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Numero do processo: 11516.004392/2009-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu May 04 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3201-002.591
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, em rejeitar, por maioria de votos, diligência proposta pelo Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, vencidos os Conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Cássio Shappo. E por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Cássio Shappo. Ficou de apresentar declaração de voto a Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira -Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO D'AMORIM - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Mércia Helena Trajano DAmorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo. Ausência justificada de Charles Mayer de Castro Souza.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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SISTEMA DE CLIMATIZAÇÃO, VENTILAÇÃO E REFRIGERAÇÃO PARA INCUBATÓRIO. A classificação fiscal relativa a produto industrializado, assim denominado: “sistema de climatização, ventilação e refrigeração para incubatório”, com base nas RGI/SH 1 (texto da posição 84.15) e 6 (texto das subposições 8415.8 e 8415.82), RGC/NCM 1 (texto dos itens 8415.82.10 e 8415.82.90) e elementos da Notas Explicativas do SHNESH, o enquadramento na TIPI deve ser no código 8415.82.90. Recurso a que se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, em rejeitar, por maioria de votos, diligência proposta pelo Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, vencidos os Conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Cássio Shappo. E por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Cássio Shappo. Ficou de apresentar declaração de voto a Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente Substituto (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO D'AMORIM Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 43 92 /2 00 9- 39 Fl. 615DF CARF MF Processo nº 11516.004392/200939 Acórdão n.º 3201002.591 S3C2T1 Fl. 615 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Mércia Helena Trajano DAmorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo. Ausência justificada de Charles Mayer de Castro Souza. Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: Contra o estabelecimento em epígrafe foi lavrado o auto de infração de fls. 381/384, para exigir R$ 5.796.870,07 referente ao Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), juros de mora calculados até 31/07/2099 e multa proporcional ao valor do imposto (75%), em virtude da falta de lançamento do imposto por ter o estabelecimento industrial promovido a saída de produtos tributados, com falta de lançamento de imposto, por erro de classificação fiscal e erro de alíquota, em relação a sistemas de climatização para as incubadoras. Consoante a descrição dos fatos de fl. 382, que remete ao Termo de Verificação Fiscal e de Encerramento de Fiscalização de fls. 374/380, a fiscalizada promoveu a saída dos referidos sistemas adotando a classificação fiscal no código 8418.69.99, com benefício da EX 04 – “Instalações frigoríficas industriais, formadas por elementos não reunidos em corpo único nem montados sobre base comum, com câmara frigorífica de capacidade superior a 30m³”, cuja alíquota de IPI está reduzido a zero, quando o correto seria na posição 8415 – “Máquinas e aparelhos de ar condicionado contendo um ventilador motorizado e dispositivos próprios para modificar a temperatura e a umidade, incluídos as máquinas e aparelhos em que a umidade não seja regulável separadamente”, subposição 8415.82.90 – “Outros”, com a alíquota de 20%. Regularmente cientificada, a contribuinte apresentou impugnação de fls. 392/402, instruída com os documentos de fls. 403/407, alegando, em síntese, que: a) O ato fiscal referese “às montagens de sistemas de climatização para as incubadoras”, assim, devese aplicar o Parecer Normativo CST nº 446/71, DOU 18/08/71, bem como o Parecer Normativo CST nº 57/71, DOU 12/08/71, que trata de instalação de arcondicionado, na qual concluem que estas “montagens” não seriam tributáveis; b) As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (NESH), sobre a posição 8415, traz que a posição 8415 trata de produtos praticamente prontos os quais, quando muito Fl. 616DF CARF MF Processo nº 11516.004392/200939 Acórdão n.º 3201002.591 S3C2T1 Fl. 616 3 necessitam apenas dos serviços de colocação. Esta posição é para equipamentos abaixo de 30.000 frigorias/hora, que são de pequeno porte, como condicionadores de parede ou tipo splits (8415.10) ou ainda ar condicionado para automóveis (8415.20), etc; c) O produto produzido pela empresa é complexo, ou seja, são instalações frigoríficas industriais de grande porte, visando a geração de riqueza, e que possuem alíquotas reduzidas, para propiciar ao produtor melhores condições de concorrência frente ao mercado global; d) A impugnante produz, como parte de seu produto, “câmara” com paredes isoladas termicamente (isopainéis) providas de equipamentos de condicionamento térmico, as quais possuem volumes superiores a 30 m³. Este parâmetro de volume veio a atender justamente as instalações frigoríficas industriais de grande porte onde os equipamentos “não podem ser reunidos em cormo único nem montados sobre base comum”. e) Os resfriadores de líquido utilizados nessas instalações, por um ciclo contínuo de operações, fornecem ao seu elemento refrigerador (evaporador), uma temperatura baixa (próxima de 0ºC) por absorção do calor latente, o que resulta na evaporação de um gás. Salienta ainda que esta é a nova tendência de instalações de climatização e refrigeração para câmaras frigoríficas. Ao final, requer o cancelamento do auto de infração, pois o produto “sistema de climatização, ventilação e refrigeração para incubatório”, não se enquadra na classificação 8415.82.90, e que seja reconhecido o direito aos créditos lançados e a respectiva compensação. O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/RPO n° 1433.274, de 12/04/2011, proferida pelos membros da 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto /SP, cuja ementa dispõe, verbis: Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE PRODUTOS. Neste processo foi apreciada a classificação fiscal relativa a produto industrializado pela impugnante, assim denominado: “sistema de climatização, ventilação e refrigeração para incubatório”. Com fundamento nas RGI/SH 1 (texto da posição 84.15) e 6 (texto das subposições 8415.8 e 8415.82), RGC/NCM 1 (texto dos itens 8415.82.10 e 8415.82.90) e subsídios Nesh, aprovada pelo Decreto nº 435, de 1992, atualizada pela Instrução Normativa RFB nº 807, de 2008, seu enquadramento na TIPI deve ser no código 8415.82.90. APLICAÇÃO DE ALÍQUOTA MENOR QUE A DEVIDA. Fl. 617DF CARF MF Processo nº 11516.004392/200939 Acórdão n.º 3201002.591 S3C2T1 Fl. 617 4 Aplicação de alíquota do imposto, menor do que a devida, por erro de classificação fiscal dos produtos, justifica o lançamento de ofício da diferença, com os respectivos acréscimos legais. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O julgamento considerou o lançamento procedente, com as seguintes conclusões: Nesse ponto, convém ressaltar que o Auto de Infração das fls. 381/384 e o Termo de Verificação Fiscal e de Encerramento de Fiscalização das fls. 374/380 estão devidamente motivados, com a indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos pertinentes ao caso, e, repetindo, estão corretos, razão pela qual o lançamento de ofício deve ser mantido, passando os seus fundamentos a fazer parte integrante deste voto, em face da expressa autorização do § 1o do art. 50 da Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, aplicável subsidiariamente a este processo, por força do disposto no art. 69 do mesmo diploma legal. Assim sendo, correto é o procedimento fiscal que exigiu da interessada o Imposto sobre Produtos Industrializados, decorrente da diferença de alíquota por erro de classificação fiscal. Por todo o exposto, voto por julgar improcedente a impugnação, com a manutenção do crédito tributário nos termos em que foi constituído. Regularmente cientificado do Acórdão proferido, o Contribuinte, tempestivamente, protocolizou o Recurso Voluntário, no qual, basicamente, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. O processo foi distribuído a esta Conselheira, de forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO D'AMORIM, Relator O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. A ação fiscal teve como origem os pedidos de ressarcimento de créditos de IPI pleiteados através de pedidos eletrônicos de ressarcimento (PER), e abrangeu o período de abril/ 2007 a dezembro/2008, havendo constatado as irregularidades mencionadas, conforme o Fl. 618DF CARF MF Processo nº 11516.004392/200939 Acórdão n.º 3201002.591 S3C2T1 Fl. 618 5 Demonstrativo de Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, que culminou na falta de lançamento de imposto por ter o estabelecimento industrial promovido a saída de produtos tributados, com falta de lançamento de imposto, por erro de classificação fiscal e erro de alíquota, em relação às montagens de sistemas de climatização para as incubadoras. De acordo com a descrição dos fatos do Termo de Verificação Fiscal e de Encerramento de Fiscalização, a empresa promoveu a saída dos referidos sistemas adotando a classificação fiscal no código 8418.69.99, com benefício da EX 04 – “Instalações frigoríficas industriais, formadas por elementos não reunidos em corpo único nem montados sobre base comum, com câmara frigorífica de capacidade superior a 30m³”, cuja alíquota de IPI está reduzido a zero, e a fiscalização indica a posição 8415 – “Máquinas e aparelhos de ar condicionado contendo um ventilador motorizado e dispositivos próprios para modificar a temperatura e a umidade, incluídos as máquinas e aparelhos em que a umidade não seja regulável separadamente”, subposição 8415.82.90 – “Outros”, com a alíquota de 20%. O litígio resume em decidir se o produto importado se classifica como um produto na posição 8418 (importador) ou 8415 (fiscalização). A recorrente tem como objeto social, projeto, execução de obras, reformas, ampliações, instalações, manutenção, gerenciamento, assistência técnica em equipamentos e serviços nas áreas de infraestrutura para telecomunicações, climatização, energia e edificações conforme contrato social. Bem como, responde o que são incubatórios, em demanda pela fiscalização: "unidades industriais para a produção de pintinhos ou peruzinhos e irão compor a cadeia produtiva de carnes de frango/ peru e derivados. Nestas unidades são levados os ovos que inicialmente serão alojados nas câmaras de estocagem, e posteriormente incubados em máquinas apropriadas para a produção em larga escala. Após os ovos eclodirem as aves serão removidas das máquinas, vacinadas e estocadas nas câmaras de pintinhos/peruzinhos até serem enviadas aos aviários para o desenvolvimento e posterior abate.” Entende a fiscalização, portanto, que o produto classificase no código 8415.82.90 e a recorrente classifica no código 8418.69.99 com benefício da EX 04. A recorrente, quando da fiscalização, informou não possuir consulta administrativa e apresentou o "Memorial Técnico", onde explica que se trata de "Instalação frigorífica industrial, formada por elementos não reunidos em corpo único nem montadas sobre base comum, possuindo uma ou mais câmaras frigoríficas com capacidade superior a 30m3". Definiu como "câmara" cada sala a ser climatizado. Preliminarmente, argumenta a recorrente que o procedimento fiscal referese “às montagens de sistemas de climatização para as incubadoras”, assim, devese aplicar o Parecer Normativo CST nº 446/71, DOU 18/08/71, bem como o Parecer Normativo CST nº 57/71, DOU 12/08/71, que trata de instalação de arcondicionado, concluindo, pois, que estas “montagens” não seriam tributáveis. Fl. 619DF CARF MF Processo nº 11516.004392/200939 Acórdão n.º 3201002.591 S3C2T1 Fl. 619 6 Transcrevendo excertos do Parecer Normativo CST nº 446/71 e Parecer Normativo CST nº 57/71, referenciados, a seguir: “Parecer Normativo CST nº 446/71 Instalação de ar condicionado. Canalização pela qual o ar é insuflado pela unidade condicionadora para os recintos a que se destina ("duto"): a simples colocacão no local para onde é levada já pronta não constitui montagem e nem industrialização...” “Parecer Normativo CST nº 57/71 13. Cumpre notar ainda que, nos casos em que há necessidade da confecção de canalizações, de ferro, aço ou cofre, à maneira dos canos e comumente chamados de “dutos”, com o objetivo de transportar o ar manipulado pelo grupo para local ou área diferente daquela onde é produzido – com respeito à classificação desses “dutos”, sejam eles cilíndricos, ovóides ou quadrados, há que observarse que os mesmos, pela sua natureza, são obras ou manufaturas de construção, melhor identificada e ligada ao prédio, ao edifício, à área construída e ao solo, tais como as canalizações usuais de gás, água, energia elétrica, etc. Este entendimento lógico exclui a hipótese de serem estes “dutos” tomados como partes de máquinas e equipamentos.” Percebese que com os fatos apresentados, incluída a argumentação da mesma, a empresa executa instalações de “sistema de climatização, ventilação e refrigeração para incubatório” com fornecimento de equipamentos e materiais cuja finalidade é a de garantir as condições de temperatura, umidade e renovação de ar específicas para cada ambiente do incubatório de aves, que segundo os contratos são compostos de várias salas (de ovos, de préincubação, de incubação, de nascimentos, de vacinação, de pintos, de coleta e sexagem, preparação de vacinas), onde as temperaturas previstas variam de 18º a 30º. Portanto, como bem conclui a decisão a quo, inclusive, quando ressalta: Em suma, não estamos diante de uma industrialização que se restringe a confecção e instalação de “dutos”, assim, não há semelhança do caso concreto com os apresentados nos pareceres apontados pela impugnante. Assim sendo, de pronto, não há que se falar em nulidade no Auto de Infração pela não aplicação dos Pareceres referidos acima, os mesmos não se prestam ao caso específico. Por todo o exposto, descabe a alegação que a parte que pretende determinado efeito jurídico deve comprovar a existência dos fatos que motivaram a lavratura do auto de infração e estão em desacordo com o art. 142 do CTN. Quanto à necessidade da lavratura do auto de infração, temse que a constituição do crédito tributário depende do lançamento e de acordo com o art. 142 do Código Tributário Nacional, surgida a obrigação tributária, nasce também para a Fl. 620DF CARF MF Processo nº 11516.004392/200939 Acórdão n.º 3201002.591 S3C2T1 Fl. 620 7 Administração Tributária e seus agentes o dever de realizar o lançamento correspondente, sob pena de responsabilidade funcional, nos termos: Art. 142 Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Inicialmente, sabese que o Sistema Harmonizado configurase com uma estrutura lógica e legal, composta de 97 capítulos, ordenados em 21 Seções, por sua vez, compostos por subdivisões em três níveis hierárquicos para enquadramento das mercadorias, representados por 6 dígitos: posição de 1º nível (4 dígitos), subposição simples e de 2º nível, respectivamente representados por 1 dígito cada, além da subposição composta, de 3º nível, também representada por um dígito. Além dos seis dígitos do SH (posição, subposição simples e subposição composta), no âmbito do direito interno, são acrescidos dois dígitos de identificação, itens e subitens, na NCM/SH, de maneira que os seis primeiros números, cuja base é o Sistema Harmonizado, serão iguais em todos os países do mundo que ratificaram a convenção internacional, ao passo que o 7º e 8º dígitos, são próprios da codificação tarifária interna. Por outro lado, há robusto instrumental subsidiário para auxiliar o intérprete, como as NESH Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e Codificação de Mercadorias, produzidas pela Organização Mundial das Alfândegas e que trazem elementos de esclarecimento da significação das posições subposições, das Notas de Seção, Capítulo, posições e subposições, veiculadas no direito interno por meio de instruções normativas da Receita Federal do Brasil. Passando ao mérito da classificação fiscal dos produtos caracterizados como “sistema de climatização, ventilação e refrigeração para incubatório ”. Como relatado, a empresa promoveu a saída dos referidos sistemas adotando a classificação fiscal no código 8418.69.99, com benefício da EX 04 – “Instalações frigoríficas industriais, formadas por elementos não reunidos em corpo único nem montados sobre base comum, com câmara frigorífica de capacidade superior a 30m³”. Já a classificação considerada como correta pela fiscalização seria na posição 8415 – “Máquinas e aparelhos de arcondicionado contendo um ventilador motorizado e dispositivos próprios para modificar a temperatura e a umidade, incluídos as máquinas e aparelhos em que a umidade não seja regulável separadamente”, subposição 8415.82.90 – “Outros”. Assim dispõem as Regras Gerais para Interpretação (RGI): “1. OS TÍTULOS DAS SEÇÕES, CAPÍTULOS E SUBCAPÍTULOS TÊM APENAS VALOR INDICATIVO. PARA Fl. 621DF CARF MF Processo nº 11516.004392/200939 Acórdão n.º 3201002.591 S3C2T1 Fl. 621 8 OS EFEITOS LEGAIS, A CLASSIFICAÇÃO É DETERMINADA PELOS TEXTOS DAS POSIÇÕES E DAS NOTAS DE SEÇÃO E DE CAPÍTULO E, DESDE QUE NÃO SEJAM CONTRÁRIAS AOS TEXTOS DAS REFERIDAS POSIÇÕES E NOTAS, PELAS REGRAS SEGUINTES. (...) 6. A CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS NAS SUBPOSIÇÕES DE UMA MESMA POSIÇÃO É DETERMINADA, PARA EFEITOS LEGAIS, PELOS TEXTOS DESSAS SUBPOSIÇÕES E DAS NOTAS DE SUPOSIÇÃO RESPECTIVAS, ASSIM COMO, MUTATIS MUTANDIS, PELAS REGRAS PRECEDENTES, ENTENDENDOSE QUE APENAS SÃO COMPARÁVEIS SUBPOSIÇÕES DO MESMO NÍVEL. PARA OS FINS DA PRESENTE REGRA, AS NOTAS DE SEÇÃO E DE CAPÍTULO SÃO TAMBÉM APLICÁVEIS, SALVO DISPOSIÇÕES EM CONTRÁRIO.” Então, os textos das posições, das subposições, dos itens, subitens e dos destaques “Ex”, que praticamente determinam a classificação fiscal de um produto. As outras regras (de 2 a 5 ) somente são aplicadas se os textos ou as notas não forem suficientes para o devido enquadramento. A empresa executa instalações de “sistema de climatização, ventilação e refrigeração para incubatório” com fornecimento de equipamentos e materiais cuja finalidade é a de garantir as condições de temperatura, umidade e renovação de ar específicas para cada ambiente do incubatório de aves, que segundo os contratos são compostos de várias salas (de ovos, de préincubação, de incubação, de nascimentos, de vacinação, de pintos, de coleta e sexagem, preparação de vacinas), onde as temperaturas previstas variam de 18º a 30º. Por sua vez, a posição 8415, do Capítulo 84 (Reatores Nucleares, Caldeiras, Máquinas, Aparelhos e Instrumentos Mecânicos, e suas partes), descreve em seu texto o seguinte: “8415 – Máquinas e aparelhos de arcondicionado contendo um ventilador motorizado e dispositivos próprios para modificar a temperatura e a umidade, incluídos as máquinas e aparelhos em que a umidade não seja regulável separadamente” As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH – da Seção XVI) da referida posição esclarecem que: “Esta posição abrange os conjuntos de máquinas ou de aparelhos destinados a manter, em recinto fechado, uma determinada atmosfera sob o duplo aspecto da temperatura e da umidade. Estes conjuntos contém as vezes elementos para purificar o ar. Estas máquinas e aparelhos são utilizados para a climatização de escritórios, apartamentos, lugares públicos, navios, veículos motorizados, etc., bem como em certas instalações industriais a fim de obter um condicionamento particular de ar, exigido para Fl. 622DF CARF MF Processo nº 11516.004392/200939 Acórdão n.º 3201002.591 S3C2T1 Fl. 622 9 algumas indústrias: têxteis, papéis, fumo (tabaco), produtos alimentícios, etc. Só se incluem nesta posição as máquinas e aparelhos: 1) contendo um ventilador a motor, e 2) concebidos para modificar simultaneamente a temperatura (dispositivo de aquecimento, dispositivo de arrefecimento ou os dois juntos) e a umidade (umidificador, desumidificador ou os dois juntos) do ar, e 3) nos quais os elementos citados nas alíneas 1) e 2) se apresentem em conjunto. Os elementos destinados a umidificar ou desumidificar o ar podem ser diferentes dos que asseguram o aquecimento e o arrefecimento. Algumas máquinas contêm, todavia, apenas um dispositivo que modifica ao mesmo tempo a temperatura e, por condensação, a umidade do ar. Estas máquinas e aparelhos de arcondicionado arrefecem e desumidificam, por condensação do vapor de água sobre uma bateria fria, o ar ambiente do local onde funcionam ou, se são providos de uma entrada de ar externo, uma mistura de ar fresco e ar ambiente. São geralmente providos de cubas de recuperação da água de condensação. As máquinas e aparelhos da espécie podem ser constituídos por um único dispositivo contendo todos os elementos necessários, como os aparelhos dos tipos utilizados em paredes ou dos tipos utilizados em janelas, formando um corpo único. Podem igualmente apresentarse sob a forma de splitsystems (sistemas com elementos separados), nos quais o condensador e o evaporador destinamse a ser instalados respectivamente no exterior e no interior, e cujos diferentes blocos operam enquanto conectados um ao outro. Esses aparelhos do tipo splitsystem não comportam dutos mas utilizam um evaporador individual para cada ambiente a climatizar (cada cômodo de uma casa, por exemplo). Do ponto de vista estrutural, as máquinas e aparelhos de ar condicionado da presente posição devem conter, por conseguinte, no mínimo, além do ventilador a motor que assegura a circulação de ar, os seguintes elementos: quer um corpo de aquecimento (de tubos de água quente, de vapor ou de ar quente, ou de resistências elétricas, etc.) e um umidificador de ar (que consiste, geralmente, em um pulverizador de água) ou um desumidificador de ar; quer uma bateria de água fria ou um evaporador de grupo frigorífico (cada um modificando ao mesmo tempo a temperatura e, por condensação, a umidade do ar); quer um outro elemento de arrefecimento e um dispositivo distinto para modificar a umidade do ar. Fl. 623DF CARF MF Processo nº 11516.004392/200939 Acórdão n.º 3201002.591 S3C2T1 Fl. 623 10 Em alguns casos, o desumidificador utiliza as propriedades higroscópicas de produtos absorventes. Pertencem a esta posição, por exemplo, as bombas de calor reversíveis concebidas para executar, por um sistema único munido de válvula de inversão do ciclo térmico, a dupla função de aquecimento e refrigeração dos locais. No ciclo de refrigeração, a válvula de inversão envia o vapor quente sob alta pressão para a unidade exterior onde o calor liberado por condensação é dissipado no ambiente enquanto o líquido refrigerante comprimido circula em um evaporador interior onde ele é vaporizado, absorve calor e resfria o ar que um ventilador faz circular no local. No ciclo de aquecimento, a mudança de posição da válvula de inversão do ciclo térmico provoca uma inversão do escoamento do líquido refrigerante de tal sorte que o calor é liberado no local. As máquinas e aparelhos de arcondicionado podem ser alimentados por uma fonte externa de calor ou de frio. São geralmente providos de filtros nos quais o ar se liberta das poeiras ao atravessar uma ou mais camadas de matérias filtrantes freqüentemente umedecidas de óleo (têxteis, lã de vidro, palha de ferro, palha de cobre, chapas de metal distendido, etc.). Podem também ser equipados de dispositivos para regular a temperatura ou a umidade do ar. Esta posição abrange também os aparelhos desprovidos de dispositivo que permita regular separadamente a umidade do ar e que a modifique por condensação. Entre eles, podemse citar os aparelhos acima mencionados formando corpo único e os do tipo splitsystem compreendendo um condensador instalado no exterior do edifício e um evaporador individual para cada área a ser climatizada (por exemplo, cada cômodo de uma casa). São igualmente compreendidos aqui os aparelhos para equipar câmaras frias constituídos por um evaporador de resfriamento e um ventilador motorizado acondicionados em um mesmo invólucro e as unidades de aquecimento e/ou de refrigeração de um espaço fechado [caminhão, reboque ou contêiner (contentor*)], constituídos por um compressor, um condensador e um motor, montados em um receptáculo situado no exterior do compartimento de mercadorias, bem como um ventilador e um evaporador montados num receptáculo situado no interior deste compartimento. Todavia, excluemse da presente posição as unidades de refrigeração constituídas por um grupo frigorífico concebido para produzir frio com objetivo de manter, em um espaço fechado [caminhão, reboque ou contêiner (contentor*), por exemplo] uma temperatura determinada bastante inferior a 0°C, e providas de um dispositivo de aquecimento cuja finalidade é elevar a temperatura do ambiente, dentro de um limite determinado, quando a temperatura exterior for muito baixa. Estes aparelhos classificamse na posição 84.18, como máquinas e aparelhos para produção de frio, sendo a função de aquecimento acessória em relação à função essencial destes Fl. 624DF CARF MF Processo nº 11516.004392/200939 Acórdão n.º 3201002.591 S3C2T1 Fl. 624 11 aparelhos, que é a de produzir frio para conservar produtos perecíveis durante o transporte.” Além disso, as Notas 3 e 4 da Seção XVI da TIPI estabelecem: “3. Salvo disposições em contrário, as combinações de máquinas de espécies diferentes, destinadas a funcionar em conjunto e constituindo um corpo único, bem como as máquinas concebidas para executar duas ou mais funções diferentes, alternativas ou complementares, classificamse de acordo com a função principal que caracterize o conjunto. 4. Quando uma máquina ou combinação de máquinas seja constituída de elementos distintos (mesmo separados ou ligados entre si por condutos, dispositivos de transmissão, cabos elétricos ou outros dispositivos), de forma a desempenhar conjuntamente uma função bem determinada, compreendida em uma das posições do Capítulo 84 ou do Capítulo 85, o conjunto classificase na posição correspondente à função que desempenha.” (negritei) Conforme já relatado, o produto da empresa, “sistema de climatização, ventilação e refrigeração para incubatório”, tem como função principal modificar a temperatura e a umidade do ar criando ambiente ideal para produção de pintos. No curso da fiscalização, também verificouse que para o caso em discussão: a) apresentam ventiladores para distribuir o ar para as salas a serem climatizadas; b) possui dispositivos próprios para o controle da umidade do ar, mantendoo dentro de limites estipulados; c) apresenta um dispositivo de resfriamento de ar, no caso por água; d) não produzem temperaturas muito baixas, mas dentro do necessário para manter as condições de temperatura e umidades ideais para cada recinto; e) não se destinam a conservação de alimentos ou produtos. Fixada a posição, 8415, prosseguese a classificação conforme quadro abaixo: 8415 Máquinas e aparelhos de arcondicionado contendo um ventilador motorizado e dispositivos próprios para modificar a temperatura e a umidade, incluídos as máquinas e aparelhos em que a umidade não seja regulável separadamente” 8415.10 Dos tipos utilizados em paredes ou janelas, formando um corpo único ou do tipo “split system” (sistema com elementos separados) 8415.20 Do tipo dos utilizados para o conforto dos passageiros nos veículos automóveis 8415.8 Outros 8415.81 Com dispositivos de refrigeração e válvula de inversão do ciclo térmico (bombas de calor reversíveis) 8415.82 Outros, com dispositivos de refrigeração 8415.82.10 Com capacidade inferior ou igual a 30.000 frigorias/hora 8415.82.90 Outros Fl. 625DF CARF MF Processo nº 11516.004392/200939 Acórdão n.º 3201002.591 S3C2T1 Fl. 625 12 8415.83 Sem dispositivo de refrigeração 8415.90 Partes Tratandose de sistemas em que o ar é resfriado em um ambiente e através de condutos são levados a outros ambientes a outros ambientes a refrigerar, a classificação fiscal deve ser realizada na subposição 8415.82.90, tendo em vista a capacidade de resfriamento acima de 30.000 frigorias/hora. São sistemas com fins de modificar simultaneamente a temperatura (dispositivo de aquecimento, dispositivo de arrefecimento ou os dois juntos) e a umidade (umidificador, desumidificador ou os dois juntos) do ar. Portanto, as NESH da posição 8415 e das Notas 3 e 4 da Seção XVI da TIPI evidenciam a classificação 8415.82.90, para os “sistemas de climatização, ventilação e refrigeração para incubatório”, objeto do presente litígio. Essa posição tem funções de umidificação e desumidificação do ar, bem como contempla diversas máquinas e aparelhos de arcondicionado contendo um ventilador motorizado e dispositivos próprios para modificar a temperatura e a umidade, incluídos as máquinas e aparelhos em que a umidade não seja regulável separadamente e não apenas ar condicionadores, tipo split, tampouco ar condicionador para veículos. Segundo a NESH, como já comentado, compreeendem: Estas máquinas e aparelhos são utilizados para a climatização de escritórios, apartamentos, lugares públicos, navios, veículos motorizados, etc., bem como em certas instalações industriais a fim de obter um condicionamento particular de ar, exigido para algumas indústrias: têxteis, papéis, fumo (tabaco), produtos alimentícios, etc. Por outro giro, o texto da posição 8418, dispõe: ("FREEZERS") E OUTROS MATERIAIS, MÁQUINAS E APARELHOS PARA A PRODUÇÃO DE FRIO, COM EQUIPAMENTO ELÉTRICO OU OUTRO; BOMBAS DE CALOR, EXCLUÍDAS AS MÁQUINAS E APARELHOS DE ARCONDICIONADO DA POSIÇÃO 8415 A nota explicativasNESH da posição 8418 esclarece que: REFRIGERADORES, CONGELADORES (”FREEZERS') E OUTROS MATERIAIS, MÁQUINAS E APARELHOS PARA PRODUÇÃO DE FRIO Os materiais, máquinas e aparelhos para produção de frio de que trata esta posição compreendem geralmente máquinas ou instalações que, por um ciclo contínuo de operações, ƒornecem ao seu elemento refrigerador (evaporador), uma temperatura baixa (próxima de 0°C ou inferior), por absorção do calor latente que resulta da evaporação de um gás previamente liquefeito (amoníaco, hidrocarbonetos halogenados, por exemplo) ou de um líquido volátil, ou ainda, mais simplesmente, Fl. 626DF CARF MF Processo nº 11516.004392/200939 Acórdão n.º 3201002.591 S3C2T1 Fl. 626 13 da evaporação da água, principalmente em certos aparelhos de uso naval.”(negritei) Esclareçase que a posição 8418 diz respeito às máquinas e aparelhos para produção de frios destinados para refrigerar produtos, a baixa temperatura, permitindo inclusive congelamento (próxima de 0o C ou inferior), geralmente utilizados para conservar produtos alimentícios. E estão expressamente excluídas da referida posição, as máquinas e aparelhos de arcondicionado da posição 8415. De acordo com os contratos analisados, os memoriais apresentados, a empresa executa as instalações de "sistema de climatização para incubatório" com fornecimento de equipamentos e materiais cuja finalidade é a de garantir as condições de temperatura, umidade e renovação de ar específicas para cada ambiente do incubatório de aves, que segundo os contratos são compostos de várias salas (de ovos, de préincubação, de incubação, de nascimentos, de vacinação, de pintos, de coleta e sexagem, preparação de vacinas), onde as temperaturas previstas variam de 18° a 30°, ou seja, temperatura resfria e também aquece, mas não chega a temperaturas muito baixas (até congelar). Ainda, de acordo com os contratos, o sistema de refrigeração é efetuado através da utilização de resfriador de líquido que produz água gelada que alimenta os "fan coil" (da sala de ovos) e CTA (centrais de tratamento de ar) para refrigeração das salas de incubação e nascedouros. A posição 8415 contempla, como comentado acima, a função de aquecimento que não é uma função acessória, bem como abarca temperatura entre 18° a 30°, enquanto a 8418 tem a característica de refrigerar produtos a baixa temperatura. Dessa maneira, os sistemas de climatização para as agroindústrias do tipo instalados pela empresa que tem a função de climatizar ambientes não pode ser enquadrado na posição 8418. Esclareçase ainda, que as instalações frigoríficas industriais devem comportar uma câmara frigorífica. Entendese como câmara frigorífica, um compartimento isolado termicamente e dotados de dispositivos para resfriamento a fim de permitir a conservação por longo tempo de produtos perecíveis, especialmente os alimentícios. Não se trata, pois, de um ambiente ou sala refrigerado qualquer, logo, concluise que tais sistemas, pela função que desempenha devem ser classificados na posição 8415. Destarte, os produtos da posição 8418 são para temperatura muito baixas e até negativas, os produtos do litígio climatiza entre 18 a 30 graus, ou seja, também aquece, além do mais, mesmo que o "EX" fosse da posição 8418 não se enquadraria no texto do EX, pois, esse EX inclui câmara frigorífica e a empresa não fornece a câmara frigorífica. A posição 8415 contempla a função de aquecimento que não é uma função acessória e por todos os motivos, concluise por esta posição, tendo em vista as regras gerais de classificação fiscal (1 e 6) e as NESH. E por fim, não se aplica o art. 112 do CTN, como ventilado por algum dos meus pares, já que inexistem quaisquer dúvidas quanto à capitulação legal do fato ou a às outras matérias listadas nos incisos do referido artigo. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao presente recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fl. 627DF CARF MF Processo nº 11516.004392/200939 Acórdão n.º 3201002.591 S3C2T1 Fl. 627 14 MÉRCIA HELENA TRAJANO D'AMORIM Declaração de Voto Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário Após leitura do bem fundamentado voto da Relatora, pedi vista dos autos para melhor análise da questão, conforme aspectos apresentados em Tribuna e nas razões recursais. Em face do cuidadoso exame empreendido, chego à conclusão diversa daquela exposta pelo voto vencedor. Concluo que, dentre as classificações fiscais adotadas, seja pelo contribuinte, seja pela Fiscalização, nenhuma delas se adequa à complexa descrição técnica existente nos autos. Tampouco identifico a existência de uma terceira classificação possível. Não obstante, é necessário que alguma classificações prevaleça para fins fiscais. Nesse sentido, entendo ser aplicável a Regra Geral de Interpretação nº 3, c, do Sistema Harmonizado: 3.Quando pareça que a mercadoria pode classificarse em duas ou mais posições por aplicação da Regra 2 b) ou por qualquer outra razão, a classificação deve efetuarse da forma seguinte: a)A posição mais específica prevalece sobre as mais genéricas. Todavia, quando duas ou mais posições se refiram, cada uma delas, a apenas uma parte das matérias constitutivas de um produto misturado ou de um artigo composto, ou a apenas um dos componentes de sortidos acondicionados para venda a retalho, tais posições devem considerarse, em relação a esses produtos ou artigos, como igualmente específicas, ainda que uma delas apresente uma descrição mais precisa ou completa da mercadoria. b)Os produtos misturados, as obras compostas de matérias diferentes ou constituídas pela reunião de artigos diferentes e as mercadorias apresentadas em sortidos acondicionados para venda a retalho, cuja classificação não se possa efetuar pela aplicação da Regra 3 a), classificamse pela matéria ou artigo que lhes confira a característica essencial, quando for possível realizar esta determinação. c)Nos casos em que as Regras 3 a) e 3 b) não permitam efetuar a classificação, a mercadoria classificase na posição situada em Fl. 628DF CARF MF Processo nº 11516.004392/200939 Acórdão n.º 3201002.591 S3C2T1 Fl. 628 15 último lugar na ordem numérica, dentre as suscetíveis de validamente se tomarem em consideração. Assim, tenho que, na hipótese, aplicável a classificação fiscal adotada pelo Contribuinte, por se encontrar esta em último lugar dentre as possíveis. É como voto. (assinado digitalmente) Tatiana Josefovicz Belisário Fl. 629DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13819.722217/2015-96
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 20 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Mar 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2014
DEDUÇÃO DE DESPESAS COM SAÚDE. RECIBOS DE PAGAMENTO. REQUISITOS LEGAIS.
Os recibos de pagamento firmados por profissionais de saúde devem preencher requisitos mínimos legais para sua validade. Documentos que estejam em consonância com a legislação, se prestam para comprovar a regularidade da dedução da base de cálculo do Imposto de Renda sobre a Pessoa Física das despesas médicas efetuadas.
DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. REFORMA. NÃO CABIMENTO.
Não merece reforma a decisão de primeira instância que à luz das provas carreadas aos autos restabelece parcialmente a dedução de despesas médicas efetuadas pelo sujeito passivo.
Numero da decisão: 2201-003.401
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente
Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA (Presidente), ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, DIONE JESABEL WASILEWSKI, MARCELO MILTON DA SILVA RISSO, CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO, DANIEL MELO MENDES BEZERRA e RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM.
Nome do relator: DANIEL MELO MENDES BEZERRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Carlos Henrique de Oliveira - Presidente Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA (Presidente), ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, DIONE JESABEL WASILEWSKI, MARCELO MILTON DA SILVA RISSO, CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO, DANIEL MELO MENDES BEZERRA e RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM.
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RECIBOS DE PAGAMENTO. REQUISITOS LEGAIS. Os recibos de pagamento firmados por profissionais de saúde devem preencher requisitos mínimos legais para sua validade. Documentos que estejam em consonância com a legislação, se prestam para comprovar a regularidade da dedução da base de cálculo do Imposto de Renda sobre a Pessoa Física das despesas médicas efetuadas. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. REFORMA. NÃO CABIMENTO. Não merece reforma a decisão de primeira instância que à luz das provas carreadas aos autos restabelece parcialmente a dedução de despesas médicas efetuadas pelo sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Carlos Henrique de Oliveira Presidente Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA (Presidente), ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, DIONE JESABEL WASILEWSKI, MARCELO MILTON DA SILVA RISSO, CARLOS ALBERTO DO AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 72 22 17 /2 01 5- 96 Fl. 90DF CARF MF Processo nº 13819.722217/201596 Acórdão n.º 2201003.401 S2C2T1 Fl. 91 2 AMARAL AZEREDO, DANIEL MELO MENDES BEZERRA e RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra a decisão de primeira instância que julgou procedente em parte a impugnação do contribuinte ofertada em face da lavratura de Notificação de Lançamento de IRPF que é objeto do presente processo. Os aspectos principais do lançamento estão delineados no relatório da decisão de primeira instância, nos seguintes termos: Contra o contribuinte acima identificado, foi lavrada a notificação de lançamento de fl. 06, emitida em 15/06/2015, relativa ao imposto sobre a renda das pessoas físicas do anocalendário 2013, onde foi considerada indevida a dedução de R$ 15.785,58, a título de despesas médicas, por falta de comprovação. Cientificado do lançamento em 19/06/2015 (fl. 11), o contribuinte apresentou, em 13/07/2015, a impugnação de fls. 02 e 03, alegando, em suma, que o valor glosado se refere à despesas do próprio declarante e que apresenta documentação comprobatória de suas alegações. A DRJ julgou procedente em parte a impugnação apresentada pelo contribuinte por entender devida a dedução do montante de R$ 12.660,86, valor correspondente à soma de 10 parcelas pagas durante o anocalendário de 2013, conforme cálculo presente à fl. 75, vale ressaltar que não foram consideradas as parcelas dos meses julho e agosto, pois o impugnante não juntou aos autos prova de pagamento dos referidos meses. Cientificado do acórdão da DRJ em 15/12/2015, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 29/12/2015, alegando, em síntese, que: O fisco, ao realizar o cálculo do montante devido, não levou em consideração a incidência do IOF de 2,38%. Às fl.82, o impugnante apresentou novo cálculo levando em consideração o imposto acima aduzido, resultando no montante de R$ 12.962,98. Por fim, requer o acolhimento do recurso para cancelar o débito fiscal. É o relatório. Voto Daniel Melo Mendes Bezerra, Conselheiro Relator Admissibilidade Como relatado, o Recurso Voluntário é tempestivo. Ademais, preenche os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Fl. 91DF CARF MF Processo nº 13819.722217/201596 Acórdão n.º 2201003.401 S2C2T1 Fl. 92 3 Das Deduções de Despesas Médicas É de bom grado reproduzir a legislação atinente à dedução de despesas médicas. Nesse sentido aduz o artigo 80, do Decreto 3.000/99: Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. § 1º O disposto neste artigo I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento. A decisão de piso não merece reparo. Em sua fundamentação consta expressamente que, não obstante constar como sacado uma pessoa jurídica, os documentos carreados aos autos demonstram que os pagamentos foram suportados pelo próprio recorrente através de débito em sua conta corrente. Acrescenta que, ainda que não se possa individualizar os pagamentos, restou provado que o recorrente assumiu o ônus financeiro. Diferentemente do alegado no instrumento recursal, os pagamentos foram considerados pelo seu montante total, já incluindo a parcela referente ao IOF, quando existente. Assim, deve ser mantida in totum a decisão recorrida, a qual restabeleceu a dedução da quantia de R$ 12.660,86, relativa ao pagamento do plano de saúde que teve o recorrente como um dos beneficiários. Conclusão Diante de todo o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Fl. 92DF CARF MF Processo nº 13819.722217/201596 Acórdão n.º 2201003.401 S2C2T1 Fl. 93 4 Fl. 93DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.912282/2012-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Apr 20 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3402-000.951
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara /2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. Recorrente CASA DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE DE VALINHOS GRUPO GENTE NOVO RUMO Recorrida FAZENDA NACIONAL ACORDAM os membros da 4ª Câmara /2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório eletrônico que indeferiu o Pedido de Restituição Eletrônico PER, referente a alegado crédito de pagamento indevido ou a maior efetuado por meio do DARF. Segundo o Despacho Decisório, o DARF informado no PER foi integralmente utilizado na quitação do respectivo débito, não restando crédito disponível para restituição. Em sua manifestação de inconformidade a interessada argumentou, em resumo, que o pagamento indevido decorre de sua condição de imune às contribuições sociais, nos termos do § 7º do art. 195, c/c 146, inc. II, ambos da Constituição Federal, e do art. 14 do CTN. Isso porque tem a natureza jurídica de associação civil sem fins lucrativos e o objetivo de prestar assistência integral à criança e ao adolescente, na forma dos arts. 203 da CF/88 e 2º do Estatuto da Criança. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .9 12 28 2/ 20 12 -1 2 Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10830.912282/201212 Resolução nº 3402000.951 S3C4T2 Fl. 3 2 Uma vez processada a manifestação de inconformidade, esta foi julgada improcedente nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 RESTITUIÇÃO. PIS – FOLHA DE PAGAMENTO. ATIVIDADE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. INCIDÊNCIA. São contribuintes do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salário, e não sobre o faturamento, as instituições beneficentes de assistência social, de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, quando atendidas as condições e requisitos legais. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido.. Diante deste quadro, o contribuinte interpôs o recurso voluntário em que alegou, em suma: (i) que é imune ao pagamento do PIS, haja vista o disposto no art. 195, § 7º, c.c. o art. 146, inciso II, ambos da Magna Lex, bem como o disposto no art. 14 do CTN; e, ainda (ii) que a recorrente atende todos os requisitos estabelecidos em lei para gozar da imunidade citada e que, para o período em tela, foi declarada entidade pública federal, nos termos da Portaria Federal n. 685, de 04/04/2007, bem como possui o CEBAS Certificado de Entidades Beneficentes de Assistência Social, sob o n. 71000.114296/200930. É o relatório. Resolução Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3402000.939, de 28 de março de 2017, proferida no julgamento do processo 10830.912270/201298, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3402000.939: "5. O presente recurso voluntário preenche os pressupostos formais de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. 6. Como visto alhures, tratase de pedido de ressarcimento com o fito de ver reconhecido crédito de PIS decorrente da imunidade da recorrente, uma vez que a mesma enquadrarseia no conceito de entidade beneficente. Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10830.912282/201212 Resolução nº 3402000.951 S3C4T2 Fl. 4 3 7. Para provar sua condição de entidade beneficente, a recorrente anexa à sua manifestação de inconformidade os documentos de fls. 21/28 [(i) certificado de utilidade pública nacional, emitido pelo Ministério da Justiça; (ii) atestado de registro no Conselho Nacional de Assistência Social; (iii) Portaria Municipal que reconhece o caráter assistencial da recorrente; e, ainda, (iv) cópia da lei municipal n. 4.812/2012, que autoriza a concessão de subvenções às entidades assistenciais do Município de Valinhos, dentre as quais encontrase a recorrente]. 8. Não obstante, juntamente com seu recurso voluntário, o contribuinte apresenta outro documento (fl. 65) que atestaria sua condição de entidade beneficente. Tratase do ofício n. 959/20013, emitido pela Coordenação Geral de Certificação das Entidades Beneficentes de Assistência Social, que assim comunica: 9. Da análise de todos os documentos aqui tratados, é possível cogitar que, de fato, a recorrente enquadrase no conceito de entidade assistencial apta a gozar de imunidade tributária. Acontece que, todos os documentos trazidos nos autos pela recorrente com o escopo de provar tal condição referemse à momento posterior ao período do crédito em análise, o qual diz respeito ao mês de fevereiro de 2006 (fl. 32). 10. Neste diapasão, tendo em vista que o acervo probatório trazidos aos autos aparentemente induz à conclusão de que a recorrente preenche as condições para gozar de imunidade tributária, bem com ainda pautado pela ideia de instrumentalidade do processo, resolvo por converter o presente julgamento em diligência para que a unidade preparadora providencie: Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10830.912282/201212 Resolução nº 3402000.951 S3C4T2 Fl. 5 4 · a intimação do contribuinte para apresentar o Certificado de Entidades Beneficentes de Assistência Social CEBAS válido para o período do crédito aqui vindicado. 11. É a resolução." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório alegado, também foram juntados em cópias nestes autos. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, convertese o presente julgamento em diligência, para que a unidade preparadora intime o contribuinte para apresentar o Certificado de Entidades Beneficentes de Assistência Social CEBAS válido para o período do crédito aqui vindicado. Após, retornemse os autos para julgamento. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 74DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10665.000879/2010-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 2401-000.554
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente
(assinado digitalmente)
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Maria Cleci Coti Martins, Cleberson Alex Friess, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Carlos Alexandre Tortato e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Maria Cleci Coti Martins, Cleberson Alex Friess, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Carlos Alexandre Tortato e Rayd Santana Ferreira.
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini – Presidente (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Maria Cleci Coti Martins, Cleberson Alex Friess, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Carlos Alexandre Tortato e Rayd Santana Ferreira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 65 .0 00 87 9/ 20 10 -1 8 Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10665.000879/201018 Resolução nº 2401000.554 S2C4T1 Fl. 3 2 RELATÓRIO Tratase de Embargos Inominados opostos pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Divinópolis, com fulcro no artigo 66 do Regimento Interno dos Conselhos Administrativos de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, considerando o lapso manifesto no acórdão 2401004.129 (fls. 54/58), proferido no processo em epígrafe. O processo trata de infração à Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, artigo 32, inciso I, c/c o artigo 225, inciso l e §9° do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n.° 3.048, de 06 de maio de 1999, tendo em vista que a empresa deixou de incluir em sua folha de pagamento os valores pagos a segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço, como discriminado no Relatório Fiscal da Infração, fls.07/12. Durante procedimento de auditoria junto à empresa TENACE INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA e após análise da documentação apresentada, a fiscalização concluiu que a empresa autuada utilizava os empregados das empresas MARCOS AURÉLIO RODRIGUES DE SOUZA e ALUMARES COMÉRCIO EMPREENDIMENTOS E ADMINISTRAÇÃO LTDA, conforme descrito detalhadamente no relatório fiscal do Auto de Infração de Obrigações Principais DEBCAD n° 37.251.112O (Processo n°10.665.000876/201076). Conforme Relatório Fiscal da Aplicação da Multa, fl.13, a multa cabível está prevista nos artigos 92 e 102 da Lei 8.212/91 e RPS, artigo 283, inciso I, alínea ‘a’, e o valor da multa aplicável corresponde a RS 1.410,79 (valor atualizado pela Portaria Interministerial MPS/MF n° 350 de 30/12/2009, vigente à época da autuação). A ação fiscal teve inicio com o Termo de Início de Procedimento Fiscal TIPF de fls. 14/15. A interessada foi cientificada em 24/06/2010 e apresentou impugnação em 26/07/2010 (fls. 22/27), na qual alega, em suma, que não há previsão de qualquer penalidade para infração prevista no AI. Aduz que a multa exigida foi arbitrada pelos agentes fiscais e que ninguém é obrigada a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei. Em 27/10/2010 A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte (BH) manteve o crédito tributário, com a seguinte consideração: “OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2008 LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. AUTO DE INFRAÇÃO. DEIXAR A EMPRESA DE PREPARAR FOLHAS DE PAGAMENTO DE ACORDO COM OS PADRÕES E NORMAS ESTABELECIDOS. Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa de preparar folha de pagamento de acordo com os padrões e normas estabelecidos. Impugnação Improcedente Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10665.000879/201018 Resolução nº 2401000.554 S2C4T1 Fl. 4 3 Crédito Tributário Mantido” Inconformada, em 22/12/2010 a empresa autuada interpôs recurso voluntário (fls. 45/50), cujas razões de inconformidade repisam as mesmas alegações contidas em sua peça impugnatória. Ao analisar o recurso (fls.54/58), em 16/02/2016 a egrégia 4ª Câmara da 1ª Turma Ordinária negou provimento ao inconformismo e manteve a decisão de primeira instância nos seguintes termos: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2008 AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 30. INTIMAÇÃO FISCAL. DESATENDIMENTO. O descumprimento de atendimento de obrigação acessória, consistente na exibição de escrita contábil, sujeita o infrator Recorrente à penalidade administrativa de multa, a ser calculada na forma da legislação vigente, na Lei n º8.212/91, ART. 32, inciso I, c/c art. 225,inciso I e §9º, do RPS, aprovado pelo Decreto nº3.048 de 06/05/1999. Recurso Voluntário Negado.” Devidamente cientificada em 24/06/16 (fl.60), a embargada interpôs Recurso Especial (fls.62/67), tempestivamente, em 08/07/2016. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Divinópolis apresentou embargos de declaração com fulcro no artigo 66 do Regimento Interno dos Conselhos Administrativos de Recursos Fiscais, onde alega que no presente caso, a identificação do lapso manifesto fica evidenciada, na medida em que, trazido aos autos informação sobre pedido de parcelamento, com a inclusão do processo em questão, sem que tal fato tenha sido anteriormente indicado pelo contribuinte por meio de expresso pedido de desistência ou mesmo pelo Fisco. É o relatório. Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10665.000879/201018 Resolução nº 2401000.554 S2C4T1 Fl. 5 4 VOTO Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE Primeiramente, deixo de apreciar a questão da tempestividade, posto que, sendo adotado o despacho como embargos inominados do art. 66 do RICARF, não existe prazo para correção de erro manifesto, razão pela qual CONHEÇO DO RECURSO já que presentes os requisitos de admissibilidade. 2. DO MÉRITO Conforme constam dos autos, cuidase de infração à Lei n° 8.212/1991, artigo 32, inciso I, c/c o artigo 225, inciso l e §9° do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048, de 06 de maio de 1999, tendo em vista que a empresa deixou de incluir em sua folha de pagamento os valores pagos a segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço. A interessada foi cientificada em 24/06/2010 e apresentou impugnação em 26/07/2010 (fls. 22/27). Em 27/09/2010, a 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte (BH) manteve o crédito tributário (Acórdão nº 0229.227 de fls.39/41). Inconformada, em 20/12/2010 a empresa autuada interpôs Recurso Voluntário (fls. 45/50), e, ao analisar o referido recurso, em 16/02/2016 esta egrégia 4ª Câmara da 1ª Turma Ordinária negou lhe provimento e manteve incólume a decisão de primeira instância (fls.54/58). Ocorre que, posteriormente ao julgamento, às fl.61 foi juntada tela do sistema SICOB informando sobre parcelamento de débito em 01/12/2014, contudo, não é possível verificar se referido parcelamento referese especificamente ao crédito tributário ora em debate. Diante desse cenário, para que não remanesçam dúvidas acerca do referido pedido, bem como se esse referese ao crédito tributário sub examine, converto o julgamento em diligência, para solicitar que a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Divinópolis, junte aos autos o pedido de parcelamento específico para o crédito tributário que compõe a presente lide, e, após, seja intimada a Embargada TENACE INDUSTRIA E COMERCIO EIRELI, para que se manifeste sobre os termos do referido parcelamento. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONVERTO O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para determinar à Delegacia da Receita Federal do Brasil em Divinópolis juntar aos autos o pedido de parcelamento do contribuinte, específico para o crédito tributário que compõe a presente lide, e, após, seja intimada a Embargada TENACE INDUSTRIA E Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10665.000879/201018 Resolução nº 2401000.554 S2C4T1 Fl. 6 5 COMERCIO EIRELI, para que se manifeste, no prazo de 15 (quinze) dias sobre os termos do referido parcelamento nos termos do relatório e voto. (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 93DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10384.720015/2011-45
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9202-004.811
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 4. 72 00 15 /2 01 1- 45 Fl. 1191DF CARF MF Processo nº 10384.720015/201145 Acórdão n.º 9202004.811 CSRFT2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10380.005876/200753. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.792, de 12/12/2016, proferido no julgamento do processo 10380.005876/200753, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.792): O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Fl. 1192DF CARF MF Processo nº 10384.720015/201145 Acórdão n.º 9202004.811 CSRFT2 Fl. 0 3 Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 1193DF CARF MF Processo nº 10384.720015/201145 Acórdão n.º 9202004.811 CSRFT2 Fl. 0 4 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Fl. 1194DF CARF MF Processo nº 10384.720015/201145 Acórdão n.º 9202004.811 CSRFT2 Fl. 0 5 Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Fl. 1195DF CARF MF Processo nº 10384.720015/201145 Acórdão n.º 9202004.811 CSRFT2 Fl. 0 6 § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há Fl. 1196DF CARF MF Processo nº 10384.720015/201145 Acórdão n.º 9202004.811 CSRFT2 Fl. 0 7 que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 1197DF CARF MF Processo nº 10384.720015/201145 Acórdão n.º 9202004.811 CSRFT2 Fl. 0 8 Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 1198DF CARF MF Processo nº 10384.720015/201145 Acórdão n.º 9202004.811 CSRFT2 Fl. 0 9 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 1199DF CARF MF Processo nº 10384.720015/201145 Acórdão n.º 9202004.811 CSRFT2 Fl. 0 10 Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Em face do acima exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 1200DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.906400/2009-38
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2006
ESTIMATIVA. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE.
Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação (Súmula CARF nº 84).
Numero da decisão: 9101-002.616
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento, com retorno dos autos à Unidade de origem para verificação da certeza e liquidez do crédito tributário.
[assinado digitalmente]
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação (Súmula CARF nº 84). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento, com retorno dos autos à Unidade de origem para verificação da certeza e liquidez do crédito tributário. [assinado digitalmente] Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Tratase de Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 180100.867, que julgou o recurso voluntário interposto pela contribuinte acerca da possibilidade de compensação de créditos de pagamentos de estimativas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 90 64 00 /2 00 9- 38 Fl. 247DF CARF MF Processo nº 10166.906400/200938 Acórdão n.º 9101002.616 CSRFT1 Fl. 3 2 O Acórdão recorrido deu provimento parcial ao recurso voluntário para afastar o argumento jurídico da não homologação, entendendo ser possível a compensação de créditos de pagamentos de estimativas. Em seguida, para comprovar a divergência de interpretação necessária ao conhecimento do seu recurso, a Fazenda Nacional interpôs o presente recurso especial de divergência, por entender que a decisão de reconhecer a possibilidade de compensação do valor indevidamente pago, ou pago a maior, de estimativa é fruto de interpretação da legislação tributária que conflita com a interpretação adotada no acórdão paradigma colacionado aos autos. O recurso foi admitido por meio do despacho do Presidente da Câmara. Após, sobrevieram contrarrazões em que o sujeito passivo defende o acerto da decisão questionada e pugna pela sua manutenção. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9101002.610, de 16/03/2017, proferido no julgamento do processo 10280.900603/200912, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9101002.610): O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento, na forma como foi admitido. O contribuinte apresentou DCOMP apontando indébito oriundo de pagamento a maior de estimativa. Ao apreciar a referida declaração, a Receita Federal não homologou a compensação, sob o fundamento de que o pagamento de estimativa não é passível de compensação, devendo compor a apuração anual do tributo. A decisão recorrida foi no sentido oposto, reconhecendo o direito de o contribuinte compensar o indébito de estimativa, devolvendo os autos para a unidade de origem, para verificação da certeza e liquidez do crédito tributário pleiteado, vez que essa matéria ainda não sofreu apreciação pela Administração Tributária. O recurso especial veio para que esta Câmara Superior reforme a decisão recorrida, restabelecendo a declaração de impossibilidade de o contribuinte compensar crédito de estimativa, nos termos da legislação infralegal então em vigor. Fl. 248DF CARF MF Processo nº 10166.906400/200938 Acórdão n.º 9101002.616 CSRFT1 Fl. 4 3 Todavia, a IN RFB nº 900, de 2008, retirou a referida proibição do ordenamento tributário e é pacífico na jurisprudência administrativa o entendimento de que seus efeitos devem retroagir para alcançar as compensações pendentes de decisão administrativa. Esse entendimento é adotado pela própria Administração Tributária, exteriorizado por meio da Solução de Consulta Interna Cosit n° 19, de 05/12/2011, assim ementada: ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. Caracterizase como indébito de estimativa inclusive o pagamento a maior ou indevido efetuado a este título após o encerramento do período de apuração, seja pela quitação do débito de estimativa de dezembro dentro do prazo de vencimento, seja pelo pagamento em atraso da estimativa devida referente a qualquer mês do período, realizado em ano posterior ao do período da estimativa apurada, mesmo na hipótese de a restituição ter sido solicitada ou a compensação declarada na vigência das IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005. A nova interpretação dada pelo art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, aplicase inclusive aos PER/DCOMP retificadores apresentados a partir de 1º de janeiro de 2009, relativos a PER/DCOMP originais transmitidos durante o período de vigência da IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005, desde que estes se encontrem pendentes de decisão administrativa. No âmbito deste Tribunal Administrativo, a matéria foi pacificada por meio da Súmula CARF nº 84: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial da Procuradoria, com retorno dos autos à unidade de origem para verificação da certeza e liquidez do crédito tributário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do recurso especial da Fazenda Nacional, e, no mérito, negolhe provimento, com retorno dos autos à unidade de origem para verificação da certeza e liquidez do crédito tributário. assinado digitalmente Fl. 249DF CARF MF Processo nº 10166.906400/200938 Acórdão n.º 9101002.616 CSRFT1 Fl. 5 4 Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 250DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13971.916327/2011-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Apr 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2001
COFINS. ART. 3º, §1º DA LEI 9.718/98. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. RECEITA. ALARGAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE. APLICAÇÃO DO ART. 62, §2º, do RICARF. RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. CABIMENTO.
A base de cálculo das contribuições ao PIS e a COFINS é o faturamento e, em virtude de inconstitucionalidade declarada em decisão plenária definitiva do STF, devem ser excluídas da base de cálculo as receitas que não decorram da venda de mercadorias ou da prestação de serviços. Aplicação do art. 62, §2º do RICARF.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3402-003.950
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2001 COFINS. ART. 3º, §1º DA LEI 9.718/98. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. RECEITA. ALARGAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE. APLICAÇÃO DO ART. 62, §2º, do RICARF. RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. CABIMENTO. A base de cálculo das contribuições ao PIS e a COFINS é o faturamento e, em virtude de inconstitucionalidade declarada em decisão plenária definitiva do STF, devem ser excluídas da base de cálculo as receitas que não decorram da venda de mercadorias ou da prestação de serviços. Aplicação do art. 62, §2º do RICARF. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS ANOCALENDÁRIO: 2001 COFINS. ART. 3º, §1º DA LEI 9.718/98. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. RECEITA. ALARGAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE. APLICAÇÃO DO ART. 62, §2º, do RICARF. RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. CABIMENTO. A base de cálculo das contribuições ao PIS e a COFINS é o faturamento e, em virtude de inconstitucionalidade declarada em decisão plenária definitiva do STF, devem ser excluídas da base de cálculo as receitas que não decorram da venda de mercadorias ou da prestação de serviços. Aplicação do art. 62, §2º do RICARF. Recurso Voluntário Provido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 91 63 27 /2 01 1- 21 Fl. 68DF CARF MF 2 Relatório Por trazer clara síntese do processo até a interposição da Manifestação de Inconformidade, adoto o relatório da decisão de primeira instância, no Acórdão da DRJ em Florianópolis: "Trata o presente processo de Pedido de Restituição PER, apresentado pela contribuinte acima qualificada. Em análise do pedido, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Blumenau/SC decidiu indeferilo (...), em razão de que o valor recolhido via DARF, indicado como fonte do crédito contra a Fazenda Nacional, já havia sido integralmente utilizado para pagamento de débito da contribuinte, não restando crédito disponível para restituição solicitada no PER. Inconformada com o não deferimento de seu Pedido de Restituição, a contribuinte esclarece, em síntese, que os créditos pleiteados se referem a pagamentos a maior originados da declaração de inconstitucionalidade do artigo 3º, §1º da Lei nº 9.718/98, pelo Supremo Tribunal Federal, em 9 de novembro de 2005. A contribuinte alega, ainda, a nulidade do Despacho Decisório, por ausência de diligência sobre o crédito pleiteado, nos termos do artigo 65 da Instrução Normativa nº 900/2008." (grifei) A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente naquela oportunidade, tendo sido o referido acórdão ementado nos seguintes termos: "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2001 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. REQUISITO. A certeza e liquidez do crédito é requisito essencial para o deferimento da restituição, devendo restar comprovado o efetivo pagamento indevido ou a maior que o devido. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2001 PRELIMINAR. NULIDADE. AUSÊNCIA DE REALIZAÇÃO DE DILIGÊNCIA. NÃO OCORRÊNCIA. A autoridade competente para decidir sobre restituição poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos, bem como tem a faculdade de determinar a realização de diligência. Se pela DCOMP apresentada já é possível concluir que o crédito pleiteado carece de liquidez e certeza, desnecessária a realização de diligência. ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido" Intimada pessoalmente desta decisão, foi apresentado Recurso tempestivo no qual a Recorrente alega, em síntese, a validade do crédito de COFINS objeto do Pedido de Restituição, vez que calculado com base nas receitas não operacionais auferidas pela empresa, que não podem ser consideradas como base de cálculo do PIS e da COFINS como reconhecido Fl. 69DF CARF MF Processo nº 13971.916327/201121 Acórdão n.º 3402003.950 S3C4T2 Fl. 3 3 pelo Supremo Tribunal Federal nos Recursos Extraordinários 346.084, 358.273, 357.950 e 390.840. Alega ainda a nulidade do despacho decisório, por ausência de diligência prévia para verificação da validade do crédito. Anexou ao Recurso Voluntário cópia do livro razão e planilha com a composição do crédito apurado. Em seguida, os autos foram remetidos a esse Conselho. É o relatório. Voto Antonio Carlos Atulim, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402003.923, de 28 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 13971.916330/201144, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402003.923): "Conheço do Recurso Voluntário, por tempestivo, adentrando em suas razões. Em recente julgado desta turma relatado pela Conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz, foi reconhecimento o cabimento dos pedidos de restituição que, tal como o presente, se respaldam na inconstitucionalidade do art. 3º, §1º, da Lei n.º 9.718/98. Tratase do acórdão n.º 3402003.399, ementado nos seguintes termos: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/08/2005 a 31/08/2005 COFINS. ART. 3º, §1º DA LEI 9.718/98. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. RECEITA. ALARGAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE. APLICAÇÃO DO ART. 62, §2º, do RICARF. RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. CABIMENTO. A base de cálculo das contribuições ao PIS e a COFINS é o faturamento e, em virtude de inconstitucionalidade declarada em decisão plenária definitiva do STF, devem ser excluídas da base de cálculo as receitas que não decorram da venda de mercadorias ou da prestação de serviços. Aplicação do art. 62, §2º do RICARF." (Número do Processo 10980.911525/201010. Data da Sessão 29/09/2016 Relatora Thais de Laurentiis Galkowicz. Acórdão n.º 3402003.399) Fl. 70DF CARF MF 4 A situação trazida sob julgamento nos presente autos é idêntica àquela julgada naquela oportunidade, razão pela qual adoto integralmente as razões delineadas por aquela Ilustre Conselheira Relatora, à luz do art. 50, §1º da Lei n.º 9.784/99, cujo voto foi acompanhado por unanimidade por esta Turma: "A questão de direito controversa no presente processo é amplamente conhecida. Tratase do inconstitucional alargamento da base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (“Cofins”), sobre o qual cumpre tecer algumas breves explanações. A Cofins, sucessora do FINSOCIAL, foi disciplinada pela Lei n. 9.718, de 27 de novembro de 1998 (“Lei n. 9.718/98”). Nos termos do artigo 3º da citada Lei, ficou estabelecido que a Cofins incidiria sobre a receita bruta de pessoa jurídica. Por sua vez, o §1º do mesmo artigo veio definir o que abrangia o termo "receita", dispondo que: entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. Contudo, à época da edição da Lei n. 9.718/98, a Constituição da República brasileira, em seu artigo 195, estabelecia que as Contribuições Sociais a serem recolhidas aos Cofres da União pelos empregadores, dentre as quais se enquadra a Cofins, somente poderiam incidir sobre o “faturamento”. Diante dessa delimitação constitucional, o Supremo Tribunal Federal (“STF”) declarou que o §1º do artigo 3º da Lei n. 9.718/98 é inconstitucional, no julgamento dos Recursos Extraordinários (“RE”) n. 357950, 390840, 358273, 346084 e 336134 em 09 de novembro de 2005. Posteriormente, o Pretório Excelso, no julgamento do RE n. 585.235, publicado em 28/11/2008, julgou pela aplicação da repercussão geral sobre matéria em exame, reconhecendo a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98. A ementa do referido julgado foi lavrada nos seguintes termos: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Isto porque, segundo o entendimento dos Ministros do STF, esse dispositivo alargou indevidamente a base de cálculo da Fl. 71DF CARF MF Processo nº 13971.916327/201121 Acórdão n.º 3402003.950 S3C4T2 Fl. 4 5 COFINS, uma vez que igualou o conceito de faturamento (ou receita operacional) ao conceito de receita . Explicase. Enquanto o faturamento é constituído pelas receitas advindas da venda de bens e serviços, a receita compreende "entrada de recursos financeiros remuneradores dos diferentes negócios jurídicos da atividade empresarial”, segundo a lição de José Antonio Minatel. 1 Assim, o faturamento (espécie) é menos amplo que a receita (gênero). Ocorre que tais conceitos não podem ser livremente manejados pelo legislador, pois o artigo 110 do Código Tributário Nacional determina que: A lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias. Destarte, se a Constituição determinava que a COFINS somente poderia incidir sobre o faturamento; e o faturamento constitui as receitas provenientes da venda de bens e serviços pela pessoa jurídica; concluise pela inconstitucionalidade da lei que determina a incidência sobre a receita sem sentido amplo, pois essa é mais abrangente que o faturamento2. Buscando solucionar os vícios constitucionais de que padecia a Lei n. 9.718/98, o Poder Legislativo editou a Emenda Constitucional n. 20, de 15 de dezembro de 1998 (“EC n. 20/98”). Tal Emenda alterou o texto do artigo 195 da Constituição, o qual restou positivado nos seguintes dizeres: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) 1 MINATEL, José Antonio. Conteúdo do Conceito de Receita e Regime Jurídico para sua Tributação. MP Editora. São Paulo, 2005, p. 132. 2 Ademais, há de se ressaltar que a Lei n. 9.718/98 tem status jurídico de lei ordinária, o que torna ainda mais patente a sua inconstitucionalidade, tendo em vista que somente por meio de lei complementar é que poderia ser criada outra fonte de custeio da seguridade social (incidente sobre outra materialidade), nos termos do artigo 195, §4 e do artigo 154, inciso I, ambos da Constituição. Disto depreendese que somente seria legítima a cobrança da COFINS sobre a receita, hipótese que na época não estava prevista no rol de incisos do artigo 195 da Constituição, caso tal situação tivesse sido instituída por meio de lei complementar. Afinal, tratarseia de nova fonte de custeio da seguridade social. Como a Lei n. 9.718/98 foi votada e publicada pelo rito legislativo próprio das leis ordinárias, mais uma vez concluise pela inconstitucionalidade da exação. Fl. 72DF CARF MF 6 a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício;(Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) b) a receita ou o faturamento; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998). Em síntese, a EC n. 20/98 alargou a hipótese de incidência das contribuições sociais devidas pelo empregador, uma vez que a partir de então não só o faturamento pode ser tributado, como também a receita em sentido amplo. Entretanto, essa mudança no texto da Constituição não teve o poder de convalidar os dizeres da Lei n. 9.718/98, pois o sistema jurídico brasileiro não admite a constitucionalidade superveniente, vale dizer, tendo sido promulgada e publicada lei que contraria a Constituição, não é possível que posterior alteração da própria Constituição, por via de emenda, traga de forma retroativa a validade da lei. Foi assim que decidiu o STF. Pois bem. Tendo sido decidida a questão em sede de recurso extraordinário com repercussão geral reconhecida, torna se imperioso o seu acatamento por este Conselho, nos moldes do artigo 62, §2º do Regimento Interno do CARF, o qual prescreve a necessidade de reprodução, pelos Conselheiros, das decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, na sistemática da repercussão geral: § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Nesse sentido, é tranquila a jurisprudência do Conselho a respeito da necessidade de reprodução das decisões proferidas pelo STF sobre a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da Cofins – citadas alhures aos processos administrativos fiscais, nos quais os contribuintes formulam pedidos de restituição de valores indevidamente pagos a título da contribuição social em questão, exatamente como ocorre no presente caso. Destaco a seguir alguns julgados representativos do entendimento sobre a matéria: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/02/1999 a 30/06/2000 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. TRIBUTOS SUJEITOS AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL. 10 ANOS. PEDIDO REALIZADO ANTES DA ENTRADA EM VIGOR DA LEI COMPLEMENTAR 118/2005. Fl. 73DF CARF MF Processo nº 13971.916327/201121 Acórdão n.º 3402003.950 S3C4T2 Fl. 5 7 O prazo decadencial para o direito de restituição de tributos sujeitos ao lançamento por homologação é de 10 (dez) anos, a contar do fato gerador quando o pedido for realizado antes da entrada em vigor da Lei Complementar 118/2005, conforme entendimento do STF. COFINS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO APLICAÇÃO DE DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL POSSIBILIDADE. Nos termos regimentais, reproduzemse as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. A base de cálculo das contribuições para o PIS e a Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo Excelso STF. COFINS. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO DE TRIBUTO. POSSIBILIDADE. Caracterizado o pagamento a maior ou indevido da contribuição, o contribuinte tem direito à repetição do indébito, segundo o disposto no art. 165, I, do Código Tributário Nacional (CTN). Recurso Voluntário Provido (Processo 11618.002043/200519, MARCOS ANTONIO BORGES, Nº Acórdão 3801001.835) Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 28/02/1999 a 31/05/2000 DECADÊNCIA. INDÉBITO TRIBUTÁRIO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. LEI COMPLEMENTAR 118/05. O prazo estabelecido na Lei Complementar 118/05 somente se aplica para os processos protocolizados a partir 9 de junho de 2005, e que anteriormente a este limite temporal aplicase a tese de que o prazo para repetição ou compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação é de dez anos, contado de seu fato gerador, de acordo com decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. PIS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO APLICAÇÃO DE DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL POSSIBILIDADE. Nos termos regimentais, reproduzemse as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. A base de cálculo das contribuições para o PIS e a Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de Fl. 74DF CARF MF 8 mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo Excelso STF. PIS. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO DE TRIBUTO. POSSIBILIDADE. Caracterizado o pagamento a maior ou indevido da contribuição, o contribuinte tem direito à repetição do indébito, segundo o disposto no art. 165, I, do Código Tributário Nacional (CTN). Recurso Voluntário Provido. (Processo 13855.001146/200586, Relator(a) FLAVIO DE CASTRO PONTES, Nº Acórdão , 3801001.722) COFINS. ART. 3º, DA LEI 9.718/98. BASE DE CÁLCULO. ALARGAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE. APLICAÇÃO DO ART. 62, §1o, I, do RICARF. RESTITUIÇÃO DO INDÉBITO. CABIMENTO. A base de cálculo das contribuições ao PIS e a COFINS é o faturamento e, em virtude de inconstitucionalidade declarada em decisão plenária definitiva do STF, devem ser excluídas da base de cálculo as receitas que não decorram da venda de mercadorias ou da prestação de serviços. Aplicação do art. 62A do RICARF. COFINS. ART. 3º, §1º, DA LEI 9.718/98. BASE DE CÁLCULO. ALARGAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE. RESTITUIÇÃO DO INDÉBITO. CABIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. Em face da inconstitucionalidade da alteração da base de cálculo da contribuição a COFINS, promovida pelo art. 3º, §1º, da Lei nº 19.718/98, é cabível o deferimento da restituição do indébito, devendo a autoridade preparadora verificar a comprovação do pagamento indevido ou a maior para compor o crédito a ser deferido ao contribuinte. Sobre o crédito apurado incide correção pela incidência da SELIC desde a data do pagamento indevido ou a maior, na forma do §4º, do Art. 39, da Lei nº 9.250/95. Recurso Parcialmente Provido. (Processo 10950.000184/200626, Relator(a) JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Acórdão 3402001.697) COFINS. FALTA DE RECOLHIMENTO. Mantémse o lançamento quando constatada a falta de recolhimento da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, no período compreendido pelo auto de infração. COFINS. COMPENSAÇÃO. PROCEDIMENTO PRÓPRIO. Fl. 75DF CARF MF Processo nº 13971.916327/201121 Acórdão n.º 3402003.950 S3C4T2 Fl. 6 9 Eventual direito à compensação da COFINS, em razão de recolhimento indevido ou efetuado a maior, deve ser apreciado no procedimento administrativo próprio de restituição/compensação, e não em processo de formalização de exigência de crédito tributário. Todavia, nada impede Requerê la em procedimento próprio. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. APRECIAÇÃO. COMPETÊNCIA. O conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF não é competente para apreciar pedidos de restituição/compensação. A competência é da unidade da Receita Federal que jurisdiciona o contribuinte. Aos órgãos julgadores do CARF compete o julgamento de recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como os recursos de natureza especial, que versem sobre tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. (art. 1º da Portaria MF nº 256/2009) MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO E PERCENTUAL. LEGALIDADE Aplicável a multa de ofício no lançamento de crédito tributário que deixou de ser recolhido ou declarado e no percentual determinado expressamente em lei. COFINS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. APLICAÇÃO DE DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL. POSSIBILIDADE. Nos termos regimentais, reproduzse as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. A base de cálculo das contribuições para o PIS e a Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo Excelso STF. Recurso Voluntário Provido em Parte (Processo 10680.006962/200880, Relator(a) JOSE LUIZ BORDIGNON, Acórdão 3801000.984) Portanto é incontroverso o bom direito da Recorrente em relação à restituição dos recolhimentos indevidamente feitos a título de Cofins, no período de apuração em questão, haja vista que a presente lide administrativa tem como objeto principal a declaração de inconstitucionalidade do artigo 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98 pelo STF (alargamento inconstitucional da base de cálculo da Cofins). Com efeito, como já tive a oportunidade de destacar em dissertação sobre o tema: Fl. 76DF CARF MF 10 Tanto a edição de leis inconstitucionais como a cobrança de tributos com base em tais leis tributárias inconstitucionais são atos ilícitos praticados pelo Poder Público. O primeiro constitui ilícito constitucional (edição de lei contrária aos dizeres da Constituição), enquanto o segundo caracteriza ilícito tributário (cobrança pelo Estado e consequente pagamento pelo contribuinte de tributo inválido). Lembrando que as normas jurídicas em sua feição completa são impreterivelmente dotadas de uma sanção em caso de descumprimento, aos citados atos ilícitos o ordenamento jurídico atrela as respectivas sanções: a declaração de inconstitucionalidade, com o objetivo de preservar a integralidade e coerência da ordem jurídica; e a restituição de tributos inconstitucionais, cuja função é conferir segurança jurídica e isonomia aos administrados. 3 Cumpre ainda salientar que à restituição de tributos inconstitucional, cuja natureza e regime jurídico são tributários, são totalmente aplicáveis as regras relativas às demais hipóteses de repetição de indébito dispostas no CTN (artigo 165 a 169). Entretanto, com relação ao quantum devido como restituição do tributo inconstitucional, compete à autoridade administrativa preparadora, com base na documentação apresentada pelo contribuinte no decorrer do processo administrativo, efetuar os cálculos e apurar o valor do direito creditório. Por fim, saliento que apurado o crédito, os valores originais devem sofrer correção pela incidência da SELIC, desde a data do pagamento indevido, como impõe o artigo 39, §4º da Lei nº 9.250/95, até a data do efetivo aproveitamento dos créditos pelo contribuinte. Dispositivo Por tudo quanto exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário, haja vista a necessidade de liquidação do julgado, nos termos descritos acima." (grifos no original) Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer o direito à restituição dos valores de COFINS calculados sobre receitas não operacionais auferidas pela empresa com fulcro no dispositivo inconstitucional da Lei n.º 9.718/98 (dentre as quais as receitas financeiras mencionadas pela Recorrente de "JUROS RECEBIDOS", "VARIAÇÃO CAMBIAL" e os valores de "ALUGUÉIS RECEBIDOS")." Importante consignar que os documentos analisados no julgamento do paradigma (razão e planilha de apuração) encontram correspondência com os documentos juntados ao presente processo, variando apenas o período de apuração e os valores envolvidos. 3 LAURENTIIS, Thais de. Restituição de Tributo Inconstitucional. São Paulo: Noeses, 2015. Fl. 77DF CARF MF Processo nº 13971.916327/201121 Acórdão n.º 3402003.950 S3C4T2 Fl. 7 11 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dou provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito à restituição dos valores de COFINS calculados sobre receitas não operacionais auferidas pela empresa com fulcro no dispositivo inconstitucional da Lei nº 9.718/98 (dentre as quais as receitas financeiras mencionadas pela Recorrente de "JUROS RECEBIDOS", "VARIAÇÃO CAMBIAL" e os valores de "ALUGUÉIS RECEBIDOS"). assinado digitalmente Antonio Carlos Atulim Fl. 78DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18471.000572/2005-21
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Feb 13 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. CONHECIMENTO.
Não se conhece de Recurso Especial de Contrariedade à Lei, quando não resta caracterizada a existência de decisão não-unânime do Colegiado a quo quanto à matéria recorrida.
Numero da decisão: 9202-004.528
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencido o conselheiro Gerson Macedo Guerra (relator), que conheceu. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Heitor de Souza Lima Junior.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Gerson Macedo Guerra - Relator
(assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior - Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: GERSON MACEDO GUERRA
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RECURSO ESPECIAL. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. CONHECIMENTO. Não se conhece de Recurso Especial de Contrariedade à Lei, quando não resta caracterizada a existência de decisão nãounânime do Colegiado a quo quanto à matéria recorrida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencido o conselheiro Gerson Macedo Guerra (relator), que conheceu. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Heitor de Souza Lima Junior. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra Relator (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 05 72 /2 00 5- 21 Fl. 172DF CARF MF 2 Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório Tratase de Auto de Infração para lançamento de IRPF contra o contribuinte em epígrafe pela constatação de "Rendimentos Classificados Indevidamente na DIRF" e "Falta de Recolhimento do IRPF devido a título de CarnêLeão". O lançamento resultou na cobrança de imposto, de multa de ofício proporcional, multa isolada por falta de recolhimento de carnê leão e juros de mora. Inconformado, o contribuinte apresentou regularmente Impugnação, que foi julgada improcedente. Assim sendo, tempestivamente, foi apresentado Recurso Voluntário. No julgamento do Voluntário realizado pela 5ª Turma Especial, da 3ª Seção de Julgamento foi dado provimento parcial ao recurso, excluir a multa isolada do lançamento, conforme ementa abaixo: Assunto: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2002 Ementa: RENDIMENTOS RECEBIDOS DE ORGANISMOS INTERNACIONAIS UNESCO ISENÇÃO ALCANCE A isenção de imposto sobre rendimentos pagos pela UNESCO (Agência Especializada da ONU), é restrita aos salários e emolumentos recebidos pelos funcionários internacionais, assim considerados aqueles que possuem vínculo estatutário com a Organização e foram incluídos nas categorias determinadas pelo seu SecretárioGeral, aprovadas pela Assembleia Geral. Não estão albergados pela isenção os rendimentos recebidos pelos técnicos a serviço da Organização, residentes no Brasil, sejam eles contratados por hora, por tarefa ou mesmo com vínculo contratual permanente. MULTA ISOLADA DO CARNÊLEÃO E MULTA DE OFÍCIO Incabível a aplicação da multa isolada (art. 44, §Iº, inciso III, da Lei n° 9.430, de 1996), quando em concomitância com a multa de ofício (inciso II do mesmo dispositivo legal), ambas incidindo sobre a mesma base de cálculo. Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Quinta Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por maioria de votos, em DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir a multa isolada, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Núbia Matos Moura. Regularmente intimada da decisão a Fazenda Nacional, tempestivamente, apresentou Recurso Especial por contrariedade a dispositivo legal, contra decisão não unânime. Fl. 173DF CARF MF Processo nº 18471.000572/200521 Acórdão n.º 9202004.528 CSRFT2 Fl. 173 3 Em suas razões a União alega que sobre os valores recebidos da fonte pagadora UNESCO incidia o IRPF, não sendo aquele rendimento isento, como pretendia o contribuinte. A forma de tributação dos referidos rendimentos seria através do conhecido "carnê leão", que consiste em pagamento mensal efetuado pelo próprio contribuinte. Quando não realizado tal pagamento o artigo 44, §1º, III, da Lei 9.430/1996 previa a imposição de multa isolada. A União alega, ainda, que os fatos geradores da multa isolada e da multa de ofício são distintos, de modo que não se pode afastar a multa isolada do presente lançamento. Na análise de admissibilidade, foi dado seguimento ao Recurso Especial interposto, tendo em vista que o recurso foi apresentado tempestivamente e, pelo fato do acórdão recorrido ter sido proferido em 29/06/09, a hipótese recursal prevista no inciso I do art. 7º do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147, de 25/06/2007, ainda está em vigência para este caso, nos termos do disposto no art. 4º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22/06/09. Regularmente intimado, o Contribuinte não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Gerson Macedo Guerra, Relator Sobre a admissibilidade do Recurso da União assim se manifestou a autoridade competente: Alega que o acórdão recorrido, ao decidir pela inviabilidade da concomitância da multa isolada do carnêleão com a multa de ofício, contrariou o art. 44, § Iº, III, da Lei n° 9.430/96, embasamento legal invocado para aplicação da penalidade. Diante do exposto acima requer a reforma do acórdão atacado para restaurar a multa questionada. E o relatório. O recurso foi apresentado tempestivamente e, pelo fato do acórdão recorrido ter sido proferido em 29/06/09, a hipótese recursal prevista no inciso I do art. 7º do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147, de 25/06/2007, ainda está em vigência para este caso, nos termos do disposto no art. 4º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22/06/09. À vista dos elementos apresentados pela recorrente e da fundamentação legal colacionada, constatase que estão presentes os requisitos de admissibilidade previstos para interposição do recurso especial, insertos no art. 15, § Iº , do Fl. 174DF CARF MF 4 antigo Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147, de 25/06/2007, posto que a decisão recorrida não foi unânime e no recurso foi citado dispositivo legal que teria sido contrariado. Diante do exposto acima ADMITO o recurso especial. A meu ver não merece reparos a análise de admissibilidade realizada, de modo que passo à análise de mérito. Da análise do Acórdão recorrido verificase que a razão para se afastar o lançamento da multa isolada, quando cumulada com o lançamento da multa de ofício foi de que ambas incidem sobre a mesma base, conforme se pode depreender da seguinte passagem do voto condutor do decisum: No que tange à aplicação das duas multas pela fiscalização, a primeira concernente à multa de ofício e a segunda por falta de recolhimento do carnêleão, entendemos que a interpretação trazida à baila pela Instrução Normativa SRF n° 46/97 de que ambas as penalidades devem ser aplicadas concomitantemente está incorreta. É este, inclusive, o melhor entendimento externado por este Egrégio Conselho de Contribuintes, que não admite que ambas as penalidades sejam aplicadas em concomitância quando a base de cálculo delas é a mesma: "IMPOSTO DE RENDA SUPLEMENTAR CARNÊLEÃO CONCOMITÂNCIA BASE DE CÁLCULO IDÊNTICA Não pode persistir a exigência da penalidade isolada pela falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnêleão, na hipótese em que cumulada com a multa de oficio incidente sobre a omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas, pois as bases de cálculo das penalidades são as mesmas. Recurso provido". (Recurso Voluntário 154.520) Importante destacar que a aplicação da multa em questão ocorreu antes da alteração da Lei 9.430/96 realizada pela MP 351/07, ou seja, na vigência do §1º, III, do artigo 44, da referida Lei, nos seguintes termos: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; (...) § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: (...) III isoladamente, no caso de pessoa física sujeita ao pagamento mensal do imposto (carnêleão) na forma do art. 8º Fl. 175DF CARF MF Processo nº 18471.000572/200521 Acórdão n.º 9202004.528 CSRFT2 Fl. 174 5 da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de fazê lo, ainda que não tenha apurado imposto a pagar na declaração de ajuste; Como se pode ver, o §1º, III apenas versava sobre a forma em que a multa seria aplicada no caso específico de falta de pagamento mensal do imposto. Logo, a base legal e base de incidência da multa isolada e de ofício eram exatamente as mesmas. Por esse motivo este Tribunal firmou entendimento de ser incabível a aplicação concomitante da multa isolada com a multa de ofício. Penso exatamente dessa forma, cobrar a multa isolada e multa de ofício nos termos aqui realizados é penalizar duplamente o contribuinte, sem amparo legal, o que é vedado pela ordem jurídica tributária. Assim, voto por negar provimento ao recurso da União. (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra Fl. 176DF CARF MF 6 Voto Vencedor Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Redator designado Com a devida vênia ao posicionamento esposado pelo nobre Relator, ouso discordar quanto ao conhecimento do Recurso Especial da Fazenda Nacional. Estabelecia a Portaria MF n° 147, de 25/06/2007 (Antigo Regimento desta Câmara Superior de Recursos Especiais), em seu art. 7o. inciso I, a possibilidade de apresentação de recurso por contrariedade à lei, contra decisão não unânime de Câmara, na seguinte forma: Artigo 7º. Compete à Câmara Superior de Recursos Fiscais, por suas Turmas, julgar recurso especial interposto contra: I decisão nãounânime de Câmara, quando for contrária à lei ou à evidência da prova; A propósito do dispositivo supra, de se entender que a referida contrariedade à lei deve se referir à matéria objeto da decisão que for nãounânime, ou seja, em havendo decisão por parte do Colegiado simultânea acerca de matérias em que houve unanimidade e acerca de outras matérias onde não houve consenso integral dos julgadores, somente a estas últimas se aplicaria a possibilidade do recurso previsto no referido I do art. 7o. supra. No caso em questão, noto que, ainda que o decisum do Acórdão de fl. 131 mencione a existência de Conselheira vencida, não se pode precisar se aquela foi vencida quanto à matéria objeto do Recurso Especial por contrariedade à lei da Fazenda Nacional (concomitância entre multas) ou se, por exemplo, teria ficado vencida quanto à matéria de incidência de Imposto sobre a Renda sobre os rendimentos sob análise. Notese que, nesta última hipótese, a decisão quanto à matéria objeto do Recurso Especial (concomitância entre multas) teria se dado de forma unânime e, assim, incabível o Recurso Especial intentado pela Fazenda. Assim, uma vez não tendo sido a decisão integrada (aclarada) por (através de) embargos declaratórios (notese permitidos à Recorrente), julgo como não demonstrada pela Fazenda Nacional a condição de admissibilidade do pleito (decisão não unânime de Câmara quanto á matéria recorrida) e, assim, voto por não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional. É como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Fl. 177DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.912314/2012-80
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Apr 20 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3402-000.979
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara /2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. Recorrente CASA DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE DE VALINHOS GRUPO GENTE NOVO RUMO Recorrida FAZENDA NACIONAL ACORDAM os membros da 4ª Câmara /2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório eletrônico que indeferiu o Pedido de Restituição Eletrônico PER, referente a alegado crédito de pagamento indevido ou a maior efetuado por meio do DARF. Segundo o Despacho Decisório, o DARF informado no PER foi integralmente utilizado na quitação do respectivo débito, não restando crédito disponível para restituição. Em sua manifestação de inconformidade a interessada argumentou, em resumo, que o pagamento indevido decorre de sua condição de imune às contribuições sociais, nos termos do § 7º do art. 195, c/c 146, inc. II, ambos da Constituição Federal, e do art. 14 do CTN. Isso porque tem a natureza jurídica de associação civil sem fins lucrativos e o objetivo de prestar assistência integral à criança e ao adolescente, na forma dos arts. 203 da CF/88 e 2º do Estatuto da Criança. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .9 12 31 4/ 20 12 -8 0 Fl. 70DF CARF MF Processo nº 10830.912314/201280 Resolução nº 3402000.979 S3C4T2 Fl. 3 2 Uma vez processada a manifestação de inconformidade, esta foi julgada improcedente nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008 RESTITUIÇÃO. PIS – FOLHA DE PAGAMENTO. ATIVIDADE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. INCIDÊNCIA. São contribuintes do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salário, e não sobre o faturamento, as instituições beneficentes de assistência social, de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, quando atendidas as condições e requisitos legais. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido.. Diante deste quadro, o contribuinte interpôs o recurso voluntário em que alegou, em suma: (i) que é imune ao pagamento do PIS, haja vista o disposto no art. 195, § 7º, c.c. o art. 146, inciso II, ambos da Magna Lex, bem como o disposto no art. 14 do CTN; e, ainda (ii) que a recorrente atende todos os requisitos estabelecidos em lei para gozar da imunidade citada e que, para o período em tela, foi declarada entidade pública federal, nos termos da Portaria Federal n. 685, de 04/04/2007, bem como possui o CEBAS Certificado de Entidades Beneficentes de Assistência Social, sob o n. 71000.114296/200930. É o relatório. Resolução Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3402000.939, de 28 de março de 2017, proferida no julgamento do processo 10830.912270/201298, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3402000.939: "5. O presente recurso voluntário preenche os pressupostos formais de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. 6. Como visto alhures, tratase de pedido de ressarcimento com o fito de ver reconhecido crédito de PIS decorrente da imunidade da recorrente, uma vez que a mesma enquadrarseia no conceito de entidade beneficente. Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10830.912314/201280 Resolução nº 3402000.979 S3C4T2 Fl. 4 3 7. Para provar sua condição de entidade beneficente, a recorrente anexa à sua manifestação de inconformidade os documentos de fls. 21/28 [(i) certificado de utilidade pública nacional, emitido pelo Ministério da Justiça; (ii) atestado de registro no Conselho Nacional de Assistência Social; (iii) Portaria Municipal que reconhece o caráter assistencial da recorrente; e, ainda, (iv) cópia da lei municipal n. 4.812/2012, que autoriza a concessão de subvenções às entidades assistenciais do Município de Valinhos, dentre as quais encontrase a recorrente]. 8. Não obstante, juntamente com seu recurso voluntário, o contribuinte apresenta outro documento (fl. 65) que atestaria sua condição de entidade beneficente. Tratase do ofício n. 959/20013, emitido pela Coordenação Geral de Certificação das Entidades Beneficentes de Assistência Social, que assim comunica: 9. Da análise de todos os documentos aqui tratados, é possível cogitar que, de fato, a recorrente enquadrase no conceito de entidade assistencial apta a gozar de imunidade tributária. Acontece que, todos os documentos trazidos nos autos pela recorrente com o escopo de provar tal condição referemse à momento posterior ao período do crédito em análise, o qual diz respeito ao mês de fevereiro de 2006 (fl. 32). 10. Neste diapasão, tendo em vista que o acervo probatório trazidos aos autos aparentemente induz à conclusão de que a recorrente preenche as condições para gozar de imunidade tributária, bem com ainda pautado pela ideia de instrumentalidade do processo, resolvo por converter o presente julgamento em diligência para que a unidade preparadora providencie: Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10830.912314/201280 Resolução nº 3402000.979 S3C4T2 Fl. 5 4 · a intimação do contribuinte para apresentar o Certificado de Entidades Beneficentes de Assistência Social CEBAS válido para o período do crédito aqui vindicado. 11. É a resolução." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório alegado, também foram juntados em cópias nestes autos. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, convertese o presente julgamento em diligência, para que a unidade preparadora intime o contribuinte para apresentar o Certificado de Entidades Beneficentes de Assistência Social CEBAS válido para o período do crédito aqui vindicado. Após, retornemse os autos para julgamento. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 73DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13609.001205/2002-85
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 1997, 1998, 1999, 2000, 2001
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA - PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE
Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial.
Recurso especial não conhecido.
Numero da decisão: 9202-002.416
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: Maria Helena Cotta Cardozo
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Recurso especial não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. (Assinado digitalmente) Otacilio Dantas Cartaxo Presidente. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 9. 00 12 05 /2 00 2- 85 Fl. 5851DF CARF MF Excluído Documento de 13 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP20.0417.14455.M8AD. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 2 EDITADO EM: 23/11/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Declarouse impedida a Conselheira Susy Gomes Hoffmann. Relatório Em sessão plenária de 26/06/2008, a 6ª Câmara do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes julgou o Recurso Voluntário nº 139.027, relativo à exigência de IRPF – Imposto de Renda Pessoa Física dos exercícios de 1997 a 2001, exarando o Acórdão 106 16.977 (fls. 1.365 a 1.414), assim ementado: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 1997, 1998, 1999, 2000, 2001 Ementa: MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF EMISSÃO E PRORROGAÇÃO FEITA POR AUTORIDADE COMPETENTE — CADUCIDADE DO MANDADO. POR , DECURSO DE PRAZO — INOCORRÊNCIA . INSTRUMENTO DE CONTROLE DA ADMINISTRAÇÃO EVENTUAL INOBSERVÂNCIA DAS NORMAS QUE DISCIPLINAM O MPF NÃO TEM O CONDÃO DE GERAR NULIDADE DO LANÇAMENTO O. MPF foi emitido e prorrogado por autoridade , competente. Ainda, não houve caducidade do. MPF por decurso de prazo, o que permitiu a mesma autoridade autuante iniciare encerrar o.MPF. Ademais, o , MPF constitui se em mero instrumento de controle da administração tributária, não podendo eventual inobservância das normas que o disciplinam gerar nulidades no âmbito do processo administrativo fiscal. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 1997, 1998, 1999, 2000,2001 .Ementa: APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI N° 10.174/2001 — PRINCÍPIO DA SEGURANÇA JURÍDICA – LEGISLAÇÃO ' QUE AUMENTA OS PODERES . DE INVESTIGAÇÃO: DA . 1 . AUTORIDADE. ADMINISTRATIVA' FISCAL — PREVALÊNCIA DO PRINCÍPIO QUE AMPLIA O PODER PERSECUTÓRIO. DO ESTADO Hígida a ação fiscal que tomou como elemento indiciário de infração tributária a informação da CPMF, mesmo para período anterior a 2001, já que à luz do art. 144, § 1°, do CTN podese utilizar a legislação superveniente à ocorrência do fato gerador, quando essa amplia os poderes de investigação da autoridade administrativa fiscal. Não se pode invocar o princípio da segurança jurídica como um meio .para se proteger da descoberta do cometimento de infrações tributárias. Fl. 5852DF CARF MF Excluído Documento de 13 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP20.0417.14455.M8AD. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13609.001205/200285 Acórdão n.º 9202002.416 CSRFT2 Fl. 1.703 3 TRANSFERÊNCIA DO SIGILO BANCÁRIO PARA O FISCO LEI COMPLEMENTAR N° 105/2001 HIPÓTESES DO DECRETO N° 3.724/2001 APLICAÇÃO PARA PERÍODOS ANTERIORES A 2001 POSSIBILIDADE O contribuinte que não atenda a regular intimação do fisco para apresentar os extratos bancários, devese submeter à transferência compulsória do sigilo bancário da instituição financeira para o fisco, nos limites do Decreto n° 3.724/2001. IRPF LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO – AUSÊNCIA . DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO . PRAZO DECADENCIAL REGIDO PELO ART. 150, § 4°, DO CTN A regra de incidência prevista na lei ,é que define a modalidade do lançamento..0 lançamento do imposto de renda da pessoa física é. por : homologação, com . fato gerador complexivo, que se aperfeiçoa em 31/12 do anocalendário. Para esse tipo de lançamento, exceto se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o qüinqüênio do prazo decadencial tem seu início na data do fato gerador. O lançamento que não respeita o prazo decadencial na forma antes exposta deve ser considerado extinto pela decadência. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 1997, 1998, 1999, 2000, 2001 Ementa: IMPOSTO DE . RENDA ; TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVAMENTE COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS POSSIBILIDADE A partir da vigência do art. 42 da Lei n° 9.430/96, o fisco não mais ficou obrigado a comprovar o consumo da renda representado pelos depósitos bancários de origem não comprovada, a transparecer. sinais exteriores de riqueza (acréscimo patrimonial ou dispêndio), incompatíveis com os rendimentos declarados, como ocorria sob égide do revogado parágrafo 5° do art. 6° da Lei n° 8.021/90. O contribuinte tem. que comprovar a origem dos depósitos bancários, sob pena de se presumir que esses são rendimentos omitidos, sujeitos à aplicação da tabela progressiva. ' DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA RENDIMENTOS OMITIDOS . FATO GERADOR, COM PERIODICIDADE MENSAL IMPOSSIBILIDADE APRECIAÇÃO EQUIVOCADA DO ART. 42, § 4°, DA LEI N° 9.430/96 FATO GERADOR COMPLEXIVO, COM PERIODICIDADE ANUAL HIGIDEZ DO LANÇAMENTO É equivocado o entendimento de que o fato gerador do imposto de renda que incide sobre rendimentos omitidos oriundos de depósitos bancários de origem não comprovada tem periodicidade mensal. A, uma, porque o art. 42, §4°, da.Lei n° 9.430/96 sequer definiu o vencimento da exação dita mensal; a duas, porque os rendimentos sujeitos à tabela progressiva obrigatoriamente são colacionados no ajuste anual, quando, então, apura se o imposto devido, indicando. que o fato gerador, no caso vertente, aperfeiçoouse em 31/12 do ano calendário; a três, porque a ausência de antecipação dentro do Fl. 5853DF CARF MF Excluído Documento de 13 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP20.0417.14455.M8AD. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 4 anocalendário somente poderia ser apenada com . uma multa isolada de oficio, como ocorre na ausência do recolhimento mensal obrigatório (carnêleão); a quatro, porque a regra geral da periodicidade do fato gerador do imposto de renda da pessoa física é anual, na forma do art . 2° da Lei n° 7.713/88 c/c os arts. 2° e 9° da Lei n° 8. 1 34/90. COMPROVAÇÃO. DA ORIGEM DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS IMPOSSIBILIDADE DE O DEPÓSITO DE UM MÊS , SERVIR COMO. COMPROVAÇÃO PARA. O DEPÓSITO DO MÊS SEGUINTE Na tributação dos depósitos bancários de origem não comprovada não se individualiza os saldos em fins de período, mas os próprios depósitos,considerados rendimentos omitidos na hipótese especificada em lei. Permitir que os depósitos de um mês pudessem funcionar como origens para os depósitos do mês seguinte, somente seria possível se houvesse a comprovação de que o valor sacado foi, posteriormente, depositado. Acatar a possibilidade, em tese, dos depósitos antecedentes servirem como comprovação e origem dos depósitos subseqüentes, no extremo, permitiria que o depósito de.um dia servisse para justificar o depósito do dia seguinte. DEPÓSITO BANCÁRIO DE ORIGEM NÃO COMPROVADA VINCULAÇÃO A RECIBOS E CHEQUES. EMITIDOS POR EMPRESA AO SÓCIO RECORRENTE EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO Comprovada a origem dos depósitos bancários, vinculados, em . parte, as receitas omitidas e anteriormente tributadas na pessoa jurídica, é de se afastar a presunção do art. 42 da Lei n° 9.430/96. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS VACINAS IMPOSSIBILIDADE RECIBOS QUE NÃO DISCRIMINAM O OBJETO DA PRESTAÇÃO DO SERVIÇO GLOSA – São dedutíveis as despesas médicas do contribuinte. e de seus dependentes efetivamente pagas e comprovadas através de documentação idônea, na: qual se especifique. o objeto. do pagamento. Não . é passível de dedução a despesa relativa a vacinas, por, não compor a hipótese de incidência da norma. Ainda, bloquete de cobrança que não especifique .o objeto da ` prestação do serviço deve ser glosado DESPESA COM INSTRUÇÃO —NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO AUSÊNCIA DE .DESPESA EM NOME DO CÔNJUGE DEPENDENTE CORREÇÃO DA GLOSA Não . havendo comprovação de : despesa com o cônjuge dependente, devese manter a glosa perpetrada pela fiscalização. OMISSÃO DE RENDIMENTOS: JUROS RECEBIDOS . RECIBOS FIRMADOS PELO PRÓPRIO RECORRENTE ALEGAÇÃO NO RECURSO DE QUE NÃO RECEBEU OS RENDIMENTOS DESCABIMENTO Os recibos com o montante dos juros recebidos foram firmados pelo recorrente. Aliado a isto, os contratos de mútuos foram acostados aos autos. A mera alegação de que não recebeu os rendimentos representados pelos recibos, diga se de passagem, firmados pelo próprio recorrente, não tem o condão de afastar a presunção de higidez da documentação acostada aos autos: Fl. 5854DF CARF MF Excluído Documento de 13 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP20.0417.14455.M8AD. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13609.001205/200285 Acórdão n.º 9202002.416 CSRFT2 Fl. 1.704 5 MULTA ISOLADA DE OFÍCIO . CARNELEÃO INCIDÊNCIA. CONCOMITANTE COM. A MULTA DE OFÍCIO CONS ECTÁRIA DO IMPOSTO LANÇADO NO AJUSTE ANUAL EM DECORRÊNCIA DA COLAÇÃO DO RENDIMENTO QUE NÃO FOI OBJETO DO RECOLHIMENTO MENSAL OBRIGATÓRIO IMPOSSIBILIDADE Mansamente assentada na jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes e da Câmara Superior . de Recursos Fiscais que a multa isolada do carnêleão não pode ser cobrada concomitantemente com a multa de oficio que incidiu sobre o imposto lançado, em decorrência da colação no ajuste anual do rendimento que deveria ter . sido submetido ao recolhimento mensal obrigatório,, pois ambas têm a mesma base de cálculo. JUROS DE MORA ATUALIZAÇÃO DE ` CRÉDITOS. TRIBUTÁRIOS PELA TAXA SELIC POSSIBILIDADE No, âmbito dos Conselhos, pacífica a utilização da. taxa Selic, quer como juros de mora a incidir sobre crédito tributário em atraso, quer para atualizar os. indébitos do contribuinte em face da Fazenda Federal. Entendimento em linha com o enunciado da Súmula 1° CC n° 4: "A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais" RENDIMENTOS CONSTANTES NA DECLARAÇÃO ANUAL: COMPROVAÇÃO.. DA . ORIGEM DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS NECESSIDADE DE INDIVIDUALIZAÇÃO DOS DEPÓSITOS E VINCULAÇÃO AOS RENDIMENTOS DECLARADOS ÔNUS DO RECORRENTE A mera confissão de rendimentos na declaração de ajuste anual. não é meio hábil, por si só, para comprovar a origem de depósitos bancários presumidos como renda. Mister individualizar e vincular cada depósito aos rendimentos declarados. Recurso voluntário parcialmente provido. A decisão foi assim resumida: ACORDAM os membros da Sexta Câmara do Primeiro ' Conselho de Contribuintes, a) Pelo voto de qualidade, REJEITAR a preliminar de nulidade do lançamento em decorrência dá irretroatividade da Lei n° 10.174, de 2001 ; e a de decadência do lançamento relativo aos meses de janeiro a novembro de 1997, vencidos os Conselheiros Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Luci ano Inocêncio dos Santos (suplente convocado), Janaina Mesquita Lourenço de Souza e Gonçalo Bonet Allage; . b) Por unanimidade de votos, REJEITAR as demais preliminares de nulidade argüidas pelo recorrente, RECONHECER a decadência do lançamento do anocalendário de 1996 e, no mérito, DAR provimento PARCIAL ao recurso para: Fl. 5855DF CARF MF Excluído Documento de 13 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP20.0417.14455.M8AD. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 6 i) excluir da base de cálculo do lançamento relativo aos depósitos bancários: no anocalendário de 1997, o valor de R$ 187.240,00; no anocalendário de 1998, o valor de R$ 48.500,00; no anocalendário de 1999, o valor de R$ 785.907,66; e no anocalendário de 2000, o valor de R$ 551.380,72. iii) cancelar a multa isolada do carnêleão, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Cientificada do acórdão em 25/09/2008 (fls. 1.416), a Fazenda Nacional interpôs, em 26/09/2008, tempestivamente, o Recurso Especial de fls. 1.419 a 1.449, visando a revisão do julgado, na parte em que exonerou a multa isolada do carnêleão. Ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional foi negado seguimento, por meio do Despacho nº DDF106139027 450, de 23/12/2008 (fls. 1.451 a 1.454). Cientificada do não seguimento do Recurso Especial em 26/02/2009, a Fazenda Nacional opôs, na mesma data, o Agravo de fls.1.457 a 1.463, também rejeitado, conforme Despacho nº 210000031/2010, de 25/02/2010 (fls. 1.465 a 1.466). Em 11/10/2010, o contribuinte foi cientificado do acórdão e, em 27/10/2010, interpôs o Recurso Especial de fls. 1.450 a 1.620, visando rediscutir as seguintes matérias: a) aplicação retroativa da Lei nº 10.174, de 2001; b) decadência mensal; c) tributação exclusivamente com base em depósitos bancários; d) distribuição automática de lucros apurados na pessoa jurídica, como justificativa para a origem dos recursos; e) comprovação de mútuo; f) glosa de dedução de despesa médica; g) glosa de dedução de despesa de instrução. O Sr. Presidente da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, por meio do Despacho nº de2200 00.358, de 08/06/2011, deu seguimento parcial ao Recurso Especial do contribuinte, admitindo à rediscussão apenas as matérias constantes dos itens “a” a “d”. Dito despacho foi confirmado, por meio do Reexame levado a cabo pelo Sr. Presidente do CARF, às fls. 1.619/1.620. Quanto à matéria constante do item “a” aplicação retroativa da Lei nº 10.174, de 2001 foi indicado como paradigma o Acórdão nº 10419.304, exarado no processo 10980.007669/200189 (fls. 1.490 e 1.531 a 1.538). Relativamente ao item “b” decadência mensal foi indicado como paradigma o Acórdão nº 10246.234, referente ao processo 11618.001303/200288 (fls. 1.450/1.451 e 1.540 a 1.552).. Fl. 5856DF CARF MF Excluído Documento de 13 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP20.0417.14455.M8AD. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13609.001205/200285 Acórdão n.º 9202002.416 CSRFT2 Fl. 1.705 7 No que tange ao item “c” tributação exclusivamente com base em depósitos bancários foi indicado como paradigma o Acórdão nº CSRF/0104.248 , proferido no processo 11080.012411/9448 (fls. 1.452 e 1.554 a 1.565). Com referência à matéria contida no item “d” distribuição automática de lucros apurados na pessoa jurídica, como justificativa para a origem dos recursos – foi indicado como paradigma o Acórdão nº 10514.508, relativo ao processo 10880.010785/9062 (fls. 1.452 e 1.567 a 1.580). Cientificada do seguimento parcial do Recurso Especial do contribuinte em 21/06/2011 (fls. 1.621), a Fazenda Nacional ofereceu, em 06/07/2011, as contrarazões de fls. 1.623 a 1.630. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, Relatora O Recurso Especial do contribuinte é tempestivo, cabendo preliminarmente a aferição acerca do cumprimento dos demais pressupostos que permitiriam o conhecimento do apelo. Quanto à matéria constante do item “a” aplicação retroativa da Lei nº 10.174, de 2001 foi indicado como paradigma o Acórdão nº 10419.304, exarado no processo 10980.007669/200189. Ocorre que dito julgado foi reformado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, por meio do Acórdão CSRF/0400.021, de 15/03/2005. Na oportunidade, foi dado provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, com a seguinte ementa: “IRPF. EXTRATOS BANCÁRIOS. MEIOS DE OBTENÇÃO DE PROVAS — Os dados relativos à CPMF à disposição Receita Federal, em face de sua competência legal, são meios lícitos de obtenção de provas tendentes à apuração de crédito tributário na forma do art. 42 da Lei n° 9.430/96, mesmo em período anterior à publicação da Lei n° 10.174, de 2001, que deu nova redação ao art. 11, § 3° da Lei n° 9.311, de 24.10.1996. Recurso especial provido” Assim, não há que se falar em divergência jurisprudencial, quando o acórdão, indicado como paradigma pelo contribuinte em Recurso Especial interposto em 27/10/2010, já se encontrava reformado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais desde 15/03/2005. Ademais, a matéria é objeto do enunciado de Súmula CARF nº 35, aprovado em 08/12/2009, com força vinculante por meio da Portaria MF nº 383, publicada no DOU de 14/07/2010: Súmula CARF nº 35: O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente. Relativamente ao item “b” decadência mensal foi indicado como paradigma o Acórdão nº 10246.234, referente ao processo 11618.001303/200288 (fls. 1.450/1.451 e 1.540 a 1.552). Não obstante, o julgado indicado também já foi reformado pela Fl. 5857DF CARF MF Excluído Documento de 13 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP20.0417.14455.M8AD. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 8 Câmara Superior de Recursos Fiscais, que exarou o Acórdão 930400129, de 04/05/2009, assim ementado, na parte em que trata da decadência: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Exercício: 1997, 1998, 1999,2000 DECADÊNCIA Sujeitandose o rendimento das pessoas físicas à incidência na declaração de ajuste anual e independente de exame prévio da autoridade administrativa, o lançamento é por homologação (art. 150, § 4° do CTN), devendo o prazo decadencial ser contado do fato gerador, que ocorre em 31 de dezembro, tendo o fisco cinco anos, a partir dessa data, para efetuar o lançamento.” Mais uma vez, não há que se falar em divergência jurisprudencial, quando o acórdão indicado como paradigma pelo contribuinte em Recurso Especial interposto em 27/10/2010, já se encontrava reformado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais desde 04/05/2009. Além disso, em 08/12/2009 foi aprovado o enunciado de Súmula CARF nº 38, com efeito vinculante, por força da mesma Portaria MF nº 383, de 14/07/2010: Súmula CARF nº 38: O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. No que tange ao item “c” tributação exclusivamente com base em depósitos bancários foi indicado como paradigma o Acórdão nº CSRF/0104.248, de 15/10/2002, proferido no processo 11080.012411/9448 (fls. 1.452 e 1.554 a 1.565), assim ementado: “IRPF OMISSÃO DE RENDIMENTO LANÇAMENTO COM BASE EXCLUSIVAMENTE EM DEPÓSITO BANCÁRIO CANCELAMENTO – Os depósitos bancários não constituem, por si só, fato gerador do imposto de renda pois não caracterizam disponibilidade econômica de renda e proventos. O lançamento baseado em depósitos bancários só é admissível quando ficar comprovado o nexo causal entre o depósito e o fato que representa a omissão de rendimento, nos termos da legislação que rege a matéria. Recurso especial negado.” O acórdão recorrido, por sua vez, exibe a seguinte ementa, na parte em que trata dessa matéria: “Exercício: 1997, 1998, 1999, 2000, 2001 Ementa: IMPOSTO DE RENDA TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVAMENTE COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS POSSIBILIDADE A partir da vigência do art. 42 da Lei n° 9.430/96, o fisco não mais ficou obrigado a comprovar o consumo da renda representado pelos depósitos bancários de origem não comprovada, a transparecer. sinais exteriores de riqueza (acréscimo patrimonial ou dispêndio), incompatíveis com os rendimentos declarados, como ocorria sob égide do revogado parágrafo 5° do art. 6° da Lei n° 8.021/90. O contribuinte tem. que comprovar a origem dos depósitos Fl. 5858DF CARF MF Excluído Documento de 13 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP20.0417.14455.M8AD. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13609.001205/200285 Acórdão n.º 9202002.416 CSRFT2 Fl. 1.706 9 bancários, sob pena de se presumir que esses são rendimentos omitidos, sujeitos à aplicação da tabela progressiva.” Antes de proceder ao exame do paradigma, importa salientar que se trata de Recurso Especial de Divergência, assim entendida a diversidade de interpretações, obviamente que em face da mesma legislação. Com efeito, não haveria qualquer sentido em estabelecerse dissídio jurisprudencial em face de legislações diversas, editadas em momentos distintos. Destarte, tornase imprescindível perquirir sobre a legislação que teria orientado os julgados recorrido e paradigma. No caso do acórdão recorrido, tratase de autuação já na vigência do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, enquanto que o paradigma se refere a processo formalizado em 1994, portanto ainda sob a égide da Lei nº 8.021, de 1990. Esse fato está evidenciado no voto condutor do acórdão, que assim registra: “Comprovase, pois, que questão trazida ao deslinde nesta assentada foi objeto de vastos estudos e debates, tendo este Colegiado firmado jurisprudência quanto a lançamentos que tais, ou seja, ao abrigo do art. 6°, da Lei n° 8.021, de 1990.” Constatase, assim, que o paradigma diz respeito a autuação anterior à edição da Lei nº 9.430, de 1996, que orientou o acórdão recorrido. No caso desse paradigma, tratava se de Recurso Especial do Procurador, buscando a aplicação do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, que embora ainda não fosse vigente à época dos fatos objeto daquela autuação, já se encontrava em vigor por ocasião do julgamento em Segunda Instância. Assim, a referência, nesse paradigma, ao art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, é exatamente no sentido de deixar patente que somente após a sua edição poderseia aplicar a presunção de que depósitos bancários sem comprovação de origem constituem renda. Confirase trecho do voto vencedor que evidencia esse fato: “Preliminarmente, de se destacar o fato de o recorrente buscar demonstrar que o julgado teria contrariedade a Lei n° 9.430, de 1996, especificamente seu artigo 42, que estabelece uma presunção legal de omissão de rendimento no caso de depósito bancário de origem não comprovada. Não obstante, a exigência constituída nos autos, não se deu ao abrigo desse diploma legal. Haja vista que os depósitos bancários foram efetuados até o ano de 1993. Impressionou ao recorrente o fato de conter no julgado, seja no voto vencido, ou vencedor, citação a esse diploma legal. Não obstante, verificase que a citação ao referido diploma legal, nos termos do voto vencido fls. 323), apenas esclarece que o legislador fornece ao fisco instrumentos capazes de combater a sonegação, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar a origem de depósitos bancários, ressaltando, entretanto, estar em vigência à época do lançamento, o art. 6° e §§ 1° e 5°, da Lei n° 8.021, de 1990.' No voto vencedor, deixase claro que, em face de posicionamentos contrários do Poder Judiciário quanto a lançamentos constituídos com base exclusivamente em depósito Fl. 5859DF CARF MF Excluído Documento de 13 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP20.0417.14455.M8AD. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 10 bancário, matéria inclusive Sumulado pelo então TFR, levou o Executivo a editar a Lei n° 8.021, de 1990, que autorizasse o arbitramento com base em depósito bancário. Acrescenta, ainda, o voto vencedor que, não obstante, esse diploma legal também determinou que o arbitramento se desse com base na renda presumida, através da verificação de sinais exteriores de riqueza e que os gastos fossem incompatíveis com a renda disponível do contribuinte. A citação à da Lei n° 9.430, de 1990, também no voto vencedor, foi para ressaltar que esse diploma legal revoga o § 5° do art. 6° da Lei n° 8.021, de 1990, e que essa Lei trouxe nova orientação para lançamento com base em depósito bancário. O voto vencedor deixa claro que o lançamento então em julgamento deveria evidenciar, nos termos do art. 6° da Lei n° 8.021, de 1990, os sinais exteriores de riqueza e não pressupor esse fato exclusivamente na existência de depósito bancário, acrescentando, ainda, que esses depósitos não representam rendimentos sujeitos a tributação.” (grifei) Assim, longe de caracterizar divergência jurisprudencial, o acórdão indicado pelo contribuinte como paradigma encontrase em total sintonia com o recorrido, já que em ambos o entendimento é no sentido de que, com a edição do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, tornouse possível a aplicação da presunção em tela. Ademais, em 08/12/2009 foi editado o enunciado de Súmula CARF nº 26: Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Finalmente, com referência à matéria contida no item “d” distribuição automática de lucros apurados na pessoa jurídica, como justificativa para a origem dos recursos – foi indicado como paradigma o Acórdão nº 10514.508, relativo ao processo 10880.010785/9062 (fls. 1.452 e 1.567 a 1.580). Antes de proceder ao exame do paradigma, importa reiterar que se trata de Recurso Especial de Divergência, assim entendida a diversidade de interpretações, obviamente que em face do mesmo arcabouço normativo. Com efeito, não haveria qualquer sentido em estabelecerse dissídio jurisprudencial em face de arcabouços normativos diversos, estruturados em momentos distintos. Destarte, tornase imprescindível perquirir sobre o arcabouço normativo que teria orientado os julgados recorrido e paradigma. No caso do acórdão recorrido, o arcabouço normativo encontrase delineado às fls. 1.394/1.395: “Neste momento, é a vez da defesa do item VIII (no bojo do processo administrativo n° 13609.000453/200128, a empresa Nutrir Produtos Alimentícios S/A foi autuada em decorrência de omissão de rendimentos, caracterizada pela não comprovação dos suprimentos de numerários efetuados pelos sócios, na forma do art. 282 do RIR/99. Considerando que o recorrente possuía 50% do capital dessa empresa, as receitas omitidas devem ser colacionadas nos resultados da pessoa jurídica, apurando novo lucro líquido, o qual deve ser considerado distribuído aos sócios, Fl. 5860DF CARF MF Excluído Documento de 13 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP20.0417.14455.M8AD. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13609.001205/200285 Acórdão n.º 9202002.416 CSRFT2 Fl. 1.707 11 o que será suficiente para elidir parcialmente a infração decorrente dos rendimentos omitidos oriundos dos depósitos bancários de origem não comprovada. Ainda, a distribuição automática dos lucros apurados após a colação das receitas omitidas encontrase albergada pela norma isentiva do art. 10 da Lei n°9.250/95). A empresa Nutrir Produtos Alimentícios S/A foi autuada em decorrência de manter em sua escrituração expressivos valores na conta passiva "empréstimos de sócios“ em contrapartida ao Caixa, pois não logrou comprovar o efetivo suprimento do numerário, o que representa veemente indício de omissão de receitas. Em tal linha, a Primeira Câmara do Conselho de Contribuintes, apreciando recurso voluntário interposto no processo administrativo n° 13609.000453/200128, relator o Conselheiro Sebastião Rodrigues Cabral,sessão de 09/07/2002, prolatou o Acórdão n° 10193.887, assim ementado: (...) O recorrente pleiteia que a omissão de receitas na pessoa jurídica seja considerada distribuição automática de lucro para si, na proporção de sua participação no capital social da pessoa jurídica, o que justificaria parcialmente os rendimentos omitidos oriundos dos depósitos bancários de origem não comprovada dos anoscalendário 1997 e 1998 e totalmente dos anos calendário 1999 e 2000. Antes de apreciar a pretensão, mister fazer um breve retrospecto da distribuição automática de lucros aos sócios, estribada em receitas omitidas por pessoa jurídica. O art. 8°, § 6° c/c o art. 9°, cabeça e parágrafo único, do DecretoLei n° 1.648/78 determinava que cinqüenta por centro da receita omitida seria arbitrada como lucro líquido, com presunção de distribuição automática aos sócios, na proporção da participação no capital social. No caso de sociedade anônima, haveria tributação do lucro arbitrado exclusivamente na fonte. Posteriormente, o art. 44 da Lei n° 8.541/92 determinou que a receita omitida ou a diferença verificada na determinação dos resultados das pessoas jurídicas por qualquer procedimento que implique redução indevida do lucro líquido deveria ser considerada automaticamente recebida pelos sócios, acionistas ou titular da empresa individual e tributada exclusivamente na fonte, sem prejuízo da incidência do imposto sobre a renda da pessoa jurídica Essa regra não se aplicava a deduções indevidas que, por sua natureza, não autorizem presunção de transferência de recursos do patrimônio da pessoa jurídica para o dos seus sócios. Por fim, veio a Lei n° 9.249/95 e revogou o art. 44 da Lei n° 8.541/92, pois, desde então, distribuição de lucros passou a não integrar a base de cálculo do imposto de renda do beneficiário (art. 10 da Lei n° 9.249/95). Fl. 5861DF CARF MF Excluído Documento de 13 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP20.0417.14455.M8AD. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 12 Como se vê, não mais há a presunção de distribuição automática de lucros aos sócios, alicerçada em receitas omitidas na pessoa jurídica, pois o objetivo da presunção legal era tributar os lucros oriundos das receitas omitidas nos beneficiários, o que perdeu o sentido a partir da Lei n° 9.249/95, pois os lucros e dividendos não mais passaram a integrar a base de cálculo do imposto de renda. Utilizar a presunção da distribuição automática de lucros como quer o recorrente, significa se apropriar de um conceito já revogado, que tinha um fim específico, no caso a tributação de lucros arbitrados na pessoa física, para justificar a origem de recursos transitados em suas contas bancárias. No passado, a receita omitida era colacionada na apuração do resultado (no regime do DecretoLei n° 1.648/78, metade da receita omitida era arbitrada como lucro distribuído), presumindose a distribuição. Não se necessitava comprovar a distribuição, pois era presunção ex lege.” Quanto ao paradigma indicado pelo contribuinte, repitase que se trata do Acórdão nº 10514.508, relativo ao processo 10880.010785/9062 (fls. 1.452 e 1.567 a 1.580), formalizado em 1990, abordando fatos geradores ocorridos em 1984/1985, portando exarado sob a égide de arcabouço normativo já superado à época do julgamento do recorrido, como aliás está textualmente registrado no voto condutor do aresto. Confirase trecho do voto vencedor desse paradigma: “DA DISTRIBUICÃO AUTOMÁTICA DE LUCROS Restando configurada a omissão de receita, a distribuição automática de lucros aos sócios, conforme presumido pelo AFTN, encontra respaldo legal nos termos do art. 8°, do Decretolei n° 2.065/1983.” Assim, a divergência somente restaria demonstrada com a colação de acórdão que, tratando de autuação com fundamento no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, com fatos geradores contemporâneos aos do acórdão recorrido, aplicasse a distribuição automática de lucros e assim considerasse comprovada a origem dos depósitos bancários, como quer o contribuinte. Diante do exposto, com fundamento no 67 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, NÃO CONHEÇO do Recurso Especial, interposto pelo contribuinte, por absoluta falta de comprovação das alegadas divergências jurisprudenciais. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 5862DF CARF MF Excluído Documento de 13 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP20.0417.14455.M8AD. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13609.001205/200285 Acórdão n.º 9202002.416 CSRFT2 Fl. 1.708 13 Fl. 5863DF CARF MF Excluído Documento de 13 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP20.0417.14455.M8AD. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por AFONSO ANTONIO DA SILVA em 23/11/2012 13:21:59. Documento autenticado digitalmente por AFONSO ANTONIO DA SILVA em 23/11/2012. Documento assinado digitalmente por: OTACILIO DANTAS CARTAXO em 26/11/2012 e MARIA HELENA COTTA CARDOZO em 23/11/2012. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 20/04/2017. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP20.0417.14455.M8AD Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Outros". 3) Selecione a opção "eAssinaRFB - Validação e Assinatura de Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 13609.001205/2002-85. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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