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Numero do processo: 10830.725064/2017-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 05 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2012 a 31/12/2016
COMPENSAÇÃO EM GFIP. REQUISITOS LEGAIS E INFRALEGAIS. DECISÃO JUDICIAL NÃO TRANSITADA EM JULGADO. INAPLICABILIDIDE DO REsp 1.230.957/RS NO CASO CONCRETO. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. CARACTERIZAÇÃO.
A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Nacional.
É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial.
A compensação indevida decorrente de informação incorreta em GFIP, requer apresentação de declaração retificadora.
O racional da legislação tributária sinaliza, de forma inequívoca, que a efetivação de compensação mediante GFIP pressupõe o alinhamento dos valores devidos com a escrituração contábil/fiscal do sujeito passivo, que, no caso de desconformidade, requer a necessária retificação prévia da GFIP
É defeso ao julgador administrativo emitir juízo de valor em face de matéria de mesmo objeto e ainda em trâmite na esfera judicial, sem o devido trânsito em julgado, não se aplicando, na espécie, o art. 62, § 2°., do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF n. 343, de 9 de junho de 2015, em face do REsp 1.230.957/RS.
TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA.
Incide contribuição previdenciária patronal sobre o terço de férias, conforme previsto no art. 22, I e II c/c art. 28 da Lei n. 8.212/1991, com a redação vigente à época dos fatos apurados pela autoridade fiscal.
Ausente decisão definitiva de mérito do STF no âmbito do Leading Case RE n. 1.072.485 (Tema 985-STF) afastando expressamente a incidência da contribuição previdenciária patronal sobre o terço constitucional de férias, não há que se falar da aplicação do art. 62, § 2°., do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF n. 343, de 9 de junho de 2015.
É defeso ao julgador administrativo emitir juízo de valor em face de matéria ainda em trâmite na esfera judicial, sem o devido trânsito em julgado.
Numero da decisão: 2402-007.735
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário, conhecendo-se apenas das alegações quanto ao Resp 1.230.957/RS e quanto à retificação das GFIPs, e, nessa parte conhecida do recurso, por maioria de votos, negar-lhe provimento, não sendo reconhecido, portanto, o direito creditório pleiteado para a compensação. Vencidos os conselheiros Gregório Rechmann Junior e Rafael Mazzer de Oliveira Ramos, que deram provimento parcial ao recurso voluntário, não reconhecendo apenas o direito creditório referente ao terço constitucional de férias.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(assinado digitalmente)
Luís Henrique Dias Lima - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Paulo Sérgio da Silva, Gregório Rechmann Júnior, Francisco Ibiapino Luz, Renata Toratti Cassini, Luis Henrique Dias Lima, Rafael Mazzer de Oliveira Ramos, Ana Claudia Borges de Oliveira e Denny Medeiros da Silveira.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE DIAS LIMA
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REQUISITOS LEGAIS E INFRALEGAIS. DECISÃO JUDICIAL NÃO TRANSITADA EM JULGADO. INAPLICABILIDIDE DO REsp 1.230.957/RS NO CASO CONCRETO. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. CARACTERIZAÇÃO. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Nacional. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. A compensação indevida decorrente de informação incorreta em GFIP, requer apresentação de declaração retificadora. 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AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 50 64 /2 01 7- 54 Fl. 68840DF CARF MF Processo nº 10830.725064/201754 Acórdão n.º 2402007.735 S2C4T2 Fl. 63.048 2 Incide contribuição previdenciária patronal sobre o terço de férias, conforme previsto no art. 22, I e II c/c art. 28 da Lei n. 8.212/1991, com a redação vigente à época dos fatos apurados pela autoridade fiscal. Ausente decisão definitiva de mérito do STF no âmbito do Leading Case RE n. 1.072.485 (Tema 985STF) afastando expressamente a incidência da contribuição previdenciária patronal sobre o terço constitucional de férias, não há que se falar da aplicação do art. 62, § 2°., do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF n. 343, de 9 de junho de 2015. É defeso ao julgador administrativo emitir juízo de valor em face de matéria ainda em trâmite na esfera judicial, sem o devido trânsito em julgado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário, conhecendose apenas das alegações quanto ao Resp 1.230.957/RS e quanto à retificação das GFIPs, e, nessa parte conhecida do recurso, por maioria de votos, negarlhe provimento, não sendo reconhecido, portanto, o direito creditório pleiteado para a compensação. Vencidos os conselheiros Gregório Rechmann Junior e Rafael Mazzer de Oliveira Ramos, que deram provimento parcial ao recurso voluntário, não reconhecendo apenas o direito creditório referente ao terço constitucional de férias. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Paulo Sérgio da Silva, Gregório Rechmann Júnior, Francisco Ibiapino Luz, Renata Toratti Cassini, Luis Henrique Dias Lima, Rafael Mazzer de Oliveira Ramos, Ana Claudia Borges de Oliveira e Denny Medeiros da Silveira. Relatório Cuidase de recurso voluntário em face de decisão de primeira instância que julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu direito creditório referente a contribuições previdenciárias objeto de compensação, no período de 12/2012 a 12/2016, conforme discriminado no Despacho Decisório DRF/CPS/ SEORT 739/2017, de 10 de outubro de 2017. Cientificada do teor da decisão de primeira instância em 04/01/2019, o manifestante, agora Recorrente, interpôs recurso voluntário em 01/02/2019, reclamando, preliminarmente, por juntada de documentos; suspensão da exigibilidade do crédito tributário Fl. 68841DF CARF MF Processo nº 10830.725064/201754 Acórdão n.º 2402007.735 S2C4T2 Fl. 63.049 3 ante o caráter recursal da manifestação de inconformidade; e aplicação do princípio da verdade material aos processos administrativos; e, no mérito, aborda os seguintes tópicos: créditos tributários efetivamente compensados: RAT preponderante; RAT especial (agentes nocivos); descontos de valetransporte, valealimentação e despesas médicas (plano de saúde); recurso especial repetitivo 1.230.957/RS; e desnecessidade de retificação prévia da GFIP. Ao fim e ao cabo, a Recorrente assim sintetiza o seu pleito: 5. DO PEDIDO À vista do exposto, requer que seja acolhido o presente Recurso Voluntário, a fim de: a) Conceder o efeito suspensivo da exigibilidade do crédito tributário, em virtude do presente Recurso. b) Julgar procedente o pedido, a fim de se reconhecer o direito do contribuinte à homologação das compensações administrativas realizadas. Sem contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Luís Henrique Dias Lima Relator. Não obstante a tempestividade do recurso voluntário, verificase que não atende aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n. 70.235/1972 e alterações posteriores, em virtude de tratar de matérias não prequestionadas em sede de impugnação, restando assim preclusas, na forma do art. 17 do Decreto n. 70.235/1972. Portanto, dele conheço parcialmente. Passo à análise. Para uma melhor contextualização da presente lide, resgato o Despacho Decisório DRF/CPS/ SEORT 739/2017, de 10 de outubro de 2017: [...] Com fundamento no disposto no art. 2º da Lei 11.457/2007 e no art. 6º da Lei 10.593/2002, procedemos à análise das compensações de Contribuições Previdenciárias efetuadas em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP pelo HOSPITAL VERA CRUZ S/A nas competências: 12/2012 a 12/2016. Fl. 68842DF CARF MF Processo nº 10830.725064/201754 Acórdão n.º 2402007.735 S2C4T2 Fl. 63.050 4 Iniciado o procedimento fiscal (ciência em 04/08/2017 – fls. 4) apoiado em informações preliminares constante de procedimento anterior iniciado em 04/03/2016, dandose ciência do Termo de Início de Procedimento Fiscal (TIPF) por via postal, com aviso de recebimento AR JH505473788BR. Teve como escopo a análise das compensações realizadas em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP no período referente às competências: 12/2012 a 13/2016. Em 23/11/2009, a fiscalizada impetrou Mandado de Segurança em face do Delegado da Receita Federal do Brasil em Campinas, Processo Judicial nº 2009.61.05.0159797/SP (Processo Administrativo Judicial PAJ n° 10830.017403/2009 15), requerendo a declaração de inexigibilidade das contribuições previdenciárias incidentes sobre as verbas pagas pelo empregador: (1) durante os 15 (quinze) primeiros dias de afastamento do empregado a título de auxílio doença e auxílio acidente; (2) salário maternidade; (3) aviso prévio indenizado; (4) férias; (5) um terço constitucional de férias; (6) gratificações e prêmios. Em 1° grau de jurisdição, foi deferido parcialmente o pedido liminar, nos seguintes termos: que tem a seguinte ementa: "...Posto isto, DEFIRO EM PARTE a liminar requerida para suspender a exigibilidade dos créditos tributários referentes à Contribuição Previdenciária incidente sobre os primeiros quinze dias de afastamento do empregado a título de auxíliodoença, sobre o adicional constitucional de férias de 1/3 (um terço) e sobre a verba denominada aviso prévio indenizado, esta a partir de janeiro de 2009. Dêse ciência do feito ao órgão de representação judicial da pessoa jurídica interessada, enviandolhe cópia da inicial, na forma do disposto no art. 7°, inciso II, da Lei n° 12.016/2009. Requisitemse as informações. Após, dêse vista dos autos ao Ministério Público Federal para manifestação. Com a juntada do Parecer Ministerial, tornem os autos conclusos para sentença. Intimese. Oficiese." Em exame de 2º grau, temse o Acordão proferido, conforme reproduzido: Acórdão proferido pela Segunda Turma do Tribunal Regional Federal da Terceira Região, cuja ementa segue: "MANDADO DE SEGURANÇA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA INCIDENTE SOBRE AUXÍLIODOENÇA OU AUXÍLIO ACIDENTE NOS PRIMEIROS 15 DIAS DE AFASTAMENTO, AVISO PRÉVIO INDENIZADO, SALÁRIOMATERNIDADE, FÉRIAS, O TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS, PRÊMIOS E GRATIFICAÇÕES. PRESCRIÇÃO. COMPENSAÇÃO. I Aplicação do prazo prescricional quinquenal às ações ajuizadas após a Lei Complementar n° 118/05. Precedente do STF. II As verbas pagas pelo empregador ao empregado nos primeiros Fl. 68843DF CARF MF Processo nº 10830.725064/201754 Acórdão n.º 2402007.735 S2C4T2 Fl. 63.051 5 quinze dias de afastamento do trabalho em razão de doença ou acidente e o aviso prévio indenizado não constituem base de cálculo de contribuições previdenciárias, posto que não possuem natureza remuneratória, mas indenizatória. O adicional de 1/3 constitucional de férias também não deve servir de base de cálculo para as contribuições previdenciárias, por constituir verba que detém natureza indenizatória. Precedentes do STJ e desta Corte. III É devida a contribuição sobre o salário maternidade e as férias, o entendimento da jurisprudência concluindo pela natureza salarial dessas verbas. IV Gratificações e prêmios somente não sofrerão incidência de contribuição previdenciária quando demonstrada a não habitualidade e a previsão em convenção coletiva de trabalho, comprovação de plano que não se verifica no caso dos autos, não se patenteando os requisitos que afastariam a incidência de contribuição. V Direito à compensação com a ressalva estabelecida no art. 26, § único, da Lei nº 11.457/07 e após o trânsito em julgado, nos termos do artigo 170A, do CTN. Precedentes. VI Em sede de compensação ou restituição tributária aplicase a taxa SELIC, que engloba juros e correção monetária, a partir de 1Io de janeiro de 1996. VII Recurso da União desprovido. Recurso da impetrante e remessa oficial parcialmente providos. ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, decide a Egrégia Segunda Turma do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, por unanimidade, negar provimento ao recurso da União e dar parcial provimento ao recurso da impetrante e à remessa oficial, nos termos do relatório e voto que ficam fazendo parte integrante do presente julgado." Fl. 588/603 e verso). Verificase que, à época da efetivação das compensações, existiam favoravelmente ao contribuinte, nos termos acima transcritos, apenas o reconhecimento parcial da segurança pleiteada na ação, assim como o direito a compensar restrito após o trânsito em julgado, anteriores a cinco anos do ajuizamento da ação. Juntou às fls. 363/367 do Processo Dossiê n° 10010035610111643, planilha de apuração do crédito pretendido que também foi juntada ao processo judicial e atualizada em 01/10/2014, com valor total do crédito estimado em R$ 11.766.238,61. No próprio documento, consta informação de que os valores foram apurados por estimativa: “(...) Os valores constantes nesta planilha foram obtidos com base em documentos e informações fornecidos pelo cliente. Tratamse de valores estimados, cujo montante final sujeito, obviamente, à alterações será percebido mediante discussão na respectiva Ação Judicial, estando estes cálculos, bem como, todo o procedimento, sujeitos à regular verificação do Fisco e do Judiciário. Orientamos a aguardar o trânsito em julgado da ação ou decisão judicial de 1° e 2° Grau, reconhecendo o direito e autorizando a compensação e suspensão. ” Ficou constatado, todavia, pela análise das declarações (GFIP) que o fiscalizado efetuou compensações nas competências: 12/2012 a 12/2016 (período abrangido pelo procedimento Fl. 68844DF CARF MF Processo nº 10830.725064/201754 Acórdão n.º 2402007.735 S2C4T2 Fl. 63.052 6 fiscal), no valor total de R$ 11.536.116,23 (onze milhões quinhentos e trinta e seis mil cento e dezesseis reais e vinte e três centavos). Destacamos também que não constam em GFIP informações suficientes para se verificar a incidência das verbas que, neste caso, são declaradas pelo total da base de cálculo das remunerações pagas ao segurado empregado e ao contribuinte individual. Portanto, cabe ao contribuinte, e, nesse sentido foi intimado, a demonstrar a inclusão das verbas na base de cálculo de apuração do tributo. Todavia, apesar de ter sido intimado a apresentar o resumo das folhas de pagamento da origem de constituição dos créditos, limitouse a apresentar os resumos referentes às competências da efetivação das compensações. Outro ponto a destacar na planilha anexada, é que os valores foram estimados a partir de 11/1999 enquanto a ação foi impetrada em 23/11/2009 (Processo Judicial nº 2009.61.05.0159797/SP), conforme relatado no início deste termo. Portanto, não obedeceu à prescrição quinquenal determinada na lei para constituição do direito. [...] No capítulo referente à fundamentação jurídica, o Despacho Decisório DRF/CPS/ SEORT 739/2017, de 10 de outubro de 2017, informa: [...] As contribuições sociais previdenciárias são tributos que possuem forma de lançamento por homologação definido em lei, mediante entrega de GFIP, assim previsto conforme o critério definido pelo Código Tributário Nacional (CTN): [...] Nesta modalidade, a legislação obriga o contribuinte entregar as competentes declarações à Previdência por intermédio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP) até o 7º dia do mês subsequente àquele da ocorrência do fato gerador, devendo as contribuições serem apuradas pelo próprio sujeito passivo e recolhidas até o dia 20 também do mês subsequente, Fl. 68845DF CARF MF Processo nº 10830.725064/201754 Acórdão n.º 2402007.735 S2C4T2 Fl. 63.053 7 antecipandose para o primeiro dia útil anterior caso naquele não haja expediente bancário. Tal pagamento, no entanto, só se torna definitivo após homologado pela Administração Tributária, que deve fazêlo em cinco anos a contar da data do fato gerador, caso a lei não fixe prazo diferente, de acordo com os parágrafos 1º e 4º do artigo supracitado: [...] À luz do art. 89 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, as contribuições previdenciárias podem ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento indevido, “nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil”. Para tanto, as condições foram estabelecidas pela Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012, nos termos dos arts. 56 a 60, que o sujeito passivo que apurar crédito relativo a contribuições previdenciárias, passível de restituição, poderá utilizálo na compensação de contribuições previdenciárias correspondentes a períodos subsequentes. Esse dispositivo, portanto, prevê o direito material à restituição de contribuição paga a maior, facultada a realização desse direito mediante compensação de débitos da mesma espécie. O § 1º do art. 56 estabelece como condição para realizar a compensação a situação regular perante o Fisco; o § 6º veda a compensação de contribuições com valores recolhidos na forma do Simples Nacional; e o § 7º determina que a compensação seja informada em GFIP na competência de sua efetivação. Ressaltese que a referida norma não trata de questões operacionais relativas à realização do direito material à restituição, por conseguinte, não dispõe da necessidade de retificação de GFIP. Apesar disto, a retificação da GFIP é norma procedimental definida em seu manual. Se o direito ao crédito decorre de decisão judicial favorável, afasta qualquer questionamento do Fisco no tocante a sua procedência. Contudo, para exercitar o direito, ou seja, operacionalizar sua realização, o contribuinte sujeitase a regras procedimentais determinadas pela Secretaria da Receita Federal em atos normativos, orientações e manuais. Nesse sentido, ficou estabelecido orientação no item 7 do Capítulo IV do Manual de Operação do Sistema Empresa de Informações à Previdência Social (SEFIP), gerador da GFIP, aprovado pela Instrução Normativa RFB nº 880, de 16 de outubro de 2008: 7 – INFORMAÇÃO DE OBRIGAÇÕES DISCUTIDAS JUDICIALMENTE Caso o empregador/contribuinte decida discutir judicialmente alguma obrigação, deve informar a GFIP/SEFIP normalmente Fl. 68846DF CARF MF Processo nº 10830.725064/201754 Acórdão n.º 2402007.735 S2C4T2 Fl. 63.054 8 de acordo com a legislação. Não deve elaborar a GFIP/SEFIP de acordo com o que entende ser devido. Caso a decisão judicial altere a obrigação, o empregador/contribuinte deverá retificar as GFIP/SEFIP de acordo com a sentença, sendo passível de autuação a falta de correção após a referida decisão. Deste modo, a retificação da GFIP visa a corrigir as informações antes prestadas e ajustálas à realidade, imposta pela decisão judicial, acerca da expectativa de ingresso de receitas para custeio dos benefícios previdenciários, contudo o contribuinte não comprovou a entrega das GFIP retificadoras da origem do referido crédito. Longe disso, afirmou não ter apresentado retificadora. Como consequência, o contribuinte deixou de demonstrar a liquidez e certeza do crédito utilizado em compensação a tal título, haja vista a falta de entrega de GFIP retificadora com vistas a constituir o crédito alegado. Assim, há necessidade de o contribuinte munirse de título judicial que determine a constituição do crédito pretendido, antes de realizar a compensação em GFIP. Portanto, é imperioso agir em conformidade com o que preceitua o art. 170 A do CTN. Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. (artigo incluído pela Lcp nº 104, de 2001). Contudo, preferiu o contribuinte agir à revelia do comando legal e efetuou compensação em GFIP, a pretexto de contribuição recolhida indevidamente, desamparado de decisão judicial, fato que inviabiliza o reconhecimento administrativo do referido crédito. (grifei) Desta forma, outra alternativa não resta senão considerar indevidas as compensações realizadas, a título de crédito apurado sobre a incidência de contribuição previdenciária sobre o pagamento de verbas (1) durante os 15 (quinze) primeiros dias de afastamento do empregado a título de auxílio doença e auxílio acidente; (2) salário maternidade; (3) aviso prévio indenizado; (4) férias; (5) um terço constitucional de férias; (6) gratificações e prêmios, tendo em vista não se tratar de informação incorreta em GFIP, a ensejar a apresentação de retificadora nos meses em que se efetivaram as compensações, mas sim de créditos constituídos de forma não prevista em lei, sujeitandose o postulante à incidência da penalidade constante no artigo 57 da Instrução Normativa RFB N.º 1.300/2012: IN RFB nº 1.300/2012 Fl. 68847DF CARF MF Processo nº 10830.725064/201754 Acórdão n.º 2402007.735 S2C4T2 Fl. 63.055 9 Art. 57. No caso de compensação indevida, o sujeito passivo deverá recolher o valor indevidamente compensado, acrescido de juros e multa de mora devidos. Parágrafo único. Caso a compensação indevida decorra de informação incorreta em GFIP, deverá ser apresentada declaração retificadora. Importante ressalvar o reconhecimento judicial para afastar a incidência das contribuições sociais previdenciárias incidentes sobre o Aviso Prévio Indenizado tendo em vista a jurisprudência vinculante, conforme orientação contida na Solução de Consulta Cosit nº 249, de 25 de maio de 2017, cuja ementa transcrevese: EMENTA: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. AVISO PRÉVIO INDENIZADO. JURISPRUDÊNCIA VINCULANTE. O Superior Tribunal de Justiça (STJ), ao julgar o Recurso Especial nº 1.230.957/RS, no âmbito da sistemática do art. 543 C do Código de Processo Civil (CPC), afastou a incidência das contribuições sociais previdenciárias sobre o aviso prévio indenizado. Em razão do disposto no art. 19 da Lei nº 10.522, de 2002, na Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 1, de 2014, e na Nota PGFN/CRJ nº 485, de 2016, a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) encontrase vinculada ao referido entendimento. A jurisprudência vinculante não alcança o reflexo do aviso prévio indenizado no 13º salário (gratificação natalina), por possuir natureza remuneratória, conforme precedentes do próprio STJ. Contudo, é imperiosa a demonstração de certeza e liquidez do mencionado crédito, mediante apresentação de documentos que comprovem sua inclusão na base de cálculo de apuração da contribuição, à época do pagamento, bem como a apresentação de GFIP retificadora a fim conferirlhe liquidez. Quanto à necessidade de o contribuinte retificar a GFIP de modo a comprovar a origem do crédito compensado, inclusive o reconhecido pela via judicial, a Solução de Consulta Cosit nº 132, de 1o de setembro de 2016, ao interpretar a legislação assim dispõe: COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO RELATIVO A CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS DECLARADAS EM GFIP. RETIFICAÇÃO. A compensação de crédito previdenciário, inclusive do decorrente de decisão judicial transitada em julgado, obedece ao disposto nos arts. 56 a 60 da Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 2012, e deve ser precedida de retificação das GFIP em que a obrigação foi declarada. (gn). DECISÃO Fl. 68848DF CARF MF Processo nº 10830.725064/201754 Acórdão n.º 2402007.735 S2C4T2 Fl. 63.056 10 As compensações realizadas pelo sujeito passivo nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP, nos estabelecimentos e competências mencionados no presente Despacho Decisório foram compensadas indevidamente, em desacordo com as normas legais aplicáveis, bem como não conseguiu demonstrar a existência dos créditos utilizados em compensação, motivos pelos quais deixo de reconhecer o referido crédito. Tendo em vista terem sido consideradas indevidas, DECIDO não homologar as compensações efetuadas pelo sujeito passivo nas competências do período de 12/2012 a 12/2016. Para surtir os efeitos legais, lavro o presente DESPACHO DECISÓRIO, do qual será dada ciência ao contribuinte, que poderá apresentar Manifestação de Inconformidade, no prazo de 30 (trinta) dias, nos termos do artigo 119 do Decreto no 7.574 de 29 de setembro de 2011 e do artigo 5o da Portaria RFB 10.875, de 16 de agosto de 2007, devendo o crédito tributário supostamente liquidado retorne à condição de exigíveis nos sistemas de controle da Receita Federal do Brasil – RFB, desde os respectivos vencimentos, com os acréscimos legais previstos na legislação tributária vigente. [...] Pois bem. Preliminarmente, a Recorrente reclama por juntada de documentos; suspensão da exigibilidade do crédito tributário ante o caráter recursal da manifestação de inconformidade; e aplicação do princípio da verdade material aos processos administrativos. Tais alegações preliminares estão, na verdade, superadas, vez que os aludidos documentos já foram juntados (efl. 302 e ss.), ocorreu a suspensão da exigibilidade do crédito tributário nos termos do art. 151, III, do CTN, e a aplicação do princípio da verdade material é premissa fundamental na análise dos processos administrativos. Não há lide em face dessas matérias. No mérito, deduzse, do cotejo do recurso voluntário com a impugnação apresentada à DRJ, que as matérias referentes aos créditos tributários efetivamente compensados: RAT preponderante; RAT especial (agentes nocivos); e descontos de vale transporte, valealimentação e despesas médicas (plano de saúde),, não foram prequestionadas, tratandose assim de inovação recursal não passível de conhecimento, vez que preclusas, a teor do art. 17 do Decreto n. 70.235/1972. Nessa perspectiva, remanesce na lide tãosomente o questionamente referente ao Resp n.1.230.957/RS e à desnecessidade de retificação prévia da GFIP. Muito bem. Fl. 68849DF CARF MF Processo nº 10830.725064/201754 Acórdão n.º 2402007.735 S2C4T2 Fl. 63.057 11 O cerne desta lide concentrase na compensação em GFIP (competências 12/2012 a 12/2016) mediante aproveitamento de tributo objeto de contestação judicial, antes do trânsito em julgado da respectiva judicial, conforme previsão expressa do art. 170A do CTN. Na espécie, conforme já noticiado no Despacho Decisório DRF/CPS/ SEORT 739/2017, a Manifestante, agora Recorrente, impetrou Mandado de Segurança contra ato do Delegado da Receita Federal do Brasil em Campinas/SP, alegando, em apertada síntese, inexistência de relação jurídicotributária para o recolhimento da contribuição social incidente sobre valores pagos em situações em que não há remuneração por serviços prestados, quais sejam os referentes aos 15 (quinze) primeiros dias de afastamento dos empregados doentes ou acidentados (antes da obtenção do auxíliodoença ou do auxílioacidente), bem como, a título de saláriomaternidade, férias, adicional de férias de 1/3 (um terço) e aviso prévio indenizado (Processo n. 001597983.2009.4.03.6105). No que tange à compensação, requereu o direito de efetuar a compensação dos valores indevidamente recolhidos a tais títulos nos últimos 10 (dez) anos, com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, em especial com as contribuições arrecadadas ao INSS, como as patronais incidentes sobre a folha de salários, sem as limitações do art. 170A do CTN, dos arts. 3°. e 4°. da Lei Complementar n. 118/05 ou do § 3° do art. 89 da Lei n. 8.212/91, afastandose as aplicações das restrições presentes em qualquer outra norma legal ou infralegal (como a IN MPS/SRP n. 3/2005). Na primeira instância judicial, foi dado provimento parcial ao pedido de liminar, e, na segunda instância (TRF3), deuse parcial provimento ao recurso da impetrante e, bem assim, à remessa oficial. É dizer, quando a Recorrente efetuou as compensações em lide (competências 12/2012 a 12/2016), não havia decisão judicial transitada em julgado a autorizá las, vez que ainda pendente de apreciação pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). Entretanto, entende a Recorrente que o julgamento do REsp 1.230.957/RS, pela sistemática de recursos repetitivos, na forma do art. 543C do CPC/73, então vigente, tornou desnecessário o trânsito em julgado da ação judicial consignada no Processo n. 001597983.2009.4.03.6105, não se aplicando, destarte, o comando do art. 170A do CTN. Inicialmente, é relevante destacar que o REsp 1.230.957/RS, submetido à sistemática dos recursos repetitivos, na forma do então vigente art. 543C do CPC/1973 (atual art. 1.036 do CPC/2015), no qual se ampara a Recorrente, consolidou a tese de que as verbas indenizatórias e não habituais não sofrem incidência de contribuição previdenciária, e trata da incidência da contribuição previdenciária, a cargo da empresa, no contexto do Regime Geral da Previdência Social, sobre as seguintes verbas: i) terço constitucional de férias; ii) salário maternidade; iii) salário paternidade; iv) aviso prévio indenizado; e v) importância paga nos quinze dias que antecedem o auxíliodoença. Ao apreciar o REsp 1.230.957/RS, o Exmo. Ministro Mauro Campbell Marques pugnou pela i) não incidência da contribuição previdenciária sobre o terço constitucional de férias; ii) incidência de contribuição previdenciária sobre salário maternidade e sobre o salário paternidade; iii) não incidência da contribuição previdenciária sobre o aviso prévio indenizado; e iv) não incidência da contribuição previdenciária sobre a importância paga nos quinze dias que antecedem o auxíliodoença. Fl. 68850DF CARF MF Processo nº 10830.725064/201754 Acórdão n.º 2402007.735 S2C4T2 Fl. 63.058 12 Todavia, o REsp 1.230.957/RS não esgotou a discussão sobre a natureza jurídica do terço constitucional de férias, indenizadas ou gozadas, para fins de contribuição previdenciária patronal, tendo em vista que o Supremo Tribunal Federal (STF), em 23/02/2018, decidiu pela existência de repercussão geral de matéria suscitada no Leading Case RE n. 1.072.485 do Tema 985 no qual se discute a natureza jurídica da retrocitada verba. De se observar que, embora o REsp 1.230.957/RS tenha sido publicado em 18 de março de 2014, a Recorrente efetuou as compensações objeto desta lide desde a competência 12/2012, com o agravante de não ter ocorrido o devido trânsito em julgado do processo judicial n. 001597983.2009.4.03.6105 (que não ocorreu até os dias atuais, conforme consulta ao sítio do TRF3, encontrandose, até 21/02/2019, sobrestado). É oportuno destacar que, conforme informa o Despacho Decisório DRF/CPS/ SEORT 739/2017, o processo judicial n. 001597983.2009.4.03.6105 abrange as seguintes verbas: i) auxílio doença e auxílio acidente durante os 15 (quinze) primeiros dias de afastamento do empregado; ii) salário maternidade; iii) aviso prévio indenizado; iv) férias; v) terço constitucional de férias; e vi) gratificações e prêmios, que, em sua maioria, foram objeto do REsp 1.230.957/RS. Entretanto, não obstante a não incidência da contribuição previdenciária sobre as verbas pagas a título de terço constitucional de férias, aviso prévio indenizado e da importância paga nos quinze dias que antecedem o auxíliodoença, definida no REsp 1.230.957/RS, é meu entendimento que não se aplica, na espécie, o art. 62, § 2°., do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF n. 343, de 9 de junho de 2015, a uma, porque o referido recurso especial encontrase pendente de decisão definitiva de mérito pelo STF (RE 1.072.485 do Tema 985 de repercussão geral) no tocante à natureza jurídica do terço constitucional de férias, e, a duas, porque, mesmo em relação à natureza jurídica das demais verbas já decididas pelo STJ, é defeso ao julgador administrativo emitir juízo de valor em face de matéria ainda em trâmite na esfera judicial, sem o devido trânsito em julgado. A compensação tributária, prevista no art. 156, II, do CTN, tem seus pilares estabelecidos nos arts. 170 e 170A, do Codex tributário. Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) Parágrafo único. Sendo vincendo o crédito do sujeito passivo, a lei determinará, para os efeitos deste artigo, a apuração do seu montante, não podendo, porém, cominar redução maior que a correspondente ao juro de 1% (um por cento) ao mês pelo tempo a decorrer entre a data da compensação e a do vencimento. Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. (Artigo incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) Fl. 68851DF CARF MF Processo nº 10830.725064/201754 Acórdão n.º 2402007.735 S2C4T2 Fl. 63.059 13 Como se observa da leitura do caput do art. 170, acima reproduzido, é facultado à autoridade administrativa regulamentar os procedimentos administrativos atinentes à compensação, que pressupõe, sempre, créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo em face da Fazenda Pública. Nessa perspectiva, a Instrução Normativa RFB n. 1.717, de 17 de julho de 2017 (DOU de 18/07/2017), estabeleceu normas sobre restituição, compensação, ressarcimento e reembolso, no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil, e, em seu art. 85, determina:, determina: Art. 85. No caso de compensação indevida, o sujeito passivo deverá recolher o valor indevidamente compensado, acrescido dos juros e da multa de mora devidos. Parágrafo único. Caso a compensação indevida decorra de informação incorreta em GFIP, deverá ser apresentada declaração retificadora. (grifei) Como se observa, a retificação da GFIP em relação às competências com informações incorretas, constituise premissa necessária à compensação. E isto porque as informações prestadas em GFIP cumprem finalidades distintas e de igual importância, vez que constituem, mediante confissão, crédito tributário referente às contribuições declaradas e não pagas, bem assim é base de dados para a concessão de benefícios, nos termos do art. 32, IV, § 2º, da Lei n. 8.212/1991. Nesse contexto, o racional da legislação tributária sinaliza, de forma inequívoca, que a efetivação de compensação mediante GFIP pressupõe o alinhamento dos valores devidos com a escrituração contábil/fiscal do sujeito passivo, que, no caso de desconformidade, requer a necessária retificação prévia da GFIP. Desta forma, não merece reparo a decisão recorrida. Ante o exposto, voto por conhecer parcialmente do recurso voluntário, para, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Fl. 68852DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.000055/2003-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 14 00:00:00 UTC 2013
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Ano-calendário: 1998
Omissão de rendimentos. Depósitos Bancários.
Sujeita-se ao imposto a omissão de rendimentos caracterizada pelos valores creditados em contas de depósito, não tendo o contribuinte comprovado a origem dos recursos utilizados nessas operações.
Numero da decisão: 2201-002.123
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: Conselheiro Odmir Fernandes
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Depósitos Bancários. Sujeitase ao imposto a omissão de rendimentos caracterizada pelos valores creditados em contas de depósito, não tendo o contribuinte comprovado a origem dos recursos utilizados nessas operações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (Assinatura digital) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente. (Assinatura digital) Odmir Fernandes – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah, Gustavo Lian Haddad, Márcio de Lacerda Martins, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Odmir Fernandes e Ricardo Anderle (Suplente convocado). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Rodrigo Santos Masset Lacombe. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 00 55 /2 00 3- 07 Fl. 173DF CARF MF Impresso em 12/06/2013 por HIULY RIBEIRO TIMBO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 12/06/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por ODMIR FERNANDES 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da 2ª Turma de Julgamento da DRJ de Campo Grande/MT que manteve a autuação parcial do Imposto de Renda da Pessoa Física – IRPF do anocalendário 1998 sobre omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. O auto de infração (fls. 123 a 126.), com ciência em 16.01.2003 (fls. 123) teve origem após as constatações apuradas no Termo de Verificação e Encerramento de Fiscalização (fls. 114 a 118). Impugnação (fls.129/134). A decisão recorrida (fls. 146/153 ) com ciência em 01/09/2008 (AR fls. 159), manteve em parte a autuação, após a conclusão de que a conta do Banco Itaú é conta conjunta permanecendo somente 50% dos depósitos que não foram comprovados. A decisão esta assim ementada: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 1998 Omissão de rendimentos. Depósitos Bancários. Sujeitase ao imposto a omissão de rendimentos caracterizada pelos valores creditados em contas de depósito, não tendo o contribuinte comprovado a origem dos recursos utilizados nessas operações. Lançamento Procedente em Parte No Recurso Voluntário (fls. 160 a 170) protocolado em 30/09/2008, sustenta em síntese que os sócios da sociedade Metal Peças, Geraldo e Dalson compravam e revendiam sucatas de alumínio por conta e ordem de terceiros, por isso não há fundamento da exigência no artigo 42 da Lei 9.430/96, pois a autorização normativa sucumbe quando conhecida a situação material concreta. É o breve relatório. Fl. 174DF CARF MF Impresso em 12/06/2013 por HIULY RIBEIRO TIMBO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 12/06/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por ODMIR FERNANDES Processo nº 19515.000055/200307 Acórdão n.º 2201002.123 S2C2T1 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Odmir Fernandes Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade e deve ser conhecido. Cuidase de omissão de rendimento apurada por meio de depósitos bancários com origem não comprovada A decisão recorrida admitiu a cotitularidade das contas bancárias e cancelou 50% da exigência. O autuado relutou, mas faz entrega à fiscalização dos seus extratos bancários, com eles a fiscalização apurou os depósitos bancários e a omissão dos rendimentos. Com a entrega dos extratos bancários à fiscalização pelo titular das contas não vemos o impedimento do art. 62A, do Reg. Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 2009, para conhecer e decidir o recurso, diante da repercussão geral sobre a quebra do sigilo bancário instaurada no C.STF no RE n° 601.314. Não havendo outras prejudiciais a vencer vamos ao exame do mérito. Sustenta o Recorrente que os depósitos bancários pertencem a empresa Metal Peças Ind. e Com. Ltda., de que era sócio de direito e depois de fato pela venda da empresa. Teria usado sua conta bancaria particular para fazer a movimentação financeira e pagamentos de obrigações da empresa. Destacou o relatório de fiscalização, sem contrariedade, que o autuado forneceu apenas índicos do uso de sua conta bancária para pagar obrigações da empresa. Não há provas firmes e seguras, desse fato alegado. Insiste, portanto, no uso da conta particular para a movimentação bancária da empresa, mas não faz qualquer prova para corroborar os indícios apontados pela fiscalização e assim elidir a autuação e a presunção estabelecida pelo art. 42, da Lei n° 9.430, de 1996. Ora, sem comprovação do fato alegado, de forma firme e estreme de duvidas, deve prevalecer a presunção legal de os depósitos bancários serem rendimentos tributáveis omitidos. Ante o exposto, pelo meu voto, conheço e nego provimento ao recurso para manter a autuação e a decisão recorrida. (Assinatura digital) Odmir Fernandes Relator Fl. 175DF CARF MF Impresso em 12/06/2013 por HIULY RIBEIRO TIMBO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 12/06/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por ODMIR FERNANDES 4 Fl. 176DF CARF MF Impresso em 12/06/2013 por HIULY RIBEIRO TIMBO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 12/06/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por ODMIR FERNANDES
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Numero do processo: 19515.720449/2011-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 06 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jan 06 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2007
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO.
Na determinação do acréscimo não justificado, devem ser levantadas as mutações patrimoniais, mensalmente, confrontando-as com os rendimentos do respectivo mês, com transporte para o período seguinte dos saldos positivos apurados em um período mensal, dentro do mesmo ano-calendário, evidenciando, desta forma, a omissão de rendimentos a ser tributada em cada mês.
REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. INCOMPETÊNCIA.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais (Súmula CARF n° 28).
Numero da decisão: 2401-007.138
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer como origem o montante de R$ 672.480,00 depositado em 11/7/07.
(documento assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(documento assinado digitalmente)
José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto, Wilderson Botto (Suplente Convocado) e Miriam Denise Xavier.
Nome do relator: JOSE LUIS HENTSCH BENJAMIN PINHEIRO
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Na determinação do acréscimo não justificado, devem ser levantadas as mutações patrimoniais, mensalmente, confrontando-as com os rendimentos do respectivo mês, com transporte para o período seguinte dos saldos positivos apurados em um período mensal, dentro do mesmo ano-calendário, evidenciando, desta forma, a omissão de rendimentos a ser tributada em cada mês. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. INCOMPETÊNCIA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais (Súmula CARF n° 28). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer como origem o montante de R$ 672.480,00 depositado em 11/7/07. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (documento assinado digitalmente) José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto, Wilderson Botto (Suplente Convocado) e Miriam Denise Xavier. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 04 49 /2 01 1- 87 Fl. 292DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2401-007.138 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.720449/2011-87 Relatório Trata-se de Recurso Voluntário (e-fls. 255/267) interposto em face de decisão da 18ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (e-fls. 233/247) que, por unanimidade de votos, julgou improcedente impugnação (e-fls. 173/183 e 202/212) contra Auto de Infração (e-fls. 159/164), no valor total de R$ 331.947,00, referente ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), ano-calendário 2007, por acréscimo patrimonial a descoberto (75%). Do Termo de Verificação Fiscal (e-fls. 136/158) extrai-se: 4.7.5.1.4. Sofway Contact Center Serviços. 4.7.5.1.4.1. Asseverou 18 Lúcia Josuá ter recebido rendimentos da Softway" no montante de R$672.480,00, depositados na conta n° 025756-001 do Banco BNB no dia 11/07/2007. Para comprovar apresentou cópias do comprovante de rendimentos 20 e do extrato bancário 21 . 4.7.5.1.4.2. Analisando-se os documentos apresentados, em especial a cópia do extrato apresentado, verifica-se que não há qualquer elemento na cópia do pretenso extrato indicando que ele efetivamente seja um extrato. Também não há qualquer referência a qual conta se refere e muito menos que a conta poderia ser de titularidade da fiscalizada. 4.7.5.1.4.3. Destarte, restam glosados esses rendimentos e não foram transportados para a planilha de origens do demonstrativo de patrimônio a descoberto. 4.7.5.1.3. D2RA21 Serviços de Informática Ltda. 4.7.5.1.5.1. Defendeu a fiscalizada a percepção de rendimentos da D2RA2L22 no montante de R$62.760,64. Para comprovar juntou o comprovante de rendimentos23, cópia do Razão Analítico24 da D2RA2L, cópia dos extratos25 da conta n° 0913/16960- 70 também da D2RA2L e cópia do contrato social da empresa26 registrado na JUCESP. 4.7.5.1.52. Lúcia Josuá apontou nos extratos as movimentações que seriam referentes a distribuição de lucros auferida, os montantes foram relacionados na tabela doe. 130/2011 a seguir. Movimentos Indicados como Distribuição de Lucros pela D2RA2L DOC. 130/2011 Lúcia Josuá - CPF: 825.101.997-49 Data Montante 07/03/2007 RS 4.881,35 10/04/2007 RS 5.963,11 08/05/2007 RS 5.801,31 05/06/2007 RS 6.154,47 05/07/2007 RS 5.617,95 14/08/2007 RS 4.530,44 05/09/2007 RS 4.207,11 07/11/2007 RS 7.167,81 07/12/2007 RS 7.135,97 Total : RS 51.459,52 47.5.1.53. Como se constata os movimentos indicados não representam o montante alegado. Some-se a isso, que a fiscalizada não trouxe qualquer documentação demonstrando que as operações bancárias indicadas foram transferidas para sua titularidade, bem como nas próprias operações descritas no extrato não há qualquer identificação ou referência sobre o destinatário dos recursos. 4.7.5.1.54. Destarte, uma vez que Lúcia Josuá não vigou comprovar o efetivo recebimento dos recursos, restam estes glosados, não sendo transportado nenhum Fl. 293DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2401-007.138 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.720449/2011-87 montante referente a essa pretensa distribuição de lucros para a planilha do demonstrativo de patrimônio a descoberto. Intimado do Acórdão de Impugnação em 22/04/2014 (e-fls. 250/253), a contribuinte interpôs em 20/05/2014 (e-fls. 255) recurso voluntário (e-fls. 255/267) pedindo a reforma do Acórdão atacado e o cancelamento da Representação Fiscal para Fins Penais, alega, em síntese: (a) Tempestividade. Apresenta tempestivamente suas razões (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 33). (b) Acréscimo Patrimonial a Descoberto. Quanto aos rendimentos auferidos pela contribuinte da empresa Softway Contact Center Servs Teleatendimento a Clientes S/A no montante de RS 672.480,00, que foi depositado na conta n° 025756 do Banco BNP Paribas Brasil S.A., em 11 de julho de 2007 e teve sua origem devidamente comprovada pela Recorrente a autoridade julgadora apresentou a seguinte motivação: "Apresentou a impugnante os documentos de fls. 185 a 188 para comprovar o valor de RS 672.480.00 e extrato bancários de fls. 189 a 195 para comprovar o montante de RS 62.760,64, como sendo valores resultantes de dividendos distribuídos. Após análise desses documentos, verifica-se que o documento de fl. 185, apresentado pela contribuinte como sendo seu extrato bancário, apresenta-se sem identificação da Instituição Financeira e agência. Os documentos de fls. 186 a 188 da empresa Softway também não comprovam a distribuição de dividendos. Verifica-se que no extrato bancário do Banco Real de fl. 186 não consta o beneficiário do TED emitido, na Autorização de débito emitido pela empresa (fl. 187) não há identificação da assinatura e o Borderô de fl. 188 não comprova a efetiva transferência realizada pela empresa para a impugnante. Portanto, os documentos apresentados na impugnação, assim, como os documentos apresentados anteriormente são insuficientes para provar que o valor de RS 672.480,00foi recebido da empresa Softway decorrente de distribuição de lucros, conforme alega a impugnante. " Contudo, o documento de fls. 185 (Doc. 01 -impugnação) é extrato bancário com a assinatura do gerente da conta n° 025756 da Recorrente, ou seja, Sr. Luis Fernando Mazone, bem como consta carimbado no documento o nome do banco BNP Paribas Brasil S.A., com o seu CNPJ de n" 01.522.368/0001- 82, constando ainda: (1) Período dos lançamentos efetuados na conta- corrente, que é de 30/06/2007 a 31/07/2007; (2) Número da conta, que é identificado como Código Atlas: 25756; (3) Nome do titular da conta, identificando facilmente a Sra. Lúcia Josuá como titular da mesma; e (4) Data em que o valor de R$ 672.480,00 foi creditado na conta corrente da impugnante, ou seja, dia 11/07/2007, bem como o nome do depositante. a empresa Softway. Logo, há identificação da Instituição Financeira. Por outro lado, os documentos de fls. 186 a 188 da empresa Softway comprovam a distribuição de dividendos. No extrato bancário do Banco Real da conta- corrente da Softway, fl. 186 (Doc. 02 - impugnação), consta que em 11/07/2007 foi debitado R$ 672.480,00. ou seja, o mesmo valor que consta creditado na mesma data na conta-corrente da Recorrente, conforme se Fl. 294DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2401-007.138 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.720449/2011-87 verifica no documento de fl. 185 (Doc. 01 - impugnação). Ademais, no extraio bancário da Recorrente de fl. 185 (Doc. 01 -- impugnação) está discriminado que no dia 11/07/2007 foi recebido um TED - Transferência Eletrônica Disponível da Softway no montante de R$ 672.480,00. Ou seja, o mesmo valor debitado da conta bancária do Banco Real da empresa Soflway, conforme resta demonstrado no documento de fl. 186 (Doc. 02 -impugnação). Ademais, é incompreensível a não aceitação do documento de fl. 187 (Doc. 03 - impugnação), ou seja, a 'Autorização de débito' da empresa Softway ao Banco Real com data de 11/07/2007, autorizando o débito de sua conta- corrente da importância de R$ 1.704.140,00, e determinando que R$ 672.480,00 daquele montante fosse creditado na conta da Recorrente, Sra. Lúcia Josuá, CPF 825.101.997-49, Banco BNP Paribas - 752, agência 001, conta corrente 25756001. Neste documento constam as assinaturas dos representantes da empresa que autorizaram tal transferência, bem como consta a assinatura, identificação e carimbo das pessoas que recepcionaram o documento no Banco Real e que liberaram a transação solicitada pela empresa Softway, haja vista que R$ 672.480,00 foram creditados na conta corrente da Recorrente, conforme demonstra o documento de fl. 185 (Doc. 01 -impugnação). Ainda mais, o Borderô que consta na fl. 188 (Doc. 03 - impugnação) dos autos, é mais um documento que demonstra que a empresa Softway transferiu R$ 672.480,00 de sua conta-corrente n° 1919706, agência n° 0037, do Banco Real, a Recorrente. Neste documento também consta que o referido montante foi creditado na conta n° 25756. agência n° 001, do Banco BNP Paribas Brasil S.A da Recorrente. Com lastro no art.16, § 4°, c, do Decreto n° 70.2135, de 1972, apresenta nesta oportunidade documentos emitidos pelo Banco BNP Paribas (Doc. 03) que se destinam a contrapor o alegado pela Autoridade Julgadora no acórdão ora combatido, especialmente relativo aos documentos de lis. 185 a 188 (Docs. 01 a 03 - impugnação): (1) Extrato bancário da Recorrente do dia 11/07/2007, referente à Conta-Corrente n° 025756, Agência 001, emitido pelo Banco BNP Paribas, no qual consta o crédito de RS 672.480,00, enviado pela Softway Contact Center (Doe. 04); e (2) Comprovante de Transferência Eletrônica Disponível - TED, no qual consta um crédito na Conta-Corrente n° 025756, Agência 001, de titularidade da Recorrente, no valor de RS 672.480,00, recebido no dia 11/07/2007 (Doc. 05). Além disso, o comprovante (Doc. 05) traz também as seguintes informações sobre o remetente da TED, que seguem abaixo: Remetente: Softway Contact Center Serviços de Teleatendimento a Clientes S.A. CNPJ: 31.249.857/0001-73 Banco de Origem: Banco ABN AM RO Real S.A. Agência: 37 Conta Corrente de Origem: 1919706. Por fim, destaca-se que durante a fiscalização foi juntado Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte, fl. 49, em que está demonstrado que a fonte pagadora, a empresa Softway, pagou dividendos para a Recorrente no montante de RS 672.480,00 no ano-calendário de 2007, documento aceito pela jurisprudência como apto a provar pagamento de dividendo. Quanto aos rendimentos recebidos da empresa D2RA2L, a autoridade julgadora alega: Fl. 295DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2401-007.138 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.720449/2011-87 "Quanto ao montante de R$ 62.760,64, que a contribuinte alega ser decorrente de dividendos recebidos da empresa D2RA2L, os documentos apresentados na fase impugnatória (extrato bancários de fls. 189 a 195) não tem força probatória suficiente para comprovar o recebimento de distribuição de lucros no ano-calendário 2.007. " Contudo, durante a fiscalização, a Recorrente comprovou o rendimento no montante de R$ 62.760,64 pela apresentação de Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte (fl. 52, documento hábil e idôneo a comprovar por si só o alegado segundo jurisprudência), de Razão Analítico (fl. 53) com conta de distribuição de resultados a sócios, de extrato bancário da empresa (fls. 54 a 61). A maior parte dos valores referentes à distribuição de lucro transferido pela D2RA2L a Recorrente foram depositados na conta corrente da Sra. Lúcia Josuá no Banco Unibanco, agencia 499, conta n° 223219-1, fls. 189 a 195 (Doc, 04 - impugnação). Nos extratos se verifica que cm 7/3/2007 foi depositado pela D2RA2L a Recorrente o montante de R$ 4.881.35, em 10/4/2007 foi depositado R$ 5.963,11, em 8/05/2007 foi depositado RS 5.801,31, em 5/6/2007 foi depositado RS 6.154,47, em 5/7/2007 foi depositado R$ 5.617,95, em 14/8/2007 foi depositado R$ 4.530,45, em 5/9/2007 foi depositado RS 4.207,11, totalizando o montante de R$ 37.155,75. (c) Representação Fiscal para Fins Penais. Não houve investigação minuciosa e não houve intimação para esclarecimentos, sendo indevida a representação. De qualquer forma, deve ser arquivada pelo cancelamento do auto de infração. É o relatório Voto Conselheiro José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Relator. Admissibilidade. Diante da intimação em 22/04/2014 (e-fls. 250/253), o recurso interposto em 20/05/2014 (e-fls. 255) é tempestivo (Decreto n° 70.235, de 1972, arts. 5° e 33). Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso voluntário. Acréscimo Patrimonial a Descoberto. A fiscalização informa a apresentação dos Comprovantes de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte e afirma a não comprovação do efetivo recebimento dos recursos, sendo que em relação à empresa D2RA2L também põe em dúvida a distribuição de dividendos por não constatar consistência entre a movimentação apontada nos extratos e o montante alegado de distribuição de lucros (e- fls. 146/148). Em relação à empresa Softway, os documentos apresentados para a fiscalização (e-fls. 49/50) e com a impugnação (e-fls. 185/188) não eram absolutamente inequívocos. Contudo, o Ofício do Banco BNP Paribas (e-fls. 287, acompanhado dos documentos de e-fls. 288/289) afasta qualquer dúvida acerca da comprovação do efetivo recebimento dos recursos, Fl. 296DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2401-007.138 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.720449/2011-87 ainda mais quando somado aos demais elementos probatórios já constantes dos autos (e-fls. 49/50 e 185/188). Logo, não subsiste a justificativa da autoridade lançadora para não transportar o montante de R$ 672.480,00 para a planilha de origens do demonstrativo de patrimônio a descoberto. Em relação à empresa D2RA2L, foram apresentados para a fiscalização Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte (e-fls. 52), Folha de Razão Analítico da empresa D2RA2L (e-fls. 53) e extratos de conta corrente da empresa D2RA2L (e-fls. 54/61) e alteração contratual da empresa D2RA2L (e-fls. 62/69). Com a impugnação, foi apresentado extrato de conta corrente (e-fls. 224/230). Segundo o recorrente, é incompreensível o entendimento do Acórdão de Impugnação de o conjunto probatório não ser suficiente. A simples cópia de folha de Livro Razão não está acompanhada do respectivo Livro Diário e, principalmente, não me gera convicção de que os valores nela especificados digam respeito especificamente à recorrente (e-fls. 53). O Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte (e-fls. 52) não comprova a percepção de rendimentos isentos e não tributáveis e nem comprovaria uma eventual retenção. De fato, a jurisprudência admite o Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte como prova da retenção, mas há exceção e a situação concreta nela se enquadra (Acórdão n° 2801-003.298). Explico. O art. 55 da Lei n° 7.450, de 1985, assevera que o imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente pode ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. Entretanto, como o sócio administrador tem interesse comum, o Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte em relação a ele não é prova suficiente, eis que responde solidariamente pelos créditos decorrentes do não recolhimento de imposto a ser descontado na fonte (CTN, art. 124, I; e Decreto-Lei nº 1.736, de1979, art. 8°). No caso concreto, a recorrente não fez prova de que não exercia administração, gestão ou representação, sendo que a alteração contratual de e-fls. 62/69 indicia o exercício da administração da sociedade no ano-calendário de 2007 (alteração firmada em 28/07/2008 fazendo referência como última alteração registrada em sessão de 26/08/2004). Destarte, mesmo se considerando o extrato apresentado com a impugnação (e-fls. 54/61), a divergência dos valores verificada pela fiscalização, ainda mais no contexto de ser a recorrente administradora da sociedade, enseja a necessidade de uma prova robusta acerca da efetiva percepção dos valores sob o título de distribuição de lucros. Logo, deve ser reformado o Acórdão de Impugnação apenas para se reconhecer como origem o montante de R$ 672.480,00 depositado na conta n° 025756-001 do Banco BNB no dia 11/07/2007. Representação Fiscal para Fins Penais. Prejudicada a apreciação das alegações acerca da Representação Fiscal para Fins Penais, eis que a competência legalmente atribuída ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não contempla a apreciação de argumentos aduzidos contra Representação Fiscal para Fins Penais, conforme jurisprudência sumulada: Fl. 297DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 2401-007.138 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.720449/2011-87 Súmula CARF nº 28 O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Acórdãos Precedentes: Acórdão nº 303-33810, de 05/12/2006 Acórdão nº 296-00105, de 10/02/2009 Acórdão nº 201-81384, de 03/09/2008 Acórdão nº 106-16727, de 23/01/2008 Acórdão nº 201- 78848, de 09/11/2005 Acórdão nº 106-13820, de 18/02/2004 Isso posto, voto CONHECER do recurso voluntário e DAR-LHE PARCIAL PROVIMENTO para reconhecer como origem o montante de R$ 672.480,00 depositado no dia 11/07/2007. (documento assinado digitalmente) José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Fl. 298DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11610.008526/2009-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Dec 02 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 31/10/2008
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DEMONSTRATIVO. DACON. OBRIGATORIEDADE.
É cabível a exigência da multa pelo atraso na entrega do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais-DACON na forma em que foi consignada no lançamento de ofício.
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DACON. RESPONSABILIDADE OBJETIVA.
Sendo objetiva a responsabilidade por infração à legislação tributária, correta é a aplicação da multa prevista legalmente no caso de transmissão intempestiva, não merecendo prosperar as alegações de motivos subjetivos que implicaram a transmissão dessa declaração fora do prazo.
Numero da decisão: 3302-007.715
Decisão:
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 11610.008518/2009-76, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente), Corintho Oliveira Machado, Jorge Lima Abud, Larissa Nunes Girard (suplente convocada), Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Denise Madalena Green. Ausente o Conselheiro Gerson Morgado de Castro, conforme ata.
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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ementa_s : ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 31/10/2008 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DEMONSTRATIVO. DACON. OBRIGATORIEDADE. É cabível a exigência da multa pelo atraso na entrega do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais-DACON na forma em que foi consignada no lançamento de ofício. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DACON. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. Sendo objetiva a responsabilidade por infração à legislação tributária, correta é a aplicação da multa prevista legalmente no caso de transmissão intempestiva, não merecendo prosperar as alegações de motivos subjetivos que implicaram a transmissão dessa declaração fora do prazo.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 31/10/2008 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DEMONSTRATIVO. DACON. OBRIGATORIEDADE. É cabível a exigência da multa pelo atraso na entrega do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais-DACON na forma em que foi consignada no lançamento de ofício. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DACON. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. Sendo objetiva a responsabilidade por infração à legislação tributária, correta é a aplicação da multa prevista legalmente no caso de transmissão intempestiva, não merecendo prosperar as alegações de motivos subjetivos que implicaram a transmissão dessa declaração fora do prazo. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 11610.008518/2009-76, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente), Corintho Oliveira Machado, Jorge Lima Abud, Larissa Nunes Girard (suplente convocada), Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Denise Madalena Green. Ausente o Conselheiro Gerson Morgado de Castro, conforme ata. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 0. 00 85 26 /2 00 9- 12 Fl. 71DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3302-007.715 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11610.008526/2009-12 Relatório Cuida-se de julgamento submetido a sistemática dos recursos repetitivos, prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2019, com redação dada pela Portaria MF nº 153, de 17 de abril de 2018. Dessa forma, adoto excertos do relatório constante do Acórdão nº 3302-007.710, relativo à decisão proferida no âmbito do processo paradigma: Trata-se de recurso voluntário interposto contra decisão que julgou improcedente a impugnação apresentada pela Recorrente, mantendo-se, assim, o lançamento fiscal que cobra unicamente a multa por atraso na entrega do DACON, nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano-calendário: 2009 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DEMONSTRATIVO. DACON. OBRIGATORIEDADE. É cabível a exigência da multa pelo atraso na entrega do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais-DACON na forma em que foi consignada no lançamento de ofício. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DACON. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. Sendo objetiva a responsabilidade por infração à legislação tributária, correta é a aplicação da multa prevista legalmente no caso de transmissão intempestiva, não merecendo prosperar as alegações de motivos subjetivos que implicaram a transmissão dessa declaração fora do prazo. ERRO DURANTE A TRANSMISSÃO. Uma vez que o preenchimento da declaração/demonstrativo e a sua transmissão é de responsabilidade exclusiva dos contribuintes, a ocorrência de erro durante a sua transmissão, impedindo o envio de dados à Receita Federal do Brasil, não configura a entrega da declaração e não possibilita o cancelamento da multa por atraso Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator. Da admissibilidade Fl. 72DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3302-007.715 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11610.008526/2009-12 O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele conheço. Das razões recursais Como já destacado, o presente julgamento segue a sistemática dos recursos repetitivos, nos termos do art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do RICARF, e, desta forma, reproduzo o voto consignado no Acórdão nº 3302-007710, da lavra do conselheiro Walker Araujo, paradigma desta decisão: O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Conforme exposto anteriormente, a presente lide versa sobre a exigência de multa por atraso na transmissão do DACON prevista na Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002, art. 7º, com redação dada pelo art. 19 da Lei nº 11.051, de 29 de dezembro de 2004. Nos termos do artigo 15, da IN RFB nº 940, de 19 de maio de 2009 1 , o prazo para entrega do DACON estava previsto paro 5º dia útil do mês de agosto de 2009, dia 07.08.2009. A Recorrente, por sua vez, transmitiu seu Dacon de março de 2009 somente em 10.08.2009, sem comprovar documentalmente a existência de falha no sistema da Receita Federal que a impossibilitasse de protocolar/apresentar o referido demonstrativo. Isto porque, os documentos carreados às folhas 18-22, além de totalmente ilegíveis, não demonstram haver erro no sistema, como alegou a Recorrente. Por outro lado, se no dia 04.08.2009, ao tentar efetuar a primeira transmissão do documento, a Recorrente constatou irregularidades no sistema, o qual se repetiu nos dias seguintes, deveria ter procurado uma agência da Receita Federal e transmitir manualmente o Dacon e, em caso de negativo do exercício de seu direito, exigir documento do órgão sobre a recusa. Nada nesse sentido foi realizado. Neste cenário, correto o lançamento fiscal. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Conclusão Importa registrar que nos autos em exame as situações fáticas e jurídicas encontram correspondência com as verificadas na decisão paradigma, de tal sorte que, as razões de decidir nela consignadas, são aqui adotadas. 1 Art. 15. Os Dacon Mensais referentes aos meses de outubro de 2008 a junho de 2009, deverão ser entregues, excepcionalmente, até o 5º (quinto) dia útil do mês de agosto de 2009. Parágrafo único. Na hipótese de extinção, incorporação, fusão e cisão total ou parcial que ocorrerem nos meses de outubro de 2008 a junho de 2009, a pessoa jurídica extinta, incorporada, incorporadora, fusionada ou cindida deverá apresentar, até o 5º (quinto) dia útil do mês de agosto de 2009, o Dacon Mensal referente ao mês do evento. Fl. 73DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3302-007.715 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11610.008526/2009-12 Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido no acórdão paradigma, no sentido de negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Relator Fl. 74DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10768.006368/2008-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 04 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jan 06 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2005
MATÉRIA NÃO SUSCITADA EM SEDE DE DEFESA/IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO PROCESSUAL.
Afora os casos em que a legislação de regência permite ou mesmo nas hipóteses de observância ao princípio da verdade material, não devem ser conhecidas às razões/alegações que não foram suscitadas na impugnação, tendo em vista a ocorrência da preclusão processual, conforme preceitua o artigo 17 do Decreto nº 70.235/72.
NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
O atendimento aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, a presença dos requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235/1972 e a observância do contraditório e do amplo direito de defesa do contribuinte afastam a hipótese de nulidade do lançamento.
PRELIMINAR. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NÃO OCORRÊNCIA.
A decisão foi fundamentada, não havendo que se falar em nulidade quando o julgador proferiu decisão devidamente motivada, explicitando as razões pertinentes à formação de sua livre convicção. Ademais, o órgão julgador não está obrigado a se manifestar sobre todos os pontos alegados pela parte, mas somente sobre os que entender necessários ao deslinde da controvérsia, de acordo com o livre convencimento motivado.
DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. ENFRENTAMENTO DAS RAZÕES RECURSAIS. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE.
Eventual discordância quanto à qualidade dos argumentos lançados na decisão de primeira instância não dá ensejo ao acolhimento de preliminar de cerceamento de defesa e consequente nulidade daquele julgado, mas sim à interposição de recurso voluntário.
DEDUÇÕES DE DESPESAS MÉDICAS. DEDUTIBILIDADE. DO RECIBO. EXIGÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE DÚVIDA RAZOÁVEL. CONJUNTO PROBATÓRIO.
A apresentação de recibos com atendimento dos requisitos do art. 80 do RIR/99, é condição de dedutibilidade de despesa, mas não exclui a possibilidade de serem exigidos elementos comprobatórios adicionais, da efetiva prestação do serviço, tendo como beneficiário o declarante ou seu dependente e de seu efetivo pagamento.
No entanto, cabe restabelecer as deduções glosadas pela fiscalização quando não há dúvida razoável no que tange à realização das despesas médicas, que demande a necessidade de complementação da prova, tendo em conta a avaliação do conjunto probatório carreado aos autos.
SUSTENTAÇÃO ORAL.
A sustentação oral por causídico é realizada nos termos dos arts. 58 e 59 do Anexo II do RICARF, observado o disposto no art. 55 desse regimento.
ENDEREÇAMENTO DE INTIMAÇÕES DE ATOS PROCESSUAIS NA PESSOA DO PROCURADOR.
Não encontra respaldo legal nas normas do Processo Administrativo Fiscal a solicitação para que a Administração Tributária efetue as intimações de atos processuais administrativos na pessoa e no domicílio profissional do procurador (advogado) constituído pelo sujeito passivo da obrigação tributária. Neste sentido dispõe a Súmula CARF nº 110.
Numero da decisão: 2401-007.259
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Matheus Soares Leite - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto, Wilderson Botto (suplente convocado) e Miriam Denise Xavier (Presidente).
Nome do relator: MATHEUS SOARES LEITE
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2005 MATÉRIA NÃO SUSCITADA EM SEDE DE DEFESA/IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO PROCESSUAL. Afora os casos em que a legislação de regência permite ou mesmo nas hipóteses de observância ao princípio da verdade material, não devem ser conhecidas às razões/alegações que não foram suscitadas na impugnação, tendo em vista a ocorrência da preclusão processual, conforme preceitua o artigo 17 do Decreto nº 70.235/72. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O atendimento aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, a presença dos requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235/1972 e a observância do contraditório e do amplo direito de defesa do contribuinte afastam a hipótese de nulidade do lançamento. PRELIMINAR. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NÃO OCORRÊNCIA. A decisão foi fundamentada, não havendo que se falar em nulidade quando o julgador proferiu decisão devidamente motivada, explicitando as razões pertinentes à formação de sua livre convicção. Ademais, o órgão julgador não está obrigado a se manifestar sobre todos os pontos alegados pela parte, mas somente sobre os que entender necessários ao deslinde da controvérsia, de acordo com o livre convencimento motivado. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. ENFRENTAMENTO DAS RAZÕES RECURSAIS. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE. Eventual discordância quanto à qualidade dos argumentos lançados na decisão de primeira instância não dá ensejo ao acolhimento de preliminar de cerceamento de defesa e consequente nulidade daquele julgado, mas sim à interposição de recurso voluntário. DEDUÇÕES DE DESPESAS MÉDICAS. DEDUTIBILIDADE. DO RECIBO. EXIGÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE DÚVIDA RAZOÁVEL. CONJUNTO PROBATÓRIO. A apresentação de recibos com atendimento dos requisitos do art. 80 do RIR/99, é condição de dedutibilidade de despesa, mas não exclui a possibilidade de serem exigidos elementos comprobatórios adicionais, da efetiva prestação do serviço, tendo como beneficiário o declarante ou seu dependente e de seu efetivo pagamento. No entanto, cabe restabelecer as deduções glosadas pela fiscalização quando não há dúvida razoável no que tange à realização das despesas médicas, que demande a necessidade de complementação da prova, tendo em conta a avaliação do conjunto probatório carreado aos autos. SUSTENTAÇÃO ORAL. A sustentação oral por causídico é realizada nos termos dos arts. 58 e 59 do Anexo II do RICARF, observado o disposto no art. 55 desse regimento. ENDEREÇAMENTO DE INTIMAÇÕES DE ATOS PROCESSUAIS NA PESSOA DO PROCURADOR. Não encontra respaldo legal nas normas do Processo Administrativo Fiscal a solicitação para que a Administração Tributária efetue as intimações de atos processuais administrativos na pessoa e no domicílio profissional do procurador (advogado) constituído pelo sujeito passivo da obrigação tributária. Neste sentido dispõe a Súmula CARF nº 110.
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PRECLUSÃO PROCESSUAL. Afora os casos em que a legislação de regência permite ou mesmo nas hipóteses de observância ao princípio da verdade material, não devem ser conhecidas às razões/alegações que não foram suscitadas na impugnação, tendo em vista a ocorrência da preclusão processual, conforme preceitua o artigo 17 do Decreto nº 70.235/72. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O atendimento aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, a presença dos requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235/1972 e a observância do contraditório e do amplo direito de defesa do contribuinte afastam a hipótese de nulidade do lançamento. PRELIMINAR. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NÃO OCORRÊNCIA. A decisão foi fundamentada, não havendo que se falar em nulidade quando o julgador proferiu decisão devidamente motivada, explicitando as razões pertinentes à formação de sua livre convicção. Ademais, o órgão julgador não está obrigado a se manifestar sobre todos os pontos alegados pela parte, mas somente sobre os que entender necessários ao deslinde da controvérsia, de acordo com o livre convencimento motivado. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. ENFRENTAMENTO DAS RAZÕES RECURSAIS. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE. Eventual discordância quanto à qualidade dos argumentos lançados na decisão de primeira instância não dá ensejo ao acolhimento de preliminar de cerceamento de defesa e consequente nulidade daquele julgado, mas sim à interposição de recurso voluntário. DEDUÇÕES DE DESPESAS MÉDICAS. DEDUTIBILIDADE. DO RECIBO. EXIGÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE DÚVIDA RAZOÁVEL. CONJUNTO PROBATÓRIO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 00 63 68 /2 00 8- 29 Fl. 97DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2401-007.259 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10768.006368/2008-29 A apresentação de recibos com atendimento dos requisitos do art. 80 do RIR/99, é condição de dedutibilidade de despesa, mas não exclui a possibilidade de serem exigidos elementos comprobatórios adicionais, da efetiva prestação do serviço, tendo como beneficiário o declarante ou seu dependente e de seu efetivo pagamento. No entanto, cabe restabelecer as deduções glosadas pela fiscalização quando não há dúvida razoável no que tange à realização das despesas médicas, que demande a necessidade de complementação da prova, tendo em conta a avaliação do conjunto probatório carreado aos autos. SUSTENTAÇÃO ORAL. A sustentação oral por causídico é realizada nos termos dos arts. 58 e 59 do Anexo II do RICARF, observado o disposto no art. 55 desse regimento. ENDEREÇAMENTO DE INTIMAÇÕES DE ATOS PROCESSUAIS NA PESSOA DO PROCURADOR. Não encontra respaldo legal nas normas do Processo Administrativo Fiscal a solicitação para que a Administração Tributária efetue as intimações de atos processuais administrativos na pessoa e no domicílio profissional do procurador (advogado) constituído pelo sujeito passivo da obrigação tributária. Neste sentido dispõe a Súmula CARF nº 110. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (documento assinado digitalmente) Matheus Soares Leite - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto, Wilderson Botto (suplente convocado) e Miriam Denise Xavier (Presidente). Relatório A bem da celeridade, peço licença para aproveitar boa parte do relatório já elaborado em ocasião anterior e que bem elucida a controvérsia posta, para, ao final, complementá-lo (fls. 61 e ss). Pois bem. Trata o presente processo de Notificação de Lançamento lavrada para apuração de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física – IRPF, relativo ao exercício de 2006, ano- calendário 2005, no valor original de: Fl. 98DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2401-007.259 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10768.006368/2008-29 Demonstrativo Valor Imposto Suplementar (sujeito à multa de ofício) R$ 56.479,05 Multa de Ofício R$ 42.359,28 Juros de Mora (até 29/08/2008) R$ 15.633,40 Total R$ 114.471,73 Conforme a Descrição dos Fatos de fls. 1011, o lançamento é decorrente da apuração da omissão de rendimentos de aluguéis ou Royalties recebidos de Araújo, Combre e Cabral de Melo – Advogados, CNPJ nº 42.419.705/000198, sujeitos a tabela progressiva, no valor de R$ 27.897,00, e da glosa de despesas médicas não devidamente comprovadas ou sem previsão legal para sua dedução, no valor de R$ 184,313,18, sendo R$ 7.000,00 relativos a falta de comprovação das despesas pagas a Ricardo Germano Vohs; R$ 2.813,18 relativos à dedução indevida por pagamentos a CAARJ, despesa de Maria Stella A. Costa, e glosa dos recibos dos prestadores Maria Maurity de França Nunes, Elaine da Costa Brinhosa, Wladimir S. Pereira Filho, Marcos Fernando dos Santos Oliveira, Ana Paula Carpi Penna França e Maria Cristina E. Pinheiro da Silva, por falta de identificação dos beneficiários dos serviços. Intimado em 02/09/2008, o espólio do contribuinte, falecido em 27/05/2006, por meio de sua inventariante, Maria Stella Andrade Costa, apresentou impugnação, protocolada em 02/10/2008, reconhecendo a omissão de receita no valor de R$ 27.897,00, decorrente de lapso do de cujus, que se encontrava bastante enfermo ao tempo da confecção da declaração, bem como a dedução indevida relativa a CAARJ, no valor de R$ 2.813,18, por equívoco lançada uma despesa que era de Maria Stella Andrade Costa. Apresenta recibo passado por Ricardo Germano Vohs, CRORJ 23718, CPF nº xxxxx, referente a tratamento odontológico efetuado no notificado, durante o ano de 2005, no valor de R$ 7.000,00, sem indicação do endereço do prestador do serviço, e não apresentados oportunamente a fiscalização. Apresenta declarações comprovando a identificação dos beneficiários dos serviços, relativos aos recibos emitidos por Maria Maurity de França Nunes, Elaine da Costa Brinhosa, Wladimir S. Pereira Filho, Marcos Fernando dos Santos Oliveira, Ana Paula Carpi Penna França e Maria Cristina E. Pinheiro da Silva. Apresenta, ainda: (i) Certidão de Inventariança do notificado, na ação de Arrolamento, no processo nº 2006.001.0807755, da 2ª Vara de órgãos e Sucessões do Rio de Janeiro, em que nomeia a signatária da impugnação no cargo de inventariante; (ii) Certidão de Óbito do notificado; (iii) Instrumento de procuração em que a inventariante outorga poderes a Emerson Almeida Gosselen e Patrick Adam Aguiar Rangel para representa-la junto a quaisquer repartições públicas e privadas, com validade até 29/09/2009. Por fim, requer que seja refeita a notificação para que possa pagar o que é justo. Em seguida, sobreveio julgamento proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, por meio do Acórdão nº 12-44.595 (fls. 61 e ss), cujo dispositivo considerou a impugnação procedente em parte, com a manutenção parcial do crédito tributário, no valor de R$ 40.501,55, somados à multa de ofício e juros de mora. É ver a ementa do julgado: Fl. 99DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2401-007.259 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10768.006368/2008-29 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2005 AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO. DEFINITIVIDADE DA CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Considera-se definitivamente constituído o crédito tributário não impugnado. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ano-calendário: 2005 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. Somente se admite a dedução de imposto de renda por despesas médicas, comprovadas através de recibos de pagamento, quando revestidos de todas as formalidades legais. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Após a análise dos recibos e declarações apresentados, a decisão de piso entendeu que restaram comprovados os gastos efetuados com despesas médicas nos recibos/declarações abaixo relacionados, uma vez que revestidos de todas as formalidades legais, reconhecendo, dessa forma o direito a dedução pleiteado: Beneficiário do pagamento Valor Wladimir S. Pereira Filho 10.000,00 Ana Paula Carpi Penna França 6.500,00 Márcia Cristina Estarque Pinheiro da Silva 29.200,00 Marcos Fernando Santos Oliveira 12.400,00 TOTAL: 58.100,00 Contudo, entendeu que igual sorte não teve os comprovantes abaixo relacionados, não se prestando, na forma dos incisos II e III, do § 2º, do art. 8º, da Lei nº 9.250/95, a comprovar o direito a dedução pleiteada: Beneficiário do pagamento Valor Motivo Maria Maurity de Fanca Nunes 110.400,00 Ausência de CPF, matrícula, profissão e endereço do beneficiário, bem como da natureza do serviço prestado. Elaine da Costa Brinhosa 6.000,00 Ausência de endereço do beneficiário do pagamento. TOTAL: 116.400,00 O contribuinte, por sua vez, inconformado com a decisão prolatada e procurando demonstrar a improcedência do lançamento, interpôs Recurso Voluntário (fls. 75 e ss), apresentando, em síntese, as seguintes razões, além de requerer a juntada dos documentos de fls. 92/93: 1. Nulidade do lançamento por falta de objetividade na capitulação legal; 2. Nulidade da decisão por falta de valoração da prova; 3. Legalidade das deduções pleiteadas; 4. Incorreta aplicação das multas; Fl. 100DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2401-007.259 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10768.006368/2008-29 5. Sustentação oral e intimações no endereço do patrono. Em seguida, os autos foram remetidos a este Conselho para apreciação e julgamento do Recurso Voluntário. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Matheus Soares Leite – Relator 1. Juízo de Admissibilidade. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n° 70.235/72. Portanto, dele tomo conhecimento. 2. Preliminares. 2.1. Preliminar de nulidade do lançamento. Em seu apelo recursal, o contribuinte alega que o trabalho fiscalizatório não fora objetivo e inteligível na capitulação legal, o que teria cerceado seu direito de defesa. Inicialmente, cabe destacar que, afora os casos em que a legislação de regência permite ou mesmo nas hipóteses de observância ao princípio da verdade material, não devem ser conhecidas às razões/alegações que não foram suscitadas na impugnação, tendo em vista a ocorrência da preclusão processual, conforme preceitua o artigo 17 do Decreto nº 70.235/72. Dessa forma, a arguição de nulidade de lançamento, além de se tratar de matéria preclusa, tendo sido arguida apenas no recurso, entendo que, diversamente do que alegado pelo recorrente, o lançamento em comento seguiu todos os passos para sua correta formação, conforme determina o art. 142 do Código Tributário Nacional, quais sejam: (a) constatação do fato gerador cominado na lei; (b) caracterização da obrigação; (c) apuração do montante da base de cálculo; (d) fixação da alíquota aplicável à espécie; (e) determinação da exação devida – valor original da obrigação; (f) definição do sujeito passivo da obrigação; e (g) lavratura do termo correspondente, acompanhado de relatório fiscal, tudo conforme a legislção. Constato que o presente lançamento tributário atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, havendo a presença dos requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235/1972, bem como a observância do contraditório e do amplo direito de defesa do contribuinte, de modo que restam afastadas quaisquer hipóteses de nulidade do lançamento. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente arts. 142 do CTN e 10 do Decreto n° 70.235/72, não há que se falar em nulidade do lançamento. Por fim, destaco que cabe ao contribuinte o ônus de enfrentar a acusação fiscal, devidamente motivada, apresentando os argumentos pelos quais entende que o presente lançamento tributário merece ser declarado improcedente, não sendo o caso de decretar a nulidade do auto de infração, eis que preenchidos os requisitos do art. 142 do CTN. Fl. 101DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2401-007.259 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10768.006368/2008-29 Ante o exposto, rejeito a alegação do recorrente, por entender que não se encontram motivos para se determinar a nulidade do Auto de Infração, por terem sido cumpridos os requisitos legais estabelecidos no artigo 10 do Decreto n° 70.235/72. 2.2. Preliminar de nulidade da decisão da DRJ. Preliminarmente, o recorrente argumenta que a decisão de 1ª instância não agiu corretamente ao examinar o conjunto probatório dos autos, equivocando-se ao concluir pela procedência parcial do lançamento, por entender que as provas documentais comprovariam que efetivamente houve as deduções informações, de forma a comprovar os fatos alegados. Ademais, teria deixado de apreciar a questão à luz da jurisprudência e doutrina dominante. Contudo, destaco que a decisão de piso enfrentou a questão, com base no livre convencimento motivado, sendo que eventual discordância quanto à qualidade dos argumentos lançados na decisão de primeira instância não dá ensejo ao acolhimento de preliminar de nulidade daquele julgado, mas sim à interposição de recurso voluntário. A propósito, cerceamento do direito de defesa se dá pela criação de embaraços ao conhecimento dos fatos e das razões de direito à parte contrária, ou então pelo óbice à ciência do auto de infração, impedindo a contribuinte de se manifestar sobre os documentos e provas produzidos nos autos do processo, hipótese que não se verifica in casu. O contraditório é exercido durante o curso do processo administrativo, nas instâncias de julgamento, não tendo sido identificado qualquer hipótese de embaraço ao direito de defesa do recorrente. Ante o exposto, destaco que não vislumbro qualquer nulidade na hipótese dos autos, seja do lançamento tributário a que se combate ou mesmo da decisão proferida, não tendo sido constatada violação ao devido processo legal e à ampla defesa. 3. Mérito. Pois bem. Antes de adentrar ao exame aprofundado da discussão posta, necessário fazer uma breve explanação sobre a legislação pertinente à matéria. A dedução das despesas médicas encontra suporte no art. 8°, II, da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, que, inclusive, trata das condições impostas para a sua legitimidade. É de se ver: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no ano-calendário será a diferença entre as somas: I - de todos os rendimentos percebidos durante o ano-calendário, exceto os isentos, os não-tributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II - das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no ano-calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; b) a pagamentos de despesas com instrução do contribuinte e de seus dependentes, efetuados a estabelecimentos de ensino, relativamente à educação infantil, compreendendo as creches e as pré-escolas; ao ensino fundamental; ao ensino médio; à educação superior, compreendendo os cursos de graduação e de pós-graduação (mestrado, doutorado e especialização); e à educação profissional, compreendendo o ensino técnico e o tecnológico, até o limite anual individual de: (...) § 2º O disposto na alínea a do inciso II: Fl. 102DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 2401-007.259 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10768.006368/2008-29 I - aplica-se, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II - restringe-se aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III - limita-se a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas - CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes - CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV - não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V - no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exige-se a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. Na mesma toada, segue o artigo 80 do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999, vigente à época, que tratava da questão da seguinte forma: Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no ano-calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): I - aplica-se, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II - restringe-se aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III - limita-se a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas - CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica - CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV - não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V - no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exige-se a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. § 2º Na hipótese de pagamentos realizados no exterior, a conversão em moeda nacional será feita mediante utilização do valor do dólar dos Estados Unidos da América, fixado para venda pelo Banco Central do Brasil para o último dia útil da primeira quinzena do mês anterior ao do pagamento. § 3º Consideram-se despesas médicas os pagamentos relativos à instrução de deficiente físico ou mental, desde que a deficiência seja atestada em laudo médico e o pagamento efetuado a entidades destinadas a deficientes físicos ou mentais. § 4º As despesas de internação em estabelecimento para tratamento geriátrico só poderão ser deduzidas se o referido estabelecimento for qualificado como hospital, nos termos da legislação específica. § 5º As despesas médicas dos alimentandos, quando realizadas pelo alimentante em virtude de cumprimento de decisão judicial ou de acordo homologado judicialmente, Fl. 103DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 2401-007.259 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10768.006368/2008-29 poderão ser deduzidas pelo alimentante na determinação da base de cálculo da declaração de rendimentos (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 3º). A respeito da necessidade de comprovação das despesas médicas, o próprio Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, em seu artigo 73, ressalva que as deduções estão sujeitas à comprovação e, as deduções “exageradas”, podem ser glosadas sem a audiência do contribuinte, conforme a seguir se verifica: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decreto-Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, §3º). §1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto-lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Em suma, as despesas médicas dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda dizem respeito aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, e se limitam a serviços comprovadamente realizados, bem como a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas - CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes - CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento. Mediante uma análise sistemática da legislação, percebe-se que, em regra, o recibo é uma das formas de se comprovar a despesa médica, a teor do que prevê o art. 80, § 1°, III, do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999. Entretanto, havendo dúvidas razoáveis a respeito da legitimidade das deduções efetuadas, inclusive acerca da (a) efetiva prestação do serviço, tendo como beneficiário o declarante ou seu dependente, ou (b) que o pagamento tenha sido realizado pelo próprio contribuinte, cabe à Fiscalização exigir provas adicionais e, ao contribuinte, apresentar comprovação ou justificativa idônea, sob pena de ter suas deduções glosadas. Feitas essas considerações sobre a legislação de regência que trata da situação dos autos, passo a analisar os pontos duvidosos, a fim de solucionar a lide. Conforme consta na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fl. 11), a glosa das deduções com as profissionais Maria Maurity de Fanca Nunes e Elaine da Costa Brinhosa, foi motivada pela fiscalização, em razão da falta de identificação dos beneficiários dos serviços. Em relação às despesas médicas com a profissional Maria Maurity de Fanca Nunes, consta nos autos o(s) seguinte(s) documento(s): (i) declaração de fl. 16; (ii) recibos de fls. 92/93. Já em relação às despesas médicas com a profissional Elaine da Costa Brinhosa, consta nos autos o(s) seguinte(s) documento(s): (i) declaração de fl. 17. A DRJ manteve a glosa pelos motivos elencados abaixo: Beneficiário do pagamento Valor Motivo Maria Maurity de Fanca Nunes 110.400,00 Ausência de CPF, matrícula, profissão e endereço do beneficiário, bem como da natureza do serviço prestado. Elaine da Costa Brinhosa 6.000,00 Ausência de endereço do beneficiário do pagamento. TOTAL: 116.400,00 Fl. 104DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 2401-007.259 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10768.006368/2008-29 Em relação às irregularidades observadas pela fiscalização e ratificadas pela decisão de piso, nos recibos emitidos, entendo que se tratam de irregularidades formais e que não prejudicam a materialidade da referida despesa. No tocante à glosa da despesa com a profissional Maria Maurity de Fanca Nunes, fundamentada pela DRJ com base na ausência de CPF, matrícula, profissão e endereço do beneficiário, bem como da natureza do serviço prestado, entendo que as irregularidades restaram sanadas com a apresentação, no recurso, do recibo da profissional de fls. 92/93. No tocante à glosa da despesa com a profissional Elaine da Costa Brinhosa, fundamentada pela DRJ com base na ausência do endereço do beneficiário do pagamento, entendo que este fato, isoladamente, não é o suficiente para colocar em dúvida que o recorrente foi o beneficiário do serviço prestado. Ademais, em relação à suposta falta de menção do beneficiário do serviço, entendo perfeitamente cabível a interpretação preconizada na Solução de Consulta Interna n° 23 – Cosit, no sentido de presumir que o beneficiário do serviço, cujo recibo foi emitido em seu nome, foi o próprio contribuinte. É de se ver: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF DESPESAS MÉDICAS. IDENTIFICAÇÃO DO BENEFICIÁRIO. São dedutíveis, da base de cálculo do IRPF, as despesas médicas realizadas pelo contribuinte, referentes ao próprio tratamento e de seus dependentes, desde que especificadas e comprovadas mediante documentação hábil e idônea. Na hipótese de o comprovante de pagamento do serviço médico prestado ter sido emitido em nome do contribuinte sem a especificação do beneficiário do serviço, pode- se presumir que esse foi o próprio contribuinte, exceto quando, a juízo da autoridade fiscal, forem constatados razoáveis indícios de irregularidades. No caso de o serviço médico ter sido prestado a dependente do contribuinte, sem a especificação do beneficiário do serviço no comprovante, essa informação poderá ser prestada por outros meios de prova, inclusive por declaração do profissional ou da empresa emissora do referido documento comprobatório. Dispositivos Legais: Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil (CPC), art. 332; Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, art. 8º, inciso II, alínea “a” e § 2º, e Decreto nº 3.000, de 26 de dezembro de 1999 (RIR/1999), art. 80, § 1º, incisos II e III. Assim, ao meu juízo, os documentos acostados aos autos, são suficientes para a comprovação da legalidade da dedução das despesas médicas com as profissionais Maria Maurity de Fanca Nunes, no valor de R$ 110.400,00, e Elaine da Costa Brinhosa, no valor de R$ 6.000,00 (art. 80, § 1º, inciso III, do RIR/99), devendo ser restabelecida as referidas deduções. 5. Do pedido de sustentação oral e intimação pessoal dos patronos. O contribuinte, em seu petitório recursal, protesta pela realização de sustentação oral em plenário, quando do julgamento do recurso, mediante intimação pessoal de seu patrono, sob pena de nulidade. Ademais, requer sejam as intimações e notificações referentes ao presente processo, expedidas em nome do seu advogado. Contudo, trata-se de pleito que não possui previsão legal no Decreto n° 70.235/72, que regulamenta o Processo Administrativo Fiscal, nem mesmo no Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria n° 343/2015, por força do art. 37 do referido Decreto. Fl. 105DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 2401-007.259 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10768.006368/2008-29 Ademais, o art. 23, incisos I a III do Decreto n° 70.235/72, dispõe expressamente que as intimações, no decorrer do contencioso administrativo, serão realizadas pessoalmente ao sujeito passivo e não a seu patrono. A propósito, neste sentido dispõe a Súmula CARF n° 110, a seguir transcrita: Súmula CARF nº 110: No processo administrativo fiscal, é incabível a intimação dirigida ao endereço de advogado do sujeito passivo. Por fim, cabe esclarecer que as pautas de julgamento dos Recursos submetidos à apreciação deste Conselho são publicadas no Diário Oficial da União, com a indicação da data, horário e local, o que possibilita o pleno exercício do contraditório, inclusive para fins de o patrono do sujeito passivo, querendo, estar presente para realização de sustentação oral na sessão de julgamento (parágrafo primeiro do art. 55 c/c art. 58, ambos do Anexo II, do RICARF). Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário para rejeitar as preliminares e, no mérito, DAR-LHE PROVIMENTO, a fim de restabelecer a dedução das despesas médicas com as profissionais Maria Maurity de Fanca Nunes, no valor de R$ 110.400,00, e Elaine da Costa Brinhosa, no valor de R$ 6.000,00 (art. 80, § 1º, inciso III, do RIR/99. É como voto. (documento assinado digitalmente) Matheus Soares Leite Fl. 106DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10425.720380/2012-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 10 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Nov 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR)
Exercício: 2009
INTEMPESTIVIDADE.
É intempestiva a impugnação apresentada após o decurso do prazo de trinta dias, contados da data de ciência do auto de infração, uma vez que não foi instaurada a fase litigiosa do processo administrativo fiscal o que não comporta julgamento quanto às razões de mérito.
Numero da decisão: 2401-007.069
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 10425.720379/2012-82, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. A relatoria foi atribuída ao presidente do colegiado, apenas como uma formalidade exigida para a inclusão dos recursos em pauta, podendo ser formalizado por quem o substituir na sessão.
(documento assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, Jose Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andréa Viana Arrais Egypto, Thiago Duca Amoni (Suplente Convocado) e Miriam Denise Xavier (Presidente).
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER
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É intempestiva a impugnação apresentada após o decurso do prazo de trinta dias, contados da data de ciência do auto de infração, uma vez que não foi instaurada a fase litigiosa do processo administrativo fiscal o que não comporta julgamento quanto às razões de mérito. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 10425.720379/2012-82, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. A relatoria foi atribuída ao presidente do colegiado, apenas como uma formalidade exigida para a inclusão dos recursos em pauta, podendo ser formalizado por quem o substituir na sessão. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier – Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, Jose Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andréa Viana Arrais Egypto, Thiago Duca Amoni (Suplente Convocado) e Miriam Denise Xavier (Presidente). Relatório Cuida-se de julgamento submetido a sistemática dos recursos repetitivos, prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2019, com redação dada pela Portaria MF nº 153, de 17 de abril de 2018. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 42 5. 72 03 80 /2 01 2- 15 Fl. 120DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2401-007.069 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10425.720380/2012-15 Dessa forma, adoto excertos do relatório constante do Acórdão nº 2401-007.067, proferido no âmbito do processo paradigma deste julgamento: Trata-se de Recurso Voluntário interposto em face da decisão Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DRJ/BSB) que julgou integralmente procedente o lançamento tributário. O presente processo trata de Notificação de Lançamento lavrado contra o Contribuinte, para cobrança de Imposto Territorial Rural relativo ao exercício e ao imóvel rural de que trata o lançamento questionado. Assim, tendo o sujeito passivo se eximido de comprovar a área efetivamente utilizada para plantação de produtos vegetais e a área efetivamente utilizada para pastagens, bem como deixado de comprovar por meio de Laudo de Avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.653-3 da Associação Brasileira de Normas Técnicas - ABNT, o valor da terra nua declarado, a fiscalização procedeu, com base nas informações e valores constantes do SIPT, nos termos do art. 10, § 1º inciso I e art. 14 da Lei nº 9.393/1996, a lavratura do auto de infração. Após tentativa via postal, o Contribuinte tomou ciência do lançamento, via edital de folhas e apresentou sua Impugnação às folhas, aduzindo em suma que: A nulidade de sua notificação para a apresentação do Laudo Técnico, até como demonstração de sua completa boa-fé; A via eleita para a sua notificação foi, inicialmente, a posta, nos termos do art. 23, II, do Decreto nº 70.235/72 e, somente, após esta ter se tornado, pretensamente, infrutífera, é que foi realizada a notificação pela via editalícia, nos termos do art. 23, § 1º, do decreto nº 70.235/72, como descrito pela Autoridade Fiscal; A imprestabilidade da via postal eleita foi concluída sob o argumento de que “a intimação não foi recebida, conforme consulta SUCOP em anexo”, o que daria azo a notificação editalícia, ou seja, não se perscrutou acerca da razão do não recebimento da notificação postal, fato este que daria para se verificar se resultou, ou não, improfícuo a permitir a odiosa notificação fictícia por Edital, prevista na legislação; A notificação fictícia por Edital deveria ser utilizada em última hipótese, ademais quando o domicílio do contribuinte já não é, há bastante tempo, aquele para o qual fora enviada a notificação; O simples argumento de que “a intimação não foi recebida”, demonstra o fato inconcusso de que absolutamente ninguém tinha conhecimento da notificação (seja locatário, preposto, empregado, familiar, etc.), ou seja, aqui não é caso de ter sido recebido por terceira pessoa, e ter havido uma eventual culpa in eligendo do contribuinte ao não tomar ciência da notificação, mas sim, e de modo oposto, a correspondência não foi recebida por pessoa Fl. 121DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2401-007.069 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10425.720380/2012-15 nenhuma, sendo factualmente impossível a ciência por parte do contribuinte; Com base no princípio da primazia da realidade, para se considerar resultar improfícuo um dos meios previstos de notificação a autorizar a via editalícia (art. 23, § 1º, do Decreto nº 70.235/72), dever-se-ia, ao menos, dirigir a intimação ao endereço do imóvel, pois, caso diverso, continuaria sem mais ninguém ter o conhecimento da notificação, a exceção da Autoridade Fiscal; Sobre o tema, não existe suporte fático justificador da notificação fictícia por Edital, nos exatos termos do art. 23, § 1º, do Decreto nº 70.235/72, tornando-se aquela inválida e, por isso, é medida de justiça a devolução do prazo para apresentar o Laudo Técnico comprovador da declaração prestada; O Laudo Técnico não foi apresentado naquele primeiro momento, em virtude da nulidade da notificação, esta que não alcançou o seu fim de cientificar o contribuinte, todavia, demonstrando sua boa-fé, vem tempestivamente cumprir sua obrigação acessória de apresentar o Laudo Técnico, subscrito por profissional habilitado e elaborado dentro dos critérios técnico, nos termos da norma vigente; O referido parecer técnico conclui pela correção dos dados declarados e transcreve excertos do Laudo; Corrigida a ausência justificada do Laudo Técnico, este que apresenta todos os dados inexistentes até então, tem-se que não mais subsiste arrimo fático para se conduzir ao lançamento de ofício do imposto por arbitramento, devendo, assim, se acatada a impugnação; Pelo princípio da eventualidade, contesta os valores arbitrados pela fiscalização, por entender ser gritante a falta de diferença de imposto apurada durante ao anos de 2007, 2008, 2009 e 2010, já que por questão notória e lógica, os valores dos bens, notadamente rurais e em área de seca, oscilam bastante, o que, por si só, é forte indício de compreensível equívoco por parte da fiscalização; - O VTN/ha não é, e nem pode ser, o trazido pela fiscalização, pois a terra é encravada em terreno semiárido e de pequeno valor venal, fatos estes, dentre outros, que faz divergir do valor arbitrado; De igual modo, diverge dos dados apurados, notadamente, quanto à suposta inexistência de áreas de cultivo ou pastagem, os quais podem ser comprovados mediante perícia que, desde já, se requer; O percentual aplicado a título de multa, em face do bis in idem existente, posto que a fiscalização aplicou duas multas, a saber: uma moratória (cf. demonstrativo de apuração) e outra punitiva, com fulcro no art. 44, I, da Lei nº 9.430/96 (cf. E demonstrativo de multa e juros de mora), todavia, citado artigo, com redação antiga, Fl. 122DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2401-007.069 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10425.720380/2012-15 vigente à época, manda excluir a multa moratória, e transcreve o artigo; Seja corrigida a aplicação da multa, com a exclusão da multa moratória, em face do bis in idem e da absoluta falta de previsão legal, ademais quando evidente a sua boa-fé; Sempre agiu de boa-fé para com a RFB, não usando de ardil ou artifício, quaisquer que sejam, para omitir informação que viesse a diminuir suas obrigações tributárias, assim, pede que, quando da análise, seja sopesada a sua boa-fé, notadamente quando da aplicação de penalidade pecuniária estabelecida em norma legal, ou qualquer outra sanção decorrente; Alternativamente, em caso de não acolhimento de plano da impugnação, apenas por dever do seu exercício de defesa, pois acredita-se que será acolhida a devolução do prazo e/ou Laudo Técnico preliminar, manifesta a necessidade de realização de perícia, nos termos do art. 16, IV, do Decreto nº 70.235/72, para apurar eventual divergência entre os dados trazidos no Laudo Técnico preliminar apresentado e o entendimento da Autoridade Fiscal, notadamente sob: (1) dimensão das áreas de produtos vegetais; (2) dimensão da área de pastagem; e (3) do VTN. Finaliza sua Impugnação requerendo: O recebimento da impugnação para que surta seus efeitos legais, e que, preferencialmente, seja reconhecida a invalidade da notificação primária, e seja devolvido o prazo para a apresentação de Laudo Técnico; A realização de prova pericial, nos termos do art. 16, IV, do Decreto nº 70.235/72, para se apurar eventual divergência, notadamente quanto as áreas de produtos vegetais, de pastagens e do VTN; Após apuração e análise que seja julgado improcedente o procedimento fiscal, com a revisão/desconstituição do lançamento, ou que, alternativamente, em caso de subsistência, seja reavaliado o cálculo do imposto e, ainda, seja excluída a multa moratória de 75%, em face do bis in idem e da absoluta falta de previsão legal, tudo em conformidade com as razões expostas. Diante da impugnação intempestiva com preliminar de tempestividade, o processo foi encaminhado à DRJ/BSB para julgamento de primeira instância, que, através do Acordão de folhas decidiu pelo não conhecimento da impugnação, impossibilitando a apreciação das razões de mérito. A Contribuinte tomou ciência do Acórdão e interpôs RECURSO VOLUNTÁRIO de folhas, pugnando pela reforma da decisão de primeira instância o que o fez com base nos argumentos já explicitados em sua impugnação administrativa, bem como aduziu preliminarmente que deve Fl. 123DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2401-007.069 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10425.720380/2012-15 ser reconhecida a incompetência territorial da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento - DRJ da 1ª Região Fiscal (Brasília/DF), tendo em vista que o processo é originário do Estado da Paraíba (4ª Região). É o relatório. Voto Conselheira Miriam Denise Xavier, Relatora. Da admissibilidade O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Assim, dele conheço. Das razões recursais Como já destacado, o presente julgamento segue a sistemática dos recursos repetitivos, nos termos do art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do RICARF, e, desta forma, reproduzo o voto consignado no Acórdão nº 2401-007067, da lavra da Conselheira Andréa Viana Arrais Egypto, paradigma desta decisão: Juízo de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado dentro do prazo legal e atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Da Intempestividade da Impugnação Da leitura dos autos depreende-se que a DRJ não conheceu a impugnação apresentada pelo contribuinte, visto que a mesma foi apresentada fora do prazo legal. De toda sorte, nas suas razões recursais o contribuinte assevera que a impugnação foi tempestiva visto que a intimação da notificação de lançamento foi realizada ao arrepio da lei, via edital. Destarte, na presente fase processual cabe analisar a tempestividade da impugnação tendo em vista a intempestividade configurada pela decisão de piso, motivo pelo qual não houve conhecimento da impugnação o que impossibilitou a apreciação das suas razões de mérito. Nesse sentido é importante salientar que a fase litigiosa do processo administrativo se inicia com a impugnação que deve ser apresentada dentro do prazo de trinta dias contados da intimação do contribuinte. Senão, vejamos: Fl. 124DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2401-007.069 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10425.720380/2012-15 Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Com relação à contagem do prazo, a norma processual administrativa assim preceitua: Art. 23. Far-se-á a intimação: I - pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) II - por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) III - por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1º Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado: (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) I - no endereço da administração tributária na internet; (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II - em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) III - uma única vez, em órgão da imprensa oficial local. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) 2° Considera-se feita a intimação: I - na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II - no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) IV - 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) No caso em analise temos constatado que a intimação inicial (Termo de Intimação Fiscal), realizada no domicílio eleito informado pelo contribuinte, restou improfícua, às fls. 21, ela foi realizada pelo Edital nº 03/2012, às fls. 22/23, de 23.02.2012, e, da mesma forma, restando improfícua, por via postal, às fls. 24, a cientificação da Notificação de Lançamento, ela foi realizada pelo Edital nº 06/2012, às fls. 25, de 24.05.2012. Ressalte-se que o Decreto nº 70.235/72 não estabelece ordem de preferência que deva ser seguida para que se realize a intimação por Fl. 125DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 2401-007.069 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10425.720380/2012-15 Edital e tanto isso é verdade que o § 1º do seu art. 23 é expresso ao dizer “Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo...”, assim, basta que um só dos meios tenha sido utilizado e restado improfícuo para que possa ocorrer a intimação por Edital, não obstante entendimento diverso do contribuinte. Dessa forma, provada improfícua a intimação via posta, temos como regular a ciência realizada através da via editalícia. Assim, considera-se realizada a intimação do contribuinte no dia 08/06/2012, expirando-se o prazo para apresentação de impugnação em 10/07/2012. Ocorre que a defesa apresentada pelo interessado foi protocolada na ARFPAT-PB, apenas em 13.12.2012, às fls. 74, portanto, após o término do prazo de 30 (trinta) dias para fazê-la. Dessa forma, ultrapassado o prazo legal, se revela ausente o requisito extrínseco concernente à tempestividade, o que tem como consequência a não instauração da fase litigiosa do processo administrativo fiscal e a declaração da intempestividade da impugnação, conforme bem destacado pela decisão de piso. Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do Recurso Voluntário e NEGO-LHE PROVIMENTO. Conclusão Importa registrar que nos autos em exame a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que, as razões de decidir nela consignadas, são aqui adotadas. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido no acórdão paradigma, no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier – Relatora Fl. 126DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.002929/2004-33
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jan 13 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF)
Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004
IMPOSTO RETIDO MAS NÃO RECOLHIDO. FORMALIZAÇÃO DA EXIGÊNCIA POR MEIO DE AUTO DE INFRAÇÃO.
Considerando que não há prova nos autos de que os débitos ora exigidos estariam abrangidos por REFIS e/ou compensados, deve ser mantido o lançamento fiscal que formaliza exigência referente ao Imposto que consta na escrituração como retido, mas que não foi declarados em DCTF e nem pago.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004
ARGUIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DO ÓRGÃO ADMINISTRATIVO.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004
JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. UTILIZAÇÃO PREVISTA EM LEI.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4).
Numero da decisão: 1402-004.244
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do Recurso Voluntário na parte em que suscitadas alegações de cunho constitucional e, no mérito, negar provimento.
(documento assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Murillo Lo Visco - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Murillo Lo Visco, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Paula Santos de Abreu e Paulo Mateus Ciccone.
Nome do relator: MURILLO LO VISCO
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FORMALIZAÇÃO DA EXIGÊNCIA POR MEIO DE AUTO DE INFRAÇÃO. Considerando que não há prova nos autos de que os débitos ora exigidos estariam abrangidos por REFIS e/ou compensados, deve ser mantido o lançamento fiscal que formaliza exigência referente ao Imposto que consta na escrituração como retido, mas que não foi declarados em DCTF e nem pago. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 ARGUIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DO ÓRGÃO ADMINISTRATIVO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. UTILIZAÇÃO PREVISTA EM LEI. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do Recurso Voluntário na parte em que suscitadas alegações de cunho constitucional e, no mérito, negar provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 29 29 /2 00 4- 33 Fl. 529DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1402-004.244 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.002929/2004-33 (documento assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente (documento assinado digitalmente) Murillo Lo Visco - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Murillo Lo Visco, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Paula Santos de Abreu e Paulo Mateus Ciccone. Fl. 530DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1402-004.244 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.002929/2004-33 Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto pela Contribuinte acima identificada em face do Acórdão nº 16-14.307 (fls. 400 a 406), proferido em 07/08/2007 pela 5ª Turma da DRJ/São Paulo. Por meio do referido Acórdão, o órgão julgador de primeira instância julgou improcedente a Impugnação apresentada pela Contribuinte contra o lançamento fiscal de fls. 275 a 288, em que restou formalizada a exigência de R$ 262.983,92 a título de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) relativo a fatos ocorridos nos anos de 1999 a 2004, acrescida de multa de ofício de 75% e dos juros de mora legais devidos à época do pagamento. No Termo de Verificação Fiscal (fls. 70 a 72), a Autoridade autuante esclarece que o lançamento foi efetuado a partir da escrituração da Interessada, e abrangeu valores do Imposto que deixaram de ser retidos (caso em que se procedeu ao reajustamento da base de cálculo, conforme demonstrativo de fl. 73); e débitos do Imposto que constam na escrituração como retidos, mas que não foram declarados em DCTF e nem pagos (demonstrativo de fls. 88 a 92). Depois de cientificada do lançamento, a Contribuinte apresentou a Impugnação de fls. 293 a 298, em que alegou, preliminarmente, que o Auto de Infração é nulo porque foi lavrado sem o indispensável contraditório. No mérito, concordou com a maior parte da exigência referente aos valores do Imposto que deixaram de ser retidos (demonstrativo de fl. 73), discordando apenas da exigência de R$ 4.475,00 a título de IRRF incidente sobre juros pagos a Maristela G. Almeida. Sobre essa exigência, afirmou que “não incidiu IRRF, no montante dos R$ 4.475,00 apontados pela fiscalização, pois não ocorreu pagamento de juros”. Quanto à exigência referente a débitos do Imposto que constam na escrituração como retidos, mas que não foram declarados em DCTF e nem pagos (demonstrativo de fls. 88 a 92), a Recorrente alegou que esses débitos foram compensados. Em sede de julgamento de primeira instância, a DRJ rejeitou a preliminar de nulidade do lançamento e manteve integralmente o lançamento. Para fundamentar sua decisão, o órgão julgador de primeira instância destaca que os débitos que a Contribuinte alega ter compensado não correspondem às diferenças abrangidas pelo lançamento e, quanto ao IRRF sobre juros pagos em operação de mútuo, a DRJ esclarece que, diversamente do que alega a Contribuinte, “consta no relatório fiscal que na conta contábil n° 2126003 da empresa, há o registro, em 31/12/1999, do pagamento de juros, no valor R$ 22.375,01, a Maristela G. Almeira (sic)”. Contra o Acórdão da DRJ, a Contribuinte apresentou o Recurso Voluntário ora sob exame, em que inicialmente discorre longamente sobre o prazo para pleitear restituição de tributo indevido. Na sequência, alega que não merece acolhida a alegação da fiscalização de que a Contribuinte não teria comprovado a origem de seus créditos. Passando a abordar efetivamente a matéria abrangida no presente caso, a Recorrente alega que não pagou juros a Maristela G. Almeida, tendo tão somente feito uma provisão. Fl. 531DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1402-004.244 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.002929/2004-33 Quanto aos demais valores exigidos, alega que, embora em sua contabilidade tenha escriturado débitos de IRRF com códigos de receita 1078 – IRRF remuneração serviços prestados pessoa jurídica; 3280 – IRRF remuneração a cooperativas; 8045 – IRRF Outros Rendimentos; e 0561 – IRRF Aluguéis, no Auto de Infração a fiscalização lançou IRRF do código 2932, desconsiderando os recolhimentos efetuados sob os demais códigos, incorrendo em bis in idem. Alega, ainda, a Recorrente que “os períodos apontados pelo douto Agente Fiscal, estão no REFIS e/ou compensados, que foi ignorado pelo Auto de Infração”, e informa que está anexando documentos que comprovam essa alegação. Mais adiante, a Recorrente se insurge contra a utilização da taxa Selic para fins de cálculo dos juros de mora, e alega que é inconstitucional a fixação de taxa de juros em valor superior a 12% ao ano. Alega, ainda que a multa de ofício produz efeito de confisco, em afronta ao princípio constitucional. Em outra passagem de sua defesa, a Recorrente alega que houve supressão de instância, sem, no entanto, apontar a razão que a leva a fazer tal afirmação. Também em outro momento, dá a entender que o lançamento foi efetuado por meio do emprego de presunção. No capítulo das conclusões, apresenta longas considerações sobre o papel do Judiciário, a exemplo do que se encontra no seguinte excerto: Na verdade tem se notado que está ocorrendo um controle interno das decisões judiciais, que só responde aos interesses de elites econômicas e sobretudo DOS GOVERNOS QUE PRETENDEM RESTRINGIR AOS ÓRGÃOS DE COPULA DO JUDICIÁRIO DECISÕES DE CONFLITOS QUE INTERESSEM À TÃO PROPALADA GOVERNABILIDADE, QUE QUASE SEMPRE ESCONDE DESRESPEITO À CONSTITUIÇÃO E AOS PRINCÍPIOS QUE REGEM A ORDEM DEMOCRÁTICA. Espera-se que seja possível realizar uma democratização do Judiciário, de modo a resgatar a noção daquele Poder como serviço público — ou seja, SERVIÇO AO PUBLICO. Uma reforma digna deste nome deve ser baseada na premissa de que o Judiciário deve prestar contas à população e bem servi-la. Aliás, não sendo para isto, nenhum poder encontra legitimação material no Estado Democrático de Direito. ASSIM, É INDISPENSÁVEL ESSA REFORMA DE MENTALIDADE PARA QUE O SISTEMA JUDICIÁRIO NÃO SEJA, COMO DENUNCIOU MARCEL CAMUS "UMA FORMA LEGAL DE PROMOVER INJUSTIÇAS." Diante de tais fatos, a r. decisão de primeira instância deve ser reformada. Adiante, no capítulo dos pedidos, a Recorrente requer “o expurgo de todos os valores indevidamente lançados como base de cálculo de tributação e omissão de receitas, vez que comprovados os gastos/despesas que provam os documentos juntados”. Fl. 532DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 1402-004.244 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.002929/2004-33 Por fim, a Recorrente afirma “que é um contribuinte que faz as suas declarações habituais e sempre concisas, e isto posto, espera pela decisão sensata e equânime, senão pela relevação das multas aplicadas e reconsideração ao auto de infração, e assim, ser-lhe restituída a tão procurada e almejada JUSTIÇA!”. Protesta, também, pela “juntada posterior de novos documentos com a finalidade de expungir valores erroneamente atribuídos na consolidação dos valores apontados pela douta fiscalização”. É o relatório. Fl. 533DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 1402-004.244 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.002929/2004-33 Voto Conselheiro Murillo Lo Visco – Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos legais, razão pela qual dele conheço. Conforme relatado, trata o presente processo de lançamento de ofício de Imposto de Renda que na escrituração contábil da Recorrente consta como retido, mas que não foi declarado em DCTF e nem recolhido. Além disso, também foi lançado Imposto de Renda que a Recorrente deixou de reter relativamente a pagamentos que realizou. Portanto, não serão aqui apreciadas alegações referentes a matérias estranhas ao caso, como prazo para pleitear restituição de tributos indevidos e omissão de receitas. Também cabe ressaltar que este Colegiado não tem competência para se manifestar sobre as considerações acerca do papel do Judiciário. Quanto aos pedidos de relevação das multas aplicadas e de reconsideração do auto de infração, devem ser indeferidos por absoluta ausência de previsão legal. Quanto à alegação de que houve supressão de instância, também não há que se fazer qualquer análise a esse respeito, afinal, a Recorrente não expôs a razão que a levou a fazer tal afirmação. Quanto à alegação de que o lançamento foi efetuado por meio do emprego de presunção, de se dizer apenas que não é o que se verifica no presente caso, em que os valores lançados foram extraídos da própria escrituração contábil da Recorrente. Quanto ao pedido de produção de provas, cumpre esclarecer que, diferentemente do rito comum ordinário previsto pelo Código de Processo Civil, no Processo Administrativo Fiscal federal não há uma fase de instrução probatória, autônoma, posterior à fase postulatória, razão pela qual indefiro o pedido. Feitas essas observações, passo à análise das questões relevantes para o deslinde do presente caso. IRRF sobre juros pagos em operação de mútuo Quanto ao IRRF incidente sobre juros pagos em operação de mútuo, a Recorrente reitera a alegação de que o tributo não é devido porque não pagou juros a Maristela G. Almeida, tendo tão somente feito uma provisão, nos seguintes termos: O mútuo de Maristela G. de Almeida, de R$ 4.475,00, não foi pago juros sobre o mútuo, mas houve provisionamento do pagamento do principal, apenas, havendo uma confusão de interpretação do Fisco que na dúvida, não poderia ter lançado e mantido a multa e impostos neste quesito. Na contabilidade de 31.12.1999 foi contabilizado a titulo de atualização de empréstimo no valor de R$ 22.375,01 e não retido o IRRF, porque trata-se de atualização sem pagamento de qualquer numerário. A presunção fiscal inadvertida não pode prevalecer neste sentido e deve ser retirado do imposto e multas devidas, o que desde já requer. Fl. 534DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 1402-004.244 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.002929/2004-33 Primeiramente, há que se afastar a tese de que o lançamento teria se fundado em mera presunção, quando a própria Recorrente reconhece que creditou juros em favor de terceiro em sua contabilidade. Quanto à alegação de que o Imposto não seria devido, deve-se esclarecer que, para os efeitos da tributação, o fato gerador do IRRF é o pagamento ou crédito dos juros, de modo que torna-se irrelevante o fato de que, no momento do registro da obrigação de pagar a crédito em conta de passivo, não tenha havido o efetivo pagamento. Aliás, se a obrigação de pagar é registrada contra a despesa de juros, isso se dá justamente porque ainda não chegou o momento do efetivo desembolso. Ou a contrapartida do registro a débito da despesa com juros se dá a crédito do ativo (porque ocorreu o pagamento), ou a crédito do passivo (porque ocorreu o registro da obrigação de pagar). É uma coisa ou outra. Por isso mesmo, para a legislação do IRRF, o fato gerador é o pagamento dos juros ou o crédito da obrigação de pagar os juros. Ante o exposto, mantenho a exigência de R$ 4.475,00 a título de IRRF incidente sobre juros creditados a Maristela G. de Almeida. IRRF escriturado mas não declarado e nem recolhido Quanto aos demais valores exigidos (que constam na escrituração como retidos, mas que não foram declarados em DCTF e nem pagos), a Recorrente alega que, embora em sua contabilidade tenha escriturado débitos de IRRF com códigos de receita 1078 – IRRF remuneração serviços prestados pessoa jurídica; 3280 – IRRF remuneração a cooperativas; 8045 – IRRF Outros Rendimentos; e 0561 – IRRF Aluguéis, no Auto de Infração a fiscalização lançou IRRF do código 2932, desconsiderando os recolhimentos efetuados sob os demais códigos, incorrendo em bis in idem. Sobre esse ponto, é preciso esclarecer que todos os débitos referentes aos códigos de receita 1078, 3280, 8045 e 0561, que encontravam-se escriturados e não pagos e nem declarados, foram levados ao Auto de Infração e reunidos sob um único código, o 2932, por uma simples questão de praticidade. Vale dizer, esse código 2932 existe para isso mesmo, e não por acaso sua descrição no site da RFB é: Portanto, se a acusação da fiscalização é justamente no sentido de que, em relação a esses registros contábeis de Imposto retido, não havia pagamento e nem declaração em DCTF, não haveria mesmo que se fazer qualquer dedução de “recolhimentos efetuados sob os demais códigos”. Agora, se, de fato, há recolhimentos referentes a esses débitos específicos (listados no demonstrativo de fls. 88 a 92, caberia à Recorrente identificá-los. E quanto à alegação de que há a Recorrente anexou documentos que comprovam que esses débitos estariam abrangidos por REFIS e/ou compensados, novamente caberia à Recorrente identificar cada um deles, relacionando-os aos documentos juntados. Aliás, diferentemente do que parece ser o entendimento da Recorrente, a atividade de “provar” não se limita a simplesmente juntar documentos aos autos. Nos casos em que se tem inúmeros registros, provar significa associar registros e documentos de forma individualizada. Fl. 535DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 1402-004.244 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.002929/2004-33 Ainda assim, compulsando-se os documentos juntados pela Recorrente às fls. 483 a 525, verifica-se que os débitos que teriam sido compensados ou parcelados em Refis não coincidem com os que foram abrangidos pelo Auto de Infração. A título de exemplo, reproduzo abaixo o documento trazido pela Recorrente com informação de um débito que teria sido incluído no Refis, e a parte do demonstrativo elaborado pela fiscalização referente ao mesmo período: Fl. 536DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 1402-004.244 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.002929/2004-33 Como se nota, a Recorrente juntou documento com o fim de comprovar que o débito de R$ 7.028,57, do código 1708 e competência 12/1999 estaria incluído no Refis. No entanto, em análise a toda a listagem elaborada pela fiscalização com débitos dessa natureza referente ao mesmo período (12/1999), verifica-se que aquele débito alegadamente incluído no Refis não integra o lançamento ora combatido. Portanto, ao contrário do que alegou a Recorrente, não há prova nos autos de que os débitos ora exigidos estariam abrangidos por REFIS e/ou compensados, razão pela qual voto no sentido de manter o lançamento fiscal. Taxa Selic Em sua peça de defesa, a Recorrente também se insurge contra a utilização da taxa Selic para fins de cálculo dos juros de mora. Quanto a essa questão, compre apenas destacar que a jurisprudência deste Conselho é pacífica no sentido da validade da utilização da taxa Selic, e cristalina nesse sentido é a Súmula CARF nº 4, vinculante, abaixo reproduzida: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Fl. 537DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 1402-004.244 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.002929/2004-33 Alegações de inconstitucionalidade de lei tributária Por fim, a Recorrente alega que é inconstitucional a fixação de taxa de juros em valor superior a 12% ao ano, e também que a multa de ofício aplicada produz efeito de confisco, em afronta ao princípio constitucional. Quanto a essas alegações, cumpre esclarecer que o CARF não tem competência para apreciar arguições de inconstitucionalidade de normas, como bem esclarece a Súmula CARF nº 2, abaixo reproduzida: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Conclusão Ante o exposto, voto no sentido de não conhecer das matérias de cunho constitucional suscitadas pela Recorrente, e de negar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (documento assinado digitalmente) Murillo Lo Visco Fl. 538DF CARF MF
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Numero do processo: 10845.004080/2003-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jan 06 00:00:00 UTC 2020
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1998
IMUNIDADE. REQUISITOS PARA GOZO DO BENEFÍCIO. APLICAÇÃO DE RECURSOS EM ATIVIDADE ESTRANHAS AO OBJETO SOCIAL.
Para o gozo da imunidade, as instituições de educação estão obrigadas a aplicar integralmente seus recursos na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais.
REMUNERAÇÃO DE DIRIGENTES.
A atribuição de recursos, benefícios indiretos ou vantagens a dirigentes da entidade, a qualquer titulo, inclusive pelo exercício de cargo de direção na entidade mantida, caracteriza ofensa a requisitos para fruição da imunidade.
CONTABILIDADE INEXATA.
É da essência da imunidade a comprovação das operações da entidade, dos seus ingressos e dispêndios, de forma clara e cristalina, sem rodeios.
As irregularidades apontadas pelo Fisco não foram objetivamente rechaçadas pela entidade.
Numero da decisão: 1301-004.199
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar o pedido de perícia, e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
José Eduardo Dornelas Souza - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Rogério Garcia Peres, Giovana Pereira de Paiva Leite, Lucas Esteves Borges, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente).
Nome do relator: JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA
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REQUISITOS GOZO BENEFÍCIO Recorrente ASSOCIAÇÃO EDUCACIONAL DO LITORAL SANTISTA AELIS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1998 IMUNIDADE. REQUISITOS PARA GOZO DO BENEFÍCIO. APLICAÇÃO DE RECURSOS EM ATIVIDADE ESTRANHAS AO OBJETO SOCIAL. Para o gozo da imunidade, as instituições de educação estão obrigadas a aplicar integralmente seus recursos na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais. REMUNERAÇÃO DE DIRIGENTES. A atribuição de recursos, benefícios indiretos ou vantagens a dirigentes da entidade, a qualquer titulo, inclusive pelo exercício de cargo de direção na entidade mantida, caracteriza ofensa a requisitos para fruição da imunidade. CONTABILIDADE INEXATA. É da essência da imunidade a comprovação das operações da entidade, dos seus ingressos e dispêndios, de forma clara e cristalina, sem rodeios. As irregularidades apontadas pelo Fisco não foram objetivamente rechaçadas pela entidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar o pedido de perícia, e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 5. 00 40 80 /2 00 3- 45 Fl. 148DF CARF MF Processo nº 10845.004080/200345 Acórdão n.º 1301004.199 S1C3T1 Fl. 149 2 (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Rogério Garcia Peres, Giovana Pereira de Paiva Leite, Lucas Esteves Borges, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte acima identificado contra o acórdão 1611.964, proferido pela 7ª Turma da DRJ/SPO1, que, ao apreciar a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo contribuinte, entendeu, por unanimidade de votos, julgála improcedente. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório proferido por ocasião do julgamento da primeira instância, a seguir transcrito: A contribuinte em epígrafe, submetida a procedimento de fiscalização, foi cientificada, em 24/10/2003, de notificação fiscal para suspensão da imunidade, na condição de instituição de ensino, relativamente ao anocalendário 1998 (fls. 11 e 12). 2. Com base no art. 170, § 3°, do RIR/1999, a autoridade fiscal constatou o não cumprimento de alguns dos requisitos legais para o gozo da imunidade, tal como explicitado na notificação acima mencionada. 3. Em suma, informa que a contribuinte, por meio de contrato de mútuo, realizou empréstimos à sócia Maria Ottilia Pires Lanza, conforme Livro Razão (conta 2011101), no valor total de R$ 318.211,52. 4. Além das divergências numéricas existentes na escrita contábil da empresa e na declaração de rendimento da diretora presidente, constata a autoridade fiscal que não houve o pagamento de juros em beneficio da sociedade. 5. Ademais, o empréstimo à diretorapresidente referese a repasse de parte de empréstimo financeiro tomado pela empresa junto ao Banco Sudameris S/A, em 1996, cujos juros foram pagos pela empresa. 6. Conclui que a contribuinte não observou os incisos I e II, do art. 169 do RIR/1999 que veda as entidades imunes distribuírem parcela do seu patrimônio ou de suas rendas a qualquer titulo e Fl. 149DF CARF MF Processo nº 10845.004080/200345 Acórdão n.º 1301004.199 S1C3T1 Fl. 150 3 deixarem de aplicar seus recursos integralmente no Pais, na manutenção dos seus objetivos institucionais. 7. Contra a referida notificação fiscal, a pessoa jurídica apresentou suas alegações em 17/11/2003 (fls. 13 e 14), como abaixo reproduzimos: 7.1 Afirma a empresa que em virtude da impossibilidade de contrair empréstimo junto ao Banco Sudameris Brasil S/A, por falta de Certidão Negativa de Débitos (CND), necessitou da sócia Maria Ottilia Pires Lanza para garantir a operação financeira. A diretorapresidente hipotecou todos os seus bens imóveis em garantia do financiamento. 7.2 Frente As suas necessidades financeiras pessoais, a sócia citada pactuou com a contribuinte um repasse de 1/3 do financiamento obtido pela sociedade, conforme cópia do Contrato Particular de Mútuo com Abertura de Crédito em Conta Corrente em anexo. 7.3 Refuta ainda as criticas da autoridade fiscal A sua escrita contábil. Aduz que o pagamento de R$ 81.800,00 efetuado pela sócia no anocalendário de 1998 não necessitava ser informado na declaração de rendimentos. 7.4 Ademais, os valores de R$ 516.863,76 e R$ 753.275,28, os quais constam na escrita contábil, correspondem aos saldos da conta corrente de mútuo em 31/12/1997 e 31/12/1998, e foram informadas pelos associados nas declarações de rendimentos. 7.5 Por fim, quanto aos juros, declara que foram considerados em cláusula especifica do contrato de mútuo e não foram registrados contabilmente no exercício de 1998. 8. Em 04/12/2003, a Delegacia da Receita Federal em Santos, exarou decisão, com base no art. 12 da Lei no 9.532/1997, que não reconheceu as alegações da contribuinte, bem como das provas apresentadas, exarando logo em seguida, o Ato Declaratório Executivo n° 64, suspendendo a imunidade no ano calendário de 1998 (fls. 38). Em suma, além das inúmeras inexatidões contábeis, entendeu que o suposto empréstimo aos associados configura hipótese de remuneração de dirigentes e desvio de recursos financeiros dos objetivos institucionais. 9. 0 referido ato declaratório executivo foi publicado no Diário Oficial da União em 12/12/2003 e cientificado A entidade em 26/12/2003 (fl. 39 e 40). 10. Em sua defesa contra o Ato Declaratório suspensivo da isenção (fls. 43 a 50) alega, em síntese, o que segue: 10.1 Aduz que a simples existência de empréstimo não equivale A remuneração de dirigentes por serviços prestados, mesmo porque a remuneração pressupõe acréscimo patrimonial. No caso presente, isto não ocorre, visto que se trata de contrato de Fl. 150DF CARF MF Processo nº 10845.004080/200345 Acórdão n.º 1301004.199 S1C3T1 Fl. 151 4 empréstimo legalmente formalizado, que por sua própria natureza resultará no retorno do valor para a entidade. 10.2 Afirma que está previsto no contrato o pagamento de juros, taxa de 22% ao ano. 10.3 Assevera que a autoridade fiscal não indicou quais são as formalidades extrínsecas e intrínsecas necessárias A formalização do contrato de mútuo. 10.4 Fustiga o argumento exposto pela autoridade quanto à não observância de princípios contábeis quando da escrituração das receitas e despesas. Alega que não restou demonstrado qualquer equivoco da escrita contábil da entidade. 10.5 Por fim, entende que não merece prosperar a acusação de falta de aplicação integral de recursos na manutenção de seus objetivos sociais, pois o empréstimo para os associados tem como função última viabilizar a obtenção de empréstimo para a entidade. 10.6 Requer, com base no exposto, a realização de perícia e o reconhecimento da imunidade que legalmente goza a impugnante. Naquela oportunidade, a r.turma julgadora entendeu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade apresentada, conforme sintetizado pela seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1998 IMUNIDADE. REQUISITOS PARA GOZO DO BENEFÍCIO. APLICAÇÃO DE RECURSOS EM ATIVIDADE ESTRANHAS AO OBJETO SOCIAL. Para o gozo da imunidade, as instituições de educação estão obrigadas a aplicar integralmente seus recursos na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais. REMUNERAÇÃO DE DIRIGENTES. A atribuição de recursos, benefícios indiretos ou vantagens a dirigentes da entidade, a qualquer titulo, inclusive pelo exercício de cargo de direção na entidade mantida, caracteriza ofensa a requisitos para fruição da imunidade. CONTABILIDADE INEXATA. É da essência da imunidade a comprovação das operações da entidade, dos seus ingressos e dispêndios, de forma clara e cristalina, sem rodeios. As irregularidades apontadas pelo Fisco não foram objetivamente rechaçadas pela entidade. Fl. 151DF CARF MF Processo nº 10845.004080/200345 Acórdão n.º 1301004.199 S1C3T1 Fl. 152 5 Solicitação Indeferida Ciente do acórdão recorrido, e com ele inconformado, a recorrente apresentou, tempestivamente, recurso voluntário, através de representante legal, pugnando pelo provimento, onde apresenta argumentos que serão a seguir analisados. É o relatório. Voto Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, Relator O recurso apresentado pela empresa autuada é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/1972. Portanto, dele conheço. Como relatado, em procedimento de fiscalização, o Contribuinte foi cientificado em 24/10/2003 de notificação fiscal para suspensão da imunidade na condição de instituição de ensino, relativamente ao anocalendário 1998 (fls. 13 e 14). Contra a referida notificação fiscal, a pessoa jurídica apresentou suas alegações (fls. 13 e 14), sendo elas apreciadas pela Delegacia da Receita Federal em Santos, que não reconheceu as alegações e as provas da contribuinte, exarando em seguida, o Ato Declaratório Executivo n° 64, que suspendeu a imunidade no anocalendário de 1998 (fls. 38). Em suma, além das inúmeras inexatidões contábeis, entendeu que o suposto empréstimo aos associados configura hipótese de remuneração de dirigentes e desvio de recursos financeiros dos objetivos institucionais. Irresignado, o Contribuinte apresentou defesa, cujas razões foram apreciadas pela DRJ/SPOI, rejeitandoas. Cientificado, o Contribuinte apresenta recurso, renovando suas alegações, sem apresentar documentos adicionais. PRELIMINARES No que tange ao pedido de perícia contábil, da mesma forma que o voto condutor de 1ª Instância, penso ser desnecessária sua realização, explico: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pelo art. 1.º da Lei n.º 8.748/1993) § 1.º. Deferido o pedido de perícia, ou determinada de ofício, sua realização, a autoridade designará servidor para, como perito da União, a ela proceder e intimará o perito do sujeito passivo a realizar o exame requerido, cabendo a ambos apresentar os respectivos laudos em prazo que será fixado segundo o grau de Fl. 152DF CARF MF Processo nº 10845.004080/200345 Acórdão n.º 1301004.199 S1C3T1 Fl. 153 6 complexidade dos trabalhos a serem executados. (Redação dada pelo art. 1.º da Lei n.º 8.748/93) § 2.º. Os prazos para realização de diligência ou perícia poderão ser prorrogados, a juízo da autoridade. (Redação dada pelo art. 1.º da Lei n.º 8.748/1993) § 3.º. Quando, em exames posteriores, diligências ou perícias, realizados no curso do processo, forem verificadas incorreções, omissões ou inexatidões de que resultem agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência, será lavrado auto de infração ou emitida notificação de lançamento complementar, devolvendose, ao sujeito passivo, prazo para impugnação no concernente à matéria modificada. (Redação dada pelo art. 1.º da Lei n.º 8.748/1993) (negritouse e grifouse) Pois bem, sabidamente, perícias prestamse a munir os julgadores de informações e conhecimentos técnicos especializados e específicos que lhes permitam formar convicção para prolatar decisões, não implicando, porém, em qualquer nulidade, eventual negativa em deferir o pedido da contribuinte para sua realização. Nessa linha: DILIGÊNCIA LIVRE CONVENCIMENTO DO JULGADOR O simples fato de ter o contribuinte, com alegações de mérito estranhas ao lançamento, solicitado o cancelamento do auto não é suficiente para que se promova diligência. A diligência pode ser promovida para o melhor convencimento do julgador, se remanescer dúvida diante dos fatos presentes nos autos. (1º Conselho de Contribuintes / 8ª. Câmara / ACÓRDÃO n.º 108 06.561 de 19/06/2001, publicado no D.O.U de 28/08/2001) Doutrinariamente, a posição de Antonio Airton Ferreira (disponível no site www.fiscosoft.com.br) citado por Gilson Wessler Michels, in “PAF – Processo Administrativo Fiscal – litigância tributária no contencioso administrativo – Cenofisco – São Paulo – 1ª reimpressão – 2018 – pg. 275”: “PERÍCIA – DEFERIMENTO COMO PRERROGATIVA DO JULGADOR: A perícia não integra o rol dos direitos subjetivos do autuado. A perícia é prova de caráter especial, cabível nos casos em que a interpretação dos fatos demanda juízo técnico. Todavia, ela não integra o rol dos direitos subjetivos do autuado, podendo o julgador, se justificadamente entendêla prescindível, não acolher o pedido”. Concretamente, a Turma Julgadora de 1º Grau entendeu desnecessário tal procedimento, posição que este Relator avaliza e mantém por considerar que os autos contemplam todas as informações exigidas para que seu julgamento prossiga, de modo que rejeitase o pedido de perícia/diligência requerido pela contribuinte. Desse modo, ainda que o dispositivo legal faça menção à “autoridade julgadora de primeira instância”, penso que a medida pode ser apreciada, se mantidos os mesmos aspectos fáticos e de direito, pelo Colegiado de 2º Piso. Fl. 153DF CARF MF Processo nº 10845.004080/200345 Acórdão n.º 1301004.199 S1C3T1 Fl. 154 7 Nessa linha, assim como alinhavado pela Turma a quo, vejo a desnecessidade da conversão do julgamento em diligência ou perícia posto que tal desiderato só se revela necessário para elucidar pontos duvidosos que requeiram conhecimento técnico especializado para o deslinde de questão controversa, não se justificando, porém, quando carreados aos autos elementos suficientes para formar a convicção do julgador, como ocorre no caso presente. Ademais, a recorrente teve tempo mais que suficiente para acostar documentos ou aduzir ponderações não só nos anos em que esteve sob ação fiscal, como na impugnação original e no recurso dirigido ao CARF. Pelas razões acima, evidencia ser prescindível a conversão deste julgamento em diligência ou em perícia, motivo pelo a decisão a quo não merece reparos. IMUNIDADE A lide ora apresentada para julgamento gira em torno do contrato de empréstimo firmado com o Banco Sudameris do Brasil S/A, bem como o repasse de parte do recurso financeiro obtido para três associados da instituição de educação. Discutese se o contrato de mútuo firmado seria uma simulação, a ocultar uma real remuneração de dirigente por serviços prestados e o desvio de recursos financeiros dos objetivos institucionais. Por concordar com os fundamentos utilizados pela decisão recorrida, adoto os e transcreveos a seguir, em conformidade com o que prevê o art. 50, §1º da Lei n. 9.784/99: Recepcionado que foi pela Constituição da República de 1988, como lei complementar, nos moldes do art. 146, inciso II, desta mesma Constituição, o Código Tributário Nacional CTN, assim dispõe no seu art. 14: "Art. 14. O disposto na alínea c do inciso IV do artigo 9° é subordinado observância dos seguintes requisitos pelas entidades nele referidas: I — não distribuírem qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, a titulo de lucro ou participação no seu resultado; (Redação que existiu até 09/01/2001) II aplicarem integralmente, no Pais, os seus recursos na manutenção • dos seus objetivos institucionais; Ill manterem escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão. § 1° Na falta de cumprimento do disposto neste artigo, ou no § 10 do artigo 9°, a autoridade competente pode suspender a aplicação do beneficio." Em seguida, devese transcrever os arts. 12 e 13 da Lei n° 9.532/1997, que dispõem sobre os requisitos necessários para gozo da imunidade: Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10845.004080/200345 Acórdão n.º 1301004.199 S1C3T1 Fl. 155 8 Art. 12. Para efeito do disposto no art. 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição, considerase imune a instituição de educação ou de assistência social que preste os serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos. § 2° Para o gozo da imunidade, as instituições a que se refere este artigo, estão obrigadas a atender aos seguintes requisitos: a) não remunerar, por qualquer forma, seus dirigentes pelos serviços prestados; b) aplicar integralmente seus recursos na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais; c) manter escrituração completa de suas receitas e despesas em livros revestidos das formalidades que assegurem a respectiva exatidão . d) conservar em boa ordem, pelo prazo de cinco anos, contado da data da emissão, os documentos que comprovem a origem de suas receitas e a efetivação de suas despesas, bem assim a realização de quaisquer outros atos ou operações que venham a modificar sua situação patrimonial; e) apresentar, anualmente, Declaração de Rendimentos, em conformidade com o disposto em ato da Secretaria da Receita Federal; f) recolher os tributos retidos sobre os rendimentos por elas pagos ou creditados e a contribuição para a seguridade social relativa aos empregados, bem assim cumprir as obrigações acessórias dai decorrentes; g) assegurar a destinação de seu patrimônio a outra instituição que atenda às condições para gozo da imunidade, no caso de incorporação, fusão, cisão ou de encerramento de suas atividades, ou a órgão público; h) outros requisitos, estabelecidos em lei especifica, relacionados com 110 o funcionamento das entidades a que se refere este artigo. § 3º Considerase entidade sem fins lucrativos a que não apresente superávit em suas contas ou, caso o apresente em determinado exercício, destine referido resultado, integralmente, à manutenção e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais. Art. 13. Sem prejuízo das demais penalidades previstas na lei, a Secretaria da Receita Federal suspenderá o gozo da imunidade a que se refere o artigo anterior, relativamente aos anos calendários em que a pessoa jurídica houver praticado ou, por qualquer forma, houver contribuído para a prática de ato que constitua infração a dispositivo da legislação tributária, especialmente no caso de informar ou declarar falsamente, omitir ou simular o recebimento de doações em bens ou em Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10845.004080/200345 Acórdão n.º 1301004.199 S1C3T1 Fl. 156 9 dinheiro, ou de qualquer forma cooperar para que terceiro sonegue tributos ou pratique ilícitos fiscais. Parágrafo único. Considerase, também, infração a dispositivo da legislação tributária o pagamento, pela instituição imune, em favor de seus associados ou dirigentes, ou, ainda, em favor de sócios, acionistas ou dirigentes de pessoa jurídica a ela associada por qualquer forma, de despesas consideradas indedutiveis na determinação da base de cálculo do imposto sobre a renda ou da contribuição social sobre o lucro liquido. Por sua vez, a Instrução Normativa do Secretário da Receita Federal SRF n° 113, de 21/09/1998, tendo em vista as disposições dos arts.12 a 14 da Lei n° 9.532 / 1997, assim determinou: "Art. 1° As instituições que prestem serviços de ensino pré escolar, fundamental, médio e superior, atendidas condições referidas nesta Instrução Normativa, poderão usufruir da imunidade relativa a seu patrimônio, renda e serviços, assegurada pelo art. 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição não se lhes aplicando a hipótese de isenção. Art. 2° Considerase imune a instituição de educação que preste os serviços, referidos no artigo anterior, à população em qeral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos. Parágrafo único. A imunidade não se aplica quanto às contribuições para o PIS/PASEP e para a seguridade social CORNS, de que tratam, respectivamente, a Medida Provisória n° 1.676, de 1998, e a Lei Complementar n° 70, de 30 de dezembro de 1991. Rendimentos de Aplicações Financeiras Art. 3° Não estão abrangidos pela imunidade os rendimentos e ganhos de capital, auferidos pelas instituições de educação, em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável, os quais serão tributados segundo as normas da legislação vigente. Parágrafo único. Os rendimentos e ganhos líquidos decorrentes de aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável serão tributados segundo as mesmas normas aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Dirigentes Art. 4° Para qozo da imunidade, as instituições imunes de que trata o art. 1° não podem remunerar, por qualquer forma, seus dirigentes pelos serviços prestados. § 1° Para efeito do disposto neste artigo, entendese como dirigente a pessoa física que exerça função ou cargo de direção da pessoa jurídica, com competência para adquirir direitos e assumir obrigações em nome desta, interna ou externamente, Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10845.004080/200345 Acórdão n.º 1301004.199 S1C3T1 Fl. 157 10 ainda que em conjunto com outra pessoa, nos atos em que a instituição seja parte. § 2° Não se considera dirigente a pessoa física que exerça função ou cargo de gerência ou de chefia interna na pessoa jurídica. § 3° A instituição que atribuir remuneração, a qualquer titulo, a seus dirigentes, por qualquer espécie de serviços prestados, inclusive quando não relacionados com a função ou o cargo de direção, infringe o disposto no caput, sujeitandose à suspensão do gozo da imunidade. § 4° As pessoas a que se refere o § 2° podem ser atribuídas remunerações, tanto em relação à função ou cargo de gerência, quanto a outros serviços prestados à instituição. Aplicação de Recursos Art. 5° Para gozo da imunidade, a instituição deve aplicar integralmente seus recursos na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais. Parágrafo único. Os recursos auferidos pela instituição devem ser aplicados integralmente na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos sociais no Pais, sob pena de suspensão do gozo da imunidade. Escrituração Art. 6° A instituição imune deve manter escrituração completa de suas receitas e despesas em livros revestidos das formalidades que assegurem a respectiva exatidão, para comprovação perante a Secretaria da Receita Federal. Com base nos dispositivos legais acima, cabe refutar, em primeiro lugar, a argumentação quanto à falta de demonstração dos equívocos da escrita contábil da entidade. A Delegacia da Receita Federal de Santos foi minuciosa na explicação das falhas nos lançamentos contábeis que registraram os fatos econômicos derivados do contrato de mútuo (fls. 35 e 36). Com efeito, a falta de registro do mútuo firmado com os associados Vitor Augusto Lanza e Valdir José Lanza; a inexistência de registro de pagamento de juros devidos; a falta de especificação da causa do lançamento contábil no valor de R$ 81.800,00; a incompatibilidade entre os valores declarados pela diretorapresidente e os informados pela instituição na escrita contábil e nas suas peças de impugnação foram listadas pela Delegacia da Receita Federal de Santos, permitindo assim sua plena defesa. A escrituração exata é a maneira pela qual a entidade imune pode comprovar que não distribuiu parcela do seu patrimônio e aplicou os recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais. Resta impossibilitada a interessada de fazer prova Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10845.004080/200345 Acórdão n.º 1301004.199 S1C3T1 Fl. 158 11 de suas alegações apresentado Livro Razão com inúmeras inexatidões. Quanto ás formalidades extrínsecas e intrínsecas do contrato de mútuo, convém dizer que a empresa apresenta documento intitulado Contrato Particular de Mútuo com Abertura de Crédito em Conta Corrente (fls. 17 a 19), firmado na cidade de Santos (SP) e datado em 20/07/1996, onde se encontra estipulado que os juros seriam de 22% ao ano. Leiase o que diz o caput do art. 135 do Código Civil sobre essa matéria: "0 instrumento particular, feito e assinado, ou somente assinado por quem esteja na disposição e administração livre de seus bens, sendo subscrito por 2 (duas) testemunhas, prova as obrigações convencionais de qualquer valor. Mas os seus efeitos, bem como os da cessão, não se operam, a respeito de terceiros, antes de transcrito no Registro Público." Registrese que o novo Código Civil (Lei 10.406/2002), em seu artigo 221, também contém norma em que, para fazer prova perante terceiros no caso vertente, a Fazenda Pública o contrato deve estar registrado em cartório. Como o documento apresentado não exibe carimbo atestando sua inscrição no Registro de Títulos e Documentos, o mesmo deve ser considerado, por si s6, imprestável como prova. Salientese que a interessada não apresentou qualquer outro elemento probatório para sustentação de suas alegações. Ademais, entendo que o empréstimo de dinheiro aos associados configura infração à lei reguladora da imunidade, já que esta não é um objetivo da instituição, ou seja, a realização de empréstimos a dirigentes ou associados não é uma atividade meio ou fim da entidade. Descumprido está os dispositivos legais que determinam que a entidade imune aplique integralmente seus recursos financeiros na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais. Outrossim, há um detalhe presente no caso ora em julgamento que exige um exame mais aprofundado. Em verdade, o pagamento dos juros deveria ser feito semestralmente, conforme item Ill do contrato de mútuo firmado. Acontece que a entidade não procedeu à cobrança de tais valores, tendo, por outro lado, efetuado pagamentos adicionais em beneficio de Maria Ottilia Pires Lanza (fl. 05). Desta feita, está comprovado o acréscimo patrimonial dos dirigentes da instituição de educação, visto que se tivessem tomado o empréstimo diretamente do Banco Sudameris Brasil S/A teriam que arcar com os juros de 22% ao ano. Podese dizer que os dirigentes obtiveram um ganho expressivo ao não suportarem o Onus representado pelo pagamento dos juros devidos. Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10845.004080/200345 Acórdão n.º 1301004.199 S1C3T1 Fl. 159 12 Como corolário, ainda que admitindo a existência de um contrato de mútuo, resta cabalmente configurada a remuneração de dirigentes, em razão do beneficio representado pela realização de empréstimo sem a cobrança de juros, em prejuízo da entidade imune. Interessante reforçar que os juros pagos pela entidade imune ao Banco Sudameris representa uma despesa desnecessária ao desenvolvimento das atividade da instituição de educação, ou seja, configura um desvio de recursos da empresa dos objetivos institucionais. O Conselho de Contribuinte já decidiu que são indedutiveis na apuração do lucro real, os valores correspondentes à diferença entre os encargos financeiros pagos por financiamentos tomados no mercado e os recebidos por empréstimos concomitantemente concedidos à empresa controladora. "ENCARGOS FINANCEIROS — EMPRÉSTIMOS REPASSADOS : São Indedutíveis da base de cálculo do Imposto de Renda a diferença positiva entre os encargos financeiros suportados pela pessoa jurídica e os recebidos de empresa ligada por empréstimos obtidos pela primeira e repassados à segunda. SÉTIMA CÂMARA. Acórdão 10708163. Disponível em http://www.conselhos.fazenda.gov.br >>" Ante o exposto, voto no sentido de rejeitar o pedido de perícia, e no mérito negar provimento ao recurso voluntário, para confirmar a suspensão da imunidade, nos termos do Ato Declaratório Executivo n° 64, de 12/12/2003. (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Fl. 159DF CARF MF
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Numero do processo: 10166.011080/2005-11
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 04 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jan 06 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA
Exercício: 2007, 2008
COMPENSAÇÃO. RETENÇÕES INDEVIDAS. INEXISTÊNCIA DE DÉBITOS PRÓPRIOS PARA DEDUÇÃO. POSSIBILIDADE DE FORMAÇÃO DE INDÉBITO.
As retenções indevidamente sofridas pela Associação ao receber honorários que serão repassados a seus associados constituem indébito passível de compensação se inexistir débitos próprios dos quais as retenções devem ser inicialmente deduzidas.
Admitida a formação de indébito em tais circunstâncias, o recurso do sujeito passivo é parcialmente provido, com determinação de retorno à autoridade fiscal para as verificações necessárias em face do pedido que se afirmou possível.
Numero da decisão: 9101-004.576
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial, com retorno dos autos à Unidade de Origem, para apreciar a compensação pleiteada, vencida a conselheira Andrea Duek Simantob (relatora), que lhe negou provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Edeli Pereira Bessa.
(documento assinado digitalmente)
Andréa Duek Simantob Presidente em Exercício e Relatora
(documento assinado digitalmente)
Edeli Pereira Bessa Redatora designada
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Edeli Pereira Bessa, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Lívia de Carli Germano, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Andrea Duek Simantob (Presidente em Exercício).
Nome do relator: ANDREA DUEK SIMANTOB
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RETENÇÕES INDEVIDAS. INEXISTÊNCIA DE DÉBITOS PRÓPRIOS PARA DEDUÇÃO. POSSIBILIDADE DE FORMAÇÃO DE INDÉBITO. As retenções indevidamente sofridas pela Associação ao receber honorários que serão repassados a seus associados constituem indébito passível de compensação se inexistir débitos próprios dos quais as retenções devem ser inicialmente deduzidas. Admitida a formação de indébito em tais circunstâncias, o recurso do sujeito passivo é parcialmente provido, com determinação de retorno à autoridade fiscal para as verificações necessárias em face do pedido que se afirmou possível. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial, com retorno dos autos à Unidade de Origem, para apreciar a compensação pleiteada, vencida a conselheira Andrea Duek Simantob (relatora), que lhe negou provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Edeli Pereira Bessa. (documento assinado digitalmente) Andréa Duek Simantob – Presidente em Exercício e Relatora (documento assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa – Redatora designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Edeli Pereira Bessa, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Lívia de Carli Germano, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Andrea Duek Simantob (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 01 10 80 /2 00 5- 11 Fl. 308DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 9101-004.576 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10166.011080/2005-11 Relatório Trata-se de recurso especial do contribuinte (fls. 202 e seguintes) interposto em face da decisão proferida no Acórdão nº 1101-00.834 (fls. 160 e seguintes), pela 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara, na sessão de 08 de novembro de 2012 que, por voto de qualidade, negou provimento ao recurso voluntário do contribuinte, por entender que os créditos pleiteados não são próprios da associação, mas dos tomadores de serviços que erroneamente recolheram os valores. A decisão recorrida teve a seguinte ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2007, 2008 RETENÇÃO. TITULARIDADE DO IMPOSTO RETIDO. Se a retenção e o recolhimento do imposto são feitos erroneamente em nome de terceiro que não prestou o serviço, este terceiro não tem direito sobre os montantes retidos e recolhidos. Quem tem direito a estes valores é a fonte pagadora que fez a retenção e recolhimento equivocados. Ela deve utilizar os valores indevidamente retidos e recolhidos para regularizar a retenção e recolhimento que deveria ter sido feita, de acordo com a natureza do efetivo prestador de serviço. RETENÇÃO. DEVER DE RETER E RECOLHER. Apenas se houver pagamento pela prestação de serviços é que devem ser feitas a retenção e o recolhimento de tributos. O mero repasse de valores não justifica retenção ou recolhimento. COMPENSAÇÃO. PRESSUPOSTOS. A compensação pressupõe a existência de um crédito e de um débito do contribuinte. Não existindo crédito, a que o contribuinte tenha direito, não cabe falar em compensação. COMPENSAÇÃO. LIMITES LEGAIS. O instituto da compensação deve ser utilizado conforme sua previsão legal, não havendo possibilidade de ser utilizado em desacordo com a lei por um juízo de conveniência do contribuinte. O processo discute o teor do despacho decisório de fls. 62 e seguintes, que não homologou a declaração de compensação apresentada pela interessada, que pretendia compensar créditos oriundos de retenções na fonte, a título de CSLL, PIS e Cofins, sofridas em setembro de 2005, no montante de R$ 42.035,42, com débitos de retenções na fonte destas mesmas contribuições, feitas pela contribuinte na 2 a quinzena de outubro de 2005, no código de receita 5952, em igual montante. A DRF informa que na época do pedido a compensação deveria ter sido pleiteada por meio do programa PER/DCOMP, nos termos da IN 320, publicada em 14/05/2003. Por outro lado, informa que a IN 600, de 2005, admite a entrega de declaração em formulário, quando fosse impossível a utilização do programa (art. 26, § 1 o ). Considerando a IN 598/2005, a DRF disse que não havia como o contribuinte informar o crédito solicitado por meio de PER/DCOMP, de sorte que considerou válida a declaração de compensação por meio de formulário. Fl. 309DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 9101-004.576 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10166.011080/2005-11 Os fundamentos do despacho decisório que não homologou a compensação foram assim apresentados pela DRF de origem: Primeiramente, cabe esclarecermos quais são as hipóteses previstas em lei de utilização de saldo credor de PIS e Cofins para compensação com tributos diversos. São três, a saber: a de apuração do crédito relativo às vendas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência; aquele apurado na exportação de mercadorias, prestação de serviços ou vendas para a empresa comercial exportadora, para este fim específico; e o decorrente da retenção na fonte de PIS e da Cofins quando não for possível a sua dedução dos valores a pagar nos respectivos meses de apuração. Isto está determinado respectivamente no art.16 da Lei 11.116/2005, no art. 50 da Lei n° 10.637/2002 e no art. 50 da Medida Provisória n° 413/2008, abaixo transcritos: (...) O suposto crédito apresentado pela contribuinte é oriundo de retenção na fonte da CSLL, PIS e Cofins. A matéria encontra-se disciplinada na Lei n° 10.833/2003, para o caso de pagamentos efetuados pelas pessoas jurídicas a outras pessoas jurídicas de direito privado, e na Lei 9.430/1996, quando os pagamentos são efetuados por órgãos, autarquias e fundações da administração pública federal. Desta legislação, destacaremos os artigos transcritos abaixo: (...) A contribuinte declara como pessoa jurídica isenta do IRPJ (fl.35) e, embora como tal esteja obrigada à entrega de DCTF, não está obrigada a apresentar a Dacon (a exceção das pessoas jurídicas isentas do IR cujo valor mensal das contribuições a serem informadas seja superior a RS 10.000,00). Logo, de acordo com o art. 5° da MP n° 413/2008, para que possa aproveitar o crédito da retenção na fonte sofrida de PIS e Cofins, deve ocorrer a impossibilidade da dedução da retenção, que se materializa quando esta exceder o valor da respectiva contribuição a pagar no mesmo mês. Tomando-se a DCTF apresentada no 2° semestre de 2005, onde constam os débitos de PIS e Cofins para setembro de 2007, que é o mesmo período de apuração do crédito indicado de retenção na fonte destas contribuições, observa-se que houve PIS e Cofins pagos mediante Darf nos valores de R$ 50,05, R$ 546,26 e R$ 230,99 (fls. 36 a 38). Como houve necessidade de pagamento destas contribuições conclui-se que não foi atendido o disposto no art. 5°, caput e § 1°, da MP n° 413/2008. No que diz respeito à CSLL, caso as retenções sejam em valor superior ao devido, a contribuinte pode optar por apresentar a declaração de isenta do IRPJ e preencher no programa gerador da declaração o campo que indica que ela é contribuinte da CSLL, informando as retenções sofridas de CSLL a cada mês ou trimestralmente, conforme sua forma de apuração, para que estas possam ser somadas e gerar um saldo negativo ao final do período, que poderá ser utilizado na compensação com outros tributos e contribuições. A partir das premissas expostas, a DRF de origem concluiu pela não homologação da compensação pleiteada, nos seguintes termos: Dessa forma, chega-se a conclusão de que a contribuinte não faz jus ao crédito de retenções de PIS e Cofins em setembro de 2007, posto que não observou o disposto no caput e § 1° do art. 5° da MP n° 413/2008, e de que é incabível a compensação diretamente da CSLL, PIS e Cofins retidas na fonte com o valor a Fl. 310DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 9101-004.576 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10166.011080/2005-11 recolher de retenções de CSLL, PIS e Cofins feitas sobre pagamentos a outras pessoas jurídicas ou órgãos públicos. A legislação permite deduzir da base de cálculo da CSLL, PIS e Cofins os valores retidos, sendo esta dedução feita diretamente na escrituração contábil da pessoa jurídica ou mediante Declaração de isenta ou DACON. Com a ciência da decisão, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, na qual alegou, em síntese, que: - É associação que congrega os médicos que exercem sua profissão no Distrito Federal. No exercício de suas finalidades sociais, coloca diversas facilidades à disposição de seus associados, inclusive intermediando contratos de prestação de serviços médicos que envolvem, de um lado, o exercício da medicina pelos associados e, de outro, o pagamento, pelos tomadores de serviços (planos de saúde), dos honorários correspondentes. - É indispensável notar que, nessa intermediação contratual, a Requerente figura como mera intermediária, já que celebra o contrato em nome dos associados e recebe, como mera depositária, os honorários médicos que são repassados aos mesmos, prestadores dos serviços. - Ocorre que os diversos tomadores de serviços que celebram, por intermédio da Requerente, contratos de prestação de serviços médicos a serem prestados pelos associados, em razão do oneroso operacional para o pagamento direto aos associados da AMHP-DF, preferem fazer o depósito da remuneração devida aos associados para a AMHP-DF, registrando a retenção de tributos como se fora pagamento para a associação. - Dessa maneira, no que diz respeito às Contribuições sobre o Lucro Líquido (CSLL), para o Programa de Integração Social (PIS) e para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), muitas vezes a AMHP-DF sofre, nos pagamentos que recebe como mera intermediária de seus associados, retenções conjugadas desse tributo, pelo código de receita 5952, no montante de 4,65% (artigo 30 da Lei n° 10.833/2003). - Importa ressaltar que essas retenções eram feitas pelo simples fato de os tomadores de serviços julgarem que deveriam assim proceder, por ser a Requerente uma pessoa jurídica que perante eles representava os associados em contratos de prestação de serviços médicos. - Assim, com a finalidade de esclarecer essa situação, o Superior Tribunal de Justiça - um dos tomadores dos serviços médicos prestados pelos associados da AMHF, por seu intermédio - formulou consulta à Receita Federal, em que foi solicitada manifestação sobre a forma pela qual deveriam ser realizadas as retenções. - Em virtude de tal consulta, foi proferida a Solução de Consulta COSIT n° 05, de 30 de março de 2004, em que se esclareceu, em resumo, que, no caso concreto, as retenções deveriam ser realizadas de acordo com a natureza do prestador dos serviços - o associado, e não a Requerente, mera intermediária - e que as retenções de CSLL, PIS e COFINS só eram cabíveis se os serviços fossem prestados por pessoa jurídica. - Entretanto, embora a AMHP-DF tenha divulgado amplamente a Solução de Consulta COSIT n° 05/2004 entre os tomadores dos serviços de seus associados, a imensa maioria deles, em face das enormes dificuldades operacionais, continuou realizando as retenções como se a AMBP-DF fosse a própria prestadora dos serviços (incluindo-se, por sua natureza de pessoa Fl. 311DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 9101-004.576 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10166.011080/2005-11 jurídica, as retenções de PIS, COFINS e CSLL). Tal situação gerou um impasse, na medida em que os créditos das retenções deveriam ser apropriados pelos prestadores de serviços médicos (pessoas jurídicas ou físicas). - Nessas circunstâncias, a AMHP-DF, diante de uma série de retenções indevidas de tributos que não incidem sobre boa parte das atividades que intermedeia (prestação de serviços por pessoas físicas) nem podem ser cobrados sobre suas próprias atividades - já que a AMBP-DF é entidade sem fins lucrativos, isenta das formas ordinárias de incidência do PIS, da COFINS e da CSLL, nas formas, respectivamente, dos artigos 13, IV, da Medida Provisória n° 2.158-34/2001, 14, da mesma Medida Provisória e 15, § 10, da Lei n° 9.532/1997 — passou a apurar créditos tributários e compensá-los com tributos que deveria reter, na fonte, de diversas pessoas jurídicas às quais faz repasses (clínicas prestadoras de serviços médicos com honorários recebidos por intermédio da associação). Isso porque essas últimas é que são as reais prestadoras de serviços, ou seja, contribuintes que realizam o fato gerador que motiva as retenções. - Ora, foram essas compensações - realizadas para solucionar um problema decorrente do descumprimento, pelos tomadores de serviços, e não pela AMHP-DF, da Solução de Consulta COSIT n° 05/2004 - que o Despacho Decisorio DRF/BSB/Diort deixou de homologar, sob o argumento de que não teriam sido observados dispositivos normativos específicos. - Nesse sentido, além de inexistir qualquer descumprimento das normas aplicáveis, como se verá, é necessário destacar desde logo que as compensações foram um procedimento adotado pela associação para minimizar os transtornos decorrentes da inobservância, pelos tomadores de serviço, de uma Solução de Consulta COSIT sem que se reduzisse qualquer centavo dos tributos incidentes sobre as atividades de prestação de serviços médicos pelos associados, pessoas físicas ou jurídicas. - De fato, a desqualificação da compensação, promovida pelo Despacho Decisório DRF/BSA/Diort, fundamentou-se em ilegal aplicação, ao caso, da Medida Provisória n° 413/2008, procedimento de todo inviável em face dos artigos 105 e 106 do Código Tributário Nacional e do artigo 150, III, "a", da Constituição Federal. Além disso, a Diort, ao interpretar a compensação realizada, ignorou que os valores pagos a título de PIS e COFINS nos períodos em que apurados os créditos compensados eram referentes unicamente às aplicações financeiras da associação, tributos que se submetiam, por essa razão, a um regime jurídico diverso daquele a que se refere a Medida Provisória n° 413/2008. - Por último, como se não bastassem essas, significativas inconsistências do Despacho Decisório, é digno de nota que, ainda que se aplicasse ao caso a medida provisória invocada, ficaria configurada, pelo menos em relação a uma parte dos débitos, a "impossibilidade da dedução" prevista no § 1 o do artigo 5 o de tal diploma, diante da flagrante desproporção entre os valores pagos a título de PIS e COFINS e os créditos apurados a partir das retenções indevidas sobre os pagamentos realizados à associação. - A primeira inconsistência do Despacho DRF/BSB/Diort é de tal forma gritante que compromete definitivamente todo o Despacho Decisório atacado. Trata-se da invocação, como razão para a não homologação das compensações de PIS e COFINS, de dispositivo da Medida Provisória n° 413/2008. Fl. 312DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 9101-004.576 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10166.011080/2005-11 - Ora, é fácil ver que, como destaca o próprio relatório do Despacho Decisório, a compensação em tela foi realizada e declarada muito antes do, dia 03 de janeiro de 2008, data em que foi publicada a Medida Provisória n°413/2008. Não se entende, assim, como seria possível que uma norma constante dessa recentíssima Medida Provisória pudesse ser óbice à compensação realizada e declarada muito antes de sua promulgação. - Por último, é importante ressaltar que, ainda que se aplicasse ao caso o artigo 5° da Medida Provisória n° 413/2008 - deixando de lado, assim, tanto a violação ao princípio da irretroatividade das leis quanto o fato de o dispositivo referido não tratar especificamente de retenções tributárias indevidas nem de dedução de PIS e COFINS sobre aplicações financeiras - não se poderia chegar à conclusão alcançada pelo Despacho Decisório DRF/BSB/Diort, no sentido da não homologação das compensações. Isso simplesmente porque incide, no caso, o § 1° do mesmo artigo 5° que possibilita a compensação dos valores quando o montante retido no mês exceder o valor da respectiva contribuição a pagar. - E que, como se explicará a seguir, a apuração de saldo negativo da CSLL não era possível, no caso em tela, pelo simples fato de a AMHP-DF, como associação civil sem fins lucrativos, ser entidade isenta do IRPJ e da CSLL. Da mesma forma, é inviável e inexigível o cumprimento da normatização indicada como aplicável porque, para que se realizasse a apuração de saldo negativo tal como sugerido pelo Despacho Decisório DRF/BSB/Diort, seria indispensável uma declaração inexata da associação, no sentido de que ela seria contribuinte da CSLL. - De fato, o Despacho Decisório conclui, em relação à compensação da CSLL, que não seria cabível a compensação "direta" dos valores retidos, que teriam que ser antes lançados na escrituração contábil voltada ao levantamento do "saldo negativo" dessa contribuição. - No entanto, é mais do que evidente que, se a AMHP-DF é entidade isenta da CSLL, não tem como apurar saldo negativo dessa mesma contribuição. E importante lembrar uma vez mais que se está diante de uma retenção indevida, e não de uma retenção regular que, justamente por isso, faz as vezes de uma antecipação do tributo apurado ao final do período. Foi retido um tributo que não é devido pela associação, sendo claramente descabido exigir que ela, não sendo contribuinte, "apure" os tributos incidentes no mês para que chegue à conclusão de que haveria "saldo negativo". Não há saldo negativo de CSLL, mas crédito desse tributo, oriundo de retenção tributária indevida. Em 28 de novembro de 2008, a DRJ Brasília indeferiu o pedido formulado na manifestação de inconformidade, com base nos seguintes fundamentos: - O direito a compensação tem seus requisitos previstos em lei (art. 170, do CTN, e art. 74 da lei n° 9.430, de 1996) e que um deles é a liquidez e certeza do alegado crédito; - A IN SRF n° 600, de 1995, admite a restituição de pagamentos indevidos e a maiores e também de saldo negativo do IRPJ e da CSLL; - As regras mencionadas não permitem utilizar valores retidos na fonte para efetuar compensações, pois esses valores de PIS, Cofins, e CSLL são considerados antecipações e devem ser deduzidos da base de cálculo ou compensados com a contribuição correspondente, incidente sobre as receitas que deram origem às retenções. Fl. 313DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 9101-004.576 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10166.011080/2005-11 - Para deduzir ou compensar os valores das contribuições retidas, a manifestante primeiramente deveria ter registrado na sua escrituração contábil ou informado na declaração de isenta ou DACON. - A declaração de compensação não é o instrumento hábil para deduzir valores de contribuições retidos na fonte. Na verdade, o Per/Dcomp teve como objeto facilitar ao contribuinte, titular de créditos relativo a recolhimento indevido ou a maior que o devido, pleitear perante a SRF o encontro de contas entre débitos e créditos. Os valores retidos na fonte não são líquidos e certos. - Informa que adota os fundamentos constantes da Solução de Consulta interposta pelo STJ (proc. N. 10168.002301/2003-70) e entende que os beneficiários dos pagamentos são as pessoas físicas e jurídicas associadas e que prestaram serviços, devendo a retenção ser feita nos termos determinados da consulta e que apenas estes beneficiários podem aproveitar os valores retidos. - A associação é mera intermediária e não contribuinte dos valores retidos. Com a ciência da decisão, a interessada apresentou recurso voluntário (fls. 148), contestando os fundamentos da decisão, acrescidos das seguintes informações: - Ocorre que, como demonstra o livro razão da AMHP-DF (juntada posterior de contas que demonstram a dedução contábil requerida, ao final) houve, ao contrário do que afirma o Fisco, o prévio registro, na escrituração contábil, da operação de dedução/compensação. - Por meio do lançamento contábil, a Associação chegou ao cálculo da parcela de contribuições a reter que seria coberta pelas retenções indevidamente sofridas (sujeitas à operação controvertida) e da parcela que excederia os créditos tributários (parcela que foi paga, por meio de DARF). - Em outras palavras, houve uma dedução, a partir do registro contábil e da devida escrituração e, após, se procedeu - com base em dados do próprio registro - à Declaração de Compensação. - Dito de modo ainda mais claro, a operação se iniciou com o lançamento contábil de um determinado valor de contribuições indevidamente retidas pelas fontes pagadoras (crédito tributário) e de uma determinada quantia a ser retida (débito tributário), chegando-se a um valor a ser pago por meio de DARF. - Operou-se, portanto, antes da Declaração de Compensação, uma operação de dedução (espécie do gênero compensação), com o valor resultante sendo recolhido pela Associação. A seguir, com a apresentação da Declaração de Compensação e o registro discriminado, na Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF), de todas as fases da operação, ultimou-se a compensação, que englobou e foi além da simples dedução. - Deixar de homologar uma compensação porque a dedução já seria suficiente é verdadeiramente apenar um contribuinte por "excesso de diligência" em relação aos órgãos arrecadadores. No caso em tela, mantido o entendimento do Acórdão recorrido, a Associação, se tivesse sido menos diligente, dando-se por satisfeita com os registros contábeis que realizou (dedução) e deixando de apresentar a Declaração de Compensação e de discriminar a operação detalhadamente na DCTF, estaria certamente em situação mais confortável. Em 08 de novembro de 2012, a 1ª Turma da 1ª Câmara negou provimento ao recurso do contribuinte, por entender que se a retenção e o recolhimento dos tributos foram Fl. 314DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 9101-004.576 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10166.011080/2005-11 erroneamente feitos em nome de terceiro que não prestou o serviço, este não tem direito sobre os montantes retidos e recolhidos. Com a ciência da decisão, o contribuinte apresentou recurso especial (fls. 202), em que indicou dois paradigmas (Acórdãos nºs. 1201-00.652 e 1102.00.583) que, ao contrário do que restou decidido no recorrido, reconheceram o fato de que a associação é ao mesmo tempo credora e devedora da União em relação aos valores das contribuições, ainda que indevidamente retidos pelos tomadores de serviços. Na sequência, a interessada reitera os argumentos formulados nas defesas anteriores, firme na premissa de que seu procedimento encontra guarida no artigo 74 da Lei n. 9.430/96; entende que o “primeiro erro”, na retenção das fontes pagadoras, não gerou um “segundo erro” de sua parte, razão pela qual exerceu o direito à compensação. O recurso especial foi objeto do despacho de admissibilidade de fls. 284, que lhe deu seguimento. A Fazenda Nacional, com a ciência acerca do seguimento da matéria, apresentou contrarrazões ao recurso especial do contribuinte (fls. 301) defendendo, em síntese, que: - Conforme bem salientado no acórdão recorrido, a recorrente não tem o direito de compensar os créditos relativos a retenções indevidas realizadas sobre valores a serem repassados aos associados com débitos correspondentes às retenções que efetivamente foram realizadas pela associação. - De fato, considerando que a recorrente admite que os créditos que pretende compensar são referentes a retenções incidentes sobre rendimentos pertencentes/repassados aos seus associados, conclui-se também que o direito a compensação dos valores retidos cabe às prestadoras de serviços, e não à fonte pagadora como pretende a recorrente. - A autuada é a fonte pagadora na relação jurídico-tributária, cabendo a ela simplesmente reter o IRRF correspondente às prestações de serviços para posterior recolhimento. Consequentemente, o direito à compensação dos valores retidos indevidamente cabe às prestadoras de serviços. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Andréa Duek Simantob, Relatora. 1. Conhecimento O conhecimento do recurso especial do contribuinte, ao qual foi dado seguimento pelo despacho de fls. 284 e seguintes, não foi questionado pela Fazenda Nacional. Como se sabe, o conhecimento da matéria depende do preenchimento dos requisitos exigidos pelo artigo 67 do anexo II do RICARF: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. Fl. 315DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 9101-004.576 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10166.011080/2005-11 § 1º Não será conhecido o recurso que não demonstrar a legislação tributária interpretada de forma divergente. (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) § 2º Para efeito da aplicação do caput, entende-se que todas as Turmas e Câmaras dos Conselhos de Contribuintes ou do CARF são distintas das Turmas e Câmaras instituídas a partir do presente Regimento Interno. § 3º Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso. § 4º Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que, na apreciação de matéria preliminar, decida pela anulação da decisão de 1ª (primeira) instância por vício na própria decisão, nos termos da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999. § 5º O recurso especial interposto pelo contribuinte somente terá seguimento quanto à matéria prequestionada, cabendo sua demonstração, com precisa indicação, nas peças processuais. § 6º Na hipótese de que trata o caput, o recurso deverá demonstrar a divergência arguida indicando até 2 (duas) decisões divergentes por matéria. § 7º Na hipótese de apresentação de mais de 2 (dois) paradigmas, serão considerados apenas os 2 (dois) primeiros indicados, descartando-se os demais. § 8º A divergência prevista no caput deverá ser demonstrada analiticamente com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido. § 9º O recurso deverá ser instruído com a cópia do inteiro teor dos acórdãos indicados como paradigmas ou com cópia da publicação em que tenha sido divulgado ou, ainda, com a apresentação de cópia de publicação de até 2 (duas) ementas. § 10. Quando a cópia do inteiro teor do acórdão ou da ementa for extraída da Internet deve ser impressa diretamente do sítio do CARF ou do Diário Oficial da União. § 11. As ementas referidas no § 9º poderão, alternativamente, ser reproduzidas, na sua integralidade, no corpo do recurso, admitindo-se ainda a reprodução parcial da ementa desde que o trecho omitido não altere a interpretação ou o alcance do trecho reproduzido. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017). § 12. Não servirá como paradigma acórdão proferido pelas turmas extraordinárias de julgamento de que trata o art. 23-A, ou que, na data da análise da admissibilidade do recurso especial, contrariar: (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) I - Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103-A da Constituição Federal; II - decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543-B e 543- C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 - Código de Processo Civil; e (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016); III - Súmula ou Resolução do Pleno do CARF, e IV - decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal que declare inconstitucional tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) Fl. 316DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 9101-004.576 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10166.011080/2005-11 § 13. As alegações e documentos apresentados depois do prazo fixado no caput do art. 68 com vistas a complementar o recurso especial de divergência não serão considerados para fins de verificação de sua admissibilidade. § 14. É cabível recurso especial de divergência, previsto no caput, contra decisão que der ou negar provimento a recurso de ofício. § 15. Não servirá como paradigma o acórdão que, na data da interposição do recurso, tenha sido reformado na matéria que aproveitaria ao recorrente. (Incluído pela Portaria MF nº 39, de 2016) No caso dos autos, o despacho de admissibilidade deu seguimento à matéria questionada, tendo em vista a formação do dissenso jurisprudencial formado pelos acórdãos paradigmas de números 1201-00.652 e 1102.00.583, quanto à possibilidade de compensação de tributos, ainda que retidos indevidamente, em nome de terceiro que não integra a relação jurídico-tributária. Por ter apreciado a questão de acordo com os requisitos regimentais, entendo que não merece reparos o referido despacho, de sorte que ratifico os seus termos, para reconhecer a matéria sub judice. 2. Mérito Quanto ao mérito, cabe-nos, neste voto, analisar a possibilidade de compensação de contribuições por entidade que atua como intermediadora na prestação de serviços, quando houve retenção indevida pelos tomadores desses serviços. O argumento da Recorrente, com base nos paradigmas indicados, parte da premissa de que a Associação é credora do Fisco em razão das retenções indevidas efetuadas pelos tomadores de serviços sobre os valores a ela pagos. Embora se reconheça que a entidade não é a real prestadora do serviço médico sobre o qual incidem as contribuições a título de CSLL, PIS e COFINS, aliada ao fato de que os serviços de intermediação por ela prestados não estão sequer sujeitos às referidas retenções, entendeu-se, nos paradigmas, que estas foram indevidas e passíveis, portanto, de restituição. Diante desse cenário, os paradigmas decidiram que a Associação é também devedora do Fisco, por força das retenções e do recolhimento das contribuições incidentes sobre o repasse feito aos associados, donde se construiu a tese de que a entidade é, ao mesmo tempo, devedora e credora da União, nos termos dos artigo 170 do CTN e do artigo 74 da Lei n. 9.430/96. Em sentido diverso, o acórdão recorrido entendeu que a Associação não tem qualquer direito sobre os valores erroneamente recolhidos pelos tomadores de serviços médicos em seu nome, o que a impede de efetuar compensação com créditos que não lhe pertencem. Ademais, a entidade sequer seria devedora dos débitos informados na compensação, posto que relativos a meros repasses feitos aos associados, razão pela qual efetivamente não cabe a homologação da compensação declarada. O acórdão recorrido consignou que houve um erro, que gerou um pagamento indevido, mas que o titular do recolhimento feito em função deste erro é o próprio tomador do serviço, que deveria fazer o recolhimento correto em nome do associado que efetivamente prestou o serviço médico, de acordo com a sua qualificação (pessoa física ou jurídica, por exemplo). Fl. 317DF CARF MF Fl. 11 do Acórdão n.º 9101-004.576 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10166.011080/2005-11 É curioso notar que os acórdãos indicados como paradigma partem da premissa de que se deve afastar o “exagerado formalismo” na interpretação dos fatos, em prol do que efetivamente se discute nos autos. Ocorre que, com a devida vênia, o “formalismo” pode ser relevado em questões processuais ou de convicção do julgador, nas quais prevaleça, por exemplo, a constatação inequívoca de um fato ainda que não comprovado pelos documentos acostados ao processo. Isso em nada se confunde com a interpretação de dispositivos legais, em que o julgador administrativo tem por dever aplicar a norma da maneira como posta. Com efeito, o que as decisões proferidas nos paradigmas fizeram foi afastar a aplicação da norma legal em prol de “um reconhecimento fático e financeiro”, consubstanciado nas retenções indevidas dos tomadores de serviço e nos valores a serem repassados aos associados da Recorrente. A leitura dos dispositivos legais invocados para justificar a compensação efetuada pela Recorrente evidencia que admitir tal conduta violaria requisito essencial ao instituto, qual seja, a condição de sujeito passivo do interessado. Vejamos: CTN, Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. O Código Tributário Nacional expressamente consagra a possibilidade de a lei autorizar a compensação de indébitos tributários do sujeito passivo, com créditos também devidos por ele. Ora, é evidente que no caso dos autos a Recorrente não é o sujeito passivo das retenções, que deveriam ter sido efetuadas em nome de seus associados, que são os efetivos prestadores dos serviços. Note-se que aqui não se trata de responsabilidade tributária nem tampouco de terceiro que assumiu o ônus da obrigação, mas simplesmente de erro na retenção, como expressamente reconhecem a própria Recorrente e os acórdãos indicados como paradigma. A tese que se defende, nessa visão, seria: “já que o tributo foi retido, por erro, em nome de alguém que não pertence à relação-jurídico tributária (e que, portanto, não é sujeito passivo), deve ser reconhecido seu direito de compensar tais indébitos, ainda que não sejam seus”. No mesmo sentido, o artigo 74 da Lei n. 9.430/96 não deixa margem para dúvidas, no sentido de que a compensação só pode envolver o sujeito passivo que seja, ao mesmo tempo, credor e devedor da União: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. Fl. 318DF CARF MF Fl. 12 do Acórdão n.º 9101-004.576 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10166.011080/2005-11 A premissa essencial da discussão é: quem não é sujeito passivo de um tributo não pode pleitear a compensação de eventual indébito, por mais “razoável” que isso possa parecer à luz dos fatos concretos. Ademais, a própria Recorrente expressamente reconhece que há orientação em sentido contrário à conduta dos tomadores de serviço, consubstanciada no Parecer COSIT nº 5: Sobre as retenções previstas na Instrução Normativa SRF n. 306, de 2003, a questão a ser solucionada cinge-se ao correto enquadramento dos serviços prestados pela associação, já que, como alega a consulente, os profissionais médicos realizam os procedimentos, em nome próprio, figurando a associação como mera intermediária. O art. 20, da IN SRF 306, de 2003, prevê, como regra geral, a retenção na fonte sobre os pagamentos às associações profissionais ou assemelhadas. Cabendo aos órgãos, autarquias e fundações da Administração Pública Federal, quando contratarem diretamente com tais entidades, realizar as retenções prevista no art. 22, quais sejam: (...) Esse tratamento, contudo, não deve ser aplicado à AMHP-DF, eis que os pagamentos efetuados pelo STJ tem natureza distinta dos pagamentos realizados a outras associações que prestem serviço em nome próprio. A AMHP-DF atua como intermediária, em que pese o contrato firmado entre ela e o STJ estabelecer como objeto "a intermediação permanente de serviços médicos e paramédicos", e a sua Cláusula Nona determina que os serviços devidos aos associados da Credenciada serão pagos, mediante apresentação pela Credenciada das respectivas faturas. Ocorre que todos os procedimentos médicos e terapêuticos consagrados, incluindo materiais e medicamentos, são prestados diretamente por pessoas físicas ou jurídicas associados da Contratada por conta e risco próprio sem qualquer responsabilidade da AMHP-DF. Os pagamentos são efetuados à Associação, como intermediária, mas referem-se a pagamentos efetuados à conta de serviços prestado diretamente por pessoas físicas ou jurídicas, mediante a identificação do beneficiário do serviço (servidor do STJ). Assim, os pagamentos são, na verdade, direcionados às pessoas prestadoras de serviço via associação que faz jus apenas a remuneração pelo serviço de intermediação. A retenção deve ocorrer, portanto, sobre os reais prestadores dos serviços, como se o órgão tivesse contratado, diretamente com os profissionais pessoas físicas e jurídicas. A própria Recorrente afirma que concorda com a posição do Parecer e que repassou o entendimento fixado a todos os tomadores, mas estes “sistematicamente deixaram de atendê-lo”, continuando a efetuar a retenção em seu nome. Desse estranho fundamento surgiria, pois, o direito de compensar, visto que o erro na identificação da pessoa que deve sofrer a retenção “justificaria” o procedimento, ainda que em total descompasso com as previsões legais já mencionadas. Diante desse cenário, não merece reparos a decisão recorrida, que consignou (destacaremos): Assim, pelo o que contribuinte diz, o presente processo versaria sobre a compensação de um crédito que não é seu com um débito que também não é seu. Frente ao Fl. 319DF CARF MF Fl. 13 do Acórdão n.º 9101-004.576 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10166.011080/2005-11 ineditismo da situação, cabe verificar nos autos se de fato é este o objeto da compensação em julgamento. (...) Quanto aos créditos, na manifestação de inconformidade e no recurso voluntário, o contribuinte afirma que o crédito alegado (as retenções sofridas) na verdade "seriam dos seus associados", pois ele apenas representa os associados. Também, explica que não presta serviços aos tomadores de serviço, mas apenas faz a intermediação dos interesses dos seus associados que são os prestadores de serviço. Ainda diz que, apesar dos tomadores dos serviços saberem que o correto era pagar e reter diretamente ao associado prestador, por comodidade, preferiram pagar e reter para o contribuinte (a associação), que apenas intermediava os serviços. Já quanto aos débitos, a associação informa que não efetua pagamento para os associados, mas apenas repassa os valores que os tomadores entregaram. No entanto, diz que faz retenções sobre estas transferências como se fossem pagamentos. Para explicar a sua conduta e a declaração de compensação, AMHP-DF diz que tratou as transferências que fazia para seus associados como pagamentos, efetuando retenções, para adaptar-se ao erro dos tomadores do serviço. Alega que desta forma conseguiria repassar para seus associados o pagamento e as retenções que incorretamente os tomadores de serviço fizeram. O acórdão recorrido também faz uma análise pertinente e minuciosa da natureza dos valores repassados pela entidade aos associados, para concluir que não são pagamentos, mas meros repasses, circunstância que não ensejaria a aplicação do artigo 30 da Lei n° 10.833, de 2003: Art. 30. Os pagamentos efetuados pelas pessoas jurídicas a outras pessoas jurídicas de direito privado, pela prestação de serviços de limpeza, conservação, manutenção, segurança, vigilância, transporte de valores e locação de mão-de-obra, pela prestação de serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção e riscos, administração de contas a pagar e a receber, bem como pela remuneração de serviços profissionais, estão sujeitos a retenção na fonte da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL, da COFINS e da contribuição para o PIS/PASEP. § 1 o O disposto neste artigo aplica-se inclusive aos pagamentos efetuados por: I - associações, inclusive entidades sindicais, federações, confederações, centrais sindicais e serviços sociais autônomos; (...) Ou seja, se a Recorrente não é sujeito passivo das retenções que erroneamente foram efetuadas em seu nome também não deve promover a retenção de meros repasses feitos aos seus associados, por ausência de previsão legal nas duas hipóteses, como bem demonstrou a decisão recorrida (destacaremos): Como se vê, a legislação determina que a retenção deve ser feita no caso de pagamento e não mero repasse. Pagamento corresponde a contrapartida pela aquisição, por compra, de bem ou serviço e distingue-se de outras causas pelas quais pode haver transferência de numerário de uma pessoa para a outra. Porém, se não existe pagamento no caso em concreto, não existe uma retenção que os tomadores de serviço devessem ter feito (por ocasião dos repasses para a associação) e não existe uma retenção que a associação devesse ter feito (por ocasião do repasses para seus associados). Não havendo retenção, não cabe recolher nenhum valor a este título. Fl. 320DF CARF MF Fl. 14 do Acórdão n.º 9101-004.576 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10166.011080/2005-11 Ou seja, se ocorre apenas um repasse de valores (e não um pagamento) a fonte pagadora não tem dever (e nem tem direito) de fazer qualquer retenção tributária. Se por acaso a faz, não se trata de retenção indevida, mas de um recolhimento indevido. De outra banda, os tomadores na verdade estão fazendo pagamentos para os associados da AHMDF e devem fazer as retenções e os correspondentes recolhimentos, conforme o associado seja pessoa física ou jurídica. Mas, como visto, tal recolhimento não foi feito. Por isso os recolhimentos feitos pelos tomadores de serviço em razão das retenções que fizeram quando da transferência para a associação não são créditos da associação, mas sim pagamento indevido dos tomadores. Já as retenções, que a associação diz ter feito quando da transferência para os associados, não deveriam ter sido feitas e não há razão para efetuar o recolhimento correspondente por meio da compensação pretendida. Este ponto é muito importante para o deslinde da questão. É preciso deixar clara a natureza jurídica dos recolhimentos feitos pelos tomadores de serviço, para identificar quem pode pleitear sua devolução. Também é preciso verificar quem deve fazer a retenção e recolhimento em razão do pagamento aos associados. Como se vê, os tomadores de serviço não deviam nenhum pagamento para a associação, já que esta era mera representante dos associados. Mas, deviam pagamento aos associados, que eram os prestadores de serviço. Assim, os tomadores deveriam ter efetuado a retenção e recolhimento no nome do associado para quem deviam pagar e conforme a natureza deste associado. Mas, acabaram retendo e recolhendo como se a associação fosse a beneficiária do pagamento. Como se vê, o que houve foi um erro, que causou um pagamento indevido. O titular do recolhimento feito em razão deste erro é o próprio tomador de serviço que fez o recolhimento errado. O tomador deve usar estes valores recolhidos erradamente para efetuar o recolhimento correto no nome do associado e conforme sua natureza. Portanto, a associação não tem qualquer direito sobre os valores recolhidos pelos tomadores e não é possível efetuar compensação com um crédito que não é dela. Além disso, ela sequer é devedora dos débitos informados na compensação. Por isso, não cabe a homologação da compensação declarada. Por oportuno, cabe destacar que não é possível tratar a compensação como não declarada, ao argumento de que seria crédito de terceiro, porque tal crédito não é informado na declaração como de terceiro, mas (equivocadamente) como próprio. Na verdade, para a associação, trata-se de um crédito inexistente. Como já dito, quem tem direito ao valor recolhido são os tomadores de serviço. Também, é oportuno consignar ser inadmissível pretender consertar um erro com outro erro, tal como propõe a associação. O erro dos tomadores de serviço deve ser por eles sanado e só pode ser sanado por eles. O erro cometido pela associação, mesmo que feito apenas para remediar o erro dos tomadores e conseguir repassar para os prestadores o valor e a fonte retida, não pode prosperar. Não há como se admitir que simulem fazer pagamentos a seus associados, para repassar os valores recebidos e as fontes retidas. Mais reprovável ainda é pretenderem fazer isso por meio de declaração de compensação e mais grave é pretenderem ratificar toda essa operação por meio de um julgamento administrativo da compensação que pleiteiam. Fl. 321DF CARF MF Fl. 15 do Acórdão n.º 9101-004.576 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10166.011080/2005-11 A pretensão que o contribuinte traz ao autos corresponde a sustentar que cada contribuinte, na situação que entender cabível, possa: ou ignorar as relações jurídicas existentes e se comportar como entender mais adequado; ou abandonar as regras estabelecidas para controle da administração tributária e adotar as que entenda conveniente. Ora, tal pretensão não pode ser admitida. Ademais, acaso os Conselheiros do CARF admitissem a compensação pleiteada, estariam injustificadamente onerando a Administração, pois a qualquer tempo os tomadores de serviço podem pleitear a restituição dos recolhimentos que fizeram errados. Como tal pedido seria veiculado em outro processo, distinto do presente, e como é direito dos tomadores repetir os recolhimentos indevidos, é certo que as autoridades seriam favoráveis ao pleito, que inclusive poderia estar dentro de um pedido de compensação com os recolhimentos referentes às retenções que deveriam ter sido feitas, considerando a natureza do associado prestador do serviço. Ou seja, se os tomadores resolverem corrigir seu erro (repetindo os recolhimentos errados para quitar os recolhimentos corretos), isso ocorrerá em um processo independente do presente processo e certamente terão êxito. Assim, uma decisão favorável no presente processo, ao insustentável pleito do contribuinte, corresponde a um potencial dano a Administração. Ainda, cabe lembrar que, embora o contribuinte afirme que faz apenas repasses aos seus associados, o que implica na inexistência de débitos correspondentes a retenções devidas, tal fato não está provado, mas apenas afirmado. Portanto, pode haver débitos correspondentes a retenções por pagamento a terceiros. Isso também proíbe a homologação da compensação pleiteada, pois não se poderia extinguir débitos verdadeiros com créditos inexistentes. Ou seja, independente de haver ou não débitos da associação, a compensação não pode ser homologada porque o crédito não existe. O crédito não é da associação, mas sim dos tomadores de serviço que recolheram erradamente os valores. Assim, não assiste razão à Recorrente, visto que não é facultado ao julgador deixar de observar a hipótese legal de compensação, carente de requisito essencial que lhe justifique, ante o argumento de que determinado erro possa ser corrigido por outro, para fins de uma suposta “neutralidade econômica”, conforme pretendido pela interessada em seu pedido de compensação, corretamente negado pela autoridade de origem e posteriormente confirmado pelas decisões precedentes. Inexiste, na hipótese dos autos, o crédito pleiteado, de sorte que não há como acolher a pretensão deduzida pela interessada. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso especial do contribuinte. (documento assinado digitalmente) Andréa Duek Simantob Voto Vencedor Fl. 322DF CARF MF Fl. 16 do Acórdão n.º 9101-004.576 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10166.011080/2005-11 Conselheira Edeli Pereira Bessa – Redatora designada A I. Relatora restou vencida em seu entendimento contrário ao provimento do recurso especial da Contribuinte porque a maioria do Colegiado compartilhou do posicionamento expresso por esta Conselheira no voto vencido declarado no acórdão recorrido: Observo que o litígio sob apreciação não apresenta os contornos normais dos processos de compensação, nos quais o cerne da questão é a existência, ou não, do direito creditório utilizado pelo sujeito passivo. Isto porque as decisões até aqui proferidas frisaram a impossibilidade de compensação do crédito apontado pela contribuinte também em razão da natureza do débito informado na DCOMP, dado que crédito e débito decorrem de tributos que incidiram sobre valores recebidos pela Associação e repassados a seus associados. Tanto a DRF, como a DRJ, vislumbraram no procedimento adotado pela recorrente uma imprópria pretensão de utilizar retenções sofridas pela Associação em recebimentos de pessoas jurídicas para reduzir valores a recolher em razão de retenções promovidas pela Associação ao repassar aqueles recebimentos a seus associados. A própria recorrente também reconhece que teve este objetivo, pois, como dito pelo relator, o crédito alegado não era seu, mas sim de seus associados. No mesmo sentido, a resposta à consulta formulada pelo STJ reafirmou que as retenções deveriam ser feitas de acordo com a natureza do beneficiário. Contudo, não acho possível, apenas com estas informações, afirmar que o débito compensado não existe. Primeiro porque reputo necessário prova de que as retenções incidiram exclusivamente sobre repasses a associados, e segundo porque, mesmo no suposto de que a Associação assim tenha procedido, se tais retenções se deram a título de tributos que deveriam ser repassados à Secretaria da Receita Federal, ainda que retidos indevidamente, há um crédito tributário a ser recolhido pela fonte pagadora, sob pena de apropriação indébita. Relevante analisar, também as disposições da Instrução Normativa SRF n o 600/2005 que tratam da retenção indevida de tributos pela fonte pagadora, e foram mencionadas pela autoridade julgadora de 1 a instância: Art. 7º A restituição de quantia recolhida a título de tributo ou contribuição administrados pela SRF que comporte, por sua natureza, transferência do respectivo encargo financeiro somente poderá ser efetuada a quem prove haver assumido referido encargo, ou, no caso de tê-lo transferido a terceiro, estar por este expressamente autorizado a recebê-la. Art. 8º A pessoa jurídica que promoveu retenção indevida ou a maior de tributo ou contribuição administrados pela SRF no pagamento ou crédito a pessoa física poderá efetuar a compensação desse valor, independentemente de apresentação à SRF da Declaração de Compensação, com o mesmo tributo ou contribuição devidos pela pessoa física, a título de retenção, em período subseqüente de apuração, desde que: I – a quantia retida indevidamente tenha sido recolhida; e II – na hipótese de retenção indevida ou a maior de imposto de renda com fundamento em dispositivo da legislação tributária que disciplina a tributação de rendimentos sujeitos ao ajuste anual, a compensação seja efetuada até o término do ano-calendário da retenção. § 1º Para fins do disposto no caput, consideram-se tributos diferentes o imposto de renda incidente sobre rendimentos sujeitos ao ajuste anual e o imposto de renda incidente sobre rendimentos sujeitos à tributação exclusiva. § 2º A pessoa jurídica que retiver indevidamente ou a maior imposto de renda no pagamento ou crédito a pessoa física e que adotar o procedimento previsto no Fl. 323DF CARF MF Fl. 17 do Acórdão n.º 9101-004.576 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10166.011080/2005-11 caput deverá, ao preencher a Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte (Dirf), informar: I – no mês da referida retenção, o valor retido; II – nos meses da compensação, o valor do imposto de renda na fonte devido diminuído do valor compensado. Art. 9º Não ocorrendo a compensação prevista no art. 8º, a restituição do indébito de imposto de renda retido com fundamento em dispositivo da legislação tributária que disciplina a tributação de rendimentos sujeitos ao ajuste anual, bem como a restituição do indébito de imposto de renda pago a título de recolhimento mensal obrigatório (carnê-leão), será requerida pela pessoa física à SRF exclusivamente mediante a apresentação da DIRPF. § 1º Na hipótese de rendimento isento ou não-tributável declarado na DIRPF como rendimento sujeito à incidência de imposto de renda e ao ajuste anual, a restituição do indébito de imposto de renda será pleiteada exclusivamente mediante a apresentação da DIRPF retificadora. § 2º Aplica-se o disposto no § 1º do art. 3º e no § 1º do art. 26 ao indébito de imposto de renda retido no pagamento ou crédito a pessoa física de rendimentos sujeitos à tributação exclusiva, bem assim aos valores pagos indevidamente a título de quotas do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF). O art. 7 o , antes transcrito, apenas reproduz as disposições do art. 166 do CTN, relativamente a recolhimentos indevidos de tributos cujo encargo financeiro é transferido a outrem, caso típico da retenção de tributos pela fonte pagadora, em suas diversas modalidades. Está ali expresso que é parte legítima para pleitear a restituição, e conseqüentemente utilizar tal valor em compensação, aquele que assumiu o referido encargo, ou autorizou terceiro a recebê-lo. O art. 8 o , por sua vez, permite que a fonte pagadora, caso promova uma retenção indevida, regularize o erro em outra operação com o mesmo beneficiário. Para tanto, após reter e recolher o tributo indevido, a fonte pagadora pode deixar de fazer uma retenção de mesma natureza em período subseqüente, desde que assim proceda até o término do ano-calendário da retenção, caso o rendimento esteja sujeito a ajuste anual para fins de incidência do imposto de renda. Já o art. 9 o apenas disciplina como a pessoa física deve proceder para reaver imposto de renda retido indevidamente, caso a fonte pagadora não promova a regularização como autorizado no art. 8 o . Todavia, a essência da orientação normativa ali presente pode ser transposta para a apuração de outros tributos, admitindo-se a dedução, na apuração definitiva, de retenções indevidas sofridas pelo beneficiário. Dessa forma, penso estar claro, frente a estas disposições, que uma retenção indevida promovida pela fonte pagadora deve ser recolhida – como, inclusive, ressaltado no art. 8 o , inciso I da Instrução Normativa SRF nº 600/2005 –, assim como uma retenção indevida sofrida por um beneficiário pode ser deduzida na apuração de ajuste a que eventualmente esteja sujeita – como exemplificado no art. 9 o da Instrução Normativa SRF nº 600/2005 –, até porque eventual regularização promovida pela fonte pagadora ensejará uma retenção menor no futuro, e uma menor dedução desta, pelo beneficiário, na apuração de ajuste. A autoridade julgadora de 1 a instância, porém, assim se reportou a estas disposições normativas: Nos termos do 7º da IN SRF nº 600, de 2005, a restituição de quantia recolhida a título de tributo ou contribuição administrados pela SRF que comporte, por sua natureza, transferência do respectivo encargo financeiro somente poderá ser efetuada a quem prove haver assumido referido encargo ou no caso de tê-lo transferido a terceiro, estar por este expressamente autorizado a recebê-la. De outro lado, consoante o artigo 8º da citada Instrução Normativa somente a pessoa jurídica que promoveu retenção indevida de tributo ou contribuição no Fl. 324DF CARF MF Fl. 18 do Acórdão n.º 9101-004.576 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10166.011080/2005-11 pagamento ou crédito a pessoa física poderá efetuar a compensação desse valor, com o mesmo tributo ou contribuição devidos pela pessoa física, a título de retenção, em período subseqüente de apuração, desde que a quantia retida indevida tenha sido recolhida. O fato de as fontes pagadoras terem retido na fonte valores de contribuições em nome da reclamante quando o correto seria em nome dos reais prestadores do serviços, não autoriza à compensação realizada na declaração de compensação, pois, um erro não pode servir de justificativa para se cometer outro. Ademais, as controvérsias havidas entre a reclamante e as tomadoras dos serviços não podem ser solucionados pelo Fisco, devendo a solução ser obtida na seara privada. Parece-me que referidos dispositivos normativos não podem ser assim aplicados no presente caso. A reclamante sofreu uma retenção que reputa indevida, e a fonte pagadora que assim procedeu não promoveu a regularização permitida pelo art. 8 o da Instrução Normativa SRF nº 600/2005. De outro lado, a reclamante promoveu uma retenção que não precisaria ser feita se não existisse a anterior retenção indevida, mas ainda assim deve promover seu recolhimento, por ter em mãos valores que são de titularidade da União. Além disso, ao promover a referida retenção, a reclamante, na condição de fonte pagadora, deve informá-la em comprovantes a serem entregues aos beneficiários, que possivelmente deles se valerão para dedução na apuração definitiva por eles promovida. Por estas razões, também, discordo do I. Relator quando considera desnecessária maior análise do crédito pretendido pela interessada, por inexistir o débito compensado. Ainda que a interessada afirme que reteve indevidamente tributos de seus associados, o fato é que a retenção existiu, há um débito a ser liquidado perante o Fisco Federal e o direito à sua dedução, na apuração definitiva, pelo beneficiário do pagamento. Daí porque reputo relevante analisar, sob outros parâmetros, a compensação realizada. E, neste sentido, como menciona o I. Relator, a interessada afirma que as fontes pagadoras não deveriam ter dela retido as contribuições antes mencionadas, fato interpretado como um reconhecimento de que o crédito não seria seu. Porém, sob outro ângulo, considero possível também interpretar que, ao sofrer o encargo financeiro da referida retenção, a recorrente detenha a legitimidade para pleitear sua restituição, na forma do art. 166 do CTN e art. 7 o da Instrução Normativa SRF nº 600/2005. Assim, em princípio, reputo possível a formação de indébito, em face da recorrente, em decorrência de ter ela sofrido retenções de tributos indevidamente na fonte, e não restrinjo a formação de indébitos, apenas, às hipóteses de pagamento indevido. Em favor desta interpretação, inclusive, cito como exemplo os saldos negativos de IRPJ formados exclusivamente por imposto de renda retido na fonte, em período de apuração no qual foi apurado prejuízo fiscal. Contudo, para a apuração de eventual indébito nas circunstâncias aqui tratadas, entendo necessário apreciar o regime de apuração dos tributos retidos, de modo a determinar se a retenção, por si só, caracteriza um indébito, ou se ela deve ser confrontada com outros valores antes disto. Para tanto, considero importante retomar os fatos presentes nos autos. Por meio de DCOMP apresentada em 03/11/2005, a recorrente utilizou, em compensação, crédito no montante de R$ 42.035,42, descrito como oriundo de contribuições retidas na fonte no mês de setembro de 2005. Extinguiu, desta forma, crédito tributário daquele mesmo valor, apurado em 31/10/2006, sob código 5952 (Retenção sobre pagamentos de pessoa jurídica a pessoa jurídica de direito privado – CSLL, PIS e COFINS). Às fls. 02/12 onsta relatório de notas fiscais – demonstrativo de impostos entre 01/09/2005 a 30/09/2005, no qual estão apontados o valor original dos serviços prestados e os tributos retidos, destacando-se que o crédito apontado na DCOMP Fl. 325DF CARF MF Fl. 19 do Acórdão n.º 9101-004.576 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10166.011080/2005-11 corresponde à soma das retenções verificadas a título de Contribuição ao PIS, COFINS e CSLL. A autoridade preparadora não-homologou a compensação em decisão cientificada à contribuinte em 21/02/2008, afirmando que o crédito alegado não se caracterizava como passível de compensação, por não se identificar com nenhuma das seguintes hipóteses: - saldo credor de PIS/COFINS apurado em vendas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência ou em exportação de mercadorias, prestação de serviços ou vendas para empresa comercial exportadora; - saldo negativo de CSLL, que poderia ter sido apurado caso a contribuinte optasse por não apresentar a declaração de isenta, mas sim DIPJ na qual fossem informadas as retenções sofridas. Firmou, assim, a conclusão de que tais retenções somente seriam passíveis de dedução na apuração da CSLL, COFINS e Contribuição ao PIS, negando a pretensão da contribuinte de utilizá-las para liquidar valores a recolher de retenções de CSLL, COFINS e Contribuição ao PIS sobre pagamentos a outras pessoas jurídicas ou órgãos públicos. Vejo na argumentação assim construída que a autoridade preparadora admitiu que as retenções sofridas pela recorrente poderiam ser confrontadas com a CSLL, COFINS e Contribuição ao PIS por ela devidas naquele período. Contudo, a partir daí não cogitou se haveria algum valor assim devido naquele período, já afirmando que a recorrente indevidamente utilizara aqueles valores para reduzir as retenções por ela promovidas em face de seus associados. Considero equivocado este segundo raciocínio pois, ao apresentar uma DCOMP, o sujeito passivo não está promovendo a dedução de retenções sofridas na apuração de retenções por ele promovidas. Ao realizar uma compensação, o sujeito passivo afirma que apurou um crédito – ou seja, que confrontou sua apuração com recolhimentos e antecipações, identificando recolhimentos a maior – e que com ele quer extinguir um débito decorrente de outra apuração. Para promover a dedução de créditos em relação a débitos de uma mesma apuração não é necessária a apresentação de DCOMP. Esta somente ocorre quando crédito e débito decorrem de apurações distintas. Portanto, ao apontar que a retenção sofrida em setembro/2005, no importe de R$ 42.035,42, correspondia a um indébito passível de compensação, a contribuinte está dizendo que não houve débito de CSLL, COFINS e Contribuição ao PIS por ela apurado, em operações próprias, no mês de setembro/2005. Vejo que a decisão recorrida confirmou o entendimento da autoridade preparadora, afirmando que realmente não há previsão legal que permita a pessoa jurídica compensar diretamente valores de tributos ou contribuições sociais retidos na fonte com débitos dessas contribuições. Como regra os valores (CSLL, Cofins e Pis) retidos na fonte são considerados antecipações e o valor correspondente a cada contribuição somente poderá ser deduzido ou compensado com a contribuição devida da mesma espécie, incidente sobre as receitas que deram origem às retenções (Pis e Cofins - mensal - e CSLL - trimestral ou anual) e não como pretende a manifestante. Acrescentou, ainda, que para deduzir ou compensar os valores das contribuições retidas, a manifestante primeiramente deveria ter registrado na sua escrituração contábil ou informado na declaração de isenta ou DACON. A declaração de compensação não é o instrumento hábil para deduzir valores de contribuições retidos na fonte. Na verdade, o Per/Dcomp teve como objeto facilitar ao contribuinte, titular de créditos relativo a recolhimento indevido ou a maior que o devido, pleitear perante a SRF o encontro de contas entre débitos e créditos. Os valores retidos na fonte não são líquidos e certos. Entendo, porém, que ao apresentar a DCOMP, a recorrente pode ter vislumbrado, justamente, a inexistência de qualquer valor por ela devido a título de CSLL, COFINS e Fl. 326DF CARF MF Fl. 20 do Acórdão n.º 9101-004.576 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10166.011080/2005-11 Contribuição ao PIS, fato que precisa ser comprovado em sua escrituração, e que não depende necessariamente da apresentação de declarações como a DACON e a DIPJ, mormente tendo em conta que a recorrente se afirma uma associação sem fins lucrativos. A autoridade julgadora de 1 a instância também adotou os fundamentos expressos pela Coordenação Geral de Tributação – COSIT, na solução de consulta interposta pelo STJ (proc. nº 10168.002301/2003-70), concluindo que as retenções de IRPJ, CSLL, COFINS e Contribuição ao PIS deveriam ter recaído sobre as pessoas físicas e jurídicas associadas, e que a interessada, na condição de intermediária, não é contribuinte dos valores retidos na fonte, pois a retenção deveria ocorrer sobre os reais prestadores dos serviços, como se o órgão tivesse contratado diretamente com os profissionais pessoas físicas e jurídicas. Esta assertiva, porém, apenas corrobora o fato de que possivelmente não houve apuração de CSLL, COFINS e Contribuição ao PIS pela Associação, e opera em favor da existência do indébito decorrente de retenções indevidas por ela sofridas em setembro/2005. Em suma, parece-me, aqui, que a apreciação da questão envolveu aspectos estranhos à pretensão veiculada na DCOMP: ao apresentar esta declaração, a contribuinte afirmou que as retenções sofridas foram indevidas, e que por si só já se constituíam em um indébito, e é este o ponto que deve ser decidido para se reconhecer ou não o direito creditório à recorrente. O fato de este crédito ter sido utilizado para quitação de débito decorrente de retenções na fonte promovidas pela interessada em face de seus associados é algo irrelevante para o litígio, até porque não há certeza de que estas retenções correspondam ao pagamento dos mesmos serviços que ensejaram as retenções que a interessada afirma serem indevidas. É certo que o resultado econômico final poderia ser o que aponta a DRJ: o alegado erro cometido pelas fontes pagadoras da recorrente acabaria sendo neutralizado com a quitação das retenções que vierem a ser promovidas em face dos associados da recorrente. Mas, discutir se esta segunda retenção deveria ou não ter ocorrido passa a ser desnecessária se ela efetivamente ocorre e o valor correspondente deve ser repassado à União Federal para não se caracterizar apropriação indébita, além de ter se constituído, em favor do beneficiário do pagamento, o direito de dedução em sua apuração definitiva. Por estas razões, penso que no presente caso o litígio a ser solucionado é a possibilidade de repetição ou compensação de indébito decorrente das retenções indevidamente sofridas pela recorrente. A solução de consulta antes mencionada, sob a premissa de que os profissionais médicos realizam os procedimentos, em nome próprio, figurando a associação como mera intermediária, afastou a aplicação do art. 20 da Instrução Normativa SRF nº306/2003, que prevê, como regra geral, a retenção na fonte sobre os pagamentos às associações profissionais ou assemelhadas: Art. 20. Nos pagamentos efetuados às sociedades cooperativas e às associações profissionais ou assemelhadas, pelo fornecimento de bens ou serviços, serão retidos sobre o valor total das notas fiscais ou faturas os valores correspondentes à CSLL, à Cofins e à Contribuição para o PIS/Pasep, às alíquotas de 1% (um por cento), 3% (três por cento) e 0,65% (sessenta e cinco centésimo por cento), respectivamente, perfazendo o percentual de 4,65% (quatro inteiros e sessenta e cinco centésimos por cento), utilizando-se o código 8863. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica às sociedades cooperativas de consumo, que estão sujeitas aos percentuais correspondentes aos bens ou serviços fornecidos, de acordo com o Anexo I - Tabela de Retenção, desta Instrução Normativa. Fl. 327DF CARF MF Fl. 21 do Acórdão n.º 9101-004.576 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10166.011080/2005-11 Entendo, porém, que este ato apenas expressou a aplicação hipotética da norma, e não é suficiente para dispensar a apreciação da escrituração comercial e fiscal da recorrente no período de apuração do indébito, com vistas à confirmação da materialização daquelas circunstâncias. Demais disto, a partir da mera indicação da razão social das fontes pagadoras no relatório de fls. 02/10, não posso afirmar que as retenções sofridas pela recorrente foram promovidas apenas por órgãos, autarquias e fundações da administração pública federal públicos, na forma do art. 64, §1 o da Lei nº 9.430/96, podendo ter abarcado outras operações juridicamente distintas daquelas tratadas na consulta antes aventada, mas eventualmente hábeis, também, a ensejar sua dedução na apuração definitiva, ou a sua conversão em indébito, em caso de inexistência de tributo devido pela recorrente. Por todo o exposto, voto no sentido de CONVERTER o julgamento em diligência para que a autoridade administrativa jurisdicionante verifique, na escrituração comercial e fiscal da recorrente, se houve fatos tributáveis que ensejassem a apuração de CSLL, Contribuição ao PIS e COFINS, devidos em operações próprias em setembro/2005, dos quais deveriam ser deduzidas as retenções sofridas neste período, ao invés de se constituírem como indébitos passíveis de compensação. Ao final, deve ser elaborado relatório circunstanciado das providências adotadas, cientificando-se a contribuinte, com reabertura do prazo do 30 (trinta) dias para complementação de suas razões de defesa. Relevante consignar que o posicionamento da 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara acerca do tema foi alterado quando, em nova composição, apreciou litígio semelhante constituído nos autos do processo administrativo nº 10166.002417/2006-71. Naquela ocasião prevaleceu o entendimento desta Conselheira em favor da conversão do julgamento em diligência e, promovida esta, restou confirmado o indébito alegado, do que decorreu o provimento do recurso voluntário interposto naqueles autos, nos termos do voto condutor do Acórdão nº 1101-001.009, a seguir transcrito: Como exposto no voto vencedor da Resolução nº 1101-000.026, esta Relatora entende que a compensação promovida pela interessada poderia ser homologada pois, em tese, ao sofrer o encargo financeiro de retenção indevida, a recorrente deteria legitimidade para pleitear sua restituição, na forma do art. 166 do CTN e art. 7 o da Instrução Normativa SRF nº 600/2005. Sob a ótima do débito compensado, a reclamante teria efetivado uma retenção que não precisaria ter sido feita se não existisse a anterior retenção indevida, mas que uma vez promovida deve ser recolhida, ou mesmo quitada mediante compensação, sob pena de apropriação indébita. De outro lado, a retenção sofrida, para se mostrar indevida, dependeria da demonstração de que a interessada não seria devedora dos correspondentes tributos no mesmo período de apuração. No presente caso, por meio de DCOMP apresentada em 10/03/2006, a recorrente utilizou, em compensação, crédito no montante de R$ 27.203,29, descrito como oriundo de contribuições retidas na fonte no mês de fevereiro de 2006. Extinguiu, desta forma, crédito tributário daquele mesmo valor, apurado em 28/02/2006, sob código 5952 (Retenção sobre pagamentos de pessoa jurídica a pessoa jurídica de direito privado – CSLL, PIS e COFINS). Às fls. 02/10 consta relatório de notas fiscais – demonstrativo de impostos entre 01/02/2006 a 28/02/2006, no qual estão apontados o valor original dos serviços prestados e os tributos retidos, destacando-se que o crédito apontado na DCOMP corresponde à soma das retenções verificadas a título de Contribuição ao PIS, COFINS e CSLL. Às fls. 34/48 estão juntadas as informações extraídas da Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte – DIRF, tendo como beneficiário a interessada. Nestas informações, assim como no relatório antes mencionado, confirmou a autoridade Fl. 328DF CARF MF Fl. 22 do Acórdão n.º 9101-004.576 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10166.011080/2005-11 preparadora que as retenções ocorreram em razão de pagamentos efetuados por pessoa jurídica a pessoa jurídica de direito privado (códigos 5979, 5987, 5960 e 5952) e de pagamentos efetuados por órgão público a sociedades cooperativas/associações profissionais ou assemelhadas (código 8863). A autoridade preparadora admitiu que as retenções sofridas pela recorrente poderiam ser confrontadas com a CSLL, COFINS e Contribuição ao PIS por ela devidas naquele período. Contudo, a partir daí não cogitou se haveria algum valor assim devido naquele período, já concluindo que a recorrente indevidamente utilizara aqueles valores para reduzir as retenções por ela promovidas em face de seus associados. Como antes dito, ao apresentar uma DCOMP, o sujeito passivo afirma que apurou um crédito – ou seja, que confrontou sua apuração com recolhimentos e antecipações, identificando recolhimentos a maior – e que com ele quer extinguir um débito decorrente de outra apuração. Assim, ao apontar que a retenção sofrida em fevereiro/2006, no importe de R$ 27.203,29, correspondia a um indébito passível de compensação, a contribuinte está dizendo que não houve débito de CSLL, COFINS e Contribuição ao PIS por ela apurado, em operações próprias, no mês de fevereiro/2006. Com vistas a comprovar este fato na escrituração da contribuinte, mormente tendo em conta que a recorrente se afirma uma associação sem fins lucrativos, o julgamento foi convertido em diligência, ressaltando, também, que a partir da mera indicação da razão social das fontes pagadoras no relatório de fls. 02/10, não seria possível afirmar que as retenções sofridas pela recorrente foram promovidas apenas por órgãos, autarquias e fundações da administração pública federal públicos, na forma do art. 64, §1 o da Lei nº 9.430/96, podendo ter abarcado outras operações, mas eventualmente hábeis, também, a ensejar sua dedução na apuração definitiva, ou a sua conversão em indébito, em caso de inexistência de tributo devido pela recorrente. Questionada sobre a existência de fatos tributáveis que ensejassem a apuração de CSLL, Contribuição ao PIS e COFINS, devidos em operações próprias em fevereiro/2006, dos quais deveriam ser deduzidas as retenções sofridas neste período, ao invés de se constituírem como indébitos passíveis de compensação, a autoridade fiscal responsável examinou na escrituração comercial e fiscal da recorrente, identificou a origem de suas receitas, destacando aquela proveniente de taxa de administração cobrada de seus associados, informando os valores recebidos dos convênios e repassados aos associados em fevereiro/2006, a taxa de administração cobrada e os valores retidos nos repasses a pessoas jurídicas, e ressaltando inexistir receitas escrituradas distintas daquelas listadas no estatuto da Associação. No que tange aos tributos devidos pela Associação, a autoridade fiscal identificou contas representativas das retenções por ela promovidas e de impostos a recuperar em razão das retenções sofridas, sendo que os débitos das primeiras foram liquidados por pagamento (R$ 68.757,20) e uma parcela por meio da compensação aqui em debate (R$ 27.203,29). Confirmou que a Associação sofreu retenções no total de R$ 29.158,67 em fevereiro/2006, bem como informou em DIRF e em DCTF as retenções promovidas m face de seus associados. Ainda, identificou contas representativas de dívidas próprias, correspondentes a COFINS e Contribuição ao PIS incidentes sobre “aplicações”, bem como de Contribuição ao PIS incidente sobre folha de pagamento. Às fls. 1496/1497 constata-se que em fevereiro/2006 foram contabilizados débitos de COFINS e Contribuição ao PIS a recolher “s/ aplicação” nos valores de R$ 142,76 e R$ 30,93, bem como débito de Contribuição ao PIS sobre folha de pagamento no valor de R$ 596,65. A escrituração da contribuinte indica que estes débitos foram pagos em contrapartida a Bancos, no mês de março/2006 (fls. 1498/1499). A DCTF semestral apresentada em 17/08/2006 também aponta a quitação destes débitos por meio de pagamento em DARF (fls. 2315/2371). Resta, assim, confirmado que as retenções sofridas constituíram indébitos passíveis de compensação, na medida em que não houve débitos de CSLL, COFINS e Contribuição ao PIS apurados em operações próprias, pela associação, no mês de fevereiro, e as Fl. 329DF CARF MF Fl. 23 do Acórdão n.º 9101-004.576 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10166.011080/2005-11 parcelas verificadas em razão de rendimentos de aplicações financeiras e sobre folha de pagamento estão devidamente pagas. Confirma-se, também, que as fontes pagadoras promoveram retenções superiores ao valor apontado como indébito pela interessada. E, por fim, que a DCOMP foi apresentada em 10/03/2006, antes do vencimento do débito compensado (15/03/2006), de mesmo valor do crédito alegado. Por tais razões, o presente voto é no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para declarar homologada a compensação aqui veiculada. A necessidade de verificações semelhantes às promovidas no processo administrativo nº 10166.002417/2006-71 impede a homologação da compensação como requerido pela Contribuinte. De outro lado, a jurisprudência administrativa evoluiu no sentido de não mais converter julgamentos em diligência na hipótese de a não-homologação de compensação decorrer da impossibilidade de pedir, apontada pela autoridade fiscal, como é o caso destes autos, nos quais não foi analisado do direito creditório indicado pelo sujeito passivo por não se enquadrar em nenhuma das hipóteses passíveis de compensação. Em tais circunstâncias, afastado o óbice posto, o recurso do sujeito passivo é provido parcialmente com determinação de retorno à autoridade fiscal para as verificações necessárias em face do pedido que se afirmou possível. Por tais razões, deve ser DADO PROVIMENTO PARCIAL ao recurso especial e determinado o retorno dos autos à Unidade de Origem para apreciação da compensação pleiteada segundo as premissas fixadas no início deste voto. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Fl. 330DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10925.002611/2004-56
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR
Exercício: 2000
Ementa:
ITR. DO VALOR DA TERRA NUA. SUBAVALIAÇÃO MANTIDA Para
fins de revisão do VTN arbitrado pela fiscalização, com base no VTN/ha apontados no SIPT, exige-se que o Laudo Técnico de Avaliação, emitido por profissional habilitado, atenda aos requisitos essenciais das Normas da ABNT (NBR 14.6533),
demonstrando, de forma inequívoca, o valor fundiário do imóvel.
DIVERGÊNCIA ENTRE A ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE INFORMADA NA DITR. ERRO DE FATO. No caso de evidente erro de fato no preenchimento da informação da DITR, comprovado com documentais hábeis, que a área declarada efetivamente não está sujeita ao
ITR, não deve prosperar o lançamento.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2201-001.254
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso para restabelecer a área aproveitável de 952,71ha, devendo esse valor ser considerado no cálculo do percentual de aproveitamento e na alíquota aplicável.
Matéria: ITR - ação fiscal (AF) - valoração da terra nua
Nome do relator: Rayana Alves de Oliveira França
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DO VALOR DA TERRA NUA. SUBAVALIAÇÃO MANTIDA Para fins de revisão do VTN arbitrado pela fiscalização, com base no VTN/ha apontados no SIPT, exigese que o Laudo Técnico de Avaliação, emitido por profissional habilitado, atenda aos requisitos essenciais das Normas da ABNT (NBR 14.6533), demonstrando, de forma inequívoca, o valor fundiário do imóvel. DIVERGÊNCIA ENTRE A ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE INFORMADA NA DITR. ERRO DE FATO. No caso de evidente erro de fato no preenchimento da informação da DITR, comprovado com documentais hábeis, que a área declarada efetivamente não está sujeita ao ITR, não deve prosperar o lançamento. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para restabelecer a área aproveitável de 952,71ha, devendo esse valor ser considerado no cálculo do percentual de aproveitamento e na alíquota aplicável. (Assinado Digitalmente) Francisco Assis de Oliveira Júnior Presidente. (Assinado Digitalmente) Rayana Alves de Oliveira França Relatora. EDITADO EM: 24/10/2011 Fl. 1DF CARF MF Emitido em 07/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANC, Assinado digitalmente em 24/10/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANC, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por FRANCISCO ASS IS DE OLIVEIRA JU 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe e Francisco Assis de Oliveira Júnior (Presidente). Ausência justificada do conselheiro Gustavo Lian Haddad. Relatório Tratase de processo que volta a julgamento nessa Câmara, após a baixa dos autos à repartição de origem para cumprimento de diligência, determinada pela Resolução nº 3021.538, de 11/09/2008 (fls. 116/119), para os seguintes fins: “Diante do exposto, VOTO PELA CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA À REPARTIÇÃO DE ORIGEM, para que a autoridade fiscalizadora informe a este Conselho se, quando da lavratura do Auto de Infração, possuía as informações sobre preços de terras recebidos da Secretaria de Agricultura ou entidades correlatas para o município de Rani no Estado de Santa Catarina, dados estes utilizados para alimentar o sistema S1PT para o ano em debate. Deve ainda diligenciar para informar se, no ano de 1999, havia processo de reflorestamento na área ora debatida, informar qual a área efetivamente 'utilizada para tal, informar quaisquer outras informações relevantes que ajudem ao julgamento do feito, bem como informe a real situação do imóvel naquele ano. Realizada a diligência, deverá ser dado vista ao recorrente para se manifestar, querendo, pelo prazo de 30 dias, e, após, devem ser encaminhados os autos para este Conselho, para fins de julgamento. Realizada a diligência, deverá ser dado vista ao recorrente para se manifestar, querendo, pelo prazo de 30 dias, e, após, devem ser encaminhados os autos para este Conselho, para fins de julgamento.” Originalmente, os fatos estão assim relatados na citada Resolução (fls. 117/118): “Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: Trata o presente processo do auto de infração e documentos correlatas de fls. 02 a 17 e 65 a 67, através do qual se exige o Imposto Territorial Rural — ITR, no valor original de RS 23,473,15, acrescido de juros moratórias e milha de oficio, decorrente de glosa parcial da exploração extrativa, informada na Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial D1TR (DIAC/DIA7), do exercício de 2000, e avaliação da terra nua conforme o Sistema de Preços de Terras da Secretaria da Receita Federal, incidente sobre o imóvel rural denominado "Fazenda Caçadorzinho", com área total de 1.953,6 há Número do Imóvel — MRF 3.661.1000, localizado no município de Irani/SC. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 07/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANC, Assinado digitalmente em 24/10/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANC, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por FRANCISCO ASS IS DE OLIVEIRA JU Processo nº 10925.002611/200456 Acórdão n.º 220101.254 S2C2T1 Fl. 2 3 As alterações no cálculo do imposto estão demonstradas às fl. 65. A glosa efetuada causou uma redução da área utilizada, de 1.333,4 há para 837,4 ha, com a conseqüente redução do grau de utilização, de 93,291, para 58,594 Com isso, a alíquota aplicável modificouse, de 0,30% para 3,40%, segundo a tabela referida no art. II, da Lei n°9.393/96. A terra nua foi avaliada em R$ 967.032,00, resultando no imposto devido apurado de R$24.179,28 e na diferença de imposto apurada de RS 23.473,15. Conforme a descrição dos fatos e enquadramento legal e termo de verificação fls.03 a 07 e 09 a 17, a área de exploração mediante plano de manejo sustentado, de 496,0 ha, foi glosada por não ter sido comprovada satisfatoriamente a regularidade do referido plano e o cronograma de sua execução; e o valor da terra nua foi avaliado conforme o Sistema de Preços de Terras da Secretaria da Receita Federal por não ter sido apresentado laudo técnico de avaliação que comprovasse o valor declarado na DITR. O interessado apresentou impugnação tempestivamente, fi. 70, na qual, após qualificarse, assim expõe os fatos e apresenta sua defesa: "1) Houve um equívoco na apresentação das declarações de ITR, onde foi declarada área de PMFS — sendo que não existe esta área em questão (496,00 ha). 2) No local onde foi declarado ser de PMFS, existe um projeto feito pela empresa CELULOSE IRANI SA, a qual retirou a lenha no ano e 1989 a 1990, A partir de 1991 esta área passou a ser reflorestada com Pinus e Eucalzpto, conforme cópias de contrato em anexo com: 346,00ha SADIA CONCÓRDIA S/A — INDÚSTRIA E COMÉRCIO e 72,88ha LUCIO RICARDO MARCON, 20,00 ha do proprietário e o restante da área campo sujo.” Baixado o processo em diligência, o contribuinte foi intimado a comprovar, relativo ao ano de 1999 (fls.124/125): 1. Área Utilizada com Produção Vegetal de 260,00ha; 2. Comprovar Área ocupada com Pastagens de 382,10ha; 3. Comprovar Área ocupada com Exploração Extrativa de 195,30ha. Em resposta o contribuinte apresentou: a) Laudo de Avaliação da Fazenda Caçadorzinho, referente ao ano de 1999 e datado de 20/03/2009 (fls.128/131); b) Contrato de arrendamento de exclusividade agrícola (fls.132/134); c) Levantamento Planimétrico da Fazenda Caçadorzinho (fls.135); Fl. 3DF CARF MF Emitido em 07/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANC, Assinado digitalmente em 24/10/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANC, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por FRANCISCO ASS IS DE OLIVEIRA JU 4 d) Notas Fiscais (fls.134/141); e) Tabela com informações do projeto da Celulose Irani SA (fls.142). O resultado da diligência solicitada encontrase às fls. 144/146, acompanhado dos dados do SIPT, referente ao exercício de 2000 (fls.123), Anexo I Quadro Comparativo das Distribuições de Usos da Área Total do Imóvel (fls.147) e Anexo II – Descrição do Ecossistema “Banhado” (fls.148/153), cabendo destacar nas conclusões: “Quanto ao questionamento sobre a real situação do imóvel no ano de 1999, solicitação de diligência que consistia em rever todas as informações prestadas pelo contribuinte na DITR 2000, ficou constatado o êxito do contribuinte em apresentar documentos comprobatórios de uma distribuição de usos da área total do imóvel que faz com que se reconheça uma condição mais favorável ao sujeito passivo na apuração do ITR. Basicamente estes documentos materializamse em Laudo Técnico e respectivo levantamento planiméttico assinado por Engenheiro Florestal (fls. 128 a 135) com a respectiva Anotação de Responsabilidade Técnica (fl. 127).” Devidamente intimado para se manifestar sobre a conclusão da diligência, em 29/07/2009, por AR (fls. 154), o contribuinte silenciou. É o relatório. Voto Conselheira Rayana Alves de Oliveira França O recurso preenche as condições de admissibilidade. Dele conheço. Não há argüição de preliminar. Conforme se depreende do Demonstrativo de Apuração de ITR (fls.65), que acompanhou o auto de infração, foi reduzida de 691,0ha para 195,3ha a área de exploração extrativa, acarretando a redução da área utilizada de 1.333,4ha para 837,4ha, o grau de utilização 93,2 para 58,2 e elevação do o valor da terra nua de R$235.337,02 para R$711.155,33. A área total do imóvel é 1.935,60ha. Conforme inferido na diligência, relativo ao Valor da Terra Nua, nada foi alterado, inclusive a planilha da tabela SIPT apresentada, fls.124, é idêntica a anteriormente acostada ao processo às fls.55. Assim, não tendo o contribuinte apresentado no processo Laudo Técnico de Avaliação, deve ser mantido o lançamento efetuado de acordo com a valoração do SIPT. Resta, portanto para análise a área de exploração extrativa, que foi declarada 691ha e reduzida no lançamento para 195,3ha. No laudo apresentado pelo contribuinte ficou evidenciado que essa área é igual a zero. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 07/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANC, Assinado digitalmente em 24/10/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANC, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por FRANCISCO ASS IS DE OLIVEIRA JU Processo nº 10925.002611/200456 Acórdão n.º 220101.254 S2C2T1 Fl. 3 5 De fato, baixado o processo em diligência, inferese que na classificação da área aproveitável há divergência entre as áreas declaradas pelo contribuinte na DITR, glosadas pela fiscalização e apuradas em diligência, conforme tabela abaixo: Área DITR Apurado pela Fiscalização Apurado em diligência Detalhamento Classificação Pastagens 382,1 382,1 238,27 Pastagens Nativas Produção Agrícola 260 260 714,44 346,4 Reflorestamento de Eucalipto 88,04 Reflorestamento de Pinus 280 Lavoura Pastagens cultivadas Exploração Extrativa 691,3 195,3 0 Área Utilizada 1.333,40 837,4 952,71 No que pese as diferenças na classificação das áreas, ficou comprovado que dos 1.333,40ha declarados como área utilizada, após diligência fiscal, ficou devidamente comprovada 952,71ha, devendo a área total comprovada ser considerada na área aproveitável e utilizada no cálculo percentual de aproveitamento. Acolhendo o resultado da diligência, fica constatado erro material na declaração que deve ser corrigida para corresponder a verdade de fato, inclusive a finalidade precípua da solicitação foi conhecer “a real situação do imóvel naquele ano.” Diante do exposto dou parcial provimento parcial ao recurso para restabelecer a área aproveitável de 952,71ha, devendo esse valor ser considerado no cálculo do percentual de aproveitamento e na alíquota aplicável. (assinado digitalmente) Rayana Alves de Oliveira França Relatora Fl. 5DF CARF MF Emitido em 07/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANC, Assinado digitalmente em 24/10/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANC, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por FRANCISCO ASS IS DE OLIVEIRA JU 6 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência da decisão consubstanciada no acórdão supra. Brasília/DF, 24/10/2011 __________(assinado digitalmente)_____________ FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR Presidente da Segunda Câmara / Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 6DF CARF MF Emitido em 07/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANC, Assinado digitalmente em 24/10/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANC, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por FRANCISCO ASS IS DE OLIVEIRA JU
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