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Numero do processo: 10825.723053/2014-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011
GLOSA DE CRÉDITOS. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA OBSERVÂNCIA DE REQUISITOS PREVISTOS NA LEGISLAÇÃO QUE INSTITUI INCENTIVO FISCAL A ESTABELECIMENTOS LOCALIZADOS NA AMAZÔNIA OCIDENTAL.
É indevido o aproveitamento de créditos de IPI decorrentes de aquisições de insumos isentos feitas a estabelecimentos industriais localizados na Amazônia Ocidental e com projetos aprovados pelo Conselho de Administração da SUFRAMA, mas que não reste comprovado que tenham sido elaborados com matérias-primas agrícolas e extrativas vegetais, exclusive as de origem pecuária, de produção regional.
MULTA DE OFICIO CONFISCATÓRIA. SÚMULA CARF Nº 2
A multa a ser aplicada em procedimento ex-officio é aquela prevista nas normas válidas e vigentes à época de constituição do respectivo crédito tributário, não cabendo ao Colegiado afastar sua aplicação em razão de suposto caráter confiscatório da penalidade.
Numero da decisão: 3401-005.096
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Tiago Guerra Machado - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Tiago Guerra Machado, Cassio Schappo, Lázaro Antonio Souza Soares.
Nome do relator: TIAGO GUERRA MACHADO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011 GLOSA DE CRÉDITOS. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA OBSERVÂNCIA DE REQUISITOS PREVISTOS NA LEGISLAÇÃO QUE INSTITUI INCENTIVO FISCAL A ESTABELECIMENTOS LOCALIZADOS NA AMAZÔNIA OCIDENTAL. É indevido o aproveitamento de créditos de IPI decorrentes de aquisições de insumos isentos feitas a estabelecimentos industriais localizados na Amazônia Ocidental e com projetos aprovados pelo Conselho de Administração da SUFRAMA, mas que não reste comprovado que tenham sido elaborados com matérias-primas agrícolas e extrativas vegetais, exclusive as de origem pecuária, de produção regional. MULTA DE OFICIO CONFISCATÓRIA. SÚMULA CARF Nº 2 A multa a ser aplicada em procedimento ex-officio é aquela prevista nas normas válidas e vigentes à época de constituição do respectivo crédito tributário, não cabendo ao Colegiado afastar sua aplicação em razão de suposto caráter confiscatório da penalidade.
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AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA OBSERVÂNCIA DE REQUISITOS PREVISTOS NA LEGISLAÇÃO QUE INSTITUI INCENTIVO FISCAL A ESTABELECIMENTOS LOCALIZADOS NA AMAZÔNIA OCIDENTAL. É indevido o aproveitamento de créditos de IPI decorrentes de aquisições de insumos isentos feitas a estabelecimentos industriais localizados na Amazônia Ocidental e com projetos aprovados pelo Conselho de Administração da SUFRAMA, mas que não reste comprovado que tenham sido elaborados com matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais, exclusive as de origem pecuária, de produção regional. MULTA DE OFICIO CONFISCATÓRIA. SÚMULA CARF Nº 2 A multa a ser aplicada em procedimento exofficio é aquela prevista nas normas válidas e vigentes à época de constituição do respectivo crédito tributário, não cabendo ao Colegiado afastar sua aplicação em razão de suposto caráter confiscatório da penalidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 5. 72 30 53 /2 01 4- 66 Fl. 592DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Tiago Guerra Machado Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Tiago Guerra Machado, Cassio Schappo, Lázaro Antonio Souza Soares. Relatório Tratase de Recurso Voluntário em razão de decisão da DRJ/POA que manteve o lançamento de oficio referente ao IPI não declarado e pago, durante o período compreendido entre janeiro de 2010 a dezembro de 2011. Do Lançamento de Ofício Conforme os termos exarados no relatório fiscal, foi verificado que: · O contribuinte teria se apropriado dos seguintes créditos decorrentes da aquisição de matérias primas existentes na Zona Franca de Manaus – Amazônia Ocidental, vindo a ser discriminados no seu livro de apuração sob a rubrica “Valor de outros créditos de IPI”, com a seguinte descrição do ajuste feito “Matéria prima adquirida de produto isento – Zona Franca”: NF Fornecedor Localidade Data Valor Alíq IPI Valor IPI 93 Polyaromas Prep Ext Lt Manaus 21/01/2010 443.100,00 27% 119.637,00 163 Polyaromas Prep Ext Lt Manaus 26/08/2010 109.200,00 27% 29.484,00 194 Polyaromas Prep Ext Lt Manaus 24/11/2010 982.800,00 27% 265.356,00 TOTAL 1.535.100,00 414.477,00 · Os itens adquiridos estavam supostamente amparados pela isenção prevista no artigo 82, III, do RIPI/2002, e, em razão disso, a contribuinte veio a apropriar créditos em razão do artigo 175, do RIPI/2002. · Contudo, na visão das autoridades fiscais, as matériasprimas adquiridas da Amazônia Ocidental, compostas basicamente de Fl. 593DF CARF MF Processo nº 10825.723053/201466 Acórdão n.º 3401005.096 S3C4T1 Fl. 593 3 concentrados, bases e edulcorantes para bebidas não alcoólicas, não atenderam ao inciso III, do artigo 82, e ao inciso III, do artigo 95, do RIPI/2010, e, por conta disso, não poderiam ensejar créditos por parte do contribuinte. Da Impugnação A contribuinte alegou, em sua peça impugnatória: · Em sede preliminar, pela nulidade do Auto de Infração, “por ausência de motivação fática, na medida em que não descreve os motivos pelos quais as matériasprimas adquiridas pela Impugnante não atendem o disposto no inciso III do artigo 82 do RIPI/2002”. E que “não basta, para que o ato administrativo seja validamente fundamentado, que se diga que a matériaprima adquirida pela Impugnante não atende ao quanto previsto no inciso III do artigo 82 do RIPI/2002. É necessário, pois, que a Autoridade Fiscal demonstre por qual razão entende dessa maneira, sob pena de ofensa à teoria dos motivos determinantes e ao princípio da motivação do ato administrativo.” · Quanto ao mérito: 1. Afirma que: (...) a matériaprima adquirida pela Impugnante está enquadrada nos termos do retrocitado dispositivo, tratandose exatamente de produto elaborado com matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, por estabelecimentos industriais localizados na Amazônia Ocidental, cujos projetos tenham sido aprovados pelo Conselho de Administração da SUFRAMA (...) Destaquese, outrossim, que a Resolução n.° 183, de 03/08/2006, do Conselho de Administração da SUFRAMA (CAS), publicada no Diário Oficial da União em 16/08/2006 (doc. anexo), alem de aprovar o Projeto Industrial da empresa POLYAROMAS PREPARADOS E EXTRATOS LTDA., na forma do Parecer Técnico de Projeto n° 88/2006 SPR/CGPRI/COAPI (doc. anexo), foi expressa ao conceder "o gozo dos incentivos previstos nos artigos 7° e 9° do Decreto lei n° 288, de 28 de fevereiro de 1967, artigo 6° do Decreto lei n° 1.435, de 16 de dezembro de 1975 e legislação posterior e demais condições que estabelece" para produção de CONCENTRADO, BASE E EDULCORANTE PARA BEBIDAS NÃO ALCOÓLICAS, tal como exige o inciso III do artigo 82 do RIPI/2002 (doc. anexo). Fl. 594DF CARF MF 4 Ou seja, os produtos adquiridos pela Impugnante da empresa POLYAROMAS e que geraram o crédito ficto utilizado são, exatamente, compostos de CONCENTRADO, BASE E EDULCORANTE PARA BEBIDAS NÃO ALCOÓLICAS, como se pode observar pelas notas fiscais já acostados ao presente processo (cfr.), isto é, exatamente aqueles para os quais a Resolução n.° 183/2006 da SUFRAMA concedeu os benefícios da isenção do IPI. (...) Desta feita, considerando que a empresa produtora da matériaprima adquirida pela Impugnante gozava dos incentivos previstos nos DecretosLei n.° 288/67 e n.° 1.435/75, e legislação posterior, temse que a Impugnante, adquirente dos produtos isentos nos termos do inciso III do artigo 82 da RIPI/2002, detinha o direito de se creditar do valor do imposto, conforme autoriza o artigo 175 do RIPI/2002: 2. Quanto à multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) sobre o crédito, esta deveria ser reduzida para 20% (vinte por cento) por representar nítido caráter confiscatório, em desrespeito ao princípio da vedação do confisco (artigo 150, inciso IV da CF), representa afronta direta aos princípios da razoabilidade e proporcionalidade. Da Decisão de 1ª Instância Sobreveio Acórdão 1057.452, exarado pela 3ª Turma da DRJ/POA, que manteve o lançamento nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011 GLOSA DE CRÉDITOS. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA OBSERVÂNCIA DE REQUISITOS PREVISTOS NA LEGISLAÇÃO QUE INSTITUI INCENTIVO FISCAL A ESTABELECIMENTOS LOCALIZADOS NA AMAZÔNIA OCIDENTAL. É indevido o aproveitamento de créditos de IPI decorrentes de aquisições de insumos isentos feitas a estabelecimentos industriais localizados na Amazônia Ocidental e com projetos aprovados pelo Conselho de Administração da SUFRAMA, mas que não reste comprovado que tenham sido elaborados com matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais, exclusive as de origem pecuária, de produção regional. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fl. 595DF CARF MF Processo nº 10825.723053/201466 Acórdão n.º 3401005.096 S3C4T1 Fl. 594 5 Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011 NULIDADE. CAUSA NÃO PRESENTE. Não constatada preterição ao direito à ampla defesa, ao contraditório e ao devido processo legal do contribuinte e tendo sido lavrado por autoridade competente o hostilizado Auto de Infração, não se cogita de possibilidade capaz de nulificar o lançamento. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. DEFINITIVIDADE. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada, tornandose definitiva na esfera administrativa. PEDIDO DE PERÍCIA. AUSÊNCIA DOS REQUISITOS. Considerase não formulado o pedido de perícia que deixar de apresentar seus motivos, não conter a formulação de quesitos e não indicar seu perito. JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS. PRECLUSÃO. A juntada de documentos deverá ser feita por ocasião da impugnação, precluindo o direito de fazêlo em momento posterior, salvo nos casos expressamente previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Da decisão recorrida, destaco os seguintes trechos: A autuação não desconsiderou, nem questionou, a competência da SUFRAMA para aprovar projetos de empresas que desejem usufruir dos benefícios fiscais instituídos pelo DL 1.435, de 1975. Também não desconsiderou os atos dela emanados, que gozam de presunção de legitimidade, veracidade e legalidade, e permanecem válidos para os fins a que se destinam. Todavia, a descrição do produto feita pela SUFRAMA [vide Parecer Técnico anexo à impugnação (fls. 481 a 487)] não atesta que sejam empregadas matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, exclusive as de origem pecuária, na elaboração do concentrado, base e edulcorante para bebidas não alcoólicas, pois não especifica quais os insumos locais utilizados na sua fabricação, fazendo tão somente a seguinte referência: (...) Assim, carece de comprovação a utilização dos insumos de origem regional que atendam o que requer a legislação de regência para fins de fruição dos benefícios fiscais, restando corretas as glosas. Do Recurso Voluntário Irresignado, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, que veio apenas a repetir os argumentos apresentados na impugnação. Fl. 596DF CARF MF 6 É o relatório. Voto Conselheiro Tiago Guerra Machado Relator Da Admissibilidade O Recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, de modo que lhe tomo conhecimento. Da Preliminar A recorrente alega a nulidade do aludido auto de infração pela ausência de motivação e fundamentação adequada do ato administrativo de lançamento. Contudo, a fundamentação inadequada ou insuficiente, se houver, não é causa de nulidade do lançamento de ofício. As causas de nulidade estão expressamente previstas no artigo 59, do Decreto 70.235/1972: Art. 59. São nulos; I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Uma vez que o auto de Infração foi elaborado por autoridade competente, devidamente investida das atribuições legais inerentes ao cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, assim como indica os motivos fáticos e jurídicos para basear sua convicção pela cobrança do tributo e consectários de mora, não vislumbro violação ao direito de defesa da Recorrente. Desse modo, não acolho a preliminar apontada pela Recorrente, sendo certo que, a suficiência de provas e de embasamento jurídico será objeto de análise no mérito. Do Mérito O ponto nodal a ser analisado por esse Colegiado reside em avaliar se a Recorrente cumpriu ou não os requisitos para fruição do crédito presumido de IPI previsto no artigo 175, do RIPI/2002 e posteriormente no artigo 237, do RIPI/2010, abaixo transcrito. Art. 237. Os estabelecimentos industriais poderão creditarse do valor do imposto calculado, como se devido fosse, sobre os produtos adquiridos com a Fl. 597DF CARF MF Processo nº 10825.723053/201466 Acórdão n.º 3401005.096 S3C4T1 Fl. 595 7 isenção do inciso III do art. 95, desde que para emprego como matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, na industrialização de produtos sujeitos ao imposto Embora a questão fora levantada de forma sucinta pela autoridade lançadora, o acórdão recorrido esclareceu indubitavelmente que há dois requisitos para a fruição do crédito presumido: 1. O fornecedor deve estar amparado pela isenção do artigo 95, que, por sua vez, condiciona o incentivo à obediência dos respectivos registros e aprovação do projeto pela SUFRAMA; 2. O produto sujeito à isenção acima deve ser empregado como matéria prima, produto intermediário ou material de embalagem na industrialização pelo adquirente, no caso, o Recorrente. Ora, como ficou claro no acórdão recorrido, não há questionamento da autoridade quanto ao primeiro requisito, mas somente com relação ao segundo, ou seja, se os produtos fornecidos pela empresa “POLYAROMAS PREPARADOS E EXTRATOS LTDA.” – que foram objeto de crédito presumido – eram integralmente aplicados no processo de industrialização de produtos tributados. Entretanto, de fato, em nenhum momento, mesmo em sede de Recurso Voluntário, o Recorrente buscou elucidar tal fato, não trazendo qualquer evidência documental que pudesse levar a conclusão diversa da Delegacia de Julgamento. Dito isso, por carência probatória da peça recursal, não acolho os argumentos trazidas pela Recorrente, devendo ser mantida a decisão de primeiro grau. Por fim, a Recorrente deseja afastar a aplicação da multa de ofício de 75% sobre o valor do tributo não pago, em razão, no último caso, de considerar a multa confiscatória e por isso, inconstitucional. Diante desse argumento, há de se ressaltar que, por força do Regimento Interno desse Tribunal Administrativo (RICARF), as deliberações devem seguir as súmulas já exaradas pelo Conselho. No caso, os argumentos trazidos pela Recorrente não logram êxito em razão da aplicação direta da Súmulas CARF nº 2: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 598DF CARF MF 8 Desse modo, não merece prosperar essa pretensão da mesma forma. Por todo exposto conheço do Recurso Voluntário, porém negolhe provimento. (assinado digitalmente) Tiago Guerra Machado Fl. 599DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10630.900678/2011-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. RETENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA INCIDENTE SOBRE RENDIMENTOS AUFERIDOS NAS APLICAÇÕES EM FUNDOS DE INVESTIMENTO. IMUNIDADE RECÍPROCA. EXTENSÃO ÀS AUTARQUIAS. POSSIBILIDADE.
Basta a comprovação, mediante prova normativa, de que a entidade é autarquia municipal criada, para instituir regime de previdência próprio dos servidores públicos municipais, nos termos do art. 40 da CF e da Lei nº 9.717, de 1998, para que sejam restituídas as retenções de fonte efetuadas sobre as aplicações financeiras.
Numero da decisão: 1201-002.402
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa, Ester Marques Lins de Sousa (Presidente).
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. RETENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA INCIDENTE SOBRE RENDIMENTOS AUFERIDOS NAS APLICAÇÕES EM FUNDOS DE INVESTIMENTO. IMUNIDADE RECÍPROCA. EXTENSÃO ÀS AUTARQUIAS. POSSIBILIDADE. Basta a comprovação, mediante prova normativa, de que a entidade é autarquia municipal criada, para instituir regime de previdência próprio dos servidores públicos municipais, nos termos do art. 40 da CF e da Lei nº 9.717, de 1998, para que sejam restituídas as retenções de fonte efetuadas sobre as aplicações financeiras.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa, Ester Marques Lins de Sousa (Presidente).
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RETENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA INCIDENTE SOBRE RENDIMENTOS AUFERIDOS NAS APLICAÇÕES EM FUNDOS DE INVESTIMENTO. IMUNIDADE RECÍPROCA. EXTENSÃO ÀS AUTARQUIAS. POSSIBILIDADE. Basta a comprovação, mediante prova normativa, de que a entidade é autarquia municipal criada, para instituir regime de previdência próprio dos servidores públicos municipais, nos termos do art. 40 da CF e da Lei nº 9.717, de 1998, para que sejam restituídas as retenções de fonte efetuadas sobre as aplicações financeiras. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa, Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 63 0. 90 06 78 /2 01 1- 92 Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10630.900678/201192 Acórdão n.º 1201002.402 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo/SP que julgou improcedente a manifestação de inconformidade para indeferir o pedido de restituição. O crédito trazido no PER/DCOMP teria origem em pagamento indevido a título de imposto de renda incidente sobre rendimentos auferidos sobre aplicação em fundos de investimento. Pelo Despacho Decisório, o crédito não foi reconhecido e a restituição foi indeferida em face de que "não foi confirmada a existência do crédito pleiteado, pois o DARF a seguir, discriminado no PER/DCOMP, não foi localizado nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil." Protocolada a Manifestação de Inconformidade, foi julgada improcedente tendo como principal fundamento: "apenas mediante a condução de robusto conjunto probatório tendente à demonstração ampla e transparente do cumprimento dos preceitos estipulados nos §§2º e 3º do art. 150 da nossa Carta Política se revelaria verossímil corroborar com a incidência, de plano, da imunidade recíproca em favor da entidade autárquica, o que não é o caso dos presentes autos." Foi manejado o Recurso Voluntário em que é alegado: o recorrente mesmo sendo uma autarquia municipal instituto de previdência dos servidores públicos municipais de Águas Formosas (Lei nº 1.204/2007), tendo feito aplicações em fundos de investimento através da conta de investimentos nº 9.000x, mantida no Banco do Brasil, suportou descontos em virtude de retenções a título de imposto de renda no biênio 2003/2004; o entendimento que resultou na decisão de improcedência da manifestação de inconformidade apresentando como esteio a sustentação de ausência dos diplomas legais alusivos à criação do INPREMAF, contemplando a pormenorização de seus objetivos e finalidades, não deve permanecer carecendo ser reformada a aludida decisão; com efeito, a respeitável decisão está estribada na necessidade de comprovação da existência de lei municipal, hipótese em que deverá ser aplicado, supletivamente, os preceitos expressos no CPC, onde o artigo 337, dispondo sobre as normas gerais das provas, preceitua que o teor e a vigência de norma municipal será exigida como prova quando o julgador assim o determinar; temse ainda que no artigo 399 do mesmo diploma legal, está consignado que o julgador "requisitará às repartições públicas em qualquer tempo ou grau de jurisdição as certidões necessárias à prova das alegações das partes"; Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10630.900678/201192 Acórdão n.º 1201002.402 S1C2T1 Fl. 4 3 ademais, nos dados inseridos no CNPJ, consta que a recorrente tem como atividade econômica principal a arrecadação proveniente da "seguridade social obrigatória"; destarte, no que pertine ao entendimento da necessidade da comprovação de tais diplomas legais, deveria ter sido solicitado ao recorrente, à Câmara Municipal ou ao Executivo Municipal, antes do julgamento final, os diplomas legais ausentes nos autos e entendidos como imprescindíveis para o deferimento da pretensão do recorrente. Portanto, a apresentação dos documentos ora acostados não é intempestiva; de outro lado, não deverá ser mantido o entendimento quanto à necessidade de comprovação da existência de elementos comprobatórios no sentido de que os recursos financeiros aplicados no fundo de investimento "vinculamse efetivamente as atividades ou serviços de prestação obrigatória e exclusiva do Estado"; não é prudente indeferir o pedido da restituição das retenções efetivadas ao arrepio da Constituição Federal exigindo prova da inexistência do desvio de finalidade na atuação do recorrente, quando esta, como bem salientou a relatora Maria Lucia Aguilera, compete à fiscalização tributária, conforme legislação vigente. com o fito de sanar a prova documental entendida como necessária, anexa aos autos cópia da legislação pertinente à Recorrente e dos balancetes resumidos das receitas relativas aos exercícios financeiros de 2003/2004. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, Relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201002.399, de 17/08/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10630.900675/2011 59, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1201002.399): "O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade. Assim, dele conheço. O crédito pleiteado pela Contribuinte se refere às retenções de fonte efetuadas sobre as aplicações financeiras em virtude de ser uma autarquia municipal criada para instituir regime de previdência próprio dos servidores públicos municipais, nos termos do art. 40 da CF e da Lei nº 9.717, de 1998. Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10630.900678/201192 Acórdão n.º 1201002.402 S1C2T1 Fl. 5 4 A declaração de voto da ilustre julgadora Maria Lucia Aguilera na decisão de primeira instância, a meu ver, irretocável, cujos trechos trago a colação, contém todos os elementos necessários para se proferir a decisão: (...) A imunidade recíproca tem previsão no art.150, VI, “a”, §§2ºe 3º da Constituição Federal – CF, verbis: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) VI instituir impostos sobre: a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros; (...) § 2º A vedação do inciso VI, “a”, é extensiva às autarquias e às fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público, no que se refere ao patrimônio, à renda e aos serviços, vinculados a suas finalidades essenciais ou às delas decorrentes. § 3º As vedações do inciso VI, “a”, e do parágrafo anterior não se aplicam ao patrimônio, à renda e aos serviços, relacionados com exploração de atividades econômicas regidas pelas normas aplicáveis a empreendimentos privados, ou em que haja contraprestação ou pagamento de preços ou tarifas pelo usuário, nem exonera o promitente comprador da obrigação de pagar imposto relativamente ao bem imóvel (...) Quanto às pessoas alcançadas pela imunidade recíproca, a própria Constituição Federal – CF expressamente consignou a proteção ao entes que compõem a Federação – União, Estados, Distrito Federal e Municípios, os quais gozam de autonomia uns em relação aos outros, nos termos dos arts. 1ºe 18 da CF. Aos entes políticos, formadores da Federação, a Constituição Federal – CF atribuiu patrimônio e competências executivas, que não podem ser afetados pela tributação. Assim, o patrimônio, os serviços prestados e a renda auferida pelos entes da Federação estão protegidos pela imunidade recíproca. Além dos entes da Federação, a imunidade recíproca alcança as autarquias e fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público (art. 150, §2º da CF). A definição de autarquia se encontra no art. 5º, inciso I, DecretoLei nº 200, de 25 de fevereiro de 1967, in verbis: Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10630.900678/201192 Acórdão n.º 1201002.402 S1C2T1 Fl. 6 5 Art. 5º Para os fins desta lei, considerase: I Autarquia o serviço autônomo, criado por lei, com personalidade jurídica, patrimônio e receita próprios, para executar atividades típicas da Administração Pública, que requeiram, para seu melhor funcionamento, gestão administrativa e financeira descentralizada. (...) A característica mais marcante, que determina a natureza jurídica autárquica, é a atividade ser típica da Administração Pública e exercida pela entidade, por atribuição legal. Nos termos do art. 6º da Constituição Federal – CF, com a redação dada pela Emenda Constitucional nº 64, de 2010, a previdência social se inclui entre os direitos sociais. (...) No presente caso, invoca a defesa ser a requerente uma autarquia criada por Lei editada pelo Município de Águas Formosas/MG, para instituir Regime Próprio de Previdência Social, de acordo com os preceitos do art. 40 da CF: Art. 40. Aos servidores titulares de cargos efetivos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, incluídas suas autarquias e fundações, é assegurado regime de previdência de caráter contributivo e solidário, mediante contribuição do respectivo ente público, dos servidores ativos e inativos e dos pensionistas, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial e o disposto neste artigo (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 41, 19.12.2003). Para a implementação deste regime de previdência próprio do funcionalismo público, a competência exclusiva da União, para a instituição da contribuição previdenciária, no caso dos servidores públicos, foi transferida aos Estados, Distrito Federal e Municípios, instituidores do regime previdenciário em favor de seus servidores. É o que dispõe, verbis: Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo. § 1º Os Estados, o Distrito Federal e os Municípios instituirão contribuição, cobrada de seus servidores, para Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10630.900678/201192 Acórdão n.º 1201002.402 S1C2T1 Fl. 7 6 o custeio, em benefício destes, do regime previdenciário de que trata o art. 40, cuja alíquota não será inferior à da contribuição dos servidores titulares de cargos efetivos da União (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 41, 19.12.2003). De fato, a regulamentação da instituição e funcionamento dos regimes próprios veio a ocorrer somente após dez anos da sua promulgação, com a edição da Lei Federal nº 9.717/98 de 28 de novembro de 1998, seguida da Emenda Constitucional nº 20, de 15 de dezembro de 1998, e da Emenda Constitucional nº 41, de 19 de dezembro de 2003. (...) Por sua vez, art. 40, caput, da CF, assegurou aos servidores públicos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, incluídas suas autarquias e fundações, um regime de previdência próprio, de caráter contributivo e solidário, mediante contribuição do respectivo ente público, dos servidores ativos e inativos e dos pensionistas. Assim, foi criada a possibilidade de o ente público deixar de verter as contribuições previdenciárias ao RGPS e adotar sistema próprio de previdência social para os seus servidores, que em decorrência do chamado pacto federativo, representado pela autonomia política e administrativa de cada ente federativo, a eles foi facultado legislar concorrentemente sobre a organização e funcionamento, princípio aplicado também sobre os seus sistemas de previdência, desde que obedecidos os limites constitucionais e regras gerais. (...) E nos termos do art. 5º da Lei nº 9.717, de 1998, os regimes próprios de previdência social dos servidores públicos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, dos militares dos Estados e do Distrito Federal não poderão conceder benefícios distintos dos previstos no Regime Geral de Previdência Social, de que trata a Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, salvo disposição em contrário da Constituição Federal. Diante desse quadro jurídico, em se tratando de autarquia, instituída por Lei Municipal, para gerir regime de previdência próprio dos servidores públicos municipais, de filiação compulsória, em substituição ao regime geral de previdência social, e por isso de caráter público, e não privado, a imunidade recíproca, prevista no art. 150, VI, “a”, §§2º e 3º da CF, deve se estender aos seus rendimentos de aplicações financeiras, vinculados a suas finalidades essenciais. (...) Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10630.900678/201192 Acórdão n.º 1201002.402 S1C2T1 Fl. 8 7 Comprovado o status de autarquia municipal criada, para instituir regime de previdência próprio dos servidores públicos municipais, nos termos do art. 40 da CF e da Lei nº 9.717, de 1998, não há que se falar também em exploração de atividade econômica, porque se trata de entidade dedicada a regime público de previdência, conforme acima já explicado. Com relação à impossibilidade de contraprestação pelo usuário, registrese, por oportuno, que, nos termos do art. 40 da CF, as fontes de “receita” da autarquia são as contribuições do respectivo ente público, dos servidores ativos e inativos e dos pensionistas, vinculadas ao custeio, em benefício destes, do regime previdenciário próprio, o que configura “contribuição”, mas não “contraprestação” do usuário. Apesar de tudo, cumpre aquiescer com o Relator que, no caso dos presentes autos, não é possível deferir os pedidos de restituição, porque o Instituto de Previdência do Município de Águas Formosas/MG – INPREMAF não trouxe aos autos a legislação municipal (leis, decretos e outros instrumentos) comprobatória de que a Requerente é autarquia municipal criada, para instituir regime de previdência próprio dos servidores públicos municipais, nos termos do art. 40 da CF e da Lei nº 9.717, de 1998. Cumpre deixar claro a divergência em relação ao voto proferido pelo Exmo. Relator, no que diz respeito à extensão da prova requerida, para o deferimento do pedidos de restituição. Para esta Relatora, basta a comprovação, mediante prova normativa, de que a entidade é autarquia municipal criada, para instituir regime de previdência próprio dos servidores públicos municipais, nos termos do art. 40 da CF e da Lei nº 9.717, de 1998, para que sejam restituídas as retenções de fonte efetuadas sobre as aplicações financeiras. A prova aqui requerida é de que a Lei Municipal e os atos normativos dela decorrentes, que instituíram e regulamentaram o regime próprio de previdência social dos servidores públicos municipais, observaram os requisitos constitucionais e os previstos na Lei nº 9.717, de 1998. No âmbito do presente processo, descabe imputar à entidade o ônus da prova de regularidade de atuação ou de observância das normas instituidoras do referido regime previdenciário, mediante a apresentação da competente escrituração. O ônus da prova de qualquer desvio de finalidade compete à fiscalização tributária, mediante os procedimentos de suspensão da imunidade, previstos no art. 32 da Lei nº 9.430, de 1996. Para comprovar que se trata de uma autarquia municipal criada para instituir regime de previdência próprio dos Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10630.900678/201192 Acórdão n.º 1201002.402 S1C2T1 Fl. 9 8 servidores públicos municipais, nos termos do art. 40 da CF e da Lei nº 9.717, de 1998 a recorrente trouxe aos autos, na fase recursal, a cópia dos atos normativos abaixo relacionados: 1) Lei nº 1.095/2002 dispõe sobre a criação do Regime próprio Previdenciário dos Servidores Públicos do Município de Águas Formosas, cria o instituto de Previdência do Município de Águas Formosas INPREMAF, e regulamenta o Fundo Municipal d Previdência dos Servidores Públicos de Águas Formosas PREVAF, e dá outras providências (doc. de fls. 67/100) e Certidão de Publicação expedida pela Prefeitura Municipal de Águas Formosas (doc. de fls. 101); 2) Lei Complementar nº 1.204, de 23 de abril de 2007 dispõe sobre a reestruturação do Plano de Benefícios do Instituto de Previdência do Município de Águas Formosas INPREMAF e dá outras providências correlatas, visando a adequação às emendas constitucionais 41/2003 e 47/2005 (doc. de fls. 102/147); 3) Lei nº 1.239, de 14 de fevereiro de 2008 altera dispositivos da Lei nº 1.204, de 23 de abril de 2007 que "Dispõe sobre a reestruturação do Plano de Benefícios do Instituto de Previdência do Município de Águas Formosas INPREMAF e dá outras providências correlatas, visando a adequação às emendas constitucionais 41/2003 e 47/2005." (doc. de fls. 148/149); 4) Lei nº 1.240, de 14 de fevereiro de 2008 altera dispositivos da Lei nº 1.204, de 23 de abril de 2007 que "Dispõe sobre a reestruturação do Plano de Benefícios do Instituto de Previdência do Município de Águas Formosas INPREMAF e dá outras providências correlatas, visando a adequação às emendas constitucionais 41/2003 e 47/2005." (doc. de fls. 150/151); 5) Lei nº 1.418, de 27 de maio de 2013 altera dispositivos da Lei nº 1.204, de 23 de abril de 2007 que "Dispõe sobre a reestruturação do Plano de Benefícios do Instituto de Previdência do Município de Águas Formosas INPREMAF e dá outras providências correlatas, visando a adequação às emendas constitucionais 41/2003 e 47/2005", alterada pela Lei nº 1.240/2008. (doc. de fls. 152/153). Também anexou os balancetes resumidos das receitas relativas aos exercícios financeiros de 2003/2004 (doc. de fls. 65/66). Assim, entendo, na esteira da declaração de voto proferido pela eminente relatora, que a recorrente apresentou prova normativa de que a Lei Municipal e os atos normativos dela decorrentes, que instituíram e regulamentaram o regime próprio de previdência social dos servidores públicos municipais, observaram os requisitos constitucionais e os previstos na Lei nº 9.717, de 1998. Ademais, descabe imputar à entidade o ônus da prova de regularidade de atuação ou de observância das normas Fl. 166DF CARF MF Processo nº 10630.900678/201192 Acórdão n.º 1201002.402 S1C2T1 Fl. 10 9 instituidoras do referido regime previdenciário, mediante a apresentação da competente escrituração. O ônus da prova de qualquer desvio de finalidade compete à fiscalização tributária, mediante os procedimentos de suspensão da imunidade, previstos no art. 32 da Lei nº 9.430, de 1996. Diante de todo o exposto, a recorrente faz jus a imunidade recíproca e teria direito a restituição das retenções de fonte efetuadas sobre as suas aplicações financeiras. Assim, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário no sentido de deferir o pedido de restituição." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 167DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13841.720049/2011-93
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2011
SIMPLES NACIONAL. OPÇÃO. PRAZO. EMPRESA EM INICIO DE ATIVIDADE.
A ME ou EPP só pode efetuar a opção pelo Simples Nacional na condição de empresa em início de atividade no mesmo ano-calendário da data de abertura constante do CNPJ.
Numero da decisão: 1001-000.713
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votaram pelas conclusões os conselheiros Lizandro Rodrigues de Sousa e Edgar Bragança Bazhuni, por entenderem, como a DRJ, que os prazos consignados no art.7º da Resolução CGSN nº 04/2007 devem ser interpretados de forma concomitante.
(assinado digitalmente)
LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente.
(assinado digitalmente)
EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente)
Nome do relator: EDUARDO MORGADO RODRIGUES
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OPÇÃO. PRAZO. EMPRESA EM INICIO DE ATIVIDADE. A ME ou EPP só pode efetuar a opção pelo Simples Nacional na condição de empresa em início de atividade no mesmo anocalendário da data de abertura constante do CNPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votaram pelas conclusões os conselheiros Lizandro Rodrigues de Sousa e Edgar Bragança Bazhuni, por entenderem, como a DRJ, que os prazos consignados no art.7º da Resolução CGSN nº 04/2007 devem ser interpretados de forma concomitante. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 84 1. 72 00 49 /2 01 1- 93 Fl. 65DF CARF MF Processo nº 13841.720049/201193 Acórdão n.º 1001000.713 S1C0T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fl. 53 a 57) interposto contra o Acórdão nº 0130.942, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém/PA (fls. 47 a 51), que, por unanimidade, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela ora Recorrente, decisão esta consubstanciada na seguinte ementa: "ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2011 Ementa A ME ou a EPP não poderá efetuar a opção pelo Simples Nacional na condição de empresa em início de atividade depois de decorridos 180 (cento e oitenta) dias da data de abertura constante do CNPJ. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio" Por sua precisão na descrição dos fatos que desembocaram no presente processo, peço licença para adotar e reproduzir os termos do relatório da decisão da DRJ de origem: "Tratase de manifestação de inconformidade, fl. 37/43, em 04/04/2014, ao Despacho Decisório Seort/DRF/LIM, fls. 22/25, que denegou requerimento de inclusão no Simples Nacional – Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas (ME) e Empresas de Pequeno Porte (EPP) –, de que trata o artigo 12 da Lei Complementar nº 123/2006. 2. Consta que a empresa já se encontrava inscrita no CNPJ desde 29/04/2005, mas encontravase na condição de inativa no período de 18/04/2006 a 31/07/2011. Ao reativar a empresa em 24/08/2011 procedeu à novas inscrições municipal e estadual. A última inscrição foi deferida em 20/10/2011. “(...) Informa o contribuinte que solicitou a opção para ingressar no Simples Nacional na data de 24/10/2011. Contudo, teve sua opção negada em vista de ter excedido o prazo legal de 180 (cento e oitenta dias) contato a partir da data de abertura constante no CNPJ perante a Receita Federal do Brasil(RFB). Alega o contribuinte que apesar de ter iniciado sua atividade em 29/04/2005, a pessoa jurídica encontrava com sua atividade paralisada no período de 18/04/2006 a 31/07/2011, encerrandoa no estado e no município. Expõe o contribuinte que entregava as DSPJ da empresa na condição de inativa, no período em que se encontrava com sua atividade paralisada. Fl. 66DF CARF MF Processo nº 13841.720049/201193 Acórdão n.º 1001000.713 S1C0T1 Fl. 4 3 Informa o contribuinte que em 24/08/2011 reativou a empresa, procedendo nova inscrição estadual e municipal, sendo a última inscrição deferida em 20/10/2011 pelo Município de São João da Boa Vista/SP. Desse modo, e tendo em vista a resolução CGSN nº 04 e alterações posteriores, a empresa poderá optar para ingressar no Simples Nacional a partir da data do último deferimento da inscrição estadual e/ou municipal. Ante o exposto, o contribuinte, acima identificado, por meio de seu representante legal, protocolarizou em 28/10/2011 o presente processo administrativo, requerendo a sua inclusão no regime tributário de tratamento diferenciado SIMPLES NACIONAL estabelecido na Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, com efeitos a partir de 24/10/2011. 3. O Despacho Decisório Seort/DRF/LIM, fls. 22/25, denegou o requerimento pois: “ (...) Observase claramente que devem ser atendidos cumulativamente os dois requisitos para ingressar no Simples Nacional na condição de empresa em início de atividade: (a) não ultrapassar o prazo de 180 dias contado da data de abertura constante no CNPJ; e (b) solicitar a opção no prazo de até 30 dias da data do último deferimento da inscrição municipal e/ou estadual. No presente caso, apesar da empresa ter sua última inscrição municipal deferida em 20/10/2011, deixou de atender a outra condição para se enquadrar na condição de empresa em início de atividade, haja vista que abertura do CNPJ data de 29/04/2005. Logo, aplicase a regra disposta no § 1º da Resolução CGSN nº 04, de 30/05/2007, onde determina que a solicitação da opção para ingressar no Simples Nacional deverá, necessariamente, ser requerida, via internet, no mês de janeiro, até o seu último dia útil, ou seja, somente no mês de janeiro do anocalendário 2012...” 4. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, fl. 02, através da qual vem alegar: “ (...) Preliminarmente gostaríamos de expor que a empresa iniciou suas atividades em 29/04/2005, mesma data em que foi feita a Opção pelo Simples Nacional. A empresa possuía sede no Município de Vargem Grande do Sul e em 18/04/2006 paralisou suas atividades junto ã Receita Federal, mas fez a competente baixa das Inscrições Estadual e Municipal. Em 30/06/2007 a Receita Federal fez a Exclusão voluntária e unilateral, sem comunicação individual, do Simples Nacional. A empresa passou então a entregar as Declarações Simplificadas da Pessoa Jurídica. Fl. 67DF CARF MF Processo nº 13841.720049/201193 Acórdão n.º 1001000.713 S1C0T1 Fl. 5 4 Em 15 de setembro de 2011 a empresa reiniciou suas atividades em São João da Boa VistaSP, cuja nova Inscrição Estadual passou a ser a 639.074.809.111 (Doc.l); em 20 de outubro de 2011 saiu a Inscrição Municipal com CMC número 16947 (Doe.2); e em 28 de fevereiro de 2012 a empresa passou a ser Individual, com novo NIRE sob no. 35127877591 (Doe.3), passando a ter nova razão socia de JULIANA MOREIRA MACEDOME. (...) Em total discordância à negativa do Pedido de Opção pelo Simples Nacional e em total inconformidade com o não provimento da contestação, gostaríamos de ressaltar que, tanto no § 3o. do Art.16 da Lei Complementar no. 123/2006 como no § 6o. do Art. 7 da Resolução CGSN no.04 de 30/05/2007, o texto da Lei diz que o prazo para formalizar a Opção pelo Simples Nacional é de até 30 (trinta) dias, contados do último deferimento de inscrição municipal e ou estadual. A Lei Complementar no. 123/2006 e todas as Resoluções CGSN não fazem menção alguma sobre esse tema, ou seja, o de reinício das atividades, onde apenas o CNPJ permaneceu o mesmo. Entendemos que a empresa não pode ser prejudicada por falta de amparo legal e cabível. Portanto, totalmente improcedente o não provimento à contestação do Pedido de Opção pelo Simples Nacional.“ Inconformada com a decisão de primeiro grau, após ciência, a ora Recorrente apresentou Recurso Voluntário reiterando as alegações já apresentadas por ocasião da Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Compulsando os autos vêse que a data de abertura original constante no cadastro CNPJ da Recorrente é 29/04/2005. No entanto, após o período em que ficou inativa, esta obteve nova inscrição Municipal, necessária para o efetivo desenvolvimento de suas atividades, na data de 20/10/2011. Por derradeiro, realizou a Opção pelo Simples na data de 24/10/2011, o qual foi negado. Aqui, fazse um parênteses no relato para trazer à colação o regramento vigente à época dos fatos, no que se refere aos prazos para adesão ao Simples na situação Fl. 68DF CARF MF Processo nº 13841.720049/201193 Acórdão n.º 1001000.713 S1C0T1 Fl. 6 5 especial de empresa em início de atividade, qual seja, o disposto pelo art. 7º da Resolução CGSN nº 04/2007, conforme se transcreve os trechos pertinentes: Art. 7º A opção pelo Simples Nacional darseá por meio da internet, sendo irretratável para todo o anocalendário. § 1º A opção de que trata o caput deverá ser realizada no mês de janeiro, até seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do anocalendário da opção, ressalvado o disposto no § 3º deste artigo e observado o disposto no § 3º do art. 21. § 3º No caso de início de atividade da ME ou EPP no ano calendário da opção,deverá ser observado o seguinte: I a ME ou a EPP, após efetuar a inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), bem como obter a sua inscrição estadual e municipal, caso exigíveis, terá o prazo de até 30 (trinta) dias, contados do último deferimento de inscrição, para efetuar a opção pelo Simples Nacional; § 6° A ME ou a EPP não poderá efetuar a opção pelo Simples Nacional na condição de empresa em início de atividade depois de decorridos 180 (cento e oitenta) dias da data de abertura constante do CNPJ, observados os demais requisitos previstos no inciso I do § 3° deste artigo. (Grifos nossos) A normativa citada, ao tratar da situação especial de início de atividade no próprio ano da opção, faz menção à dois prazos, um de 180 dias contados da data de abertura do CNPJ e outro de 30 dias a contar da última inscrição Municipal/Estadual. Pois bem, isto posto, a DRJ de origem considerou em sua decisão que os prazos dos parágrafos 3º e 6º do artigo supra devem se aplicar de forma concomitante, ou seja, ainda que o contribuinte estivesse dentro do prazo de 30 dias posteriores à inscrição municipal, já estaria vencido o prazo de 180 dias pós expedição do CNPJ, o que impediria seu direito ao ingresso. Por sua vez, o Contribuinte em seu Recurso Voluntário defende que ambas as normas não se aplicam de forma cumulativa, mas de forma isolada e alternadas. E, por conseguinte, conclui que apenas o prazo do parágrafo 3º seria aplicável à sua situação concreta. Neste ponto, entendo por incorreta a interpretação dada aos dispositivos pela DRJ de origem, e parcialmente correta as considerações feitas pela Recorrente. Explicarei melhor o meu entendimento. Conforme cediço, nenhuma norma paira sozinha no universo jurídico. O Sistema Jurídico pátrio é uno e coeso, regra esta que naturalmente se replica nas leis e demais dispositivos legais que o conformam. Quer isto dizer que o processo hermenêutico, pelo qual se é possível extrair normas jurídicas a partir dos textos legais, deve ser realizado de forma sistemática, considerandose a unicidade e harmonia de todos os dispositivos envolvidos. Fl. 69DF CARF MF Processo nº 13841.720049/201193 Acórdão n.º 1001000.713 S1C0T1 Fl. 7 6 Assim, temse de forma bem clara que o §3º do Art. 7º trata de uma exceção à regra geral do § 1º, destinada a permitir que as empresas recém iniciadas possam usufruir do regime tratado pela Resolução desde o seu início, sem que tenham que esperar o próximo prazo "normal", qual seja o fim do mês de janeiro de cada ano. Nesse sentido, em seu §6º o dispositivo em tela traz a previsão de um prazo mais amplo e genérico de 180 dias para a opção, contado da data constante no CNPJ, trazendo no mesmo dispositivo a sua hipótese de exceção: "observados os demais requisitos previstos no inciso I do § 3° deste artigo". Por sua vez, o §3º traz outro prazo, um pouco mais específico e restrito que o citado anteriormente, o de 30 dias após o último deferimento de inscrição, apenas para as empresas que necessitem de inscrição Estadual e/ou Municipal. Aqui cabe salientar dois pontos que são de notório conhecimento: (i) O registro no CNPJ é a inscrição básica que toda nova Pessoa Jurídica necessita para poder operar, e é a primeira que deve obter, vez que é requisito para todas as demais; e (ii) nem todas as Pessoas Jurídicas necessitam de inscrição Municipal e/ou Estadual vez que está exigência varia de acordo com o a atividade a qual se propõe a desenvolver e de acordo com a legislação do local em que pretende praticála. Evidentemente, a autoridade competente, em sua atividade de regulamentação, demonstrou plena ciência destas circunstâncias ao incorporálas ao regramento em comento. A primeira se observa nos momentos em que se determina o início da atividade como o constante na data do CNPJ (§6º) e que se utilizar o termo "após efetuar a inscrição CNPJ" ao se tratar das inscrições Municipais e Estaduais (§3º, inciso I). Já quanto a segunda circunstância, percebese a sua consideração pela autoridade reguladora nos termos do Inciso I do §3º, ao estabelecer justamente um prazo próprio para as situações em que a Pessoa Jurídica não dependa apenas de cadastro no CNPJ mas também nos fiscos Estaduais e/ou Municipais. Ora, tal disposição de prazo especial faz todo o sentido, vez que cada cadastro depende de tramitação própria no órgão apropriado municipal ou estadual, cada um tendo suas peculiaridades e modus operandi próprio, controlado pelo próprio ente político. Claramente o regulamento não quis criar diferença de oportunidade de ingresso no SIMPLES ou qualquer outro embaraço às Pessoas Jurídicas que porventura necessitem de cadastro Municipal ou Estadual em localidades cuja tramitação venha a ser mais alongada. Destarte, é natural que o legislador tenha se preocupado em criar essa exceção à regra geral do prazo de 180 dias, insculpida no §6º, a fim de não se permitir que o novo contribuinte seja prejudicado por circunstâncias que fogem do controle dele, e da própria administração federal. Outrossim, não se deve esquecer que tal legislação que institui e regulamenta o regime do SIMPLES visa justamente fomentar e incentivar a criação e desenvolvimento de novos empreendimentos, assim, o seu objetivo é que seja o mais inclusivo quanto possível. Não seria coerente com o próprio intuito do programa se fosse permitida essa diferenciação de Fl. 70DF CARF MF Processo nº 13841.720049/201193 Acórdão n.º 1001000.713 S1C0T1 Fl. 8 7 oportunidade entre empresas que dependam e não dependam de outros cadastros além do CNPJ. Essas conclusões acima, embora façam todo sentido lógico pela análise finalística, é a que se extrai pela simples interpretação semântica dos dispositivos legais. Conforme já mencionado, o §6º deixa claro que o prazo do §3, inciso I, se excetua ao prazo de 180 dias ao incluir ao final desta previsão o termo " observados os demais requisitos previstos no inciso I do § 3° deste artigo". Notese que se a intenção da autoridade regulamentadora fosse que os prazos, de 180 dias do CNPJ e 10 dias após o último deferimento das inscrições Estaduais e Municipais, corressem de forma concomitante, não haveria motivo para estabelecer a expressa observância da regra especial dos 10 dias ao falar do prazo de 180 dias. Por outro lado, evidenciase que não foi feita qualquer menção no inciso I do §3º quanto a qualquer dever de "se observar os 180 dias após o CNPJ" ao considerar o prazo de 30 dias a partir do deferimento das demais inscrições. Ou seja, resta claro que, neste caso especial, este prazo é próprio e específico e corre sozinho, independente do outro. Portanto, a conclusão semântica que se tira do cotejo dos dispositivos em comento é de que: (i) a regra geral para todas as empresas que porventura não necessitem de cadastro Municipal ou Estadual é o prazo de 180 dias a partir da data constante no CNPJ; e (ii) no caso das que necessitem destes cadastros, fica estabelecido o prazo de 30 dias após o último deferimento. Desta feita, pelos fundamentos e conclusões supra expostos, entendo que no caso concreto dos autos não se aplicaria o prazo de 180 dias após a abertura do CNPJ, conforme proposto pela decisão de piso. Contudo, tampouco se aplicaria, no caso sob análise, a aplicação do prazo de 30 dias após expedição da inscrição municipal. Notese que o §3º do art. 7º da Resolução CGSN nº 04/07 estabelece expressamente que a possibilidade especial de adesão ao Simples Nacional, nos prazos já discutidos, só é facultada às empresa em inicio de atividade no anocalendário da opção. In verbis: "§ 3º No caso de início de atividade da ME ou EPP no ano calendário da opção,deverá ser observado o seguinte:(...)" Desta forma, tendo a empresa iniciado originalmente às suas atividades em 29/04/2005, não poderia ela no anocalendário de 2011 ter realizado a opção pela sistemática do §3º. Entendo que à Recorrente, deveria ter respeitado o prazo geral do §1º do citado art. 7º, que estabelecia o último dia útil do mês de janeiro como data limite para a opção. Desta forma, VOTO no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendo o indeferimento da Opção intentada pela Recorrente. É como voto. Fl. 71DF CARF MF Processo nº 13841.720049/201193 Acórdão n.º 1001000.713 S1C0T1 Fl. 9 8 (assinado digitalmente) Eduardo Morgado Rodrigues Relator Fl. 72DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11020.003571/2009-21
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006
NÃO CUMULATIVIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. PIS. AQUISIÇÃO DE INSUMOS. BENS E SERVIÇOS. DIREITO AO CREDITAMENTO.
A legislação das Contribuições Sociais não cumulativas - PIS/COFINS - informa de maneira exaustiva todas as possibilidades de aproveitamento de créditos. Não há previsão legal para creditamento sobre a aquisição de itens e serviços que não sejam utilizados diretamente no processo de produção do produto destinado a venda.
Numero da decisão: 9303-007.304
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial, para restabelecer a glosa de crédito sobre gastos com (i) bens diversos, (ii) combustíveis e lubrificantes (iii) embalagem de transporte, (iv) serviços de manutenção de máquinas e tratores (v) medicamentos e fertilizantes, mantendo a decisão recorrida quanto às despesas com empilhadeiras, vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello (Relatora), Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Érika Costa Camargos Autran, que lhe deram provimento parcial em menor extensão, para restabelecer a glosa apenas com relação aos medicamentos e fertilizantes. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Vanessa Marini Cecconello - Relatora
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO
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PER/DCOMP Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado RASIP AGRO PASTORIL S/A ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 NÃO CUMULATIVIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. PIS. AQUISIÇÃO DE INSUMOS. BENS E SERVIÇOS. DIREITO AO CREDITAMENTO. A legislação das Contribuições Sociais não cumulativas PIS/COFINS informa de maneira exaustiva todas as possibilidades de aproveitamento de créditos. Não há previsão legal para creditamento sobre a aquisição de itens e serviços que não sejam utilizados diretamente no processo de produção do produto destinado a venda. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento parcial, para restabelecer a glosa de crédito sobre gastos com (i) bens diversos, (ii) combustíveis e lubrificantes (iii) embalagem de transporte, (iv) serviços de manutenção de máquinas e tratores (v) medicamentos e fertilizantes, mantendo a decisão recorrida quanto às despesas com empilhadeiras, vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello (Relatora), Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Érika Costa Camargos Autran, que lhe deram provimento parcial em menor extensão, para restabelecer a glosa apenas com relação aos medicamentos e fertilizantes. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 35 71 /2 00 9- 21 Fl. 284DF CARF MF Processo nº 11020.003571/200921 Acórdão n.º 9303007.304 CSRFT3 Fl. 3 2 Vanessa Marini Cecconello Relatora (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela FAZENDA NACIONAL (fls. 242 a 271), com fulcro nos artigos 64, inciso II e 67, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, buscando a reforma do Acórdão nº 3803003.716 (fls. 231 a 240) proferido pela 3ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, em 27 de novembro de 2012, no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário. O acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 INSUMOS. CRÉDITOS NA INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA O conceito de insumo para a apuração de créditos a descontar do PIS não cumulativo, não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária à atividade da empresa, mas tão somente aqueles adquiridos de pessoa jurídica, intrínsecos à atividade, que efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço. AQUISIÇÕES. ALÍQUOTA ZERO Descabe crédito em relação as aquisições de produtos sujeitos a alíquota zero, tendo em vista que prevalece a interpretação de que o art. 153, IV, da CF adota a técnica de cobrança própria dos impostos sobre valor agregado, permitindo a compensação do imposto devido na operação subsequente com a importância recolhida na operação antecedente. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. EQUIPAMENTOS Afastase a glosa dos créditos em relação a despesas de manutenção de empilhadeiras, tratores e pulverizadores e retroescavadeiras, uma vez que no dentro da sistemática de apuração de créditos pela nãocumulatividade do PIS, o contribuinte possui direito subjetivo ao benefício, tendo em vista que esta despesa está vinculada ao processo produtivo. Fl. 285DF CARF MF Processo nº 11020.003571/200921 Acórdão n.º 9303007.304 CSRFT3 Fl. 4 3 O Colegiado a quo entendeu por dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito ao crédito e autorizar o ressarcimento tão somente quanto aos seguintes itens: despesas com empilhadeiras (custos de aquisição de GLP e manutenção de empilhadeiras); despesas com aquisições de combustíveis e lubrificantes gastos com viveiros e pomares; despesas com serviços de manutenção de máquinas, tratores, retroescavadeiras e pulverizadores; despesas com conservação de sêmen, manutenção de laboratório e ordenhadeiras, bem como medicamentos e fertilizantes e despesas com embalagem de transporte (material de transporte). Não resignada em parte com a decisão, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial (fls. 242 a 271) alegando divergência jurisprudencial quanto ao conceito de insumos para fins de utilização de créditos das contribuições para o PIS e a COFINS na sistemática da nãocumulatividade, insurgindose especificamente quanto aos seguintes itens: (1) despesas com empilhadeiras; despesas com embalagem de transporte (material de embalagem); despesas com serviços de manutenção de máquinas, tratores, retroescavadeiras e pulverizadores; despesas com conservação de sêmen, manutenção de laboratório e ordenhadeiras, bem como medicamentos e fertilizantes; e (2) despesas com combustíveis e lubrificantes. Visando à comprovação do dissenso interpretativo, com relação às despesas tratadas no item “1” indicou como paradigma o Acórdão n.º 20312.448, segundo o qual apenas podem ser considerados insumos para fins de cálculo do crédito do PIS não cumulativo aqueles elencados no art. 3º da Lei nº 10.637/2002 combinado com o art. 66 da IN SRF nº 464/2004, adotando a tese da definição de “insumos” prevista na legislação do IPI. Além disso, invocou paradigmas específicos para cada um dos créditos atacados: despesas com embalagem de transporte (material de transporte) – Acórdão n.º 310100.795; despesas com serviços de manutenção de máquinas, tratores, retroescavadeiras e pulverizadores – Acórdão n.º 3302001.521; e despesas com empilhadeira – Acórdão n.º 3802000.341. De outro lado, quanto às despesas com combustíveis e lubrificantes, constantes do item “2” da peça recursal, os acórdãos indicados como paradigmáticos foram os de n.º 380100.470 e 3301001.290. Dentre as decisões citadas como paradigmas na peça recursal, foi considerado como suficiente à comprovação do dissenso, no exame de admissibilidade, o Acórdão n.º 20312.448 que, diversamente da decisão recorrida, adota como conceito de “insumo” a tese trazida na legislação do IPI. A Recorrente aduz, em síntese, que os insumos aptos a serem considerados como créditos de PIS/Pasep e COFINS no regime nãocumulativo foram tratados de foram taxativa no art. 3º das Leis n.º 10.637/2002 e 10.833/2003, respectivamente. Portanto, para efeitos de crédito do tributo, incluemse no conceito de insumo, além de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, os itens que sejam incorporados ao bem produzido, e os bens que, mesmo não se integrando à mercadoria, sejam consumidos e/ou alterados no processo de industrialização em função da ação exercida diretamente sobre o produto, com exceção daqueles compreendidos no ativo permanente. Segundo a Fazenda Nacional, tais requisitos não são atendidos pelos itens admitidos como insumos pelo acórdão recorrido, merecendo o mesmo ser reformado. Fl. 286DF CARF MF Processo nº 11020.003571/200921 Acórdão n.º 9303007.304 CSRFT3 Fl. 5 4 Nos termos do despacho nº 330000.270, de 12 de julho de 2013 (fls. 274 a 277), foi dado seguimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, por ter sido entendida como comprovada a divergência jurisprudencial, com base no Acórdão paradigma n.º 203 12.448, quanto ao conceito de insumo para utilização dos créditos na apuração do PIS e da COFINS na sistemática da nãocumulatividade. Cientificada a Contribuinte (fls. 280 a 283), não foram apresentadas contrarrazões. O presente processo foi distribuído a essa Relatora, estando apto a ser relatado e submetido à análise desta Colenda 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o Relatório. Voto Vencido Conselheira Vanessa Marini Cecconello, Relatora Admissibilidade O recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional atende aos requisitos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015 (anteriormente Portaria MF n.º 256/2009), devendo, portanto, ter prosseguimento. Mérito Do Direito ao Crédito de PIS e COFINS nãocumulativos – Conceito de insumos No mérito, adentrase à análise do direito ao crédito de PIS e COFINS não cumulativos decorrentes de: (1) despesas com empilhadeiras; despesas com embalagem de transporte (material de embalagem); despesas com serviços de manutenção de máquinas, tratores, retroescavadeiras e pulverizadores; despesas com conservação de sêmen, manutenção de laboratório e ordenhadeiras, bem como medicamentos e fertilizantes; e (2) despesas com combustíveis e lubrificantes. De início, explicitase o conceito de insumos adotado no presente voto, para posteriormente adentrarse à análise dos itens individualmente. A sistemática da nãocumulatividade para as contribuições do PIS e da COFINS foi instituída, respectivamente, pela Medida Provisória nº 66/2002, convertida na Lei nº 10.637/2002 (PIS) e pela Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003 (COFINS). Em ambos os diplomas legais, o art. 3º, inciso II, autorizase a apropriação de Fl. 287DF CARF MF Processo nº 11020.003571/200921 Acórdão n.º 9303007.304 CSRFT3 Fl. 6 5 créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda.1 O princípio da nãocumulatividade das contribuições sociais foi também estabelecido no §12º, do art. 195 da Constituição Federal, por meio da Emenda Constitucional nº 42/2003, consignandose a definição por lei dos setores de atividade econômica para os quais as contribuições sociais dos incisos I, b; e IV do caput, dentre elas o PIS e a COFINS. 2 A disposição constitucional deixou a cargo do legislador ordinário a regulamentação da sistemática da nãocumulatividade do PIS e da COFINS. Por meio das Instruções Normativas nºs 247/02 (com redação da Instrução Normativa nº 358/2003) (art. 66) e 404/04 (art. 8º), a Secretaria da Receita Federal trouxe a sua interpretação dos insumos passíveis de creditamento pelo PIS e pela COFINS. A definição de insumos adotada pelos mencionados atos normativos é excessivamente restritiva, assemelhandose ao conceito de insumos utilizado para utilização dos créditos do IPI – Imposto sobre Produtos Industrializados, estabelecido no art. 226 do Decreto nº 7.212/2010 (RIPI). As Instruções Normativas nºs 247/2002 e 404/2004, ao admitirem o creditamento apenas quando o insumo for efetivamente incorporado ao processo produtivo de fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, aproximandose da legislação do IPI que traz critério demasiadamente restritivo, extrapolaram as disposições da legislação hierarquicamente superior no ordenamento jurídico, a saber, as Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, e contrariaram frontalmente a finalidade da sistemática da nãocumulatividade das contribuições do PIS e da COFINS. Patente, portanto, a ilegalidade dos referidos atos normativos. Nessa senda, entendese igualmente impróprio para conceituar insumos adotar se o parâmetro estabelecido na legislação do IRPJ Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, pois demasiadamente amplo. Pelo raciocínio estabelecido a partir da leitura dos artigos 290 e 299 do Decreto nº 3.000/99 (RIR/99), poderseia enquadrar como insumo todo e qualquer custo da pessoa jurídica com o consumo de bens ou serviços integrantes do processo de fabricação ou da prestação de serviços como um todo. 1 Lei nº 10.637/2002 (PIS). Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; [...]. Lei nº 10.8332003 (COFINS). Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...]II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; [...] 2 Constituição Federal de 1988. Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: [...] b) a receita ou o faturamento; [...] IV do importador de bens ou serviços do exterior, ou de quem a lei a ele equiparar. [...]§ 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão nãocumulativas. (grifouse) Fl. 288DF CARF MF Processo nº 11020.003571/200921 Acórdão n.º 9303007.304 CSRFT3 Fl. 7 6 Em Declaração de Voto apresentada nos autos do processo administrativo nº 13053.000211/200672, em sede de julgamento de recurso especial pelo Colegiado da 3ª Turma da CSRF, o ilustre Conselheiro Gileno Gurjão Barreto assim se manifestou: [...] permaneço não compartilhando do entendimento pela possibilidade de utilização isolada da legislação do IR para alcançar a definição de "insumos" pretendida. Reconheço, no entanto, que o raciocínio é auxiliar, é instrumento que pode ser utilizado para dirimir controvérsias mais estritas. Isso porque a utilização da legislação do IRPJ alargaria sobremaneira o conceito de "insumos" ao equiparálo ao conceito contábil de "custos e despesas operacionais" que abarca todos os custos e despesas que contribuem para a atividade de uma empresa (não apenas a sua produção), o que distorceria a interpretação da legislação ao ponto de tornála inócua e de resultar em indesejável esvaziamento da função social dos tributos, passando a desonerar não o produto, mas sim o produtor, subjetivamente. As Despesas Operacionais são aquelas necessárias não apenas para produzir os bens, mas também para vender os produtos, administrar a empresa e financiar as operações. Enfim, são todas as despesas que contribuem para a manutenção da atividade operacional da empresa. Não que elas não possam ser passíveis de creditamento, mas tem que atender ao critério da essencialidade. [...] Estabelece o Código Tributário Nacional que a segunda forma de integração da lei prevista no art. 108, II, do CTN são os Princípios Gerais de Direito Tributário. Na exposição de motivos da Medida Provisória n. 66/2002, in verbis, afirmase que “O modelo ora proposto traduz demanda pela modernização do sistema tributário brasileiro sem, entretanto, pôr em risco o equilíbrio das contas públicas, na estrita observância da Lei de Responsabilidade Fiscal. Com efeito, constitui premissa básica do modelo a manutenção da carga tributária correspondente ao que hoje se arrecada em virtude da cobrança do PIS/Pasep.” Assim sendo, o conceito de "insumos", portanto, muito embora não possa ser o mesmo utilizado pela legislação do IPI, pelas razões já exploradas, também não pode atingir o alargamento proposto pela utilização de conceitos diversos contidos na legislação do IR. Ultrapassados os argumentos para a não adoção dos critérios da legislação do IPI nem do IRPJ, necessário estabelecerse o critério a ser utilizado para a conceituação de insumos. Diante do entendimento consolidado deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, inclusive no âmbito desta Câmara Superior de Recursos Fiscais, o conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, inciso II da Lei 10.833/2003, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade. Referido critério traduz uma posição "intermediária" construída pelo CARF, na qual, para Fl. 289DF CARF MF Processo nº 11020.003571/200921 Acórdão n.º 9303007.304 CSRFT3 Fl. 8 7 definir insumos, buscase a relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo e a atividade realizada pelo Contribuinte. Conceito mais elaborado de insumo, construído a partir da jurisprudência do próprio CARF e norteador dos julgamentos dos processos, no referido órgão, foi consignado no Acórdão nº 9303003.069, resultante de julgamento da CSRF em 13 de agosto de 2014: [...] Portanto, "insumo" para fins de creditamento do PIS e da COFINS não cumulativos, partindo de uma interpretação histórica, sistemática e teleológica das próprias normas instituidoras de tais tributos (Lei no. 10.637/2002 e 10.833/2003), deve ser entendido como todo custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto que seja destinado à venda, e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas (critério relacional), dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada processo produtivo. Nessa linha relacional, para se verificar se determinado bem ou serviço prestado pode ser caracterizado como insumo para fins de creditamento do PIS e da COFINS, impende analisar se há: pertinência ao processo produtivo (aquisição do bem ou serviço especificamente para utilização na prestação do serviço ou na produção, ou, ao menos, para tornálo viável); essencialidade ao processo produtivo (produção ou prestação de serviço depende diretamente daquela aquisição) e possibilidade de emprego indireto no processo de produção (prescindível o consumo do bem ou a prestação de serviço em contato direto com o bem produzido). Portanto, para que determinado bem ou prestação de serviço seja considerado insumo gerador de crédito de PIS e COFINS, imprescindível a sua essencialidade ao processo produtivo ou prestação de serviço, direta ou indiretamente, bem como haja a respectiva prova. Não é diferente a posição predominante no Superior Tribunal de Justiça, o qual reconhece, para a definição do conceito de insumo, critério amplo/próprio em função da receita, a partir da análise da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo ou à prestação do serviço. O entendimento está refletido no voto do Ministro Relator Mauro Campbell Marques ao julgar o recurso especial nº 1.246.317MG, sintetizado na ementa: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃOCUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça Fl. 290DF CARF MF Processo nº 11020.003571/200921 Acórdão n.º 9303007.304 CSRFT3 Fl. 9 8 considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de nãocumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido. (REsp 1246317/MG, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/05/2015, DJe 29/06/2015) (grifou se) Fl. 291DF CARF MF Processo nº 11020.003571/200921 Acórdão n.º 9303007.304 CSRFT3 Fl. 10 9 Portanto, são insumos, para efeitos do art. 3º, II da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, II da Lei nº 10.833/2003, todos os bens e serviços pertinentes ao processo produtivo e à prestação de serviços, ou ao menos que os viabilizem, podendo ser empregados direta ou indiretamente, e cuja subtração implica a impossibilidade de realização do processo produtivo e da prestação do serviço, objetando ou comprometendo a qualidade da própria atividade da pessoa jurídica. Ainda, no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, o tema foi recentemente julgado pela sistemática dos recursos repetitivos nos autos do recurso especial nº 1.221.170 PR, no sentido de reconhecer a ilegalidade das Instruções Normativas SRF nºs 247/2002 e 404/2004 e aplicação de critério da essencialidade ou relevância para o processo produtivo na conceituação de insumo para os créditos de PIS e COFINS no regime nãocumulativo. Até a presente data da sessão de julgamento desse processo não houve o trânsito em julgado do acórdão do recurso especial nº 1.221.170PR pela sistemática dos recursos repetitivos, pois pendente de julgamento de embargos de declaração interpostos pela Fazenda Nacional. Fazse a ressalva do entendimento desta Conselheira, que não é o da maioria do Colegiado, que conforme previsão contida no art. 62, §2º do RICARF aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, os conselheiros já estão obrigados a reproduzir referida decisão. Assim, os valores decorrentes da contratação de fretes de produtos acabados entre estabelecimentos da própria empresa geram direito aos créditos das contribuições para o PIS e para a COFINS na sistemática nãocumulativa, pois são essenciais ao processo produtivo da Recorrente e se constituem em despesas na operação de vendas. O direito ao crédito encontra amparo no art. 3º, inciso IX, da Lei nº 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei nº 10.637/02, que contemplam a expressão "frete na operação de venda". No caso dos autos, conforme já afirmado, a Contribuinte RASIP AGROPASTORIL S/A é pessoa jurídica que desenvolve a atividade econômica principal do cultivo de maçãs. No seu Estatuto Social (fl. 213), art. 3º, como objeto social são listadas as seguintes atividades: "(a) a produção agrícola e pastoril, a fruticultura e apicultura; (b) a criação de rebanhos de diversas espécies; (c) a indústria, o comércio, a importação e a exportação de produtos alimentícios, de produtos da agricultura, da fruticultura e da pecuária, inclusive derivados do leite; (d) a elaboração e execução de projetos e atividades de fruticultura, florestamento e reflorestamento; (e) a produção e comercialização de produtos agrícolas, sementes e mudas; e (f) a prestação de serviços inerentes a essas atividades." Importa ter em perspectiva referida atividade econômica desenvolvida pela Recorrida, pois ao se adotar o critério da pertinência, relevância e essencialidade para a definição do conceito de insumos, tais parâmetros devem ser analisados frente ao processo produtivo do Sujeito Passivo em referência. A Fazenda Nacional, por meio de recurso especial, confronta o acórdão do recurso voluntário no que tange à possibilidade de tomada de créditos de PIS e COFINS não cumulativos pela Contribuinte decorrentes dos seguintes itens, divididos em dois grupos: (1) despesas com empilhadeiras; despesas com embalagem de transporte (material de embalagem); despesas com serviços de manutenção de máquinas, tratores, retroescavadeiras e pulverizadores; e (2) despesas com combustíveis e lubrificantes. Na perspectiva do conceito de insumos segundo o critério da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo, entendese não assistir razão à Recorrente Fl. 292DF CARF MF Processo nº 11020.003571/200921 Acórdão n.º 9303007.304 CSRFT3 Fl. 11 10 quanto ao pedido de restabelecimento das glosas, pois as despesas em testilha têm relação direta com a atividade econômica principal da empresa contribuinte – o cultivo de maçãs. Para elucidar a assertiva, passase à análise individual dos bens e serviços: (a) despesas com empilhadeiras (aquisição de GLP e manutenção): no Relatório de Verificação Fiscal (fl.96), após visitas da Fiscalização à sede da empresa, foi consignado que as empilhadeiras são utilizadas para diversos fins: “descarregamento da fruta vinda dos pomares, carregamento/descarregamento da fruta nas câmaras frias, movimentação pelo packing (local onde a maçã é selecionada, limpada e embalada), bem como no carregamento das caixas de maçãs na saída dos produtos do estabelecimento”. Entendeu a Autoridade Fiscal que, ante a falta de segregação dos custos, despesas e respectivos créditos vinculados às empilhadeiras pela Contribuinte, não haveria direito ao crédito, por inexistência de previsão legal, já que as mesmas seriam utilizadas para “mero transporte da fruta dentro do processo produtivo (não há transformação ou ação direta sobre a maçã)” e, ainda, “após a finalização do processo produtivo, em suma, no início da operação de venda – carregamento da fruta na saída do estabelecimento (expedição)”. O entendimento da Fiscalização – que também é defendido pela Fazenda Nacional – é pautado pelo critério do conceito de insumos da legislação do IPI, exigindo o contato, desgaste, modificação do bem ou serviço no processo produtivo, bem como que o mesmo entre em contato com a mercadoria a ser produzida. No entanto, à luz da posição intermediária para definição do conceito de insumos, a utilização das empilhadeiras para o transporte das frutas nos pomares e para o seu carregamento na saída do estabelecimento, denota pertinência, relevância e essencialidade, com o processo produtivo do cultivo de maçãs. As empilhadeiras foram utilizadas pela Contribuinte na produção, ainda que de forma indireta, e se mostram indispensáveis à consecução do seu objeto social de produção e venda das maçãs. Além disso, não se pode imaginar que não conte a empresa com o auxílio de máquinas para o transporte do seu produto, em grandes quantidades, ao longo da produção e na saída para a venda, pois hipótese contrária inviabilizaria o próprio cultivo e escoamento da produção. Portanto, deve ser mantido o reconhecimento do direito ao crédito de PIS e COFINS nãocumulativos com relação às despesas com empilhadeiras (aquisição de GLP e manutenção). (b) despesas com embalagem de transporte (material de embalagem): consta, também do Relatório de Verificação Fiscal (fls. 99 a 100), como bens incluídos pela Contribuinte como insumos: (i) cantoneiras – utilizadas para evitar o amassamento das caixas de papelão pelas amarras durante o transporte do produto; (ii) pallets e seus acessórios – pregos e etiquetas – utilizados para o empilhamento das caixas para armazenamento e transporte e (iii) fitas/amarras – utilizadas para “amarrar” as caixas de papelão sobre os pallets. Não foram aceitos como créditos os materiais de embalagem de transporte indicados pela Contribuinte, pois não classificáveis dentro das hipóteses do art. 3º das Leis n.º 10.637/2002 e 10.833/2003, seja como insumo (inciso II) ou como despesas de fretes na operação de venda (inciso IX). Com fulcro na legislação de IPI, considerou a Fiscalização que o materiais de embalagem indicados pela Contribuinte não atenderiam aos requisitos para serem considerados como embalagem para acondicionamento de transporte. Fl. 293DF CARF MF Processo nº 11020.003571/200921 Acórdão n.º 9303007.304 CSRFT3 Fl. 12 11 Também neste tópico deve ser mantida a decisão recorrida. A embalagem de transporte faz parte do custo de venda do produtor das frutas, pois se destinam à conservação e proteção do produto durante o transporte, garantindo a integridade das frutas durante o transporte até o estabelecimento de venda. Os materiais de embalagem podem ser considerados como insumos sempre que a operação de venda incluir o transporte da mercadoria, nos termos do art. 3º, inciso II da Lei n.º 10.637/2002. Além disso, o inciso IX da referida norma prevê expressamente que dão direito ao crédito de PIS nãocumulativo os serviços de armazenagem de mercadoria e frete, desde que suportados pelo vendedor. Nessa esteira, mantémse o reconhecimento do direito ao crédito com relação aos materiais de embalagem para transporte das mercadorias. (c) despesas com serviços de manutenção de máquinas, tratores, retroescavadeiras e pulverizadores que comprovadamente tiveram contato direto com o produto e foram essenciais ao processo de produção: com relação às despesas com peças, partes e serviços de manutenção de máquinas, tratores, retroescavadeiras e pulverizadores, entendeu a Autoridade Fiscal pelo não enquadramento como insumos, pois tais bens e serviços não sofrem qualquer alteração, como consumo, desgaste, dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, pela ação diretamente exercida no serviço que está sendo prestado e no bem ou produto que está sendo fabricado. Além disso, acrescentou que algumas aquisições deveriam ter sido destinadas ao ativo imobilizado, por aumentarem o prazo de vida útil dos bens em mais de um ano. O Colegiado a quo, ao apreciar a matéria sob a ótica do critério mais elástico que a legislação do IPI e considerando a necessidade de aplicação direta no processo produtivo, reconheceu como insumos as despesas com os serviços (excluídas as partes e peças) de manutenção de máquinas, tratores, retroescavadeiras e pulverizadores, mas tão somente com relação àqueles que comprovadamente tiveram contato direto com o produto e foram essenciais ao processo de produção. Portanto, caberá à Contribuinte quando da execução do acórdão demonstrar a existência da vinculação. Igualmente sob o critério da posição intermediária (“essencialidade”) há de ser considerados como insumos os serviços de manutenção de máquinas, tratores, retroescavadeiras e pulverizadores, porque tais equipamentos são imprescindíveis à atividade de fruticultura desempenhada pela Contribuinte. A produção da Contribuinte apresenta elevado grau de mecanização e emprego de tecnologia, por isso os serviços em questão são essenciais ao processo produtivo. No entanto, em razão da impossibilidade da reforma da decisão no sentido que prejudique a parte Recorrente, há de ser mantido o reconhecimento do crédito nos termos da decisão recorrida – somente quando diretamente aplicável no processo produtivo. (d) despesas com combustíveis e lubrificantes desde que efetivamente comprovada pela Contribuinte a participação no processo produtivo e segregada do lançamento contabilizado como “estoque de combustíveis e lubrificantes – ativo Fl. 294DF CARF MF Processo nº 11020.003571/200921 Acórdão n.º 9303007.304 CSRFT3 Fl. 13 12 imobilizado”: Consoante Relatório Fiscal, em diligência efetuada junto à empresa, foi constatado o uso de grande parte dos combustíveis em lubrificantes em tratores, os quais, por sua vez, são utilizados nos pomares em produção e naqueles ainda não produtivos (“pomares novos”). Para os pomares ainda não produtivos, na contabilidade da empresa há lançamentos a débito cujas contrapartidas encontramse nas contas de estoque de combustíveis e lubrificantes. Concluiu a Fiscalização existir parcela do estoque de combustíveis que não é efetivamente utilizada como insumo, pois acaba sendo destinada ao ativo imobilizado. O acórdão recorrido, ao reconhecer o direito ao crédito sobre os combustíveis e lubrificantes, entendeu que somente os gastos com combustíveis e lubrificantes que efetivamente incidiram no processo produtivo darão direito ao crédito pleiteado pela Contribuinte. Fez, ainda, ressalva quanto aos valores dos combustíveis destinados ao ativo imobilizado, não podendo a empresa creditarse dos mesmos. Mantémse o entendimento da possibilidade de creditamento das despesas com combustíveis e lubrificantes utilizados no processo produtivo da empresa, pois, ainda que por razões distintas das consignadas no acórdão vergastado, têm relação de pertinência, relevância e essencialidade com a produção da Contribuinte, independentemente da sua aplicação direta ou indireta no mesmo. Assim, negase provimento ao recurso da Fazenda Nacional também neste ponto, devendo ser observada a delimitação do acórdão recorrido no sentido de ser, com relação às despesas com combustíveis e lubrificantes, “efetivamente comprovada pela Contribuinte a participação no processo produtivo e segregada do lançamento contabilizado como “estoque de combustíveis e lubrificante”. (e) Conservação de sêmen, manutenção de laboratório e ordenhadeiras, bem como medicamentos e fertilizantes: Com relação aos medicamentos e fertilizantes, têmse que deve ser reformada a decisão para excluílos da possibilidade de aproveitamento de créditos de PIS e COFINS não cumulativos. Isso porque, consoante apontado no Relatório de Verificação Fiscal, estavam sujeitos à alíquota zero na operação anterior de aquisição dos mesmos, possibilidade de crédito que foi afastada pelo próprio acórdão recorrido ao tratar do tópico específico da “alíquota zero”. Por essa razão, nesse ponto dáse provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional para restabelecer a glosa com relação aos medicamentos e fertilizantes. No que tange às demais despesas com conservação e sêmen, manutenção de laboratório e ordenhadeiras (colares com responder), entendese pela manutenção do direito ao creditamento de PIS/Pasep na sistemática nãocumulativa, por se considerar como essenciais à atividade da Recorrida, que, além da produção e comercialização de frutas, atua na atividade da pecuária, com a criação de rebanhos de diversas espécies; a indústria, o comércio, a importação e a exportação de produtos alimentícios, de produtos da agricultura, da fruticultura e da pecuária, inclusive derivados do leite. Fl. 295DF CARF MF Processo nº 11020.003571/200921 Acórdão n.º 9303007.304 CSRFT3 Fl. 14 13 Neste tópico, portanto, assiste razão em parte à Fazenda Nacional apenas para restabelecer a glosa dos créditos decorrentes das despesas com aquisição de medicamentos e fertilizantes, pois sujeitos à alíquota zero na operação anterior. Dispositivo Diante do exposto, conhecido o recurso especial da Fazenda Nacional, no mérito, dáse provimento parcial tão somente para restabelecer a glosa com relação aos medicamentos e fertilizantes. É o voto. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Voto Vencedor Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, Redator designado Com todo respeito ao voto da ilustre relatora, mas discordo de suas conclusões, quanto ao direito de se aproveitar créditos sobre despesas que não integram o custo do produto industrializado. A discussão gira em torno do conceito de insumos para fins do creditamento do PIS e da Cofins no regime da nãocumulatividade previsto nas Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003. Como visto, a relatora aplicou o entendimento, bastante comum no âmbito do CARF, de que para dar direito ao crédito basta que o bem ou o serviço adquirido seja essencial para o exercício da atividade produtiva por parte do contribuinte. É uma interpretação bastante tentadora do ponto de vista lógico, porém, na minha opinião não tem respaldo na legislação que trata do assunto. Confesso que já compartilhei em parte deste entendimento, adotando uma posição intermediária quanto ao conceito de insumos. Porém, refleti melhor, e hoje entendo que a legislação do PIS/Cofins traz uma espécie de numerus clausus em relação aos bens e serviços considerados como insumos para fins de creditamento, ou seja, fora daqueles itens expressamente admitidos pela lei, não há possibilidade de aceitálos dentro do conceito de insumo. O objeto de discussão no recurso da Fazenda Nacional, como bem relatado, referese ao aproveitamento de créditos assim separados: 1) Despesas com empilhadeiras 2) combustíveis e lubrificantes; 3) Bens diversos; 4) Materiais utilizados para embalagens de transporte; 5) Serviços de manutenção de máquinas, tratores, retroescavadeiras e pulverizadores; e 6) Conservação de sêmen, manutenção de laboratório e ordenhadeiras, bem como medicamentos e fertilizantes Porém, como já dito, adoto um conceito de insumos bem mais restritivo do que o conceito da necessidade e da essencialidade, adotado pelo voto vencido. Fl. 296DF CARF MF Processo nº 11020.003571/200921 Acórdão n.º 9303007.304 CSRFT3 Fl. 15 14 Nesse sentido, importante transcrever o art. 3º das Lei nº 10.637/2002 e 10.833/2003, que trata das possibilidades de creditamento do PIS e da Cofins: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. Fl. 297DF CARF MF Processo nº 11020.003571/200921 Acórdão n.º 9303007.304 CSRFT3 Fl. 16 15 (...). 2o Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I de mãodeobra paga a pessoa física; e (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) § 3o O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. (...). Ora, segundo estes dispositivos legais, somente geram créditos das contribuições os custos com bens e serviços utilizados como insumos na fabricação dos bens destinados a venda. Note que os dispositivos legais descrevem de forma exaustiva todas as possibilidades de creditamento. Fosse para atingir todos os gastos essenciais à obtenção da receita, não necessitariam ter sido elaborados desta forma, bastava um único artigo ou inciso. Não haveria necessidade de ter descido a tantos detalhes. No presente caso, é incontroverso que as referidas despesas são necessárias para a atividade econômica do contribuinte. Não discordo da conclusão do acórdão recorrido de que os gastos com aqueles bens e serviços estão vinculados às atividades econômicas do contribuinte. Mas o legislador restringiu a possibilidade de creditamento do PIS e da Cofins aos insumos utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda e na prestação de serviços. Portanto, considerando esse conceito de que os insumos devem ser utilizados diretamente na fabricação do produto destinado a venda, passemos à análise de cada item objeto do recurso especial. 1) Despesas com empilhadeiras (combustíveis e peças de manutenção) Nesse ponto só vou justificar as razões porque acompanhei a relatora pela possibilidade de tal creditamento. Verificase pelo relatório fiscal que essas empilhadeiras são usadas dentro do processo fabril de beneficiamento das maças, produto final do contribuinte. Ou seja, os combustíveis e as peças de manutenção, não ativáveis, são consumidas diretamente no processamento das maças, que são efetivamente os produtos destinados à venda. Fl. 298DF CARF MF Processo nº 11020.003571/200921 Acórdão n.º 9303007.304 CSRFT3 Fl. 17 16 2) Combustíveis e lubrificantes Na análise do direito ao crédito efetuada pela autoridade fiscal, foi negado o crédito nas aquisições de combustíveis não utilizados diretamente no processo produtivo. De acordo com a fiscalização a maior parte dos créditos pleiteados eram referentes a combustíveis e lubrificantes utilizados em tratores agrícolas. Em seu recurso voluntário, o contribuinte sustenta que o processo produtivo de maçãs é amplo e iniciase desde o cultivo da terra. Ou seja, um retorno ao conceito de essencialidade, não em relação à sua atividade produtiva direta, mas em relação à sua atividade econômica como um todo. Inclusive, como esclarecido no relatório da fiscalização, boa parte desses combustíveis eram levados ao ativo imobilizado pela própria empresa, em razão da vida útil dos pomares. Porém, como já frizado, as leis da não cumultatividade não trazem essa ampliação toda como pretende o contribuinte e como entende a ilustre relatora do presente voto. Como abordo no item seguinte, não há possibilidade legal do aproveitamento de créditos de insumos de insumos. 3) Bens Diversos Nessa rubrica, o acórdão recorrido negou o creditamento de vários itens e concedeu o crédito sobre alguns itens com a seguinte justificativa: Por sua vez, tomando por vista que a Interessada também é produtora de queijo e derivados do leite, e portanto necessita de todo um cuidado quanto ao gado, para que o produto comercializado e fornecido ao consumidor final seja de boa qualidade, despesas com materiais de limpeza e higienização, cerca para rebanhos e manutenção de laboratório dado seu contato direto com o produto e participação efetiva no processo produtivo devem ser aproveitadas pela empresa. Não concordo com essa assertiva e não vejo que são insumos, da forma como genericamente descritos, utilizados no processo industrial do produto destinado a venda. O fato, por si só, de que ele tenha a atividade de produção de queijo e leite, significa concluir o seu uso diretamente em sua fase industrial. Notoriamente a cerca para rebanhos, além de não ser insumo, pois provavelmente deve ser um item do ativo imobilizado, jamais teria alguma utilidade direta na fabricação de queijo e leite. Da mesma forma, há que ser comprovado que as despesas com limpeza e higienização não se referem à fase pré industrial. Em que momento foram aplicadas essas despesas. Manutenção de laboratório, também é um termo muito genérico para ser acatado como despesas aplicadas no processo industrial. Importante relembrar que a legislação não prevê possibilidade de creditamento de insumos de insumos e esse colegiado tem tido o entendimento de que não é possível o creditamento de insumos utilizados na fase agrícola, ou préindustrial. 4) Materiais utilizados para embalagens de transporte Tomo da transcrição de trecho do voto da decisão recorrida, sobre que elementos está se discutindo tal creditamento. Constam na glosa itens como Cantoneiras – utilizadas para evitar o amassamento das caixas de papelão pelas amarras durante o transporte do produto; Pallets e seus acessórios – pregos e etiquetas – utilizados para o empilhamento de Fl. 299DF CARF MF Processo nº 11020.003571/200921 Acórdão n.º 9303007.304 CSRFT3 Fl. 18 17 caixas para armazenamento e transporte; Fitas/Amarras – usadas para amarrar as caixas de papelão sobre os pallets. Observe que são todos itens utilizados após o encerramento do processo produtivo. São utilizados para acondicionamento de transporte da produção. Não discordo da conclusão do acórdão recorrido de que o uso da embalagem é essencial para a preservação das características dos seus produtos, durante o transporte até os pontos de venda. Penso inclusive, que em maior ou menor grau, a depender do produto final, esta é a finalidade mesmo da embalagem de transporte. Mas o legislador restringiu a possibilidade de creditamento do PIS e da Cofins aos insumos utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Portanto após o encerramento do processo produtivo não é possível tal creditamento, a não ser nas hipóteses expressamente previstas na legislação, a exemplo do aproveitamento do crédito do frete na operação de venda (situação excepcionada expressamente pela Lei) ou alguém seria capaz de dizer que o frete na operação de venda, suportado pelo contribuinte, não é um item essencial à sua atividade econômica. Se bastasse isso não seria necessária a excepcionadade constante da Lei. 5) Serviços de manutenção de máquinas, tratores, retroescavadeiras e pulverizadores. Pela característica dos bens, evidente que sua utilização é feita na etapa pré industrial. Na manutenção das lavouras que faz parte da etapa agrícola, em relação aos quais nego provimento pelas mesmas razões do item 3, supra analisado. 6) Conservação de sêmen, manutenção de laboratório e ordenhadeiras, bem como medicamentos e fertilizantes Em relação aos itens medicamentos e fertilizantes manifesto minha concordância com o voto da ilustre relatora que neste ponto proveu o recurso especial da Fazenda Nacional. Em relação aos demais confirmo o entendimento do colegiado de que sobre tais itens não há previsão legal para autorizar o creditamento, por fugirem do conceito legal de insumos estabelecido pela legislação de regência. Como dito nos itens 3 e 5 anteriores, tratam se de despesas relevantes para atividade econômica do contribuinte, porém aplicadas nas fases antecendentes ao processo produtivo propriamente dito. Diante do exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, para reestabelecer as glosas de crédito em relação aos seguintes itens: (i) bens diversos, (ii) combustíveis e lubrificantes (iii) embalagem de transporte, (iv) serviços de manutenção de máquinas, tratores, retroescavadeiras e pulverizadores e (v) conservação de sêmen, manutenção de laboratório e ordenhadeiras, bem como medicamentos e fertilizantes. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 300DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18470.722463/2017-10
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2014
DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO.
São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos, clínicas e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei.
Há de ser afastada a glosa, quando o contribuinte apresenta, no processo, documentação suficiente para sua aceitação.
Numero da decisão: 2001-000.678
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Ricardo Moreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE RICARDO MOREIRA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2014 DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos, clínicas e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Há de ser afastada a glosa, quando o contribuinte apresenta, no processo, documentação suficiente para sua aceitação.
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score : 1.0
Numero do processo: 10480.906257/2009-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVA. VALOR DA ESTIMATIVA DE MÊS POSTERIOR. DEDUÇÃO DO VALOR DEVIDO ACUMULADO DE MESES ANTERIORES.
O valor devido da estimativa do mês é o determinado com base no balancete ou na receita bruta, deduzido do valor acumulado das estimativas devidas dos meses anteriores.
Numero da decisão: 1201-002.478
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencido o conselheiro relator (José Carlos de Assis Guimarães) que negava provimento ao recurso. Designado o conselheiro Paulo Cezar Fernandes de Aguiar para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente
(assinado digitalmente)
José Carlos de Assis Guimarães - Relator
(assinado digitalmente)
Paulo Cezar Fernandes de Aguiar - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente).
Nome do relator: Relator
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005 COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVA. VALOR DA ESTIMATIVA DE MÊS POSTERIOR. DEDUÇÃO DO VALOR DEVIDO ACUMULADO DE MESES ANTERIORES. O valor devido da estimativa do mês é o determinado com base no balancete ou na receita bruta, deduzido do valor acumulado das estimativas devidas dos meses anteriores.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencido o conselheiro relator (José Carlos de Assis Guimarães) que negava provimento ao recurso. Designado o conselheiro Paulo Cezar Fernandes de Aguiar para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente (assinado digitalmente) José Carlos de Assis Guimarães - Relator (assinado digitalmente) Paulo Cezar Fernandes de Aguiar - Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente).
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ESTIMATIVA. VALOR DA ESTIMATIVA DE MÊS POSTERIOR. DEDUÇÃO DO VALOR DEVIDO ACUMULADO DE MESES ANTERIORES. O valor devido da estimativa do mês é o determinado com base no balancete ou na receita bruta, deduzido do valor acumulado das estimativas devidas dos meses anteriores. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencido o conselheiro relator (José Carlos de Assis Guimarães) que negava provimento ao recurso. Designado o conselheiro Paulo Cezar Fernandes de Aguiar para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente (assinado digitalmente) José Carlos de Assis Guimarães Relator (assinado digitalmente) Paulo Cezar Fernandes de Aguiar Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Gisele AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 90 62 57 /2 00 9- 11 Fl. 165DF CARF MF 2 Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Relatório COMPANHIA ENERGÉTICA DE PERNAMBUCO CELPE recorre a este Conselho com fulcro no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, objetivando a reforma do acórdão nº 1138.707, sessão de 12 de novembro de 2012, da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife (PE) que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade para NÃO RECONHECER o direito creditório, mantendo se a NÃO HOMOLOGAÇÂO da compensação declarada dos débitos informados na DCOMP em lide. Por economia processual e considerar pertinente, adoto o relatório da Resolução nº 1802000.569, sessão de 21 de outubro de 2014, da 2ª Turma Especial da Primeira Seção de Julgamento: Em 31/03/2005, a empresa efetuou o pagamento do DARF no valor de R$ 7.330.112,65 – Principal Código de receita – 2362 – IRPJ – OB L REAL DEMAIS EST MENSAL, período de apuração 28/02/2005, fls. 39 e 62. Em 18/04/2006, a empresa transmitiu DCTF MENSAL RETIFICADORA FEV/2005 – com Débito Apurado IRPJ – 236201 no valor de R$ 7.086.215,03, com créditos vinculados (pagamento) no mesmo valor, fls. 66 e 67. Em 10/11/2006, a empresa transmitiu a PER/DCOMP de nº 16336.79645.101106.1.3.040673, objeto da lide do presente processo, utilizando o valor original de R$ 243.897,61 do pagamento Código de Receita Código de receita – 2362 – IRPJ – valor R$ 7.330.112,65, citado acima, para compensação do débito no valor original de R$ 308.652,43, correspondente ao Códigos de Receita 583601 – COFINS – Não cumulativa, período de apuração out/2006 , fls. 04 a 07. Em 10/12/2007, a empresa transmitiu DCTF MENSAL RETIFICADORA JAN/2005 – com Débito Apurado IRPJ – 2362 01 no valor de R$ 2.546.578,55, com créditos vinculados (outras compensações) no mesmo valor, fls. 63 e 64. Em 25/03/2009, a DRF/RecifePE. emitiu Despacho Decisório eletrônico, com ciência em 02/04/2009, fls. 08, 09 e 12, não homologando a compensação declarada na PER/DCOMP, citada acima, com os enquadramentos legais “ Art. 165 e 170 da Lei 5.172 de 25 de outubro de 1966 (CTN), Art. 74 da Lei 9.430 de 27 de dezembro de1996 e o Art. 10 da IN SRF nº 600 de 2005.”. Em 18/12/2008, foi exarado Acórdão nº 1124.933 – 4ª Turma da DRJ/Recife,onde foi mantida a decisão de Homologar Parcialmente a compensação, contida no Processo nº19647.006048/200658, até o limite reconhecido no valor original de R$1.120.665,93 ( valor corrigido até a data da compensação – 01/02/2007 – R$ 1.147.337,78 ) , fls. 69 a 73. Fl. 166DF CARF MF Processo nº 10480.906257/200911 Acórdão n.º 1201002.478 S1C2T1 Fl. 3 3 2. A contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade em 04/05/2009, fls. 16 a 33, alegando, em síntese, que : 2.1. “No caso concreto, a Inconformada pagou no período de fevereiro de 2005, IRPJ Estimativa no valor de R$ 7.330.112,65 (doc. 03). Todavia, naquele período isolado a Inconformada apurou IRPJ de estimativa (calculado de acordo com balancetes de suspensão ou redução) no valor de R$ 7.086.215,03 (doc. 04). Houve, portanto, um pagamento a maior do tributo devido, o que nasce o direito da Inconformada em ser restituída da parcela paga indevidamente no valor de R$ 243.897,62. Diante desse quadro, e considerando o teor da legislação aplicável restituição, a Inconformada enviou, por meio eletrônico, a declaração de compensação, aproveitando parte daquele crédito para quitar parcelas vincendas de COFINS (doc. 05). Não obstante, para sua surpresa, a compensação referida não foi homologada tendo em vista que, no entender das autoridades fiscais, o valor recolhido indevidamente de IRPJ Estimativa deveria ser considerado como fazendo parte da estimativa mensal para dedução na apuração da IRPJ a pagar no ajuste anual. A Inconformada tratou o valor pago de R$ 7.330.112,65 de duas formas: a primeira, R$ 7.086.215,03 como sendo o valor da estimativa mensal de fevereiro de 2005 e que compôs o saldo negativo de IRPJ daquele ano; e, segundo, os R$ 243.897,62 como pagamento indevido ou a maior que o devido.” DO PEDIDO: 2.2. “Ante o exposto, pede a Inconformada seja julgada procedente a presente Manifestação de Inconformidade para o fim de reformar o Despacho Decisório DRF/ RECIFE, proferido pelo Delegado da Delegacia da Receita Federal em Recife, para o fim de reconhecer integralmente os créditos (pagamento indevido ou maior que o devido de IRPJ, do período de apuração de fevereiro de 2005) havidos pela Inconformada no valor de R$ 243.897,62; e, homologar a compensação enviada eletronicamente através da DCOMP n°. 16336.79645.101106.1.3.040673.” “Requer ainda que, na dúvida, seja conferida a interpretação mais favorável Suplicante, na forma do art. 112 do CTN. Em tempo, protesta e requer a juntada posterior de provas, bem como sejam realizadas eventuais perícias ou diligências que esse órgão julgador entender necessárias, tudo para se formar o convencimento e proferir a decisão que mais se adequar à verdade material dos fatos.” A 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ/Recife /PE) julgou improcedente a Manifestação de Fl. 167DF CARF MF 4 Inconformidade, conforme decisão proferida no Acórdão nº 1138.707, de 12 de novembro de 2012. A decisão recorrida possui a seguinte ementa: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA –IRPJ Período de apuração: 01/02/2005 a 28/02/2005 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. COMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. No tocante à compensação, a competência das DRJ limitase ao julgamento de manifestação de inconformidade contra o não reconhecimento do direito creditório ou a não homologação da compensação. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA Apesar de ser facultado ao sujeito passivo o direito de solicitar a realização de diligências ou perícias, compete à autoridade julgadora decidir sobre sua efetivação, podendo ser indeferidas as quais considerar prescindíveis ou impraticáveis. COMPENSAÇÃO. REQUISITO. Nos termos do art. 170 do CTN, somente são compensáveis os créditos líquidos certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/2005 a 28/02/2005 INSTRUÇÃO DA PEÇA IMPUGNATÓRIA. A impugnação deve ser instruída com os documentos em que se fundamentar e que comprovem as alegações de defesa, precluindo o direito de o contribuinte fazêlo em outro momento processual." Cientificada da mencionada decisão em 09/09/2011, conforme o Aviso de Recebimento, a pessoa jurídica interpôs recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em 18/12/2012, no qual alega a nulidade do Acórdão n°. 1138.707 ora combatido, pois alegou fatos novos na fundamentação e motivação para justificar a não homologação, implicando no cerceamento do direito de defesa da Recorrente. Reitera que em 31/03/2005, pagou DARF de R$ 7.330.112,65 relativo ao IRPJ estimativa do período de apuração fevereiro do ano calendário 2005, e, posteriormente, enviou DCTF mensal retificadora informando que em verdade o débito apurado foi R$ 7.086.215,03, portanto, a diferença de R$ 243.897,62 (entre os valores acima) representa imposto pago indevidamente, podendo ser compensado como o fez mediante o PERDCOMP nº 16336.79645.101106.1.3.040673. Fl. 168DF CARF MF Processo nº 10480.906257/200911 Acórdão n.º 1201002.478 S1C2T1 Fl. 4 5 Lembra que a DRF/Recife decidiu pela não homologação com fundamento no art. 10 da Instrução Normativa n°. 600, de 2005, que limitava a compensação do IRPJ ou CSLL ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Porém, a IN 600/2005 foi revogada pela IN n° 900, de 30 de dezembro de 2008, cujos efeitos produzidos foram "ex tunc". Aduz que a DRJ, inovando na lide, julga improcedente a Manifestação de Inconformidade porque, segundo ela, para a estimativa de IRPJ de janeiro de 2005, esta foi recolhida a menor por conta da homologação parcial da compensação efetuada pela Recorrente e que está sendo discutida em outro processo administrativo (19647.006048/200658). Ressalta que nada disso constava do Despacho Decisório da Receita Federal do Brasil, razão pela qual REQUER a nulidade da decisão da DRJ. Argúi que no anocalendário de 2005 a Recorrente apurou saldo negativo de IRPJ de R$ 8.623.481,79 e o débito que a DRJ afirma que a Recorrente possui de IRPJ de janeiro de 2005 monta R$ 1.568.333,65. Dessa forma, nestes casos, as estimativas não recolhidas, não são cobradas, pois, a Lei 9.430/96 determina que seja cobrado multa isolada de 50% do valor da estimativa não recolhida. A Recorrente reitera as alegações contidas também na Manifestação de Inconformidade, e, finalmente requer provimento ao Recurso Voluntário, para que seja determinada a homologação do direito creditório a favor da Recorrente nos termos do pedido de compensação, “posto que da maneira como foi proferido, o Despacho Decisório contraria as provas carreadas aos autos, a legislação fiscal e, principalmente, a súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF”. É o relatório. A 2ª Turma Especial, por meio da Resolução ao norte mencionada, resolveu, por maioria de votos, determinar a juntada dos presentes autos ao processo nº 19647.006048/200658 por se tratar de matéria que depende do julgamento daquele processo, sob o seguinte fundamento: Como cediço, o artigo 35 da Lei nº 8.981/95, com a nova redação dada pela Lei nº 9.065/95, dispõe que a pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. No presente caso, o balanço ou balancete de suspensão ou redução do imposto terá que compreender o período entre 1º de Fl. 169DF CARF MF 6 janeiro e a data de apuração do lucro: 28/02/2005, razão pela qual para se verificar o suposto pagamento indevido relativo ao IRPJ por estimativa de fevereiro de 2005, deve ser verificado o valor acumulado do IRPJ de 01/01/2005 a 28/02/2005. Eis a razão de a DRJ atrelar o crédito do IRPJ por estimativa (Fevereiro/2005) do presente processo ao IRPJ pago por compensação relativo ao mês de Janeiro de 2005, tratado no Processo nº 19647.006048/200658 que se encontra com Recurso Voluntário pendente de julgamento nesse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Como visto, a estimativa de janeiro/2005 que supostamente compõe o IRPJ apurado de Fevereiro/2005 do qual resulta suposto pagamento indevido, usado como crédito nos presentes autos para compensar débito de COFINS não cumulativo de outubro/2006, depende do resultado do julgamento do processo administrativo nº 19647.006048/200658. De sorte que, acaso julgado procedente o Recurso Voluntário no mencionado processo influirá substancialmente o julgamento do presente processo. Ou seja, a decisão do presente processo depende da decisão daquele outro. Conforme consta do Termo de Apensação de fls. 152, este processo foi juntado por apensação ao processo nº 19647.006048/200658. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro José Carlos de Assis Guimarães, Relator. Em face da tempestividade verificada e presentes os demais pressupostos de admissibilidade passo a apreciar o recurso voluntário interposto. Conforme ao norte relatado e baseado na Resolução nº 1802000.569, sessão de 21 de outubro de 2014, da 2ª Turma Especial da Primeira Seção de Julgamento, o resultado do julgamento deste processo está atrelado ao processo nº 19647.006048/200658, juntado a este por apensação. Assim, trago a colação o voto proferido por este Conselheiro no processo principal nº 19647.006048/200658 que negou provimento ao recurso voluntário, verbis: (...) A contribuinte efetuou compensação tributária de débitos, conforme DCOMPs objeto dos autos, utilizando saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2004, valor original apurado R$ 4.932.503,65, informado na DIPJ 2005, anocalendário 2004, Ficha 12 A, efls. 90. Na sequência, em 25/09/2007, a contribuinte foi autuada quanto ao anocalendário 2004, e o saldo negativo de IRPJ de R$ 4.932.503,65 foi revertido para saldo de IRPJ a pagar de R$ 3.942.110.77, conforme autos do Processo conexo nº Fl. 170DF CARF MF Processo nº 10480.906257/200911 Acórdão n.º 1201002.478 S1C2T1 Fl. 5 7 19647.010151/200783, em face da infração imputada "adições não computadas na apuração do lucro real despesa (indedutivel) de amortização de ágio" , in verbis: (...) Abaixo, trago a colação, o "Demonstrativo de Apuração" de IRPJ do anocalendário de 2004 constante do Auto de Infração do processo conexo nº 19647.010151/200783: Fl. 171DF CARF MF 8 A lide objeto do Processo nº 19647.010151/200783, que trata da glosa da despesa de amortização de ágio que implicou reversão do saldo negativo da IRPJ do anocalendário 2004 de R$ 4.932.503,65 para saldo de IRPJ a pagar de R$ 3.942.110,77, restou com decisão definitiva, irreformável, na instância administrativa, com o advento do Acórdão nº 9101 002.186, da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (efls. 2.565 do processo nº 19647.010151/200783), com a seguinte decisão: "DAR PROVIMENTO para fins de restabelecer a autuação fiscal pela glosa da despesa de amortização de ágio, pela glosa de prejuízos compensados indevidamente no IRPJ e pela compensação indevida da base de cálculo negativa da CSLL" Assim, existindo decisão final irreformável na órbita administrativa nos autos do Processo (conexo) nº 19647.010151/200783, confirmando a inexistência de saldo negativo da IRPJ do anocalendário de 2004 pela manutenção da infração ""adições não computadas na apuração do lucro real despesa (indedutível) de amortização de ágio" ou seja, restou sacramentada a reversão do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2004 de R$ 4.932.503,65 para saldo de IRPJ a pagar de R$ R$ 3.942.110,77, não cabendo discutir aqui, novamente, a mesma matéria, que restara decidida naqueles autos. Diante do exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso voluntário. Posto isso, resta aqui afastada a existência da parcela remanescente de R$ 243.897,62 referente à estimativa em questão, que formou o saldo negativo do anocalendário de 2005, o qual deu origem ao crédito pleiteado neste processo. Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao Recurso Voluntário, mantendose o v. Acórdão recorrido, para não homologar a compensação pretendida. (assinado digitalmente) José Carlos de Assis Guimarães Voto Vencedor Conselheiro Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Redator designado. Peço vênia para divergir do i. relator quanto à conclusão do seu voto. Como relatado, houve pagamento de estimativa do mês de fevereiro de 2005 no valor de R$ 7.330.112,65 (fls. 39 e 62). Ocorre que na DCTF retificadora entregue em 18 de abril de 2006, o valor da estimativa desse mês foi declarado como sendo de R$ 7.086.215,03 (fls. 66 e 67). Fl. 172DF CARF MF Processo nº 10480.906257/200911 Acórdão n.º 1201002.478 S1C2T1 Fl. 6 9 Em face disso, foi transmitida DCOMP, utilizando o valor de R$ 243.897,61 (diferença a maior do pagamento Código de Receita Código de receita – 2362 – IRPJ – valor R$ 7.330.112,65, citado acima), para compensação do débito no valor original de R$ 308.652,43 de COFINS do período de apuração outubro de 2006 (fls. 04 a 07). Conforme informa a interessada, o valor pago de R$ 7.330.112,65 foi considerado de duas formas: a primeira, R$ 7.086.215,03 como sendo o valor da estimativa mensal de fevereiro de 2005 e que compôs o saldo negativo de IRPJ daquele ano; e, segundo, os R$ 243.897,62 como pagamento indevido ou a maior que o devido. Ocorre que a estimativa do mês de janeiro de 2005, no valor de R$ 2.546.578,55, foi objeto de DCOMP com créditos no mesmo valor (fls. 63 e 64), compensação essa que não foi homologada. Consta na decisão recorrida (fls. 83 e 84): Diante do acima exposto, verificamos com a Decisão proferida no Acórdão acima, só poderia ter sido utilizado como outras compensações para o Débito Apurado IRPJ – 236201 no valor de R$ 2.546.578,55, período de apuração 31/01/2005, informado na DCTF do mesmo período, o valor atualizado de R$ 1.147.337,78 até a data do pedido de compensação (01/02/07) e não o crédito vinculado no mesmo valor do débito , restando saldo devedor original de R$ 1.787.606,78 a ser pago no referido mês. Alocandose o Direito Creditório Reconhecido no valor de R$ 1.147.337,78 e a diferença no valor de R$ 243.897,62 (R$ 7.330.112,65 – R$ 7.086.215,03 ) referente ao IRPJ pago por estimativa referente ao período de apuração fev/05, ao débito apurado de R$ 2.546.578,55 citado acima, restaria um saldo a pagar no valor original de R$ 1.568.333,65, período de apuração jan/2005, data vencimento 28/02/05, conforme Demonstrativos do Sistema Sicalc da Receita Federal do Brasil às fls. 74 a 77. Assim, procede o Despacho Decisório, pois, o pagamento efetuado pela contribuinte a título do IRPJ estimativa, devendo ser utilizado para amortização do débito do mês que deveria ser composto adicionandose o saldo devedor do mês anterior R$ 1.787.606,78 = R$ 1.568.333,65 (valor após amortizações do Direito Creditório Reconhecido atualizado R$ 1.147.337,78) + R$ 219.273,15 ( valor do principal amortizado pelo saldo do pagamento referente ao período de apuração mês de fev/05 – R$ 243.897,62 ), não mais se encontrava disponível para ser utilizado em compensação, pois, para ser objeto de compensação o pagamento deve ser indevido ou em valor maior que o devido. Verificase, pois, que a fundamentação da decisão de piso para o fim de não homologar a compensação foi de que a estimativa do mês de janeiro de 2005 não havia sido totalmente extinta (por compensação), o que demandava que o restante do débito (da estimativa de janeiro de 2005) fosse adicionado ao débito do mês posterior (estimativa de fevereiro de 200%) e assim não haveria pagamento a maior relativo ao mês de fevereiro (objeto do presente processo), não restando então crédito para a compensação declarada. Ocorre que, conforme as normas de preenchimento da DIPJ, o valor devido de estimativa de um determinado mês apurado em face de balanço de suspensão ou redução deve ser deduzido do somatório do imposto de renda devido nos meses anteriores do mesmo anocalendário, abrangidos pelo período em curso compreendido na demonstração. Fl. 173DF CARF MF 10 Em face disso, o fato de o imposto devido por estimativa do mês anterior não ter sido totalmente amortizado, quer por pagamento, quer por compensação, não tem influência na dedução do total devido quando da apuração no mês seguinte. Conclusão. Posto isso, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Cezar Fernandes de Aguiar Fl. 174DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.913187/2006-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Oct 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/03/2002, 01/04/2003 a 30/06/2003
RESSARCIMENTO. INSUMOS. CRÉDITO. FABRICAÇÃO DE PRODUTOS NÃO-TRIBUTADOS (NT).
De acordo com a Súmula CARF nº 20 não há direito aos créditos do IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-005.081
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Valcir Gassen - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: VALCIR GASSEN
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INSUMOS. CRÉDITO. FABRICAÇÃO DE PRODUTOS NÃOTRIBUTADOS (NT). De acordo com a Súmula CARF nº 20 não há direito aos créditos do IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente. (assinado digitalmente) Valcir Gassen Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 31 87 /2 00 6- 01 Fl. 323DF CARF MF Processo nº 10880.913187/200601 Acórdão n.º 3301005.081 S3C3T1 Fl. 324 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 273 a 306) interposto pelo Contribuinte, em 29 de maio de 2013, contra decisão consubstanciada no Acórdão nº 1436.946 (fls. 262 a 270), de 14 de março de 2012, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) – DRJ/RPO – que decidiu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a Manifestação de Inconformidade (fls. 180 a 191). Visando a elucidação do caso e a economia processual adoto e cito o relatório do referido Acórdão: O interessado em epígrafe pediu o ressarcimento do saldo credor do IPI, apurado no período em destaque, para ser utilizado na compensação dos débitos que declarou. A autoridade competente indeferiu o pedido em razão do contribuinte não ter atendido as intimações fiscais, portanto, não comprovando seu direito ao crédito. Segundo a fiscalização (Processo detentor do crédito no 19515.002162/200876): Dos sete arquivos digitais solicitados (vide termo de inicio) conforme lay out definido pela IN 86/2001, apenas três foram entregues e, mesmo assim, somente o arquivo de fornecedores veio completo. Os dois outros entregues, que se referem as notas fiscais de entradas e saídas, portanto cruciais ao exame do mérito, não trouxeram as informações mais importantes como, produto, classificação fiscal dos mesmos, valores etc. Logo, imprestáveis para análise do pleito, conforme se pretendia. Dos livros fiscais cabe destacar o Livro Registro e Apuração do IPI que além de rasurado, demonstra uma escrituração inapropriada que não reflete os reais números relativos ao imposto que deveria registrar, o IPI. 0 contribuinte simplesmente registrou e estornou créditos extemporâneos sem qualquer critério ou legal ou racional de forma a permitirnos entender o que, pelo menos, pretendia fazer. Ou seja, registros diversos em PA diversos sem correspondência entre ambos e, pior ainda, referente a créditos extemporâneos recuperados do passado (segundo ele de 1999), o qual não pode, por óbvio referirse ao período de solicitação, quais sejam, os três primeiros trimestres de • 2003. Em suma, a empresa praticou uma série de erros no pleito sob análise e nem sequer se dignou a apresentar os documentos e planilhas solicitados, assim como outros que pudessem embasar seu pedido. Não apresentou porque não os tem, assim como seu pretenso direito ao crédito. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, encaminhada pelo órgão de origem como tempestiva, na qual alegou, em suma, que cumpriu integralmente a intimação, tendo apresentado tudo que lhe foi solicitado, inclusive informando o endereço eletrônico do diretor da empresa, do escritório contábil e do escritório jurídico, para quaisquer esclarecimentos. Também juntou uma “simulação” (SIC) de planilha que comprovaria seus créditos, independentemente dos créditos extemporâneos. Fl. 324DF CARF MF Processo nº 10880.913187/200601 Acórdão n.º 3301005.081 S3C3T1 Fl. 325 3 No mérito, argui que tem direito ao ressarcimento por força do princípio da não cumulatividade previsto no artigo 153, §3º, II, da Constituição Federal; que o direito pleiteado encontra amparo na Lei no 9.779, de 1999, art. 11, e que a própria IN SRF no 33/99 corrobora o entendimento de que os produtos imunes possuem direito à utilização e manutenção do crédito do IPI, independentemente de serem classificados na TIPI como NT, conforme consultas que cita. Tendo em vista a negativa do pleito o Contribuinte ingressou com Recurso Voluntário visando reformar a referida decisão. É o relatório. Voto Conselheiro Valcir Gassen Relator O Recurso Voluntário interposto em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 1436.946 é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. O ora analisado Recurso Voluntário visa reformar decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2000 a 31/03/2002, 01/04/2003 a 30/06/2003 RESSARCIMENTO. FABRICAÇÃO DE PRODUTOS NÃOTRIBUTADOS (NT). O direito ao aproveitamento, nas condições estabelecidas no art. 11 da Lei n° 9.779, de 1999, do saldo credor de IPI decorrente da aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem aplicados na industrialização de produtos, isentos ou tributados à alíquota zero, não alcança os insumos empregados em mercadorias nãotributadas (N/T) pelo imposto. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido De forma preliminar, o Contribuinte aduz que cumpriu o termo de intimação e apresentou as informações solicitadas pela Fiscalização acerca da apuração de IPI, mesmo que tenha em um primeiro momento cumprido parcialmente o leiaute do arquivo da IN nº 86/01, e, requer que em nome dos princípios da razoabilidade, proporcionalidade, ampla defesa, eficiência e verdade real, seja realizada produção de novas alegações, arguições e reexame da matéria de fato, todas fundamentadas. Com a devida vênia, discordo do Contribuinte que isso se trate de questão preliminar, uma vez que não há nenhuma alegação que não seja relacionada diretamente com o mérito da lide, sendo assim, passo a analisar a matéria de mérito objeto do presente processo. A presente lide tem por objeto a discussão acerca dos créditos extemporâneos e do aproveitamento de crédito de IPI decorrente da aquisição de insumos, matérias primas MP, produtos intermediários PI e materiais de embalagem – ME, aplicados na Fl. 325DF CARF MF Processo nº 10880.913187/200601 Acórdão n.º 3301005.081 S3C3T1 Fl. 326 4 industrialização de produtos isentos ou tributados à alíquota zero, e se alcança ou não os insumos empregados em mercadorias nãotributadas (N/T), imunes, pelo imposto. Em relação aos créditos extemporâneos assim argumenta o Contribuinte em seu recurso (fls. 279 e 280): Já mencionado anteriormente, contudo, convém ressaltar, que as aquisições cujos insumos foram utilizados no processo produtivo, tais como as matérias primas (MP), os produtos intermediários (PI) e os materiais de embalagem (ME), garantidores de crédito de IPI que podiam ser mantidos na escrita fiscal e geraram o direito ao pedido de ressarcimento de IPI, são referentes às NOTAS FISCAIS DE AQUISIÇÃO adquiridas em operações cuja escrituração foi realizada com os Códigos Fiscais de Operações e Prestações — CFOP. Isso se deveu porque até o começo do aproveitamento dos créditos, a empresa não tinha total consenso do entendimento da Receita Federal no sentido de inserir no rol de tributação as empresa que exploravam a atividade gráfica. Não se quer alegar aqui o simples desconhecimento da lei. A lei não era clara e precisou de grande empenho por parte da Receita Federal para que sua interpretação acerca dos comandos normativos fosse difundida. (...) Entretanto, um novo fato pareceu ter dado fim à controvérsia que se instaurara quando da edição da Lei Complementar n° 116/03. Desta vez, mais evoluídos no trato com as leis, os legisladores evitaram deixar brechas capazes de distorcerem o intento da norma. Além de revogar expressamente o artigo 8° do DecretoLei n° 406/68, bem como seus respectivos parágrafos, o artigo segundo, parágrafo segundo da Lei Complementar, esclareceu: "§ 2°. Ressalvadas as exceções expressas na lista anexa, os serviços nela mencionados não ficam sujeitos ao Imposto Sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, ainda que sua prestação envolva fornecimento de mercadorias". Foi a partir da edição da nova lei que o Contribuinte começou a analisar a questão. Com receio de se creditar indevidamente, já que neste caso há expressa previsão vedando tal expediente, a empresa passou a acompanhar algumas consultas fiscais que tratavam do tema. Foi somente quando percebeu que de fato sua atividade estava sujeita ao IPI que partiu para o aproveitamento dos créditos. Esse aproveitamento, contudo, somente poderia ser feito de forma extemporânea, no período quinquenal e respeitada a forma estabelecida em lei. (...) A contagem do prazo de cinco anos para a escrituração e aproveitamento dos créditos de IPI iniciase na data de entrada dos insumos que dão direito ao crédito. Tratase o caso em questão de creditamento escritural extemporâneo de IPI no Livro Registro de Apuração de IPI dentro do prazo quinquenal (CTN e Decreto nº 20.910/32). (...) Fl. 326DF CARF MF Processo nº 10880.913187/200601 Acórdão n.º 3301005.081 S3C3T1 Fl. 327 5 Com isso, observase que o Contribuinte argumenta no sentido de que a legislação permite que se tenha o direito de realizar o lançamento do crédito extemporâneo na escrita final, e que esses créditos reconhecidos sejam passíveis de ressarcimento, uma vez que demonstra que o saldo credor ressarcível decorre da aquisição de insumos aplicados diretamente na industrialização de produtos imunes. Ocorre que para que se faça a análise da existência e possível reconhecimento do direito aos créditos extemporâneos, é necessário que se demonstre o alegado na escrita fiscal. Neste sentido, segundo a autoridade administrativa fiscal, no Processo nº 19515.002162/200876, detentor do crédito, o Contribuinte não ofertou a documentação necessária, o que também não o fez quando da interposição do presente recurso. Assim fez consignar a fiscalização: Dos sete arquivos digitais solicitados (vide termo de inicio) conforme lay out definido pela IN 86/2001, apenas três foram entregues e, mesmo assim, somente o arquivo de fornecedores veio completo. Os dois outros entregues, que se referem as notas fiscais de entradas e saídas, portanto cruciais ao exame do mérito, não trouxeram as informações mais importantes como, produto, classificação fiscal dos mesmos, valores etc. Logo, imprestáveis para análise do pleito, conforme se pretendia. Dos livros fiscais cabe destacar o Livro Registro e Apuração do IPI que além de rasurado, demonstra uma escrituração inapropriada que não reflete os reais números relativos ao imposto que deveria registrar, o IPI. 0 contribuinte simplesmente registrou e estornou créditos extemporâneos sem qualquer critério ou legal ou racional de forma a permitirnos entender o que, pelo menos, pretendia fazer. Ou seja, registros diversos em PA diversos sem correspondência entre ambos e, pior ainda, referente a créditos extemporâneos recuperados do passado (segundo ele de 1999), o qual não pode, por óbvio referirse ao período de solicitação, quais sejam, os três primeiros trimestres de • 2003. Em suma, a empresa praticou uma série de erros no pleito sob análise e nem sequer se dignou a apresentar os documentos e planilhas solicitados, assim como outros que pudessem embasar seu pedido. Não apresentou porque não os tem, assim como seu pretenso direito ao crédito. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, encaminhada pelo órgão de origem como tempestiva, na qual alegou, em suma, que cumpriu integralmente a intimação, tendo apresentado tudo que lhe foi solicitado, inclusive informando o endereço eletrônico do diretor da empresa, do escritório contábil e do escritório jurídico, para quaisquer esclarecimentos. Também juntou uma “simulação” (SIC) de planilha que comprovaria seus créditos, independentemente dos créditos extemporâneos. Já no voto do acórdão ora recorrido assim o relator expôs (fls. 264): Conforme resta claro nos autos, a imprestabilidade das informações é patente, realmente impedindo a fiscalização e apurar a liquidez e certeza do direito creditório invocado, sendo que a “simulação” de planilha de apuração do IPI anexada pelo contribuinte não substitui a escrituração do Livro de Registro de Apuração do IPI, mormente se desacompanhada da relação das notas fiscais de entradas e saídas informando, produto, classificação fiscal dos mesmos, valores etc, conforme pedidos pela fiscalização. Fl. 327DF CARF MF Processo nº 10880.913187/200601 Acórdão n.º 3301005.081 S3C3T1 Fl. 328 6 Como o Contribuinte requer reconhecido o direito a créditos extemporâneos e não faz prova da sua existência, tornando inviável a sua constatação, voto por negar provimento ao recurso neste ponto. No segundo ponto do Recurso Voluntário, o Contribuinte aduz pelo direito à manutenção do crédito gerados na aquisição de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem, aplicados na industrialização de produtos, que, conforme alega o Contribuinte, são imunes, e para tanto o Contribuinte fundamenta seu pedido no art. 11 da Lei nº 9.779 de 1999, na Instrução Normativa nº 33 de 1999 e no art. 18 do Regulamento de IPI. Nesse sentido cito trecho do Recurso como forma de elucidar os argumentos do Contribuinte (fls. 295 Conforme já exposto, o direito ao crédito (saldo credor trimestral) está condicionado às operações de saída, uma vez que, a formação. do saldo credor decorrerá do confronto do crédito decorrente das operações de entrada, aquisições, com os débitos, nas operações de saídas, venda dos produtos, tributadas à alíquota zero, inclusive imunes com direito à manutenção do imposto. Na escrita fiscal a formação do saldo credor ocorrerá quando as operações de entrada, créditos, são superiores às operações de saída, débitos, ou quando houver algum beneficio fiscal. É o que disciplina o art. 4° da IN 33/99 ao dispor que "o direito ao aproveitamento, nas condições estabelecidas no art. 11 da Lei n° 9.779, de 1999, do saldo credor do IPI decorrente da aquisição de MP, PI e ME aplicados na industrialização de produtos, inclusive imunes, isentos ou tributados à alíquota zero, alcança, exclusivamente, os insumos recebidos no estabelecimento industrial ou equiparado apartir de 1° de janeiro de 1999. Veja que o texto ordinário supra é bem claro ao estabelecer o direito à manutenção e aproveitamento dos créditos também nas aquisições de MP, PI e ME aplicados na industrialização de produtos imunes. Em seguida, o Contribuinte passa a discorrer acerca do direito ao crédito de IPI quanto aos produtos que der saída com imunidade, frisando a característica da não cumulatividade deste tributo, e o direito subjetivo sobre a compensação de créditos resultantes das operações anteriores. Acerca desses argumentos do Contribuinte, cito trechos do ora recorrido Acórdão que bem define o entendimento da DRJ, e o faço, como razões para decidir (fls. 264 e 265): Por outro lado, ainda que a escrituração e os arquivos digitais estivesse impecáveis, no mérito, restringese a defesa quanto ao direito de se creditar pelas entradas de insumos para produção de produtos nãotributados pelo IPI. (..) Quanto ao direito ao crédito, devese ressaltar que tanto a Lei nº 9.779, de 1999, em seu artigo 11, como a IN/SRF nº 33, de 1999, em momento algum autorizaram o crédito em relação às entradas de insumos aplicados na industrialização de produtos nãotributados pelo IPI. Se o produto é nãotributado ele está fora do campo de incidência do imposto, não havendo de se cogitar da atuação do princípio da não Fl. 328DF CARF MF Processo nº 10880.913187/200601 Acórdão n.º 3301005.081 S3C3T1 Fl. 329 7 cumulatividade e do regulamento do IPI, pois neste caso o IPI destacado nas notas fiscais de entrada de insumos deve ser contabilizado como custo. Em que pesem os argumentos da manifestante, a Lei nº 9.779, de 1999, não tem natureza declaratória, com eficácia ex tunc, ou seja, não é puramente interpretativa. Com sua edição, houve uma inovação legislativa de jaez material, de natureza constitutiva (com eficácia ex nunc), uma alteração substancial do paradigma legal da espécie tributária em debate. A modificação é atinente ao nascimento do próprio direito ao crédito, e não, simplesmente à forma de reclamálo e usufruílo. A Instrução Normativa SRF nº 33, de 1999, esta sim, de conformação puramente procedimental, regulou a matéria nova inserida no ordenamento jurídico pátrio, sob o influxo de todas as prerrogativas da Administração Tributária. Assim é o teor do art. 11 da Lei nº 9.779, de 1999, resultante da conversão da Medida Provisória nº 1.788, de 30 de dezembro de 1998: Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal – SRF, do Ministério da Fazenda. (g.n) Por condicionar a fruição da faculdade nele prevista à observância de normas expedidas pela SRF, que não existiam à época da publicação da Lei nº 9.779, de 1999, o art. 11 não é autoaplicável. Seu disciplinamento foi feito pela IN SRF nº 33, de 4 de março de 1999, que produziu efeitos a partir de 01/01/1999. Art. 1º A apuração e a utilização de créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, inclusive em relação ao saldo credor a que se refere o art. 11 da Lei n.º 9.779, de 1999, darseá de conformidade com esta Instrução Normativa.(g.n) Art. 2º Os créditos do IPI relativos a matériaprima (MP), produto intermediário (PI) e material de embalagem (ME), adquiridos para emprego nos produtos industrializados, serão registrados na escrita fiscal, respeitado o prazo do art. 347 do RIPI: I – quando do recebimento da respectiva nota fiscal, na hipótese de entrada simbólica dos referidos insumos; II no período de apuração da efetiva entrada dos referidos insumos no estabelecimento industrial, nos demais casos. § 1º O aproveitamento dos créditos a que faz menção o caput darseá, inicialmente, por compensação do imposto devido pelas saídas dos produtos do estabelecimento industrial no período de apuração em que forem escriturados. § 2º No caso de remanescer saldo credor, após efetuada a compensação referida no parágrafo anterior, será adotado o seguinte procedimento: Fl. 329DF CARF MF Processo nº 10880.913187/200601 Acórdão n.º 3301005.081 S3C3T1 Fl. 330 8 I o saldo credor remanescente de cada período de apuração será transferido para o período de apuração subseqüente; II ao final de cada trimestrecalendário, permanecendo saldo credor, esse poderá ser utilizado para ressarcimento ou compensação, na forma da Instrução Normativa SRF n.º 21, de 10 de março de 1997. § 3º Deverão ser estornados os créditos originários de aquisição de MP, PI e ME, quando destinados à fabricação de produtos não tributados (NT).(g.n) Art. 4º O direito ao aproveitamento, nas condições estabelecidas no art. 11 da Lei nº 9.779, de 1999, do saldo credor do IPI decorrente da aquisição de MP, PI e ME aplicados na industrialização de produtos, inclusive imunes, isentos ou tributados à alíquota zero, alcança, exclusivamente, os insumos recebidos no estabelecimento industrial ou equiparado a partir de 1º de janeiro de 1999. Com a entrada em vigor de citadas normas, deixou de existir a obrigatoriedade de estornar o crédito relativo a insumo a ser empregado em produto isento, tributado com alíquota zero ou imune, sendo passível de aproveitamento (compensação com débitos na conta gráfica do imposto) nos moldes dos créditos anteriormente referidos como básicos, permitido inclusive o ressarcimento, o que, pelas normas anteriores, só era possível na hipótese de se tratar de crédito incentivado. Permaneceu obrigatório, no entanto, o estorno dos créditos relacionados a insumos empregados na fabricação de produtos não tributados. Desta forma, o art. 11, da Lei nº 9.779, de 1999, e a IN SRF nº 33, de1999, que admitem a possibilidade de se aproveitar o saldo credor do IPI oriundos da entrada de matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem, via ressarcimento, não se aplicam ao presente caso, já que foram aplicados em produtos não tributados pelo imposto. De fato, a legislação não permite que seja realizado o creditamento na aquisição de insumos aplicados em produtos não tributados (NT), uma vez que o produto em si não está incluído no campo de incidência do IPI e consequentemente não gera a possibilidade de creditamento. Salientase a existência da Súmula CARF nº 20 que prescreve que não há direito aos créditos do IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. Portanto, sobre este ponto, me filio a posição adotada pela DRJ no sentido de negar provimento ao pedido do Contribuinte. Conclusão Na análise dos autos do processo e da legislação aplicável voto por negar provimento ao Recurso Voluntário do Contribuinte. (assinado digitalmente) Valcir Gassen Fl. 330DF CARF MF Processo nº 10880.913187/200601 Acórdão n.º 3301005.081 S3C3T1 Fl. 331 9 Fl. 331DF CARF MF
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Numero do processo: 13851.000811/2005-54
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 01/08/1999
RECEITAS FINANCEIRAS. INCONSTITUCIONALIDADE BASE DE CÁLCULO. JURISPRUDÊNCIA DO STF E STJ. ART. 62A DO RICARF.
É inconstitucional a ampliação da base de cálculo da Contribuição ao PIS e da COFINS prevista no artigo 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998. Precedente: RE 585.235- QO-RG, Plenário, Rel. Min. Cezar Peluso, DJe de 28/11/2008, Tema nº 110 da Repercussão Geral.
PRESCRIÇÃO. TESE DOS 5+5. DECADÊNCIA
O prazo prescricional de 5 (cinco) anos, para as ações de repetição de indébito ou de compensação dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, previsto na Lei Complementar nº 118/2005, é aplicável tão-somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005
Numero da decisão: 3001-000.447
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, vencido o Conselheiro Cleber Magalhães.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco Martins Leite Cavalcante - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante
Nome do relator: FRANCISCO MARTINS LEITE CAVALCANTE
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 01/08/1999 RECEITAS FINANCEIRAS. INCONSTITUCIONALIDADE BASE DE CÁLCULO. JURISPRUDÊNCIA DO STF E STJ. ART. 62A DO RICARF. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo da Contribuição ao PIS e da COFINS prevista no artigo 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998. Precedente: RE 585.235- QO-RG, Plenário, Rel. Min. Cezar Peluso, DJe de 28/11/2008, Tema nº 110 da Repercussão Geral. PRESCRIÇÃO. TESE DOS 5+5. DECADÊNCIA O prazo prescricional de 5 (cinco) anos, para as ações de repetição de indébito ou de compensação dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, previsto na Lei Complementar nº 118/2005, é aplicável tão-somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005
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Recorrente CITROSUCO S/A AGROINDÚSTRIA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 01/08/1999 RECEITAS FINANCEIRAS. INCONSTITUCIONALIDADE BASE DE CÁLCULO. JURISPRUDÊNCIA DO STF E STJ. ART. 62A DO RICARF. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo da Contribuição ao PIS e da COFINS prevista no artigo 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998. Precedente: RE 585.235 QORG, Plenário, Rel. Min. Cezar Peluso, DJe de 28/11/2008, Tema nº 110 da Repercussão Geral. PRESCRIÇÃO. TESE DOS 5+5. DECADÊNCIA O prazo prescricional de 5 (cinco) anos, para as ações de repetição de indébito ou de compensação dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, previsto na Lei Complementar nº 118/2005, é aplicável tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, vencido o Conselheiro Cleber Magalhães. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente. (assinado digitalmente) Francisco Martins Leite Cavalcante Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 1. 00 08 11 /2 00 5- 54 Fl. 91DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante Relatório Adoto, por transcrição, o bem elaborado relatório que subsidiou a r. decisão recorrida, proferida em 16 de junho de 2018 (fls. 75), verbis. Trata o presente processo de PEDIDO DE RESTITUIÇÃO de PIS, incidente sobre as receitas acrescidas à base de cálculo da contribuição, que alega sem suporte na Constituição Federal de 1988, quitado mediante compensações com crédito oriundo do processo administrativo 13851.000016/9993. Entendeu o fisco que "o pedido foi protocolado em 27/06/2005 e o recolhimento que alega indevido ocorreu em 19/09/1999, constatase que o direito de pleitear a restituição encontrase fulminado pela decadência, conforme dispõe os artigos 165, I e 186, I do Código Tributário Nacional". No mérito ficou assentado que descabe á autoridade administrativa apreciar a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS. A contribuinte apresenta manifestação de inconformidade onde alega, em resumo, que a extinção do crédito tributário ocorreu com a homologação tácita do lançamento. Somente após o transcurso desse prazo teria iniciado a contagem do prazo para requerer a restitução, sendo certo que o prazo decadencial teria se encerrado em 2009. No mérito afirma que o Supremo Tribunal Federal já decidiu pela inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da contribuição. A final requer o deferimento do seu pleito. Regularmente imtimada (fls. 82/88), ingressou o contribuinte com Recurso voluntário insurgindose principalmente contra a decadência declarada (fls. 92/99) , citando julgado do STJ (fls. 98), verbis. EMENTA: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3°, § 1°, da Lei nº 9. 718198. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rei. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1°.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rei. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15. 8. 2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3°, § 1°, da Lei nº 9. 718198. (RE 585235 QORG, Relator(a): Min. CEZAR PELUSO, julgado em 1010912008, REPERCUSSAO GERAL Fl. 92DF CARF MF Processo nº 13851.000811/200554 Acórdão n.º 3001000.447 S3C0T1 Fl. 3 3 MÉRITO DJe227 DIVULG 27112008 PUBLIC 28112008 EMENT VOL0234310 PP02009 RT J VOL0020802 PP 00871) Finalizando seu apelo a este Conselho, assim se manifestou o contribuinte recorrente (fls. 98/99), verbis. Aliás, esse entendimento já está de tal forma aplicado no seio da jurisprudência que a Lei n. 11.941, de 27.05.2009, revogou o malsinado parágrafo 1°, do art. 3°, da lei 9718, o que demonstra que também o legislador entendeu pelo total desacordo deste dispositivo com as normas jurídicas vigentes, extirpandoo do ordenamento jurídico pátrio. Desta feita, devido ao disposto no parágrafo 2°, do art. 62 do atual RICARF, bem como do art. 26A, parágrafo 6°, 1 do Decreto 70.235/72, o referido julgado tem efeito vinculante sobre as decisões do CARF. Entendimento adotado, como não poderia deixar de ser, no CARF, conforme se retira dos acórdãos n. 9303003.443, de 23.2.2016, da 3ª Turma da CSRF, n. 9303003.393, de 25.1.2016, da 3ª Turma da CSRF, n. 3201002.167, de 17.5.2016, da 1ª Turma Ordinária, da 2ª Câmara, da 3ª Seção de Julgamento e n. 3302003.237, de 22.6.2016, da 2ª Turma Ordinária, da 3ª Câmara, da 3ª Seção de Julgamento. Assim é que na base de cálculo do PIS somente deveriam ter sido incluídos pela recorrente os valores correspondentes ao seu faturamento, ou seja, os ingressos que correspondem às suas receitas das vendas de mercadorias e da prestação de serviços. No caso concreto destes autos, a recorrente faz jus à restituição do PIS, no valor de R$ 43.003,73 (quarenta e três mil e três reais e setenta e três centavos), relativa ao fato gerador ocorrido em agosto de 1999, que foi calculada sobre receitas que não compõe o seu faturamento e, por conseguinte, não são alcançadas pela hipótese de incidência da mencionada contribuição. Assim, para que não restem duvidas quanto esta questão, a recorrente já apresentou nestes autos o demonstrativo (Doe. 02 da manifestação de inconformidade), por ela elaborado, onde estão discriminados os valores que foram indevidamente computados à base de calculo da contribuição ao PIS, bem como as cópias dos correspondentes razões contábeis (Does. 03 a 08 da manifestação de inconformidade). Desta forma, conforme acima se demonstrou, o presente acordão merece ser reformado em sua integralidade, deferindo o pedido de restituição objeto do presente processo. Pelo exposto, requerse o conhecimento e provimento integral do referido recurso voluntário, a fim de que (i) seja afastada a alegação de decadência do pedido de restituição sub judice, apresentado em 7.6.2005 (e não em 27.6.2005 como sugere a decisão recorrida); e (ii) seja reconhecido o direito ao crédito da Fl. 93DF CARF MF 4 contribuição ao PIS ora requerido, ambos à luz dos motivos de fato e de direito anteriormente apresentados. Outrossim, em consonância com a jurisprudência que rege a matéria, a recorrente também postula pelo reconhecimento do crédito pleiteado acrescido da respectiva atualização mediante aplicação da taxa SELIC, desde a data do protocolo em 7.6.2005.. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco Martins Leite Cavalcante Relator O recorrente tomou ciência da decisão recorrida em 05 de setembro de 2016 (fls. 111) e ingressou com Recurso Voluntário em 04 de outubro de 2016 (fls. 91/99), através de advogado regularmente constituido, pelo que tomo conhecimento do apelo já que tempestivo e revestido das demais formalidades processuais. A questão foi delimitada pela própria decisão recorrida, como expresso no relatório já transcrito, ressaltando o fisco que "o pedido foi protocolado em 27/06/2005 e o recolhimento que alega indevido ocorreu em 19/09/1999, constatase que o direito de pleitear a restituição encontrase fulminado pela decadência, conforme dispõe os artigos 165, I e 186, I do Código Tributário Nacional". Salientese que a decisão recorrida sequer analisou o mérito da pretensão deduzida pelo sujeito passivo, ao fundamento de que o pleito encontravase fulminado pela decadência, como se verifica também da parte final do acórdão vesgatado (fls. 75/77), que assim finalizou (fls. 77), verbis. A possibilidade de utilização da orientação jurisprudencial anterior do STJ, que preconizava a regra dos dez anos (“5 + 5”), somente seria aplicável para as ações ajuizadas anteriormente à vigência da lei complementar. Dessa forma, no presente caso, com base no entendimento definitivo do STF sobre a matéria, o direito de pleitear a restituição pelo contribuinte já se encontrava extrapolado na data da formulação de seu pedido (27/06/2005), uma vez que o pagamento, segundo informa a própria manifestante (fl. 05), teria ocorrido em 19/09/1999. Segundo esse posicionamento do judiciário, como a contribuinte não entrou com ação de repetição de indébito antes de 09/06/2005, deve se submeter ao prazo estipulado no artigo 3º da LC 118/2005, qual seja: 5 anos da extinção do crédito tributário que ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1º do art. 150 do CTN (arts 150, § 4º, 165, 168 do CTN e LC 118/2005). Portanto, o prazo para pleitear restituição de pagamento realizado em 19/09/1999 se encontrava extrapolado quando da formulação de seu pleito (27/06/2005). Fl. 94DF CARF MF Processo nº 13851.000811/200554 Acórdão n.º 3001000.447 S3C0T1 Fl. 4 5 Data venia do entendimento dos ilustres prolatores do acórdão recorrido, entendo que o melhor direito encontrase realmente com o Recorrente, consoante farta e iterativa jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça STJ e do próprio Supremo Tribunal Federal STF, entendimento este por diversas vezes já confirmado no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF e da própria Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, todos unânimes no entendimento de que já está sedimentada a conhecida tese dos "cinco mais cinco". . Na sessão de junho deste ano tive oportunidade de relatar o Processo nº 10920.002800/200479, tendo como recorrente o CENTRO INTEGRADO DE FISIOTERAPIA S/S LTDA CRV, ocasião em que foi prolatado o Acórdão nº .3001000.393, em que foi reiterada a tese dos "cinco mais cinco", em matéria semelhante àquela discutida nos presentes autos, pelo que reproduzo parte do voto então proferido, à unanimidade dos membros desta 1ª Turma Extraordinária/3ª Seção, verbis. Por espelhar exatamente a tese defendida nos autos, e por estar em conformidade com os argumentos sustentados pelo recorrente quanto a “prescrição decenal”, reproduzo, a seguir, trecho do brilhante voto proferido pelo Conselheiro RODRIGO CARDOZO MIRANDA, do qual resultou o Acórdão nº 9900 000.624, em decisão unânime do Pleno da E. Câmara Superior de Recursos Fiscais, em sessão de 29 de agosto de 2012, em que foi negado provimento ao Recurso Extraordinário manejado pela Procuradoria da Fazenda Nacional e consagrou, no âmbito do CARF e da CSRF, a tese dos “cinco mais cinco” para todas as demandas propostas antes do vacatio legis da Lei Complementar nº 118/2005, ou seja, antes de 9 de junho de 2005, in verbis: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. AUXÍLIO CONDUÇÃO. IMPOSTO DE RENDA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. PAGAMENTO INDEVIDO. ARTIGO 4º, DA LC 118/2005. DETERMINAÇÃO DE APLICAÇÃO RETROATIVA. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. CONTROLE DIFUSO. CORTE ESPECIAL. RESERVA DE PLENÁRIO. 1. O princípio da irretroatividade impõe a aplicação da LC 118, de 9 de fevereiro de 2005, aos pagamentos indevidos realizados após a sua vigência e não às ações propostas posteriormente ao referido diploma legal, posto norma referente à extinção da obrigação e não ao aspecto processual da ação correspectiva. 2. O advento da LC 118/05 e suas consequências sobre a prescrição, do ponto de vista prático, implica dever a mesma ser contada da seguinte forma: relativamente aos pagamentos efetuados a partir da sua vigência (que ocorreu em 09.06.05), o prazo para a repetição do indébito é de cinco a contar da data do pagamento; e relativamente aos pagamentos anteriores, a Fl. 95DF CARF MF 6 prescrição obedece ao regime previsto no sistema anterior, limitada, porém, ao prazo máximo de cinco anos a contar da vigência da lei nova. 3. Isto porque a Corte Especial declarou a inconstitucionalidade da expressão "observado, quanto ao art. 3º, o disposto no art. 106, I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional", constante do artigo 4º, segunda parte, da Lei Complementar 118/2005 (AI nos ERESP 644736/PE, Relator Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 06.06.2007). 4. Deveras, a norma inserta no artigo 3º, da lei complementar em tela, indubitavelmente, cria direito novo, não configurando lei meramente interpretativa, cuja retroação é permitida, consoante apregoa doutrina abalizada: "Denominamse leis interpretativas as que têm por objeto determinar, em caso de dúvida, o sentido das leis existentes, sem introduzir disposições novas. {nota: A questão da caracterização da lei interpretativa tem sido objeto de não pequenas divergências, na doutrina. Há a corrente que exige uma declaração expressa do próprio legislador (ou do órgão de que emana a norma interpretativa), afirmando ter a lei (ou a norma jurídica, que não se apresente como lei) caráter interpretativo. Tal é o entendimento da AFFOLTER (Das intertemporale Recht, vol. 22, System des deutschen bürgerlichen Uebergangsrechts, 1903, pág. 185), julgando necessária uma Auslegungsklausel, ao qual GABBA, que cita, nesse sentido, decisão de tribunal de Parma, (...) Compreensão também de VESCOVI (Intorno alla misura dello stipendio dovuto alle maestre insegnanti nelle scuole elementari maschili, in Giurisprudenza italiana, 1904, I, I, cols. 1191, 1204) e a que adere DUGUIT, para quem nunca se deve presumir ter a lei caráter interpretativo "os tribunais não podem reconhecer esse caráter a uma disposição legal, senão nos casos em que o legislador lho atribua expressamente" (Traité de droit constitutionnel, 3a ed., vol. 2o, 1928, pág. 280). Com o mesmo ponto de vista, o jurista pátrio PAULO DE LACERDA concede, entretanto, que seria exagero exigir que a declaração seja inserida no corpo da própria lei não vendo motivo para desprezála se lançada no preâmbulo, ou feita noutra lei. 5. Consectariamente, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118/05 (09.06.2005), o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a cognominada tese dos cinco mais cinco, desde que, na data da vigência da novel lei complementar, sobejem, no máximo, cinco anos da contagem do lapso temporal (regra que se coaduna com o disposto no artigo 2.028, do Código Civil de 2002, segundo o qual: "Serão os da lei anterior os prazos, quando reduzidos por este Código, e se, na data de sua entrada em vigor, já houver transcorrido mais da metade do tempo estabelecido na lei revogada."). 6. Desta sorte, ocorrido o pagamento antecipado do tributo após a vigência da aludida norma jurídica, o dies a quo do prazo prescricional para a repetição/compensação é a data do recolhimento indevido. Fl. 96DF CARF MF Processo nº 13851.000811/200554 Acórdão n.º 3001000.447 S3C0T1 Fl. 5 7 7. Recurso especial provido, nos termos da fundamentação expendida. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1002932/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 25/11/2009, DJe 18/12/2009) [grifamos] Uma vez que a COFINS, como bem argumentou e demonstrou o contribuinte, trata de lançamento à homologação, e considerando que a data do pedido de restituição é ANTERIOR ao vacatio legis da LC nº 118/2005, não há que se falar em prescrição quinquenal, mas, sim, na consagrada tese da prescrição “cinco + cinco” para o caso em comento. Embora o pedido do contribuinte ora em julgamento tenha sido protocolizado em 27 de junho de 2005, é extreme de dúvida que o recolhimento indevido ocorreu em 19 de setembro de 1999, ou seja, antes de 9 de junho de 2005, já considerando o vacatio legis da Lei Complementar nº 118/2005. Por conseguinte, em face de todo o exposto, acatando a tese da prescrição “cinco + cinco”, voto no sentido DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário interposto pelo recorrente, para considerar devida a restituição dos valores pagos e comprovados em setembro de 1999 e, consequentemente, declarar válida a compensação processada pelo sujeito passivo e objeto do presente processo. (assinado digitalmente) Conselheiro Francisco Martins Leite Cavalcante Relator Fl. 97DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.015313/2008-70
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2012
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Anocalendário:
2005
Multa por falta de entrega da Dirf
Não demonstrado que o contribuinte estava obrigado à entrega da DIRF,
descabe aplicação da penalidade pela falta de entrega
Numero da decisão: 1302-000.873
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento ao recurso
Nome do relator: MARCOS RODRIGUES DE MELLO
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O prazo venceu 24.02.2006, mas, a despeito de intimação realizada em 02.09.2008, não se fez a entrega. Enquadramento legal: artigo 113, § 3º, e artigos 115 e 160, da Lei Fl. 115DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 17/04 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10680.015313/200870 Acórdão n.º 130200.873 S1C3T2 Fl. 114 2 nº 5.172, de 25.10.1966 (Código Tributário Nacional – CTN); artigo 7º, incisos I e II, da Lei nº 10.426, de 24.04.2002, e alterações posteriores. Em 28.11.2008, data anterior ao vencimento constante no auto de infração (22.12.2008), o sujeito passivo apresentou a impugnação juntada a folha 1. Os enunciados seguintes resumem seu conteúdo. • A impugnante procurou a DRF/BH para esclarecimentos sobre o auto de infração, entre os quais se havia algum motivo diferente do conhecido por ela. Constatouse que não consta dos sistemas da RFB nenhum motivo para tal, a não ser os recolhimentos de IRRF (8045), que são feitos normalmente pelos serviços de propaganda e publicidade prestados, serviços que estão de acordo com a atividade da impugnante (CNAE de nº 7311400). • De acordo com a legislação vigente, no caso de propaganda e publicidade, é dever do prestador de serviços recolher o IRRF (código 8045), o que é feito. Mas ainda segundo a legislação, a obrigação de entrega da Dirf é do tomador dos serviços. • Fica claro que não há obrigação de entregar a Dirf referente ao IRRF do código 8045, por serem exclusivamente serviços de propaganda e publicidade. Também não consta contra a empresa qualquer outro motivo de retenção ou recolhimento que a obrigue a tal entrega. Demonstrada a insubsistência e a improcedência da ação fiscal, é requerido que seja acolhida a impugnação para o fim de cancelar o débito fiscal. A DRJ decidiu: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2005 Multa por falta de entrega da Dirf A falta de entrega da Dirf ou sua entrega após o prazo fixado sujeita o contribuinte à multa de ofício prevista na legislação tributária. Reproduzo o voto condutor do acórdão: No mérito, porém, o argumento da impugnação não se sustenta. A compulsoriedade de entrega da Dirf decorre do disposto no artigo 7º, inciso II, da Lei n° 10.426, de 2002, que comina a multa para o caso de omissão no cumprimento dessa obrigação acessória. Quanto ao anocalendário de 2005, a DIRF é disciplinada pela Instrução Normativa SRF nº 577, de 5 de dezembro de 2005, a qual dispunha, no que toca aos contribuintes de que se exigia o cumprimento dessa obrigação, textualmente: Art. 1º Devem apresentar a Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte (Dirf) as seguintes pessoas jurídicas e físicas, que tenham pago ou creditado rendimentos que tenham sofrido retenção do imposto de renda na fonte, ainda que em um único mês do anocalendário a que se referir a declaração, por si ou como representantes de terceiros: Fl. 116DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 17/04 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10680.015313/200870 Acórdão n.º 130200.873 S1C3T2 Fl. 115 3 I estabelecimentos matrizes de pessoas jurídicas de direito privado domiciliadas no Brasil, inclusive as imunes ou isentas; II pessoas jurídicas de direito público; III filiais, sucursais ou representações de pessoas jurídicas com sede no exterior; IV empresas individuais; V caixas, associações e organizações sindicais de empregados e empregadores; VI titulares de serviços notariais e de registro; VII condomínios edilícios; VIII pessoas físicas; IX instituições administradoras de fundos ou clubes de investimentos; e X órgãos gestores de mãodeobra do trabalho portuário. Parágrafo único. Ficam também obrigadas à apresentação da Dirf as pessoas jurídicas que tenham efetuado retenção, ainda que em único mês do anocalendário a que se referir a Dirf, da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e da Contribuição para o PIS/Pasep sobre pagamentos efetuados a outras pessoas jurídicas, nos termos dos arts. 30, 33 e 34 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. A autuada, por ser pessoa jurídica de direito privado domiciliada no Brasil enquadrase no inciso I supra. Em princípio, a pessoa jurídica que, na condição de fonte pagadora, haja efetuado pagamento que tenha sofrido a incidência do imposto de renda retido na fonte (IRRF) ou de contribuição social retida na fonte (CSRF), está obrigado a entregar a Dirf. De acordo com os registros dos bancos de dados eletrônicos da Receita Federal em relação ao anocalendário de 2005 a autuada efetuou, por meio de Darf, em 13.10.2005, mesma data do vencimento do tributo, um recolhimento de IRRF (vide resultado da consulta a folhas 10 e 11), do código 8045. Havendo recolhimento de IRRF, cumpre ao contribuinte responsável pelo pagamento do rendimento respectivo entregar a respectiva Dirf. Em essência, a argumentação da impugnação consiste em alegar que todos os recolhimentos de IRRF porventura feitos pertencem ao código 8045 e dizem respeito a importâncias por ela recebidas em virtude da prestação de serviços de propaganda e publicidade, razão pela qual a entrega da Dirf a eles correspondentes é incumbência do tomador de serviços. A impugnante, porém, não traz nenhuma prova de suas alegações. Fl. 117DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 17/04 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10680.015313/200870 Acórdão n.º 130200.873 S1C3T2 Fl. 116 4 E embora consulta aos bancos de dados da Receita Federal confirme que ao recolhimento de IRRF encontrado foi, de fato, atribuído o código 8045, isso por si só não é o bastante para concluir que a autuada estivesse desobrigada de entregar a Dirf. Antes de mais nada, seria preciso comprovar que no Darf foi indicado o código de recolhimento correto, o que a impugnante não faz. Ainda que se admita que não houve equívoco no preenchimento do Darf, seria necessário comprovar que o recolhimento feito nesse código corresponde somente a rendimentos que foram recebidos pela autuada pela prestação de serviços de propaganda e de publicidade, e não que decorreram de rendimentos pagos por ela a terceiros. Ocorre que, de acordo com o Manual do Imposto de Renda Retido na Fonte relativo ao anocalendário de 2005 (Mafon 2005), editado pela Receita Federal, sob o código 8045 devem ser efetuados os recolhimentos de IRRF incidente não só sobre os recebimentos de remuneração pela prestação de serviços de publicidade e propaganda, mas diversos outros. Confirase adiante a redação do trecho pertinente do Mafon 2005: FATO GERADOR Importâncias pagas ou creditadas por pessoa jurídica a outras pessoas jurídicas a título de comissões, corretagens, ou qualquer outra remuneração pela representação comercial ou pela mediação na realização de negócios civis e comerciais. OBSERVAÇÃO: É vedado às microempresas e empresas de pequeno porte optantes pelo Simples exercer atividades de representação comercial ou mediação na realização de negócios civis e comerciais, exceto as empresas que se dediquem exclusivamente à atividade de agência de viagem e turismo. BENEFICIÁRIO Pessoa jurídica prestadora do serviço domiciliada no Brasil. ALÍQUOTA/BASE DE CÁLCULO 1,5% (um inteiro e cinco décimos por cento) do valor do rendimento. ISENÇÃO E NÃOINCIDÊNCIA Não incidirá o imposto, quando o beneficiário dos rendimentos for pessoa jurídica imune ou isenta. Não incidirá o imposto quando o beneficiário for microempresa ou empresa de pequeno porte optante pelo Simples, que se dedique exclusivamente à atividade de agência de viagem e turismo. REGIME DE TRIBUTAÇÃO O imposto retido será deduzido do apurado no encerramento do período de apuração trimestral ou anual. Fl. 118DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 17/04 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10680.015313/200870 Acórdão n.º 130200.873 S1C3T2 Fl. 117 5 RESPONSABILIDADE/RECOLHIMENTO O recolhimento do imposto deverá ser efetuado pela pessoa jurídica que receber de outras pessoas jurídicas importâncias a título de comissões e corretagens relativas a: a) colocação ou negociação de títulos de renda fixa; b) operações realizadas em Bolsas de Valores e em Bolsas de Mercadorias; c) distribuição de emissão de valores mobiliários, quando a pessoa jurídica atuar como agente da companhia emissora; d) operações de câmbio; e) vendas de passagens, excursões ou viagens; f) administração de cartões de crédito; g) prestação de serviços de distribuição de refeições pelo sistema de refeiçõesconvênio; h) prestação de serviço de administração de convênios. O recolhimento do imposto cabe à fonte pagadora, no caso de pagamento de comissões e corretagens a outro título. Os rendimentos e o respectivo imposto de renda na fonte devem ser informados na Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (Dirf) da pessoa jurídica que tenha pago a outras pessoas jurídicas comissões e corretagens nas hipóteses mencionadas nas letras de “a” a “h”. As pessoas jurídicas que tenham recebido importâncias a título de comissões devem fornecer às pessoas jurídicas que as tenham pago, até 31 de janeiro de cada ano, documento comprobatório com indicação do valor das importâncias e do respectivo imposto de renda recolhido, relativos ao anocalendário anterior. Vejase, portanto, que, sob o código 8045, há recolhimentos de IRRF que não decorrem de receitas recebidas pelo próprio agente arrecadador, mas há também aqueles que se fazem na condição de fonte pagadora de rendimentos a terceiros. Cumpriria, pois, à impugnante comprovar que o recolhimento que fez correspondeu exclusivamente a rendimentos por ela recebidos, e que estes estavam sujeitos à retenção do IRRF pelo próprio beneficiário. A impugnante, poderia, por exemplo, ter trazido aos autos documentos comprobatórios da realização da prestação dos serviços que alega, assim como do recebimento da respectiva remuneração. No entanto, limitouse a alegar sem comprovar. Observese ainda que tanto o Mafon, assim como os artigos 15 e 16 da Instrução Normativa SRF nº 577, de 2005, estabelecem que os beneficiários dos pagamentos sujeitos à incidência do IRRF cuja retenção é feita por eles próprios devem fornecer aos Fl. 119DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 17/04 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10680.015313/200870 Acórdão n.º 130200.873 S1C3T2 Fl. 118 6 pagadores dessas quantias, até 31 de janeiro do ano subsequente ao do recebimento, documento comprobatório dos valores recebidos e do IRRF recolhido. Estes últimos, por sua vez, devem incluir esses dados nas Dirf por ele entregues. Num esforço cujo intuito foi suprir a falta das provas que cumpria ao impugnante trazer aos autos, verificamos nos bancos de dados da Receita Federal se nas Dirf entregues pelas fontes pagadoras que tiveram como beneficiário a autuada consta o recolhimento de IRRF que esta fez em relação ao anocalendário a que se refere o auto de infração. O resultado dessa pesquisa achase a folhas 12. Das Dirf entregues, em apenas uma foram informadas retenções de código 8045 e estas somam R$ 60,00. Embora esse montante supere o valor do IRRF recolhido pela autuada, não constituem prova em seu favor os dados de tal Dirf, pois as retenções nela indicadas se referem a pagamentos realizados em fevereiro, março e abril de 2005, enquanto é 13.10.2005 a data de vencimento do recolhimento sob o código 8045 efetuado pela autuada. Logo, inferese que o IRRF então recolhido incidiu sobre rendimento diverso dos indicados na Dirf mencionada. Em consequência dessa divergência de datas, da falta de comprovação das alegações da impugnante, e dos demais elementos constantes dos autos, é imperioso concluir que a autuada não estava dispensada da entrega da Dirf. Seguese também que a multa foi aplicada de acordo com a legislação em vigor. Deve, portanto, ser mantida em sua totalidade. A recorrente tomou ciência do cordão DRJ em 12/04/2011 e apresentou recurso em 27/04/2011. Em seu recurso alega que é prestadora de serviços de propaganda e publicidade, ficando obrigada ao recolhimento do IRRF no código 8045, mas que a entrega da DIRF cabe ao tomador do serviço, sendo este o motivo de não ter entregue a DIRF. Afirma que, em relação ao anocalendário de 2004 o lançamento pelo mesmo fato foi cancelado.. Voto O recurso é tempestivo e deve ser conhecido. Transcrevo trecho do acórdão recorrido que entendo que será essencial para solução da lide: De acordo com os registros dos bancos de dados eletrônicos da Receita Federal em relação ao anocalendário de 2005 a autuada efetuou, por meio de Darf, em 13.10.2005, mesma data do vencimento do tributo, um recolhimento de IRRF (vide resultado da consulta a folhas 10 e 11), do código 8045. Havendo recolhimento de IRRF, cumpre ao contribuinte Fl. 120DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 17/04 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10680.015313/200870 Acórdão n.º 130200.873 S1C3T2 Fl. 119 7 responsável pelo pagamento do rendimento respectivo entregar a respectiva Dirf. Em essência, a argumentação da impugnação consiste em alegar que todos os recolhimentos de IRRF porventura feitos pertencem ao código 8045 e dizem respeito a importâncias por ela recebidas em virtude da prestação de serviços de propaganda e publicidade, razão pela qual a entrega da Dirf a eles correspondentes é incumbência do tomador de serviços. A impugnante, porém, não traz nenhuma prova de suas alegações. E embora consulta aos bancos de dados da Receita Federal confirme que ao recolhimento de IRRF encontrado foi, de fato, atribuído o código 8045, isso por si só não é o bastante para concluir que a autuada estivesse desobrigada de entregar a Dirf. Antes de mais nada, seria preciso comprovar que no Darf foi indicado o código de recolhimento correto, o que a impugnante não faz. Embora entenda o raciocínio desenvolvido pelo voto condutor do acórdão recorrido, com ele não concordo. Na verdade, forma feitos 5 lançamentos de multa por falta de entrega de DIRF, referentes aos anoscalendário 2002 a 2006. Todos foram feitos em 30/10/2008 por meio eletrônico e possuem as descrições dos fatos idênticas: A autoridade fiscal concluiu, corretamente, que o contribuinte não havia entregue as DIRF´s referentes aos citados anoscalendário. Quanto a esse fato não há controvérsia: não houve a entrega da DIRF. A lide gira em torno da obrigatoriedade ou não da entrega de tal declaração. A DRJ concluiu que para os anoscalendário 2004 e 2006 o lançamento da multa deveria ser exonerado pois não havia recolhimento de tributo no código 8045, mantendo o lançamento dos demais períodos pela existência de tais recolhimentos.. Estabelece a norma de regência da matéria: Art. 1º Devem apresentar a Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte (Dirf) as seguintes pessoas jurídicas e físicas, que tenham pago ou creditado rendimentos que tenham sofrido retenção do imposto de renda na fonte, ainda que em um único mês do anocalendário a que se referir a declaração, por si ou como representantes de terceiros: I estabelecimentos matrizes de pessoas jurídicas de direito privado domiciliadas no Brasil, inclusive as imunes ou isentas; Fl. 121DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 17/04 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10680.015313/200870 Acórdão n.º 130200.873 S1C3T2 Fl. 120 8 Como se pode observar, obrigado a apresentar a DIRF está quem paga ou credita rendimento com retenção na fonte, ou seja, a fonte pagadora, e não quem recebe rendimento sujeito a retenção. No voto condutor do acórdão recorrido consta: Observese ainda que tanto o Mafon, assim como os artigos 15 e 16 da Instrução Normativa SRF nº 577, de 2005, estabelecem que os beneficiários dos pagamentos sujeitos à incidência do IRRF cuja retenção é feita por eles próprios devem fornecer aos pagadores dessas quantias, até 31 de janeiro do ano subseqüente ao do recebimento, documento comprobatório dos valores recebidos e do IRRF recolhido. Estes últimos, por sua vez, devem incluir esses dados nas Dirf por ele entregues. Não consta da legislação de regência a obrigação de entrega da DIRF por quem tenha recebido rendimento sujeito à retenção ou quem tenha feito recolhimento de tributo . O antecedente da norma de imposição da multa é, estando obrigado, não apresentar a DIRF e a obrigação de apresentar a DIRF é de quem paga ou credita rendimento com retenção. Diante de um pagamento de tributo com o código 8045, a autoridade fiscal pode supor que aquele contribuinte pode ter a obrigação de apresentar DIRF. No entanto, pode ser que, mesmo tendo pago tributo naquele código, pode ser ele o beneficiário de pagamento sujeito a retenção, e, no caso, a obrigação de entrega da DIRF seria da fonte pagadora. A quem cabe o ônus da prova de que o contribuinte estava sujeito à entrega da DIRF? Ao fisco ou ao contribuinte? Entendo que a resposta está no art. 142 do CTN: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Art. 115. Fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. Cabe á autoridade administrativa verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação acessória e, diante do descumprimento, realizar o lançamento da penalidade cabível. Diante do pagamento de tributo no código 8045, a autoridade poderia até supor que aquele contribuinte estivesse sujeito à entrega de DIRF, mas essa simples suposição não tem o condão de transformálo em sujeito passivo dessa obrigação, sendo necessário que a autoridade prossiga na investigação fiscal para demonstrar que sua suposição possui lastro fático. Ou seja, deve a autoridade verificar, diligenciando junto ao próprio contribuinte ou junto a terceiros, que ele fez pagamentos sujeito á retenção do citado imposto, e, demonstrado isso, Fl. 122DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 17/04 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10680.015313/200870 Acórdão n.º 130200.873 S1C3T2 Fl. 121 9 ou seja, o fato gerador da obrigação acessória (entrega da DIRF) e tal obrigação não tendo sido atendida, aplicar a penalidade. No caso concreto, o que ocorreu foi ainda mais grave. A autoridade lançadora, verificando que o contribuinte não havia entregue a DIRF, fez o lançamento da multa. Após a impugnação, a autoridade julgadora verificou que em determinados exercícios havia pagamento de tributo com o código 8045 e em outros não. Nos períodos em que não havia o citado pagamento, exonerou o lançamento da multa, mantendo para os demais. Essa conduta, entendo eu, já estaria equivocada, pois no momento do lançamento é que se deve verificar a ocorrência do fato gerador, e não no momento do julgamento de 1ª instância, pois estaria comprometido o lançamento por falta de seu pressuposto, mas também estaria comprometido a defesa do contribuinte que não saberia o teor da acusação fiscal. Mas, entendo que ocorreu situação mais grave, pois a conclusão do julgador também está equivocada, pois a ocorrência de pagamento no código 8045 é insuficiente para se afirmar que o contribuinte teria de entregar a DIRF. O equívoco fica evidenciado no trecho abaixo, extraído do voto condutor do acórdão: Num esforço cujo intuito foi suprir a falta das provas que cumpria ao impugnante trazer aos autos, verificamos nos bancos de dados da Receita Federal se nas Dirf entregues pelas fontes pagadoras que tiveram como beneficiário a autuada consta o recolhimento de IRRF que esta fez em relação ao ano calendário a que se refere o auto de infração. O resultado dessa pesquisa achase a folhas 12. Das Dirf entregues, em apenas uma foram informadas retenções de código 8045 e estas somam R$ 60,00. Embora esse montante supere o valor do IRRF recolhido pela autuada, não constituem prova em seu favor os dados de tal Dirf, pois as retenções nela indicadas se referem a pagamentos realizados em fevereiro, março e abril de 2005, enquanto é 13.10.2005 a data de vencimento do recolhimento sob o código 8045 efetuado pela autuada. Logo, inferese que o IRRF então recolhido incidiu sobre rendimento diverso dos indicados na Dirf mencionada. Em conseqüência dessa divergência de datas, da falta de comprovação das alegações da impugnante, e dos demais elementos constantes dos autos, é imperioso concluir que a autuada não estava dispensada da entrega da Dirf. Percebese que a decisão recorrida atribui ao contribuinte o ônus de provar que não estava obrigada à entrega da DIRF, quando, na verdade, o ônus de provar que estava obrigado é do fisco. Mais ainda, por não existirem DIRF´s que declarassem valores retidos superiores ou iguais aos pagamentos registrados nos sistemas da SRF, conclui o acórdão recorrido que a autuada não estava dispensada da entrega, quando o que poderia ter ocorrido é Fl. 123DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 17/04 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10680.015313/200870 Acórdão n.º 130200.873 S1C3T2 Fl. 122 10 que uma ou mais fontes pagadoras de recursos à recorrente tivessem se omitido da entrega de DIRF. Nesse sentido não houve qualquer diligência para verificação. Também opera em favor da recorrente a atividade que exerce: prestação de serviços de publicidade, atividade essa que, via de regra, os tomadores de serviço devem fazer a retenção do imposto na fonte e também que o código de recolhimento ter sido o 8045, que referese ao prestador do serviço e não ao tomador. Poderia ter ocorrido a situação de que a recorrente fosse tomadora de serviço e, nesta condição, teria de fazer a retenção, o pagamento do imposto e a conseqüente entrega da DIRF? Entendo que sim, mas isso tem de ser provado pela autoridade lançadora. Diante do indício (pagamento no código 8045), deveria diligenciar e verificar se houve pagamento na condição de tomadora de serviço e, sendo isso demonstrado e não tendo havido entrega da DIRF, aplicado a penalidade. Diante de todo o exposto, voto por dar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Marcos Rodrigues de Mello – relator. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 17/04 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO
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Numero do processo: 18019.720286/2015-02
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2014
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. VALOR DECLARADO EM DIRF. CONTRIBUIÇÕES A FUNDO DE PREVIDÊNCIA. TRATAMENTO INADEQUADO.
Procede o lançamento por omissão de rendimentos, apurada com base em DIRPF retificadora, em que foi dado tratamento tributário divergente ao previsto na legislação.
Numero da decisão: 2001-000.595
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que sejam considerados, na exigência do crédito tributário, os pagamentos efetuados por ocasião da entrega da DIRPF original.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Ricardo Moreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE RICARDO MOREIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2014 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. VALOR DECLARADO EM DIRF. CONTRIBUIÇÕES A FUNDO DE PREVIDÊNCIA. TRATAMENTO INADEQUADO. Procede o lançamento por omissão de rendimentos, apurada com base em DIRPF retificadora, em que foi dado tratamento tributário divergente ao previsto na legislação.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que sejam considerados, na exigência do crédito tributário, os pagamentos efetuados por ocasião da entrega da DIRPF original. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes - Presidente. (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1390; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T1 Fl. 2 1 1 S2C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18019.720286/201502 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2001000.595 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 26 de julho de 2018 Matéria Imposto de Renda Pessoa Física Recorrente DIOGENES CESAR DE COIMBRA SILVA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2014 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. VALOR DECLARADO EM DIRF. CONTRIBUIÇÕES A FUNDO DE PREVIDÊNCIA. TRATAMENTO INADEQUADO. Procede o lançamento por omissão de rendimentos, apurada com base em DIRPF retificadora, em que foi dado tratamento tributário divergente ao previsto na legislação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que sejam considerados, na exigência do crédito tributário, os pagamentos efetuados por ocasião da entrega da DIRPF original. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente. (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 01 9. 72 02 86 /2 01 5- 02 Fl. 85DF CARF MF 2 Tratase de Notificação de Lançamento, relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), por meio da qual se exige crédito tributário do exercício de 2014, anocalendário de 2013, em que foi apurada omissão de rendimentos, decorrente de declaração incorreta de resgate de contribuições de fundo de previdência. O contribuinte apresentou impugnação, que foi julgada improcedente, mediante Acórdão da DRJ BRASÍLIA. Cientificado, o interessado apresentou recurso voluntário de f. 50/51. Em síntese, não discorda da decisão da DRJ. Reconhece que deu tratamento tributário às contribuições diverso ao estipulado na legislação. Argumenta, entretanto, que os pagamentos efetuados em decorrência da apresentação da DIRPF original sejam computados. É o relatório. Voto Conselheiro José Ricardo Moreira Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. O lançamento decorre de tratamento tributário dado pelo contribuinte, em relação às contribuições para fundo de previdência, diverso do previsto na legislação. A informação constou de DIRPF retificadora. No recurso voluntário, o recorrente afirma que entendeu o equívoco cometido, mas se insurge contra o fato de que pagamentos efetuados quando da apresentação da DIRPF original não haverem sido computados na exigência. Neste ponto, assiste razão ao recorrente. Não se discute a correição do lançamento, haja vista que efetuado com base em DIRPF retificadora (que, nos termos, da legislação, substitui integralmente a original). Entretanto, a reivindicação de que eventuais pagamentos (efetuados por ocasião da entrega da DIRPF original) sejam reconhecidos é direito do contribuinte. A Delegacia que jurisdiciona o contribuinte deve, portanto, verificar a existência e disponibilidade de eventuais pagamentos relativos ao IRPF 2014 e computálos, para fins da exigência. Desta forma, adotando a motivação do voto exposto na decisão de primeira instância, há de se concluir pela correção do procedimento fiscal, adotandose, entretanto, as medidas referidas no parágrafo anterior.. CONCLUSÃO: Diante de todo o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, e, no mérito, darlhe provimento parcial, para o fim de que sejam computados no lançamento os pagamentos decorrentes da apresentação da DIRPF original. Fl. 86DF CARF MF Processo nº 18019.720286/201502 Acórdão n.º 2001000.595 S2C0T1 Fl. 3 3 (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira Fl. 87DF CARF MF
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