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Numero do processo: 13831.720028/2011-97
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jun 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM DECORRÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL.
Em se tratando de rendimentos recebidos acumuladamente recebidos por força de ação judicial, embora a incidência ocorra no mês do pagamento, o cálculo do imposto deverá considerar os meses a que se referem os rendimentos. Precedentes do STJ e Julgado do STJ sujeito ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil de aplicação obrigatória nos julgamentos do CARF por força do art. 62-A do Regimento Interno.
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM DECORRÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL. EQUÍVOCO NA APLICAÇÃO DA LEI QUE AFETOU SUBSTANCIALMENTE O LANÇAMENTO. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR PARA REFAZER O LANÇAMENTO. CANCELAMENTO DA EXIGÊNCIA.
Ao adotar outra interpretação do dispositivo legal, o lançamento empregou critério jurídico equivocado, o que o afetou substancialmente, pois prejudicou a quantificação da base de cálculo, a identificação das alíquotas aplicáveis e o valor do tributo devido, caracterizando-se um vício material a invalidá-lo. Não compete ao órgão de julgamento refazer o lançamento com outros critérios jurídicos, mas tão somente afastar a exigência indevida.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2802-002.817
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do redator designado. Vencido o Conselheiro Jaci de Assis Júnior (relator) que dava provimento parcial. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso.
(assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente e Redator designado.
(assinado digitalmente)
Jaci de Assis Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, Cleber Ferreira Nunes Leite, Jimir Doniak Júnior e Carlos André Ribas de Mello. Ausente momentaneamente o Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández.
Nome do relator: JACI DE ASSIS JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2008 RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM DECORRÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL. Em se tratando de rendimentos recebidos acumuladamente recebidos por força de ação judicial, embora a incidência ocorra no mês do pagamento, o cálculo do imposto deverá considerar os meses a que se referem os rendimentos. Precedentes do STJ e Julgado do STJ sujeito ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil de aplicação obrigatória nos julgamentos do CARF por força do art. 62-A do Regimento Interno. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM DECORRÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL. EQUÍVOCO NA APLICAÇÃO DA LEI QUE AFETOU SUBSTANCIALMENTE O LANÇAMENTO. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR PARA REFAZER O LANÇAMENTO. CANCELAMENTO DA EXIGÊNCIA. Ao adotar outra interpretação do dispositivo legal, o lançamento empregou critério jurídico equivocado, o que o afetou substancialmente, pois prejudicou a quantificação da base de cálculo, a identificação das alíquotas aplicáveis e o valor do tributo devido, caracterizando-se um vício material a invalidá-lo. Não compete ao órgão de julgamento refazer o lançamento com outros critérios jurídicos, mas tão somente afastar a exigência indevida. Recurso Voluntário Provido.
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Em se tratando de rendimentos recebidos acumuladamente recebidos por força de ação judicial, embora a incidência ocorra no mês do pagamento, o cálculo do imposto deverá considerar os meses a que se referem os rendimentos. Precedentes do STJ e Julgado do STJ sujeito ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil de aplicação obrigatória nos julgamentos do CARF por força do art. 62A do Regimento Interno. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM DECORRÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL. EQUÍVOCO NA APLICAÇÃO DA LEI QUE AFETOU SUBSTANCIALMENTE O LANÇAMENTO. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR PARA REFAZER O LANÇAMENTO. CANCELAMENTO DA EXIGÊNCIA. Ao adotar outra interpretação do dispositivo legal, o lançamento empregou critério jurídico equivocado, o que o afetou substancialmente, pois prejudicou a quantificação da base de cálculo, a identificação das alíquotas aplicáveis e o valor do tributo devido, caracterizandose um vício material a invalidálo. Não compete ao órgão de julgamento refazer o lançamento com outros critérios jurídicos, mas tão somente afastar a exigência indevida. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do redator designado. Vencido o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 1. 72 00 28 /2 01 1- 97 Fl. 176DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 30 /04/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARD OSO 2 Conselheiro Jaci de Assis Júnior (relator) que dava provimento parcial. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso – Presidente e Redator designado. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, Cleber Ferreira Nunes Leite, Jimir Doniak Júnior e Carlos André Ribas de Mello. Ausente momentaneamente o Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández. Relatório Tratase de Notificação de Lançamento, fls. 03 a 06, em virtude da constatação de “omissão de rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente em virtude de ação judicial federal, no valor de R$ ********18.230,72, auferidos pelo titular e/ou dependentes. Na apuração do imposto devido, foi compensado o Imposto Retido na Fonte (IRRF) sobre os rendimentos omitidos no valor de R$ *********0,00.” De acordo com a complementação da descrição dos fatos, para se chegar ao valor considerado omitido, a fiscalização partiu do total depositado na instituição financeira em razão dessa ação judicial (R$22.700,62), deduzido da parcela R$83,68, a título de CPMF, assim como do valor de R$4.386,22, já declarado pelo contribuinte em sua declaração de ajuste anual como rendimento tributável referente a essa ação. Cientificado de tal lançamento, o contribuinte impugnou às fl. 02, complementada as fls. 08/13 e acompanhada dos documentos de fls. 14/44, alegando, em síntese, que: não houve omissão de rendimentos, já que o cálculo do imposto de renda é indevido, porque incidiu sobre o total do montante recebido a título de revisão de aposentadoria por tempo de serviço; tal valor recebido não foi incluído para incidência do imposto de renda no total da declaração, não por omissão, mas tendo em vista a jurisprudência que se consolidava nos Tribunais para que o cálculo fosse segmentado através do cálculo de liquidação de sentença mensal, no período dos cinco anos do pagamento da indenização devida; como não havia tal cálculo oficial discriminado mensalmente o quinquênio correspondente, inexistiu possibilidade para elaborar o valor de recolhimento do imposto de renda de tal período, nas condições direcionadas pelo Judiciário; transcreve informe do STJ sobre o REsp. 617.081, em que se decidiu pelo cálculo mensal do imposto de renda e não sobre o total pago; para provar o alegado, requer, entre outros, a juntada dos cálculos de liquidação de sentença pleiteados pelo impugnante, via Mandado de Segurança contra o INSS, Fl. 177DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 30 /04/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARD OSO Processo nº 13831.720028/201197 Acórdão n.º 2802002.817 S2TE02 Fl. 174 3 para que haja então, os cálculos efetivos e corretos do eventual imposto de renda a ser pago, relativo à DIRPF 2007/2008; requer, também, a prorrogação do prazo de atendimento, pelo tempo necessário a fim de obter o atendimento aos esclarecimentos solicitados ao INSS. Posteriormente, em 30/08/2011, apresenta nova petição, de fl. 116/117, esclarecendo que obteve a segurança judicial pleiteada no Mandado de Segurança, para apreciação como prova, em conjunto com a impugnação apresentada, pela juntada pelo INSS da planilha de reconstituição dos cálculos de liquidação de sentença dos últimos 05 anos. As fls. 122/124, consta o cálculo de liquidação da ação ordinária revisional em nome do impugnante. Solicita prioridade na análise de sua impugnação, com base no Estatuto do Idoso. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo II (SP) julgou a impugnação improcedente, fls. 126 a 134, nos seguintes termos de sua ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007 RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. TRIBUTAÇÃO. Os rendimentos referentes a diferenças ou atualizações de salários, proventos ou pensões, inclusive juros e correção monetária, recebidos acumuladamente por força de decisão judicial, estão sujeitos à incidência do imposto de renda quando do seu recebimento e devem ser submetidos ao ajuste anual. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões judiciais, excetuandose as proferidas pelo STF sobre a inconstitucionalidade das normas legais, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. Impugnação Improcedente” Cientificado em 24/05/2012, fls. 148, o interessado ingressou recurso voluntário em 25/06/2012, segundafeira, fls. 149/165, alegando que o STJ, por meio do Resp 617.081, decidiu pelo cálculo mensal do imposto de renda, fato que impede a exigência deste tributo sobre rendimento recebido acumuladamente. Destaca que o acórdão recorrido demonstrou a oscilação conflituosa da legislação federal, bem como da posição da RFB sobre o tema, que sempre vem em prejuízo do contribuinte, haja vista que consta do teor da decisão recorrida as disposições expressas no art. 19 da Lei 10.522, de 2002, combinado com o Decreto nº 2346, de 1997, Parecer PGFN/CRJ/nº 287, de 2009, Ato Declaratório PGFN nº 01, de 2009 e Instrução Normativa nº 1127, de 2011. Fl. 178DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 30 /04/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARD OSO 4 Ressalta que do intervalo da publicação da Lei nº 10.522, de 2002, até a edição do Parecer PGFN 287, de 2009, transcorreu um período de tempo de 7 anos que prejudicou milhares de contribuintes, usurpandolhes o direito líquido e certo de ter seu benefício previdenciário (RRA) com o cálculo do imposto mensal com as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem tais rendimentos. Diz que o lançamento se equivoca pois inexiste pagamento de honorários advocatícios e que havia declarado o R$4.382,32 como rendimento tributável dessa ação, uma vez que autuou em causa própria na ação movida na justiça federal e que não há omissão de rendimentos, pois o valor recebido de R$ 22.700,62 foi declarado como indenização pela revisão de aposentadoria paga pelo INSS. Requer o cancelamento do débito reclamado. O processo foi incluído na pauta da sessão realizada em 16 de julho de 2013, tendo esse Colegiado proferido a Resolução nº 2802000.165, que, por unanimidade de votos, sobrestou o julgamento nos termos do §1º do art. 62A do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 que aprovou o Regimento Interno do CARF RICARF c/c Portaria CARF nº 01/2012, fls. 169 a 172. Tendo em vista que a Portaria nº 545, de 18 de novembro de 2013, revogou os parágrafos primeiro e segundo do art. 62 A do RICARF, o presente processo foi novamente distribuído a este Conselheiro em 23/11/2013. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Jaci de Assis Junior, Relator O recurso foi tempestivamente apresentado e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Da descrição dos fatos contidos na Notificação de Lançamento e da fundamentação utilizada pelo acórdão recorrido constatase que a solução do litígio envolve a tributação de rendimentos recebidos acumuladamente no anocalendário 2007. Inicialmente, cumprese ressaltar que, conforme constou da Resolução nº 2802000.165, proferida por esse Colegiado, o Supremo Tribunal Federal admitiu a existência de repercussão geral quanto a essa matéria. Diante dessa circunstância, definiu que o mérito será julgado nos Recursos Extraordinários nº 614232 e 614406, com expressa decisão do e. STF de sobrestar os demais julgamento. Até a vigência do § 1º do art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, havia previsão para que os julgamentos dos recursos interpostos no âmbito dos processos administrativos fiscais fossem sobrestados sempre que o e. STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria. Com a revogação de tal regra regimental pela Portaria nº 545, de 18 de novembro de 2013, e diante do fato de os RE nº 614232 e 614406 que ainda se encontrarem Fl. 179DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 30 /04/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARD OSO Processo nº 13831.720028/201197 Acórdão n.º 2802002.817 S2TE02 Fl. 175 5 pendentes de julgamento pelo STF, cabe a esse Colegiado examinar a matéria à luz da legislação tributária vigente. O recorrente alega que o lançamento deveria ter sido realizado em função do cálculo mensal do imposto de renda e não sobre rendimento recebido acumuladamente, conforme jurisprudência colacionada. A respeito do assunto, observese que o Superior Tribunal de Justiça, examinando o recurso repetitivo representativo de controvérsia (Resp 1.118.429/SP), sob o rito do art. 543C do Código de Processo Civil, proferiu o Acórdão, cuja ementa se encontra assim redigida: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008. Resp 1.118.429/SP, julgado em 24/03/2010 Uma vez que se trata de decisão definitiva de mérito, proferida na sistemática prevista no art. 543C do CPC, no âmbito do CARF, cabe o exame da sua reprodução no julgamento do recurso voluntário, ora interposto pelo contribuinte, consoante estabelece o citado art. 62A do RICARF. Para tanto, devese levar em conta o conteúdo das provas trazidas pelo contribuinte com vistas a evidenciar que lhe seria mais favorável o imposto calculado segundo as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. Vejamos, pois, como foi formado o conteúdo probatório que integram os presentes autos: O contribuinte foi intimado pela fiscalização, fls. 58, a apresentar a “Sentença Judicial ou Acordo homologado judicialmente, planilhas das verbas, contendo cálculos de liquidação de sentença, atualização de cálculos, Guia de levantamento, DARF do recolhimento do IRRF, e Recibos dos Honorários Advocatícios e/ou Periciais”. Conforme se vê das fls. 28/29, o contribuinte juntou a Sentença Judicial que condenou o INSS a efetuar o cálculo da renda mensal inicial aplicandose o índice integral de correção monetária que lhe era de direito. O questionamento acerca da necessidade de se observar as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem os rendimentos pagos acumuladamente foi requerido pelo contribuinte ainda na impugnatória. Do exame do conteúdo e dos elementos de prova juntados à sua defesa o contribuinte destacou que havia impetrado mando de segurança contra o INSS para que fosse obtida a planilha de cálculo das verbas contendo os cálculos de liquidação da sentença em que estejam discriminados mensalmente os períodos de apurações, os valores Fl. 180DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 30 /04/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARD OSO 6 originais e/ou os valores das diferenças pagas, os valores das atualizações (juros e correções monetárias, questionados pela fiscalização. Às fls. 122 a 124, o contribuinte juntou referida planilha de cálculo elaborada pelo INSS. Do exame dessa prova, se observa, de plano, que os cálculos elaborados para apuração da diferença de renda devida em razão da revisão do valor de aposentadoria tiveram por base valores de benefícios devidos que ultrapassaram os respectivos limites de isenção do imposto de renda que vigoram durante o período de setembro de 1998 a maio de 2004. De acordo com as tabelas vigentes nesse período referidos limites possuíam os seguintes valores: (R$ 900,00, para setembro de 1998 a dezembro de 2001; R$1.058,00, para janeiro de 2002 a maio de 2004. Por outro lado, constatase dessa mesma planilha que os valores dos benefícios mensais, em referência, se situariam na faixa de rendimentos sujeita à alíquota de 15% (quinze por cento) constantes das tabelas em referência. Nesse aspecto, uma vez que no cálculo do imposto de renda exigido pela Notificação de Lançamento houve a aplicação da alíquota máxima de 27,5% (vinte e sete virgula cinco por cento), tornase necessária a redução desta para 15% (quinze por cento), a qual deverá ser aplicada sobre as diferenças relacionadas na coluna “DIF CORRIGIDA” da planilha de fls. 122 a 124, em valor equivalente ao considerado como rendimento omitido pelo lançamento no anocalendário de 2007, no caso, R$ 18.230,72, conforme abaixo se demonstra: Omissão de rendimentos apurada R$ 18.230,72 Alíquota aplicável 15% Imposto apurado R$ 2.734,61 Parcela a deduzir R$ 2.364,60 Imposto Suplementar R$ 370,01 Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para reduzir o valor do imposto de renda lançado na Notificação de Lançamento para R$370,01 (trezentos e setenta reais e um centavos). (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Voto Vencedor Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Redator designado Não obstante o bem elaborado voto do Conselheiro Relator, divirjo, exclusivamente, em relação à espécie de provimento a ser dada ao caso. Explico com base no entendimento que tenho exposto nos demais julgados que trataram da mesma questão. Fl. 181DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 30 /04/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARD OSO Processo nº 13831.720028/201197 Acórdão n.º 2802002.817 S2TE02 Fl. 176 7 O Colegiado entendeu que deve ser aplicada a interpretação do art. 12 da lei 7.713/1988 segundo a qual o cálculo do imposto deve levar em conta as tabelas e alíquotas da época em que os rendimentos deveriam ter sido pagos ao contribuinte. Diversamente, o lançamento adotou a interpretação do dispositivo legal que corresponde ao regime de caixa sobre o montante recebido acumuladamente. Não compartilho do entendimento de que o vício contido no lançamento pode ser resumido em um mero erro na aplicação da alíquota. Ao adotar outra interpretação do dispositivo legal, a autoridade fiscal empregou critério jurídico equivocado, o que o afetou substancialmente, pois prejudicou a quantificação da base de cálculo, a identificação das alíquotas aplicáveis e o valor do tributo devido, caracterizandose um vício material a invalidálo. A solução proposta pela Relator não somente reduz a questão à correção da alíquota como utiliza uma fórmula de apuração em que a base de cálculo dos rendimentos recebidos acumuladamente é definida independente do ajuste anual. Todavia, o Ajuste Anual é a regra para os rendimentos da pessoa física e não consta da interpretação dada pelo STJ que essa sistemática (ajuste anual) tenha sido afastada. A título de exemplo, cito trecho do Parecer PGFN/CAT Nº 815/2010 que, no intuito de solucionar inúmeras dúvidas da Secretaria da Receita Federal, indicou a forma de cálculo que o Fisco deveria adotar à época em que vigoraram os Pareceres da PGFN que autorizavam as revisões de ofício com base na jurisprudência do STJ: 100. Temse, assim, nos termos acima fixados, conjunto de soluções para implemento concreto das decisões do Superior Tribunal de Justiça em âmbito de rendimentos acumulados. Concluise: a) Deve a Administração proceder aos cálculos de imposto de renda incidente sobre os rendimentos acumuladamente recebidos segundo o regime de competência, seguindose às decisões do Superior Tribunal de Justiça, bem como se levando em conta a negativa do Supremo Tribunal Federal em conferir repercussão geral à matéria, a par de recente decisão do Tribunal Regional da 4ª Região, que definiu pela inconstitucionalidade de regra que possibilitaria utilização de regime de caixa, no cômputo dos valores de que trata a presente manifestação; b) A recomposição do valor tributável à época deve ser aplicada apenas na hipótese de a RFB possuir os dados necessários devendo por sua vez disponibilizar os referidos dados ao contribuinte para que este espontaneamente possa também verificar o valor do imposto devido. c) Nesses casos, devese somar os valores originalmente reconhecidos com os valores posteriormente recebidos, de uma única vez, de modo que se tenha uma nova base de cálculo. d) Nas situações em que a RFB não disponha dos referidos dados para recomposição da base de cálculo, devese tãosomente aplicar as tabelas da época em face de valores supervenientemente recebidos. e) Assim, simplesmente, desprezandose o que no passado foi recebido pelo interessado, contabilizamse, exclusivamente, valores posteriormente recebidos, à luz de tabelas originais.; Fl. 182DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 30 /04/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARD OSO 8 f) O valor do imposto deve ser calculado resgatandose o valor original da base de cálculo declarada pelo sujeito passivo em sua Declaração de Ajuste Anual relativa ao ano a que o rendimento corresponde (A), e adicionandose o valor do rendimento recebido acumuladamente (excluídos as atualizações monetárias e juros, conforme item 83, e as parcelas mencionadas nos itens 84 e 85) (B), e chegandose ao valor da base de cálculo que seria declarada se o rendimento tivesse sido percebido na época própria (C). Sobre esta base de cálculo e, tomando se em conta a tabela progressiva vigente na época a que o rendimento corresponde, calculase o imposto correspondente (D). g) Os juros moratórios devem ser tributados, quando da recomposição dos valores resultar em imposto a pagar, devendose os cálculos serem efetuados com base no período de recebimento e juntamente com outros rendimentos do período. (grifos não constam do original) Pelo conjunto de razões acima expostas, entendo que a manutenção da exigência representaria um novo lançamento com outro critério jurídico. Ocorre que não compete ao órgão de julgamento refazer o lançamento com outros critérios jurídicos mas tão somente afastar a exigência indevida. Citamse excertos de ementas de alguns precedentes que operam no mesmo sentido: (...) PIS – LEI COMPLEMENTAR 7/70 – BASE DE CÁLCULO – O parágrafo único do art. 6° da LC 7/70 estabeleceu que a base de cálculo correspondia ao faturamento do 6° mês anterior. Se o lançamento desrespeitou essa norma, e como ao julgador administrativo não é permitido refazer o lançamento, então resta apenas cancelar a exigência. (...).( CSRF/0105.163, de 29/11/2004)(grifos acrescidos) Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2008 DESPESA DE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. NATUREZA JURÍDICOCONTÁBIL. Equivocase o lançamento que considera a despesa de amortização do ágio como despesa com provisão, pois o ágio é a parcela do custo de aquisição do investimento (avaliado pelo MEP) que ultrapassa o valor patrimonial das ações, o que não se confunde com provisões expectativas de perdas ou de valores a desembolsar. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. A instância julgadora pode determinar que se exclua uma parcela da base tributável e que se recalcule o tributo devido, ou mesmo determinar que se recalcule a base de cálculo considerando uma despesa dedutível ou uma receita como não tributável, mas não pode refazer o lançamento a partir de outro critério jurídico que o altere substancialmente. (Acórdão 1302001.170, de 11/09/2013)(grifos adicionados) NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INALTERABILIDADE DO CRITÉRIO JURÍDICO DO LANÇAMENTO EM RELAÇÃO AO MESMO SUJEITO PASSIVO. Fl. 183DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 30 /04/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARD OSO Processo nº 13831.720028/201197 Acórdão n.º 2802002.817 S2TE02 Fl. 177 9 Na fase contenciosa, não é admissível a mudança do critério jurídico adotado no lançamento contra o mesmo sujeito passivo em relação aos fatos geradores já concretizados. (...) (Acórdão 2802002.489, de 17/09/2013)(grifos não constam do original) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1996 LANÇAMENTO FISCAL. REDUÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL. REDUÇÃO DE SALDO NEGATIVO. DIFERENÇA. No lançamento fiscal, a irregularidade de se lançar sem reduzir o prejuízo fiscal implica em erro na formação da própria base tributável, o que não é passível de correção por parte do julgador administrativo, que não pode alterar o lançamento. Neste sentido, a jurisprudência do CARF é tranqüila no sentido de se cancelar o auto de infração por inteiro. (...) 1401001.086, de 07/11/2013) (grifos acrescentados) Diante do exposto, devese DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para cancelar o lançamento. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 184DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 30 /04/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARD OSO
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Numero do processo: 13502.000155/2007-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 04 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3202-000.204
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente
Charles Mayer de Castro Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente Charles Mayer de Castro Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza e Thiago Moura de Albuquerque Alves. Relatório A interessada apresentou pedido de restituição, cumulado com pedido de compensação de débitos próprios, de crédito oriundo de pagamento a maior da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, apurado no regime não cumulativo, relativo ao período de apuração de agosto de 2004. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, transcrevo o Relatório da decisão de primeira instância administrativa, in verbis: Tratase de Manifestação de Inconformidade da interessada contra o Despacho Decisório n° 046/2010 (fls. 470483), proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Camagari (DRF/CCI), que não homologou a compensação pretendida através de Declaração de Compensação (fls. 0207). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 35 02 .0 00 15 5/ 20 07 -1 1 Fl. 625DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 8/05/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13502.000155/200711 Resolução nº 3202000.204 S3C2T2 Fl. 626 2 A interessada pretendeu utilizar um crédito oriundo de pagamento a maior ou indevido da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — Cofins, apurados no regime nãocumulativo, relativos ao período de apuração de agosto de 2004, para compensar débitos próprios administrados pela Receita Federal. A autoridade fiscal, após a análise do Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais — Dacon, bem como dos documentos entregues pela contribuinte em resposta as intimações, não reconheceu o direito creditório em favor da interessada. Cientificada do despacho decisório em 01/06/10, a interessada apresentou a Manifestação de Inconformidade em 01/07/10 (fls. 490 501), sendo esses os pontos de sua irresignação, em síntese: • A autoridade administrativa glosou integralmente os valores informados decorrentes de serviços utilizados como insumos, apresentando justificativa genérica, sem qualquer análise especifica, sem a realização de qualquer diligência no estabelecimento a fim de verificar a exatidão das informações prestadas, o que evidencia a nulidade do procedimento. • A autoridade administrativa também promoveu a glosa parcial dos créditos lançados em relação às despesas com aluguéis de máquinas e equipamentos. Todavia, deve ser revista a glosa de R$ 1.815,87 por se tratar de aluguel de andaime para manutenção da área produtiva. • A autoridade administrativa também promoveu glosas indevidas dos créditos lançados a titulo de despesas de armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, sustentando que os documentos fiscais deveriam ter sido lançados no Livro Registro de Entradas; No entanto, tendo em vista a natureza das operações (prestação de serviços), não há obrigatoriedade de lançamento no Livro Registro de Entradas; • Divergências na apuração do tributo devem ser objeto de lançamento de oficio, não podendo ser exigidos de forma obliqua na análise de pedidos de restituição; • Requer a realização de diligência fiscal. É o relatório. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador (BA) julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade, proferindo o Acórdão DRJ/SDR n.º 1525.366, de 10/11/2010 (fls. 580/586), assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 26/10/2005 NULIDADE. As argüições de nulidade só prevalecem se enquadradas nas hipóteses previstas na lei para a sua ocorrência. Fl. 626DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 8/05/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13502.000155/200711 Resolução nº 3202000.204 S3C2T2 Fl. 627 3 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS DE INSUMOS E SERVIÇOS. Cabe à interessada a demonstração de que as despesas relativas a insumos e serviços utilizados no processo produtivo atendem à legislação no sentido de gerar direito a créditos de Cofins na sistemática de apuração não cumulativa. NÃO CUMULATIVIDADE. ALUGUEL DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. Restando comprovado que as despesas com aluguel de máquinas e equipamentos estão amparadas por notas fiscais e devidamente lançadas no Livro Diário Auxiliar de Estoque, é de se considerar os créditos correspondentes. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Não resta caracterizado o pagamento a maior ou indevido quando constatado que o pagamento é inferior ao valor da contribuição apurada pela autoridade fiscal. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Não Reconhecido Irresignada, a interessada apresentou, no prazo legal, recurso voluntário de fls. 593/601, por meio do qual alegar, depois de relatar os fatos: A d. autoridade administrativa glosou integralmente os valores lançados na DACON a titulo de "serviços utilizados como insumos" no processo produtivo, por entender que estes serviços não estariam diretamente relacionados com a produção, na definição dada pelo §4°, do artigo 8°, da Instrução Normativa n° 404/2004, que dispôs sobre o conceito de insumo para fins de desconto de créditos na apuração da Cofins nãocumulativa, estabelecendo ser determinante a aplicação ou consumo destes na prestação do serviço. No caso dos autos, a d. autoridade administrativa procedeu à glosa de dispêndios relativos manutenção e recuperação de caldeiraria e do sistema de combate a incêndio (contas contábeis 4422111410 e 4422113810). A caldeiraria é área da indústria onde se realiza a produção, manutenção, preparação e possíveis reparos das resinas plásticas e cortes das chapas de acrílico que servirão de base para a fabricação dos produtos comercializados pela Recorrente. Logo, é evidente que a manutenção da caldeiraria é serviço utilizado como insumo, pois é imprescindível no processo industrial da Recorrente. Neste mesmo sentido, enquadrase no conceito de insumo a manutenção do sistema de combate a incêndio. Nada obstante, a r. decisão recorrida sustentou que as notas fiscais são referentes a serviços de manutenção em geral, não sendo possível caracterizar se esses custos/despesas de manutenção estariam propriamente relacionados com o processo produtivo e, ainda, se ocasionaram aumento da vida útil dos bens do ativo imobilizado superior a um ano (cf. item 24). Não houve qualquer verificação especifica do processo produtivo da Recorrente, notoriamente complexo, tendo em vista a natureza da atividade desenvolvida, para verificação dos serviços utilizados como insumos (glosados integralmente), sendo certo que o trabalho da autoridade administrativa resumiuse análise da DACON, DCTF e SIEF, sem a realização de qualquer diligencia no estabelecimento, a fim de verificar a exatidão das informações prestadas. As despesas efetuadas relacionamse a serviços de manutenção de máquinas e Fl. 627DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 8/05/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13502.000155/200711 Resolução nº 3202000.204 S3C2T2 Fl. 628 4 equipamentos empregados diretamente na produção e fabricação de bens ou produtos destinados venda. As demais glosas decorrem de despesas com a aquisição de partes e peças de reposição que sofrem desgaste, dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, utilizadas em máquinas e equipamentos que igualmente participam de todo o processo de fabricação dos bens e produtos destinados à venda. Este crédito foi glosado exclusivamente em razão de a d. fiscalização não ter encontrado o registro contábil dos documentos relativos s despesas lançadas no Livro Diário Auxiliar de Estoque e Notas Fiscais. Os lançamentos contábeis foram devidamente procedidos pela Recorrente. Os serviços preventivos de manutenção, a substituição e o reparo de partes e pegas vinculadas ao processo produtivo compõem a base de cálculo de créditos da Cofins no regime não cumulativo, conforme estabelece a legislação e vem decidindo a Receita Federal do Brasil. As despesas de armazenagem de mercadorias e frete na operação de venda foram igualmente glosadas pela d. autoridade administrativa, que se fundamentou na suposta inexistência de registro dessas operações no Livro de Registro de Entradas. As glosas foram procedidas em relação às faturas de frete n.º 22819, 22849 e 22871, que acompanharam o transporte da produção para o porto com finalidade de exportação e venda. As faturas de frete foram juntadas aos autos e estão devidamente registradas no Livro Registro de Entradas, pelo que indevida glosa relativa a referidos dispêndios. Os custos com transporte e frete são passíveis de creditamento, conforme entendimento da Receita Federal. Foram glosados custos de armazenagem de mercadorias nas operações de venda, cujo ônus foi suportado pela Recorrente. As operações envolveram apenas a prestação de serviços, portanto, sem a necessidade de lançamento no Livro Registro de Entradas, evidenciandose a improcedência do argumento utilizado pela d. fiscalização para proceder glosa dos créditos. Os custos com a prestação de serviços de inertização e cabotagem também foram glosadas, apesar de ambos os serviços estarem diretamente relacionados ao processo produtivo e venda da produção. A d. autoridade julgadora afirma que cabia à Recorrente demonstrar que tais despesas atendem ã legislação, no sentido de gerarem credito de Cofins no regime não cumulativo. Neste sentido, a Recorrente apresentou memorial descritivo detalhado de sua sistemática de industrialização e produção ate a venda dos produtos, bem como livros e documentos fiscais. O processo de inertização com nitrogênio serve para garantir a integridade dos produtos estocados nos tanques e porões dos navios que fazem o seu transporte, evitando a entrada de ar e umidade, o que poderia alterar a composição ou estado químico dos mesmos. Este procedimento evita a polimerização dos produtos armazenados, a corrosão dos tanques e, sobretudo a reação dos produtos químicos e o consequente incêndio ou explosão durante o transporte e armazenagem. Portanto, o serviço de inertização é indispensável ao processo de produção da Recorrente. Já a cabotagem é o transporte marítimo de cargas realizado entre dois portos, serviço utilizado pela Recorrente para o transporte de insumos e na transferência da produção entre estabelecimento com a finalidade de venda. Portanto, estes valores integram o custo de aquisição do insumo ou da operação de venda. A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins está sujeita modalidade de lançamento por homologação, com disciplina no artigo 150 do CTN. Nesse Fl. 628DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 8/05/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13502.000155/200711 Resolução nº 3202000.204 S3C2T2 Fl. 629 5 caso, a Recorrente promoveu a declaração do tributo com o recolhimento do valor no prazo legal. Posteriormente, verificou que houve pagamento a maior, razão pela qual apresentou o competente pedido de restituição. Importante destacar que as divergências na apuração do tributo devem ser objeto de lançamento de oficio, não podendo ser exigidos de forma obliqua na analise de pedidos de restituição. Nesse aspecto, cumpre destacar que o lançamento e ato privativo e exclusivo de competência da autoridade administrativa (artigo 142, do CTN). Assim, eventual diferença entre o montante apurado e o declarado pela Recorrente deve ser objeto de lançamento de oficio, dentro do prazo legal, como ji decidiu o Conselho de Contribuintes. É imprescindível a realização de diligencia fiscal, a fim de que seja verificado se os créditos escriturados são relativos a serviços e insumos diretamente relacionados com o processo produtivo. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A recorrente ingressou com pedido eletrônico de restituição (PER/DCOMP), cumulado com pedido de compensação de débitos, de crédito oriundo de pagamento a maior da Cofins, apurado no regime não cumulativo, em agosto de 2004. Indeferido o pedido, recorreuse à instância a quo, com razões que se limitaram a atacar a higidez do Despacho Decisório e a glosa de créditos, especificamente serviços utilizados como insumos (no valor de R$ 136.788,31; corresponderiam a despesas com a aquisição de partes e peças de reposição, implementação de projetos e rateio de despesas), aluguéis de máquinas e equipamentos e armazenagem de mercadorias e frete na operação de venda. Alegouse, também, que eventuais divergências na apuração de tributo devem ser objeto de lançamento de oficio. A decisão recorrida acatou a defesa apenas quanto às despesas com aluguéis de máquinas e equipamentos. As demais, com exceção da nulidade do Despacho Decisório, foram repisadas no Recurso Voluntário. No pertinente ao primeiro ponto controvertido, a fiscalização constatou que, dos R$ 141.585,79 registrados no Livro Razão como serviços utilizados como insumos, as notas fiscais apresentadas totalizam apenas R$ 66.161,53 (fls. 430/452). Já os serviços prestados não estariam relacionados à produção, conforme definição prevista no §4° do art. 8° da Instrução Normativa – IN SRF n.° 404, de 2004, o que se extrairia também da descrição do processo produtivo (fls. 263/267). Parte das notas fiscais referirseiam a “serviços de manutenção em geral”, pelo que não seria possível caracterizar se esses custos/despesas de manutenção estariam ou não diretamente relacionados com o processo produtivo e, em sendo o caso, se ocasionaram aumento da vida útil dos bens do ativo imobilizado superior a ano, caso em que não dariam direito a créditos a seres descontados da Cofins, mas ativados (agregados ao bem do ativo imobilizado). Portanto, o máximo que se poderia conceder à Recorrente seria um crédito no valor correspondente à soma das notas fiscais, nunca o valor registrado no Livro Razão. Isso é fato. Fl. 629DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 8/05/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13502.000155/200711 Resolução nº 3202000.204 S3C2T2 Fl. 630 6 Contudo, a leitura de algumas dessas notas fiscais indica que, sim, alguns dos produtos/serviços nelas discriminados podem enquadrarse como insumos, para efeito de creditamento do PIS/Cofins. Vejamos algumas: nota fiscal n.º 003863 (inspeção de equipamentos: que equipamentos?), nota fiscal n.º 007431 (mola, junta, anel etc.); nota fiscal n.º 164627 (correia Goodyear em V.A.), nota fiscal n.º 0568 (serviço de eliminação de vazamento). Algumas notas indicam tratarse de prestação de serviços de manutenção de equipamentos. Se realizadas em equipamentos da produção, poderiam dar direito ao crédito, caso não ocorra o que ressaltou a fiscalização (ativação dos serviços). Melhor seria que a instância a quo tivesse determinado uma diligência, a fim de identificar em que, afinal, esses produtos/serviços foram utilizados (embora algumas notas fiscais indiquem apenas serviço de manutenção em equipamentos, é de se esperar que haja outros documentos emitidos, à época dos fatos, pela Recorrente ou pelas empresas que a ela prestaram tais serviços, indicando em que equipamentos foram realizados). Já com relação às despesas de frete que foram glosadas, sustenta a Recorrente tratarse de transporte da produção para o porto com finalidade de exportação e venda, bem como que estariam devidamente registradas no Livro Registro de Entradas. É bem verdade que algumas faturas não foram entregues à fiscalização, bem como que o frete entre unidades da mesma empresa não dão direito ao crédito (a norma fala em frete na operação de venda). Enfim, entendo necessária a realização de uma diligência, a fim de que essas dúvidas sejam sanadas. Ante o exposto, voto por CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, a fim de que a unidade de origem: a) certifiquese do direito vindicado, mediante a análise dos documentos trazidos aos autos pela Recorrente, que deve ser intimada para promover a entrega de outros que se considerem necessários ao deslinde do litígio, bem como para prestar esclarecimentos adicionais sobre os fatos relatados no recurso, caso também se faça necessário; b) analise e pronunciese sobre as questões aqui levantadas. Ao término do procedimento, deve a autoridade preparadora elaborar Relatório Fiscal conclusivo sobre os fatos apurados na diligência, sendolhe oportunizado manifestarse sobre a existência de outras informações e/ou observações que julgar pertinentes para esclarecer os fatos. Encerrada a instrução processual, a interessada deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, antes da devolução do processo para julgamento. Salientese, entretanto, que a sua manifestação devese restringir ao resultado da diligência, não sendo cabível revolver questões de defesa já suscitadas quando do oferecimento do recurso voluntário. É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Fl. 630DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 8/05/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
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Numero do processo: 10380.005488/2007-72
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri May 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2006
MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. REGRA APLICÁVEL.
O Código Tributário Nacional, que dá tratamento específico no que tange a aplicação temporal de norma que trate penalidades, em seu art. 106, prevê que caso a nova lei traga tratamento mais benéfico para o contribuinte, deve se reduzir ou cancelar as multas aplicadas.
No presente caso a obrigação tributária principal foi lançada acompanhada da multa prevista no art. 35, II da Lei nº 8.212, de 1991.
Sob a égide da sistemática anterior à MP n.º 449, de 2008, a multa aplicada poderia alcançar o patamr de 100%, conforme previsto no art. 35, III, "d" da Lei nº 8.212, de 1991.
Portanto, no presente caso, em que houve a aplicação da multa prevista no revogado art. 35, II que se refere à sanção pecuniária pelo não pagamento do tributo devido no prazo de lei, o cotejo da multa mais benéfica deverá ser feito em relação à penalidade pecuniária do art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1997.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-003.057
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado) e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
(Assinado digitalmente)
Henrique Pinheiro Torres - Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Elias Sampaio Freire Relator
EDITADO EM: 09/05/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente em Exercício), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado) e Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: ELIAS SAMPAIO FREIRE
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RETROATIVIDADE BENIGNA. REGRA APLICÁVEL. O Código Tributário Nacional, que dá tratamento específico no que tange a aplicação temporal de norma que trate penalidades, em seu art. 106, prevê que caso a nova lei traga tratamento mais benéfico para o contribuinte, deve se reduzir ou cancelar as multas aplicadas. No presente caso a obrigação tributária principal foi lançada acompanhada da multa prevista no art. 35, II da Lei nº 8.212, de 1991. Sob a égide da sistemática anterior à MP n.º 449, de 2008, a multa aplicada poderia alcançar o patamr de 100%, conforme previsto no art. 35, III, "d" da Lei nº 8.212, de 1991. Portanto, no presente caso, em que houve a aplicação da multa prevista no revogado art. 35, II que se refere à sanção pecuniária pelo não pagamento do tributo devido no prazo de lei, o cotejo da multa mais benéfica deverá ser feito em relação à penalidade pecuniária do art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1997. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado) e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 00 54 88 /2 00 7- 72 Fl. 181DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire – Relator EDITADO EM: 09/05/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente em Exercício), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado) e Elias Sampaio Freire. Relatório A Fazenda Nacional, inconformada com o decidido no Acórdão n.º 2803 00.634, proferido pela 3ª Turma Especial da 2ª Seção em 13 de abril de 2011, interpôs, dentro do prazo regimental, recurso especial de divergência à Câmara Superior de Recursos Fiscais. A decisão recorrida, (1) em preliminar, por maioria, entendeu que pode ser conhecido de oficio a questão da multa benéfica, ainda que sem pedido do contribuinte; (2) quanto ao mérito, por maioria, deu provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator, para determinar a aplicação da multa prevista no artigo 61, da lei 9.430/96, desde que mais benéfica ao contribuinte. Segue abaixo a sua ementa: “LANÇAMENTO DEVIDO. ALEGAÇÃO DE ISENÇÃO DA PARCELA PATRONAL. NECESSIDADE DE OBEDIÊNCIA AOS REQUISITOS DO ART. 55, DA LEI N. 8.212/1991. IMPOSSIBILIDADE DE AFASTAMENTO DE APLICAÇÃO DE LEI SOB ARGUMENTO DE INCONSTITUCIONALIDADE. ART. 62 DO REGIMENTO INTERNO DO CARF/MF. 0 reconhecimento e aplicação de isenção da incidência das contribuições previdenciárias patronais à época dos fatos geradores é. dependente do cumprimento dos requisitos definido pelo art. 55, da Lei n. 8.212/1991, com o texto vigente A. época dos fatos geradores. Não pode ser afastada a sua aplicação sob alegação de inconstitucionalidade ou aplicação direta do art. 195, § 7°, da CF/1988, conforme o art. 62 do Regimento Interno do CARF/MF. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO EX OFÍCIO. REDUÇÃO DE MULTA MORATÓRIA.PRINCÍPIO DA LEGALIDADE E MORALIDADE DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. ART. 106, II, E 112, DO CTN. ALTERAÇÃO DO ART. 35, DA LEI N. 8.212/1991, PELA LEI N. 11.941/2009. Em razão dos princípios da legalidade e moralidade da Administração Pública, e do disposto nos artigos 106, II, e 112, ambos do CTN, observando que o limite máximo 20% (vinte por cento) a ser aplicado a título de multas moratórias, conforme o Fl. 182DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10380.005488/200772 Acórdão n.º 9202003.057 CSRFT2 Fl. 11 3 art. 61, §2°, da Lei n. 9.430/1998, é inferior à multa moratória aplicada aos valores do créditos tributários lançados na NFLD, com base no art. 35, da Lei n. 8.212/1991, com redação anterior à Lei n. 11.941/2009, o lançamento do crédito tributário deve se adequar a multa moratória à aplicação da menor sanção, reduzindose a multa moratória, ex oficio. Recurso Voluntário Provido em Parte.” Segundo a Fazenda Nacional, a decisão recorrida diverge dos paradigmas que apresenta. Seguem abaixo suas ementas: “CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO SOBRE AS RUBRICAS LANÇADAS. ART. 173, INCISO I, DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n ° 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n 08.212 de 1991. Não tendo havido pagamento antecipado sobre as rubricas lançadas pela fiscalização, há que se observar o disposto no art. 173, inciso Ido CTN. Encontramse atingidos pela fluência do prazo decadencial parte dos fatos geradores apurados pela fiscalização. JUROS CALCULADOS À TAXA SELIC. APLICABILIDADE. A cobrança de juros está prevista em lei especifica da previdência social, art. 34 da Lei n° 8.212/1991, desse modo foi correta a aplicação do índice pela fiscalização federal. No sentido da aplicabilidade da taxa Selic, o Plenário do 2° Conselho de Contribuintes aprovou a Súmula de n° 3. RESPONSABILIDADE DOS ADMINISTRADORES. RELAÇÃO DE CORESPONSÁVEIS. DOCUMENTO INFORMATIVO. A relação de coresponsáveis é meramente informativa do vínculo que os dirigentes tiveram com a entidade em relação ao período dos fatos geradores. Não foi objeto de análise no relatório fiscal se os dirigentes agiram com infração de lei, ou violação de contrato social, ou com excesso de poderes. Uma vez que tal fato não foi objeto do lançamento, não se instaurou litígio nesse ponto. Ademais, os relatórios de co responsáveis e de vínculos fazem parte de todos processos como instrumento de informação, a fim de se esclarecer a composição societária da empresa no período do lançamento ou autuação, relacionando todas as pessoas fisicas e jurídicas, representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação. O art. 660 da Instrução Normativa SRP n° 03 de 14/07/2005 determina a inclusão dos referidos relatórios nos processos administrativofiscais. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. PARCELA PAGA EM DESACORDO COM A LEI ESPECÍFICA. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. A parcela foi paga em desacordo com a lei, pois não houve participação do sindicato na negociação. A negativa do sindicato em participar, conforme descrito pelo recorrente, não tomou legitimo o instrumento realizado. Para solução do caso, se entendesse a empresa ou os trabalhadores ser mais benéfico o acordo de participação nos lucros proposto pelo recorrente deveria valerse do disposto na Fl. 183DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 Consolidação das Leis do Trabalho CLT, além do que a própria Lei n 10.101 em seu art. 4° prevê a forma de resolução de controvérsias relativas ao PLR. Recurso Voluntário Negado” (AC 230100.283) “SALÁRIO INDIRETO. CARTÕES DE PREMIAÇÃO PARCELA DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. JUROS SELIC. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. DECLARAÇÃO. VEDAÇÃO. DECADÊNCIA I De acordo com o artigo 34 da Lei n" 8212/91, as contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas elo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal e lançamento, pagas com atraso ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. 2 A teor do disposto no art. 49 do Regimento Interno deste Conselho é vedado ao Conselho afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto sob o fundamento de inconstitucionalidade, seni que tenham sido assim declaradas pelos órgãos competentes. A matéria encontrase sumulada, de acordo com a Súmula n° 2 do 2° Conselho de Contribuintes. 3 Tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's n"s 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante n° 08, disciplinando a matéria. Termo inicial: (a) Primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4°). No caso, tratase de tributo sujeito a lançamento por homologação e houve antecipação de pagamento. Aplicável, portanto, a regra do art. 150, § 4 ° do CTN. (...).” (AC 2401 00.120) Para melhor ilustrar a divergência em comento, destaca os seguintes trechos dos paradigmas: AC 230100.283: “Quanto à possibilidade de retroatividade da multa prevista na Medida Provisória n ° 449 de 2008, entendo que a mesma não se aplica. A retroatividade benigna terá aplicação nas hipóteses de a situação gerada pelo ordenamento novel ser mais benéfica que a anterior. In casu, para lançamento de oficio a situação gerada por meio da Medida Provisória n ° 449 impõe a aplicação da multa prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, ou seja a multa seria de 75%. A multa moratória prevista no art. 61 da Lei n ° 9.430 somente se aplica para casos de recolhimento não incluídos em lançamento de oficio, o que não é o caso. O fato de ser classificada como multa moratória ou de oficio é irrelevante, o que importa é o comparativo entre situações tendo como referência a nova legislação.” AC 240100.120: “Nesse sentido, devida a contribuição e não sendo recolhida até a data do vencimento, fica sujeita aos acréscimos legais na Fl. 184DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10380.005488/200772 Acórdão n.º 9202003.057 CSRFT2 Fl. 12 5 forma da legislação de regência. Portanto, correta a aplicação da taxa SELIC, com fulcro no artigo 34, da Lei n°8.212/91, e bem assim da multa moratória, nos termos do artigo 35, do mesmo Diploma Legal. (...) Com relação à solicitação da recorrente, para a aplicação do disposto na Medida Provisória 449, relativamente à multa de mora, importa salientar que a referida MP, além de alterar o art. 35 da Lei n° 8.212/1991, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte: "Art.. 35A Nos casos de lançamento de oficio relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996". O inciso Ido art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: "Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas: 1 de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata Entretanto, se ocorreu o lançamento de oficio que é o presente caso, a multa devida seria de 75%, superior ao índice previsto na antiga redação do art. 35 da Lei if 8.212/1991, correspondente ao percentual devido após ciência do acórdão da segunda instância. Assim, não há como retroagir, ainda que se considere a multa moratória como penalidade, pois a lei atual não é mais favorável ao contribuinte, pelo menos até essa instância.” Ressalta que os acórdãos indicados como paradigmas, assim como o acórdão recorrido, foram proferidos após o advento da MP nº 449/08, convertida na Lei nº 11941/09 e, portanto, a análise da matéria ocorreu à luz da alteração da redação do caput do art. 35 da Lei nº 8212/91. Assinala que, embora diante de situações semelhantes, o acórdão recorrido entendeu que deveria ser aplicada ao caso a retroatividade benigna, sob fundamento de que o art. 35, caput da Lei 8212/91 deveria ser observado e comparado com a atual redação emprestada pela Lei nº 11941/09. Afirma que, como na atual redação há remissão ao art. 61 da Lei nº 9430/96, entendeu que o patamar da multa aplicada estaria limitado a 20%. Pondera que os paradigmas, por outro lado, entenderam que o art. 35 da Lei nº 8212/91 deveria agora ser observado à luz da norma introduzida pela Lei nº 11941/09, qual seja, o art. 35A que, por sua vez, faz remissão ao art. 44 da Lei 9430/96. Salienta que nos paradigmas a aplicação da retroatividade benigna na forma do art. 61, §2º da Lei 9430/96 foi rechaçada de forma expressa. No mérito, explica que o artigo 35 da Lei nº 8.212/91, na nova redação conferida pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, não pode ser entendido de forma isolada do contexto legislativo no qual está inserido, sobretudo de forma totalmente dissociada das alterações introduzidas pela MP nº 449 à legislação previdenciária. Considera que a Lei nº 11.941, de 2009 (fruto da conversão da MP nº 449 de 2008), ao mesmo tempo em que alterou a redação do artigo 35, introduziu na Lei de Organização da Previdência Social o artigo 35A, a fim de instituir uma nova sistemática de Fl. 185DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 6 constituição dos créditos tributários previdenciários e respectivos acréscimos legais de forma similar à sistemática aplicável para os demais tributos federais. Diz que. no lançamento de oficio, diante da falta de pagamento ou recolhimento do tributo e/ou falta de declaração ou declaração inexata é exigido, além do principal e dos juros moratórios, os valores relativos às penalidades pecuniárias que no caso consistirá na multa de oficio. A multa de oficio será aplicada quando realizado o lançamento para a constituição do crédito tributário. A incidência da multa de mora, por sua vez, ficará reservada para aqueles casos nos quais o sujeito passivo, extemporaneamente, realiza o pagamento ou o recolhimento antes do procedimento de oficio (ou seja, espontaneamente — o que não foi o caso). Essa mesma sistemática deverá ser aplicada às contribuições previdenciárias, em razão do advento da MP nº 449 de 2008, posteriormente convertida da Lei nº 11.941/09. Argumenta que a multa de mora, diante da novel sistemática, tanto no microssistema previdenciário, quanto de acordo com a disciplina da Lei nº 9.430, aplicável em relação aos demais tributos federais, não terá lugar nesse lançamento de oficio. A multa de mora e a multa de oficio são excludentes entre si. E deve prevalecer, na hipótese de lançamento de oficio, configurada a falta ou recolhimento do tributo e/ou a falta de declaração ou declaração inexata, a multa de oficio prevista no art. 44 da Lei nº 9.430/96, diante da literalidade do art. 35A. Julga que não há como se adotar outro entendimento senão o de que a multa de mora prevista no art. 35, da Lei nº 8.212/91 em sua redação antiga (revogada) está inserida em sistemática totalmente distinta da multa de mora prescrita no art. 61 da Lei nº 9.430/96. Logo, observa que por esse motivo não se poderia aplicar espécie o disposto no art. 106 do CTN, pois, para a interpretação e aplicação da retroatividade benigna, a comparação é feita em relação à mesma conduta infratora praticada, em relação à mesma penalidade. Conclui que, para se averiguar sobre a ocorrência da retroatividade benigna no caso concreto, a comparação entre normas deve ser feita entre o art. 35, da Lei nº 8.212/91 em sua redação antiga (revogada) e o art. 35A da LOPS. Ressalta que a tese encampada pelo acórdão recorrido, no sentido de que há retroatividade benigna em razão do advento da MP nº 449/2008 (convertida na Lei no 11.941/2009), que conferiu nova redação ao art. 35 da Lei nº 8.212/91, não merece prevalecer, pois a forma de calculo ali defendida somente pode ser utilizada no caso em que o contribuinte incorreu na mora e efetuou o recolhimento em atraso espontaneamente. Frisa que, na espécie, não houve recolhimento espontâneo do tributo devido. Afirma que houve lançamento de oficio, de maneira que é inarredável a aplicação das disposições especificas da legislação previdenciária. Ao final, requer o provimento do seu recurso. Nos termos do Despacho n.º 2300364/2012, foi dado seguimento ao pedido em análise. O contribuinte não apresentou contrarrazões. Eis o breve relatório. Fl. 186DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10380.005488/200772 Acórdão n.º 9202003.057 CSRFT2 Fl. 13 7 Voto Conselheiro Elias Sampaio Freire, Relator O recurso especial da Fazenda nacional preenche os requisitos formais de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. No presente caso a obrigação tributária principal foi lançada acompanhada da multa prevista no art. 35, II da Lei nº 8.212, de 1991. Ocorre que a MP n.º 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009, ao mesmo tempo em que revogou os referidos dispositivos da Lei nº 8.212, de 1991, promoveu nova sistemática de aplicação de multas. Assim dispunha, à época, o no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, in verbis: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999) Fl. 187DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 8 III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Por certo o Código Tributário Nacional, que dá tratamento específico no que tange a aplicação temporal de norma que trate penalidades, em seu art. 106, prevê que caso a nova lei traga tratamento mais benéfico para o contribuinte, deve se reduzir ou cancelar as multas aplicadas, in verbis: "Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão» desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática." Portanto, é Indubitável a aplicação da multa benéfica, conforme disciplina do art. 106, II, “c” do CTN. O ponto submetido a apreciação deste colegiado resumese em definir como deve ser aplicada a multa nos termos da atual regência normativa. Ante o exposto e em decorrência da alteração legislativa, o acórdão recorrido optou por aplicar a regra contida no art. 35 da Lei n.º 8.212, de 1991, in verbis: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. O aludido dispositivo faz remissão expressa ao art.61, da Lei n. º 9.430, de 2009, in verbis: Fl. 188DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10380.005488/200772 Acórdão n.º 9202003.057 CSRFT2 Fl. 14 9 Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de No presente caso, não há de se falar aplicação da multa do art. 32, § 5º, da Lei 8.212, de 1991, que poderia corresponder a 100% do valor relativo às contribuições não declaradas, posto que os fatos geradores objeto do lançamento foram regularmente declarados em GFIP, posto que o contribuinte alegava ser imune a impostos e isenta de contribuições previdenciárias patronais, em face da aplicação do art. 55, §5º, da Lei n. º 8.212/1991, arts. 150, VI, c, e 195, §7º, ambos da CF/1988 Saliento que, sob a égide da sistemática anterior à MP n.º 449, de 2008, a multa aplicada poderia alcançar o patamr de 100%, conforme previsto no art. 35, III, "d" da Lei nº 8.212, de 1991. Entendo que na atual sistemática, nos casos de lançamento de ofício, têmse uma única multa, prevista no art. 35A da Lei 8.212, de 1991, que faz remissão expressa ao art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, in verbis: “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” Portanto, no presente caso, em que houve a aplicação da multa prevista no revogado art. 35, II que se refere à sanção pecuniária pelo não pagamento do tributo devido no prazo de lei, o cotejo da multa mais benéfica deverá ser feito em relação à penalidade pecuniária do art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1997. Isso posto, voto no sentido de conhecer do recurso especial, para DAR PROVIMENTO ao recurso especial da Fazenda Nacional, para que se limite o valor da multa aplicada ao valor da multa prevista no art. 44, I da Lei no 9.430, de 1996. É como voto. (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire Fl. 189DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 10 Fl. 190DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 10218.000401/2008-33
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jul 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2004
OMISSÃO DE RECEITAS. APURAÇÃO. ARBITRAMENTO DO LUCRO. AUSÊNCIA DE PRESSUPOSTO LEGAL.
A imputação, por meio de aplicação de presunções previstas em lei, de omissão de receitas, por si só, não autoriza o arbitramento do lucro. Nos termos do art. 24 da Lei nº 9.249, de 1995, verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período-base a que corresponder a omissão.
DUPLICIDADE DE TRIBUTAÇÃO. INOCORRÊNCIA.
Se os elementos carreados ao processo deixam claro que a autoridade autuante apurou a matéria tributável de modo a evitar a duplicidade de incidência tributária, descabe falar em bitributação, mormente na circunstância em que o raciocínio empregado pela contribuinte deriva de interpretação equivocada dos fatos.
MULTA DE OFÍCIO. JUROS MORATÓRIOS.
Nos termos da legislação de regência, procede a incidência de juros de mora com base na taxa SELIC sobre a multa de ofício não paga no vencimento.
Em consonância com o art. 139 do CTN, o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. No crédito tributário estão compreendidos o valor do tributo e o valor da multa.
Numero da decisão: 1301-001.377
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães (Relator), relativamente aos juros de mora sobre a multa de ofício. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas.
documento assinado digitalmente
Valmar Fonseca de Menezes
Presidente
documento assinado digitalmente
Wilson Fernandes Guimarães
Relator
documento assinado digitalmente
Paulo Jakson da Silva Lucas
Redator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
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APURAÇÃO. ARBITRAMENTO DO LUCRO. AUSÊNCIA DE PRESSUPOSTO LEGAL. A imputação, por meio de aplicação de presunções previstas em lei, de omissão de receitas, por si só, não autoriza o arbitramento do lucro. Nos termos do art. 24 da Lei nº 9.249, de 1995, “verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão”. DUPLICIDADE DE TRIBUTAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Se os elementos carreados ao processo deixam claro que a autoridade autuante apurou a matéria tributável de modo a evitar a duplicidade de incidência tributária, descabe falar em “bitributação”, mormente na circunstância em que o raciocínio empregado pela contribuinte deriva de interpretação equivocada dos fatos. MULTA DE OFÍCIO. JUROS MORATÓRIOS. Nos termos da legislação de regência, procede a incidência de juros de mora com base na taxa SELIC sobre a multa de ofício não paga no vencimento. Em consonância com o art. 139 do CTN, o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. No crédito tributário estão compreendidos o valor do tributo e o valor da multa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 21 8. 00 04 01 /2 00 8- 33 Fl. 1984DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 25/0 4/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 27/04/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10218.000401/200833 Acórdão n.º 1301001.377 S1C3T1 Fl. 1.985 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães (Relator), relativamente aos juros de mora sobre a multa de ofício. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas. “documento assinado digitalmente” Valmar Fonseca de Menezes Presidente “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator “documento assinado digitalmente” Paulo Jakson da Silva Lucas Redator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 1985DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 25/0 4/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 27/04/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10218.000401/200833 Acórdão n.º 1301001.377 S1C3T1 Fl. 1.986 3 Relatório Trata o presente processo de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e reflexos (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS), relativas ao anocalendário de 2003, formalizadas em razão da imputação das seguintes infrações: i) suprimento de numerário não comprovado; ii) ausência de contabilização de compras (mercadorias, matérias primas e insumos); e iii) saldo credor de caixa. Inconformada, a contribuinte interpôs impugnação, por meio da qual argumentou: que o auto de infração teria sido lavrado por autoridade incompetente, em virtude de incorreções na expedição dos Mandados de Procedimento Fiscal (MPF) que ampararam a fiscalização; que as incorreções que redundaram na conclusão de "suprimento de caixa não provado" teriam resultado de imperícia do profissional de contabilidade que fora contratado por ela para apuração do lucro real; que a ausência de escrituração das compras, de matérias primas, e insumos, a teria surpreendido, pois nunca teria deixado de remeter as notas para que fosse feita a escrita contábil; que seria inexistente o saldo de R$ 2.055.395,64 na conta caixa, e, mais uma vez, reputou esta incoerência à ignorância do contador; que teria havido lançamento em duplicidade, pois a autoridade fiscal tributou os "cheques sem comprovação de destinação" também como "cheques destinados ao pagamento de notas fiscais não contabilizadas", onerando o saldo credor de caixa apurado; que a Fiscalização não teria acatado a justificativa da maior parte dos cheques em virtude de não serem coincidentes com os valores das despesas pagas, porém, a emissão de cheques próprios seria feita apenas para cobrir a diferença do montante relativo a cheques de terceiros; que o simples fato de o cheque ter passado por compensação já demonstraria que o recurso fora utilizado para pagamentos da empresa, não devendo transitar pela conta caixa, sendo um erro contábil e não uma omissão de receita; que, se a Fiscalização não aceitasse os seus argumentos, deveria ter considerado como omissão de receita apenas a diferença individualmente, levando em conta os pagamentos parcialmente comprovados; Fl. 1986DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 25/0 4/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 27/04/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10218.000401/200833 Acórdão n.º 1301001.377 S1C3T1 Fl. 1.987 4 que teria havido erro na apuração do saldo credor de caixa, pois a autoridade fiscal deveria ter utilizado saldos credores e não valores de operações que julgara indevidas; que a Fiscalização teria tributado o mesmo fato gerador duas vezes, ocasionando a prática denominada "bisinidem"; que teve no ano da autuação mais de 90% (noventa por cento) de suas vendas quitadas em dinheiro, cheques à vista e prédatados; que grande parte dos cheques estornados pela Fiscalização foram utilizados para pagamentos das notas fiscais que foram considerados como não contabilizadas; que, se esta tese prosperar, estaria caracterizado o "bisinidem", pois o mesmo fato contábil estaria sendo tributado como omissão de contabilização de compras e como omissão de receitas pelo estorno dos cheques utilizados para pagamento das mesmas compras; que teria havido lançamentos em duplicidade de estorno de cheques, o que tornaria incorreta a base de cálculo do lançamento fiscal; que apresentava perícia contábil acerca da recomposição do caixa e notas explicativas efetuadas pelo profissional José Carlos Nogueira Fernandes; que a própria autoridade fiscal demonstrou que a contabilidade não fora procedida na forma das leis comerciais e fiscais, sendo imprestável para apuração pelo lucro real; que a autoridade fiscal deveria ter "desclassificado a escrita contábil", pois havia falta de registros de compra, o que já seria motivo para a desclassificação contábil e da apuração pelo lucro real; que o próprio valor do lucro apurado pela Fiscalização seria impossível de ser auferido no tipo de atividade exercido por ela; que a maior evidência da impossibilidade seria o fato de a sistemática do lucro presumido adotar percentual de 1,6% ( um inteiro e seis décimos por cento) para a apuração do lucro líquido; que o correto teria sido a Fiscalização apurar o resultado fiscal pelo lucro arbitrado; que as omissões relativas ao 1º trimestre de 2003 teriam sido alcançadas pela decadência motivo pelo qual deveriam ser excluídas do lançamento tributário; que a apuração de um lucro tributável de R$ 5.574.937,12, como determinado pela Fiscalização, revelaria efeito confiscatório; que teria optado pela apuração com base no lucro real, pois suas condições operacionais seriam extremamente difíceis e a impediriam de auferir lucros superiores ao percentual de 1,6% do seu faturamento; Fl. 1987DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 25/0 4/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 27/04/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10218.000401/200833 Acórdão n.º 1301001.377 S1C3T1 Fl. 1.988 5 que, a título de simulação, demonstrava que, utilizando o percentual de lucro presumido de 1,6%, seu faturamento deveria ser de R$ 348.433.570,00, para uma base de cálculo de R$ 5.574.937,12, similar à utilizada no lançamento; que a base de cálculo adequada seria de R$ 753.449,18, com a utilização do percentual de 1,6% de lucro presumido; que o lançamento seria confiscatório. A 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém, Pará, apreciando as razões trazida pela defesa, decidiu, por meio do acórdão nº 0121;419, de 14 de abril de 2011, pela procedência dos lançamentos tributários. O referido julgado restou assim ementado: DEMONSTRATIVO DE EMISSÃO E PRORROGAÇÃO CIÊNCIA – O MPF Mandado de Procedimento Fiscal é instrumento de controle administrativo e de informação ao contribuinte. Seu vencimento não constitui, por si só, causa de nulidade do lançamento e nem provoca a reaquisição de espontaneidade por parte do sujeito passivo. Eventuais omissões ou incorreções no Mandado de Procedimento Fiscal não são causa de nulidade do auto de infração. IRPJ.LUCRO ARBITRADO. ESCRITURAÇÃO IMPRESTÁVEL. LIVROS COMERCIAIS E FISCAIS. INTIMAÇÃO. NÃO APRESENTAÇÃO. ARBITRAMENTO DO LUCRO. POSSIBILIDADE. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do Anocalendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos comerciais e fiscais, a que estiver obrigado a escriturar. IRPJ.LUCRO ARBITRADO. ABANDONO DA ESCRITA CONTÁBIL. ESCRITURAÇÃO IMPRESTÁVEL, a escrituração imprestável deve, tanto do ponto de vista dos lançamentos, como da documentação não conter vícios isolados, mas de conjunto; impedir, ou dificultar sobremaneira, o conhecimento da verdade material; caso os vícios sejam isolados, não há que se falar em arbitramento de lucros. Irresignada, a contribuinte apresentou o recurso voluntário de fls. 940/953, sustentando: a nulidade dos lançamentos do IRPJ e da CSLL pelo fato de a Fiscalização não ter adotado a sistemática do lucro arbitrado; que, ainda que não fossem nulos, os lançamentos de IRPJ e CSLL (assim como os autos de infração de PIS/COFINS) implicam bitributação sobre a mesma receita omitida (notadamente no que se refere às infrações "suprimento de numerários" e "saldo credor de caixa"). Adita, ainda, que é ilegítima a incidência de juros moratórios sobre as penalidades de ofício aplicadas. É o Relatório. Fl. 1988DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 25/0 4/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 27/04/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10218.000401/200833 Acórdão n.º 1301001.377 S1C3T1 Fl. 1.989 6 Voto Vencido Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. Em conformidade com o Termo de Verificação Fiscal de fls. 564/590, foram imputadas à contribuinte fiscalizada as seguintes infrações: i) omissão de receitas, caracterizada pela realização de suprimentos de numerários por parte do sócio, sem que restassem comprovadas a origem e a efetividade da entrega dos recursos empregados em tais operações (R$ 315.000,00, em 02/05/2003; R$ 132.000,00, em 06 de maio de 2003; e R$ 94.000,00, em 13 de maio de 2003); ii) omissão de receitas, caracterizada pela ausência de contabilização de mercadorias, matériasprimas e outros insumos1, conforme discriminação abaixo; 04/2003: R$ 221.034,69 05/2003: R$ 507.666,62 06/2003: R$ 349.096,50 07/2003: R$ 105.341,40 08/2003: R$ 162.911,70 09/2003: R$ 48.369,00 10/2003: R$ 283.721,10 11/2003: R$ 180.278,80 12/2003: R$ 185.293,15 iii) omissão de receitas, caracterizada por saldo credor de caixa. Apresentada impugnação, o crédito tributário constituído foi integralmente mantido pela autoridade julgadora de primeira instância. Cumpre destacar que no recurso voluntário a contribuinte segue uma linha de argumentação diferente da esposada na peça impugnatória. 1 Cabe registrar que, embora a Fiscalização tenha feito menção à falta de contabilização de compras, foram carreados aos autos elementos comprobatórios dos pagamentos ("listagem de pagamentos efetuados"), devidamente confirmados pelos fornecedores circularizados. Ademais, a infração foi capitulada no art. 40 da Lei nº 9.430, de 1996, que estabelece que a falta de escrituração de pagamentos efetuados pela pessoa jurídica caracteriza omissão de receita. Fl. 1989DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 25/0 4/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 27/04/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10218.000401/200833 Acórdão n.º 1301001.377 S1C3T1 Fl. 1.990 7 Com efeito, na impugnação interposta as alegações da ora Recorrente foram dirigidas no sentido de: sustentar a nulidade do feito fiscal em virtude de irregularidades associadas ao Mandado de Procedimento Fiscal; de argumentar que o profissional de contabilidade por ela contratado não dispunha de conhecimento para promover a escrituração contábil de suas operações e, por decorrência, apurar a base tributável dos tributos; de alegar que houve um lançamento em duplicidade, “tendo em vista de que a autoridade fiscal, no lançamento dos cheques sem comprovação de destinação, tributou também os cheques destinados ao pagamento das notas fiscais não contabilizadas”; de que os registros a crédito da conta CAIXA não eram coincidentes com os feito a débito em virtude da utilização de cheques de terceiros no pagamento de duplicatas e demais despesas; de alegar ter havido inconsistência na recomposição da conta CAIXA; a sustentar que, no caso, a Fiscalização deveria ter arbitrado o lucro; de alegar a ocorrência de caducidade; e, por fim, de argumentar que a autuação teve efeitos confiscatórios. No recurso voluntário impetrado, entretanto, a contribuinte traz, apenas, alegações relacionadas à forma de tributação adotada pela Fiscalização, à duplicidade de tributação e à impossibilidade de incidência de juros de mora sobre a penalidade aplicada. Aprecio, pois, os argumentos trazidos em sede de recurso voluntário. FORMA DE TRIBUTAÇÃO Alega a Recorrente que os lançamentos são nulos pelo fato de a Fiscalização não ter adotado a sistemática do lucro arbitrado para fins de apuração dos tributos devidos. Não merece acolhimento o argumento da Recorrente. Como é cediço, o arbitramento do lucro é medida extrema, somente autorizada na circunstância em que, comprovadamente, não é possível apurar ou aferir a base de cálculo do tributo por qualquer das outras formas de tributação. No caso vertente, a contribuinte apurou as bases de cálculo do Imposto de Renda e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido pela sistemática do lucro real, conforme declaração de informações de fls. 08/75, mantendo, para tanto, escrituração em livros revestidos das formalidades legais, conforme determinado pela legislação de regência. O fato de a Fiscalização, em procedimento de auditoria, identificar registros contábeis desprovidos de documentação hábil capaz de comprovar os históricos neles consignados; de constatar, por meio de eficiente circularização em fornecedores, que inúmeros pagamentos não foram contabilizados; e que a conta CAIXA foi inflada por meio de registros contábeis impróprios, não pode, à evidência, ensejar a forma de tributação requerida pela autuada. Isto porque tais fatos são insuficientes à decretação da imprestabilidade da escrituração, única hipótese que, no presente caso, poderia servir de fundamento para a providência em questão (arbitramento do lucro). Em sentido oposto ao sustentado pela Recorrente, cabe destacar que o comando legal é expresso no sentido de que, uma vez verificada a omissão de receita, a autoridade tributária deve determinar o valor do imposto de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão (Lei nº 9.249, de 1995, art. 24, caput, abaixo reproduzido). Art. 24. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de Fl. 1990DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 25/0 4/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 27/04/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10218.000401/200833 Acórdão n.º 1301001.377 S1C3T1 Fl. 1.991 8 tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. A tese de que, em virtude do volume de receita mantido à margem da escrituração, a tributação se deu sobre a receita, não merece acolhimento, eis que não existem elementos capazes de assegurar de que as despesas vinculadas às receitas sonegadas não foram apropriadas no resultado2. De qualquer forma, ainda que assim não seja, o pressuposto lógico é de que tais despesas, eventualmente não contabilizadas, foram da mesma forma quitadas por meio de recursos mantidos à margem da escrituração. Com o devido respeito, tenho por certo que, caso a Fiscalização tivesse (IMPROPRIAMENTE) decretado a imprestabilidade da escrituração e, por decorrência, arbitrado lucro, a alegação primeira da Recorrente teria sido direcionada no sentido de demonstrar a improcedência da providência. DUPLICIDADE DE TRIBUTAÇÃO Afirma a Recorrente que os lançamentos implicaram em “bitributação” sobre a receita omitida, notadamente no que se refere às infrações “suprimento de numerário” e “saldo credor de caixa”. Alega que o saldo credor decorreu exclusivamente do estorno dos valores de “suprimento de numerário por sócio”. Diz que a ocorrência de duplicidade de tributação também pode ser constatada ao se verificar que, no lançamento dos cheques sem comprovação de destinação, a autoridade fiscal tributou também os cheques destinados ao pagamento das notas fiscais não contabilizadas. Equivocase a Recorrente. Como detalhadamente descrito no Termo de Verificação Fiscal, a autoridade tributária, ao examinar os registros efetuados na conta CAIXA, constatou duas impropriedades, quais sejam: a) contabilização antecipada de ingressos; e b) lançamentos cruzados, em que cheques sacados ou compensados foram debitados à referida conta sem que fossem, na mesma data e pelo mesmo valor, dela creditados. Esclareceu a autoridade fiscal que a antecipação de ingressos no CAIXA não resultou em apuração de saldo credor. No que tange à segunda ocorrência, entretanto, efetuada a recomposição da conta, foram identificados saldos credores, conforme demonstrativo de fls. 591/608. O equívoco cometido pela Recorrente é explicado pelo fato de ela entender que os saldos credores submetidos à tributação derivaram do quadro apresentado às fls. 12 do Termo de Verificação Fiscal (fls. 575 do processo). O referido quadro foi utilizado pela autoridade fiscal visando tão somente reforçar a tese que os suprimentos supostamente feitos pelo sócio tiveram por objetivo impedir o denominado “estouro do CAIXA”, vez que, ali, excluídos os montantes supridos, restaram revelados saldos credores na conta CAIXA. 2 Conforme registros feitos na declaração de informações apresentada à Receita Federal, a contribuinte apresentou prejuízo fiscal e base de cálculo negativa em todos os trimestres do ano de 2003, cabendo registrar que a Fiscalização, para fins de determinação dos montantes a serem lançados de ofício, cuidou de promover a compensação desses resultados negativos. Fl. 1991DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 25/0 4/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 27/04/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10218.000401/200833 Acórdão n.º 1301001.377 S1C3T1 Fl. 1.992 9 Resta evidente, assim, que o demonstrativo que serviu de suporte para a tributação da receita omitida com base nos saldos credores da conta CAIXA, derivaram, única e exclusivamente, da desconsideração de valores que, por não terem transitado efetivamente pelo CAIXA mas terem sido dela debitados, necessariamente deveriam ter sido creditados, de modo a restabelecer a neutralidade dos registros efetuados. Notese que, diferentemente do alegado pela Recorrente, na recomposição da conta CAIXA a Fiscalização não efetuou qualquer ajuste relacionado aos suprimentos de numerários. A alegação de que autoridade fiscal desconsiderou, na recomposição do CAIXA, cheques destinados ao pagamento de notas fiscais não contabilizadas, não encontra respaldo nos autos. O fragmento abaixo reproduzido, extraído do Termo de Verificação Fiscal, demonstra que a autoridade autuante teve o cuidado de, ao recompor os saldos da conta CAIXA, evitar a duplicidade de tributação, senão vejamos: [...] Como visto, num primeiro momento, a empresa apresentou missiva que, conforme já salientado no Termo de Constatação e de Intimação Fiscal de 23/5/2008, não coligiu elementos dotados de consistência para justificar a destinação dos cheques listados, sendolhe, portanto, dada oportunidade de se manifestar com maior propriedade. Com efeito, numa segunda ocasião, a fiscalizada também deixou de apresentar argumentos e documentos bastantes para suportar os lançamentos a débito da conta Caixa. Aliás, de forma à parte, ela enfatizou que "recebe cheque de seus clientes e os utiliza diretamente para pagamentos de suas contas sendo os lançamentos procedidos em contrapartida da conta Caixa, sendo que tais registros "não separam o que referese a dinheiro os cheques recebidos de clientes diversos". Ora, para se cogitar em aceitar a refutação aduzida acima, eis que deveria estar apoiada em sua Contabilidade. Todavia, examinandose exaustivamente seus livros contábeis no que diz respeito às vendas de mercadorias, especialmente aquelas realizadas à vista, não conseguimos localizar na conta Caixa os lançamentos que "supostamente" corresponderiam a essas receitas. Como regra, o sujeito passivo não trouxe qualquer documento comprobatório dos pagamentos efetuados, bem assim não apontou em sua Contabilidade os lançamentos de saída dos valores anteriormente debitados em Caixa. Por outro lado, tanto na primeira quanto na segunda resposta, a fiscalizada referiuse a pagamentos de notas fiscais de compras omitidas (constantes do item IV.2 acima) através de cheques que foram elencados como não possuidores de destinação efetiva. Entretanto, antes de ser intimada pela segunda vez, já havíamos percebido isso, tanto é assim, que, para efeito da recomposição do saldo de Caixa, consideramos os débitos dos cheques cujos valores e datas estão condizentes com as notas fiscais não escrituradas. Evitouse, assim, tributar a mesma base duas vezes. Por oportuno, vejam abaixo as alocações feitas por esta fiscalização, tendo por base o anexo ao Termo de Intimação Fiscal de 13/3/2008: [...] Fl. 1992DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 25/0 4/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 27/04/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10218.000401/200833 Acórdão n.º 1301001.377 S1C3T1 Fl. 1.993 10 GRIFEI Não merecem guarida, pois, os argumentos expendidos pela Recorrente. JUROS DE MORA SOBRE PENALIDADES Sustenta a Recorrente que é ilegítima a incidência de juros moratórios sobre as penalidades de ofício aplicadas. No que diz respeito à incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, em que pese a existência de densos pronunciamentos deste Colegiado em sentido diverso, mantenho o entendimento de que a expressão “ ...débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal” assinalada pelo artigo 61 da Lei nº 9.430/96, não dá respaldo para que, com base no parágrafo 3º do mesmo artigo, possa ser cobrado juros SELIC sobre a multa de ofício. Diante de tais circunstâncias, inclinome no sentido de acolher os argumentos trazidos pela ilustre Conselheira Sandra Maria Faroni no acórdão nº 10194.441, de 03 de dezembro de 2003. Ali restou ementado, verbis: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO – Acolhemse os embargos de declaração para deixar claro que, na execução do acórdão, os juros de mora à taxa selic só incidem sobre o valor do tributo, não alcançando o valor da multa aplicada. Sobre a multa podem incidir juros de mora à taxa de 1% ao mês, contados a partir do vencimento do prazo para impugnação. Os fundamentos de tal entendimento encontramse a seguir reproduzidos. [...] O art. 161 do CTN determina que o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, ressalvando apenas a pendência de consulta formulada dentro do prazo legal para pagamento do crédito. O § 1º do mesmo artigo determina que, se a lei não dispuser de forma diversa, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. No caso de multa por lançamento de ofício, seu vencimento dáse no prazo de 30 dias contados da ciência do auto de infração. Assim, o valor da multa lançada, se não pago no prazo de impugnação, sujeitase aos juros de mora. As disposições legais que tratam dos juros de mora são as seguintes: Lei 8.383/91 Art. 59. Os tributos e contribuições administrados pelo Departamento da Receita Federal, que não forem pagos até a data do vencimento, ficarão sujeitos à multa de mora de vinte por cento e a juros de mora de um por cento ao mês calendário ou fração, calculados sobre o valor do tributo ou contribuição corrigido monetariamente. Lei 8.981/95 Art. 84. Os tributos e contribuições sociais arrecadados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores vierem a Fl. 1993DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 25/0 4/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 27/04/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10218.000401/200833 Acórdão n.º 1301001.377 S1C3T1 Fl. 1.994 11 ocorrer a partir de 1º de janeiro de 1995, não pagos nos prazos previstos na legislação tributária serão acrescidos de: I juros de mora, equivalentes à taxa média mensal de captação do Tesouro Nacional relativa à Dívida Mobiliária Federal Interna; Lei 9.065/95 Art. 13. A partir de 1º de abril de 1995, os juros de que tratam a alínea c do parágrafo único do art. 14 da Lei nº 8.847, de 28 de janeiro de 1994, com a redação dada pelo art. 6º da Lei nº 8.850, de 28 de janeiro de 1994, e pelo art. 90 da Lei nº 8.981, de 1995, o art. 84, inciso I, e o art. 91, parágrafo único, alínea a.2, da Lei nº 8.981, de 1995, serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. (Obs. A alínea c do parágrafo único do art. 14 da Lei 8.847/94 e o art. 91, parágrafo único, alínea a.2, da Lei 8.981/95 referemse a juros sobre parcelamentos). Lei 9.430/96 Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Como se vê, só há dispositivo legal autorizando a cobrança de juros de mora à taxa SELIC sobre a multa no caso de lançamento de multa isolada, não porém quando ocorrer a formalização da exigência do tributo acrescida da multa proporcional. Nesse caso, só podem incidir juros de mora à taxa de 1%, a partir do trigésimo dia da ciência do auto de infração, conforme previsto no § 1o do art. 161 do CTN. [...] Nessa mesma linha, os acórdãos abaixo indicados: ACÓRDÃO nº 10709.344, julgado em 16/04/2008: MULTA DE OFÍCIO JUROS DE MORA – Sobre a multa de ofício lançada juntamente com o tributo ou contribuição, não paga no vencimento, incidem juros de mora de 1% (um por cento) ao mês, nos termos do art. 161 do Código Tributário Nacional. ACÓRDÃO nº 10196.448, julgado em 09/11/2007: JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO – No lançamento de ofício, o valor originário do crédito tributário Fl. 1994DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 25/0 4/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 27/04/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10218.000401/200833 Acórdão n.º 1301001.377 S1C3T1 Fl. 1.995 12 compreende o valor do tributo e da multa por lançamento de ofício. Sobre a multa por lançamento de ofício não paga no vencimento incidem juros de mora. Em se tratando de tributos cujos fatos geradores tenham ocorrido após 31/12/1994, sobre a multa por lançamento de ofício incidem juros de mora de 1% ao mês. Assim, considerado tudo que do processo consta, conduzo meu voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para determinar que na execução da presente decisão sejam cobrados juros de mora de 1% sobre a multa de ofício lançada. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Fl. 1995DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 25/0 4/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 27/04/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10218.000401/200833 Acórdão n.º 1301001.377 S1C3T1 Fl. 1.996 13 Voto Vencedor Em que pese o bem elaborado e fundamentado voto do Ilustre Relator, durante as discussões ocorridas por ocasião do julgamento do presente litígio surgiu divergência quanto ao entendimento acerca da incidência dos juros de mora com base na taxa SELIC sobre a multa de ofício lançada. Para o Relator, sobre a multa por lançamento de ofício incidem juros de mora de 1% ao mês. Não foi essa, contudo, a conclusão a que chegou esta Turma Ordinária. Sobre esse tema a jurisprudência tem sido muito controvertida. Confrontemos, pois, a legislação com o fato concreto. Tratase de multa por lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos em 2003. O art. 161 do CTN determina que o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, ressalvando apenas a pendência de consulta formulada dentro do prazo legal para pagamento do crédito. Seu § 1° determina que, se, a lei não dispuser de forma diversa, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. Para uma melhor compreensão da matéria, vejamos o que diz os dispositivos legais acerca das multas e dos juros de mora, incidentes sobre os créditos tributários não pagos nos respectivos vencimentos. Lei n° 8.383, de 30 de dezembro de 1991 CAPÍTULO VII – Das Multas e dos Juros de Mora Art. 59 – Os tributos e contribuições administrados pelo Departamento da Receita Federal, que não forem pagos até a data do vencimento, ficarão sujeitos à multa de mora de um por cento ao mês calendário ou fração, calculados sobre o valor do tributo ou contribuição corrigido monetariamente. § 1° A multa de mora será reduzida a dez por cento, quando o débito for pago até o último dia útil do mês subseqüente ao do vencimento. § 2° A multa incidirá a partir do primeiro dia após o vencimento do débito; os juros, a partir do primeiro dia do mês subseqüente. .......................... Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995 Art. 84 – Os tributos e contribuições sociais arrecadados pela Secretaria da Recita Federal, cujos fatos geradores vierem a Fl. 1996DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 25/0 4/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 27/04/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10218.000401/200833 Acórdão n.º 1301001.377 S1C3T1 Fl. 1.997 14 ocorrer a partir de 1° de janeiro de 1995, não pagos nos prazos previstos na legislação tributária serão acrescidos de: I – juros de mora, equivalentes à taxa média mensal de captação do Tesouro Nacional relativa à Dívida Mobiliária Federal Interna; ............................. Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1° de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1° A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2° O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3° Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o §3° do art. 5°, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. ......................................... Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002 Art. 29. Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional e os decorrentes de contribuições arrecadadas pela União, constituídos ou não, cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31 de dezembro de 1994, que não hajam sido objeto de parcelamento requerido até 31 de agosto de 1995, expressos em quantidade de UFIR, serão reconvertidos para real, com base no valor daquela fixado para 1° de janeiro de 1997. § 1° A partir de 1° de janeiro de 1997, os créditos apurados serão lançados em reais. § 2° Para fins de inscrição dos débitos referidos neste artigo em Dívida Ativa da União, deverá ser informado à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional o valor originário dos mesmos, na moeda vigente à época da ocorrência do fato gerador da obrigação. § 3° Observado o disposto neste artigo, bem assim a atualização efetuada para o ano de 2000, nos termos do art. 75 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, fica extinta a Unidade de Fl. 1997DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 25/0 4/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 27/04/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10218.000401/200833 Acórdão n.º 1301001.377 S1C3T1 Fl. 1.998 15 Referência Fiscal – UFIR, instituída pelo art. 1° da Lei n° 8.383, de 30 de dezembro de 1991. Art. 30. Em relação aos débitos referidos no art. 29, bem como aos inscritos em Dívida Ativa da União, passam a incidir, a partir de 1° de janeiro de 1997, juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento, e de 1% (um por cento) no mês de pagamento. Da leitura dos dispositivos legais transcritos, se depreende claramente que os legisladores definiram inicialmente como base de incidência de juros de mora, tributos e contribuições e, posteriormente, débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional e os decorrentes de contribuições arrecadadas pela União. Logo, em consonância com o art. 139 do CTN, o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Portanto, no crédito tributário estão compreendidos o valor do tributo e o valor da multa. Ou seja, o valor originário do débito, sobre o qual incidem os juros de mora, não exclui a multa de ofício. No caso de multa por lançamento de ofício, seu vencimento é no prazo de 30 dias contados da ciência do auto de infração. Assim, o valor da multa lançada, se não pago no prazo, sujeitase aos juros de mora com base na taxa SELIC. Portanto, nos termos da legislação transcrita, procede a incidência de juros de mora com base na taxa SELIC sobre a multa de ofício não paga no vencimento. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas – Redator Designado Fl. 1998DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 25/0 4/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 27/04/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES
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Numero do processo: 11030.904374/2012-15
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 28/02/2003
PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO.
O valor do ICMS compõe o preço da mercadoria integrando assim o faturamento, que é base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e a Cofins, não havendo razão para a sua exclusão sem expressa disposição legal.
INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-003.188
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Paulo Sérgio Celani - Presidente Substituto.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani (Presidente Substituto), José Luiz Feistauer De Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Mauricio Ferreira Veloso De Melo.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 28/02/2003 PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO. O valor do ICMS compõe o preço da mercadoria integrando assim o faturamento, que é base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e a Cofins, não havendo razão para a sua exclusão sem expressa disposição legal. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani (Presidente Substituto), José Luiz Feistauer De Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Mauricio Ferreira Veloso De Melo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 90 43 74 /2 01 2- 15 Fl. 88DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904374/201215 Acórdão n.º 3801003.188 S3TE01 Fl. 89 2 Fl. 89DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904374/201215 Acórdão n.º 3801003.188 S3TE01 Fl. 90 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: O interessado transmitiu Per/Dcomp visando a restituir o crédito nele declarado em razão de pagamento indevido ou a maior de Pis, relativo ao fato gerador de 28/02/2003. A Delegacia da Receita Federal de jurisdição do contribuinte emitiu despacho decisório eletrônico no qual indefere a restituição pleiteada, sob o argumento de que o pagamento foi utilizado na quitação integral de débito(s) do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Irresignado com o indeferimento do seu pedido, tendo sido cientificado em 23/01/2013 (fl. 8), o contribuinte apresentou, em 20/02/2013, a manifestação de inconformidade de fls. 11/21, com os argumentos a seguir sintetizados. Informa que pediu a restituição dos valores pagos a maior a título de Pis, uma vez que foram pagos sem a exclusão do ICMS da base de cálculo. Traz entendimentos doutrinários e jurisprudência dos tribunais acerca do conceito de faturamento, o qual entende não abarcar o conceito de “ingresso”. O ICMS seria mero ingresso na escrituração contábil das empresas, para posterior destinação ao Fisco, terceiro titular de tais valores. Cita o recurso extraordinário nº 240785, que se encontra em fase decisória no STF, outros excertos doutrinários e princípios constitucionais, discorrendo acerca da impossibilidade de inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS/Cofins, visto que não representa riqueza do contribuinte, não fazendo parte da receita ou do faturamento. Por fim, requer seja deferido o seu pedido de restituição, tendo em vista ser inconstitucional a cobrança do PIS/Cofins sem a exclusão do ICMS da base de cálculo, e que os créditos sejam acrescidos de juros Selic, desde o seu pagamento indevido até a data da restituição/compensação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 28/02/2003 EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 90DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904374/201215 Acórdão n.º 3801003.188 S3TE01 Fl. 91 4 Não há previsão legal para a exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Cofins apuradas pelos regimes cumulativo e nãocumulativo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso voluntário apresentado, no qual repisa os argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Fl. 91DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904374/201215 Acórdão n.º 3801003.188 S3TE01 Fl. 92 5 Voto Conselheiro Relator Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos em DCTF e não teriam sido demonstradas a liquidez e a certeza dos indébitos. Na análise eletrônica dos PERDCOMPs de pagamento indevido ou a maior o objetivo é confirmar a existência de indébito tributário, confrontando informações das declarações apresentadas com os pagamento realizados. Não se está analisando efetivamente o mérito da questão, o que somente será viável a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. Foi o que sucedeu no recurso apresentado, no qual a recorrente alega que os créditos pleiteados referemse a pagamentos a maior da contribuição ao PIS e da Cofins, em razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculo destas contribuições. A questão da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS é objeto do Recurso Extraordinário (RE) nº 240.7852 MG, que não foi ainda julgada até a presente data. Na Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) nº 18, que trata da mesma matéria, o STF reconheceu a repercussão geral da demanda e deferiu medida cautelar para determinar que, até o julgamento final da ação pelo Plenário do STF, juízos e tribunais suspendessem o julgamento dos processos em trâmite que envolviam a aplicação do art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei no 9.718/98. A suspensão dos julgamentos deferida liminarmente foi sucessivamente prorrogada nas sessões plenárias realizadas em 04/02/2009, em 16/09/2009, e, finalmente, em 25/03/2010, quando o Tribunal, pela última vez, prorrogou por mais 180 dias a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. Quanto ao RE nº 240.7852/MG, o mesmo foi também sustado até o julgamento do ADC no 18, já que o Plenário do STF, ao julgar questão de ordem levantada pelo Ministro Marco Aurélio, decidiu que o julgamento da ADC deveria preceder o julgamento do RE em tela, uma vez que a ADC, por tratarse de controle concentrado de constitucionalidade, repercutiria sobre os demais processos relativos à matéria. Contudo, findo o prazo suspensivo liminarmente concedido pelo STF, tendo em vista não haver nenhuma decisão vigente nesse sentido nos julgamentos que versam sobre a matéria, bem como, com a edição da Portaria MF no 545, de 18 de novembro de 2013, que revogou os parágrafos 1º e 2º do artigo 62A do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, que previam o sobrestamento dos julgamentos dos recursos sempre que o STF também Fl. 92DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904374/201215 Acórdão n.º 3801003.188 S3TE01 Fl. 93 6 sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, preliminarmente entendo que não há que se falar em sobrestamento dos autos. Isto posto, no mérito, veremos que não assiste razão à recorrente. O valor do ICMS compõe o preço da mercadoria sendo calculado “por dentro”, ou seja, o montante do próprio imposto está incluído na sua base de cálculo, nos termos do art. 13, §1º, inciso I da LC 87/96, integrando assim a receita bruta ou faturamento, que é base de cálculo das contribuições, não havendo razão para a sua exclusão sem expressa disposição legal para tanto. A Lei nº 9.718/98, em seu art. 3º, § 2º, I autoriza apenas a exclusão do ICMS “quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário”. Em nenhum momento, porém, autoriza a exclusão do ICMS das próprias vendas. Em relação ao PIS, a partir da Lei 10.637, de 2002, e à Cofins, a partir da Lei 10.833, de 2003, para aquelas empresas sujeitas ao regime não cumulativo de apuração das referidas contribuições, estas passaram a ter como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, ,porém não trazendo qualquer disposição que se refira à possibilidade de exclusão do ICMS da base de cálculo. O inciso VII do art. 1º das retrocitadas leis, incluído pela Lei nº 11.945, de 4 de junho de 2009, prevê apenas a exclusão das receitas decorrentes de transferência onerosa de créditos acumulados de ICMS originados de operações de exportação. Em relação ao PIS, a Jurisprudência encontravase pacificada, sendo editada a Súmula nº 68 pelo Superior Tribunal de Justiça, abaixo transcrita: Súmula: 68 A PARCELA RELATIVA AO ICM INCLUISE NA BASE DE CALCULO DO PIS. Em relação ao FINSOCIAL, que também tinha por base de cálculo o faturamento, o Superior Tribunal de Justiça editou a Súmula nº 94, que estabelece: Súmula 94. A PARCELA RELATIVA O ICMS INCLUISE NA BASE DE CÁLCULO DO FINSOCIAL. Este também é o entendimento exarado pelo STJ, superada a suspensão liminar dos julgamentos dos processos envolvendo a matéria determinada pelo STF, no âmbito do REsp no 1.127.877SP (transitado em julgado em 20/06/2012), que foi submetido ao rito do artigo 543C do CPC, no sentido de que o ICMS integra sim a base de cálculo do PIS e da COFINS, através de decisão monocrática que negou seguimento ao recurso, com base em jurisprudência da citada Corte, conforme excerto abaixo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. OMISSÃO NÃO CONFIGURADA. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. INCLUSÃO DO ICMS. POSSIBILIDADE. PRECEDENTES. RECURSO ESPECIAL A QUE SE NEGA SEGUIMENTO. A jurisprudência deste Tribunal pacificouse no sentido de que "a parcela relativa ao ICMS deve ser incluída na base de cálculo do PIS e da Cofins, nos termos das Súmulas 68 e 94 do STJ" (AgRg no REsp 1.121.982/RS, 2ª T., Min. Humberto Martins, Fl. 93DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904374/201215 Acórdão n.º 3801003.188 S3TE01 Fl. 94 7 DJe de 04/02/2011). Nesse sentido, os seguintes julgados: AgRg no Ag 1.069.974/PR, 1ª T., Min. Francisco Falcão, DJe de 02/03/2009; REsp 1.012.877/PR, 2ª T., Min. Mauro Campbell Marques, DJe de 08/02/2011; AgRg no Ag 1.169.099/SP, 2ª T., Min. Herman Benjamin, DJe de 03/02/2011; AgRg no Ag 1.005.267/RS, 1ª T., Min. Benedito Gonçalves, DJe de 02/09/2009. Ocorre ainda que eventuais alegações acerca de inconstitucionalidade da legislação tributária não são oponíveis na esfera administrativa, uma vez que sua apreciação foge à alçada da autoridade administrativa de qualquer instância, não dispondo esta de competência legal para examinar hipóteses de violação às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico nacional. Com efeito, a apreciação dessas questões achase reservada ao Poder Judiciário, pelo que qualquer discussão quanto aos aspectos de validade das normas jurídicas deve ser submetida àquele Poder. Portanto, é inócuo suscitar tais alegações na esfera administrativa, pois à autoridade administrativa é vedado desrespeitar textos legais em vigor, sob pena de responsabilidade funcional, sendo defeso a apreciação da matéria por esse órgão julgador, nos termos da Súmula n° 2 do CARF, de observância obrigatória por parte de seus membros. Assim, diante do exposto, voto por negar provimento ao presente recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Antônio Borges Fl. 94DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI
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Numero do processo: 11817.000118/2007-34
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jun 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/08/2002 a 02/10/2006
IPI. MULTA REGULAMENTAR. ART.490, INCISO II, DO RIPI/2002.
A aplicação da multa prevista no inciso II do art.490 do RIPI/2002 pressupõe a existência de falsidade ideológica na emissão da nota fiscal de saída, bem como a presença de dois agentes no ato, o que não restou configurado no caso.
Numero da decisão: 3201-001.595
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por maioria de votos, negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do relator designado, vencidos os conselheiros Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Winderley Morais Pereira, que davam integral provimento.
JOEL MIYAZAKI - Presidente.
CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO - Relator.
LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES Relator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (presidente), Winderley Morais Pereira, Daniel Mariz Gudino, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Luciano Lopes de Almeida Moraes.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/08/2002 a 02/10/2006 IPI. MULTA REGULAMENTAR. ART.490, INCISO II, DO RIPI/2002. A aplicação da multa prevista no inciso II do art.490 do RIPI/2002 pressupõe a existência de falsidade ideológica na emissão da nota fiscal de saída, bem como a presença de dois agentes no ato, o que não restou configurado no caso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por maioria de votos, negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do relator designado, vencidos os conselheiros Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Winderley Morais Pereira, que davam integral provimento. JOEL MIYAZAKI Presidente. CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Relator. LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES – Relator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (presidente), Winderley Morais Pereira, Daniel Mariz Gudino, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 81 7. 00 01 18 /2 00 7- 34 Fl. 596DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 27/05/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES Processo nº 11817.000118/200734 Acórdão n.º 3201001.595 S3C2T1 Fl. 597 2 Por bem descrever a matéria de que trata este processo, adoto e transcrevo abaixo o relatório que compõe a Decisão Recorrida. Em julgamento o auto de infração de fls.17/21, que exige da contribuinte o montante de R$ 1.189.117,89. A motivação fática assim vai resumida (Relatório de Fiscalização Aduaneira fls.2/14): Da analise das notas fiscais obtidas, os auditores encontraram algumas notas de entrada, emitidas por diferentes empresas, que destoavam da maioria. As vistas dos auditores, essas notas continham vários indícios de falsificação. A suspeição daquelas notas começou a partir da identificação de certas características: o preenchimento manuscrito, os números, em sua maioria, seqüenciais, as rasuras encontradas, notas "emitidas" por empresas inativas no CNPJ e inabilitadas no SINTEGRA (programa que fornece dados da empresa quanto aos fiscos estadual e municipal), anotações a lápis sobre as notasfiscais com os dizeres: "não usar INATIVA" advertindo que a nota em branco continha dados de uma empresa INATIVA e, por ter sido notado a tempo, não poderia ser empregada para "esquentar" as mercadorias ou então, "CNPJ indevido"se referindo a erro de quem confeccionou a nota quanto ao nome da empresa e seu respectivo CNPJ, os valores repetidos ou exatos, a lista encontrada em meio a documentação com titulo: "dados. para . . emissão de notas fiscais", as vias não correspondentes ao adquirente que se encontravam de posse "da empresa e as notas em branco, com as quatro vias, apreendidas no interior da mesma. ... Com as constatações suso, os auditores responsáveis pela fiscalização elaboraram intimações para as empresas que figuravam como fornecedoras da Midway Informática e que, em tese, teriam emitido as notas de entrada que legitimavam o ingresso das mercadorias no estabelecimento da empresa ora fiscalizada. O conteúdo de todas as intimações versava sobre a apresentação das vias do emitente das notas fiscais de mesmo número e de mesma autorização de impressão de documento fiscal (AIDF) das vias da adquirente Midway, nas quais se encontravam de posse dos auditores. O intuito das intimações era o de ratificar a suspeita de máfé, falsidade ideológica, uso de documento falso e crime contra a ordem tributária, se as notas apresentadas pelos fornecedores divergissem das que os auditores estavam nas mãos. No decorrer do atendimento as intimações, toda suspeita se transformou em certeza. As vias dos emitentes apresentadas pelas empresas intimadas não se coadunavam com as vias que estavam sendo auditadas. No cotejo das vias do emitente com as do comprador (Midway), verificamos diferentes formatos, diagramação, mercadorias transacionadas, valores, destinatários e datas. Fl. 597DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 27/05/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES Processo nº 11817.000118/200734 Acórdão n.º 3201001.595 S3C2T1 Fl. 598 3 Em resposta à intimação n° 045/2007, a empresa Alcatéia Engenharia de Sistemas Ltda, CNPJ n 56.525.025/000163, apresentou não só as notas originais solicitadas como também um dossiê comprovando que há anos a firma vem sofrendo com a falsificação de suas notas por ser referência no comércio de eletrônicos e produtos de informática. O dossiê acostado ao processo inclui várias comunicações as Policias Federal e Civil de São Paulo, à Receita Federal e reportagens das revistas ISTO É e FIQUE ESPERTO denunciando todo o Modus Operandi da falsificação de notas nas redondezas de Foz do Iguaçu, fronteira com Ciudad Del Lest no Paraguai. Nessas reportagens, fica patente o procedimento: empresas brasileiras adquirem produtos no exterior, os internalizam sem a regular importação e os "regularizam" por talonários falsos eom CNPJ de empresas ,brasileiras que atuam no ramo. Contudo, mesmo que essa prática venha sendo realizada há mais de década, os que se aproveitam dela, deixam rastros, e estes foram ressaltados neste relatório. .... INDÍCIOS QUE REFORÇAM O ENTENDIMENTO DO "MODUS OPERANDI": A. A empresa adquire parte das mercadorias no mercado interno, tais como gabinetes,monitores, mouses, teclados e outros periféricos. Contudo, mercadorias de origem estrangeira como placas diversas (Som, Wireless, Rede, Vga, Multiserial, Video, Mk), HD's, Notebooks, Memórias, Processadores, Web cam, Modem, Pen drive, Gravador de CD e DVD, Software MS Windows XP Professional, entre outros, sic)são objeto de escrituração inidônea por meio de notas fiscais de empresas, em sua maioria, não habilitadas no Sistema Sintegra, ou seja, essas empresas não podem emitir notas fiscais, o que fortalece, inequivocamente, em tese, a ocorrência de fatos que configuram crimes contra a ordem tributária, de falsidade ideológica, de uso de documento falso e de descaminho. Ainda no curso do trabalho de análise da documentação apreendida, em cumprimento a determinação do Mandado de Busca e Apreensão, localizamos na documentação apreendida, Notas Fiscais avulsas com as vias completas das Notas Fiscais totalmente em branco (não preenchidas), e pertencentes' a empresas totalmente estranhas à fiscalizada, e Notas Fiscais de Entrada manuscritas, na maior parte com numeração seqüencial... Todos OS indícios apontam a empresa Midway como requisitante/emitente/adquirente das diversas notas fiscais inidôneas em vista da sistemática de escrituração adotada, com vistas a iludir a fiscalização, de escriturar mercadorias de origem estrangeira com notas fiscais de empresas inativas e não habilitadas no Sintegra, de preenchimento manual, sem descrição completa do produto por meio da omissão do número de série dos equipamentos, da série das notas fiscais, e da ausência de escrituração do Livro Registro de Inventário, que possibilitaria levantar o estoque de mercadoria, mês a mês, dificultando a identificação da mercadoria objeto de ilícito fiscal. Fl. 598DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 27/05/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES Processo nº 11817.000118/200734 Acórdão n.º 3201001.595 S3C2T1 Fl. 599 4 ... DA PROPOSTA DE APLICAÇÃO DA MULTA: Em face de tudo o que foi exposto, pela comprovação de utilização de notas inidôneas ("notas frias") por parte da empresa auditada, por essa utilização fraudulenta ter causado dano ao erário com o não pagamento do Imposto de Importação, do Imposto sobre Produtos Industrializados vinculados à importação e do posterior Imposto sobre Produtos Industrializados na revenda e por infringência à legislação de regência dos fatos, propomos a aplicação da multa correspondente ao valor comercial da mercadoria entregue a consumo e aos que utilizarem em proveito próprio ou alheio nota fiscal que não corresponda à saída efetiva de produto nela descrito. Insurgiuse a autuada contra o feito fiscal por meio do arrazoado de fls.363 a 374: “as Notas inquinadas devem ser subdivididas em dois grupos. O Primeiro referente às notas emitidas pela Empresa R1 — Comércio e Serviços; pela Empresa Alcatéia Engenharia de Sistemas Ltda; pela Dynam Informática Ltda e pela Hardware Computer Assistência Técnica Ltda —ME (fls. 01/ 06 do Anexo II) e, o segundo, referente às demais Notas, da Empresa Dynams Informática Ltda;GoldenCom Eletronics Ltda; Hardware Computer Assistência Técnica Ltda — ME; Dragon Attack Imp. Exp. Ltda; New Time Com Empreendimentos e Participação e Blink Solution (fls.07/09 do Anexo II). . 6.1.1.2. Quanto às Notas Fiscais emitidas pela Empresa R1,• nenhuma responsabilidade decorrente de eventual irregularidade identificada pode ser atribuída à Requerente. 6.1.1.2.1.. É da redação dos senhores AuditoresFiscais, no parágrafo 11 do citado Relatório de Fiscalização Aduaneira que (...) identificaram lançamentos nos livros de entrada de 2002, 2003 e 2004 de vendas realizadas pela R1 — Comércio e Serviços Lida, CNPJ: 04.972.928/000199, a Midway. Esses lançamentos estariam em conformidade com a legislação se a R1 Comércio e Serviços Lida não estivesse INAPTA, pela prática irregular de operação no comércio exterior, desde 28103/2002 devido ao processo n°10314003773200581. (...) 6.1.1.2.2. Entretanto, a publicação do Ato Administrativo tornando INAPTA a Empresa R1 Comércio e Serviços Ltda ocorreu somente em 22 de junho de 2005, com efeito a partir de 28 de março de 2002(pág. 135 do Anexo II). É a partir da data de publicação do ato que para o público, ai obviamente incluída a Requerente, que a Empresa R1 passou a ser INAPTA. Tanto é que os registros efetuados pela Requerente no SINTEGRA foram acolhidos. Querer que a Requerente se submetesse à retroatividade de um ato administrativo é operar em flagrante contramão ao que preceitua a Constituição Federal, no seu artigo 37, caput, que traz a publicidade dos atos como um dos Fl. 599DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 27/05/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES Processo nº 11817.000118/200734 Acórdão n.º 3201001.595 S3C2T1 Fl. 600 5 princípios norteadores para garantia dos direitos dos administrados. 6.1.1.2.3. Também, todos os pagamentos pelas mercadorias adquiridas foram devidamente efetuados pela Requerente, assim como todos os tributos estaduais recolhidos (ver fls. 14/134 do Anexo II). 6.1.1.2.4. Estando, portanto, a Requerente dentro da regularidade, o recolhimento do Imposto sobre Produtos Industrializados não é da sua responsabilidade e sim da empresa emitente da Nota Fiscal, no caso a Empresa R1 — Comércio e Serviços Ltda. 6.1.1.2.5. Igualmente, nenhuma responsabilidade decorrente de eventual irregularidade identificada pode ser atribuída à Requerente no tocante às Notas Fiscais das demais Empresas arroladas nas fls. 01 a 06 do Anexo II, pois que emitidas em datas anteriores à inabilitação dos mencionados estabelecimentos, contrariamente ao que alegam os Auditores Fiscais no Relatório ora questionado. 6.1.1.3. Quanto às demais Notas Fiscais citadas, as das fls. 07/ 09 do Anexo II, a Requerente, embora não tenha concorrido voluntariamente pelas suas respectivas emissões, assume parcialmente a sua responsabilidade, uma vez que por dispensar confiança em terceiras pessoas que geriam a aquisição, venda e registros financeiros e contábeis deixou de efetuar um controle efetivo da documentação... 7. Não se pode olvidar, todavia, que o Levantamento efetuado pelos senhores AuditoresFiscais ultrapassou o limite retroativo qüinqüenal. Isto é, considerando que o Auto de Infração está datado de 08/05/2007, o Lançamento em objeto deve ser refeito para contagem retroativa do prazo de 05(cinco) anos a partir do mês de maio do presente ano e, após, expurgarse do mesmo modo a Apuração do Crédito Tributário que ultrapassar esse limite. 8. Por outro lado, dos valores remanescentes (excluídos os valores correspondentes às multas aplicadas sobre Notas Fiscais emitidas por empresas habilitadas, bem como os valores que ultrapassarem o limite qüinqüenal) devem ser abatidos aqueles valores correspondentes ao valor comercial das mercadorias apreendidas,caso seja mantido em definitivo a pena de Perdimento em Proposta de Aplicação da Penalidade de Perdimento nos Autos de Infração e Termo de Apreensão e Guarda Fiscal (Processo n°0117600/00039/07 — 11817000.100/ 200732). Sobreveio decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora/MG, que julgou, por unanimidade de votos, improcedente o lançamento fiscal. Os fundamentos do voto condutor do acórdão recorrido encontramse consubstanciados na ementa abaixo transcrita: Fl. 600DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 27/05/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES Processo nº 11817.000118/200734 Acórdão n.º 3201001.595 S3C2T1 Fl. 601 6 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/08/2002 a 02/10/2006 IPI. MULTA REGULAMENTAR. ART.490, INCISO II, DO RIPI/2002. A aplicação da multa prevista no inciso II do art.490 do RIPI/2002 pressupõe a existência de falsidade ideológica na emissão da nota fiscal de saída. A presença de falsidade material, em lugar de ideológica, deslocaria a penalidade para o inciso I do mesmo artigo, tornando improcedente o crédito tributário constituído. A decisão foi submetida a recurso de ofício ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais com base no disposto na Portaria MF nº 3, de 3/1/2008. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto O recurso de ofício atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. A decisão recorrida cancelou o lançamento devido a constatar não ter ocorrido a conduta prevista no inciso II do artigo 490 do RIPI/2002, a qual entende corresponder à “coautoria em infração de emissão de nota fiscal sem lastro fático (sem saída da mercadoria)”. Julga, contudo, estarem presentes as circunstâncias que caracterizam a infração constante no inciso I do artigo 490 do RIPI/2002, que pune a entrada irregular de mercadorias estrangeiras no território nacional. Para melhor esclarecimento da lide, transcrevese os dispositivos citados na decisão recorrida: Art. 490. Sem prejuízo de outras sanções administrativas ou penais cabíveis, incorrerão na multa igual ao valor comercial da mercadoria ou ao que lhe for atribuído na nota fiscal, respectivamente (Lei nº 4.502, de 1964, art. 83, e Decretolei nº 400, de 1968, art. 1º, alteração 2ª): I os que entregarem a consumo, ou consumirem produto de procedência estrangeira introduzido clandestinamente no País ou importado irregular ou fraudulentamente ou que tenha entrado no estabelecimento, dele saído ou nele permanecido sem que tenha havido registro da declaração da importação no SISCOMEX, salvo se estiver dispensado do registro, ou desacompanhado de Guia de Licitação ou nota fiscal, conforme Fl. 601DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 27/05/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES Processo nº 11817.000118/200734 Acórdão n.º 3201001.595 S3C2T1 Fl. 602 7 o caso (Lei nº 4.502, de 1964, art. 83, inciso I, e Decretolei nº 400, de 1968, art. 1º, alteração 2ª); e II os que emitirem, fora dos casos permitidos neste Regulamento, nota fiscal que não corresponda à saída efetiva, de produto nela descrito, do estabelecimento emitente, e os que, em proveito próprio ou alheio, utilizarem, receberem ou registrarem essa nota para qualquer efeito, haja ou não destaque do imposto e ainda que a nota se refira a produto isento (Lei nº 4.502, de 1964, art. 83, inciso II, e Decretolei nº 400, de 1968, art. 1º, alteração 2ª). (grifo nosso) A autuação fiscal tem por fundamento legal a conduta descrita na segunda parte do inciso II deste artigo, qual seja a de utilizar, receber ou registrar, em proveito próprio ou alheio, nota fiscal que não corresponda à saída efetiva, de produto nela descrito, do estabelecimento emitente. Ressaltese ainda que a redação do dispositivo é clara ao estabelecer que infração se concretiza com a utilização, para qualquer efeito, de nota fiscal inidônea. Desta forma, verificada a utilização, o recebimento ou o registro de nota fiscal que ateste de forma inverídica a saída de produto do estabelecimento emitente, resta configurada a conduta prescrita. A abrangência deste infração, portanto, é mais ampla em relação a conduta prescrita no inciso I|, que se restringe às hipóteses de produtos de procedência estrangeira introduzidos clandestinamente no País ou importados irregular ou fraudulentamente Ingressandose na análise dos documentos carreados aos autos, constatase que, em que pese a existência de indícios quanto a ocorrência de irregularidades em operações de importação de produtos estrangeiros, a atuação encontrase embasada em provas robustas da utilização, pela recorrente, de notas fiscais inidôneas, correspondendo a conduta prevista no inciso II do artigo 490 do RIPI/2002. O relatório fiscal informa a prática da conduta por meio da análise das provas obtidas, como nos excertos abaixo colecionados: Da analise das notasfiscais obtidas, os auditores encontraram algumas notas de entrada, emitidas por diferentes empresas, que destoavam da maioria. As vistas dos auditores, essas notas continham vários indícios de falsificação. A suspeição daquelas notas começou a partir da identificação de certas características: o preenchimento manuscrito, os números, em sua maioria, seqüenciais, as rasuras encontradas, notas "emitidas" por empresas inativas no CNPJ e inabilitadas no S1NTEGRA (programa que fornece dados da empresa quanto aos fiscos estadual e municipal), anotações a lápis sobre as notasfiscais com os dizeres: "não usar INATIVA" advertindo que a nota em branco continha dados de uma empresa INATIVA e, por ter sido notado a tempo, não poderia ser empregada para "esquentar" as mercadorias ou então, "CNPJ indevido"se referindo a erro de quem confeccionou a nota quanto ao nome da empresa e seu respectivo CNPJ, os valores repetidos ou exatos, a lista encontrada em meio a documentação com titulo: Fl. 602DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 27/05/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES Processo nº 11817.000118/200734 Acórdão n.º 3201001.595 S3C2T1 Fl. 603 8 "dados para .emissão de notas fiscais", as vias não correspondentes ao adquirente que se encontravam de posse "da empresa e as notas em branco, com as quatro vias, apreendidas no interior da mesma. Do estudo dos livros apresentados, sob a exigência das intimações n° 012/2007 e n° 013/2007, os auditores identificaram lançamentos nos livros de entrada de 2002, 2003 e 2004 de vendas realizadas pela R1 Comércio e Serviços Ltda, CNPJ: 04.972.928/000199, a Midway. Esses lançamentos estariam em conformidade com a legislação se a R1 Comércio e Serviços Ltda não estivesse INAPTA, pela prática irregular de operação no comércio exterior, desde 28/03/2002 devido ao processo n° 10314.003773/200581. Com as constatações suso, os auditores responsáveis pela fiscalização elaboraram intimações para as empresas que figuravam como fornecedoras da Midway Informática e que, em tese, teriam emitido as notas de entrada que legitimavam o ingresso das mercadorias no estabelecimento da empresa ora fiscalizada. O conteúdo de todas as intimações versava sobre a apresentação das vias do emitente das notas fiscais de mesmo número e de mesma autorização de impressão de documento fiscal (AIDF) das vias da adquirente Midway, nas quais se encontravam de posse dos auditores. O intuito das intimações era o de ratificar a suspeita de máfé, falsidade ideológica, uso de documento falso e crime contra a ordem tributária, se as notas apresentadas divergissem das que os auditores estavam em mãos. No decorrer do atendimento as intimações, toda suspeita se transformou em certeza. As vias dos emitentes apresentadas pelas empresas intimadas não se coadunavam com as vias que estavam sendo auditadas. No cotejo das vias do emitente com as do comprador (Midway), verificamos diferentes formatos, diagramação, mercadorias transacionadas, valores, destinatários e datas. [...] 1. MUNDO DO LCD N° 0866, e Nota Fiscal da GOLDENCON COM CNPJ DO MUNDO DO LCD N°697. B. As notas fiscais de terceiras empresas, com todas as vias em branco, possibilitam o uso ilícito das referidas Notas Fiscais para registro de entrada de mercadorias. Digase que é possível notar que a documentação dessas empresa é de baixa qualidade, com preenchimento manual de diversos campos, sem aposição de visto fiscal quando procedente de outras unidades federadas, com numeração seqüencial desprovida de série, inclusive legalmente inidônea e sem valor diante do fisco, deixando claro, que a função de tal documentação é iludir à fiscalização aduaneira e demais autoridades fazendárias. C. Outro indicio da tentativa de iludir à fiscalização meio de escrituração fiscal inidônea e sem valor é o documento em Fl. 603DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 27/05/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES Processo nº 11817.000118/200734 Acórdão n.º 3201001.595 S3C2T1 Fl. 604 9 formato Word de titulo: "DADOS PARA EMISSÃO DE NOTAS FISCAIS", que relaciona as empresas FAB & ANA INFORMÁTICA LTDA, CNPJ 02.599.410000126; MHZ INFORMÁTICA LTDAEPP, CNPJ 04.971.137/000144; HOSPITAL DO COMPUTADOR LTDA EPP, CNPJ 02.683.215/000180; VANILDA FERREIRA DA COSTA DE FARIAS ME, CNPJ 03.329.028/000165; JMC INFORMÁTICA LTDA ME, CNPJ 01.699.742/000110; IPEDUC, CNPJ 05.305.371/000103 e DATAFOCUS SUPORTE TECNOLÓGICO COM E SERVIÇOS LTDA, CNPJ 02.008.955/000110, todas as empresas com situação cadastral não habilitada no cadastro do Sintegra. D. Da análise documental, especial atenção deve ser destacada as duas notas fiscais da empresa Goldencom, a de n° 001702, emitida em 11/08/2005, de preenchimento eletrônico, e a n° 697, emitida em 12/08/2005, de preenchimento manual, ambas de modelos distintos, sem identificação de série e numeração não seqüencial. As duas notas apresentam CNPJ do vendedor diferente, a eletrônica apresenta o CNPJ correto de n° 04.755.175/0001 60, a manuscrita apresenta o CNPJ indevido de n° 05.257.022/000155, que se refere empresa Mundo do LCD, além de uma indicação manual de "indevido" apontando para o n° do CNPJ. Após intimar a empresa Goldencom a apresentar a quarta via da nota fiscal n° 000697, constatouse que a nota fiscal original foi emitida em 12/05/2005, em nome de Cláudio Borges Miranda EPP, e descreve a mercadoria como Monitor LG 17", 710E preto, mercadoria de marca e modelo completamente distintos do descrito na nota "fiscal fria" n° 697, Monitor 15", 591V Samsung. Tais constatações fortalecem a tese de utilização de "notas fiscais frias" para esquentar mercadorias estrangeiras desamparadas de documentação fiscal idônea. Em tese, os fatos constatados indicam crime contra a ordem tributária, uso de documento falso, falsidade ideológica e de descaminho. E. Todos os indícios apontam a empresa Midway como requisitante/emitente/adquirente das diversas notas fiscais inidôneas em vista da sistemática de escrituração adotada, com vistas a iludir a fiscalização, de escriturar mercadorias de origem estrangeira com notas fiscais de empresas inativas e não habilitadas no Sintegra, de preenchimento manual, sem descrição completa do produto por meio da omissão do número de série dos equipamentos, da série das notas fiscais, e da ausência de escrituração do Livro Registro de Inventário, que possibilitaria levantar o estoque de mercadoria, mês a mês, dificultando a identificação da mercadoria objeto de ilícito fiscal. F. Além da não escrituração do Livro Registro de Inventário no período de 2002 a 2006, no qual deveriam constar registros dos estoques existentes no término de cada anocalendário, as notas fiscais n° 001870, 001872 e 001873 da Dragon Attack, CNPJ 02.767.758/000185, não foram relacionadas no Livro de Fl. 604DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 27/05/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES Processo nº 11817.000118/200734 Acórdão n.º 3201001.595 S3C2T1 Fl. 605 10 Entradas, o que fortalece a tese de uso de documentação fiscal inidônea para fins de escrituração. G. Nos anos calendário de 2002 a 2004 a empresa Midway registrou no Livro de Entradas escrituração em nome da Empresa R1 COMÉRCIO E SERVIÇOS LTDA, CNPJ 04.972.928/000199, SITUAÇÃO INAPTA EM 22/06/2005, COM EFEITOS DESDE DE 28/03/2002, E NÃO HABILITADA NO SINTEGRA DESDE 22/12/2003 (NF 1036, 1037, 1047, 1235, 1236, 1398, 1408, 1544, 1676, 1781, 2049, 2169, 2198, 2393, 2412, 2627, 2681, 2692, 2838, 2873, 2917, 2929, 3001, 3046, 3079, 3107, 3143, 3196, 3197, 3198, 3400, 3414, 3544, 3545, 3690, 3716, 3846, 3932, 4010, 4046, 4054, 4094, 4186, 4201, 4260, 4393, 4590, 4694, 4725, 4730, 4743, 4777, 4783, 4803, 4829, 4973, 5103, 005189, 005213, 005270, 005273, 005392, 005404, 005466, 005538, 005539, 005584, 005672, 005673), as notas fiscais de 2002 a 2004, que serviram de base para a escrituração do Livro de Entrada de Mercadorias, não foram apresentadas fiscalização. A utilização das notas fiscais de empresas inativas (notas fiscais frias) tem o objetivo de esquentar (regularizar) a circulação comercial das mercadorias de procedência estrangeira desacompanhadas de documentação fiscal idônea, com utilização indevida pelo destinatário do aproveitamento do crédito do imposto nele lançado, afetando para a base de cálculo do valor de tributos recolhidos pelo SIMPLES e pelo ICMS. H. Em atendimento à Intimação n° 045/2007, acerca das notas fiscais de número 052500 a 052600, a empresa Alcatéia Engenharia de Sistemas LTDA, CNPJ n° 56.525.025/000163, apresenta Dossiê, em que esclarece que as notas correspondem ao período de 21/05/1998 a 22/05/1998, e que desde o ano de 1992 a empresa tem sido vitima de falsificação de notas fiscais, detalhando inclusive a forma em que as notas frias são obtidas pelos que pretendem de forma fraudulenta comercializálas no mercado nacional. As notas fiscais de n° 052579, com data de emissão em 15/02/2005, e n° 052580, com data de emissão 16/02/2005, correspondem ao modelo de nota fria apresentado no Dossiê produzido pela empresa. Os que utilizarem, em tese, notas fiscais frias, em proveito próprio ou alheio, incorrerão na tipificação penal de uso de documento falso, falsidade ideológica e de crime contra a ordem tributária. (grifo nosso) Com base na vasta documentação acostada aos autos, concluise que a recorrente utilizouse, com a finalidade de legitimar o ingresso de mercadorias em seu estabelecimento, de notas fiscais que não correspondem à saída efetiva dos produtos nelas descritos do estabelecimento dos emitentes. A autuação fiscal, portanto, mostrase correta ao definir como fundamento legal a conduta descrita na segunda parte do inciso II do artigo 490 do RIPI/2002, qual seja a de utilizar, receber ou registrar, em proveito próprio ou alheio, nota fiscal que não corresponda à saída efetiva, de produto nela descrito, do estabelecimento emitente. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso de ofício. Fl. 605DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 27/05/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES Processo nº 11817.000118/200734 Acórdão n.º 3201001.595 S3C2T1 Fl. 606 11 Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto Relator Voto Vencedor Com a devida vênia, entendo que o recurso de ofício deve ser negado, já que efetivamente a penalidade aplicada não condiz com os fatos apresentados. Assim, adoto como razões de decidir as elencadas pela decisão recorrida, que adota o mesmo entendimento que possuo sobre o tema: Estamos tratando de multa isolada aplicada nos termos do art.490, inciso II, do Decreto nº 4.544/02 RIPI/2002: Art. 490. Sem prejuízo de outras sanções administrativas ou penais cabíveis, incorrerão na multa igual ao valor comercial da mercadoria ou ao que lhe for atribuído na nota fiscal, respectivamente (Lei nº 4.502, de 1964, art. 83, e Decretolei nº 400, de 1968, art. 1º, alteração 2ª): I os que entregarem a consumo, ou consumirem produto de procedência estrangeira introduzido clandestinamente no País ou importado irregular ou fraudulentamente ou que tenha entrado no estabelecimento, dele saído ou nele permanecido sem que tenha havido registro da declaração da importação no SISCOMEX, salvo se estiver dispensado do registro, ou desacompanhado de Guia de Licitação ou nota fiscal, conforme o caso (Lei nº 4.502, de 1964, art. 83, inciso I, e Decretolei nº 400, de 1968, art. 1º, alteração 2ª); e II os que emitirem, fora dos casos permitidos neste Regulamento, nota fiscal que não corresponda à saída efetiva, de produto nela descrito, do estabelecimento emitente, e os que, em proveito próprio ou alheio, utilizarem, receberem ou registrarem essa nota para qualquer efeito, haja ou não destaque do imposto e ainda que a nota se refira a produto isento (Lei nº 4.502, de 1964, art. 83, inciso II, e Decretolei nº 400, de 1968, art. 1º, alteração 2ª). (nosso sublinhado) É manso e pacífico nesta turma de julgamento que os incisos I e II do art.490 possuem uma diferença básica que norteia sua aplicação quando estamos diante de mercadorias estrangeiras acobertadas por documentos fiscais comprovadamente inidôneos : a natureza da inidoneidade verificada. Se estamos diante de falsidade material, ou seja, de notas fiscais contrafeitas (objeto de contrafação), aplicase o inciso I por entrada irregular desacobertada; se a falsidade tem perfil ideológico, incide a penalidade do inciso II por coautoria em infração de emissão de nota fiscal sem lastro fático (sem saída da mercadoria). Retomando: para o inciso I, o agente incorre na ação típica administrativamente reprovável de descaminho ou contrabando; já para o inciso II a ação seria, em regime de coautoria, emissão de nota fiscal sem a circulação efetiva da mercadoria descrita nesse documento. Fl. 606DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 27/05/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES Processo nº 11817.000118/200734 Acórdão n.º 3201001.595 S3C2T1 Fl. 607 12 Optou a fiscalização pelo inciso II, qual seja, optouse pela presença de falsidade ideológica, o que implica a presença necessária, no caso em concreto, de declaração falsa com o fim de prejudicar direito, criar obrigação ou alterar a verdade sobre fato juridicamente relevante ( art.299 do Código Penal). A esse respeito, leciona o professor Rogério Greco in Código Penal Comentado, 5ª ed., pág.841, Ed. Impetus: “Ao contrário do que ocorre com os delitos tipificados nos artigos 297 e 298 do CP, que prevêem uma falsidade constante de natureza material, a falsidade constante do artigo 299 do mesmo diploma legal é de cunho ideológico. Isso significa que o documento, em si, é perfeito; a idéia, no entanto, nele lançada é de que é falsa, razão pela qual o delito de falsidade ideológica também é reconhecido doutrinariamente pelas expressões falso ideal, falso intelectual e falso moral.”(nosso sublinhado) Frisese então: na falsidade ideológica o documento é perfeito; o que é falsa é a idéia. Assim, trazendo para a situação em análise, será legítima a autuação se, e somente se, estivermos diante de documentos perfeitos, porém preenchidos com dados ideologicamente falsos. Vejamos alguns excertos do relatório fiscal: Da analise das notasfiscais obtidas, os auditores encontraram algumas notas de entrada, emitidas por diferentes empresas, que destoavam da maioria. As vistas dos auditores, essas notas continham vários indícios de falsificação. A suspeição daquelas notas começou a partir da identificação de certas características: o preenchimento manuscrito, os números, em sua maioria, seqüenciais, as rasuras encontradas, notas "emitidas" por empresas inativas no CNPJ e inabilitadas no S1NTEGRA (programa que fornece dados da empresa quanto aos fiscos estadual e municipal), anotações a lápis sobre as notasfiscais com os dizeres: "não usar INATIVA" advertindo que a nota em branco continha dados de uma empresa INATIVA e, por ter sido notado a tempo, não poderia ser empregada para "esquentar" as mercadorias ...(nosso sublinhado) ====================================== ========= No decorrer do atendimento das intimações, toda suspeita se transformou em certeza. As vias dos emitentes apresentadas pelas empresas intimadas não se coadunavam com as vias que estavam sendo auditadas. No cotejo das vias do emitente com as do comprador (Midway), verificamos diferentes formatos, diagramação, mercadorias transacionadas, valores, destinatários e datas. (nosso sublinhado). ====================================== ============== Fl. 607DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 27/05/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES Processo nº 11817.000118/200734 Acórdão n.º 3201001.595 S3C2T1 Fl. 608 13 Em resposta à intimação n° 045/2007, a empresa Alcatéia Engenharia de Sistemas Ltda, CNPJ n 56.525.025/000163, apresentou não só as notas originais solicitadas como também um dossiê comprovando que há anos a firma vem sofrendo com a falsificação de suas notas por ser referência no comércio de eletrônicos e produtos de informática. (nosso sublinhado) ====================================== ========== As notas fiscais de terceiras empresas, com todas as vias em branco, possibilitam o uso ilícito das referidas Notas Fiscais para registro de entrada de mercadorias.Digase que é possível notar que a documentação dessas empresa é de baixa qualidade, com preenchimento manual de diversos campos, sem aposição de visto fiscal quando procedente de outras unidades federadas, com numeração seqüencial desprovida de série, inclusive legalmente inidonea e sem valor diante do fisco, deixando claro, que a função de tal documentação é iludir à fiscalização aduaneira e demais autoridades fazendárias. (nosso sublinhado) ====================================== ==================== Da análise documental, especial atenção deve ser destacada as duas notas fiscais da empresa Goldencom, a de n° 001702, emitida em 11/08/2005, de preenchimento eletrônico, e a n° 697, emitida em 12/08/2005, de preenchimento manual, ambas de modelos distintos, sem identificação de série e numeração não seqüencial. As duas notas apresentam CNPJ do vendedor diferente, a eletrônica apresenta o CNPJ correto de n° 04.755.175/000160, a manuscrita apresenta o CNPJ indevido de n° 05.257.022/000155, que se refere à empresa Mundo do LCD, além de uma indicação manual de "indevido" apontando para o n° do CNPJ. Após intimar a empresa Goldencom a apresentar a quarta via da nota fiscal n° 000697, constatouse que a nota fiscal original foi emitida em 12/05/2005, em nome de Cláudio Borges Miranda EPP, e descreve a mercadoria como Monitor LG 17", 710E preto, mercadoria de marca e modelo completamente distintos do descrito na nota "fiscal fria" n° 697, Monitor 15", 591V Samsung. Tais constatações fortalecem a tese de utilização de "notas fiscais frias" para esquentar mercadorias estrangeiras desamparadas de documentação fiscal idônea. Em tese, os fatos constatados indicam crime contra a ordem tributária, uso de documento falso, falsidade ideológica e de descaminho. (nosso sublinhado) ====================================== ========= A utilização das notas fiscais de empresas inativas (notas fiscais frias) tem o objetivo de esquentar (regularizar) a circulação comercial das mercadorias de procedência estrangeira desacompanhadas de documentação fiscal idônea, com utilização indevida pelo destinatário do aproveitamento do crédito do imposto nele lançado, afetando para a base de cálculo Fl. 608DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 27/05/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES Processo nº 11817.000118/200734 Acórdão n.º 3201001.595 S3C2T1 Fl. 609 14 do valor de tributos recolhidos pelo SIMPLES e pelo ICMS.(nosso sublinhado). ====================================== ========== Como se pode ver, malgrado os autuantes ora se refiram à falsidade ideológica, ora à material, todos os relatos fáticos se prendem a essa última. Rasuras, preenchimento manual, números seqüenciais, bem como a presença de todas as vias em branco e de emitentes que já constam como INATIVOS no cadastro da Receita Federal traduzem animus de contrafação, e não de falsidade de idéia. Inclusive não nos esqueçamos do relato dos autuantes no sentido de que as vias dos emitentes apresentadas pelas empresas intimadas [circularização] não se coadunavam com as vias que estavam sendo auditadas. No cotejo das vias do emitente com as do comprador (Midway), verificamos diferentes formatos, diagramação, mercadorias transacionadas, valores, destinatários e datas.Tratase, com certeza, de um relato de falsificação de cunho material, ou seja, uma falsificação por iniciativa da autuada que posicionou terceiros como falsos emitentes. Vamos enfatizar, e a observação é crucial, que não há de haver falso emitente no que diz respeito à infração de emissão de notas fiscais sem a correspondente saída das mercadorias. `Para essa infração, o emitente identificado na nota praticou de fato e de direito a ação de selecionar e preencher o documento fiscal de que fez uso o destinatário dos produtos. É ele – o emitente – quem materialmente inicia a trilha operacional da fraude. Emitente e destinatário se unem em coautoria para gerar aparência de legalidade em operações ilegais ou ainda gerar situações jurídicas inexistentes que redundam em redução do imposto a pagar. O problema está colocado: os autuantes elegeram um enquadramento legal que exige a comprovação de que os documentos em questão (notas fiscais de entrada) tenham sido emitidos pelas empresas neles identificadas, o que não ocorreu. Nenhuma das provas apontadas nos autos permite a conclusão de que tenha havido ação concreta de emissão das notas pelas empresas indicadas no documento, ou seja, sugerese sempre que a autuada agiu por sua conta e iniciativa na prática das contrafações apontadas pela Fiscalização. Vamos lembrar que a infração in casu é de autoria dúplice e de mão própria: deve ser cometida com a participação necessária do emitente, que é aquele quem, de direito, deve emitir a nota fiscal e quem, também necessariamente, deve dar início à trilha operacional da fraude. E se assim não for, tipicidade não há. Foi justamente o que se deu, a meu sentir, na presente autuação. Não havendo nenhuma prova concreta nos autos, nem mesmo nenhuma convergência de indícios de que houve ação de emissão das notas por quem de direito, perdese o Fl. 609DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 27/05/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES Processo nº 11817.000118/200734 Acórdão n.º 3201001.595 S3C2T1 Fl. 610 15 enquadramento típico e, por via de conseqüência, perdese a legitimidade do lançamento. (...) (grifo nosso) Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso de ofício. Luciano L. A. Moraes – Redator designado Fl. 610DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 27/05/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES
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Numero do processo: 10735.000565/2006-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2002, 2003, 2004
IRPF. DECADÊNCIA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. SÚMULA CARF Nº 38.
Da análise conjunta do art. 2º da Lei nº 7.713/1988 e do art. 2º e 11 da Lei nº 8.134/9 infere-se, que, não obstante seja o imposto de renda das pessoas físicas devido mensalmente, fica ele sujeito ao ajuste anual, no qual serão considerados, de forma global, todos os rendimentos tributáveis auferidos durante o ano calendário, com exceção daqueles tributáveis exclusivamente na fonte e dos sujeitos à tributação definitiva. É por essa razão que, com relação aos rendimentos sujeitos ao ajuste anual, a doutrina e a jurisprudência dominantes costumam classificar o fato gerador do imposto de renda como sendo do tipo complexivo. Neste caso, tem prevalecido o entendimento de que o momento em que o fato gerador se perfaz é o termo final do ano calendário, ou seja, o dia 31 de dezembro. Aplicação da Súmula CARF nº 38.
IRPF. PRESUNÇÃO LEGAL OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DA ORIGEM.
Caracterizam-se como omissão de receita ou de rendimento, por presunção legal juris tantum, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ÔNUS DA PROVA.
Cabe ao contribuinte desfazer a presunção legal com documentação própria e individualizada que justifique os ingressos ocorridos em suas contas correntes de modo a garantir que os créditos/depósitos bancários não constituem fato gerador do tributo devido, haja vista que pela mencionada presunção, a sua existência (créditos/depósitos bancários), desacompanhada da prova da operação que lhe deu origem, espelha omissão de receitas, justificando-se sua tributação a esse título.
Numero da decisão: 2201-002.420
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, dar provimentos parcial ao recurso para excluir das bases de cálculo os valores de R$ 22.980,00, R$ 31.900,00 e R$ 3.600,00, nos anos-calendário de 2001, 2002 e 2003, respectivamente, referentes aos depósitos relacionados ao histórico "DOC D", "devolução de cheque" e "devoluções de DOC D".
Assinado Digitalmente
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente.
Assinado Digitalmente
NATHÁLIA MESQUITA CEIA - Relatora.
EDITADO EM: 16/07/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), VINICIUS MAGNI VERÇOZA (Suplente convocado), GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, EDUARDO TADEU FARAH, NATHALIA MESQUITA CEIA. Ausente, justificadamente, o Conselheiro GUSTAVO LIAN HADDAD.
Nome do relator: NATHALIA MESQUITA CEIA
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DECADÊNCIA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. SÚMULA CARF Nº 38. Da análise conjunta do art. 2º da Lei nº 7.713/1988 e do art. 2º e 11 da Lei nº 8.134/9 inferese, que, não obstante seja o imposto de renda das pessoas físicas devido mensalmente, fica ele sujeito ao ajuste anual, no qual serão considerados, de forma global, todos os rendimentos tributáveis auferidos durante o ano calendário, com exceção daqueles tributáveis exclusivamente na fonte e dos sujeitos à tributação definitiva. É por essa razão que, com relação aos rendimentos sujeitos ao ajuste anual, a doutrina e a jurisprudência dominantes costumam classificar o fato gerador do imposto de renda como sendo do tipo complexivo. Neste caso, tem prevalecido o entendimento de que o momento em que o fato gerador se perfaz é o termo final do ano calendário, ou seja, o dia 31 de dezembro. Aplicação da Súmula CARF nº 38. IRPF. PRESUNÇÃO LEGAL OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. Caracterizamse como omissão de receita ou de rendimento, por presunção legal juris tantum, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao contribuinte desfazer a presunção legal com documentação própria e individualizada que justifique os ingressos ocorridos em suas contas correntes de modo a garantir que os créditos/depósitos bancários não constituem fato gerador do tributo devido, haja vista que pela mencionada presunção, a sua existência (créditos/depósitos bancários), desacompanhada da prova da operação que lhe deu origem, espelha omissão de receitas, justificandose sua tributação a esse título. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 5. 00 05 65 /2 00 6- 50 Fl. 602DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 17/07/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, dar provimentos parcial ao recurso para excluir das bases de cálculo os valores de R$ 22.980,00, R$ 31.900,00 e R$ 3.600,00, nos anoscalendário de 2001, 2002 e 2003, respectivamente, referentes aos depósitos relacionados ao histórico "DOC D", "devolução de cheque" e "devoluções de DOC D". Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente. Assinado Digitalmente NATHÁLIA MESQUITA CEIA Relatora. EDITADO EM: 16/07/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), VINICIUS MAGNI VERÇOZA (Suplente convocado), GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, EDUARDO TADEU FARAH, NATHALIA MESQUITA CEIA. Ausente, justificadamente, o Conselheiro GUSTAVO LIAN HADDAD. Relatório Por meio do Auto de Infração de fls. 496 lavrado em 07/03/2006, exigese do Contribuinte LUIZ FELIPE GONÇALVES RAUNHEITTI o montante de R$ 1.022.573,58 de imposto sobre a renda da pessoa física, R$ 569.723,45 de juros de mora, e R$ 766.930,17 de multa de ofício, referente aos anos calendários 2001, 2002, 2003, exercícios 2002, 2003, 2004 decorrente de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. O Termo de Verificação Fiscal de fls. 513 relata que: · O Contribuinte foi intimado a apresentar os extratos bancários de contas correntes relativas aos exercícios de 2002 a 2004. · Uma vez que o interessado apresentou apenas parte da documentação a Autoridade Fiscal encaminhou Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira, aos bancos onde o Contribuinte mantinha as contas correntes solicitando os extratos bancários. · Ao ser questionado sobre a origem dos depósitos bancários, o Contribuinte informou que possuía valores guardados em casa, que teve recebimentos de prestações mensais de venda de imóvel e recebeu indenização de sinistro ocorrido com embarcação. · Com relação à indenização recebida pelo sinistro da embarcação, a fiscalização não consegui localizar seu ingresso, nas contas correntes do Contribuinte. Fl. 603DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 17/07/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10735.000565/200650 Acórdão n.º 2201002.420 S2C2T1 Fl. 3 3 · O Contribuinte encaminhou planilha, onde informou recursos como oriundos de outros bancos, sem a respectiva demonstração de datas e valores coincidentes, não sendo possível a fiscalização, a verificação da movimentação. · O Contribuinte informou ainda recebimentos em nome dos adquirentes do imóvel alienado porém, não apresentou a comprovação dos valores recebidos, com as notas promissórias citadas na escritura. · Novamente intimado a demonstrar o recebimento dos citados valores, o Contribuinte apresentou a cópia da escritura de venda do imóvel e documentação referente ao pagamento do sinistro, mais uma vez sem demonstrar a compatibilidade entre datas e valores depositados. · Como o Contribuinte não comprovou a origem dos recursos que ingressaram em suas contas correntes, lavrouse o Auto de Infração, considerando os valores relacionados como omissão de receita. O Contribuinte, através de seu contador Hélio Joaquim de Souza (procuração às fls. 517), tomou ciência do Auto de Infração em 21/03/2006 no corpo do próprio Auto de infração às fls. 496, tendo apresentado em 20/04/2006 Impugnação de fls. 525, na qual trouxe as seguintes alegações: · Durante o procedimento fiscal o Contribuinte informou: (i) possuir, além dos rendimentos constantes em sua declaração de renda, valores guardados em sua residência; (ii) ter realizado a venda de um imóvel cujo pagamento se deu em prestações mensais depositadas em sua conta corrente e (iii) em março de 2003, ter recebido indenização por sinistro ocorrido com uma embarcação. · A fiscalização não considerou os depósitos feitos pelo próprio Contribuinte com valores que guardava consigo, os quais foram, paulatinamente, repassados para sua conta corrente. Não há qualquer ilegalidade em tais repasses, uma vez que na Declaração de Rendimentos consta que o Contribuinte possuía, ao final do ano calendário de 2001, R$ 125.000,00 guardados em espécie. · Foi apresentada à fiscalização escritura, na qual constam todos os valores e datas de pagamento, não sendo admissível, assim, o argumento da fiscalização de que o Contribuinte não apresentou a comprovação dos valores recebidos, com as notas promissórias citadas na escritura. · O pagamento do sinistro também foi documentalmente comprovado pelo Contribuinte, entretanto, a fiscalização argumentou que não houve compatibilidade entre datas e valores depositados. · Não pode a Receita Federal exigir que qualquer valor recebido pelo Contribuinte, seja a que título for, se proceda através da utilização de título de crédito, impedindo que as partes celebrem um negócio cuja quitação se dará em espécie. · Os depósitos na conta corrente do Contribuinte estão demonstrados e comprovados pelos documentos anexados e pela declaração de bens e rendimentos apresentada, inexistindo, assim, fundamento para a autuação. Na sessão de 24/07/2008, a 7ª Turma da DRJ/RJOII através do Acórdão nº 1320.673 manteve o lançamento nos seguintes termos: Fl. 604DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 17/07/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 · Conforme determina o caput do artigo 42 da Lei n° 9.430/96, a comprovação da origem dos depósitos bancários deve ser realizada através de documentos hábeis e idôneos. A simples afirmação do Contribuinte de que possuía recursos suficientes para realizar os depósitos não estabelece um vínculo entre os recursos de sua propriedade e os valores depositados em suas contas correntes. · Da análise dos depósitos relacionados temse que não é possível identificar qualquer tipo de correlação entre as prestações referentes à venda dos imóveis e os depósitos bancários. Portanto, correto foi o procedimento da AuditoraFiscal autuante ao considerar que não foi comprovada através de documentação hábil e idônea a origem dos depósitos. · No tocante ao pagamento de sinistro, embora o Contribuinte tenha instruído o presente processo administrativo com: (i) Recibo de Pagamento e Quitação de Sinistro, datado de 09/05/2003, emitido pela Generali do Brasil — Cia. Nacional de Seguros, com valor de R$ 350.000,00, referente ao pagamento de Perda Total da Embarcação “Caraíbas”; (ii) Termo de Responsabilidade para Emissão de Ordem de Pagamento, assinado pelo Sr. Luiz Felipe Gonçalves Raunheitti, autorizando o pagamento da indenização referente ao sinistro, através da utilização da TED e (iii) Apólice de Seguro n° 33331000052, emitida pela Generali do Brasil, referente à embarcação Caraíbas, constando como importância segurada para o Cobertura Básica n° 01Perda Total o valor de R$ 350.000,00; dos depósitos cuja comprovação da origem foi solicitada pela fiscalização não consta crédito no valor de R$ 350.000,00, ou até mesmo qualquer crédito datado de 09/05/2003. Logo, não é possível se estabelecer qualquer tipo de nexo entre os depósitos bancários e o alegado recebimento de indenização por sinistro, mantendose, assim, o lançamento. Notificado do Acórdão de primeira instância em 13/08/2008 pelo AR de fls. 573, o Contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 12/09/2008 às fls. 583, aduzindo que: · Uma vez que Contribuinte tomou ciência do Auto de Infração em 21/03/2006, requer o reconhecimento da decadência do crédito tributário para os fatos geradores ocorridos em janeiro e fevereiro de 2001, com base no art. 150, §4º do CTN. · Item 1 — CH. S/FUNDOS lª APRESENTAÇÃO: Tratase, como o histórico indica, de cheque de emissão do Contribuinte, devolvido por insuficiência de fundos. Quando da compensação do cheque, o mesmo é debitado em sua conta corrente. Na devolução, o valor do mesmo é estornado, revertendo a crédito da conta do emitente. Como se conclui, tal crédito nunca poderia ter sido considerado como omissão de rendimentos, por representar meramente um estorno. · Itens 2, 3 e 4 — DOC D: Valores correspondentes a "DOC D". De acordo com a terminologia bancária, os DOC podem ser do tipo "C", quando emitidos a favor de terceiros, e do tipo "D", quando entre contas de mesma titularidade/CPF. Assim, todos os DOC D representam transferências interbancárias, não havendo que se falar em rendimentos recebidos. · Itens 10, 11, 12, 13, 14 e 15 — DEVOLUÇÃO DOC D: Valores creditados em contascorrentes provenientes de estornos nunca podem ser considerados como rendimentos recebidos. Tais DOC foram originalmente debitados na conta corrente do emitente, e devolvidos por motivos diversos. Representam mero estorno, nunca ingresso efetivo de numerário. · Itens 5, 6 e 7— CRÉDITOS DE BENEFÍCIOS e OUTROS ACERTOS: O item 5 é no valor de R$15.223,95 e os itens 6 e 7 totalizam este mesmo valor. Referemse a rendimentos de trabalho remunerado recebidos pelo Contribuinte da Sociedade de Ensino Superior de Nova Iguaçu, CNPJ 30.834.196/000180 no anocalendário 2001. Observese que naquele ano o Contribuinte declarou em sua Declaração de Ajuste Anual (DAA) o montante de R$ 48.598,47 recebido daquela sociedade. Caso a ilustre AuditoraFiscal autuante não quisesse considerar as alegações Fl. 605DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 17/07/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10735.000565/200650 Acórdão n.º 2201002.420 S2C2T1 Fl. 4 5 do Contribuinte, poderia, em procedimento de diligência junto a fonte pagadora, atestar a veracidade das informações. · Itens 8 e 9 — 10999 e 14060: O histórico indicado pela ilustre autuante não permite a identificação das operações, tornando impossível qualquer tentativa de se esclarecer as razões dos créditos efetuados. · Itens 16 a 34— DOC COMPENSADO 35 — CRÉDITO DOC HOJE e 36 a 46 — CRED. DOC: Conforme comentado em relação aos itens 2, 3 e 4, a simples existência de DOC creditado em contacorrente bancária não é determinante para se concluir que se trate de ingresso efetivo de numerário, eis que tais DOC podem se referir, também, a transferências interbancárias. Seria necessário, nestes casos, o aprofundamento da análise por parte da ilustre autuante, para a correta identificação do crédito. · Durante a ação fiscal, o Contribuinte apresentou provas incontestáveis de sua capacidade econômica para a efetivação da movimentação financeira observada em suas contascorrentes bancárias. Tais como: (i) Recibo de Pagamento e Quitação de Sinistro, datado de 09/05/2003, emitido pela Generali do Brasil — Cia. Nacional de Seguros, com valor de R$350.000,00, referente ao pagamento de Perda Total da Embarcação "Caraíbas", constando no documento que o pagamento estaria sendo realizado mediante crédito no banco n° 291, Agência n° 0336, Conta Corrente n° 4001362 e (ii) Escritura de Promessa de Compra e Venda lavrada em 14/05/2001 no Tabelionato do 14° Oficio de Notas, livro 4721, folhas 75, ato 32, comprovando a venda de imóvel de sua propriedade para a empresa Alexandre, Michelle e Danielle Administradora de Imóveis Ltda., CNPJ 36.149.433/000150, pelo preço de R$ 2.400.000,00, com sinal no valor de R$ 120.000,00 e o saldo de R$ 2.280.000,00 em 19 parcelas de R$120.000,00 cada, vencíveis mensal e sucessivamente a partir de 14/06/2001. Tal transação originou aporte de recursos no montante de R$960.000,00 no ano de 2001 e de R$1.440.000,00 em 2002. Pela Resolução nº 220200.184 de 12/03/2012, às fls. 596, a 2ª Câmara da 2ª Turma Ordinária do CARF decidiu sobrestar o presente processo administrativo tributário, com base no art. 62A, §1º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, uma vez que o presente tema encontrase em sede de Recurso Repetitivo no STF através do Recurso Extraordinário nº 601.314/SP, de 22/10/2009, onde o Supremo Tribunal Federal reconheceu a existência de repercussão geral, nos termos do art. 543A, §1º, do CPC, combinado com art. 323, §1º, do Regimento Interno do STF, no que diz respeito à constitucionalidade do art. 6º da Lei Complementar nº 105/01, no tocante ao fornecimento de informações sobre a movimentação bancária de contribuintes, pelas instituições financeiras, diretamente ao Fisco por meio de procedimento administrativo, sem a prévia autorização judicial, assim como a aplicação retroativa da Lei nº 10.174/01, que alterou o art. 11, § 3º da Lei nº 9.311/96, e possibilitou que as informações obtidas, referentes à CPMF, também pudessem ser utilizadas para apurar eventuais créditos relativos a outros tributos, no tocante a exercícios anteriores a sua vigência. Posteriormente a Portaria/MF nº 545/13 revogou os dispositivos do Regimento Interno do CARF que determinavam o sobrestamento dos autos, nos termos já referidos, possibilitando o prosseguimento do feito, eis que a sua inclusão em pauta de julgamento. É o relatório. Fl. 606DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 17/07/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 6 Voto Conselheira Nathália Mesquita Ceia. O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. I – Das Preliminares I.1 Da Decadência Uma vez que tomou ciência do Auto de Infração em 21/03/2006, o Contribuinte requer o reconhecimento da decadência do crédito tributário para os fatos geradores ocorridos em janeiro e fevereiro de 2001, com base no art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional (CTN), pois já haveriam transcorrido cinco anos da ocorrência dos respectivos fatos geradores. Entendo não assistir razão ao Contribuinte, pois o reconhecimento da decadência para os dois primeiros meses do ano calendário de 2001 levaria à conclusão de que a apuração do Imposto de Renda seria mensal em razão das antecipações as quais está jungido, o que não estaria em consonância com a legislação do Imposto de Renda. A partir de 1º de janeiro de 1989, em virtude das alterações provocadas pela Lei nº 7.713, de 22/12/1988, o imposto de renda das pessoas físicas passou a ser devido mensalmente, à medida que os rendimentos e ganhos de capital são percebidos: Art. 2º. O imposto de renda das pessoas físicas será devido à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos, sem prejuízo do ajuste estabelecido no artigo 11. Contudo, o art. 2º da Lei nº 8.134, de 27/12/1990, introduziu a necessidade do ajuste anual. O ajuste mencionado referese à apuração anual do imposto de renda na declaração de ajuste anual: Art. 11. O saldo do imposto a pagar ou a restituir na declaração anual (art. 9°) será determinado com observância das seguintes normas: I será apurado o imposto progressivo mediante aplicação da tabela (art. 12) sobre a base de cálculo (art. 10); II será deduzido o valor original, excluída a correção. A análise conjunta dos dispositivos legais acima mencionados estabelece que, não obstante seja o imposto de renda das pessoas físicas devido mensalmente, fica ele sujeito ao ajuste anual, no qual serão considerados, de forma global, todos os rendimentos tributáveis auferidos durante o anocalendário, com exceção daqueles tributáveis exclusivamente na fonte e dos sujeitos à tributação definitiva. É por essa razão que, com relação aos rendimentos sujeitos ao ajuste anual, a doutrina e a jurisprudência dominantes costumam classificar o fato gerador do imposto de renda como sendo do tipo complexivo, isto é, formado de diversos elementos que se formam ao longo de um determinado período de tempo, compondose de diversos acontecimentos distintos que devem ser considerados em sua totalidade. Fl. 607DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 17/07/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10735.000565/200650 Acórdão n.º 2201002.420 S2C2T1 Fl. 5 7 Neste caso, tem prevalecido o entendimento de que o momento em que o fato gerador se perfaz é o termo final do ano calendário, ou seja, o dia 31 de dezembro. Neste diapasão para o anocalendário de 2001 os fatos geradores do Imposto de Renda se aperfeiçoaram em 31.12.2001. Logo não há divisão temporal para fatos pretérito a março de 2001 e fatos posteriores. No presente caso, todos os rendimentos tributáveis auferidos no anocalendário de 2001 terão a mesma sorte. A presente Corte Administrativa já sumulou entendimento de que o fato gerador do imposto de renda para omissão de rendimento decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada ocorre em 31 de dezembro do respectivo ano: Súmula CARF nº 38: O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. Diante do exposto para o anocalendário de 2001, uma vez que, o fato gerador só se aperfeiçoou em 31/12/2001 o prazo para constituição do crédito tributário, com base no art. 150, § 4º do CTN, teria por termo o dia 31/12/2006 logo, não procede a alegação de decadência pretendida pelo Contribuinte para os fatos ocorridos em janeiro e fevereiro do anocalendário de 2001, haja vista que o contribuinte foi notificado do lançamento em 21/03/2006. II – Do Mérito II.1 Da Omissão de Rendimentos decorrentes de Depósitos Bancários de Origem não Comprovada. O Contribuinte apresenta planilha pela qual busca demonstrar a origem de determinados depósitos, aos quais passase a análise. Item 1 — CH. S/FUNDOS lª APRESENTAÇÃO: tratase, como o histórico indica, de cheque de emissão do Contribuinte, devolvido por insuficiência de fundos. Quando da compensação do cheque, o mesmo é debitado em sua conta corrente. Na devolução, o valor do mesmo é estornado, revertendo a crédito da conta do emitente. Como se conclui, tal crédito nunca poderia ter sido considerado como omissão de rendimentos, por representar meramente um estorno. O extrato de 30/09/2002, às fls. 162, demonstra que o crédito de R$ 14.660,00 decorreu da devolução do cheque debitado no extrato de 30/08/2002, às fls. 161. Restando evidente a origem do crédito incluso no Auto de Infração às fls. 499, devendo tal valor ser excluído do Auto de Infração. Itens 2, 3 e 4 — DOC D: Valores correspondentes a "DOC D". De acordo com a terminologia bancária, os DOC podem ser do tipo "C", quando emitidos a favor de terceiros, e do tipo "D", quando entre contas de mesma titularidade/CPF. Assim, todos os Fl. 608DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 17/07/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 8 DOC D representam transferências interbancárias, não havendo que se falar em rendimentos recebidos. Os Itens 2, 3 e 4 conforme extratos de fls. 167, 168 e 169, respectivamente, possuem a designação D. A Circular do BACEN nº 3.224/04 estabeleceu a diferença entre DOC D e DOC E para excluir da incidência da CPMF as transferências bancárias entre contas do mesmo titular: Art. 2º O DOC somente pode ser emitido no valor de até R$ 4.999,99 (quatro mil, novecentos e noventa e nove reais e noventa e nove centavos), nas seguintes modalidades: I DOC E: destinado à transferência de recursos com a incidência da Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira CPMF; e II DOC D: destinado à transferência de recursos sem a incidência da CPMF. Desta feita, uma vez que os DOC do tipo D representam transferências bancárias entre contas de mesmo titular, não representam acréscimo patrimonial, razão pela qual os Itens 2, 3 e 4 da planilha de fls. 590 devem ser excluídos do Auto de Infração. Itens 10, 11, 12, 13, 14 e 15 — DEVOLUÇÃO DOC D: Valores creditados em contascorrentes provenientes de estornos nunca podem ser considerados como rendimentos recebidos. Tais DOC foram originalmente debitados na conta corrente do emitente, e devolvidos por motivos diversos. Representam mero estorno, nunca ingresso efetivo de numerário. O Contribuinte afirma tratarse de “DEVOLUÇÃO DOC D”, entretanto, os extratos bancários de fls. 138, 139, 140, 141, 143, e 154 não possuem a especificação “D”. O Contribuinte argumenta ainda tratarse de estorno de DOC’s realizados, logo deveria haver um DOC realizado nas datas anteriores. Os extratos bancários não demonstram a existência de DOC realizado pelo Contribuinte nos valores correspondentes aos alegados estornos. Desta feita, diante da contrariedade entre o alegado pelo Contribuinte e os documentos acostados aos autos, mantêmse os referidos valores. Itens 5, 6 e 7— CRÉDITOS DE BENEFÍCIOS e OUTROS ACERTOS: O item 5 é no valor de R$15.223,95 e os itens 6 e 7 totalizam este mesmo valor. Referemse a rendimentos de trabalho remunerado recebidos pelo Contribuinte da Sociedade de Ensino Superior de Nova Iguaçu, CNPJ 30.834.196/000180 no ano calendário 2001. Observese que naquele ano o Contribuinte declarou em sua Declaração de Ajuste Anual o montante de R$ 48.598,47 recebido daquela sociedade. O valor resultante da soma dos depósitos citados nos itens 5, 6 e 7 são inferiores ao montante recebido pelo Contribuinte da Sociedade de Ensino conforme reportada na DAA (ano calendário 2001). Entretanto, o Contribuinte, não junta documento da fonte pagadora atestando os pagamentos nestas datas, ou instrumento contratual que aponte que o pagamento será realizado nestas datas. Assim, não há prova verossímil para demonstrar que os referidos depósitos são advindos de rendimentos de trabalho remunerado recebidos da Sociedade de Ensino Fl. 609DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 17/07/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10735.000565/200650 Acórdão n.º 2201002.420 S2C2T1 Fl. 6 9 Superior de Nova Iguaçu capaz de afastar a presunção que corre contra o Contribuinte. Logo, não se pode acatar a pretensão do Contribuinte. Itens 8 e 9 — 10999 e 14060: O histórico indicado pela ilustre autuante não permite a identificação das operações, tornando impossível qualquer tentativa de se esclarecer as razões dos créditos efetuados. “Itens 16 a 34— DOC COMPENSADO, 35 — CREDITO DOC HOJE e 36 a 46 — CRED. DOC: Conforme comentado em relação aos itens 2, 3 e 4, a simples existência de DOC creditado em contacorrente bancária não é determinante para se concluir que se trate de ingresso efetivo de numerário, eis que tais DOC podem se referir, também, a transferências interbancárias. Seria necessário, nestes casos, o aprofundamento da análise por parte da ilustre autuante, para a correta identificação do crédito. O Contribuinte está sendo autuado por omissão de receita, caracterizada pela falta de comprovação da origem dos depósitos/créditos efetuados em suas contas bancária, tendo por base legal o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, que assim dispõe: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Tal dispositivo legal estabeleceu uma presunção de omissão de receitas, autorizando a exigência de imposto de renda e de contribuições correspondentes, sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. A presunção em favor do Fisco transfere ao contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação com documentação própria e individualizada que justifique os ingressos ocorridos em suas contas correntes de modo a garantir que os créditos/depósitos bancários não constituem fato gerador do tributo devido, haja vista que pela mencionada presunção, a sua existência (créditos/depósitos bancários) desacompanhada da prova da operação que lhe deu origem, espelha omissão de receitas, justificandose sua tributação a esse título. Tratase, afinal, de presunção relativa, passível de prova em contrário. É função do Fisco, entre outras, comprovar o crédito dos valores em contas de depósito ou de investimento e intimar o titular da conta bancária a apresentar os documentos, informações e esclarecimentos, com vistas à verificação da ocorrência de omissão de receitas de que trata o artigo 42 da Lei nº 9.430/96. Contudo, a comprovação da origem dos recursos utilizados nessas operações é obrigação do contribuinte. Assim, a simples alegação de que “o histórico indicado pela autuante não permite a identificação das operações, tornando impossível qualquer tentativa de se esclarecer as razões dos créditos”, ou de que a simples existência de DOC “não é determinante para se concluir que se trate de ingresso efetivo de numerário, eis que tais DOC podem se referir, também, a transferências interbancárias efetuadas”, não têm o condão de afastar a presunção que corre contra o Contribuinte e, por consequência, o poder e o dever da Autoridade Fiscal de Fl. 610DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 17/07/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 10 considerar os valores depositados em conta bancária como receita, efetuando o lançamento do imposto e contribuições correspondentes. Nem poderia ser de outro modo, ante a vinculação legal decorrente do princípio da legalidade que rege a Administração Pública, cabendo ao agente seguir a legislação. Nesta senda, diante da ausência de prova produzia pelo Contribuinte mantém se o lançamento nesse aspecto. Já no que concerne a capacidade econômica para efetivar as movimentações financeiras com base no pagamento e quitação de Sinistro no valor de R$ 350.000,00 e venda de imóvel no montante de R$ 2.400.000,00, não se pode inferir pelos documentos acostados aos autos do processo administrativo tributário que os recursos movimentados nas contas bancárias do Contribuinte sejam advindos do prêmio ou da receita da venda do imóvel. Não há regularidade de datas ou valores que possam respaldar a defesa do Contribuinte. Desta feita, afastase o argumento do Contribuinte diante da falta de provas capaz de atestar que os referidos depósitos são provenientes dos fatos levantados. Conclusão Diante do exposto, oriento meu voto no sentido de rejeitar a preliminar e, no mérito, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para excluir do lançamento o montante de R$ 22.980,00 para o anocalendário de 2001, R$ 31.900,00 para o anocalendário de 2002 e R$ 3.600,00 para o anocalendário de 2003, todos referentes aos depósitos relacionados ao histórico de DOC D, devolução de cheque e devoluções de DOC D. Assinado Digitalmente Nathália Mesquita Ceia Fl. 611DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 17/07/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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Numero do processo: 11080.005067/2003-65
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jun 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/08/1990 a 30/09/1995
PAGAMENTO INDEVIDO. CRÉDITO RECONHECIDO. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO.
Apurado crédito a favor do contribuinte, deve o mesmo ser utilizado para homologar compensações declaradas, vinculadas a esse crédito, até o limite do valor reconhecido.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3302-002.529
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator.
EDITADO EM: 31/03/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes, Gileno Gurjão Barreto e Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/08/1990 a 30/09/1995 PAGAMENTO INDEVIDO. CRÉDITO RECONHECIDO. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. Apurado crédito a favor do contribuinte, deve o mesmo ser utilizado para homologar compensações declaradas, vinculadas a esse crédito, até o limite do valor reconhecido. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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CRÉDITO RECONHECIDO. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. Apurado crédito a favor do contribuinte, deve o mesmo ser utilizado para homologar compensações declaradas, vinculadas a esse crédito, até o limite do valor reconhecido. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA – Presidente e Relator. EDITADO EM: 31/03/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes, Gileno Gurjão Barreto e Mara Cristina Sifuentes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 50 67 /2 00 3- 65 Fl. 721DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11080.005067/200365 Acórdão n.º 3302002.529 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório No dia 23/05/2003 a empresa TERMOLAR S/A ingressou com o pedido de compensação, em papel, de débitos de PIS dos períodos de apuração de 01/03, 02/03 e 03/03, com créditos também de PIS, relativos a pagamentos efetuados a maior no período de 20/09/1993 a 07/01/1994 (períodos de apuração de 08/93 a 12/93), alegando a inconstitucionalidade dos DecretosLeis nº 2.445 e 2.449, ambos de 1988. A compensação declarada não foi homologada pela RFB e, depois de diversas decisões judiciais envolvendo tanto o crédito como o direito de compensação da recorrente, resultou sendo reconhecido a legitimidade das compensações efetuadas pela recorrente, ressalvado o direito de a Fazenda Nacional verificar a certeza e liquidez dos créditos utilizados pela recorrente nas compensações realizadas, nos termos da JUSTIFICATIVA DE NÃO INTERPOSIÇÃO DE RECURSO da PGFN (fl. 229) e decisões judiciais acostadas aos autos. A DRF em Porto Alegre RS apurou o crédito relativo aos pagamentos realizados a maior no período de 08/93 a 12/93 e os utilizou para homologar as compensações dos débitos objeto deste processo (PA 01/03, 02/03 e 03/03) e parte do débito de 04/03 (fl. 295), conforme Despacho Decisório DRF/POA nº 504/2008 e seus anexos. Ciente da decisão, a empresa interessada ingressou com a manifestação de inconformidade de fls. 329/312, na qual se limita a fazer alegações evasivas sobre os cálculos do crédito apurado pela RFB, sem, contudo, demonstrar qual o crédito que entende ter direito. A 2a Turma de Julgamento da DRJ em Porto Alegre RS indeferiu a solicitação da recorrente, nos termos do Acórdão no 1019.221, de 29/04/2009, cuja ementa abaixo transcrevo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/08/2003 a 31/12/2003 Ementa: A manifestação de inconformidade deve apontar os pontos específicos de discordância e as provas que possuir, não sendo cabível a alegação genérica de incorreção no demonstrativo de apuração do montante creditório, tampouco a alegação de cerceamento de direito de defesa por obscuridade nos cálculos, uma vez que tomou ciência do relatório fiscal que embasou a decisão da DRF jurisdicionante. Solicitação Indeferida A recorrente tomou ciência da decisão de primeira instância no dia 03/07/2009, conforme AR de fl. 362, e, discordando da mesma, ingressou, no dia 29/07/2009, com o recurso voluntário de fls. 363/367, no qual mantém seus evasivos argumentos e junta os demonstrativos de apuração de créditos de fls. 368/371, relativo aos pagamentos de PIS efetuados no período de 20/04/93 a 20/10/93 (Competência de 10/92 a 04/93). Nos referidos Fl. 722DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11080.005067/200365 Acórdão n.º 3302002.529 S3C3T2 Fl. 4 3 demonstrativos consta que foram realizados compensações nos dias 31/01/03, 28/02/2003 e 31/03/2003. Na forma regimental, o recurso voluntário foi a mim distribuído. Na sessão do dia 05/05/2011, o julgamento do recurso voluntário foi convertido em diligência para a DRF responder os quesitos abaixo formulados, nos termos da Resolução nº 330200.118. Quesitos formulados na Resolução: 1 intimar a recorrente a demonstrar e provar, com documentos hábeis e idôneos, o total do crédito a que julga ter direito, no limite e na forma decidida pelo Poder Judiciário, em decorrência dos pagamentos de PIS realizados com base nos Decretosleis nº 2.445 e 2.449, ambos de 1988; 2 intimar o contribuinte a demonstrar a utilização dos créditos acima nas compensações de débitos seus de PIS declarados à RFB (todas as compensações declaradas em papel ou em meio magnético); 3 manifestarse sobre a legitimidade do montante do crédito pleiteado pela recorrente, a que se refere o item 1; 4 manifestarse sobre as compensações declaradas, ou seja, se o crédito reconhecido é suficiente para a sua realização (extinção dos débitos); 5 informar se este processo trata, agora, somente da declaração de compensação de fl. 01 ou de todas (ou de algumas) das declarações de compensação apresentadas pela recorrente, vinculadas ao crédito a que se refere o item; 6 prestar os esclarecimentos e as informações que julgar importante para o deslinde da questão; 7 elaborar relatório circunstanciado da diligência. 8 dar ciência à recorrente desta resolução e do relatório da diligência, abrindolhe prazo para, querendo, manifestarse. A diligência foi realizada e a DRF de Porto Alegre elaborou a Informação DRF/POÁ/SEORT Nº 242, de 26/09/2013, na qual informa, em resumo: 1 que o presente processo trata da análise do crédito de PIS pleiteado pelo contribuinte, relativo ao período de apuração de maio de 1990 a setembro de 1995, no valor de R$ 530.619,03, atualizado até 1º/01/1996, bem como de todas as compensações de débitos do contribuinte que utilizaram este crédito; 2 o contribuinte utilizou o crédito acima para compensar, em sua contabilidade (sem declaração de compensação ou DCTF), débitos de PIS dos períodos de apuração de fevereiro de 1999 a fevereiro de 2000 e de junho de 2001 a dezembro de 2002, bem como apresentou as declarações de compensação de fls. 1, 2 e 149 a 168; Fl. 723DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11080.005067/200365 Acórdão n.º 3302002.529 S3C3T2 Fl. 5 4 3 o Mandado de Segurança nº 2000.71.00.0247319, impetrado no dia 29/08/2000, fixou o prazo de decadência em dez anos, contados da data de ocorrência do fato gerador, para o contribuinte utilizar os pagamentos indevidos na compensação de seus débitos. Por este razão, estão decaídos os recolhimentos relativos aos fatos geradores anteriores ao mês de agosto de 1990 (o contribuinte solicitou para os fatos geradores ocorridos desde maio/1990). 4 pelo Mandado de Segurança nº 2006.71.00.0520385 o contribuinte teve convalidado as compensações efetuadas antes do trânsito em julgado da decisão de reconhecimento do crédito; 5 obedecendo o decidido nas ações judiciais, foi apurado um crédito no valor de R$ 478.823,66, atualizado até 1º/01/1996 e relativo aos PA de 08/90 a 09/95. Deduzido deste crédito o valor dos débitos compensados na contabilidade do contribuinte (PA 02/99 a 02/00 e 06/01 a 12/02), foi apurado um crédito remanescente no valor de R$ 175.120,43 (atualizado até 01/01/1996), utilizável nas compensações de papel e eletrônicas de fls. 1, 2 e 149 a 168; Foi dado ciência à Recorrente do resultado da diligência e aberto prazo para manifestação. A Recorrente não se manifestou. É o relatório. Voto Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Relator. O Recurso Voluntário foi conhecido na sessão do dia 05/05/2011, quando o julgamento foi convertido em diligência. Como relatado, trata o presente de Declaração de Compensação com a utilização de crédito de PIS reconhecido em decisão judicial. O julgamento foi convertido em diligência para a DRF apurar o crédito reconhecido na decisão judicial e as compensações realizadas ou declaradas pela Recorrente utilizando os referidos créditos. Cumprido a diligência, constatou que estavam decaídos os créditos dos períodos de apuração de maio a julho de 1990 e, conseqüentemente, o valor do crédito reconhecido (R$ 478.823,66) foi inferior ao valor crédito pleiteado pela Recorrente (R$ 530.619,03). Do valor reconhecido foi excluído o valor das compensações realizadas pela Recorrente em sua contabilidade, restando um crédito de R$ 175.120,43 (atualizado até 01/01/1996) para ser utilizado nas compensações declaradas à RFB e constantes das fls. 1, 2 e 149 a 168 deste processo. Intimada, a empresa Recorrente não se manifestou sobre o resultado da diligência, fato este que deve ser entendido como concordância com o resultado da diligência. Fl. 724DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11080.005067/200365 Acórdão n.º 3302002.529 S3C3T2 Fl. 6 5 Portanto, devese reconhecer um crédito a favor da Recorrente no valor de R$ 175.120,43, atualizado até 01/01/1996, que deve ser utilizado pela Autoridade competente da RFB para homologar as compensações declaradas às fls. 1, 2 e 149 a 168, até o limite do crédito reconhecido. Insuficiente o crédito para homologar as referidas compensações, efetuar a cobrança do saldo devedor remanescente. Isto posto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o crédito no valor de R$ 175.120,43 (atualizado até 01/01/1996) e determinar que a autoridade da RFB homologue as compensações declaradas até o limite do crédito reconhecido. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Relator Fl. 725DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 11065.908426/2008-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jun 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. DIREITO AO RESSARCIMENTO DE PIS E CONFINS. AUSÊNCIA DE ESCRITURAÇÃO NO LIVRO REGISTRO DE APURAÇÃO DO IPI.CONSISTÊNCIA DA APURAÇÃO. A ausência de escrituração do cre´dito presumido do IPI apurado sob o regime alternativo da Lei 10.276/2001, não prejudica o direito creditório decorrente do benefício fiscal, mas posterga eventual aproveitamento mensal para o ini´cio do trimestre subseqüente, quando da apresentação da DCP.
Recurso Volunta´rio Provido em Parte
Numero da decisão: 3302-002.218
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
(assinado digitalmente)
ALEXANDRE GOMES - Relator.
EDITADO EM: 25/03/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Paulo Guilherme Deroulede, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes (Relator) e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: ALEXANDRE GOMES
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DIREITO AO RESSARCIMENTO DE PIS E CONFINS. AUSÊNCIA DE ESCRITURAÇÃO NO LIVRO REGISTRO DE APURAÇÃO DO IPI.CONSISTÊNCIA DA APURAÇÃO. A ausência de escrituração do cred́ito presumido do IPI apurado sob o regime alternativo da Lei 10.276/2001, não prejudica o direito creditório decorrente do benefício fiscal, mas posterga eventual aproveitamento mensal para o início do trimestre subseqüente, quando da apresentação da DCP. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES Relator. EDITADO EM: 25/03/2014 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 90 84 26 /2 00 8- 31 Fl. 198DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por ALEXANDRE GOMES 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Paulo Guilherme Deroulede, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes (Relator) e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Por bem retratar a matéria tratada no presente processo, transcrevese o relatório produzido pela DRJ de Porto Alegre: Tratase da manifestação de inconformidade tempestiva das fls. 3 a 5, contestando o Despacho Decisório eletrônico da fl. 2, emitido, em 24 de novembro de 2008, pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Novo Hamburgo. O DDE objeto da inconformidade não reconheceu o crédito demonstrado no Pedido Eletrônico de Restituição ou Ressarcimento e Declaração de Compensação (PER/DCOMP) no 30979.10535.270104.1.7.018861, em que foi solicitado/utilizado, a título de ressarcimento do IPI, no quarto trimestre de 2003, o valor de R$ 15.090,68, utilizado em compensações, em razão da ocorrência de glosa de créditos considerados indevidos e da constatação de que o saldo credor passível de ressarcimento é inferior ao valor pleiteado. Segundo o mesmo DDE, não foram homologadas as compensações declaradas no citado PER/DCOMP e nos PER/DCOMP nos 38565.40003.150204.1.3.012175 32577.27630.270104.1.3.018900, em face da inexistência de crédito. Na manifestação de inconformidade, o interessado se reporta aos fatos e às razões das manifestações de inconformidade objeto dos Processos nos 11065.900419/200629 e 11065.900420/200653 sobre DDE referentes aos segundo e terceiros trimestres de 2003, alegando que o crédito do quarto trimestre de 2003 é de R$ 13.516,66, tendo efetuado compensações de débitos nos valores de R$ 6.737,60, R$ 5.973,57 e R$ 2.379,51 nos três PER/DCOMPs citados no DDE, restando um saldo credor favorável ao estabelecimento, no valor de R$ 4.812,03, do qual diz ter estornado o valor de R$ 3.154,01, referente a crédito presumido do IPI. Com relação as glosas diz que os créditos das notas fiscais n°s. 32644 de 22/10/2003 e 32858 de 06/11/2003, anexas, são referentes a produto utilizado na água da caldeira para determinação do PH evitando a oxidação dos tubos por onde a mesma é conduzida e transformada em vapor para a desidratação dos produtos. Aduz que o código utilizado está incorreto, mas, o produto “liquimas”, objeto das notas fiscais, está integrado ao produto final, e, “embora, não apareça, faz parte do mesmo pela utilização direta na produção.” Fl. 199DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11065.908426/200831 Acórdão n.º 3302002.218 S3C3T2 Fl. 199 3 Além disso, argumenta que o sistema da Receita Federal utilizou compensações referentes ao segundo trimestre nos créditos do quarto trimestre. É o relatório. A par dos argumentos lançados na manifestação de inconformidade apresentada, a DRJ entendeu por bem deferir em parte a solicitação em decisão que assim ficou ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 RESSARCIMENTO DO SALDO CREDOR DO IPI. PER/DCOMP. ERRO DE PREENCHIMENTO. Constatado erro no preenchimento do PER/DCOMP, que resultou no indeferimento total do crédito pleiteado, cabível o reconhecimento do direito creditório nessa parte. GLOSA DE CRÉDITOS. MATÉRIASPRIMAS E PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. Somente são passíveis de ressarcimento as aquisições de insumos que subsumemse ao conceito de matériasprimas e produtos intermediários nos termos da legislação do IPI. CRÉDITOS PRESUMIDOS DO IPI. Somente são passíveis de ressarcimento os créditos presumidos de IPI escriturados no trimestrecalendário Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Contra esta decisão foi apresentado Recurso onde são reprisados os argumentos lançados na manifestação de inconformidade apresentada. É o relatório. Voto Conselheiro ALEXANDRE GOMES Relator O presente Recurso Voluntário é tempestivo, preenche os demais requisitos e dele tomo conhecimento. Do acórdão recorrido transcrevo trecho que bem resume a questão a ser analisada, senão vejamos: Fl. 200DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por ALEXANDRE GOMES 4 Os PER/DCOMPs citados no relatório que antecede este voto, impressos nas fls. 45 a 89, revelam que o interessado pretendeu compensar, com o saldo credor do IPI, passível de ressarcimento, por ele apurado no final do quarto trimestre de 2003, débitos nos valores de R$ 2.379,51 (fl. 45), 5.973,57 (fl. 50) e R$ 6.737,60 (fl. 55), os quais somam R$ 15.090,68, que foi o valor solicitado/utilizado. (...) A consulta às “Informações Complementares da Análise de Crédito”, alusivas ao DDE em questão, disponíveis no endereço eletrônico “www.receita.fazenda.gov.br”, revela, no “Demonstrativo de Créditos e Débitos (Ressarcimento de IPI)” (fl. 130), a existência de quatro débitos do referido imposto (coluna “j”), um no primeiro decêndio de outubro de 2003, no valor de R$ 23.300,37, um no segundo decêndio de outubro de 2003, no valor de R$ 84,00, um no terceiro decêndio de outubro de 2003, no valor de R$ 4.045,20, e outro no terceiro decêndio de dezembro de 2003, no valor de R$ 9.891,61. Os valores de R$ 23.300,37 e R$ 4.045,20, correspondem aos PER/DCOMP nºs 16842.59136.151003.1.3.017943 e 31340.77831.311003.1.3.01 6000 referentes às compensações relativas ao 3º trimestre de 2003 e informadas equivocadamente no campo “Estorno de Créditos” do Demonstrativo de Débitos do PER/DCOMP nº 30979.10535.270104.1.7.018861. Por sua vez o valor de R$ 9.891,61, corresponde ao valor da compensação informada nesse último PER/COMP, no valor de R$ 6.737,60, acrescido do valor de R$ 3.154,01, decorrente de estorno de crédito presumido do IPI conforme informado pelo manifestante, igualmente informados no campo “Estorno de Créditos” do Demonstrativo de Débitos do aludido PER/DCOMP. Concluise que, se os citados valores tivessem sido informados como “Ressarcimento de Créditos”, não teriam reduzido o saldo credor ressarcível no final do quarto trimestre de 2003. Destaca ainda que houve a glosa, no valor de R$ 72,00, de produto que não se enquadraria no conceito de matéria prima e produto intermediário bem como considerou como não passíveis de ressarcimento os valores denominados como “crédito presumido”, uma vez que os créditos presumidos de IPI, decorrentes do ressarcimento da Contribuição para oPIS/Pasep e da Cofins, previstos na Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, e na Lei nº10.276, de 10 de setembro de 2001 escriturados no trimestrecalendário, deveriam estar escriturados no trimestrecalendário na FICHA LIVRO REGISTRO DE APURAÇÃO DO IPI NO PERÍODO DO RESSARCIMENTO – ENTRADAS. A partir destas constatações, quantificou o crédito seguindo a tabela abaixo transcrita: Fl. 201DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11065.908426/200831 Acórdão n.º 3302002.218 S3C3T2 Fl. 200 5 A Recorrente também apresentou tabela de apuração dos seus créditos, como vemos a seguir: Fl. 202DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por ALEXANDRE GOMES 6 Como se pode verificar do cotejo entre as duas tabelas acima destacadas, a diferença entre os valores decorre de saldo do crédito de IPI do terceiro trimestre de 2003, no valor de R$ 4.812,03. Tais valores seriam decorrentes de créditos presumidos de IPI para ressarcimento de Pis e Cofins que não teriam sido escriturados no trimestre que se requer ressarcimento. Em apertada síntese, deixouse de analisar o credito presumido de IPI do Recorrente, ante a constatação de que este não havia sido escriturado. Sobre o tema, vale destacar decisão exarada pela 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento deste órgão colegiado, que nos autos do processo nº 11080.001914/200665, cujo relator foi o eminente Conselheiro Luiz Roberto Domingo e que assim se posicionou: Fl. 203DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11065.908426/200831 Acórdão n.º 3302002.218 S3C3T2 Fl. 201 7 Cabe ressaltar que, diante das sucessivas e ininterruptas apurações saldo credor de IPI que se constata no Livro Registro de Apuração desse imposto, a exigência de escrituração do crédito presumido apurado e declarado em DCP não alteraria o direito creditório da Recorrente conforma já explicitado na decisão que converteu o julgamento em diligência: “Ademais, inobstante a Recorrente confirmar que seu pedido de ressarcimento/compensação foi enviado no mesmo trimestrecalendário em que escriturou seu crédito presumido no Livro de Apuração do IPI, entendo que os princípios da instrumentalidade e da fungibilidade das formas podem ser invocados no presente caso, conforme precedente do próprio CARF, em acórdão de relatoria do Ilmo. Conselheiro Dr. Jorge Freire, no Processo Administrativo Fiscal no13976.000189/9606 – Acórdão 20173.440, que firmou entendimento no sentido de que a possibilidade de se apurar o saldo credor do benefício pleiteado por outras formas, que não a objetivamente prevista, não prejudicará o direito do contribuinte, vejamos: Ementa IPI CRÉDITO INCENTIVADOS 1 Descabe limitação ao benefício instituído pela Lei no 8.402/92(art. 1o, II, c/c o art. 2o) pelo singelo fato de o cred́ito não ter sido escriturado no Livro Registro de Apuração, se o fisco, por outros meios, conclui que o crédito é líquido e certo. A norma veiculadora do referido incentivo fiscal não fulmina o próprio direito pela inobservância de forma quanto à escrituração do mesmo no Livro de Apuração do IPI. 2 Firmouse o escólio na Câmara Superior de Recursos Fiscais que a correção monetária, por não se constituir em nenhum plus, requeira expressa previsão legal. Recurso Voluntário provido. Tal posicionamento, inclusive, reforça a vinculação do Processo Administrativo ao princípio da verdade real, de modo que, na possibilidade de se demonstrar eventual saldo positivo do crédito presumido de IPI em favor da Recorrente, por outra forma igualmente idônea que não seja a estipulada pelo art. 22 da Instrução Normativa no 315/2003, indiscutível será o seu direito ao ressarcimento/compensação, na forma do art. 4º Lei no 9.363/99, vejamos: Art. 4º Em caso de comprovada impossibilidade de utilização do crédito presumido em compensação do Imposto sobre Produtos Industrializados devido, pelo produtor exportador, nas operações de venda no mercado interno, farseá o ressarcimento em moeda corrente. Desta forma, entendo que a norma de regência, ao dispor “em cado de comprovada impossibilidade de utilização do crédito presumido em compensação do Imposto sobre Produtos Industrializados devido”, dá ensejo que havendo saldo credor ou tendo sido recolhido o IPI resultado da apuração em livro próprio, o valor apurado em DCP e objeto de pedido administrativo de ressarcimento autônomo, consiste em forma Fl. 204DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por ALEXANDRE GOMES 8 que atendo ao objetivo da lei, qual seja, “farseá o ressarcimento em moeda corrente”. A Portaria MF nº 38/1997, é mais explícita ao dispor, em seu art. 4º que a apuração poderá ser feita de forma centralizada no estabelecimento Matriz, inobstante de esse estabelecimento ser ou não contribuinte do IPI, facultando a transferência a filiais: Art. 4º O crédito presumido será utilizado pelo estabelecimento produtor exportador para compensação com o IPI devido nas vendas para o mercado interno, relativo a períodos de apuração subseqüentes ao mês a que se referir o cred́ito. ... § 3º No caso de impossibilidade de utilização do cred́ito presumido na forma do caput ou do § 1º, o contribuinte poderá solicitar, à Secretaria da Receita Federal, o seu ressarcimento em moeda corrente. § 4º pedido de ressarcimento será apresentado por trimestre calendário, em formulário próprio, estabelecido pela Secretaria da Receita Federal. § 5º O ressarcimento em moeda corrente, na hipótese de apuração centralizada, será efetuado ao estabelecimento matriz. § 6º Constitui requisito para a fruição do crédito presumido a inexistência de deb́ito relacionado com tributos ou contribuições federais de responsabilidade da empresa. Assim, o requisito da escrituração não é exclusivo para dar ao contribuinte produtor exportador o direito ao Cred́ito Presumido de IPI. Ademais, é de saltar aos olhos que a fiscalização procedeu à apuração do cred́ito presumido de IPI dos períodos de 2º, 3º Trimestres de 2003 e 1º Trimestre de 2004 sem que houvesse a escrituração mensal dos Créditos Presumidos de IPI nos meses imediatamente anteriores. Diante do exposto, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao presente recurso afastar a exigência de escrituração dos créditos pleiteados nos livros fiscais de IPI e determinar o retorno dos autos à origem para a análise do crédito pleiteado. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES Relator Fl. 205DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11065.908426/200831 Acórdão n.º 3302002.218 S3C3T2 Fl. 202 9 Fl. 206DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por ALEXANDRE GOMES
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Numero do processo: 10980.015632/2008-09
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri May 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2004, 2005, 2006
ITR. IMÓVEL EM CONDOMÍNIO. LANÇAMENTO NO CONTRIBUINTE DECLARANTE. LEGALIDADE.
A solidariedade prevista no artigo 124 do CTN aplica-se a todas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. O lançamento deve ser efetuado no contribuinte declarante, enquanto o imóvel permanecer indiviso.
ITR. ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL (APA). REQUISITOS.
Para efeito de exclusão do ITR, somente serão aceitas como Área de Proteção Ambiental aquelas assim declaradas, em caráter especifico, mediante ato específico da autoridade competente, estadual ou federal, conforme o caso.
Numero da decisão: 2201-002.348
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de ilegitimidade passiva. No mérito, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Nathalia Mesquita Ceia e Jimir Doniak Junior (Suplente convocado), que deram provimento parcial ao recurso para acatar a área ambiental constante do ADA. Fez sustentação oral pelo Contribuinte a Dra. Ana Carolina Coelho Araújo, OAB/DF 32.582.
Assinado Digitalmente
Eduardo Tadeu Farah Relator
Assinado Digitalmente
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado), Jimir Doniak Junior (Suplente convocado), Nathalia Mesquita Ceia, Walter Reinaldo Falcao Lima (Suplente convocado) e Eduardo Tadeu Farah. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad.
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IMÓVEL EM CONDOMÍNIO. LANÇAMENTO NO CONTRIBUINTE DECLARANTE. LEGALIDADE. A solidariedade prevista no artigo 124 do CTN aplicase a todas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. O lançamento deve ser efetuado no contribuinte declarante, enquanto o imóvel permanecer indiviso. ITR. ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL (APA). REQUISITOS. Para efeito de exclusão do ITR, somente serão aceitas como Área de Proteção Ambiental aquelas assim declaradas, em caráter especifico, mediante ato específico da autoridade competente, estadual ou federal, conforme o caso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de ilegitimidade passiva. No mérito, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Nathalia Mesquita Ceia e Jimir Doniak Junior (Suplente convocado), que deram provimento parcial ao recurso para acatar a área ambiental constante do ADA. Fez sustentação oral pelo Contribuinte a Dra. Ana Carolina Coelho Araújo, OAB/DF 32.582. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah – Relator Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 01 56 32 /2 00 8- 09 Fl. 367DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado), Jimir Doniak Junior (Suplente convocado), Nathalia Mesquita Ceia, Walter Reinaldo Falcao Lima (Suplente convocado) e Eduardo Tadeu Farah. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad. Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto Sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, exercícios 2004 a 2006, consubstanciado no Auto de Infração (fls. 01/26), pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 6.074.582,01, relativo ao imóvel rural denominado “Fazenda Capivari”, com área total de 7.454,2 ha, com Número na Receita Federal – NIRF 7.107.1687, localizado no município de Campina Grande do Sul PR. A fiscalização efetuou a glosa integral da área de pastagens, além de alterar o Valor da Terra Nua (VTN) com base no SIPT. Cientificado do lançamento, o interessado apresentou tempestivamente Impugnação, alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis: 6.1. De início ressaltou que houve um equívoco de sua parte nas declarações, haja vista que não existem quaisquer benfeitorias no imóvel, sejam culturas, pastagens, gado, etc. Nada além de floresta. (...) 6.3. O fato é que quando do cadastramento, por equívoco – foi contratado um despachante para isso –, foram relacionados tais bens, sendo que na declaração de 2008 a retificação foi efetivada e, destarte, não há que se cogitar em infração por ausência de notas fiscais de vacina para animais, como descrito no Auto. 6.4. Portanto, a base de cálculo do eventual tributo, desde logo já se mostra errônea; não por culpa da Administração, mas, por erro na declaração, que ora retifica, não obstante já o tenha feito em 2008. 6.5. Por questão de bom senso não seria crível que, por um mero equívoco de sua parte – por ato de terceiro contratado –, deva pagar mais de seis milhões de reais de imposto e que, em caso de dúvida, solicita uma inspeção, vistoria ou perícia administrativa na área para se comprovar o alegado. (...). 6.7. Por outro lado, a área se situa em Área de Proteção Ambiental – APA, mais precisamente APA de Guaraqueçaba e, por tais razões, em face de perda da propriedade pelo Ato Governamental ajuizou Ação de Desapropriação indireta a fim de ser indenizado pela União, estando em fase de Sentença para se apurar o valor indenizatório (cópia em anexo). Fl. 368DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10980.015632/200809 Acórdão n.º 2201002.348 S2C2T1 Fl. 3 3 (...) 6.9. Na seqüência se aprofundou na questão da APA; do decreto de sua criação, ficando a União indiretamente proprietária do imóvel; disse ser de bom grado que se aguarde o desfecho da ação de desapropriação, porquanto faleceria, no momento, legitimidade para a cobrança do ITR, até porque a União será credora/devedora de si, mesmo porque, os efeitos da sentença retroagirão à data do ato expropriatório indireto, ou seja, passará para a propriedade da União a contar de 1985 para essa finalidade tributária. 6.10. Disse juntar laudo pericial judicial, onde se comprova que no local não existe qualquer criação ou benfeitorias, bem como, apesar de o Estado entender que aquela área é sustentável, os proprietários ficam tolhidos em seu direto de explorála economicamente e obter renda. 6.11. Pelo exposto requereu seja provida a impugnação, para anular o AI, ou caso assim não se entenda, seja suspendido o procedimento, aguardando o julgamento definitivo da ação de desapropriação. 6.12. Informou, por fim, que como membro da Justiça da União, tem de bom grado esclarecer que, acaso seja constituído um crédito tributário indevido por conta do AI e, conseqüentemente, inscrição de seu nome no rol dos devedores, abalando seu crédito e sua moral, indubitavelmente acarretará o ajuizamento de ações por danos morais e materiais, com efeito regressivo ao servidor, nos termos da constituição Federal de 1988 e lei nº 8.112/1990, sem prejuízo das sanções administrativas pertinentes. (...) Entre os documentos encaminhados em atenção à intimação consta cópia da carteira de identidade funcional, referente ao cargo de Juiz de Direito do Distrito Federal, e um cartão de visita, bem como nova manifestação a respeito do lançamento, onde o interessado diz ratificar os termos da impugnação e reproduziu jurisprudência judicial que trata de desapropriação indireta. A 1ª Turma da DRJ em Campo Grande/MS julgou integralmente procedente o lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas: Área de Proteção Ambiental APA Legalmente, a Área de Proteção Ambiental APA é uma área em geral extensa, com certo grau de ocupação humana, dotada de atributos abióticos, bióticos, estéticos ou culturais especialmente importantes para a qualidade de vida e o bemestar das populações humanas, e tem como objetivos básicos proteger a diversidade biológica, disciplinar o processo de ocupação e assegurar a sustentabilidade do uso dos recursos naturais. Por isso, a sua exploração tem especial controle pelos órgãos Fl. 369DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 4 ambientais. Porém, o fato de um imóvel estar localizado em uma APA, por si só, não o torna, automaticamente, isento de ITR, mas, somente as Áreas de Preservação Permanente APP nela contidas, sejam as definidas pelo só efeito do Código Florestal ou assim declaradas por Ato do Poder Público em caráter especifico para determinada área da propriedade e desde que cumpridas as demais exigências legais para tal exclusão tributária. Preservação Permanente Reserva Legal Requisitos de Isenção A concessão de isenção de ITR para as Áreas de Preservação Permanente APP ou de Utilização Limitada AUL, como Área de Reserva Legal ARL, está vinculada à comprovação de sua existência, como laudo técnico específico e averbação na matrícula até a data do fato gerador, respectivamente, e de sua regularização através do Ato Declaratório Ambiental ADA, cujo requerimento deve ser protocolado no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis IBAMA em até seis meses após o prazo final para entrega da Declaração do ITR. A prova de uma não exclui a da outra. Isenção Hermenêutica A legislação tributária para concessão de benefício fiscal interpretase literalmente, assim, se não atendidos os requisitos legais para a isenção, a mesma não deve ser concedida. Matéria não impugnada Pastagem Atividade Pecuária Considerase como nãoimpugnada a parte do lançamento se o impugnante confirma que os dados glosados pelo Fisco haviam sido equivocadamente declarados e que não existem na propriedade rural. Matéria não impugnada Valor da Terra Nua VTN Considerase como nãoimpugnada a parte do lançamento que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte. Valor da Terra Nua VTN Comprovante com valor superior Em respeito à vedação do reformatio in pejus deve ser mantido o Valor da Terra Nua VTN arbitrado pelo Fisco, sendo desconsiderada a documentação trazida pelo impugnante se a mesma atestar valor superior ao do constante do lançamento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimado da decisão de primeira instância em 16/11/2010 (fl. 175), o autuado apresenta Recurso Voluntário em 15/12/2010 (fls. 176 e seguintes), sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos defendidos em sua Impugnação. É o relatório. Voto Fl. 370DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10980.015632/200809 Acórdão n.º 2201002.348 S2C2T1 Fl. 4 5 Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, Relator O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade. Como visto do relatório, a autoridade fiscal efetuou a glosa integral da área declarada como pastagem, além de alterar o VTN, com base no SIPT, conforme demonstrativo de fls. 18/20. Antes de se entrar no mérito da questão, cumpre enfrentar a preliminar suscitada pelo recorrente. Alega o suplicante, em linhas gerais, nulidade exigência, pois a autoridade fiscal deveria efetuar o lançamento contra os três condôminos, quais sejam, Jane Fialho de Almeida (Jane Fialho de Almeida Franco), Jansen Fialho de Almeida e Ceres Fialho de Almeida. Quanto à preliminar supra, verifico, pois, que não assiste razão ao recorrente. Em verdade, o imóvel rural que for titulado a várias pessoas físicas ou jurídicas, enquanto for mantido indiviso, deve ser declarado por somente um dos titulares, na condição de condômino declarante (IN SRF nº 256/2002, art. 39). A solidariedade prevista no artigo 124 do CTN aplicase a todas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, e o lançamento deve ser efetuado no contribuinte declarante, enquanto o imóvel pertencer a várias pessoas. Portanto, correta a eleição do contribuinte como sujeito passivo da obrigação tributária. No mérito, aduz o contribuinte que o imóvel está situado na Área de Proteção Ambiental de Guaraqueçaba, no Estado do Paraná, criada pelo Decreto n° 90.883, de 31 de Janeiro de 1985. Assevera ainda que “as limitações impostas ao imóvel do contribuinte pelo Decreto n° 90.883, de 31 de Janeiro de 1985, além de lhe retirar os atributos do exercício da propriedade, excluem da base de cálculo do tributo toda a área do imóvel, nos termos do art. 1º da Lei nº 9.393/1996”. Por fim, afirma que a caracterização da área nos termos definidos pelo art. 10, § 1º, II, e, da Lei 9.393/1996 consta da prova pericial produzida na Ação de Desapropriação Indireta nº 2005.34.00.0015490 da 21ª Vara da Seção Judiciária do Distrito Federal. Pois bem, a Lei n° 9.985, de 18 de julho de 2000, instituiu o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza – SNUC cujo objetivo é a utilização racional dos recursos naturais, sendo admitida a coleta e uso, comercial ou não, dos recursos naturais, mas de forma planejada e regulamentada. Nesse grupo está inserido a APA Área de Proteção Ambiental. As propriedades privadas inseridas dentro dos limites de uma APA podem ser exploradas economicamente, desde que observadas as normas e restrições impostas pelo órgão ambiental gestor. As restrições variam dentro de uma APA de forma que o zoneamento ecológicoeconômico indicará as atividades a serem encorajadas em cada zona e as que deverão ser limitadas, restringidas ou proibidas. Daí decorre a necessidade do reconhecimento específico do poder público, ou seja, em que zona ecológica e econômica se insere a propriedade (ou frações desta). Portanto, diferentemente do que defende o recorrente, para se obter a isenção tributária, não basta, simplesmente, reservar e/ou preservar e declarar, pois, essas áreas, além Fl. 371DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 6 de existirem, atendendo à legislação ambiental, têm que estar documentadas, regularizadas e atualizadas, toda vez que assim a lei tributária exigir para serem contempladas com a isenção. No que tange à prova pericial produzida na Ação de Desapropriação Indireta nº 2005.34.00.0015490 da 21ª Vara da Seção Judiciária do Distrito Federal, em nada socorre o suplicante, pois, para efeito de exclusão do ITR, não serão aceitas como de interesse ecológico ou como de preservação permanente as áreas assim declaradas, em caráter geral, por região local ou nacional, como as situadas em APA, mas sim, apenas as declaradas, em caráter específico, para determinadas áreas da propriedade particular. Ademais, conforme bem pontuou a autoridade recorrida “... a Ação Judicial de Indenização mencionada pelo impugnante não transitou em julgado, não há sentença a ser analisada, não havendo, assim, possibilidade legal de considerar ocorrida tal desapropriação na esfera administrativa para anular o lançamento, com mais razão se a Autuação, embasada em declaração inexata confirmada pelo impugnante, foi corretamente efetuada”. Ressaltese que a existência do ADA, fls. 64/65, em nada altera meu posicionamento, pois para efeito de exclusão do ITR, somente serão aceitas como Área de Proteção Ambiental aquelas assim declaradas, em caráter especifico, mediante ato específico da autoridade competente, estadual ou federal, conforme o caso. Por fim, conforme bem pontuado pela autoridade recorrida, o contribuinte não se manifestou contra o VTN arbitrado pela fiscalização. Ante o exposto, voto por rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 372DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por EDUARDO TADEU FARAH
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