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Numero do processo: 16327.720672/2012-34
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007, 2008
PARTICIPAÇÃO NO LUCRO E GRATIFICAÇÕES PERCEBIDAS POR EMPREGADOS. DEDUTIBILIDADE. LEI 10.101/2000. ART. 299 DO RIR/99.
O descumprimento dos pressupostos/requisitos determinados pela Lei nº 10.101/2000 não tem o condão de objetar a dedução dos pagamentos efetuados a título de PLR aos empregados da pessoa jurídica, haja vista que a natureza de tais verbas continua sendo de despesas necessárias à atividade, segundo o disposto no art. 299 do RIR/99.
PARTICIPAÇÃO NO LUCRO E GRATIFICAÇÕES PERCEBIDAS POR ADMINISTRADORES. INDEDUTIBILIDADE. LEI 10.101/2000.
Por força dos artigos 303 e 463 do RIR/99 são indedutíveis as despesas incorridas com o pagamento bônus, gratificações e de participação no lucro a administradores. A Lei nº 10.101, de 2000, foi instituída para regulamentar o inciso XI do artigo 7º da Constituição Federal, o qual trata de direito dos trabalhadores empregados.
MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA. POSSIBILIDADE.
É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário.
Numero da decisão: 1402-002.412
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para cancelar a exigência referente à glosa das despesas correspondentes à PLR paga aos empregados. Vencido o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves que votou por dar provimento integralmente ao recurso voluntário. O Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella declarou-se suspeito. Ausente justificadamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Demetrius Nichele Macei, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo de Andrade Couto, Leonardo Luís Pagano Gonçalves, Luiz Augusto de Souza Gonçalves e Paulo Mateus Ciccone.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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DEDUTIBILIDADE. LEI 10.101/2000. ART. 299 DO RIR/99. O descumprimento dos pressupostos/requisitos determinados pela Lei nº 10.101/2000 não tem o condão de objetar a dedução dos pagamentos efetuados a título de PLR aos empregados da pessoa jurídica, haja vista que a natureza de tais verbas continua sendo de despesas necessárias à atividade, segundo o disposto no art. 299 do RIR/99. PARTICIPAÇÃO NO LUCRO E GRATIFICAÇÕES PERCEBIDAS POR ADMINISTRADORES. INDEDUTIBILIDADE. LEI 10.101/2000. Por força dos artigos 303 e 463 do RIR/99 são indedutíveis as despesas incorridas com o pagamento bônus, gratificações e de participação no lucro a administradores. A Lei nº 10.101, de 2000, foi instituída para regulamentar o inciso XI do artigo 7º da Constituição Federal, o qual trata de direito dos trabalhadores empregados. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA. POSSIBILIDADE. É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para cancelar a exigência referente à glosa das despesas correspondentes à PLR paga aos empregados. Vencido o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves que votou por dar provimento integralmente ao recurso voluntário. O Conselheiro AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 06 72 /2 01 2- 34 Fl. 587DF CARF MF 2 Caio Cesar Nader Quintella declarouse suspeito. Ausente justificadamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Demetrius Nichele Macei, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo de Andrade Couto, Leonardo Luís Pagano Gonçalves, Luiz Augusto de Souza Gonçalves e Paulo Mateus Ciccone. Fl. 588DF CARF MF Processo nº 16327.720672/201234 Acórdão n.º 1402002.412 S1C4T2 Fl. 588 3 Relatório Tratase de processo de exigência de crédito tributário de IRPJ, através do qual foram apontadas as seguintes infrações relativas aos anos calendários de 2007 e 2008: 1) Adições não computadas na apuração do Lucro Real – Custo/Despesa Indedutível Fato Gerador Valor Apurado (R$) 31/12/2007 1.749.167,82 31/12/2008 9.032.406,12 2) Exclusões/Compensações não autorizadas na apuração do Lucro Real – Exclusões indevidas Fato Gerador Valor Apurado (R$) 31/12/2007 8.447.196,56 31/12/2007 17.795.847,16 31/12/2007 810.550,00 31/12/2008 12.378.612,65 31/12/2008 22.329.787,49 31/12/2008 655.838,82 O objeto do auto de infração diz respeito à Participação nos Lucros e Resultados (PLR), Bônus e Gratificações, distribuídos/pagos aos funcionários e diretores da recorrente nos anos calendários de 2007 e 2008. Segundo a Fiscalização, a contribuinte teria infringido as normas que tratam do PLR, benefício concedido pelo art. 7º, inciso XI, da Constituição Federal – CF, e regulamentado pela Lei nº 10.101, de 19/12/2000 (MP nº 794/94 e reedições posteriores). Também teriam sido infringidos os arts. 247, 249, 250, 259, 303, 359, 462, inc. III e 463, todos do Regulamento do Imposto de Renda/1999 – RIR/99. Os motivos de fato apontados pelo Auto de Infração, em apertada síntese, foram os seguintes: 1) Os acordos foram assinados em 17/01/2007 e 25/09/2007; o primeiro referese à PLR paga relativamente ao ano calendário de 2006, já o segundo, ao ano calendário de 2007. Portanto, ambos os acordos foram firmados após (o primeiro) ou durante (no caso do segundo) o período aquisitivo, o que contrariaria o disposto no art. 2º, § 1º, inc. II, da Lei 10.101/00 (abaixo reproduzido). Para ter direito ao recebimento da PLR são impostas condições ao empregado, e este precisa saber quais são, em tempo hábil, sob o risco de ter sua expectativa de direito de pronto prejudicada. Assim, cada um dos instrumentos de negociação deve ser prévio, ou seja, deve ser elaborado antes do início do período a que se referirem os lucros ou resultados, pois é relativo exatamente a esse período pactuado. Fl. 589DF CARF MF 4 Art. 2o A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1o Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. 2) Não há menção no acordo a respeito dos parâmetros relativos aos resultados da empresa, das áreas de atuação e do desempenho individual, dos níveis e competências a serem avaliadas; ou seja, não estão definidos quais os resultados almejados; 3) Foram definidos os fatores a serem avaliados, porém, não há definição dos parâmetros a serem atingidos, assim como a forma de aferição de tais fatores. Aponta que, segundo a disposição contida no § 1º do artigo 2º da Lei nº 10.101, de 2002, não é uma faculdade, mas sim uma obrigação fazer constar do instrumento regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas. 4) Questiona também o que embasaria o pagamento de uma PLR que corresponde a 30 vezes o valor do salário base de um empregado? Afirmando ser consenso que os profissionais do mercado financeiro são remunerados pelo sucesso nas operações que realizam, que são estipuladas pelos controladores e administradores e são discutidas entre empregador e comissão de empregados. Nesse sentido, muitas vezes a remuneração variável passa a ser muito mais relevante do que o salário contratual. Neste diapasão entende não encontrar motivos e razões para o pagamento de valores tão altos a título de PLR (valores mais relevantes que o próprio salário contratado), além da clara desobediência ao art. 3º da Lei nº 10.101, de 2000: Art 3º. A participação de que trata o art. 2° não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. 5) Consigna, ainda, o autuante, que, diferentemente do determinado nos planos próprios, as Convenções Coletivas de Trabalho sobre Participação dos Empregados nos Lucros ou Resultados dos Bancos, firmados para os exercícios de 2005 a 2008, entre a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Instituições Financeiras (CNTIF) e os Sindicatos dos Empregadores, fixam valores devidos a título de PLR, para todos os exercícios, compostos de 80% da remuneração mensal acrescido de uma parcela fixa, respeitandose um limite; 6) Passa, então, a discorrer sobre a semelhança dos critérios mencionados no acordo com os critérios para definição de remuneração variável, apontando que nos acordos Fl. 590DF CARF MF Processo nº 16327.720672/201234 Acórdão n.º 1402002.412 S1C4T2 Fl. 589 5 firmados pelo BNP constam parâmetros utilizados na definição de remuneração variável (parâmetros que dependem da competência, vontade e capacidade individual) enquanto os objetivos de um PLR devem visar a empresa como um todo e não o individual. Ao versar sobre a remuneração variável (art. 457, § 1º da CLT), à análise e comparação do doutrinador Luiz Pachoal e publicações da Organização Internacional do Trabalho – OIT, conclui a autoridade fiscal que, por encontrarse a redação do programa de participação firmado em desconformidade com a Lei nº 10.101, de 2000, os valores pagos a esse título pela instituição financeira interessada não são dedutíveis do lucro líquido, na apuração do lucro real, conforme definido no RIR/99. 7) Quanto ao valor pago a título de PLR a administradores, a autoridade fiscal, ao definir administração e discorrer sobre o trabalho do administrador, conclui, em síntese, que o administrador é a ponte entre os meios (recursos financeiros, tecnológicos e humanos) e os fins (objetivos). Como elo entre os recursos e os objetivos de uma organização, cabe ao administrador combinar os recursos na proporção adequada e para isso é necessário tomar decisões constantemente num contexto de restrições, pois, nenhuma organização por melhor que seja dispõe de todos os recursos e também a capacidade de processamento de informações do ser humano é limitado. Administrar envolve a elaboração de planos, pareceres, relatórios, projetos, arbitragens e laudos, em que é exigida a aplicação de conhecimentos inerentes às técnicas de Administração. Também transcreveu os artigos 10, 13, 14 e 15 do Estatuto do BNP que definiu por quem (um Conselho de Administração e uma Diretoria) e como a sociedade será administrada, observando que o BNP manteve o vínculo empregatício com diretores eleitos pelo Conselho de administração, portanto tais diretores foram beneficiados pelo programa próprio de participação nos lucros. Registra que a Lei 6.404 define a diretoria das S/A como eleitos pelo Conselho de Administração ou Assembléia (art. 143) e o RIR/99 diz que gratificação e participação nos lucros, pagas a administrador não serão dedutíveis como custos ou despesas (art. 303) bem como, serão adicionadas ao lucro líquido (art. 463). Não há na legislação nenhuma restrição ou indicação da vinculação empregatícia do Administrador em relação à empresa, apenas que seja "residente no País, acionistas ou não". Portanto o Administrador pode ser um empregado ou contribuinte individual sem vínculo empregatício, podendo, neste caso, ter ou não o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço FGTS. 8) Concluiu, assim, em relação aos valores pagos a administradores a título de PLR, que o programa não atende às determinações da Lei n° 10.101/2000, que além de estar em desacordo com a legislação específica, tem a sua adição ao lucro líquido, na apuração do lucro real, determinada também pelo art. 303 do RIR. Os valores pagos foram: 9) Sob o título “DO VALOR PAGO A TÍTULO DE BÔNUS E GRATIFICAÇÃO A ADMINISTRADORES”, apontou a autoridade fiscal que, além da participação nos resultados, Diretores do BNP foram beneficiados com o recebimento de bônus, gratificação de função e gratificação distrato. Tais valores não foram adicionados ao lucro líquido na apuração do lucro real, conforme previsto na legislação, motivo para o Fl. 591DF CARF MF 6 presente lançamento de ofício. Expôs o Autuante que, em resposta à Intimação, para esclarecimento das rubricas bônus, o BNP informou que: (i) "pagamento da rubrica bônus relacionase a bônus efetivamente pagos aos administradores."; e (ii) "Quanto à rubrica bônus diferido, esta se refere a incentivo para retenção a longo prazo, sendo que os valores estabelecidos nessa rubrica têm seu pagamento condicionado à permanência na instituição de empregados certos e determinados por um período mínimo de três anos, da data em que o benefício é concedido.". O autuante explica que os valores de PLR e Bônus tiveram como beneficiários os empregados e administradores (relação anexa – fls. 238 a 243) e que, em relação ao PLR, apenas os valores pagos a título de PPR – Programa próprio de Participação nos Lucros e Resultados (que, conforme já explicado, não atendeu às determinações da Lei nº 10.101/2000) é considerado indedutível da base de cálculo do imposto de renda da pessoa jurídica. Lembrou que a Convenção Coletiva (baseada apenas no lucro), atendeu aos requisitos da Lei nº 10.101 sendo portanto dedutível para fins de IRPJ (do valor pago foi deduzido o valor da PLR referente à Convenção Coletiva). 10) Consignou, ainda, o autuante, que (i) os valores objeto do presente lançamento constam nas folhas de pagamento com a denominação de PLR PARTICIP. NOS LUCROS, cujo código rubrica é 0158. Planilhas anexas constam os valores individuais pagos e que (ii) os valores excluídos pelo BNP, a título de participação nos lucros e resultados, e desconsiderados nesse lançamento constam no item 12 (à fl. 231) e em relação ao bônus no item 14 (às fls. 234/235), ambos desse Termo. 11) Em resumo, a autoridade fiscal informa ter apurado que o BNP excluiu indevidamente da base de cálculo do IRPJ valores concernentes a (i) participação nos lucros paga a empregados, baseada em acordo próprio em desconformidade com as determinações da Lei n° 10.101/2000; (ii) participação nos lucros paga a administradores com vínculo empregatício, portanto beneficiários do mesmo plano próprio pago aos demais empregados, e previsto a não dedutibilidade no RIR/99 e (iii) Bônus pago aos administradores. Além disso, o BNP não adicionou ao lucro líquido as gratificações de função e por distrato, pagas aos administradores. Os valores totais objeto da autuação são: ANO DESCRIÇÃO VALOR Bônus 8.447.196,56 Gratificações 1.749.167,82 PPR Empregados 17.795.847,26 PPR Administradores 810.550,00 2007 Total 28.802.761,64 Bônus 12.378.612,65 Gratificações 9.032.406,12 PPR Empregados 22.329.787,49 PPR Administradores 655.838,82 2008 Total 44.396.645,08 Irresignada com a exigência, a recorrente impugnou o lançamento fiscal (v. e fls. 259/299). Entretanto, não obteve sucesso em seu recurso junto à DRJ em São Paulo, que considerou o recurso totalmente improcedente (v. efls. 434/465). Recorre, então, ao CARF, através da petição de efls. 470/521, onde repisa os argumentos trazidos na impugnação, que reproduzimos abaixo: 1) Decadência Fl. 592DF CARF MF Processo nº 16327.720672/201234 Acórdão n.º 1402002.412 S1C4T2 Fl. 590 7 O pagamento da PLR relativa ao ano de 2006 foi paga em fevereiro de 2007, sendo que o lançamento foi formalizado em maio de 2012. Defende não ser possível o lançamento relativamente a fatos cuja comprovação não possa mais ser exigida pela Fiscalização, pois teria ocorrido a “preclusão do direito do Fisco auditar fatos ocorridos após o prazo decadencial”. Segundo a recorrente teria ocorrido a “decadência do direito do Fisco de questionar a legalidade do pagamento da PLR realizada em fevereiro de 2007 e, como conseqüência, o de impugnar a dedutibilidade das despesas a ela relacionadas. 2) Natureza dos pagamentos realizados a título de PLR Alega incoerência da Fiscalização ao considerar que o pagamento das despesas com PLR, bônus e gratificações teriam natureza remuneratória e, com base nos mesmos argumentos, considerar que tais despesas seriam não operacionais. Discorre sobre o conceito de despesas operacionais, despesas necessárias, usuais e dedutíveis para efeito de imposto de renda, concluindo que tais despesas com o pagamento de remuneração estão enquadradas no conceito de despesas operacionais. Aponta contradição quanto à natureza dos pagamentos; isso porque “concluir, de um lado, para fins de cobrança da contribuição previdenciária, que os pagamentos realizados pela recorrente consistem em salário ou remuneração e, de outro, que esses mesmos pagamentos constituem natureza diversa para tratálos como despesas indedutíveis, representa uma evidente e grosseira contradição”. Aduz que “com efeito, a Lei nº 10.101/2000 não tem o efeito de disciplinar regras de dedutibilidade de despesas de remuneração de profissionais e de apuração do imposto de renda da pessoa jurídica”. 3) Da indedutibilidade das despesas com os pagamentos de PLR realizados aos EMPREGADOS – art. 462 do RIR/99 Em relação ao fato de os acordos terem sido assinados, um após o encerramento de um dos períodos aquisitivos do benefício (17/01/2007, relativamente a 2006) e o outro durante o mesmo (25/09/2007, em relação ao ano de 2007), alega que não é a data de assinatura que comprova quando teriam sido iniciadas as negociações; a assinatura entre as partes evidencia o acordo final a que chegaram após todo o trâmite imposto pela legislação; a lei nº 10.101/2000 exige que a distribuição de PLR deve decorrer de um procedimento de negociação, mas sem indicar quando esta negociação pode ou deve ocorrer. Em relação à acusação fiscal de que os acordos não conteriam regras claras e objetivas, alega que os critérios para a distribuição dos valores estão expressa e claramente previstos em documentos que integraram os acordos de PLR (v. efls. 498). Já em relação à alegada semelhança entre a PLR e a remuneração variável, rebate o argumento da Fiscalização asseverando ser um “direito social do empregado, de natureza contratual (facultativa) e de livre iniciativa das partes envolvidas (empresa e empregados), cuja finalidade é a de incrementar a produtividade, mediante a possibilidade de que os empregados percebam uma parte dos lucros ou resultados auferidos pela empresa. Uma vez almejado o incremento da produtividade, as partes são livres para definir as regras e critérios para a distribuição da PLR”. 4) Da dedutilbilidade das despesas com os pagamentos da PLR aos administradores Fl. 593DF CARF MF 8 Aduz que a Lei nº 10.101/2000 não limitaria o pagamento da PLR a “empregados”, mas sim, aos “trabalhadores”; já os administradores possuem relação de emprego com a empresa. “Os diretores atuam como meros prepostos ou procuradores, exercendo essa função em conjunto com seus cargos de mandato, percebendo remuneração ou salário nos termos do contrato de trabalho, provado com carteira profissional”. Ainda, “a função desempenhada pelos diretores, pelas particularidades da estrutura organizacional do recorrente, é meramente de representação com comando específico localizado no exterior”. Complementa que “na relação desses profissionais para com a sociedade, prevaleceu, desde de seus respectivos ingressos, SEMPRE o regime de subordinação deles para com a presidência da instituição ou para com as diretrizes fixadas pelo grupo econômico ao qual pertence, não tendo tido jamais liberdade para conduzir suas atividades da maneira que melhor lhes conviessem.” Argumenta, ainda, que a participação nos lucros ou resultados prevista na Lei nº 10.101/00 está expressamente vinculada aos arts. 359 e 462, III, do RIR/99, não possuindo qualquer relação com os arts. 303 e 463 também do RIR. Assim, a afirmação de que toda e qualquer participação nos lucros atribuída aos administradores seria indedutível, não refletiria o que está disposto na legislação. 5) Dedutibilidade das despesas com os pagamentos de bônus e gratificações aos administradores Neste ponto, alega que tais pagamentos constituemse em despesas necessárias, usuais e normais da empresa, nos termos do art. 299 do RIR/99. Os administradores prestam seus serviços de forma não eventual, subordinada e onerosa, ou seja, são trabalhadores que possuem relação de emprego com a empresa. 6) Juros sobre a multa de ofício Alega inexistir previsão legal para a imposição de juros calculados com base na taxa SELIC sobre a multa de ofício. Isso porque considera que não há como se confundir os conceitos de tributo e multa. Assim, considerando que multa não é tributo, a cobrança de juros sobre a mesma estari ferindo o princípio constitucional da legalidade. Cita jurisprudência do antigo Conselho de Contribuintes. Por todo o exposto requer a reforma da decisão de primeira instância com a conseqüente extinção integral do crédito tributário que lhe está sendo exigido. É o relatório. Fl. 594DF CARF MF Processo nº 16327.720672/201234 Acórdão n.º 1402002.412 S1C4T2 Fl. 591 9 Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Relator. O recurso é tempestivo, na conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 33, do Decreto n° 70.235 de 06/03/1972, foi interposto por parte legítima, está devidamente fundamentado e preenche os requisitos de admissibilidade. Assim, conheçoo e passo ao exame da matéria. Primeiramente, uma questão é prejudicial à análise do mérito que se discute nos presentes autos. A recorrente alega que a exigência tributária relativa ao ano calendário de 2007 teria sido fulminada pela decadência, haja vista que o pagamento da PLR relativa ao ano de 2006 teria sido paga em fevereiro de 2007, sendo que o lançamento foi formalizado em maio de 2012. Defende não ser possível o lançamento relativamente a fatos cuja comprovação não possa mais ser exigida pela Fiscalização, pois teria ocorrido a “preclusão do direito do Fisco auditar fatos ocorridos após o prazo decadencial”. Segundo a recorrente teria ocorrido a “decadência do direito do Fisco de questionar a legalidade do pagamento da PLR realizada em fevereiro de 2007 e, como conseqüência, o de impugnar a dedutibilidade das despesas a ela relacionadas". Não assiste razão à recorrente. As DIPJs apresentadas pela empresa (v. efls. 208/215) comprovam que o a forma de tributação adotada pela mesma foi o Lucro Real Anual. Assim, o fato gerador do imposto de renda incidente sobre os pagamentos realizados a título de PLR, no mês de fevereiro de 2007, deslocase para 31/12 do referido ano. A autuação foi cientificada à recorrente em 25/05/2012, portanto, sob qualquer ótica, seja em relação ao art. 150, ou ao 173, I, do CTN, não se poderia falar em decadência. Também é completamente descabida a alegação de que o prazo decadencial alcançaria, inclusive, a prerrogativa da Administração Tributária para verificar os registros contábeis, documentos fiscais etc. A legislação tributária é clara ao determinar a guarda de toda a documentação que lastreia a escrituração, bem assim sua conservação em ordem enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar a sua situação patrimonial. Vide o disposto nos arts. 264 e 276 do RIR/99, conforme bem assentado na decisão recorrida, com a qual nos coadunamos perfeitamente. Superada essa questão preliminar, passemos à análise do mérito. Conforme consta do relatório, o auto de infração tem como objeto a glosa de despesas com o pagamento de Participação nos Lucros e Resultados PLR, a empregados e administradores, e gratificações e bônus pagos a esses últimos. Também foi objeto de lançamento a ausência de adição ao lucro líquido, na apuração do lucro real, de gratificações de função e por distrato pagos aos administradores. Para o melhor entendimento do raciocínio esposado neste voto e de suas conclusões, vamos dividir a análise, tratando, primeiramente, da PLR paga aos EMPREGADOS da recorrente, para só depois avançar na análise dos pagamentos efetuados aos ADMINISTRADORES. Fl. 595DF CARF MF 10 PLR paga aos empregados Em relação aos valores pagos a título de PLR aos empregados, foram apontadas as seguintes infrações à Lei nº 10.101/2000: 1) Os acordos teriam sido firmados antes ou durante os períodos aquisitivos de 2006 e 2007 respectivamente; 2) ausência de regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação, bem assim a falta de definição dos resultados almejados em relação a cada um dos períodos aquisitivos; 3) pagamento de valores acima dos níveis aceitáveis e permitidos pela Lei, em seu art. 3º; 4) desnaturação dos valores pagos a título de PLR, para considerálos como remuneração variável (de acordo com o disposto no art. 457, § 1º, da CLT); As alegações da recorrente, para defender a legalidade da dedução da PLR paga aos seus empregados, em apertada síntese são as seguintes: 1) a incoerência da Fiscalização ao considerar que o pagamento das despesas com PLR, bônus e gratificações teriam natureza remuneratória e, com base nos mesmos argumentos, considerar que tais despesas seriam não operacionais; discorre sobre o conceito de despesas operacionais, despesas necessárias, usuais e dedutíveis para efeito de imposto de renda, concluindo que tais despesas com o pagamento de remuneração estão enquadradas no conceito de despesas operacionais. 2) a Lei nº 10.101/2000 não tem o efeito de disciplinar regras de dedutibilidade de despesas de remuneração de profissionais e de apuração do imposto de renda da pessoa jurídica; 3) não é a data de assinatura que comprova quando teriam sido iniciadas as negociações; a assinatura entre as partes evidencia o acordo final a que chegaram após todo o trâmite imposto pela legislação; 4) os critérios para a distribuição dos valores estão expressa e claramente previstos em documentos que integraram os acordos de PLR; Tem razão a recorrente neste ponto. No nosso entendimento, bastaria o argumento de que, mesmo não sendo atendidos os pressupostos/requisitos exigidos pela Lei nº 10.101/2000, os pagamentos realizados aos empregados a título de PLR não perdem sua natureza de despesas necessárias. Reza o art. 299 do RIR: Art. 299. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47). § 1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 1º). § 2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 2º). Fl. 596DF CARF MF Processo nº 16327.720672/201234 Acórdão n.º 1402002.412 S1C4T2 Fl. 592 11 § 3º O disposto neste artigo aplicase também às gratificações pagas aos empregados, seja qual for a designação que tiverem. (grifei) Já a Lei nº 10.101/2000 assim dispõe: Art. 1º Esta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição. (...) Art. 2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: (...) Art. 3º A participação de que trata o art. 2º não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. § 1º Para efeito de apuração do lucro real, a pessoa jurídica poderá deduzir como despesa operacional as participações atribuídas aos empregados nos lucros ou resultados, nos termos da presente Lei, dentro do próprio exercício de sua constituição. (grifos nossos) Aparentemente, poderseia aventar que em função do princípio da especialidade, ao não atender os pressupostos/requisitos insculpidos na Lei nº 10.101/2000, os valores pagos a título de PLR deveriam ser considerados como não dedutíveis para efeito de apuração do Lucro Real. Entretanto, no nosso entendimento não é a melhor exegese. Podese entender que o descumprimento de alguns dos requisitos/pressupostos da Lei nº 10.101/2000 não acarreta nenhuma sansão. Ou, por outro lado, poderia acarretar efeitos sancionatórios negativos. Nesse caso, entendo que a principal consequência se daria na seara trabalhista, passando a PLR a ser considerada como integrante da remuneração dos empregados, com efeitos na exigência de encargos trabalhistas e previdenciários sobre esses valores. Assim, a discussão em torno da data em que firmados os acordos, ou da clareza em relação aos critérios de percepção dos valores avençados entre as partes, revelase inútil, pois a regra do art. 299 do RIR/99 nos dá a solução para o caso de não aplicação da Lei nº 10.101/2000 ao dar aos pagamentos realizados a título de PLR outra natureza, qual seja, a de remuneração normal. O § 3º do art. 299, acima reproduzido e grifado, reza que "o disposto neste artigo aplicase também às gratificações pagas aos empregados, seja qual for a designação que tiverem". Por isso, não vejo incompatibilidade entre as duas normas, pelo contrário, elas se completam. Poderíamos, também, utilizar de lógica para explicar o nosso raciocínio. O fato de não se poder aplicar a Lei nº 10.101/2000 (pelo seu descumprimento), não leva Fl. 597DF CARF MF 12 necessariamente à conclusão pela indedutibilidade dos pagamentos realizados a esse título. Isso porque a possibilidade de tais pagamentos serem considerados dedutíveis pode ser alcançada pela aplicação de outra norma, neste caso, o art. 299 do RIR/99. "falácia do falso antecedente" > (implica) a > b porém, não se pode dizer que não a > não b porque "b" pode ser obtido através de "c" ou "d" No mesmo sentido, encontramos decisões do CARF que ao tratar de matéria idêntica decidiram da mesma forma. Vejamos alguns trechos extraídos do Acórdão nº 1101 000.847, de lavra da Conselheira Edeli Pereira Bessa, julgado na Sessão de 05/03/2013: No recurso voluntário apresentado nos autos do processo administrativo nº 16682.7200592/201010, a contribuinte invoca decisão da 15ª Turma da DRJ/Rio de JaneiroI, que desconstituiu lançamento semelhante ao presente, formalizado contra outra empresa do grupo (Banco BTG Pactual Serviços Financeiros S/A – DTVM). De seu exame, concluise pela correção de seus fundamentos, favoráveis à dedução, na apuração do lucro real, de participação nos lucros e resultados que, embora não atendendo a todos os requisitos da Lei nº 10.101/2000, decorre de contrato firmado entre o empregador e seus empregados, caracterizandose gratificação por aumento de produtividade. Transcrevese, a seguir, o voto condutor da referida decisão, no que importa à solução do presente litígio: (...) Até aqui restou demonstrada a impossibilidade da empresa deduzir as despesas relativas ao pagamento a título de participações dos lucros dos empregados da base de cálculo do IRPJ, com fundamento na Lei 10.101/2000. Porém, há que se enfrentar o argumento do contribuinte de que, em não sendo dedutíveis as despesas a título de PLR, com o fundamento antes abordado, por outra banda, seriam dedutíveis, por ter natureza de salário/gratificação, sendo despesas operacionais, conforme preceitua o art. 299 do RIR/99. (...) Resumidamente, não tenho dúvidas que as parcelas pagas aos empregados a título de participação dos lucros não têm natureza salarial, o que não que dizer que não integrem sua remuneração. (...) Sinteticamente, quanto ao tema, atualmente a palavra “remuneração” é gênero e salário é a espécie desse gênero. A palavra remuneração passou a designar a totalidade dos ganhos do empregado, pagos diretamente ou não pelo empregador e a palavra salário para designar os ganhos recebidos diretamente pelo empregador pela contraprestação do trabalho. Fl. 598DF CARF MF Processo nº 16327.720672/201234 Acórdão n.º 1402002.412 S1C4T2 Fl. 593 13 Por oportuno, transcrevo parte do voto condutor relativo ao Acórdão nº 20601.027, de 02 de julho de 2008, proferido pela Sexta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes (relatora Cleusa Vieira de Souza): “Para o pagamento de participação nos lucros a Lei n° 8.212/1991 possui dispositivo especifico, qual seja, a alínea "j" do parágrafo 9° do art. 28 da lei n° 8.212/91 que dispõe que não integrará o saláriodecontribuição, os valores pagos como participação nos lucros, desde que de acordo com as disposições de lei especifica, in casu, a Lei 10.101/2000. Assim é certo que a PLR não é salário, seja nos termos da Constituição Federal ou a teor do disposto no § 9° do art. 28 da Lei n° 8212/91. Contudo, a não observância dos critérios estabelecidos na Lei n° 10.101/2000 desqualifica a PLR, tornandoa simples verba paga em decorrência do contrato de trabalho, representando remuneração para os fins de contribuição previdenciária.”(sublinhei) A incidência de contribuição previdenciária em virtude do pagamento de verbas a título de PLR, sem a observância da Lei 10.101/2000, reforça a tese da necessidade da despesa, como preconiza o contribuinte. Por outro lado, mesmo que o pagamento dos valores a título de PLR não tenha observado exatamente os ditames da Lei 10.101/2000, tem como causa acordo prévio entre a empresa e seus empregados. Deste modo, atingidas determinadas metas de produção, ou ainda, obtidos os lucros pretendidos, a empresa fica obrigada ao pagamento das importâncias previamente ajustadas a seus funcionários, já que o contrato faz lei entre as partes e deve ser cumprido por uma questão de segurança jurídica e paz social. Aliás, como diziam os romanos pacta sunt servanda (= contrato deve ser cumprido), princípio que prevalece até hoje. Nesta linha de entendimento, a remuneração paga aos empregados, a título de participação nos lucros, mesmo desobedecido o estatuído na Lei 10.101/2000, integra a sua remuneração, guardando características de gratificação ajustada a título de prêmio em decorrência de aumento de produtividade, que acarreta, afinal, aumento dos lucros da empresa. (...) Como visto, de acordo com o transcrito acima, ainda que o pagamento de despesas a título de PLR fosse compreendido como liberalidade da empresa, a sua dedutibilidade estava assegurada, respeitados os limites contidos na legislação então vigente. A contrário senso, nos termos do Parecer, se até mesmo as importâncias pagas a título de liberalidade da empresa podiam ser deduzidas da base de cálculo do IRPJ, com mais razão Fl. 599DF CARF MF 14 devem ser dedutíveis aquelas gratificações previamente ajustadas entre as partes. Por tais fundamentos, considero dedutíveis da base de cálculo do IRPJ os valores pagos a título de PLR, mesmo desobedecidos os termos da Lei 10.101/2000, com amparo no artigo 299 do RIR/1999, a seguir transcrito, como entende a impugnante. Assim, tratandose de valores contratualmente ajustados entre empregador e empregados, sem qualquer evidência de liberalidade, não há como negarlhes o caráter de remuneração e, dessa forma, assegurar sua dedução na apuração do lucro real, ainda que não atendidos todos os requisitos para sua caracterização como participação nos lucros ou resultados. Por tais razões, o presente voto é no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. No mesmo sentido, o Acórdão nº 1402001.135, desta mesma Turma de Julgamento, proferido na Sessão de 08 de agosto de 2012, cuja ementa reproduzo abaixo: PARTICIPAÇÃO DOS EMPREGADOS NOS LUCROS OU RESULTADOS. DEDUTIBILIDADE COM FULCRO NOS ART. 299 E 462 DO RIR/99. As parcelas pagas aos empregados a título de participação nos lucros ou resultados, decorrentes de acordos coletivos de trabalho, que atendem ao disposto no art. 462 do RIR/99, podem ser deduzidas na apuração do IRPJ e CSSL, pois, enquadramse como despesas necessárias à luz do art. 299 do RIR/99, à medida que são relevantes para formação do resultado da empresa. Irrelevante, portanto, o atendimento aos requisitos específicos da Lei 10.101/2000. Por todo o exposto, dou provimento ao recurso voluntário no que pertine aos pagamentos realizados a título de PLR aos EMPREGADOS. PLR, Bônus e Gratificações pagas aos ADMINISTRADORES Melhor sorte não assiste à recorrente no que tange aos pagamentos realizados aos administradores (diretores) a título de PLR, Bônus e Gratificações. Neste caso, o motivo da autuação (glosa dos valores pagos a título de PLR, bônus e gratificações) teria sido o desrespeito ao disposto nos arts. 303 e 463 do RIR/99. Além dessas glosas, o BNP não teria adicionado ao lucro líquido as gratificações de função e por distrato, pagas aos administradores. Abaixo reproduzo os valores exigidos pela Fiscalização a esse título. ANO DESCRIÇÃO VALOR Bônus 8.447.196,56 Gratificações 1.749.167,82 PPR Empregados 17.795.847,26 PPR Administradores 810.550,00 2007 Total 28.802.761,64 Bônus 12.378.612,65 Gratificações 9.032.406,12 PPR Empregados 22.329.787,49 PPR Administradores 655.838,82 2008 Total 44.396.645,08 Fl. 600DF CARF MF Processo nº 16327.720672/201234 Acórdão n.º 1402002.412 S1C4T2 Fl. 594 15 Segundo a recorrente, a Lei nº 10.101/2000 não limitaria o pagamento da PLR a “empregados”, mas sim, aos “trabalhadores”; já os administradores possuiriam relação de emprego com a empresa. “Os diretores atuam como meros prepostos ou procuradores, exercendo essa função em conjunto com seus cargos de mandato, percebendo remuneração ou salário nos termos do contrato de trabalho, provado com carteira profissional”. Ainda, “a função desempenhada pelos diretores, pelas particularidades da estrutura organizacional do recorrente, é meramente de representação com comando específico localizado no exterior”. Complementa que “na relação desses profissionais para com a sociedade, prevaleceu, desde de seus respectivos ingressos, SEMPRE o regime de subordinação deles para com a presidência da instituição ou para com as diretrizes fixadas pelo grupo econômico ao qual pertence, não tendo tido jamais liberdade para conduzir suas atividades da maneira que melhor lhes conviessem.” Argumenta, ainda, que a participação nos lucros ou resultados prevista na Lei nº 10.101/00 está expressamente vinculada aos arts. 359 e 462, III, do RIR/99, não possuindo qualquer relação com os arts. 303 e 463 também do RIR. Assim, a afirmação de que toda e qualquer participação nos lucros atribuída aos administradores seria indedutível, não refletiria o que está disposto na legislação. Assim dispõem os arts. 303 e 463 do RIR/99: Art.303. Não serão dedutíveis, como custos ou despesas operacionais, as gratificações ou participações no resultado, atribuídas aos dirigentes ou administradores da pessoa jurídica (Lei nº 4.506, de 1964, art. 45, §3º, e DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 58, parágrafo único). Art.463. Serão adicionadas ao lucro líquido do período de apuração, para efeito de determinar o lucro real, as participações nos lucros da pessoa jurídica atribuídas a partes beneficiárias de sua emissão e a seus administradores (Decreto Lei nº 1.598, de 1977, art. 58, parágrafo único). Os dispositivos acima reproduzidos são muito claros e perfeitamente aplicáveis ao caso concreto. Não deixam dúvidas quanto à impossibilidade da dedução, para efeito de apuração do lucro real, dos pagamentos realizados a título de gratificações ou participações no resultado/lucros auferidos pelos administradores ou dirigentes da pessoa jurídica. A alegação de que os diretores da empresa são também empregados, e por isso, deverseia lhes aplicar as mesmas regras adotadas em relação aos mesmos, não se sustenta. Apesar de serem empregados contratados pela empresa, são diretores da mesma. Em sendo diretores, com todos os poderes e prerrogativas concedidas pelo estatuto da companhia (v. efls. 134 e ss), não há como fugir da aplicação dos dispositivos acima reproduzidos. Vide o disposto no Acórdão de nº 1201001.394, proferido em 03 de março de 2016 pela 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Sessão, em processo cuja interessada é a própria recorrente: Fl. 601DF CARF MF 16 PARTICIPAÇÃO NO LUCRO E GRATIFICAÇÕES PERCEBIDAS POR ADMINISTRADORES. INDEDUTIBILIDADE. LEI 10.101, DE 2000. Por força dos artigos 303 e 463 do RIR/99 são indedutíveis as despesas incorridas com o pagamento de gratificações e de participação no lucro a administradores. A Lei nº 10.101, de 2000, foi instituída para regulamentar o inciso XI do artigo 7º da Constituição Federal, o qual trata de direito dos trabalhadores empregados. Para chegar à conclusão acima, o referido acórdão partiu da análise dos Estatutos Sociais da empresa, no intuito de detectar, inicialmente, a presença ou a ausência de subordinação jurídica, além de se proceder à análise de quais são os poderes outorgados aos diretores no Estatuto Social. Tais respostas podem ser extraídas do Estatuto Social, v. efls. 134/187, abaixo reproduzido naquilo que nos interessa: Fl. 602DF CARF MF Processo nº 16327.720672/201234 Acórdão n.º 1402002.412 S1C4T2 Fl. 595 17 Os dispositivos acima não deixam dúvidas de que os diretores são, efetivamente, os administradores da empresa. O artigo 10 concedelhes os poder de "determinar e executar as diretrizes e a política para os negócios da sociedade". O artigo 15 determina que “A Diretoria será o órgão executivo da Sociedade, cabendolhe, dentro da orientação traçada pela Assembléia Geral e pelo Diretor Presidente, assegurar o funcionamento regular da Sociedade, ficando investida pela Assembléia Geral de poderes para praticar, todos e quaisquer atos relativos aos fins sociais.” Já o art. 17, reza que compete à Diretoria "coordenar o andamento das atividades normais da Sociedade, incluindo a implementação das diretrizes e políticas fixadas em Assembléias Gerais e/ou, pelo Diretor Presidente em relação à área comercial, financeira, técnica, administrativa e de Planejamento da Sociedade". E no artigo 20, estatui que "Competirá ao Diretor, que para tanto venha a ser indicado pelo Diretor Presidente, a responsabilidade perante as autoridades competentes, no que se refere à delegação de poderes de gerência, em relação às áreas específicas de suas atribuições dentro da sociedade". Fl. 603DF CARF MF 18 Por último, o artigo 21 versa sobre a representação da sociedade, assim asseverando: (i) "a representação da Sociedade em Juízo perante quaisquer repartições públicas federais, estaduais ou municipais, bem como autarquias, compete a dois Diretores em conjunto, ou a um Diretor em conjunto com um procurador, ou, ainda, a dois procuradores; (ii) para a concessão de fianças ou avais, a Sociedade será representada por dois Diretores, sendo um deles o Diretor Presidente ou um dos Diretores VicePresidentes, ou por um Diretor em conjunto com um procurador para tanto; (...)" Da análise dos dispositivos acima enumerados, resta evidente que os diretores da empresa são também seus administradores, haja vista os poderes neles investidos, seu grau de autonomia e liberdade para gerir os negócios do empreendimento. Assim, os argumentos expendidos pela recorrente de que "os diretores atuam como meros prepostos ou procuradores", ou de que "a função desempenhada pelos diretores, pelas particularidades da estrutura organizacional do recorrente, é meramente de representação com comando específico localizado no exterior”, ou ainda, de que "na relação desses profissionais para com a sociedade, prevaleceu, desde de seus respectivos ingressos, SEMPRE o regime de subordinação deles para com a presidência da instituição ou para com as diretrizes fixadas pelo grupo econômico ao qual pertence, não tendo tido jamais liberdade para conduzir suas atividades da maneira que melhor lhes conviessem” não encontram guarida ou suporte fático, como bem pudemos comprovar da simples leitura dos Estatutos Sociais. A argumentação da recorrente de que a participação nos lucros ou resultados prevista na Lei nº 10.101/00 estaria expressamente vinculada aos arts. 359 e 462, III, do RIR/99, não possuindo qualquer relação com os arts. 303 e 463, também do RIR, não merecem guarida, da mesma forma. Lei 10.101/2000 Art. 3º A participação de que trata o art. 2º não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. § 1º Para efeito de apuração do lucro real, a pessoa jurídica poderá deduzir como despesa operacional as participações atribuídas aos empregados nos lucros ou resultados, nos termos da presente Lei, dentro do próprio exercício de sua constituição. (grifos nossos) Constituição Federal Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei; Regulamento do Imposto de Renda/1999 “Art. 299. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47). (...) § 3º O disposto neste artigo aplicase também às gratificações pagas aos empregados, seja qual for a designação que tiverem. Fl. 604DF CARF MF Processo nº 16327.720672/201234 Acórdão n.º 1402002.412 S1C4T2 Fl. 596 19 Art. 359. Para efeito de apuração do lucro real, a pessoa jurídica poderá deduzir como despesa operacional as participações atribuídas aos empregados nos lucros ou resultados, dentro do próprio exercício de sua constituição (Medida Provisória nº 1.76955, de 1999, art. 3º, § 1º). Art. 462. Podem ser deduzidas do lucro líquido do período de apuração as participações nos lucros da pessoa jurídica (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art.58): I asseguradas a debêntures de sua emissão; II atribuídas a seus empregados segundo normas gerais aplicáveis, sem discriminações, a todos que se encontrem na mesma situação, por dispositivo do estatuto ou contrato social, ou por deliberação da assembléia de acionistas ou sócios quotistas; Art. 303. Não serão dedutíveis, como custos ou despesas operacionais, as gratificações ou participações no resultado, atribuídas aos dirigentes ou administradores da pessoa jurídica (Lei nº 4.506, de 1964, art. 45, § 3º, e DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 58, parágrafo único). Art. 463. Serão adicionadas ao lucro líquido do período de apuração, para efeito de determinar o lucro real, as participações nos lucros da pessoa jurídica atribuídas a partes beneficiárias de sua emissão e a seus administradores (Decreto Lei nº 1.598, de 1977, art. 58, parágrafo único). Tanto a Lei nº 10.101/2000, quanto o dispositivo constitucional que lhe dá fundamento, no caso, o art 7º, inciso XI, acima, evidenciam que o direito à percepção da PLR foi direcionado aos empregados, e somente a eles. Não há nenhuma antinomia entre os dispositivos aventados pela recorrente (c/c os arts. 359 e 462 do RIR/99), e os artigos 303 e 463 do Regulamento. Tratam de coisas absolutamente diferentes, haja vista que os primeiros tem por objeto os empregados, enquanto que os demais dizem respeito aos administradores. E como vimos, no caso em apreço, discutese a PLR, Bônus e Gratificações pagas aos administradores, razão pela qual perfeitamente adequada a aplicação dos arts. 303 e 463 do RIR/99 para fundamentar a indedutibilidade dos pagamentos efetuados a esse título, tendo por beneficiários os diretores da recorrente, que como vimos, são efetivamente os seus administradores. Por todo o exposto, voto por manter o lançamento, em sua integralidade, no que diz respeito à glosa das exclusões e ausência de adições, relativamente às gratificações, bônus e pagamentos realizados a título de PLR aos administradores da recorrente. Fl. 605DF CARF MF 20 Juros sobre a Multa de Ofício Por derradeiro, insurgese a recorrente contra a possibilidade da imposição de juros de mora sobre a multa de ofício aplicada no lançamento. Conforme o disposto no art. 113 do Código Tributário Nacional – CTN, a obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária, entendida esta como decorrente de obrigação tributária principal. E se referido crédito tributário (penalidade) não for pago integralmente no vencimento deve ser acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, aplicandose a taxa de 1% ao mês, se a lei não dispuser de modo diverso (art. 161, § 1º, do CTN): “Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito.”(negrejouse e grifouse) Assim, a cobrança de juros de mora sobre a penalidade pecuniária cabível encontra fundamento de validade no próprio CTN. Por outro lado, só é plausível se falar na incidência de juros de mora pelo atraso no recolhimento quando o crédito tributário inadimplido sujeitase a um prazo de vencimento, o que ocorre com relação ao tributo, à contribuição e à multa de ofício, e não com a multa de mora, a menos que esta última seja exigida isoladamente, mediante lançamento de ofício. Valendose da exceção legal contida no art. 161, § 1º, do CTN, a Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, dispôs que, a partir de 1º de abril de 1995, sobre os tributos e contribuições sociais não recolhidos no prazo de vencimento incidem juros de mora calculados à taxa Selic (art. 13): Lei nº 9.065, de 1995 Art. 13. A partir de 1º de abril de 1995, os juros de que tratam a alínea c do parágrafo único do art. 14 da Lei nº 8.847, de 28 de janeiro de 1994, com a redação dada pelo art. 6º da Lei nº 8.850, de 28 de janeiro de 1994, e pelo art. 90 da Lei nº 8.981, de 1995, o art. 84, inciso I, e o art. 91, parágrafo único, alínea a 2, da Lei nº 8.981, de 1995, serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 Art. 84. Os tributos e contribuições sociais arrecadados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores vierem a Fl. 606DF CARF MF Processo nº 16327.720672/201234 Acórdão n.º 1402002.412 S1C4T2 Fl. 597 21 ocorrer a partir de 1º de janeiro de 1995, não pagos nos prazos previstos na legislação tributária serão acrescidos de: I juros de mora, equivalentes à taxa média mensal de captação do Tesouro Nacional relativa à Dívida Mobiliária Federal Interna; Já a Lei nº 9.430/96 dispõe que os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições, com fato gerador ocorrido a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos no vencimento, serão acrescidos de juros de mora à taxa Selic (art. 61): Multas e Juros Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Ora, a multa de lançamento de ofício constituise em débito para com a União, possuindo natureza de obrigação tributária principal. Assim, absolutamente correta a interpretação de que, sobre referida penalidade, devem incidir juros à taxa Selic, desde o seu vencimento. Apenas para reforçar tal entendimento, reproduzimos abaixo o art. 43 da mesma Lei nº 9.430, de 1996: “Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.” Apenas para que não pairem dúvidas, sobre a multa de mora não há a incidência de juros, haja vista que tal penalidade pecuniária é desprovida de vencimento, Fl. 607DF CARF MF 22 exceto no caso de lançamento de ofício, conforme bem assentado no dispositivo acima reproduzido, momento no qual se impõe um prazo legal para o seu adimplemento. Os juros também não possuem vencimento legal para o seu cumprimento, a menos que exigidos por meio de lançamento de ofício. Assim, no caso de lançamento de ofício, resta perfeitamente demonstrada a legalidade da exigência de juros de mora à taxa SELIC incidente sobre a penalidade apurada. Para reforçar tal entendimento, colaciono jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. AgRg no REsp 1.335.688PR, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 4/12/2012 DJe 10/12/2012 E no CARF, a matéria vem sendo debatida exaustivamente, razão pela qual colaciono alguns de seus julgados a respeito: JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. (Acórdão 9101002.180, CSRF, 1ª Turma) JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu inadimplemento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre a qual devem incidir os juros de mora à taxa Selic. (Acórdão 9202003.821, CSRF 2ª Turma) JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA.O crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento, e de um por cento no mês de pagamento. (Acórdão 9303003.385, CSRF, 3ª Turma). Portanto, também neste ponto, NEGO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendo o lançamento no que diz respeito à incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício lançada. Fl. 608DF CARF MF Processo nº 16327.720672/201234 Acórdão n.º 1402002.412 S1C4T2 Fl. 598 23 Por todo o exposto, voto pelo provimento parcial do recurso voluntário, afastando tão somente a exigência relativa às glosas dos valores pagos a título de Participação nos Lucros e Resultados devidos aos empregados. O lançamento deverá ser ajustado conforme a tabela abaixo. ANO DESCRIÇÃO VALOR Bônus 8.447.196,56 Gratificações 1.749.167,82 PPR Administradores 810.550,00 2007 Total 11.006.914,38 Bônus 12.378.612,65 Gratificações 9.032.406,12 PPR Administradores 655.838,82 2008 Total 22.066.857,59 Em 21 de março de 2017. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator Fl. 609DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.000814/00-29
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 15 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Mar 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1995
LUCRO INFLACIONÁRIO DIFERIDO. REALIZAÇÃO OBRIGATÓRIA. CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL. RECOMPOSIÇÃO DE BASE DE CÁLCULO.
O prazo decadencial para constituição do crédito tributário relativo ao lucro inflacionário diferido é contado do período de apuração de sua efetiva realização ou do período em que, em face da legislação, deveria ter sido realizado, ainda que em percentuais mínimos (Súmula CARF nº 10). Desse modo, considerando-se que lançamento foi cientificado ao contribuinte no ano-calendário de 2000, deve ser cancelado o crédito tributário relativo às parcelas de lucro inflacionário que deveriam ter sido oferecidas à tributação nos anos-calendário anteriores a 1995.
Na determinação do lucro real, devem ser compensados os prejuízos fiscais apurados no período de apuração correspondente.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 1402-002.402
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para deduzir R$ 42.001,22 no valor principal do IRPJ exigido de ofício, nos termos do relatório e voto que passam a integrar este julgado.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luís Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1995 LUCRO INFLACIONÁRIO DIFERIDO. REALIZAÇÃO OBRIGATÓRIA. CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL. RECOMPOSIÇÃO DE BASE DE CÁLCULO. O prazo decadencial para constituição do crédito tributário relativo ao lucro inflacionário diferido é contado do período de apuração de sua efetiva realização ou do período em que, em face da legislação, deveria ter sido realizado, ainda que em percentuais mínimos (Súmula CARF nº 10). Desse modo, considerando-se que lançamento foi cientificado ao contribuinte no ano-calendário de 2000, deve ser cancelado o crédito tributário relativo às parcelas de lucro inflacionário que deveriam ter sido oferecidas à tributação nos anos-calendário anteriores a 1995. Na determinação do lucro real, devem ser compensados os prejuízos fiscais apurados no período de apuração correspondente. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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REALIZAÇÃO OBRIGATÓRIA. CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL. RECOMPOSIÇÃO DE BASE DE CÁLCULO. O prazo decadencial para constituição do crédito tributário relativo ao lucro inflacionário diferido é contado do período de apuração de sua efetiva realização ou do período em que, em face da legislação, deveria ter sido realizado, ainda que em percentuais mínimos (Súmula CARF nº 10). Desse modo, considerandose que lançamento foi cientificado ao contribuinte no anocalendário de 2000, deve ser cancelado o crédito tributário relativo às parcelas de lucro inflacionário que deveriam ter sido oferecidas à tributação nos anoscalendário anteriores a 1995. Na determinação do lucro real, devem ser compensados os prejuízos fiscais apurados no período de apuração correspondente. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para deduzir R$ 42.001,22 no valor principal do IRPJ exigido de ofício, nos termos do relatório e voto que passam a integrar este julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 00 08 14 /0 0- 29 Fl. 193DF CARF MF Processo nº 10865.000814/0029 Acórdão n.º 1402002.402 S1C4T2 Fl. 194 2 (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luís Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 194DF CARF MF Processo nº 10865.000814/0029 Acórdão n.º 1402002.402 S1C4T2 Fl. 195 3 Relatório ALBATEX DO BRASIL S.A. recorre a este Conselho em face do acórdão nº 2.608 proferido pela 3ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto que julgou improcedente a impugnação apresentada, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235, de 1972 (PAF). Por meio da Resolução nº 10700.508 a então Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes converteu o julgamento em diligência. Por bem retratar o litígio, adoto o relatório de tal resolução, complementandoa ao final: A infração à legislação tributária apontada no auto de infração encontrase assim descrita no auto de infração: "Lucro Inflacionário acumulado realizado em valor inferior ao limite mínimo obrigatório, conforme demonstrativos anexos". Lei 8.200/91, art. 3º, inciso II. Arts. 195, inciso II, 419 e 426, § 3º do RIR/94. Lei 9.065/95, arts. 4º e 6º." Tempestivamente a contribuinte insurgiuse contra a exigência, nos termos da impugnação de fls. 55/60. A 3ª Turma da DRJ/Ribeirão Preto, decidiu pela manutenção integral do lançamento, conforme o acórdão acima citado, cuja ementa possui a seguinte redação: “IRPJ Anocalendário: 1995 LUCRO INFLACIONÁRIO DE EXERCÍCIO ANTERIOR. AUMENTO DA PARCELA REALIZADA. É impossível o aumento da parcela realizada de lucro inflacionário de exercício anterior com a finalidade de reduzir o lucro real de exercício seguinte, pois a opção de diferimento é exercida definitivamente com a entrega da declaração de rendimentos. Lançamento Procedente" Ciente da decisão de primeira instância em 20/01/03 (fls. 133), a contribuinte interpôs tempestivo recurso voluntário, protocolo de 18/02/03 (fls. 134), onde apresenta, em síntese, os seguintes argumentos: a) que não é possível concordar com a decisão de primeira instância, pois consta dos autos uma série de documentos requeridos pela autoridade fiscal que dispõe de esclarecimentos referentes ao ano de 1992 (fls. 07/14), o que não poderia se admitir, tendo em vista que as mesmos foram apresentadas em março de 2000, portanto, não teria como a fiscalização exigir tais documentos e não permitir que se procedesse à retificação dos mesmos; b) que o LALUR, que também foi requerido pela fiscalização (fls. 19/22), traz a evolução da realização de todo o lucro inflacionário e do pedido de retificação requerido por ocasião da impugnação administrativa; Fl. 195DF CARF MF Processo nº 10865.000814/0029 Acórdão n.º 1402002.402 S1C4T2 Fl. 196 4 c) que, às fls. 17/18 dos autos, a própria autoridade fiscal que lavrou o auto de infração junta documento referente ao exercício de 1993. Ou seja, para autuar, documento de período anterior é permitido, contudo, para se defender, retificação do período não seria permitido. Onde estaria, então, a eqüidade garantida constitucionalmente? d) que, embora haja o princípio de que o interesse público deve prevalecer sobre o interesse privado, não se pode perder de vista que se trata de erro material de preenchimento da declaração de rendimentos, que, uma vez esclarecida e apresentada retificação com a impugnação, não pode dar azo à constituição do crédito tributário; e) que não pode ser punida, a fim de que se exija o crédito tributário que não tem origem efetiva, visto que se funda em declaração de rendimentos preenchida incorretamente, a qual foi apresentada retificação juntamente com a impugnação; f) que a retificação da declaração de rendimentos objeto da impugnação não visa mudança de opção, mas, sim, correção de declaração preenchida incorretamente quanto à realização do lucro inflacionário. Não é o caso, por exemplo, do contribuinte que deseja alterar uma opção de tributação do lucro real para o lucro presumido, ou viceversa, mas, sim, de preenchimento errôneo, que se não corrigido, acarretará à recorrente exigência de crédito tributário e conseqüente sanções sem lastro. Na Resolução nº 10700.508, assim consta no voto condutor do aresto: A matéria posta em discussão na presente instância diz respeito ao lançamento de IRPJ, correspondente ao anocalendário de 1995, no qual foi apurado lucro inflacionário realizado em valor inferior àquele estabelecido pela norma legal como limite mínimo obrigatório. A recorrente afirma tratarse de erro no preenchimento da declaração de rendimentos do anocalendário de 1993, onde teria deixado de realizar integralmente o lucro inflacionário decorrente do saldo credor da diferença de correção monetária entre o IPC e o BTNF, apurada no ano de 1990, conforme era sua intenção. A e. Turma de Julgamento entendeu pela manutenção integral do lançamento, cujo voto condutor possui os seguintes fundamentos: [...] A própria impugnante reconhece não ter feito tal realização na época própria, tanto que nem o Lalur estava devidamente preenchido. A legislação do referido anocalendário determinava a realização do lucro inflacionário na mesma proporção de realização dos bens do ativo (sujeitos à correção monetária) que o originaram, estabelecendo o limite mínimo de 1/240 ou 0,416667% mensalmente. A impugnante não efetuou nenhuma realização naquele mês. Tampouco demonstrou qual seria seu coeficiente de realização. A realização total do lucro inflacionário era uma opção da contribuinte, que não foi exercida por ocasião da declaração de rendimentos. (...) Fl. 196DF CARF MF Processo nº 10865.000814/0029 Acórdão n.º 1402002.402 S1C4T2 Fl. 197 5 Concluise, portanto, que. se houve opção equivocada da autuada e ela não efetuou opção diferente, em momento e condições oportunas, não o pode fazer agora, após o lançamento de ofício, nem retificar sua declaração com esta finalidade." [...] Realmente, no caso em questão não há que se falar em retificação das declarações de rendimentos, pois, após o início dos procedimentos fiscais e enquanto esta durar, inexiste qualquer possibilidade de retificação espontânea das declarações anteriormente apresentadas com a pretensão de promover maior ajuste de lucro inflacionário passível de diferimento, nem tampouco com a finalidade de realizar, integralmente, o lucro inflacionário acumulado em período em que tinha prejuízo fiscal em montante suficiente para sua absorção, tudo como medida de eliminar a infração fiscal então em curso de apuração. Entretanto, apesar de não argüido pela recorrente por ocasião da defesa inicial, na presente instância emergem fatos que não podem se olvidados por este Colegiado, tendo em vista a busca da verdade material que orienta o processo administrativo fiscal. Em primeiro lugar, não se pode perder de vista a necessidade de se deduzir, do saldo do lucro inflacionário acumulado, valores relativos ao percentual mínimo de realização obrigatória nos anoscalendário anteriores à presente autuação, ainda que não tenham sido tributados, visto que o lucro inflacionário em questão se originou no períodobase de 1990, resultante do saldo credor da diferença do IPC/BTNF. Com efeito, se, por um lado, é correta a tributação da realização do saldo de lucro inflacionário oportunamente não oferecido à tributação, por outro lado, o lançamento deve demonstrar, de forma clara, em cada um dos períodos base, os valores correspondentes ao lucro inflacionário apurado a partir do encerramento do períodobase em que foi gerado, bem como o montante desse lucro acumulado em cada um dos períodos base seguintes. E que, a partir do anobase de 1990 a recorrente já tinha a obrigação de oferecer à tributação, a título de lucro inflacionário realizado, a parcela efetiva de sua realização, levandose em conta, ainda, que a legislação de regência estabeleceu a tributação de uma parcela mínima de realização, das duas a maior (10% em 1987, art. 23 do DL n° 2.341/87; 5% em 1988, art. 9 o DL n° 2.429/88; 5% de 1989 a 1993, art. 23 da Lei n° 7.799/89; e 10% a partir de 1994, art. 32 da Lei n° 8.541/92). Assim, o lançamento somente seria cabível sobre as parcelas que ainda não tenham sido atingidas pelo termo final do prazo decadencial. Dito de outro modo, ao promover o lançamento, deve a Fazenda Pública realizar, segundo o regime tributário do contribuinte (ano a ano, mês a mês, trimestre a trimestre), a parcela de lucro inflacionário apurada nos termos da legislação tributária aplicável, descartando do lançamento as parcelas já atingidas pela decadência. Por outro lado, vêse dos autos do processo a tentativa da recorrente, em janeiro de 1993, de fazer uso de prejuízos fiscais acumulados mediante a integral realização do lucro inflacionário, o que foi bem rechaçado pela D.Relatora às fls. 127. Entretanto, se é certo que a recorrente seria detentora de prejuízos fiscais, não menos certo é que, no devido tempo e à medida da legal realização do lucro inflacionário, esta teria o direito de vêlo compensado. Fl. 197DF CARF MF Processo nº 10865.000814/0029 Acórdão n.º 1402002.402 S1C4T2 Fl. 198 6 Como o lançamento, derivado da denominada fiscalização Malha Fazenda, não permite a verificação nos detalhes necessários para a aplicação da justiça fiscal, proponho a sua conversão em diligência para que a repartição de origem promova essa abertura, de molde que: (i) do lançamento, se possa expurgar, com segurança, as parcelas já atingidas pela decadência; (ii) do lançamento, se possa fazer uso de eventuais prejuízos fiscais então existentes, intimando a recorrente para, se for o caso, anexar aos autos do processo cópias da parte B do LALUR que comprovem a sua existência. Concluída a diligência, que a repartição de origem faça as considerações que julgar oportuna e que se dê à recorrente prazo para que esta, querendo, sobre ela se manifeste. É como voto. Porém, de início devese ressaltar que o ponto de partida para a apuração do saldo da conta de Lucro Inflacionário se deu com a correção monetária de balanço, a partir do Saldo Credor Diferença IPC/BTNF de 31/12/1991, conforme fls. 19 dos presentes autos. A partir daí, ocorreu a evolução do lucro inflacionário apurado nos exercícios seguintes, conforme o demonstrativo de fls. 20, onde consta um saldo da citada conta de RS 5.504.472,90, apurado em 31/12/1995. Assim, tem razão a decisão recorrida ao mencionar que a contribuinte deixou de oferecer à tributação a parcela realizada em cada um dos períodos base e, também, que não mais seria possível a retificação das declarações de rendimentos para ajustar os valores que deixaram de ser incluídos na apuração do lucro real. Entretanto, há um aspecto nos autos que não pode deixar de ser apreciado no presente julgamento, o qual diz respeito à ocorrência, ainda que parcial, de decadência. A norma legal estabelece ao contribuinte a faculdade do diferimento do lucro inflacionário enquanto não realizado. Contudo, existe a obrigatoriedade de adicionar ao resultado do exercício o valor realizado. Em conseqüência, durante o período em que a empresa estiver em condições de diferir a tributação, a Fazenda Nacional estará impedida da constituição do crédito tributário. Portanto, sendo defeso ao Fisco o lançamento do tributo com base no lucro inflacionário antes de sua realização, o termo inicial para a contagem do prazo decadencial vinculase à sua realização. Dessa forma, à medida que o lucro inflacionário for sendo realizado e não estiver sendo oferecido à tributação por parte do contribuinte cabe à autoridade tributária exercer o direito de constituir o crédito tributário, sendo, então, iniciada a contagem do prazo decadencial, independentemente do período base em que o lucro inflacionário tenha sido originado. Ou seja, o que vale para efeitos de início de contagem do prazo decadencial do IRPJ relativo a lucro inflacionário é o momento em que surge o dever legal de sua realização. [...] Portanto, o prazo decorrido sobre o qual implica na decadência do direito de efetuar o lançamento de ofício é de cinco anos, contados do dia da ocorrência do fato gerador (CTN, art. 150, § 4º); antes disso (ocorrência do fato gerador), ao Fisco não é permitido realizar o lançamento. Fl. 198DF CARF MF Processo nº 10865.000814/0029 Acórdão n.º 1402002.402 S1C4T2 Fl. 199 7 Ora. como já referido, o lucro inflacionário diferido é controlado na parte B do Lalur e seus valores não integram as demonstrações financeiras (balanço patrimonial ou demonstração do resultado do exercício) da pessoa jurídica, nem mesmo fazem parte da escrituração comercial, pois se trata de controle exclusivamente fiscal, sem qualquer correspondência com os registros contábeis. Assim sendo, ao proceder o lançamento de ofício, o fisco não se imiscuiu nos registros contábeis ou fiscais da empresa correspondentes ao ano de 1990, apenas manteve atualizados os valores tributados a menor no ano de 1995. Aliás, mesmo se quisesse, ao Fisco não competia alterar os controles da parte B do Lalur da recorrente antes da efetiva realização do lucro inflacionário. Em resumo, a norma legal estabelece ao contribuinte a faculdade do diferimento do lucro inflacionário enquanto não realizado. Contudo, existe a obrigatoriedade de adicionar ao resultado do exercício o valor realizado ou o mínimo legal exigido, devidamente atualizado. Dessa forma, a medida que o lucro inflacionário for sendo realizado e não oferecido à tributação por parte do contribuinte é que a autoridade tributária pode (deve) exercer o direito de constituir o crédito tributário. Consequentemente, a partir desse momento, iniciase, para (contra) a Fazenda Pública, a contagem do prazo decadencial. Entretanto, vimos de ver que a fiscalização tomou como ponto de partida para o cálculo do lucro inflacionário acumulado o balanço realizado em 31/12/1990, conforme demonstrativo às fls. 19. Todavia, como a legislação determina que deveria ter sido realizado em cada períodobase a parcela mínima obrigatória de realização de 10% do lucro inflacionário acumulado. A jurisprudência desta casa é pacífica nesse sentido, pois deve ser considerada a ocorrência da decadência em relação a uma parcela da exigência, a qual não foi considerada pela autoridade autuante, tampouco pelo acórdão recorrido. Tratase do oferecimento da parcela mínima obrigatória de realização do lucro inflacionário acumulado, a qual passou a incidir a partir do anocalendário de 1990. Com efeito, cabe citar que até o encerramento do períodobase de 1986, não havia previsão legal estabelecendo a inclusão no lucro real, de parte do lucro inflacionário não realizado. Assim, o lucro inflacionário podia ser diferido indefinidamente enquanto não realizado. Com a edição do Decretolei n° 2.341, de 29/06/87, em seu artigo 23, surgiu a obrigatoriedade da realização de um mínimo estabelecido do lucro inflacionário acumulado. Nesse sentido, devem ser considerados como realizados, ainda que efetivamente não oferecidos à tributação pela contribuinte em suas declarações de rendimentos dos retrocitados períodosbase, a realização efetiva verificada em cada período base ou a parcela mínima de realização exigida em lei, dos dois o maior, em conformidade com os artigos 362 e 363 do RIR/80 e arts. 416 a 418 do RIR/94. Tais valores deveriam ter sido obrigatoriamente tributados pela contribuinte. Como não o foram, e o fisco não efetuou as respectivas cobranças, hoje já atingidas pela decadência, devem ser excluídos para efeito da composição do saldo acumulado do lucro inflacionário em 31/12/94, tendo em vista que o auto de infração foi lavrado em 29/06/2000. Dessa forma, devem ser considerados os percentuais mínimos de realização obrigatória, quais sejam, de 5% para o períodobase de 1990, 2,5% para cada semestre do anocalendárío de 1992 e 5% para os anoscalendário de 1993 e 1994. Fl. 199DF CARF MF Processo nº 10865.000814/0029 Acórdão n.º 1402002.402 S1C4T2 Fl. 200 8 Diante do exposto, em face dos efeitos da decadência, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir da exigência as seguintes parcelas sobre o saldo do lucro inflacionário acumulado: 5% para o períodobase de 1990, 2,5% para cada semestre do anocalendário de 1992 e 5% para os anoscalendário de 1993 e 1994. É como voto. Por meio do Relatório de Diligência de fls. 178179 (e planilha de fls. 180), procedeu aos cálculos conforme determinado pelo colegiado. O contribuinte foi cientificado do teor de tal Relatório por meio de edital (fl. 184), já que se mostrou improfícua a tentativa de intimação por via postal (fl. 185187). Não houve qualquer outra manifestação posterior por parte da Recorrente. É o relatório. Fl. 200DF CARF MF Processo nº 10865.000814/0029 Acórdão n.º 1402002.402 S1C4T2 Fl. 201 9 Voto Conselheiro FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Relator. O recurso voluntário já foi alvo de conhecimento quando da conversão do julgamento em diligência. Tratase de lançamento referente ao a cobrança do IRPJ sobre a parcela mínima de realização obrigatória do Lucro Inflacionário Acumulado, no total de R$ 550.447,29, que a contribuinte deixou de oferecer à tributação no anocalendário 1995, conforme demonstrativos às fls. 01, 02 e 03. Por meio de resolução, determinouse o recálculo da exigência expurgando se as parcelas do Lucro Inflacionário Acumulado já atingidas pela decadência, bem como a compensação de eventuais saldos de prejuízos fiscais então existentes. É importante ressaltar que tal entendimento foi posteriormente corroborado pela Súmula CARF nº 10, assim vazada: “O prazo decadencial para constituição do crédito tributário relativo ao lucro inflacionário diferido é contado do período de apuração de sua efetiva realização ou do período em que, em face da legislação, deveria ter sido realizado, ainda que em percentuais mínimos.” Desse modo, considerandose que lançamento foi cientificado ao contribuinte no anocalendário de 2000, mostrase correta a conclusão da decisão do colegiado de cancelar o crédito tributário relativo às parcelas de lucro inflacionário que deveriam ter sido oferecidas à tributação nos anoscalendário anteriores a 1995. Retornando ao cerne da resolução em questão, determinou o colegiado que o “o ponto de partida para a apuração do saldo da conta de Lucro Inflacionário se deu com a correção de balanço, a partir do Saldo Credor Diferença IPC/BTNF, de 31/12/1991, conforme fls. 19, a Resolução considera que “devem ser considerados como realizados, ainda que efetivamente não oferecidos à tributação pela contribuinte em suas declarações de rendimentos dos retrocitados períodosbase, a realização efetiva verificada em cada período base ou a parcela mínima de realização exigida em lei, dos dois o maior, em conformidade com os artigos 362 e 363 do RIR/80 e arts. 416 a 418 do RIR/94. Tais valores deveriam ter sido obrigatoriamente tributados pela contribuinte. Como não o foram, e o fisco não efetuou as respectivas cobranças, hoje já atingidas pela decadência, devem ser excluídos para efeito da composição do saldo acumulado do lucro inflacionário em 31/12/94, tendo em vista que o auto de infração foi lavrado em 29/06/2000. Dessa forma, devem ser considerados os percentuais mínimos de realização obrigatória, quais sejam, de 5% para o períodobase de 1990, 2,5% para cada semestre do anocalendárío de 1992 e 5% para os anoscalendário de 1993 e 1994”. Atendendo ao requerido por esta Corte Administrativa, a autoridade fiscal responsável pela diligência, com base nos dados constantes dos autos e também nos sistemas da RFB realizou o cálculo do valor do IRPJ devido após a exclusão da parcela de crédito Fl. 201DF CARF MF Processo nº 10865.000814/0029 Acórdão n.º 1402002.402 S1C4T2 Fl. 202 10 tributário alcançada pela decadência (realização do lucro inflacionário nos anoscalendário de 1990 a 1994 – fl. 180) e também saldos de prejuízos fiscais apurados. Reproduzo à tabela constante à fl. 179: Portanto, considerandose as parcelas de crédito tributário já decaídas, bem como a compensação de prejuízos de R$ 234.864,60, dos R$ 65.299,90 de IRPJ lançado, voto por exonerar R$ 42.001,22 de imposto, mantendo o valor de IRPJ devido de R$ 23.298,68, sobre os quais devem incidem a multa de ofício cominada e os juros moratórios correspondentes. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para deduzir R$ 42.001,22 no valor principal do IRPJ exigido de ofício. (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO – Relator Fl. 202DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10120.005282/2007-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 09 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Mar 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/07/2004
EMBARGOS INOMINADOS. INEXATIDÃO MATERIAL. LAPSO MANIFESTO. EXISTÊNCIA. NOVA DECISÃO.
Conforme preleciona o art. 66 do RICARF, as alegações de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, provocados pelos legitimados para opor embargos, deverão ser recebidos como embargos inominados para correção, mediante a prolação de um novo acórdão
Embargos Acolhidos.
Numero da decisão: 2402-005.673
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos e acolhê-los, sem alteração do resultado do julgamento.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo - Presidente
(assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Tulio Teotonio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felicia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2000 a 31/07/2004 EMBARGOS INOMINADOS. INEXATIDÃO MATERIAL. LAPSO MANIFESTO. EXISTÊNCIA. NOVA DECISÃO. Conforme preleciona o art. 66 do RICARF, as alegações de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, provocados pelos legitimados para opor embargos, deverão ser recebidos como embargos inominados para correção, mediante a prolação de um novo acórdão Embargos Acolhidos.
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INEXATIDÃO MATERIAL. LAPSO MANIFESTO. EXISTÊNCIA. NOVA DECISÃO. Conforme preleciona o art. 66 do RICARF, as alegações de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, provocados pelos legitimados para opor embargos, deverão ser recebidos como embargos inominados para correção, mediante a prolação de um novo acórdão Embargos Acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 52 82 /2 00 7- 11 Fl. 754DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos e acolhêlos, sem alteração do resultado do julgamento. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Presidente (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Tulio Teotonio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felicia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 755DF CARF MF Processo nº 10120.005282/200711 Acórdão n.º 2402005.673 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de embargos inominados opostos pelo ilustre Presidente desta Turma, nos seguintes termos: Com fulcro nos artigos 65 e 66 do Regimento Interno do CARF, inserto no Anexo II da Portaria MF n.º 343, de 09/06/2015, opõemse Embargos Inominados em decorrência da constatação de erro material no voto que ensejou o acórdão nº 240200.382 (fls. 322/329), que registrou o período de apuração entre 01/06/2002 a 31/07/2004, sendo que os documentos acostados aos autos delineiam o período de apuração entre 01/01/2000 a 31/07/2004. Essa constatação de erro no período de apuração foi devidamente registrada no Despacho Outros de 28 de junho de 2016 (fls. 748/750 do EProcesso), nos seguintes termos: “Tratase de Recurso Especial de Divergência, interposto pelo sujeito passivo em face do Acórdão nº 240200.382 (fls. 322/329), assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2002 a 31/07/2004 DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. SÚMULA N. 08 DO STF. ART. 173, I DO CTN. Ê de 05 (cinco) anos o prazo decadencial para o lançamento das contribuições previdenciárias NFLD. RETENÇÃO SOBRE SERVIÇOS PRESTADOS MEDIANTE CESSÃO DE MÃODEOBRA. OBRIGAÇÃO DO TOMADOR DOS SERVIÇOS. Nos termos do art. 31 da Lei 8.212/91, o tomador de serviços deve efetuar a retenção de 11% sobre os valor das notas fiscais emitidas para pagamento de serviços realizados mediante cessão de mãodeobra, efetuado, ainda, o seu recolhimento aos cofres públicos. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE A decisão foi registrada nos seguintes termos: ACORDAM os membros da 4a Camara / 2 Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por maioria de votos em dar provimento parcial ao recurso, para, nas preliminares, excluir do lançamento as contribuições apuradas até a competência 11/2001, anteriores a 12/2001, com fundamento no artigo 173, I do CTN, conforme o voto do relator. Vencidos os Conselheiros Rogério de Lellis Pinto e Marcelo Freitas de Souza Costa, que Fl. 756DF CARF MF 4 votaram em aplicar o § 40, Art. 150 do CTN. No mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, na forma do voto do relator. Ven e•.4. o Conselheiro Rogério de Lellis Pinto. Em sede de Embargos (fls. 403/410) em face do Acórdão recorrido, o contribuinte apontou, dentre outras coisas, que o período de apuração registrado na decisão (1/6/2002 a 31/7/2004) não correspondia ao período informado no Relatório Fiscal (01/2000 a 09/2006). Da análise do Termo de Encerramento da Ação Fiscal – TEAF (fls. 223/225), verificase que, diferentemente do que fora arguido pelo contribuinte, com relação ao presente lançamento, correspondente à NFLD nº 37.055.3454, o período de apuração corresponde a 01/2000 a 07/2004. Abaixo, trecho do referido documento referente ao assunto: (...) A despeito disso, os embargos apresentados pelo contribuinte foram acolhidos exclusivamente para retificar o Acórdão nº 240200.382, alterando o período de apuração para 06/2002 a 07/2004, conforme trecho do Acórdão de Embargos nº 2402 004.878 que se reproduz a seguir: Assim, verifico a ocorrência da apontada contradição, que passa a ser sanada, pela nova redação que passo a dar ao referido parágrafo. Logo, onde constava a seguinte redação: “O período do lançamento compreende os fatos geradores ocorridos entre 01/2000 a 09/2006, tendo sido o contribuinte cientificado em 08/06/2007.” Leiase: “O período do lançamento compreende os fatos geradores ocorridos entre 06/2002 a 07/2004, tendo sido o contribuinte cientificado em 08/06/2007.” Assim, diante da alteração promovida pelo Acórdão de Embargos nº 2402004.878 e, à luz dos documento reproduzido acima, entendemos que houve uma incorreção, pois, no nosso entender, o certo seria a alteração do período de apuração para 01/2000 a 07/2004.” Considerando que o erro material somente foi evidenciado após a interposição do Recurso Especial do contribuinte, o processo deverá ser inserido novamente em pauta de julgamento, de modo que se possa sanear apenas o equívoco cometido no período de apuração do lançamento. Diante desse fato, encaminhese o processo para o mesmo relator que proferiu o acórdão nº 240200.382 (fls. 322/329) e, caso o relator deste acórdão não pertença mais a Turma, deverá haver o sorteio dentro da Turma, conforme previsão regimental. É o relatório. Fl. 757DF CARF MF Processo nº 10120.005282/200711 Acórdão n.º 2402005.673 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Relator 1 Dos embargos inominados O ilustre Presidente desta Turma, em consonância com o despacho de fls. 748/750, apontou, objetivamente, a inexatidão material da decisão recorrida, na qual constou, equivocadamente, que o período de apuração seria 06/2002 a 07/2004, ao invés de 01/2000 a 07/2004. Sendo assim, e presentes os demais requisitos legais, tais alegações serão recebidas como embargos inominados. 2 Da inexatidão material Conforme preleciona o art. 66 do RICARF, as alegações de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, provocados pelos legitimados para opor embargos, deverão ser recebidos como embargos inominados para correção, mediante a prolação de um novo acórdão. Vejase: Art. 66. As alegações de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, provocados pelos legitimados para opor embargos, deverão ser recebidos como embargos inominados para correção, mediante a prolação de um novo acórdão. No caso concreto, o ilustre Presidente, mediante despacho, demonstrou ter havido inexatidão material devida a lapso manifesto. Isso porque, na decisão de fls. 679/753, constou que o período de apuração da presente NFLD (37.055.3454) seria 06/2002 a 07/2004, quando, segundo o DSD DISCRIMINATIVO SINTÉTICO DE DÉBITO de fls. 80/91 e o TEAF Termo de Encerramento de Ação Fiscal TEAF de fls. 223/225, o período de apuração é realmente aquele indicado nos embargos inominados, qual seja: 01/2000 a 07/2004. Nesse sentido, vale colacionar imagem do TEAF: Fl. 758DF CARF MF 6 Sendo assim, e com base no art. 66 do RICARF, deve ser proferida nova decisão, a fim de clarear e corrigir a inexatidão da decisão embargada. Logo, a decisão embargada deve ser retificada, a fim de corrigir o período de apuração para 01/2000 a 07/2004. 3 Conclusão Diante do exposto, votase no sentido de RECEBER o despacho como embargos inominados e ACOLHÊLOS, nos termos da fundamentação. (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 759DF CARF MF
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Numero do processo: 14041.000190/2008-59
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/1999 a 31/12/2006
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9202-004.947
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 04 1. 00 01 90 /2 00 8- 59 Fl. 445DF CARF MF Processo nº 14041.000190/200859 Acórdão n.º 9202004.947 CSRFT2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10380.005876/200753. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.792, de 12/12/2016, proferido no julgamento do processo 10380.005876/200753, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.792): O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Fl. 446DF CARF MF Processo nº 14041.000190/200859 Acórdão n.º 9202004.947 CSRFT2 Fl. 0 3 Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 447DF CARF MF Processo nº 14041.000190/200859 Acórdão n.º 9202004.947 CSRFT2 Fl. 0 4 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Fl. 448DF CARF MF Processo nº 14041.000190/200859 Acórdão n.º 9202004.947 CSRFT2 Fl. 0 5 Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Fl. 449DF CARF MF Processo nº 14041.000190/200859 Acórdão n.º 9202004.947 CSRFT2 Fl. 0 6 § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há Fl. 450DF CARF MF Processo nº 14041.000190/200859 Acórdão n.º 9202004.947 CSRFT2 Fl. 0 7 que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 451DF CARF MF Processo nº 14041.000190/200859 Acórdão n.º 9202004.947 CSRFT2 Fl. 0 8 Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 452DF CARF MF Processo nº 14041.000190/200859 Acórdão n.º 9202004.947 CSRFT2 Fl. 0 9 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 453DF CARF MF Processo nº 14041.000190/200859 Acórdão n.º 9202004.947 CSRFT2 Fl. 0 10 Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Em face do acima exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 454DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10073.721704/2014-23
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 20 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Mar 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2011
EMBARGOS INOMINADOS.
Retificação de equívoco na transcrição do resultado do julgamento.
Numero da decisão: 2201-003.395
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os embargos para sanando o vício apontado, retificar o resultado do julgamento nos termos do voto.
Assinado digitalmente.
CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Presidente.
Assinado digitalmente.
ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ - Relatora.
EDITADO EM: 15/02/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA (Presidente), ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ, DIONE JESABEL WASILEWSKI, MARCELO MILTON DA SILVA RISSO, CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO, DANIEL MELO MENDES BEZERRA E RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM.
Nome do relator: ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os embargos para sanando o vício apontado, retificar o resultado do julgamento nos termos do voto. Assinado digitalmente. CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Presidente. Assinado digitalmente. ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ - Relatora. EDITADO EM: 15/02/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA (Presidente), ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ, DIONE JESABEL WASILEWSKI, MARCELO MILTON DA SILVA RISSO, CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO, DANIEL MELO MENDES BEZERRA E RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM.
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Retificação de equívoco na transcrição do resultado do julgamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os embargos para sanando o vício apontado, retificar o resultado do julgamento nos termos do voto. Assinado digitalmente. CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Presidente. Assinado digitalmente. ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ Relatora. EDITADO EM: 15/02/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA (Presidente), ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ, DIONE JESABEL WASILEWSKI, MARCELO MILTON DA SILVA RISSO, CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO, DANIEL MELO MENDES BEZERRA E RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 72 17 04 /2 01 4- 23 Fl. 65DF CARF MF 2 Tratamse de Embargos Inominados opostos pela Conselheira Relatora com o fim de sanear o equívoco constante da pauta de julgamento, do dia 10 de março de 2013, que consignou o resultado do julgamento como "dar provimento ao recurso", quando, na verdade, em consonância com o voto proferido e acompanhado pelo colegiado, deveria ser "dar provimento parcial ao recurso". A matéria objeto do processo está descrita no relatório do Acórdão n.º 2201 003.008, nos termos seguintes: Tratase de Recurso Voluntário contra decisão primeira instância que negou provimento à impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Em 21/07/2014, foi lavrada notificação de lançamento referente ao exercício de 2012, anocalendário 2011, na qual foi constatado que os rendimentos do contribuinte foram indevidamente considerados isentos, em decorrência da não comprovação do acometimento de moléstia grave ou da sua condição de aposentado, pensionista ou reformado. Conforme consta da mencionada Notificação, o contribuinte não comprovou efetivamente que os rendimentos auferidos foram provenientes de aposentadoria, reforma ou pensão. Irresignado, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 02/03, acompanhada dos documentos de fls. 04/12, alegando, em síntese, que os valores dos rendimentos em questão eram isentos por se tratarem de proventos de aposentadoria, reforma ou pensão recebidos por portador de moléstia grave. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo manteve o crédito tributário, em sua totalidade, com a seguintes considerações: a) foi efetivamente comprovada a cardiopatia grave, desde 13 de outubro de 2011, por meio do laudo médico pericial expedido pelo Subsistema Integrado de Atenção à Saúde do Servidor SIASS; b) não ficou comprovado nos autos se os rendimentos seriam oriundos de aposentadoria, reforma ou pensão e se, em 13/10/2011, o impugnante faria jus ao benefício por estar aposentado, sendo imprescindível a apresentação de documento oficial que evidencie a data de início da aposentadoria. Assim, a DRJ/SPO entendeu que não foram cumpridos todos os requisitos necessários para que os rendimentos recebidos das fontes pagadoras, Município de Barra Mansa e Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro, fossem considerados isentos. Posteriormente, dentro do lapso temporal legal, foi interposto recurso voluntário no qual o contribuinte sustentou que os rendimentos recebidos da Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro tratavamse de proventos de pensão (no valor de R$ 22.422,75) e os rendimentos recebidos do Município de Barra Mansa (no valor de R$ 14.596,57) eram decorrentes de sua aposentadoria. Fl. 66DF CARF MF Processo nº 10073.721704/201423 Acórdão n.º 2201003.395 S2C2T1 Fl. 3 3 Juntamente com o recurso, o contribuinte apresentou Declaração emitida pelo Instituto de Previdência da Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro, na qual consta expressamente o recebimento de pensão, desde 14/05/2003. Na mesma oportunidade, o contribuinte anexou a Portaria 013/2012, da Prefeitura Municipal de Barra Grande, que dispôs sobre a concessão de aposentadoria por idade e tempo de contribuição ao servidor, com data de publicação em 17/01/2012. É o relatório. O acórdão recorrido deixou claro o provimento parcial do recurso, conforme segue: Embora o contribuinte sustente, em sede recursal, que os rendimentos recebidos do Município de Barra Mansa são isentos por decorrerem de aposentadoria, tendo o processo de aposentadoria se iniciado em 06/2011, o ato de concessão do benefício, que foi a Portaria 013/2012, fl. 47, foi publicado apenas em 17/01/2012. Desse modo, não assiste razão ao recorrente quanto aos mencionados rendimentos, por descumprimento do requisito relativo à natureza do rendimento, considerando que o lançamento se refere ao exercício de 2011 e a concessão de sua aposentadoria ocorreu, posteriormente, no ano de 2012, razão pela qual inferese que os rendimentos não decorriam do benefício de aposentadoria. No que se referem aos rendimentos recebidos do Instituto de Previdência da Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro IPALERJ, que, nos termos da Lei n.º 320, de 10 de junho de 1980, é uma instituição de previdência, com personalidade jurídica própria, autonomia administrativa e financeira, com jurisdição no Estado do Rio de Janeiro, restou devidamente comprovada a sua natureza, pois se extrai da documentação acostada aos autos que o contribuinte é pensionista, desde 14/05/2003, fls. 38/46. Não obstante o voto proferido, bem como as discussões do colegiado, durante a sessão de julgamento, constou da Ata da Sessão de julgamento (de 10 de março de 2016) resultado distinto decisão prolatada, razão pela qual foram opostos os presentes embargos. Voto Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz Conheço dos embargos, nos termos do Despacho de Admissibilidade, pois presentes os requisitos necessários. Fl. 67DF CARF MF 4 Conforme relatado, os presentes embargos possuem a finalidade única de sanar o equívoco da Ata de Julgamento da Sessão realizada em 10 de março de 2016. Assim, acolho os embargos para, sanando o equívoco apontado, retificar o resultado do julgamento para que conste da seguinte forma: "Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do lançamento os rendimentos recebidos pelo contribuinte do Instituto de Previdência da Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro IPALERJ". Assinado digitalmente. Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora Fl. 68DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.900014/2012-75
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Mar 06 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3401-000.988
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Robson José Bayerl - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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COMPENSAÇÃO. ALARGAMENTO. Recorrente RODOBENS CAMINHÕES PERNAMBUCO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Trata o presente processo administrativo de PER que pretende obter reconhecimento de direito creditório das contribuições por suposto pagamento a maior. O sistema informatizado da Receita Federal emitiu o Despacho Decisório em processamento automatizado indeferindo o pedido, afirmando que o valor do DARF de onde viria o crédito já estava totalmente comprometido em quitação de débito constante de declaração prestada pelo contribuinte ao Fisco. A contribuinte manifestou inconformidade, explicando que: 1. A autoridade de administração e a autoridade fiscal não tomaram conhecimento das razões da contribuinte para seu direito, nem se aprofundaram em sua análise, nem buscaram investigar os fatos; a contribuinte não foi intimada a explicar os fundamento do seu pedido antes do despacho decisório; RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 80 .9 00 01 4/ 20 12 -7 5 Fl. 190DF CARF MF Processo nº 10480.900014/201275 Resolução nº 3401000.988 S3C4T1 Fl. 3 2 2. seu direito repousa no fato de que ela indevidamente tinha incluído na base de cálculo do tributo receitas (tais como receitas financeiras, e outras), face a declaração de inconstitucionalidade pelo STF para o § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/1998; pois a base de tributação deve se cingir às receitas de faturamento pela venda de mercadorias e da prestação de serviços. 3. Pede a reunião dos vários processos administrativos que tratam da mesma matéria/tributo, mudando apenas os períodos de apuração, para serem julgados na mesma ocasião. Os Julgadores de 1º piso não acolheram o pedido de reunião dos vários processos. Eles também consideraram improcedente o recurso da contribuinte, entendendo pela insuficiência de provas pelo alegado. Seria da contribuinte o ônus de provar o direito objeto do seu pedido, no momento da interposição da Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legalmente previstas, nos termos do art. 16, caput, III e §4°, do Decreto 70.235/72, conforme consta do voto da decisão recorrida. Concluíram, os Julgadores a quo, pelo não reconhecimento do direito creditório, nos termos do Acórdão 11041.012. Inconformada, a contribuinte ingressou com recurso voluntário por meio do qual repisou as alegações apresentadas na manifestação de inconformidade, e acrescentou as seguintes: ● não é verdade que houve insuficiência de provas, pois apresentou planilha, balancete e livro obrigatório da contabilidade da contribuinte; ● a autoridade fiscal não questionou a efetividade dos pagamentos em discussão; ● não pode prevalecer o entendimento esposados pelos julgadores de 1º piso de que houve preclusão para a juntada de provas; isso fere o disposto na letra "c" do § 4º do artigo 16 do Decreto n. 70.235, de 1972 (apresentar provas que se destine a contrapor fatos e razões posteriormente trazidas aos autos). Cita doutrina, acórdãos e jurisprudências; ● a falta de retificação da DCTF não deve servir de justificativa para não se analisar e se deferir o direito da contribuinte; ● Não procede o entendimento dos Julgadores a quo de que a declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei n. 9.718/1998 proferida pelo STF não seja de observação obrigatória no processo administrativo fiscal; ● a Verdade Material deve prevalecer, e a autoridade deve realizar um exame completo dos fatos. É o relatório Fl. 191DF CARF MF Processo nº 10480.900014/201275 Resolução nº 3401000.988 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3401000.984, de 25 de janeiro de 2017, proferida no julgamento do processo 10480.900040/201201, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela Resolução (3401000.984): "Tempestivo o Recurso e atendidos os demais requisitos de admissibilidade. Temos diante de nós mais um caso de despacho decisório processado automaticamente, sem que haja qualquer intervenção humana para rever o seu teor e a eventual existência de razões para questionar sua conclusão. É freqüente, nessas situações, que a contribuinte somente compreenda totalmente a situação quando recebe a decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento mantendo o indeferimento eletrônico inicial, geralmente por falta de provas ou de contra argumentações por parte da contribuinte. Nessa toada, há os que se escudam no instituto da preclusão probatória para justificar a impossibilidade de reverter as negativas até então impostas à contribuinte. Coerente com minhas propostas de votação anteriores em situações semelhantes, baseado no argumento de que o princípio da verdade material deve prevalecer, relativizando as formalidades e os institutos preclusivos e assemelhados, e no argumento de que não é do interesse público maior praticar a injustiça fiscal qual seja, a manutenção no Tesouro do pagamento indevido , é que proponho que se tome providências para garantir substantivamente o contraditório (e não apenas formalmente) e para se verificar a verdade do alegado pelas partes. As teses que esposo divergem das postas no acórdão de 1º piso: (a) para uma visão absoluta do ônus probatório e do instituto da preclusão probatória, argumento em favor de que prevaleça a Verdade Material, e que os julgadores do processo administrativo possam agir e determinar providências nessa direção, aliás como expus em outros votos quando fiz alusão aos modelos trazidos pelo novo CPC; (b) que a negativa em pedidos de restituição e/ou compensações motivada pela inexistência de créditos líquidos e certos passe a considerar que a liquidez e certeza possam ser demonstradas ao longo do processo administrativo, não se limitando ao que o instruiu antes de sua chegada à instância de julgamento. Ressalto que a contribuinte, segundo que foi relatado, em sua primeira contestação havia juntado balancetes e planilhas, o que poderia ser no mínimo considerado princípio de prova. Fl. 192DF CARF MF Processo nº 10480.900014/201275 Resolução nº 3401000.988 S3C4T1 Fl. 5 4 Por isso, tendo em vista que a administração tributária de jurisdição não apreciou as razões do suposto direito creditório, proponho a este Colegiado a conversão do julgamento em diligência para que a unidade de jurisdição local analise e informe a respeito do alegado pela contribuinte, e também a respeito da existência de retificação realizada ou tentada pela contribuinte com relação ao (débitos e créditos) discutido neste processo administrativo. Que se dê ciência à contribuinte desta decisão e também do relatório conclusivo e da informação fiscal resultantes da diligência, e prazo de 30 dias para ela se manifestar em cada uma dessas intimações." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, converto o julgamento deste processo em diligência para que a unidade de jurisdição local analise e informe a respeito do alegado pela contribuinte, e também a respeito da existência de retificação realizada ou tentada pela contribuinte com relação ao (débitos e créditos) discutido neste processo administrativo. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Fl. 193DF CARF MF
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Numero do processo: 10680.002321/2006-94
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 10 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003
Ementa: AÇÃO JUDICIAL CONCOMITANTE COM O PROCESSO
ADMINISTRATIVO – IMPOSSIBILIDADE - Tendo o contribuinte optado
pela discussão da matéria perante o Poder Judiciário, tem a autoridade administrativa o direito/dever de constituir o lançamento, para prevenir a decadência, ficando o crédito assim constituído sujeito ao que ali vier a ser
decidido. A submissão da matéria à tutela autônoma e superior do Poder Judiciário, prévia ou posteriormente ao lançamento, inibe o pronunciamento da autoridade administrativa sobre o mérito da incidência tributária em litígio, cuja exigibilidade fica adstrita à decisão definitiva do processo judicial.
Numero da decisão: 1803-000.661
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, nos termos do voto do relator.
Matéria: CSL - ação fiscal (exceto glosa compens. bases negativas)
Nome do relator: Marcelo Fonseca Vicentini
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ementa_s : Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2001, 2002, 2003 Ementa: AÇÃO JUDICIAL CONCOMITANTE COM O PROCESSO ADMINISTRATIVO – IMPOSSIBILIDADE - Tendo o contribuinte optado pela discussão da matéria perante o Poder Judiciário, tem a autoridade administrativa o direito/dever de constituir o lançamento, para prevenir a decadência, ficando o crédito assim constituído sujeito ao que ali vier a ser decidido. A submissão da matéria à tutela autônoma e superior do Poder Judiciário, prévia ou posteriormente ao lançamento, inibe o pronunciamento da autoridade administrativa sobre o mérito da incidência tributária em litígio, cuja exigibilidade fica adstrita à decisão definitiva do processo judicial.
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A submissão da matéria à tutela autônoma e superior do Poder Judiciário, prévia ou posteriormente ao lançamento, inibe o pronunciamento da autoridade administrativa sobre o mérito da incidência tributária em litígio, cuja exigibilidade fica adstrita à decisão definitiva do processo judicial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, nos termos do voto do relator Selene Ferreira de Moraes - Presidente. Marcelo Fonseca Vicentini - Relator. EDITADO EM: 27/11/2010 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Selene Ferreira de Moraes (Presidente), Benedicto Celso Benício Júnior, Sérgio Rodrigues Mendes, Luciano Inocêncio dos Santos, Walter Adolfo Maresch e Marcelo Fonseca Vicentini. Fl. 154DF CARF MF Emitido em 29/11/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/11/2010 por MARCELO FONSECA VICENTINI Assinado digitalmente em 29/11/2010 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 27/11/2010 por MARCELO FONSECA VI CENTINI 2 Relatório UNIÃO ADMISTRADORA DE CONSORCIOS LTDA, pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Belo Horizonte – DRJ/BHE, interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. Trata-se de auto de infração lavrado em 21/02/2006, relativo à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) no montante de R$ 167.257,90, acrescido de juros de mora no montante de R$ 87.201,91, perfazendo montante total de R$ 254.459,81. Tendo em vista a clareza e correção do Relatório da DRJ, adoto o mesmo e reproduzo ipsis litteris os trechos pertinentes: “Fazendo remissão ao Termo de Verificação e de Constatação Fiscal (TVCF) de fls. 12/27, consta que o contribuinte não declarou ou não pagou regularmente a CSLL nos anos de 2001, 2002 e 2003. Foi ressaltado que o contribuinte obteve decisão favorável transitada em julgado pela inconstitucionalidade da Lei n° 7.689, de 15 de dezembro de 1988, desobrigando a empresa do recolhimento da CSLL nos termos dessa lei. Em razão desses julgamentos de 1990 e 1991, o contribuinte ajuizou, em junho de 2004, Ação Ordinária para continuar não sujeito ao pagamento da CSLL. Nos autos do processo n° 2004.38.00.025965-8 / 8a Vara Federal — MG, em sentença de 12/04/2005, seu pedido foi julgado improcedente. Inconformado, o contribuinte apresentou apelação, pendente de apreciação no TRF da 1ª Região. Segundo a autoridade fiscal, os efeitos da coisa julgada não podem incidir sobre relações jurídicas de trato sucessivo, originadas de fatos geradores futuros e estabelecidas sob a égide de legislação superveniente, como a Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, bem como a Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, a Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Este, aliás, foi o aspecto preponderante considerado na sentença de 2005. Desse modo, o contribuinte foi considerado sujeito à tributação da CSLL. Ainda referindo-se ao TVCF, a autoridade fiscal ressaltou que o contribuinte efetuou depósitos judiciais de valores relacionados à CSLL. Assim, como os débitos da CSLL não foram declarados em DCTF, a fim de prevenir a decadência, e considerando a suspensão da exigibilidade prevista na Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional — CTN), art. 151, II, em razão do depósito em juízo efetuado, nos termos da Lei n° 9.430, de 1996, art. 63 c/c Parecer Cosit n° 02, de 1999, constituíram-se, sem multa de oficio, os créditos tributários de 2001, 2002 e 2003. Cientificado da exigência em 21/02/2006, conforme consignado no Auto de Infração, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 103/130, em 21/03/2006, cuja síntese é feita em seguida. I — Breve relato Nesse tópico, o impugnante fez um resumo da autuação. II — Questão sub judice, com depósitos judiciais — defesa administrativa de mérito Assevera o autuado que, sendo suas razões as mesmas já expostas na Ação Declaratória n° 2004.38.00.025965-8, ajuizada em face da União Federal, perante a 8 a Vara da Justiça Federal em Belo Horizonte, o faz juntando cópia do inteiro teor da petição inicial daquele feito (documento n° 1). Pela referida peça e pela certidão ora juntada (documento n° 2), observa-se o seguinte: a) o impugnante tem sentença transitada em julgado, prolatada nos autos da Ação Declaratória n° 89.0001460-9, ajuizada em face da União Federal, perante a 13ª Vara da Justiça Federal em Belo Fl. 155DF CARF MF Emitido em 29/11/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/11/2010 por MARCELO FONSECA VICENTINI Assinado digitalmente em 29/11/2010 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 27/11/2010 por MARCELO FONSECA VI CENTINI Processo nº 10680.002321/2006-94 Acórdão n.º 1803-000.661 S1-TE03 Fl. 2 3 Horizonte, na qual restou decidido, incidentalmente, que é inconstitucional a Lei n° 7.689, de 1988, que instituiu a CSLL, inexistindo, destarte, relação jurídica válida que a obrigue a pagar referido tributo; b) a Lei n° 8.212, de 1991, e Lei Complementar n° 70, de 30 de dezembro de 1991, não reinstituíram a CSLL, pelo que continuam hígidos os efeitos da mencionada sentença. III - Requerimentos Com base no exposto, requer o impugnante: a) o sobrestamento do julgamento dessa defesa até que seja julgada, em definitivo, a Ação Declaratória n° 2004.38.00.025965-8, ajuizada contra a União Federal, perante a 8a Vara de Belo Horizonte, cujo objeto se traduz na própria questão dessa defesa; b) no mérito, o cancelamento do Auto de Infração de que trata o presente processo” A DRJ/BHE, através do acórdão 02-19.114, de 16 de setembro de 2008 (fls. 132/136), não conheceu da impugnação, ementando assim a decisão: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2002, 2003, 2004 AÇÃO JUDICIAL - DEFINITIVIDADE A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial - por qualquer modalidade processual - antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto, tornando-se definitiva a exigência discutida. Impugnação não Conhecida” Cientificado da Decisão da DRJ, o contribuinte interpôs recurso voluntário. Alega o contribuinte que a Ação Declaratória n° 2064.38.00.05965-8 teve início no dia 25/06/2004, quando foi distribuída, ao passo que o auto de infração objeto do presente recurso em julgamento foi lavrado quase dois anos depois, em fevereiro de 2006 e, neste sentido, não seria possível falar-se em renúncia à impugnação do auto de infração. Segundo o contribuinte, teria sentido cogitar-se de renúncia, caso, tendo sido notificado do auto de infração, o mesmo formulasse impugnação administrativa e, antes do seu julgamento definitivo, nessa esfera, ingressasse com ação judicial, para discutir a mesma questão objeto da autuação, e somente neste caso, teria sentido em falar de renuncia a via administrativa Alega ainda que o lançamento de ofício em discussão é destituído de sentido prático, pois os depósitos voluntários, previamente feitos nos autos da ação declaratória, têm o caráter de auto lançamento, ou lançamento por homologação. Requer, pelo exposto, o provimento do recurso voluntário com o conseqüente cancelamento do Auto de Infração a que se refere o Processo Administrativo 10680.002321/2006-94. É o relatório. Fl. 156DF CARF MF Emitido em 29/11/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/11/2010 por MARCELO FONSECA VICENTINI Assinado digitalmente em 29/11/2010 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 27/11/2010 por MARCELO FONSECA VI CENTINI 4 Voto Conselheiro MARCELO FONSECA VICENTINI O contribuinte foi cientificado da decisão da DRJ em 13/04/2009, conforme AR constante às fls. 146, e interpôs recurso voluntário em 04/05/2009, desta forma, o recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais para sua admissibilidade. Dele conheço. Como se depreende do relatório, o contribuinte recorreu ao Poder Judiciário nos termos da a Ação Declaratória n° 2064.38.00.05965-8, onde pleiteou declaração, por sentença daquele Juízo, de que continua não sujeito ao pagamento da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL), de vez que ainda se encontra amparado pela sentença transitada em julgado, prolatada pelo juízo da 13ª Vara da Justiça Federal daquela Capital, nos autos da ação declaratória n° 89.0001460-9, via da qual restaram reconhecidas "a inconstitucionalidade do tributo criado pela Lei 7.689, de 15.12.88", e a "inexistência de relação jurídica" que a obrigue ao seu pagamento. A 8º Vara Federal de Belo Horizonte - MG, julgou improcedente a referida Ação Declaratória de n° 2064.38.00.05965-8 e, inconformado, o contribuinte apresentou apelação, pendente de apreciação no TRF da 1º Região. Na própria impugnação apresentada a DRJ, fazendo remissão a Ação Declaratória n° 2064.38.00.05965-8, ressaltou o contribuinte que o objeto da ação judicial se traduz na própria questão objeto da defesa apresentada, fato que pode ser confirmado pela análise do auto de infração, do TVCF e das peças da ação judicial juntadas ao presente processo administrativo. Desta forma, tendo em vista que a matéria objeto do presente recurso voluntário encontra-se em discussão no âmbito do Poder Judiciário, perante o qual a contribuinte ingressou com ação, há concomitância na defesa, ou seja, a busca da tutela do Poder Judiciário, bem como o recurso à instância administrativa buscam resolução da mesma questão objeto. Neste sentido, leciona Hugo de Brito Machado Segundo que “a fim de evitar soluções eventualmente contraditórias para um mesmo conflito, e tendo em vista a inafastabilidade do controle judicial, os órgãos de julgamento administrativo tem entendimento pacífico segundo o qual o questionamento judicial de determinado ato administrativo implica a “renúncia” do cidadão a instância administrativa (...) É o que dispõe, a propósito, o parágrafo único do art. 38 da Lei 6.830/80, segundo o qual a propositura, pelo contribuinte, de ação judicial com o propósito de discutir os termos da relação jurídico tributária ‘importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto’. Assim, uma vez lavrado um auto de infração contra determinado contribuinte, por exemplo, a propositura imediata de uma ação anulatória, ou de um mandado de segurança, a fim de impugnar judicialmente a exigência, afasta a possibilidade de serem oferecias impugnações e recursos na esfera administrativa. Do mesmo modo, caso o contribuinte proponha a ação judicial antes do lançamento , a posterior feitura do lançamento não lhe dá direito a discutir na esfera administrativa questões já submetidas ao Judiciário”. (Processo Tributário, 4. Ed., São Paulo: Atlas, 2009, p. 120 à 121). No mesmo sentido dos comentários do eminente professor, é patente a jurisprudência do antigo conselho de contribuintes neste sentido: Processo n° :10920.000290/2003-14 Recurso n° : 134.502 Matéria : IRPJ - Ex: 1998 Recorrente : DATASUL S.A.. Recorrida : 4° TURMA / DRJ — FLORIANÓPOLIS/SC Sessão de :18 de março de 2004 Acórdão n° :108-07.742 AÇÃO JUDICIAL - CONCOMITÂNCIA COM PROCESSO ADMINISTRATIVO - IMPOSSIBILIDADE - A coincidência entre a causa de pedir, constante no fundamento jurídico da ação declaratória, e o fundamento da exigência consubstanciada em lançamento, impede o prosseguimento do processo administrativo no tocante aos mesmos fundamentos, de modo a prevalecer a solução judicial do litígio. Qualquer matéria distinta em litígio no processo administrativo deve ser conhecida e apreciada. TAXA SELIC — LEGITIMIDADE — A taxa de juros denominada SELIC, por ter sido estabelecida por lei, está de acordo com o art. 161, § 1°, do CTN, sendo, portanto válida no ordenamento jurídico. Recurso negado. Fl. 157DF CARF MF Emitido em 29/11/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/11/2010 por MARCELO FONSECA VICENTINI Assinado digitalmente em 29/11/2010 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 27/11/2010 por MARCELO FONSECA VI CENTINI Processo nº 10680.002321/2006-94 Acórdão n.º 1803-000.661 S1-TE03 Fl. 3 5 Processo n°. :10882.002485/00-33 Recurso n°. : 138.570 Matéria : IRPJ - Ex(s): 1997 Recorrente : LEVI STRAUSS DO BRASIL INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA. Recorrida : 3° TURMA/DRJ-CAMPINAS/SP Sessão de : 16 de março de 2005 Acórdão n°. :103-21.884 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - CONCOMITÂNCIA – A discussão da mesma matéria jurídica junto ao poder judiciário, mesmo anterior à ação fiscal, importa na renuncia de discutir a matéria objeto da ação judicial na esfera administrativa, uma vez que as decisões judiciais se sobrepõem às administrativas, sendo analisados apenas os aspectos do lançamento não abrangidos pela ação judicial. JUROS DE MORA - TAXA SELIC. A cobrança de débitos para com a Fazenda Nacional, após o vencimento, acrescidos de juros moratórios calculados com base na taxa referencial do SELIC, além de amparar-se em legislação ordinária, não contraria as normas balizadoras contidas no Código Tributário Nacional." Preliminar rejeitada, recurso negado. Não é sem razão que referida matéria já foi objeto de súmula deste respeitável Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Considerando a clareza da redação da súmula carf nº 1, bem como os argumentos apresentados pelo jurista Hugo de Brito Machado Segundo, ambos reproduzidos acima, resta claro que a alegação do contribuinte em seu recurso voluntário que o auto de infração foi lavrado quase dois anos depois do início da Ação Declaratória n° 2064.38.00.05965-8 e que, neste sentido, não seria possível falar-se em renúncia à impugnação do auto de infração, não deve ser acolhida, visto que o que se leva em conta para a avaliação de renúncia a instância administrativa é o objeto do processo administrativo e não sua cronologia relativamente a ação judicial. Por fim, relativamente a alegação do contribuinte que o lançamento de ofício em discussão é destituído de sentido prático, pois os depósitos voluntários, previamente feitos nos autos da ação declaratória, têm o caráter de auto lançamento, ou lançamento por homologação, cumpre observar que referido lançamento foi realizado em total consonância com o disposto no artigo 63 da Lei 9.430/96 (com redação dada pela Medida Provisória nº 2.158/01), que o autoriza o lançamento para prevenir decadência, desde que realizado sem o acréscimo de multa de ofício. Ante todo o exposto, voto por não conhecer o recurso. Marcelo Fonseca Vicentini - Relator Fl. 158DF CARF MF Emitido em 29/11/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/11/2010 por MARCELO FONSECA VICENTINI Assinado digitalmente em 29/11/2010 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 27/11/2010 por MARCELO FONSECA VI CENTINI
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Numero do processo: 16349.000272/2009-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Mar 02 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3402-000.479
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do Redator Designado. Vencido o Conselehiro Fernando Luiz da Gama Lobo dEça (Relator). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente e Redator ad hoc
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Fernando Luiz da Gama Lobo DEça, Sílvia de Brito Oliveira, Luiz Carlos Shimoyama, João Carlos Cassuli Júnior, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto).
Nome do relator: Não se aplica
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Vencido o Conselehiro Fernando Luiz da Gama Lobo d’Eça (Relator). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente e Redator ad hoc (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Fernando Luiz da Gama Lobo D’Eça, Sílvia de Brito Oliveira, Luiz Carlos Shimoyama, João Carlos Cassuli Júnior, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto). RELATÓRIO Na condição de Presidente da 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, no uso das atribuições conferidas pelo art. 17, inciso III1, do RICARF, designome Redator ad hoc para formalizar o relatório e o voto 1 Art. 17. Aos presidentes de turmas julgadoras do CARF incumbe dirigir, supervisionar, coordenar e orientar as atividades do respectivo órgão e ainda: (...) III designar redator ad hoc para formalizar decisões já proferidas, nas hipóteses em que o relator original esteja impossibilitado de fazêlo ou ñão mais componha o colegiado; RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 49 .0 00 27 2/ 20 09 -5 5 Fl. 740DF CARF MF Processo nº 16349.000272/200955 Resolução nº 3402000.479 S3C4T2 Fl. 741 2 vencido da presente resolução, tendo em vista que o Relator originário, Fernando Luiz da Gama Lobo D’Eça, não mais integra o Colegiado. Assim, reproduzo, na íntegra, o relatório disponibilizado em meio magnético pelo referido Conselheiro, conforme a seguir: Tratase de Recurso Voluntário (constante de arquivo em PDF sem numeração de páginas do processo físico) contra o Acórdão DRJ/FNS nº 0727.943 de 26/03/12 constante de fls. 529/563, exarado pela 4ª Turma da DRJ em Florianópolis/SC que, por unanimidade de votos, houve por bem “julgar improcedente” a manifestação de inconformidade de fls. 306/346, mantendo o r. Despacho Decisório (fls. 283/284) e respectiva informação fiscal (fls. 264/282) da DRF de Florianópolis SC, que indeferiu o Pedido Eletrônico de Ressarcimentos (PER) no valor de R$ 6.239.840,02 transmitido em 03/10/06 e relativo à contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa apurado no 3º trimestre de 2006 e respectivas Dcomps a ele vinculadas. Consoante esclarece a r. decisão ora recorrida: “A partir das memórias de cálculo fornecidas pela contribuinte, a autoridade fiscal excluiu, dos valores informados nas linhas do Dacon indicadas, os valores referentes a: ‘1. Bens Adquiridos no Mercado Interno para Revenda linha 01 da ficha 16A aquisições de produtos sujeitos à alíquota zero; 2. Aquisição no Mercado Interno de Bens Utilizados como Insumos linha 02 da ficha 16A 2.1) aquisições de pessoas físicas; 2.2) aquisições de bens que não se enquadram no conceito de insumo; 2.3) despesas com os serviços de fretes contratados para transferências de produtos acabados entre filiais; 2.4) aquisições de bens sujeitos à alíquota zero; 2.5) notas fiscais cujo CFOP não representa operação de aquisição de bens e nem outra operação com direito a crédito; 2.6) IPI recuperável constante das notas fiscais de aquisição. 3. Serviços Utilizados como Insumos Ficha 16A Linha 03 3.1) aquisições de pessoas físicas; 3.2) aquisições de serviços que não se enquadram no conceito de insumo, tais como animação/sonorização ou serviço de produção audiovisual; 3.3) os valores das notas fiscais Notas fiscais cujo CFOP não representa operação de aquisição de serviços e nem outra operação com direito a crédito. 4. Despesas de Aluguéis de Prédios Locados de Pessoa Jurídica Ficha 16A Linha 05 Fl. 741DF CARF MF Processo nº 16349.000272/200955 Resolução nº 3402000.479 S3C4T2 Fl. 742 3 4.1) despesas com locação de imóvel residencial; 4.2) aluguéis pagos a pessoas físicas, que se referem a aluguéis de imóveis rurais, que não se enquadram no conceito de prédios; 4.3) notas fiscais cujo CFOP não representa pagamento de aluguéis e nem outra operação com direito a crédito nesta linha, tais como serviço de frete e carreto; 5. Despesas de Aluguéis de Máquinas e Equipamentos Locados de Pessoa Jurídica Ficha 16A Linha 06 5.1) aluguéis de veículos de carga, que não são máquinas e nem equipamentos utilizados na atividade da empresa; 5.2) notas fiscais que não representam aluguel de máquinas e equipamentos e nem outra operação com direito a crédito, como por exemplo, serviço de copiadora (xerox). 6. Despesas de Armazenagem e Fretes na Operação de Venda Ficha 16A Linha 07 6.1) pagamentos a pessoas físicas; 6.2) pagamentos relativos a SERVIÇO CARGA E DESCARGA (TRANSBORDO), SERVIÇO MONITORAMENTO, SERVIÇO PORTUÁRIO e outros cujo CFOP não se referem à armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda. Também foram glosados os valores informados a título de: 7. Outras Operações com Direito a Crédito Ficha 16A linha 13 Relata a autoridade fiscal que os valores informados nessa linha do Dacon foram excluídos da base de cálculo do crédito tendo em vista que a contribuinte não comprovou a origem do crédito pleiteado, apesar de intimada e reintimada a apresentar os documentos representativos de tais valores. 8. Créditos Presumidos Atividades Agroindustriais linha 25 Dos valores declarados nessa linha, da memória de cálculo entregue foram glosados os valores das notas fiscais “cujos CFOPs não representam aquisições”, identificadas na listagem elaborada pela autoridade fiscal (item 4.3.8 do relatório) contendo na coluna alíquota a informação "Não se aplica” ou zero. E, nos termos do art. 8° da Lei n° 10.925/2004, aos valores das aquisições foram aplicadas: a alíquota de 4,56% (60% de 7,6%) para os insumos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18; e a alíquota de 2,66% (35% de 7,6%) para os demais insumos. 9. Aquisição no Mercado Externo de Bens Utilizados como 9.1) das aquisições de bens que não se enquadram no conceito de insumo, no caso, as partes de máquinas e peças de reposição de Fl. 742DF CARF MF Processo nº 16349.000272/200955 Resolução nº 3402000.479 S3C4T2 Fl. 743 4 elevado valor, que deveriam ter sido imobilizadas em função do aumento do tempo de vida útil do bem que a substituição da peça proporciona; 9.2) os valores das importações cujos CFOP denotam operações sem direito de gerar créditos a descontar de PIS/Pasep e Cofins nesta linha, como por exemplo 3551 Compra de bem para o ativo imobilizado, 3556 Compra de material para uso ou consumo e 3949 Outra entrada de mercadoria ou prestação de serviço não especificada; 9.3) os valores do IPI recuperável constante das notas fiscais de aquisição; 10. Créditos Extemporâneos Foram glosados da base de cálculo do crédito do período em questão os valores que se referem à base de cálculo de créditos de outros períodos de apuração – valores constantes das planilhas de ajustes contábeis, apresentadas pela contribuinte. Assim, as informações relativas a créditos constantes das planilhas relativas a ajustes contábeis das entradas forma desconsideradas do cálculo dos créditos, sendo consideradas apenas as informações relativas às notas fiscais informadas nas memórias de cálculo. Do dos Saldos das Ficha 25B A autoridade fiscal informa que em razão das correções realizadas nas fichas 16A e 16B da Dacon, restou saldo a pagar da Cofins. Tendo em vista que tal saldo devedor, decorrente de glosa de créditos, não foi declarado em DCTF, necessário o lançamento através de auto de infração. Acrescenta que o auto de infração poderá incluir, ainda, a análise das saídas tributadas com algum tipo de incorreção, não analisadas neste processo, e pode resultar alteração dos valores das linhas 1 a 5 da ficha 25.’ Da mesma forma, a decisão de fls. 529/563, da 4ª Turma da DRJ em Florianópolis/SC, houve por bem “julgar improcedente” a manifestação de inconformidade de fls. 306/346, mantendo o r. Despacho Decisório (fls. 283/284) e respectiva informação fiscal (fls. 264/282) da DRF em Florianópolis/SC, aos fundamentos sintetizados em sua ementa exarada nos seguintes termos: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2006 MULTA DE MORA. RESPONSABILIDADE. SUCESSÃO TRIBUTARIA. Em sendo a sucessora responsável pelos créditos tributados da sucedida, cabível é exigir daquela a multa por infração por esta cometida. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário: 2006 Fl. 743DF CARF MF Processo nº 16349.000272/200955 Resolução nº 3402000.479 S3C4T2 Fl. 744 5 REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. DIREITO DE CRÉDITO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE É do contribuinte o ônus de demonstrar e comprovar ao Fisco a existência do crédito utilizado por meio de desconto, restituição ou ressarcimento e compensação. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. APURAÇÃO DO CRÉDITO. DACON A apuração dos créditos das Contribuições para o PIS e da Cofins, não cumulativas, é realizada pelo contribuinte por meio do Dacon, não cabendo a autoridade tributária, em sede do contencioso administrativo, assentir com a inclusão, na base de cálculo desses créditos, de custos e despesas não informados ou incorretamente informados neste demonstrativo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS ANOCALENDÁRIO: 2006 REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. HIPÓTESES DE CREDITAMENTO. As hipóteses de crédito no âmbito do regime não cumulativo de apuração da Cofins são somente as previstas na legislação de regência, dado que esta é exaustiva ao enumerar os custos e encargos passíveis de creditamento, não estando suas apropriações vinculadas à caracterização de sua essencialidade na atividade da empresa ou à sua escrituração na contabilidade como custo operacional. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMO. No regime não cumulativo da Cofins, somente são considerados como insumos, para fins de creditamento de valores: os combustíveis e lubrificantes, as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de sua aplicação direta na prestação de serviços ou no processo produtivo de bens destinados à venda; e os serviços prestados por pessoa jurídica, aplicados ou consumidos na prestação de serviços ou na produção ou fabricação de bens destinados à venda. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. PARTES E PEÇAS DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. INSUMOS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. As partes e peças adquiridas para manutenção de máquinas e equipamentos para que possam ser consideradas como insumos, assim permitindo a apropriação do crédito decorrente de suas aquisições, devem ser consumidas em decorrência de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação e, ainda, não podem representar acréscimo de vida útil superior a um ano ao bem em que forem aplicadas. Fl. 744DF CARF MF Processo nº 16349.000272/200955 Resolução nº 3402000.479 S3C4T2 Fl. 745 6 REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÃO DE BENS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DA CONTRIBUIÇÃO. CRÉDITOS. VEDAÇÃO. Por disposição expressa em lei, o contribuinte não tem direito a créditos da Cofins não cumulativa sobre as aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição; nos casos de isenção, somente quando os bens sejam revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. DESPESAS COM FRETES. CONDIÇÃO DE CREDITAMENTO. No âmbito do regime não cumulativo da Contribuição para o PIS, as despesas com serviços de frete somente geram crédito quando: o serviço consista de insumo; o frete contratado esteja relacionado a uma operação de venda, tendo as despesas sido arcadas pelo vendedor; o frete contratado esteja relacionado a uma operação de aquisição de insumo, tendo as despesas sido arcadas pelo adquirente. NÃO CUMULATIVIDADE. ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. CRÉDITO PRESUMIDO. No âmbito do regime não cumulativo da Cofins, a natureza do bem produzido pela empresa que desenvolva atividade agroindustrial é considerada para fins de aferir seu direito ao aproveitamento do crédito presumido, já no cálculo do crédito deve ser observada a alíquota conforme a natureza do insumo adquirido. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. APURAÇÃO. REGIME DE COMPETÊNCIA. A adoção do regime de competência na apuração da Cofins e dos correspondentes créditos da não cumulatividade decorre da legislação tributária, sendo, portanto, de observação obrigatória pelo contribuinte. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Nas razões de Recurso Voluntário (constante de arquivo em PDF sem numeração de páginas do processo físico) oportunamente apresentadas, a ora Recorrente sustenta que a reforma da r. decisão recorrida e a legitimidade do crédito compensando, tendo em vista: a) preliminarmente a conexão do presente processo com os processos que indeferiram os pedidos de restituição e compensações de PIS e COFINS que deveriam ser julgados em conjunto; b) que as glosas decorrentes da diferença entre DACON e memória de cálculo são improcedentes, haja vista que decorrem de equívoco por parte da Recorrente na elaboração das memórias de cálculo, além do fato de que a r. autoridade fiscal, ao realizar as glosas, não analisou detidamente as mercadorias glosadas e sua caracterização como insumo, para fins de possibilitar o creditamento; c) a nulidade da r. decisão da DRJ, sem análise dos esclarecimentos e a documentação acostada que justificariam as supostas divergências ou analisada a pela Recorrente no decorrer do processo; d) que a suposta a divergência entre as memórias de cálculo apresentadas e os DACON's decorrereria de simples erro na migração de dados Fl. 745DF CARF MF Processo nº 16349.000272/200955 Resolução nº 3402000.479 S3C4T2 Fl. 746 7 contábeis para planilhas, e que a comprovada regularidade da apropriação dos créditos do PIS e COFINS com base nos balancetes de verificação, torna insubsistentes os lançamentos e a r. decisão que os manteve; e) que as restrições ao creditamento das contribuições prenderseiam a uma indevida interpretação restritiva do conceito de insumos da atividade da Recorrente; f) depois de tecer considerações sobre as diferenças da não cumulatividade no IPI, ICMS e nas contribuições sociais sobre o faturamento e sua aproximação ao conceito de custo e despesas operacionais, que os referidos créditos se enquadrariam perfeitamente no conceito de insumos, na conceituação da legislação do PIS e da COFINS conforme reconhecido nas decisões de consulta e decisões da própria SRF e do Poder Judiciário que cita, g) que em sua impugnação já demonstrou que os CFOP's n° 1931 e 2931 correspondem a operações de serviços de transporte realizado de insumos adquiridos e das mercadorias industrializadas, e que as notas fiscais emitidas com o CFOP n° 1124 referemse a serviços de abate e processamento prestados pela empresa ARANTES ALIMENTOS LTDA., motivo pelo qual o creditamento nestas operações seria válido, eis que referem se a serviços de abate de aves e gado e processamento de carne destinada à exportação para oriente médio e conforme os requisitos do mercado internacional; h) relativamente a glosa dos fretes de produtos acabados, relativos às transferências realizadas entre os estabelecimentos da empresa em caminhões refrigerados são absolutamente imprescindíveis à atividade e à geração de receita da Recorrente, constituindose em verdadeiro insumo, motivo pelo qual devem ser julgadas improcedentes as glosas realizadas; i) no que toca ao material de embalagem (pallets, filme plástico, dentre outros) também consubstanciam insumos indispensáveis as operações e transportes das mercadorias industrializadas vez que os pallets são estruturas nos quais as mercadorias produzidas pela Recorrente são empilhadas e embaladas com filme plástico, viabilizando o seu transporte, o seu posicionamento nos caminhões ou mesmo nos contêineres, de modo a garantir a segurança do transporte e, sobretudo, para garantir a qualidade do produto final e portanto são insumos necessários para a venda do produto final e, portanto, para as atividades da empresa tal como reconhecido pela Jurisprudência; j) igualmente os serviços de carga, descarga e transbordo, de lavagem e higienação de uniformes/indumentárias, de inspeção sanitária e de armazenagem dos produtos, são indispensáveis à realização da atividade da Recorrente e necessários à geração de receita conferem direito a crédito; l) insumos importados, as partes e peças de reposição de máquinas destinadas à produção de alimentos, por serem importados com o recolhimento do PIS e da COFINS conferem direito a crédito; m) "bens adquiridos para a revenda" e "bens utilizados como insumos", adquiridos à alíquota zero também geram direito de crédito; n) que os créditos presumidos foram regulamente apropriados utilizando o percentual de 60%, nos termos do art. 8° § 3º, inc. I da Lei n° 10.925/2004; que os descontos incondicionados não se incluem na base de cálculo do PIS e da COFINS; o) a ilegalidade da exigência da multa punitiva da sucessora tributária. É o Relatório. VOTO VENCIDO Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Redator ad hoc A teor do relatório acima reproduzido, também adoto aqui, na íntegra, o voto vencido disponibilizado pelo Conselheiro Fernando Luiz da Gama Lobo D’Eça, que assim dispõe: Fl. 746DF CARF MF Processo nº 16349.000272/200955 Resolução nº 3402000.479 S3C4T2 Fl. 747 8 Submetido o processo a julgamento, na qualidade de relator original do presente processo, por me considerar devidamente esclarecido dos fatos, ousei divergir da d. Maioria, vez que meu voto adentrava ao exame de mérito da questão, razão pela qual restei vencido na diligência proposta pelo redator ora designado e acolhida pela C. Turma, que se mostrava contraditória com a própria fundamentação de meu voto de exame de mérito. Eis o voto que me coube redigir. Antonio Carlos Atulim VOTO VENCEDOR Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, Redator Designado A impugnação foi apresentada com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dela tomo conhecimento e passo a apreciar. A Autoridade Fiscal e a Delegacia de Julgamento partem da premissa de que para serem considerados insumos os itens devem ser aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação do bem. Conceito parecido com o utilizado pelo Parecer Normativo CST nº 65, de 30 de outubro de 1979. Com base nesta premissa glosou insumos que entendia não se subsumirem a regra acima descrita. Neste contexto foram glosados diversos itens que nos termos da Instrução Normativa RFB nº 404, de 12 de março de 2004 não se enquadram ao conceito de insumo. Como é de conhecimentos de todos deste Colegiado, o conceito de insumo que admito e que entendo utilizado pelo Legislador na apuração de créditos a serem descontados da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Por isso, entendo que em todo processo administrativo que envolver créditos referentes a nãocumulatividade do PIS ou da Cofins, deve ser analisado cada item relacionado como “insumos” e o seu envolvimento no processo produtivo, para então definir a possibilidade de aproveitamento do crédito. Assim, retornando aos autos, tenho que este processo não se encontra em condições de receber um justo julgamento, de forma que deve o mesmo retornar à autoridade preparadora, para que seja esclarecida a participação de cada bem glosado pela Autoridade Fiscal que entendeu não se enquadrar no conceito de insumo, no processo produtivo da empresa, ainda como, que seja efetuado descritivo minucioso do referido processo, a fim de que sejam constatados o emprego dos referidos bens e direitos no processo produtivo, aquilatando sua participação em relação ao produto final. Ao efetuar estas constatações, peço que a autoridade preparadora elabore um parecer conclusivo que possibilite a identificar cada custo/despesa elencados, para fins de uma análise jurídica deste Colegiado, quanto à participação de cada bem ou direito no processo produtivo do contribuinte em questão. Fl. 747DF CARF MF Processo nº 16349.000272/200955 Resolução nº 3402000.479 S3C4T2 Fl. 748 9 Da conclusão da diligência deve ser dada ciência à contribuinte, abrindolhe o prazo de trinta dias para, querendo, pronunciarse sobre o feito. Após todos os procedimentos, que sejam devolvidos os autos ao CARF para prosseguimento do rito processual. É como voto. Gilson Macedo Rosenburg Filho Fl. 748DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10872.720100/2015-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 15 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Mar 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2011
LUCRO ARBITRADO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS FISCAIS E CONTÁBEIS. ESCRITURAÇÃO COMERCIAL E FISCAL. A hipótese falta de entrega da escrituração que a ampararia na tributação com base no lucro real, com base no art. 530. inciso III, por si só, é suficiente para ensejar o arbitramento.
Súmula CARF nº 59: A tributação do lucro na sistemática do lucro arbitrado não é invalidada pela apresentação, posterior ao lançamento, de livros e documentos imprescindíveis para a apuração do crédito tributário que, após regular intimação, deixaram de ser exibidos durante o procedimento fiscal.
RESPONSABILIDADE. NÃO APLICAÇÃO. Para que haja a responsabilização nos termos dos artigos 124 e 135 do CTN é necessário que o auto de infração descreva especificamente a conduta que revele a hipótese descrita em tais dispositivos legais.
Numero da decisão: 1401-001.790
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso voluntário do contribuinte e DAR provimento ao recurso voluntário do responsável a Luiz Dias de Melo.
ANTONIO BEZERRA NETO - Presidente.
(assinado digitalmente)
LIVIA DE CARLI GERMANO - Relatora.
(assinado digitalmente)
EDITADO EM: 05/03/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO BEZERRA NETO (Presidente), LIVIA DE CARLI GERMANO, LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN, GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, LUIZ RODRIGO DE OLIVEIRA BARBOSA, ABEL NUNES DE OLIVEIRA NETO, AURORA TOMAZINI DE CARVALHO.
Nome do relator: LIVIA DE CARLI GERMANO
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FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS FISCAIS E CONTÁBEIS. ESCRITURAÇÃO COMERCIAL E FISCAL. A hipótese falta de entrega da escrituração que a ampararia na tributação com base no lucro real, com base no art. 530. inciso III, por si só, é suficiente para ensejar o arbitramento. Súmula CARF nº 59: A tributação do lucro na sistemática do lucro arbitrado não é invalidada pela apresentação, posterior ao lançamento, de livros e documentos imprescindíveis para a apuração do crédito tributário que, após regular intimação, deixaram de ser exibidos durante o procedimento fiscal. RESPONSABILIDADE. NÃO APLICAÇÃO. Para que haja a responsabilização nos termos dos artigos 124 e 135 do CTN é necessário que o auto de infração descreva especificamente a conduta que revele a hipótese descrita em tais dispositivos legais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso voluntário do contribuinte e DAR provimento ao recurso voluntário do responsável a Luiz Dias de Melo. ANTONIO BEZERRA NETO Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 2. 72 01 00 /2 01 5- 35 Fl. 748DF CARF MF 2 LIVIA DE CARLI GERMANO Relatora. (assinado digitalmente) EDITADO EM: 05/03/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO BEZERRA NETO (Presidente), LIVIA DE CARLI GERMANO, LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN, GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, LUIZ RODRIGO DE OLIVEIRA BARBOSA, ABEL NUNES DE OLIVEIRA NETO, AURORA TOMAZINI DE CARVALHO. Relatório Tratase de autos de infração para cobrança de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS em vista da alegada omissão de receitas (art. 530, III, do RIR/99), com multa de 75%, tendo ainda sido caracterizada a responsabilidade do sóciogerente Luiz Dias de Melo com base nos artigos 124, I e 135, III do CTN. Os autos de infração de efls. 120158, datado de julho de 2015, assim descrevem os motivos para o arbitramento efetuado com base nas notas fiscais eletrônicas de vendas emitidas pela contribuinte: A empresa apresentou impugnação tempestiva, a qual foi assinada pelo responsável Luiz Dias de Melo, que não apresentou peça impugnatória própria, mas cujas razões de defesa constaram da peça apresentada em nome da contribuinte. Em 21 de junho de 2016 a DRJ/BHE julgou improcedente a impugnação apresentada, em acórdão assim ementado: Fl. 749DF CARF MF Processo nº 10872.720100/201535 Acórdão n.º 1401001.790 S1C4T1 Fl. 749 3 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2011 RESPONSABILIZAÇÃO TRIBUTÁRIA. DISSOLUÇÃO IRREGULAR. Presumese dissolvida irregularmente a empresa que deixa de funcionar no seu domicílio fiscal, sem comunicação aos órgãos competentes, comercial e tributário, cabendo a responsabilização do sóciogerente. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2011 PRELIMINAR DE NULIDADE. A nulidade só se impõe ao ato administrativo praticado com afronta a princípios e normas legais ligadas a questões externas ao mérito da relação jurídicotributária. REVISÃO DE OFÍCIO DEPOIS DE APRESENTADA IMPUGNAÇÃO. Não há falar em revisão de lançamento por iniciativa de ofício da autoridade administrativa após a apresentação da impugnação, quando a matéria já esteja submetida aos órgãos de julgamento administrativo, ou já tenha sido objeto de apreciação destes. A iniciativa de ofício para efetuar a revisão do lançamento é da unidade da RFB na qual foi formalizada a exigência, sendo impróprio que seja requerida da DRJ pelo impugnante. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011 ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL DIGITAL (ECD). VALIDADE. FALTA DE AUTENTICAÇÃO A ECD será considerada válida após a confirmação de recebimento do arquivo que a contém e após a autenticação pelos órgãos de registro. ARBITRAMENTO DO LUCRO. O imposto devido trimestralmente no decorrer do ano calendário será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal. DECORRÊNCIA. O decidido para o lançamento de IRPJ se estende aos demais lançamentos com os quais compartilhe o mesmo fundamento de fato, não havendo outras razões de ordem jurídica que lhes determinem tratamento diverso. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2011 REGIME DE INCIDÊNCIA CUMULATIVA. PESSOAS JURÍDICAS TRIBUTADAS PELO LUCRO ARBITRADO. As pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro presumido ou arbitrado se sujeitam à incidência cumulativa e apuram o PIS e a Cofins com base na Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, e alterações. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2011 REGIME DE INCIDÊNCIA CUMULATIVA. PESSOAS JURÍDICAS TRIBUTADAS PELO LUCRO ARBITRADO. As pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro presumido ou arbitrado se sujeitam à incidência cumulativa e apuram o PIS e a Cofins com base na Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, e alterações. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimada em 6 de julho de 2016, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 3 de agosto de 2016. Não obstante o acórdão tenha determinado expressamente que fosse dada ciência tanto à Rio Recibras Comércio de Metais Recicláveis Ltda. quanto ao responsável Luiz Dias de Melo, não constou dos autos AR intimando este último e este não apresentou peça recursal. Por tal motivo, em 7 de outubro de 2016 converti o julgamento em diligência para que fosse dada ciência do acórdão 0269.086, de 21 de junho de 2016, ao responsável. Fl. 750DF CARF MF 4 Intimado em 9 de dezembro de 2016 (uma sextafeira), o responsável apresentou recurso voluntário em 9 de janeiro de 2017. Os recursos voluntários apresentados pela contribuinte e pelo responsável têm teor substancialmente semelhante e sustentam, em síntese: a) Ilegitimidade passiva do responsável Luiz Dias de Melo: Alega que, de fato, o CNPJ da Rio Recibras foi declarado inapto por não ter sido localizada pela Fiscalização em seu estabelecimento e que isso configuraria, em tese, dissolução irregular da sociedade, porém a empresa de forma alguma foi dissolvida irregularmente. Na verdade, a Rio Recibras se encontra em recuperação judicial, deferida pelo Juízo da 4ª Vara Empresarial da Comarca da Capital – RJ, nos autos do Processo nº 0039961 28.2009.8.19.0001, conforme documentação acostada aos autos. Destaca, ainda, que em 12/12/2016, a empresa ajuizou a Ação Anulatória nº 042416922.2016.8.19.0001, em trâmite perante a 2ª Vara de Fazenda Pública da Comarca da Capital, objetivando o restabelecimento de sua Inscrição Estadual, suspensa pelo fisco do Estado do Rio de Janeiro supostamente por inexistência de fato, ocasião em que foi deferido o pedido de tutela antecipada, determinandose ao Estado do Rio de Janeiro que reative imediatamente a inscrição estadual da Empresa. A decisão destaca, ainda (efls. 658659): "A documentação acostada à inicial permite entrever com razoável probabilidade a existência do direito vindicado, conquanto em todas as bases cadastrais oficiais consta como endereço da sede da empresa a Rua Atilio Parim, nº. 87, Jardim América, não se justificando a diligência realizada pela fiscalização em endereço diverso, levando em conta ainda a verificação realizado in loco objeto de ato registral dotado de fé pública. Considero também presente o requisito do periculum in mora uma vez que o autor encontrase em recuperação judicial, cabendo registrar que o prejuízo para o autor será maior, quiçá irreparável em caso de indeferimento da medida, inexistindo, a priori, risco reverso para o réu. Assim, concedo a tutela provisória de urgência e determino o restabelecimento da Inscrição Estadual da autora a fim de que possa continuar exercendo suas atividades. empresariais. Assino o prazo de 10 dias para cumprimento, sob pena de multa diária no valor de R$ 500,00 (quinhentos reais)." *Sobre a questão da diligência realizada em endereço diverso mencionada na decisão: consta a efls. 89 o Termo de constatação fiscal de 22/09/2014, com o seguinte teor: Foi também juntada aos recursos apresentados a vistoria realizada pelo Escrevente do 15º Ofício de Notas, Sr. Luiz Fábio Neder, no estabelecimento da Rio Recibras Fl. 751DF CARF MF Processo nº 10872.720100/201535 Acórdão n.º 1401001.790 S1C4T1 Fl. 750 5 (Rua Atilio Parim, 87, Jardim América, Rio de JaneiroRJ), consubstanciada através de Ata Notarial (instrumento dotado de fépública, conforme dispõe o artigo 3º da Lei Federal 8.935/94), a qual corroboraria que a empresa de fato existe. Caso assim não se entenda, o que se admite apenas a título de argumentação, pugna o Recorrente que seja determinada a baixa dos autos para diligência, a fim de que a Fiscalização compareça ao estabelecimento da Rio Recibras a fim de comprovar não ter havido dissolução irregular da sociedade. b) Inaplicabilidade do art. 124 do CTN ao caso concreto: sustenta que inexiste interesse comum (interesse jurídico convergente), além do que só deve ser imputada a solidariedade àqueles que tenham praticado diretamente o fato gerador do tributo. c) Excepcionalidade do lançamento por arbitramento: afirma que arbitramento é hipótese excepcional da utilização de presunções/ficções no Direito Administrativo Tributário, uma vez que a atividade da Administração Tributária, no exercício do lançamento e no processo administrativo que venha a sobejarlhe, é pautada justamente pelo princípio da verdade material. d) Impossibilidade de arbitramento do lucro no caso concreto Aduz que a fiscalização tinha acesso às suas informações fiscais, sendo certo tratarse de claro descumprimento de obrigação acessória, motivo pelo qual deveria ter sido lavrada a multa decorrente a essa infração cometida. Ademais, sustenta que, não obstante a DIPJ 2012 tenha sido enviada “zerada”, a empresa respondeu à fiscalização que apresentou a declaração dessa maneira ante a necessidade de entrega de ECD através do SPEDContábil, momento em que retificaria a DIPJ, sendo que o SPEDContábil foi tempestivamente transmitido no dia 29/06/2012, em período anterior à instauração do Procedimento Fiscal que resultou na presente autuação (o termo de início da ação fiscal data de 17/12/2013 cf. efls. 2). Afirma, ainda, que o argumento utilizado pela Turma Julgadora para não ter reconhecido a ECD transmitida se deu apenas pela documentação não ter sido autenticada, tendo em vista que a JUCERJA notificou a Rio Recibras para o cumprimento das exigências relacionadas à documentação entregue. Além disso, alega que a Turma Julgadora mencionou a prática de omissão de receitas de maneira completamente equivocada, pois muito embora a empresa tenha obtido receitas ela não recolheu DARF no período por ter apurado no período prejuízo fiscal e saldo credor de PIS/Cofins, conforme documentos acostados à impugnação. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Livia De Carli Germano Os recursos voluntários são tempestivos e preenchem os requisitos de admissibilidade, portanto deles tomo conhecimento. Fl. 752DF CARF MF 6 O arbitramento do lucro da Recorrente fundamentouse no art. 530, III, do RIR/99, que assim dispõe: Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando: (...) III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; O dispositivo legal considera que a não apresentação dos livros comerciais obrigatórios e auxiliares e os livros fiscais, onde se acham transcritas as operações da empresa, implica a impossibilidade do conhecimento e da apuração da receita e/ou despesa da atividade, impedindo, portanto, a apuração do lucro real ou do lucro presumido. Em situações como esta o arbitramento é medida de salvaguarda do crédito tributário, não cabendo ao fiscal autuante permanecer à espera de que o contribuinte cumpra suas obrigações fiscais intempestivamente, apenas quando lhe seja conveniente. Em relação ao seu argumento de que arbitramento é uma medida extrema, partilho do entendimento de que o procedimento deva ser utilizado com parcimônia, principalmente naqueles casos em que a lei, apesar de delimitar objetivamente as situações que ensejariam o arbitramento, deixa margem a alguma subjetividade, como ocorre com a hipótese de “escrituração imprestável”. Todavia, no caso concreto, não há margem para subjetividade, não se aplicando ao caso esse argumento de que foi utilizada medida extrema. De fato, a hipótese de arbitramento por falta de entrega dos livros contábeis é fechada e objetiva, não comportando margem a dúvidas já que, por si só, dá conta da necessidade da medida. No caso, o procedimento fiscal tem como data de início 23 de dezembro de 2013. Nesta primeira oportunidade, foram solicitados documentos e explicações, em especial a razão de a DIPJ do anocalendário 2011 ter sido apresentada zerada, apesar de constar do SPED NFe (emissor) que a empresa emitiu notas fiscais de vendas em valor superior a R$120 milhões. Em 5 de março de 2014 o sócio Luiz Dias Melo foi pessoalmente intimado desta mesma solicitação, quando então apresenta a resposta com o seguinte conteúdo: Em 22 de setembro de 2014 foi lavrado o Termo de Constatação Fiscal de e fls. 89, no seguinte teor: Fl. 753DF CARF MF Processo nº 10872.720100/201535 Acórdão n.º 1401001.790 S1C4T1 Fl. 751 7 A inaptidão da pessoa jurídica foi declarada por edital publicado em 23 de março de 2015, "em razão de não ter sido localizada no endereço constante do referido cadastro". Em 17 de junho de 2015 novamente a empresa foi intimada a justificar o motido para a apresentação da DIPJ 2012 zerada, uma vez que constam do SPED NFe (emissor) notas fiscais de vendas em valor superior a R$ 120 milhões. Nesta ocasião, a contribuinte apresentou resposta nos seguintes termos: Em 22 de junho de 2015 a empresa foi novamente intimada a "apresentar a DIPJ 2012" e a "atender as exigências para a entrega do SPED contábil, a fim de que seja regularizada a sua entrega". Não consta dos autos resposta a tal intimação. Notese o cenário em que foi lavrado o auto de infração ora em discussão: a fiscalização aguardou por pelo menos 18 meses (da primeira intimação em dezembro de 2013 até a última em junho de 2015) que a contribuinte regularizasse a sua situação, concedendo prazo mais do que suficiente para a empresa apresentasse a documentação solicitada, consubstanciada por livros de escrituração obrigatória referentes ao anocalendário de 2011. A empresa atendeu às intimações de maneira não suficiente, sem que tenha havido qualquer justificativa razoável. Fato é que, não obstante a empresa tenha apurado receita de vendas de mercadorias no anocalendário de 2011, até 2015 não tinha havido qualquer recolhimento de tributos tampouco a devida apresentação, por meios oficiais (e não em "pen drive") dos livros fiscais e contábeis que respaldassem a inexistência de tributos devidos (pela apuração de prejuízo fiscal, de base negativa de CSLL e de saldos credores de PIS e COFINS). Fl. 754DF CARF MF 8 Dessa maneira, não resta dúvida sobre a adequação da metodologia empregada pela autoridade autuante quando do arbitramento do lucro para fins de apuração dos tributos cobrados, pois durante o procedimento fiscal, mesmo reiteradamente intimada para tanto, a Recorrente não apresentou a documentação solicitada. O fato de a recorrente apresentar, em sede de impugnação, (i) um LALUR (e fls. 271271), (ii) a DACON referente a 2011 transmitida em 16/01/2014; e (iii) o recibo de entrega de escrituração contábil digital transmitido em 29/06/2012, não é suficiente para desconstituir o lançamento tributário pelo regime do lucro arbitrado pois, diante da ausência de atendimento às intimações para apresentação dos documentos durante o procedimento fiscal, não cabia à autoridade autuante agir de maneira distinta. Este entendimento encontrase pacificado neste Conselho em vista do enunciado da Súmula CARF n.º 59, transcrita abaixo: Súmula CARF nº 59: A tributação do lucro na sistemática do lucro arbitrado não é invalidada pela apresentação, posterior ao lançamento, de livros e documentos imprescindíveis para a apuração do crédito tributário que, após regular intimação, deixaram de ser exibidos durante o procedimento fiscal. Correto, portanto, o arbitramento do lucro da recorrente diante ausência de apresentação dos livros contábeis e fiscais durante o procedimento fiscal. Quanto à responsabilidade solidária, todavia, entendo que assiste razão ao Recorrente. De fato, para que haja a responsabilização solidária do artigo 124 do CTN ou a pessoal do artigo 135 do mesmo diploma, é necessário que o auto de infração descreva especificamente a conduta que revele a hipótese descrita em tais dispositivos legais, o que não existiu no caso em questão. Pelo contrário, ao descrever a sujeição passiva, o Termo endereçado a Luiz Dias de Melo aponta a acusação ao outro sócio da empresa, Luiz Claudio Cardoso Rodrigues, que sequer foi pessoalmente intimado de qualquer termo de responsabilidade. Vejase o conteúdo de efls. 124, 137 e 152: Ante o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário da contribuinte e de dar provimento ao recurso voluntário do responsável Luiz Dias de Melo. Livia De Carli Germano Relatora (assinado digitalmente) Fl. 755DF CARF MF Processo nº 10872.720100/201535 Acórdão n.º 1401001.790 S1C4T1 Fl. 752 9 Fl. 756DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10972.000193/2008-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 14 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Mar 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004, 2005
QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO
O STF já se pronunciou em sede de Repercussão Geral (no RE nº 601.314) sobre a constitucionalidade da LC 105/2001, razão porque se faz obrigatória a aplicação deste entendimento pelos membros do CARF, em virtude do comando determinado no inciso I do art. 62 do Regimento Interno do CARF, inserto no Anexo do II da Portaria MF n.º 343, de 09/06/2015 e alterações posteriores.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO RELATIVA DE RENDA.
Em nenhum momento foi juntada aos autos documentação capaz de afastar a presunção relativa com a efetiva comprovação da origem dos créditos efetuados em contas bancárias. O contribuinte, em seu Recurso Voluntário, expõe apenas argumentação genérica se contrapondo à norma estabelecida no artigo 42 da Lei nº 9.430/96, não cabendo a este colegiado o pronunciamento concernente às desconformidades da lei tributária frente à Constituição Federal, conforme Súmula CARF nº 02. Correta a aplicação da multa de ofício e da taxa SELIC
Numero da decisão: 2401-004.629
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso, para, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente.
(assinado digitalmente)
Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Cleberson Alex Friess, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Carlos Alexandre Tortato e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: Relator
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2004, 2005 QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO O STF já se pronunciou em sede de Repercussão Geral (no RE nº 601.314) sobre a constitucionalidade da LC 105/2001, razão porque se faz obrigatória a aplicação deste entendimento pelos membros do CARF, em virtude do comando determinado no inciso I do art. 62 do Regimento Interno do CARF, inserto no Anexo do II da Portaria MF n.º 343, de 09/06/2015 e alterações posteriores. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO RELATIVA DE RENDA. Em nenhum momento foi juntada aos autos documentação capaz de afastar a presunção relativa com a efetiva comprovação da origem dos créditos efetuados em contas bancárias. O contribuinte, em seu Recurso Voluntário, expõe apenas argumentação genérica se contrapondo à norma estabelecida no artigo 42 da Lei nº 9.430/96, não cabendo a este colegiado o pronunciamento concernente às desconformidades da lei tributária frente à Constituição Federal, conforme Súmula CARF nº 02. Correta a aplicação da multa de ofício e da taxa SELIC
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO RELATIVA DE RENDA. Em nenhum momento foi juntada aos autos documentação capaz de afastar a presunção relativa com a efetiva comprovação da origem dos créditos efetuados em contas bancárias. O contribuinte, em seu Recurso Voluntário, expõe apenas argumentação genérica se contrapondo à norma estabelecida no artigo 42 da Lei nº 9.430/96, não cabendo a este colegiado o pronunciamento concernente às desconformidades da lei tributária frente à Constituição Federal, conforme Súmula CARF nº 02. Correta a aplicação da multa de ofício e da taxa SELIC Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 2. 00 01 93 /2 00 8- 21 Fl. 996DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso, para, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente. (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Cleberson Alex Friess, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Carlos Alexandre Tortato e Rayd Santana Ferreira. Fl. 997DF CARF MF Processo nº 10972.000193/200821 Acórdão n.º 2401004.629 S2C4T1 Fl. 997 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face da decisão proferida pela 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento Juiz de Fora (MG) DRJ/JFA, que por unanimidade de votos, considerou procedente o lançamento formalizado pelo Auto de Infração de fls. 03/06, para exigir o pagamento do imposto de renda, conforme ementa do Acórdão nº 0922.726 (fls. 579/586): ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2004, 2005 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. RESGATE DE CONTRIBUIÇÕES DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo sujeito passivo. INTIMAÇÕES NO ESCRITÓRIO DO PROCURADOR. IMPOSSIBILIDADE. No processo administrativo fiscal, a ciência dos atos processuais se dá na forma estabelecida no Decreto n° 70.235/72, devendo, no caso de utilizada a via postal, ocorrer no domicílio tributário do sujeito passivo. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004, 2005 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FATO GERADOR. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/1997, a legislação autoriza a presunção de omissão com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Exercício: 2004, 2005 LANÇAMENTO DE OFÍCIO MORA. MULTA. JUROS DE MORA. A aplicação da multa proporcional e dos juros de mora, com base na taxa Selic, revela a plena obediência da autoridade lançadora à legislação tributária vigente, sendo indevidas as alegações passivas acerca de “confisco”, uma vez que realizada Fl. 998DF CARF MF 4 a exação dentro do princípio da legalidade que rege a atividade do lançamento. Lançamento Procedente O presente processo teve sua origem no Auto de Infração de fls. 02/05 lavrado em nome do Contribuinte, com sua ciência em 08/12/2008 (AR à fl. 541), relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física IRPF, exercícios 2004 e 2005, anoscalendário 2003 e 2004, sendo apurados o valor total de crédito tributário de R$ 10.641.153,09, distribuído da seguinte forma: · IRPF....................................................................R$ 4.634.346,52 · Multa de Oficio 75% (passível de redução).....R$ 3.475.759,88 · Juros de Mora calculados até 11/2008..............R$ 2.531.046,69 De acordo com Relatório da Ação Fiscal (fls. 07/48) o lançamento foi motivado pela constatação de: (i) omissão na Declaração de Ajuste Anual DAA do Contribuinte de rendimentos recebidos a título de resgate de contribuições de previdência privada em abril de 2003, no valor de R$ 14.662,99, apurada na análise da Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF apresentada por BRADESCO VIDA E PREVIDÊNCIA S/A; (ii) omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários em 2003 e 2004 com origem não comprovada, após ter sido o contribuinte regularmente intimado a apresentála. A fiscalização teve origem em ação fiscal realizada na contribuinte BRUNA GONÇALVES DE SOUSA, CPF n° 064.996.36606, que apresentou em 2003 incompatibilidade entre a elevada movimentação financeira e a ausência de rendimentos informados. Regularmente intimada, BRUNA identificou como responsável pelo montante movimentado HAIG HOVSEPIAN, com quem mantinha conta conjunta, que ratificou a informação, o que ocasionou a execução do procedimento fiscal que originou o presente lançamento. O TERMO DE INÍCIO DE FISCALIZAÇÃO (fls. 182/184) foi lavrado em 30/03/2007, com ciência do Contribuinte em 02/04/2007 (AR à fl. 185), e nele o contribuinte foi intimado a comprovar a origem dos recursos movimentados e a informar sua atividade profissional, assim como sua correlação com as operações bancárias, além dos extratos bancários de todas as instituições financeiras nas quais efetuou movimentação nos anos de 2003 e 2004. O Contribuinte não atendeu às solicitações feitas no TERMO DE INÍCIO DE FISCALIZAÇÃO (fls. 182/184), e nem as feitas nos TERMOS DE INTIMAÇÃO FISCAL emitidos respectivamente em 15/02/2008 (fls. 314/315), com ciência em 19/02/2008 (AR à fl. 377), e em 14/03/2008 (fls. 399/400), com ciência em 20/03/2008 (AR à fl. 401), deixando de comprovar a origem dos recursos que constaram em seus extratos bancários, limitandose a informar que toda a movimentação efetuada nas contas em que figura como um dos titulares é de sua responsabilidade. Em face da existência das cotitulares Márcia Lombardi Hovsepian, CPF 696.943.03672, e Maria Zita de Sousa, CPF 082.498.81672 (item 21 do Relatório da Ação Fiscal – fl. 10), foram expedidos Mandados de Procedimento Fiscal de Diligência, sendo tais contribuintes intimadas, em 20/03/2008, a identificar os recursos creditados/depositados a elas pertencentes e a comprovar sua origem, assim como a informar a existência de operações e Fl. 999DF CARF MF Processo nº 10972.000193/200821 Acórdão n.º 2401004.629 S2C4T1 Fl. 998 5 vínculos de natureza comercial, empresarial ou trabalhista, discriminandoos, deixando, no entanto, de comprovar a origem dos recursos que constaram em seus extratos bancários (fls. 409/480). Através dos extratos bancários e dos documentos recebidos dos bancos Caixa Econômica Federal, Bradesco e BCN, solicitados por meio de Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira RMF, a Fiscalização consolidou os valores depositados mensalmente nas contas bancárias sem comprovação de sua origem, considerando os valores levantado nas planilhas de fls. 15 a 75 e os declarados pelo Contribuinte em suas DAA de 2003 e 2004. O procedimento fiscal chegou a ser paralisado algumas vezes em razão de liminares e sentenças exaradas nos Mandados de Segurança MS n° 2006.38.02.0054265 (fls. 156/163) e 2008.38.02.0011842 (fls. 484/488), sendo tais decisões suspensas pelo TRF da 1ª Região em 02/12/2008 (fl. 512/523). O TERMO DE ENCERRAMENTO (fl. 540) foi lavrado em 05/12/2008. O Contribuinte tomou ciência do Auto de Infração (AR à fl. 541) em 08/12/2008 e, em 23/12/2008, apresentou sua impugnação (fls. 543/573), alegando em síntese o seguinte: 1. A improcedência do lançamento deve ser reconhecida pelo fato de o mesmo basearse exclusivamente em movimentação bancária, sem provas suplementares válidas da existência de renda tributável, aduzindo que nem tudo que passava pela conta bancária configurava renda; 2. Assevera, através de vasta argumentação, que para indício se tornar presunção válida necessita obrigatoriamente de uma prova que o consubstancie, o que não ocorreu no caso em tela; 3. Rebate a multa de ofício aplicada no percentual de 75%, que seria desproporcional, infringindo o princípio constitucional da proibição de aplicação de tributo com efeito confiscatório, devendo a mesma ser reduzida para o patamar de 20%. 4. Argumenta ser inaplicável a taxa Selic para fins de cálculo dos juros de mora tributários, contrariando o Código Tributário Nacional e a Constituição Federal, que proíbem a cobrança de taxas de juros superiores a 12% ao ano. Finaliza sua impugnação requerendo a improcedência do Auto de Infração, bem como da multa e dos juros. Alternativamente, requer que seja revisto o lançamento realizado com base apenas na movimentação bancária, e não tendo como base o fato gerador do IR, bem como a redução da multa para o patamar de 20%, além da redução dos juros de mora. Por fim, requer que todas as intimações sejam feitas em nome dos procuradores e enviadas a seu endereço. Encaminhado o processo para apreciação e julgamento, a 6ª Turma da DRJ/JFA considerou como não litigiosa a parcela de R$ 4.032,32 (quatro mil, trinta e dois reais Fl. 1000DF CARF MF 6 e trinta e dois centavos) acrescida de multa de 75% e juros de mora; considerou como parcela litigiosa o valor de R$ 4.630.314,20 (quatro milhões, seiscentos e trinta mil, trezentos e quatorze reais e vinte centavos), sujeita à multa de oficio de 75% e aos juros de mora devidos na data do efetivo recolhimento; e decidiu, por unanimidade, considerar PROCEDENTE o lançamento consubstanciado no Auto de Infração de fls. 03/06, observandose a cobrança imediata relativa à parcela não impugnada do lançamento, conforme discriminado no Acórdão. O Contribuinte foi notificado do Acórdão de nº 0922.726 (fls. 579/586) em 23/04/2009 (AR à fl. 589) e, em 11/05/2009, inconformado com o teor da decisão proferida pela DRJ/JFA, apresentou Recurso Voluntário (fls. 590/622), onde repete todos os argumentos da impugnação e: 1. Diz que o art. 42 da Lei nº 9.430/96 para a caracterização da omissão de rendimentos, no entanto, a presunção não pode ser resultado da iniciativa criativa do legislador, deve ser apoiada e comprovada por fatos a serem considerados; 2. Assevera que o lançamento não pode basearse exclusivamente em movimentação bancária, sem provas suplementares válidas da existência de renda tributável, aduzindo que nem tudo que passava pela conta bancária configurava renda; 3. Aduz, que para indício se tornar presunção válida necessita obrigatoriamente de prova que o consubstancie, o que não ocorreu no caso em tela; 4. Rebate a multa de ofício aplicada no percentual de 75%, que seria desproporcional, infringindo o princípio constitucional da proibição de aplicação de tributo com efeito confiscatório, devendo a mesma ser reduzida para o patamar de 20%. 5. Argumenta ser inaplicável a taxa Selic para fins de cálculo dos juros de mora tributários, contrariando o Código Tributário Nacional e a Constituição Federal, que proíbem a cobrança de taxas de juros superiores a 12% ao ano; Finaliza seu Recurso Voluntário pedindo revisão do acórdão atacado, a fim de que seja julgado improcedente o Auto de Infração e, consequentemente, improcedente também a multa e os juros moratórios. Alternativamente, requer que seja revisto o lançamento realizado que teve como base a movimentação bancária e não o efetivo fato gerador do IR, bem como a redução da multa para o patamar de 20%, e a redução dos juros de mora. Em 23/01/2013 a 2ª Turma da 2ª Câmara do CARF, no Acórdão nº 2202 000.433, resolveram por unanimidade sobrestar o julgamento, por força do enquadramento do presente caso no art. 62A, §§, do Anexo II, do RICARF, ao tratar de matéria em debate no STF no rito de repercussão geral relativa ao art. 6º da Lei Complementar 105/2001. Após o pronunciamento do STF em sede de Repercussão Geral (no RE nº 601.314) sobre a constitucionalidade da LC 105/2001, o presente processo foi novamente distribuído para julgamento. É o relatório. Fl. 1001DF CARF MF Processo nº 10972.000193/200821 Acórdão n.º 2401004.629 S2C4T1 Fl. 999 7 Voto Conselheira Andréa Viana Arrais Egypto Relatora Juízo de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado dentro do prazo legal e atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Mérito Inicialmente, quanto a alegação contida no bojo da peça recursal relativa à quebra do sigilo bancário, imperioso se faz destacar que o STF já se pronunciou em sede de Repercussão Geral (no RE nº 601.314) sobre a constitucionalidade da LC 105/2001, razão porque se faz obrigatória a aplicação deste entendimento pelos membros do CARF, em virtude do comando determinado no inciso I do art. 62 do Regimento Interno do CARF, inserto no Anexo do II da Portaria MF n.º 343, de 09/06/2015 e alterações posteriores. Conforme se verifica do Relatório, a autoridade fiscal procedeu ao lançamento do Auto de Infração à epígrafe com vista à constituição de crédito de IRPF relativo aos anos calendário 2003 e 2004, em face da verificação de omissão de rendimentos recebidos à título de resgate de previdência privada e omissão de rendimentos decorrentes de depósito bancário de origem não comprovada. Quanto ao lançamento relativo à omissão de rendimentos recebidos à título de resgate de previdência, considerase não impugnado, não se instaurando a fase litigiosa quanto à exigência da referida parcela. Em suas razões recursais, alega o contribuinte que o lançamento de ofício encontrase eivado de vícios na medida em que o recorrente não auferiu renda, mas tão somente movimentou a sua conta bancária, o que não enseja a tributação do Imposto de Renda, e que a presunção adotada fundamentouse em fatos irreais, pois não ocorreu a disponibilidade econômica adquirida pelo contribuinte. A despeito dos depósitos bancários de origem não comprovada, o legislador estabeleceu uma presunção legal de omissão de receita caracterizada em virtude da existência de depósitos bancários em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprove a sua origem, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, senão vejamos o que determina a Lei nº 9.430/96: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação Fl. 1002DF CARF MF 8 hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; Com efeito, referida regra presume a existência de rendimento tributável, invertendose, por conseguinte, o ônus da prova para que o contribuinte comprove a origem dos valores depositados a fim de que seja refutada a presunção legalmente estabelecida. Tratase, assim, de presunção relativa que admite prova em contrário, cabendo ao contribuinte trazer os elementos probatórios inequívocos que permita a identificação da origem dos recursos. No âmbito do Superior Tribunal de Justiça verificase que foi reconhecida a legalidade do lançamento do imposto de renda com base no art. 42 da Lei 9.430/1996, tendo a Corte assentado entendimento de que cabe ao contribuinte o ônus de comprovar a origem dos recursos a fim de ilidir a presunção de que se trata de renda omitida (AgRg no REsp 1.467.230/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 28.10.2014; AgRg no AREsp 81.279/MG, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 21.3.2012). Dessa forma, é perfeitamente cabível a tributação com base na presunção definida em lei, tanto que referida matéria encontrase pacificada no âmbito do CARF através da Súmula nº 26: Súmula CARF nº 26 A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Como se vê, in casu, para a caracterização da omissão necessário se faz a intimação do contribuinte para que efetue a comprovação da origem dos recursos considerados não justificados, a fim de que seja refutada a presunção legalmente estabelecida. Compulsando os autos, verifico que ocorreu a efetiva intimação dos cotitulares das contas (fls. 81, 91,185, 287, 305, 307, 309, 311, 313, 401, 406, 408, 426, 462, 541), objetivando a comprovação da origem dos créditos em relação aos depósitos constantes de forma individualizada às fls. 15/75, restando, assim, o procedimento fiscal em consonância com a legislação de regência. Fl. 1003DF CARF MF Processo nº 10972.000193/200821 Acórdão n.º 2401004.629 S2C4T1 Fl. 1000 9 No entanto, em nenhum momento foi juntada aos autos qualquer documentação, ou aduzido qualquer argumento, capaz de afastar a presunção relativa com a efetiva comprovação da origem dos créditos efetuados em contas bancárias. O contribuinte, em seu Recurso Voluntário, expõe apenas argumentação genérica se contrapondo à norma estabelecida no artigo 42 da Lei nº 9.430/96, não cabendo a este colegiado o pronunciamento concernente às desconformidades da lei tributária frente à Constituição Federal, conforme Súmula CARF nº 02 que assim determina: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim, verificase de forma clara a ausência de documentos hábeis e idôneos capazes de comprovar a origem dos depósitos bancários identificados no lançamento, consubstanciando improfícua a mera argumentação de que referidos depósitos não constituem acréscimo patrimonial. No que concerne à alegação de confisco em face da aplicação da multa de 75% (setenta e cinco por cento), bem como o inconformismo quanto à aplicação da taxa de juros SELIC, há de se destacar que a autoridade administrativa procedeu de acordo com o que determina os artigos 44, I e 61, § 3º, I, da Lei nº 9.430/96, e, da mesma forma, não cabe o pronunciamento deste colegiado acerca da inconstitucionalidade alegada (Súmula CARF nº 02). Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do Recurso Voluntário, para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Fl. 1004DF CARF MF
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