Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,279)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,763)
- Primeira Turma Ordinária (16,221)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,176)
- Primeira Turma Ordinária (16,104)
- Primeira Turma Ordinária (16,039)
- Segunda Turma Ordinária d (15,797)
- Segunda Turma Ordinária d (14,451)
- Primeira Turma Ordinária (13,020)
- Primeira Turma Ordinária (12,381)
- Segunda Turma Ordinária d (12,367)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,422)
- Quarta Câmara (84,834)
- Terceira Câmara (67,389)
- Segunda Câmara (55,826)
- Primeira Câmara (20,245)
- 3ª SEÇÃO (16,176)
- 2ª SEÇÃO (11,281)
- 1ª SEÇÃO (6,836)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (125,132)
- Segunda Seção de Julgamen (114,469)
- Primeira Seção de Julgame (76,587)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,961)
- Câmara Superior de Recurs (37,889)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,615)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,487)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,754)
- HELCIO LAFETA REIS (3,725)
- ROSALDO TREVISAN (3,220)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,925)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,728)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,630)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,840)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,921)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,471)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,515)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,135)
- 2017 (16,840)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2026 (13,849)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10855.005846/2002-17
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Dec 08 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Feb 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 07/05/1997 a 27/12/1997
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO.
Demonstrada omissão em Acórdão proferido por Turma da CSRF, devem ser recebidos e acolhidos os embargos para sua correção.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 07/05/1997 a 27/12/1997
DECADÊNCIA. TRIBUTO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PRAZO.
No julgamento do REsp 973.733/SC, sob o regime do art. 543C do CPC, o Superior Tribunal de Justiça decidiu que a contagem do prazo qüinqüenal de que a Fazenda Pública dispõe para a constituição de crédito tributário sujeito a lançamento por homologação, nos casos em que não houve antecipação de pagamento, deve ser efetuada nos termos do art. 173, do CTN; assim, em face do disposto no art. 62A do RICARF, adota-se aquela decisão, afastando a suscitada decadência.
DEPÓSITO JUDICIAL. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO EQUIVALÊNCIA. MULTA DE MORA. INCIDÊNCIA
O depósito judicial anterior ao início ação fiscal não configura denúncia espontânea, que pudesse ensejar a inexigibilidade de multa de mora decorrente de pagamento extemporâneo de tributo.
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DEPÓSITOS JUDICIAIS. LANÇAMENTO DE OFICIO. JUROS DE MORA. MULTA DE OFÍCIO.
No lançamento de ofício de crédito tributário, objeto de discussão judicial, dispensa-se a exigência dos juros de mora e da multa de ofício sobre os valores depositados, mantendo-se a exigência apenas sobre as diferenças não depositadas.
Embargos Acolhidos.
Numero da decisão: 9303-004.565
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração opostos pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Sorocaba (DRF/SOR), sem efeitos infringentes, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Andrada Marcio Canuto Natal - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício), Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado) e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201612
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 07/05/1997 a 27/12/1997 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. Demonstrada omissão em Acórdão proferido por Turma da CSRF, devem ser recebidos e acolhidos os embargos para sua correção. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 07/05/1997 a 27/12/1997 DECADÊNCIA. TRIBUTO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PRAZO. No julgamento do REsp 973.733/SC, sob o regime do art. 543C do CPC, o Superior Tribunal de Justiça decidiu que a contagem do prazo qüinqüenal de que a Fazenda Pública dispõe para a constituição de crédito tributário sujeito a lançamento por homologação, nos casos em que não houve antecipação de pagamento, deve ser efetuada nos termos do art. 173, do CTN; assim, em face do disposto no art. 62A do RICARF, adota-se aquela decisão, afastando a suscitada decadência. DEPÓSITO JUDICIAL. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO EQUIVALÊNCIA. MULTA DE MORA. INCIDÊNCIA O depósito judicial anterior ao início ação fiscal não configura denúncia espontânea, que pudesse ensejar a inexigibilidade de multa de mora decorrente de pagamento extemporâneo de tributo. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DEPÓSITOS JUDICIAIS. LANÇAMENTO DE OFICIO. JUROS DE MORA. MULTA DE OFÍCIO. No lançamento de ofício de crédito tributário, objeto de discussão judicial, dispensa-se a exigência dos juros de mora e da multa de ofício sobre os valores depositados, mantendo-se a exigência apenas sobre as diferenças não depositadas. Embargos Acolhidos.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Fri Feb 17 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10855.005846/2002-17
anomes_publicacao_s : 201702
conteudo_id_s : 5681938
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Feb 17 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 9303-004.565
nome_arquivo_s : Decisao_10855005846200217.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
nome_arquivo_pdf_s : 10855005846200217_5681938.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração opostos pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Sorocaba (DRF/SOR), sem efeitos infringentes, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Andrada Marcio Canuto Natal - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício), Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado) e Vanessa Marini Cecconello.
dt_sessao_tdt : Thu Dec 08 00:00:00 UTC 2016
id : 6653402
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:56:12 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048947194331136
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1961; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10855.005846/200217 Recurso nº Embargos Acórdão nº 9303004.565 – 3ª Turma Sessão de 8 de dezembro de 2016 Matéria CPMF AUTO DE INFRAÇÃO Embargante DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL EM SOROCABA Interessado BRASIL KIRIN INDÚSTRIA DE BEBIDAS LTDA E FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 07/05/1997 a 27/12/1997 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. Demonstrada omissão em Acórdão proferido por Turma da CSRF, devem ser recebidos e acolhidos os embargos para sua correção. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 07/05/1997 a 27/12/1997 DECADÊNCIA. TRIBUTO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PRAZO. No julgamento do REsp 973.733/SC, sob o regime do art. 543C do CPC, o Superior Tribunal de Justiça decidiu que a contagem do prazo qüinqüenal de que a Fazenda Pública dispõe para a constituição de crédito tributário sujeito a lançamento por homologação, nos casos em que não houve antecipação de pagamento, deve ser efetuada nos termos do art. 173, do CTN; assim, em face do disposto no art. 62A do RICARF, adotase aquela decisão, afastando a suscitada decadência. DEPÓSITO JUDICIAL. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO EQUIVALÊNCIA. MULTA DE MORA. INCIDÊNCIA O depósito judicial anterior ao início ação fiscal não configura denúncia espontânea, que pudesse ensejar a inexigibilidade de multa de mora decorrente de pagamento extemporâneo de tributo. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DEPÓSITOS JUDICIAIS. LANÇAMENTO DE OFICIO. JUROS DE MORA. MULTA DE OFÍCIO. No lançamento de ofício de crédito tributário, objeto de discussão judicial, dispensase a exigência dos juros de mora e da multa de ofício sobre os valores depositados, mantendose a exigência apenas sobre as diferenças não depositadas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 00 58 46 /2 00 2- 17 Fl. 564DF CARF MF Processo nº 10855.005846/200217 Acórdão n.º 9303004.565 CSRFT3 Fl. 3 2 Embargos Acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração opostos pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Sorocaba (DRF/SOR), sem efeitos infringentes, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Andrada Marcio Canuto Natal Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício), Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado) e Vanessa Marini Cecconello. Fl. 565DF CARF MF Processo nº 10855.005846/200217 Acórdão n.º 9303004.565 CSRFT3 Fl. 4 3 Relatório O presente processo se iniciou com auto de infração, lavrado em face da empresa Primo Schincariol Indústria de Cervejas e Refrigerantes (atual Brasil Kirin Indústria de Bebidas Ltda), relativo a falta de recolhimentos de Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira CPMF, dos períodos de 05/1997 a 08/2000. O sujeito passivo havia impetrado Mandado de Segurança e Ação Cautelar e depositados os valores relativos aos fatos geradores entre 09/1997 a 08/2000. Foram interpostos impugnação e recursos voluntário e especial, resultando no Acórdão nº 9303002.749, de 21/1/2014, fls. 533/537, cuja ementa ficou assim redigida: "Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 07/05/1997 a 27/12/1997 DECADÊNCIA. TRIBUTO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PRAZO. No julgamento do REsp 973.733/SC, sob o regime do art. 543C do CPC, o Superior Tribunal de Justiça decidiu que a contagem do prazo qüinqüenal de que a Fazenda Pública dispõe para a constituição de crédito tributário sujeito a lançamento por homologação, nos casos em que não houve antecipação de pagamento, deve ser efetuada nos termos do art. 173, do CTN; assim, em face do disposto no art. 62A do RICARF, adotase aquela decisão, afastando a suscitada decadência. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DEPÓSITOS JUDICIAIS. LANÇAMENTO DE OFICIO. JUROS DE MORA. MULTA DE OFÍCIO. No lançamento de ofício de crédito tributário, objeto de discussão judicial, dispensase a exigência dos juros de mora e da multa de ofício sobre os valores depositados, mantendose a exigência apenas sobre as parcelas diferenças não depositadas. Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte." Na parte dispositiva do Acórdão, ficou assentado que o Colegiado acordou afastar a decadência e dar provimento ao recurso especial, para excluir do lançamento os juros de mora e a multa de ofício sobre os valores depositados judicialmente. Vejase a parte final do voto vencedor do acórdão, fl. 537: "Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso especial do contribuinte apenas e tão somente para que se exclua do lançamento os juros de mora e a multa de ofício sobre os valores depositados judicialmente, mantendose, contudo, a exigência destas cominações sobre as Fl. 566DF CARF MF Processo nº 10855.005846/200217 Acórdão n.º 9303004.565 CSRFT3 Fl. 5 4 parcelas não depositadas referentes aos fatos geradores ocorridos entre as datas de 07/05/1997 e 31/12/1997 e sobre possíveis diferenças entre parcelas depositadas judicialmente e as efetivamente devidas." Cientificada da decisão, a Procuradoria da Fazenda Nacional não se manifestou, fl. 540. O processo foi encaminhado à Delegacia da Receita Federal em Sorocaba DRF/SOR, para ciência à contribuinte e demais providências, porém, esta encontrou dificuldades para a execução do acórdão e devolveu os autos para que a CSRF esclarecesse os pontos duvidosos, conforme Informação DRFSOR/EQJUD/nº 150/2016, de 3/5/2016, às folhas 553/559, que se resumem ao seguinte: "26. Antes de se efetuar a imputação dos depósitos judiciais aos débitos lançados no Auto de Infração em referência, questionase o seguinte a este E. Conselho, ressaltando que estamos nos referindo aos encargos cabíveis nos depósitos judiciais efetuados e não aos encargos cabíveis no lançamento de ofício, uma vez que estes já foram objeto de decisão da CSRF: a) em vista do art. 4º do DecretoLei nº 1.737/1979, na imputação dos depósitos judiciais por valores depositados devese entender que na imputação proporcional incide a multa de mora?; b) ou, ainda que não tenha ocorrido “pagamento de débito”, mas sim depósito em ação judicial, e também, ainda que a CPMF não seja contribuição sujeita a declaração pelo contribuinte, devese ter o entendimento de ter havido a configuração da denúncia espontânea, aplicandose, desta forma, o Parecer PGFN/CRJ nº 2113/2011 neste caso, e desconsiderandose a necessidade de multa moratória, sendo cabível no depósito judicial apenas os juros de mora? A Informação DRFSOR/EQJUD/nº 150/2016, de 3/5/2016, fls. 553/559, foi recebida como Embargos de Declaração pelo Presidente da CSRF, conforme Despacho de 5/8/2016, às folhas 561/563, para que as obscuridades fossem esclarecidas pelo Colegiado da CSRF. É o relatório. Fl. 567DF CARF MF Processo nº 10855.005846/200217 Acórdão n.º 9303004.565 CSRFT3 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, Relator Observese inicialmente que o Despacho de Admissibilidade de Embargos, fls. 561/563, informa, incorretamente, no início, que o acórdão embargado é o de nº 9303 003.429, porém, em sua conclusão, deixa claro que os embargos foram dirigidos contra o Acórdão nº 9303002.749, de 21/1/2014, fls. 533/537, de modo que o erro, por si só, não constitui óbice a que se dê continuidade à apreciação dos embargos nesta sessão de julgamento. 1) Competência do CARF e Embargos de Declaração. O presente processo administrativo de exigência de crédito tributário federal foi instaurado por meio do auto de infração. A impugnação ao auto instaurou a fase litigiosa do processo, conforme art. 14 do Decreto nº 70.235, de 6/3/1972, delimitando as matérias passíveis de discussão pelas instâncias julgadoras administrativas. Conforme art. 1º do Anexo I, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9/6/2015, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) tem por finalidade julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância, bem como os recursos de natureza especial, que versem sobre a aplicação da legislação referente a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). Ao julgar estes recursos, o CARF deve limitarse às matérias litigiosas. O RICARF prevê, no art. 65 do seu Anexo II, a interposição de Embargos de Declaração nos casos em que o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e seus fundamentos ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. Vejase: "Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. §1º Os embargos de declaração poderão ser interpostos, mediante petição fundamentada dirigida ao presidente da Turma, no prazo de 5 (cinco) dias contado da ciência do acórdão: (...) V pelo titular da unidade da administração tributária encarregada da liquidação e execução do acórdão. (...) Fl. 568DF CARF MF Processo nº 10855.005846/200217 Acórdão n.º 9303004.565 CSRFT3 Fl. 7 6 §3º O Presidente não conhecerá os embargos intempestivos e rejeitará, em caráter definitivo, os embargos em que as alegações de omissão, contradição ou obscuridade sejam manifestamente improcedentes ou não estiverem objetivamente apontadas. (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) (...). §7º Não poderão ser incluídos em pauta de julgamento embargos de declaração para os quais não haja despacho de admissibilidade. (...)" No Despacho de Exame de Admissibilidade do Recurso Especial de divergência interposto pelo sujeito passivo, fls 502/506, três matérias foram admitidas para seguimento à CSRF: decadência; incidência da multa de mora sobre o valor depositado judicialmente, em vista da alegação de ocorrência de denúncia espontânea; e imputação do depósito judicial e exigência de juros moratórios e multa punitiva. 2) Decadência. Quanto a esta matéria, conforme ementa transcrita no relatório acima e o excerto do voto vencedor a seguir transcrito, o Acórdão afastou a decadência. Tratase de matéria julgada pelo Superior Tribunal de Justiça, sob o regime do art. 543C do CPC, ou seja, recurso repetitivo, por meio do julgamento proferido no Resp nº 973.733/SC, nos seguintes termos: (...) No presente caso, conforme demonstrado e provado nos autos, para os fatos geradores cuja decadência qüinqüenal foi suscitada, não houve antecipação de pagamento nem depósitos judiciais. Assim, por força do disposto no art. 62A do RICARF, adotase para o presente julgamento, aquela decisão, para afastar a suscitada decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário correspondente aos fatos geradores ocorridos entre as datas de 07/05/1997 e 27/12/1997." Não houve, pois, obscuridade, omissão ou contradição nesta matéria. 3) Incidência da multa de mora sobre o valor depositado judicialmente, em vista da ocorrência de denúncia espontânea. Não há nenhuma menção na ementa a respeito desta matéria. No voto condutor, encontramos apenas o seguinte, fl. 595: Fl. 569DF CARF MF Processo nº 10855.005846/200217 Acórdão n.º 9303004.565 CSRFT3 Fl. 8 7 "Preliminarmente, quanto à multa moratória, sua discussão e julgamento ficaram prejudicados por se tratar de matéria estranha ao crédito tributário em discussão." Ao dizer que é estranha ao crédito tributário, o voto vencedor evidenciou que a multa de mora não foi objeto do auto de infração, por isso, considerou prejudicada a discussão e o julgamento desta matéria, logo, numa primeira leitura poderseia dizer que não houve omissão, ao contrário, que o acórdão assentou o entendimento de que a matéria não poderia ser discutida ou julgada. Este entendimento não está em desacordo com os fatos. Compulsando os autos, verifico que, no Demonstrativo de Apuração da CPMF, constante do auto de infração, fls. 174/185 do eprocesso, não há a exigência de multa de mora, apenas, multa de ofício e juros de mora. No quadro destinado ao enquadramento legal, fl. 185 do eprocesso, constam o art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996, para a multa de ofício equivalente a 75% do tributo não recolhido ou recolhido a menor, e o art. 61, §3º, da mesma lei, para a aplicação da taxa SELIC, quanto aos juros de mora. E no quadro "Demonstrativo do Crédito Tributário em R$" do auto de infração, fl. 186, estão relacionados apenas a Contribuição (CPFM), os Juros de Mora, calculados até 21/11/2002, e a Multa Proporcional, equivalente a 75% do tributo, passível de redução. Também no quadro "Descrição dos Fatos e Enquadramento(s) Legal(is)", fls. 187/189 do eprocesso, não há qualquer menção à multa de mora. Porém, não é disto que tratou o sujeito passivo no Recurso Especial e a Fazenda Nacional em suas contrarrazões e que foi admitido no Despacho de Exame de Admissibilidade. A multa de mora que se pretendia discutir era a que seria devida pelo fato de o depósito judicial efetuado para fins de suspender a exigibilidade terse realizado após o vencimento do tributo e após o decurso do prazo de 30 dias da decisão judicial que cassou liminar que suspendia a cobrança da CPMF sobre as movimentações do contribuinte. Vejase o seguinte trecho do voto condutor do Acórdão da primeira instância administrativa, fl. 268: "18. Pois bem, conforme informado pelo auditor fiscal, a lmpugnante efetuou depósitos judiciais relativos aos valores devidos apenas em 18/09/02 coincidentemente, sete dias antes de serlhe cientificado o início da ação fiscal, diga se. E tais depósitos, realizados após o vencimento, foram efetuados sem a inclusão da correspondente multa de mora, como permite concluir o demonstrativo apresentado pela própria contribuinte às f1s.178/180. Portanto, tais depósitos não correspondem ao montante integral exigido pela lei." Fl. 570DF CARF MF Processo nº 10855.005846/200217 Acórdão n.º 9303004.565 CSRFT3 Fl. 9 8 Ou seja, para considerar que o depósito não foi no montante integral, a DRJ partiu do entendimento de que era devida a multa de mora No Recurso Voluntário, fls. 302 e ss., o sujeito passivo alegou o descabimento da exigência desta multa, com base no entendimento de que o depósito judicial efetuado com atraso, mas antes do início da ação fiscal, configura denúncia espontânea, tornandoa inaplicável. No voto condutor do Acórdão de Recurso Voluntário nº 20312.362, à folha 369 do eprocesso, também foi transcrito o trecho acima, extraído do acórdão de primeira instância administrativa. Finalmente, o Despacho de Admissibilidade do Recurso Especial traz os seguintes dizeres: "Quanto à incidência da multa de mora sobre o valor depositado judicialmente, o qual, lembrese, foi efetuado antes do inicio da ação fiscal, porém, após o vencimento dos débitos, condição essa que, ao ver do Fisco e do Acórdão ora recorrido deveria ter sido cumprida pela interessada para que o depósito fosse considerado corno integral, e, consequentemente, funcionasse como fator inibidor da aplicação da multa de oficio e dos juros moratórios sobre a "diferença" encontrada, também se mostra presente a divergência de entendimento entre as Câmaras, visto que o Acórdão nº 10514.276, trazido como paradigma, claro em admitir, em situação idêntica a do presente caso, a ocorrência do instituto da denúncia espontânea, tendo afastado, por isso, a referida aplicação da multa de oficio. Assim, aqui também presentes as condições estabelecidas pelo inciso II do artigo 7º do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais." Logo, quanto a esta matéria, que tem repercussão na imputação dos valores depositados, para fins de execução do acórdão, a decisão embargada foi omissa, merecendo ser saneada. A questão sobre se o depósito judicial efetuado após o vencimento e após o prazo de 30 (trinta) dias da decisão judicial que cassou a liminar da contribuinte, porém antes do início de ação fiscal, configuraria denúncia espontânea, já foi pacificada no Superior Tribunal de Justiça, no julgamento dos Embargos de Divergência no RESP nº 1.131.090RJ (2013/03513625), relatado pelo Ministro Mauro Campbell Marques, cuja ementa é a seguinte: TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. DEPÓSITO JUDICIAL. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ART. 138 DO CTN. NÃO OCORRÊNCIA. ATUAL ENTENDIMENTO DE AMBAS AS TURMAS DE DIREITO PÚBLICO DO STJ. ENFOQUE ECONÔMICO DO INSTITUTO. NECESSIDADE DE EXISTÊNCIA DE RELAÇÃO DE TROCA ENTRE CUSTO DE OPORTUNIDADE E CUSTO ADMINISTRATIVO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA CONHECIDOS E NÃO PROVIDOS. 1. Discutese nos autos a ocorrência ou não de denúncia espontânea em caso de depósito judicial dos valores do tributo devido antes da instauração de procedimento fiscal pelo Fisco. O Embargante alega dissídio interpretativo com julgado Fl. 571DF CARF MF Processo nº 10855.005846/200217 Acórdão n.º 9303004.565 CSRFT3 Fl. 10 9 proferido pela Segunda Turma desta Corte nos autos do REsp nº 196.037/PE de relatoria do Min. Francisco Peçanha Martins, caso em que se reconheceu a ocorrência de denúncia espontânea, nos termos do art. 138 do CTN, na hipótese do depósito judicial do tributo e seus consectários antes de procedimento de fiscalização realizado pelo Fisco. 2. O acórdão embargado entendeu que a ocorrência da denúncia espontânea pressupõe a consolidação definitiva da relação jurídica tributária mediante confissão do contribuinte e imediato pagamento de sua dívida fiscal, o que não ocorre por depósito judicial, pois, por meio dele subsiste a controvérsia sobre a obrigação tributária, retirando, dessa forma, o efeito desejado pela norma de mitigar as discussões administrativas ou judiciais a esse respeito. 3. Em recente julgado da Segunda Turma desta Corte, nos autos do REsp nº 1.340.174/PR, de minha relatoria, DJe 28.9.2015, foi negado provimento recurso especial onde se pretendia o reconhecimento de denúncia espontânea em caso de depósito judicial dos valores do tributo e respectivos juros, ocasião em que foi explicitado, nas razões de decidir, o precedente da Primeira Turma desta Corte nos autos do REsp nº 1.131.090/RJ, DJe 19.9.2013, objeto dos presentes embargos de divergência. 4. O instituto da denúncia espontânea, mais que um benefício direcionado ao contribuinte que dele se favorece ao ter excluída a responsabilidade pela multa, está direcionado à Administração Tributária que deve ser preservada de incorrer nos custos administrativos relativos à fiscalização, constituição, administração e cobrança do crédito. Para sua ocorrência deve haver uma relação de troca entre o custo de conformidade (custo suportado pelo contribuinte para se adequar ao comportamento exigido pelo Fisco) e o custo administrativo (custo no qual incorre a máquina estatal para as atividades acima elencadas) balanceado pela regra prevista no art. 138 do CTN. 5. O depósito judicial integral do tributo devido e respectivos juros de mora, a despeito de suspender a exigibilidade do crédito, na forma do art. 151, II, do CTN, não implicou relação de troca entre custo de conformidade e custo administrativo a atrair caracterização da denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN, sobretudo porque, constituído o crédito pelo depósito, nos termos da jurisprudência desta Corte (EREsp 464.343/DF, Rel. Min. José Delgado, DJ de 29.10.2007; EREsp 898.992/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 27.8.2007; EREsp. n. 671.773RJ, Primeira Seção, Rel. Min. Teori Zavascki, julgado em 23.6.2010), pressupõese a inexistência de custo administrativo para o Fisco já eliminado de antemão, a exemplo da entrega da declaração constitutiva de crédito tributário. 6. Por outro lado, além de não haver relação de troca entre custo de conformidade e custo administrativo a atrair caracterização da denúncia espontânea na hipótese, houve a criação de um novo custo administrativo para a Administração Fl. 572DF CARF MF Processo nº 10855.005846/200217 Acórdão n.º 9303004.565 CSRFT3 Fl. 11 10 Tributária em razão da necessidade de ir a juízo para discutir, nos autos do mandado de segurança impetrado pelo contribuinte, o crédito tributário cuja exigibilidade se encontra suspensa pelo depósito, ao contrário do que ocorre, v. g., em casos ordinários de constituição de crédito realizado pelo contribuinte pela entrega da declaração acompanhada do pagamento integral do tributo. 7. Embargos de divergência conhecidos e não providos." Acrescentese os seguintes entendimentos, também da jurisprudência do STJ, conforme ementa do julgamento do REsp nº 1.131.090/RJ, Relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 19/9/2014: i) A jurisprudência da Corte pacificouse no sentido de que "apenas o pagamento integral do débito que segue à sua confissão é apto a dar ensejo à denúncia espontânea"; ii) "É pressuposto da denúncia espontânea a consolidação definitiva da relação jurídica tributária mediante confissão do contribuinte e imediato pagamento de sua dívida fiscal. Em face disso, não é possível conceder os mesmos benefícios da denúncia espontânea ao débito garantido por depósito judicial, pois, por meio dele subsiste a controvérsia sobre a obrigação tributária, retirando, dessa forma, o efeito desejado pela norma de mitigar as discussões administrativas ou judiciais a esse respeito". Também no presente caso: o depósito judicial não serviu para mitigar as discussões administrativas, pelo contrário, houve a criação de custo administrativo para a Administração Tributária, que se viu obrigada a discutir em juízo o crédito tributário que também foi objeto deste processo administrativo; não houve consolidação definitiva da relação jurídicotributária, pela confissão seguida por imediato pagamento integral do débito. Assim, com fundamento nas mesmas razões das decisões do STJ no RESP nº 1.131.090RJ (1ª Turma) e no EREsp de mesmo número (1ª Seção), entendo que, no caso destes autos, não ficou configurada a denúncia espontânea, a ensejar a inaplicabilidade da multa de mora sobre os valores depositados judicialmente1. 1 A exigência da multa de mora decorre dos seguintes dispositivos da Lei nº 9.430, de 1996: Art.61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. (...)" Art.63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.158 35, de 2001) (...) § 2º A interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição. (Vide Medida Provisória nº 75, de 2002) Fl. 573DF CARF MF Processo nº 10855.005846/200217 Acórdão n.º 9303004.565 CSRFT3 Fl. 12 11 4) Multa de ofício e juros de mora. Conforme ementa transcrita no relatório acima e o último parágrafo do voto vencedor, fl. 537, o Acórdão assentou a inexigibilidade dos juros de mora e da multa de ofício sobre os valores depositados judicialmente, mantendose a exigência apenas sobre as parcelas não depositadas, referentes aos fatos geradores ocorridos entre as datas de 7/5/1997 e 31/12/1997, e sobre possíveis diferenças entre parcelas depositadas judicialmente e as efetivamente devidas. Vejase o seguinte excerto do voto vencedor: "Assim, não procede o lançamento da multa de ofício e dos juros mora sobre valores das parcelas do crédito tributário depositadas judicialmente. Contudo, sobre os valores das parcelas referentes aos fatos geradores ocorridos entre as datas de 07/05/1997 e 31/12/2007 que não foram depositadas e possíveis diferenças, em relação às parcelas dos demais fatos geradores, deve ser mantida a exigência da multa de ofício e dos juros de mora." Há no trecho transcrito um erro de escrita. Nele, e apenas nele, consta a data 31/12/2007. Em todas as outras referências ao período em que se discutiu a decadência, inclusive na ementa do acórdão, constou de 7/5/1997 a 27/12/1997. Porém, conforme voto vencedor, fl. 535, houve lançamento para o fato gerador ocorrido em 31/12/1997, cuja decadência não foi objeto de contestação, o que implicou ser considerada definitiva a exigência desta parcela. Logo, corrigindose, no trecho acima, a data 31/12/2007 para 31/12/1997, resulta o seguinte: a) Não cabe a exigência da multa de ofício e dos juros de mora sobre os valores das parcelas do crédito tributário depositadas judicialmente; b) Mantémse a exigência da multa de ofício e dos juros de mora sobre os valores das parcelas referentes aos fatos geradores ocorridos entre as datas de 7/5/1997 e 31/12/1997, que não foram depositadas; c) Mantémse a exigência da multa de ofício e dos juros de mora sobre diferenças em relação às parcelas dos demais fatos geradores. A única correção a se fazer em relação a esta matéria é a do erro de escrita, pois, apesar de não concordar com a decisão tomada2, não se pode dizer que foi omissa, obscura ou contraditória. 2 Com fundamento nas seguintes súmulas do CARF e no fato de que, no momento do lançamento, não havia decisão judicial que ensejasse a suspensão da exigibilidade, bem como o depósito judicial não foi no montante integral, entendo que a multa de ofício e os juros de mora seriam devidos no presente caso: Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral; Súmula CARF n° 17 (VINCULANTE): Não cabe a exigência de multa de ofício nos lançamentos efetuados para prevenir a decadência, quando a exigibilidade estiver suspensa na forma dos incisos IV ou V do art. 151 do CTN e a suspensão do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo; Súmula CARF nº 50: É cabível a exigência de multa de ofício se a decisão judicial que suspendia a exigibilidade do crédito tributário perdeu os efeitos antes da lavratura do auto de infração. Fl. 574DF CARF MF Processo nº 10855.005846/200217 Acórdão n.º 9303004.565 CSRFT3 Fl. 13 12 Conclusão. Por todo exposto, voto por conhecer e acolher os Embargos de Declaração interpostos pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Sorocaba (DRF/SOR), para acrescentar ao Acórdão nº 9303002.749, de 21/1/2014, que não se configurou a denúncia espontânea, incidindo a multa de mora devida pelo depósito judicial terse efetivado após a data do vencimento do tributo e após trinta dias da cassação da liminar que suspendia a exigência da CPMF, mantendose a decisão embargada em relação às outras matérias, com exceção da correção de erro de escrita explicada acima. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 575DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.907328/2008-03
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL
Data do fato gerador: 31/03/1999
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTOS POR ESTIMATIVA.
A opção pelo pagamento mensal por estimativa difere para o ajuste anual a possibilidade de os pagamentos efetuados se caracterizarem como indevidos. O valor a ser restituído corresponde ao saldo negativo apurado ao final do
exercício, sobre o qual incidem juros calculados com base na taxa Selic a partir do mês subsequente ao do encerramento do período de apuração.
COMPENSAÇÃO DE ESTIMATIVA. APRECIAÇÃO DO PEDIDO
COMO SALDO NEGATIVO. POSSIBILIDADE. O direito creditório de
estimativa deve ser apreciado como saldo negativo quando a compensação foi efetuada após o encerramento do exercício.
Numero da decisão: 1803-000.840
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento parcial ao recurso voluntário para que o direito creditório indicado na DCOMP n° 1865.49594.221204.1.3.046880
seja apreciado como saldo negativo de CSLL, devendo a repartição de origem verificar sua liquidez e certeza.
Nome do relator: Selene Ferreira de Moraes
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201102
ementa_s : CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 31/03/1999 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTOS POR ESTIMATIVA. A opção pelo pagamento mensal por estimativa difere para o ajuste anual a possibilidade de os pagamentos efetuados se caracterizarem como indevidos. O valor a ser restituído corresponde ao saldo negativo apurado ao final do exercício, sobre o qual incidem juros calculados com base na taxa Selic a partir do mês subsequente ao do encerramento do período de apuração. COMPENSAÇÃO DE ESTIMATIVA. APRECIAÇÃO DO PEDIDO COMO SALDO NEGATIVO. POSSIBILIDADE. O direito creditório de estimativa deve ser apreciado como saldo negativo quando a compensação foi efetuada após o encerramento do exercício.
turma_s : Terceira Turma Especial da Primeira Seção
numero_processo_s : 10830.907328/2008-03
conteudo_id_s : 5703120
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1803-000.840
nome_arquivo_s : Decisao_10830907328200803.pdf
nome_relator_s : Selene Ferreira de Moraes
nome_arquivo_pdf_s : 10830907328200803_5703120.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para que o direito creditório indicado na DCOMP n° 1865.49594.221204.1.3.046880 seja apreciado como saldo negativo de CSLL, devendo a repartição de origem verificar sua liquidez e certeza.
dt_sessao_tdt : Wed Feb 23 00:00:00 UTC 2011
id : 6691753
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:57:45 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048947218448384
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1913; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE03 Fl. 120 1 119 S1TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.907328/200803 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 180300.840 – 3ª Turma Especial Sessão de 23 de fevereiro de 2011 Matéria CSLL Recorrente COIM BRASIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 31/03/1999 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTOS POR ESTIMATIVA. A opção pelo pagamento mensal por estimativa difere para o ajuste anual a possibilidade de os pagamentos efetuados se caracterizarem como indevidos. O valor a ser restituído corresponde ao saldo negativo apurado ao final do exercício, sobre o qual incidem juros calculados com base na taxa Selic a partir do mês subsequente ao do encerramento do período de apuração. COMPENSAÇÃO DE ESTIMATIVA. APRECIAÇÃO DO PEDIDO COMO SALDO NEGATIVO. POSSIBILIDADE. O direito creditório de estimativa deve ser apreciado como saldo negativo quando a compensação foi efetuada após o encerramento do exercício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para que o direito creditório indicado na DCOMP n° 1865.49594.221204.1.3.046880 seja apreciado como saldo negativo de CSLL, devendo a repartição de origem verificar sua liquidez e certeza. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes – Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Marcelo Fonseca Vicentini, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Sérgio Rodrigues Mendes, Benedicto Celso Benício Júnior, Selene Ferreira de Moraes. Fl. 131DF CARF MF Emitido em 13/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 13/12 /2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10830.907328/200803 Acórdão n.º 180300.840 S1TE03 Fl. 121 2 Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: “Trata o presente processo de direito creditório relativo a pagamento indevido ou a maior de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, apurado em 31/03/1999, no valor original de R$ 46.855,46, objeto da Declaração de Compensação —DCOMP n° 31865.49594.221204.1.3.046880, transmitida em 22/12/2004, para extinção de débitos no valor principal de R$ 75.170,21. Em 02/10/2008 o interessado foi cientificado de despacho decisório de nãohomologação das compensações, atestando que analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, não foi confirmada a existência do crédito informado, pois o DARF a seguir, discriminado no PER/DCOMP, não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. (fl. 41). A DCOMP em questão aponta DARF de R$ 68.741,11, recolhido em 31/12/1999, relativo a CSLL apurada em 31/03/1999, do qual foi utilizada a parcela de R$ 46.855,46. Inconformado, o interessado, por intermédio de seus advogados e procuradores, protocolizou a manifestação de inconformidade de fls. 01/06, em 21/10/2008, juntando os documentos de fls. 07/38, e apresentando, em sua defesa, as seguintes razões de fato e de direito: • Afirma que utilizou valores relativos a estimativas que superaram os valores efetivamente devidos a título de IRPJ e CSLL apurados ao final do período base. E, muito embora a Instrução Normativa SRF n° 21/97 dispensasse a apresentação de qualquer requerimento, após ter informado a compensação na DCTF correspondente, entendeu por bem “formalizála” — perante os sistemas da Receita Federal , por meio do programa eletrônico PER/DCOMP, introduzido pela Instrução Normativa 323, de 24/04/2003. • Esta, portanto, a razão da declaração apresentada em 22/12/2004, visando apenas cientificar o Fisco Federal da compensação dos créditos e débitos de CSLL realizada no passado, à qual se seguiu a retificação da DCTF correspondente, para indicação do número do PER/DCOMP correspondente. • Assevera que na decisão recorrida entendeuse que o crédito utilizado na DCOMP já estaria vinculado à uma outra compensação feita pela Peticionária e, por isso, não Fl. 132DF CARF MF Emitido em 13/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 13/12 /2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10830.907328/200803 Acórdão n.º 180300.840 S1TE03 Fl. 122 3 restaria qualquer crédito passível de utilização, e discorda desta conclusão, pois o recolhimento está vinculado à compensação aqui tratada. • Afirma que embora esse procedimento sequer fosse necessário, a Peticionária agiu de total boafé, no sentido de informar as autoridades fiscais da compensação de créditos e débitos de CSLL efetivada no passado, época em que ainda não havia a declaração de compensação eletrônica. • Destaca, ainda, que o encontro de contas foi considerado como efetuado em 22/12/2004, desconsiderandose a compensação desde antes informada em DCTF, e assim fazendo incorrer encargos moratórios até o envio da declaração eletrônica. • Defende, assim, que a compensação seja efetivamente considerada como declaração de compensação desde a data da respectiva transmissão da DCTF, sendo incabível qualquer encargo legal pela insuficiência de créditos confrontados. • Pede o processamento da manifestação de inconformidade, com conseqüente suspensão da exigibilidade dos débitos, bem como o julgamento de procedência para cancelamento do despacho decisório e reconhecimento integral do crédito, para a devida extinção do débito tributário objeto da compensação. • Requer, por fim, que todos os avisos e intimações referentes ao presente processo administrativo sejam dirigidos ao advogado infraassinado. A autoridade preparadora constatou que o débito compensado superava o crédito informado na DCOMP (fls. 51/53), mas na seqüência juntou cópia de liminar concedida ao contribuinte nos autos do Mandado de Segurança n° 2008.61.05.0128061, determinando a expedição, em seu favor, de certidão positiva de débito com efeito de negativa, em razão da suspensão da exigibilidade do débito objeto da compensação aqui discutida, ante a apresentação de manifestação de inconformidade (fls. 54/59). Às fls. 72/73 consta a transferência, para o processo administrativo n° 10830.720972/200861, do débito excedente ao crédito apontado na DCOMP. E à fl. 66 vêse a notícia da suspensão da exigibilidade de tal débito em razão da medida judicial antes referida. A Delegacia de Julgamento julgou improcedente a manifestação, com base nos seguintes fundamentos (fls. 80/85): a) Ao contrário do que alega o interessado, somente a compensação relativa a agosto/2002 estava regida pela Instrução Normativa SRF n° 21/97. Isto porque, com a edição da Medida Provisória n° 66, de 2002 — publicada no Diário Oficial da União em 31/08/2002 e convertida posteriormente na Lei n° 10.637, de 2002 — restou firmado Fl. 133DF CARF MF Emitido em 13/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 13/12 /2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10830.907328/200803 Acórdão n.º 180300.840 S1TE03 Fl. 123 4 que a compensação seria efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. b) Considerando que a estimativa de CSLL apurada em outubro/2002 decorre dos resultados verificados no intervalo dos dias 01 e 31 daquele mês, a determinação do valor devido somente era possível no dia seguinte ao encerramento do período de apuração, ou seja, a partir de 01/11/2002. Em conseqüência, a compensação do correspondente débito necessariamente submetiase ao novo regramento estipulado pela Medida Provisória n° 66, de 2002. c) Ineficaz, portanto, qualquer ato praticado na escrituração contábil do contribuinte, ou mesmo por meio da DCTF, restando a compensação do débito apurado em outubro/2002 formalizada, apenas, em 22/12/2004, com a apresentação da correspondente DCOMP. d) Em relação à compensação do débito de agosto/2002, apurado no, período de 01 a 31 de agosto/2002, para recolhimento até 30/09/2002, impõese reconhecer que as informações prestadas na DCTF entregue em 14/11/2002 são indícios de que o contribuinte tenha promovido, em sua escrituração contábil, o encontro de contas admissivel entre créditos e débitos de mesma espécie, nos termos da legislação vigente à época. e) Em conseqüência, desnecessária era a apresentação das DCOMP em 22/11/2004, para formalização da compensação que já havia sido implementada com o débito apurado em agosto/2002. f) Impõese o cancelamento de ofício das DCOMP apresentadas para formalização da compensação com o débito de agosto/2002, e a conseqüente declaração de nulidade dos despachos decisórios recorridos, por perda de objeto. g) A análise, em julgamento, do mérito das compensações promovidas limitase àquelas destinadas à extinção dos débitos de estimativa apurados em setembro e outubro/2002. h) O que impediu a compensação foi o fato de os pagamentos não terem sido confirmados ou, relativamente àquele confirmado, sua vinculação integral ao débito declarado para o mesmo período de apuração, sem saldo disponível para outras utilizações. i) Especificamente quanto aos pagamentos não confirmados, o contribuinte apresenta o comprovante dos recolhimentos, e neles vêse que o contribuinte errou, ao apontar na DCOMP a data de sua efetivação. O recolhimento de R$ 37.172,70 foi efetuado em 26/02/1999 (e não em 02/01/2000); o recolhimento de R$ 32.822,11 foi efetuado em 31/03/1999 (e não em 31/12/1999) e o recolhimento de R$ 68.741,11 foi efetuado em 30/04/1999 (e não em 31/12/1999). j) Todavia, tais pagamentos também estão vinculados aos débitos originalmente declarados para o período de apuração neles indicados, conforme DCTF apresentada pelo próprio contribuinte (fls. 75/78), inexistindo prova de pagamento indevido ou a maior nestes períodos. Ou seja, a prova apresentada pelo contribuinte relativamente a estes três créditos prestase, apenas, a colocálos na mesma situação do crédito Fl. 134DF CARF MF Emitido em 13/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 13/12 /2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10830.907328/200803 Acórdão n.º 180300.840 S1TE03 Fl. 124 5 vinculado ao recolhimento de R$ 140.340,44, efetuado em 30/04/2002, e também utilizado em compensação com a estimativa apurada em setembro/2002. k) O interessado menciona que os recolhimentos utilizados teriam superado os valores efetivamente devidos a título de IRPJ e CSLL apurados ao final do período base correspondente, de onde se infere que, eventualmente, sua pretensão seria utilizar o saldo negativo verificado na apuração anual de tais tributos. l) Contudo, para valerse desta modalidade de crédito, o contribuinte deveria ter apresentado DCOMP referenciando a existência de saldo negativo, e não de pagamento indevido ou a maior. Ao proceder como expresso na DCOMP em discussão, o contribuinte apenas apresentou as características do recolhimento de uma das estimativas do período, inviabilizando a análise do crédito eventualmente por ele detido, formado a partir do tributo devido na apuração anual, deduzido de todas antecipações do anocalendário, quer a título de estimativas, quer decorrentes de retenções na fonte. m) Relativamente ao indébito de 30/04/2002, o interessado também deveria aguardar o encerramento do anocalendário correspondente. Mas este óbice somente impediria a compensação se esta tivesse por referência a data de vencimento da estimativa (30/10/2002), e acaba superado, na medida em que a compensação foi formalizada em 22/11/2004. n) Por sua vez, em sua manifestação de inconformidade nada juntou com vistas à comprovação do referido saldo negativo. o) À míngua de qualquer elemento da escrituração do contribuinte, não é possível confirmar a existência, quanto mais a disponibilidade de tal saldo negativo até sua eventual utilização na compensação declarada em 22/11/2004 com a estimativa de CSLL apurada em outubro/2002. p) Correta se mostra a nãohomologação das compensações formalizadas em 22/11/2004 para extinção do débito de estimativa de CSLL apurado em setembro/2002 e em outubro/2002, bem como a incidência de encargos moratórios sobre este débito desde seu vencimento, ainda que algum crédito venha a ser reconhecido para fins homologação da compensação tardiamente efetuada. Contra a decisão, interpôs a contribuinte o presente Recurso Voluntário, em que, tece as seguintes considerações: a) Independentemente de a compensação ter sido formalizada mediante DCOMP, contra sua não homologação cabe sim a manifestação de inconformidade, a ser apreciada pelas Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento nos termos do Decreto no 70.235/72, sob pena de ofensa à ampla defesa e ao contraditório, que norteiam o processo administrativo fiscal. b) O crédito compensado pela Recorrente, e ora questionado pela Receita Federal, é oriundo de excesso de pagamento de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido ("CSLL") durante o ano calendário de 1999, constituindo assim, o denominado "Saldo Negativo de CSLL". Fl. 135DF CARF MF Emitido em 13/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 13/12 /2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10830.907328/200803 Acórdão n.º 180300.840 S1TE03 Fl. 125 6 c) Ocorre que, conforme será explicado a seguir, a Recorrente informou o tipo de crédito de forma equivocada no referido PER/DCOMP, tendo _ em vista que qualificou o crédito a compensar como "Pagamento Indevido ou a Maior", ao invés da correta qualificação "Saldo Negativo de CSLL". d) Requer o recebimento e regular processamento do presente recurso voluntário, para homologação da compensação objeto do presente processo administrativo, tal como inicialmente requerida. É o relatório. Voto Conselheira Selene Ferreira de Moraes A contribuinte foi cientificada por via postal, tendo recebido a intimação em 25/01/2010 (AR de fls. 92). O recurso foi protocolado em 24/02/2010, logo, é tempestivo e deve ser conhecido. A decisão de primeira instância circunscreveu o litígio às declarações destinadas a compensar os débitos de estimativa apurados em setembro e outubro de 2002 (fls. 82): “Diante deste contexto, impõese o cancelamento de ofício das DCOMP apresentadas para formalização da compensação com o débito de agosto/2002, e a conseqüente declaração de nulidade dos despachos decisórios recorridos, por perda de objeto. Em conseqüência, a análise, em julgamento, do mérito das compensações promovidas limitase àquelas destinadas à extinção dos débitos de estimativa apurados em setembro e outubro/2002.” No entanto, o litígio é ainda mais restrito. No presente processo está sendo analisada apenas a DCOMP n° 1865.49594.221204.1.3.046880, enviada em 22/12/2004 (fls. 27/32), em que foi compensado o débito de estimativa de CSLL relativa a outubro de 2002. A decisão recorrida afirma que a contribuinte deveria ter indicado como crédito na DCOMP o saldo negativo de CSLL, e não o pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal, código 2484. A recorrente optou pela tributação dos resultados apurados no ano calendário de 1999, com base no lucro real anual, o qual determina a apuração da base de cálculo e a temporalidade do fato gerador do tributo para a data de 31 de dezembro do ano correspondente (fls. 84). Os recolhimentos efetuados à título de valores recolhidos por estimativa constituem, no caso das empresas que apuram a CSLL devida anualmente, antecipação da contribuição devida, não podendo ser compensado diretamente com outros tributos. Só após o Fl. 136DF CARF MF Emitido em 13/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 13/12 /2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10830.907328/200803 Acórdão n.º 180300.840 S1TE03 Fl. 126 7 encerramento do período de apuração, e na hipótese de vir a ser apurado saldo negativo de CSLL, é que nascerá para o contribuinte um crédito, passível de utilização para fins de restituição ou compensação com outros débitos. Nessa toada, os pedidos de restituição/compensação com base em recolhimentos efetuados por antecipação da CSLL devida devem ser analisados como saldo negativo de CSLL. A recorrente alega que informou o tipo de crédito de forma equivocada na DCOMP. Consta dos autos, que na DIPJ/2000, foi apurado saldo negativo de CSLL, no montante de R$ 266.565,32 (fls. 84). Como a declaração de compensação foi enviada em 22/12/2004, não há impedimento legal para que a autoridade administrativa competente aprecie o pedido da recorrente como saldo negativo apurado em 31/12/1999. O equívoco no pedido da recorrente, por si só, não tem o condão de invalidar o direito creditório pleiteado. Destarte, havendo o interessado requerido a restituição/compensação, nos presentes autos, antes do prazo prescricional de que trata o artigo 168 do CTN, o pleito do interessado deve ser analisado nesse contexto. No entanto, o crédito pleiteado deve ser analisado, não como recolhimento a maior, como requerido, e sim, como parte do saldo negativo de CSLL de 1999. Diante do exposto, dou provimento parcial ao recurso voluntário, para que o direito creditório indicado na DCOMP n° 1865.49594.221204.1.3.046880 seja apreciado como saldo negativo de CSLL, devendo a repartição de origem verificar sua liquidez e certeza. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Fl. 137DF CARF MF Emitido em 13/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 13/12 /2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES
score : 1.0
Numero do processo: 16327.720275/2012-62
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Apr 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/02/2007 a 31/12/2007
RECURSO VOLUNTÁRIO. JULGAMENTO. COMPETÊNCIA.
Compete à Turma que designou o sobrestamento do processo, em Resolução anterior, o julgamento do recurso voluntário contra decisão de primeira instância em processo de exigência de COFINS.
Recurso Voluntário Não conhecido.
Numero da decisão: 3402-002.487
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso para declinar competência para 1ª Turma da 4ª Câmara da 3 ª Seção do CARF.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
João Carlos Cassuli Junior - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO (Presidente Substituto), HELDER MASSAAKI KANAMARU (SUPLENTE), FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA (SUPLENTE), MARA CRISTINA SIFUENTES (SUPLENTE), JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO DEÇA, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária
Nome do relator: Relator
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201409
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/02/2007 a 31/12/2007 RECURSO VOLUNTÁRIO. JULGAMENTO. COMPETÊNCIA. Compete à Turma que designou o sobrestamento do processo, em Resolução anterior, o julgamento do recurso voluntário contra decisão de primeira instância em processo de exigência de COFINS. Recurso Voluntário Não conhecido.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Apr 24 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 16327.720275/2012-62
anomes_publicacao_s : 201704
conteudo_id_s : 5713569
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Apr 24 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3402-002.487
nome_arquivo_s : Decisao_16327720275201262.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : Relator
nome_arquivo_pdf_s : 16327720275201262_5713569.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso para declinar competência para 1ª Turma da 4ª Câmara da 3 ª Seção do CARF. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente em exercício (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO (Presidente Substituto), HELDER MASSAAKI KANAMARU (SUPLENTE), FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA (SUPLENTE), MARA CRISTINA SIFUENTES (SUPLENTE), JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO DEÇA, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária
dt_sessao_tdt : Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
id : 6726990
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:58:44 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048947228934144
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1383; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 682 1 681 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.720275/201262 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402002.487 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 16 de setembro de 2014 Matéria COFINS Recorrente BANCO CRUZEIRO DO SUL S/A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/2007 a 31/12/2007 RECURSO VOLUNTÁRIO. JULGAMENTO. COMPETÊNCIA. Compete à Turma que designou o sobrestamento do processo, em Resolução anterior, o julgamento do recurso voluntário contra decisão de primeira instância em processo de exigência de COFINS. Recurso Voluntário Não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso para declinar competência para 1ª Turma da 4ª Câmara da 3 ª Seção do CARF. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente em exercício (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO (Presidente Substituto), HELDER MASSAAKI KANAMARU (SUPLENTE), FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA (SUPLENTE), MARA CRISTINA AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 02 75 /2 01 2- 62 Fl. 682DF CARF MF 2 SIFUENTES (SUPLENTE), JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D’EÇA, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária Fl. 683DF CARF MF Processo nº 16327.720275/201262 Acórdão n.º 3402002.487 S3C4T2 Fl. 683 3 Relatório Versa o processo de auto de infração lavrado para a exigência da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, no valor de R$57.028.422,16 (cinqüenta e sete milhões, vinte e oito mil, quatrocentos e vinte e dois reais e dezesseis centavos), relativo aos períodos de 01 a 12/2007. Segundo o que se colhe do Termo de Verificação Fiscal de fls. 235239 (numeração eletrônica), o lançamento se deu em virtude da diminuição de recolhimento da COFINS declarada pela contribuinte para os períodos do ano de 2007, decorrentes, por sua vez, de decisão judicial transitada em julgado nos autos da Ação nº. 1999.61.00.0202833 (TRF/2ªR), na qual se decidiu pela inconstitucionalidade do §1º, do artigo 3º, da Lei 9.718/98, levando assim a Autoridade Fiscal a concluir pela existência de valores de diversas receitas indevidamente não consideradas pelo contribuinte na apuração da citada contribuição. DA IMPUGNAÇÃO Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou Impugnação em 28/03/2012, relatando os fatos que circundavam a lavratura do auto de infração, discorrendo sobre o perfil constitucional da COFINS e trazendo panorama jurisprudencial, argumentando ainda, no mérito, que era impossível a Fiscalização enquadrar as receitas de Intermediação Financeira no conceito de Contraprestação pela Prestação de Serviços, não sendo, portanto, as mesmas inerentes às suas atividades típicas de serviços, e assim, não compondo o conceito de faturamento, ofendendo ainda o provimento jurisdicional concedido em seu favor. Pediu a inaplicabilidade do “GATS” para a caracterização dos serviços analisados no caso, aduzindo, ao final, a impossibilidade da exigência da multa de ofício aplicada e a ilegalidade da cobrança dos juros e da multa, requerendo o provimento da Impugnação. DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA Em análise aos argumentos sustentados pelo sujeito passivo em sua defesa, a 10ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (DRJ/SP1), houve por bem considerar improcedente a Impugnação apresentada, tendo proferido Acórdão nº 1640.511, ementado nos seguintes termos: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/2007 a 31/12/2007 BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO §1º DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718/98. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. As receitas operacionais decorrentes das atividades do setor financeiro (serviços bancários e intermediação financeira) são Fl. 684DF CARF MF 4 classificadas como receitas de serviços para fins tributários, estando sujeitas à incidência da Cofins na forma dos artigos 2º e 3º da Lei nº 9.718/98. A declaração de inconstitucionalidade, pelo Poder Judiciário, do §1º do art. 3º dessa Lei afasta a incidência da contribuição em relação às receitas não operacionais. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/02/2007 a 31/12/2007 LANÇAMENTO. MULTA DE OFÍCIO. Não comprovada a suspensão da exigibilidade do crédito tributário na data do lançamento de ofício, cabível a aplicação de multa vinculada correspondente a 75% do tributo devido. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Sendo a multa de ofício classificada como débito para com a União, decorrente de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, é regular a incidência dos juros de mora, a partir de seu vencimento.” Em seu voto a DRJ salientou o fato de que o provimento jurisdicional concedido em favor do sujeito passivo apenas reconhecia, em consonância com a jurisprudência do STF, a inconstitucionalidade do chamado alargamento da base de cálculo introduzido pela Lei n° 9.718/98, sem, porém, adentrar especificamente na definição de receitas financeiras auferidas por instituições financeiras – e se compunham as mesmas a base de cálculo da COFINS. Quanto à natureza das receitas auferidas pelas instituições financeiras, cita o Parecer PGFN/CAT nº 2773/2007, cuja conclusão é de que as ditas receitas podem ser classificadas como “serviços para fins tributários, estando sujeitas à da contribuição em causa (...)”, mantendo então o lançamento, afastando também os argumentos do contribuinte quanto ao afastamento da multa e dos juros sobre esta. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Cientificado em 03/08/2012, conforme AR de fls. 595 (numeração eletrônica), o sujeito passivo apresentou, em 29/08/2012, Recurso Voluntário (fls. 597642 – n.e), aduzindo, em preliminar, a nulidade da decisão recorrida por cerceamento de seu direito de defesa, em face da violação ao inciso II, do art. 59 do Decreto 70.235/72, pois que o Acórdão proferido pela DRJ/SP01 teria deixado de apreciar a maioria dos argumentos trazidos na primeira oportunidade de defesa, sendo que no mérito, repisa os demais argumentos já trazidos em sua Impugnação, que por brevidade e amor a síntese, não serão reproduzidos. DO JULGAMENTO EM 2ª INSTANCIA Em sessão datada de 26/06/2013, através da Resolução nº. 3401000.727, proferida pela 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara, da 3ª Seção deste Conselho, de Relatoria do Conselheiro Emanuel Carlos Dantas de Assis, foi este processo sobrestado até decisão definitiva da matéria pelo Supremo Tribunal Federal, a rigor do que preceitua o artigo 62A do RICARF. Fl. 685DF CARF MF Processo nº 16327.720275/201262 Acórdão n.º 3402002.487 S3C4T2 Fl. 684 5 DA DISTRIBUIÇÃO Em face da revogação da Portaria CARF n° 586/2010 que determinava o sobrestamento do julgamento do processo no CARF na pendência de decisão a ser proferida em sede de Repercussão Geral pelo STF, bem como, em face de que o Conselheiro Emanuel Carlos Dantas de Assis não estar atualmente compondo os quadros deste Conselho, vieram os autos para relatoria distribuídos a esse relator por sorteio regularmente realizado, por meio de processo eletrônico numerado – eletronicamente até a folha 681 (seiscentos e oitenta e um), estando apto para análise desta Colenda 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o relatório. Fl. 686DF CARF MF 6 Voto Conselheiro João Carlos Cassuli Junior, Relator. O recurso é tempestivo, contudo seu julgamento não está inserto na esfera de competência desta Turma de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), razão pela qual não deve ser conhecido. Da análise do relatório acima, verificase que este processo já tramitou perante o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, tendo sido sobrestado em 26/06/2013 através da Resolução nº. 3401000.727, proferida em julgamento da 1ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, desta mesma 3º Seção. Apesar de o Relator daquela Resolução, Ilmo. Conselheiro Emanuel Carlos Dantas de Assis, não fazer mais parte dos quadros deste Colegiado, entendo ainda que pertine à turma que determinou o seu sobrestamento o julgamento destes autos. Por já ter sido distribuído à Turma desta Seção, bem como por ela ter sido determinado o sobrestamento, e ainda, nos termos do art. 3º da Portaria Mf n° 256, de 22 de junho de 2009 – Regimento Interno do Carf, declino a competência para julgamento do processo, determinando sua remessa à 1ª Turma, da 4ª Câmara, da 3º Seção de Julgamento. Sendo assim, voto por não conhecer do recurso voluntário interposto para declinar a competência nos termos do que acima foi exposto. É como voto. (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior – Relator. Fl. 687DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18404.000397/2008-18
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2003 a 31/08/2008
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9202-005.015
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201612
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/2003 a 31/08/2008 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 18404.000397/2008-18
anomes_publicacao_s : 201702
conteudo_id_s : 5676862
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 9202-005.015
nome_arquivo_s : Decisao_18404000397200818.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
nome_arquivo_pdf_s : 18404000397200818_5676862.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
dt_sessao_tdt : Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016
id : 6643287
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:55:55 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048947243614208
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1654; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 2 1 1 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 18404.000397/200818 Recurso nº 1 Especial do Procurador Acórdão nº 9202005.015 – 2ª Turma Sessão de 12 de dezembro de 2016 Matéria RETROATIVIDADE BENIGNA, NATUREZA DA MULTA NOS LANÇAMENTOS PREVIDENCIÁRIOS ANTERIORES A MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI 11.941/2009 Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado FARMACIA SAINT CLAIRE LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2003 a 31/08/2008 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 40 4. 00 03 97 /2 00 8- 18 Fl. 218DF CARF MF Processo nº 18404.000397/200818 Acórdão n.º 9202005.015 CSRFT2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10380.005876/200753. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.792, de 12/12/2016, proferido no julgamento do processo 10380.005876/200753, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.792): O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Fl. 219DF CARF MF Processo nº 18404.000397/200818 Acórdão n.º 9202005.015 CSRFT2 Fl. 0 3 Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 220DF CARF MF Processo nº 18404.000397/200818 Acórdão n.º 9202005.015 CSRFT2 Fl. 0 4 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Fl. 221DF CARF MF Processo nº 18404.000397/200818 Acórdão n.º 9202005.015 CSRFT2 Fl. 0 5 Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Fl. 222DF CARF MF Processo nº 18404.000397/200818 Acórdão n.º 9202005.015 CSRFT2 Fl. 0 6 § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há Fl. 223DF CARF MF Processo nº 18404.000397/200818 Acórdão n.º 9202005.015 CSRFT2 Fl. 0 7 que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 224DF CARF MF Processo nº 18404.000397/200818 Acórdão n.º 9202005.015 CSRFT2 Fl. 0 8 Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 225DF CARF MF Processo nº 18404.000397/200818 Acórdão n.º 9202005.015 CSRFT2 Fl. 0 9 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 226DF CARF MF Processo nº 18404.000397/200818 Acórdão n.º 9202005.015 CSRFT2 Fl. 0 10 Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Em face do acima exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 227DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.722593/2010-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Mar 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
NORMAS DE DIREITO MATERIAL E DE DIREITO PROCEDIMENTAL. APLICAÇÃO.
Na verificação do cumprimento dos requisitos exigidos para fruição da isenção (direito material), deve ser observada a legislação vigente na época da ocorrência dos fatos geradores. No que pertine aos procedimentos (direito adjetivo ou procedimental) a serem adotados pela autoridade lançadora, deve ser observada a legislação vigente à época em que realizada a fiscalização, aplicando-se imediatamente as normas procedimentais em vigor, ainda que os fatos geradores tenham ocorrido na vigência da lei anterior.
ISENÇÃO/IMUNIDADE. ART. 55 DA LEI 8.212/1991. VIGÊNCIA À ÉPOCA DOS FATOS GERADORES. PREENCHIMENTO DOS REQUISITOS. CEBAS. VIGÊNCIA.
A entidade beneficente de assistência social não faz jus à isenção/imunidade das contribuições patronais no período em que deixou de possuir o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS).
O Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS) requerido após o prazo de validade do certificado anterior, teve sua vigência assentada na Resolução que o deferiu.
Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
MULTA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. RECÁLCULO. MP 449/2008. LEI 11.941/2009.
Aos processos de lançamento fiscal dos fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, e não declarados em GFIP, aplica-se a multa mais benéfica, obtida pela comparação do resultado entre a soma da multa vigente à época da ocorrência dos fatos geradores (obrigação principal) e da multa por falta de declaração em GFIP vigente à época da materialização da infração (obrigação acessória), com a multa de ofício (75%) prevista no artigo 35-A, da Lei nº 8.212/1991.
A comparação das multas deverá ser realizada no momento do pagamento ou parcelamento do débito, nos termos do art. 2º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14, de 04/12/2009.
Numero da decisão: 2202-003.495
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância, vencidos os Conselheiros Martin da Silva Gesto (Relator) e Junia Roberta Gouveia Sampaio, que a acolheram. No mérito: I - por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para afastar a aplicação da multa no período de 24/10/2007 a 31/12/2008; II - pelo voto de qualidade, aplicar a multa em relação aos demais períodos de acordo com o disposto no art. 476-A da IN RFB 971/2009, nos termos do art. 2º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14, de 04/12/2009, vencidos os Conselheiros Martin da Silva Gesto (Relator), Dílson Jatahy Fonseca Neto, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Wilson Antônio de Souza Correa (Suplente convocado), que aplicaram o disposto no art. 32-A da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, prevalecendo o valor da multa mais benéfico ao contribuinte. Foi designada a Conselheira Cecília Dutra Pillar para redigir o voto vencedor, na parte em que foi vencido o Relator.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator.
(assinado digitalmente)
Cecilia Dutra Pillar - Redatora designada
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Martin da Silva Gesto, Márcio Henrique Sales Parada, Rosemary Figueiroa Augusto, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Cecília Dutra Pillar, Dílson Jatahy Fonseca Neto e Wilson Antônio de Souza Corrêa (Suplente Convocado).
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201608
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 NORMAS DE DIREITO MATERIAL E DE DIREITO PROCEDIMENTAL. APLICAÇÃO. Na verificação do cumprimento dos requisitos exigidos para fruição da isenção (direito material), deve ser observada a legislação vigente na época da ocorrência dos fatos geradores. No que pertine aos procedimentos (direito adjetivo ou procedimental) a serem adotados pela autoridade lançadora, deve ser observada a legislação vigente à época em que realizada a fiscalização, aplicando-se imediatamente as normas procedimentais em vigor, ainda que os fatos geradores tenham ocorrido na vigência da lei anterior. ISENÇÃO/IMUNIDADE. ART. 55 DA LEI 8.212/1991. VIGÊNCIA À ÉPOCA DOS FATOS GERADORES. PREENCHIMENTO DOS REQUISITOS. CEBAS. VIGÊNCIA. A entidade beneficente de assistência social não faz jus à isenção/imunidade das contribuições patronais no período em que deixou de possuir o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS). O Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS) requerido após o prazo de validade do certificado anterior, teve sua vigência assentada na Resolução que o deferiu. Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 MULTA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. RECÁLCULO. MP 449/2008. LEI 11.941/2009. Aos processos de lançamento fiscal dos fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, e não declarados em GFIP, aplica-se a multa mais benéfica, obtida pela comparação do resultado entre a soma da multa vigente à época da ocorrência dos fatos geradores (obrigação principal) e da multa por falta de declaração em GFIP vigente à época da materialização da infração (obrigação acessória), com a multa de ofício (75%) prevista no artigo 35-A, da Lei nº 8.212/1991. A comparação das multas deverá ser realizada no momento do pagamento ou parcelamento do débito, nos termos do art. 2º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14, de 04/12/2009.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Mar 30 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10166.722593/2010-18
anomes_publicacao_s : 201703
conteudo_id_s : 5704173
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Mar 30 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 2202-003.495
nome_arquivo_s : Decisao_10166722593201018.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : MARTIN DA SILVA GESTO
nome_arquivo_pdf_s : 10166722593201018_5704173.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância, vencidos os Conselheiros Martin da Silva Gesto (Relator) e Junia Roberta Gouveia Sampaio, que a acolheram. No mérito: I - por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para afastar a aplicação da multa no período de 24/10/2007 a 31/12/2008; II - pelo voto de qualidade, aplicar a multa em relação aos demais períodos de acordo com o disposto no art. 476-A da IN RFB 971/2009, nos termos do art. 2º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14, de 04/12/2009, vencidos os Conselheiros Martin da Silva Gesto (Relator), Dílson Jatahy Fonseca Neto, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Wilson Antônio de Souza Correa (Suplente convocado), que aplicaram o disposto no art. 32-A da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, prevalecendo o valor da multa mais benéfico ao contribuinte. Foi designada a Conselheira Cecília Dutra Pillar para redigir o voto vencedor, na parte em que foi vencido o Relator. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto - Relator. (assinado digitalmente) Cecilia Dutra Pillar - Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Martin da Silva Gesto, Márcio Henrique Sales Parada, Rosemary Figueiroa Augusto, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Cecília Dutra Pillar, Dílson Jatahy Fonseca Neto e Wilson Antônio de Souza Corrêa (Suplente Convocado).
dt_sessao_tdt : Tue Aug 16 00:00:00 UTC 2016
id : 6695450
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:57:47 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048947275071488
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 29; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2027; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 704 1 703 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10166.722593/201018 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202003.495 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 16 de agosto de 2016 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrente INSTITUIÇÃO ADVENTISTA CENTRAL BRASILEIRA DE EDUCAÇÃO E ASSISTENCIA SOCIAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 NORMAS DE DIREITO MATERIAL E DE DIREITO PROCEDIMENTAL. APLICAÇÃO. Na verificação do cumprimento dos requisitos exigidos para fruição da isenção (direito material), deve ser observada a legislação vigente na época da ocorrência dos fatos geradores. No que pertine aos procedimentos (direito adjetivo ou procedimental) a serem adotados pela autoridade lançadora, deve ser observada a legislação vigente à época em que realizada a fiscalização, aplicandose imediatamente as normas procedimentais em vigor, ainda que os fatos geradores tenham ocorrido na vigência da lei anterior. ISENÇÃO/IMUNIDADE. ART. 55 DA LEI 8.212/1991. VIGÊNCIA À ÉPOCA DOS FATOS GERADORES. PREENCHIMENTO DOS REQUISITOS. CEBAS. VIGÊNCIA. A entidade beneficente de assistência social não faz jus à isenção/imunidade das contribuições patronais no período em que deixou de possuir o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS). O Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS) requerido após o prazo de validade do certificado anterior, teve sua vigência assentada na Resolução que o deferiu. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 MULTA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. RECÁLCULO. MP 449/2008. LEI 11.941/2009. Aos processos de lançamento fiscal dos fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, e não AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 25 93 /2 01 0- 18 Fl. 704DF CARF MF Processo nº 10166.722593/201018 Acórdão n.º 2202003.495 S2C2T2 Fl. 705 2 declarados em GFIP, aplicase a multa mais benéfica, obtida pela comparação do resultado entre a soma da multa vigente à época da ocorrência dos fatos geradores (obrigação principal) e da multa por falta de declaração em GFIP vigente à época da materialização da infração (obrigação acessória), com a multa de ofício (75%) prevista no artigo 35A, da Lei nº 8.212/1991. A comparação das multas deverá ser realizada no momento do pagamento ou parcelamento do débito, nos termos do art. 2º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14, de 04/12/2009. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância, vencidos os Conselheiros Martin da Silva Gesto (Relator) e Junia Roberta Gouveia Sampaio, que a acolheram. No mérito: I por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para afastar a aplicação da multa no período de 24/10/2007 a 31/12/2008; II pelo voto de qualidade, aplicar a multa em relação aos demais períodos de acordo com o disposto no art. 476A da IN RFB 971/2009, nos termos do art. 2º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14, de 04/12/2009, vencidos os Conselheiros Martin da Silva Gesto (Relator), Dílson Jatahy Fonseca Neto, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Wilson Antônio de Souza Correa (Suplente convocado), que aplicaram o disposto no art. 32 A da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, prevalecendo o valor da multa mais benéfico ao contribuinte. Foi designada a Conselheira Cecília Dutra Pillar para redigir o voto vencedor, na parte em que foi vencido o Relator. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator. (assinado digitalmente) Cecilia Dutra Pillar Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Martin da Silva Gesto, Márcio Henrique Sales Parada, Rosemary Figueiroa Augusto, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Cecília Dutra Pillar, Dílson Jatahy Fonseca Neto e Wilson Antônio de Souza Corrêa (Suplente Convocado). Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 10166.722593/201018, em face do acórdão nº 0342.918, julgado pela 5ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DRJ/BSB), no qual os membros Fl. 705DF CARF MF Processo nº 10166.722593/201018 Acórdão n.º 2202003.495 S2C2T2 Fl. 706 3 daquele colegiado entenderam por julgar procedente em parte a impugnação apresentada pela contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de origem, que assim os relatou: Tratase de auto de infração de obrigação acessória, lavrado contra a empresa em epígrafe, por descumprimento da obrigação acessória prevista no art 32, inciso IV e §5º da Lei 8.212/91, acrescentado pela Lei nº 9.528/97, combinado com o art. 225, inciso IV, §4º, do RPS Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99. De acordo com o Relatório Fiscal da Infração de fls. 07/17, a autuada declarou, nas competências 01/2007 a 12/2008, a GFIP Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social com erros em campos que implicaram redução do valor da contribuição previdenciária devida: campos FPAS E RAT. Informa o autuante que a IACBEAS se declarava como entidade beneficente de assistência social, mas não gozava do benefício da isenção da cota patronal previdenciária, disposto no art. 55 da Lei nº 8.212/91 (atual art. 29 da Lei nº 12.101/2009). Relata que foi formalizada informação fiscal (10/11/09), objetivando o cancelamento da isenção obtida pela entidade. O contribuinte tomou ciência da IF em 11/11/2009 e apresentou, tempestivamente, sua defesa; entretanto, com alteração na legislação concernente à isenção da contribuição previdenciária, tendo em vista a revogação do art. 55 da Lei n. 8.212/91, pela Lei n. 12.101/2009, a informação fiscal perdeu seu objeto. Entende o Auditor fiscal que a nova lei alterou a natureza jurídica do ato, pois não há mais que se falar em cancelamento da isenção, e sim em suspensão do direito à mesma. Ou seja, a suspensão é automática, cabendo ao Auditor, constatado o descumprimento dos requisitos para o gozo da isenção, lavrar o competente Auto de Infração. Assim, com fundamento no art. 32 da Lei n. 12.101/09, combinado com o art. 45 do Decreto 7.237/10, considerou suspenso o direito à isenção das contribuições sociais da IACBEAS, no período de 01/01/2007 a 31/12/2008, por infração ao art. 55, inciso II da Lei n. 8.212/91 e art. 206, inciso III, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n. 3.048/99 e lançou o presente Auto. O período considerado para lançamento 01/01/2007 a 31/12/2008 – assim o foi porque a entidade não possuía o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social – CEAS, fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social – CNAS, válido e regularmente emitido. Fl. 706DF CARF MF Processo nº 10166.722593/201018 Acórdão n.º 2202003.495 S2C2T2 Fl. 707 4 Ficou constatado que a entidade apresentou, intempestivamente, o pedido de renovação de seu Certificado, válido para o triênio 2003/2006. A renovação do Certificado foi requerida em 24/10/2007, e na forma do art. 37 da Medida Provisória n. 446, de 07/11/2008, sendo o Certificado renovado pelo CNAS, mediante publicação da Resolução n. 07, de 03/02/09, com validade deferida a partir de 24/10/2007. Dessa forma, mesmo sendo deferido, o Certificado não tem validade, pois foi requerido após o período de vigência do certificado anterior, numa clara infração à legislação de regência (Art. 1°, § 2°do Decreto 2.536/98), que prevê que a validade do CEAS somente se dará a partir do termo final do prazo de validade do certificado anterior se a renovação for requerida tempestivamente, ou seja, até o último dia de sua validade. De outra forma, a renovação não deveria retroagir, fazendo com que sua validade se dê somente a partir da publicação do ato que a deferir, como se tratasse de novo pedido de concessão. Assim, a IACBEAS descumpriu o requisito contido no art. 55, inciso II, da Lei n. 8.212/91, tendo em vista que, a partir do dia 01/01/2007, não possuía Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social válido, não fazendo jus à isenção das contribuições previdenciárias, também a partir dessa data. Portanto, concluiu a fiscalização pelo reenquadramento da empresa no código FPAS 5740 (estabelecimento de ensino), uma vez que, dentre as diversas atividades econômicas exercidas pela entidade, em seus diversos estabelecimentos, a atividade de ensino médio era a que alocava o maior número de segurados no período. Foi ainda verificado, durante a ação fiscal, que alguns segurados foram declarados em GFIP como executantes de atividade que enseja aposentadoria especial (25 anos); assim, sobre a remuneração desses segurados foi adicionada a alíquota de 6%, conforme disposto no art. 220, inciso I, parágrafos 1º e 2º, do RPS. Por fim, informa a fiscalização que foi emitida a Representação Fiscal para Fins Penais, pela prática, em tese, de crime contra a ordem tributária, previsto no artigo 1°, inciso I, da Lei n. 8.137, de 27/12/1990. DA APLICAÇÃO DA MULTA Em decorrência da infração ao dispositivo legal acima descrito, foi aplicada a multa no valor de R$ 1.152.588,88 (um milhão cento e cinqüenta e dois mil, quinhentos e oitenta e oito reais e oitenta e oito centavos), que equivale a cem por cento do valor devido, relativo à contribuição não declarada, limitada a um multiplicador sobre o valor mínimo, em função do número de segurados, nos termos do art. 32, inciso IV e § 5º, da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela Lei n.º 9.528/97, combinado com Fl. 707DF CARF MF Processo nº 10166.722593/201018 Acórdão n.º 2202003.495 S2C2T2 Fl. 708 5 o art. 284, inciso II, do RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, cujo valor foi atualizado pela Portaria MPS/MF n.º 333, de 29/06/2010. O Demonstrativo do cálculo da multa aplicada, bem como a comparação, em cada competência, do valor da multa mais favorável ao contribuinte, encontrase nas planilhas anexas ao Relatório Fiscal (fls. 14 deste processo e fls. do AI 37.236.7844 – Protocolado sob o n. 10166.722596/201043). DA IMPUGNAÇÃO Dentro do prazo regulamentar, o contribuinte contestou o lançamento, através do instrumento de fls. 133/155, cujas razões de defesa são as seguintes: Requer, inicialmente, que a presente Impugnação seja julgada conjuntamente às dos Autos de Infração n. 37.236.7844 e 37.236.7852, por possuírem a mesma questão de origem: a isenção/imunidade; Prossegue argumentando que as circunstâncias que denotaram o Auto de Infração não lhe fazem justiça, uma vez que sempre cumpriu com suas obrigações tributárias, sempre fazendo por merecer, pelo atendimento aos aspectos de uma entidade beneficente sem fins lucrativos, a imunidade tributária prevista no art. 195, §7º da Constituição Federal; Dispõe que, não obstante os atos inerentes aos referidos procedimentos fiscais e os atos de defesa tenham sido realizados e acabados na vigência do art. 55 da Lei n. 8.212/91 e do art. 206 do RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048/99, com o advento da Lei n. 12.101/09, entendeu o Auditor Fiscal pela perda do objeto da Informação Fiscal de cancelamento da isenção, determinando, automaticamente, a suspensão da isenção para o período em contexto; Que o auditor inferiu em favor da aplicação da nova legislação, entretanto, sua aplicação só é permitida aos atos jurídicos perfeitos e acabados anteriormente à sua vigência se concebido o art. 45 do Decreto n. 7.237/10 como norma transitória para fins de abarcar os processos de cancelamento pendentes de julgamento definitivo, os quais deverão ser encaminhados à Delegacia da Receita Federal competente (Lei n. 9.430/94, art. 32), para verificação dos requisitos de isenção, na forma do rito do art. 32 da Lei n. 12.101/09, mas observandose o critério material da época do fato gerador; Isso significa que tanto a defesa da Impugnante quanto a Informação Fiscal – porque ambas cometidas ainda sob a legislação anterior e pendente de julgamento em definitivo – deveriam ter sido submetidas ao crivo do Delegado da Receita Federal da unidade competente para que fosse julgada procedente ou não (Lei 9.430, art. 32, § 3º); Fl. 708DF CARF MF Processo nº 10166.722593/201018 Acórdão n.º 2202003.495 S2C2T2 Fl. 709 6 Se as alegações da defesa fossem julgadas improcedentes, à autoridade competente caberia expedir o ato declaratório de suspensão da isenção/imunidade (art. 32, §3º, fine), decisão que a entidade poderia impugnar no prazo legal; ou seja, a constatação do descumprimento dos requisitos da legislação vigente à época passa necessariamente por uma decisão, por um ato declaratório de suspensão da isenção, expedido por autoridade competente. Assim, se a partir dessa integração normativa temse como aplicáveis os dispositivos da nova legislação, é preciso dizer que a mesma não foi respeitada no presente caso, pois: O auditor fiscal responsável pela lavratura do auto de infração não é autoridade competente para suspender o direito de imunidade/isenção da Impugnante; e a administração fazendária descumpriu a determinação provisória do art. 45 do decreto n. 7.273/10, porquanto deixou de encaminhar as alegações de defesa (de 24/11/09) à autoridade competente para que decidisse sobre a pendência, causando, assim, tanto a supressão de instância como a preterição do direito de defesa. Apenas esses dois pontos são suficientes para tornarem inexigíveis os créditos tributários constituídos, porque causam nulidade ao procedimento, nos termos do art. 59 do Decreto n. 70.235/72; O entendimento do Auditor de que o art. 75 do Decreto n. 7.237/10 c/c o art. 32 da Lei n. 12.101/09 permitiu que ele próprio declarasse a suspensão da isenção, de imediato, significou a ilegal supressão de instância administrativa decisória, pois a ora Impugnante foi então sentenciada e julgada na sua condição isentiva por autoridade incompetente, o que não é permitido nem pelos dispositivos do processo administrativo, nem pela regra do art. 5º, LIII, da Constituição Federal; Que, ao agir dessa forma, o Auditor Fiscal desconsiderou o ato jurídico perfeito, porquanto a defesa à IF foi articulada na vigência do art. 206, §8º do Decreto n. 3.048/99 e desconsiderou o direito adquirido à apreciação e julgamento à referida defesa, desrespeitando, por conseqüência, o devido processo legal, maculando o direito à ampla defesa e ao contraditório. DA IMOTIVADA SUSPENSÃO Quanto ao direito da Impugnante à isenção/imunidade das contribuições previdenciárias, o auditor fiscal a suspendeu por conta própria, porque entendeu que a entidade não cumpriu com o disposto no inciso II do art. 55 da Lei n. 8.212/91; que não era portadora do Registro e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência social, fornecidos pelo CNAS, renovado a cada 3 (três) anos; Fl. 709DF CARF MF Processo nº 10166.722593/201018 Acórdão n.º 2202003.495 S2C2T2 Fl. 710 7 Alega o Auditor que, embora renovado o CEAS pelo CNAS, para o período entre 24/10/07 a 23/10/10, a Impugnante apresentou requerimento ao CNAS somente após o período de vigência do certificado anterior, intempestivamente. E, pelo Decreto n. 2.536/98, a renovação deveria ter sido pedida até o último dia da validade do triênio anterior; ademais, não podendo retroagir a renovação, fazendo com que sua validade se dê a partir da publicação do ato que deferir, como se se tratasse de novo pedido de concessão. De forma que ficou em descoberto de isenção o período a partir de 31/12/2006 a 31/12/08, devendose lavrar o Auto de Infração para constituição do crédito tributário referente às contribuições previdenciárias devidas no período; Diante disso, repete que o auditor fiscal não é autoridade competente para fins de constatar e decretar a suspensão do direito de isenção/imunidade de qualquer entidade beneficente de Assistência Social; Que, tratando da suspensão em si – a intempestividade do pedido de renovação do certificado – destaca que o STF entende expedição do Certificado como mero ato protocolar, destinado a documentar reconhecimento da situação da imunidade, importando saber, na verdade, se os requisitos foram preenchidos ou não. DO MÉRITO No mérito, alega que o não reconhecimento das contribuições previdenciárias deuse em razão do não reconhecimento da isenção/imunidade e não por qualquer omissão de dados, os quais sempre foram ofertados pelas obrigações acessórias inerentes à sua condição e pela GFIP, como admite o próprio auditor fiscal; Que, mesmo se fosse possível relevar todos os vícios cometidos pela auditoria, o lançamento do crédito apresenta os seguintes problemas: temporal – pois deve fixarse apenas no período em que a entidade não estava efetivamente coberta pela imunidade; ou seja, no período de 01/01/2007 a 23/10/2007, haja vista que o triênio anterior encerrouse em 31/12/2006 e a Resolução CNAS n. 07, de 03/02/09 renovou o CEAS para o período entre 24/10/2007 A 23/10/2010. de conteúdo – pois a multa aplicada não confere com a melhor legislação e a sua forma tem caráter confiscatório; Que problemas ocorrem no raciocínio fazendário: Primeiro, porque aplicou indistintamente a legislação previdenciária sobre as informações da GFIP, sem considerar a diferença entre as verbas indenizatórias e as verbas remuneratórias, tais como: aviso prévio indenizado, os 15 dias de afastamento por conta da empresa, o adicional de 1/3 constitucional e as horas extras; Fl. 710DF CARF MF Processo nº 10166.722593/201018 Acórdão n.º 2202003.495 S2C2T2 Fl. 711 8 Segundo, quanto à multa em si, pois não há efetivo esclarecimento do auditor se aplicada a legislação mais benéfica, nos termos do art. 106 do CTN, além do que o § 5º do art. 32 da Lei n. 8.212/91 foi revogado pela Lei n. 11.941/09, restando, assim, definida a multa para infração do art. 35, IV, da mesma Lei (art. 32A). Portanto, não há mais que se dizer de cálculo de multa considerando o número de empregados segurados e multiplicando o valor mínimo por 35 vezes, mas, sim, a aplicação de R$20,00 por grupo de 10 informações incorretas. Requer, ao final, que os autos sejam baixados em diligência ou que seja determinada perícia para verificar qual dessas legislações é a mais benéfica, inclusive no cotejamento dos arts 106 e 112 do CTN; Que o valor da multa, embora supostamente considerada mais benéfica pelo raciocínio fazendário, é extrema e penalizante. Nomeia como perito o Sr. Marcelo Marra Guedes – CRC/MG 56.385/00, com endereço no SHIN CA 05, BLOCO H, apartamento 438, Lago Norte, Brasília/DF – CEP 71.503505. É o Relatório. A 5ª. Turma da DRJ/BSB entendeu pela procedência em parte da impugnação apresentada pela contribuinte. Inconformada com a procedência em parte da impugnação, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, em fls. 649/675, quanto ao que foi vencida, onde são reiterados os argumentos já lançados na impugnação, bem como alega em preliminar que a decisão conexa é nula. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Preliminar Primeiramente, quanto a preliminar invocada que a decisão conexa (processo nº 10166.722677/200918, julgado em 7 de junho de 2011 pela 5a. Turma da DRJ/BSB) é nula, sustenta a contribuinte que a DRJ de origem não seria competente para julgar a condição isentiva, mas sim que caberia a DRF. Estabelece a Lei 12.101/09 que: Fl. 711DF CARF MF Processo nº 10166.722593/201018 Acórdão n.º 2202003.495 S2C2T2 Fl. 712 9 Do Reconhecimento e da Suspensão do Direito à Isenção Art. 31. O direito à isenção das contribuições sociais poderá ser exercido pela entidade a contar da data da publicação da concessão de sua certificação, desde que atendido o disposto na Seção I deste Capítulo. Art. 32. Constatado o descumprimento pela entidade dos requisitos indicados na Seção I deste Capítulo, a fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil lavrará o auto de infração relativo ao período correspondente e relatará os fatos que demonstram o não atendimento de tais requisitos para o gozo da isenção. § 1o Considerarseá automaticamente suspenso o direito à isenção das contribuições referidas no art. 31 durante o período em que se constatar o descumprimento de requisito na forma deste artigo, devendo o lançamento correspondente ter como termo inicial a data da ocorrência da infração que lhe deu causa. § 2o O disposto neste artigo obedecerá ao rito do processo administrativo fiscal vigente. (grifouse) Na época estava vigente a Portaria MF nº 587/2010 (Revogada pela Portaria MF nº 203, de 14 de maio de 2012), que assim disciplinava a competência das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento DRJ: Art. 229. Às Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento DRJ, com jurisdição nacional, compete conhecer e julgar em primeira instância, após instaurado o litígio, especificamente, impugnações e manifestações de inconformidade em processos administrativos fiscais: I de determinação e exigência de créditos tributários, inclusive devidos a outras entidades e fundos, e de penalidades; II de infrações à legislação tributária das quais não resulte exigência do crédito tributário; III relativos a exigência de direitos antidumping, compensatórios e de salvaguardas comerciais; e IV contra apreciações das autoridades competentes em processos relativos a restituição, compensação, ressarcimento, reembolso, imunidade, suspensão, isenção e redução de alíquotas de tributos, Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), indeferimento de opção pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) e pelo Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional), e exclusão do Simples e do Simples Nacional. Fl. 712DF CARF MF Processo nº 10166.722593/201018 Acórdão n.º 2202003.495 S2C2T2 Fl. 713 10 (grifouse) Por sua vez, nos termos da Portaria MF nº 587/2000, competia as Delegacias da Receita Federal do Brasil DRF: Art. 220. Às Delegacias da Receita Federal do Brasil DRF, Alfândegas da Receita Federal do Brasil ALF e Inspetorias da Receita Federal do Brasil IRF de Classes "Especial A", "Especial B" e "Especial C", quanto aos tributos administrados pela RFB, inclusive os destinados a outras entidades e fundos, compete, no âmbito da respectiva jurisdição, no que couber, desenvolver as atividades de arrecadação, controle e recuperação do crédito tributário, de análise dos dados de arrecadação e acompanhamento dos maiores contribuintes, de atendimento e interação com o cidadão, de comunicação social, de fiscalização, de controle aduaneiro, de tecnologia e segurança da informação, de programação e logística, de gestão de pessoas, de planejamento, avaliação, organização, modernização, e, especificamente: [...] X executar as atividades relacionadas à restituição, compensação, reembolso, ressarcimento, redução e reconhecimento de imunidade e isenção tributária, inclusive as relativas a outras entidades e fundos; [...] (grifouse) Ainda, destaco que quando o contribuinte foi intimado da Informação Fiscal, foi lhe deferido prazo para "apresentar diretamente à autoridade fiscal representante as alegações e provas que entender necessárias, conforme o art. 206 § 8ª, inciso II, do RPS (Decreto 3.048/99)''. Também consta no referido documento que "a presente Informação Fiscal será então encaminhada à autoridade hierarquicamente superior, em conformidade com o disposto no art. 206 § 8ª, inciso II, do RPS (Decreto 3.048/99) e no art. 305, § 1º da IN SRP 03/2005 para decisão". O art. 206 do Decreto 3.048/99 foi revogado posteriormente pelo Decreto nº 7.237, de 20 de Julho de 2010, todavia assim constava a redação deste: § 8º O Instituto Nacional do Seguro Social cancelará a isenção da pessoa jurídica de direito privado beneficente que não atender aos requisitos previstos neste artigo, a partir da data em que deixar de atendêlos, observado o seguinte procedimento: [...] II a pessoa jurídica de direito privado beneficente será cientificada do inteiro teor da Informação Fiscal, sugestões e conclusões emitidas pelo Instituto Nacional do Seguro Social e terá o prazo de quinze dias para apresentação de defesa e produção de provas; Fl. 713DF CARF MF Processo nº 10166.722593/201018 Acórdão n.º 2202003.495 S2C2T2 Fl. 714 11 Quanto a Instrução Normativa MPS/SRP nº 03/2005 mencionada na Informação Fiscal, assim disciplina os artigos 305 e 306: Seção II Cancelamento da Isenção Art. 305. A SRP verificará se a entidade beneficente de assistência social continua atendendo aos requisitos necessários à manutenção da isenção, previstos no art. 299. § 1º Constatado o nãocumprimento dos requisitos contidos no art. 299, a fiscalização emitirá Informação Fiscal IF, na qual relatará os fatos, as circunstâncias que os envolveram e os fundamentos legais descumpridos, juntando as provas ou indicando onde essas possam ser obtidas. § 2º A entidade será cientificada do inteiro teor da IF e terá o prazo de quinze dias, a contar da data da ciência, para apresentação de defesa, com a produção de provas ou não, que deverá ser protocolizada em qualquer UARP da DRP circunscricionante do seu estabelecimento centralizador. § 3º Decorrido o prazo previsto no § 2º deste artigo, sem manifestação da parte interessada, caberá à chefia do Serviço/Seção de Arrecadação da DRP decidir acerca da emissão do Ato Cancelatório de Isenção AC. § 4º Caso a defesa seja apresentada, o Serviço/Seção de Análise da DRP decidirá acerca da emissão ou não do Ato Cancelatório de Isenção AC. § 5º Sendo a decisão do Serviço/Seção de Análise da DRP favorável à emissão do Ato Cancelatório de Isenção, a chefia do Serviço/Seção de Arrecadação da DRP emitirá o documento, o qual será remetido, juntamente com a decisão que lhe deu origem, à entidade interessada. § 6º A entidade perderá o direito de gozar da isenção das contribuições sociais a partir da data em que deixar de cumprir os requisitos contidos no art. 299, devendo essa data constar do Ato Cancelatório de Isenção. § 7º Cancelada a isenção, a entidade terá o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão e do Ato Cancelatório da Isenção para interpor recurso com efeito suspensivo ao CRPS. Art. 306. A chefia do Serviço/Seção de Arrecadação ou de Análise da DRP, decidindo pela manutenção da isenção, recorrerá de ofício à autoridade administrativa imediatamente superior, nos termos da alínea “b” do inciso II do art. 366 do RPS. (Nova redação dada pela IN MPS/SRP nº 23, de 30/04/2007) Em razão da revogação do artigo 206, assim constou no Decreto 7.237/2010 quanto as disposições transitórias, conforme art. 45 da referida legislação: Fl. 714DF CARF MF Processo nº 10166.722593/201018 Acórdão n.º 2202003.495 S2C2T2 Fl. 715 12 Art. 45. Os processos para cancelamento de isenção não definitivamente julgados em curso no âmbito do Ministério da Fazenda serão encaminhados à unidade competente daquele órgão para verificação do cumprimento dos requisitos da isenção na forma do rito estabelecido no art. 32 da Lei no 12.101, de 2009, aplicada a legislação vigente à época do fato gerador. (grifouse) Ainda, trata a Lei nº 9.430/96 sobre o assunto, com a seguinte redação: Capítulo IV PROCEDIMENTOS DE FISCALIZAÇÃO Seção I Suspensão da Imunidade e da Isenção Art. 32. A suspensão da imunidade tributária, em virtude de falta de observância de requisitos legais, deve ser procedida de conformidade com o disposto neste artigo. § 1º Constatado que entidade beneficiária de imunidade de tributos federais de que trata a alínea c do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal não está observando requisito ou condição previsto nos arts. 9º, § 1º, e 14, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, a fiscalização tributária expedirá notificação fiscal, na qual relatará os fatos que determinam a suspensão do benefício, indicando inclusive a data da ocorrência da infração. § 2º A entidade poderá, no prazo de trinta dias da ciência da notificação, apresentar as alegações e provas que entender necessárias. § 3º O Delegado ou Inspetor da Receita Federal decidirá sobre a procedência das alegações, expedindo o ato declaratório suspensivo do benefício, no caso de improcedência, dando, de sua decisão, ciência à entidade. § 4º Será igualmente expedido o ato suspensivo se decorrido o prazo previsto no § 2º sem qualquer manifestação da parte interessada. § 5º A suspensão da imunidade terá como termo inicial a data da prática da infração. § 6º Efetivada a suspensão da imunidade: I a entidade interessada poderá, no prazo de trinta dias da ciência, apresentar impugnação ao ato declaratório, a qual será objeto de decisão pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento competente; Fl. 715DF CARF MF Processo nº 10166.722593/201018 Acórdão n.º 2202003.495 S2C2T2 Fl. 716 13 II a fiscalização de tributos federais lavrará auto de infração, se for o caso. § 7º A impugnação relativa à suspensão da imunidade obedecerá às demais normas reguladoras do processo administrativo fiscal. § 8º A impugnação e o recurso apresentados pela entidade não terão efeito suspensivo em relação ao ato declaratório contestado. § 9º Caso seja lavrado auto de infração, as impugnações contra o ato declaratório e contra a exigência de crédito tributário serão reunidas em um único processo, para serem decididas simultaneamente. § 10. Os procedimentos estabelecidos neste artigo aplicamse, também, às hipóteses de suspensão de isenções condicionadas, quando a entidade beneficiária estiver descumprindo as condições ou requisitos impostos pela legislação de regência. § 11. Somente se inicia o procedimento que visa à suspensão da imunidade tributária dos partidos políticos após trânsito em julgado de decisão do Tribunal Superior Eleitoral que julgar irregulares ou não prestadas, nos termos da Lei, as devidas contas à Justiça Eleitoral. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) (Revogado pela Lei nº 13.165, de 2015) § 12. A entidade interessada disporá de todos os meios legais para impugnar os fatos que determinam a suspensão do benefício. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Deste modo, verificase que carece o processo conexto de decisão de autoridade competente que tenha analisado o suspensão da isenção, decisão esta que competia a Delegacia da Receita Federal do Brasil DRF. Logo, havendo o julgamento da DRJ sem prévio julgamento, pela DRF (autoridade competente), da defesa apresentada pela contribuinte quanto a Informação Fiscal, temse que há supressão de instância no processo conexo. Assim, impossível analisar o mérito deste processo sem violação ao devido processo legal. Face a isto, compreendo que deve ser acolhida a preliminar de nulidade da decisão do processo conexo de nº 10166.722677/200918, julgado em 7 de junho de 2011 pela 5a. Turma da DRJ/BSB, determinandose que os autos sejam remetidos a Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem para que a autoridade competente realize o julgamento da defesa da contribuinte. Por consequência, em razão da conexão existente entre os processos, considero nulo o acórdão ora recorrido, devendo este processo retornar a DRJ de origem e ficar sobrestado até que a DRF informe o julgamento do processo conexo de nº 10166.722677/2009 18. Tal compreensão decorre do disposto no §9º do art. 32 da Lei nº 9.430/96, o qual prevê julgamento simultâneo destes processos: "Caso seja lavrado auto de infração, as impugnações contra o ato declaratório e contra a exigência de crédito tributário serão reunidas em um único processo, para serem decididas simultaneamente". Fl. 716DF CARF MF Processo nº 10166.722593/201018 Acórdão n.º 2202003.495 S2C2T2 Fl. 717 14 Ante o exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso, para: a) acolher a preliminar e declarar a nulidade do acórdão da DRJ/BSB do processo conexo de nº 10166.722677/200918, determinandose que os autos sejam remetidos a Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem para que a autoridade competente realize o julgamento da defesa da contribuinte; b) declarar a nulidade do acórdão ora recorrido, devendo estes autos retornarem a DRJ de origem, ficando sobrestados até que a DRF manifestese quanto ao julgamento do processo conexo de nº 10166.722677/200918. No entanto, acordaram os membros deste colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância, vencidos os Conselheiros Martin da Silva Gesto (Relator) e Junia Roberta Gouveia Sampaio, que a acolheram. Desse modo, passo a analisar o mérito. Mérito Da imunidade da entidade de assistência social A recorrente descumpriu um dos requisitos do art. 55 da Lei n. 8.212/91, o previsto no inciso II ser portadora do Certificado e do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três ano. Diante disso, a empresa perdeu seu direito à Isenção a partir desta data (01/01/2007). Para obter nova Isenção, a entidade deveria ter entrado com novo pedido de isenção, conforme determinava o §1º do mesmo art. 55. Como não o fez, não tem direito à Isenção Previdenciária, a partir de 01/01/2007. A Recorrente sustenta que a autuação é indevida tendo em vista que é imune ao pagamento da contribuição previdenciária, nos termos do art. 195, parágrafo 7o da CF, in verbis: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: (...) § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. (grifouse) Da leitura do artigo, verificase que as “entidades beneficentes de assistência social” precisam atender às exigências estabelecidas em lei para serem imunes à contribuição previdenciária. Nesse diapasão, assim disciplinava a norma infralegal (art. 55 da Lei n. 8.212/91), vigente à época do fato gerador, in verbis: Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: Fl. 717DF CARF MF Processo nº 10166.722593/201018 Acórdão n.º 2202003.495 S2C2T2 Fl. 718 15 I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; II seja portadora do Registro e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.18713, de 2001). III promova, gratuitamente e em caráter exclusivo, a assistência social beneficente a pessoas carentes, em especial a crianças, adolescentes, idosos e portadores de deficiência; (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 1998). (Vide ADIN nº 2.0285) IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 1º Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. § 2º A isenção de que trata este artigo não abrange empresa ou entidade que, tendo personalidade jurídica própria, seja mantida por outra que esteja no exercício da isenção. § 3o Para os fins deste artigo, entendese por assistência social beneficente a prestação gratuita de benefícios e serviços a quem dela necessitar. (Incluído pela Lei nº 9.732, de 1998). (Vide ADIN nº 20285) § 4o O Instituto Nacional do Seguro Social INSS cancelará a isenção se verificado o descumprimento do disposto neste artigo. (Incluído pela Lei nº 9.732, de 1998). (Vide ADIN nº 20285) § 5o Considerase também de assistência social beneficente, para os fins deste artigo, a oferta e a efetiva prestação de serviços de pelo menos sessenta por cento ao Sistema Único de Saúde, nos termos do regulamento. (grifouse) Destaco que o processo em que se discute a exigência de contribuição previdenciária, obrigação principal, a qual está sendo julgada na mesma sessão do presente processo, está sendo reconhecido o preenchimento dos requisitos do art. 55 da Lei 8.212/91, em determinado período, devendo ser reproduzidos os seus fundamentos. Fl. 718DF CARF MF Processo nº 10166.722593/201018 Acórdão n.º 2202003.495 S2C2T2 Fl. 719 16 Para que seja concedida a imunidade regulamentada pela supracitada norma, a entidade precisa atender às exigências contidas nos incisos I, II, III, IV e V do art. 55 da Lei n. 8.212/91. Apesar de se tratar de imunidade, constante no art. 195, parágrafo 7º da CF, destacado alhures, percebese que ela é condicionada, e que os requisitos impostos na legislação são válidos e não podem ser excluídos da apreciação deste conselheiro. Nesse sentido, vejase o precedente do Supremo Tribunal Federal, in verbis: I. Imunidade tributária: entidade filantrópica: CF, arts. 146, II e 195, § 7º: delimitação dos âmbitos da matéria reservada, no ponto, à intermediação da lei complementar e da lei ordinária (ADIMC 1802, 27.8.1998, Pertence, DJ 13.2.2004;RE 93.770, 17.3.81, Soares Muñoz, RTJ 102/304). A Constituição reduz a reserva de lei complementar da regra constitucional ao que diga respeito "aos lindes da imunidade", à demarcação do objeto material da vedação constitucional de tributar; mas remete à lei ordinária "as normas sobre a constituição e o funcionamento da entidade educacional ou assistencial imune". II. Imunidade tributária: entidade declarada de fins filantrópicos e de utilidade pública: Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos: exigência de renovação periódica (L. 8.212, de 1991, art. 55). Sendo o Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos mero reconhecimento, pelo Poder Público, do preenchimento das condições de constituição e funcionamento, que devem ser atendidas para que a entidade receba o benefício constitucional, não ofende os arts. 146, II, e 195, § 7º, da Constituição Federal a exigência de emissão e renovação periódica prevista no art. 55, II, da Lei 8.212/91. (RE 428815 AgR, Relator(a): Min. SEPÚLVEDA PERTENCE, Primeira Turma, julgado em 07/06/2005, DJ 24062005 PP00040 EMENT VOL0219707 PP01247 RDDT n. 120, 2005, p. 150 153) **************************************************** CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE DE ENTIDADE BENEFICENTE. CERTIFICADO DE ENTIDADE BENEFICENTE CEBAS EMITIDO E PRETENSAMENTE RECEPCIONADO PELO DECRETOLEI 1.752/1977. DIREITO ADQUIRIDO. ART. 195, § 7º DA CONSTITUIÇÃO. DISCUSSÃO SOBRE O QUADRO FÁTICO. ATENDIMENTO OU NÃO DOS REQUISITOS LEGAIS. 1. Nenhuma imunidade tributária é absoluta, e o reconhecimento da observância aos requisitos legais que ensejam a proteção constitucional dependem da incidência da norma aplicável no momento em que o controle da regularidade é executado, na periodicidade indicada pelo regime de regência. 2. Não há direito adquirido a regime jurídico relativo à imunidade tributária. A concessão de Certificado de Entidade Fl. 719DF CARF MF Processo nº 10166.722593/201018 Acórdão n.º 2202003.495 S2C2T2 Fl. 720 17 Beneficente Cebas não imuniza a instituição contra novas verificações ou exigências, nos termos do regime jurídico aplicável no momento em que o controle é efetuado. Relação jurídica de trato sucessivo. 3. O art. 1º, § 1º do Decretolei 1.752/1977 não afasta a obrigação de a entidade se adequar a novos regimes jurídicos pertinentes ao reconhecimento dos requisitos que levam à proteção pela imunidade tributária. 4. Não cabe mandado de segurança para discutir a regularidade da entidade beneficente se for necessária dilação probatória. Recurso ordinário conhecido, mas ao qual se nega provimento. (RMS 26932, Relator(a): Min. JOAQUIM BARBOSA, Segunda Turma, julgado em 01/12/2009, DJe022 DIVULG 04022010 PUBLIC 05022010 EMENT VOL0238801 PP00015 LEXSTF v. 32, n. 374, 2010, p. 178183, grifouse) Desde modo, improcedem os argumentos da contribuinte, pois demonstrado que ela não possuía o CEBAS. Porém, o período considerado para lançamento 01/01/2007 a 31/12/2008 – assim o foi porque a entidade não possuía o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social – CEBAS, fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social – CNAS, válido e regularmente emitido. Todavia, ficou constatado que a entidade apresentou, intempestivamente, o pedido de renovação de seu Certificado, válido para o triênio 2003/2006. A renovação do Certificado foi requerida em 24/10/2007, e na forma do art. 37 da Medida Provisória n. 446, de 07/11/2008, sendo o Certificado renovado pelo CNAS, mediante publicação da Resolução n. 07, de 03/02/09, com validade deferida a partir de 24/10/2007. Ou seja, a apresentação intempestiva do pedido de renovação não permitiu a continuidade da imunidade. Mas, uma vez deferido, com efeitos a partir de 24/10/2007, necessário concluir que a partir de tal data a contribuinte foi configurada como entidade beneficiente, cumprindo os requisitos para gozo da imunidade. Diante destes fatos, e analisando o período do auto de infração remanescente, entendo que estão presentes todos os requisitos suficientes e necessários constantes no art. 55 da Lei 8.212/91, vigente à época, para o reconhecimento da imunidade do recorrente no período de 24/10/2007 a 31/12/2008. Logo, devem ser excluído do lançamento tal período, permanecendo o auto somente em relação ao período de 01/01/2007 a 23/10/2007. Portanto, afastase a multa exigida deste período. Da multa por descumprimento de obrigação acessória A multa totaliza o montante de no valor de R$ 1.152.588,88 (um milhão cento e cinqüenta e dois mil, quinhentos e oitenta e oito reais e oitenta e oito centavos), que equivale a cem por cento do valor devido, relativo à contribuição não declarada, limitada a um multiplicador sobre o valor mínimo, em função do número de segurados, nos termos do art. 32, inciso IV e § 5º, da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela Lei n.º 9.528/97, combinado com o art. 284, inciso II, do RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, cujo valor foi atualizado pela Portaria MPS/MF n.º 333, de 29/06/2010. Conforme item anterior, do valor da multa exigido, Fl. 720DF CARF MF Processo nº 10166.722593/201018 Acórdão n.º 2202003.495 S2C2T2 Fl. 721 18 deve ser afastado a multa em relação ao período de 24/10/2007 a 31/12/2008, nos termos da fundamentação exposta. Ainda, no que tange ao cálculo da multa, é necessário tecer algumas considerações, face à edição da MP nº 449/08, convertida na Lei n° 11.941/09. Ela inseriu o art. 32A na Lei n° 8.212/91 e alterou a sistemática de cálculo de multa por infrações relacionadas ao inciso IV do art. 32 da Lei n° 8.212/91, in verbis: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3º deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 1º Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 2º Observado o disposto no § 3º deste artigo, as multas serão reduzidas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). (grifouse) Fl. 721DF CARF MF Processo nº 10166.722593/201018 Acórdão n.º 2202003.495 S2C2T2 Fl. 722 19 Logo, quando houver descumprimento da Obrigação Acessória prevista no art. 32, IV da Lei nº 8.212/91, aplicase a multa prevista acima. Ocorre que ela deverá ser aplicada da seguinte forma: 1. Somase o total das informações incorretas ou omitidas; 2. Dividese o total em grupos de 10. Para cada grupo de 10 informações incorretas ou omitidas será aplicada a multa de R$ 20,00 (art. 32A, I); 3. Além dessa multa, aplicase a multa de 2% ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (art. 32A, II); 4. A multa mínima a ser aplicada será de R$ 500,00, para o caso da multa prevista no inciso I e R$ 500,00 para a multa prevista no inciso II, ambos do art. 32A da Lei nº 8.212/91 (art. 32A, § 3º, II). Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. Para efeitos da apuração da situação mais favorável, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, “c”, do CTN, a norma anterior, ou a norma atual, nos termos do art. 32A, Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009, nos moldes transcritos acima. Conclusão Ante o exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso, para: a) reconhecer a imunidade e afastar a incidência das contribuições dispostas no art. 22 e 23 da Lei 8.212/91 do período de 24/10/2007 a 31/12/2008 e, por consequência, afastar a multa no referido período; b) determinar o recálculo da multa, conforme o art. 32A da Lei 8.212/91, prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Voto Vencedor Voto Divergente da Conselheira Cecilia Dutra Pillar. Peço vênia para divergir do voto do Ilustre Relator, no que pertine à questão preliminar e às multas aplicadas. Da Preliminar Fl. 722DF CARF MF Processo nº 10166.722593/201018 Acórdão n.º 2202003.495 S2C2T2 Fl. 723 20 Inicialmente, há que se ter presente que as disposições do art. 32 da Lei nº 9.430/1996 se referem à suspensão da imunidade tributária prevista no art. 150, VI, “c”, da Constituição Federal, não se aplicando às contribuições sociais/previdenciárias, disciplinadas em legislação específica. Portanto, o rito processual estipulado no art. 32 da Lei nº 9.430/1996 não é o utilizado para os procedimentos de suspensão (antes cancelamento) da isenção das contribuições sociais prevista no art. 195, § 7º da Carta Magna. A Constituição Federal de 1988, em seu artigo 195, parágrafo 7.º, conferiu às Entidades Beneficentes de Assistência Social EBAS o direito à isenção das contribuições sociais patronais, desde que atendidas as exigências estabelecidas em lei. Ao longo dos anos, essas exigências foram previstas nos seguintes diplomas legais, observados os respectivos períodos de vigência: a) Lei n.º 8.212, de 24 de julho de 1991, artigo 55, vigente inicialmente até 09 de novembro de 2008; b) Medida Provisória n.º 446, de 07 de novembro de 2008, vigente no período de 10 de novembro de 2008 a 11 de fevereiro de 2009; c) Lei n.º 8.212/1991, artigo 55, com vigência restabelecida no período de 12 de fevereiro de 2009 a 29 de novembro de 2009; e d) Lei n.º 12.101, de 27 de novembro de 2009, vigente a partir de 30 de novembro de 2009. Esclareçase, em relação à MP n.º 446/2008: (1) que esta foi rejeitada por ato do Presidente da Câmara dos Deputados, publicado no DOU de 12 de fevereiro de 2009; (2) que não havendo sido editado decreto legislativo regulando os efeitos produzidos por essa medida provisória, as relações jurídicas constituídas, bem assim aquelas decorrentes dos atos praticados durante a sua vigência, conservamse por ela regidas, nos termos do parágrafo 11 do artigo 62 da Constituição Federal; e (3) que a MP n.º 446/2008 trazia, em seu bojo, alterações legislativas similares àquelas posteriormente promovidas pela Lei n.º 12.101/2009. Nos termos do parágrafo 1.º do artigo 55 da Lei n.º 8.212/1991, o direito à isenção dependia de requerimento ao INSS – posteriormente, à RFB, em face da transferência de atribuições determinada pela Lei n.º 11.457, de 16 de março de 2007. Já, na vigência da MP n.º 446/2008, a EBAS poderia gozar de isenção a contar da data de sua certificação pelo Ministério da área de atuação correspondente, e, na vigência da Lei n.º 12.101/2009, a contar da data da publicação da certificação, desde que, em qualquer caso, atendidos os requisitos estabelecidos na legislação, sem necessidade de requerer o benefício. Na verificação do cumprimento dos requisitos exigidos para fruição da isenção (direito material), deve ser observada a legislação vigente no momento da ocorrência do fato gerador, em conformidade com o artigo 144, “caput”, do CTN, “in verbis”: Fl. 723DF CARF MF Processo nº 10166.722593/201018 Acórdão n.º 2202003.495 S2C2T2 Fl. 724 21 Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Em relação aos procedimentos (direito adjetivo ou procedimental), todavia, devese observar que, na vigência do artigo 55 da Lei n.º 8.212/1991, a constituição do crédito previdenciário dependia do prévio cancelamento da isenção, precedido da emissão de Informação Fiscal IF, de acordo com o rito então estabelecido no parágrafo 8.º do artigo 206 do Regulamento da Previdência Social RPS aprovado pelo Decreto n.º 3.048, de 06 de maio de 1999. Já durante a vigência da MP n.º 446/2008 e a partir de 30 de novembro de 2009, quando entrou em vigor a Lei n.º 12.101/2009, ficou a cargo da Fiscalização, ao constatar que a entidade deixou de cumprir requisito(s) exigido(s) para o gozo da isenção, efetuar a lavratura de auto de infração, lançando as contribuições patronais devidas, relativamente ao período em que restou constatado tal descumprimento, observado o rito previsto no Decreto n.º 70.235, de 06 de março de 1972, e considerandose automaticamente suspenso o direito à isenção nesse mesmo período. Isso em observância ao disposto no artigo 32 e seus parágrafos da Lei n.º 12.101/2009, aplicado em consonância com o parágrafo 1.º do artigo 144 do CTN, que determina a aplicação imediata das normas procedimentais, ainda que os fatos geradores tenham ocorrido na vigência da lei anterior. Vejase, nesse sentido, verbis: Lei n.º 12.101/2009 Art. 32. Constatado o descumprimento pela entidade dos requisitos indicados na Seção I deste Capítulo, a fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil lavrará o auto de infração relativo ao período correspondente e relatará os fatos que demonstram o não atendimento de tais requisitos para o gozo da isenção. (Grifouse.) § 1.º Considerarseá automaticamente suspenso o direito à isenção das contribuições referidas no art. 31 durante o período em que se constatar o descumprimento de requisito na forma deste artigo, devendo o lançamento correspondente ter como termo inicial a data da ocorrência da infração que lhe deu causa. (Grifouse.) § 2.º O disposto neste artigo obedecerá ao rito do processo administrativo fiscal vigente. CTN Art. 144. [...]§ 1.º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. (Grifouse.) Fl. 724DF CARF MF Processo nº 10166.722593/201018 Acórdão n.º 2202003.495 S2C2T2 Fl. 725 22 Neste sentido, também, o Decreto n.º 7.574, de 29 de setembro de 2011, que regulamenta o processo de determinação e exigência de créditos tributários da União, e em seu artigo 125 estabelece que a Fiscalização da RFB, caso constate o descumprimento dos requisitos impostos pela legislação de regência para o gozo da isenção, deve lavrar auto de infração relativo ao período correspondente e relatar os fatos que demonstram o não atendimento de tais requisitos. Em assim sendo, a Fiscalização não deve mais formalizar IF para cancelamento de isenção, pois, na sistemática da Lei n.º 12.101/2009, não são mais emitidos atos cancelatórios, nem atos declaratórios de reconhecimento da isenção. Vejase, no caso, as regras de transição previstas nos artigos 44 e 45 do Decreto n.º 7.237, de 20 de julho de 2010, in verbis: Art. 44. Os pedidos de reconhecimento de isenção não definitivamente julgados em curso no âmbito do Ministério da Fazenda serão encaminhados à unidade competente daquele órgão para verificação do cumprimento dos requisitos da isenção, de acordo com a legislação vigente no momento do fato gerador. (Grifouse.) Parágrafo único. [...] Art. 45. Os processos para cancelamento de isenção não definitivamente julgados em curso no âmbito do Ministério da Fazenda serão encaminhados à unidade competente daquele órgão para verificação do cumprimento dos requisitos da isenção na forma do rito estabelecido no art. 32 da Lei n.º 12.101, de 2009, aplicada a legislação vigente à época do fato gerador. (Grifouse.) Em síntese, a Fiscalização, ao verificar que a entidade não cumpriu as exigências estabelecidas em lei para o gozo da isenção, deve lavrar auto de infração de obrigação principal, considerando automaticamente suspenso o direito ao benefício, no período correspondente ao descumprimento verificado, conforme previsto no artigo 32 e seu parágrafo 1.º da Lei n.º 12.101/2009 e no artigo 125 e seus parágrafos do Decreto n.º 7.574/2011, considerando a aplicação imediata das normas procedimentais, nos termos do artigo 144, parágrafo 1.º, do CTN. Deste modo, efetivamente a Informação fiscal para cancelamento da isenção perdeu seu objeto, pois, a legislação superveniente não mais prevê a emissão de Ato Cancelatório de isenção mas sim que os fatos constatados e os requisitos descumpridos sejam relatados no auto de infração que veio a ser lavrado. Salientese que a legislação é dinâmica. A Instrução Normativa MPS/SRP nº 03/2005, mencionada na Informação Fiscal, foi revogada pela Instrução Normativa RFB nº 971, de 13/11/2009, DOU de 17/11/2009 trazendo nos artigos 227 a 235 o disciplinamento concernente às entidades isentas das contribuições sociais. Com a alteração da legislação (Lei nº 12.101/2009 e revogação do art. 55 da Lei nº 8.212/1991), os citados artigos da IN receberam nova redação, dada pela Instrução Fl. 725DF CARF MF Processo nº 10166.722593/201018 Acórdão n.º 2202003.495 S2C2T2 Fl. 726 23 Normativa RFB nº 1.071, de 15/09/2010. As disposições procedimentais relativas a cancelamento de isenção se encontram nos artigos 229, 233 e 234. No caso em exame, o que se verifica é que a fiscalização agiu em conformidade com as disposições do art. 45 do Decreto n.º 7.237/2010 pois quando da entrada em vigor da Lei nº 12.101/2009, constatado que o processo de cancelamento da isenção nº 10166.722677/200918, não se encontrava definitivamente julgado, houve o encaminhamento da Informação Fiscal à fiscalização (despacho de fls. 604 daquele processo) que providenciou na lavratura dos Autos de Infração em 23/11/2010, demonstrando no relatório fiscal os requisitos descumpridos (os mesmos relatados da IF). O processo que contém a IF (nº 10166.722677/200918) encontrase apensado a este. As alegações da Entidade de nulidade do acórdão recorrido por supressão de instância não procedem. O processo que contém a IF para cancelamento da isenção sem decisão definitiva até 29/11/2009, deixou de ser analisado e decidido pela Delegacia da Receita Federal de origem, pois a legislação atual prevê que a discussão sobre os motivos da suspensão da isenção seja travada dentro do mesmo processo que contém o auto de infração e segundo o rito do Decreto nº 70.235/1972. Deste modo, desde 30/11/2009 a autoridade competente para julgar em primeira instância administrativa o litígio decorrente da suspensão da isenção é a DRJ. Assim, entendo estar correto o procedimento e rejeito a preliminar de nulidade suscitada pelo contribuinte. Do Mérito Novo Requerimento de isenção Com relação ao direito à isenção, merece consideração a exigência de novo requerimento de isenção junto à RFB, suscitada no acórdão da DRJ e no voto do I. Relator. Destaquese que os fundamentos legais do auto de infração, sob o aspecto material, são aqueles estabelecidos na lei vigente no momento do fato gerador, em obediência ao “caput” do artigo 144 do CTN. Assim, no que interessa à situação em apreço, o auditor deve, quanto aos fatos geradores ocorridos até 09 de novembro de 2008 e no período de 12 de fevereiro de 2009 a 29 de novembro de 2009, verificar o cumprimento dos requisitos previstos no artigo 55 da Lei n.º 8.212/1991; quanto aos fatos geradores ocorridos no período de 10 de novembro de 2008 a 11 de fevereiro de 2009, i.e., a partir da publicação da MP n.º 446/2008, a entidade certificada faz jus à isenção, desde que atendidos, cumulativamente, os requisitos previstos no artigo 28 dessa medida provisória; e a partir de 30 de novembro de 2009, os requisitos estabelecidos na Lei n.º 12.101, de 27 de novembro de 2009. Até 09 de novembro de 2008 e no período de 12 de fevereiro de 2009 a 29 de novembro de 2009, o CNAS era competente para conceder o Registro e o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, conforme estabelecido no artigo 18, inciso IV, da Lei n.º 8.742, de 07 de dezembro de 1993 – Lei Orgânica Fl. 726DF CARF MF Processo nº 10166.722593/201018 Acórdão n.º 2202003.495 S2C2T2 Fl. 727 24 da Assistência Social LOAS, regulamentado pelo Decreto n.º 2.536, de 06 de abril de 1998. Até 11/2009, mesmo a entidade estando com seu Certificado vencido em 31/12/2006 e não tendo ainda seu Certificado deferido, não havia sido formalizado o cancelamento da isenção, não havendo que se exigir novo pedido de isenção junto à RFB pois à época a entidade permanecia formalmente enquadrada como isenta. Na vigência da MP n.º 446/2008 e a partir da Lei n.º 12.101/2009, deixou de ser emitido o Ato Declaratório de Isenção e a entidade certificada que atendesse aos demais requisitos exigidos para a isenção não mais precisava formalizar pedido de isenção. Portanto, descabida a exigência de formalização de novo pedido de isenção, seja porque o deferimento do novo Certificado (em 02/2009), ocorreu na vigência da MP nº 446/2008, ou porque no período de vigência do art. 55 da Lei nº 8.212/1991 não havia sido cancelada a isenção então usufruída. Vigência do Certificado Com relação ao período de vigência do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, deve ser obedecida a legislação vigente à época dos fatos, no caso, de 01/2007 a 12/2008, o Decreto nº 2.536/1998 que dizia: Art. 3º (...) § 2º O Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos terá validade de três anos, a contar da data da publicação no Diário Oficial da União da resolução de deferimento de sua concessão, permitida sua renovação, sempre por igual período, exceto quando cancelado em virtude de transgressão de norma que regulamenta a sua concessão. § 3º Desde que tempestivamente requerida a renovação, a validade do Certificado contará da data do termo final do Certificado anterior. Estes dispositivos não estipulavam o prazo para o pedido de renovação de certificado, inferindose que tal pedido deveria ser protocolizado no prazo de validade do certificado anterior, a fim de garantir sua validade sem solução se continuidade. A entidade em exame teve certificado válido até 31/12/2006, o pedido de renovação do certificado foi protocolizado em 24/10/2007 e deferido em 02/2009, assegurando validade a partir 24/10/2007 (data do protocolo). Portanto, não estando expressamente estipulado na legislação então vigente qual a consequência e a validade do certificado solicitado após o termo final de validade do anterior, há que se aceitar a vigência do certificado a partir de 24/10/2007, conforme atestada na Resolução que o deferiu. O parágrafo único do art. 26 da MP nº 446/2008 dizia que o pedido de renovação deveria ser protocolizado com antecedência mínima de seis meses do termo final de validade do certificado. O § 1º do art. 24 da Lei nº 12.101/2009, considera tempestivo o requerimento de renovação de certificado protocolado no decorrer dos 360 dias que antecedem o termo final de validade. O Decreto nº 7.237/2010 revogou o Decreto nº 2.536/1998 e veio Fl. 727DF CARF MF Processo nº 10166.722593/201018 Acórdão n.º 2202003.495 S2C2T2 Fl. 728 25 então disciplinar que o requerimento protocolizado após seis meses da validade do CEBAS, terá validade a partir da data da publicação da decisão e que a entidade não usufruirá os efeitos da certificação no período compreendido entre o término da validade e a data de publicação da decisão, independente de seu resultado (art. 7º, inciso II, parágrafo único). O art. 41 do mesmo Decreto determina que a entidade terá direito à isenção somente a partir da data da publicação da certificação no DOU. Mas estas disposições são supervenientes e não podem ser aplicadas retroativamente, ao requerimento protocolizado em 10/2007. Assim, com relação ao presente lançamento fiscal, que compreende o período de 01/2007 a 12/2008, corroboro as conclusões do nobre Relator de que esta Entidade teve assegurado seu direito à isenção de 24/10/2007 a 12/2008, período em que comprovou ser detentora de CEBAS. O crédito constituído deve ser mantido para os fatos geradores ocorridos no período de 01/01/2007 a 23/10/2007. Das Multas 1) Período da infração a recorrente alega que na pior das hipóteses a fiscalização só poderia autuar o período de 01/01/2007 a 23/10/2007, descoberto de Certificação. O pedido para que o período da infração se restrinja a 01/2007 a 10/2007 foi acolhido conforme acima. 2) Problemas apontados na autuação, com relação aos valores da multa e à legislação aplicável: 2.1) Primeiro porque a autuação decorre do descumprimento de obrigação acessória (CTN, art. 113, §3º) cuja multa foi calculada sobre as contribuições patronais previstas no art. 22, incisos I e II , "a", da Lei nº 8.212/1991, bem como pela falta de pagamento e inexatidão das informações declaradas em GFIP. Neste sentido, alega que a fiscalização não distinguiu as verbas indenizatórias que não integram o conceito de remuneração, tais como aviso prévio indenizado, 15 dias de afastamento por doença, pagos pela empresa, adicional de 1/3 constitucional e horas extras, resultando inexato o valor do crédito tributário. Reproduzo aqui o voto o ilustre Relator no julgamento do recurso voluntário do processo nº 10166.722596/201043, apenso ao presente, que neste ponto foi integralmente acolhido por este Colegiado: Nos abstemos de considerar as alegações apresentadas tendo em vista não se verificar quaisquer referências ou valores atinentes às citadas rubricas, tanto no próprio Relatório Fiscal, bem como nos demonstrativos de apuração das bases de cálculo das contribuições exigidas. Cabe ao interessado a prova do alegado. Não o fazendo, tornam se improcedentes as razões apresentadas por estarem desacompanhadas de provas. Em razão disso, carece de razão a recorrente. Fl. 728DF CARF MF Processo nº 10166.722593/201018 Acórdão n.º 2202003.495 S2C2T2 Fl. 729 26 2.2) Segundo porque o cálculo da multa mais benéfica deve ser realizado entre as penalidades previstas no art. 32, § 5º da Lei nº 8.212/1991, revogado pela Lei nº 11.941/2009 e as previstas no art. 32A da mesma lei. Requer que seja afastada a multa em função de seu caráter confiscatório e porque da forma como aplicada, torna ilíquido e incerto o presente auto de infração. Requer também a realização de perícia para apuração dos valores da multa, sob cada forma de cálculo. Para fins de esclarecimento, cabe referir a distinção existente entre obrigação principal e acessória, uma vez que o sujeito passivo foi autuado pelo descumprimento destas duas obrigações. Em decorrência da relação jurídica existente entre o contribuinte ou responsável (sujeito passivo) e o fisco (sujeito ativo), tem aquele duas obrigações para com este: uma obrigação denominada principal, que é a de verter contribuições para a Seguridade Social; outra denominada acessória, distinta da primeira, que decorre da legislação tributária e tem por objeto prestações positivas ou negativas nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. (art. 1131 do CTN) O descumprimento da obrigação principal dá ensejo ao lançamento de ofício do crédito tributário, com a exigência do principal não recolhido acrescido de multa e juros moratórios enquanto que o descumprimento da obrigação acessória tem como conseqüência a lavratura do Auto de Infração, exigindo a penalidade prevista para cada tipo de infração cometida. Na ação fiscal sob exame, foi constatado o descumprimento da obrigação acessória de declarar todos os fatos geradores em GFIP bem como outras informações de interesse da Seguridade Social AI CFL 68 (Debcad nº 37.236.7810, processo nº 10166.722593/201018) e o descumprimento da obrigação principal de pagar as contribuições previdenciárias incidentes sobre os fatos geradores identificados pela fiscalização (AI identificado pelo Debcad nº 37.236.7844, processo nº 10166.722596/201043). A legislação previdenciária vigente até o advento da MP 449/2008 previa no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei nº 9.876/1999, a aplicação de multa nos lançamentos de ofício decorrentes de falta de recolhimento de obrigação principal e, nos casos de falta ou incorreção de declaração das contribuições previdenciárias em GFIP, multa punitiva pelo descumprimento da obrigação acessória, disciplinada no § 5º do art. 32 da mesma Lei. Estas multas convivem perfeitamente por tratarem de penalidades por condutas distintas uma vez que, nos termos do parágrafo 2º do art. 32 da Lei nº 8.212/1991, incluído pela Lei nº 9.528/1997, combinado com o parágrafo 1º do art. 225 do RPS, as informações prestadas em GFIP, além de servirem como base de cálculo das contribuições arrecadadas pela Seguridade Social, compõem a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários, motivo pelo qual, a não entrega desse documento acarreta prejuízo ao Fisco e aos segurados da Previdência Social. Assim temos que antes da MP 449/2008 a fiscalização ao constatar que determinado contribuinte não declarou a integralidade dos fatos geradores em GFIP e não 1 Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorrente da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Fl. 729DF CARF MF Processo nº 10166.722593/201018 Acórdão n.º 2202003.495 S2C2T2 Fl. 730 27 recolheu o total das contribuições devidas, lavrava autos de infração distintos: (a) pelo descumprimento da obrigação principal (aplicando multa de 24%, prevista no art, 35, II da Lei nº 8.212/1991) e (b) pelo descumprimento de obrigação acessória relacionada à GFIP (aplicando as multas previstas no art. 32, §§ 4º, 5º e 6º, da Lei nº 8.212/1991). Nos termos do art. 144 do CTN, o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Com a edição da MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, que alterou a legislação e acrescentou o artigo 35A à Lei nº 8.212/1991, a multa no lançamento de ofício passou a ser aplicada, a partir da competência 12/2008, nos termos do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, nas situações que envolvam falta de pagamento ou recolhimento E ausência ou inexatidão da declaração. Quanto às obrigações acessórias relativas às Declarações em GFIP, cujo descumprimento era penalizado com as multas previstas no art. 32, §§ 4º, 5º e 6º, da Lei nº 8.212/1991, a MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, revogou os referidos dispositivos, instituindo a multa do art. 32A, da Lei nº 8.212/1991. O lançamento em apreço contém competências anteriores à modificação da Lei nº 8.212/1991 pela MP nº 449/2008. Em razão das disposições da alínea “c” do inciso II do artigo 106 do CTN, que determina a aplicação da legislação posterior se cominar penalidade menos severa do que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática, a Instrução Normativa RFB nº 971/2009 regulou, em seu artigo 476A, incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.027/2010, o procedimento a ser observado no caso de lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até 30/11/2008: Art. 476A. No caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos: ( Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 20 de abril de 2010 ) I até 30 de novembro de 2008, deverá ser aplicada a penalidade mais benéfica conforme disposto na alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), cuja análise será realizada pela comparação entre os seguintes valores: a) somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009, e das aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. II a partir de 1º de dezembro de 2008, aplicamse as multas previstas no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as Fl. 730DF CARF MF Processo nº 10166.722593/201018 Acórdão n.º 2202003.495 S2C2T2 Fl. 731 28 penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. (sem grifos no original) Conforme verificado na planilha de fls. 737 do Relatório Fiscal da Infração relativo à obrigação principal (processo nº 10166.722596/201043), a fiscalização comparou os valores elencados na coluna “Total Multa Atual” com os da coluna “Total Multa Anterior”, nas competências 01/2007 a 10/2008, concluindo que, em todas estas competências, o somatório das multas da legislação de regência foi mais benéfico para o autuado (soma da multa de 24% da obrigação principal com a multa pela infração em GFIP = AI CFL 68, previstas na legislação de regência, comparada à multa de 75% da obrigação principal, da legislação atual). O recorrente entende que o crédito tributário não tem liquidez, pelo fato da comparação das multas acima explicitada não ser definitiva, o que não lhe proporciona o direito à ampla defesa. Ocorre que a legislação vigente antes da MP 449/2008, estipula percentuais de multa variáveis, de acordo com a fase em que se encontrar o processo quando de seu efetivo pagamento. Por esse motivo foi publicada a Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14, de 4 de dezembro de 2009, DOU 08/12/2009, normatizando em seu artigo 2º que a análise da penalidade mais benéfica será realizada no momento do pagamento ou parcelamento do débito pelo contribuinte, ocasião em que os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN). Portanto, não se vislumbra o cerceamento de defesa alegado pelo recorrente pois os valores originais das penalidades estão demonstrados no lançamento assim como a forma de sua comparação, devendo o recálculo ser realizado quando o contribuinte tomar a iniciativa de regularizar o débito, conforme preceitua a legislação. Dessa forma, para as infrações cometidas no período de 01/01/2007 a 23/10/2007, remanescentes neste lançamento, a multa mais benéfica deve ser calculada de acordo com o disposto no art. 476A da IN RFB nº 971/2009, acima transcrito, e deverá ser apurada no momento do pagamento ou parcelamento do débito, nos termos do art. 2º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14, de 04/12/2009. Indeferese o pedido de perícia tanto por não atender às disposições do art. 16, IV e §1º, do Decreto nº 70.235/1972, alterado pela Lei nº 8.748/1993 quanto por ser desnecessária para a solução do litígio, uma vez que o cálculo das multas não será realizado pela comparação dos valores estipulados no artigo 32, § 5º com os do artigo 32A da Lei nº 8.212/1991. Esta comparação, requerida pelo recorrente, somente seria cabível se a autuação por incorreções e omissões em GFIP tivesse sido aplicada isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal (dicção do § 1º do inciso II do art. 476A da IN RFB nº 971/2009, na redação dada pela IN RFB nº 1.027/2010). 2.3) Terceiro porque não foi aplicado ao caso o art. 112 do CTN, que preconiza o dever de interpretação da lei tributária de forma mais favorável ao contribuinte. O pedido para que seja observado o art.112 do CTN não se aplica ao presente caso pois a legislação não deixa dúvidas quanto à sua interpretação, da mesma forma como não se aplica a decisão do STF mencionada no Recurso e que se refere à Lei nº 8.846/1994, haja vista que a legislação que fundamentou as multas em questão está na Lei nº 8.212/1991 com suas alterações. Fl. 731DF CARF MF Processo nº 10166.722593/201018 Acórdão n.º 2202003.495 S2C2T2 Fl. 732 29 Conclusão Por todo exposto, voto no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade da decisão recorrida e, no mérito, dar parcial provimento ao recurso para afastar a penalidade aplicada no período de 24/10/2007 a 31/12/2008, em razão da isenção, mantendo para o período remanescente do crédito tributário, as multas conforme calculadas pela autoridade lançadora, as quais deverão ser reanalisadas quando for postulado o seu pagamento, nos termos da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14, de 4 de dezembro de 2009. (Assinado Digitalmente) Cecilia Dutra Pillar Redatora Designada Fl. 732DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18088.720393/2013-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Mar 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2008
PAGAMENTO SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. OPERAÇÕES NÃO COMPROVADAS.
Estão sujeitos à incidência do imposto sobre a renda exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, nos termos do art. 61 da Lei nº 8.981/1995, os pagamentos efetuados ou os recursos entregues pela pessoa jurídica a terceiros quando não comprovada a operação ou a causa a que se referem.
MULTA AGRAVADA. NÃO ATENDIMENTO DE INTIMAÇÃO PARA PRESTAR ESCLARECIMENTOS. CABIMENTO.
Cabívelaaplicaçãodamultaagravadasemprequeocontribuintedeixarde prestar esclarecimentos em resposta a intimações da autoridade fiscal.Todos os contribuintes têm o dever de colaborar com o Fisco, fornecendo-lhe esclarecimentos, quando solicitado, ainda que estes não lhe surtam efeitos favoráveis. O não cumprimento desse dever acarreta a sanção de aumento da multa de ofício pela metade, nos termos do permissivo legal.
MULTA DE OFÍCIO. FRAUDE. QUALIFICAÇÃO.
A multa de ofício qualificada deve ser aplicada quando ocorre prática reiterada,consistente de ato destinado a iludir a Administração Fiscal quanto aos efeitos do fato gerador da obrigação tributária, mormente em situação fraudulenta,planejada e executada mediante ajuste doloso.
Numero da decisão: 2201-003.470
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso de ofício e em negar provimento ao recurso voluntário.
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente
Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA (Presidente), ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, DIONE JESABEL WASILEWSKI, JOSE ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), MARCELO MILTON DA SILVA RISSO, CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO, DANIEL MELO MENDES BEZERRA e RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM.
Nome do relator: DANIEL MELO MENDES BEZERRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201702
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 2008 PAGAMENTO SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. OPERAÇÕES NÃO COMPROVADAS. Estão sujeitos à incidência do imposto sobre a renda exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, nos termos do art. 61 da Lei nº 8.981/1995, os pagamentos efetuados ou os recursos entregues pela pessoa jurídica a terceiros quando não comprovada a operação ou a causa a que se referem. MULTA AGRAVADA. NÃO ATENDIMENTO DE INTIMAÇÃO PARA PRESTAR ESCLARECIMENTOS. CABIMENTO. Cabívelaaplicaçãodamultaagravadasemprequeocontribuintedeixarde prestar esclarecimentos em resposta a intimações da autoridade fiscal.Todos os contribuintes têm o dever de colaborar com o Fisco, fornecendo-lhe esclarecimentos, quando solicitado, ainda que estes não lhe surtam efeitos favoráveis. O não cumprimento desse dever acarreta a sanção de aumento da multa de ofício pela metade, nos termos do permissivo legal. MULTA DE OFÍCIO. FRAUDE. QUALIFICAÇÃO. A multa de ofício qualificada deve ser aplicada quando ocorre prática reiterada,consistente de ato destinado a iludir a Administração Fiscal quanto aos efeitos do fato gerador da obrigação tributária, mormente em situação fraudulenta,planejada e executada mediante ajuste doloso.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Mar 07 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 18088.720393/2013-47
anomes_publicacao_s : 201703
conteudo_id_s : 5690122
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Mar 07 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 2201-003.470
nome_arquivo_s : Decisao_18088720393201347.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : DANIEL MELO MENDES BEZERRA
nome_arquivo_pdf_s : 18088720393201347_5690122.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso de ofício e em negar provimento ao recurso voluntário. Carlos Henrique de Oliveira - Presidente Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA (Presidente), ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, DIONE JESABEL WASILEWSKI, JOSE ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), MARCELO MILTON DA SILVA RISSO, CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO, DANIEL MELO MENDES BEZERRA e RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM.
dt_sessao_tdt : Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
id : 6666672
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:56:48 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048947289751552
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 19; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1817; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 755 1 754 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18088.720393/201347 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201003.470 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 08 de fevereiro de 2017 Matéria Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF Recorrente IESA PROJETOS, EQUIPAMENTOS E MONTAGENS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2008 PAGAMENTO SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. OPERAÇÕES NÃO COMPROVADAS. Estão sujeitos à incidência do imposto sobre a renda exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, nos termos do art. 61 da Lei nº 8.981/1995, os pagamentos efetuados ou os recursos entregues pela pessoa jurídica a terceiros quando não comprovada a operação ou a causa a que se referem. MULTA AGRAVADA. NÃO ATENDIMENTO DE INTIMAÇÃO PARA PRESTAR ESCLARECIMENTOS. CABIMENTO. Cabívelaaplicaçãodamultaagravadasemprequeocontribuintedeixarde prestar esclarecimentos em resposta a intimações da autoridade fiscal.Todos os contribuintes têm o dever de colaborar com o Fisco, fornecendolhe esclarecimentos, quando solicitado, ainda que estes não lhe surtam efeitos favoráveis. O não cumprimento desse dever acarreta a sanção de aumento da multa de ofício pela metade, nos termos do permissivo legal. MULTA DE OFÍCIO. FRAUDE. QUALIFICAÇÃO. A multa de ofício qualificada deve ser aplicada quando ocorre prática reiterada,consistente de ato destinado a iludir a Administração Fiscal quanto aos efeitos do fato gerador da obrigação tributária, mormente em situação fraudulenta,planejada e executada mediante ajuste doloso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 08 8. 72 03 93 /2 01 3- 47 Fl. 656DF CARF MF Processo nº 18088.720393/201347 Acórdão n.º 2201003.470 S2C2T1 Fl. 756 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso de ofício e em negar provimento ao recurso voluntário. Carlos Henrique de Oliveira Presidente Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA (Presidente), ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, DIONE JESABEL WASILEWSKI, JOSE ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), MARCELO MILTON DA SILVA RISSO, CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO, DANIEL MELO MENDES BEZERRA e RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão nº 1654.969 1ª Turma da DRJ/SP1 (fls.456/479), que julgou procedente em parte a sua impugnação. Pela clareza e concisão, adoto o relatório da decisão de primeira instância até a fase de impugnação, que bem sintetizou os principais aspectos do presente lançamento: “Em decorrência de ação fiscal direta, a contribuinte, acima identificada, foi autuada, em 19/11/2013 (fl. 128), e intimada a recolher o crédito tributário constituído relativo ao Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), multa proporcional e juros de mora, referentes a fatos geradores ocorridos em 2008. Nesta mesma data o responsável tributário solidário Marco Antonio Bernardi, CPF 046.529.15896, conforme Relatório Fiscal (itens 41 a 42.4 – fls. 121 e 122), também foi cientificado do lançamento e da respectiva sujeição passiva solidária (Termo de Sujeição Passiva Solidária nº 01 477 2013 fls. 109 e 110). 2. Conforme descrito nos Autos de Infração, no Relatório Fiscal (fls. 111 a 122) e planilhas de cálculo de fls. 13 a 16 e 46 a 49, a contribuinte efetuou pagamentos, por meio de débitos em suas contas correntes bancárias registrados em sua contabilidade (créditos contábeis nas contas bancos), cuja operação e respectiva causa não foram comprovadas pela contribuinte intimada (Termo de Diligência Fiscal nº 02/330/2013 – fls. 44 a 50) e reintimada (Termo de Diligência Fiscal nº 03/330/2013 – fls. 59 a 61). 3. Tendo em vista o apurado, foi lavrado, conforme preceitua o artigo 9º do Decreto n º 70.235, de 06 de março de 1972, o Auto de Infração de IRRF (ato Fl. 657DF CARF MF Processo nº 18088.720393/201347 Acórdão n.º 2201003.470 S2C2T1 Fl. 757 3 e anexos às fls. 02 a 12). A multa de ofício aplicada foi qualificada (itens 32 a 39 do Relatório Fiscal – fls. 120 e 121) com fulcro nos artigos 44, § 1º, da Lei nº 9.430/1996 combinado com o artigo 71 da Lei nº 4.502/1964 (sonegação) e majorada por falta de resposta ao Termo de Diligência Fiscal nº 03/330/2013, conforme artigo 44, § 2º, da Lei nº 9.430/1996, totalizando 225%. Os juros de mora estão calculados com base na taxa Selic. 4. Irresignada, a autuada e o responsável solidário, representados por mandatário (fls. 29, 30, 41 e 159 a 175), apresentaram, em 19/12/2013 (fls. 447 e 453), conjuntamente a impugnação de fls. 131 a 159, instruída com documentos de fls. 160 a 446, na qual alegam em síntese: 4.1. a Receita Federal do Brasil (RFB) pretende validar informações e documentos (escutas telefônicas e informações bancárias) colhidas em operação promovida em conjunto com a Polícia Federal em Fortaleza, Ceará (Operação Podium – documentos de fls. 176 a 206), cuja lacração dos documentos apreendidos foi decidida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) nos Habeas Corpus (HC) nºs 199.884/CE (fls. 207 a 209) e ilegalidade do procedimento foi decidida pelo mesmo STJ no HC nº 198.224/CE (fls. 210 a 290), o que burla as exigências legais para constranger o cidadão e mitiga os direitos e garantias individuais; 4.2. apesar de não constar no processo como teria sido obtida a informação de que parte dos pagamentos realizados retornou para as contas dos impugnantes, resta claro que o auto de infração é ilegal pela quebra do sigilo bancário do responsável solidário Marco Antonio Bernardi, conforme se pode observar no item 21 do Relatório Fiscal que indica que foram quebrados também os sigilos bancários do Sr. Hybernon e da Sra. Karla Cysne, pois não houve autorização judicial, o que viola o inciso XII do artigo 5º da Constituição Federal, conforme jurisprudência judicial reproduzida; 4.3. há probabilidade latente de estender aos impugnantes os efeitos da decisão exarada no HC 198.224CE, que determinou a impossibilidade de utilização, por serem ilícitas, das provas colhidas na Operação Podium, que, segundo o item 1 do Relatório Fiscal, é a origem do auto de infração ora impugnado, por meio de expediente enviado pela Delegacia da Receita Federal em Fortaleza, pois são ilegais as provas obtidas por derivação de provas nulas; Fl. 658DF CARF MF Processo nº 18088.720393/201347 Acórdão n.º 2201003.470 S2C2T1 Fl. 758 4 4.4. apesar de a fiscalização afirmar que os atos dos impugnantes geraram grande fraude à Fazenda Nacional, é certo que o narrado nos itens 07 a 24 do Relatório Fiscal apenas informa que a contabilidade provisionava os pagamentos, o que ocorre em toda empresa de grande porte, e na data indicada estes eram efetuados, o que não configura nenhuma fraude, pois ninguém é obrigado a fazer ou deixar de fazer algo senão em virtude de lei; 4.5. conforme doutrina reproduzida e artigo 924 do Regulamento do Imposto de Renda, que diz que cabe ao Fisco a prova de fatos inverídicos, para aclarar a descrição da fraude fiscal, a auditoria fiscal deveria indicar em que momento foi perpetrada a fraude e indicar que ocorreu o retardamento, diminuição ou supressão no pagamento do tributo de forma ardilosa; 4.6. do total de pagamentos efetuados, presumiuse sem provas que o impugnante Marco Bernardi recebeu em devoluções aproximadamente R$250.000,00, o que não chega nem aos pés das grandes fraudes contra a Fazenda Nacional do passado e do presente; 4.7. “por mais questionável que tenham sido os pagamentos feitos em favor do Impugnante, tais pagamentos não constituem fraude, pois não foram com o objetivo de suprimir o pagamento de tributo”; 4.8. no momento do lançamento (19 de novembro de 2013) encontrava se decaído o direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário cujos fatos geradores ocorreram até 19 de novembro de 2013, pois, conforme o § 2º do artigo 674 do RIR/1999 (norma que fundamenta o lançamento) considerase vencido o imposto de renda na fonte no dia do pagamento e o prazo decadencial é de cinco anos a partir do fato gerador de acordo com o § 4º do artigo 150 do Código Tributário Nacional (CTN) e orientação jurisprudencial citada da própria Receita Federal; 4.9. na hipótese de ser inadmitida ilegalidade da quebra do sigilo, bem como inadmitida a desconstituição da fraude, somente pode ser mantida a caracterização de fraude em relação ao montante de R$256.635,00, que é o valor que foi creditado em favor do responsável tributário Marco Bernardi e não em relação ao total dos pagamentos realizados (R$7.547.378,24); 4.10. é indevida a aplicação da multa de ofício duplicada (qualificada), já que a conduta do contribuinte é de inadimplemento e não de Fl. 659DF CARF MF Processo nº 18088.720393/201347 Acórdão n.º 2201003.470 S2C2T1 Fl. 759 5 sonegador, cujo ônus da prova é da auditoria fiscal segundo jurisprudência transcrita, pois em momento algum restou caracterizado o retardamento ou a criação de empecilhos, já que os fatos foram devidamente documentados na contabilidade; 4.11. a qualificação da multa também é indevida por ser confiscatória, e não atender os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade aos atos praticados; 4.12. também é indevido o aumento da multa pela metade, pois as requisições foram atendidas na medida do possível, visto que sempre esclareceu que os documentos solicitados não estavam em posse dos impugnantes, por serem objeto de outro procedimento, não podendo o Estado se utilizar da própria torpeza para agravar a situação da contribuinte; 4.13. era impossível apresentar a documentação em face dos princípios constitucionais do sigilo, do direito em não produzir provas contra si e do trancamento do procedimento criminal por decisão judicial; 4.14. não pode permanecer a solidariedade atribuída a Marco Bernardi sobre todo o crédito tributário constituído, pois menos de 5% do valor dos pagamentos retornaram para sua conta e a responsabilidade do diretor se limita aos atos que efetivamente deu causa, além do que, como já dito, esta informação foi obtida por ato inconstitucional; e 4.15. como não restou comprovada a fraude por parte do contribuinte, é impossível a responsabilização de seu diretor.” A 1ª Turma da Delegacia da Brasil de Julgamento em São Paulo I, por maioria de votos, julgou procedente em parte a impugnação para reduzir o percentual da multa aplicável a 150%, rejeitando o aumento de 50% (a 225%) levado a cabo pela autoridade autuante, por entender esta última no auto caracterizada a hipótese prevista no art. 44, §2o., inciso I da Lei no 9.430, de 24 de dezembro de 1996, com a redação dada pela Lei no 11.488. de 15 de junho de 2007. O acórdão recorrido foi prolatado com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Data do fato gerador: 18/01/2008, 01/02/2008, 01/03/2008, 20/03/2008, 24/03/2008, 25/03/2008, 05/05/2008, 20/05/2008, 02/07/2008, 23/07/2008, 4/07/2008, 01/08/2008, 04/08/2008, 21/08/2008, 26/08/2008, 27/08/2008, 02/09/2008, 11/09/2008, Fl. 660DF CARF MF Processo nº 18088.720393/201347 Acórdão n.º 2201003.470 S2C2T1 Fl. 760 6 16/09/2008, 23/09/2008, 24/09/2008, 01/10/2008, 03/10/2008, 07/10/2008, 08/10/2008, 11/11/2008, 13/11/2008, 19/11/2008,21/11/2008, 28/11/2008, 05/12/2008, 10/12/2008, 11/12/2008, 12/12/2008,18/12/2008, 24/12/2008, 29/12/2008. PAGAMENTOS. OPERAÇÃO NÃO COMPROVADA. CAUSA NÃO COMPROVADA. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO. É sujeito à incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, pagamento efetuado a terceiro, contabilizado ou não, quando não for comprovada a operação ou sua causa. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 18/01/2008, 01/02/2008, 01/03/2008, 20/03/2008, 24/03/2008, 25/03/2008, 05/05/2008, 20/05/2008, 02/07/2008, 23/07/2008, 24/07/2008, 01/08/2008, 04/08/2008, 21/08/2008, 26/08/2008, 27/08/2008, 02/09/2008, 11/09/2008, 16/09/2008, 23/09/2008, 24/09/2008, 01/10/2008, 03/10/2008, 07/10/2008, 08/10/2008, 11/11/2008, 13/11/2008, 19/11/2008, 21/11/2008, 28/11/2008, 05/12/2008, 10/12/2008, 11/12/2008, 12/12/2008, 18/12/2008, 24/12/2008, 29/12/2008 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. FRAUDE. Quando comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o termo inicial do prazo decadencial de cinco anos que a Fazenda Pública possui para formalizar o crédito tributário devido é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido realizado. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DOLO. MULTA. 150%. Em lançamento de ofício é devida multa qualificada de 150% calculada sobre a totalidade ou diferença do tributo que não foi pago ou recolhido quando demonstrada a presença de dolo na ação ou omissão do contribuinte. INTIMAÇÃO PARA JUSTIFICAR SAÍDAS DE DISPONIBILIDADES. ATENDIMENTO INSATISFATÓRIO. RECUSA EM PRESTAR ESCLARECIMENTOS. INFRAÇÃO TIPIFICADA. PAGAMENTO SEM CAUSA. MULTA DE OFÍCIO. CAUSA DE AUMENTO. MESMO FATO. RECONHECIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. BIS IN IDEM. A recusa ou o atendimento insatisfatório de intimação para justificar saídas de disponibilidades configuram a hipótese infracional de pagamento a beneficiário não identificado ou sem comprovação de causa, valor sujeito à incidência do imposto de renda na fonte à alíquota de trinta e cinco por cento, sancionada com multa de ofício, sendo vedado reconhecer a mesma circunstância fática caracterizadora do ilícito como causa de aumento da respectiva sanção, sob pena de se incorrer em bis in idem. Fl. 661DF CARF MF Processo nº 18088.720393/201347 Acórdão n.º 2201003.470 S2C2T1 Fl. 761 7 DIRETOR. PARTICIPAÇÃO EM FRAUDE. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. Demonstrado nos autos que diretor da empresa autuada participou de fraude tendo sido beneficiário, por meio de depósitos em conta bancária pessoal, de pagamentos, cuja causa não foi comprovada, feitos inicialmente a terceiros, mantémse sua responsabilização tributária apontada pela fiscalização. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte No mesmo Acórdão, uma vez superado o limite de alçada de exoneração estabelecido pela Portaria MF no 3, de 03 de janeiro de 2008, formalizase Recurso de Ofício a este Conselho, quanto ao crédito tributário não mantido em sede de 1ª instância. Cientificados do mencionado Acórdão em 17 de fevereiro de 2014 (efls. 480/487), em 18/03/2014 a contribuinte e o sujeito passivo solidário ingressam com o Recurso Voluntário (efls. 495/519), onde, resumidamente: a) Iniciam o pleito recursal alegando que a investigação criminal denominada “OPERAÇÃO PODIUM” foi considerada ilegal para dois dos investigados, se encontrando suspensa em face do Sr. Marco Antônio Bernardi. Citase que a quebra de sigilo bancário e telefônico não obedeceram aos princípios de ampla defesa e devido processo legal, violando o contraditório. Mencionam decisão de lacração de documentos apreendidos, pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) nos Habeas Corpus (HC) nºs 199.884/CE (efls. 207 a 209), acreditando, ainda, na extensão do entendimento emanado em outro HC (198.224/CE) em favor dos pacientes vinculados à Recorrente IESA. Entendem que, a partir da decisão ali proferida, ficaram a Receita Federal e a Polícia Federal impedidos de dar seguimento ao procedimento inquisitorial, citando como evidência a inexistência de ação penal proposta, bem como a falta de andamento do inquérito há mais de um ano. Retomam, a seguir, assim, a argumentação de que a Receita Federal do Brasil (RFB) intimou o contribuinte com o intuito de arrecadar documentos e validálos, por via oblíqua, para fins de constituição dos crimes imputados aos autuados, através de posterior compartilhamento com a Polícia Federal em Fortaleza. b) Após breve síntese da autuação, passam a fundamentar seu recurso, dividindoo nos seguintes itens: b.1) Quanto ao sigilo bancário: Entendem que todas as peças acostadas aos autos se referem ao sigilo de terceiras pessoas que não os recorrentes, refutando a documentação citada pelo Acórdão recorrido em seu item 7, da seguinte forma: efl. 179: Tratase de ofício da RFB informando ao Juiz Federal de Fortaleza que um dos investigados iria dizer toda a verdade. efls. 187/189: Tratase de decisão judicial que defere a quebra de sigilo de pessoas jurídicas outras – Federação Cearense de Automobilismo, Capitalize Fomento Comercial e Construtora Marquise. Fl. 662DF CARF MF Processo nº 18088.720393/201347 Acórdão n.º 2201003.470 S2C2T1 Fl. 762 8 efls. 190/191: Tratase de documentação arrecadada pela Polícia Federal e Receita Federal nos mandados de busca e arrecadação, os quais, por decisão do STJ, devem permanecer lacrados até decisão final, decisão esta que beneficia diretamente os documentos arrecadados na sede da residência da recorrente IESA, do recorrente Marco Bernardi e na Residência de Jauvenal OMS. Quanto ao item 10 do recorrido, transcreve excerto do Acórdão prolatado nos autos do HC 198.224CE que se refere a interceptação telefônica dos pacientes. Encerra o item ressaltando inexistir prova, nos autos, da quebra de sigilo dos recorrentes, alegando a insubsistência do auto por se basear na quebra de sigilo bancário de terceiros. b.2) Quanto à inexistência de fraude: Alega que os fatos descritos não indicam a existência de ação ou omissão dolosa a impedir, retardar a incidência do IRRF. Entende que haveria necessidade da autoridade fiscal demonstrar objetivamente a tentativa dos contribuintes omitirem ardilosamente a necessidade de retenção a título de IRRF, tendo, porém, se limitado a demonstrar, em tese, que os pagamentos a título de adiantamento teriam retornado aos recorrentes, sendo utilizados com a intenção de fraudar o Imposto de Renda da Pessoa Física ou prejudicar a incidência do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica, temas que fogem completamente ao escopo da incidência do Imposto de Renda Retido na Fonte. Propugna que não restou comprovado o comportamento de fraude dos recorrentes, mas apenas o seu inadimplemento, a ausência de retenção do IR, requerendo que o auto de infração e a imposição de multa sejam anulados, principalmente, com relação à fraude. c) Quanto à decadência: Defende a aplicabilidade, no caso de acolhimento da fundamentação da ausência de fraude, do disposto no art. 150, § 4o. da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN), ressaltando que, nesta hipótese, restaria extinto o direito de exigir o crédito tributário dos fatos geradores ocorridos até 19 de novembro de 2008. d) Quanto à multa de ofício duplicada e a sua majoração em 50% : Entende não caber a duplicação da multa efetuada, uma vez que o presente processo cuida de Imposto sobre a Renda Retido na Fonte, não havendo prova de que os recorrentes ludibriaram o Fisco para não pagar o IRRF. Ressalta que em momento algum restou caracterizado o retardamento, a criação de empecilhos, ou por ventura se logrou esconder o inadimplemento por parte dos recorrentes, com todos os fatos tendo sido documentados em sua escrita contábil. Volta a mencionar a falta de andamento da ação penal, afirmando que não há sonegação, não há fraude, mas tão somente o inadimplemento dos autuados. Finalmente, quanto aos argumentos referentes à majoração da multa em 50%, ainda que tal matéria não esteja mais em litígio no âmbito do Recurso Voluntário, permanece a mesma em litígio no âmbito do Recurso de Ofício e, assim, achouse por bem reproduzir as alegações dos contribuintes em sede do presente Relatório. Alegam, aqui, os recorrentes, que as requisições foram atendidas, na medida de sua possibilidade jurídica, havendo documentos que não estavam em posse dos recorrentes, bem como eram objeto de outro procedimento. Alega que a documentação requisitada sempre esteve em poder do Fisco, com as justificativas, esclarecimentos e requisições não passando de ardil para agravar a pena dos Recorrentes, entende assim incabível a majoração da multa em 50%. Do exposto, requerem os recorrentes que: Fl. 663DF CARF MF Processo nº 18088.720393/201347 Acórdão n.º 2201003.470 S2C2T1 Fl. 763 9 a) Se declare a insubsistência e improcedência da ação fiscal, cancelandose o débito fiscal, uma vez que: a.1) A ação fiscal foi movida em flagrante inconstitucionalidade, baseada em quebra do sigilo bancário dos Recorrentes, sem a prova da autorização judicial; a.2) A ação fiscal resta ilegal por ser decorrência direta de procedimento criminal suspenso, tendo já sido declarado, para outros envolvidos no procedimento criminal, a ilegalidade das provas obtidas; b) Não sendo acolhida nenhuma das preliminares ao mérito, requerse que seja acolhida a desconstituição da fraude, pois, conforme exaustivamente o que ocorreu foi o inadimplemento; c) Após a desconstituição da fraude no Imposto de Renda Retido na Fonte, requer o reconhecimento da decadência de grande parte dos lançamentos. d) Se ainda assim, mantiver o auto, requer que a multa seja reduzida proporcionalmente aos atos praticados; e) Outrossim, requer que a solidariedade seja anulada. No entanto, não entendendo desta forma, espera que ela seja mitigada para os atos, eventualmente, cometidos pelo impugnante Marco Bernardi; f) Caso não seja acolhido nenhum pedido para cancelamento e desconstituição do crédito tributário total, que seja reduzido o crédito tributário às ações em que forem comprovadas à fraude. O julgamento foi convertido em diligência através da Resolução nº 2101000.193 desse Conselho ( 2ª Seção, 1ª Câmara, 1ª Turma), fls. 531/543. A mencionada decisão pede esclarecimentos, nos seguintes termos: a) Como se deu, em detalhes (mencionando números de Ofícios e/ou outros expedientes) a obtenção pela autoridade autuante da documentação carreada aos autos (inclusa, aqui, a documentação bancária de efls. 82 a 87 e 89 a 94) ? Teria sido a mesma obtida pela Policia Federal no âmbito do IPL 1311/08 e posteriormente transferida à Receita Federal ? b) Quanto à documentação bancária utilizada, teria se originado a mesma de envio pelas instituições financeiras, na forma relatada pelo relatório de fls. 20 a 21, com prévio afastamento de sigilo bancário autorizado judicialmente, ou de RMF, ou através de autos de busca e apreensão ? c) Houve, em algum momento, o afastamento dos sigilos bancário e telefônico, por força de decisão judicial, dos impugnantes IESA Projetos, Equipamentos e Montagens S/A e Marco Antonio Bernardi, bem como a autorização judicial do compartilhamento, com a Receita Federal do Brasil, das informações assim obtidas pela Polícia Federal relacionadas aos recorrentes e utilizadas no presente lançamento? d) Juntar aos autos, também, os lançamentos contábeis mencionados no item 15 do relatório de efl. 113, de forma que se esclareça a posterior apropriação ao resultado pela empresa dos montantes contabilizados na conta de adiantamento ou serviço de terceiros, na forma do mencionado item 15. Fl. 664DF CARF MF Processo nº 18088.720393/201347 Acórdão n.º 2201003.470 S2C2T1 Fl. 764 10 Em cumprimento à referida Resolução, foi exarada a Informação fiscal de fls. 546/548, em que a Autoridade Fiscal assim se manifestou: a) Os documentos de fls 82, 89, 90, 91, 92, 93 e 94 foram enviados à DRF AQA juntamente com memorando n° 15 SRRF03/Difis de 07.MAI.2013, onde anexo também constava representação da SAPAC DRF Fortaleza (juntados às efls 19/21 do processo 18088.720393/2013 47), oriundo de trabalho em conjunto com o Escritório de Pesquisa e Investigação – ESPEI. Estes documentos foram utilizados por aquela DRF para subsidiar procedimento de auditoria em face dos contribuintes da jurisdição da DRF Fortaleza. Salientase, segundo o citado expediente, que a quebra do sigilo bancário foi autorizada pelo Juiz da 11° Vara Federal do Ceará, conforme consta na página 2 (efls 19/21) Posteriormente, em complemento aos documentos acima mencionados, a fiscalização da DRF Fortaleza indicou o processo administrativo fiscal 10380.726219/201391, de onde foram extraídos os documentos de fls 83, 84, 85, 86 e 87. O citado processo é um dos autos de infrações de IRPF lavrado contra José Hybernon Cysne Neto, um dos envolvidos no esquema. b) A documentação bancária foi obtida conforme descrito na resposta ao quesito “a”. c) Conforme já descrito no quesito “a”, a documentação foi enviada pela SRRF03 à DRF Araraquara e extraída, também, do Processo 10380.726219/201391. A DRF Araraquara não solicitou a quebra de sigilo bancário (via Requisição de Movimentação Financeira RMF ou judicial) dos envolvidos, haja vista que os mesmos documentos utilizados nos processos administrativos dos contribuintes pertencentes à jurisdição da DRF Fortaleza também foram utilizados na auditoria da IESA PROJETOS EQUIPAMENTOS E MONTAGENS S/A (jurisdição da DRF Araraquara). As transações que ligam o Sr. JOSÉ HYBERNON a terceiros, via Federação Cearense de Automobilismo (FCA), tiveram a quebra de sigilo deferida e o compartilhamento para a RFB autorizado judicialmente, conforme anexo I deste relatório As transações que ligam o Sr. JOSÉ HYBERNON a terceiros, via pessoa jurídica KARLA LUSITANO CYSNE, foram conhecidas e tiveram o estudo aprofundado mediante a lavratura formal de duas Requisições de Movimentação Financeira (RMF) emitidas pela DRF Fortaleza (anexo II deste relatório) Vale também deixar consignado que o terceiro que aparece em qualquer polo da transação bancária não necessita juridicamente de ter o seu sigilo bancário próprio quebrado para uso da informação pela RFB. Evidentemente, deve esse terceiro ser auditado, mediante a dialética processual adequada, para se manifestar sobre as circunstâncias da operação em si. A alegação em sede de defesa da existência/inexistência dessa Fl. 665DF CARF MF Processo nº 18088.720393/201347 Acórdão n.º 2201003.470 S2C2T1 Fl. 765 11 quebra específica (e desse compartilhamento) se traduz em mero direito de atacar formalidade (que não existe na prática), dado que não consegue explicar a matéria de mérito. d) No anexo III deste relatório consta o razão da conta “1.1.10.2.034.002 SERVIÇOS DE TERCEIROS” de maio/2008 (IIIA) e julho/2008 (IIIB) onde, no final de cada mês, a citada conta foi zerada e o respectivo saldo foi transferido para a conta “’1.1.10.2.034.0040 processo produtivo”. No anexo IV consta o razão da conta “1.1.10.2.034.0040 PROCESSO PRODUTIVO”. É de se notar que no dia 31/12/2008 há dois lançamentos para a conta “1.10.2.034.0050 TRANSFERÊNCIA PARA CPV”: Um de R$ 25.090.234,50 e outro de R$ 3.701.935,56. No anexo V consta o razão da conta “1.10.2.034.0050 TRANSFERENCIA PARA O CPV”, onde são feitas transferências para contas de resultado, cujo código iniciase com “3”, como, por exemplo: “3.3.02.1.005 MÃO DE OBRA”; “3.3.05.1.001 MATERIAIS”; “3.3.05.1.003 SERVIÇOS CONTRATADOS”; “3.3.02.1.003 MATERIAIS”. De todo o exposto, tendo sido respondido aos quesitos solicitados pelo CARF, encaminho o presente processo à SACAT DRF AQA para que seja dado ciência ao contribuinte e, também, para as demais providências de sua alçada. Foram anexados ao eprocesso, juntamente com este relatório 1) Anexo I: Autorização judicial para que fossem compartilhadas com a Receita Federal do Brasil as informações e documentos do processo judicial 2) Anexo II: RMFs emitidas pela DRF Fortaleza, onde foram solicitados extratos bancários e cópias de documentos bancários de KARLA LUSITANO CYSNE. 3) Anexo III “A” e III “B”: Razão da conta contábil “1.1.10.2.034.002 SERVIÇOS DE TERCEIROS”; 4) Anexo IV: Razão da conta contábil “1.1.10.2.034.0040 PROCESSO PRODUTIVO”; 5) Anexo V: Razão da conta contábil “1.10.2.034.0050 TRANSFERÊNCIA PARA CPV” É o Relatório. Voto Daniel Melo Mendes Bezerra, Conselheiro Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche aos demais requisitos de admissibilidade, devendo, pois, ser conhecido. Fl. 666DF CARF MF Processo nº 18088.720393/201347 Acórdão n.º 2201003.470 S2C2T1 Fl. 766 12 O Recurso de Ofício atende ao que estabelece a Portaria MF nº 3, de 03 de janeiro de 2008, portanto, deve ser conhecido. Recurso de Ofício A decisão de primeira instância, por maioria, afastou o aumento da multa de ofício, pela metade, em decorrência da conduta do sujeito passivo de não prestar esclarecimentos à Fiscalização, com base no art. 44, § 1º, da Lei nº 9.430/1996. De acordo com o entendimento da instância a quo houve um bis in idem, na medida em que a recusa ou atendimento insatisfatório da intimação para justificar saídas de disponibilidades configuram a hipótese infracional de pagamento a beneficiário não identificado ou sem comprovação de causa, valor sujeito à incidência do imposto de renda na fonte à alíquota de trinta e cinco por cento, sancionada com multa de ofício, sendo vedado reconhecer a mesma circunstância fática caracterizadora do ilícito como causa de aumento da respectiva sanção. A falta de atendimento à Fiscalização para prestar esclarecimentos restou configurada através da várias intimações realizadas e não atendidas pelo sujeito passivo. Muito embora este apresentasse justificativas e requeresse dilações de prazo, o certo é que os esclarecimentos não foram prestados e a Fiscalização teve o seu trabalho dificultado em face do não exercício do dever de colaboração com as autoridades fazendárias perpetrado pela contribuinte. Diferentemente da decisão a quo, entendo que não foi a recusa ou atendimento insatisfatório da intimação que levou a Autoridade Fiscal a lançar o crédito tributário, mas se iniciou com um minucioso trabalho de investigação que envolveu o setor de inteligência da Receita Federal do Brasil (ESPEI), a Polícia Federal e o próprio Ministério Público Federal. Foi na conduta do sujeito passivo que a Fiscalização identificou o fato imponível, identificando todo o esquema fraudulento de sonegação fiscal. O não atendimento das intimações para prestar esclarecimentos consistiram em um óbice transponível, vez que a Fiscalização atingiu seu desiderato, mesmo, como já dito, tendo o seu trabalho em muito dificultado pela conduta omissiva do sujeito passivo de não colaboração com o trabalho desenvolvido na ação fiscal. Destarte, não há como reconhecer que as sanções impostas, multa de ofício decorrente do não pagamento de Imposto de Renda no vencimento da obrigação tributária e aumento da multa sejam decorrentes da mesma circunstância fática, e que tenha havido bis in idem. A multa de ofício (art. 44, I, da Lei nº 9.430/1996) é decorrente do inadimplemento do tributo e o aumento dessa multa pela metade ( art. 44, § 1º, da Lei nº 9.430/1996) é uma sanção pela conduta do sujeito passivo de não prestar esclarecimentos. Para o caso que se cuida, não vale a máxima do Direito Penal que ninguém será obrigado a produzir prova contra si mesmo. O princípio nemo tenetur se detegere (o direito de não produzir prova contra si mesmo) encontra óbice intransponível no multicitado art. 44, § 1º, da Lei nº 9.430/1996. Assim sendo, todos os contribuintes têm o dever de colaborar com o Fisco, fornecendolhe esclarecimentos, quando solicitado, ainda que estes esclarecimentos não lhe surtam efeitos favoráveis. O não cumprimento desse dever acarreta a sanção de aumento da multa de ofício pela metade, como aplicou a Fiscalização no presente. Verificase que o sujeito passivo foi instado a se manifestar acerca de 46 (quarenta e seis) transações bancárias, mas permaneceu inerte de forma voluntária, fato que por si só, caracterizaria o aumento da multa de Fl. 667DF CARF MF Processo nº 18088.720393/201347 Acórdão n.º 2201003.470 S2C2T1 Fl. 767 13 ofício pela metade. Entretanto, além dessa, foram várias as ocorrências de não atendimento à Fiscalização para prestar esclarecimentos. De todo o exposto, voto por conhecer do Recurso de Ofício para darlhe provimento, restabelecendo o aumento da multa de ofício pela metade (225%), nos exatos temos do lançamento efetuado pela Autoridade Fiscal. Da Decadência A recorrente alega a decadência, nos termos do artigo 150, §4° do CTN, porém a contagem para o caso em tela deve ser feita através do artigo 173, I, conforme será demonstrado. É entendimento pacífico neste Conselho que é aplicável o artigo 173, I em casos de dolo, fraude ou simulação, conforme súmula abaixo: Súmula CARF nº 72: Caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial regese pelo art. 173, inciso I, do CTN. No mérito será demonstrada a ocorrência dos fatos que ensejam a contagem nos termos do artigo 173, I do CTN. A ciência do lançamento se deu em 19/11/2013 (fl.127). O fato gerador mais antigo se reporta à 18/01/2008. Portanto, o crédito tributário poderia ser lançado até 31/12/2013, não havendo que se falar em período decadente, como quer fazer crer a recorrente. Do Sigilo Bancário A recorrente manifesta insurgência ao presente lançamento, alegando que os documentos que lhe embasaram se referem ao sigilo de terceiras pessoas que não os recorrentes, maculando o crédito tributário por ilicitude na obtenção das informações. Quanto à obtenção de dados dos recorrentes, a Autoridade Fiscal assim se manifestou por ocasião do cumprimento da Resolução exarada por este Conselho: Os documentos de fls. 82, 89, 90, 91, 92, 93 e 94 foram enviados à DRF AQA juntamente com memorando n° 15 SRRF03/Difis de 07.MAI.2013, onde anexo também constava representação da SAPAC DRF Fortaleza (juntados às efls 19/21 do processo 18088.720393/201347), oriundo de trabalho em conjunto com o Escritório de Pesquisa e Investigação – ESPEI. Estes documentos foram utilizados por aquela DRF para subsidiar procedimento de auditoria em face dos contribuintes da jurisdição da DRF Fortaleza. Salientase, segundo o citado expediente, que a quebra do sigilo bancário foi autorizada pelo Juiz da 11a Vara Federal do Ceará, conforme consta na página 2 (efls 19/21) Fl. 668DF CARF MF Processo nº 18088.720393/201347 Acórdão n.º 2201003.470 S2C2T1 Fl. 768 14 Posteriormente, em complemento aos documentos acima mencionados, a fiscalização da DRF Fortaleza indicou o processo administrativo fiscal 10380.726219/201391, de onde foram extraídos os documentos de fls. 83, 84, 85, 86 e 87. O citado processo é um dos autos de infrações de IRPF lavrado contra José Hybernon Cysne Neto, um dos envolvidos no esquema. Inferese da transcrição supra que não há qualquer irregularidade na obtenção dos documentos que serviram de supedâneo para o presente lançamento. Além da prova emprestada, restou consignado que o sigilo bancário foi quebrado pela 11a Vara da Justiça Federal no Ceará. Portanto, não existe mácula no presente lançamento em relação à obtenção de documentos. De outra sorte, impende ressaltar que o Plenário do Supremo Tribunal Federal concluiu na sessão de 24.02.2016 o julgamento conjunto de cinco processos (ADIs 2397 2386, 2389, 2390, 2397 e 2406) que questionavam dispositivos da Lei Complementar n° 105/2001, que permitem à Receita Federal receber dados bancários de contribuintes fornecidos diretamente pelos bancos, sem prévia autorização judicial. No referido julgado, por maioria de votos prevaleceu o entendimento de que a norma não resulta em quebra de sigilo bancário, mas sim em transferência de sigilo da órbita bancária para a fiscal, ambas protegidas contra o acesso de terceiros. A transferência de informações é feita dos bancos ao Fisco, que tem o dever de preservar o sigilo dos dados, portanto não há ofensa à Constituição Federal. Desse modo, a Receita Federal do Brasil tem a prerrogativa de obter informações bancárias dos sujeitos passivos da relação tributária visando coibir infrações à lei. Assim, não assiste razão à recorrente quando afirma que o lançamento está lastreado em provas obtidas por meio ilícito. Da Fraude Em relação ao artifício ardiloso perpetrado pelos recorrentes e os pilotos de automobilismo, consistente na prática simulada de ocorrência de patrocínio esportivo, tenho que o Relatório Fiscal efetuou a subsunção do fato à norma com riqueza de detalhes que não deixaram dúvidas acerca da irregularidade da conduta, seja sob o ponto de vista tributário ou penal. O retorno do numerário pago a título de patrocínio para a empresa e sócio, demonstra, sem sombra de dúvidas, a engenhosidade do grupo para fraudar, simular e agir em conluio para encobrir a ocorrência do fato gerador. A situação fática narrada demonstra um desapego do recorrentes ao cumprimento da lei. A caracterização da fraude restou assim consignada no Relatório Fiscal (itens 17 a 21.4 – fls. 114 a 115): 17 O que passo a descrever adiante é que ficou COMPROVADA UMA FRAUDE PERPETUADA CONTRA A FAZENDA NACIONAL, quando parte dos valores pagos aos beneficiários descritos no anexo do termo 02 (fls 46/49) eram depositados na conta corrente de Marco Antonio Bernardi Fl. 669DF CARF MF Processo nº 18088.720393/201347 Acórdão n.º 2201003.470 S2C2T1 Fl. 769 15 (presidente da IESA segundo cadastro da RFB – fls 62 e diretor financeiro, segundo ficha de breve relato da JUCESP – fls 63/75), conforme inicialmente descreveu o expediente da DRF Fortaleza, já noticiado no item 1 deste relatório. Os documentos acostados a este processo foram enviados à RFB juntamente com o expediente da ESPEI, dando conta do fluxo de pagamentos (fls 76) entre a IESA e JOSÉ HYBERNON CYSNE NETO, HTECH TECNOLOGIA E PARTICIPAÇÕES e KARLA LUSITANO CYSNE e MARCO ANTONIO BERNARDI. 18 No caso em tela, os pagamentos feitos pela IESA foram efetuados a JOSÉ HYBERNON CYSNE NETO, CPF 120.808.02372, piloto automobilístico (fls.77/78) e dirigente da Federação Cearense de Automobilismo; à pessoa jurídica HTECH TECNOLOGIA E PARTICIPAÇÕES LTDA, CNPJ 08.411.805/000130 cuja pessoa física José Hybernon é responsável perante a RFB e também sócia; à pessoa jurídica individual KARLA LUSITANO CYSNE, CNPJ 72.403.678/000123 (a titular, KARLA, é irmã de José Hybernon). Todas as pessoas físicas e jurídicas citadas anteriormente têm domicilio em Fortaleza/CE. 19 Houve ainda casos de pagamentos à pessoa jurídica individual LUIZ CARLOS ZEPELINI ME, CNPJ 10.478.419/000107, cujo titular é LUIZ CARLOS ZEPELINI, CPF 422.070.10953, também piloto automobilístico (fls 79) e, finalmente, à RODOERRE LOGÍSTICA LTDA, CNPJ 85.116.259/000155, cujo responsável perante a RFB e sócio é LUIZ CARLOS ZEPELINI. Esses últimos, com domicilio em Balneário Camboriú/SC. 20 Cabe frisar que, através de instrumento de procuração (fls 80/81), a pessoa jurídica KARLA LUSITANO CYSNE deu totais poderes a JOSÉ HYBERNON CYSNE NETO para administrar a empresa. Assim, inferese que o fluxo de pagamentos recebidos pela PJ KARLA LUSITANO CYSNE era movimentado por JOSÉ HYBERNON CYSNE NETO. 21 Pelo fluxo abaixo, demonstrase a engenharia financeira descrita no item 1: 21.1 No dia 05.05.2008 a IESA enviou à JOSE HYBERNON CYSNE NETO o valor de R$ 519.410,00 (através do BCO REG BRASILIA AG. 022 C/C 003694 2 conforme item 8 do livro razão – fls 46/49). 21.1.1 No mesmo dia (05.05.2008) foi transferido para a conta de MARCO ANTONIO BERNARDI (presidente/diretor financeiro da IESA) o valor de R$ 65.000,00 (comprovante às fls 82). Quem enviou o valor foi JOSE HYBERNON CYSNE NETO – Banco Itaú AG 7018 c/c 468707. 21.2 No dia 02.07.2008 a IESA enviou à KARLA LUSITANO CYSNE o valor de R$ 110.000,00. Notase que na Fl. 670DF CARF MF Processo nº 18088.720393/201347 Acórdão n.º 2201003.470 S2C2T1 Fl. 770 16 contabilidade consta 04.07.2008 (item 12 do anexo às fls 46/49), mas a data do pagamento foi em 02.07.2008, conforme documento às fls 83/84. 21.2.1 No dia seguinte, KARLA emitiu um DOC de R$ 55.000,00, que foi depositado na conta do Bradesco de José Hybernon Cysne Neto (fls 85) e um cheque de R$ 55.000,00, que foi depositado na conta do Itaú de José Hybernon Cysne Neto, conforme fluxo desenhado às fls 88. As saídas dos dois valores de R$ 55.000,00 constam no documento às fls 83/84. 21.2.2 Dia 03.07.2008 José Hybernon emitiu um cheque de R$ 55.000,00 (fls 86) nominal a Marco Antonio Bernardi, que foi depositado na conta do mesmo dia, via TED (fls 87). 21.3 Em 04.08.2008 a IESA enviou à KARLA LUSITANO CYSNE o valor de R$ 23.395,00 (através do BCO HSBC AG.985 C/C 1491611 – conforme item 21 do livro razão –fls 46/49). 21.3.1 No dia 08.08.2008 (quatro dias depois) foi transferido para a conta de MARCO ANTONIO BERNARDI (presidente/diretor financeiro da IESA) o valor de R$ 22.500,00 (fls 89). Quem enviou o valor foi JOSE HYBERNON CYSNE NETO – Banco Itaú AG 7018 c/c 468707. 21.4 Em 21.11.2008 a IESA enviou à conta de JOSE HYBERNON CYSNE NETO o valor de R$ 273.135,00, no Banco Itaú. Notase que na contabilidade consta o lançamento HTECH Tecnologia (BCO BRADESCO AG 2836 C/C 124141 – item37 do livro diário – fls 46/49). 21.4.1 No dia 25.11.2008 José Hybernon emitiu um DOC de R$ 114.990,50 do Banco Itaú e enviou para sua conta no Banco Bradesco (fls 90/91). 21.4.2 Nesta mesma data, JOSÉ HYBERNON emitiu um cheque do Bradesco de R$ 114.900,00 (fls 92/93), nominal a Vanderlei da Costa Lima (empregado da PJ KARLA LUSITANO CYSNE, segundo CNIS). Este cheque, aparentemente, teria sido sacado da “boca do caixa”. Mas, analisando a fita detalhe de caixa, notase que o valor foi depositado na conta de MARCO ANTONIO BERNARDI – presidente/diretor financeiro da IESA (fls 94). Concluiuse, portanto, que a fraude consistia no fato de que, parte dos pagamentos feitos a terceiros, cuja causa não foi comprovada pela fiscalizada retornava para o sócio da IESA, Sr. Marco Antonio Bernardi, CPF 046.529.15896. A fraude é assim definida pela legislação, mais especificamente pelo artigo 72 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964: Art . 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a Fl. 671DF CARF MF Processo nº 18088.720393/201347 Acórdão n.º 2201003.470 S2C2T1 Fl. 771 17 impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Restou clara a tentativa da recorrente de esconder os pagamentos que fez a seu diretor, com o evidente intuito de evitar o pagamento do imposto devido. A solicitação dos recorrentes de que, caso seja entendida a ocorrência fraude, que esta seja reconhecida apenas em relação aos valores que retornaram para seu diretor financeiro/presidente no montante total de aproximadamente R$ 256 mil, não pode ser atendida, vez que restou comprovado nos autos que transitaram vários milhões de reais em contas de pessoas com ligações diretas com a empresa, tendo este julgador se convencido de todas agiam de forma coordenada para tentar burlar o Fisco. Desse modo, tenho como caracterizada a fraude, não merecendo reparo o lançamento ou a decisão recorrida quanto a este aspecto. Qualificação da Multa de Ofício Caracterizada a ocorrência de fraude, cabe a qualificação da multa de ofício, nos termos do art. 44 da Lei 9.430/1996, que assim regula a matéria: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Fl. 672DF CARF MF Processo nº 18088.720393/201347 Acórdão n.º 2201003.470 S2C2T1 Fl. 772 18 Desse modo, a aplicação em dobro da multa de ofício pela caracterização da fraude deve ser mantida. Responsabilidade Solidária dos Sócios Em relação à responsabilização pessoal do sócio da IESA, verificase que o fato de o mesmo ter recebido parte dos pagamentos de volta em sua conta bancária o vincula a todos os pagamentos realizados às mesmas terceiras pessoas cuja causa da operação não foi comprovada. Neste passo, com acerto agiu a fiscalização ao atribuir a responsabilidade solidária pelo crédito tributário constituído a Marco Antonio Bernardi, CPF 046.529.15896, que figura como Diretor Presidente da IESA, com base nos artigos 124, inciso I, e 135, inciso III, do CTN: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; (...) Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: (...) III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Como visto, a legislação de regência é clara no sentido da responsabilização pessoal do diretor quando agem com infração à lei. Desse modo, não merece reforma esse aspecto do lançamento. Conclusão Diante de todo o exposto, voto por conhecer dos recursos, para dar provimento ao Recurso de Ofício e negar provimento ao Recurso Voluntário. Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Fl. 673DF CARF MF Processo nº 18088.720393/201347 Acórdão n.º 2201003.470 S2C2T1 Fl. 773 19 Fl. 674DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18471.001516/2006-94
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Apr 03 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2000, 2001
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PESSOA JURÍDICA EXTINTA. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO.
A pessoa jurídica formal e regularmente extinta não tem existência no mundo jurídico, e deve ser excluída do pólo passivo de lançamento efetuado após sua liquidação. Sendo a pessoa jurídica extinta o único sujeito passivo apontado pelo Fisco no lançamento, não pode este subsistir.
NULIDADE DE LANÇAMENTO. VÍCIO MATERIAL. VÍCIO FORMAL. ASPECTOS QUE ULTRAPASSAM O ÂMBITO DO VÍCIO FORMAL.
Vício formal é aquele verificado de plano no próprio instrumento de formalização do crédito, e que não está relacionado à realidade representada (declarada) por meio do ato administrativo de lançamento. Espécie de vício que não diz respeito aos elementos constitutivos da obrigação tributária, ou seja, ao fato gerador, à base de cálculo, à identificação do sujeito passivo, etc. Não há como tratar o erro na identificação do sujeito passivo como mero vício de natureza formal, principalmente se o saneamento da nulidade exigir alteração de conteúdo no lançamento, naqueles casos em que não basta substituir um nº cadastral (CNPJ ou CPF) por outro.
Numero da decisão: 9101-002.764
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Cristiane Silva Costa. Solicitou apresentar declaração de voto a conselheira Adriana Gomes Rego.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araujo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Jose Eduardo Dornelas Souza, Gerson Macedo Guerra, Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201704
camara_s : 1ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2000, 2001 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PESSOA JURÍDICA EXTINTA. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. A pessoa jurídica formal e regularmente extinta não tem existência no mundo jurídico, e deve ser excluída do pólo passivo de lançamento efetuado após sua liquidação. Sendo a pessoa jurídica extinta o único sujeito passivo apontado pelo Fisco no lançamento, não pode este subsistir. NULIDADE DE LANÇAMENTO. VÍCIO MATERIAL. VÍCIO FORMAL. ASPECTOS QUE ULTRAPASSAM O ÂMBITO DO VÍCIO FORMAL. Vício formal é aquele verificado de plano no próprio instrumento de formalização do crédito, e que não está relacionado à realidade representada (declarada) por meio do ato administrativo de lançamento. Espécie de vício que não diz respeito aos elementos constitutivos da obrigação tributária, ou seja, ao fato gerador, à base de cálculo, à identificação do sujeito passivo, etc. Não há como tratar o erro na identificação do sujeito passivo como mero vício de natureza formal, principalmente se o saneamento da nulidade exigir alteração de conteúdo no lançamento, naqueles casos em que não basta substituir um nº cadastral (CNPJ ou CPF) por outro.
turma_s : 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Wed May 03 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 18471.001516/2006-94
anomes_publicacao_s : 201705
conteudo_id_s : 5716137
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed May 03 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 9101-002.764
nome_arquivo_s : Decisao_18471001516200694.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
nome_arquivo_pdf_s : 18471001516200694_5716137.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Cristiane Silva Costa. Solicitou apresentar declaração de voto a conselheira Adriana Gomes Rego. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Jose Eduardo Dornelas Souza, Gerson Macedo Guerra, Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
dt_sessao_tdt : Mon Apr 03 00:00:00 UTC 2017
id : 6739620
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:59:01 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048947323305984
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1993; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 2 1 1 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 18471.001516/200694 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9101002.764 – 1ª Turma Sessão de 06 de abril de 2017 Matéria RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado RIO EXCHANGE TURISMO LTDA. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2000, 2001 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PESSOA JURÍDICA EXTINTA. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. A pessoa jurídica formal e regularmente extinta não tem existência no mundo jurídico, e deve ser excluída do pólo passivo de lançamento efetuado após sua liquidação. Sendo a pessoa jurídica extinta o único sujeito passivo apontado pelo Fisco no lançamento, não pode este subsistir. NULIDADE DE LANÇAMENTO. VÍCIO MATERIAL. VÍCIO FORMAL. ASPECTOS QUE ULTRAPASSAM O ÂMBITO DO VÍCIO FORMAL. Vício formal é aquele verificado de plano no próprio instrumento de formalização do crédito, e que não está relacionado à realidade representada (declarada) por meio do ato administrativo de lançamento. Espécie de vício que não diz respeito aos elementos constitutivos da obrigação tributária, ou seja, ao fato gerador, à base de cálculo, à identificação do sujeito passivo, etc. Não há como tratar o erro na identificação do sujeito passivo como mero vício de natureza formal, principalmente se o saneamento da nulidade exigir alteração de conteúdo no lançamento, naqueles casos em que não basta substituir um nº cadastral (CNPJ ou CPF) por outro. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Cristiane Silva Costa. Solicitou apresentar declaração de voto a conselheira Adriana Gomes Rego. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 15 16 /2 00 6- 94 Fl. 1053DF CARF MF Processo nº 18471.001516/200694 Acórdão n.º 9101002.764 CSRFT1 Fl. 3 2 (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Jose Eduardo Dornelas Souza, Gerson Macedo Guerra, Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), fundamentado atualmente no art. 67 e seguintes do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), em que se alega divergência jurisprudencial relativamente à declaração de nulidade do lançamento por erro na identificação do sujeito passivo, erro que foi considerado como vício de natureza material. A recorrente insurgiuse contra o Acórdão nº 130100.753, de 23/11/2011, rerratificado pelo Acórdão nº 1301001.048, de 12/09/2012, por meio dos quais a 1a Turma Ordinária da 3a Câmara da 1a Seção de Julgamento do CARF deu provimento a recurso voluntário da contribuinte acima identificada, para declarar a nulidade do lançamento. O Acórdão nº 130100.753 contém a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. Exercício: 2001,2002 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PESSOA JURÍDICA EXTINTA. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. A pessoa jurídica formal e regularmente extinta não tem existência no mundo jurídico, e deve ser excluída do pólo passivo de lançamento efetuado após sua liquidação. Sendo a pessoa jurídica extinta o único sujeito passivo apontado pelo Fisco no lançamento, não pode este subsistir. E o Acórdão nº 1301001.048, que julgou embargos de declaração apresentados contra o primeiro acórdão, foi assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2001,2002 Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. ACOLHIMENTO. Embargos declaratórios que se acolhe para suprir a omissão apontada, rerratificandose a parte conclusiva do voto condutor. Fl. 1054DF CARF MF Processo nº 18471.001516/200694 Acórdão n.º 9101002.764 CSRFT1 Fl. 4 3 A omissão no primeiro acórdão dizia respeito à ausência de pronunciamento acerca da natureza do vício propulsor da nulidade do lançamento tributário, que implicava indefinição sobre a possibilidade de aplicação das disposições do inciso II do art. 173 do Código Tributário Nacional. O voto que orientou o segundo acórdão, ao sanar o vício de omissão contido na primeira decisão, apresentou os seguintes fundamentos: Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. Esclareço, inicialmente, que merece acolhimento os embargos interpostos pela Fazenda, eis que a ausência de pronunciamento, no acórdão atacado, acerca da natureza do vício propulsor da nulidade do lançamento tributário, implica indefinição sobre a possibilidade de aplicação das disposições do inciso II do art. 173 do Código Tributário Nacional, abaixo transcrito. [...] Em que pese o fato de que, em determinadas circunstâncias, a indicação equivocada do sujeito passivo da obrigação tributária pode representar vício meramente formal, passível até mesmo desconsideração no que tange aos efeitos jurídicos do ato praticado, penso que no caso vertente a situação seja outra. Com efeito, o acórdão embargado dá conta de que a Fiscalização identificou como sujeito passivo da obrigação tributária, na qualidade de contribuinte, pessoa jurídica que já se encontrava extinta em momento anterior ao início do procedimento fiscal. Em tal situação, não seria exagero afirmar que não só o ato de lançamento tributário revelouse substancialmente nulo, mas todo o procedimento administrativo anterior a ele, eis que impulsionado contra pessoa inexistente no mundo jurídico. Tratase, pois, a meu ver, de vício inibidor da realização de novo lançamento nos termos preconizado pelo inciso II do art. 173 do Código Tributário Nacional, antes referido. Assim, conduzo meu voto no sentido de acolher os embargos de declaração interpostos para, suprindo a omissão alegada, ratificar a nulidade do feito fiscal, sendo inexistente, no caso, o vício formal. A PGFN afirma que o acórdão recorrido deu à lei tributária interpretação divergente da que tem sido dada em outros processos, especificamente quanto às matérias acima referidas, ou seja, à declaração da nulidade do lançamento e também à identificação da natureza do vício que ensejou essa declaração de nulidade. Para o processamento de seu recurso, a PGFN desenvolve os argumentos descritos abaixo: Fl. 1055DF CARF MF Processo nº 18471.001516/200694 Acórdão n.º 9101002.764 CSRFT1 Fl. 5 4 DO CABIMENTO DO RECURSO ESPECIAL a decisão recorrida diverge da decisão proferida pela 5ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, constante do Acórdão nº 10514234 (Acórdão Paradigma cópia anexa), cuja ementa dispõe: CSLL PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL NULIDADE DO LANÇAMENTO POR ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO EXTINÇÃO DA PESSOA JURÍDICA RESPONSABILIDADE DOS SÓCIOS LIMITAÇÃO DA COMPENSAÇÃO DE BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS Não configura erro na eleição do sujeito passivo da obrigação principal, a formalização da exigência em nome da sociedade extinta, ainda que a responsabilidade pelo cumprimento da obrigação tributária principal seja atribuída ao sócio, nos termos do inciso VII, do artigo 134, do CTN. A partir de 01/01/1995, a parcela da base de cálculo negativa da contribuição apurada pelo contribuinte poderá ser utilizada nos períodos seguintes, obedecido o limite de 30%, calculado sobre a base positiva do período da compensação. Recurso negado. invocamse ainda os Acórdãos 30330909 e 30133686 que, diversamente da posição adotada pela e. Câmara a quo, entenderam que, concluindose pela existência de erro na identificação do sujeito passivo, este é vício de natureza formal que poderia ensejar apenas a nulidade do lançamento, repitase, por vício de forma, mas não a improcedência total da exigência; Acórdão nº 30330909 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL NULIDADE VÍCIO FORMAL ILEGITIMIDADE DO SUJEITO PASSIVO. Constatado vício formal, por erro na identificação do sujeito passivo, deve ser declarada, de ofício, a nulidade do auto de infração, por não observância do disposto no art. 142 do CTN. RECURSO DE OFÍCIO A QUE SE NEGA PROVIMENTO. Acórdão nº 30133686 Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2002 NULIDADE ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. É nulo, por vício formal, o lançamento constituído mediante auto de infração lavrado em face de sujeito passivo diverso daquele elencado pela norma tributária. RECURSO DE OFÍCIO NEGADO. os precedentes acima citados comprovam, de forma cabal, a necessidade de reforma da decisão ora atacada, por esta não refletir a melhor exegese acerca da legislação de regência da matéria; DAS RAZOES DO RECURSO o entendimento de que, em caso como o dos autos, o lançamento deve recair sobre a pessoa jurídica, já foi abordado e confirmado anteriormente por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, como vimos no Acórdão paradigma nº 10514234; Fl. 1056DF CARF MF Processo nº 18471.001516/200694 Acórdão n.º 9101002.764 CSRFT1 Fl. 6 5 e mais, segundo esse acórdão paradigma, caso fosse hipótese de aplicação do art. 134, inc.VII do CTN, ainda assim, não restaria por ocorrido erro na identificação do sujeito passivo, a ensejar a nulidade do lançamento; portanto, sendo o caso de liquidação de sociedade de capital ou sociedade de pessoas, o certo é que liquidada/extinta, tal fato, por si só, não conduz à nulidade do lançamento, por erro na identificação do sujeito passivo; destarte, verificase a inexistência de erro de identificação do sujeito passivo, eis que se trata de autuação do contribuinte do tributo, nos termos do art. 121, parágrafo único, inc. I, do CTN; a liquidação da sociedade não lhe retira a condição de contribuinte, nos termos preconizados pelo dispositivo acima mencionado, enquanto não expirado o prazo decadencial do direito de a Fazenda Nacional apurar débitos tributários em seu nome; se a pessoa jurídica cometeu infrações de natureza tributária, das quais decorreram recolhimento a menor de tributos e/ou contribuições, estes devem, efetivamente, ser exigidos em nome dela, ainda que sejam cobrados de seu ex sóciogerente, na qualidade de responsável solidário da obrigação, na correspondente fase processual, ou de inscrição do débito em dívida ativa da União, visando a sua execução, nos termos da legislação de regência; o sujeito passivo foi adequadamente identificado, não ocorrendo o vício que levaria à nulidade do feito; assim, liquidada a entidade empresária, mesmo no caso de sociedade de pessoas, não ocorre nulidade do lançamento por erro na identificação do sujeito passivo diante da formalização de exigência em nome da sociedade extinta; mas mesmo diante de erro na identificação do sujeito passivo, sendo este vício formal, impõese a reforma do acórdão para que seja declarada a nulidade formal do lançamento; o Decreto nº 70.235/72, que regula o Processo Administrativo Fiscal, estabelece os requisitos que devem fazer parte do auto de infração, em seu art. 10; pela leitura do referido dispositivo (art. 10 do Decreto 70.235/72), percebe se que dentre os requisitos ali dispostos, a qualificação do autuado possui natureza formal, ou seja, determina como o ato administrativo, in casu, o lançamento, deve exteriorizarse; com efeito, tal disciplina tem por objetivo uniformizar o procedimento de autuação da fiscalização, de maneira a conferir garantias ao contribuinte, em especial da ampla defesa e do contraditório; um lançamento tributário é anulado por vício formal quando não se obedece às formalidades necessárias ou indispensáveis à existência do ato, isto é, às disposições de ordem legal para a sua feitura; a propósito, a jurisprudência deste Conselho Administrativo Fiscal é farta em decisões que, ao determinarem o cancelamento do lançamento por falta de preenchimento Fl. 1057DF CARF MF Processo nº 18471.001516/200694 Acórdão n.º 9101002.764 CSRFT1 Fl. 7 6 de alguns dos requisitos formais estipulados no art. 10 do Decreto nº 70.235/72 e/ou art. 142 do CTN, consideram que se tratava de nulidade por vício de forma (ementas transcritas); portanto, se vício existe no lançamento, este é de natureza formal, visto que relacionado a elemento de exteriorização do ato administrativo; enfim, deve ser reparada a decisão da E. Câmara a quo, uma vez que o entendimento firmado, quanto à identificação do sujeito passivo, está em desacordo com a legislação em vigor, bem como com a jurisprudência e, caso se entenda que houve erro na identificação do sujeito passivo, seja declarada a nulidade do lançamento por vício formal. Quando do exame de admissibilidade do Recurso Especial da PGFN, o Presidente da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, por meio do Despacho nº 017/2013, de 15/01/2013, admitiu o recurso com base na seguinte análise sobre a divergência suscitada: [...] O presente recurso especial atende aos pressupostos de tempestividade e legitimidade. Assim, passo a apreciação da admissibilidade da divergência em relação ao primeiro ponto do recurso. [...] Examinando o acórdão paradigma em seu inteiro teor verificase que o mesmo traz o entendimento de que não há vício na constituição do crédito tributário em nome da pessoa jurídica extinta. De outra parte, o acórdão recorrido diverge desta interpretação ao dispor que é nulo o lançamento efetuado em nome da pessoa jurídica extinta. Portanto, as conclusões sobre a matéria ora recorrida nos acórdãos examinados revelamse divergentes, restando plenamente configurada a divergência jurisprudencial apontada pela recorrente em relação ao primeiro ponto. Passo a examinar o segundo ponto do recurso. [...] Examinando os acórdãos paradigmas, verificase que os mesmos consideram o erro na identificação do sujeito passivo um vício formal que enseja a nulidade do lançamento. O acórdão recorrido, por sua vez, entendeu que, no caso, o vício ensejador da nulidade do lançamento tinha caráter material. Deste modo, as conclusões sobre a matéria ora examinada nos acórdãos examinados revelamse divergentes, restando configurada a divergência jurisprudencial apontada pela recorrente também em relação ao segundo aspecto do recurso. Fl. 1058DF CARF MF Processo nº 18471.001516/200694 Acórdão n.º 9101002.764 CSRFT1 Fl. 8 7 Em 01/11/2013, o sujeito passivo foi intimado dos Acórdãos do CARF, do recurso especial da PGFN, e do despacho que admitiu esse recurso, e ele não apresentou contrarrazões ao recurso. É o relatório. Fl. 1059DF CARF MF Processo nº 18471.001516/200694 Acórdão n.º 9101002.764 CSRFT1 Fl. 9 8 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. Conheço do recurso, pois este preenche os requisitos de admissibilidade. O presente processo tem por objeto lançamento a título de IRPJ e tributos reflexos (CSLL, PIS e COFINS) sobre fatos geradores ocorridos nos anoscalendário de 2000 e 2001. A autuação fiscal se deu no contexto dos fatos apurados pela CPI do Banestado, em que se constatou que contribuintes nacionais enviaram divisas para o exterior ou as movimentaram no exterior, à revelia do sistema nacional, ordenando, remetendo ou se beneficiando de recursos em divisas estrangeiras, utilizandose de contas/subcontas mantidas no "JP Morgan Chase Bank" pela empresa "Beacon Hill Service Corporation", a qual representava "doleiros" brasileiros e/ou empresas offshore com participações de brasileiros. No caso específico da contribuinte em questão, o lançamento está baseado em omissão de receitas caracterizada (1) por depósitos de origem não comprovada realizados em moeda estrangeira em conta bancária controlada por seus sócios e (2) por transferências para contas de terceiros, na quais a contribuinte figura como ordenante. A omissão de receitas foi apurada em relação aos meses de janeiro, fevereiro, março, abril, maio, junho, julho e outubro de 2000, e aos meses de março, abril e dezembro de 2001. O lançamento foi parcialmente mantido pela decisão de primeira instância administrativa, que reconheceu a decadência dos créditos tributários de IRPJ e CSLL do 1º, 2º e 3º trimestres de 2000, e dos créditos tributários de PIS e COFINS dos meses de janeiro a novembro de 2000. A decisão de segunda instância administrativa, por sua vez, deu provimento ao recurso voluntário da contribuinte, para fins de declarar a nulidade do lançamento por erro na identificação do sujeito passivo, considerando ainda esse erro como um vício de natureza material. De acordo com o acórdão recorrido, a pessoa jurídica formal e regularmente extinta não tem existência no mundo jurídico, e deve ser excluída do pólo passivo de lançamento efetuado após sua liquidação. Sendo a pessoa jurídica extinta o único sujeito passivo apontado pelo Fisco no lançamento, não pode este subsistir". O recurso especial da PGFN suscita divergência em relação a esses dois aspectos, ou seja, à declaração da nulidade do lançamento por erro na identificação do sujeito passivo e também à identificação da natureza do vício que ensejou a nulidade. Fl. 1060DF CARF MF Processo nº 18471.001516/200694 Acórdão n.º 9101002.764 CSRFT1 Fl. 10 9 É importante ressaltar que a jurisprudência administrativa no Brasil fez nos últimos tempos um grande aprofundamento nas questões envolvendo a identificação do sujeito passivo já no momento do lançamento fiscal. A responsabilidade tributária, em alguns casos, não é tema fácil, de aplicação automática. Isto porque a sujeição passiva ultrapassa a figura do contribuinte. O sujeito passivo pode estar vinculado à obrigação tributária na condição de contribuinte, mas pode também estar vinculado como responsável por ato ilícito na administração da empresa; como sucessor (pessoa física) na proporção do acervo recebido da pessoa jurídica extinta; como sucessor pessoa jurídica no caso de evento societário de incorporação de empresa; etc. Esse contexto permite vislumbrar que a questão da identificação do sujeito passivo pode não ser de natureza meramente formal, resumida à simples digitação do nome e/ou do nº cadastral (CNPJ ou CPF) no auto de infração. A evolução dos procedimentos fiscais e da jurisprudência administrativa em relação à questão da responsabilidade tributária revela bem isso. Antigamente, nem mesmo existia a figura do "Termo de Sujeição Passiva Solidária", e a fiscalização passou a adotar esse tipo de procedimento para que a execução judicial dos créditos lançados tivesse mais êxito. Os órgãos julgadores, por sua vez, relutavam em analisar as questões sobre responsabilidade tributária, entendendo que era assunto para o momento da execução fiscal (assunto próprio da PGFN), mas esse entendimento hoje em dia está totalmente superado. O acompanhamento da jurisprudência administrativa revela ainda um outro aspecto interessante: as situações em que a fiscalização lavra os mencionados "Termos de Sujeição Passiva Solidária" são justamente aquelas em que a matéria da responsabilização exige um maior aprofundamento, exige mais informações, que devem estar presentes já no ato de lançamento. Tudo isso está diretamente relacionado à formação do título executivo fiscal contra alguém, e foram justamente as questões sobre esse tema que motivaram a referida evolução dos procedimentos fiscais e da jurisprudência administrativa. Especificamente em relação ao caso sob exame, penso que não há como acolher a tese da PGFN, no sentido de que enquanto não houver a decadência dos créditos tributários, a PJ (mesmo extinta) mantém sua condição de contribuinte. Essa idéia, que consta do acórdão paradigma apresentado, também está atualmente superada. Não há como manter a personalidade jurídica de uma empresa porque ainda não ocorreu a decadência dos tributos. O nascimento/constituição e a morte/dissolução de uma pessoa jurídica não estão disciplinados e nem condicionados pelo Direito Tributário. Antigamente, em casos como o presente, em que o lançamento se dava após a extinção da pessoa jurídica (contribuinte), o procedimento fiscal consistia em restabelecer o CNPJ que já estava baixado, como se isso ressuscitasse a sociedade, como se isso restabelecesse a personalidade jurídica da sociedade. Mas o pensamento jurídico evoluiu, e se percebeu que não adiantava simplesmente reativar o CNPJ (que é mero cadastro) da empresa baixada para que a personalidade jurídica se restabelecesse. Fl. 1061DF CARF MF Processo nº 18471.001516/200694 Acórdão n.º 9101002.764 CSRFT1 Fl. 11 10 Nesse passo, não merece reparo a decisão que declarou ter havido erro na identificação do sujeito passivo, conforme o voto vencedor que a orientou, cujos fundamentos também adoto neste julgamento de recurso especial: Voto Vencedor Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Redator Designado. Em que pese o bem elaborado e fundamentado voto do ilustre Relator, durante as discussões ocorridas por ocasião do julgamento do presente litígio foi levantada questão que antecede ao exame do mérito, atinente à sujeição passiva, o que, afinal, conduziu a conclusão diversa. Do exame dos autos se constata que o Fisco identificou como sujeito passivo da obrigação tributária, na qualidade de contribuinte, a pessoa jurídica RIO EXCHANGE TURISMO LTDA. E, ainda, que essa pessoa jurídica já se encontrava extinta desde momento anterior ao do lançamento, anterior mesmo ao do início do procedimento de fiscalização. Com a extinção por liquidação voluntária, cessa a personalidade jurídica daquela tida por contribuinte no lançamento ora discutido, o qual não pode, assim, subsistir. A jurisprudência majoritária da Câmara Superior de Recursos Fiscais, do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes e também deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, com a qual concordo, é de que pessoa jurídica extinta não pode figurar no pólo passivo da relação jurídico tributária, conforme ilustram as decisões cujas ementas são a seguir transcritas: [...] Ressalto, por oportuno, que, no caso concreto, a extinção da pessoa jurídica se deu mediante o registro de seu Distrato Social na Junta Comercial do Estado do Rio de Janeiro JUCERJA, em 09/02/2006 (fls. 353/355v), bem antes do início do procedimento fiscal (em 17/08/2006, cf. AR à fl. 10) e da lavratura dos autos de infração (em 29/11/2006, fl. 322). Também não vislumbro qualquer tentativa de ocultação dos fatos por parte do representante da pessoa jurídica já então extinta, visto que os fatos eram claramente do conhecimento da Fiscalização por ocasião do lançamento, tanto assim que o Distrato Social é expressamente mencionado no Termo de Verificação Fiscal à fl. 320. O Fisco, ao que parece, não deu qualquer importância a essa circunstância e simplesmente a ignorou, como se inexistente ou ineficaz fosse. Muito menos houve qualquer tentativa de imputação, na forma da lei, de responsabilidade tributária a quem quer que seja. De fato, extinta a pessoa jurídica, deixa de ter a capacidade de ser titular de direitos e obrigações, particularmente a tributária. Não mais pode se revestir da qualidade de contribuinte, e uma relação jurídicotributária em que o pólo passivo está vazio é, por certo, uma relação inexistente juridicamente, causa de nulidade do lançamento ora discutido. Em conclusão, a decisão do colegiado foi por dar provimento ao recurso voluntário, por entender nula a constituição do crédito tributário, em razão de ter sido lançado o tributo em nome de pessoa jurídica extinta. Fl. 1062DF CARF MF Processo nº 18471.001516/200694 Acórdão n.º 9101002.764 CSRFT1 Fl. 12 11 Cabe, assim, negar provimento ao recurso especial em relação à primeira divergência. Na segunda divergência suscitada, a PGFN contesta a decisão recorrida na parte em que ela considerou o erro na identificação do sujeito passivo como um vício de natureza material, e não formal. Quanto a esse aspecto, penso que não há uma regra fixa para definir de antemão a gravidade desse tipo de erro na identificação do sujeito passivo, se o erro é formal, se é material, etc. Isso varia caso a caso. Nem sempre a solução desse tipo de erro passa pela simples troca de um nº de cadastro por outro. O que é relevante é definir a sujeição passiva. Definir, como já mencionado, se o sujeito passivo está vinculado à obrigação tributária como contribuinte; se está vinculado como responsável por ato ilícito na administração da empresa; se está vinculado como sucessor pessoa física na proporção do acervo recebido da pessoa jurídica extinta; etc. Cada uma dessas situações tem especificidades que repercutem na gravidade que esse tipo de vício pode apresentar. Em determinados casos, não há como tratar o erro na identificação do sujeito passivo como mero vício de natureza formal, principalmente se o saneamento da nulidade exigir alteração de conteúdo no lançamento, naqueles casos em que não basta substituir um nº cadastral (CNPJ ou CPF) por outro. Para o Direito Tributário, essa questão de compreender e identificar se o vício é formal ou material tem grande relevância, porque o Código Tributário Nacional CTN, nos casos de vício formal, prolonga o prazo de decadência para constituição de crédito tributário, nos termos de seu art. 173, II: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Os prazos de decadência tem a função de trazer segurança e estabilidade para as relações jurídicas, e é razoável admitir que o prolongamento desse prazo em favor do Fisco, em razão de erro por ele mesmo cometido, deve abranger vícios de menor gravidade. Com efeito, o sentido do CTN não é prolongar a decadência para todo o tipo de crédito tributário, mas apenas para aqueles que tenha sido anulados por ocorrência de "vício formal" em sua constituição. Nem sempre é tarefa fácil distinguir o vício formal do vício material, dadas as inúmeras circunstâncias e combinações em que eles podem se apresentar. Fl. 1063DF CARF MF Processo nº 18471.001516/200694 Acórdão n.º 9101002.764 CSRFT1 Fl. 13 12 O problema é que os requisitos de forma não são um fim em si mesmo. Eles existem para resguardar direitos (p/ ex., o direito ao contraditório e à ampla defesa). É a chamada instrumentalidade das formas, e isso às vezes cria linhas muito tênues de divisa entre o aspecto formal e o aspecto substancial das relações jurídicas. É esse o contexto quando se afirma que não há nulidade sem prejuízo da parte. Nesse sentido, vale trazer à baila as palavras de Leandro Paulsen: Não há requisitos de forma que impliquem nulidade de modo automático e objetivo. A nulidade não decorre propriamente do descumprimento do requisito formal, mas dos seus efeitos comprometedores do direito de defesa assegurado constitucionalmente ao contribuinte já por força do art. 5º, LV, da Constituição Federal. Isso porque as formalidades se justificam como garantidoras da defesa do contribuinte; não são um fim, em si mesmas, mas um instrumento para assegurar o exercício da ampla defesa. Alegada eventual irregularidade, cabe, à autoridade administrativa ou judicial verificar, pois, se tal implicou efetivo prejuízo à defesa do contribuinte. Daí falarse do princípio da informalidade do processo administrativo. (PAULSEN, Leandro. Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 13ª ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2011.) A Lei nº 4.717/1965 (Lei da Ação Popular), ao tratar da anulação de atos lesivos ao patrimônio público, permite, em seu art. 2º, uma análise comparativa entre os diferentes elementos que compõe o ato administrativo (competência, forma, objeto, motivo e finalidade): “Art. 2º São nulos os atos lesivos ao patrimônio das entidades mencionadas no artigo anterior, nos casos de: a) incompetência; b) vício de forma; c) ilegalidade do objeto; d) inexistência dos motivos; e) desvio de finalidade. Parágrafo único. Para a conceituação dos casos de nulidade observarseão as seguintes normas: a) a incompetência fica caracterizada quando o ato não se incluir nas atribuições legais do agente que o praticou; b) o vício de forma consiste na omissão ou na observância incompleta ou irregular de formalidades indispensáveis à existência ou seriedade do ato; c) a ilegalidade do objeto ocorre quando o resultado do ato importa em violação de lei, regulamento ou outro ato normativo; Fl. 1064DF CARF MF Processo nº 18471.001516/200694 Acórdão n.º 9101002.764 CSRFT1 Fl. 14 13 d) a inexistência dos motivos se verifica quando a matéria de fato ou de direito, em que se fundamenta o ato, é materialmente inexistente ou juridicamente inadequada ao resultado obtido; e) o desvio de finalidade se verifica quando o agente pratica o ato visando a fim diverso daquele previsto, explícita ou implicitamente, na regra de competência.” (grifos acrescidos) Pela enumeração dos elementos que compõe o ato administrativo, já se pode visualizar o que se distingue da forma, ou seja, o que não deve ser confundido com a aspecto formal do ato (a competência, o objeto, o motivo e a finalidade). No contexto do ato administrativo de lançamento, vício formal é aquele verificado de plano, no próprio instrumento de formalização do crédito, e que não está relacionado à realidade jurídica representada (declarada) por meio deste ato. O vício formal não pode estar relacionado aos elementos constitutivos da obrigação tributária, ou seja, não pode referirse à verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação, à determinação da matéria tributável, ao cálculo do montante do tributo devido e à identificação do sujeito passivo, porque aí está a própria essência da relação jurídicotributária. O vício formal a que se refere o artigo 173, II, do CTN abrange, por exemplo, a ausência de indicação de local, data e hora da lavratura do lançamento, a falta de assinatura do autuante, ou a falta da indicação de seu cargo ou função, ou ainda de seu número de matrícula, todos eles configurando elementos formais para a lavratura de auto de infração, conforme art. 10 do Decreto nº 70.235/1972, mas que não se confundem com a essência/ conteúdo da relação jurídicotributária, apresentada como resultado das atividades inerentes ao lançamento (verificação da ocorrência do fato gerador, determinação da matéria tributável, cálculo do montante do tributo devido, identificação do sujeito passivo, etc. CTN, art. 142). Penso que a verificação da possibilidade de refazimento (repetição) do ato de lançamento, com o mesmo conteúdo, para fins de apenas sanear o vício detectado, é um referencial bastante útil para se examinar a espécie do vício. Se houver possibilidade de o lançamento ser repetido, com o mesmo conteúdo concreto (mesmos elementos constitutivos da obrigação tributária), sem incorrer na mesma invalidade, o vício é formal. Isso é um sinal de que o problema está nos aspectos extrínsecos e não no núcleo da relação jurídicotributária. Há uma decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais, o Acórdão nº 9101 00.955, que explicita bem esse aspecto: Acórdão nº 910100.955 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2000 NULIDADE DO LANÇAMENTO. VÍCIO MATERIAL. A verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação, a determinação da matéria tributável, o cálculo do montante do tributo devido e a identificação do sujeito passivo, definidos no art. 142 do Código Tributário Nacional — CTN, por serem Fl. 1065DF CARF MF Processo nº 18471.001516/200694 Acórdão n.º 9101002.764 CSRFT1 Fl. 15 14 elementos fundamentais, intrínsecos, do lançamento, sem cuja delimitação precisa não se pode admitir a existência da obrigação tributária em concreto, antecedem e são preparatórios à formalização do crédito tributário, a qual se dá no momento seguinte, mediante a lavratura do auto de infração, seguida da notificação ao sujeito passivo, quando, ai sim, deverão estar presentes os seus requisitos formais, extrínsecos, como, por exemplo, a assinatura do autuante, com a indicação de seu cargo ou função e o número de matricula; a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado, com a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. [...] Voto [...] Como visto, há um ponto comum em todos os mestres citados: o lançamento substitutivo só tem lugar se a obrigação tributária já estiver perfeitamente definida no lançamento primitivo. Neste plano, haveria uma espécie de proteção ao crédito público já formalizado, mas contaminado por um vicio de forma que o torna inexeqüível.... Bem sopesada, percebese que a regra especial do artigo 173, II, do CTN, impede que a forma prevaleça sobre o fundo. [...] [...] 4.0 VÍCIO FORMAL NÃO ADMITE INVESTIGAÇÕES ADICIONAIS Neste contexto, é licito concluir que as investigações intentadas no sentido de determinar, aferir, precisar o fato que se pretendeu tributar anteriormente, revelamse incompatíveis com os estreitos limites dos procedimentos reservados ao saneamento do vício formal. Com efeito, sob o pretexto de corrigir o vício formal detectado, não pode o Fisco intimar o contribuinte para apresentar informações, esclarecimentos, documentos, etc. tendentes a apurar a matéria tributável. Se tais providencias forem necessárias, significa que a obrigação tributária não estava definida e o vício apurado não seria apenas de forma, mas, sim, de estrutura ou da essência do ato praticado. Deveras, como visto anteriormente, a adoção da regra especial de decadência prevista no artigo 173, II, do CTN, no plano do vicio formal, que autoriza um segundo lançamento sobre o mesmo fato, exige que a obrigação tributária tenha sido plenamente definida no primeiro lançamento. Vale dizer, para usar as palavras já transcritas do Mestre Ives Gandra Martins, o segundo lançamento visa "preservar um direito já previamente qualificado, mas inexeqüível pelo vicio formal detectado". Fl. 1066DF CARF MF Processo nº 18471.001516/200694 Acórdão n.º 9101002.764 CSRFT1 Fl. 16 15 Ora, se o direito já estava previamente qualificado, o segundo lançamento, suprida a formalidade antes não observada, deve basear se nos mesmos elementos probatórios colhidos por ocasião do primeiro lançamento. [...] O fato é que se houver necessidade de inovação na parte substancial do lançamento (seja através de um lançamento complementar, seja através do resultado de uma diligência), não há como sustentar que a nulidade então existente decorria de vício formal. Quanto ao caso em questão, vêse que o voto do conselheiro Wilson Fernandes Guimarães, que embasou a decisão do CARF na parte em que ela considerou o erro na identificação do sujeito passivo como um vício substancial (de natureza material, portanto), até admite que em alguns casos "a indicação equivocada do sujeito passivo da obrigação tributária pode representar vício meramente formal", mas esclarece que no caso dessa empresa, o vício é mesmo de substância. De acordo com o referido voto, "não seria exagero afirmar que não só o ato de lançamento tributário revelouse substancialmente nulo, mas todo o procedimento administrativo anterior a ele, eis que impulsionado contra pessoa inexistente no mundo jurídico". Vêse que não há sequer indicação expressa de uma outra pessoa para compor o polo passivo da relação jurídicotributária. O polo passivo simplesmente está vazio, e para preenchêlo, a fiscalização teria que complementar o lançamento, o que já caracterizaria a ocorrência de vício material. Não se trata de mero erro formal, de trocar um nº cadastral por outro, de simplesmente substituir um nome por outro, ou algo semelhante. Não deixo de perceber que as petições de defesa foram assinadas por um dos sócios da pessoa jurídica extinta, mas isso não resolve o problema. Esse sócio iria responder em que condição: como responsável por ato ilícito na administração da empresa, ou como sucessor da PJ na proporção do acervo recebido? No primeiro caso, qual seria esse ato? O mesmo que motivou a autuação fiscal? Era ele o administrador à época dos fatos? No segundo caso, esse sócio recebeu algum acervo da PJ extinta? Enfim, são várias informações que não constam do lançamento, e que só poderiam ser trazidas mediante uma complementação de conteúdo (substância). Portanto, não merece reparo a decisão que, no presente caso, considerou o erro na identificação do sujeito passivo como vício de natureza material. Deve ser negado provimento ao recurso especial também em relação à segunda divergência. Fl. 1067DF CARF MF Processo nº 18471.001516/200694 Acórdão n.º 9101002.764 CSRFT1 Fl. 17 16 Na sessão de julgamento, a Conselheira Adriana Gomes Rêgo trouxe algumas considerações em Declaração de Voto, que também adoto como razões de decidir. Desse modo, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso especial da PGFN. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Declaração de Voto Conselheira Adriana Gomes Rêgo Em que pese ter acompanhado o ilustre relator, faço a presente declaração de voto apenas para esclarecer alguns aspectos do presente processo. É que, compulsandose os autos, verificase que a Fiscalização, durante todo o procedimento fiscal, encaminhava as intimações aos sócios da pessoa jurídica, embora os termos e declarações fossem em nome da pessoa jurídica e serem respondidos, sempre, em nome da pessoa jurídica. Pois bem, com já observado pelo ilustre relator do voto vencedor da decisão recorrida, a Fiscalização consigna em seu Termo de Verificação Fiscal que havia distrato protocolizado na Junta , até porque tal ato foilhe apresentado pela própria autuada. Analisando tal distrato, verificase estar consignado que a pessoa jurídica encerrou suas atividades em 31/12/1999. Essa informação converge com as DIPJ apresentadas nos períodos subseqüentes, pois todas são relativas à situação de inativa. Além disso, é oportuno registrar que a fiscalização teve início em agosto de 2006, portanto quase seis meses após a formalização da extinção da pessoa jurídica, o que afasta a possibilidade de se concluir por uma extinção formal porém fraudulenta, com intuito de prejudicar o lançamento em nome da pessoa jurídica. Assim, o correto seria a Fiscalização ter consignado que como foram encontrados movimentações financeiras em nome da pessoa jurídica, as quais, à luz da legislação do imposto de renda, permitem concluir pela omissão de receitas, houve na verdade uma extinção irregular, de forma que respondem pelos atos de infração à lei societária (extinguir pessoa jurídica com débitos tributários), os sócios da sociedade ao tempo dessa extinção, nos termos do art. 135 do CTN. E, em face disso, lavrar o auto de infração em nome desses. Em face ao exposto, acompanhei o relator no sentido de manter a decisão recorrida que cancelou a autuação por erro na identificação do sujeito passivo. Fl. 1068DF CARF MF Processo nº 18471.001516/200694 Acórdão n.º 9101002.764 CSRFT1 Fl. 18 17 (documento assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Fl. 1069DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15563.720216/2012-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Apr 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
ENTIDADE BENEFICENTE/REQUISITOS PARA GOZO DA ISENÇÃO.
Para verificação do cumprimento dos requisitos exigidos para fruição da isenção relativa à entidade beneficente deverá ser observada a legislação vigente no momento do fato gerador.
IMUNIDADE. ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. NECESSIDADE CUMPRIMENTO REQUISITOS PREVISTOS EM LEI ORDINÁRIA.
As entidades beneficentes que prestam assistência social, inclusive no campo da educação e da saúde, para gozarem da imunidade constante do § 7º do art. 195 da Constituição Federal, deveriam, à época dos fatos geradores, atender ao rol de exigências determinado pelo art. 55 da Lei 8.212/91.
A isenção, no período anterior à vigência da Lei 12.101, de 27/11/2009, devia ser requerida perante o órgão competente, que após a verificação do cumprimento, pela requerente, dos requisitos previstos no art. 55, da Lei 8.212/91, emitia Ato Declaratório de Isenção de Contribuições Previdenciárias. A fruição da isenção somente tinha início a partir do protocolo do pedido, caso deferido.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS.
A empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço e recolher o produto arrecadado juntamente com as contribuições previdenciárias a seu cargo.
SEGURADO EMPREGADO.
É segurado obrigatório da Previdência Social como empregado aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural à empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração.
Se o Auditor Fiscal da RFB constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou qualquer outra denominação, preenche as condições de empregado, deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado.
CONTRIBUIÇÕES OUTRAS ENTIDADES E FUNDOS.
A empresa é obrigada a recolher as contribuições para outras entidades e fundos a seu cargo.
DEIXAR DE ESCRITURAR EM TÍTULOS PRÓPRIOS.
Deixar de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos.
DEIXAR DE PRESTAR TODAS AS INFORMAÇÕES FINANCEIRAS E CONTÁBEIS DE INTERESSA DA RFB.
Constitui infração à legislação, deixar a empresa de prestar à RFB todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse da mesma, na forma por ela estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários á fiscalização.
Numero da decisão: 2401-004.614
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso. Quanto à preliminar de isenção, por unanimidade, negar provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Maria Cleci Coti Martins, Cleberson Alex Friess, Marcio de Lacerda Martins e Miriam Denise Xavier Lazarini. Quanto ao mérito, por voto de qualidade, dar-lhe provimento parcial para: a) quanto ao lançamento de crédito tributário relativo à obrigação principal DEBCAD 51.019.095-2, excluir do lançamento os levantamentos TT2, UM2, UO2 e VE2; b) quanto ao lançamento de crédito tributário relativo à obrigação principal DEBCAD 51.019.096-0, manter o lançamento; e c) quanto aos autos de infração por descumprimento de obrigação acessória, DEBCADs 51.019.097-9 e 51.031.768-5, manter o lançamento. Vencidos o relator e os conselheiros Rayd Santana Ferreira, Andrea Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa que davam provimento parcial em maior extensão. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Miriam Denise Xavier Lazarini.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Carlos Alexandre Tortato - Relator
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Redatora designada
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto, Maria Cleci Coti Martins, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: CARLOS ALEXANDRE TORTATO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201702
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 ENTIDADE BENEFICENTE/REQUISITOS PARA GOZO DA ISENÇÃO. Para verificação do cumprimento dos requisitos exigidos para fruição da isenção relativa à entidade beneficente deverá ser observada a legislação vigente no momento do fato gerador. IMUNIDADE. ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. NECESSIDADE CUMPRIMENTO REQUISITOS PREVISTOS EM LEI ORDINÁRIA. As entidades beneficentes que prestam assistência social, inclusive no campo da educação e da saúde, para gozarem da imunidade constante do § 7º do art. 195 da Constituição Federal, deveriam, à época dos fatos geradores, atender ao rol de exigências determinado pelo art. 55 da Lei 8.212/91. A isenção, no período anterior à vigência da Lei 12.101, de 27/11/2009, devia ser requerida perante o órgão competente, que após a verificação do cumprimento, pela requerente, dos requisitos previstos no art. 55, da Lei 8.212/91, emitia Ato Declaratório de Isenção de Contribuições Previdenciárias. A fruição da isenção somente tinha início a partir do protocolo do pedido, caso deferido. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. A empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço e recolher o produto arrecadado juntamente com as contribuições previdenciárias a seu cargo. SEGURADO EMPREGADO. É segurado obrigatório da Previdência Social como empregado aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural à empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração. Se o Auditor Fiscal da RFB constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou qualquer outra denominação, preenche as condições de empregado, deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado. CONTRIBUIÇÕES OUTRAS ENTIDADES E FUNDOS. A empresa é obrigada a recolher as contribuições para outras entidades e fundos a seu cargo. DEIXAR DE ESCRITURAR EM TÍTULOS PRÓPRIOS. Deixar de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. DEIXAR DE PRESTAR TODAS AS INFORMAÇÕES FINANCEIRAS E CONTÁBEIS DE INTERESSA DA RFB. Constitui infração à legislação, deixar a empresa de prestar à RFB todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse da mesma, na forma por ela estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários á fiscalização.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Apr 24 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 15563.720216/2012-39
anomes_publicacao_s : 201704
conteudo_id_s : 5713558
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Apr 24 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 2401-004.614
nome_arquivo_s : Decisao_15563720216201239.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : CARLOS ALEXANDRE TORTATO
nome_arquivo_pdf_s : 15563720216201239_5713558.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso. Quanto à preliminar de isenção, por unanimidade, negar provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Maria Cleci Coti Martins, Cleberson Alex Friess, Marcio de Lacerda Martins e Miriam Denise Xavier Lazarini. Quanto ao mérito, por voto de qualidade, dar-lhe provimento parcial para: a) quanto ao lançamento de crédito tributário relativo à obrigação principal DEBCAD 51.019.095-2, excluir do lançamento os levantamentos TT2, UM2, UO2 e VE2; b) quanto ao lançamento de crédito tributário relativo à obrigação principal DEBCAD 51.019.096-0, manter o lançamento; e c) quanto aos autos de infração por descumprimento de obrigação acessória, DEBCADs 51.019.097-9 e 51.031.768-5, manter o lançamento. Vencidos o relator e os conselheiros Rayd Santana Ferreira, Andrea Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa que davam provimento parcial em maior extensão. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Miriam Denise Xavier Lazarini. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente (assinado digitalmente) Carlos Alexandre Tortato - Relator (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini - Redatora designada Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto, Maria Cleci Coti Martins, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
dt_sessao_tdt : Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
id : 6726753
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:58:44 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048947336937472
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 43; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2089; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 1.970 1 1.969 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15563.720216/201239 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401004.614 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 8 de fevereiro de 2017 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrente ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE ENSINO UNIVERSITÁRIO ABEU Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 ENTIDADE BENEFICENTE/REQUISITOS PARA GOZO DA ISENÇÃO. Para verificação do cumprimento dos requisitos exigidos para fruição da isenção relativa à entidade beneficente deverá ser observada a legislação vigente no momento do fato gerador. IMUNIDADE. ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. NECESSIDADE CUMPRIMENTO REQUISITOS PREVISTOS EM LEI ORDINÁRIA. As entidades beneficentes que prestam assistência social, inclusive no campo da educação e da saúde, para gozarem da imunidade constante do § 7º do art. 195 da Constituição Federal, deveriam, à época dos fatos geradores, atender ao rol de exigências determinado pelo art. 55 da Lei 8.212/91. A isenção, no período anterior à vigência da Lei 12.101, de 27/11/2009, devia ser requerida perante o órgão competente, que após a verificação do cumprimento, pela requerente, dos requisitos previstos no art. 55, da Lei 8.212/91, emitia Ato Declaratório de Isenção de Contribuições Previdenciárias. A fruição da isenção somente tinha início a partir do protocolo do pedido, caso deferido. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. A empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço e recolher o produto arrecadado juntamente com as contribuições previdenciárias a seu cargo. SEGURADO EMPREGADO. É segurado obrigatório da Previdência Social como empregado aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural à empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 56 3. 72 02 16 /2 01 2- 39 Fl. 1970DF CARF MF 2 Se o Auditor Fiscal da RFB constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou qualquer outra denominação, preenche as condições de empregado, deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado. CONTRIBUIÇÕES OUTRAS ENTIDADES E FUNDOS. A empresa é obrigada a recolher as contribuições para outras entidades e fundos a seu cargo. DEIXAR DE ESCRITURAR EM TÍTULOS PRÓPRIOS. Deixar de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. DEIXAR DE PRESTAR TODAS AS INFORMAÇÕES FINANCEIRAS E CONTÁBEIS DE INTERESSA DA RFB. Constitui infração à legislação, deixar a empresa de prestar à RFB todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse da mesma, na forma por ela estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários á fiscalização. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1971DF CARF MF Processo nº 15563.720216/201239 Acórdão n.º 2401004.614 S2C4T1 Fl. 1.971 3 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso. Quanto à preliminar de isenção, por unanimidade, negar provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Maria Cleci Coti Martins, Cleberson Alex Friess, Marcio de Lacerda Martins e Miriam Denise Xavier Lazarini. Quanto ao mérito, por voto de qualidade, darlhe provimento parcial para: a) quanto ao lançamento de crédito tributário relativo à obrigação principal DEBCAD 51.019.0952, excluir do lançamento os levantamentos TT2, UM2, UO2 e VE2; b) quanto ao lançamento de crédito tributário relativo à obrigação principal DEBCAD 51.019.0960, manter o lançamento; e c) quanto aos autos de infração por descumprimento de obrigação acessória, DEBCADs 51.019.0979 e 51.031.7685, manter o lançamento. Vencidos o relator e os conselheiros Rayd Santana Ferreira, Andrea Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa que davam provimento parcial em maior extensão. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Miriam Denise Xavier Lazarini. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Carlos Alexandre Tortato Relator (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Redatora designada Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto, Maria Cleci Coti Martins, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira. Fl. 1972DF CARF MF 4 Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 1797/1924) em face do Acórdão nº. 02 51.919 da 8ª Turma da DRJ/BHE (1727/1773), que restou assim ementado: ENTIDADE BENEFICENTE/REQUISITOS PARA GOZO DA ISENÇÃO. Para verificação do cumprimento dos requisitos exigidos para fruição da isenção relativa à entidade beneficente deverá ser observada a legislação vigente no momento do fato gerador. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. A empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço e recolher o produto arrecadado juntamente com as contribuições previdenciárias a seu cargo. CONTRIBUIÇÕES OUTRAS ENTIDADES E FUNDOS. A empresa é obrigada a recolher as contribuições para outras entidades e fundos a seu cargo. DEIXAR DE ESCRITURAR EM TÍTULOS PRÓPRIOS. Deixar de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. DEIXAR DE PRESTAR TODAS AS INFORMAÇÕES FINANCEIRAS E CONTÁBEIS DE INTERESSA DA RFB. Constitui infração à legislação, deixar a empresa de prestar à RFB todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse da mesma, na forma por ela estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários á fiscalização. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Tratase de Autos de Infração lavrados contra o sujeito passivo em epígrafe, cujos créditos tributário são os seguintes: · DEBCAD nº. 51.019.0952: exigência de contribuições destinadas à previdência social, inclusive para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho GILRAT, relativas às competências de 01/2009 a 13/2009, parte da empresa; · DEBCAD nº. 51.019.0960: exigência de contribuições destinadas a Outras Entidades e Fundos denominados Terceiros Salário Educação Fl. 1973DF CARF MF Processo nº 15563.720216/201239 Acórdão n.º 2401004.614 S2C4T1 Fl. 1.972 5 (FNDE), Incra, Senac, SESC e Sebrae incidentes sobre a remuneração de empregados, referente às competências de 01/2009 a 13/2009; · DEBCAD nº. 51.019.0979: exigência referente ao descumprimento de obrigação acessória por infringência ao que dispunha, na época da infração, a Lei nº. 8.212/91, art. 32, III, § 11 c/c RPS, art. 225, III (CFL nº. 35), por deixar de apresentar esclarecimentos quanto à lançamentos contábeis, relatórios/laudos produzidos por empresa que lhe prestou serviço, notas fiscais solicitadas e outros esclarecimentos; · DEBCAD nº. 51.031.7685: exigência referente ao descumprimento ed obrigação acessória por infringência ao que dispunha, na época da infração, a Lei nº. 8.212/91, art. 32, II, c/c RPS, art. 225, II e §§ 13 a 17 (CFL nº. 34), por deixar de escriturar na contabilidade, a títulos próprios, pagamentos realizados que entendeu a fiscalização se tratarem de remunerações. Nos termos do Relatório Fiscal (fls. 104/1555), temos que a descrição dos fatos e infrações a seguir narrados, os quais são extraídos também do acórdão recorrido que pormenorizadamente discorreu item a item dos fatos que ensejaram a autuação fiscal. Em todo o período fiscalizado o sujeito passivo enviou GFIP com o código de FPAS 639, declarandose como entidade em gozo de isenção das contribuições previdenciárias. Contudo, verificou a fiscalização a ocorrência de descumprimento dos requisitos previstos na legislação vigente na época de ocorrência dos fatos geradores para que o contribuinte fruísse de tal direito. Tal constatação por parte do AFRFB levou à conclusão de que o contribuinte não tinha direito ao gozo de isenção relativamente às contribuições previdenciárias. Para a análise da autoridade fiscal, foram considerados os requisitos existentes no art. 55 da Lei nº. 8.212/91 (de 01/01/2008 a 09/11/2008 e de 12/02/2009 a 29/11/2009), na MP nº. 446/2008 (de 10/01/2008 a 11/02/2009) e art. 29 da Lei nº. 12.101/2009 (a partir de 30/11/2009). A partir dos documentos solicitados ao contribuinte no curso do processo de fiscalização, foram constatados fatos que representam o descumprimento dos requisitos legais acima expostos, os quais foram sintetizados no Relatório Fiscal e abaixo reproduzimos (fl. 106/107): Fl. 1974DF CARF MF 6 a) Da não apresentação de requerimento de isenção ou de comprovação de estar em gozo de direito adquirido Intimado para apresentar comprovante de requerimento à RFB para gozo de isenção das contribuições previdenciárias, o contribuinte apresentou, em resposta (fl. 855) apenas o Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos CEFF de 10/12/1981. Segundo a fiscalização, a entidade foi declarada como de utilidade pública federal em 02/10/1981 (publicação em 05/10/1981), portanto, não teria direito adquirido à isenção, já que, para tanto, a declaração como de utilidade pública federal deveria ter ocorrido até 01/09/1977. Fl. 1975DF CARF MF Processo nº 15563.720216/201239 Acórdão n.º 2401004.614 S2C4T1 Fl. 1.973 7 A fiscalização juntou aos autos cópia do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social CEBAS, conferido pelo Conselho Nacional de Assistência Social _ CNAS, de 04/05/2007, com validade de 04/05/2007 a 03/05/2010 (fl. 847). Foi juntado, também, cópia do requerimento de renovação do CEBAS junto ao Ministério da Educação (fls. 848/849) e cópias de certidões exaradas pelo Ministério da Justiça que informam quando se deu o reconhecimento da entidade como de utilidade pública federal. Concluise, por fim, que não houve o cumprimento do requisito contido na Lei nº. 8.212/91, artigo 55, § 1º, aplicável de 25/07/1991 a 09/11/2008 e de 12/02/2009 a 29/11/2009, pois inexistia qualquer pedido de emissão de ato declaratório reconhecendo o contribuinte como em gozo de isenção. Assim, de 01/01/2008 a 09/11/2008 e de 12/02/2009 a 29/11/2009 a fiscalização considerou que não havia direto ao gozo de isenção. b) Da existência de débito exigível Nos termos do Relatório Fiscal, por meio de pesquisas aos sistemas informatizados da RFB constatouse que o contribuinte esteve em débito durante todo o período fiscalizado (01/2008 a 12/2009), sendo seus pedidos de CND repetidamente indeferidos. Consta nos sistemas informatizados da RFB que a última CND, de nº. 001502005/17.022.010, foi emitida em 21/01/2005. Todos os relatórios que apontaram restrições para concessão de CND indicaram a existência de débito exigível. A fiscalização discriminou os motivos das divergências a cada pedido efetuado de 13/11/2007 a 16/12/2009 (fls. 109/1011). Fez constar, assim, a existência de débitos e diferenças entre os valores declarados e os recolhidos entre 13/11/2007 a 16/09/2009. Assim, segundo a fiscalização, não foram cumpridos os requisitos do art. 55, § 6º, da Lei nº. 8.212/91 (vigente em relação ao período de 01/01/2008 a 09/11/2008 a 12/02/2009 a 29/11/2009), do art. 28, VI da MP nº. 446/2008 (em relação ao período de 10/11/2008 a 11/02/2009) e do 29, I da Lei nº. 12.101/2009 (vigente a partir de 30/11/2009). c) Dos valores pagos sob o título de arrendamento do Campus 1 ao Presidente Valdir Vilela sem lastro no contrato que trata dessa operação Segundo a fiscalização, por meio das declarações prestadas pelo contribuinte, o Sr. Valdir Vilela auferiu rendimentos de R$ 424.515,07, no ano de 2008, e R$ 342.809,25, em 2009, sob o código de receita 3208 (Alugueis e royalties pagos a pessoa física). Intimado a prestar informações, especialmente os documentos de caixa e contratos e a esclarecer a contabilização referente a esses pagamentos, o contribuinte apontou que (fl. 228): 1) tais pagamentos se referiam a valores pagos a título de arrendamento de imóveis de propriedade do Sr. Valdir Vilela; 2) que os valores pagos correspondem, por força de dispositivo contratual, a 5% de receita de cada unidade que se utiliza do imóvel arrendado; Fl. 1976DF CARF MF 8 3) que os valores pagos são apurados com base nos relatórios de "receitas obtidas" e que tal despesa tem como contrapartida a conta de arrendamento a pagar; O contribuinte apresentou, além dos esclarecimentos acima, demonstrativos que detalhavam mês a mês, por unidade, as bases de cálculo de tais pagamentos, os valores de imposto de renda deduzidos e os valores a pagar. Também foram apresentados documentos denominados "Balancetes financeiros", os quais apontam os valores de receitas obtidos, por campus, em cada mês, e o percentual a pagar pelo arrendamento. Após a atualização dos valores previstos no contrato de arrendamento empregando os índices nele estabelecidos, entendeu a fiscalização que a soma dos valores pagos sob essa denominação ao Sr. Valdir Vilela são superiores àqueles amparados e devidos contratualmente. A diferença apontada, além de a obrigação contratual, foi de R$ 275.029,75 para o ano de 2008 e R$ 305.032,24 em 2009. Verificouse, com relação ao imóvel situado à Rua Itaiara, 301, Belford Roxo, que o instrumento contratual relativo ao arrendamento desse imóvel, onde funciona o Campus 1 da ABEU, datado de 28/4/1993, fixa o valor do arrendamento em 80 milhões de cruzeiros, reajustáveis de acordo com o índice de variação da Taxa Referencial Diária ou qualquer índice que venha a substituílo na hipótese de sua extinção. O termo de aditamento contratual de 4/2/2008 prorroga a vigência do contrato até 1/2/2023, silenciando em relação ao valor do arrendamento. Os valores informados nos demonstrativos e nos Balancetes financeiros apresentados pelo contribuinte foram conciliados com os valores registrados na contabilidade (conta 210301 – Arrendamento a pagar) indicados no demonstrativo “Lançamentos contábeis a débito da conta Arrendamento a pagar e a crédito de Caixa ou Bancos” (fl. 156). Para apuração dos valores pagos a maior relativamente ao Campus 1, foram excluídos os valores pagos relativamente ao Campus 7. Foram juntados aos autos demonstrativos com os índices aplicados e as respectivas atualizações mês a mês (fls. 157/158) e elaborada tabela às fls. 114/115, apontando, por competência: o valor devido com base no que determina o contrato e aditivo devidamente reajustado, o valor bruto efetivamente pago e a diferença paga além da obrigação contratual. Concluiuse que os pagamentos desses valores, efetuados ao presidente Valdir Vilela, sem amparo no contrato de arrendamento a que se referem os registros contábeis, configuravam remuneração desse dirigente/administrador. Tal circunstância também configurou o descumprimento do requisito previsto na Lei nº 8.212/1991, artigo 55, inciso IV (vigente em relação ao período de 1/1/2008 a 9/11/2008 e de 12/2/2009 a 29/11/2009), na MP nº 446/2008, artigo 28, inciso II (vigente em relação ao período de 10/11/2008 a 11/2/2009) e na Lei nº 12.101/2009, artigo 29, inciso I (vigente a partir de 30/11/2009). d) Dos valores pagos a título de arrendamento do Campus 7 ao Sr. Valdir Vilela A entidade foi intimada (TIF nº. 02) a apresentar todos os contratos e aditivos relacionados ao arrendamento de imóveis do Sr. Valdir Vilela. Ainda, foi solicitado o contrato de arrendamento relativo ao imóvel onde funciona o Campus 7 da ABEU (referido nos demonstrativos e balancetes apresentados pelo contribuinte). Fl. 1977DF CARF MF Processo nº 15563.720216/201239 Acórdão n.º 2401004.614 S2C4T1 Fl. 1.974 9 O contribuinte não apresentou nenhum documento referente aos pagamentos efetuados ao presidente Sr. Valdir Vilela, que fossem relativos a arrendamento do imóvel situado na Av. Benjamim Pinto, 955, Belford Roxo (RJ), onde funciona o campus 7 (conforme consta em seus demonstrativos e balancetes). Foram apresentados apenas: escrituras de imóveis de Nilópolis, Belford Roxo e Nova Iguaçu, plantas dos imóveis, balancetes financeiros de 02/2008 e 03/2008 (que ainda não haviam sido entregues). Após ser novamente intimado, por meio do TIF nº 5, de 21/6/2012, a apresentar os contratos e aditivos referentes aos pagamentos realizados em 02/2008, e de 04/2008 a 12/2008, a título de arrendamento do imóvel do Campus 7, o sujeito passivo manifestouse em 28/6/2012, apontando que tais valores foram incluídos indevidamente nas bases de cálculo das importâncias pagas a título de arrendamento, mas que em 4/1/2011 esse erro foi corrigido pelo registro contábil na conta 11020202 como desconto dos valores a serem pagos posteriormente. Nessa ocasião, o contribuinte apresentou folha do Livro Razão que tratava dessa conta e folhas número 73 e 74 do Livro Diário nº 33, registrado no Cartório do 3º Ofício de Justiça de Belford Roxo, em 21/5/2012, sob os números 9431 e 9432, que refletiriam essas retificações. Constatouse, com base na contabilidade da entidade (conforme demonstrativo “Lançamentos contábeis a débito de arrendamento e a crédito de caixa ou bancos”, fl. 156) e com base nos balancetes financeiros (apresentados pelo contribuinte), que foram efetivamente pagos valores com o título de arrendamento de imóvel do Campus 7 (filial com final do CNPJ 001373), ao presidente Valdir Vilela, nas competências 02/2008, 04/2008, 05/2008, 06/2008, 07/2008, 09/2008 e 10/2008. Esses pagamentos, com exceção dos realizados em 09/2008 e 10/2008, foram contabilizados de forma agrupada com os pagamentos/despesas de arrendamento do Campus 1. Concluiuse, por essa razão, que a retificação contábil informada pelo contribuinte referente aos pagamentos efetuados em 9/12/2008 (lançamento nº 203343 que seria referente a arrendamento em 09/2008) e em 17/2/2009 (lançamento nº 205817 que seria referente a arrendamento em 10/2008), e não atingiu a totalidade dos pagamentos realizados a Valdir Vilela, a título de arrendamento do imóvel, com base na receita do respectivo Campus 7. Além disso, constatouse que a retificação indicada foi concretizada somente após a intimação fiscal para apresentação dos documentos que embasaram tais pagamentos (termos contratuais e aditivos). Isso porque a ação fiscal se iniciou em 30/8/2011, e em 19/3/2012 o contribuinte foi intimado a apresentar os contratos de arrendamento do imóvel do campus 7, bem como os aditivos contratuais, mas não apresentou nenhum desses documentos. Novamente intimado, o sujeito passivo somente teria apresentado os esclarecimentos referidos em 28/6/2012. Contudo, embora os lançamentos contábeis retificados referidos datem de 4/1/2011, o acerto financeiro com o Sr. Valdir Vilela somente ocorreu em 15/5/2012 conforme demonstrariam os documentos de caixa apresentados em 9/7/2012, sendo que o Livro Diário com tais retificações somente teria sido registrado em 21/5/2012 (data posterior à intimação). Concluiuse que os valores creditados/pagos ao presidente da instituição,Sr. Valdir Vilela, com base na receita do Campus 7, referentes aos meses 02/2008, 04/2008, 05/2008, 06/2008, 07/2008, 09/2008 e 10/2008, não são relativos à arrendamento de imóvel onde esse campus funciona, mas à remuneração a título de prólabore. Tal fato também representa o descumprimento do requisito para gozo de isenção das contribuições Fl. 1978DF CARF MF 10 previdenciárias, conforme dispõe a Lei nº 8.212/1991, artigo 55, inciso IV, a MP nº 446/2008, artigo 28, inciso II, e a Lei nº 12.101/2009. Com relação ao ressarcimento de valores pagos ao presidente, segundo o que dispõe a IN RFB nº 971/2009, artigo 229, § 1º, inciso I, a isenção ficará suspensa desde o mês de ocorrência da remuneração até a efetiva reversão de recursos ao patrimônio da entidade (o que se deu em 21/5/2012). Tal dispositivo prevê ainda, que esse ressarcimento será reajustado com base no índice previsto no Regulamento da Previdência Social – RPS, artigo 40, § 1º, o que não ocorreu. e) Utilização para fins particulares dos serviços prestados pela sociedade TCA TONELLI ASSESSORIA E ARQUITETURA LTDA. Segundo a fiscalização, o contribuinte, após ser intimado, apresentou notas fiscais emitidas pela sociedade TCA Tonelli Assessoria e Arquitetura Ltda. Pela análise dessas notas fiscais, o AFRFB constatou que todas tinham o mesmo histórico/descrição de serviços: "serviços de avaliações de imóveis". Em virtude da ausência de contrato escritos, foram emitidos os TIFs n. 08 e 09, de 17/7/2012 e 13/08/2012, respectivamente, solicitando os laudos/relatórios elaborados por empresas prestadoras de serviços, dentre as quais, a TCA Tonelli, que comprovassem a efetividade dos serviços. Em 05/09/2012 a entidade informou que a referida sociedade prestou serviços de avaliação de vários imóveis, e a título de exemplo, apresentou dois laudos, dentre eles, o relativo ao imóvel situado na Rua Itaiara, nº. 301, Bairro das Garças, Belford Roxo/RJ (fls. 1332/1397), o qual não pertence à entidade, conforme se verificou pela análise dos registros efetuados em sua contabilidade e ativo imobilizado, pela apreciação das escrituras e das plantas (fl. 1398) e conforme relação de imóveis apresentados pelo contribuinte. Referido imóvel, que pertence ao Sr. Valdir Vilela e é arrendado para a ABEU, foi avaliado para fins de identificar o seu valor de mercado para compra e venda. Com vistas a identificar os imóveis objetos dos serviços prestados pela TCA Tonelli Assessoria, o contribuinte foi intimado, por meio do TIF nº. 12, de 02/10/2012, a apresentar cópias de todos os laudos de avaliação elaborados por essa sociedade e a apontar os custos de cada laudo, uma vez que nas notas fiscais consta a descrição genérica de "serviços de avaliação de imóveis". O sujeito passivo nada informou a respeito dos custos de cada laudo, tendo sido em razão dessa omissão, lavrado o AI DEBCAD 51.109.0979. Assim, a conclusão fiscal foi que o Sr. Valdir Vilela, presidente da ABEU, se utilizou, para atender a interesses particulares (avaliação de imóvel de sua propriedade), de serviços de avaliação de imóveis que foram custeados pelo contribuinte. Tal situação, verificada nas competências 06/2008, 07/2008, 08/2008, 03/2009, 04/2009 e 05/2009 (correspondentes aos meses de emissão das notas de serviços de avaliação pela TCA Tonelli), configura vantagem indireta a dirigente/administrador de natureza remuneratória (fato gerador de contribuições previdenciárias) e também representa o descumprimento de requisito para fruição de isenção previsto na Lei nº. 8.212/91, art. 55, inciso IV. Foram juntadas aos autos cópias de algumas notas fiscais emitidas contra o contribuinte por esses serviços (fls. 1326/1331). Fl. 1979DF CARF MF Processo nº 15563.720216/201239 Acórdão n.º 2401004.614 S2C4T1 Fl. 1.975 11 f) Utilização, para fins particulares, de veículo do contribuinte Intimado a apresentar as apólices de seguro referentes aos registros contábeis efetuados na conta “Seguros a vencer” e relativas diversos veículos, dentre os quais, o de placa LAX 6855 (conforme descritivo de fl. 194), o contribuinte apresentou a apólice de seguros nº 531.02.363.1837 (fls. 1.396/1.403) na qual constam a marca e o modelo do veículo e a finalidade do veículo: Mercedez Benz C280 Elegance 2.8 L6, ano 1995, placa LAX 6855, uso particular. Também constam no questionário de risco, contido na apólice, informações sobre o condutor e sobre a utilização do veículo, quais sejam: que o principal condutor é o Sr. Valdir Vilela, que o veículo não é utilizado como meio de transporte para o trabalho ou estudo, e que fica na garagem da residência do condutor. Pela análise dos lançamentos contábeis efetuados na conta Seguros, código 3408, verificouse a apropriação de despesas com seguros relativas ao veículo LAX 6855 durante todo o período fiscalizado. Constatouse que o veículo de propriedade do contribuinte ficou a disposição do Sr. Valdir Vilela, presidente da instituição, para uso particular durante todo o período fiscalizado. Concluise, que tal fato caracteriza remuneração in natura (fato gerador de contribuição previdenciária) e que ocorreu descumprimento de um dos requisitos para gozo de isenção das contribuições previdenciárias previsto na Lei nº 8.212/1991, artigo 55, inciso IV, na MP nº 446/2008, artigo 28, inciso II e na Lei nº 12.101/2009, artigo 29, inciso I. Foi juntado aos autos a cotação obtida na tabela FIPE (fl. 1.407) e a simulação efetuada no sítio na internet na empresa locadora de veículos Unidas que serviu para identificação do valor de locação de veículo modelo “econômico” (fl. 1.408). g) Utilização de interposta pessoa jurídica por gestores/integrantes do Conselho Técnico da ABEU a fim de auferir valores superiores de remuneração Segundo o Relatório Fiscal, após verificado com base nas informações prestadas em DIRF, que o contribuinte, mesmo intimado não havia apresentados todos os contratos e notas fiscais de prestação de serviços no período, foi realizada a intimação por meio do TIF nº. 02, a apresentar todos os contratos/notas fiscais/faturas e laudos relativos à prestação de serviços, dentre os quais, os referentes à empresa Parc Consultoria Empresaria Ltda., CNPJ nº 09.182.971/000174. Em relação a essa sociedade teriam sido identificados pagamentos efetuados pela ABEU no montante de R$ 474.256,67, em 2008, R$ 410.674,92, em 2009. O contribuinte apresentou o contrato de prestação de serviços (fls. 999/1011) e parte das notas fiscais. No dia 17/7/2012, por meio do TIF nº 08, o sujeito passivo foi novamente intimado a apresentar os laudos/relatórios produzidos pela Parc Consultoria que comprovassem a efetividade dos serviços prestados e a esclarecer a contabilização de nota de número 24 emitida por essa empresa. Com relação a essa nota fiscal, teria havido o registro incorreto de uma operação que nunca existiu, o que acarretaria, também, na inexistência de despesa referente à indenização judicial cível no valor de R$ 25.727,71 que foi a contrapartida de parte do lançamento como despesa de consultoria. A Nota fiscal de nº 024 tem o valor de face de R$ 8.026,56. Fl. 1980DF CARF MF 12 O contribuinte informou genericamente que, conforme contrato, essa empresa teria atuado em várias campanhas de marketing e solicitou (em 5/8/2012) a prorrogação de prazo para prestar os esclarecimentos acerca da contabilização na nota fiscal nº 24. Como o pedido de esclarecimentos e de apresentação de documentos efetuados por meio do TIF nº 08 não foi atendido, tal pedido foi reiterado por meio do TIF nº 09, de 13/8/2012. Em 20/8/2012, o contribuinte solicitou nova dilação de prazo e em 5/9/2012, manifestouse limitandose a repetir os esclarecimentos prestados em 5/8/2012 e aduzindo, com relação ao lançamento contábil relativo à contabilização da nota fiscal nº 24 por valor superior àquele constante no documento, que não teria conseguido identificar o motivo “da aparente duplicidade”, solicitando mais prazo. Assim, como o prazo para apresentação de documentos e esclarecimentos transcorreu sem o atendimento da intimação, o contribuinte foi autuado por meio do AI DEBCAD 51.019.0979 (AI CFL 35). Por meio de consultas aos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB (cópia impressa à fl. 1.270) foi verificado que a Parc Consultoria iniciou suas atividades em 31/10/2007 e tinha como sede o local situado na Rua Marechal Floriano Peixoto, 1.480, sala 327. Porém, verificouse que nesse endereço não havia o desenvolvimento de atividades dessa empresa. Foi encontrada apenas uma empregado do escritório de contabilidade, que, segundo ele, era responsável pela contabilidade da Parc Consultoria. Por essa razão, a intimação para diligência realizada nessa sociedade foi enviada para o endereço de um dos sócios da Parc, o Sr. Antônio Carlos de Santana Costa. Intimada, a Parc Consultoria apresentou contrato social e 1ª alteração contratual, Livro Razão, Talonário de notas fiscais emitidas em 2008 e 2009 e contrato de prestação de serviço com o contribuinte (fls. 1001/1017 e fls. 1088/1261). Pela análise desses documentos constatouse que a sociedade prestou serviços apenas para o contribuinte. Não restou comprovada a efetiva prestação de serviços por essa pessoa jurídica. Além disso, pelo fato de não terem sido apresentados os extratos bancários (pois apesar de ter movimentado R$ 708.659,51 em 2008 e R$ 306.087,08 em 2009 foi informado conforme documento de fl. 1.266 que a Parc não possuía conta em instituição financeira) não foi possível identificar a efetividade dos ingressos financeiros e as suas aplicações no empreendimento. Por meio dessa diligência constatouse que o quadro societário da Parc Consultoria, compôsse de exempregados da ABEU, conforme segue: Carlos Alberto de Oliveira, sócio administrador desde 31/10/2007 (readmitido em 1/4/2009), Paulo Roberto de Menezes Chaves, sócio administrador desde 31/10/2007 (readmitido em 1/6/2009), Antônio Carlos de Santana Costa, sócio administrador de 31/10/2007 a 21/7/2010 (readmitido em 1/4/2009, demitido em 1/3/2012 e novamente readmitido em 2/4/2012), e Célio de Oliveira Duarte, sócio administrador de 31/10/2007 a 21/7/2010 (integrante do quadro de empregados durante todo o período fiscalizado). Constatouse, ainda, que com exceção de Célio de Oliveira Duarte, os demais sócios voltaram a ser empregados da ABEU em 2009. Nos arquivos digitais, apresentados pelo contribuinte, relativamente ao período fiscalizado, consta que: de 04/2009 a 12/2009, o Sr. Antônio Carlos de Santana Costa foi remunerado como gestor do Campus 1, na Coordenação Administrativa; de 04/2009 a 12/2009, o Sr. Carlos Alberto de Oliveira foi remunerado como Gerente de Marketing na Assessoria de Comunicação; e de 06/2009 a 12/2009, o Sr. Paulo Roberto de Menezes Chaves foi remunerado como próreitor. Verificouse que o contador da sociedade Parc Consultoria, Arlindo de Oliveira Freitas, possui vínculo empregatício com o contribuinte, como Coordenador de Curso Superior, e foi remunerado como tal de 01/2008 a 06/2009; que houve o pagamento, registrado Fl. 1981DF CARF MF Processo nº 15563.720216/201239 Acórdão n.º 2401004.614 S2C4T1 Fl. 1.976 13 na contabilidade e declarado por meio de GFIP, de remuneração efetuada em 05/2009 no valor de R$ 10.384,02 a Paulo Roberto de Menezes Chaves como contribuinte individual; que tal consultoria foi remunerada exclusivamente pelo contribuinte (por meio de análise das DIRF da Parc); e que todos os rendimentos de pessoas físicas, declarados por ela somente se referem a pagamentos efetuados aos sócios. Por meio de pesquisa na internet localizouse o Jornal Conexão Uniabeu (cópia impressa às fls. 987/998) referente aos meses de julho e agosto de 2008 que relacionam ocupantes de cargo estratégico da ABEU, dentre eles, figuram os sócios da Parc, Antônio Carlos de Santana Costa, Carlos Alberto de Oliveira e Paulo Roberto de Menezes Chaves. Analisandose os registros contábeis do contribuinte identificouse a ocorrência de ressarcimentos de despesas a Paulo Roberto de Menezes Chaves, tendo sido elaborado o quadro às fls. 131/132 do relatório fiscal, discriminando esses lançamentos contábeis. Ao verificarse, por amostragem, os documentos de caixa do mês de 11/2008 (que continham comprovantes de despesas contabilizadas em 14/11/2008) constatouse que no documento de prestação de contas o Sr. Paulo Roberto Menezes Chaves se identifica (por meio de carimbo) e assina como próreitor de relações institucionais e que quase a totalidade dessas despesas é lançada em centro de custo específico da próreitoria. Em nota fiscal, emitida pelo Hotel Accor Brasil S. A. (fl. 1.022) contra o contribuinte, consta, como endereço eletrônico institucional registrado, àquele pertencente ao Sr. Paulo Roberto de Menezes Chaves (pmrc@abeu.com.br). O Sr. Paulo Roberto de Menezes Chaves foi responsável pelo relatório de atividades da ABEU apresentado à RFB em 30/4/2009. Em relação aos demais sócios da Parc Consultoria, foram identificados documentos de caixa nos quais constam rubricas/assinaturas e carimbos como fito de convalidar as operações efetuadas pela ABEU. Foi elaborado um quadro, às fl. 132/133, no qual constam algumas despesas realizadas pelo contribuinte relativas ao fornecimento de materiais, energia elétrica, água e com telefonia em que se verificou a atuação de Célio de Oliveira Duarte, Carlos Alberto de Oliveira e Antônio Carlos de Santana Costa. Analisandose as notas fiscais emitidas pela Parc contra o contribuinte percebeuse existir uma constância nos valores faturados, sendo de R$54.512,26 até 04/2009 e de R$ 9.782,00 a partir de 05/2009. A redução nos valores faturados guarda relação com a readmissão dos sócios da Parc nos quadros do contribuinte. Constatase que houve nos pagamentos nos meses de 11/2008, 12/2008 e 12/2009 um acréscimo dos valores habituais que corresponderia ao valor de mais de um mês de serviço a semelhança de pagamento de 13º salário. Somente houve variações nos valores de despesas com Parc no mês de 01/2008, em face da contabilização de despesa sem lastro (já que a nota nº 024 emitida pela Parc referida no registro contábil não alcança a quantia faturada), e nos meses de 06/2008 e 08/2008 já que a nota fiscal nº 66, emitida em 08/2008, foi contabilizada, equivocadamente, em 06/2008. Além disso, os valores pagos não guardam relação com os devidos conforme contrato firmado em 1/10/2007 (data anterior ao registro da Parc na JUCERJA, que ocorreu em 31/10/2007), cuja cláusula 4ª prevê o pagamento de R$ 32.000,00, no dia 10 de cada mês, sendo esse valor reajustado com base no índice INPC acumulado de março a fevereiro do ano subsequente. O objeto contratual é genérico: prestação de serviços e divulgação e apoio a eventos educacionais. Fl. 1982DF CARF MF 14 Em função de todos esses fatos e tendo em vista que o contribuinte não conseguiu comprovar a efetividade dos serviços prestados pela pessoa jurídica Parc Consultoria, concluise que a prestação de serviços se deu pelos integrantes do quadro societário dessa sociedade e que o contrato firmado entre o contribuinte e essa empresa buscou apenas formalizar uma situação que não existia. Além disso, pelo fato dos sócios da Parc, durante o todo período fiscalizado, terem prestado serviços de forma pessoal, habitual, subordinada à ABEU e com onerosidade, considerouse que eles atuaram, em relação à ABEU, como segurados empregados. Tais circunstâncias também demonstram a utilização de interposta pessoa com o fito de ocultar a remuneração de segurados empregados. No estatuto social da ABEU consta como um dos órgãos da instituição,o Conselho Técnico, composto por pessoas indicadas pelo presidente, cujas atribuições estão indicadas no mesmo instrumento (artigo 46). Intimada a informar quem eram, durante o período fiscalizado, os integrantes desse conselho, a ABEU apresentou a Portaria GP nº 04/2008 pela qual foram nomeados os conselheiros. Consta ainda nessa portaria, artigo 4º, que tal função não deve ser remunerada. Dentre os conselheiros nomeados estão Paulo Roberto de Menezes Chaves e Antônio Carlos de Santana Costa. Formalmente, a partir de 04/2009, o conselheiro Antônio Carlos de Santana Costa também passou a integrar o quadro de empregados do contribuinte e o conselheiro Paulo Roberto de Menezes Chaves foi remunerado como autônomo em 05/2009 e retornou ao quadro de empregados da ABEU em 06/2009. Constatouse, com base nas folhas de pagamento apresentadas, que durante todo o período fiscalizado, os sócios da Parc Consultoria ABEU, não conselheiros, ocuparam cargos/funções na ABEU. Os conselheiros prestaram serviços, como se viu, durante parte do período fiscalizado, com interposição de pessoa jurídica. Foi elaborado demonstrativo (fl. 140) evidenciado a remuneração efetiva dos segurados apurada (coluna opção utilizada pela ABEU), considerandose os valores pagos em folha de pagamento e os valores pagos que foram formalizados por meio de emissão de nota fiscal de serviços da Parc Consultoria. Nesse demonstrativo consta, ainda, a comparação entre opção remuneratória dos segurados sócios da Parc, efetivamente adotada pela ABEU (remuneração por meio de formalização da prestação de serviços da pessoa jurídica Parc Consultoria) e os valores de remuneração totais, caso não houvesse a formalização da prestação de serviços com a utilização de pessoa jurídica. Constatouse que com a utilização da Parc Consultoria, os segurados que integram essa sociedade, dentre os quais os conselheiros Antônio Carlos de Santana Costa e Antônio Carlos de Santana Costa, auferiram remuneração superior àquela contida nas folhas de pagamento. Para a fiscalização, tal situação configura o descumprimento de requisito para o gozo de isenção das contribuições previdenciárias previsto na Lei nº 8.212/1991, artigo 55, inciso IV, na MP nº 446/2008, artigo 28, inciso II e na Lei nº 12.101/2009, artigo 29, inciso I. h) Valores pagos a cooperativas de trabalho não declarados em GFIP Alega a fiscalização ter sido constatado, por meio das DIRFs que o sujeito passivo efetuou pagamentos a cooperativas de trabalho. Solicitada a apresentação dos contratos e das notas fiscais de cooperativas que lhe prestaram serviços, foram apresentados os documentos referentes à Unimed Nova Iguaçu Cooperativa de Trabalhos Médicos Ltda. e Uniodonto Nova Iguaçu. Assim, constatou a fiscalização que não foram declarados valores pagos a cooperativas de trabalho, o que representaria descumprimento de obrigação acessória Fl. 1983DF CARF MF Processo nº 15563.720216/201239 Acórdão n.º 2401004.614 S2C4T1 Fl. 1.977 15 estabelecida na Lei nº 8.212/1991, artigo 32, inciso IV, § 5º, combinado com o disposto no RPS, artigo 225, inciso IV, § 4º. Ainda, entendeu o AFRFB que o desatendimento de obrigação acessória (como no caso) representa o desatendimento de um dos requisitos para o gozo de isenção previsto na MP nº 446/2008, artigo 28, inciso XI (vigente de 10/11/2008 a 11/2/2009) e na Lei nº 12.101/2009, artigo 29, inciso VII (vigente a partir de 30/11/2009). i) Glosa de Bolsa Capacitação A fiscalização verificou nas folhas de pagamento a realização de pagamentos sob a rubrica "bolsa capacitação" que não foram considerados como salário contribuição. A ABEU foi intimada a esclarecer a natureza jurídica dessa rubrica, quem foram seus beneficiários e os critérios para seu pagamento. Em resposta o contribuinte apresentou a Portaria nº 200, de 2/2/2008 e um relatório com os beneficiários/valores das bolsas de 07/2008 a 12/2009. Conforme contido no artigo 1º, essa Portaria criou o Proape, que tem por objetivo fomentar a produção científica, tecnológica e as atividades de extensão universitárias docentes e discentes. No artigo 4º consta que para cada projeto aprovado, com parecer favorável pela instituição, será concedida uma bolsa no valor de R$ 1.500,00 referente à carga horária de trinta horas semanais para o desenvolvimento das atividades propostas. Para a fiscalização, como a bolsa conferida a docentes não se refere à educação profissional ou tecnológica e nem visa à educação básica dos empregados nos termos da Lei nº 9.394/1996 e sim remunerar o professor pelo acompanhamento extra dos projetos a serem desenvolvidos pelos alunos, concluise que tal valor, por ter natureza de contraprestação dependente de carga horária trabalhada, é fato gerador de contribuições previdenciárias e para outras entidades e fundos. Os valores de bolsas de capacitação consideradas e os respectivos beneficiários estão indicados no demonstrativo “Planilha valores pagos a título de bolsa capacitação” (fls. 159/173 e fls. 832/846). j) Glosa de SalárioFamília Foram também lançados valores referentes à glosa de saláriofamília pago a maior. Cientificado por meio de demonstrativo juntado aos TIF nº 01 e nº 08, dos casos de saláriofamília pagos a maior, o contribuinte apresentou documentos e esclarecimentos que, depois de confrontados com as folhas de pagamento, resultaram na elaboração de outro demonstrativo denominado “Glosa de saláriofamília” (fls. 176/186) que indica, por trabalhador, o motivo da glosa. i) Descumprimento de obrigação acessória DEBCAD 51.031.7685 CFL 34 Nos termos do relatório fiscal (itens 10, 11, 15, 37 e 39), por meio da análise da contabilidade do contribuinte, o AFRFB constatou que a remuneração dos segurados empregados e dos contribuintes individuais não foram registrados em títulos próprios de sua contabilidade (arrendamento do Sr. Valdir Vilela; remuneração de pessoas físicas sócios da Parc Consultoria). Em decorrência dessa infração, foi aplicada a multa prevista na Lei nº 8.212/1991, artigos 92 e 102, combinado com o disposto no RPS, aprovado pelo Decreto nº Fl. 1984DF CARF MF 16 3.048/1999, artigo 283, inciso II, alínea “a” e artigo 373. Tendo sido o valor da multa atualizado de acordo com a Portaria MPS/MF nº 02, de 6/1/2012, publicada no DOU de 9/1/2012. j) Descumprimento de obrigação acessória DEBCAD 51.019.0979 CFL 35 Nos termos do relatório fiscal, o contribuinte deixou de atender diversas solicitações da fiscalização para esclarecimentos referentes a notas fiscais, contratos, relatórios, bem como com relação ao fornecimento de bolsas e critérios para sua concessão. Em decorrência dessa infração, foi aplicada a multa prevista na Lei nº 8.212/1991, artigos 92 e 102, combinado com o disposto no RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/1999, artigo 283, inciso II, alínea “b” e artigo 373. Tendo sido o valor da multa atualizado de acordo com a Portaria MPS/MF nº 02, de 6/1/2012, publicada no DOU de 9/1/2012. Intimado em 18/12/2013 (fl. 1789) do Acórdão nº. 0251.919 da 8ª Turma da DRJ/BHE (1727/1773), o contribuinte apresentou tempestivamente em 16/01/2014, via postal (fls. 1963/1964), o seu recurso voluntário (fls. 1797/1924), onde alega as razões a seguir reproduzidas, visando combater os fatos alegados pelo AFRFB no Relatório Fiscal de fls. 104/155. 1) Da imunidade tributária Defenda a imunidade tributária, seus fundamentos, finalidades. Afirma que a regulamentação da imunidade, nos termos que dispõe a CF, artigo 146, se dá pelo disposto nos artigos 9 e 14 do CTN. Apresenta considerações sobre o direito constitucional à educação, sobre o papel do Estado e a participação das entidades de assistência social para viabilização desse direito. Alega que promove assistência social prestando serviços de educação, concedendo bolsas de estudos integrais. Que não recebe doações ou subvenções, que aplica integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais, que aplica integralmente suas rendas e recursos no território nacional. Que não distribui lucros, dividendos, bonificações, participações ou parcelas do seu patrimônio sob alguma forma ou pretexto, que não recebem seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores, benfeitores ou equivalentes, remuneração, vantagens ou benefícios, por qualquer forma ou título, em razão das competências ou atividades que lhes são atribuídas pelo respectivo estatuto social, que mantém escrituração contábil formalizada de acordo com a legislação específica e como os princípios fundamentais da contabilidade. 2) Do direito adquirido ao gozo da isenção A recorrente goza de direito adquirido oriundo da declaração de isenção por atender os requisitos pretéritos sob o manto da Lei nº. 3.577/59. A não apresentação do requerimento prefalado não encontrase elencado nos incisos I, II, III, IV e V do art. 55 da Lei nº. 8.212/91 que disciplina os requisitos a serem observados. O § 1º do art. 55 da Lei nº. 8.212/91, revogado pela Lei nº. 12.101/2009, não recepcionou a exigência do requerimento de isenção à previdência social. Assim, aplicase a retroatividade benigna da norma conforme preceitua o art. 106 do CTN. Fl. 1985DF CARF MF Processo nº 15563.720216/201239 Acórdão n.º 2401004.614 S2C4T1 Fl. 1.978 17 Por ocasião do procedimento fiscal a recorrente encontravase legitimamente detentora do CEBAS em vigor e portanto em pleno gozo da imunidade tributária. Débitos anteriores, apontados como existentes, estavam submetidos ao REFIS a ensejar a conceituação de situação regular perante às contribuições previdenciárias, conforme se comprovou pelas CND´s acostadas aos autos. No período de 01/2008 a 12/2009 a recorrente não tinha débitos, uma vez que todos os débitos desde o exercício de 2007, bem como os encargos sociais, encontramse totalmente quitados. Os encargos previdenciários referentes ao período de 2005 a 2006 foram satisfatoriamente regularizados mediante o parcelamento enfocado a culminar com as Certidão Positiva com Efeitos de Negativa colacionada (fls. 1950/1951). Ainda, destaca a imunidade tributária concedida às entidades de ensino sem fins lucrativos de caráter beneficente e assistencial revestese de uma grande troca social: o contribuinte recebe a isenção, mas em contrapartida concede bolsas de estudo à universalidade de alunos carentes. O elemento nuclear, qual seja, as bolsas de ensino, foram integralmente cumpridas pela recorrente. Não foi encontrada qualquer irregularidade a respeito. Algumas e eventuais falhas de informações e registros, sem maiores significações, não podem dar azo a tão pesadas sanções. Pagarseão multa por alguns deslizes leves sem maiores consequências. 3) Dos valores pagos a título de arrendamento do Campus I e Campus 7 ao presidente Valdir Vilela Ficou cabalmente demonstrado a seguinte antítese: por mais de sesenta anos, a recorrente figura como locatário dos imóveis de propriedade de Valdir Vilela. Posteriormente, após os arrendamentos, a relação jurídica evoluiu para o contrato de direito de superfície a ensejar a transferência do direito de propriedade com todos os reflexos do cânon que não pode ser amalgamado com "vantagens ou benefícios a qualquer título". As vantagens auferidos por Valdir Vilela (proprietário) foram a título de legítima contraprestação pela concessão do direito de superfície à recorrente. Os valores (crédito/débito) sofrem as mutações constantes a título de ALugueis/Alugueis a Receber. 4) Da utilização para fins particulares dos serviços prestados pela TCA Tonelli Assessoria e Arquitetura Consiste no pagamento pelos serviços de avaliação de imóveis que foram objeto de atualização para efeitos patrimoniais, visando a lavratura de escritura pública com vistas à transferência das propriedades (direito de superfície). Quem recebeu os valores correspondentes obviamente foi aquela empresa. O dirigente Valdir Vilela que nada recebeu a respeito não pode alcançar qualquer tipo de vantagens, se essas, ao reverso, foram obtidas exclusivamente pela ABEU. 5) Da utilização para fins particulares de veículo da ABEU Fl. 1986DF CARF MF 18 Não é verdadeira a firmação da fiscalização de que o Sr. Valdir Vilela é o principal condutor. O condutor do veículo é motorista profissional, funcionário da recorrente. O veículo é utilizado para transporte de diretores, professores, autoridades, palestrantes, conferencistas, congressistas, líderes políticos e, sobretudo, para a locomoção de fiscais do MEC que se deslocam funcionalmente de longínquas localidades até a Baixada Fluminense para vistoria, exame, visitas técnicas, entre outros que se operam comumente in loco em todos os campus do centro universitário por meio de comissão técnica do MEC. A declaração do principal condutor, constante da apólice de seguro, devese ao fato da redução do prêmio em virtude do perfil do responsável maior. É óbvio que a apólice reclama a designação de uma das pessoas que irá utilizar o veículo. Não pode recair sobre terceiros ou usuários de hierarquia inferior a da presidência da instituição conforme se configura lógico. A recorrente possui personalidade jurídica abstrata. É uma ficção jurídica. Ela não conduz veículos. 6) Da utilização de interposta pessoa jurídica por gestores/integrantes do conselho técnico da ABEU Foi comprovada a relação jurídica entre PARC e ABEU, mediante contrato social, contrato de locação, notas fiscais emitidas etc. Os sócios da prestadora de serviços específicos de marketing também são empregados da recorrente ao exercerem funções outras (gestão de unidade de ensino, pró reitoria, gerência de marketing). Os sócios da Parc e outros profissionais técnicos integram o Conselho Técnico da ABEU, sem qualquer remuneração pertinente conforme constatado pela própria auditoria fiscal. Entre os sócios da Parc e o Conselho Técnico não existem dirigentes, diretores, conselheiros, sócios, instituidores etc. A questão da simulação (art. 9º da CLT) somente poderá ser dirimida na esfera especializada judicial trabalhista, conforme competência material prevista na Constituição Federal. Há absoluta ausência de dirigentes porquanto atuaram pessoas envolvidas na qualidade de empregados; sócios da Parc e conselheiros integrantes do Conselho Técnico que não recebem remunerações correspondentes, são condições que não acarretam qualquer violação ao requisito previsto no artigo 5, IV, da Lei nº. 8.212/91. 7) Dos valores pagos às Cooperativas de trabalho Os valores foram efetivamente pagos e, portanto, a não informação em GFIP, infringência de obrigação acessória, não pode ser migrada para a obrigação principal inexistente. Tal fato não se enquadra em momento algum em "vantagens ou benefícios a qualquer título" a diretores, conselheiros etc. Os tributos pertinentes foram satisfeitos pelos pagamentos. 8) Da bolsa capacitação A bolsa de capacitação profissional concedida aos docentes se corresponde à salário ou não cingese no âmbito do direito do trabalho e não pode ter repercussão sob Fl. 1987DF CARF MF Processo nº 15563.720216/201239 Acórdão n.º 2401004.614 S2C4T1 Fl. 1.979 19 qualquer pretexto envolvendo descumprimento do inciso IV da Lei nº. 8.212/91, até porque professores favorecidos não são dirigentes. A bolsa capacitação sob exame não tem natureza salarial e por isso não podia ser incluída na base de cálculo para fins de contribuição social, não sendo informada na GFIP por isso. Não se trata na espécie de salário in natura como deixa entrever a fiscalização, haja vista que os valores pagos a tais títulos tem o condão de contribuir com a formação profissional do docente. 9) Do saláriofamília A recorrente informou à fiscalização que quando o empregado tem seu labor em duas ou mais unidades para efeito de salário família devem ser somadas, visando aferir a base de cálculo. Inexistente cogitarse sobre lançamentos de diferenças pagas a maior a tal título. Assim sendo, a recorrente tivera cautela de promover o pagamento do salário família na unidade onde a remuneração atingia o valor legal, sem qualquer acréscimo, pois por intuitivo a recorrente não estaria desfrutando de qualquer vantagem. Quanto aos valores glosados, é a própria auditoria, ao admitir que o pagamento respectivo se efetivou na unidade quando atingia o valor legal e assim não há que ser mantidos os valores referentes a salário família glosados. É o relatório. Fl. 1988DF CARF MF 20 Voto Vencido Conselheiro Carlos Alexandre Tortato Relator Admissibilidade O recurso voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade. Mérito 1. Do Gozo da Isenção e/ou Imunidade Tributária (vigência do art. 55 da Lei nº. 8.212/91; da MP 446/2008 e da Lei nº. 8.212/91) O presente lançamento reportase aos fatos geradores que abrangem as competências de 01/2009 a 13/2009, assim, os requisitos e condições para o gozo da isenção são disciplinados pelos instrumentos legais conforme já mencionado pela fiscalização no seu TVF, sendo esse o mesmo critério a ser utilizado no presente voto: Lei nº 8.212/1991 (aplicável em relação às competências de 01/2008 a 10/2008 e de 02/2009 a 10/2009), MP nº 446/2008 (aplicável em relação às competências de 11/2008 a 01/2009) e Lei nº. 12.101/2009 (aplicável às competências a partir de 11/2009). A Lei nº. 8.212/91, com vigência entre 25/07/1991 a 09/11/2008 e de 12/02/2009 a 29/11/2009, cuja redação é a seguinte: Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: [...] IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; [...] § 1º Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. [...] §6 A inexistência de débitos em relação às contribuições sociais é condição necessária ao deferimento e à manutenção da isenção de que trata este artigo, em observância ao disposto no § 3º do art. 195 da Constituição. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.18713, de 2001). (grifo nosso) Já a MP 446/2008 teve sua vigência em relação ao período de 10/11/2008 a 11/02/2009), e possuía a seguinte redação: Fl. 1989DF CARF MF Processo nº 15563.720216/201239 Acórdão n.º 2401004.614 S2C4T1 Fl. 1.980 21 Art. 28. A entidade beneficente certificada na forma do Capítulo II fará jus à isenção do pagamento das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, desde que atenda, cumulativamente, aos seguintes requisitos: [...] II não percebam, seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração, vantagens ou benefícios, direta ou indiretamente, por qualquer forma ou título, em razão das competências, funções ou atividades que lhes sejam atribuídas pelos respectivos atos constitutivos; [...] VI apresente certidão negativa ou certidão positiva com efeito de negativa de débitos relativos aos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e à dívida ativa da União, certificado de regularidade do Fundo de Garantia do Tempo de ServiçoFGTS e de regularidade em face do Cadastro Informativo de Créditos não Quitados do Setor Público Federal CADIN; [...] XI cumpra as obrigações acessórias estabelecidas na legislação tributária; e [...] Art. 30 O direito à isenção das contribuições sociais poderá ser exercido pela entidade a contar da data da sua certificação pela autoridade competente, desde que atendidas as disposições da Seção I deste Capítulo. (grifo nosso) Art.31. Constatado o descumprimento pela entidade dos requisitos indicados na Seção I deste Capítulo, a fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil lavrará o auto de infração relativo ao período correspondente e relatará os fatos que demonstram o nãoatendimento de tais requisitos para o gozo da isenção. §1º O lançamento terá como termo inicial a data da ocorrência da infração que lhe deu causa. (grifo nosso) E a Lei nº. 12.101/2009 passou a vigorar com a seguinte redação: Art. 29. A entidade beneficente certificada na forma do Capítulo II fará jus à isenção do pagamento das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, desde que atenda, cumulativamente, aos seguintes requisitos: I não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração, vantagens ou benefícios, direta ou indiretamente, por qualquer forma ou título, em razão das competências, funções ou atividades que lhes sejam atribuídas pelos respectivos atos constitutivos; Fl. 1990DF CARF MF 22 [..] III apresente certidão negativa ou certidão positiva com efeito de negativa de débitos relativos aos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e certificado de regularidade do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço FGTS; [...] VII cumpra as obrigações acessórias estabelecidas na legislação tributária; Art. 31. O direito à isenção das contribuições sociais poderá ser exercido pela entidade a contar da data da publicação da concessão de sua certificação, desde que atendido o disposto na Seção I deste Capítulo. Art. 32. Constatado o descumprimento pela entidade dos requisitos indicados na Seção I deste Capítulo, a fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil lavrará o auto de infração relativo ao período correspondente e relatará os fatos que demonstram o não atendimento de tais requisitos para o gozo da isenção. § 1o Considerarseá automaticamente suspenso o direito à isenção das contribuições referidas no art. 31 durante o período em que se constatar o descumprimento de requisito na forma deste artigo, devendo o lançamento correspondente ter como termo inicial a data da ocorrência da infração que lhe deu causa. Assim, pela análise preliminar da legislação vigente, teríamos que em relação ao período de 01/2009 a 13/2009, a entidade não seria isenta por sua própria natureza, mesmo que atendesse aos requisitos do artigo 55 da Lei nº. 8.212/91, 28 da MP 446/2008 e 29 e seguintes da Lei nº. 12.101/2009. O regramento vigente no art. 55 da Lei nº. 8.212/91 exigia que a entidade além de cumprir os requisitos, fizesse requerimento expresso para ser atestada tal condição, sendo que, se deferido, produziria efeitos a partir da data do protocolo do pedido. Segundo a recorrente, para todos os períodos abrangidos pelos dispositivos supracitados, bastaria ser entidade beneficente de assistência social para não sofrer a incidência das contribuições previdenciárias por força da disposição constitucional (CF art. 146). Também, pela disposição do artigo 14 do CTN, também já lhe estaria conferida referida condição. Nesse ponto, a análise dos argumentos apresentados pelo recorrente merece ser divida em três subtópicos, quais sejam: da sua condição de imune/isenta por expressa disposição constitucional; da exigência do requisito de requerimento de gozo da isenção (§ 1º do art. 55 da Lei nº. 8.212/91) e do direito adquirido ao gozo da isenção por força do Decreto Lei nº. 1.572/77. Vejamos. 1.1. Da imunidade/isenção por disposição constitucional A Constituição Federal dispõe acerca da imunidade das contribuições para a seguridade social, nos termos do § 7º do art. 195 da Constituição Federal: Fl. 1991DF CARF MF Processo nº 15563.720216/201239 Acórdão n.º 2401004.614 S2C4T1 Fl. 1.981 23 Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: (...) § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. (grifei) Em que pese o texto se utilizar do termo "isenção", não há maiores discussões quanto a verdadeira natureza de imunidade do comando constitucional. Todavia, ainda que por se tratar de imunidade, não significa que haja inconstitucionalidade (do próprio texto constitucional) por sr incumbido à lei a tarefa de detalhar os requisitos a serem atendidos pelas entidades beneficentes de assistência social a fim de usufruírem do benefício. Assim, dado o comando do legislador constituinte, cabe sim ao legislador infraconstitucional dispor acerca das regras e requisitos para tal fruição, como mencionado. E, eventuais discussões acerca da medida legal cabível para tal (se lei complementar, lei ordinária) não têm o condão de produzir efeitos no presente processo administrativo, ao passo que é defeso a este Conselho, afastar a aplicação ou deixar de observar lei sob o fundamento de inconstitucionalidade, como pleiteia o recorrente em seu recurso voluntário. Eis a redação da Súmula CARF nº. 02: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. E, destaquese, ainda, que o próprio Supremo Tribunal Federal, no julgamento do Recurso Extraordinário nº. 636.941/RS, sob relatoria do Ministro Luiz Fux, julgado na sistemática da repercussão geral (art. 543B do CPC vigente à época) reafirmou o entendimento daquela Corte constitucional no sentido de que lei ordinária pode regulamentar os requisitos formais sobre a constituição e o funcionamento das entidades que postulem usufruir da imunidade prevista no § 7º do art. 195 da CF. Para melhor didática, eis o excerto do referido acórdão: 15. A Suprema Corte, guardiã da Constituição Federal, indicia que somente se exige lei complementar para a definição dos seus limites objetivos (materiais), e não para a fixação das normas de constituição e de funcionamento das entidades imunes (aspectos formais ou subjetivos), os quais podem ser veiculados por lei ordinária, como sois ocorrer com o art. 55, da Lei nº 8.212/91, que pode estabelecer requisitos formais para o gozo da imunidade sem caracterizar ofensa ao art. 146, II, da Constituição Federal, ex vi dos incisos I e II, verbis: Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda Fl. 1992DF CARF MF 24 aos seguintes requisitos cumulativamente: (Revogado pela Lei nº 12.101, de 2009) I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; (Revogado pela Lei nº 12.101, de 2009); II seja portadora do Certificado e do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; (Redação dada pela Lei nº 9.429, de 26.12.1996). (grifei) Assim, rejeito as alegações trazidas no recurso voluntário de que a condição de isenção/imunidade do recorrente adviria diretamente do texto constitucional sendo, assim, necessário sim o atendimento aos requisitos e condições estabelecidos pelo legislador ordinário. 1.2. Da exigência do § 1º do art. 55 da Lei n. 8.212/91 Nos termos do entendimento do AFRFB, a recorrente não faria jus a isenção por (dentre outros motivos) não ter apresentado requerimento do gozo de isenção nos termos do § 1º do art. 55 da Lei nº. 8.212/91. Primeiramente, importante destacar que referida exigência fora revogada quando da promulgação da Lei nº. 12.101/2009, que data de 30/11/2009, e o presente processo administrativo fiscal ofereceu ciência ao contribuinte das autuações já no anocalendário de 2012 (portanto, na vigência da Lei nº. 12.101/2009). A Lei nº. 12.101/2009 revogou a disposição do § 1º do art. 55 da Lei nº. 8.212/91, não sendo mais exigível para as entidades de assistência social, por exemplo, que realizassem um requerimento de pedido de isenção ao INSS. No presente caso, como reconhecido pelo próprio AFRFB, a recorrente apresentou o CEBAS Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social concedido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, porém não atendeu a já mencionada exigência do § 1º do art. 55 da Lei nº. 8.212/91. Como já mencionado anteriormente, a autoridade fiscal justificou a presente autuação com base nos dispositivos legais vigentes à época dos fatos geradores abrangidos no presente lançamento. Todavia, entendo que, na análise da exigência específica, importante a observância do disposto no art. 106, II, do CTN: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.(grifamos) No presente caso, o § 1º do art. 55 exigia a formalidade de que só poderiam gozar do benefício da isenção quem protocolasse requerimento com essa pretensão junto ao INSS. Fl. 1993DF CARF MF Processo nº 15563.720216/201239 Acórdão n.º 2401004.614 S2C4T1 Fl. 1.982 25 Posteriormente, tal dispositivo fora revogado, sendo inconteste que a novel legislação apresentavase mais favorável ao contribuinte, ainda que ocorridos fatos geradores na vigência da lei revogada, devendo assim ser aplicada a retroatividade benigna da nova normal. Ressaltese que a Lei nº. 12.101/2009 revogou a exigência do requerimento específico, entendolhe absolutamente dispensável, sem contudo alterar ou revogar outras exigências que continuaram previstas. Simplesmente revogouse a exigência do § 1º do art. 55 e esta não fora substituída por nenhuma outra. Assim, entendo que não deverá ser imputada à recorrente a impossibilidade do gozo de isenção por infração ao disposto no § 1º do art. 55 da Lei nº. 8.212/91, posto que esta encontravase revogada quando da lavratura dos presentes autos de infração. No mesmo sentido, demonstro o entendimento de turmas julgadoras deste Conselho, em julgados realizados pelo voto da maioria, onde restaram vencidos somente o relator em cada um dos casos abaixo relacionados: CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. ISENÇÃO. NÃO APRESENTAÇÃO DE ATO DECLARATÓRIO DE ISENÇÃO JUNTO AO INSS NOS TERMOS DO § 1° DO ART. 55 DA LEI 8.212/1991. A Recorrente foi autuada sob o fundamento de que, apesar de reconhecidamente de natureza filantrópica, não atendeu a formalidade prevista no § 1° do art. 55 da Lei 8.212/1991, segundo a qual a entidade deveria protocolar pedido de isenção junto ao INSS, a ser apreciado em 30 (trinta) dias e, somente a partir do deferimento, estaria alcançada pela isenção. DISPOSITIVO REVOGADO À ÉPOCA DA AUTUAÇÃO. APLICAÇÃO DO ART. 106, II, DO CTN. RETROATIVIDADE DE NORMA SE MAIS BENÉFICA AO CONTRIBUINTE. O art. 55 da Lei 8.212/1991, à época da autuação, já se encontrava revogado pela Lei 12.101/2009. A partir da revogação e com a nova redação dada à matéria em questão, passouse a desconsiderar a indispensabilidade do requerimento previsto pelo §1°. Apesar de a autoridade fiscal ter justificado a autuação por terem os fatos geradores ocorrido quando da vigência do dispositivo, patente a observância do quanto disposto no art. 106, II, do Código Tributário Nacional (CTN). Uma vez revogado o §1° do art. 55 da Lei 8.212/1991, ainda que ocorridos supostos fatos geradores quando de sua vigência, se a nova disposição legal for mais favorável ao contribuinte, possível a aplicação retroativa da nova norma. Portanto, ante a inexistência na norma vigente de previsão que imponha procedimento de formalidade junto ao INSS para fins de gozo da isenção, aplicase ao caso o quanto dispõe o art. 106, II, do CTN. (CARF, Acórdão nº. 2402004.672, 2ª T.O., 4ª Câm., 2ª Seção. Sessão de 11/03/2015. Red. designado Ronaldo de Lima Macedo) Fl. 1994DF CARF MF 26 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. ISENÇÃO. APRESENTAÇÃO DO CEBAS NÃO ACOMPANHADO DE ATO DECLARATÓRIO DE ISENÇÃO JUNTO AO INSS NOS TERMOS DO § 1° DO ART. 55 DA LEI N° 8.212/91. A Recorrente é entidade portadora do CEBAS Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social que sofreu autuação sob o fundamento de que, apesar de reconhecidamente de natureza filantrópica, não atendeu a formalidade prevista no § 1° do art. 55 da Lei n° 8.212/91, segundo a qual a entidade deveria protocolar pedido de isenção junto ao INSS, a ser apreciado em 30 (trinta) dias e, somente a partir do deferimento, estaria esta alcançada pela isenção. DISPOSITIVO REVOGADO À ÉPOCA DA AUTUAÇÃO. APLICAÇÃO DO ART. 106, II, DO CTN. RETROATIVIDADE DE NORMA SE MAIS BENÉFICA AO CONTRIBUINTE. O art. 55 da Lei n° 8.212/91, à época da autuação, já se encontrava revogado pela Lei n° 12.101/09. A partir da revogação e com a nova redação dada à matéria em questão, passouse a desconsiderar a indispensabilidade do requerimento previsto pelo §1°. Apesar de a autoridade fiscal ter justificado a autuação por terem os fatos geradores ocorrido quando da vigência do dispositivo, patente a observância do quanto disposto no art. 106, II, do Código Tributário Nacional. Uma vez revogado o dispositivo, ainda que ocorridos supostos fatos geradores quando de sua vigência, se a nova disposição legal for mais favorável ao contribuinte, possível a aplicação retroativa da nova norma. Portanto, ante a inexistência na norma vigente de previsão que imponha procedimento de formalidade junto ao INSS para fins de gozo da isenção, aplicase ao caso o quanto dispõe o art. 106, II, do CTN. CERTIFICADO DE ENTIDADE BENEFICENTE. ATO DECLARATÓRIO. EFEITO EX TUNC. Analisando a lógica imposta tanto pela previsão constitucional de imunidade quanto pela Lei n° 12.101/09, não se pode chegar a conclusão distinta daquela no sentido de que a concessão do CEBAS é ato meramente declaratório da condição da entidade e, em assim sendo, possua efeitos ex tunc. Neste sentido o Superior Tribunal de Justiça pacificou entendimento. Citese como exemplo o julgamento do REsp n° 768.889/DF, de relatoria do Min. Castro Meira. Assim, considerando o quanto disposto no art. 106, II, do Código Tributário Nacional, bem como os efeitos retroativos concedidos ao CEBAS, voto pelo conhecimento e provimento do Recurso Voluntário, para reconhecer que a entidade Recorrente encontravase alcançada pela imunidade/isenção de contribuições previdenciárias. (CARF, Acórdão nº. 2402 003.247, 2ª T.O., 4ª Câm., 2ª Seção. Sessão de 22/01/2013. Red. designado Thiago Taborda Simões) Assim, para o período de apuração abrangido pelos lançamentos do presente processo administrativo fiscal (01/01/2009 a 13/2009) sob vigência da Lei nº. 8.212/91, afasto o lançamento com fulcro na ausência de cumprimento do requisito do § 1º do art. 55 da referida lei, por força da retroatividade da Lei nº. 12.101/2009 c/c art. 106, II, do CTN. Em que pese o entendimento apresentado acima, esta r. turma julgadora entendeu de forma diversa, sendo o posicionamento vencedor o de que se exige, sim, a a Fl. 1995DF CARF MF Processo nº 15563.720216/201239 Acórdão n.º 2401004.614 S2C4T1 Fl. 1.983 27 requisição de isenção perante a Receita Federal do Brasil, nos termos do § 1º do art. 55 da Lei nº. 8.212/91, o qual poderia ser dispensado pelo entendimento deste relator, conforme razões acima. Dessa maneira, por força regimental, cabe a simples menção ao entendimento vencedor, já que para este, independentemente da apresentação ou não do requerimento de isenção, a mera dispensa deste por força da retroatividade da Lei nº. 12.101/2009 c/c art. 106, II, do CTN, não teria o condão de oferecer à recorrente o gozo da isenção ante o fato de serem vários os requisitos que devem ser cumpridos, de forma cumulativa. Portanto, em virtude do não cumprimento de outros requisitos, os quais serão apontados inclusive por este relator, entendeu a r. turma julgadora por afastar o entendimento apresentado no presente tópico, o qual não terá o condão de alterar o resultado do presente julgamento, nos termos do voto deste relator. 1.3. Do direito adquirido ao gozo da isenção A recorrente alega possuir direito adquirido, nos termos do DecretoLei nº. 1.572/1977 (DOU 01/09/1977), assim disposto: Art. 1º Fica revogada a Lei nº 3.577, de 4 de julho de 1959, que isenta da contribuição de previdência devida aos Institutos e Caixas de Aposentadoria e Pensões unificados no Instituto Nacional de Previdência Social INPS, as entidades de fins filantrópicos reconhecidas de utilidade pública, cujos diretores não percebam remuneração. § 1º A revogação a que se refere este artigo não prejudicará a instituição que tenha sido reconhecida como de utilidade pública pelo Governo Federal até à data da publicação deste Decreto lei, seja portadora de certificado de entidade de fins filantrópicos com validade por prazo indeterminado e esteja isenta daquela contribuição. (grifo nosso) A recorrente, e a própria fiscalização, reconhecem (fls. 849/851 e fl. 1.575) que a ABEU foi reconhecida como sendo de utilidade pública federal em 02/10/1981 (DOU 05/10/1981), ou seja, posterior a publicação do DecretoLei acima reproduzido. Nesse contexto, não há que se admitir o reconhecimento de isenção da recorrente por direito adquirido com base nas disposições do DecretoLei nº. 1.572/1977 (DOU 01/09/1977), posto que a recorrente teve o seu reconhecimento como entidade de Utilidade Pública Federal somente no ano de 1981, ou seja, posterior ao referido Decreto. 2. Da existência de débitos exigíveis e a ausência de CND ou CPDEN Nos termos da fiscalização, o contribuinte estaria em débito em todo o período fiscalizado, tendo reiteradamente indeferidos os pedidos de CND. As fls. 109/111 a fiscalização discriminou os motivos, os quais reproduzimos: Fl. 1996DF CARF MF 28 Fl. 1997DF CARF MF Processo nº 15563.720216/201239 Acórdão n.º 2401004.614 S2C4T1 Fl. 1.984 29 Assim, com base nas informações contidas, entendeu a fiscalização que estaria infringido o § 6º do art. 55 da Lei nº. 8.212/91, que exige a inexistência de débitos para manutenção da isenção. No tocante à MP 446/2008, estaria infringido o art. 28, VI, que exige a certidão negativa ou positiva com efeitos de negativa para fazer jus à isenção. Já na vigência da Lei nº. 12.101/2009, estaria infringido o disposto no art. 29, III, que exige para a isenção a apresentação de CND e CPDEN. A recorrente apresentou em sede de impugnação a CPDEN emitida em 14/10/2009, com validade até 12/04/2010 (fls. 1586/1587), a qual informa ser o contribuinte optante pelo Parcelamento da Lei nº. 11.941/2009. Ainda, constante nos autos, o pedido de CND 0005001/2009, de 16/03/3009 (fls. 1296/1300), apontava nesta data a existência de débitos que datavam de 01/2005 a 12/2008. Assim, resta inconteste que no período abrangido entre 01/2008 e 02/2009, a recorrente possuía débitos em aberto perante a RFB, já que o pedido de CND acima mencionado data de 03/2009., razão pela qual infringido o § 6º do art. 55 da Lei nº. 8.212/91, vigente no referido período. No tocante ao período do lançamento abrangido pela MP nº. 446/2008 (art. 28, VI, 30 e 31), referente a 11/2008 a 01/2009 e pela Lei nº. 12.101/2009 (art. 29, III, 31 e 32), referente a 11/2009 em diante, temse na vigência destas que o gozo da isenção/imunidade sujeitavase a obtenção de CND ou CPDEN. Fl. 1998DF CARF MF 30 Assim, a mencionada CPDEN apresentada (fls. 1586/1587) data de 14/10/2009, produzindo efeitos somente a períodos posteriores a sua emissão, ao passo que não tem o condão de atestar a inexistência de débitos referente a períodos superiores a 2 (dois) dias ao menos da data do seu pedido de emissão. De acordo com o conjunto probatório trazido aos autos pelo AFRFB, a CND (ou CPDEN) mais recente emitida anteriormente àquela datada de 14/10/2009 é a CND emitida em 21/01/2005, de nº. 001502005/17.022.010) Assim, não fora apresentada prova cabal da inexistência de débitos no período compreendido entre 01/2009 a 13/2009. O que alega o recorrente é que tal exigência seria requisito para a concessão de isenção, ao passo que faz jus à imunidade. Todavia, conforme se infere dos documentos de fls. 1278/1322, a recorrente possuía sim débitos em aberto no período abrangido pelo presente lançamento, os quais se referiam tanto a períodos anteriores quanto ao próprio anocalendário de 2009, incorrendo em infrações aos três dispositivos legais acima descritos que abrangem todo o período do presente lançamento. Isto posto, ante a inexistência de provas que comprovem a ausência de débitos da entidade nos períodos em análise, verificase a infração aos dispositivos legais supramencionados e a procedência do lançamento quando ao descumprimento do requisito específico. 3. Da utilização de veículo da entidade por dirigente para fins particulares Conforme relatado, a acusação fiscal baseiase na verificação das apólices de seguro do veículo de placa LAX 6855 para determinar que tratase de uso particular por dirigente da entidade. Ora, em que pesem as razões apresentadas pela fiscalização, entendo que estas não são suficientes para atestar o uso do veículo para fins particulares pelo Sr. Vilela. Eventuais formalidades na elaboração da apólice do seguro não são provas cabais de tal afirmação, do mesmo modo que não seria caso fosse o contrário: e se não estivesse o Sr. Vilela na apólice, isto seria fundamento para afirmar que ele não era o condutor? No caso específico, entendo que a fiscalização deixou de efetivamente produzir provas a respeito de suas alegações, o que, nos parece, carece de comprovação e, via de consequência, não deve prosperar a alegação de remuneração indireta, razão pela qual tal alegação deve ser afastada do lançamento. 4. Dos valores pagos a título de arrendamento de imóveis ao Sr. Valdir Vilela No tocante à acusação de pagamento de remuneração indireta ao Sr. Valdir Vilela, mediante a alegação de se tratar de arrendamento de imóveis utilizados pela entidade, entendo que o contribuinte apresentou suas alegações que, embora factíveis, carecem de comprovação fática e documental suficiente. Nada há de ilegal que determinada pessoa física alugue/arrende imóveis a determinada instituição de ensino, mesmo que aquela seja um dos seus fundadores ou atual presidente. Fl. 1999DF CARF MF Processo nº 15563.720216/201239 Acórdão n.º 2401004.614 S2C4T1 Fl. 1.985 31 Ocorre que, justamente por se tratar de uma entidade que se identifica como de assistência social, tais cuidados deveriam ser potencializados para se evitar, justamente, acusações como a presente. Entendo que no presente caso, confrontando as demonstrações da recorrente e da acusação fiscal, correto o lançamento na parte excedente ao que estipulado previamente em contrato. Não vejo problemas em serem realizados pagamentos a título de aluguel e ou arrendamento vinculados ao faturamento da instituição ou da atividade exercida no referido imóvel, todavia, tais disposições devem ser claramente dispostas em contratos, com cláusulas claras e práticas a nível normal das práticas de mercado. Não sendo essa a situação verificada nestes autos, entendo que deve ser considerado procedente o lançamento quanto aos valores pagos referente aos alugueis/arrendamentos dos imóveis de Campus 1 e 7. 5. Da remuneração indireta de dirigente por serviços prestados à ABEU pela TCA Tonelli Segundo a acusação fiscal, serviços prestados pela referida empresa, especificamente "avaliações de imóvel", seriam na verdade em benefício do presidente da instituição, Sr. Valdir Vilela, ao passo que as avaliações realizadas foram em face de imóveis de propriedade deste. As avaliações realizadas, conforme apontadas, para identificar o valor de mercado para compra e venda dos respectivos imóveis, necessariamente não significam que se dão em benefício do seu proprietário. Ora, avaliação de imóvel pode ser solicitada por um proprietário de um imóvel, por um terceiro interessado, ou por um terceiro que, ainda que não interessado no imóvel analisado, pode estar em busca de informações do valor de imóveis situados na região específica. Por se tratar, no caso, da instituição de ensino, que aluga imóveis de propriedade do Sr. Valdir Vilela, os quais possuem relações diretas e, também, valor de aluguel/arrendamento vinculados ao faturamento da empresa, não há nada de ilegal ou inapropriado em se realizar a avaliação desses imóveis, que podem servir como prévias a uma futura compra, bem como um pedido de revisão de valor de aluguel/arrendamento. Nesse caso, ante a ausência de comprovação cabal de que tais serviços prestados se deram para interesse e benefício única e exclusivamente do Sr. Valdir Vilela, entendo que deve ser afastado o lançamento a esse título. 6. Dos valores pagos a cooperativas de trabalho Ainda, o AFRFB também realizou o lançamento decorrente da contratação de serviços de cooperativas de trabalho contratados pela recorrente, nas modalidades de nos termos do art. 22, IV, da Lei nº. 8.212/91. Fl. 2000DF CARF MF 32 Todavia, como de conhecimento público, o Supremo Tribunal Federal, por meio do RE nº. 595.838, julgado em 23/04/2014, julgou inconstitucional a cobrança da referida contribuição, sob a sistemática do art. 543B do CPC, nos seguintes termos: EMENTA Recurso extraordinário. Tributário. Contribuição Previdenciária. Artigo 22, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. Sujeição passiva. Empresas tomadoras de serviços. Prestação de serviços de cooperados por meio de cooperativas de Trabalho. Base de cálculo. Valor Bruto da nota fiscal ou fatura. Tributação do faturamento. Bis in idem. Nova fonte de custeio. Artigo 195, § 4º, CF. 1. O fato gerador que origina a obrigação de recolher a contribuição previdenciária, na forma do art. 22, inciso IV da Lei nº 8.212/91, na redação da Lei 9.876/99, não se origina nas remunerações pagas ou creditadas ao cooperado, mas na relação contratual estabelecida entre a pessoa jurídica da cooperativa e a do contratante de seus serviços. 2. A empresa tomadora dos serviços não opera como fonte somente para fins de retenção. A empresa ou entidade a ela equiparada é o próprio sujeito passivo da relação tributária, logo, típico “contribuinte” da contribuição. 3. Os pagamentos efetuados por terceiros às cooperativas de trabalho, em face de serviços prestados por seus cooperados, não se confundem com os valores efetivamente pagos ou creditados aos cooperados. 4. O art. 22, IV da Lei nº 8.212/91, com a redação da Lei nº 9.876/99, ao instituir contribuição previdenciária incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura, extrapolou a norma do art. 195, inciso I, a, da Constituição, descaracterizando a contribuição hipoteticamente incidente sobre os rendimentos do trabalho dos cooperados, tributando o faturamento da cooperativa, com evidente bis in idem. Representa, assim, nova fonte de custeio, a qual somente poderia ser instituída por lei complementar, com base no art. 195, § 4º com a remissão feita ao art. 154, I, da Constituição. 5. Recurso extraordinário provido para declarar a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. (RE 595838, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, Tribunal Pleno, julgado em 23/04/2014, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe196 DIVULG 07 102014 PUBLIC 08102014) Assim, por força do art. 62, § 1º, II, b, do Regimento Interno do CARF (RICARF), as decisões definitivas de mérito julgadas pelo Supremo Tribunal Federal, na sistemática do art. 543B da Lei nº. 5.869/73, devem ser seguidas e reproduzidas pelos conselheiros: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Fl. 2001DF CARF MF Processo nº 15563.720216/201239 Acórdão n.º 2401004.614 S2C4T1 Fl. 1.986 33 § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal o u do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Isto posto, aplico o entendimento do acórdão acima mencionado e, via de consequência, deve ser afastado o lançamento com base na contratação de serviços de cooperativas nos termos do art. 22, IV da Lei nº. 8.212/91. 7. Da utilização de interposta pessoa jurídica para remuneração de diretores Segundo a fiscalização, haveria a contratação de interposta pessoa jurídica (Parc Consultoria Ltda.) para desconfigurar o real pagamento que seria, na verdade, para as pessoas físicas sócias desta empresa e que, também, seriam (em períodos diversos) empregados ou contribuintes individuais da entidade recorrente. Os fatos específicos, muito bem detalhados, foram esposados no relatório fiscal, bem como a defesa da recorrente, que alega terem sido prestados serviços de promoção educacional, marketing etc. Sem se adentrar na análise das questões específicas, valores, comprovação da comprovação dos serviços, etc., entendo que a discussão no presente caso passa, necessariamente, pelo que dispõe a Lei nº. 11.1196/2005, em seu artigo 129: Art. 129. Para fins fiscais e previdenciários, a prestação de serviços intelectuais, inclusive os de natureza científica, artística ou cultural, em caráter personalíssimo ou não, com ou sem a designação de quaisquer obrigações a sócios ou empregados da sociedade prestadora de serviços, quando por esta realizada, se sujeita tãosomente à legislação aplicável às pessoas jurídicas, sem prejuízo da observância do disposto no art. 50 da Lei no 10.406, de 10 de janeiro de 2002 Código Civil. Nesse caso, temos que, se simplesmente os sócios da pessoa jurídica Pac estivessem prestando serviços a entidade, tal fato, por si só, não configuraria infração, posto que albergados pela disposição do art. 129 acima que, permitira àqueles, utilizaremse do manto da pessoa jurídica para a prestação dos serviços educacionais (os quais são, sem dúvida, de natureza intelectual). Ainda, faltou a comprovação, pela fiscalização, de que especificamente aquelas pessoas físicas, referentes aos pagamentos individualizados pelo AFRFB, teriam se enquadrados nos requisitos legais que significariam serem, na verdade, empregados da recorrente. Portanto, para que se realize o lançamento, ainda que com base na primazia da verdade material basta a demonstração, individualizada, das características da prestação de Fl. 2002DF CARF MF 34 serviço de cada uma das pessoas jurídicas acima mencionadas e o seu enquadramento como pessoa física empregada da recorrente. Todavia, o AFRFB deixou de realizar o elo entre os fundamentos teóricos por ele trazidos ao Relatório Fiscal e a realidade fática INDIVIDUALIZADA da pessoa jurídica descaracterizada e, em especial, aos seus sócios. Assim, entendo que o lançamento, por ausência de fundamentação legal adequada da fiscalização, em especial a indicação da ocorrência do fato gerador, fere o lançamento tributário, por ausência de cumprimento de requisito intrínseco ao lançamento tributário, nos termos do art. 142 do CTN: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Portanto, entendo não presente a correta comprovação do fato gerador, qual seja, a relação de emprego entre os sócios das pessoas jurídicas apontadas pela fiscalização e a empresa recorrente, motivo pelo qual deve ser cancelado o Auto de Infração de obrigação principal, por vício material. Nesse sentido, este Conselho e esta colenda turma: QUALIFICAÇÃO DO VÍCIO DA NULIDADE. VÍCIO MATERIAL QUE SE CARACTERIZA NA AUSÊNCIA OU INSUFICIÊNCIA DOS PRESSUPOSTOS DE FATO E DE DIREITO DO ATO ADMINISTRATIVO. Quando o ato administrativo do lançamento traz fundamentação legal equivocada (pressuposto de direito) e/ou quando a descrição dos fatos trazida pela fiscalização (pressuposto de fato) é omitida ou deficiente, temos configurado um vício de motivação ou víci o material. (CARF, Acórdão nº. 2301003.427,1ª T.O., 3ª Câm., 2ª Seção. Sessão de 14/03/2013. Red. Designado Mauro José Silva) CARACTERIZAÇÃO DE PESSOAS JURÍDICAS PRESTADORAS DE SERVIÇO COMO EMPREGADOS DA TOMADORA. NECESSIDADE DE FUNDAMENTAÇÃO POR PARTE DA AUTORIDADE FISCAL. DEMONSTRAÇÃO ESPECÍFICA E PORMENORIZADA DOS FATOS E CARACTERÍSTICAS DE CADA UMA DAS PESSOAS JURÍDICAS À PESSOA JURÍDICA APONTADA COMO EMPREGADORA. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO POR VÍCIO MATERIAL. Deixando o AFRFB de comprovar, pormenorizadamente, a caracterização de cada uma das pessoas jurídicas prestadoras de serviço como empregados da tomadora, implicase na improcedência do lançamento por ofensa ao art. 142 do CTN, ante a ausência de comprovação do fato gerador da contribuição previdenciária a cargo da pessoa jurídica. Recurso Voluntário Provido. (CARF, Acórdão nº. 2401004.063, Fl. 2003DF CARF MF Processo nº 15563.720216/201239 Acórdão n.º 2401004.614 S2C4T1 Fl. 1.987 35 1ª T.O., 4ª Câm. 2ª Seção. Sessão de 28/01/2016. Rel. Carlos Alexandre Tortato) Assim, ante a insuficiência de fundamentação do AFRFB, que permita a subsunção dos fatos (relação de emprego) à norma (incidência de contribuições sociais previdenciária a cargo da pessoa jurídica), deve ser cancelado o lançamento de obrigação principal, por vício material, e a multa de ofício aplicada. Via de consequência, o Auto de Infração de obrigação acessória deve também ser cancelado, ante a ausência de infração do recorrente no preenchimento das GFIPs. 8. Da bolsa capacitação Alega a fiscalização que o pagamento de bolsa capacitação realizado pela entidade, aos seus professores, não faria jus a isenção disposta no art. 28, § 9º, t), refere a concessão de bolsas de estudos para cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa. Embora não entenda que referido dispositivo deva restringirse a somente cursos de capacitação profissional, mas sim estendido a cursos de graduação, pósgraduação e todos "relacionados" as atividades empresariais, no presente caso, não assiste razão à recorrente. Conforme apresentado nas próprias razões de impugnação e recurso voluntário, tratase de remuneração vinculado à projetos de bolsas de estudo fornecidos pela universidade em parceria com o Ministério da Educação. Nesse caso, não se trata de investimento da entidade para qualificar os seus empregados, mas sim, de remuneração vinculada à horas trabalhadas desses profissionais ao assumirem novos projetos/funções dentro da entidade. Procedente o lançamento neste ponto específico. 9. Do saláriofamília A fiscalização apresenta valores referentes à glosa de saláriofamília, conforme planilha de fls. 176/186, que teriam sido pagos a maior. As razões apresentadas pelo contribuinte, especificamente de que os valores pagos foram de acordo com o máximo legal daquela unidade onde realizado o pagamento, não são suficientes para contrastar a conclusão fiscal, que apresentou pormenorizadamente os beneficiários e os valores pagos a maior. Nesse passo, entendo que deve ser mantida a glosa a título de saláriofamília. 10. Da omissão de fatos geradores e contribuições devidas em GFIP DEBCAD 51.031.7685 CFL 34 No lançamento de multa por descumprimento das obrigações acessórias pela ausência de contabilização de fatos geradores da contribuição (remuneração de segurados Fl. 2004DF CARF MF 36 empregados e contribuintes individuais) entendeu a fiscalização que a infração foi cometida já que o recorrente havia se declarado como entidade isenta (informando Código FPAS 639). Quanto ao cálculo da multa aplicada, o AFRFB já aplicou os benefícios contidos nas reduções de multa previstas na Lei nº. 11.941/2009, aplicandose assim a multa mais benéfica ao contribuinte, conforme demonstrado no relatório fiscal, razão pela qual mantenho parcialmente o presente lançamento, que deverá repercutir eventuais exclusões de valores da base de cálculo nos termos das razões de mérito do decidido acima. 11. Do não atendimento de forma suficiente à fiscalização DEBCAD 51.019.0979 CFL 35 O referido lançamento da multa se deu pelo fato do contribuinte deixar de atender, "de forma suficiente", aos pedidos de esclarecimentos e apresentação de documentos requeridos pela fiscalização. Em que pese a recorrente ter apresentado uma série de esclarecimentos, ainda assim, deixou de prestar diversas informações solicitadas, conforme pormenorizadamente elencadas pela fiscalização e que reproduzo novamente: · registro contábil da Nota Fiscal nº 024 emitida pela · Parc Consultoria Empresarial Ltda; · não apresentou os relatório/laudos produzidos pela empresa Mendes Costas Advogados Associados, CNPJ nº 04.813.785/000172; · não apresentou as notas fiscais emitidas por Lando Consultoria e Representações Ltda, CNPJ nº 31.842.081/001 09; e · não prestou esclarecimentos quanto ao tipo de cada bolsa concedida, quem seriam os beneficiários e os critérios para sua concessão relativamente as bolsas denominadas: Aluno Abeu, Convênios, Escolas Públicas, Reitoria, Depend. De Func. Abeu, 2º Integrante Família, Bolsão, 3 ou Mais Integr., Filho Aluno Unibeu, Ficlho de Func.ABEU, Funcionário ABEU, Plano PAE, Transferência (Esc), Convênios, Transferência (Fac), ABEU Colégios, Portador de Diploma, CREF, Bayer, Monitoria, Educafro, Bolsa Social II, Camp. Escolas Pub., Convênios Especiais, CRA, CRC, Estagiário ABEU, Exalunoe Enfermagem, Exalunos Continuada, Pós Convênio, Transf. De Turno e Ajuste de Pagamento. Assim, nos termos do disposto no art. 32, III, § 11 da Lei nº. 8.212/91 c/c com o art. 225, III do Decreto 3.048/99 (RPS), deve ser mantida a autuação fiscal para imposição da multa imposta. 11. Das imputações mantidas e excluídas Assim, para melhor elucidação, em contraponto ao quadro elaborado pela fiscalização (fls. 106/107) e reproduzido no relatório acima, com as infrações imputadas ao contribuinte em cada um dos períodos analisados sob a vigência dos respectivos consectários legais, apresento o mesmo quadro de acordo com as conclusões apresentadas no presente voto: Fl. 2005DF CARF MF Processo nº 15563.720216/201239 Acórdão n.º 2401004.614 S2C4T1 Fl. 1.988 37 Fato Período com suspensão de isenção Fundamento Legal do requisito infringido 1 Não apresentação de requerimento de isenção junto à RFB / não comprovação de eventual situação de direito adquirido 2 Existência de débito em todo o período / não apresentar CND ou CPDEN em relação às contribuições administradas pela RFB 01/2008 a 12/2009 Lei nº. 8.212/91, art. 55, § 6º; MP 446/2008, art. 28, VI; Lei nº. 12.101/2009, art. 29, III. 3 Valor de arrendamento do Campus 1 a maior, configurando remuneração do Sr. Presidente 01/2008 a 12/2009 Lei nº. 8.212/91, art. 55, IV; MP 446/2008, art. 28, II; Lei nº. 12.101/2009, art. 29, I. 4 Valor de arrendamento do Campus 7 indevido, configurando remuneração do Sr. Presidente Não se aplica ao presente lançamento Lei nº. 8.212/91, art. 55, IV 5 Pagamento a Cooperativas de Trabalho Não Informação em GFIP Descumprimento de Obrigação Acessória 6 Utilização de serviços prestados pela empresa TCA Tonelli à ABEU para atender interesses pessoais, configurando remuneração do Sr. Presidente 7 Utilização de veículo da ABEU para uso particular, pelo seu Presidente 8 Utilização de interposta pessoa jurídica por gestores/integrantes do Conselho Técnico da ABEU, a fim de auferir valores superiores de remuneração Assim, por entender infringidos os dispositivos acima indicados, nos períodos também delimitados, referentes aos fatos "2" e "3", deve ser mantido o lançamento fiscal. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto no sentido de conhecer e dar PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário, mantendo parcialmente o crédito tributário lançado, nos Fl. 2006DF CARF MF 38 seguintes termos: a) quanto ao lançamento de crédito tributário relativo à obrigação principal DEBCAD 51.019.0952, excluir do lançamento os levantamentos TT2, UM2, UO2 e VE2; b) quanto ao lançamento de crédito tributário relativo à obrigação principal DEBCAD 51.019.0960, manter o lançamento; e c) quanto aos autos de infração por descumprimento de obrigação acessória, DEBCADs 51.019.0979 e 51.031.7685, manter o lançamento. (assinado digitalmente) Carlos Alexandre Tortato Fl. 2007DF CARF MF Processo nº 15563.720216/201239 Acórdão n.º 2401004.614 S2C4T1 Fl. 1.989 39 Voto Vencedor Conselheira Miriam Denise Xavier Lazarini Redatora Designada AUSÊNCIA DE ISENÇÃO Quanto à isenção, votei pelas conclusões com o relator, pois a autuada descumpriu vários requisitos legais, não fazendo jus ao benefício legal. Entretanto, discordo do entendimento do relator de que "não deverá ser imputada à recorrente a impossibilidade do gozo de isenção por infração ao disposto no § 1º do art. 55 da Lei nº. 8.212/91, posto que esta encontravase revogada quando da lavratura dos presentes autos de infração." A Constituição da República estabeleceu no § 7º do seu art. 195 serem isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. Por sua vez, a Lei 8.212/91, no art. 55, vigente à época de parte dos fatos geradores, assim dispõe: Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; II seja portadora do Registro e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; III promova, gratuitamente e em caráter exclusivo, a assistência social beneficente a pessoas carentes, em especial a crianças, adolescentes, idosos e portadores de deficiência; IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. §1º Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. Fl. 2008DF CARF MF 40 Diante de tal quadro normativo legal e constitucional, para que uma entidade seja sujeito de direito à isenção em realce, é indispensável que comprove ser entidade beneficente e de assistência social e que seja reconhecida formalmente como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal, além de atender, cumulativamente, aos demais requisitos fixados no art. 55 da Lei 8.212/91. Assim, não basta à entidade beneficente ser reconhecida pelos órgãos certificadores, nem mesmo ser detentora dos certificados de entidade beneficente de assistência social, para poder usufruir do direito à isenção em foco. De acordo com o §1º do art. 55 da Lei 8.212/91, fulgura como condição sine qua non que a entidade, atendendo a todos os requisitos elencados na lei, requeira o reconhecimento à isenção ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS (ou SRFB, conforme a época), o qual terá o prazo de 30 dias para despachar o pedido. Não há que se falar em retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN, pois o auto de infração foi lavrado na vigência da Lei 12.101/09, que dispõe que basta tão somente a entidade certificada atender aos requisitos previstos no art. 29 do mesmo diploma legal para gozar da isenção prevista na CR/88, art. 195, § 7º. Não é possível retroagir a Lei 12.101/2009, que suprimiu a exigência de Ato Declaratório específico. Não se vislumbra nesse novo regramento qualquer das hipóteses previstas na legislação pátria capazes de ensejar a sua aplicação a fatos geradores pretéritos. No tocante à retroação prevista no CTN, devese analisar seu art. 106 que excepciona a regra da irretroatividade. O referido dispositivo legal permite a lei voltarse ao passado, dispensandose, pois, disposição expressa de lei, nas hipóteses de lei interpretativa e de lei mais branda quanto a infrações ou penalidades. Assim dispõe o art. 106 do CTN: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Da simples leitura do dispositivo, vêse que o inciso I não tem aplicação ao presente caso, pois não estamos diante de lei interpretativa. Também não estamos diante de norma que trata de definição de infração ou de cominação de penalidade, o que também afasta o inciso II da discussão. Ressaltese que o art. 106 do CTN é direito excepcional e, como se sabe, é regra elementar de hermenêutica que as exceções sejam interpretadas restritivamente. Não há como estender a retroatividade benigna a assuntos alheios às sanções tributárias. Fl. 2009DF CARF MF Processo nº 15563.720216/201239 Acórdão n.º 2401004.614 S2C4T1 Fl. 1.990 41 Portanto, como não houve expressa disposição da lei, nem lei interpretativa, nem regulação de sanções, não há se falar em retroatividade no caso em exame. Na verdade, aplicase à hipótese o art. 144 do CTN, segundo o qual o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Ressaltese que a exceção prevista no § 1º do citado art. 144 do CTN não encontra aplicação ao caso, pois a Lei 12.101/09 não instituiu qualquer novo critério de apuração ou processo de fiscalização, não ampliou poderes de investigação, nem outorgou ao crédito maiores garantias ou privilégios. Sendo assim, aplicase a norma vigente à época dos fatos geradores para verificação dos requisitos necessários ao gozo da isenção, inclusive o § 1º do art. 55 da Lei 8.212/91. FATOS GERADORES Quanto aos fatos geradores do crédito tributário em análise, a única discordância do voto do relator se refere ao levantamento DP2, relativo à utilização de interposta pessoa jurídica por gestores/integrantes do Conselho Técnico da ABEU, a fim de auferir valores superiores de remuneração. Segundo a fiscalização, haveria a contratação de interposta pessoa jurídica (Parc Consultoria Ltda.) para desconfigurar o real pagamento que seria, na verdade, para as pessoas físicas sócias desta empresa e que, também, seriam (em períodos diversos) empregados ou contribuintes individuais da entidade recorrente. Entendeu o relator que "faltou a comprovação, pela fiscalização, de que especificamente aquelas pessoas físicas, referentes aos pagamentos individualizados pelo AFRFB, teriam se enquadrados nos requisitos legais que significariam serem, na verdade, empregados da recorrente.", devendo o levantamento DP2 ser excluído. Contudo, por voto de qualidade, mantevese o lançamento efetuado no levantamento DP2. Consta no Relatório Fiscal, fls. 123/136, todos os elementos avaliados que levou a fiscalização a concluir: · Considerando o princípio da verdade material, concluise que o contrato firmado entre a PARC e a ABEU buscou apenas caracterizar uma situação formal, que não existia na prática. As situações fáticas evidenciaram a existência de vínculo empregatício entre as pessoas físicas e o contribuinte autuado, pois constatouse que os sócios da PARC prestaram pessoalmente os serviços em caráter não eventual, mediante remuneração e sob subordinação da fiscalizada. · Na prática os sócios da PARC exerceram funções inerentes a cargos estratégicos da ABEU. · Nãoeventualidade/habitualidade os serviços executados são diretamente ligados aos empreendimentos do contribuinte. Verificou se que os sócios da PARC, considerados empregados da ABEU, Fl. 2010DF CARF MF 42 validaram documentos de despesas da ABEU, identificandose como gestores/diretores. As notas fiscais emitidas pela PARC são sequenciais e com exclusividade para a ABEU. · Pessoalidade os serviços foram prestados pelos próprios sócios da PARC, considerados empregados da ABEU, pois atuavam assinando despesas e sendo identificados no organograma da empresa como gestores. Constatouse também o uso de email institucional. · Onerosidade verificada pelo pagamento face aos serviços prestados. Constatouse um provável décimo terceiro embutido nas notas fiscais referentes aos meses 11/08, 12/08 e 12/09. · Subordinação em razão das funções exercidas pelos segurados, não há dúvida de que lavoravam sujeitos ao poder de direção e a hierarquia, comandando também seus inferiores.Os prestadores não assumem o risco da atividade econômica, sendo ressarcidos pelas despesas despendidas. O serviço é executado nas dependências da ABEU. Esses trabalhadores, ocupam na estrutura empresarial do contribuinte cargos de confiança em atividade estritamente ligado aos objetivos sociais da empresa, quais sejam: gestores/diretores e pró reitor de relações institucionais. Sobre a caracterização de segurados como empregados, é inerente à função de fiscalização constatar a existência ou não da relação empregatícia entre a empresa fiscalizada e as pessoas físicas que lhe prestam serviço independentemente da forma como foram contratadas. É aplicável também à relação previdenciária o princípio da primazia da realidade, que significa que os fatos relativos ao contrato de trabalho devem prevalecer em relação à aparência que, formal ou documentalmente, possam oferecer. Em qualquer hipótese, os fatos devem prevalecer sobre o contido nos documentos. Na verificação fática durante a ação fiscal, a fiscalização constatou que estão presentes os pressupostos característicos da relação empregatícia, constantes do artigo 12, inciso I, alínea ‘a’ da Lei 8.212/91, abaixo transcrito: Art. 12 São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: I como empregado: a) aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural à empresa em caráter não eventual, sob subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado. Se uma pessoa presta serviços nas condições definidas no artigo 3º da CLT, ainda que sem qualquer registro, a fiscalização tem o poder e o dever de considerála como empregado para fins de exigir contribuições previdenciárias devidas pelo empregador. No presente caso, conforme apurado pela fiscalização, estão presentes os pressupostos básicos da relação de emprego: pessoalidade, não eventualidade, subordinação e onerosidade. Fl. 2011DF CARF MF Processo nº 15563.720216/201239 Acórdão n.º 2401004.614 S2C4T1 Fl. 1.991 43 O contrato de trabalho é um contrato realidade. A qualificação jurídica que as partes venham a dar para a relação do trabalho é irrelevante. Constatada a relação de emprego: não eventualidade dos serviços, subordinação, salário e pessoalidade, estabelecese o vínculo do segurado com a previdência social na categoria empregado, sendo devidas as contribuições previdenciárias. Pelo exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, acompanhando o voto do relator, exceto quanto ao lançamento efetuado no levantamento DP2, que deve ser mantido. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini. Fl. 2012DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.729871/2013-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Apr 04 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2008
SOLUÇÃO DE CONSULTA DESFAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE.
Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal.
SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES.
A instalação de elevadores subsume-se ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3201-002.461
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. O Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira votou pelas conclusões. Vencidos os Conselheiros José Luiz Feistauer de Oliveira, que votou por serem as operações da Recorrente enquadradas no regime de apuração cumulativa e o Conselheiro Winderley Morais Pereira, que votou por não ser possível a discussão administrativa no CARF de matéria com solução de consulta exarada pela Receita Federal, cuja consulente seja a própria Recorrente.
(assinado com certificado digital)
Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Mércia Helena Trajano D'Amorim; Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201701
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2008 SOLUÇÃO DE CONSULTA DESFAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE. Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal. SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES. A instalação de elevadores subsume-se ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços. Recurso Voluntário Provido.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Apr 04 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 11080.729871/2013-13
anomes_publicacao_s : 201704
conteudo_id_s : 5706496
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Apr 04 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3201-002.461
nome_arquivo_s : Decisao_11080729871201313.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : WINDERLEY MORAIS PEREIRA
nome_arquivo_pdf_s : 11080729871201313_5706496.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. O Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira votou pelas conclusões. Vencidos os Conselheiros José Luiz Feistauer de Oliveira, que votou por serem as operações da Recorrente enquadradas no regime de apuração cumulativa e o Conselheiro Winderley Morais Pereira, que votou por não ser possível a discussão administrativa no CARF de matéria com solução de consulta exarada pela Receita Federal, cuja consulente seja a própria Recorrente. (assinado com certificado digital) Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Mércia Helena Trajano D'Amorim; Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo.
dt_sessao_tdt : Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2017
id : 6700830
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:57:54 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048947354763264
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1767; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.729871/201313 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3201000.461 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 26 de janeiro de 2017 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente THYSSENKRUPP ELEVADORES SA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2008 SOLUÇÃO DE CONSULTA DESFAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE. Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal. SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES. A instalação de elevadores subsumese ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços. Recurso Voluntário Provido. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. O Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira votou pelas conclusões. Vencidos os Conselheiros José Luiz Feistauer de Oliveira, que votou por serem as operações da Recorrente enquadradas no regime de apuração cumulativa e o Conselheiro Winderley Morais Pereira, que votou por não ser possível a discussão administrativa no CARF de matéria com solução de consulta exarada pela Receita Federal, cuja consulente seja a própria Recorrente. (assinado com certificado digital) Winderley Morais Pereira Presidente Substituto e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 98 71 /2 01 3- 13 Fl. 371DF CARF MF Processo nº 11080.729871/201313 Acórdão n.º 3201000.461 S3C2T1 Fl. 0 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Mércia Helena Trajano D'Amorim; Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo. Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado pelo Contribuinte em face do acórdão nº 09054.927, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (MG), em apreciação de DCOMP eletrônica transmitida com objetivo de compensar débitos nela apontados com créditos oriundos de pagamento indevido. Por economia processual, utilizarseá o relatório da autoridade recorrida no que interessa ao exame dos autos em apreço: "A matéria foi objeto de decisão proferida por intermédio do Despacho Decisório, no qual a Delegacia de origem, com base em informação fiscal resultante de diligência do Serviço de Fiscalização para apuração do direito creditório referente à DCOMP acima identificada, onde ficou constatada a improcedência do crédito original nela informado, revisou de ofício o reconhecimento do direito creditório automático para não reconhecimento do direito creditório por inexistência do crédito e também de ofício revisou a homologação total da compensação efetuada através da mencionada declaração para compensação não homologada. A autoridade fiscal que proferiu a referida informação tomou por base a Solução de Consulta 446 SRRF/8ª RF/Disit, de 18/08/2007, uma vez que a Solução de Consulta 104 SRRF/10ª RF/Disit, de 18/08/2008, foi anulada pelo Parecer 52 SRRF10/Disit, de 13/09/2011, sob o seguinte argumento: É vedada a coexistência de duas soluções de consulta vigentes e eficazes sobre o mesmo fato, relativas a um mesmo sujeito passivo(...). Por sua vez, a Solução de Consulta vigente tem a seguinte ementa para o PIS: ELEVADORES. NÃOCUMULATIVIDADE. A instalação de elevador por seu produtor não caracteriza obra de construção civil, descabendo a aplicação do art. 10, XX, da Lei nº 10.833, de 2003. Caracterizase como operação de industrialização, na modalidade montagem, a reunião de partes, peças e componentes da qual resulte elevador, inclusive quando realizada fora do estabelecimento do executor, no próprio prédio onde esse equipamento será utilizado. Sofre incidência da contribuição para o PIS/Pasep em regime de apuração nãocumulativo o total das receitas decorrentes do fornecimento de elevador por seu produtor, o qual se conclui ao final do processo de montagem. Para a Cofins foi proferida ementa com igual teor. Fl. 372DF CARF MF Processo nº 11080.729871/201313 Acórdão n.º 3201000.461 S3C2T1 Fl. 0 3 Regularmente cientificada da não homologação, a contribuinte protocolou suas razões de defesa alegando, em resumo, que: (...) Como ficará exaustivamente demonstrado ao longo da presente manifestação de inconformidade, o direito creditório da REQUERENTE decorre do pagamento indevido do PIS/COFINS na modalidade nãocumulativa. A atividade de instalação de elevadores realizada REQUERENTE tem a natureza de obra de construção civil, o que já foi declarado pelo Poder Judiciário no passado, e as receitas decorrentes da mesma estão sujeitas ao PIS/COFINS na modalidade cumulativa, nos termos do inciso XX do artigo 10 da Lei n° 10.833/03, que se aplica às duas contribuições (cfr. inciso V do artigo 15). Qualquer pagamento realizado a outro título reputase indevido e, portanto, é passível de compensação nos termos do artigo 74 da Lei n° 9.430/96. (...) O direito creditório da REQUERENTE decorre (i) da natureza do serviço prestado (obra de construção civil), o que se verifica pela aplicação da legislação do PIS/COFINS combinada com a legislação do IPI; (ii) da sujeição das receitas decorrentes dessa atividade à sistemática cumulativa do PIS/COFINS; e (iii) do pagamento indevido do PIS/COFINS na modalidade não cumulativa. O Despacho Decisório, para não reconhecer o direito creditório em discussão, recorre à primeira consulta fiscal formulada pela REQUERENTE (Consulta SSRF08/Disit n° 446/2007) e invoca o conceito de industrialização presente na legislação do IPI para concluir que o serviço de instalação não tem a natureza de serviço de construção civil. Data máxima vênia, o Despacho Decisório não merece prosperar: · em preliminar, porque afronta e contradiz decisão judicial transitada em julgado na Ação Ordinária n° 88.00.03357 1, movida pela REQUERENTE, a qual declarou que o IPI não incide sobre o preço dos serviços decorrentes da realização de obras de instalação de elevadores, haja visto que tais serviços não consubstanciam operação de industrialização, na modalidade montagem, mas sim obra de construção civil; · no mérito, porque: (i) as atividades de instalação de elevadores não se caracterizam como operação de industrialização, na modalidade de montagem, mas sim como obra de construção civil; (ii) a legislação do PIS/COFINS é silente quanto à definição do que se deva compreender por "obras de construção civil"; (iii) o Código Civil considera bem imóvel tudo quanto se incorporar ao solo, natural ou artificialmente; (iv) a Instrução Normativa RFB N n° 971/093, "considera (... ) obra de construção civil, a construção, a demolição, a reforma, a ampliação de edificação ou qualquer outra benfeitoria agregada ao solo ou ao subsolo"; (v) os elevadores fabricados e instalados pela REQUERENTE são incorporados às edificações, o que caracteriza o serviço de instalação como uma verdadeira obra de construção civil; (vi) a lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito Fl. 373DF CARF MF Processo nº 11080.729871/201313 Acórdão n.º 3201000.461 S3C2T1 Fl. 0 4 privado, a teor do disposto pelos artigos 109 e 110 do Código Tributário Nacional. (...) O Despacho Decisório, ao não reconhecer o crédito compensado pela REQUERENTE e deixar de homologar a compensação declarada, com base nos mesmos fundamentos da Solução de Consulta SRRF08/DISIT n° 446/2007 (os serviços prestados pela REQUERENTE decorrentes da realização de obras de instalação de elevadores consistiriam em suposta industrialização, na modalidade montagem), vai de encontro à coisa julgada, devendo, por isso, ser reformado. Como há declaração judicial no sentido de que os serviços prestados pela REQUERENTE — de instalação de elevadores não consubstanciam operação de industrialização, na modalidade montagem, mas sim obra de construção civil, obviamente que a Administração Tributária Federal deve respeitar o julgado, interpretando a legislação de regência nos termos da decisão passada em julgado, levando em consideração o seu conteúdo. (...) Ao assim proceder, interpretando o conceito de industrialização (montagem) da legislação de IPI de forma diametralmente oposta àquela que lhe foi conferida pela decisão passada em julgado, a União Federal, por meio de seus agentes, adota comportamento nitidamente contraditório e incompatível com interpretação da legislação tributária. (...) Nesse passo, cumpre destacar que o "principio da moralidade obriga que a Administração Pública, no desempenho das atividades por meio de seus agentes, atue de forma ética", sob pena de ser considerado ilegítimo o ato administrativo que deixa de observar tal mandamento. O E. Supremo Tribunal Federal, a propósito, em diversas oportunidades confirmou que a Administração Pública está subordinada ao Princípio da Moralidade, como se pode verificar, exemplificativamente, do acórdão que segue (...) Assim sendo, independentemente da anulação da Solução de Consulta SRRF10/DISIT n° 104/2008, que se deu por questões formais, o reconhecimento do direito creditório da REQUERENTE e a homologação da compensação declarada decorrem da interpretação do inciso XX do artigo 10 da Lei n° 10.833/2003, que tem de ser harmoniosa com o que decidiu o Poder Judiciário nos autos Ação Ordinária n° 88.00.033571/RS, transitada em julgado desde 08/05/1997. (...)" Após exame da Manifestação de Inconformidade apresentada pelo Contribuinte, a DRJ proferiu acórdão assim ementado: COMPENSAÇÃO. Fl. 374DF CARF MF Processo nº 11080.729871/201313 Acórdão n.º 3201000.461 S3C2T1 Fl. 0 5 A compensação pressupõe a existência de direito creditório líquido e certo. NULIDADE. Não procedem as arguições de nulidade quando não se vislumbra no despacho decisório qualquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72. COISA JULGADA. A decisão judicial transitada em julgado é, na verdade, a lei aplicada ao caso concreto e, tratandose de exclusão do crédito tributário, deve ser interpretada literalmente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário a este CARF, reiterando a existência do direito creditório postulado. É o relatório. Voto Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.448, de 26 de janeiro de 2017, proferido no julgamento do processo 11080.729874/201349, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Ressaltese que a decisão do paradigma foi contrária ao meu entendimento pessoal. Todavia, como fui vencido na votação, ao presente processo deve ser aplicada a posição vencedora, conforme consta da ata da sessão do julgamento. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão, (Acórdão 3201002.448): "O Recurso é próprio e tempestivo e dele tomo conhecimento. (...) A princípio, temse que o cerne da questão é definir qual a natureza da atividade exercida pela Recorrente (instalação de elevadores): se construção civil ou se industrialização. Tal definição determinará se a Recorrente deveria, à época dos fatos geradores, apurar o recolhimento do PIS e da COFINS pelo regime não cumulativo ou pelo cumulativo. Fl. 375DF CARF MF Processo nº 11080.729871/201313 Acórdão n.º 3201000.461 S3C2T1 Fl. 0 6 Há peculiar situação no feito, consistente no fato de que a Recorrente teria apresentado duas Consultas Fiscais acerca do tratamento tributário mais adequado, obtendo Soluções conflitantes. Na primeira delas, Solução de Consulta nº 446/2007, da 8ª Região Fiscal, concluiuse que se tratava de industrialização e que, portanto, as receitas estariam sujeitas ao regime não cumulativo das citadas contribuições. A segunda, Solução de Consulta nº 104/2008, da 10ª Região Fiscal, afirmou que as receitas estariam sob o regime cumulativo. No caso, o crédito postulado pela Recorrente origina da aplicação do segundo entendimento. Os créditos postulados, portando, decorrem da reapuração do PIS e da COFINS outrora calculados pelo regime não cumulativo e reajustados para o cumulativo. Idêntica questão já foi examinada por esta mesma Turma na sessão de 24 de fevereiro de 2016, em decisão por maioria proferida nos autos do Processo nº 11080.726628/201335, da mesma THYSSENKRUPP ELEVADORES S/A, no qual a Conselheira Doutora Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo foi designada Relatora para o Voto Vencedor. O referido Acórdão nº 3201002.070 recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/06/2008 a 31/12/2009 SOLUÇÃO DE CONSULTA DESFAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE. Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal. SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES. A instalação de elevadores subsumese ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. No lançamento de ofício, o valor originário do crédito tributário compreende o valor do tributo e da multa por lançamento de ofício. Sobre a multa por lançamento de oficio não paga no vencimento incidem juros de mora. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/2008 a 31/12/2009 SOLUÇÃO DE CONSULTA DESFAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE. Fl. 376DF CARF MF Processo nº 11080.729871/201313 Acórdão n.º 3201000.461 S3C2T1 Fl. 0 7 Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal. SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES. A instalação de elevadores subsumese ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. No lançamento de ofício, o valor originário do crédito tributário compreende o valor do tributo e da multa por lançamento de ofício. Sobre a multa por lançamento de oficio não paga no vencimento incidem juros de mora. Recurso Voluntário Provido e Recurso de Ofício Negado Vistos,relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Winderley Morais Pereira, relator. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. Como consta em ata, o voto da i. Conselheira Doutora Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo foi por mim acompanhado integralmente. Por essa razão, peço vênia para transcrevêlo como fundamento do presente julgado: Como se depreende do voto do eminente relator, o mérito da presente demanda não foi conhecido, por se entender que havia solução de consulta, proferida para a situação específica dos autos e proposta pela própria Recorrente. Com efeito, no mérito a Recorrente alega que o regime jurídico de apuração das contribuições sociais, tome a sua atividades de instalação de elevadores como prestação de serviços de construção civil, o que determinaria a aplicação do regime cumulativo. A Recorrente obteve a solução de consulta SRRF/8ªRF/DISIT nº 446, de 18/09/2007, que ao analisar as atividades realizadas pela Recorrente de instalação de elevadores, decidiu não ser atividade de construção civil e portanto, estariam sujeita a apuração do PIS e da COFINS no regime não cumulativo. Não obstante, a Recorrente protocolou nova consulta, na Superintendência da Receita Federal do Brasil na 10ª Região Fiscal (Solução de Consulta SRRF/10ªRF/DISIT nº 104, de 18 de agosto de 2008), que considerou a atividade da Recorrente como prestação de serviços de construção civil e portanto, enquadrada nas disposições do art. 10, XX, da Lei nº 10.833/2003, determinando a apuração do PIS e da COFINS no regime cumulativo.(fls. 391 a 397). Fl. 377DF CARF MF Processo nº 11080.729871/201313 Acórdão n.º 3201000.461 S3C2T1 Fl. 0 8 O entendimento do eminente Conselheiro Winderley Morais Pereira foi no sentido de que, em sendo a solução de consulta instrumento de garantia do contribuinte para esclarecimentos quanto a aplicação da legislação, a possibilidade de consultas do mesmo contribuinte tratando da mesma matéria serem protocoladas em unidades diversas da RFB, poderia mitigar a força normativa das consultas. Por essa razão, a decisão anterior não produziria efeito, nos termos do art. 54, IV do Decreto nº 70.235/72. Contudo, a questão que se põe e da qual se diverge do ilustre relator, é precisamente sobre a possibilidade de a decisão proferida no âmbito do contencioso administrativo fiscal, se sobrepor a decisão em solução de consulta, para o mesmo contribuinte. Ora, embora pelo processo de consulta possa se entender que o contribuinte recorra à Administração para buscar a correta exegese de determinada norma jurídica, verificase o que se busca, invariavelmente, é uma medida protetiva, de cunho preventivo, para a estruturação tributária de suas operações. O fato é que no âmbito do processo de consulta, o contribuinte não comparece na condição de mero consulente, até mesmo porque, já traz em seu pedido o posicionamento que entende cabível, com a respectiva fundamentação legal, o que aliás, é condição para o processamento de sua consulta, de acordo com a legislação em vigor, sob pena de sua ineficácia. Embora o procedimento de consulta não se equipare lógica e juridicamente ao processo administrativo fiscal, o fato é que este também possui conteúdo persuasivo, buscandose convencimento da Administração, acerca de determinada interpretação. E se assim for o caso, a solução em consulta conferelhe medida protetiva, um verdadeiro escudo contra eventuais futuros entendimentos administrativos contrários. Por essa razão, apenas a solução de consulta favorável ao contribuinte tem repercussões no contencioso administrativo fiscal, no sentido de coibir o lançamento. Observese que, nessa toada, dispõe o art. 100 do Decreto n. 7574/2011: Art.100. Se, após a resposta à consulta, a administração alterar o entendimento expresso na respectiva solução, a nova orientação atingirá apenas os fatos geradores que ocorrerem após ser dada ciência ao consulente ou após a sua publicação na imprensa oficial (Lei no 9.430, de 1996, art. 48, § 12). Parágrafo único. Na hipótese de alteração de entendimento expresso em solução de consulta, a nova orientação alcança apenas os fatos geradores que ocorrerem após a sua publicação na Imprensa Oficial ou após a ciência do consulente, exceto se a nova orientação lhe for mais favorável, caso em que esta atingirá, também, o período abrangido pela solução anteriormente dada. Acresçase, por fim, que as decisões proferidas em procedimentos de consulta e no processo administrativo fiscal são lógica e juridicamente distintas, de sorte que não se verifica quaisquer relações de hierarquia entre elas. Fl. 378DF CARF MF Processo nº 11080.729871/201313 Acórdão n.º 3201000.461 S3C2T1 Fl. 0 9 Superadas a questão, partese para o conhecimento do mérito da lide. A atividade de instalação de elevadores deve ser caracterizada como serviço, e não como atividade de industrialização, frisandose que, na hipótese dos autos, a Recorrente aparta a atividade de fabricação dos elevadores, da de sua instalação. Além de todas os fundamentos jurídicos trazidos pela Recorrente, como o fato de que a instalação de elevadores sob encomenda ser complemento da obra de construção civil, esta, indubitavelmente subsumida ao conceito de serviço, por se agregarem ao solo, dentre outras, temse que, para efeitos da legislação federal, que passou a tributar os serviços pelas contribuições sociais, bem como instituir o instrumental necessário para o controle do comércio exterior de serviços, com a edição da Nomenclatura Brasileira de Serviços, Decreto n. 7708/2011, não há mais dúvidas quanto ao enquadramento. Destarte, de acordo com o art. 2o do decreto, a NBS será adotada como nomenclatura única na classificação das transações com serviços, intangíveis e outras operações que produzam variações no patrimônio das pessoas físicas, pessoas jurídicas e entes despersonalizados. Os serviços de instalação de elevadores estão assim dispostos: SEÇÃO ISERVIÇOS DE CONSTRUÇÃO Capítulo 1Serviços de construção 1.0131Outros serviços de instalação 1.0131.10.00Serviços de instalação de elevadores, esteiras e escadas rolantes O direito positivo brasileiro não traz um conceito conotativo de "serviço' nem mesmo para efeitos de incidência do ISSQN, operando sempre com definições denotativas, ou seja, com listas que arrolam o que são considerados os "serviços" para efeitos de tributação. Portanto, não se questiona a validade, vigência e eficácia da Nomenclatura Brasileira de Serviços, para esse fim. Não se olvide, finalmente, que os decretos são de aplicação obrigatória para o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, de maneira que considerada a atividade em questão como serviço, deve ser a aplicação do regime cumulativo das contribuições sociais. Por essas razões, entendo que há de ser dado provimento ao recurso voluntário.Com efeito, não vislumbro a possibilidade de uma Solução de Consulta expedida pela Receita Federal do Brasil vincular, ad eternum, uma exigência tributária que se mostre claramente ilegítima. Não se trata aqui de discutir se o contribuinte poderia ou não ter formulado uma segunda Consulta Fiscal, ou mesmo qual das respostas deveria prevalecer. Tratase aqui de reconhecer a legalidade ou ilegalidade de uma exigência tributária, ou, melhor dizendo, de definição acerca do alcance de uma norma tributária. Mesmo se admitisse que, de acordo com as normas procedimentais, a segunda Solução de Consulta deveria ser tida por inexistente, tal Fl. 379DF CARF MF Processo nº 11080.729871/201313 Acórdão n.º 3201000.461 S3C2T1 Fl. 0 10 constatação, por óbvio, não chancela a legitimidade da primeira Solução de Consulta. Afinal, este não é o meio adequado para se definir fato gerador de obrigação tributária. E, nesse sentido, trago o seguinte precedente do Superior Tribunal de Justiça que reconhece o serviço de instalação e montagem de elevadores como obra de engenharia, e não como industrialização (portanto, atraindo a incidência do regime cumulativo do PIS e da COFINS à época dos fatos geradores): TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. FORNECIMENTO DE ELEVADORES. IPI. NÃO INCIDÊNCIA. 1. A atividade de fornecimento de elevadores, que envolve a produção sob encomenda e a instalação no edifício, encerra, precipuamente, uma obra de engenharia que complementa o serviço de construção civil, não se enquadrando no conceito de montagem industrial, para fins de incidência do IPI. 2. Recurso especial provido. (REsp 1231669/RS, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 07/11/2013, DJe 16/05/2014) Diante do exposto, voto por CONHECER e DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do Contribuinte, exonerando o crédito tributário lançado." Apenas uma observação, que em nada afeta o resultado do julgamento do presente processo: não há que se falar em exonerar o crédito tributário lançado, uma vez que tanto o processo paradigma quanto o presente tratam de PER/DCOMP. Assim, a consequência do provimento ao recurso é o reconhecimento do direito creditório postulado pela Contribuinte, com a homologação da compensação declarada. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dou provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Winderley Morais Pereira Fl. 380DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 14751.002738/2009-70
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Mar 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/02/2009 a 30/09/2009
NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. INEXISTÊNCIA.
Não se acolhe o pedido de nulidade do Acórdão de primeira instância administrativa que tratou de todos os pedidos deduzidos na impugnação.
CIÊNCIA POR VIA POSTAL. VALIDADE.
De acordo com a Súmula CARF nº 9 "É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário".
Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2009 a 30/09/2009
GLOSA DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO NÃO COMPROVADO.
Aplica-se a glosa de compensação quando não comprovada a existência de crédito em favor do contribuinte.
Numero da decisão: 2202-003.614
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa- Presidente
Assinado digitalmente
Cecilia Dutra Pillar - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar, Márcio Henrique Sales Parada e José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado).
Nome do relator: CECILIA DUTRA PILLAR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201701
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/02/2009 a 30/09/2009 NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. INEXISTÊNCIA. Não se acolhe o pedido de nulidade do Acórdão de primeira instância administrativa que tratou de todos os pedidos deduzidos na impugnação. CIÊNCIA POR VIA POSTAL. VALIDADE. De acordo com a Súmula CARF nº 9 "É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário". Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2009 a 30/09/2009 GLOSA DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Aplica-se a glosa de compensação quando não comprovada a existência de crédito em favor do contribuinte.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Mar 09 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 14751.002738/2009-70
anomes_publicacao_s : 201703
conteudo_id_s : 5691898
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Mar 09 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 2202-003.614
nome_arquivo_s : Decisao_14751002738200970.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : CECILIA DUTRA PILLAR
nome_arquivo_pdf_s : 14751002738200970_5691898.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa- Presidente Assinado digitalmente Cecilia Dutra Pillar - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar, Márcio Henrique Sales Parada e José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado).
dt_sessao_tdt : Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2017
id : 6669316
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:56:52 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048947358957568
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1452; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 1.111 1 1.110 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 14751.002738/200970 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202003.614 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 18 de janeiro de 2017 Matéria Contribuições Previdenciárias Recorrente JOÃO PESSOA SECRETARIA DE FINANCAS SEFIN Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/2009 a 30/09/2009 NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. INEXISTÊNCIA. Não se acolhe o pedido de nulidade do Acórdão de primeira instância administrativa que tratou de todos os pedidos deduzidos na impugnação. CIÊNCIA POR VIA POSTAL. VALIDADE. De acordo com a Súmula CARF nº 9 "É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário". ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2009 a 30/09/2009 GLOSA DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Aplicase a glosa de compensação quando não comprovada a existência de crédito em favor do contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 75 1. 00 27 38 /2 00 9- 70 Fl. 1126DF CARF MF 2 Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente Assinado digitalmente Cecilia Dutra Pillar Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar, Márcio Henrique Sales Parada e José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado). Relatório Trata o presente processo de auto de infração lavrado para a constituição de crédito tributário oriundo de glosa de compensações de contribuições previdenciárias realizadas em GFIP Guia de Recolhimento do Findo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social pelo sujeito passivo, nas competências 02/2009 a 04/2009 e 07/2009 a 09/2009. O Relatório Fiscal do Auto de Infração (fls. 11/20) informa que o Órgão Público Municipal efetuou compensações de importâncias cujos créditos não foram comprovados uma vez que não configurado recolhimento indevido ou a maior que o devido a título de: a) contribuições incidentes sobre remuneração de exercentes de mandato eletivo Vereadores, cujos pagamentos teriam sido realizados no período de 02/1998 a 09/2004 (planilha de fls. 136/138), compensadas nas competências 02/2009, 03/2009 e 04/2009. Compensações glosadas em função dos recolhimentos e respectivas GFIPs terem sido realizados no CNPJ da Câmara de Vereadores, não podendo ser compensados no CNPJ da Secretaria de Finanças do Município; b) contribuições incidentes sobre remuneração de exercentes de mandato eletivo Prefeito e vicePrefeito, relativos ao período de 02/1998 a 09/2004 (planilha de fls. 139/146) compensadas nas competências 02/2009, 03/2009 e 04/009. Compensações relativas ao período de 02/1998 a 12/2003 foram glosadas pois estaria alcançado pela prescrição e as relativas ao período de 01/2004 a 09/2004 foram glosadas pois as remunerações do Prefeito e do vivePrefeito não foram declaradas nas respectivas GFIPs e não houve comprovação de recolhimento a maior que o devido; c) contribuições que o sujeito passivo alegou trataremse de valores sobre parcelas indenizatórias pagas a segurados, compensadas nas competências 07/2009, 08/2009 e 09/2009 e glosadas porque o órgão autuado, não comprovou por meio de documentação hábil e idônea, as remunerações e rubricas pagas, os nomes dos segurados envolvidos, as contribuições recolhidas indevidamente, as competências envolvidas nem as datas dos recolhimentos. A Edilidade impugnou o lançamento, conforme síntese constante no relatório do Acórdão nº 1142.238 da 7ª Turma da DRJ do Recife (PE), de fls. 1060/1066, que reproduzo: Fl. 1127DF CARF MF Processo nº 14751.002738/200970 Acórdão n.º 2202003.614 S2C2T2 Fl. 1.112 3 I) teria atendido, na íntegra às solicitações de informações acerca da compensação declarada; II) o Município incluiu todas as contribuições sobre remunerações do período de 01 a 09/2004 no Parcelamento da Lei nº 11.196/2005 (documentos de fls. 195 e 196) com protocolo de nº 36100.000734/200610. Fizeram parte deste parcelamento todas as remunerações informadas nas folhas de pagamento, ainda que não declaradas nas respectivas GFIP; III) o contribuinte afirma haver retificado as GFIP do período de forma a contemplar os segurados cujas remunerações foram objeto do referido parcelamento; IV) prescrição decenal do direito compensatório; V) inconstitucionalidade dos recolhimentos patronais relativos a exercentes de mandato eletivo no período entre 02/98 a 09/2004 VI) o caráter indenizatório das rubricas: 1/3 de férias e auxílio doença, não passíveis de integrar o salário de contribuição; VII) da legitimidade para promover compensações em nome da Câmara e em nome da administração indireta. Ao final, pede a nulidade do presente AI. Solicitada por meio do Despacho nº 978/2010, f.. 247, diligência para apuração da existência de parcelamentos quantos aos valores ora compensados e para verificação das alegadas correções nas GFIP. Em resposta, fls. 369 a 373, a Fiscalização acrescenta que: 5)os parcelamentos promovidos pelo contribuinte, LDC de números 35.920.7944 e 35.920.7936, tratam das competências de 06/2001 a 06/2005 e de 06/2001 a 11/2004, respectivamente; 6)considerando a decadência de compensar o período 02/98 a 12/2003, apenas verificamos o mérito das compensações para o período de 01 a 09/2004; 7)o contribuinte não atendeu à intimação de exibição da memória de cálculo dos valores parcelados, limitandose a apresentar o FORCED (fls. 252 a 261), com os valores finais; 8)conforme se extrai do quadro de f. 370, não há correspondência entre os valores parcelados e a diferença GFIP X GPS ao tempo da operação: as GFIP de 03 a 08/2009 possuem valores inferiores aos parcelados e as GFIP 02 e 09/2009 estão muito abaixo das médias mensal das demais; 9)nestas GFIP não estão contemplados o Prefeito e o vice; 10) em diligência à empresa para verificar o valor de suas folhas de pagamento (conforme tese da defesa), o auditor obteve como resposta (fls. 294 a 308), o Doc 4 – Cálculos e Folhas de Fl. 1128DF CARF MF 4 pagamento Sintéticas, demonstrando que os valores parcelados correspondem aos da folha sintética resumida (quadro no item 22 de resumo à f. 371), que divergem das GFIP então declaradas; 11) ao investigar as informações trazidas pelo contribuinte por mídia digital (CD com folha de pagamento analítica à f. 292), o autuante encontrou nova diferença de valores : folha sintética x folha analítica (quadro no item 25 de f. 371) ; 12) assim, não se pode considerar a existência de crédito em favor do contribuinte uma vez que as folhas de pagamento analíticas trazidas são superiores aos valores confessados em parcelamento, não restando demonstrada a inclusão das remunerações de mandato eletivo. O contribuinte foi cientificado deste pronunciamento em 24/08/2011 (f. 376). Não se manifestou adicionalmente. A impugnação foi julgada improcedente e o sujeito passivo cientificado do Acórdão da DRJ em 11/09/2013, conforme A.R. de fls. 1068. Inconformado, apresentou recurso voluntário em 10/10/2013, trazendo como argumentos preliminares: (a) que o recurso deve ser conhecido, mesmo havendo adesão ao parcelamento da Lei nº 12.810/2013, por força do Mandado de Segurança nº 0004838 91.2013.4.05.8200, cuja liminar lhe garantiu o direito à discussão administrativa e judicial, de contribuições incluídas em parcelamento; (b) nulidade do acórdão da DRJ por não tratar de todos os pedidos da impugnação; (c) nulidade do processo por violação ao contraditório e ampla defesa devido à nulidade da ciência do acórdão porque endereçado à Secretaria de Finanças do Município e não à Procuradoria do Município. No mérito requer, em resumo: 1) Que seja revista e aceita a comprovação dos créditos compensados, pois o Município teria sim atendido as intimações durante o procedimento fiscal, através dos ofícios 338/SEFIN/09 e 356/2009/SEFIN (fls. 190 a 193); 2) Que seja revisto o lançamento pois incluiu as competências 01 a 09/2004 no parcelamento especial da Lei nº 11.196/2005, cujos Forceds anexados às fls. 194/196, comprovam a inclusão do "Débitos declarados espontaneamente no período de 06/2001 a 08/2005 (parte patronal)". Alega que o débito incluído no parcelamento contemplou toda a folha de pagamento do município, inclusive segurados que na época não foram declarados em GFIP, como o caso do Prefeito e vice; 3) Que obedeceu à determinação da Instrução Normativa MPS/SRP nº 15/2006, procedendo à retificação das GFIPs para excluir os exercentes de mandato eletivo informados; 4) Que seja aceita a compensação de valores recolhidos anteriormente à vigência da LC 118/2005, aplicandose a sistemática dos "5 + 5" anos, em observância ao entendimento do STJ pois a DRJ considerou quinquenal o prazo para compensação alegando haverem normas expressas nesse sentido. Refere ementa do REsp 1.002.932SP, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25/11/2009, com o entendimento de que a LC nº 118/2005 deve ser aplicada aos pagamentos Fl. 1129DF CARF MF Processo nº 14751.002738/200970 Acórdão n.º 2202003.614 S2C2T2 Fl. 1.113 5 indevidos realizados após sua vigência e não à ações propostas posteriormente ao referido diploma legal, de modo que para os pagamentos indevidos antes da entrada em vigor da LC nº 118/2005 (09/06/2005), o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a tese dos cinco mais cinco anos (limitado ao prazo máximo de cinco anos a contar da vigência da nova Lei). Reproduz outros julgados do STJ com o mesmo entendimento; 5) Que seja reconhecido o crédito relativo às cotas patronais indevidamente recolhidas sobre os subsídios dos agentes políticos, durante o período de 02/1998 a 09/2004 (declaradas inconstitucionais conforme Resolução do Senado Federal nº 26/2005), cujos valores demonstrou nas planilhas de fls. 232 a 236; 6) Que seja reconhecido o crédito decorrente do recolhimento indevido sobre parcelas indenizatórias, não integrantes da base de cálculo do INSS, como auxíliodoença e terço constitucional de férias. Reporta o inciso XIII, do art. 58 da IN/RFB nº 971/2009, que diz não integrar a base de cálculo para fins de incidência de contribuições, a importância paga ao segurado empregado, inclusive quando em gozo de licença remunerada, a título de complementação do valor do auxílio doença, desde que o direito seja extensivo à totalidade dos empregados. Com relação à não incidência de INSS sobre o terço constitucional de férias, alega ser matéria já pacificada nos Tribunais Superiores. Afirma demonstrar os créditos a que tem direito nas planilhas de fls. 237/244 dos autos; 7) Que seja declarada a legitimidade da Prefeitura Municipal para compensar créditos apurados pela Câmara de Vereadores e pelos entes integrantes da administração pública indireta, isto porque as Câmaras Municipais não possuem personalidade jurídica mas apenas personalidade judiciária, só podendo demandar em juízo para defender os seus direitos institucionais. Assim, como a relação jurídica se estabelece entre os ocupantes de cargos eletivos e o Município, é do Município a legitimidade para realizar as compensações previdenciárias no que toca às remunerações do Prefeito, do VicePrefeito e dos Vereadores. 8) Que seja revista a decisão da DRJ no tocante à compensação dos valores indevidamente recolhidos pela administração indireta, pois, embora a EMLUR e FUNJOPE possuam personalidade jurídica própria, os débitos previdenciários por estas contraídos são de responsabilidade subsidiária do Município. Afirma que a 1ª Vara Federal da Seção Judiciária da Paraíba já decidiu neste sentido em ação onde litigam o Município de João Pessoa e a Fazenda Nacional, entendendo que o Município é parte legítima para formular pedido de suspensão da exigibilidade de créditos tributários constituídos contra suas autarquias, visto que o Município, em última análise, apresentase como coresponsável pelos débitos tributários de suas autarquias, em face de haver figurado nos termos de parcelamento. Requer o reconhecimento da legitimidade da Prefeitura Municipal para utilização de créditos previdenciários dos entes que compõem a administração pública indireta. 9) Que sejam refeitos os cálculos dos valores passíveis de compensação, com a consequente homologação do valor de R$ 11.349.683,87, compensado nas competências 02 a 04/2009 e 07 a 09/2009, excluindose a multa e juros aplicados. É o relatório. Fl. 1130DF CARF MF 6 Voto Conselheira Cecilia Dutra Pillar. O recurso é tempestivo e atende às demais formalidades legais, portanto dele conheço. Das Preliminares a) Mandado de Segurança nº 000483891.2013.4.05.8200 Em sede recursal o interessado veio informar da existência da ação mandamental com pedido de liminar objetivando que o Delegado da Receita Federal do Brasil no Estado da Paraíba se abstenha de exigir do Município de João Pessoa, quando do pedido de adesão ao parcelamento instituído pela Lei nº 12.810/2013, a desistência ou renúncia à discussão dos débitos envolvidos, quer administrativa quer judicialmente. A liminar foi deferida em 29/08/2013, determinando que o impetrado dê prosseguimento aos processos administrativos nº 14751.002740/200949, 14751.002738/2009 70, 14751.720223/201170, 14751.720225/201169 e 14751.720224/201114. Em consulta ao sítio do TRF da 5ª Região, constase que a liminar foi confirmada por sentença que concedeu a segurança e os Embargos de Declaração opostos pela Fazenda Nacional não foram providos pela Terceira Turma daquele Tribunal (Acórdão de 16/08/2016). Assim, a discussão administrativa do presente processo (de nº 14751.002738/200970), deve ter prosseguimento. b) Nulidade do acórdão da DRJ Contrariamente ao alegado pelo recorrente, o acórdão nº 1142.238 expedido pela DRJ de Recife (PE) tratou sim de todos os pedidos da impugnação. Da leitura daquele julgado em confronto com os argumentos da impugnação, podese pontuar, para cada alegação do impugnante, o que foi decidido pela DRJ: I) teria atendido, na íntegra às solicitações de informações acerca da compensação declarada; · Acórdão DRJ: Da Omissão do contribuinte Ao contrário do que alega, o interessado não atendeu integralmente as intimações fiscais, não obtendo êxito em demonstrar seu direito compensatório, uma vez que não conseguiu identificar os excedentes de pagamento que julgava possuir. Conforme já relatado, não trouxe a identificação dos valores e dos segurados relativos a tais excedentes. O contribuinte limitouse a apresentar o Ofício nº338/SEFIN/09 a o contrato de prestação de serviços nº 43/2009, sequer detalhando as rubricas sobre as quais teria recolhido valores indevidos. Fl. 1131DF CARF MF Processo nº 14751.002738/200970 Acórdão n.º 2202003.614 S2C2T2 Fl. 1.114 7 Ademais, não conseguiu apresentar folhas de pagamento analítica e sintética correspondentes entre si, não demonstrando os indébitos relativos aos exercentes de mandato eletivo. Em conclusão, não procede a alegação de atendimento adequado à fiscalização (Termos de Intimação de fls. 50 e 51, 153). II) o Município incluiu todas as contribuições sobre remunerações do período de 01 a 09/2004 no Parcelamento da Lei nº 11.196/2005 (documentos de fls. 195 e 196) com protocolo de nº 36100.000734/200610. Fizeram parte deste parcelamento todas as remunerações informadas nas folhas de pagamento, ainda que não declaradas nas respectivas GFIP; III) o contribuinte afirma haver retificado as GFIP do período de forma a contemplar os segurados cujas remunerações foram objeto do referido parcelamento; · Acórdão DRJ: Dos parcelamentos Como já dito, a Lei no. 8.212/91 somente permite a repetição do indébito na hipótese de comprovação de recolhimento indevido de contribuições. Assim, a suposta inclusão de contribuições indébitas em parcelamento administrativo não integralmente quitado é insuficiente para dar amparo à compensação. Antes, é necessário que haja demanda do contribuinte, no processo específico, para fazer a revisão do parcelamento para expurgar as supostas contribuições indevidas, efetuar nova consolidação de débitos e créditos e apurar se houve efetivamente recolhimentos indevidos. Com isso, razão não assiste ao sujeito passivo ao compensar contribuições incluídas em parcelamento não integralmente quitado, porque os supostos créditos a seu favor não são líquidos e certos. Cabe, ainda, realçar que, no caso sob exame, apenas se discute o direito, visto que o Impugnante sequer comprovou a inclusão de quaisquer contribuições indevidas em parcelamento. Por esta conclusão resta sem interesse a discussão acerca de eventual correção de GFIP, uma vez afastados o alegado indébito e a compensação intentada. IV) prescrição decenal do direito compensatório; · Acórdão DRJ: Das restrições ao direito compensatório: Prescrição Quanto à prescrição, cabe esclarecer que o CTN estabelece em seu artigo 168, inciso I, que o direito de promover a Fl. 1132DF CARF MF 8 compensação extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário. A LC no. 118/2005, por sua vez, deixou claro que a extinção do crédito se dá com o pagamento antecipado. Assim, havendo normas vigentes e expressas nesse sentido, deve se considerar como qüinqüenal o prazo para compensar pagamentos indevidos. Na planilha de f. 12 trazida pelo Fisco, observase que a primeira GFIP entregue com declarações de compensação data de 25/09/2009. Desta feita, pelo prazo acima estabelecido, estão prescritos quaisquer créditos decorrentes de pagamentos efetuados até 24/09/2004. Para as compensações intentadas relativas aos pagamentos feitos a partir desta data, seguiremos a análise da glosa promovida. V) inconstitucionalidade dos recolhimentos patronais relativos a exercentes de mandato eletivo no período entre 02/98 a 09/2004 · Acórdão DRJ: Da inconstitucionalidade das contribuições patronais relativos a exercentes de mandato eletivo no período entre 02/98 a 09/2004 Tratase de matéria já apreciada pelo STF e acatada pelo Fisco. Incontroversa, portanto. Salientese que o reconhecimento da inconstitucionalidade de determinada exigência tributária, não acarreta obrigatório direito ressarcitório do contribuinte, a menos que este demonstre ter suportado a exigência descabida. VI) o caráter indenizatório das rubricas: 1/3 de férias e auxílio doença, não passíveis de integrar o salário de contribuição; · Acórdão DRJ: Do direito à Compensação De início destacar que o cerne do direito de se compensar pleiteado pelo contribuinte é a existência de recolhimentos indevidamente realizados. Nos termos do antes resumido relatório fiscal, não houve comprovação inequívoca de recolhimento previdenciário sobre remuneração de agentes eletivos, mesmo após diligência suplementar. Como já referido, o mero reconhecimento da inconstitucionalidade de determinada exigência tributária, não acarreta obrigatório direito do contribuinte, a menos que este demonstre ter suportado a exigência descabida. Quanto à suposta contribuição sobre verbas indenizatórias, esta também não restou demonstrada nos autos. Acertada, portanto, a autuação fiscal em tela, que glosou a compensação de recolhimentos não comprovados. Fl. 1133DF CARF MF Processo nº 14751.002738/200970 Acórdão n.º 2202003.614 S2C2T2 Fl. 1.115 9 VII) da legitimidade para promover compensações em nome da Câmara e em nome da administração indireta. · Acórdão DRJ: Da Legitimidade para pleitear a Compensação A Prefeitura Municipal pretendeu incorretamente se compensar de eventuais contribuições incidentes sobre a remuneração dos Vereadores e de prestadores de serviços de Autarquias. Tanto a Prefeitura quanto a Câmara Municipal/ Autarquias são consideradas empresas em relação aos segurados abrangidos pelo Regime Geral de Previdência Social, e estão sujeitas, individualmente, ao cumprimento das obrigações tributárias acessórias e principais. Assim, não cabe o aproveitamento, pela Edilidade, das contribuições sociais de responsabilidade destes outros entes, já que todas possuem CNPJ e obrigações próprias. Destaque, por fim e mais uma vez, que a autuada não demonstrou o indébito em nome de quaisquer destes outros entes. O recorrente pode não concordar com a decisão da DRJ, mas não lhe socorre a afirmativa de que aquela decisão teria deixado de apreciar seus argumentos de impugnação. Portanto, não se vislumbra a nulidade alegada. c) Violação ao contraditório e ampla defesa O recorrente alega nulidade da ciência do acórdão, porque endereçado à Secretaria de Finanças do Município e não à Procuradoria do Município. Examinando os autos, constatase que o auto de Infração foi lavrado em nome do Município de João Pessoa Prefeitura Municipal, no CNPJ nº 08.806.721/000103, cadastrado para João Pessoa Secretaria de Finanças SEFIN. As GFIPs que geraram as glosas foram declaradas no CNPJ nº 08.806.721/000103. O Termo de Início de Procedimento Fiscal TIPF (fls. 41/42) foi cientificado à Sra. Livânia Maria da Silva Farias, Secretária de Finanças. Os Termos da Intimação Fiscal nº 01 (fls. 43), 02 (fls. 45/46) e 03 (fls. 153), contém o endereço da Prefeitura Municipal Praça Pedro Américo nº 70 e foram recepcionados pela Sra. Josélia Guedes Alves. Nas respostas às intimações (Ofícios da Prefeitura Municipal de João Pessoa Secretaria de Finanças) consta o CNPJ nº 08.806.721/000103 e o endereço da av. Diógenes Chianca nº 1777. O endereço cadastrado para o CNPJ nº 08.806.721/000103 é da av. Diógenes Chianca nº 1777 e a pessoa que atendeu a fiscalização foi a Sra. Josélia Guedes Alves, que representou o sujeito passivo mediante procuração constante às fls. 346. O Acórdão da DRJ foi encaminhado por via postal ao endereço onde se realizou a ação fiscal, devidamente cadastrado no CNPJ. O Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, assim estabelece: Art. 23. Farseá a intimação: Fl. 1134DF CARF MF 10 (...) II – por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (...) § 2° Considerase feita a intimação: I – na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II – no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) [...] § 4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; (...) A súmula CRF nº 09 trata da validade da intimação realizada no domicílio eleito pelo contribuinte: Súmula CARF nº 9 "É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário Assim, é válida a intimação encaminhada ao endereço da Secretaria de Finanças do Município, a qual acompanhou os trabalhos da fiscalização e tinha conhecimento da autuação lavrada. Os trâmites internos (encaminhamento para a Procuradoria do Município) são de responsabilidade do Sujeito Passivo. Ademais, não houve prejuízo a ampla defesa do contribuinte pois o recurso voluntário foi apresentado tempestivamente e acompanhado dos documentos que entendeu pertinentes. Do mérito 1) Atendimento às intimações Através dos ofícios 338/SEFIN/09 (fls. 150) e 356/2009/SEFIN (fls. 135) (fls. 190 a 193 da impugnação), verificase que durante o procedimento fiscal, o Município respondeu às intimações, informando no primeiro Ofício que as compensações dos meses de julho, agosto e setembro são decorrentes de parcelas de natureza indenizatória que constam na IN MPS/SRF nº 03/2005 e o segundo Ofício trata do encaminhamento da memória de cálculo dos valores compensados (fls. 136/149). Ocorre que as respostas não foram satisfatórias. O primeiro Ofício não identificou os valores das remunerações, valores das contribuições, épocas dos recolhimentos indevidos, nomes dos segurados nem quais seriam as parcelas indenizatórias indevidamente tributadas. Fl. 1135DF CARF MF Processo nº 14751.002738/200970 Acórdão n.º 2202003.614 S2C2T2 Fl. 1.116 11 Já as planilhas que acompanharam o segundo Ofício (identificando os detentores de mandato eletivo e suas remunerações) não trazem qualquer comprovação com relação ao efetivo recolhimento dos valores que o contribuinte pretendeu compensarse. Portanto, as intimações foram atendidas mas as informações não foram suficientes para identificar de forma inequívoca os créditos que o contribuinte teria em seu favor. 2) Do Parcelamento Os documentos anexados às fls. 194/196 apenas comprovam que a Edilidade solicitou a inclusão em parcelamento, de "Débitos declarados espontaneamente no período de 06/2001 a 08/2005 (parte patronal)". Não há prova nos autos de que as contribuições incluídas no parcelamento contemplem as remunerações dos detentores de mandato eletivo, por vários motivos: não foram apresentadas as folhas de pagamento em que constem o Prefeito e o VicePrefeito e suas respectivas remunerações; as remunerações do Prefeito e do vice não foram declaradas em GFIP pelo Município; os valores incluídos em parcelamento não correspondem aos débitos declarados em GFIP nem às folhas de pagamento examinadas pela fiscalização; não foram apresentadas as memórias de cálculo dos valores parcelados, apenas os FORCED com os valores finais. Assim, caberia à recorrente comprovar através de documentos hábeis e idôneos, que efetivou o parcelamento do valor correspondente à integralidade das contribuições devidas e também das contribuições indevidas incidentes sobre a remuneração dos detentores de mandato eletivo, para que pudesse pleitear a compensação destas últimas. Tenho como não comprovada a alegação, não podendo ser acolhido o pedido do Município. 3) Da retificação das GFIPs Conforme se depreende do processo, o contribuinte não declarou em suas GFIPs o Prefeito e o VicePrefeito, portanto não ofereceu à tributação da Seguridade Social suas respectivas remunerações. A fiscalização informa no Relatório Fiscal do Auto de Infração (fls. 17) que "no Relatório Demonstrativo de Normalizações e Agregações, extraídos do sistema CNISA, contendo as bases de cálculo informadas à época dos recolhimentos não há valores informados na categoria 19AGENTES POLÍTICOS". O recorrente alega ter cumprido com determinação contida na Instrução Normativa MPS/SRP nº 15/2006 (D.O.U. de 18/09/2006), que assim dispunha: 1.4 (...) NOTAS: a) A compensação deve ser precedida de retificação das GFIP, para excluir destas todos os exercentes de mandato eletivo informados, bem como a remuneração proporcional ao período de 1º a 18 na competência 09/2004. b) Os mandatos eletivos, desde a versão 5.0 do Sefip (aprovada pela Resolução INSS/DC nº 063, de 17/09/2001), são informados em GFIP na categoria “19”. Nas versões anteriores eram Fl. 1136DF CARF MF 12 informados na categoria 12, que incluía todos os servidores públicos federais, estaduais e municipais vinculados ao RGPS. Ao pretender compensarse de contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração dos agentes políticos (cuja exigibilidade restou suspensa por força da Resolução do Senado Federal nº 26, de 21/06/2005, em face da declaração inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal da letra “h” do inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212/1991, acrescida pela Lei nº 9.506/1997, nos autos Recurso Extraordinário nº 351.7171 – PR), o contribuinte afirma que teria retificado suas GFIPs para excluir tais remunerações. Isto não faz sentido! Se os detentores de mandado eletivo não estavam declarados em GFIP, não poderiam ser dela excluídos. Assim, tenho que as retificações de GFIP alegadas, não fizeram exsurgir recolhimentos de contribuições a maior, pois os fatos geradores referentes aos detentores de mandado eletivo não foram sequer declarados em GFIP nem oferecidos à tributação. 4) Do prazo prescrional para realização da compensação A Municipalidade requer que seja aplicado à situação em apreço, o entendimento de algumas decisões do STJ no sentido de que para os pagamentos indevidos realizados antes da entrada em vigor da LC nº 118/2005 (09/06/2005), o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, continua observando a tese vigente à época dos pagamentos, dos cinco mais cinco anos. Primeiro cabe observar que o STF, no julgamento do RE nº 566.621/RS, julgado no qual havia sido reconhecida a repercussão geral da matéria em exame, firmou o posicionamento, por maioria dos votos, de que, para as ações ajuizadas após entrada em vigor da LC nº 118/2005, o prazo para compensação ou repetição do indébito tributário, nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, é de 05 (cinco) anos. Já em relação às ações ajuizadas até 08/06/2005, a Corte entendeu pela aplicação do entendimento até então predominante na jurisprudência, permitindose, assim, a devolução dos tributos indevidamente recolhidos até os últimos 10 (dez) anos. O STF permitiu a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após o início da vigência da LC nº 118/2005, considerando que o prazo de vacatio legis de 120 (cento e vinte) dias possibilitara aos contribuintes não apenas tomar ciência do novo prazo, como também ajuizar as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Conforme se extrai da própria ementa do julgado supra referido, para a aplicação do prazo prescricional na forma prevista na LC nº 118/2005, levase em conta a data da propositura da demanda e não o período em que realizados os recolhimentos dos tributos impugnados. Percebese, pois, que a eficácia vinculativa da decisão diz respeito à aplicação do prazo prescricional de dez anos apenas às ações ajuizadas anteriormente ao início de vigência da LC nº 118/2005, aplicandose o novo prazo previsto naquela lei complementar às ações ajuizadas após o início de sua vigência. A questão específica do pedido administrativo, que é o caso dos autos, e o prazo prescricional da LC 118/2005 não foi objeto de apreciação por aquela Corte. Cabe referir, também, a súmula CARF nº 91, que entende ser a data do pedido de restituição o marco do prazo prescricional, assim disciplinando: Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de Fl. 1137DF CARF MF Processo nº 14751.002738/200970 Acórdão n.º 2202003.614 S2C2T2 Fl. 1.117 13 tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Mesmo que se pudesse aplicar tal súmula, por analogia, à declaração de compensação, apenas para as declarações transmitidas antes de 09/06/2005 se aplicaria o prazo o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. De qualquer sorte, há inúmeros julgados dos Tribunais Superiores no sentido que "A lei que regula a compensação tributária é a vigente na data do encontro de contas entre os recíprocos débito e crédito da Fazenda Nacional com o contribuinte." No caso em questão as GFIPs onde o contribuinte pretendeu compensarse foram transmitidas em 09/2009 e mesmo que se fosse considerar o pedido administrativo como termo final de contagem do prazo prescricional, uma vez ocorrido após o prazo de vacatio legis da LC 118/2005, apenas seriam passíveis de compensação os indébitos recolhidos a partir de 09/2004. Contudo, todas estas ponderações se mostram inócuas ao reconhecimento do direito do interessado pois, conforme já explicitado, o contribuinte não comprova ter realizado recolhimentos indevidos ou a maior que os devidos no período que identificou como origem dos seus créditos. Assim, não havendo créditos comprovados a seu favor, não há que se falar em prazo para efetivar compensações. 5) Reconhecimento de créditos Para fazer jus à compensação efetuada com base nos recolhimentos dos agentes políticos o sujeito passivo deveria comprovar que efetuou o recolhimento sobre tais valores. Além disso, deveria também comprovar a devida correção das GFIPs do período, nas quais, no momento anterior à compensação deveriam constar os fatos geradores daqueles agentes e, para fins de compensação, procedida a exclusão de suas declarações, dos valores das remunerações informadas para eles. É que o referido documento declaratório tem a dupla função de calcular o valor devido à Seguridade Social e servir de basedecálculo para os benefícios previdenciários, de sorte que a declaração dos fatos geradores e depois sua retificação prévia, conforme disposto na norma específica, é condição para o exercício da compensação. Nas planilhas da fls. 233 a 236 o recorrente informa tão somente a remuneração dos agentes políticos para o período de 02/1998 a 09/2004, não comprovando em momento algum o efetivo recolhimento das contribuições incidentes sobre tais remunerações, não havendo crédito a ser reconhecido. Da mesma forma, para fazer jus à compensação de valores que alega ter recolhido indevidamente sobre parcelas indenizatórias. As planilhas de fls. 237/244 indicam valores a título de Adicional de 1/3 de férias, do período de 01/2001 a 06/2009 e de Auxílio Doença, do período de 01/2005 a 08/2009, sem comprovar o efetivo recolhimento das contribuições incidentes sobre tais rubricas. Observase que em nenhum momento o sujeito passivo explicou ou demonstrou de forma específica e pontual, mês a mês, os valores devidos, os valores compensados e sua origem (rubrica recolhida a maior, competência e data do recolhimento a maior), o saldo a compensar e como procedeu para a atualização destes valores, limitandose a trazer os mesmos argumentos e documentos apresentados na ação fiscal. Para a correção e conferência dos valores compensados é imprescindível a informação do valor recolhido a maior e da data do recolhimento, a partir da qual se operam os cálculos de atualização monetária. Fl. 1138DF CARF MF 14 O recorrente não se desincumbiu do seu ônus de demonstrar a regularidade das compensações efetuadas. Neste caso, correta a glosa de compensação. 6) Legitimidade da Prefeitura Municipal para compensar créditos apurados pela Câmara de Vereadores e pelos entes integrantes da administração pública indireta A Câmara Municipal assim como os entes que compõem a administração pública indireta não possuem personalidade jurídica, mas possuem CNPJ próprio, o que por si só vincula as contribuições declaradas em GFIP no CNPJ, aos recolhimentos realizados para o mesmo CNPJ. Na ocorrência de recolhimentos a maior, a compensação do indébito devese operar no âmbito do mesmo CNPJ. Havendo irregularidade na compensação assim realizada, a constituição de eventual crédito tributário será efetuada em nome do Ente Público que possui personalidade jurídica, no caso a Prefeitura Municipal, com a identificação (no Relatório do Procedimento Fiscal), da origem da divergência (no caso a Câmara de Vereadores e/ou outros entes da Administração pública). O procedimento de compensação foi equivocado, uma vez que as declarações e recolhimentos foram realizados no CNPJ da Câmara e dos entes que o contribuinte nominou como EMLUR e FUNJOPE, e a compensação pretendida foi efetuada no CNPJ da Prefeitura. Portanto, a Prefeitura não tem legitimidade para compensarse de créditos apurados na Câmara ou em Fundações Municipais, respondendo sim pelas obrigações destes Entes. 7) Dos valores indevidamente compensados Uma vez não homologadas as compensações realizadas nas competências 02 a 04/2009 e 07 a 09/2009 e não reconhecidos os créditos utilizados para a compensação, mantémse a multa e juros aplicados ao lançamento. CONCLUSÃO Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Assinado digitalmente Cecilia Dutra Pillar Relatora Fl. 1139DF CARF MF
score : 1.0
