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Numero do processo: 10872.000136/2010-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 15 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Mar 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. NÃO OCORRÊNCIA.
Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma, não se acatando o recurso se não configurada alguma dessas hipóteses.
Numero da decisão: 1201-001.561
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração, nos termos do voto do Relator.
(documento assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Paulo Cezar Fernandes de Aguiar - Relator.
EDITADO EM: 24/02/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luiz Paulo Jorge Gomes, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e José Roberto Adelino da Silva (suplente convocado). Ausente o Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado.
Nome do relator: PAULO CEZAR FERNANDES DE AGUIAR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. NÃO OCORRÊNCIA. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma, não se acatando o recurso se não configurada alguma dessas hipóteses.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida - Presidente. (documento assinado digitalmente) Paulo Cezar Fernandes de Aguiar - Relator. EDITADO EM: 24/02/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luiz Paulo Jorge Gomes, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e José Roberto Adelino da Silva (suplente convocado). Ausente o Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado.
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. NÃO OCORRÊNCIA. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma, não se acatando o recurso se não configurada alguma dessas hipóteses. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Presidente. (documento assinado digitalmente) Paulo Cezar Fernandes de Aguiar Relator. EDITADO EM: 24/02/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luiz Paulo Jorge Gomes, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e José Roberto Adelino da Silva (suplente convocado). Ausente o Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 2. 00 01 36 /2 01 0- 94 Fl. 916DF CARF MF 2 Relatório Por bem descrever a matéria, adoto o relatório do despacho de admissibilidade, complementandoo a seguir: Tratase de Embargos de Declaração (fls. 903/906) interpostos em 29/06/2015 (fl. 907 e Comprot) pela FAZENDA NACIONAL, em face da alegada existência de omissões no acórdão nº 1201001.187 (fls. 893/896), proferido pela 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção do e. CARF, em 02/04/2015, cuja relatoria coube ao então Conselheiro João Carlos de Lima Júnior. Analisando os Embargos de Declaração, verificase que os pressupostos e requisitos de admissibilidade fazemse presentes, nos termos do art. 65 Regimento Interno do CARF, in verbis: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. § 1° Os embargos de declaração poderão ser interpostos, mediante petição fundamentada dirigida ao presidente da Turma, no prazo de cinco dias contado da ciência do acórdão: I por conselheiro do colegiado; II pelo contribuinte, responsável ou preposto; III pelo Procurador da Fazenda Nacional; IV pelos Delegados de Julgamento, nos casos de nulidade de suas decisões; V pelo titular da unidade da administração tributária encarregada da liquidação e execução do acórdão. § 2º O presidente da Turma poderá designar conselheiro para se pronunciar sobre a admissibilidade dos embargos de declaração. § 3° O Presidente não conhecerá os embargos intempestivos e rejeitará, em caráter definitivo, os embargos em que as alegações de omissão, contradição ou obscuridade sejam manifestamente improcedentes ou não estiverem objetivamente apontadas. § 4° Do despacho que rejeitar os embargos de declaração será dada ciência ao embargante. § 5° Os embargos de declaração opostos tempestivamente interrompem o prazo para a interposição de recurso especial. § 6° As disposições deste artigo aplicamse, no que couber, às decisões em forma de resolução. Fl. 917DF CARF MF Processo nº 10872.000136/201094 Acórdão n.º 1201001.561 S1C2T1 Fl. 917 3 Ou seja, para que os ED sejam conhecidos, a Embargante deve: i) interpôlo no prazo de 5 (cinco) dias; ii) estar legitimada para a prática do ato; e iii) alegar, objetivamente, a existência de obscuridade, omissão e/ou contradição. No que tange à tempestividade, este requisito se faz presente. O acórdão proferido pela 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção deste e. CARF em 02/04/2015 (fl. 893) foi encaminhado para a Procuradoria da Fazenda Nacional em 18/06/2015 (fl. 902 e Comprot), uma quintafeira. De acordo com o artigo 23, § 9º, do Decreto nº 70.235/72, os Procuradores da Fazenda Nacional somente são considerados intimados pessoalmente da decisão do CARF “(...) com o término do prazo de 30 (trinta) dias contados da data em que os respectivos autos forem entregues à Procuradoria”. Em outras palavras, o prazo de cinco dias previsto no artigo 65, § 1º, do RICARF apenas começaria a correr trinta dias após o dia 18/06/2015 (data de encaminhamento dos autos fl. 902), ou seja, em 20/07/2015, uma segundafeira, e venceria, como consequência, em 27/07/2015, uma segundafeira. Tendo em vista que os Embargos de Declaração foram interpostos pela Fazenda Nacional em 29/06/2015 (fl. 903 e Comprot), isto é, antes do seu vencimento, não há dúvidas quanto à sua tempestividade. No que se refere à legitimidade, este requisito se faz presente, vez que os Embargos de Declaração foram firmados digitalmente por Procuradora da Fazenda Nacional(fl. 906). Por fim, quanto à matéria, este requisito também se faz presente, pois a Embargante alegou, objetivamente, omissões, quando, na fl. 903 e na fl. 905, disse: 1ª omissão “A 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF cancelou os autos de infração, em virtude de suposta duplicidade de cobrança da multa e dos juros. Contudo, a e. Turma não se pronunciou sobre a supressão de instância. Assim, para afastar esse vício, a e. Turma, data venia, deveria ter determinado a remessa dos autos à DRJ para que essa se manifestasse sobre a suposta duplicidade de lançamento.” – fl. 903. 2ª omissão “Ademais, convém registrar que a suposta duplicidade da cobrança da multa e dos juros não foi levantada pela contribuinte em momento algum da impugnação e do recurso voluntário, fato que impediria a sua apreciação pelo CARF.” – fl. 905. Não é demais lembrar que o juízo de admissibilidade de ED não se confunde com a análise do mérito, cabendo ao Relator, apenas, analisar se a Embargante alegou objetivamente a existência de obscuridade, omissão e/ou contradição. Fl. 918DF CARF MF 4 Quando do julgamento do mérito é que, efetivamente, analisarseá a existência dos vícios. Ademais, restou preenchido o requisito da competência. Nos termos do artigo 49, § 5º, do Anexo II do RICARF1, os processos com embargos de declaração serão distribuídos ao mesmo relator, independentemente de sorteio, salvo aqueles em que o relator não mais pertença ao colegiado, que serão apreciados pela turma de origem, mediante sorteio para qualquer conselheiro da turma. Como o Conselheiro João Carlos de Lima Júnior, que foi o relator do acórdão nº 1201001.187 (fls. 893/896), renunciou ao mandato, conforme noticiado à fl. 909, em09/12/2015, foi feito novo sorteio dentro da mesma turma, em observância ao dispositivo acima, cabendo a este Conselheiro a Relatoria deste PAF (fl. 910). Desse modo, demonstrada está sua competência para apreciação dos presentes Embargos de Declaração. Nesse caminho, em cumprimento ao artigo 65, § 2º, do RICARF, entendo presentes os requisitos de admissibilidade dos Embargos de Declaração, razão pela qual submeto o presente despacho a apreciação do I. Presidente da Turma, conforme determina o artigo 65, § 3º, do RICARF. O exame de admissibilidade ocorreu por meio do despacho de fls. 911 a 914. O processo foi redistribuído em face de o conselheiro a quem havia sido sorteado o recurso não mais fazer parte deste colegiado. É o relatório Voto Conselheiro Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Relator. Admissibilidade. Uma vez que os pressupostos de admissibilidade já foram avaliados no despacho próprio, passase à análise do vício apontado. Omissões. A embargante alega ter havido duas omissões no acórdão proferido pela 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção do CARF, em 2 de abril de 2015: a primeira em face de não ter se pronunciado sobre a supressão de instância e, a segunda, uma vez "a suposta duplicidade da cobrança da multa e dos juros" não ter sido arguida em nenhum momento na impugnação ou no recurso voluntário, fato que impediria a sua apreciação pelo CARF. O artigo 65 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF) dispõe expressamente que cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. Fl. 919DF CARF MF Processo nº 10872.000136/201094 Acórdão n.º 1201001.561 S1C2T1 Fl. 918 5 Em ambos os casos, verificase que omissão não houve, pelo mesmo motivo. Assim está redigido o acórdão, em consonância com o voto do relator: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, EM ACOLHER, de ofício, preliminar de cancelamento dos autos de infração por tratarem dos mesmos fatos já tributados em outros lançamentos e ainda pendentes de julgamento administrativo, com base no art. 145 do CTN, não se conhecendo do mérito, nos termos do caput do art. 59 do Anexo II do Regimento Interno do CARF. (Grifo acrescido) Como pode ser visto, a preliminar de cancelamento dos autos de infração foi acolhida, por unanimidade de votos, de ofício, ou seja, por obrigação e dever do cargo, por autoridade própria, sem provocação das partes. Nesses casos, não há a necessidade de iniciativa ou participação de outros intervenientes que não aqueles que tomaram a decisão. Dessa forma, não há que se falar em supressão de instância. Esta poderia ocorrer no caso de alguma alegação não apreciada na instância a quo o ser na instância ad quem. Contudo, se houve o acolhimento de ofício de uma preliminar nesta segunda instância, não poderia a primeira ter se pronunciado sobre algo que não havia sido sequer alegado na impugnação. Relativamente à alegação de que a matéria não teria sido arguida nem em sede de impugnação, nem de recurso voluntário, o que impediria a apreciação pelo CARF, tem se também não ter havido omissão. Ao contrário, a Turma julgadora pronunciouse sobre matéria que, no seu entendimento, era relevante e conhecível mesmo sem ter sido alegada anteriormente no processo, ou seja, de ofício. Não há, pois, omissão na decisão embargada. Em face de todo o exposto, voto por rejeitar os embargos de declaração. (documento assinado digitalmente) Paulo Cezar Fernandes de Aguiar Relator Fl. 920DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13976.000717/2007-51
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Exercício: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007
RECURSO. PEREMPÇÃO. NÃOCONHECIMENTO.
Não se conhece de recurso perempto, apresentado após o trintídio legal.
Numero da decisão: 1803-000.966
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso, por perempto, nos termos do relatório e votos que integram o presente
julgado.
Nome do relator: Sérgio Rodrigues Mendes
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007 RECURSO. PEREMPÇÃO. NÃOCONHECIMENTO. Não se conhece de recurso perempto, apresentado após o trintídio legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por perempto, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Selene Ferreira de Moraes, Marcelo de Assis Guerra, Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes e Sérgio Luiz Bezerra Presta. Fl. 58DF CARF MF Emitido em 19/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Assinado digitalmente em 01/07/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, 19/07/2011 por SELENE FERREIRA DE M ORAES Processo nº 13976.000717/200751 Acórdão n.º 180300.966 S1TE03 Fl. 56 2 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido (fls. 36): Versa o presente processo sobre autos de infração (fls. 03, 06, 09, 12, 15 e 18), mediante os quais é exigido da contribuinte em epígrafe o crédito tributário total de R$ 18.709,11, referente à multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, relativa ao 4º trimestre de 2002, 1º ao 4º trimestre de 2003, 1º ao 4º trimestre de 2004, 1º e 2º semestre de 2005, 1º semestre de 2006. Cientificada da exigência fiscal em 29/11/2007 (AR, fls. 25/30, a interessada, interpôs impugnação (fls. 01/02) em 14/12/2007, na qual requer o cancelamento do presente lançamento, alegando, em síntese, que estaria dispensada da apresentação das DCTF, nos termos do art. 3º, I, da IN/SRF nº 255/2002, relativamente aos períodos sob exame, tendo em vista que o processo de inclusão retroativa no Simples Federal encontravase, à época, pendente de decisão, a qual somente foi expedida em 21/06/2007. 2. A decisão da instância a quo foi assim ementada (fls. 35): ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005, 2006 MULTA POR ATRASO DA ENTREGA DA DCTF. Mantémse a exigência da multa por atraso na entrega da DCTF, tendo em vista o não reconhecimento de enquadramento da empresa no Simples relativamente ao período autuado. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido. 3. Cientificada da referida decisão em 15/01/2010 (fls. 40), em 17/02/2010, apresenta a interessada Recurso de fls. 41 e 42, instruído com os documentos de fls. 43 a 53, nele reiterando os argumentos anteriormente expendidos. Em mesa para julgamento. Fl. 59DF CARF MF Emitido em 19/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Assinado digitalmente em 01/07/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, 19/07/2011 por SELENE FERREIRA DE M ORAES Processo nº 13976.000717/200751 Acórdão n.º 180300.966 S1TE03 Fl. 57 3 Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Conforme constou do Relatório, a recorrente foi cientificada da decisão de primeira instância em 15/01/2010 (A.R. de fls. 40), uma sextafeira, tendo apresentado a sua petição recursal em 17/02/2010 (fls. 41 e 42), uma quartafeira. Dispõe o art. 33 do Processo Administrativo Fiscal – PAF (Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972): Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos 30 (trinta) dias seguintes à ciência da decisão. Assim, cientificada em 15/01/2010, dispunha a recorrente do prazo de trinta dias para apresentar a sua inconformidade contra a decisão recorrida, prazo esse que se escoou impreterivelmente no dia 16/02/2010, uma terçafeira. Tendo apresentado o seu recurso apenas em 17/02/2010, está este perempto (art. 35 do PAF). Por conseguinte, aplicase ao presente caso o disposto no art. 42, inciso I, do PAF: Art. 42. São definitivas as decisões: I de primeira instância, esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de NÃO CONHECER DO RECURSO, por perempto. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 60DF CARF MF Emitido em 19/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Assinado digitalmente em 01/07/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, 19/07/2011 por SELENE FERREIRA DE M ORAES Processo nº 13976.000717/200751 Acórdão n.º 180300.966 S1TE03 Fl. 58 4 Fl. 61DF CARF MF Emitido em 19/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Assinado digitalmente em 01/07/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, 19/07/2011 por SELENE FERREIRA DE M ORAES
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Numero do processo: 15504.721848/2011-33
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Mar 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 31/01/2007 a 31/12/2008
RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO. RECURSO DE OFÍCIO NEGADO.
O recurso tem prazo inadiável de 30 dias para ser protocolizado, o desrespeito a este prazo gera intempestividade, e por consequência o não conhecimento deste.
Embargos acolhidos.
Numero da decisão: 3301-003.217
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração sem efeitos infringentes.
LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS - Presidente.
VALCIR GASSEN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas, José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: VALCIR GASSEN
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INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO. RECURSO DE OFÍCIO NEGADO. O recurso tem prazo inadiável de 30 dias para ser protocolizado, o desrespeito a este prazo gera intempestividade, e por consequência o não conhecimento deste. Embargos acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração sem efeitos infringentes. LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Presidente. VALCIR GASSEN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas, José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 18 48 /2 01 1- 33 Fl. 1103DF CARF MF Processo nº 15504.721848/201133 Acórdão n.º 3301003.217 S3C3T1 Fl. 1.104 2 Relatório Tratase de Embargos de Declaração interpostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional contra decisão consubstanciada no Acórdão nº 3301002.140 (fls. 1.091 a 1.094), de 28 de novembro de 2013, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF – que não conheceu do Recurso Voluntário por intempestividade e negou, por unanimidade, o Recurso de Ofício. Visando a elucidação do caso e a economia processual adoto e cito o relatório do Acórdão ora embargado: Tratase de Recurso Administrativo (recurso voluntario) interposto pelo Município de Ouro Preto contra Acórdão n. 0236.013, de 16 de novembro de 2011 (fls. 1041/1046), proferido pela 1ª Turma da DRJ/BHE, que julgou procedente em parte, os Autos de Infração e termos auxiliares (fls. 02/20), no valor total de R$ 5.055.079,73, relativo ao saldo credor da contribuição ao Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Publico – PASEP, referente aos meses de janeiro de 2007 a dezembro de 2008. A Receita Federal constatou ausência de pagamento no sistema de controle de DCTF, e com isso, deuse inicio a autuação. De acordo com o processo, a fiscalização apurou a base de cálculo do valor devido, baseandose nos documentos apresentados pelo contribuinte (fls. 28/702), Termo de Verificação Fiscal (fls. 16/20) e planilhas demonstrativas (fls. 715/719). Foi apresentado impugnação pelo contribuinte (fls. 974/979), que em síntese, pediu o seguinte: “ Solicita a anulação do auto de infração e do lançamento nele consubstanciado por descumprimento de decisão judicial pela inexistência de vinculação da recorrente para com o Pasep. Requer, alternativamente, o cancelamento do auto de infração e do lançamento do crédito tributário nele consubstanciado, ao menos, até o transito em julgado do mandado de segurança impetrado pela recorrente. Solicita ainda, alternativamente aos pedidos anteriores, que sejam canceladas/desconstituídas a cobrança/incidência de juros de mora e de multa no auto de infração e no lançamento do crédito tributário nele consubstanciado”. A DRJ acolheu em parte as alegações do contribuinte, pois entendeu que o lançamento no que concerne a matéria diferenciada, exonerando a multa de oficio aplicada, nos termos do acordão combatido, cuja ementa segue abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 31/01/2007 a 31/12/2008 PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. Implica renúncia à instância administrativa a propositura, pelo contribuinte, de ação judicial de qualquer natureza; tornandose definitiva a exigência discutida. NULIDADE. ATOS E TERMOS PROCESSUAIS. Fl. 1104DF CARF MF Processo nº 15504.721848/201133 Acórdão n.º 3301003.217 S3C3T1 Fl. 1.105 3 Somente são nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com cerceamento do direito de defesa. EXIGIBILIDADE SUSPENSA LANÇAMENTO. O lançamento de crédito tributário cuja exigibilidade esteja suspensa por meio de sentença judicial não definitiva destinase a prevenir a decadência, e constitui dever de ofício da autoridade fiscal. ACRÉSCIMOS LEGAIS JUROS DE MORA TAXA SELIC. A partir de 01/04/1995, por expressa disposição legal, os juros de mora serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Cientificado do referido acórdão em 30 de novembro de 2011 (AR fl. 1052), o interessado apresentou Recurso Administrativo (Recurso Voluntário) em 02 de janeiro de 2012 (fls. 1053/1059) pleiteando a reforma do decisum e reafirmando seus argumentos apresentados à DRJ. O ora embargado Acórdão traz as seguintes razões que fundamentam o voto (fls. 1.093 a 1.094): Preliminarmente, é dever do julgador apreciar os requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário. O artigo 56 da Lei nº 9.784/99 confirma o direito constitucional de o contribuinte interpor recurso contra as decisões administrativas, determinando que “cabe recurso, em face de razões de legalidade e de mérito”. Vislumbrase que tal fato busca, na verdade, o reexame da decisão por outra autoridade, a fim de obterse um aprimoramento dos julgados na fundamentação de suas decisões, propiciando, desta forma, maior segurança ao sistema. Pois bem, vencido parcialmente em primeira instância, o contribuinte não está obrigado a recorrer, mas, se assim proceder, estará sujeito ao prazo de 30 dias, sob pena de preclusão, para apresentar Recurso Voluntário, conforme preceitua o caput do art. 33, do Decreto nº 70.235/72 c.c. art. 68 do Decreto nº 7.574/2011. Verificase, que se ultrapassado esse período, qual seja, 30 (trinta) dias contados a partir da ciência da decisão, sem a apresentação pelo contribuinte do Recurso Voluntário, estará ele impedido de apresentar referido recurso em outro momento. No caso em tela, a Recorrente foi intimada de modo regular em 30/11/2011 (quarta feira), conforme Aviso de Recebimento – AR (fl. 1052), e só protocolizou seu Recurso Voluntário na data de 02/01/2012 (segundafeira), ou seja, 3 (três) dias após o transcurso do prazo recursal, já que o prazo encerrouse no dia 30/12/2011 (sexta feira). Diante do exposto, não conheço do presente Recurso Administrativo (Recurso Voluntário), por ser intempestivo. Por sua vez, a Procuradoria da Fazenda Nacional ingressou com Embargos de Declaração (fl. 1.096), em 16 de abril de 2015, visando sanar alegada omissão. Foi concedida a admissibilidade dos Embargos de Declaração da Fazenda Nacional por intermédio do Despacho de Exame de Admissibilidade em Embargos S/N, da 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção, em 2 de junho de 2016 (fls. 1.001 a 1.002). Fl. 1105DF CARF MF Processo nº 15504.721848/201133 Acórdão n.º 3301003.217 S3C3T1 Fl. 1.106 4 É o relatório. Voto Conselheiro Valcir Gassen Os Embargos de Declaração (fl. 1.096) interpostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional, em face ao Acórdão nº 3301002.140 (fls. 1.091 a 1.094), de 28 de novembro de 2013, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF – que não conheceu do Recurso Voluntário e negou, por unanimidade, o Recurso de Ofício. Conforme o art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256 de 22 de junho de 2009, repetidos pelo art. 65 do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, cabe a interposição de Embargos de Declaração nos seguintes termos: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. §1º Os embargos de declaração poderão ser interpostos, mediante petição fundamentada dirigida ao presidente da Turma, no prazo de 5 (cinco) dias contado da ciência do acórdão. (Grifou se) Os embargos ora analisados visam sanar omissão presente no Acórdão nº 3301002.140 (fls. 1.091 a 1.094) que tem a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 31/01/2007 a 31/12/2008 RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO. RECURSO DE OFÍCIO NEGADO. O recurso tem prazo inadiável de 30 dias para ser protocolizado, o desrespeito a este prazo gera intempestividade, e por consequência o não conhecimento deste. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, em NÃO CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO, e por unanimidade NEGAR O RECURSO DE OFÍCIO. Alega a Procuradoria da Fazenda Nacional, ora embargante, que houve omissão no que se refere a fundamentação, uma vez que não se verificou a análise do Recurso de Ofício, conforme se verifica no texto dos Embargos (fl. 1.096): A União (Fazenda Nacional), por sua procuradora, com amparo no artigo 65 do Regimento Interno do CARF, vem apresentar EMBARGOS DE DECLARAÇÃO, pelos motivos a seguir aduzidos: Verificando o inteiro teor da decisão em questão, constatase a existência de omissão na sua fundamentação, pois não houve análise do Recurso de Ofício. A motivação das decisões judiciais é princípio constitucional (art. 93, IX da CF). Assim, também, deve ocorrer com as decisões proferidas por esse e. Conselho, com vista a garantia das partes, a possibilitar sua impugnação, através de recurso competente, salientandose, por outro lado, a função política da motivação, com a Fl. 1106DF CARF MF Processo nº 15504.721848/201133 Acórdão n.º 3301003.217 S3C3T1 Fl. 1.107 5 finalidade de se aferir a imparcialidade do julgador, a legalidade e a justiça das decisões. Teresa Arruda Alvim ensina que “não se pode confundir sentença com um ato de imposição pura e imotivada de vontade. Daí a necessidade de que venha expressa sua fundamentação (CF, art. 93, IX)”. Diz a referida autora que “fundamentação deficiente, para todos os efeitos, equivale à falta de fundamentação” (ALVIM, Teresa Arruda. Nulidades da Sentença. 3ª ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 1993, p. 70). Nesse sentido, são pertinentes as palavras de Piero Calamandrei: “A fundamentação da sentença é sem dúvida uma grande garantia da justiça quando consegue reproduzir exatamente, como num levantamento topográfico, o itinerário lógico que o juiz percorreu para chegar à sua conclusão, pois se esta é errada, pode facilmente encontrarse, através dos fundamentos, em que altura do caminho o magistrado se desorientou”. (CALAMANDREI, Piero. Eles, os juízes, vistos por nós, os advogados. 9ª ed. São Paulo: Clássica Editora, s.d., 78). Em face do exposto, requer a União (Fazenda Nacional) o conhecimento e o provimento do presente recurso para que haja pronunciamento sobre o ponto omitido. A interposição de Recurso de Ofício pode ocorrer quando a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa de valor total (lançamento principal e decorrentes) superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais); Assim dispõe a Portaria MF n 63, de 9 de fevereiro de 2017: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF ao tratar do conhecimento do Recurso de Ofício assim se pronuncia: Súmula CARF nº 103 : Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. A 1ª Turma de Julgamento da DRJ/BHE decidiu por não apreciar o mérito e exonerar a multa de ofício no valor de R$1.806.743,01 (um milhão, oitocentos e seis mil, setecentos e quarenta e três reais e um centavo). Cabe notar que na análise dos presentes embargos em relação ao Recurso de Ofício, por se reportar a decisão consubstanciada no Acórdão nº 3301002.140, de 28 de novembro de 2013, aplicase a legislação vigente à época, no caso a Portaria MF n. 3, de 3 de janeiro de 2008, que fixava o valor total (lançamento principal e decorrentes) superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). Para aplicação da Súmula n 103 há que se perquirir o significado do termo "apreciação". Os julgados que fundamentam a referida Súmula aplicaram o preceito processual do tempus regit actum de tal forma que os requisitos de conhecimento quando analisados em embargos devem ser aqueles vigentes a data do acórdão omisso, contraditório ou obscuro, que não será substítuído, mas apenas integrado. Portanto, os presentes embargos de declaração, entendo, integrarão aquele julgado, no caso o Acórdão nº 3301002.140. Fl. 1107DF CARF MF Processo nº 15504.721848/201133 Acórdão n.º 3301003.217 S3C3T1 Fl. 1.108 6 Com isso posto, passase a análise dos embargos de declaração. Ao analisar os autos do presente processo observase que o referido Acórdão n° 0236.013 da DRJ/BHE (fls. 1.053 a 1.058) possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 31/01/2007 a 31/12/2008 PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. Implica renúncia à instância administrativa a propositura, pelo contribuinte, de ação judicial de qualquer natureza; tornandose definitiva a exigência discutida. NULIDADE. ATOS E TERMOS PROCESSUAIS. Somente são nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com cerceamento do direito de defesa. EXIGIBILIDADE SUSPENSA LANÇAMENTO. O lançamento de crédito tributário cuja exigibilidade esteja suspensa por meio de sentença judicial não definitiva destinase a prevenir a decadência, e constitui dever de ofício da autoridade fiscal. ACRÉSCIMOS LEGAIS JUROS DE MORA TAXA SELIC. A partir de 01/04/1995, por expressa disposição legal, os juros de mora serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Acórdão Acordam os membros da 1ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, declarar definitiva a exigência discutida no que se refere à matéria objeto de ação judicial e julgar procedente em parte o lançamento no que concerne à matéria diferenciada, exonerando a multa de ofício aplicada, nos termos do relatório e do voto que passam a integrar o presente julgado. Submetase à apreciação do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, de acordo com o art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações introduzidas pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de1997, e Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008, por força de recurso necessário. A exoneração do crédito procedida por este acórdão só será definitiva após o julgamento em segunda instância. Intimese para pagamento do crédito mantido no prazo de 30 dias da ciência, salvo interposição de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em igual prazo, conforme facultado pelo art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, alterado pelo art. 1º da Lei n.º 8.748, de 9 de dezembro de 1993, e pelo art. 32 da Lei 10.522, de 19 de julho de 2002. Diante dessa ementa percebese que foi exonerado crédito por intermédio da decisão da DRJ/BHE e que o acórdão ora embargado é omisso a respeito desta questão. Sendo assim, passo a analisar os fundamentos do Acórdão de primeira instância para que se verifique a possibilidade de confirmar ou não tal entendimento com o intuito de sanar a omissão. Fl. 1108DF CARF MF Processo nº 15504.721848/201133 Acórdão n.º 3301003.217 S3C3T1 Fl. 1.109 7 Discutese no voto do Acórdão da DRJ/BHE a respeito da existência de decisão judicial sobre o objeto do presente processo administrativo, o que, nos termos da legislação vigente, retira da esfera administrativa a competência para discutir a questão. O voto, porém, demonstra que (fl. 1.056): (...) o fato de a matéria tributável estar sub judice não é fator impeditivo à constituição do crédito tributário. Pelo contrário, verificase que mesmo havendo depósito do montante integral, concessão de medida liminar em mandado de segurança ou em outras ações, antecipação de tutela, que são fatores de suspensão da exigibilidade do crédito tributário (art. 151, do CTN), não é defeso ao Fisco constituir o crédito, por meio do lançamento de ofício, cuja exigibilidade (cobrança) fica suspensa até a decisão final da justiça. Neste sentido há de se questionar a respeito da possibilidade de aplicação da multa de ofício e do juro de mora, uma vez que apesar de possível o lançamento pelo Fisco subsiste a suspensão da exigibilidade do crédito tributário. Sendo assim o voto da DRJ/BHE segue o seguinte entendimento (fl. 1.056 a 1.057): Dessa forma, apesar de pendente o julgamento final, concluise que a condição de suspensão da exigibilidade do crédito tributário mantémse inalterada, conforme trata o art. 151, IV do Código Tributário Nacional. Sendo assim, é de se concluir que o vertente caso recai na hipótese de inadmissibilidade da aplicação da multa de que trata o caput do art. 63 da Lei nº 9.430, de 1996, uma vez que se trata de constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, cuja exigibilidade encontra.se suspensa, tendo em vista o referido mandado de segurança. Todavia, cumpre esclarecer que, se a referida decisão vier a ser reformada favoravelmente à Fazenda Pública, resultará daí a inadimplência do sujeito passivo se tal valor não for recolhido. Assim, deixando de recolher o tributo amparado pela decisão, a qual venha posteriormente a perder eficácia, o §2º do art. 63 da Lei nº 9.430, de 1996, asseguralhe o direito de efetuar o recolhimento sem a incidência de multa de mora, no prazo de 30 dias da publicação da decisão judicial que concluir de modo desfavorável à contribuinte. Inferese daí que, por ser óbvio, se recolher o tributo nesse mesmo período, eximese também da multa de ofício. Portanto, essa deverá ser excluída do presente lançamento. Já no que tange a aplicação dos juros de mora o art. 161 do CTN deixa clara a necessária aplicação: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. (Grifouse). O Contribuinte alega, ainda, em sua impugnação pela nulidade do Auto de Infração e do lançamento nele efetuado. Porém a decisão da DRJ entende que os pressupostos processuais necessários para a validade do Auto de Infração foram observados e não concordam com a alegação do Contribuinte. Assim, por unanimidade, os membros da 1ª Turma de Julgamento da DRJ/BHE concluem: Diante do exposto, o presente voto é no sentido de deixar de apreciar o mérito na parte em que há identidade com a matéria submetida ao Poder Judiciário, e, no mais, considerar procedente em parte a impugnação para manter os valores principais Fl. 1109DF CARF MF Processo nº 15504.721848/201133 Acórdão n.º 3301003.217 S3C3T1 Fl. 1.110 8 lançados e exonerar a multa de ofício sobre eles aplicada, no caso R$1.806.743,01. Nesse sentido, entendo corretos os argumentos trazidos nos autos da decisão da DRJ/BHE, consubstanciados no Acórdão nº 0236.013, e consequentemente voto no sentido de manter tal entendimento. Portanto, face a legislação aplicável ao caso e a análise dos autos acolho os Embargos apresentados pela Procuradoria da Fazenda Nacional face ao Acórdão nº 3301 002.140 para suprir a omissão sem efeitos infringentes no sentido de que seja mantida a decisão da DRJ/BHE. Valcir Gassen Relator Fl. 1110DF CARF MF
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Numero do processo: 11040.001401/2008-92
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu May 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2003
DIRPF. DEDUÇÕES. COMPROVAÇÃO. REGULAMENTO DO IMPOSTO DE RENDA/RIR 1999.
Todas as deduções na base de cálculo do imposto previstas pela legislação estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decreto-Lei n° 5.844, de 1943, art. 11, § 3°).
DESPESAS MÉDICAS.
Poderão ser deduzidos os pagamentos referentes a despesas médicas efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, desde que comprovados mediante documentação hábil e idônea.
O recibo emitido por profissional da área de saúde, com observação das exigências estipuladas no artigo 80 do Regulamento do Imposto de Renda - RIR/1999, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, via de regra faz prova da despesa pleiteada como dedução na declaração de ajuste anual do imposto de renda, salvo quando, a juízo da Autoridade Lançadora, haja razões para que se apresentem documentos complementares, como dispõe o artigo 73 do mesmo Decreto.
DEPENDENTES
Poderão ser deduzidos como dependentes do declarante as pessoas descritas no art. 77, § 1º do RIR.
Numero da decisão: 2202-003.801
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente
(assinado digitalmente)
Cecilia Dutra Pillar - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar e Márcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: CECILIA DUTRA PILLAR
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DEDUÇÕES. COMPROVAÇÃO. REGULAMENTO DO IMPOSTO DE RENDA/RIR 1999. Todas as deduções na base de cálculo do imposto previstas pela legislação estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei n° 5.844, de 1943, art. 11, § 3°). DESPESAS MÉDICAS. Poderão ser deduzidos os pagamentos referentes a despesas médicas efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, desde que comprovados mediante documentação hábil e idônea. O recibo emitido por profissional da área de saúde, com observação das exigências estipuladas no artigo 80 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/1999, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, via de regra faz prova da despesa pleiteada como dedução na declaração de ajuste anual do imposto de renda, salvo quando, a juízo da Autoridade Lançadora, haja razões para que se apresentem documentos complementares, como dispõe o artigo 73 do mesmo Decreto. DEPENDENTES Poderão ser deduzidos como dependentes do declarante as pessoas descritas no art. 77, § 1º do RIR. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 04 0. 00 14 01 /2 00 8- 92 Fl. 120DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente (assinado digitalmente) Cecilia Dutra Pillar Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar e Márcio Henrique Sales Parada. Relatório Trata o presente processo de Notificação de Lançamento relativa ao Imposto sobre a Renda das Pessoas Físicas, decorrente de revisão da Declaração de Ajuste Anual do IRPF do exercício de 2004, ano calendário de 2003, em que foram glosados valores indevidamente deduzidos a título de despesas médicas (R$ 20.600,00) e dependentes (R$ 6.360,00), por falta de comprovação. A Notificação de Lançamento, fls. 05/09 dos autos digitais, motivou a glosa na falta de atendimento à intimação por parte do contribuinte. A ciência do lançamento foi feita por meio de edital, fls. 23/24, tendo em vista que a remessa pelos correios, endereçada à rua Marcilio Dias, 2950 apto 203, bairro Centro, Pelotas/RS, foi devolvida em 27/12/2007 com o motivo "Desconhecido" , fls. 21. O edital nº 0001/2008 esteve afixado no período de 26/05/2008 a 10/06/2008 na Delegacia da Receita Federal do Brasil em Pelotas/RS. A impugnação foi apresentada em 01/10/2008 (fls. 02/03) onde o contribuinte alegou ter tomado conhecimento de que havia sido notificado quando recebeu o aviso de cobrança, que já não permitia defesa. Diz não compreender o motivo porque não foi encontrado para receber a notificação pois seu endereço estava atualizado na base de dados da Receita Federal. Que a notificação de lançamento foi realizada em vista do não atendimento à intimação para apresentar documentos, intimação esta que jamais chegou a seu conhecimento. Que, embora a notificação de lançamento tenha sido emitida em 26/11/2007, há que se considerar tempestiva a impugnação. Anexa cópia de todas as deduções utilizadas na declaração para comprovar o acerto das informações, requerendo o reconhecimento das despesas médicas e dependentes indevidamente glosados. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre/RS, rejeitando a questão da tempestividade suscitada pelo contribuinte, não conheceu da impugnação por intempestiva Acórdão nº 1026.733, de 06/08/2010, fls. 40/44. Fl. 121DF CARF MF Processo nº 11040.001401/200892 Acórdão n.º 2202003.801 S2C2T2 Fl. 121 3 Irresignado o sujeito passivo interpôs recurso voluntário, fls. 47/49, alegando que lhe foi cerceado o direito de defesa, requerendo que seja considerada a sua impugnação e deferida a revisão das glosas efetuadas conforme os documentos entregues e apensados aos autos. Anexou cópia de sua DIRPF do exercício de 2007, ano calendário 2006, transmitida em 22/04/2007, para comprovar a informação correta quanto a seu endereço. O recurso voluntário foi apreciado pela Segunda Seção de Julgamento do CARF, cujos membros da 1ª Câmara/2ª Turma Ordinária, decidiram, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, cancelando a decisão recorrida e determinando que a Turma de Julgamento da DRJ apreciasse o mérito da impugnação, considerada tempestiva (Acórdão nº 2102002.004, fls. 54/57). Nos termos do despacho 13/2004, fls. 66, e tendo em vista que a Notificação de Lançamento foi emitida sem atendimento à Intimação, o processo foi encaminhado para análise da autoridade lançadora, conforme previsto na IN RFB nº 958/2009, art. 6ºA, acrescentado pela IN RFB nº 1.061/2010. A autoridade fiscal analisando os documentos apresentados, lavrou o Termo Circunstanciado nº 94 e o Despacho Decisório nº 103 (fls. 71/74), concluindo pela revisão do crédito tributário lançado, para aceitar a dedução de R$ 1.272,00 a título de dependentes e de R$ 330,00, de despesas médicas. O contribuinte teve ciência do Termo Circunstanciado e do Despacho Decisório em 11/09/2014, fls. 79, sendolhe concedido o prazo de trinta dias para manifestação. Dentro do prazo legal o interessado manifestouse (fls. 81/87) arguindo sinteticamente que: 1) desde sua impugnação busca essencialmente a reabertura do prazo para apresentação dos documentos originais, o que nunca lhe foi oportunizado. Logrou sucesso junto ao CARF cujo julgamento considerou irregular a intimação da malha fiscal, emitida ainda em 2008, reconhecendo ser incorreta a emissão de correspondência ao endereço antigo do contribuinte, cuja atualização no sistema da RFB já havia sido realizada por ocasião da entrega da declaração anual de ajuste do exercício de 2007. Teve cerceado seu direito de defesa cabendo à Receita Federal do Brasil conceder novo prazo para apresentação dos documentos; 2) a RFB analisou o mérito da impugnação apresentada mas não considerou que a mesma é apenas uma impugnação ao auto de lançamento e não a efetiva apresentação dos documentos exigidos pela malha fiscal. Entende que o lançamento é nulo por não ter havido a regular intimação para apresentação dos documentos comprobatórios das deduções efetuadas; 3) na impugnação teria juntado documentos meramente exemplificativos de seu direito, não podendo ser considerada como o próprio atendimento de malha fiscal. Muito embora reste inviável a análise do mérito do termo circunstanciado e do despacho decisório ante o inequívoco cerceamento de defesa, pelo qual o contribuinte não teve oportunidade de comprovar a veracidade, autenticidade e regularidade das despesas dedutíveis informadas na declaração de ajuste anual do ano calendário de 2003, passa a contestar os critérios adotados pela RFB, nos termos dos documentos citados: Fl. 122DF CARF MF 4 3.1) Dependentes que informou como dependentes seus pais, Edevar Rodrigues Machado e Hermínia Nunes Machado, que não possuíam qualquer rendimento no ano de 2003, estando sob sua dependência econômica. Além destes, a declaração foi entregue em conjunto com a então companheira, Carla Rosana Schiller, razão pela qual justifica a informação e dedução dos pais dela, Sr. Nelson Redu Schiller e Onilda Farri Schiller, que da mesma forma viviam sob dependência do contribuinte. A relação de dependência poderia ser comprovada por prova testemunhal; 3.1) Despesas médicas que os documentos juntados à impugnação foram meramente exemplificativos da existência dos pagamentos. Que possuía receitas médicas e outros documentos que permitem a identificação inequívoca do paciente tratado, e que, pela leitura atenta da legislação pertinente, a indicação do endereço do prestador de serviços demonstra ser um exagero, visto que a falta do recibo autoriza a comprovação da despesa médica e sua dedução da base de cálculo até mesmo pela apresentação da cópia do cheque utilizado para o pagamento. A 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre/RS, julgou improcedente a impugnação em conjunto com a manifestação do contribuinte, conforme acórdão de fls. 93/104, do qual se extrai: (...) Também afirma que “não teve, em momento algum, oportunidade de comprovar a veracidade, autenticidade e regularidade das despesas dedutíveis informadas na declaração anual de ajuste do imposto de renda relativa ao ano calendário de 2003 (...)”. Quanto às assertivas em referência, constatase que o contribuinte equivocase ao afirmar que a decisão proferida pelo CARF considerou irregular a intimação da malha fiscal. A decisão proferida em razão do recurso voluntário apresentado pelo contribuinte ao órgão de julgamento administrativo de 2ª instância (Acórdão nº 2102002.004, fls. 54/57), foi proferida nos seguintes termos: (...) Em julgamento, essa Turma considerou que o fato de ter havido um tempo muito grande, entre a intimação por inicial, encaminhada por via postal, em 10/12/2007 e a intimação por edital em 26/05/2008, não poderia a administração ter utilizado o endereço defasado pelo transcurso desses mais de 5 meses e nova consulta deveria ter sido feita no cadastro do contribuinte que na data do edital já tinha sido atualizado, em 12/04/2008, para nova intimação por via postal. CONCLUSÃO Pelo exposto, VOTO PELO PROVIMENTO DO RECURSO, para cancelar a decisão recorrida, determinando que a Turma de Julgamento da DRJ aprecie o mérito da impugnação, considerada aqui tempestiva. (sem grifos no original) Destacase, assim, da decisão supracitada, que o CARF cancelou o Acórdão de primeira instância administrativa para determinar o exame quanto ao mérito da impugnação apresentada pelo contribuinte, o que não significa ter considerado irregular a intimação da malha fiscal para apresentar documentos, conforme afirma o contribuinte. Fl. 123DF CARF MF Processo nº 11040.001401/200892 Acórdão n.º 2202003.801 S2C2T2 Fl. 122 5 Explicase: na data da intimação da Notificação de Lançamento ocorrida por meio do Edital n° 0001/2008, afixado no prédio da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Pelotas durante o período de 26/05/2008 a 10/06/2008, o endereço do contribuinte já estava atualizado junto à Receita Federal do Brasil desde 12/04/2008. Situação esta constata pelo CARF e motivadora do cancelamento da decisão recorrida. Situação idêntica não ocorre quanto à intimação para apresentação de documentos, já que, reiterese, a atualização de endereço do contribuinte junto à RFB, somente ocorreu posteriormente, em 12/04/2008, de acordo com o extrato de folha 20. Conforme se verifica nos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil, a primeira tentativa de intimação do interessado para apresentação de documentos (Termo de Intimação Fiscal nº 2004/61034011037101), foi realizada por via postal (Aviso de Recebimento nº 674876927), com data de postagem 15/03/2007, e endereçada à Rua Marcílio Dias, 2950, apto 203, Centro, CEP 96020480, Pelotas/RS, endereço este que coincidia, na data de postagem, com o constante dos sistemas da Receita Federal do Brasil. Digase, domicílio tributário indicado pelo contribuinte. A intimação por via postal foi devolvida em 27/03/2007, com o motivo “mudouse”. Resultando improfícua a intimação do interessado para apresentação de documentos, o contribuinte foi intimado a comparecer à unidade da RFB de sua jurisdição, para tomar ciência do Termo de Intimação Fiscal nº 2004/610340110371017, mediante o “Edital Malha Fiscal IRPF nº 00002” de 04 de setembro de 2007. O procedimento adotado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil está de acordo com o disposto no artigo 23 do Decreto 70.235/72, legislação que trata do processo administrativo fiscal e determina a intimação por edital quando resultar improfícuo um dos outros meios previstos na legislação, motivo pelo qual não pode ser aceita a alegação quanto à inexistência de regular intimação para apresentação dos documentos. Ademais, sendo válida a ciência do contribuinte quanto ao Termo de Intimação Fiscal nº 2004/61034011037101 para apresentar documentos, não há previsão legal que faculte seja o contribuinte novamente intimado para tanto. Destaquese, nesse ponto, que se tratando de Notificação de Lançamento emitida sem atendimento à Intimação, o processo foi encaminhado, antes do presente julgamento administrativo de primeira instância, para análise da autoridade lançadora quanto aos documentos apresentados e demais questões de fato integrantes da peça impugnatória, conforme disposto na Instrução Normativa RFB nº 958, de 15 de julho de 2009, art. 6 A, acrescido pela Instrução Normativa RFB nº 1.061, de 04 de agosto de 2010. Fl. 124DF CARF MF 6 Da análise da autoridade lançadora foi lavrado Termo Circunstanciado que resultou na revisão do lançamento para redução da exigência, sendo dada ciência ao contribuinte com abertura do prazo de trinta dias para manifestação acerca do conteúdo do Termo. Portanto, o sujeito passivo teve respeitado seu direito ao contraditório e ampla defesa. Também é de se ver que a descrição objetiva e precisa do conteúdo do Termo Circunstanciado afasta pretensas alegações de cerceamento de defesa, uma vez que o contribuinte teve conhecimento dos motivos que levaram a autoridade fiscal a não aceitar como comprovadas as deduções glosadas e a argumentação desenvolvida pelo contribuinte na manifestação de inconformidade apresentada em 10/10/2014 permite concluir que tais motivos foram compreendidos, tanto que contestados. Destaquese, assim, que após ter conhecimento da Notificação de Lançamento, foram concedidas duas oportunidades para o contribuinte comprovar a veracidade, autenticidade e regularidade das despesas dedutíveis informadas na declaração anual de ajuste do imposto de renda relativa ao ano calendário de 2003. Uma, por ocasião da impugnação; outra, por ocasião da lavratura do Termo Circunstanciado e do competente Despacho Decisório que reduziu a exigência. Concluise, portanto, que não podem ser aceitas as afirmações do impugnante relativas ao cerceamento do direito ao contraditório e ampla defesa. Da Dedução Indevida com Dependentes (...) Segundo o Termo Circunstanciado nº 94, item 2.1, na dedução relativa aos dependentes foi glosado, por ocasião da Notificação de Lançamento, o montante de R$ 6.360,00. Na impugnação examinada não foram anexados documentos comprobatórios da relação de dependência. Entretanto, a autoridade fiscal aceitou a dedução referente a Sra. Hermínia N. Machado (mãe do contribuinte de acordo com informação constante do Cadastro das Pessoas Físicas – CPF), no valor de R$ 1.272,00, sendo mantida a glosa referente aos demais. (...) Quanto aos argumentos apresentados, inicialmente destacase o fato de que o contribuinte teve oportunidade de comprovar a relação de dependência mediante prova documental, no caso não produzida. Todavia, sustenta que somente poderia fazer prova de suas alegações, mediante a oitiva de testemunhas e aduz que tal faculdade não lhe foi ofertada. Ocorre, no tocante à prova testemunhal, que inexiste previsão, no Processo Administrativo fiscal, para uma audiência de instrução em que sejam ouvidas testemunhas que o contribuinte porventura tenha a seu favor, sendo certo que eventuais testemunhos poderiam ter sido trazidos na forma de declarações escritas, para serem analisados em conjunto com demais provas. Fl. 125DF CARF MF Processo nº 11040.001401/200892 Acórdão n.º 2202003.801 S2C2T2 Fl. 123 7 (...) Destaquese, todavia, que a rigor sogro ou sogra não pode ser dependente do genro ou da nora para fins de dedução do imposto de renda, admitindose essa dedução apenas nos casos de declaração em conjunto, englobando os rendimentos auferidos pelo filho ou filha do sogro ou da sogra, de modo a justificar esse abatimento, e desde que estes (sogro ou sogra) não aufiram rendimentos, tributáveis ou não, superiores ao limite de isenção anual, nem estejam declarando em separado. O fato de a filha ser informada na declaração do cônjuge como dependente não permite que seus pais possam ser considerados dependentes do cônjuge declarante. Por outro lado, quando são oferecidos à tributação rendimentos de ambos os cônjuges, estes são declarantes e a declaração de ajuste anual é em conjunto, hipótese em que é admissível a inclusão de dependentes dos dois declarantes. A relação de dependência na verdade, segundo o art. 35, inciso VI, da Lei nº 9.250/1995, não trata de “sogro ou sogra do titular” mas de “pai e mãe do cônjuge que está declarando em conjunto com o titular” e que, portanto, tem direito à dedução de seus próprios genitores. No caso em concreto, na Declaração de Ajuste Anual/2004 revisada no procedimento fiscal, há exclusivamente rendimentos do impugnante, portanto tratase de declaração individual, na qual o cônjuge está incluído apenas como dependente, não se configurando uma declaração conjunta de rendimentos. Daí porque não há condição de se acatar a dedutibilidade dos sogros como dependentes do autuado, uma vez que a previsão legal é expressa em somente autorizar essa dedução aos pais do declarante. Da Dedução Indevida de Despesas Médicas (...) O contribuinte alega que é inadmissível a glosa das despesas médicas, tendo em vista que (a) a apresentação dos documentos juntamente com a impugnação foi meramente exemplificativa da existência dos pagamentos; (b) que juntamente com os recibos de pagamento possuía receitas médicas e outros documentos que permitem a identificação inequívoca do paciente tratado, e a indicação do endereço do prestador de serviços, o que a leitura atenta da legislação pertinente demonstra ser um exagero, visto que a falta do recibo autoriza a comprovação da despesa médica e sua dedução da base de cálculo até mesmo pela apresentação da cópia do cheque utilizado para o pagamento. Ocorre que a apresentação dos documentos juntamente com a impugnação não pode ser considerada como meramente exemplificativa da existência dos pagamentos. Isto porque segundo a norma legal que disciplina a matéria (artigos 15 e 16, inciso III, do Decreto nº 70.235/1972), a impugnação formalizada por escrito e instruída com os documentos em que Fl. 126DF CARF MF 8 se fundamentar, mencionará os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. Também cabe referir que na impugnação apresentada em 01/10/2008, fls. 02/03, o contribuinte requer a consideração das despesas glosadas, mediante a apreciação dos documentos anexados, que segundo afirma são “cópias fiéis de todas as deduções utilizadas na declaração de ajuste”. Vejase, ainda, que a documentação complementar a qual o contribuinte se refere também poderia ter sido apresentada quando da ciência do Termo Circunstanciado nº 94 e do Despacho Decisório, ou seja, quando teve conhecimento dos motivos que levaram a autoridade fiscal a não aceitar como comprovadas as deduções glosadas, sendolhe concedido o prazo de trinta dias para manifestação. A glosa das despesas médicas mantida decorre do fato de que os documentos apresentados para comproválas não contêm todos os requisitos exigidos pela legislação que rege a matéria, já que teve como fundamento os seguintes motivos: documento em nome de pessoa cuja relação de dependência com o declarante não foi comprovada; documento com ausência do endereço do prestador do serviço; documento com ausência de data e ausência da indicação do beneficiário do serviço. O contribuinte questiona os requisitos exigidos pela autoridade fiscal para que os documentos apresentados sejam considerados hábeis na comprovação das despesas médicas. Entretanto, não há dúvidas de que a dedução de despesas médicas, além de restringirse a pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, está condicionada ainda a que os pagamentos sejam especificados e comprovados com indicação do nome, endereço e CPF ou CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação de cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento. É o que estabelece o Regulamento do Imposto de Renda (artigo 80, parágrafo 1º, incisos II e III). Assim, em princípio, admitese como prova idônea de pagamentos os recibos fornecidos por profissional competente legalmente habilitado, desde que contenha os requisitos essenciais previstos em lei, ou, na falta desses, a indicação de cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento. Nesse ponto cabe observar que o contribuinte não apresentou qualquer cópia de cheque concernente às despesas glosadas. A legislação regente da matéria assim exige e, por conseguinte, devem ser observados pela autoridade fiscal (lançadora e julgadora), cuja atividade administrativa é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, a teor do disposto no art. 142, parágrafo único, do Código Tributário Nacional. Cientificado dessa decisão por via postal em 26/11/2014, (A.R. de fls. 108), o interessado apresentou Recurso Voluntário em 22/12/2014 (fls. 110/112), repisando os argumentos até então trazidos e argumentando que os documentos apresentados na impugnação Fl. 127DF CARF MF Processo nº 11040.001401/200892 Acórdão n.º 2202003.801 S2C2T2 Fl. 124 9 foram no sentido de provar que o endereço estava atualizado e que tinha o direito e ser intimado a apresentar os documentos e justificativas em atendimento da malha fiscal. Não pretendeu discutir o mérito da regularidade ou não das despesas, e sim a injustiça a que fora submetido, buscando a oportunidade de apresentação de suas provas em prazo a serlhe concedido via nova intimação. Alega que à época não dispunha sequer dos termos da intimação, não sabia sequer o que teria de apresentar, mas tão somente que o lançamento tributário realizado referiase à diferença com base na DIRPF do ano calendário de 2003. Não tinha condições de apresentar documentos outros pois impugnou o lançamento tributário e não especificamente as glosas de despesas pois sequer sabia o que estava sendo questionado na sua declaração. Requer a reforma do acórdão que julgou ineficazes os comprovantes das despesas dedutíveis utilizadas e que lhe seja designado novo prazo para apresentação de provas. É o Relatório. Voto Conselheira Cecilia Dutra Pillar, relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais formalidades legais, portanto dele conheço. Da alegação de Cerceamento de Defesa O recorrente alega desde que teve conhecimento da notificação de lançamento, que teria ocorrido cerceamento de defesa pois não foi cientificado da intimação para apresentação de documentos de malha fiscal, em momento anterior à constituição do crédito tributário. Afirma, também, que quando veio aos autos, não sabia sequer quais documentos teria de apresentar, por desconhecer o que estava sendo questionado na sua declaração. Com a máxima vênia, não lhe assiste razão. O fato de não ter sido chamado em momento anterior ao lançamento não lhe retirou nenhum direito, pois a partir da ciência do que lhe estava sendo imputado, teve prazo para impugnar, recorrer, se manifestar e, no caso, finalmente para apresentar este novo recurso. Em todas estas oportunidades ele poderia ter apresentado os documentos que alega possuir. Quando da apresentação da impugnação em 01/10/2008, o contribuinte tinha sim conhecimento do conteúdo da notificação de lançamento, pois historiou a forma como tomou ciência de que havia sido autuado, identificou o número da notificação e fez referência às deduções glosadas, além de ter, naquela oportunidade, juntado documentos pertinentes ao lançamento. Depois de cientificado da primeira decisão da DRJ, que não conheceu da impugnação por intempestiva, o contribuinte apresentou recurso. Após o acórdão do CARF que anulou a decisão de primeira instância e determinou a realização de novo julgamento, o processo foi apreciado pela DRF, emitido Fl. 128DF CARF MF 10 Despacho Decisório e cientificado ao contribuinte, com prazo para manifestação. E o contribuinte, usando de sua prerrogativa, manifestouse. Após a ciência da nova decisão da DRJ o contribuinte teve oportunidade de apresentar recurso voluntário e apresentou. Em todas estas oportunidades, mesmo ciente de quais foram as despesas glosadas em sua declaração, o contribuinte não se furtou a apresentar novas provas, complementares àquelas já trazidas quando da primeira impugnação. O pedido do recorrente para que lhe seja aberto novo prazo para apresentação de documentos e reiniciado o procedimento preparatório do lançamento não encontra respaldo na legislação. Nesta fase em que se encontra o processo, considerando as diversas reaberturas de prazo para manifestação do contribuinte, até mesmo quanto à análise e pertinência dos documentos apresentados em fase de impugnação, descabe o deferimento de solicitação de novo prazo. Ademais, no acórdão recorrido foi discorrido sobre a forma de cientificação do contribuinte quanto ao Termo de Intimação Fiscal nº 2004/610340110371017, ainda no ano de 2007, ocorrida de forma regular, por edital, e o recorrente nada contrapôs. O contencioso administrativo é instaurado com a impugnação do contribuinte ao lançamento. Até a fase da ciência da autuação, temse um procedimento administrativo de caráter inquisitorial ou preparatório, em que os princípios do contraditório e da ampla defesa são mitigados. Entendo que a falta de intimação prévia não causou prejuízo ao autuado, conforme acima largamente discorrido, não se vislumbrando o cerceamento de defesa vindicado. A desnecessidade de audiência prévia do contribuinte para adotar medidas legais obrigatórias por parte da Autoridade Administrativa já foi objeto de diversos julgados pelo Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, cujo entendimento se encontra sintetizado no acórdão cuja ementa adiante transcrevo: AUDIÊNCIA PRÉVIA DO CONTRIBUINTE – Sendo o procedimento de lançamento privativo da autoridade lançadora, não há qualquer nulidade ou sequer cerceamento do direito de defesa pelo fato de a fiscalização lavrar um auto de infração após apurar o ilícito, mesmo sem consultar o sujeito passivo ou sem intimálo a se manifestar, já que esta oportunidade é prevista em lei para a fase de contencioso administrativo (Ac. 1º CC nº 10310.196/1990 – DOU 24/07/1990). Assim, concluindose que a notificação de lançamento foi lavrada por autoridade administrativa plenamente vinculada, respeitando os devidos procedimentos fiscais previstos na legislação, e com a correta identificação do sujeito passivo da obrigação tributária, estão os mesmos norteados dentro do Princípio da Legalidade, respeitando o Art. 142 do CTN. Da Dedução de Dependentes O declarante afirma ter deduzido como seus dependentes, seus pais Edevar Rodrigues Machado e Hermínia Nunes Machado, que não possuíam qualquer rendimento no ano de 2003; sua companheira Carla Rosana Schiller, cuja declaração foi entregue em conjunto e também os pais de sua companheira, Nelson Redu Schiller e Onilda Farri Schiller, que da mesma forma viviam sob dependência do declarante. Fl. 129DF CARF MF Processo nº 11040.001401/200892 Acórdão n.º 2202003.801 S2C2T2 Fl. 125 11 Embora não exista nos autos qualquer comprovação da dependência, o acórdão recorrido aceitou a dedução como dependente apenas da mãe do declarante, por estar identificada com tal no Cadastro das Pessoas Físicas CPF. O Regulamento do Imposto de Renda RIR, aprovado pelo Decreto nº 3.000/1999, determina no art. 73 que todas as deduções deverão ser comprovadas e prevê em seu art. 77 quais as pessoas que podem ser consideradas dependentes do declarante, assim dispondo: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei n° 5.844, de 1943, art. 11, § 3°). (...) Art. 77. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida do rendimento tributável a quantia equivalente a noventa reais por dependente (Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso III). § 1º Poderão ser considerados como dependentes, observado o disposto nos arts. 4º, § 3º, e 5º, parágrafo único (Lei nº 9.250, de 1995, art. 35): I o cônjuge; II o companheiro ou a companheira, desde que haja vida em comum por mais de cinco anos, ou por período menor se da união resultou filho; III a filha, o filho, a enteada ou o enteado, até vinte e um anos, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; IV o menor pobre, até vinte e um anos, que o contribuinte crie e eduque e do qual detenha a guarda judicial; V o irmão, o neto ou o bisneto, sem arrimo dos pais, até vinte e um anos, desde que o contribuinte detenha a guarda judicial, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; VI os pais, os avós ou os bisavós, desde que não aufiram rendimentos, tributáveis ou não, superiores ao limite de isenção mensal; VII o absolutamente incapaz, do qual o contribuinte seja tutor ou curador. § 2º Os dependentes a que referem os incisos III e V do parágrafo anterior poderão ser assim considerados quando maiores até vinte e quatro anos de idade, se ainda estiverem cursando estabelecimento de ensino superior ou escola técnica de segundo grau (Lei nº 9.250, de 1995, art. 35, § 1º). Fl. 130DF CARF MF 12 § 3º Os dependentes comuns poderão, opcionalmente, ser considerados por qualquer um dos cônjuges (Lei nº 9.250, de 1995, art. 35, § 2º). § 4º No caso de filhos de pais separados, poderão ser considerados dependentes os que ficarem sob a guarda do contribuinte, em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente (Lei nº 9.250, de 1995, art. 35, § 3º). § 5º É vedada a dedução concomitante do montante referente a um mesmo dependente, na determinação da base de cálculo do imposto, por mais de um contribuinte (Lei nº 9.250, de 1995, art. 35, § 4º). O recorrente requer que todas as deduções declaradas sejam consideradas, porém não trouxe aos autos qualquer prova da união estável que afirma possuir, seja para justificar a declaração em conjunto e a informação da companheira como sua dependente, seja para possibilitar a dedução dos pais desta, caso não possuam rendimentos e/ou estejam desobrigados da apresentação de DIRPF. Também não justifica e nada comprova da relação de dependência de seu pai. Desta forma, não pode ser acolhido o pedido do contribuinte, mantendose a glosa dos dependentes conforme delineado no acórdão recorrido. Da Dedução de Despesas Médicas As despesas médicas cuja glosa foi mantida pela decisão recorrida, tiveram a glosa motivada no quadro de fls. 103, onde está informado que não podem ser aceitas ou por se tratar de despesa com o sogro do declarante, cuja relação de dependência não foi comprovada, ou porque o documento não contém o endereço do prestador dos serviços e/ou porque o documento apresentado não contém a indicação do beneficiário do serviço e/ou porque não há indicação da data do pagamento. A dedução de despesas médicas e de saúde na declaração de ajuste anual tem como fundamento legal os dispositivos do art. 8º da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, reproduzidos no artigo 80 do RIR que transcrevo: Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; Fl. 131DF CARF MF Processo nº 11040.001401/200892 Acórdão n.º 2202003.801 S2C2T2 Fl. 126 13 III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; (destaquei) (...) A decisão da DRJ está em consonância com o ordenamento jurídico, pois nos termos do incido III do parágrafo 1º, do art. 80 do RIR, a dedução de despesas médicas limita se a pagamentos especificados e comprovados, assim exigindo: Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). (...) II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento;(destaquei) Portanto, caberia ao contribuinte apresentar recibos de despesas médicas que contivessem todos os requisitos exigidos pela legislação. Os recibos apresentados (fls. 10 a 19) não contém o endereço dos prestadores dos serviços, não podendo ser aceitos para a comprovação das deduções pleiteadas. Assim, mantémse a glosa das despesas médicas conforme decidido no acórdão recorrido, pois os documentos juntados aos autos não contém o endereço dos prestadores dos serviços, conforme exigido pela legislação. CONCLUSÃO Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Cecilia Dutra Pillar Relatora Fl. 132DF CARF MF 14 Fl. 133DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.920359/2009-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2006
DATA DA COMPENSAÇÃO. VALORAÇÃO DOS CRÉDITOS E DÉBITOS.
Na compensação declarada pelo sujeito passivo, os créditos serão acrescidos de juros compensatórios e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais até a data da entrega da apresentação do PER/DCOMP, na forma da legislação de regência.
COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL. DATA DA APRESENTAÇÃO DA DCOMP
No caso de apresentação de DCOMP após o vencimento do tributo a ser compensado haverá acréscimos legais ao débito. A falta de equivalência entre o total de crédito e de débitos apontados como compensáveis, valorados na forma da legislação que rege a espécie, impõe a homologação apenas parcial da DCOMP apresentada pelo sujeito passivo.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-003.424
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa, Maria Eduarda e Valcir Gassen, que davam provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2006 DATA DA COMPENSAÇÃO. VALORAÇÃO DOS CRÉDITOS E DÉBITOS. Na compensação declarada pelo sujeito passivo, os créditos serão acrescidos de juros compensatórios e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais até a data da entrega da apresentação do PER/DCOMP, na forma da legislação de regência. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL. DATA DA APRESENTAÇÃO DA DCOMP No caso de apresentação de DCOMP após o vencimento do tributo a ser compensado haverá acréscimos legais ao débito. A falta de equivalência entre o total de crédito e de débitos apontados como compensáveis, valorados na forma da legislação que rege a espécie, impõe a homologação apenas parcial da DCOMP apresentada pelo sujeito passivo. Recurso Voluntário Negado.
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DCOMP TRANSMITIDA APÓS VENCIMENTO DO DÉBITO. Recorrente ESPN DO BRASIL EVENTOS ESPORTIVOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2006 DATA DA COMPENSAÇÃO. VALORAÇÃO DOS CRÉDITOS E DÉBITOS. Na compensação declarada pelo sujeito passivo, os créditos serão acrescidos de juros compensatórios e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais até a data da entrega da apresentação do PER/DCOMP, na forma da legislação de regência. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL. DATA DA APRESENTAÇÃO DA DCOMP No caso de apresentação de DCOMP após o vencimento do tributo a ser compensado haverá acréscimos legais ao débito. A falta de equivalência entre o total de crédito e de débitos apontados como compensáveis, valorados na forma da legislação que rege a espécie, impõe a homologação apenas parcial da DCOMP apresentada pelo sujeito passivo. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa, Maria Eduarda e Valcir Gassen, que davam provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 92 03 59 /2 00 9- 37 Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10880.920359/200937 Acórdão n.º 3301003.424 S3C3T1 Fl. 3 2 d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório A recorrente acima qualificada apresentou Declaração de Compensação pleiteando a compensação de débitos referentes a impostos e contribuições administrados pela SRF, com créditos de PIS (código de receita 8109), decorrentes de pagamento supostamente indevido ou a maior. Por meio do Despacho Decisório emitido pela DERATSP, a compensação declarada foi homologada parcialmente, sob o fundamento de que constatouse a procedência do crédito original informado no PER/DCOMP, reconhecendose o valor do crédito pretendido. Entretanto, o crédito reconhecido revelouse insuficiente para quitar os débitos informados no PER/DCOMP. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, tempestivamente, alegando, em síntese, que: a) O valor original utilizado para a compensação, foi recolhido no mesmo prazo de vencimento dos créditos tributários compensados; b) Assim, não se apropriou de juros pela taxa Selic sobre os valores declarados no PER/DCOMP, e não imputou multa e juros sobre os créditos tributários compensados, pois são do mesmo período de apuração; c) Faz planilha para comparação dos períodos de apuração e datas de vencimento. d) Tratase de evidente cobrança equivocada, e apresenta como provas as cópia dos documentos relativos aos lançamentos contestados e a procuração de nomeação do representante legal que assina a manifestação de inconformidade; e) Demonstrada a insubsistência e improcedência do processo, requer seja cancelado o processo reclamado. A DRJ/SP1 indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 16038.226. O fundamento adotado foi o de que, na compensação declarada pelo sujeito passivo, os créditos são acrescidos de juros compensatórios e os débitos sofrem a incidência de acréscimos legais até a data da entrega do PER/DCOMP, na forma da legislação de regência. A recorrente repetiu os argumentos da impugnação no recurso voluntário. É o relatório. Voto Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10880.920359/200937 Acórdão n.º 3301003.424 S3C3T1 Fl. 4 3 Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.231, de 28 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10880.667966/200963, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.231): "O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. Constatase que a controvérsia do processo permanece a mesma desde a 1ª instância, com a contribuinte alegando que o DARF utilizado como pagamento a maior para a compensação foi pago dentro do prazo de vencimento do tributo e por isso, não se conformando com a cobrança de acréscimos legais no momento da efetiva compensação. Entretanto, como veremos adiante, o valor do crédito foi insuficiente para quitar o débito, em função dos acréscimos legais ao débito compensado, atualizados até a data da apresentação do PER/DCOMP, em virtude do atraso entre seu vencimento e a formalização da compensação. A DCOMP em tela, foi formalizada pela interessada para compensar débito de COFINS – não cumulativa (código de receita 5856), vencido em 15/06/2004, com créditos de COFINS (código de receita 2172), cuja data de arrecadação foi 15/06/2004. De acordo com o Despacho Decisório emitido pela DERAT/SP, constatouse a procedência do crédito original informado no PER/DCOMP. No entanto, o mesmo foi insuficiente para quitar os débitos informados em consequência da data de apresentação da DCOMP, e por este motivo a compensação foi homologada parcialmente. A recorrente alega que o valor original utilizado para a compensação foi recolhido no mesmo prazo de vencimento dos créditos tributários compensados, e sendo assim, não poderia haver multa e juros sobre os referidos créditos, pois são do mesmo período de apuração. Como bem dito no acórdão recorrido, a contribuinte equivocouse em relação à forma de valoração do crédito e do débito que informou em sua declaração de compensação, ao não efetuar os cálculos relativos aos acréscimos legais, o que gerou um saldo devedor, e consequentemente, a homologação parcial da compensação. Constatase que a data do envio do PER/DCOMP é quando se formaliza a extinção do débito por compensação, de acordo com o que dispõe a Lei nº 9.430/1996, abaixo transcrita: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10880.920359/200937 Acórdão n.º 3301003.424 S3C3T1 Fl. 5 4 administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (...) Portanto, a extinção do débito por compensação ocorre na data de envio do PER/DCOMP. No caso concreto, a interessada enviou a PER/DCOMP em 21/01/2007 para compensar débito cujo vencimento se deu em 15/06/2004, portanto, é fato que o débito já estava vencido quando foi extinto pela compensação. Assim, partir da data do vencimento passaram a incidir sobre o débito os acréscimos legais, quais sejam, multa de mora e juros, nos termos do artigo 61 da Lei 9.430/1996, abaixo transcrito: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º. A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º. O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º. Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. No recurso voluntário, a recorrente repete o argumento de que o pagamento utilizado para a compensação foi realizado no mesmo prazo de vencimento do débito compensado, mas tal fato não a socorre, pois a utilização do crédito tributário ocorre apenas com a apresentação do PER/DCOMP, que ocorreu após o vencimento do débito compensado. Assim, cumpre transcrever o artigo 28 da IN SRF nº 600/2005, em vigor à época da transmissão do PER/DCOMP: Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10880.920359/200937 Acórdão n.º 3301003.424 S3C3T1 Fl. 6 5 Art. 28. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão valorados na forma prevista nos arts. 52 e 53 e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação. § 1º A compensação total ou parcial de tributo ou contribuição administrados pela SRF será acompanhada da compensação, na mesma proporção, dos correspondentes acréscimos legais. (...) Logo, os débitos vencidos, vinculados a PER/DCOMP, serão acrescidos de multa de mora, calculada a partir do primeiro dia subsequente à data de vencimento até a data da entrega do PER/DCOMP, quando se formaliza a compensação; bem como sofrerão a incidência de juros referentes à taxa SELIC, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Em relação aos créditos utilizados na compensação, as regras para valoração vigentes à época da transmissão do PER/DCOMP estão contidas no artigo 52 da IN SRF nº 600/2005, também transcrita: Art. 52. O crédito relativo a tributo ou contribuição administrados pela SRF, passível de restituição, será restituído ou compensado com o acréscimo de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic) para títulos federais, acumulados mensalmente, e de juros de 1% (um por cento) no mês em que: (...) II – houver a entrega da Declaração de Compensação; (...) § 1º No cálculo dos juros Selic de que trata o caput, observarseá, como termo inicial de incidência: (...) III – na hipótese de pagamento indevido ou a maior: a) o mês de janeiro de 1996, se o pagamento tiver sido efetuado antes de 1º de janeiro de 1996; b) a data da efetivação do pagamento, se este tiver sido efetuado entre 1º de janeiro de 1996 e 31 de dezembro de 1997; ou c) o mês subseqüente ao do pagamento, se este tiver sido efetuado após 31 de dezembro de 1997; Por isso, foi apurado o saldo devedor indicado no Despacho Decisório e a compensação foi parcialmente homologada. Portanto, não se está desprezando o princípio da verdade material e nem está havendo enriquecimento sem causa do Fisco, como alega a recorrente. Simplesmente, está sendo cobrado o atraso entre a Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10880.920359/200937 Acórdão n.º 3301003.424 S3C3T1 Fl. 7 6 data do vencimento do tributo e o seu necessário pagamento, que, no caso em tela, deuse no momento da apresentação da DCOMP. Assim, tendo em vista tudo o acima exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo a DCOMP foi transmitida em data posterior à do vencimento do(s) débito(s) compensado(s). Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 110DF CARF MF
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Numero do processo: 10865.900284/2008-85
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Mar 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001
RESTITUIÇÃO - INEXISTÊNCIA DE PRESCRIÇÃO AQUISITIVA E DE DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO PERQUIRIR DIREITO CREDITÓRIO
O evento da decadência veda as atividades inerentes ao ato de lançamento, no que toca à verificação da ocorrência do fato gerador, à determinação da matéria tributável, ao cálculo do montante do tributo devido, etc.
Deste modo, realmente não há que se pensar em adição de receitas omitidas, glosa de despesas, alteração em coeficientes de apuração ou alíquota, etc.
Mas o que se discute especificamente neste processo é a legitimidade do indébito a ser restituído/compensado, e, para isso, considero perfeitamente possível averiguar a efetiva ocorrência dos pagamentos que o geraram, notadamente pelo fato do Fisco está dentro do quinquídio legal para análise do pedido de compensação formulado pelo contribuinte, nos termos do §5º, do art.74 da Lei n.º 9.430/96.
COMPENSAÇÃO - ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO E/OU PEDIDO
Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração e/ou pedido, deve a verdade material prevalecer sobre a formal.
IRPJ. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ESTIMATIVA MENSAL. RECONHECIMENTO COMO SALDO NEGATIVO. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE
As estimativas mensais, quer calculadas sobre base estimada, quer a partir de balanços ou balancetes de suspensão ou redução, não são extintivas do crédito tributário, vez que constituem mera antecipação do tributo a ser apurado ao final do ano-calendário.
Dessa forma, sendo mera antecipação, não há que se falar em pagamento indevido ou a maior passível de repetição. Assim, trataremos o presente caso como compensação de saldo negativo do IRPJ, pois o mero erro formal do Contribuinte em indicar nos PER/DCOMP os recolhimentos individuais de estimativa em vez de indicar o saldo negativo formado pelo conjunto destas mesmas estimativas, não é fator impeditivo do reconhecimento do seu direito creditório como tal (saldo negativo), razão pela qual também há que se negar a incidência de juros de mora a partir do pagamento indevido, mas sim a partir de 1 de janeiro de 2002.
Numero da decisão: 1302-002.025
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR a preliminar de decadência suscitada, e, no mérito, em DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO - Presidente.
(assinado digitalmente)
MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA - Relator.
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Rogério Aparecido Gil, Júlio Lima Souza Martins (Suplente Convocado), Talita Pimenta Félix e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 RESTITUIÇÃO INEXISTÊNCIA DE PRESCRIÇÃO AQUISITIVA E DE DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO PERQUIRIR DIREITO CREDITÓRIO O evento da decadência veda as atividades inerentes ao ato de lançamento, no que toca à verificação da ocorrência do fato gerador, à determinação da matéria tributável, ao cálculo do montante do tributo devido, etc. Deste modo, realmente não há que se pensar em adição de receitas omitidas, glosa de despesas, alteração em coeficientes de apuração ou alíquota, etc. Mas o que se discute especificamente neste processo é a legitimidade do indébito a ser restituído/compensado, e, para isso, considero perfeitamente possível averiguar a efetiva ocorrência dos pagamentos que o geraram, notadamente pelo fato do Fisco está dentro do quinquídio legal para análise do pedido de compensação formulado pelo contribuinte, nos termos do §5º, do art.74 da Lei n.º 9.430/96. COMPENSAÇÃO ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO E/OU PEDIDO Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração e/ou pedido, deve a verdade material prevalecer sobre a formal. IRPJ. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ESTIMATIVA MENSAL. RECONHECIMENTO COMO SALDO NEGATIVO. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE As estimativas mensais, quer calculadas sobre base estimada, quer a partir de balanços ou balancetes de suspensão ou redução, não são extintivas do crédito tributário, vez que constituem mera antecipação do tributo a ser apurado ao final do anocalendário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 02 84 /2 00 8- 85 Fl. 3296DF CARF MF Processo nº 10865.900284/200885 Acórdão n.º 1302002.025 S1C3T2 Fl. 3.297 2 Dessa forma, sendo mera antecipação, não há que se falar em pagamento indevido ou a maior passível de repetição. Assim, trataremos o presente caso como compensação de saldo negativo do IRPJ, pois o mero erro formal do Contribuinte em indicar nos PER/DCOMP os recolhimentos individuais de estimativa em vez de indicar o saldo negativo formado pelo conjunto destas mesmas estimativas, não é fator impeditivo do reconhecimento do seu direito creditório como tal (saldo negativo), razão pela qual também há que se negar a incidência de juros de mora a partir do pagamento indevido, mas sim a partir de 1 de janeiro de 2002. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR a preliminar de decadência suscitada, e, no mérito, em DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Presidente. (assinado digitalmente) MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA Relator. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Rogério Aparecido Gil, Júlio Lima Souza Martins (Suplente Convocado), Talita Pimenta Félix e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Por bem sintetizar o processo, adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto SP a seguir transcrito: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciada Declaração de Compensação (PER/DCOMP), por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar Fl. 3297DF CARF MF Processo nº 10865.900284/200885 Acórdão n.º 1302002.025 S1C3T2 Fl. 3.298 3 débitos de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJ estimativa, código de arrecadação 2362), concernente ao período de apuração 03/2001. Por despacho decisório, não foi reconhecido direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, não homologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que os pagamentos informados foram integralmente utilizados para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese, de acordo com suas próprias razões: que seria nulo o despacho decisório recorrido por ausência de fundamentação e motivação do indeferimento do pedido, com afronta a dispositivos legais e constitucionais; que os dados sobre o alegado crédito foram devidamente informados em PER/DCOMP, não havendo razão para o indeferimento do pedido sob alegação de que os valores são inexistentes; que os dados sobre o alegado crédito foram devidamente informados em PER/DCOMP, não havendo razão para o indeferimento do pedido sob alegação de que os valores são inexistentes; que caberia as autoridades fiscais diligenciar junto à empresa para averiguar os valores informados em PER/DCOMP, em observância ao princípio da verdade material e as disposições constitucionais que regem a administração pública; que “a simples declaração da existência de um crédito a ser restituído e/ou compensado com outros débitos administrados pela Receita Federal já é suficiente para que a fiscalização federal utilize todos os meios hábeis para comprovar a veracidade do pedido do contribuinte, em especial a comprovação da existência de um crédito tributário”; Fl. 3298DF CARF MF Processo nº 10865.900284/200885 Acórdão n.º 1302002.025 S1C3T2 Fl. 3.299 4 Ao final requer seja julgada procedente a Manifestação de Inconformidade, anulando o despacho decisório recorrido e restabelecidas as compensações efetuadas. Como mencionado, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP manteve a negativa em relação à compensação, na conformidade da ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 DCOMP. CRÉDITO. INDEFERIMENTO. Pendente, nos autos, a comprovação do crédito indicado na declaração de compensação formalizada, impõese o seu indeferimento. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em sua decisão, a Delegacia de Julgamento afirmou que as estimativas mensais não poderiam caracterizar pagamento a maior passível de compensação, dada a sua Fl. 3299DF CARF MF Processo nº 10865.900284/200885 Acórdão n.º 1302002.025 S1C3T2 Fl. 3.300 5 natureza de mera antecipação. Contudo, entendeu que deveria examinar eventual apuração, pela Contribuinte, de saldo negativo de IRPJ no período em questão (2001), já que este poderia indicar a existência de crédito líquido e certo passível de compensação. Nesse contexto, fez uma série de considerações e enumerou requisitos para a caracterização de saldo negativo a ser restituído/compensado, firmando que a Contribuinte não havia apresentado qualquer documentação em sua peça impugnatória. Inconformada com a decisão de primeira instância administrativa, da qual tomou ciência em 28/07/2010, a Contribuinte apresentou em 26/08/2010 o recurso voluntário de fls. 48 a 65, com os argumentos abaixo: DOS FATOS Em virtude das antecipações efetuadas a título de imposto de renda durante o anocalendário 2001, ao final do exercício a Recorrente apurou saldo negativo de IRPJ, razão pela qual decidiu solicitar a restituição/compensação dos valores pagos a maior, por meio da transmissão de diversas Declarações de Compensação utilizando o indigitado crédito (Doc. 03); DA PROVA Inicialmente, importante destacar a necessidade do conhecimento dos documentos acostados ao presente recurso voluntário que atestam a legitimidade do crédito proveniente da apuração de saldo negativo de IRPJ no exercício de 2001 (Doc. 04 – DARF´s; Doc. 05 DIPJ/2001; e Doc. 06 LALUR/2001), em obediência ao princípio da verdade material que norteia o procedimento administrativo fiscal federal; É imperioso o conhecimento do presente recurso voluntário e a análise dos argumentos expostos, que indubitavelmente acarretarão no reconhecimento integral dos créditos de IRPJ e, por consectário, na extinção dos débitos compensados; Fl. 3300DF CARF MF Processo nº 10865.900284/200885 Acórdão n.º 1302002.025 S1C3T2 Fl. 3.301 6 Ainda que a existência do crédito não tenha sido comprovada quando da apresentação da Manifestação de Inconformidade, em razão da necessidade de se observar o princípio da verdade material, a Recorrente pode fazêlo neste momento sem prejuízos; DO DIREITO DO CRÉDITO PLEITEADO A Recorrente adotava a sistemática de apuração do IRPJ por estimativa mensal, tendo efetuado pagamentos estimados no decorrer do ano calendário de 2001 (vide doc. 04) e, com o fechamento de seu balanço contábil, verificou o pagamento a maior do referido tributo, gerando, desta forma, o denominado saldo negativo (vide doc. 05); Referida sistemática encontra respaldo no artigo 6°, § 1°, inciso II, da Lei n° 9.430/96; Da análise dos documentos fiscais acostados pela Recorrente é possível constatar a apuração do saldo negativo de IRPJ no importe de R$ 140.283,14 vide doc. 05 DIPJ/2001), sendo certo que esse crédito é suficiente para liquidar o débito debatido no presente procedimento administrativo, bem como todos os demais débitos extintos com a utilização do referido saldo negativo através da transmissão de PER/DCOMP's; A Recorrente possuía um crédito no valor de R$ 140.283,14, o qual foi corretamente utilizado para quitar débitos administrados pela Receita Federal do Brasil; Inclusive, remanesceu em favor do Recorrente saldo credor de R$ 40.887,18, mesmo após ter efetuado as compensações supra mencionadas; Em que pese a Recorrente tenha informado nas PER/DCOMP's o valor dos recolhimentos por estimativa, e não o saldo negativo, é certo que esse procedimento não fulmina a existência do seu crédito tributário; Da análise dos documentos fiscais acostados ao recurso, e principalmente da DIPJ/2001 e das guias DARF´s, é visível que todos os recolhimentos mensais Fl. 3301DF CARF MF Processo nº 10865.900284/200885 Acórdão n.º 1302002.025 S1C3T2 Fl. 3.302 7 por estimativa (vide docs. 04 e 05) geraram recolhimentos a maior, os quais são passíveis de compensação; O crédito utilizado pela Recorrente é líquido e certo, não havendo razão para a manutenção do indeferimento da presente compensação, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional e artigo 74 da Lei n° 9.430/96; Diante da comprovação da existência do saldo negativo de IRPJ através da DIPJ anocalendário 2001, não obstante o preenchimento do PER/DCOMP tenha sido efetuado com o valor do IRPJ recolhido por estimativa, não há razão para o não reconhecimento do direito creditório pleiteado; Um simples vício formal não tem o condão de extinguir o direito da Recorrente, mesmo porque a Receita Federal do Brasil, através de seu banco de dados, tem como verificar os valores efetivamente recolhidos a título de IRPJ; A D. Autoridade Julgadora, por ter todas as informações em seu sistema, poderia ter verificado a sua existência, ou ter intimado a Recorrente a apresentar documentos capazes de comprovar o crédito, não podendo simplesmente indeferir o pleito da Recorrente; A simples ocorrência de erro formal não macula a existência do crédito apurado em decorrência dos recolhimentos a maior efetuados pela Recorrente no anocalendário de 2001 a título de IRPJ; Tendo em vista que no caso em tela o crédito pleiteado decorre de recolhimentos efetuados a maior, devidamente comprovados através do saldo negativo apurado no anocalendário 2001 (vide docs. 04 e 05), e compensados dentro do prazo legal, é de rigor o reconhecimento do direito creditório pleiteado pela Recorrente, com a consequente extinção do débito compensado; DA DECADÊNCIA Fl. 3302DF CARF MF Processo nº 10865.900284/200885 Acórdão n.º 1302002.025 S1C3T2 Fl. 3.303 8 Cabe destacar, ainda, que no caso em tela o crédito de IRPJ apurado no anocalendário 2001 não pode ser objeto de questionamento por parte das autoridades fiscais, em razão da decadência; O saldo negativo apurado em 2001 foi homologado tacitamente em 2007, extinguindose o direito do Fisco de discutir o crédito compensado, nos termos do artigo 150, § 4°, do Código Tributário Nacional; Sendo o IRPJ um tributo sujeito ao lançamento por homologação, o contribuinte apura o valor do tributo, o declara e efetua o pagamento do montante que considera devido, sendo certo que no caso em discussão, a Recorrente ao invés de apurar saldo devedor de IRPJ, no final do exercício de 2001, apurou crédito, o qual foi devidamente discriminado na DIPJ ano calendário 2001; Assim, caberia ao Fisco o dever de fiscalizar os procedimentos adotados pelo contribuinte, e realizar o lançamento das eventuais diferenças apuradas dentro do quinquídio legal; Uma vez que o saldo negativo apurado pela Recorrente nunca foi alvo de contestação pela D. Autoridade Fiscal, é certo que as informações declaradas na DIPJ do anocalendário 2001 encontramse homologados, ainda que tacitamente; O saldo negativo apurado pela Recorrente no ano de 2001 foi tacitamente homologado em 2007, com a consequente ausência do direito da D. Autoridade Fiscal em discordar da compensação efetuada pela Recorrente; A decisão administrativa proferida em 24/04/2008 é manifestamente extemporânea, haja vista que o ano de 2007 o saldo negativo de IRPJ não era mais passível de glosa por parte da D Autoridade Fiscal. Exatamente nesse sentido é a jurisprudência firmada por este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (decisões transcritas); E nem que se diga que a DIPJ retificadora, transmitida em 08/03/2004, tenha alterado o marco inicial para o decurso do prazo decadencial, haja Fl. 3303DF CARF MF Processo nº 10865.900284/200885 Acórdão n.º 1302002.025 S1C3T2 Fl. 3.304 9 vista que, como consabido, o prazo decadencial não é interrompido ou suspenso. Além disso, a referida declaração não alterou a composição do saldo negativo apurado originalmente no anocalendário de 2001; Contandose o prazo de 5 (cinco) anos previsto no artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional, a apuração do saldo negativo referente ao ano de 2001, utilizado para a quitação de tributos administrados pela Receita Federal do Brasil, foi tacitamente homologado no ano de 2007, motivo pelo qual, mais uma vez, devem ser reconhecidas como legítimas as compensações efetuadas pela Recorrente; DO PEDIDO A Recorrente solicita seja o presente recurso conhecido e provido para que seja reconhecido o direito creditório pleiteado, bem como para que sejam homologadas as compensações efetuadas. Vindo os autos para julgamento por este Egrégio Conselho, o mesmo foi convertido em diligência para esclarecer os seguintes pontos (174/180), litteris: Contudo, devido a não determinação pela origem da validade das provas juntadas neste recurso, bem como, da possível necessidade de outros elementos para sua configuração, é de se encaminhar os autos à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Limeira/SP, para que aquela unidade, à luz dos documentos contábeis e fiscais apresentados pela recorrente e de outros que se entenda necessários apure, seu direito ao crédito e homologue a compensação até o limite da disponibilidade do crédito. Realizada a diligência, deve ser elaborado relatório circunstanciado, do qual deve ser dado ciência à recorrente para sua manifestação, se do seu interesse, no prazo de 30 (trinta dias). Após, retornemse os autos. Em resposta à diligência que lhe foi demandada pelo CARF, a DRF/Limeira/SP prestou a Informação Fiscal de efls. 183/188, com os seguintes enxertos: Fl. 3304DF CARF MF Processo nº 10865.900284/200885 Acórdão n.º 1302002.025 S1C3T2 Fl. 3.305 10 Trata este processo de recurso apresentado contra a não homologação da compensação declarada no documento n.º 0554.90266.130504.1.7.041479, retificador do documento n.º 19851.53731.150404.1.3.043390, em que houve a utilização do pagamento do IRPJ devido por estimativa no mês de março de 2001, no valor de R$ 27.375,82, para compensação do IRPJ apurado no 4ª trim/2002. A não homologação foi decorrente da utilização integral do pagamento para quitação do débito correspondente e foi mantida pela Delegacia de Julgamento. Na análise do recurso, o CARF baixou o processo para diligência com base nas seguintes premissas: [...] Notese que ele determina que haja uma lei que estabeleça as condições e garantias para que a compensação ocorra e que o crédito seja líquido e certo. No caso de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, desde a edição da Lei n.º 9.430, de 27 de dezembro de 1996, o instituto da compensação é regido por aquela lei e a leitura atenta daquele artigo já afasta a premissa de que não há requisitos formais para a compensação: [...] O parágrafo primeiro é bem claro ao determinar que a compensação seja feita por meio de declaração de compensação e que esta deverá conter as informações sobre o crédito, de forma que o entendimento de que um crédito pode ser trocado por outro afronta o texto da lei. No presente caso, foi analisado apenas parte do pagamento da estimativa de IRPJ do mês de março de 2001, enquanto que para a apuração do saldo negativo tem que ser verificadas as estimativas de todos os outros meses. Além disso, o contribuinte utilizou parte deste mesmo pagamento para compensação na declaração de compensação n.º 32542.00828.150604.1.3.043050 a qual Fl. 3305DF CARF MF Processo nº 10865.900284/200885 Acórdão n.º 1302002.025 S1C3T2 Fl. 3.306 11 também se encontra em discussão no CARF, no processo 10865.900233/200853, que está com outro julgador: [...] Ora, se este julgador converte o pagamento indevido em saldo negativo de IRPJ e o outro julgador também o faz, isto por si só já caracteriza o risco de se duplicar indevidamente o crédito, o que lança dúvidas se este procedimento está correto. [...] Em consulta aos sistemas da RFB, verificouse que os processos elencados pelo contribuinte se referem todos a declarações de compensação com utilização de pagamentos indevidos de estimativas de IRPJ do ano calendário de 2001 e não de saldo negativo de IRPJ: [...] A quantidade de processos só agrava o risco levantado no item anterior, pois dificilmente os processos serão distribuídos para o mesmo julgador, como realmente não foram e, ainda que assim fosse, este teria que juntar todos eles numa única análise e cada documento pode chegar ao CARF em momentos distintos e dependendo do valor sequer vão para as turmas especiais. Mantido o entendimento de converter pagamento indevido de estimativa em saldo negativo, um crédito total de R$ 196.334,11, que sequer existe, pode se transformar em R$1.543.114,54 (140.283,14 X11), sem contar o valor que já foi utilizado para compensação homologada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e para o qual logicamente não houve interposição de recurso e o risco de que o verdadeiro saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2001 já ter sido utilizado para compensações não informadas à RFB, pois somente a partir da Lei n.º 10.637, de 30 de dezembro de 2002 é que houve esta exigência. [...] Fl. 3306DF CARF MF Processo nº 10865.900284/200885 Acórdão n.º 1302002.025 S1C3T2 Fl. 3.307 12 Claro está que existe sim uma fase probatória específica no âmbito do contencioso administrativo da Secretaria da Receita Federal do Brasil e a Administração está a ele vinculado pelo princípio da legalidade. O entendimento proferido pelo Carf demonstra desconhecimento das normas que regem o processo administrativo no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil ou deveria afastar a aplicação de seu artigo 16 por ilegalidade, prerrogativa exclusiva do Superior Tribunal de Justiça, ou seja, o Carf também está impedido de assim proceder. [...] Ora, não tem sentido a Secretaria da Receita Federal do Brasil importunar contribuintes com intimações inoportunas para que ele confirme se o crédito que ele pediu realmente é aquele, pois partese do princípio de que o contribuinte sabe o que está fazendo. Devese sempre premiar a celeridade e a Secretaria da Receita Federal do Brasil vem trabalhando neste sentido, eximindo o contribuinte de comparecer a suas unidades para protocolar documentos toda vez que ele quer fazer uma compensação, trata os documentos de forma eletrônica e somente vai intimálo quando houver um fato relevante que o justifique. Isto só vem enfatizar mais uma vez a importância de o contribuinte informar corretamente o tipo de crédito que pretende pleitear e evidencia mais uma vez a temeridade de se alterar o tipo de crédito. [...] Desta forma, a DRF/Limeira está impedida de reconhecer qualquer direito creditório ou homologar compensação, por falta de competência e ainda que se propusesse a atender o quanto solicitado, seria inócuo, pois seu ato seria nulo, nos termos do artigo 59 da Decreto n.º 70.235/1972: [...] Em síntese, a DRF/Limeira/SP registra: Fl. 3307DF CARF MF Processo nº 10865.900284/200885 Acórdão n.º 1302002.025 S1C3T2 Fl. 3.308 13 que a decisão do CARF implica na concomitância de pedidos do mesmo crédito; que a decisão do CARF em converter a compensação de estimativa em compensação de saldo negativo é temerária e; que o pagamento de estimativa não pode ser convertido em saldo negativo. Diante destes comentários, a DRF/Limeira devolveu o processo ao CARF, para que este órgão se manifeste sobre a manutenção de seu entendimento. Em nova resolução expedida pelo CARF (fls.190/197), processo foi baixado novamente em diligência, para que a unidade preparadora atenda ao já demandado na Resolução nº 1802000.300, proferida por esta 2ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento do CARF em 06/08/2013. Baixado os autos novamente em diligência, foi produzido relatório circunstanciado pela Delegacia da Receita Federal de Limeira/SP, aduzindo, resumidamente, o seguinte (fls. 3262/3266): 2 O valor do saldo negativo de IRPJ é de R$ 140.283,14, mas o crédito utilizado pelo contribuinte para compensação limitouse ao valor do pagamento, esclarecendo que não foi utilizado o pagamento de R$ 106,87, feito para o mês de maio de 2001: Fl. 3308DF CARF MF Processo nº 10865.900284/200885 Acórdão n.º 1302002.025 S1C3T2 Fl. 3.309 14 3 Não há previsão legal para restituição de ofício. Portanto o crédito original a ser reconhecido na totalidade dos processos não pode ser superior a R$ 94.185,13. Intimada do relatório de diligência, a recorrente pleiteia que seja homologada a sua PERDCOMP tendo em visto o reconhecimento na integralidade do valor do seu saldo negativo de IRPJ no montante de R$ 140.283,14. É o relatório. Voto Conselheiro MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA O presente Recurso Voluntário foi apresentado em conformidade com o que dispõe o art. 33, do Decreto 70.235/72, portanto, dele conheço. Quanto ao argumento da decadência trazido pela recorrente, entendemos que não é aplicável ao caso vertente. É certo que após o transcurso do prazo decadencial, não pode o Fisco realizar procedimento fiscal visando modificar a base de cálculo do tributo, seja para exigir débitos, ou para reverter/reduzir prejuízo fiscal. O evento da decadência veda as atividades inerentes ao ato de lançamento, no que toca à verificação da ocorrência do fato gerador, à determinação da matéria tributável, ao cálculo do montante do tributo devido, etc. Deste modo, realmente não há que se pensar em adição de receitas omitidas, glosa de despesas, alteração em coeficientes de apuração ou alíquota, etc. Mas o que se discute especificamente neste processo é a legitimidade do indébito a ser restituído/compensado, e, para isso, considero perfeitamente possível averiguar a efetiva ocorrência dos pagamentos que o geraram, notadamente pelo fato do Fisco está dentro do quinquídio legal para análise do pedido de compensação formulado pelo contribuinte, nos termos do §5º, do art.74 da Lei n.º 9.430/96. Por isso a alegação de decadência não tem o efeito pretendido pela recorrente, no sentido de justificar uma restituição automática do alegado direito creditório. Superada essa questão, passamos a análise do mérito propriamente dito. Compulsando a PERDCOMP (05554.90266.130504.1.7.041479) objeto da presente lide, observase que o contribuinte pleiteou a compensação de seu débito tributário com crédito decorrente de pagamento indevido ou maior de IRPJ referente a estimativa do mês de março de 2001, senão vejamos: Fl. 3309DF CARF MF Processo nº 10865.900284/200885 Acórdão n.º 1302002.025 S1C3T2 Fl. 3.310 15 Fl. 3310DF CARF MF Processo nº 10865.900284/200885 Acórdão n.º 1302002.025 S1C3T2 Fl. 3.311 16 O despacho decisório não reconheceu o direito creditório da recorrente pelo seguinte motivo (fls.07): Fl. 3311DF CARF MF Processo nº 10865.900284/200885 Acórdão n.º 1302002.025 S1C3T2 Fl. 3.312 17 Pela legislação relativa à apuração do imposto de renda (IRPJ), para as pessoas jurídicas optantes pelo lucro real, temse que os pagamentos efetuados pela contribuinte no decorrer dos meses do ano civil são recolhimentos por estimativa, configurando antecipações do tributo devido no final do período anual de apuração. Ou seja, a interessada, porquanto fez a opção prevista no artigo 2° da Lei n° 9.430/96, fica obrigada aos recolhimentos mensais por estimativa, com base na receita bruta, devendo, ao final do anocalendário, proceder a apuração do tributo devido, sendo autorizada a dedução dos valores anteriormente recolhidos por estimativa, para efeitos de determinação do tributo a pagar. Da leitura do texto legal podese inferir que o lucro real, deve ser apurado trimestralmente, como regra, e que a apuração anual é uma alternativa que, para seu exercício requer pagamentos mensais por estimativa nos termos dos artigos 222, 223, 228 a 230 do RIR/99. Assim, a pessoa jurídica, ao optar pela apuração do imposto de renda com base no lucro real anual, poderá suspender ou reduzir o pagamento do tributo devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do tributo, calculado com base no lucro real do período em curso. O levantamento de balanços ou balancetes mensais equivale ao próprio ajuste efetuado entre o mês de janeiro e o mês de levantamento do balanço ou balancete. O tributo calculado com base no lucro real daquele período (janeiro ao mês de levantamento do balanço) será comparado com todo o tributo recolhido sobre as operações de janeiro até mês anterior ao do levantamento do balanço ou balancete. Se a soma dos pagamentos efetuados for maior que o tributo devido apurado com base no balanço ou balancete, a empresa não terá que pagar o tributo relativo ao mês de levantamento do balanço. Se o tributo apurado no balanço ou balancete for maior, a empresa deverá pagar a diferença. Portanto, as estimativas mensais, quer calculadas sobre base estimada, quer a partir de balanços ou balancetes de suspensão ou redução, não são extintivas do crédito tributário, vez que constituem mera antecipação do tributo a ser apurado ao final do ano calendário. Dessa forma, sendo mera antecipação, não há que se falar em pagamento indevido ou a maior passível de repetição. Assim, trataremos o presente caso como compensação de saldo negativo do IRPJ, pois o mero erro formal do Contribuinte indicar nos PER/DCOMP os recolhimentos individuais de estimativa em vez de indicar o saldo negativo formado pelo conjunto destas mesmas estimativas, não é fator impeditivo do reconhecimento do seu direito creditório como tal (saldo negativo), razão pela qual também há que se negar a incidência de juros de mora a partir do pagamento indevido, mas sim a partir de 1 de janeiro de 2002. Passando a análise do mérito do caso em apreço, o pedido formalizado em PER/DCOMP tem por objeto o crédito do tipo "pagamento indevido ou a maior" de IRPJ estimativa mensal de março de 2001, código de arrecadação 2362. O relatório de diligência ao analisar de forma pormenorizada o cálculo do Imposto de Renda por estimativa no anocalendário de 2001 afirmou o seguinte: Fl. 3312DF CARF MF Processo nº 10865.900284/200885 Acórdão n.º 1302002.025 S1C3T2 Fl. 3.313 18 3 No anocalendário de 2001, o contribuinte apurou os seguintes valores de IRPJ devido por estimativa: Fl. 3313DF CARF MF Processo nº 10865.900284/200885 Acórdão n.º 1302002.025 S1C3T2 Fl. 3.314 19 O total de imposto de renda retido na fonte deduzido na apuração do imposto de renda devido por estimativa é de R$ 26.432,29 e para validar o saldo negativo apurado, o contribuinte teria que ter sofrido retenção no valor total de R$ 45.991,14 e ter oferecido a receita correspondente à tributação. A retenção feita pela fonte pagadora Bradesco já comprova a retenção deduzida bem como o valor oferecido à tributação. Assim, o valor do saldo negativo de IRPJ confirmado é de R$ 140.283,14. (...) Fl. 3314DF CARF MF Processo nº 10865.900284/200885 Acórdão n.º 1302002.025 S1C3T2 Fl. 3.315 20 Diante da análise pormenorizada efetuada pela unidade preparadora, não restam dúvidas quanto ao direito creditório do contribuinte. Contudo, andou bem a unidade preparadora ao chamar a atenção deste colegiado que o contribuinte não pleiteou a compensação do seu saldo negativo de IRPJ (R$ 140.283,14), mas sim do pagamento indevido ou a maior por ele pleiteado em suas DCOMP´s, totalizando a quantia de R$ 94.185,13, isto é, o seu direito creditório está limitado a tal montante. Ante o exposto, voto no sentido de REJEITAR a preliminar de decadência suscitada, e, no mérito em DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário, reconhecendo a compensação efetivada como saldo negativo do IRPJ até o limite do seu direito creditório que totaliza a quantia original de R$ 94.185,13, conforme tabela abaixo enumerada, incidindo correção monetária a partir de 1 de janeiro de 2002. É como voto. Fl. 3315DF CARF MF Processo nº 10865.900284/200885 Acórdão n.º 1302002.025 S1C3T2 Fl. 3.316 21 MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA Relator Fl. 3316DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13656.000495/2002-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 26/02/1999, 10/05/1999
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. HIPÓTESES DE CABIMENTO.
Os embargos de declaração somente cabem quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma. A obscuridade eventual que não altere os fundamentos da decisão não permite alterar o julgado com efeitos infringentes.
Embargos de Declaração Acolhidos Parcialmente, sem Efeitos Infringentes
Numero da decisão: 3301-003.202
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: MARCELO GIOVANI VIEIRA
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HIPÓTESES DE CABIMENTO. Os embargos de declaração somente cabem quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma. A obscuridade eventual que não altere os fundamentos da decisão não permite alterar o julgado com efeitos infringentes. Embargos de Declaração Acolhidos Parcialmente, sem Efeitos Infringentes Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas – Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Giovani Vieira – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheirosLuiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Fl. 1164DF CARF MF 2 Angelotti Meira, Marcelo Giovani Vieira (suplente convocado), Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen. Declarou-se impedida a Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. Fez sustentação oral o Dr. Rafael Pascoto Fugimoto, OAB/SP 329.271. Relatório Trata-se de embargos de declaração opostos tempestivamente pela contribuinte, em face do Acórdão nº 3101-001.679, cuja ementa transcrevo: “DRAWBACK SUSPENSÃO. EXIGÊNCIA DE VINCULÇÃO FÍSICA ENTRE OS INSUMOS IMPORTADOS E OS PRODUTOS EXPORTADOS. INADIMPLEMENTO. A fruição ao benefício do regime aduaneiro especial de drawback suspensão condiciona-se ao cumprimento dos termos e condições estabelecidos na legislação de regência (art. 78 do Decreto-lei nº 37/66), que determina como requisito essencial a submissão à vinculação entre o insumo importado e o produto objeto de exportação.” E o dispositivo: “ACORDAM os membros da 1º Câmara / 1º Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por qualidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.” À fl. 1.160 consta Despacho que admitiu os embargos. Voto Conselheiro Marcelo Giovani Vieira, Relator Conforme se verifica na ementa, o acórdão embargado decidiu que, no caso presente, a vinculação física dos insumos importados ao objeto da exportação é condição necessária para adimplemento do regime de drawback suspensão. O voto vencedor apresenta, para tanto, duas razões de decidir: a) o princípio da vinculação física é inerente ao regime de drawback, conforme jurisprudência pacificada; b) a permissão para substituição de produtos fungíveis, e portanto, a desvinculação física para tais produtos, somente teve vigência a partir da edição da MP 497/2010, posterior aos fatos geradores destes autos. Copio o art. 17 da Lei 11.774/2008, com a redação alterada pela Lei 12.350/2010, por conversão da MP 497/2010: Fl. 1165DF CARF MF Processo nº 13656.000495/2002-84 Acórdão n.º 3301-003.202 S3-C3T1 Fl. 2 3 Art. 17. Para efeitos de adimplemento do compromisso de exportação nos regimes aduaneiros suspensivos, destinados à industrialização para exportação, os produtos importados ou adquiridos no mercado interno com suspensão do pagamento dos tributos incidentes podem ser substituídos por outros produtos, nacionais ou importados, da mesma espécie, qualidade e quantidade, importados ou adquiridos no mercado interno sem suspensão do pagamento dos tributos incidentes, nos termos, limites e condições estabelecidos pelo Poder Executivo. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) § 1 o O disposto no caput aplica-se também ao regime aduaneiro de isenção e alíquota zero, nos termos, limites e condições estabelecidos pelo Poder Executivo. (Renumerado do parágrafo único pela Lei nº 12.350, de 2010) § 2 o A Secretaria da Receita Federal do Brasil e a Secretaria de Comércio Exterior disciplinarão em ato conjunto o disposto neste artigo. (Incluído pela Lei nº 12.350, de 2010) A conclusão “b” do voto vencedor fundamentou-se em dois argumentos: I- o art. 17 da Lei 11.774/2008 não é interpretativo, e portanto, não tem eficácia retroativa, por constituir-se em inovação legal no sistema aduaneiro, diferente do drawback anterior cuja natureza implica a vinculação física; II - a permissão depende de evento futuro, a regulamentação pelo Poder Executivo, cf. §2º do art. 17. A embargante aponta 3 vícios, identificados pelos excertos seguintes: “(i) padece de absoluta obscuridade a conclusão de que o legislador, ao prescrever que 'os produtos importados ou adquiridos no mercado interno com suspensão do pagamento dos tributos incidentes podem ser substituídos por outros produtos, nacionais ou importados, da mesma espécie, qualidade e quantidade, importados ou adquiridos no mercado interno sem suspensão do pagamento dos tributos incidentes' conferiu mera faculdade ao aplicador da lei, o que se baseia na premissa de que, caso assim não fosse, teria ele se utilizado do verbo 'devem' ou invés de 'podem' (sic) (...)... (ii) igualmente obscura é a conclusão do julgado no sentido de que não se aplicaria a retroatividade benigna ao caso com base na premissa de que a novel legislação mais benéfica é posterior aos fatos (...) (iii) é omissa a conclusão do julgado no sentido de que a aplicação da retroatividade benigna seria impossível diante da ausência de regulamentação da norma.”: Fl. 1166DF CARF MF 4 Analiso a primeira obscuridade alegada. No voto vencedor, o redator designado tece consideração quanto ao uso do termo “podem” no referido art. 17, ao invés de “devem”. Transcrevo o referido trecho do voto vencedor: “Em nosso entendimento, o que o legislador trouxe no referido dispositivo legal foi a permissão, de forma excepcional, (grifo do original) de utilização de outros produtos, nacionais ou importados, da mesma espécie, qualidade e quantidade, importados ou adquiridos no mercado interno sem suspensão do pagamento dos tributos incidentes, nos termos, limites e condições estabelecidos pelo Poder Executivo, para fins de comprovação do compromisso de exportar. Percebe-se que o legislador colocou a questão não como uma determinação expressa (“devem”), mas sim como uma possibilidade (“podem”), para fins de comprovação do compromisso de exportar. Não concebo a finalidade de tal consideração, que, na minha leitura, é mesmo obscura. Com efeito, a substituição desses termos desvirtua completamente o sentido do dispositivo legal, convertendo-o em ordem de substituição dos produtos, o que não faz nenhum sentido dentro do sistema drawback. Não obstante, tais considerações não fundamentam a decisão, ou, ao menos, não constituem fundamento exclusivo. Os fundamentos, conforme relatado, são dois principais (itens “a” e “b” acima relatados) , sendo o item “b” subdividido em duas motivações (itens “I” e “II” acima relatados), que são ambos e cada um per se suficientes para a decisão tomada. Portanto, embora haja a obscuridade apontada, tal obscuridade não importa em alteração da decisão. A segunda obscuridade apontada refere-se ao efeito retroativo do art. 17 citado. Transcrevo trecho do voto vencedor acerca desse tema (fls. 1.125 e 1.126) : “Trata-se de uma nova possibilidade de comprovação do compromisso de exportação no drawback suspensão, desde que atendidos os limites e condições estabelecidos pelo Poder Executivo. Entendemos que não se trata de uma norma interpretativa, mas sim de uma nova previsão legal, ainda condicionada a evento futuro (regulamentação, com os termos, limites e condições estabelecidos pelo Poder Executivo). Dessa forma, entendemos não ser possível dar tratamento retroativo à norma, visto que a previsão de substituição dos itens importados por outros equivalentes apenas passou a existir a partir da edição do referido ato, ainda assim sujeito ao atendimento das condições fixadas pelo Poder Executivo. O que podemos afirmar é a existência de um novo Regime Aduaneiro Especial de Drawback Suspensão, mais flexível, com vigência a partir da edição da MP 497, diferente daquele regime regido pelo Decreto-lei nº 37/1966 e pela Lei nº 11.945/2009, que devem seguir exclusivamente suas regras. Fl. 1167DF CARF MF Processo nº 13656.000495/2002-84 Acórdão n.º 3301-003.202 S3-C3T1 Fl. 3 5 Atos posteriores à edição da MP 497 e sua regulamentação, regem-se pelas novas normas e pela aceitação, de forma excepcional, do princípio da fungibilidade/equivalência, desde que atendidos os requisitos estabelecidos pelo Poder Executivo.” A embargante sustenta assim a alegada omissão: “Por conseguinte, ao afastar a retroatividade benigna ao caso concreto com base no fundamento de que a norma é posterior aos fatos o acórdão ora embargado incorre em flagrante obscuridade, porquanto tal benesse do artigo 106, II, alínea a, do Código Tributário Nacional pressupõe justamente a aplicação retroativa de norma posterior a fatos pretéritos, desde que ainda não definitivamente julgados.” Ora, o mero fato de a alteração ser posterior não foi o fundamento do acórdão embargado, conforme se viu. O fundamento foi o entendimento de que houve instituição de novo regime de drawback, distinto do anterior drawback, o qual, por sua natureza, implicaria a vinculação física. Portanto, não verifico a obscuridade pretendida. (iii) A embargante aponta ainda omissão no julgado, por entender que a ausência de regulamentação do dispositivo (art. 17) não mais se aplicaria, verbis, “haja vista que a regulamentação da Lei nº 12.350/2012 com relação à fungibilidade foi finalmente publicada em 03.09.2014, após o julgamento do feito por este Colegiado, mas ainda em tempo de sua consideração, eis que norma já posta e estando o feito ainda submetido a esta Corte”. O argumento não procede. Evidente que a regulamentação posterior à Sessão de julgamento, em 19 de agosto de 2014, não pode inquinar o acórdão de omissão, já que inexistente então. Também não existe possibilidade de, em sede de embargos de declaração, reapreciar questão decidida sem omissão, neste específico ponto. Com efeito, o artigo 65, caput, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF 256, de 22 de junho de 2009, dispõe: “Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma.” Portanto, não existe omissão e contradição no julgado. Considerando que a primeira obscuridade apontada, embora existente, não interferiu no resultado e é independente das razões de decidir do acórdão embargado, os embargos devem ser acolhidos parcialmente, porém sem efeitos infringentes, mantendo a decisão anterior. Fl. 1168DF CARF MF 6 (assinado digitalmente) Conselheiro Marcelo Giovani Vieira, Relator Fl. 1169DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.910485/2012-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Mar 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/07/2004 a 31/07/2004
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. ERRO EM DECLARAÇÃO.
O contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado mediante a apresentação de escrituração contábil e fiscal, lastreada em documentação idônea que dê suporte aos seus lançamentos. As informações prestadas unicamente na DIPJ não têm o condão de provar o direito creditório que o contribuinte alega possuir.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3302-003.662
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente Substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Orlando Rutigliani Berri, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ÔNUS DA PROVA. Recorrente ARMAZÉM CORAL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/07/2004 a 31/07/2004 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. ERRO EM DECLARAÇÃO. O contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado mediante a apresentação de escrituração contábil e fiscal, lastreada em documentação idônea que dê suporte aos seus lançamentos. As informações prestadas unicamente na DIPJ não têm o condão de provar o direito creditório que o contribuinte alega possuir. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Orlando Rutigliani Berri, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 91 04 85 /2 01 2- 91 Fl. 246DF CARF MF Processo nº 10480.910485/201291 Acórdão n.º 3302003.662 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de PER/DCOMP em que a Contribuinte informa ter efetuado recolhimento a maior que o devido. A DRF/Recife proferiu Despacho Decisório indeferindo o pleito sob o fundamento de que o DARF discriminado no PER/DCOMP foi localizado, mas encontrase integralmente utilizado para quitação de débitos declarados do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição/compensação. Cientificada da decisão, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese, que houve mera falha em não retificar a DCTF, mas que devem ser reconhecidas as informações de sua DIPJ retificadora, que atesta a ocorrência de pagamento a maior. Em análise dos argumentos apresentados pela Recorrente, a DRJ/Recife julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 11049.540. O Colegiado a quo entendeu que a Contribuinte não havia comprovado o suposto pagamento a maior. Cientificada da decisão de piso, a Recorrente interpôs recurso voluntário sustentando, em síntese: (i) que o erro cometido pela Recorrente de não retificar as DCTFs não anula a existência dos créditos, vez que decorrem da realização de pagamento efetuados a maior; e (ii) que a existência de pagamento a maior é constatada pela simples verificação das DIPJs retificadoras, onde constam os ajustes necessários para atestar a existência do crédito pleiteado. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulede, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.657, de 22 de fevereiro de 2017, proferido no julgamento do processo 10480.910482/201258, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.657): "I Tempestividade Fl. 247DF CARF MF Processo nº 10480.910485/201291 Acórdão n.º 3302003.662 S3C3T2 Fl. 4 3 A Recorrente foi intimada da decisão de piso 25.06.2013 e protocolou Recurso Voluntário em 01.07.2013, dentro do prazo de 30 (trinta) dias previsto no artigo 33, do Decreto 70.235/721. Desta forma, considerando que o recurso preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. II Questões de Mérito Conforme exposto anteriormente, a Recorrente alega (i) que o erro cometido pela Recorrente de não retificar as DCTFs não anula a existência dos créditos, vez que decorrem da realização de pagamento efetuados a maior; e (ii) que a existência de pagamento a maior é constatada pela simples verificação das DIPJs retificadoras, onde constam os ajustes necessários para atestar a existência do crédito pleiteado. Com todo respeito aos argumentos explicitados pela Recorrente, não concordo com suas alegações. Isto porque, a alegação de que a existência do crédito poderia ser facilmente comprovado por meio das Declarações de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (DIPJ) em nada socorre a Recorrente, posto que além da DIPJ não se constituir em confissão de dívida como é o caso da DCTF, não consta dos autos qualquer documento, a exemplo de livros e documentos fiscais e contábeis, que viesse evidenciar a apuração da contribuinte na sua DIPJ retificadora. Com efeito, a DIPJ contêm dados e informações declarados pelo próprio contribuinte que devem ser lastreados com a correspondente documentação fiscal que comprove os lançamentos contábeis, do contrário, o direito ao crédito não deve ser reconhecido. Ora, a simples apresentação de cópias das referidas declarações são insuficientes para comprovar a origem do pretenso crédito almejado pela Recorrente, inviabilizando a confirmação dos valores registrados nas declarações. Não bastasse isso, os argumentos apresentados pela Recorrente não fazem prova de crédito algum, sequer demonstram qual a composição e/ou origem do crédito que ela alegar possuir. Mais uma vez, repitase, que é necessário que sejam colacionados aos autos excertos da escrituração contábil e fiscal do contribuinte, lastreados em documentação idônea que dê suporte a tais lançamentos. Logo, dúvida não há quanto a inexistência do direito creditório perseguido pela Recorrente. Diante deste cenário, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário." No que diz respeito à tempestividade, o recurso apresentado neste processo também é tempestivo (ciência em 24/04/2015, apresentação do RV em 21/05/2015). E, da mesma forma que no processo paradigma, a Contribuinte também não juntou nestes autos "excertos da escrituração contábil e fiscal do contribuinte, lastreados em documentação idônea" capaz de comprovar a legalidade e materialidade do direito creditório alegado. 1 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Fl. 248DF CARF MF Processo nº 10480.910485/201291 Acórdão n.º 3302003.662 S3C3T2 Fl. 5 4 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 249DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.723885/2010-41
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Apr 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2006 a 31/12/2007
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS REQUISITOS DA LEI Nº 10.101/2000. CELEBRAÇÃO DO ACORDO APÓS O INÍCIO DO PERÍODO DE APURAÇÃO.
As regras para percepção da PLR devem constituir-se incentivo à produtividade. Regras estabelecidas no decorrer do período de aferição não estimulam esforço adicional.
Numero da decisão: 9202-005.266
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2006 a 31/12/2007 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS REQUISITOS DA LEI Nº 10.101/2000. CELEBRAÇÃO DO ACORDO APÓS O INÍCIO DO PERÍODO DE APURAÇÃO. As regras para percepção da PLR devem constituir-se incentivo à produtividade. Regras estabelecidas no decorrer do período de aferição não estimulam esforço adicional.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
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CELEBRAÇÃO DO ACORDO APÓS O INÍCIO DO PERÍODO DE APURAÇÃO. As regras para percepção da PLR devem constituirse incentivo à produtividade. Regras estabelecidas no decorrer do período de aferição não estimulam esforço adicional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 38 85 /2 01 0- 41 Fl. 263DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório Trata o presente processo de auto de infração AI NFLD DEBCAD nº 37.305.5617, às efls. 02 a 85, cientificado à contribuinte acima qualificada, em 25/10/2010 (efl. 02), com relatório fiscal às efls. 103 a 111. Foi também arrolada como sujeito passivo solidário a empresa EBEC Locação de Veículos S/A, componente do grupo econômico. O lançamento visou à constituição de crédito tributário relativas às contribuições a cargo da empresa e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho GILRAT, incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados. Os valores lançados no presente AI, são decorrentes das diferenças apuradas pela fiscalização, referemse aos montantes pagos ou creditados aos segurados empregados a titulo de Participação nos Lucros e/ou Resultados PLR, em desacordo com os requisitos da Lei nº 10.101 de 19/12/2000. De acordo com o relatório fiscal, os instrumentos de acordo para pagamento do PLR teriam vulnerado dois requisitos legais: (a) por não beneficiarem a todos os trabalhadores da empresa, pois somente os trabalhadores lotados em um de seus estabelecimentos foram favorecidos; (b) por não serem formalizados previamente ao início do cumprimento das metas, já que só o foram ao final dos anos de 2006 e 2007. O crédito lançado atingiu o montante de R$ 306.325,05, consolidado na data de 20/10/2010, para o período de apuração de 01/12/2006 a 31/12/2007. O AI foi impugnado, às efls. 133 a 145, em 24/11/2010. Já a 6ª Turma da DRJ/BEL, no acórdão nº 0240.076, prolatado em 28/08/2012, às efls. 166 a 170, considerou, por maioria de votos, parcialmente procedente a impugnação. A procedência parcial se deu em razão do argumento (a) acima citado, que não foi aceito pela maioria dos julgadores, sendo, contudo, mantido integralmente o crédito tributário exigido com base no argumento (b). Inconformada, em 06/12/2012, a contribuinte, interpôs recurso voluntário RV, às efls. 180 a 189, argumentando, em apertada síntese que: § a PLR por ela distribuída respeita integralmente os ditames da Lei nº 10.101/2000; § não há qualquer óbice legal que descaracterize a PLR paga diferenciada por estabelecimento, até porque as representações sindicais têm bases territoriais distintas o que faz com que as filiais de uma mesma empresa estejam sujeitas a negociações com distintas representações e condições; § as metas, que já haviam sido acordadas desde o início do ano, eram de conhecimento dos empregados, tendo sido apenas formalizado o acordo ao seu final, inexistindo exigência na lei de que a negociação Fl. 264DF CARF MF Processo nº 10680.723885/201041 Acórdão n.º 9202005.266 CSRFT2 Fl. 264 3 com os empregados tivesse metas formalizadas por escrito em documento formal; § há jurisprudência pacífica afirmando a natureza nãosalarial da PLR e considerandoa objeto de livre negociação entre as partes, sem requisitos formais para sua criação. O recurso voluntário foi apreciado pela 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento em 14/05/2014, resultando no acórdão 2403002.620, às efls. 193 a 210, que tem a seguinte ementa: PREVIDENCIÁRIO. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS PLR. FORMALIZAÇÃO DO PACTUADO. Restando provado acerto prévio contendo as metas, resultados e prazos para pagamento de participação nos lucros ou resultados PLR, a aposição das assinaturas no mesmo exercício contábil, com anuência do sindicato da categoria aperfeiçoa o pactuado formalizandoo na forma do que é exigido no art. 2°, II, da Lei 10.101/2000. Recurso Voluntário Provido O acórdão foi assim exarado: ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (relator) e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Ivacir Julio de Souza RE da Fazenda Nacional Cientificada do acórdão, em 27/02/2015 (efl. 211), a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, em 19/03/2015, manejou recurso especial de divergência RE (efls. 212 a 219) ao citado acórdão, entendendo que o aresto diverge de entendimento firmados no CARF entende necessária a assinatura de acordo prévio ao pagamento para que se caracterize a PLR. A Procuradora junta como paradigma o acórdão nº 2402003.984 , da Sexta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes. Explicitando a divergência, assim se manifestou a Procuradora: De um lado, o paradigma deixa claro o entendimento de que como somente com a assinatura do termo de acordo entre as partes ou do acordo coletivo, ocorre a formalização do término da negociação e se tem um ato jurídico perfeito apto a exarar efeitos jurídicos, o termo de acordo entre as partes ou o acordo coletivo deve estar assinado antes do pagamento da PLR. De outro, o acórdão recorrido defende ser possível a assinatura do acordo após o pagamento de PLR. (Sublinhas do original) Fl. 265DF CARF MF 4 Na argumentação para sustentar sua posição, a Procuradora sustentou: Nessa esteira, cumpre registrar que a classificação de determinada verba como “participação nos lucros” exige de maneira imprescindível o estrito cumprimento dos requisitos legais. No caso em estudo, restou demasiadamente demonstrado que a participação nos lucros foi efetivada em desacordo com os parâmetros legais, razão pela qual não pode ser admitida a sua exclusão do salário de contribuição, haja vista que o acordo foi assinado, e, consequentemente formalizado, somente após o pagamento da PLR. Nesse contexto, é importante assinalar, como bem registrou o acórdão paradigma, que somente com a assinatura, considerase concluída a negociação entre as partes, tornandose apta a produção de efeitos jurídicos. Assim, não há como considerar a existência de acordo prévio, se a sua assinatura ocorreu posteriormente ao pagamento da PLR. Pelas razões expostas requereu a Procuradora que fosse conhecido o recurso e provido para que se reforme o acórdão recorrido e se restabeleça o lançamento. O RE da Procuradora foi apreciado pela Presidente da 4ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF, nos termos dos arts. 67 e 68 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria n° 256 de 22/06/2009, por meio do despacho nº 24000/2015, datado de 1º/12/2015, às efls. 233 a 235, entendendo ele por lhe dar seguimento, em face do cumprimento dos requisitos regimentais. A contribuinte foi cientificada do acórdão de recurso voluntário, do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e do despacho que lhe deu prosseguimento, por meio da INtimação nº 44, de 11/01/2016 (efl 239), em 02/10/2015 (efl. 241). Contrarrazões da contribuinte Em 03/02/2016, a contribuinte apresentou contrarrazões ao RE da Procuradoria, às efls. 246 a 254, onde, repisou os argumentos trazidos em seu recurso voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Presentes os necessários pressupostos de admissibilidade, voto por conhecer do recurso especial. De início cabe ressaltar que apesar de a contribuinte em seu contraarrazoado seguir se referindo aos dois argumentos que embasaram o AI, desde a prolação do acórdão de impugnação, o primeiro deles foi afastado da lide. Cingindose a discussão ao argumento recorrido na divergência: falta de formalização de acordo prévia ao pagamento para haver participação nos lucros e/ou resultados sem incidência da contribuição previdenciária. Fl. 266DF CARF MF Processo nº 10680.723885/201041 Acórdão n.º 9202005.266 CSRFT2 Fl. 265 5 De acordo com o previsto no art. 28 da Lei n ° 8.212/1991, para o segurado empregado entendese por saláriodecontribuição a totalidade dos rendimentos pagos, a qualquer título, conforme a seguir reproduzido: Art.28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97). (Grifei.). A legislação previdenciária é clara quando destaca, em seu art. 28, §9º, quais as verbas que não integram o salário de contribuição. Tais parcelas, relacionadas em numerus clausus, não sofrem incidência de contribuições previdenciárias, seja por sua natureza indenizatória ou assistencial. Reparase que, nos termos a seguir colocados, a participação nos lucros ou resultados somente não integra o saláriodecontribuição, quando paga ou creditada de acordo com lei específica: Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; (Grifei.) Pois bem, a referida lei específica é a Lei n° 10.101, de 2000, e o procedimento descrito em seu art. 2º, abaixo reproduzido, estabelece que: (a) os instrumentos decorrentes da negociação devem conter regras claras e (b) serem pactuados previamente. Art. 2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: Icomissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; I comissão paritária escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria;(Redação dada pela Lei nº 12.832, de 2013) (Produção de efeito) Fl. 267DF CARF MF 6 II convenção ou acordo coletivo. §1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. (Grifei.) Em vista da legislação acima, com relação à formalização do PLR, considero que a assinatura do acordo em data posterior à do período de apuração dos lucros ou resultados a serem distribuídos, já é suficiente para darlhe natureza tributável. Isso porque retira da verba paga uma de suas características essenciais: a recompensa pelo esforço conjunto entre o capital e o trabalho, para alcance de metas; o que traria competitividade à empresa e, em última análise, ao país. Entendo que o acordo necessita ser assinado antes de iniciado o período a que se refere, porquanto a PLR tem por finalidade incentivar o trabalhador a incrementar sua produtividade, situandoa acima do que lhe é usual ou ordinário. Sem que o acordo se dê antes de iniciado o período, não haveria como o trabalhador saber, com precisão, em quanto deveria aumentar o seu esforço para alcançar metas e qual o possível efeito financeiro que isto lhe acarretaria. A fim de que o trabalhador não fique ao talante do empregador, e, ao mesmo tempo, que o empregador tenha assegurado o necessário incremento de produtividade para justificar o compartilhamento do seu lucro, o acordo deve ser celebrado antes da vigência do período em que vigorará, de modo a que as partes iniciem esse tempo conhecedores de todas as regras a cumprirem. Essa interpretação, além de estar em consonância com a teleologia da Participação nos Lucros ou Resultados, é totalmente adstrita às normas de hermenêutica em Direito Tributário. Ora, para que se afaste a tributação de pagamentos havidos em face da existência de prestação de serviços, mormente da relação decorrente de contrato de trabalho e seus acessórios, a interpretação das normas tributárias há que ser literal, ou seja, restritiva. Isso decorre da orientação que se tira do art. 111 do Código Tributário Nacional CTN. Assim, não vejo como afastar a exigência de que o pacto prévio deva ser comprovado de forma inequívoca e não é o que se descortina no presente processo. No caso concreto, a formalização ocorreu em pactos firmados até mesmo em momentos posteriores aos pagamentos, conforme admitido pela própria decisão recorrida, fato não contraditado pelas partes: O Relatório Fiscal da obrigação principal apresenta que os pagamentos ocorreram nos dia 22/12/2006 e 20/12/2007 e que os acordos foram assinados nos dias 27/12/2006 (para o ano Fl. 268DF CARF MF Processo nº 10680.723885/201041 Acórdão n.º 9202005.266 CSRFT2 Fl. 266 7 2006) e 28/12/2007 (para o ano 2007) e que as metas deveriam ser definidas previamente. 2.2.2 Os referidos instrumentos acima mencionados, denominados "Programas de Metas de Participação nos Lucros e/ou Resultados" foram assinados nas datas de 27/12/2006 (para o ano de 2006) e 28/12/2007 (para o ano de 2007). Deles constam metas de caráter geral, setorial e individual, bem como os critérios de apuração das mesmas. Ora. ao se postergar a assinatura dos acordos para os últimos dias de cada ano, o que ocorreu foi a assinatura de atos para referendar situações pretéritas, de antemão conhecidas; o item II do § 1º do art. 2º da Lei 10.101, acima reproduzido, deixa claro que os programas de metas, resultados e prazos, devem ser previamente pactuados. Nem poderia ser de outra forma, já que, por definição, é impossível o estabelecimento de metas a posteriori. Mais grave, os pagamentos das parcelas a titulo de participação nos lucros/resultados foram feitos nas datas de 22/12/2006 e 20/12/2007, como consta dos acordos, portanto antes mesmo da assinatura dos mesmos. Na realidade estes valores pagos revestemse das características de uma gratificação qualquer, para a qual criouse, após seu pagamento, um simulacro de Programa de Metas de Participação nos Lucros e/ou Resultados. (Negritos do original, sublinhei.) Por fim, não há que se falar em conhecimento prévio do pacto como um atenuante na norma legalmente posta, visto que, na norma, não há previsão dessa possibilidade. Por essas razões, discordo da decisão do relator do voto vencedor do acórdão recorrido e considero acertado o lançamento das contribuições sobre os valores a título de PLR que não se cingiram às disposições legais. Conclusão Pelo exposto, voto no sentido de conhecer do recurso da Fazenda Nacional e darlhe provimento, para restabelecer a tributação sobre as verbas pagas a título de participação nos lucros e resultados e para manter integralmente o crédito tributário lançado. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 269DF CARF MF 8 Fl. 270DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.900519/2014-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Mar 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2011 a 30/06/2011
CRÉDITO DE IPI. INSUMOS UTILIZADOS NA INDUSTRIALIZAÇÃO DE PRODUTOS IMUNES EM RAZÃO DO ART. 150, INCISO VI, alínea d da CF. IMPOSSIBILIDADE DE CRÉDITO.
A aquisição de insumos utilizados na industrialização de produtos cuja imunidade decorra do art. 150, inciso VI, alínea d da Constituição Federal (livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão) não gera crédito de IPI, em face de a previsão para manutenção de créditos prevista no artigo 11 da Lei no 9.779/99 alcançar apenas insumos utilizados na industrialização de produtos isentos, tributados à alíquota zero e imunes, caso a imunidade decorra de exportação.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3401-003.324
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado.
(assinado digitalmente)
Robson José Bayerl Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl (presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos, Rodolfo Tsuboi (suplente) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/04/2011 a 30/06/2011 CRÉDITO DE IPI. INSUMOS UTILIZADOS NA INDUSTRIALIZAÇÃO DE PRODUTOS IMUNES EM RAZÃO DO ART. 150, INCISO VI, alínea d da CF. IMPOSSIBILIDADE DE CRÉDITO. A aquisição de insumos utilizados na industrialização de produtos cuja imunidade decorra do art. 150, inciso VI, alínea d da Constituição Federal (livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão) não gera crédito de IPI, em face de a previsão para manutenção de créditos prevista no artigo 11 da Lei no 9.779/99 alcançar apenas insumos utilizados na industrialização de produtos isentos, tributados à alíquota zero e imunes, caso a imunidade decorra de exportação. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl (presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos, Rodolfo Tsuboi (suplente) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
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INSUMOS UTILIZADOS NA INDUSTRIALIZAÇÃO DE PRODUTOS IMUNES EM RAZÃO DO ART. 150, INCISO VI, alínea “d” da CF. IMPOSSIBILIDADE DE CRÉDITO. A aquisição de insumos utilizados na industrialização de produtos cuja imunidade decorra do art. 150, inciso VI, alínea “d” da Constituição Federal (livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão) não gera crédito de IPI, em face de a previsão para manutenção de créditos prevista no artigo 11 da Lei no 9.779/99 alcançar apenas insumos utilizados na industrialização de produtos isentos, tributados à alíquota zero e imunes, caso a imunidade decorra de exportação. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl (presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos, Rodolfo Tsuboi (suplente) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 90 05 19 /2 01 4- 65 Fl. 76DF CARF MF Processo nº 11065.900519/201465 Acórdão n.º 3401003.324 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Versa o presente sobre o Pedido de Ressarcimento com Declaração de Compensação (PER/DCOMP), invocando crédito do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), relativo ao período de apuração acima identificado. Por meio do Despacho Decisório exarado pelo Seort/DRF/ Novo Hamburgo, o pedido de restituição foi indeferido e a compensação não homologada, sob o fundamento de que o valor do crédito reconhecido foi inferior ao solicitado, por ter havido glosa em procedimento fiscal. Cientificado da decisão, o contribuinte interpôs manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que: (a) não houve mandado de procedimento fiscal para o procedimento de análise do crédito, sendo inválido o ato administrativo; (b) a fundamentação para a negativa de crédito é improcedente e está centrada no fato de a empresa ser abrangida por imunidade objetiva; (c) para aplicação da não cumulatividade constitucionalmente assegurada, pouco importa se a última operação foi ou não onerada pelo IPI; e (d) não houve constituição do crédito tributário, e embora o documento da glosa seja intitulado de auto de infração, não se concretizou o lançamento, ensejando a impossibilidade de ser o crédito glosado. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto por intermédio do Acórdão 14 052.969, que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2011 a 30/06/2011 IPI. RESSARCIMENTO. PRODUTO N/T. Inexiste direito de crédito pela entrada de insumos para fabricação de produtos que estão fora do campo de incidência do imposto, pois neste caso o IPI deve ser contabilizado como custo Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada do acórdão da DRJ, a empresa apresenta Recurso Voluntário, sustentando que: (a) a juntada posterior de Mandado de Procedimento Fiscal não tem o condão de validar o ato praticado ao seu desabrigo; (b) o crédito não pode ser exigido por absoluta ausência de lançamento; e (c) a imunidade se constitui em cláusula pétrea inserida nas limitações constitucionais ao poder de tributar. Pede, ao fim, exame para fins de pré questionamento, mormente no que se refere aos artigos 142 e 149 do Código Tributário Nacional (CTN). É o relatório. Fl. 77DF CARF MF Processo nº 11065.900519/201465 Acórdão n.º 3401003.324 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401003.313, de 25 de janeiro de 2017, proferido no julgamento do processo 11065.900523/201423, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401003.313): "O recurso apresentado preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. No Despacho Decisório, a razão para o indeferimento do direito de crédito, e a consequente não homologação da compensação, é a seguinte (fl. 22): O valor do crédito reconhecido foi inferior ao solicitado/utilizado em razão do(s) seguinte(s) motivos(s): Constatação de que o saldo credor passível de ressarcimento é inferior ao valor pleiteado. Ocorrência de glosa de créditos considerados indevidos, em procedimento fiscal. Informações complementares da análise do crédito estão disponíveis na página Internet da Receita Federal, e integram este despacho. No próprio despacho decisório há orientações (aqui seguidas, em nome da verdade material) sobre como encontrar tais "informações complementares da análise de crédito", no sítio eletrônico da RFB (menu principal, opção "onde encontro" / "PERDCOMP" / "consulta despacho decisório", indicando o CNPJ da empresa e o número do PER/DCOMP. Nas informações complementares, percebo que há link para o relatório fiscal (Clique aqui para Download do arquivo: RELATORIO FISCAL GRUPO SINOS.PDF). Evidencio, então, que o Relatório Fiscal se presta a este e a outros nove processos administrativos de ressarcimento, e que ali realmente se encontram as razões detalhadas para as glosas: (a) a empresa tem como principal atividade a edição integrada à impressão de jornais, sendo detentora de registro especial de papel imune, e os produtos resultantes de seu processo de industrialização têm a classificação "NT" (não tributáveis) relativamente à incidência do IPI, em razão de benefício de imunidade constitucional; e (b) os créditos pleiteados se referem à aquisição de insumos utilizados para produção de jornais e revistas imunes, no período considerado, e, portanto, não encontram guarida normativa para fruição. Fl. 78DF CARF MF Processo nº 11065.900519/201465 Acórdão n.º 3401003.324 S3C4T1 Fl. 5 4 Verificadas as motivações específicas para as glosas, cabe avaliar se as razões de defesa são aptas a afastálas, e a confirmar a regularidade do crédito. A primeira alegação de defesa se referia à ausência de Mandado de Procedimento Fiscal. No entanto, o Mandado de Procedimento Fiscal, como bem destacou o julgador de piso, foi emitido, havendo no próprio relatório da ação fiscal a informação de seu número (10.1.07.00 2014.002302) e a aposição de mensagem de que estava disponível para consulta no endereço <http://receita.fazenda.gov.br/aplicacoes/atpae/mpf/default.asp>, com a utilização do código de acesso 29365075. Também em nome da verdade material acessei o referido sítio, com a senha de acesso concedida na ação fiscal, verificando a existência do MPF, que sempre esteve disponível para consulta por parte da empresa. Improcedentes, assim, tanto a alegação de ausência de MPF, suscitada na manifestação de inconformidade, quanto a de que tal MPF teria sido juntado apenas posteriormente, presente no recurso voluntário. A segunda alegação da empresa, de que deveria ter havido lançamento para exigência do crédito, é absolutamente desconectada da realidade fática destes autos. Vejase que o presente processo não trata de lançamento para exigência de crédito, mas de reconhecimento de direito de crédito pleiteado pela empresa. As glosas efetuadas impedem a fruição do crédito, devendo a postulante do ressarcimento (e da compensação) carrear aos autos documentação que comprovem a liquidez e a certeza do crédito. Descabe, assim, a demandada análise (ainda que para fins de prequestionamento) dos artigos 142 e 149 do CTN, afetos ao lançamento. Cabe retomar, então, a análise no sentido de ter ou não havido prova apresentada pela empresa apta a afastar as razões de glosa (ausência de fundamento normativo para tomada de crédito em relação a insumos destinados a industrialização de jornais e revistas imunes). Sobre o tema, a empresa, em seu recurso voluntário, endossa que industrializa produtos imunes com os insumos adquiridos, mas entende que, por ser a imunidade cláusula pétrea, faz jus ao crédito. Tais alegações seriam relevantes se o fisco estivesse a exigir o IPI em relação aos produtos imunes, mas esse não é o caso em análise nestes autos, limitado a demanda de crédito, por parte da empresa, em relação à aquisição de insumos para fabricação de produtos imunes. Não se está, repitase, a analisar tributação de operação imune, mas a avaliar se a empresa faz jus a crédito sobre operação não tributada em função de imunidade. E, nesse sentido, cabível verificar o teor do artigo 11 da Lei no 9.779/1999: Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado Fl. 79DF CARF MF Processo nº 11065.900519/201465 Acórdão n.º 3401003.324 S3C4T1 Fl. 6 5 à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda. (grifo nosso) Vejase que o dispositivo legal expressamente assume a possibilidade de crédito em relação a insumos aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero (silenciando em relação aos imunes e não tributados). E vejase também que a fruição fica condicionada à observância das normas expedidas pela RFB. A RFB expediu, em relação ao tema, a Instrução Normativa no 33/1999, que, em seu artigo 4o, já não silenciou em relação a produtos imunes: Art. 4o O direito ao aproveitamento, nas condições estabelecidas no art. 11 da Lei No 9.779, de 1999, do saldo credor do IPI decorrente da aquisição de MP, PI e ME aplicados na industrialização de produtos, inclusive imunes, isentos ou tributados à alíquota zero, alcança, exclusivamente, os insumos recebidos no estabelecimento industrial ou equiparado a partir de 1o de janeiro de 1999. (grifo nosso) Mas a própria RFB, no Ato Declaratório Interpretativo no 6/2008, esclareceu que: Art. 1o Os produtos a que se refere o art. 4o da Instrução Normativa SRF no 33, de 4 de março de 1999, são aqueles aos quais ao legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) garante o direito à manutenção e utilização dos créditos.http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/anexoOutros.action ?idArquivoBinario=0 Art. 2o O disposto no art. 11 da Lei no 9.779, de 11 de janeiro de 1999, no art. 5o do Decretolei no 491, de 5 de março de 1969, e no art. 4o da Instrução Normativa SRF no 33, de 4 de março de 1999, não se aplica aos produtos: I com a notação "NT" (nãotributados, a exemplo dos produtos naturais ou em bruto) na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI), aprovada pelo Decreto no 4.542, de 26 de dezembro de 2002; II amparados por imunidade; III excluídos do conceito de industrialização por força do disposto no art. 5o do Decreto no 4.544, de 26 de dezembro de 2002 Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (RIPI). Parágrafo único. Excetuamse do disposto no inciso II os produtos tributados na TIPI que estejam amparados pela imunidade em decorrência de exportação para o exterior." (grifo nosso) Assim, a empresa poderia utilizar o saldo credor, na forma do artigo 11 da Lei no 9.779/1999, apenas se as aquisições de insumos fossem efetivamente para um processo industrial de fabricação de produto imune, destinado à exportação. No entanto, no presente processo, sequer se esforça a recorrente para demonstrálo, pecando em seu dever de Fl. 80DF CARF MF Processo nº 11065.900519/201465 Acórdão n.º 3401003.324 S3C4T1 Fl. 7 6 carrear ao processo elementos que atestem a liquidez e a certeza do direito de crédito. Ainda que se afaste a imperfeição, às vezes presente na Tabela de Incidência do IPI, de considerar como "NT" (não tributados) produtos que, em verdade, são efetivamente resultantes de um processo de industrialização, mas imunes, permanece sem amparo o direito de crédito, visto não se verificar, nos autos, ser o produto destinado à exportação. Nesse sentido tem decidido este CARF: CRÉDITO DE IPI. INSUMOS UTILIZADOS NA INDUSTRIALIZAÇÃO DE PRODUTOS IMUNES EM RAZÃO DO ART. 150, INCISO III, alínea “d” da CF. IMPOSSIBILIDADE DE CRÉDITO. Não gera crédito de IPI a aquisição de insumos utilizados na industrialização de produtos cuja imunidade decorra do art. 150, inciso III, alínea “d” da Constituição Federal. A previsão para manutenção dos créditos previsto no art. 11, da Lei no 9.779/99, alcança exclusivamente aqueles insumos utilizados na industrialização de produtos isentos, tributados à alíquota zero e imunes, caso a imunidade decorrer da exportação. (Acórdão no 3201002.096, Rel. Cons. Charles Mayer de Castro Souza, unânime, sessão de 15 mar. 2016) (a menção deveria ser ao inciso VI e não ao inciso III do art. 150 da CF) (No mesmo sentido, e também unânime, o Acórdão no 3301 002.280, de 27 mar. 2014) Por derradeiro, destaquese que também o Superior Tribunal de Justiça tem leitura não alargada do artigo 11 da Lei no 9.779/1999 (REsp no 1.015.855/SP). Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário apresentado." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Fl. 81DF CARF MF
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