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Numero do processo: 13875.720210/2012-12
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2007
RECURSO. DIREITO CREDITÓRIO. COMPETÊNCIA.
Não cabe ao CARF se pronunciar sobre direito creditório fora dos limites da lide.
Numero da decisão: 2002-000.279
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2007 RECURSO. DIREITO CREDITÓRIO. COMPETÊNCIA. Não cabe ao CARF se pronunciar sobre direito creditório fora dos limites da lide.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
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PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. COMPETÊNCIA. Recorrente OLIVIA MARIA DA SILVA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007 RECURSO. DIREITO CREDITÓRIO. COMPETÊNCIA. Não cabe ao CARF se pronunciar sobre direito creditório fora dos limites da lide. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 87 5. 72 02 10 /2 01 2- 12 Fl. 75DF CARF MF Processo nº 13875.720210/201212 Acórdão n.º 2002000.279 S2C0T2 Fl. 76 2 Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (fls. 14/18), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a alterações na declaração de ajuste anual do contribuinte acima identificado, relativa ao exercício de 2008. A autuação implicou na alteração do resultado apurado de saldo de imposto a pagar de R$863,31 para saldo de imposto a pagar de R$3.999,25. A notificação consigna omissões de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, decorrentes do trabalho (R$796,08) e de ação da Justiça Federal (R$25.001,09, tendo sido compensado IRRF de R$1.610,62). Impugnação Cientificada à contribuinte em 26/10/2012, a NL foi objeto de impugnação, em 23/11/2012, à fl. 2/7 dos autos, na qual a contribuinte contesta parcialmente a exigência. Ela nega que tenha auferido rendimentos em decorrência de ação judicial. Posteriormente, em 14/12/2012, a contribuinte volta a se manifestar (fls.24/28), informando que, do valor informado pelo Banco do Brasil em DIRF, ela teria recebido o montante de R$13.365,13, conforme atestaria documentação anexada a sua defesa. A impugnação foi apreciada na 4ª Turma da DRJ/POA que, por unanimidade, julgou a impugnação procedente em parte por (fls. 32/35) em decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007 OMISSÃO DE RENDIMENTOS AUFERIDOS DE PESSOA JURÍDICA. Deve ser mantido o lançamento decorrente da omissão de rendimentos na Declaração de ajuste Anual, verificada a partir das informações prestadas pelo contribuinte e das informações constantes nos sistemas da Receita Federal do Brasil. Posteriormente, após encaminhamento da Unidade da RFB responsável pela execução do julgado (fl.42), a DRJ proferiu nova decisão, para retificar a anteriormente proferida, tendo sido assim ementada (fls. 46/50): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007 Fl. 76DF CARF MF Processo nº 13875.720210/201212 Acórdão n.º 2002000.279 S2C0T2 Fl. 77 3 RETIFICAÇÃO DE ACÓRDÃO INEXATIDÃO MATERIAL Deve ser retificado o Acórdão, quando constatada inexatidão material por lapso manifesto. OMISSÃO DE RENDIMENTOS AUFERIDOS DE PESSOA JURÍDICA. Deve ser cancelado o lançamento decorrente da omissão de rendimentos na Declaração de ajuste Anual, quando comprovado erro na informação do CNPJ da fonte pagadora. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Consolidase administrativamente o crédito tributário relativo à matéria não impugnada. Recurso voluntário Ciente do acórdão de impugnação em 13/3/2018 (fl. 71), a contribuinte, em 3/4/2018 (fl. 55), apresentou recurso voluntário, às fls. 55/68, no qual alega, em apertado resumo, que a nova decisão proferida ignorou os valores já recolhidos por ela e apontados no despacho de saneamento à fl.42 dos autos, de R$381,37 e de R$1.125,75, pago em 16/2/2009 (fl.57). Fl. 77DF CARF MF Processo nº 13875.720210/201212 Acórdão n.º 2002000.279 S2C0T2 Fl. 78 4 Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Relatora Admissibilidade O recurso é tempestivo, entretanto é de se analisar se cabe sua apreciação por este Colegiado. Da leitura da manifestação às fls. 55/56, constatase que a contribuinte reclama valores a restituir decorrentes da decisão exarada: o saldo de imposto a restituir de R$381,37, apurado com o processamento dos novos valores de rendimentos e de IRRF apontados na decisão da DRJ, e o valor de R$1.125,75, apurado e recolhido por ela por ocasião da apresentação de Declaração de Ajuste retificadora, conforme demonstrado à fl.42. Esse pedido ultrapassa os limites da controvérsia fixada pela notificação fiscal e impugnação, circunscrita à exigência de imposto suplementar. A análise desse direito creditório compete à Delegacia da Receita Federal do Brasil de jurisdição do domicílio tributário da recorrente, a quem deve ser direcionado. Conclusão Pelo exposto, voto por não conhecer do recurso apresentado. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 78DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.724314/2011-20
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 31/08/2006
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON.
A entrega do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais - Dacon após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa moratória correspondente.
BASE DE CÁLCULO DA MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. COFINS DEVIDA NO MÊS.
A base de cálculo da multa por atraso na entrega do Dacon é o montante da Cofins, entendendo-se como o total da Cofins devida no mês.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-005.860
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10980.724292/2011-06, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Walker Araujo, Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 31/08/2006 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. A entrega do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais - Dacon após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa moratória correspondente. BASE DE CÁLCULO DA MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. COFINS DEVIDA NO MÊS. A base de cálculo da multa por atraso na entrega do Dacon é o montante da Cofins, entendendo-se como o total da Cofins devida no mês. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10980.724292/2011-06, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Walker Araujo, Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede.
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Recorrente BRASCERAS S.A. INDUSTRIA E COMERCIO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 31/08/2006 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. A entrega do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa moratória correspondente. BASE DE CÁLCULO DA MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. COFINS DEVIDA NO MÊS. A base de cálculo da multa por atraso na entrega do Dacon é o montante da Cofins, entendendose como o total da Cofins devida no mês. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10980.724292/201106, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Walker Araujo, Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 43 14 /2 01 1- 20 Fl. 177DF CARF MF Processo nº 10980.724314/201120 Acórdão n.º 3302005.860 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o processo de exigência decorrente de multa por atraso na entrega do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, tendo como fundamento legal o art. 7° da Lei n° 10.246, de 24 de abril de 2002, com redação dada pelo art. 19 da Lei n° 11.051, de 29 de dezembro de 2004. Cientificada da exigência fiscal, a interessada interpôs impugnação, alegando improcedência do lançamento, uma vez que o auto de infração não trouxe descrição clara e precisa do fato que ensejou a autuação, sem oferecer meios suficientes para se defender da infração. Diz que o demonstrativo do crédito tributário é extremamente simplista, de modo que não analisa os créditos apurados e transcritos no Dacon do período. Ressalta, que a fiscalização restringiuse a calcular a multa sobre o total dos débitos da Cofins (Item 15 da Ficha 25B), sem verificar a existência dos créditos declarados na Ficha 25B na Linha 18. Desse modo, entende que para o cálculo da multa deveria ser utilizado o valor da Cofins a Pagar Faturamento (Linha 27) e não o valor da Cofins Devida no mês (Linha 15), pois, houve no período a dedução da contribuição retida na fonte por pessoa jurídica de direito privado, não diminuída da base de cálculo do lançamento. A 3a Turma da Delegacia Regional de Julgamento em Curitiba/PR, por unanimidade de votos, considerou PROCEDENTE o presente lançamento, mantendo a exigência, nos termos do Acórdão nº 06039.981. Entendeu a Turma que: ü Os elementos necessários à constituição do crédito tributário encontramse devidamente demonstrados, sendo prescindível quaisquer outros esclarecimentos que, porventura, a contribuinte pudesse precisar para oferecer uma impugnação consistente; ü Percebese que o valor da base de cálculo da multa nada mais é do que a composição de importâncias informadas pela interessada em seu Dacon. E isso, digase, foi bem entendida pela contribuinte, já que em sua impugnação demonstrou claramente a sua discordância em relação ao seu entendimento para se chegar à base de cálculo em contrapartida ao valor obtido pela autoridade lançadora. ü A irresignação da interessada consiste no fato de o lançamento considerar como base de cálculo da multa (“Montante da Cofins”) o valor da Cofins Devida e não o da Cofins a Pagar; ü Na verdade, a interessada entende que da base de cálculo considerada como “Montante da Cofins” deveria ainda ser excluída a importância retida na fonte por Pessoas Jurídicas de Direito Privado; ü No entanto, a retenção na fonte no caso de pagamentos efetuados pelas pessoas jurídicas a outras pessoas jurídicas de direito privado é Fl. 178DF CARF MF Processo nº 10980.724314/201120 Acórdão n.º 3302005.860 S3C3T2 Fl. 4 3 considerada como antecipação do valor devido, já que podem ser deduzidos das contribuições devidas de mesma espécie, conforme disciplina a Instrução Normativa SRF n ° 459, de 18 de outubro de 2004, em seu art. 7°. Ora, uma vez apurado o montante da contribuição devida, esta poderá ser diminuída pela dedução dos valores dessa mesma contribuição que foram retidos na fonte, no próprio mês ou em meses posteriores, para efeito de recolhimento. Isso porque a referida retenção caracterizase como um pagamento antecipado e, assim sendo, o valor que serviu de base para a retenção constitui uma receita que compõe a base de cálculo para apurar o valor da contribuição devida. Mas, frisese, o valor da contribuição devida sempre será a mesma, quer a interessada utilize ou não a retenção sofrida no período. Cientificada do Acórdão de Impugnação, a empresa BRASCERAS ingressou com Recurso Voluntário. Foi alegado que: ü A Requerente é empresa, constituída sob. a forma de sociedade anônima Fechada, e, nessa condição, é contribuinte de diversos, tributos, inclusive da COFINS, que é regularmente recolhido aos cofres públicos nos prazos e formas previstos em lei; ü A requerente apurou devidamente a COFINS, o que resultou em valor a recolher; ü O referido valor foi devidamente recolhido aos cofres públicos no prazo legal; ü A despeito disso, a empresa apresentou com atraso, porém espontaneamente a DACON referente ao período de apuração; ü Como visto, o presente processo discute especificamente a multa sobre o atraso na, entrega da DACON, portanto é importante destacar que a Requerente, apresentou o referido documento para Receita, o. qual foi devidamente preenchido respeitando todos os requisitos e condições legais exigidos; ü O fato é que o preenchimento da DACON, que é o Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais, consiste na apuração dos débitos e créditos resultando no valor a recolher ou o crédito disponível para o mês subsequente; ü Ocorre que na referida DACON, a Requerente para a contribuição da COFINS apurou o total de débitos conforme item 15 da Ficha 25 B, e também apurou o total de créditos, conforme item 18 da Ficha 25 B, resultando, assim em valor da COFINS a pagar, conforme item 27 da Ficha 25 B; Fl. 179DF CARF MF Processo nº 10980.724314/201120 Acórdão n.º 3302005.860 S3C3T2 Fl. 5 4 ü O Auto de Infração, apontou como enquadramento legal o artigo 7° da Lei 10.246, de 24 de abril de 2002, com redação dada pelo artigo 19 da Lei n° 11.051, de 29 de dezembro de 2004; ü Ocorre que esses dispositivos não foram devidamente interpretados pela, fiscalização, pois o inciso III do artigo 7° acima mencionado deixa claro que aplicação da multa deve ser feita em relação ao montante da COFINS, e não sobre o valor dos débitos apurados; ü Assim, além de o Auto de Infração mostrarse insuficiente na descrição dos fatos, está confuso na sua própria fundamentação, uma vez que os dispositivos mencionados não foram analisados pela. D. Fiscalização e, tampouco, aplicados corretamente ensejando uma multa com valores excessivos conforme demonstrado em quadro apresentado no Recurso Voluntário; ü Não há dúvidas de que em nenhum momento, o legislador estipulou outra alternativa que não seja a aplicação da multa por atraso a ser calculada em relação a montante da contribuição da COFINS; ü Portanto, qualquer que seja a leitura que se faça, o que se percebe é que houve um equívoco no cálculo da multa aplicada no Auto de Infração, onde a D. Fiscalização desconsiderou o dispositivo legal e calculou a multa sobre o valor total dos débitos do mês, sem ao menos, considerar os créditos devidamente declarados; ü Invoca os princípios da Razoabilidade e da Proporcionalidade; ü Como se mota, nesta hipótese, o atraso na entrega da DACON, ainda que caracterize um ilícito, à legislação fiscal que estipula o prazo para entrega da declaração, não trará maiores prejuízos para a Fazenda, já que não representará atraso no recolhimento do tributo, e, tampouco, qualquer tentativa de fraude em prejuízo da arrecadação; ü As multas pelo descumprimento de obrigação acessória, por sancionarem deveres instrumentais sem correspondência, econômica delimitável, devem ser fixadas sempre em valor fixo, e não tomar por base o valor do tributo declarado; ü No caso das multas por descumprimento de obrigação acessória, tal medida não é razoável, posto que a medida que se pretende coibir com a sanção não é a falta de recolhimento, mas sim a falta ou o atraso na prestação de informações; ü Neste contexto temos que à luz do princípio da proporcionalidade, a seguinte. conclusão ainda que o percentual da multa prevista na legislação possa ser considerado, à primeira vista, tolerável, o fato é que a multa pelo atraso na entrega da DACON, calculada com base no valor total do tributo apurado informado na declaração e não pelo tributo devido, viola o princípio da proporcionalidade e do não confisco. A CONCLUSÃO E O PEDIDO Fl. 180DF CARF MF Processo nº 10980.724314/201120 Acórdão n.º 3302005.860 S3C3T2 Fl. 6 5 Dessa forma, requerse. o conhecimento e provimento integral do presente Recurso Voluntário, e assevera ainda que: 1. os documentos apresentados pela Requerente demonstram que o montante da COFINS recolhido correspondem exatamente aos valores declarados no DACON; 2. o cálculo da multa feita pela Fiscalização foi feita de forma equivocada, pois tomou como base de cálculo o valor total dos débitos da COFINS', ao invés de utilizar o montante da COFINS recolhido; Caso entenda V.Sa. pela aplicação da multa que a mesma seja, calculada pelo montante da COFINS recolhida , requer ainda, que sejam mantidas: a) manutenção da aplicação da redução da multa em 50% (cinquenta por cento) em virtude da entrega espontânea do demonstrativo; b) a redução de 50% para pagamento à vista, ou 40% para os pedidos de parcelamento formalizados no neste mesmo prazo. É o relatório. Fl. 181DF CARF MF Processo nº 10980.724314/201120 Acórdão n.º 3302005.860 S3C3T2 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302005.848, de 25 de setembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10980.724292/201106, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302005.848): "Da admissibilidade. Por conter matéria desta E. Turma da 3a Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte, considerando que a recorrente teve ciência da decisão de primeira instância em 08 de maio de 2013, via Aviso de Recebimento, às folhas 55 do processo digital. O recurso voluntário foi apresentado em 06 de junho de 2013, sendo portanto tempestivo. Da controvérsia. O Recurso Voluntário apresenta as seguintes questões: A inobservância pela fiscalização do inciso III, do artigo 7° da Lei 10.246, de 24 de Abril de 2002, com redação dada pelo artigo 19 da Lei n° 11.051, de 29 de Dezembro de 2004; A aplicação dos os princípios da Razoabilidade e da Proporcionalidade; O atraso na entrega da DACON não representou falta de recolhimento de tributo, na medida em que todos os tributos informados na declaração foram pagos dentro do vencimento. Do mérito. A inobservância pela fiscalização do inciso III, do artigo 7° da Lei 10.246/2002. O artigo em questão assim dispõe: Art. 7o O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, Fl. 182DF CARF MF Processo nº 10980.724314/201120 Acórdão n.º 3302005.860 S3C3T2 Fl. 8 7 ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de nãoapresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante do imposto de renda da pessoa jurídica informado na DIPJ, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; II de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica ou na Dirf, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas Declarações ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; III de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante da Cofins, ou, na sua falta, da contribuição para o PIS/Pasep, informado no Dacon, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo; e (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) IV de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) § 1o Para efeito de aplicação das multas previstas nos incisos I, II e III do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, da lavratura do auto de infração. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) § 2º Observado o disposto no § 3º, as multas serão reduzidas: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; II a setenta e cinco por cento, se houver a apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: (Vide Lei nº 11.727, de 2008) I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de pessoa física, pessoa jurídica inativa e pessoa jurídica optante pelo regime de tributação previsto na Lei nº 9.317, de 1996; II R$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos. A transmissão do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais pela interessada ocorreu em 25/10/2007, quando o prazo final de entrega era Fl. 183DF CARF MF Processo nº 10980.724314/201120 Acórdão n.º 3302005.860 S3C3T2 Fl. 9 8 05/10/2007, o que acarretou a infração imposta pelo presente auto de infração, com fulcro no § 1o do artigo 7° da Lei 10.246/2002. O valor exigido é de R$ 2.796,87 e decorre de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante da Cofins, ou, na sua falta, da contribuição para o PIS/Pasep, informado no Dacon. Desse valor assim obtido, como ali consta, existe a redução de 50%, em virtude da entrega espontânea da declaração, mas sempre respeitando o valor mínimo que deverá ser exigido (de R$ 200,00 ou de R$ 500,00 conforme o caso), bem como a data de vencimento. A Ficha 25B do Dacon, relativamente à apuração da Cofins do regime não cumulativo e cumulativo traz as seguintes informações quanto às linhas especificadas no lançamento: Tal qual apontado no Acórdão de Impugnação, o valor da base de cálculo da multa exigida no presente auto de infração é a composição de importâncias informadas pela interessada em seu Dacon. A Recorrente entende que da base de cálculo considerada como “Montante da Cofins” deveria ainda ser excluída a importância retida na fonte por Pessoas Jurídicas de Direito Privado (Linha 18 da Ficha 25B). A Lei n° 10.833, de 2003, estabelece: Art. 30 . Os pagamentos efetuados pelas pessoas jurídicas a outras pessoas jurídicas de direito privado, pela prestação de serviços de limpeza, conservação, manutenção, segurança, vigilância, transporte de valores e locação de mãode obra, pela prestação de serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção e riscos, administração de contas a pagar e a receber, bem como pela remuneração de serviços profissionais, estão sujeitos a retenção na fonte da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, da COFINS e da contribuição para o PIS/PASEP. Fl. 184DF CARF MF Processo nº 10980.724314/201120 Acórdão n.º 3302005.860 S3C3T2 Fl. 10 9 No entanto, o valor da contribuição devida sempre será a mesma, quer a interessada utilize ou não a retenção sofrida no período. Isso porque a retenção na fonte, no caso de pagamentos efetuados pelas pessoas jurídicas a outras pessoas jurídicas de direito privado, é considerada como antecipação do valor devido, conforme disciplina a Instrução Normativa SRF n ° 459, de 18 de outubro de 2004, em seu art. 7°: TRATAMENTO DOS VALORES RETIDOS Art. 7º Os valores retidos na forma do art. 2º serão considerados como antecipação do que for devido pelo contribuinte que sofreu a retenção, em relação às respectivas contribuições. § 1º Os valores retidos na forma desta Instrução Normativa poderão ser deduzidos, pelo contribuinte, das contribuições devidas de mesma espécie, relativamente a fatos geradores ocorridos a partir do mês da retenção. § 2º O valor a ser deduzido, correspondente a cada espécie de contribuição, será determinado pelo próprio contribuinte mediante a aplicação, sobre o valor bruto do documento fiscal, das alíquotas respectivas às retenções efetuadas. Uma vez apurado o montante da contribuição devida, esta poderá ser diminuída pela dedução dos valores dessa mesma contribuição que foram retidos na fonte, no próprio mês ou em meses posteriores, para efeito de recolhimento. Isso porque a referida retenção caracterizase como um pagamento antecipado e, assim sendo, o valor que serviu de base para a retenção constitui uma receita que compõe a base de cálculo para apurar o valor da contribuição devida. O atraso na entrega da DACON não representou falta de recolhimento de tributo. Como visto, a infração em comento tem por fulcro o artigo 7° da Lei 10.246/2002, a pouco reproduzido. A conduta infracional tipificada não faz qualquer referência quanto à falta de recolhimento de tributo para a sua consecução. Logo, o recolhimento dos tributos não pode ser tomado como excludente de penalidade. Das penalidades. Da arguição de confisco e desrespeito aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. Tendo em vista que a vedação ao confisco tem seio em norma constitucional, na alegação da defesa de que a exação é confiscatória, implícita está a arguição de inconstitucionalidade da própria norma legal que prevê a penalidade, para afastar sua a aplicação no caso concreto. Entretanto, em face do modelo adotado em nosso sistema jurídico, a autoridade administrativa não tem competência para decidir sobre inconstitucionalidade de normas legais, cabendo apenas executálas, não podendo negar aplicação à lei, sob argumento de que há conflito com a Constituição Federal. Com efeito, o órgão administrativo não é o foro apropriado para discussões dessa natureza, uma vez que exercício do controle da constitucionalidade, regulado pela própria Fl. 185DF CARF MF Processo nº 10980.724314/201120 Acórdão n.º 3302005.860 S3C3T2 Fl. 11 10 Constituição Federal, é reservado ao Poder Judiciário que detém, com exclusividade, essa prerrogativa, conforme prevê a Lei Maior no Capítulo III do Título IV. A presunção é que o Legislativo, antes de aprovar a lei tenha examinado eventual conflito com a Constituição Federal e chegado à conclusão de não haver tal contrariedade. Essa presunção somente sucumbe ante o pronunciamento judicial. Inadmissível é pretender que a autoridade administrativa descumpra a lei. Até aí não vai o seu poder, tendo em vista o alcance limitado do julgamento nessa esfera, que não pode se desviar dos estritos ditames legais, sendo vedado imiscuirse na competência do Poder Judiciário para examinar a constitucionalidade de normas. No mais, agasalhase o entendimento de que vem a ser essa uma limitação imposta pelo Legislador constituinte ao Legislador infraconstitucional (ordinário), portanto, não se pode dizer que o princípio esteja direcionado à Administração Tributária. Com estas considerações, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 186DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.720346/2012-06
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9202-005.025
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 03 46 /2 01 2- 06 Fl. 258DF CARF MF Processo nº 19515.720346/201206 Acórdão n.º 9202005.025 CSRFT2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10380.005876/200753. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.792, de 12/12/2016, proferido no julgamento do processo 10380.005876/200753, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.792): O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Fl. 259DF CARF MF Processo nº 19515.720346/201206 Acórdão n.º 9202005.025 CSRFT2 Fl. 0 3 Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 260DF CARF MF Processo nº 19515.720346/201206 Acórdão n.º 9202005.025 CSRFT2 Fl. 0 4 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Fl. 261DF CARF MF Processo nº 19515.720346/201206 Acórdão n.º 9202005.025 CSRFT2 Fl. 0 5 Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Fl. 262DF CARF MF Processo nº 19515.720346/201206 Acórdão n.º 9202005.025 CSRFT2 Fl. 0 6 § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há Fl. 263DF CARF MF Processo nº 19515.720346/201206 Acórdão n.º 9202005.025 CSRFT2 Fl. 0 7 que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 264DF CARF MF Processo nº 19515.720346/201206 Acórdão n.º 9202005.025 CSRFT2 Fl. 0 8 Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 265DF CARF MF Processo nº 19515.720346/201206 Acórdão n.º 9202005.025 CSRFT2 Fl. 0 9 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 266DF CARF MF Processo nº 19515.720346/201206 Acórdão n.º 9202005.025 CSRFT2 Fl. 0 10 Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Em face do acima exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 267DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12719.002808/2008-80
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Mar 02 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3402-000.900
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
Antonio Carlos Atulim - Presidente
Diego Diniz Ribeiro - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO
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Recorrida UNIÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Antonio Carlos Atulim Presidente Diego Diniz Ribeiro Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório 1. Tratase de Auto de Infração no valor de R$ 12.387.556,65 lavrado para a exigência de Imposto de Importação, juros de mora e multa agravada (150%), bem como multa do controle administrativo incidente sobre a diferença entre o preço de importação declarado e o efetivamente praticado (art. 88, parágrafo único da MP n. 2.15835/011). Segundo a acusação 1 "Art. 88. No caso de fraude, sonegação ou conluio, em que não seja possível a apuração do preço efetivamente praticado na importação, a base de cálculo dos tributos e demais direitos incidentes será determinada mediante arbitramento do preço da mercadoria, em conformidade com um dos seguintes critérios, observada a ordem seqüencial: (...) Parágrafo único. Aplicase a multa administrativa de cem por cento sobre a diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado na importação ou entre o preço declarado e o preço arbitrado, sem prejuízo da RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 27 19 .0 02 80 8/ 20 08 -8 0 Fl. 3379DF CARF MF Processo nº 12719.002808/200880 Resolução nº 3402000.900 S3C4T2 Fl. 3 2 fiscal o contribuinte teria importado mercadorias para o período em cobro (09/2003 a 01/2005) com valor subfaturado, o que implicou a apuração e cobrança do tributo e consectários legais sobre esta diferença, bem como a sobredita multa de controle administrativo. 2. Para melhor ilustrar a acusação em análise, convém desde já destacar alguns trechos do relatório fiscal (fls. 47/49), in verbis: (...). (...). exigência dos impostos, da multa de ofício prevista no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996, e dos acréscimos legais cabíveis." Fl. 3380DF CARF MF Processo nº 12719.002808/200880 Resolução nº 3402000.900 S3C4T2 Fl. 4 3 3. Devidamente intimado da autuação, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 1.002 1.027 (vol.06 do eprocesso), oportunidade em quem em síntese, alegou: 4. Uma vez processada, referida impugnação foi julgada parcialmente procedente pela DRJFlorianópolis (Acórdão n. 0716.428 fls. 2.274/2.288), conforme se observa da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 08/09/2003 a 18/01/2005 BASE DE CÁLCULO. VALOR ADUANEIRO. Fl. 3381DF CARF MF Processo nº 12719.002808/200880 Resolução nº 3402000.900 S3C4T2 Fl. 5 4 Constatado que os preços das mercadorias consignados nas declarações de importação e correspondentes faturas não correspondem à realidade das transações e são inferiores aos preços efetivamente praticados fica caracterizado o sub faturamento. Portanto, exigíveis os tributos aduaneiros devidos. Alterada a base de cálculo do II, por mudança no valor aduaneiro tornase exigível a diferença do II, resultante desse ato. MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. Cabível a multa de ofício agravada, de 150% sobre o II apurado. Constatada a fraude na importação é aplicável a multa agravada de lançamento de ofício do II. MULTA ADMINISTRATIVA. Constatada diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado nas importações é correta a exigência da multa administrativa. DECADÊNCIA. TRIBUTOS E INFRAÇÕES. Os tributos têm a contagem do prazo decadencial de acordo com a regra geral estabelecida pelo artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, ou seja, iniciase no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. A fraude constatada afasta a homologação tácita. O direito de impor penalidade extinguese em cinco anos, a contar da data da infração, conforme estabelece o artigo 139 do DecretoLei n° 37/66. REVISÃO ADUANEIRA. A revisão aduaneira deverá estar concluída no prazo de cinco anos, contado da data do registro da declaração de importação correspondente. Considerase concluída a revisão aduaneira na data da ciência, ao interessado, da exigência do crédito tributário apurado. Lançamento Procedente em Parte. 5. Em suma, a DRJ reconheceu a decadência de parte do crédito em cobro, o que implicou a sua exoneração parcial nos seguintes termos: 6. Diante do valor exonerado, foi interposto o recurso de ofício em relação a tal parcela. No que tange ao importe mantido, o contribuinte externou a sua irresignação por Fl. 3382DF CARF MF Processo nº 12719.002808/200880 Resolução nº 3402000.900 S3C4T2 Fl. 6 5 intermédio do recurso voluntário de fls. 2.296/2.326, oportunidade em que repisou as questões desenvolvidas em impugnação. A União, por seu turno, apresentou contrarrazões as fls. 2.330/2.360. 7. Pautado para julgamento, a então turma julgadora, por intermédio da resolução n. 310100.115 (fls. 2.362/2.368), da lavra do Conselheiro Corintho Oliveira Machado, afastou as preliminares aventadas pelo Recorrente, bem como determinou que a fiscalização tomasse as seguintes providências: (...). i) faça quadro comparativo com importações de bens idênticos ou similares, nas mesmas ou similares quantidades e na mesma época das importações ora em discussão, colocando em epígrafe as colunas que mostram os valores aduaneiros; ii) trazer informações detalhadas dos processos que envolvem a exportadora e a importadora (recorrente) na comarca de Itajaí, tais como petições iniciais, decisões prolatadas, e demais provimentos que possam subsidiar essa lide; iii) solicite a instituição abalizada, perícia grafotécnica nas faturas comerciais que instruíram os despachos aduaneiros ora em questão, para verificar se são originais as assinaturas apostas, ou se são cópias de outras assinaturas; e nas faturas comerciais apresentadas pela exportadora, para verificar se foram emitidas em 2003, 2004 e 2005, ou se foram emitidas em período mais recente; iv) elaborar Informação Fiscal conclusiva sobre a imputação, levando em consideração as informações colhidas nos itens anteriores. (...). 8. Em resposta a tais indagações, a unidade preparadora produziu o relatório fiscal de fls. 2.948/2.956, com as seguintes considerações: (...). Diante dos dados acima transcritos constatese que os preços declarados por J. RUETTE estiveram sempre abaixo da média dos preços unitários por par de luvas praticados nas demais importações brasileiras de mercadorias classificadas no subitem da NCM 4015.1900 provenientes da Malásia. O preço declarado pela J. RUETTE foi sempre inferior a 65% do preço médio das demais importações. A comparação levando em conta o valor da mercadoria dividida pelo peso líquido também aponta para a prática de preços abaixo da média (em torno de 70% do preço médio, aproximadamente, de modo geral). (...). 9. Não obstante a tal consideração, em resposta a intimações elaboradas durante a fase de diligência, o contribuinte apresentou cópias das principais peças da ação judicial (autos n. 033.06.0158452, com trâmite pela 3a. V. Cível da Comarca de Itajaí/SC) em que litiga, na qualidade de Réu e também de Reconvinte, com a empresa APL (fls. 2.370/). Fl. 3383DF CARF MF Processo nº 12719.002808/200880 Resolução nº 3402000.900 S3C4T2 Fl. 7 6 10. Tratase de uma ação de cobrança proposta pela empresa APL em face da recorrente em que reclama um valor inadimplido de importações na ordem de aproximadamente U$ 3.000.000,00. Há nesta demanda, inclusive, um incidente de falsidade documental promovido pela recorrente, o qual tem por fito questionar exatamente a falsidade das faturas apresentadas pela empresa APL à RFB no auto de infração aqui questionado. Ressaltese, ainda, que referida ação foi objeto de um acordo judicial, conforme se observa do teor da decisão abaixo transcrita: Cuidase de Ação de Cobrança aforada por APL Products DNBHD em face de J. Ruette Comercial Importação e Exportação Ltda., na qual as partes celebraram a composição anexada aos autos. Levandose em conta que seus termos atendem aos interesses das partes, o acordo deve ser homologado. Isto posto, homologo por sentença, para que em direito surta os jurídicos e legais efeitos o acordo firmado entre as partes e, em consequência, DECLARO EXTINTA com fundamento no art. 269, III, do Código de Processo Civil, a presente ação registrada sob o nº. 001584523.2006.8.24.0033, ajuizada por APL Products DNBHD contra J. Ruette Comercial Importação e Exportação Ltda. Eventuais custas finais pela requerida. Ademais, cancelo a audiência aprazada. P.R.I. (...). 11. Importante também registrar que a informação quanto à ecisão homologatória do aludido acordo não consta dos autos, tendo sido obtida por este Relator por intermédio de consulta processual perante o sítio eletrônico do Tribunal de Justiça de Santa Catarina. Todavia, não foi possível acessar o teor do referido acordo. 12. Feitos esses esclarecimentos e retomando o iter do presente processo fiscal, o contribuinte foi intimado a se manifestar a respeito da diligência realizada, o que fez por intermédio da petição de fls. 2.985/3.007. 13. Não obstante, após a manifestação do contribuinte, este trouxe aos autos um fato novo, devidamente comprovado pelo documento de fls. 3.008/3.124. Segundo o contribuinte, a empresa APL, i.e., a empresa exportadora dos bens indicados nas DI's aqui fiscalizadas2 e que forneceu à RFB as faturas que pautaram a presente autuação, entrou em processo de liquidação na Malásia, o que suscitou a Recorrente solicitar junto aos liquidantes judiciais indicados pela Corte Superior daquele país as informações quanto às operações efetivamente ocorridas entre a APL e a Recorrente. 14. Foram este os documentos novos colacionados pela Recorrente, acompanhados da sua tradução juramentada e que, por seu turno, foram objeto de perícia realizada a mando da Recorrente e que redundou no Parecer Técnico Documentoscópico de fls. 2 Declarações de Importações n° 03/0763427 7 , 03/07808801, 03/08767807, 03/08892202, 03/09574050, 03/09839496, 03/10042520, 03/10533974, 03/10816658, 04/00049338, 04/00091636, 04/00181392, 04/01380119, 04/03336117, 04/04071729, 04/04861100, 04/05631523, 04/07104237, 04/07219387, 04/07412780, 04/07679698, 04/08396410, 04/08398862, 04/08457370, 04/08457400, 04/08533468, 04/09887336, 04/10121341, 04/11392594, 04/11710065, 04/11715903, 04/11896401 e 05/00595547. Fl. 3384DF CARF MF Processo nº 12719.002808/200880 Resolução nº 3402000.900 S3C4T2 Fl. 8 7 3.132/3.146. Referido parecer, contrapondo as faturas apresentadas pela APL para a RFB com aquelas obtidas junto ao liquidante na Malásia, assim concluiu: 15. Diante deste novo fato, esta turma julgadora, na sua anterior composição, acompanhou o voto da então Relatora do caso, Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro, para novamente baixar o processo em diligência (Resolução n. 3402000.790 fls. 3.327/3.329) para que fossem tomadas as seguintes providências: (...).já que a acusação fiscal recaiu sobre a falsidade das notas fiscais apresentadas pela Recorrente emitidas pela APL Malásia e a diligência realizada não foi absolutamente conclusiva pela falsidade, por falta de pressupostos a conferir assinaturas apostas em faturas, proponho a conversão do julgamento do Recurso Voluntário em diligência para que a DRF de origem do processo, examine os documentos juntados pela Recorrente em fls. 2.811 a 2.867, 2.868 a 2.924 e 2.933 a 2.946 dos autos e emita relatório de análise conclusivo sobre os mesmos documentos em obediência ao princípio do contraditório e em busca da verdade material que ao final há de ser encontrada no julgamento desse litígio. Fl. 3385DF CARF MF Processo nº 12719.002808/200880 Resolução nº 3402000.900 S3C4T2 Fl. 9 8 (...). 16. A fl. 3.336foi acostado o relatório fiscal elaborado pela unidade preparadora que laconicamente concluiu: (...). Após analisar os documentos conforme solicitado, não teria nada a acrescentar ou modificar no que já foi exposto no Relatório de Procedimento Fiscal anexo a este (fls. 36 a 49). Apenas gostaria de ressaltar daquele relatório que todas as faturas comerciais que embasaram o trabalho foram enviadas à Secretaria da Receita Federal do Brasil por representante da empresa APL Products SDN BHD, conforme consta em fls. 458 a 464. Era o que tinha a informar (...). 17. É o relatório. Resolução 18. Conforme se observa dos autos, no que tange ao mérito da presente demanda, a questão central a ser resolvida gravita em torno de uma questão de ordem probatória, i.e., apurar se as faturas comerciais apresentadas pela exportadora à RFB e que deram fundamento à autuação em apreço são ou não fidedignas, o que permitirá responder se de fato houve ou não subfaturamento para as DI's fiscalizadas. 19. Dentre todos os documentos acostados nos autos, incluindo aqueles que foram aqui apresentados como resultado das diligências perpetradas, pareceme que seria essencial para o deslinde da presente quaestio o resultado do incidente de falsidade documental instaurado nos autos n. 033.06.0158452, com trâmite pela 3a. V. Cível da Comarca de Itajaí/SC. Acontece que, para a surpresa deste Relator, referido processo foi objeto de acordo entre os litigantes, acordo este homologado judicialmente. 20. Não obstante, referida informação do sobredito acordo foi obtido por este Relator mediante pesquisa no sítio eletrônico do TJ/SC, já que não há qualquer informação a respeito de tal fato nos autos. Acontece que, embora tenha conseguido referida informação, não tive acesso ao teor do acordo homologado, o qual, por seu turno, a depender do seu teor, pode ser elucidativo acerca da controvérsia que gravita em torno da idoneidade ou não das faturas fiscais apresentadas pela exportadora e que subsidiam a presente autuação. 21. Neste diapasão, embora me sinta pessoalmente constrangido3 em determinar que um mesmo processo seja baixado em diligência pela terceira vez, entendo que esta é a melhor solução neste momento para a construção de uma decisão justa e que seja capaz de exaurir faticamente a presente demanda. 22. Assim, resolvo determinar a baixa do processo para a que a unidade preparadora intime o recorrente a apresentar cópia do teor do aludido acordo no prazo de 30 3 O que, em certa medida, é aliviado pelo fato de estar, pela primeira vez, relatando o presente caso e, consequentemente, tomando contato com os fatos aqui debatidos com maior profundidade neste instante. Fl. 3386DF CARF MF Processo nº 12719.002808/200880 Resolução nº 3402000.900 S3C4T2 Fl. 10 9 (trinta) dias, bem como de cópia integral do incidente de falsidade referido na aludida ação judicial. Sublinhese que não basta a apresentação da simples decisão homologatória do acordo, também devendo ser juntada cópia da petição de acordo acostada no citado processo judicial e que fora objeto de homologação. 23. É a resolução. Diego Diniz Ribeiro Relator. Fl. 3387DF CARF MF
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Numero do processo: 10166.724277/2013-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010
ENTIDADE BENEFICENTE. REQUERIMENTO DE RENOVAÇÃO DE CERTIFICAÇÃO EFETUADO VIA POSTAL. DATA POSTAGEM.
Para fins de aferir a tempestividade do pedido de renovação de certificação de entidade beneficente, caso encaminhado por via postal, o protocolo deverá considerar a data da postagem.
ISENÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS A CARGO DA EMPRESA. REQUISITOS. NÃO CUMPRIMENTO.
Somente ficavam isentas das contribuições de que tratam dos arts. 22 e 23 da Lei nº 8.212/91 as entidades que cumpriam os requisitos estabelecidos na legislação de regência, tais como não possuir débitos perante a RFB e cumprir as obrigações acessórias, e, para o período sob a vigência do art. 55 da Lei nº 8.212/91, ser reconhecida como sendo de utilidade pública.
MULTA DE OFÍCIO. DECORRÊNCIA DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA.
A aplicação da multa de ofício, constatado o não pagamento ou pagamento parcial do tributo devido, é decorrência da legislação tributária, devendo ser efetuado o correspondente lançamento pelo autuante, a teor do art. 142 do CTN.
PEDIDO DE JUNTADA POSTERIOR DE PROVAS E DE PERÍCIA. DESCABIMENTO.
Rejeita-se pedido genérico de juntada posterior de provas e perícia, mormente em etapa processual inapropriada do rito processual administrativo e desacompanhado de fundamentação.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-005.584
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo - Presidente
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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REQUERIMENTO DE RENOVAÇÃO DE CERTIFICAÇÃO EFETUADO VIA POSTAL. DATA POSTAGEM. Para fins de aferir a tempestividade do pedido de renovação de certificação de entidade beneficente, caso encaminhado por via postal, o protocolo deverá considerar a data da postagem. ISENÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS A CARGO DA EMPRESA. REQUISITOS. NÃO CUMPRIMENTO. Somente ficavam isentas das contribuições de que tratam dos arts. 22 e 23 da Lei nº 8.212/91 as entidades que cumpriam os requisitos estabelecidos na legislação de regência, tais como não possuir débitos perante a RFB e cumprir as obrigações acessórias, e, para o período sob a vigência do art. 55 da Lei nº 8.212/91, ser reconhecida como sendo de utilidade pública. MULTA DE OFÍCIO. DECORRÊNCIA DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. A aplicação da multa de ofício, constatado o não pagamento ou pagamento parcial do tributo devido, é decorrência da legislação tributária, devendo ser efetuado o correspondente lançamento pelo autuante, a teor do art. 142 do CTN. PEDIDO DE JUNTADA POSTERIOR DE PROVAS E DE PERÍCIA. DESCABIMENTO. Rejeitase pedido genérico de juntada posterior de provas e perícia, mormente em etapa processual inapropriada do rito processual administrativo e desacompanhado de fundamentação. Recurso Voluntário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 42 77 /2 01 3- 15 Fl. 16061DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Presidente (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 16062DF CARF MF Processo nº 10166.724277/201315 Acórdão n.º 2402005.584 S2C4T2 Fl. 108 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo (SP) DRJ/SPO , que julgou procedente auto de infração DEBCAD nº 51.013.9680, referente a contribuições destinadas à Seguridade Social, previstas no artigo 22, incisos I, II e III da Lei n.º 8.212/91, correspondentes à parte da empresa e do financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre a remuneração paga a segurados empregados e contribuintes individuais, não declaradas em GFIP (Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social) e não recolhidas, relativas a competências de 01/2009 a 13/2010 (Relatório Fiscal às fls. 1227/1263). De plano, necessário explicar que compunham este processo também os AI DEBCAD n.º 51.013.9698 (referente a contribuições destinadas a terceiros) e nº 51.013.9671 (obrigação acessória de envio de arquivo digital). As respectivas impugnações foram consideradas intempestivas, sendo desmembrado o processo para que aqueles débitos fossem encaminhados para cobrança administrativa. Somente obteve conhecimento a impugnação relativa ao DEBCAD nº 51.013.9680, por força da ação ordinária nº 8995219.2014.4.01.3400, ajuizada na 1ª Vara da Seção Judiciária do Distrito Federal (fls. 15873/15888). Em decorrência, apenas os argumentos atinentes a essa autuação, e contidas no recurso voluntário, serão objeto de exame no presente julgamento. O lançamento das contribuições previdenciárias amparouse no não reconhecimento da condição de isenta/imune da contribuinte, dadas as razões a seguir sumarizadas: a) ausência de Certificados de Utilidade Pública Estadual/Distrital/Municipal; b) ausência de CND para os anos de 2009 e 2010, tendo sido este obtido apenas em 10/10/2012; c) dívidas tributárias para o período de 2009 e 2010; d) formalização intempestiva dos pedidos de renovação dos Certificados para garantia da isenção; e) envio de GFIP’s com dados errados, se enquadrando como isenta; f) não inclusão de todos os segurados existentes em Folha de Pagamento Digital fornecida e nas suas GFIP’s; e, g) não envio das GFIP’s referentes às obras executadas CEI 33.360.01575/72 e 50.008.43853/73. A despeito da impugnação (fls. 8870/8905), a exigência foi parcialmente mantida pela instância recorrida (fls. 15932/15982), sendo a reforma realizada com vistas, tão somente, a eliminar duplicidade constatada na constituição do crédito relativo ao levantamento OB (obras). A contribuinte interpôs recurso voluntário em 14/4/2015, aduzindo, em apertada síntese, que: requereu tempestivamente a renovação do CEAS junto ao Ministério competente, pois postou o pedido em 30/12/2009, antes da data limite de validade do certificado anterior, 30/12/2009, observando assim o art. 38 da Lei nº 12.101/09; Fl. 16063DF CARF MF 4 o CEAS tem caráter meramente declaratório, retroagindo seus efeitos à data do protocolo, de acordo com entendimento do Parecer PGFNCRJ nº 2.1322011; a Lei nº 12.101/09 teria revogado a exigência de que a entidade possua título de utilidade pública federal, e, de todo modo, que a recorrente é portadora do título de utilidade pública federal e municipal na cidade de Montes Claros/MG, onde tem filiais e até pouco tempo sediava a matriz; quanto à exigência de CND, esclarece que aderiu ao parcelamento da Lei nº 11.941/09 em 2009, e que apresentou as certidões exigidas pela Lei nº 12.101/09; agiu corretamente quanto a entrega das GFIP's como isenta, não havendo omissão de dados quanto a obras e segurados, sendo que quanto a estes últimos, houve apenas erros; é regular a sua contabilidade, daí incabível o arbitramento do lucro; é inexigível a multa de ofício, dada a improcedência da autuação; protesta, ao final, pela produção de prova pericial e documental, demandando, outrossim, o cancelamento do desmembramento do feito no que se refere às demais autuações. Anotese que na peça recursal também foram ventiladas alegações relativas à autuação por descumprimento de obrigação acessória, as quais não se adequam ao litígio focado. É o relatório. Fl. 16064DF CARF MF Processo nº 10166.724277/201315 Acórdão n.º 2402005.584 S2C4T2 Fl. 109 5 Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Inicialmente, cabe de plano rejeitar o pedido de cancelamento do desmembramento referente ao autos de infração DEBCAD n.º 51.013.9698 e nº 51.013.9671, visto que as respectivas impugnações foram consideradas intempestivas, impondose, por força da legislação de regência art. 21, § 1º do Decreto nº 70.235/72, a continuidade de sua cobrança administrativa. Pois bem, é incontroverso possuir a entidade CEAS válido até 31/12/2009, cingindose a polêmica, nesse ponto, à tempestividade do pedido de renovação veiculado no processo 23123.001789/201013. A fiscalização, em entendimento corroborado pela decisão contestada, entendeu intempestivo tal pedido, por ter sido protocolizado somente em 6/1/2010, quando já estava expirado o prazo de validade do certificado anterior. Ora, conforme o § 2º do art. 24 da Lei nº 12.101/09, a certificação da entidade permanece válida até a data da decisão sobre o requerimento de renovação tempestivamente requerido, sendo que conforme Parecer PGFN /CRJ nº 2.132/2011, o CEAS possui efeito extunc, retroagindo à data do protocolo do pedido. Por sua vez, o art. 38 daquela lei firmou que: Art. 38. As entidades certificadas até o dia imediatamente anterior ao da publicação desta Lei poderão requerer a renovação do certificado até a data de sua validade. A contribuinte encaminhou seu pedido de renovação por via postal em 30/12/2009, e, de acordo com o § 5º do art. 4º do Decreto nº 7.237/10, para pedidos da espécie a data de protocolo deveria considerar a data da postagem. Por seu turno, a DRJ/SPO aduz que tal dispositivo ainda não estava vigente à época dos eventos, a eles não se aplicando. Com razão a recorrente. Há muito a jurisprudência administrativa atinente ao processo fiscal federal vem admitindo a data de postagem como sendo hábil a aferir a tempestividade das petições formuladas pelos contribuintes, sendo que a própria administração tributária assim o reconhece desde a edição do ADN Cosit nº 19/97, no qual foi assim declarado: Fl. 16065DF CARF MF 6 (...) a) será considerada como data da entrega, no exame da tempestividade do pedido, a data da respectiva postagem constante do aviso de recebimento, devendo ser igualmente indicados neste último, nessa hipótese, o destinatário da remessa e o número de protocolo referente ao processo, caso existente; (...) Tal entendimento foi, aliás, incorporado no Decreto nº 7.574/2011, que regulamentou o procedimento administrativo fiscal, em seu art. 56, § 5º: Art.56.A impugnação, formalizada por escrito, instruída com os documentos em que se fundamentar e apresentada em unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil com jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo, bem como, remetida por via postal, no prazo de trinta dias, contados da data da ciência da intimação da exigência, instaura a fase litigiosa do procedimento (Decreto no70.235, de 1972, arts. 14e15). (...) §5o Na hipótese de remessa da impugnação por via postal, será considerada como data de sua apresentação a da respectiva postagem constante do aviso de recebimento, o qual deverá trazer a indicação do destinatário da remessa e o número do protocolo do processo correspondente. E, como mencionado, o Decreto nº 7.237/10, que regulamentava, a Lei nº 12.101/10, também restou por veicular norma do gênero, dada a proporcionalidade e adequação de tal compreensão. Destarte, frente ao princípio da vedação do comportamento contraditório, bem como ao dever de coerência que deve reger a atividade administrativa, merece ser reconhecida a tempestividade do pedido de renovação de CEAS postado em 30/12/2009, e, consequentemente, que tal feito não se consubstancia empecilho para a isenção/imunidade alegada. Noutro giro, e compulsando os autos, verificase que a contribuinte não possui título de utilidade pública federal e título de utilidade pública estadual ou municipal. Afirma ela, aliás, que é detentora de tal título, porém o documento aludido não foi acostado ao processo, não havendo, assim, prova de sua efetiva existência. E, de fato, a partir da vigência da Lei nº 12.101/09, bem como sob a égide da MP nº 446/08, títulos do gênero não eram necessários para o reconhecimento da isenção de contribuições previdenciárias. Entretanto, para os fatos geradores acontecidos sob a vigência da Lei nº 8.212/91 (12/2/2009 a 29/11/2009), eles eram imprescindíveis, como espelha o inciso I do art. 55 dessa lei: Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente:(Revogado pela Lei nº 12.101, de 2009) Fl. 16066DF CARF MF Processo nº 10166.724277/201315 Acórdão n.º 2402005.584 S2C4T2 Fl. 110 7 I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; (...) Nesse contexto, ainda que tal disposição tenha sido revogada pela Lei nº 12.101/09, à época tais ditames requeriam serem observados, por trataremse de requisitos materiais para obtenção do benefício, o que não ocorreu na espécie. Assim, para o período em comento, a constatação de que a recorrente não era detentora dos precitados títulos é supedâneo suficiente para a manutenção dos créditos tributários relativos aos fatos geradores de contribuições previdenciárias então ocorridos. A fiscalização apurou também que a entidade ficou sem CND (certidão negativa ou certidão positiva com efeito de negativa de débitos relativos aos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil) válida no curso dos dois anos calendário fiscalizados, 2009 e 2010, requisito legal para o reconhecimento da isenção, consoante previsto no inciso VI do art. 28 da MP 446/08, no § 6º do art. 55 da Lei 8.212/91 e no inciso III do art. 29 da Lei 12.101/09. No tocante às alegações da recorrente sobre o tema, tenhoas por bem abordadas pela decisão objurgada, motivo pelo qual adoto, com a devida vênia, o seguinte trecho da correspondente argumentação como razão decisória: Registrese, ainda, que foi verificada, pela fiscalização, a existência de débitos da entidade em relação às contribuições sociais, no período de 12/02/2009 a 29/11/2009, em que estava em vigor o artigo 55 da Lei n.º 8.212/91, tendo sido feita, no Relatório Fiscal, referência a diversos anexos, que demonstram referida situação. Com relação à inclusão de alguns débitos no parcelamento da Lei n.º 11.941/2009, citada pela entidade, em sua defesa, é de se mencionar: · I) que, de acordo com as cópias dos recibos juntadas, por ela, às fls. 9.066 a 9.069, os pedidos de parcelamento foram recebidos apenas em 18/11/2009; · II) que, nas cópias dos recibos juntadas, por ela, às fls. 9.070 a 9.075, consta a informação de que ela teria concluído, no âmbito da RFB, a consolidação do parcelamento de dívidas não parceladas anteriormente – art. 1º da Lei n.º 11.941/2009 – débitos previdenciários – conforme informações prestadas em 30/06/2011, estando aí discriminados, como débitos selecionados para a consolidação, somente os DEBCAD’s 36.629.2838, 36.768.0793, 36.768.0807, 36.971.0592 e 39.632.4371; · III) que, nas cópias dos recibos juntadas, por ela, às fls. 9.076 a 9.081, consta a informação de que ela teria concluído, no âmbito da PGFN, a consolidação do parcelamento de dívidas não parceladas anteriormente – art. 1º da Lei n.º 11.941/2009 – débitos previdenciários – conforme informações prestadas em 30/06/2011, estando aí discriminado, como débito selecionado para a consolidação, somente o DEBCAD 36.474.1856; · IV) que a entidade possuía, à época dos fatos geradores, outros débitos relativos a contribuições sociais em seu nome, inclusive declarados em GFIP, conforme se pode verificar nos anexos citados no Relatório Fiscal. Fl. 16067DF CARF MF 8 Em suma, também por esse prisma, não há como reconhecer a condição de isenta para a entidade, nesse caso para todo o período fiscalizado. Quanto às informações da GFIP, o descumprimento das obrigações acessórias de informar as contribuições previdenciárias devidas é decorrente, em sua maior proporção, do fato de a contribuinte entender estar enquadrada como isenta, o que se verificou, como acima exposto, insubsistente. E, de outra parte, sem embargo de haver sido reconhecido no julgamento de primeiro grau que as GFIPs relativas às obras identificadas pelas matrículas CEI nº 33.360.01575/72 e 50.008.43853/73 tinham sido efetivamente entregues, temse que a contribuinte efetivamente admitiu no recurso que não incluiu todos os segurados existentes em folha de pagamento e nas suas GFIPs. E, conforme bem observado pela instância a quo: A impugnante afirma, ainda, que, tendo em vista o referido erro, procederia à retificação das GFIP’s e ao recolhimento das diferenças apuradas, o que seria anexado aos autos oportunamente, mas cabe observar que, até o presente momento, não foi juntado aos autos, por ela, qualquer comprovante de recolhimento relativo aos valores lançados pela fiscalização. E, no que tange ao pedido de relevação da multa constante no Auto de Infração n.° 51.013.9671, temse que deveria ter sido realizado em petição referente a este AI, merecendo registro, aqui, que o artigo 291, parágrafo 1º do Regulamento da Previdência Social (RPS), que previa a relevação da multa – mediante pedido e correção da falta, sendo o infrator primário e não tendo ocorrido nenhuma circunstância agravante – foi revogado pelo Decreto n.º 6.727, de 12/01/2009. No que tange à exigência da multa de ofício, merece ser explicado que ela decorre da legislação de regência, a saber, art. 35A da Lei nº 8.212/91 c/c o inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/96, não sendo facultado à autoridade lançadora afastála por ser seu lançamento atividade administrativa vinculada e obrigatória, nos termos do art. 142 do CTN. Constatado o não cumprimento das obrigações tributárias pela recorrente, face ao não recolhimento ou recolhimento a menor das contribuições previdenciárias devidas, impõese a correspondente constituição do crédito tributário pelo Fisco, acompanhado da multa de ofício proporcional à razão de 75%. Também não prosperam as aduções da autuada vertidas no item V.I.1 do recurso voluntário, no sentido de que sua contabilidade é regular e não é imprestável à determinação do lucro real, sendo incabível o arbitramento. Tratandose de lançamento relativo às contribuições previdenciárias, exsurge evidente que tal arrazoado foi colacionado por engano, provavelmente extraído de peça recursal atinente ao imposto de renda de pessoa jurídica. Despiciendo, daí, tecer maiores considerações sobre seu conteúdo. Como remate, há que se refutar o pleito genérico voltado ao protesto por produção de todas as provas admitidas em direito, juntada posterior de documentos, notadamente pericial e documental, por estar sendo formulado sem qualquer fundamentação consistente e em etapa descabida do rito processual, não observando o disposto no art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72. Fl. 16068DF CARF MF Processo nº 10166.724277/201315 Acórdão n.º 2402005.584 S2C4T2 Fl. 111 9 Ante o exposto, voto no sentido de conhecer do recurso voluntário e negar lhe provimento. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson. Fl. 16069DF CARF MF
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Numero do processo: 10925.720129/2013-92
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Mar 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 06/10/2008, 10/12/2008, 08/06/2009, 22/10/2009, 19/01/2010, 29/03/2010, 27/07/2010, 13/08/2010, 17/08/2010, 25/02/2011, 11/03/2011, 23/05/2011, 13/07/2011, 15/09/2011, 19/10/2011, 12/01/2012
Ementa:
INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DESCARACTERIZADA EM PROCESSO APARTADO. MULTA POR CESSÃO DE NOME DESCARACTERIZADA.
Descaracterizada a interposição fraudulenta, resta descaracterizado o intuito de ocultar os reais intervenientes, devendo a multa por cessão de nome de que trata o artigo 33 da Lei nº 11.488/2007 ser exonerada.
MULTA POR CESSÃO DE NOME. ARTIGO 33 DA LEI 11.488/2007.
A pessoa jurídica que ceder seu nome para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com intuito de ocultar os reais intervenientes ou beneficiários sujeita-se à multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo esta ser inferior a R$ 5.000,00, nos termos do artigo 33 da Lei nº 11.488/2007.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Crédito Tributário Mantido em Parte.
Numero da decisão: 3302-003.515
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para manter apenas o lançamento do crédito tributário correspondente à Declaração de Importação nº 12/0073859-06, vencida a Conselheira Maria do Socorro, que negava provimento ao Recurso.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa
Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède
Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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MULTA POR CESSÃO DE NOME DESCARACTERIZADA. Descaracterizada a interposição fraudulenta, resta descaracterizado o intuito de ocultar os reais intervenientes, devendo a multa por cessão de nome de que trata o artigo 33 da Lei nº 11.488/2007 ser exonerada. MULTA POR CESSÃO DE NOME. ARTIGO 33 DA LEI 11.488/2007. A pessoa jurídica que ceder seu nome para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com intuito de ocultar os reais intervenientes ou beneficiários sujeitase à multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo esta ser inferior a R$ 5.000,00, nos termos do artigo 33 da Lei nº 11.488/2007. Recurso Voluntário Provido em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para manter apenas o lançamento do crédito tributário correspondente à Declaração de Importação nº 12/007385906, vencida a Conselheira Maria do Socorro, que negava provimento ao Recurso. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 72 01 29 /2 01 3- 92 Fl. 1887DF CARF MF Processo nº 10925.720129/201392 Acórdão n.º 3302003.515 S3C3T2 Fl. 1.887 2 Ricardo Paulo Rosa Presidente (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado. Relatório Trata o presente de Auto de Infração para constituição de crédito tributário relativo à multa de 10% por cessão de nome da pessoa jurídica com vistas a acobertar os reais intervenientes ou beneficiários das importações. Por bem retratar a realidade dos fatos, transcrevese relatório do acórdão recorrido: "Segundo a fiscalização, a empresa ANGHEBEN COMERCIO EXTERIOR LTDA, CNPJ n° 04.453.392/000103, atuava como importador interposto das reais adquirentes MTM CONSTRUÇÕES LTDA, CNPJ n° 37.517.596/000101, ELETROMAR MOVEIS E ELETRODOMÉSTICOS LTDA, CNPJ nº 32.951.535/000134 e CONCREMAX CONCRETO ENG E SANEAMENTO LTDA, CNPJ nº 15.378.979/000103, com relação às importações listadas nos processos administrativos 10925.720.086/201345, 10925.720.087/201390, 10925.720.088/201334. Baseouse a fiscalização na auditoria realizada nas operações comerciais e financeiras das empresas citadas e em outros elementos de convencimento obtidos durante os trabalhos. Como resultado, foi aplicada a multa do art. 33 da Lei nº 11.488 de 15/06/2007 no valor de 10% do valor de cada operação. A autuação totalizou o crédito tributário de R$ 343.725,82. Intimada do Auto de Infração em 23/01/2013 (fl. 1675), a interessada ANGHEBEN COMERCIO EXTERIOR LTDA apresentou impugnação e documentos em 22/02/2013, juntados às fls. 1694 e seguintes, alegando em síntese: 1. Alega que terceirizou o serviço de importação por meio da empresa IZE Brasil Ltda por questões de logística e para usufruir do benefício fiscal de redução do ICMS do Governo de Santa Catarina. Alega que era a real adquirente dos bens importados e que revendia os mesmos a clientes no mercado interno. Alega que após a finalização do processo de importação Fl. 1888DF CARF MF Processo nº 10925.720129/201392 Acórdão n.º 3302003.515 S3C3T2 Fl. 1.888 3 realizava a comercialização interna da mercadoria. Anexa imagens que demonstram que a impugnante comercializa os bens (no caso elevadores para a construção civil) com sua própria marca. Alega que suportava todos os custos da operação de importação. 2. Reafirma que é a impugnante quem negocia e adquire os bens no exterior. Afirma que é a impugnante que consta como adquirente no campo próprio da declaração de importação. Alega que não houve falta de recolhimento de tributo. 3. Alega que em nenhum momento cedeu seu nome para realização de importações por terceiras empresas. Alega que foi ela quem estabeleceu as negociações comerciais com os fornecedores estrangeiros e que arcava com os custos das importações. Alega que adquire bens no exterior para revenda no mercado interno e não motivada por interesse alheio ou consumo próprio. 4. Afirma que foi informado no SISCOMEX no campo próprio que a importadora era a empresa IZE BRASIL e que a impugnante era a real adquirente da mercadoria, conforme documentação de instrução do despacho. 5. Alega que não foi apurada qualquer subtração de recolhimento de tributos. 6. Alega que não há determinação legal para que a impugnante permaneça certo tempo com as mercadorias antes de revendê las. 7. Anexa declaração de exportador na China confirmando que era a impugnante quem negociava as condições da compra. Anexa cópias dos passaportes de colaboradores da empresa para provar que estes participavam dos eventos e feiras no exterior. Alega que a fiscalização não provou a ocorrência de fraude. Cita jurisprudência judicial sobre o tema. 8. Alega que possui suficiente saúde financeira para suportar a importação em tela. Anexa declaração bancária de disponibilidade de crédito para sustentar sua afirmação. Anexa declaração de seu contador que demonstraria a capacidade financeira da impugnante. Alega que mesmo que as clientes não pagasse os valores relativos às importações, ela possuía recursos para saldar as obrigações de câmbio e tributárias. Anexa contabilidade. 9. Alega que não ocorreu dano ao Erário. Cita jurisprudência judicial sobre o tema Alega que não seria aplicada a presunção de nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos. 10. Alega que não é cabível a aplicação da pena de perdimento pois entende que foram descumpridas apenas obrigações acessórias. Alega violação aos Princípios do Não Confisco e da Proporcionalidade, do Direito à Propriedade Privada e do Fl. 1889DF CARF MF Processo nº 10925.720129/201392 Acórdão n.º 3302003.515 S3C3T2 Fl. 1.889 4 Devido Processo Legal. Alega o enriquecimento sem causa da Fazenda Nacional. Cita doutrina e jurisprudência sobre o tema. 11. Requer, por fim, que seja julgado improcedente o auto de infração." A Vigésima Quarta Turma da DRJ/SP1 em São Paulo proferiu o Acórdão nº 1655.221, nos termos da ementa que abaixo transcrevese: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Anocalendário: 2008, 2009, 2010, 2011, 2012 CESSÃO DE NOME. A operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos (adiantamentos) de terceiro presumese por conta e ordem deste. Ocultado o real adquirente, mediante cessão de nome, acolhese a infração imputada (artigo 33 da Lei 11.488/2007). Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A recorrente, cientificada em 10/03/2014, apresentou em 09/04/2014, recurso voluntário, reiterando as alegações deduzidas em impugnação. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este relator. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. O recurso voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Como informado no relatório, este processo referese à aplicação da multa por cessão de nome de que trata o artigo 33 da Lei nº 11.488/2007, em razão da ocultação dos reais adquirentes nas operações de importação que culminaram também na lavratura de autos de infração para aplicação da multa sobre o valor aduaneiro das mercadorias em substituição à pena de perdimento, nos processos administrativos nº 10925.720.086/201345, 10925.720.087/201390, 10925.720.088/201334. Os fundamentos fáticos e jurídicos defendidos pela recorrente correspondem aos mesmos fundamentos fáticos e jurídicos julgados nos referidos processos, cujos resultados devem ser refletidos no julgamento deste Auto de Infração. Fl. 1890DF CARF MF Processo nº 10925.720129/201392 Acórdão n.º 3302003.515 S3C3T2 Fl. 1.890 5 Restou, pois, decidido nos três processos pela inocorrência da interposição fraudulenta de terceiro, por ter a recorrrente ANGHEBEN apresentado documentação atestando ser a efetiva negociante com o fornecedor no exterior, afastando a presunção prevista no artigo 27 da Lei nº 10.637/2002, conforme as ementas dos Acórdãos proferidos em tais processos, abaixo transcritos: Processo 10925.720086/201345, Acórdão nº 3302003.513: Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 06/10/2008, 08/06/2009, 22/10/2009, 19/01/2010, 13/08/2010, 25/02/2011, 23/05/2011, 12/01/2012 Ementa: IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM DE TERCEIRO. PRESUNÇÃO LEGAL. COMERCIALIZAÇÃO SUBSEQUENTE À REVENDA DA PRIMEIRA ADQUIRENTE. A presunção de que trata o artigo 27 da Lei nº 10.637/2002 deve ser relativizada nas operações declaradas por conta e ordem de terceiro, em relação às cadeias de comercialização subsequentes. As provas apresentadas elidiram a presunção do artigo 27 da Lei nº 10.637/2002. A documentação probatória juntada aos autos demonstram ser a real adquirente das mercadorias declarada na DI a efetiva negociante no exterior e a proprietária primeira das mercadorias Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte. Processo 10925.720087/201390, Acórdão nº 3302003.514: Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 10/12/2008, 27/07/2010, 17/08/2010, 11/03/2011, 13/07/2011, 15/09/2011, 19/10/2011, 12/01/2012 Ementa: IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM DE TERCEIRO. PRESUNÇÃO LEGAL. COMERCIALIZAÇÃO SUBSEQUENTE À REVENDA DA PRIMEIRA ADQUIRENTE. A presunção de que trata o artigo 27 da Lei nº 10.637/2002 deve ser relativizada nas operações declaradas por conta e ordem de terceiro, em relação às cadeias de comercialização subsequentes. A documentação probatória juntada aos autos demonstram ser a real adquirente das mercadorias declarada na DI a efetiva negociante no exterior e a proprietária primeira das mercadorias. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado. Fl. 1891DF CARF MF Processo nº 10925.720129/201392 Acórdão n.º 3302003.515 S3C3T2 Fl. 1.891 6 Processo 10925.720088/201334, Acórdão nº 3302003.512: Assunto: Imposto sobre a Importação II Data do fato gerador: 29/03/2010 IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM DE TERCEIRO. PRESUNÇÃO LEGAL. COMERCIALIZAÇÃO SUBSEQUENTE À REVENDA DA PRIMEIRA ADQUIRENTE. A presunção de que trata o artigo 27 da Lei nº 10.637/2002 deve ser relativizada nas operações declaradas por conta e ordem de terceiro, em relação às cadeias de comercialização subsequentes. A documentação probatória juntada aos autos demonstram ser a real adquirente das mercadorias declarada na DI a efetiva negociante no exterior e a proprietária primeira das mercadorias Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado Entretanto, no processo 10925.720086/201345, restou decidido a manutenção da interposição fraudulenta em relação à DI nº 12/00738596. Assim, em relação a esta DI, deve a multa por cessão de nome ser mantida, aplicada cumulativamente com a multa substitutiva da pena de perdimento. Nesta matéria, o Decreto nº 6.759/2009 assim dispõe: Art. 689. Aplicase a pena de perdimento da mercadoria nas seguintes hipóteses, por configurarem dano ao Erário (Decreto Lei nº 37, de 1966, art. 105; e DecretoLei nº 1.455, de 1976, art. 23, caput e § 1º,este com a redação dada pela Lei no 10.637, de 2002, art. 59): [...] XXII estrangeira ou nacional, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. § 1o A pena de que trata este artigo convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida (DecretoLei nº 1.455, de 1976, art. 23, § 3º, com a redação dada pela Lei no 10.637, de 2002, art. 59). § 1º As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto nº 70.235, de 1972 (DecretoLei nº 1.455, de 1976, art. 23, § 3º, com a Fl. 1892DF CARF MF Processo nº 10925.720129/201392 Acórdão n.º 3302003.515 S3C3T2 Fl. 1.892 7 redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010, art. 41). (Redação dada pelo Decreto nº 8.010, de 2013) [...] Art. 727. Aplicase a multa de dez por cento do valor da operação à pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas ao acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários (Lei nº 11.488, de 2007, art. 33, caput). § 1o A multa de que trata o caput não poderá ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais) (Lei nº 11.488, de 2007, art. 33, caput). § 2o Entendese por valor da operação aquele utilizado como base de cálculo do imposto de importação ou do imposto de exportação, de acordo com a legislação específica, para a operação em que tenha ocorrido o acobertamento. § 3o A multa de que trata este artigo não prejudica a aplicação da pena de perdimento às mercadorias importadas ou exportadas. § 3o A multa de que trata o caput não prejudica a aplicação da pena de perdimento às mercadorias na importação ou na exportação. (Redação dada pelo Decreto nº 7.213, de 2010). Observase que o §3º do artigo 727 do decreto prevê a hipótese de cumulação entre as duas multas. A respeito da matéria, peço vênia para transcrever voto do ilustre Conselheiro Ricardo Rosa, proferido no Acórdão nº 3102002.195, cujos fundamentos adoto, na forma do § 1º do art. 50 da Lei no 9.784/19991: "A multa de dez por cento do valor da operação, aplicável à pessoa jurídica que cede o nome não revogou a multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias aplicada nos casos de infração por interposição fraudulenta. A Orientação Coana/Cofia/Difia s/n, datada de 11 de julho de 2007, que trata da aplicação de multa na cessão de nome a terceiro, em operações de comércio exterior, chega à seguinte conclusão. Em resumo, concluise que se aplicam as seguintes disposições legais, às hipóteses abaixo enumeradas: Interposição fraudulenta presumida pela não comprovação da origem dos recursos: Pena de perdimento da mercadoria, com base no art. 23, inciso V do Decretolei nº 1.455, de 7 de abril de 1976, com redação dada pela Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002; 1 § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 1893DF CARF MF Processo nº 10925.720129/201392 Acórdão n.º 3302003.515 S3C3T2 Fl. 1.893 8 Proposição de inaptidão da inscrição do CNPJ da pessoa jurídica (art. 81, § 1º, da Lei nº 9.430/96, e art. 41, caput e parágrafo único, da IN RFB nº 748/2007); Interposição fraudulenta comprovada, seja pela identificação da origem do recurso de terceiro, seja pela constatação da ocultação por outros meios de prova: Pena de perdimento da mercadoria, com base no art. 23, inciso V do Decretolei nº 1.455, de 7 de abril de 1976, com redação dada pela Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002; Multa de 10% do valor da operação acobertada, aplicada sobre o importador, conforme dispõe o art. 33 da Lei nº 11.488/2007. De fato, não tenho qualquer dúvida de que jamais a intenção do legislador foi no sentido cominar penalidade mais branda nos casos de interposição fraudulenta de pessoas. Basta observar que em nenhum momento se disse que a multa decorrente da conversão da pena de perdimento, especificamente nos casos de interposição fraudulenta, deixaria de ser equivalente ao valor aduaneiro e passaria a ser de dez por cento do valor da operação. Seria de se perguntar por que razão o legislador teria destacado uma das ocorrências tipificadas como dano ao Erário, que sujeitam a mercadoria à pena de perdimento, para, em circunstâncias nas quais a mercadoria não pudesse ser apreendida, o perdimento fosse convertido não em valor compensatório, mas em inexpressivos dez por cento deste. Creio que, fosse essa a idéia, a primeira medida deveria ter sido no sentido de determinar a exclusão da infração do rol de situações compreendidas no conceito de dano ao Erário, já que a este deve ser necessariamente associado penalidade gravíssima de perdimento das mercadorias, ou, alternativamente, de multa no valor desta. Além do mais, as disposições legais a respeito são claras ao indicar, como consequência da aplicação da multa de dez por cento, a exclusão da hipótese de declaração de inaptidão, a teor do parágrafo único do artigo 33 da Lei nº 11.488/07. Dito dispositivo esclarece que, à hipótese prevista no caput (aplicação da multa de dez por cento pela cessão do nome) não se aplica o disposto no art. 81 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 (declaração de inaptidão). Também não creio que se esteja negligenciando o princípio que protege o apenado da aplicação de mais de uma penalidade à mesma conduta. Primeiro, devemos lembrar que é grande a quantidade de situações para as quais há previsão legal de aplicação de mais do que uma penalidade em vista de uma mesma ocorrência, bastando que as infrações decorrentes sejam de natureza distinta. Vejase o caso do erro de classificação. Ele sujeita o infrator à multa de um por cento do valor da operação, multa de setenta e cinco por cento da diferença de tributos e, muitas Fl. 1894DF CARF MF Processo nº 10925.720129/201392 Acórdão n.º 3302003.515 S3C3T2 Fl. 1.894 9 vezes, multa de trinta por cento do valor das mercadorias. E nem se fale dos casos de subfaturamento na importação. Segundo, é preciso compreender que, desde o começo, todas as disposições legais foram sendo concebidas à luz da interpretação jurídica dada às ocorrências identificadas no mundo real, a partir do que forjaramse instrumentos capazes de alcançar todas as pessoas envolvidas. Um dos pontos de partida deste empreendimento foi a interpretação de lavra da Procuradoria da Fazenda Nacional – Parecer PGFN CAT 1.316/01, por meio da qual ficou assentado que o contribuinte do imposto é sempre a pessoa cujo nome consta no conhecimento de carga, independentemente de quem estiver efetivamente interessado na aquisição das mercadorias ou fizer as negociações prévias. Como consequência, as autuações obrigatoriamente passaram a indicar como contribuinte do Imposto a pessoa informada nas declarações de importação como sendo o importador das mercadorias, restando incluir o adquirente no mercado interno como solidário na operação. Por isso, ao aplicar a multa compensatória nos casos de mercadorias sujeitas à pena de perdimento, forçosamente identificase como contribuinte a pessoa que registrou a declaração de importação, embora pretendase apenar o verdadeiro proprietário destas mercadorias, que figura como responsável solidário. Finalmente, cumpre destacar que o assunto está hoje claramente regulamentado no Regulamento Aduaneiro em vigor – Decreto 6.759/09. Art. 727. Aplicase a multa de dez por cento do valor da operação à pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas ao acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários (Lei no 11.488, de 2007, art. 33, caput). (...) § 3o A multa de que trata este artigo não prejudica a aplicação da pena de perdimento às mercadorias importadas ou exportadas. Diante de todo o exposto, voto para dar provimento parcial ao recurso voluntário, para manter a autuação em relação à DI nº 12/00738596. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 1895DF CARF MF Processo nº 10925.720129/201392 Acórdão n.º 3302003.515 S3C3T2 Fl. 1.895 10 Fl. 1896DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10675.002481/2006-11
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Mar 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2002
ITR. ISENÇÃO. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). OBRIGATORIEDADE A PARTIR DE LEI 10.165/00. TEMPESTIVIDADE. INÍCIO DA AÇÃO FISCAL
A partir do exercício de 2001, tornou-se requisito para a fruição da redução da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural a apresentação de Ato Declaratório Ambiental - ADA, protocolizado junto ao Ibama. A partir de uma interpretação teleológica do dispositivo instituidor, é de se admitir a apresentação do ADA até o início da ação fiscal. No caso em questão, o ADA foi apresentado de forma intempestiva. Assim, não é possível a exclusão da área de APP declarada da base de cálculo do ITR .
ARL. ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO TEMPESTIVA. DISPENSA DO ADA - ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL.
Incabível a manutenção da glosa da ARL - Área de Reserva Legal, por falta de apresentação de ADA - Ato Declaratório Ambiental, quando consta a respectiva averbação na matrícula do imóvel efetuada antes da ocorrência do fato gerador. Hipótese em que a área concedida pelo Acórdão recorrido encontrava-se averbada antes da ocorrência do fato gerador em análise.
Numero da decisão: 9202-005.168
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer de ambos os recursos. No mérito, quanto ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, por unanimidade de votos, acordam em negar-lhe provimento. Quanto ao Recurso Especial do contribuinte, por voto de qualidade, acordam em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva e Ana Paula Fernandes, que lhe deram provimento integral e, ainda, os conselheiros Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri (relatora), que lhe deram provimento parcial. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior.
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora
(assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior - Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2002 ITR. ISENÇÃO. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). OBRIGATORIEDADE A PARTIR DE LEI 10.165/00. TEMPESTIVIDADE. INÍCIO DA AÇÃO FISCAL A partir do exercício de 2001, tornou-se requisito para a fruição da redução da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural a apresentação de Ato Declaratório Ambiental - ADA, protocolizado junto ao Ibama. A partir de uma interpretação teleológica do dispositivo instituidor, é de se admitir a apresentação do ADA até o início da ação fiscal. No caso em questão, o ADA foi apresentado de forma intempestiva. Assim, não é possível a exclusão da área de APP declarada da base de cálculo do ITR . ARL. ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO TEMPESTIVA. DISPENSA DO ADA - ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. Incabível a manutenção da glosa da ARL - Área de Reserva Legal, por falta de apresentação de ADA - Ato Declaratório Ambiental, quando consta a respectiva averbação na matrícula do imóvel efetuada antes da ocorrência do fato gerador. Hipótese em que a área concedida pelo Acórdão recorrido encontrava-se averbada antes da ocorrência do fato gerador em análise.
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Recorrentes FAZENDA NACIONAL LUIZ LOUREIRO GUIMARÃES ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2002 ITR. ISENÇÃO. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). OBRIGATORIEDADE A PARTIR DE LEI 10.165/00. TEMPESTIVIDADE. INÍCIO DA AÇÃO FISCAL A partir do exercício de 2001, tornouse requisito para a fruição da redução da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural a apresentação de Ato Declaratório Ambiental ADA, protocolizado junto ao Ibama. A partir de uma interpretação teleológica do dispositivo instituidor, é de se admitir a apresentação do ADA até o início da ação fiscal. No caso em questão, o ADA foi apresentado de forma intempestiva. Assim, não é possível a exclusão da área de APP declarada da base de cálculo do ITR . ARL. ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO TEMPESTIVA. DISPENSA DO ADA ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. Incabível a manutenção da glosa da ARL Área de Reserva Legal, por falta de apresentação de ADA Ato Declaratório Ambiental, quando consta a respectiva averbação na matrícula do imóvel efetuada antes da ocorrência do fato gerador. Hipótese em que a área concedida pelo Acórdão recorrido encontravase averbada antes da ocorrência do fato gerador em análise. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer de ambos os recursos. No mérito, quanto ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, por unanimidade de votos, acordam em negarlhe provimento. Quanto ao Recurso Especial do contribuinte, por voto de qualidade, acordam em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva e Ana Paula Fernandes, que lhe deram provimento integral e, ainda, os conselheiros Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 00 24 81 /2 00 6- 11 Fl. 426DF CARF MF 2 Bacchieri (relatora), que lhe deram provimento parcial. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Relatório Tratase de auto de infração lavrado (fls. 86 e seguintes) contra o Contribuinte e por meio do qual exigese a diferença do Imposto Territorial Rural ITR relativo ao exercício de 2002. Conforme citado pelo Acórdão Recorrido a infração compreende: "No procedimento de análise e verificação da documentação apresentada e das informações constantes da DITR/2002, a fiscalização resolveu lavrar o presente auto de infração, para glosar as áreas de preservação permanente e exploração extrativa, respectivamente de 359,4 ha e 261,0 ha, além de alterar o VTN declarado de R$1.078.440,00 para R$3.915.055,00, com base no SIFT. Desta forma, foi aumentada a area tributada do imóvel, juntamente com a sua área aproveitável, e o Grau de Utilização foi reduzido de 100,0% para 64,9%. Conseqüentemente, foi aumentado o VTN tributável — devido ás glosas das áreas ambientais e o VTN arbitrado — bem como a respectiva aliquota de cálculo, alterada de 0,30% para 3,40%, para efeito de apuração do imposto suplementar lançado através do presente auto de infração, conforme demonstrativo de fls. 86." (grifos do original) Fl. 427DF CARF MF Processo nº 10675.002481/200611 Acórdão n.º 9202005.168 CSRFT2 Fl. 427 3 Intimado o contribuinte apresentou impugnação de fls. 96/115 julgada parcialmente procedente pela DRJ para reduzir o valor do VTN lançado. Em Recurso Voluntário (fls. 201/215) o contribuinte requer a reforma do julgado no que tange a glosa da áreas de reserva legal e preservação permanente insurgindose contra a obrigatoriedade de apresentação do ADA (Ato Declaratório Ambiental) e caso persista a autuação requereu a compensação com valores pagos. Por meio do acórdão nº 280100.447 a 1ª Turma Especial da Segunda Seção de Julgamento, deu provimento em parte ao Recurso Voluntário apenas para reconhecer a Área de Reserva Legal averbada antes do fato gerador no total de 71,1ha. Referido acórdão recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2002 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DE DEFESA. AUSÊNCIA DE CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. O direito ao contraditório e à ampla defesa são inerentes à fase litigiosa do procedimento administrativo fiscal, a qual se instaura com o oferecimento da impugnação. Ate a ciência do Auto de Infração, a fiscalização atua com poderes amplos de investigação, tendo liberdade para interpretar os elementos de que dispõe para efetuar o lançamento, inexistido acusação, o que contestar, do que se defender. AREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E UTILIZAÇÃO LIMITADA/RESERVA LEGAL. COMUNICAÇÃO TEMPESTIVA A ÓRGÃO DE FISCALIZAÇÃO AMBIENTAL. OBRIGATORIEDADE. A partir do exercício de 2001, é indispensável que o contribuinte comprove que informou ao lbama ou a órgão conveniado, tempestivamente, mediante documento hábil, a existência das áreas de preservação permanente e de utilização limitada/reserva legal que pretende excluir da base de cálculo do ITR, cabendo aceitar a parcela de área de utilização limitada/reserva legal reconhecida em Termo de Responsabilidade de Preservação de Floresta firmado entre o proprietário do imóvel e a autoridade ambiental, devidamente averbado antes da ocorrência do fato gerador. ÁREA UTILIZADA. EXPLORAÇÃO EXTRATIVA. PROVA. Fl. 428DF CARF MF 4 Incabível considerar corno área utilizada na exploração extrativa aquela que veio desacompanhada de elemento hábil de prova da efetividade do uso declarado. Preliminar rejeitada. Recurso provido em parte. Inconformada a União interpôs recurso especial de divergência (fls. 253) para questionar a interpretação dada pelo Colegiado a quo no sentido de ser o ADA instrumento dispensável para fins de exclusão das áreas de reserva legal da área tributável do ITR. O Contribuinte apresentou contrarrazões e interpôs o seu Recurso de Divergência, por meio do qual requer o conhecimento da APP de 227,02ha e da ARL de 359,53ha haja vista declaração firmada em laudo técnico apresentado. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões cuja tese de defesa se alinha com aquela apresenta em seu próprio recurso especial. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Os recursos preenchem os pressupostos de admissibilidade e, portanto, devem ser conhecidos. Podese dizer que ambos possuem a mesma matéria, qual seja, definição sobre a necessidade de averbação e apresentação do Ato Declaratório Ambiental ADA, até a data fixada pela norma infralegal, para fins de ver reconhecido o direito a não incidência do ITR sobre as áreas de reserva legal e preservação permanente. A discussão não envolve os fatos do processo e sim busca definir qual a correta interpretação deve ser dada ao art. 10, §1º inciso II, 'a' da Lei nº 9.393/96. Assim, superado o conhecimento, passo ao mérito dos recursos que serão, por manterem um intrínseca relação, analisados conjuntamente. Conforme exposto no relatório, o objeto do recurso é a discussão acerca dos requisitos necessários para que o contribuinte tenha direito a exclusão de áreas classificadas como de preservação permanente e reserva legal do cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, requisitos para aplicação da exoneração prevista no art. 10, §1º inciso II, 'a' da Lei nº 9.393/96, que até 1º de janeiro de 2013, possuía a seguinte redação: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: Fl. 429DF CARF MF Processo nº 10675.002481/200611 Acórdão n.º 9202005.168 CSRFT2 Fl. 428 5 (...) II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; (...) Sabese que o ITR, previsto no art. 153, VI da Constituição Federal e no art. 29 do CTN, é imposto de apuração anual que possui como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana de município, em 1º de janeiro de cada ano. Analisando as característica da base de cálculo eleita pelo legislador conjuntamente com o teor do art. 10 da Lei nº 9.393/96 é possível concluir fato que coaduna com a característica extrafiscal do ITR, que somente há interesse da União que sejam tributadas áreas tidas como produtivas/aproveitáveis, havendo ainda uma preocupação em se 'compensar' àqueles que um vez tolhidos do exercício pleno de sua propriedade sejam ainda mais onerados pela incidência de um tributo. As áreas caracterizadas como de preservação permanente e de reserva legal diante das limitações que lhe são impostas, por expressa determinação legal são excluídas do cômputo do VTN – Valor da Terra Nua, montante utilizado para a obtenção da base de cálculo do ITR. Por essa razão, no entendimento desta Relatora, o inciso II acima citado ao conceituar “área tributável” não prevê uma isenção, ele nos traz na verdade uma hipótese de não incidência do ITR. Entretanto, para que a propriedade, o domínio útil ou a posse dessas áreas não caracterize fato gerador do imposto é necessário que o imóvel rural preencha as condições, no presente caso, previstas na então vigente Lei nº 4.771/65. As características da Área de Preservação Permanente e da Área de Reserva Legal estavam descritas, respectivamente no art. 2º (com redação dada pela Lei nº 7.803/89) e 16 (com redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) do Código Florestal de 1965: Art. 2° Consideramse de preservação permanente, pelo só efeito desta Lei, as florestas e demais formas de vegetação natural situadas: a) ao longo dos rios ou de qualquer curso d'água desde o seu nível mais alto em faixa marginal cuja largura mínima será: 1 de 30 (trinta) metros para os cursos d'água de menos de 10 (dez) metros de largura; 2 de 50 (cinquenta) metros para os cursos d'água que tenham de 10 (dez) a 50 (cinquenta) metros de largura; 3 de 100 (cem) metros para os cursos d'água que tenham de 50 (cinquenta) a 200 (duzentos) metros de largura; Fl. 430DF CARF MF 6 4 de 200 (duzentos) metros para os cursos d'água que tenham de 200 (duzentos) a 600 (seiscentos) metros de largura; 5 de 500 (quinhentos) metros para os cursos d'água que tenham largura superior a 600 (seiscentos) metros; b) ao redor das lagoas, lagos ou reservatórios d'água naturais ou artificiais; c) nas nascentes, ainda que intermitentes e nos chamados "olhos d'água", qualquer que seja a sua situação topográfica, num raio mínimo de 50 (cinquenta) metros de largura; d) no topo de morros, montes, montanhas e serras; e) nas encostas ou partes destas, com declividade superior a 45°, equivalente a 100% na linha de maior declive; f) nas restingas, como fixadoras de dunas ou estabilizadoras de mangues; g) nas bordas dos tabuleiros ou chapadas, a partir da linha de ruptura do relevo, em faixa nunca inferior a 100 (cem) metros em projeções horizontais; h) em altitude superior a 1.800 (mil e oitocentos) metros, qualquer que seja a vegetação. i) nas áreas metropolitanas definidas em lei. Parágrafo único. No caso de áreas urbanas, assim entendidas as compreendidas nos perímetros urbanos definidos por lei municipal, e nas regiões metropolitanas e aglomerações urbanas, em todo o território abrangido, obervarseá o disposto nos respectivos planos diretores e leis de uso do solo, respeitados os princípios e limites a que se refere este artigo. (...) Art. 16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo: (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) (Regulamento) I oitenta por cento, na propriedade rural situada em área de floresta localizada na Amazônia Legal; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) II trinta e cinco por cento, na propriedade rural situada em área de cerrado localizada na Amazônia Legal, sendo no mínimo vinte por cento na propriedade e quinze por cento na forma de compensação em outra área, desde que esteja localizada na mesma microbacia, e seja averbada nos termos do § 7o deste artigo; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) III vinte por cento, na propriedade rural situada em área de floresta ou outras formas de vegetação nativa localizada nas Fl. 431DF CARF MF Processo nº 10675.002481/200611 Acórdão n.º 9202005.168 CSRFT2 Fl. 429 7 demais regiões do País; e (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) IV vinte por cento, na propriedade rural em área de campos gerais localizada em qualquer região do País. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) § 1o O percentual de reserva legal na propriedade situada em área de floresta e cerrado será definido considerando separadamente os índices contidos nos incisos I e II deste artigo. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) § 2o A vegetação da reserva legal não pode ser suprimida, podendo apenas ser utilizada sob regime de manejo florestal sustentável, de acordo com princípios e critérios técnicos e científicos estabelecidos no regulamento, ressalvadas as hipóteses previstas no § 3o deste artigo, sem prejuízo das demais legislações específicas. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) § 3o Para cumprimento da manutenção ou compensação da área de reserva legal em pequena propriedade ou posse rural familiar, podem ser computados os plantios de árvores frutíferas ornamentais ou industriais, compostos por espécies exóticas, cultivadas em sistema intercalar ou em consórcio com espécies nativas. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) § 4o A localização da reserva legal deve ser aprovada pelo órgão ambiental estadual competente ou, mediante convênio, pelo órgão ambiental municipal ou outra instituição devidamente habilitada, devendo ser considerados, no processo de aprovação, a função social da propriedade, e os seguintes critérios e instrumentos, quando houver: (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) I o plano de bacia hidrográfica; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) II o plano diretor municipal; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) III o zoneamento ecológicoeconômico; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) IV outras categorias de zoneamento ambiental; e (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) V a proximidade com outra Reserva Legal, Área de Preservação Permanente, unidade de conservação ou outra área legalmente protegida. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.166 67, de 2001) § 5o O Poder Executivo, se for indicado pelo Zoneamento Ecológico Econômico ZEE e pelo Zoneamento Agrícola, ouvidos o CONAMA, o Ministério do Meio Ambiente e o Fl. 432DF CARF MF 8 Ministério da Agricultura e do Abastecimento, poderá: (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) I reduzir, para fins de recomposição, a reserva legal, na Amazônia Legal, para até cinqüenta por cento da propriedade, excluídas, em qualquer caso, as Áreas de Preservação Permanente, os ecótonos, os sítios e ecossistemas especialmente protegidos, os locais de expressiva biodiversidade e os corredores ecológicos; e (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) II ampliar as áreas de reserva legal, em até cinqüenta por cento dos índices previstos neste Código, em todo o território nacional. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) § 6o Será admitido, pelo órgão ambiental competente, o cômputo das áreas relativas à vegetação nativa existente em área de preservação permanente no cálculo do percentual de reserva legal, desde que não implique em conversão de novas áreas para o uso alternativo do solo, e quando a soma da vegetação nativa em área de preservação permanente e reserva legal exceder a: (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) I oitenta por cento da propriedade rural localizada na Amazônia Legal; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) II cinqüenta por cento da propriedade rural localizada nas demais regiões do País; e (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) III vinte e cinco por cento da pequena propriedade definida pelas alíneas "b" e "c" do inciso I do § 2o do art. 1o. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) § 7o O regime de uso da área de preservação permanente não se altera na hipótese prevista no § 6o. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) § 8o A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) § 9o A averbação da reserva legal da pequena propriedade ou posse rural familiar é gratuita, devendo o Poder Público prestar apoio técnico e jurídico, quando necessário. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) § 10. Na posse, a reserva legal é assegurada por Termo de Ajustamento de Conduta, firmado pelo possuidor com o órgão ambiental estadual ou federal competente, com força de título executivo e contendo, no mínimo, a localização da reserva legal, as suas características ecológicas básicas e a proibição de supressão de sua vegetação, aplicandose, no que couber, as mesmas disposições previstas neste Código para a propriedade rural. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) Fl. 433DF CARF MF Processo nº 10675.002481/200611 Acórdão n.º 9202005.168 CSRFT2 Fl. 430 9 § 11. Poderá ser instituída reserva legal em regime de condomínio entre mais de uma propriedade, respeitado o percentual legal em relação a cada imóvel, mediante a aprovação do órgão ambiental estadual competente e as devidas averbações referentes a todos os imóveis envolvidos. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) Interpretando os dispositivos percebemos além de diferenças ecológicas existentes entre uma APP e uma ARL, diferença formal/procedimental na constituição dessas áreas. Em relação a Área de Preservação Permanente, salvo as hipóteses previstas no art. 3º da Lei nº 4.771/65 as quais requerem declaração do Poder Público para sua caracterização, nos demais casos estando área pleiteada localizada nos espaços selecionados pelo legislador, caracterizada estava pelo só efeito da lei, sem necessidade de cumprimento de qualquer outro requisito uma APP. Para tanto basta ao Contribuinte apresentar provas robustas sobre a condição do seu imóvel. Em contrapartida, por força dos §§4º e 8º do art. 16 para caracterização de Área de Reserva Legal, além dos requisitos ecológicos, exigiase i) aprovação prévia do Poder Público quanto a localização da área limitada e ainda ii) que essa área definida fosse devidamente averbada à margem da inscrição da matrícula do imóvel, averbação essa que era substituída por Termo de Ajustamento de Conduta nos casos em que o Contribuinte fosse apenas possuidor do bem. Faziase necessária a realização desses esclarecimentos, pois as diferenças formais apontadas traz impactos diretos no estudo dos requisitos para aplicação da não incidência do ITR especificamente acerca da necessidade de averbação prévia e apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) junto ao IBAMA. No presente caso, nos interessa discutir acerca dos requisitos que devem ser cumpridos pelo Contribuinte para que reste caracterizada a não incidência do ITR sobre áreas classificadas como de Reserva Legal e Preservação Permanente: Do requisito da averbação: Considerando a redação da Lei nº 4.771/65 afirmase que o ato de averbação em nada afeta a constituição de uma área de preservação permanente a qual existe é pode ser comprovada por qualquer meio capaz de demonstrar que aquele imóvel ou parte dele está localizado em áreas com a função ambiental de preservar os recursos hídricos, a paisagem, a estabilidade geológica, a biodiversidade, o fluxo gênico de fauna e flora, proteger o solo e assegurar o bemestar das populações humanas. A própria Receita Federal do Brasil nos documentos "Perguntas e Respostas do ITR" manifestava expressamente no sentido de a legislação do ITR não exigir a averbação da área de preservação permanente no Cartório de Registro de Imóveis. Por outro lado a necessidade de averbação das áreas de Reserva Legal era exigência prevista na própria Lei nº 4.771/65, razão pela qual filiome a corrente cujo entendimento é no sentido de ser a averbação requisito constitutivo da referida área. Fl. 434DF CARF MF 10 A averbação é condição imprescindível para a existência da Área de Reserva Legal, sendo que tal fato nos leva a conclusão lógica de que para fins de cálculo do ITR tal averbação deve ser anterior ao fato gerador. O Superior Tribunal de Justiça já pacificou o citado entendimento, valendo citar parte do voto proferido pelo Ministro Benedito Gonçalves, no RESP nº 1.125.632PR: Ao contrário da área de preservação permanente, para as áreas de reserva legal a legislação traz a obrigatoriedade de averbação na matrícula do imóvel. Tal exigência se faz necessária para comprovar a área de preservação destinada à reserva legal. Assim, somente com a averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel é que se poderia saber, com certeza, qual parte do imóvel deveria receber a proteção do art. 16, § 8º, do Código Florestal (...) Assim, considerado que a norma de apuração do ITR prevista no art. 10, §1º inciso II, 'a' da Lei nº 9.393/96 a qual nos remete aos conceitos e requisitos da então nº Lei nº 4.771/65 podemos afirmar que para fins de não incidência do ITR a averbação no registro do imóvel em data anterior a ocorrência do fato gerador é requisito aplicável apenas à Área de Reserva Legal. Do Ato Declaratório Ambiental ADA: A discussão quanto a necessidade de apresentação do ADA para fins da não incidência do ITR sobre áreas de Preservação Permanente e também Reserva Legal, é um pouco mais polêmica, isso porque tratase de exigência inicialmente prevista por meio de norma infralegal, valendo citar a IN SRF nº 67/97. Nem a Lei nº 9.393/96, nem a Lei nº 4.771/65 exigiam o ADA para fins de constituição das respectivas áreas ou para fins de apuração do imposto. Por tal razão, após amplo debate concluise que para os fatos geradores ocorridos até o ano de 2000, era dispensável a apresentação do ADA, conclusão que pode ser ilustrada pela seguinte ementa do STJ : PROCESSO CIVIL. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO TERRITORIAL RURAL. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. ISENÇÃO. EXIGÊNCIA CONTIDA NA IN SRF Nº 67/97. IMPOSSIBILIDADE. (...) 2. De acordo com a jurisprudência do STJ, é prescindível a apresentação do ADA Ato Declaratório Ambiental para que se reconheça o direito à isenção do ITR, mormente quando essa exigência estava prevista apenas em instrução normativa da Receita Federal (IN nº 67/97). Ato normativo infralegal não é capaz de restringir o direito à isenção do ITR, disciplinada nos termos da Lei nº 9.393/96 e da Lei 4.771/65. 3. Na hipótese, discutese a exigibilidade de tributo declarado em 1997, isto é, antes da entrada em vigor da Lei 10.165/00, que Fl. 435DF CARF MF Processo nº 10675.002481/200611 Acórdão n.º 9202005.168 CSRFT2 Fl. 431 11 acrescentou o § 1º ao art. 17O da Lei 6.938/81. Logo, é evidente que esse dispositivo não incide na espécie, assim como também não há necessidade de se examinar a aplicabilidade do art. 106, I, do CTN, em virtude da nova redação atribuída ao § 7º do art. 10 da Lei 9.393/96 pela MP nº 2.16667/01. 4. Recurso especial não provido. (REsp 1.283.326/RS, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 8/11/2011, DJe 22/11/2011.) Tal entendimento fundamentouse na regra de que a norma jurídica que regulamenta o conteúdo de uma lei é veículo secundário e infralegal e, portanto, seu conteúdo e alcance deve se restringir aos comandos impostos pela lei em função da qual foi expedida. Neste sentido uma instrução normativa não poderia prever condição não exigida pela norma originária, mormente quando tal condição dependia de manifestação de órgão cuja atuação não se vinculava com o objetivo da norma desoneração tributária. Tal discussão assume um novo viés com a criação do art. 17O da Lei nº 6.938/81. Em 29.01.2000 foi editada a Lei nº 9.960/00 que acrescentou o citado art. 17 O à Lei nº 6.938/81, nesta oportunidade, por meio do §1º, o legislador expressamente previu que a utilização do ADA para efeito de redução do valor do ITR era opcional. Ocorre que tal previsão não produziu efeitos, pois antes mesmo da ocorrência de um novo fato gerador do ITR o referido artigo foi radicalmente modificado pela Lei nº 10.165, publicada em 27 de dezembro de 2000, a qual tornou o ADA instrumento obrigatório para fins de ITR: Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) § 1oA. A Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA.(Incluído pela Lei nº 10.165, de 2000) § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) § 2o O pagamento de que trata o caput deste artigo poderá ser efetivado em cota única ou em parcelas, nos mesmos moldes escolhidos pelo contribuinte para o pagamento do ITR, em documento próprio de arrecadação do IBAMA.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) § 3o Para efeito de pagamento parcelado, nenhuma parcela poderá ser inferior a R$ 50,00 (cinqüenta reais). (Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) Fl. 436DF CARF MF 12 § 4o O inadimplemento de qualquer parcela ensejará a cobrança de juros e multa nos termos dos incisos I e II do caput e §§ 1oA e 1o, todos do art. 17H desta Lei.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) § 5o Após a vistoria, realizada por amostragem, caso os dados constantes do ADA não coincidam com os efetivamente levantados pelos técnicos do IBAMA, estes lavrarão, de ofício, novo ADA, contendo os dados reais, o qual será encaminhado à Secretaria da Receita Federal, para as providências cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) Diante desta alteração normativa discutese agora se lei posterior teria o condão de condicionar a aplicação de norma específica de não incidência tributária à realização de dever extra fiscal. Se diz extra fiscal porque como conceituado pelo próprio órgão o ADA nada mais é que um documento de cadastro das áreas do imóvel junto ao IBAMA. Destacase: a função do ADA é apenas informar ao IBAMA a existência de área de interesse ambiental em propriedade, posse ou domínio de particular área essa reconhecida seja pela própria lei no caso de APP, ou por meio da averbação no caso da ARL. É documento meramente informativo de uma área já existente, ou seja, o ADA não é requisito para constituição de áreas não consideradas pelo legislador quando da delimitação do fato gerador do ITR. É por essa razão que compartilho do entendimento de que o ADA não tem reflexos sobre a regra matriz de incidência do ITR, a ausência de documento informativo ou sua apresentação intempestiva não pode gerar como efeito a desconsideração de área reconhecidamente classificada como não tributada pelo legislador. Assim, é notável o conflito existente entre o art. 10, §1º, II da Lei nº 9.393/96 e o art. 17O da Lei nº 6.938/81, antinomia que deve ser solucionada pela aplicação do critério da especialidade, devendo prevalecer neste sentido a norma que dispõe sobre o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, qual a Lei nº 9.393/96. Destaco que, embora essa Relatora tenha o entendimento de que o ADA é requisito dispensável para fins de desoneração do ITR em qualquer circunstância APP e ARL, o entendimento da maioria deste Colegiado é no sentido de se reconhecer ao Contribuinte o direito a isenção: 1) à Área de Preservação Permanente devidamente comprovada nos autos e cujo ADA foi requerido antes do início da ação fiscal, e 2) à Área de Reserva Legal devidamente averbada à margem do registro do imóvel antes da ocorrência do fato gerador. Para a maioria o cumprimento destes requisitos formais suprem a necessidade de apresentação do ADA. Por fim, embora utilizandose de outros fundamentos, é importante mencionar que o Poder Judiciário, por meio do Superior Tribunal de Justiça tem firmado jurisprudência no sentido de que o ADA nunca foi, mesmo com a criação do art. 17O, requisito para desoneração do ITR, desoneração essa entendida pelos Ministros como isenção. Essa orientação do STJ foi recentemente reconhecida pela própria Fazenda Nacional por meio do Parecer PGFN/CRJ/Nº 1329/2016 que atualizou o Item 1.25 da Lista de Fl. 437DF CARF MF Processo nº 10675.002481/200611 Acórdão n.º 9202005.168 CSRFT2 Fl. 432 13 Dispensa de Contestar e Recorrer prevista no art.2º, V, VII e §§ 3º a 8º, da Portaria PGFN Nº 502/2016. Pela relevância, peço vênia para transcreve parte do parecer: a) Área de reserva legal e área de preservação permanente * Data da alteração da redação do resumo e da Observação 1, bem como da inclusão da Observação 2: 05/09/2016 Precedentes: AgRg no Ag 1360788/MG, REsp 1027051/SC, REsp 1060886/PR, REsp 1125632/PR, REsp 969091/SC, REsp 665123/PR e AgRg no REsp 753469/SP. Resumo: O STJ entendeu que, por se tratar de imposto sujeito a lançamento que se dá por homologação, dispensase a averbação da área de preservação permanente no registro de imóveis e a apresentação do Ato Declaratório Ambiental pelo Ibama para o reconhecimento das áreas de preservação permanente e de reserva legal, com vistas à concessão de isenção do ITR. Dispensase também, para a área de reserva legal, a prova da sua averbação (mas não a averbação em si) no registro de imóveis, no momento da declaração tributária. Em qualquer desses casos, se comprovada a irregularidade da declaração do contribuinte, ficará este responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa. OBSERVAÇÃO: Caso a matéria discutida nos autos envolva a prescindibilidade de averbação da reserva legal no registro do imóvel para fins de gozo da isenção fiscal, de maneira que este registro seria ou não constitutivo do direito à isenção do ITR, devese continuar a contestar e recorrer. Com feito, o STJ, no EREsp 1.027.051/SC, reconheceu que, para fins tributários, a averbação deve ser condicionante da isenção, tendo eficácia constitutiva. Tal hipótese não se confunde com a necessidade ou não de comprovação do registro, visto que a prova da averbação é dispensada, mas não a existência da averbação em si. OBSERVAÇÃO 2: A dispensa contida neste item não se aplica para as demandas relativas a fatos geradores posteriores à vigência da Lei nº 12.651, de 2012 (novo Código Florestal). PARECER PGFN/CRJ/No 1329/2016 Documento público. Averbação e prova da Área de Reserva Legal e da Área de Preservação Permanente. Natureza jurídica do registro. Ato Declaratório Ambiental. Isenção do Imposto Territorial Rural. Item 1.25, “a”, da Lista de dispensa de contestar e recorrer. Art. 10, II, “a”, e § 7º da Lei nº 9.393, de 1996. Lei nº 12.651, de 2012. Lei 10.165, de 2000. (...) II.1 Exame da jurisprudência sobre o questionamento feito à luz da legislação anterior à Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000 que deu nova redação ao art. 17O da Lei nº 6.938, de 27 de dezembro de 2000 e à Lei nº 12.651, de 25 de maio de 2012 Novo Código Florestal (...) Fl. 438DF CARF MF 14 12. Após as considerações acima, restam incontroversas, no âmbito da Corte de Justiça, à luz da legislação aplicável ao questionamento, as posições abaixo: (i) é indispensável a preexistência de averbação da reserva legal no registro de imóveis como condição para a concessão de isenção do ITR, tendo aquela, para fins tributários, eficácia constitutiva; (ii) a prova da averbação da reserva legal não é condição para a concessão da isenção do ITR, por se tratar de tributo sujeito à lançamento por homologação, sendo, portanto, dispensada no momento de entrega de declaração, bastando apenas que o contribuinte informe a área de reserva legal; (iii) é desnecessária a averbação da área de preservação permanente no registro de imóveis como condição para a concessão de isenção do ITR, pois tal área se localiza a olho nu; e (iv) é desnecessária a apresentação do ADA para que se reconheça o direito à isenção do ITR. (...) II.2 Considerações relacionadas ao questionamento à luz da legislação anterior à Lei nº 12.651, de 25 de maio de 2012 Novo Código Florestal. (...) 21. Em que pese tal possibilidade de interpretação, o STJ utilizouse do teor do § 7º no art. 10 da Lei nº 9.393, de 1996, para reforçar a tese de que o ADA é inexigível, tendo, ao que tudo indica, desprezado o conteúdo do art. 17O, caput e §1º, da Lei nº 6.938, de 2000, pois não foram encontradas decisões enfrentando esse regramento. Além disso, registrou que, como o dispositivo é norma interpretativa mais benéfica ao contribuinte, deveria retroagir. 22. Essa argumentação consta no inteiro teor dos acórdãos vencedores que trataram do tema, bem como na ementa do REsp nº 587.429/AL, senão vejamos: Trecho do voto da Ministra Eliana Calmon, Relatora do REsp nº 665.123/PR: Como reforço do meu argumento, destaco que a Medida Provisória 2.166 67, de 24/08/2001, ainda vigente, mas não prequestionada no caso dos autos, fez inserir o § 7º do art. 10 da Lei 9.393/96 para deslindar finalmente a controvérsia, dispensando o Ato Declaratório Ambiental nas hipótese de áreas de preservação permanente e de reserva legal para fins de cálculo do ITR [...] Trecho do voto do Ministro Benedito Gonçalves, Relator do REsp nº 1.112.283/PB: Assim, considerando a superveniência de lei mais benéfica (MP 2.16667, de 24 de agosto de 2001), que prevê a dispensa de prévia apresentação pelo contribuinte do ato declaratório expedido pelo Ibama, impõese a aplicação do princípio insculpido no art. 106, do CTN. Trecho do voto do Ministro Benedito Gonçalves, Relator do REsp nº 1.108.019/SP: Fl. 439DF CARF MF Processo nº 10675.002481/200611 Acórdão n.º 9202005.168 CSRFT2 Fl. 433 15 Assim, considerando a superveniência de lei mais benéfica (MP 2.16667, de 24 de agosto de 2001), que prevê a dispensa de prévia apresentação pelo contribuinte do ato declaratório expedido pelo Ibama, impõese a aplicação do princípio insculpido no art. 106, do CTN. "PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE.EXCLUSÃO. DESNECESSIDADE DE ATO DECLARATÓRIO DO IBAMA. MP.2.16667/2001. APLICAÇÃO DO ART. 106, DO CTN. RETROOPERÂNCIA DA LEX MITIOR. 1. Recorrente autuada pelo fato objetivo de ter excluído da base de cálculo do ITR área de preservação permanente, sem prévio ato declaratório do IBAMA, consoante autorização da norma interpretativa de eficácia ex tunc consistente na Lei 9.393/96. 2. A MP 2.16667, de 24 de agosto de 2001, ao inserir § 7º ao art.10, da lei 9.393/96, dispensando a apresentação, pelo contribuinte, de ato declaratório do IBAMA, com a finalidade de excluir da base de cálculo do ITR as áreas de preservação permanente e de reserva legal, é de cunho interpretativo, podendo, de acordo com o permissivo do art. 106, I, do CTN, aplicarse a fator pretéritos, pelo que indevido o lançamento complementar, ressalvada a possibilidade da Administração demonstrar a falta de veracidade da declaração contribuinte. 3. Consectariamente, forçoso concluir que a MP 2.16667, de 24 de agosto de 2001, que dispôs sobre a exclusão do ITR incidente sobre as áreas de preservação permanente e de reserva legal, consoante § 7º, do art. 10, da Lei 9.393/96, veicula regra mais benéfica ao contribuinte, devendo retroagir, a teor disposto nos incisos do art.106, do CTN, porquanto referido diploma autoriza a retrooperância da lex mitior. 4. Recurso especial improvido." (REsp 587.429/AL, Rel. Ministro Luiz Fux, PRIMEIRA TURMA, DJe de 2/8/2004) 23. A partir das colocações postas, concluise que, mesmo com a vigência do art. 17O, caput e §1º, da Lei nº 6.938, de 1981, com a redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000, até a entrada em vigor da Lei nº 12.651, de 2012, o STJ continuou a rechaçar a exigência do ADA com base no teor do § 7º do art. 10 da Lei nº 9.393, de 1996. 24. Consequentemente, caso a ação envolva fato gerador de ITR, ocorrido antes da vigência da Lei nº 12.651, de 2012, não há motivo para discutir em juízo a obrigação de o contribuinte apresentar o ADA para o gozo de isenção do ITR, diante da pacificação da jurisprudência. (...) Analisando as provas juntadas aos autos, concluo que: 1) Área de Reserva Legal: não haverá incidência do ITR sobre a ARL no total de 71,13 ha, haja vista ter sido a única área averbada em data (22/12/80) anterior ao fato gerador nos termos dos registros dos imóveis juntados às fls. 08v; Fl. 440DF CARF MF 16 2) Área de Preservação Permanente: não haverá incidência do ITR sobre a APP comprovada por meio do laudo técnico produzido pelo Contribuinte no total de 227,023 ha (fls. 121). Assim, diante de todo o exposto, NEGO PROVIMENTO AO RECURSO DA FAZENDA NACIONAL mantendo a ARL reconhecida pela acórdão recorrido no total de 71,13ha averbada; e DOU PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO DO CONTRIBUINTE, reformando o acórdão para reconhecer como APP a área de 227,023ha devidamente comprovada nos autos. (Assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Voto Vencedor Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Redator designado Com a devida vênia ao voto da nobre relatora, ouso discordar de seu posicionamento quanto aos requisitos para exclusão da base de cálculo do ITR das áreas de preservação permanente. Todavia, quanto à averbação da Reserva Legal, também entendo que a averbação pública, de natureza constitutiva, supre a obrigatoriedade de apresentação do ADA, interpretandose uma vez mais o dispositivo instituidor da obrigatoriedade sob a ótica teleológica de preservação das áreas de RL e fiscalização desta preservação. Ressaltese aqui que, no caso da área de Reserva Legal, diferentemente do caso das APPs, se está diante de área onde o proprietário ou possuidor a indica, em qualquer local do imóvel rural, de forma que fique vedado o corte raso da cobertura florestal ou arbórea para fins de conversão a usos agrícolas ou pecuários, mas onde são permitidos outros usos sustentados que não comprometam a integridade dos ecossistemas que as formam. Presente tal elemento volitivo definidor do contribuinte no caso em questão, entendo que a ausência do ADA, no caso específico da Reserva Legal, pode ser substituída pela formalização (pública) da indicação supra através da mencionada averbação, com o ADA possuindo, nesta hipótese, natureza declaratória. Assim, nenhum reparo a fazer quanto à exclusão de 71,13 ha. proposta pela Relatora, a partir a averbação constante de efl. 16, datada de 22/12/80, assim, anterior à ocorrência do fato gerador em análise (01/01/2002), acedendose aqui a seu posicionamento no sentido de negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda e ao Recurso Especial do Contribuinte quanto à matéria de ARL. Quanto às áreas de preservação permanente: Acerca do tema, entendo que a fruição da redução da base de cálculo do ITR (possuidora, a meu ver de natureza isentiva), seja por áreas de preservação permanente ou de interesse ecológico, encontra um de seus requisitos legais claramente estabelecido, desde 2000, a partir do disposto no art. 17O da Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, em especial em seu Fl. 441DF CARF MF Processo nº 10675.002481/200611 Acórdão n.º 9202005.168 CSRFT2 Fl. 434 17 caput e parágrafo 1º, com atual redação dada pelo art. 1º da Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000, verbis: Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000)(...)o. § 1oA utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) (g.n.) Ou seja, mandatório para que se admita a redução da base tributável de áreas a título de Preservação Permanente ou de Interesse Ecológico que constem as mesmas de ADA entregue ao IBAMA. Tratase aqui, notese, de dispositivo legal específico, posterior à Lei no. 9.393, de 1996, restando, assim, quando da instituição de tal requisito, plenamente respeitado o princípio da Reserva Legal. Notese ser plenamente consistente a coexistência de tal obrigação com a vigência e aplicação da Lei no. 9.393, de 1996, sem qualquer tipo de antinomia. Ainda, de se rejeitar qualquer argumentação de revogação do dispositivo pelo §7° do art. 10 da Lei n.° 9.393, de 1996, instituído pela Medida Provisória n.° 2.166 67/01. O que se estabelece ali é uma desnecessidade de comprovação prévia tão somente no momento da declaração (DITR), sendo perfeitamente factível, porém, que, posteriormente, em sede de ação fiscal, sejam demandados elementos necessários à comprovação do constante na DITR do declarante e realizado o lançamento no caso de insuficientes elementos comprobatórios, a partir do expressamente disposto nos arts. 14 e 15 daquela mesma Lei no. 9.393, de 1996. Tal posicionamento encontrase muito bem detalhado no âmbito do Acórdão CSRF 9202003.620, de 04 de março de 2015, no qual funcionei como Redator ad hoc do voto vencedor em substituição ao redator do voto designado, Dr. Alexandre Naoki Nishioka, adotando assim aqui seus fundamentos a seguir como razões de decidir, verbis: "(...) Pois bem. Muito embora inexistisse, até o exercício de 2000, qualquer fundamento para a exigência da entrega do ADA como requisito para a fruição da isenção, com o advento da Lei Federal n.° 10.165/2000 alterouse a redação do §1° do art. 17 O da Lei n.° 6.938/81, que passou a vigorar da seguinte forma: "Art. 17O. (...) § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória." Ora, de acordo com uma interpretação evolutiva do referido dispositivo legal, isto é, cotejandose o texto aprovado quando Fl. 442DF CARF MF 18 da edição da Lei n.° 9.960/00, em contraposição à modificação introduzida pela Lei n.° 10.165/00, verificase que, para o fim específico da legislação tributária, passouse a exigir a apresentação do ADA, como requisito inafastável para a fruição da redução da base de cálculo prevista pela Lei n.° 9.393/96, mais especificamente por seu art. 10, §1°, II. Assim, sendo certo que as normas que instituem isenções devem ser interpretadas de forma estrita, ainda que não se recorra somente ao seu aspecto literal, como se poderia entender de urna análise superficial do art. 111, do Código Tributário Nacional, fato é que, no que atine às regras tratadas como exclusão do crédito tributário pelo referido codex, a legislação não pode ser interpretada de maneira extensiva, de maneira que não há como afastar a exigência do ADA para o fim específico de possibilitar a redução da base de cálculo do ITR. (...)" Atendose mais especificamente ao caso em questão, notase, ao compulsar os autos, que o referido requisito foi efetivamente cumprido pelo contribuinte em 20/06/06 (e fl. 26), assim, posteriormente ao início da ação fiscal, iniciada em 24/05/06 (vide efl. 08). Assim, devese enfrentar agora a questão do momento da entrega efetuada pelo autuado, posterior ao prazo estabelecido infralegalmente, mas antes do início da ação fiscal, para fins de exclusão da base de cálculo do ITR do exercício 2002. Com a devida vênia aos Conselheiros que adotam posicionamento diverso, entendo que o melhor posicionamento é, novamente em linha com o adotado no âmbito do mesmo Acórdão CSRF 9202003.620, admitir a protocolização do Ato Declaratório Ambiental até o início da ação fiscal, com fulcro nos seguintes fundamentos: "(...) Feita esta observação, relativa, portanto, à obrigatoriedade de apresentação do ADA, cumpre mover à análise do prazo em que poderia o contribuinte protocolizar referida declaração no órgão competente. No que toca a este aspecto específico, tenho para mim que é absolutamente relevante uma digressão a respeito da mens legis que norteou a alteração do texto do art. 17O da Lei n.° 6.938/81. Analisandose, nesse passo, o real intento do legislador ao estabelecer a obrigatoriedade de apresentação do ADA, podese inferir que a mudança de paradigma deveuse a razões atinentes à efetividade da norma isencional, especialmente no que concerne à aferição do real cumprimento das normas ambientais pelo contribuinte, de maneira a permitir que este último possa usufruir da redução da base de cálculo do ITR. Em outras palavras, a efetiva exigência do ADA para o fim específico da fruição da redução da base de cálculo do ITR foi permitir uma efetiva fiscalização por parte da Receita Federal da preservação das áreas de reserva legal ou de preservação permanente, utilizandose, para este fim específico, do poder de polícia atribuído ao IBAMA. Fl. 443DF CARF MF Processo nº 10675.002481/200611 Acórdão n.º 9202005.168 CSRFT2 Fl. 435 19 Em síntese, podese afirmar que a alteração no regramento legal teve por escopo razões de praticabilidade tributária, a partir da criação de um dever legal que permita, como afirma Helenílson Cunha Pontes, uma "razoável efetividade da norma tributária'" (PONTES, Helenílson Cunha. O princípio da praticidade no Direito Tributário (substituição tributária, plantas de valores, retenções de fonte, presunções e ficções, etc.): sua necessidade e seus limites. In: Revista Internacional de Direito Tributário, v. 1, n.° 2. Belo Horizonte, jul/dez2004, p. 57) , no caso da norma isencional. De fato, no caso da redução da base de cálculo do ITR, mais especificamente no que atine às áreas de interesse ambiental lato senso, além da necessidade de fiscalizar um número extenso de contribuintes, exigirseia, não fosse a necessidade da obrigatória protocolização do ADA, que a Receita Federal tomasse para si o dever de fiscalizar o extenso volume de propriedades rurais compreendido no território nacional, o que, do ponto de vista econômico, não teria qualquer viabilidade. Por esta razão, assim, passouse, com o advento da Lei Federal n.° 10.165/00 a exigir, de forma obrigatória, a apresentação do ADA para o fim de permitir a redução da base de cálculo do ITR, declaração esta sujeita ao poder de polícia do IBAMA. Tratandose, portanto, da interpretação do dispositivo em comento, deve o aplicador do direito, neste conceito compreendido o julgador, analisar o conteúdo principiológico que norteia referido dispositivo legal, a fim de conferirlhe o sentido que melhor se amolda aos objetivos legais. Partindose desta premissa basilar, verificase que o art. 17O da Lei n.° 6.938/81, em que pese o fato de imprimir, de forma inafastável, o dever de apresentar o ADA, não estabelece qualquer exigência no que toca à necessidade de sua protocolização em prazo fixado pela Receita Federal para o fim específico de permitir a redução da base de cálculo do ITR. A exigência de protocolo tempestivo do ADA, para o fim específico da redução da base de cálculo do ITR, não decorre expressamente de lei, mas sim do art. 10, §3°, I, do Decreto n.° 4.382/2002, que, inclusive, data de setembro de 2002, (...). (...) Com efeito, sendo certo que a instituição de tributos ou mesmo da exclusão do crédito tributário, na forma como denominada pelo Código Tributário Nacional, são matérias que devem ser integralmente previstas em lei, na forma como estatuído pelo art. 97, do CTN, mais especificamente no que toca ao seu inciso VI, não poderia sequer o poder regulamentar estabelecer a desconsideração da isenção tributária no caso da mera apresentação intempestiva do ADA. Repisese, nesse sentido, que não se discute que a lei tenha instituído a obrigatoriedade da apresentação do ADA, mas, sim, Fl. 444DF CARF MF 20 que o prazo de seis meses, contado da entrega da DITR, foi instituído apenas por Instrução Normativa, muito posteriormente embasada pelo Decreto n.° 4.382/2002, o que, com a devida vênia, não merece prosperar. Em virtude, portanto, da ausência de estabelecimento de um critério rígido quanto ao prazo para a apresentação do ADA, eis que não se encontra previsto em lei, cumpre recorrer aos mecanismos de integração da legislação tributária, de maneira a imprimir eficácia no disposto pelo art. 17O da Lei n.° 6.398/81. Dentre os mecanismos de integração previstos pelo ordenamento jurídico, dispõe o Código Tributário Nacional, em seu art. 108, I, que deve o aplicador recorrer à analogia, sendo referida opção vedada apenas no que toca à instituição de tributos não previstos em lei, o que, ressaltese, não é o caso. Nesse esteio, recorrendose à analogia para o preenchimento de referida lacuna, devese recorrer à legislação do ITR relativa às demais declarações firmadas pelo contribuinte, mais especificamente no que atine à DIAT e à DIAC, expressamente contempladas pela Lei n.° 9.393/96, aplicadas ao presente caso tendose sempre em vista o escopo da norma inserida no texto do art. 17O da Lei n.° 6.398/81, isto é, imprimir praticabilidade à aferição da existência das áreas de reserva legal e preservação permanente, para o fim específico da isenção tributária. Pois bem. Sendo certo que a apresentação do ADA cumpre o papel imprimir praticabilidade à apuração da área tributável, verificase que cumpre o escopo norma a sua entrega até o início da fiscalização, momento a partir do qual a apresentação já não mais cumprirá seu desiderato. De fato, até o início da fiscalização em face do contribuinte, verificase que a entrega do ADA possibilitará a consideração, por parte da Receita Federal, da redução da base de cálculo do ITR, submetendo as declarações do contribuinte ao pálio do órgão ambiental competente e retirando referida aferição do âmbito da Receita Federal do Brasil. A entrega, portanto, ainda que intempestiva, muito embora pudesse ensejar a aplicação de uma multa específica, caso existisse referida norma sancionatória, seria equivalente à retificação das demais declarações relativas ao ITR, isto é, da DIAT e da DIAC, devendo, pois, ter o mesmo tratamento que estas últimas, em consonância com o que estatui o brocardo jurídico "ubi eadem ratio, ibi eaedem legis dispositio", isto é, onde há o mesmo racional, a legislação não pode aplicar critérios distintos. À guisa do exposto, portanto, no que toca à entrega do ADA, tenho para mim que cumpre seu desiderato até o momento do início da fiscalização, a partir do qual a omissão do contribuinte ensejou a necessidade de fiscalização específica relativa ao recolhimento do ITR, o que implica nos custos administrativos inerentes a este fato. Assim, aplicase ao ADA, de acordo com este entendimento basilar, a regra prevista pelo art. 18 da Medida Provisória n.° 2.18949/01, que assim dispõe, verbis: Fl. 445DF CARF MF Processo nº 10675.002481/200611 Acórdão n.º 9202005.168 CSRFT2 Fl. 436 21 "Art. 18. A retificação de declaração de impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nas hipóteses em que admitida, terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, independentemente de autorização pela autoridade administrativa." De acordo com a interpretação que ora se sustenta, pois, é permitida a entrega do ADA, ainda que intempestivamente, desde que o contribuinte o faça até o início da fiscalização. (grifei) (...)" Repetindose uma vez mais que, no caso em questão, o ADA contendo a área de preservação permanente glosada, somente foi entregue em 20/06/06 (efl. 26), assim posteriormente ao início da ação fiscal (ocorrida em 24/05/06, conforme efl. 08), é de se manter a glosa da área de preservação permanente da base de cálculo do ITR/2002 perpretada pela autoridade lançadora, negandose provimento ao Recurso Especial da Contribuinte também quanto à matéria de exclusão de APP. Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional e também por negar provimento ao Recurso da Contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Fl. 446DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13971.002284/2006-37
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue May 02 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 2802-000.117
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, sobrestar o julgamento nos termos do §1º do art. 62-A do Regimento Interno do CARF c/c Portaria CARF nº 01/2012.
(assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
CARLOS ANDRÉ RIBAS DE MELLO - Relator.
EDITADO EM: 18/07/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos André Ribas de Mello (Relator), Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Dayse Fernandes Leite, German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci De Assis Junior e Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, sobrestar o julgamento nos termos do §1º do art. 62-A do Regimento Interno do CARF c/c Portaria CARF nº 01/2012. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente. (assinado digitalmente) CARLOS ANDRÉ RIBAS DE MELLO - Relator. EDITADO EM: 18/07/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos André Ribas de Mello (Relator), Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Dayse Fernandes Leite, German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci De Assis Junior e Julianna Bandeira Toscano.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, sobrestar o julgamento nos termos do §1º do art. 62A do Regimento Interno do CARF c/c Portaria CARF nº 01/2012. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) CARLOS ANDRÉ RIBAS DE MELLO Relator. EDITADO EM: 18/07/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos André Ribas de Mello (Relator), Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Dayse Fernandes Leite, German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci De Assis Junior e Julianna Bandeira Toscano. Tratase de Auto de Infração (fl. 19) proveniente de revisão de Declaração de Ajuste Anual relativo ao exercício do ano de 2005, anocalendário de 2004, que apurou omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica em razão de ação trabalhista. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 39 71 .0 02 28 4/ 20 06 -3 7 Fl. 97DF CARF MF Processo nº 13971.002284/200637 Resolução nº 2802000.117 S2TE02 Fl. 98 2 Devidamente cientificado (fl. 23), o Contribuinte apresentou, tempestivamente, Impugnação (fl. 02), na forma de solicitação de retificação de lançamento, sob os fundamentos de que o imposto de renda foi recolhido nos exatos termos da decisão judicial e o imposto recolhido abrangeu todos os rendimentos tributáveis recebidos pelo Contribuinte em virtude da sentença, Afirma ainda que do valor a receber em virtude da sentença foi deduzido na fonte o montante de R$ 2.400,22 a título de imposto de renda devido, acostando documentos. Ato contínuo, os autos foram remetidos para julgamento à 5ª Turma da DRJ/FNS, em sessão realizada no dia 19/11/2010, resultando no Acórdão n.º 0722.262, que, por unanimidade, julgou procedente o lançamento, sob o fundamento de que em sua impugnação pretendia o Contribuinte reclamar a compensação do imposto de renda retido na fonte sobre os valores decorrentes da sentença judicial em comento, porém os valores em questão já haviam sido informados pelo contribuinte na DIRPF/2005 retificadora e considerados pela autoridade fiscal no lançamento, conforme o demonstrativo de fl.27, que integra a notificação de lançamento, já tendo sido, portanto, compensado o imposto retido na fonte. Intimado da supramencionada decisão, conforme fl.39, o Contribuinte apresentou, tempestivamente, Recurso Voluntário (fls. 6071), pleiteando o cancelamento do lançamento e subsidiariamente a redução da multa de ofício, nos termos dos fundamentos que seguem: i) nos termos da decisão judicial, foi recolhido na fonte todo o imposto devido e incidente sobre rendimentos tributáveis, excluindose, devidamente, as verbas de natureza indenizatória, sobre as quais o tributo não recai; ii) nos termos do Enunciado 368 do TST, é do empregador a responsabilidade pelo recolhimento das contribuições previdenciárias e fiscais, resultantes de crédito do empregado oriundo de condenação judicial; iii) os valores percebidos em virtude da sentença judicial foram integralmente informados da Declaração de Ajuste, ora como rendimentos tributáveis, ora como rendimentos isentos e não tributáveis, conforme sua natureza, não havendo omissão de rendimentos por parte do Contribuinte; iv) invoca os termos do art.6º da Lei nº. 7.713/88 e do art.39 do RIR/99; v) nulidade do auto de infração por desprezo aos rendimentos submetidos espontaneamente à tributação pelo contribuinte, conforme a natureza destes; vi) a não verificação de nenhuma das hipóteses legais autorizativas da incidência da multa de ofício majorada, na razão de 75% do crédito tributário constituído, nos termos do art.44, I, da Lei nº.9.430/96. Em sede preliminar, os autos versam sobre rendimentos trabalhistas recebidos acumuladamente em razão de decisão judicial. Considerando que o Recurso Extraordinário 614406RS, que versa acerca da matéria, teve sua repercussão geral reconhecida em 20.10.2010 e ainda encontrase pendente de julgamento pelo Supremo Tribunal Federal, tenho como inquestionável o enquadramento do presente caso ao art. 62A, §1º, do Regimento Interno do CARF e à Portaria CARF nº1, de 03 de janeiro de 2012 (art. 1º, Parágrafo Único). É que, nos termos do artigo 543B do CPC, a admissão da repercussão geral de um ou mais recursos extraordinários implica em que sejam os mesmos identificados como representativos de controvérsia, sobrestandose os demais, verbis: Art. 543B. Quando houver multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica controvérsia, a análise da repercussão geral será processada nos termos do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal, observado o disposto neste artigo Fl. 98DF CARF MF Processo nº 13971.002284/200637 Resolução nº 2802000.117 S2TE02 Fl. 99 3 § 1o Caberá ao Tribunal de origem selecionar um ou mais recursos representativos da controvérsia e encaminhálos ao Supremo Tribunal Federal, sobrestando os demais até o pronunciamento definitivo da Corte. § 2o Negada a existência de repercussão geral, os recursos sobrestados considerarseão automaticamente não admitidos. § 3o Julgado o mérito do recurso extraordinário, os recursos sobrestados serão apreciados pelos Tribunais, Turmas de Uniformização ou Turmas Recursais, que poderão declarálos prejudicados ou retratarse. Nesses termos, sou pelo sobrestamento do presente recurso, até o julgamento definitivo da ação judicial mencionada. É como voto. (assinado digitalmente) CARLOS ANDRÉ RIBAS DE MELLO. Fl. 99DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.720512/2015-38
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu May 04 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010, 2011
JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. FACULDADE. EXERCÍCIO REGIME DE COMPETÊNCIA. DEDUTIBILIDADE
A faculdade para pagamento ou crédito de JCP deve ser exercida no ano-calendário de apuração do lucro real, estando a dedutibilidade das despesas financeiras correspondentes restrita aos juros relativos ao ano da referida apuração, sem incluir encargos de períodos anteriores por força do princípio da autonomia dos exercícios financeiros e de sua independência, que no plano da contabilidade fiscal caracteriza-se como regime de competência.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL
LANÇAMENTO REFLEXO.
Inexistindo fatos novos a serem apreciados, estende-se ao lançamento reflexo
os efeitos da decisão prolatada no lançamento matriz.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO.
A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic
Numero da decisão: 1402-002.363
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e votos, que passam a integrar o presente julgado.Vencidos os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella e Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira que votaram por dar provimento ao recurso. Designado o Conselheiro Paulo Mateus Ciccone para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira - Relator
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto (Presidente), Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella e Demetrius Nichele Macei
Nome do relator: LUCAS BEVILACQUA CABIANCA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2010, 2011 JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. FACULDADE. EXERCÍCIO REGIME DE COMPETÊNCIA. DEDUTIBILIDADE A faculdade para pagamento ou crédito de JCP deve ser exercida no ano-calendário de apuração do lucro real, estando a dedutibilidade das despesas financeiras correspondentes restrita aos juros relativos ao ano da referida apuração, sem incluir encargos de períodos anteriores por força do princípio da autonomia dos exercícios financeiros e de sua independência, que no plano da contabilidade fiscal caracteriza-se como regime de competência. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL LANÇAMENTO REFLEXO. Inexistindo fatos novos a serem apreciados, estende-se ao lançamento reflexo os efeitos da decisão prolatada no lançamento matriz. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e votos, que passam a integrar o presente julgado.Vencidos os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella e Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira que votaram por dar provimento ao recurso. Designado o Conselheiro Paulo Mateus Ciccone para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente. (assinado digitalmente) Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira - Relator (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto (Presidente), Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella e Demetrius Nichele Macei
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FACULDADE. EXERCÍCIO REGIME DE COMPETÊNCIA. DEDUTIBILIDADE A faculdade para pagamento ou crédito de JCP deve ser exercida no ano calendário de apuração do lucro real, estando a dedutibilidade das despesas financeiras correspondentes restrita aos juros relativos ao ano da referida apuração, sem incluir encargos de períodos anteriores por força do princípio da autonomia dos exercícios financeiros e de sua independência, que no plano da contabilidade fiscal caracterizase como regime de competência. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL LANÇAMENTO REFLEXO. Inexistindo fatos novos a serem apreciados, estendese ao lançamento reflexo os efeitos da decisão prolatada no lançamento matriz. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e votos, que passam a integrar o presente julgado.Vencidos os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella e Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira que votaram por dar provimento ao recurso. Designado o Conselheiro Paulo Mateus Ciccone para redigir o voto vencedor. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 05 12 /2 01 5- 38 Fl. 377DF CARF MF Processo nº 16327.720512/201538 Acórdão n.º 1402002.363 S1C4T2 Fl. 378 2 (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente. (assinado digitalmente) Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Relator (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto (Presidente), Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella e Demetrius Nichele Macei Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto por JS Administração de Recursos S/A por meio do qual insurgese em face de decisão da DRJ de Curitiba que glosou o Fl. 378DF CARF MF Processo nº 16327.720512/201538 Acórdão n.º 1402002.363 S1C4T2 Fl. 379 3 pagamento de JCP "acumulados" em períodos anteriores em função da inobservância do regime de competência. Adoto integralmente o relatório da DRJ complementandoo ao final no que necessário: 1. Trata o processo de autos de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), relativos aos anos calendários de 2010 e 2011. 2. O auto de infração de IRPJ (fls. 178/185) exige o recolhimento de R$ 19.233.961,26 de imposto e R$ 14.425.470,95 de multa de lançamento de ofício, além dos encargos legais. O lançamento resultou de procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias da interessada, em que foram apuradas as seguintes infrações, relatadas no Termo de Verificação Fiscal, de fls. 136/150: Adições não computadas na apuração do lucro real. Infração: excesso de juros sobre capital próprio: nos períodos de 31/12/2010 e 31/12/2011. Enquadramento legal no art. 3° da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; arts. 247, 249 inciso I e 347 do RIR/1999. Multa de 75%. 3. O auto de infração de CSLL (fls. 187/191) exige o recolhimento de R$ 6.924.226,05 de contribuição e R$ 5.193.169,54 de multa de lançamento de ofício, além dos encargos legais. Foram apuradas as seguintes infrações, relatadas no Termo de Verificação Fiscal, de fls. 136/150: Falta/insuficiência de adições à base de cálculo ajustada da CSLL. Infração: excesso de juros sobre capital próprio: nos períodos de 31/12/2010 e 31/12/2011. Enquadramento legal nos arts. 2° e 3° da Lei 7.689, de 15 de dezembro de 1988; art. 57 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995; art. 2° e 9° da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995. Multa de 75%. 4. Cientificada em 22/06/2015, conforme informação de fl. 318, tempestivamente, em 06/07/2015, a interessada apresentou impugnação aos lançamentos, às fls. 293/305, acompanhada dos documentos de fls. 3306/315, que se resume a seguir: DOS FATOS a. Relata que se trata de Autos de Infração lavrados para cobrança de Imposto de Renda Pessoa Jurídica ("IRPJ") e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido ("CSLL"), acrescidos de multa de 75% e juros, em razão da suposta indeduLíquido ("CSLL"), acrescidos de multa de 75% e juros, em razão da suposta indedutibilidade das despesas com o pagamento de Juros Sobre o Capital Próprio ("JCP"), deduzidas nos anosdas despesas com o pagamento de Juros Sobre o Capital Próprio ("JCP"), deduzidas nos anoscalendário de 2010 e 2011, mas referentes aos anoscalendário de 2010 e 2011, mas referentes aos anoscalendário 2008, 2009, 2010 e 2011, conforme tabela abaixo: conforme tabela abaixo: Ano JCP do Período Pagamento realizado 2008 116.522.437,40 2009 39.327.142,25 2010 16.576.254,17 110.810.647,24 201 10.506.471,84 25.999.652,75 Fl. 379DF CARF MF Processo nº 16327.720512/201538 Acórdão n.º 1402002.363 S1C4T2 Fl. 380 4 b. Afirma que a questão posta em debate trata da (i) possibilidade de serem deduzidos do Lucro Real e da base de cálculo da CSLL as despesas com o pagamento de créditos acumulados de JCP, e (ii) se, para fins de dedutibilidade dos JCP pagos/creditados, deve ser observado o lucro acumulado/lucro do anocalendário a que se referem os JCP; ou do anocalendário em que houve a deliberação pelo pagamento dos JCP; c. Explica que, conforme narrado no Relatório Fiscal, em 30/07/2010 e 24/12/2010, os sócios da Impugnante deliberaram o pagamento de JCP referente ao anocalendário de 2010. Após isso, em 27/12/2011, deliberaram o pagamento de JCP referente ao ano calendário de 2011. Diante disso, a Impugnante calculou o montante de JCP referente a cada ano, levando em consideração: (i) a variação, pro rata dia, da Taxa de Juros a Longo Prazo ("TJLP") aplicada sobre as contas do patrimônio líquido, assim considerado segundo o art. 182 da Lei n°. 6.404/76, e demais dispositivos legais pertinentes, sendo excluídas as reservas de reavaliação; e (H) as variações do patrimônio líquido. Após isso, submeteu o valor encontrado ao limite de dedutibilidade determinado pelo § 1o do art. 9o da Lei n°. 9.249/95, considerando, para tanto, como valor máximo a ser deduzido, o montante correspondente a 50% dos lucros correntes constantes dos balanços nos anoscalendário de 2010 e 2011, nos quais houve a deliberação pelo pagamento dos JCP; d. Esclarece que, a partir do valor encontrado, a Impugnante pagou/creditou R$ 110.810.647,24 (no ano 2010) e R$ 25.999.652,75 (no ano 2011) a seus sócios. Toda a operação foi levada a cabo em conformidade com o disposto no art. 9o da Lei n°. 9.249/95, alterada pela Lei n°. 9.430/96; e. Argumenta que, nada obstante a legalidade da operação, a fiscalização glosou despesas nos valores de R$ 94.235.820,93 (AC 2010) e R$ 15.672.529,05 (AC 2011), relativas às diferenças entre os valores pagos e os valores que entendia serem efetivamente dedutíveis (R$ 16.576.254,17 para o AC 2010 e R$ 10.327.470,95 para o AC 2011), sob o argumento de que a Impugnante não poderia ter pagado JCP fora do regime de competência, assim entendido o período a que se referem os JCP e, conseqüentemente, tais valores seriam indedutíveis. Ressaltou, ainda, que o procedimento adotado pela Impugnante resultou em prejuízo ao Erário, pois ao invés de recolher IRPJ no valor de R$ 58.303.166,14 (R$ 55.083.100,25 AC 2010 + R$ 3.220.065,89 AC 2011) e CSLL no valor de R$ 21.053.463,83 (R$ 19.831.412,70 AC 2010 + R$ 1.222.051,12 AC 2011), recolheu, tão somente, R$ 39.069.204,87 e R$ 14.129.237,77, respectivamente, de forma que teria ocorrido somente, R$ 39.069.204,87 e R$ somente, R$ 39.069.204,87 e R$ 14.129.237,77, respectivamente, de forma que teria ocorrido 14.129.237,77, respectivamente, de forma que teria ocorrido um prejuízo aos cofres públicos de R$ 19.233.961,27 (IRPJ) e R$ 6.924.226,06 (CSLL). A autuação teve como fundamento a interpretação fiscal conferida ao supracitado art. 9o da Lei n°. 9.249/95 e artigos 177 da Lei n°. 6404/76 e 274 do RIR/99; f. Contesta o entendimento da fiscalização, pois afastase de princípios fundamentais do direito tributário e baseiaprincípios fundamentais do direito tributário e baseiase em interpretação absolutamente equivocada do disposto no art. 9o da Lei n°. 9.249/95, conforme se passa a demonstrar; Da dedutibilidade dos JCP pagos retroativamente g. Aduz que a premissa básica inquestionável de que a Lei não estabelece prazo para o pagamento ou crédito dos JCP. Ou ainda, em outras palavras, não estabelece prazo para o pagamento ou crédito dos JCP. Ou ainda, em outras palavras, não existe qualquer menção no texto que o pagamento ou crédito seja feito em cada ano, em cada exercício social, base fiscal ou em qualquer outro determinado período de tempo;base fiscal ou em qualquer outro determinado período de tempo; h. Alega que o art. 9o da Lei n°. 9.249/95 estabelece que a pessoa jurídica "poderá deduzir" os juros pagos ou creditados a titular, sócios ou acionistas, deixando claro, pois, que o pagamento dos JCP é uma faculdade da sociedade, a qual não está Fl. 380DF CARF MF Processo nº 16327.720512/201538 Acórdão n.º 1402002.363 S1C4T2 Fl. 381 5 condicionada a qualquer espécie de periodicidade. Sendo assim, observadas as regras legais de cálculo e limites, os JCP que eventualmente não tenham sido pagos ou creditados, total ou parcialmente, em um anocalendário qualquer, podem sêlo em qualquer momento posterior, quando houver deliberação societária neste sentido. Muito embora claras as disposições da Lei, a interpretação fiscal pretende explorar a lacuna da Lei para restringir a possibilidade de dedução dos JCP pagos, majorando silenciosamente a tributação, sem autorização legal; i. Anota que, se dúvida houvesse a respeito do direito da possibilidade de se deduzir os JCP pagos acumuladamente/retroativamente, deverseia aplicar o art. 112 do CTN. Nele o legislador determinou que fosse adotada a interpretação mais favorável ao contribuinte, sempre que a dúvida se instalasse na penalização do contribuinte. E, no caso, a interpretação mais favorável é, manifestamente, aquela que possibilita a dedução dos JCP pagos acumuladamente/retroativamente no cálculo do IRPJ e da CSLL. Caso o legislador tivesse querido vedar ou limitar tais possibilidades, teria estabelecido na Lei, expressamente, qualquer vedação ou limite, como, por exemplo, poderia ter estabelecido algum tipo de restrição temporal para a computação dos valores a pagar ou creditar, ou poderia ter condicionado a dedutibilidade dos juros ao seu pagamento ou crédito dentro de um determinado prazo máximo, como fez a Lei n°. 9.532/97 (art. 1o, § 40) , que estabelece prazo para dedução do IR incidente sobre rendimentos obtidos no exterior, perante o imposto brasileiro; j. Entende que, querer acrescentar qualquer restrição temporal a dedutibilidade dos JCP importa em extravasar o texto da Lei, incluindo no texto legal condição nele não escrita, o que não é tolerado por pacífica doutrina e consolidada jurisprudência dos nossos tribunais. Como é sabido, a instituição e cobrança de tributos, assim como as condutas da Administração Pública em geral, são pautadas pelo princípio da legalidade (art. 150, l,CF), sendo vedado à Administração Tributária exigir tributo sem amparo em lei. Nesse sentido, não pode o Fisco atribuir à Lei restrições nela não contidas de forma a aumentar a carga tributária do contribuinte. Além disso, não nos parece válida a interpretação fiscal no sentido de que teria ocorrido violação ao regime de competência (artigos 177 da Lei n°. 6404/76 e 274 do RIR/99); k. à Lei n°. 6.404/76 e ao Decretolei n°. 1.598/77, e que até hoje informa o entendimento do conceito, o regime de competência "costuma ser definido, em linhas gerais, como aquele em conceito, o regime de competência "costuma ser definido, em linhas gerais, como aquele em que as receitas ou despesas são computadas em função do momento em que nasce o direito ao que as receitas ou despesas são computadas em função do momento em que nasce o direito ao rendimento ou a obrigação de pagar a despesa". Cita trechos do parecer;rendimento ou a obrigação de pagar a despesa". Cita trechos do parecer; Recorre ao Parecer Normativo CST n°. 58/77, contemporâneo l. Aplicadas essas diretrizes, conclui que a despesa com o pagamento dos JCP apenas é incorrida pela sociedade quando houver deliberação dos sócios e/ou acionistas neste sentido e ainda sob condição de haver efetivo pagamento ou crédito dos juros, que no caso concreto ocorreu em 2010 e 2011, anos em que a Impugnante deduziu os juros, que no caso valores referentes aos JCP. Apenas com a efetiva deliberação e pagamento ou crédito dos JCP valores referentes aos JCP é que existe a obrigação incorrida incondicionalmente. Antes da correspondente deliberação, é que existe a obrigação incorrida incondicionalmente intenção da sociedade em realizar o pagamento dos juros, não há de se falar na sua dedutibilidade para fins fiscais, nem tampouco na obrigação de a sociedade pagar ou creditar os juros a seus sócios ou acionistas; m. Acrescenta que a disciplina legalfiscal dos JCP difere daquela aplicada às despesas financeiras em geral, já que essas são dedutíveis independentemente de pagamento ou crédito, ao passo que a dedutibilidade dos JCP ainda depende da sua deliberação e do seu efetivo pagamento ou crédito, de tal modo que, antes deste último evento, a despesa não existe fiscalmente. A hipótese fática de incidência da norma do art. 9o da Lei n°. 9.249/95 é o pagamento ou crédito de JCP, significando que a ocorrência desse fato faz parte da materialidade da incidência da norma. As despesas com JCP só Fl. 381DF CARF MF Processo nº 16327.720512/201538 Acórdão n.º 1402002.363 S1C4T2 Fl. 382 6 podem ser consideradas incorridas quando definitivamente devidas, isto é, o momento em que as obrigações a que se referem estejam constituídas de acordo com a norma de direito aplicável. Logo, as despesas de JCP serão consideradas incorridas no período base em que houver sua deliberação e seu pagamento ou crédito. Antes da deliberação e do pagamento ou crédito não há o que deduzir, e não há que se dizer que o regime de competência não foi cumprido. Desse modo, o que a Impugnante pleiteia é apenas a correta aplicação do art. 9o da Lei n°. 9.249/95, que não estabeleceu qualquer limite temporal para o pagamento de JCP calculados em determinado período, podendo ser pagos em períodos subseqüentes, quando passariam a ser dedutíveis para fins do IRPJ e da CSLL, como aconteceu no caso concreto; Da observância aos limites de dedutibilidade dos JCP n. Registra que, a fim de que a opção por este regime alternativo de tributação dos JCP não criasse despesas em demasia, a Lei criou limites a fim de preservar o interesse do erário. Por isso, o art. 9o da Lei n°. 9.249/95 prevê que, para efeitos da dedutibilidade do IRPJ, os JCP devem ser limitados à variação, pro rata dia, da TJLP. Igualmente, a Lei prescreve que o pagamento dos JCP só poderá ser efetuado se forem computados lucros antes da dedução dos juros ou se houver lucros acumulados ou reserva de lucros em montante igual ou superior a duas vezes os juros a serem pagos ou creditados. Não existem limites, no entanto, com relação à periodicidade, não havendo suporte legal à autuação ora impugnada. A despesa pertence, assim, ao anocalendário em que for deliberado o pagamento e ocorrer ou este ou o crédito. Por conseqüência, segundo esta interpretação, tais limites devem ser apurados com base nos valores do anocalendário em que o pagamento ou crédito ocorrer; p. Conclui que, para fins de determinação dos limites de dedutibilidade dos JCP, deve se atentar apenas para as condições previstas em Lei, quais sejam, a existência de lucros, no momento em que haja deliberação para pagamento ou crédito, em montante igual ou superior a duas vezes o valor dos juros a serem pagos ou creditados. E foi assim que a Impugnante procedeu. Diante dos fatos e fundamentos apresentados, forçoso concluir que não prospera o entendimento da fiscalização, uma vez que o procedimento levado concluir que não prospera o entendimento da fiscalização, uma vez que o procedimento levado a cabo pela Impugnante é compatível com a legislação fiscal, devendo ser julgada a cabo pela Impugnante é compatível com a legislação fiscal, devendo ser julgada improcedente a autuação fiscal em questão;improcedente a autuação fiscal em questão; DO DIREITO Á RESTITUÍÇÃO/COMPENSAÇÃO DOS VALORES DO DIREITO Á RESTITUÍÇÃO/COMPRENDENDO DIREITO Á RESTITUÍÇÃO/COMPENSAR INDEVIDAMENTE RECOLHIDOS E DOS SALDOS DE PREJUÍZO FISCAL E BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DE CSLL Ad Argumentandum q. Argumenta que, admitindose que de fato houvesse ocorrido no caso a infração de que é acusada a Impugnante, cumpre salientar que ainda assim não no caso a infração de que é acusada a Impugnante, não poderia prosperar o lançamento nos moldes gravados pela d. Autoridade Autuante.Nos termos poderia prosperar o lançamento nos moldes gravados pela d. Autoridade Autuante., a não contabilização da despesa de JCP nos períodos 2008 e 2009 e sua "postergação" para períodos subseqüentes trouxe prejuízo ao Erário, tornandose necessário apurar a sua repercussão tributária. Assim, procedendo aos ajustes que entendeu necessários, a d. Autoridade Autuante apurou, ano a ano, o IRPJ e a CSLL devidos, conforme tabelas e cálculos às fls. 145/147 dos autos; r. Justifica que, conforme cálculos da própria Autoridade Autuante, a alocação da despesa de JCP no valor de R$ 116.522.437,40 no anocalendário 2008 e no valor de R$ 39.327.142,25 no anocalendário 2009 gerou saldo de prejuízo fiscal e bases de cálculos negativas de CSLL que não foram aproveitados pela Impugnante. Da mesma forma, consoante cálculos da Autoridade Autuante, os recolhimentos de IRPJ e a CSLL efetuados pela Impugnante no Ajuste Anual do anocalendário 2008 mostraram se indevidos. Á vista disso, na remota hipótese de serem julgados procedentes os autos Fl. 382DF CARF MF Processo nº 16327.720512/201538 Acórdão n.º 1402002.363 S1C4T2 Fl. 383 7 de infração combatidos, deve ser garantido à Impugnante o direito à compensação/restituição dos recolhimentos indevidamente realizados e dos saldos de prejuízo fiscal e bases de cálculo negativa de CSLL, conforme valores apurados pela d. Autoridade Autuante e ilustrados às fls. 145/147 do Termo de Verificação Fiscal; DA NÃO INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO s. Assevera que, a prevalecer a exigência fiscal, o que se admite apenas a título de argumentação, o Fisco certamente exigirá da Recorrente juros de mora sobre o valor da multa de ofício, como vem procedendo em outros casos. A exigência para tal cobrança, conforme manifestação da Fazenda Nacional através do parecer MF/SRF/COSIT/COOPE/SENOG n°. 28, de 02/04/98, está no art. 61, § 3o da Lei n°. 9.430/96; t. Entende que, pela simples leitura do texto acima, resta claro que ao utilizar a expressão "os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições" o legislador somente pode estar aludindo a débitos não lançados, visto que está normatizando a incidência sobre estes da multa de mora. Além disso, o artigo 43 da Lei n°. 9.430/96 vem evidenciar ainda mais que o artigo 61 da Lei n° 9.430/96 prevê a cobrança de juros unicamente sobre o valor dos tributos e contribuições; u. Pondera que, se a expressão "débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições" constante no "caput" do art. 61 da Lei n°. 9.430/96. v. Cita decisões do CARF. A DRJ de Curitiba ao apreciar a impugnação da recorrente proferiu decisão que restou assim ementada: ASSUNTO : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2010, 2011 JUROS SOBRE MULTA. CABIMENTO. ART. 161 DO CTN. ART. 61 DA LEI N° 9.430/96. A incidência de juros sobre multa tem amparo legal, pois o art. 161 do CTN prevê sua aplicação para "o crédito" e o art.61 da Lei n.9430/96 o faz para "os débitos", sendo que ambos os termos alcançam o tributo e a multa e esta não foi ressalvada pelo legislador. ASSUNTO : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário: 2010, 2011 JUROS REMUNERATÓRIOS DO CAPITAL PRÓPRIO. DEDUTIBILIDADE. LIMITE TEMPORAL. REGIME DE COMPETÊNCIA. PATRIMÔNIO LÍQUIDO. EXERCÍCIOS ANTERIORES. IMPOSSIBILIDADE. Para efeito de apuração do lucro real, é vedada a dedução de juros, a título de remuneração do capital próprio, que tome como base de referência contas do patrimônio líquido relativas a exercícios anteriores ao do seu efetivo reconhecimento como despesa, por desatender ao regime de competência. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2010, 2011 CSLL. DECORRÊNCIA. LANÇAMENTO REFLEXO. Versando sobre as mesmas ocorrências fáticas, aplicase ao lançamento reflexo alusivo à CSLL o que restar decidido no lançamento do IRPJ. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 383DF CARF MF Processo nº 16327.720512/201538 Acórdão n.º 1402002.363 S1C4T2 Fl. 384 8 Irresignada com a decisão a contribuinte apresenta o presente Recurso Voluntário reiterando as razões lançadas em sede da Impugnação o que passamos analisar a seguir. Fl. 384DF CARF MF Processo nº 16327.720512/201538 Acórdão n.º 1402002.363 S1C4T2 Fl. 385 9 Voto Vencido Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Relator 1. DA ADMISSIBILIDADE: O recurso foi tempestivamente interposto e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, portanto, merecer conhecimento. 2. DO MÉRITO: Conforme visto em sede do relatório tratase de glosa da dedução de pagamentos de JCP de exercícios pretéritos em suposto desompasso com a autorização legal do art. 9º da Lei 9.249/95 cuja transcrição se faz por oportuna: “Art. 9º A pessoa jurídica poderá deduzir, para efeitos da apuração do lucro real, os juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a título de remuneração do capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio líquido e limitados à variação, pro rata dia, da Taxa de Juros de Longo Prazo TJLP. § 1º O efetivo pagamento ou crédito dos juros fica condicionado à existência de lucros, computados antes da dedução dos juros, ou de lucros acumulados e reservas de lucros, em montante igual ou superior ao valor de duas vezes os juros a serem pagos ou creditados.(Redação dada pela Lei nº 9.430, de 1996) § 2º Os juros ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte à alíquota de quinze por cento, na data do pagamento ou crédito ao beneficiário. (...)” Da atenta leitura ao dispositivo se constata que não há limite temporal algum para dedução do JCP, portanto, ausente qualquer infringência ao regime de competência, ao contrário do que afirma a fiscalização. Importante asseverar que o regime de competência está umbilicalmente ligado ao conceito de “despesa incorrida” e a despesa só se torna incorrida, de acordo com a lição de Edmar Oliveira Andrade Filho, no momento em que “se forma a relação jurídica incondicional pela qual a pessoa jurídica tornase devedora dos juros” e “o beneficiário possa vir a exigir o pagamento como direito seu”. (in Perfil Jurídico do Juro sobre o Capital Próprio, MP Editora, 2006,p. 55). Portanto, somente a partir desse momento é que se cogita a aplicação do regime de competência. Ricardo Mariz de Oliveira, com a didática que lhe é própria, leciona que três são as fontes a determinar o momentos a ser autorizada a dedução dos JCP como despesa(Revista de Direito Tributário Atual RDTA” – N. 28. Coord. Ricardo Mariz de Oliveira, Luís Eduardo Schoueri e Fernando Aurelio Zilveti. Coedição IBDT e Editora Dialética, p. 316, 2012): " sua fonte remota é a norma legal do art. 9º da Lei n. 9249, que autoriza e regula as possíveis relações jurídicas a serem estabelecidas com a função de Fl. 385DF CARF MF Processo nº 16327.720512/201538 Acórdão n.º 1402002.363 S1C4T2 Fl. 386 10 remunerar sócios ou acionistas pelo capital social, lucros acumulados e reservas mantidas na empresa (exceto a de reavaliação não realizada); sua fonte mediata é a norma estatutária que permite aos órgãos diretivos efetuar o pagamento dos juros, sem prefixar tempo, valores, termos ou condições; sua fonte imediata é a deliberação do órgão interno competente, que autoriza a distribuição de JCP e estabelece valores e demais condições do respectivo pagamento." Da análise dessas diferentes fontes concluise que a pessoa jurídica se torna devedora e o sócio ou acionista pode exigir o pagamento do valor respectivo apenas após a deliberação da sociedade decidindo efetuar o pagamento, fixando os montantes respectivos e determinado o momento em que tal pagamento ocorrerá. Assim, o período de competência, no qual o montante dos juros deve ser registrado como despesa financeira da sociedade, é aquele em que há a deliberação determinando o pagamento dos juros, no caso, 2011. Antes de 2011 não há JCP devidos, logo, não há que cogitarse que a contribuinte detinha o direito de proceder a dedução nos exercícios anteriores, portanto, ausente qualquer "renúncia" ou "preclusão terminativa" como pretende fazer crer a SRF. Esta própria 2ªT.O. desta 4ª Câmara tem entendimento reiterado pela legitimidade da dedução do pagamento de JCPs "acumulados" de modo que não deve subsistir a glosa empreendida pela autoridade fiscal no caso ora em exame, vejamos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário: 2006, 2007 JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO JCP. DEDUTIBILIDADE. REGIME DE COMPETÊNCIA. LIMITE TEMPORAL. O período de competência, para efeito de dedutibilidade dos juros sobre capital próprio, é aquele em que há deliberação para pagamento ou crédito dos mesmos, podendo, inclusive, remunerar o capital tomando por base o valor existente em períodos pretéritos, desde que respeitado os critérios e limites previsto em lei na data da deliberação do pagamento ou crédito. Nada obsta a distribuição acumulada de JCP,desde que provada, ano a ano, ter esse sido passível de distribuição, levando em consideração os parâmetros existentes no anocalendário em que se deliberou sua distribuição. Recurso Voluntário Provido. (Acórdãos n.1402001.178 e 1402001.179) Tal entendimento é fundamentado a partir de profundas discussões da matéria perante os Tribunais Superiores que em decisão paradigmática do Min. Francisco Falcão do Superior Tribunal de Justiça que restou assim ementada: MANDADO DE SEGURANÇA. DEDUÇÃO. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO DISTRIBUÍDOS AOS SÓCIOS/ACIONISTAS. BASE DE CÁLCULO DO IRPJ E DA CSLL. EXERCÍCIOS ANTERIORES. POSSIBILIDADE. I Discutese, nos presentes autos, o direito ao reconhecimento da dedução dos juros sobre capital próprio transferidos a seus acionistas, quando da apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL no anocalendário de 2002, relativo aos anoscalendários de 1997 a 2000, sem que seja observado o regime de competência. Fl. 386DF CARF MF Processo nº 16327.720512/201538 Acórdão n.º 1402002.363 S1C4T2 Fl. 387 11 II A legislação não impõe que a dedução dos juros sobre capital próprio deva ser feita no mesmo exercíciofinanceiro em que realizado o lucro da empresa. Ao contrário, permite que ela ocorra em anocalendário futuro, quando efetivamente ocorrer a realização do pagamento. III Tal conduta se dá em consonância com o regime de caixa, em que haverá permissão da efetivação dos dividendos quando esses foram de fato despendidos, não importando a época em que ocorrer, mesmo que seja em exercício distinto ao da apuração. IV "O entendimento preconizado pelo Fisco obrigaria as empresas a promover o creditamento dos juros a seus acionistas no mesmo exercício em que apurado o lucro, impondo ao contribuinte, de forma oblíqua, a época em que se deveria dar o exercício da prerrogativa concedida pela Lei 6.404/1976". (Recurso especial improvido.” Recurso Especial nº 1.086.752PR) Do transcrito dúvidas não há para este relator quanto à legitimidade da dedução do JCP "acumulado" em períodos anteriores de modo que empreender interpretação diversa quando a lei não estabelece qualquer limite temporal implica em ferir de morte o princípio constitucional da capacidade contributiva na medida em que estarseá a impor ônus tributário ao contribuinte enquanto ausente manifestação de capacidade econômica ante ao desajuste na base de cálculo do IRPJ. 3. CONCLUSÃO: Diante do exposto voto pelo provimento do Recurso Voluntário interposto. Brasília, 24 de janeiro de 2017. Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Fl. 387DF CARF MF Processo nº 16327.720512/201538 Acórdão n.º 1402002.363 S1C4T2 Fl. 388 12 Voto Vencedor Conselheiro Paulo Mateus Ciccone Embora reconhecendo os sólidos argumentos com que o ilustre relator sustentou seu voto, vejo a matéria de que tratam estes autos sob outro ângulo. DO PAGAMENTO DE JCP DE EXERCÍCIOS ANTERIORES A respeito do pagamento de JCP em períodos posteriores, ou, no linguajar dos autos, pagamento acumulado de valores relativos a exercícios anteriores, já tive oportunidade de me manifestar em processos de minha relatoria e acompanhando votos de outros Conselheiros sempre no sentido de não aceitar estas operações na forma como pretendida pelos contribuintes. Por refletir o pensamento deste Relator, adoto como razões de decidir, o voto exarado pelo I. Conselheiro Marcelo Cuba Netto no Processo nº 16327.720497/201102, Acórdão nº 1201000.857, 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, sessão de 10/09/2013, abaixo reproduzido, com os devidos ajustes pontuais pertinentes ao caso concreto aqui analisado: Acerca dos juros sobre o capital próprio o art. 9º da Lei nº 9.249/95 assim estabelece: (...) Pois bem, é pacífico o entendimento, tanto administrativo quanto judicial, de que o pagamento/crédito de juros sobre o capital próprio é uma faculdade da pessoa jurídica, e, como tal, poderá ou não vir a exercêlo, conforme melhor lhe convier. Essa faculdade encontrase regulada pela norma acima transcrita, bem como pelas demais normas comerciais, societárias e fiscais que com ela interajam. Parece claro que a faculdade de pagar/creditar juros sobre o capital próprio poderá ser exercida ao longo dos anos em que o capital do titular, sócios ou acionistas permanecer no patrimônio líquido da pessoa jurídica, e que o valor dos JCP será calculado mediante a aplicação da taxa de juros (limitada à TJLP) sobre o patrimônio líquido do ano em que exercida a faculdade, observados os limites estabelecidos na norma acima transcrita. Mas no caso dos presentes autos a contribuinte, além de haver pago/creditado, em 2007, JCP calculados sobre o patrimônio líquido do ano de 2007, também pagou/creditou JCP calculados sobre o patrimônio líquido de anos anteriores, quais sejam, os anos de 2002 a 2006. É a dedutibilidade desses últimos que está aqui em discussão. Nesse sentido, especificamente no caso sob exame, é preciso responder às duas seguintes questões de direito: a) a faculdade de pagar/creditar JCP poderá ser legalmente exercida em um determinado ano, mas incidir sobre o patrimônio líquido de anos anteriores? Fl. 388DF CARF MF Processo nº 16327.720512/201538 Acórdão n.º 1402002.363 S1C4T2 Fl. 389 13 b) Em caso positivo, em qual ano deverá ser legalmente apropriada a respectiva despesa com pagamento/creditamento de JCP? Passemos, então, a responder essas questões. 2.1) Do Exercício da Faculdade de Pagamento/Crédito de JCP Sobre a possibilidade legal do exercício da faculdade de pagar/creditar JCP calculados sobre o patrimônio líquido de anos anteriores, peço licença para transcrever, a seguir, trechos do excelente voto da Conselheira Edeli Pereira Bessa, proferido em 12/06/2013 nos autos do processo nº 16327.002051/200716, e acompanhados pela unanimidade dos demais membros da 1ª Turma da 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF: “Como se vê, a lei não disciplina precisamente este aspecto, motivo pelo qual há diferentes entendimentos firmados pelos colegiados deste Conselho acerca deste tema. A recorrente invoca os seguintes julgados administrativos: (...) De outro lado, há jurisprudência administrativa favorável ao entendimento que justificou o lançamento, exteriorizada nos seguintes acórdãos: (...) Enfatizando o aspecto defendido pela Fiscalização, diz Hiromi Higuchi et alli em Imposto de Renda das Empresas: Interpretação e Prática (36ª ed., São Paulo, IR Publicações, 2011, p. 130), que “(...) a contabilização no períodobase correspondente é condição para a dedutibilidade dos juros sobre o capital próprio por tratarse de opção do contribuinte. Sem o exercício da opção de contabilizar os juros não há despesa incorrida. É diferente dos juros calculados sobre o empréstimo de terceiro porque neste, há despesa incorrida, ainda que os juros sejam contabilizados só no pagamento”. (grifos acrescidos). À semelhança do que disse a Fiscalização, o referido autor assevera que a apropriação tardia prova a distribuição de lucros acumulados e não de juros sobre o capital próprio (Op. cit., p. 131). No mesmo sentido é a manifestação de Edmar Oliveira Andrade Filho em Imposto de Renda das Empresas (3ª Ed., São Paulo, Atlas, 2006, p. 240/242). (...) Sendo, portanto, uma faculdade criada pela lei, ao deixar de exercêla ao final do período de apuração, é razoável afirmar que a sociedade, por não segregar o resultado comum de sua atividade daquela que seria atribuível à utilização do capital dos sócios, designou integralmente o lucro apurado como remuneração deste capital, estipulando, dividendos a pagar ou mantendo este valor em conta de reservas de lucros ou lucros Fl. 389DF CARF MF Processo nº 16327.720512/201538 Acórdão n.º 1402002.363 S1C4T2 Fl. 390 14 acumulados para posterior distribuição. Em conseqüência, a destinação destes lucros aos sócios, no futuro, somente poderá se dar mediante distribuição de dividendos, e não mais a título de juros sobre o capital próprio. Concluise, daí, que os juros sobre capital próprio do período de referência devem ser estipulados no momento da proposta de destinação do lucro, assim disciplinada pela Lei nº 6.404/76, na redação vigente no período de apuração autuado. (...) É certo que a dedução fiscal de juros sobre o capital próprio somente é admitida no momento em que formalizada a obrigação de pagálos em favor dos sócios. Contudo, a constituição de obrigação a este título somente é possível enquanto a sociedade tem o direito de destacar do resultado do exercício a parcela que corresponderia à remuneração do capital próprio, em razão dos juros incorridos no período de tempo em que apurado aquele resultado. Uma vez tributados os lucros, e destinados, integralmente, ao patrimônio líquido da entidade, a opção não pode mais ser exercida. Esclareçase, ainda, que o fato de a remuneração do capital próprio por meio de juros atribuídos aos sócios ter seus limites estabelecidos, também, em função do montante de lucros acumulados no momento da deliberação, não significa que o cálculo dos juros podem considerar períodos de apuração anteriores, cujos resultados integram aquele saldo acumulado, mas apenas que os juros incorridos no período de referência podem ser pagos ainda que superem o resultado do exercício correspondente, desde que haja saldo em conta de lucros acumulados que suportem este pagamento. Inadmissível, assim, a redução dos lucros apurados no ano calendário 2005 em razão de juros decorrentes da utilização de capital próprio em período de apuração distinto daquele ao qual se refere os lucros que se pretendeu destinar à remuneração de capital. (...).” Portanto, segundo o acórdão acima referido, cujas conclusões aqui adoto, a lei não permite que os JCP incidam sobre o patrimônio líquido de períodos anteriores, em especial, porque nos anos anteriores, à falta do exercício tempestivo da faculdade de pagar/creditar JCP, a pessoa jurídica destinou integralmente o lucro ao pagamento de dividendos, ou à reserva de lucros para posterior distribuição. Nesse sentido, é de se admitir que no caso dos autos a contribuinte pagou/creditou em 2007 JCP até o limite legal permitido para o período, sendo inde dutível a despesa com JCP relativos a períodos anteriores. 2.2 ) Da Apropriação da Despesa com Pagamento/Crédito de JCP Mas ainda que admitíssemos, meramente para fins de argumentação, que o exercício da faculdade de pagar/creditar JCP pudesse incidir sobre o patrimônio Fl. 390DF CARF MF Processo nº 16327.720512/201538 Acórdão n.º 1402002.363 S1C4T2 Fl. 391 15 líquido de períodos anteriores, teríamos ainda que responder à questão levantada na letra “b”, contida ao final do item 2 deste voto, qual seja: em que ano deverá ser legalmente apropriada a respectiva despesa com pagamento/creditamento de JCP? Pois se é certo que a lei faculta à pessoa jurídica pagar/creditar JCP, uma vez exercida essa faculdade, não caberá a ela determinar, a seu bel prazer, o período em que deverá ser apropriada respectiva despesa com JCP. Sobre o período em que deverão ser apropriadas as mutações patrimoniais (despesas, custos, perdas, receitas, ganhos, etc.), a lei societária assim estabelece: Lei nº 6.404/76: (...) Art. 177. A escrituração da companhia será mantida em registros permanentes, com obediência aos preceitos da legislação comercial e desta Lei e aos princípios de contabilidade geralmente aceitos, devendo observar métodos ou critérios contábeis uniformes no tempo e registrar as mutações patrimoniais segundo o regime de competência (grifamos) (...) Não é demais recordar que o registro das mutações patrimoniais pelo regime de competência constitui regra geral que, por conseguinte, deverá ser observada na interpretação e aplicação das demais normas contábeis e fiscais relativas às pessoas jurídicas em geral e, em especial, por aquelas constituídas sob a forma de sociedade anônima, como é o casa da contribuinte. Daí porque é desnecessário que cada uma dessas normas contábeis e fiscais contenha expressamente a observação de que o registro das respectivas receitas, despesas, etc., deva observar o regime de competência. Em verdade, ocorre justamente o contrário. Quando a receita, despesa, etc. deva ser registrada segundo o regime de caixa é que deverá haver expressa referência na norma, já que esse regime é empregado apenas excepcional mente. Isso posto, e uma vez que o art. 9º da Lei nº 9.249/95 é silente sobre qual o regime de apropriação da despesa com JCP deverá ser adotado, é de se concluir, necessariamente, que deverá ser empregado o regime de competência, pois, se a lei desejasse excepcionálo haveria que estabelecer, expressamente, a apropriação pelo regime de caixa. Mas afirmar que a despesa com JCP deverá ser apropriada segundo o regime de competência resolve apenas parte da questão que no propusemos a responder. Resta ainda investigar a qual período compete a apropriação de juros sobre o capital próprio. Em outras palavras, e especificamente no caso dos autos, resta investigar se a despesa competirá a 2007, data em que a contribuinte exerceu a faculdade de distribuir JCP incidente sobre o patrimônio liquido de 2002 a 2006, ou se a despesa competirá aos anos de 2002 a 20061. Para tanto, necessário se faz determinar a natureza jurídica dos juros sobre o capital próprio. Sobre o assunto vale transcrever as lições de Luís Eduardo 1 No caso concreto, anos de 2009, e de 2006 a 2008 Fl. 391DF CARF MF Processo nº 16327.720512/201538 Acórdão n.º 1402002.363 S1C4T2 Fl. 392 16 Schoueri, em seu artigo intitulado Juros sobre Capital Próprio: Natureza Jurídica e Forma de Apuração diante da "Nova Contabilidade" (in Controvérsias Jurídico Contábeis (Aproximações e Distanciamentos), 3º volume, Editora Dialética, São Paulo: 2012, p. 169/193): (...) Afastandose qualquer aproximação com categorias de Direito Privado, há que se reconhecer que, na perspectiva do Direito Tributário, corresponde a figura do artigo 9º da Lei n° 9.249/1995 a uma remuneração do capital. O conceito tributário de juros sobre o capital próprio parte, assim, da noção econômica de custo de oportunidade, entendida enquanto renúncia, pelo agente econômico, dos benefícios derivados de determinado investimento em função do potencial de lucro superior vislumbrado em aplicação distinta. Em tal contexto, o lucro do negócio, sob uma perspectiva econômica, somente poderia ser apurado se desconsiderado o lucro sobre o capital. (...) Tais considerações, intimamente relacionadas com o conceito econômico de custo de oportunidade, tornam razoável, do ponto de vista econômico e tributário, a consideração dos pagamentos dos juros sobre o capital próprio enquanto remuneração do capital, que é dedutível. E dizer, do ponto de vista tributário, a situação apresentase tal qual como se o sócio tivesse "emprestado'' dinheiro à sociedade e recebesse juros desta, recebendo tal circunstância, em razão do princípio da igualdade, igual tratamento ao que é dado às empresas que se valem de financiamento de terceiros. (Grifamos) Ora, pelo acima exposto, é de se concluir que as despesas com JCP têm a natureza jurídica de despesa com juros pagos/creditados ao titular sócios ou acionistas pelo uso do capital por estes investido na empresa. Em outras palavras, tratase de despesa pelo uso do dinheiro investido na pessoa jurídica. E, segundo o regime da competência, as despesas pelo uso do dinheiro devem ser apropriadas ao longo dos períodos em que for utilizado esse dinheiro. Respondendo, então, à questão objeto deste item do voto, ainda que a contribuinte estivesse autorizada por lei a exercer, em 2007, a faculdade de pagar/creditar JCP incidente sobre o patrimônio líquido de 2002 a 2006, a respectiva despesa com JCP deveria ter sido apropriada nos anos de 2002 a 2006, e não em 2007, como fez a recorrente, já que se trata de uma despesa pelo uso, ao longo daqueles anos, do capital empregado na pessoa jurídica por seus acionistas. Por fim, quanto à decisão do STJ proferida nos autos do REsp 1.086.752/PR, em que acolhe o argumento trazido pela recorrente, e cuja ementa abaixo se transcreve, é importante ressalvar que se trata da única decisão do STJ sobre o assunto, e que, a meu sentir, não é negligenciável a possibilidade de a Corte vir a rever seu entendimento em outra oportunidade, pois aquele julgado considera que o art. 9º da Lei nº 9.249/95 deve ser aplicado segundo o regime de caixa, quando, de acordo com o art. 177 da Lei nº 6.404/76, correto seria o emprego do regime de competência. Fl. 392DF CARF MF Processo nº 16327.720512/201538 Acórdão n.º 1402002.363 S1C4T2 Fl. 393 17 Postos estes argumentos, salientese ser pacífico não haver vedação às empresas para cálculo e pagamento de JCP sobre suas contas patrimoniais. O que se discute, entretanto, não é sua permissibilidade societária, mas sua dedutibilidade tributária. Em outro dizer, se a recorrente, no caso concreto, resolveu pagar a seus acionistas montantes relativos aos JCP dos anos de 2010 e 2011, pode não haver em tal ato qualquer impedimento sob o ângulo societário. Porém, na leitura da Lei Fiscal, a dedução (das bases de IRPJ e de CSLL) só pode ser aceita no próprio período em que se der o crédito ou pagamento dos JCP. Não de período passados. A respeito, a IN (SRF) nº 11, de 1996, cuidou a fundo da questão, valendo reproduzir o voto do I. Conselheiro Rafael Vidal de Araújo, Relator do Processo nº 16327.720497/201102, Acórdão nº 9101002.180 da CSRF, sessão de 20/01/2016, em tudo aplicável ao caso: “A Instrução Normativa (IN) SRF nº 11, de 21/02/1996, ao tratar dos Juros sobre Capital Próprio, trouxe o caput do art. 29 com a seguinte redação: Art. 29. Para efeito de apuração do lucro real, observado o regime de competência, poderão ser deduzidos os juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a título de remuneração do capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio líquido e limitados à variação, pro rata dia, da Taxa de Juros de Longo Prazo TJLP. 39. Comparandose o texto do caput do art. 29 da IN SRF nº 11/1996 com o caput do art. 9º da Lei nº 9.249/1995, observase que foi incluída a expressão "observado o regime de competência". 40. Surgiram questionamentos a respeito da legalidade do caput do citado art. 29, por ter incluído essa expressão em sua redação. 40.1. A legalidade dessa inclusão me parece tão óbvia que, para defendêla, entendo suficiente a leitura do dispositivo sem a expressão atacada para verificar que não haverá nenhuma modificação de aplicação do caput do art. 29 da IN SRF nº 11/1996, ou seja, com ou sem a expressão incluída o artigo tem a mesma efetividade. 40.2. É fato que não é a expressão guerreada que impõe a observância do regime de competência, nem para a legislação societária, tampouco para a legislação fiscal. Como ficou cristalino no item 14 e seus subitens, o regime de competência é dever legal, é regra geral, sem exceção para a legislação societária e com exceções para a legislação fiscal desde que expressas (entre as quais os JCP não se enquadram). Fl. 393DF CARF MF Processo nº 16327.720512/201538 Acórdão n.º 1402002.363 S1C4T2 Fl. 394 18 40.3. Aqui dáse a velha retórica, eu enuncio no dispositivo específico a regra geral, leio o dispositivo específico e vejo que a regra geral não está escrita nele, em seguida tento defender que, como a regra geral não está ali expressa, então tratase de uma exceção. A isso se responde apenas que a exceção não se presume nem que a regra geral tem que ser escrita em todos os lugares. 40.4. Assim, não há qualquer ilegalidade no caput do art. 29 da IN SRF nº 11/1996”. Ileso de dúvidas, não cabe ao Fisco intervir nos assuntos de cunho interno das empresas, muito menos no caso de pagamentos a sócios, acionistas e administradores, a títulos os mais diversos possíveis. Porém, cabe, sim, imiscuir nas situações em que a legislação tributária seja ferida, por interpretação diversa da que seria correto fazer. Se a empresa, por qualquer motivo, por exemplo, indisponibilidade de caixa, não consegue fazer frente ao pagamento de JCP no momento oportuno e só o efetiva em período posterior, quando teria tal disponibilidade, não significa que a despesa daí advinda possa ser considerada integralmente dedutível neste momento de desencaixe. E por um simples, MAS FATAL, fator impeditivo: desobediência ao regime de competência, já tratado antes neste voto. Nada impediria, porém, que a recorrente (ou qualquer empresa), em perfeita sincronia com os postulados contábeis2, com o artigo 177, da Lei nº 6.404/76 e com os artigos 247, 251 e 273, do RIR/1999, apurasse, calculasse e provisionasse, em seu passivo, em contrapartida a uma conta de DESPESA, os Juros sobre Capital Próprio de cada um dos anos calendários, adiando para “quando” e “se” tivesse disponibilidade financeira, o pagamento de cada rubrica. Com isso, de forma elementar, cumpriria todos os requisitos – societários, fiscais e contábeis – abateria a despesa das bases dos tributos eventualmente devidos (IRPJ e 2 Resolução CFC nº 750/93: SEÇÃO VI O PRINCÍPIO DA COMPETÊNCIA Art. 9º As receitas e as despesas devem ser incluídas na apuração do resultado do período em que ocorrerem, sempre simultaneamente quando se correlacionarem, independentemente de recebimento ou pagamento. § 1º O Princípio da COMPETÊNCIA determina quando as alterações no ativo ou no passivo resultam em aumento ou diminuição no patrimônio líquido, estabelecendo diretrizes para classificação das mutações patrimoniais, resultantes da observância do Princípio da OPORTUNIDADE. § 2º O reconhecimento simultâneo das receitas e despesas, quando correlatas, é conseqüência natural do respeito ao período em que ocorrer sua geração. Fl. 394DF CARF MF Processo nº 16327.720512/201538 Acórdão n.º 1402002.363 S1C4T2 Fl. 395 19 CSLL), sua contabilidade estaria consentânea com as normas que a regem e o passivo estaria individualizando e identificando os credores da sociedade. Tudo isso perfeitamente de acordo com o regime de competência. Por isso, dedutível a despesa. Em outro dizer, é perfeitamente possível fazer incorrer as despesas de JCP de um exercício relativamente ao capital disponibilizado naquele exercício e não efetuar pagamento algum, e, com esse procedimento, habilitarse à dedução tributária dos JCP. O tempo da constituição da obrigação de pagar juros é simultâneo ao do incorrimento das despesas, pois essa obrigação é a contrapartida contábil (para atender o método das partidas dobradas) do registro das despesas incorridas. E essa obrigação pode ser conservada ao longo de vários exercícios (ou seja, num exercício poderá haver passivos de JCPs de exercícios anteriores), sem que se aponte qualquer inobservância ao regime de competência, de forma que, quando se der o pagamento, satisfeita será a dívida, sem qualquer vinculação com as despesas de JCPs incorridas em períodos antecedentes e não no que eventualmente houver o pagamento. Não foi esse, porém o procedimento formalizado pela recorrente, de forma que a dedutibilidade pretendida não pode se materializar por expresso impedimento legal, ressalvada a dedução dos valores dos próprios períodos de 2010 e 2011 (R$ 16.576.254,17 e R$ 10.327.470,95, respectivamente) reconhecidas pelo Fisco. Como bem pontua Edmar Oliveira Andrade Filho, “se em determinado exercício social passado não foram pagos ou creditados juros sobre o capital e se as demonstrações financeiras já tiverem sido aprovadas pelos acionistas, é lícito inferir que eles deliberaram pelo não pagamento ou crédito dos juros”. (in Imposto de Renda as Empresas – 1ª Edição – Atlas – SP – fls. 458). Enfim, os argumentos da recorrente de que: “i) a Lei não estabelece prazo para o pagamento ou crédito dos JCP, ou seja, não existe qualquer menção no texto legal de que seja obrigatório, para fins de dedutibilidade dos JCP, que o pagamento ou crédito seja feito em cada ano, em cada exercício social, em cada períodobase fiscal ou em qualquer outro determinado período de tempo; ii) o art. 9o da Lei n° 9.249/95 estabelece que a pessoa jurídica "poderá deduzir" os juros pagos ou creditados a titular, sócios ou acionistas, deixando claro, pois, que o pagamento dos JCP é uma faculdade da sociedade, a qual não está condicionada a qualquer espécie de periodicidade; iii) observadas as regras legais de cálculo e limites, os JCP que eventualmente não tenham sido pagos ou creditados, total ou parcialmente, em um anocalendário qualquer, podem sêlo em qualquer momento posterior, quando houver deliberação societária neste sentido; iv) se dúvida houvesse a respeito do direito da possibilidade de se deduzir os JCP pagos acumuladamente/retroativamente, deverseia aplicar o art. 112 do CTN; v) caso o legislador tivesse querido vedar ou limitar tais possibilidades, teria estabelecido na Lei, expressamente, qualquer vedação ou limite, como, por exemplo, poderia ter estabelecido algum tipo de restrição temporal para a computação dos valores a pagar ou creditar, ou poderia ter condicionado a dedutibilidade dos juros ao seu pagamento ou crédito dentro de um determinado prazo máximo, como fez a Lei n°. 9.532/97 (art. 1o, § 40), que estabelece prazo para dedução do IR incidente sobre rendimentos obtidos no exterior, perante o imposto brasileiro; vi) querer acrescentar qualquer restrição temporal a dedutibilidade dos JCP importa em extravasar o texto da Lei, incluindo no texto legal condição nele não escrita, o que não é tolerado por pacífica doutrina e consolidada jurisprudência dos nossos tribunais; vii) segundo o Parecer Normativo CST n° 58/77, o regime de competência costuma ser definido, em linhas gerais, como aquele em que as receitas ou despesas são computadas em função do momento em que nasce o direito ao rendimento ou a obrigação Fl. 395DF CARF MF Processo nº 16327.720512/201538 Acórdão n.º 1402002.363 S1C4T2 Fl. 396 20 de pagar a despesa; viii) a despesa com o pagamento dos JCP apenas é incorrida pela sociedade quando houver deliberação dos sócios e/ou acionistas neste sentido e ainda sob condição de haver efetivo pagamento ou crédito dos juros, que no caso concreto ocorreu em 2010 e 2011, anos em que a Impugnante deduziu os valores referentes aos JCP; ix) apenas com a efetiva deliberação e pagamento ou crédito dos JCP é que existe a obrigação incorrida incondicionalmente; x) a disciplina legalfiscal dos JCP difere daquela aplicada às despesas financeiras em geral, já que essas são dedutíveis independentemente de pagamento ou crédito, ao passo que a dedutibilidade dos JCP ainda depende da sua deliberação e do seu efetivo pagamento ou crédito, de tal modo que, antes deste último evento, a despesa não existe fiscalmente; xi) a hipótese fática de incidência da norma do art. 9o da Lei n°. 9.249/95 é o pagamento ou crédito de JCP, significando que a ocorrência desse fato faz parte da materialidade da incidência da norma; xii) as despesas com JCP só podem ser consideradas incorridas quando definitivamente devidas, isto é, o momento em que as obrigações a que se referem estejam constituídas de acordo com a norma de direito aplicável. Logo, as despesas de JCP serão consideradas incorridas no períodobase em que houver sua deliberação e seu pagamento ou crédito; xiii) antes da deliberação e do pagamento ou crédito não há o que deduzir, e não há que se dizer que o regime de competência não foi cumprido; xiv) a fim de que a opção por este regime alternativo de tributação dos JCP não criasse despesas em demasia, a Lei criou limites a fim de preservar o interesse do erário. Por isso, o art. 9o da Lei n°. 9.249/95 prevê que, para efeitos da dedutibilidade do IRPJ, os JCP devem ser limitados à variação, pro rata dia, da TJLP; xv) igualmente, a Lei prescreve que o pagamento dos JCP só poderá ser efetuado se forem computados lucros antes da dedução dos juros ou se houver lucros acumulados ou reserva de lucros em montante igual ou superior a duas vezes os juros a serem pagos ou creditados; xvi) não existem limites, no entanto, com relação à periodicidade, não havendo suporte legal à autuação ora impugnada; xvii) a despesa pertence, assim, ao anocalendário em que for deliberado o pagamento e ocorrer ou este ou o crédito. Por conseqüência, segundo esta interpretação, tais limites devem ser apurados com base nos valores do anocalendário em que o pagamento ou crédito ocorrer”, são fulminados e caem por terra quando em confronto com um elementar princípio: o denominado “regime de competência”3, um dos pilares mestres no qual se sustenta toda a legislação tributária. Portanto, se é permitido, dentro dos atos de vontade das pessoas naturais ou jurídicas (direito privado), acordar qualquer negócio da forma que melhor aprouver às partes, não é menos verdade que, extrapoladas tais avenças ao raio de alcance do direito público, especialmente do Direito Financeiro e Tributário, a legislação que dá suporte a estes segmentos deve ser observada de forma rigorosa. No caso, há regras e travas legais impositivas e que devem ser obedecidas para as empresas que queiram lançar mão da dedução das despesas havidas com crédito/pagamento de JCP. Não se ignora que acordos privados têm valor entre as partes. Porém, para a legislação tributária, a dedutibilidade das despesas subordinase, imperiosamente, aos ditames 3 Decretolei nº 1.598/1977 Art 7º O lucro real será determinado com base na escrituração que o contribuinte deve manter, com observância das leis comerciais e fiscais. Lei das S/A – Lei nº 6.404/1976 Escrituração Art. 177. A escrituração da companhia será mantida em registros permanentes, com obediência aos preceitos da legislação comercial e desta Lei e aos princípios de contabilidade geralmente aceitos, devendo observar métodos ou critérios contábeis uniformes no tempo e registrar as mutações patrimoniais segundo o regime de competência. Fl. 396DF CARF MF Processo nº 16327.720512/201538 Acórdão n.º 1402002.363 S1C4T2 Fl. 397 21 legais já antes delineados e não ao momento em que a contribuinte resolve pagar os JCP de períodos já ultrapassados. Resumindo, o regime de competência simplesmente não permite a dedução de despesas incorridas em anos anteriores, ou seja, esse direito na verdade sequer existe, ainda mais quando não há autorização para fazer incorrer a despesa. Repelemse, pois, os argumentos aduzidos pela recorrente. Concluindo, como já escrevi em outro julgamento, o tema discutido neste processo (dedução para fins fiscais dos juros a título de remuneração do capital próprio que tome como base de referência contas do patrimônio líquido relativas a exercícios anteriores), tem frequentado, assiduamente, os julgamentos deste Tribunal Administrativo desde quando ainda na sua formatação como Conselho de Contribuintes. Nas primeiras decisões e até há aproximadamente um lustro, a jurisprudência administrativa tendia a dar provimento à tese dos contribuintes, ou seja, validava a possibilidade de se deduzir, a título de despesas com Juros sobre o Capital Próprio, montantes pagos em períodos posteriores àqueles em que teriam ocorrido. Todavia, nos últimos anos, as decisões das diversas Turmas Ordinárias das Câmaras da 1ª Seção e, mais recentemente ainda, as da Câmara Superior mudaram substancialmente de rumo, perfilando entendimento de que o regime de competência deve ser obrigatoriamente observado pelos interessados em deduzir, das bases imponíveis do IRPJ e da CSLL, a despesa de JCP. Nesta linha, dentre outros, destaco os seguintes precedentes, todos recentes: Acórdão nº 1101000.904 – 1ª Câmara/1º Turma Ordinária Acórdão nº 1401001.535 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Acórdão nº 1302001.785 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Acórdão nº 9101002182 – CSRF 1ª Turma Acórdão nº 9101002181 – CSRF 1ª Turma A título ilustrativo, a ementa do Acórdão nº 9101002182, da CSRF, relatoria do Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, em tudo aplicável ao caso: JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. FACULDADE SUJEITA AO REGIME DE COMPETÊNCIA E A CRITÉRIOS TEMPORAIS. DEDUÇÃO EM EXERCÍCIOS POSTERIORES. VEDAÇÃO. 1 O pagamento ou crédito de juros sobre capital próprio a acionista ou sócio representa faculdade concedida em lei, que deve ser exercida em razão do regime de competência. Incabível a deliberação de juros sobre capital próprio em relação a exercícios anteriores ao da deliberação, posto que os princípios contábeis, a legislação tributária e a societária rejeitam tal procedimento, seja pela ofensa ao regime de Fl. 397DF CARF MF Processo nº 16327.720512/201538 Acórdão n.º 1402002.363 S1C4T2 Fl. 398 22 competência, seja pela apropriação de despesas em exercício distinto daquele que as ensejou. 2 As despesas de Juros com Capital Próprio devem ser confrontadas com as receitas que formam o lucro do período, ou seja, tem que estar correlacionadas com as receitas obtidas no período que se deu a utilização do capital dos sócios, no período em que esse capital permaneceu investido na sociedade. 3 A aplicação de uma taxa de juros que é definida para um determinado período de um determinado ano, e seu rateio proporcional ao número de dias que o capital dos sócios ficou em poder da empresa, configuram importante referencial para a identificação do período a que corresponde a despesa de juros, e, conseqüentemente, para o registro dessa despesa pelo regime de competência. 4 Não existe a possibilidade de uma conta de despesa ou de receita conservar seus saldos para exercícios futuros. Em outros termos, apurado o resultado, o que era receita deixa de sêlo e também o que era despesa deixa de sêlo. Apenas as contas patrimoniais mantém seus saldos de um ano para outro. os JCPs podem passar de um exercício para o outro, desde que devidamente incorrida e escriturada a despesa dos JCPs no exercício em que o capital dos sócios foi utilizado pela empresa, com a constituição do passivo correspondente. Cabe, ainda, uma palavra final neste tópico. Conforme destacado pelo ilustre relator, havia realmente precedentes nesta 2ª Turma da 4ª Câmara da 1ª Sejul acolhendo recurso de contribuinte, conforme acórdãos citados no voto vencido. Todavia, esta posição era firmada em anterior composição deste Colegiado, posição esta que hoje restou vencida pela maioria dos Conselheiros desta Turma que adota a linha desenvolvida neste voto vencedor. Por todo o exposto, VOTO no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário nesta parte. DO DIREITO À RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO Argui a recorrente que teria direito a compensar prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL em casos de lançamento de ofício. Por bem enfrentar a matéria, adoto como razões de decidir neste tópico, a bem explanada posição do voto condutor da decisão recorrida (fls. 337/338), verbis: “23. O pleito não procede. Os cálculos realizados pela autoridade fiscal, às fls. 145/147 do TVF, somente serviram para argumentar que, além de inobservância do regime de competência, o procedimento adotado pelo contribuinte redundou em prejuízo ao fisco. De acordo com os demonstrativos da fiscalização, o contribuinte recolheu, em 2010 e 2011, R$ 39.069.204,87 de IRPJ, quando deveria ter recolhido R$ 58.303.166,14. Similarmente, o contribuinte recolheu R$ 14.129.237,77 Fl. 398DF CARF MF Processo nº 16327.720512/201538 Acórdão n.º 1402002.363 S1C4T2 Fl. 399 23 de CSLL no mesmo período em vez de R$ 21.053.463,83. Os demonstrativos dos anos calendários 2008 e 2009 não tiveram repercussão alguma nos cálculos das exigências dos períodos 2010 e 2011, tendo em vista que nestes somente foram levados em conta a glosa dos JCP deduzidas pelo contribuinte (R$ 110.812.075,18 em 2010 e R$ 26.000.000,00 em 2011) e a dedução dos JCP a que o contribuinte tinha direito (R$ 16.576.254,17 em 2010 e R$ 10.327.470,95 em 2011). 24. Além disso, os demonstrativos de 2008 e 2009 apenas ilustram que o contribuinte poderia ter apurado saldo negativo em vez de imposto a pagar em 2008, e um saldo negativo maior em 2009, caso tivesse exercido a opção de pagar ou creditar JCP naqueles períodos. Ocorre que tal opção não foi exercida, conforme acima explanado. 25. E ademais, o pleito de compensação ou restituição de IRPJ e CSLL de anos calendários 2008 e 2009 é matéria estranha aos presentes autos, que trata de auto de infração com exigências desses tributos dos períodos 2010 e 2011, de modo que, a rigor, tal pedido sequer poderia ser conhecido por esta instância julgadora”. Em face desta posição, aqui assumida, voto por NEGAR PROVIMENTO ao pleito nesta parte. DOS JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO Rebelase a recorrente contra a possibilidade da imposição de juros de mora sobre a multa de ofício aplicada no lançamento. Embora ressalve, de plano, que a incidência de juros de mora à taxa Selic sobre a Multa de Ofício, é questão superveniente ao presente lançamento, é se apreciar a matéria, já que, inexoravelmente, tal acréscimo virá integrar o crédito tributário objeto de discussão. Consoante dizer do art. 113 do Código Tributário Nacional – CTN, a obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária, entendida esta como decorrente de obrigação tributária principal. E se referido crédito tributário (penalidade) não for pago integralmente no vencimento deve ser acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, aplicandose a taxa de 1% ao mês, se a lei não dispuser de modo diverso (art. 161, § 1º, do CTN): “Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito.”(negrejouse e grifouse) Fl. 399DF CARF MF Processo nº 16327.720512/201538 Acórdão n.º 1402002.363 S1C4T2 Fl. 400 24 Assim, a cobrança de juros de mora sobre a penalidade pecuniária cabível encontra fundamento de validade no próprio CTN. Por outro lado, só é plausível se falar na incidência de juros de mora pelo atraso no recolhimento quando o crédito tributário inadimplido sujeitase a prazo de vencimento, o que ocorre com relação ao tributo, à contribuição e à multa de ofício, e não com a multa de mora, a menos que esta última seja exigida isoladamente, mediante lançamento de ofício. Valendose da exceção legal contida no art. 161, § 1º, do CTN, a Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, dispôs que, a partir de 1º de abril de 1995, sobre os tributos e contribuições sociais não recolhidos no prazo de vencimento incidem juros de mora calculados à taxa Selic (art. 13): Lei nº 9.065, de 1995: Art. 13. A partir de 1º de abril de 1995, os juros de que tratam a alínea c do parágrafo único do art. 14 da Lei nº 8.847, de 28 de janeiro de 1994, com a redação dada pelo art. 6º da Lei nº 8.850, de 28 de janeiro de 1994, e pelo art. 90 da Lei nº 8.981, de 1995, o art. 84, inciso I, e o art. 91, parágrafo único, alínea a 2, da Lei nº 8.981, de 1995, serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995: “Art. 84. Os tributos e contribuições sociais arrecadados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores vierem a ocorrer a partir de 1º de janeiro de 1995, não pagos nos prazos previstos na legislação tributária serão acrescidos de: I juros de mora, equivalentes à taxa média mensal de captação do Tesouro Nacional relativa à Dívida Mobiliária Federal Interna; (...).” Seguindoa, a Lei nº 9.430, de 1996, foi mais genérica, dispondo que os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições, com fato gerador ocorrido a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos no vencimento, serão acrescidos de juros de mora à taxa Selic (art. 61): “Multas e Juros Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na Fl. 400DF CARF MF Processo nº 16327.720512/201538 Acórdão n.º 1402002.363 S1C4T2 Fl. 401 25 legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.” Consistindo a multa de lançamento de ofício em débito para com a União, de natureza de obrigação tributária principal, correta a interpretação de que, sobre referida penalidade incidem juros à taxa Selic, a partir do seu vencimento. Corroboram, ainda, a conclusão acima, as razões abaixo dispostas. De fato, a mesma Lei nº 9.430, de 1996, reportandose especificamente à multa de mora inadimplida, dispôs que sobre ela incidem juros de mora à taxa Selic, quando exigida de ofício, isolada ou conjuntamente (art. 43): “Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.” Com efeito, como já ressaltado anteriormente, sobre a multa de mora não há de se cogitar na incidência de juros, pois referida penalidade pecuniária é desprovida de vencimento, exceto quando exigida mediante lançamento de ofício, como regula o dispositivo supra, momento o qual se impõe um prazo legal para o seu adimplemento. Da mesma forma ocorre com relação aos juros. Estes não têm vencimento legal para o seu cumprimento, a menos que exigidos por meio de lançamento de ofício. Resta claro, pelo dispositivo acima transcrito, que sobre a penalidade exigida de ofício incidem juros de mora à taxa Selic. Fl. 401DF CARF MF Processo nº 16327.720512/201538 Acórdão n.º 1402002.363 S1C4T2 Fl. 402 26 No âmbito do Poder Judiciário, o Superior Tribunal de Justiça, em recente decisão, já legitimou a incidência dos juros sobre a totalidade do crédito tributário, aí incluída a multa de ofício. Vejase: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. AgRg no REsp 1.335.688PR, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 4/12/2012 DJe 10/12/2012 Acresçase que a matéria já está amplamente consolidada nesta Corte no âmbito das três turmas da CSRF: JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. (Acórdão 9101002.180, CSRF, 1ª Turma) JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC.A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu inadimplemento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre a qual devem incidir os juros de mora à taxa Selic. (Acórdão 9202003.821, CSRF 2ª Turma) JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA.O crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento, e de um por cento no mês de pagamento. (Acórdão 9303003.385, CSRF, 3ª Turma). Assim, igualmente neste item, NEGO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendo a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício lançada. Concluindo, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, mantendo integralmente a decisão recorrida. Fl. 402DF CARF MF Processo nº 16327.720512/201538 Acórdão n.º 1402002.363 S1C4T2 Fl. 403 27 É como voto. Brasília (DF), 24 de janeiro de 2017. (documento assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone – Redator designado Fl. 403DF CARF MF
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Numero do processo: 10872.720106/2014-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu May 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010
FILTROS E DEPURADORES DE ÁGUA. CLASSIFICAÇÃO
Os filtros e depuradores de água, ainda que possuam função acessória de refrigeração, classificam-se no código 8421.21.00 da TIPI.
Recurso de Ofício Negado
Numero da decisão: 3301-003.430
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, Por unanimidade de votos, Negar Provimento ao Recurso de Ofício, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), José Henrique Mauri (Relator), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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CLASSIFICAÇÃO Os filtros e depuradores de água, ainda que possuam função acessória de refrigeração, classificamse no código 8421.21.00 da TIPI. Recurso de Ofício Negado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 2. 72 01 06 /2 01 4- 21 Fl. 1089DF CARF MF Processo nº 10872.720106/201421 Acórdão n.º 3301003.430 S3C3T1 Fl. 1.090 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, Por unanimidade de votos, Negar Provimento ao Recurso de Ofício, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), José Henrique Mauri (Relator), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Fl. 1090DF CARF MF Processo nº 10872.720106/201421 Acórdão n.º 3301003.430 S3C3T1 Fl. 1.091 3 Relatório Por bem descrever os fatos, transcrevo o Relatório constante do Acórdão recorrido, até aquele momento. Trata o presente processo de Auto de Infração (AI) referente ao Imposto sobre Produtos Industrializados decorrente de reclassificação fiscal de produtos saídos do estabelecimento autuado. O AI contendo a descrição dos fatos, a fundamentação legal para o tributo exigido e acréscimos legais, períodos abrangidos e demonstrativos de débitos encontrase às fls. 594 a 607. O Termo de Verificação Fiscal, que descreve em maior detalhe as razões da autuação, encontrase às fls. 589 a 593. Os produtos que foram objeto de reclassificação fiscal e, portanto, ensejaram o AI, são descritos pela autuada como purificadores de água O referido Termo traz as seguintes informações em seu bojo: “Segundo o contribuinte, os purificadores servem para o fornecimento de água oriunda da concessionária de abastecimento, melhorando sua qualidade para o consumo humano, através de sistema de tratamento certificado pelo Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia – INMETRO. Exceto o modelo Baby, todos os outros possuem sistema de refrigeração de água. O contribuinte classifica todos os modelos na posição 84212100 da TIPI, própria de aparelhos para filtrar ou depurar água, com alíquota zero. Notese que a expressão “purificadores de água” não é mencionada em nenhuma posição da TIPI, tendo sido adotada pelos próprios fabricantes. Os assim chamados “purificadores de água”, na verdade, são máquinas para fornecer água principalmente para beber, mas também para outras finalidades a critério do usuário. Estas máquinas são aptas a receber água com a pressão da tubulação, filtrála, armazenála e possibilitar sua coleta, em alguns modelos com a opção de refrigeração ou não. Além disto, têm designe e acabamento irretocáveis que certamente atendem a quesitos de decoração. Como se vê com clareza, os “purificadores de água” não são os genéricos aparelhos para depurar ou filtrar água da posição 84212100, como entendeu contribuinte. Enquadramse nesta posição, por exemplo, os filtros de parede ou de torneira, os filtros de piscina e outros aparelhos usados na indústria farmacêutica ou alimentícia. Os “purificadores de água” produzidos pelo contribuinte, exceto os do modelo Baby, se enquadram com precisão na posição 84186931 da TIPI, definida como própria das “unidades fornecedoras de água ou suco” refrigeradas, com alíquota de 15%. Diante de definição textual tão precisa e específica, é ocioso o emprego das demais regras de interpretação para tentar justificar enquadramento diverso.” Fl. 1091DF CARF MF Processo nº 10872.720106/201421 Acórdão n.º 3301003.430 S3C3T1 Fl. 1.092 4 O Termo também abordou a hipótese de máquina constituída por elementos distintos, e citou a Nota 4 da Seção XVI da TIPI, no caso de persistir dúvida quanto à classificação do produto: “Quando uma máquina ou combinação de máquinas seja constituída de elementos distintos (mesmo separados ou ligados entre si por condutos, dispositivos de transmissão, cabos elétricos ou outros dispositivos), de forma a desempenhar conjuntamente uma função bem determinada, compreendida em uma das posições do Capítulo 84 ou do Capítulo 85, o conjunto classificase na posição correspondente à função que desempenha.” Reiterou sua convicção que os “purificadores de água”, exceto o modelo Baby, são unidades fornecedoras de água gelada. Refutou as alegações do contribuinte de que a principal função dos produtos seria a filtragem e tratamento da água, e adotou como critério para seu entendimento os custos dos referidos produtos. Na tabela de fls. 590 e 591, apontou os valores de cada modelo, em que os modelos refrigerados possuem valor muito superior ao modelo não refrigerado, e, com base em um critério puramente econômico, o sistema de refrigeração seria predominante e portanto, o principal. Citando uma solução de consulta referente a produto aparentemente similar, reforçou sua tese quanto à correta classificação dos produtos comercializados pelo contribuinte: “Não foi assim que entendeu a Superintendência da Receita Federal do Brasil na 8ª Região Fiscal, através de sua Divisão Aduaneira, ao responder à consulta formulada no processo 10875 001747/9709, os bebedouros refrigerados dotados de sistema de tratamento de água, tal qual o dos purificadores de água, foram e ainda são classificados na posição 84186931 – EX 01 da TIPI, com alíquota de 10%”. A ciência do AI deuse pessoalmente em 18 de dezembro de 2014 (fl. 640). A impugnação (fls. 647 a 678), instruída pelos documentos de fls. 679 a 1061, apresentada em 16 de janeiro de 2015, trouxe os seguintes argumentos. Iniciou descrevendo suas atividades como a fabricação e comercialização de aparelho para tratamento de água, denominado como Purificador de Água Soft, o qual disponibiliza água em temperatura natural, refrigerada ou mista. Enfatizou a função de filtragem, pelo uso de elementos sofisticados, em seus produtos. Portanto, entende que a classificação fiscal adotada deve ser a que já usava, 8421.21.00, aparelhos para filtrar ou depurar água. Contra a autuação, afirmou que “o Fiscal adotou a classificação mais genérica, considerando o produto da Impugnante como unidades fornecedoras de água, aparelho com finalidade simples de disponibilizar água. Contudo, o aparelho da Impugnante não pode assim ser classificado, pois, além de fornecer água, tem por finalidade precípua tornar a água potável, livre de impurezas, tendo em vista sua composição tecnológica.” Fl. 1092DF CARF MF Processo nº 10872.720106/201421 Acórdão n.º 3301003.430 S3C3T1 Fl. 1.093 5 Destacou que, em sendo a finalidade precípua a melhoria da qualidade da água, os aparelhos industrializados submetemse a “rígidas normas de regulamentação técnica”. Descreveu em detalhes o funcionamento dos filtros e purificadores de água, sendo compostos por processos de separação de sólidos, decloração da água, com retirada de sabores e odores, além de conter elementos bactericidas. Alguns modelos – não parece, pela verificação dos manuais acostados aos autos, ser o caso dos analisados no presente processo – possuem outras etapas de purificação, como raios ultravioletas. Os purificadores possuem modelos para disponibilizar água em temperatura natural, refrigerada ou mista. Procurou demonstrar que se tratam de produtos diferentes dos bebedouros, tanto os de pressão, quanto os de gravidade (garrafão ou galão). No caso dos bebedouros de pressão, indicou que a função principal é a refrigeração, enquanto no de gravidade, apenas o fornecimento de água ou bebida, não havendo filtragem ou purificação. Ambos os modelos não se destinam à melhoria da qualidade da água, ao contrário dos purificadores fabricados e comercializados pelo contribuinte. Acrescentou também que os próprios projetos – lay out construtivo de cada produto são diferentes, sendo o do purificador inteiramente voltado para a função de melhoria da qualidade da água, enquanto os outros para funções distintas, inclusive refrigeração. Apresentou algumas normas técnicas aplicadas ao controle e certificação dos produtos, processos de certificação, ensaios, etc, em detalhe nos documentos que instruem a impugnação. Defendeu que a aplicação da Nota 3 da Seção XV da TIPI (sic) leva à conclusão que o produto por ela produzido deve ser classificado na subposição 8421.21: aparelhos para filtrar ou depurar água. Trouxe exemplos de soluções de consulta proferidas no âmbito da Receita Federal, tratando de filtros em geral, bem como decisão do Carf. Citou alguns protocolos ICMS e decisões do CONFAZ. Trouxe ainda alguns exemplos de licitações para aquisição ou aluguel de purificadores de água, inclusive uma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Fiscalização em São Paulo, nas quais indica estar evidente que a função principal dos equipamentos é a filtragem e depuração da água. Aponta também o princípio da essencialidade do IPI como justificativa para a adoção de alíquota zero em aparelhos purificadores de água. Finalizou solicitando a revisão do AI e a extinção do crédito tributário e, casão não aceita a revisão, que seja o julgamento convertido em diligência, para a realização de perícia com vistas à correta classificação do produto. Indicou perito e rol de quesitos. Fl. 1093DF CARF MF Processo nº 10872.720106/201421 Acórdão n.º 3301003.430 S3C3T1 Fl. 1.094 6 Ao analisar a Impugnação, a 3ª Turma da DRJ/POA exarou o Acórdão 10 53.901, de 26 de fevereiro de 2015, fls. 1065 e ss., que, por unanimidade de votos, Declarou PROCEDENTE a Impugnação, assim ementado: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 FILTROS E DEPURADORES DE ÁGUA. CLASSIFICAÇÃO Os filtros e depuradores de água, ainda que possuam função acessória de refrigeração, classificamse no código 8421.21.00 da TIPI, tributados a alíquota zero. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Interpôsse Recurso necessário (De Ofício) posto que o sujeito passivo foi exonerado do pagamento de tributo e encargos de multa, em montante superior ao limite de alçada. O presente feito foime distribuído, por sorteio, para relatar e pautar. É o relatório, em sua essência. Voto Conselheiro José Henrique Mauri Relator O Recurso de Ofício preenche os requisitos para sua admissibilidade. Dele tomo conhecimento. O presente processo reside na discordância quanto à classificação fiscal adotada pelo contribuinte para os produtos por ele chamados de “purificadores de água”. A fiscalização, ao examinar os produtos e as informações fornecidas pelo contribuinte, entendeu trataremse de unidades fornecedoras de água ou suco, enquadradas na posição 8418.69.31 da TIPI, o que implica a adoção de alíquota de 15%. Conquanto o contribuinte defende que seu produto deve ser enquadrado na subposição de 2º nível, 8421.21.00, aparelhos para filtrar ou depurar água, com alíquota de 0%. A DRJ, ao apreciar Impugnação deu razão ao contribuinte, concluindo como correta o enquadramento 8421.21.21 da TIPI. Eis as classificações litigadas: Fl. 1094DF CARF MF Processo nº 10872.720106/201421 Acórdão n.º 3301003.430 S3C3T1 Fl. 1.095 7 NCM Descrição 84.18 Refrigeradores, congeladores (freezers) e outros materiais, máquinas e aparelhos para a produção de frio, com equipamento elétrico ou outro; bombas de calor, excluindo as máquinas e aparelhos de arcondicionado da posição 84.15. 8418. 69.3 Unidades fornecedoras de água, sucos ou bebidas carbonatadas 8418.69.31 De água ou sucos 84.21 Centrifugadores, incluindo os secadores centrífugos; aparelhos para filtrar ou depurar líquidos ou gases. 8421.2 Aparelhos para filtrar ou depurar líquidos 8421.21.00 Para filtrar ou depurar água Em outras palavras, entendeu a fiscalização tratarse de equipamento com função principal de refrigerar água, conquanto o Acórdão recorrido, e o contribuinte, sustentam que o objeto principal é filtrar ou depurar a água. No presente caso, o produto tem duas funções que reputo relevantes para seu funcionamento: refrigerar (8418) e filtrar ou depurar (8421), cada qual com sua classificação própria, portanto há que se aplicar as regras de interpretação do Sistema Harmonizado para identificarmos a correta classificação a ser adotada para o produto. Nesse sentido o voto exarado no Acórdão recorrido é, além de lúcido, didático. Assim por seus méritos, replico excertos de seus fundamentos: (...) Temse, portanto, pela aplicação das regras acima, que a classificação do produto deve observar a seguinte prioridade: 1. Nota 4 da Seção XVI: o conjunto classificase pela função que desempenha; 2. RG 3b: classificase pela matéria ou artigo que lhe confira a característica essencial; 3. RG 3c: Quando a aplicação das regras anteriores não for suficiente para definir a classificação fiscal do produto, classificase o mesmo na última posição numérica das possíveis. Portanto a definição da presente lide passa pela aplicação das regras acima, na ordem de prioridade citada. Para definir a função do produto, fazse necessário relembrar o que faz e como faz. Já foi visto que o produto recebe a água da concessionária pela tubulação, submetea a processos de purificação, resumidos em redução do nível de cloro, eliminação de sólidos e ação bactericida, e a disponibiliza para consumo ou outro uso. Fl. 1095DF CARF MF Processo nº 10872.720106/201421 Acórdão n.º 3301003.430 S3C3T1 Fl. 1.096 8 Após o tratamento da água, ela poderá ser destinada diretamente ao consumo em temperatura natural, bem como passar pelo sistema de refrigeração, o qual possui um depósito para armazenagem de certa quantidade de água refrigerada, e ser então disponibilizada também desta forma. Entendo que alguns aspectos do funcionamento dos purificadores devam ser salientados. • A água recebida pela tubulação é inteiramente tratada (filtrada e depurada). • A refrigeração dá dáse em apenas parte da água recebida. • O funcionamento do produto, no caso de falta de energia, resumese à filtragem e depuração, ficando prejudicada a refrigeração. • A escolha pelo consumo de água na temperatura natural ou refrigerada é facultativa, ao contrário do consumo da água filtrada, em que o uso do produto não permite – a partir dele, obviamente, pois se está analisando o produto somente – escolher água não filtrada. (...) Neste caso, os argumentos já examinados anteriormente direcionam o entendimento para a maior especificidade do sistema de filtragem e depuração, o que acarreta sua classificação na posição 8421.21.00 Não paira dúvidas, os aparelhos comercialmente denominados de "purificadores de água" tem como característica essencial filtrar ou depurar água, assim, devese aplicar a Regra Geral de interpretação do Sistema Harmonizado "3 b" para classificalos no código 8421.21.00 da TIPI. Portanto, não vislumbro reparo a ser feito no Acórdão recorrido, pelos seus próprios fundamentos. Dispositivo Ante o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso de Ofício. É como voto. José Henrique Mauri Relator Fl. 1096DF CARF MF Processo nº 10872.720106/201421 Acórdão n.º 3301003.430 S3C3T1 Fl. 1.097 9 Fl. 1097DF CARF MF
score : 1.0
