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Numero do processo: 10855.900803/2008-24
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Apr 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jul 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2000
INDÉBITO ILÍQUIDO
Para o reconhecimento de direito creditório, não basta a comprovação da certeza de ter havido indébito, é necessária também a sua quantificação, ou seja, a liquidez do valor. No presente caso, o contribuinte recolheu o IRPJ pelo percentual de 32% sobre o total das suas vendas e contratos e notas fiscais de aquisição de materiais indicam que parte das suas vendas se submeteriam ao percentual de 8%. Nada obstante, com os elementos trazidos aos autos, não há comprovação de quais vendas apresentam tal característica, o que impede a verificação do montante recolhido a maior.
Numero da decisão: 1401-002.428
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo Dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2000 INDÉBITO ILÍQUIDO Para o reconhecimento de direito creditório, não basta a comprovação da certeza de ter havido indébito, é necessária também a sua quantificação, ou seja, a liquidez do valor. No presente caso, o contribuinte recolheu o IRPJ pelo percentual de 32% sobre o total das suas vendas e contratos e notas fiscais de aquisição de materiais indicam que parte das suas vendas se submeteriam ao percentual de 8%. Nada obstante, com os elementos trazidos aos autos, não há comprovação de quais vendas apresentam tal característica, o que impede a verificação do montante recolhido a maior.
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No presente caso, o contribuinte recolheu o IRPJ pelo percentual de 32% sobre o total das suas vendas e contratos e notas fiscais de aquisição de materiais indicam que parte das suas vendas se submeteriam ao percentual de 8%. Nada obstante, com os elementos trazidos aos autos, não há comprovação de quais vendas apresentam tal característica, o que impede a verificação do montante recolhido a maior. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo Dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 90 08 03 /2 00 8- 24 Fl. 467DF CARF MF Processo nº 10855.900803/200824 Acórdão n.º 1401002.428 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão nº 1429.089 da 5ª Turma da DRJ/RPO que negou provimento à manifestação de inconformidade apresenta pelo interessado. Com relação às peças iniciais do feito, tomo de empréstimo o relatório da decisão recorrida: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciada a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) [...], por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débito de CSLL (código de receita: 2372) de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJ). Por intermédio do despacho decisório [...], não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, “não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Irresignada, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade [...], na qual alega, em síntese, que: a) a sociedade em questão tem como atividade principal a exploração da construção civil, destacandose a prestação de diversos serviços; b) em 23/01/2003, a contribuinte formulou consulta fiscal, processo administrativo n° 10855.000267/20031, requerendo solução acerca do percentual aplicável sobre a receita bruta da pessoa jurídica prestadora de serviços na área da construção civil, quando houver emprego de materiais, para fins de apuração do lucro presumido; c) obteve como resposta o percentual de 8%; d) constatou que sempre apurou o lucro presumido pelo percentual de 32% sobre a receita bruta, mesmo empregando materiais nas obras, e, conseqüentemente, sempre recolheu IRPJ a maior, pelo quádruplo do valor devido; e) a contribuinte procedeu a compensação do tributo pago a maior com tributos e contribuições arrecadados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB); f) a contribuinte deixou de retificar o valor do débito de IRPJ declarado na DCTF e na DIPJ de modo que o sistema não constatou o pagamento a maior de imposto; g) embora não tenha havido a retificação da DCTF e da DIPJ para permitir que o sistema constatasse automaticamente o pagamento a maior do IRPJ e o seu decorrente crédito os documentos anexos comprovam Fl. 468DF CARF MF Processo nº 10855.900803/200824 Acórdão n.º 1401002.428 S1C4T1 Fl. 4 3 claramente a sua existência, bem como a veracidade das informações prestadas; h) o contrato anexo comprova a natureza do serviço de construção civil e o emprego de materiais para execução da obra; i) as notas fiscais anexas comprovam os materiais utilizados na obra contratada; j) a nota fiscal emitida pela contribuinte discrimina o contrato a que corresponde e comprova a origem da receita; k) a nota fiscal emitida pela contribuinte e o DARF, se confrontados, comprovam que o lucro presumido foi apurado pelo percentual de 32% e que o IRPJ foi recolhido a maior que o quádruplo do valor; l) a não retificação do débito de IRPJ na DCTF e na DIPJ não decorreu de dolo da contribuinte e sim do entendimento equivocado de que as informações prestadas na Declaração de Compensação supririam a sua necessidade; m) para evitar decisões divergentes sobre fatos idênticos, requer o apensamento deste processo ao processo de crédito n 10855900739/200881. Ao final, requer que seja dado provimento a presente manifestação para homologar a compensação efetuada e anular o débito. DA DECISÃO RECORRIDA Em breve síntese, a decisão recorrida negou provimento à manifestação de inconformidade sob o fundamento de que o contribuinte a solução de consulta a que faz referência asseverou, de um lado, a alíquota de 8% para a construção civil com o emprego de materiais, mas também que as empresas que exercem atividades diversificadas devem aplicar a alíquota específica de cada atividade. No contrato social apresentado, a empresa exerce diversas atividades de serviços (nesse passo, o julgador elenca cada uma delas). Assim, os contratos por ela assinados podem abrigar mais de um tipo de atividade, o que exige a documentação fiscal cabível para a apuração da base de cálculo do IRPJ. O contribuinte apresentou Notas Fiscais Faturas de Serviços e demais documentos pertinentes. No entanto, o imposto não é apurado, nota a nota. Como o contribuinte não fez a nova apuração do imposto devido no trimestre, deixou de demonstrar o montante do indébito. Quanto a essa parte, vale transcrever o trecho original da decisão: Contudo, o direito à repetição do indébito não diz respeito a cada nota fiscal como pretendido pela contribuinte. Repetir o IRPJ atinente a cada nota fiscal emitida para a Cia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo caracteriza flagrante impropriedade, vez que o que a contribuinte pleiteia como indébito, na PER/Dcomp [...], é o IRPJ pago com base na apuração do lucro presumido do 1º trimestre de 2000, e este não incide em cada nota fiscal em particular, mas sim sobre uma base de cálculo, determinada pela aplicação de um percentual sobre o montante da receita bruta, decorrente da venda de mercadorias e serviços, acrescido de outras receitas e ganho de capital, apurado trimestralmente na forma da lei. Portanto, a contribuinte deveria trazer aos autos demonstrativo da apuração do lucro presumido do 1 trimestre de 2000 com Fl. 469DF CARF MF Processo nº 10855.900803/200824 Acórdão n.º 1401002.428 S1C4T1 Fl. 5 4 aplicação, no caso de atividades diversificadas, do percentual correspondente a cada atividade, a fim de se determinar a base de cálculo e o imposto de renda devido e, aí sim, cotejar o IRPJ pago com aquele efetivamente devido. Foi essa a razão que orientou o voto para negar provimento à manifestação de inconformidade. RECURSO VOLUNTÁRIO O contribuinte apresentou recurso voluntário além de documentos nas páginas seguintes. Desta vez, além das notas fiscais e contratos de prestação de serviços, carreou o diário do período (1º trimestre de 2000), com o balanço, a demonstração do resultado do exercício e o plano de contas. Na peça recursal, aduziu inicialmente as mesmas razões oferecidas na manifestação de inconformidade. Ademais, afirma que os documentos apresentados seriam suficientes para comprovar o indébito, pois, apesar de não ter juntado os livros fiscais, carreou toda a documentação que deu suporte à sua escrituração. De toda sorte, dada a exigência da autoridade julgadora de primeiro grau, juntou ao recurso todas as notas fiscais emitidas no trimestre, os contratos, as notas fiscais dos materiais empregados e a cópia do seu livro diário. É o relatório do essencial. Fl. 470DF CARF MF Processo nº 10855.900803/200824 Acórdão n.º 1401002.428 S1C4T1 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.416, de 13/04/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10855.906076/2009 90, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. O direito creditório analisado no processo paradigma teve como origem o IRPJ pago com base na apuração do lucro presumido do 4º trimestre de 2001. No presente processo, o direito creditório pleiteado tem como origem o IRPJ pago com base no lucro presumido apurado no 1º trimestre de 2000. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.416): "Inicialmente, apesar de não discordar da conclusão do voto como explicarei posteriormente, devo dizer que a premissa adotada pela autoridade julgadora de primeiro grau foi muito rigorosa. Não é necessário, no meu ponto de vista, demonstrar novamente toda a apuração do trimestre para se verificar um valor de indébito a partir de algumas notas fiscais. Afinal, se o contribuinte adotou o percentual de 32% para toda a sua receita e, posteriormente, comprova que alguns dos valores registrados estão submetidos a percentual diverso, o montante do indébito corresponderá à diferença de percentual sobre a receita apontada. Esse raciocínio é o mesmo que permite à autoridade fiscal lançar o imposto de renda a partir da verificação de apenas alguns itens do resultado, sem que necessite recalcular toda a base de cálculo. Com os elementos apresentados pelo contribuinte, é possível aferir que houve serviços prestados com o emprego de materiais, mas não é possível aferir exatamente quais e nem identificar o seu montante. Podemos verificar que, no período, o contribuinte prestou serviços apenas para a SABESP, em razão da seqüência contínua de notas fiscais que vão da nº de 180, emitida em 01/10/2001 a 199, emitida em 17/12/2001. Ou seja, todas as suas receitas provieram da execução de contratos com essa empresa. Fl. 471DF CARF MF Processo nº 10855.900803/200824 Acórdão n.º 1401002.428 S1C4T1 Fl. 7 6 Nos referidos contratos, consta cláusula que impõe ao prestador o dever de empregar os materiais. Houve materiais adquiridos no período. Aliás, além do período (foram adquiridos no interregno entre a celebração dos contratos e das prestações de serviço), é possível identificar que tais materiais foram empregados nos serviços prestados à Sabesp em função de referências como "Material a ser utilizado na obra de Hortolândia/SP" (vide fl. 370), justamente o local de execução das prestações de serviço. No entanto, não é possível aferir (e nem sequer o contribuinte indica) quais notas se referem a serviços prestados com o fornecimento de materiais. Sabemos que uma parte dessas notas são relativas à prestação de serviço com fornecimento de material, mas elas não correspondem ao todo, uma vez que o contribuinte pleiteia indébito significativamente menor que a aplicação da diferença de percentual sobre o total da receita. Ademais, não sabemos quais são as notas dentre aquelas apresentadas e nem o seu montante, uma vez que, entre as notas de aquisição de materiais e as de prestação de serviço, inexiste vinculação, a qual nem sequer pode ser inferida pela proximidade de datas. Sem essa quantificação, não é possível aferir o valor do indébito, que para ser deferido exige a sua liquidez. Por essas razões, nego provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 472DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11516.002955/2004-40
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 11 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA
JURÍDICA- IRPJ
Ano-calendário: 2000
OMISSÃO DE RECEITAS.
A falta de comprovação adequada da origem de valores para
aumento de capital caracteriza omissão de receita.
ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES
Ano-calendário: 2000
TRIBUTAÇÃO REFLEXA PIS CSLL. COFINS.
Aplica-se ao lançamento reflexo o mesmo tratamento dispensado
ao lançamento matriz, em razão da relação de causa e de efeito
que os vincula.
Lançamento procedente.
Numero da decisão: 1301-000.434
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª câmara / 1ª turma ordinária da primeira
SEÇÃO DE JULGAMENTO, negar provimento ao recurso voluntário, por votação unânime.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas - demais presunções legais
Nome do relator: Ricardo Luiz Leal de Melo
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA- IRPJ Ano-calendário: 2000 OMISSÃO DE RECEITAS. A falta de comprovação adequada da origem de valores para aumento de capital caracteriza omissão de receita. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Ano-calendário: 2000 TRIBUTAÇÃO REFLEXA PIS CSLL. COFINS. Aplica-se ao lançamento reflexo o mesmo tratamento dispensado ao lançamento matriz, em razão da relação de causa e de efeito que os vincula. Lançamento procedente.
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Matéria IRPJ/CSLL/COFINS/PIS Recorrente ACCR CONSTRUÇÕES LTDA. Recorrida 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte/MG ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA- IRPJ Ano-calendário: 2000 OMISSÃO DE RECEITAS. A falta de comprovação adequada da origem de valores para aumento de capital caracteriza omissão de receita. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Ano-calendário: 2000 TRIBUTAÇÃO REFLEXA PIS CSLL. COFINS. Aplica-se ao lançamento reflexo o mesmo tratamento dispensado ao lançamento matriz, em razão da relação de causa e de efeito que os vincula. Lançamento procedente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª câmara / 1ª turma ordinária da primeira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, negar provimento ao recurso voluntário, por votação unânime. LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente RICARDO LUIZ LEAL DE MELO Relator Fl. 1DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/01/2011 por RICARDO LUIZ LEAL DE MELO, Assinado digitalmente em 28/01 /2011 por RICARDO LUIZ LEAL DE MELO, Assinado digitalmente em 22/03/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COU TO 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto, Valmir Sandri, Waldir Veiga Rocha, Ricardo Luiz Leal de Melo, Paulo Jackson da Silva Lucas e André Ricardo da Silva Lemes. Relatório ACCR CONSTRUÇÕES LTDA., já qualificada nestes autos, inconformada com o Acórdão n° 02-18.248, de 30/06/2008, da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte/MG, recorre voluntariamente a este Colegiado, objetivando a reforma do referido julgado. De ação fiscal procedida junto à sociedade empresarial acima identificada, com vistas a verificar o cumprimento das obrigações tributárias relativas ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ apurado pelo regime de tributação do lucro presumido, resultou a lavratura do auto de infração de fls. 130/136 e, em decorrência deste, o da Contribuição para o Programa de Integração Social - PIS (fls. 137/142), da Contribuição para Financiamento do Programa de Integração Social - PIS (fls. 137/142), da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social - COFINS (fls. 143/148) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL (fls. 149/156), todos referentes ao ano-calendário de 2000. O valor total do crédito tributário constituído, conforme demonstrativo consolidado no doc. de fls. 02, é de R$ 288.093,46 (duzentos e oitenta e oito mil, noventa e três reais e quarenta e seis centavos), incluídos o principal, multa e juros de mora, estes calculados até 29/10/2004. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (fls. 120/129), as infrações foram descritas como omissão de receitas: 1. ao efetuar a integralização de capital em moeda corrente, sem comprovação da origem e da efetiva entrega do numerário; 2. ao deixar de reconhecer como receita as parcelas do preço nas vendas de imóveis, quando o recebimento foi efetivado mediante aceite de imóveis de menor valor; 3. ao tributar como receita operacional os valores correspondentes aos juros e à variação do CUB (Custo Unitário Básico) de Santa Catarina, contidos nos pagamentos de clientes. No que se refere à primeira das irregularidades descritas no Termo de Verificação Fiscal, a contribuinte não teria comprovado a origem e tampouco a efetiva entrega de recursos de caixa, no valor de R$ 183.000,00, supostamente cedidos pelos sócios e, na mesma data, registrados no livro Diário como integralização de capital. A segunda irregularidade diz respeito às parcelas recebidas de clientes em pagamentos realizados por meio de mercadorias (geralmente imóveis de menor valor), tributadas somente no momento de sua venda. A terceira infração está relacionada às receitas decorrentes de valores correspondentes a juros e a variações do CUB/SC, índice calculado pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil da Grande Florianópolis, contidos nos pagamentos de clientes, tributados como se fossem receitas operacionais, aplicando-se o percentual de 8% para a determinação da Fl. 2DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/01/2011 por RICARDO LUIZ LEAL DE MELO, Assinado digitalmente em 28/01 /2011 por RICARDO LUIZ LEAL DE MELO, Assinado digitalmente em 22/03/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COU TO Processo nº 11516.002955/2004-40 Acórdão n.º 1301-000.434 S1-C3T1 Fl. 2 3 base de cálculo, em vez de serem tratados como receitas de variações monetárias ativas, adicionados ao próprio lucro. Cientificada dos autos de infração e do Termo de Verificação Fiscal em 30 de novembro de 2004, a interessada apresentou, aos de 29 do mês de dezembro de 2004, manifestação de inconformidade (doc. de fls. 161/172), com as alegações a seguir sintetizadas. Afirma que, embora a fiscalização tenha entendido que a contribuinte não logrou êxito em demonstrar a origem e a efetiva entrega dos recursos no valor de R$ 183.000,00, por considerar a documentação apresentada não hábil e idônea para esse fim, não há razão para desconsiderar os recibos de caixa e de distribuição de lucros apresentados, pois todo o procedimento foi devidamente registrado e contabilizado, e os referidos documentos comprovam a efetividade da entrega e, conseqüentemente, da origem. Argumenta que não há definição exata do que venham a ser "documentos hábeis e idôneos" seja na legislação, na doutrina ou na jurisprudência, de forma que nada impede ao contribuinte escolher, dentre as formas legais cabíveis, aquela que melhor lhe convém para retratar a operação. No que se refere às permutas, entende que se procedesse conforme o entendimento da fiscalização, a mesma receita estaria sendo tributada duas vezes. A primeira no momento da aquisição, como se fosse parte do pagamento, e também em momento posterior, quando da venda, que seria a realização do bem em moeda. O segundo motivo relacionado a esse aspecto pelo qual o auto de infração não poderia subsistir está na natureza do negócio jurídico, que deve ser identificada como uma permuta, e não como uma operação de venda e compra com dação em pagamento. Logo, apenas a torna recebida deveria ser computada como receita e o imóvel adquirido deveria constar como estoque de mercadorias, cuja tributação ocorreria somente no momento da venda. Alega que, mesmo considerando-se o CUB como um fator de correção monetária, não deveria haver tributação como variação monetária ativa, por não ter ocorrido aumento da disponibilidade econômica, mas sim mera recomposição de valores corroídos pela inflação. Por conta disso, as quantias percebidas como correção monetária não devem sofrer tratamento tributário diferenciado da parcela principal sobre a qual incidem, visto que aquela não sobrevive sem esta. Acrescenta que juros e correção monetária, por serem apenas acessórios da obrigação principal, devem seguir o mesmo tratamento tributário desta, qual seja, o de serem considerados receita bruta decorrente da venda de bens imóveis como atividade própria do contribuinte, nos termos do art. 25, I, da Lei 9.430/96, e não como receita financeira. Pede o cancelamento dos lançamentos reflexos a título de CSLL, COFINS e PIS, por considerar insubsistente o lançamento principal de IRPJ. A 4ª Turma da DRJ em Belo Horizonte/MG analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão nº 02-18.248, de 30/06/2008, considerou parcialmente procedente o lançamento com a seguinte ementa: Fl. 3DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/01/2011 por RICARDO LUIZ LEAL DE MELO, Assinado digitalmente em 28/01 /2011 por RICARDO LUIZ LEAL DE MELO, Assinado digitalmente em 22/03/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COU TO 4 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Ano-calendário: 2000 OMISSÃO DE RECEITAS. SUPRIMENTO DE NUMERÁRIO. Os suprimentos de numerário feitos, por sócios, a título de integralização de capital em moeda corrente, quando não comprovada a origem do numerário e a efetividade da entrega, autorizam a presunção de que se originaram de recursos da pessoa jurídica, proveniente de omissão de receitas. LUCRO PRESUMIDO. BENEFÍCIOS FISCAIS. PERMUTA DE IMÓVEIS. IN SRF N° 107/88. Os benefícios fiscais da Instrução Normativa SRF n° 107, de 1988, são aplicáveis apenas ao lucro real das pessoas jurídicas e ao lucro imobiliário das pessoas físicas. LUCRO PRESUMIDO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TRIBUTAÇÃO. A variação monetária sobre preços de contratos para vendas de unidades imobiliárias ou execução de obras constitui receita financeira da empresa de construção civil, para fins de tributação com base no lucro presumido. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano-calendário: 2000 LEGALIDADE E CONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA DAS AUTORIDADES ADMINISTRATIVAS. O julgador da esfera administrativa deve se limitar a aplicar a legislação vigente. Por disposição constitucional, compete privativamente ao Poder Judiciário apreciar questionamentos relativos constitucionalidade ou à validade de normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES . Ano-calendário: 2000 LANÇAMENTOS REFLEXOS. CSLL, PIS e COFINS. Aplica- se aos lançamentos decorrentes a solução dada ao litígio principal, relativo ao IRPJ, quando os fatos tiverem as mesmas causas. Lançamento Procedente. Ciente da decisão de primeira instância em 06/08/2008, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 03/09/2008 conforme carimbo de recepção à folha 227. No recurso interposto (fls. 227/238) a recorrente repete os argumentos trazidos na fase impugnatória. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/01/2011 por RICARDO LUIZ LEAL DE MELO, Assinado digitalmente em 28/01 /2011 por RICARDO LUIZ LEAL DE MELO, Assinado digitalmente em 22/03/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COU TO Processo nº 11516.002955/2004-40 Acórdão n.º 1301-000.434 S1-C3T1 Fl. 3 5 É o Relatório. Voto Conselheiro RICARDO LUIZ LEAL DE MELO, Relator O recurso é tempestivo e dele conheço. De início, cumpre destacar que a prova da efetiva inexistência da omissão de receitas apontadas pela autoridade fiscal cabe ao interessado. A falta de comprovação adequada caracteriza omissão de receita, de acordo com o disposto no art. 40 da Lei 9.430/1996. A omissão de receitas somente é elidida pela apresentação de prova documental. A prova corresponde a documentos cuja guarda e conservação estão a cargo do próprio interessado, e que, por força do § 4°, do art. 16, do Decreto n° 70.235/1972, deveriam ter sido apresentados juntamente com a peça de impugnação ou com o recurso voluntário. A Recorrente juntou aos autos documentos (recibos de caixa e de distribuição de lucros apresentados) tentando comprovar a correção de seus lançamentos contábeis e assim comprovar a inexistência de omissão de receita. Todavia, no entender desse relator, os mesmos não foram suficientes para tanto. No que tange às supostas permutas, as mesmas se equiparam a vendas e devem, portanto, integrar a receita de vendas no mês de celebração do contrato que as previam. Ou seja, nos termos da legislação comercial vigente, tanto o valor do imóvel recebido em permuta quanto a quantia recebida em dinheiro devem ser reconhecidos como preço e, consequentemente, receita nos meses em que os contratos previam a ocorrência das permutas e dos pagamentos. Quanto à tributação da correção monetária e juros, é inequívoco que ambos configuram receita financeira e não operacional da Recorrente e devem, portanto, sofrer a devida tributação mediante adição ao lucro. Em conclusão, por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, em 11 de novembro de 2010. RICARDO LUIZ LEAL DE MELO Fl. 5DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/01/2011 por RICARDO LUIZ LEAL DE MELO, Assinado digitalmente em 28/01 /2011 por RICARDO LUIZ LEAL DE MELO, Assinado digitalmente em 22/03/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COU TO 6 Fl. 6DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/01/2011 por RICARDO LUIZ LEAL DE MELO, Assinado digitalmente em 28/01 /2011 por RICARDO LUIZ LEAL DE MELO, Assinado digitalmente em 22/03/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COU TO
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Numero do processo: 14489.000590/2008-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/2000 a 31/08/2000, 01/10/2000 a 31/01/2004, 01/03/2004 a 31/07/2004, 01/09/2004 a 31/03/2006
CESSÃO DE MÃO DE OBRA. RETENÇÃO. EXIGIBILIDADE.
A empresa contratante deverá reter 11% (onze por cento) sobre o valor bruto dos serviços contidos em nota fiscal, fatura ou recibo, e recolher a importância retida em nome da empresa contratada.
Numero da decisão: 2402-006.256
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mario Pereira De Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Jamed Abdul Nasser Feitoza - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior, Renata Toratti Cassini e Mário Pereira de Pinho Filho.
Nome do relator: JAMED ABDUL NASSER FEITOZA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2000 a 31/08/2000, 01/10/2000 a 31/01/2004, 01/03/2004 a 31/07/2004, 01/09/2004 a 31/03/2006 CESSÃO DE MÃO DE OBRA. RETENÇÃO. EXIGIBILIDADE. A empresa contratante deverá reter 11% (onze por cento) sobre o valor bruto dos serviços contidos em nota fiscal, fatura ou recibo, e recolher a importância retida em nome da empresa contratada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 48 9. 00 05 90 /2 00 8- 13 Fl. 729DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mario Pereira De Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior, Renata Toratti Cassini e Mário Pereira de Pinho Filho. Fl. 730DF CARF MF Processo nº 14489.000590/200813 Acórdão n.º 2402006.256 S2C4T2 Fl. 730 3 Relatório Temse Recurso Voluntário, de fls. 708/724, voltado contra Acórdão de fls. 693 usque 702, que, por unanimidade de votos, julgou parcialmente procedente a Impugnação, reduzindo o crédito tributário ao valor de R$ 286.638,88, acrescido de juros e multas. Por bem delinear a controvérsia, transcrevo o relatório da decisão atacada: Tratase de crédito lançado pela fiscalização (NFLD DEBCAD 37.093.6906, consolidado em 31/10/2007), no valor de R$ 360.216,38; acrescidos de juros e multa, contra a empresa acima identificada que, de acordo com o Relatório Fiscal (fls. 135/145) referese à retenção de 11% do valor bruto dos serviços contidos em notas fiscais de prestação de serviços, executados mediante cessão de mão de obra ou empreitada, nas competências de 08/2000 a 03/2006 (descontínuo). 2. Informa a Auditoria Fiscal que os valores das retenções que deveriam ser destacadas nas notas fiscais/faturas emitidas pelas CONTRATADAS e retidas pelo CONTRATANTE, foram obtidos observandose os percentuais legais, aplicados diretamente sobre o valor bruto das notas fiscais emitidas pelos prestadores dos serviços, eis que não houve o destaque do percentual de 11% (onze por cento), nos tennos do artigo 31 da Lei n° 8.212/1991 c/c o artigo 219 do RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999. 2.1. Ainda de acordo com o Relatório Fiscal de fls. 135/145, e demonstrativos anexados às fls. 146/157, as contribuições foram apuradas com base nas notas fiscais de prestação de serviços, correspondentes aos serviços considerados como executados mediante cessão de mãodeobra da seguinte natureza: operação e manutenção nas Usinas Hidroelétricas da contratante. 2.2. Tais serviços foram prestados pela empresa COMPANHIA FORÇA E LUZ CATAGUASESLEOPOLDINA, e a partir de 01/03/2004 pela CAT LEO ENERGIA S/A. DA IMPUGNAÇÃO 3. A interessada interpôs impugnação às fls. 225/525, alegando em suma: 3.1. A tempestividade da impugnação; 3.2. A decadência dos supostos créditos tributários relativos ao periodo de agosto de 2000 a setembro de 2002, nos termos do artigo 150, § 4°, combinando com o artigo 156, V, ambos do Código Tributário Nacional; Fl. 731DF CARF MF 4 3.3. Que a autoridade autuante se limitou, tãosomente, a fazer a descrição do fato gerador do tributo sem, contudo, provar a sua ocorrência; 3.4. Que os “regulamentos” listarn diversas atividades definidas ora como empreitada e ora como cessão de mãodeobra, para os fins de aplicação da retenção de 11% pelo contratante sobre as faturas de prestação de serviços por terceiros contratados; 3.5. Para os fins de aplicação da retenção aqui discutida, não basta que o serviço esteja previsto nos “regulamentos”. E necessário que os serviços sejarn prestados mediante cessão de mãodeobra, confonne o conceito legal estabelecido pelo artigo 31, da Lei n° 8.212/91; 3.6. Que conforme descrito na NFLD, a impugnante se utiliz de prestadores de serviços. Embora determinados serviços estejam expressamente listados nos “regulamentos”, os mesmos só estariam sujeitos à retenção, nos termos do artigo 31, § 3°, da Lei n° 8.212/91, se contratado mediante cessão de mãodeobra; 3.7. Que não possui qualquer relação de subordinação com as empresas contratadas para realização das atividades de operação, comprovando assim a ausência de cessão de mãode obra; 3.8. Em que pese o esforço do agente autuante, as justificativas por eles expostas com o objetivo de enquadrar as atividades de operação de usinas hidrelétricas, como uma prestação de serviço mediante cessão de mãodeobra são, notadamente insuficientes; 3.9. O conceito doutrinário de cessão de mãodeobra impõe necessariamente que os prestadores de serviços fiquem subordinados ao contratante, o qual fica responsável pela coordenação das atividades; 3.10. Em nenhum momento o fiscal autuante demonstrou a existência de uma cessão de mãodeobra, caracterizada pela subordinação dos empregados da contratada à impugnante; 3.11. No que tange ao contrato firmado com as empresas prestadoras de serviço, este contrato não tem o condão de responsabilizar a empresa pela obrigação, eis que a relação obrigacional tributária é decorrente da lei e não da vontade das partes; 3.12. Se as partes acordarem entre elas, obrigações prevendo responsabilidades pelo pagamento de tributos, estes só pode decorrer de fato gerador previsto em lei que determine a incidência no tributo; 3.13. Tampouco pode o fiscal presumir que o contrato firmado entre as partes seja a prova de que deveria a Impugnante reter os valores referentes aos 11% de contribuição social em todas as notas fiscais apresentadas por terceiros, tendo em vista que muitas notas se resumem somente a valores cobrados sobre materiais utilizados pela empresa e não pela prestação de serviço propriamente; Fl. 732DF CARF MF Processo nº 14489.000590/200813 Acórdão n.º 2402006.256 S2C4T2 Fl. 731 5 3.14. Ou seja, a Impugnante irá reter e recolher a contribuição previdenciária no percentual de 11% do valor bruto das notas fiscais das prestadoras de serviços, somente na restrita hipótese prevista em lei, qual seja, a da prestação de serviço mediante cessão de mãodeobra, o que decerto não ocorreu na espécie; 3.15. Que as notas fiscais anexa à presente defesa demonstram inequivocadamente o competente destaque dos valores devidos à Seguridade Social a titulo de retenção de 11%, retidos pelas prestadoras de serviços e os respectivos comprovantes de recolhimento, desta forma, resta afastada a alegação da autoridade fiscal de que o valor da retenção deixou de ser destacado nas notas fiscais e, conseqüentemente repassados, de forma integral, pela tomadora dos serviços, para a Previdência Social; 3.16. Requer a realização de diligências e apresentação de novos documentos, sob pena de violar o princípio da ampla defesa constitucionalmente garantido aos litigantes/contribuintes, bem como, que seja conhecida e provida a presente defesa para declarar extinto o crédito tributário. Em seu recurso, reprisa a empresa recorrente os argumentos lançados em sua peça de Defesa, no sentido em que manifesta sua irresignação nos mesmos pontos anteriormente atacados. Nesse sentido, alega não haver, no caso, que se falar em cessão de mãode obra, uma vez que não teria havido uma análise pormenorizada dos serviços ditos como previstos nos regulamentos aplicáveis à matéria, uma vez que os serviços de operação em usinas hidrelétricas não estariam inclusos no rol legal para a retenção dos 11% referentes à Contribuição Social Destaca o recorrente, às fls. 714, que: "Tal entendimento, no entanto, viola flagrantemente a jurisprudência firmada pelos Tribunais pátrios, em especial aquele já reiteradamente manifestado pelo Eg. Superior Tribunal de Justiça STJ. Nesse sentido, cumpre destacar trecho do julgamento do REsp n° 499.955', no qual o Ilmo. Ministro Teori Albino Zavascki afirma: '(..) Além disso, destacase que o rol exemplificativo colocado no § 4 ” do art. 31 deve estar em consonância com as características expostas no § 3°, não se mostrando suficiente,_para a caracterização da cessão de mãodeobra da Lei 8.212/91, a mera realização das atividades elencadas naquele dispositivo. '" Em seguida, aponta que, não se pode falar em "presunção" de que os serviços elencados no §4º do art. 31 da Lei nº 8.212/91, configuramse como de mão de obra, uma vez que, segundo o Regulamento da Previdência Social, estão sujeitos à retenção de 11% aqueles exclusivamente contratados mediante cessão de mãodeobra, conforme o §3º do art. 31 da lei supracitada. Fl. 733DF CARF MF 6 Afiança que para que se tenha "cessão de mãodeobra", imporia a dogmática que seria necessária a subordinação, e os demais elementos contidos em lei, o que não ocorre em suas atividades. Afia que, de acordo com a Cláusula Quarta do Contrato de prestação de serviços firmado com as hidrelétricas não haveria qualquer relação pessoal de subordinação pessoal entre seus administradores, empregados, prepostos e/ou terceiros sob a responsabilidade das partes acordantes. De igual modo, alerta que, segundo o Anexo II do referido contrato, relativo às Condições Gerais de Fornecimento de Materiais e Serviços, estaria afastado o caráter de subordinação na relação contratual estabelecida. (fls. 716/717) Colaciona doutrina e jurisprudência para defesa de seus pontos alegando que, em nenhum momento, nos contratos firmados com suas sócias majoritárias, estiveram presentes os requisitos necessários para configuração do termo "cessão de mãodeobra". E acrescenta: " contrato firmado entre a empresa prestadora de serviços e a Recorrente, cabe ressaltar que este contrato, por si só, não tem o condão de responsabilizar a empresa pela obrigação tributária acessória de reter 11% do valor bruto das notas fiscais relativas aos serviços prestados pelas empresas listadas pela fiscalização". Às fls. 721, destaca: "Em outras palavras, a cláusula invocada pela fiscalização segundo a qual a contratante seria a responsável pela retenção da contribuição previdenciária somente pode ser interpretada em harmonia com as normas legais vigentes e aplicáveis ao caso, bem como com as demais cláusulas contratuais e aspectos de fato inerentes, no presente caso, à prestação de serviço." E continua, às fls. 722: "Ou seja, a Recorrente irá reter e recolher a contribuição previdenciária no percentual de 11% do valor bruto das notas fiscais das prestadoras de serviços, somente na restrita hipótese prevista em lei, qual seja, a da prestação de serviço mediante cessão de mãodeobra, o que decerto não ocorreu na espécie." Ao arremate, esclarece que juntou aos autos prova inequívoca de que houve retenção de 11% pelas prestadores de serviço em questão, bem como os respectivos comprovantes de recolhimento das contribuições pela Recorrente no período do lançamento, restando evidenciado que não subsistem as alegações fiscais, pelo que o crédito tributário estaria extinto na forma do art. 156, inc. I do Código Tributário Nacional. Requer, portanto, o conhecimento e total provimento do recurso para que se torne inteiramente insubsistente o auto de infração em testilha. É o relatório. Fl. 734DF CARF MF Processo nº 14489.000590/200813 Acórdão n.º 2402006.256 S2C4T2 Fl. 732 7 Voto Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza 1 – Admissibilidade Presentes os pressupostos intrínsecos (legitimidade, interesse, cabimento e inexistência de fato impeditivo ou extintivo) e extrínsecos (tempestividade e regularidade formal) de admissibilidade recursal, voto por conhecer do recurso e passando à análise de suas razões. 2. Do lançamento e do objeto do recurso. Tratase de crédito lançado pela fiscalização (NFLD DEBCAD 37.093.6906, consolidado em 31/10/2007), no valor de R$ 360.216,38; acrescidos de juros e multa, contra a empresa acima identificada que, de acordo com o Relatório Fiscal (fls. 135/145) referese à retenção de 11% do valor bruto dos serviços contidos em notas fiscais de prestação de serviços, executados mediante cessão de mão de obra ou empreitada, nas competências de 08/2000 a 03/2006 (descontínuo). Tal obrigação estaria lastreada no que dispõe o artigo 31, da Lei n° 8.212/911 e o artigo 219 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99, impondo a Recorrente o dever de reter e recolher Contribuição Previdenciária, a razão de 11%, 1 Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher, em nome da empresa cedente da mão de obra, a importância retida até o dia 20 (vinte) do mês subsequente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, ou até o dia útil imediatamente anterior se não houver expediente bancário naquele dia, observado o disposto no § 5o do art. 33 desta Lei. (Redação dada pela Lei nº 11.933, de 2009). §1º O valor retido de que trata o caput deste artigo, que deverá ser destacado na nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, poderá ser compensado por qualquer estabelecimento da empresa cedente da mão de obra, por ocasião do recolhimento das contribuições destinadas à Seguridade Social devidas sobre a folha de pagamento dos seus segurados. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) §2º Na impossibilidade de haver compensação integral na forma do parágrafo anterior, o saldo remanescente será objeto de restituição. (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). §3º Para os fins desta Lei, entendese como cessão de mãodeobra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividadefim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). §4º Enquadramse na situação prevista no parágrafo anterior, além de outros estabelecidos em regulamento, os seguintes serviços: (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). I limpeza, conservação e zeladoria; (Incluído pela Lei nº 9.711, de 1998). II vigilância e segurança; (Incluído pela Lei nº 9.711, de 1998). III empreitada de mãodeobra; (Incluído pela Lei nº 9.711, de 1998). IV contratação de trabalho temporário na forma da Lei no 6.019, de 3 de janeiro de 1974. (Incluído pela Lei nº 9.711, de 1998). §5º O cedente da mãodeobra deverá elaborar folhas de pagamento distintas para cada contratante. (Incluído pela Lei nº 9.711, de 1998). §6º Em se tratando de retenção e recolhimento realizados na forma do caput deste artigo, em nome de consórcio, de que tratam os arts. 278 e 279 da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976, aplicase o disposto em todo este artigo, observada a participação de cada uma das empresas consorciadas, na forma do respectivo ato constitutivo. Fl. 735DF CARF MF 8 incidente sobre a nota fiscal ou fatura de prestação de serviços executados mediante cessão de mãodeobra ou empreitada, inclusive em regime de trabalho temporário. O Acórdão objurgado foi parcialmente procedente, eis que as contribuições lançadas até a competência 09/2002, foram atingidas pela decadência, mantendo, no mais, os débitos lançados. O Recorrente, por sua vez, centra as discussões no conceito de cessão de mãodeobra e sua inaplicabilidade as operações tomadas por base para o lançamento objetado. 3. DO CONCEITO DE CESSÃO DE MÃO DE OBRA E DA ALEGAÇÃO DE INDEVIDO ENQUADRAMENTO DOS PRESTADOS À RECORRENTE EM TAL MODALIDADE DE CONTRATAÇÃO. 3.1. Do conceito de cessão de mãodeobra. O Art. 31 da Lei 8.212/91, alterado pela Lei nº 9.711/98, estabelece que a empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive sob regime de trabalho temporário, deverá reter 11% do valor bruto da nota fiscal ou fatura relativa a tais serviços. 2 Estabelece ainda que tal valor deve ser destacado em nota fiscal ou fatura, sendo objeto de compensação pelo cedente da mão de obra, quando do recolhimento das contribuições de seus segurados, incidentes sobre folha de pagamento e que, na impossibilidade de haver compensação, o saldo remanescente será objeto de restituição. 3 Tratase de contribuição arrecadada sob a sistemática de antecipação do devido por meio da técnica de retenção na fonte pagadora, que passa a condição de responsável solidária em caso de ausência de retenção e recolhimento de tal antecipação. A própria Lei 8.212/91, no parágrafo 3º do Art. 31, dispõe sobre o conceito de cessão de mãodeobra para os fins de incidência da obrigação tributária acessória em estudo. Vejamos: §3º Para os fins desta Lei, entendese como cessão de mãode obra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividadefim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. E seguindo em seu intento de limitação do alcance conceitual de cessão de mão de obra, apresentou rol de atividades presumidamente classificáveis como tal, deixando 2 "Art.31.A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente da mãodeobra, observado o disposto no § 5º do art. 33. 3 Art. 31 [...] §1º O valor retido de que trata o caput, que deverá ser destacado na nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, será compensado pelo respectivo estabelecimento da empresa cedente da mãodeobra, quando do recolhimento das contribuições destinadas à Seguridade Social devidas sobre a folha de pagamento dos segurados a seu serviço. §2º Na impossibilidade de haver compensação integral na forma do parágrafo anterior, o saldo remanescente será objeto de restituição Fl. 736DF CARF MF Processo nº 14489.000590/200813 Acórdão n.º 2402006.256 S2C4T2 Fl. 733 9 aberta a possibilidade de norma regulamentadora, indicar outras atividades com tal natureza. Vejamos: §4º Enquadramse na situação prevista no parágrafo anterior, além de outros estabelecidos em regulamento, os seguintes serviços: I limpeza, conservação e zeladoria; II vigilância e segurança; III empreitada de mãodeobra; IV contratação de trabalho temporário na forma da Lei nº 6.019, de 3 de janeiro de 1974. E por fim segue estabelecendo outras obrigações inerentes a operacionalização de tal obrigação, como a determinação, ao cedente da mãodeobra, do dever de elaborar folhas de pagamento distintas para cada contratante4. O Regulamento Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, em seu Art. 219, §2º passou a listar uma série de atividades que seriam presumidamente classificadas como cessão de mãodeobra. Entretanto, não deixou de estabelecer como premissa de aplicação da presução, uma avaliação quanto ao conceito de cessão de mão de obra. Vejamos: Art. 219. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão ou empreitada de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços e recolher a importância retida em nome da empresa contratada, observado o disposto no § 5º do art. 216. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729, de 2003) § 1º Exclusivamente para os fins deste Regulamento, entendese como cessão de mãodeobra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividade fim da empresa, independentemente da natureza e da forma de contratação, inclusive por meio de trabalho temporário na forma da Lei nº 6.019, de 3 de janeiro de 1974, entre outros. § 2º Enquadramse na situação prevista no caput os seguintes serviços realizados mediante cessão de mãodeobra: [...] Assim, ainda que os serviços seja referentes as atividades listas nos incisos do §2º do Art. 219 do RPS, não se pode deixar de verificar se a contratação de tais serviços se enquadra no conceito de cessão de mãodeobra. Importante registrar que para alguns, o fato da atividade constar do Rol de serviços de que trata o §2º do Art. 219 do RPS, implicaria em presunção legal de incidência da 4 §5º O cedente da mãodeobra deverá elaborar folhas de pagamento distintas para cada contratante." Fl. 737DF CARF MF 10 obrigação acessória de retenção, que somente poderia ser afastada com base em provas hábeis e idôneas capazes de demonstrar que a contratação não se realizou sob o regime de cessão de mãodeobra. Para este relator, o rol em questão representa, em realidade, uma prescrição taxativa dos serviços que, se prestados sob o regime de cessão de mãodeobra, gerariam a obrigação do contratante, sob pena de responsabilidade solidária, de reter e recolher, por antecipação do devido pelo contratado, parte da contribuição previdenciárias incidente sobre a folha de pagamentos dos empregados da cedente, que estejam a seu serviço. Assim, aqueles serviços que, mesmo prestados sob o regime de cessão de mão de obra, não tiverem previsão em tal lista, não gerariam o dever de retenção ou responsabilidade solidária do contratante. Em qualquer dos casos, é imprescindível à validade do lançamento, a demonstração de que a contratação atende as características de uma locatio operarum. Em que pese haver algumas variações quanto ao conceito de cessão de mão deobra, uma vez que a lei tomou para sí o deve de definila, não caberia ao interprete, em nosso sentir, desconsiderar os elementos de tal conceito ao interpretar a aplicabilidade do mesmo aos fatos econômicos em análise. Nesse sentido, seria objeto de analise, apenas as operações que tivessem por objeto a cessão de mãodeobra, ou seja, a cessão de qualquer outro elemento que não se amolde ao conceito de mão de obra, não se amoldaria a hipotese legal de incidência da obrigação em estudo. De Placito e Silva assim define o que vem a ser, para fins jurídicos, a mão deobra: “MÃODEOBRA. Assim se entende, na execução de qualquer trabalho ou obra, o esforço pessoal ou a ação pessoal do trabalhador ou obreiro, sem que se tome em conta o material empregado. Corresponde ao serviço simplesmente necessário à feitura da obra, que se quer executar. A mãodeobra tanto se entende a que é executada manualmente como a mecânica. Em quaisquer dos casos, a mãodeobra exprime somente o serviço para a execução do trabalho ou da obra, não se computando nele o que for necessário para que seja executado.” 5 Portanto, o que se loca, o objeto da cessão, é a força de trabalho dos segurados que mantém relação de emprego para com a empresa cedente. Nesse sentido, ainda que se necessite de trabalhadores para a execução, nem todo contrato de prestação de serviço, ainda que constante do rol previsto no RPS, seria classificado como cessão de mão de obra. Sendo a cessão da força de trabalho objeto do contrato de cessão de mãode obra, um corolário lógico é que o segurado relacionado a tal cessão, permaneça à disposição do contratante para realização do serviço, não importando, em nosso sentir, se a determinação do que será realizado se dará pelo contratante ou por preposto do contratado, eis que a subordinação não integra o conceito legal de cessão de mãodeobra para fins previdenciários. A força de trabalho cedida e sob disponibilidade do contratante, deve ser empregada em seu estabelecimento ou de terceiros por este determinando. 5 DE PLÁCIDO E SILVA, Vocabulário Jurídico, Forense: Rio de Janeiro, 1984, p. 418419 Fl. 738DF CARF MF Processo nº 14489.000590/200813 Acórdão n.º 2402006.256 S2C4T2 Fl. 734 11 Por derradeiro, a atividade realizada deve ter por característica a continuidade, eis que serviços esporádicos, pontuais, não se amoldam ao conceito de cessão de mãodeobra definidos pela Lei 8.231/91. Isto posto, entendemos delimitado o conceito que informará nosso convencimento quando da analise de cada uma das operações objeto de lide, eis que somente pela analise individual dos elementos probatórios disponíveis nos autos, será possível avaliar a legalidade do lançamento combatido e mantido pela decisão objetada. 3.1. Da alegada incompatibilidade das operações ao conceito de cessão de mão de obra. O Relatório Fiscal [fls. 114/129], registra que a notificação foi lavrada em decorrência da não comprovação da retenção e recolhimento dos 11% (onze por cento) do valor da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, prevista no artigo 31 da Lei n° 8.212/1991, na redação dada pela Lei n° 9.711/1998. O dispositivo legal referenciado na impugnação, prevê a obrigatoriedade da empresa contratante de serviços executados e diante cessão de mãodeobra. reter e recolher, até a data do vencimento, os 11% (onze por cento) do valor da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços. O I. Agente fiscal assim registra o que entendeu por fato gerador: O fato gerador das contribuições apuradas foi a prestação de serviços para a realização da operação das USINAS HIDROELÉTRICAS de propriedade da Contratante, cuja realização enseja a incidência de contribuições previdenciárias, conforme determinação legal, os quais foram realizados pela empresa COMPANHIA FORÇA E LUZ CATAGUAZES LEOPOLDINA. A partir de 01/03/2004 foram transferidos os direitos e obrigações da COMPANHIA FORÇA E LUZ CATAGUAZESLEOPOLDINA em contrato firmado com o sujeito passivo para a CAT LEO ENERGIA S.A., CNPJ 02.260.955/000103 que portanto passou a prestar os sen/iços de operação nas Usinas Hidroelétricas da contratante. (...) No desenvolvimento da ação fiscal, foi verificado que a empresa COMPANHIA FORÇA E LUZ CATAGUAZESLEOPOLDINA, CNPJ 19.527.639/000158 com a interveniência da CATLEO ENERGIA S.A, CNPJ 02.260.955/000103 a partir de 01/03/2004 (conforme Segundo Termo, Aditivo em anexo), prestou serviços para a VALESUL ALUMINIO S.A., em atividade sujeita a retenção de 11%, conforme determinado no artigo 31 da Lei nº 8.212/91 e no artigo 219 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto ng 3.048/99. O valor da retenção deixou de ser devidamente destacado nas notas fiscais, assim como se constatou que os mesmos não foram retidos e, conseqüentemente, repassados, de forma integral, pela tomadora dos serviços, para a Previdência Social. (...) Fl. 739DF CARF MF 12 5.4. O objeto do contrato, previsto na cláusula primeira. do mesmo, é a “PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE OPERAÇAO E MANUTENÇAO das Usinas Hidroelétricas” (grifo nosso). Analisando os contratos e notas fiscais relativas a essas operações é possível verificamos que tratase de contrato cujo objeto é o fornecimento de mão de obra para operação e manutenção da usina sendo realizado de modo continuo e no estabelecimento da Recorrente, sendo inequívoco a incidência da obrigação em lide sobre tais operações. Quanto ao destaque em nota fiscal, de fato é perceptível tal destaque nas notas fiscais juntadas aos autos, porém, em base menor que a totalidade da nota fiscal ou fatura. Embora o contrato tenha previsão quanto ao fornecimento de materiais, as notas não identificam que materiais foram aplicados e seus respectivos valores em casa operação. Nos termos previstos na Instrução Normativa INSS/DC ng 71/2002, art. 106, §2º, na falta de discriminação do valor da parcela relativa a material ou a equipamento em nota fiscal, em fatura ou em recibo, a basedecálculo para a retenção será o seu valor bruto, sendo este o caso do presente lançamento. A contrário do que alega a Recorrente, o presente lançamento decorre da ausência de recolhimento de parte da retenção de 11% (onze por cento) sobre o valor bruto das notas fiscais/faturas de prestação de serviço, nos termos previstos no artigo 31 da Lei 8.212/1991, eis que não consta dos contratos apresentados e notas fiscais de fls. 334/399 a discriminação dos valores correspondentes aos materiais utilizados, pelo que a auditoria considerou o valor bruto das notas fiscais, conforme esclarecido no item 5.13 do relatório fiscal, para apuração da base de cálculo, tanto é que o valores parcialmente recolhidos foram objeto de dedução, conforme planilhas de fls. 146/158. Assim, não merece acolhida a pretensão do Recorrente Conclusão Pelo exposto, voto no sentido de conhecer do Recurso para, no mérito, negar lhe provimento. (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Fl. 740DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.660423/2012-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/06/2012
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE.
Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade.
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA.
Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
Numero da decisão: 3401-004.824
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 30/06/2012 DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1744; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 2 1 1 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.660423/201211 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3401004.824 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 21 de maio de 2018 Matéria COMPENSAÇÃO COFINS Recorrente ALL NET TECNOLOGIA DA INFORMACAO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/06/2012 DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Rosaldo Trevisan Presidente e Relator (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 66 04 23 /2 01 2- 11 Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10880.660423/201211 Acórdão n.º 3401004.824 S3C4T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado. Relatório Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra não homologação de compensação declarada por meio eletrônico (PER/DCOMP), relativamente a um crédito de Cofins, que teria sido recolhido a maior no período de apuração. O Despacho Decisório da DERAT/SÃO PAULO, não homologou o pedido de compensação, sob o fundamento de que, embora localizado o pagamento que deu origem ao suposto crédito original de pagamento indevido ou a maior, o mesmo estava à época do encontro de contas integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados. Notificada da decisão a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade. A DRJ Ribeirão Preto julgou improcedente a impugnação por unanimidade de votos, mantendo o crédito tributário devido. A empresa apresentou recurso voluntário onde somente alega que apesar de ter protestado em sede de impugnação pela falta de motivação do indeferimento no despacho decisório, o acórdão recorrido não demonstrou a motivação, que os atos administrativos devem ser motivados para não ter cerceado seu direito de defesa, não apresentando provas do seu direito. É o relatório. Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10880.660423/201211 Acórdão n.º 3401004.824 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.681, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.660277/201223, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.681): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. A recorrente protesta pela falta de motivação do despacho decisório que indeferiu o seu pedido de compensação. Entendo que o despacho decisório cumpre os requisitos legais e possui todo o escopo necessário ao exercício do contraditório e da ampla defesa pelo contribuinte. Nele está inscrito o enquadramento legal da autuação: Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Também nele encontrase a fundamentação da decisão, ficando claro que o crédito indicado foi localizado, mas já havia sido utilizado para quitação de outros débitos do contribuinte: A análise do direito creditório está limitada ao valor do "crédito original na data de transmissão" informado no PER/DCOMP, correspondendo a 4.812,66. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Entendo que o prejuízo, se havido, foi provocado pelo próprio contribuinte que deixou de apresentar provas que indicassem que era portador do crédito alegado. Ademais, como bem demonstrado no acórdão recorrido, o crédito já havia sido utilizado e alocado, e apesar de ser o único DARF pago pela empresa no ano de 2012, o mesmo foi utilizado em 193 pedidos de compensação. Esse procedimento utilizado pelo contribuinte, de alocar o mesmo crédito a várias Dcomps enseja a cominação de prestação de informação falsa à RFB já Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10880.660423/201211 Acórdão n.º 3401004.824 S3C4T1 Fl. 5 4 que há um campo na PER/DCOMP onde é perguntado se aquele crédito já foi informado em outro PER/DCOMP e o contribuinte respondeu “NÃO” em todas as declarações. Por ser extremamente didático, reproduzo o acórdão recorrido, em sua íntegra, para que não haja dúvidas quanto as suas conclusões que acompanho: Em preliminar, não merece acolhida a alegação de nulidade do Despacho Decisório, vez que o mesmo apresenta de forma clara e precisa o motivo da não homologação da compensação, qual seja, a inexistência de crédito disponível para a compensação dos débitos informados na DCOMP. O Despacho Decisório preenche todos os requisitos formais e materiais para sua validade, contendo todos os elementos necessários ao exercício do direito de defesa do contribuinte, trazendo em seu bojo, ainda que de forma sintética, a fundamentação legal, a identificação da declaração de compensação enviada pela empresa, a data da transmissão, o tipo de crédito, as características do DARF apontado pela empresa na DCOMP, bem como o período de apuração a que se refere. Por outro lado, os motivos da nãohomologação residem nas próprias declarações e documentos produzidos pela contribuinte. Estas são, portanto, a prova e o motivo do ato administrativo, não podendo a interessada alegar que os desconhecia. Importante fixar que a DCOMP se presta a formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro, a quem cabe, portanto, a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, cabendo à autoridade tributária a sua necessária verificação e validação. Encontradas conforme, sobrevém a homologação confirmando a extinção. Não confirmadas as informações prestadas pelo declarante, o inverso se verifica. No caso, a contribuinte declarou um débito e apontou um documento de arrecadação como origem do crédito. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte foi realizada também de forma eletrônica, tendo resultado no Despacho Decisório em discussão. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, nos sistemas da Receita Federal, embora localizado o DARF do pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente foi totalmente utilizado e alocado aos débitos informados em DCTF, não restando dele o saldo apontado na DCOMP como crédito. Assim, não padece de nulidade o despacho decisório proferido por autoridade competente, contra o qual o Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10880.660423/201211 Acórdão n.º 3401004.824 S3C4T1 Fl. 6 5 contribuinte pôde exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. O débito declarado e pago encontrase em conformidade com a correspondente DCTF, a qual tem seus efeitos determinados pelo § 1º do artigo 5º do Decreto lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, entre eles o da confissão da dívida e o condão de constituir o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do Fisco. Quando da transmissão e da análise do PER/DCOMP em tela, o crédito efetivamente não existia, pois o pagamento efetuado estava integralmente alocado ao débito declarado pela própria contribuinte em sua DCTF. Assim sendo, na data da transmissão do PER/ DCOMP a interessada não era detentora de crédito líquido e certo, condição sem a qual não há direito à restituição ou compensação. E não tendo o interessado trazido elementos hábeis a desconstituir a confissão do débito que fez na DCTF, inexiste razão para se reconhecer o pleiteado direito creditório relativo a pagamento pretensamente maior do que o devido, referente ao período de apuração. O extrato abaixo é a DCTF retificadora ativa da contribuinte, referente ao tributo e período em análise. Repare que a contribuinte declara um débito de COFINS em junho de 2012 no valor de R$ 29.148,73 e vincula ao débito um pagamento de R$4.985,20. No quadro abaixo, podemos verificar que o referido pagamento vem de um DARF de R$5.083,90, composto de um valor principal (R$4.985,20) mais multa por atraso (R$98,70). Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10880.660423/201211 Acórdão n.º 3401004.824 S3C4T1 Fl. 7 6 Por sinal, esse foi o único DARF de Cofins pago em 2012 pela empresa, conforme demonstra o extrato abaixo. Impende salientar que, sobre esse alegado crédito de R$ 5.083,90, a contribuinte solicita a homologação de nada menos que 193 pedidos de compensação, todos do mesmo período (2º trimestre de 2012), com mesmo vencimento em 31/07/2012 que, somados, resultam em um valor de R$ 948.369,76, conforme relação abaixo dos processos de PER/DCOMP para o mesmo DARF. .... Agrava o fato de tentar utilizar mais de uma vez o mesmo crédito a prestação de informação falsa, pois no PER/DCOMP há um campo onde é perguntado se aquele crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior já foi informado em outro PER/DCOMP, ao que o contribuinte respondeu “Não” em todos os PER/DCOMP, em infração ao inciso II do § 1º do art. 45 da IN/SRF 1.300, de 20 de novembro de 2012. Pelo exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e no mérito por negarlhe provimento. Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10880.660423/201211 Acórdão n.º 3401004.824 S3C4T1 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 81DF CARF MF
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Numero do processo: 10680.903052/2008-47
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 06 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1001-000.663
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votaram pelas conclusões os conselheiros Lizandro Rodrigues de Sousa e Edgar Bragança Bazhuni.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa- Presidente.
(assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
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Se esta não ocorrer, prevalece o lançamento original Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votaram pelas conclusões os conselheiros Lizandro Rodrigues de Sousa e Edgar Bragança Bazhuni. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva Relatório Tratase Recurso Voluntário contra o acórdão, número 0226.114, da 2ª Turma da DRJ/BHE, o qual indeferiu a Manifestação de Inconformidade contra o despacho AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 90 30 52 /2 00 8- 47 Fl. 148DF CARF MF 2 decisório que não homologou a Declaração de Compensação, transmitida pelo Programa PER/DCOMP, n° 08069.01l96.170604.l.3.047174, visando compensar débitos tributários, cujo voto, reproduzo, a seguir: Voto A manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte atende aos requisitos de admissibilidade previstos e, portanto, dela tornase conhecimento. A matéria em questão cingese à manifestação de inconformidade do contribuinte, em face da não homologação da Declaração de Compensação de fls. 08/13, por inexistência de crédito disponível para compensação declarada no PER/DCOMP, uma vez que o crédito estava integralmente alocado a débito declarado em DCTF. A Manifestante, por sua vez, alega ter cometido erro no preenchimento da DCOMP quanto à especificação do tipo de crédito tributário e que o correto seria saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário de 2003 e nao pagamento indevido ou a maior de IRPJ. Esclarecese que a retificação de DCOMP só tem cabimento nos casos de inexatidão material, e enquanto pendente de decisão administrativa, com base nos artigos 6° e 7° da Instrução Normativa n° SRF n" 414, de 30/03/2004, vigente à época da transmissão da DCOMP. No presente caso, o erro quanto à origem do crédito não se trata de inexatidão material. É uma questão de direito, posto que a natureza dos créditos é diferente. A restituição de um pagamento indevido depende de pressupostos que são diversos para a restituição do saldo negativo. Somente a título de exemplificação, destacase que as datas de valoração do crédito são totalmente diferentes. Assim, para exercer o direito à restituição, o contribuinte tem a obrigação de indicar corretamente qual a origem do crédito. Com efeito, o objeto da presente lide ê o crédito informado na DCOMP de n° 08069.01l96.l70604.l.3.047174 (doc. de fls. 08/13), que seria decorrente de pagamento indevido de IRPJ, recolhido em 30/12/2003, no valor de RS 34.163,11. . Uma vez que o DARF, está comprometido com o Imposto de Renda da Estimativa devida na competência de novembro de 2003, cabe tão somente neste julgamento o indeferimento do pedido. Registrese que o procedimento de compensação é efetuado por conta e risco tanto da Administração Federal, quanto do contribuinte. Se, por um lado corre contra a administração o prazo de homologação, que uma vez decorrido impede a recuperação de eventuais valores compensados indevidamente, de outro lado pesa sobre o contribuinte a exatidão dos valores informados, visto que, uma vez analisada a DCOMP, não é mais admitida qualquer alteração do seu conteúdo. Portanto, não merece reparo o Despacho Decisório de fl. 05, por ter sido efetuado de acordo com as determinações legais. Ante o exposto e /Í contido nos autos deste procedimento administrativo fiscal, reconheço por tempestiva e improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, para não reconhecer o direito creditório. Voto Fl. 149DF CARF MF Processo nº 10680.903052/200847 Acórdão n.º 1001000.663 S1C0T1 Fl. 3 3 Conselheiro José Roberto Adelino da Silva Relator Inconformada, a recorrente apresentou o Recurso Voluntário, tempestivo, que apresenta os pressupostos de admissibilidade, previstos no Decreto 70.235/72, e, portanto, dele eu conheço. Em seu recurso, a recorrente alega, basicamente, que: · apurou saldo negativo de IRPJ em 2003; · no ano de 2004, a recorrente procedeu à compensação parcial do crédito que possuía relativo ao saldo negativo de IRPJ de 2003, conforme PER/DCOMP n° 08423.62224.140504.1.3.043049; · após a compensação, ainda restava um saldo a utilizar; · a recorrente cometeu vários equívocos no preenchimento da PER/DCOMP, tendo informado que se tratava de pagamento indevido ou a maior, quando, na verdade, correspondia a saldo negativo de IRPJ; · muito embora tenha sido facilmente demonstrado a EXISTÊNCIA DO CRÉDITO, objeto da compensação realizada por meio do PER/DCOMP n° 08069.01196.170604.1.3.047174, o contribuinte cometeu alguns equívocos ao preencher a referida declaração, o que certamente resultou na NÃO HOMOLOGAÇÃO da compensação realizada. · primeiramente ao escolher o TIPO DE CRÉDITO, assinalou como se tratando de “PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR" quando o correto seria assinalar “SALDO NEGATIVO DE lRPJ". _ · o segundo equívoco ocorreu em função do primeiro, pois a partir da escolha errada do tipo de crédito, não informou todos os DARF's recolhidos e que serviram para compor o SALDO NEGATIVO DE IRPJ, conforme já demonstrado no item I. · por último, deixou de informar na segunda compensação realizada através do PER/DCOMP n° 08069.01196.170604.1.3.04.7174, de 17/06/2004, que o mesmo crédito foi informado em OUTRO PER/DCOMP (08423.62224.140504.1.3.043049). · tais equívocos se deram em decorrência da pouca informação a que o Contribuinte teve acesso quanto ao correto preenchimento do PER/DCOMP, carência esta que só foi suprida anos após o início do uso do PER/DCOMP, através de um treinamento organizado pela Delegacia da Receita Federal em Coronel Fabriciano, quando o Contribuinte teve a oportunidade de vir a treinar alguns de seus colaboradores; Fl. 150DF CARF MF 4 · por fim, pede, em suma, que seja reconhecido o seu direito ao crédito A recorrente, conforme mencionado no acórdão da DRJ, acima transcrito, não procedeu à retificação da declaração de compensação e que esta nem poderia ter sido admitida, após a decisão administrativa, com base nos artigos 6° e 7° da Instrução Normativa 414//2004. O fato de não ter havido a retificação da declaração, originalmente, entregue, não traz à autoridade a certeza da liquidez do crédito, conforme se verifica dos vários equívocos cometidos pela recorrente, no preenchimento da PER/COMP, conforme por ela própria afirmado em seu recurso. Reproduzo aqui os artigos 6° e 7° da Instrução Normativa 414/2004: Art. 6º O Pedido Eletrônico de Restituição, o Pedido Eletrônico de Ressarcimento e a Declaração de Compensação gerados a partir do Programa PER/DCOMP 1.3 (ou versão anterior) e transmitidos à SRF poderão ser retificados pelo sujeito passivo mediante o preenchimento e envio à SRF de documento retificador gerado a partir do Programa PER/DCOMP 1.3, desde que o pedido ou a declaração se encontre pendente de decisão administrativa à data do envio do documento retificador e, no que se refere à Declaração de Compensação, que seja observado o disposto nos arts. 7º e 8º Parágrafo único. Na hipótese de Pedido de Restituição, de Pedido de Ressarcimento ou de Declaração de Compensação elaborado mediante utilização dos formulários a que se refere o art. 3º, a retificação de que trata o caput será requerida pelo sujeito passivo mediante o encaminhamento à SRF de pedido de retificação e de novo formulário, os quais serão juntados ao processo administrativo de restituição, de ressarcimento ou de compensação para posterior exame pela autoridade competente da SRF. Art. 7º A retificação de Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP 1.3 (ou versão anterior) ou elaborada mediante utilização dos formulários a que se refere o art. 3º somente será admitida na hipótese de inexatidões materiais verificadas no preenchimento de referido documento e, ainda, da não ocorrência da hipótese prevista no art. 8º. Dispõe o artigo 170, do Código Tributário Nacional CTN, que: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Assim,em não havendo a certeza quanto ao crédito, nego provimento ao presente recurso, crédito tributário negado. É como voto. (assinado digitalmente) Fl. 151DF CARF MF Processo nº 10680.903052/200847 Acórdão n.º 1001000.663 S1C0T1 Fl. 4 5 José Roberto Adelino da Silva Fl. 152DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 14751.001442/2008-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
NULIDADE. PEDIDO DE PERÍCIA. NÃO OCORRÊNCIA
O indeferimento do pedido de perícia não tem o condão de macular a decisão exarada em primeira instância em face do livre convencimento da autoridade julgadora na apreciação da prova formadora de sua convicção.
ILEGITIMIDADE PASSIVA. INSUBSISTÊNCIA
Não procede a alegação de ilegitimidade pois o crédito tributário foi lançado contra o ente federativo e não contra o titular da respectiva Secretaria.
ALEGAÇÕES GERAIS NÃO COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO DAS OBRIGAÇÕES TRIBUTÁRIAS.
Poderia o sujeito passivo demonstrar, por meio de alegações consistentes, lastreadas em provas documentais apresentadas diretamente, ou demandadas dos órgãos da própria administração direta do governo, a comprovação dos pagamentos realizados, o que não foi feito no presente caso.
Numero da decisão: 2401-005.603
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, s membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(Assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: conselheiros Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Luciana Matos Pereira Barbosa, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier.
Nome do relator: ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 NULIDADE. PEDIDO DE PERÍCIA. NÃO OCORRÊNCIA O indeferimento do pedido de perícia não tem o condão de macular a decisão exarada em primeira instância em face do livre convencimento da autoridade julgadora na apreciação da prova formadora de sua convicção. ILEGITIMIDADE PASSIVA. INSUBSISTÊNCIA Não procede a alegação de ilegitimidade pois o crédito tributário foi lançado contra o ente federativo e não contra o titular da respectiva Secretaria. ALEGAÇÕES GERAIS NÃO COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO DAS OBRIGAÇÕES TRIBUTÁRIAS. Poderia o sujeito passivo demonstrar, por meio de alegações consistentes, lastreadas em provas documentais apresentadas diretamente, ou demandadas dos órgãos da própria administração direta do governo, a comprovação dos pagamentos realizados, o que não foi feito no presente caso.
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PEDIDO DE PERÍCIA. NÃO OCORRÊNCIA O indeferimento do pedido de perícia não tem o condão de macular a decisão exarada em primeira instância em face do livre convencimento da autoridade julgadora na apreciação da prova formadora de sua convicção. ILEGITIMIDADE PASSIVA. INSUBSISTÊNCIA Não procede a alegação de ilegitimidade pois o crédito tributário foi lançado contra o ente federativo e não contra o titular da respectiva Secretaria. ALEGAÇÕES GERAIS NÃO COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO DAS OBRIGAÇÕES TRIBUTÁRIAS. Poderia o sujeito passivo demonstrar, por meio de alegações consistentes, lastreadas em provas documentais apresentadas diretamente, ou demandadas dos órgãos da própria administração direta do governo, a comprovação dos pagamentos realizados, o que não foi feito no presente caso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, s membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 75 1. 00 14 42 /2 00 8- 51 Fl. 1305DF CARF MF 2 (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: conselheiros Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Luciana Matos Pereira Barbosa, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face da decisão da 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Recife PE (DRJ/REC), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido, conforme ementa do Acórdão nº 1127.502 (fls. 1256/1265): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA: PRINCIPAL E ACESSÓRIA. NATUREZAS DISTINTAS. O crédito em tela tem por objeto as contribuições sociais inadimplidas pelo sujeito passivo, tendo assim, no direito tributário, natureza obrigacional principal, distinta, portanto, daquela decorrente do dever instrumental de prestar informações á. Seguridade Social por meio de GFIP, esta última de caráter acessório. PLANEJAMENTO FISCAL. ATIVIDADE DISCRICIONÁRIA. Está na órbita do poder discricionário da Administração Pública Federal o planejamento fiscal, a ser entabulado pela Receita Federal do Brasil, decidindo, neste contexto, as empresas que serão objeto de fiscalização, de acordo com o interesse público, a conveniência e a oportunidade. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O presente processo trata do Auto de Infração DEBCAD nº 37.190.2657, consolidados em 15/09/2008, relativo às contribuições sociais devidas por segurados empregados, correspondentes a servidores ocupantes de emprego público, cargos em comissão e contratados por tempo determinado, não amparados por regime próprio de previdência social do Estado da Paraíba, cujas remunerações constam das folhas de pagamento da respectiva Secretaria de Saúde, onde prestaram serviços no período de 01/2004 a 12/2004, devidamente identificados às fls. 56/293 do AI 37.190.2665, lavrado na mesma ação fiscal, no valor de R$ 1.478.577,37 (fls. 02/29). Fl. 1306DF CARF MF Processo nº 14751.001442/200851 Acórdão n.º 2401005.603 S2C4T1 Fl. 3 3 De acordo com o Relatório Fiscal do Auto de Infração (fls. 44/49): 1. Constituem fatos geradores das contribuições lançadas a prestação de serviços remunerados pelos segurados empregados, lançados no Relatório de Lançamentos (RL) por meio de levantamento próprio, no de código FSE, no período de 01 a 12/2004; 2. Os fatos geradores das contribuições lançadas não foram regularmente declarados, nem o órgão comprovou a declaração, em GFIP Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social; 3. Foram consideradas no lançamento, mas não deduzidas das contribuições apuradas, as contribuições previdenciárias confessadas em documento constitutivo de crédito previdenciário, GFIP Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social, independentemente de haver ou não recolhimento correspondente, relacionadas no Relatório de Documentos Apresentados (RDA), por não corresponderem aos mesmos fatos geradores das contribuições lançadas; 4. Não foram deduzidas cotas de salário família, pois não foram apresentados os documentos necessários â comprovação dos pagamentos e da observância dos requisitos suficientes à concessão do benefício. Em 18/09/2008 o Contribuinte tomou ciência pessoal do Auto de Infração lavrado (fls. 02) e, em 17/10/2008, tempestivamente, apresentou impugnações fls. 62 a 79, instruída com os documentos nas fls. 80 a 1214. Em sua Impugnação, o Contribuinte acusa a fiscalização de não haver considerado a totalidade das GFIP e GPS na confecção do lançamento, colacionadas às fls. 80/131 e fls. 228/1214, e informa, ainda, que as unidades hospitalares pertencentes à rede estadual, promovem a confecção das citadas guias e também recolhem as contribuições sociais a seu encargo. Por fim, requer, dentre outras coisas, perícia para exame integral da documentação relativa aos arquivos de remessa das correspondentes GFIP, por entender imprescindível para o deslinde da controvérsia. Em 22/12/2008 a 7ª Turma da DRJ/REC converteu o julgamento em Diligência (fls. 1219/1222) a fim de que a fiscalização esclareça: 1. A origem dos valores considerados, para fins de dedução, contidos no Relatório de Documentos Apresentados — RDA; 2. Os valores das GPS, em cada competência, que foram considerados na confecção do presente processo; Fl. 1307DF CARF MF 4 3. Se as GPS, colacionadas pela defesa, foram consideradas no lançamento, justificando, em caso negativo, as razões de sua não inclusão; 4. Se o credito em apreço envolve as unidades hospitalares citadas pela defendente nos documentos acostados à sua impugnação; 5. Se as GFIP, trazidas na impugnação, têm alguma ligação com o presente processo. Em havendo, demonstrar, por competência envolvida, como foram as mesmas consideradas no lançamento. Em não havendo, assinalar os respectivos motivos. Em resposta à solicitação de Diligência, a autoridade lançadora se manifestou às fls. 1223/1228, onde esclareceu que os fatos geradores objeto do processo em apreço foram declarados parte em GFIP da Secretaria de Saúde e de suas unidades hospitalares, parte nas GFIP da Secretaria de Administração, porém no CNPJ do Governo do Estado da Paraíba. Elaborou planilha (fls. 1229/1236) contendo as Guias da Previdência Social existentes em favor da Secretaria da Saúde do Estado da Paraíba e suas unidades hospitalares, salientando a inexistência de saldo a deduzir do presente processo. O Contribuinte tomou ciência do resultado da diligência em 14/05/2009 (AR – fl. 1252), mas não se pronunciou dentro do prazo legal. Diante disto, o processo foi encaminhado à DRJ/REC para julgamento, onde, através do Acórdão nº 1127.502, em 10/09/2009, a 7ª Turma concluiu pela rejeição integral das argumentações da impugnação e, em consequência, pela procedência do lançamento. Em 20/11/2009 o Contribuinte tomou ciência do Acórdão da DRJ/REC (AR – fl. 1296) e, em 18/12/2009, inconformado com a decisão tomada interpôs o RECURSO VOLUNTÁRIO de fls. 1270 a 1295. No RV faz um breve Resumo da Contenda (fls. 1272/1274) para em seguida, em síntese, argumentar: 1. Preliminarmente, sobre a nulidade absoluta do feito em face do indeferimento da produção de prova pericial indispensável ao desate da controvérsia e o cerceamento do direito de defesa (fls. 1274/1278); 2. Sobre a ilegitimidade passiva da Autoridade Estadual autuada por ausência de competência para representar o Estado da Paraíba, autuado (fls. 1278/1282); 3. Sobre a Improcedência da autuação uma vez que a obrigação previdenciária principal restava cumprida, conforme comprovado nos autos (fls. 1282/1294). Finaliza o RV requerendo: 1. A decretação de nulidade absoluta do feito, ante a configuração do cerceamento ao direito de defesa do recorrente, consubstanciado na imotivada negativa da produção da prova pericial oportunamente requerida, e indispensável ao esclarecimento dos fatos; Fl. 1308DF CARF MF Processo nº 14751.001442/200851 Acórdão n.º 2401005.603 S2C4T1 Fl. 4 5 2. Em não sendo acolhida a preliminar acima suscitada, o provimento integral do presente recurso, para julgar improcedente o lançamento indevidamente realizado contra o recorrente. É o relatório Voto Conselheiro Andréa Viana Arrais Egypto Relatora Juízo de admissibilidade O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal e atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Preliminares Nulidade da decisão de primeira instância – Pedido de perícia Pleiteia a Recorrente a nulidade da decisão de primeira instância em virtude do indeferimento na realização de perícia, por entender indispensável aos destrame da controvérsia. Cumpre nesse ponto destacar que a perícia tem por finalidade a elucidação de questões técnicas ou fáticas que suscitem dúvidas ao julgador, o qual cabe avaliar a necessidade da produção da prova técnica que exige conhecimento especial. No presente caso, em face da documentação apresentada pelo contribuinte, a DRJ determinou a realização de diligência e o Auditor Fiscal esclareceu os fatos suscitados (fls. 1485/1489). Intimado para se manifestar acerca do resultado da diligência, o Recorrente quedouse inerte. Após os esclarecimentos oferecidos, o julgador de primeira instância entendeu que os elementos contidos no processo administrativo eram suficientes para a formação de sua convicção e que a análise do presente caso prescinde da realização de prova pericial. Consoante dispõe o Decreto 70.235/1972 que estabelece as regras do processo administrativo fiscal, na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente a sua convicção: Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Portanto, diferente do que foi suscitado pela Recorrente, entendo que o indeferimento do seu pleito quanto ao pedido de perícia não tem o condão de macular a decisão Fl. 1309DF CARF MF 6 exarada em primeira instância em face do livre convencimento da autoridade julgadora na apreciação da prova formadora de sua convicção. Ademais, foi determinada a realização de diligência para os esclarecimentos que se fizeram necessários. Diante disso, a fiscalização apresentou relatório conclusivo o que foi analisado no julgamento de primeira instância. O procedimento fiscalizatório foi efetuado dentro dos preceitos normativos atinentes à matéria, o contribuinte foi devidamente intimado para apresentar as razões de defesa e a juntada de provas que entendesse importantes para fundamentar suas alegações. Restou, portanto, restou plenamente assegurado o contraditório e a ampla defesa. Assim, rejeito a preliminar suscitada pela parte. Ilegitimidade passiva Segundo o Recorrente o lançamento foi realizado na pessoa do titular da Secretaria de Estado. Alega ilegitimidade passiva. Não procede a alegação aduzida. O crédito tributário foi lançado contra o ente federativo e não contra o titular da respectiva Secretaria, razão porque não merece guarida a ilegitimidade suscitada. Mérito Em razões recursais o sujeito passivo pleiteia a improcedência da autuação e disserta acerca do cumprimento da obrigação acessória. Traz alegações gerais sobre o recolhimento e repasse das contribuições previdenciárias exigidas e afirma que ocorreu o cumprimento da obrigação principal pelo sujeito passivo. Pois bem. O lançamento trata da exigência de contribuições previdenciárias, parte segurados, incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados empregados, não amparados por regime próprio da Previdência Social, que prestaram serviços à Secretaria da Saúde do Estado da Paraíba, nas competências 01/2004 a 13/2004. Em atendimento a diligência proposta pela DRJ (fls. 1219/1221), o Auditor Fiscal apresentou os esclarecimentos às fls. 1223/1227, em que assevera que as contribuições previdenciárias correspondentes aos fatos geradores vinculados à Secretaria da Saúde do Estado da Paraíba foram recolhidas de duas formas: (i) com relação às remunerações pagas ou creditadas aos segurados contribuintes individuais, declarados nas GFIP's da Secretaria da Saúde e de suas unidades hospitalares, foram recolhidas parcialmente nos próprios CNPJ's (08.778.268/000160, 08.778.268/000241, 08.778.268/000322), por meio de GPS; (ii) as correspondentes a uma parte dos fatos geradores relativos às remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados, servidores comissionados e prestadores de serviços não amparados por RPPS, confessadas nas GFIP's do Governo do Estado da Paraíba, foram recolhidas no próprio CNP do Estado (08.761.124/000100), por meio da retenção nas cotas do FPE do valor correspondente ao declarado como devido nas respectivas GFIP's; (iii) os recolhimentos mensais efetivamente realizados nos CNPJ´s da Secretaria da Saúde e suas unidades Fl. 1310DF CARF MF Processo nº 14751.001442/200851 Acórdão n.º 2401005.603 S2C4T1 Fl. 5 7 hospitalares, são inferiores as correspondentes contribuições confessadas nas respectivas GFIP's, relacionadas no RDA do lançamento. Consoante se verifica dos esclarecimentos realizados e dos documentos adunados aos autos, as informações e os recolhimentos das contribuições devidas foram efetuadas parte em uma secretaria de governo, parte em outra. Além do que, em uma mesma GFIP constam fatos geradores de diferentes Secretarias, o que, dificulta sobremaneira o controle de fiscalização, recaindo para o sujeito passivo o ônus probatório do adimplemento da obrigação tributária. Poderia o sujeito passivo demonstrar, por meio de alegações consistentes, lastreadas em provas documentais apresentadas diretamente, ou demandadas dos órgãos da própria administração direta do governo, a comprovação dos pagamentos realizados, o que não foi feito no presente caso. No que tange às GPS e ao termo de amortização de dívida adunado aos autos, transcrevo a seguir excerto do voto proferido pela Delegacia de Julgamento, o qual acrescento às razões de decidir: Por sua vez, as GPS colacionadas ao feito pela impugnante achamse especificadas na planilha de fls. 613/616. Foram incluídas nas deduções entabuladas nos AI 37.190.2673 e 37.190.2649, lavrados rid mesma ação fiscal, consoante relatório de apropriação de documentos apresentados — RADA, as fls. 42/44 do AI 37.190.2673. Não há, assim, saldo a deduzir do presente processo. De igual sorte, não ha como acolher o termo de amortização de divida fiscal, firmado com o INSS, colacionado ao feito, porque o mesmo não diz respeito ao período lançado no presente processo. Quanto ao pleito do impugnante de se promover fiscalização na Secretaria de Administração do Estado, que diz ser essencial para apuração adequada do crédito em tela, é mister ressaltar que a escolha do órgão a ser fiscalizado está dentro de uma política de planejamento fiscal, atividade discricionária, a cargo da Administração Pública Federal. Não há, em conseqüência, qualquer óbice em se promover, por questões de conveniência e oportunidade, a inspeção, em um mesmo ente federativo, de uma dada secretaria em detrimento de outra. De qualquer sorte, a impugnante poderia, como integrante do Governo Estadual, demandar junto A. citada Secretaria de Administração ou outro órgão do Executivo estadual, eventual documentação comprobatória de sua adimplência em relação ao crédito em discussão e trazêla aos autos, não havendo expressa Fl. 1311DF CARF MF 8 necessidade de se entabular fiscalização em órgão distinto do demandado. Não restou, assim, demonstrada a real necessidade de se efetivar fiscalização em outra secretaria, que não a inspecionada, motivo pelo qual se rejeita seu pleito na matéria e refutase prescindível a perícia requestada, mesmo porque não foram elaborados f. quesitos, nem apontado perito, considerandose, em conseqüência, como não formulado o mencionado pedido, consoante regramento plasmado no § 10, do art. 16, do Decreto 70.235/72, com a redação dada pela Lei n° 8.748/93. Em face das razões expendidas e tendo em vista que o sujeito passivo não se desincumbiu de comprovar os fatos que sustenta como fundamentos à sua pretensão, mantenho a exigência fiscal. Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário e, no mérito, NEGOLHE PROVIMENTO. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto. Fl. 1312DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10940.000010/2005-00
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Exercício: 2003 SIMPLES. ATIVIDADE VEDADA. LOCAÇÃO DE MÃO DE OBRA. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Se as provas acostadas aos autos pelo Fisco são insuficientes para que se possa afirmar que a interessada exerce a atividade de locação de mão de obra, a qual, diga-se, não consta entre seus objetos societários, sua opção pelo regime simplificado de pagamentos deve ser tida por válida.
Numero da decisão: 1301-00.594
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, dar provimento ao recurso voluntário da contribuinte.
Nome do relator: Waldir Veiga Rocha
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ATIVIDADE VEDADA. LOCAÇÃO DE MÃO DE OBRA. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Se as provas acostadas aos autos pelo Fisco são insuficientes para que se possa afirmar que a interessada exerce a atividade de locação de mão de obra, a qual, digase, não consta entre seus objetos societários, sua opção pelo regime simplificado de pagamentos deve ser tida por válida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, dar provimento ao recurso voluntário da contribuinte. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, Valmir Sandri e Alberto Pinto Souza Junior. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/07/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10940.000010/200500 Acórdão n.º 130100.594 S1C3T1 Fl. 121 2 Relatório JOSÉ ZITO BALABAN, já qualificada nestes autos, inconformada com o Acórdão n° 0623.130, de 24/07/2009, da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba/PR, recorre voluntariamente a este Colegiado, objetivando a reforma do referido julgado. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância, a seguir transcrito: Trata o processo de manifestação de inconformidade pela exclusão do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – Simples, por motivo de exercício de atividade vedada. 2. O Ato Declaratório Executivo de Exclusão do Simples DRF/Ponta Grossa n° 022, emitido em 30/12/2004, à fl. 68, excluiu o contribuinte do regime do Simples, com efeitos a partir de 01/02/2002, por incorrer nas vedações previstas no art. 9°, XII, “f” da Lei n° 9.317, de 1996. 3. Intimada do ADE em 18/01/2005, conforme AR de fl. 71, tempestivamente, em 25/02/2005, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 74/79, instruída com os documentos de fls. 80/93, que se resume a seguir: a. Entende que o conceito de locação de mão de obra não tem definição legal específica, podendo esta atividade, às vezes, ser confundida com a prestação de serviços como fornecimentos de mão de obra, e que a definição contida na IN SRF n° 34/89 não é suficiente para o deslinde da questão no campo do Simples, permanecendo a dúvida; b. Cita decisões proferidas pelas superintendências da 7ª e 8ª regiões; c. Explica que tem por objeto social “serviços de preparo do solo, plantio e colheita de espécies florestais”, e que presta serviços de extração de toras de madeiras, sendo que, para o desenvolvimento de suas atividades, utiliza máquinas como tratores e motosserras; d. Esclarece que, as empresas para as quais presta serviços fazem retenção do INSS à alíquota de 11% sobre o valor que corresponde à mão de obra de tratoristas, motorneiros e demais funcionários necessários para a execução dos serviços; e. Justifica que, juntamente com os documentos solicitados por parte do INSS, foi remetido erroneamente uma cópia de um esboço do contrato com o título de “Instrumento particular de contrato de empreitada”, anexada, que foi elaborado pela empresa Serrarias Campos de Palmas S/A, e que tal contrato, analisado e não aceito pelo contribuinte, sequer foi assinado, o que caracteriza como nulo, por não possuir todos os elementos necessários para gerar direitos e obrigações, e assim não poderia Fl. 130DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/07/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10940.000010/200500 Acórdão n.º 130100.594 S1C3T1 Fl. 122 3 ter sido citado pelo INSS e SRF ao apreciar a exclusão do Simples, que foi fundamentada única e exclusivamente nesse contrato; f. Afirma que é contratada para efetuar determinado serviço de corte, arraste e estaleiramento de toras de pinus, e é isso que faz com a utilização de tratores e motosserrras, além de alguns funcionários para a parte braçal, e que em qualquer tipo de prestação de serviço a empresa contratada executará os serviços conforme algumas regras impostas pelo contratante, como por exemplo, corte de árvores com diâmetros acima de 30cm, corte seletivo, bem como obrigações e cuidados que a contratada deve ter para o bom e fiel cumprimento dos serviços que a mesma é contratada para realizar; g. Acrescenta que não fica à disposição do contratante, e que pode ter vários contratantes ao mesmo tempo, o que demonstra que em hipótese alguma loca mão de obra, já que se assim fosse, receberia por horas trabalhadas e não pela produção, e que seus funcionários estão sob seu comando e subordinação, tendo vínculo empregatício como a empresa e não com a contratante; h. Cita a pergunta 157 do questionário Perguntas e Respostas disponível no site da SRF e ADI SRF n° 32, de 22/12/2004, que autoriza a atividade de reflorestamento. A 2ª Turma da DRJ em Curitiba/PR analisou a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão nº 0623.130, de 24/07/2009 (fls. 96/99), indeferiu a solicitação com a seguinte ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – Simples Anocalendário: 2002 SIMPLES. EMPREITADA DE MÃO DE OBRA. EQUIPARAÇÃO À LOCAÇÃO DE MÃO DE OBRA. CARACTERIZAÇÃO. Por equipararse à locação de mão de obra, é vedada ao Simples a execução de empreitada de mão de obra, cujos traços distintivos são: i) assunção do risco pelo empreiteiro, quanto à fiscalização, orientação e planejamento do bem objeto da contratação, segundo as especificações estabelecidas de tempo e preço; ii) apresentação de um resultado que, no caso da empreitada exclusivamente de mão de obra, é a própria execução do serviço. Ciente da decisão de primeira instância em 07/08/2009, conforme Aviso de Recebimento à fl. 101, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 03/09/2009 conforme carimbo de recepção à folha 103. No recurso interposto (fls. 103/110), a interessada reforça os argumentos já aduzidos em primeira instância. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/07/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10940.000010/200500 Acórdão n.º 130100.594 S1C3T1 Fl. 123 4 Inicialmente, busca explicitar as diferenças, por sua ótica, entre a atividade de locação de mãodeobra e a de prestação de serviços. No primeiro caso, na locação de mãode obra, “os serviços a serem prestados são vaga e imprecisamente mencionados, já que o que importa são as pessoas que serão colocadas à disposição da contratante para a prestação dos serviços que lhes forem assinalados, dentro, é claro, de sua habilitação profissional. É comum, nesse tipo de contrato inserção de cláusulas que assegurem ao contratante influir a escolha dos empregados utilizados pela contratada na execução contratual, exigindo dispensas, solicitando novas admissões, vedando substituições, etc.”. Diversamente, na prestação de serviços, atividade que afirma exercer, “a empresa prestadora de serviços não apenas coloca empregados seus à disposição da empresa tomadora dos serviços, mas também o comando das tarefas, responsabilizandose pela suas fiscalização e pelo seu andamento”. Conclui, então, que “em tal hipótese (em que a prestadora dos serviços é responsável pelo comando das tarefas e pela fiscalização e andamento dos serviços), a prestação de serviços não se caracteriza como locação de mãodeobra, não ficando a pessoa jurídica que presta tais serviços impedida de optar pelo SIMPLES”. As provas dos autos confirmariam o exercício desta atividade, e não da locação de mãodeobra. A recorrente cita diversos atos legais e infralegais que entende sustentarem seu direito à adesão e permanência no sistema simplificado de pagamentos: • Lei nº 9.317/1996, art. 9º, que não relacionaria sua atividade como impeditiva. • Perguntas e Respostas da Receita Federal, pergunta 157; • Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 32, de 22/12/2004 (por analogia); • Solução de Divergência nº 13, de 07/08/2003; • Solução de Consulta nº 204, de 16/07/2004, da 9ª RF. Conclui com o pedido de provimento de seu recurso para declarar legítima sua opção pelo SIMPLES, mantendoa no sistema simplificado nos exercícios de 2002 e seguintes. É o Relatório. Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator O recurso é tempestivo e dele conheço. Gira a lide em torno da atividade efetivamente exercida pela interessada: se locação de mão de obra, como afirma a autoridade administrativa, o que a impediria de optar pela tributação na forma do SIMPLES; ou se prestação de serviços de plantio, preparo do solo, Fl. 132DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/07/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10940.000010/200500 Acórdão n.º 130100.594 S1C3T1 Fl. 124 5 colheita e baldeamento de espécies florestais, como afirma a recorrente, com o que não haveria óbice a sua opção pela forma simplificada de pagamento. Inicialmente, é de se constatar que na Declaração de Firma Mercantil Individual (fl. 07) consta como objeto (atividades) “Serviços de preparo do solo, plantio e colheita de espécies florestais”. Ora, tal atividade, por si considerada, não implica a locação de mão de obra, e não estaria automaticamente vedada no âmbito do SIMPLES, incumbindo à autoridade administrativa carrear aos autos provas do efetivo exercício da atividade impeditiva. Exatamente a isso se propôs a Representação Administrativa de fls. 01/06, lavrada pelo diligente AuditorFiscal da Previdência Social. O conjunto probatório acostado aos autos consiste em: a) Cópia de Instrumento Particular de Contrato de Empreitada (fls. 09/11), datado de 02/01/2002, firmado entre Serrarias Campos de Palmas S/A (contratante) e a interessada (contratada), tendo por objeto “os serviços de corte, estaleiramento e carregamento de toras de PINUS [...]”. b) Cópias de Notas Fiscais de Prestação de Serviços, emitidas pela interessada nos períodos entre outubro e dezembro de 2002 para a Lavradora Rac. Madeiras Lavrama S/A (fls. 12/15); e entre março e maio de 2003 para a Serrarias Campos de Palmas S/A (fls. 16/22). c) Cópias de documentos diversos (fls. 23/57) correspondentes aos recolhimentos de FGTS e às informações à Previdência Social – GFIP – da empresa José Zito Balaban, interessada neste processo. De sua análise conjunta, concluiu o AuditorFiscal que a atividade exercida pela interessada possuiria características de locação de mão de obra, conclusão esposada pela Delegacia da Receita Federal em Ponta Grossa/PR e, já em fase contenciosa, também pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba/PR. A recorrente reclama, com propriedade, que o contrato apresentado não se encontra assinado por ela, mas somente pela outra parte. Além disso, também não há testemunhas ou registro de qualquer espécie. Seria, então, mera minuta, esboço que não teria chegado a bom termo por discordância da contratada. De fato, a força probante de referido contrato fica muito reduzida, especialmente ao se observar que a data que nele consta é 02/01/2002, com prazo de vigência de 180 dias, o que o levaria, no máximo, até 01/07/2002. As notas fiscais emitidas entre outubro e dezembro de 2002 o foram para outra empresa, diversa da suposta contratante, e não podem ser associadas de qualquer forma ao contrato. Quanto às notas fiscais emitidas para as Serrarias Campos de Palmas S/A entre março e maio de 2003, correspondem a período não abrangido pelo contrato que consta dos autos. Ainda que, por hipótese, se pudesse ter o contrato não assinado como válido, não há como saber se correspondem a uma prorrogação, ainda que tácita, ou a outros termos, ajustados entre as partes. Tratarseia de suposição muito frágil, firmada sobre outra suposição. Considero, assim, que o contrato de fls. 09/11 não pode ser tido como elemento determinante para a constatação acerca do tipo de atividade exercida pela interessada. Quanto às notas fiscais de sua emissão, observo que a descrição dos serviços é “prestação de serviços de corte, traçamento e estaleiramento de toras de pinus” (fls. 12/15) ou, simplesmente, “prestação de serviços” (fls. 16/22). Nada evidencia a forma ou modalidade Fl. 133DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/07/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10940.000010/200500 Acórdão n.º 130100.594 S1C3T1 Fl. 125 6 de contratação desses serviços, de modo a permitir a afirmação de que se trata de locação de mão de obra. Aliás, de se ressaltar que a retenção de 11% a título de contribuição previdenciária, destacada em todas as notas fiscais, não incide sobre o valor total do serviço, mas tão somente sobre uma parte, identificada como “mão de obra”. Ou seja, há uma parcela relevante das receitas auferidas que se destina à cobertura de outras despesas e custos diversos da mão de obra, incorridos pela contratada, além de sua margem de lucro, o que é coerente com suas alegações. Finalmente, quanto aos documentos correspondentes aos recolhimentos de FGTS e às informações à Previdência Social – GFIP, de seu exame não consigo chegar à conclusão da representação (fl. 05) de que “nas GFIP apresentadas constatase que os empregados da CONTRATADA, inclusive o seu titular, encontramse à disposição da CONTRATANTE para a prestação do serviço contratado”. Por certo que a interessada possuía empregados para o exercício de suas atividades, e que cumpria suas obrigações trabalhistas e previdenciárias da forma que lhe parecia correta. Mas não encontro nos documentos acostados aos autos qualquer evidência de que esses empregados estivessem “à disposição da contratante”. Diante do exposto, considero não restar cabalmente comprovado o exercício, pela interessada, da atividade de locação de mão de obra, a impedir sua opção pelo SIMPLES. Voto, pois, pelo provimento do recurso voluntário interposto. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 134DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/07/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 10166.724545/2014-80
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011
RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA.
Não deve ser conhecido o recurso de ofício contra decisão de primeira instância que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa no valor inferior a R$ 2.500.000,00, nos termos do artigo 34, inciso I, do Decreto nº 70.235/72, c/c o artigo 1º da Portaria MF nº 63/17, a qual, por tratar-se de norma processual, é de aplicação imediata.
APRESENTAÇÃO DOCUMENTOS NOVOS NO RECURSO VOLUNTÁRIO OU POSTERIORMENTE. PRECLUSÃO.
Ante o disposto no inciso III, c/c os §§ 4º e 5º do art. 16 do Decreto nº 70.23/72, não se admite a apresentação de documentos novos de caráter probatório em sede de recurso voluntário ou posteriormente a sua interposição, salvo situações excepcionais.
INTIMAÇÃO PESSOAL DE PATRONO DO CONTRIBUINTE. DESCABIMENTO.
O art. 23 da Lei nº 70.235/72 não traz previsão da possibilidade de a intimação dar-se na pessoa do advogado do autuado, tampouco o RICARF apresenta regramento nesse sentido.
IMOBILIÁRIA. CORRETOR DE IMÓVEIS. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. INEFICÁCIA DA TRANSFERÊNCIA.
A imobiliária é obrigada a recolher as contribuições previdenciárias incidentes sobre as comissões pagas aos corretores contribuintes individuais que lhe prestam serviço, sendo que eventual acerto para a transferência daquele ônus a terceiro não afeta sua responsabilidade tributária, ante o disposto no art. 123 do CTN.
AFERIÇÃO INDIRETA. PRERROGATIVA LEGAL DA AUDITORIA FISCAL.
Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Fisco pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância que reputar devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário.
MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. PRESSUPOSTO AFASTADO TENDO EM VISTA ENTENDIMENTO JUDICIAL CONSOLIDADO.
Não prospera a qualificação da multa de ofício quando fundamentada, principalmente, na consideração de ilegalidade da transferência ao adquirente da responsabilidade pelo pagamento da comissão do corretor na compra e venda de imóveis, tendo em vista decisão em sede de recurso repetitivo no REsp nº 1.599.511 pela validade de tal procedimento.
JUROS DE MORA E MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. CTN E LEGISLAÇÃO FEDERAL. PRECEDENTES STJ.
A incidência de juros de mora sobre a multa de ofício encontra fulcro legal em diversos dispositivos do CTN e da legislação tributária federal, sendo acolhida também nas decisões do STJ a respeito do tema.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. GRUPO ECONÔMICO.
As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações previdenciárias, em observância ao disposto no inciso IX do art. 30 da Lei nº 9.430/96.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SÓCIOS. PESSOA JURÍDICA.
A imputação de responsabilidade solidária dos sócios de pessoa jurídica, com amparo nos arts. 124, inciso I, e 135, inciso III, do CTN, demanda sejam verificados atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos.
Numero da decisão: 2202-004.579
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o recurso de ofício, e, por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para fins de excluir Wildemar Antonio Demartini e Marco Antonio Moura Demartini da responsabilidade solidária, e de cancelar a qualificação da multa de ofício, vencidos os conselheiros Martin da Silva Gesto, Júnia Roberta Gouveia Sampaio e Dilson Jatahy Fonseca Neto, que lhe deram provimento integral. Manifestou interesse de apresentar declaração de voto o conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ronnie Soares Anderson, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia e Dilson Jatahy Fonseca Neto.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. Não deve ser conhecido o recurso de ofício contra decisão de primeira instância que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa no valor inferior a R$ 2.500.000,00, nos termos do artigo 34, inciso I, do Decreto nº 70.235/72, c/c o artigo 1º da Portaria MF nº 63/17, a qual, por tratarse de norma processual, é de aplicação imediata. APRESENTAÇÃO DOCUMENTOS NOVOS NO RECURSO VOLUNTÁRIO OU POSTERIORMENTE. PRECLUSÃO. Ante o disposto no inciso III, c/c os §§ 4º e 5º do art. 16 do Decreto nº 70.23/72, não se admite a apresentação de documentos novos de caráter probatório em sede de recurso voluntário ou posteriormente a sua interposição, salvo situações excepcionais. INTIMAÇÃO PESSOAL DE PATRONO DO CONTRIBUINTE. DESCABIMENTO. O art. 23 da Lei nº 70.235/72 não traz previsão da possibilidade de a intimação darse na pessoa do advogado do autuado, tampouco o RICARF apresenta regramento nesse sentido. IMOBILIÁRIA. CORRETOR DE IMÓVEIS. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. INEFICÁCIA DA TRANSFERÊNCIA. A imobiliária é obrigada a recolher as contribuições previdenciárias incidentes sobre as comissões pagas aos corretores contribuintes individuais que lhe prestam serviço, sendo que eventual acerto para a transferência daquele ônus a terceiro não afeta sua responsabilidade tributária, ante o disposto no art. 123 do CTN. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 45 45 /2 01 4- 80 Fl. 3923DF CARF MF 2 AFERIÇÃO INDIRETA. PRERROGATIVA LEGAL DA AUDITORIA FISCAL. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Fisco pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância que reputar devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. PRESSUPOSTO AFASTADO TENDO EM VISTA ENTENDIMENTO JUDICIAL CONSOLIDADO. Não prospera a qualificação da multa de ofício quando fundamentada, principalmente, na consideração de ilegalidade da transferência ao adquirente da responsabilidade pelo pagamento da comissão do corretor na compra e venda de imóveis, tendo em vista decisão em sede de recurso repetitivo no REsp nº 1.599.511 pela validade de tal procedimento. JUROS DE MORA E MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. CTN E LEGISLAÇÃO FEDERAL. PRECEDENTES STJ. A incidência de juros de mora sobre a multa de ofício encontra fulcro legal em diversos dispositivos do CTN e da legislação tributária federal, sendo acolhida também nas decisões do STJ a respeito do tema. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. GRUPO ECONÔMICO. As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações previdenciárias, em observância ao disposto no inciso IX do art. 30 da Lei nº 9.430/96. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SÓCIOS. PESSOA JURÍDICA. A imputação de responsabilidade solidária dos sócios de pessoa jurídica, com amparo nos arts. 124, inciso I, e 135, inciso III, do CTN, demanda sejam verificados atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o recurso de ofício, e, por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para fins de excluir Wildemar Antonio Demartini e Marco Antonio Moura Demartini da responsabilidade solidária, e de cancelar a qualificação da multa de ofício, vencidos os conselheiros Martin da Silva Gesto, Júnia Roberta Gouveia Sampaio e Dilson Jatahy Fonseca Neto, que lhe deram provimento integral. Manifestou interesse de apresentar declaração de voto o conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ronnie Soares Anderson, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia e Dilson Jatahy Fonseca Neto. Fl. 3924DF CARF MF Processo nº 10166.724545/201480 Acórdão n.º 2202004.579 S2C2T2 Fl. 3.924 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo (SP) DRJ/SPO, que julgou parcialmente procedentes os autos de infração DEBCAD nº 51.040.9474 e nº 51.065.2697 (fls. 2/99), referentes, respectivamente, à contribuição patronal de 20% sobre as remunerações pagas aos contribuintes individuais, e às contribuições descontadas dos segurados contribuintes individuais (11%), sendo os lançamentos atinentes às competências 01/2010 a 12/2011, e aos levantamentos B1 a B3. Foram responsabilizados solidariamente a LPS Brasil Consultoria de Imóveis S/A, SPE Brasil Incorporações 17 Ltda., SPE Brasil Incorporações 41 Ltda. e SPE Brasil Incorporações 50 Ltda, e os sócios da recorrente Wildemar Antonio Demartini e Marco Antonio Moura Demartini. Passase a transcrever, na sequência, o bem elaborado resumo do procedimento fiscal e dos termos da impugnação, levado a efeito pela instância de piso: (...) 1.6. No desenvolvimento das atividades fiscais, seguiramse intimações para apresentação documentos e/ou prestação de informações/esclarecimentos de cujas respostas vale destacar: 1.6.1. Os Instrumentos Particulares de Parceria Comercial firmados entre a Autuada e alguns corretores de imóveis pessoas físicas constam cláusulas abusivas e de caráter unilateral, onde a Parceira Empresa (LPS Brasília) dita as regras contratuais, reservando para si muitos direitos e poucos deveres, e, para o Parceiro(a) Comercial (Corretor Pessoa Física), foram estipulados poucos direitos e muitas obrigações – características entendidas como próprias de uma relação de subordinação e exclusividade. Transcreve algumas previsões dos citados instrumentos. 1.7. Ademais, da análise dos referidos instrumentos, dentre outras informações, extraise que, o cliente comprador, ao fechar a compra do imóvel intermediado pelos corretores pessoa física, assumia três diferentes obrigações: i) pagar o preço do imóvel; ii) remunerar a corretora de imóveis pessoa jurídica; e iii) remunerar o corretor de imóveis independente (pessoa física). 1.8. Ainda, da análise dos dados dos arquivos digitais fornecidos pela Fiscalizada (CD/R das Folhas de Pagamento e da Contabilidade) entregues pela empresa LPS e nas informações das Guia de Recolhimento ao Fundo de Garantia e Informações à Previdência Social (Gfip) extraídas dos sistemas informatizados da RFB, não foi encontrada qualquer remuneração paga ou creditada a título de comissão/premiação de venda aos profissionais corretores bem como não foi registrado qualquer segurado corretor de imóvel. 1.9. A fim de complementar a juntada de informações e provas, a Autoridade Fiscal diligenciou junto às pessoas jurídicas incorporadoras/construtoras para as quais a Fiscalizada prestou serviços de intermediação imobiliária, junto a prestadores de serviços pessoas físicas integrantes das equipes de venda da LPS Brasília, bem como junto a compradores de imóveis. Ao todo, foram realizadas 27 Fl. 3925DF CARF MF 4 diligências em incorporadores/construtores; 11 junto a pessoas físicas (diretores, coordenadores e corretores de imóveis); e 09 em compradores. 1.10. Das referidas diligências, de forma sumariada, foram obtidas as seguintes informações: 1.10.1. Os corretores pessoas físicas que intermediaram os negócios de compra e venda dos imóveis se identificaram como representantes da imobiliária LPS Brasília. 1.10.2. Ainda, os valores constantes do contrato de compra e venda eram, geralmente, inferiores ao constante no contrato de proposta de compra e venda, devido a não inclusão do valor pago a título de comissão aos membros da equipe de vendas, especialmente os profissionais pessoas físicas. 1.10.3. Os contratos de proposta de compra e venda eram firmados, somente, entre promitente comprador e corretor, muito embora tivessem como intermediadora da venda a Autuada. 1.10.4. Ademais, a Autoridade Fiscal exemplifica a colhida de informações com dados referentes a valores envolvidos nas aquisições e corretagem, forma de pagamento com exigência de emissão de cheques distintos para a efetiva aquisição do imóvel para cada destinação contratualmente diversa (sinal, comissões etc.). 1.11. Na sequência dos trabalhos fiscais, instada a prestar novas informações/esclarecimentos, daquilo informado em resposta pelo Diretor de Negócios Adriano de Araújo Lima Freitas e pela Coordenadora de Produtos Eleonora Adele Maria Bucci, a Fiscalizada se pronuncia merecendo ser ressaltado o que segue: 1.11.1. Existência de contrato de parceria firmado entre a LPS Brasília (Lopes Royal) e os profissionais liberais; 1.11.2. No exercício das atividades laborais, os profissionais liberais usavam crachá, camiseta e cartão de identificação da empresa LPS Brasília; 1.11.3. Quanto, especificamente, ao citado Diretor de Negócios, temse que este, para competências dos anos de 2011 e 2012, após a constituição de empresa, emitiu notas fiscais como contraprestação dos serviços prestados à LPS Brasília, referentes aos percentuais de comissão/premiação que, ressaltese, eram definidos pela Diretoria Comercial e a Executiva desta. 1.11.4. Adicionalmente, fazendo referência a emails enviados pela Secretaria de Vendas da LPS Brasília aos profissionais corretores, menciona as “orientações” quanto ao modus operandi a ser observado e adotado para fins de pagamento final da comissão de corretagem. 1.12. Assim, da análise dos documentos e dos esclarecimentos prestados pelos Coordenadores e Diretores diligenciados, entendeuse que, na forma de condução do quanto avençado com as pessoas físicas (corretores de imóveis), foi objetivado o propósito específico de não recolhimento das contribuições previdenciárias oriundas das remunerações pagas a tais pessoas que prestaram serviço de intermediação imobiliária para a Autuada. 1.13. Acrescenta que tal comportamento é típico do fenômeno da Pjotização que vem ganhando adeptos no meio empresarial brasileiro, consistindo, em verdade, na adoção de planejamento tributário abusivo. 1.14. Lado outro, das diligências realizadas junto aos corretores diligenciados, destacamse as seguintes informações: Fl. 3926DF CARF MF Processo nº 10166.724545/201480 Acórdão n.º 2202004.579 S2C2T2 Fl. 3.925 5 1.14.1. Todos os documentos básicos emitidos na venda de imóvel, bem como o contrato de prestação de serviço firmado entre as partes (Corretor e LPS), normalmente ficavam sob o controle (posse e guarda) da imobiliária Lopes Royal e/ou incorporadora/construtora e uma das vias para o comprador do imóvel, nada ficando com os corretores. 1.14.2. A prestação dos serviços se dava em caráter de exclusividade, com observância obrigatória das escalas de plantões de venda, bem como era imperativa a participação em reuniões e treinamentos determinados pelos representantes da fiscalizada, sob pena de desligamento do quadro das equipes de venda da imobiliária LPS Brasília (Lopes Royal). 1.15. Ainda, das diligências realizadas em incorporadoras/construtoras, total de 27, além de sumariar algumas das informações coletadas, transcreve no processo o “fluxo de operação imobiliária” fornecido por uma daquelas empresas, bem como, reproduz cláusulas contratuais das celebrações firmadas entre as incorporadoras/construtoras e a Fiscalizada (Contrato de Intermediação para Alienação de Unidades Habitacionais e Outras Avenças). 1.15.1. Como subsídio material, acosta aos autos diversas Propostas de Compra e Venda, cheques referentes a valores de sinal, contratos de promessa de venda e compra de unidades imobiliárias etc. 1.15.2. Insta ressaltar que, dentre as citadas previsões contratuais, constava, de forma expressa, a intenção de que os promitentes compradores pagassem direta e separadamente a comissão de corretagem. 1.16. Diante das informações coletadas e acima sintetizadas, entendeu a Autoridade Fiscal pela subsunção dos pagamentos da comissão/premiação aos corretores pessoas físicas em virtude dos serviços de intermediação imobiliária prestados pela LPS Brasília às normas de incidência tributária. 1.17. Assim foi resumido pela referida Autoridade: “Constitui fato gerador da obrigação principal a prestação de serviços de intermediação imobiliária mediante o pagamento de remuneração, a título de comissão/premiação de venda, a segurados contribuintes individuais (pessoas físicas: corretores, coordenadores, diretores...) pela comercialização de imóveis ou fração ideal de terrenos vinculada a uma unidade autônoma integrantes dos empreendimentos imobiliários sob a responsabilidade da empresa LPS BRASILIA CONSULTORIA DE IMÓVEIS LTDA, segundo informações constantes nos levantamentos ...”. 1.18. Adicionalmente, esclarece que em virtude da não apresentação de documentos solicitados à Fiscalizada e da prestação de esclarecimentos deficiente, insatisfatória e/ou que não foram merecedoras de fé, no tocante ao pagamento de comissão/premiação aos profissionais responsáveis pela comercialização de imóveis pertencentes, as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos corretores independentes/demais membros das equipes de vendas (salário de contribuição) foram arbitradas, com fundamento no art. 148 do CTN. 1.19. Em adição, informa que o lançamento foi dividido em levantamentos distintos para cada empresa contratante (incorporadora/construtora) dos serviços prestados pela Fiscalizada. 1.20. Para mais do tratado, informa que o procedimento da aferição indireta se justifica e fundamenta nos princípios da legalidade, da razoabilidade, da proporcionalidade e da capacidade contributiva, com esteio no art. 33, §§ 3º e 6º da Fl. 3927DF CARF MF 6 Lei nº 8.212/91; no art. 3º, parágrafo único e no art. 20, III da Lei nº 6.530/78 e nos artigos 1º ao 3º, parágrafo único do Decreto nº 81.871/78, combinados com o previsto na Tabela de Honorários extraída do sítio do Conselho Regional de Corretores de Imóveis da 8ª Região (CRECI/DF). 1.21. Com efeito, no caso em tela, considerouse como remuneração paga aos corretores e demais pessoas físicas o mesmo valor da comissão/premiação recebida pela empresa Lopes Royal e registrado na DIMOB 2010 e 2011 e na contabilidade da Fiscalizada. 1.22. Complementa asseverando que os valores pagos aos corretores e demais pessoas físicas a título de comissão/premiação de venda não foram declarados em folha de pagamento nem em GFIP e nem lançados em títulos próprios da contabilidade. 1.23. Quanto ao cálculo das contribuições a cargo dos segurados contribuintes, informa que não foi observado o limite máximo do salário de contribuição devido à não informação por parte da empresa LPS do nome, CPF e do creci dos corretores, bem como da respectiva remuneração auferida pelos serviços prestados. 1.24. Sobre as contribuições previdenciárias apuradas foi aplicada a multa de 150% (qualificada), motivada pela prática de atos ilícitos pela Fiscalizada (sonegação fiscal). 1.25. Como informações complementares, assevera que a Lei nº 4.591/64, a Lei nº 6.530/78, bem como a Lei nº 10.406/02, exigem formalidades e documentos próprios para a prestação de serviços referentes à incorporação imobiliária, alienação/comercialização de imóveis ou de fração ideal de terrenos vinculadas a unidades imobiliárias autônomas. 1.26. Desta forma, do conjuntos dos fatos narrados, documentos analisados e informações colhidas, aduz a Autoridade Fiscal que a imobiliária fiscalizada, quer na sua condição de prestadora de serviço às incorporadoras/construtoras, quer na condição de tomadora de serviços dos profissionais pessoas físicas, atuou no intuito de fragmentar as etapas de comercialização de imóveis por meio de atos simulados/dissimulados, ao agir no sentido de fazer crer que os corretores independentes prestavam serviços para os compradores de unidades imobiliárias, em virtude de um complexo processo de intermediação engendrado pela Fiscalizada. 1.27. Tal atitude, perante a legislação tributária, caracteriza ato ilícito consubstanciado em sonegação de tributos, especificamente no pertinente às contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos profissionais pessoas físicas pelos serviços de intermediação imobiliária prestados à Fiscalizada. 1.28. Ademais, registra a Autoridade Lançadora que a prática da Fiscalizada é contumaz e, apesar de ter sido alvo de procedimentos fiscais anteriores, permanece infringindo a legislação tributária e demais leis que versam sobre o assunto. 1.29. Para mais de seus argumentos, fundamenta o entendimento exarado no art. 123 do Código Tributário Nacional, no art. 722 do Código Civil e em reiteradas decisões jurisprudenciais que transcreve e/ou cita. 1.30. Com fundamento nos artigos 124, I e 135, III do CTN e no art. 30, IX da Lei nº 8.212/91, c/c art. 222 do Regulamento da Previdência Social (Decreto nº 3.048/99), a Autoridade Fiscal articula seus argumentos de solidariedade passiva tributária. Fl. 3928DF CARF MF Processo nº 10166.724545/201480 Acórdão n.º 2202004.579 S2C2T2 Fl. 3.926 7 1.30.1. Após traçar breve histórico das alterações na composição societária, objeto e na própria razão social da Autuada, ressalta que a LPS Brasil – Consultoria de Imóveis, sócia da ora Autuada (51% capital social) tem participação permanente em aproximadamente 23 empresas coligadas/controladas, sendo a Fiscalizada uma das integrantes do referido grupo econômico, cujo principal objeto consiste na prestação de serviço de consultoria e intermediação na compra, venda, permuta e locação de imóveis, ou de direitos e obrigações a eles relativos. 1.30.2. Diante do relatado supra, existem diversos interesses comuns entre as duas empresas, tais como, dentre outros, na situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, qual seja, a prestação de serviços remunerados de intermediação imobiliária por corretores pessoas físicas, razão por que entendeu a Autoridade Fiscal pela formalização do vínculo de responsabilidade, por solidariedade da indigitada empresa. 1.30.3. Ademais, os sócios pessoas físicas, Wildemir Antonio Demartini e Marco Antonio Moura Demartini, tendo em vista que participaram conjuntamente com a Autuada na ilegalidade e abusividade que transferia ao comprador do imóvel a responsabilidade pelo pagamento da comissão/premiação dos corretores independentes, foram arrolados como responsáveis solidários dos créditos tributários lançados contra o Contribuinte. 1.30.4. Lado outro, relaciona as empresas incorporadoras/construtoras contratantes dos serviços da ora Autuada e aduz que por contratarem os serviços da empresa LPS BRASÍLIA (de forma verbal ou por escrito) para a comercialização de diversos imóveis ou fração ideal de terreno vinculada a unidade autônoma (venda na planta ou em lançamento) da sua carteira de negócios imobiliários e por participarem, de forma isolada e/ou conjuntamente com a Autuada, da ilegalidade e abusividade atinente à transferência para o comprador do imóvel da responsabilidade pelo pagamento da comissão/premiação aos corretores independentes, foram arroladas como responsáveis solidárias dos créditos tributários constituídos. 1.31. Por fim, informa que caracteriza infração à lei (crime teórico de sonegação de contribuições previdenciárias, tipificado no art. 337A do Código Penal) o procedimento adotado pelos administradores da LPS Brasília em não incluir (ou não fazer incluir) nas folhas de pagamento, nas GFIP e na contabilidade os fatos geradores das contribuições previdenciárias relativos às remunerações pagas às diversas pessoas físicas que certamente lhe prestaram serviços de intermediação imobiliária no período de 01/2010 a 12/2011. Em virtude do fato relatado foi expedida a competente Representação Fiscal para Fins Penais (RFFP). DAS IMPUGNAÇÕES IMPUGNAÇÕES DE SPE BRASIL INCORPORAÇÃO 50 LTDA., SPE BRASIL INCORPORAÇÃO 41 LTDA. E SPE BRASIL INCORPORAÇÃO 17 LTDA. (RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS) (...) IMPUGNAÇÃO DE LPS BRASÍLIA – CONSULTORIA DE IMÓVEIS LTDA. (CONTRIBUINTE) 3. O sujeito passivo LPS BRASÍLIA – CONSULTORIA DE IMÓVEIS LTDA., por intermédio de patrono, apresentou, tempestivamente (fls. 2.924), em face de todos os Autos de Infração lançados, impugnação às autuações (fls. Fl. 3929DF CARF MF 8 2.715/2.773), acompanhada dos documentos de fls. 2.774/2.797, por intermédio da qual, em síntese, apresentou os seguintes argumentos: 3.1. Após sintetizar os fatos decorridos do procedimento fiscal, cujas autuações são ora contestadas, e as conclusões expressadas pela Autoridade Fiscal, tidas por acusações pela Defendente, as quais sumariza em tópicos. 3.2. Do que apresenta, ressalta quais seriam a tese central dos hostilizados Autos de Infração, a saber: a) A Impugnante teria tomado serviços de contribuintes individuais (corretores independentes); b) Efetuados pagamentos de remunerações aos corretores independentes, sem que tenha havido o correspondente recolhimento de contribuições previdenciárias reputadas incidentes e, por tanto, devidas. 3.3. Na sequência, expõe as justificativas das indigitadas conclusões da Autoridade Fiscal. Em resumo, seriam: (a) os compradores de imóveis não teriam livre convencimento de que teriam contratado Corretores Independentes; (b) seria ilegal a celebração de contratos de corretagem não formais (orais); (c) a fiscalizada teria praticado atos simulados/dissimulados numa tentativa de fazer crer que os corretores independentes prestam serviços para os compradores de unidades imobiliárias; (d) com a transferência, aos compradores, da “responsabilidade” pelo pagamento das comissões, eximindo a fiscalizada do pagamento dos encargos tributários devidos na operação; (e) a transferência da sujeição passiva tributária aos compradores; (f) foi aplicada a multa qualificada (150%) em razão da “ocorrência do crime de sonegação fiscal em todo o período de apuração das contribuições previdenciárias, haja vista a empresa LPS já ter incorrido no mesmo crime em fiscalizações realizadas anteriormente sobre o mesmo fato gerador dos créditos ora constituídos”. 3.4. Passando à análise das questões envolvidas nas objetadas autuações, aduz que as alegações apresentadas pela Autoridade Fiscal não se mostrariam capazes de identificar a roupagem jurídica da qual se revestiria a relação estabelecida entre a Impugnante e Corretores Independentes, ignorando dispositivos existentes na legislação vigente que afastam esta relação do modelo de contrato de prestação de serviços. Fundamenta sua análise no quanto encerrado no art. 6º da Lei n° 6.530/78 e art. 728 do Código Civil. 3.5. Na esteira do raciocínio que desenvolve, sustenta, albergado no disposto no art. 722 do Código Civil, que o corretor não se encontra vinculado, ao incumbente, “em virtude de mandato, de prestação de serviços ou por qualquer relação de dependência”. 3.6. Em acréscimo, assevera não haver serviço na corretagem, pois que não há propriamente troca entre a atividade do corretor e a obrigação do incumbente de pagar a corretagem. O corretor é “agente auxiliar do comércio” que tem por objetivo um resultado, a conclusão do negócio intermediado, e não o que se deve fazer ou deixar de fazer para obtêlo. 3.7. Ademais, sustenta ser inconfundível a figura do corretor com o “vendedor”, que é mero preposto do empresário. Nesse sentido, inócua a afirmação da Autoridade Lançadora de que a atividade dos corretores independentes se desenvolveria sob a orientação, coordenação, controle, supervisão e direção da impugnante. 3.8. Com fulcro em diversos dispositivos legais e normativos (Decreto nº 2.475/1897, Decretolei nº 1344/39, Resolução CNSP nº 295/13, Lei nº 6.530/78, Decreto nº 81.871/78) entende por fragilizada a suposição da Autoridade Fiscal de que, no âmbito da corretagem imobiliária, pode existir a figura do preposto. Fl. 3930DF CARF MF Processo nº 10166.724545/201480 Acórdão n.º 2202004.579 S2C2T2 Fl. 3.927 9 3.9. Em adição, ainda que se tomasse como possível a constituição de preposto por corretor de imóveis, ele não agiria “enquanto corretor de imóveis”, mas como mero “instrumento” deste. Por isto, a exigência quanto ao atendimento do público, nas transações patrocinadas por pessoa jurídica, a cargo de um corretor de imóveis, elimina toda chance de que o “patrocínio” seja de qualquer maneira associada ou identificada à preposição, a qual, em regra, implica o exercício de uma atividade que não é a mesma desempenhada pelo corretor. Preposto não é corretor, é instrumento deste; no patrocínio, o Corretor Individual não deixa de agir como corretor de imóveis e, por isto, não pode ser tido como mero preposto. 3.10. Com efeito, sustenta haver relação de horizontalidade entre corretores de imóveis (pessoa físicas e pessoa jurídica), vez tratarse de relação entre iguais, que somente pode consistir numa espécie de associação ou parceria. Tal interpretação ultimouse consagrada no art. 728 do Código Civil de 2002: Se o negócio se concluir com a intermediação de mais de um corretor, a remuneração será paga a todos em partes iguais, salvo ajuste em contrário. 3.11. Na citada relação de associação ou parceria, a Impugnante capta autorizações/permissões de produtos imobiliários e os oferece para uma universalidade de potenciais compradores. Os corretores independentes dedicamse à captação do comprador específico com perfil adequado para o produto imobiliário anunciado, e, quando atinge esse resultado, aproximam o cliente conquistado para fazer negócios em parceria com a Impugnante. Assim, não existe, na associação, qualquer delegação, por parte da imobiliária, de uma atividadefim ou atividade meio cuja titularidade necessariamente lhe incumbisse. Ao revés, as atividades da imobiliária e do corretor independente são distintas e complementares, correndo cada qual seus próprios e distintos riscos econômicos. 3.12. Ressalta, ainda, o interesse específico do corretor no estabelecimento da associação: embora assuma riscos próprios de um empresário, recebe uma parcela dos lucros da intermediação, auferindo honorários que superam, substancialmente, aqueles que seriam recebidos sob outra estrutura contratual, como a prestação de serviços ou a relação de emprego. 3.13. Na linha do quanto encordoado, alega ser plenamente possível que a Impugnante dê orientações, compartilhe knowhow, e ofereça certa estrutura de trabalho aos Corretores Independentes, com o objetivo de coordenar (não controlar) a atividade destes com a sua própria. Semelhante coordenação, advirtase, é muito comum numa sociedade (que também possui causa associativa): um sócio pode oferecer informações e ferramentas de trabalho a outro sócio, sem que com isto um se tome prestador de serviços contratado pelo outro. O que subjaz à base da coordenação é o fato de que as contribuições feitas pelos envolvidos sempre são direcionadas à persecução de objetivos que lhes são comuns. 3.14. No caso concreto, afirma que o Corretor Independente é remunerado pelo comprador de imóveis pelo seu atendimento e, em contraprestação ao acesso à autorização de corretagem dada pela incorporadora/vendedora e a determinada infraestrutura para a captação de clientela (telefone, cartões de visita, etc), “remunera” a imobiliária. 3.15. Afirma inexistir o pagamento de remunerações entre Impugnante e os corretores independentes, mas mero rateio (como prevê o art. 728 do Código Civil) de valores pagos diretamente pelos beneficiários da intermediação levada a efeito. Sobre a questão, percebese que a Autoridade Fiscal não afirma nem comprova, em momento algum, a realização de pagamentos pela Impugnante. Fl. 3931DF CARF MF 10 3.16. Abordando a questão atinente ao livre convencimento dos compradores de imóveis, quanto a estarem contratando os corretores independentes como intermediadores de seus interesses, articula que todos os compradores receberam os recibos de pagamento autônomo emitidos pelos corretores independentes, e contra os fatos atestados em tal documento não se insurgiram. O recibo de pagamento autônomo formaliza não apenas o pagamento, como a própria relação de corretagem estabelecida entre o cliente e Corretor Independente. 3.16.1. Adicionalmente, ainda que assim não fosse, nada impede que o contrato de corretagem seja celebrado verbalmente entre as partes, ou, ainda, que a sua existência seja deduzida a partir do comportamento concludente dos envolvidos. Ressalta que o próprio Auditor admitiu a possibilidade do contrato de corretagem ser celebrado tacitamente. 3.17. N’outro giro, argumenta que tampouco se sustenta a acusação de simulação. Segundo o raciocínio da Autoridade Fiscal, o negócio simulado teria o objetivo de aparentar a realização de pagamentos por parte dos compradores de imóveis, com vistas a encobrir o negócio dissimulado, pelo qual seria a Impugnante a efetiva pagadora das citadas remunerações. Porém, se há transferência do ônus de pagar a corretagem, não se pode dizer que os pagamentos realizados pelos compradores são meramente aparentes. Ou bem a suposta transferência de ônus é apenas aparente e, neste caso, nada caberia dizer sobre a sua legalidade ou ilegalidade, pois ela sequer existiria ou, então, ela é real e efetiva e não haveria como se negar que, concretamente, os pagamentos aos corretores independentes foram realizados pelos compradores. 3.17.1. Ainda, ressalta que a acusação de simulação somente faria sentido se a Autoridade Fiscal tivesse afirmado e demonstrado o conluio entre a Impugnante e o comprador, não sendo aplicável a mera presunção de que todos os compradores de imóveis teriam ajustado acordos simulatórios com a impugnante e os corretores de independentes. 3.18. Sustenta, ademais, que o tema da responsabilidade pelo pagamento da corretagem é objeto de discussão no âmbito do direito do consumidor, em que tem prevalecido o entendimento de que não existe empecilho à contratação da corretagem pelo comprador, com o consequente pagamento, por este, da remuneração devida aos intermediadores. Colaciona julgado. 3.18.1. Como corolário, não seria verdadeira a afirmação do Relatório Fiscal de que haveria inequívoca ilegalidade no modelo contratual adotado comumente no âmbito da corretagem de imóveis. Ainda, a ilegalidade da prática comercial em comento, mesmo se confirmada, não teria o condão de ocasionar a requalificação dos fatos, de modo a ficarem configurados, em última instância, os suportes fáticos referidos na legislação tributária. 3.18.2. Em acréscimo, assevera que a Autoridade Fiscal não nega que os compradores efetuaram os pagamentos devidos aos corretores independentes, limitandose a afirmar que estes pagamentos foram ilegais, abusivos, lesivos etc., como se tivesse legitimidade para pleitear eventuais direitos alheios, em matéria de direito do consumidor. Ainda que admitida, esta discussão somente pode repercutir no âmbito da responsabilidade civil, nada importando ao direito tributário. 3.18.3. Torna a insistir na falsidade da ilação segundo a qual, da eventual ilegalidade da assunção da obrigação de corretagem pelo comprador, deriva a caracterização do fato do pagamento da corretagem pela imobiliária. 3.19. Outrossim, argumenta que, ao cogitar da transferência da sujeição passiva, a Autoridade Fiscal desenvolve uma narrativa que contraria a lógica formal. O art. 123 do CTN exclui, como regra geral, a possibilidade de transferirse a Fl. 3932DF CARF MF Processo nº 10166.724545/201480 Acórdão n.º 2202004.579 S2C2T2 Fl. 3.928 11 sujeição passiva. A afirmação de que houve transferência de sujeição passiva, portanto, contrasta com a ineficácia que o CTN normalmente atribui às convenções que tenham este escopo. 3.20. N’outra vertente, ainda que a Autoridade Fiscal não tenha logrado êxito em comprovar a efetiva realização de pagamentos pela Impugnante, em benefício dos corretores independentes, intenta a Irresignada demonstrar a inexistência do fato tributável discutido por meio da apresentação de cópias de recibos de pagamentos autônomos que foram emitidos por compradores em favor de corretores independentes, documentos estes obtidos com muito custo pela Defendente, haja vista não manter a guarda de documentos relativos à atividade de terceiros. 3.21. Em reforço, aduz que a controvérsia já foi objeto de decisões do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), que negou ter havido qualquer pagamento de corretagem pela Impugnante em benefício dos corretores independentes, assim como negou que o modelo de negócios correntemente adotado pelos integrantes do mercado de corretagem imobiliária fundarseia sobre um planejamento tributário abusivo. Isto porque, ao não realizar os pagamentos aos corretores independentes, a imobiliária perde a possibilidade de realizar deduções, para fins de apuração do imposto de renda. 3.22. Pelas razões que expõe e entende suficientes para fulminar os guerreados AI, conclui pela necessidade de cancelamento das exigências de penalidades decorrentes do suposto descumprimento de obrigações acessórias. 3.23. Quanto aos elementos probatórios colhidos pela Autoridade Fiscal mediante circularização, sustenta trataremse de provas ilícitas, uma vez que a sua produção não foi submetida ao contraditório. 3.23.1. Ainda que assim não fosse, e o auto de infração pudesse ser fundamentado nas declarações unilaterais colhidos pela autoridade fiscal, há diversas declarações que comprovam, ao contrário do que se pretendia, a narrativa dos fatos e a interpretação jurídica da Impugnante. Embora tenha recebido dos corretores independentes e das incorporadoras submetidos à circularização importantes esclarecimentos contrários à sua tese, a Autoridade Fiscal os ignorou. 3.23.2. Afirma que o consumidor, na maioria das vezes, não tem condições de realizar uma análise técnicojurídica do negócio de que participa. Há de se diferenciar a aparência que o empresário quer conferir ao seu negócio, única conhecida pelo consumidor, da essência jurídica que ele possui e que deve ser buscada pelo Fisco. Entende que a Autoridade Fiscal não se limitou a coletar fatos puros quando indagou da existência de “trabalho”, ou “serviço”, ou “vinculação” aos compradores. Tratase de emissão de opinião sobre a roupagem jurídica de que se revestem os fatos puros. 3.23.3. D’outra margem, entende que a Autoridade Fiscal ignorou esclarecimentos prestados pelos corretores independentes, bem como cláusulas integrantes dos contratos firmados entre estes e a Autuada, os quais deixam bastante claro o objeto da parceria e a inexistência de prestação ou tomada de serviços. De forma análoga, deixou de considerar os esclarecimentos prestados por algumas incorporadoras e contratos de corretagem disponibilizados por outras. Acosta conversas eletrônicas, questionários respondidos por um dos corretores independentes, excertos do contrato de parceria firmado entre os corretores e a Impugnante, declaração manuscrita e outras explicações etc. Fl. 3933DF CARF MF 12 3.24. Para mais do já relatado, refuta o procedimento adotado pelo Auditor Fiscal para definir a base de cálculo do Auto de Infração com utilização do procedimento de arbitramento sem observar as diretrizes estabelecidas pela legislação de regência. No caso de falta de informações sobre fatos tributáveis, a Autoridade Fiscal pode, observadas as condições legais específicas, valerse de procedimento de arbitramento, mas nada a autoriza da descumprir o teto da salário de contribuição. 3.24.1. Apresenta método alternativo para a aferição do número de segurados (corretores independentes) e da base de cálculo individual, baseado no número de operações intermediadas pela impugnante. No entanto, sustentando que a adoção do método sugerido seria impossível, vez que a revisão de lançamento não pode alterar o critério jurídico do lançamento, por força do artigo 146 do CTN, e não pode versar sobre fatos que já poderiam ser conhecidos pela autoridade fiscal, ex vi do artigo 149 do CTN, não resta outra alternativa que não o cancelamento integral do lançamento afeito à cota do segurado. 3.25. Remetendo a aplicação da aferição do Salário de Contribuição de contribuinte individual ao disposto no art. 201, § 3º, do Decreto nº 3.048/991, sustenta ser ônus do AuditorFiscal a identificação dos beneficiários das remunerações discutidas para que restassem cumpridas as exigências mínimas necessárias para a apuração de base de cálculo legalmente válida. Ao contrário, a Autoridade Fiscal optou por se utilizar da criatividade e adotar um procedimento de arbitramento sem qualquer base legal, motivo pelo qual o lançamento deverá ser cancelado. 3.26. Entende relevante o fato do AuditorFiscal ter adotado a Tabela de Honorários do CRECI para definir, a partir do percentual previsto de 50% para o rateio da comissão entre imobiliária e Corretores Independentes, o valor que teria sido pago a estes. Considerando que o CRECI, seguindo o entendimento decorrente da legislação especial e dos usos e costumes da prática da corretagem imobiliária, entende que este rateio não diz respeito a pagamento de remuneração, a Autoridade Fiscal teria realizado uma aferição indireta a partir de um documento que nega toda a sua tese. 3.27. A par da ilegalidade do arbitramento, é de se levar em conta que a alíquota aplicável, no caso da contribuição do segurado, é a de 11%, não a de 20%, como propôs a Autoridade Fiscal. Discorda da interpretação do AuditorFiscal ao § 4º do art. 30 da Lei nº 8.212/91 que acarretou na inaplicabilidade da dedução de 45% da contribuição devida pela impugnante, limitada a 9% do saláriode contribuição, vez que não teriam sido as contribuições declaradas. 3.28. Ademais, entende pelo cabimento da referida dedução com amparo em jurisprudência administrativa que acosta. 3.29. Subsidiariamente, pleiteia seja reconhecido o descabimento do agravamento da multa de ofício com base na acusação de suposto evidente intuito de fraude por parte da Impugnante. 3.30. A adoção de procedimento fiscal indevido, caso praticado de boafé e devidamente embasado em práticas e costumes socialmente consolidados, consiste no chamado "erro de proibição", situação bem diferente daquela em que o sujeito passivo está ciente da sua obrigação com o fisco, entretanto, age de forma consciente com o objetivo de não recolher tributo que entende ser devido. 3.31. O modelo de negócio adotado pela Impugnante está embasado em procedimento em uso e consolidado há décadas no ambiente do mercado imobiliário, adotado sistematicamente pelas imobiliárias e pelos Corretores Independentes, e contra o qual apenas muito recentemente se insurgiu a RFB. Fl. 3934DF CARF MF Processo nº 10166.724545/201480 Acórdão n.º 2202004.579 S2C2T2 Fl. 3.929 13 3.32. É absurda, portanto, a suposição de que a fiscalizada teria adotado um procedimento sabidamente incorreto. Em tal contexto, a majoração da multa de ofício fere o bom senso e a correta interpretação do artigo 44 da Lei n° 9.430/96 – além de contrariar toda a jurisprudência do Carf sobre o tema. 3.33. No tocante à incidência de juros sobre a multa de ofício, defende o entendimento de que a expressão “crédito” contida no art. 161 do CTN abrange tão somente aqueles créditos tributários que, por sua natureza, possam estar sujeitos a penalidades, ou seja, aqueles decorrente do descumprimento da obrigação tributária. Assim, estaria excluído deste conceito o crédito tributário decorrente da obrigação penal tributária, devendose concluir no sentido da impossibilidade de cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício. 3.34. Por fim, a impugnante (i) requer seja o Auto de Infração julgado integralmente improcedente; (ii) protesta pela produção de todas as provas admitidas em direito; (iii) solicita que todas as intimações e comunicações referentes ao presente processo administrativo sejam remetidas ao endereço da impugnante, constante do cadastro da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), bem como para o escritório de seus advogados infraassinados. IMPUGNAÇÃO DE LPS BRASIL CONSULTORIA DE IMÓVEIS S/A. (RESPONSÁVEL SOLIDÁRIA) 4. O sujeito passivo, por solidariedade, LPS BRASIL CONSULTORIA DE IMÓVEIS S/A, por intermédio de patrono, apresentou, tempestivamente (fls. 2.924), em face de todos os Autos de Infração lançados abarcados no presente processo administrativo, impugnação às autuações (fls. 2.798/2.817), acompanhada dos documentos de fls. 2.818/2.868, por intermédio da qual, em síntese, apresentou os seguintes argumentos: 4.1. Após sintetizar os fatos decorridos do procedimento fiscal, cujas autuações são ora contestadas, aduz que os fundamentos técnicojurídicos que autorizam a coobrigação por solidariedade não se encontram devidamente caracterizados, nem comprovados, no caso presente. 4.2. Destarte, atacando a subsunção da aventada solidariedade ao art. 124, I, do Código Tributário Nacional (CTN), articula que a expressão interesse comum requerida 4.3. Ademais, expressa o entendimento de que o referido preceptivo não se dirige a terceiros estranhos à relação jurídico tributária, mas às pessoas que participam do fato descrito no antecedente da regra matriz de incidência tributária. Colaciona doutrina e acosta excerto de julgado. 4.4. Tornando à questão interpretativa do interesse comum, sustenta ser tal um interesse jurídico, inconfundível com o interesse meramente econômico. 4.5. Tratando do casuísmo em tela, afirma não haver no trabalho fiscal qualquer prova de que a Impugnante teria interesse comum nos supostos fatos geradores da obrigação tributária lançada contra a Autuada e, ademais, a qualidade de sócio não seria suficiente a ensejar a solidariedade tributária. 4.6. Ainda, articulando pela necessidade de comprovação de confusão patrimonial para fins da caracterização da solidariedade passiva tributária, assevera que, contrario sensu, a falta de tal prova exclui a solidariedade. Fl. 3935DF CARF MF 14 4.7. Após alguma digressão, apresenta conclusão de que o Relatório Fiscal teria indicado como interesse comum a expectativa de que a LPS Brasília auferisse receitas mediante a prática de suposto ilícito tributário, o que evidenciaria a confusão entre o interesse comum com o interesse meramente econômico. 4.8. Quanto à fundamentação da responsabilidade solidária calcada no art. 30, IX, da Lei nº 8.212/91 c/c art. 124, II, do CTN, argumenta que tal previsão está adstrita aos contornos já existentes no ordenamento jurídico no que diz respeito ao aspecto pessoa da regramatriz do tipo tributário, bem como ao que determina o art. 128 do Codex Tributário, no que diz que a responsabilidade tributária somente pode atingir pessoa vinculada ao fato gerador. Colaciona doutrina. 4.9. Ademais, para a caracterização de grupo econômico, é preciso que haja verdadeira unicidade do poder decisório e administrativo para autorizar a solidariedade da obrigação tributária e, ainda, que o grau de centralização decisória alcance as decisões sobre a realização ou nãorealização dos atos e negócios que correspondam aos fatos geradores, bem como que alcance a decisão acerca do cumprimento das obrigações tributárias. Acosta doutrina e jurisprudência acerca do tema. 4.10. Em adição, assevera que a Fiscalização não logrou comprovar que a Impugnante exerce sobre a Autuada poder decisório capaz de determinar a prática dos atos que teriam constituído o suposto crédito tributário lançado ou o cumprimento/descumprimento das obrigações tributárias, decorrendo da tese fiscal que a solidariedade é consequência do mero fato de ser a Impugnante sócia da Autuada. 4.11. Lembra que o art. 13 da Lei nº 8.620/93 foi declarado inconstitucional pela Suprema Corte (RE nº 562.276PR), não sendo, pois, possível a solidariedade objetiva dos sócios por dívidas previdenciárias inadimplidas. 4.12. No tocante às penalidades impostas, conjugando as previsões dos artigos 124, I do CTN, 5º, XLV, da Constituição Federal, e 137 do CTN, aduz pela impossibilidade de responsabilização por penalidades. 4.13. Noutro giro, sustenta que no que diz respeito às infrações que constituam crime ou dependam de dolo específico, a responsabilidade é adstrita, somente, ao agente. 4.14. Do que expõe, requer o recebimento e processamento da Impugnação em tela para, ao final, julgar integralmente improcedente. 4.15. Ademais, requer a produção de todas as provas admitidas em direito e, finalmente, solicita que todas as intimações e comunicações referentes ao presente processo administrativo sejam remetidas à Impugnante, bem como para o escritório dos patronos que subscrevem a Impugnação. IMPUGNAÇÕES DE MARCO ANTONIO MOURA DEMARTINI E WILDEMIR ANTONIO DEMARTINI (RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS) 5. Os sujeitos passivos, por responsabilidade solidária, MARCO ANTONIO MOURA DEMARTINI e WILDEMIR ANTONIO DEMARTINI, por intermédio de patrono, apresentaram, tempestivamente (fls. 2.924), em face de todos os Autos de Infração lançados no presente processo administrativo, impugnações às autuações (fls. 2.869/2.888 e 2.895/2.914), acompanhadas, respectivamente, dos documentos de fls. 2.889/2.894 e 2.915/9. Fl. 3936DF CARF MF Processo nº 10166.724545/201480 Acórdão n.º 2202004.579 S2C2T2 Fl. 3.930 15 5.1. Haja vista que ambas as Impugnações foram subscritas pelo mesmo patrono e contém a exata mesma substância, seguem abaixo sumariadas as alegações apresentadas: 5.2. Após breve sumário dos fatos envolvidos com o procedimento fiscal realizado na Autuada, insurgemse, primeiramente, contra os Termos de Sujeição Passiva formalizados contra os ora Impugnantes, sendo que remetem à Impugnação da Autuada as questões de mérito. 5.3. Ademais, contestando a fundamentação utilizada pela Autoridade Fiscal para fins da configuração da suposta solidariedade passiva (art. 124, I, bem como o art. 135, III, ambos do CTN) hostilizam, primeiramente, a adequação fática ao termo “interesse comum” expressada no bojo do indigitado art. 124, I dirigese as pessoas que participam do fato descrito no antecedente da regra matriz de incidência tributária. 5.4. Em complemento, suscitam que a jurisprudência tem desenvolvido a noção de indivisibilidade da obrigação tributária solidária, diante do que o “interesse comum” sempre será o interesse jurídico compartilhado por dois ou mais sujeitos, partícipes de uma mesma relação jurídica, de modo que estes possuam, com relação à coisa ou atividade que constitui fato gerador, direitos e deveres iguais. Colaciona julgados. 5.5. No mesmo sentido, sustenta que a existência de interesse econômico comum não conduz à solidariedade preconizada pela invocada norma, pois que no viés de tal interpretação deixa de ser possível a caracterização de ambos os sujeitos como devedores originários, passando a haver, no caso, um devedor originário e a tentativa de estender a outro sujeito, com base em fato novo, que extrapola o fato gerador, o que atribuiria à solidariedade caráter sancionatório. 5.6. Destacam, em arremate, que o interesse comum do art. 124, I é sempre jurídico, sendo inconfundível com o interesse econômico. Encarta julgados. 5.7. Tratando do objetado casuísmo, sustentam que a Autoridade Fiscal não comprovou que os impugnantes e a LPS Brasília teriam agido, conjuntamente, nas relações jurídicas de que teriam resultado os supostos fatos geradores tributários, sendo a qualidade de sócio insuficiente para ensejar a responsabilidade solidária. 5.8. Acrescentam que não foi demonstrado, ou sequer alegado, qualquer indício de confusão patrimonial entre os Impugnantes e a LPS Brasília, sendo tal falta suficiente para afastar a alegada solidariedade. 5.9. Ademais, articula que não restou evidenciado que os Impugnantes teriam sequer participado da relação jurídica instaurada entre a LPS Brasília e os Corretores Independentes donde sobrevém a impossibilidade de demonstração de interesse comum. 5.10. Para mais, asseveram que o interesse comum sustentado pela Autoridade Fiscal seria de natureza meramente econômica, consistente na expectativa de que a Autuada auferisse receitas mediante a prática de suposto ilícito tributário 5.11. Este argumento, porém, confunde o interesse comum a que faz referência o art. 124, inciso I, do CTN, com o interesse meramente econômico que todo sócio nutre com relação à sociedade investida. Essa tese, caso aceita, implicaria em tratar todo sócio como solidariamente obrigado pelos débitos das sociedades das quais participassem. Fl. 3937DF CARF MF 16 5.12. Lado outro, apontam suposta inconsistência no Relatório Fiscal ao chamar os impugnantes a responder pelo crédito tributário, simultaneamente, de forma solidária e como responsável pessoal. Consideram que a responsabilidade pessoal do agente exclui a responsabilidade solidária porque, antes disso, exclui a responsabilidade da própria pessoa jurídica autuada. Nesses termos, impõese o cancelamento dos Termos de Sujeição Passiva Solidária uma vez que o artigo 135, III, do CTN, é incompatível com a responsabilidade da própria LPS Brasília (Autuada). 5.13. Ainda, asseveram que o Relatório Fiscal não comprovou que os Impugnantes teriam agido de forma ilegal, ou com excesso de poderes, ou de forma contrária ao contrato social da LPS Brasília. 5.14. Destarte, em virtude da impossibilidade de imputação objetiva da solidariedade aos sócios, vez que julgado inconstitucional e posteriormente revogado o art. 13, da Lei nº 8.620/93, sem a demonstração do dolo específico dos sócios quanto a conduta diretamente relacionada ao surgimento da obrigação tributária exigida, manifestada por deliberação ou outro ato de sua incumbência, que sabidamente contraria a lei e objetiva a obtenção de vantagem tributária indevida, não se pode cogitar da responsabilização dos Impugnantes. 5.15. É pacífico o entendimento na jurisprudência quanto a não ser suficiente para a responsabilização tributária a simples condição de sócio. 5.16. No pertinente às penalidades aplicadas, aduz que os Impugnantes não podem arcar com tais, ainda menos com as quantias referentes ao agravamento das sanções, tendo em vista que o art. 124, I, impõe a responsabilidade solidária somente quanto à obrigação tributária principal. 5.17. Para mais de seus argumentos, fundamentado no art. 5º, XLV, da Constituição Federal, combinado com o quanto previsto no art. 137, I e II, do CTN, conclui que a responsabilidade pelas penalidades decorrentes de infrações será apenas do agente que as praticar quando as infrações em questão constituam crime, ou ainda quando dependam de dolo específico. 5.17.1. Diante do que desenvolve, conclui que a inexistência dos requisitos autorizadores da aplicação do artigo 124, inciso I, bem como do art. 135, inciso III, ambos do CTN, impõe o cancelamento dos Termos de Sujeição Passiva Solidária. 5.18. Alfim, requer seja a presente Impugnação recebida e os Termos de Sujeição Passiva julgados integralmente improcedentes. 5.19. Alternativamente requerem a produção de todas as provas admitidas em direito. 5.20. Ademais, solicita que todas as intimações e comunicações referentes ao processo administrativo em tela sejam remetidas ao endereço dos Impugnantes e para o escritório dos patronos que subscrevem as Impugnações. A exigência foi parcialmente mantida no julgamento de primeira instância (fls. 3005/3061), havendo sido excluídos do pólo passivo os responsáveis solidários SPE Brasil Incorporações 17 Ltda., SPE Brasil Incorporações 41 Ltda. e SPE Brasil Incorporações 50 Ltda., fato que motivou recurso de ofício forte no art. 34 do Decreto nº 70.235/72 c/c o art. 1º da Portaria MF nº 03/08. A autuada interpôs recurso voluntário em 18/5/2016 (fls. 3063/3133), e os responsáveis solidários LPS Brasil Consultoria de Imóveis S/A., Marco Antônio Moura Demartini e Wildemir Antônio Demartini interpuseram seus recursos voluntários Fl. 3938DF CARF MF Processo nº 10166.724545/201480 Acórdão n.º 2202004.579 S2C2T2 Fl. 3.931 17 respectivamente às fls. 3335/3355, 3257/3283, e 3514/3540. Nesses documentos, foram reprisadas, em linhas gerais, as aduções das peças impugnatórias mais acima minuciadas, bem como contestados certos pontos da argumentação da DRJ/SPO. Ademais, foram juntados parecer de jurista renomado, e dois Laudos Técnicos elaborados por empresas de consultoria e auditoria. Em 7/6/2017 apresentou a autuada petição (fls. 3591/3595) juntando documentos novos ao processo (fls. 3596/3897), e demandando a aplicação do decidido no RE [sic] 1.599.51/SP à controvérsia. É o relatório. Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator Do recurso de ofício Compulsando os autos, verificase que o recurso de ofício foi interposto visto que a decisão recorrida exonerou os responsáveis solidários SPE Brasil Incorporações 17 Ltda., SPE Brasil Incorporações 41 Ltda. e SPE Brasil Incorporações 50 Ltda. de crédito tributário (contribuição mais multa) em valor superior a R$ 1.000.000,00, limite então estabelecido pelo art. 1º da Portaria MF nº 03/08, com amparo no inciso I do art. 34 do Decreto nº 70.235/72. Sem embargo, tal limite foi majorado pela Portaria MF nº 63, de 10/2/2017, que revogou a Portaria MF nº 03/08: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). Tratandose de norma de ínsito caráter processual, deve ser ela aplicada de imediato aos julgamentos em curso, nos termos da Súmula nº 103 do CARF: Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Os autos de infração DEBCAD nº 51.040.9474 e nº 51.065.2697 veiculavam, como somatório de tributo e multa, respectivamente, R$ 1.427.685,58 e R$ 785.227,09, ver fl. 2. O total contribuição mais multa veiculado no processo atinge então a cifra de R$ 2.212.912,67. Constatase, portanto, que a exoneração promovida pela vergastada de R$ 2.212.902,67 foi em montante inferior ao valor de alçada fixado pela Portaria MF nº 63/17, não devendo ser conhecido o recurso de ofício. Ante o exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso de ofício. Fl. 3939DF CARF MF 18 Dos recursos voluntários Os recursos voluntários apresentados são tempestivos e atendem aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, deles conheço, cabendo ressalvar, contudo, não ser possível admitir a apreciação dos documentos intitulados "Laudo Técnico Pesquisas respondidas pelo público de estandes", elaborado por empresa de consultoria, e "Laudo de Avaliação da LPS Brasília Auditores Independentes", ambos presentes nessas peças recursais. Tratase de material de nítido cunho probatório, restando precluso o momento processual para sua apresentação, ante o disposto no art. 16, inciso III e §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72. Evidentemente, caso se configurassem em documentos que por si só, apontassem de maneira segura e inquestionável a justa solução da lide posta, poderiam ser, em tese, superadas tais vedações, face a outros princípios que regem o contencioso tributário; não se trata em absoluto, porém, de tal caso. Já no que concerne ao parecer jurídico juntado pelos recorrentes, veiculando tal texto tese jurídica de caráter eminentemente opinativo, não há vedação a seu conhecimento, para fins de, eventualmente, fornecer subsídios à formação de convencimento do julgador. Também os documentos juntados em petição posterior ao ingresso do recurso voluntário, pelas mesmas razões mais acima vertidas, não merecem acolhimento. E, quanto à alusão ao recurso repetitivo mencionado nessa mesma petição, será tal decisão oportunamente abordada, até mesmo face aos cogentes regramentos do art. 62 do Anexo II do RICARF (Regimento Interno do CARF Portaria MF nº 343/15). Sublinhese, em decorrência do explanado, que as alegações recursais pautadas em sua essência nos referidos documentos inadmitidos serão, consequentemente, não apreciadas. Ainda a título preliminar, deve ser anotado que não merece guarida o pleito genérico voltado ao protesto por produção de todas as provas admitidas em direito, formulado nos recursos, por estar sendo formulado sem qualquer fundamentação consistente e em etapa descabida do rito processual, não observando o disposto no supracitado art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/1972. Nesse rumo, também é demandada a ciência pessoal do patrono dos recorrentes, todavia os incisos I a III do art. 23 do Decreto nº 70.235/72 estabelecem que as intimações no decorrer do contencioso administrativotributário federal serão destinadas ao sujeito passivo, não a seu advogado, inexistindo tampouco permissivo para tanto no RICARF. Do recurso voluntário da autuada As alegações da recorrente principiam por buscar diferenciar a corretagem da prestação de serviços, com foco no art. 722 do Código Civil, e salientar que os corretores independentes não são seus prepostos, sendo associativa a relação instituída entre eles e a imobiliária. Pois bem, reza o art. 11 da Lei nº 8.212/91 que a seguridade social é financiada, dentre outras fontes, por contribuições sociais das empresas, incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados a seu serviço, bem como dos trabalhadores, incidentes sobre o seu saláriocontribuição. Já no inciso V do art. 12 é assinalado ser segurado obrigatório, como contribuinte individual: (...) Fl. 3940DF CARF MF Processo nº 10166.724545/201480 Acórdão n.º 2202004.579 S2C2T2 Fl. 3.932 19 g) quem presta serviço de natureza urbana ou rural, em caráter eventual, a uma ou mais empresas, sem relação de emprego; h) a pessoa física que exerce, por conta própria, atividade econômica de natureza urbana, com fins lucrativos ou não; Notese que a legislação previdenciária não alude à necessidade de existência de um contrato de prestação de serviços formalizado e restrito aos termos do art. 593 a 609 do Código Civil como pressuposto para a incidência das contribuições. Ao contrário, os princípios constitucionais da solidariedade e da equidade na participação do custeio atraem, inafastavelmente, a conclusão de que a prestação de serviços referenciada na norma previdenciária não se limita àquele estrito conceito tipificado no diploma civilista, mas tem seu alcance amplificado tal como acontece nas relações de consumo, vide o art. 3ª, § 2º do Código de Defesa do Consumidor: § 2° Serviço é qualquer atividade fornecida no mercado de consumo, mediante remuneração, inclusive as de natureza bancária, financeira, de crédito e securitária, salvo as decorrentes das relações de caráter trabalhista. Então, ainda que o art. 722 do Código Civil tenha distinguido o conceito de corretagem da simples prestação de serviços, objetivando denotar as especificidades desses contratos, para fins previdenciários deve ser observado o sentido largo da expressão 'prestação de serviços'. Vejase que o exercício da profissão de corretor de imóveis tem sua regulamentação específica na Lei nº 6.530/78, que prescreve no caput do seu art. 3º: Art 3º Compete ao Corretor de Imóveis exercer a intermediação na compra, venda, permuta e locação de imóveis, podendo, ainda, opinar quanto à comercialização imobiliária. (...) Inegável que a atividade do corretor de imóveis se exprime, em sua própria definição, na realização de uma prestação de serviços, qual seja, exercer a intermediação de operações imobiliárias, a aproximação das partes envolvidas na compra e venda de imóveis. E a qualidade de ser um contrato do tipo aleatório, no qual a remuneração percebida está vinculada a obtenção de um resultado útil, não desfigura o caráter de contraprestação de serviços da comissão paga pelo contratante/tomador ao corretor de imóveis. Ou seja, a despeito das peculiaridades da corretagem, para fins previdenciários ela se constitui sim, em prestação de serviços, devendo ser destacado que a interpretação das leis ordinárias deve ser sempre realizada sob o lume dos princípios constitucionais, com ênfase, no caso, nos já mencionados princípios da solidariedade e da equidade na participação do custeio (exvi dos arts. 3º, 194 e 195 da CF). Sob esse prisma, e analisando a atividade de corretagem no caso, de seguros o Ministro Herman Benjamim, como relator do voto condutor do REsp nº 519.260/RJ, em 9/4/2008 (1o qual deu origem à Súmula 458 do STJ), assim explicou: 1 Súmula 458 do STJ: A contribuição prevideinciária incide sobre a comissão paga ao corretor de seguros. (DJe 8/9/2010) Fl. 3941DF CARF MF 20 De outro lado, e como de conhecimento geral, toda e qualquer interpretação do direito infraconstitucional deve ser realizada à luz da Constituição da República. Não é por outra razão que a Seguridade Social é informada, e.g., pelo princípio do financiamento por toda sociedade (ou solidariedade), e pelo princípio da equidade na forma de participação no custeio, que traduzem sua feição transindividual. Vale dizer, as pessoas jurídicas podem ser chamadas ao custeio da seguridade social "independentemente de terem ou não relação direta com os segurados ou de serem ou não destinatárias de benefícios" (Leandro Paulsen, Contribuições Custeio da Seguridade Social, 2007, pág. 22). Assim, isentar de contribuição para a seguridade social os valores recebidos pelos corretores, em razão da intermediação que realizam, desequilibraria o sistema e negaria vigência aos princípios da solidariedade e da equidade na forma de participação no custeio (que, em última análise, configura desdobramento do princípio da isonomia), pois se criaria uma única categoria de profissionais cuja remuneração estaria isenta da incidência de contribuição previdenciária e excluída do financiamento da Seguridade Social. Noutro giro, temse que a contribuinte alega que não realiza pagamentos ou assume qualquer obrigação perante os corretores independentes, sendo a relação de corretagem estabelecida entre esses e os compradores dos imóveis. Seus clientes são, assevera, as empresas incorporadoras, não ditos compradores, conforme laudo de avaliação de composição patrimonial. Afirma, nesse passo, que o pagamento aos corretores é realizado pelos clientes adquirentes, como atestado pelos recibos colacionados. Também refere que parecerista contratado aduz que a maior parte das vendas não resulta do estande de vendas, mas sim de contrato prévio entre corretor e comprador, que integraria carteira de clientes daquele. Salientese, previamente, que as conclusões do indigitado parecerista, bem como da recorrente, amparamse em significativa medida em documento não conhecido pelo Colegiado Laudo Técnico Pesquisas respondidas pelo público de estandes visto que apresentado em momento extemporâneo do contencioso. E, ainda que fosse conhecido, é de se ressaltar que não teria sido submetido ao crivo do contraditório, o que implicaria em necessária e considerável cautela ante a sua pretensa utilidade para fins probatórios. Feitas essas necessárias ressalvas, cumpre frisar que não constam elementos nos autos a corroborar a narrativa da autuada. As diligências realizadas pela fiscalização por amostragem junto aos compradores de imóveis (Anexo III, fls. 327/786), trazem dados consistentes no sentido de que os corretores identificavamse sempre como representantes da imobiliária, trajando uniforme e portando crachás e cartões de visita para assim serem identificados. A transação acontecia geralmente em estandes de venda junto ao local da obra visitada pelo interessado. Contrariamente ao que aventa a peça recursal, na maioria dos casos não há qualquer sinal de que havia contato prévio entre compradores e corretores, antes da visita dos primeiros aos referidos locais. Muito menos existe evidência nos autos de que tais compradores pertenciam a lista de clientes cadastrados junto aos corretores, ou que estes teriam sido por aqueles contratados, formal ou informalmente. Tais informações se coadunam com os depoimentos colhidos junto aos prestadores de serviço de intermediação imobiliária pessoas físicas (Anexo IV, fls. 797 e ss), de modo a permitir desvelar o procedimento usual de vendas, a saber, o cliente em potencial Fl. 3942DF CARF MF Processo nº 10166.724545/201480 Acórdão n.º 2202004.579 S2C2T2 Fl. 3.933 21 adentrava nos estandes ou plantões de vendas e era atendido pelo corretor autônomo "da vez", consoante escala de revezamento préestabelecida, não escolhendo assim quem lhe atenderia. Como bem pontuado pela decisão de piso, e malgrado o entendimento da recorrente em sentido diverso, os corretores presentes nesses plantões, a despeito de sua pretensa autonomia, se traduziam, aos olhos dos potenciais adquirentes, em vendedores representantes da empresa face a sua identificação e atuação apresentando o produto, tabela de preços e condições/detalhes do empreendimento. Daí, caso pactuado o negócio, era firmada proposta de compra pelo valor total, com pagamento de sinal. Em momento posterior, o comprador assinava o instrumento de promessa de compra e venda propriamente dito, no qual o montante do negócio consta reduzido. Com efeito, o cliente era orientado a emitir diversos cheques no curso da quitação ou da entrada na compra, para a incorporadora, para a imobiliária e outros envolvidos na transação, sendo que um deles era destinado ao corretor que o havia atendido; do valor inicial acertado eram assim descontadas as quantias associadas a esses cheques, pagos a título de comissão. À evidência, encontrado afinal o imóvel que lhe agradava, o adquirente não se opunha a tal condição de pagamento. Eventual prejuízo em posterior alienação do bem quando de eventual apuração de ganho de capital, dada a corretagem não integrar o valor da aquisição, não prevalecia na realidade, provavelmente sequer era cogitado frente à satisfação auferida com a aquisição. Os cheques atinentes à negociação eram recolhidos à imobiliária, e, passado certo prazo, relativo ao prazo legal de desistência do negócio, o cheque referente ao corretor lhe era entregue. O fato é que os elementos dos autos, a experiência comum, bem como sucessivas decisões em sede judicial, reconhecem que nas vendas de imóveis em plantão o corretor que intermedia a transação, na ampla maioria dos casos, não realiza sua atividade em prol do comprador, mas sim opera tendo em vista aos interesse de seu contratante, a empresa imobiliária ou mesmo diretamente a incorporadora. A notoriedade dessa situação é atestada por uníssonos julgados, valendo transcrever a seguinte passagem do acórdão do REsp nº 1.599.511/SP, no qual o relator Ministro Paulo de Tarso Sanseverino, após explicar que usualmente o incumbente no contrato de compra e venda de imóveis é o vendedor, passar a asseverar: Modernamente, a forma de atuação do corretor de imóveis tem sofrido modificações nos casos de venda de imóveis na planta, não ficando ele mais sediado em uma empresa de corretagem, mas, contratado pela incorporadora, em estandes situados no próprio local da construção do edifício de apartamentos. O cenário fático descrito nos processos afetados é uniforme no sentido de que o consumidor interessado se dirige a um estande de vendas com o objetivo de comprar uma unidade autônoma de um empreendimento imobiliário. No estande, o consumidor é atendido por um corretor previamente contratado pela incorporadora. Fl. 3943DF CARF MF 22 Alcançado êxito na intermediação, a incorporadora, ao celebrar o contrato de promessa de compra e venda, transfere para o promitentecomprador a obrigação de pagar a comissão de corretagem diretamente ao corretor, seja mediante cláusula expressa no instrumento contratual, seja por pactuação verbal ou mediante a celebração de um contrato autônomo entre o consumidor e o corretor. (...) Esse quadro fático sintetiza a prática usual do mercado brasileiro da utilização da corretagem em benefício do vendedor, pois toda a atividade desenvolvida, desde a divulgação até a contratação, tem por objetivo angariar clientes para a incorporadora (promitentevendedora). Cabe chamar a atenção, contudo, que nesse julgamento, realizado em 24/8/2016, restou assentada a seguinte tese (Tema nº 938) em sede de recurso repetitivo (art. 1.040 do CPC): 1.1. Validade da cláusula contratual que transfere ao promitentecomprador a obrigação de pagar a comissão de corretagem nos contratos de compra e venda de unidade imobiliária, desde que previamente informado o preço total da aquisição da unidade autônoma, com o destaque do valor da comissão de corretagem. Considerando os termos do art. 62 do RICARF, não subsistem as alegações da fiscalização, bem como da tese vencedora no julgamento de primeiro grau, de que seria ilegal e abusiva a transferência da obrigação de pagar a comissão de corretagem, do vendedor (incorporadora/imobiliária) ao comprador, mediante cláusula contratual, visto que superadas por essa decisão do STJ, a qual afastou, inclusive, as arguições de que estaria a ocorrer venda casada. Por outra via, mister frisar que tal percepção não afeta a responsabilidade tributária do tomador dos serviços de corretagem, posto que o art. 123 do CTN dispõe que Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. Então, ainda que o pagamento dos serviços tenha sido realizado por terceiro que não o contratante dessa prestação, tal feito não influi na incidência das contribuições previdenciárias, não sendo relevante a origem do fluxo financeiro notese que pode ser quitado certo salário ou prestação de serviços com cheques de terceiros, sem alterar a relação jurídica tributária. Importa lembrar que a recorrente alega, em apertada síntese, que desenvolve contrato de parceria ou associação com corretores autônomos para fins de viabilizar a comercialização de imóveis cuja venda lhe teria sido autorizada pelas incorporadoras. Oportuno reproduzir os termos dos arts. 3º e 5º do Decreto nº 81.871/78, que regulamenta profissão de corretor de imóveis: Art 3º As atribuições constantes do artigo anterior poderão, também, ser exercidas por pessoa jurídica, devidamente inscrita no Conselho Regional de Corretores de Imóveis da Jurisdição. Parágrafo único. O atendimento ao público interessado na compra, venda, permuta ou locação de imóvel, cuja transação esteja sendo patrocinada por pessoa jurídica, somente poderá ser feito por Corretor de Imóveis inscrito no Conselho Regional da jurisdição. Fl. 3944DF CARF MF Processo nº 10166.724545/201480 Acórdão n.º 2202004.579 S2C2T2 Fl. 3.934 23 (...) Art 5º Somente poderá anunciar publicamente o Corretor de Imóveis, pessoa física ou jurídica, que tiver contrato escrito de mediação ou autorização escrita para alienação do imóvel anunciado. De sua parte, os contratos firmados entre as incorporadoras e a autuada, conforme exemplos juntados aos autos, atribuem com exclusividade à recorrente a intermediação/mediação na venda dos imóveis construídos, sendo que alguns explicitam que tal incumbência de "corretagem imobiliária" se consubstancia em "serviços a serem prestados e desenvolvidos" de modo a ser auferida a devida remuneração pela contratada, a ser rateada entre a esta e os corretores autônomos, que, conforme descrito, restam por ser pagos diretamente pelos adquirentes. Assim, resta claro que a LPS Consultoria, ainda que dentro de um "pacote" mais amplo que poderia englobar consultoria e promotoria de vendas, pactuava a prestação de serviços de corretagem/mediação com as incorporadoras, lhe sendo devida a comissão pertinente, o que aliás é compatível com o objeto social da empresa: "a atividade de prestação de serviços técnicos de planejamento, organização; compra e venda e administração de imóveis; intermediação na compra, venda, permuta e locação de imóveis próprios". Tal prestação de serviços pois, como visto, para fins de incidência de contribuições previdenciárias a atividade de corretagem traduzse em modalidade de prestação de serviços era realizada mediante a contratação de corretores, em conformidade com o preceito contido no parágrafo único do art. 3º do Decreto nº 81.871/78, linhas acima transcrito. A recorrente aduz que esses contratos firmam relação associativa ou de parceria, de comunhão de esforços com vistas a obtenção do resultado final, ou seja, a concretização da venda do imóvel e consequente divisão da comissão obtida, apresentando, inclusive, parecer nesse sentido. A tese é sedutora, porém o exame dos fatos não sustenta tal entendimento. Causa espécie a parceria em questão, na qual apenas um dos ditos parceiros estabelece todas as regras e disposições concernentes à atividade objeto da avença, disponibilizando a estrutura física mesmo que pertencente à incorporadora logística e de propaganda relacionadas com o negócio. Não há comprovação alguma de que as decisões administrativas e regramentos relativos à associação tenham tido, em algum momento, ingerência ainda que marginal dos corretores ditos autônomos. Nessa toada, as metas, as escalas de trabalho, os rateios de corretagem, eram aspectos essenciais das atividades desenvolvidas, e sobre os quais apenas uma das cogitadas 'parceiras', a imobiliária, tinha poder de disposição. Deve ser registrado que alguns depoentes confirmaram não ter relação de prestação de serviços com a autuada, mas sim de parceria comercial, o que por outro lado conflita com depoimentos em sentido diametralmente oposto, no sentido de que o vínculo tinha caráter de relação de emprego. Tais diferenças parecem residir, em substancial medida, no grau hierárquico da função desempenhada pelo corretor coordenador, diretor ou mero corretor autônomo Fl. 3945DF CARF MF 24 individual dentro da empresa. Ou seja, quanto mais alto o cargo exercido, mais o diligenciado tende a dissociar seu trabalho de uma prestação de serviços, identificandoa como parceria, ou havendo mesmo constituído pessoa jurídica para efetivar tal relação. Por outra via, na maior parte dos casos os corretores autônomos sem função adicional na imobiliária trazem versão diversa, inclusive asseverando terem firmado contrato de prestação de serviço, sendo que sua via deste não lhe era fornecida pelo empresa, aliás; ainda, há corretor depoente que alude à natureza de sua relação como sendo empregatícia. Cabe anotar ser natural a necessidade de diretrizes a serem seguidas pelos corretores no atendimento ao público interessado nos imóveis anunciados, tais como escalas a serem seguidas, revezamento, preferências, uso de crachá, etc, bem como participação em treinamentos. Existe sim, o desempenho de uma atividade de coordenação por parte da empresa sobre a atividade dos corretores, visando padronizar os serviços prestados e transmitir credibilidade aos potenciais adquirentes. Porém o estabelecimento de sanções em caso de faltas, com a possibilidade de rescisão contratual, o regramento unilateral das condições da atividade por apenas um dos parceiros, sem a menor participação dos corretores, que meramente aderem às condições pré estabelecidas pela autuada, são características que revelam grau significativo de subordinação e controle dos corretores autônomos frente à imobiliária, grau esse o qual, ainda que não suficiente para atrair vínculo empregatício, afasta claramente a tese associativa ou de parceria dimensionada na peça recursal, remetendo claramente à realização de prestação de serviços. Reiterese que a prestação de serviços consistia, da parte da autora relativamente às incorporadoras, em envidar os esforços de venda das unidades imobiliárias, o que poderia ou não resultar em efetivo negócio. Face à obrigatoriedade, por força do parágrafo único do art. 3º do Decreto nº 81.871/78, de que o atendimento ao público comprador fosse realizado por corretores pessoas físicas, a empresa efetuava suas vendas por intermédio desses corretores contratados, que lhe prestavam parte dos serviços objeto do contrato com a imobiliária por exemplo, a divulgação do lançamento na mídia não era realizada por corretores, logicamente, mas sim diretamente pela imobiliária. A álea contratual típica do contrato de corretagem se verificava pela consecução ou não da meta visada, a venda do imóvel. Em outros termos, a recorrente, para se desincumbir de seu dever de prestar o serviço de corretagem às incorporadoras comitentes, contratava corretores autônomos os quais poderiam realizar suas atividades como pessoa física ou jurídica, podendo ou não ter atribuições adicionais no âmbito da organização. Em regra, esses corretores atendiam aos potenciais adquirentes quando estes visitavam os plantões de vendas do empreendimento imobiliário. O pagamento do serviço prestado por esses corretores ao seu contratante direto, a imobiliária, era realizado não por essa tomadora imediata, mas pelos compradores de imóveis, mediante emissão de cheque à parte no nome daqueles, com a concordância dos envolvidos. Portanto, há que se concluir que a obrigação tributária da autuada, como contratante desses corretores, não resta modificada pelo acerto realizado quanto ao pagamento, forte no art. 123 do CTN; constatase então correta a imputação fiscal, no que se refere à aferição de infringência ao disposto nos arts. 22, III; 28, III, 30, inciso I, § 4º; 32, inciso IV e 33, §§ 3º a 6º da Lei nº 8.212/91. Fl. 3946DF CARF MF Processo nº 10166.724545/201480 Acórdão n.º 2202004.579 S2C2T2 Fl. 3.935 25 No tocante ao tópico recursal denominado "O limitado valor dos elementos colhidos mediante circularização e a indevida desconsideração de provas contrárias ao Auto de Infração", merece ser dito que a questão referente à circularização foi enfrentada à minúcia pela DRJ/SPO e, não se discordando das razões ali discorridas, pedese a devida vênia para que elas passem a integrar esta fundamentação: 8. O processo administrativo fiscal é composto por uma sequência de atos dentre os quais é possível identificarse duas fases distintas: a inquisitorial (preliminar) e a contraditória. 8.1. Na fase preliminar, investigativa, conhecida como oficiosa, ou não contenciosa, a Autoridade Fiscal coleta dados, examina documentos, procede à auditoria contábilfiscal e verifica a subsunção dos fatos à regra matriz de incidência tributária. 8.2. Em tal fase, a indigitada Autoridade forma sua convicção com base nos elementos colhidos e análises efetuadas, não havendo, ainda, que se falar em processo nem, tampouco, em contraditório. 8.3. Efetuado o lançamento e, com isso, constituído o crédito tributário, nasce para o então sujeito passivo, após regular cientificação, a faculdade de provocar o início da segunda fase do procedimento – a fase contenciosa, litigiosa ou contraditória – por intermédio da sua insurgência (Impugnação) contra o ato concreto resultante da primeira fase (lançamento). 8.4. Destarte, ratifiquese, no procedimento fiscal, o exercício do contraditório somente ganha espaço após a formalização do lançamento regulamente cientificado ao contribuinte que, então, tem o direito de desafiálo com a interposição de defesa, com a exposição dos argumentos e provas que julgar pertinente para embasar suas alegações. 8.5. Assim, diante do sintetizado, as objetadas circularizações, consistentes em técnica de auditoria largamente utilizada, tratandose de coleta de dados e informações e, por corolário, abrangidas pela fase inquisitorial do procedimento, não estão sujeitas ao contraditório, haja vista que prévias ao atacado lançamento. 8.6. Lado outro, tendo sido levadas ao conhecimento do sujeito passivo, mediante relatório e termos acostados aos autos, sujeitas, por tanto, à contradita, referidas circularizações em nada se aproximam da ideia de provas obtidas ilicitamente, pois que não se desnudam contrárias à lei lato sensu, nem contrárias a procedimento. Ademais, há que se realçar que a ampla maioria dos depoimentos colhidos via circularização confirma de modo consistente as conclusões da fiscalização quanto aos fatos submetidos à investigação. Por exemplo, não se nega a possibilidade de que em determinadas circunstâncias, tenham havido contatos prévios entre corretores e compradores interessado, mas essas situações surgem, à toda vista, como exceção, não como regra. Também a maior parte dos corretores diligenciados corrobora a versão do Fisco de que prestavam serviços nos plantões de venda à autuada firmando inclusive contrato de prestação de serviços, do qual não lhes era fornecida cópia sob seu controle, orientação e regras fixadas unilateralmente, conforme abordado à saciedade, estando até mesmo sujeitos a sanções. E, como já referido, as alegações de parceria são ventiladas predominantemente por Fl. 3947DF CARF MF 26 corretores que também tinham competências funcionais/gerenciais outras dentro da empresa, cabendo cautela na apreciação de seus depoimentos. E o que a recorrente rotula como mera "opinião", guiada pela "aparência", dos compradores de imóveis, é na realidade bastante compatível a realidade documental espelhada nos autos, valendo sublinhar, uma vez mais, que os tribunais pátrios vem reconhecendo reiteradamente que a prestação de serviços em situações tais como a analisada se dá em benefício primeiro do contratante pessoa jurídica, não sendo o serviço de corretagem prestado aos compradores, ao contrário do que insistentemente aduzido no recurso. Melhor sorte não favorece a recorrente, no que diz respeito ao arbitramento realizado pela fiscalização. Com esteio no § 3º do art. 33 da Lei nº 8.212/91, c/c o art. 148 do CTN, diante da apresentação deveras deficiente dos elementos solicitados via intimação, a autoridade fiscal lançou as quantias devidas, arbitrando a remuneração paga aos corretores, base de cálculo das contribuições. O procedimento de aferição deuse tomando como base 100% das comissões recebidas pela autuada e constantes na sua DIMOB de 2010 e 2011, relativas às intermediações imobiliárias realizadas para as empresas SPE BRASIL INCORPORAÇÃO 17 LTDA. (LEV B1), SPE BRASIL INCORPORAÇÃO 41 LTDA. (LEV B2) e SPE BRASIL INCORPORAÇÃO 50 LTDA. (LEV B3). A partir desses dados, foi então utilizada a tabela de honorários extraída do sítio do Conselho Regional de Corretores de Imóveis da 8ª Região CRECI DF, segundo a qual a divisão de comissão entre corretores e/ou empresa imobiliária ocorreria na razão de 50% para cada parte. Argui a autuada que deveriam ter sido utilizados critérios outros, que reputa serem mais adequados, aludindo explicitamente aos constantes do art. 201, § 3º do Decreto nº 3.048/99 (RPS Regulamento da Previdência Social). Vejase, não obstante, que tal dispositivo é destinado especificamente aos segurados de que tratam as alíneas 'e' a 'i' do inciso V do art. 9º desse decreto, ou seja, titular de firma, diretor não empregado, sócio e ou associado de cooperativa, situações em nada assemelhadas às ora examinadas. Acrescentese que a fiscalização logrou demonstrar, via quadro Demonstrativo (fls. 83/84), que o critério de aferição foi inclusive benéfico à recorrente, posto que nos casos particulares nos quais se pôde chegar a números mais concretos, o percentual da corretagem destinado aos corretores pessoa física superava o pagamento da corretagem à pessoa jurídica. E anotese também que, a despeito de alguns corretores haverem formalizado pessoas jurídicas para realizar suas atividades, restou evidenciado, conforme argumentação desenvolvida supra, e em concordância com o entendimento da fiscalização, que a natureza dos serviços constituíase materialmente em prestação de serviços por pessoa física, verificados inclusive os vínculos de subordinação, ainda que mitigados relativamente ao vínculo empregatício, a justificar a utilização das tabelas da CRECI na espécie. Constatase ser bastante proporcional e adequado o critério de aferição utilizado, portanto, e em consonância com as normas de regência. Fl. 3948DF CARF MF Processo nº 10166.724545/201480 Acórdão n.º 2202004.579 S2C2T2 Fl. 3.936 27 Quanto à suposta improcedência do lançamento da cota dos segurados em razão da inobservância do limite do salário de contribuição, devese destacar que não foi possível à fiscalização, face à não colaboração da recorrente em apresentar os dados individualizados de pagamentos das comissões aos prestadores de serviços de corretagem, por operação de venda dados aos quais tinha decerto acesso, pois quedava com os cheques àqueles devidos, até a conclusão do negócio , discriminar por beneficiário a comissão a ele paga. Destarte, os valores lançados, por uma questão lógica, acabaram por superar o limite máximo de salário contribuição, pois estão vinculados ao conjunto das operações mensais realizadas para cada incorporadora no mês, não a um contribuinte individual determinado, situação na qual aí sim, o limite em questão não poderia ser ultrapassado. Para assim compreender, basta consultar o DD (Discriminativo do Débito, fls. 14/18) do lançamento. Também por essa via, então, não prosperam as alegações recursais. A recorrente se insurge, ainda, contra a qualificação da multa de ofício. Partilhase, nesse particular, do ponto de vista expresso no voto do relator da decisão contestada, o qual restou vencido àquela ocasião. Explico. A fiscalização entendeu, ao justificar a qualificação questionada, que a autuada "atua no intuito de fragmentar as etapas de comercialização de imóveis (...) por meio de atos simulados/dissimulados, ao agir no sentido de fazer crer que os corretores autônomos prestam serviços para os compradores de unidades imobiliárias (...). Prossegue afirmando que a transferência da responsabilidade pelo pagamento da comissão da venda para os compradores tem "o claro objetivo de se eximir do pagamento dos encargos tributários devidos na operação", com ênfase nas contribuições previdenciárias. Ora, a validade da precitada transferência de responsabilidade do pagamento da comissão de corretagem da incorporadora/imobiliária contratante para o comprador do imóvel era matéria acerca da qual havia considerável controvérsia, seja na esfera administrativa, seja na judicial, nesta última especialmente sob o enfoque consumerista. Não obstante, consoante anteriormente explicitado, quedou assentado em 2016 pelo STJ em recurso repetitivo a validade desse tipo de cláusula contratual, desde que previamente informado o preço do total da aquisição ao comprador, com destaque do valor da comissão. À luz dessa decisão, resta bastante difícil sustentar a tese vertida pela fiscalização, de que se tal proceder teria natureza simulatória voltada para a elisão fiscal. Ainda que possa ter se originado em prática voltada para tais fins, o fato reconhecido judicialmente é que se trata de prática amplamente disseminada no mercado imobiliário, e que restou admitida como harmônica perante o ordenamento jurídico. Quanto ao aspecto da informação prévia ao comprador, é questão que só pode ser elucidada caso a caso, o que extrapola os limites da presente lide. Assim sendo, e em que pese a multicitada transferência de pagamento não ter a repercussão pretendida pela recorrente, ou seja, ela não traz consequências no que tange ao fato jurídico anterior que acarreta sua sujeição passiva como contribuinte dos tributos exigidos, temse que não há elementos adicionais suficientes circunstanciados no auto de infração aptos a respaldar a qualificação da multa de ofício, a qual deve ser exonerada do lançamento. Fl. 3949DF CARF MF 28 Por fim, no que concerne aos juros sobre a multa de ofício, cabe lembrar o caput do art. 161 do CTN assim dispõe: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. Na sistemática do CTN, a obrigação tributária principal é de ínsita natureza pecuniária, sendo composta por tributo e multa, nos termos do seu art. 113 e §§. Os arts. 139 e 142 do Código deixam claro que o crédito tributário tem a mesma natureza da obrigação principal, podendo ser assim, composto tanto por tributo quanto por multa. Destarte, o art. 161 supra, quando trata do crédito tributário, está tratando da obrigação principal revestida de exigibilidade, a qual, não paga no vencimento, está sujeita a juros de mora. Portanto, a incidência dos juros em apreço sobre as multas que porventura componham o crédito tributário é preceito estabelecido no CTN. O legislador ordinário respeitou os parâmetros da lei complementar, ao regrar no art. 61 da Lei nº 9430/96, que os débitos decorrentes de tributos e contribuições sofrem incidência de juros de mora. A saber, o termo"decorrente" significa consequente, ou seja, além do tributo propriamente dito, os débitos que lhe dele são resultantes, ainda que não necessariamente, tais como as multas de ofício proporcionais, as quais também deverão ser acrescidas dos juros. Em consonância com esse entendimento, vale lembrar que o § 8º do art. 84 da Lei nº 8.981/95, reza que os juros de mora se aplicam aos demais créditos da Fazenda Nacional, cuja inscrição e cobrança como Dívida Ativa da União seja de competência da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, categoria na qual se incluem, logicamente, as multas de ofício, sejam proporcionais ou lançadas isoladamente. A jurisprudência do STJ consolidouse nesse sentido, conforme se depreende da leitura da ementa do acórdão do AgRg no REspnº 1.335.688/PR (1ª Turma, Rel. Min. Benedito Gonçalves, DJe de 10/12/2012) : PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. 2. Agravo regimental não provido. (grifei) Do REsp nº 1.129.990/PR (2ª Turma, Rel. Min. Castro Meira, DJe de 14/9/2009) convém colacionar o seguinte trecho do Voto condutor, aclarando a questão: De maneira simplificada, os juros de mora são devidos para compensar a demora no pagamento. Verificado o inadimplemento do tributo, advém a aplicação da multa punitiva que passa a integrar o crédito fiscal, ou seja, o montante que o Fl. 3950DF CARF MF Processo nº 10166.724545/201480 Acórdão n.º 2202004.579 S2C2T2 Fl. 3.937 29 contribuinte deve recolher ao Fisco. Se ainda assim há atraso na quitação da dívida, os juros de mora devem incidir sobre a totalidade do débito, inclusive a multa que, neste momento, constitui crédito titularizado pela Fazenda Pública, não se distinguindo da exação em si para efeitos de recompensar o credor pela demora no pagamento. Em suma, o crédito tributário compreende a multa pecuniária, o que legitima a incidência de juros moratórios sobre a totalidade da dívida. Do recurso voluntário da LPS Brasil Consultoria de Imóveis S/A. De acordo com o relatório fiscal e termo de sujeição passiva solidária (fl. 6), foi imputada responsabilidade tributária à LPS Brasil Consultoria de Imóveis S/A., por ser esta sóciamajoritária da autuada com 51% do seu capital social, integrando grupo econômico formado por cerca de 23 empresas coligadas/controladas atuante no ramo imobiliário, o que atrai a incidência do art. 124, inciso I do CTN e do inciso IX do art. 30 da Lei nº 8.212/91. A atribuição de responsabilidade solidária com fulcro no interesse comum carece, entendese, de elementos adicionais outros que não a mera participação societária de uma pessoa jurídica em outra. Não obstante, é de ser salientado que a própria empresa tida como responsável admite no seu recurso (fl. 3347) fazer a autuada parte do grupo econômico por ela capitaneado. Diante de tal realidade, e a despeito das considerações vertidas pela recorrente, dado o princípio da legalidade aplicase de plano o disposto no inciso IX do art. 30 da Lei nº 8.212/91 c/c o art. 2º, § 2º da CLT: Lei nº 8212/91 Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (...) X as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei; DecretoLei nº 5.452/43 Art. 2º Considerase empregador a empresa, individual ou coletiva, que, assumindo os riscos da atividade econômica, admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviço. (...) § 2º Sempre que uma ou mais empresas, tendo, embora, cada uma delas, personalidade jurídica própria, estiverem sob a direção, controle ou administração de outra, constituindo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica, Fl. 3951DF CARF MF 30 serão, para os efeitos da relação de emprego, solidariamente responsáveis a empresa principal e cada uma das subordinadas. Convém registrar que o inciso IX do art. 30 da Lei de Custeio não traz ressalva alguma sobre a exclusão das penalidades da sujeição passiva solidária. De qualquer maneira, a multa de ofício, penalidade que restou mantida após o presente julgamento, não prescinde do dolo específico referido pela recorrente,para sua aplicação, pois decorre do descumprimento objetivo do dever de pagar ou recolher a contribuição, nos termos do art. 44 da Lei nº 9.430/96. Havendo observado a autoridade fiscal a legislação supra explicitada, não prospera o recurso da pessoa jurídica responsável solidária. Dos recursos voluntários de Wildemar Antonio Demartini e Marco Antonio Moura Demartini A atribuição de responsabilidade solidária aos epigrafados, amparada nos arts. 124, inciso I, e 135, inciso III do CTN (fl. 7), foi fundamentada da seguinte maneira no relatório fiscal (fl. 89): 78. O sr. Wildemir Antonio Demartini, sócio da LPS Brasília desde o início de sua atividade, sempre exerceu o papel de Diretor Geral e Responsável Técnico da empresa junto ao CRECI, bem como o sóciominoritário Marco Antonio Moura Demartini sempre se manteve no exercício do cargo de Diretor Administrativo, com poderes para praticar todos os atos necessários ao bom e regular funcionamento da empresa sob ação fiscal. Já o sr. Marcello Rodrigues Leone exerce o cargo de Diretor financeiro na LPS Brasília e de Diretor sem vínculo empregatício na LPS Brasil. 79. Sendo assim, as sócias pessoas físicas e jurídica demonstradas na planilha acima por integrarem o quadro Societário e participarem do Capital Social e da Administração da empresa LPS BRASÍLIA, assim como, por participarem conjuntamente com a empresa autuada da ilegalidade e abusividade ao transferir para o comprador do imóvel a responsabilidade pelo pagamento da comissão/premiação aos corretores autônomos, foram arroladas como responsáveis solidárias dos créditos tributários lançados no contribuinte ora fiscalizado. Bom, conforme mencionado linhas acima, não se concebe que a mera participação no quadro societário de empresa ampare a imputação de solidariedade conforme previsto no art. 124, inciso I do CTN. Por outro lado, o que aparenta ser a justificativa para a aplicação do art. 135, inciso III do CTN atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos está contida na passagem acima 'participarem conjuntamente com a empresa autuada da iliegalidade e abusividade ao transferir para o comprador do imóvel a responsabilidade pelo pagamento da comissão/premiação aos corretores autônomos'. Ora, como dantes abordado, o próprio intérprete máximo da legislação infraconstitucional, em sede de recurso repetitivo, já firmou não haver ilegalidade, a princípio, nesse gênero de transferência. Adicionalmente, anotese que não restou apontada qualquer outra violação legal, contratual ou estatutária. Fl. 3952DF CARF MF Processo nº 10166.724545/201480 Acórdão n.º 2202004.579 S2C2T2 Fl. 3.938 31 Frente a tais constatações, não deve ser mantida a imputação de responsabilidade solidária aos referidos sócios da autuada. Ante o exposto, voto no sentido não conhecer do recurso de ofício e de dar parcial provimento ao recurso voluntário, para fins de excluir Wildemar Antonio Demartini e Marco Antonio Moura Demartini da responsabilidade solidária, e de cancelar a qualificação da multa de ofício. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Declaração de Voto Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto Parabenizo o i.Cons. Relator pelas bem expostas palavras, pormenorizada análise dos autos e fundamentada argumentação jurídica. A verdade, entretanto, é que divirjo na própria essência da causa, razão pela qual apresento a seguir os fundamentos do meu voto. Conforme o relatório apresentado, tratase de lançamento de Contribuições Previdenciárias em função de a Contribuinte ter tomado serviços de intermediação imobiliária de segurados contribuintes individuais, especificamente pelo pagamento de remuneração a título de comissão ou prêmio de vendas de imóveis. Em outras palavras, o "serviço" que a autoridade lançadora indica ter sido exercido pelos corretores pessoas físicas à Contribuinte foi a intermediação na venda/compra dos imóveis, i.e., na corretagem propriamente dita. Acontece que o contrato de corretagem, especificamente intermediação imobiliária identificada pela autoridade lançadora, é ato comercial autônomo do profissional perante as partes que almejam o contrato envolvendo o imóvel, seja vendedorcomprador, seja locadorlocatário, seja ainda permutantes ou contrato de qualquer outra natureza. Especificamente, observase que a Recorrente não é nenhuma desses, mas sim corretora, de forma que entre eles não houve sequer contrato de corretagem, mas sim outro, seja empregatício, seja associativo. Em qualquer deles, entretanto, certo é que não há prestação de serviços na intermediação imobiliária. Essa matéria não é nova nesse Conselho. O CARF já enfrentou o problema de definir se há ou não prestação de serviços em contrato de corretagem em inúmeras oportunidades, ora aceitando e ora negando a viabilidade dessa incidência. A título exemplificativo, convém apresentar precedentes em ambos os sentidos. A Favor: Acórdão CARF nº 2302003.573, de 20/01/2015: Fl. 3953DF CARF MF 32 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. INCIDÊNCIA SOBRE A REMUNERAÇÃO DE CORRETORES. No caso de compra e venda de imóveis com a participação de corretores, ainda que todas as partes do negócio acabem usufruindo dos serviços de corretagem, a remuneração é devida por quem contratou o corretor, ou seja, em nome de quem atua. Nesse sentido, ensina Orlando Gomes que se “somente uma das partes haja encarregado o corretor de procurar determinado negócio, incumbelhe a obrigação de remunerálo”. E ainda, “entre nós, quem paga usualmente a comissão é quem procura os serviços do corretor” (GOMES, Orlando. Contratos. 20ª ed. Rio de Janeiro: Forense, 2000, p. 382). É legítimo que, após a prestação dos serviços no interesse de uma das partes, haja estipulação de cláusula de remuneração, por se tratar de direito patrimonial, disponível. No entanto, tal prerrogativa não significa dizer que não houve ainda a ocorrência do fato gerador das contribuições previdenciárias, pois o crédito jurídico do corretor decorre de sua prévia prestação de serviços, ainda que a quitação seja perpetrada, posteriormente, por terceiro (adquirente). Para fins de incidência das contribuições previdenciárias, em cada caso, é preciso verificar quem são as partes da relação jurídica, para se saber quem é o credor e o devedor da prestação de serviços e, conseqüentemente, da remuneração (crédito jurídico), pouco importando de onde sai o dinheiro, podendo nem mesmo haver transação financeira como sói ocorrer com as prestações in natura (utilidades). (...) Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao Recurso Voluntário. No caso de compra e venda de imóveis com a participação de corretores, ainda que todas as partes do negócio acabem usufruindo dos serviços de corretagem, a remuneração é devida por quem contratou o corretor, ou seja, em nome de quem atua. Para fins de incidência das contribuições previdenciárias, em cada caso, devese verificar quem são as partes da relação jurídica, para se saber quem é o credor e o devedor da prestação de serviços e, conseqüentemente, da remuneração (crédito jurídico), pouco importando de onde sai o dinheiro, podendo nem mesmo haver transação financeira como sói ocorrer com as prestações in natura (utilidades). Contra: Acórdão CARF nº 2803003.816, de 05/11/2014: PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. LANÇAMENTO POR AFERIÇÃO INDIRETA. CONSTRUÇÃO CIVIL. CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS X CONTRATO DE CORRETAGEM. FATO GERADOR NÃO CARACTERIZADO. CONFLITO DE NORMAS. Fl. 3954DF CARF MF Processo nº 10166.724545/201480 Acórdão n.º 2202004.579 S2C2T2 Fl. 3.939 33 INOBSERVÂNCIA, PELA FISCALIZAÇÃO, DOS COMANDOS DOS ARTIGOS 109, 110 E 142 DO CTN. 1. O cerne da discussão entre as partes litigantes diz respeito a contratos de prestação de serviços (tácitos) firmados pela recorrente e corretores ou consultores imobiliários, sob a ótica da lei previdenciária (art. 22 da Lei nº 8.212/91), conforme entendimento da fiscalização / julgadores de primeira instância, e contratos de corretagem (também tácitos) firmados pelos corretores / consultores imobiliários e os adquirentes de imóveis por intermédio da recorrente, sob a ótica do art. 723 do Código Civil / Lei 6.530/79, que define a área de atuação do corretor imobiliário. 2. Não tendo a autoridade administrativa, verificado, efetivamente, a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, como impõe o art. 142 do CTN, tendo em vista que a relação existente entre o sujeito passivo e os corretores / consultores imobiliários não decorre de contrato de prestação de serviço, mas de contrato de corretagem, na forma estabelecida no art. 723 do Código Civil, bem como na Lei nº 6.530, de 1979, a constituição do crédito tributário está eivada de vício material insanável, não merecendo, desse modo, prosperar. 3. Além de a fiscalização ter inobservado a regra matriz para a constituição do crédito tributário, como prevê o art. 142 do CTN, ela também desconsiderou solenemente as previsões contidas nos artigos 109 e 110 do mesmo diploma legal. (...) Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Oseas Coimbra Junior e Helton Carlos Praia de Lima. Compareceu a sessão de julgamento o Advogado Dr. Francisco Carlos Rosas Giardina, OAB/RJ 41.765. Acontece que, se é fática a existência de contenda, a qual inclusive é válida do ponto de vista acadêmico, a questão encontrase respondida claramente pela Lei nº 10.406/2002, denominada Código Civil, que estabelece: Art. 722. Pelo contrato de corretagem, uma pessoa, não ligada a outra em virtude de mandato, de prestação de serviços ou por qualquer relação de dependência, obrigase a obter para a segunda um ou mais negócios, conforme as instruções recebidas. A Lei é clara: na corretagem não há prestação de serviço, assim como não há mandato nem relação de dependência. Onde a Lei é expressa, desnecessárias maiores interpretações: não há como afirmar que o contrato de corretagem é hipótese de prestação de serviços quando o Código Civil expressamente afirma que não tem essa natureza. É imperioso registrar que o Código Tributário Nacional, em seu art. 110, estabelece que a Lei tributária não pode alterar a definição de institutos de direito privado. Se Fl. 3955DF CARF MF 34 nem mesmo a "Lei tributária" pode alterar esses conceitos, com ainda mais razão é possível afirmar que não pode haver ampliação do raio de incidência de um tributo com base em mera interpretação do aplicador do direito. Efetivamente, se a Lei tributária não poderia afirmar que o contrato de corretagem é prestação de serviço para fins de incidência da Contribuição Previdenciária porquanto estaria contradizendo o próprio CTN e o CC/2002 , com ainda mais razão se nega ao intérprete tal poder. Esse motivo é, por si só, suficiente para determinar o cancelamento do auto de infração, vez que imputase a corretagem como hipótese de prestação de serviço, o que a Lei expressamente definiu em contrário. Ainda assim, apenas a título subsidiário, caso se entendesse que este e.CARF pode deixar de aplicar a Lei o que é expressamente vedado , passo ao esclarecimento de ordem doutrináriajurídicalógica. A corretagem é o contrato pelo qual uma pessoa, o corretor, é contratado por outra, o incumbente, para encontrar um negócio. No contrato de corretagem, o corretor não atua como mandatário, não tendo poder para representar o incumbente nem para firmar contrato em nome dele. Tampouco é locador de serviço; o corretor não está obrigado a realizar determinada prestação especifica, não sendo obrigado a comissivamente buscar o negócio, anunciar o imóvel nem a contatar potenciais compradores. Se o corretor, contratado sem nenhuma cláusula acessória, nada fizer, simplesmente aguardar que algum comprador o procure por sorte, não estará em mora. Em suma, no contrato de corretagem não se contrata determinada atividade, determinada prestação, mas sim para que seja alcançado determinado resultado, qual seja, a conclusão de um negócio. No contrato de corretagem, só há adimplemento da obrigação do corretor se este encontrar um negócio. Ainda que o corretor tenha realizado todos os esforços possíveis, ou nenhum, não terá feito a corretagem se não tiver encontrado um negócio. Exatamente por isso é que não se pode falar em prestação de serviços pela intermediação do corretor, inclusive imobiliário, independente de estar dias a fio à disposição do incumbente, buscando encontrar negócio, mas se pode falar em corretagem quando o corretor, sem comparecer única vez in loco, encontra um negócio para o incumbente. Diferente é a hipótese em que, ao contrato de corretagem, acrescentamse outras obrigações, acessórias ou mesmo principais, alterando a natureza do negócio jurídico. Efetivamente, como bem chama atenção SILVIO VENOSA, "A maior dificuldade em fixar a natureza jurídica desse contrato (de corretagem) devese ao fato de que raramente o corretor limitase à simples intermediação. Por isso, para a corretagem acorrem princípios do mandato, da locação de serviços, da comissão e da empreitada, entre outros. Quando um desses negócios desponta como atuante na corretagem, devem seus respectivos princípios de hermenêutica ser trazidos à baila. Para que seja considerada corretagem, a intermediação deve ser a atividade preponderante no contrato e na respectiva conduta contratual das partes." 2 Como esclarecido acima, o contrato de corretagem é o negócio pelo qual o incumbido se obriga a encontrar um negócio. Podem, entretanto, as partes (corretor e 2 VENOSA, Sílvio, Código Civil interpretado, São Paulo, Atlas, 2010, p. 682. Fl. 3956DF CARF MF Processo nº 10166.724545/201480 Acórdão n.º 2202004.579 S2C2T2 Fl. 3.940 35 incumbente) acordar que ao contrato de corretagem serão acrescentadas outras obrigações. São exemplo: podem acordar que o corretor seja obrigado a anunciar o negócio (imóvel, no caso em tela) em determinado site ou outdoor; seja obrigado a contatar número mínimo de clientes por semana; seja obrigado a ficar em determinado estande de vendas por certo número de horas, a atender o telefone, a panfletar etc. Nesses casos, quando são acrescentadas apenas cláusulas ou obrigações acessórias, o contrato de corretagem alterase, podendo, ou não, perder a sua essência. Nessa senda, não custa relembrar a lição de PONTES DE MIRANDA que aponta as diversas correntes possíveis em relação à natureza do contrato de corretagem. In verbis: "O contrato de corretagem pode ser contrato unilateral (só o que outorga se faz devedor e obrigado), ou bilateral (outorgante e outorgado devem e são obrigados), ou plurilateral. Por êle, o outorgante fica vinculado a pagar ao corretor remuneração (dita comissão; melhor corretagem) pela comunicação de quando e de como pode concluir o contrato, ou de como por outorgar poder de intermediação, aí sem representação, ao corretor. O elemento de serviço ou de obra que entra no contrato de corretagem não lhe tira a característica, se criados o dever e a obrigação de desenvolver atividade e de comunicação, para se poder ter o ensejo de negociação: bilateralizase o contrato, quebrando a unilateralidade, ou ao lado dessa (C. E. RIESENFELD, Der Civilmakler. Gruchots Beiträge, 37, 277 e 847; W. REULING, Provisionsansprüche, 40, 193; E. RIEZLER, Der Werkvertrag, 91; H. SIBER, Der Rechtszwang, 48 s.). Pela bilateralidade, sempre, mesmo se não ocorre dever e obrigação por parte do corretor: C. CROME (Die partiarischen Rechtsgeschäfte, 45; System, II, 709), F. SCHOLLMEYER (Recht der Schuldverhältnisse, 113), PAUL OERTMANN (Das Recht der Schuldverhältnisse, 759 s.) e OTTO VON GIERKE (Deutsches Privatrecht, III, 709). Se o corretor não assume o dever de desenvolver atividade, a fim de poder informar o outorgante, a sua prestação de informar é que determina o direito a receber remuneração. Isso não quer dizer que, sendo unilateral o contrato, não fique vinculado, não pode praticar atos contrários aos interêsses do outorgante, tem dever de discrição, não pode, de má fé, com dano para o outorgante, suspender a atividade que voluntàriamente começou, nem pode usar essa atividade para informar a outrem, com dano para o outorgante. Se o corretor assume o dever de desenvolver atividade necessária à obtenção do informe e de informar, ou a prestar o informa que já tem, bilateralizase o contrato de corretagem. A opinião que sustenta desnaturarse, com a bilateralização, o contrato, tornandose, apenas, contrato de serviço, parte de que: a) o contrato ou é de corretagem ou é de serviço; b) não se pode pensar em incidirem as regras jurídicas sôbre corretagem e, subsidiàriamente, as regras jurídicas sôbre contrato de serviços." 3 3 F. C. PONTES DE MIRANDA, Tratado de direito privado, t. 43, atual. Cláudia Lima Marques e Bruno Miragem, São Paulo, Revista dos Tribunais, 2012, p. 427. Fl. 3957DF CARF MF 36 Em suma, no contrato de corretagem per si, não há locação (prestação) de serviço, mas mera autorização para o corretor, que fica obrigado a anunciar que encontrou um negócio, e obrigação para o incumbente, que fica obrigado a pagar a corretagem em caso de resultado útil. Podem ser acrescentados ao contrato de corretagem, é verdade, outras obrigações, inclusive a de prestar determinados serviços (como a propaganda, a panfletagem etc.), os quais, entretanto, não são presumidos porquanto não fazem parte da essência do negócio. Ainda assim, é necessário distinguir a causa (antecedente jurídico) do pagamento ao corretor: se o pagamento é pela corretagem propriamente dita, ou seja, por ter encontrado um negócio, então as obrigações acessórias não são remuneradas; se, de outro lado, o pagamento é pelo adimplemento das obrigações acessórias descritas permanecer no stand de vendas, fazer ligações ou propaganda etc. , então sim é que o pagamento decorre da prestação de serviços. Neste caso, porém, o pagamento será devido independente de ter ou não encontrado o negócio. Nesse sentido, inclusive, com grande simplicidade, o incomparável PONTES DE MIRANDA: "O corretor é remunerador pelo resultado. O locador de obra ou de serviço, pela obra ou pelo serviço."4 Frisase: o corretor pode prestar serviços. São exemplos exatamente o "ficar à disposição do incumbente", o "panfletar", o "elaborar laudo de avaliação do imóvel" etc. Nestes casos o pagamento é pelo serviço prestado, e naturalmente está dissociado da conclusão de um negócio envolvendo o imóvel (venda, locação, permuta etc.). Esses serviços são inconfundíveis com o ato comercial de intermediação. Esclarecidas essas questões, voltando ao caso concreto, constatase que a autoridade lançadora afirmou que houve prestação de corretagem. Em que pese tenha identificado algumas obrigações acessórias, reconhece que a base de cálculo é composta pelos pagamentos efetuados a título de corretagem, e não como contraprestação por essas outras obrigações. Ainda que se pudesse configurar a corretagem como hipótese de prestação de serviço do corretor em prol do incumbente, o que já foi afastado acima, é necessário analisar ainda outra questão que, ab ovo, fere de morte o presente lançamento: qual a relação entre os contribuintes autônomos corretores pessoas físicas e a Recorrente? Concluiu a autoridade lançadora que, tendo a Contribuinte exercido atividade de intermediação, e não estando os corretores pessoas submetidos às regras da relação de trabalho, então estavam prestando serviços. Excluiu, contudo, a possibilidade de que os corretores pessoas físicas estivessem atuando em parceria com as corretoras pessoas jurídicas. A verdade é que o Código Civil estabeleceu que: Art. 728. Se o negócio se concluir com a intermediação de mais de um corretor, a remuneração será paga a todos em partes iguais, salvo ajuste em contrário. Percebese que a Lei estabeleceu a presunção de que o vínculo entre dois corretores é de parceria. Tratase de uma norma dispositiva: presumese existir parceria, mas esse vínculo pode ser afastado ou alterado, desde haja ajuste em contrário. Em outras palavras, não apenas é plenamente possível que dois ou mais corretores atuem em parceria como, na 4 F. C. PONTES DE MIRANDA, Tratado de direito privado, t. 43, atual. Cláudia Lima Marques e Bruno Miragem, São Paulo, Revista dos Tribunais, 2012, p. 430. Fl. 3958DF CARF MF Processo nº 10166.724545/201480 Acórdão n.º 2202004.579 S2C2T2 Fl. 3.941 37 falta de provas de que as partes e não um terceiro, como é a autoridade lançadora estipularam em contrário, essa é a natureza da relação entre si. Mais uma vez, socorremonos da doutrina: "Na hipótese de ser a corretagem conjunta, ou seja, mais de um corretor intermediar a realização do negócio, o preço da mediação será dividido em partes iguais, pelo número de corretores participantes, salvo expressa disposição contratual em contrário." 5 E "Se forem vários os corretores a participação da intermediação, a remuneração será paga a todos em partes iguais, salvo ajuste em contrário. É comum que negócios de grande e médio porte tenham participação de vários corretores. Divergindo eles sobre a partilha da comissão, cabe ao comitente consignála em juízo. No caso concreto, pode ser necessário averiguar a participação efetiva de cada corretor em cada intermediação e se não foi estabelecido percentual diverso para cada um." 6 Assim, não bastava demonstrar que os corretores pessoas físicas tinham algum vínculo com a Contribuinte; deveria a autoridade lançadora ter demonstrado que a Contribuinte atuava como tomadora do serviço, enquanto as pessoas físicas lhe prestavam serviços, eram suas subordinadas, jamais podendo estar alçadas ao patamar de parceiras. E, mais, que a remuneração era devida em função do serviço, e não pela corretagem. Ora, ainda que se entendesse que a corretagem é prestação de serviço e que houve tomada de serviço in casu o que passaria pela necessária análise da efetiva intermediação de negócios imobiliários pela Contribuinte , o que justifica a afirmação de que foi a Contribuinte quem tomou o serviço dos corretores pessoas físicas? O fato de que ela é uma empresa e eles pessoas físicas? Poderseia argumentar o inverso: que foram eles, pessoas físicas, quem tomaram serviço da Contribuinte, pessoa jurídica; que eles a remuneram, com parte da comissão recebida, pelo trabalho de prospectar incumbentes, de instalar e manter equipamentos, de fazer a panfletagem, de planejar a melhor estratégia de marketing etc. Pode se argumentar que se tratam de serviços que eles, pessoas físicas, tomaram dela, imobiliária, em prol da atividade deles, que é intermediar compra e venda de imóveis. Eles, corretores pessoas físicas, podem tomar esse serviço de qualquer imobiliária ou mesmo fazêlo por conta própria enquanto ela, Contribuinte, é quem dependeria deles, os corretores, na figura de seus clientes, para auferir receita. Podese argumentar que sem a comissão da venda efetuada pelos corretores pessoas físicas, a Contribuinte não sobreviveria. Para que não restem dúvidas: nas relações privadas em sentido amplo, tanto a pessoa física pode prestar serviços às pessoas jurídicas, como estas podem prestar aquelas. Assim, a empresa toma serviços do advogado, do contador, do pintor, mas também o hóspede toma serviço do hotel, o viajante da transportadora, a platéia do cinema etc. Ou seja, não se pode pular à conclusão de que é a pessoa jurídica que toma o serviço da pessoa física simplesmente porque serem, respectivamente, jurídica e física. É necessário buscar extrair quem exerce a atividade e quem remunera. 5 CORNETTI, Marcelo Tadeu, Direito comercial direito de empresa, São Paulo, Saraiva, 2009, p. 161 6 VENOSA, Sílvio, Código Civil interpretado, São Paulo, Atlas, 2010, p. 686. Fl. 3959DF CARF MF 38 No caso do corretor pessoa física e da imobiliária exatamente por ser um contrato de parceria é possível identificar que ambos exercem atividades: a pessoa física é quem conclui o negócio, com contata o cliente final etc.; a pessoa jurídica é quem encontra o negócio, quem organiza a propaganda, quem cuida das formalidades. Novamente: é plenamente admissível observar o negócio assim: o corretor pessoa física, profissional que é, precisa de um espaço físico, de estrutura de atendimento etc., mas, não desejando despender tempo nem dinheiro com esses investimentos, prefere remunerar uma imobiliária pelo direito de usar suas estrutura. Inclusive, o parecer jurídico anexado aos autos relata que, em pesquisa de mercado, foi identificado que a maior parte dos negócios não é concluído no stand de vendas, mas sim pela carteira de clientes privada do corretor. Ainda que compartilhe das ressalvas do relator em relação aos dados concretos alcançados, percebese que a experiência prática leva a conclusões dessa natureza: é comum em visitas a stand de vendas que os corretores ali presentes busquem firmar um vínculo com o cliente, e que apresentem outros imóveis sempre que perceberem que aquele não é melhor negócio desejado pelo potencial comprador. Nessa senda, percebese que o corretor pessoa física é o principal beneficiário dos "serviços" prestados pela imobiliária, e não o inverso. Mais: ainda que se aceite que o ato de encontrar um negócio é um serviço, em favor de quem é prestado esse serviço? Da pessoa que deseja concluir o negócio, pessoa essa denominada incumbente (porque incumbe o corretor de encontrar o negócio). Quem é o incumbente no caso de compra e venda de imóveis? O comprador ou o vendedor do referido imóvel. Podese imaginar que outro corretor (pessoa física ou jurídica), enquanto corretor, seja incumbente? Não faz sentido, uma vez que esse outro corretor, stricto sensu, não tem poder de concluir o negócio, não representa as partes e nem tem mandato, de forma que somente o incumbente (vendedor ou comprador) é quem pode efetuar a venda ou a compra. Na dúvida, portanto, ainda que se concebesse que a corretagem prestada pelos contribuintes autônomos fosse considerada prestação de serviço, essa prestação não teria sido realizada em prol da Recorrente, verdadeiramente uma parceira, e sim das incumbentes (os proprietários dos imóveis ou dos compradores). Ora, reforçase a tese de que haveria parceria, no caso concreto, o fato de que, tal como descrito no transcrito art. 728, a remuneração (corretagem) era repartida entre os corretores e a Recorrente. Mais uma vez, enquadrase perfeitamente na hipótese do art. 728, i.e., parceria ou associação. Voltando assim à leitura da Lei, é perceptível que apesar da clareza solar dos arts. 722 e 728 do CC/2002 os aplicadores do direito continuaram extrair uma natureza prática do vínculo diversa daquela expressamente definida no CC/2002. Exatamente para eliminar quaisquer dúvidas, o legislador alterou a Lei nº 6.530/1978, que regulamenta especificamente a profissão do corretor de imóveis, amiudando a questão do vínculo entre o corretor pessoa física e a imobiliária (corretora pessoa jurídica). Nesta, observamse inúmeras previsões legais relevantes ao deslinde do litígio, principalmente: Art 6º As pessoas jurídicas inscritas no Conselho Regional de Corretores de Imóveis sujeitamse aos mesmos deveres e têm os mesmos direitos das pessoas físicas nele inscritas. (...) § 2o O corretor de imóveis pode associarse a uma ou mais imobiliárias, mantendo sua autonomia profissional, sem Fl. 3960DF CARF MF Processo nº 10166.724545/201480 Acórdão n.º 2202004.579 S2C2T2 Fl. 3.942 39 qualquer outro vínculo, inclusive empregatício e previdenciário, mediante contrato de associação específico, registrado no Sindicato dos Corretores de Imóveis ou, onde não houver sindicato instalado, registrado nas delegacias da Federação Nacional de Corretores de Imóveis. (Incluído pela Lei nº 13.097, de 2015) (...) § 4o O contrato de associação não implica troca de serviços, pagamentos ou remunerações entre a imobiliária e o corretor de imóveis associado, desde que não configurados os elementos caracterizadores do vínculo empregatício previstos no art. 3o da Consolidação das Leis do Trabalho CLT, aprovada pelo DecretoLei nº 5.452, de 1o de maio de 1943. (Incluído pela Lei nº 13.097, de 2015) Ora, a Lei especifica do corretor de imóveis ratifica o comando do Código Civil, explicitando ainda mais a norma. Não deixa dúvidas nem qualquer margem de interpretação quanto à natureza da relação entre o corretor de imóveis pessoa física e a imobiliária: ou há vínculo empregatício ou há associação. Melhor dizendo, se não for empregado hipótese em que fará jus a salário, não dependendo exclusivamente da corretagem , o corretor pessoa física será associado a uma imobiliária para fins de determinado empreendimento ou negociação. Configurase, portanto, contrato de associação, e não de prestação de serviços. Não há, nesta última hipótese, prestação de serviços de um a outro, nem pagamento ou remuneração. Configurase, verdadeiramente, a hipótese do art. 728 do CC/2002, na qual dois ou mais corretores atuam em conjunto para a conclusão do negócio. E, novamentem em conformidade com o art. 728 do CC/2002, tendo atuado em conjunto, os corretores (pessoas físicas e jurídicas) fazem jus ao compartilhamento da corretagem. Não à toa foi imputado aos corretores pessoas físicas parte das corretagens, e não a sua integralidade. Essa natureza associativa só será distorcido se for configurado um vínculo empregatício de um em relação ao outro, que depende dos requisitos do art. 3º da CLT. Em suma, corretagem não configura prestação de serviço. Ainda que assim não fosse, a Contribuinte não é a incumbente, e sim parceira dos corretores pessoas físicas, de forma que não é ela quem remunera eles, mas sim compartilha a remuneração paga pelo incumbente seja o comprador, seja o vendedor do imóvel. Concluise, portanto, que não há o fato gerador e, subsidiariamente, que é parte ilegítima para figurar no polo passivo da presente autuação. (assinado digitalmente) Dilson Jatahy Fonseca Neto Fl. 3961DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.934225/2008-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1998
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CIÊNCIA VIA POSTAL. SÚMULA CARF Nº 9.
É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1998
TRIBUTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO . RESTITUIÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL.
Na hipótese de pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido, o direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário (CTN, artigo 165, inciso I; LC nº 118/2005; RE 566.621/RS; e Súmula CARF nº 91)
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3302-005.506
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10880.914320/2010-14, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araújo, Vinicius Guimarães (Suplente), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 1998 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CIÊNCIA VIA POSTAL. SÚMULA CARF Nº 9. É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1998 TRIBUTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO . RESTITUIÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL. Na hipótese de pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido, o direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário (CTN, artigo 165, inciso I; LC nº 118/2005; RE 566.621/RS; e Súmula CARF nº 91) Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido
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PRESCRIÇÃO. Recorrente AUTO PECAS PORTO EIXO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1998 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CIÊNCIA VIA POSTAL. SÚMULA CARF Nº 9. É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1998 TRIBUTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO . RESTITUIÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL. Na hipótese de pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido, o direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário (CTN, artigo 165, inciso I; LC nº 118/2005; RE 566.621/RS; e Súmula CARF nº 91) Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10880.914320/201014, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 93 42 25 /2 00 8- 12 Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10880.934225/200812 Acórdão n.º 3302005.506 S3C3T2 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araújo, Vinicius Guimarães (Suplente), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad. Relatório Trata o presente processo administrativo de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório do tributo por suposto pagamento a maior ou indevido e aproveitar esse crédito com débitos referentes a impostos e contribuições administrados pela RFB. Por meio de Despacho Decisório Eletrônico, a compensação pleiteada não foi homologada, sob o fundamento de que, analisadas as informações prestadas no PER/DCOMP, não foi confirmada a existência do crédito informado, pois o DARF nele discriminado não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. Cientificado da decisão o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade alegando, em síntese: · Em preliminar, a falta de eficácia da intimação e sua validade, acarretando nulidade da notificação do despacho decisório; · No mérito, a Inconstitucionalidade das disposições da Lei n 9.718/98, sobre a COFINS e dos DecretosLei 2.445/98 e 2.449/98 quanto ao PIS; · Sobre a prescrição, o prazo prescricional para repetição do indébito tributário é de 5 (cinco) anos da homologação e como normalmente esta ocorre tacitamente somada mais com 5 (cinco) anos, a manifestante tem 10 (dez) anos do pagamento para restituir o que foi pago indevidamente; · Requer a reforma do Despacho Decisório, e que se mantenha vinculada a compensação ao processo, nos moldes da MP 135/03 transformada na Lei 10833/03, em seu Art. 17º § 11 (sic), e deste modo, os valores compensados estarão suspensos. A decisão de primeira instância foi pelo não provimento da manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 16034.250. Após ciência ao acórdão de primeira instância, apresentou recurso voluntário , em essência, reprisando a manifestação de inconformidade. É o relatório. Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10880.934225/200812 Acórdão n.º 3302005.506 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302005.493, de 24 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.914320/201014, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302005.493): "O recurso apresentado preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Como visto do relatório, tratase Declaração de Compensação DCOMP nº 01594.54905.270906.1.3.049320 (fls. 01/05), transmitida, em 27/09/2006, para a compensação de débitos de IRPJ lucro presumido (PA 06/2006) com créditos tributários (PA 04/1999) relativos à COFINS cumulativa, de que trata a Lei nº 9.718/98. PRELIMINAR Reitera a ora recorrente que a intimação para instaurar processo administrativo foi recebido e assinado por pessoa não credenciada e não habilitada para receber qualquer correspondência da empresa manifestante e sendo seu sócio gerente seu representante legal, somente ele poderia ter recebido a correspondência. Direito ao ponto, pela perfeita subsunção dos fatos alegados ao enunciado da Súmula CARF nº 9: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Não há de se falar em retroação dos efeitos do supracitado enunciado, visto, simplesmente consolidar jurisprudência1, antiga e pacífica, nos antigos Conselhos de Contribuintes e no atual CARF, baseadas na legalidade, especificamente do art. 23, do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972, justificada que a ênfase dada pelo caput a que a intimação seja provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, não tem o rigor que suponha necessária a pessoalidade do ato, sendo que a maioria das notificações e das intimações administrativas são promovidas por via postal, 1 Acórdãos nºs 20168026, de 20/05/1992; 20209572, de 14/10/1997; 20171773, de 02/06/1998; 20306545, de 09/05/2000; 10707076, de 20/03/2003; 20208457, de 21/05/2003; 10807562, de 16/10/2003; 10614266, de 21/10/2003; 10246574, de 01/12/2004; 10420408, de 26/01/2005. Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10880.934225/200812 Acórdão n.º 3302005.506 S3C3T2 Fl. 5 4 com prova de recebimento (AR) e que a entrega da intimação no domicílio fiscal eleito pelo sujeito passivo é o quanto basta para que a relação processual se tenha completado, sendo irrelevante se o recibo foi assinado por quem não era representante legal do contribuinte. Tida como válida a ciência, por conveniente, refuto, também, a alegação de ter sido rasgada as regras dos princípios constitucionais e administrativos, como sugere o recorrente, haja vista a definição das normas impostas pelo Decreto nº 70.235/72, não havendo porque afastarse a aplicação ou deixar de observar leis válidas, estando, mesmo, vedado aos Conselheiros do CARF fazê lo, sob fundamento de inconstitucionalidade (art. 62, da Portaria MF nº 343 de 09/06/15RICARF/15), no mesmo sentido do enunciado da Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Em face de todo o exposto, voto por não acatar as preliminares argüidas. MÉRITO A ora recorrente, manifestou inconformidade ao não reconhecimento do direito creditório, defendendo que efetuou recolhimentos a maior em DARF, em razão das ilegalidade e inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo e majoração da alíquota, de 2% à 3%, da COFINS, pela Lei nº 9.718/98. Diante desses argumentos, entendeu a decisão recorrida, improcedente a manifestação de inconformidade, por considerar prescrito o direito de pleitear a repetição do indébito; e por entender não socorrer o interessado eventuais efeitos da declaração de inconstitucionalidade da Lei nº 9.718/98. Quanto ao fundamento do indébito estar em possíveis inconstitucionalidades da Lei nº 9.718/98, entendo não ser papel dos órgão julgadores administrativos discorrer sobre direitos em tese, visto não existir nos autos uma única prova sequer da natureza do indébito, limitandose a ora recorrente a protestar pela posterior juntada de outros documentos e demonstrativos que comprovariam o direito alegado, desnecessários pelos efeitos da patente questão prejudicial de mérito (prescrição) que segue. Quanto à prescrição, o crédito tributário pleiteado via DCOMP nº 01594.54905.270906.1.3.049320 (fls. 02/05), transmitida em 27/09/2006, diz respeito à COFINS cumulativa do Período de Apuração PA 04/1999. Notase, nas informações constantes da DCOMP, que o interessado informou data de arrecadação em 30/04/2002 (fls. 02), porém, conforme consta no DARF (fl. 40), o recolhimento foi efetuado em 10/05/1999. Sobre a repetição de indébito tributário, o Código Tributário Nacional CTN (Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966), assim dispõe: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10880.934225/200812 Acórdão n.º 3302005.506 S3C3T2 Fl. 6 5 ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; (...) Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; (Vide art 3º da LCp nº 118, de 2005) Sobre o prazo para repetição de indébito tributário, o Supremo Tribunal Federal STF, no julgamento do RE 566.621/RS, com fundamento na sistemática da repercussão geral, do art. 543B, do CPC, firmou o seguinte entendimento: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10880.934225/200812 Acórdão n.º 3302005.506 S3C3T2 Fl. 7 6 pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Tratandose de DCOMP transmitida em 27/09/2006 e inexistindo medida judicial, prévia à 09/06/2005, individualizando a garantia do direito ao interessado, aplicase o prazo reduzido para repetição ou compensação de indébitos, fixado pela LC nº 118/2005, prescrevendo o direito de pleitear administrativamente a restituição de valores recolhidos indevidamente, em 5(cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário, conforme inciso I, do artigo 165, do CTN, e entendimentos firmados pelo RE 566.621/RS e pelo enunciado da Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10(dez) anos, contado do fato gerador. Portanto, conforme consta no DARF (fl. 40), ao recolhimento efetuado em 10/05/1999, encontravase prescrito o direito à repetição do alegado indébito, pedido via DCOMP transmitida em 27/09/2006, por força do inciso I, do artigo 165, do CTN, do RE 566.621/RS e da Súmula CARF nº 91. Pelo exposto, voto em negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 82DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.002929/2001-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2000
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO ADICIONAL.
Findo os processos administrativos a que eram decorrentes seus créditos, de se conceder o crédito e homologar as compensações até o seu limite, naqueles em que restou extinto o PA em favor do contribuinte.
Numero da decisão: 1301-003.232
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito de crédito adicional de R$265.270,55 e homologar as compensações até este limite. Vencido o Conselheiro Augusto Daniel Neto que votou por dar provimento integral ao recurso e manifestou interesse em apresentar declaração de voto.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Amélia Wakako Morishita Yamamoto - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: AMELIA WAKAKO MORISHITA YAMAMOTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2000 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO ADICIONAL. Findo os processos administrativos a que eram decorrentes seus créditos, de se conceder o crédito e homologar as compensações até o seu limite, naqueles em que restou extinto o PA em favor do contribuinte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito de crédito adicional de R$265.270,55 e homologar as compensações até este limite. Vencido o Conselheiro Augusto Daniel Neto que votou por dar provimento integral ao recurso e manifestou interesse em apresentar declaração de voto. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente. (assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1501; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 467 1 466 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.002929/200110 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301003.232 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 26 de julho de 2018 Matéria DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Recorrente BANCO BRADESCO FINANCIAMENTOS S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO ADICIONAL. Findo os processos administrativos a que eram decorrentes seus créditos, de se conceder o crédito e homologar as compensações até o seu limite, naqueles em que restou extinto o PA em favor do contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito de crédito adicional de R$265.270,55 e homologar as compensações até este limite. Vencido o Conselheiro Augusto Daniel Neto que votou por dar provimento integral ao recurso e manifestou interesse em apresentar declaração de voto. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 29 29 /2 00 1- 10 Fl. 467DF CARF MF Processo nº 16327.002929/200110 Acórdão n.º 1301003.232 S1C3T1 Fl. 468 2 Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Relatório BANCO BRADESCO FINANCIAMENTOS S.A., já qualificado nos autos, recorre da decisão proferida pela 8a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (SP) DRJ/SP (efls. 201 e ss), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada. Segundo o Relatório do acórdão recorrido: O interessado protocolizou na unidade fazendária, em 27/12/2001, pedido de restituição, cumulado com compensação, o qual se converteu em Declaração de Compensação, a partir de 12/11/2002, nos termos do §5º do art. 74, da Lei 9430/96, e arts. 1º e 2º da IN 233/2002, no montante de R$2.577.887,84. Despacho Decisório da DRF A DEINF/SPO emitiu Despacho Decisório, efls. 144, no qual não homologa a compensação pleiteada, por falta de liquidez e certeza, nos termos do art. 170A do CTN, e ainda aplicou multa isolada com base no artt. 44, iciso IV, c/c art. 2º da Lei 9430/96, incidentes sobre os valores indevidamente compensados de IRPJ estimativa e CSLL estimativa, de março de 2000, objeto do presente processo administrativo. E homologou outras compensações até o limite creditório de R$1.267.435,14, que correspondiam à parcela do Saldo Negativo de IRPJ de 2000, originária de antecipações em DARF. Da Manifestação de Inconformidade Nos termos da decisão da DRJ, segue o relato da Manifestação de Inconformidade,fls. 163/166, que aduziu os seguintes argumentos: 8. Após desenvolver sua argumentação requereu fosse homologado o presente pedido de restituição haja vista que os débitos tributários provenientes das compensações já efetuadas pelo ora impugnante atinentes aos meses de março e maio de 2.000, bem como as respectivas parcelas destinadas ao FINOR, respectivamente, encontramse suspensos (competência março de 2.000) ou extintos (competência maio de 2.000). 7. Requereu, ainda, fosse suspenso o julgamento do presente pedido de restituição (atualmente "Declaração de Compensação"), até o julgamento, em caráter definitivo, do pedido de restituição concernente ao crédito tributário apurado no períodobase de 1.998, exercício financeiro de 1.999 (proc no. 16327.00011739/0004). Fl. 468DF CARF MF Processo nº 16327.002929/200110 Acórdão n.º 1301003.232 S1C3T1 Fl. 469 3 Em julgamento realizado em 05 de julho de 2005, a 8ª Turma da DRJ/SPO, considerou improcedente a manifestação apresentada e prolatou o acórdão 7.459, assim ementado, efls. 201 e ss: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2000 Ementa: Processo Administrativo Fiscal. Sobrestamento. Impossibilidade. O processo administrativo fiscal é regido por princípios, dentre os quais o da oficialidade, que obriga a administração a impulsionar o processo até sua decisão final. Solicitação Indeferida Do Recurso Voluntário A contribuinte apresentou recurso voluntário às efls. 206 e ss, onde reforça os argumentos já apresentados em sede de manifestação de inconformidade, atendose aos seguintes pontos: da antecipação referente ao mês de mar/00 R$450.972,86; da antecipação referente ao mês de mai/00 R$265.270,55; pela homologação dos créditos e extinção de todos os débitos tributários compensados. Da Resolução 10102.605, efls. 235. Os autos chegaram a este CARF e em 29/03/2007, por meio da Resolução 10102.605, a turma entendeu, por unanimidade, em converter o julgamento em diligência, para se encaminhar estes autos à Primeira Câmara para julgamento por aquele colegiado após a realização da diligência no âmbito do PA 16327.001739/0004, e posteriormente acerca do andamento da ação judicial da ação PAF 104140.003203/0035, onde houve a emissão do DCC (Documento Comprobatório da Compensação)10410.005279/9962. Da Resolução 10102.666, efls. 239. Em nova Resolução, de 24/09/2008, diante da pendência dos dois PAs, determinouse, por unanimidade, o retorno dos atos à DRF de origem, até decisão definitiva proferida na esfera administrativa desses processos. Às efls. 315 e ss, foi juntado o Acórdão 1301002.071, de 05/07/2016, em que o Colegiado, por unanimidade de votos, negou provimento ao Recurso Voluntário nos autos do PA 16327.001739/0004, com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 1999 RESTITUIÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. ESTIMATIVAS MENSAIS COMPENSADAS POR FORÇA DE AÇÃO JUDICIAL. Fl. 469DF CARF MF Processo nº 16327.002929/200110 Acórdão n.º 1301003.232 S1C3T1 Fl. 470 4 DECISÃO DESFAVORÁVEL DA JUSTIÇA. COMPENSAÇÃO DAS ESTIMATIVAS INEFICAZ. DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO. Tendo a ação judicial em que se discute créditos de IOF transitado em julgado em desfavor da interessada, resta ineficaz a compensação por ela levada a efeito de tais créditos com débitos de estimativas mensais de IRPJ. Não tendo sido tais estimativas extintas por compensação ou qualquer outro meio, não há de ser reconhecido, nestes autos, direito creditório de saldo negativo de IRPJ que se fundava exatamente em tais estimativas mensais. Contra esta decisão não foi apresentado novo recurso, tendo assim, se encerrado a discussão administrativa, conforme documento de efls. 379. Quanto ao outro PA, 10410005.279/9962 consta do despacho de fls. 381 e ss que se encontra extinto por revisão, conforme efls. 326/331. Recebi os autos por sorteio em 26/01/2018. É o relatório. Fl. 470DF CARF MF Processo nº 16327.002929/200110 Acórdão n.º 1301003.232 S1C3T1 Fl. 471 5 Voto Conselheira Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Relatora. A contribuinte foi cientificada do teor do acórdão da DRJ/SPO e intimada ao recolhimento do débito em 21/10/2005, (AR à efl. 220), e apresentou em 12/11/2005, recurso voluntário, juntado às fls. 206 e ss. Já que atendidos os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72, e tempestivo, dele conheço. Trata o presente caso de Pedido de Restituição, cumulado com pedido de compensação, decorrente de Saldo Negativo de IRPJ do anocalendário de 2000, cujo valor inicial era de R$5.577.887,84. A DRJ proveu parcialmente a Manifestação de Inconformidade e reconheceu o crédito, bem como homologou as compensações de R$1.267.435,14 e FINOR R$244.593,42, restando um saldo remanescente de R$716.243,41 que permanece em discussão no Recurso Voluntário, uma vez que a DRJ entendeu que tal parcela não se encontrava com liquidez e certeza. Pois bem. Essa parcela em discussão decorre de antecipações que foram objeto de outras compensações. Uma delas, referente à antecipação do mês de março/2000, de R$450.972,86, havia sido objeto de Compensação decorrente do ano de 1998, cuja discussão encontrase no PA 16327.001739/0004. Esse processo findou em 05/07/2016, através do Acórdão 1301002.071, cujo Colegiado, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso voluntário do contribuinte, pois o crédito ali utilizado, decorrente de IOF, terminou em desfavor da recorrente, assim, inexistente o crédito, as antecipações realizadas com tais compensações também inexistem, assim como o crédito aqui pleiteado. Contra este Recurso Voluntário não foi interposto nenhum outro, restando definitiva na esfera administrativa, conforme despacho de efls. 381 e ss e informação às efls. 315/322. Com relação ao outro Processo, PA 10410005.279/9962, também encontravase pendente de decisão administrativa, pois não obstante tenha sido expedido o DCC Documento Comprobatório de Compensação, não havia informações acerca do trânsito. Esta parcela estava relacionada com a antecipação de maio/2000, em que o recorrente havia se utilizado de crédito de terceiros, no valor de R$265.270,55. Fl. 471DF CARF MF Processo nº 16327.002929/200110 Acórdão n.º 1301003.232 S1C3T1 Fl. 472 6 Conforme informação do despacho de efls. 381 e ss este processo foi extinto por Revisão de Lançamento, segundo o extrato do processo de efls. 326/331, por Lançamento Improcedente: Dessa forma, entendo que também este processo se findou, mas neste caso, em benefício do recorrente, devendo seu crédito ser reconhecido e as compensações homologadas, caso ainda exista, devendo a unidade de origem fazer este levantamento. Este acórdão deverá ser anexado nos apensos que decorrem deste processo. Diante de todo o acima exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, e DARLHE PARCIAL provimento para conhecer o direito à utilização do crédito de R$265.270,55, bem como homologar as compensações até este limite. (assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto Fl. 472DF CARF MF Processo nº 16327.002929/200110 Acórdão n.º 1301003.232 S1C3T1 Fl. 473 7 Declaração de Voto Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto Peço vênia para divergir da Ilustre Conselheira em relação ao reconhecimento do crédito referente a antecipação do mês de março/2000, de R$450.972,86, havia sido objeto de Compensação decorrente do ano de 1998, cuja discussão encontrase no PA 16327.001739/0004. O processo foi encerrado através do Acórdão 1301002.071, através do qual o Colegiado, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso voluntário do contribuinte, pois o crédito ali utilizado, decorrente de IOF, terminou em desfavor da recorrente, assim, inexistente o crédito utilizado para o adimplemento da antecipação, restando o crédito a ser cobrado pela Administração Tributária. A Conselheira Amelia Yamamoto, em seu voto, segue prevalecente da turma, no sentido de que as estimativas compensadas e não homologadas não dariam direito ao crédito correspondente para a composição do saldo negativo compensado nestes autos na esteira do julgamento do Acórdão CARF nº 1402002.330. Estabeleceu o Colegiado, como marco, a garantia de adimplemento do crédito tributário como condição para que fosse reconhecido o direito creditório correspondente do contribuinte, sob o argumento de que não se poderia pleitear crédito sobre um débito que sequer foi pago. Com a devida vênia, entendo que essa condição só faria sentido diante de um pedido de restituição, que o art. 165 do Código Tributário Nacional exige expressamente a ocorrência de pagamento na forma do art. 162 da mesma lei: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. No presente caso, entretanto, tratase de compensação, cujo tratamento jurídico está delineado no art. 170 do CTN: Fl. 473DF CARF MF Processo nº 16327.002929/200110 Acórdão n.º 1301003.232 S1C3T1 Fl. 474 8 Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com CRÉDITOS LÍQUIDOS E CERTOS, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Da mesma forma, no âmbito federal, dispõe o caput do art. 74 da Lei nº 9.430/96: Art. 74. O sujeito passivo que APURAR CRÉDITO, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. Como se vê da literalidade dos dispositivos, o que a lei exige, para fins de compensação, é que o crédito seja apurado e goze de liquidez e certeza, atributos que restaram efetivamente verificados uma vez que a discussão no âmbito administrativo se tornou definitiva, inclusive com a inclusão dos mesmos em CDAs, tornandoos exequíveis. Portanto, reconheço que a geração de saldo negativo de IRPJ não está condicionado ao efetivo e terminal adimplemento das estimativas, mas ao reconhecimento delas enquanto crédito tributário líquido e certo, não havendo que se confundir fases distintas do fenômeno tributário, quais sejam, o reconhecimento/nascimento do crédito e o seu adimplemento. Um argumento que me parece reforçar a desnecessidade de pagamento ou compensação para que se reconheça o crédito correspondente à estimativa consiste na possibilidade desse crédito tributário declarado e não pago ser extinto por diversas formas, como decadência, prescrição ou remissão, nos termos do art. 156 do CTN, ou mesmo por prescrição intercorrente, no âmbito da execução fiscal, sem que essa ausência de pagamento impeça o aproveitamento da estimativa extinta na composição de saldo negativo compensável. Assim, estou convicto de que o adimplemento ou garantia deste não é condição do reconhecimento do crédito compensável, mas sim a sua liquidez e certeza, hauridas da consolidação administrativa da discussão e da ausência de discussão do montante declarado pelo contribuinte. Nesses termos, voto por dar provimento integral ao recurso voluntário para reverter a glosa de crédito feita pela fiscalização. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Fl. 474DF CARF MF
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