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Numero do processo: 10980.723776/2010-49
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2009
PREVIDENCIÁRIO. MULTA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. CFL 34. DEIXAR DE LANÇAR EM TÍTULOS PRÓPRIOS NA CONTABILIDADE. INFRAÇÃO.
Constitui infração à legislação deixar a empresa de lançar em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, sujeitando o infrator a pena administrativa de multa.
NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO
Não há que se falar em nulidade quando a exigência fiscal sustenta-se em processo instruído com todas as peças indispensáveis, contendo o lançamento descrição dos fatos suficiente para o conhecimento da infração cometida e não se vislumbrando nos autos a ocorrência de preterição do direito de defesa.
CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. AUTO DE INFRAÇÃO.
O documento de constituição do crédito previdenciário emitido pelo Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil passou a denominar-se Auto de Infração, conforme artigo 9º do Decreto nº 70.235, de 1972, para descumprimento de obrigação principal e acessória.
ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
DA PROVA PERICIAL.
A perícia destina-se a subsidiar o julgador para formar sua convicção, limitando-se a elucidar questões sobre provas e elementos incluídos nos autos, não podendo ser utilizada para suprir o descumprimento de uma obrigação prevista na legislação pertinente.
Considera-se não formulado o pedido de realização de perícia, quando não apresentados os quesitos referentes aos exames desejados pela contribuinte, nem indicados o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito.
DO PEDIDO DE PRODUÇÃO DE PROVAS.
A solicitação para produção de provas não encontra amparo legal, uma vez que, de modo diverso, o art. 16, inciso II do Decreto 70.235/72, com redação dada pelo art. 1º da Lei 8.748/93, determina que a impugnação deve mencionar as provas que o interessado possuir.
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, não tendo ele se desincumbindo deste ônus. Simples alegações desacompanhadas dos meios de prova que as justifiquem revelam-se insuficientes para comprovar os fatos alegados.
INTIMAÇÃO. ENDEREÇAMENTO.
Por expressa determinação legal, as intimações devem ser endereçadas ao domicílio fiscal eleito pelo sujeito passivo.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2202-004.690
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2009 PREVIDENCIÁRIO. MULTA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. CFL 34. DEIXAR DE LANÇAR EM TÍTULOS PRÓPRIOS NA CONTABILIDADE. INFRAÇÃO. Constitui infração à legislação deixar a empresa de lançar em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, sujeitando o infrator a pena administrativa de multa. NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO Não há que se falar em nulidade quando a exigência fiscal sustentase em processo instruído com todas as peças indispensáveis, contendo o lançamento descrição dos fatos suficiente para o conhecimento da infração cometida e não se vislumbrando nos autos a ocorrência de preterição do direito de defesa. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. AUTO DE INFRAÇÃO. O documento de constituição do crédito previdenciário emitido pelo Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil passou a denominarse “Auto de Infração”, conforme artigo 9º do Decreto nº 70.235, de 1972, para descumprimento de obrigação principal e acessória. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. DA PROVA PERICIAL. A perícia destinase a subsidiar o julgador para formar sua convicção, limitandose a elucidar questões sobre provas e elementos incluídos nos autos, não podendo ser utilizada para suprir o descumprimento de uma obrigação prevista na legislação pertinente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 37 76 /2 01 0- 49 Fl. 951DF CARF MF Processo nº 10980.723776/201049 Acórdão n.º 2202004.690 S2C2T2 Fl. 952 2 Considerase não formulado o pedido de realização de perícia, quando não apresentados os quesitos referentes aos exames desejados pela contribuinte, nem indicados o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. DO PEDIDO DE PRODUÇÃO DE PROVAS. A solicitação para produção de provas não encontra amparo legal, uma vez que, de modo diverso, o art. 16, inciso II do Decreto 70.235/72, com redação dada pelo art. 1º da Lei 8.748/93, determina que a impugnação deve mencionar as provas que o interessado possuir. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, não tendo ele se desincumbindo deste ônus. Simples alegações desacompanhadas dos meios de prova que as justifiquem revelamse insuficientes para comprovar os fatos alegados. INTIMAÇÃO. ENDEREÇAMENTO. Por expressa determinação legal, as intimações devem ser endereçadas ao domicílio fiscal eleito pelo sujeito passivo. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 10980.723776/201049, em face do acórdão nº 0242.734, julgado pela 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (DRJ/BHE), em sessão realizada em 21 de fevereiro de 2013, no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de origem que assim os relatou: Fl. 952DF CARF MF Processo nº 10980.723776/201049 Acórdão n.º 2202004.690 S2C2T2 Fl. 953 3 “Tratase de infringência ao artigo 32, inciso II, da Lei nº 8.212, de 1991 combinado com o artigo 225, inciso II e parágrafos 13 ao 17, do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 1999, por ter o contribuinte autuado deixado de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos, conforme descrito, às fls.02 e no Relatório Fiscal da Infração, às fls. 79 a 81. De acordo com o Relatório Fiscal da Infração, da análise dos livros 'Diário" e "Razão", relativos aos exercícios de 2007 a 2009, constatouse que os custos incorridos na execução da obra matrícula CEI 50.131.89256/75 (Centro Médico e Administrativo) foram contabilizados em contas únicas sem que fosse observada a previsão legal de contabilização em títulos próprios. Este procedimento contábil adotado pela empresa impossibilita a identificação dos fatos geradores de contribuições previdenciárias, haja vista a contabilização de todos os custos de forma englobada e em uma única conta. A partir do histórico dos lançamentos contábeis fica impossível agregar os custos por títulos (material, mão de obra, INSS, FGTS, serviços prestados por PJ/PF, etc), é assim impossível identificar de forma clara e precisa todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias decorrentes da execução da obra de construção civil. Desta forma, restou prejudicada a auditoria fiscal com base na escrituração contábil da empresa. Segundo o Relatório Fiscal, também se constata não existir subconta específica da obra, relativa a retenção de 11% incidente sobre os valores brutos das notas fiscais emitidas pelos prestadores de serviços. Intimada a empresa, através do TIF 02 de 03/09/2010, a demonstrar a contabilização destas retenções, em resposta a empresa informou que quanto à contabilização das retenções do INSS referentes às notas fiscais emitidas pelos empreiteiros, somente as que foram pagas diretamente pela Paraná Clínicas é que possuem registro na contabilidade e que os demais pagamentos eram feitos através de adiantamentos para Irmãos Thá, pelo valor bruto das notas fiscais, onde foram contabilizadas em Obras em Andamento pelo valor bruto das notas fiscais.. Conforme descrito às fls.02 e no Relatório Fiscal de Aplicação da Multa, às fls.81, foi aplicada penalidade no valor de R$14.317,78, conforme previsto no artigo 92 e 102 da Lei nº 8.212 de 1991, combinado com os artigos 283, inciso II, alínea “a”, e 373 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048 de 1999 e Portaria Interministerial MPS/MF nº 333, publicada no Diário Oficial da União – DOU de 30/06/2010. O contribuinte teve ciência do Auto de Infração em 23/09/2010, apresentou impugnação em 21/10/2010, peça processual juntada, às fls.86 a 142 e demais documentos, fls.143 a 880. Em sua defesa, demonstra ser a mesma tempestiva, faz um relato dos fatos e aduz, em apertada síntese, o que segue: Fl. 953DF CARF MF Processo nº 10980.723776/201049 Acórdão n.º 2202004.690 S2C2T2 Fl. 954 4 De acordo com a Lei 8212/91, artigo 32, a empresa, assim entendida aquela que contrata assalaria e comanda o segurado, é obrigada a apresentar, mensalmente, a GFIP com todos os fatos geradores de contribuição social previstas em seu artigo 11, parágrafo único, alíneas “a” e “c”. A Lei não institui a obrigação acessória tributária, e até mesmo não poderia, pois de acordo com a Constituição Federal, artigo 146, inciso III, é matéria de Lei Complementar, de no caso da empresa contratante exigir, manter e apresentar a fiscalização as GFIP relativas a serviços contratados de prestador na forma do artigo 31 de referida Lei. Esta “obrigação” só foi constituída em Regulamento, conforme consta dos artigos 219, 220 e 225, do RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. O Regulamento não poderia ter instituído obrigação tributária, mesmo que acessória e tão pouco seria motivo para a aplicação de penalidade, pecuniária ou não, na falta de cumprimento. O procedimento fiscal destinado à obtenção da remuneração supostamente utilizada na construção da obra foi irregular e não possui sustentação legal, pois o motivo alegado, não apresentação da GFIP, não encontra respaldo na Lei nº 8.212/91, Decreto nº 3.048/99 e IN/RFB nº 971/2009. A fórmula adotada pela fiscalização previdenciária para descrever a forma de como procedeu ao arbitramento, que serviu de base de cálculo do pretenso débito lançado no presente auto de infração, é confusa e incompreensível, impedindo que a empresa requerente compreendesse, claramente, a origem do débito lançado, resultando, em cerceamento de defesa, impondo a anulação do presente lançamento. De acordo com a Lei nº 8.212/91 e o Decreto nº 3.048/99, não se vislumbra a obrigatoriedade de que, na lista de contas que integra a contabilidade da empresa, seja feita uma conta exclusiva para cada parcela integrante da remuneração dos segurados, bastando que os históricos dos lançamentos permitam a correta identificação dos mesmos. No mesmo sentido, verificase que a determinação para que a empresa registre as obras de construção civil, em contas individualizadas e segregadas por estabelecimento, consta tão somente do inciso II, do parágrafo 13º, do art. 225, do RPS. Ocorre que referido dispositivo legal ultrapassou os limites de sua competência ao legislar sobre matéria de contabilidade, representando numa clara invasão da competência atribuída ao Conselho Federal de Contabilidade, órgão realmente, legítimo para dispor acerca de matéria contábil. Em decorrência do princípio da hierarquia das normas, devese reconhecer, sem dificuldades, que nenhum decreto ou instrução normativa do INSS pode, por autoridade própria, impor aos contribuintes deveres tributários novos, como por exemplo, o de criar contas individualizadas na contabilidade da empresa. Diante disso o mínimo que se espera da Fiscalização, sob pena de infringir os princípios basilares do direito, tais como o Fl. 954DF CARF MF Processo nº 10980.723776/201049 Acórdão n.º 2202004.690 S2C2T2 Fl. 955 5 contraditório e ampla defesa, bem como o princípio da legalidade, mencionado alhures, é que esta demonstre de forma inequívoca e não como consta no relatório fiscal: a) que as condições apresentadas pela empresa justificam a aplicação dos dispositivos legais apontados; b) os dispositivos legais que fundamentam a aferição ou o arbitramento; c) a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. Sobre a necessidade da fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil comprovar que o lançamento de débito por aferição deve se fundamentar em dispositivos legais, transcreve parte de Pareceres da Consultoria Jurídica, aprovados pelo Ministério da Previdência Social, com caráter vinculante. A legislação tributária, consubstanciada no Código Tributário Nacional – CTN, bem como a Legislação Previdenciária, na forma da Lei 8.212/91, RPS, Decreto 3.048/99, e demais Instruções Normativas expedidas pelo Instituto Nacional do Seguro Social – INSS sobre os procedimentos de arrecadação, autorizam a “aferição indireta” tão somente, nos seguintes casos, não cumulativos: 1º) a empresa se recusar, sonegar ou apresentar de forma deficiente, informações, livros ou documentos relacionados às contribuições sociais (Lei 8212/91 art. 33, §3º, RPS art.233); 2º) comprovada a falta de prova regular e formalizada do montante dos salários pagos na execução da obra de construção civil, art. 33, §4, RPS, art.234); 3º) se após exame da escrituração contábil e de qualquer documento da empresa ficar comprovado que a contabilidade não registrou o movimento real da remuneração (lei 8212/91, art. 33,§6º, RPS art.235); 4º) prévia desonestidade do sujeito passivo nas informações prestadas, abalandose a crença nos dados por ele oferecidos, erro ou omissão na escrita que impossibilite sua consideração, tornandoa imprestável; 5º) avaliação contraditória administrativa ou judicial de preços, bens, serviços ou atos jurídicos em processo regular (devido processo legal); 6º) utilização pela Administração, de qualquer meios probatórios, desde que, razoáveis e assentados em presunções tecnicamente aceitáveis (preços estimados segundo o valor médio alcançado no mercado local daquele ramos industrial ou comercial – pauta de valores (ou índice de produção pautado em valores utilizados), em período anterior, no desempenho habitual da empresacontribuinte que sofre o arbitramento, etc). Não nos parece ser este o caso em tela, impondo a anulação do presente Auto de Infração, pois não foi verificada a ocorrência de qualquer um dos pressupostos autorizadores da utilização do critério de aferição indireta, como efetuado pelo agente fiscal, eis que não houve recusa ou sonegação dos documentos solicitados; houve prova do efetivo pagamento de salários nas obras; a contabilidade demonstra a real movimentação da remuneração; as informações passadas aos auditores fiscais estão corretas; inexiste avaliação contraditória dos preços praticados; a fiscalização dispunha de meios eficientes e seguros para averiguação das contribuições, eventualmente, incidentes. Fl. 955DF CARF MF Processo nº 10980.723776/201049 Acórdão n.º 2202004.690 S2C2T2 Fl. 956 6 Assim, e olhos postos aos arestos Jurisprudenciais, mencionados, bem como em toda a legislação de regência sobre o tema, conclui que: 1) a contabilidade regular não é aquela que se mostre absolutamente isenta de qualquer equívoco; 2) eventuais irregularidades, devidamente identificadas, antes de fazer com que se entenda que não merece fé a contabilidade, leva ao entendimento, se diminutos e pontuais, como no caso, de que ela seja regular, ainda que não perfeita; 3) entendimento diverso significa autorização permanente para os arbitramentos, sem critério e sem fundamento, pois não há contabilidade que não possua alguma falha. Importa é saber a dimensão disso e então avaliar se retira a fé dos respectivos lançamentos ou não; 4) o arbitramento é, como se vê, modalidade excepcional de constituição do crédito tributário, só se justificando quando inviável a apuração efetiva da base de cálculo; 5) tal permissão, contudo, não autoriza a transformar a faculdade em liberdade absoluta que desobrigue o fisco de investigar a documentação da empresa; 6) não basta a simples dificuldade ou maior onerosidade do exercício do poder de investigação, em decorrência de problemas na escrituração fiscal da empresa, para que se possa, desde logo, recorrer à prova indiciária; 7) é necessário que haja real impossibilidade de exame dos tributos devidos, seja porque a escrita é inexistente, seja porque ela é substancialmente irregular. Razões estas e, clarividente resta que o arbitramento pela Fiscalização da RFB foi irregular e ilegal e, assim, deve o Auto de Infração em comento ser considerado nulo e, em conseqüência, improcede o débito lançado. Inclusive, os documentos ora anexados comprovam a regularidade da contabilidade da empresa ora requerente. Faz uma análise dos dados da nova construção civil em cotejo com a obra auditada pela Fiscalização, e conclui que resta clarividente que a empresa ora recorrente não precisa ter sua contabilidade desconsiderada, pois mais uma vez baseiase a Fiscalização em presunções e indícios a inquinar a validade do presente procedimento fiscal. Nos termos da Lei nº 8.212/91 e do Regulamento da Previdência Social – RPA, Decreto 3.048/99, não se vislumbra a obrigatoriedade de que na lista de contas que integra a contabilidade da empresa, seja feita uma conta exclusiva para cada parcela integrante da remuneração dos segurados, bastando que, os históricos dos lançamentos permitam a correta identificação dos mesmos. A obrigação tributária acessória instituída pelo Decreto 3.048/99, em seu art. 225, parágrafo décimo terceiro, inciso II, não possui validade e eficácia já que é totalmente nulo, por desrespeitar aos limites fixados pela Lei 8.212/91, em seu art. 32, inciso II. Discorre sobre a iliquidez, da incerteza e da inexigibilidade, e diz que como sustentado, a Autarquia Previdenciária possui em face da empresa ora recorrente, Auto de Infração – AI ilíquido, Fl. 956DF CARF MF Processo nº 10980.723776/201049 Acórdão n.º 2202004.690 S2C2T2 Fl. 957 7 inexigível e incerto sendo carecedora de seus pressupostos de constituição, devendo ser considerado nulo de pleno direito. Requer: a) seja julgada a presente impugnação com a declaração de nulidade do Auto de Infração – DEBCAD 37.287.1259; b) seja dado baixa nas respectivas anotações constantes em nome da empresa requerente, liberandoa do pagamento de qualquer valor, ou qualquer pagamento decorrente da lavratura do Auto de Infração, ora impugnado, por representar quantia realmente indevida decorrente de lavratura totalmente equivocada; c) na eventualidade do presente procedimento administrativo não ser extinto e baixado de plano, requer a baixa dos autos em diligência, para que seja discriminada de forma clara e precisa, todos os questionamentos ventilados por meio dos presentes articulados, sob pena de nulidade, com a conseqüente abertura de prazo para a empresa requerente formular sua manifestação complementar; d) sejam enviadas todas as intimações e notificações aos procuradores da Recorrente, com escritório profissional na Avenida Senador Souza Naves nº 1788, Bairro Alto da Rua XV, CEP 80050040 em Curitiba – Paraná. Este processo está sendo analisado pela Delegacia de Julgamento de Belo Horizonte, por determinação da Portaria Sutri n º 3.237/2011, do Subsecretário de Tributação e Contencioso da Secretaria da Receita Federal do Brasil.” A DRJ de origem entendeu pela improcedência da impugnação apresentada pelo contribuinte, mantendo, assim o crédito tributário lançado, na integralidade. O contribuinte, inconformado com o resultado do julgamento, apresentou recurso voluntário, às fls. 898/943, reiterando, as alegações expostas em impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. 1. Preliminares 1.1 Pedido de perícia , diligências e de produção de provas. A perícia e as diligências requeridas são indeferidas, com fundamento no art. 18 do Decreto n° 70.235/1972, com as alterações da Lei n° 8.748/1993, por se tratarem de medidas absolutamente prescindíveis já que constam dos autos todos os elementos necessários ao julgamento. A perícia destinase a subsidiar o julgador para formar sua convicção, limitandose a elucidar questões sobre provas e elementos incluídos nos autos, não podendo ser utilizada para suprir o descumprimento de uma obrigação prevista na legislação pertinente. Além disso, não foram cumpridas as determinações do art. 16, inciso IV, o que resulta na desconsideração do pedido eventualmente feito, conforme art. 16, § 1º do Decreto 70.235/72. Portanto, improcedente tal pedido. Fl. 957DF CARF MF Processo nº 10980.723776/201049 Acórdão n.º 2202004.690 S2C2T2 Fl. 958 8 Por sua vez, a solicitação para produção de provas não encontra amparo legal, uma vez que, de modo diverso, o art. 16, inciso II do Decreto 70.235/72, com redação dada pelo art. 1º da Lei 8.748/93, determina que a impugnação deve mencionar as provas que o interessado possuir, de modo que o onus probandi seja suportado por aquele que alega. Portanto, improcedente tal pedido. Descabe, portanto, a inversão do ônus da prova suscitada pelo contribuinte. Deste modo, rejeito as referidas preliminares suscitadas pelo contribuinte. 1.2 Cerceamento de defesa. De início, cabe referir que a perícia ou diligência não constitui direito subjetivo do autuado, cabendo ao julgador recusála se entendêla desnecessária, o que não caracterizará cerceamento do direito de defesa. Sobre a perícia transcrevo a seguinte ementa de julgado do então Conselho de Contribuintes, consoante já transcrito no acórdão da DRJ de origem: CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Inocorrência da hipótese. Não deferido o pedido de perícia quando o contribuinte invoca produção de provas que eram de seu conhecimento e podiam ser por ele comodamente trazidas aos autos, transferindo seu ônus processual à autoridade julgadora.” (Acórdão n.º 20209.728, do Conselho de Contribuintes, DOU de 07/07/98) Com relação às alegações de nulidade do Auto de Infração, há que se esclarecer que os pressupostos legais para a validade do Auto de Infração são determinados pelo artigo 10, do Decreto nº 70.235, de 1972. O mesmo Decreto nº 70.235 dispõe sobre a nulidade no processo administrativo nos seguintes termos: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. O Auto de Infração inserese na categoria prevista no acima transcrito inciso I, do art. 59, do Decreto 70235/72 (atos e termos), sendo nulo, portanto, quando lavrado por pessoa incompetente. Havendo irregularidades, incorreções ou omissões diferentes das previstas no artigo 59 do Decreto nº. 70.235, essas não implicarão em nulidade e poderão ser sanadas se o sujeito passivo restar prejudicado, como determina o artigo 60 do mesmo Decreto: Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. A autuação em exame foi lavrada por Auditor Fiscal em pleno exercício de suas funções, competente, pois, para tal, e contém os requisitos indispensáveis para a sua validade, mencionados no artigo 10 do Decreto n.º 70.235, apresentando, portanto, os elementos imprescindíveis para o pleno exercício do direito da ampla defesa pelo contribuinte. Fl. 958DF CARF MF Processo nº 10980.723776/201049 Acórdão n.º 2202004.690 S2C2T2 Fl. 959 9 Não há que se falar em nulidade do Auto de Infração quando a exigência fiscal, como ocorre no presente caso, sustentase em processo instruído com as peças indispensáveis, contendo o lançamento descrição dos fatos suficiente para o conhecimento da infração cometida e não se vislumbrando nos autos a ocorrência de preterição do direito de defesa. 1.3 Delimitação da lide Importa referir que o objeto deste auto de infração é descumprimento de obrigação acessória (CFL 34), não sendo possível conhecer das alegações do contribuinte quanto a aferição indireta, pois não está na lide. Assim, esclarecese que a lide está delimitada a analisar a infringência ao artigo 32, inciso II, da Lei nº 8.212, de 1991 combinado com o artigo 225, inciso II e parágrafos 13 ao 17, do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 1999, por ter a contribuinte sido autuada por ter deixado de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos, conforme descrito, às fls.02 e no Relatório Fiscal da Infração, às fls. 79 a 81. 2. Mérito 2.1 Multa pode descumprimento de obrigação acessória (CFL 34) Nos termos do artigo 32, inciso II, da Lei nº 8.212 de 24 de julho de 1991 combinado com o artigo 225, inciso II e parágrafos 13 ao 17, do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 06 de maio de 1999, a empresa é obrigada a lançar, mensalmente, em título próprio de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. Constitui, portanto, a infração sob análise, o fato da contabilização de verbas incidentes de contribuição previdenciária em uma conta contábil, cuja denominação, impossibilita a identificação dos fatos geradores da referida contribuição apenas pelo exame dos títulos das contas, ou seja, a escrituração contábil deve ser efetuada de forma a possibilitar à fiscalização a identificação dos fatos geradores de contribuições previdenciárias por intermédio dos títulos das contas, sem que haja a necessidade de pesquisar em históricos contábeis ou em outras contas ou grupos de contas, cujos títulos, sejam diversos daqueles usualmente utilizados para lançamento dos referidos fatos geradores. Destarte, o fato de o contribuinte autuado ter contabilizado os custos incorridos na execução da obra matrícula CEI 50.131.89256/75, em contas únicas, sem que fosse observada a previsão legal de contabilização em títulos próprios, assim como não registrar em subconta específica da obra, a retenção de 11% incidente sobre os valores brutos das notas fiscais emitidas pelos prestadores de serviços, conforme descrito no Relatório Fiscal da Infração, às fls.79 a 81, infringiu, indubitavelmente, ao disposto no artigo 32, inciso II, da Lei nº 8.212, de 1991, combinado com o artigo 225, inciso II e parágrafos 13 ao 17, do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 1999. Tendo em vista que restou comprovado nos autos o efetivo cometimento da infração, a aplicação da penalidade ao caso presente encontrase perfeitamente legal, nos termos dos artigos 92 e 102, da Lei nº 8.212, de 1991, combinado com a alínea “a” do inciso II, do artigo 283 e artigo 373, ambos do RPS, aprovado pelo Decreto 3.048, de 1999. Fl. 959DF CARF MF Processo nº 10980.723776/201049 Acórdão n.º 2202004.690 S2C2T2 Fl. 960 10 Assim, não sendo provado o fato constitutivo do direito alegado pelo contribuinte, com fundamento no artigo 373 do CPC/2015 e artigo 36 da Lei n° 9.784/99, devese manter sem reparos o acórdão recorrido. Ocorre que temos que no processo administrativo fiscal, tal qual no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, in casu, do contribuinte ora recorrente. Portanto, deve ser negado o recurso quanto a este ponto. 2.2 Alegações de inconstitucionalidade. Nos termos da Súmula CARF nº 02, o CARF não possui competência para analisar e decidir sobre matéria constitucional, conforme súmula vigente, de utilização obrigatória, conforme Regimento Interno deste Conselho. Por tais razões, as alegações de inconstitucionalidade não podem ser apreciadas por este Conselho. 2.3 Intimação. Endereçamento. Consoante referido já no acórdão da DRJ, a teor do § 4º, do art. 23 do Decreto nº 70.235/72, com as alterações da Lei nº 11.196, de 2005, para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. Assim sendo, por falta de previsão legal, improcedente o pedido da contribuinte para que sejam enviadas todas as intimações e notificações para o escritório profissional dos procuradores da recorrente, indicado na impugnação, pois este não é o domicílio fiscal eleito pelo sujeito passivo junto à administração tributária. Conclusão. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Fl. 960DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.721567/2012-93
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. INEXISTÊNCIA.
Cabem embargos de declaração apenas quando há no acórdão obscuridade, contradição ou omissão relativa a ponto sobre o qual deveria pronunciar-se o Julgador, descabendo, assim, sua utilização com o escopo de "obrigar" o órgão julgador a rever orientação anteriormente esposada por ele, sob o fundamento de que não teria sido aplicado o melhor direito à espécie dos autos. Não se prestam os declaratórios à revisão do acórdão, salvo casos excepcionalíssimos, e sim ao aperfeiçoamento. Inexistindo omissões os aclaratórios devem ser rejeitados.
Numero da decisão: 2402-006.463
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar os embargos. Vencidos os conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti e Denny Medeiros da Silveira. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro Denny Medeiros da Silveira
(assinado digitalmente)
Mario Pereira de Pinho Filho - Presidente.
(assinado digitalmente)
Jamed Abdul Nasser Feitoza - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Junior e Mario Pereira de Pinho Filho (Presidente).
Nome do relator: JAMED ABDUL NASSER FEITOZA
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OMISSÃO. INEXISTÊNCIA. Cabem embargos de declaração apenas quando há no acórdão obscuridade, contradição ou omissão relativa a ponto sobre o qual deveria pronunciarse o Julgador, descabendo, assim, sua utilização com o escopo de "obrigar" o órgão julgador a rever orientação anteriormente esposada por ele, sob o fundamento de que não teria sido aplicado o melhor direito à espécie dos autos. Não se prestam os declaratórios à revisão do acórdão, salvo casos excepcionalíssimos, e sim ao aperfeiçoamento. Inexistindo omissões os aclaratórios devem ser rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar os embargos. Vencidos os conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti e Denny Medeiros da Silveira. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro Denny Medeiros da Silveira (assinado digitalmente) Mario Pereira de Pinho Filho Presidente. (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 15 67 /2 01 2- 93 Fl. 304DF CARF MF Processo nº 19515.721567/201293 Acórdão n.º 2402006.463 S2C4T2 Fl. 305 2 Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Junior e Mario Pereira de Pinho Filho (Presidente). Relatório Tratase de Embargos de Declaração apresentados pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) contra acórdão proferido pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção e por bem representar o objeto dos aclaratórios atoraremos os termos do despacho de admissibilidade que admitiu os presentes: Do acórdão embargado A 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção exarou o Acórdão nº 2402 005.384, em 12/07/2016, fls. 274 a 287, dando provimento ao Recurso Voluntário do contribuinte, conforme ementa e resultado a seguir transcritos: DECADÊNCIA PARCIAL. STF. INCONSTITUCIONALIDADE DE DISPOSITIVOS. LEI 8.212/91. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. No presente caso, aplicase a regra do artigo 150, §4º, do CTN, haja vista a existência de pagamento parcial do tributo, considerada a totalidade da folha de salários da empresa recorrente. (Súmula CARF 99). DIREITOS AUTORAIS. INDENIZAÇÃO PELO USO DE PROPRIEDADE INTELECTUAL. NATUREZA INDENIZATÓRIA. As verbas de natureza indenizatória não integram o salário do obreiro, razão pela qual não devem sofrer a incidência de contribuições previdenciárias. Recurso Voluntário Provido. Dos Embargos de Declaração Cientificada da decisão, a PGFN opôs os Embargos de Declaração de fls. 289 a 292, em 08/08/2016, nos termos do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, Anexo II, art. 65, § 1º, inciso III, alegando omissão no Acórdão nº 2402005.384, conforme razões a seguir transcritas: Em primeiro lugar, é necessário destacar que a Fazenda Nacional não está, no presente momento processual, se insurgindo quanto às conclusões acerca da incidência ou não da contribuição social sobre os valores supostamente pagos a título de direitos autorais. Fl. 305DF CARF MF Processo nº 19515.721567/201293 Acórdão n.º 2402006.463 S2C4T2 Fl. 306 3 O que busca a Fazenda Nacional é apenas suprir omissão do acórdão embargado, que não atentou para o fato de que a DRJ, ao analisar os demonstrativos juntados aos autos, concluiu inexistirem elementos fáticoprobatórios suficientes à demonstração de que a diferença apurada entre a GFIP e a DIRF diga respeito, exclusivamente, a essa rubrica (direitos autorais). Em outras palavras, a DRJ entendeu que não seria possível ilidir, dos documentos acostados, tratarse toda a soma omitida de valores relativos a direitos autorais, nos exatos termos do acordo coletivo. (...) Por tal motivo, configura omisso o acórdão embargado, que deixou de analisar tal argumento que, por si, seria capaz de manter o lançamento, na parte não prescrita. (Grifo no original) Da admissibilidade dos Embargos de Declaração Da tempestividade Tendo em vista que o despacho de encaminhamento dos autos do processo digital à PGFN é datado de 25/07/2016, fl. 288, e que a intimação presumida ocorreria em 24/08/2016, segundo disposto no Decreto nº 70.235, de 06/03/1972, art. 23, § 9º, temse pela tempestividade dos embargos, nos termos do RICARF, Anexo II, art. 65, § 1º, haja vista terem sido apresentados em 08/08/2016. Da alegada omissão Segundo a Embargante, o acórdão condutor teria se omitido quanto ao fato de que "a DRJ, ao analisar os demonstrativos juntados aos autos, concluiu inexistirem elementos fático probatórios suficientes à demonstração de que a diferença apurada entre a GFIP e a DIRF diga respeito, exclusivamente, a essa rubrica (direitos autorais)." Pois bem, conforme se observa na decisão embargada, fls. 274 a 287, o Relator tratou, basicamente, de duas questões: (a) da fundamentação legal que ampara a não incidência de contribuições sobre rendimentos pagos a título de cessão de direitos autorais e (b) do acordo coletivo (contrato) entre as partes prevendo o "pagamento de indenização pelo uso de propriedade intelectual", nos seguintes termos: Assim, de acordo com o preceituado nos artigos supracitados, a recorrente apresentou acordo coletivo de trabalho (fls. 156 a 189) firmado com o Sindicato dos Trabalhadores em Processamento de Dados e Empregados de Empresas de Processamento de Dados do Estado de São Paulo (SINDPD), o qual tem a finalidade de: “(...) instituir a Concessão de Propriedade Intelectual ao empregado que desenvolver trabalhos na área de Tecnologia da Informação aplicando conhecimentos e especializações aos produtos resultantes de suas Fl. 306DF CARF MF Processo nº 19515.721567/201293 Acórdão n.º 2402006.463 S2C4T2 Fl. 307 4 atividades profissionais e também na elaboração de programas de computador, durante a vigência do contrato de trabalho”. 27. Desse modo, resta evidente a existência de contrato entre as partes prevendo o pagamento da indenização pelo uso de propriedade intelectual, o que cumpre a exigência dos arts. 88 e 89 da Lei nº 9.279/96, transcritos acima, não devendo, portanto, ser incorporado ao salário do empregado e constituir base de cálculo para a incidência de contribuições previdenciárias. (...) 32. Partindo desse entendimento, os pagamentos efetuados pela recorrente aos trabalhadores estão amparados pela isenção prevista no artigo 28, § 9°, alínea “v”, da Lei 8.212/91, que afasta a incidência de contribuições previdenciárias sobre cessão de direitos autorais. In verbis: "Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: [...]. § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) [...] v) os valores recebidos em decorrência da cessão de direitos autorais; 33. Desse modo, plenamente aceitável a pretensão da recorrente de afastar a incidência de contribuições previdenciárias, diante do cumprimento das exigências legais referentes ao pagamento dessa verba e da isenção dada pela lei previdenciária às parcelas pagas em decorrência da cessão de direitos autorais. (Grifo no original) Todavia, conforme apontado pela Embargante, a DRJ manteve o lançamento pela insuficiência de provas capazes de demonstrar que os valores pagos aos segurados decorrem de cessão de direitos autorais, fls. 191 a 208: 13.2 Para comprovar que se trata mesmo de cessão de direitos autorais, a Impugnante juntou aos autos, às fls. 156 a 189, Acordos Coletivos de Trabalho, firmados com o SINDPD – Sindicato dos Trabalhadores de Processamento de Dados e Empregados de Empresas de Processamento de Dados do Estado de São Paulo, para pagamentos de remunerações salariais e demais verbas: 13.2.1 Os referidos Acordos Coletivos dispõem sobre verbas de diversas naturezas: “Concessão de Propriedade Intelectual”, “Concessão de Cotas Utilidades”, “Remuneração”, “Participação nos Resultados”, “Apoio Fl. 307DF CARF MF Processo nº 19515.721567/201293 Acórdão n.º 2402006.463 S2C4T2 Fl. 308 5 Assistencial ao Empregado”, “Jornada Flexível e Banco de Horas”; 13.2.2 Os Acordos são celebrados apenas entre empresa e segurados empregados. Não regulam as relações da empresa com os contribuintes individuais que prestam serviço à Impugnante, e que também são objeto das autuações em epígrafe. 13.3 Portanto, tais documentos, por si só, são insuficientes para comprovar que os salários de contribuição de segurados empregados e contribuintes individuais, apurados nas autuações em tela, conforme os demonstrativos DD – Discriminativos do Débito (fls. 08/10 e 15; 17/19; 25/27), RL – Relatórios de Lançamentos (fls. 11/12; 20/21; 28/29), e Anexo A (fls. 33/67), correspondem a valores recebidos em decorrência da cessão de direitos autorais. 13.4 E ainda que se admitisse, por amor à argumentação, que os pagamentos objeto das presentes autuações foram motivados exclusivamente pela Cláusula Terceira do Acordo Coletivo “Concessão de Propriedade Intelectual” (fl. 159), pelo contexto dos autos, resta claro que não se pode conceber a hipótese de invento de propriedade exclusiva do empregado, adquirido pelo empregador, na forma do artigo 28, parágrafo 9º, alínea “v” da Lei nº 8.212/91: 13.4.1 Em relação aos Acordos Coletivos de Trabalho, cumpre destacar que constituem instrumento de negociação e previsão de direitos, mas não podem alterar a disciplina que a lei, previamente, traz em relação a um determinado instituto. (...) 13.5 Deste modo, compulsando os documentos anexados aos autos, constatase, que os pagamentos efetuados pelo Sujeito Passivo aos empregados e contribuintes individuais não poderiam se configurar como decorrentes de cessão de direitos autorais, mas sim constituem pagamentos em contrapartida de prestação de serviços por estes empregados e contribuintes individuais, necessários para o normal funcionamento da associação. A natureza destes serviços não se enquadra no conceito de Direitos Autorais. Como justificar seguidos pagamentos relativos a direitos autorais, mensalmente, a empregados e contribuintes individuais?(Grifo no original) Da transcrição acima, percebese que a DRJ reconheceu a existência de acordo coletivo (contrato) entre as partes, bem como a previsão legal quanto a não incidência de contribuições sobre a cessão de direitos autorais, porém, manteve o lançamento pela falta de comprovação de que os valores pagos aos segurados se enquadram na regra do art. 28, § 9º, alínea "v", da Lei nº 8.212, de 24/07/1991, Fl. 308DF CARF MF Processo nº 19515.721567/201293 Acórdão n.º 2402006.463 S2C4T2 Fl. 309 6 cabendo destacar que os acordos coletivos "dispõem sobre verbas de diversas naturezas". Portanto, tendo em vista que o acórdão embargado não tratou da questão probatória, ou seja, da efetiva comprovação de que os valores abarcados pelo lançamento se referem a direitos autorias, sendo esta a base da decisão de primeira instância, temse por configurada a omissão apontada. Conclusão Diante do exposto, admitemse os embargos, para que sejam incluídos em pauta de julgamento e apreciada a omissão. Ressaltese, todavia, que a presente análise se restringe à admissibilidade dos embargos, sem uma apreciação exauriente das questões apresentadas, a qual será procedida quando do julgamento pelo colegiado." É relatório. Fl. 309DF CARF MF Processo nº 19515.721567/201293 Acórdão n.º 2402006.463 S2C4T2 Fl. 310 7 Voto Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator Tratase de Embargos de Declaração apresentados pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) contra acórdão proferido pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção. Tendo em vista que o despacho de encaminhamento dos autos do processo digital à PGFN é datado de 25/07/2016, fl. 288, e que a intimação presumida ocorreria em 24/08/2016, segundo disposto no Decreto nº 70.235, de 06/03/1972, art. 23, § 9º, temse pela tempestividade dos embargos, nos termos do RICARF, Anexo II, art. 65, § 1º, haja vista terem sido apresentados em 08/08/2016, portanto voto por dele conhecer. Analisando os Aclaratórios opostos pela d. PGFN verificase que a alegada omissão, com registro de todo respeito e admiração que temos para com o Dr. Kleber Ferreira que elaborou o excelente despacho de admissibilidade, encontrase num limiar entre omissão e inconformidade com a valoração de provas realizada pelo relator. A Embargante alega existir omissão, uma vez que o Relator da decisão sob oposição teria deixado de analisar argumento contido no voto da DRJ no sentido de não haver provas nos autos quanto a natureza dos pagamentos constantes em DIRPF. Vejamos: 13.5 Deste modo, compulsando os documentos anexados aos autos, constatase, que os pagamentos efetuados pelo Sujeito Passivo aos empregados e contribuintes individuais não poderiam se configurar como decorrentes de cessão de direitos autorais, mas sim constituem pagamentos em contrapartida de prestação de serviços por estes empregados e contribuintes individuais, necessários para o normal funcionamento da associação. A natureza destes serviços não se enquadra no conceito de Direitos Autorais. Como justificar seguidos pagamentos relativos a direitos autorais, mensalmente, a empregados e contribuintes individuais? 13.6 Ora, não se tem dúvida quanto ao fato do trabalho ser exercido de forma a abranger o objetivo consistente no desenvolvimento e produção de tecnologia da informação e serviços associados, implicando efetivo desempenho de atividade intelectual por parte do segurado. Contudo, a disposição dos artigos 1º e 2º da Lei nº 9609/98, transcritos pela Impugnante, não assumem o condão de suprimir a incidência da norma de tributação previdenciária, porquanto se tratam de regimes jurídicos distintos, consagrados cada qual em sua autonomia. 13.7 Diante do exposto, ainda que os pagamentos objeto das autuações se tratassem de contraprestação pela atividade inventiva abrangida pela relação de emprego/contrato de prestação de serviços, isto é, o segurado é contratado para Fl. 310DF CARF MF Processo nº 19515.721567/201293 Acórdão n.º 2402006.463 S2C4T2 Fl. 311 8 exercer a atividade de desenvolvimento e produção de tecnologia da informação e afins, resta claro que tal parcela continuaria a integrar a base de cálculo de contribuições previdenciárias na forma do artigo 28, incisos I e III, da Lei nº 8.212/91. 13.8 Frisese ainda que as diferenças lançadas foram extraídas das declarações feitas pelo próprio Contribuinte. 13.9 Assim, não merece nenhum reparo o procedimento fiscal relativo aos lançamentos efetuados nos AIOP´s DEBCAD´s nº´s 37.367.5640, 37.367.5658 e 37.367.5668, Levantamento EM – REMUNERAÇÃO NÃO GFIP, pois foram cumpridas, estritamente, as disposições legais vigentes, e cabe ressaltar que se trata de procedimento de natureza indeclinável para o Agente Fiscalizador, dado o caráter de que se reveste a atividade administrativa do lançamento, que é vinculada e obrigatória, nos termos do artigo 142, parágrafo único do Código Tributário Nacional. 13.10 Por fim, cabe observar que não são pertinentes as alegações da Impugnante a respeito da retenção e pagamento de Imposto de Renda na Fonte, uma vez que as autuações em epígrafe referemse exclusivamente a contribuições devidas à Seguridade Social, Terceiros, e por descumprimento de obrigação acessória prevista na legislação previdenciária. Outrossim, ainda que de forma superficial, o Relator da decisão embargada tratou de indicar seu convencimento quanto as provas contidas nos autos e demonstra têlas analisando, vejamos: Em preliminar Compulsando os autos, depreende TIAF, que foram analisadas folhas de paga consta do Termo de Encerramento da Auditor examinou folha de pagamento, GFIP, comprovase que houve o recolhimento parcial das totalidade das contribuições sociais previ empresa. Dessa forma, tenho como certo que §4', do CTN. [...] E no mérito, o Relator do Acórdão embargado trata de analisar e valorar as provas nos seguintes tópicos: 18. Com mais especificidade, depreendese do acórdão ora recorrido, que ainda que os pagamentos objeto das autuações se tratassem de contraprestação pela atividade inventiva abrangida pela relação emprego/contrato de prestação de serviços, isto é, o segurado é contratado para exercer a atividade de desenvolvimento e produção de tecnologia da informação e afins, resta claro que tal parcela continuaria a integrar a base de cálculo de contribuições previdenciárias na forma do artigo 28, incisos I e III, da Lei n° 8.212/91. [...] Fl. 311DF CARF MF Processo nº 19515.721567/201293 Acórdão n.º 2402006.463 S2C4T2 Fl. 312 9 23. Passo, agora, à análise dos pagamentos feitos pela recorrente aos trabalhadores a título de Cessão de Direitos Autorais. 24. Em que pese o artigo 454 da CLT estabelecer que não haveria como atribuir ao empregado, quando a invenção derivasse de suas funções, qualquer direito sobre os resultados obtidos, nada obsta que, em negociação entre empregado e empregador, seja definida a participação nos ganhos econômicos, o que no presente caso dáse pelo pagamento a título de direitos autorais. Este pagamento ajustado não terá natureza salarial, mas sim indenizatória, não se incorporando, “a qualquer título”, ao salário do obreiro, como estabelecido nos arts. 88 e 89 da Lei 9.279/96: "Art. 88. A invenção e o modelo de utilidade pertencem exclusivamente ao empregador quando decorrerem de contrato de trabalho cuja execução ocorra no Brasil e que tenha por objeto a pesquisa ou a atividade inventiva, ou resulte esta da natureza dos serviços para os quais foi o empregado contratado. § 1º Salvo expressa disposição contratual em contrário, a retribuição pelo trabalho a que se refere este artigo limitase ao salário ajustado. Art. 89. O empregador, titular da patente, poderá conceder ao empregado, autor de invento ou aperfeiçoamento, participação nos ganhos econômicos resultantes da exploração da patente, mediante negociação com o interessado ou conforme disposto em norma da empresa. Parágrafo único. A participação referida neste artigo não se incorpora, a qualquer título, ao salário do empregado." [...] 27. Desse modo, resta evidente a existência de contrato entre as partes prevendo o pagamento da indenização pelo uso de propriedade intelectual, o que cumpre a exigência dos arts. 88 e 89 da Lei nº 9.279/96, transcritos acima, não devendo, portanto, ser incorporado ao salário do empregado e constituir base de cálculo para a incidência de contribuições previdenciárias. 28. Ademais, o acordo coletivo firmado entre as partes visa cumprir a exigência do art. 4º da Lei nº 9.609/98, que dispõe, entre outras coisas, sobre a proteção da propriedade intelectual de programa de computador. Vejamos: "Art. 4º Salvo estipulação em contrário, pertencerão exclusivamente ao empregador, contratante de serviços ou órgão público, os direitos relativos ao programa de computador, desenvolvido e elaborado durante a vigência de contrato ou de vínculo estatutário, expressamente destinado à pesquisa e desenvolvimento, ou em que a atividade do empregado, contratado de serviço ou servidor seja prevista, ou ainda, que Fl. 312DF CARF MF Processo nº 19515.721567/201293 Acórdão n.º 2402006.463 S2C4T2 Fl. 313 10 decorra da própria natureza dos encargos concernentes a esses vínculos. § 1º Ressalvado ajuste em contrário, a compensação do trabalho ou serviço prestado limitarseá à remuneração ou ao salário convencionado. § 2º Pertencerão, com exclusividade, ao empregado, contratado de serviço ou servidor os direitos concernentes a programa de computador gerado sem relação com o contrato de trabalho, prestação de serviços ou vínculo estatutário, e sem a utilização de recursos, informações tecnológicas, segredos industriais e de negócios, materiais, instalações ou equipamentos do empregador, da empresa ou entidade com a qual o empregador mantenha contrato de prestação de serviços ou assemelhados, do contratante de serviços ou órgão público. § 3º O tratamento previsto neste artigo será aplicado nos casos em que o programa de computador for desenvolvido por bolsistas, estagiários e assemelhados." [...] 29. Assim, diante da comprovação da existência de ajuste em contrário, verificase ser plenamente possível o pagamento dessa parcela aos empregados, não se limitando ao salário convencionado no contrato de trabalho. [...] 34. Para fortalecer os argumentos utilizados em seu recurso, a contribuinte traz parte do Acordo Coletivo de Trabalho, que em sua cláusula terceira versa sobre a concessão dos direitos autorais de programas de computador, vejamos: “Resolvem os signatários deste Acordo, instituir a Concessão de Propriedade Intelectual ao empregado que desenvolver trabalhos na área de Tecnologia da Informação aplicando seus conhecimentos e especializações aos produtos resultantes de suas atividades profissionais e, também na elaboração de programas de computador, durante a vigência do contrato de trabalho.” “Reconhecida desta forma, como verba que não tem natureza salarial e nem deriva da prestação de serviços, não será oferecida a crédito das prestações fundiárias, previdenciárias e fazendárias – Lei 9528/97 e 10243/01.” 35. Após essa breve análise, verificase, então, que a natureza jurídica das verbas em comento é indenizatória, não incorporando ao salário pago aos empregados, vez pela qual não há incidência de contribuição previdenciária. 36. Desta feita, ante todo o exposto, resta evidente o caráter indenizatório da verba paga aos empregados a título de Cessão de Direitos Autorais (indenização pelo uso de propriedade Fl. 313DF CARF MF Processo nº 19515.721567/201293 Acórdão n.º 2402006.463 S2C4T2 Fl. 314 11 intelectual), verba que não se integra ao salário e sobre a qual não há incidência de contribuições previdenciárias. Cabem embargos de declaração apenas quando há no acórdão obscuridade, contradição ou omissão relativa a ponto sobre o qual deveria pronunciarse o Julgador, descabendo, assim, sua utilização com o escopo de "obrigar" o órgão julgador a rever orientação anteriormente esposada por ele, sob o fundamento de que não teria sido aplicado o melhor direito à espécie dos autos. Não se prestam os declaratórios à revisão do acórdão, salvo casos excepcionalíssimos, e sim ao aperfeiçoamento.1 Embora sempre seja possível registrar com maior clareza e completude os desígnios de um ato decisório, antes aos elementos dos autos, uma leitura atenta dos fundamentos, alinhada ao resultado contido no dispositivo do Acórdão embargado, revela as razões do julgador. Os documentos e elementos relacionados a natureza jurídica das verbas em questão foram analisados, fundamentados, as provas foram valoradas e, ainda que não seja a melhor valoração, os trechos do julgado anteriormente transcritos demonstraram ser insubsistente a alegação de omissão apresentada pela Embargante. CONCLUSÃO. Isto posto, ante a ausência da omissão alegada, voto por rejeitar os Embargos de Declaração. (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator 1 Ver art. 65 do RICARF e art. 535, I e II, do Código de Processo Civil. Fl. 314DF CARF MF Processo nº 19515.721567/201293 Acórdão n.º 2402006.463 S2C4T2 Fl. 315 12 Declaração de Voto Conselheiro Denny Medeiros da Silveira. Com a maxima venia, divirjo do Relator quanto à ausência de omissão. Segundo se extrai da planilha de fls. 33 a 67, a autoridade fiscal realizou o batimento (comparação) entre a Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF) e a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), e constatou haver mais rendimentos declarados em DIRF do que em GFIP, sendo lançada essa diferença como omissão de rendimentos, em GFIP. Em sua impugnação, fls. 107 a 125, o contribuinte alegou que tal diferença diria respeito a pagamento decorrente de cessão de direitos autorais, em relação ao qual não haveria incidência de contribuições sociais, nos termos do disposto no art. 28, § 9º, alínea “v”, da Lei 8.212, de 24/7/91. Buscando comprovar tal alegação, o contribuinte carreou aos autos os Acordos Coletivos e Trabalho de fls. 156 a 189, nos quais haveria previsão de pagamento por cessão de direitos autorais. Ao apreciar essa alegação e compulsar a documentação probatória, a Turma Julgadora de primeiro grau constatou que os acordos coletivos dispõem sobre diversas verbas e não só sobre as verbas referentes à cessão direitos autorais. Além do mais, apontou que esses acordos foram celebrados apenas entre a empresa e empregados, não regulando a relação entre a empresa e os contribuintes individuais, que também teriam recebido pagamentos decorrentes de cessão de direitos autorais. Diante desse quadro, a decisão de primeira instância concluiu que a instrução probatória seria insuficiente para demonstrar que os pagamentos efetuados diriam respeito à cessão de direitos autorais, nos seguintes termos: 13.3 Portanto, tais documentos, por si só, são insuficientes para comprovar que os salários de contribuição de segurados empregados e contribuintes individuais, apurados nas autuações em tela, conforme os demonstrativos DD – Discriminativos do Débito (fls. 08/10 e 15; 17/19; 25/27), RL – Relatórios de Lançamentos (fls. 11/12; 20/21; 28/29), e Anexo A (fls. 33/67), correspondem a valores recebidos em decorrência da cessão de direitos autorais. Todavia, segundo se observa no acórdão embargado, fls. 274 a 287, em que pese o recurso ter sido interposto contra a decisão de primeira instância, segundo dispõe o art. 33 do Decreto 70.235, de 6/3/72, a Turma Julgadora de segundo grau se limitou a demonstrar que pagamentos decorrentes de cessão de direitos autorais teriam natureza indenizatória, amparandose, para tal, na legislação de regência, e apontando que o acordo firmado entre as partes cumpriria as exigências legais, razão pela qual concluiu pelo provimento do recurso. Fl. 315DF CARF MF Processo nº 19515.721567/201293 Acórdão n.º 2402006.463 S2C4T2 Fl. 316 13 Como se vê, a decisão embargada não rebateu as razões que serviram de fundamento à decisão de primeira instância para manter o lançamento, ou seja, que o acordo firmado entre as partes não seria suficiente para demonstrar que os valores apurados pela fiscalização diriam respeito a pagamento por cessão de direitos autorais, um a vez que tal acordo não trata apenas de direitos autorais, mas sim de várias outras verbas, e que tal acordo não regularia a relação entre a empresa e contribuintes individuais, que também teriam recebido pagamentos decorrentes de suposta cessão de direitos autorais. Portanto, entendo ter restado demonstrada, sim, a omissão alegada nos embargos, cabendo à Turma proceder ao seu saneamento. Dessa forma, como não foram carreados aos autos argumentos e elementos probatórios capazes de afastar a razões que fundamentaram a decisão de primeira instância, entendo que o lançamento deva ser mantido em relação ao período não atingido pela decadência. Conclusão Isso posto, voto por acolher os embargos, com efeitos infringentes, para manter o lançamento em relação ao crédito não atingido pela decadência. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Fl. 316DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.001876/2009-23
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001
CÁLCULO. PERCENTUAIS DE PRESUNÇÃO. REPETITIVO STJ TEMA
217.
De acordo com o decidido em sede de Recurso Repetitivo, a tese firmada no Tema 217 do STJ, "A expressão serviços hospitalares, constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), devendo ser considerados serviços hospitalares 'aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde', de sorte que, 'em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindo-se as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos'."
SERVIÇOS DE IMAGEM, DIAGNÓSTICOS. SERVIÇOS HOSPITALARES.
Enquadram-se como serviços hospitalares, os serviços de imagem e diagnósticos, que se sejam diretamente ligados à promoção da saúde, nos termos do Tema 217, do STJ - Recursos Repetitivos.
Numero da decisão: 1301-003.275
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar os óbices em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do direito creditório pleiteado, retomando-se, a partir daí, o rito processual habitual, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2001 CÁLCULO. PERCENTUAIS DE PRESUNÇÃO. REPETITIVO STJ TEMA 217. De acordo com o decidido em sede de Recurso Repetitivo, a tese firmada no Tema 217 do STJ, "A expressão serviços hospitalares, constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), devendo ser considerados serviços hospitalares 'aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde', de sorte que, 'em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindo-se as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos'." SERVIÇOS DE IMAGEM, DIAGNÓSTICOS. SERVIÇOS HOSPITALARES. Enquadram-se como serviços hospitalares, os serviços de imagem e diagnósticos, que se sejam diretamente ligados à promoção da saúde, nos termos do Tema 217, do STJ - Recursos Repetitivos.
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PERCENTUAIS DE PRESUNÇÃO. REPETITIVO STJ TEMA 217. De acordo com o decidido em sede de Recurso Repetitivo, a tese firmada no Tema 217 do STJ, "A expressão serviços hospitalares, constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), devendo ser considerados serviços hospitalares 'aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde', de sorte que, 'em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos'." SERVIÇOS DE IMAGEM, DIAGNÓSTICOS. SERVIÇOS HOSPITALARES. Enquadramse como serviços hospitalares, os serviços de imagem e diagnósticos, que se sejam diretamente ligados à promoção da saúde, nos termos do Tema 217, do STJ Recursos Repetitivos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar os óbices em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do direito creditório pleiteado, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual, nos termos do voto do relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 00 18 76 /2 00 9- 23 Fl. 203DF CARF MF Processo nº 13888.001876/200923 Acórdão n.º 1301003.275 S1C3T1 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de Acórdão que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade da contribuinte, para manter na íntegra o Despacho Decisório que não homologou as compensações pleiteadas, em razão da insuficiência de crédito para quitação dos débitos informados no PER/DCOMP. O presente processo decorre de pedido de compensação, cujo crédito tem origem em pagamento a maior de IRPJ, com base no lucro presumido calculados inicialmente a 32%, sendo alterada, posteriormente, para 8%, nos termos do arts. 15, III, e 20, da Lei 9.249/95. O Despacho Decisório proferido pela da unidade de origem não reconheceu o valor do crédito pretendido e não homologou as compensações declaradas. Em sua Manifestação de Inconformidade a contribuinte afirmou que suas atividades são desenvolvidas em unidade própria e são voltadas para a realização de exames radiográficos, ultrassonográficos, mamográficos, biópsias, punções e densiometria óssea para apoio a diagnósticos médicos. E que tais atividades fazem jus ao tratamento tributário diferenciado, na apuração do IRPJ e da CSLL, na modalidade de lucro presumido, mediante a aplicação do percentual de 8%, na forma da lei acima citada. O Acórdão recorrido afastou preliminar de nulidade da decisão proferida, e no mérito, afastou precedentes jurisprudenciais, e entendeu que a interessada, sendo sociedade civil de prestação de serviços de diagnóstico por imagem, não configura o conceito de "serviços hospitalares" para fazer jus ao benefício concedido pela norma. Baseou seu entendimento na Solução de Consulta 319/2011 SRF/8ª Região Fiscal e outras normas internas. Acrescenta, ainda, que somente a partir da vigência da Lei 11.727/2008 é que ela poderia ter direito à redução, mas não a fatos anteriores. Além disso, argumentou que para o ano calendário em questão, a interessada não apresentou nenhum elemento capaz de comprovar que prestava serviços hospitalares e que suas atividades se inseriam no conceito de atividade hospitalar definida nos normativos legais. No Recurso Voluntário apresentado a recorrente defende que não foi realizada pela autoridade fiscal nenhuma diligência para aferir se cumpria requisitos do Ministério da Saúde; bem como traz à tona que a matéria já se encontra pacificada nos tribunais superiores, nos termos do Resp 1.116.399/BA, que já dispensou a necessidade de Fl. 204DF CARF MF Processo nº 13888.001876/200923 Acórdão n.º 1301003.275 S1C3T1 Fl. 4 3 verificação de existência de estrutura organizada para atendimento. Que a recorrente possui atividades voltadas para a prestação de serviços de diagnósticos por imagens, obtidas das mais diversas formas de energia, como Raio X, Ultrassom, Tomografia e outros, sendo atividade ligada diretamente à promoção da saúde, que demanda maquinário específico e ambiente hospitalar ou assemelhado. Desnecessária também, qualquer comprovação de estrutura nos termos da Lei 11.727/08, requerendo a homologação das compensações realizadas. É o relatório. Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.264, de 26/07/2018, proferido no julgamento do Processo nº 13888.001817/2009 55, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301003.264): "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. A recorrente apresentou PerdComps, onde se utilizou de créditos decorrentes de IRPJ pagos a maior, em razão da alteração do percentual de 32% para 8% sobre a receita bruta, em razão da sua atividade. Alega a recorrente que presta serviços de diagnósticos por imagens, como Raio X, ultrassom, tomografia e outros, atividades essas ligadas diretamente à promoção da saúde, que demandam maquinário específico e ambiente hospitalar ou assemelhado. E que sobre a matéria não pende mais discussão diante do Resp 1.116.399/BA, que foi decidido sob o rito dos recursos repetitivos. Tanto o despacho decisório quanto o acórdão recorrido entenderam que a atividade prestada pela recorrente não era de serviço hospitalar, já que não prestada num ambiente hospitalar e diante disso, não faria jus à redução do percentual. A lei 9.249/95, em seu artigo 15, III trata da questão: Lei 9.249, de 26/12/1995, artigo (art.) 15, § 1º, inciso III, alínea “a”: “Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei n.º 8.981, de Fl. 205DF CARF MF Processo nº 13888.001876/200923 Acórdão n.º 1301003.275 S1C3T1 Fl. 5 4 20 de janeiro de 1995. § 1.º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: (...) III – trinta e dois por cento, para as atividades de: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares;” Lei 11.727, de 23/06/2008, arts. 29 e 41, VI: Segue abaixo a Ementa do citado julgado do STJ: DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS 535 e 468 DO CPC. VÍCIOS NÃO CONFIGURADOS. LEI 9.249/95. IRPJ E CSLL COM BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. DEFINIÇÃO DA EXPRESSÃO "SERVIÇOS HOSPITALARES". INTERPRETAÇÃO OBJETIVA. DESNECESSIDADE DE ESTRUTURA DISPONIBILIZADA PARA INTERNAÇÃO. ENTENDIMENTO RECENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO. RECURSO SUBMETIDO AO REGIME PREVISTO NO ARTIGO 543C DO CPC. 1. Controvérsia envolvendo a forma de interpretação da expressão "serviços hospitalares" prevista na Lei 9.429/95, para fins de obtenção da redução de alíquota do IRPJ e da CSLL. Discutese a possibilidade de, a despeito da generalidade da expressão contida na lei, poderse restringir o benefício fiscal, incluindo no conceito de "serviços hospitalares" apenas aqueles estabelecimentos destinados ao atendimento global ao paciente, mediante internação e assistência médica integral. 2. Por ocasião do julgamento do RESP 951.251PR, da relatoria do eminente Ministro Castro Meira, a 1ª Seção, modificando a orientação anterior, decidiu que, para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Na mesma oportunidade, ficou consignado que os regulamentos emanados da Receita Federal referentes aos dispositivos legais acima mencionados não poderiam exigir que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei (a exemplo da necessidade de manter estrutura que permita a internação de pacientes) para a obtenção do benefício. Daí a conclusão de que "a dispensa da capacidade de internação hospitalar tem supedâneo diretamente na Lei 9.249/95, pelo que se Fl. 206DF CARF MF Processo nº 13888.001876/200923 Acórdão n.º 1301003.275 S1C3T1 Fl. 6 5 mostra irrelevante para tal intento as disposições constantes em atos regulamentares". 3. Assim, devem ser considerados serviços hospitalares "aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde", de sorte que, "em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos". 4. Ressalva de que as modificações introduzidas pela Lei 11.727/08 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249/95 não se refere a toda a receita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do § 2º do artigo 15 da Lei 9.249/95. 5. Hipótese em que o Tribunal de origem consignou que a empresa recorrida presta serviços médicos laboratoriais (fl.. 389), atividade diretamente ligada à promoção da saúde, que demanda maquinário específico, podendo ser realizada em ambientes hospitalares ou similares, não se assemelhando a simples consultas médicas, motivo pelo qual, segundo o novel entendimento desta Corte, faz jus ao benefício em discussão (incidência dos percentuais de 8% (oito por cento), no caso do IRPJ, e de 12% (doze por cento), no caso de CSLL, sobre a receita bruta auferida pela atividade específica de prestação de serviços médicos laboratoriais). 6. Recurso afetado à Seção, por ser representativo de controvérsia, submetido ao regime do artigo 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. 7. Recurso especial não provido. Matéria, conforme acima, acerca do se trata como serviços hospitalares: são enquadrados como serviços hospitalares os serviços de atendimento à saúde, independentemente do local de prestação, excluindose, apenas, os serviços de simples consulta. A natureza do prestador (sociedade empresária) só passou a ser limitador com a alteração introduzida pela Lei 11.727/2008 no artº 15, III, da Lei 9.249/1995, em vigor a partir de 1ºde janeiro de 2009, segundo a qual o percentual reduzido será aplicável apenas quando a prestadora de serviços for organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Anvisa. E como verificamos, por se tratar de fatos relativos a período anterior, inaplicável aqui. Fl. 207DF CARF MF Processo nº 13888.001876/200923 Acórdão n.º 1301003.275 S1C3T1 Fl. 7 6 Desta feita, considerando que em momento algum o recorrente foi intimado para comprovar o efetivo crédito, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise efetivamente a existência do crédito pleiteado, oportunizando ao recorrente a possibilidade de apresentação de documentos, superandose a discussão acerca da possibilidade de redução do percentual, já que decidido sob a sistemática de Recursos Repetitivos do STJ, e ao qual o CARF se submete, de acordo com o art. 62, § 2º, do Anexo II, do RICARF Portaria MF 343/2015." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar os óbices em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do direito creditório pleiteado, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 208DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13984.900126/2008-67
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Exercício: 2003
DESISTÊNCIA DCOMP- INDEFERIMENTO
Pedido de desistência de compensação formulado após a data de ciência da decisão administrativa não homologatória há de ser indeferido.
Numero da decisão: 1402-003.186
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Ailton Neves da Silva (Suplente convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei, Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Exercício: 2003 DESISTÊNCIA DCOMP INDEFERIMENTO Pedido de desistência de compensação formulado após a data de ciência da decisão administrativa não homologatória há de ser indeferido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Ailton Neves da Silva (Suplente convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei, Paulo Mateus Ciccone (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 4. 90 01 26 /2 00 8- 67 Fl. 64DF CARF MF Processo nº 13984.900126/200867 Acórdão n.º 1402003.186 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de DCOMP transmitida pela contribuinte ante pagamento indevido ou a maior um Darf Simples que, no entanto, não foi homologada sob o fundamento de que o pagamento encontrase completamente utilizado, vinculado a débito também de código de receita 6106 e mesmo período de apuração, tornandoo indisponível para qualquer outra utilização. Cientificada do feito fiscal a contribuinte encaminhou manifestação de inconformidade, na qual alega que apresentou a declaração de compensação indevidamente, uma vez que era optante pelo Simples no período a que se referem os débitos incluídos na DComp. Nesse sentido, afirma que não existe valor a ser compensado, e nem motivo para apresentar a declaração de compensação, "uma vez que os tributos que ali se pedia compensação não eram devidos". Com base nessas alegações, a contribuinte requer o cancelamento da DComp apresentada, "por tratarse apenas de um engano fortuito, sem qualquer objetivo de ludibriar o fisco, sendo este perfeitamente justificado frente ao grande número de obrigações acessórias que os contribuintes de maneira geral tem para cumprimento com o Fisco". Em julgamento a DRJ julgou por improcedente a manifestação de inconformidade sob o entendimento de que o pagamento indevido já fora integralmente utilizado. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402003.180, de 16/05/2018, proferido no julgamento do Processo nº 13984.900120/2008 90, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402003.180): "1. DA ADMISSIBILIDADE: O Recurso Voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade ao que merece ser processado. Fl. 65DF CARF MF Processo nº 13984.900126/200867 Acórdão n.º 1402003.186 S1C4T2 Fl. 4 3 2. DO MÉRITO: Conforme consta da decisão da DRJ o pagamento levado como crédito na DCOMP foi totalmente utilizado em face de vinculação a débito declarado pela contribuinte. E contra esse fato a contribuinte não apresenta qualquer oposição. Em sede da manifestação de inconformidade a contribuinte apenas alega que a apresentação da DComp em exame decorreu de engano, razão pela qual requer seu cancelamento. A legislação tributária então regente não respalda o requerimento da contribuinte com destaque para o que previa Instrução Normativa SRF n 600, de 28 de dezembro de 2005, que, em seu art. 62 assim estabelecia: Desistência de Pedido de Restituição, de Pedido de Ressarcimento e de Compensação Art. 62. A desistência do Pedido de Restituição, do Pedido de Ressarcimento ou da compensação poderá ser requerida pelo sujeito passivo ,mediante a apresentação à SRF do Pedido de Cancelamento gerado a partir do Programa PER/DCOMY ou, na hipótese de utilização de formulário (papel), mediante a apresentação de requerimento à SRF, o qual somente será deferido caso o Pedido de Restituicdo, o Pedido de Ressarcimento ou a compensacdo se encontre pendente de decisão administrativa ti data da apresentação do Pedido de Cancelamento ou do requerimento. Parágrafo único. 0 pedido de cancelamento da Declaração de Compensação será indeferido quando formalizado após intimação para apresentação de documentos comprobatórios da compensação. (destaques acrescidos) Há que se ressaltar que, na Instrução Normativa RFB n. 1717, de 30 de dezembro de 2017, atualmente em plena vigência, há disposição idêntica. Ante o exposto, considerando que o pedido de desistência da compensação foi formulado após a data de ciência da decisão administrativa que não a homologou, de se indeferir o requerimento da contribuinte. Uma vez indeferido o pedido de cancelamento da DComp, cumpre analisar o motivo apresentado para não homologar a compensação pleiteada, principalmente em face da alegação da contribuinte de que, no período a que se referem os débitos incluídos na DComp, era optante pelo Simples. Fl. 66DF CARF MF Processo nº 13984.900126/200867 Acórdão n.º 1402003.186 S1C4T2 Fl. 5 4 Nesse cenário, a principio, seriam insubsistentes os débitos com código do Simples Federal relativos a períodos posteriores A data de inicio dos efeitos da exclusão do regime simplificado, conforme essa Turma de Julgamento tem reiteradamente se manifestado. Com isso, inexistiria a utilização do pagamento apresentada no Despacho Decisório como motivo para não reconhecer o direito creditório da contribuinte. Diante do exposto, considerando que a DComp não pode ser cancelada, voto por manter a decisão proferida pela DRJ. É como voto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 67DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15463.721636/2016-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2012
MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO.
A isenção para portadores de moléstias graves está restrita a rendimentos recebidos a título de pensão ou aposentadoria.
Numero da decisão: 2201-004.656
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Douglas Kakazu Kushiyama - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: DOUGLAS KAKAZU KUSHIYAMA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2012 MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. A isenção para portadores de moléstias graves está restrita a rendimentos recebidos a título de pensão ou aposentadoria.
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ISENÇÃO. A isenção para portadores de moléstias graves está restrita a rendimentos recebidos a título de pensão ou aposentadoria. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente. (assinado digitalmente) Douglas Kakazu Kushiyama Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls. 78/91, interposto contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (SP), de fls. 62/68, a qual julgou procedente lançamento de Imposto de Renda da Pessoa Física IRPF, decorrente de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 46 3. 72 16 36 /2 01 6- 94 Fl. 97DF CARF MF 2 revisão da Declaração de Ajuste Anual 2013, anocalendário 2012, pois o contribuinte teria omitido rendimento do trabalho com vínculo e/ou sem vínculo empregatício, sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$ 388.128,00, não tendo havido saldo de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) que incidiu sobre os rendimentos omitidos a compensar. Em complementação da descrição da conduta: Não comprovou que tratamse de Rendimentos pagos por entidade previdenciária (entidade pagadora de benefícios semelhantes à previdência oficial). Isenção de imposto de renda é possível para rendimentos de aposentadoria, pensão ou reforma e não para os rendimentos em questão que foram denominados como “prêmio por relevantes serviços prestados”. Da Impugnação O RECORRENTE apresentou sua Impugnação de fls. 2/14, alegando em síntese que é portadora de moléstia grave desde 06/2008 (cegueira) e que os rendimentos pagos pela Sul América Capitalização S/A – Sulacap trataria de pensão decorrente de contrato firmado com empresa privada, estando alcançado pela isenção do IR. Da Decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (SP) Quando da apreciação do caso, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (SP) julgou procedente a autuação, conforme ementa abaixo (fls. 60): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Anocalendário: 2012 COMPLEMENTAÇÃO DE PENSÃO. MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. Para fazer jus à isenção relativa a rendimentos recebidos a título de complementação de pensão por portador de moléstia grave, o beneficiário do rendimento deve comprovar que seus rendimentos são oriundos de complementação de aposentadoria, reforma ou pensão. Os julgadores de primeira instância decidiram, por maioria de votos, que a autuação estava correta, sendo que o contribuinte não logrou êxito em comprovar suas alegações. Do Recurso Voluntário A RECORRENTE, devidamente intimada da decisão da DRJ, conforme aviso de fls. 73/74, apresentou o recurso voluntário de fls. 78/91em 18/10/2017. Em sede de Recurso Voluntário, reafirmou os argumentos da impugnação. Fl. 98DF CARF MF Processo nº 15463.721636/201694 Acórdão n.º 2201004.656 S2C2T1 Fl. 98 3 Este recurso compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Relator Douglas Kakazu Kushiyama O Recurso interposto pelo contribuinte é tempestivo e, portanto, dele conheço. Isenção do imposto de renda por moléstia grave No caso em questão, resta incontroverso o fato de que a Recorrente é portadora de moléstia grave, tendo em vista que foi deferida a restituição dos valores do Imposto de Renda pagos sobre as pensões recebidas do INSS e da UFRJ. Para tanto, comprovou através de laudo pericial que atestou que a Recorrente é portadora de cegueira desde junho de 2008, de modo que tem direito à isenção prevista no artigo 6º, XIV, da Lei nº 7.713/1988: Artigo 6 Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XIV — os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (Redação dada pela Lei n°11.052, de 2004) (grifos nossos) (...) XXI os valores recebidos a título de pensão quando o beneficiário desse rendimento for portador das doenças relacionadas no inciso XIV deste artigo, exceto as decorrentes de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão. (Incluído pela Lei nº 8.541, de 1992) (Vide Lei 9.250, de 1995) Resta clara a situação, pois a patologia da Recorrente está expressamente prevista no artigo 6º, XIV, da Lei nº 7.713/1988 e o documento juntado aos presentes autos demonstra que seria agraciada pela isenção, até pelo reconhecimento de parte do direito à restituição pleiteada. Fl. 99DF CARF MF 4 Por outro lado, a controvérsia principal nos presentes autos gira em torno da natureza do valor percebido pelo pagamento feito pela Sul América Capitalização S/A – Sulacap. No entender da fiscalização e da decisão recorrida, o valor recebido pela Recorrente não seria isento, já que não teriam a natureza de rendimento de aposentadoria ou pensão. Sobre o tema, assim se manifestou a decisão a quo: Na notificação de lançamento impugnada, os rendimentos foram considerados tributáveis porque não foram pagos por entidade previdenciária e foram pagos como “prêmio por relevantes serviços prestados”. No documento de fl. 52 afirmase que é assegurado o pagamento da renda mensal vitalícia como equivalente a aposentadoria. A aposentadoria sempre decorre de uma previdência social e/ou privada (complementações). Claro está que os rendimentos em questão não se tratam de aposentadoria ou pensão, não podendo ser atingidos pela isenção do IR em decorrência de moléstia grave, pois é decorrente de mera liberalidade da empresa. Analisando o conteúdo do documento de fl. 54/56, constatase que, mediante acordo assinado em 16/08/1955, foi assegurado ao Sr. Jorge Oscar de Mello Flores, por este ter pedido demissão do Serviço Público Federal para continuar dirigente do Grupo Sul América, rendimento intitulado de "aposentadoria", a vigorar após 25 anos de serviço, o qual seria, no caso de seu falecimento, repassado as suas herdeiras, esposa e filha, nesta ordem. Com as reorganizações societárias ocorridas, tal rendimento mensal foi homologado pela Sul América S/A, que considerou, para tal decisão, os relevantes serviços prestados à instituição pelo Sr. José Oscar e intitulou a verba de renda mensal "equivalente à aposentadoria". Embora os termos do primeiro acordo tenha considerado o rendimento como de aposentadoria e a homologação posterior tratou da mesma verba como equivalente a aposentadoria, não identifico, na essência do benefício, a natureza de rendimento de aposentadoria ou pensão. Esta Turma de julgamento já se debruçou sobre tema semelhante, quando foi analisada a natureza de benefício pago a exgovernador do Estado Piauí. Na oportunidade, por unanimidade de votos, foram acatadas as razões e fundamentos legais do voto condutor do Acórdão nº 2201006.647, de 11 d e maio de 2017, que assim se manifestou: (...) A expressão "previdência" tem seu significado vinculado ao ato de prever. É uma precaução ou a cautela em relação a algo futuro que não se deseja. Nesta esteira, a Previdência Social é uma seguro para o qual o trabalhador contribui com o objetivo de, no futuro, ter garantido um benefício financeiro que permita sua subsistência (aposentadoria ou reforma) ou de seus dependentes (pensão), quando o peso da idade já não mais lhe permitir o mesmo desempenho laboral ou no caso de sua morte. Fl. 100DF CARF MF Processo nº 15463.721636/201694 Acórdão n.º 2201004.656 S2C2T1 Fl. 99 5 Não há que se igualar o benefício em tela com um benefício previdenciário, este sim alcançado pela norma isentiva, que tem o claro propósito de amenizar a carga tributária dos beneficiários de aposentadorias e pensões quando acometidos por moléstias graves, de forma a aumentar sua disponibilidade financeira para custear o tratamento. O favor concedido pelo Estado do Piauí ao seu exgovernador não tem caráter previdenciário e, como bem pontuado pela decisão a quo decorre de mera liberalidade do ente federado. Ademais, o fato do numerário ser pago pelo Instituto de Assistência e Previdência do Estado, que o registra em seus sistemas em rubrica própria de pensionistas, não muda a natureza do rendimento. Nas palavras da Sra. Ministra Carmem Lúcia, estamos diante de "uma regalia, uma dádiva, uma recompensa vitalícia, um proveito pecuniário de natureza permanente, instituído não como um benefício, mas como uma benesse ou um favor conferido a quem tenha se desinvestido do cargo de Governador do Estado" Portanto, o benefício em tela não decorre de um ato de previdência do seu beneficiário, mas apenas de uma espécie de regalia que em nada se relaciona com a natureza previdenciária necessária ao reconhecimento da isenção pleiteada. Portanto, da mesma forma, os valores recebidos pelo Sr. José Oscar nada têm a ver com rendimento de aposentadoria, já que se constituem benesse instituída por mera liberalidade da empresa, em reconhecimento aos relevantes serviços por ele prestados. Nas palavras supracitadas da Ministra Cármen Lúcia, que foram expressas ao relatar a Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 3.8532, tratase de "uma regalia, uma dádiva, uma recompensa vitalícia, um proveito pecuniário de natureza permanente, instituído não como um benefício, mas como uma benesse ou um favor" a quem prestou relevantes serviços à entidade instituidora. Consequentemente, os valores recebidos pela recorrente não têm natureza de pensão, já que esta, considerando também ensinamentos da Ministra Cármen Lúcia expresso no mesmo voto citado no parágrafo precedente, corresponde ao "valor pago aos dependentes após a morte do segurado". Assim, constatado que o benefício em tela não decorre de um ato de previdência do seu beneficiário, mas apenas de uma espécie de benesse sem natureza previdenciária, não há de se falar em isenção conferida pela lei aos portadores de moléstias graves., razão pela qual nego provimento ao recurso voluntário. Conclusão Em razão do exposto, voto por negar provimento, ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Douglas Kakazu Kushiyama Relator Fl. 101DF CARF MF 6 Fl. 102DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.000497/2006-98
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004, 2005, 2006
PEDIDO DE PARCELAMENTO. EFEITOS. DESISTÊNCIA DO RECURSO VOLUNTÁRIO.
O pedido de parcelamento parcial importa a desistência de parte do recurso interposto, nos termos dos §§2º e 3º do art. 78 do Anexo II do Regimento Interno do CARF.
DECISÃO JUDICIAL. TRÂNSITO EM JULGADO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. EXTINÇÃO.
Nos termos do art. 156, X do CTN, considera-se extinto o crédito tributário em face da decisão judicial transitada em julgado favoravelmente ao contribuinte.
Recurso voluntário provido na parte conhecida
Numero da decisão: 3402-005.552
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do Recurso Voluntário, relativamente aos débitos das competências de março/2001 a janeiro/2004, e, nessa parte, dar-lhe provimento para exonerar integralmente o crédito tributário, em face da superveniência de decisão judicial definitiva favorável à contribuinte.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, que foi substituída pelo Suplente convocado.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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EFEITOS. DESISTÊNCIA DO RECURSO VOLUNTÁRIO. O pedido de parcelamento parcial importa a desistência de parte do recurso interposto, nos termos dos §§2º e 3º do art. 78 do Anexo II do Regimento Interno do CARF. DECISÃO JUDICIAL. TRÂNSITO EM JULGADO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. EXTINÇÃO. Nos termos do art. 156, X do CTN, considerase extinto o crédito tributário em face da decisão judicial transitada em julgado favoravelmente ao contribuinte. Recurso voluntário provido na parte conhecida Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do Recurso Voluntário, relativamente aos débitos das competências de março/2001 a janeiro/2004, e, nessa parte, darlhe provimento para exonerar integralmente o crédito tributário, em face da superveniência de decisão judicial definitiva favorável à contribuinte. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 04 97 /2 00 6- 98 Fl. 257DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, que foi substituída pelo Suplente convocado. Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento (DRJ) em São Paulo I que julgou procedente em parte a impugnação. Versa o processo sobre autos de infração para a exigência da Cofins, no montante de 4.773.551,52 e juros de mora, relativamente a fatos geradores ocorridos de 31/07/2000 a 31/01/2006, decorrentes das diferenças apuradas entre o valor escriturado e o valor declarado/pago. No Termo de Verificação Fiscal informou a fiscalização que: Verificamos que a empresa em tela, não vinha considerando as receitas financeiras e as outras receitas operacionais, na base de cálculo, para recolhimento da COFINS, e a a partir do mês de agosto de 2.004 (inclusive), não vinha considerando na mencionada base de cálculo, as outras receitas operacionais, uma vez que pelo Decreto número 5.164 de 30 de julho de 2.004, a partir de agosto/2004 (inclusive), ficou reduzida a zero a alíquota da contribuição para a COFINS, incidente sobre as receitas financeiras. Em virtude do que acima mencionamos, a empresa fica sujeita a lavratura de Auto de Infração para a cobrança da COFINS; sobre as receitas acima mencionadas, que não foram inclusas em sua base de cálculo, entretanto cobrança será suspensa, em virtude de ter sido concedida a liminar, referente a Ação Cautelar número 969 no Supremo Tribunal Federal (cópia em anexo). Cumpre que se faça mencionar que o lançamento será efetuado sem multa de ofício, de acordo com o disposto no artigo 63 da lei número 9.430 de 27 de dezembro de 1996. Após ser cientificada a contribuinte apresentou impugnação, alegando, em síntese: a) decadência parcial, relativamente aos fatos geradores ocorridos entre julho/2000 e fevereiro/2001; b) inconstitucionalidade da parcela do lançamento relativa ao alargamento da base de cálculo da COFINS prevista na Lei n° 9.718/1998 e c) impossibilidade de tributação da receita registrada no anocalendário de 2001 e revertida no anocalendário de 2003. A DRJ acatou parcialmente os argumentos da impugnantes sob os seguintes fundamentos principais: Não se toma conhecimento de parte da impugnação, relativamente à discussão da mesma matéria que já foi levada à decisão do Poder Judiciário, qual seja, a inconstitucionalidade da base de cálculo da Cofins pela Lei n° 9.718/1998 (impugnação às fls. 86 a 99 e petição judicial às fls. 17/51). Já em relação às demais alegações, quanto à decadência e ao estorno de créditos no anocalendário de 2003, por não estarem sendo discutidas na via judicial, devem ser objeto de apreciação na via administrativa. Com a aplicação Súmula Vinculante n° 8 do STF e o art. 150, §4º do CTN, há de se reconhecer a decadência de parte do lançamento efetuado em 20/03/2006, relativamente aos fatos geradores ocorridos no período de julho/2000 a fevereiro/2001. Fl. 258DF CARF MF Processo nº 19515.000497/200698 Acórdão n.º 3402005.552 S3C4T2 Fl. 258 3 A exclusão prevista no artigo 2° §, 2°, inciso II da Lei n° 9.718/1998, visa não tributar duplamente receita que já tenha sido objeto de incidência das contribuições para o PIS e Cofins, o que não é o caso da impugnante. Ademais, em relação aos “Créditos de IPI”, a contribuinte não traz informação alguma senão de que seriam decorrentes de ação judicial e de que procedera ao estorno de receita em 2003, sem explicar qual provimento judicial seria este que lhe teria outorgado os referidos créditos de IPI. Com os dados apresentados, não há sequer como afirmar que o registro da despesa (estorno dos créditos) em 2003, tenha sido o procedimento correto. Cientificada em 07/06/2010, a interessada apresentou recurso voluntário em 06/07/2010, alegando, em síntese: a) Nos autos do Mandado de Segurança nº 2000.61.00.0000803, que questiona o alargamento na base de cálculo da Cofins promovido pela Lei 9.718/98, o Supremo Tribunal Federal proferiu decisão declarando a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo Cofins promovido pelo § 1°, artigo 3° da Lei 9.718/98, reconhecendo que houve violação à regra de discriminação de competência tributária prevista no artigo 195, I da Constituição.Federal, que autorizava a cobrança da Cofins apenas sobre o faturamento, e não a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica. A referida decisão transitou em julgado de forma integralmente favorável à Recorrente em 13.08.2007, tornandose imutável e protegida pelos efeitos da coisa julgada, como se pode verificar da 'Certidão de Objeto e Pé' anexada ao presente Recurso Voluntário (doc. 02). b) Todos os créditos objeto “do lançamento que gerou o presente processo referiamse a “outras receitas” não decorrentes do faturamento, estando abarcados pela discussão judicial ora travada. Tanto é assim que todos esses créditos foram lavrados com a sua exigibilidade suspensa. c) Ainda que porventura se entendesse que a contabilização dos créditos de IPI no ano de 2001 configurava uma receita tributável e ainda que se desconsiderasse a questão da inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da Cofins, mesmo assim não se poderia exigir o recolhimento da contribuição sobre o lançamento contábil realizado pela Recorrente, na medida em que tal lançamento foi equivocado, tendo decorrido de procedimento contábil errôneo, apontado pelos auditores da Recorrente e devidamente corrigido em 2003, mediante a realização de lançamento contábil que neutralizou e anulou totalmente o anterior registro desses créditos de IPI. Em 24/09/2014 a recorrente apresentou petição na qual informou da adesão parcial ao parcelamento incentivado instituído pela Lei nº 11.941/2009, relativamente aos débitos de Cofins pertinentes aos períodos de apuração de fevereiro de 2004 a janeiro de 2006. O processo retornou à Unidade de Origem para apartar os débitos objeto de desistência no recurso, o que foi feito. O processo foi distribuído por sorteio a esta Relatora em 28/02/2018. É o relatório. Voto Fl. 259DF CARF MF 4 Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, Relatora Em face do parcelamento de parte dos débitos do processo, deve ser aplicada regra seguinte, disposta no art. 78, §§ 2º e 3º do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343/2015: Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 1º A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. § 2º O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. § 3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente. § 4º Havendo desistência parcial do sujeito passivo e, ao mesmo tempo, decisão favorável a ele, total ou parcial, com recurso pendente de julgamento, os autos deverão ser encaminhados à unidade de origem para que, depois de apartados, se for o caso, retornem ao CARF para seguimento dos trâmites processuais. § 5º Se a desistência do sujeito passivo for total, ainda que haja decisão favorável a ele com recurso pendente de julgamento, os autos deverão ser encaminhados à unidade de origem para procedimentos de cobrança, tornandose insubsistentes todas as decisões que lhe forem favoráveis. Assim, não conheço da parte do recurso voluntário relativa aos débitos objeto de parcelamento, referentes às competências de fevereiro/2004 a janeiro/2006, já devidamente excluídos do processo pela Unidade de Origem; bem como conheço da parte restante do recurso voluntário, relativa aos débitos relativos às competências de março/2001 a janeiro/2004. Esclareçase que os débitos do período de julho/2000 a fevereiro/2001 foram extintos pela decadência na decisão da DRJ, não sujeita a recurso de ofício. Conforme consta na Certidão juntada pela recorrente (fl. 152), o mandado de segurança transitou em julgado favoravelmente a sua pretensão, nos seguintes termos: (...) CERTIFICA, a pedido de pessoa interessada, que revendo nesta Secretaria, a seu cargo verificou constar os autos do MANDADO DE SEGURANÇA N° 2000.61.00.0000803, distribuída em 11/01/2000, que THYSSEN SUR S/A. ELEVADORES E TECNOLOGIA, CNPJ sob n° 90.347.840/0001/18, move em face de Sr. DELEGADO DA RECEITA FEDERAL EM SAO PAULOSP (...) CERTIFICA, outrossim, que o C. Supremo Tribunal Federal, resolvendo questão de ordem suscitada na ação cautelar n.° 969, referendou, integralmente, a decisão que concedeu em parte a medida liminar para atribuir efeito suspensivo ao Recurso Extraordinário interposto. CERTIFICA, mais, que foi negado seguimento ao Recurso Especial e conhecido o Recurso Extraordinário, provendoo em parte, para reformar o acórdão na parte que julgou válida a ampliação da base de cálculo promovida pelo art. 3°, parágrafo 1°, da Lei n° 9.718/98, sendo que a r. decisão transitou em julgado em 13/08/2007. (...) (...) Com relação às receitas decorrentes da recuperação de créditos de IPI, informou a contribuinte na impugnação que: Fl. 260DF CARF MF Processo nº 19515.000497/200698 Acórdão n.º 3402005.552 S3C4T2 Fl. 259 5 27. Em vista da recuperação apontada pelas empresas contratadas, a Impugnante registrou no anocalendário 2001 uma receita de R$ 12.860.068,10 (doc. 05 e 06), oferecendoa à tributação pelo Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e pela Contribuição Social sobre o Lucro (CSLL). Em vista da discussão judicial que então mantinha em curso no Poder Judiciário para discutir o alargamento indevido da base de cálculo da COFINS após a publicação da Lei 9.718/98, deixou de oferecer esta receita à tributação por aquela contribuição. 28. No entanto, em 2003 a empresa que audita a Impugnante (Pricewaterhousecoopers) questionou o registro dos créditos fiscais referidos acima pela Impugnante antes de sua homologação pela Secretaria da Receita Federal. Em vista disso, a Impugnante houve por bem estornar o registro dos referidos créditos. Essa reversão gerou, naturalmente, uma despesa que foi devidamente incluída no resultado da Impugnante no ano de 2003. Com os elementos que constam nos autos não se pode aferir a composição das receitas nos anos de 2001 e 2003 que foram objeto de exigência, de forma que não se pode confirmar se as receitas decorrentes da recuperação de créditos fiscais do ano 2001 ou do estorno efetuado em 2003 realmente integram o presente lançamento e em que medida. De todo modo, pelo que se deduz do Termo de Descrição dos Fatos, transcrito no relatório acima, foram objeto de tributação, até julho de 2004, receitas financeiras e "outras receitas operacionais" e, a partir de agosto/2004, somente "outras receitas operacionais", sendo que o entendimento da fiscalização foi de que a questão da incidência da Cofins sobre todas as receitas tributadas estava abarcada pela medida judicial, tanto que lavrou o auto de infração com a exigibilidade suspensa, somente para prevenir a decadência, e sem a exigência da multa de ofício, nos termos do art. 63 da Lei nº 9.430/96. Assim, no presente julgamento, deve ser mantido o entendimento da fiscalização de que todo o lançamento foi objeto da ação judicial, restando prejudicada a análise do argumento da recorrente relativo às receitas decorrentes da recuperação de créditos fiscais. Nos termos do art. 156, X do CTN, há de se considerar extinto o crédito tributário em face da decisão judicial transitada em julgado favoravelmente ao contribuinte. Assim, pelo exposto, voto no sentido de conhecer parcialmente o recurso voluntário, relativamente aos débitos das competências de março/2001 a janeiro/2004, e, nessa parte, darlhe provimento para exonerar integralmente o crédito tributário, em face da superveniência de decisão judicial definitiva favorável à contribuinte. (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Fl. 261DF CARF MF 6 Fl. 262DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13851.000702/2005-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 09/04/1999
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE PIS. PRESCRIÇÃO. 10 ANOS (5+5). LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. SÚMULA 91/CARF. CONEXÃO. Art. 6., §1º, I, Anexo II do RICARF
Nos termos do Art. 6., §1º, I, Anexo II do RICARF, não é obrigatório o Julgador reunir os processos por Conexão.
O pedido de restituição (PER) de tributo por homologação, que tenha sido pleiteado anteriormente à 09/06/05, antes da entrada em vigor de LC 118/05, o prazo prescricional é de 10 (dez) anos, conforme Súmula 91/CARF.
SÚMULA No. 91 - CARF - Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador.
Numero da decisão: 3201-004.240
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que a unidade preparadora, ultrapassada a questão preliminar, aprecie o mérito do litígio.
CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Presidente
(assinado digitalmente)
LAÉRCIO CRUZ ULIANA JUNIOR Relator
(assinado digiltamente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente)
Nome do relator: LAERCIO CRUZ ULIANA JUNIOR
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 09/04/1999 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE PIS. PRESCRIÇÃO. 10 ANOS (5+5). LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. SÚMULA 91/CARF. CONEXÃO. Art. 6., §1º, I, Anexo II do RICARF Nos termos do Art. 6., §1º, I, Anexo II do RICARF, não é obrigatório o Julgador reunir os processos por Conexão. O pedido de restituição (PER) de tributo por homologação, que tenha sido pleiteado anteriormente à 09/06/05, antes da entrada em vigor de LC 118/05, o prazo prescricional é de 10 (dez) anos, conforme Súmula 91/CARF. SÚMULA No. 91 CARF Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que a unidade preparadora, ultrapassada a questão preliminar, aprecie o mérito do litígio. CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA – Presidente (assinado digitalmente) LAÉRCIO CRUZ ULIANA JUNIOR – Relator (assinado digiltamente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 1. 00 07 02 /2 00 5- 37Fl. 138DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente) Relatório Tratase de pedido de Restituição de PIS pago indevidamente no período de Março de 1999, protocolado em 08/06/05 na DRF de Araraquara/SP, conforme constante no Pedido de Restituição. Por traduzir a realidade dos fatos, adoto o Relatório da DRJ: (...) Trata 0 presente de pedido de restituição, protocolizado em 08/06/2005, referente à suposto pagamento indevido ou maior que o devido a titulo de PIS efetuado em 09/04/1999 pela empresa Dirbanco Administração e Participações SA, CNPJ n° 62.355.698/000115, incorporada pelo interessado. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Araraquara, por meio do Despacho Decisório de fls. 29/34, indeferiu o pedido, com fundamento na ocorrência da decadência do direito de pedir e na falta de comprovação documental da existência do alegado crédito contra a Fazenda Nacional, de modo a pennitir a aferição de sua liquidez e certeza. Cientificado em 04/05/2009, fls. 84, o interessado apresentou manifestação de inconformidade em 03/06/2009, fls. 36/47, alegando, em breve síntese: a) Que, através do Mandado de Segurança n° 1999.61.02.0070375, obteve provimento jurisdicional que lhe autorizou a recolher as contribuições para o PIS e Cofins sem 0 alargamento da base de cálculo estabelecida pelo § 3° da Lei n° 9.718, de 1998; Que, nos meses de março a junho de 1999, auferiu unicamente receitas financeiras e outros tipos de rendimentos não oriundos da venda de bens e serviços, conforme demonstrativo anexado e que, sobre tais rendimentos, aplicou as correspondentes alíquotas do PIS e Cofins, efetuando o recolhimento. Que o provimento jurisdicional transitou em julgado e lhe assegurou o direito de calcular o PIS e a Cofins com base na Lei n° 9.715, de 1998 e na Lei Complementar (LC) n° 70, de 1991, ou seja, somente sobre o faturamento, Fl. 139DF CARF MF Processo nº 13851.000702/200537 Acórdão n.º 3201004.240 S3C2T1 Fl. 140 3 excluindose as demais receitas não caracterizadas como senda da venda de mercadorias ou serviços; b A partir da exposição dos fatos que originaram 0 alegado crédito contra a Fazenda Nacional, contesta o decidido pela DRF em Araraquara, a saber: Inicialmente alega que houve uma distorção do instituto da decadência e o que se aplica, na realidade, é a prescrição de seu direito de pedir a restituição, e que mostrará a sua inocorrência no caso. Alega que conforme entendimento do Superior Tribunal de Justiça, nos casos de lançamento por homologação, o prazo prescricional é cinco contados a partir da homologação tácita, ou seja, de dez anos contados a partir do fato gerador. Que o art. 3° da LC 118, de 2005 modificou, e não apenas interpretou o Código Tributário Nacional CTN e, assim, não pode ser aplicado aos pedidos apresentados anteriormente à entrada em vigor da dita lei, que ocorreu em 09/06/2005. Que, desse modo, o pedido foi apresentado dentro do prazo legal ~ 10 anos, conforme entendimento do Superior Tribunal de Justiça STJ, que declarou a inconstitucionalidade do art. 4°, segunda parte, da LC n° 118, de 2005, que determina a aplicação retroativa de seu art. 3°. V Ainda, alega que o ajuizamento do Mandado de Segurança importou em causa interruptiva da prescrição, nos termos do artigo 172 e 173 do Código Civil de 1916, vigente à época. Uma vez que o trânsito em julgado da ação ocorreu em 30/05/2008, não há em que se falar em ocorrência do prazo prescricional, uma vez que este esteve interrompido até o referido trânsito em julgado. Continua, alegando que tem direito à restituição aos recolhimentos efetuados nos meses de março a junho de 1999, que se afiguram indevidos, uma vez que as únicas receitas auferidas pelo Requerente nesse periodo corresponderam a receitas financeiras e outras receitas não oriundas da venda de bens e prestação de serviços, estas as únicas passíveis de tributação pelo PIS e Cofins, conforme 0 provimento jurisdicional conquistado. Fl. 140DF CARF MF 4 Requer o conhecimento da manifestação, com a reforma da decisão recorrida e conseqüente deferimento do pedido de restituição. Assim, seguindo a marcha processual normal, a DRJ julgou improcedente o pleito de Reforma do Contribuinte, por entender, que o estaria prescrito, com a seguinte, que sintetiza: os fundamentos: ASSUNTO: NoRIvIAs GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 09/04/1999 DECADÊNCIA. INTERPRETAÇÃO. LEI COMPLEMENTAR N° 118, DE 2005. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso de prazo de cinco anos, contados da data da extinção do crédito tributário que, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, ocorre no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1° do art. 150 do CTN. Manifestação de Inconfonnidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com r. julgado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, requerendo reforma por entender: a) que o prazo de prescrição é de 10 anos, pois, se trata de lançamento por homologação; b) que houve alteração do prazo prescricional com e entrada em vigor da Lei Complementar 118/05, que ocorreu em 09 de junho de 2005; c) que seu pleito é anterior a data da entrada em vigor da LC 118/05; d) pede reunião de demais processos; É o relatório. Voto Conselheiro LAÉRCIO CRUZ ULIANA JUNIOR O Recurso Voluntário preenche todos os requisitos e merece ser conhecido. Inicialmente é de considerar que a reunião dos processos por conexão é uma faculdade nos termos do art. do Art. 6., §1º, I, Anexo II do RICARF. Ademais, compulsando o sítio eletrônico do CARF, verificase que alguns processos indicados pelo Contribuinte já foram julgados nesse CARF, assim, não existindo qualquer prejudicialidade na ausência de conexão dos presentes autos. Deste modo, não merece prosperar o pleito do Contribuinte em razão do pedido de conexão. Fl. 141DF CARF MF Processo nº 13851.000702/200537 Acórdão n.º 3201004.240 S3C2T1 Fl. 141 5 AÉ de se trazer a baila que o pleito do Contribuinte é o Pedido de Restituição (PER) de PIS pago a maior no período de Março de 1999, requerido em 08/06/05. Ocorre que a DRF e a DRJ compreenderam que a prescrição para pleitear o PER era de 05 (cinco) anos do pagamento, e não da homologação tácita, que tal fundamentação estaria disposto no art. 3º. da LC 118/05. Contudo, sem mais digressões, é de notório conhecimento que a LC 118/05, inovou em razão da contagem da prescrição, existindo grande debate sobre o termo inicial da aplicação do prazo quinquenal da prescrição ao invés do decimal. Contudo, o assunto encontra se sumulado com efeito vinculante por este CARF, vejamos: Súmula CARF nº 91 Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. De tal sorte, devese afastar a prescrição do presente caso, uma vez, que não decorreu o período de 10 (dez) anos do lançamento, e o pleito sendo anterior a 09/06/05, ressaltase que nos termos do Art. 75, § 2º, Anexo II, do RICARF, a mencionada súmula encontrase com efeito vinculante. Diante disso, devese ser anulado o Despacho Decisório para afastar a prescrição. Concluo, o voto é no sentido de CONHECER e DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para que a unidade preparadora, ultrapassada a questão preliminar, aprecie o mérito do litígio. LAÉRCIO CRUZ ULIANA JUNIOR – Relator (assinado digiltamente) Fl. 142DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13982.000020/2008-81
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 15 00:00:00 UTC 2010
Ementa: SALDO CREDOR DE CAIXA – MÚTUO ENTRE EMPRESAS LIGADAS
– O mero contrato de mútuo entre empresas ligadas não é prova suficiente do ingresso de numerário no caixa, tanto mais quando não foi verificada a devida contabilização da entrada e saída de caixa na empresa credora.
SALDO CREDOR DE CAIXA – OMISSÃO DE RECEITA – Em sede de
fiscalização, a contribuinte não apresentou efetiva prova do ingresso do caixa por mútuo junto à empresa controlada, justificando a glosa desse ingresso pelo que ficou evidente o saldo credor de caixa e a omissão de receita nos termos da Lei.
ÔNUS DA PROVA – OMISSÃO DE RECEITA – Verificado o saldo credor
de caixa e o lançamento fiscal correspondente, cabe à contribuinte comprovar a existência e regularidade do numerário e dos registros contábeis ou a origem mediata e imediata dos recursos e a ausência de omissão de receita, ônus do qual neste caso não se desincumbiu.
MULTA 150% – PROVA DO INTUITO DE FRAUDE – Comprovado que a
empresa credora não possuía o numerário necessário para prover caixa à empresa autuada e ainda não recebeu esse numerário em decorrência da integralização de debêntures, pois isso foi feito pela conversão de dívida pretérita, fica comprovada a falsidade do lançamento contábil da contribuinte que postergou e ocultou a ocorrência do fato gerador até a ação fiscal. É aplicável a multa qualificada de 150%.
Numero da decisão: 1302-000.432
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da primeira
SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário nos termos do relatório e do voto que deste formam parte integrante.
Nome do relator: Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira
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ementa_s : SALDO CREDOR DE CAIXA – MÚTUO ENTRE EMPRESAS LIGADAS – O mero contrato de mútuo entre empresas ligadas não é prova suficiente do ingresso de numerário no caixa, tanto mais quando não foi verificada a devida contabilização da entrada e saída de caixa na empresa credora. SALDO CREDOR DE CAIXA – OMISSÃO DE RECEITA – Em sede de fiscalização, a contribuinte não apresentou efetiva prova do ingresso do caixa por mútuo junto à empresa controlada, justificando a glosa desse ingresso pelo que ficou evidente o saldo credor de caixa e a omissão de receita nos termos da Lei. ÔNUS DA PROVA – OMISSÃO DE RECEITA – Verificado o saldo credor de caixa e o lançamento fiscal correspondente, cabe à contribuinte comprovar a existência e regularidade do numerário e dos registros contábeis ou a origem mediata e imediata dos recursos e a ausência de omissão de receita, ônus do qual neste caso não se desincumbiu. MULTA 150% – PROVA DO INTUITO DE FRAUDE – Comprovado que a empresa credora não possuía o numerário necessário para prover caixa à empresa autuada e ainda não recebeu esse numerário em decorrência da integralização de debêntures, pois isso foi feito pela conversão de dívida pretérita, fica comprovada a falsidade do lançamento contábil da contribuinte que postergou e ocultou a ocorrência do fato gerador até a ação fiscal. É aplicável a multa qualificada de 150%.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2469; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 1000 1 999 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13982.000020/200881 Recurso nº 882799 Voluntário Acórdão nº 1302000.432 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 15 de dezembro de 2010 Matéria IRPJ/CSLL/PIS/COFINS Saldo Credor de Caixa Omissão de Receita Recorrente INVESP FOMENTO COMERCIAL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL SALDO CREDOR DE CAIXA – MÚTUO ENTRE EMPRESAS LIGADAS – O mero contrato de mútuo entre empresas ligadas não é prova suficiente do ingresso de numerário no caixa, tanto mais quando não foi verificada a devida contabilização da entrada e saída de caixa na empresa credora. SALDO CREDOR DE CAIXA – OMISSÃO DE RECEITA – Em sede de fiscalização, a contribuinte não apresentou efetiva prova do ingresso do caixa por mútuo junto à empresa controlada, justificando a glosa desse ingresso pelo que ficou evidente o saldo credor de caixa e a omissão de receita nos termos da Lei. ÔNUS DA PROVA – OMISSÃO DE RECEITA – Verificado o saldo credor de caixa e o lançamento fiscal correspondente, cabe à contribuinte comprovar a existência e regularidade do numerário e dos registros contábeis ou a origem mediata e imediata dos recursos e a ausência de omissão de receita, ônus do qual neste caso não se desincumbiu. MULTA 150% – PROVA DO INTUITO DE FRAUDE – Comprovado que a empresa credora não possuía o numerário necessário para prover caixa à empresa autuada e ainda não recebeu esse numerário em decorrência da integralização de debêntures, pois isso foi feito pela conversão de dívida pretérita, fica comprovada a falsidade do lançamento contábil da contribuinte que postergou e ocultou a ocorrência do fato gerador até a ação fiscal. É aplicável a multa qualificada de 150%. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da primeira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário nos termos do relatório e do voto que deste formam parte integrante. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 05/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2011 por LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEI, Assinado digitalmente e m 05/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por LAVINIA MORAES D E ALMEIDA NOGUEI 2 “documento assinado digitalmente” Marcos Rodrigues de Mello Presidente “documento assinado digitalmente” Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira Relatora Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Marcos Rodrigues de Mello(presidente), Irineu Bianchi (vicepresidente), Wilson Fernandes Guimarães, Eduardo de Andrade, Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, Daniel Salgueiro da Silva. Relatório Contra a contribuinte foram lavrados autos de infração (fls. 10/14) referentes a IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, acrescidos de multa de ofício de 150%, com base no art. 44, II, da lei 9.430/96, além dos juros de mora, totalizando um crédito tributário no valor de R$ 5.792.919,60. O item 001 do Auto de Infração descreve o fundamento do lançamento como sendo “IPRJ – OMISSÃO DE RECEITAS – SALDO CREDOR DE CAIXA”, conforme Termo de Verificação Fiscal (fls. 207/214). Consta do Termo de Verificação Fiscal a verificação da ocorrência de lançamento a débito da conta CAIXA e a crédito da empresa BONDIO ALIMENTOS S/A, no valor de R$ 4.800.000,00, provenientes de contrato de mútuo concedido à contribuinte fiscalizada. A empresa BONDIO ALIMENTOS S/A é pessoa jurídica controlada 90% pela fiscalizada, sendo os outros 10% controlados por sócios administradores que também são controladores da contribuinte fiscalizada. Intimada a apresentar documentação hábil e idônea a comprovar a efetiva entrada do numerário, a fiscalizada apresentou o contrato de mútuo e posteriormente, novamente intimada, a pessoa jurídica BONDIO apresentou Livro Caixa e Livro Razão, bem como copia dos recibos a comprovar o lançamento contábil. Entendeu a fiscalização que a contribuinte não apresentou provas o suficiente a comprovar o efetivo ingresso do numerário. Consta do Termo de Verificação Fiscal que a BONDIO não possuía recursos em caixa para oferecer à INVESP e que a emissão de debêntures para os sócios, origem alegada pela BONDIO para o caixa, na verdade não foi integralizada em numerário mas sim por conversão de dívidas pretéritas da BONDIO em integralização das debêntures. Concluiu a fiscalização que na realidade não houve a real tradição do valor do mútuo da BONDIO para a INVESP. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 05/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2011 por LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEI, Assinado digitalmente e m 05/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por LAVINIA MORAES D E ALMEIDA NOGUEI Processo nº 13982.000020/200881 Acórdão n.º 1302000.432 S1C3T2 Fl. 1001 3 Inconformada, a contribuinte fiscalizada apresentou impugnação (fls. 217/223) aduzindo os argumentos aqui sintetizados. (i) Referente a operação realizada, não caracterizouse falta de origem de recursos. (ii) Fora efetuada a redução do Capital Social levado a crédito dos beneficiários e assumido pela BONDIO. (iii) Desinteressante a forma como se deu a transferência, conta caixa ou banco, não se configura a ocorrência de passivo fictício na operação realizada. (iv) Não procede a glosa de entrada de caixa por falta de documentação hábil e, por outro lado, validar uma saída de recursos do caixa através do mesmo mecanismo, vez que o revestimento documental é o mesmo. (v) A penalidade aplicável é a de 75%, e não a qualificada de 150%, visto que as infrações tidas como qualificadas foram verificadas por análise da documentação apresentada pela própria contribuinte, que não apresentou barreiras a ação da fiscalização e inclusive contribuiu respondendo as intimações apresentando documentação hábil. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Florianópolis acordou, por maioria de votos, manter integralmente o lançamento, ficando vencido o relator. A divergência entre o voto vencedor e o voto vencido diz respeito apenas ao fato de que o Relator votara pela redução da multa para 75%. No mais, são os seguintes os fundamentos da DRJ. (i) A contribuinte fiscalizada é empresa de factoring, nos termos do art. 246, VI, do RIR/99, pelo que é obrigada a apuração do lucro real, e, assim, deve manter escrituração contábil hábil. (ii) A contribuinte não comprovou a efetividade do recebimento do numerário originado da sua controlada. Vez que alegou que o recebimento se deu por cheque, bastaria ter apresentado cópia do cheque. (iii) Os valores referentes a aquisição das debêntures, que justificariam o ingresso no caixa da controlada, que teriam sido emprestados sob a forma de mútuo a impugnante, na realidade não ingressaram no caixa, de acordo com diligência instaurada pela autoridade fiscalizadora. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 05/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2011 por LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEI, Assinado digitalmente e m 05/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por LAVINIA MORAES D E ALMEIDA NOGUEI 4 (iv) Quanto à alegação da contribuinte sobre a impossibilidade da glosa de entrada de caixa por falta de documentação hábil, equivocase, vez que a infração a ela imputada é a da não comprovação da entrada do numerário em caixa. (v) Com relação aos pagamentos, carecem de comprovação documental as alegações da contribuinte. O voto vencedor considerou procedente a aplicação da multa qualificada, vez que identificou no caso o intuito de fraude. Ciente do acórdão em 11/03/2010, a contribuinte, inconformada, apresentou o Recurso Voluntário (fls. 264 e seguintes) protocolado em 06/04/2010 onde retoma os argumentos despendidos em sua impugnação, reiterando o pedido de que seja descaracterizada a omissão de receita a fim de cancelar o lançamento e, alternativamente, que seja reduzida a multa para o valor de 75%. É o relatório. Voto Conselheira Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira O recurso é tempestivo e dele tomo conhecimento. Segundo a recorrente, ela teria recebido da empresa BONDIO Alimentos o valor de R$ 4.800.000,00 na conta CAIXA, em decorrência de empréstimo tomado da empresa BONDIO ALIMENTOS S/A, sua controlada. Em diligência fiscal junto a essa outra empresa, foi alegado que os recursos teriam sido recebidos em numerário em virtude de emissão de debêntures que teriam sido adquiridas pelos sócios da autuada com pagamento em espécie. Por outro lado, a entrada e a saída desse numerário na escrita contábil da BONDIO não foi localizada pelo fiscal, que consignou o seguinte. Por sua vez, da leitura do documento relativo à emissão de debêntures pela BONDIO, (Fls. 193 a 199), no item 10, (Fls. 195), inferese que a integralização (debêntures) será efetuada pela conversão do passivo da sociedade (BONDIO) que possui com os acionistas (INVESP, Nelson Tudida, Valmor Masson). Ademais, é de se estranhar o fato de que o recebimento dos R $ 4.800.000,00 (quatro milhões de oitocentos mil reais) que supostamente provieram da empresa, BONDIO, tenha sido a ÚNICA OPERAÇÃO DE ENTRADA DE RECURSOS CONTABILIZADOS NA CONTA CAIXA DA INVESP DURANTE O ANO CALENDÁRIO DE 2005 conforme documentos a Fls. 91. • Do mesmo modo, ficou claro no item 2.1 deste relato a estreita relação que a BONDIO mantém com a INVESP (esta última detém 90 % do capital social da primeira), e que, em diligência na empresa BONDIO, não identificamos que esta última possuía recursos em caixa para fazer este empréstimo. Por outro lado, cumpre ressaltar que esta fiscalização, quando da análise dos documentos carreados pela autuada, para fins da comprovação sobre a origem de recursos lançados na conta caixa, não aceitou justificativas lastreadas somente em Fl. 4DF CARF MF Impresso em 05/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2011 por LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEI, Assinado digitalmente e m 05/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por LAVINIA MORAES D E ALMEIDA NOGUEI Processo nº 13982.000020/200881 Acórdão n.º 1302000.432 S1C3T2 Fl. 1002 5 documentos de lavra do próprio fiscalizado e das empresas nas quais o mesmo possui participação societária, haja vista que tais documentos, desacompanhados de outros (comprovantes de depósitos, cópias de cheques), por si só, não constituem prova consistente de que ocorreu o alegado. Nessa medida, o contrato de mútuo junto à BONDIO está desprovido da mínima verossimilhança que seria o registro contábil competente da entrada e saída dos recursos na conta caixa da empresa controlada. Foi ainda identificado que as debêntures, que supostamente teriam sido a origem do numerário para a BONDIO, não foram integralizadas em caixa, mas sim por conversão de dívidas pretéritas e que a BONDIO não possuía caixa suficiente em sua escrita contábil para transmitir para a INVESP via mútuo. Logo, esse contrato de mútuo entre INVESP e BONDIO não pode ser aceito como documento hábil para prova da entrada de numerário no caixa da empresa autuada e ficou ainda consignada a falsidade do lançamento de entrada de caixa na INVESP e a falsidade das alegações efetuadas à autoridade fiscal. Como tal documento de mútuo foi o único apresentado pela contribuinte, correta está a autoridade fiscal ao invalidar esse documento. O contrato foi produzido entre empresas ligadas, sem a correta escrituração contábil na BONDIO, bem como sem outras evidências de sua efetiva realização, tais como recibos, extratos ou contratos bancários, cheques, etc. Correta está a autoridade fiscal ao proceder à glosa dessa entrada de numerário não comprovada, na escrita contábil da contribuinte, encontrando assim o saldo credor de caixa. Tal saldo credor de caixa denota que a contribuinte utilizou numerário além do que comprovadamente detinha, sem comprovação da origem do numerário excedente. Por isso, a Lei determina que o saldo credor de caixa é omissão de receita. Nessa medida, correto está o lançamento fiscal sobre o valor do saldo credor de caixa. A partir daí, cabe à contribuinte provar que não omitiu receitas de tributação e demonstrar a origem mediata e imediata do numerário utilizado. Embora a contribuinte então alegue que a operação realizada não se caracterizou falta de origem de recursos, tal alegação fica carente de provas. A contribuinte fiscalizada é empresa de factoring, nos termos do art. 246, VI, do RIR/99, pelo que é obrigada a apuração do lucro real, e, assim, deve manter escrituração contábil hábil. A autoridade fiscal, tendo percebido que a conta caixa foi incrementada em R$ 4.800.000,00 em função de mútuo com empresa ligada notificou mais de uma vez a contribuinte para apresentar outras provas desse ingresso de caixa. A contribuinte não apresentou nenhuma prova, além do próprio contrato de mútuo. Como já explicado, esse documento não é prova hábil do efetivo ingresso do numerário na conta caixa da empresa. Nesse tanto, não é aceitável haver a entrada de numerário na BONDIO e saída para a autuada bem como entrada na autuada, relativas a R$ 4,8 milhões em numerários, sem que a contribuinte tenha feito uma mínima referência na escrita contábil da listagem e conferência das notas recebidas, um seguro, sem que tenha contratado segurança hábil para transporte de numerário, sem que tenha conhecimentos de transporte, etc., tal que se demonstre incapaz de apresentar qualquer documento que minimamente fosse capaz de comprovar que os numerários existiram e circularam pelas empresas envolvidas, a BONDIO, credora e sua controlada, e a autuada, devedora. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 05/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2011 por LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEI, Assinado digitalmente e m 05/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por LAVINIA MORAES D E ALMEIDA NOGUEI 6 É ainda mais estranho que os sócios, pessoas físicas, tenham guardado tamanho volume de recursos em suas casas e não tenham qualquer comprovante de seguro, saque de suas contas bancárias ou comunicações junto aos bancos, documentos aos quais a autuada poderia ter acesso. A contribuinte alegou em sua defesa que o recebimento não foi em numerário em si, mas sim em cheque, mas não comprovou o alegado, por exemplo: (i) com esclarecimento do número do cheque, agência, conta e banco no registro diário e pela apresentação de cópia do cheque ou por referência nos extratos de contacorrente do emissor do cheque sobre o seu desconto já que se trata de empresa controlada; (ii) demonstração dos registros contábeis da autuada relacionados ao saque do cheque com recebimento de dinheiro e recibos assinados junto ao banco; (iii) eventuais comprovantes da compensação do cheque e do erro no registro da entrada e saída do valor correspondente em conta caixa ao invés de conta de depósito bancário ou ainda (iv) não comprovou o endosso do cheque para pagar terceiros e como esse pagamento de terceiro também foi lançado a crédito da conta caixa, anulando o lançamento a débito anterior, etc. De qualquer maneira, cheque não é numerário e não deve ser lançado na conta caixa, mas sim em conta bancos ou outros créditos e direitos em cobrança. Nessa medida, a alegação da contribuinte é inepta para afastar a exigência fiscal por falta de prova consistente. A contribuinte alega ainda que tinha passivo junto à BONDIO decorrente de conta a pagar relativa a redução de capital subrrogada pela BONDIO, porém, essa alegação não guarda qualquer relação com os fatos autuados. A redução de capital não é capaz de gerar entrada de numerário. A redução de capital gera saída de numerário ou recursos e direitos quando paga aos beneficiários, mas o fato de haver uma saída de caixa para a BONDIO não explicaria a entrada anterior. O que se autuou foi o registro de ingresso de numerário sem prova desse ingresso. A posterior saída não invalida a improcedência da anterior entrada. Se assim não fosse, ficaria muito fácil para qualquer empresa legalizar o assim apelidado “caixa 2”, não tributado. Havendo deficiência no “caixa 1” fazse uma operação no papel entre as empresas ligadas e sócios para transferência do dinheiro do “caixa 2” e suprese o “caixa 1”, sem contudo ter que provar a substância dessa operação formalizada no papel ou a origem dos recursos. No futuro, quando a empresa recupera dinheiro no caixa 1, usa esse dinheiro para restituir ao “caixa 2” pelo conduit gerado pela operação de papel anterior e assim o “caixa 2” ficaria facilmente protegido da tributação e acessível para uso da empresa e seus sócios. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 05/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2011 por LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEI, Assinado digitalmente e m 05/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por LAVINIA MORAES D E ALMEIDA NOGUEI Processo nº 13982.000020/200881 Acórdão n.º 1302000.432 S1C3T2 Fl. 1003 7 É por isso que qualquer entrada de caixa tem que ter sua origem devidamente comprovada, sob pena de ser glosada e caracterizar o saldo credor. Dessa maneira, a contribuinte fica sempre obrigada a provar a efetiva entrada de numerário e sua origem mediata e imediata bem como que não se trata de recursos mantidos à margem da tributação, não se trata de recursos provenientes de receitas omitidas. Nessa medida, eventual saída posterior de recursos por redução de capital não explica a falta de documentação e comprovação da anterior entrada de recursos no caixa. A contribuinte alega que é desinteressante a forma como se deu a transferência do recurso da BONDIO para ela, se por conta caixa ou conta banco, pois não se configura a ocorrência de passivo fictício na operação realizada. Não se discute aqui a ocorrência de passivo fictício, mas tão somente o saldo credor de caixa, verificado no momento em que a contribuinte não comprovou o ingresso do numerário em virtude do mútuo com a BONDIO! Então, o fisco glosou a entrada de numerário em decorrência de mútuo junto à empresa BONDIO, por falta prova hábil dessa entrada. Assim, o fisco encontrou o saldo credor de caixa e procedeu ao lançamento fiscal nos termos da Lei. A partir daí, cabe o ônus da prova à contribuinte para demonstrar que efetivamente recebeu os numerários, a origem mediata e imediata do valor correspondente ao saldo credor de caixa e que não se trata de omissão de receita. A contribuinte não ofereceu essas provas, não se desincumbindo do ônus que lhe caberia nos termos do artigo 333 do Código Tributário Nacional e nos termos do Decreto 70.235/72. Concluo portanto pela procedência do lançamento do valor principal do tributo. Por fim, argüi a contribuinte que a penalidade aplicável é a de 75%, e não a qualificada de 150%, visto que as infrações tidas como qualificadas foram verificadas por análise da documentação apresentada pela própria contribuinte, que não apresentou barreiras a ação da fiscalização e inclusive contribuiu respondendo as intimações apresentando documentação hábil. Ocorre que a cooperação com a fiscalização não afasta a multa qualificada, mas sim a multa agravada que poderia na época levar o percentual de multa a subir para até 225%. A multa qualificada aplicase sempre que ficar comprovada a declaração falsa para a autoridade fiscal ou a apresentação de documento falso, de que resulte ou tenha resultado a ocultação do fato gerador ou redução do tributo devido, ou ainda o adiamento do conhecimento a respeito do fato gerador e do tributo devido por parte do fisco. Neste caso específico, verificouse a falsidade do registro contábil da contribuinte a débito de caixa e crédito de mútuo junto à BONDIO, pois ficou caracterizado que a BONDIO não possuía os recursos hábeis em caixa para oferecer à INVESP e por outro lado as debêntures emitidas pela BONDIO não foram integralizadas em numerário. Além disso, esse registro falso ocultou o saldo credor de caixa por um bom tempo postergando o conhecimento do fato gerador e do tributo devido. Nessa linha, é aplicável a multa de 150%, nos termos do artigo 44 da Lei 9.430/96. Nesses termos, nego provimento ao recurso voluntário. “documento assinado digitalmente” Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira Relatora Fl. 7DF CARF MF Impresso em 05/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2011 por LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEI, Assinado digitalmente e m 05/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por LAVINIA MORAES D E ALMEIDA NOGUEI 8 Fl. 8DF CARF MF Impresso em 05/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2011 por LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEI, Assinado digitalmente e m 05/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por LAVINIA MORAES D E ALMEIDA NOGUEI
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Numero do processo: 16349.000357/2009-33
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006
NÃO-CUMULATIVIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS.
A não-cumulatividade das contribuições sociais deve se performar não mais de uma perspectiva Entrada vs. Saída, mas de uma perspectiva Despesa/Custo vs. Receita, de modo que o legislador permitiu a apropriação de créditos que ultrapassem a vinculação física e recaiam sobre o aspecto econômico da operação de entrada de bens e serviços.
INSUMO. CONCEITO.
Insumo, para fins de apropriação de créditos de PIS e COFINS, deve ser tido de forma mais abrangente do que o previsto pela legislação do IPI. Para tanto, esse itens, sejam serviços, mercadorias, ou intangíveis, devem ser intimamente ligados à atividade-fim da empresa e, principalmente, ser utilizados efetivamente, e de forma identificável na venda de produtos ou serviços, contribuindo de maneira imprescindível para geração de receitas, observadas as demais restrições previstas expressamente em lei, em especial, a de que não sejam tratados como ativo não-circulante, hipótese em que já previsão específica de apropriação.
REGIME NÃO-CUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. RATEIO
PROPORCIONAL.
Na determinação dos créditos da não-cumulatividade passíveis de utilização na modalidade compensação, não há previsão de rateio proporcional entre as receitas tributadas e não tributadas.
REGIME NÃO-CUMULATIVO. EMBALAGENS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO.
As embalagens que não são incorporadas ao produto durante o processo de industrialização (embalagens de apresentação), mas que depois de concluído o processo produtivo se destinam ao transporte dos produtos acabados (embalagens para transporte), para garantir a integridade física dos materiais podem gerar direito a creditamento relativo às suas aquisições.
REGIME NÃO-CUMULATIVO. PRODUTOS DE LIMPEZA. PROCESSO PRODUTIVO. REQUISITOS.
Somente materiais de limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do processo produtivo geram créditos da não-cumulatividade, ou seja, não são considerados insumos os produtos utilizados na simples limpeza do parque produtivo, os quais são considerados despesas operacionais.
REGIME NÃO-CUMULATIVO. CRÉDITOS NA AQUISIÇÃO DE BENS E INSUMOS IMPORTADOS
O direito ao crédito a que se refere o art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, aplica-se, exclusivamente, em relação aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País e aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País.
Numero da decisão: 3401-004.904
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer os créditos referentes a material de embalagem, material de limpeza, despesas de energia elétrica registradas erroneamente como aluguéis, e produtos importados classificados na posição 3808 da NCM para os quais tenha havido efetivo pagamento da contribuição na importação, devendo ainda ser afastado o critério de rateio adotado pela fiscalização, por carência de fundamento legal expresso.
(assinado digitalmente)
ROSALDO TREVISAN - Presidente e Relator
Participaram do julgamento os conselheiros: Robson Jose Bayerl, Tiago Guerra Machado, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 NÃO-CUMULATIVIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. A não-cumulatividade das contribuições sociais deve se performar não mais de uma perspectiva Entrada vs. Saída, mas de uma perspectiva Despesa/Custo vs. Receita, de modo que o legislador permitiu a apropriação de créditos que ultrapassem a vinculação física e recaiam sobre o aspecto econômico da operação de entrada de bens e serviços. INSUMO. CONCEITO. Insumo, para fins de apropriação de créditos de PIS e COFINS, deve ser tido de forma mais abrangente do que o previsto pela legislação do IPI. Para tanto, esse itens, sejam serviços, mercadorias, ou intangíveis, devem ser intimamente ligados à atividade-fim da empresa e, principalmente, ser utilizados efetivamente, e de forma identificável na venda de produtos ou serviços, contribuindo de maneira imprescindível para geração de receitas, observadas as demais restrições previstas expressamente em lei, em especial, a de que não sejam tratados como ativo não-circulante, hipótese em que já previsão específica de apropriação. REGIME NÃO-CUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. RATEIO PROPORCIONAL. Na determinação dos créditos da não-cumulatividade passíveis de utilização na modalidade compensação, não há previsão de rateio proporcional entre as receitas tributadas e não tributadas. REGIME NÃO-CUMULATIVO. EMBALAGENS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. As embalagens que não são incorporadas ao produto durante o processo de industrialização (embalagens de apresentação), mas que depois de concluído o processo produtivo se destinam ao transporte dos produtos acabados (embalagens para transporte), para garantir a integridade física dos materiais podem gerar direito a creditamento relativo às suas aquisições. REGIME NÃO-CUMULATIVO. PRODUTOS DE LIMPEZA. PROCESSO PRODUTIVO. REQUISITOS. Somente materiais de limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do processo produtivo geram créditos da não-cumulatividade, ou seja, não são considerados insumos os produtos utilizados na simples limpeza do parque produtivo, os quais são considerados despesas operacionais. REGIME NÃO-CUMULATIVO. CRÉDITOS NA AQUISIÇÃO DE BENS E INSUMOS IMPORTADOS O direito ao crédito a que se refere o art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, aplica-se, exclusivamente, em relação aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País e aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País.
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A nãocumulatividade das contribuições sociais deve se performar não mais de uma perspectiva “Entrada vs. Saída”, mas de uma perspectiva “Despesa/Custo vs. Receita”, de modo que o legislador permitiu a apropriação de créditos que ultrapassem a vinculação física e recaiam sobre o aspecto econômico da operação de entrada de bens e serviços. INSUMO. CONCEITO. Insumo, para fins de apropriação de créditos de PIS e COFINS, deve ser tido de forma mais abrangente do que o previsto pela legislação do IPI. Para tanto, esse itens, sejam serviços, mercadorias, ou intangíveis, devem ser intimamente ligados à atividadefim da empresa e, principalmente, ser utilizados efetivamente, e de forma identificável na venda de produtos ou serviços, contribuindo de maneira imprescindível para geração de receitas, observadas as demais restrições previstas expressamente em lei, em especial, a de que não sejam tratados como ativo nãocirculante, hipótese em que já previsão específica de apropriação. REGIME NÃOCUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. RATEIO PROPORCIONAL. Na determinação dos créditos da nãocumulatividade passíveis de utilização na modalidade compensação, não há previsão de rateio proporcional entre as receitas tributadas e não tributadas. REGIME NÃOCUMULATIVO. EMBALAGENS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. As embalagens que não são incorporadas ao produto durante o processo de industrialização (embalagens de apresentação), mas que depois de concluído o processo produtivo se destinam ao transporte dos produtos acabados AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 34 9. 00 03 57 /2 00 9- 33 Fl. 556DF CARF MF Processo nº 16349.000357/200933 Acórdão n.º 3401004.904 S3C4T1 Fl. 0 2 (embalagens para transporte), para garantir a integridade física dos materiais podem gerar direito a creditamento relativo às suas aquisições. REGIME NÃOCUMULATIVO. PRODUTOS DE LIMPEZA. PROCESSO PRODUTIVO. REQUISITOS. Somente materiais de limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do processo produtivo geram créditos da nãocumulatividade, ou seja, não são considerados insumos os produtos utilizados na simples limpeza do parque produtivo, os quais são considerados despesas operacionais. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS NA AQUISIÇÃO DE BENS E INSUMOS IMPORTADOS O direito ao crédito a que se refere o art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, aplica se, exclusivamente, em relação aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País e aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer os créditos referentes a material de embalagem, material de limpeza, despesas de energia elétrica registradas erroneamente como aluguéis, e produtos importados classificados na posição 3808 da NCM para os quais tenha havido efetivo pagamento da contribuição na importação, devendo ainda ser afastado o critério de rateio adotado pela fiscalização, por carência de fundamento legal expresso. (assinado digitalmente) ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator Participaram do julgamento os conselheiros: Robson Jose Bayerl, Tiago Guerra Machado, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (VicePresidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente). Fl. 557DF CARF MF Processo nº 16349.000357/200933 Acórdão n.º 3401004.904 S3C4T1 Fl. 0 3 Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP, de créditos de contribuição não cumulativa, vinculadas à receita do mercado externo, com débitos administrados pela RFB. Foi emitido Despacho Decisório que reconheceu parcialmente o direito creditório pleiteado e homologou as compensações até o limite reconhecido. Irresignada com o deferimento apenas parcial de seu pleito, a contribuinte encaminhou sua Manifestação de Inconformidade tempestiva, alegando, em síntese, o seguinte: 1) Créditos a descontar na importação: a empresa apurou créditos decorrentes de suas operações de importação de insumos e produtos para revenda, norteandose pelo art. 15 da Lei n° 10.865/2004. O Fisco questionou tais créditos com base nas seguintes premissas: (a) importação de bens classificados na NCM 38.08 assim como das matériasprimas utilizadas para sua produção que supostamente deveriam ser tributados à alíquota zero da contribuição; e (b) crédito tomado sobre produtos que não se caracterizam no conceito de insumos. Ocorre que o NCM 38.08 não diz respeito apenas a defensivos agrícolas, bem como a empresa não fabrica somente o tipo de produto classificado em tal NCM. Estão inseridos no rol de produtos abarcados pela NCM 38.08 diversas outras mercadorias e não só defensivos agrícolas abarcados pela alíquota zero da contribuição. A empresa é produtora de inseticidas, raticidas, produtos de jardinagem amadora e repelentes, os quais se inserem, como os defensivos agrícolas, no rol 38.08 da NCM, mas que são tributados pela alíquota regular. Não foram confrontados os NCMs indicados pela empresa em suas DIs, se pautando o despacho decisório apenas em premissa de que todos os produtos comercializados estariam classificados no NCM 38.08 como defensivos agrícolas e que, por isso, não dariam direito ao crédito pleiteado. Acosta planilha e folders. 2) Créditos decorrentes da aquisição de insumos: a Fiscalização glosou créditos da empresa relativos à aquisição de insumos utilizados em seu processo produtivo. Estas glosas são refutadas porque: a) conceito de insumos: tomandose como referência os intentos do Legislador, constantes de Exposição de Motivos da norma instituidora da sistemática nãocumulativa da COFINS (delimitou o regime de apuração de créditos totalmente diferente daquela adotada pela legislação do IPI), reputase claramente ilegal o conceito utilizado pela Fiscalização na definição de insumos. A definição sugerida pela Fiscalização se pautou, além da impossível utilização por analogia das normas do IPI, também na IN n°247/2002, que trata quase que de forma idêntica da conceituação de insumos para creditamento da COFINS da conceituação elaborada para fins de IPI. Isso fica latente quando se contempla como um dos prérequisitos para o enquadramento de determinada mercadoria como insumo seu contato direto com o produto final que está sendo elaborado. A intenção do legislador era a desoneração do faturamento e não do produto final, razão pela qual difícil conceber como necessários, para a conceituação de insumos, a restrição contida no referido Fl. 558DF CARF MF Processo nº 16349.000357/200933 Acórdão n.º 3401004.904 S3C4T1 Fl. 0 4 dispositivo infralegal, que obriga a ocorrência do contato direto da mercadoria com o produto final que se está a elaborar. A norma infralegal agiu ao total arrepio de suas competências ao regular preceito em total desacordo com os intentos da legislação que lhe dá fulcro, sofrendo, por conseguinte, de uma ilegalidade contida em sua gênese. Deve ser afastada a aplicabilidade da possível interpretação restritiva do crédito aqui discutido, pautada pela definição contida na IN, que obrigue o contato direto do insumo com o produto final que se está a produzir. È de todo evidente que o crédito de insumos apropriados pela empresa não pode ser contestado pelos argumentos levantados pela Fiscalização, vez que este se baseou em norma ilegal emitida pela RFB em desacordo com a legislação que lhe dá sustento, devendo este ser reconhecido em sua totalidade; b) contato direto dos insumos glosados ao produto final: após análise exaustiva dos diversos produtos enumerados pela Fiscalização em sua planilha de exclusões, a empresa houve por bem elaborar demonstrativo (anexado), no qual justifica o enquadramento dos produtos desconsiderados do conceito de insumos sugerido, refutando os argumentos de que estes não poderiam gerar direito ao crédito de COFINS apropriado. Assim: 1) materiais de embalagem: em sua totalidade, os materiais de embalagem considerados pelo despacho decisório como de mero acondicionamento para transporte, compõem na verdade o produto final e servem não para o transporte, mas sim para a proteção dos produtos comercializados desde o término de sua produção até o consumo final. Os produtos elaborados pela empresa, por serem de cunho tóxico, se sujeitam a diversas normas regulatórias emanadas por Agências Governamentais, as quais lhe obrigam a acondicionar suas mercadorias em embalagens padronizadas e resistentes. As caixas (que compõem grande parte dos produtos glosados pelo despacho em questão) são reforçadas por divisórias e colunas de proteção, além de se utilizarem de gramatura superior as caixas comuns contidas no mercado, evitando que o produto químico produzido sofra alterações em decorrência do contato excessivo com, por exemplo, a luz solar. Tal proteção não visa o transporte da mercadoria, a qual seria inutilizada por seu consumidor final após o recebimento destas, mas sim o acondicionamento de produtos tóxicos que devem ser sempre guardados por estas na sequência ao seu manejo, evitando assim prejuízos ao meio ambiente decorrentes de possíveis contaminações. Também se pode ver que na embalagem do produto final comercializado existem rótulos que são colocados em cada uma delas contendo informações importantes acerca das recomendações para a utilização dos produtos, assim como dos perigos que este pode causar caso sejam manejados de forma imprópria. Se estas caixas servissem apenas para o mero transporte não se fariam necessárias explicações atinentes aos procedimentos que devem ser adotados pelo consumidor final para utilização dos produtos. Os materiais de embalagem servem ao propósito de acondicionamento da mercadoria em si e não para o mero transporte destas. Não há que se falar em ilegalidade do crédito, devendo as caixas e todos os outros produtos que a compõem (rótulos, tinta, etiquetas e etc.) ser reconhecidos como insumos dos produtos comercializados, com geração de créditos; 2) materiais de limpeza: podem ser separados naqueles que são utilizados para a limpeza do pátio industrial e nos que são utilizados como produtos intermediários que visam a higienização das tubulações por onde passam os produtos químicos elaborados pela empresa ou o tratamento da água utilizada para aquecer em "banho maria" as matérias primas colocadas na caldeira de produção. Quanto a estes últimos, por serem de aplicação necessária ao processo produtivo, não há que se Fl. 559DF CARF MF Processo nº 16349.000357/200933 Acórdão n.º 3401004.904 S3C4T1 Fl. 0 5 questionar que geram direito ao crédito de COFINS. Os produtos glosados pela fiscalização, como se comprova pela planilha anexa, dizem respeito ao segundo tipo de materiais de limpeza, ou seja, aqueles que estão inseridos no processo produtivo e não são simplesmente utilizados para desinfetar o pátio fabril, mas sim para impedir que bactérias contaminem os produtos químicos que estão sendo produzidos; 3) créditos sobre matéria prima alíquota zero: esse beneficio é aplicado apenas nas aquisições destinadas à produção de defensivos agrícolas, sendo que nas aquisições regulares destas mercadorias no mercado interno ou externo ocorre a incidência normal de COFINS. Como dito, é empresa que, dentre outros, produz mercadorias saneantes também classificadas no NCM 38.08 (engloba os defensivos agrícolas), as quais se sujeitam à alíquota regular da contribuição aqui tratada (inseticidas, raticidas, fungicidas e etc.). Assim, equivocada está a Fiscalização ao glosar, sem uma análise aprofunda, todas as matérias primas adquiridas após a data de vigência da alíquota zero atribuída para a produção de defensivos agrícolas. 3) Despesas com aluguéis: a Fiscalização glosou parcela dos créditos aferidos na rubrica "Despesas de Alugueis de Máquinas e Equipamentos Locados de Pessoas Jurídicas" sob o argumento de estarem contidos em sua composição valores que não se prestam a este tipo creditório. A maioria das glosas diz respeito a despesas tidas com energia elétrica, as quais foram incorretamente inseridas na rubrica em questão. Os créditos decorrentes de despesas de energia elétrica não vislumbram qualquer restrição pela legislação vigente da contribuição, devendo ser considerados em sua íntegra. A situação em tela se caracteriza como sendo mero equivoco formal cometido pela empresa no preenchimento de seu DACON. Não se presta como argumento suficiente para a glosa de créditos pleiteados, eis que nos processos referentes a ressarcimento/restituição, o principio da verdade material deve ser aplicado, tanto quanto nos casos relativos à constituição de créditos tributários. 4) Rateio Proporcional: a Fiscalização recalculou as porcentagens adotadas pela empresa para fins de apuração dos tipos creditórios aferidos no período em questão, sob o argumento de que não poderiam ter sido incluídos no cômputo das "Receitas de Vendas Não Tributadas no Mercado Interno", receitas tidas com operações financeiras e com vendas de ativos imobilizados. Fundamentou no art. 17 da Lei n° 11.033/2004. Mas este artigo prevê apenas a possibilidade de manutenção dos créditos de COFINS dos contribuintes quando estes possuam receitas abrangidas por normas isentivas ou de não incidência. Não faz ele qualquer distinção entre as receitas que deverão ser incluídas ou não no computo da sistemática de cálculo intitulada "rateio proporcional". Além disso, caso estivesse correto o entendimento da Fiscalização, a exclusão destas receitas do cálculo do rateio proporcional não poderia ocasionar a anulação do direito creditório aferido, porquanto o crédito permaneceria válido, passando de um crédito decorrente de receitas não tributadas para um crédito de receitas tributadas e/ou de exportações. 5) Diligências e perícias: pelo volume de documentos juntados aos autos, não resta outra alternativa para a análise efetiva de todo material apresentado, assim como para desvendar a verdade material dos fatos, que se: a) baixe o processo em diligência para análise dos documentos apresentados, como também outros que os sejam entendidos necessários para a validação do crédito pleiteado; b) realize trabalhos periciais, visando a validação dos argumentos apresentados pela empresa em relação ao correto enquadramento de seus insumos, a fim de que se reconheça seu direito creditório; Fl. 560DF CARF MF Processo nº 16349.000357/200933 Acórdão n.º 3401004.904 S3C4T1 Fl. 0 6 c) sejam analisados os quesitos que apresenta (art. 16, inciso IV, do Decreto nº 70.235/1972). Sobreveio Acórdão nº 10047.124, exarado pela DRJ/POA, que considerou improcedente a impugnação, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Irresignada, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário tempestivo, que veio a repetir os argumentos apresentados na impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.871, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 16349.000309/200945, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.871): "Da Admissibilidade O Recurso é tempestivo, e reunindo os demais requisitos de admissibilidade, dele tomo seu conhecimento. Do Mérito A maior parte dos créditos glosados pela Fiscalização devemse ao fato de que essa autoridade descaracterizou como insumos as aquisições de mercadorias que ensejaram o respectivo crédito de COFINS nãocumulativa. Nessa linha, foram glosados créditos referentes à aquisição de produtos de limpeza industrial e material de embalagens. Diante disso, convém discorrer brevemente sobre a não cumulatividade da Contribuição Social ao PIS e da COFINS A modalidade nãocumulativa das contribuições sociais surgiu em decorrência da edição das Medidas Provisórias 66/2002 e 135/2003, posteriormente convertidas nas Leis Federais 10.637/2002 e 10.833/2003. Fl. 561DF CARF MF Processo nº 16349.000357/200933 Acórdão n.º 3401004.904 S3C4T1 Fl. 0 7 Anteriormente, a nãocumulatividade tributária no Brasil foi inaugurada com o ICMS e o IPI, sob influência da sistemática de tributação sobre o valor agregado, em voga em muitos países europeus a partir da segunda metade do século XIX, e pouco se desenvolveu de doutrina – e jurisprudência – a respeito da definição dos itens que poderiam ser admitidos como crédito; primeiro, porque houve uma taxatividade mais explícita dos itens creditáveis; segundo, até o advento da nãocumulatividade do PIS e da COFINS, os debates jurídicos eram monopolizados pelos conflitos de ordem eminentemente formal, especialmente nos casos em que o contribuinte leis ordinárias est de forma conflituosa com os dispositivos constitucionais sobre tais tributos nos últimos cinquenta. Contudo, diferentemente de outros tributos nãocumulativos, como o ICMS e o IPI, a regulamentação constitucional limitou se a delegar à lei ordinária para que essa estabelecesse quais setores de atividade econômica o regime nãocumulativo seria aplicável, conforme se denota da inclusão do parágrafo doze ao artigo 195, da Constituição Federal: § 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão nãocumulativas. Vejam que, em relação ao ICMS e ao IPI, a Constituição Federal foi um pouco menos econômica, buscando definir limites mínimos para a aplicação do conceito da não cumulatividade tributária: Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre: IV produtos industrializados; II será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores; (...) Art. 155. Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir impostos sobre: (...) II operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, ainda que as operações e as prestações se iniciem no exterior; (...) § 2º O imposto previsto no inciso II atenderá ao seguinte: I será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação relativa à circulação de mercadorias ou prestação de serviços com o montante cobrado nas Fl. 562DF CARF MF Processo nº 16349.000357/200933 Acórdão n.º 3401004.904 S3C4T1 Fl. 0 8 anteriores pelo mesmo ou outro Estado ou pelo Distrito Federal; De tal forma, ainda que o princípio da nãocumulatividade guarde um significado próprio – qual seja a de viabilizar a tributação sobre o valor agregado –, é certo que a modalidade nãocumulativa das contribuições sociais deve ser encarada mormente pelos mandamentos previstos nas respectivas leis de sua criação, não cabendo a esse Tribunal ultrapassar os limites objetivos previstos por essa legislação infraconstitucional. Esse é o comentário de Ricardo Mariz de Oliveira, na obra coletiva “Não Cumulatividade Tributária: Todavia, pelo que consta desse artigo, já se pode constatar que se trata de um regime de nãocumulatividade parcial, pois ele não assegura plena dedução de créditos, mas apenas dos valores listados “numerus clausulus” e segundo regras de cálculo prescritas expressamente. (Editora Dialética, 2009. Página 427) Assim, devese ter em vista que a nãocumulatividade não comporta um conceito absoluto e independente da legislação que regra os tributos com essa particularidade. Isso não será diferente com as contribuições sociais. Na miríade de atos normativos que regem a contribuições sociais nãocumulativas, é muito claro que nos detemos no artigo 3º, das Leis Federais de regência, muito embora as modalidades de direito ao crédito estejam espalhadas na legislação ordinária que regulam as contribuições sociais para setores específicos e operações específicas, as quais algumas serão objeto de análise mais adiante. Nesse primeiro momente, vejamos o citado artigo 3º: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o; I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o; e (Redação dada pela Medida Provisória nº 413, de 2008) Produção de efeitos a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) Fl. 563DF CARF MF Processo nº 16349.000357/200933 Acórdão n.º 3401004.904 S3C4T1 Fl. 0 9 b) no § 1o do art. 2o desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) II bens e serviços utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda ou à prestação de serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes; II – bens e serviços utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes; (Redação dada pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III (VETADO) IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V despesas financeiras decorrentes de empréstimos e financiamentos de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples); V – despesas financeiras decorrentes de empréstimos, financiamentos e contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoas jurídicas, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda, bem como a outros bens incorporados ao ativo imobilizado; VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para Fl. 564DF CARF MF Processo nº 16349.000357/200933 Acórdão n.º 3401004.904 S3C4T1 Fl. 0 10 locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mãodeobra, tenha sido suportado pela locatária; VIII bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei. IX energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) IX energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. E fica bem claro que o item de maior questionamento desde o início da vigência do regime nãocumulativo é aquele que se refere a “bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda.” Vejam que a expressão “insumo”, na legislação de referência, não foi adicionada de uma definição própria para aplicação, de modo que, nos termos do artigo 11, da Lei Complementar 95/1998, que trata da elaboração e redação das leis, as palavras devem ser utilizadas no texto legal em seu sentido comum, de modo que a interpretação da legislação deve seguir tal comando como premissa. Diante disso, cabe mencionar que, segundo o Dicionário Aurélio1, insumo pode ser definido como o “elemento que entra no processo de produção de mercadorias ou serviços; máquinas e equipamentos, trabalho humano, etc.; fator de produção”. No que se refere ao conceito de insumo em âmbito jurídico, o eminente tributarista Aliomar Baleeiro2, há muito já definira: 1 Novo Aurélio Século XXI – O Dicionário da Língua Portuguesa, 3ª Ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1999. 2 In Direito Tributário Brasileiro, 9ª Ed. Rio de Janeiro: Forense, 1980, pág. 214. Fl. 565DF CARF MF Processo nº 16349.000357/200933 Acórdão n.º 3401004.904 S3C4T1 Fl. 0 11 (...) é uma algaravia de origem espanhola, inexistente em português, empregada por alguns economistas para traduzir a expressão inglesa 'input', isto é, o conjunto dos fatores produtivos, como matériasprimas, energia, trabalho, amortização do capital, etc., empregados pelo empresário para produzir o 'output' ou o produto final. (...) De fato, do ponto de vista puramente econômico, o conceito acima nos parece apropriado. Para a ciência econômica, tal definição inclui todos os elementos necessários à produção de um bem, mercadoria ou serviço, tais como matériasprimas, bens intermediários, equipamentos, capital, horas de trabalho, etc. Todavia, para fins fiscais, o termo insumo é utilizado de maneira mais restrita, haja vista a pouca disposição existente até hoje para se desenvolver esse conceito no Direito Brasileiro. Nas raras remissões legislativas encontradas, usualmente tratase do ICMS e do IPI, tributos onde há uma forte vinculação física entre o produto final e o bem que irá gerar crédito fiscal, mesmo porque constituem impostos sobre a “produção e circulação de bens e serviços”, tal como disposto em nosso Código Tributário Nacional (Capítulo IV da Lei nº 5.172/1966 CTN). No caso do ICMS, o que se observa é uma evolução gradual do conceito de insumo, que acaba ampliando o conceito básico e evidente da tríade matériaprima/produto intermediário/material de embalagem, principalmente no que se refere ao que se chama produto intermediário. Nas raras oportunidades em que a legislação estadual enfrentou o tema, podemos citar um ato normativo que pode ser considerado como pioneiro na definição de insumo: a Decisão Normativa CAT 01/2001, do Estado de São Paulo, que, ao exemplificar mercadorias que poderiam ser consideradas insumos, deu especial destaque àqueles produtos que são utilizados no processo ainda que não componham o produto final: Entre outros, têmse ainda, a título de exemplo, os seguintes insumos que se desintegram totalmente no processo produtivo de uma mercadoria ou são utilizados nesse mesmo processo produtivo para limpeza, identificação, desbaste, solda etc.: lixas; discos de corte; discos de lixa; eletrodos; oxigênio e acetileno; escovas de aço; estopa; materiais para uso em embalagens em geral tais como etiquetas, fitas adesivas, fitas crepe, papéis de embrulho, sacolas, materiais de amarrar ou colar (barbantes, fitas, fitilhos, cordões e congêneres), lacres, isopor utilizado no isolamento e proteção dos produtos no interior das embalagens, e tinta, giz, pincel atômico e lápis para marcação de embalagens; óleos de corte; rebolos; modelos/matrizes de isopor utilizados pela indústria; produtos químicos utilizados no tratamento de água Fl. 566DF CARF MF Processo nº 16349.000357/200933 Acórdão n.º 3401004.904 S3C4T1 Fl. 0 12 afluente e efluente e no controle de qualidade e de teste de insumos e de produtos. Porém, como podemos verificar, o conceito amplificado de insumo para o ICMS (e também do IPI) é derivado da conclusão de que são os elementos que participam efetivamente do processo produtivo, haja vista que, conforme dito anteriormente, o ICMS demanda uma intrínseca relação entre a entrada da mercadoria utilizada no processo econômico que ensejará a saída do produto final. Ademais, verificase que enquanto o ICMS e o IPI possuem profunda relação com a movimentação física de bens e mercadorias, o que se reflete na maneira como a não cumulatividade se manifesta – como regra, apropriase créditos na entrada de bens e mercadorias que venham a serem movimentados posteriormente com débito do imposto , o PIS e a COFINS possuem relação com um aspecto absolutamente econômico, representado e controlado graficamente pela contabilidade, a geração de receitas tributáveis. Nessa linha, a nãocumulatividade das contribuições sociais deve se performar não mais de uma perspectiva “Entrada vs. Saída”, mas de uma perspectiva “Despesa/Custo vs. Receita”, expressivamente mais complexa e mais alheia aos operadores do Direito e aos legisladores, que durante cinquenta anos acostumaram com a “nãocumulatividade física” em detrimento de uma “nãocumulatividade econômica” De certo, é possível entender essa falha conceitual ao se analisar com cuidado o artigo 3º acima mencionado, quando se observa que os incisos e parágrafos insistem na ideia de permitir o crédito, por exemplo, desde a entrada dos bens para estoque (quando menciona “aquisição”) enquanto o conceito intrínseco da nãocumulatividade econômica está sobre a noção de custo e despesa, que não são registrados no momento da aquisição do estoque, mas sim quando da sua realização pela venda, e consequente registro contábil da receita. Desse modo, acredito que o conceito de insumo para a legislação do PIS/PASEP e da COFINS parece ser mais abrangente que o utilizado para créditos do IPI e do ICMS – como faz crer das conclusões da decisão ora recorrida –, de maneira que o legislador permitiu a apropriação de créditos que ultrapassem a vinculação física e recaiam sobre o aspecto econômico da operação de entrada de bens e serviços. Nesse caso, entendo que a legislação possibilitou o desconto de créditos das contribuições além dos elementos que compõem os custos diretos e indiretos de produção através alocação por atividade (i.e. “Sistema de Custeio ABC”), e incluiu componentes que, em uma análise puramente contábil, seriam classificados como despesas variáveis, estritamente atreladas com a geração de receitas. Fl. 567DF CARF MF Processo nº 16349.000357/200933 Acórdão n.º 3401004.904 S3C4T1 Fl. 0 13 Porém, como premissa básica para a apuração de créditos de PIS/PASEP e COFINS, temos que os custos diretos e indiretos constituem base de cálculo de forma inquestionável; já as despesas deverão ser analisadas caso a caso, na medida em que cada uma contribua de forma cabal para a venda do produto ou serviço. Por outro lado, a Instrução Normativa SRF nº 247/2002, com a redação dada pela Instrução Normativa SRF nº 358/2003, ao regulamentar a cobrança do PIS/PASEP e da COFINS, definiu insumo de uma maneira mais restrita, contrariando, em última análise, o espírito das Leis Federais nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, que visavam mitigar o efeito cascata das contribuições e “estimular a eficiência econômica”3: Art. 66. (...) § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço.(...) Partindo esse entendimento, a Receita Federal amenizou algumas restrições, criando um entendimento, que vigora até hoje em diversas Soluções de Consulta, de que deve haver um vínculo de imprescindibilidade e à essencialidade do respectivo bem ou serviço para que seja possível a apropriação de créditos. Assim, destacou a Solução de Consulta que inaugurou esse raciocínio: “Solução de Consulta nº 400/2008 (8ª Região Fiscal) PIS/PASEP. CRÉDITO. INSUMOS. 3 Exposição de Motivos da Lei Federal nº 10.833/2003. Fl. 568DF CARF MF Processo nº 16349.000357/200933 Acórdão n.º 3401004.904 S3C4T1 Fl. 0 14 Consideramse insumos, para fins de desconto de créditos na apuração da contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa, os bens e serviços adquiridos de pessoas jurídicas, aplicados ou consumidos na fabricação de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. O termo "insumo" não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para a atividade da empresa, mas, sim, tão somente, como aqueles, adquiridos de pessoa jurídica, que efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço. Dessa forma, somente os gastos efetuados com a aquisição de bens e serviços aplicados ou consumidos diretamente na produção de bens ou prestação de serviços geram direito a créditos a serem descontados da contribuição para o PIS/PASEP devida. Não dão direito a crédito os valores pagos a pessoas jurídicas domiciliadas no País, a título de despesas administrativas, contábeis, de venda, de propaganda, de advocacia, assim como, a aquisição de bens e serviços destinados a essas atividades, efetuados por empresa que se dedica à indústria e comércio de alimentos, por não configurarem pagamento de bens e serviços enquadrados como insumos utilizados na fabricação de produtos destinados à venda. Dispositivos legais: Lei no 10.637, de 2002, art. 3o, inciso II; IN SRF no 247, de 2002, art.66, § 5o. COFINS. CRÉDITO. INSUMOS. Consideramse insumos, para fins de desconto de créditos na apuração da Cofins nãocumulativa, os bens e serviços adquiridos de pessoas jurídicas, aplicados ou consumidos na fabricação de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. O termo "insumo" não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para a atividade da empresa, mas, sim, tão somente, como aqueles, adquiridos de pessoa jurídica, que efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço. Dessa forma, somente os gastos efetuados com a aquisição de bens e serviços aplicados ou consumidos diretamente na produção de bens ou prestação de serviços geram direito a créditos a serem descontados da COFINS devida. Não dão direito a crédito os valores pagos a pessoas jurídicas domiciliadas no País, a título de despesas administrativas, contábeis, de venda, de propaganda, de advocacia, assim como, a aquisição de bens e serviços destinados a essas atividades, efetuados por empresa que se dedica à indústria e comércio de alimentos, por não configurarem pagamento de bens e serviços enquadrados Fl. 569DF CARF MF Processo nº 16349.000357/200933 Acórdão n.º 3401004.904 S3C4T1 Fl. 0 15 como insumos utilizados na fabricação de produtos destinados à venda. Dispositivos legais: Lei no 10.833, de 2003, art. 3o, inciso II; IN SRF no 404, de 2004, art.8o, § 4o.(DOU de 08/12/2008)” Já a Instrução Normativa SRF nº 404/2004 manteve a definição anterior, em seu artigo 8º, §4º, que assim dispôs: Artigo 8º. (...) § 4º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (...) Consideradas, pois, as manifestações acima, podemos afirmar que o conceito de insumo para fins de apropriação de créditos de PIS e COFINS deve ser tido de forma mais abrangente, desde que tais itens estejam intimamente ligados à atividadefim da empresa e que principalmente venham a ser utilizados efetivamente e de forma identificável na venda de produtos ou serviços, contribuindo para geração de receitas, devendo ser inquestionável o crédito decorrente dos elementos que compõem o custo de produção, seja direto ou indireto. Passo a analisar item a item que fora glosado pela fiscalização e mantido pela decisão de primeiro grau: (A) MATERIAL DE EMBALAGEM Tal como ficou demonstrado pelas declarações e documentação fornecida pela Recorrente, os materiais de embalagem e transporte que foram objeto de glosa de créditos Fl. 570DF CARF MF Processo nº 16349.000357/200933 Acórdão n.º 3401004.904 S3C4T1 Fl. 0 16 são absolutamente necessários para o atendimento da legislação vigente que regula a produção e comercialização dos produtos ofertados pela Recorrente, de modo que não há como não considerálos como custo operacional. Diante da exposição anterior, sobre a nãocumulatividade das contribuições sociais, não vejo razão para manter a glosa. (B) MATERIAL DE LIMPEZA Da mesma forma, a atividade da Recorrente requer a obediência de diversas regras exigidas pelas autoridades sanitárias. Tal fato por si só já justifica a apropriação de créditos pela Recorrente, eis que, tais dispêndios são verdadeiros custos indiretos que deve ensejar o direito ao desconto de crédito. Por conta disso, merece reforma a decisão recorrida. (C) DESPESAS DE ENERGIA ELÉTRICA REGISTRADAS COMO ALUGUÉIS Tendo sido comprovado que houve apenas erro material na demonstração dos créditos na DACON, não há como não reconhecer o direito ao crédito de energia elétrica eis que tal despesa está expressamente prevista no rol das possibilidades de apropriação de crédito não cumulativo. Ainda, como a fiscalização não analisou a documentação suporte das despesas de energia elétrica, não cabe somente em sede de recurso avaliar a procedência e sua regularidade documental, razão pela qual não entendo ser nem mesmo caso de diligência. (D) AQUISIÇÃO DE PRODUTOS IMPORTADOS E VENDIDOS COM ALÍQUOTA ZERO Em obediência ao artigo 15, inciso II, da Lei Federal 10865/2004, nos casos de insumos importados, classificados na posição 38.08, em que houver pagamento da COFINS, não há qualquer óbice para a manutenção do crédito, nessa hipótese. Ainda, nos termos do artigo 17, da Lei 11.033/2004, não há menor dúvida de que são garantidos os créditos sobre insumos que implicam em vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da COFINS . (E) RATEIO PROPORCIONAL Por fim, não vejo razão da manutenção da decisão no que tange ao rateio dos créditos da nãocumulatividade segundo a proporção entre as receitas obtidas com operações de exportação e de mercado interno, haja vista que somente há previsão para o rateio entre receitas cumulativas e não cumulativas, nos termos do artigo 3º, da Lei Federal 10.833/2003, mesmo porque não houve qualquer menção no despacho decisório de que a Recorrente teria parte de suas receitas tributadas no regime cumulativo. Fl. 571DF CARF MF Processo nº 16349.000357/200933 Acórdão n.º 3401004.904 S3C4T1 Fl. 0 17 Por todo o exposto, conheço do Recurso e doulhe parcial provimento, para reconhecer os créditos referentes a material de embalagem, material de limpeza, despesas de energia elétrica registradas erroneamente como aluguéis, e produtos importados classificados na posição 3808 da NCM para os quais tenha havido efetivo pagamento da contribuição na importação, devendo ainda ser afastado o critério de rateio adotado pela fiscalização, por carência de fundamento legal expresso." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado deu parcial provimento ao recurso voluntário para reconhecer os créditos referentes a material de embalagem, material de limpeza, despesas de energia elétrica registradas erroneamente como aluguéis, e produtos importados classificados na posição 3808 da NCM para os quais tenha havido efetivo pagamento da contribuição na importação, devendo ainda ser afastado o critério de rateio adotado pela fiscalização, por carência de fundamento legal expresso (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 572DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10768.006376/2008-75
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SIMPLES NACIONAL
Ano-calendário: 2008
OPÇÃO.
A opção pelo Simples Nacional pode ser provada mediante a apresentação da respectiva documentação emitida a partir do sítio da Receita Federal.
Numero da decisão: 1201-000.489
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, DAR
provimento ao recurso.
Nome do relator: Marcelo Cuba Netto
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