a autoridade fiscal aplicou a alíquota diária correta, sem a limitação estabelecida no art. 7o, § 1º, do Decreto 4.494/2002, conforme pretendido pela recorrente. A recorrente ainda alegou que, se acatado o critério de apuração da base de cálculo com base no somatório dos saldos devedores diários, o que admitia apenas para argumentar, da referida base de cálculo deveriam ser excluídos os juros creditados, de forma que o imposto incidisse somente sobre a base de cálculo permitida pela lei e pelo regulamento do tributo, que seria o saldo devedor diário do valor do principal. Mais uma vez, sem razão a recorrente. De acordo com o disposto no art. 7o, § 12, do Decreto 4.494/2002, anteriormente transcrito, os encargos financeiros integram sim a base de cálculo do IOF, quando o imposto for apurado pelo somatório dos saldos devedores diários, como ocorreu da autuação em apreço. E por se tratar de norma regulamentar, veiculada por Decreto, por força do caput do art. 26A do Decreto 70.235/1972, falta competência a este Colegiado para sua aplicação ou deixar de observála. Com base nessas considerações, com a devida vênia do nobre Relator, propõese a manutenção também da cobrança dos débitos vinculados ao “Contrato Particular de Caução e Outras Avencas” celebrado entre a autuada e controladora RBS Administração e Cobrança Ltda. Por todo o exposto, votase por negar provimento integral ao recurso, para manter na íntegra o acórdão recorrido. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 5716DF CARF MF
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